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especial escrit贸rios criatividade em hor谩rio comercial


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editorial

Especial escritório, porque é nesse espaço que passamos a maior parte do dia

C

ada edição da revista Lindenberg tem um fio condutor. Como o partido gráfico de um projeto. Na maioria das revistas, nossos temas são abstratos, como cores, sabores, movimentos, que procuramos traduzir em arquitetura, urbanismo, meio ambiente, qualidade de vida, arte. Nesta edição decidimos tomar o caminho do concreto, do palpável, e nosso foco são os espaços corporativos. Afinal, Win Work é um de nossos mais importantes lançamentos, um novo conceito de edifícios inteligentes para escritórios, que estão sendo erguidos pela cidade de São Paulo e também em Santos. O conceito Win Work é tão significativo, que dedicamos especial atenção na seção Personna, apresentando cinco soluções diferentes para cinco propostas de empresas que já estão instaladas no Win Work Pinheiros, confira na matéria “Uma Laje, 5 soluções”. Para jogar mais luz sobre o assunto, entrevistamos o arquiteto brasileiro Roberto Zarvos Linhares, da Herbert + Linhares Architects (HL ARC), que há 20 anos trabalha em Miami, e é um forte defensor da nova tendência de espaços múltiplos, que reúnem moradia, trabalho e lazer em um único espaço. Aproveitamos para falar, também, dos edifícios corporativos mais altos (e curiosos) do mundo, como as Petronas Twin Towers, em Kuala Lumpur. Seguindo o pensamento dos meninos do Vale do Silício, psicólogos e especialistas em Recursos Humanos são unânimes: os escritórios precisam ser bonitos e agradáveis para conseguir maior rendimento dos funcionários, como demonstra a matéria “Feliz no Escritório”, e como sugerem os objetos coloridos e divertidos que estão na seção “Úteis”. O advogado e escritor, presidente da Academia Paulista de Letras, Antonio Penteado Mendonça, escreve, com exclusividade, sobre sua relação com a Avenida Paulista, a principal artéria corporativa da cidade. Descobrimos, nos Estados Unidos, que a artista plástica Susan Frost cria obras de arte com sucata de computador, e um de seus trabalhos mais instigantes, QWERTY, utilizou mais de 120 mil teclas. “Esses teclados trazem histórias”, diz a artista, o que nos levou a contar um pouco da história da máquina de escrever, o equipamento mais importante dos escritórios de ontem, que hoje é peça de museu.

O Grupo Itambé, com atuação no mercado imobiliário desde 1971, é líder brasileiro em consultoria e gerenciamento imobiliário, destaca-se no mercado brasileiro por valorizar os clientes e parceiros considerando o que é importante em seus negócios e atendendo cada cliente de forma única, oferecendo suporte financeiro, administrativo, operacional, assessoria jurídica e propondo soluções personalizadas para necessidades específicas. Com um gerenciamento especializado, nosso atendimento é feito pelos melhores especialistas do mercado com atuação nos segmentos de condomínios residenciais, comerciais, integrados, galpões logísticos, centros médicos, resorts, conpublicidade pag_3_elgin domínios clube e associações.

Por que escolher a Itambé? Mais de 42 anos de experiência em administração de bens e patrimônios; 13 milhões de m2 comerciais e residenciais; 60 novos empreendimentos implantados em 2012; 40 mil unidades administradas; Membro fundador do Green Building Council Brasil; Pioneira na implantação do sistema pay-per-use nos condomínios residenciais no Brasil; Alto padrão de qualidade na operação condominial.

Adolpho Lindenberg Filho e Flávio Buazar

Lindenberg

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www.itambe.net Empresas e negócios do Grupo:


Marketing

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Carla Fernandes Direção de arte

Lili Tedde Editora-chefe

Lindenberg não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. As pessoas que não constam do expediente da revista não têm autorização para falar em nome de Lindenberg ou retirar qualquer tipo de material para produção de editorial caso não tenham em seu poder uma carta atualizada e datada, em papel timbrado, assinada por pessoa que conste do expediente.

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Felipe Reis

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Maiá Mendonça (Mtb 20.225) Tiragem desta edição 15.000 exemplares

Nossa Capa foto Getty Images

Maria Eugênia

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Jornalista Responsável

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R. Joaquim Floriano, 466, Bloco C, 2º andar, São Paulo, SP, tel. 3041-5620 www.grupoldi.com.br

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Gráfica

Ipsis Gráfica e Editora S.A.

Valentino Fialdini

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Cláudia Campos, tel. (11) 3041.2775 cel. (11) 99910.4427 lindenberglife@lindenberg.com.br

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Maria Eugênia

Arte

Marcelo Pitel

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Revisor

Claudio Eduardo Nogueira Ramos

06 Notas 14 Bairro Descubra a Vila Mariana 22 Urbano Os maiores edifícios do mundo, até hoje 30 Poéticas urbanas Pode a arquitetura ser sublime? 32 Primeira Pessoa A Avenida Paulista e eu 34 Entrevista Espaços múltiplos em pauta, e em alta 38 Personna Uma planta, cinco estilos 56 Úteis Para escritórios descolados 62 Qualidade de vida Feliz no escritório 64 Arte Existe vida depois da tecnologia 68 História A máquina de escrever, lembra? 74 Roteiro Na Escócia, a rota do uísque 76 Turismo Cingapura, Hong Kong e Tóquio 82 Filantropia Libertários: uma nova imagem para o Capão Redondo 84 Sociedade Autismo, uma realidade 86 Vendo um Lindenberg 88 Em obras

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Colaboradores

Adriana Brito, Ale Staut, Antonio Penteado Mendonça, Camille Comandini, Felipe Reis, Flavio Nogueira, Fernanda Macedo, Instituto Azzi, João Ávila, Judite Scholz, Juliana A. Saad, Maria Eugênia, Marianne Piemonte, Patricia Favalle, Sabrina Conde, Rosilene Fontes, Thaís Iervolino

Felipe Reis

Maiá Mendonça

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Conselho Editorial

Adolpho Lindenberg Filho, Flávio Buazar, Marcelo Buazar, Rosilene Fontes, Carla Fernandes

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é uma publicação da Construtora Adolpho Lindenberg Ano 10, número 45, 2013

Maria Eugênia

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sumário

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notas

LANÇAMENTO COMERCIAL ADOLPHO LINDENBERG Múltiplos efeitos

Gerar a sensação de movimento à medida que as lâmpadas se acendem foi a proposta do designer Fernando Bernucci ao criar a luminária Boule, feita de tecido laminado e formas arredondadas que jogam com o efeito raso-e-profundo. A Boule concorre ao prêmio IDEA Brasil 2013. artmaison.com.br

Secagem macia

O algodão egípcio tem um forte concorrente na região do Mar Egeu, no leste da Turquia, reconhecida por produzir um dos melhores algodões do mundo. Um processo tecnológico aplicado no sistema de tecelagem deixa o tecido absorvente e supermacio. É ele a estrela das toalhas de banho Hydrocotton, mais grossas e também mais leves, que se encontram na loja virtual Lolahome. Lembrete: elas existem em tamanho gigante. lolahome.com.br

By appointment

Engana-se quem pensa que as moderníssimas e tecnológicas camas Auping são um produto dos dias de hoje. A empresa holandesa completa 125 anos, e a excelência e qualidade de suas camas mereceu o título real outorgado pela coroa holandesa. Para comemorar a data, a empresa lançou a linha Royal, uma cama com até cinco motores: região da cabeça, costas, lombar, joelhos e pés, acionados por controle remoto infravermelho sem fio. E o melhor, em tempos de falta de domésticas: o sistema Cleaning Position articula a cama em “V” para facilitar a limpeza do quarto. Ah! Eles também fabricam travesseiros, edredons e roupas de camas, além de acessórios como mesinhas, luminárias, etc.

Casa dos Leões

A bela São Petersburgo, na Rússia, acaba de receber mais uma joia para sua coleção de riquezas históricas: O Four Seasons Hotel Lion Palace St. Petersburg, confortavelmente instalado no palácio que foi imortalizado no poema O Cavaleiro de Bronze, de Alexander Pushkin, publicado em 1833. Para receber o hotel, o Lion Palace passou por uma restauração que respeitou o projeto original do arquiteto Auguste de Montferrand e a história da Casa dos Leões. O palácio, que pertencia aos príncipes LobanovRostovsky, foi construído em forma de triângulo e por dois séculos teve sua entrada guardada por dois leões de pedra. Depois da revolução russa tornou-se sede de um ministério de Estado. O prédio sofreu todo o tipo de alteração e descaracterização até ser transformado em um hotel que resgatasse sua importância. O interior é impecável, a escadaria remete ao Museu Hermitage e a atmosfera é palaciana. São 151 apartamentos e 26 suítes, com detalhes de época, e tecnologia e conforto do século 21. E os dois leões de pedra voltaram a guardar a entrada do glorioso edifício.

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a 600m de um ícone da cidade, o Parque do Ibirapuera e ainda contar com um Open Mall de serviços que facilitam o seu dia a dia.

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Incorporação e Construção:

Incorporação imobiliária registrada sob o R.02 da matrícula 113.815 do 1º oficial de registro de imóveis de São Paulo em 25 de abril de 2013. Vendas: Abyara creci 20.363-J e Vendre creci 020267-j. Perspectivas ilustradas sujeitas à alteração. A vegetação apresentada em porte adulto será atingida em alguns anos após a entrega do empreendimento, de acordo com projeto de paisagismo contratado.


notas

Grandes Damas

A inspiração foram as grandes mulheres da história, como Haruko, a imperatriz do Japão, Vitória, rainha da Inglaterra do século19, e Boudicca, celebrada no século 12 na cultura celta. O resultado é a coleção Le Grandi Donne, criada por Pepê Lima. As chaises são feitas com madeira cumaru certificada pelo Ibama, tela sling, alumínio e fibra sintética. E o resultado “uma releitura de feitos históricos sob a ótica de sua influência para o mundo moderno”, segundo o artista.

INOVAÇÃO AO ALCANCE DE SUAS MÃOS

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Caixinhas porta tudo, feitas de resina de poliéster ganharam uma sofisticação especial: tampas com cristal Swarovski Elements. Ideia da By Poli. bypoli.com.br

Uma estrutura tubular e, sobre ela, uma única peça de couro perfurada, que faz o papel de assento e encosto. Essa é a poltrona Skin, desenhada pelo arquiteto Jean Nouvel para Molteni & C, em 2011, e que está na Montenapoleone.

Kit de couro para mesa de escritório com risque-rabisque, porta-canetas, porta-clips e porta-cartão lepaquet.com.br

Cristal negro

O preto invade a mesa de jantar, e quem confirma a tendência é a Christofle, com sua interessantíssima coleção de copos de cristal da coleção Kawali. christofle.com

montenapoleone.com.br

Clássico revisitado

Da italiana Natuzzi, reconhecida pela qualidade de seus móveis de couro, o sofá Respiro tem desenho do Studio Natuzzi e pés de metal novoambiente.com

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Referência de Sofisticação

Pedra de Esquina Mármores & Compostos Show Room: Av. Nações Unidas, 15077 - Chác. Santo Antônio - SP 55 (11) 5180-7599 / www.pedradeesquina.com.br


notas

Vale presente

O resort Transamérica Ilha de Comandatuba, um dos melhores hotéis para se passar férias e feriados com a família, criou o Comandapass, ou seja, um vale presente para no mínimo três noites, com programações especiais para comemorar aniversário, passar dias românticos ou jogar golfe. Para ter uma ideia, o pacote romântico oferece transfer privativo, café da manhã na cama, passeio de lancha ao pôr do sol e jantar no restaurante da praia. transamérica.com.br

Rio japonês

Kazumi Yoshida, designer têxtil e diretor de criação da Clarence House, empresa trendsetter em papéis de parede e tecidos, esteve recentemente no Brasil para conferir e aprovar as estampas dos tecidos que criou exclusivamente para a Safira Sedas. Com um trabalho muito colorido, uma das estampas mais bonitas é a Rio, “impossível não se inspirar com as belezas naturais do Rio de Janeiro”, confessa o mestre que também é escultor e sonha em criar uma escultura bem grande com o tema “salve nosso belo planeta”.

PISO ELEVADO WERDEN. PORQUE A QUALIDADE É A ESSÊNCIA DAS GRANDES OBRAS.

A marca Werden está cada vez mais presente nos grandes empreendimentos.

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O Piso Elevado Acústico Werden apresenta um novo conceito de eficiência e tranquilidade. Rápido de instalar, além de trazer um apoio antivibratório que atenua os ruídos, ele possibilita interligação de sistemas: cabeamentos, automação e aspiração central, entre os ambientes e aceita todo tipo de revestimento.

Museu da floresta

Nem todo mundo sabe, mas dentro do Horto Florestal, o maior parque do Brasil, existe um museu. Inaugurado em 1931 por Octavio Vecchi, o Museu Florestal foi criado para salvaguardar espécimes da fauna e flora do Estado de São Paulo. Instalado em um casarão com vitrais produzidos pela Casa Conrado, o Museu ficou 10 anos fechado, passou por uma reforma, e está em processo de revitalização. O Museu abriga o maior xiloteca da América Latina, e tem uma quantidade imensa de espécies de madeiras diferentes e em cada uma delas está esculpida a semente e a folha daquela árvore. Imperdível.

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iflorestal.sp.gov.br

No elegante Mônaco, há 150 anos acontece o Weekend d’Exception, um fim de semana repleto de atividades elegantíssimas, iniciativa do Grupo de Turismo Monte-Carlo SBM, com apresentação da Orquestra Filarmônica de Monte-Carlo, jantar-piquenique com Alain Ducasse, entre outras atividades. Para comemorar esse aniversário, os irmãos Campana, dupla de designers pra lá de conhecida, e cobiçada, inauguraram a exposição Dangerous Luxury, dedicada ao Principado de Mônaco. A exposição traduz o luxo como um conceito onde um objeto qualquer pode ser transformado em algo luxuoso. A inauguração contou com a presença do príncipe Albert II de Mônaco. Ainda não se sabe quando, e se, as peças serão vendidas no Brasil.

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Campanas na realeza


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A mamãe aperta. O papai gira. E a família toda economiza. Mistura fina

A KitchenAid tem um mixer de mão que é um show. O Immersion Blender Contour Silver tem cinco velocidades, braço removível e chega no fundo das panelas e tigelas e jarras. Para misturas rápidas e práticas.

Mangue seco

O designer Roque Frizzo se rendeu à beleza do emaranhado da vegetação dos mangues do litoral brasileiro e criou a mesa Mangue exclusivamente para a Saccaro. As raízes dos manguezais são os pés da mesa de jantar de madeira, que ganhou tampo com as pegadas dos caranguejos. Apenas 70 peças, em edição limitada, serão comercializadas no Brasil e no exterior. saccaro.com.br

De volta para o presente

Maria Eudóxia Mellão sempre foi conhecida pelo bom gosto. Quem já passou dos 40 anos deve se lembrar da sua Mello, Mellão e Cia, uma loja lotada de objetos e presentes bacanas. A artista plástica de mil habilidades abriu a MEudoxia, e meio que reeditou a antiga loja com mais de 1.500 itens de decoração e acessórios, peças únicas criadas por ela. Vale a pena conferir, na Rua Tutoia, 52.

ResidencialFlex. A única linha de produtos no

Darth Vader, um dos principais personagens da trilogia Guerra nas Estrelas, virou cadeira. Assinada por Nathan Yong e lançada no Salão de Milão, a cadeira Vader pode ser encontrada na Casa Matriz.

mundo para uso residencial com duas formas de acionamento. Você gira para fluxo contínuo, aperta para fechamento automático e tem o

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Girar ou apertar. Você escolhe como economizar.

máximo controle de uso da água na sua casa.


bairro

Moderno e revitalizado

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Entre os encantos de sua arte, arquitetura e histテウria, a Vila Mariana se prepara agora para receber projetos que transbordam o mais perfeito estilo de morar, trabalhar e viver Por Flテ」io Nogueira | Fotos Felipe Reis

O antigo matadouro da cidade foi transformado na Cinemateca Brasileira, dona de um dos maiores acervos de filmes do Paテュs


foto Mari Vaccaro

bairro

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Vila Mariana, bairro da zona sul da capital paulista, é quase uma poesia, suas ruas são como versos estruturados que esbanjam beleza e história. Sua atmosfera, como as palavras do poeta, que sensibilizam e despertam sentimentos. E não é à toa. As imediações abrigam alguns dos museus mais importantes da cidade, o Parque do Ibirapuera, o Monumento das Bandeiras, cartão-postal criado pelo escultor Victor Brecheret, e construções assinadas pelos catedráticos da arquitetura brasileira Oscar Niemeyer e Gregori Warchavchik. Sem quantificar o número de universidades, escolas, “restôs” e cafés que encabeçam a lista top da cidade e os novos empreendimentos projetados pela Lindencorp que aportam em breve por lá. Privilegiada por sua vizinhança, a Vila Mariana está perto de tudo. A cinco quilômetros do centro e a cerca de 20 minutos do aeroporto de Congonhas. As linhas Verde e Azul do metrô ligam o bairro a diversos pontos de Sampa, de norte a sul, de leste a oeste. Afora isso, ela também é abraçada pelas principais veias da cidade, as avenidas Paulista – o mais importante centro financeiro da América Latina –, a 23 de Maio, a Ibirapuera e vias do porte das ruas Sena Madureira e Domingos de Morais.

Considerada uma das regiões mais desenvolvidas, o bairro é composto também por Moema e Saúde. Segundo a subprefeitura, o número de moradores hoje está perto de 344 mil, numa área total de 26,50 quilômetros quadrados. Os números do nível de escolaridade, por exemplo, dizem muito: o ensino Médio foi concluído por 71% dos que lá vivem, superior aos 33,68% da média municipal, o que reflete na percentagem de analfabetismo que beira a 1%, quatro vezes menor que os 4,88% da urbe. Para o historiador Wellington Mello, esses dados são reflexos da biografia do bairro. “Vamos dizer que a Vila Mariana nasceu em meio ao glamour, já no século 19, quando muitas famílias abonadas construíram suas casas na região por conta da altitude, proximidade e condições climáticas. Quando em 1887 começou a funcionar o Matadouro Municipal – espécie de frigorífico que abastecia toda a capital – o crescimento ficou mais evidente, em seguida instalações de fábricas, oficinas e escolas surgiram no contorno, assim como o Instituto Biológico. Com isso, podemos perceber que o lugar tem essa essência de progresso desde quando foi habitada”, explica.

E, aos poucos, a Vila Mariana começou a desenvolver-se, recebeu imigrantes de diversas partes do mundo e tornou-se o que é hoje. A empresária Dirce Vaz, 70 anos, Didi como gosta de ser chamada, nasceu, cresceu, casou e vive até hoje lá. Ela acompanhou parte desse crescimento. “Vivi aqui minha vida inteira, sou uma pessoa saudosista, às vezes sinto falta dos pequenos comércios e da intimidade que tínhamos com os vizinhos. Mas também acho incrível como os tempos mudaram e as coisas são mais fáceis. Essas padarias enormes que vendem tudo no domingo à noite, não é maravilhoso?”, e completa: “Esse lugar é minha vida, acompanhei cada mudança, a Avenida Lins de Vasconcelos é outra. Mas sabe o que é interessante? Aqui tem muita casinha da década de 40 em meio a esses prédios gigantes, é tudo tão melodioso. Eu amo”. Para integrar e conferir mais encanto a toda essa estrutura a Lindencorp já investe na região e conta com empreendimentos como: Villa 156, Petit 307, Trend Paulista Offices, e Win Work Ibirapuera e Aristo by Lindenberg, que será inaugurado em agosto, esses dois últimos com projeto assinado pelo renomado escritório KV – Konigsberger Vannucchi. Todos

O antigo prédio do Detran foi ocupado pelo MAC, e o melhor da arte contemporânea nacional e internacional. O novo espaço merece visita. O edifício da ESPM, Escola Superior de Propaganda e Marketing. Na página ao lado, caminhada no final da tarde no Parque do Ibirapuera


bairro

Perspectiva do mall projetado para o Win Work Ibirapuera, o bicicletário medida tomada para respeitar os princípios de sustentabilidade e uma das propostas de space planning para um dos offices boutique

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de alto padrão expressando o melhor jeito de morar e trabalhar. O Aristo by Lindenberg, projeto residencial localizado em um terreno com 3.056 metros quadrados, na Rua Humberto l com Rua José Antônio Coelho, uma única torre contemporânea, que abrigará, em seus 22 andares, 88 apartamentos de 87,5 metros quadrados, com duas suítes, terraço gourmet, estrutura para churrasqueira, infraestrutura para persianas automatizadas e ar condicionado. Além disso, os moradores desfrutarão de todo o conforto e segurança de um projeto que usufrui ao máximo da iluminação natural, diminuindo assim os gastos com energia elétrica. Os pisos contam com atenuação acústica, cobrindo os ruídos de impacto entre andares.

Cada apartamento terá, também, um depósito individual no subsolo. No quesito segurança, o condomínio oferecerá, além da guarita blindada, planejamento estratégico, todas as residências contarão com fechaduras biométricas nas portas sociais, tudo harmonizado com o layout do projeto. Nas áreas comuns, o décor fica por conta do mestre René Fernandes e o paisagismo nas mãos de Benedito Abbud, que incluirá na concepção apenas plantas nativas. Para os dias de dolce far niente, os habitués terão uma piscina com raia de 25 metros e tratamento de ozônio, integrada à sala de massagem, sauna e espaço fitness com equipamentos de última geração. O condomínio proporcionará vagas para visitantes.

E os benefícios não param por aí. Quem vive numa metrópole como São Paulo sabe bem o quanto custa a qualidade de vida, morar próximo ao trabalho é um sonho para poucos. Imagine as vantagens de viver na maior urbe do País sem pegar congestionamento no dia a dia? Pensando nisso, além do Trend Paulista Offices, o bairro vai ganhar um edifício corporativo na Rua Dr. Amâncio de Carvalho, 182, o Win Work Ibirapuera. Em uma única torre serão 98 exclusivos Offices Boutique com conjuntos de 63 a 192 metros quadrados, portanto mais espaçosos, e infraestrutura de primeira para os clientes. O Win Work oferece praça de convivência, ambiente open mall para nove lojas, bikelin – espaços para bicicletas e vestiários para ciclistas,


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Fachada do Aristo by Lindenberg, no Ibirapuera, e a planta do piso inferior de um dos apartamentos duplex

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Na pagina ao lado, a exuberância do verde do Parque da Aclimação, a beleza do edifício do Instituto Biológico e uma das unidades do Sesc, são algumas das atrações da Vila Mariana

pontos elétricos para veículos híbridos, quatro elevadores inteligentes e telhado verde, adaptando a sustentabilidade e eficiência energética.

o Veloso, não deixe de provar uma das melhores coxinhas de frango com catupiry e uma das mais perfeitas caipirinhas de frutas vermelhas”, revela.

pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado, foi reconhecida como Patrimônio Histórico pelo Iphan.

O Win Work irá apresentar para seus condôminos o serviço pay-per-use, com contratação de coffee break, tradutores, aulas de idioma, manutenção de TI, administração de bens e manutenção e limpeza das unidades. Tudo isso numa das melhores localizações de São Paulo e ao lado do Parque do Ibirapuera.

A poucos minutos dali, na Rua Loefgreen temos o Lady Fina Café, da apresentadora de TV Laura Wie, o simpático bistrô lembra as antigas casas de chás berlinenses. A seleção de doces é de abalar todos os sentidos, não saia do lugar sem experimentar a Torta Marta Rocha, que leva nozes crocantes, suspiro e pêssego. Nessa mesma pegada, só que com um toque mais oriental, tem a casa de chá egípcia Khan el Khalili, que oferece as bebidinhas mais exóticas e deliciosas da região com clima da terra das pirâmides.

Na Rua Berta fica a antiga morada e ateliê do artista plástico Lasar Segall, o museu que leva seu nome é uma construção de 1932, trabalhos de Segall dividem espaço com diversos cursos ministrados. Sem contar as atrações do Sesc, dos museus instalados no Parque do Ibirapuera com traços de Oscar Niemeyer e da Cinemateca Brasileira, que além de receber diversos festivais de cinema tem em seu acervo mais de 200 mil rolos de filmes restaurados e preservados. A Vila Mariana é assim: repleta. Por aqui nada passa despercebido, nem mesmo para os mais desatentos.

BON VIVANT Para quem não dispensa um bom programa com os amigos, além dos parques (do Ibirapuera e da Aclimação) que existem na vizinhança, a dica é explorar os arredores. O menu é vasto e agrada a gregos e a troianos. A publicitária Andrea Menezes, 24 anos, dá a dica: “Troquei Campinas pela Vila Mariana há apenas seis meses e estou encantada. Adoro a charmosa Rua Conceição Veloso, lá fica um dos bares mais descolados,

Para os amantes das artes e história o bairro é um caldeirão de inspiração. A Rua Santa Cruz acolhe a casa projetada pelo arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik, considerada a primeira residência modernista do Brasil. A morada, além de ter sido tombada em 1986

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urbano

No topo

do mundo Considerados marcos da arquitetura contemporânea, os superedifícios mudam a geografia local e surgem com tecnologia de ponta e sistemas construtivos cada vez mais democráticos – e altos. A revista Lindenberg mapeou os mais vertiginosos para você Por Patrícia Favalle

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ão é de hoje que o homem anseia tocar o céu. Em tempos remotos, o desejo era saciado com incontáveis faróis, pirâmides e obeliscos. Porém, em nenhuma das formas longilíneas ou sobrepostas o arquétipo parecia funcionar. Foi apenas no começo do século 19, já com o frenesi capitalista, que os prédios subiram até o quinto andar – e o esforço para vencer os degraus feitos em espiral sufocava o fôlego de ir adiante. Aos poucos, os métodos de alvenaria foram substituídos por técnicas produzidas em série e que utilizavam o concreto armado e as estruturas de ferro e de aço. A engenharia só precisava encontrar uma alternativa para driblar as escadas. E ela veio com a invenção de Elisha Otis, em 1852. A partir de então, iniciava-se a disputa pela construção do mais alto empreendimento da Terra.

Uma das cenas do filme “Missão Impossível: Protocolo Fantasma“, em que Tom Cruise escala o prédio e dispensa o dublê, aconteceu no Burj Khalifa Bin Zayild, em Dubai, nos Emirados Árabes

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Além de figurar como cartões-postais modernos, as edificações de linhas descomunais simbolizam o poderio econômico e acenam como parte das demandas que entopem as grandes metrópoles de gente. Esse é o protótipo das corporações e das habitações do presente. Baseada na Escola de Chicago, a arquitetura adotou as fachadas constantes e os pavimentos com jeito de blocos para dar vazão à fantasia da verticalização, com forte influência no traço de Louis Sullivan (“a forma segue a função”) e também pelos movimentos originados em Glasgow e Bauhaus, cujas premissas rejeitavam a ornamentação excessiva e as volumetrias não racionais, optando por paredes lisas e enormes planos de vidro. Com o advento dos elevadores elétricos e o conhecimento conquistado em áreas do alicerçamento, da resistência e dos isolamentos acústico e térmico, os profissionais puderam empunhar réguas e esquadros até os beirais das pranchetas. Somado a isso, o esqueleto ortogonal e a flexibilidade das plantas consentiram a criação de espigões como o Chrysler Building e o Rockfeller Center, ambos em Nova York.


urbano

Terreno fértil Mas nem tudo foram flores para os defensores dessa neotendência. Embora os principais centros cosmopolitas já convivessem harmonicamente com as moradias compartilhadas e com os conjuntos comerciais desde 1873, data da inauguração do Equitable Life Building (ancestral do Empire State Building e do World Trade Center), os impactos causados à mobilidade urbana, por exemplo, despontavam como antipropaganda aos seus inúmeros benefícios. Se havia oposição à instalação dos grandalhões, bastou a matemática entrar em cena para equilibrar a problemática. A teoria conhecida como “solo criado” evidenciava o ganho potencial construtivo diante do custo das propriedades, já que o metro quadrado é calculado por sua superfície total, ou seja, quanto mais se estende horizontalmente, mais caro ele é. Convencida pelos números, a população logo se dobrou ao sombreado dos arranha-céus. Idealizadas para serem multifuncionais, as edificações acolhem desde unidades hoteleiras até serviços, entretenimento e business. Ainda que a paisagem seja transformada pela presença delas, para minimizar os efeitos colaterais, hoje as construtoras trabalham com mapeamento detalhado dos bairros que receberão tais investimentos, melhorando, assim, os entornos com ações de acessibilidade, segurança, conforto visual e ambientes verdes. Caminhando nas nuvens O superbuilding a ser batido no tamanho, de acordo com o Council on Tall Buildings and Urban Habitat (entidade internacional que regulamenta o segmento), ainda é o Burj Khalifa Bin Zayid, ancorado em Dubai, nos Emirados Árabes. Seguindo os padrões ianques, Adrian Smith cravou os 828 metros de altura no coração da cidade. São 160 pisos com ocupação mista: o endereço tem de mesquita e escritórios (comercializados a US$ 43 mil o metro quadrado) a suítes faraônicas, observatório e o hotel Armani. Para quem sobrevoa a obra, há o privilégio de avistar o domo com vieses de flor de lótus. Soa paradoxal, mas a verdade é que o gosto megalômano do Tio Sam encontrou seguidores na comunidade islâmica. A prova está no Abraj Al Bait Towers, um complexo situado em Meca, que dispõe de sete torres agrupadas em hotel e centro de negócios. A cereja do bolo é o relógio de quatro faces.

Já as gêmeas malaias ficam pequeninas perto de tantas tops, mas é impossível ignorar a estética com um quê de Antoni Gaudí, numa versão ampliada da Sagrada Família. As Petronas Twin Towers, de Kuala Lumpur, levam a assinatura do argentino Cesar Pelli, que deu aos escritórios, espalhados por 452 metros, borrifadas majestosas.

Imaginado por Yansong Ma, o Absolute World, em Ontário, no Canadá, gira 209 graus a partir da base

Terry Ozon

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Deposto da vice-liderança, o Taipei 101, projetado por C. Y. Lee, segue firme entre as Sete Maravilhas do Mundo Moderno. As camadas que se elevam umas sobre as outras acentuam o desenho tradicional chinês com uma pitada recheada de vanguarda. O lugar reúne offices, centenas de lojas, restaurantes e clubes privés.


Nem um pouco comedido, o Chang Building é daqueles elefantes brancos que ninguém esquece que viu. Em Bangcoc, o robusto imóvel esquematizado pelos tailandeses Arun Chaisaree e Ong-Ard Satrabhandu sustenta 32 níveis repartidos entre alas comerciais, residenciais, shopping e bosques. Especialista em converter o óbvio em notas surreais, o dinamarquês Bjarke Ingels se vale do desenvolvimento sustentável para criar espaços versáteis e únicos. Do W habitável ao Y invertido, ele teve tempo de se inspirar na confluência do sustenido

Projetado por Zaha Hadid, o Galaxy Soho Building, em Pequim, é um insinuante mix de alumínio, pedra, vidro e aço, todo interligado por pontes e passarelas

Divulgação

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Não é o que parece ser E quando se pensa que a criatividade saturou, os olhos se voltam ao Tianzi Hotel, na província de Hebei, na China. As três figuras que dão contornos à silhueta de dez andares são as divindades da sorte, prosperidade e longevidade, respectivamente, Fu, Lu e Shou. Na mão do deus mais velho, o pêssego – acreditem! – é uma suíte panorâmica.

para arrematar o Yongsan International Business District. Passadiços longitudinais cortarão o design com desfechos tridimensionais, o que dará a Seul sua hashtag personalizada. Se a maioria sonha em alcançar a estratosfera com naves de cimento – e que não decolam –, há quem reme contra a maré. Foi o que fez a empresa Longaberger, expert em cestos de madeira, ao estabelecer sua sede em Ohio, EUA. Com apenas sete andares (uma afronta aos 388 metros de altura do Austrália 108), a obra é uma réplica 160 vezes maior da tradicional cesta de piquenique. Devaneios à parte, o Galaxy Soho Building, em Pequim, ostenta os traçados inebriantes de Zaha Hadid. O local é um mix de alumínio, pedra, vidro e aço inoxidável, composto por quatro estruturas abobadadas interligadas por pontes e plataformas. No fim, um enredo cheio de interpretações, que modificam as cercanias e reconectam os tecidos urbanos ao século 21 rumo às odisseias que só foram contadas na ficção científica.


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Antenas ligadas Sem data para abrir as portas, o residencial Pentominium Dubai nasceu embalado por superlativos – e deve estrear como o maior da sua categoria. Serão 122 andares distribuídos por 516 metros, a um custo recorde de US$ 400 milhões. Missão semelhante tem a duplinha sinuosa Absolute World, em Ontário, no Canadá. Imaginado por Yansong Ma, o organismo gira 209 graus a partir da base em direção ao topo.

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Sem se equiparar aos recintos nômades de Fisher, mas com vontade de passar para a história com status de monumento, a Azerbaijan Tower promete dar um “up” ao sul de Baku. A proposta de Ibrahim Ibrahimov, que só toma corpo em 2015, é descrita pela imponência de 189 andares e cifras de US$ 3 bilhões.

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Por sinal, o esboço rotativo é mote antigo no meio dos croquis. O italiano David Fisher empregou novidades ao tema ao apresentar a Dynamic Tower, que deve fazer parte do skyline de Dubai nos próximos anos. Os 80 andares trarão apartamentos luxuosos, entre 124 e 1.200 metros quadrados, com direito a estacionamento particular na própria unidade. As placas eólicas devem abolir o uso da energia elétrica, enquanto os módulos pré-fabricados independentes garantirão composições móveis.

Para fechar a conta, o Hermitage Plaza, em Paris, pretende plugar a capital francesa a Matrix, isso até 2017. A previsão é que funcionem simultaneamente parques, lojas e bistrôs.

dispara Busca de iNvestiMeNto eM iMóveis. coM teNdêNcia de alta, Mercado deve coNtiNuar aquecido até 2017.

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entrevista

Vista frontal de Coconut Creek

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A proposta de morar, trabalhar, consumir e divertir-se num mesmo espaço resultou nos chamados edifícios de uso misto. Desde então, as metrópoles passaram a ter dimensões intermináveis | Por Adriana Brito

fotos: arquivo pessoal

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para viver

arquiteto suíço Le Corbusier costumava afirmar que o tempo e a distância despendidos por pessoa para a execução de suas atividades diárias compunham um desafio e tanto para quem pensava o desenho urbano. Enquanto isso, no Brasil, já nos anos de 1950, o Edifício Copan, localizado em São Paulo, e o Conjunto Governador Juscelino Kubitschek, construído na capital mineira, ambos projetados pelo brasileiro Oscar Niemeyer, absorveram com propriedade a teoria da cidade dentro da cidade, cujo diferencial estava na inserção de megacomplexos, com moradias e redes de comércio e de serviço, em regiões de grande visibilidade – e não mais num bairro isolado, seguindo os moldes das vilas clássicas. A partir da década seguinte, as construtoras incluíram os rentáveis centros de consumo na aquarela metropolitana, dotados de lojas multimarcas, playground, praças de alimentação, estacionamento e segurança privada, ao inaugurar o Shopping Iguatemi na zona oeste paulistana em 1966. A paisagem abraçou

elasticidade parecida nos períodos seguintes, mesmo com o atraso da evolução dos sistemas de transporte, até atingir o ápice no adensamento populacional de alguns núcleos e colocar a qualidade do deslocamento coletivo em xeque. Não foi à toa que virou o tema de protestos por todo o território nacional e da X Bienal de Arquitetura de São Paulo, que termina em 24 de novembro deste ano. A Lindencorp pegou a onda, ao lançar o Trio Ribeirão, e convidou para falar da relação desse tipo de empreendimento com as metrópoles, o arquiteto Roberto Zarvos Linhares, da Herbert + Linhares Architects (HL . ARC), brasileiro radicado em Miami, na Flórida, com mais de 25 anos de carreira dedicados aos edifícios de uso misto – ou mixed use – nos Estados Unidos, América Central, Caribe e Brasil, caso da maioria dos shopping centers da rede Iguatemi; do Coconut Creek, na Flórida; e do Rio Piedras, erguido no distrito hondurenho de San Pedro Sula, o profissional lançou luz sobre os novos queridinhos da construção civil.


entrevista

Vista geral de Coconut Creek Coconut Creek

O arquiteto Roberto Zarvos Linhares

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Num momento em que manifestantes de várias cidades brasileiras protestaram pela melhoria da qualidade do transporte público e que lugares como São Paulo possuem vias com carros trafegando a menos de 10 quilômetros por hora nas faixas de rush, quais seriam as vantagens das edificações de uso misto para a mobilidade de seus habitantes?

Numa rápida olhada para a extensa problemática que transformou as metrópoles num labirinto caótico, fica evidente que por conta da conveniência proporcionada aos usuários de dispor, num mesmo endereço, dos escritórios, apartamentos e a estrutura de lazer e de consumo dos shoppings, o conceito de empreendimentos mistos veio mesmo pra ficar. Tivemos uma mudança na maneira de como as pessoas utilizam o ambiente urbano nas últimas décadas. Nos anos de 1950 e 1960, nos Estados Unidos, e de 1970, no Brasil, havia o sonho das grandes comunidades residenciais afastadas do frenesi cosmopolita, como foi feito na Granja Viana e em Alphaville (condomínios planejados de alto padrão que reúnem comércio, cultura e entretenimento), onde as famílias viviam em casas com muitos dormitórios, jardim, piscina e churrasqueira. E aí, o que aconteceu? Com o tempo esses lares foram mudando de configuração; os filhos cresceram, saíram para estudar, casaram-se e os pais ficaram sozinhos naquelas moradas gigantescas. Eles – e outros habitantes de áreas engarrafadas pelo trânsito intenso – formaram o grupo que voltou a flertar com o centro, interessados em apartamentos menores, sediados nos edifícios chamados de “mixed

Rio Piedras Market Place, San Pedro Sulas, Honduras

use”. Para as construtoras, aí está o trunfo para readequar os serviços e o novo jeito de viver bem. Nos mercados latinos há ainda uma preocupação muito maior com a segurança nos ambientes mistos. Mas nós, arquitetos, sabemos que as regiões habitadas são sempre as mais seguras. E o “x” da questão é colocar gente morando ali, próximas dos escritórios. Veja o centro de São Paulo. Quando as adjacências perderam seus moradores, todo o entorno decaiu e seguir para lá à noite tornou-se perigoso, pois não havia praticamente ninguém. De uns tempos pra cá, felizmente, o panorama ganhou oxigênio, já que as famílias estão voltando para os prédios novos e restaurados e, aos poucos, revitalizando os contornos. Os prédios que reúnem inúmeras funções parecem criar comunidades fechadas dentro das grandes metrópoles. O senhor acha que, em longo prazo, isso pode prejudicar a convivência social entre os cidadãos de dentro e de fora delas?

Os projetos de hoje são pautados nas migrações urbanas, caso da que citei há pouco e, assim, devemos enxergá-los como uma estrutura interligada ao bairro. Eles se transformaram em shopping centers diferenciados, concebidos para estimular o trânsito a pé. Olhe que até mesmo as fachadas adotaram as vitrines direcionadas para as ruas, caso da rede Iguatemi, ao contrário dos “caixotões” fechados de antigamente. Isso porque esse tipo de construção também precisa ser convidativo para os pedestres que trabalham nas imediações ou para

Rio Piedras Market Place, San Pedro Sulas, Honduras

quem está apenas de passagem. Alguns endereços em Miami também recorreram ao conceito, integrando à paisagem praças, alamedas, restaurantes, lojas, academias, cinemas e espaços que os mantêm vivos fora do horário tradicional de expediente – à noite e nos finais de semana. É como se o bairro passasse a ser criado a partir do shopping e não o inverso. Na capital paulista, o Edifício Copan traz seis blocos de apartamentos – desde os mais amplos com três quartos até as quitinetes –, além de um trecho térreo com lojas e comedorias. Qual é a sua opinião sobre as edificações de uso misto com perfis tão diversos de moradores?

Quando você consegue algo assim é fantástico. Gente misturada traz diversidade, é agradável, interessante. Nada mais artificial do que clube de rico. Contudo, penso que num complexo tão heterogêneo poderiam existir algumas áreas comuns ou de lazer separadas, pois há os que buscam tranquilidade; e os muito jovens vivem um estilo de vida bem dinâmico. Ou não! Veja, isso esbarra em outro ponto: nas últimas duas décadas o País mudou bastante. O acesso à tecnologia e à informação, além da estabilidade econômica, permitiu que um número crescente de pessoas tivesse TV a cabo, celular com internet e que viajasse mais – incluindo os roteiros de outros países. Em suma, muitos falando uma mesma língua. A partir disso também vimos grupos distintos vestindo-se de forma parecida, os mais velhos trocando o terno pelo jeans e tênis, e marcas

como a Gucci substituindo a estampa sóbria de suas lojas por cores claras, modernas e simples, de modo a atender consumidores de 50 ou 60 anos com a cabeça lá nos 35. Em suma, quanto mais interligação maior o valor social, não é? Existem muitas diferenças no desenho dos superedifícios, condomínios e shoppings construídos nos outros países onde a HL.ARC atua? Quais seriam as principais?

Nos Estados Unidos tudo é aberto, ao ar livre e, recentemente, nota-se que as pessoas querem mesmo é passear a pé, mesmo onde cai chuva e neve. Já no Brasil, a segurança é um item importantíssimo. O déficit dessa área, a preocupação com roubos, sequestros relâmpagos e ataques em massa [os arrastões], atrapalha a geografia multiuso, dificulta a proposta de integrar-se ao bairro. É preciso ter pontos mapeados e controlados de entrada e saída, deixando o empreendimento com quês tradicionais. Claro que os norte-americanos também têm suas questões ligadas à segurança, mas, em sua maioria, estão atreladas ao terrorismo. Outra diferença está no layout. Enquanto os escritórios mostram plantas parecidas, o tamanho das lojas brasileiras é maior. Nos demais itens o conceito é basicamente o mesmo, com paisagismo, lobby, áreas de passeio e demais serviços. Sempre com a chancela da excelência, claro. HL . ARC – hlarc.com


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Uma planta,

soluções

Visitamos alguns escritórios instalados no Win Work Pinheiros e descobrimos o que é possível fazer com uma laje, paredes, teto e vidro Maiá Mendonça | Fotos Valentino Fialdini

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in Work não é apenas mais um empreendimento comercial. É um conceito que soma, em seus offices, o melhor da arquitetura, da engenharia, da tecnologia e tem por trás de sua construção a chancela da Construtora Lindenberg. O primeiro Win Work, o Pinheiros, um empreendimento Lindencorp, está pronto. E começa a ser ocupado. Trata-se de uma única torre revestida com fulget, caixilhos de alumínio e pele de vidro laminado, instalada em um terreno de 2.294 metros quadrados na Rua dos Pinheiros, cercada pelo verde do paisagismo de Benedito Abbud e tendo como vista o Jardim Europa em frente, ou a Marginal Pinheiros e as colinas do Morumbi à direita. Por trás da portentosa construção, a comprovada qualidade da Construtora Lindenberg.

O hall de entrada é imponente, com pé-direito de 6 metros de altura, piso de mármore, paredes de vidro pintado e mármore, espelhos-d’água e jardins. Cinco elevadores inteligentes e rápidos levam o visitante a um dos 15 andares com soluções inteligentes para o universo corporativo do século 21, como ar-condicionado de última geração, placas metálicas modulares para piso elevado, ou forro suspenso modular, iluminação de alto rendimento e muito mais.

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Cada laje tem 664 metros quadrados, pé-direito livre de 2,80 metros, e o andar (que segue a tendência americana de ter os sanitários nas áreas comuns, mas conta com preparação para banheiros adicionais ou copa no conjunto) pode ser dividido em até seis conjuntos de cerca de 100 metros quadrados.

Como se fosse um contêiner de salas, feito de madeira cumaru, parece ter sido instalado no meio da laje do andar da presidência da Agora Telecom. O concreto aparente do teto e as luminárias de alumínio criam um curioso contraste

Os pioneiros na ocupação do primeiro Win Work de uma série (em breve existirão, também, Win Work Santos, Ibirapuera e Chácara Santo Antonio) tinham uma laje, teto e paredes de concreto aparente, vidro e terraços, muito espaço para ocupar e um mundo de possibilidades de arquitetura, decoração e space planning para instalar. A revista Lindenberg visitou cinco empresas que já estão instaladas no edifício. Algumas ocupam um andar inteiro; outra tem dois pavimentos inteiros; e outras empresas preferiram comprar mais de um conjunto para se instalar.


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O curioso é que, apesar de todos terem a mesma estrutura básica, mesmo com algumas similaridades entre alguns projetos, cada um tem a assinatura de um escritório de arquitetura ou de design de interiores diferente, e as soluções encontradas são particulares, refletindo o espírito de cada empresa. A Agora Telecom, por exemplo, uma empresa de soluções em telecomunicações, ocupa dois andares ligados por uma escada interna. No andar inferior, em um espaço único e aberto, todos trabalham juntos, e apenas os diretores ficam em boxes de vidro. O andar de cima é o da presidência. E a ideia do projeto é das mais interessantes. A impressão que se tem é de que um imenso contêiner de madeira foi instalado no centro da laje. Essa grande caixa de 104 metros quadrados, feita de madeira cumaru, foi dividida em salas fechadas com vidro e persianas. De um lado, um piso de madeira sucupira maciça, de outro um generoso terraço que se debruça sobre a vista e que no futuro será usado como espaço para pausa e relaxamento. O detalhe curioso é o teto solar que se abre, deixando o sol e o céu entrarem. Como manda o manual dos escritórios modernos.

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A Firma, empresa de consultoria, deixou todo o espaço aberto, e as salas são isoladas por vidros. A Companhia Melhoramentos do Norte do Paraná, que trabalha com produção de etanol, preferiu manter o ar tradicional, valendo-se da história da empresa. Já a Edelmann, empresa de relações públicas, apostou nos painéis da artista plástica Carla Caffé para ser o diferencial do escritório. Enquanto que a Exec, Executive Performance, empresa de consultoria em recrutamento de executivos imprimiu um ar dinâmico e moderno em suas instalações.

A sala de reunião da Agora Telecom é cercada por um terraço com teto solar. Abaixo, a sala do staff, no andar inferior, e o corredor em frente ao “contêiner” da diretoria e sala de reunião, com a escada que leva à sala onde ficam os funcionários


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Generosos espaços abertos deixam a paisagem invadir o escritório da Firma, onde o vidro é a estrela. Abaixo, a sala onde ficam os três sócios. Na página ao lado, detalhe do painel de vidro com desenho geométrico usado como divisória na recepção

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Jardim à vista

A Firma, empresa de consultoria, ocupa três conjuntos e um espaço de 320 metros quadrados. É formada por três sócios que trabalham juntos em alguns projetos, e sozinhos em outros, mas que não queriam ficar separados, tipo “cada um no seu aquário”. Tirar partido da sensacional vista para o Jardim Europa e dividir esse luxo com todos era a premissa para o projeto assinado por Patrícia Martinez Arquitetura. A solução foi valer-se da transparência do vidro e deixar a paisagem invadir o escritório. Só há uma sala fechada em todo o espaço, para reuniões que pedem privacidade, mesmo assim ela se abre para uma varandinha com vista para o Morumbi. E criar para os sócios uma sala grande, ao fundo, com uma única mesa gigantesca executada sob medida pela Olho Móveis Autorais, marca da Interni, cercada por cadeiras Hermann Miller, onde ficam os três computadores e os três trabalham. No mesmo estilo da sala de reuniões.


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Para contrapor com a leveza do vidro, a arquiteta decidiu deixar o concreto do teto aparente, assim como a tubulação por onde passam os cabos, que foi pintada de vermelho. As paredes receberam um tom de cinza muito chique e o piso foi recoberto por um carpete cinza da Atec Original Design, próprio para espaços com grande movimentação. Para esquentar esse espaço aparentemente frio, por conta do uso de tanto concreto e vidro, Patrícia Martinez valeu-se do calor da madeira do mobiliário, das cadeiras Sayl pretas Hermann Miller, encontradas na Securit, e das persianas igualmente pretas que filtram a luz e não escondem a vista. Uma única parede ficou com o tijolo aparente e o projeto de luminotécnica executado pela Lumini somou fachos diretos e indiretos de luz, sendo que para a luz que vem do teto de pé-direito alto não perdesse seu foco, as grelhas de metal prateado foram rebaixadas, deixaram o escritório com clima de casa.

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Na área da copa e do banheiro o piso utilizado foi cimentício com aspecto de cimento queimado para dar unidade ao projeto. “O cinza é a marca registrada do escritório”, completou Cristiane Pedro, a arquiteta que acompanhou os trabalhos na Firma.

Momento relax na sala dos sócios, com sofás confortáveis e a poltrona donna, Gaetano Pesce para B&B Italia. Na página ao lado, sala de reunião com gigantesca mesa de madeira da Olho Móveis Autorais


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Toques de história misturados a uma leitura arquitetônica moderna dão o tom da Cia. Melhoramentos Norte do Paraná. Painéis com fotos do passado e desenhos feitos por antigos funcionários decoram o ambiente

Tradição com propriedade

Se a solução encontrada por Patrícia Martinez para a empresa Firma foi o toque contemporâneo dos espaços separados-e-unidos pelo vidro, o caminho percorrido pela arquiteta Madá Campos para o escritório da Cia. Melhoramentos Norte do Paraná foi traduzir, em arquitetura e decoração, a tradição da empresa fundada em 1925 por ingleses, que se instalaram no norte do estado com a intenção de colonizar a região e cultivar a terra onde hoje estão cidades como Londrina, Arapongas e Maringá.

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Depois de 30 anos ocupando um escritório no Centro de São Paulo, a Cia. Melhoramentos Norte do Paraná sentiu que era hora de se renovar e decidiu instalar-se no Win Work Pinheiros, no segundo semestre de 2012, em um espaço de cerca de 280 metros quadrados. A ideia era estar em um espaço com conceitos mais atuais, com áreas de trabalho integradas e salas de reuniões para receber acionistas e clientes, porém sem perder as raízes de uma longa história que desemboca na holding que reúne as Destilarias Melhoramentos S.A., CMNP Imobiliária Ltda., Cia. Melhoramentos Nova Londrina e Destilaria Melhoramentos Nova Londrina Ltda. As soluções propostas por Madá Campos vieram ao encontro dos desejos do cliente. Madá criou um escritório com space planning mais atual, colocou as salas de reuniões próximas da recepção, criando privacidade tanto para os clientes quanto para os funcionários. As salas de diretoria foram localizadas logo depois e seguidas pela área de trabalho aberta, com todos trabalhando em sinergia e até uma entrada independente.


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Mobiliário de época convive com a tecnologia do século 21.

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Na página ao lado a sala histórica, tal qual era no passado. E as salas de reuniões colocadas próximo da recepção, com divisórias de vidro e persianas

O pedido do cliente era claro: modernizar sem perder a essência, as raízes. Uma vez que a história da empresa estava marcada em todos os cantos do antigo escritório, era fundamental manter esse passado vivo no mobiliário e objetos que passaram de geração em geração e ao mesmo tempo criar um ambiente novo, atual, dotado com inteligência tecnológica, conforto térmico e soluções sustentáveis. O projeto da arquiteta somou o passado e o presente, o antigo e o novo com muita propriedade. Conceitos contemporâneos de divisão de espaços, o mobiliário dos escritórios e da sala dos funcionários, e toda a marcenaria foram pensados para conviver em harmonia e valorizar o legado da empresa. Para o hall de entrada foi escolhido um piso de madeira da Indusparquet, uma solução clássica, e sofá Fernando Jaeger. A equipe da arquiteta fez uma detalhada pesquisa nos arquivos da companhia em busca de algumas imagens dos primeiros tempos, encontrou uma da época da colonização. Utilizando técnicas modernas de escaneamento e impressão criou-se um grande painel adesivo que foi instalado no hall. Salas de reunião e de diretoria ganharam divisórias da Marcetex, com vidro duplo, persiana e perfil de madeira, para garantir qualidade acústica e privacidade. No piso, o carpete neutro da Atec deu o acabamento perfeito para os ambientes. Fotos atuais das fazendas, das plantações, de algumas tiradas por antigos funcionários, já esmaecidas pelo tempo, estão emolduradas ou aplicadas nas paredes. Uma das salas de reunião, chamada de sala histórica, tem mesas e cadeiras dos primeiros tempos, imagens dos ex-presidentes e mapas antigos espalhados pelas paredes. Na sala da presidência, o melhor exemplo de que passado e presente podem conviver em harmonia. A antiga escrivaninha convive com a mesa da Securit, própria para o uso do computador, cadeiras Giroflex e Securit, e uma mesa de reunião, também Securit, com painel e televisor de LED.


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Painéis com imagens de São Paulo foram criados especialmente pela artista plástica Carla Caffé para a Edelman


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Comunicação dentro e fora

Uma das maiores agências de relações públicas do mundo, a Edelman Significa instalou-se no Win Work Pinheiros não apenas pelas qualidades evidentes do edifício, mas também como um reforço na construção de sua marca. E escolheu a Athié |Wohnrath para dar forma a seu espaço pelo mesmo motivo. Traduzir os conceitos da empresa em espaços agradáveis, funcionais e confortáveis, tanto para clientes quanto para funcionários, qualidades (para não falar do atendimento e serviços prestados), que fizeram a Edelman ser escolhida como melhor empresa onde trabalhar por duas vezes.

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Dosar a quantidade de espaços para trabalhos em grupo e salas individuais, permitindo maior flexibilidade nos espaços foi um dos desafios dos arquitetos. No centro do projeto, em lugar de destaque, foi colocada a sala de reuniões principal. Relação escritório-cliente faz parte do branding da Edelman Significa. As portas de correr que dão acesso à recepção/lounge, quando abertas, transformam a sala em um salão de eventos. Nas redações, as estações de trabalho são separadas por divisórias baixinhas de vidro, que podem ser usadas, mas não interferem na integração das equipes. O espaço do café funciona, também, como espaço para reuniões informais. O mobiliário e os acabamentos brincam com tons sóbrios e naturais criando uma atmosfera agradável, complementada pela bem dosada utilização da luz natural e artificial. Livros, revistas e outros materiais importantes ficam guardados e expostos em uma grande estante de vidro branco, ao alcance de todos. No piso, nas áreas de maior circulação foi usado piso vinílico liso, enquanto que no resto do escritório optou-se pelo uso de carpete em tom escuro.

Dosar espaços para trabalho em grupo e salas fechadas foi um desafio para os arquitetos que se valeram do vidro fosco e transparente. Ao lado, o café, a área de convívio foi instalada no centro do espaço para receber clientes e funcionários e se transformar em espaço para evento


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Uma empresa do porte da Edelman Significa precisa estar dotada de tecnologia de ponta e estar presente em todo o escritório. Há a sala de videoconferência, com sistema de projeção e de som, televisores em todas as salas de reunião, computadores de última geração com telas planas nas áreas de trabalho. A cereja do bolo é a parceria feita com a artista plástica Carla Caffé, que ilustrou divisórias de vidro com cenas da cidade de São Paulo, que foram espalhados por todo o espaço. Espaço executivo

Consultoria em Recrutamento e Desenvolvimento de Executivos é o trabalho que a Exec Executive Performance oferece. Ou seja, é nesse espaço que, desde 2011, executivos de vários portes são apoiados e treinados para a colocação ou recolocação no mercado de trabalho. Credibilidade e alto nível de entendimento do comportamento do mercado era a imagem que a empresa precisava passar em seu escritório de 200 metros quadrados no Win Work Pinheiros. A exigência do cliente era que o projeto representasse, com um ambiente moderno, os objetivos de uma empresa jovem, obstinada pela qualidade na prestação de serviços. E as necessidades eram distribuir, nesse espaço, uma recepção, quatro salas de entrevista, uma sala de reunião, open space para o staff, um espaço para o café, área administrativa isolada do resto e CPD.

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A solução proposta pela Guavirá Wissenbach, o escritório de arquitetura responsável pelas obras, foi criar dois ambientes distintos, sendo um deles para o atendimento de clientes e candidatos e outro onde ficariam o open space para o staff e diretoria. Os dois ambientes seriam separados pela área de convívio, onde fica o café, que atendesse tanto os clientes e candidatos quanto o staff. Os dois ambientes foram separados por divisórias com vidro e perfis de alumínio e portas de vidro da Cinex, no piso foi usado carpete em placa e aplicado forro modular no teto, ambos da Remaster, uma vez que o isolamento acústico entre as áreas era fundamental para o bom funcionamento das operações. Em alguns pontos específicos foi colocado papel de parede, parte do projeto de comunicação visual proposto pela ARC Graph. O mobiliário utilizado, da Marelli, ajudou a dar o toque moderno ao ambiente, assim como as cadeiras Giroflex, ergonômicas, garantiram o conforto tanto do staff quanto dos clientes e candidatos. O resultado é acolhedor e eficiente.

Dois momentos que representam os objetivos de uma empresa jovem e moderna como a Exec: a recepção com estofados coloridos e o espaço para o café, para agradar ao cliente e ao staff


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Quem foi que disse que o escritório precisa ser um ambiente feio e chato? Inspire-se na estética do vale do Silício

Fotos João Ávila | Edição e produção Camille Comandin | Assistente de produção: Sabrina Conde

úteis

Luminária Shed, La Lampe; dock para iPhone de madeira, Casco Objetos; peão de madeira artesanal, Estudio Manus; jogo de gamão e caixinhas de couro (3 tamanhos) ambos Paper House; lamparina Berger, Benedixt; grampeador de madeira, Casa 08; óculos de onça, Paper House; ampulheta, Marché Art de Vie; cabideiro Desmobilia; agenda de couro Redfax; cafeteira Maestrina Nespresso, na Spicy; máquina de escrever, Amoreira; caneta-tinteiro Classic Anello Gold, Graf von Faber Castell; poltrona Wood P, design Giancarlo Vegni by FASEM, A Lot Of; mouse barra de ouro, Casa 08

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não seja sisudo


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úteis

Alto-falante bluetooth portátil, Marché Art de Vie; headphone AIAIAI, Choix; cesto de couro Sala Design; luminária de mesa Caravaggio, Scandinavia Designs; lanterna, Lexxon para Redfax; caneta-tinteiro Kaweco, Amoreira; cadeira Dhstockholm, Benedixt; escultura design Marcelo Fernandes, Sala Design; calendário de madeira, Conceito Firma Casa; ilustração Reverberação de Guilherme Kramer, Mix&Match; caixa com 5 dados, Conceito Firma Casa; despertador Optic Alessi, Benedixt; garrafa térmica Stelton, design Erik Magnussen, Amoreira; ventilador, Marché Art de Vie; porta lápis Alessi, Benedixt; cafeiteria EvaSolo, Scandinavia Designs; porta-guarda-chuvas e arquivo, ambos Alessi, Benedixt

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úteis

Serviço: A LOT OF, alotof.com.br, AMOREIRA, amoreira.com.br, BENEDIXT, benedixt.com.br, CASA 08, casa8.com.br, CASCO, cascoobjetos.com.br, CHOIX, lojachoix.com.br, CONCEITO FIRMA CASA, conceitofirmacasa. com.br, DESMOBILIA, desmobilia.com.br, DOMINICI, dominici.com.br, ESTUDIO MANUS, estudiomanus.com, FABER CASTELL, faber-castell.com.br, LA LAMPE, lalampe.com.br, MARCHÉ ART DE VIE, marcheartdevie.com. br, MIX&MATCH, mixandmatch.com.br, ,OVO, ovo.art.br, PAPER HOUSE, paperhouse.com.br,PORTFOLIO, atelieportfolio.blogspot.com.br, REDFAX, redfax.com.br, SALA DESIGN, saladesign.com.br, SCANDINAVIA DESIGN, scandinavia-designs.com, SLIM, entreposto.com.br/slim, SPICY, spicy.com.br, VELOSOPHY, velosophy.com.br

Bicicleta dinamarquesa, Velosophy; moringa, Conceito Firma Casa; luminária Bob, design Baba Vaccaro, Dominici; cabideiro seta Dhstockholm; cabideiros huevos revueltos, design Luciana Martins e Gerson de Oliveira, ,ovo; vaso Alessi, Benedixt; pop-phone, Choix; radio Magno, design Singgih Kartono com conexão para iPod, Marché Art de Vie; boneco de recado, Benedixt; porta-chaves, Mix & Match; caderno, Portfolio; relógio de parede Normann Copenhagen, Scandinavia Designs; lápis, Slim; cesto Girotondo, Alessi, Benedixt; cadeira Chevron, Sala Design

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qualidade de vida

Não é à toa que, para atrair trabalhadores especializados, as empresas do Vale do Silício popularizaram o sistema de escritório aberto e descontraído, nos anos 90. Além de máquinas de café, aquários coloridos e obras de arte capazes de fazer os profissionais se sentirem valorizados, alguns mimos como pebolim e sala de relaxamento estimulavam horas extras. Na Google, em Mountain View, Califórnia, e também em outras empresas de Internet e agências de propaganda os funcionários têm liberdade para encher seus escritórios com peças vintage, miniaturas, bonecos, objetos feitos com Lego ou qualquer coisa bonita e engraçada, numa “competição” pelo espaço mais atraente.

feliz no escritório

Você sabia que a decoração, a concepção visual e o clima dos ambientes corporativos interferem na motivação e produtividade de seus colaboradores, influenciando diretamente nos resultados gerados pelas equipes?

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Nesta década virou regra em muitos escritórios dar aos funcionários tudo aquilo que ele precisa para se tornar mais produtivo e, consequentemente, tornar a empresa mais competitiva no mercado.

Estudos publicados no Journal of Experimental Psychology: Applied mostram que a produtividade do trabalhador aumenta quando sua autonomia é valorizada. Em um escritório incrementado, as pessoas trabalharam 15% mais rapidamente e com menos erros em comparação àquelas que estavam no escritório básico. Incrementado, nesse caso, significou um ambiente bonito, confortável e com direito a um toque pessoal, como porta-retratos, peso de papel e outros acessórios trazidos pelos próprios funcionários.

Para o arquiteto Pedro Motta, além da busca por compreender o perfil e o funcionamento da empresa, a arquitetura corporativa deve considerar a relação entre o colaborador e seu ambiente de trabalho: “Os projetos priorizam a criação de espaços funcionais, flexíveis, versáteis e organizados, de acordo com as atividades realizadas em seu cotidiano. Esses aspectos, aliados a preocupações com ergonomia e conforto ambiental, determinam um ambiente saudável; a concepção de estações de trabalho espaçosas, o uso de móveis adequados, máximo de iluminação natural e boa climatização são fatores que contribuem com o melhor desempenho dos colaboradores. Cores, texturas e formas, usadas com equilíbrio, evitam a monotonia e ajudam a criar uma atmosfera diferenciada, estimulando a criatividade”.

Milhões de pessoas – pelo menos 15% da população dos países desenvolvidos – trabalham em uma mesa, em frente a um computador. E parece óbvio que as características desses ambientes onde as pessoas passam muitas horas do dia afetam seu desempenho. O tamanho das mesas, a proximidade da luz natural, a qualidade do ar, refrigeração e a privacidade – ou a falta dela – influem no conforto, na satisfação com a rotina e no resultado do trabalho.

Nessa busca vale apelar para o mundialmente conhecido Feng Shui, técnica para harmonizar os ambientes, controlando a energia. “O Feng Shui foi criado na China há mais de cinco mil anos, e trabalha o equilíbrio energético entre o homem e o ambiente em que ele habita, seja residência ou escritório”, diz Carlito Neves Vieira, engenheiro sanitarista e ambiental e consultor de Feng Shui Tradicional.

Por Judite Scholz | Ilustração Maria Eugênia

oi-se o tempo em que bastava uma mesa, uma cadeira, telefone e computador para que o profissional mostrasse seus dons e rendesse toda sua capacidade. Hoje nem lembramos mais das fábricas sujas e barulhentas que foram ícones de industrialização e modernidade no passado. Cada vez mais os locais de trabalho devem ser bonitos, agradáveis, gostosos – não apenas por uma questão de conforto, mas também para que os funcionários rendam mais. “Com o surgimento de novas tecnologias que proporcionam maior agilidade, eficiência e praticidade no desenvolvimento de suas tarefas profissionais, as pessoas têm passado a maior parte do tempo sentadas em frente ao computador. Esse novo ‘modo de trabalho’ gerou a necessidade crescente, por parte das empresas, de fazer de seus locais de trabalho ambientes mais confortáveis e agradáveis, aspectos que influenciam direta e indiretamente na concentração e produtividade dos seus funcionários”, diz o arquiteto Pedro Motta.

No início dos anos 2000, as melhores empresas para se trabalhar, de acordo com o Guia Exame, transformaram o ambiente de trabalho e o bem-estar emocional e físico em vantagem competitiva, com a convicção de que quanto mais satisfação ao funcionário, mais retorno teriam em produtividade.

Não é por acaso que empresas como Coca-Cola, Mc Donalds, Banco da China, Citybank, Chase Manhattan, Wall Street Journal, entre outras grandes, já aplicaram o Feng Shui. Afinal, quem não quer identificar as energias que contribuem para um estado de equilíbrio, prosperidade, sucesso, segurança e conforto, potencializando-as e neutralizando as que promovem doenças como depressão, estresse e irritabilidade. “Quando aplicados corretamente, os princípios milenares do Feng Shui Tradicional aumentam as possibilidades de boa fortuna, proporcionando qualidade de vida e progresso financeiro”, conta Carlito, que está à frente da Vieira Feng Shui Consultoria, que ensina e forma consultores pela UFS – Universidade de Feng Shui Tradicional on-line. E completa: “É necessário esclarecer que o imóvel que habitamos e trabalhamos é, aproximadamente, 90% responsável por nossas realizações ou infortúnios”. Pesquisa realizada pela American Society of Interior Designers conferiu que ter um ambiente de trabalho satisfatório é a terceira maior preocupação dos funcionários (21%), logo depois de benefícios (22%) e bons salários (62%). As reclamações mais comuns entre os funcionários são a falta de iluminação nos escritórios, mesas e cadeiras não ergonômicas, salas muito abafadas ou muito frias, ausência de janelas que proporcionem ventilação e luz natural e a impossibilidade de deixar suas áreas de trabalho mais personalizadas, com fotos, flores, etc. Diversas empresas ao redor do mundo todo investiram mais no bem-estar de seus funcionários. A maior mudança fica por conta dos móveis, que devem facilitar o trabalho em equipe, ao mesmo tempo em que dão um pouco de privacidade quando necessário. Espaços de lazer também são implantados nos locais de trabalho, com direito a pebolim, videogame, snooker. Salas de descanso, salas de café e recreação e até salas de ginástica. “Áreas de convivência, de lazer e de descanso têm sido a recente aposta de grandes empresas para promover maior conexão e interação no ambiente profissional, transformando uma imagem rígida de outrora em sentimento de apropriação do espaço pelos usuários. Essa apropriação do espaço talvez seja o ponto chave dos direcionamentos mencionados, já que o envolvimento efetivo ocorre quando o indivíduo identifica-se como parte integrante e importante do meio, elevando o potencial das corporações e instituições e concorrendo para seu sucesso”, conclui Pedro Motta.


arte

Existe vida depois

da tecnologia

Com uma instalação que usa 120 mil peças de teclado, a artista americana questiona nossa necessidade de comunicação nos dias de hoje Por Marianne Piemonte

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oi longe de qualquer conexão cibernética ou tecnologia que a artista plástica americana Sarah Frost, de 43 anos, teve a ideia de sua mais famosa escultura. Ela passava férias na casa de campo de seus avós, no Lago Erie (norte de Ohio, nos EUA), quando tentou vislumbrar a quantidade de lixo e material descartado quando um banco, por exemplo, quebra ou fecha as portas nos Estados Unidos.

Inspirada por esse questionamento, ela começou a colecionar cabos e mouses. O que parecia sem sentido, começou a se materializar em suas primeiras esculturas sobre o tema. A ideia era criar impacto com objetos que tivessem importância histórica, elaborando peças que falassem mais de arte do que do artista.

A obra consiste em cerca de 120 mil letras de teclados de diferentes de computadores que cobrem uma imensa parede. Foi com QWERTY que o lobby de um hotel nova-iorquino, o The James, recebeu seus hóspedes, durante um período de ocupação artística. A obra impressiona pela simplicidade e, sem dúvida, pela sacada. Por isso, Sarah vem sendo chamada por críticos de “smart artist”, termo que define uma nova geração de artistas que usam menos técnicas e mais boas ideias em sua obra.

O lobby do hotel The James, em Nova York, ganhou uma parede-teclado durante a exposição de Sarah Frost

fotos divulgação

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Fez sucesso, mas foi com QWERTY que seu nome ganhou repercussão internacional e seu trabalho invadiu galerias por todo os Estados Unidos.


arte

Mas qual é o significado de QWERTY? Olhe para seu teclado. Veja quais são as primeiras letras da esquerda para direita, na primeira linha depois dos números. Não é bacana? Sim, mas apesar de pouco provável, essa é a única palavra possível desse encontro de 120 mil caracteres. Sarah preocupou-se em não permitir que palavras fossem caçadas nesse agrupamento de letras. «O material por si carrega uma imensa carga de significados, traz rastros de cada uma das pessoas. Quero que as pessoas pensem na maneira e na nossa necessidade de comunicação hoje», disse a artista para a revista Lindenberg. O que sem dúvida já é suficiente. Sua obra foi ovacionada na Miami International Art Fair e chegou a receber ofertas na casa de US$ 35 mil, segundo o galerista William Sheaburn, que a representa na William Sheaburn Gallery, em St. Louis. Baseada no pequeno município de The Hills, em St. Louis, Sarah produz suas obras na garagem que fica nos fundos de sua casa. Avessa à badalação, ela diz não estar preocupada com todo esse sucesso ou ficar impressionada com o valor que suas obras alcançam. “Para mim, sucesso tem relação com o processo criativo produtivo”, diz. E completa: “Eu estou sempre fazendo coisa, se não fossem essas esculturas seria possível que eu estivesse decorando bolos”, brinca. A seguir trechos de nossa entrevista com Sarah Frost. Por que você escolheu computadores como objeto de sua arte? Para uma garota que começou a fazer escultura com argila, essa troca de material significa uma grande transformação, não?

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QWERTY nasceu a partir de uma investigação minha sobre equipamentos eletrônicos descartados. Eu já colecionava readaptadores e vários tipos de cabos de alimentação, telefones e mouses como material para escultura. Para mim, há uma qualidade sublime sobre esses materiais: eles carregam com eles a memória das pessoas que os usaram. Muitos dos teclados que chegaram até mim foram usados​​ em empresas, como corretoras, financeiras, mercearias, estúdios fotográficos... E cada um deles tem sua peculiaridade. Outros teclados foram usados por ​​ indivíduos, em suas casas. Muitos têm padrões de desgaste específicos e manchas de idade ou fumaça de cigarro. Outros têm ainda marcas de esmalte de unha, pintura, refrigerante ou escritos em caracteres de outros idiomas. As teclas também transportam resíduos corporais como graxa e impressões digitais. Quem sabe que conversas

passaram por esses objetos, que representam a nossa necessidade de interagir? Essas teclas são símbolos de nossa necessidade de nos comunicar. A minha escultura pretende reunir essas centenas ou milhares de fragmentos de passados ​​diferentes em uma experiência estética, que permite ao espectador experimentar todas essas realidades ao mesmo tempo. Ou pelo menos imaginá-las. Que tipo de relação você tem com a tecnologia? Tem perfil em Facebook ou outras mídias sociais?

Eu não uso com frequência ou visito mídias sociais, mas uso a internet bastante para informação e trabalho. Gosto da epígrafe “O meio em si tem significado”. Nos dias de hoje, qual seria a mensagem de QWERTY?

Acredito que esses teclados carregam a história de um tempo e de determinados personagens, isso é notório nos resíduos e marcas de utilização, mas acho que principalmente eles simbolizam nossa necessidade de nos comunicar. Li que na escultura QWERTY foram usadas quase 120 mil teclas. Como você conseguiu todas elas?

Fiz uma peregrinação a lojas e lugares de reciclagem eletrônica e garagens de segunda mão. Algumas pessoas também doaram graciosamente seus teclados usados. Se “viver é deixar rastros”, como diz Walter Benjamin, que tipo de rastros você acredita que QWERTY deixará?

Pergunta interessante, mas eu realmente não sei. Claro que imediatamente penso na contemplação estética, mas espero que ele fale sobre a necessidade de comunicação de um tempo. O que a inspira hoje em dia?

Eu continuo interessada em instalações de grande escala. No momento, ando bastante atraída por andaimes, essas formas são realmente interessantes. Quem sabe não surge algo em breve com esse tema. Quem são os artistas que fazem esculturas ou instalações que você mais gosta atualmente?

A colombiana Doris Salcedo, que faz esculturas com materiais domésticos repletos de significado acumulado como simples mesas de copa. A inglesa Rachel Whiteread, que foi a primeira mulher a ganhar o Turner Prize, e a americana Sarah Oppenheimer, que trabalha no limiar entre arte e arquitetura. Eu gosto bastante também da fotografia alemã de larga escala, um bom exemplo é o trabalho de Andreas Gursk.

A smart artist usou cerca de 120 mil peças de teclados de computador para criar as instalações QWERTY, e brincou com objetos do dia a dia para sua white wall


história

Clarice Lispector gostava de sentar-se no sofá, bandeja no colo com sua máquina de escrever. Na página ao lado, a superleve alemã Kolibris, grande sucesso na Europa

Em tempos de computador e internet, pouca gente conhece o toc-toc dos teclados das máquinas de escrever por Alexandre Staut

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Colocar máquinas de escrever numa sala da mostra é trazer para perto do leitor parte do imaginário de Braga. Certa vez, ele disse ao amigo Fernando Sabino (1923-2004), que era uma máquina de escrever com algum uso, mas em bom estado de funcionamento. Todavia, não foi apenas Braga que exprimiu a sua relação sentimental com as tais máquinas. Diz-se que Nelson Rodrigues (1912-1980) usara em toda a vida uma única máquina. Fala-se ainda que ele catava milho, teclando apenas com os dois polegares. Enfim, são inúmeras as histórias relacionando escritores e suas máquinas de escrever. Há até mesmo fotos que se tornariam clássicas, como aquela em que Clarice Lispector (1920-1977) aparece sentada no sofá de sua casa, com uma bandeja de cozinha, sobre a qual está a sua máquina.

foto Passado Composto

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áquina de escrever virou peça de museu. Literalmente. Basta colocar essas duas palavras no Google e aparecem inúmeros museus temáticos, no mundo todo. O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, não é especializado em máquinas de escrever. No entanto, uma homenagem ao centenário de Rubem Braga (1913-1990) chama a atenção por trazer alguns exemplares dessas geringonças acopladas a tablets. A ideia do curador Joaquim Ferreira dos Santos é que o visitante bata os dedos nas teclas empoeiradas e veja, nas telas acima, ultramodernas, textos do autor, vídeos, depoimentos.

Tapeçaria de lã tecida a mão, técnica petit point, com motivos geométricos extraídos da flora brasileira, criada por Genaro nos anos 1960


história

A Underwood, da Scholes and Glidden, serviu como padrão para as máquinas de escrever que foram fabricadas depois de 1900, e foi uma das mais usadas nos escritórios do mundo. O escritor americano William Faulkner gostava de se dedicar a seus livros ao ar livre, com a máquina apoiada em um banquinho. Fabricada em 1953, a Keaton Music Typewriter é um raríssimo exemplar criado para digitar partituras. Na página ao lado, dois momentos distintos: A Smith Premier 4, uma das primeiras máquinas de escrever a ser fabricada em escala, usava outro tipo de teclado, e a Valentine, da Olivetti, desenhada por Ettore Sottsass, premiadíssima a ponto de fazer parte da coleção do MoMA, em Nova York. A estranha Hansen Writing Ball, que parece um porco-espinho, é de 1865, e o digitador era obrigado a trabalhar de pé

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No entanto, a máquina de escrever não se relaciona somente a escritores. Houve um tempo em que fazer curso de datilografia era algo desejável nos currículos de profissões as mais diversas. Esses aparelhos, que podem ser um tanto estranhos para as crianças de hoje, fizeram parte da vida de muita gente nos dois séculos anteriores. Invenção atribuída ao inglês Henri Mill (1683-1771), em 1714, como dispositivo que imitava a arte da escrita, a máquina de escrever ou máquina de datilografia é um instrumento mecânico, eletromecânico ou eletrônico com teclas que causam a impressão de caracteres, em geral, num papel.

O inventor italiano Pellegrino Turri, de quem se sabe muito pouco, teria introduzido, no início do século 17, o sistema de teclado como nós o conhecemos. O mecânico norte-americano Carlos Thuber teria criado um modelo aperfeiçoado, mais leve e simples, com maior rapidez de escrita, em 1843. Outros inventores norte-americanos, ingleses e franceses teriam colaborado no aperfeiçoamento do objeto, até os modelos mais recentes e leves. O objeto é tão popular que há até mesmo um museu on-line, em que o visitante pode se deparar com imagens de modelos antigos, curiosidades e histórias. Basta acessar o link typewritermuseum.org e ver os primeiros exemplares e protótipos, quase todos feitos de madeira, com suas formas que muitas vezes lembram relógios antigos de parede, pianos e até peças de movelaria.

As primeiras máquinas imprimiam apenas em caracteres maiúsculos. Mas uma coisa é praxe desde os primeiros exemplares: o método pelo qual esses objetos deixam a impressão no papel, que ocorre com o impacto causado por um elemento metálico, com um alto-relevo do caractere a imprimir. Basta esse elemento bater numa fita com tinta. Esta entra em contato com um pedaço de papel e está feita a mágica. Desde a sua criação, as máquinas se mostraram grandes, pequenas, de designs os mais estranhos aos mais bonitos. Todas elas culminariam no computador como nós o conhecemos hoje, esse aparelho que, conforme a imortal Nélida Piñon, é um presente dos deuses para os

escritores, pois basta apertar a tecla “del”, em palavras, frases e páginas, para mudar os rumos de uma narrativa, de forma rápida e sem rasuras no documento. Mas, voltando à máquina de escrever e aos tantos modelos lançados, é bom dizer que o design acompanhou esses aparelhos de forma a assegurar a facilidade do seu uso. A máquina Scholes and Glidden é a primeira que teria sido produzida em larga escala. Foi um sucesso comercial. Trata-se de um aparelho portátil, apesar de pesado. É a tataravó das máquinas de escrever. Uma das mais esquisitas é a Hansen Writing Ball, de 1865. Já que o teclado ficava na parte de cima,


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Icônica, a Hermes 3000 foi um dos modelos mais cobiçados da década de 1950. Abaixo, o cartaz do lançamento da Valentine

exigia que o digitador ficasse quase sempre em pé. O papel colocado embaixo era esticado numa moldura em forma de arco. Friedrich Nietzsche (1844-1900) teria sido o proprietário mais famoso de um desses objetos. De 1880, a Hammond teve o seu design festejado na época em que foi criada. O formato simples e a leveza teriam influenciado máquinas criadas depois da segunda metade do século 20. Crandall New Model, modelo criado em 1885, é um dos mais surpreendentes. Seu design mostra as engrenagens que fazem o objeto funcionar. A marca Mignon, do começo do século 20, é a primeira elétrica de que se tem notícia. Apresenta índice de 84 caracteres, com uma vareta que comanda o lugar em que o cilindro tipográfico deveria ser posicionado. Uma tecla de impressão executa o comando. Todos os modelos dessa marca são inspirados na art déco. São lindos.

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A Hermes 3000, dos anos 1950, é uma das mais icônicas. Quase sempre é laranja e traz linhas curvas. Devido ao seu tamanho e peso, seria adotada como a favorita de gerações de digitadores de todo o mundo.

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A Underwood Nº 5 foi um dos modelos mais usados nos escritórios de todo o mundo. Apesar de pesada, era conhecida por sua resistência e durabilidade.

A Lettera 10, com suas superfícies curvas e ângulos retos é uma versão minimalista de todos os modelos anteriores. Muito usada por viajantes, devido à sua leveza.

Criada em 1970, a Olivetti Valentine passou a fazer parte da coleção do MoMA, de Nova York, apenas dois anos após o seu lançamento. Foi projetada pelo designer italiano Ettore Sottsass, que pretendia fazer com que o objeto vermelho fosse algo tão banal e comum quanto uma caneta esferográfica. Num site de compra de objetos raros, na internet, é possível encontrar uma dessas à venda por R$ 60 mil. Entre todas as invenções, há ainda um dispositivo mecânico de escrita criado no Brasil e atribuído ao padre Francisco João de Azevedo (1827-1888), de João Pessoa, na Paraíba. Professor de Matemática do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, ele nasceu numa família de mecânicos. Apresentou o modelo na Exposição Agrícola e Industrial de Pernambuco, em 1861, e na Exposição Nacional do Rio de Janeiro, em fins do mesmo ano, sendo premiado com a Medalha de Ouro. No ano passado, virou tema do romance A Máquina de Madeira, do escritor paranaense Miguel Sanches Neto. Na segunda metade do século 20 tornou-se rara a utilização da máquina de escrever, tanto em empresas como de forma doméstica. O motivo é obvio: O aparecimento do computador. A última fábrica a produzir esses objetos, a Godrej and Boyce, em Mumbai, Índia, encerrou as atividades em 2011. A empresa decidiu fechar as portas, pois teria vendido pouco mais de 500 exemplares em 2010. Assim, máquinas de escrever se transformaram numa abstração nos tempos de hoje. Viraram peças de museu, foram escondidas em prateleiras de repartições públicas ou se transformaram em memórias de escritores, muitos dos quais chegaram a dizer que o barulho do toque dos grampos metálicos no papel era capaz de criar ritmo a um texto.

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AS

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história

OBRA

SINÔNIMO DE SOFISTICAÇÃO E ELEGÂNCIA EM TODOS OS DETALHES


roteiro

Um passeio pela rota do highlander whisky texto ee Fotos Fotos Juliana Juliana A. A. Saad Saad texto

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ma das quatro nações que compõem o Reino Unido, a Escócia – ou o “país dos Scots” (Scots-land), como era chamada na Idade Média – reserva impressões deleitosas que atraem e embriagam com a classe das magníficas paisagens, a sofisticação urbana e as riquezas culturais. E os escoceses ao contrário dos britânicos, são calorosos, sua pronúncia por vezes é insondável, mas estão sempre abertos a boas conversas nos milhares de pubs espalhados em seu território.

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Comece a sonhar com o verde dos campos e o dourado do whisky, quando começar a preparar a viagem pela trilha do uísque. A melhor época para conhecer a Escócia vai de maio a setembro, quando a natureza está em seu período mais exuberante. E é quando rolam os festivais de whisky, com destilarias, lojas, bares, pubs e vilarejos em festa, degustações e diversos programas para os visitantes ficarem com a melhor impressão da Escócia. Sem ressacas. O ideal é montar base em Craigellache ou Dufftown e de lá partir para os muitos tours que o país oferece. A região fica a cerca de 1h30 de carro ao norte de Aberdeen, no coração da trilha do single malt, em uma área de beleza natural desconcertante, cercada por castelos e... destilarias. Para se hospedar, a dica é o charmoso Craigellache Hotel (de 1893) que tem acomodações bem confortáveis. Seu bar conta com cerca de 700 tipos de scotch e promove degustações conduzidas pelo especialista Stefan

Mason. A mão-inglesa e as degustações podem ser um desafio para muitos. Nesse caso, há o Stagecoach Bluebird Whisky Trail 36, ônibus que faz o percurso das destilarias. Mas a melhor opção ainda é contratar um serviço local de transfer com guias. O caminho do single malt A Malt Whisky Trail é um passeio pela bela região de Speyside e suas destilarias, cerca de 110 quilômetros de percurso, com direito a conhecer passo a passo o processo de produção e maturação, e finalizar com uma ampla e elucidativa degustação por algumas das destilarias mais famosas do mundo. A ida à tanoaria Speyside Cooperage, onde são feitos os barris para o armazenamento do whisky, é uma visita esclarecedora para se compreender o processo de fabricação e envelhecimento de um scotch. Ouro líquido A tradição mais amplamente expressada da Escócia com suas montanhas (Highlands), planícies (Lowlands), e ilhas (Islay e Campbelltown) é mesmo o seu whisky. Inicialmente conhecido como acqua vitae, do latim, traduzido para o gaélico como uisge beatha, depois simplificado para uisge e finalmente whisky no século 18, o destilado obtido de grãos diversos e lentamente maturado em tonéis de madeira tornou-se o símbolo escocês por excelência.

As Highlands, no norte, produzem a maior quantidade da bebida do país e de grande expressão gustativa. Suas destilarias gostam de alardear nos rótulos a expressão “Highland Malt Whisky”. Seu destaque é Speyside, que elabora os melhores single malts da Escócia, concentrando 50% das destilarias. As Lowlands, com três destilarias, produzem single malts com maior suavidade e seu sutil sabor adocicado agrada às mulheres. O whisky produzido na região de Campbeltown é bastante encorpado, atraindo os bebedores tradicionais. A ilha de Islay, na costa oeste, é responsável por um peculiar tipo de malt whisky, com forte gosto defumado, e também elabora bons single malts, que entram na composição dos melhores blended whiskies do país. A perfeição do single malt Cada uma das regiões exibe o seu estilo particular, mas se há algo que faz suspirar é mesmo o single malt. Diferentemente dos blended whiskys (90% da produção do país) que podem ser produto da mistura de cevada, trigo, milho ou centeio, os single malts são produzidos apenas a partir de cevada maltada e água de uma única destilaria. Vem daí o seu atestado de distinção, exibindo aromas de frutas secas, especiarias e ligeiro defumado, com gosto pleno e ao mesmo tempo suave. The Macallan é uma das mais prestigiosas destilarias do mundo. Fica em Speyside, nas Highlands, plantada em um parque de 390 acres à beira do Rio Spey. Considerado o “Rolls Royce dos Single Malts”, The Macallan é o símbolo máximo do Highland Single Malt Whisky e tem apreciadores incondicionais, como o ator escocês Sean Connery, mas Glenfiddich, The Balvenie, The Glenlivet, também são reconhecidas. Cada destilaria segue suas próprias tradições, métodos e receitas guardadas a sete chaves. Os alambiques de cobre da destilaria The Macallan, por exemplo, são os menores da região e seu formato singular permite que o destilado concentre características ricas, frutadas e o corpo bem estruturado dos single malts, feitos com um tipo de cevada chamada Golden Promise. Uma vez destilado, o líquido passa pelo envelhecimento em barris de carvalho. Na Macallan os barris de carvalho foram usados anteriormente na maturação do jerez espanhol e os barris de carvalho-da-américa guardavam o autêntico bourbon, o que confere notas de chocolate e frutas secas ao whisky. No meio do caminho havia um faisão Em Perthshire, na estrada que liga Speyside a Edimburgo, uma boa dica é parar na The Famous Grouse

Grão de Golden Promise, a mais pura cevada usada na preparação do uísque The Macallan. Na página ao lado, o alambique de cobre que empresta sabor especial ao líquido precioso

para conhecer o famoso faisão vermelho, símbolo da destilaria. Ali, na Glenturret Distillerys, em funcionamento desde 1775 e talvez a mais antiga da Escócia, o famoso premium blended scotch whisky é produzido desde 1896. Com tour guiado, The Famous Grouse Experience vale a pena. Scotch Whisky Experience A viagem para a Escócia pode ficar ainda mais interessante com a estada em Edimburgo, declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Como o tema do passeio é o uísque, em Edimburgo, ao lado do famoso castelo, está a Scotch Whisky Experience. O programa foi constituído para permitir uma experiência sensorial que narra através de um passeio superdivertido, a história da bebida, desembocando em salas que ilustram e explicam cada parte do processo de fabricação do scotch whisky, desvendando os segredos das várias regiões escocesas e sua influência sobre o que produzem. Glossário Single malt – 100% de cevada preparada com malte fabricado em uma única destilaria. Single grain – feito com algum dos outros cereais por uma única destilaria. Vatted – mistura de single malts de mais de uma destilaria. Blended Scotch – mistura de single malt e grain de várias destilarias.

Serviço bespokehotels.com/craigellachiehotel britishairways.com/ johnstonscashmere.com scotchwhiskyexperience.co.uk scotlandwhisky.com/whisky-festivals speysidecooperage.co.uk themacallan.com visitscotland.com/see-do/itineraries/malt-whisky-trail


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TIGRES DA ÁSIA Cingapura, Hong Kong e Tóquio, megalópoles frenéticas e ao mesmo tempo misteriosas atraem pelo contraste entre a modernidade e o exótico texto e fotos Juliana A. Saad e Divulgação

C

ingapura, Hong Kong e Tóquio são cidades fervilhantes, que trabalham sem parar mirando o futuro. Mas, por trás da postura cosmopolita existem cultura e tradição tão desconhecidas, que só são descobertas ao desembarcar .

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CINGAPURA Não há como não se impressionar com Cingapura, uma jovem cidade-estado, que se espalha por 64 ilhas e está em franco crescimento. Porta de entrada para o sudeste asiático é aqui que fica o vertiginoso Marina Bay Sands, um complexo com torres que alcaçam alturas vertiginosas, e o Sands Sky Park, que tem no topo uma das maiores e mais incríveis piscinas de borda infinita do mundo e, visto a distância, se impõe ao conjunto arquitetônico, onde se encontram excelentes bares, restaurantes e shoppings recheados de butiques de luxo. Sua marcante característica multicultural se mostra em bairros como Chinatown, Arab Quarter e Little India, que exibem o caleidoscópio de sugestões. Vale conhecer em Cingapura... Little India - É onde está o templo dedicado à deusa Kali e o Teka Centre, com dezenas de barracas vendendo comida étnica a preços irrisórios. Ali, pode-se comprar tecidos em lojinhas que valem a pena.

Arab Quarter – A mesquita do sultão chama a atenção com sua enorme cúpula dourada. Vários restaurantes, se espalham pela Kandahar Street. Como em um bazar árabe, ali há lojinhas que vendem roupas e itens para casa. Marina Bay Sands – É o imenso complexo onde se encontram excelentes restaurantes, um shopping recheado de butiques de luxo, além de cassino, anexo do ArtScience Museum, obra-prima da arquitetura em formato de lótus. Orchard Road – Após a obra de revitalização, a Orchard Road transformou-se em um agitado corredor de compras e bancos que abriga algumas das lojas e shoppings mais sofisticados da cidade, como o Ion Orchard, que traz marcas como Yves Saint Laurent e Harry Winston. Clarke Quay – O Singapore River, que atravessa Cingapura, proporciona um passeio de barco que permite uma boa panorâmica da cidade. National Museum of Singapore – As salas do Museu Nacional de Cingapura abrigam história, moda, música, fotografia e traçam o panorama da cidade-estado em exibições muito interessantes.

Passear pelo Gardens by the Bay é obrigatório Na página ao lado, a imponência do Marina Bay Center, com sua cobertura com piscina de borda infinita e o museu em forma de flor de lotus ArtScience Museum em frente


turismo

Néons, cartazes, placas, multidões nas ruas convivem lado a lado com o passado. Na página ao lado, a exuberância da arquitetura chinesa, uma das mais ousadas e criativas do mundo

Singapore Flyer – Essa roda-gigante, a maior do mundo. proporciona uma vista completa da cidade.

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Gardens by the Bay – É um complexo de jardins com mais de 250 mil plantas raras protegidas por grandes cúpulas transparentes. A exuberância da arquitetura verde jorra magnífica perante os olhos durante o dia e revela-se iluminada à noite. De lá, desfruta-se uma vista incrível da baía e do distrito financeiro. Shangri-La Valley Wing – Cercado por um exuberante jardim tropical, além de ter todos os requisitos de um hotel de luxo, possui uma ala exclusiva, a Valley Wing, que mais se assemelha a um hotel butique. No hall, ao cair da tarde, são servidos drinques e aperitivos como cortesia aos hóspedes. O bar de champanhe conta com uma harpista que enche o sofisticado local de notas musicais que trazem paz. E nas espaçosas suítes de 370 metros quadrados, o conforto é garantido com belos e gostosos mimos, robes acolchoados, produtos de toalete L’Occitane, caixas de chocolate. Premiado na edição de janeiro 2013 da revista Travel and Leisure 500 Best Hotels como um dos melhores do mundo, é também elencado na Gold List 2013 da Condé Nast Traveller.

HONG KONG Lar de arranha-céus brilhantes, placas de néons, restaurantes de classe mundial, uma profusão de butiques de luxo mescladas a mercados de rua e portinhas que escondem pequeninos artesãos, a cidade-estado situada na costa sul da China é uma das duas regiões administrativas especiais da República Popular da China (a outra é Macau). A ilha de Hong Kong é um dos destinos mais emocionantes da Ásia, e, um dos mais densamente povoados do mundo, são sete milhões de habitantes.

às lojas por preços tentadores. Hong Kong tem um exército de alfaiates famosos por fazerem roupas sob medida de qualidade superior a bons preços. Entre os mais famosos, o Sams, que fica na Nathan Road, 94, Tsim Sha Tsui.

Vale conhecer em Hong Kong... Passeio de sampan – Barco a vela conduzido por velhos pescadores entre as centenas de barcos residências que loteiam a parte da baía.

Restaurantes – São cerca de nove mil em Hong Kong. O famoso Hutong está no 28º andar do One Peking Road. O bairro de Tsim Sha Tsui, em Kowloon, é famoso pela infinidade de restaurantes da cozinha cantonesa. Os hotéis disputam a melhor cozinha e o chá da tarde do hotel The Peninsula atrai visitantes há anos.

Subida até o Pico Victoria – Tem uma das melhores vistas da Baía de Hong Kong e dispõe de um serviço de transporte especial desde o século 19, o famoso teleférico com inclinação de 27 graus. Compras, compras e compras – Hong Kong tem tudo em abundância. Como porto livre, tudo é muito mais barato. Eletrônicos, roupas de grifes internacionais e materiais esportivos de primeiríssima linha chegam

Jade Market – As peças e os artesãos disputam o olhar dos compradores que se maravilham com a miríade de cores do jade, que vai do branco ao rosa, passando pelo verde.

Hong Kong Museum of Art – Se tiver que escolher apenas um, visite esse. São mais de 15 mil objetos de arte, incluindo caligrafia, tesouros chineses antigos e pinturas. Hospedagem no Mandarin Oriental Hong Kong – O mais famoso hotel da rede na cidade completa 50 anos este ano, e totalmente renovado. A localização privi-

legiada a vista da Enseada Victoria, o serviço excepcional e um ambiente de elegância e conforto o situa entre os grandes hotéis do mundo. Seu spa premiado (com tratamentos especialíssimos) e restaurantes conquistam prêmios e estrelas. Não deixe de reservar uma mesa no Pierre, o novo e suntuoso restaurante na cobertura do hotel, com cardápio de Pierre Gagnaire, chef com três estrelas Michelin. Central-Mid-levels Escalators Tour entre as escadas rolantes consideradas as mais longas outdoors do mundo, vale a experiência. Margeando diversos bares e restaurantes, que nos horários de happy-hour ficam lotados. Não suba muito, porque as escadas só sobem e a descida pode ser cansativa. Chun Yeung Street (Wet Market) – É um dos diversos mercados de rua de Hong Kong, repleto de placas incríveis, com milhares de lojas de rua vendendo de tudo. Aquaspirit – Nesse bar e restaurante encontra-se uma excelente gastronomia internacional, e incríveis drinques, mas o que realmente impressiona é ter uma das melhores vistas de Hong Kong em um ambiente supermoderno.


turismo

Não deixe de experimentar o onsen, banho de águas termais que o The Four Seasons oferece, ao lado uma vista de Shibuya, a meca da moda japonesa. Na página ao lado, a torre de broadcast de Tóquio virou símbolo da cidade

TÓQUIO Perfeito símbolo de megalópole, Tóquio move-se constantemente em meio a uma arquitetura arrojada de arranha-céus e grandes centros de compra que não encobrem recantos tradicionais onde se misturam templos, casas de chá, teatros, mercados e uma infinidade de bares e restaurantes. Vale conhecer em Tóquio... Tsukiji – O mercado de peixes. Os olhinhos dos vendedores de atum brilham quando gritam o preço final no leilão das madrugadas, que pode chegar a US$ 20 mil por um único peixe. Tudo impressiona no maior mercado desse tipo do mundo e a conta é simples: os japoneses consomem um terço da pesca diária mundial.

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Golden Gai – Um pequeno espaço da antiga Tóquio, em meio a Shinjuku, que sobreviveu aos imensos edifícios modernos. São seis pequenas ruelas onde se sucedem perto de 200 bares e cafés revivendo um estilo de vida remoto. É um lugar cult, frequentado por artistas e celebridades, que ferve a partir das 22 horas. Teatro Kabuki-za em Ginza – Ele pode ser difícil de ser assimilado, mas é um mergulho na mais profunda arte japonesa. No Kabuki, todos os papéis são representados por homens, com entonação de voz e gestos que tornam inimagináveis não serem personagens femininos.

Shimokitazawa – O distrito mais cool de Tóquio. É uma Babel de pequenas ruas que os descolados da capital chamam de Shimokita. De dia, lojas de moda e brechós; à noite, ferveção nos bares de jazz e karaokês. Shibuya – Meca da moda e da diversão, com adolescentes vestidos de maneira bizarra. Não há como ir a Tóquio e ignorar Shibuya, espécie de antevisão do futuro. Meiji Jingu – Santuário emoldurado por nada menos que 120 mil árvores no coração da imensa cidade, abriga o mausoléu do imperador Meiji, bisavô do atual, Akihito, e permite um impressionante mergulho na história. Depatos – Os depatos (do inglês “department stores”) concentram quase tudo o que os japoneses precisam. Esses shopings abrigam marcas ocidentais famosas, grifes japonesas modernas, e preciosidades típicas como os quimonos de delicada textura ou os incríveis objetos de madeira laqueada. Come-se muito bem nos depatos, com uma variedade inacreditável de ofertas. Four Seasons Hotel Tokyo at Marunouchi – Muito bem localizado, conta com apenas 57 suítes decoradas com conforto, requinte e tecnologia e que passam uma sensação de serenidade ímpar. Não deixe de experimentar o tradicional banho “onsen” de águas termais, que faz toda a diferença.

Serviço teresaperez.com.br CINGAPURA Hotel Shangri-La Singapore shangri-la.com/singapore | Quem leva: singaporeair.com | Gardens by the Bay gardensbythebay.com.sg | Jardim Botânico sbg.org.sg | Marina Bay Sands marinabaysands.com | National Museum of Singapore nationalmuseum.sg | Passeios de barco pelo rio rivercruise.com. sg | Peranakan Musem peranakanmuseum.sg | Sentosa World sentosa.com. sg | Restauranhte Iggy’s iggys.com.sg | Restaurante Andre restaurantandre.com | Restaurante Fify-Three fiftythree.com.sg| Restaurante Les Amis lesamis.com. sg/| Restaurante Waku Ghin marinabaysands.com | Singapore Tourism Board yoursingapore.com

HONG KONG Onde ficar mandarinoriental.com/hongkong | The Peak Tower thepeak.com.hk | The Peninsula Hong Kong peninsula.com | Hong Kong Museu of Art hk.art.museum | Mais informações no Hong Kong Tourism Board (HKTB) discoverhongkong.com TÓQUIO Four Seasons Hotel Tokyo at Marunouchi fourseasons.com/tokyo | Tsukiji tsukiji-market.or.jp/tukiji_e.htm | Teatro Kabuki-za em Ginza kabuki-za.co.jp | Meiji Jingu meijijingu.or.jp/english | Tokyo Metropolitan Museum of Photography - syabi.com/e/contents/index.html | Depatos – mitsukoshi.co.jp/store/fcs/english/1010/ index.html


filantropia

gião com diversas fazendas e locais para a prática da pesca e da caça, ideal para quem queria descansar e se divertir nos finais de semana. Mas cem anos depois, com a intensificação da urbanização, o bairro já não possui resquícios da época em que foi fundado. Com shopping, transporte público, igrejas, comércio e núcleos habitacionais, hoje ele é o quinto maior distrito de São Paulo, com 275.230 habitantes, segundo dados do Censo de 2010. “Antigamente, não havia no bairro uma preocupação [pela questão] habitacional como existe agora: as vias eram de terra e muitas residências eram de tábua. Hoje as casas são de alvenaria, já se vê prédios de dez andares, as ruas estão todas asfaltadas, tem bastante ônibus e contamos até com metrô, que vai a Santo Amaro”, explica ele.

libertários

Como parte do projeto Melhoria Habitacional, os voluntários da ONG, percorrem o bairro, durante a semana, analisando quais casas precisam de reparos urgentes, e supervisionando as reformas que estão sendo feitas

Libertários: uma nova imagem para o Capão Redondo De área rural, o bairro passou a ser o quinto mais populoso da capital paulista em cem anos. Com a urbanização, problemas sociais como a violência apareceram. Para mudar essa realidade, a organização Libertários desenvolve ações na área habitacional no atendimento a crianças e idosos, melhorando a qualidade de vida dos moradores da região Por Thais Iervolino

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ma área de 5 metros de comprimento por 3 metros de largura. Esse era o tamanho da casa onde Rafael da Silva Gomes Pereira vivia com sua mãe e irmãos, um total de dez pessoas, no Capão Redondo, região sul de São Paulo. “A vida não era fácil. Desde cedo tive de conviver com os problemas sociais que estavam em nossa própria casa, minúscula para tanta gente”, conta. Rafael, 32 anos, sempre viveu no Capão Redondo. Na adolescência encontrou no hip-hop a maneira de dizer os problemas que a comunidade enfrentava. Hoje é o diretor da organização não governamental Libertários, que há mais de dez anos atua na região, por meio de projetos de melhorias da vida da população do bairro.

“Comecei a analisar a sociedade sendo rapper. Era uma forma de protestar sobre problemas que estavam na nossa frente. Eu e um amigo tínhamos uma grande necessidade de mudanças e vimos na criação da ONG uma luz no fim do túnel. Hoje temos cerca de dez voluntários e realizamos dois projetos, o Melhoria Habitacional, que busca reformar as residências dos moradores, e o Jovem Idoso, que faz a entrega de leite a crianças e idosos, entre outras ações. Já atendemos a aproximadamente 400 famílias do Capão Redondo”, explica o diretor. Das fazendas para o quinto maior distrito de São Paulo No início do século 20, o Capão Redondo era uma re-

Com as mudanças, problemas sociais também surgiram: de acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, o bairro ocupa hoje o primeiro lugar entre os mais violentos da cidade de São Paulo e tem um dos menores índices de desenvolvimento humano, com 0,782, que o coloca em 79º lugar entre os 96 distritos existentes em São Paulo. De acordo com Rafael, ainda com tais problemas sociais, Capão Redondo enfrenta um desafio maior: acabar com o estigma de região abandonada e violenta. “Por ter historicamente altos índices de violência, os profissionais de educação, por exemplo, não trabalham aqui por medo, o que impede que a situação educacional melhore, por exemplo. Essa fama acaba por reforçar e intensificar ainda mais os problemas sociais”, explica. Meta: melhoria em 60 residências do bairro até dezembro É justamente para melhorar a qualidade de vida de seus moradores, mudando a imagem de bairro violento, que a Libertários atua. “Claro que o crime existe, ele está em toda São Paulo, mas o Capão já não é mais palco das chacinas que aconteceram no passado, ele tem mudado: ando pelas ruas às 3 horas da manhã e não vejo essa violência que se vende. Essa mudança acontece no cotidiano, não é da noite para o dia que conseguimos mudar a vida de todos. Por meio das ações que realizamos e da conscientização, já encontramos transformações e vemos que a solução para muitos problemas está mais próxima de nós”, conta Rafael. Durante a semana, o trabalho da organização concentra-se na reforma de casas dos moradores do bairro. Os

voluntários percorrem o bairro para analisar as residências que precisam, com mais urgência, de modificações estruturais, e também para monitorar o andamento das obras que já estão sendo feitas. A meta, até o fim do ano, é realizar melhorias em 60 residências. Uma das beneficiadas pelo projeto é Evanilza Vieira Cavalcante. “Conheci o projeto por meio de outra ação da ONG e fiz o meu cadastro”, explica. Ela mora no Capão Redondo há 14 anos. Na época, ela, seu marido e seu primeiro filho, com 2 anos, chegaram à região por não terem tido condições financeiras de morar nos bairros mais centrais da cidade. Logo após a mudança, a família cresceu: nasceram mais duas filhas, que hoje estão com 14 e 13 anos. A mais nova delas é cadeirante. “Antes da reforma, minha casa era pequena. Os cinco dormiam juntos em um quarto. Além disso, como a minha filha é especial, ela não podia ficar na sala porque não havia espaço”, explica Evanilza. Segundo ela, em cerca de um mês, a reforma em sua residência foi feita: levantamento de uma parede para criação de um cômodo a mais, construção de um forro para a casa, inserção de uma porta e acesso para cadeirante e pintura. “Com a construção do cômodo, o espaço ficou mais amplo, já que a antiga sala virou um quarto para meus filhos. Além disso, minha filha tem acesso à nova sala sem problemas”, diz. Além da reforma das casas, a Libertários realiza mutirões e faz a entrega de leite a crianças e idosos. Essas ações são realizadas às sextas-feiras e nos finais de semana. “Com dez etapas, fazemos campanhas e eventos na escola próxima, entregamos leite aos cadastrados no projeto, realizamos todo mês caminhadas, assessoria psicológica, etc.”, relata Rafael. Para ele, a maior conquista da organização foi a confiança da comunidade e os parceiros que ajudam a concretizar os projetos. “Saber que os moradores acreditam em nossa luta e que tem muita gente de fora querendo ajudar é o principal incentivo para continuarmos nosso trabalho”, fala. Evanilza confirma: “É muito bonito ver que há empresas que procuram essas organizações para fazerem o bem ao próximo. O trabalho do Rafael é muito sério. A ONG fez tudo o que estava no papel e melhorou bastante a minha vida e a de muitos habitantes do Capão”, conclui.


sociedade

“Transtornos do Espectro Autista” (TEA), um conjunto de manifestações que afetam o funcionamento social, a capacidade de comunicação e implicam um padrão restrito de comportamento que geralmente vem acompanhado de deficiência intelectual. O TEA é constituído pelo autismo, a síndrome de Asperger, e pelo transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação. Portadores de TEA apresentam, em diferentes graus, dificuldades em entender as regras de convívio social, a comunicação não verbal, a intencionalidade do outro e o que os outros esperam dela, fazendo com que o desenvolvimento do cérebro social mantenha-se insuficiente para as funções necessárias para a interação social.

Tudo Azul

A sociedade brasileira conhece o autismo? Sabe do impacto que ele tem sobre as famílias? Quais as promessas e esperanças futuras? A Autismo & Realidade foi fundada para beneficiar, com informação, pessoas com autismo e agir para que seus direitos legais se transformem em realidade Por Maiá Mendonça | Ilustração Maria Eugênia

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uando Julia nasceu era um bebezinho lindo, a menina desejada por Paula Balducci de Oliveira, mãe de um menino. Julia foi crescendo, se desenvolvendo como qualquer criança, “mas tinha alguma coisa nela que me intrigava, sentia como se ela estivesse escapando”, conta a mãe que percebia a falta de interação mãe e filha durante as mamadas, a ausência do olho no olho, e certa falta de interesse pelos estímulos externos. Paula levou a pequena Julia a dezenas de médicos de todas as especialidades, fez centenas de exames, e todos os resultados eram unânimes: Julia era uma menina normal. Por pura intuição e por acreditar que havia algo errado, Paula foi preenchendo com estímulos os vãos no desenvolvimento da filha. Julia foi para a escola normal, mas não fazia amigos e preferia a biblioteca ao recreio. “Tem alguma coisa errada comigo?” Julia perguntava para a mãe. Mas por mais que Paula

pesquisasse, não sabia nem o que poderia ser, nem como responder. Anos mais tarde veio o diagnóstico. Julia era asperger, um dos transtornos que fazem parte do espectro autista. Paula perdeu o chão.

Existe uma diferença entre autismo e Síndrome de Asperger, no autismo as capacidades visoespaciais e o quociente de inteligência executivo são superiores, mas a fala é mais lenta. Na Síndrome de Asperger, ao contrário, as capacidades verbais são superiores, assim como o quociente de inteligência verbal. Pesquisas recentes apontam que não existe uma causa para esse transtorno, mas várias. Como também, na maioria das vezes, que ele resulta de uma combinação de fatores genéticos e riscos ambientais. Mas não é apenas um gene o causador do transtorno, mas diversos, e também não se sabe quais riscos ambientais influenciam nessa combinação ainda sem solução nem remédio. Dois anos depois do diagnóstico, Paula encontrou a melhor maneira de conversar com a filha sobre o transtorno que sofria. A resposta de Julia foi “eu sabia que tinha algo errado comigo”. E nunca mais tocou no assunto.

O autismo foi descrito pela primeira vez em 1943, pelo médico austríaco Leo Kanner, no artigo Autistic disturbance of affective contact. No mesmo ano, Hans Asperger, também austríaco, descreveu em sua tese a psicopatia autista da infância. Ambos adotaram o nome autismo, palavra cunhada por Eugene Bleuler para descrever um sintoma da esquizofrenia. O trabalho de Asperger só veio a ser conhecido em 1970, quando foi traduzido para o inglês, e passou a batizar a síndrome.

Diagnosticar qualquer Transtorno do Espectro Autista é difícil. Não existem testes nem exames. A observação dos pais é a melhor pista, os sintomas podem ser observados a partir dos seis meses de vida, quando a criança começa a interagir com o mundo. O diagnóstico pode ser confirmado aos três anos. E quanto antes for confirmado, maiores as chances de a criança conseguir ser integrada à sociedade. Hoje o autismo não tem cura, e os sinais vão permanecer durante toda a vida, mas com o acompanhamento médico, de psicólogos, neurologistas e fonoaudiólogos é possível conseguir excelentes resultados com a criança autista a ponto de ela levar uma vida “normal”.

O que antes era conhecido como autismo, um termo geral usado para descrever um grupo de transtornos de desenvolvimento do cérebro, hoje é conhecido como

“Por pura intuição tratei da Julia do mesmo modo como hoje são tratadas as crianças com TEA. A Julia está com 25 anos, é formada em Cinema e leva uma vida

normal com limitações que ela sempre tenta vencer. É uma moça superinteligente, interessada, que gosta de se superar e tem habilidades e memória incríveis. E agora está trabalhando”, explica Paula de Oliveira que, pela filha e com o apoio do Dr. Marcos Tomanik Mercadante, decidiu fundar a Autismo & Realidade, uma entidade sem fins lucrativos que se propõe a ser uma difusora de conhecimento, de informação séria sobre um transtorno até pouco tempo desconhecido. E não tão raro como podemos imaginar. Números do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos apontam que uma entre 88 crianças é portadora de autismo, enquanto que na Coreia do Sul a proporção cai para uma em cada 38 pessoas. Não existem pesquisas feitas no Brasil sobre quantas pessoas têm o Transtorno do Espectro Autista. Assim como não existem políticas governamentais efetivas e gratuitas. A Autismo & Realidade tenta despertar o interesse das autoridades para o assunto e pleiteia junto ao governo federal, através de projetos tais como manuais informativos, duas cartilhas inéditas, uma delas ilustrada pelo Ziraldo sobre identificação e estratégias sobre o Transtorno do Espectro Autista para o professor. O autista ou asperger pode ter uma vida “normal”, aprender a lidar com a vida real. Ele tem pensamentos, ideias e conclusões próprios, não são papagaios repetindo frases ouvidas, suas maiores dificuldades estão no planejamento das atividades do dia a dia e no entendimento da comunicação não verbal, fundamental para a vida em sociedade. Muitos pais preferem não reconhecer o Transtorno para não lidar com o problema. A Autismo & Realidade, apoiada por um comitê científico, fornece todo o tipo de informação sobre o TEA, oferece capacitação para profissionais, financia pesquisas, presta apoio a famílias, promove workshops e eventos, como a tradicional caminhada, no dia dois de abril, dia Mundial de Conscientização do Autismo instituída pela Organização das Nações Unidas como o Dia do Autismo. E ações de conscientização do Autismo instituido pela iluminam o mundo inteiro de azul (a cor do autismo). No Brasil, a Autismo & Realidade já conseguiu colorir de luz azul o Teatro Amazonas, em Manaus, o Palácio de Cristal, em Curitiba, o Elevador Lacerda, em Salvador, e o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, evento que foi brindado com a apresentação de um pianista acompanhado por um tenor autista e cego. “Foi lindo”, lembra Paula. O Transtorno do Espectro Autista pode não ter cura, mas tem um caminho a ser seguido que pode levar a muitos lugares.


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