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Karl Marx

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A clássica edição de O Capital, de Karl Marx, resumida por Julian Borchardt, é a melhor introdução para um dos livros mais influentes e complexos do pensamento moderno. O principal mérito de Borchardt, que faz sua edição ainda hoje ser traduzida e lida, é resistir à tendência de interpretar e simplificar as ideias da obra integral. Em vez disso, Borchardt selecionou e reordenou as passagens que tratam dos principais conceitos marxistas, evitando repetições e esclarecendo apenas trechos pontuais mais obscuros do texto original. Deste modo, os conceitos marxistas de mais-valia, mercadoria, acumulação, valor, preço, trabalho e capital tornam-se acessíveis a todos que estudam a história do pensamento econômico e filosófico e se interessam pela história política dos últimos dois séculos, assim como àqueles que querem ter um primeiro contato com o pensamento de Karl Marx.

Karl Marx O Capital

arl Marx, filósofo e economista judeu alemão, nasceu há duzentos anos, em 1818, em Trier, então parte da Prússia, e morreu em 1883, em Londres, no Reino Unido. Um dos principais pensadores do século XIX, foi fundador de uma corrente de pensamento que influenciou de maneira indelével a história do século XX. Dialogando profundamente com as obras do filósofo Georg W. F. Hegel e do economista David Ricardo, Marx escreveu livros essenciais sobre filosofia, política e economia, além de ter inaugurado uma nova forma de atividade intelectual, aproximando-a do exercício político. Foi nesse espírito que participou ativamente da Associação Internacional do Trabalho (a Primeira Internacional), escreveu com Friedrich Engels o Manifesto do Partido Comunista (1848) e foi prolífico correspondente em Londres do jornal americano New York Tribune. Entre suas principais obras estão Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (1843), Sobre a Questão Judaica (1843), Teses sobre Feuerbach (1845), A Ideologia Alemã (1845, com Engels), O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852), além de sua obra-prima, O Capital.

O Capital Edição resumida por

Julian Borchardt

Sumário 1 | Mercadoria, Preço e Lucro, 1 2 | Lucro e Venda de Mercadorias, 8 3 | Valor de Uso e Valor de Troca, 10 4 | Compra e Venda de Força de Trabalho, 18 5 | Como se Forma a Mais‑Valia, 20 6 | Capital Constante e Capital Variável, 28 7 | Formação de uma Taxa de Lucro Uniforme (ou Média), 35 8 | Métodos para o Aumento da Mais‑Valia, 40 9 | A Revolução Operada pelo Capital no Modo de Produção, 44 10 | Efeitos desses Progressos na Situação da Classe Operária, 77 11 | Queda da Taxa de Lucro, 118 12 | A Acumulação do Capital, 124 13 | O Efeito da Acumulação sobre os Operários, 138 14 | A Chamada Acumulação Primitiva, 157 15 | A Tendência da Acumulação Capitalista, 176 16 | O Salário, 179 17 | A Moeda, 204 18 | O Processo de Circulação e o Tempo de Circulação do Capital, 221 19 | A Rotação do Capital, 233 20 | A Circulação da Mais‑Valia, 252 21 | As Crises, 266 22 | O Capital Comercial e o Trabalho dos Empregados do Comércio, 284 23 | Influência do Capital Comercial sobre os Preços, 296 24 | Observações Históricas sobre o Capital Comercial, 301 25 | O Juro e o Lucro do Empreendedor, 310 26 | Crédito e Banco, 321 27 | A Renda da Terra, 333


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O GEN | Grupo Editorial Nacional – maior plataforma editorial brasileira no segmento jurídicas, da saúde e sociais aplicadas, além de prover serviços direcionados à educação continuada e à preparação para concursos. As editoras que integram o GEN, das mais respeitadas no mercado editorial, construíram catálogos inigualáveis, com obras decisivas para a formação acadêmica e o aperfeiçoamento e seriedade. A missão do GEN e dos núcleos de conteúdo que o compõem é prover a melhor informabenefícios e servindo a autores, docentes, livreiros, funcionários, colaboradores e acionistas. Nosso comportamento ético incondicional e nossa responsabilidade social e ambiental são reforçados pela natureza educacional de nossa atividade e dão sustentabilidade ao crescimento contínuo e à rentabilidade do grupo.

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Edição resumida

Edição comemorativa pelo bicentenário do nascimento de Karl Marx

Resumo dos três volumes por Julian Borchardt Tradução de Ronaldo Alves Schmidt

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O autor, o organizador e a editora se empenharam para citar adequadamente e dar o devido crédito a todos os detentores de direitos autorais de qualquer material utilizado neste livro, dispondo-­se a possíveis acertos posteriores caso, inadvertida e involuntariamente, a identificação de algum deles tenha sido omitida. Direitos exclusivos para a língua portuguesa Copyright © 2018 by LTC | Livros Técnicos e Científicos Editora Ltda. Uma editora integrante do GEN | Grupo Editorial Nacional Travessa do Ouvidor, 11 – Rio de Janeiro – RJ – CEP 20040-040 Tels.: (21) 3543-0770 / (11) 5080-0770 | Fax: (21) 3543-0896 www.grupogen.com.br | faleconosco@grupogen.com.br Reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução do conteúdo deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Internet ou outros), sem permissão expressa da editora. Edições brasileiras: 1967, 1969, 1973, 1975, 1980, 2015 e 2018. Capa: Bernard Design Editoração eletrônica: Anthares CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ. M355c 8. ed. Marx, Karl O capital / Karl Marx ; resumo dos três volumes por Julian Borchardt ; tradução de Ronaldo Alves Schmidt. - 8. ed. resumida - Rio de Janeiro : LTC, 2018. ; 21 cm. Tradução de: Das Kapital ISBN 978-85-216-3540-6 1. Economia. 2. Capital (Economia). I. Borchardt, Julian. II. Schmidt, Ronaldo Alves. III. Título. 18-49160 CDD: 330.122 CDU: 330.85 Meri Gleice Rodrigues de Souza - Bibliotecária CRB-7/6439

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Apresentação Leitura obrigatória para estudantes de Economia, História, Filosofia, Ciências Sociais e Ciência Política, O Capital é uma obra monumental. Seus três volumes, com mais de 2.200 páginas, elaboram uma teoria ampla do capitalismo e estabelecem conceitos-chave para a compreensão da economia dos últimos séculos. Marx trabalhou no livro durante décadas, mas viu apenas o primeiro volume ser publicado, em 1867. Os dois volumes seguintes foram completados por seu amigo e colaborador Friedrich Engels a partir das extensas notas deixadas por Marx e foram publicados em 1885 e 1894. A clássica edição resumida de Julian Borchardt, lançada em 1919, foi uma importante contribuição para o estudo do marxismo. Consciente da importância de versões introdutórias do livro, mas também de que muitos resumos acabam por deturpar os conceitos principais, Borchardt selecionou dos três volumes as principais passagens sobre temas essenciais, mantendo intacto o texto de Marx. Interferiu apenas para amarrar essas passagens ou para esclarecer expressões em notas precisas. Assim, Borchardt conseguiu a proeza de editar uma versão ao mesmo tempo acessível a todos e fiel ao original de um dos livros mais influentes e complexos da modernidade. Separada em 27 capítulos que cobrem as questões centrais da teoria econômica marxista, como mercadoria, preço e lucro, mais-valia, moeda, acumulação primitiva e crise, a edição resumida de O Capital é a melhor porta de entrada para o estudo de um dos pensadores mais importantes do século XX e de uma corrente de pensamento ainda hoje influente nos mais diversos campos de pesquisa. É uma feliz coincidência que, em 2018, quando se completam 200 anos do nascimento de Karl Marx, a LTC comemore 50 anos de sua fundação. Dois motivos, portanto, para a publicação desta edição comemorativa. LTC Editora

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Prefácio de Julian Borchardt O fundador do socialismo científico é Karl Marx, que nasceu em Trier, em 1818, e morreu em Londres, em 1883. Sua obra principal, O Capital, reúne as doutrinas fundamentais do socialismo. Conhecer este livro, portanto, é dever básico de qualquer um que queira compreender a tendência de desenvolvimento social de nosso tempo – e, a forteriori, de todos que desejam contribuir ativamente para esse desenvolvimento. Esse dever, todavia, não é dos mais fáceis de ser cumprido. Quem procura ler O Capital se defronta com inúmeras dificuldades. Podemos, inclusive, ir além e dizer que para o leigo ele é quase incompreensível. E a maior parte das pessoas é necessariamente leiga. Em primeiro lugar, há a grande extensão da obra – os três tomos que o compõem contam com nada menos que 2.200 páginas impressas. Quem poderá lê-lo, se não for um especialista em economia política e tiver um compromisso profissional? Em segundo lugar, há em Marx um modo de expressão particularmente difícil de ser compreendido. Sicofantas, ansiosos em aplaudir tudo o que é feito por um grande homem, têm sustentado que o estilo de Marx é claro, preciso e de fácil compreensão. Isso não é aplicável nem mesmo a seus artigos curtos, redigidos para jornais. E essas afirmações são absolutamente falsas quando estendidas a suas obras de economia política. Para compreender Marx, variadas condições devem ser postuladas: não apenas é necessário que o leitor mergulhe profundamente e medite com coração e alma sobre o grande trabalho do pensador, mas deve também sujeitar-se à grande força intelectual; e, além disso, deve possuir sólida e completa formação em economia. É fácil entender as razões da obscuridade de Marx. Ele realizou um imenso trabalho intelectual. Teve o completo domínio de tudo que,

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antes dele, havia sido ensinado pela ciência da economia política, e com a força de suas próprias pesquisas ele enriqueceu enormemente o material já acumulado. Estudou minuciosamente todos os problemas da economia e descobriu soluções totalmente novas precisamente para o mais importante deles. Sua atenção e sua energia foram tomadas de tal maneira pelo conteúdo da ciência econômica que ele não dava importância à forma pela qual suas ideias eram expressadas. Perto do volume de ideias que não cessavam de ocupálo, a expressão lhe parecia indiferente. Sem dúvida ele não percebeu que a quantidade de coisas que lhe eram familiares e lhe pareciam evidentes poderia criar as maiores dificuldades para os outros, para aqueles que não possuíam tão grande conhecimento. Ainda mais porque ele não tinha intenção de escrever para leigos. Ele pretendeu, ao contrário, compor uma obra estritamente científica. Seja como for, o certo é que, de modo a entender Marx, é necessária uma soma de tempo e de trabalho muito maior do que o leigo pode, por definição, dispor. E agora passamos à terceira dificuldade, a mais importante. A obra de Marx, da primeira à última linha, é de um só molde; as diferentes partes de sua doutrina dependem tão estreitamente umas das outras que nenhuma seria bem compreendida sem o conhecimento das demais. Quem quer que inicie a leitura dos primeiros capítulos não pode naturalmente saber o que contêm os últimos e poderá então adquirir uma imagem falsa da doutrina enquanto não tiver estudado os três volumes até o fim. Essa dificuldade é ainda acrescida do fato de que Marx não pôde terminar sua obra. Ele redigiu definitivamente apenas o primeiro volume de O Capital, aparecido em 1867. Os dois outros volumes foram publicados após sua morte, por seu amigo Friedrich Engels.* Bem, esses dois últimos volumes, longe de estarem prontos para a impressão, receberam de Engels frequentemente inserções no texto dos esboços escritos pelo próprio Marx. Disso resultaram inúmeras repetições. O leitor desprevenido – e o leigo o é – vê com surpresa a mesma ideia reaparecer constantemente em diferentes formas: 10 vezes, 15 vezes e mais ainda, sem que perceba a razão disso. Isso explica por que os próprios especialistas se contentam de ordinário em ler o primeiro volume, o que os leva a compreender mal o que Marx quis dizer.

* O volume II em 1885, o volume III, em duas partes, em 1894.

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Acontece mesmo, frequentemente, de o leigo, o trabalhador, por exemplo, após ter despendido um esforço talvez considerável em suas horas de lazer para ler até o fim o primeiro volume, evitar prudentemente a leitura do segundo e do terceiro. Todas essas razões me levaram, desde antes da guerra, a pensar que era urgente tornar O Capital possível de ser lido por aqueles que aspiram a conhecer seu conteúdo, sem estar mesmo, por assim dizer, sacrificando uma parte de seu trabalho e de sua vida. Não se trata evidentemente de popularizar a doutrina de Marx, de proceder a uma dessas vulgarizações que consistem na exposição livre por outra pessoa, tentando torná-la compreensível. Tais trabalhos existem em demasia (frequentemente, aliás, padecem do fato de que seu próprio autor não leu senão o primeiro volume, não considerando os outros dois como essenciais), mas se trata ao contrário de deixar o próprio Marx falar, de apresentar sua própria obra, suas próprias palavras, de modo que todos, com um pouco de tempo e trabalho, tenham possibilidade de compreendê-las. Tal era a tarefa que imaginei durante anos. A guerra e seus lazeres obrigatórios me proporcionaram o tempo necessário. Apresento o resultado ao público e devo ainda expor por quais motivos me considerei capaz de tal trabalho e de que maneira procedi. *** Ainda algumas palavras sobre o modo pelo qual procurei cumprir a tarefa que me propus. Devia esforçar-me por deixar tanto quanto possível intactas as próprias palavras de Marx e limitar minhas atividades a um trabalho de supressão e de reagrupamento. Como já afirmei, a dificuldade da obra de Marx reside, para uma grande maioria, no fato de que para compreender convenientemente uma de suas partes seria preciso, em verdade, conhecer todas as outras. Não haveria de modo algum exagero em afirmar que os primeiros capítulos devem dar ao leigo, que pela primeira vez se arriscar à sua leitura, a impressão de serem escritos em chinês. Isso advém justamente de que ele não tem ainda nenhuma ideia do espírito, da maneira de ver particular da obra. Para lhe tornar acessível essa última é preciso conhecer estudos importantes, que aparecem no terceiro volume. Assim, desde o primeiro minuto eu soube com certeza que deveria rever do início ao fim a sequência de ideias e a sua representação. Muito do que figura no terceiro volume precisou ser colocado no começo. Do mesmo modo, foi preciso reunir frequentemente textos espalhados entre vários capítulos por vezes bastante

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longos, ou, ao contrário, separar outros. E, fazendo isso, redigir muitas frases de transição, conservando no conjunto, todavia, o próprio texto de Marx invariável. Isso em si, já seria bastante proveitoso. Quem se der ao trabalho de comparar minha edição notará, com surpresa, quantos raciocínios, até então bastante penosos de seguir, tornaram-se claros e compreensíveis pela simples modificação de uma determinada sequência de ideias. Os cortes não foram menos fecundos. Acontece que, de todas as inúmeras repetições contidas no segundo e terceiro volumes, foi selecionada e inserida uma única versão. E, além disso, meu objetivo não era absolutamente reproduzir toda a obra em todos os seus detalhes. Era preciso, ao contrário, proceder a uma escolha, de modo que o leitor pudesse conhecer, por meio dos próprios termos de Marx, o encadeamento fundamental das ideias, sem ficar, todavia, assustado ou sobrecarregado pela grande extensão da obra. Qualquer pessoa, sentindo necessidade, poderá, comparando, assegurar-se se falta alguma coisa de essencial. A fim de facilitar esse controle, indiquei no começo de todos os capítulos, e nos lugares em que pude, as partes do original às quais recorri. Restou um número bastante considerável de passagens que não foi possível manter exatamente como foram redigidas por Marx, senão permaneceriam incompreensíveis; e foi preciso, por assim dizer, “traduzi-las”. Terminarei exprimindo a esperança de que este trabalho não ajudará somente à compreensão de Marx, mas também que será favorável ao saber econômico em geral e poderá ser útil à causa do socialismo. Ficarei particularmente feliz se esta minha edição, acessível a todos, despertar em alguns leigos o desejo de dedicar-se em seguida ao estudo do original. Berlim-Lichterfelde, fevereiro de 1931

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Sumário Capítulo 1 | Mercadoria, preço e lucro, 1 Capítulo 2 | Lucro e venda de mercadorias, 6 Capítulo 3 | Valor de uso e valor de troca – o trabalho socialmente necessário, 10 Capítulo 4 | Compra e venda de força de trabalho, 15 Capítulo 5 | Como se forma a mais‑valia, 20 Capítulo 6 | Capital constante e capital variável – capital fixo e capital circulante (ou líquido), 28 Capítulo 7 | Formação de uma taxa de lucro uniforme (ou média), 35 Capítulo 8 | Métodos para o aumento da mais‑valia, 40 Capítulo 9 | A revolução operada pelo capital no modo de produção, 44 a) A cooperação, 44 b) Divisão de trabalho e manufatura, 52 c) As máquinas e a grande indústria, 67

Capítulo 10 | Efeitos desses progressos na situação da classe operária, 77 a) Trabalho de mulheres e de crianças, 77 b) Prolongamento da jornada de trabalho, 81 c) Intensificação do trabalho, 92 d) Monotonia do trabalho, aumento de acidentes, 99 e) Luta entre o operário e a máquina, 103

Capítulo 11 | Queda da taxa de lucro, 118 Capítulo 12 | A acumulação do capital, 124 a) A continuidade da produção (reprodução), 124 b) Aumento do capital pela mais‑valia, 133

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Capítulo 13 | O  efeito da acumulação sobre os operários. O exército industrial de reserva. Teoria da pauperização, 138 Capítulo 14 | A chamada acumulação primitiva, 157 Capítulo 15 | A tendência da acumulação capitalista, 176 Capítulo 16 | O salário, 179 a) Aspectos gerais, 179 b) Salário e mais‑valia, 183 c) O salário por hora, 192 d) O salário por peça, 198 e) Comparação entre as nações, 202

Capítulo 17 | A moeda, 204 Capítulo 18 | O processo de circulação e o tempo de circulação do capital, 221 Capítulo 19 | A rotação do capital, 233 a) Rotação e tempo de rotação, 233 b) Composição, reposição, reparação, acumulação do capital fixo, 239 c) A rotação total do capital empatado, 243 d) D  iferenças de duração no período de produção e seus efeitos sobre o tempo de rotação, 246

Capítulo 20 | A circulação da mais‑valia, 252 a) A reprodução simples, 255 b) A acumulação e a reprodução ampliada, 262

Capítulo 21 | As crises, 266 Capítulo 22 | O capital comercial e o trabalho dos empregados do comércio, 284 Capítulo 23 | Influência do capital comercial sobre os preços, 296 Capítulo 24 | Observações históricas sobre o capital comercial, 301 Capítulo 25 | O juro e o lucro do empreendedor, 310 Capítulo 26 | Crédito e banco, 321

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Capítulo 27 | A renda da terra, 333 a) Gênese histórica da renda da terra capitalista, 333 b) Observações preliminares, 338 c) A renda diferencial. Generalidades, 348 d) Primeira forma da renda diferencial, 352 e) Segunda forma da renda diferencial, 360 f) A renda de terra absoluta, 367 g) A renda dos terrenos para construção, das minas, do solo, 373

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capítulo

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A Acumulação do Capital* a)

A continuidade da produção (reprodução)

Uma sociedade assim como não pode parar de consumir também não pode parar de produzir. Nenhuma sociedade pode constante‑ mente produzir sem transformar continuamente uma parte de seus produtos em meios de produção. Permanecendo as mesmas todas as outras circunstâncias, ela não pode reproduzir ou manter sua riqueza em um grau, a não ser que os meios de produção consumidos, por exemplo, durante o ano (meios de trabalho, matérias‑primas e maté‑ rias acessórias), sejam substituídos por uma quantidade igual de outros artigos da mesma espécie, que é preciso separar do volume anual de produtos e incorporar de novo no processo de produção. Determinada parte da produção anual pertence à produção e deve ser fabricada com esta finalidade. Em uma sociedade capitalista, todo meio de produção serve de capital, porque acarreta a seu possuidor, devido ao trabalho assala‑ riado, a mais‑valia. Com efeito, o capitalista não quer tirar a mais‑valia * Vol. I, Cap. 21.

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uma vez só e sim a mais‑valia contínua em relação ao valor por ele empregado. Se a mais‑valia fosse inteiramente consumida cada ano pelo capi‑ talista, ocorreria apenas repetição da produção, reprodução simples. Mas a simples reprodução já confere ao fenômeno certas caracterís‑ ticas novas. O processo de produção inicia‑se pela compra, por um determi‑ nado tempo, de força de trabalho, e este início se renova constan‑ temente, quando o tempo fixado termina ou se escoa com o fim de certo período de produção: semana, mês etc. Mas o operário não é pago até que sua força de trabalho produza um efeito, realizando nas mercadorias tanto seu próprio valor quanto mais‑valia. Então ele produz não somente mais‑valia, que consideramos no momento como o fundo de consumo do capitalista, mas também o fundo que deve servir para seu próprio pagamento, isto é, o capital variável; e isto antes que este capital lhe chegue sob forma de salário. O ope‑ rário é enfim empregado somente enquanto reproduz ininterrupta‑ mente este capital variável. Daí a fórmula mencionada no Capítulo 16, na qual um economista nos dá o salário como uma participação no produto. O que o operário recebe sob forma de salário é uma parte do produto que ele próprio reproduz sem cessar. É certo que o capitalista lhe paga em dinheiro o valor das mercadorias. Mas esse dinheiro não é senão a forma modificada do produto do trabalho. Enquanto o operário transforma em produto uma parte dos meios de produção, uma parte de seu produto anterior se retransforma em dinheiro. Seu trabalho por dia ou por semestre é pago por seu tra‑ balho do dia anterior ou do semestre precedente. A ilusão produzida pela forma dinheiro desaparece desde que, no lugar de um só ope‑ rário ou de um só capitalista, considerarmos a classe operária ou a classe capitalista. A classe capitalista fornece continuamente à classe operária letras de câmbio por uma parte do produto fornecida pela segunda, mas encampada pela primeira. Mas o operário continua a devolvê‑la à classe capitalista, retirando a parte que lhe toca por seu próprio produto. A forma mercadoria do produto e a forma dinheiro da mercadoria dissimulam essas relações. O capital variável só perde, todavia, sua falsa aparência de um adiantamento feito pelo capitalista com seus próprios fundos se considerarmos o processo de produção capitalista em seu curso incessante de sua renovação. Mas é preciso que esse processo comece em alguma parte e em algum momento qualquer. Pode‑se admitir provisoriamente que por uma acumulação qualquer, pri‑

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mitiva e independente de qualquer trabalho alheio não pago, o capitalista tornou‑se possuidor de dinheiro e pôde comprar força de trabalho. Todavia, a simples continuidade do processo de pro‑ dução capitalista, ou a simples reprodução, opera outras mudanças curiosas que não se referem apenas à parte variável do capital, mas ao capital inteiro. Se a mais‑valia produzida periodicamente, por exemplo, anual‑ mente, por um capital de 1.000 libras é de 200 libras, sendo consu‑ mida anualmente, é evidente que, no fim de cinco anos, a soma de mais‑valia consumida será de 5 × 200 libras, ou seja, igual ao capital inicialmente adiantado de 1.000 libras. Se se consumisse a cada ano apenas uma parte da mais‑valia, por exemplo, a metade, o mesmo resultado seria atingido em 10 anos de repetição do processo de produção, já que 10 × 100 = 1.000. Em geral, o capital empregado, dividido pela mais‑valia consumida por ano, dá o número de anos ou o número de períodos de reprodução, ao fim dos quais o capi‑ tal, inicialmente empregado, é consumido pelo capitalista, desapa‑ recendo então. A ideia que tem o capitalista de que ele consome o produto de um trabalho alheio não pago, isto é, a mais‑valia, e que ele conserva o capital primitivo, em nada muda o fato. Após certo número de anos, o valor que lhe pertencia tornou‑se igual à soma de mais‑valia da qual ele se apropriou durante esses mesmos anos, sem que as substituísse por um equivalente; e a soma de valor que ele consumiu tornou‑se igual ao valor do capital primi‑ tivo. Resta‑lhe ainda nas mãos um capital cuja grandeza não mudou e do qual já existia uma parte sob forma de máquinas, dependências da fábrica etc., quando ele montou sua indústria. Mas trata‑se aqui do valor do capital e não de seus elementos materiais. Se alguém consu‑ mir tudo o que possui, sobrecarregando‑se de dívidas cujo montante iguala o de suas propriedades, o conjunto destas não representará senão o total de suas dívidas. Do mesmo modo, quando o capitalista consumiu o equivalente de seu capital empregado, o valor total desse capital não representa mais do que a soma total da mais‑valia da qual ele se apropriou gratuitamente. Do valor do seu antigo capital não existe mais um só tostão. Abstração feita de qualquer acumulação, a simples continuidade do processo de produção, ou a simples reprodução, transforma necessariamente, qualquer capital, com mais ou menos tempo, em capital acumulado ou mais‑valia capitalizada. Mesmo se, no início do processo de produção, este capital pertencesse ao seu possuidor como fruto do seu próprio trabalho, ele cedo ou tarde se tornaria

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um valor adquirido sem equivalente – materializado em dinheiro ou não – do trabalho alheio não pago. Inicialmente, a fim de poder empregar seu dinheiro como capital (como meio de exploração do trabalho de outrem), o capitalista deveria encontrar no mercado o operário desprovido de todos os meios de produção e de subsistência. Tal foi efetivamente a base, o ponto de partida da produção capitalista. Mas, graças à simples con‑ tinuidade do processo, graças à reprodução simples, essas condições se reproduzem sem cessar. Por um lado, o processo de produção transforma constantemente a riqueza material em capital, em meio de enriquecimento ou de consumo a serviço do capitalismo. Por outro lado, o operário sempre sai desse processo como ele entrou – fonte pessoal de riqueza, mas despojado de todos os meios de rea‑ lizá‑la para seu proveito. Antes da entrada do operário no processo, seu próprio trabalho lhe é alienado, transferido para o capitalista e incorporado ao capital; consequentemente, os produtos pertencem ao capitalista. Essa constante produção, essa perpetuação do operá‑ rio sem posses, é a condição sine qua non da produção capitalista. O consumo do operário é duplo. Na própria produção, ele con‑ some por seu trabalho os meios de produção, e os transforma em produtos com um valor superior ao valor do capital empregado. Eis seu consumo produtivo, que é ao mesmo tempo consumo de uma força de trabalho pelo capitalista que a comprou. Por outro lado, o operário emprega em meios de subsistência o dinheiro pago em troca de sua força de trabalho. Eis seu consumo individual. Essas duas espécies de consumo são absolutamente diferentes. Na pri‑ meira, o operário age como força motriz do capital e pertence ao capitalista; na segunda, pertence a si mesmo e preenche as funções vitais fora do processo de produção. Um tem como resultado a vida do capitalista; o outro, a vida do próprio operário. Entretanto, o trabalhador vê‑se ainda, por vezes, obrigado a fazer do seu consumo individual um simples complemento do processo de produção. Neste caso, ele adiciona meios de subsistência para alimentar o funcionamento de sua força de trabalho, assim como se acrescentam carvão e água à máquina a vapor, óleo ao tear. Mas isso parece ser um inconveniente secundário, inerente ao processo de produção capitalista. Ocorrerá o inverso se, no lugar de considerarmos um só capitalista ou um só trabalhador, focalizarmos toda a classe capitalista e toda a classe operária e, no lugar do processo de produção isolado, o con‑ junto do processo de produção capitalista em sua totalidade e em sua

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extensão. Convertendo uma parte do seu capital em força de trabalho, o capitalista valoriza seu capital total. Ele mata dois coelhos com uma só cajadada, aproveita ao mesmo tempo o que recebe do operário e o que lhe dá. O capital gasto na obtenção da força de trabalho é trans‑ formado em meio de subsistência, cujo consumo serve para reprodu‑ zir músculos, nervos, ossos e cérebro de operários existentes e para gerar novos operários. Nos limites do estritamente necessário, o con‑ sumo individual da classe operária consiste em transformar em força de trabalho novamente explorável pelo capital os meios de subsistên‑ cia despendidos pelo capital na compra de força de trabalho. Assim é a produção, e a reprodução do meio de produção indispensável ao capitalista é do próprio operário. O consumo individual do operário permanece um fator da produção e da reprodução do capital, quer se opere no interior ou no exterior da oficina, da fábrica etc., dentro ou fora do processo de trabalho, igual à limpeza da máquina, que pode ser feita durante o processo de produção ou em momentos de inter‑ valo. Pouco importa que o operário realize seu consumo individual para si mesmo e não para o capitalista. Assim como o consumo dos animais de carga permanece sendo um fator necessário à produção ainda que o gado aproveite diretamente o que come. A conservação e a reprodução constante da classe operária são condições permanentes de reprodução do capital. O capitalista pode, a este respeito, colocar toda a confiança no instinto de conservação e de reprodução dos ope‑ rários. Ele apenas se importa em reduzir ao máximo o consumo indi‑ vidual; e jamais lhe ocorre agir como esses bárbaros sul‑americanos que forçam os operários a tomar uma alimentação mais substancial.* Eis por que o capitalista e seu apologista científico consideram como produtiva essa parte do consumo individual pelo operário, que é necessário à perpetuação da classe operária e que deve existir para que o capital consuma força de trabalho; tudo o que o operá‑ rio pode consumir a mais para seu próprio prazer é um consumo improdutivo.**

* Nas minas da América do Sul, operários cuja ocupação diária é talvez uma das mais penosas do mundo, que consiste em subir de uma profundidade de 450 pés, com um peso de 180 a 200 libras‑peso que eles carregam sobre os ombros, não vivem senão de pão e favas. Prefeririam comer apenas pão, mas os patrões, tendo constatado que seu rendimento seria menor se fossem nutridos apenas de pão, os tratam como cavalos e os forçam a comer favas, bem mais ricas em fosfato de cálcio” (Liebig, A Química em suas Aplicações na Agricultura e na Fisiologia, 7a ed. alemã, 1862, 1a parte, p. 194, nota). ** James Mill, Elementos de Economia Política, tradução francesa de Parisot, Paris, 1823, p. 238 e seguintes.

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Do ponto de vista social, a classe operária é então, ainda que fora do processo imediato de trabalho, um simples coadjuvante do capital, como qualquer outro instrumento de trabalho. E, em certos limites, seu consumo individual é um fator do processo de repro‑ dução do capital. Mas o processo impede a escapada desses instru‑ mentos conscientes da produção, fazendo‑os continuamente passar o produto de um polo para o polo oposto, o capital. Por um lado, o consumo individual assegura sua própria conservação e sua própria reprodução; por outro, fazendo desaparecer os meios de subsistên‑ cia, ele assegura sua reaparição constante no mercado de trabalho. Eram as correntes que ligavam o escravo romano a seu senhor; são fios invisíveis que ligam o assalariado a seu patrão. A aparência de independência é mantida apenas pela constante troca de patrões individuais e uma ficção jurídica de contrato.* Antes, o capital ainda recorria à pressão, quando a julgava neces‑ sária para fazer valer seu direito de propriedade sobre o operário. Assim, até 1815, os operários que trabalhavam com máquinas esta‑ vam proibidos de deixar a Inglaterra sob pena de severas punições. A reprodução da classe operária implica igualmente que a habili‑ dade do operário se acumule e se transmita de uma geração a outra. A existência de tal classe de operários hábeis é contada pelos capita‑ listas no número de condições necessárias para a produção, e consi‑ derada como a existência real do capital variável; e isto se manifesta claramente quando uma crise ameaça comprometê‑la. A Guerra de Secessão, e a crise algodoeira que daí resultou, jogaram na rua a maior parte dos operários de Lancashire. Os operários, e mesmo outras classes da sociedade, fizeram apelo a subvenções estatais ou a uma subscrição nacional voluntária, a fim de permitir aos trabalha‑ dores emigrar em grande número para as colônias inglesas ou para os Estados Unidos. Em 24 de março de 1863, o Times publicou uma carta de Edmond Potter, antigo presidente da Câmara de Comércio de Manchester. Na Câmara dos Comuns, essa carta foi chamada com razão de “o manifesto de um fabricante”. Reproduziremos aqui algu‑ mas passagens características, nas quais o direito de propriedade do capital sobre a força do trabalho está enunciado sem rodeios. * Uma ficção jurídica é uma decisão legal pela qual um fato não ocorrido ou não existente deve ser considerado como ocorrido ou existente. Ex.: se uma pessoa, não tendo ainda atingido 21 anos, é declarada maior pelos tribunais, ela continua em reali‑ dade menor, mas passa a ter os mesmos direitos e os mesmos deveres que as pessoas maiores. Sua maioridade é, exatamente, uma ficção. Por analogia, a palavra ficção é empregada para designar uma falsa aparência. Ela aqui significa, simplesmente, ilusão, engano. (J.B.)

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“Pode‑se dizer aos operários algodoeiros que sua oferta no mer‑ cado é excessiva... Diminuindo esse afluxo de 1/3, a procura seria talvez equilibrada para os outros... A opinião pública aconselha vivamente a emigração... O patrão não pode ver com bons olhos uma diminuição no afluxo de suas forças de trabalho. Deve haver aí um erro ou uma injustiça a este respeito... Se o Estado subven‑ ciona a emigração, patrão tem o direito de exigir que o escutem por sua vez e que escutem seus protestos.” Potter discorre, em seguida, sobre a utilidade da indústria algodoeira; é preciso notar “que ela certamente drenou a população da Irlanda e dos distritos agrícolas da Inglaterra”, que é muito extensa; que, em 1860, forneceu 5/13 de toda a exportação inglesa; que dentro de alguns anos retomará seu curso, porque expandirá seu mercado principalmente para o lado das Índias e obterá a importação do algodão por 6 pence a libra‑peso. Ele continua: “O tempo – um ano ou dois ou três talvez – produzirá a quantidade necessária. Eu gostaria então de colocar esta questão: merece esta indústria ser mantida? Vale a pena conservar em bom estado o maquinismo (isto é, os operários, essas máqui‑ nas vivas)? Não seria loucura pensar em suprimi‑la? Penso assim. Tenho que admitir que os operários não são uma propriedade per‑ tencente a Lancashire ou aos patrões, mas são a força de ambos; são a força intelectual e disciplinada, que não se poderia substituir em uma geração, ao passo que as simples máquinas com as quais eles trabalham poderiam, na sua maioria, ser substituídas com vantagens e aperfeiçoamentos em 12 meses.* O que será dos capitalistas se vocês encorajarem ou permitirem a emigração da força de trabalho? Levem embora os melhores operários, e o capital fixo ficará bastante depreciado, e o capital circulante não enfrentará as dificuldades de uma quantidade insuficiente de operários der qualidade inferior... Dizem‑nos que os próprios operários desejam a emigração. É muito natural de sua parte. Reduzam, comprimam a indústria algodoeira, roubando‑lhe suas forças de trabalho, diminuindo a despesa dos salários em 1/3, isto é, em cinco milhões, o que ocorrerá então à classe imediatamente acima dos operários, a dos pequenos comer‑ ciantes? O que ocorrerá à renda fundiária, à locação das cottages, aos pequenos arrendatários, aos proprietários de imóveis, ao pro‑ prietário fundiário? Digam‑me agora: poderia existir um plano mais assassino, para todas as classes do país, do que este que consiste * Este mesmo capital, recordamos, tem uma linguagem bem diferente nas circunstân‑ cias comuns quando se trata de diminuir os salários (ver Cap. 10, d).

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em enfraquecer a nação pela exportação de seus melhores operários fabris e pela depreciação de uma das partes mais produtivas de seu capital e de sua riqueza? Proponho um empréstimo de cinco ou seis milhões, dividido em dois ou três anos, administrado por comissários especiais, que trabalhariam em conjunto com os administradores dos pobres dos distritos algodoeiros, regulamentado por leis especiais e completado por certo trabalho obrigatório, a fim de manter o valor moral entre os beneficiários dessas esmolas. Os proprietários fundi‑ ários, os patrões, poderiam conhecer pior provação que a de serem obrigados a despedir seus melhores operários, desmoralizando ou indispondo os outros por uma emigração que privaria toda uma pro‑ víncia de valor e de capital?”* Potter, o porta‑voz escolhido dos fabricantes, distingue duas espé‑ cies de máquinas, ambas pertencentes ao capitalista; uma jamais deixa a fábrica, outra passa as noites e os domingos nos casebres da vizinhança. A primeira é morta, a segunda é viva. A primeira se deteriora e se deprecia todo o dia; ou, ainda, certas partes suas se desatualizam constantemente em virtude do progresso técnico, de tal modo que há vantagem em substituí‑las no fim de alguns meses por elementos novos. A máquina viva, ao contrário, aprimora‑se pelo uso, à medida que a habilidade das gerações sucessivas aí se acu‑ mula. O Times responde a esse importante fabricante: “O Sr. Potter está de tal modo imbuído da importância extraordiná‑ ria absoluta dos patrões algodoeiros que, para conservar essa classe e perpetuar seu negócio, queria encerrar meio milhão de operários, contra a vontade deles, em uma imensa casa de trabalho moral. Vale a pena salvar essa indústria? pergunta o Sr. Potter. Certamente, res‑ pondemos nós, por todos os meios honestos. Vale a pena manter as máquinas em bom estado?, pergunta ainda o Sr. Potter. Aqui espi‑ chamos a orelha. Sob o nome de máquinas, o Sr. Potter entende as máquinas humanas, pois afirma não se propor a tratá‑los como uma propriedade absoluta. Somos forçados a reconhecer: acreditamos que não é útil, nem mesmo possível, manter em bom estado máquinas humanas, isto é, guardá‑las e lubrificá‑las segundo nossa necessidade. A maquinaria humana tem a propriedade de enferrujar, quando não funciona, e não adianta lubrificá‑la. Além do mais, essa maquina‑ ria humana é capaz, bem como nos mostra a experiência, de soltar

* Em tempos comuns, o capitalista pensa, ao contrário, que os operários não estariam condenados a ser mendigos desmoralizados e descontentes, se tivessem a sabedoria de reduzir seu número a fim de fazer subir o preço do trabalho.

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seu próprio vapor e de explodir sem nenhuma intervenção estranha, ou de dançar uma sarabanda louca em nossas grandes cidades. O Sr. Potter tem talvez razão em dizer que a reprodução de operários exige muito tempo; mas se tivermos à mão mecânicos e dinheiro, encontraremos sempre homens ousados, ásperos pela necessidade, industriosos, com os quais poderemos fazer muito, e que não aca‑ barão jamais. O Sr. Potter nos diz que em um, dois, ou três anos a indústria retomará um novo impulso, e nos pede para não encorajar, nem mesmo permitir, a emigração. Ele acha natural que os operários desejem emigrar; mas pensa que, apesar desse desejo, a nação deve encerrar esse meio milhão de homens, com as 700 mil pessoas de suas famílias, nos distritos algodoeiros, reprimir pela força o descon‑ tentamento que pudessem manifestar, e fazê‑los viver da caridade pública, e tudo isso para o caso de os patrões um dia necessitarem deles de novo... Chegou a hora da opinião pública de nossas ilhas fazer algo para defender essa força de trabalho contra os que querem tratá‑la como eles tratam o carvão, o ferro, o algodão.” O artigo do Times não passa de verbosidade. A opinião pública pen‑ sava efetivamente, com Potter, que os operários de fábrica fazem parte do mobiliário das fábricas. Sua emigração foi impedida.* Os operários foram encerrados na “casa de trabalho moral” dos distritos algodoeiros, onde continuaram a ser a força dos patrões algodoeiros de Lancashire. Por sua própria realização, o processo de produção capitalista reproduz então a separação entre a força de trabalho e as condições de trabalho. Assim, reproduz e eterniza as condições de explora‑ ção do operário. Ele obriga constantemente o operário a vender sua força de trabalho para viver, permitindo ao capitalista com‑ prar constantemente essa força para se enriquecer. Não é o simples acaso que, no mercado, faz se encontrarem capitalista e operário como comprador e vendedor. É esse próprio duplo processo que joga sempre o operário no mercado como vendedor de sua força de trabalho e transforma continuamente o produto do operário em meio de compra nas mãos do capitalista. * O Parlamento não votou um tostão para a emigração e sim leis que permitiram às municipalidades manter os operários entre a vida e a morte, ou explorá‑los sem lhes pagar salários normais. Três anos mais tarde, quando eclodiu a peste bovina, o Parlamento, esquecido de qualquer etiqueta, votou uma verba de milhões para indenizar os senhores de terra milionários, cujos arrendatários souberam não perder nada, aumentando o preço da carne. O clamor insano dos proprietários fundiários, quando foi aberta a sessão parlamentar em 1886, demonstrou que absolutamente não há necessidade de ser hindu para adorar a vaca Sabala, nem Júpiter para se transfor‑ mar em boi.

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O processo de produção capitalista, enquanto processo de produ‑ ção, não produz apenas mercadorias ou mais‑valia; produz e repro‑ duz, sem cessar, por um lado, o capitalista, por outro lado, o assala‑ riado e, assim, a própria relação capitalista.

b) Aumento do capital pela mais‑valia

A propriedade capitalista* Vimos como a mais‑valia sai do capital; veremos agora como o capital sai da mais‑valia. Quando a mais‑valia não é consumida, mas empregada como capital, forma‑se um novo capital que é acrescen‑ tado ao antigo. A utilização da mais‑valia como capital, ou retrans‑ formação da mais‑valia em capital, é o que se chama de acumulação do capital. Consideremos essa operação inicialmente do ponto de vista do capitalista individual. Um dono de fiação, por exemplo, empregou um capital de 10.000 libras, sendo 4 5 em algodão, máquinas etc. e 1 5 em salários. Produziu por ano 240.000 libras‑peso de fios em um valor de 12.000 libras. Se a taxa de mais‑valia é de 100%, a mais‑valia é representada no produto líquido de 40 mil libras‑peso de fios em um valor de 2.000 libras realizados com a venda. Uma soma de 2.000 libras permanece sempre uma soma de 2.000 libras. Por si só, nada indica que ela represente mais‑valia. A característica de mais‑valia é dada pela forma como essa soma chegou a seu proprietário, mas isso em nada modifica a natureza do valor ou do dinheiro. Para transformar em capital essa soma adicional de 2.000 libras, o dono da fiação – permanecendo iguais todas as outras circunstân‑ cias – empregará seus 4 5 na compra de algodão etc. e 1 5 na compra de novos operários, que encontrarão no mercado os meios de sub‑ sistência para os quais adiantaram o valor. O novo capital de 2.000 libras funciona desde logo na fiação e produz, por sua vez, uma mais‑valia de 400 libras. Inicialmente, o valor do capital tinha sido adiantado na forma de dinheiro. Se ocorrer a venda das 200 mil libras‑peso de fios, o valor capital retoma sua forma primitiva em que for incorporado. Mas a mais‑valia existe, todavia, desde o primeiro momento como valor de uma determinada parte do produto. Pela venda, a mais‑valia modi‑

* Vol. I, Cap. 22, n. 1.

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fica então sua forma primitiva. Mas, desde então, o valor capital e a mais‑valia são, ambos, somas em dinheiro, e sua retransformação em capital se opera do mesmo modo. O capitalista utiliza os dois na com‑ pra de mercadorias, que lhe permitem recomeçar, em escala maior, a confecção de seu artigo. Mas, para que possa comprar mercadorias, é preciso que ele as encontre no mercado; devem antes ter sido fabri‑ cadas. As operações que se efetuam no mercado fazem simplesmente circular os diversos elementos da produção anual, fazendo‑os passar de mão em mão; mas elas não podem aumentar a produção total do ano nem modificar a natureza dos objetos produzidos. Em primeiro lugar, a produção anual deve fornecer todos os obje‑ tos ou valores de uso, que servirão para substituir os elementos materiais do capital consumidos durante o ano. Além desses objetos, existe uma produção líquida, ou produção suplementar, que encerra a mais‑valia. Em que consiste este produto novo? Talvez em coisas que seriam destinadas à satisfação de necessidades e apetites da classe capitalista e entrariam, consequentemente, nos fundos de con‑ sumo capitalistas? Se assim fosse, a mais‑valia seria despendida até o último centavo, e apenas ocorreria a simples reprodução. Para acumular é preciso transformar em capital uma parte da pro‑ dução suplementar. Mas, a menos que se operem milagres, podem‑se transformar em capital apenas coisas que sejam utilizáveis no pro‑ cesso de trabalho, isto é, os meios de produção, ou ainda coisas das quais o operário tem necessidade para viver, isto é, os meios de sub‑ sistência. Portanto, é preciso que uma parte do sobretrabalho anual seja consagrada a criar meios suplementares de produção e subsis‑ tência, excedendo a quantidade necessária à substituição do capital empregado. Em uma palavra: a mais‑valia só é conversível em capital porque a produção suplementar, da qual ela é o valor, contém já os elementos materiais do novo capital.* Para fazer funcionar efetivamente esses elementos como capital, a classe capitalista tem necessidade de um excedente de trabalho. A menos que se aumente em extensão e intensidade a exploração dos operários já empregados, é preciso agregar novas forças adicio‑ nais. Por seu próprio mecanismo, a produção capitalista resolveu o

* Abstraímos o comércio de exportação, pelo qual uma nação pode converter artigos de luxo em meios de produção ou subsistência, ou vice‑versa. Para estudar o assunto de nossa análise em toda a sua pureza, independentemente de quaisquer condições acessórias que poderiam torná‑lo confuso, consideramos o mundo comerciando intei‑ ramente como uma nação única e supomos que a produção capitalista se instalou em toda parte e se apossou de todos os ramos industriais.

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problema: ela reproduz a classe operária como uma classe depen‑ dente do salário e para a qual o salário assegura a conservação e o aumento. Essas forças adicionais que a classe operária fornece todos os anos nas mais diversas idades fazem com que o capital tenha que incorporá‑las aos meios de produção adicionais já contidos na pro‑ dução anual. Assim, a conversão da mais‑valia em capital se efetua. Retornemos ao nosso exemplo. É a velha história! Abraão gera Isaac, Isaac gera Jacó etc. O capital primitivo de 10.000 libras produz uma mais‑valia de 2.000 libras, que é capitalizada. Este novo capital de 2.000 libras produz uma mais‑valia de 400 libras, que é, por sua vez, capitalizada, produzindo uma mais‑valia de 80 libras. Não levamos em conta aqui a parte da mais‑valia consumida pelo capitalista. Pouco nos importa igualmente, agora, que os capitais adicionais sejam acrescidos ao capital primitivo ou que funcionem separadamente; que sejam explorados pelo capitalista que os acu‑ mulou ou por outro. O que é preciso não esquecer é que, ao lado dos novos capitais, o capital primitivo continua a se reproduzir e a produzir mais‑valia, que é a mesma para cada capital acumulado. O capital primitivo formou‑se pelo emprego de 10.000 libras. Como o proprietário adquiriu esta soma? Por seu próprio trabalho e pelo de seus antepassados! Eis o que nos respondem em coro os mestres de Economia Política. Mas acontece o inverso com o capital adicional de 2.000 libras, do qual conhecemos perfeitamente a origem: é a mais‑valia capitalizada. Desde o início, ele não encerra um só átomo de valor que não tenha provindo do trabalho alheio não pago. Os meios de produção aos quais é incorporada a força de trabalho adicional, como o resto dos meios de subsistência dos quais vive essa força de trabalho, não são senão partes integrantes da produção suplementar, isto é, do tributo que a classe capitalista extorque anualmente da classe operária. E, quando o capitalista emprega uma parte desse tributo para adquirir do operário uma força de trabalho adicional – mesmo pagando essa força com salário convencional equivalente por equivalente –, ocorre o que se passa entre vencido e vencedor: este compra daquele mer‑ cadorias, que paga com o dinheiro roubado do vendedor. Se o capital adicional emprega seu próprio produto, este continua a valorizar o capital primitivo; mas deve, por outro lado, resgatar o produto de seu trabalho anterior, fornecendo mais trabalho do que custou o produzido. Enquanto transação entre classe capitalista e classe operária, o fenômeno permanece o mesmo, ainda que o pro‑ duto do trabalho não pago de uns permita empregar agora outros

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operários. Poderia ocorrer igualmente que o capitalista empregasse em máquinas o capital adicional, jogando assim na rua os que pro‑ duziram o capital adicional e substituindo‑os por algumas crianças. Em qualquer caso, é pelo trabalho a mais de um ano que a classe operária cria o capital que no ano seguinte empregará trabalho adi‑ cional. É o que se chama produzir capital através do capital. A acumulação do primeiro capital adicional de 2.000 libras seria possível apenas com a condição de que o capitalista empregasse uma soma de 10.000 libras da qual era proprietário em virtude do seu “trabalho anterior”. A acumulação do segundo capital adicional de 400 libras baseia‑se, ao contrário, na acumulação do primeiro, isto é, dessas 2.000 libras, que não são senão mais‑valia capitalizada. Para que o capitalista possa realmente se apropriar em grande escala do trabalho vivo não pago, a condição necessária e suficiente é que ele possua como propriedade trabalho passado não pago. Quanto mais o capitalista acumulou, tanto mais pode acumular. A propriedade privada baseada na produção e na circulação de mercadorias se transforma evidentemente em algo diferente, em virtude dos fatos aqui descritos, isto é, em virtude do aumento contínuo do capital, acrescido pela mais‑valia antes realizada e da qual uma parte é empregada na compra de novas forças de traba‑ lho – compra que nós próprios supusemos ocorrer no seu justo valor. A troca de valores equivalentes transformou‑se de tal modo que há troca apenas na aparência. Com efeito, em primeiro lugar, a parte do capital trocada por força de trabalho é apenas uma fração do produto do trabalho alheio não pago e, em segundo lugar, esta parte do capital deve ser não somente restituída pelo operário, mas este deve ainda aí acrescer um excedente. A troca entre capitalista e operários não é mais do que pura convenção, que nada mais tem em comum com o conteúdo, ou mera dissimulação. Compra e venda contínuas de força de trabalho: eis a forma. Quanto ao conteúdo, temos o capitalista transformando continuamente uma parte do trabalho alheio (já representado por mercadorias), que ele não parou de se apropriar sem uma retribuição correspondente, em uma maior quantidade de trabalho vivo não pago. Inicialmente, o direito de propriedade parecia basear‑se no tra‑ balho pessoal. Ao menos, era preciso admitir essa hipótese. Com efeito, os proprietários que se enfrentavam tinham todos os mesmos direitos; um não poderia adquirir mercadorias do outro a menos que cedesse a sua, e esta só poderia provir do trabalho. Agora, a proprie‑ dade parece, para os capitalistas, como um direito de se apropriar,

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sem pagamento, do trabalho alheio ou do produto desse trabalho, e para os operários, como a impossibilidade de se apropriar de seu próprio produto. Mesmo na reprodução simples, qualquer capital empregado, qualquer que tenha sido a origem, transforma‑se como vimos em mais‑valia capitalizada. Mas, no curso da produção, todo capital ini‑ cialmente empregado não é mais do que uma quantidade infinitesi‑ mal em vista do capital diretamente acumulado, isto é, de mais‑valia ou sobreproduto retransformado em capital e funcionando nas mãos de quem acumulou, isto é, em mãos estranhas. Acontece* que somente uma parte da mais‑valia pode ser incor‑ porada ao capital e que outra parte deve servir para o consumo do capitalista. Quanto maior uma parte, tanto menor a outra. A grandeza da acumulação está na razão inversa do consumo do capitalista. Ora, a importância histórica e a razão de ser do capitalista resi‑ dem no fato de que ele pressiona impiedosamente a humanidade a produzir por produzir, e obriga, assim, a se desenvolverem as forças produtivas da sociedade e a criar condições materiais de produção tais que não poderia edificar‑se sobre essa base senão uma forma social superior, cujo princípio é assegurar o livre e completo desen‑ volvimento do indivíduo. Em outras palavras, o desenvolvimento da produção capitalista torna necessário o aumento contínuo do capital colocado em cada empresa industrial, e a concorrência obriga cada capitalista particular a aumentar ininterruptamente seu próprio capi‑ tal, a fim de conservá‑lo. Ora, ele pode acrescê‑lo apenas mediante a acumulação crescente.

* Vol. I, Cap. 22, n. 3.

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Karl Marx

K

A clássica edição de O Capital, de Karl Marx, resumida por Julian Borchardt, é a melhor introdução para um dos livros mais influentes e complexos do pensamento moderno. O principal mérito de Borchardt, que faz sua edição ainda hoje ser traduzida e lida, é resistir à tendência de interpretar e simplificar as ideias da obra integral. Em vez disso, Borchardt selecionou e reordenou as passagens que tratam dos principais conceitos marxistas, evitando repetições e esclarecendo apenas trechos pontuais mais obscuros do texto original. Deste modo, os conceitos marxistas de mais-valia, mercadoria, acumulação, valor, preço, trabalho e capital tornam-se acessíveis a todos que estudam a história do pensamento econômico e filosófico e se interessam pela história política dos últimos dois séculos, assim como àqueles que querem ter um primeiro contato com o pensamento de Karl Marx.

Karl Marx O Capital

arl Marx, filósofo e economista judeu alemão, nasceu há duzentos anos, em 1818, em Trier, então parte da Prússia, e morreu em 1883, em Londres, no Reino Unido. Um dos principais pensadores do século XIX, foi fundador de uma corrente de pensamento que influenciou de maneira indelével a história do século XX. Dialogando profundamente com as obras do filósofo Georg W. F. Hegel e do economista David Ricardo, Marx escreveu livros essenciais sobre filosofia, política e economia, além de ter inaugurado uma nova forma de atividade intelectual, aproximando-a do exercício político. Foi nesse espírito que participou ativamente da Associação Internacional do Trabalho (a Primeira Internacional), escreveu com Friedrich Engels o Manifesto do Partido Comunista (1848) e foi prolífico correspondente em Londres do jornal americano New York Tribune. Entre suas principais obras estão Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (1843), Sobre a Questão Judaica (1843), Teses sobre Feuerbach (1845), A Ideologia Alemã (1845, com Engels), O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852), além de sua obra-prima, O Capital.

O Capital Edição resumida por

Julian Borchardt

Sumário 1 | Mercadoria, Preço e Lucro, 1 2 | Lucro e Venda de Mercadorias, 8 3 | Valor de Uso e Valor de Troca, 10 4 | Compra e Venda de Força de Trabalho, 18 5 | Como se Forma a Mais‑Valia, 20 6 | Capital Constante e Capital Variável, 28 7 | Formação de uma Taxa de Lucro Uniforme (ou Média), 35 8 | Métodos para o Aumento da Mais‑Valia, 40 9 | A Revolução Operada pelo Capital no Modo de Produção, 44 10 | Efeitos desses Progressos na Situação da Classe Operária, 77 11 | Queda da Taxa de Lucro, 118 12 | A Acumulação do Capital, 124 13 | O Efeito da Acumulação sobre os Operários, 138 14 | A Chamada Acumulação Primitiva, 157 15 | A Tendência da Acumulação Capitalista, 176 16 | O Salário, 179 17 | A Moeda, 204 18 | O Processo de Circulação e o Tempo de Circulação do Capital, 221 19 | A Rotação do Capital, 233 20 | A Circulação da Mais‑Valia, 252 21 | As Crises, 266 22 | O Capital Comercial e o Trabalho dos Empregados do Comércio, 284 23 | Influência do Capital Comercial sobre os Preços, 296 24 | Observações Históricas sobre o Capital Comercial, 301 25 | O Juro e o Lucro do Empreendedor, 310 26 | Crédito e Banco, 321 27 | A Renda da Terra, 333

Marx | O Capital - 8ª edição  

No bicentenário de Karl Marx, chega às livrarias a nova edição resumida de “O Capital”, organizados pelo jornalista Julian Borchardt. Lançad...

Marx | O Capital - 8ª edição  

No bicentenário de Karl Marx, chega às livrarias a nova edição resumida de “O Capital”, organizados pelo jornalista Julian Borchardt. Lançad...

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