Page 28

Na vigência de taquicardia, arritmias e hipotensão, haverá necessidade de oxigênio, líquidos intravenosos, anti-histamínicos também intravenosos (difenidramina) e corticosteroides como tratamento, e, ocasionalmente, epinefrina e reanimação cardiopulmonar (RCP). „„Parada cardiopulmonar

Introdução

A parada cardiopulmonar (PCP) é um processo dinâmico e dependente do tempo, que ocorre secundariamente a falha da contratilidade cardíaca, a qual resulta em assistolia ventricular, ausência de atividade elétrica do pulso (AEP), taquicardia ventricular (TV) sem pulso ou fibrilação ventricular (FV).46 Os objetivos da RCP são fornecer fluxo sanguíneo para o coração e o cérebro até a restauração da circulação espontânea.47 O sucesso da RCP combina as técnicas de suporte vital básico (SVB) e suporte vital avançado (SVA), além dos cuidados após a reanimação.48 O uso da expressão reanimação cardiopulmonar como termo médico só foi adotado em 1958, quando o tratamento da parada cardiopulmonar mudou da massagem cardíaca aberta para a compressão torácica fechada e desfibrilação.46 A reanimação cardiopulmonar mostrou maus desfechos tanto na medicina humana como na veterinária. Seu sucesso inicial, ou retorno da circulação espontânea (RCE), em cães e gatos, é de 28 a 35% e 42 a 44%, respectivamente.49,50 É lamentável que, após a RCP, as taxas de sobrevivência até a alta caiam para 4,1 a 6% em cães e 7 a 9% em gatos.49 Cada minuto gasto fazendo a RCP acrescenta risco significativo de morbidade e a taxa de sucesso cai rapidamente.46 O desfecho da RCP sofre forte influência do início a tempo de intervenções efetivas. Para assegurar a maior chance de sucesso, a equipe hospitalar deve estar preparada e treinada para agir em uma situação de crise com rapidez e eficiência. Durante o tratamento de uma parada, o veterinário responsável, em geral, terá um papel central na coordenação dos procedimentos de reanimação (p. ex., seguindo o código). É importante que a equipe de anestesia esteja bem treinada nos procedimentos atuais de reanimação. Qualquer que seja o treinamento inicial, há sempre uma queda nas habilidades relacionada com o tempo. São recomendados treinamento periódico e simulação de RCP a cada 6 meses.51 Os fármacos e os equipamentos necessários em uma emergência devem estar organizados em um lugar (p. ex., um carrinho) e ser guardados adequadamente, verificados com regularidade e colocados em uma área de fácil acesso. Devem incluir material para acesso venoso, manejo da via respiratória e tratamento farmacológico inicial. Também é aconselhável ter um kit cirúrgico para toracotomia de emergência, traqueostomia e dissecção venosa. As diretrizes para a realização da RCP foram implementadas na medicina humana há algum tempo. Em 1992, o International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR) foi criado para elaborar um protocolo para RCP que fosse aceito internacionalmente. O ILCOR é composto pela American Heart Association (AHA), pelo European Resuscitation Council e pela Heart and Stroke Foundation of Canada, entre outros. Os protocolos basearam-se na pesquisa discutida durante a International Consensus Conference for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Science and Treatment. O ILCOR fez as primeiras diretrizes internacionais para RCP em 2000 e reviu o protocolo em 2005 e 2010.46 Até recentemente, as recomendações para RCP veterinária baseavam-se amplamente em uma combinação de preferência clínica com as diretrizes do ILCOR.52 Em 2012, a Reassessment Campaign on Veterinary Resuscitation (RECOVER) foi organizada para fornecer diretrizes abrangentes e baseadas em evidência para a RCP na medicina veterinária. A maioria dos participantes iniciais da

Grimm - 05.indd 111

RECOVER era de diplomados pelo American College of Veterinary Anesthesia and Analgesia (ACVAA) ou do American College of Veterinary Emergency and Critical Care (ACVECC).52 Isto representou uma iniciativa de colaboração que avaliou sistematicamente a evidência publicada a respeito de 75 tópicos relevantes para a RCP de pequenos animais e deu origem às diretrizes para RCP (Boxe 5.1).52 Se for atualizada continuamente, a iniciativa da RECOVER deve ser capaz de superar os hiatos de conhecimento na RCP veterinária.51 Toda a equipe hospitalar envolvida na RCP, em particular as equipes de anestesia e emergência, deve estar ciente destas diretrizes, bem como das razões para qualquer mudança, e ainda dos hiatos atuais no conhecimento na medicina veterinária. Boxe 5.1  Resumo das diretrizes atuais para RCP: aspectos fundamentais para a RCP.53 • Realize compressão torácica na base de pelo menos 100/minuto, comprimindo o tórax até um terço a metade de sua largura • Mantenha a compressão torácica contínua com o recolhimento completo do tórax • Faça ciclos de RCP de 2 min, com interrupções mínimas entre eles • Proporcione ventilação sincrônica à taxa de 10 respirações/minuto e respiração completa em aproximadamente 1 s, com volume corrente de 10 m/kg • No caso de fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, administre conversão elétrica (desfibrilação, de preferência com um desfibrilador bifásico) imediatamente, seguida por compressão torácica Deve-se estar preparado para manter um carrinho acessível e em localização central, bem como contar com membros da equipe treinados disponíveis.

Suporte vital básico

O suporte vital básico (SVB) é o fundamento da RCP moderna e consiste no reconhecimento da PCP, no início das compressões torácicas e no manejo da via respiratória, combinados com a ventilação assistida.53 Estudos mostraram que a qualidade do SVB realizado está relacionada diretamente com o RCE e a taxa de sobrevivência.53 Em 2010, as diretrizes do ILCOR para seres humanos mudaram a ordem da intervenção para todos os grupos etários (exceto recémnascidos), que era o clássico ABC − via respiratória (A, de airway), respiração (B, de breathing) e compressão (C) torácica −, para compressão (C) torácica, via respiratória (A) e então respiração (B), ou seja, CAB. Tal modificação foi feita, em parte, porque manter uma via respiratória em seres humanos implica algum desafio e o tempo prolongado para fazer a intubação causa uma demora no início da compressão torácica, o que tem um impacto negativo no RCE. Além disso, uma grande porcentagem de PCP em seres humanos deve-se a cardiopatia primária (isquemia miocárdica).53 Na medicina veterinária, não há evidência que confirme os benefícios da reanimação com CAB sobre a reanimação padrão com ABC.53 Existem poucos dados na medicina veterinária a respeito da epidemiologia da PCP, mas é razoável assumir que muitos casos veterinários de PCP são decorrentes de insuficiência ventilatória/ pulmonar e não de isquemia miocárdica. Além disso, na maioria dos animais, a intubação e a manutenção de uma via respiratória são relativamente fáceis. Quando se dispõe de vários profissionais treinados em reanimação, é possível iniciar a compressão torácica, assegurar uma via respiratória e começar a ventilação quase simultaneamente. Portanto, as diretrizes atuais para RCP em pequenos animais determinam que, na vigência de uma PCP indesejada ou que não se deve a cardiopatia primária, é aceitável fazer primeiro a ventilação tradicional, ou a reanimação padrão com ABC. No caso de PCP decorrente de cardiopatia primária, recomenda-se proceder, em primeiro lugar, à compressão torácica (ou reanimação com CAB).53

GRIMM | LUMB & JONES - ANESTESIOLOGIA E ANALGESIA EM VETERINÁRIA. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução. Copyright© 2017 Editora Guanabara Koogan Ltda.

Capítulo 5 | Emergências Anestésicas e Reanimação    111

26/01/2017 18:30:23

GRIMM - LUMB & JONES | ANESTESIOLOGIA E ANALGESIA EM VETERINÁTIA | AMOSTRA  

Lumb & Jones | Anestesiologia e Analgesia em Veterinátia

GRIMM - LUMB & JONES | ANESTESIOLOGIA E ANALGESIA EM VETERINÁTIA | AMOSTRA  

Lumb & Jones | Anestesiologia e Analgesia em Veterinátia

Advertisement