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Sumário Introdução  ...........................................................................................................................................  1 PARTE 1 NÓS, OS HUMANOS – HUMANOS: VOCÊ E EU Foco na humanidade transformada pelas tecnologias digitais Capítulo 1 – A tecnologia recria a realidade  ..........................................................................  7 Tecno-humanidade.....................................................................................................................  9 Tecnologia: bênção e fardo.........................................................................................................9 Brincando de Deus: tecnologias de engenharia genética...........................................12 Capítulo 2 – Hiperconexão & a transformação do poder  ............................................... 15 “Estar” conectado vs. “ser” conectado  ............................................................................ 17 Redes sociais digitais & filtros  ............................................................................................ 17 Internet, o quinto poder  ....................................................................................................... 19 Efeito ioiô: pêndulo entre distribuição vs. Centralização do poder  .................... 23 Microtendências  ..................................................................................................................... 24

Social learning  .......................................................................................................................... 25 Internet das coisas & web semântica  .............................................................................. 25 Capítulo 3 – Explosão do conteúdo: distração vs. foco  .................................................... 31 Consumo de mídia  .................................................................................................................. 34

Quantified self  .......................................................................................................................... 36 Big data  ....................................................................................................................................... 38 Armazenamento e preservação de conteúdo   ............................................................. 40 Copyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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XXII   |   Você, eu e os robôs • Martha Gabriel Economia da atenção  ............................................................................................................. 40 Atenção & filtros de informação  ....................................................................................... 41 A busca  ........................................................................................................................................ 42 FoMO  ........................................................................................................................................... 44 Distração vs. foco: produtividade & essência  .............................................................. 45 Estilo de vida tecnológico vs. equilíbrio  ......................................................................... 46 Capítulo 4 – Conhecimento distribuído: poder & restrições  ........................................ 47 Construção do conhecimento: copiar + transformar + combinar  ....................... 48 Construção do conhecimento: individual vs. coletivo  .............................................. 49

Crowdsourcing: democracia vs. caos  .............................................................................. 50 Construção do conhecimento: restrições   .................................................................... 51 Creative Commons (CC)  ...................................................................................................... 53 Capítulo 5 – Controle & espetáculo: liberdade vs. privacidade   .................................. 57 Sociedade de controle  ........................................................................................................... 58 Agentes e controle  ................................................................................................................. 60 Privacidade  ................................................................................................................................ 61 Privacidade na era digital  ..................................................................................................... 62 Privacidade e controle dos indivíduos  ............................................................................ 64 Capítulo 6 – Rastros digitais: hiperexposição vs. segurança   ........................................ 69 Reputação digital: pegadas, rastros e sombras  ........................................................... 72 Identidade: é possível mentir na internet?  .................................................................... 75 Crimes digitais – perda de controle e segurança  ........................................................ 78

Biohacking, segurança genética & cognitiva  ................................................................ 80 Capítulo 7 – Hábitos e vícios digitais  ...................................................................................... 83 Hábitos vs. vícios  ..................................................................................................................... 83 Hábitos e vícios digitais  ........................................................................................................ 85 Consumo de informação em tempo real  ........................................................................ 88 Exposição e conexão  .............................................................................................................. 91 Uso de tecnologia e mídia  .................................................................................................... 94

Multitasking  .............................................................................................................................. 99 Copyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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Sumário  |  XXIII Capítulo 8 – Gerações digitais – Y e Z  ................................................................................. 105 Geração Y  ................................................................................................................................ 110 Geração Z  ................................................................................................................................ 112 Capítulo 9 – Ética & liberdade: o que nos separa dos robôs?  ..................................... 115 Moral & ética: corpo e alma do comportamento humano  ................................... 118 Pós-verdade & fake news  ..................................................................................................  121 Ética & os robôs  .................................................................................................................... 123 PARTE 2 ELES: TECNOLOGIAS + COMPUTADORES + MÁQUINAS + ROBÔS Foco neles, e como afetam a humanidade Capítulo 10 – Era exponencial e a aceleração tecnológica   ........................................ 129 Crescimento exponencial  ................................................................................................. 130 A era da inovação  ................................................................................................................. 132 Inovação e disrupção  .......................................................................................................... 134 Tecnologia vs. plataformas tecnológicas   ................................................................... 136 Capítulo 11 – Tecnologia: macro e microtendências  ..................................................... 137 Megatendências & microtendências  ............................................................................ 139

Mobile  .......................................................................................................................................  142 Data economy  .......................................................................................................................  150 Real time  ..................................................................................................................................  163 Social  ......................................................................................................................................... 166 Sustentabilidade   .................................................................................................................. 170 Capítulo 12 – Inteligência artificial  ...................................................................................... 179 Brevíssimo histórico da inteligência artificial (IA)  .................................................. 181 O que é inteligência artificial  ........................................................................................... 185 Categorizações de IA  .......................................................................................................... 187 Capítulo 13 – Inteligência artificial: como funciona?  .................................................... 191

Machine learning (ML)  ....................................................................................................... 197 Redes neurais artificiais (RNA)   ...................................................................................... 204 Copyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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XXIV   |   Você, eu e os robôs • Martha Gabriel

Data mining (mineração de dados)  ................................................................................ 208 Deep learning (DL)  ............................................................................................................... 211 Capítulo 14 – Corpos artificiais: robótica  .......................................................................... 215 PARTE 3 NÓS: HUMANOS + TECNOLOGIAS Foco em como evoluímos juntos Capítulo 15 – Tecno-humanidade: empoderamento & COI  ....................................... 229 Tecnologia & o cérebro humano  ..................................................................................... 230 Empoderamento tecnológico do ser humano  ........................................................... 234 Computação & ciências cognitivas  ................................................................................ 236 COI digital – custo de ignorar o digital  ........................................................................ 237 Capítulo 16 – Cibridismo  .......................................................................................................... 239 Sociedade digital, mentes conectadas   ........................................................................ 241 Capítulo 17 – O futuro do ser humano & o ser humano do futuro  .......................... 245 Futuro do trabalho: desintermediação tecnológica  ............................................... 247 Futuro do trabalho: transformação social  .................................................................. 256 Futuro do trabalho: habilidades essenciais na era digital  .................................... 258 Capítulo 18 – O ser humano do futuro  ............................................................................... 267 Singularidade tecnológica  ................................................................................................ 268 Homo whateverus  .................................................................................................................. 269 Bibliografia   .................................................................................................................................... 273 Índice remissivo  ........................................................................................................................... 277

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APRESENTAÇÃO A primeira vez que ouvi falar que as transformações digitais impunham uma nova Ética ao Homem foi na palestra de uma professora, cientista, consultora, empresária, artista e autora, alta e esguia, de fala segura e jeito encantador. A mestra nos explicava que novos códigos, tanto tecnológicos como comportamentais e morais, começavam a ser escritos por todos nós, humanos, com o objetivo de repactuarmos sociologicamente nosso convívio no âmago de uma nova entidade pagã que se nos impôs: a internet. Uma rede de máquinas. Seus olhos claros, mas incisivamente agudos, nos olhavam como quem enxerga amigos e, num misto de confissão e doação dos que sabem para compartilhar, nos tranquilizavam sobre uma certeza visceral: a de que estamos todos ainda órfãos de saber para onde ir, mas que há caminhos comuns a serem percorridos. Ufa, que bom! Naquele momento, e isso lá se vão uns 10 anos, a professora, que tanto conhecimento dominava, ironicamente não sabia algo sobre ela mesma: que viria a conceber um guia para este mundo em que homens e máquinas cada vez mais inteligentes convivem cotidianamente. Um mundo cujo controle parece hoje muitas vezes estar escapando de nossas mãos. O guia é este que você lê agora, e a palestrante, você já adivinhou, é Martha Gabriel, que se tornou uma amiga admirável. Admirável no sentido de ser admirada mesmo. E a razão da minha admiração pode, em grande parte, ser compartilhada com você agora, graças, finalmente, ao lançamento deste Você, eu e os robôs: pequeno manual do mundo digital. Copyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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XIV   |   Você, eu e os robôs • Martha Gabriel

Digo “finalmente” porque quase ficamos sem ele. Em 2014, Martha perdeu os originais que estava escrevendo, quando seu computador foi roubado. Teve de escrever tudo de novo. Nesta versão, digamos, 2.0, um eixo percorre a trama: os homens convivem com a tecnologia desde o Homo sapiens até hoje, tempos do Homo conectadus (a expressão é minha). E essa interação é mutuamente transformadora, Homem modificando tecnologia, tecnologia retribuindo com modificações sobre os Homens. Faço aqui num rápido spoiler, Martha sentencia: “A tecnologia tem (...) recriado a realidade, fundando e colapsando civilizações”. Essa é nossa história, desde sempre. Só que um gene novo se infiltrou no sangue e nos tecidos do corpo social humano e, aparentemente, veio para trombar de frente com a Teoria da Evolução das Espécies. Um gene que deixaria Darwin de cabelos em pé: a Singularidade. E isso mudou tudo. Chegaremos a ela, mas vamos por partes. Uma das grandes belezas da tecnologia de nossos tempos, tecnologia que até bem pouco tempo vinha evoluindo direitinho, num determinado ritmo e sob um padrão conhecido, é que ela deu à luz a conexão em rede, colocando nós, Homens, todos juntos, ainda que virtualmente, como nunca estivemos antes. Essa proximidade cyber-visceral, por um lado, nos encantou e, por outro, nos espantou. Vimos como somos iguais, mesmo sendo tão diferentes. De perto ninguém é normal, diria Caetano Veloso. Pois é exatamente dessa diversidade que se origina a mais vibrante riqueza da conexão em rede. Foi a diversidade das espécies encontradas nos corais da América do Sul que deu origem à teoria evolucionista de Darwin, sendo que o esboço que rabiscou à mão, em seu caderno de notas, de como uma espécie se ramifica da outra, dando origem à árvore da vida, lembra, de forma impressionante, a rede neural e conectada da internet. Steven Johnson, em seu livro Where good ideas come from, depois de nos levar por um passeio intelectual sobre como conhecimento e disrupção caminharam juntos pela História, conclui que a possibilidade de estarmos hoje todos conectados é o mais produtivo berço potencial de novas conquistas para Copyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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Apresentação  |  XV

o Saber humano. A internet seria, assim, a maior malha de geração, gestão e disseminação de conhecimento da História. Ever. Nessa mesma linha, Martha nos ensina sobre a teoria das árvores de conhecimento, de Michel Authier, por meio da qual aprendemos que, desde o século III a.C., a produção humana de conhecimento na Terra é coletiva. Você, eu e os robôs: pequeno manual do mundo digital fala sobre tudo isso alinhando, por um lado, fatos e coisas e, por outro, oferecendo-nos bases teóricas sólidas para decifrar e entender nosso novo entorno. Reúne, assim, não uma árvore do conhecimento, mas uma floresta inteira de sistemas, plataformas e ferramentas tecnológicas, encadeadas e devidamente decodificadas. Do singelo mobile ao complexo blockchain. Dos usuais e cuti-cuti Snapchats, Facebooks, WhatsApps e tantas outras redes dentro da rede, à complexa web semântica. Do Big Data ao 3D Printing. Da hiperconectividade à ubiquidade da Internet das Coisas. E muito mais. Mas é quando Martha introduz o tema da interação exponencial homem-máquina (a Exponencialidade, que acelerou o ritmo de tudo e vai seguir acelerando mais e mais) que o bicho começa a pegar. A partir da Inteligência Artificial, ela nos faz enveredar por uma trajetória inquietante, que deságua no cibridismo e, finalmente, na Singularidade. Você, eu e os robôs: pequeno manual do mundo digital nos mostra, em detalhes didáticos, como isso deverá ocorrer. Digo, nossa aparentemente inevitável evolução singular, quando extensões tecnológicas de nós mesmos (o celular é parte do nosso corpo, ou você ainda não se deu conta disso?) nos tornará cíbridos (híbridos de organismos biológicos e máquinas), até finalmente nos tornarmos tecno-homens, em que a parte máquina virá a ser a maior parte de nós mesmos. Como resume Ray Kurzweill, citado mais de uma vez nesta obra, em seu clássico The Singularity is near: “A Singularidade nos permitirá transcender as limitações dos nossos corpos e cérebros (...). A parte não biológica da nossa inteligência será trilhões e trilhões de vezes mais poderosa do que nossa inteligência humana (...). Viveremos tanto quanto desejarmos”. Depois de lermos Kurtweil by Martha, nos sobra pouco a não ser concluir: a assim chamada raça humana será substituída por outra, com pouco ou nenhum resquício biológico. E essa viverá para sempre. É doido, mas não há como não conhecermos tais coisas. Mesmo que elas, eventualmente, não venham de fato a acontecer. Copyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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XVI   |   Você, eu e os robôs • Martha Gabriel

Ainda bem que aqueles olhos claros e incisivamente agudos seguem vendo tudo isso e explicando cada coisa para nós. Ainda bem que a cientista nos decifra tantos enigmas. E ainda bem que a – ainda – ser humano Martha Gabriel segue nos enchendo de esperança de que estaremos prontos para lidar com tudo isso, sempre que chegar a hora. Você, eu e os robôs: pequeno manual do mundo digital é um mapa do presente e uma ponte de preparação para o futuro. Ler, sem trocadilhos, é vital. Pyr Marcondes

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PREFÁCIO Para alguns, a revolução digital, que recentemente venho chamando de “tsunami digital”, é comparável à revolução da escrita. Sem minimizar os desdobramentos dos efeitos provocados pela era de Gutenberg, a comparação, quando não guarda as devidas proporções, é descabida. É fato que a escrita lançou as sementes e fez desabrochar os frutos da era da reprodutibilidade do saber que instaurou a cultura da erudição própria do universo do livro e das enciclopédias. Uma era que foi, quatro séculos depois, seguida pela reprodutibilidade técnica, presente na fotografia, no cinema e nas máquinas rotatórias que fizeram explodir o jornal. Instaurou-se, então, o império do som e das imagens da cultura de massas, seguida, mais tarde, por sua culminação na era da difusão propiciada pelo rádio e pela televisão. Estávamos, a essa altura dos acontecimentos, em meados do século passado. Apesar das imensas ondas de repercussões em todas as esferas do social que tudo isso provocou, é preciso convir que muito pouco se assemelha às consequências e implicações que a era do computador viria veloz e crescentemente introduzir. Só para se ter uma ideia dos efeitos provocados por esse gigantesco tsunami cuja travessia, muito provavelmente, estamos apenas começando a percorrer, o conhecimento humano acumulado no planeta, hoje, dobra a cada ano, devendo dobrar a cada doze horas por volta de 2020, quando se estima que também teremos 200 bilhões de dispositivos conectados no planeta. Não são poucos os estudiosos que têm chamado a atenção para o inquietante, perturbador e mesmo assustador ritmo da velocidade com que as transformações tecnológicas vêm ocorrendo, o que parece cada vez mais confirmar os prognósticos de Raymond Kurzweil, um dos gurus do trans-humanismo, sobre o crescimento exponencial das tecnologias e das consequentes mutações preconizadas para o ser humano. Copyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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XVIII   |   Você, eu e os robôs • Martha Gabriel

Uma breve e pontual retrospectiva da célere evolução da cultura do computador é ilustrativa dessa exponenciação. Quando nasceu, por volta de setenta anos atrás (1940), o computador funcionava sob o poder das válvulas, passando para os transistores (anos 1950), seguidos pelos microprocessadores (anos 1960). No princípio, surgiu sob a forma de grandes caixas fechadas cujos outputs, em cartões perfurados, só eram inteligíveis aos especialistas, os analistas de sistemas, capazes de ler os cálculos complexos processados no interior da caixa preta. O primeiro grande salto transformador, em termos sociais, não teve muito que esperar, quando, nos anos 1970, surgiram os primeiros microcomputadores já com teclados, inaugurando os primórdios da interação direta humano-máquina. Daí para frente, as interfaces e alianças entre as máquinas e os seres humanos foram se estreitando cada vez mais, em processos quase carnais de intimidade. Na década de 1980, os computadores pessoais já começavam a penetrar nos ambientes domésticos, dando início a uma competição cada vez mais acirrada com os, então, convertidos em tradicionais aparelhos de som e imagem. Em meados dos anos 1980, a Apple lançava as interfaces gráficas com as facilitações para as conversações do ser humano com o computador. Entretanto, o segundo grande salto, o “pulo do gato”, se deu quando o computador abriu suas portas e janelas para se converter não só em uma mídia comunicacional, mas em uma mídia de todas as mídias. De uma potente máquina de calcular, passou a ser uma máquina incorporadora e tradutória de todos os tipos de linguagens, textos, sons e imagens, voando pelos ares de uma máquina a outras. Foi então que, de uma rede de conexões entre computadores, a internet passou a ser habitada por pessoas. Daí em diante, onde entram as pessoas, elas vão impondo as marcas de seus desejos. Explodiram, assim, os aplicativos para as redes de relacionamento, logo incrementados pelos dispositivos móveis conectados à internet e geolocalizados, tudo isso funcionando graças à banda larga. Embora as redes sociais continuem a provocar muito frisson, ocupando a vida das pessoas e inaugurando formas inteiramente novas de socialização, no estado da arte da cultura computacional, em que hoje nos encontramos, as redes sociais apenas representam a pontinha de um imenso iceberg que é preciso tornar visível, especialmente porque cresce em configurações diferenciadas que nos colocam hoje – o futuro provavelmente próximo dirá – no limiar de uma mutação antropológica cujas consequências estamos ainda sem condições de discernir. Copyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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Prefácio  |  XIX

Convivemos, atualmente, com um número enorme de dispositivos tecnológicos que tomaram conta de nossa existência e que desconhecíamos há dez anos, tais como: iPhone, iPad, GPS, Waze, Kindle, Uber, Airbnb, Bitcoin etc. Essas, entretanto, são tecnologias que, de certa forma, manipulamos com alguma familiaridade. Aquelas que não manipulamos, mas cujos efeitos vão deixando marcas cada vez mais intensas na paisagem humana, são as tecnologias até certo ponto invisíveis a olho nu – daí a metáfora do iceberg –, que estão sob o domínio de poderosos algoritmos, comandando os processamentos de Big Data, os projetos de cidades inteligentes, a Internet das Coisas, a robótica evolucionária e, a grande e mais recente explosão do momento, a inteligência artificial. Esta promete evoluir a passos galopantes pelo simples fato de que, com a inteligência artificial, a inteligência humana finalmente parece ter encontrado a mais poderosa coadjuvante para o destino do crescimento que se encontra inscrito em seu DNA. Atualizar-se é preciso. Por que é preciso? Diante de transformações tão profundas e céleres, a pior das estratégias é aquela do avestruz que enterra a cabeça quando tem medo. Sem negar que as ambivalências e os dilemas com que os avanços tecnológicos nos afrontam são desafiadores, alienar-se, na convicção de que se trata de fatores alheios e distintos do próprio humano, significa buscar recolhimento no conforto da ignorância. Uma estratégia que está fadada ao fracasso, visto que a força invasiva das tecnologias é tanto mais capilar quanto mais se comprova o poder adaptativo das gerações recém-chegadas. Nesse contexto, “Atualizar-se é preciso” busca funcionar como um apelo. Antes de julgar as transformações pelos extremos do bem e do mal, antes de aderir euforicamente ou se afastar disforicamente (ambas igualmente formas de alienação), é preciso conhecer, informar-se, estar atento e forte, abrir as comportas da curiosidade como caminho razoável para enxergar com limpidez crítica a evolução humana, por mais paradoxal que ela nos pareça, quando se descortina diante dos nossos olhos em passos céleres. Tanto quanto posso ver, não poderia, de fato, haver título melhor para este prefácio do que “Atualizar-se é preciso”, pois é justo aqui, neste livro de autoria de Martha Gabriel, que o leitor atento encontrará tudo o que precisa para inteirar-se, conhecer a paisagem do mundo tal como ela hoje se apresenta. Uma paisagem em que a natureza humana encontra um ciclo evolutivo com destino em aberto na simbiose com as tecnologias cada vez mais finas, das wearables às insideables, das bios às nanobios, da robótica às máquinas capazes de aprender, de errar e de se autocorrigir. Copyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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XX   |   Você, eu e os robôs • Martha Gabriel

Com passos serenos e firmes, sem paixões descabidas, sem temperos salvacionistas ou catastrofistas, no equilíbrio das inevitáveis tensões, Martha Gabriel vai introduzindo o leitor pelos meandros dos temas e conceitos mais atuais que afetam a vida social, cultural e psíquica dos seres humanos no planeta. Não há um só tema e um só conceito relativos às tecnologias digitais – temas que hoje estão emergindo em livros, ensaios, artigos em periódicos, revistas e sites da internet – que estejam faltando neste livro, um verdadeiro compêndio explicitador, no sentido de trazer à tona e à luz questões a que não podemos nos furtar devido ao fato muito evidente de que elas atravessam, mesmo que à nossa revelia, nossas mentes e corpos crescentemente híbridos entre a carne e o algoritmo. A rigor, o próprio volume que aqui se apresenta é, nele mesmo, um livro híbrido, recheado e pontilhado de indicações de outros livros, filmes, endereços de sites, vídeos, QR Codes para conexão direta com as redes, enfim, uma escritura em camadas semióticas que se cruzam, interconectam, se separam para novamente se juntar, criando novas alianças entre o texto escrito e os pontos de fuga para as redes. Isso tudo, sem perder as garantias de retorno ao texto como matriz informacional imantada e, ao mesmo tempo, irradiante. Em suma, o menu que o leitor aqui encontrará é diversificado, mas, também, unificado pelo escopo da travessia, um escopo jamais perdido de vista pela autora na sua obstinação por chamar o leitor para uma jornada comum pelas grandes avenidas e vicinais temáticas das tecnologias atuais. Uma jornada, aliás, com estações de parada para a reflexão, ou seja, com momentos de recolhimento para melhor saltar rumo à intelecção das principais potências agenciadoras que estão hoje movendo o mundo. São Paulo, novembro de 2017. Lucia Santaella

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INTRODUÇÃO Participando ativamente do cenário tecnológico nos últimos 30 anos e atuando como consultora, palestrante e professora nas áreas de tecnologia, negócios, inovação e educação, tenho testemunhado a velocidade extraordinária com que o cenário tecnossocial tem se modificado. Na última década, vimos a internet se tornar a principal plataforma planetária de comunicação, entretenimento, negócios, relacionamento e aprendizagem, e também a infraestrutura responsável pelo novo tecido global da humanidade conectada. Esse cenário é deslumbrante e torna a internet (com todas as suas ramificações e plataformas) o cérebro global coletivo, onipresente, onisciente e onipotente. No entanto, esse novo panorama repleto de possibilidades, conexões e ampliação do potencial do ser humano traz consigo, também, profundas transformações e, consequentemente, novos desafios. Estamos vivendo a Quarta Revolução Industrial1, em que o modelo de sociedade baseado em máquinas mecânicas dá lugar a um modelo baseado em máquinas computacionais, fragmentado em bits e bytes, hipertextual, complexo, não linear. Redes sociais on-line, tecnologias mobile, realidades mistas, tecnologias de voz, vídeo imersivo, impressão 3D, inteligência artificial, internet das coisas, chatbots e robôs são algumas das tecnologias e plataformas digitais que se apresentam para ampliar o nosso cenário. Con1.

Também chamada de 4.0, a Quarta Revolução Industrial acontece hoje devido à revolução digital, após outros três processos históricos de transformações tecnológicas: 1) o primeiro marcou a passagem da produção manual à mecanizada, entre 1760 e 1830; 2) o segundo trouxe a eletricidade e permitiu a manufatura em massa, por volta de 1850; e 3) o terceiro aconteceu com a chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações, em meados do século XX. A Quarta Revolução Industrial é marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. Mais informações em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Fourth_Industrial_Revolution>. Acesso em: 24 nov. 2017.

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2   |   Você, eu e os robôs • Martha Gabriel

forme aumenta a quantidade de tecnologias e pessoas conectadas no planeta, amplia-se também a interdependência entre elas, causando um aumento de complexidade no mundo. Ambientes com maior grau de complexidade, como o atual, requerem uma sofisticação maior por parte dos indivíduos que nele atuam, e talvez esse seja um dos nossos maiores desafios como humanidade: nos sofisticarmos ao máximo para dominarmos a nova configuração – mais tecnológica e complexa – de mundo, sem perdermos a nossa essência humana. Nesse sentido, a análise dos impactos dessas tecnologias nas nossas vidas é essencial para que possamos traçar um curso de ação, de forma a nos tornamos o melhor tecno-humano possível, sem ficarmos obsoletos e marginalizados, ou alienados e robotizados, insensíveis. No entanto, a mudança causada pelas tecnologias digitais na sociedade tem acontecido em uma velocidade gigantesca, que nos desafia continuamente tanto em termos fisiológicos quanto cognitivos. A era digital requer novas habilidades dos seres humanos, que normalmente não faziam parte da educação nas eras industriais precedentes. Quais os impactos da Revolução Digital na humanidade? Que transformações ela nos traz? Como lidar com essas transformações, seus desafios e oportunidades? Pensando nisso, em 2013, escrevi o livro Educ@r: a (r)evolução digital na educação, em que discutia essas questões com foco exclusivo na educação. No entanto, de lá para cá, em poucos anos, testemunhamos uma explosão da penetração digital e assistentes computacionais nas vidas das pessoas, transformando a sociedade. Assim, esses questionamentos, que antes faziam parte apenas de campos específicos, como educação, marketing, negócios etc., passaram a fazer parte de todas as áreas e da vida cotidiana. Com isso em mente, escrevi o presente livro de forma que a primeira parte, que trata dos seres humanos (você e eu), é uma nova edição ampliada e atualizada de vários capítulos do livro Educ@r, com o objetivo de atender qualquer tipo de público. As duas outras partes que apresento aqui (robôs e humanos + robôs) levam a discussão para outro patamar, adicionando as questões da tecnologia que nos cerca com a fusão entre humanos e tecnologias, que tanto nos encanta e, ao mesmo tempo, nos assusta. Este livro é baseado em minhas experiências tanto acadêmicas – pesquisas e aulas –, quanto de mercado – consultorias, cursos, coaching executivo estratégico e palestras –, e tem como objetivo principal fomentar a discussão sobre o tema e contribuir, em algum grau, para separar mitos de fatos. Não temos aqui a pretensão, e nem poderíamos ter, de esgotar o assunto, que devido à própria natureza veloz e complexa, é multi-inter-transdisciplinar, Copyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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Introdução  |  3

relacionando-se com virtualmente todas as áreas do conhecimento. A intenção é que o contexto apresentado em Você, Eu e os Robôs possa ser útil tanto para leitores leigos quanto para profissionais das mais diversas áreas, servindo como base para discussões posteriores mais específicas, especializadas e mais aprofundadas em cada campo. Em função disso, é também objetivo deste livro fornecer referências com as quais as informações e os conhecimentos em assuntos específicos possam ser aprofundados. Assim, como nos meus livros anteriores, o intuito final é ensinar a pescar. A intenção aqui é ser ponto de partida, e não ponto final. Dessa forma, discutiremos algumas das transformações fundamentais da revolução digital, a fim de auxiliar indivíduos e profissionais para que se sintam preparados para continuar acompanhando as tendências e possibilidades que continuarão a surgir. Para atender aos objetivos propostos, este livro foi estruturado em três partes principais, de modo que cada uma delas aborda e discute uma dimensão fundamental da Revolução Digital, trazendo reflexões sobre como lidar com isso: Parte 1) Os humanos (você e eu), com foco na humanidade transformada pelas tecnologias digitais; 2) A tecnologia (eles, os robôs), com foco na aceleração exponencial da mudança e nas tecnologias emergentes que estão transformando o mundo; e 3) Nós (humanidade + tecnologia convivendo), com foco no futuro – para onde vamos? Como estamos nos misturando com as máquinas e como poderemos viver no meio delas e com elas? Como este livro trata de transformações digitais, nada mais natural do que apresentar cases e exemplos de forma digital. Assim, para permitir que o leitor acesse links digitais apresentados ao longo do texto, os cases e exemplos trazem um QR Code que pode ser escaneado e acessado imediatamente on-line. Assim, a experiência de leitura do livro físico impresso torna-se totalmente integrada com o conteúdo digital. Toda vez que aparecer um QR Code no texto, ele pode ser lido por meio do seu celular ou dispositivo móvel2, que apresentará o conteúdo on-line relativo ao tema tratado.

2.

O passo a passo simples para habilitar o seu aparelho celular a escanear QR Codes e acessar os conteúdos on-line do livro é apresentado a seguir.

• Hardware necessário: aparelho móvel (smartphone ou tablet) com câmera (celulares, smartphones, PDAs etc.) e com conexão de banda larga à internet (de preferência Wi-Fi, pois os vídeos consomem muita banda, mas pode ser também acesso 3G/4G).

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4   |   Você, eu e os robôs • Martha Gabriel

A capa deste livro também apresenta um QR Code que dá acesso a um vídeo, no qual apresento um breve panorama sobre os conteúdos aqui abordados, e que pode também ser acessado por meio da figura I.1.

Figura I.1 – QR Code de acesso ao vídeo com Martha Gabriel apresentando um panorama sobre este livro, que pode também ser acessado em <http://www.martha.com.br/livros/2017-voce-eu-robos.html>. Acesso em: 24 nov. 2017.

Essa funcionalidade incorpora uma camada digital de informação ao livro físico impresso, integrando a experiência tangível material com a experiência digital intangível, com o objetivo de ampliar as possibilidades de aprofundamento, prazer e interação ao longo do texto. Desejo a você uma boa leitura e estou certa de que continuaremos esta discussão fascinante em várias outras oportunidades em que nossos caminhos se cruzarem, tanto pessoalmente quanto no ambiente digital.

• Software necessário: instalação de um leitor de QR Codes no aparelho móvel. Existem diversos leitores gratuitos disponíveis na internet, mas sugerimos que seja baixado o aplicativo i-nigma, que é encontrado nas App Stores.

• Utilização: acesse o i-nigma no seu dispositivo. A partir daí, a câmera do seu aparelho passa a funcionar como um scanner de QR Code. Assim, basta apontá-la para a imagem do QR Code, e o i-nigma fará a leitura da URL (endereço do link) automaticamente e apresentará o conteúdo na tela. Clicando no botão de acesso, o celular abrirá a URL apresentada e você será direcionado para o conteúdo on-line digital.

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Capítulo

1

A TECNOLOGIA RECRIA A REALIDADE Os humanos são o órgão reprodutor da tecnologia. Kevin Kelly Tecnologia e humanidade andam de mãos dadas desde o início da nossa história. O ser humano é uma tecnoespécie: criamos tecnologias e somos transformados por elas, em um ciclo contínuo que tem se retroalimentado durante todo o processo evolutivo da humanidade. Esse casamento tecno-humano, que na pré-história era com paus e pedras, culmina hoje com as tecnologias digitais, revolucionando o mundo e nos levando a uma nova era: a Era Digital. No entanto, apesar de a Revolução Digital ser importantíssima, devemos lembrar que ela não é a primeira e nem será a última da história humana. Já tivemos outras revoluções tecnológicas tão importantes quanto a digital, como o fogo, a escrita, a eletricidade etc. (ver infográfico disponível por meio da Figura 1.1). Quando uma revolução tecnológica acontece, ela transforma o que até então era impossível em possível e comum, recriando a nossa realidade. Antes do século XX, voar era imCopyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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8

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Você, eu e os robôs • Martha Gabriel

possível para o ser humano, bem como trabalhar em uma cidade e morar em outra, porém hoje essas são coisas não apenas são possíveis, como comuns. Há 10 anos apenas, era impossível assistir vídeos no celular, e hoje isso é usual.

Figura 1.1 – QR Code de acesso ao infográfi co A Brief History of Technology, que apresenta 4 bilhões de anos de evolução tecnológica no mundo, até 1951, que inaugura a era atômica. Fonte: <https://futurism.com/ images/a-brief-history-of-technology/>. Acesso em: 24 nov. 2017.

Um dos grandes desafios de qualquer revolução tecnológica, no entanto, é que inicialmente as pessoas tendem a ficar encantadas com a tecnologia que produz o até então “impossível”, e não com os seus efeitos em nossas vidas. Como dizia Arthur Clarke, “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia”1. Somente depois que o encantamento inicial passa, o foco tende a mudar para os benefícios que tais tecnologias podem (ou não) nos trazer – quais possibilidades e ameaças cada uma delas apresenta? Com o surgimento da eletricidade e suas tecnologias correlatas, as pessoas provavelmente ficavam maravilhadas com o fato de a geladeira produzir baixas temperaturas para conservar alimentos, por exemplo, mas depois de algum tempo o que realmente interessava era como isso facilitava as nossas vidas e como usar essa tecnologia para viver melhor. Isso alavancou um sistema de produção de alimentos baseado na tecnologia da geladeira, revolucionando a alimentação humana, a nossa subsistência, e, portanto, os nossos seres. No caso da eletricidade, foram necessários aproximadamente 30 anos para a humanidade compreender suas transformações e passar a utilizar amplamente o seu potencial, tornando obsoletos uma infinidade de comportamentos e gerando outros tantos novos. Assim, as tecnologias não apenas nos instrumentalizam, mas transformam também o nosso pensamento – cada revolução tecnológica no mundo nos conduz a uma nova mentalidade que nos permite ser parte dele. A tecnologia tem, portanto, recriado a realidade, fundando e colapsando civilizações ao longo da história devido às transformações a que dá origem.

1.

Fonte: As leis da robótica, de Arthur Clarke. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Leis_de_Clarke>. Acesso em: 24 nov. 2017.

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Cap. 2 • Hiperconexão & a transformação do poder   |   25

que pela lógica determinista, mais característica dos sistemas centralizados. Portanto, apesar de não serem o foco desse livro, o estudo da teoria do caos e a compreensão de processos como viralização, comportamento de bandos, teoria da emergência, entre outros, passam a ser assuntos bastante valorizados para entender o novo cenário que se apresenta e para podemos extrair o melhor resultado dele.   Social learning No campo da educação, um dos maiores impactos das conexões on-line é o crescente fenômeno de social learning16, que é o processo de mudança social no qual as pessoas aprendem umas com as outras maneiras que podem beneficiar sistemas socioecológicos maiores. Dessa forma, a hiperconexão propiciada pelas redes sociais e pela internet não apenas modifica o processo de aquisição de conteúdo/informação por meio do intermediário (professor, jornalista etc.), como também – e principalmente – catalisa processos de aprendizagem entre pares, fora dos ambientes formais de educação (instituições de ensino, cursos, corporações etc.). Isso significa que o sistema de aprendizagem está sofrendo uma profunda transformação e que isso deve ser considerado nos novos modelos educacionais, incluindo e abraçando o social learning estruturado pelas tecnologias digitais como parte integrante e importante da educação formal. Um aspecto interessante do social learning é que, por meio das tecnologias digitais, podemos aprender por meio de outros indivíduos, mesmo sem conhecê-los. Um exemplo disso é o social reading, processo no qual conforme as pessoas leem textos em dispositivos digitais (como o Kindle, por exemplo), marcam, destacam e comentam partes que podem ser visualizadas por outros leitores. Essa “leitura coletiva” propiciada pelas plataformas digitais amplia a colaboração para a reflexão e aprendizagem.  Internet das coisas & web semântica O processo de hiperconexão proporcionado pela internet não acontece apenas com as pessoas, mas também com os sistemas computacionais e, virtualmente, com qualquer coisa.

16. Referências sobre Social Learning: <http://en.wikipedia.org/wiki/Social_learning_(social_pedagogy)>; e Social Learning Theory: <http://en.wikipedia.org/wiki/Social_learning_theory>. Acesso em: 9 set. 2017.

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Do início da internet comercial, em meados dos anos 1990, aos dias de hoje, passamos da web estática para a web dinâmica. Da web read-only para a web read-write. Da web one-way para a web two-ways. Da web de páginas para a web como plataforma. Da web de reação para a web de participação17. Da web discurso para a web conversação18. E estamos caminhando para a web da interação: a web semântica, turbinada pela internet das coisas associada com a inteligência artificial. Nesse caminho fluido de transformação da web e das pessoas, alavancado pelas tecnologias digitais, Tim O’Reilly classificou, em 2005, essas mudanças em três ondas, conhecidas como Web 1.0, Web 2.0 e Web 3.0. Apesar de esses termos sugerirem novas versões para web, eles não se referem a qualquer atualização das especificações técnicas da web – que seriam centenas; mostram apenas uma divisão didática das fases da web que apresentam as mudanças cumulativas no modo como os desenvolvedores de software e os usuários a utilizam. Assim, embora tenham ocorrido inúmeras mudanças tecnológicas na web, os termos Web 1.0, 2.0 e 3.0 estão mais relacionados às alterações no comportamento dos usuários da web do que às tecnologias que proporcionaram essas modificações. A Web 1.0 é a estática, em que as pessoas apenas navegam e consomem informações. Ela foi predominante até o final do século XX. A Web 2.0 é a web da participação. As pessoas a usam como base para todo tipo de interação: blogs, vídeos, fotos, redes sociais, e-mails etc. Ela funciona como uma plataforma participativa de serviços, por meio da qual os indivíduos não apenas consomem conteúdo, mas, principalmente, podem também publicá-lo. Blogs, plataformas de vídeo (como o YouTube), redes sociais (como Twitter, Facebook, LinkedIn etc.) são exemplos de ferramentas participativas da plataforma da Web 2.0, que é viabilizada pela conexão de banda larga à internet (desktop ou mobile) – sem isso, não seria possível haver participação. A Web 2.0 é parte integrante do que chamamos de computação na nuvem (cloud

17. As tecnologias no início da web não permitiam a publicação de conteúdos de forma simples, de modo que apenas profissionais técnicos conseguiam colocar informações on-line (programando sistemas e páginas). Dessa forma, a grande maioria das pessoas apenas “navegava” nos conteúdos, lendo a web (ready-only), ou seja, em mão única, da web para elas. A partir da disseminação da banda larga, as tecnologias passaram a possibilitar a participação de qualquer pessoa nos processos de publicação on-line e, assim, os sistemas que permitem as publicações e armazenam os dados on-line tornam a web uma plataforma de participação – em que o usuário lê e escreve, e não mais apenas lê páginas. A web transforma-se em um processo de duas mãos. 18. No primeiro momento, em que só era possível “ler” a web, tínhamos uma situação análoga a um discurso – apenas um polo emissor. A partir do momento em que se pode também “escrever” na web, o discurso dá lugar à conversação.

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Cap. 3 • Explosão do conteúdo: distração vs. foco

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33

cional cresceu a 58% ao ano, telecomunicações bidirecionais a 28% ao ano e de armazenamento de informações a 23% ao ano. A telecomunicação tem sido dominada por tecnologias digitais desde 1990 (99,9% em formato digital em 2007) e a maioria de nossa memória tecnológica tem sido em formato digital desde 2000 (94% em 2007). Kevin Kelly estimava que, em 2011, a humanidade, coletivamente, tinha a capacidade de armazenar em torno de 300 exabytes de informação. Isso é, aproximadamente, a quantidade total de informação existente no DNA de uma pessoa, que é equivalente a 80 Bibliotecas de Alexandria por pessoa. No entanto, a quantidade de informação no mundo está dobrando a cada 18 meses, mas o nosso DNA não3. O infográfico da Figura 3.2 mostra o que acontece na internet a cada 60 segundos em 20174.

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Figura 3.2 – Infográfi co O que acontece na Internet em um minuto. Fonte: <http://www.visualcapitalist.com/ what-happens-internet-minute-2016/>. Acesso em: 24 nov. 2017.

3.

Fonte: <http://www.kk.org/thetechnium/archives/2011/03/the_amount_of_i.php>. Acesso em: 24 nov. 2017.

4.

Fonte: <http://www.visualcapitalist.com/what-happens-internet-minute-2016/>. Acesso em: 24 nov. 2017.

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 Consumo de mídia Essa explosão informacional, que ganhou corpo principalmente nas últimas décadas, tem criado um estado de info-obesidade no ser humano: a quantidade de informação que as pessoas incorporam e com que lidam em suas vidas cotidianas tem crescido consideravelmente. Conforme cresce a informação disponível no mundo, cresce junto o consumo de mídia, que triplicou entre 1950 e o início do século XXI (ver Figura 3.3), passando de 20 para 60 horas semanais. De lá para cá, em 20 anos, a previsão é de consumirmos, em média, 90 horas por semana em 2020. Analisando a Figura 3.3, podemos ver a evolução do consumo de mídia desde 1900, por categoria. Observe o crescimento das tecnologias digitais a partir do ano 2000.

Consumo global de mídia por semana Média de horas por semana

100  Jogos  Wireless  Outdoor  Cinema   Rádio digital   Rádio analógico   TV digital   TV analógica  Internet  Impressos

80 60 40

2020: 80% de todas as mídias digitais 2010: 66% de todas as mídias digitais 2007: 50% de todas as mídias digitais

20 0 1900 Source: Carat

1920

1940

1960

1980

2000

2020

World Association of Newspapers 2007-2008

Figura 3.3 – Gráfico mostrando a evolução do consumo de mídia a partir de 1900. Fonte: <https://danrdavid. com/new-media-theory-perspective/>. Acesso em: 24 nov. 2017.

A Figura 3.4 mostra o aumento do consumo de mídia pelos jovens entre 1999 e 2009, e a Figura 3.5 apresenta a evolução do consumo diário de mídia por adultos, nos Estados Unidos, de 2014 a 2019.

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Cap. 13 • Inteligência artificial: como funciona?    |   197

Veremos, a seguir, as principais metodologias de IA e como se relacionam.   Machine learning (ML) O termo Machine Learning foi cunhado em 1959 por Arthur Samuel, um pioneiro no campo de games computacionais e inteligência artificial. Ele define ML como um “campo de estudo que dá aos computadores a habilidade de aprender sem serem explicitamente programados”. Para explicar como ML funciona, podemos utilizar uma analogia com o método que nós, humanos, usamos para aprender a comprar frutas5. Imagine que você deseje comprar mangas doces. Como você faz? Você se lembra que sua mãe disse que as mangas mais amarelas são mais doces do que as pálidas. Então, vai na quitanda e escolhe as mangas mais amarelas, paga, e leva para casa. No entanto, depois de comer, você percebe que nem todas as mangas amarelas são realmente doces. Assim, as informações que sua mãe forneceu ainda são insuficientes. Analisando as mangas que experimentou do lote, você percebe que as grandes e amarelas são doces sempre, mas as pequenas não. Então, da próxima vez que comprar mangas, comprará apenas as grandes e amarelas, não mais as pequenas. No entanto, quando você vai à quitanda, nota que o vendedor se mudou, e passa a comprar de outro fornecedor. Nesse caso, depois de consumir as mangas, percebe que as menores e pálidas são as mais doces, e não mais as maiores e amarelas. Algum tempo depois, você recebe um primo para passar uns dias com você e o que ele valoriza não é a doçura das mangas, mas o quanto são suculentas. Novamente, você repete o experimento para determinar as melhores mangas para o seu propósito. Imagine, agora, que você se mude para outra parte do mundo: terá de praticar o experimento novamente. E se você casar com alguém que gosta de maçãs e detesta mangas? Provavelmente fará todos os experimentos novamente para conseguir comprar maçãs melhores. E assim por diante. No mundo de Machine Learning, o processo é similar, só que feito por meio de algoritmos, que, conforme realizam uma experiência, registram os seus resultados para tomar decisão posteriormente. Esse exemplo das frutas usa o método que chamamos de Aprendizagem Supervisionada, como veremos mais à frente. Assim, Machine Learning (ML), ou “aprendizagem de máquinas” em português, é um campo de IA que lida com algoritmos que permitem a um programa “aprender” – ou seja, os programadores humanos não precisam especificar 5.

Analogia apresentada por Pararth Shah em <http://bigdata-madesimple.com/how-do-you-explain-machine-learning-and-data-mining-to-a-layman/>.

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Cap. 13 • Inteligência artificial: como funciona?    |   199 SIMBOLISTAS

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Figura 13.7 – As cinco tribos de Machine Learning (The Five Tribes of Machine Learning), Fonte: The Master Algorithm (DOMINGOS, 2015). Acesso em: 24 nov. 2017.

Alguns algoritmos de ML que são inspirados na biologia7 têm se tornado bastante populares, como: • Algoritmos de Redes Neurais (Neural Networks) – algoritmo que modela a aprendizagem do cérebro biológico por meio de exemplos: a partir de um conjunto de respostas corretas, ele aprende padrões gerais. Redes neurais são, atualmente, a grande estrela das aplicações de IA, utilizadas, por exemplo, em Deep Learning e aplicadas em inúmeras áreas, como processamento de linguagem natural, visão computacional, detecção de fraudes etc.

7.

Baseado em <http://theory.stanford.edu/~amitp/GameProgramming/AITechniques.html>.

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Steve Johnson (2001) defende o mesmo ponto de vista com relação às interfaces de computadores e chama a atenção para o fato de que elas transformam o modo como criamos e nos comunicamos – se a metáfora da interface do computador fosse outra que não uma escrivaninha, provavelmente pensaríamos de outra maneira. Também Pierre Lévy (1993, p. 152) refere-se à grande influência que as tecnologias exercem sobre nosso modo de agir e pensar ao afirmar que [...] diversos trabalhos desenvolvidos em Psicologia Cognitiva a partir dos anos 1960 mostraram que a dedução ou a indução formais estão longe de serem praticadas espontaneamente e corretamente por sujeitos reduzidos apenas aos recursos de seus sistemas nervosos (sem papel, nem lápis, nem possibilidade de discussão coletiva).

Ampliando essa discussão, Pierre Lévy chega a definir o termo “tecnologias intelectuais”, aquelas que desenvolveriam “raciocínios abstratos utilizando recursos cognitivos exteriores ao sistema nervoso” (LÉVY, 1993). Dessa forma, escritas simbólicas, o uso de diagramas, processos mentais controlados e automatizados, cálculos produzidos por intermédio do uso de papel e lápis etc., são tecnologias intelectuais – sem elas, não seríamos capazes de realizar processos complexos de dedução e indução formais, pois estes não são recursos cognitivos espontâneos do ser humano.  Tecnologia & o cérebro humano Além de controlar fisicamente todos os órgãos do corpo, o cérebro humano é a estrutura física que psicologicamente gera a mente, a fonte do nosso pensamento e consciência. As transformações no cérebro ao longo da evolução da humanidade são responsáveis pelas mudanças no mundo para chegarmos à civilização atual. Hipócrates, considerado o pai da medicina ocidental, dizia que o cérebro é a fonte de toda alegria, prazer e riso, e também de toda tristeza, desânimo, pesar e lamentações. Dessa forma, as transformações no cérebro transformam nossa vida. Com a crescente disseminação tecnológica e melhorias na banda larga, as plataformas e tecnologias digitais têm se tornado extensões do nosso corpo, inclusive nosso cérebro: estamos nos “esparramando” cada vez mais para fora do nosso ser biológico. A capacidade de processamento e memória dos computadores expande o nosso cérebro: guardamos números de telefones e informações nos celulares, nos notebooks, na web. O nosso Copyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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O documentário Digital Nation: Life On The Virtual Frontier (2010)9 (Figura 15.1), produzido pela Frontline, apresenta um estudo detalhado sobre os impactos do digital em nossas vidas, no cérebro e na educação, mostrando, por exemplo, como o multitasking afeta o nosso cérebro, diminuindo nossa capacidade de concentração e produtividade.

Figura 15.1 – Imagem do vídeo Digital Nation: Life On The Virtual Frontier, mostrando atividade cerebral de uma pessoa que está fazendo várias atividades ao mesmo tempo. O vídeo está disponível via QR Code ao lado da imagem ou em: <http://youtu.be/DSW0MWSY8Uk>. Acesso em: 24 nov. 2017.

Outro estudo10 mostra que a busca digital ativa mais o cérebro do que a leitura – na imagem da Figura 15.2, o cérebro da esquerda está lendo um livro e o da direita, fazendo uma busca na internet.

Figura 15.2 – Imagem do cérebro ao ler um livro (esquerda) e ao fazer uma busca na internet (direita). Disponível em: <http://news.health.com/2008/10/16/googling-good-for-brain/>. Acesso: 24 nov. 2017.

9.

O documentário foi produzido em nove capítulos de 10 minutos: 1) Distracted by Everything; 2) What’s It Doing To Their Brains?; 3) South Korea’s Gaming Craze; 4) Teaching With Technology; 5) The Dumbest Generation?; 6) Relationships; 7) Virtual Worlds; 8) Virtual Experiences Changes Us?; 9) Where Are We Headed?. Disponível em: <http://video.pbs.org/video/1402987791>. Acesso: 24 nov. 2017.

10. Mais informações disponíveis no artigo Internet Searching May Exercise the Aging Brain. Disponível em: <http:// news.health.com/2008/10/16/googling-good-for-brain/>. Acesso: 24 nov. 2017.

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Cap. 17 • O futuro do ser humano & o ser humano do futuro   |   247

 Futuro do trabalho: desintermediação tecnológica Enquanto as revoluções industriais anteriores tiveram um impacto maior nos empregos e funções que se localizavam na base da pirâmide hierárquica do mercado (imagem à esquerda, na Figura 17.1), a revolução digital tem aniquilado empresas e cargos entre os intermediários na pirâmide. No cenário tecnológico atual, a automação não está apenas transformando as habilidades dos intermediários: está efetivamente eliminando os cargos de trabalho, empurrando as pessoas para cima ou para baixo, mudando a estrutura de mercado de pirâmide para ampulheta (imagem da direita, na Figura 17.1). CEO Presidente Gerente regional Gerente distrital Gerente de área Gerentes Supervisores Empregados

Figura 17.1 – Representação gráfica da estruturação dos trabalhos e empresas no mercado, antes da desintermediação tecnológica (esquerda), e depois (direita). Fonte: Martha Gabriel.

Os intermediários de processos – pessoas e empresas –, estão sendo substituídos por tecnologia. Por exemplo, aplicativos de transporte como Uber, 99Taxi, Easy Taxi, entre tantos outros, diminuem consideravelmente a necessidade de existência de agências de táxis – que intermediavam o cliente e o taxista. Na área de hospedagem, soluções como Booking.com, Hotels. com, TripAdvisor, Airbnb, Expedia, Kayak, e inúmeras outras, facilitaram e simplificaram a organização e compra de viagens, de forma que, atualmente, raramente precisamos contratar uma agência de turismo ou viagem. O acesso distribuído a todo tipo de conteúdo na internet faz com que professores conteudistas sejam cada vez menos necessários para intermediar o conteúdo e os alunos. Assim, essas pessoas cujas funções faziam sentido nas cadeias de valor no mundo antes da era digital precisam se recolocar – dependendo das habilidades que possuem, podem subir ou descer na ampulheta. Pessoas qualificadas com alto grau de educação e conhecimento tornam-se cada vez mais necessárias para criar e fazer gestão de um ambiente proCopyright © 2018 by GEN - Grupo Editorial Nacional e Editora Atlas. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.

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Você, eu e os robôs • Martha Gabriel

fissional tecnologicamente mais sofisticado. Isso faz com que os seus salários subam, deslocando-os para a parte de cima da ampulheta. Por outro lado, esses profissionais do topo requerem mais serviços personalizados e, portanto, mais pessoas com baixa formação são necessárias para atendê-los: isso faz com que os intermediários que não têm alto grau de formação educacional passem para a parte de baixo da ampulheta, onde se situam os trabalhadores com menos habilidades e salários mais baixos. Assim, a desintermediação tecnológica no trabalho está nos conduzindo para um mercado com cada vez mais trabalhadores nas pontas, dividido entre topo e base, e com menos gente no meio (Figura 17.2).

Empregos pouco qualificados estão aumentando na participação

Mudança na participação do emprego

0,1

Trabalhos de alta habilidade, como os de serviços de negócios, cresceram

Hospitalidade

Cuidado de idosos

0

Percentil de habilidade

Baixa habilidade 0

20

– 0,1 Trabalho de fábrica

40

Empregos de habilidade média viram o declínio de suas ações

Alta habilidade 60

80

100

Trabalho de escritório

Figura 17.2 – Impacto das tecnologias digitais no mercado, reconfigurando os trabalhos e a distribuição de funções na sociedade: empregos de high-skill e low-skill explodiram, enquanto os middle-skill despencaram. Disponível em: <https://gigaom.com/2014/03/31/the-gig-economy-is-here-and-its-not-a-pretty-picture/>. Acesso em: 24 nov. 2017.

Note-se, no entanto, que os intermediários tendem a diminuir consideravelmente, mas não a desaparecer totalmente, pelo menos em um futuro próximo, enquanto não tivermos Inteligência Artificial Geral (AGI1) entre nós. Em

1.

Ver os tipos de inteligência artificial nos capítulos referentes a isso, na Parte 2 deste livro.

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Você, Eu e os Robôs - Pequeno manual do mundo digital  

Em um mundo em que a internet é a principal plataforma de comunicação, entretenimento, negócios, relacionamentos e aprendizagem, estamos viv...

Você, Eu e os Robôs - Pequeno manual do mundo digital  

Em um mundo em que a internet é a principal plataforma de comunicação, entretenimento, negócios, relacionamentos e aprendizagem, estamos viv...

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