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Prefácio Para aqueles que desejam conhecer e compreender o mercado de capitais ou especificamente a bolsa de valores, investir neles seus recursos ou tornar-se um analista de bolsa, eis um livro que eu gostaria de ter encontrado quando, há mais de duas décadas, comecei a dar os primeiros passos como estudioso do tema. As bolsas de valores e seu entorno constituem um mundo apaixonante, que descobri em meados dos anos 1980. Em agosto de 1984, quando comecei minha graduação em Administração, quase não havia manuais e textos disponíveis que preenchessem, de forma didática e específica, as lacunas do conhecimento na área de mercado de capitais. Já no final da década de 1980, quando me iniciei nas atividades docentes, pensei em elaborar algumas apostilas para subsidiar minhas turmas de Mercado Financeiro, as quais posteriormente evoluíram para os rascunhos do que em 2001 viria a ser a primeira edição deste livro. O passo para o início desta publicação foi minha ida, em 1997, para a Espanha fazer mestrado em busca de conhecimento científico sobre o tema. Em 1999, de volta ao Brasil a fim de obter informações para subsidiar meu doutorado, visualizei, com incentivo de colegas e alunos, o momento oportuno para lançar a primeira edição. A princípio, a ideia pareceu-me prematura, pois quanto mais aprofundava os estudos sobre o tema, mais ideias para seu aprimoramento surgiam. Portanto, a decisão mais importante que tive de tomar foi sobre qual o momento ideal para interromper tais estudos e transformá-los em livro. Mas, como dizia um grande mestre da pintura, referindo-se às obras de arte: “As obras não se terminam, se param em algum momento”. Com um livro pode ocorrer o

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Mercado de Capitais  • Pinheiro

mesmo. Devemos encontrar momentos para apresentá-lo e com isso gerar oportunidades para críticas e contribuições dos leitores com o intuito de dar continuidade a seu amadurecimento. Este livro pretende, partindo do zero, aproximar passo a passo o leitor do mercado de capitais. Como consequência, ele não exige nenhum conhecimento prévio sobre o tema. O que se pretende é conduzir o leitor desde o básico sobre o ambiente financeiro, passando pelas bolsas de valores, até as análises de ações. Foram utilizados exemplos, com certa profundidade, a partir da segunda parte do livro, quando a novidade ou complexidade dos temas tratados assim o requeriam. Na primeira parte, no entanto, onde os aspectos descritivos foram priorizados, os exemplos se limitaram ao possível. Com a 8ª edição, o livro completa 15 anos desde o lançamento de sua primeira edição, em 2001. Neste ínterim, o mundo e especificamente o Brasil passaram por rápidas mudanças, profundas e constantes no mercado financeiro. Os avanços na tecnologia da informação e na teoria de investimentos levaram à criação de novos tipos de títulos e estratégias de negociação. A grande crise de 2008 também contribuiu para uma redefinição da regulação dos mercados e consequentemente dos tipos de operações e sua negociação. O livro, acompanhando esse dinamismo, também evoluiu com o mercado de capitais. No caso brasileiro, as recentes mudanças ocorridas em seu mercado de capitais trouxeram uma nova configuração e dinâmica às negociações com ações através da implantação do Sistema de Negociação e Processamento de Operações da BM&FBovespa, o PUMA Trading System, bem como da utilização ou acesso ao mercado por parte das empresas. A 8ª edição de Mercado de capitais resultou da atualização e ampliação da edição anterior tendo em vista essas transformações, do aprofundamento em temas diretamente relacionados com a compreensão desse novo cenário e da eliminação de algumas passagens que não faziam mais sentido nesse novo contexto. Quanto à atualização e ao aprofundamento dos conhecimentos, esta edição traz avanços significativos se comparada à anterior. Os avanços ocorreram em três linhas: • Na Parte I: Ambiente Financeiro, o Capítulo 4: Crises Financeiras Internacionais foi atualizado e reestruturado, e a ele foram incorporados os acontecimentos e fatos que se sucederam na Crise do Europeia após a publicação da edição anterior. • Já na Parte II: Mercado de Capitais, o Capítulo 7: Mercado de Capitais e as Empresas foi totalmente reescrito e atualizado, visando proporcionar um aprofundamento nas questões relativas a captação de recursos através do mercado de capitais e no processo de abertura de capital. • Na Parte III: Bolsas de Valores, o Capítulo 8: A Bolsa de Valores no Mundo, foi ampliado com a inclusão de uma pesquisa histórica da origem das bolsas. O Capítulo 9: A Bolsa de Valores no Brasil também foi ampliado com a inclusão de mais informações sobre a Bovespa e seu papel. Por último, o Capítulo 10: Negociações com Ações na BM&FBovespa foi atualizado e reestruturado com a inclusão do Sistema de Negociação e Processamento de Operações, o PUMA Trading System. Juliano Lima Pinheiro jlp@gold.com.br

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Sistema Financeiro 

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O sistema financeiro será o marco dentro do qual as unidades superavitárias e deficitárias buscarão os instrumentos financeiros de que necessitem, ofertados, geralmente, pelos intermediários financeiros dentro dos mercados financeiros. A evolução dos sistemas financeiros pode ser distinguida em três etapas: 1ª) Fase baseada nos bancos. A evolução caracteriza-se porque nela os bancos são os protagonistas no desempenho das funções básicas que assumem os sistemas financeiros: captação e investimento da poupança financeira; controle e disciplina da atuação de seus clientes; e administração do sistema de pagamentos da economia. 2ª) Fase dirigida pelo mercado. Caracteriza-se pela aparição e crescente importância das instituições não bancárias. Essas instituições introduzem novos instrumentos financeiros nos mercados de capitais e monetários, competindo com os bancários na captação e colocação de fundos. 3ª) Fase em que se produz um forte desenvolvimento da titularização. Caracteriza-se pela transferência da função de captação e alocação dos novos fluxos de poupança dos intermediários financeiros diretamente para os mercados. O final da década de 1980 já sinalizava as necessidades que o novo panorama financeiro nos traria. Entre elas, destacam-se: • • • • •

transferência dos riscos em curso; transferência do risco de crédito; crescimento da liquidez dos empréstimos ou dos investimentos; acesso a novos recursos de fundos; e incremento dos fundos próprios e capital de risco.

Pode se dizer que entramos numa etapa em que a força da empresa será sua estratégia financeira. Para responder às necessidades de investimento e endividamento das empresas, o sistema financeiro vem se estruturando para diversificar seus produtos e possibilitar a realização de estratégias financeiras mais sofisticadas.

2.2 Sistema financeiro internacional O entendimento do sistema financeiro internacional inicia-se pela compreensão da ordem monetária internacional. Essa ordem pode ser definida como o conjunto de convenções, acordos e regras – explícitas ou não – estabelecido entre países interdependentes. Esse arcabouço de regulamentos deve servir de base para ações que envolvem dois ou mais países. Como as transações econômicas entre os países contemplam uma dimensão monetária, uma ordem monetária internacional deve estabelecer os instrumentos de pagamento a serem utilizados, bem como o relacionamento entre as diversas moedas dos países que aderirem a essa ordem.

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Mercado de Capitais  • Pinheiro

As ações internacionais efetivas levadas a cabo pelos vários agentes econômicos dos países pertencentes a determinada ordem monetária fazem parte do sistema financeiro internacional, que poderá refletir as condições estabelecidas pela primeira ou refutar as determinações preestabelecidas. Se o sistema financeiro internacional passar a se distanciar do conjunto de regulamentos existentes, então deverá ocorrer transformação da ordem monetária internacional vigente. De maneira geral, as diversas ordens monetárias internacionais que se sucederam historicamente contemplaram os seguintes aspectos: • • • • • • • • • •

definição dos participantes; grau de adesão de cada membro ao conjunto de regras estabelecidas; regras para os ajustes dos balanços de pagamentos dos países-membros; padrão monetário; relação entre as várias moedas dos países participantes; tipo de câmbio (fixo ou flutuante); convertibilidade entre as moedas; liquidez internacional; financiamento dos desequilíbrios dos balanços de pagamentos; e criação de instituições tutelares.

Uma das mais fascinantes ordens financeiras internacionais é o euromercado, cujas origens remontam à década de 1950. Seu desenvolvimento introduziu a movimentação de um gigantesco volume de ativos líquidos internacionais, sob a forma de dólares e outras moedas, em mãos de bancos comerciais e bancos de investimento. Os eurodólares correspondem especificamente aos dólares mantidos em depósitos num banco ou numa agência bancária localizada fora dos Estados Unidos, ou ainda aplicados em facilidades bancárias internacionais. Assim, o mercado de eurodepósitos equivale a depósitos em dólares americanos mantidos num banco fora dos Estados Unidos e que poderão ser emprestados nessa moeda. Como consequência, será gerado o mercado de eurocrédito em dólares, permitindo que a carteira dos investimentos seja realizada numa moeda forte e com credibilidade. Seguem-se as singularidades que diferenciam o euromercado dos demais mercados: 1. a intermediação efetua-se em moeda distinta da utilizada no país em que se situa o intermediário; quer dizer, um dólar, nos Estados Unidos, é um dólar, enquanto em Frankfurt ou em Tóquio é um euro/dólar; 2. trata-se de mercados atacadistas, nos quais pequenas operações não têm sentido. Geralmente, as quantias negociadas são, pelo menos, de um milhão de dólares; 3. pelo motivo anterior, os agentes que intervêm são operadores importantes: bancos privados, bancos centrais, grandes empresas multinacionais, investidores institucionais e grandes fortunas internacionais; 4. são mercados monetários, nos quais prevalecem as operações de curto prazo que, geralmente, não ultrapassam o ano; 5. caracterizam-se por sua universalidade. Apesar do prefixo “euro”, os principais centros encontram-se em zonas geograficamente muito distantes; e

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Mercado de Capitais  • Pinheiro

3.1 Mercados Em uma economia, existem diversos tipos de mercados, que podem ser agrupados em: a) mercado de produtos, no qual operam bens manufaturados ou serviços; e b) mercado de fatores, que corresponde aos fatores de produção. Neste capítulo trataremos da parte do mercado de fatores conhecida como mercado financeiro. Podemos definir os mercados financeiros como o mecanismo ou ambiente através do qual se produz um intercâmbio de ativos financeiros e se determinam seus preços. São mercados nos quais os recursos financeiros são transferidos desde unidades superavitárias, isto é, que têm um excesso de fundos, até aquelas deficitárias, ou seja, que têm necessidades de fundos. A renda oferecida pelo sistema de produção não é homogênea, e isso leva à existência de agentes superavitários (que têm excedente de renda, porque a renda é maior que o consumo e, assim, dispõem de poupança) e deficitários (que não dispõem de excedentes de renda, porque o consumo é igual ou superior à renda), que precisam de crédito para complementar suas necessidades de consumo. Os agentes superavitários que desejam aplicar suas poupanças para maximizar ganhos recorrem ao mercado financeiro, investindo suas economias em títulos para receber ganho ao final de determinado período. Essa oferta de recursos pelos superavitários irá financiar as necessidades dos deficitários, que buscam o mercado financeiro para obter crédito para complementar sua renda. Com isso, podemos afirmar que o mercado financeiro transfere as poupanças dos agentes superavitários para os deficitários de uma economia. Antigamente, o mercado financeiro era o lugar físico ou ponto de encontro entre ofertadores e tomadores, mas hoje, com o avanço da informática e das telecomunicações, essa exigência física perdeu sua importância. O contato entre os agentes ocorre de diversas formas: por telefone, fax, correio, internet etc. Assim, temos dois tipos de mercados financeiros: • com localização física; e • sem localização física. Dentro desse contexto, os mercados financeiros devem cumprir as seguintes funções: • estabelecer o contato entre os agentes superavitários e deficitários; • ser um mecanismo eficiente de fixação de preços para os ativos; • proporcionar liquidez aos ativos; e • reduzir os prazos e os custos da intermediação. Com relação às características que todo mercado financeiro deve ter, podemos agrupá-las da seguinte forma: as do tipo institucional e as relacionadas à oferta e à demanda. As características do tipo institucional são:

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Mercados Financeiros 

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Teste de verificação 3.1. Os mercados financeiros não devem cumprir as seguintes funções: (  ) Estabelecer contato entre os agentes superavitários e deficitários. (  ) Subsidiar os créditos para regiões caracterizadas como bolsões de pobreza. (  ) Ser um mecanismo eficiente de fixação de preços para os ativos. (  ) Proporcionar liquidez aos ativos. (  ) Reduzir os prazos e os custos da intermediação. 3.2. A classificação dos mercados financeiros é tarefa difícil em função do grande número de parâmetros utilizados para este fim. Com base nas formas mais comuns de classificação, classifique a segunda coluna de acordo com o seguinte critério: (1) Grau de transformação dos ativos

( )

Direto (sem transformação)

(2) Fase de negociação

( )

Intermediado (com transformação)

(3) Prazo ou condições

( )

Monetários

(4) Necessidades dos clientes

( )

Primários

(5) Outros

( )

Secundários

( )

A vista ou spot

( )

Crédito

( )

Futuros

( )

Moeda nacional (local)

( )

Opções

( )

Capitais

( )

Mediadores (dealers)

( )

Busca direta

( )

Cambial

3.3. Os títulos no mercado primário são: (  ) emitidos pelos tomadores. (  ) emitidos pelos poupadores. (  ) emitidos pelos intermediários financeiros. (  ) A segunda e a terceira alternativa estão corretas. (  ) Nenhuma das alternativas está correta. 3.4. Os títulos no mercado secundário são: (  ) emitidos pelos tomadores. (  ) emitidos pelos poupadores. (  ) negociados pelos intermediários financeiros aos poupadores. (  ) A segunda e a terceira alternativa estão corretas. (  ) Nenhuma das alternativas está correta. 3.5. São segmentos do mercado financeiro, com base nas necessidades dos clientes, exceto: (  ) Crédito. (  ) Capitais. (  ) Primário. (  ) Cambial. (  ) Monetário.

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Mercado de Capitais  • Pinheiro

5.1 Mercado de capitais e a economia 5.1.1 Conceito e características O mercado de capitais pode ser definido como um conjunto de instituições e de instrumentos que negociam com títulos e valores mobiliários, objetivando a canalização dos recursos dos agentes compradores para os agentes vendedores. Ou seja, o mercado de capitais representa um sistema de distribuição de valores mobiliários que tem o propósito de viabilizar a capitalização das empresas e dar liquidez aos títulos emitidos por elas. O surgimento do mercado de capitais ocorreu quando o mercado de crédito deixou de atender às necessidades da atividade produtiva, no sentido de garantir um fluxo de recursos nas condições adequadas em termos de prazos, custos e exigibilidades. Desse modo, seu surgimento foi fundamentado em dois princípios: • contribuir para o desenvolvimento econômico, atuando como propulsor de capitais para os investimentos, estimulando a formação da poupança privada; e • permitir e orientar a estruturação de uma sociedade pluralista, baseada na economia de mercado, permitindo a participação coletiva de forma ampla na riqueza e nos resultados da economia. De acordo com sua estrutura, o mercado acionário pode ser dividido em duas etapas: mercado primário e mercado secundário. A diferença básica entre os mercados primário e secundário é que, enquanto o primeiro caracteriza-se pelo encaixe de recursos na empresa, o segundo apresenta mera transação entre compradores e vendedores de ações, não ocorrendo assim alteração financeira na empresa. Ver Figura 5.1.

Mercado primário • criação de títulos; • capitalização das empresas.

Mercado secundário • negociação de títulos; • troca da propriedade do título; • proporciona liquidez aos títulos e incentiva o mercado primário.

Figura 5.1 Estrutura do mercado de capitais.

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Mercado de Capitais  • Pinheiro

7.1 O acesso das empresas ao mercado de capitais O mercado de capitais desempenha papel dos mais relevantes no processo de financiamento das empresas. Ele oferece diversos instrumentos de financiamento a médio e longo prazo para suprir as necessidades dos agentes econômicos, tais como debêntures, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), títulos externos. Oferece ainda financiamento com prazo indeterminado, como as operações que envolvem a emissão de ações.

CRI (isenção para PF) Renda fixa Debêntures

Títulos

Ações Renda variável Ações de PMEs (isenção para PF)

• Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) Fundos

• Fundos de Investimento em Participação (FIP) • Fundos de Investimento em Empresas Emergentes (FMIEE)

Figura 7.1

Instrumentos (veículos) de mercado de capitais.

Desde a criação de uma empresa por um número pequeno de sócios até sua posterior entrada na bolsa, uma empresa passa por diferentes processos de financiamento. Na Figura 7.2 é apresentado um exemplo típico na cronologia de financiamento de uma empresa americana.

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Mercado de Capitais  • Pinheiro

Quadro 8.8  Empresas brasileiras na Bolsa de New York.* Empresa

Símbolo

1. Aracruz Celulose S.A.

ARA

2. Banco Bradesco S.A.

BBD

3. Brasil Telecom Participações S.A.

BRP

4. Companhia de Bebidas das Américas (Ambev)

ABV/ABVC

5. Aracruz Celulose S.A.

ARA

6. Brasil Telecom S.A.

BTM

7. Braskem S.A.

BAK

8. Companhia Brasileira de Distribuição

CBD

9. Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp)

SBS

10. Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig)

CIGC/CIG

11. Companhia Paranaense de Energia (Copel)

ELP

12. Companhia Siderúrgica Nacional

SID

13. Cosan Limited

CZZ

14. CPFL Energia S.A.

CPL

15. Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer)

ERJ

16. Gafisa S.A.

GFA

17. Gerdau S.A.

GGB

18. GOL Linhas Aéreas Inteligentes S.A.

GOL

19. Itaú Unibanco Banco Múltiplo S.A.

ITUB

20. Perdigão S.A.

PDA

21. Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras)

PBR/PBRA

22. Sadia S.A.

SDA

23. TAM S.A.

TAM

24. Tele Norte Leste Participações S.A.

TNE

25. Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras)

TBH

26. Telecomunicações de São Paulo S.A. (Telesp)

TSP

27. Telemig Celular Participações S.A.

TMB

28. Tim Participações S.A.

TSU

29. Ultrapar Participações S.A.

UGP

30. Vale S.A.

VALE/VALE.P

31. Vivo Participações S.A.

VIV

32. Votorantim Celulose e Papel S.A.

VCP

* Maio de 2008.

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A Bolsa de Valores no Mundo 

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8.2.2 Nasdaq Após a quebra da Bolsa de New York em 1929, foram criados, em 1934, a Securities and Exchange Commission (SEC) e todo o arcabouço regulatório vigente nos EUA. Como no ato original não estavam contempladas as operações no mercado de balcão (OTC), essa lacuna foi preenchida em 1938 com o Maloney Act, que criou a figura da Associação Nacional de Valores Mobiliários, uma entidade autorreguladora responsável pelo mercado de balcão de valores mobiliários. No ano seguinte, foi criada a National Association of Securities Dealers (NASD). Em 1966, um comitê de automação foi criado pela NASD para estudar a possibilidade de instalação de um sistema automático de cotações. O resultado foi a assinatura, no final de 1968, de um contrato de sete anos com a Bunker-Ramo Corporation para construir e operar o sistema denominado National Association of Securities Dealers Automated Quotation System (Nasdaq). O sistema Nasdaq começou a operar em 8 de fevereiro de 1971, conectado com mais de 500 market makers dos EUA. Em 1978, a Nasdaq comprou o sistema da Bunker-Ramo e passou a operá-lo sozinha. Já em 1998, a National Association of Securities Dealers e a American Exchange (Amex) anunciam o fim de um processo de fusão das duas, criando a maior fusão financeira não só de um sistema central de leilões (Amex), mas também de um sistema múltiplo de mercado (Nasdaq). A fim de se entender o funcionamento da Nasdaq, é necessário conhecer o funcionamento da Electronic Communication Networks (ECN), a Instinet, criada em 1969. As ECN são redes eletrônicas de comunicação, ou seja, sistemas criados por corretoras para disseminar ofertas firmes de e para clientes que lhes permitem fechar negócios entre si. Têm a responsabilidade de transmitir para a Nasdaq as melhores cotações de compra e venda, para cada papel, vigentes em seu sistema privado. A Nasdaq é composta, basicamente, por ações de empresas de tecnologia. Reúne gigantes como Microsoft, Oracle, Intel e companhias de menor porte, que são negociadas em dois mercados: • Nasdaq National Market (NNM): → são negociadas as maiores e mais conhecidas empresas do mundo; → empresas com demanda financeira; e → cerca de 4.100 empresas negociadas. • SmallCap Market: → menor capitalização da Nasdaq; e → os níveis de exigências financeiras para negociação são menores que os da NNM.

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Mercado de Capitais  • Pinheiro

10.1 Introdução 10.1.1 Negociações As negociações com ações no mercado brasileiro são realizadas através de mercado eletrônico, cujo principal objetivo é viabilizar a realização de operação de compra e venda de ações em mercado livre e aberto. As características fundamentais das negociações são: • legitimidade da compra e venda: para concretização das negociações, é necessário que o comprador deposite o numerário, o vendedor compareça com as ações e a corretora confirme a existência do valor negociado e a disponibilidade das ações para a venda; • negócios devem ser realizados durante o pregão, no qual ocorrerá o encontro das ofertas de compra e venda das ações; • pregão tem preços públicos: preços e quantidades apregoados devem ser de conhecimento geral e de forma instantânea para que possam determinar o valor venal das ações e sua liquidez; • fechamento de negócio: ocorre quando as corretoras representantes do vendedor e comprador anunciam o “fechado”, representando a conclusão formal do negócio. A bolsa de valores estabelece normas e procedimentos a serem seguidos nas operações. Há um objetivo básico na regulamentação dos negócios na bolsa: permitir que os preços efetivamente reflitam as condições de oferta e procura. Daí surge a obrigatoriedade de se fechar o negócio ao melhor preço possível, permitindo-se a interferência, e também a pronta divulgação das operações e condições em que foram realizadas, de forma a permitir aos demais participantes avaliar as condições de mercado. O direcionamento compulsório para as bolsas dos negócios com ações de companhias nelas registradas é outra forma de aumentar a eficiência do processo de formação de preços. Alguns princípios estabelecidos pela BM&FBovespa devem ser observados no relacionamento entre as corretoras e seus clientes. Ver Figura 10.1.

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Mercado de Capitais • Pinheiro

11.1 Introdução As operações a prazo ocorrem quando compram-se títulos que não são liquidados a vista, mas sim a um prazo predeterminado. Ou seja, é uma operação em que o comprador e o vendedor negociam a entrega de determinada quantidade de ativos em uma data futura, a um preço também negociado. Sua liquidação ocorre sempre em data superior a D + 3, que representa as operações a vista, portanto sua liquidação é sempre em D + n, sendo n superior a três dias úteis.

Liquidação da operação

D+n

D0

Fechamento da operação

Figura 11.1

Formas de encerramento das operações a termo.

As operações a prazo são também conhecidas como derivativos. Podemos conceituar os derivativos como contratos cujos valores e características de negociação estão vinculados aos ativos que lhes servem de referência, ou seja, são ativos financeiros cujos valores dependem (ou derivam) de valores de outras variáveis básicas. A palavra derivativo vem do fato de que o preço do ativo é derivado de um outro. Como, por exemplo, na Opção de Petrobras, o preço dessa opção é derivado do ativo Ação da Petrobras. Portanto, para a concretização de uma operação a prazo, são necessários alguns elementos, como: • preço a vista da ação a ser negociada; • data futura na qual ocorrerá o vencimento do contrato; e • preço futuro com o qual será liquidado o contrato na data futura. Um derivativo é um contrato financeiro, entre duas ou mais partes, que deriva do valor futuro de um ativo subjacente.

Para entender como surgiram os derivativos, a Figura 11.2 apresenta uma síntese da história dos derivativos.

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Análise dos Fundamentos das Empresas 

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Índices para análise da imobilização de capitais permanentes Imobilização de recursos permanentes

Relação:

Representa:

Ativo Permanente Patrimônio Líquido + Exigível a Longo Prazo Grau de imobilização dos recursos exigíveis a longo prazo e os próprios da empresa, ou seja, qual a parcela dos seus fundos a longo prazo que está financiando o ativo permanente. Por exemplo, se esse índice for igual a 0,6, significará que 60% do capital permanente estão alocados ao ativo permanente, estando o restante (40%) financiando o circulante e o realizável a longo prazo. Se o índice apresentar um resultado maior que 1 (100%), indica que o patrimônio líquido e o exigível a longo prazo não são suficientes para cobrir o ativo permanente. Nesse caso, conclui-se que o passivo circulante está financiando uma parte dos investimentos permanentes da empresa. Imobilização de recursos próprios e de terceiros a longo prazo

Relações:

Representa:

Ativo Permanente Exigível a Longo Prazo

e

Ativo Permanente Patrimônio Líquido

Proporções de imobilizações levadas a efeito pelos recursos de terceiros a longo prazo e pelos recursos próprios, considerados separadamente, ou seja, do volume total investido no ativo permanente, qual a participação dos capitais próprios e recursos de terceiros a longo prazo. Esses dois índices são um desmembramento do grau de imobilização total.

14.2.2.2  Análise da estrutura de imobilização A segunda estrutura com a qual trabalharemos será a de imobilização de recursos, que busca avaliar os investimentos realizados e sua capacidade de geração de ganhos. Essa análise pode ser realizada em duas etapas: 1a  Estudo da dependência ou independência financeira dos investimentos. 2a  Estudo do ativo imobilizado dividido em: • nível de automatização; • produção por imobilizado; • grau de comercialização da produção; • giro do imobilizado; e • vida útil do ativo imobilizado.

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Análise Técnica de Ações 

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A história se repete A análise técnica fundamenta-se na premissa de que, se determinadas figuras, indicadores e osciladores funcionaram bem no passado, isso pode ocorrer no futuro. Supõem que o investidor tende a reagir de forma similar a situações anteriores.

16.2 Herança dos clássicos Desde os primórdios da atividade bursátil, há vários séculos, têm surgido diversas teorias para tentar prever o desempenho dos mercados de capitais e os títulos negociados nesses mercados. Entretanto, sem dúvida alguma, as teorias de Charles H. Dow e Ralph Nelson Elliot são as que se destacaram e as mais utilizadas para esse tipo de análise.

16.2.1  Teoria de Charles Dow A teoria Dow, anunciada por Charles H. Dow em uma série de artigos publicados no The Wall Street Journal entre 1900 e 1902, tinha como objetivo a identificação das tendências do mercado. Dow nunca escreveu um livro sobre sua teoria; ele simplesmente divulgava suas ideias nos editoriais do jornal em que trabalhava. Foi somente após sua morte, em 1902, que se recopiaram e publicaram seus editoriais e se começou a mencioná-los como a teoria Dow. Ela é considerada a mais antiga das explicações teóricas sobre a existência de grandes tendências no mercado de capitais. A teoria sustenta que as ações negociadas seguem uma tendência de alta ou baixa, a qualquer momento, e que para estudar o mercado é necessária a construção de uma média da evolução dos preços, por meio de uma amostra representativa de ativos. Daí o surgimento, nos Estados Unidos, do conhecido índice Dow Jones, que até hoje é o indicador geral mais acompanhado pelo público. Charles Dow, cofundador da Dow Jones & Co. junto com Edward Jones, foi o primeiro a utilizar um índice médio de cotação como instrumento de avaliação dos preços das ações da New York Stock Exchange (NYSE), por volta de 1884. Ele criou três índices que são utilizados até hoje, apesar de terem sofrido algumas mudanças em sua composição. São eles: o Dow Jones Industrial (composto por 30 ações), o Dow Jones Transportes (composto por 20 ações) e o Dow Jones Serviços (composto por 15 ações). A utilização de índices permitiu a mensuração diária do comportamento dos mercados. Atualmente, todos os países com mercado de ações organizados em bolsas de valores têm índices que retratam a média do comportamento dos preços. No Brasil temos hoje o Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo, o principal índice de ações do mercado. A teoria Dow foi baseada em dois pressupostos: • As alterações diárias que ocorrem nos índices consideram o julgamento de todos os investidores. Portanto, essas alterações descontam tudo o que pode afetar a oferta e a demanda de ações: “Os preços descontam tudo”. • O mercado apresenta movimentos oscilatórios de três amplitudes distintas: longo prazo, compreendendo períodos de um ano ou mais; médio prazo, com duração de três semanas a alguns meses; e curto prazo, com duração de seis dias a três semanas.

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Mercado de Capitais • Pinheiro

Análise de tendências segundo a teoria Dow Para a determinação dessas tendências, a teoria Dow utiliza técnicas de: • • •

traçado de linhas de tendências; identificação de formações que sinalizam essas tendências; e estudo de descontinuidade de preços (gaps).

Dow dividiu as tendências em três categorias: • Tendência primária: é a tendência principal e mais importante, podendo durar vários anos (ver Figura 16.1). Pode refletir tanto uma evolução altista (bull market) como uma evolução baixista (bear market). Dentro dela a direção do movimento tende a mudar subitamente durante curtos espaços de tempo, sendo conhecidos como reações ou sacudidas (shock outs). Dentro de uma tendência de alta é frequente encontrarmos reações baixistas, que, apesar de poderem alcançar certa intensidade, não ameaçam a tendência principal. O mesmo podemos dizer da tendência baixista, que periodicamente pode ser interrompida por reações altistas.

Valor De 1 a vários anos

Tempo

Figura 16.1 Tendência primária.

• Tendência secundária: é considerada reação que ocorre nos mercados dentro da tendência primária (ver Figura 16.2). Sua amplitude é muito menor e pode durar de várias semanas a uns poucos meses, sendo também considerada de correção na tendência principal.

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• Gap de esvaziamento (exhaustion gap): esse tipo de gap surge no final de uma tendência. Geralmente dura poucos dias e, uma vez tampado, representa um sinal de uma provável reversão de tendência. • Gap de ilha (island reversal): esse gap ocorre, geralmente, quando depois de um gap de esvaziamento é produzido um gap de ruptura no sentido oposto à tendência anterior. Esse movimento gera alguns níveis de cotações fora da tendência do gráfico, formando uma figura semelhante a uma ilha. Em geral, esses gaps de ilha nos alertam de uma reversão importante de tendência.

16.3.3  Figuras gráficas As formações gráficas são figuras que surgem pelas forças do mercado. Por meio delas podemos ter uma visão do que está por acontecer com as cotações, em função de suas características, ou seja, analisando o formato da figura é possível identificar se as cotações se manterão ou sofrerão modificações, caracterizando uma tendência. Existem dois grupos de formações que podemos encontrar: o de continuação e o de reversão. As formações de continuação são aquelas que sugerem que a tendência continuará no mesmo sentido em que já está, enquanto as de reversão sugerem uma mudança no sentido da tendência. As formações de reversão são aquelas que identificam uma mudança no sentido da tendência. Para interpretá-las, segundo Codina (1998), devemos considerar os seguintes aspectos: • tem que existir uma tendência anterior; • a primeira indicação de uma reversão de tendência é a ruptura de uma linha de tendência importante; • quanto maior for a formação de reversão de tendência em termos de cotações, duração no tempo e volume, mais importante será o efeito do movimento contrário seguinte; • as informações que indicam uma tendência de altista para baixista geralmente têm uma duração menor e são mais voláteis que as formações que revertem a tendência de baixista para altista; e • o volume tem mais importância nas formações que indicam a reversão de tendência altista para baixista. As formações de continuação de tendência, ao contrário das de reversão, mostram-nos movimentos nas cotações que indicam a manutenção da tendência anterior. Sua duração geralmente é inferior às de reversão, isto é, são de curto prazo. Possuem uma importância no sentido de permitir a manutenção de situações vantajosas antes do final de uma tendência.

FORMAÇÕES De reversão de tendência

De continuação de tendência

FIGURAS ⇒ Ombro-cabeça-ombro ⇒ Duplos e triplos tetos e pisos ⇒ Triângulos ⇒ Cunhas ⇒ Bandeiras ⇒ Flâmulas

Copyright © 2016 by Editora Atlas Ltda. Todos os direitos reservados. Reprodução proibida. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução.


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O autor oferece uma análise completa e sistematizada dos principais conceitos do mercado de capitais e suas operações, que, por meio de rigo...

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