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Porque, do Destino, Não Há Como Escapar

TIMESTORM

Série Tempest

JULIE CROSS

Tradução DENISE DE C. ROCHA DELELA

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Título original: Timestorm. Copyright © 2014 Julie Cross. Copyright da edição brasileira © 2014 Editora Pensamento-Cultrix Ltda. Publicado mediante acordo com St. Martin’s Press LLC. Texto de acordo com as novas regras ortográficas da língua portuguesa. 1a edição 2014. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas. A Editora Jangada não se responsabiliza por eventuais mudanças ocorridas nos endereços convencionais ou eletrônicos citados neste livro. Esta é uma obra de ficção. Todos os personagens, organizações e acontecimentos retratados neste romance são produtos da imaginação do autor e usados de modo fictício. Editor: Adilson Silva Ramachandra Editora de texto: Denise de C. Rocha Delela Coordenação editorial: Roseli de S. Ferraz Preparação de originais: Maria Tereza Ornellas Produção editorial: Indiara Faria Kayo Assistente de produção editorial: Bruna M. Leite Editoração eletrônica: Join Bureau Revisão: Vivian Miwa Matsushita

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Cross, Julie Timestorm / Julie Cross; tradução Denise de C. Rocha Delela. – 1. ed. São Paulo: Jangada, 2014. Título original: Timestorm. ISBN 978-85-64850-71-2 1. Ficção – Literatura juvenil I. Título.

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CDD: 028.5 Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção : Literatura juvenil 028.5

Jangada é um selo editorial da Pensamento-Cultrix Ltda. Direitos de tradução para o Brasil adquiridos com exclusividade pela EDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA., que se reserva a propriedade literária desta tradução. Rua Dr. Mário Vicente, 368 – 04270-000 – São Paulo, SP Fone: (11) 2066-9000 – Fax: (11) 2066-9008 http://www.editorajangada.com.br E-mail: atendimento@editorajangada.com.br Foi feito o depósito legal.

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PARA OS MEUS FILHOS: CHARLES, ELLA E MADDIE.

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CAPÍTULO UM

DIA 1

Eu estava em frente à cela, olhando para... bem... olhando para mim. Para a minha versão “animal enjaulado”, com a barba por fazer. A maneira como ele olhou, não para mim, mas através de mim, trouxe a consciência repentina de que eu provavelmente não tinha sobrevivido à hemorragia cerebral ou a qualquer droga que tivesse acontecido comigo quando viajei para o futuro. Meus olhos voaram para os meus braços quando levantei a mão para tocar o rosto. Transparente. Eu estava transparente. Uma força magnética parecia pulsar no espaço entre as duas versões do meu eu, atraindo-nos um para o outro. Sons ecoaram atrás de mim e saltei para longe quando o senador Healy se aproximou da cela com passos largos e pomposos, abrindo a porta e neutralizando de alguma forma a força que me impelia para a frente. O meu outro eu se levantou lentamente, trêmulo; o rosto e as pernas marcados de arranhões. – Senador Healy! – tentei gaguejar, sem ouvir nenhum som do lado de fora da minha cabeça. – Vamos, filho. Vou tirar você daqui – garantiu Healy, a voz suave, quase um sussurro. Isso me lembrou do jeito como ele falou comigo quando eu estava com a cabeça tombada sobre a pia, depois de testemunhar Mason explodindo em pedaços. Só pensar naquilo me dava náuseas. O outro eu se arrastou para mais perto, apoiando quase todo o peso em Healy, como se suas pernas tivessem perdido o costume de andar. O desespero que eu sentia para, de algum modo, abrir a cabeça do meu outro eu e rastejar lá para dentro, a fim de poder ser visto e ouvido, ficou ainda mais forte. Eu tinha que encontrar uma maneira! Não sei como, mas eu simplesmente sabia que estava morrendo. E então o velho almoxarifado se dissolveu no ar e a dor transpassou cada centímetro do meu corpo. – Ele não consegue respirar! Temos que fazer alguma coisa! Um caminhão.

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Havia um caminhão sobre o meu peito, e toda energia que eu tinha concentrei no esforço de tirá-lo dali. Ar. Eu precisava de ar. Nada podia entrar. Nada podia sair. – Ele está com água nos pulmões! Abra-o! – alguém gritou. Senti a faca no peito, minha pele sendo rasgada e as costelas estalando. Eu tinha que sair dali. As pessoas não deviam sentir coisas como aquelas. – O pulso está irregular... Não consigo estabilizá-lo – falou uma voz feminina bem próxima ao meu ouvido. – Ele está saltando! – disse alguém. O silêncio se estendeu por cinco segundos inteiros, em seguida ouvi a voz do meu pai na minha outra orelha, deixando transparecer um medo que eu jamais tinha ouvido em sua voz. – Jackson, fique conosco... por favor. Mas eu não conseguia. Não havia como controlar aquilo. – Você está bem, filho? – perguntou Healy para o meu outro eu, a mão apertando o meu ombro. O meu outro eu tinha afundado no chão, os joelhos produzindo um baque seco quando as rótulas se chocaram contra o chão duro. Ele agarrou o peito, um olhar de pânico nos olhos, e então levantou a camisa. Ao mesmo tempo uma linha tênue apareceu lentamente no meio do peito, o sangue escorrendo da ferida. Qual de nós estava morrendo? Eu achava que era eu. Ele não estava no futuro. Como podia sentir o que estava acontecendo comigo? Um tiro de revólver soou bem atrás de mim, tirando minha concentração. Healy caiu no chão, o sangue escorrendo da cabeça, os olhos arregalados. – Mas que droga é... – meu outro eu exclamou, os olhos colados no corpo de Healy. Então ele olhou para a frente, diretamente para mim. Ou através de mim. – Quem... quem é você? – ele gaguejou, ainda de joelhos, tentando ficar em pé. Será que ele estava falando comigo? Não, ele estava falando com quem tinha acabado de atirar em Healy. Mas, por alguma razão, eu não

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conseguia fazer o meu corpo se virar para ver quem era. Eu precisava respirar. Sentir meu coração batendo novamente. – Sou o único com coragem para isso – explodiu a voz profunda atrás de mim. O Comandante Marshall. Nem precisei olhar. – Isso o quê? – o meu outro eu perguntou, com os olhos arregalados. Usando toda a minha força de vontade, obriguei meu corpo a começar a se mexer. A arma disparou novamente. Não apenas uma, mas três vezes. Eu me ouvi gritar dentro da cabeça... ouvi o grito do meu outro eu se interromper quando ele desabou no chão. Tum... Tum... Tum. Meu coração deu três batidas rápidas enquanto eu finalmente me virava, bem a tempo de ver o Comandante Marshall desaparecer.

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CAPÍTULO DOIS

DIA 5

– Ele está acordando. – Jackson? Você pode me ouvir? Senti as minhas mãos e as levei ao rosto, esfregando os olhos para afastar o sono. O quarto entrou em foco – paredes brancas, alguns armários cinza, uma mesa ao lado da cama. A cama tinha estrutura de metal e lençóis brancos cobrindo as minhas pernas. Parecia-se muito com um quarto de hospital em 2009. Talvez este não fosse o futuro, no final das contas. Meu pai e Courtney estavam ao pé da cama, me olhando como se estivessem ali me observando havia semanas e eu finalmente tivesse me mexido. – O Comandante Marshall – consegui dizer, olhando para meu pai. – Ele me matou. – Eu respirei, deixando a cena se encaixar lentamente na minha cabeça para que pudesse articulá-la. – Meu outro eu. Ele matou o meu outro eu. E Healy. Ele matou Healy. Meu coração disparou, provocando uma dor lancinante que rasgou meu peito como se ele estivesse sendo aberto outra vez. – Healy me disse antes... ele disse que tinha um viajante fazendo mudanças no tempo para ele, fazendo alterações como colocar Holly e Adam na CIA! Ele fez isso, pai. Mas disse que não é o Thomas. É o Marshall! Eu sei que é. Ele desapareceu bem na minha frente. Ele pode viajar no tempo! Os olhos do meu pai se arregalaram, não por causa do que eu tinha acabado de revelar, mas por causa do sinal sonoro estridente no monitor ao meu lado. – Jackson, você precisa se acalmar. Respire... concentre-se no presente por enquanto e então vamos descobrir o que você viu ou pensa que viu. – Eu sei o que eu vi... – A dor no meu peito aumentou, me obrigando a me calar. Eu voltei a relaxar no travesseiro, fechando os olhos por

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um instante, respirando o mais lenta e profundamente possível, sem aumentar a dor. Depois de alguns minutos, o monitor parou de emitir o sinal sonoro e o meu pai soltou um suspiro de alívio. – Bom, muito bom. Abri os olhos novamente. – Onde estamos? Conseguimos voltar? Papai balançou a cabeça e por sobre as cobertas, deu um tapinha no meu pé. – Ainda é o mesmo lugar. O mesmo ano. Meu coração acelerou quando toquei a parte de trás da cabeça, sentindo um enorme curativo atrás da orelha. Então me lembrei do sonho, ou teria sido um meio-salto? Meus dedos foram tateando até o peito. Respirei fundo e senti a rigidez da pele costurada. Havia outro curativo na horizontal, entre o esterno e a axila esquerda. – Não estou morto? – Olhei para meu pai e Courtney, estáticos. – Obviamente, não estou morto... Só... pensei que estava. Antes que pudessem responder, um homem de cabelos castanho-claros e uma semelhança impressionante com Thomas entrou na sala, seguido por uma mulher de cabelos ruivos. Lembrei-me dela nos recebendo ali com meu pai, pouco antes da minha quase morte. O homem levantou as mãos como se estivesse se rendendo. – Eu sei, nós nos parecemos, mas não se preocupe, meu nome não é Thomas e também não sou um clone. Courtney riu e meus olhos se desviaram para ela e então de volta para o meu pai, que parecia à vontade, nem um pouco preocupado com esses estranhos. Suspirei, aliviado. – Sou Grayson e esta é Lonnie. – Ele acenou com a cabeça na direção da ruiva. – Você a conheceu cinco dias atrás. – Cinco dias. – Eu mal podia acreditar que tinha ficado desacordado todo aquele tempo. Mais detalhes sobre como tínhamos acabado ali me ocorreram de repente. Tentei me sentar rápido e no mesmo instante me deitei outra vez, ao sentir uma pontada na cabeça e no peito. – Holly... Emily... Mason... eles estão... 11

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– Estão todos bem – tranquilizou-me meu pai. – Exceto pelo fato de estarem presos aqui – acrescentou Courtney. Depois de encostar brevemente um estetoscópio no meu peito, Grayson pegou uma seringa enorme, com uma longa agulha. – Medicação para dor. Eu queria que você acordasse primeiro para ver como o seu coração e os seus pulmões estão indo. Ele espetou a agulha no meu cateter. – Você vai sentir sonolência em aproximadamente cinco minutos. Por sorte, vocês ficaram presos numa ilha com um médico que praticou a medicina em dois séculos diferentes. Usei uma combinação de tecnologias de ponta e métodos clássicos para aliviar a pressão no seu crânio e deter a hemorragia, assim como para salvar o seu pulmão da falência total. – Puxa... então eu estava muito mal? Ninguém disse uma palavra durante vários segundos, mas eu pude ter uma ideia da situação ao contemplar a expressão no rosto deles. Eu realmente tinha quase partido desta para melhor. Papai apoiou as duas mãos na estrutura metálica aos pés da cama e me olhou nos olhos. – Grayson disse que você vai ficar bom em poucos dias. A dor na cabeça e no peito chegou a um nível quase insuportável e eu me desliguei do ambiente à minha volta até Grayson, meu pai e Lonnie saírem da sala para pegar suprimentos e falar de mim sem que eu ouvisse. Courtney se aproximou e se sentou ao meu lado na cama. – Você não sabe quanto te odeio por me assustar assim. E o papai, ele viveu num inferno nos últimos cinco dias. Coloquei a minha mão mais perto da de Courtney e apertei os dedos dela bem forte. – Sinto muito. Lágrimas se derramaram dos olhos da minha irmã, mas ela começou a rir ao mesmo tempo, secando o rosto rapidamente. – Nossa, isso é tão estranho. Ainda não consigo acreditar em quantos anos você tem e em quantos eu não tenho. E essa coisa com a Holly. Ela não fala muito, mas todos nós ouvimos o que você disse. Em alto e bom som. 12

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O entorpecimento das drogas começou a me dominar, mas não o suficiente para que eu não sentisse uma súbita apreensão. O que eu tinha dito a Holly? Ah, certo. Eu te amo. Olhei para a minha mão, agora cobrindo a da minha irmã. – Eu pensei... Pensei que era você – menti. Os olhos de Courtney se arregalaram. – Sério? Você estava me dizendo adeus? Um nó se formou na boca do meu estômago. – É, algo assim. Eu não estava completamente sob o efeito dos analgésicos ainda, mas fechei os olhos assim mesmo, fingindo, até não ter de fato condições de terminar aquela conversa. Quando acordei do meu sono induzido, Courtney tinha isso embora e Holly estava sentada numa cadeira ao lado da minha cama, com os joelhos encostados no peito e os braços em torno das pernas. Os olhos estavam vidrados no monitor à minha direita, mas ela piscou rapidamente e bocejou. Eu não falei no início, porque estava tão grogue que tinha que me lembrar de que Holly era essa. O que tínhamos feito juntos? O que ela sentia por mim? Tudo voltou numa fração de segundo. A Agente Holly. Aquela que viu o melhor amigo Adam morto no chão, deitado numa poça de sangue. Aquela que pensava que eu o tinha matado. A Holly que escrevera aquela terrível carta sobre si mesma, sobre o desespero que era sua vida agora e como a sobrevivência – a autopreservação – era a única razão que ela tinha para se levantar pela manhã. A dor dessas revelações me atingiu como um soco no estômago. – Oi – ela disse, notando que eu tinha acordado. – Oi. – De repente me senti muito inseguro com a minha higiene pessoal e o fato de ter tubos e fios saindo de muitas partes do meu corpo. – Onde está todo mundo?

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– É de madrugada. – Holly bocejou. – Estamos fazendo turnos para vigiar o monitor cardíaco e trocar as bolsas de fluidos. Coisas assim. Meus olhos cuidadosamente evitaram os dela. – Bem, isso responde à minha pergunta sobre se você decidiu ou não continuar trabalhando para o Eyewall. – Ninguém é inimigo aqui. Para quê? – Holly suspirou e me deu um sorriso tenso. – É estranho, não é? Finalmente olhei para ela e soube num segundo que eu estava prestes a mentir, assim como tinha feito com Courtney. Não porque eu cheirasse mal e minha aparência estivesse lastimável, mas porque não conseguia imaginar como seria estar na posição de Holly: ouvir alguém falando que outra versão de você estava apaixonada pela pessoa que você não quer ver nem pintada de ouro. Uma pessoa que segurou uma arma apontada para você e o arrastou para o futuro. Tudo o que tinha acontecido, desde que deixei agosto de 2009 para tentar salvar a outra versão de Holly, tinha criado um inferno na Terra para essa versão da Holly que estava na minha frente. Ela não tivera escolha sobre nenhum aspecto de sua vida a partir do ponto em que Adam lhe pedira ajuda com uma missão da CIA. Dessa vez eu estava determinado a garantir que ela pudesse escolher por quem iria se apaixonar, se é que estava a fim de se apaixonar por alguém. A partir de agora, Holly teria total controle sobre o curso de sua vida. O Eyewall a deixara num beco sem saída e eu não iria fazer o mesmo. Não depois de fazer com que a prendessem ali. Eu ainda não podia acreditar que, depois de todos os meus esforços para manter Holly segura, ela acabara trabalhando para o Eyewall 2009, um departamento da CIA que parecia determinado a derrubar o meu próprio departamento, o Tempest. E o Eyewall não tinha sido exatamente um ambiente de trabalho agradável para Holly. Eu odiava pensar que era o motivo pelo qual ela estava presa ali, mas ao mesmo tempo não podia esquecer o que tinha acontecido quando eu a “mantivera como refém”, antes do salto para o futuro. Sua própria equipe, o departamento dela, estivera prestes a descartá-la sem pensar duas vezes. 14

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– Eu sei o que você está pensando – eu disse a Holly, tomando uma decisão repentina. Ela ergueu as sobrancelhas como se perguntasse se eu também tinha a capacidade de ler pensamentos, além de poder viajar no tempo. – O que eu acho é que... – ela começou – você me conhece um pouco melhor do que eu te conheço. E eu não sei bem como me sinto a respeito disso. Como você se sentiria? – Não sei. – Esfreguei o rosto com as mãos. – Sobre o que eu te disse, Courtney me contou e, sinceramente, eu pensei que você fosse ela. Você tem que reconhecer que eu não via a minha irmã havia anos e, então, ela estava ali e eu estava morrendo. – Então, antes de morrer, você estava tentando dizer a Courtney que a amava? – Holly perguntou, para esclarecer. Meus olhos se fixaram nos dela, sem se desviar, enquanto eu forçava minhas pupilas a ficarem do tamanho normal, para não delatarem a minha mentira. – Sim. – Mas você me conhecia, sabia coisas das quais eu não tenho nenhuma lembrança por causa da viagem no tempo, certo? – Ela estava tão focada, tão incrivelmente centrada que me ocorreu, pela primeira vez, que Holly provavelmente era uma agente da CIA fantástica. Muito melhor do que eu teria sido se não tivesse superpoderes. Agora era a hora de contar a minha mentirinha... – Adam – eu disse, me forçando a ficar calmo. – Adam era meu melhor amigo. Nós estávamos trabalhando juntos na questão da viagem no tempo. Ele também era seu amigo, então obviamente eu conhecia você também. – Mas você não sabia que eu era uma agente, não é? – ela perguntou, fuzilando-me com os olhos como se eu fosse alguém totalmente saudável e não estivesse correndo o risco de sofrer uma insuficiência cardíaca ou algo assim. – Isso me chocou um pouco – admiti, porque estava perfeitamente em sintonia com a minha lorota. – O que eu tenho certeza de que você notou. 15

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Eu podia ver que ela estava imersa em pensamentos, trazendo à tona essas lembranças, mas depois de alguns segundos ela admitiu. – É, eu notei. A minha garganta parecia uma lixa e tossi um pouco antes de perguntar a Holly se havia água ou alguma coisa ali para eu beber. Ela saltou da cadeira e abriu um armário, tirando dali uma garrafa de água lisa e redonda. Quando tirou a tampa, um canudo de borracha saltou de dentro. – Que estranho... – Olhei a garrafa com curiosidade antes de sorver vários goles longos. Doeu demais, mas eu estava com muita sede para me importar. – Como é lá fora, afinal? Holly pegou a garrafa das minhas mãos e colocou-a em cima da mesa antes de se sentar ao meu lado novamente. – É muito esquisito, para falar a verdade. Tem algumas cabanas e barracas, e um prédio cheio de aparelhos e suprimentos estranhos. É como se eles quisessem que a gente continuasse vivo, mas não de um jeito muito confortável. Mason acha que eles nos observam o tempo todo. A maior parte do lugar não tem sequer aquele ar futurístico, considerando o ano. – Se estamos sendo observados, por que eles simplesmente não nos matam? – perguntei, lamentando no mesmo instante a minha escolha de palavras. – Desculpe, essa não era a disposição otimista que eu estava tentando demonstrar. Holly riu. – Acredite, essa foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça. Mas eu acho que Mason pode estar certo. Nós estamos em alguma espécie de labirinto de cobaias. Como um experimento social ou algo assim. – Quantas pessoas estão aqui? – Mason, Courtney, Emily, seu pai e eu – disse Holly, contando nos dedos. – Grayson, Lonnie, Sasha e Blake. – Fazendo amigos? Holly revirou os olhos. – Sim, é justamente como um acampamento de verão.

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– Conheci Lonnie e Grayson. E não tenho nenhuma ideia de quem seja Sasha – eu disse. – Blake? Por que esse nome parece familiar? – O cara com o rabo de cavalo – disse ela, lembrando-me de que eu já o conhecera. – Ele tem a nossa idade. Já estão aqui há algum tempo, sabia? – Quanto tempo? – Quase dois anos. Nossos olhos se encontraram novamente e ficamos em silêncio, até absorvermos completamente a enormidade daqueles dois anos. Se houvesse uma maneira de sair dali, eles já teriam encontrado. Mas realmente importava para mim quanto tempo estávamos presos ali? Eu tinha Courtney, papai e Holly comigo. As três pessoas que eu mais amava no mundo. Será que eu não poderia ser secretamente feliz naquele lugar? Eu tinha a sensação de que, se contasse aquilo para qualquer pessoa, iriam me dar mais medicação. Ou talvez me desculpassem e justificassem o meu comportamento como uma das coisas estranhas que acontece com as pessoas depois que elas veem a morte de perto.

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A batalha entre o Tempest e o Eyewall, as duas divisões da CIA que combatem as ameaças relacionadas a viagens no tempo, chega a uma conclusã...

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A batalha entre o Tempest e o Eyewall, as duas divisões da CIA que combatem as ameaças relacionadas a viagens no tempo, chega a uma conclusã...

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