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dramático da guerra, durante o cerco a Alésia (na atual região francesa da Borgonha). Segundo a narração do próprio César sobre o episódio, Decimus iniciou o contra-ataque a uma ofensiva gaulesa, tendo sido seguido por César, envolto em sua chamativa capa vermelho-púrpura. O inimigo foi derrocado e a guerra finalizada, exceto por algumas operações de conclusão, no ano seguinte. Em 50 a.C., Decimus estava de volta a Roma, para assumir seu primeiro cargo eletivo7 — o de quæstor, ou magistrado encarregado de funções financeiras. Naquele mesmo ano, em abril, Decimus casou-se com Paula Valeria, que provinha de família nobre. Houve um certo escândalo, pois, para se casar com Decimus, ela divorciou-se de seu marido anterior, um homem proeminente8, no mesmo dia em que este deveria estar de volta a casa deles, após ter prestado serviço militar em uma província estrangeira. Um ano depois do casamento de Decimus e Paula, em 49 a.C., irrompeu a guerra civil entre César e seus oponentes oligárquicos. Estes últimos o consideravam um demagogo populista, sequioso de poder, que se configurava como uma ameaça ao estilo de vida deles. César os via como reacionários de mentalidade estreita, que insultavam sua honra — e ninguém dedicava mais atenção à honra do que um nobre romano. Os principais oponentes de César eram Pompeu e Catão. Pompeu, o Grande — Cnæus Pompeius Magnus — não era nenhum ideólogo: na verdade, ele era um ex-aliado político de César, além de seu genro. Um conquistador cuja carreira o levara à Hispânia, à Ásia Romana (a moderna Turquia) e ao Levante, Pompeu fora o maior general romano vivo até a ascensão de César. Marcus Porcius Cato, também conhecido como Catão, o Jovem, era um proeminente senador, leal à antiga noção de um Estado livre, conduzido por uma elite esclarecida e rica. Rigidamente doutrinário, ele era ridicularizado por pensar que Roma fosse a República de Platão, enquanto outros a encaravam como a Cloaca de Rômulo9. Ele era um arqui-inimigo de César. A maioria dos familiares de Decimus tendia a simpatizar com Pompeu e Catão, e os irmãos de sua esposa lutaram por eles. Quando já adulto, Decimus foi adotado pela família de Postumius Albinus, um clã patrício que afirmava possuir uma ancestralidade que se opusera aos reis de Roma. A família adotiva de Decimus também tinha pendores conservadores. Não obstante, ele permaneceu fiel a César; e é provável que tenha sido no início de 49 a.C. que Decimus tenha mandado cunhar moedas10 que celebravam suas vitórias na Gália, sua lealdade, seu senso de dever e seu espírito unificador — todos esses, temas usados como armas de propaganda por César, durante a guerra civil. 26

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Primeiro capítulo morte de césar  

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