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E, enquanto a observavam cheios de cautela, algo passou a lhes atormentar os nervos e só encontravam sossego quando desviavam o olhar. — Estamos prontos, senhora! — disse a mulher morena. O vulto calou-se e, devagar, passou a avaliar cada um dos treze homens, fazendo-lhes o estômago revirar de apreensão e mal-estar. Depois, balançando de leve a cabeça, a velha pareceu dar uma ordem à mulher. — Larguem o que estão fazendo e fiquem em círculo em volta do buraco! — instruiu a que parecia mais nova, com urgência na voz. Alguns se entreolharam perplexos, sem entender o que ela pretendia. — O que está acontecendo aqui, pode explicar? — um deles ousou perguntar. — Não há muito que explicar além do que já sabem — respondeu com rispidez a mulher. — Vamos expurgar o que vigia esta cova e o tesouro sob sua guarda será dividido entre vocês. É simples. Pagando minha parte, conforme o combinado, estão livres para gastar o resto como quiserem. Sorrisos gananciosos brotaram dos lábios de alguns. — Só tem uma condição… — continuou ela, atraindo a atenção de todos. Os sorrisos desmoronaram. — Só vai ser recompensado com o ouro desta cova quem se mantiver dentro do círculo — disse ela, apontando o círculo que havia desenhado no chão com o pó vermelho. — Abandonem suas posições e vão perder o seu quinhão. — Dois deles que ainda estavam do lado de fora trataram logo de ocupar seu lugar na circunferência. — Não importa o que saia desta cova, não deixem este círculo!

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A carruagem da morte.indd 10

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Primeiro capítulo carruagem da morte  

Primeiro capítulo carruagem da morte  

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