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Gerald Harris

Planejamento Quântico Lições da Física Quântica para Você e sua Empresa Criarem Mudanças Radicais, Inovação e Liderança no Mundo dos Negócios

Tradução ALEPH TERUYA EICHEMBERG

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Título original: The Art of Quantum Planning. Copyright © 2009 Gerald Anthony Harris. Publicado mediante acordo com Berrett-Koehler Publishers, San Francisco, CA — USA. Copyright da edição brasileira © 2013 Editora Pensamento-Cultrix Ltda. Texto de acordo com as novas regras ortográficas da língua portuguesa. 1a edição 2013. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas. A Editora Cultrix não se responsabiliza por eventuais mudanças ocorridas nos endereços convencionais ou eletrônicos citados neste livro. Editor: Adilson Silva Ramachandra Editora de texto: Denise de C. Rocha Delela Coordenação editorial: Roseli de S. Ferraz Revisão técnica: Newton Roberval Eichemberg Produção editorial: Indiara Faria Kayo Assistente de produção editorial: Estela A. Minas Editoração eletrônica: Fama Editora Revisão: Liliane S. M. Cajado e Vivian Miwa Matsushita CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ H26p Harris, Gerald Planejamento quântico : lições da física quântica para você e sua empresa criarem mudanças radicais, inovação e liderança no mundo dos negócios / Gerald Harris; tradução Aleph Teruya Eichemberg. — 1. ed. — São Paulo : Cultrix, 2013. Tradução de: The art of quantum planning Inclui bibliografia ISBN 978-85-316-1248-0 1. Liderança. 2. Administração. 3. Inovação. I. Título. 13-05188

CDD: 658.4092 CDU: 65:316.46

Direitos de tradução para o Brasil adquiridos com exclusividade pela EDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA., que se reserva a propriedade literária desta tradução. Rua Dr. Mário Vicente, 368 — 04270-000 — São Paulo, SP Fone: (11) 2066-9000 — Fax: (11) 2066-9008 http://www.editoracultrix.com.br E-mail: atendimento@editoracultrix.com.br Foi feito o depósito legal.

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Este livro ĂŠ dedicado aos meus filhos, Brandon e Corbin, e Ă s minhas enteadas Kena e Kai. Espero que inspire todos eles a realizarem plenamente seus potenciais.

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Sumário

Agradecimentos............................................................................ 9 Prefácio......................................................................................... 11 Introdução: Planejamento, Pensamento e Aprendizagem........... 15   1 O Planejamento Voltado para a Aprendizagem.................... 25   2 Da Física Quântica ao Pensamento e Planejamento Quânticos............................................................................... 41   3 Levando o Pensamento para Além da Dualidade................. 55   4 Incerteza Inevitável................................................................. 67   5 Intenções, Ações e Realidade................................................. 81   6 A Ilusão do Tempo e do Espaço (Coisas e Ordem)............... 95   7 Muitos Mundos: Pensamento Catalítico e Caleidoscópico....................................................................... 109   8 O Pensar e o Planejar no Campo de Todas as Possibilidades......................................................................... 121   9 Organizações como Sistemas de Energia............................... 143 10 O Crescimento Pessoal e o Pensamento e o Planejamento Quânticos............................................................................... 159 7

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Conclusão: Mudança, Criatividade e Inovação........................... 171 Recurso: Planejamento de Cenários e Aplicação do Planejamento Quântico......................................................... 179 Bibliografia.................................................................................... 197

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Agradecimentos

sou grato a muitas pessoas

que, ao longo da minha vida, têm-me ofe-

recido grande apoio e encorajamento. Descobri em minha vida que as pessoas que me amam e se preocupam comigo, frequentemente reconhecem mais capacidade em mim do que inicialmente eu consigo ver em mim mesmo. Com o incentivo que recebi dessas pessoas, estendi o alcance dos meus esforços e realizei muito — o fato de escrever este livro é um primeiro exemplo. Começo com minha adorável esposa, dra. Brenda Wade, a quem observei trabalhando em seu terceiro livro em 2006 — lutando ao mesmo tempo com a profunda meditação que vinha de seu interior enquanto escrevia, assim como com os frustrantes caprichos dos computadores, salvando cópias e enviando capítulos por e-mail para a revisão. Depois que ela terminou, preciso dizer que me inspirou para que eu mesmo tentasse fazer isso um dia. Sem o encorajamento constante e carinhoso de Brenda enquanto eu compartilhava com ela minhas ideias, levando-me a acreditar que outras pessoas também estariam interessadas, eu duvido que jamais teria sequer começado. 9

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Peter Schwartz, Napier Collyns, Jay Ogilvy e meus colegas da Global Business Network (GBN) têm desempenhado um papel de suma importância para toda a minha visão de mundo. Aprendi tanto ao trabalhar com eles que sou levado a acreditar não ser possível separar minha identidade pessoal da experiência. Encontrar Peter Schwartz e trabalhar com ele foi um ponto positivo e central na minha vida. O encorajamento que Napier proporcionou-me depois de revisar meu manuscrito inicial, deu-me energia para continuar e permitiu que o meu livro pudesse expressar o melhor de mim mesmo. O encorajamento de Nancy Murphy e Lynn Carruthers, ao longo dos meus anos de prática na GBN, ensinaram-me muitas coisas sobre como deveria proceder para me comunicar com base em meu coração. Meus brilhantes colegas da GBN vindos da Europa, Kees van der Heijden e Jaap Leemhuis, alicerçaram minhas visões a respeito do que me seria necessário para realizar um planejamento estratégico efetivo. Estarei sempre em dívida para com toda a família da GBN. A revisão e o encorajamento, por John Renesch, do meu primeiro manuscrito foram vitais para que eu mantivesse em alta a minha energia. John foi um anjo que me ajudou quando precisei de um. Finalmente, sou muito grato a Steve Piersanti, Jeevan Siva­ subramaniam e a toda a equipe da Berrett-Koehler pelo apoio e encorajamento. Em particular, agradeço a Steve por ter voltado para mim depois que fiquei inicialmente muito relutante em enfrentar a tarefa de concretizar este livro. Trabalhar com Steve como editor fez com que essa tarefa se tornasse um fardo muito menor do que eu imaginava. Sua clareza e seu senso de direção tinham sempre a medida certa. As atentas considerações de Jeevan foram exatamente o que eu precisava para dar ao livro um enfoque mais preciso. Espero continuar a fazer parte da família Berrett-Koehler nos anos vindouros. 10

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Prefácio

gerald harris é um amigo e colega

com cerca de 20 anos de experiên-

cia compartilhada. Seu livro esclarecedor é baseado nessa experiência e em seu próprio aprendizado criativo. Ele aplica um conjunto formado por algumas das ideias mais profundas do nosso tempo sobre como a realidade funciona em alguns dos problemas mais desafiadores com que se defrontam as organizações, à medida que elas tentam ganhar influência sobre seu futuro em meio a um tempo de incertezas sem precedentes.­ Tive o prazer de trabalhar no planejamento de cenários por 37 anos no mundo da consultoria e dos negócios. A experiência mais importante que tive foi no Royal Dutch Shell Group, em Londres, onde chefiei seu grupo de planejamento de cenários durante a década de 1980. Conheci Gerald dois anos depois que alguns amigos e eu começamos a Global Business Network e que a Pacific Gas and Electric se tornou um dos nossos primeiros clientes. Ele então fazia parte da equipe de planejamento estratégico dessa companhia. Ele mostrou tamanha aptidão e interesse naquele trabalho que deixou a PG&E para se juntar a nós apenas alguns anos depois. 11

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Neste livro, Gerald adota uma abordagem muito útil para alcançar clareza e discernimento: aplicar ideias novas de um campo, a física, em outro, o planejamento estratégico, para ver se a primeira lança luzes úteis sobre os problemas do outro. A questão mais importante é a de saber se as realidades do planejamento estratégico organizacional são semelhantes àquelas descritas pela física quântica, não em sentido literal, mas metafórico. É aqui que o “cavalo-vapor” intelectual e uma longa experiência se encontram. Gerald defende vigorosamente o uso dessas ideias no mundo do planejamento estratégico e então consegue provar isso ao aplicá-las com sucesso a muitos dos importantes problemas e questões com que os pensadores e planejadores estratégicos se defrontam. Os anos de experiência de Gerald proporcionaram-lhe a mesma lição que recebi de minha experiência na Shell. O desafio mais difícil não é o de antecipar o futuro ou de conceber uma estratégia melhor para esse futuro. O mais difícil é mudar a mente daqueles que tomam as decisões, e que geralmente ocupam suas posições por causa de uma longa história de sucesso. Esse sucesso significa que eles confiam em sua própria visão e julgamento e não aceitam facilmente que lhes apontem novas direções. Influenciar com sucesso essa mente não se assemelha ao processo racional de reprogramar uma máquina, como aconteceria no caso do velho paradigma mecanicista newtoniano. Ao contrário, mudar a percepção de outra pessoa é um processo mais sutil, como o fato de que o observador determina o resultado observado em consequência do seu ato de medição na mecânica quântica. Tanto no âmago da física quântica como no do planejamento de cenários está presente o problema da incerteza, em um caso no mundo físico e no outro na mente da pessoa que toma decisões. A arte do 12

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planejamento quântico aplica as ferramentas de um para projetar luzes úteis sobre o outro. O planejamento, entendido como um processo de aprendizado dinâmico, e não como um mecanismo de controle, direciona o pensamento de Gerald e novamente conta com o apoio dos modelos da incerteza quântica para esclarecer as questões para o planejador estratégico. Um após o outro, Gerald referencia com precisão os desafios com que o planejador estratégico se defronta e, em seguida, fornece maneiras úteis e práticas para direcioná-los com as ferramentas do pensamento quântico. Este talvez seja apenas o início de um diálogo com essas ideias, e tanto o leitor — e, por extensão, a comunidade de planejamento em toda sua amplitude — como Gerald continuarão a desenvolvê-las para que lhes permitam lidar com uma complexidade e uma incerteza cada vez maiores. — Peter Schwartz San Francisco

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INTRODUÇÃO

Planejamento, Pensamento e Aprendizagem “Não aperte muito o taco. Não pense sobre tudo o que eu lhe contei; apenas brinque com ele e o balance. Deixe a sensação chegar até você.” Estas são algumas das instruções que me foram dadas sobre como balançar um taco de golfe.

sobre planejamento, estratégia e liderança empresariais. Muitos deles têm me servido bem ao longo de toda a minha carreira como executivo e planejador estratégico em uma grande corporação e como consultor de gerenciamento. Então, o que me levou a escrever outro livro sobre esses assuntos, e por que você deveria dedicar um tempo para lê-lo? A resposta curta está no fato de que ele pretende oferecer ajuda para sanar uma falha que, conforme testemunhei, causa grande prejuízo nas empresas e organizações — a falha por pensar e planejar de uma maneira mais aberta, inovadora e orientada para a aprendizagem. minha estante tem muitos bons livros

O que Está Faltando nos Bons Livros sobre Planejamento Estratégico? Tenho constatado que há entre as pessoas uma tendência que as leva a permanecer presas a velhos padrões, a pensamentos de grupos insa­ 15

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lubres e a zonas de segurança estreitas. Com certeza, não é porque se deixa de tentar romper essas tendências que essa falha acontece. O que está faltando nos esforços das pessoas para se libertar é um conjunto de ferramentas claras e bem fundamentadas que permitam instigar nelas o pensamento inovador e manter sua mente aberta a uma aprendizagem contínua. O que é preciso é algo que possa servir como uma ferramenta de uso relativamente fácil para ajudar gerentes, planejadores e suas equipes a “sair da caixa”, a abrir caminho para fora do pensamento grupal insalubre ou caduco e que, confiavelmente, apontem maneiras de impor desafios construtivos a coisas que poderiam ser suposições perigosas. Este livro é dirigido a pessoas envolvidas no planejamento do futuro de suas organizações (desde os mais altos níveis de gerência até colaboradores individuais) que queiram obter uma proteção infalível contra o pensamento estreito e uma referência de acesso rápido — e fácil de usar — a alguns conceitos estimulantes, capazes de garantir um pensamento mais inovador. Começando com o tempo em que trabalhei na Pacific Gas and Electric Company como diretor de Planejamento Comercial para a Unidade de Enge­nharia e Construção, e ao longo dos meus quinze anos como consultor de gerenciamento para a Global Business Network, estive envolvido com mais de cem equipes de planejamento. Liderei e participei em atividades de planejamento de nível internacional, assim como de alguns esforços que me pareceram pouco estimulantes. Trabalhei diretamente com CEOs e gerentes seniores para ajudá-los a desenvolver estratégias de importância-chave para o futuro de suas empresas. Nos melhores desses compromissos, os gerentes se empenhavam em pensar e aprender de maneira aberta. Experimentei uma resistência das pessoas, que as levava a “se trancar” e a se fechar a novas ideias, e também, ao contrário, uma abertura a contribuições 16

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vindas de uma ampla gama de fontes. Não consegui realizar “engenharia reversa” com tudo o que experimentei, mas decidi que seria útil encontrar algumas ferramentas para gerar a qualidade de pensamento que eu estava reconhecendo. Em minha busca, encontrei as melhores ideias, surpreendentemente, na física quântica! Tratarei mais sobre esse assunto logo adiante. Aqui estão os problemas que eu quero resolver para você neste livro: 1. Você está em vias de iniciar ou de conduzir um processo de planejamento estratégico para sua organização, ou está no meio desse processo, e não quer voltar a fazer “a mesma velha coisa” para tão somente obter os mesmos resultados em que tudo vem prontinho e bem acondicionado em uma caixa, oferecendo resultados seguros e que nada apresentam de desafiador. 2. Você quer ter às mãos uma lista confiável para ajudá-lo, ou possivelmente para ajudar sua equipe, a evitar quaisquer pensamentos de grupo insalubres que poderiam emergir. 3. Você ou sua equipe estão comodamente estabelecidos em seus fatos essenciais e em suas crenças, histórias e estratégias relacionadas, e há poucas inovações efetivas. Você quer uma maneira de, sistemática e rapidamente, revisitar seus resultados para gerar um pensamento mais expansivo. 4. Você está usando cenários no planejamento estratégico, mas quer poder contar com “curingas” de alta qualidade e histórias mais desafiadoras e inovadoras capazes de levá-lo a um pensamento estratégico igualmente mais inovador. 17

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Esses quatro problemas são aqueles que tenho continuamente encontrado em minha carreira. O que eu elaborei aqui é um livro que os aborda, interpretando, para isso, sete ideias essenciais que se pode extrair do que os cientistas estão aprendendo sobre como o universo funciona e traduzindo-as em outras ideias, capazes de estimular um pensamento inovador nos planejadores. Este livro não se destina a físicos ou a pessoas que queiram aprender mais sobre física. (Para o leitor curioso, incluo algumas referências que considero úteis.) Ele se dirige às pessoas que queiram ajudar suas organizações a crescer e a ter melhores futuros, e que queiram grandes ideias que lhes permitam realizar esses objetivos por meio de um planejamento estratégico e inovador. Minha crença essencial a respeito do que pode nos oferecer ajuda para tornar possível um planejamento estratégico de qualidade consiste no fato de que se deve ter uma abordagem orientada para a aprendizagem. O planejamento é uma maneira de a organização aprender qual é o seu caminho para a frente e a competir de maneira mais eficiente graças à tomada de decisões de qualidade. Acredito nisso com base em minha própria experiência e também a partir dos conselhos de especialistas na área com quem tive a sorte de trabalhar e dos quais me tornei amigo, como Don Michael, Peter Schwartz, Kees van der Heijden e Arie de Geus, entre outros. O bom planejamento estratégico ocorre em ciclos, em alguns casos anualmente, mas com mais frequência em incrementos de dois a três anos (porque leva algum tempo para implementar e obter um feedback das estratégias adotadas e das ações realizadas). A integração do que foi aprendido por meio de ações passadas com a constatação da eficiência desse processo constitui o âmago do planejamento estratégico de qualidade. 18

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A aprendizagem é um processo de pensamento, de modo que a qualidade do pensamento tem importância central nesse processo. Este livro apresenta ferramentas para um pensamento diferenciado e que se desdobra de uma maneira mais aberta e inovadora. À medida que a qualidade do pensamento aumentar em uma organização, graças ao uso das ferramentas apresentadas neste livro, acredito que a qualidade dos resultados também irá melhorar. Cabe aos líderes desempenhar um importante papel em aprimorar a qualidade de pensamento em suas organizações. Reconheço como líderes efetivos aqueles que são encorajadores, e que criam um ambiente para um pensamento de alta qualidade, amigável e recompensador. Não acredito que o papel de um líder seja o de ser quem traz todas as boas ideias e o de ser a única fonte de pensamento de alta qualidade. Um sistema de liderança de pessoa única, baseado na atuação de funcionários brilhantes, não pode funcionar nos complexos ambientes empresariais que todas as organizações enfrentam nos dias de hoje. Defendo a ideia de que os líderes constroem ambientes organizacionais que encorajam justamente o uso das ferramentas que eu apresentarei e que podem gerar um pensamento de alta qualidade e ideias inovadoras. O Capítulo 1 apresenta desenvolvimentos suplementares sobre minhas ideias essenciais a respeito da boa liderança e do bom planejamento nas organizações. Agora — você poderia perguntar —, por que fazer uso de ideias provenientes da física quântica? Em minha experiência, essas ideias funcionam e se encaixam muito bem. Além disso, para mim sãos conceitos relativamente fáceis de entender, e se traduzem em ferramentas verdadeiramente úteis para expandir meu pensamento e me manter aberto para que eu aprenda ainda mais. Posso reconhecer suas apli19

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cações diretas no tipo de processos de planejamento com que tenho lidado. A física quântica se baseia na compreensão da realidade como um sistema integrado e maravilhosamente interconectado. Da mesma maneira, nos ambientes de trabalho com que as organizações se defrontam, também reconheço sistemas integrados e maravilhosamente interconectados, e, por isso, traduzir ideias vindas da física para o ambiente dos negócios pode se comprovar como uma tarefa muito frutífera. A física é um campo de assuntos complexos. É a ciência da matéria e do movimento. Há muitos ramos dentro da própria física: por exemplo, a astrofísica, que lida com as propriedades físicas do universo e com o movimento dos planetas, das estrelas, das galáxias e de objetos ou aglomerados semelhantes, e a física das partículas, que lida com as menores partículas de matéria. Os físicos mais inteligentes e instruídos abordam o assunto com uma sensação de deslumbramento e assombro, com respeito e com uma curiosidade ardente (uma leitura da biografia de Albert Einstein por Walter Isaacson deixa isso muito claro). Como campo de estudo, a física está repleta de ideias fantásticas (por exemplo, a teoria do Big Bang). As descobertas da física exercem uma influência poderosa na história do homem, levando à criação de alguns dos produtos mais maravilhosos de que desfrutamos no mundo moderno (tais como o computador que agora uso para escrever este livro). As ideias da física também encontraram ressonância na filosofia; o estado de interconexão de todas as coisas é, ao mesmo tempo, uma noção física e filosófica. O passo que estou dando é semelhante ao de encontrar, nas ideias emergentes da física, paralelismos que as relacionam com ideias da filosofia. Eu as estou usando para as 20

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tarefas mais práticas de estimular ideias por meio das quais podemos exercer melhor as atividades de criar e gerenciar nas organizações. Eu quero que elas sirvam como atalhos para desafiar suposições, para inspirar novas perspectivas e para encorajar um pensamento e um planejamento mais abertos e mais orientados para a aprendizagem. Não sou a primeira pessoa a recorrer ao trabalho dos físicos para tentar com isso obter alguns valores que possam ser aplicados ao mundo dos negócios. A matemática que há por trás dos modelos de Fischer Black e Myron Scholes no mundo das finanças e que levaram à modelagem dos movimentos dos riscos e das cotações das ações nos modernos mercados financeiros deriva dos modelos de difusão do calor estudados na física. Estou disposto a correr o risco de não ser tão preciso na minha interpretação da ciência quanto se deve exigir de um físico treinado quando lhe é pedido para alcançar algo que poderia ser útil. Para quaisquer físicos que, por acaso, abram este livro (ele não foi para vocês) e discordem do meu uso das ideias, minha resposta será: “Por favor, me diga mais.” Brincar com as ideias é um bom começo. Isso me leva à minha lição de golfe, à qual fiz alusão na epígrafe deste capítulo. Quero tirar disso a atitude que eu gostaria que você adotasse ao fazer uso das ideias apresentadas neste livro, que é a atitude de quem joga, a atitude lúdica. Jogar é aprender fazendo, e enquanto estiver fazendo, perdoe-se pelos erros, pois eles fazem parte do processo de aprendizagem. Um erro não é um fracasso, mas uma ferramenta que lhe permite calibrar-se e tentar novamente. Jogar é um processo interativo entre o fazer e o pensar, por um lado, e a imaginação de quem pensa e faz, por outro. 21

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