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MUNDOS EM CONEXテグ

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Geoffrey D. Falk

MUNDOS EM CONEXÃO A estrutura oculta da realidade que nos cerca e a essência da criação

Tradução MARTA ROSAS

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Título original: The Science of the Soul. Copyright © 2004 Geoffrey D. Falk. Copyright da edição brasileira © 2011 Editora Pensamento-Cultrix Ltda. Texto de acordo com as novas regras ortográficas da língua portuguesa. 1a edição 2012. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas. A Editora Cultrix não se responsabiliza por eventuais mudanças ocorridas nos endereços convencionais ou eletrônicos citados neste livro. Coordenação editorial: Denise de C. Rocha Delela e Roseli de S. Ferraz Preparação de originais: Roseli de S. Ferraz Consultoria técnica: Adilson Silva Ramachandra Revisão: Claudete Agua de Melo Diagramação: Join Bureau

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Falk, Geoffrey D. Mundos em conexão : a estrutura oculta da realidade que nos cerca e a essência da criação / Geoffrey D. Falk ; tradução Marta Rosas. – São Paulo: Cultrix, 2011. ISBN 978-85-316-1161-2 1. Consciência 2. Física – Filosofia 3. Realidade 4. Religião e ciência I. Título. 11-11353

CDD-100

Índices para catálogo sistemático: 1. Filosofia

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Direitos de tradução para o Brasil adquiridos com exclusividade pela EDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA. Rua Dr. Mário Vicente, 368 — 04270-000 — São Paulo, SP Fone: (11) 2066-9000 — Fax: (11) 2066-9008 E-mail: atendimento@editoracultrix.com.br http://www.editoracultrix.com.br que se reserva a propriedade literária desta tradução. Foi feito o depósito legal.

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SUMÁRIO

Introdução .............................................................................................

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1

Assim em cima como embaixo .....................................................

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2

A consciência da luz .....................................................................

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3

A essência da criação ....................................................................

20

4

Sobre o bem e o mal .....................................................................

46

5

Liberdade de escolha ....................................................................

55

6

Sobre a natureza do Om ...............................................................

59

7

Hologramas ..................................................................................

74

8

Psicologia e motivações ................................................................

87

9

Simbolismo e estrutura na mitologia ...........................................

112

10

Caos, luz e manifestação ..............................................................

179

11

Totalidade e fragmentação – I.......................................................

192

12

Totalidade e fragmentação – II .....................................................

215

13

Psicologia e transcendência ..........................................................

249

14

Resumo .........................................................................................

266

15

Conclusões ...................................................................................

276

Bibliografia ...................................................................................

312

Autorizações .................................................................................

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AGRADECIMENTOS

GOSTARIA DE MANIFESTAR minha sincera gratidão a Paul e Nancy Clemens, da Blue Dolphin Publishing, por me ajudar a tornar o sonho de publicar este livro realidade. Estou profundamente agradecido também a James Fadiman e Huston Smith, pelas valiosas palavras de apoio e incentivo.

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INTRODUÇÃO

COMO BEM SABEM TODOS AQUELES que já se dedicaram a uma investigação minuciosa da ideologia quantitativa subjacente à prática da meditação como meio de atingir estados expandidos de consciência, a consciência é a realidade fundamental que está na base de toda a criação. O fato de que a única diferença entre matéria, energia e consciência dualística está em suas respectivas velocidades de vibração também tem sido bastante enfatizado. Então, dada a natureza da matéria como uma baixa velocidade de vibração inteligente, ou consciência, e dada também a validade da máxima “Assim em cima como embaixo”, é forçoso que encontremos o comportamento da consciência refletido na conduta da matéria física, sendo as qualidades da primeira detectáveis por meio da intuição proveniente da meditação ou do insight místico, ao passo que as da segunda são passíveis de mensuração nos laboratórios dos físicos. Contudo, raramente se conseguiu elucidar as relações quantitativas entre o comportamento do mundo físico e as características da consciência que o compõe. Tentei, com este livro, fornecer um modelo não reducionista do comportamento da consciência como substância básica do cosmos, visando explicar o maior número possível de aspectos dos estados expandidos ou místicos de consciência, assim como demonstrar concomitantemente que os princípios nos quais se baseia o funcionamento do mundo físico ocorrem como consequência necessária das características dos reinos interiores da consciência.

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Tal modelo não reducionista, portanto, não tenta explicar as experiências místicas sob a ótica do modelo holográfico de armazenagem de memória do cérebro proposto por Pribram, por exemplo. Entretanto, ele pode fornecer a expressão de uma estrutura universal ou arquetípica superior, da qual os hologramas físicos são simplesmente um reflexo inferior no plano da matéria. Além disso, já que toda consciência individualizada finita é apenas um subconjunto do Oceano Infinito da Consciência que se tornou todas as ondas de matéria, qualquer explicação válida da natureza e do comportamento básicos da mente e da consciência (sendo tal comportamento essencialmente o domínio da psicologia) tem de incluir em seu escopo a raiz de toda física e toda filosofia. Da física, porque todas as partículas são simplesmente ondas com determinadas velocidades de vibração no Oceano da Consciência, e da filosofia, porque a liberdade de escolha, a questão fundamental da filosofia, é uma função da consciência, e não de alguma coisa num nível reducionista atômico ou molecular (por exemplo, o Princípio da Incerteza de Heisenberg): A física quântica nada tem que ver com o problema do livre-arbítrio. Se existe tal problema, o último avanço da física não contribui nem um pouco para elucidá-lo. — Erwin Schrödinger

Assim, o modelo que buscamos terá necessariamente que criar uma ponte entre as disciplinas da psicologia, da física e da filosofia. Isso não pode – nem deve – ser evitado: depois que admitimos que a consciência é a substância básica que se tornou toda mente e toda matéria – o que, porém, não implica de modo algum um idealismo ingênuo que diz “Eu crio a realidade de acordo com a percepção que tenho dela” –, não podemos compartimentalizar a psicologia, a filosofia e a física como separadas umas das outras. Entretanto, como no caso de qualquer modelo simbólico, é crucial lembrarmos que o modelo do mapa não é o território da realidade, mas sim uma mera representação mental desse território: ele é o “menu”, e não a “refeição”. O “território” da realidade-em-si só pode ser conhecido pela experiência direta da consciência pela consciência na intuição, e não por nenhum conceito ou experiência sensorial do intelecto. Agosto de 2003 Toronto, Ontário

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CAPÍTULO 1

ASSIM EM CIMA COMO EMBAIXO O mundo é ilusório; só Brahman é real; Brahman é o mundo. — Ramana Maharshi

SOMOS ONDAS INDIVIDUALIZADAS de consciência no Oceano Infinito do Espírito, dizem os sábios. Embora o Oceano tenha se tornado a onda e esta, quando dissolve a ilusão da separação e limitação do ego, percebe que sempre foi parte do Oceano Infinito, a onda presa à forma não é, ela mesma, o Oceano. Tampouco é o Oceano simplesmente a soma de suas ondas: o Oceano pode existir sem as ondas, mas as ondas não podem existir sem o Oceano. Tudo que você pode ver, ouvir, cheirar, tocar, provar – e muito mais – faz parte desse Oceano. Para toda matéria, energia e consciência são apenas ondas de determinadas velocidades de vibração na superfície do Oceano da Consciência; o Espírito se tornou tudo que foi criado, estando presente em tudo e como tudo. Ou seja, a consciência é a “água” do Oceano Infinito do Espírito, e todos os fenômenos surgem como modificações dessa substância única, ou ondulações no/do Oceano da consciência cósmica. Quando a onda se levanta, ela é água; quando quebra, é novamente a mesma água. Dizei-me, Senhor, onde está a diferença? Porque foi chamada de onda, já não deve ser ela considerada água? — Kabir

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Embora diferença não haja, sou Vosso, E não Vós, ó Senhor, sois meu. Pois do Mar é de fato a Onda, E não da Onda, o Mar. — Shankara

As características intelectualmente inteligíveis desse ondulante Oceano de Consciência são, até certo ponto, expressas nos ensinamentos de grandes personalidades espirituais como Jesus Cristo, Buda, Krishna etc. Embora a ênfase individual desses sábios tenha variado, todos eles reconheceram, implícita ou explicitamente, a base metafórica do desígnio universal expresso no aforismo “Assim em cima como embaixo”, cuja implicação – exposta em escritos tão antigos quanto os Upanishads – é a de que o microcosmo reflete o macrocosmo. Assim, os átomos (na visão da física clássica, pelo menos) são sistemas solares em miniatura. Da mesma forma, o corpo humano reflete a estrutura do cosmos (o “corpo” de Deus), de modo que a humanidade é criada “à imagem de Deus” etc. Nas palavras de Buda: “Em verdade, lhe digo, o mundo está dentro deste corpo de 1,80m!” Além disso, as correspondências com a máxima “Assim em cima como embaixo” geralmente assumem a forma de metáforas como, por exemplo, “a criação são ondas no Oceano Infinito”. E, como observou Gregory Bateson, “a metáfora é a linguagem da Natureza”: a criação se erige sobre “Assim em cima como embaixo”. Como expressão alternativa desse princípio, lembre-se que os arquétipos são considerados as primeiras formas a surgir do Espírito na criação do cosmos, sobre a qual todas as criações subsequentes se pautam. Esses arquétipos determinam a forma de cada estrutura que há em cada nível da criação, das superiores às inferiores. As estruturas inferiores (inclusive os mitos) não são em si os arquétipos; em vez disso, elas refletem uma base universal superior. É imitando as obras de arte dos anjos que se faz qualquer obra de arte – como uma peça de roupa ou uma carruagem – aqui. — Rig-Veda O que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como está em cima para operar os milagres da Suprema Substância. — Preceito hermético

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Tanto os gnósticos e os filósofos gregos Pitágoras, Platão, Heráclito e Anaxímenes de Mileto, quanto os sufis (o ramo esotérico e místico da religião islâmica) do século XII, o filósofo medieval judeu Maimônides e o filósofo judeu pré-cristão Fílon de Alexandria aceitavam a ideia de que o microcosmo é semelhante em estrutura ao macrocosmo. Da veracidade da máxima hermética acima segue-se que as características comportamentais de todos os fenômenos, nas ciências físicas e em todos os demais esforços de teorização, devem, em última análise, ser deriváveis de princípios metafísicos. Se conhecermos as características arquetípicas da Fonte Manifestante, será sempre possível derivar as características de seus aspectos diferenciados, interdependentes. Isso é demonstrável até mesmo no contexto dos princípios científicos atualmente adotados. Conforme iremos descobrir, as marcas tanto do mundo interior quanto do mundo exterior derivam diretamente das características que a Consciência Divina tem de adotar em seu processo de diferenciação. Sendo assim, os princípios sobre os quais se baseia a ciência espiritual da meditação são idênticos aos que mantêm a existência da Natureza criada. Considere-se, por exemplo, o comportamento da luz física, talvez a mais clara expressão representativa da consciência no plano físico. Por meio de um processo natural conhecido como produção de pares, usando-se luz de frequência suficientemente alta, pode-se criar qualquer partícula e sua correspondente antipartícula. (A antipartícula tem massa idêntica à de sua contraparte partícula; entretanto, sua carga elétrica tem o sinal oposto. A antipartícula do elétron, por exemplo, é o pósitron.) Portanto, pode-se dizer com razão que a luz contém tanto matéria quanto antimatéria em potencial. O estado integrado é aquele em que os dois membros aparentemente opostos de uma dualidade (por exemplo, matéria e antimatéria) são vistos meramente como aspectos diferentes da mesma fonte (por exemplo, a luz). De uma maneira mais geral, “integrar” significa “unir num todo ou sistema unificado, harmonioso ou inter-relacionado”. Por conseguinte, matéria e antimatéria são estados diferenciados ou derivativos (“decompostos”) do estado integrado da luz física. Essa forma-em-potencial da matéria e da antimatéria é, portanto, diferente de sua forma-na-realidade; sendo energia pura, os fótons não consistem em partículas distintas de matéria e de antimatéria viajando juntas; a luz abarca porém transcende a dualidade matéria/antimatéria. Quando os estados dualísticos (de matéria e antimatéria, por exemplo) se recombinam (em aniquilação de pares), voltando a seu estado integrado, o resultado não é nada, mas sim uma liberação da energia que havia se 13

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tornado ambas as partes do par dualístico. Ou seja, produzem-se dois fótons que, então, se afastam do ponto de aniquilação à velocidade da luz. A aniquilação simultânea e coincidente no espaço de muitos pares de partículas/antipartículas produziria uma explosão de fótons que rumariam para fora, em todas as direções, do ponto de aniquilação ou uma esfera de luz em expansão. Se os pares de matéria/antimatéria forem de todas as energias possíveis, a esfera em expansão vai conter todas as frequências possíveis e, por isso, será de luz branca. A compreensão coinstantânea da unidade integrada existente por trás de todas as aparentes dualidades resulta, de igual modo, na expansão da consciência em onipresença como uma esfera de Luz branca. Esse é um conceito de suprema importância, que será explorado mais detalhadamente nos próximos capítulos.

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MUNDOS EM CONEXÃO  

Em Mundos em Conexão, o autor recorre a fontes yogues, budistas, cristãs e taoistas, e mostra que, apenas coisiderando a estrutura detalhada...

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Em Mundos em Conexão, o autor recorre a fontes yogues, budistas, cristãs e taoistas, e mostra que, apenas coisiderando a estrutura detalhada...

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