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JOMA SIPE

ALMA de LUZ Obras de Arte para a Alma

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Título original: Soul of Light. Copyright © 2012 Joma Sipe Copyright da edição brasileira © 2014 Editora Pensamento-Cultrix Ltda. Publicado mediante acordo com Theosophical Publishing House, 306 West Geneva Road, Wheaton, IL 60187 USA O autor agradece a Foundation for Inner Peace pela permissão por reproduzir citações do livro A Course in Miracle. Texto de acordo com as novas regras ortográficas da língua portuguesa. 1a edição 2014. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revista. A Editora Pensamento não se responsabiliza por eventuais mudanças ocorridas nos endereços convencionais ou eletrônicos citados neste livro. Texto preparado e adaptado do manuscrito em português fornecido pelo autor.

Editor: Adilson Silva Ramachandra Editora de texto: Denise de C. Rocha Delela Coordenação editorial: Roseli de S. Ferraz Produção editorial: Indiara Faria Kayo Assistente de produção editorial: Estela A. Minas Editoração eletrônica: Join Bureau Revisão: Yociko Oikawa

CIP-Brasil Catalogação na Publicação Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ S626a Sipe, Joma, 1974Alma de luz : obras de arte para a alma / Joma Sipe, – 1 ed. – São Paulo : Pensamento, 2014. il. ISBN 978-85-315-1859-1 1. Artes plásticas 2. Luz na arte. I. Título. 13-08101

CDD: 709.04 CDU: 7.036

Direitos para o Brasil adquiridos com exclusividade pela EDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA., que se reserva a propriedade literária desta tradução. Rua Dr. Mário Vicente, 368 – 04270-000 – São Paulo – SP Fone: (11) 2066-9000 – Fax: (11) 2066-9008 E-mail: atendimento@editorapensamento.com.br http://www.editorapensamento.com.br Foi feito o depósito legal.

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Sumário

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Prefácio de Thomas Ockerse, PhD

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Prefácio de Joma Sipe

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O Processo de Pintura

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Chakras

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O Antahkarana

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Mandalas Zodiacais, Mágicas e Místicas

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Um Curso em Milagres

60

Meditações com a Árvore da Vida

66

Linhas Sagradas e Poesia

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As Catedrais da Alma

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Os Portais do Espírito

118

Mensagens Inspiradas

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Prefácio de Thomas Ockerse

Conduz-me do irreal ao Real. – Upanishad Brihadâranyaka 1.3.28

Q

uando vi pela primeira vez as pinturas de Joma Sipe, o artista e os seus trabalhos eram desconhecidos para mim. À primeira vista o cenário geométrico me pareceu familiar, porque eu tinha visto e criado formas similares como designer, artista, e professor de teoria de sistemas e geometria sagrada. Ao vê-lo pela segunda vez, notei uma extraordinária qualidade no trabalho de Joma, algo que não havia notado: uma luz viva e brilhante que parecia vir de dentro. Essa qualidade ressoou em mim até o fundo do meu ser e estimulou a minha curiosidade para saber do que se tratava realmente esta obra. Claro que mesmo aqueles que não estão tão familiarizados com o cenário geométrico ficarão fascinados pelo poder visual das pinturas incluídas neste livro: o pormenor e a exatidão; o intricado conjunto de linhas e padrões; a complexa interação de superfícies, cores e texturas; a clareza da forma que também engana o olhar – cada uma proporcionando uma inevitável sensação de surpresa e prazer. Ainda outros poderão ser atraídos pelos símbolos

metafísicos, figurativos ou abstratos, usados em muitos dos trabalhos. Mas a mais impressionante característica talvez seja o uso de cristais em muitas destas imagens. A surpreendente luminosidade que eles criam é perfeitamente adequada para as estruturas visuais, e tão óbvia é a energia que emana delas que nos questionamos como é que ninguém tinha usado antes essa técnica! Contemplando as pinturas, porém, descobre-se que ainda há muito mais a ser experienciado. Neste livro, Joma partilha a sua história sobre essas pinturas. Ele descreve a sua jornada de estudo precoce em assuntos esotéricos, o modo como foi conduzido ao processo criativo para manifestar a sua visão, e como chegou ao uso dessas formas, estruturas, espaços e recursos. Aprendemos muito sobre a profundidade das percepções que lhe inspiraram a criação desses trabalhos singulares. Para mim, esse processo tem um paralelo interessante com o que os modernistas viveram um século atrás e que resultou na arte abstrata com a qual hoje estamos familiarizados. Não

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surpreende que esses artistas tenham sido profundamente estimulados pelo interesse crescente pelo metafísico, norteados especialmente pela teosofia, no papel de sabedoria perene que torna a vida e o objetivo da arte mais inteligível. Artistas como Piet Mondrian e Wassily Kandinsky vêm à mente, ambos intensamente influenciados pela teosofia. Mondrian foi um participante ativo no movimento holandês De Stijl [O Estilo], iniciado em 1917. Inspirados por ideais utópicos, os seus membros produziam uma arte que transcendia a tradição figurativa de modo a captar o espiritual na arte. Theo van Doesburg, o líder intelectual do grupo, que propagava especialmente os seus ideais, formou, em 1930, outro grupo e movimento artístico chamado Concretismo, que era, como ele afirmava, “um nome criado por mim, visto que para nós o chamado abstrato espiritual é completamente concreto”. Em outras palavras, a busca era pela essência espiritual no trabalho, a Realidade sem nome (ou Verdade) interior versus a realidade comum ou fenomenal das aparências. Depois da criação do termo Concretismo, outros como Kandinsky imediatamente se declararam (como verdadeiros estudiosos da teosofia) também concretistas, em contraposição aos abstracionistas. Por fim, contudo, especialmente devido à influência de Max Bill, que interpretava o Concretismo como a “arte na base do pensamento matemático,” o Concretismo evoluiu para o abstracionismo genuíno, com formas intencionalmente livres de qualquer significado figurativo ou simbólico. Eu valorizo verdadeiramente a inversão original de van Doesburg das palavras concreto

e abstrato porque, para mim, isso captura os já mencionados “ideais utópicos” baseados na teosofia: uma busca pelo Real dentro da nossa comum (ou “irreal”) realidade. Quando aplicamos esse princípio ao processo criativo, a obra de arte resultante faz a mediação entre ambas as realidades, com a forma visível tendo por objetivo estimular a profundidade da percepção da Verdade da Realidade (sem nome). Para precipitar essa relação, o artista tem de se envolver completamente numa experiência contemplativa – só alcançada a partir de um completo estado de atenção onde ser e agir são uma coisa só. Esse processo vai para além do que a nossa mente pode costumeiramente compreender, como um despertar misterioso e intuitivo daquilo que reside nas profundezas do nosso ser. A obra de Joma Sipe provém justamente dessa prática profundamente contemplativa. Como ele diz no seu prefácio, “Alguns dos desenhos e figuras são muito estranhos para mim, mas, de alguma forma, algo dentro de mim compreende a todos completamente”. A sua técnica única de adicionar cristais deriva da mesma prática, como percebemos com a sua afirmação: “Nessa fase, eu invoco toda a minha sensibilidade, intuição e visão interior para determinar quais pontos energizar”. O presente que ele nos dá aqui é nos permitir entrar com ele no seu processo contemplativo, através das suas pinturas e poemas. Acredito que essas obras irão ressoar no mais profundo ser interior do leitor, assim como fazem com o meu – e é justamente aí que reside o verdadeiro poder deste livro. – Thomas Ockerse Professor de Desenho Gráfico Rhode Island School of Design 23 de Abril de 2012

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Prefácio de Joma Sipe

N

asci na cidade do Porto, em Portugal, em 2 de Agosto de 1974, passei a maior parte da minha infância na cidade de Vila Nova de Gaia, perto do Porto, onde ainda moro e tenho o meu estúdio. Desde cedo, talvez por volta dos 7 ou 9 anos de idade, comecei a pintar; e lembro-me de que estava sempre desenhando o que me aparecia na mente – não apenas os objetos na minha frente, mas também os que eu conseguia ver através da minha imaginação. A princípio o meu interesse era por temas comuns, como paisagens e rostos, usando óleos e acrílicos com cores exuberantes. Logo cheguei à conclusão de que esses temas não serviam para expressar as minhas inquietações espirituais interiores, que era o meu objetivo logo de início. Logo cedo – com cerca de 15 anos – comecei a sentir uma inquietante necessidade de descobrir as razões de vivermos neste planeta e encontrar uma resposta para as questões existenciais: de onde viemos, o que estamos fazendo aqui, para onde iremos? Essas questões levaram-me à biblioteca pública do Porto, onde encontrei livros antigos em português das teosofistas Helena P. Blavatsky e Annie Besant. Tive a oportunidade de ler Ísis Sem Véu, A Doutrina Secreta e A Voz do Silên-

cio, de Blavatsky, entre outros textos, e logo estabeleci uma profunda e inexplicável conexão com ela e com os seus ensinamentos. As descrições de Blavatsky na Doutrina Secreta não eram novas para mim; nem o eram as ideias do karma, que Besant descreve tão bem no seu magnífico livro chamado simplesmente Karma. As ideias de evolução e transmigração da alma, como as raças raiz, a natureza do cosmos, a alma e o seu desenvolvimento, a constituição setenária do homem e as leis da reencarnação pareceram-me totalmente familiares e aprofundei-me um pouco mais no conhecimento esotérico. Um dos livros de Blavatsky que ainda hoje tem influência sobre a minha arte é A Voz do Silêncio. Todas as palavras nele contidas são elevadamente inspiradas e podem seguramente ser usadas para iluminar a alma e elevar o espírito. Não sabendo com quem falar sobre esses assuntos, por volta dos 17 anos encontrei um anúncio num jornal local que falava de cursos de meditação e concentração. Fui, com ávida curiosidade, ver de que esses cursos tratavam e descobri que os anúncios haviam sido colocados por uma escola mística chamada O Movimento Gnóstico, criada em 1950 por um colombiano que se autodenominava Samael

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Joma Sipe pintando no seu estúdio, com o retrato de H. P. Blavatsky como inspiração permanente.

Aun Weor. Para meu contentamento, descobri que a escola difundia ideias que eu já havia encontrado na leitura de Blavatsky, Rudolf Steiner, Éliphas Lévi, G. I. Gurdjieff e P. D. Ouspensky, entre outros. Estudei nessa escola por algum tempo, aprendendo sobre os aspectos esotéricos profundos de várias religiões e filosofias, incluindo o sistema dos chakras, anatomia oculta, outras dimensões, técnicas de meditação e concentração, psicologia profunda, alquimia e Cabala. Ainda tenho maravilhosas recordações do tempo passado entre os meus amigos conversando sobre tantos assuntos esotéricos numa idade tão precoce, enquanto a maior parte dos meus outros amigos levava uma vida “normal” e inteiramente diferente. Por volta dos 28 anos, entrei em outra escola mística, esta mais orientada para a magia ritual e prática. Ali, com a ajuda de um professor português, passei algum tempo praticando os métodos compilados por Franz Bardon no seu livro Initiation into Hermetics. No início de 2004, quando estava me aproximando dos 30 anos, um dos meus melhores amigos ofereceu-me uma cópia do livro Auto-

biography of a Yogi, de Paramahansa Yogananda. Adorei o livro e senti com Yogananda uma sensação parecida com a que havia sentido com Blavatsky. Tudo o que ele descrevia tocou-me profundamente – todos os lugares, os encontros com pessoas notáveis, a sua filosofia de Yoga, a sua inteira forma de viver e o seu conjunto de crenças. Essa conexão com Yogananda fez-me sentir muito próximo da cultura, religião e rituais hindus; e em 2005 e 2007 tive a oportunidade de visitar esse país maravilhoso que é a Índia. Lá fui abençoado com a aprendizagem imensa da geometria sagrada e da magia sagrada nos templos hindus nas cidades que visitei, como Shirdi, Hampi, Mumbai, Bangalore e Delhi. Ao mesmo tempo que desenvolvia essa relação com a cultura hindu, comecei a ler o livro de Eckhart Tolle The Power of Now, que provocou uma grande transformação na minha vida e na minha forma de pensar. Tolle, por sua vez, conduziu-me ao livro Um Curso em Milagres, publicado pela Foundation for Inner Peace. Enquanto o lia, recebi muita da energia que inspirou uma série de obras que o leitor encontrará neste livro, em conjunto com os textos

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de algumas das 365 lições que fazem parte de Um Curso em Milagres. Neste presente momento, escrevo a minha própria poesia como inspiração para as minhas obras, como o leitor encontrará também aqui. Desde muito novo, eu também recebo a influência de pintores do Movimento Simbolista de finais do século XIX, como Gustave Moreau, Fernand Khnopff e Arnold Böcklin, entre outros. Outros pintores que influenciam também o meu trabalho são Johfra Bosschart e Diana Vandenberg. Interesso-me sempre pelo esoterismo puro e toda a arte relacionada a ele, sendo a minha arte influenciada também pelos aspectos místicos contidos em lendas, mitos e a espiritualidade relacionadas com a energia interior de cada ser humano.

Ao longo dos anos, acredito que as minhas obras refletem os objetivos teosóficos: eles não só dão uma imagem do núcleo da irmandade universal da humanidade, sendo entendidos por todos, sem distinção, como também incentivam o estudo da religião e filosofia comparadas. Nas minhas obras procuro também explicar em geometria sagrada detalhada as leis da natureza e os poderes latentes na humanidade. Para concluir, transcrevo uma passagem de Blavatsky no seu próprio processo criativo, porque me identifico muito com o mesmo tipo de processo, relacionado com o penetrar num mundo de névoas e sombras e expressar o que se vê nesse mundo. Numa carta escrita à sua irmã Vera acerca da sua forma de escrever, ela diz:

Você pode não acreditar em mim, mas digo que ao lhe relatar isto eu falo a verdade; estou somente ocupada, não com a escrita de Ísis, mas com Ísis, ela mesma. Vivo numa espécie de encantamento permanente, uma vida de visões e lembranças, com os olhos abertos, e nenhuma hipótese de enganar os meus sentidos! Eu me sento e vejo a nobre deusa constantemente. E ela desvela perante mim o secreto significado dos seus segredos há muito perdidos, e o véu torna-se a cada hora menos espesso e mais transparente, e gradualmente caí diante dos meus olhos, eu seguro a minha respiração e mal consigo confiar nos meus sentidos!... Por muitos anos, de modo a não esquecer o que havia aprendido noutros locais, consegui fazer com que tenha permanentemente diante dos meus olhos tudo o que preciso para ver. Então, dia e noite, as imagens do passado são misturadas defronte do meu olho interior. Lentamente, e aparecendo silenciosamente como as imagens numa paisagem encantada, séculos após séculos aparecem diante de mim… e relaciono essas épocas com certos eventos históricos, e sei que não pode haver nenhum engano. Raças e nações, países e cidades, emergem durante algum século antigo, depois desaparecem lentamente durante qualquer outro, a data precisa do qual sou informada por… A antiguidade gritante dá lugar a períodos históricos; mitos são explicados por eventos reais e personagens que realmente existiram; e todos os eventos importantes, todas as revoluções, uma nova página virada no livro da vida das nações – com o seu curso incipiente e subsequentes resultados naturais – permanece fotografado na minha mente como impresso em cores indeléveis… Quando penso e vejo os meus pensamentos, eles me aparecem como se fossem aqueles pequenos pedaços de madeira de várias formas e cores, no jogo chamado de casse-tête: eu os apanho um por um, e tento fazer com que encaixem uns nos outros, apanhando primeiro um, depois colocando-o de lado até encontrar o seu lugar, depois sempre surge no final algo geometricamente correto… Eu certamente me recuso a atribuí-lo ao meu próprio conhecimento ou memória, pois não conseguiria chegar sozinha a tais premissas ou conclusões… Eu digo a você seriamente que sou auxiliada. – H. P. Blavatsky, parafraseada por Henry Steel Olcott em Old Diary Leaves: The True Story of the Theosophical Society, 1895

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Os meus agradecimentos sinceros a todos os meus amigos em todo o mundo que fizeram deste livro uma realidade. Quero expressar a minha gratidão a todos da Sociedade Teosófica nos Estados Unidos envolvidos neste projeto – especialmente Janet Kerschner, Sharron Dorr e Richard Smoley – e ao meu artista gráfico do livro, Drew Stevens.

Lokah Samastah Sukhino Bhavantu Possam todos os seres do universo serem livres e felizes. – TRADIÇÃO ORAL HINDU

Asato Maa Sas Gamaya Tamaso Maa Jyotir Gamaya Mrityor Maa Amritam Gamaya Om Shanti Shanti Shanti Senhor, me conduz, Do irreal ao real, Da escuridão à luz Da morte à imortalidade Om, paz, paz, paz. – UPANISHAD BRIHADÂRANYAKA 1.3.28

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O Processo de Pintura

O

processo minucioso e elaborado de criar cada trabalho inclui o objetivo de transmitir uma mensagem, embora algumas vezes essa mensagem não possa ser percebida logo de imediato. Cada trabalho dispersa e concentra a luz que emana de cada linha da obra. Essa luz representa o Ser e a nossa Essência mais interior, o cerne profundo da energia da vida que habita tudo o que existe. Essa energia procura quebrar a barreira da dimensão física para se fundir com a Energia universal que se condensa, materializa e toma forma em cada tela. O meu principal objetivo é transmitir, através das linhas e cristais, uma imagem espiritual interior ou um sentimento sagrado que tenho. As várias escolas, rituais e religiões místicas e correntes de pensamento que estudei – Teosofia, Gnosticismo, Cabala, Hinduísmo e muitas outras – só me ajudaram a processar o que visualizo interiormente e a transmitir essa visão para o papel ou tela, usando materiais e processos muito simples. Normalmente começo com uma tela preta ou um papel preto, sem ter nenhuma ideia do que irei desenhar. Sento-me e aguardo pela inspiração e seguramente ela vem em alguns minutos. Como por vontade própria, as canetas

ponta fina de tinta prateada e dourada começam a trabalhar até mais nenhuma linha, círculo ou outras formas que fazem parte do trabalho possam ser desenhadas. Alguns dos desenhos e figuras são muito estranhos para mim, no entanto algo dentro de mim entende a todos completamente. Isso completa a fase inicial de criação de um trabalho de geometria sagrada. A segunda fase está relacionada à localização dos pontos da obra que serão realçados com cristais. Eu uso dois tipos de cristais, alguns simples, que não refletem nenhuma cor e brilham apenas de uma forma branca e prateada, e outros, que chamo de aurora boreal, que refletem todas as cores que existem. Nessa fase, eu invoco toda a minha sensibilidade, intuição e visão interior para determinar quais pontos energizar. Esse processo produz um renascimento energético nos pontos específicos da obra, como se uma nova vida soprasse para dentro dela e a enchesse de intensidade espiritual. Os cristais energizam a obra e fazem os ajustamentos finais de proporção e equilíbrio, que existiam já nas linhas sagradas de ouro e prata que criaram a estrutura básica. Em alguns dias estou inspirado para usar as canetas de tinta dourada, em outros a usar as

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HOMOLOG 1 (TOQUE). Na esquerda a versão original com canetas de tinta prateada e dourada e cristais; versão iluminada à direita.

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canetas de tinta prateada. Normalmente a minha inspiração me leva a desenhar em ambas as cores e também a misturar ambos os cristais. Quando termino a tela ou o papel pretos com as canetas dourada e prateada – que eu chamo de “trabalhos originais” –, começo a terceira fase do processo, ou aquela a que chamo “trabalhos iluminados”. Nessa fase adiciono luz e efeitos de computador com cores suaves, o que dá às obras a sua qualidade etérea. Essa “iluminação” pode variar de simples gotas de brilho até uma radiância que infunde toda a peça. Esses diferentes efeitos e cores são escolhidos pelo mesmo processo de inspiração pelo qual são criadas as obras originais. Felizmente, essa inspiração surge de forma simples para mim, por isso sei sempre que exato efeito e cor aplicar. Esses elementos adicionam energia e luminosidade às obras originais, reforçando e completando a profunda conexão entre a obra de arte e o que eu vejo no meu mundo interior.

Nas pinturas das páginas 14 e 15, a versão original está à esquerda e a versão iluminada à direita.

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