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As 4 Nobres Verdades do Budismo e o Caminho da Libertação

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Trungpa, Chögyam As 4 nobres verdades do budismo e o caminho da libertação/ Chögyam Trungpa ; compilado e organizado por Judith L. Lief ; tradução Oddone Marsiaj. — 1. ed. — São Paulo : Cultrix, 2013. Título original: The truth of suffering and the path of liberation. Bibliografia ISBN 978-85-316-1225-1 1. Budismo 2. Budismo - Doutrinas 3. Conduta de vida 4. Espiritualidade 5. Filosofia budista 6. Verdade I. Lief, Judith L.. II. Título. 13-02598

CDD-294.342 Índices para catálogo sistemático: 1. Budismo : Doutrinas : Religião 294.342

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CHÖGYAM TRUNGPA Compilado e organizado por Judith L. Lief

As 4 Nobres Verdades do Budismo e o Caminho da Libertação

Tradução: ODDONE MARSIAJ

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Título original: The Truth of Suffering and the Path of Liberation. Copyright © 2009 Diana J. Mukpo. Edição original publicada em associação com Vajradhatu Publications. Copyright da edição brasileira © 2013 Editora Pensamento-Cultrix Ltda. Edição em língua portuguesa, no Brasil, publicada mediante acordo com a Shambhala Publications, Inc., 300 Massachusetts Avenue, Boston, MA 02115, USA. Texto de acordo com as novas regras ortográficas da língua portuguesa. 1a edição 2013. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas. Editor: Adilson Silva Ramachandra Editora de texto: Denise de C. Rocha Delela Coordenação editorial: Roseli de S. Ferraz Revisão técnica: Comissão de Tradução — Shambhala Brasil e Dharma/Arte Preparação de originais: Dharma/Arte Produção editorial: Indiara Faria Kayo Assistente de produção editorial: Estela A. Minas Revisão: Maria Aparecida A. Salmeron e Vivian Miwa Matsushita Editoração eletrônica: Fama Editora

Direitos de tradução para o Brasil adquiridos com exclusividade pela EDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA que se reserva a propriedade literária desta tradução. Rua Dr. Mário Vicente, 368 — 04270-000 — São Paulo, SP Fone: (11) 2066-9000 — Fax: (11) 2066-9008 E-mail: atendimento@editoracultrix.com.br http://www.editoracultrix.com.br Foi feito o depósito legal.

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SUMÁRIO

Prefácio da editora.....................................................................

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Agradecimentos da editora........................................................ 14 O primeiro giro da roda do dharma........................................... 16 Introdução.............................................................................. 21 A PRIMEIRA NOBRE VERDADE

A verdade do sofrimento

  1. Reconhecimento da realidade do sofrimento................... 29   2. Dissecação da experiência do sofrimento......................... 37 A SEGUNDA NOBRE VERDADE

A verdade da origem do sofrimento

  3. O poder dos pensamentos vacilantes............................... 61   4. O desenvolvimento dos padrões preestabelecidos........... 67   5. A recriação perpétua do sofrimento................................. 73 A TERCEIRA NOBRE VERDADE

A verdade da cessação do sofrimento

  6. O despertar e o florescimento.......................................... 93   7. A meditação como o caminho para a budeidade.............. 100   8. Transcender o samsara e o nirvana.................................. 107

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A QUARTA NOBRE VERDADE

A verdade do caminho

  9. O caminho sem dúvidas .................................................. 125 10. Os cinco caminhos .......................................................... 133 A prática da meditação ............................................................. 157 Sumário dos ensinamentos ........................................................ 160 Notas ........................................................................................ 168 Glossário .................................................................................. 172 Fontes bibliográficas ................................................................. 186 Informações............................................................................... 189

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PREFÁCIO DA EDITORA

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este livro, Chögyam Trungpa discute com clareza e perspicácia os ensinamentos budistas sobre as quatro nobres verdades. Ele toma esses ensinamentos aparentemente simples e sistematicamente descobre suas muitas camadas de sutileza e sofisticação. Sua apresentação entretece habilmente a exposição erudita do material com uma interpretação diferente e atualizada, adequada ao praticante contemporâneo do dharma. À maneira de um grande músico de jazz, Trungpa concentra-se no tema central, explora-o em profundidade e então decola em variações de improviso antes de retornar aos princípios essenciais. Como é típico de seu estilo de ensinar, faz repetidamente a ligação do material que está discutindo com as práticas meditativas e contemplativas que dão vida a esses ensinamentos. Chögyam Trungpa Rinpoche (1940-1987) foi educado formalmente na tradição monástica tibetana, como o décimo primeiro tülku Trungpa e abade do Mosteiro de Surmang, no Leste do Tibete. (Rinpoche é um título honorífico que significa “o precioso” ou “joia preciosa”. O termo tülku indica uma pessoa que é considerada reencarnação ou herdeiro espiritual de um mestre específico.) Como muitos outros tibetanos, escapou de seu país depois da tomada pelos comunistas e entrou na Índia como refugiado. Da Índia, viajou para a Grã-Bretanha, onde estudou artes e

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cultura ocidentais na Universidade de Oxford, antes de mudar-se para a América do Norte, em 1970. Trungpa Rinpoche foi um dos primeiros lamas a chegar aos Estados Unidos e ao Canadá, e tor­ nou-se uma figura central na apresentação do budismo tibetano aos alunos do Ocidente. Chögyam Trungpa Rinpoche foi um líder espiritual inovador, que continuamente experimentou novas formas de transmitir o dharma, que permitissem que ele criasse raízes na sociedade ocidental moderna não como uma novidade estrangeira ou extravagante, mas como verdadeira tradição viva. Não se restringia a abordagens pedagógicas familiares, apropriadas aos monges tibetanos, nem apresentava o dharma na linguagem árida da academia. Em vez disso, trouxe vida aos ensinamentos, falando de maneira direta, sem exotismo ou armadilhas culturais — e em inglês! Essa foi uma abordagem radical e controversa. Trungpa Rinpoche tinha uma habilidade extraordinária para comunicar-se, o que fazia com que cada estudante tivesse a impressão de que o mestre falava diretamente com ele e apenas com ele. Era capaz de associar os ensinamentos às experiências cotidianas das pessoas comuns, apresentando uma maneira para que pessoas laicas unissem sua vida à prática e aos estudos como “yogues domésticos”. Ao mesmo tempo, sua exposição era fiel à extensão e à profundidade de sua tradição. Embora tenha ensinado no Ocidente por somente dezessete anos (de 1970 a 1987), sua influência foi imensa e continua a expandir-se. As quatro nobres verdades são centrais à tradição budista. O Buda apresentou esses ensinamentos essenciais em um dos primeiros sermões que deu depois de sua iluminação, e eles foram registrados no sutra intitulado “O primeiro giro da roda do dharma” (um trecho desse sutra é citado na página 16). Em ensinamentos

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ministrados mais tarde, o Buda voltou repetidas vezes às quatro nobres verdades, dando mais detalhes e elucidando sua apresentação original. Neste volume, Trungpa Rinpoche aborda as quatro nobres verdades do ponto de vista do praticante, unindo a discussão da visão, ou a compreensão intelectual desses ensinamentos, à discussão da aplicação, ou como essa visão pode ser colocada em prática. Trungpa Rinpoche ressalta a importância de reconhecer como estamos entrincheirados em padrões habituais de sofrimento. Embora possamos preferir nos deixar absorver ao pensar na felicidade e em como conseguir ser ainda mais felizes, são nossos tropeços cegos em busca da felicidade que nos fazem cair na armadilha. A primeira nobre verdade, a verdade do sofrimento, torna isso claro: o sofrimento é real e não pode ser evitado. Para o praticante, o ponto de partida é examinar sua situação, desapaixonada e honestamente, com objetividade e rigor. É essencial romper com o antigo hábito de fuga e desejos esperançosos. Tendo vencido nossa resistência a enfrentar o fato de que sofremos, temos a oportunidade de examinar sua causa. De acordo com a segunda nobre verdade, a causa do sofrimento é a ignorância e o desejo fundamentais. Trungpa Rinpoche discute essa verdade em sua relação com as mudanças sutis do pensamento que se transformam em fixações, depois em emoções como a inveja ou o ódio e, finalmente, em ações. O valor da prática da meditação está em que o praticante aprende a notar esse padrão em uma etapa inicial e, assim, é capaz de perceber essas mudanças sutis do pensamento antes que elas cresçam rapidamente para se transformarem em ações prejudiciais, com suas inevitáveis repercussões. Poder-se-ia dizer que as primeiras duas nobres verdades são uma verificação da realidade, permitindo-nos começar com uma

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base sólida. A razão pela qual é possível para nós examinar nossa experiência dessa maneira é que começamos a desenvolver um senso de contraste na forma da terceira nobre verdade, a verdade da cessação. Nós nos damos conta de que é possível nos libertar do sofrimento. Depois de entender a origem do sofrimento e como nós o perpetuamos, podemos nos libertar, não apenas das consequências do sofrimento, mas também de sua causa subjacente. Sem vislumbrar a possibilidade de cessação, seria muito difícil continuar a prática. A ideia de iluminação, ou da libertação do sofrimento, pareceria apenas uma possibilidade remota. Mas até mesmo praticantes comuns experimentam brechas no ciclo do sofrimento. Todos nós experimentamos sinais de despertar e de transformação, mesmo que apenas brevemente, ou de tempos em tempos. De acordo com Trungpa Rinpoche, ainda que não devêssemos procurar tais sinais de progresso, é importante apreciar essas experiências e usá-las para desenvolver maior segurança e confiança em nós mesmos e no dharma. Depois de ter recebido uma indicação do que é possível, sentimo-nos motivados a fazer o que é necessário para chegar lá. Assim, a quarta nobre verdade é a verdade do caminho. Desde a época do Buda, muitas instruções foram desenvolvidas para ajudar o aluno na jornada à iluminação. Ao mesmo tempo, cada aluno ou aluna deverá forjar sua própria maneira. Embora seja necessário esforço, a realização não pode ser fabricada. A realização é inerente ao próprio caminho. Ao seguir o caminho, a confusão é superada e a sabedoria alvorece tão certa e naturalmente como o sol se levanta no leste. Este livro tem sua origem em palestras ministradas nos programas de ensino de três meses que eram chamados de Seminários Vajradhatu, uma série de retiros anuais oferecidos por Trungpa

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Rinpoche a seus estudantes mais avançados. Trungpa Rinpoche desenvolveu o formato Seminário para dar a seus alunos mais graduados um mapa detalhado do caminho budista e proporcionar-lhes uma imersão na prática da meditação. A prática da meditação intensiva, em grupo, oferecia o recipiente adequado para que tais ensinamentos criassem raízes, não como uma teoria abstrata, mas sob a forma de instruções práticas para o praticante de meditação. Tendo apresentado seus ensinamentos essenciais dessa maneira, Trungpa Rinpoche também expressou o desejo de oferecer esses ensinamentos a um universo mais amplo, no momento certo. Seguindo a tradição tibetana, Trungpa Rinpoche estruturou os Seminários de acordo com as três etapas progressivas de prática e realização: o hinayana, ou “veículo menor”; o mahayana, ou “veículo maior”, e o vajrayana, ou “veículo indestrutível”. O hinayana refere-se ao caminho do desenvolvimento individual, exemplificado pelo arhat; o mahayana refere-se à união da sabedoria à ação compassiva, exemplificada pelo bodhisattva; e o vajrayana refere-se ao caminho do engajamento destemido e da ousadia espiritual, exemplificado pelo siddha. A tradução literal de hinayana como “veículo menor” pode dar a impressão de que seja não sofisticado ou inferior. Contudo, de acordo com a tradição budista tibetana, o hinayana fornece o alicerce de todo o caminho. Na jornada dos três yanas, cada yana, ou veículo, tem suas raízes na compreensão do anterior. Assim, o hinayana não é deixado para trás à medida que o aluno avança para o mahayana e o vajrayana. Os yanas são como uma série de círculos concêntricos, em que cada círculo maior contém completamente o anterior. Os três yanas são construídos um sobre o outro, fortalecendo-se continuamente, expandindo sobre o que veio antes e enriquecendo-se mutuamente. As

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quatro nobres verdades são o alicerce do hinayana e de todo o caminho budista. As apresentações tradicionais das quatro nobres verdades, assim como de outros ensinamentos centrais budistas, são repletas de listas, termos e resumos detalhados, que podem resultar numa leitura árida. Ao mesmo tempo, esses resumos servem como referência inestimável e como meio auxiliar de estudo. (Veja o exemplo do “Sumário dos ensinamentos”, na página 160.) Em sua apresentação das quatro nobres verdades, Trungpa Rinpoche fornece um vínculo entre tais apresentações tradicionais e a nossa própria experiência do caminho. Ele apresenta a possibilidade de desvelar progressivamente percepções mais sutis sobre a natureza da mente e da experiência, e nos dá as ferramentas para sermos capazes de comunicar essas percepções a outras pessoas. Em sua apresentação das quatro nobres verdades, Chögyam Trungpa se refere frequentemente aos ensinamentos de Jamgön Kongtrül (1813-1900), renomado mestre, erudito e escritor do budismo tibetano, e fundador do movimento Ri-me, ou “não sectá­rio”. Jamgön Kongtrül foi autor de mais de cem livros, e o mais conhecido deles é Cinco Tesouros,* obra abrangente que cobre todo o espectro do budismo tibetano. Como muitos professores tibetanos, Trungpa Rinpoche carregava consigo uma edição compacta dessa obra monumental e a consultava repetidamente. Os ensinamentos das quatro nobres verdades são ao mesmo tempo antigos e atuais para os tempos presentes. Eles têm sido transmitidos de mestre a aluno há séculos e, no entanto, podem ser *  Trata-se de Five Treasuries of Knowledge, ou Os Cinco Tesouros do Conhecimento, de Lodro Thaye, o primeiro Jamgön Kongtrül, conhecido como “O Grande”. (N. do T.)

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aplicados a nossa própria experiência imediata. A cada momento, o padrão das quatro nobres verdades se repete: a verdade do sofrimento e da origem do sofrimento, e a verdade da libertação do sofrimento e do caminho da libertação. Portanto, a cada momento temos uma escolha: podemos continuar perpetuando nosso sofrimento ou podemos interromper esse padrão em sua origem e alcançar um lampejo da liberação. Os ensinamentos das quatro nobres verdades estão alicerçados em nossas experiências comuns como seres humanos. É ao interagir com essas experiências, em vez de fugir delas, que podemos nos libertar. A mensagem radical do Buda é que a libertação potencial está sempre ao alcance e depende de nós — e de nenhuma outra pessoa — o que fazemos com isso. Que os ensinamentos das quatro nobres verdades sejam benéficos a todos os seres que sofrem e anseiam pela libertação. Que o legado de Chögyam Trungpa Rinpoche continue a estender-se, iluminando o caminho do Buda, o caminho da meditação e o poder da compreensão e da prática budista para lidar com os desafios da vida cotidiana na sociedade contemporânea. — Judith L. Lief

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AGRADECIMENTOS DA EDITORA

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ostaria de agradecer aos inúmeros estudantes cujos esforços tornaram possível a criação deste manual sobre as quatro nobres verdades. Muitas pessoas envolveram-se na gravação, transcrição, preservação, edição e produção desses ensinamentos preciosos. Esses estudantes dedicados trabalharam anônima, diligente e humildemente em muitas outras tarefas essenciais a esta obra, simplesmente por sua própria inspiração e devoção. Carolyn Rose Gimian ofereceu seu contínuo e sábio assessoramento e apoio. Ellen Kearney forneceu ajuda inestimável durante o processo de edição, trabalhando extremamente próxima de mim em uma série de retiros editoriais, aplicando suas habilidades na revisão e oferecendo excelentes informações. Agradeço a Ben Moore, diretor da Vajradhatu Publications, por seu apoio entusiástico. Gordon Kidd, Helen Bonzi e a equipe de apoio de Shambhala Recordings e de Shambhala Archives forneceram as fontes bibliográficas necessárias. Agradeço imensamente a John Rockwell por oferecer seus valiosos comentários e, em particular, por suas traduções informais de seções essenciais de Os Cinco Tesouros do Conhecimento. Agradecimentos especiais a Scott Wellenbach, da Na-landa- Translation Committee, que revisou cuidadosamente a terminologia técnica e auxiliou na resolução de muitos assuntos editorialmente desafiadores. Muito obrigada a Eden Steinberg, da

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Agradecimentos da Editora  15

Shambhala Publications, por sua criteriosa análise crítica. Lady Diana Mukpo bondosamente deu sua bênção e encorajamento a este projeto. Samuel Bercholz, fundador da Shambhala Publications, foi um catalisador consistente, fazendo com que o projeto do texto original fosse adiante. Empreendimentos como este requerem o apoio generoso de doadores. Somos gratos ao apoio do Shambhala Trust e às doações anônimas que recebemos e que auxiliaram este trabalho valioso. Muito especialmente, gostaríamos de agradecer ao Vidyadhara, Chögyam Trungpa Rinpoche, que em seus dezessete anos na América do Norte generosa e resolutamente se dedicou a trazer o verdadeiro dharma para o mundo ocidental. Que os ensinamentos e as práticas que ele tão cuidadosamente apresentou sejam estudados, praticados, realizados e transmitidos às futuras gerações. Que possam beneficiar incontáveis seres e libertar aqueles que sofrem cruel e inutilmente. Que possamos cultivar a sabedoria, a compaixão e a habilidade para manifestá-las na ação.

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O primeiro giro da roda do dharma

Dizem que, depois de sua iluminação, o Buda ministrou seus primeiros ensinamentos no parque dos Cervos, no lugar conhecido como Sarnath, perto de Varanasi, na Índia. Foi lá que ele apresentou pela primeira vez o nobre caminho óctuplo e as quatro nobres verdades. Referimo-nos a isso como primeiro giro da roda do dharma.

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rmãos, há quatro nobres verdades: a existência do sofrimento, a causa do sofrimento, a cessação do sofrimento e o caminho que conduz à cessação do sofrimento. Chamo a essas de as Quatro Nobres Verdades. A primeira é a existência do sofrimento. Nascimento, velhice, doença e morte são sofrimento. Tristeza, ira, inveja, preocupação, ansiedade, medo e desespero são sofrimento. A separação dos entes amados é sofrimento. Associar-se com aqueles que você odeia é sofrimento. Desejo, apego e aferrar-se aos cinco agregados são sofrimento. Irmãos, a segunda nobre verdade é a causa do sofrimento. Devido à ignorância, as pessoas não podem ver a verdade sobre a vida e ficam prisioneiras das chamas do desejo, da ira, da inveja, da tristeza, da preocupação, do medo e do desespero. Irmãos, a terceira nobre verdade é a cessação do sofrimento. Entender a verdade da vida ocasiona a cessação de toda a tristeza e ansiedade e faz com que surjam a paz e a alegria.

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O Primeiro Giro da Roda do Dharma  17

Irmãos, a quarta nobre verdade é o caminho que conduz à cessação do sofrimento. É o nobre caminho óctuplo que acabei de explicar. O nobre caminho óctuplo é alimentado quando vivemos com atenção plena. A atenção plena conduz à concentração e à compreensão que nos livra de todas as dores e tristezas e nos conduz à paz e à alegria. Vou guiá-los por este caminho de realização.*

*  Extraído de Old Path White Clouds [Antigo Caminho, Nuvens Brancas], de Thich Nhat Hanh.

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QUATRO NOBRES VERDADES DO BUDISMO E O CAMINHO DA LIBERTAÇÃO  

Chögyam Trungpa faz uma análise profunda das Quatro Nobres Verdades, enfatizando sua profunda relevância, não apenas como inspiração no iníc...

QUATRO NOBRES VERDADES DO BUDISMO E O CAMINHO DA LIBERTAÇÃO  

Chögyam Trungpa faz uma análise profunda das Quatro Nobres Verdades, enfatizando sua profunda relevância, não apenas como inspiração no iníc...

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