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AS MELHORES HISTÓRIAS DE VIAGENS NO TEMPO

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Harry Turtledove com Martin H. Greenberg (orgs.)

AS MELHORES HISTÓRIAS DE VIAGENS NO TEMPO os contos dos autores mais consagrados da ficção científica Arthur C. Clarke, Jack Finney, Joe Haldeman, Ursula K. Le Guin, Larry Niven, Theodore Sturgeon, Connie Willis e outros

Tradução GILSON CÉSAR CARDOSO DE SOUSA

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Título do original: The Best Time Travel Stories of the 20th Century. Copyright da introdução © 2005 Harry Turtledove. Copyright do texto © 2005 Harry Turtledove e Martin H. Greenberg. Publicado mediante acordo com o autor através da Baror International, Inc, Armonk, Nova York, USA. Copyright da edição brasileira © 2016 Editora Pensamento-Cultrix Ltda. Texto de acordo com as novas regras ortográficas da língua portuguesa. 1a edição 2016. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas. A Editora Jangada não se responsabiliza por eventuais mudanças ocorridas nos endereços convencionais ou eletrônicos citados neste livro. Esta é uma obra de ficção. Todos os personagens, organizações e acontecimentos retratados neste romance são produtos da imaginação do autor e usados de modo fictício. Editor: Adilson Silva Ramachandra Editora de texto: Denise de Carvalho Rocha Gerente editorial: Roseli de S. Ferraz Preparação de originais: Marta Almeida de Sá Produção editorial: Indiara Faria Kayo Editoração eletrônica: Fama Editora Revisão: Bárbara C. Parente e Vivian Miwa Matsushita Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) As melhores histórias de viagens no tempo / Harry Turtledove com Martin H. Greenberg (orgs.) ; tradução Gilson César Cardoso de Souza. — São Paulo : Jangada, 2016. Título original: The best time travel stories of the 20th century Vários autores. ISBN 978-85-5539-049-4 1. Ficção científica norte-americana I. Turtledove, Harry. II. Greenberg, Martin H.. 16-03022

CDD-813.0876 Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção científica : Literatura norte-americana 813.0876

Jangada é um selo editorial da Pensamento-Cultrix Ltda. Direitos de tradução para o Brasil adquiridos com exclusividade pela EDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA., que se reserva a propriedade literária desta tradução. Rua Dr. Mário Vicente, 368 — 04270-000 — São Paulo, SP Fone: (11) 2066-9000 — Fax: (11) 2066-9008 http://www.editorajangada.com.br E-mail: atendimento@editorajangada.com.br Foi feito o depósito legal.

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SUMÁRIO

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Introdução Ontem Foi Segunda-feira

Harry Turtledove............................. 7 Theodore Sturgeon......................... 12

O Armário do Tempo

Henry Kuttner................................. 32

A Seta do Tempo

Arthur C. Clarke............................. 57

Estou com Medo

Jack Finney...................................... 74

Um Som de Trovão

Ray Bradbury................................... 88

A Nave da Morte

Richard Matheson........................... 104

Arma para Dinossauros

L. Sprague de Camp........................ 126

O Homem que Chegou Cedo

Poul Anderson................................. 156

Rainbird

R. A. Lafferty................................... 185

Leviatã!

Larry Niven...................................... 199

Projeto de Aniversário

Joe Haldeman.................................. 213

Inversão do Tempo

Jack Dann........................................ 226

Vigia de Incêndio

Connie Willis.................................. 238

Rumo a Bizâncio

Robert Silverberg............................. 280

O Produto Puro

John Kessel...................................... 342

Trapalanda

Charles Sheffield............................. 365

O Preço das Laranjas

Nancy Kress..................................... 393

Outra História ou um Pescador do Mar Interior

Ursula K. Le Guin........................... 421

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INTRODUÇÃO HARRY TURTLEDOVE

todos nós somos viajantes do tempo,

quer saibamos disso ou não. Voamos para o futuro numa velocidade constante de um segundo por segundo e deixamos o passado para trás. Novas coisas acontecem. Coisas velhas são esquecidas. Minha própria vida — nem muito longa nem muito curta por enquanto — assistiu ao aparecimento dos antibióticos, da Aids, das viagens espaciais, da televisão, dos CDs, do videoteipe, dos DVDs, de Richard Nixon (duas vezes), dos direitos civis, dos direitos das mulheres, dos direitos dos homossexuais, dos telefones celulares, do computador e da internet. Assistiu à queda do Comunismo, da segregação racial, de vários recordes, da varíola (tomara!), da poliomielite, das Torres Gêmeas e da ideia de que fumar é charmoso. Viu o bambolê, o orelhão, o Fusca e a mania de correr pelado. Algumas coisas, é claro, persistem. Os Chicago Cubs não participam do Campeonato Mundial desde antes de eu nascer. O último que venceram foi quando Teddy Roosevelt era presidente. Quase ao final de sua longa vida, L. Sprague de Camp fez uma apresentação em convenções de ficção científica chamada “Recordações de um Viajante no Tempo”. Sprague, nascido em 1907, vira mais coisas acontecer do que eu (até mesmo a última vitória dos Cubs num campeonato). Mostrar às pessoas que certas “verdades” aceitas quando ele era criança e jovem haviam mudado desde então foi instigante, para dizer o mínimo. Mas e se não estivéssemos limitados à progressão constante de um segundo por segundo? E se pudéssemos desafiar o fluxo normal do tempo, indo do passado ao futuro, em vez de ficarmos presos a ele? H. G. Wells, que foi — entre

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muitas outras coisas — o primeiro grande autor de ficção científica em língua inglesa, publicou A Máquina do Tempo em 1895. Ele nos deu os recursos e a estrutura para um tipo de história de viagem no tempo: ir ao futuro, dar uma espiada no que existe por lá, voltar e contar a aventura aos contemporâneos. Desde então, outros escritores vêm explorando e ampliando esse conceito. Viajar ao futuro não apresenta grandes riscos. Viajar ao passado gera paradoxos. E se você matasse seu próprio avô? Ou, de forma menos sangrenta, se sua jornada mudasse as coisas e sua mãe se casasse com outro homem? Você desapareceria? (Sim, é disso que tratam os filmes De Volta para o Futuro, mas você pode se virar sem um DeLorean.) E se você alterasse algum acontecimento passado importante? Mudaria assim o futuro do acontecimento — seu próprio presente? Essa linha específica de histórias de viagens no tempo constitui uma parte do espectro de contos históricos alternativos, alguns dos quais Del Rey, recentemente, coletou em The Best Alternate History Stories of the 20th Century. Encarar esses paradoxos — ou não encará-los — vem desafiando a engenhosidade dos autores nos últimos cem anos. Escrevendo com o pseudônimo de Anson MacDonald, Robert A. Heinlein resumiu todos os problemas da existência de um homem em contos como “By His Bootstraps”. Cerca de vinte anos depois, Heinlein voltou ao tema em “All You Zombies”, que reduz ainda mais o patrimônio genético — e os paradoxos inerentes — de seu protagonista. No romance The Door into Summer [A Porta para o Verão], ele insere a viagem no tempo numa situação em que o viajante tem exatamente a mesma chance de ir ao passado ou ao futuro. Isaac Asimov é mais conhecido por sua série Fundação e seus contos sobre as Três Leis da Robótica, mas escreveu também um curioso romance de viagem ao passado e através de diversas realidades, O Fim da Eternidade — o qual, de certo modo, serve de base para todos os outros contos. Lest Darkness Fall [A Luz e as Trevas], de L. Sprague de Camp, é uma história de viagem no tempo diferente de A Máquina do Tempo, mas semelhante a Um Ianque na Corte do Rei Artur, de Mark Twain: coloca um homem moderno, com todos os seus modernos conhecimentos, num cenário medieval e desafia-o a se sair o melhor possível. Ao contrário do protagonista de Mark Twain, o Martin Padway de L. Sprague de Camp está realmente na Roma do século VI e monta uma história alternativa com seu sucesso. “Arma para Dinossauros”, de L. Sprague de Camp, e os outros contos de Reggie Rivers coletados em Rivers of Time [Rios do Tempo] exploram um dos temas favoritos desse gênero: graças ao uso

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de uma máquina do tempo, voltar ao passado a fim de observar e mesmo caçar animais extintos com a evolução da humanidade. Em Genus Homo [O Homem Esquecido do Espaço], De Camp e P. Schuyler Miller recorreram à técnica da “animação suspensa” (suspensão temporária das funções vitais por meios técnicos, como criogenia) como um meio de os homens modernos visitarem o futuro. “The Man Who Came Early” [O Homem que Chegou Cedo], de Poul Anderson, é um conto com outra variante do tema do homem moderno que tenta fazer o melhor possível no passado. Mas, à diferença das histórias de Twain e De Camp com que se assemelha, é marcada pela forte tendência ao trágico tão característica de Anderson. Este, sempre um escritor com acentuado senso histórico, utilizou a viagem no tempo em seus romances Os Corredores do Tempo (uma espécie de complemento de ficção científica à ficção fantástica Três Corações e Três Leões) e A Dançarina da Atlântida. Provavelmente, o romance de viagem no tempo mais obsceno que já se escreveu é Up the Line [Acima da Linha], de Robert Silverberg. Ele afirma que, quando a viagem no tempo se tornar viável por períodos cada vez mais longos, multidões de viajantes vindos do futuro aparecerão para presenciar eventos como a Crucificação, a inauguração da basílica de Santa Sofia em Constantinopla e o desenrolar da Peste Negra. Por que, então, esses eventos históricos não ficam cada vez mais abarrotados com observadores futuros? Silverberg responde que na verdade ficam, mas não se sabe com muita clareza como os contemporâneos agem relativamente a isso. Um tema do gênero que talvez nunca tenha sido tratado com muito sucesso é a reversão da seta do tempo, que passa a fluir do futuro para o passado e não ao contrário. O conto “The Man Who Never Grew Young”, de Fritz Leiber, talvez tenha chegado perto; vários outros tentaram a façanha em romances, também com resultados muito aquém do que esperavam. O desafio continua aberto aos novos escritores. A viagem no tempo como um projeto secreto e ambicioso de um governo que pretende não só explorar, mas também modificar o passado em benefício próprio, é um tema comum nessas histórias e talvez tenha se tornado ainda mais comum à medida que os governos foram ficando mais fortes e menos facilmente controláveis pelo povo. Um dos melhores exemplos desse tipo é Time and Again, romance de Jack Finney, que parece ter se tornado mais importante após uma geração e meia desde sua publicação. É admiravelmente bem escrito, meticulosamente pesquisado, magnificamente ilustrado e inteligentemente

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concebido. Sua continuação, From Time to Time, infelizmente não está à altura do elevado padrão estabelecido. Outro romance de tema afim, embora mais ousado e cínico, é All My Sins Remembered, de Joe Haldeman. Por causa da doutrinação e do treinamento recebidos, o protagonista de fato tem inúmeros pecados a lembrar. O livro, mais ou menos da época do escândalo Watergate, é uma devastadora acusação contra aqueles que pretensamente atuam em benefício do próximo. Outro tema comum nessas histórias é o do viajante que vem do futuro para o presente com objetivos execráveis e tem de ser enfrentado pelos modernos com recursos tecnológicos muito inferiores aos do vilão. Um bom exemplo do final do século XX é Drakon, de S. M. Stirling, que nasceu de sua série Draka de romances de história alternativa. A heroína se vê no final de nosso século XX por causa de um experimento que deu errado e faz de tudo para reformulá-lo segundo os desejos — vis — de seu coração. Se os pobres coitados modernos não recebessem ajuda do futuro, as coisas ficariam ainda piores. E, como há espaço para uma continuação, podem mesmo ficar. The Goblin Reservation [O Tempo dos Duendes], de Clifford D. Simak, retira a viagem no tempo da esfera da alta política e coloca-a num cenário bem mais modesto: o da universidade. O autor brinca bastante com o tema. A lista de personagens de Simak inclui um Neandertal bronco trazido a seu futuro e rebatizado como Alley Oop; um tigre-dentes-de-sabre; duendes, anões, uma fada e o fantasma de um proeminente dramaturgo inglês do século XVII. Mas há um problema: o fantasma não sabe a princípio de quem é fantasma, de modo que quando o autêntico Will Shakespeare (o qual, no livro, não é o dramaturgo em questão) surge em cena, consequências alarmantes e muito divertidas se seguem. O livro de Simak é indiscutivelmente ficção científica, apesar dos elementos de fantasia e cultura popular que o permeiam. Larry Niven segue um caminho diferente em sua série de histórias de viagens no tempo extraídas da obra The Flight of the Horse. Para Niven, um racionalista empedernido, a viagem no tempo é impossível. Isso não o impede de escrever histórias do gênero, que no entanto escapam da ficção científica para a fantasia. Seu viajante no tempo, um tal Svetz, sujeito meio distraído (muitas vezes para o seu próprio bem), nunca percebe que, quando volta ao passado, não volta exatamente ao passado que seu mundo conhece. Problemas com uma ave fabulosa, um leviatã e uma matilha de lobisomens imediatamente nos vêm à mente.

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A viagem no tempo por intermédio da magia ou de outro dispositivo fantasioso é menos comum do que a realizada com máquinas do tempo e outros aparelhos científicos. O porquê disso é intrigante, pois uma viagem no tempo por qualquer dos meios citados parece igualmente impossível e igualmente implausível — mas é assim. Um romance de viagem no tempo que tende mais para a fantasia que para a ficção científica é Household Gods, de Judith Tarr e Harry Turtledove, baseado numa ideia de Fletcher Pratt que ele não chegou a escrever. Apesar dos elementos fantásticos, o romance é da escola de Um Ianque na Corte do Rei Artur e Lest Darkness Fall [A Luz e as Trevas]. Uma americana moderna, insatisfeita com a vida e cansada de fracassos, se vê no corpo de uma ancestral numa cidade da fronteira danubiana do Império Romano, no final do século II d.C., justamente quando o que não faltam são invasões germânicas e pestes devastadoras. Nicole Gunther-Perrin tem a oportunidade de descobrir se o copo no fim do século XX está meio cheio ou meio vazio. Roadmarks, de Roger Zelazny, não transpõe a linha entre fantasia e ficção científica. Seu protagonista percorre a Estrada do Tempo com uma caminhonete cheia de armas automáticas para ajudar os gregos a derrotar os persas em Maratona. A Estrada e os diversos personagens, sórdidos e não tão sórdidos, que ele encontra pelo caminho são pintados com o humor típico de Zelazny, num estilo invejável. A Estrada é um conceito que lembra até certo ponto o de Anderson em The Corridors of Time, porém mais flexível. Eis aí alguns dos romances de viagens no tempo mais interessantes que o tema produziu ao longo dos anos. Não é uma lista completa, obviamente (afinal, o leitor vai querer degustar as próprias histórias!), mas registra muitos de seus pontos altos. Os contos de ficção aqui reunidos contemplam ideias similares e outras absolutamente diferentes. As obras falam por si: tudo o que eu dissesse sobre elas só iria atrapalhar. Mas uma coisa posso garantir: você apreciará a maioria delas. Boa leitura!

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1º capítulo melhores histórias de viagens no tempo