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Biblioteca Psicologia e Mito

THORWALD DETHLEFSEN

ÉDIPO Uma Interpretação Psicoterapêutica da Tragédia Grega

Tradução Zilda Hutchinson Schild

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Título do original: Ödipus der Rätsellöser – Der Mensch Zwischen Schuld und Erlösung Copyright © 1990 C. Bertelsmann Verlag GmbH, Munique. Copyright da edição brasileira © 1993 Editora Pensamento-Cultrix Ltda. 1ª edição 1993. 2ª edição 2017. Texto de acordo com as novas regras ortográficas da língua portuguesa. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas. A Editora Cultrix não se responsabiliza por eventuais mudanças ocorridas nos endereços convencionais ou eletrônicos citados neste livro. Editor: Adilson Silva Ramachandra Editora de texto: Denise de Carvalho Rocha Gerente editorial: Roseli de S. Ferraz Produção editorial: Indiara Faria Kayo Editoração eletrônica: Join Bureau Revisão: Bárbara Parente Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Dethlefsen, Thorwald Édipo: uma interpretação psicoterapêutica da tragédia grega / Thorwald Dethlefsen; tradução Zilda Hutchinson Schild. – 1. ed. – São Paulo: Editora Cultrix, 2017. Título original: Ödipus der Rätsellöser: Der Mensch Zwischen Schuld und Erlösung Bibliografia ISBN: 978-85-316-1396-8 1. Jung, Carl Gustav, 1875-1961 – Crítica e interpretação 2. Mitologia 3. Psicologia 4. Psicologia junguiana 5. Tragédia grega I. Título. 17-02953

CDD-150.1954 Índices para catálogo sistemático: 1. Psicologia junguiana 150.1954

Direitos de tradução para a língua portuguesa adquiridos com exclusividade pela EDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA., que se reserva a propriedade literária desta tradução. Rua Dr. Mário Vicente, 368 — 04270-000 — São Paulo, SP Fone: (11) 2066-9000 — Fax: (11) 2066-9008 http://www.editoracultrix.com.br E-mail: atendimento@editoracultrix.com.br Foi feito o depósito legal.

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SUMÁRIO

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I

Introdução ........................................................

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II

A tragédia ática ..................................................

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III A culpa na tragédia .............................................

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IV O mito de Édipo .................................................

101

V

Édipo Rei ...........................................................

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VI Édipo em Colono ...............................................

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Tábua genealógica ....................................................

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Bibliografia ...............................................................

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O Enigma da Esfinge “Na Terra vive uma criatura que anda sobre quatro membros, depois sobre apenas dois e, em seguida, sobre três membros, embora tenha apenas uma voz. Pela postura, é diferente das criaturas que andam pela terra, das que voam pelos céus e das que nadam no mar. Quando anda sobre os quatro membros, é muito mais frágil.” (Traduzido do grego por Wilhelm Willige)

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Solução do Enigma “Ouve, mesmo que não queiras, Musa esvoaçante e maldosa dos mortos, as minhas palavras: Por direito, agora a tua luta chega ao fim! É o homem, que, quando pequeno, engatinha sobre os quatro membros; quando adulto, usa as duas pernas, mas na velhice caminha apoiado a uma bengala, pois suporta o peso dos anos.” (Traduzido do grego por Wilhelm Willige)

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I INTRODUÇÃO

“Sem o mito, toda cultura perde sua força criativa natural: apenas um horizonte ampliado pelos mitos concretiza a unidade de todo um movimento cultural!” Friedrich Nietzsche, O Nascimento da Tragédia

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Os capítulos a seguir foram escritos com a intenção de tornar a tragédia grega acessível ao homem moderno. Esse empreendimento não só provocou diversas críticas dos especialistas no ramo, em virtude de seus conhecimentos filológicos, teológicos ou artísticos, como também suscitou a pergunta geral quanto ao que me teria levado a abordar este assunto. Por que justamente a tragédia grega? Acaso pretendo “ressuscitar a memória” de antigos ideais de civilização? Visto que a tragédia grega acaba de completar dois milênios e meio de vida, não será melhor nos preocuparmos com os inumeráveis problemas atuais, em vez de estimular os homens a fugirem do mundo? Conheço muito bem as inúmeras perguntas e objeções, que acho justificáveis; pretendo responder a todas com uma afirmação e, para prová-la, necessitarei de muitos argumentos, se tiver êxito. A afirmação é a seguinte: a tragédia grega pode ser um remédio apropriado para o homem moderno. Quando digo remédio estou pensando no sentido literal do termo e, no momento, não conheço nenhum outro cujo efeito seja melhor ou ao menos de igual valor. Sei que esta afirmação soará pouco plausível aos ouvidos humanos da nossa época e, portanto, sei que terei de percorrer várias linhas de raciocínio antes que se comprove sua plausibilidade. Convém não nos esquecermos de que esta circunstância não é surpreendente quando se trata de um remédio, visto que um remédio é aquele

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recurso que nos falta para a saúde e, portanto, necessariamente, algo que está muito distante da nossa consciência – caso contrário, não sentiríamos sua falta. O mistério da tragédia, por certo, está muito distante da nossa compreensão – a distância no tempo é, no caso, o menor dos problemas –, no entanto, buscar o que ficou tão longe (ao menos é esta a minha convicção), pode ser de grande importância para nós, pode trazer de volta à nossa época algo que perdemos de vista no nosso desenvolvimento unilateral. O princípio aqui esboçado mostra nitidamente que as observações que farei sobre a tragédia não são de cunho científico e que, também, não citarei e muito menos criticarei as opiniões tão contraditórias dadas até hoje. Minhas observações representam uma tentativa muito pessoal de apresentar o que entendo ser o mistério da tragédia, decifrando-o, na medida do possível, para o leitor interessado. É claro que consultei muitas obras magníficas de vários estudiosos sobre o assunto, aos quais sou grato, e desejo registrar o fato. O testemunho disso encontra-se na bibliografia, no final deste livro. Sou psicoterapeuta e é nesta condição que me interesso pelos problemas e conflitos da alma humana. É de propósito que falo sobre a “alma humana” de forma generalizada, e não sobre doentes, neuróticos ou pacientes. Ainda faz parte dos preconceitos da nossa época a crença de que existem pessoas doentes e Thorwald Dethlefsen

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pessoas sadias e, consequentemente, que a psicoterapia é um método de tratamento destinado a ajudar pessoas psiquicamente doentes. Mas que engano! Sei que todos os psicoterapeutas são unânimes em concordar comigo quando afirmo que toda pessoa está sobrecarregada de conflitos e de problemas e que, por isso mesmo, não é necessário que apresente algum sintoma físico ou psíquico especial para que tire proveito de uma psicoterapia. Ao se fazer um exame mais detalhado, constata-se logo que cada pessoa apresenta uma “sintomatologia” mais do que suficiente, não só na forma de pequenos incômodos e males físicos, cuja causa e função podemos eliminar com presteza, mas, também, na forma de muitas dificuldades diárias no emprego, nos relacionamentos e na vida particular. A causa primordial para esses males preferimos atribuir aos problemas alheios e ao assim chamado meio ambiente, em vez de admitir que se trata de formas de expressão e de sintomas dos nossos próprios conflitos inconscientes. Através do processo de projeção, tão bem conhecido pelos psicólogos, nos sentimos compelidos a lidar agressivamente com as pessoas e com os problemas ambientais durante toda a vida, muitas vezes sem reconhecer que as raízes de todos esses conflitos e problemas estão em nós mesmos, ainda que não tenhamos consciência deles. Com o desenvolvimento da psicologia profunda, neste século, ao menos os que lidam com a psicologia conhecem com exatidão estes inter-relacionamentos: a base deste

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conhecimento é a psicoterapia, cuja ajuda é vista com gratidão por um número crescente de pessoas em nossa época, pois é através dela que aprendem a se conhecer melhor. Entretanto, na psicoterapia acontece um fenômeno estranho e impressionante: quanto mais individualmente uma forma terapêutica atua, tanto mais “superficial” ela é; quanto mais a alma humana se aprofunda, tanto menos individual ela se torna. Nas profundezas, os problemas se tornam cada vez mais parecidos, a tal ponto que por fim não lhes restam sequer traços pessoais. Esta circunstância pode ser desconcertante à primeira vista, pois, no íntimo, toda pessoa está absolutamente convencida, com base em sua biografia e em seu caráter individual, de que cada situação problemática é altamente específica e única. No entanto, um exemplo talvez torne mais compreensível o inter-relacionamento que descrevi. Se observarmos o corpo de uma pessoa e o compararmos com o corpo de outra, as diferenças individuais chamam imediatamente a atenção. Uma é grande e encorpada, a outra, pequena e esguia, a cor dos cabelos e da pele é visivelmente diferente, o mesmo acontecendo com a cor dos olhos, o formato da boca, a estrutura física, etc. No entanto, se submetermos ambos os corpos a uma operação, quanto mais nos aprofundarmos, mais as diferenças deixarão de existir, em favor dos traços comuns, até alcançar a igualdade. O coração ou os nervos já não se diferenciarão tanto, e se continuarmos até Thorwald Dethlefsen

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chegar à célula isolada, as semelhanças da formação e da estrutura se tornarão mais visíveis do que as suas diferenças. Algo parecido acontece com a estrutura da alma humana. É preciso manter a atenção concentrada totalmente na aura humana a fim de descobrir problemas individuais. A verdadeira psicologia profunda se torna obrigatoriamente arquetípica, ao penetrar nas estruturas fundamentais da consciência. Antes que se torne visível por que eu mencionei este fenômeno neste contexto, ainda temos que responder à seguinte questão, que no exercício da minha atividade terapêutica se apresenta com a maior premência: Por que cada vez mais pessoas do nosso meio cultural precisam urgentemente de uma psicoterapia e como as pessoas que viveram nos últimos milênios conseguiam sobreviver sem sua ajuda? Para muitas pessoas, esta questão poderá parecer, à primeira vista, absurda ou falsa, pois elas partem do princípio de que, também atualmente, a maioria das pessoas controla muito bem sua vida sem a psicoterapia. No entanto, se analisarmos essa afirmação com mais profundidade, concluiremos que ela não é real. Os homens não dominam sua vida, pois em última análise, eles não relacionam os problemas e os golpes do destino com sua psique. Nesse sentido, os temas são pseudo-objetivos e cada pessoa está convencida de que os problemas “pertencem ao mundo” e nada têm a ver com ela. Como exemplos preferidos são citados: o câncer, a AIDS, a poluição ambiental, o medo da

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energia nuclear, a guerra, o fim do mundo, etc. Neste livro não há espaço para demonstrarmos o inter-relacionamento desses “problemas ambientais” ou dessas “doenças” com a própria psique, e me satisfaço neste ponto com uma sugestão: que a pessoa isenta de preconceitos pode comprovar o que digo aqui através da própria experiência. Voltando à nossa pergunta, outra resposta pode consistir em nos referirmos ao desenvolvimento moderno vendo, consequentemente, na psicoterapia uma nova possibilidade, tal como a descoberta dos motores ou das modernas técnicas cirúrgicas. Em épocas anteriores da humanidade, eles não existiam e sua conquista nos causa tanto orgulho. Aqui nos defrontamos com uma das mais perigosas posturas básicas da nossa época, à qual estamos tão acostumados que se torna difícil deixar de notá-la. O homem moderno parte, com absoluta naturalidade, de um modelo linear de desenvolvimento (darwinismo!), cuja consequência inevitável é acharmos que tudo o que aconteceu antes da nossa época é menos evoluído e que, portanto, estamos no auge da civilização. Esta postura, que o grego denomina de hybris (tema central de quase todas as tragédias), é tão típica do cristianismo como das ciências naturais. O cristianismo falhou por não perceber que mesmo antes do nascimento de Cristo havia uma religião verdadeira, ensinamentos cuja sabedoria era autêntica e que constituíam legítimas iniciações. Portanto, o cristianismo estava profundamente Thorwald Dethlefsen

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convencido de que tudo o que existiu antes, ou fosse exterior a Jesus, não passava de paganismo, que só poderia ser salvo através de uma conversão. A ciência assume a mesma atitude, na medida em que parte do princípio de que apenas a explicação do mundo através da propagação de inter-relacionamentos funcionais causais leva a uma visão correta e adequada e que, assim sendo, qualquer outra forma de experiência mundana é arcaica, supersticiosa, primitiva e ultrapassada. Como a nossa cultura é predominantemente nutrida por estas duas raízes, o cristianismo e as ciências naturais, não é de causar estranheza o fato de os homens do nosso tempo estarem tão convencidos da importância de nossa cultura. Também não deve causar espanto o fato de nunca lhes ter ocorrido a ideia de procurar por algo em épocas e culturas mais antigas que talvez pudesse lhes ensinar alguma coisa. No que se refere à nossa pergunta, vamos então renunciar a esta resposta em que se vê na psicoterapia uma mera expressão do avanço da nossa época e da nossa sabedoria. Portanto, eu gostaria de tentar dar uma outra resposta à referida questão, que me parece cada vez mais comprovável, à medida que lhe dedico a minha atenção. Acho que os homens de antigas culturas não precisavam de psicoterapia porque tinham outros métodos que satisfaziam de modo muito mais adequado as necessidades da alma humana. Portanto, não é verdade que, devido à falta de psicoterapia, algo que finalmente se tornou possível hoje

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deixasse de acontecer; acho que antes acontecia algo que hoje não ocorre mais, algo que criou um espaço vazio, um vácuo que a moderna psicoterapia tenta preencher, na medida das possibilidades permitidas pelo seu horizonte atual de conhecimentos. Torna-se, portanto, nítido um retrocesso no desenvolvimento. Não nos tornamos melhores, mas essencialmente piores. É por isso que o homem moderno é psíquica e essencialmente mais doentio do que os homens de épocas anteriores. A psicoterapia transformou-se na resposta que se tornou obrigatória para uma perda sofrida pela nossa cultura. Sinto mesmo certa timidez em dizer onde vejo essa perda, pois na nossa consciência moderna estamos bastante orgulhosos dessas “perdas” e são elas que fundamentam a nossa sensação de superioridade. Vejo essa perda nos mitos e em seu culto, aqueles grandes e significativos potenciais energéticos da Antiguidade que, talvez um tanto apressadamente demais, jogamos fora. É por isso, também, que o mito e o culto estão distanciados da compreensão da nossa época, a tal ponto que esses conceitos despertam apenas falsas interpretações do seu conteúdo e falsas associações. A ironia da nossa época consentiu que não só a nossa vida e o nosso mundo fossem “desmitificados”, mas também que a teologia “desmitificasse” a religião cristã. No que se refere às explicações que se seguirem, desejo antecipar que não pretendo buscar a cura através de um “retrocesso” às culturas e crenças do passado, nem que me inclino a Thorwald Dethlefsen

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mandar tudo o que é moderno para o diabo. Minha principal pretensão é fazer com que se reconheça que existem diferentes formas de experiência do mundo para as pessoas e, consequentemente, também diversas formas de vida que não se diferenciam com muita facilidade em categorias como certo e errado, representando muito mais formas polares diversas que se complementam. Acho imprescindível e necessário à vida que se aprenda a ver que a nossa cultura, tanto quanto ela mereça essa definição, se desenvolveu numa incrível unilateralidade, que cada vez mais intensamente se inclina para o polo oposto a fim de recuperar o equilíbrio. Naturalmente, não podemos solucionar nossos problemas através de modelos regressivos (como, por exemplo, o movimento de “volta à natureza” gosta de afirmar!), mas somente nos tornando cientes da nossa unilateralidade, para então sairmos em busca daquilo que “falta para o nosso bem-estar”. Nessa busca, um exame das grandes civilizações antigas pode por certo ser muito útil, pois nelas encontraremos aquele polo da experiência da verdade que sacrificamos no nosso caminho para a Nova Era – sim, na verdade, tivemos de sacrificá-lo a fim de cumprir a nossa missão. As civilizações antigas não eram necessariamente “melhores” que a nossa; talvez fossem exatamente tão unilaterais, embora no polo oposto – o que as torna tão interessantes para nós. Não queremos e não devemos regredir e brincar “de passado”, mas temos grande necessidade

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de voltar o olhar para o que se passou há muito tempo, a fim de conseguirmos sair do labirinto da nossa unilateralidade. E claro que precisamos descobrir formas adequadas ao nosso tempo e ao futuro: não podemos ficar reativando indiscriminadamente formas há muito passadas. Mas tudo isso requer tempo e, para que de fato possa acontecer, é necessário mergulhar no mundo das experiências das pessoas que se sentem à vontade nesse mundo em que nos sentimos estranhos. Se fazemos um esforço – isto é, quando o fazemos – para contemplar mitos e cultos, na maioria das vezes partimos do ângulo de visão da nossa época e da compreensão que temos do mundo. Infelizmente, isso leva – como comprova a farta literatura moderna sobre o assunto – a avaliação e interpretações completamente absurdas. Isso também é revelado pelo uso que fazemos da palavra “mítico” no sentido de velado, imaginado, inverídico, fantástico, ou seja, contrário às leis da natureza. Com base nisso é que a teologia cristã se volta contra o conceito de mito. Ela quer acentuar o lado histórico da vida de Cristo, excluindo o mitológico. No entanto, a palavra “mito” veio originalmente de uma conexão bastante diferente. Em grego, mythos quer dizer “palavra”, estando em polaridade com logos, que também traduzimos por “palavra” e da qual derivamos a nossa “lógica”. O verbo correspondente é mitologizar (

), e signifi-

ca exatamente “narrar o conteúdo real do fato”. Thorwald Dethlefsen

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1º capítulo édipo  
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