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Os Voduns são ícones ou "Orixás" da Cultura Jêje. São diferentes dos Orixás tradicionais pois não pertencem somente à estrutura de criação do Planeta Terra. Estão acima dos Orixás, pois pensam, decidem e têm senso de distância, pena, ódio, amor, tempo. São Tridimensionais, Binários e Ternários, Holográficos, Lógicos, Aleatórios e infalíveis. Alguns têm a sua "origem" fora do mundo e, outros ainda, fora do próprio Sistema Solar – porquanto alguns, são legitimamente extraterrestres. Os Voduns, em sua grande maioria, foram seres humanos e ou, anjos, que participaram do "assentamento" do "macaco pensante"- (ser humano) no mundo. (Vide Bíblia - Gênesis 6.) – (Vide Titans na Mitologia Grega).

Exemplos de alguns Voduns originais: Profeta Elias, Profeta Enoch, Profeta Eliseu, Noah (Noé), Nimrod (Oduduwá) Moysés, Josué, Helena de Tróia, Judith, Maria Madalena, Hamurab, Golias, Alexandre, O Grande e tantos outros. A codificação dos Voduns foi feita por Jethro, Sacerdote da Tribo de Dan (uma das 12 Tribos de Israel), sogro de Moisés, que o acolheu quando este foi expulso do Egito. Jethro ensinou à Moisés como usar os poderes mágicos que Jeová lhe concedera no Monte Sinai. Portanto, Voduns representam a capacidade de Mutação, restauração e evolução eterna em ambos os sentidos. São espíritos importantes na "constituição" de uma nação ou tribo. Os Voduns, necessariamente são espíritos ou energias racionais que comandam o estrutural da vida de muitos seres humanos ou comunidades. Os Voduns detém todo o poder sobre os Orixás, alterando-os, modificando-os e dirigindo sua força quando necessário. Alguns Voduns foram Nephlins. A magia dos Voduns é poderosa e altera sistemas governamentais e sociedades. Um exemplo disto, está na "Família Kennedy" cujo ancestral Joseph Kennedy não cumpriu com as promessas feitas ao sacerdote do seu próprio Vodun, gerando com isto toda a tragédia que vitimou seus descendentes. Erroneamente este ritual está classificado pelos dicionaristas menos competentes ou menos avisados, como "pratica de magia negra". Não existe prática de magia branca ou negra – existe prática de magia positiva ou negativa. A única diferença entre a magia Vodu e as demais, é que, o Vodu funciona para o bem ou para o mal. É a eterna luta entre o Faraó Ramsés II e Moisés – qual a Cobra mais poderosa ? A cobra do Rio Nilo ou a Cobra do Jardim do Éden? Mas os Voduns conseguiram tanto com seus Arquétipos Positivos, quanto com seus Arquétipos Negativos, chegar aos nossos dias em nossas Américas: - Nova Orleans, Haiti e Maranhão (Brasil). Está aí no Boi de Matraca, Tambor de Crioula, Terecô, Tambor da Mina do Maranhão, Tambor Dagomé de Cachoeira na Bahia, Batuque Oyó do Rio Grande dos Sul e tantos outros rituais da Cultura Jêje espalhados pelo Brasil, talvez o maior herdeiro da Cultura Vodun do mundo. Dezenas de Voduns que são hoje conhecidos nos "candomblés" da Bahia, foram "importados" desta cultura habraico-sumeriana. Spakatá, Nanan Burukú, Aguê, Aziri, Abotô, Neossum, Ajagunan, Ajagun, Legbá, Bará, Tobôssi, Fá, Nikassé, Oduduwa, Zomadonu, Davissés, Ewá, Olókun, Oxunmarê e Dan, são apenas alguns nomes, de centenas de Voduns que hoje habitam


o Brasil e interferem na política, na genética e no futuro do país. Fizeram presidentes, senadores, governadores, deputados e governadores. Alguns para o BEM, outros para o MAL. Cada um recebeu a sua oportunidade. Se a usou da forma certa e para o bem do POVO, está "colocado". Senão, virou um "Zumbi" escravo de outros tantos piores do que ele próprio. Assim é o JÊJE ou Vodú..Uma opção entre o certo e o errado, entre ser bom ou perverso. Entre ter o poder político ou financeiro e distribuir pelo POVO, ou usar isto tudo a MASSACRAR o POVO. Mas é preciso não se esquecer que o VODUN veio do Povo, para o Povo e pelo Povo, assim como Abrahão, Ismael, Isaque, Jacó, Moysés, Davi, Jesus e tantos Santos sacrificados. O dia no qual os sacerdotes (políticos ou não), assim como Jetrho, olharem para o Povo, os Voduns alcançarão seus filhos e mudarão todos os Sistemas de Governo. Caso contrário, não há necessidade de sacerdotes, pais-de-santo, babalorixás, pastores, bispos ou padres. Os Voduns farão sua ligação com o POVO, sem a necessidade de intermediários. E aí, "O Fogo do Céu" cairá sobre os Palácios do Governantes. Exatamente como aconteceu no passado. Vodun é Vida, é Preservação da Espécie, é Evolução! Antropologia, Totens, Origens, Voduns e Bossuns da Cultura Jêje Tese de antropologia - prof. Eduardo Fonseca Júnior Apesar de ter influído em grande escala na cultura Yorubá no Brasil, à ponto de ter centenas de vocábulos, práticas e rituais inseridos naquela cultura, o Jêje tem as suas raízes, totens, famílias e origens estabelecidas com grande fundamentos em alguns locais do Brasil, como Cachoeira e São Félix, na Bahia, Recife, em Pernambuco, São Luiz e Codó, no Maranhão. Tal é esta influencia, que criou-se o termo Jêje-Nagô, para se identificar a mistura do Yorubá com o Ewe, Gá, Fanti, Ashanti, Mahii, Mina, etc. – Isto, sem se falar na assimilação cultural feita pela cultura Angola, às varias raízes Jêje. Está a provar o fato, a existência de termos como Do fono, Dofonitin, Fomo, Fomuntin, Gamo, Gamutin, Vimo e Vimuntin, (palavras do dialeto Ewe), que identificam tanto no ritual Keto, como no Angola, a nomenclatura ordinal de um “barco” iniciático de Yiawos (noviços), nestes rituais. Palavras como Acassá, faca (faka), garfo (gaflo), forno (fono), de origem Fanti, estão totalmente assimiladas pelos demais rituais, bem como, pela população brasileira em geral. A palavra Tijolo (Tijoló ), de origem Fon dahomeana, está inteiramente inserida no idioma português, sendo referida milhares de vezes, diariamente nas construções civis do Brasil. Para deixar estabelecida esta forte influencia cultural dos grupos étnicos da Costa do Ouro e Mina, representados por países como Ghana, Togo e Benin (ex-Dahomé ), na Cultura AfroBrasileira, daremos a seguir a relação das famílias, totens e Voduns da Cultura Jêje, estabelecidos no Estado do Maranhão:


Casa Fanti-Ashanti de origem Akan Osopong de Ghana. (São Luiz) – MA. Família Osopong: Bossuns Masculinos (Oboró): – Akosombo – Bonsutuy – Kipong – Akan-Kuamo – Mapong – Etekó – Nysepon – Legon – Luepon – Afosun – Agubobo – Alabyapong – Aguidihe – Okoinin – Bokulofin – Nikoransa – Tombalasy – Obaila – Irete Obs.: Os Bossuns são o mesmo que Voduns, ou seja, Orixás. A diferença está na maior ou menor ligação familiar da “casa” com a divindade. Na realidade, são palavras-sinônimas, uma da outra. Quanto à palavra “Oboró” significa MASCULINO, ou Santo Macho.

Da mesma família de Osopong (Oulisa) da Casa Fanti-Ashanti: Bossuns Femininos (Yabás): – Kobina Amanfi – Manupongy – Mientwi – Oti Akentin – Maswi Gadwi – Adanse – Dangowe – Osimpongy – Buinka – Amabow Existe um fenômeno na Família de Voduns Osopong, dentro da Casa Fanti-Ashanti de São Luiz do Maranhão. Entre os Bossuns femininos encontramos um que atende pelo nome de “Name Unknown”(em inglês, “nome desconhecido”). Está claro que esta Divindade feminina, há pelo menos 300 anos, esconde seu verdadeiro nome, usando um termo em inglês, fato que tem passado desapercebido pelos freqüentadores e zeladores locais. No entanto, é uma das maiores provas da “diáspora” afro-brasileira e transmigração de energias metafísicas de um continente para o outro, vez que “Name Unknown” tem passado de médium para médium, (de filho ou filha para filho ou filha), expressando-se em Fanti, Ashanti, Inglês e Português. Obviamente, sabemos que a influência da colonização inglesa na Costa do Ouro, data de 1550 quando lá aportaram os primeiros corsários e mercadores da Inglaterra. Este é um dos fenômenos de meta-temporalidade, metafísica e para-normalidade que está a clamar por uma análise científica apurada e um estudo antropológico por parte das Universidades e autoridades pertinentes ao assunto.

Família Tap-Beicile – Casa Fanti-Ashanti Bossuns Masculinos (Oboró): – Tap-Kromanti – Ojoufre – Opeledan – Adja Pong – Aden – Aizou – Akilonbé – Bessow – Abonagá – Aizan – Okoinin – Johabe – Setojy – Okonfo – Kounté – Ahouangan – Mamelubam – Ahouamby – Odamy


Bossuns Femininos (Yabá): – Oberimesan – Omonansy – Onidegbow – Oberem – Olulube – Eguinabá – Matindorú – Osambebe – Adahowosan – Ajalanan – Dilamwy

Família Hudavisi-Alladá – Casa Fanti-Ashanti Bossuns Masculinos (Oboró ): – Akabashé – Zowhun – Okamby – Nyogbé – Gow Ajabyi – Kohoussu – Agonjedam – Aynon – Pog-Lode – Agué – Apojyi – Sansabosan – Anpuku – Obesevy – Kajanjá – Demejy – Oranyin – Bobikuma – Asiby – Togum – Apam – Olopopo – Anamabo Bossuns Femininos (Yabá ): – Obiasumabé – Gedeonsú – Ayosú – Osilahou – Sunegan – Afefe – Anansé – Inayé – Lakanjy – Osiby – Akosua – Ajiman

Existe um aspecto interessante na formação da “Família Houdavisi-Alladá da Casa FantiAshanti, que comprova a tese da miscigenação étnica, cultural, transcendental e metafísica do grupo chamado Jêje. Sendo pelo próprio nome, Houdavisi-Alladá, já por si, declara que é oriunda do Dahomé e Togo, quando do reinado de Alladá no Dahomé, o qual se estendeu a oeste para o Togo e Ghana e à leste para a Nigéria. Daí a grande incidência de Voduns dahomeanos, Orixás yorubanos e Bossuns Ashantis na formação deste Totem Familiar. Por outro lado, há que se destacar a “agregação” desta Família de Alladá à Casa Fanti-Ashanti em razão da origem dinástica Gá e Mina do então Rei Dahomeano Alladá, totalmente conflitante com a dinastia Fon, Ewe e Mahii dos Reis Ghêzo e Glé-Glé que antecederam e sucederam respectivamente à Alladá no trono do Dahomé .

Linhagem totêmica das famílias que compõem a Casa das Minas Jêje: Família de Davisé – Reis, Imperadores, Príncipes e Princesas: Voduns Masculinos (Oboró): – Ahounomisavá – Daco – Donu – Koicinakaba – Dadaho – Zomadonu – Bedigá – Dossú Kpé – Apoji – Tossé – Jogorobossú – Agongonu Voduns Femininos (Yabá ):


– Sepazin – Nanin – Tossá – Dossú – Dassé – Akueví – Dagbé – Trotrogbe – Revive

Família da Danbirah – Voduns, Energias naturais e Encantos: Voduns Masculinos (Oboró ): – Sakpatá – Azonsi – Lepon – Poliboji – Borotoi – Bogoni – Alougué – Bosukó – Hoejú – Abojú Voduns Femininos (Yabá ): – Azirí – Bossaladan – Ewá – Bonboromina – Assoabebe – Sandolebe – Sanlevive – Ulolobé

Os Voduns desta família são responsáveis pelos movimentos da natureza e seus elementos, sua fala e “encantos”(encantados e adaptados ao relevo brasileiro). – Está a provar, a existência de um encantado conhecido por “Légua Bogi Buá Trindade” – Assimilação de Elegbá+Polibogi. Este é um Vodun encantado do Tambor da Mata (Terecô) no Maranhão. Legbá (Exu) + Polibogi (Sakpatá)+Buá (Boa Dan)+Trindade (cristã).

Casa das Minas – São Luiz do Maranhão - Linhagem Totêmica: Família de Envioso Voduns e Energias do Fogo, Água e Encantos Voduns Masculinos (Oboró ): Sogbo – Envioso ou Hevioso – Ajauntó – Afrejó – Afreketi ou Vereketi – Ajanotoi – Loko

Voduns Femininos (Yabá ): – Agbé – Agamavi – Naité – Badé – Lissá

A Família de Envioso é responsável pelo movimento do fogo, da água e a mistura de ambos os elementos. Uma das conseqüências desta mistura seria os raios nas nuvens, fato que classifica Envioso, Sogbo, Badé e Verekete, como Voduns dos raios, trovões e justiça, equivalendo-se aos Orixás Xangô, Ajaká, Aganjú e Abiodun dos Yorubanos. Já Lissa e Naité representam as águas salgadas que evaporam para formar as nuvens, enquanto Agamavi transforma-se em terra para receber a água e o sal oriundo da evaporação, ficando para Agbé o movimento de tudo


através dos ventos, brisa, etc. Raízes e totens familiares do Jêje Dahomé e Mahii Cachoeira/Ba Linhagem no 1: Tia Paulina e Tia Mansur – Adalio Gunajá Linhagem no 2: Gaiakú (Maria Angorense) – Tatá Fumontinho Família de Dan – Voduns do movimento e 4 elementos – Dadá Houmbe Lissa – Dadaho – Danbirah – Daidah – Dankô – Dan Izo – Dan Gbee Todos os Voduns da Família de Dan pela raiz de Cachoeira, são Andróginos e respondem nos 4 elementos da natureza, dentro e fora do Planeta Terra. A linhagem Dagomé na realidade é uma transmutação direta da Linhagem de Jethro, sogro de Moisés, que descendia da tribo de Dan.

Família de Oulissa: – Voduns da Vida, criação, concepção, etc. – Lissa – Aziri – Naé – Naeté – Naedone – Agbé – Ewá – Anabioko Todos estes são Voduns Femininos (Yabá) envolvidos com as águas.

Família de Sakpatá – Voduns das doenças, pestes, curas, etc. – Possun – Ajunssú – Azoani – Intoto – Pueu – Idarko – Poliboji – Avimazi – Zangbeto – Ajagun. Todos este Voduns são masculinos (Oboró), envolvidos com o ciclo da Vida e da Morte, punições, doenças, curas, medicina, pesquisas, etc.

Família de Gunokô – Voduns dos ventos, memória, passado – Abé – Ijó – Huno – Zagan – Geledê – Tolugenan – Afefé – Abé Dossú.

Família de Aguê – Voduns das matas, da fartura e encantos – Igbó – Neossum – Loko – Ekun Wale – AgueEtalaAziri – Aroni – Olugbuelé – Wawá – Layielú À exceção de AgueEtalaAziri que é andrógino, os demais são Voduns Masculinos.


Família de Erzulie – Voduns da Origem marítima da vida – Ajagurá – Erzulie Dantor – Aboto – Deí – Olokun – Gbingbinbinikin – Dossukpé Todos os Voduns desta família são femininos e governam os elementos líquidos.

Familia de Elegbá – Voduns da procriação, comunicação e trânsito – Bará - Elegbará – Odin – Crebára - Obarainan - Ajelu – Gú – Ogagun – Ossatiniko – Elegbá - Lalu - Iangui Excetuados Gú e Ogagun, os demais são masculinos e femininos de tempos em tempos.

Assim fizemos um rápido relato da condição estrutural da Cultura Jêje trazida para o Brasil por cerca de apenas 10 ou 15% de todo o montante de escravos aportados aqui durante 300 anos. Como podemos notar, apesar do baixo percentual destes grupos étnicos no Brasil, sua influencia é preponderante nos restantes 85% que para cá vieram.


ORIGENS "Caçando pouso em um Brasil com História e dignidade Nacional" Eduardo Fonseca Jr., jornalista, historiador, filólogo e sociólogo, é o mais polêmico autor da cultura afro-brasileira e primeiro africanólogo do Brasil. Foi criado nos Estados Unidos e participou da CEIA NEGRA servida pelos Deuses do Blues, Jazz, Souls e Comics americanos como, Dizzy Gillespie, Shally Man, Sammy Davis Junior, Red Fox, Barnie Cassel e David Lynn. Conheceu a Alma Negra e o Deus das Igrejas Negras (o mesmo Jeovah dos brancos), absorvendo as razões e finalidades de uma raça que adotou os usos, costumes, credo e fé do branco colonizador, porém nunca foi aceita na mesma igreja deste branco e seus descendentes. E mais: descobriu que o racismo do branco alimenta-se da ignorância negra acerca da sua própria origem. Convidado pelos Governos de Ghana, Senegal e Nigéria para conhecer a cultura, usos e costumes africanos no ano de 1975, ao chegar na África encontrou o grande mestre João Cabral de Mello Neto, que iniciou seu processo de adaptação ao fenômenos africanos com um comentário: “Eduardo, aqui na África tudo pode acontecer, compreende? Aqui é mais que Morte e Vida Severina e Deus e o Diabo na Terra do Sol.” e foi!


Depois de um ano na África, em 1976, Eduardo retornou ao Brasil e fundou a Sociedade Yorubana juntamente com brasileiros e africanos interessados na preservação da cultura nacional. Desde então, a Yorubana vem lutando pela preservação das mais diversas manifestações culturais brasileiras tendo sido elas trazidas pelos africanos, deixadas pelos povos indígenas ou por qulquer um dos INÚMEROS povos que de alguma forma contribuiram para a formação do nosso país.

A YORUBANA

A Yorubana nasceu no dia 03 de março de 1976 e vem lutando desde então para que a nossa sociedade saiba o quanto herdou das culturas trazidas pelos negros africanos e dos donos da terra, os indígenas. Uma história que resgata a nossa dignidade e que vem sendo corrompida para destruir o nosso sentimento de BRASILIDADE E NACIONALIDADE. Uma história que nunca nos é contada, de um Brasil rebelde que jamais aceitou a colonização e a imposição portuguesa, com grandes heróis esquecidos ou que foram transformados em vilões pela "História Oficial". Esperamos contar com a sua colaboração. Por enquanto, o conteúdo desta página abrange mais a cultura afro-brasileira, mas em breve estaremos colocando com bastante destaque a contribuição da cultura ameríndia e outros grupos que em muito ajudaram a construir o Brasil. Esperamos que gostem da página e que possam contribuir para que ela fique cada vez melhor. Não deixe de mandar suas sugestões pelo correio eletrônico ou assinar nosso Livro de Visitas.

O CONSELHO NACIONAL DE CULTURA

O Conselho Nacional de Cultura é o órgão da Yorubana responsável por publicações e divulgação do nosso trabalho. Ele nasceu da necessidade de organizar toda uma área editorial relacionada a nossa cultura e pode não só editar e publicar livros, assim como editar vídeos, fitas, cds e qualquer material de divulgação relacionado à cultura brasileira. Se você tem algum trabalho na área de cultura afro-brasileira, ameríndia e/ou brasileira em geral, contate-nos. Queremos divulgar todos os eventos e trabalhos que resgatem a nossa cultura a preserve para as gerações futuras. Sua participação é muito importante.

História da África - Cronológica


EXTRAÍDO DOS LIVROS "DICIONÁRIO YORUBÁ-NAGÔ-PORTUGUÊS", "DICIONÁRIO ANTOLÓGICO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA" E "ZUMBI DOS PALMARES, A HISTÓRIA DO BRASIL QUE NÃO FOI CONTADA" DE EDUARDO FONSECA JÚNIOR. DATA

HISTÓRIA

5000 à 4000 a.C.

Os negros ocupavam a África, até então habitada pelos prováveis ancestrais dos atuais pigmeus. Encontramos, na Núbia, relevos rupestres.

3000 à 2000 a.C.

Invasão egípcia à Núbia. Exploração das minas na Núbia. Exploração da baixa Núbia pelos governadores de Elefantina. Pepi I faz esculpir na Núbia os obeliscos para Heliópolis.

2000 à 1800 a.C.

Entrada de ODÙDÚWA na África Negra. Pacto entre Jeovah e Abraão. Pacto entre OLODUMARÉ e Nimrod (Oduduwá). Início de dinastia Yorubana.

1558 à 1400 a.C.

Fundação de ILÊ-IFÊ e OYÓ. Aparecimento de OKANBI, ORANIAM, AJAKA E XANGÔ. Expansão egípcia até o Sudão. Criação no Sudão do Culto à DEUSA SERPENTE. Dados históricos de um chefe branco (Oduduwá), comandando um exército de negros. Fundação da província de KUS. Advento de Amenofis I. Introdução do cavalo no Egito pelos Hycsos. Reina Tutmes I. Reino da Rainha Hatashepsut (corresponde à 18ª dinastia).

Séc. XIV/XVIII

Fundação do Templo de Amon em Soleb. Reina Amenofis IV no Egito em 1372 a.C.

1354 à 1346 a.C.

Reina Tutankamon. Restabelecimento do culto a AMON.

Séc. XIII/XII

Êxodo dos judeus do Egito.

1301 à 1235 a.C.

Introdução de estranho metal (aço) no Egito.

Séc. VII/VI até IV

Aparecimento da civilização NOK. Artesanato em terracota, que persistirá


até o primeiro século a.C.

605 à a.C.

Rei Necau II é derrotado por Nabucodonosor.

505 a.C.

Egito é conquistado pelos Persas.

Séc. II/II/I

Divisão das artes helênicas.

332 a.C.

Conquista do Egito por Alexandre, o Grande.

143 a.C.

Destruição de Cartago pelos romanos.

Anno Uno ou -5

Nascimento de Jesus Cristo em Belém, Judéia.(consoante ao Calendário Gregoriano -5 anos na Era Cristã)

Até o Séc. IV

Fundação da primeira dinastia de Ghana com 44 soberanos. Infiltração do cristianismo na Arábia do Sul. Fundação da Meca, que se transforma em um grande centro comercial.

550

Viagem do legendário monge irlandês São Brandão às ilhas Madeira e Canárias.

660

Primeira exploração das minas de ouro no alto Senegal. Primeiro reinado Nupe. São descobertos os tesouros faraônicos no Egito.

790

Assassinato do príncipe regente de Ghana, que passa o domínio para Kaya Maghan, rei de Uagadu.

890

Os Djermans impõem seu domínio. Islamização da África Oriental. Introdução pelos árabes do caurí (búzios), moeda corrente que domina todo o interior da África. Descoberta das torres e tumbas de pedras, em Angola. Desabrochar da cultura do bronze na Nigéria. Cultura Ifé imposta em cerâmica, bronze e quartzo.


990

Princípio da emigração dos Bantos da África Central para a África Austral. Tomada de Ghana por Audaghost.

Séc. XI

Soberano de Gambaga estende sua influência por todo Alto Volta.

1010

Os Djermas transladam a capital de Sonrhai para GAO. O soberano dos Djermas se converte ao Islamismo. O historiador árabe El Bekri faz a primeira descrição histórica da África, situando a capital de Ghana.

1050

Chefe da província do Mendes se converte ao islamismo. Primeira monção por El Bekri do Império de Bornu.

1061 à 1075

Um chefe almoravita empreende uma guerra a Ghana, que se desmantela.

1083

Uma Embaixada de negros é enviada à China ante o Imperador CheunTsung.

1086

Conversão do soberano do Bornu ao Islamismo. Na Europa o Papa Gregório VII prepara sua primeira cruzada. Os árabes iniciam o comércio de porcelanas e moedas.

Séc. XII

Formação dos reinos Mossi na cabeceira do rio Niger. Fundação da primeira cidade Haussa. Dinastia totalmente muçulmana em Bornu. Construção de Zimbabwé.

Séc. XIII

Formação dos reinos de Gongo. Instalação do Império do reino Dagon à margem do Rio Bandiagara. Assassinato pelo imperador dos Sossos de um príncipe de Mendes e seus onze filhos; o décimo segundo filho Sundiata, se salva e reúne um exército restabelecendo a autoridade.

1234

Sundiata devasta Tinkisso, ataca os Bambara do leste e entra em Dieriba, a capital.

1235

Derrota do imperador dos Sossos. Durante o reinado de Sundiata, desabrocha a economia de Mali.


1255

Morre Sundiata.

1275

Estando a dinastia de Ifé em seu apogeu os Yorubá dominam Nupe. Formação do artesanato de bronze de Benin por um artista chegado de Ilê-Ifé. Morte de São Luiz em Tunis.

1291

Genovês Vivaldi na costa ocidental da África.

Séc. XIV

Conversão dos príncipes Haussas ao Islamismo. Descoberta na África Negra, de máscaras, adornos e jóias de ouro de dinastias extintas. Reinado de Kan-Kan (Congo)

1324

Kan-Kan provoca miséria em seu povo, pelos seus gastos excessivos em ouro.

1375

Kan-Kan se transforma em Imperador dos Mandingas.

Séc. XV

Os Messi, os Tuareg e os Sonrhai atacam Mali. Primeira chegada dos portugueses a Benin, para admirarem o artesanato em bronze.

1442

Nuno Tristão chega ao país dos Negros.

1446

Pedro de Sintra chega à Serra Leone. Tomada de Constantinopla. Fim da guerra dos Cem Anos.

1470

Francisco Gomes obtém o monopólio do comércio da Guiné por cinco anos.

1484

João II rei de Portugal, acreditando que Mali é um poderoso Império, manda seus embaixadores a Mali. Diogo Cão chega a Angola, descobre o rio Congo. Aproximação de Portugal com Manicongo e Matamba.

1490

Batismo do rei do Congo, com o nome João I. Filho do Manicongo é sagrado Bispo do Congo por Roma.


1492

Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança e os portugueses invadem o Zimbabwé. Colombo descobre a América.

1498

Francisco Pizarro invade o Perú, assassina Athaualpa. Começa a destruição da cultura Inca. Fuga de Ayoascar, irmão de Athaualpa para o Brasil. Mesmo período Fernão Cortez destroi a cultura Asteca de Montezuma e Gualtemoc.

1500 aD.

Desabrochar na atual Ghana, dos impérios de Adansi e Ashantis. Primeira revolta no Congo contra o Cristianismo rola o sangue negro. Descoberta em Benin a cabeça da Rainha Mãe. Leonardo da Vincci interessa-se pelas artes Orientais. Os portugueses aliam-se a Benin que envia uma embaixada negra a Lisboa.

1545 aD.

Autorização do tráfico de escravos para as colônias das Américas.

1548 aD.

João III de Portugal envia jesuítas ao Congo. A capital do Congo passa a ser São Salvador. Bula pontifícia de Paulo II conferindo o título de homens (seres humanos) aos indígenas dos países recém-descobertos de Portugal. Caça aos índios no Brasil para a escravidão. Guerras Justas provocam matança de índios em alta escala para lhes tomar as terras litorâneas do recém-descoberto Brasil.

1550 aD.

Construção portuguesa na África.

1559 aD.

Chegada dos primeiros escravos negros ao Brasil para o Colégio da Bahia – Padre Nóbrega, o 1º catequista humano e liberal do Brasil.

1580 aD.

Felipe II de Portugal manda Carmelitas ao Congo. Decadência total do reino de Congo.

1590 aD.

Os Adansis dominam o grupo Akan-Ashanti. Começo do segundo período de artes de Benin: placas de bronze nos pilares dos pátios internos dos palácios de Benin. Publicação na Europa de um elogio a Duarte Lopes, pelas informações de infra estrutura das tribos no Congo. Tradução de diversas línguas africanas por De Bry.


Séc. XVII

Fundação do Reino Bambara em Karta. Cartógrafos franceses em viagem de reconhecimento da África. Apogeu do rei dos Bakuba. Protesto e dissidências entre os Yorubás.

1602

Olfert Dapper descreve Benin para Amsterdam.

1610

Fundação do Quilombo dos Palmares.

1612

Daniel de La Touche, corsário francês, invade o Maranhão e funda a cidade de São Luís em homenagem ao rei de França.

1627

Os holandeses invadem Salvador, Bahia.

1630

Os holandeses desembarcam em Pau Amarelo, conquistam Olinda e Recife. Aliados a brasileiros expulsam os portugueses.

1637

Maurício de Nassau chega ao Brasil, iniciando o desenvolvimento da Colônia. Carta de Nassau a Amesterdã descrevendo a têmpera dos brasileiros, e declarando apoio à Palmares (Zumbi), colonos e piratas brasileiros.

1638

Maurício de Nassau invade São Paulo de Luanda em Angola conquistandoa para a Capitania de Pernambuco. Com apoio de Maurício de Nassau, Pieter Jansen Bas e Dom José do Vale, o corsário brasileiro conhecido por Cabeleira, invadem o Maranhão e derrubam o governador português Bento Maciel Parente.

1640/1650

Bambushê Adinimódó, sumo-sacerdote dos Mahiis (Dahomé), trava contato com Isaak Abuab da Fonseca, primeiro rabino do Brasil colonial (Recife) e assume diante de Zumbi dos Palmares a liderança político religiosa dos quilombos.

1625/1650

Fundação por DEKO do Império do Dahomé. Por dissidência dos grupos Yorubás surge o grupo dos Fons. Data presumível, África.

1651

Os holandeses fundaram na África do Sul a cidade do Cabo.


1652

Início das guerras aos Quilombos dos Palmares.

1680

Sublevação ashanti e fundação do império ashanti. Princípio da decadência da arte de Benin.

1691/1695

Conselho Ultramarino ordena a destruição de Palmares que só se concretiza em 1695, após um sítio de 5 anos por 9 mil soldados.

1713

Tratado de Ultrecht que regulamenta o tráfico de escravos.

1727

Dahomey: ocupação do reino de Allada por Agadja, sucessor e irmão de Akaba.

1729

Agadja controla todo o litoral Dahomey.

1730

Morte do imperador ashanti Koffa Kalkalli, e é feita sua máscara de ouro. Querelas por sua sucessão. Emigração de um grupo Ashanti enviado pela irmã de Dakon, que funda o reino de Baule na Costa do marfim.

1730/1749

Reinado de Apoku Auêre, que deslancha militar e economicamente o reino Ashanti.

1738

Os Yorubás aliam-se a Abomey durante o reinado de Tegbêssu. Os Yorubás rompem o acordo e tentam cobrar um tributo anual a Abomey.

1739

Chegada de membros da Família Real do Dahomé a São Luís, Maranhão e integração dos mesmos com os remanescentes de Palmares e tribos locais.

1775 à 1789

Rei Kapengla tenta libertar o reino de Dahomey do jugo Yorubano.

1789 à 1797

Debilitação da autoridade real de Dahomey. Usman constitui na Nigéria um império muçulmano que agrupa os estados Haussa, o reino Nupe e o Cameron setentrional. Usman toma o nome de Afonjá (Muçulmano).


1800

Embaixada de negros dahomeanos em missão Oficial a Salvador – Bahia.

1810/1814/1815

Usman morre e começa um período de anarquia até 1900. Sua capital toma o nome de Ilorin. Inglaterra compra Colônia do Cabo.

1818/1858

Ghezo restabelece a autoridade no Dahomey e derrota os Yorubás e deixa de lhes pagar tributo.

1849

Os franceses fundam Libreville no Gabon.

1850

Extinção do tráfico de escravos no Brasil.

1851

Ghezo firma tratado com a França.

1853

Desaparecimento do Império Bornu.

1854

Morte de Adana, que fundou o império muçulmano no norte da Nigéria.

1858

Os primeiros missionários e colonos no Dahomey, durante o reinado de Gléglé.

1860

Guerra Civil americana pela extinção da escravatura.

1867

Descobrimento de diamantes na América do Sul, na cidade do Cabo das Minas de Monomotapá.

1874

Incursões inglesas contra os Ashantis.

1877

Inglaterra coloniza o Transvaal.

1884

Descoberta de ouro em Transvaal. Os alemães entram em Togo.

1888

Extinção da escravidão no Brasil.


1889

Behanzin por sua intransigência provoca a anexação do Dahomey pela França.

1889

Proclamação da República no Brasil. Chegada de colonos europeus. Escravos libertos são jogados na indigência pelo novo sistema de governo.

1890

Fim do reinado de Banbara

1897

Expedição punitiva dos ingleses a Benin. Anexação do país à Inglaterra. Os bronzes descobertos são levados para os museus europeus.

1898

Rev. Samuel Johnson lança seu livro “A História dos Yorubás” – em Oyó.

1900

Última sublevação Ashanti contra os ingleses. Anexação do Império Ashanti pelos ingleses.

1906/1907

Descobrimento da Arte Negra por Matisse, Braque e Picasso.

1914/1918

Guerra Mundial na qual participam os batalhões de negros recrutados nas colônias na África. Partilha entre os aliados das colônias alemãs.

1915

Carl Einstein publica o livro Nigerplastic.

1917

Guilherme Apolinaire publica o primeiro álbum francês, dedicado à escultura africana.

1920/1935

Grandes exposições de Arte Negra, na França: Marseille e Paris, em dois pavilhões – Marsan e Galeria Pigalle.

1930

Aparecimento do escultor Yorubano Bamgboye.

1937

Antigo Museu de Etnografia de Paris se transforma em Museu do Homem.

1944

Conferência de Brassaville.


1957

Kwamen Nkrumah liberta Ghana da colonização inglesa trocando o antigo nome de Costa do Ouro para República de Ghana.

1958

Sublevação das colônias africanas.

1963

Independência total da Nigéria, deixando a rainha da Inglaterra de ser o primeiro mandatário do país, adquirindo o nome de República Federal da Nigéria.

1964

Fundação da O.U.A.: Organização da Unidade Africana. Esta organização foi planejada em 1957 por Nkrumah. Movimentos de Libertação na África Frelimo, CNA, FNLA, MPLA, SWAPO, UNITA.

1975

Os Bantos conseguem a independência de seu país Angola, que se transforma em República Socialista de Angola, saindo do jugo português. Revolução dos cravos Vermelhos em Portugal, fato que altera a política para as Colônias Ultramarinas da África.

1975-1992

Os resultados da descolonização de Angola, feita sem o devido critério e análise dos conflitos étnicos existentes desde o seu descobrimento, gera, por culpa de Portugal, vinte e cinco anos de governos totalitários e uma guerra que matou mais de dois milhões de angolanos. Os responsáveis foram: Eduardo Soares, Holden Roberto e Jonas Savimbi.

1999

A fome, a miséria e a morte imperam na Somália, Burundi e em várias outras recém criadas repúblicas, matando milhões de crianças e mulheres diante do descaso dos países do Primeiro Mundo, que assistem impassíveis à apocalíptica destruição da Velha Mãe África que um dia supriu seus celeiros e povos com o imprescindível braço e sangue negro.


Relembrando Zumbi

Em 1545, o donatário da Capitania da Paraíba do sul, Pedro de Góis escrevia ao seu sócio em Lisboa, Martim Ferreira, solicitando a remessa urgente para a referida capitania de “ao menos setenta Negros de Guiné”. Ele contava dali a um ano e meio despachar para Portugal, duas mil arrobas de açúcar, desde que seus sócios providenciassem a vinda do maior número possível de colonos e, principalmente, de escravos africanos. Em 1559, com Dona Catarina como Regente de Portugal, assinada a permissão para que cada um dono de engenho no Brasil, pudesse comprar até 120 escravos africanos. Era o passo inicial para um famigerado sistema de dominação e escambo que, durante três séculos dominaria as três Américas e, em específico, o Brasil. Cinqüenta anos mais tarde, este tráfico crescera à proporções estarrecedoras envolvendo desde a Igreja Católica e Protestante até o mais simples fazendeiro, transformando a proporcionalidade entre brancos e negros no Brasil à dois negros para cada branco. Como é sabido, o tratamento que os traficantes e os senhores de engenho davam aos escravos era extremamente desumano, chegando mesmo às raias do sadismo. Os escravos que na África, em suas tribos, eram rivais de outras tribos, no Brasil se uniram contra o colonizador português e, unindo-se, trocaram informações e conhecimentos os quais foram úteis aos processos de fugas e instalação de refúgios. Estes foram chamados de Quilombos. Em apenas cinqüenta anos os quilombos foram aparecendo por toda a colônia levantando uma bandeira de resistência contra o colonizador português. Tal fato, não aconteceu nas colônias americanas do norte devido aa massificação protestante que não permitia a identificação étnica dos escravos, limitando-os à um primeiro nome e o sobrenome do proprietário dele. No Brasil, obviamente foi estabelecido um sistema de combate aos quilombos mediante a contratação de bandeirantes, mercenários e capitães do mato. Em grande parte vencedores, os contratados dos fazendeiros levavam a vantagem de estarem bem municiados e respaldados por recursos financeiros, enquanto os habitantes dos quilombos contavam apenas com os recursos que os locais lhes fornecia e suas táticas africanas de origem.


No começo do século XVII foi construído em Alagoas o primeiro Quilombo dos Palmares, o mais famoso de todos do Brasil. Palmares era uma verdadeira cidadela de resistência à todos os ataques vindo por parte dos fazendeiros. E o foi por quase um século. O complexo de Palmares começou com o quilombo do Amaro, depois com o Sucupira, seguido do Macaco e finalmente o quilombo do Gigante. Exceto o Quilombo do Gigante, todos os demais foram destruídos pelos próprios ex-escravos. Estima-se que a população de Palmares tenha chegado a cerca de 25 a 30.000 pessoas, no período compreendido entre 1620 e 1695. A organização Palmarina em nada devia aos costumes e leis européias, vez que já a tinham na Velha África. A descrição do navegador holandês Olfert Dapper em 1602 relata a cidade de Benim na áfrica Ocidental( Nigéria) como “sendo uma cidade composta por ruas largas e perpendiculares com casas construídas lado a lado, com um ou dois pisos, sendo que tais ruas de tão extensas não se vê o fim das mesmas. Toda a cidade é ladeada por grandes paliçadas e profundos fossos”. Imagina-se portanto que o famoso Quilombo do Gigante em Palmares construído pessoalmente por Zumbi tenha sido 85 anos depois deste relato algo igual ou superior a cidade de Benin. Caso contrário, não teriam sido necessários 11.000 soldados e 5 anos de cerco com artilharia pesada e canhões para destruí-lo. Os habitantes de Palmares, liderados por Zumbi e Gangazuma e estes assessorados por hábeis generais como Bambuza, Cynianta, Dumdum, Mukumbe, Papua, Shegun e outros valorosos membros das elites tribais africanas trazidas para o Brasil tinham uma estrutura de defesa e uma capacidade de resistência somente comparável à cidade de Tróia na história da humanidade. Dentro do campo da subsistência diária, líderes como o sumo sacerdote Bambushê Adinimodó e o sacerdote Kaundê obtiveram ensinamentos sobre agricultura extensiva e rotativa sendo esta última completamente ignorada por parte dos fazendeiros brancos. A resistência de Palmares ante aos inúmeros ataques que sofreu por tropas enviadas pelo Governador geral do Brasil em Salvador e pelo governador geral da Capitania de Pernambuco em Recife só foi possível mediante a doação de armamentos que lhes foi feita por Maurício de Nassau durante a permanência dos holandeses no Brasil, de 1637 a 1654. A terra pertencia a todos e o seu produto era dividido por todos. Cada habitante tinha sua residência e podia plantar dentro da área de sua residência o que bem entendesse. Os trabalhos de construção, preparo de lavouras e estoque eram divididos por todos. As crianças eram ensinadas e preparadas desde a infância para todos os eventos desde os costumes tribais até a guerra. As mulheres eram encarregadas da tecelagem e guarda do estoque de alimentos nos silos destinados a tal. Tal foi a importância da estrutura do Quilombo de Palmares que seus produtos em lavoura e artesanato foram durante anos comercializados com os habitantes das cidades de Recife, Una, Porto Calvo e Seriahem obtendo a preferência dos habitantes ante aos produtos oferecidos pelos fazendeiros locais. Uma das razões desta preferência devia-se a melhor qualidade e tamanho dos produtos de Palmares conseguidos com suor, mas sem lágrimas.


Enquanto existiu, o Quilombo dos Palmares foi a maior dor de cabeça que Portugal e Algarves tiveram no Brasil durante o século XVII, levando o Conselho Ultramarino de Lisboa à loucura total e desespero, investindo altas somas para sua destruição. 1.500 fidalgos portugueses viviam estritamente do tráfico de escravos para o Brasil, o qual, atingiu a soma de 8 milhões de almas. Zumbi dos Palmares deixou uma grande lição na sua luta contra o colonizador branco: A liberdade é um bem precioso demais para ser desperdiçado. Muitos serão libertos e novamente se jogarão como escravos. Para estes a liberdade jamais existiu e jamais poderá existir. Palmares foi finalmente destruído no dia 20 de novembro de 1695, depois de pelo menos 5 anos de ataques sucessivos liderados por Domingos Jorge Velho, André Furtado de Mendonça e Bernardo Vieira de Melo em expedições financiadas pela Coroa Portuguesa e fazendeiros locais. Por este feito, ambos receberam concessões de sesmarias e prêmios, depois de levarem a cabeça de Zumbi (?) a Recife. Mas tanto Jorge Velho, como André Furtado de Mendonça e Bernardo Viera de Melo tiveram ao invés da glória, um fim trágico. O primeiro, após radicar-se no Ceará, morreu no total esquecimento. Bernardo Vieira de Melo foi preso em Porto Calvo a mando do Governador Caldas e remetido à Lisboa, onde morreu na prisão. André Furtado de Mendonça, preso por envolvimento com uma insurreição, foi assassinado por desconhecidos. E quanto a Zumbi? Zumbi está cada vez mais vivo em nossa história, não só como o herói do povo negro, mas como um ícone da luta pela LIBERDADE. (Dados extraídos do livro Zumbi dos Palmares de Eduardo Fonseca)


ORIXÁS

Orixás são forças da natureza que nos cerca. São divididos em 4 elementos – água, terra, fogo e ar. Os Orixás não têm sentimentos ou noção de tempo, distância, amor ou ódio. Raciocinam binariamente na base do sim e não e em alguns casos inclui-se um talvez. Os Orixás, fazem parte do Inconsciente Coletivo e por este motivo, influenciam os seres humanos positiva ou negativamente, dependendo da circunstância que gera o fato. Por fazerem parte do Inconsciente Coletivo ou Mente Coletiva, somente se tornam benéficos ao ser humano, quando integrados ao Inconsciente Individual (o nosso subconsciente), que o procura incessantemente, desde o nascimento ou parto. São 400 o número de Orixás básicos divididos em 100 do Fogo, 100 da Terra, 100 do Ar e 100 da Água, enquanto que, na Astrologia, são 3 do Fogo, 3 da Terra, 3 do Ar e 3 da Água. Acrescente-se a este fato, a Mistura Inter-Elemental que consiste na mistura entre fogo e água, fogo e ar, fogo e terra, água e terra, água e ar – e terra e ar. Isto gera mais 1200 interelementais, que somados aos 400 primordiais, somam 1.600 energias básicas que ciclam e reciclam a natureza com tudo que é vivente, móvel ou imóvel dentro da mesma. Inclusive os seres humanos. Enquanto a Astrologia é Heliocêntrica (calculada à partir da movimentação solar), os Orixás são Geocêntricos, ou seja, calculados à partir da movimentação e evolução do planeta Terra. Longe de serem apenas Mitos da Cultura Africana, os Orixás são na realidade, os Arquétipos do


Comportamental Humano sem fronteiras, tão bem descritos e estudados por um dos pais da Psicanálise, Carl Jung. Os que discordaram desta tese foram, o próprio Sigmund Freud, que acabou sendo vítima da sua própria psico-patologia e Reich-Lacan, defensores eméritos dos manicômios-judiciários. Os modernos psicólogos adotaram a psico-genética e a ficha de ADN espiritual (encarnações passadas) tão defendida durante séculos por Babalorixás e Ialorixás da Cultura Afro-Brasileira e por Rabinos hebreus com os chamados DJINS. Para finalizar esta pequena apresentação formal, queremos informar que: TODO SER HUMANO TEM 3 ORIXAS à saber: 1º - O Orixá do EGO -"Consciente"???!!! 2º - O Orixá do ID -"Inconsciente"???!!! 3º - O Orixá do SUPEREGO -"Subserviente"???!!! Se considerarmos que todo ser humano é, originalmente gregário (tribal), a integração entre um Ser Humano e os seus Orixás, significa Equilíbrio, Consciência, Sucesso, Reencontro e Fraternidade. É o encontro do EU Interior e o Eu Exterior – Mas será preciso descobrí-los e conhecê-los para poder equilibrá-los!


EGUNGUN

Egungun Babá Obá Olá

EGUNGUN – Nomes, Famílias, Rituais e Orikís No ritual de Egungun, reside um dos maiores mistérios da cultura e ritualística Yorubana e Dahomeana. O culto ao Egungun, é um culto aos antepassados das pessoas falecidas que eram iniciadas no ritual dos Orixás ou Voduns ou ainda, no próprio ritual de Egun. Este ritual não é uma propriedade africana única. No Japão, existe uma semelhança no culto aos antepassados também, e que é de prática nacional. É tão sério e popular, que consegue manter a nação unida em torno desta prática. A única diferença entre estes dois cultos é que no Japão não existe a materialização dos antepassados, enquanto que na Nigéria, no Togo, Benin e Brasil, estas “aparições” são comuns e visíveis a todos os presentes.

É também comum na Nigéria vê-se os Ojés (sacerdotes de Egungun), provocando estas materializações, quando jogam várias roupas (axós – trajes) de Egungun no chão e minutos após, estas começam a inflar e tomar formatos humanos como se corpos existissem dentro de cada uma delas. Tais fenômenos acontecem em plena luz do dia, na rua e diante dos olhos de todos. O ritual começa no Ojubó (camarinha secreta), com oferendas, local onde as roupas são


abençoadas e recheadas dos “axés”(força e poder), do ritual. Posteriormente, é feita a oferenda de um “agutã”(carneiro), sobre o “gbodô (pilão) o qual será levado à praça pública e invertido no chão, ou seja, colocado de cabeça para baixo. Após tais atos o Ologbô (sumo sacerdote de Egun) manda distribuir as roupas de cada Egungun que irá se materializar, no chão separadas a cada três metros. Ato contínuo, começam as cantorias sob o rítimo frenético dos “abados” (abanadores de palha) batidos em bocas de porrões” (grandes vasos de barro com bocas largas), acompanhados por “gans e agogôs” (sinetas de metal). – Tudo isto segue uma ritualística e está rigidamente dentro de uma hierarquia milenar.

Os “cargos” (títulos sacerdotais) estão dentro de uma nominação que assim está determinada em escala ascendente: 1 Ojé – 2 Eiedun – 3 Ojé Lese Egun – 4 Ojé alagbá – 5 Alapini – 6 Alagbá e 7 Ologbô. – O ritual é masculino e só permite a entrada de mulheres que sejam filhas de Oyá (Iasan) Igbalé, Oyá Zagan, Oyá, Messe Egun, Oyá Tolú e Oyá Izô. Existe um cargo intermediário com o nome de “Ojé Lesse Orisá”, que determina uma intermediação entre o Egungun e o “sirê” (toque) de Orisás ligados aos antepassados. Este cargo e ritual fica mais encravado no ritual de Geledê” da raiz Jêje. Ritual O ritual é complexo e exige uma iniciação demorada para aqueles que dele querem fazer parte. A Invocação chamada “Zerim” ou “Sirrum” consiste de cantigas ancestrais de louvação a cada Egun Babá e tem como base sonora os potes (porrões) de boca larga, agogôs, cabaças e “oberós” (alquidares) com água. Alguns “ilús” (tambores) também são usados e se diferenciam dos demais por serem cobertos com couro de “agutan” (carneiro). As roupas pertencentes aos Babás (pais) são confeccionadas em lantejoulas, vidrilhos, canutilhos, espelhos, cetim, telas e uma mistura de tecidos variados contrastantes entre si. Estas roupas não têm aberturas e são totalmente fechadas da cabeça (que varia de tamanho e formato), até os pés. O ritual começa no barracão com as chamadas e as roupas jogadas no chão ou dependendo da “casa”, as roupas ficam dentro do “Ojubó” e à medida que os Babá vão chegando, estas roupas vão inflando e tomando seus formatos humanos(?), andando e falando. É comum ver-se um Babá sentar-se em um trono e gradativamente começar a desinflar até esvasiar a roupa, diante de todos os assistentes. Cada Babá tem a sua peculiaridade, sua cantiga própria, sua entonação de voz, sua roupa e sua linhagem totêmica. Também materializam presentes que deixam para seus filhos e amigos.

Os Babás não devem ser tocados por mão humana e para tanto são dirigidos durante suas apresentações por Ojés que têm nas mãos os “Inxans” (vara de amoreira) que os conduzem com pequenos toques. Porém, não raro, tanto na Nigéria como no Benin ou Bahia, algumas vezes os Babás permitem que alguém lhes apertem um braço ou uma mão para que todos tenham a certeza de que não existe uma pessoa dentro daquela roupa. Os Babás gritam e falam geralmente no dialeto Yorubá Castiço ou Ewe, no que é traduzido pelo Ojé que o acompanha. Os Babás atendem a pedidos mediante a entrega de oferendas (presentes) de momento com os mesmos escritos ou falados durante a cerimônia.


BABÁS EGÚNS FAMOSOS – Nigéria – Benin – Bahia – Pernambuco Estes são alguns dos Babás Egungun mais famosos no eixo África - Brasil. Ojé Ladê – Opetenan – Fatunuké – MamaTeni – Atô – Arô – Ologbojô – Aguian – Baká Baká Alapiagan – Jootolú – Obilaré – Okin – Arisojí – Ode Layielú – Oba Olá – Oyá Biyí – Lapampa – Sembé – Aparaká – Olúlu – Oyé Ati – Élewe – Alarinsó – Ajóbiéwe – Ajofoyinbó – Aiyegunlá – Alapansanpa – Elegbodó – Awuró - Ijépa – Épa – Élé Fin – Ilóró – Pepéiye – Olókótun – Nouvavou – Mazaca – Zazi Boulonin – Zantahí – Wawá – Nibho – Rataloni – Obé Erin – Ólójé – Ólóhan – Olóbá – Aládáfa – Eléfí, Babá ALAPALÁ e Babá BANBUSHÊ ADINIMÓDÓ.

Estes são os mais famosos Babás do ritual de Egungun do Brasil e na África e, que, de uma certa forma “capitaneiam” os destinos das pessoas e por quê não dizer, o destino do Brasil. Cantigas Secretas de Egungun Ritual Jêje – (Sirrum) Saudação: Do manã Avalú elo ô, Do manã Avalú jé roissô Nainhê jí tu sabé deinho Do manã Avalú já roissô Sokó Beré Iná Sakóeré Etú nainhê sobe deinhó Do manan Avalú já Roinssó

Invocação: Avalumã, shenuê e shenuê Shenuê, shenuê e, shenuê Avalumã shenuê ago no shokotô Houn já fineuá e, fineuá Fineuá fineuá Agô no shokotô. E azan barékessé…zan Azan berekessé..zan Azan bá Egun Obé ké makundo Kunjala, jála obé Obé ké makundo


Egun ma houn belé Rekanssô marruô Houn Belé Sogbô, hounbelé Ma houn belé rakanssô marruô Aziri in mamú ê Aziri in mamu á Idabaê, Aziri in mamí á

Ritual Yorubá – (Zerin) Invocação: Murace bí Babá Kosé bé Muracebi Babe Kosé Yá mofú inã Yá ko izô Yá kosé bé Yá kota d´ele se O murecebi Babá Kosé Ikú to loxê Aparaká Ikú to loxê Aparaká, E a larê, Ikú oló re ô

Jêje – Yorubá Invocação: Mauá, Mauá, Mauá Vodunci ilê Mauá Vodunci ilá Mauá Lése Korré zó

ORIKY EGUN Reza secreta Yorubana Egun ayiê Ixibó Orún Móju Baré!!! Sún ré òkún, òrun súnré ô Órun re o, òkún, òrun, òrun re o, Òkú ló gvéré a ko ri i mó


Akikanjú p´arada a kò bgohun ré, Erín wo, erin ló, Ajànàkú subu kó lê g´óké Eni rené ló s´ájulé órun Sun´ré o, Éni rere sùn ré o. Bi ikú ba ngbowó A ba fun um l´ówó Bi ikú si ngb´ébó A ba ra agbó funfun nìkinkìn A ba ni ki ikú o gbá ko s´íjú Ko féni rere lê kó jé kó pé Ko feni rere lê leigbá èmi ré Sún´ré o, Éni rere sùn´ré o. Ikú t´ó fó niká silé t´o um éni rere Bi ikú ba maa gbó a ba bé ikú A ba dóbálé niwajú Élédá A ba fi fere kórin àilónka A ba ke pe ikú ko sáánú Ko fi omo sílé fun abiyamó Sugbón ilú di´´tí kó gbóhùn Sún`re o, éni rere sùnre o. Ikú fó`jú kó riram Ikú féni búburú silé, o um éni rere Bi ikú ba ti de ko gbó´oógun mó Éni kú s´ébó tán O simi o si bó Iówó iyónu O di ebóra fun ómó arayé O di òken nin awón Màleká ode-orun Sun `re o, éni rere sun´´re o, Kíni a ba wi, kini a ba só ? Kini a ba fi sé ètùtù nlá yi ? Ká tu ikú l´ójú k´a ye isókun ojú K´a ba adájó ti nda ti a kó le ri Ikú ti nmu´ni l´ohún, mu´ni léegun ara, O mú´ni wó iínu ilé, a kó re i imó O mu´ni wó iyéwu ré kó padá bó Sun´re o, Éni rere sun´´re o. Ébu rere kója ló si apá kejí odó Ojó wo l´a o pàdé iwó òrisá ilé ? Nibó l´a o pàdé iwó òrisá ilé ?


O di arinnakó o di oju alá O di okio aláwo ati ti awòrawó O di iwáju Olódùmaré Baba, Ki a to fojú ganni ara wa, Sun`re o, Eni rere sun´re o.

Não se pode confundir Egun e Egungun. Eguns são todos os espíritos de pessoas falecidas. Egunguns são espíritos de sacerdotes e sacerdotisas falecidos, ou seja, pessoas que foram iniciadas no ritual do Orixá ou no próprio ritual de Egungun.

Enquanto no âmbito dos Eguns, existem obsessores, e até mesmo demônios, que viveram e que não viveram, os Egunguns são espíritos antepassados que cuidam em dar continuidade à cultura e às tradições étnicas e tribais, para que seus sucessores (os vivos) tenham a melhor condição de vida possível. Egungun não aceita a mentira e a depravação e tão pouco a corrupção dos costumes e da ritualística. Por esta razão, pouquíssimas são as “casas” de candomblé de Egungun no Brasil, estando restritas à Ilha de Itaparica, na Bahia, em locais conhecidos por “Amoreira” e “Barro Vermelho”. No final do século XX e agora no século XXI, algumas tentativas de espalhar o ritual já foram feitas. Algumas com sucesso, outras não. Há que se ressaltar a homenagem ao grande Alagbá Aliba (Eduardo Daniel de Paula) na condução do ritual de Egun em Amoreira. Também destaque para Didi (Deoscoredes dos Santos), o Alapini de Itaparica, no seu trabalho de sucessão do falecido Aliba. Apenas para demonstrar o poder do ritual de Egungun e seus sacerdotes, destacamos da lista de Egungun acima o Babá Bambuxé Adinimodó, que em 1660 foi sumo sacerdote do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, e encarregado pelo destino (Odú) de preservar, no Brasil, através dos ensinamentos, a raiz das tradições das diversas tribos africanas, para cá trazidas durante o nefasto tráfico de escravos. Bambuxé foi a alma , o espírito, o corpo e a mente estratégica e espiritual de Palmares, tendo como assessor o Tata Kaundê e juntos deram muito trabalho às investidas dos soldados e comandantes brancos em embates contra as tropas de Palmares. Não teríamos esta relação e este conhecimento, não fossem os ensinamentos místicos que Bambuxê nos legou através dos diversos discípulos que consagrou.

Em nossa visita e vivência em Lagos, na Nigéria, fomos franquiados a constatar e assistir alguns rituais de Egungun, realizadas em pleno dia em praça pública, presenciando as materializações de vários Babás e com eles tivemos a oportunidade de conversar, e trocando idéias, concluímos que eles amam os seus descendentes no Brasil, hoje negros, mulatos, mestiços e brancos. E conforme nos falou Babá Olobogjô e Babá Alapalá não tínhamos ido à África para “catarmos axés” e sim buscar os nossos fundamentos e conhecermos os nossos ancestrais de mais de quatrocentos anos. Para tanto, nos deram roupas, comida e habitação, além de todo conhecimento possível. Com todo orgulho, portanto, criamos esta página em homenagem


àqueles que nos possibilitaram existir geneticamente, mantendo o conhecimento da ancestralidade, que nos mantém VIVOS. Egun ayiê Ixibó Orún Móju Baré!!! Se Alafiá

MAIORES INFORMAÇÕES SOBRE EGUNGUN E ORIXÁS VOCÊ ENCONTRARÁ NO CAPÍTULO "OS ENSINAMENTOS MÍSTICOS DE BAMBUXÊ" NO LIVRO ZUMBI DOS PALMARES, A HISTÓRIA DO BRASIL QUE NÃO FOI CONTADA, DE EDUARDO FONSECA JÚNIOR. A TRADUÇÃO DOS TEXTOS EM YORUBÁ PODERÁ SER FEITA COM AUXÍLIO DO DICIONÁRIO YORUBÁ-NAGÔ-PORTUGUÊS OU O DICIONÁRIO PORTUGUÊS-YORUBÁ-AFRO-BRASILEIRO, DO MESMO AUTOR.


Encantaria e Jurema

A Encantaria A Encantaria é o resultado da fusão de todos os rituais existentes no Brasil antes da chegada do homem branco com sua cultura católica fetichista, mais a contribuição africana durante 350 anos. Tendo por tronco básico a ritualística indígena serviu de esteio e receptáculo para as demais tradições importadas. Na Encantaria poderemos facilmente encontrar traços, fragmentos e até grandes remanescências das influências ciganas, africanas, católicas, judaicas, árabes, celtas, gregas, romanas e, principalmente indígena.. Mas o grande sustentáculo da encantaria, é a cultura indígena Tupi-Guarani com sua ritualística maravilhosa, voltada para a flora e fauna com ritmos extasiantes e mágicos. Como “pangelança” no norte, “terecô” no Maranhão, “catimbó” no nordeste, “quimbanda” na Bahia, “macumba” no Rio de Janeiro e São Paulo e, “batuque” no Rio Grande do Sul, a Encantaria está espalhada por todo o Brasil sob diversas formas nomes e rituais. A Encantaria não tem um ritual iniciático e doutrina específica. Cada casa ou “terreiro” segue sua própria doutrina, estabelecendo suas regras e forma de prática do ritual. Via de regra não estabelece raízes ou tradições sucessórias, a não ser que as tenha. Os Encantados Os encantados são as energias mais misteriosas e difíceis de serem definidas. São inicialmente divididas em grupos, a saber: Espíritos que viveram há mais de 100 anos (e até três mil anos), espíritos que não viveram e são etéreos e manifestam-se por holografia ou incorporação, espíritos que viveram com corpo físico e manifestam-se visualmente ou mediante contato com a dimensão paralela (quadrimensional quântica) e, finalmente os anjos das 3 categorias, “penosos”, discordantes e rebeldes, que se manifestam de todas as formas possíveis. Boiadeiros No rol dos encantados estão todos que não são Orixás, todos que não são Voduns e todos que já são resultado da miscigenação entre Voduns e Orixás (ambos africanos), e os espíritos da terra, aqueles que já estavam aqui quando o homem branco e o negro chegaram. Vulgarmente são chamados de Caboclos em algumas regiões ou Encantados e mestres outras regiões.Um dos grupos mais presentes e pouco conhecido, é o de Boiadeiro, “O Senhor do Portal do Tempo e das Dimensões”. Atendem por nomes como Navizala, Divizala, Itamaracá, Lua Nova, Campineiro, Gibão de Couro e muitos outros codinomes que escondem sua verdadeira origem e missão. Por serem “fechados” em suas falas pouco se aprendeu sobre este grupo de encantados até hoje. Mas podemos afirmar que trata-se de uma “falange” poderosíssima, com altos conhecimentos místicos, astronômicos e litúrgicos. São capazes de promover fenômenos


indescritíveis se invocados da forma corretas com os “apetrechos” certos. Durante anos as Casas de Candomblé de Angola (Endembo, Mushi-Congo, Tumba Junçara) e Xambá, costumavam após o término do ‘Shirê” Ti Inkisse (roda de santo de Angola), fazer um toque de louvação à Boiadeiro, toque este que rompia a madrugada com o dia clareando e muita Jenipapina. Isto sem se falar nas cantigas conhecidas por “sutaque” que vêm do fundo da alma e são feitas de improviso. Jurema Considerada a mais popular e poderosa ritualística de Encantaria brasileira o ritual da Jurema (hoje bastante miscigenada devido aos fatores já explicados), é no nordeste, tão popular quanto o frevo e o samba no Rio de Janeiro. Jurema (Acacia Nigra), é a árvore sagrada dos indígenas brasileiros há milênios. Nela concentram-se todos os valores fitoterápicos e místicos de um ritual que de uma certa forma, influenciou todos os demais no Brasil inteiro. Dezenas de encantados e mestres espirituais do ritual da Jurema povoam as “Casas de Nação” (candomblés) os quais não podem negar-lhes “espaço”. A Jurema por ser um ritual totalmente brasileiro é o único que se equipara aos seus congêneres africanos por ter sua própria Raiz e Origem. A raiz, é a árvore com suas folhas, casca a raízes – A origem é Monan, deus supremo dos Tupis,Caetés, Tabajaras, Potiguás, Tapuias, Pataxós e outras nações indígenas. Seus protetores eram (até a chegada do branco), Tupan, Yara, Caapora, Curupira, Boiúna, Mo Boiátatá, Jaguá, Rudá, Carcará e outros mais. Eram de tribos diferentes, mas cultuavam os mesmos deuses aos pés da mesma árvore: JUREMA. Com a miscigenação entre os indígenas e o branco e entre indígenas e o negro miscigenaramse também, suas culturas, seus arquétipos, seus usos e costumes. Com o aparecimento “caboclo” (mestiço), apareceram também os encantados resultados desta mestiçagem. O ritual da Jurema, vulgarmente chamado de “Catimbó”, devido ao uso de cachimbos durante a prática, é cercado de preparos e cuidados especiais respeitanto-se prioritariamente a ancestralidade de cada um ou da própria raiz em torno da qual realiza-se a prática. Esta por sua vez, obedece à vínculos locatícios chamados de “cidades da jurema”, cada uma com seu nome. O ritual tanto pode ser feito sobre uma mesa com pode ser feito no chão. As forma são distintas, com objetivos as vezes diferentes. Os ingredientes e apetrechos usados nos rituais de Jurema são os seguintes: Cachimbos confeccionados à mão de diferentes troncos de árvores Fumos feitos com folhas de tabaco misturadas com folhas de diferentes árvores (dependendo da intenção do “trabalho”) Maracá (chocalho indígena) para invocar os mestres encantados Pequenos troncos de Jurema sobre os quais acende-se velas (dependendo do número de “Cidades” as quais serão invocadas – (preferencialmente 4 cidades) Sineta de metal nobre para invocação dos Mestres - (no passado era com caxixi) 2 ou mais copos altos e largos com água Toalha vermelha ou branca se for na mesa e vermelha se for no chão. ALHANDRA, a Cidade Sagrada A cidade sagrada da Jurema é ALHANDRA na Paraíba, entre João Pessoa e Recife. Este é o MARCO ZERO da Jurema no Brasil e também, centro de romarias de milhares de pessoas anualmente. Dentro de Alhandra estão outras três outras cidades sagradas conhecidas por Acais, Tapuiú e Estiva. Lá também estão os túmulos de vários mestres famosos no Brasil


inteiro. Maria do Acais, Damiana Guimarães e Zezinho do Acais, fizeram a fama desta cidade que contém a Jurema de Cangaruçu por todos respeitada neste Brasil. Nenhum mestre da Jurema deve o pode ser tratado como se fosse um Egun ou Exu! Mestres famosos da Jurema: Mestra Maria do Acaís (Maria Gonçalves de Barros) Mestre José Pilintra (José de Aguiar dos Anjos) Mestre Major do Dia Mestre Cabeleira (Dom José do Vale) Mestre Zezinho do Acais Mestre Cangaruçu Princesa de Leusa Mestra Maria Elisiara Mestra Joana Pé de Chita (Joana Malhada) Mestra Damiana Guimarães Mestre Emanoel Maior do Pé da Serra (Emanoel Cavalcante de Albuquerque) Mestre Manoel Cadete Mestre Marechal Campo Alegre Mestre Arcoverde Mestre Tertuliano Mestre Malunguinho Mestra Piorra Mestre Carlos Velho (José Carlos Gonçalves de Barros) Mestra Maria Solomona Mestra Judith do Barracão Mestra Maria Padilha Mestre Antônio Macieira Rei Eron Mestre Cesário Mestra Jardecilia ou Zefa de Tiíno Mestre Tandá Mestra Izabel Mestre Zé Quati Mestre Casteliano Gonçalves Mestra Fortunata do Pina (Baiana do Pina) Mestre Nêgo do Pão Mestra Maria Magra Mestre Candinho Cidade do Segredo da Jurema

Tambaba


7 Cidades Sagradas

Jurema, Vajucá, Junça, Angico, Aroeira, Manacá e Catucá.

Toadas (cantigas) de alguns Mestres do Catimbó ou Jurema:

Mestre Malunguinho: "Malunguinho está nas matas, ele está é abrindo mês a um Rei. Me abra este mesa Malunguinho e tire Espec do caminho. Espec aqui, espec acolá para os inimigos não passar. Espec aqui Espec acolá para os inimigos eu derrotar." – (bis) Mestre Major do Dia: "Ó meu Major, ó meu Major, meu Major de Cavalaria. És meu major, és meu Major, és Meu Major do Dia." – (bis) Mestre Zezinho do Acaes: "De longe venho saindo, de longe venho chegando, tocando a minha viola e as meninas apreciando. Cantando eu venho folgando eu estou. Cantando eu venho da minha cidade. Minha barquinha nova nela eu venho, feita de aroeira que é pau marinho. Quem vem dentro dela é o meu Bom Jesus, de braços abertos, cravado na Cruz. – Aurora é Canindé, Aurora é Canindé." Mestre Cabeleira - (Zé do Vale) "Eu venho de porta em porta caindo de déu em deu. E casa que eu conheço é a sombra do meu chapéu. Fecha a porta gente que o Cabeleira e vem. Pegando rapaz, menina também. Pegando rapaz, menina também. Minha mãe sempre dizia, “meu filho tome abenção, meu filho nunca mate, menino pagão” – Subi serra de fogo com alpercata de algodão, se a alpercata pega fogo, o boto desce de pé no chão. E o meu cavalo, é maresia...ele vadeia lá na praia do lençol." – (bis) Mestra Maria de Elisiara: "Que campos tão lindos, vejo o meu gado todo espalhado, lá vem Maria de Elisiara, que vem ajuntando o gado. Lá vem Maria de Elisiara, rainha de Salomão, que já foi Mestra e hoje é discípula do nosso querido Rei João. Que Campos lindo e Varandas" – (bis)


Mestra Joana Pé de Chita: - (Joana Malhada) "Eu sou Joana da cidade de Santa Rita, tenho um Cachimbo respeitado, eu sou Joana Pé de Chita" – (bis) Mestre Emanuel Maior do Pé da Serra: "Campos Verdes, meus Campos Verdes, tua luz estou avistando, da cidade de Campos Verdes, Emanuel Maior já vem chegando. Campos Verdes, meus Campos Verdes vejo o meu gado todo espalhado, da cidade de Campos Verdes Emanuel Maior vem ajuntando o gado. É fogo na “Gaita” e toque o “Maracá”, bote água na cuia pra Emanuel Maior tomar." Mestre Rei dos Ciganos – (Barô Romanó) "Eu estava sentado na pedra fria, Rei dos Ciganos mandou me chamar. Rei dos Ciganos e a Cabocla Índia, Índia Africana no Jurema. Quem traz a flecha é a Cabocla Índia, Rei dos Ciganos mandou me entregar. Quem traz a flecha é a cabocla Índia, eia arma a flecha que eu vou flechar. Quem traz a flecha é a Cabocla Índia, eia arma a flecha vamos flechar." Mestre Tertuliano: "É de Ipanema, é de Ipanema – Tertuliano trabalhando na Jurema" – (bis) Mestre Marechal Campo Alegre: "Eu dei quatro volta no mundo e o sino da capela gemeu. Sou eu Marechal Campo Alegre, e o Dono do Mundo sou eu." – (bis) Mestra Judith do Barracão: "Judith ó minha Judith, Judith lá do Barracão e os campos de Judith, são campos, são campos. E atira, Judith atira, pedaço "preaca" de mulher. E os campos de Judith são campos, são campos. E atira, Judith atira cabocla negra de Ioruba, e os campos de Judith são campos, são campos. E o bueiro de Judith, é bueiro, é bueiro. E o molambo de Judith, é molambo, é molambo. E o baralho de Judith, é baralho, é baralho." Mestre Navisala: "Eu venho de longe, sem conhecer ninguém. Venho colher as rosas que a roseira tem. Mas eu sou boiadeiro, não nego o meu natural. Quem quiser falar comigo, bem vindo seja no Juremal." Mestra Maria Padilha: "Que grito foi aquele que o mundo estremeceu suas varandas. Foi de Maria Padilha, e a dona


do mundo é ela ó minha varanda." Mestre Légua Bogi-Buá Trindade: "Légua, eu sou Légua, Légua Bogi Buá. Mas eu plantei a Légua no tronco do Jurema. – (bis)" Mestre Zé Pilintra - (José Aguiar dos Anjos) – Ritual de Catimbó raiz Alhandra, Junça, Vajucá. "Mandei chamar Zé Pilintra, nego do pé derramado e quem mexer com Zé Pilintra, ou fica doido ou vem danado. – (bis) – Seu doutor, seu doutor, Zé Pilintra chegou. Se você não queria, para que lhe chamou. Dilim-Dilim, bravo senhor, dilim-dilá, bravo senhor, Zé Pilintra chegou, bravo senhor para trabalhar. Bravo Senhor." "Lá na Vila do Cabo, ele é primeiro sem segundo. Só na boca de quem não presta, o Zé Pilintra é vagabundo." "Zé Pilintra no Reino Eu sou um Rei Real. Zé Pilintra no reino e eu vim trabalhar. Trunfei, Trunfei, Trunfei, Trunfá. Zé Pilintra no Reino, estou no meu Jurema. Trunfariá!" "Chegou José Pilintra, sou o assombro do mundo inteiro. Sou faísca de "fogo-elétrico", sou trovão do mês de janeiro." "Na passagem de um rio, Maria me deu a mão. E o prometido é devido, é chegada a ocasião". "Eu matei meu pai e minha mãe. Jurei padrinho e Jurei Madrinha. Matei um cego lá na igreja e um aleijado lá na linha. Seu doutor, seu doutor bravo senhor, Zé Pilintra sou eu, bravo senhor. Se você não queria, Bravo senhor para que lhe chamou, bravo senhor".

contato@grupoboiadeirorei.com.br


Voduns1  
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