Issuu on Google+


o VELHO TESTAMENlO GÊNESIS a II SAMUEL (Curso de Religião 301) Manual do Aluno

Preparado pelo Sistema Educacional da Igreja

Publicado por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias


Título do Original em Inglês "Old Testament Student Manual" Genesis - 2 Samuel (Religion 301) Traduzido para o português em 1984 Copyright © 1980

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Todos os Direitos Reservados Impresso no Brasil


iü ,

Indice

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

v

Mapas e Gráficos ...... . . .. ........ . . . .. . . . . ......... ... ... . . . .

vii

Capítulo I Para Nosso Benefício e Instrução : A Vantagem de Estudarmos o Velho Testamento (Introdução). . . . .. . . .. . ..........

19

Capítulo 2 A Criação (Gênesis 1 -2) ...... . . . ..... .........

25

Capítulo 3 A Queda (Gênesis 3) ... ................. .......

37

Seção Especial A - Quem É o Deus do Velho Testamento? . . .. . . ... . . . .. . .. ..... ........ . . ....

Capítulo 1 9 Uma Exortação à Obediência, Parte I (Deuteronômio 1 - 1 6) . .......... ... . . . . ... . . .. . 2 1 5

43

Capítulo 4 Os Patriarcas (Gênesis 4- 1 1 ) ......... . ... .....

49

Capítulo 20 Uma Exortação à Obediência, Parte 2 (Deuteronômio 1 7-33) .... . .. ... ... . .. ... ..... . 225

Prefácio

Seção Especial E - O Problema dos Grandes Números no Velho Testamento . .. ... . .. .. .. 1 93 . .

.

.

. .

. . . .

. .

.

Capítulo 1 7 As Peregrinações no Deserto, Parte 1 (Números 1 - 12) ................................. 1 97 Capítulo 1 8 As Peregrinações no Deserto, Parte 2 (Números 13-36)................................ 205

Capítulo 2 1 A Entrada na Terra Prometida (Josué 1 -24) 235

Seção Especial B - Os Convênios e o Meio de Realizá-los : A Chave para a Exaltação. ..... . ... ... . .......

59

Capítulo 22 O Reinado dos Juízes, Parte I (Juízes 1 - 1 2) 25 1

Capítulo 5 Abraão: O Pai dos Fiéis (Gênesis 1 2- 1 7) ....

63

Capítulo 6 Abraão: Um Modelo de Fé e Retidão (Gênesis 1 8-23).... ............. . . .. ........... ..

Capítulo 23 O Reinado dos Juízes , Parte 2 (Juízes 1 3-2 1 ; Rute 1 -4) .. . .... .. . .. .... .. .. .. . . 259

73

Capítulo 7 O Convênio Continua com Isaque e Jacó (Gênesis 24�36)

Capítulo 24 O Profeta Samuel e Saul, Rei de Israel (I Samuel 1 - 1 5) .. .. .. . ..... ... ..... .. . ...... . .... 267

81

Capítulo 8 José : O Poder da Preparação (Gênesis 37-50)... .... ....... .... ............ .. . .

Capítulo 25 O Chamado Recebido por Davi para Guiar Israel (I Samuel 1 6-3 1 ) ... .... ..... . . . . . 277

91

Capítulo 26 A Decadência do Rei Davi (IISamuel 1 - 1 2) 287

Capítulo 9 "Deixa Ir o Meu Povo" (Êxodo 1 - 1 0) .... . . 1 0 1

Capítulo 27 O Preço do Pecado: Tragédia na Casa de Davi (IISamueI 1 3-24) .. � . . . ........ 295

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . _. . . . . . .

Seção Especial F - Idolatria: Antiga e Moderna...... .. . 245

.

Seção Especial C - Os Simbolismos e Protótipos Usados no Velho Testamento . . 1 09

Seção Especial G - Estilos Literários Hebraicos ........ . 303

Capítulo 1 0 A Páscoa Judaica e o Êxodo (Êxodo 1 1 - 1 9) 1 1 7

Capítulo 28 O Livro de Salmos : Canções do Coração de Israel (Salmos) . .... .. . . . ... ............... . . . 309

Capítulo I I Os Dez Mandamentos (Êxodo 20) .. .... ..... 1 27 Capítulo 1 2 A Lei Mosaica: Um Evangelho Preparátorio (Êxodo 2 1 -24; 3 1 -35) . ........ . 1 37 Capítulo 1 3 A Casa do Senhor no Deserto (Êxodo 25-30; 35-40) . .................... ... .. . 147 Capítulo 14 Urna Lei de Cerimônias e Ordenanç as, Parte I : Os Sacrifícios e O fertas (Levítico 1 - 1 0) . ... . .. . . . .. ... . . .

. . . . . . . .

.

.

. . .

.

.

.

1 59

Capítulo 15 Urna Lei de Cerimônias e Ordenanças , Parte 2: As Coisas Limpas e Imundas (Levítico 1 1 - 1 8) ................................. 1 73 Seção Especial D - A� Festas e Comemorações.......... 1 8 1 Capítulo 1 6 Urna Lei d e Cerimônias e Ordenanças, Parte 3: Leis de Misericórdia e Justiça (Levítico 1 9-27) ................................. 1 85

Bibliografia... ..... ... ... ........ . ......... . .. .. .... ............ 3 1 7 Índice d e Autores .. ...... . .... ... .... ..... .. . .. .. . . .. . .... .. . . . 3 1 9 Índice de Escrituras .. ..... ... . : .. ..... ... .... . . . .... . . ... .. . .. 326 Índice de Assuntos ...... ... ...... . . . . .. ... .... ...... .... ...... . 344


Prefácio A Importância de Estudarmos o Velho Testamento O Velho Testamento tem influenciado grandemente inúmeras pessoas no decorrer dos séculos . Mesmo hoje em dia, três das maiores religiões do mundo, o cristianismo, o islamismo, e o judaismo - têm suas raizes plantadas em seu fértil solo . Com exceção dos povos para os quais os livros foram originalmente escritos, suas mensagens talvez sejam de maior valor para os que vivem na dispensação da plenitude dos tempos do que para qualquer outro grupo que viveu nas gerações anteriores . Elas são especialmente preciosas para os santos dos últimos dias . Algumas das lições e ensinamentos que tornam o estudo cuidadoso do Velho Testamento não somente significativo, mas de vital importância, são : 1 . O testemunho da existência de Deus . 2. A história do início da humanidade como uma raça divina, a qual foi colocada aqui na terra com objetivos celestiais e eternos . 3 . A importância d e obtermos u m relacionamento perfeito com Deus, por meio de convênios. 4. A história e propósito do estabelecimento de uma linhagem eleita, através da qual o sacerdócio seria restaurado nos últimos dias. 5 . O desenvolvimento da lei que serviria de base ' à maior parte das leis civis e criminais . 6. O conhecimento de que Deus influencia diretamente a vida dos homens e nações, e que, por intermédio dele, muitas pessoas são divinamente conduzidas, inspiradas e protegidas. 7. As conseqüências da desobediência e rebeldia contra Deus e suas leis. 8 . A infâmia de toda e qualquer forma de idolatria, e os mandamentos do Senhor contra esse pecado . 9. A necessidade de permanecermos fiéis, mesmo em meio a sofrimentos e aflições . 10. A maneira pela qual os santos podem escapar às grandes destruições que ocorrerão nos últimos dias . 1 1 . A grandeza do terrível dia em que o Senhor voltará à terra em sua glória. 12. O testemunho de que o Deus do Velho Testamento é Jesus Cristo, e de que ele veio ao mundo para livrar os homens do cativeiro da morte, e tornar possível que se libertem do pecado, sendo capazes, assim, de voltar à presença de Deus , o Pai . Os preciosos ensinamentos desse livro sagrado foram escritos para o nosso beneficio . Os autores das obras que se encontram registradas na Bíblia ansiavam por que sua mensagem fosse clara e compreensível. Com o decorrer do tempo, devido às inúmeras traduções e aos desígnios corruptos dos homens, parte dessa clareza foi obscurecida. Entretanto, para a felicidade dos santos dos últimos dias, boa parte dela foi restaurada através de ( 1 ) comentários inspirados dos profetas modernos; (2) orientação do Espírito Santo; e (3) revelação da plenitude do evangelho que se encontra em outras obras-padrão, especialmente no Livro de Mórmon.

Qual Deve Ser Nossa Meta ou Objetivo ao Fazermos Este Curso? Moisés declarou à antiga Israel: "A ti te foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus; nenhum outro há senão ele . " (Deuteronômio 4:35.) O objetivo deste curso é proporcionar-lhe a oportunidade de conhecer o Deus do Velho Testamento de maneira poderosa, íntima e pessoal. Ele é o nosso Redentor, e nossa meta para este curso deve ser a de sermos capazes de declarar, como Jó: "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. " (Jó 1 9:25 .) Nas páginas do Velho Testamento, podemos vislumbrar a Jesus, em seu estado pré-mortal, operando junto aos fIlhos de nosso Pai Celestial, com a finalidade de lhes proporcionar a salvação . Através destes relatos, podemos aprender como nos achegarmos mais a Cristo . Moisés fez uma bela síntese desse processo com as seguintes palavras, de profundo significado: "Então . . . buscará ao Senhor teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma. " (Deuteronômio 4:29.) Que maior objetivo poderíamos atingir?

Como Alcançar Essa Meta com Maior Eficácia? O Senhor declarou, através do Profeta Jeremias: "Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas , cisternas rotas, que não retêm as águas . " (Jeremias 2: 1 3 .) As cisternas eram extremamente importantes, como fontes de suprimento de água, pois era delas que o povo dependia para se preservar contra as incertezas da natureza. Elas eram cavadas na rocha viva, e muitas vezes esta era cheia de fissuras e incapaz de reter o precioso líquido. Usando este fato como uma metáfora, o Senhor fez duas acusações contra Israel. A primeira dizia respeito à falta de confiança que tinham nele. O povo escolhido podia confiar eternamente em Jeová como a fonte de água viva, mas a antiga Israel cavara novas cisternas para seu uso, isto é, voltara-se a outros mananciais , em busca de vida e poder espiritual. Segundo, estas novas cisternas não poderiam reter o Espírito, da mesma forma que as cisternas rachadas não poderiam preservar a água. Assim sendo, a antiga Israel agia como um povo que se encontra em meio a uma seca e ignora a cisterna que contém todas as reservas necessárias, para ajudá-los, e volta-se para fontes que nada podem fornecer-lhes. Cada capítulo deste manual tem por objetivo ajudá-lo a encontrar a verdadeira fonte de água viva - Jesus Cristo. No Velho Testamento, esse manancial é o Senhor, e você deve ter como objetivo, procurar conhecê-lo melhor. Cada lição contém uma designação de leitura do Velho Testamento. Ela será a parte principal de seu estudo, e você deve lê-la cuidadosamente, ao estudar os materiais . Este manual (Curso d e Religião 3 0 1 ) abrange aproximadamente a metade do Velho Testamento, de Gênesis a II Samuel, inclusive alguns trechos de Salmos . A outra parte do Velho Testamento será coberta no manual do Curso de Religião 302.


vi o objetivo deste curso não é fazer com que você leia cada capítulo desta primeira etapa do Veiho Testamento . Todavia, depois de haver completado as seções des.ignadas nos blocos de leitura, você terá lido a maior parte dele e adquirido a habilidade necessária para compreend(:r por si próprio as passagens restantes. Combinado à oraçiio sincera, o estudo das escrituras pode tornar-se uma fonte de revelação pessoal e um caminho através do qual você poderá obter maior poder espiritual em sua vida diária. Ele será a senda que o conduzirá à fonte que saciará slla sede, à única cheia de água viva.

1 . Uma breve seção introdutória que estabelece o cenário histórico das escrituras que você irá estudar. 2. Uma designação de leitura. 3 . Uma seção de notas e comentários (principalmente dos líderes da Igreja) que ajudará a esclarecer escrituras particularmente dificeis. 4. Uma seção de Pontos a Ponderar, que chama sua atenção para algumas das principais lições que poderá aprender naquela parte do Velho Testamento, e lhe dará a oportunidade de considerar profundamente como poderá aplicar tais ensinamentos em sua vida.

Por Que o Aluno Precisa de um Manual Próprio?

Como Usar seu ManuaI do Aluno

Algumas partes das escrituras antigas não são facilmente entendidas pelo leitor de hoje. Até mesmo os j udeus que retornaram do exílio (por volta de 500 A. C.), prec-isaram de assistência para compreendê-las . A Bíblia registra que Esdras, o escriba "explicava ao povo a lei . . . Assim (os escribas) leram no livro, na lei de Deus, distintamente; e deram o sentido de modo que se entendesse a leitura" . (Neemias 8 :7-8.) Embora a maior parte do problema se devesse a alterações lingüísticas, ainda assim a palavra do Senhor precisava ser explicada. O mesmo acontece' hoje em dia. Textos adulterados, linguagem arcaica e falta de conhecimento da parte doutrinária, histórica ou g�:ográfica causam dificuldades na leitura e compreensão do Velho Testamento. Tendo em vista essas dificuldades, este manual lhe proporciona os seguintes auxílios: 1. Informações histórica� que o ajudarão a entender melhor o mundo do Oriente Médio em que os profetas proferiram suas mensagens . 2. Informações esclarecedoras a respeito dos profetas do Velho Testamento e também sobre importantes personagens políticas de suas respectivas épocas . 3 . Esclarecimentos importantes sobre diversos livros do Velho Testamento. 4. Comentários interpretativos e proféticos sobre as passagens mais importantes e sobre algumas escrituras de dificil compreensão. 5 . Uma seção de mapas e gráficos identificando pontos geográficos preponderantes, algumas das atividades mais importantes dos profetas e israelitas.da época, um esboço cronológico dos eventos que estarão sendo estudados, e medidas atuais equivalentes às usadas no tempo do Velho Testamento.

O Velho Testamento é o texto básico deste curso de estudo. O manual do aluno não foi criado com o objetivo de substituir a leitura das escrituras, nem pode tomar o lugar da orientação do Espírito Santo que você pode obter através de oração fervorosa. Eis algumas sugestões a respeito de como este manual poderá ser usado com maior eficácia: 1 . Antes de examinar as escrituras, estude os mapas, a fim de obter uma idéia sobre a localização das diversas terras, regiões, povos, cidades e acidentes geográficos. À medida que der prosseguimento ao estudo, examine-os sempre que for necessário . 2. Estude a designação de leitura de cada capítulo . O número de capítulos que terá de ler para cada período de aula pode variar dependendo de seu instrutor, e de você estar estudando em base semestral, trimestral ou pelo método de estudo individual . Seja quaJ. for o sistema, você acabará lendo a maior parte do Velho Testamento, de Gênesis a II Samuel, e os salmos selecionados . 3 . Estude as seções especiais tão logo as encontre. Você verá que compreender a história, geografia ou teologia nelas explicadas o ajudará a compreender melhor as escrituras, quando as ler. 4. Leia as Notas e Comentários relativos às passagens dificeis de entender. 5 . Complete as designações que se encontram em Pontos a Ponderar, conforme for orientado pelo instrutor. 6. Use os índices que se encontram no fim do manual, para localizar uma determinada escritura, autor ou assunto .

Organização do Manual

Os vinte e oito capítulos do manual foram organizados na mesma ordem dos livros do Velho Testamento, com exceção do capítulo relativo aos Salmos . Considerando que a maior parte dos salmos foram escritos por Davi, você receberá designação de estudá-los logo após haver lido a respeito da vida dele. Periodicamente, você encontrará, em meio aos textos, seções especiais - num total de sete - cujo objetivo é fornecer informações que o ajudarão a entender melhor os capítulos subseqüentes. Este manual deve ser: usado como um meio de ajudá-lo a organizar e tirar o máximo proveito de seu estudo das passagens das escrituras. O seguinte esboço da org.anização de cada capítulo evidencia esse propósito:

Como Usar as Referências Internas

Neste manual, encontram-se diversos trechos de obras de eminentes autores bíblicos. Foram usadas algumas referências abreviadas desses livros, para interromper a leitura o mínimo possível. A seção bibliográfica, que se encontra no fim do manual, fornece uma relação completa desses textos. Foi criado um sistema especial para identificar as citações extraidas de Commentary on the Old Testament, de C. F. Keil e F. Delitzsch, uma obra que originalmente foi publicada em vinte e cinco volumes, mas que, na reimpressão, foi resumida para apenas dez. Isto quer dizer que, em alguns casos, um livro pode ter três páginas diferentes com o mesmo número . Para dar uma referência mais curta, estabelecemos um sistema constituído de três números . Por exemplo: Commentary, 3 : 2: 5 1 significa que a referência se encontra na p. 5 1 do volume dois, que se . encontra no livro 3 .


Mapas e Gráficos Relevo da Palestina. O Velho Mundo no Tempo dos Patriarcas. O Êxodo. Os Reinos de Israel e Judá. As Dispensações do Evangelho . A Família

de Abraão .

Gráfico Cronológico , dos Patriarcas ao Reino Unido . Sistema Monetário . Medidas-padrão de Volume Pesos e Medidas . Medidas Lineares . Antigo Calendário Judaico .


Relevo da Palestina

N Jerusalém

Maciço montanhoso da Transjordânia

Planícies de Sarom Região de Sefe1á Jericó Nível do Mar Mediterrâneo

s

o s

Nível do Fundo do Mar Morto Mar Morto - 792m. - 3% m.

:'a-..&d'-- N Monte Moriá 744m. Monte Sião 774m.

Mar Morto

Monte Ebal 935 m.

Monte das Oliveiras 812m.

Monte Tabor 560m.

Monte Gilboll 512m.

Jerusalém Jericó

Monte Hermon 2760m.-

Monte Gerizim 869m.

Lago Hulé Mar da Galiléia


! o

GRANDE MAR

�.

)

t

00 (HeIiÓPO �ênfi. (Nofe)

Ii�

.

... --.,.--",,;-

I ,-


MAR CÁSPIO

,"

,. , /

� ,,,

�'

/

(

j

('

/

,ti

; )

(

!'

./

(

" " '-

I --,,0.0

.J

/

/

/

}

/

,/"'>

GOLFO P ÉRSICP


Os Reinos de Israel e Judá Escala o

o

I

8

24

16

32km

GRANDE MAR

r

Betruorom •

""'"

\

Aij !'lom •

·

• Eglom

,

...

.Miz� qibeon

,eGlbeá Quiriate-Jearim • .. Jerusatlm Ecron. .Bete-Sames • Ashdode. Belé'" ••• Azecá. • Libná • Asquelom

• Gaza

.Golan

AMON

• Medeba

• Laquls .Debir .Ziclague

• Gate

MOA8E

FILISTEUS

.8erseba MIDIANITAS

NEGEV

AMALEVUITAS


As Dispensações do Evangelho I

--"-1-

I

6 gerações

PRIMEIRA DISPENSAÇÃ O.

d

A ão

I

(4000 A.C.) 1

Sete 1>nos Cainã

I

Maalalel

�i�! 1

Jarede

SEGUN

TERCEI

SPENSAÇÃ O

E I

Noé

3

pENSAÇÃ O

(2944 A.C.)

I

Sem

DISPENSAÇÃ O JAREDITA

j

--t -

I

'''j''''

Arpachade I

Selá

Aprox. 2243 A.C. Torre de Babel. Confusão de línguas e dispersão.

1

Eber

(Moisés 5:6- 1 2; 6:64-68) O início da mortalidade. Adão ensinou a seus filhos.

(Moisés 6:25-39; 7:68-69; 8: 1 ; D&C 1 07:49) Enoque provavelmente foi chamado pelo Senhor aos 65 anos de idade. A dispensação provavelmente teve início no ano 3 3 1 3 A.C., 687 anos após o início da primeira. (Ver D&C 1 07:47-49.) (Gênesis 6:8-9, 1 3; 7:6; Moisés 8: 1 9) Noé caminhou com Deus. Entra na arca aos 600 anos de idade . O dilúvio iniciou-se aproximadamente no ano 2344 A.C.; início da terceira dispensação com apenas 8 pessoas , 969 anos após haver-se iniciado a segunda.

10 gerações

I

Pelegue I

Reú

.1

TRIBOS PERDIDAS Levadas ao cativeiro entre os anos 721-7 1 7 A.C. (ignora-se quantas dispensações têm havido entre as tribos . perdidas)

Serugue

I

Naor I

QUARTA PISPENSAÇAO Terá I

1

6 gerações Rúben

1

Simeão I

Levi I

Coate I

A{lrão

QUINTA DISPENSAÇÃ O I

Moisés (nascido aproximadamente no ano

1567 A.c.)

Tinha 80 anos, quando os filhos de Israel foram libertados. A quinta dispensação iniciou-se cerca de 1487 A.C., 430 anos após a quarta dispensação (ver Êxodo 3: 7-12).

_

Abraão

(Abraão 1 : 1 6- 1 9; 2:14; Gênesis 1 2:1-4; 17: 1 )

(1992 A.C.,

caiO tenha nascido quando Terá estava com 130 anos d� idade)

I

Abraão foi chamado pelo Senhor quando tinha cerca de 75 anos de idade (Gênesis 1 2:4) ou 62 (Abraão 2: 1 4). A quarta dispensação começou aproximadamente no ano 19 1 7 A.C., 427 anos após o início da terceira.

�que I

Jacó (Israel) Judá

I

Zebulom

Gade

lssacar

Aser

I

t

Davi

I

1

I

Jesus Cristo (nascido no anoll D.C.)

1

14 gerações

----L

t �

I

Doze Apóstolos

(Dispensação do meridiano dos tempos) Teve início aproximadamente no ano 30 D.C., cerca de 1 5 1 7 anos após o início da quinta.

SÉTIMA DISPENSAÇÃO Joseph Smith (nascido no ano de

Manassés

Diversas gerações

Ismael

1

I

Leí

DISPENSAÇÃO DE LEÍ-NÉFI (600 A.C.)

I

14 gerações

SEXTA DISPENSAÇÃ O

I

Efraim

Jeconias (levado cativo para a Babilônia)

I

14 gerações de Abraão a Davi (Mateus 1: 17)

Néfi e Leí (20 A.C.)

(Helamã 1 0:3- 1 7; 1 1 : 1 9-23; 3 Néfi 7: 1 5- 1 9; 9: 1 5-22; 1 1 :7 40)

-

Início dos 200 anos de paz -34 D.C. lAs datas são apenas estimativas, e não devem

1805)

(Dispensação da plenitude dos tempos) (Atos 3: 19-21; Efésios 1 :9- 1 0; D&C 27: 13) . Joseph Smith estava com 24 !inos e 3 meses , quando A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Ultimos Dias foi organizada, no ano de 1830. Início da última dispensação, 1800 anos após o início da sexta.

ser consideradas exatas. Baseiam-se na Cronologia de Calmet, que mais se aproxima das datas mencionadas no livro Lectures on Fai/h, de Joseph Smith. A Cronologia de Ussher apresenta uma diferença de cerca de quatro anos para cada uma das antigas eras aqui apresentadas. Assim sendo, em tal registro a época adâmica é tidalcomo tendo ocorrido no ano no ano

4004 A.C., 4 A.C.

e o nascimento do Salvador

(Adaptado do artigo intitulado "Our Gospel Dispensations", de autoria de Joseph Fielding Smith, Jr., publicado na revista Instructor, novembro de

1959.)


A Família de Abraão NOÉ

ABRAÃO: "Pai de

SEM TERÁ

Muitas Nações"

(bisneto de Noé na sétima geração) (Gênesis 1 1 : 1 0-26)

I

I

HARÃ

r:;

ABRAÃO (ABRÃO)

NAOR

l

Casou-se com Milca (filha de Harã) (""'�i,

Casou-se com Sara (Sarai) (filha de Harã) (Gê"�i' lJ '29)

I

ESAÚ

I

Doze Tribos

(Abraão 2:2)

(Gênesis 1 1 :27 -29)

I

I

REBECA (Gênesis 22:23)

I .

LABÃO (Gêncsis 24:29)

I

I

LÉIA

JACÓ

I

I

Através de Hagar, serva de Sara, Abraão teve Ismael (ver Gênesis 1 7:20). Após o falecimento de Sara, Abraão casou-se com Quetura, com a qual teve seis filhos, os quais se acham mencionados em Gênesis 25: 1 -2.

RAQUEL

(Gênesis 29: 1 6)

(vendeu sua primogenitura a Jacó) (Gênesis 25:29-34)

JACÓ: Pai das

SARAI

ISCÁ

BETUEL

ISAQUE (Gênesis 1 8: 1 - 1 4; 2 1 : 1 -3) Casou-se com Rebeca (filha de Betuel) (Gênesis 25:2 1 -26)

MILCA

RÚBEN SIMEÃO �--

LÉIA

------1

(Gênesis 29:30-35) (Gênesis 30: 1 7-2 1 )

LEVI JUDÁ ISSACAR ZEBULOM DINÁ (uma filha)

RAQUEL ----1 JOSÉ (Gênesis 30:22-24) (Gênesis 35: 1 6- 1 8)

I I Casou-se com Asenate (Gênesis 41 :45)

I

BENJAMIM

BILHA (serva de Raquel) (Gênesis 30:4-8)

ZILPA

-----l

(serva de Léia) (Gênesis 30:9- 1 3)

NAFTALI

GADE

I , MANASSES

I EFRAIM

I

(Gênesis 4 1 :50-52) a tribo da primogenitura (Gênesis 48)

LINHAGEM DE LEÍ (Alma 1 0:3)

ASER

(Adaptado do artigo intitulado "The Family o f Abraham" , publicado em Instructor, j aneiro de 1964.)


i

3900

3800

3700

3600

,

3500

3400

3300

3200

3100

3


� � 1.11. J � � I,\ ,\, I?i \1\\ ,\",

\. 1 ""


,

1800

1700

1600

1500

1400

1300

1200

1100

, I

ISRAEL NO EGITO

:

i

!

REINADO DOS

JUÍZES

1000

900


EXÍUO


Sistema Monetário do Velho Testamento Embora, sem dúvida, alguma, os metais preciosos fossem usados para fins de comércio , eles apenas faziam parte de um sistema de intercâmbio baseado em troca, a qual induía gêneros perecíveis ou duráveis . O dinheiro tornou­ -se de uso popular durante o sétimo século A . C . , porém jamais conseguiu substituir a antiga forma de negociação. Desde as épocas mais remotas, o ouro, a prata e o cobre

foram os metais mais usados para essa finalidade. Entretanto, gradualmente foi-se desenvolvendo um sistema melhor padronizado . Pesavam-se os metais e se lhes examinava a qualidade. Os nomes de alguns deles se tornaram também os das moedas, as quais originariamente eram grosseiramente circulares e continham um sinete ou efígie. O peso de tais moedas raramente era superior ao de um sido de ouro ou de prata.

Moedas de prata

Gera

sido

20 geras

3000 sidos

=

=

1 sido

1 talento

1 sido

1 talento

Moedas de ouro

Gera

sido

20 geras

3000 sidos

=

=

1 sido

1 talento

O talento de ouro tinha apenas um pouco mais que a metade do tamanho do talento de prata, porém pesava o mesmo.

1 sido

1 talento·


Medidas-padrão de Volume Medidas para Líquidos Bato (22 litros ou 5 , 8 galões)

gg lll\t\ VVV

gg ggg

1 ômer (ou coro) 10 batos " uma carga de jumento" (220 litros ou 58 galões) =

Him (3 ,66 litros ou 3,9 quartos de galão) Cabo Log (0,3 litros)

Medidas para Secos Efa (22 litros ou 62 cestos)

5 efas 1 leteque (meio ômer) ( 1 10 litros ou 3 cestos) =

Seá (7, 3 litros ou 6,6 quartos de galão)

10 efas 1 6mer (220 litros ou 6,2 cestos) =


Pesos e Medidas Embora tanto Davi como Ezequiel tenham procurado padronizar o sistema de pesos e medidas , jamais conseguiram fazê-lo de modo completo . Alguns indivíduos inescrupulosos tentaram tirar proveito dessa situação, utilizando-se de dois tipos diferentes de peso . A fim de se protegerem contra semelhante defraudação, não raro as

10 geras

1 beca

(aprox. 6 grs)

pessoas levavam consigo , numa bolsa ou saco , seu próprio peso . A necessidade de ser usado tal procedimento fez com que os profetas levantassem a voz em severas repreensões , pois era uma clara evidência da aviltante condição espiritual em que se encontrava o povo israelita.

2 becas

1 siclo

(aprox. II grs)

A

AAAA

«::A:--A-=--A=-AAAA AAAAAAA

AAAAAAA AAAAAAA

AAAAA

50 siclos

1 mina

(aprox. 500 grs)

60 minas

1 talento

(aprox. 30 kg)

o siclo real, mais pesado que o comum , tinha 1 3 gramas . O duplo talento , de maior peso , equivalia a 60 quilos .


Medidas Lineares 1 . Côvado ou cúbito (medida que ia desde o cotovelo até a ponta do dedo médio) :

45 cm . O côvado real era um palmo mais longo que o comum: 52 cm. 6 cúbitos

equivaliam ao tamanho de um j unco .

2. Palmo (medida da mão aberta, desde o polegar ao dedo mínimo): um palmo era igual a meio côvado ou 23 cm.

3. 4 dedos (ou largura O .i mau na base dos dedos) 7,6 cm .

4. Dedo ou dígito ( 1 14 da mão) 3/4 de polegada ou 1 ,9 cm.

J


Antigo Calendário Judaico

14?: Pãscoa, seguida pela Festa dos Pães Asmos (�xodo 12:6; Lucas 22:13-20)

\

21?: Primídas

(Sete semanas)

I

/

/

Equinócio de primavml

14?/15?: Purim (Ester 9:26-28)

"'­

"'-

/

Pentecostes

Inicio da colh�ita da cevada

Estaçao quente Colheita do trigo de inverno

4�mes Tamaz

Colheita de uvas, timaras, figos e azeitonas. Iniciadas

5?mes

Abe

vindimas:

Números 13:20

8?mes

MwIIesh_ (Bul)

Colheita de

7?mes TIsrI (Etanim)

legumes,

milho, aIgodAo, romIs e azeitonas. Vmdima geral lsaIas 32:10

25?: Festa das Luzes, ou da Dedicação (João 10:22)

15?-21?: Festa dos Tabernáculos/Cabanas (Neemias 8)

\

\

I?: Ano NovolToQue das Trombetas (Levítico 23:23-25)

. !O?: Dia da Expiação (Levítico 16:29-30)

lsaIas 18:4


o

Pl<I1\1:F.

n�O

LI VR O DE ('IfA'\1 Af>()

1\1:0181':

8


Introdução

Para Nosso Benefício e Instrução: A Vantagem de Estudarmos o Velho Testamento (1-1) Introdução Provavelmente não seria incorreto dizer que muitos membros da Igrej a negligenciam o Velho Testamento como livro de escrituras . Não é difícil compreender essa atitude . O Velho Testamento é o livro de escrituras mais extenso, tendo quase o dobro do tamanho do Livro de Mórmon. Sua história e cultura são as mais distantes de nossa época. Contém uma descrição precisa e detalhada da lei mosaica, e algumas de suas ordenanças foram cumpridas ou substituídas na dispensação atual pelas ordenanças do evangelho restaurado. Conseqüentemente, algumas partes desse livro, como as ext �nsas listas . . . genealógicas, censos e descrições mmuclOsas de ntuals agora obsoletos, podem parecer insignificantes, comparadas às outras escrituras . Vezes há, ainda, em que a linguagem da tradução do Velho Testamento é arcaica e difícil de ser entendida. Não é de admirar, portanto, que muitos membros da Igreja, embora estej am familiarizados com algumas de suas histórias, j amais tenham lido todo este livro de escrituras . Não obstante, tanto os profetas antigos como os modernos têm salientado o quanto ele é valioso para ajudar os homens a conhecerem a Deus. O apóstolo Paulo, comentando os atributos de . . Timóteo, declarou o seguinte : " . . . desde a tua mellllllce sabes as sagradas letras " . (II Timóteo 3: 1 5.) Pelo que sabemos, as únicas escrituras que Timóteo tinha a seu dispor eram as que agora conhecemos como o Velho . Testamento . Observe o que Paulo declarou a esse respeito : 1. Elas podem tornar-nos sábios para a salvação . (Vej a II Timóteo 3: 1 5.) 2. Foram dadas pela inspiração de Deus. (Vej a II Timóteo 3 : 1 6.) 3. São proveitosas para ensinar, para repreender, para corrigir e instruir em justiça. (Vej a o versículo 1 6) 4. Ajudam o homem de Deus a se tornar perfeito e completamente preparado para toda obra. (Vej a II Timóteo 3 : 1 7.) Quando os rebeldes irmãos do profeta Néfi . ridicularizaram a idéia de que ele pudesse constrUIr um navio que os levasse à terra prometida, Néfi confundiu-os, citando exemplos que se encontravam nas placas de latão (Vej a 1 Néfi 1 7 : 1 7-43). Estas continham escritos que .�emos hoje em dia no Velho Testamento . Numa ou �ra oc �slao, ele explicou que havia lido para seu povo mUItas cOisas que estavam gravadas nas placas de l �t �o, entre elas os escritos de Moisés e Isaías, com o obJetlvo de: 1. Aj udá-los a conhecer o que o Senhor havia feito em outras terras, entre os povos antigos . (Vej a 1 Néfi 19:22.) 2. Melhor persuadi-los a acreditar no Senhor, seu Redentor . (Vej a 1 Néfi 19:23.) 3 . Fazê-los aplicarem todas as escrituras a (si) para (seu)

proveito e instrução. (Veja I Néfi 1 9:23.)

1

Reflita em sua própria situação por um momento. Sua motivaçüo para estudar as escrituras emana de um profund,) desej o de aprender a respeito de Deus e dos atos por ele fI!alizados entre os homens? Vo �ê está proc �rando obter vigor espiritual nas escrituras, a fim de aperfeiçoar sua vida. achegando-se mais a Cristo? Paulo e Néfi declarar ilm que, como todas as outras escrituras, o Velho Testamento ajudá-lo-á a alcançar os objetivos mencion ados acima. Você gostaria de aprender mais sobre nosso Pl:.i Celestial e aqueles que o serviram fielmente? Então procure conhecer a história da vida dos profetas e patriarcas. Você gostaria de ganhar inspiraçã?, através dos exemplo:; de homens e mulheres que consegUIram sobrepujar suas fraquezas e alcançar a perfeição? Leia o que fizeram José, Abraão, Sara, Jó e inúmero � o �t �os personagens bíblicos. Gostaria de encontrar prm.clplOs de vivência diária que o aj udassem a achegar-se mais a Deus? O Velho Testamento os tem em abundância. Gostaria de conhecer melhor a Jeová, o Senhor Jesus Cristo, que veio à terra para ser o nosso Redentor? Então leia o Velho Testamento, pois ele, como as demais escrituras, testifica de Sua d ivindade, amor e misericórdia.

o VELHO TESTAMENTO

É ESCRITURA

(1-2) O Velho Testamento, como Todas as Outras Escritur3s, Foi Dado por Deus para o Nosso Benefício

"O Velho e o Novo Testamento, o Livro de Mórmon e o livro de Doutrina e Convênios . . . são como um farol em meio ao oceano, ou uma placa que indica o. caminho que devemos trilhar . Para onde eles apontam? A fonte de toda luz . . . Foi, com este obj etivo que foram escritos . Eles provêm de Deus; são valiosos e necessários : através deles, podemos estabelecer a doutrina de Cristo . " (Brigham Young, em Journal of Discourses, Vol . 8, p. 1 29.)

(1-3) Como Todas as Escrituras, o Velho Testamento nos é Edificante e Profundamente Benéfico Atualmente "A Bíblia nos apresenta um retrato global da vida de . seus persDnagens . Podemos esperar, portanto, que revele algumas fragilidades humanas . Todavia, '!lui.tos de.ss.es elementos humanos revelam genuínos deslglllos religIOSOS, se os compreendermos à luz dos padrões sociais de sua própria época. . . "O aluno diligente que realmente aprecia a Blblla, sempre a estudará considerando as valiosas contribuições que suas mensagens podem transmitir à nossa vida religiosa atual . Não podemos nos contentar ap �nas em ler suas histórias como simples passatempo, mas sim entesourá-las profundamente em nossas almas, para que possam tornar-nos indivíduos melhores. Os registros da ,


20 Bíblia foram preservados devido à grande aj uda que podem proporcionar ao homem , no sentido de aUl�iliá-lo a desenvolver sua fé e estimulá-lo a seguir os mandamentos do Senhor. O leitor que deixa de captar o significajo que as histórias bíblicas têm para os tempos modernos, não é um verdadeiro estudioso da Bíblia. " (Larsen , Introdução de The Message of the Old Testament, pp. 35-36.)

(1-4) Como Todas as Outras Escrituras, o Velho Testamento é Centralizado em Cristo "Assim como Jesus testificou ,sobre Moisés , também este prestou testemunho a respeito de Cristo , embora a maior parte de seu testemunho não se encontre em nossa Bíblia atual; não resta qualquer dúvida, porém , de que se achava nas escrituras que eram lidas pelo povo do tempo de Jesus . "É um fate::> promovedor da fé observar o quanto os ensinamentos que se encontram nos diversos livro�, de escrituras são conformes entre si; como as revelaçêies dadas em diferentes épocas se harmonizam , e como as palavras dos profetas , não importando quando ou onde viveram , testificam acerca de nosso Salvador Jesw: Cristo . "Ao ser alvo dos críticos de seus adversários, o Senhor respondeu-lhes, dizendo: 'Examinais as Escrituras, porque vós ·cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que df! mim testificam . ' (João 5 : 39. Itálicos acrescentados .) "Ele nunca teria dito isto , se as escrituras que e�:tavam ao alcance do povo daquela época não testificassem dele. Conceituou-os a lê-las , para que pudessem, consci�ntizar­ -se de que os profetas a quem tanto veneravam, mas que há muito haviam morrido, realmente predisseram sua vinda. Testificaram sobre ele - o Salvador. E Moisés foi um desses profetas... "Observe que o Senhor citou tanto Moisés como os outros profetas , dizendo que eles haviam declarado 'em IOdas as escrituras as coisas concernentes a ele' ." (Petersen , Moses, pp. 148-49.)

É/der Mark E. Petersen testifica que todas as escrituras apontam para Cristo

(1-5) Por Estar Centralizado em Cristo, o Velho Testamento Revela Muitas Coisas a Respeito de Sua Missão " Se entendermos perfeitamente as escrituras , veremos que elas estão repletas de referências a Cristo , e que todas elas nos foram dadas com o intuito de indicá-lo como nosso único Salvador. Não é apenas a lei; que é um aio para Cristo ; nem os simbolismos que são sombras das coisas vindouras relativas ao Cristo; nem ainda as profecias e predições sobre o Cristo ; mas é o Velho Testamento todo , q� é repleto da história de Cristo . Até mesmo quando os personagens bíblicos não o representavam, os eventos assim o fazem . Ainda que alguém não conseguisse ver em Isaque ou em José um simbolismo pessoal de Cristo , não poderia negar que o oferecimento de Isaque em sacrificio l, ou a venda de José ao Egito , bem como as medidas que tomou , necessárias ao sustento de seus irmãos, são eventos representativos da história de nosso Senhor. E assim , de fato , todo acontecimento aponta para Cristo , pois ele é o principio , o centro e o fim de toda história - 'o mesmo ontem , hoje e para sempre' . Este fato nos ensina uma coisa: que a leitura ou estudo das escrituras pode-nos ser proveitosa e eficaz tão somente se, através delas , aprendermos a conhecer a Cristo - 'o caminho, a verdade e a vida' para todos nós . Para tanto , devemos pedir constantemente o auxílio e instrução do Espírito Santo. " (Edersheim, Old Testament Bible History, pp. 2-3 .)

(1-6) Embora Tenham Sido Retiradas Muitas Partes Preciosas e Claras do Velho Testamento, Ele Conserva o Essencial Admirávelmente Intato e Valioso "A visão de Néfi , conforme se acha registrada no inicio do Livro de Mórmon, nos ensina que muitas verdades claras e preciosas que se achavam originalmente escritas na Bíblia, foram retiradas desse volume sagrado muitos anos antes de ele chegar às mãos dos gentios. "Qual era seu conteúdo, antes de haver sido despojado de passagens claras e preciosas? O que tornava tais ensinamentos tão importantes? " Certamente o Velho Testamento não era tão fragmentário quanto o que temos hoje em dia. Ao examinarmos o volume de informações contidas na Bíblia atual , imaginamos como poderia conter ainda mais, pois já é, em si, toda uma biblioteca. "Não obstante, originalmente seu conteúdo doutrinário era bem maior, e tornava o evangelho tão claro aos povos antigos, que uma pessoa, por mais néscio que fosse, não poderia entendê-lo erroneamente. " Como era o Velho Testamento então? "É óbvio que não podemos responder plenamente a essa pergunta, mas encontraremos boa parte da resposta, lendo cuidadosamente tanto o Livro de Mórmon como a Bíblia. " O que mais nos chama a atenção é que o Velho Testamento , conforme estava originalmente escrito, ERA UMA TESTEMUNHA DE CRISTO E DELE TESTIFICAVA ! "Ele relatava a história da pregação do evangelho de Jesus Cristo aos antigos povos de todas as dispensações passadas.


21 " Se tivéssemos hoj e o Velho Testamento em sua forma original, a humanidade teria uma testemunha poderosa e infalível - de que Jesus de Nazaré era de fato o Cristo, de que ele deu a lei a Moisés, de que era o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e de que seu nascimento na . mortalidade foi claramente predito de maneira detalhada nas sagradas escrituras." ("Christ and the Old Testament" , Church Ne ws, 22 de j aneiro de 1 966, p . 1 6 . ) "A mão d o Senhor, entretanto, tem pairado sobre esta obra de escritura, sendo notável que nos tenha chegado nas excelentes condições em que a conhecemos . " (Doutrinas de Salvação, Vol . III, p . 1 94.) Ele preparou um meio de preservar a essência de sua mensagem sagrada, apesar de todas as tentativas que os homens e Satanás têm feito para destruí-la. O Senhor fez isto velando verdades profundas no espírito de profecia (ver Alma 25 : 1 5- 1 6) . Em outras palavras , o Senhor velou muitas verdades espirituais em representações simbólicas, as quais só podem ser interpretadas através do espírito de profecia, o qual é o "testemunho de Jesus" (Apocalipse 1 9 : 1 0) . Muitas das mais preciosas verdades não foram escritas com clareza, para que aqueles que as teriam adulterado, não captassem seu significado e as deixassem intatas. Deste modo , grande parte do testemunho de Cristo foi escondido dos inimigos de Deus, pois o homem natural não tem acesso às "coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não podem entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" . (I Coríntios 2: 14.) O homem perverso pode tentar corromper o evangelho do Senhor e até mesmo ser capaz de retirar dele muitos esclarecimentos escriturísticos que identificam claramente a Jesus como o Cristo ; todavia, a interpretação de escrituras que requerem o uso do Espírito - as coisas simbólicas , sutis e poderosas - ilude-lhe os sentidos. Considerando estes fatos, o Élder Mark E. Petersen sugeriu: "Apesar de todos os problemas que ocorreram na sua formação , a Bíblia não deve ser de forma alguma desprezada. Ela é a palavra de Deus, e embora suas diversas traduções tenham obscurecido um pouco o seu significado, e muitas verdades "claras e preciosas " tenham sido dela retiradas , ainda é um guia milagroso e inspirado para todos aqueles que a lêem. " Quando suplementada por escrituras modernas, como o Livro de Mórmon indica que aconteceria, ela pode ensinar-nos a trilhar os caminhos que levam à salvação eterna." (As Translated Correctly, pp. 1 6- 1 7.) �

SETE CHAVES PARA ENTENDER O VELHO TESTAMENTO (1-7) Chave 1: O Estudo Fervoroso , Diligente e Constante é o Fator Principal para se Entender as Escrituras " Examinem as escrituras ; examinem as revelações que publicamos, e peçam ao Pai Celestial, em nome de seu Filho Jesus Cristo, que lhes manifeste a verdade; e se o fizerem com os olhos fitos na sua glória, nada duvidando, Ele lhes responderá pelo poder do seu Santo Espírito. Assim, saberão por si mesmos e não por intermédio de outros . Não dependerão mais do homem para conhecer a Deus, nem haverá lugar para espéculações . Não ; porque,

quan do os homens recebem instruções daquele que os fez, sabem como Ele os salvará. E é por isto que repetimos : Examinem a s escrituras ; examinem a s profecias e verifiquem o que se aplica a vocês . " (Smith, Ensinamentos, pp . 1 3 - 14.)

(1-8) Chave 2: Além d e um Estudo Fervoroso, Deve Haver o Compromisso de Vivermos os Mandamentos " .. . não basta apenas lermos as escrituras e conhecê-las . É importante que guardemos os mandamentos, que sejamos cumpridores da palavra, e não apenas ouvintes . A grande promessa que o Senhor nos deu deve ser suficiente para estimular-nos a conhecê-lo e a fazer a sua vontade: " 'E todos os santos que se lembrarem e guardarem e fizerem estas coisas , obedecendo aos mandamentos, receberão saúde para o seu umbigo e medulas para os seus ossos ; " 'E acharão sabedoria e grandes tesouros de conh,!cimento, até mesmo tesouros ocultos ; " 'E correrão e não se cansarão , caminharão e não desfalecerão. " 'E eu, o Senhor, lhes faço a promessa de que o anjo destruidor os passará como aos filhos de Israel, e não os matará. ' (D&C 89: 1 8-2 1 .) " Que esta gloriosa promessa torne-se uma realidade para : � ós, ao examinarmos as escrituras e encontrarmos o caminho que conduz à vida eterna." (N. Eldon Tanner , " Right Answers : First Presidency Message" , Ensing, outubro de 1 973, p. 6.)

(1-9) Çhave 3: As Escrituras Modernas Esclarecem Muitas Pass2.gens do Velho Testamento "A revelação moderna é a chave para se entender o Velho Testamento , visto que ele ainda conserva seu sabor e intento originais. Isto é, temos certeza de que o texto da revelação moderna apresenta as inferências e entendimentos que o Senhor desej a que esta geração possua. As revelações dadas ao Profeta Joseph Smith, diretamente aplicáveis ao Velho Testamento, são de pelo menos três tipos diferentes : " 1 . A restauração e tradução de documentos antigos , tais como o Livro d e Mórmon e o Livro d e Abraão.' Estes dois l ivros, como a Bíblia, tiveram origem no mesmo ambiente do mundo antigo , havendo sido traduzidos para o nosso uso nesta dispensação por um profeta de Deus. Por ii;so, podemos ter certeza de que a sua tradução é correra. "2 A restauração dos escritos de certos profetas do Velho Testamento , mas sem que Joseph Smith tivesse em mãos os documentos originais . Esses escritos incluem o Livro de Moisés , contendo as visões e escritos de Moisés , e uma profecia de Enoque, revelados ao Profeta Joseph; não s,e trata, contudo, de tradução de documentos antigos, no ffiI!smo sentido como foram o Livro de Mórmon ou o Livro de Abraão. " 3 . Revelações divinas concedidas ao Profeta Joseph Smith sobre acontecimentos e/ou personagens do Velho Testamento. Muitas das revelações em Doutrina e Convênios, embora não sejam traduções de documentos bíbliCos, comentam ou iluminam nosso entendimento a respeito de personagens e acontecimentos bíblicos. Nas seções 84, 1 07 e 1 32, por exemplo, encontramos revelações que muito nos ajudam a entender o Velho Testamento . ..


22 "Assim, .os sant.os d.os últim.os dias dispõem de mui ta inf.ormaçã.o referente a.o Velh.o Testament.o, e seriam injust.os para c.onsig.o mesm.os, se deixassem de utilizar t.odas essas f.ontes em seu estud.o. "As revelações feitas a.o Profeta J.oseph Smith testificam que a história bíblica, em essência, é c.orreta, emb.ora nã.o seja c.ompleta. " (R.obert J. Mattheus, " Revelaçã.o M.oderna: Uma Janela Para .o Velh.o Testament.o" A Liahona, julh.o de 1 974, pp . 1 8- 1 9.)

(1-10) Chave 4: O Entendimento de que os Povos Primitivos Conheciam o Evangelho nos Proporciona 111m Meio de Interpretar Corretamente os Seus Ensinamentos "Certas pess.oas crêem que .o Velh.o Testament.o em ina e apresenta alguns c.onceit.os te.ológic.os e étic.os bastante: rudimentares . Tal afirmativa p.ode parecer lógica para . .os que julgam que as religiões sã.o meras instituições s.ociais que ev.oluíram e se desenv.olveram c.om .o passar d.os sécul.os . Mas , para .os que c.onsideram a religiã.o c.om.o te.ol.ogia revelada e um códig.o de ética divin.o , c.ontend.o verdades abs.olutas que n.os dã.o a perspectiva eterna d .o que é cert.o .o u errad.o, essa declaraçã.o relativa a .o Velh.o Testament.o nã.o é lógica nem aceitável . . . " . . . O Velh.o Testament.o n.os ensina grandes princípi.os . Durante .o seu ministéri.o terren.o, Jesus us.ou-.os , cit.oUI-.oS e rec.omend.ou a seus discípul.os que .os c.ol.ocassem em prática. "P.or exempl.o, recordem.os a .ocasiã.o em que ele ha.via acabad.o de repreender alguns saduceus p.or nã.o c.onhecerem as escrituras. (Ver Marc.os 12:24.) Outro inquirid.or levant.ou-se .ostensivamente, tentand.o descobrir .o que Jesus achava d.os ensinament.os da lei m.osaica, l e pergunt.ou: 'Qual é .o primeiro de t.od.os .os mandament.os? " 'E Jesus resp.ondeu-lhe: .o primeir.o de t.od.os .os mandament.os é : Ouve , Israel, .o Senh.or n.oss.o Deus é .o únic.o Senh.or: " 'Amarás, p.ois, a.o Senh.or teu Deus de t.od.o .o teu c.oraçã.o, de t.oda a tua alma, e de t.od.o .o teu entendiment.o, e de t.odas as tuas f.orças : este é .o primeiro mandament.o . " 'E .o segund.o, semelhante a este , é: Amarás .o teu. próxim.o c.om.o a ti mesm.o . Nã.o há .outro mandament.o mai.or d.o que estes . ' . . . (Marc.os 12:29-3 1 .) "Estes grandes princípi.os de am.or enc.ontravam-se n.o Velh.o Testament.o. P.odem.os ainda achá-l.os nas versôes feitas, em Deuteronômi.o 6:4-5 e Levític.o 1 9: 1 8 . Veja também alguns ensinament.os a respeit.o deles em Deuteronômi.o 10: 1 2 e 30:6 e em Levític.o 1 9 : 34 . . . "Entretant.o, muitas pess.oas h.oje em dia acham que estes d.ois mandament.os sã.o d.outrinas d.o N.ov.o Testamento. Nã.o há dúvida de que f.oi Jesus , realmente, que .os deu a.os h.omens, mas numa ép.oca bem anterior à d.o N.ov.o Testament.o . " (Ellis T. Rasmussen, "The Unchanging G.ospel .of Tw.o Testaments" , Ensign, .ou tubr.o de 1 973 , pp . 24-27 .)

(1-11) Chave 5: Entender a Natureza de Deus nos Proporciona um Discernimento Especial Muitas pess.oas nã.o apreciam .o Deus d.o Velh.o Testament.o, c.onsiderand.o-.o vingativ.o, desapiedad.o I! diferente d.o Deus am.oros.o d.o N.ov.o Testament.o . Não .obstante, .o sever.o ser divin.o d.o antig.o c.onvêni.o é .o mesm.o Jesus miseric.ordi.os.o que vei.o n.o meridian.o d.os

temp.os . Para rec.onciliarm.os este aparente parad.ox.o, basta n.os lembrarm.os de que ele é .o mesm.o Deus, e Deus nã.o muda. Ele é .o mesm.o h.oje, .ontem e para sempre (ver D&C 20: 1 2) . C.om.o .o própri.o Jesus declar.ou, ele "nã.o anda p.or sendas t.ortu.osas, nem se v.olta à direita .ou à esquerda, nem se desvia daquil.o que fal.ou, p.ortant.o, suas veredas sã.o retas, e .o Seu caminh.o, um círcul.o etern.o ". (D&C 3 :2; ver também Tiag.o 1 :7.) Portant.o, .o Deus d.o Velh.o Testament.o é tão amável, c.ompassiv.o e am.oros.o c.om.o .o Deus d.o N.ov.o Testament.o; mas, p.or .outro lad.o, .o membr.o da Deidade retratad.o n.o N.ov.o Testament.o ab.ominava tã.o severamente .o pecado quant.o .o Deus d.o Velh.o Testament.o. Por quê? Porque .os d.ois sã.o a mesma pess.oa ! Se tiverm.os este fat.o em mente, terem.os maior capacidade de interpretar .os mandament.os, atitudes e desígni.os d.o grande Je.ová. Embora muit.os aut.ores bíblic.os m.odern.os afirmem que alguns event.os, c.om.o .o dilúvi.o , .ou a .ordem que J.osué recebeu de destruir .os cananeus, quand.o c.onduziu .o p.ov.o de Israel à terra pr.ometida, pr.ovem que .o Deus d.o Velh.o Testament.o é rig.or.os.o e vingativ.o, .os sant.os d.os últim.os dias p.odem dizer, c.ontrariand.o essa afirmativa: "Eu sei que Crist.o tem um perfeit.o am.or a t.oda a humanidade . " O que p.odem.os aprender, p.ortant.o, c.om a maneira c.om.o ele trat.ou .os h.omens p.or .ocasiã.o d.o dilúvi.o e c.om .o mandament.o recebid.o p.or J.osué? Este process.o de aprendizagem é muit.o produtiv.o, quand.o t.omam.os a firme decisã.o de c.onhecer melh.or a Deus . (Ver a Seçã.o Especial A, " Quem é .o Deus d.o Velh.o Testament.o? ")

(1-12) Chave 6: A Natureza e Propósitos dos Convênios que Deus Fez com Seus. Filhos São Muito Importantes Algumas medidas que Deus t.om.ou c.oncernentes a.o p.ov.o d.o Velh.o Testament.o tinham .o .objetiv.o de estabelecer e manter c.onvêni.os. O Senh.or amava tant.o a justiça, que c.oncedeu à semente de Abraã.o .o privilégi.o de participar d.o c.onvêni.o e de t.odas as .obrigações, direit.os e p.oderes inerentes a ele . Através desse c.onvêni.o, eles p.oderiam separar-se das c.oisas d.o mund.o, t.ornand.o-se um p.ov.o sant.o .ou divin.o . Observand.o .o c.onvêni.o e estendend.o suas bênçã.os a seus semelhantes, .os h.omens asseguravam para si as bênçã.os e proteçã.o de Deus . Devid.o à grande misericórdia d.o Senh.or, ele prometeu a.os just.os que manteria a aliança que fizera, se eles cumprissem .os term.os nela estabelecid.os . P.or .outr.o lad.o, se .o p.ov.o vi.olasse .o c.onvêni.o e rejeitasse seu Deus nã.o s.omente deixaria de ser abenç.oad.o, mas também inc.orreria na ira d.o Senh.or. Nã.o devem.os admirar-n.os, p.ortant.o, a.o ver .os pr.ofetas rec.ordarem c.ontinuamente a Israel .os c.onvêni.os que ela havia feit.o , e adm.oestarem .o p.ovo a ser fiel a eles. Esse c.onceit.o é de imp.ortância vital para entenderm.os a mai.or parte das c.oisas que ac.ontecem n.o Velh.o Testament.o . (Veja a Seçã.o de Aprim.orament.o B, "Os C.onvêni.os e .o Mei.o de Fazê­ -l.os : A Chave Para a Exaltaçã.o . ")

(1-13) Chave 7: Uma Parte Importante do Estudo das Escrituras é nos Colocarmos no Lugar dos Personagens Antigos ao Lermos o Velho Testamento "Meus amad.os irmã.os e irmãs, ledes as escrituras c.om.o se as estivésseis escrevend.o há mil, d.ois mil .ou cinc.o mil an.os atrás? Ledes c.om.o se estivésseis n.o lugar d.os h.omens que as escreveram? Se assim nã.o fazeis , tendes .o privilégi.o de fazê-l.o para que p.ossais estar tã.o familiarizad.os c.om .o


23 significado das palavras escritas por Deus, como estais com vossos pensamentos e conversas diárias, ou com vossos empregados e familiares . Podeis, assim , entender o que os profetas compreenderam e tinham em mente - o que eles pretendiam e planejavam fazer em beneficio de seus irmãos. "Quando puderdes sentir isso em vossos corações, então podereis começar a ter a idéia de que podeis descobrir algo a respeito de Deus e começareis a aprender a respeito dele. " (Brigham Young em Journal of Discourses, vol. 7, p . 333 .)

PONTOS A PONDERAR

estud ar o Velho Testamento. Não seria isto colocar em prática o que Néfi quis dizer, quando declarou que que �pliquei todas as escrituras a nós ? (1 Né fi 1 9:23 .) "

"

(1-16) Morôni aconselhou àqueles que desejam ter um testemunho pessoal do evangelho que "vos lembrardes de quão misericordioso tem sido o Senhor para com os filh os dos homens, desde a criação de Adão". (Morôni 10:3.) Por que ele nos deu tal advertência? O que há de tão importante na mensagem do Velho Testamento para uma pesso,a que se esforça a fim de obter um testemunho pessoal? Aliste quatro ou cinco conceitos práticos importantes que poderia encontrar no Velho Testamento e que o ensinaria a ser um cristão melhor .

(1-14) Uma das escrituras mais freqüentemente citadas é Isaías 55:8-9. Muitas vezes, todavia, limitamo-nos a esses dois versículos e deixamos de entender todo o seu contexto . Leia agora os versículos 10 e 1 1 . O que o Senhor quis dizer, quando declarou que sua maneira de fazer as coisas é diferente da dos homens? (Observe especialmente o versículo 1 1 .) O que o Senhor quis dizer, quando afirmou que sua palavra " fará o que me apraz" , e como essa declaração se aplica ao Velho Testamento? Considerando este ensinamento, como responderia agora a alguém que lhe dissesse: "O Velho Testamento é muito dificil; ele preci�a ser simplificado e melhor esclarecido?"

(1-17) O Presidente Spencer W. Kimball deu a seguinte admoestação a todos os membros da Igrej a : " Insisto, com todo o povo desta Igrej a, e m que dê séria atençiio às histórias familiares , que os pais e avós sej am incentivados a escrever seus diários, e que ninguém faleça, sem deixar suas memórias para seus filhos, netos e demais pósteros . Este é um dever e uma responsabilidade, e conceito a todos a que comecem a fazer com que as crianç:as também escrevam uma história pessoal e um diário . " ("O Verdadeiro Caminho da Vida e Salvação " , A Liahona, outubro de 1 978, p . 5.)

(1-15) Leia novamente o segundo parágrafo da Leitura 1-3, e todo o texto da 1 - 1 3 . Nesta introdução . Medite por alguns instantes a respeito de como podemos colocar-nos no lugar dos personagens antigos e permitir que as escrituras "alcancem o íntimo de nossas almas" . (Larsen, introdução de The Message of the Old Testament, p. 367 . ) Aliste algumas medidas práticas que você pode tomar no sentido de aplicar esse conceito em sua própria vida, ao

Se você ainda não começou a manter um diário pessoal , agora é uma excelente oportunidade para fazê-lo . Faça com que seu estudo do Velho Testamento seja parte de seu diário . Registre nele os ensinamentos especiais que conse:�uiu aprender, as coisas que mais o impressionaram ou ap enas o que sentiu ao estudá-lo . Você verá que seu estudo do Velho Testamento será grandemente realçado pelas anotações que fizer em seu diário, e vice-versa.


Gênesis 1-2

A Criação (2-1) Introdução Adão e Eva foram o ponto culminante da Criação . Contudo, faça uma pausa e reflita por um momento na criação em si . Era o Pai dirigindo a formação de um lar para seus filhos. Depois de terminado, afirmam os registros bíblicos com maravilhosa simplicidade : "E viu Deus tudo o quanto tinha feito, e eis que era muito bom" (Gênesis 1 : 3 1 ) . E assim tem sido este lar durante os milhares de anos que j á se passaram . A terra é um lugar de beleza e abundância, um lugar que se auto-renova e de constante recriação . Ela tem sido a morada mortal de bilhões de pessoas , e ainda é capaz de suster muitos outros bilhões . Medite por alguns instantes em seu próprio relacionamento com Adão e Eva - os seus avós tão distantes . Os milênios que o separam deles tornaram-nos personagens irreais para você, como os protagonistas fictícios de um conto? Eles são reais e estão vivos . Adão retornará à terra antes do Milênio para presidir, sob as ordens de Cristo, o grande conselho de Adam-ondi­ -Ahman (vej a Daniel 7; D&C 1 1 6) , e conduzir os exércitos do Deus Todo-Poderoso no combate que será travado contra as hostes do maligno, na última grande batalha que será travada na terra. (Vej a D&C 88: 1 1 2- 1 1 5 . ) O mundo quer fazê-lo acreditar que Adão e Eva foram seres primitivos e supersticiosos , que foram responsáveis pela Queda devido à imoralidade, ou ainda que são personagens místicos ou imaginários. Mas, ao ler a respeito deles , lembre-se da opinião do Senhor sobre estas duas grandes almas . Imagine as características especiais que deviam possuir para serem escolhidos como nossos precursores . Você provavelmente já teve a oportunidade de ler muitas vezes acerca da criação , mas , ao estudá-Ia de novo , pense no que ela hoje realmente significa para você.

Instruções aos Alunos 1 . Ao ler e estudar Gênesis 1 -2, utilize o auxílio .que as Notas e Comentários podem oferecer-lhe. 2. Porque os registros paralelos que se encontram em Moisés 1-3 e Abraão 4-5 contêm informações valiosas e importantes não encontradas em Gênesis, eles devem ser lidos e estudados em conexão com o relato de Gênesis. (O livro de Moisés e o de Abraão serão estudados detalhadamente no Curso de Religião 327 , sobre a Pérola de Grande Valor.) 3. Complete a seção de Pontos a Ponderar, conforme as orientações que l he forem fornecidas pelo professor. (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção. )

2 NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE GÊNESIS 1-2 (2-2) Gênesis 1 : 1 . Quando foi o "princípio" ? Pelo menos dois pontos importantes devem ser esclarecidos a respeito destas palavras iniciais da Bíblia: Prim eiro , o termo "no princípio" é de natureza relativa e não s: gnifica o ponto de origem de toda a eternidade, se é que pode haver tal coisa . O Senhor disse a Moisés que falaria somente acerca desta terra (vej a Moisés 1 :40) . As criaçõe s de Deus são inúmeras e incontáveis para o homem (vej a Moisés 1 : 37; 7: 30) , e muitos mundos já "deixaram de exist ir" (Moisés 1 :35). Assim sendo , o termo "no princip io" refere-se somente ao início deste mundo . O Preside nte Brigham Young explicou: " Quando houve um começo? Jamais houve um ; se houves:;e, haveria um fim; porém j amais houve um começo; por conseguinte, nunca haverá um fim; assim é a eternidade . Quando falamos a respeito do inicio da eternidade , é uma conversa bastante simplória, e vai muito além da capacidade humana. (Discursos de Brigham Young, p . 47 . ) Segu ndo, a criação deste mundo não foi o verdadeiro princip io da existência daqueles que viriam habitar este planeta . Antes que fossem estabelecidos os alicerces desta terra, e les viveram como filhos espirituais de pais celestes, num es tado de existência pré-mortal . O Presidente Joseph F. Smit h declarou: " De onde viemos? De Deus. Nossos espíritos existiam antes d,� virem a este mundo . Eles estiveram presentes nos conselh os dos céus antes de serem estabelecidos os alicerce s desta terra . . . Elevamos cânticos jubilosos na ocasião em que foram estabelecidos os alicerces desta terra, na ocasião em que foi delineado o plano de nossa existência terrena e de nossa redenção . . . Não resta qualqw!r dúvida de que estávamos presentes naquele conselh o celestial e presenciamos aqueles maravilhosos acontecimentos . . . e quando Satanás se ofereceu para ser o salvador deste mundo , se, em troca, recebesse a honra e glória (.0 Pai , por ter-nos resgatado . . . Inquest ionavelmente, assistimos ao desenrolar daquelas cenas e delas participamos, pois estavamos vitalmente interessados no estabelecimento destes grandes planos e desígnios, os compreendíamos, e foi para o nosso bem que eles foram decretados e serão consumados . " (Citado por Ludlow, em Latter-day Prophets Speak , pp . 5 -6.) Assim sendo , toda a humanidade existiu , durante um períodcl de tempo de duração desconhecida, muito antes deste m undo ser criado (vej a D&C 49: 16- 17). O Presidente Kimball esclareceu : "A " ida transcorreria em três partes ou estágios : pré­ -mortal , mortal e imortal . O terceiro est ágio incluiria a exaltaç;io - vida eterna com divindade - para aqueles


26 que magnificassem sua existência mortal . Tudo o que fosse realizado em um estágio afetaria vitalmente o � stágio ou estágios seguintes . Se a pessoa conservasse seu pr imeiro estado, ser-lhe-ia permitido viver o segundo , que é a vida mortal, como um período posterior de provação e experiência. Se magnificasse o segundo estado, sua experiência terrena, a vida eterna estaria à sua espera. Com essa finalidade, os homens passam por numero sas provações durante o estágio mortal - "para ver se des farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes mandar" . (Abraão 3 :25 .) "Nós, mortais, que agora vivemos nesta terra, estamos passando por nosso segundo estado . O fato de estarmos aqui com corpos mortais , por si só, atesta que "guardamos" nosso primeiro estado . A matéria de nosso espírito era eterna e coexistente com Deus, mas foi organizada em corpos espirituais pelo Pai Celestial . 'l"ossos corpos espirituais passaram por um longo período d,� crescimento, progresso e treinamento , e por termos passado no teste, fomos finalmente admitidos a esta terra e à mortalidade. " (O Milagre do Perdão , p. 1 6 . ) Este "longo período de progresso e desenvolvimento" certamente deve ter exercido grande influência no que o homem é agora. Por exemplo , o Presidente Brigharn Young salientou que todos os homens sabem que há um Deus, embora alguns deles tenham esquecido que o conhecem . Ele declarou : " Quero dizer a cada um de vós, particularmente, que conheceis muito bem vosso Deus, nosso Pai Celestia l, ou o grande Eloim . Estais bem familiarizados com ele , pois não existe uma só alma entre todos vós , que não tenha v ivido em sua morada e habitado com ele durante muitos anos; todavia, estais procurando familiarizar-vos com ele, quando o fato é que meramente esquecestes o que sabíeis. "Não existe uma só pessoa aqui, que não sej a um filho ou filha daquele Ser . " (Discursos de Brigham Young, p . 50.)

(2-3) Qual é a Idade da Terra? "Mesmo levando-se em conta que o capítulo 1 de Gênesis não descreve o principio de todas as coisas , ou mesmo a origem da humanidade, mas somente o iní cio desta terra, não podemos afirmar com certeza quando ela se originou . Em outras palavras, as escrituras não fornecem informação suficiente para determinarmo:; de maneira exata a idade da terra. Falando generalizadamente, aqueles que aceitam os registros das escrituras defendem uma das três teorias básicas a n:speito da idade deste planeta. Todas as três dependem de como é interpretada a palavra dia, usada no relato da criaçã.o . A primeira teoria salienta que a palavra dia deve �,er entendida como a usamos atualmente, e que, portanto, significa um período de 24 horas . De acordo com ela, a terra foi criada em uma semana, ou 1 68 horas . Considerando esta hipótese, a terra teria aproximadamente seis mil anos de idade. (Muitos eruditos concordam que transcorreram cerca de quatro mil anos de Adão até Cristo , e mais ou menos dois mil anos de Cristo até a época atual .) Pouquíssimas pessoas, tanto membros da Igreja como de outras religiões , aceitam esta idéia, I,ois as evidências de que o processo da Criação foi bem mé'.is longo, são bastante substanciais .

A segunda teoria afirma que Abraão aprendeu, através do Urim e Tumim , que Kolob , a estrela que se encontra mais próxima do trono de Deus, tem um período de revolução que dura mil anos terrestres (ver Abraão 3 : 2-4) . Em outras palavras , poderíamos dizer que, para o Senhor um dia é igual a mil anos do planeta Terra. Outras escrituras também apóiam esta teoria (Salmos 90:4; II Pedro 3 : 8 ; Fac-símile n ? 2 do Livro de Abraão , figuras 1 , 4) . Se a palavra dia, do livro de Gênesis , foi usada neste sentido, então a terra teria aproximadamente 13 mil anos de idade (sete dias de mil anos cada, relativos à criação , mais cerca de seis mil anos desde a queda de Adão) . Alguns vêem D&C 77: 1 2 como apoio adicional a essa teoria.

Sala da criação no Templo de Los Angeles

Embora a maior parte dos geólogos, astrônomos e outros cientistas acreditem que até mesmo este extenso período de tempo não é suficientemente adequado para esclarecer as evidências físicas que se encontram na terra, existe um pequeno número de eminentes estudiosos que discorda das afirmações de tais cientistas . Eles argumentam que a cronologia geológica está sendo mal interpretada, e que as tremendas catástrofes que ocorreram na história da terra aceleraram o processo que normalmente levaria milhares de anos para se completar . Eles citam evidências apoiando a' idéia de que treze mil anos não é um período de tempo irrealístico . O escritor Immanuel Velikouski, por exemplo , escreveu três livros reunindo evidências de que ocorreram levantamentos catastróficos da crosta terrestre em épocas recentes da história deste planeta, e manifestou sua opinião em contrário à idéia de que os processos naturais que hoje vemos sempre existiram aproximadamente no mesmo índice de uniformidade. Os livros são Worlds in Collision, Ages in Chaos, e Earth in Upheaval. Dois cientistas SUD, Melvin A. Cook e M. Garfield Cook, também defenderam esta teoria em seu livro intitulado Science and Mormonism. Um breve resumo da idéia desses autores foi abordada no artigo "How Old is the Earth? " , de Paul Cracroft, publicado na Improvement Era de outubro de 1 964, pp. 827-30, 852. Uma terceira teoria afirma que a palavra dia se refere a um período de tempo de duração indeterminada, sugerindo assim, uma era. A palavra hebraica para dia usada no relato da criação pode ser traduzida como "dia" no sentido literal, mas também pode ser empregada para indicar um período de tempo indeterminado . Abraão declarou que os deuses chamaram aos períodos de criação de dias . (Vej a Abraão 4 : 5 , 8 . )


27 Se esse foi o sentido em que Moisés usou a palavra dia, então o aparente conflito existente entre as escrituras e a maior parte das evidências apresentadas pelos cientistas apoiando a idéia de que a terra é de idade avançada, fica facilmente resolvido . Cada era ou dia da criação poderia ter durado milhões ou até mesmo centenas de milhões de anos terrenos, e assim sendo , não haveria qualquer problema em aceitarmos o uniformitarismo* . (A maior parte dos livros didáticos relativos à história natural podem nos dar excelentes informações a respeito da maneira pela qual é contada a idade da terra. ) Embora sej a interessante aprendermos estas diversas teorias , oficialmente a Igrej a não tomou posição alguma com referência à idade da terra. Por motivos que só ele conhece, o Senhor ainda não achou apropriado revelar formalmente os detalhes relativos à criação . Por conseguinte, embora os santos dos últimos dias sej am encoraj ados a aprender as verdades existentes nos inúmeros campos de estudo (veja D&C 8 8 : 77-79) , não é j ustificável tentar estabelecer qualquer teoria como sendo a posição oficial da Igrej a concernente ao assunto.

(2-4) Gênesis 1:1. Quem Criou a Terra? Embora os registros bíblicos indiquem que Deus criou os céus e a terra, há informações adicionais que revelam exatamente qu-::m foi o autor . Numerosas escrituras indicam que Jeová, ou Jesus Cristo na vida pré-mortal , foi quem realmente recebeu a responsabilidade de executar a obra da criação , não somente desta terra, mas também de inúmeras outras . Deus explicou o seguinte a Moisés : "E criei mundos sem número, e também os criei para o meu próprio intento ; e por meio do Filho, que é o meu Unigênito, eu os criei . " (Moisés 1 : 3 3 .) Ao criar a terra, Jeová, ou Cristo , foi aj udado por Miguel . O Élder Bruce R. McConkie nos explica quem era Miguel : " Nosso grande príncipe, Miguel, conhecido na mortalidade como Adão, é o segundo após Cristo no plano de salvação e progresso eterno . Na existência pré­ -mortal Miguel foi o mais inteligente e mais poderoso filho espiritual de Deus, com exceção apenas do Primogênito, sob a direção e conselhos de quem ele trabalhou, e recebeu • (n . t . ) Doutrina que explica o passado geológico da terra por causas análogas às que aluam hoje.

a missão de vir a esta terra. ' Ele é o pai da família humana e preside sobre os espíritos de todos os homens. ' (Ensinamentos, p . 1 5 3 . ) O nome Miguel aparentemente, e com toda a propriedade, significa 'alguém que é semelhante a Deus ' . " Mig uel desempenhou um papel importante na criação da terra , sendo superado apenas por Jesus Cristo . " (Mormon Doctrine, p . 49 1 .) Abra-io registra que, entre muitos espíritos pré-mortais "nobre!; e grandes " , havia um " que era semelhante a Deus " , que disse a eles : " Desceremos . . . e tomaremos destes materiais e faremos uma terra onde estes possam morar . " (Abraão 3 :22, 24. Itálicos acrescentados . ) Esta passagem sugere que outros personagens , além de Miguel , aj udaram na Criação . O É lder Joseph Fielding Smith ensinou : " É vt,rdade que Adão aj udou a formar esta terra, trabalhé.ndo com nosso Salvador Jesus Cristo . Tenho uma forte impressão ou convicção de que havia outros que também aj udaram . Quem sabe Noé e Enoque; e por que não Joseph Smith , e os designados para governantes antes de a terra ser formada? " (Abraão 3 :24.) (Doutrinas de Salvação, Vol . I , p . 82.)

(2-5) Gênesis 1:1. Que Significa a Palavra Criar? O termo hebraico que foi traduzido por "criar" em Gênesis 1 : 1 , significa formar, moldar , criar; sempre referindo-se à atividade divina. O Profeta Joseph Smith esc!arect:u o seguinte: " Se perguntardes aos cultos doutores que afirmam que o mundo foi feito do nada, responderão : 'Acaso não diz a Bíblia que ele criou o mundo? ' Eles inferem do verbo criar que deve necessariamente ter sido feito do nada. Bem , a palavra ,;riar provém do termo baurau, que não significa criar do nada; quer dizer organizar; a mesma coisa como se o homem organizasse materiais e construísse um navio . Dali, deduzimos que Deus dispunha de materiais para organizar o mundo dentre o caos - matéria caótica, que é elemento , e no qual habita toda a glória . O elemento existe, d,esde que ele próprio (Deus) existe . Os puros princípios de elemento são indestrutíveis ; podem ser organiza dos , reorganizados, mas nunca destruídos . Não tiveram inicio e não poderão ter fim . " (Ensinamentos, pp . 341 -42.)


28 (2-6) Gênesis 1 :2. Por Que o Espírito "Se Movia" sobre a Face da Terra, que "Era Sem Forma e Vazia" ?

(2-7) Gênesis 1 :6-8. Que É a "Expansão" e que São as Duas " Águas" ?

" Depois que a terra foi organizada e formada, ela não era, de forma alguma, sem forma e vazia; muito pel o contrário, como diz o texto hebraico e através do rei.ato de Abraão , ela era 'vazia e desolada' . De fato, no ponto em que começa a descrição da preparação da terra para ser u'a morada adequada p ara o homem, ela se encontrava envolvida pelas águas , sobre as quais o ' Espirito de Deus' se movia ou pairava. (Estas duas últimas palavras são ambas uma tentativa de traduzir o termo hebraico que descreve o que um pássaro ou galinha faz ao incubar e vigiar seus ovos no ninho ! ) "A força criadora, aqui chamada d e 'Espírito d e Deus ' , que age sobre o s elementos no sentido de formá-los e prepará-los para suster a vida sobre a terra, pode ser a mesma encontrada em Doutrina e Convênios , chamada de ' Luz de Cristo ' . (Vej a D&C 88:7- 1 3 .) É óbvio que o· Filho exerceu esse poder, sob as ordens do Pai, conforme podemos ver também através de escrituras como Joào 1 : 1 - 4 e Hebreus 1 : 1 -2 . (Ver também n o Livro d e Mórrr.on, Helamã 1 2 : 8 - 1 4 e Jacó 4:6-9 . ) " (Rasmussen, Introduction to the Old Testament, Vol . 1 , p. 1 1 .)

A palavra traduzida por "expansão " vem do vocábulo hebraico que significa estender, expandir, cobrir . (Este termo é também usado em Abraão 4:6-7 . ) A separação das águas que estavam debaixo das que se encontravam por cima do firmamento, ou expansão, é explicada como um simples fenômeno natural da terra. "As águas que estavam debaixo do firmamento são as que cobrem o próprio globo terrestre; as que estavam sobre, são as que flutuam na atmosfera, e que estão por ela separadas das que se acham sobre a terra; as águas que se acumulam em forma de nuvens, e que depois rompem seus mananciais e se derramam em forma de chuva sobre a superfície do planeta . . . Portanto, de acordo com esta concepção , se levarmos em conta que essa massa líquida que cai sobre a terra em forma de chuva está cerrada nos céus (Gênesis 8 : 2) , é evidente que devemos considerá-Ia como estando acima da abóbada que cobre a terra ou, de acordo com as palavras de Salmos 148:4, ' as águas que estão sobre os céus ' . " (Keil e Delitzsch , Commentary, 1 : 1 : 53-54.)

(2-8) Gênesis 1 : 1 1-12, 21, 24-25 O fato básico das leis da genética, ou Leis de Mendel, acha-se revelado em todos os três relatos da Criação . Em cada um deles (Gênesis 1 ; Moisés 2; Abraão 4) , a frase "segundo a sua espécie" é usada diversas vezes. Abraão deu grande ênfase a esse princípio , em Abraão 4: 1 1 - 1 2 . Também Abraão 4 : 3 1 parece realçar a imutabilidade das leis que o Senhor deu a este reino (vej a D&C 88: 36-38, 42-43). O Profeta Josep h Smith ensinou: "Deus expediu certos decretos que são fixos e inalteráveis; por exemplo: pôs o sol, a lua e as estrelas nos céus, e fixou as leis, condições e limites que devem regê-los e a que não podem desobedecer, exceto por mandamento seu; todos se movem em harmonia perfeita: dentro de sua esfera e ordem, e nos são por luzes , maravilhas e sinais. O mar também tem seus limites que não pode ultrapassar . Deus colocou muitos sinais na terra, assim como nos céus; por exemplo: o carvalho na floresta, o fruto na árvore, a erva no campo, são sinais de que ali se plantou uma semente, porque o Senhor decretou que toda árvore , planta e erva que tenham semente, devem produzir sua própria espécie, e não podem nascer de acordo com nenhuma outra lei ou princípio . " (Ensinàmentos, p. 1 93 . )

(2-9) Gênesis 1:21 A palavra baleias usada neste versículo é traduzida do vocábulo hebraico tannanim, derivado de um verbo que significa "alongar" . Este termo, na verdade, quer dizer "os de grande tamanho " . Esta palavra provavelmente se aplicava a outros animais ou répteis marinhos de grande porte, como o golfinho , o tubarão e o crocodilo , além do animal que atualmente chamamos de baleia. (Keil e Delitzsch , Commen tary, 1 : 1 : 60; Clarke, Bible Commentary, 1 : 3 7 . )

"Efez Deus separação entre a luz e as trevas "


29 (2-10) Gênesis 1:26-27. ""Façamos o Homem à Nossa Imagem" Falando a respeito da veracidade de que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus , o Presidente Brigham Young declarou : "O homem foi criado à imagem de seu Criador . . . do qual é a exata semelhança, tendo , como ele, olhos, testa, sobrancelhas , nariz, faces, boca, queixo e orelhas, exatamente como nosso Pai Celestial . " (Citado por Ludlow, em Latter-day Prophets Speak, p. 278 . ) Embora o Presidente Young s e referisse a o homem , esse termo se aplica também à mulher. Os profetas modernos pronunciaram-se a respeito da existência de uma mãe celestial . A Primeira Presidência (Joseph F. Smith , John R. Winder e Anthon H. Lund) confirmaram esta doutrina em 1 908 , com as seguintes palavras : "Todos os homens e mulheres são à semelhança do Pai e Mãe universal, e são literalmente filhos e filhas da Deidade. " (Citado por Clark) Messages of the First Presidency, Vol . 4, p. 203 .) O Elder Joseph Fielding Smith , após citar Gênesis 1 :26-27 , declarou também: "Não é incorreto crer que os espíritos femininos foram criados à imagem de uma 'Mãe Celestial' . " (Answers to Gospel Questions, Vol . 3 , p . 144.)

(2-11) Em que Se Baseava o Domínio que Adão Tinha sobre a Terra? "O Sacerdócio foi dado primeiramente a Adão ; a ele se deu a Primeira Presidência, e teve as suas chaves de geração em geração . Recebeu-o no início , antes de ser formado o mundo, como está registrado em Gênesis 1 : 26-28 . Foi-lhe dado domínio sobre todo ser vivente . Ele é Miguel, o Arcanjo , de quem se fala nas Escrituras . " (Smith , Ensinamentos, p . 1 5 3 . )

(2-13) Gênesis 1:27-28. A Palavra "Homem" , Citada no Relato da Criação, Refere-se ao Homem e à Mulher " 'E eu , Deus , disse a meu Unigênito , que estava comigo desde o princípio : Façamos o homem (não um homem isolado, mas um homem completo , e que significa marido e mulher) segundo nossa imagem e semelhança; e assim foi . ' (Moisés 2:26.) Que maravilhosa parceira ! O Senhor casou Adão e Eva por toda a eternidade. Esse tipo de matrimônio continua em vigor além desta vida. Todas as pessoas deveriam procurar obter essa espécie de união conjugal . . . É nisso que consiste uma parceria. Então , depois de os haverem criado à imagem de Deus, deram-lhes este mandamento eterno : 'Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra, e sujeitai-a' (Gênesis 1 : 28) , e quando os deuses completaram esta magnífica criação , examinaram-na e a consideraram 'boa, muito boa' - um trabalho que não precisa ser aperfeiçoado pelos intelectuais modernos; o homem deveria arar o solo , sustentar a família,

proporcionar-lhe uma liderança adequada; a mulher deveria ser uma adj utora, conceber filhos, criá-los e instruí-los. Foi um trabalho 'bom, muito bom ' . "Foi assim que o Senhor os organizou . Não se constituiu numa experiência. Ele sabia muito bem o que estava fazendo . " (Spencer W . Kimball , " Speaking Today" , Ensign , março de 1 976, p. 7 1 .)

(2-14) Gênesis 1:28. "Frutificai e Multiplicai-vos" Sabe ndo que o objetivo principal de Deus é "proporcionar a imortalidade e vida eterna ao homem " (Moisé, ; 1 : 39) , que , sem um corpo físico , o homem não pode receber a plenitude da alegria (veja D&C 93 : 3 3-35), e que o �to de nascermos aqui na terra e sermos provados é um requisito prévio necessário ao nosso progresso eterno (veja Abraão 3 :25), poderíamos afirmar, sem qualquer margem de dúvida, que trazer filhos ao mundo é um dos objetiv os primordiais do plano do Senhor. O Presidente Spencer W. Kimball declarou o seguinte a respeito da importância de termos filhos: "O primeiro mandamento registrado nas escrituras parece ter sido ' frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra' . Ningué m deve pensar que o Senhor ordenou que tivéssemos filhos sem sermos casados . Uma idéia dessa nature;:a é destituída de qualquer fundamento . . . "Tenho dito a inúmeros grupos de jovens que não devem adiar seu casamento até que tenham conseguido realizar todas as suas ambições relativas à educação . Já tive a o portunidade de dizer a dezenas de milhares de j ovens que , ao se casarem , não devem protelar o nascim ento de filhos até haverem concretizado seus ideais educati vos e financeiros . O casamento é realizado basicamente para se constituir família, e quando as pessoas encont:am o cônj uge adequado, não devem adiar a formação de sua progênie. Elas devem conviver normal mente e permitir que os filhos venham ao mundo . "O conceito de que o matrimônio foi instituído para a legalização do sexo , ou em seu beneficio, parece estar ganhando crescente aceitação na época atual . O casamento existe primordialmente para a formação da família; é por isto qUt� contraímos matrimônio - não para satisfazer os apetite:; sexuais, como o mundo quer fazer-nos acreditar.. Quand o as pessoas tiverem encontrado seus companheiros, repito, não devem demorar muito para estabel,�cer sua família. As jovens esposas devem ocupar­ -se em conceber e criar seus filhos . Não conheço escritura alguma que as autorize a adiar a formação de famílias para poderem trabalhar e garantir a escolaridade de seu marido . Há milhares de homens que conseguiram formar­ -se e ao mesmo tempo constituir família. Embora as coisas se torn �m mais dificeis, mesmo assim os jovens podem levar avante seus programas concernentes à educação . " (Marriage i s Honorable" , em Speeches of the Year, 1 973, pp. 262-63 .)


30 (2-15) Génesis 2:5. O Relato que se Encontra em Gi'nesis É um Registro da Criação Espiritual? "O que foi descrito em Gênesis não foi uma criação em espírito mas , em certo sentido, uma criação espiritu al. Isto, logicamente, exige uma explicação . O relato em Gênesis , capítulos um e dois , descreve a criação da terra física. A descrição da colocação de toda vida sobre a terra ' desde o princípio até a queda de Adão, é, em certo sentido, um relato da criação espiritual de tudo isso , embora fosse também uma criação física. Quando (I Se�h?r falou qu� i a criar Adão , não se referia à cria.ção do . espmto dele, pOIS IStO aconteceu muito , muito temp o antes, quando se encontrava no mundo dos espíritos e era conhecido como Miguel . (Moisés 2:26-28 ; Gênesis 1 :26-28 .) "O corpo de Adão foi criado do pó da terra, por,!m, na

UNo princípio criou Deus o s céus e a lerra "

ép �c � , ela e�a uma t�rra espiritual . Adão tinha um corpo espmtual ate sobrevIr-lhe a mortalidade por causa da violação da lei sob a qual vivia; porém , ele também tinha um corpo físico de carne e ossos. "Agora, o que é um corpo espiritual? É um corpo vivificado pelo espírito e não por sangue . . . Após a queda, provocada pela transgressão da lei sob a qual Adão vivia ' o fruto proibido teve o poder de produzir sangue e modificar sua natureza, fazendo a mortalidade ocupar o lugar da imortalidade : e todas as coisas , participando da modificação , tornaram-se mortais . Agora, repito , o relato de Génesis, capítulos um e dois, descreve a criação física da terra e de tudo o que sobre ela há, porém esta criação não estava sujeita à lei mortal até depois da queda. Foi, portanto, uma criação espiritual, e assim se conservou até depois da queda, quando se tornou temporal, ou mortal. (Smith, Doutrinas de Salvação , Vol . I, pp . 84-85.)

"


31 (2-16) Gênesis 2:7. Adão Foi a "Primeira Carne" sobre a Terra Moisés 3 : 7 dá maior significado à frase que se encontra em Gênesis 2 : 7 : "E o homem se tornou alma vivente; a primeira carne sobre a terra, também o primeiro homem . " O Presidente Joseph Fielding Smith explicou o que significa o vocábulo carne. "E assim Adão foi o primeiro homem sobre a terra e, de acordo com a declaração do Senhor, também a primeira carne . Isto exige uma pequena explicação . " Adão não foi colocado aqui na terra até que ela estivesse pronta para a sua vinda. Os animais já viviam aqui, e as plantas haviam sido criadas . O Senhor não o trouxe a um mundo desolado , para depois trazer as outras criaturas . Tudo estava preparado para recebê-lo , exatamente como nos ensina a ordem de criação que temos em nossas escrituras. Quando o ambiente se achava organizado para Adão , ele foi colocado sobre a terra. "Então , o que significa o termo 'primeira carne' ? É simples , quando o compreendemos . Adão foi a primeira de todas as criaturas a cair e se tornar carne, e carne, neste sentido, significa mortalidade. Em todas as nossas escrituras , o Senhor se refere a esta vida como carne, enquanto nos encontramos aqui na carne. Assim Adão tornou-se a primeira carne . Não houve nenhuma outra criatura mortal antes dele, nem havia a morte física antes que ele a trouxesse para o mundo, como as escrituras ensinam . É assim que está escrito , e esse é o evangelho de Jesus Cristo . " (Seek Ye Earnestly, pp. 280-8 1 .)

Deus fez os animais

(2-17) Gênesis 2:8. Onde Estava Situado o Jardim do Eden? " De acordo com as revelações dadas ao Profeta Joseph Smith , ensinamos que o Jardim do É den esteve localizado onde será construída a cidade de Sião , a Nova Jerusalém (veja D&C 1 1 6; Dyer, The Refiner's Pire, pp . 1 7- 1 8) . Quando foram expulsos d o Jardim, Adão e Eva acabaram habitando num lugar chamado A dam-ondi-Ahman , situado no atual Condado de Daviess , no Missouri . Três anos antes de sua morte, Adão reuniu nesse lugar, os justos de sua posteridade e os abençoou, e é nesse lugar

que Ad ão , ou Miguel, se assentará, conforme lemos no capítulo sete de Daniel . " (Daniel 7:9-14, 2 1 -22, 26-27 .) (Smith , Doutrinas de Salvação, Vol . III, p . 75.) O dil úvio e os cataclismos subseqüentes alteraram profundamente a topografia e geografia da terra. Os descendentes de Noé evidentemente deram a alguns rios e talvez a outros acidentes geográficos os mesmos nomes de locais que conheciam antes do dilúvio . Esta teoria explicaria por que os rios da Mesopotâmia possuem agora os nomes de rios que originalmente se encontravam no contine nte americano. É possível, também, que alguns dos sistema s fluviais modernos sejam remanescentes de antigos , de origem antediluviana, existentes no grande e único continente de então .

PONTOS A PONDERAR (2-18) No livro de Génesis e nos relatos paralelos que se encontram em Moisés e Abraão , temos como que um esboço da criação da terra e do homem que nela habitaria. É uma narrativa simples e direta. Embora não nos ensine exatamente como o Senhor realizou o processo criativo , aprend�mos aí diversos conceitos essenciais. Prim eiro , Deus , o Pai de toda a humanidade, instituiu a criação deste mundo, para que fosse um lugar onde os homen:; pudessem nascer na mortalidade e progredir em busca de seu destino eterno. Segundo, o homem é progênie da Deidade . Terceiro, o mundo não foi criado por forças casuais, ou mero addente. Quarto, Adão foi o primeiro homem e a primeira carne sobre a terra (veja a Leitura 2- 1 6, para uma definição do que significa o termo "primeira carne" [Moisés 3 : 7]) . Quinto , Adão caiu de um estado de inocência e imortalidade, e sua queda afetou toda a vida sobre a terra, bem como à própria terra. Sexto, a expiação de Jesus Cristo foi planej ada antes da criação do mundo, para que o homem pudesse vir a uma terra decaída, vencer a morte e os pecados, e voltar para viver na presença de Deus. Há no mundo uma outra teoria a respeito do início de todas as coisas , popularmente defendida e amplamente ensinada. Essa teoria, a da evolução orgânica, foi desenvolvida partindo das idéias e escritos de Charles . Darwin .. Ela apresenta diferentes conceitos sobre como a vida começou e acerca da origem do homem . Com referência a ela, as seguintes declarações devem ajudá-lo a entender o que a Igreja ensina a respeito desses dois princíp ios . " Há quem afirme que Adão não foi o primeiro homem criado nesta terra, e que o ser humano original desenvolveu-se de formas inferiores da vida animal . Tais idéias , entretanto , são teorias dos homens. A palavra do Senhor declara que Adão foi ' o primeiro de todos os homen:; ' (Moisés 1 : 34) ; temos, portanto, o dever de consid{:rá-Io como o pai da raça humana. O Senhor mostrou ao irmão de Jarede que todos os homens foram criados no princípio segundo a imagem de Deus; e quer achemos que tal criação se referia ao espírito ou ao corpo , ou a ambos, isso nos leva à mesma conclusão : O homem iniciou sua vida neste planeta como um ser humano, semelhante a nosso Pai Celestial . " (A Primeira Presidência [Joseph F. Smith , John R. Winder, Anthon H. Lund] , citado por Clark, em Messages of the First Presidency, Vol. 4, p . 5 . )


32 "Qualquer teoria que exclua Deus como um ser pessoal e imbuído de objetivos eternos, e considere que todas as coisas foram criadas por acaso, não pode ser aceita pelos . santos dos últimos dias . . . É inconcebível crer que a existência do homem e de toda a criação seja obr.a do acaso . Considerando que o homem foi criado pela v ontade e poder de Deus, é igualmente inconcebível pensar q ue o poder divino de criação se limita a um processo vagmnente entendido pelo homem mortal . " (Widtsoe, Evidences and Reconciliations, Vol. 1 , p. 1 5 5 . ) " Sinto-me profundamente grato pelo fato d e que , em meio à enorme confusão que reina 'entre os filhos de nosso Pai Celestial, os membros desta grande organização tenham recebido um conhecimento exato a respeito da origem do homem; que viemos do mundo espiritual onde nossos espíritos foram organizados pelo Pai que está nos céus, que ele formou nossos primeiros pais do pó da . terra, e que seus espíritos foram colocados nos corpos que ele criou, e que o homem surgiu, não como tantas pessoas acreditam ou como muitos preferem crer , de algumas formas inferiores de vida, mas que nossos primeiros progenitores foram seres que viveram nas cortes cekstiais. Não surgimos de alguma forma inferior de vida, mas somos descendentes de Deus, nosso Pai Celestial . " (George Albert Smith , em Conference Report, outubro de 1 925, p. 3 3 . )

" Penso que, naturalmente, essas pessoas defensoras do ponto de vista de que o homem evoluiu, no decorrer de bilhões de anos , da espuma do mar, não acreditam em Adão . Honestamente, nem sei como poderiam , e provar­ -vos-ei que elas não acreditam . Alguns há que tentam fazê-lo , mas são inconsistentes - absolutamente inconsistentes , pois tal doutrina é tão incompatível, tão absolutamente destoante das revelações do Senhor, que é simplesmente impossível crer-se em ambas. " . . . Afirmo com toda ênfase, não podeis crer nessa teoria da origem do homem e ao mesmo tempo aceitar o plano de salvação, conforme é apresentado pelo Senhor, nosso Deus. Tereis que escolher um e rejeitar o outro, pois são diretamente conflitantes e separados por um tão grande abismo, que não pode ser transposto, por mais que se tente. " . . . Adão , e com isto quero dizer o primeiro homem, não era capaz de pecar. Não podia transgredir, e com isto trazer ao mundo a morte; pois , segundo essa teoria, sempre houve morte no mundo. Se, portanto, não houve queda, não havia necessidade de expiação, seguindo-se que a vinda do Filho de Deus como o Salvador do mundo é uma contradição, uma coisa impossível. Estais preparados para crer numa coisa dessas ? " (Smith, Doutrinas de Salvação, Vol . I, pp . 1 5 3-54.)

A Primeira Presidência (1901-1910): John R. Winder. Presidente· 1oseph .F. Smith e Anthon H. Lund


33 (2-19) Que podemos dizer das evidências científicas que supostamente contradizem tais declarações? Não é convincente a evidência de que toda a vida evoluiu de uma fonte comum? Harold G. Coffin , professor de paleontologia e pesquisa do Geoscience Research Institute, da Universidade de Andrews, de Michigan, Estados Unidos, apresentou o ponto de vista de um cientista sobre como a vida começou . Os seguintes trechos foram extraidos do folheto intitulado Creation, de sua autoria. " Chegou o momento em que devemos fazer um novo exame das evidências que Charles Darwin usou para apoiar sua teoria da evolução , à luz das inúmeras informações científicas recentes . Aqueles que se atrevem a penetrar no emaranhado de suposições concernentes à origem da vida, logo descobrirão que a ciência apresenta provas substanciais de que o relato da criação é o que melhor explica a origem da vida. Quatro considerações nos levam a esse resultado; " 1 . A vida, é sem paralelo . "2. Os animais de estrutura complexa apareceram subitamente. " 3 . No passado, a probabilidade de mutação era muito limitada. "4. No presente, a probabilidade de mutação é muito limitada. "Qualquer pessoa que esteja interessada em conhecer a verdade, deve considerar seriamente estas questões. O desafio que elas apresentam à teoria da evolução levou muitos cientistas inteligentes e sinceros da época atual a reconsiderarem suas crenças concernentes à origem da vida. " (Coffin , Creation: The Evidence From Science, p . 1 .) A Vida É sem Paralelo "O cientista Homer Jacobson relata o seguinte , na revista A merican Scientist, de j aneiro de 1 95 5 : 'Do ponto de vista da probabilidade , a transformação dos elementos atuais numa só molécula de aminoácido seria extremamente impossível, mesmo que dispuséssemos de todo o tempo e espaço necessário para dar origem à vida terrena. " Somente a mais simples dessas proteínas (a salmina) poderia ter-se originado desses elementos , mesmo que a terra estivesse coberta por uma camada de aminoácidos de 750 metros de espessura durante um bilhão de anos ! Por mais fantasiosos que fôssemos , não poderíamos supor que as condições atuais pudessem dar origem até mesmo a uma só molécula de aminoácido, e que ela, espontânea e casualmente, pudesse transformar-se num complexo organismo protoplasmático , dotado de um metabolismo e com capacidade de auto-reprodução . " (Homer Jacobson, " Information, Reproduction and the Origin of Life , " A merican Scientist, janeiro d e 1 955 , p . 125.) " Outro cientista, impressionado com as probabilidades contrárias à formação casual de proteínas , manifestou sua opinião , declarando o seguinte: 'Podemos calcular perfeitamente a possibilidade destes cinco elementos (carbono , hidrogênio, nitrogênio , oxigênio e enxofre) se reunirem e formar uma molécula, a quantidade de matéria que deve estar em constante vibração e o período de tempo necessário para se completar a tarefa. Charles Eugene Guye, matemático suíço, fez os cálculos e descobriu que as possibilidades contrárias a tal ocorrência são de 1 0 160 contra 1 , ou somente de uma chance favorável em cada 1 0 160 ; isto é, 10 multiplicado por si mesmo 1 60 vezes, um número tão grande, que mal podemos expressá-lo em palavras . O volume de matéria que deveria combinar-se

para produzir uma única molécula de proteína seria milhõe:; de vezes maior que o que encontramos em todo o univers o . Para que isso ocorresse na Terra, somente seriam necessários muitos, quase que incontáveis bilhões ( 1 0243) de anos . ' (Fr ank Allen , " The Origin of the World by Chance or Design? " citado por John Clover Monsma, em The Evidence of God in an Expanding Universe, p . 23 .)" (Coffin, Creation , pp . 3-4.)

Os Animais de Estrutura Complexa Apareceram Subitamente " Em 1 9 l O, Charles Walcott , quando cavalgava pelas Montanhas Rochosas canadenses , fez uma importante descoberta de fósseis marinhos. O local forneceu a mais completa coleção de fósseis do período cambriano que conhecemos . Walcott encontrou animais de corpo mole preservados no lodo de fina textura. Muitas espécies de vermes, camarões e crustáceos deixaram a impressão d.e suas formas na argila, que posteriormente endureceu . Entre a, impressões, foram encontradas até mesmo marcas das partes internas, como a dos intestinos e estômagos. As criatunls eram cobertas de pêlos, espinhos e apêndices, inclusive maravilhosos detalhes das estruturas tão características dos vermes e crustáceos . " Ao examinar as partes duras visíveis desses fósseis, é possível aprender muita coisa sobre esses animais. Seus olhos e antenas indicam que possuíam um perfeito sistema nervoso. Suas guelras demonstram que extraíam oxigênio da água, e para que ele circulasse por seu corpo, era preciso que fossem dotados de corrente sangüínea; " Alguns desses animais cresciam pelo processo de muda * ,:omo os gafanhotos . É um processo complicado que os biólogos ainda estão procurando entender . Eles possuíam partes bucais complexas , para poderem extrair tipos es peciais de alimentos da água. Não havia nada de simples ou primitivo naquelas criaturas . Elas poderiam ser comparadas aos vermes e crustáceos que hoje conhecemos . Não obstante, elas são encontráveis nas rochas mais antigas que con tenham um número bastante significativo de fósseis. Onde estão os ancestrais deles? . . " O que você acabou de ler até aqui, não é novidade . Este problema é conhecido pelo menos desde a época de Charles Darwin . Se a evolução progressiva dos organismos simples aos mais complexos for correta, deveriam ser encontr ados os ancestrais dessas criaturas vivas plenamente desenvolvidas do período cambriano; mas eles não foram encontrados, e não existe a menor perspectiva de que venham a sê-lo . "Baseando-nos apenas nos fatos e nas evidências que encontramos atualmente sobre a terra, a teoria de um súbito a to criador em que as formas maiores de vida foram colocadas neste planeta, se encaixa melhor no contexto histórico . " (Coffin, Creation , pp . 5-6.)

As Espécies Básicas de Animais Não Mudaram "Os dentistas que estudam os fósseis, descobriram outra informação interessante. Os animais de éstrutura complicada não apenas aparecem subitamente nas rochas inferiores do período cambriano, mas também as formas básicas de animais não sofreram grande alteração desde aquela �:poca . . . Esclarecendo melhor, este é o problema dos elos perdidos . Não é o caso de apenas um elo • n.! . (processo pelo qual insetos e moluscos perdem suas cascas e carapaças, substituindo-as por novas; o mesmo processo se verifica em outras est=écies animais. ocorrendo a muda de penas, pelos e pele).


34 faltando , nem mesmo de diversos deles . Os evolucio nistas se defrontam agora com o problema de toda uma série de seções de elos faltando na corrente da vida. " a . a. Simpson , bastante cônscio desse problema, declarou : ' Uma característica invariável dos fósseis que conhecemos demonstra que a maioria deles apareceu subitamente. Eles não são , de maneira geral, o resultado de uma seqüência de precursores mutantes , como D arwin acreditava, no caso da evolução . ' ( The Evolution ofLife, p. 1 49.) " Vemos, assim, que não só o aparecimento de animais de estrutura completa e intrincada é um problema para os que defendem a evolução , mas que é igualmente sério o problema da ausência de mutação de uma espécie m aior para outra. Repetimos que este não é um problema 110VO . Logo depois que os colecionadores começaram a reunir fósseis, tomou-se óbvio que pertenciam às mesmas categorias maiores, assim como as plantas e' animais da época moderna. Alguns cientistas comen taram, recentemente, sobre a falta de mutação e a ausência de elos de ligação entre espécies especificas de animais . . . "Todo estudante colegial , j á teve a oportunidade de ver gravuras, talvez até mesmo em seus livros de biologi a, retratando um ser cabeludo e seminu, o homem de Neanderthal, de pescoço curto , ombros caídos, pernas arqueadas e aparência bestial . Tal gravura é fruto da descrição do homem de Neanderthal feita pelo francês Boule, em 1 9 1 1 - 1 3 . (Marcellin Boule, Fossil Men. ) Esse retrato tem sido publicado sem alterações , de um lh ro para outro , ano após ano, durante quase sessenta anos . Porém , Boule baseou sua descrição originalmente n um esqueleto cujos ossos , segundo se verificou recentemente, haviam sido gravemente deformados pelo artritismo . "William Straus e A. J . E. Cave, os dois cientistas que descobriram o fato declararam: ' Assim sendo , não existe uma razão aceitável para crermos que a postura do . homem de Neanderthal, do quarto período glacial , diferia significativamente da do homem moderno . . . Não obstante, se pudéssemos revivê-lo e colocá-lo num metrô de Nova loque - desde que tivesse tomado banho , feito a barba e vestisse roupas modernas - duvido muito ele que chamasse mais atenção que qualquer um de seus concidadãos . ' (William L. Straus, Jr . , e A. J. E. Cave, "Pathology and the Posture of Neanderthal Man " , Quarter/y Review of Biology, dezembro d e 1 957, pp . 358-59.) Esse parecer foi escrito há aiguns anos. Hoje e m dia, mesmo sem se barbear, o homem de Neanderthal nilo atrairia a menor atenção ! " (Coffin, Creation , pp . 6, 10.)

Atualmente a Mutação É Limitada "Num programa de televisão que comemorava o centenário do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin , Sir Julian Huxley iniciou seus comentários , dizendo : 'A coisa mais importante que podemos di2:er a respeito da teoria de Darwin é que ela já não é uma teoria, mas um fato . Nenhum cientista consciencioso poderia negar o fato de que a evolução realmente aconteceu, como não negaria o fato de que a terra gira em volta do sol . ' (Sol Tax e Charles Callender, lssues in Evolution , p . 4 1 .) Esta declaração é bastante confusa, pois diz apenas parte da verdade . Em primeiro lugar, devemos definir o q ue significa a palavra evolução.

"Este vocábulo significa simplesmente 'transformação' e baseando-nos nesse conceito, a evolução é uma realidade . Não obstante, a maioria das pessoas entende que evolução significa uma transformação progressiva através do tempo, de organismos mais simples para mais complexos, de formas primitivas para formas com características mais avançadas . Esta definição desse termo não é baseada em fatos. O estudo da hereditariedade já revelou princípios e fatos que podem provar a evolução , se entendermos a palavra evolução no sentido de 'mudança' . Mas as aparentes e pequenas transformações que ocorrem hoje em dia nos organismos vivos não nos fornecem base alguma para concluirmos que , no passado, houve uma ilimitada mutação . . . " Sim, hoje em dia estão-se formando novas espécies de plantas e animais. A quase infindável intergradação* de animais e plantas que existe no mundo , a fantástica degeneração entre os parasitas e as adaptações para ataque e defesa, levam-nos à conclusão inevitável de que tem havido uma transformação. Todavia, o problema das mutações maiores , de uma espécie fundamental para outra, continua a ser uma das maiores incógnitas com que se defrontam os evolucionistas . Os animais e plantas modernas podem sofrer transformações , mas o número de mutações é limitado. Os laboratórios da ciência não foram capazes de demonstrar que houve transformação de uma espécie maior para outra, nem tal mutação ocorreu na história passada da terra, se levarmos em conta as evidências que nos dão os registros fósseis. " (Coffin , Creation , pp. 1 3 , 1 5 .)

Conclusão "A constante exposição a uma das teorias da origem, somente uma, convenceu muitas pessoas de que não existe outra alternativa, e que a evolução é a resposta mais completa. Quão infeliz é o fato de a maioria dos milhões de pessoas que atravessam os processos educacionais terem pouca oportunidade de avaliar as evidências que existem em ambos os lados ! "O exame dos fósseis, registros petrificados d o passado, nos ensinam que os complexos organismos vivos surgiram subitamente (em outras palavras , sem avisar) sobre a face da terra. Outrossim , o tempo não os modificou o suficiente a ponto de alterar o relacionamento básico que têm uns com os outros . Os organismos vivos modernos nos ensinam que a transformação é uma característica da vida e do tempo, mas também nos esclarecem que há limites que ela não pode ultrapassar de maneira natural , e que os homens foram incapazes de forçá-la a tal . Ao considerar as coisas vivas antigas ou modernas , o homem não deve esquecer-se de que está tratando com a vida, uma força profundamente singular que ele não tem a capacidade de criar e que está tentando desesperadamente entender . "Estes são os fatos ; aqui estão as evidências ; eis as razões seguras por que devemos acreditar que a vida se originou através de um ato criativo. Já é tempo de cada indivíduo ter a oportunidade de conhecer os fatos e tomar uma decisão inteligente . " (Coffin , Creation , p. 1 5 .) • N.T. Mutação contínua, através de formas intermediárias de uma espécie para outra.


Gênesis 3

3

A Queda (3-1) Introdução Talvez nenhum outro relato bíblico tenha sido alvo de tanto debate e incompreensão como o que se referem a Adão e Eva. O Élder Mark E. Petersen escreveu : "Adão , o primeiro homem , é um personagem que é motivo de muita controvérsia para muitas pessoas . O mesmo acontece com Eva, sua esposa. Juntos , eles provavelmente são o casal menos compreendido que viveu sobre a face da terra. "Não devemos surpreender-nos que isto aconteça. Durante muitos séculos , o público tem sido bombardeado com inúmeras teorias e ensinamentos errôneos relativos a nossos primeiros pais . Provavelmente a culpa maior cabe aos próprios mestres de religião, que, desconhecendo os fatos concernentes a eles , têm inculcado suas opiniões pessoais e crenças profanas na mente das pessoas, resultando numa confusão geral que vem aumentando ano após ano . " (Adam: Who Is He?, p. 1 . ) Uma das razões pelas quais os relatos concernentes à criação e queda são mal compreendidos e interpretados . foi a retirada proposital de verdades claras e preciosas que se encontravam no Velho Testamento (Veja I Néfi 1 3 : 25-29) . Os membros da Igreja têm a seu alcance muitos ensinamentos que haviam sido perdidos , mas que foram restaurados nos livros d e Moisés e Abraão ; o mundo , porém, possui apenas o relato de Gênesis, no Velho Testamento atual , o qual trata a queda como um simples evento, mas nada esclarece sobre as doutrinas concernentes a ela. Em outras palavras , o Velho Testamento que hoje possuímos, nada fala sobre as razões pelas quais ocorreu a Queda e o que ela significou para a humanidade . O Novo Testamento esclarece um pouco sobre este assunto , porém com bastante restrição . Na verdade , a doutrina da Queda é claramente ensinada no Livro de Mórmon . Não é de admirar, portanto , que o mundo tenha idéias tão discrepantes sobre a Queda, já que não conta com o auxílio das escrituras modernas . O obj etivo dos eventos de que trata Gênesis 3 foi resumido por Leí, quando ensinou que "Adão caiu para que os homens existissem , e os homens existem para que tenham alegria. " (2 Néfi 2:25 . ) O Presidente Joseph Fielding Smith declarou: "Agradeçamos ao Senhor por nosso pai Adão , em nossas orações . Não fosse por ele, eu não estaria aqui; vocês não estariam aqui ; estaríamos nos céus, ainda na forma espiritual, aguardando a vinda à mortalidade . . . "Estamos nesta vida mortal para ganharmos experiência, um treinamento que não poderíamos obter de nenhuma outra forma. Para que nos tornemos deuses , é necessário que conheçamos um pouco as aflições , enfermidades e outras coisas de que partilhamos nesta escola da mortalidade. "Portanto , irmãos e irmãs , não nos queixemos de Adão , desejando que ele não tivesse agido desta ou daquela forma. Quero agradecer a ele . Regozijo-me com o privilégio de estar aqui , desfrutando da experiência da mortalidade, e se for fiel e verdadeiro aos convênios e obrigações que são requeridos de mim como membro da

Igreja f: no reino de Deus, terei o privilégio de voltar à presenç a do Pai Eterno; e isso acontecerá também a vocês , tanto quanto a mim , pois somos todos filhos e filhas de Deus, c om o direito de receber a plenitude da glória celestia l . (Em Conference Report , outubro de 1 967 , p . 1 22.)

Instruções aos Alunos I . Ao ler e estudar Gênesis 3, utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem proporcionar-lhe. 2. Moisés 3 -4 contém valiosos ensinamentos não encon trados em Gênesis. Embora este relato paralelo , escrito por Moisés, seja estudado com maiores detalhes no curso da Pérola de Grande Valor (Curso de Religi ão 327), você deve ler e estudar estes capítulos em conexão com o relato que se encontra em Gênesis . Enoque também nos dá maior discernimento conce:mente à maneira como ocorreu a Queda. Leia Moisés 5 :4- 12; 6:45 -62. 3. Complete a seção de Pontos a Ponderar, confo rme as orientações que lhe forem fornecidas pelo profe�.sor . (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção .)

NOTAS E COl\1ENTÁRIOS SOBRE GÊNESIS 3 (3-2) Gi'nesis 3. A Queda do Homem Ante!; de começar a ler a história relativa à Queda, considere os seguintes princípios ou doutrinas básicas escritos pelo Élder Joseph Fielding Smith , a respeito de Adão e Eva e a queda do homem . "Quando Adão e Eva foram colocados no Jardim do É den , n ão estavam sujeitos ao poder da morte, e poderiam ter vivido para todo o sempre no estado de inocência em que se encontr<}vam , se não tivessem violado a lei que receberam no Eden . "O S enhor disse que a terra era boa, e também ela teria perman,ecido eternamente em tal condição , não fosse transfor mada para adaptar-se à situação decaída do homem . "Tod as as coisas que existiam sobre a face da terra também teriam permanecido em sua condição original , se Adão nilo tivesse transgredido a lei . "Ao partilhar do fruto proibido, quebrando, assim , a lei sob a qual vivia, sua natureZa física sofreu uma transformação e ele se tornou suj eito à ( 1 ) morte espiritual, que é o afastamento da presença de Delis, e à (2) mort e física, que é a separação do espírito do corpo . Eva também ficou suj eita a estes dois tipos de morte . " Se Adão e Eva não tivessem violado a lei que recebefélm no Jardim do Éden , não poderiam ter progênie . " Devido ao fato de a transgressão haver-lhes trazido a mortalidade , os filhos de Adão e Eva herdaram corpos mortais e se tornaram igualmente suj eitos à morte física .


38 " 3 . Não tinha posteridade. "4. Não tinha conhecimento do bem e do mal . Ele tinha conhecimento, é lógico . Sabia falar. Sabia conversar . Havia muitas coisas que podia aprender e foram-lhe ensinadas mas , sob as condições em que então vivia, era­ -lhe impossível visualizar ou entender o poder do bem e do mal . Ele não sabia o que era a dor . Não conhecia a tristeza; e mais uma porção de outras coisas que nos acontecem nesta vida . Adão não conhecia no Jardim do É den , não podia entender e não teria chegado a conhecer, se ali ficasse . Essa era sua condição antes da Queda . " (Smith , Doutrinas de Salvação, Vol . 1 , p p . 1 1 6- 1 7 . )

(3-5) Gênesis 3:4-5. E Sereis Como Deus "Ao tentar Eva , o demônio disse uma verdade, declarando que, se ela comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal , eles se tornariam como Deuses . Nada havia de falso nesse ensinamento , mas ele complementou-o com uma mentira, como sempre faz . O adversário nunca diz a verdade completa. Ele declarou que Adão e Eva não morreriam ao partilhar do fruto proibido ; mas o Pai lhes dissera que certamente morreriam . O demônio precisava mentir para levar avante seus desígnios, mas havia alguma verdade na sua declaração . Os olhos de nossos pais foram abertos , e passaram a conhecer o bem e o mal como os Deuses conheciam . Eles assim se tornaram como Deuses , pois essa é uma de suas características, um dos atributos peculiares daqueles que alcançam esse grau de glória - entendem a diferença que existe entre o bem e o mal . " (Cannon , Gospel Truth , Vol . 1 , p. 1 6 . )

(3-6) Gênesis 3 : 6 . P o r Que Adão e Eva Partilharam d o Fruto? E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do oriente e pôs ali o homem que tinha formado

" Depois que Adão transgrediu a lei , o Senhor transformou a terra, adaptando-a às condições mortais , e todas as coisas que nela existiam se tornaram sujeitas à mortalidade, como a própria terra. "Para sobrepujar o poder que a morte adquiriu , tornou-se necessário que fosse oferecida uma expia\:ão infinita para pagar o débito, restaurando , assim , Adão e Eva e toda a sua posteridade, e também todas as co isas , à vida imortal, através da ressurreição . " (Man, Ris Origin and Destiny, pp. 50-5 1 .)

(3-3) Gênesis 3 : 1 . A Serpente Era o Mais Astuto de Todos os Animais do Campo No relato que se encontra em Qênesis, a serpente fala com Eva e procura induzi-la a partilhar do fruto proibido . A história mais completa, registrada no livro de Moisés, salienta que é Satanás que está falando , fazendo-o por intermédio da serpente (veja Moisés 4:6-7). Em out ras escrituras, o adversário é representado pela figura de uma serpente (veja Apocalipse 12:9; D&C 76:28; 88: 1 !O} .

(3-4) Gênesis 3:3. Adão e Eva Não Eram Mortais Q uando Viviam no Jardim do Éden, e Não Compreendiam Plenamente o Bem e o Mal "Vemos, pois, que a condição de Adão antes da Queda era: " 1 . Ele não estava sujeito à morte. "2. Estava na presença de Deus. . .

Os relatos que se encontram em Moisés e Gênesis afirmam apenas que Satanás tentou a Eva, mas as revelações modernas registram que ele primeiramente procurou iludir Adão , mas foi repelido. Eva, todavia, foi enganada pelo adversário e comeu do fruto . Sabendo que ela seria expulsa do Jardim do É den, e separada dele, Adão também fez o mesmo . O apóstolo Paulo, escrevendo a respeito da Queda, disse que "E Adão , não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em trans�ressão " (I Timóteo 2 : 1 4) . O Elder James E . Talmage explicou d e que maneira Eva, mesmo sendo enganada, fez com que. se cumprissem os propósitos do Senhor: " Com Q papel que representou no grande drama da Queda, Eva estava cumprindo os propósitos previstos por Deus ; não obstante, não partilhou do fruto proibido com tal intenção , mas com o propósito de agir contra o mandamento divino , pois foi enganada pelas manhas de Satanás que, por isso mesmo, adiantou os propósitos do Criador, tentando Eva. Seu propósito, entretanto , era o de frustrar o plano do Senhor . É -nos dito terminantemente que ' Satanás não conhecia os propósitos de Deus; por conseguinte, intentotl destruir o mundo (Moisés 4:6) . Entretanto, seu esforço diabólico , longe d e ser u m passo inicial para a destruição, contribuiu para o plano do progresso eterno do homem . O papel que Adão representou no transcendental acontecimento foi essencialmente distinto do de sua esposa; ele não foi


39 enganado; ao contrário, resolveu deliberadamente fazer o que Eva queria, a fim de levar a cabo os desígnios de seu Criador, com respeito à raça humana, cujo primeiro patriarca ele viria a ser . " (Talmage, Regras de Fé, p. 70.) Brigham Young declarou que "jamais devemos culpar a mãe Eva" , pois, devido à sua transgressão da qual o seu marido também escolheu partilhar, a humanidade recebeu o privilégio de distinguir entre o bem e o mal . (Discursos de Brigham Young, p . 1 03 ; ver também a Leitura 3 - 1 2 , que trata c o m maior profundidade da grandeza d e Eva.)

" O ' Deus de paz ' , que de acordo com as escrituras esmagará a Satanás , é Jesus Cristo . " (Answers to Gospel Questions, Vol . 1 , p . 3 . ) A promessa relativa a o ferir a cabeça e o calcanhar significa que, embora Satanás (representado , neste caso , pela serpente) venha a ferir o calcanhar do Salvador, induzindo os homens a crucificá-lo e aparentemente destruí-lo, na verdade, este ato de expiação dará a Cristo o poder para sobrepujar a força que Satanás tem sobre os homens , e desfazer os efeitos da Queda. Desse modo , a semente da mulher (Cristo) esmagará a cabeça da serpente (Satanás e seu reino) com o mesmo calcanhar que foi ferido «) sacrifício expiatório) .

(3-9) Gênesis 3:16. Que Si gnifica a Condenação que Foi Imposta a Eva?

E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore

"O Senhor disse à mulher: ' . . . Com dor terás filhos . ' Fico imaginando s e o s tradutores d a Bíblia houvessem usado a palavra aflição ao invés de dor . O significado seria quase o mesmo, exceto pelo fato de que há grande alegria na maior parte dos lares santos dos últimos dias , quando neles na:;ce uma criança. Ao concluir sua declaração , o Senhor diz : 'e o teu desej o será para o teu marido, e ele te dominar á. ' (Gênesis 3 : 1 6.) Tenho minhas dúvidas sobre a palavra dominará. Ela dá uma impressão errônea. Eu preferiria usar a palavra presidirá, pois é isto o qqe o homem faz . Um marido digno preside sobre sua esposa e família. " (Spencer W. Kimball , "The Blessings and Responsibilities of Womanhood" , Ensign , março de 1 976, p . 72.)

(3-7) Gênesis 3:6-7. A Transgressão Cometida por Adão e Eva Não Envolveu um Pecado Contra as Leis da Castidade e Virtude Falando a respeito da transgressão de Adão e Eva, o Élder James E. Talmage declarou : "Aproveito esta ocasião para erguer minha voz contra a falsa interpretação da escritura, adotada por certas pessoas, sendo corrente em seu pensamento, e mencionada de maneira secreta e dissimulada, que a Queda do homem consistiu em alguma ofensa contra as leis da castidade e virtude. Tal doutrina é uma abominação . . . a raça humana não nasceu da fornicação . Estes corpos, que nos são dados, o são da maneira planejada por Deus . . . "Nossos primeiros pais foram puros e nobres,e quando passarmos para o outro lado do véu, talvez aprendamos algo sobre seu estado superior. " (Jesus o Cristo, p. 30.)

(3-8) Gênesis 3:15. Que Significa a Maldição que Foi Colocada Sobre Satanás? Como Satanás não tem um corpo físico , e conseqüentemente não pode ter filhos literais, sua semente são aqueles que o seguem, tanto aquela terça parte que ele conseguiu desencaminhar na existência pré-mortal, como as pessoas que cedem às suas artimanhas na mortalidade, até se tornarem sujeitas ao seu poder. A semente da mulher se refere a Jesus Cristo, que foi o único mortal nascido de mãe terrena e Pai Celestial . O Presidente Joseph Fielding Smith disse o seguinte, referindo-se ao que o Apóstolo Paulo escreveu aos santos romanos: " Finalizando sua epístola aos romanos, ele declarou : 'E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo sej a convosco . Amém . ' (Romanos 1 6:20�2 1 .)

Adão e Eva fizeram saber todas as coisas a seus filhos e filhas

(3-10) Gí!nesis 3: 16-19. Adão e Eva Foram "Castigados" por Sua Transgressão? " Pod(!mos retratar mentalmente a condição em que Adão e Eva se encontravam . Eles haviam sido condenados a sofrer aflições, pesares , problemas , e a ganhar o pão com o suor de seu rosto. Tinham sido ainda expulsos da presença de Deus, e o Senhor declarara que seu destino final seria a m orte . Um quadro deveras patético . Porém, acontecera-lhes algo de suprema importância . O Evangelho de Jesus Cristo lhes havia sido ensinado. Como reagiriam?


40 Quando o Senhor explicou que ocorreria uma redenção através de Jesus Cristo , o Filho Unigênito do Pai, Adão exclamou, com grande j úbilo : "Bendito sej a o nome de Deus, que por causa de minha transgressão meus olhos foram abertos e terei alegria nesta vida, e em carne verei outra vez a Deus . " (Moisés 5 : 10.) "E que respondeu Eva, sua esposa? Ela ouviu todas essas coisas e se alegrou, dizendo: Se não fosse pela nossa transgressão , j amais teríamos conhecido o bem e o mal, nem a alegria de nossa redenção . . . e a vida eterna. " (Ibiden , 5 : 1 1 .) "Esta é a chave da questão relativa ao mal : Se não podemos ser bons, a não ser quando resistimos e sobrepujamos ao mal , então o mal deve estar presente no mundo, para que possamos resistir a ele . "Assim, esta vida terrena foi estabelecida de acordo com princípios corretos , e as condições que existiram após a transgressão não foram, no sentido usual, penalidades que nos foram infligidas . Todas as tristezas que mencionei, que parecem ser dolorosas aplicações de castigos, aflições e problemas , no final de tudo acabam sendo algo bem diferente. São bênçãos! Conseguimos obter o conhecimento do bem e do mal, o poder de apreciar o que é doce, de sermos os nossos próprios árbitros, de alcançar a redenção e vida eterna. Esses privilégios originaram-se da transgressão . O Senhor transformou a terra de modo que temos de trabalhar para viver, e o trabalho nos preserva da maldição da preguiça e indolência; e embora o Senhor nos condene à morte morte fisica - ela é uma das maiores bênçãos que podemos receber aqui, porque é a porta que nos conduz à imortalidade, e j amais poderemos alcançá-la sem morrer. " (George Q . Morris, e m Conference Report , abril de 1958, p . 39.)

"Tal doutrina descarta obrigatoriamente a história de Adão e do Jardim do Éden , que é tida como mito, por nós herdado de um remoto tempo de tola ignorância e superstição . Ainda mais, ensina-se que, como sempre houve morte aqui e uma condição natural prevalece em todo o espaço, não poderia haver possivelmente uma redenção da transgressão de Adão , por conseguinte não havendo necessidade de um Salvador para um mundo caído . " (Doutrinas de Salvação, vol . I, p. 339.)

(3-11) Gênesis 3 : 19. A Queda de Adão Introduziu Duas ' Espécies de Morte no Mundo " Por causa de sua transgressão, foi pronunciada sobre Adão a morte espiritual - banimento da presença do Senhor, bem como a morte temporal . A morte espiritual deu-se no momento da queda e banimento; e na mesma hora, foram lançadas igualmente as sementes da morte temporal; isto é, Adão e Eva sofreram uma transformação física, tornando-se mortais, ficando assim sujeitos aos males da carne que resultaram no seu declínio para a idade avançada e finalmente, na separação do espírito do corpo . " (Smith, Doutrinas de Salvação, Vol. 1 , p. 1 2 1 ; para maiores esclarecimentos a respeito da idéia de que a morte espiritual também foi conseqüência da queda, ver D&C 29:4ú-41 ; Alma 42: 7 . ) " Muitas pessoas d o mundo ensinam que a morte fisica sempre existiu e, portanto, não poderia ter começado com Adão e Eva. O Presidente Joseph Fielding Smith fez o seguinte comentário , referindo-se a essa idéia: "A educação moderna afirma que nunca houve coisa como a Queda do homem, mas que neste mundo mortal as coisas sempre andaram como hoje. Dizem que morte e mutação sempre foram condições naturais nesta terra e que no universo inteiro prevalecem as mesmas leis. Declaram que o homem ascendeu ao elevado lugar que agora ocupa no decorrer de incontáveis eras de desenvolvimento que gradualmente o foram distinguindo de formas de vida inferiores.

Adão e Eva foram expulsos da presença de Deus

(3-12) Gênesis 3:20. "Porquanto Ela Era a Mãe de Todos os Viventes" "Temos muito pouco conhecimento a respeito de Eva (esposa de Adão) e de tudo o que ela fez na vida pré­ -mortal e na mortalidade. Não resta qualquer dúvida de que ela deva ter sido , como seu notável esposo, Adão , possuidora de igual inteligência e devotamento à retidão , tanto em seu primeiro como em seu segundo estado de existência. Ela foi colocada aqui na terra da mesma forma que seu marido, pois o relato feito por Moisés , de haver sido criada de uma costela de Adão , é apenas figurativo . (Moisés 3 : 20-25 .) "Eva foi a primeira mulher; ela se tornou a mãe de toda a raça humana, e seu próprio nome significa ' mãe de todos os viventes' . (Moisés 4:26; Néfi 5 : 1 1 .) . . . "Antes d a Queda, Eva foi selada a Adão no novo e eterno convênio do casamento , numa cerimônia realizada pelo Senhor quando a morte ainda não havia entrado no


41 mundo, sendo, portanto, um matrimônio que deveria durar para sempre. (Moisés 3 : 20-25 .) . . . " . . . De fato, Eva participou com Adão em todo o seu ministério , e herdará juntamente com ele todas as bênçãos relativas a seu elevado estado de exaltação . " (McConkie, Mormon Doctrine, p . 242.)

(3-13) Gênesis 3:24. Os Querubins e a Espada Flamejante Para maior esclarecimento a respeito de por que o Senhor impediu que Adão e Eva tivessem acesso à árvore da vida, leia Alma 1 2 : 2 1 -27; 42:2- 1 2 .

PONTOS A PONDERAR (3-14) Talvez você já tenha meditado profundamente sobre algumas das coisas resultantes da Queda. Por que temos que nascer num mundo cheio tanto do mal como do bem? Por que há tanto sofrimento no mundo? Por que todos os homens têm que morrer? Que é a morte espiritual e quais são as suas conseqüências? Estes e muitos outros problemas estão diretamente relacionados com a Queda. Responda às seguintes questões numa folha de papel, após ler cuidadosamente as escrituras mencionadas . 1 . Qual foi a intenção de Satanás , ao tentar Eva a partilhar do fruto proibido? Leia Moisés 4:6-12 2. De que maneira Doutrina e Convênios 1 0:43 se aplica a este caso? Satanás foi bem sucedido? (Vej a também a declaração do Élder Talmage, na Leitura 3-6.) 3. Quais foram os efeitos positivos imediatos decorrentes da Queda?

Leia 2 Néfi 2: 19-23

4 . Que disseram Adão e Eva a respeito d a Queda, após haver-lhes sido ensinado o plano de salvação?

Leia Moisés 5: 10-11 5 . As conseqüências da Queda afetam toda a humanidade?

Leia Alma 42:9 6. Se o plano de salvação, através do qual Cristo expiou tanto a transgressão de Adão quanto as nossas , não tivesse sido levado a efeito, que teria acontecido à humanidade?

Leia 2 Néfi 9:7-10; Alma 42: 10-1 1 7 . Qual é, portanto, o propósito d a mortalidade?

Leia Alma 12:21-27; 42:2-5 (3-15) Como você se sente, agora, a respeito da Queda? Pode compreender como um entendimento correto rel ativo a ela dá maior objetivo e significado à mortalidade? Leí declarou: "Adão caiu para que os homens existissem , e os homens existem para que tenham alegria. " (2 Néfi 2:25 .) Cada um de nós é um filho espiritual de Deus . Esta terra foi organizada para ser um lugar onde pudéssemos continuar nosso aprendizado e progresso . Adão e Eva abriram a porta da mortalidade para nós e todos os outros filhos espirituais de Deus que obtiveram o direito de nascer neste mundo . Quando nos encontrávamos na vida pré-mortal , bradamos de j úbilo com a expectativa de provarmos a mortalidade. (Vej a Jó 3 8 : 7 . ) Mas , a partir do momento em que nascemos aqui , o Senhor muito espera de nós. A mortalidade é um lugar de provação . A Queda não nos abriu a porta para o É den , mas sim para o conhecimento do bem e do mal . A experiência da mortalidade é uma das maiores bênçãos que recebemos.


Seção Especial

Quem É o Deus do Velho Testamento? (A-I) Quem É o Senhor O empedernido , insolente e orgulhoso faraó perguntou: "Quem é o Senhor, cuja voz ouvirei . . . ? Não conheço o Senhor . " (Êxodo 5 : 2 . ) Muitas pessoas , hoje em dia, desconhecem o Deus do Velho Testamento tanto quanto o faraó o desconhecia. Consideram-no como um ser criado pela mente dos povos antigos, um Deus de ira e religião inferior, capaz de destruir povos inteiros através de dilúvios e pestilências . Será este o mesmo Deus que se apresenta como um ser amoroso no Novo Testamento , revelado p o r intermédio do ministério terreno d e Jesus Cristo? Outros dizem que o Jeová do Velho Testamento era Deus , o Pai , no Novo Testamento . Por que há tanta confusão? Quem, realmente, era o Deus de Adão,· de Enoque e Abraão , de Israel e Moisés?

(A-2) Jeová, ou Cristo, É o Deus do Velho Testamento Embora para muitas pessoas sej a um paradoxo , o Jeová do Velho Testamento não era senão Jesus Cristo, o Filho de Deus . Ele criou o mundo sob a autoridade e direção de Deus, o Pai . Posteriormente, Jeová veio à terra como o Salvador e Redentor do Mundo . Esta verdade é uma das doutrinas menos compreendida em toda a história deste mundo , apesar do fato de o Velho Testamento e outras obras-padrão estarem repletas de evidências que apóiam esta idéia. Antes de examinar as evidências das escrituras, seria mais sábio primeiramente entendermos melhor os nomes e títulos de Deus, o Pai, e de seu Filho Unigênito . Geralmente são usadas duas palavras hebraicas referindo­ -se a Deus em todo o Velho Testamento . Elas são Elohim e Jeová (conforme são pronunciadas na época atual) . (Como a língua hebraica original era escrita sem vogais, os eruditos discordam quanto à pronúncia primitiva do nome, escrito YJWH, em hebraico . Numa revelação moderna, todavia, Jesus aceitou o título Jeová. Veja D&C 1 1 0 : 3 . ) Jeová era o nome o u título pré-mortal dado a o Filho Primogênito de Deus, o qual é atualmente conhecido como Jesus Cristo. O Élder Talmage explicou o que significa o nome Jeová: "Jeová é a tradução portuguesa do hebraico Yahveh ou Jah veh , que significa o que existe por si mesmo, ou o Eterno . Este nome é, geralmente, usado em nossa versão portuguesa do Velho Testamento como Senhor, impresso em maiúsculas . O hebraico Ehyeh , que quer dizer Eu sou, relaciona-se em significado e por derivação do termo Yahveh ou Jeová. " (Jesus, o Cristo, p. 36.) Os judeus consideravam o nome Jeová tão sagrado, que era proibido pronunciá-lo . Por esta razão, eles o substituíram pela palavra A donai, que significa " o Senhor" . (Veja Talmage, Jesus, o Cristo , p . 37.) O s tradutores da Bíblia usaram o mesmo procedimento, por respeito ao costume judaico . Algumas vezes, entretanto, a palavra Senhor é usada referindo-se não a Deus , mas a alguma pessoa nobre ou importante. Para distinguir o nome sagrado daquele atribuído às pessoas em geral , os tradutores escreveram o vocábulo senhor com letra inicial maiúscula, quando se referia a Jeová, e com letras

A minúsculas quando dizia respeito à outra pessoa. (Para ter um exemplo de ambos os casos, veja a palavra senhor em II Samuel 1 5 :2 1 .) O termo Elohim é o plural da palavra hebraica que signifi ca Deus. Os eruditos modernos concordam que ela devia :;er considerada como se estivesse no singular, embora a terminação gramatical im seja uma forma plural . Joseph Smith , entretanto, nos ensinou qual é o significado da palavra no plural : " Se lermos mais adiante (no texto hebraico da Bíblia) , encomraremos o seguinte: 'o principal dos Deuses disse: Façamos o homem à nossa imagem . ' Certa ocasião, perguntei a um erudito judeu : ' Se o idioma hebraico nos obriga a dar interpretação plural a todas as palavras que termin am em heim, por que não interpretar o primeiro Eloheim no plural ? ' Essa é a regra, explicou ele, salvo em pouca:; exceções; mas, neste caso , seria uma ruína para a Bíblia. Admitiu que eu tinha razão . . . " Desde o inicio , a Bíblia mostra que há uma pluralidade de Deuses, o que não pode ser refutado de forma alguma. O tema que estou tratando é imporrantíssimo . A palavra Eloheim deve ser entendida no plural - Deuses - em todo o livro . Os principais dos Deuse:; apontaram-nos um Deus; e quando alguém considera o tema por esse prisma, fica livre para perceber toda a beleza, santidade e perfeição dos Deuses . " (Ensin amentos, pp. 363-64.) O É lder James E . Talmage explicou qual é o significado especial que o termo Elohim tem para os santos dos últimos dias : " O nome Elohim . . . é expressão de exaltação e poder supremo ou absoluto . Elohim, como compreendido e usado na Igreja restaurada de Jesus Cristo, é o nome de Deus , o Pai Eterno , cuj o primogênito em espírito é Jeová - o U nigênito na carne, Jesus Cristo . " (Jesus, o Cristo, p . 37. ) É d�: vital importância nos lembrarmos da posição que Deus, o Pai, ocupa: ele é o Pai de nossos espíritos (veja Hebreus 1 2 : 9) e é o nosso Deus. A existência de outros Deuses não pode alterar este fato . Ele é o autor e responsável pelo plano eterno de salvação . É igualmente essencial que observemos , todavia, que o agente pelo qual ele administra seus negócios relativos a esta terra é seu Filho Primogênito, conhecido como Jeová, no Velho Testamento . Ele deu a Jesus toda autoridade " Paterna" para olrganizar e governar este mundo, e assim , através do sacrifkio expiatório, Jesus se tornou o Pai dos fiéis. O Salvador tornou-se, desse modo, o principal advogado do plano de seu Pai . Porque Jesus é um com Deus e por ele também ser um Deus, os profetas do Velho Testamento muitas vezes se referiram a ele como " Jeová Elohim" , que, ao ser traduzi.do na Bíblia, intitulou-se " SENHOR Deus " . A construção deste termo em hebraico , " Jeová Elohim" , é usada raras vezes depois de Gênesis 2 e 3 , embora a frase " Senhor Deus" seja encontrada em muitas partes do texto bíblico . Para evitar a repetição freqüente do nome sagrado, foi utilizada a frase " Senhor DEUS" , em lugar do termo hebraico " Adonai Jeová" , que, traduzido literalmente, é " Senhor Senhor" (veja Gênesis 1 5 :2, 8;


44 Deuteronômio 3 : 24) . Assim sendo, na versão portuguesa do Velho Testamento, a palavra hebraica Jeová aparece quase sempre traduzida como : SENHOR ou DEUS. Um outro nome ou título de Jesus que requer alguma explicação é o de o Cristo, pelo qual ele também é conhecido . O termo Cristo é derivado da palavra grega Christos, que significa "o ungido" . Os gregos usavam o título Christos para traduzir o vocábulo hebraico meshiach , que quer dizer "o ungido" . O termo hebraico foi aportuguesado para messias. Jesus, o Cristo, significa, portanto, " Jesus, o Messias " .

(A-3) Jesus Cristo: O Deus Deste Mundo Havia muita confusão na mente dos judeus , o próprio povo de Jesus, quanto à identidade de seu Deus, poi.s, durante, o período do Velho Testamento, eles haviam apostatado e não mais compreendiam suas próprias escrituras . O mesmo problema ocorre hoje em dia com a maior parte do mundo cristão . O mistério de as peswas não entenderem a identidade do Deus do Velho Testamento surgiu, em ambos os casos, devido à iniqüidade ou perda de muitas verdades claras e preciosas que havia nas escrituras . Em contraste com esta situ ação , Jesus disse que a vida eterna consistia em conhecer plenamente o Pai e o Filho (veja João 1 7 : 3) . Em últ ima análise, o indivíduo conhece o verdadeiro Deus através de experiências que o treinam a ser semelhante a ele, e assim passa a compreender ou conhecer a Deus (veja I JO�IO 2 : 3 ; 3 : 1 -2; Éter 2-3). Na época em que Cristo veio ao mundo , os judeus haviam perdido o conhecimento dos três membros, distintos e separados da Trindade . Haviam perdido a noção de que Jeová, que lhes dera a lei através de Moisés, viria ao mundo como o Redentor da humanidade , embora os profetas lhes houvessem ensinado claramente este principio (veja I Coríntios 1 0:4; 3 Néfi 1 5 : 10; Isaías 4 1 : 14; 44:6) . Eles aguardavam ansiosamente o aparecimento de seu Deus, o Messias prometido , como um salvador político que os libertaria do jugo romano . Sua religião era monoteísta, e um filho de Deus não fazia parte dela . Porém, Zacarias, pai de João Batista, recebeu a revdação de que seu filho iria diante do Senhor (Jeová, em hebraico) , "preparar para o Senhor (ou Jeová) um povo escolhido" . (Lucas 1 : 1 7 ; veja também o versículo 1 15.) E os anjos anunciaram aos pastores, naquela primeira noite de Natal : " Pois , na cidade de Davi, vos nasceu hoj�: o Salvador, que é Cristo, o Senhor. " (Lucas 2 : 1 l .)

Todas as escrituras apontam para Cristo

(A-4) Evidência das Escrituras de que Jesus Cristo É o Deus do Velho Testamento Abinádi, diante da corte do iníquo rei Noé, prestou testemunho de que todos os profetas , desde o princípio do mundo , haviam profetizado que Deus (Jeová) "baixaria entre os filhos dos homens (e) tomaria forma humana" (Mosias 1 3 : 34; ver também o versículo 33) . Os santos dos últimos dias , que têm o privilégio de contar com escrituras adicionais, foram ensinados claramente a respeito dessa verdade . Por exemplo , o Livro de Doutrina e Convênios demonstra que Jesus Cristo é Jeová, o grande "Eu Sou" (veja D&C 1 1 0: 3-4; 29: 1 ) . Porém, muitos indivíduos d o mundo cristão não têm examinado com o devido cuidado a evidência bíblica que ensina inequivocamente que Jeová é o Jesus pré-mortal . As seguintes escrituras são apenas um exemplo dessas provas conclusivas que se encontram na Bíblia.


45 Velho Testamento

Novo Testamento

1 . Jesus (Jeová) foi o criador do mundo .

"Assim diz o Senhor . . . Eu que fiz a terra e criei nela o homem ; eu o fiz; as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as minhas ordens . " (Isaías 45 : 1 1 - 1 2 . )

"No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus . . . Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez . " (João 1 : 1 , 3 . )

2. Jeová é o Salvador .

"Todavia, e u sou o Senhor teu Deus desde a terra do Egito ; portanto não reconhecerás outro deus além de mim, porque não há Salvado : senão eu . " (Oséias 1 3 :4.)

" Pois , n a cidade d e Davi , vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor . " (Lucas 2: 1 1 )

3 . Jeová é o Redentor.

"Assim diz o Senhor, teu Redentor, o Santo de Israel . " (Isaías 43 : 1 4 .)

" Cristo nos resgatou da maldição da lei . " (Gálatas 3 : 1 3 . )

4. Jeová resgatará os homens das garras da morte .

"Eu (Jeová) os remirei da violência do inferno, e os resgatarei da morte : onde estão , ó morte, as tHas pragas? Onde está, ó inferno a tua perdição ? " (Oséias 1 3 : 14. )

"Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito as primícias dos que dormem . Porque assim como a morte veio por um homem também a ressurreição dos mortos veio por um homem . Porque, assim como todos morrem em Adão , assim também todos serão vivificados em Cristo . " ( I Coríntios 1 5 :20-22 .)

5 . Os judeus olharão para Jeová a quem traspassaram .

"E sobre a casa de Davi , e so'ore os habitantes de Jerusalém , (eu , Jeová) derramarei o Espírito de graça e de súplicas ; e olharão para mim a quem traspassaram ; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por el e, como se chora pelo primogênito . " (Zacarias 1 2 : 10.)

"Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água . . . Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado. E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram . " (João 1 9 : 34, 36-37.)

6. Jesus acompanhou Israel no deserto, durante o Êxodo.

" E o Senhor ia diante deles , dle dia numa coluna de nuvem , para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo , para os alumiar , para que caminhassem de dia e de noite . Nunca tirou de diante da face do pov o a coluna de nuvem , de dia, nem a coluna de fogo, de noite . " (Êxodo 1 3 : 2 1 -22 .)

"Ora, irmãos não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem , e todos passaram pelo mar . E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar , e todos comeram dum mesmo manjar espiritual , e beberam todos duma mesma bebida espiritual , porque bebiam da pedra espiritual que os seguia e a pedra era Cristo . " ( I Coríntios lO: 1 -4.)

7 . Jeová é o marido ou noivo .

" Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor ; ele será chamado o Deus de toda a terra . " (Isaías 54: 5 . )

"Regozij emo-nos, e alegremo-nos e demos-lhe glória ; porque vindas as bodas do Cordeiro , e já a sua esposa se aprontou . E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino , puro e resplandecente ; porque o linho fino são as justiças dos santos . " (Apocalipse 1 9:7-8 .)

8 . Jeová é o primeiro e o último (alfa e ômega) .

"Assim diz o Senhor Rei d e I� rael, e seu Redentor, o Senhor dos Exércitos : Eu sou o primeiro, e eu sou o último , e fora de mim não há Deus . " (Isaías 44:6.)

"Eu sou o Alfa e o Ô mega, o princípio e o fim , diz o Senhor , que é, e que era e que há de vir, o Todo­ -Poderoso . " (Apocalipse 1 : 8.)

.


46 (A-S) A Importância de Se Conhecer a Identidade do Deus do Velho Testamento Muitas pessoas , inclusive inúmeros estudiosos da Bíblia, chegaram à conclusão de que o Deus retratado no Vdho Testamento foi produto das superstições e crenças antigas de um povo primitivo e supersticioso . Eles tomaram tal decisão por haverem encontrado certas características que contradiziam o conceito que tinham do Deus do Novo Testamento. Todavia, saber que o Senhor do Velho Testamento foi o mesmo Jesus Cristo da vida pré-mortal , tem profundas implicações, não somente para entendermos corretamente o Velho e o Novo Testamento , mas também para compreendermos a natureza e des ígnios de Deus e o relacionamento que o homem tem com cada membro da Deidade. Por exemplo , a mesma pessoa que disse, "Amai a vossos inimigos" (Mateus 5 :44) , disse o seguinte a respeito dos Cananeus que viviam na terra prometida: "Nenhuma cousa que tem fôlego deixarás com vida; antes destrui-las­ -ás totalmente. " (Deuteronômio 20: 1 6- 1 7 .) O mesmo Salvador que declarou que devemos perdoar " setent a vezes sete" (Mateus 1 8 : 22) , destruiu todos os habitantes da terra, com exceção de apenas oito almas (vej a Gênesi.s ? -8) . Por outro lado, o Jesus do Novo Testamento , qUf: dIsse certa vez que todo aquele que se recusasse a perdoar as faltas de seus semelhantes seria entregue "aos atormentadores até que pagasse tudo o que devia" (Mateus 1 8 : 34-35), é o mesmo Senhor do Velho Testamento que disse : " Ainda que os vossos pecados sejam como a

escarlata eles se tornarão brancos como a neve (Isaías 1 : 1 8) . E � Cristo representado no livro de Apocalipse, que é retratado como uma grande foice , prestes a colher os frutos da vinha e lançá-los no lagar (veja Apocalipse 14: 1 4-20) , é o mesmo Deus do Velho Testamento que disse a Miquéias : "E que é o que o Senhor pede de ti , senão que pratiques a j ustiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus? " (Miquéias 6 : 8 . ) Não existe inconsistência alguma n a natureza d e Deus. Ele é sempre perfeitamente magnânimo e amoroso, mas é ao mesmo tempo infinitamente j usto e não encara o pecado com o menor grau de tolerância. Como ele disse a Joseph Smith: " Deus não anda por sendas tortuosas , nem se volta à direita ou à esquerda . . . suas veredas são retas , e o seu caminho, um circulo eterno . " (D&C 3 : 2 . ) Em todas as escrituras do Velho Testamento, encontramos esse mesmo Deus perfeitamente imutável . Elas acrescentam maior brilho ao nosso entendimento de Deus e de como ele trata a seus filhos, abençoando-os de acordo com sua obediência e receptividade, ou punindo-os ao serem rebeldes e iníquos. Se quisermos conhecer melhor a Cristo , devemos estudar o Velho Testamento, pois, em seu papel de Jeová, sua personalidade permeia todo aquele antigo registro . Jesus Cristo é o Deus do Velho Testa!llento tanto quanto é o Deus do mundo atual . Um dos meIos de entendermos o Velho Testamento e também a natureza de Deus, é mantermos esse importante fato sempre em nossa mente.


Gênesis 4-11

4

Os Patriarcas (4-1) Introdução "Talvez nossos amigos digam que o evangelho com suas ordenanças não foi conhecido até os dias de João , filho de Zacarias , na época de Herodes , rei da Judéia. Examinemos esse ponto . De nossa parte, não cremos que os antigos de todas as épocas não tivessem algum conhecimento do sistema celestial, como muitos supõem , porque todos os que já se salvaram o foram pelo poder . desse grande plano de redenção , tanto antes como depOIS da vinda de Cristo; se não foi assim , Deus tinha vários planos em funcionamento (se podemos expressar-nos desse modo) , para trazer os homens de volta a sua presença; e nisso não acreditamos, pois não houve mudança na constituição do ser humano desde a queda; e a ordenança ou instituição de oferecer sangue em sacrifício tinha por objetivo continuar somente até que Cristo fosse oferecido e derramasse seu sangue - como já foi dito - para que o homem pudesse esperar com fé esse dia. Veremos que, segundo Paulo (Gálatas 3 : 8) , o evangelho foi pregado a Abraão . " (Smith , Ensinamentos, p. 59.)

relato feito por Moisés salienta que, antes de Caim, haviam nascido muitos outros filhos, não sendo para ele, portan to, um problema encontrar uma esposa. 3. Adão e Eva invocaram o nome do Senhor, e e 11! bora já não pudesse vê-lo, como acontecia no Jardim do � den , o Senhor falou com eles e deu-lhes mandamentos (veja Moisé�; 5 :4-5). 4. A dão e Eva foram obedientes aos mandamentos, os quais i ncluíam o sacrifício das primícias de seus rebanhos como uma oferta ao Senhor (veja Moisés 5 : 5). 5. D epois que nossos primeiros pais demonstraram essa obediência durante "muitos dias " , um anj o do Senhor aparec eu a Adão e perguntou-lhe por que oferecia sacrifícios (Moisés 5 : 6) . Quando ele respondeu que não sabia, ,� que apenas estava obedecendo a um mandamento (uma g rande evidência que temos da fé que Adão possuía) , o anj o ensinou-lhe que tais sacrifícios eram à semelhança do futuro sacrifício expiatório do Salvador, e que eles deviam arrepender-se e invocar a Deus em nome do Filho para todo o sempre . (Veja Moisés 5 : 6-8 .)

Instruções aos AJunos 1 . Ao ler e estudar Gênesis 4- 1 1 , utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem oferecer-lhe . 2. Moisés 5-8 contém informações e ensinamentos valiosos não encontrados em Gênesis . Embora esse relato paralelo venha a ser estudado com maior profundidade no curso referente à Pérola de Grande Valor (Curso de Religião 327), estes capítulos devem ser lidos e estudados juntamente com o relato de Gênesis . 3 . Complete a seção de Pontos a Ponderar, conforme as orientações fornecidas pelo professor. (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção .)

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE GÊNESIS 4-11 (4-2) Gênesis 4:1. Que Verdades Importantes o Relato do Livro de Moisés Restaura aos Ensinamentos que se Encontram em Gênesis? Foram acrescentados quinze versículos entre Gênesis 3 : 24 e Gênesis 4: 1 , os quais contêm as seguintes informações fundamentais: 1. Depois que Adão e Eva foram expulsos do Paraíso , trabalharam juntos para obter seu próprio sustento e o de . seus filhos, cultivando a terra e criando rebanhos (veja Moisés 5 : 1 ) . 2. Adão e Eva começaram a ter filhos, cumprindo o mandamento que o Senhor lhes dera, de frutifícarem, multiplicarem-se e encher a terra. Seus filhos casaram-se entre si, originando suas próprias famílias (veja M � isés 5 : 2-3) . Este ensinamento esclarece um problema OrIundo da falta de informações do relato de Gênesis . Em Gênesis 4: 1 -2, surgem os nomes de Caim e Abel como sendo os primeiros filhos de Adão; todavi.a, alguns versículos . depois , Gênesis 4: 17 fala a respeIto da esposa de CaIm. O

Adão


50 6. Depois que Adão e Eva aprenderam a respeito do plano de salvação e foram batizados, o Espírito Santo desceu sobre eles, e começaram a profetizar. Ambos compreenderam o propósito da Queda e rejubilaram -se com o plano do Senhor (Moisés 5 : 9- 1 1 ) _ 7 . Adão e Eva ensinaram estas coisas a seus filho s, mas Satanás também começou a influenciá-los tentando persuadi-los a rejeitar o evangelho . Daquela época em diante, o evangelho começou a ser pregado sobre a terra; os que o aceitaram foram salvos e os que o recusaram, sofreram condenação (Moisés 5 : 1 2- 1 5) .

(4-3) Gênesis 4:3. O que Sabemos a Respeito d e Abel, Além do que Encontramos Nesta Escritura? O Profeta Joseph Smith ensinou o seguinte acerca de Abel: "Temos em Gênesis 4:4, que Abel trouxe dos primogênitos das suas ovelhas , e da sua gordura, e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta. E, ainda, 'pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim., pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois da morte, ainda fala' . (Hebreus 1 1 :4.) Como é que ainda fala por ela? Porque magnifícou o Sacerdócio que lhe foi co nferido e morreu como um justo . Por conseguinte, chegou a ser um anjo de Deus, porque recebeu seu corpo dos mortos, e ainda tem as chaves de sua dispensação; e foi enviado dos céus para administrar palavras de consolo a Paulo f: ministrar-lhe conhecimento dos mistérios da divindade. "E se não foi esse o caso, eu perguntaria, como Paulo sabia tanto sobre Abel, e por que mencionou que ele falou depois de morto? E para ter falado depois de morto , deve ter sido enviado dos céus para exercer seu ministério . " (Ensinamentos, p . 1 64.) A visão da redenção dos mortos que Joseph F. Smith teve (D&C 1 38), indica que Abel se encontrava entre os santos justos que viu no mundo espiritual , aguardando a vinda do Salvador, que visitou os espíritos em prisão enquanto seu corpo ainda j azia na tumba (veja o versículo 40) .

(4-4) Gênesis 4:4-8. Mas para Caim e para a Sua Oferta Não Atentou O Profeta Joseph Smith explicou por que a oferta de Caim não foi aceitável: " Pela fé nessa expiação ou plano redentor, Abel , ofereceu a Deus um sacrifício aceitável das primícias do rebanho . Caim ofereceu do fruto da terra, e não foil aceito , porque não pôde ofertá-lo com fé; não podfTia ter tido fé, ou melhor, não poderia exercer uma fé contrária ao plano celestial . A expiação em favor do homem tem de ser através do derramamento do sangue do Unigêni to; e sem isso , não há remissão ; e uma vez que o sacrifício foi instituído como um modelo por intermédio do qual o homem discerniria o grande Sacrifício que Deus tinha preparado, era impossível exercer a fé em um sacrificio contrário , porque a redenção não foi conseguida dessa maneira, nem se instituiu o poder expiatório segundo essa ordem. Portanto, Caim não poderia ter tido fé, e o que não se faz pela fé é pecado . Porém, Abel ofereceu um sacrifício aceitável, através do qual recebeu testemunho de que era j usto , e o próprio Deus testifícou de suas dMivas . Certamente, por verter o sangue de um animal, o homem em nada se benefíciaria, a menos que o fízesse para imitar, ou como modelo ou explicação do que seria oferecido por intermédio do dom do próprio Deus; e isso deveria ser

feito com os olhos voltados para o futuro, tendo fé no poder desse grande sacrifício para a remissão dos pecados . " (Ensinamentos, pp . 57-58.) Mesmo após recusar-lhe a oferta, o Senhor não rejeitou a Caim, mas deu-lhe uma advertência específíca a respeito do perigoso caminho que ele estava trilhando . Foi somente após repudiar aquele conselho que a rebeldia de Caim se tornou total . Moisés registra que " Caim irou-se, e não mais fez caso da palavra do Senhor" . (Moisés 5 :26. ) Gênesis 4:7 não está bem claro, mas o registro d e Moisés esclarece que o Senhor preveniu a Caim, avisando-o de que, caso não se arrependesse, governaria sobre Satanás . Esse relato, muito mais completo, nos ensina que Caim não foi , imediatamente após ser advertido, até o campo e matou Abel . Depois de rejeitar o Senhor, ele começou a comunicar-se diretamente com Satanás, que lhe sugeriu os meios pelos quais poderia matar seu irmão (veja Moisés 5 : 28-3 1 ) . Gradualmente o adversário engendrou a queda de Caim, fazendo-o chegar a um ponto em que "se vangloriou de sua iniqüidade" (Moisés 5 : 3 1 ) . Foi ao atingir esse nível de degradação que ele matou Abel .

(4-6) Gênesis 5:22-24. Que Sabemos a Respeito de Enoque? "Quatro gerações, ou cerca de quinhentos anos depois, segundo o livro de recordações de Adão, Enoque, da linhagem de Sete, foi chamado para ser um grande profeta, missionário e reformador. Seu ministério foi profundamente necessário em virtude de os descendentes de Caim e seguidores de seu culto se haverem tornado tão numerosos, e porque a violência se havia propagado sobre a terra, já na quinta geração posterior â de Caim (Moisés 5 :28-3 1 , 47-57) . Enoque pregou o arrependimento àqueles que se haviam convertido em pessoas sensuais e diabólicas . Os filhos de Deus, distintos dos filhos dos homens, viram­ -se obrigados a habitar numa nova terra, chamada ' Cainã' , em homenagem a um seu ancestral, filho d� Enos . (Não confundir este Cainã com o povo iníquo de Canaã, citado em Moisés 7 : 6- 1 0. ) "Enoque foi bem sucedido e m seu chamado de combater os males de sua época (Moisés 6:27-29) ; ele teve a capacidade de levantar um povo justo , chamado ' Sião' , que signifíca 'o puro de coração' . (Moisés 7 : 1 8 em diante .) Os ensinamentos de Enoque podem ser divididos em quatro categorias principais e transmitem informações que não se encontram em nenhuma outra escritura. Ele esclareceu ( 1 ) a queda do homem e suas conseqüências; (2) a natureza da salvação e os meios pelos quais podemos alcançá-la; (3) o pecado , considerando os males que existiam em sua época, em contraste com a retidão dos justos que eram seus seguidores ; (4) a causa, objetivo e conseqüências do futuro dilúvio, previsto para o tempo de Noé; (5) a magnitude do triunfo de Satanás e as aflições de Deus concernentes a ele; (6) o primeiro advento do Messias ; (7) o segundo advento do Messias e seu pacífico reinado milenar . Os detalhes dos seus conceitos do ' evangelho merecem cuidadoso estudo e atenção . O Novo Testamento menciona esse grande homem (Judas 14, 1 5 ; Hebreus 1 1 :5), e também Doutrina e Convênios. " (Rasmussen, lntroduction to the Old Testament, Vol. 1 , pp . 24-25 . )

(4-7) Gênesis 5:21-27. Metusala Morreu no A n o e m que Ocorreu o Dilúvio? Um criterioso exame do registro dos patriarcas que se encontra neste capítulo de Gênesis demonstra que


51 (4-8) Gí�nesis 6: 1-2. Que Significam as frases "Filhos de Deus" e "Filhas dos Homens" ?

Enoque

Metusala morreu no ano em que ocorreu o dilúvio. Muitas pessoas perguntam a si mesmas por que ele não foi levado na arca j untamente com Noé, e chegam à conclusão errônea de que talvez tenha sido um homem iníquo. O livro de Moisés, todavia, mostra que a linhagem que se encontra nessa parte do registro traça a genealogia dos patriarcas dignos (veja Moisés 6:23), e que Metusala nela se encontra. Moisés 8 : 3 nos ensina que Metusala não subiu aos céus com a cidade de Enoque para que a linha patriarcal tivesse continuidade. Vemos também que ele profetizou que, de seus lombos, nasceriam rodas as nações da terra (através do j usto Noé) . Isto evidencia claramente que ele também era um homem digno . A escritura nos diz ainda que "ele se glorificou a si mesmo " (Moisés 8 : 3) . Após haver executado o seu trabalho, ele provavelmente foi transladado como os outros, pois , durante aproximadamente setecentos anos contados desde a época em que a cidade de Enoque foi levada, até o tempo do dilúvio , os santos j ustos foram transladados e j untaram-se ao povo de Enoque (veja Moisés 7:27; McConkie, Mormon Doctrine, p. 804) . Embora a maior parte dos eruditos acreditem que o nome signifique "homem de azagaia" ou "homem de lança " , um deles escreveu a seguinte interpretação que, se estiver correta, daria a esse nome uma natureza profética: " Metusala viveu até o ano em que ocorreu o dilúvio , e acredita-se que seu próprio nome tinha algo de profético . . . methu ' ele morreu ' , e shalach , 'ele enviou' ; como se Deus quisesse ensinar aos homens que tão logo Metusala morresse, o dilúvio seria enviado para afogar um mundo iníquo. Se era assim compreendido naquela época, até o nome deste patriarca continha em si mesmo uma solene advertência. " (Clarke, Bible Commentary, Vol . 1 , p . 68 .)

Mois,�s 8 : 1 3- 1 6 esclarece melhor o significado dessa escritura e por que esse tipo de casamento era condenável . Comentando a respeito desses versículos , o É lder Joseph Fielding Smith escreveu : "Porque as filhas de Noé se casaram com os filhos dos homens , contrariando os ensinamentos do Senhor, acendeu-se sua ira, e essa transgressão foi um dos motivos pelo qu. al ele fez com que sobreviesse um dilúvio universal . Podemos ver no livro de Moisés que essa condição aparece ao inverso . Foi porque as filhas dos filhos de Deus se casaram com os filho, dos homens que o Senhor se desgostou. O fato é que, como vemos através das revelações , as filhas , que evidentemente haviam nascido sob o convênio, e eram filhas dos filhos de Deus, ou, em outras palavras , daqueles que possuíam o sacerdócio , transgrediram o mandamento do Senhor e se casaram /ora da Igreja, perdendo , assim , o dir:eito de receber as bênçãos do sacerdócio e agindo em contrári o aos ensinamentos de Noé e à vontade de Deus . " (Answers to Gospel Questions, Vol . 1 , pp . 1 36-37 .) O Presidente Spencer W. Kimball advertiu os santos dos últimos dias a respeito dos perigos do casamento fora do convênio : " Paulo disse aos Coríntios: 'Não vos ponhais e m j ugo desigual . . . . ' Talvez Paulo quisesse fazê-los compreender que as diferenças religiosas são fundamentais e envolvem extensa�; áreas de conflito . A lealdade à Igreja e a lealdade à famíli a se entrechocam . A vida dos filhos em geral torna-St: frustrada. O não-membro pode ser igualmente brilhante, bem preparado e atraente, e ele ou ela podem ter a personalidade mais agradável que se possa imaginar, porém, sem uma fé comum , problemas e dificuldades acompanharão o casamento. Há algumas exceções , mas a regra é severa e infeliz. " Não há preconceitos nem prevenções nessa doutrina. É uma questão de seguir certo plano para alcançar um objetivo determinado . " (O Milagre do Perdão, p. 23 1 .)

(4-9) Gê llesis 6:3. O que Significa a Promessa dos 120 Anos? Muitos eruditos, que contam apenas com Gênesis como fonte dt: pesquisa, afirmam que esta declaração foi uma profeci2. diminuindo a duração da vida do homem após o dilúvio. No livro de Moisés, todavia, está claro que os 1 20 anos diziam respeito ao tempo que Noé levaria pregando o arrependimento e tentando salvar o mundo, antes que o Senhor enviasse o dilúvio. (Vej a Moisés 8 : 1 7 . ) Esse espaço de temp o mais tarde seria referido por Pedro como o período " quando a longanimidade de Deus esperava" (1 Pedro 3 : 20) . Por ter rejeitado os princípios e ordenanças do evangelho que lhes foram pregados por Noé, o povo foi destruído pelas águas do dilúvio . O Senhor lhes havia concedido um tempo mais que suficiente para que se arrependessem .

(4-10) Gênesis 6:6-7. Sendo Perfeito, Como Poderia o Senhor Se Arrepender? Vej a \1oisés 8 : 25-26. O Profeta Joseph Smith afirmou : " Creio na Bíblia tal como se encontrava ao sair da pena de seus esc. itores originais. Os tradutores ignorantes, os copistas descuidados e os sacerdotes intrigantes e corruptos cometeram muitos erros. Lê-se em Gênesis 6:6: "Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra. " E em Números 23 : 1 9: ' Deus não é homem ,


52 para que minta; nem filho do homem , para que se arrependa; no que eu não acredito . Deveria estar esc:rito : Lamentou Noé que Deus tivesse feito o homem. ' " (Ensinamentos , p. 3 1 9.)

(4-11) Gênesis 6:9. O Homem Chamado Noé "O Senhor revelou muitas coisas ao Profeta Joseph Smith a respeito dos antigos profetas e das chaves que eles possuíam . Num discurso sobre o sacerdócio, proferi do no dia 2 de j ulho de 1 839, ele informou aos santos o que o Senhor lhe havia revelado com relação às missões dos antigos profetas e videntes . Das observações que fez , consta o seguinte: " ' . . . Noé, que é Gabriel; este segue a Adão em autoridade do Sacerdócio . Deus chamou esses homms para esse oficio , e cada um, em sua época, foi o pai de todo o ser vivente, e a ele foi dado todo o domínio . Eles tiveram as chaves do Sacerdócio primeiramente na t,erra, e depois nos céus . ' " (Ensinamentos, p . 1 53 .) " Lucas nos revelou que o anjo Gabriel apareceu a Zacarias para informar-lhe que sua esposa teria um filho . Ele também visitou a Maria, anunciando-lhe o nascimento de nosso Senhor e Salvador. "Gabriel , portanto, é Noé, de acordo com esta revelação. " Descobrimos então, através de revelação dada ao Profeta Joseph Smith , em agosto de 1 830, que foi Elaías, quem apareceu a Zacarias e anunciou-lhe o nascimento de João Batista. (D&C 27 : 6-7 é então citada.) "Este é o mesmo Elaías que possuía as chaves da dispensação de Abraão , e que apareceu ao Profeta Joseph Smith e Oliver Cowdery no dia 3 de abril de 1 836, no Templo de Kirtland, e restaurou as chaves da dispen sação de Abraão . (D&C 1 1 0: 12; 128:20-2 1 são citadas . ) "Através destas escritutas, aprendemos que Noé i: o mesmo Gabriel, e que visitou o Profeta Joseph Smith em seu chamado de Elaías, e restaurou as chaves da dispensação em que o Senhor havia feito convênio c om Abraão e sua posteridade, até às últimas gerações . "O termo Elaías significa precursor. Noé, Elias, J oão Batista e João, o Revelador, são chamados erroneamente de Elias nas escrituras, embora o termo correto seja Elaías, ou precursores . (Vej a Ensinamentos , pp . 326-330.) " Resumindo os fatos - Joseph Smith revelou qu e Gabriel era Noé; Lucas declarou que foi o anjo Gabriel que apareceu a Zacarias e Maria; e o Senhor afirmou que

Elaías apareceu a Zacarias e Joseph Smith . Portanto , Elaías é Noé . " (Smith, Answcrs to Gospel Questions, Vol . 3 , pp . 1 38-4 1 .)

(4-12) Gênesis 6 : 10 A maneira típica de nos referirmos aos filhos de Noé é da forma em que se encontra no livro de Gênesis, ou seja, Sem, Cão e Jafé . O livro de Moisés, entretanto, registra que Jafé era o mais velho dos três filhos, Sem o segundo , e Cão o terceiro (veja Moisés 8 : 1 2) .

(4-13) Gênesis 6: 14-16. Que Aparência Tinha a Arca? "A arca: a palavra hebraica significa ' caixa' ou ' cesto ' . Ela é usada e m outra parte d a Bíblia somente a o referir-se à arca a prova d ' água em que Moisés foi colocado sobre o Nilo - um paralelo deveras interessante. "A arca era de grande tamanho , e fora construída não para navegar, mas apenas para flutuar sobre as águas; não apresentava portanto, os problemas de lançamento à água enfrentados por nossos navios atuais ! Considerando que um cúbito deveria ter 46 centímetros , a arca media, portanto, 1 37 x 23 x 14 metros . " (Alexander and Alexander, Eerdmans' Handbook to the Bible, p. 1 32.)

(4-14) Gênesis 7:7. Foram Salvas Outras Pessoas sem Ser Através da Arca? " Durante os primeiros 2200 anos da história da terra, ou seja, desde a queda de Adão até o ministério de Melquisedeque não era um caso incomum os membros fiéis da Igreja serem transladados e subirem às regiões celestiais sem provarem a morte . Desde aquela época, ocorreram exemplos ocasionais de transladação quando um trabalho especial de ministério assim o requeria. " . . . Metusala, o filho de Enoque, não foi transladado junto com a cidade de seu pai, 'a fim de que se cumprissem os convênios que o Senhor ha'{ia feito com Enoque; porque ele em verdade fez convênio com Enoque de que Noé seria do fruto de seus lombos' . (Moisés 8:2.) Porém, durante os 700 anos que transcorreram desde a transladação de Enoque até o dilúvio de Noé, parece que quase todos os membros fiéis da Igreja haviam sido transladados, pois 'o Espírito Santo desceu sobre muitos, e eles foram levados pelos poderes do céu a Sião ' . (Moisés 7 :27 .)" (McConkie, Mormon Doctrine, p. 804.)


53 40 m

70 m

300 m

1 37 m

mi.

A Arca de Noé

Trirreme Grega ·

Encouraçado Soberano dos Mares

Quebra-gelos Lenin

Transatlântico Estados Unidos

(4-15) Gênesis 7 : 19. Como o Dilúvio Conseguiu Cobrir toda a Terra, Inclusive as Montanhas? Qual Foi o Significado Dessa Imersão? "Gostaria de saber através de que lei conhecida do universo pôde realizar-se a total imersão da terra. . Podemos explicar esse fato, em poucas palavras , atraves das próprias escrituras , pois elas dizem que " As j anelas dos céus se abriram" , isto é, desceram as águas que existiam por todo o espaço que circundava a terra, que provinham das nuvens de onde caiu a chuva. Essa foi uma das causas da imersão . A outra é que ' se romperam todas as fontes do grande abismo' - ou seja, algo que existe além dos oceanos, fora dos mares . Reservatórios dos quais não temos conhecimento, contribuíram para que ocorresse tal evento, e as águas foram libertadas pela mão e poder de Deus; pois ele havia decretado que enviaria o dilúvio sobre a terra, e assim fez. Mas , para tanto , o Senhor teve que libertar as fontes das grandes profundezas , e trazer as águas que lá existiam. Quando as águas d � dilúvio começaram a diminuir, as escrituras nos dIzem que 'cerraram-se as fontes do abismo e as j anelas dos céus, e a chuva dos céus deteve-se, e as águas tornaram de sobre a terra' . Para onde foram elas? Para o mesmo lugar de onde tinham vindo. Agora mencionarei algo mais. Algumas pessoas falam, um tanto filosoficamente, de ondas provocadas pelo fluxo e refluxo das marés . Mas a questão é - como fazer com que as marés do Oceano Pacífico produzam onda de tamanho suficiente para, por exemplo,

cobrir a Serra Nevada? Mas a Bíblia não nos ensina que foi isso o que aconteceu . As escrituras simplesmente declaram que 'todos os altos montes, que havia debaixo de todo o c éu foram cobertos. Quinze côvados acima prevaleceram as águas; e os montes foram cobertos' . Isto quer dizer que a terra foi completamente coberta pelas águas . Foi um período de batismo . " (John Taylor, em Journa/ oi Discourses, Vol . 26, pp . 74-75.) Orson Pratt declarou o seguinte, a respeito do fato de o dilúvio t er sido o batismo da terra: " A primeira ordenança instituída para a purificação da terra foi sua total imersão na água; ela foi sepultada no líquido, e todas as coisas pecaminosas que haviam .sobre ela foram varridas de sua superficie. Quando a terra ressurgiu do oceano que a envolvia, como uJ?a crianç� recém-n,ascida, era totalmente inocente; haVIa res �urgldo para uma nova vida. Aquele foi seu segundo naSCImento do ventr e das poderosas águas - um novo mundo que surgia das ruínas do antigo, revestido com toda a inocência da primeira criação . " (Citado por Smith, em A nswers to Gospe/ Questions, Vol. 4, p. 20. ) "Esta terra, e m s u a condição e situação atual, não é uma morada adequada pata os santificados; ela obedece, porém, à lei de sua criação , foi batizada pela água, será batizada pelo fogo e pelo Espírito Santo , e, com o passar do tempo, será preparada para os fiéis nela habitarem . " (Brighãm Young, citado por Smith ,. e m Answers to Gospe/ Questiolls, Vol . 4, p . 20.)


54 (4-16) O Dilúvio Foi um Ato de Amor "Farei agora uma análise retrospectiva dos fatos para mostrar-vos como o Senhor costuma agir. Ele destruiu certa vez toda a humanidade, salvando apenas algu mas pessoas, as quais preservou para cumprir seus desígnios. Por quê? Ele tinha mais de uma razão para agir ass im . Aquele povo antidiluviano não somente era profundamente iníquo , mas, tendo o poder de propagar a sua espécie, transmitiu sua natureza e propósitos in íquos a seus próprios filhos, fazendo com que se entregassem às mesmas práticas . Os espíritos que habitavam nos m undos eternos tinham conhecimento disso, e sabiam muito bem que, se nascessem de tais progenitores, fariam recai r sobre si próprios uma infinita onda de problemas, misérias e pecados. Suponhamos que nós também nos encontrássemos entre aqueles espíritos que ainda iri am nascer na carne; não seria j usto presumirmos que clamaríamos ao Senhor; dizendo: ' Pai, não vês a condição decaida desse povo , quão corrupto e iníquo ele se tornou? ' 'Sim ' , responderia ele. ' É correto , então , que nós, que somos puros, tomemos sobre nós de tais tabernáculos e estejamos sujeitos às mais amargas experiências , antes mesmo de sermos redimidos, de acordo com o plano de salvação? ' 'Não ' , diria o Pai, 'isso não estaria de acordo com a minha j ustiça' . ' Então , Pai, o que fareis nes�;e caso? O homem possui o livre-arbítrio e não pode ser coag ído a mudar; e enquanto ele viver, tem em si o poder de perpetuar a sua espécie . ' ' Primeiro , enviar-lhes-ei a minha palavra, oferecendo-lhes um meio de se libertarem do pecado e advertindo-os quanto à força de minha j u stiça, que certamente os ferirá se a rejeitarem, e os destruirei da face da terra, impedindo , assim , que se multipliquem, e levantarei para mim outra semente. ' Pois bem , aquele povo não deu ouvidos à pregação de Noé, um servo de Deus que lhes foi enviado, e conseqüentemente o S,�nhor fez com que 'as chuvas caíssem incessantemente sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites, e toda a humanidade pereceu no dilúvio, com exceção de oil:O pessoas , que obedeceram à mensagem do Senhor . Mas , diria o sofista, seria correto um Deus j usto destruir tantas pessoas? Tal atitude estaria de acordo com a miserkórdia? Sim, foi um ato de justiç,a para com aqueles espíritos que ainda não haviam recebido seu corpo, e um gesto de justiça e misericórdia também para com aqueles indivíduos que se achavam em pecado. Por quê? Porque, ao pôr fim à sua existência terrena, o Senhor impediu que eles fizessem seus pecados recaírem sobre a posteridade humana, degenerando-a, e impediu também que cometessem maiores iniqüidades . " (John Taylor, em Journal of Discourses, Vol . 1 9, pp . 1 58- 1 59.)

(4-17) Gênesis 8:4. Onde a Arca de Noé Parou, Quando as Aguas Baixaram? Devemos lembrar-nos de que o Jardim do É den estava situado na terra que agora conhecemos como América do Norte (veja a leitura 2- 1 7) . Embora não saibamos d izer até onde os primeiros habitantes se haviam espalhado, partindo de sua localização original, nos mil e seiscentos anos transcorridos desde a Queda de Adão até a ép oca do dilúvio , é provável que Noé e sua família tenham vivido em alguma parte daquela mesma região . A Bíblia n os ensina que a arca repousou sobre o monte Arará, p orém as escrituras não nos dizem onde estava situado este monte. O lugar tradicional é uma montanha situada a nordeste da Turquia, perto da fronteira com a Rús!:ia.

Comentando. a respeito da distância que Noé e seus fllhos viajaram, o Elder Joseph Fielding Smith declarou : " Lemos que foi no décimo sétimo dia do segundo mês que se romperam as fontes do grande abismo, e que choveu durante quarenta dias . A arca repousou sobre o monte Arará no décimo sétimo dia do sétimo mês ; portanto, eles viajaram durante cinco meses , até que o Senhor fez com que a arca chegasse ao seu destino final . Não resta qualquer dúvida de que uma considerável distância separou o ponto em que a arca iniciou sua jornada e o em que ela finalmente repousou . Não há dúvida que contradiga o fato de que, durante o dilúvio, houve grandes transformações na face da terra. Sua superficie estava passando pelo processo de divisão em continentes . Os rios mencionados no livro de Gênesis eram cursos de água que existiam no Jardim do É den muitos anos antes que a terra se dividisse em continentes e ilhas . (Gênesis 2: 1 1 .) " (Answers to Gospel Questions, Vol . 2, p . 94.)

(4-18) Gênesis 9:2-6. Qual É a Lei de Deus Relativa ao Derramamento de Sangue? Joseph Smith esclarece o mandamento do Senhor a Noé (Gênesis 9: 1 0- 1 3), explicando que os animais foram dados ao homem como fonte de alimento, para serem usados parcamente, sem serem desperdiçados. O homem também é prevenido a não matar seus semelhantes . Doutrina e Convênios 49: 1 8-21 apóia essa informação dada pelo Profeta, concernente ao uso de animais como alimento , mas conclui com a seguinte advertência: "E ai do homem que derrama sangue ou desperdiça carne sem necessidade. '" O Presidente Spencer W. Kimball esclareceu muitas coisas numa reunião geral do sacerdócio, a respeito da idéia de matar animais simplesmente por esporte . (Veja o artigo intitulado " Princípios Fundamentais para se Viver e Ponderar" , A Liahona, abril de 1 979, p . 64. )

(4-19) Arco-Íris Como Sinal d o Convênio Na tradução de Joseph Smith , de Gênesis 9 : 1 7-25 , o Senhor declara que o arco-íris é um símbolo do convênio que ele fez com Enoque, assegurando que todo ser vivente j amais seria destruído novamente por um dilúvio . Ele acrescenta que, no futuro, a cidade de Enoque será reunida à Sião da Nova Jerusalém. "O Senhor colocou um arco nas nuvens por sinal de que, enquanto se o puder ver, haverá sempre semeadura e colheita, inverno e verão; mas quando desaparecer, ai dessa geração , pois eis que o fim virá rapidamente . " (Smith , Ensinamentos, p . 297 .) "Perguntei ao Senhor sobre sua vinda, e enquanto isso, o Senhor deu-me um sinal, e disse: 'Nos dias de Noé, coloquei um arco nos céus como um sinal de que, em qualquer ano que se visse o arco, o Senhor não viria, mas que haveria plantação e colheita durante esse ano ; mas quando virdes o arco ser retirado, será por sinal de que haverá fome, pestilência e grande aflição entre as nações, e que a vinda do Messias não está distante. ' " (Ensinamentos, p . 332.)

(4-20) Gênesis 9:20-27. Por Que Noé Amaldiçoou a Canaã numa Ocasião em que Ele Nem Mesmo Se Achava Presente? O relato da "nudez" de Noé e do papel que seus filhos desempenharam naquele acontecimento é bastante


55 confuso, especialmente na parte em que ele desperta e pronuncia uma maldição sobre seu neto Canaã, filho de Cão (vej a Gênesis 1 0 : 6) , o qual parece que nem mesmo se achava presente na ocasião . A maioria dos membros da Igreja está ciente de que as pessoas que participam da cerimônia da investidura no templo usam o garment do sacerdócio, o qual simboliza os convênios que lá fizeram. Esse garment representa a veste de peles que o Senhor fez para Adão e Eva depois da Queda (veja Gênesis 3 : 2 1 ; Moisés 4:27) . A idéia de um vestuário de peles significando que o indíviduo tem poder no sacerdócio , é encontrada em diversos escritos antigos. Hugh Nibley disse o seguinte, falando a respeito de alguns desses manuscritos antigos e a relação que eles têm com . essa passagem do livro de Gênesis : "Ninrode declarou possuir soberania sobre o povo de sua época, baseando-se na vitória que conseguiu obter sobre seus inimigos (vej a Gênesis 1 0:8-10; Leitura 4-2 1 ) , a o sacerdócio, entretanto , ele declarou ter direito em virtude de possuir 'a veste de Adão ' . O Talmude nos assegura que foi devido à posse dessa vestimenta que Ninrode foi capaz de assumir o poder de governar toda a terra, .e que ele se assentava num trono , em sua torre, enquanto os homens, prostrados, o adoravam . Os escritos apócrifos, tanto os j udaicos como os cristãos, nos transmitem muitas informações a respeito dessas vestes . Para citar apenas um deles : 'as vestes de pele que Deus fez para Adão e sua esposa, quando eles foram expulsos do jardim, foram dadas a Enoque após o falecimento de Adão ' ; e assim , elas devem ter passado a Metusala, e depois a Noé, de quem Cão as roubou, quando sua família saiu da arca. Ninrode, neto de Cão , as obteve de seu pai, Cuse. Quanto à propriedade legítima desse vestuário, um fragmento de escritura muito antigo, recentemente descoberto, afirma que Miguel 'despiu Enoque de suas vestimentas terrenas, e colocou sobre ele uma roupa celestial' , levando-o depois à presença de Deus . . . " Incidentalmente, a história relativa à veste roubada, conforme relato feito pelos rabinos, entre os quais o grande Eleazar, apresenta uma versão bem diferente da estranha história que se encontra no capítulo 9 de Gênesis, da Bíblia que conhecemos . Eles aparentemente consideram que a palavra hebraica 'erwath ' , mencionada em Gênesis 9:22, de forma alguma significa 'nudez' , mas sim que tem a conotação dada por sua raiz principal, que é 'vestimenta de pele' . Se assim entendermos , devemos crer que Cão furtou a veste de seu pai, enquanto este dormia, e mostrou-a a seus irmãos, Sem e Jafé, os quais fizeram um modelo ou cópia (salmah) ou teceram uma roupa semelhante a ela (simlah) , a qual colocaram sobre seus próprios ombros, devolvendo o vestuário original a seu pai . Ao despertar, Noé reconheceu o sacerdócio de dois filhos e amaldiçoou aquele que tentou despojá-lo de sua veste . " (Lehi in the Desert and the World of the Jaredites, pp . 1 60-62.) Assim sendo , embora Cão tivesse o direito de possuir o sacerdócio, o mesmo não acontecia a seu filho , Canaã, pois , devido a seu pai haver-se casado com Egyptus , uma descendente de Caim (Abraão 1 :2 1 -24) , seus descendentes não poderiam ter aquele privilégio .

(4-21) Gênesis 10:8-9. Que Espécie de Homem Era o Fundador da Babilônia? A tradução da Bíblia feita por Joseph Smith não indica que Ninrode tenha sido um "poderoso caçador diante da face do Senhor" (Gênesis 1 0 : 9) , mas sim que ele foi um "poderoso caçador em sua nação" .

Um f:studioso da Bíblia disse o seguinte a respeito de Ninrod,!: "Embora este termo não esteja bem definido , é bem provável que Ninrode tenha sido um homem muito mau, pois seu nome provém da palavra marad, que significa ele se rebelou. No Targum (antigas traduções j udaicas das escritur as) , no livro de I Crônicas 1 : 1 0 é dito: E Ninrode começo u a se tornar um homem poderoso no pecado, um assassin o de pessoas inocentes, e um rebelde diante do Senhor. O Targum de Jerusalém afirma que ' Ele foi poderoso na caça (ou em rapina) e em pecado diante de Deus, p ois era um caçador dos filhos dos homens em seus idiomas; a quem disse, Apartai-vos da religião de Sem e apegai-vos aos estatutos de Ninrode' . O Targum de Jonatham Ben Uzziel diz o seguinte: ' Desde a fundação do mun do, ninguém j amais se encontrou semelhante a Ninrode, poderoso na arte da caça e em rebeliões contra o Senhor . ' A Siriaca* dá-lhe o título de gigante guerreiro . A palavra . . . tsayid, traduzida para caçador, significa fazer presa, e este termo é aplicado nas escrituras ao aptisionamento de homens através de perseguição , tirania e opres�:ão . Assim sendo, é bem provável que Ninrode, tendo adquirido poder, usou-o de maneira tirânica e despótica, e através de rapina e violência, fundou o domínio que foi conhecido como o primeiro reino sobre a face da terra . " (Clarke, Bible Commentary, Vol. 1 , p. 86.) Naquela mesma época patriarcal, Melquisedeque (veja a leitura 5-9) estabeleceu uma Sião de acordo com o modelo deixado por Enoque, o protótipo da verdadeira cidade de Deus, a mais livre de todas as sociedades , ao passo que Ninrode erigiu uma Babilônia, cujo nome serviu para designar o símbolo do reino de Satanás, a antítese de Sião .

(4-22) Gênesis 10:25. Foi a Terra Dividida no Tempo de Pelegue? "A d ivisão de terra a que diz respeito este versiculo , não foi o ato de repartir algumas de suas regiões pelos seus habitantes , de acordo com suas tribos e povos, mas sim a separaçilo dos continentes , dividindo a superficie do planeta, criando os hemisférios oriental e ocidental . Examin ando um mapa-múndi, verificaremos como a superficie terrestre das costas norte e sul do continente americano, da Europa e da Á frica, parecem ter sido unidas f:m épocas anteriores . Naturalmente a face do globo passou por muitas transformações desde a época em que o m undo foi criado. O Senhor nos informou , por meio de revelação, que chegará o dia em que a condição atual da terra será uma vez mais modificada, e que a sua superfície voltará a possuir a mesma aparência do princípio, tornando-se um só lugar . " (Em seguida, ele cita D&C 1 3 3 :22-24.) (Smith, Answers to Gospel Questions, Vol . 5 , pp. 73-74.)

(4-23) Gênesis 1 1 : 1-9. A Torre de Babel Além de fornecer uma explicação para a existência de inúmeros idiomas sobre a face da terra, este relato referentl! à Torre de Babel demonstra quão rapidamente o ser humano se esqueceu das lições ensinadas pelo dilúvio , e se afastou novamente do Senhor: O Livro de Mórmon nos ensina que a atual confusão de línguas provavelmente não ocorreu de modo instantâneo , mas que tal processo pode . ter demorado um período desconhecido de tempo . Jarede pediu a seu irmão que rogasse ao Senhor que seu idioma não fosse confundido , no que foi atendido . Em seguida, '(N. do T. = tradução dos textos bíblicos em siríaco, língua falada em certas regiões da Síria e Palestina, nos tempos antigos.)


56 ele tornou a pedir a seu irmão que solicitasse que o idioma de seus amigos permanecesse o mesmo que o seu . O Senhor também concedeu tal desej o . (Vej a Éter 1 : 33-3 8 . ) Tal fato implica e m que a confusão de línguas não aconteceu repentinamente.

(4-24) Gênesis 1 1 : 10-26 Esta cronologia de patriarcas nos ensina diversas verdades. (Compare o conteúdo da escritura com o esboço que se encontra na seção de Mapas e Gráficos .) Por exemplo , Sem viveu um período de tempo que o tornou " contemporâneo das dez gerações que o sucederam . Em outras palavras , ele ainda vivia, quando Abraão , Isaque e Jacó nasceram . Esta circunstância é uma das razões que levam alguns a crer que Sem era o mesmo Melquisedeque . (Veja a Leitura 5-9, onde se encontra um debate sobre Sem e Melquisedeque .) Muitos eruditos acreditam que o nome Éber foi usado para designar seus descendentes, chamados hebreus, assim como os descendentes de Sem eram chamados de semitas , e os de Canaã de cananeus .

(4-25) Gênesis 1 1 :31 Gênesis 1 1 : 3 1 dá a impressão de que Terá instruiu toda a sua família a partir de Ur e dirigir-se para Canaã, passando por Harã. Todavia Abraão 2: 3-5 deixa bem claro que Abraão , sob a diretriz do Senhor, era o líder daquele grupo. (Para informações adicionais, vej a o roteiro das viagens de Abraão , em " Velho Mundo no Tempo dos Patriarcas " , na seção de Mapas e Gráficos . )

PONTOS A PONDERAR (4-26) Nestes onze capítulos do livro de Gênesis , que cobrem os fatos relativos à vida dos antigos patriarcas, quase uma terça parte da história total da humanidade é resumida de maneira breve. Não resta dúvida de que , para sofrer tal limitação , foram omitidos muitos detalhes que seriam de grande beneficio para nós . Quando Moisés escreveu este relato , entretanto , compartilhou conosco de um dos mais extraordinários contrastes da história do mundo . Desde a época da Queda de Adão , os habitantes da terra começaram a se dirigir para duas direções completamente opostas . Um dos grupos seguiu os ensinamentos de Adão e Eva, e esforçou-se continuamente para adquirir maior integridade e perfeição, ao passo que o outro cedeu às maléficas seduções de Satanás e seus servos , e caiu cada vez mais fundo no abismo da depravação e iniqüidade. Esses dois caminhos divergentes conduziram-nos a seus destinos finais. Sob a direção de Enoque, uma sociedade inteira se tornou tão perfeita, que Deus a levou para si, e durante os setecentos anos seguintes, todos aqueles que conseguiram adquirir em vida idênticas qualificações , foram igualmente transladados para viver na admirável cidade de Enoque (veja a Leitura 4- 1 4) . O outro grupo seguiu um rumo decadente na mesma proporção que o de Enoque trilhou um rumo celestial . Finalmente, aqueles desarvorados filhos dos homens

alcançaram tal nível de iniqUidade, que se tornou uma bênção para eles serem destruídos (veja a Leitura 4- 1 6 . ) P o r que esse padrão d e conduta deve ser significativo para você? Porque nos encontramos numa época da história em que estão ocorrendo idênticos contrastes e dissenções dramáticas! Responda ao seguinte questionário numa folha de papel, após ler as referências de escritura que forem indicadas : 1 . Jesus ensinou que a situação existente nos dias de Noé iria repetir-se outra vez na história da humanidade. Quando ela voltaria a ocorrer, e que conseqüências traria? Em que sentido a visão de Néfi se relaciona com este ensinamento?

Leia Joseph Smith-Mateus 1:41-42; 1 Néri 14: 10-14. 2 . Sião proporcionou àqueles que eram j ustos um meio de escaparem do cataclismo , antes que viesse o dilúvio. De que maneira os santos dos últimos dias poderão salvar-se dos j ulgamentos vindouros?

Leia Moisés 7:61; D&C 45:65-71 ; D&C 45:5-6. 3. Quais são as éondições necessárias para que sejamos dignos das promessas de libertação?

Leia D&C 97:18-27. (4-27) O mundo está novamente se encaminhando para a destruição , como aconteceu na época precedente ao dilúvio . Uma vez mais está sendo preparada a avenida da libertação para os j ustos , e a própria Sião será de novo estabelecida. Após ler as seguintes declarações , aliste numa folha de papel as medidas específicas que você pode tomar, hoje em dia, no sentido de se preparar pessoalmente e ao reino do Senhor para o estabelecimento de Sião . "Profetizo, em nome do Senhor, que, na ocasião em que os santos dos últimos dias estiverem preparados através da retidão para redimirem Sião , eles conseguirão realizar essa obra, e Deus estará ao lado deles . Quando tal acontecer, nenhum poder deste mundo os impedirá de realizarem seus desígnios; pois o Senhor declarou que assim será feito, e que tudo acontecerá no devido tempo do Senhor, quando seu povo estiver preparado para tal empreendimento . Mas , quando estarei pronto para ir viver em Sião? Sem dúvida, isto não acontecerá enquanto eu tiver em meu coração um amor mais forte pelas coisas do mundo que pelo Senhor. Não enquanto existir em mim esse egoísmo e cobiça capazes de fazer-me ter maior apego aos bens mundanos, em detrimento dos princípios de retidão e da verdade . Porém, quando eu estiver disposto a dizer, ' Pai , tudo o que possuo, inclusive minha própria pessoa, vos pertence; meu tempo, meus recursos, todos os meus bens deposito diante de vosso altar, para serem usados livremente, de acordo com o que for mais agradável aos vossos desígnios, e não se faça a minha vontade, mas a vossa' , só então, talvez, eu estej a preparado para ir e auxiliar na redenção de Sião . " (Joseph Fielding, em Millennial Star. 18 de j unho de 1 894, pp. 385-86.)


57 " Quando nos decidirmos a construir uma Sião, nós o faremos, e esse trabalho começa no coração de cada indivíduo . Quando um pai de família desej a construir uma Sião em seu próprio lar, é ele quem deve dirigir essa obra, a qual lhe será impossível realizar, a não ser que dentro de si possua o espírito de Sião . Para que ele possa produzir o trabalho de santificação em sua família, deve primeiro santificar-se, e somente por esse meio Deus pode ajudá-lo a santificar sua família . . . " É necessário que eu mesmo procure obter a alegria espiritual para a minha vida, porém ela em muito aumentaria o conforto da comunidade e minha felicidade pessoal, se todo homem e mulher vivessem sua religião e desfrutassem da luz e glória do evangelho, fossem submissos, humildes e fiéis; rejubilando-se continuamente diante do Senhor, tratando dos deveres que foram chamados a cumprir e certificando-se de jamais fazer nada errado. " Tudo então seria paz, alegria e tranqüilidade em nossas ruas e em nossos lares . A contenda deixaria de existir e não haveria qualquer problema a ser apresentado diante do sumo conselho, tribunais do bispo e cortes j udiciais, e o tumulto e a discórdia não mais seriam conhecidos . "Então teríamos uma Sião, pois todos seriam puros de coração . " (Discursos de Brigham Young, pp . 1 1 8- 1 9.) " Vivemos atualmente nos últimos dias . Encontramo­ -nos na época de que falaram os profetas, desde o tempo de Enoque até o presente. Estamos na era que precede o segundo advento do Senhor Jesus Cristo . Fomos ensinados que devemos nos preparar e viver de maneira

que sejamos, como disse e nos concitou um dos oradores de hoje, independentes de todas as outras criaturas abaixo do reino celestial. É assim que devemos ser . . . " . . . a capacidade final que precisamos adquirir é a de estarmos aptos e dispostos a consagrar tudo o que possuímos em beneficio da edificação do reino de Deus e ao sublime propósito de cuidarmos de nossos semelhantes. Quando assim procedermos, estaremos preparados para a vinda do Messias. " (Marion G. Romney, em Conference Report, abril de 1 975 , pp . 1 65-66.) " Entrementes, enquanto aguardamos que Sião e a terra sejam redimidas, e que a Ordem Unida seja estabelecida, nós, possuidores do sacerdócio, devemos viver estritamente e pelos princípios da Ordem Unida, conforme incorporados nas práticas atuais da Igreja, tais como as ofertas de j ejum, dízimo e as atividades do Programa de Bem-Estar. Através dessas práticas, podemos, como indivíduos, se tivermos o desejo de assim fazer, colocar em prática em nossa própria vida todos os princípios básicos da Ordem Unida . . . " É assim aparente que, quando os princípios do dízimo e das ofertas de jejum são adequadamente observados, e o Programa de Bem-Estar completamente desenvolvido e colocado inteiramente em operação, 'não estaremos muito longe de executar os grandes fundamentos da Ordem Unida. ' (Em Conference Report, outubro de 1 942, pp. 57-58.) " Nossa única limitação está em nós mesmos . " (Marion G. Romney, Conference Report, abril de 1 966, pp . 100- 1 0 1 .) Registre em seu diário, se assim desejar, o que sente a respeito de Sião e o que acha que ela significa para você.


Seção Especial

Os Convênios e o Meio de Realizá-los: A Chave para a Exaltação

B

(B-1) Deus Opera Junto aos Homens através de Alianças e Realização de Convênios

Um I;onvênio é um acordo mútuo entre duas ou mais pessoas, através do qual cada parte contratante concorda em cumprir certos requisitos . Nosso Pai Celestial se propõe a dar a seus filhos tudo o que possui, desde que eles guardem todos os seus mandamentos (veja D&C 75: 50-60) . "Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que eu digo; mas , quando não o fazeis , não tendes prome�, s a nenhuma" (D&C 82: 1 0) . Os convênios violados não têm um efeito eterno ou duradouro . Como Joseph Smith ensinou: "Para que haja viabilidade, é necessário haver duas partes, e ambas devem estar de acordo, porque, do contrário, nenhum convênio pode ser firmado . " (Ensinamentos, p . 1 6 . )

Deus, o Pai, desfruta da plenitude da glória eterna. Seu objetivo é proporcionar a seus filhos espi rituais o privilégio de se tornarem como ele: "Pois eis " , disse o Senhor, " que esta é a minha obra e minha glória: proporcionar a imortalidade e a vida eterna ao homem" (Moisés 1 :39) . Joseph Smith ensinou : "Nosso Pai Celestial, vendo que se encontrava em meio aos espíritos e em glória, pois ele era o ser mais inteligente, ach o u por bem instituir leis pelas quais os demais espíritos tivessem a oportunidade de progredir da mesma forma que ele . " (History of the Church , Vol . 6, p . 3 1 2.) Vida eterna é exaltação na presença de Deus . É essencial ao progresso e crescimento do homem que ele receba certos instrumentos básicos através dos quais possa realizar essa escalada. Ninguém consegue alcançar o nível celestial com um só passo . Por este motivo, foi concedido ao homem o beneficio do arrependimento . Esta dádiva, juntamente com o direito ao livre-arbítrio, significa que temos o poder de controlar nosso próprio destino . Samuel, o lamanita, esclareceu: "Lembrai-vos de que os que perecem, perecem por culpa própria; e todos os que praticam iniqüidades o fazem contra si meSmOS; pois eis que sois livres; tendes permissão para agir por vós mesmos." (Helamã 1 4 : 30.) De acordo com o plano de Deus, esta terra foi criada a fim de ser um lar para o homem . Ela é um local de teste, o lugar da provação mortal, onde o homem é testado e provado para ver se fará "todas as coisas que o Senhor seu Deus lhe mandar " . (Abraão 3:25.) O objetivo primordial da terra, assim como também do homem , é se tornar celestial . Depois que for celestializada, a terra será a morada eterna de todos aqueles que viveram de acordo com as leis celestiais (vej a D&C 88:22) . "Portanto, é necessário que ela (a terra) sej a santificada de toda a iniqüidade, a fim de que seja preparada para a glória celestial; pois , depois que tiver realizado o propósito da sua criação, ela será coroada com glória, sim , com a presença de Deus, o Pai . Para que os corpos que forem do reino celestial a possuam para todo o sempre; pois , com esse intento foi ela feita e criada, e com esse intento são eles santificados . " (D&C 88: 1 8-20.) Para ajudar seus filhos a se tornarem como ele, o Pai Celestial os adverte a guardarem certos princípios do evangelho por meio de ordenanças e convênios . O evangelho em seu todo é chamado nas escrituras de " um convênio novo e eterno" (D&C 22 : 1 ; veja também 1 3 3 : 57). Dentro desse convênio global, há uma série de outros convênios que , ao serem devidamente observados, tornarão o homem como seus pais divinos. Os convênios, e o ato de fazê-los e cumpri-los, tornam-se assim as chaves da exaltação, ou o tipo de vida de que Deus desfruta.

(B-2) �o s Tempos Antigos, Deus Centralizou Sua Obra em um Povo do Convênio Os convênios que Deus faz com o homem são perpétUlos . Seus filhos existiam, como seres eternos, ao lado de seu Pai na vida pré-mortal. O Presidente John Taylor esclareceu: "Não estamos ligados a algo que existirá apenas por alguns anos, a algumas idéias singulares e dogmas inventados pelos homens, a alguma teoria por eles concebi.da; os princípios em que acreditamos alcançam a eternidade, eles tiveram origem nos Deuses que viviam nos mundos eternos, e atingem as eternidades vindouras . Temos a convicção de que estamos agindo com Deus ao lado daqueles que existiram, que existem e que existirão aqui na terra no futuro . " (Em Journal of Discourses, Vol . 1 7 , p. 206 .) O convênio do evangelho é tão antigo quanto a eternidade. No que concerne a esta terra, entretanto, ele foi introduzido primeiramente a Adão, e através dele passou às gerações posteriores . O Presidente Taylor esclarec eu ainda: "Qual é o significado do evangelho eterno? Sei de alguma; pessoas que acreditam não ter havido evangelho algum aqui na terra antes da vinda de Jesus Cristo , mas esse é um grande engano . Adão, Noé, Abraão e Moisés possuíam o evangelho; e quando Jesus veio ao mundo, ele o fez para oferecer a si mesmo em sacrificío pelos pecados da humanidade e trazer-lhe o evangelho que haviam perdido . 'Ora ' , diria alguém, 'você quer dizer que os homens , cujos nomes acaba de mencionar, já possuíam o evangelho? ' Digo-lhes que sim, e por isto ele é chamado de evangelho eterno . " (Em Journal of Discou/'ses, vol . 1 3 , p . 1 7 . ) A fim d e propagar a s bênçãos d o evangelho por todas as partes dia terra, o Senhor centralizou seu trabalho entre um povo que foi especialmente escolhido para esta missão . No início , e:sse povo se constituía nos santos justos que seguiam as orientações de Adão , Enoque e de outros patriarcas fiéis. Por volta do ano 2.000 A . C . , Abraão foi


60 escolhido para ser o cabeça desta raça do convênio, a qual seria abençoada daquéla época em diante. De sua p,arte, Deus prometeu fazer de Abraão "pai de uma multidão de nações" e dar a ele e sua semente a terra de Canaã "em perpétua possessão" (Gênesis 1 7 :4, 8). "Estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti . " (Gênesis 1 7 : 7 . ) Porém foi requerido que Abraão fIzesse certas promessas a Deus. De um lado, ele se comprometeu a andar na presença -do Senhor e ser perfeito (veja Gênesis 1 7 : 1 ) . Assim ele prometeu viver de toda palavra qm: procede da boca de Deus, e cumprir com exatidão todos os aspectos do convênio eterno que existia entre ele e CI Senhor. Como um sinal dessa aliança, concordou ainda em circundar-se e a todo descendente varão. O Senhor explicou : " Este é o meu concerto, que guardareis entre mim e vós, e a tua semente depois de ti: Que todo o macho será circuncidado . . . e isto será por sinal do concerto entre mim e vós . " (Gênesis 1 7 : 1 0- 1 1 ; veja a Leitura 5 - 1 7 , onde -se acha um debate sobre o convênio da circuncisão .) As revelações modernas têm esclarecido os objetivos práticos de Deus haver escolhido realizar sua obra missionária através de Abraão e sua semente. Consi dere estas importantes palavras que o Senhor disse ao Pai Abraão.

Leia Abraão 2:8-11 (B-3) Com Que Exatidão os Antigos Filhos de Israel Guardaram os Convênios que Fizeram com o Senhor? Deus se lembra de todos os convênios que fez com os homens, e os cumpre fIelmente. Moisés declarou o seguinte à antiga Israel: " Saberás pois que o Senholr teu Deus é Deus, o Deus fIel, que guarda o concerto e 2L misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos" (Deuteronômio 7 : 9) . De acordo com Jacó , irmão de NéfI, a fIdelidade com que Deus guarda os convênios é uma das razões pela qual o profeta Isaias escreveu,. para mostrar à casa de Israel, que " o Senhor Deus cumprirá os convênios que fez com seus fIlhos" (2 NéfI 6: 1 2) . Infelizmente, os homens nem sempre são fIéis ao:; convênios que fazem com Deus . Uma coisa é saber que se foi escolhido pelo Senhor; outra bem diferente é entender para o quê se foi escolhido, e outra, ainda, provar (jue se é fIel à missão recebida. Em última análise, muitos são chamados para fazer um convênio com Deus - de fato, a todos é estendido esse privilégio - mas poucos são escolhidos, pois muitos há que não se esforçam o sufIciente para colherem as recompensas que lhes foram prometidas (veja Mateus 20: 1 6) . Por quê? Porque muitos não cumprem os convênios que fIzeram com o Senhor. A história da casa de Israel é um estudo fasciname sobre cumprimento e violação de convênios . É doloroso descobrir que os registros do Velho Testamento contenham notícias de uma série de pactos que foram violados. Mas , por outro lado , ele assinala também grandes exemplos de fIdelidade, e convênios que fOlram zelosamente observados . Quando estudamos o Velho Testamento, pode ser uma experiência gratifIcante observarmos a maneira como Israel correspondia aos convênios que havia feito com o Senhor. O Velho Testamento pode, desta maneira,

proporcionar aos santos modernos uma experiência vicária, relativa a esse fato, que os ajudará a avaliar a maneira como estão cumprindo os próprios convênios que fIzeram. Ao analisarmos a maneira como Israel guardava seus convênios, podemos descobrir o verdadeiro signifIcado da declaração aparentemente paradoxal feita por Paulo aos santos romanos, na qual ele afIrma que "nem todos os que são d ' Israel são israelitas" (Romanos 9:6). (B-4) O Moderno Povo do Convênio do Senhor O objetivo do Senhor é o de abençoar a todos os seus fIlhos que lhe são fIéis, com as bênçãos da exaltação e vida eterna. Este era o propósito central do convênio feito com Abraão (veja Abraão 2: 1 1 ) . O fato d e uma pessoa ser escolhida pelo Senhor não signifIca que ele a ama, arbitrariamente, mais que às outras . "Deus não faz acepção de pessoas" (Atos 1 0 : 34) . Ele não lhes manifesta sua aceitação baseando-se em caprichos ou fatores de tal natureza. Seus fIlhos devem demonstrar, através da obediência, que são merecedores de suas bênçãos; de outra forma, não conseguirão obtê­ -las . Porém, ser uma pessoa ou povo escolhido realmente quer dizer que o Senhor confIa em sua habilidade de fazer aquilo que ele requer. Esse conhecimento ele adquiriu através de prolongada experiência com seus fIlhos ainda em vida pré-mortal. (Veja Talmage, Jesus, o Cristo, pp. 28-29, Nota 1 .) Nosso Pai Celestial não decide quem é seu eleito sem fundamentar-se em bases sólidas. Uma pessoa se torna eleita de Deus, quando utiliza adequadamente as dádivas que ele lhe oferece. O Senhor defIniu nas escrituras quem são oS. seus eleitos, afumando serem aqueles que "ouvem a minha voz e não endurecem os seus corações" (D&C 29:7) . Foi exatamente este princípio que NéfI tentou ensinar a seus rebeldes irmãos, Lamã e Lemuel.

Leia 1 Néfi 17:35, 40 Moisés ensinou este preceito aos inconstantes filhos de Israel, mas parece que eles nunca compreenderam realmente a que seu grande profeta e legislador se estava referindo .

Leia Deuteronômio 4:5-8 Os santos dos últimos dias são a semente de Abraão nos últimos dias . Sua exaltação e vida eterna dependem da obediência que prestarem aos convênios que fIzeram com Deus . As promessas feitas a Abraão encontram-se ao seu alcance, se também fIzerem as obras realizadas por aquele grande patriarca. Veja o que o Senhor tem a dizer sobre este assunto .

Leia D&C 132:29-32; 110-12 Tão logo você consiga entender as verdades que acabamos de analisar, estará preparado para compreender que toda lei estabelecida por Deus tem como objetivo fInal a exaltação de todos os que a viverem. Pode-se escolher viver essas leis, ou rejeitá-las, mas jamais se conseguirá obter as bênçãos, a não ser pela maneira revelada pelo Senhor. Ele esclareceu isto da seguinte maneira:

Leia D&C 132:5-6, 8


61 Porém, se tudo o que proporciona as bênçãos dos céus tem por base a obediência à lei, então é igualmente verdadeiro o conceito de que ninguém é forçado a receber aquilo que não deseja. Somente quando escolhemos conscientemente desenvolver um espírito celestial, é que podemos ter a esperança de conseguirmos obter tudo o que o Pai tem . Como Alma ensinou a seu filho que havia

quebrado convênios sagrados: "Portanto, ó meu filho, todo

aquele que quiser vir poderá vir e beber livremente das águas d.a vida; e aquele que não quiser vir não será obrigad.o a vir, mas no último dia ser-lhe-á restituído de acordo com suas ações." (Alma 42:27.) Os convênios do Senhor abençoarão a vida daqueles que os observarem com fé e viverem à altura das bênçãos que lhes são prometidas , mediante a sua fidelidade.


Gênesis 12-17

5

Abraão: O Pai dos Fiéis (5-1) Introdução Você faz parte da "semente de Abraão " (D&C 84:34; veja também D&C 1 32 : 30) . O que significa esta afirmação? Você provavelmente, já encontrou uma declaração semelhante em sua bênção patriarcal. Quais são as bênçãos de Abraão às quais você tem direito , e o que tais privilégios concedidos em época tão remota têm a ver com você, nos dias de hoje? As bênçãos prometidas a Abraão são essencialmente diversas daquelas que foram dadas a Adão , Enoque e Noé? O assunto deste capítulo centraliza-se no convênio estabelecido entre Jeová e Abraão . Será dada grande ênfase aos termos do convênio , e suas bênçãos e responsabilidades . Ao estudá-lo , procure identificar como pode aplicá-lo pessoalmente. Por ser membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o convênio faz parte de sua vida, pois os aceitou por ocasião de seu batismo . Sua salvação eterna depende da maneira como cumpre tais promessas . Seria prudente e sábio procurar compreender este convênio .

Instruções aos Alunos 1 . Ao estudar Gênesis 1 2- 1 7 , utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem oferecer-lhe . 2. Abraão 1 -3 contém valiosos ensinamentos e adições que não se encontram no l ivro de Gênesis. Embora este registro paralelo contido no livro de Abraão venha a ser estudado com maior profundidade no curso da Pérola de Grande Valor (curso de Religião 327), estes capítulos devem ser lidos e estudados juntamente com o relato de Gênesis . 3 . Complete a seção d e Pontos a Ponderar, conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo professor. (Os alunos que estudam individualmente, devem completar toda a seção .)

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE GÊNESIS 12-11 (5-2) Gênesis 12:1 Doutrina e Convênios 84: 14 nos ensina que Abraão recebeu o Sacerdócio Maior das mãos de Melquisedeque . É incerta a época em que isso aconteceu : ele pode tê-lo recebido quando ainda se encontrava em Ur (veja Abraão 1 :2; 3: 1) ou numa ocasião posterior .

(5-3) Gênesis 12: 1-4 Conforme se acha registrado em Gênesis 1 2: 1 , quando ainda habitava em Harã, Abraão recebeu o chamado de deixar seu país e sua parentela, e partir para o sudoeste , rumo à uma nova terra. Ele então partiu de Harã, e foi para Canaã. Numa época anterior, conforme se acha registrado em Abraão 1 : 1 5- 1 6, o Senhor havia ordenado a ele que saísse de Ur, situada perto da desembocadura do

Jornada feita por A braão, de Ur a Canaã

rio EU!:rates, e se mudasse para Harã, a noroeste de Ur. Vemos , assim , que por duas vezes Abraão foi orientado pelo Senhor, naquela época tão remota, a mudar seu local de domicílio. O Senhor continou a guiá-lo , de um lugar para outro . As primeiras evidências do convênio que seria renovado atravé1: de Abraão acham-se nos versículos 2-3 , 7. (Para maion:s informações sobre este convênio veja a seção de Ponto:: a Ponderar, neste capítulo .)

(5-4) Gênesis 12:5 Nest a escritura, encontra-se uma evidência de que Abraão possuía a grande habilidade de pregar e de reunir almas ao seu redor (ou seja, de realizar a obra missionária) onde q uer que fosse (veja Abraão 2: 15).

(5-5) Gênesis 12: 10-20. Por Que Abraão Disse que Sara Era Su a Irmã? A id éia de que Abraão , um homem de imaculada integridade, aparentemente tenha contado uma mentira propm:ital com o intuito de salvar sua própria vida, tem confundido muitos estudiosos do Velho Testamento. Não resta qualquer dúvida de que sua existência se achava em perigo" em virtude da grande beleza de Sara. É bastante peculiar o fato de os faraós egípcios terem forte aversão a cometerem adultério com a mulher de outro homem , mas não terem o menor escrúpulo em matar o marido , a fim de


64 permitir que a mulher pudesse contrair novas núpcia:, com eles . "Parece que a prática de assassinar o marido com o objetivo de apoderar-se de sua esposa era um costume da realeza bastante utilizado naqueles dias . Um papiro nos fala de um faraó que, instigado por um de seus conselheiros , ordenou a homens armados que raptas:;em uma linda mulher e lhe eliminassem o marido . Um sacerdote prometeu a um outro faraó, agonizante que, mesmo após sua morte , ele mataria xeques palestino�: e

Alguns eruditos observaram que Abraão poderia ter licitamente afirmado que Sara era sua irmã, principalmente porque , no idioma hebraico, os termos irmão e irmã eram freqüentemente usados com relação a outros graus de parentesco . (Vej a Gênesis 14: 14, onde o patriarca chama a Ló, seu sobrinho, de "seu irmão " . ) Visto que Abraão e Harã, pai d e Sara, eram irmãos , esta era sobrinha de Abraão , e poderia assim ser chamada de irmã. O seguinte gráfico demonstra esse grau de relacionamento :

I

NO É

I

SEM TERÁ (bisneto d e Noé d a sétima geração) (Gênesis 1 1 : 1 0-26)

I

ABRAÃO (ABRÃO) Casou-se com Sara (Sarai) (filha de Harã) (Gênesis 1 1 : 29)

I

I

NAOR Casou-se com Mil.ca (filha de Harã) (Gênesis :Z2:20-22)

agregaria as esposas deles em seu harém . " (Kasher, Encyclopedia of Biblical Interpretation , Vol . 2, p . 1 28 . ) Outro costume bastante antigo permitia que uma mulher fosse adotada como irmã de um homem , ao casar­ -se com ele, para conceder a ela maior condição legaL e social (veja Encyclopedia Judaica, vol . 14, p. 866) . Podemos supor também que, com o falecimento de Harã, Terá com certeza adotou os filhos dele, tornando, assim, Sara irmã de Abraão . Não resta dúvida de que Abraão não mentiu; porém, embora ele tenha sido tecnicamente correto ao chamá-la de irmã, com isto enganou os egípcios. Como tal atitude pode ser j ustificada? A resposta é muito simples . Não houve dolo em seu gesto, porque Deus o havia instru ído a assim proceder (veja Abraão 2:22-25). O Profeta Jos eph Smith ensinou o seguinte: "Aquilo que é errado sob certas circunstâncias, pode ser, e geralmente é, certo sob outras . " Deus disse : 'Não matarás. ' Em outra ocasião mandou: 'de todo destruirás . ' Este é o princípio pelo qual funciona o governo dos céus : por revelações que se adaptem à:, circunstâncias em que se encontram os filhos do reino. Tudo quanto Deus réquer é j usto, não importa o qm: seja, embora não possamos compreender por que razão ele ordene isso ou aquilo , senão até depois que se tenham cumprido os seus propósitos . " (Ensinamentos, pp . 249-50.) Considerando que Deus é perfeito e nada faz que não sej a correto (veja Deuteronômio 32:4; I Samuel 1 5 :29; Alma 7:20; D&C 3 : 2) , nada houve de errado na man eira como Abraão agiu .

I

HARÃ

I

I.

I

I

MILCA LO ISCÁ (Gênesis 1 1 :27-29)

I

SARAI (SARA) (Abraão 2:2)

(5-6) Gênesis 13:1-13. Abraão Era um Homem Muito Próspero As escrituras nos advertem com tanta freqüência a respeito dos perigos decorrentes das riquezas , que ocasionalmente algumas pessoas presumem que existe algo de mau em possuir demasiados bens materiais, e que toda pessoa próspera é automaticamente iníqua. Inquestionavelmente, a tentação de nos apegarmos às coisas do mundo é um mal que tem levado muitas pessoas a sucumbir . Todavia, Paulo ensinou que o "amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie ç1e males " , não o próprio dinheiro (I Timóteo 6: 10; itálicos adicionados) . Abraão é um exemplo de uma pessoa abastada (veja Gênesis 1 3 :2) mas que, todavia, era um homem posuidor de grande fé e retidão . O incidente ocorrido entre ele e Ló nos dá uma excelente imagem de sua extraordinária natureza cristã. Pelo direito, era Ló que devia ter insistido para que Abraão fosse o primeiro a escolher a parte da terra que preferia, pois este o havia criado e protegido , e acima de tudo, porque era o patriarca da família. Abraão poderia ter feito prevalecer o seu direito e entregue ao sobrinho a parte da terra que restasse . Em vez disso , sua maior preocupação era que não "houvesse contenda" entre os dois . Portanto, concedeu a Ló o privilégio de escolher primeiro (versículo 8; veja também os versículos 9- 1 0) . Este aparentemente escolheu a região de terra mais fértil - as planícies bem irrigadas do Jordão - e apesar disso , parece que Abraão não guardou qualquer ressentimento . De fato , nos capítulos seguintes , acha-se registrado que ele interveio para salvar a vida de Ló . Eis um homem que dava maior valor aos bons principios que


65 aos bens materiais. Não é de admirar que o Senhor tenha renovado com ele o antigo convênio e feito dele o pai dos fiéis .

(5-7) Génesis 13: 14-17. De Que Maneira a Semente de Abraão Possui a Terra "Para Sempre " ? Todos o s que recebem "este evangelho, serão chamados segundo o teu nome (de Abraão), e serão contados entre tua semente" (Abraão 2: 1 0) . E também , " os mansos . . . herdarão a terra" (Mateus 5 : 5) quando esta alcançar seu "estado santificado e imortal" (D&C 1 30:9) e for transformada no reino celestial . Desse modo , a semente de Abraão (os fiéis) possuirão a terra por toda a eternidade, bem como durante a vida mortal .

(5-8) Gênesis 14: 1-7 Ao estudar esta lista de conquistas alcançadas por cinco reis coligados, devemos lembrar-nos de que, nos tempos antigos , a entidade política mais comum era uma pequena cidade-estado em que o rei presidia sobre a cidade principal e regiões adjacentes . Este território muitas vezes era ampliado, porém os reinos daquela época não se constituíam em grandes países e impérios. Sodoma tinha um rei . Gomorra outro , e assim por diante.

:

,

rl"Y\

Monte Herman

, ,

,

,

,

\">-.

,

,

,

,

, , -Carnaim ,

Monte Gi/boa

Abraão. persegue os reIs para libertar a Lá

Os reis atacam o sul, onde capturam a Lá

)

Salém -

IV' Monte Nebo

Manre Hebron Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e o Vale de Sidim provavelmente estavam localizados nesta parte de águas rasas

_

-

Zoar

I I I I I I I I

Quiriataim

t

Para SEIR

A braão e a Batalha dos Reis

(5-9) Génesis 14:18. Quem Era Melquisedeque? "Ao homem Melquisedeque foi concedida a honra de ser usado o seu nome para identificar o Santo Sacerdócio segundo a Ordem do Filho de Deus, possibilitando aos homens 'evitar a freqüente repetição do nome da Deidade (D&C 1 07 : 2-4) . Dentre todos os antigos sumos sacerdotes de Deus, 'nenhum foi maior do que ele' (Alma 1 3 : 1 9) . Sua posição na hierarquia sacerdotal do reino terreno de Deus

era sem elhante à de Abraão (Hebreus 7:4- 1 0) , seu contem porâneo , a quem ele abençoou (Gênesis 14: 1 8-20; Hebreus 7 : 1 ) ; e sobre quem conferiu o sacerdócio . (D&C 84: 14.) " De fato, tão exaltada e eminente era a posição que Melqui:;edeque ocupava aos olhos do Senhor e de seu povo , q ue se tornou um protótipo do próprio filho de Deus . . . "Alm a nos ensina que ' Ora, este Melquisedeque era rei da terra de Salém; e seu povo entregara-se à prática de iniqüidades e abominações; sim, todos se haviam extraviado; praticavam toda sorte de iniqüidades; Melqui:;edeque, porém, tendo exercido uma fé vigorosa e recebido o ofício do sumo sacerdócio segundo a santa ordem de Deus, pregou o arrependimento a seu povo. E eis que ele�; se arrependeram; e Melquisedeque estabeleceu paZ na terra em seus dias; foi portanto chamado de príncipe da paz, poi,s era o rei de Salém; e governou subordinado a seu pai." (Alma 1 3 : 1 7 - 1 8 . ) "O apóstolo Paulo, obviamente conhecendo muito mais a respei to de Melquisedeque do que registrou em sua epístola, deu-nos uma brilhante ilustração da grande fé possuíd a por uma pessoa cujo nome não revelou, a qual 'praticou a j ustiça, alcançou promessas , fechou a boca dos leões, a pagou a força do fogo . ' (Hebreus 1 1 : 1 3-34.) Através das inspiradas adições feitas pelo Profeta Joseph Smith ao Velho Testamento , sabemos que Paulo estava-se referind o a Melquisedeque . (McConkie, Mormon Doctrine, pp . 474-75 . ) Nas a ntigas tradições j udaicas, Melquisedeque é freqüentemente considerado como sendo Sem , filho de Noé . Melquisedeque é um título que significa "rei de j ustiça" , muito embora sej a usado como um nome próprio . Um autor moderno examinou a questão sobre a possibilidade de Sem e Melquisedeque serem a mesma pessoa, e chegou à conclusão de que, embora não possamos afirmar isto com certeza, existe essa grande possibili dade . Ele afirmou: " Examinemos em primeiro lugar o que sabemos acerca de Sem . Embora a Bíblia mencione Sem como sendo o filho mais velho de Noé (Gênesis 5 : 32) , as revelações modern as nos ensinam que Jafé o era (Moisés 8 : 1 2) . Ambos o s relatos , entretanto , são unânimes e m indicar Sem corno sendo o progenitor de Israel, e que , de fato , o sacerdócio foi transferido através dele a todos os grandes patriarc as que viveram depois de Noé . (I Crónicas 1 : 24-27 .) Nesta ordem patriarcal do sacerdócio , Sem é colocado na mesma posição de destaque j unto com Noé . Ele poswía as chaves do sacerdócio , e era o grande sumo sacerdOLe de sua época. " Vivendo no mesmo período histórico que Sem , existia um homem chamado MeIquisedeque , que também era conhecido como o grande sumo sacerdote . As escrituras nos dão os detalhes relativos ao nascimento de Sem e sua linhagem de ancestrais, mas nada falam quanto à sua vida, e quanto ao ministério posterior que exerceu. Todavia, no que diz respeito a Melquisedeque, acontece exatamente o contrári o . Não existe registro algum sobre o seu nascimento e nomes de seus ascendentes , embora o Livro de Mórmon afirme que ele tinha um pai . (Alma 1 3 : 1 7- 1 8 . ) No que concerne à sua vida e ministério , conhecemos diversos fatos extraordinários e importantes . (Gênesis 14: 1 8-20; Hebreus 7 : 1 -4; Alma 1 3 : 1 7 - 1 8 . ) "Todos estes detalhes suscitam algumas questões que merecem ser respondidas . Haviam dois sumos sacerdotes presidin do na mesma ocasião? Por que os relatos bíblicos


66 nada dizem sobre o ministério exercido por Sem? Por que nada se sabe sobre os ancestrais de Melquisedeque? "Devido ao nível de conhecimento que possuímo s, muitos santos e estudiosos do evangelho têm imagiIl.ado se estes dois homens não seriam a mesma pessoa. A ve rdade é que não conhecemos a resposta. Porém, ao examinarmos as escrituras, ficamos fascinados com o que conseguimos descobrir, pois tudo parece indicar que ambos são d.e fato um só personagem. Por exemplo, eis alguns detalhes que esclarecem esta suposição : " 1 . A herança concedida a Sem incluía a terra de Salém. Melquisedeque é mencionado na Bíblia como rei de Salém, que governava a mencionada região . "2. De acordo com revelação recebida numa épo,:a posterior, Sem reinou em justiça, e o sacerdócio pru;sou às gerações posteriores através dele. Melquisedeque su rge em cena com um título cujo significado é 'rei de justiça ' . " 3 . Sem era o grande sumo sacerdote de sua época. Abraão prestou a devida honra ao sumo sacerdote Melquisedeque, procurando obter uma bênção de suas mãos e pagando-lhe dízimos . "4. Abraão vem e m seguida n a ordem patriarcal do sacerdócio, e com certeza deve ter recebido o sacerd.ócio das mãos de Sem; entretanto, D&C 84: 5- 1 7 afirma que Abraão foi ordenado por Melquisedeque. " 5 . A tradição judaica identifica Sem como sendo Melquisedeque. "6. Na extraordinária visão tida pelo Presidente Joseph F. Smith, ele alista o nome de Sem entre os dos grandes patriarcas , porém não faz menção alguma ao de Melquisedeque. "7. O jornal Times and Seasons (Vol . 6, p. 746) fala de 'Sem , o qual era Melquisedeque . . . ' "Por outro lado, também poderia acontecer de Sl� tratar de duas pessoas diferentes. Muitos acreditam que D &C 84: 14 é uma evidência de que existiram talvez diversas gerações entre Melquisedeque e Noé. A escritura menciona que 'Esse Abraão recebeu de Melquisedeque o sacerdócio, e Melquisedeque recebeu-o através da linhagem de �;eus pais até Noé ' . "Se, de fato, a conclusão lógica é a de que Sem e Melquisedeque são a mesma pessoa, esta escritura com certeza não será uma pedra de tropeço, pois poderia ser interpretada significando que a autoridade do sacerdócio teve início em Adão , continuando através dos patriarcas até Noé, e deste a Sem . " (Alma E. Gygi, "Is It Pos sible That Shem and Melquizedek Are The Same Person ? ? ' Ensign , novembro de 1 973 , pp . 15-16.) Na tradução que Joseph Smith fez do capítulo 1�· de Gênesis, foram acrescentados diversos versículos a respeito de Melquisedeque, os quais ampliam grandemente () conhecimento que dispomos acerca desse grande su mo sacerdote. (5-10) Gênesis 15:5-6. Abraão Viu a Jesus Cristo Na tradução desta passagem feita por Joseph Smith, é dito a Abraão pelo Senhor que ele herdará a terra através de sua posteridade. Em visão , é-lhe mostrada a vida e a ressurreição do Salvador. Outra vez se torna evidente que os antigos patriarcas sabiam mais a respeito de Cristo e de sua missão do que nos indica o registro que possuímos atualmente no Velho

Testamento (veja Mosias 13 :33).

(5-11) Gênesis 15:12. Sobrevieram Grande Pavor e Densas Trevas Sobre Abraão Para encontrar um interessante paralelo com a experiência que Abraão teve no início de sua visão , leia Joseph Smith 2 : 1 4- 1 6. (5-12) Gênesis 15: 13-16. Porque a Medida da Injustiça dos Amorreus Não Está Ainda Cheia Nesta profecia concernente ao futuro cativeiro de Israel, o Senhor nos revela um importante indício a respeito da razão que mais tarde o moveria a ordenar aos israelitas a destruição dos cananeus que viviam na terra prometida (vej a Deuteronômio 7 : 1 -2; 20: 1 6- 1 8) . Evidentemente naquela época, o povo havia atingido o mais alto nível de iniqüidade e se encontrava, portanto, amadurecido, para a destruição . Para maiores detalhes sobre o extermínio dos cananeus, veja a Leitura 1 9- 1 5 . (5-13) Gênesis 16: 1-3 De acordo com os costumes da época, o ato de Sara dar a Abraão sua serva, Hagar, como esposa, foi um gesto lógico e esperado (D&C 1 32: 1 -2, 29-30, 34-35). (5-14) Gênesis 16:10 A mensagem transmitida pelo anjo a Hagar demonstra que as promessas feitas a Abraão vão muito além daquelas que vieram através de Isaque. (5-15) Gênesis 16: 11-12 Em idioma hebraico, o nome Ismael significa literalmente "Deus está ouvindo" (vers. l I , nota de rodapé b) . No versículo 12, ele é chamado de "homem bravo" ou em hebraico de "jumento selvagem" , uma metáfora que diz respeito a alguém que é aI)1ante da liberdade. Ela bem que poderia ser uma descrição profética da vida nômade que viveriam os descendentes de Ismael (vej a o versículo 1 2) . (5-16) Gênesis 17: 1 . Andar em Integridade e Ser Perfeito O Senhor deu este mandamento a Abraão: "Anda em minha presença e sê perfeito" (Gênesis 1 7 : 1 ) . Os santos, em todas as épocas , receberam semelhante admoestação (vej a Deuteronômio 1 8 : 1 3 ; Mateus 5 :48; 3 Néfi 12:48 ; 27:27; D&C 67 : 1 3) . "A salvação não vem d e u m s ó golpe; somos mandados ser perfeitos como é perfeito nosso Pai que está nos céus . Isto nos tomará séculos, pois , no além-túmulo, o progresso será maior, e será ali que os fiéis sobrepujarão todas as coisas , e receberão todas as coisas, mesmo a plenitude da glória do Pai. "Creio que o Senhor quis dizer exatamente o que falou: que devemos ser perfeitos como é perfeito nosso Pai que está nos céus. Isto não virá de uma só vez, mas linha sobre linha, preceito sobre preceito, exemplo sobre exemplo, e, mesmo assim , não enquanto estivermos nesta vida mortal, pois que teremos de ir para o além-túmulo antes de alcançarmos essa perfeição e sermos iguais a Deus . "Mas é aqui que lançamos os alicerces . É aqui, neste estado probatório , que nos são ensinadas as simples


67 verdades do Evangelho de Jesus Cristo, a fim de nos preparar para essa perfeição . Temos por dever ser melhores hoje do. que fomos ontem , e amanhã melhores do que hoje. Por quê? Porque, se estamos no caminho, se guardarmos os mandamentos do Senhor, estamos nesse caminho para a perfeição , e esta só pode vir pela obediência e o desejo em nosso coração de sobrepujar o mundo . " (Joseph Fielding Smith, Doutrinas de Salvação, Vol . II, pp . 1 8- 1 9.)

(5-17) Gênesis 17:2-14. Qual É o Significado da Circuncisão Como um Sinal do Convênio? A circuncisão foi instituída por revelação, como um sinal ou símbolo de que a pessoa pertencia ao convênio feito com a semente de Abraão. O relato da tradução de Joseph Smith nos dá informação adicional: 1 . Antes de instituir a lei da circuncisão , o Senhor explicou porque estabelecia este sinal do convênio. a. O povo havia esquecido os principios corretos e abandonado a prática das verdadeiras ordenanças . b. O batismo era uma das ordenanças que estava sendo incorretamente observada. c. O povo estava aplicando lavamentos em seus filhos e aspergindo sangue sobre eles, em lembrança do sangue de Abel, o qual consideravam como tendo sido derramado pelos pecados . d. Não entendiam perfeitamente o relacionamento existente entre a idade de responsabilidade das criancinhas e a expiação de Jesus Cristo . 2. Em virtude de tal apostasia, a circuncisão foi instituída.

a. Ela era u m sinal d o convênio . b. Foi estabelecida para a semente de Abraão . c. Significava que as crianças não eram responsáveis perante o Senhor antes de alcançarem oito anos de idade. Outras escrituras tornam bem claro que não era a circunc:isão em si, mas o que ela significava, que dava àquela ordenança maior significado . Em muitos outros lugares, o Senhor se refere à verdaddra circuncisão como sendo feita no coração . O coração "circunciso" é aquele que ama a Deus e obedece ao Espírito . Os "incircuncisos de coração" são pessoas perversas, orgulhosas e rebeldes (Ezequiel 44:7; veja também Deuteronômio 10: 1 6 ; 30:6; Jeremias 4:4; Ezequiel 44:7; Atos 7 : 5 1 ; Romanos 2:25-29; Colossences 2: 1 1 ) . Embora u m indivíduo tivesse recebido n a carne o símbolo da circuncisão, se não fosse digno, ela perderia toda a ma validade, e seria uma ordenança inútil. Assim sendo, a circuncisão era apenas um sinal ou símbolo do que precisava acontecer ao homem interior. Se a transformação interna não ocorresse, a circuncisão se tomava virtualmente sem sentido algum. (Vej a Jeremias 9:25-26 ; Romanos 2:25-29; I Coríntios 7 : 19; Gálatas 5 : 1 -6; 6 : 1 2- 1 5 ; Filipenses 3 : 3-4.) Com o cumprímento da lei mosaica, em Jesus , o sinal da circuncisão não mais foi requerido do povo do convênio de Deus (veja Atos 1 5 :22-29; Gálatas 5 : 1 -6; 6 : 1 2- 1 5:1.

(5-18) Gênesis 17:17 Joseph Smith corrigiu este versículo, dizendo que Abraão se regozijou. Esta modificação é também substanciada pelo texto em hebraico .


68

Lugar onde tradicionalmente se acredita terem sido enterrados Abmão e i Sara. em Hebrom

(5-19) Gênesis 17: 18-21 O direito da primogenitura foi dado a Isaque, pri meiro filho da primeira esposa de Abraão , ao invés de Ismael, primeiro filho de Abraão com Hagar e cerca de catorze anos mais velho que Isaque . O Senhor deixou bem daro que, de acordo com: a promessa original que fizera a Abraão , seria o filho dele com Sara que traria sobre seus ombros a responsabilidade do convênio . Todavia Is �ael, através de seus doze filhos, também seria o pai de uma grande nação .

PONTOS A PONDERAR (5-20) Embora saibamos , através das escrituras modernas, que o processo de estabelecer convênios teve início com Adão e outros patriarcas (veja Moisés 6:65-68 ; 7 : 5 1 ; 8 : 2), é por meio do convênio abraâmico que temos uma idéia mais completa do que significa fazer um convênio. Considerando que os membros dignos da Igreja se tornam semente de Abraão , sendo assim parte do povo do convênio (D&C 84: 34), devemos entender os princípios que se acham envolvidos no pacto estabelecido com aquele grande patriarca. A parte de Abraão no convênio, e por conseguinte também a nossa, era a de que deveria andar na presença de Deus e ser perfeito (veja Gênesis 1 7 : 1 ) . Se ele assim procedesse, então o Senhor, por sua vez, constituiria com ele o que chamamos de convênio abraâmico . O É lder Bruce R. McConkie prestou o

seguinte esclarecimento concernente ao convênio feito com Abraão, e sua relação conosco : "Abraão primeiramente recebeu o evangelho através do batismo (que é o convênio da salvação) ; em seguida, recebeu o sacerdócio e entrou na sagrada ordem do casamento celestial (que é o convênio da exaltação) , obtendo a certeza de que, desse modo , teria uma progênie eterna; e finalmente recebeu a promessa de que essas bênçãos seriam oferecidas a toda a sua posteridade. (Abraão 2:6- 1 1 ; D&C 1 32:29-50.) Entre as promessas feitas a ele, estava a garantia divina de que Cristo nasceria de sua linhagem e que a posteridade de Abraão obteria como herança eterna certas terras escolhidas . (Abraão 2; Gênesis 1 7 ; 22: 1 5 - 1 8 ; Gálatas 3 . ) " A reunião d e todas essas promessas é chamada de convénio abraâmico. Esse pacto foi renovado com Isaque (Gênesis 24: 60; 26 : 1 -4, 24) e depois com Jacó (Gênesis 28; 3 5 : 9- 1 3 ; 48 : 3-4) . Os requisitos desse convénio concernentes à exaltação pessoal e progénie eterna são renovados com cada membro da casa de Israel que entra na ordem do casamento celestial; através desta ordem, os participantes se tornam herdeiros de todas as bênçãos prometidas a Abraão, Isaque e Jacó . " (D&C 1 32; Romanos 9:4; Gálatas 3 ; 4.) (Mormon Doctrine, p . 1 3 .) Uma análise detalhada de tais promessas nos dá uma idéia de seu significado temporal e eterno .


69 A Terra Prometida. Leia Gênesis 15:18; 17:8; Abraão 2:6 Significado Temporal

Significado Eterno

A terra de Canaã, ou Palestina, foi prometida a Abraão e seus descendentes , apesar de que ele, pessoalmente, j amais viesse a possuí-la (vej a Gênesis 1 2 : 7 ; 1 3 : 1 5 ; 1 7 :8). "O Senhor fez a Abraão a promessa de que ele teria a Palestina, ou a terra de Canaã, como possessão perpétua. Todavia, conforme disse Estêvão por ocasião de seu martírio, Abraão não recebeu nem sequer o espaço de um pé como posse, enquanto viveu . "Então , o que o Senhor quis dizer, fazendo tal promessa a Abraão , dando-lhe para sempre aquela porção de terra como possessão perpétua a ele e sua posteridade, à sua parte j usta? Simplesmente isto - que eventualmente chegará o tempo, após a ressurreição dos mortos, em que Abraão e seus filhos que guardam fielmente os mandamentos do Senhor, possuirão aquela terra e também se espalharão tão longe quanto necessário para que recebam uma herança. " (Joseph Fielding Smith , Doutrinas de Salvação, Vol. I, p . 96. )

Os descendentes j ustos de Abraão herdarão a terra. "Após o rnilênio e mais um 'pouco (de) tempo' (D&C 29:22-25), a terra morrerá, será ressuscitada e se tornará ' como um mar de vidro' (D&C 1 30:7); alcançará seu 'est ado santificado, imortal e eterno' . (D&C 77: 1 -2.) Então os pobres e os mansos , isto é, os indivíduos j ustos e tementes a Deus, herdarão a terra; e ela se tornará a morada. do Pai e do Filho , e os seres celestiais a possuirão para todo o sempre . (D&C 88: 1 4-26, 1 1 1 .) " (McConkie, Mormon Doctrine, p . 2 1 1 .)

A Promessa de Posteridade. Leia Abraão 2:1; Gênesis 17:4-6; 16; Abraão 3:14 Significado Temporal Abraão já tinha alcançado cem anos de idade, antes de nascer seu filho do convênio, Isaque . Abraão possuía ao todo oito filhos; todavia, foi através de Isaque que se desenvolveu o povo do convênio, e de Ismael surgiram muitas das nações árabes (vej a D&C 1 32: 34) . Os filhos de Quetura deram origem aos midianitas e outros povos. "A vasta população do mundo árabe, muçulmano e israelita que reivindica serem descendentes de Abraão , alcança o elevado número de aproximadamente cem milhões de pessoas . Se acrescentarmos os incontáveis ancestrais falecidos e uma estimativa das posteridades futuras destes grupos, e ainda outros descendentes de Abraão como os nefitas e lamanitas do passado , presente e futuro, as dez tribos perdidas, e os santos dos últimos dias , podemos ter uma idéia do que o Senhor quis dizer, quando prometeu que Abraão seria abençoado com uma posteridade inumerável como as areias do mar . " (Nyma, em Sperry Lecture Series, 1 975, p . 1 3 .)

Significado Eterno No se ntido literal, a posteridade de Abraão j amais terá fim, porque seus descendentes j ustos continuarão a gerar progênil� por toda a eternidade (vej a D&C 1 3 2 : 30) .


70 A Promes!;a do Sacerdócio. Leia Abraão 1: 18-19; 2:9-11 Significado Temporal

Significado Eterno

Assim como Noé recebeu o sacerdócio e foi comissionado a pregar o evangelho, o mesmo acont eceu a Abraão, para que pudesse abençoar os outros com semelhante privilégio . A missão do povo do convênÍlo é servir ao Senhor, levando a seus semelhantes as bên\;ãos do evangelho . " Passamos para a promessa feita a Abraão, a qual afirma que nele e em sua semente todas as famílias da terra seriam abençoadas . Moisés , como já disse, era descendente de Abraão, e foi o libertador de toda a nação israelita. Mas quem eram os antigos profetas que existiram na antiga Israel? Eles eram descendentes de Abraão , os quais receberam a palavra de Deus e a luz da revela\:ão. Quem era Jesus? Era da semente de Abraão . De que: estirpe eram seus Doze Apóstolos? Da semente de Abraão . De que origem era o povo que veio para este continente Léhi e sua família - aproximadamente no ano 600 A . C . ? D a semente de Abraão . D e que linhagem eram os doze discípulos que havia entre os nefitas, que propagaram a verdade aos milhões de pessoas que habitavam sobfte este continente? Da semente de Abraão . Quem era Joseph Smith? Da semente de Abraão . " (John Taylor, em Jouma! of Discourses, Vol . 20, p. 224.)

Como descendentes de Abraão, se permanecermos dignos e fiéis ao chamado que recebemos, de conceder à nossa família e à toda a humanidade as bênçãos do evangelho , continuaremos a fazê-lo por toda a eternidade. E acima de tudo , seremos herdeiros , através de Jesus Cristo, de tudo o que o Pai tem . (Veja D&C 84: 38-39.)

(5-21) Como outro assunto a ser levado em consider ação , observe que há três grandes forças inteligentes no universo: Deus, o homem e Satanás . Não resta qualquer dúvida a respeito de qual dessas forças é a maior . Deus é Todo-Poderoso, portanto ninguém possui maior pod.er do que ele . Mas, dentre os últimos dois, qual deles tem maior poder, o homem ou Satanás? Antes de responder, leia as seguintes escrituras , pensando nelas em termos de força e poder . o

O homem pode apegar-se a Deus e obter dele maior poder

Poder do Homem. Leia D&C 10:5; EfésioH 6: 10-13; Romanos 8:35-39

O Poder de Satanás. Leia Moisés 4:4; 2 Néfi 2:29; 28:22-23; Alma 34:35 Para que o poder do homem sej a maior que o de Satanás , tudo depende dele mesmo , de sua disposiçllo de apegar-se aos mandamentos de Deus e obter dele maior capacidade. Todavia, se assim não proceder, então gradualmente se tornará mais sujeito à influência e domínio do adversário . A escolha com que o homem se defronta poderia ser ilustrada da seguinte maneira:

ou entregar-se ao domínio de Satanás . Joseph Smith afirmou esta grande verdade com as seguintes palavras : "O diabo não tem poder sobre nós , exceto se o permitirmos . No momento em que nos rebelarmos contra qualquer coisa que vem de Deus, o diabo exercerá seu domínio . " (Ensinamentos, p. 1 76.) O que significa apegar-se a Deus? Leia D&C 130:20-21; 82:4-10; 54:3-6


Gênesis 18-23

Abraão: Um Modelo de Fé e Retidão

6

(6-1) Introdução

o Élder Melvin J. B allard escreveu: "Estais lembrados da história de como o filho de Abraão nasceu depois de longos anos de espera, sendo considerado por seu pai a . mais preciosa de todas as suas posses; no entanto, em melO ao seu regozijo, foi dito a Abraão que tomasse aquele seu filho único e o oferecesse como sacrifício ao Senhor. Ele obedeceu. Podeis imaginar o que sentiu nessa ocasião? Amais a vossos filhos da mesma forma como Abraão; talvez nem tanto, por causa das circunstâncias peculiares, mas o que achais, pois, que se passou em seu coração ao despedir-se de Sara, sua mulher? Como achais que ele se sentiu, ao ver Isaque dar adeus à mãe ao iniciarem a j ornada de três dias até o lugar designado para o sacrifício? Imagino o esforço que teve de fazer para não demonstrar sua grande dor e sofrimento; porém, tomou seu filho e com ele empreendeu a longa e penosa caminhada para o lugar indicado, carregando Isaque a lenha para o holocausto. Os dois viaj antes finalmente descansaram ao pé da montanha, e foi dito aos servos que os acompanhavam que ficassem ali, enquanto Abraão e seu filho iniciavam a subida. "Então o menino disse ao pai : 'Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto ? ' "Deve ter cortado a alma d e Abraão ouvir o rapaz, tão confiante, dizer: 'Pai, o senhor se esqueceu da vítima para o sacrifício . ' Olhando para o j ovem, seu filho prometido, o pobre pai somente pôde dizer: 'O Senhor proverá. ' "Subiram a montanha, juntaram as pedras e colocaram a lenha sobre elas. Então Isaque foi amarrado pelos pés e mãos, aj oelhado sobre o altar. Presumo que Abraão, como todo pai amoroso, deva ter dado um beij o de despedida no filho, deva tê-lo abençoado, demonstrando­ lhe seu amor; porém, sua agonia deve ter sido imensa ao ter que matar seu único filho com as próprias mãos. Todos os passos foram dados, até a retirada da faca da bainha, e levantada a mão que deveria dar o golpe que iria tirar a vida de Isaque." ("O Convênio Sacramental", A Liahona, junho de 1 976, p. 5) É importante ter em mente que Abraão foi salvo de semelhante destino, que seria levado a cabo pela iniqüidade de seu próprio pai. Como acontece à maioria das pessoas, Abraão provavelmente era profundamente averso ao sacrifício de seres humanos. Por que o Senhor requereu dele uma prova de fé tão difícil? Que podemos aprender através das experiências vividas por Abraão, o qual foi fiel até o fim?

Instruções

aos Alunos

1 . Ao estudar Gênesis 1 8-23, utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem oferecer-lhe. 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar, conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo professor. (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção.)

,

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE GÊNESIS 18-23

(6-2) Gênesis 18:1-2. Quem Conversou Com Abraão?

"Não estamos justificados em ensinar que nosso Pai Celestial, em companhia de outros personagens celestes, desceu empoeirado e cansado, e comeu com Abraão. Não é isto o que se ensina no capítulo dezoito de Gênesis . O

primeiro versículo desse capítulo deveria dizer: :E o Senhor apareceu-lhe nos carvalhais de Manre . ' E um pensamento completo. A segunda parte do parágrafo não tem nada a ver com a aparição do Senhor a Abraão . . . : 'Estando sentado à porta da tenda quando tinha aquecido o dia, de levantou os seus olhos, e olhou e eis três varões estavam em pé j unto a ele . ' Esses três homens eram mortai:;. Tinham um corpo, sendo capazes de comer, banhar ·se e sentar-se para descansar da fadiga. Nenhum desses três era o Senhor." (Joseph Fielding Smith, Doutrii7as de Salvação. Vol. I, pp . 1 7- 1 8.)

(6-3) Gênesis 18:9-15. Sara Riu-se Consigo ' O falO de Sara ter rido admirada com a notícia de que conceberia e teria um filho não deve ser interpretado como 5,endo a prova de sua falta de fé. Muitas vezes nas escritu:cas, os servos do Senhor ficam admiradíssimos com a bondade e os milagres do Senhor. Moisés não acredit ava ser capaz de falar em nome de Deus ao faraó e pediu ajuda. (Ver Êxodo 4: 1 0- 1 7.) Gideão precisou de uma prova dramática de que o Senhor queria ele para livrar Israel dos Midianitas. (Ver Juízes 6: 1 1 -24.) Ezequias pediu a confirmação de que a promessa que Isaías lhe fizera de que sua vida seria prolongada era mesmo do Senhor. (Ver II Reis 20: l - I I .) Zacarias ficou mudo para que soubesse que sua mulher, Isabel, conceberia (ver Lucas 1 : 1 9-20), e Lucas diz que, quando os discípulos viram o Senhor pela primeira vez após a ressurráção, não acreditaram "por causa da alegria". (Lucas 24: 4 1 ) A atitude de Sara deveu-se ao fato de a notícia ser inacreditável. Depois de aproximadamente setenta anos sem ter filhos, quem a condenaria por temporariamente não ter conseguido acreditar nessa prome5,sa de alegria?

(6-4) Gênesis 18: 16-33. O Poder de uma Existência Digna Não raro ouvimos as pessoas dizerem: "A atitude de apenas uma pessoa pode fazer alguma diferença?" A resposta é um sonoro sim. Alma declarou ao povo de Amoni a que "não fosse pelas orações dos justos que agora habitam a terra, vós seríeis agora mesmo visitados . por completa destruição" (Alma 10:22). E em segUIda, advertiu aquele povo: "Agora, se afastardes portanto os justos do meio de vós, então o Senhor não deterá a mão ." (Alma 10:23). Como aconteceu aos habitantes de Sodoma e Gomorra, o povo de Amonia recusou-se a arrepender-se ou a reconhecer que a única proteção de que dispunham eram o , justos que viviam entre eles; portanto, mataram­ nos tirando-os, assim, de seu meio (vej a Alma 14:9- 1 1 ; Em conseqüência desse gesto, algum tempo depois 15: toda a cidade foi destruída (vej a Alma 1 6 : 1 -3, 9- 10).

1).

(6-5) G ênesis 18: 19. "Ele Há d e Ordenar a Seus Filhos Que Guardem o Caminho do Senhor"

..•

Este5 versículos registram uma das chaves da grande integridade de Abraão. Ele não somente guardou os mandamentos do Senhor, mas também ensinou toda a sua casa a assim proceder. Falando a este respeito, o Presidente Kimball declarou: "O p:rofundo anseio que Abraão sentia de cumprir a vontade de Deus em todas as coisas levou-o a presidir a sua fanu1ia em retidão. Apesar de todas as outras suas respom:abilidades, ele sabia que, se deixasse de ensinar ? evange lho, por preceito e por exemplo, a seus filhos, tena fracassado numa das 'mordomias mais importantes que receber a." ("The Example of Abraham", Ensign, junho de 1 975, p . 5)


74 (6-6) Gênesis 19:4-11. Por Que Ló Ofereceu Suas Filhas aos Perversos Sodomitas? Muitos estudiosos da Bíblia têm procurado j ustifi car a chocante atitude de Ló ao oferecer suas filhas para que os habitantes de Sodoma não molestassem os visitante:; celestiais que se encontravam em seu lar, baseando-:;e estritamente na lei de hospitalidade e proteção que vigorava naquela região do antigo Oriente Médio . A tradução feita por Joseph Smith, entretanto , registra que, quando Ló se recusou a permitir que os homens daquela cidade satisfizessem seus desejos malignos e depravados, eles ficaram extremamente irados e disseram : que tomariam não apenas aos homens, mas às moças também .

(6-7) Gênesis 19:13. Em Que Consistia a Iniqüidade de Sodoma e Gomorra? No relato que se encontra em Gênesis , é evidente que o povo daquelas duas cidades havia-se tornado extremamente imoral , praticando homossexualismo e outros abusos . P orém o profeta Ezequiel nos deus maiores esclarecimentos a esse respeito quando declarou : "Eis que esta foi a maldade de Sodoma, tua irmã; soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas ; mas nunca esforçou a mão do pobre e do necessitado . E se ensoberbeceram e fizeram abominação diante de mi m; pelo que as tirei dali, vendo eu isto . " (Ezequiel 16:49-50.) Tiago declarou que a religião pura se resumia em "visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo " (Tiago 1 :27) . Os habitantes de Sodoma e Gomorra não somente haviam participad,o da imundície da imoralidade sexual, mas também haviam repudiado a seus semelhantes que se encontravam e m necessidade.

demora, e que até mesmo nem voltassem a seus lares para buscar seus pertences. Jesus disse nessa ocasião : "E, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para trás. Lembrai-vos da mulher de Ló. " (Lucas 1 7 : 3 1 -32; itálicos acrescentados . ) O Mestre então os preveniu de que todo aquele que procurar salvar sua vida, perdê-Ia-á, e qualquer que perder sua vida, encontrá-Ia-á. O É lder Bruce R. McConkie parafraseou estes versículos com as seguintes palavras : "Não olhe para trás , à riqueza e luxo que ficaram em Sodoma. Não fique em meio à casa incendiada, com a esperança de salvar seus tesouros, ou será destruído pelas chamas; em vez disso , fuj a para as montanhas . "Apegar-se às coisas temporais é perder a vida eterna; renuncie às coisas deste mundo e ganhe a vida eterna. " (Doctrinal New Testament Commentary, Vol . I, p. 645 . ) Concluímos dai que a mulher d e L ó deve ter retornado a Sodoma, talvez para salvar alguns de seus bens, e acabou sendo vitimada pela destruição . No livro de Doutrina e Convênios , há uma escritura que apresenta a mesma terminologia encontrada em Gênesis 19:26. Após advertir os santos a que fugissem da Babilônia espiritual, que é a iniqüidade, o Senhor disse : "E o que for não olhe para trás, para que súbita destruição não lhe sobrevenha" (D&C 1 3 3 : 1 5 , itálicos acrescentados) . Novamente a implicação é a de um retorno à iniqüidade. A maioria dos eruditos concorda que o lugar mais provável em que esteve situada Sodoma, está hoje coberto pelo extremo sul do Mar Morto , o qual contém elevado teor salino . Se, de fato, a mulher de Ló voltou a Sodoma, ela deve ter sido destruída j untamente com a cidade . O ato de se haver tornado uma estátua de sal poderia ser uma forma figurativa de exp'ressar o destino que teve . Sej a o que for que tenha acontecido à mulher de Ló , não resta qualquer dúvida de que ela pereceu .

(6-9) Gênesis 19:30-38. O Pecado Cometido pelas Filhas de Ló

o Monte Sodoma, situado na regido sul do Mar Morto

O relato da sedução incestuosa de Ló por suas duas filhas é deveras chocante, mas é um incidente que novamente ilustra a maneira imparcial com que o Velho Testamento registra tanto as atitudes nobres de seu povo como as degradantes . De forma alguma podemos justificar a iniqüidade do gesto cometido pelas duas j ovens , embora possamos entender melhor o passo que tomaram, se considerarmos que elas devem ter j ulgado que o mundo todo havia sido destruído naquele holocausto, e que Ló era a única fonte de onde poderiam assegurar uma posteridade para si. Moisés provavelmente incluiu este relato em Gênesis, porque ele demonstra a maneira como teve início a nação dos moabitas e amonitas, povos estes que desempenhariam um importante papel na história de Israel .

(6-8) Gênesis 19:26. A Esposa de Ló e a Estãtua de Sal

(6-10) Gênesis 20: 1-18

A história da esposa de Ló ter-se transformado numa estátua de sal , tem intrigado muitos comentaristas da Bíblia. Tal evento realmente aconteceu ou foi apenas figurativo? Há duas indicações nas escrituras de qUI: a frase "olhou para trás" era uma expressão idiomática que significava "voltar atrás" , ou "retornar a Sodoma" . Ao advertir seus discípulos sobre a destruição que sobn:viria a Jerusalém, o Salvador os avisou que fugissem sem

Para maiores infor:mações a respeito do porquê de Abraão haver dito que Sara era sua irmã, examine a Leitura 5-5 .

(6-11) Gênesis 22:1-19. O Sacrifício de Isaque - Um Protótipo No Livro de Mórmon, Jacó ensina claramente que o consentímento de Abraão em oferecer Isaque em sacrificio


75 é "ã semelhança de Deus e seu Filho. Unigênito." (Jacó 4:5). Um pro.tótipo. é um o.bjeto. , ato. o.u aco.ntecimento. de realidade fisica que co.rrespo.nde a alguma realidade espiritual de grande magnitude. (Para maio.r esclarecimento. so.bre o. mo.tivo. de o. Senho.r usar de tais protótipo.s , veja a Seção. Especial C, "O Uso. de Simbo.lismo.s e Prefigurações no. Velho. Testamento. " .) A maio.ria do.s leito.res do. Velho. Testamento. po.dem pro.ntamente identificar as semelhanças existentes entre' o. teste requerido. de Abraão. e o. sacrificio. feito. po.r no.sso. Pai Celestial, po.rém muito.s deles não. co.nseguem entender o.s detalhes exato.s, deste pro.tótipo. usado. po.r Deus para no.s ensinar verdades precio.sas a respeito. do. futuro. sacrificio. de seu Filho. Unigênito.. A seguir, enco.ntram-se alguns desses detalhes significativo.s . . Abraão. certamente era um pro.tótipo. do. Pai. E interessante no.tar que seu no.me, A brão, significa "pai exaltado." , e que o. no.me A braão quer dizer "pai de uma grande multidão." (vej a Gênesis 1 7 :5). Ambo.s são. no.mes pertinentes a no.sso. Pai Celestial. Isaque era a prefiguração. do. Filho. de Deus. Um do.s significado.s de seu no.me é "ele rejubilirá" . Co.mo. Jesus, fo.i o. fruto. de um nascimento. miraculo.so. . Seu nascimento., certamente, não. fo.i tão. milagro.so. co.mo. o. de Jesus , através de Maria, mas, ao.s no.venta ano.s de idade, Sara também não. era uma mulher à quem dar à luz a um filho. fo.sse algo. viável pelo.s padrões no.rmais. To.davia, po.r meio. da intervenção. de Deus, ela co.ncebeu e tro.uxe ao. mundo. um filho. . Paulo. chamo.u a Isaque de " filho. unigênito." (Hebreus 1 1 : 1 7) ao. referir-se a esse aco.ntecimento. . O Senho.r não. so.mente pediu a Abraão. que realizasse o. ato. sacrificatório. à semelhança daquele que ele mesmo. faria no. futuro., co.mo. também indico.u que precisaria ser levado. a cabo. num lugar po.r ele especificado.. O lo.cal esco.lhido. fo.i o. Mo.nte Mo.riá, "so.bre uma das mo.ntanhas, que eu te direi" . (Gênesis 22:2.) (Atualmente o. Mo.nte Mo.riá é uma das co.linas principais de Jerusalém .) No. lo.cal co.nhecido. tradicio.nalmente co.mo. o. em que Abraão. o.fereceu Isaque em sacrificio., fo.i co.nstruída a Cúpula de Pedra, uma bo.nita mesquita muçulmana. Algumas centenas de metro.s ao. no.rte, num po.nto. mais elevado., há um o.utro. lo.cal famo.so., conhecido. co.mo. o. Calvário. de Go.rdon . O no.me hebraico. daquela elevação. era GÓlgo.ta. Abraão. não. so.mente se dispôs a realizar o. sacrificio. à semelhança do. de Cristo., mas o. fez também na mesma área em que o. Pai entregaria seu Filho. para resgatar o. mundo. . O Gênesis relata que, ao. chegarem em Mo.riá, "E to.mo.u Abraão. a lenha do. ho.lo.causto. e pô-la so.bre Isaque, seu filho." (Gênesis 22:6) . Na tradução. feita po.r Jo.seph Smith, está escrito. que ele "co.lo.co.u a lenha so.bre as Co.stas de Isaque, seu filho. " . Há quem veja neste gesto. uma semelhança de Cristo. carregando. a cruz so.bre seus o.mbro.s, a caminho. do. lo.cal de crucificação. (Jo.ão. 19: 1 7).

I i

.

, . , -".J � ,r'

l,

"'/fI "

. , '"

t I .,

"Toma ag,)ra o

teu filho "

IsaqUl: vo.luntariamente s e submeteu à vo.ntade de Abraão.. Muitas pesso.as deixam de no.tar este impo.rtante paralelo. , O Velho. Testamento. não. no.s revela detalhes suficientes que indiquem co.m exatidão. a idade que tinha Isaque po.r o.casião. deste aco.ntecimento., mas é bem pro.vável que ele já fo.sse adulto.. Imediatamente �pós o. relato. do sacrificio. no. Mo.nte Mo.riá, acha-se regIstrada uma declaração. afirmando. que Sara mo.rreu co.m 127 ano.s (veja Gê nesis 23 : 1 ) . Assim sendo. , Isaque deveria estar co.m 37 ano.s na épo.ca de sua mo.rte. Mesmo. co.nsiderando. que a jo.rnada até o. Mo.nte Mo.riá tenha aco.ntecido. muito.s ano.s antes do. falecimento. de Sara, co.m certeza Isaque estava com mais de trinta po.r o.casião. daquele aco.ntecimento., apro.ximadamente a mesma idade que o. Salvado.r teria na épo.ca de sua crucificação.. Entretanto., a

/


76 idade exata que ele tinha não é um fator importante. O mais significativo é que Abraão, na ocasião do sacrifício, estava com mais de cem anos de idade, e que Isaque era um homem jovem e forte, que poderia ter oferecido vigorosa resistência, se assim desejasse. De fato, Isaque se propôs voluntariamente a fazer o que seu pai pretendia, tomando assim uma atitude idêntica à do Salvador. Tão logo o evento chegou ao fim, e teve um venturoso final, Abraão deu àquele lugar o nome de Jeovah-jiré, um nome que, na Bíblia que conhecemos, foi traduzido como "no monte do Senhor se proverá" (Gênesis 22: 1 4) . Adam Clarke, citando outros eruditos, afirmou que a trad'ução correta deste termo deveria ser "neste monte o Senhor se mostrará. " Clarke então teceu os seguintes comentários: " Isto nos faz crer que o sacrifício oferecido por Abraão foi entendido como sendo uma representação de algo futuro, e a partir daquela época, originou-se a tradil;ão de que Jeová seria visto em forma sacrificatória sobre aquele monte. Isto nos mostra que é bem provável. . . que Abraão tenha oferecido Isaque na mesma colina em que, no meridiano dos tempos, Jesus seria sacrificado. " (Bible Commentary, VoI. I , p . 1 4 1 .) Jesus foi sentenciado à morte no recinto da fortaleza Antonia, situada apenas uma centena de metros distante do lugar onde tradicionalmente se acredita que Abraão sacrificaria. Isaque. Jesus foi morto no Gólgota, uma colina que faz parte do mesmo maciço rochoso do Monte Moriá. Os estudiosos da Bíblia não somente observaram a importância do lugar em relação ao ponto exato em que Jesus foi sacrificado mas também que ele se relaciona com o local do templo de Salomão , onde eram realizado, ; os sacrifícios durante a dispensação mosaica. "O lugar do sacrifício indica com extraordinária clareza o monte Moriá, uma colina sobre a qual legalmente eram oferecidos todos os sacrifícios simbólicos a Jeová; . . , para que, à sombra deste único e verdadeiro sacrifício, o:; sacrificios simbólicos se tornassem verdadeiros e reais. " (Keil and Delitzsch, Commentary, 1 : 1 :25 3 , itálicos adicionados. ) (6-12) Gênesis 22: 1 . O Senhor "Tentou" a Abraão?

A palavra traduzida para "tentar" , na Bíblia que conhecemos é originária do vocábulo hebraico nissah, o qual significa "testar ou provar" . O teste requerido de Abraão tinha dois aspectos. Primeiro, foi-lhe pedido que entregasse algo que lhe era sobremaneira precioso . O ato de matar o próprio filho, por si só, poderia ser considerado por demais horrível; quanto mais imolar um filho que havia chegado após muitas décadas de infrutífera espera, o filho prometido por homens santos enviados por Deus, o filho em quem o convênio deveria ser cumprido. Essa prova deve ter sido algo que ultrapassava a sua compreensão. A obediente disposição daquele patriarca em renunciar a alguém a quem tanto amava, forma um agudo contraste com a relutância com que o jovem rico perguntou ao Salvador o que deveria fazer para ser salvo. Quando Jesus lhe respondeu que vendesse tudo o que possuía e o seguisse, o rapaz "retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades. " (Mateus 1 9:22.)

E tomou A braão a lenha do holocausto e pô-Ia sobre Isaque, seujilho "

Porém, um teste igualmente dificil, ou talvez maior, foi o que poderia ser descrito como o de não questionar a integridade de Deus. O próprio Abraão quase havia perdido a vida num altar idólatra, mas fora salvo pela intervenção direta do Senhor (veja Abraão 1 : 1 2-20) . Abraão sabia que era contrário à lei de Deus o sacrifício humano ou qualquer espécie de assassínio. Certamente qualquer outra pessoa imaginaria, ao receber semelhante ordem: "Será que este mandamento realmente provém de Deus? O Senhor contradiz a si mesmo? " Além do mais deve ter sido esmagador, saber que aquele holocausto significaria o final da linhagem do convênio que Deus havia prometido estabelecer. O Élder Spencer W. Kimball disse o seguinte, comentando sobre este aspecto do teste: "Abraão demonstrou uma fé extraordinária, no teste sobre-humano que dele foi requerido. Seu jovem ' filho da promessa' , destinado a ser o pai de inúmeros impérios, deveria agora ser oferecido sobre o altar do sacrifício . Era um mandamento de Deus, mas parecia de natureza tão contraditória! Como poderia Isaque, seu filho, ser o pai de uma inumerável posteridade, se a sua existência iria terminar na tenra juventude? Por que deveria ele, Abraão, ser chamado a praticar tão revoltante gesto? Era algo irreconciliável, impossível ! Mas nem por isto ele deixava de crer em Deus. Sua fé inabalável levou-o a seguir, com o coração partido, até a região onde estava situado o Monte Moriá, juntamente com seu filho, que mal suspeitava as agonias que dilaceravam o coração de seu pai . " (Em Conference Report, 'outubro de 1 952, p. 48 .) Não é de admirar que em todas as escrituras onde é mencionado seu nome, Abraão, seja considerado repetidas vezes como um grande exemplo de fé, de alguém obediente aos ditames do Senhor.


77 (6-13) Gênesis 23: 1-2. A Grandeza de Sara

Fala-se freqüentemente que Abraão é o pai dos fiéis, e um incomparável exemplo de fé e justiça. Todavia, é interessante notar que Sara estava a seu lado durante todas aquelas experiências que viveu, muitas vezes observando dos bastidores da história, mas sempre se destacando como um grande modelo de mulher de fé e retidão . Doutrina e Convênios afirma que os justos pertencem à semente de Abraão (veja D&C 84:34), mas Pedro também sugere que as mulheres retas podem ser chamadas de filhas de Sara (veja I Pedro 3 : 1 -6, especialmente o versículo 6) .

PONTOS A PONDERAR (6-14) Ao refletir sobre a vida de Abraão e a maneira maravilhosa como correspondeu ao teste do Senhor, lembre-se de que Deus disse aos santos desta dispensação . Os membros da Igreja que viviam no condado de Jackson haviam sido expulsos de seus lares em pleno inverno do Missouri. Eles suportaram sofrimentos intensos, e muitas vidas foram ceifadas. Naquela ocasião, o Senhor falou aos santos através de Joseph Smith e declarou: "Portanto, é necessário que sejam castigados e provados, mesmo como Abraão, a quem se mandou oferecer o seu único filho. Pois todos os que não suportam o castigo, mas me negam, não podem ser santificados . " (D&C 1 0 1 :4-5 .) Alguns meses antes, ele dissera aos membros da Igreja: "Pois ao fiel ele dará Jinha sobre linha, preceito sobre preceito; e com isso vos experimentarei e provarei. E quem perder a sua vida por minha causa, por amor ao meu nome, tornará a achá-la, mesmo a vida eterna. Portanto, não receeis os vossos inimigos, pois diz o Senhor, no meu coração decretei que vos provarei em todas as coisas, para ver se permanecereis no meu convênio, mesmo até a morte, para que sejais considerados dignos. Pois, se não permanecerdes no meu convênio, não sois dignos de mim . " (D&C 98 : 1 2- 1 5 .) Este padrão parece por demais elevado. Por que um indivíduo deve receber castigos e provações, para que possa ser santificado? Por que uma pessoa não se torna digna de Deus, a menos que esteja disposta a cumprir o convênio, e até mesmo a dar sua vida? Para compreendermos estas questões e ganharmos maior discernimento sobre em que aspecto Abraão tinha que provar sua fé, reflita um pouco sobre a perspectiva eterna desse conceito. Imagine as desastrosas conseqüências de permitir que um indivíduo se torne um Deus, não sendo perfeito em todos os sentidos . Como o universo poderia sobreviver, se fosse controlado por uni Deus que não pudesse suportar nem mesmo as mais intensas pressões? Onde nos encontraríamos, se nosso Deus não estivesse disposto a suportar o sofrimento de presenciar seu Filho Unigênito encaminhar-se para o suplício da cruz? Se Abraão tivesse fracassado no teste que lhe foi requerido, com certeza teria perdido suas bênçãos e posição . Se Deus, o Pai, tivesse falhado no mesmo teste, não haveria

expiação, e toda a humanidade teria ficado Hã mercê daquele anjo que caiu da presença do Eterno Deus e tomou-se o diabo . . . E nosso espírito deveria tomar-se como

ele e nós nos tornaríamos diabos ... a fim de sermos afastados da presença de nosso Deus ." (2 Néfi 9:8-9.)

"Então I,vantou A braão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro detrás dele, trav" do pelas suas pontas num mato "

Ao meditar sobre esta perspectiva eterna, escreva um pequen,) artigo, de apenas uma página sobre o tema: "Por Que o Senhor Prova a Nossa Fé? " Ao fazer isto, seria importante considerar os ensinamentos que se encontram em Éter 1 2:27; D&C 1 0 1 : 35-38; 1 22: 5-9. Seria proveitoso também incluir essa dissertação em seu diário. (6-15) Há um outro aspecto do teste vivido por Abraão que é de profundo significado para nós . Para que possamos comprendê-lo, devemos seguir cuidadosamente a cadeia de raciocinio dada pelo Profeta Joseph Smith, a qual demonstra como uma pessoa desenvolve fé suficiente para alcançar a salvação . Os conceitos principais dessas idéias SilO os seguintes: 1 . O indivíduo precisa obter três espécies de conhecimento, se desejar desenvolver fé: "Ob�;ervemos agora que três coisas são necessárias para qualqm r ser racional e inteligente poder exercer fé em. Deus para a " ida e salvação. "Primeira: ter a idéia de que ele realmente existe. " Seg unda: ter uma noção correta sobre seu caráter, perfeiçües e atributos. "Ter ceira: O conhecimento real de que o curso que sua vida está seguindo está de acordo com a sua vontade (de Deus) . :Pois sem o conhecimento desses três fatos importémtes, a fé de todo ser racional seria imperfeita e improd lltiva; porém, com tal convicção , ele pode tornar-se perfeito e fecundo, pleno de retidão, para o louvor e glória de Deu:" o Pai, e do Senhor Jesus Cristo. " (Joseph Smith, Jr. , "Lectures on faith , 3 : 2-5.) 2 . O :onhecimento de que a existência que está vivendo é agrad,ivel aos olhos de Deus, é de importância primordial para que a pessoa consiga desenvolver sua fé: "É necessário que uma pessoa tenha o conhecimento real de que o caminho que está seguindo está de acordo com a \ontade de Deus, para que seja capacitada a ter confiança nele, sem o que ninguém pode alcançar a vida eterna. Foi isso que possibilitou aos santos antigos suportarem todas as aflições e perseguições, e aceitarem alegremente a espoliação de seus bens, sabendo (não simplesmente crendo) que tinham uma possessão mais duradoura . . .


78 Para um homem deixar tudo o que possui, seu ca ráter, reputação , suas honrarias , o louvor, seu conceito en tre os homens, suas casas , suas terras , seus irmãos, irmãs , esposa e filhos, e até mesmo a própria vida, considerando t odas as coisas como imundície e impureza, comparadas à excelência do conhecimento de Jesus Cristo - requer mais do que a mera crença ou suposição de se estar cumprindo a vontade de Deus; requer um conhecimento real , sabendo que, quando terminarem esses sofrimentos, ele entrará no descanso eterno , e será um participante da glória de Deus . " (Idem, 6:25 . ) 3 . A única maneira pela qual uma pessoa pode saber com certeza que sua vida é agradável a Deus, é estar disposta a sacrificar tudo o que o Senhor dela reque::er: "Observemos agora aqui, que uma religião que niio requer o sacrifício de todas as coisas, j amais tem poder suficiente para produzir a fé necessária para a vida e salvação , pois, desde a primeira existência do homem, a fé necessária para ele desfrutar a vida e salvação j amai:; poderia ser obtida sem o sacrifício de todas as coisas terrenas . Foi através desse sacrifício, e somente assim, que Deus ordenou que o homem pode desfrutar da vida eterna. E é por meio do sacrifício de todas as coisas terrenas, que os homens realmente conhecem que estão fazendo as coisas que são agradáveis à vista de Deus . Quando um homem oferece em sacrifício tudo o qUI: possui por amor à verdade, nem mesmo excluindo a sua própria vida, acreditando diante de Deus que foi chamado para fazer esse sacrifício, porque procura cumprir a sua vontade, ele sabe, com toda certeza, que Deus aceita. e aceitará o seu sacrifício e oferta, e que não procura e nem procurará a sua face em vão . E então , sob essas circunstâncias, ele pode obter a fé que necessita para. alcançar a vida eterna. " (Ibidem, 6:7.) 4. A menor relutância em realizar os sacrifícios exigidos por Deus diminuem, em igual proporção , a habilidade que a pessoa tem de adquirir a virtude da fé . "Mas aqueles que não fizeram esse sacrifício a Deus, não sabem se o caminho que seguem é agradável à sua vista; pois qualquer que seja a crença ou opinião , é um motivo de dúvida e incerteza em sua mente; e onde há dúvida e incerteza, não existe e nem pode existir a fé . Pois a incredulidade e a fé não podem existir no indivíduo ao mesmo tempo ; assim, essas pessoas que estão sob o domínio da dúvida e do medo, não podem ter uma confiança inabalável; e onde essa confiança inabalável

inexiste, a fé é fraca; e onde é débil a fé, os indivíduos serão incapazes de lutar contra toda a oposição , tribulações e amarguras que terão de enfrentar para que possam ser herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo Jesus, e sua mente se fatigará, e o adversário terá poder para destruí-los . " (Ibidem , 6: 1 2 . ) Agora, aplique esta cadeia de raciocínio ao caso específico de Abraão e responda às seguintes perguntas: 1 . O que Abraão teria que fazer, para que Deus o abençoasse com uma fé absoluta e inabalável? 2. Que relação teve o consentimento de Abraão em sacrificar a Isaque com o conhecimento de que sua vida era agradável a Deus? 3. Você diria que o teste pelo qual Abraão passou foi uma bênção? Em que sentido? Observe o que o Élder George Q . Cannon declarou a respeito da razão pela qual Deus testou aquele grande patriarca. Que implicações tem o teste de Abraão no que concerne a você? "Por que o Senhor exigiu tais coisas de Abraão? Porque, conhecendo qual seria o seu futuro , e que ele se tornaria o pai de uma numerosa posteridade, o Senhor se dispôs a testar sua fé. Deus não agiu assim para satisfazer um capricho seu, pois tinha presciência da atitude que Abraão tomaria; o objetivo principal de tal mandamento foi o de ensinar àquele líder uma grande lição , e capacitá­ -lo a alcançar um conhecimento que não poderia obter de outra forma. É por esta razão que Deus prova a cada um de nós . Isso não acontece para que ele tenha conhecimento de nossa reação , pois ele conhece todilS as coisas desde o princípio . Ele sabe tudo sobre sua vida, e sabe de antemão todas as atitudes que irão tomar. Porém, testa-nos para o nosso próprio bem , para que possamos conhecer a nós mesmos; pois é muito importante que o homem conheça a si mesmo . "Ele requereu de Abraão que se submetesse a um teste rigoroso , porque pretendia conceder-lhe glória, exaltação e grandes honras ; desejava com isto fazer dele um rei e sacerdote, para que pudesse compartilhar com Ele a glória, o poder e o domínio que exercia. " (George Q . Cannon, Gospel Truth , Vol . I , p . 1 l 3 . ) Observe também a indicação d e que Deus conhecia o caráter de Abraão (vej a Gênesis 1 8 : 1 7- 1 9) muito antes de testá-lo . O que o ato de Deus conhecer de antemão como agiria aquele patriarca, tem a ver com o conhecimento que ele tem de você?


Gênesis 24-36

o Convênio Continua com Isaque e Jacó (7-1) Introdução Por que o Senhor escolheu a Isaque e Jacó? De que maneira eles foram selecionados para perpetuar o convênio que Deus havia feito com Abraão? O objetivo deste capítulo é aj udá-lo a entender os eventos significativos que aconteceram na ocasião em que o Deus de Abraão se tornou também o Deus de Isaque e Jacó . Você aprenderá que, dentre os oito filhos de Abraão que se acham registrados nas escrituras , o Senhor separou Isaque para que se tornasse herdeiro do convênio . Mais tarde ele preferiu Jacó a Esaú , embora este último fosse o primogênito e aparentemente, o preferido de seu pai . Isaque e Jacó foram preordenados a cumprir suas responsabilidades . Entretanto, foi através de sua dignidade pessoal que eles justificaram seus chamados na linha do convênio . Desde a época destes extraordinários patriarcas, todas as pessoas que foram escolhidas pelo Senhor nasceram através desta linhagem ou foram nela adotadas . No Velho Testamento Jeová é freqüentemente chamado de o Deus de Abraão , Isaque e Jacó. Assim sendo , é importante que se entenda não somente quem foi Abraão , mas também por que o Senhor escolheu Isaque e Jacó para serem os primeiros da casa de Israel . Ao iniciar o estudo da expansão da linha do convênio, lembre-se de uma coisa. Muitas vezes temos a tendência de generalizar o conceito do que significa um povo do convênio e da herança religiosa recebida por certos grupos de pessoas . Por exemplo, nossa tendência é pensar que os árabes são descendentes de Ismael e Esaú , os judeus descendentes de Judá, os índios americanos e do Pacífico Sul descendentes de Lamã, e assim por diante . De certa forma tais declarações são verdadeiras, porém , através de séculos de casamentos inter-raciais e de conversão ao convênio , a " linhagem sangüínea pura" (um termo impossível de corresponder à realidade) dos diversos ancestrais misturou-se amplamente. Sem dúvida, durante um período de cerca de quatro mil anos, os descendentes de Isaque contraíram matrimônio com os descendentes de Ismael e de outras raças da linhagem de Abraão . Temos conhecimento de que, depois que as dez tribos foram levadas ao cativeiro ,o termo judeu foi usado num sentido nacionalista (com o significado de ser um membro do reino de Judá) e não apenas no sentido tribal (com a conotação de ser um descendente de Judá, filho de Jacó) . Por consequinte, Leí, que era da tribo de Manassés (veja Alma 1 0:3), e Ismael e suas filhas , que eram de Efraim, eram judeus, isto é, viviam em Judá. No Livro de Mórmon, o termo lamanita é usado no sentido espiritual (significando alguém que apostatou da verdade), bem como para designar os descendentes de Lamã (veja 4 Néfi I :38). Um exemplo mais recente de miscigenação sangüínea ocorreu na época em que uma nação inteira, no oitavo século D . C . , se converteu ao judaísmo . A maior parte do reino dos khazars, no que conhecemos como Rússia, adotou a religião judaica (veja Encyclopedia Judaica, verbete "Khazars " , Vol . X, pp . 944-47). Muitos judeus modernos da Europa, traçam sua linhagem até os khazars, que antes de 740 D . C . eram gentios .

7 Os negros africanos da Etiópia afirmam ser descen dentes de Davi , devido ao casamento do rei Salomão com a rainha de Sabá (veja I Reis 1 0: 1 - 1 3 ; Encydopedia Judaica, verbete "Etiópia" , VaI. V I , p . 943). Assim sendo, é provável que o sangue de Israel tenha-se espalh ado até mesmo pela Á frica. Embora hoje em dia existam grupos raciais que poderiam ser considerados predominantemente membros da casa de Israel, ou gentios, é quase certo que o sangue dessas duas linhas possa ser encontrado na maioria dos povos da terra. O mais importante é que o fato de se perten cer ao povo de Israel , ou de ser uma pessoa do convênio, envolve tanto a fidelidade como a linhagem sangüí nea. Portanto , como Néfi declarou, são o arrepe lldimento e fé no :Unigênito de Israel que determinam se o indivíduo pertence ao convênio (veja 2 Néfi 30:2), um conceito que também foi ensinado por Paulo (veja Romanos 2:28-29) . Em outras palavras , embora a linhagem sangüínea seja um fator significativo, em urr. indivíduo , a fidelidade ou a falta dela, é o que realme nte conta. Você verá, ao ler a história antiga do povo cio convênio , que este conceito foi ensinado desde o princípio .

InstJrUções aos Alunos I . Ao estudar Gênesis 24-36, utilize o auxílio que as Notas e comentários podem oferecer-lhe. 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar, conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo prof(:ssor. (Os alunos que estudam individualmente , devem completar toda a seção .)

NOllAS E COMENTÁRIOS SOH:RE GÊNESIS 24-36 (7-2) Gênesis 24-28. Em Que Época e Região Ocorreram os Eve ntos Relativos à Vida de Isaque e Jacó? Comiderando as informações cronológicas fornecidas pelo livro de Gênesis e pelo de Moisés, calcula-se que Isaque nasceu aproximadamente no ano 1 900 A . C . Ele estava com quarenta anos ao se casar com Rebeca. Esaú e Jacó nasceram vinte anos depois, ou cerca do ano 1 840 A.C. A fuga de Jacó para Padã-Arã, ou Harã, como também é conhecida, provavelmente aconteceu no ano 1 800 A.C. , o que significa que os doze filhos devem ter nascido entre 1 800 e 1 780 A.C. Na linhagem patriarcal, desde Adão , Abraão era o vigésimo, Isaque o vigésimo­ -primeTo, e Jacó o vigésimo-segundo. De a cordo com as informações que nos chegaram até a época presente, Isaque passou toda a sua vida numa região que poderia ser abrangida em um círculo de aproximadamente cento e sessenta quilômetros . Na parte norte deste círculo, estaria situada Jerusalém , para onde Abraão levou seu filho. A maior parte do círculo corresponderia à parte sul de Israel, conhecida como Negev . Jacó, por outro lado, viajou para mais longe ainda, chegando à cidade de Harã, no território situado ao


82 norte do rio Eufrates, e mais tarde ao Egito , onde José, seu filho, amparou-o em sua velhice . O Negev é uma região propícia aos empreendimen :os agrícolas que estej am em harmonia com seu solo árid.o. Parece que Isaque, um pastor, e sua numerosa família, encontraram ali férteis pastagens e outros meios de subsistência para seus rebanhos . Houve, naturalmente, ocasiões em que tiveram que se mudar para outras te rras , devido a repetidos ciclos de escassez que ocorreram naquela área. Muitos séculos de conflitos, negligê ncia e fenômenos naturais transformaram o Negev num çle�:erto que abrange quase a metade da moderna Israel . Nos últimos anos , os israelitas vêm transformando novamente aquele solo estéril num lugar produtivo . Isaque viveu principalmente em três áreas do Nege v : Beer-Iaai-roi, Gerara e Berseba. Como fez seu pai , Is aque cavou muitos poços . Sua tribo e rebanhos se mudavam com freqüência para onde pudessem achar água. De acordo com os registros que temos dele, Isaque era u m homem d e boa paz, preferindo transferir-se para out:o lugar e cavar novos poços, a lutar pelos que já cavam. O Senhor o fez prosperar grandemente . Gerara é uma cidade que fica ao sudoeste de Jerus 3.lém; Berseba está situada ao sul de Gerara, e a 56 km ao o este da parte sul do Mar Morto. A tribo de Isaque estabel eceu­ -se em Berseba, e desde então seu nome sempre tem estado ligado ao de Isaque . Berseba, localizada a oitenta quilômetros de Jerusalém , na época do Velho Testamento assinalava a fronteira sul do reino de Judá. Quando se dirigia a Padã-Arã (Harã) , Jacó teve urna surpreendente visão em Betel , onde Abraão , seu avô, muitos anos antes havia construído um altar . Betel , situada dezoito quilômetros de Jerusalém , mais tarde veio a tornar-se o centro religioso do reino do norte .

Versículo 19. Considerando a capacidade que um camelo sedento tem para beber, podemos imaginar quanto esforço deve ter custado a Rebeca matar a sede de uma dezena daqueles animais. Ela não somente era uma jovem atraente, mas também prestimosa . Versículo 58. Esta escritura nos presta um valioso esclarecimento sobre a fé possuída por Rebeca. Para uma donzela deixar a casa de seus pais, seguir para um novo país , completamente desconhecido, e se casar com um homem que j amais vira, com certeza seria um grande desafio. Era de se esperar que desej asse ficar ao lado de sua família o máximo que lhe fosse possível , mas, ao se ver diante da alternativa de partir, ela decidam ente respondeu : "- Irei . " Versículo 67. Ao pensarmos n a fé e beleza d e Rebeca, e em como o servo de Abraão foi guiado pela mão do Senhor até encontrá-Ia, não é de se surpreeender que as escrituras nos digam que Isaque "a amou" .

(7-4) Gênesis 25:8. O Que as Escrituras Querem Dizer, Quando Afirmam que Abraão "Foi Congregado a Seu Povo" ? O s antigos patriarcas tinham u m claro conhecimento dos principios do evangelho que lhes haviam sido ensinados desde o primeiro homem que habitou a terra até Abraão . A frase "congregado a seu povo " é mais uma evidência do entendimento que possuíam do evangelho . Dois estudiosos da Bíblia fizeram o seguinte comentário sobre o significado deste conceito: "Esta expressão . . . denota a reunião n o Seol , com seus amigos que haviam partido deste mundo , e pressupõe que o povo daquela época acreditava na continuação pessoal da vida após a morte, como um pressentimento de que as promessas de Deus tinham exaltado, neste caso, os patriarcas , a uma firme confirmação daquilo em que acreditavam (vej a Hebreus 1 1 : 1 3) . " (Keil and Delitzsch , Commentary, 1 : 1 :263 .) Seol é a palavra hebraica que serve para designar o mundo dos espíritos , para onde as pessoas vão depois que morrem , o equivalente a mundo espiritual . Os hebreus não somente possuíam um conceito explicando a vida pós­ -mortal , mas também uma idéia correta de um lugar intermediário entre a morte e a ressurreição .

(7-5) Gênesis 25 : 16. As Doze Tribos de Ismael Muito se fala das doze tribos que eventualmente descenderam de Jacó, mas devemos lembrar-nos de que houve outras doze tribos, que surgiram de Ismael . Viagem de Jacó à cidade de Harõ. em Padõ-Arõ.

(7-3) Gênesis 24. Uma Esposa É Encontrada para Is�.que Este capítulo do Velho Testamento contém uma d,is mais lindas histórias de comprometimento e fé encontradas nas escrituras . Os seguintes conceitos sã,) de particular interesse: Versículos 12- 14. Estas passagens demonstram qm: tanto o servo como Abraão eram homens de grande fé . Abraão lhe dissera que sua missão era um mandamento do S,�nhor (vers . 7) . Assim , ao defrontar-se com uma tarefa de diftcil realização, pediu aj uda ao Senhor. Em vez de apena!: rogar a ele que lhe resolvesse o problema, o servo apresentou ao senhor um plano, e pediu-lhe que o con firmasse. Versículo 16. A Bíblia, versão do Rei Tiago, afirma que Rebeca era muito formosa, mas a Versão Inspirada nos diz que ela era a mulher mais bonita que o servo já havi(l visto em toda a sua vida.

(7-6) Gênesis 25:21 . "Porquanto Era Estéril" A brevidade dos relatos históricos encontrados em Gênesis geralmente comprime os períodos de tempo que eles abrangem . Podemos considerar a simples declaração sobre a esterilidade de Rebeca como deveras amarga, se nos recordarmos do fato de que , naquela época, as pessoas davam grande valor à capacidade de ter filhos, e que Isaque e Rebeca ficaram sem ter descendentes por vinte anos (vej a os vers o 20, 26) .

(7-7) Gênesis 25:27-28. Jacó Era um Homem Simples Em contraste com Esaú, descrito nas escrituras como um "perito caçador" , elas dizem que Jacó era um "homem simples" (vers . 27) . A palavra hebraica usada nas escrituras significa "íntegro , completo ou p erfeito" , e é um adjetivo muito apropriado.


83 o vocábulo amava, usado no versículo 28, tem o sentido de " favorecer" ou "preferir" . Vemos, portanto, que Isaque favorecia a Esaú , e Rebeca a Jacó.

(7-8) Gênesis 25:30 A palavra Edom quer di'zer "vermelho " . Os edomitas , descendentes de Esaú , desempenharam um importante papel no Velho Testamento , geralmente como adversários dos israelitas . Eles habitavam no território onde fica situado o Monte Seir, e em suas adj acências , entre o Mar Morto e o Mar Vermelho (veja Gênesis 36) . Os membros dessa linhagem também podem ser encontrados hoje em dia entre as nações árabes .

(7-9) Gênesis 25:32 A evidente racionalização retratada nesta escritura, denota mais um traço de zombaria, que uma cessão de direito motivada pela fome. Jacó certamente socorreria a Esaú , sem procurar receber qualquer retribuição , caso a vida dele estivesse correndo perigo . O objetivo principal deste relato parece ser o de demonstrar a falta de ' consideração que Esaú tinha por seu direito de primogenitura. A satisfação de suas necessidades fisicas imediatas era-lhe mais importante que os privilégios do convênio . Uma prova adicional dessa atitude é o fato de ele haver-se casado com mulheres cananitas , rompendo , assim, a linhagem do convênio (veja Gênesis 26: 34-35) . O direito de primogenitura deveria ter sido para ele um dos bens mais preciosos . Entre as bênçãos mais desejáveis relativas a ele, encontra-se o direito de presidência, ou as chaves do sacerdócio. O É lder Bruce R. McConkie escreveu : "Parece que, nos primeiros tempos da história religiosa, sob a Ordem Patriarcal , havia certas bênçãos especiais, direitos, poderes e privilégios - coletivamente chamados de primogenitura - que eram transferidos ao primeiro filho varão (Gênesis 43 :33). Em épocas posteriores , bênçãos e prerrogativas exclusivas foram derramadas sobre todos os descendentes dignos de alguém que outrora obtivera certos privilégios extraordinários e primogenituras . (3 Néfi 20:25-27 .) A j ustificativa para a existência de tal sistema reside, em grande parte , na preparação e treinamento feito na vida pré-mortal por aqueles que nasceram nas linhas destinadas a herdar investiduras preferenciais . " (Mormon Doetrine, p. 87 .) Na ordem patriarcal , este direito de primogenitura era passado de pai para filho, que era freqüentemente, mas nem sempre o varão mais velho . A retidão pessoal era mais importante que o fato de ter sido o primogênito.

(7-10) Gênesis 27: 1-40. Jacó Obtém a Primogenitura Pertencente a Esaú A história da maneira como Jacó obteve de Isaque a bênção da primogenitura com a aj uda de sua mãe, contém muitos detalhes que podemos considerar deveras incomuns . Os comentadores da Bíblia que não utilizam as escrituras modernas, chegam a duas conclusões típicas : são levados a dar ênfase ao fato de Esaú ser indigno de herdar as bênçãos da primogenitura, e assim justificam o ato de ele haver sido enganado na hora de recebê-la, ou criticam a natureza sagaz e astuta de Jacó . Todavia, um conhecimento mais profundo dos princípios do evangelho nos induz a apresentar alguns problemas adicionais. Seria lícito iludir um patriarca, a fim

de obter uma bênção que, por direito, pertence a outra pessoa? Era Jacó um indivíduo enganador e fraudulento? Era Isaque um homem parcial e dava preferência a determ inados filhos? Alguém pode ser desonesto e ainda assim obter uma bênção patriarcal válida? Para entendermos estas questões , precisamos considerar cuidadosamente os seguintes fatores : 1 . Rebeca sabia, através de revelação pessoal , que Jacó deveria ser o filho do convênio (vej a Gênesis 25 :22-23) . O filho relutantemente consentiu em levar a cabo o plano que sua mãe engendrara, só fazendo isto depois que ela lhe disse que assumiria a responsabilidade do ato que iriam pratica r. 2. E mbora os antigos patriarcas e suas esposas fossem pessoa, de grande integridade e j ustiça, que eventualmente foram exaltadas e se aperfeiçoaram (vej a D&C 1 32: 37), este faro não significa que eram perfeitas em todos os sentidos, na época em que se encontravam aqui na mortal idade . Se a história que se encontra em Gênesis estiver correta, Isaque provavelmente não foi muito criteric1so ao favorecer a Esaú . Ou ainda, Rebeca talvez não tiv esse suficiente fé no Senhor, a ponto de permitir que ele corrigisse a situação , e assim concebeu um plano , a fim de assegurar que as bênçãos prometidas recaíssem ' sobre Jacó . Tais faltas não empanam a grandeza que alcançaram posteriormente e sua eventual perfeição . 3 . Seja qual for a explicação relativa às circunstâncias que de ram origem ao recebimento da bênção , um fato está perfeitamente claro : os portadores do sacerdócio recebem as chaves para ligar e desligar aqui na terra, e isto é sancionado nos céus (veja Mateus 1 6 : 1 9) . Logo que tomou conhec imento de que fora enganado, Isaque poderia ter revogado a bênção e tê-Ia transferido para Esaú . Em vez disso, ele lhe disse : " . . . será bendito " (Gênesis 27 :33). Numa ocasião posterior, quando Jacó estava se prepar,mdo para se dirigir a Padã-Arã, com o objetivo de escapar da ira de Esaú , Isaque claramente lhe deu a bênção de Abraão (vej a Gênesis 28 : 3-4) , uma prova adicional de que Jacó recebera a bênção a que tinha direito , e que Isaque a confirmou sobre sua cabeça. Assim sendo, se o registro que se encontra em Gênesis estiver correto na forma em que o lemos atualmente, Jacó, bem como outros líderes semelhantes a ele, receberam um chamajo e promessa de serem eventualmente abençoados , em vir1 ude de seu grande potencial e apesar das fraquezas que possuíam . Como acontece a todo indivíduo, seria necessitrio que ele vivesse dignamente, para que pudesse receber os privilégios que lhe foram conferidos .

(7-11) IGênesis 27:34-46. Os Efeitos Subseqüentes das Bênçãos de Jacó "Esaú também foi abençoado - com a abundância prodm:ida pela terra e com o potencial de eliminar o jugo da opr,�ssão ; mas , como acontece a cada um de nós, ele só deu vaJor ao que possuía depois de haver perdido o que j á fora s e u , e s e arrependeu amargamente d o dia e m que negociara o direito de primogenitura com Jacó . Ao se conscientizar de sua situação , resolveu vingar-se, matando seu irmão , ao ver que a transmissão da bênção patriarcal fora confirmada sobre aquele com quem a negociara . Rebeca, atenta aos problemas que estavam ocorrendo , evitou que ocorresse uma dupla tragédia (a perda de dois filhos -- um que seria assassinado, e outro que sofreria a execuç �o, como penalidade , conforme ordenava a lei


84 registrada em Gênesis 9:6) , e propôs a Isaque que aconselhasse Jacó a partir dali rumo à sua terra natal., em busca de uma esposa adequada. Desta maneira, ela (I afastaria do mal que Esaú jurara perpetrar, até que (IS ânimos se acalmassem. Isaque aparentemente aprov(lu de imediato a idéia de enviar Jacó a Padã-Arã com tal incumbência, pois, sem dúvida, conscientizou-se de que Rebeca estava com a razão em afirmar que a missão que Isaque recebera na vida seria frustrada, se Jacó contraísse matrimônio da maneira feita por Esaú . " (Rasmussen, Introduction to the Old Testament, Vo!. I, p. 47 .)

dariam o direito de entrar no reino dos céus e de viver em íntima associação como Senhor. "Devido ao fato de, naquele local, ele haver encontrado o Senhor e feito convênios com ele, Jacó considerou sagrado aquele lugar, e deu-lhe o nome de Betel, uma contração da palavra Beit-Eloim, que significa literalmente 'Casa do Senhor'. Ele disse nessa ocasião: ' Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus. ' (Gênesis 28 : 1 7.) " Jacó não somente atravessou o portão do céu, mas vivendo à altura do convênio que fizera, continuou a progredir eternamente. O Senhor declarou o seguinte, a respeito de Jacó e de seus ancestrais Isaque e Abraão : ' . . . porque fizeram nada mais do que as coisas que lhes foram mandadas, entraram para a sua exaltação, de acordo com as promessas, e se assentam em tronos, e não são anjos, mas sim deuses. ' (D&C 1 32:37.) " Os templos significam para nós hoje em dia o mesmo que Retel para Jacó. Eles são até mais do que isto, pois se constituem nos portões dos céus para todos os nossos ancestrais que não tiveram o privilégio de neles entrar. Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que nossos entes queridos os atravessem. " (Tempies The Gates of Heaven, " Ensign , março de 1 97 1 , p . 16, itálicos acrescentados.)

(7-12) Gênesis 28:10-19. A Visão da Escada de Jacó .�m ' Betel

'Dois comentários feitos por profetas dos últimos dias nos fazem entender melhor o significado da experiência que Jacó viveu em Bete!. Joseph Smith declarou o seguinte, com referência à observação feita pelo apó!:tolo Paulo a respeito de alguém que foi arrebatado até o terceiro céu (veja II Coríntios 1 2:2) : "Paulo subiu ao terceiro céu, e pôde entender os três degraus principais da escada de Jacó: as glórias ou reinos telestial, terrestrial e celestial. " (Ensinamentos, p . 296.) O Presidente Marion G . Romn�y esclareceu por que tal visão celestial foi mostrada na forma de uma escada, e por que razão o local onde ocorrera foi denominado Bete!: "Quando Jacó viajava de Berseba até Harã, teve um sonho no qual viu a si próprio aqui na terra, na base de uma escada que conduzia ao céu, em cujo topo se encontrava o Senhor, e que os anjos de Deus subiam e desciam por ela. Diante daquilo, ele conscientizou-se de que os convênios que fizera com o Senhor eram os degraus da escada, e que ele mesmo teria de subi-Ia, para qUE pudesse obter as bênçãos prometidas - bênçãos que lhe

N� �� n

Léia I L. _

O seguinte gráfico genealógico mostra claramente que cada um dos três grandes patriarcas - Abraão, !saque e Jacó - se casou com parentes suas. (As linhas tracejadas mostram os casamentos, e as pontilhadas unem os mesmos indivíduos.

�n: T-��� . p * :;�m Terá

-- Mil"

1

. .

. . .

___ _ _

. .

.

I

I

. . .. . . . . . . . . .

.

.

u

1 Lab>o

(7-13) Gênesis 29: 12. Que Relação d e Parentesco Existia entre Jacó e Suas Esposas?

Re"""

,

Raquel

1- Jacó

I L __ _ _ _ _

_ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _

�1 ...J

-

r

==:

'"

Esaú

I

I

Isca


85 Abraão casou-se com Sara, que era sua sobrinha; Isaque contraiu matrimônio com Rebeca, sua prima-segunda, e Jacó se casou com Léia e Raquel, suas primas-irmãs. (7-14) Gênesi" 29: 17. Léia Tinha "Olhos Tenros"

A palavra hebraica traduzida para "olhos tenros" significa "mansos , delicados, adoráveis" . O fato dessa característica fisica de Léia haver sido retratada nas escrituras, ao passo que Raquel é descrita como de " formoso semblante e formosa à vista" , isto é, bonita em todos os aspectos, parece sugerir que o maior atrativo de Léia eram os olhos . (7-15) Gênesis 29:20-30. O Casamento de Jacó com Léia e Raquel

Esta passagem nos dá o primeiro lampejo da natureza astuciosa de Labão. Prometendo a Jacó que lhe daria Raquel como esposa, em troca de sete anos de serviço, no dia da consumação do casamento, Labão deu-lhe Léia. Os leitores modernos provavelmente acharão dificil acreditar que Jacó só conseguiu descobrir que fora enganado ao chegar a manhã; todavia, poderíamos atribuir o sucesso de Labão às seguintes possibilidades. Por serem irmãs, Raquel e Léia provavelmente eram de altura, peso e compleição semelhantes. Em segundo lugar, era costume dentre as mulheres de Harã usarem um véu (veja Gênesis 24:65) . Em terceiro, Labão era pastor, e como era típico às pessoas que realizavam aquele trabalho, ele morava em tendas, e não numa habitação permanente. O interior de uma tenda durante a noite pode ser muito escuro. E, finalmente, sabendo qual seria a reação de Jacó, se descobrisse com antecedência a substituição que fizera, Labão deve ter dito a Léia que falasse o menos possível, a fim de não

Mãe

denun;iar o engano, senão quando já fosse muito tarde para repará-lo. Emhora tivesse exigido de Jacó que trabalhasse mais sete ar.os em troca de Raquel, Labão permitiu-lhe que contraísse matrimônio com ela, tão logo passassem os sete dias d(: festas dos esponsais realizados com Léia, e que cumprisse após o casamento o período de serviço que acertara. A concessão de servas às filhas fez das primeiras propri,!dade direta das esposas, e não de Jacó. Por conseguinte, quando futuramente as servas tiveram filhos de Jacó, estes foram considerados legalmente como progênie de Raquel e Léia. (7-16) 'Gênesis 29:31. Jacó "Desprezou" a Léia?

A palavra hebraica sahnay não significa "aborrecida" , como 4) termo bíblico dá a entender atualmente, mas sim que era "menos amada" . A tradução mais correta deste versícu lo seria " Vendo pois o Senhor que Léia era menos amada, ou que não era favorecida" , abriu a sua madre. (7-17) IGênesis 29:31 a 30:24. Os Filhos de Israel

As escrituras contidas neste capítulo indicam que cada filho n ascido de Jacó recebeu um nome que refletia os sentiffii !ntos que seus pais nutriam por ocasião daquele evento , Existia um extraordinário espírito de rivalidade entre as esposas. Elas consideravam uma grande honra dar um filbo varão para seu marido . Raquel aparentemente sentiu-,;e muito triste por não ter um filho,o que só acontel;eu posteriormente em sua vida. Quando, finalffil!nte, conseguiu trazê-lo ao mundo, o nome que lhe deu indicava o que sentia por ele., e as grandes esoeranças que depositava no futuro. Abaixo, encontram-se alistados os dozefilhos de Jacó, pela ordem de seu nascimento.

Nome

Significado

Razão pela QUal .t<ecebeu o Nome

Léia

Rúben

Eis ! um filho

A alegria por ter um filho (Gênesis 29:32) .

Léia

Simeão

Ouvindo

Porquanto o Senhor ouviu que ela era aborrecida (ver Gênesis 29: 33).

Léia

Levi

Junto

"Agora esta vez se ajuntará meu marido comigo" (Gênesis 29:34) .

Léia

Judá

Louvor

"Esta vez louvarei ao Senhor" (Gênesis 29: 35).

Bilha

Juiz

" Julgou-me Deus" (Gênesis 30:6) .

Bilha

Naftali

Lutando

" Com lutas de Deu.; tenho lutado com minha irmã" (Gênesis 30:8).

Zilpa

Gade

Fortuna

"Então disse Léia: Vem uma turba" (Gênesis 30: 1 1 ; notas d, e) .

Zilpa

Aser

Feliz

"Então disse Léia: Para minha ventura" (Gênesis 30: 13).

Léia

Issacar

Galardão

"Então disse Léia: Deus me tem dado o meu galardão" (Gênesis 30: 1 8) .

Léia

Zebulom

Morada

"Desta vez morará I) meu marido comigo" (Gênesis 30:20) .

Raquel

José

Aumentador

"O Senhor me acre!:cente outro filho" (Gênesis 30:24) .

Raquel

Benjamim

Filho da destra

"Você será o filho d,a minha mão direita" (Gênesis 35 : 1 8) .


86 (7-18) Gênesis 30: 14-22. Em Que Consistiam as Mandrágoras e Por Que Raquel as Desejava? Embora os estudiosos da Bíblia não tenham certez a de a que planta a palavra mandrágora se referia, é bem cl aro o seu significado para Raquel e Léia "o nome em hebraico designa uma fruta do amor, a qual possuía sabor e a roma agradáveis, e supostamente garantia a concepção " (Bible Dictionary) . Em outras palavras , j ulgavam outrora que as mandrágoras aumentavam a fertilidade e a capacidade de gerar da mulher . O conhecimento dessa crença nc's aj uda a esclarecer a estranha troca feita entre Raquel e Léia. A primeira desej ava as mandrágoras para que, finalmente , pudesse dar à luz um filho . Como já vimos anteriormente , a competição entre as duas irmãs nes :e sentido era de fato incomum . A resposta de Léia, portanto , era igualmente a que se esperava. Ela indicou que Raquel já lhe havia tirado o marido , o que, provavelmente , queria dizer tão somente que ela era a esposa preferida de Jacó. (Alguns eruditos, todavia, acreditam que esta passagem significa que Jacá , na realidade, vivia na tenda de Raquel , e não na de Léia .) A vantagem de Léia sobre Raquel era a de poder ter fil hos. Em resumo, ela disse a Raquel que seria tolice de sua parte entregar-lhe as mandrágoras de seu filho e aj udá-la , I ter descendentes, pois isto só acarretaria prej uízo a ela, Léia (vers . 1 5) . Assim, Raquel fez uma contra-proposta . lCla prometeu que incentivaria Jacó a ir à tenda da irmã naquela noite, se, em troca, pudesse conseguir as mandrágoras (vers . 1 5) . Léia concordou e contou a Jacó . Em conseqüência do acordo, Léia concebeu a seu quinto filho (vers . 1 7- 1 8) . Mais tarde, ela deu outro varão a seu marido e também a primeira filha (vers . 1 9-2 1 ) . Embora a escritura não mencione especificamente , o registro deixa ver que a planta não causou efeito algum a Raquel . Depois de algum tempo , ela concebeu , não por causa das mandrágoras , mas muito pelo contrário, porque "lembrou-se Deus de Raquel , e Deus ouviu e abriu , I sua madre" (vers . 22) .

(7-19) Gênesis 30:37-43. O Ato de Descascar as Vars s Verdes Influenciou os Rebanhos de Jacó a ConcebeI'?

O ato de Jacó descascar as varas e colocá-las dian':e dos animais para que, ao conceber as crias , saíssem com pelagem branca e preta, ou só de cor escura,

aparentemente reflete uma superstição muito comum naquela época, de que a concepção era influenciada pelo que a mãe sentia ou enxergava naquela ocasião . A ciência moderna não conhece fato algum que esclareça o relacionamento existente entre o que fez Jacó e o que acabou acontecendo aos fatores hereditários dos animais. Com certeza está faltando alguma informação no texto. Talvez, nesse caso , o Senhor estivesse apenas aproveitando a virilidade no cruzamento de raças . A intervenção divina certamente desempenhou um papel importante nesse sentido, pois , com isto , os rebanhos de Jacó aumentaram e o Senhor abençoou-o . Também o fato de Jacó separar os rebanhos (vers . 40) seguiu os princípios de um bom acasalamento animal , aumentando a possibilidade deles terem animais de pele malhada.

(7-20) Gênesis 31:4 É interessante notar que Jacó se aconselhou com suas esposas a respeito da imp ortante mudança de domicílio que pretendia realizar . E comum os eruditos afirmarem que as mulheres do Velho Testamento desfrutavam de uma condição social inferior, e que eram tratadas como propriedade do marido . Porém este exemplo , e outros semelhantes a ele , demonstram que tal idéia é errônea .

(7-21) Gênesis 31:7

O comentário feito por Jacó, de que Labão havia mudado dez vezes o seu salário, não deve ser levado ao pé da letra, ou seja, talvez tal número seja uma força de expressão . Porém , o temperamento de Labão era de tal natureza, que não é de duvidar que, tão logo viu Jacó ser abençoado com prosperidade, tenha mudado diversas vezes os termos do acordo que com ele fizera. Apesar de tudo, o Senhor continuou a abençoar Jacó temporalmente. (7-22) Gênesis 31: 14-16. "Pois Vendeu-nos e Comeu Todo o Nosso Dinheiro" É importante observar que tanto Raquel como Léia concordaram que era j usto o marido deixar a casa de Labão . Elas também ressaltaram que nada receberam da parte do pai, por ele ser um homem muito ambicioso . Um estudioso da Bíblia fez o seguinte comentário , para esclarecer a amargura demonstrada pelas duas mulheres : "O dote era uma parte importante do casamento . Encontramos este costume registrado pela primeira vez numa experiência vivida por Jacó, que trabalhou durante sete anos para Labão, a fim de ganhar um dote pina Raquel (Genêsis 29 : 1 8) . O pagamento relativo ao serviço por ele prestado pertencia à noiva, passando a ser seu dote; assim sendo , Raquel e Léia podiam dizer , com justa indignação , que haviam sido 'vendidas ' por seu pai , já que este não lhes pagara o dote que lhes era devido (Gênesis 3 1 : 1 4- 1 5). O dote era o capital da família; representava uma segurança para a esposa, caso ocorresse um divórcio por culpa do marido . Se a esposa, entretanto, fosse a causa da separação , perdia o direito a ele . O dote não podia ser alienado aos filhos . Há algumas indicações de que o valor normal de um dote era o equivalente a três anos de salário . Essa importância era fornecida pelo pai do noivo , ou pelo nubente , através de serviços prestados , e sua finalidade era auxiliar a melhorar a vida econômica da nova família. Ao pai era concedido o privilégio de


87 acrescentar uma contribuição ao dote e era costumeiro que ele o fizesse, porém o dote básico era dado pelo noivo , ou por sua família. Assim sendo, constituía-se numa bênção do pai sobre o casamento do filho , num teste do caráter do j ovem , no caso de ter que trabalhar para fornecê-lo . " (Rushdoony, lnstitutes of Biblical Law, pp . 1 76-77 .)

(7-23) Gênesis 3 1 : 19. Em Que Consistiam os Í dolos de Labão? Existe muita controvérsia entre os estudiosos , sobre em que consistiam os ídolos roubados por Raquel, e o que representavam . A palavra hebraica que algumas vezes é usada para designar ídolos pequenos, ou falsos deuses, é terafim . Alguns tradutores dão a esse vocábulo o significado de "deuses domésticos" . Era Labão um idólatra? Se assim fosse, por que Jacó se deu ao trabalho de fazer uma longa j ornada até Harã, para encontrar uma esposa entre uma família que seria tão idólatra como os cananeus? Há quem acredite que eles se constituíam em objetos astrológicos, utilizados 'para predizer o futuro . Porém, tal sugestão levanta a mesma dúvida. Certo erudito apresentou a teoria de que os ídolos em questão tinham estreito relacionamento com os direitos legais relativos à herança. Se esta afirmação for correta, aquele que possuísse os terafim teria o direito de herdar os bens do seu pai . Esta circunstância esclarecia que Raquel levou as imagens, porque Labão lhe havia "roubado" a herança (vej a Gênesis 3 1 : 14- 1 6) . Isto também explicaria a razão por que Labão ficou transtornado com aquela perda, e o severo castigo que Jacó se propôs a aplicar ao ofensor (veja Gênesis 3 1 : 3 1 ) .

(7-26) lGênesis 34: 1-31 . O Defloramento de Diná O te rmo hebraico traduzido como "tomando-a" , palavra utilizada n a última frase d o versiculo 2 , pode significar " apossar-se, às vezes através de violência ou à força; tomar, capturar ou prender" (Wilson , Old Testament Word Studies, verbete, "tomar " , p. 435). Comentando o fato de Siquém ter falado "afetu osamente" com a donzela (Gênesis 34:3), um estudiüso da Bíblia deu o seguinte significado a esse vocábulo : "Es�,a frase significa literalmente que ele falou ao coração da donzela procurou ganhar o seu afeto e fazer com que aceitasse a desgraça que lhe havia acontecido, Há evidências neste e no versículo precedente, de que não houve tal consentimento por parte de Diná, que o inciderte foi um ato de violência perpetrado contra sua pessoa., e que agora ela se encontrava detida à força na casa df: Siquém . Foi lá que Simeão e Levi a encontraram, ao tom arem a cidade de assalto (vers. 26) " (Clarke, Bible Commentary, VaI . I , p . 207) . -

Rio Jaboque

(7-24) Gênesis 32:24-32. Em Que Consistiu a Luta Travada por Jacó? A maioria dos estudiosos acredita que Jacó lutou com um anj o , porém o Presidente Joseph Fielding Smith esclareceu por que não podemos crer em semelhante afirmação: "Quem lutou com Jacó no Monte Peniel? As escrituras dizem que foi um homem . Os intérpretes da Bíblia afirmam ter sido um anj o . É bem mais provável que tenha sido um mensageiro enviado a Jacó para abençoá-lo . Pensar-se que lutou com um anj o e segurou-o para que não se fosse, está fora de questão . O termo anjo, quando usado nas escrituras , refere-se às vezes a mensageiros portadores de alguma instrução importante . Mais adiante, no mesmo capítulo, quando Jacó diz ter visto o Senhor, isso não tem relação alguma com sua luta. " (Doutrinas de Salvação, VaI . I , pp . 1 8- 1 9.)

(7-25) Gênesis 33: 1-2 Houve quem já tenha criticado a disposição do acampamento feita por Jacó , pois , da maneira descrita, parece que ele está colocando as servas e seus filhos nas posições mais perigosas . Essa atitude seria bastante natural , se considerarmos que, no Oriente Médio, era costume o líder da tribo apresentar sua família e bens materiais de tal forma, que os bens melhores e membros mais favorecidos da família se encontrassem resguardados na parte mais distante do arraial . (Clarke, Bible Commentary, Vol . I , p . 205 .)

Hebrom (Quiriate-Arba)

+ -t-1 Monte Nebo \ \

i

i f /

l Roteiro seguido por Esaú para chegar a Seir

I

Trajeto percorrido por Jacó ao sair de Harã. para chegar a Hebrom o ult raje sentido pelos dois irmãos era justificado , mas colocar uma cidade inteira, de forma traiçoeira, vulnerável a um m assacre e rapinagem , sob o falso pretexto de fazer com que aquele povo entrasse para o convênio, foi um gesto abominável . As bênçãos que Jacó conferiu a estes dois filhos, pouco antes de morrer (veja Gênesis 49:5-7) claramente demonstram que tanto ele como o Senhor não aprovaram tal atitude .

(7-27) Gênesis 35:1-6 Antes de retornar a Betel , que era o equivalente de um templo moderno (veja a Leitura 7- 1 2), Jacó fez com que sua família, seus servos e toda a sua casa se preparassem para a experiência, da mesma forma que os santos atuais o fazem, quando vão ao templo. Os brincos referidos na escritura provavelmente eram mais que simples objetos de adorno , e com certeza se tratava de amuletos contendo inscriçõ es dirigidas a falsos deuses .


88 (7-28) Gênesis 35:20-22. Rúben Perde o Direito de Primogenitura A inclusão do breve relato da imoralidade praticada por Rúben pode parecer incomum, mas esclarece por qu'� ele, o filho mais velho de Léia, perdeu a primogenitura. Considerando que Raquel era a segunda esposa, o primogênito dela teria então direito a herdar a bênção que o outro perdera. José ficou, assim , sendo o segundo herdeiro na linha legal , muito embora fosse o décimo­ -primeiro filho na ordem de nascimento . (I Crônicas 5 : 1 -3 especificamente atribui à transgressão de Rúben o fato de ele haver perdido a primogenitura, e nos mostra de que maneira ela passou para José.) Os primogênitos das ,ervas Bilha e Zilpa não eram considerados herdeiros daquelas bênçãos, pois pertenciam às suas senhoras , e os filho s delas eram tecnicamente considerados propriedade d e suas respectivas donas , Raquel e Léia.

PONTOS A PONDERAR (7-29) Com isto, você acaba de estudar a origem da casa de Israel , "o povo escolhido" . Não ficou desiludido ao ver como alguns de nossos pais não corresponderam àquilo que você esperava deles? Ao refletir sobre os ensinamentos contidos neste capítulo, considere as seguintes questôes : 1 . As escrituras apresentam alguma evidência de q ue o Senhor não fazia caso, desculpava ou tratava com benevolência atitudes marcantes de comportamento inadequado? 2. As faltas e enganos cometidos por nossos ancestrais podem ensinar-nos alguma lição, da mesma forma que suas virtudes e sucessos? 3. Conseguiu encontrar nos registros do antigo povo do convênio algum indício que denote crescimento espiritual, desenvolvimento, arrependimento e comp(omisso p(Tante (o Senhor? 4. Os detalhes relativos ao comportamento humano , tal <;; o mo o da rivalidade que existia entre Raquel e Léia , torna, para você, mais fácil ou mais difícil crer que Deus é

um Pai amoroso e paciente, e que também você, apesar de suas fraquezas, pode tornar-se uma pessoa do convênio?

(7-30) Um fato que fica sobremaneira esclarecido nestes capítulos é o significado que tinha para Abraão , Isaque e Jacó o ato de se casarem dentro do convênio. Escreva uma curta dissertação sobre o tema ' 'O que Posso Aprender sobre Casamento através de Abraão , Isaque e Jacó . " Antes d e iniciá-la, examine a s seguintes declarações feitas por nossas Autoridades Gerais : Brigham Young declarou: " Sede cuidadosas, ó mães da Igrej a, e não ensineis vossas filhas a casarem fora de Israel, como muitas têm feito . Ai de vós que assim fazeis , pois perdereis vossa coroa tão certo como Deus vive . " (Discursos de Brigham Young, p . 1 % .) Joseph F. Smith afírmou: "Algumas pessoas sentem que não faz muita diferença se uma j ovem se casa com um rapaz da Igrej a, cheio de fé no evangelho; mas muito poucos dos que fizeram isso escaparam do fracasso . . . Não há nada que eu possa imaginar, no que se refere à religião , que me afligiria mais do que ver um dos meus filhos casado com uma j ovem não-membro, ou uma das minhas filhas unida a um não-membro . " (Doutrina do Evangelho, p . 254.) O Presidente Spencer W . Kimball escreveu : " Muitas vezes tenho sido visitado por mulheres com lágrimas nos olhos . Como se sentiriam felizes em poder treinar os filhos no Evangelho de Jesus Cristo ! Porém, não podem fazê-lo , devido à incompatibilidade religiosa com o marido não­ -membro . Como gostariam de aceitar posições de responsabilidade na Igrej a ! Como gostariam de pagar o dízimo ! Como gostariam de poder ir ao templo para receber suas investiduras e fazer o trabalho pelos mortos ! Como gostariam de poder ser seladas para a eternidade e ganhar a promessa de ter sua carne e sangue - seus filhos - selados a elas para a eternidade! Às vezes são os homens que se encontram nessa situação . Mas eles fecharam as portas , e as dobradiças já enferrujaram . " (O Milagre do Perdão , pp . 232-3 3 . )


/


Gênesis 37-50

8

José: O Poder da Preparação (8-1) Introdução

"A história de José, filho de Jqcó a qu �m o Senhor passou a chamar de Israel , é uma vívida representação da grande verdade existente no ensinamento bíblico de que 'todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus. ' (Romanos 8 : 2 8 . ) Pelos exemplos que encontramos das atitudes de José, parece que ele sempre �ez as coisas de maneira acertada, e ainda, o que é mais Importante, assim procedeu pelos motivos corretos . Quão profundamente significativo é esse fato ! José foi vendido como escravo por seus próprios irmãos, sendo comprado por Potifar , capitão da guarda do faraó . Porém , mesmo servindo na posição de servo contratado, José conseguiu transformar todas as circunstâncias e experiências - não ' importa quão difíceis fossem , em algo bom. " Esta aptidão para tornar tudo em algo de bom parece ser uma característica divina. Nosso Pai Celestial sempre é capaz de consegui-lo. Qualquer coisa, por mais calamitosa que seja, transforma-se em vitória para o Senhor. José, embora escravo sem absolutamente merecê-lo , não obstan�e conservou-se fiel ao Senhor e continuou a viver os mandamentos, e fez algo de muito bom de suas con �ições degradantes . Pessoas como ele não podem ser vencidas , porque jamais desistem de lutar . " (Hartman Rector Jr . , "Viver Acima da Lei Para Ser Livre" , A Liahona, agosto de 1 973, p. 3 1 . )

Instruções aos Alunos 1 . Ao ler e estudar Gênesis 37-50, utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem lhe oferecer. 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar conforme as orientações que lhe forem forne� idas pelo professor . (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção .)

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE GÊNESIS 37-50 (8-2) Gênesis 37:3. Em Que Consistia a Túnica de Várias Cores? Existe uma certa dúvida sobre em que consistia a túnica de José . A palavra hebraica denota que era "uma veste longa com mangas . . . isto é, uma espécie de capa que alcançava os pulsos e tornozelos, semelhante a que era usada pelos nobres e filhas dos reis" (Keil and Delitzsch , Commentary, 1 : 1 : 3 3 5 ; vej a também II Samuel 1 3 : 1 8 , onde se ensina que as filhas do Rei Davi usavam túnicas semelhantes) . A túnica, provavelmente, era de cores diferentes , mas o fato mais significativo referente a ela é que seu valor não se resumia apenas em seu colorido e beleza . Um estudioso da Bíblia afirmou que aquela peça de vestuário "era de um cumprimento que alcançava a

palma das mãos e as solas dos pés : uma túnica longa com manga�, usada por j ovens e donzelas de alta classe . No caso de José, conforme supõe Bush . . . devia ser um símbolo da primogenitura que Rúben perdera e fora transferida a José " . (Wilson , Old Testament Word Studies , p . 82 .) S de fat <:> , essa túnica assinalava que José possuía o . 7' direito da pnmogenitura, o qual certamente era disputado por seu s irmãos, pois na família de Jacó havia quatro primog �nitos, isto explica a intensa hostilidade e invej a que ela p rovocava entre os outros filhos daquele patriarca. Os � egll l� te � irmãos p oderiam facilmente julgar que lhes cabia o direito da pnmogenitura: Rúben . Dentre todos os filhos, ele era o primogênito. Embora houvesse perdido esse direito (veja a Leitura 7-28) , p rovavelmente lhe era difícil aceitar tal fato . Simeiio . Considerando que era o segundo filho de Léia ' e o segllinte na linha de sucessão , logo após Rúben , ele deve ter presumido que receberia o direito da primogl:nitura, já que seu irmão o perdera. Judá , Ele poderia ter afirmado que não somente Rúben hav �a pl:rdido aquele privilégio, mas também Simeão e L�VI , I? or terem massa�r�do o povo de Siquém (veja Genesls 34) . A desqualificação desses filhos faria dele o herdeiro legal àquele direito . Dã. Devido ao fato de Bilha, sua mãe ter sido conside rada propriedade de Raquel, ele oderia afirmar ser o pr imogênito de Raquel, e não José' assim sendo ' deveria ter herdado aquele direito, quan d o Rúben o perdeu . Gac!e . El7 foi o primogênito de Zilpa e, portanto, podena facilmente ter achado que devia ganhar a primogt:nitura depois de Rúben havê-la perdido . � s so nhos tidos por José (veja Gênesis 3 7 : 5- 1 1 ) , os quais são � ma evidência inequívoca de futura liderança, somente fizeram aumentar o ressentimento que existia entre seus irmãos.

(8-3) Gt'nesis 37:28 A quantia paga pela compra de José , vinte moedas de prata, é a mesma que mais tarde a lei mosaica especificaria como Sf ndo o preço de um escravo com a idade entre cinco a vinte anos (veja Levítico 27 : 5 ) . Normalmente , um escravo era avaliado em trinta siclos de prata (veja Êxodo 21 : 32) .

(8-4) Gê nesis 37:32 Morôni r�gistrou no Livro de Mórmon que, na ocasião em que Jaco recebeu um pedaço da "túnica de várias cores " (vers . 32), provavelmente após haver-se reunido com Jo� é no Egito, ele profetizou que, assim como uma parte da túnica havia sido preservada sem se estragar ou corromper , também um remanescente da semente de José seria preservado (veja Alma 46:24) .


92

José vendido aos midianitas em Dotã

escravo .

Os irmãos de José e Jacó, seu pai, reúnem-se a ele no Egito, para escaparem à fome.

EO TO

A família de Jacó vai para O I:.gito

(8-5) Gênesis 37:36. Que Posição Ocupava Potifar? A frase hebraica que foi traduzida como "c�pitão da guarda" significa literalmente "chefe dos açougueiros ou matadores " . Considerando este significado, alguns eruditos afirmaram que ele era administrador da cm:inha, ou mordomo da casa do faraó. Porém, outros há qm : acreditam que os termos açougueiro ou matador sãc, usados no sentido de executor. Assim sendo, Potifar, era "o oficial comandante do corpo da guarda que exec utava as sentenças capitais ordenadas pelo rei ' (Keil e Deli1 . zsch , Commentary, 1 : 1 : 338). Sej a qual for o caso , Potifar era um homem importante, mas esta última posição , especialmente, por certo teria feito dele um líder de grande poder e prestígio no Egito.

(8-6) Gênesis 38: 1-30. Judá e Tamar Com impressionante honestidade , o Velho Testamento inclui o sórdido relato do relacionamento incestuosc que Judá teve com sua nora. Parecem existir diversos motivos pelos quais a história foi preservada. Em primeiro Ilgar, ele novamente ilustra as conseqüências de o povo dc­ convênio haver esquecido a importância de se CaSaH'ill dentro do convênio. De maneira bem diferente de SfU pai , avô e bisavô (Jacó , Isaque e Abraão), Judá não se

preocupava com o mandamento de não contrair matrimônio com as filhas dos cananeus . Os resultados negativos de tal consórcio são claramente demonstrados neste episódio . Em segundo, a história apresenta a linhagem de Judá, da qual o Messias eventualmente nasceria (veja Mateus 1 : 3 ; Lucas 3 : 33). Uma outra lição que podemos aprender com este incidente, evidencia que a dignidade dos ancestrais não é um fator que determina a retidão pessoal de um indivíduo . E, finalmente, vemos que é bem verdade que o fato de um indivíduo não honrar os compromissos assumidos, pode levá-lo a sofrer maiores percalços. Se Judá tivesse cumprido a promessa que fizera a Tamar, a sedução j amais teria ocorrido. Da mesma forma, se Judá houvesse cumprido fielmente as leis da moralidade, de forma alguma teria cometido pecado com Tamar .

(8-7) Gênesis 38:5- 1 1 . Por Que Tamar Devia Casar-se com os Irmãos de Seu Marido? Os antigos costumes vigentes no Oriente Médio estabeleciam que o irmão de um homem falecido deveria casar-se com sua viúva . No tempo de Moisés , esse hábito se tornou uma lei (veja Deuteronômio 25 : 5 - 1 0) . O objetivo de tal prática era o de suscitar um herdeiro masculino para a pessoa falecida, perpetuando, assim , seu nome e


93 lembrança. O povo daquela época considerava uma grande calamidade morrer sem deixar semente, pois assim, sua linhagem não teria continuidade e os bens que ele possuía, passariam às mãos de outro membro da família (através das filhas , se ele as tivesse, ou de outros parentes). Pode ser que Onã, que em virtude da morte de seu irmão mais velho havia se tornado o seguinte na linha de herdeiros de Judá, tenha-se recusado a levantar semente através de Tamar , porque senão , a herança passaria a pertencer ao filho do filho mais velho da família. · Ele cumpriu exteriormente a lei, tomando por esposa a Tamar, mas n ão permitiu que ela tivesse filhos . Assim , ao ver que Judá não cumprira a promessa que fizera de lhe enviar seu filho mais novo , Tamar usou de subterfúgio , para que pudesse conceber.

do berr. e dizer : "De que adianta servir a Deus? Tudo o que ele faz é castigar-me . " Mas não havia o menor traço de ama rgura em seu coração , nem lhe passou pela idéia murmu rar contra o Senhor . José limitou-se a continuar digno e fiel como sempre fora. Prestimosamente , ele se ofereceu para interpretar os sonhos de dois de seus companheiros de infortúnio, revelando a eles que tal conhec imento procedia de Deus (veja Gênesis 40:8). Ele ainda t mha toda confiança no Senhor , embora parecesse estar condenado a passar o resto de sua vida numa prisão . Se havia alguma pessoa que possuía justa razão para sentir-s e desanimada e rancorosa, esta era José, mas em momer.to algum permitiu que sua fé se abalasse . Sem dúvida alguma, ele nos dá um exemplo que vale a pena ser imitado.

(8-8) Gênesis 38:24

(8-12) Gênesis 41 : 1 . Durante Quanto Tempo José Permaneceu Encarcerado?

É importante notar que Judá possuía uma noção distorcida de valores . Ele não teve o menor escrúpulo ao mandar Tamar embora sem cumprir a promessa que lhe fizera, nem ao deitar-se com uma meretriz que encontrou à beira do caminho . Mas , ao saber que a nora estava grávida, tão exacerbados fica,ram seus ânimos, que ordenou que a matassem . (8-9) Gênesis 39:9. Que Razões Tinha José para Recusar a Proposta da Mulher de Potifar? A reação que José demonstrou diante das investidas da mulher de Potifar são uma clara evidência de sua grande integridade pessoal . O Rei Benjamim ensinou aos nefitas que "quando estais a serviço de vosso próximo, estais somente a serviço de vosso Deus" (Mosias 2: 17). A contrapartida desta afirmação seria: "Quando estamos tirando partido de nossos semelhantes , ou pecando contra eles, estamos somente transgredindo contra Deus . " José entendia perfeitamente este conceito , e respondeu à mulher de Potifar dizendo que seria uma coisa terrível abusar da confiança de seu senhor daquela forma. Em seguida, concluiu a lógica de seu raciocínio acrescentando: "Como pois faria eu este tamanho mal , e pecaria contra Deus? " (Gênesis 39:9) .

José ficou ainda por dois anos na prisão , após haver interpretado os sonhos do copeiro-mor e do padeiro-mor (veja G ênesis 4 1 : 1 ) . Ele foi vendido como escravo quando tinha cerca de dezessete anos de idade (vej a Gênesis 37:2), e se tor nou vi ce-regente do faraó aos trinta anos (vej a Gênesü; 41 :46) . Transcorreram-se treze anos entre o período em que ele começou a servir a Potifar e a época em que saiu da prisão . Os registros bíblicos não mencionam quanto tempo José serviu a Potifar antes de ser encarcerado, mas o fato de ele se tornar supervisor dos detentc s, significa que deve ter passado um considerável período de tempo antes de o copeiro e do padeiro virem fazer companhia a ele . Assim sendo , ele provavelmente esteve preso pelo menos durante três anos, ou talvez muito mais.

(8-10) Gênesis 39:20 Considerando que Potifar era um homem de grande poder perante o faraó e que talvez até mesmo fosse o comandante dos executores reais (veja a Leitura 8-5), é de admirar que José tenha sido apenas aprisionado, e não morto . Um escravo acusado de tentar seduzir a esposa de seu senhor com certeza merecia o mais severo castigo ; entretanto , José foi apenas encarcerado. Será que Potifar , conhecendo bem o caráter de José e o de sua mulher, suspeitou da verdade, e embora tivesse que fazer algo a respeito , escolheu um castigo comparativamente mais suave? Seja qual for o caso , a mão do Senhor seguramente protegeu José, impedindo que perecesse tragicamente. (8-1 1) Gênesis 39:21-23; 40; 1-23 A magnitude espiritual de José é, de fato, surpreendente. Quantas pessoas se tornam amarguradas diante de uma pequena falta de consideração , quer sej a real o u imaginária, o u costumam culpar o Senhor ao sofrerem alguma tragédia pessoal? Quando estava firmemente determinado a ser leal e defender aquilo que julgava ser correto, José foi falsamente acusado e posto numa prisão . Quão fácil seria para ele abandonar a prática

"Os lI1id 'anilas venderam José no EgilO "


94 (8-13) Gênesis 41:8. Por Que os Sábios do Egito FOl'am Incapazes de Interpretar o Sonho do Faraó?

(8-14) Gênesis 42:8 . Por Que os Irmãos de José Não Conseguiram Reconhecê-lo?

Muitos entendidos supõem que a interpretação dos sonhos do faraó estava fora do alcance dos magos do Egito; mas ainda assim, é de admirar que os sábios não tenham inventado alguma explicação plausível, utilhando para tanto os simbolismos que tão bem conheciam. "Sentindo-se aflito com seu duplo sonho, na manhã seguinte o faraó solicitou a ajuda de todos os escribas e sábios do Egito para que o interpretassem . . . (Os adivinhadores) eram homens pertencentes à casta sacerdotal, que se dedicavam às artes e ciências sagradas dos egípcios, à escrita hieroglífica, astrologia, interpretação de sonhos, previsão de acontecimento:; futuros e magias, e eram considerados como conhecedores de artes sagradas . . . os homens mais sábios de toda a. nação . Porém nenhum deles conseguiu interpretá-los , embora a chave para tal revelação pudesse ser encontrada nos próprios símbolos religiosos do Egito, p�is a vaca era . uma representação da deusa Isis, consideradà como a sustentadora de toda a terra, e nos hieroglifos ela representava a terra, a agricultura e o alimento; e o Nilo , através de suas cheias, era uma fonte de fertilidade para a terra. Entretanto, por mais simples que pareça a explicação relativa às vacas gordas e magras saindo de dentro daquele rio, "o destino da sabedoria deste m undo é tal, que, quando parece ter a resposta para as coisas mais comuns, é compelida a silenciar sua voz, pois compt:te ao governo de Deus emudecer aos eloqüentes e tirar ao:; anciãos o discernimento (Jó 1 2:20) " . (Keil and Delitzsch, Commentary, p . 1 : 1 : 349.)

Já haviam transcorrido vinte e dois anos desde que os filhos de Jacó viram José pela última vez - treze anos em que passou cativo e encarcerado, sete anos de abundância e dois de escassez (veja Gênesis 45 : 1 1 ) quando a família de Jacó foi forçada a ir ao Egito em busca de alimento. José era apenas um adolescente da última vez que seus familiares contemplaram seu semblante . Agora ele se tornara um homem amadurecido e de meia-idade. Mesmo que José conservasse seus traços fisionômico�. da juventude, quem acreditaria que um irmão qUI! fora vendido como escravo para uma caravana de árabes viria a se tornar a segunda pessoa mais poderosa do Egito? -

(8-15) Gênesis 42:21

Mais de vinte anos depois de terem vendido José no Egito, seus irmãos ainda sentiam um ardente remorso pelo mal que haviam praticado. (8-16) Gênesis 43: 8-9

Ao exigir que Benjamim fosse trazido ao Egito (veja Gênesis 42: 1 5), José permitiu que seus irmãos demonstrassem se estavam ou não verdadeiramente arrependidos do que lhe haviam feito muitos anos atrás. Demonstrariam idêntica falta de interesse pelo bem-estar de Benjamim? É um fato bastante significativo o de que Judá, o irmão que sugerira aos demais que vendessem a José (veja Gênesis 37:26-27) , tenha sido quem se levantou em defesa de Benjamim. Parece haver evidência de que os irmãos de José estavam· sinceramente arrependidos, e o estratagema que ele usou fez com que dessem prova daquele sentimento. No momento de maior tensão , a mudança ocorrida no íntimo de Judá se tornou evidente e global (veja Gênesis 44:33). (8-17) Gênesis 43:28. "E Abaixaram a Cabeça e Inclinaram-se' •

A fraseologia usada neste versículo é a mesma que vemos em Gênesis 37:7, 9. Haviam-se passado duas décadas, mas as revelações do Senhor agora se cumpriam. (8-18) Gênesis 43:32. Por Que os Egípcios Consideravam uma Abominação Comer Com os. Hebreus?

Diversos deuses egípcios eram representados por animais especialmente por fêmeas de gado . Visto que os hebreus matavam e comiam a carne de seu gado, seja de que sexo fosse, tal prática teria sido considerada por aquele povo como uma terrível abominação. Não importa qual seja o motivo, José parece ter respeitado o costume dos egípcios e hebreus de comerem separadamente. (8-19) Gênesis 45: 4-8. José - Um Protótipo de Cristo

o faraó fez de José governador de todo o Egito

A emocionante cena descrita nesta passagem, na qual José finalmente se dá a conhecer a seus irmãos, demonstra a natureza cristã de seu caráter. Ele perdoou sem qualquer reserva, estendeu amor a seus semelhantes quando não o mereciam, e viu a mão do Senhor em tudo o que aconteceu. Porém, suas características semelhantes às de Cristo vão ainda mais longe. Como Néfi declarou, todas as coisas, desde a fundação do mundo, foram dadas como uma representação ou símbolo de Cristo (veja 2 Néfi 1 1 :4; Moisés 6:63). Já se demonstrou como Abraão foi um


95 protótipo do Pai, e Isaque de Jesus Cristo, no momento em que o patriarca foi ordenado a oferecer seu filho em sacrificio . Este ato foi feito "à semelhança de Deus e seu Filho Unigênito" (Jacó 4:5). O Élder Bruce R. McConkie ensinou que todos os profetas são uma representação de Cristo: "Um profeta é alguém que possui um testemunho de Jesus, que sabe por meio de revelações concedidas pelo Espírito Santo à sua alma, que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Além de possuírem esse conhecimento divino , muitos deles viveram situações especiais ou tiveram determinadas atitudes que os distinguiram como símbolos, padrões e prefigurações de eventos que ocorreriam na vida daquele que conhecemos como nosso Senhor. " ( The Promised Messiah, p. 448 .) Da mesma forma, a vida e missão de José simbolizam a vida e missão de Jesus. Considere as seguintes semelhanças: 1 . José era o filho predileto de seu pai; o mesmo aconteceu a Jesus (veja Gênesis 3 7 : 3 ; Mateus 3 : 1 7) . 2. José, d a mesma forma que Jesus, foi respeitado por seus irmãos israelitas (veja Gênesis 37:4; João 1 : 1 1 ; Isaías 5 3 : 3 ; 1 Néfi 1 9 : 1 3- 14). 3. José foi vendido por seus irmãos aos gentios . Idêntica situação ocorreu a Jesus (veja Gênesis 37:25-27 ; Mateus 20: 1 9) . 4. Judá, o cabeça d a tribo que recebeu seu nome, sugeriu a seus irmãos que vendessem a José. Certos líderes dos judeus, na época de Jesus, entregaram o Messias aos romanos. Judas (grafia grega de Judá) foi o apóstolo que acabou vendendo a Jesus. (Veja Gênesis 37:26; Mateus 27 : 3 .) 5 . José foi vendido por vinte siclos de prata, o preço de um escravo de sua idade. Cristo foi vendido por trinta moedas de prata, o preço de um escravo adulto . (Veja Gênesis 37 :28; Mateus 27 : 3 ; Êxodo 2 1 :32; Levítico 27 : 5 . ) 6. Ao procurarem destruir a José, seus irmãos acabaram, dando origem às condições que contribuíram para a eventual salvação temporal da família - isto é, em virtude de José ter sido vendido, um dia se tornou o seu libertador. Ao ser entregue nas mãos dos gentios, Jesus foi crucificado e completou o sacrificio expiatório que veio realizar, tornando-se, assim, o Salvador de toda a humanidade. 7. José começou aos trinta anos os preparativos para a sua missão de salvar Israel, a mesma idade em que Jesus iniciou o seu ministério preparando li salvação do mundo (veja Gênesis 4 1 :46; Lucas 3 :23) . 8. Quando José, finalmente, foi elevado à sua posição no governo do Egito, todos se inclinaram perante ele . Eventualmente todos os joelhos se dobrarão perante Jesus (veja Gênesis 4 1 :43 ; D&C 88 : 1 04) . 9. José forneceu pão a Israel, salvando-os da morte certa, sem cobrar nenhum centavo. Jesus, o Pão da Vida, fez o mesmo por toda a humanidade. (Veja Gênesis 42: 3 5 ; João 6:48-57; 2 Néfi 9:50.) (8-20) Gênesis 47:9. Os Dias de Peregrinação de Jacó Foram "Poucos e Maus" ?

Comparados aos 175 anos d a vida d e Abraão, e aos 1 80 de Isaque, os 1 30 anos de Jacó poderiam ser descritos como menores ou "poucos" . A palavra que foi traduzida para "maus" realmente significa "pesarosos" ou "cheios

de fadigas e problemas " . A lembrança da fuga de Jacó para Padã-Harã, a fim de escapar à ira de Esaú, os diversos anos que trabalhou para Labão, suas esposas e discórdias que houve entre elas, sua peregrinação na terra de Canaã, a morte de Raquel, e os anos que passou lamentando a perda de José, muito contribuem para que entendamos melhor por que ele foi levado a afirmar que seus dia1: foram cheios de problemas e fadigas. (8-21) G ênesis 48:5-11. Que Informações Adicionais Sobre a Semen te de José Aprendemos Com a Tradução da Bíblia Feita por Joseph Smith?

Nesta passagem, foi revelado através de Joseph Smith, que Jacó adotou Efraim e Manassés como membros das doze tribos, com autoridade sobre as outras tribos; eles seriam u ma fonte de liderança, orientação e esclarecimento. (8-22) Gênesis 48:22. De Que Maneira Jacó Concedeu a José "U m Pedaço de Terra" a Mais que a Seus Irmãos?

" José , filho de Jacó, devido a sua fidelidade e integridade para com os propósitos do Senhor, foi recomp<:nsado com o direito de primogenitura em Israel. Nos tempos antigos, era costume condecer ao primogênito privilégi os e bênçãos especiais, e estes eram considerados a ele perte ncentes por direito inato. Rúben, primeiro filho de Jacó, perdeu o direito de primogenitura por transgressão, sendo então conferido a José, o mais digno de todo�: os filhos de Jacó. "Ao abençoar José, Jacó deu-lhe porção dobrada, ou seja, uma herança entre seus irmãos na Palestina e também a bênção da terra de Sião - 'até a extremidade dos outeiros eternos' . Abençoou-o ainda com as bênçãos dos céus de dma, do abismo que está debaixo e de posteridade. Jacó abençoou também os dois filhos de José com as bênçãos de seu pai, as quais herdaram; e colocou Efraim, o mais novo, adiante de Manassés, o mais velho, e por insr iração do Senhor conferiu a Efraim o direito de primogenitura em Israel. " (Joseph Fielding Smith , Doutrinas de Salvação, Vol. III, p. 254.) (8-23) Gênesis 49:1-20. Que Critério Foi Usado para DetermLnar Que Tribos Teriam Preeminência?

"Através de um cuidadoso estudo e consideração das bênçãm que o Senhor concedeu a Jacó e a seus doze filhos, f' evidente que eles não desfrutariam equitativamente das promessas do Senhor. "É óbvio que as bênçãos concedidas a Judá e José foram bem superiores às pronunciadas sobre qualquer um de seus :irrnãos." (Richards, Israel! Do You Know? , pp. 9- 10.) As atividades que exercemos na vida pré-mortal influenciaram de maneira profunda o nosso nascimento e situação particular aqui na terra. O Presidente Harold B. Lee fez a seguinte observação: " ' Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, pôs os termos dos povos, conforme ao número dos filhos de Israel. ' (Deuteronômio 32:8.) "Not em que isto foi dito aos filhos de Israel antes deles terem cl1egado na 'Terra Prometida' que deveria ser a terra de sua herança.


96 "Observem, em seguida, o versículo seguinte: 'Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a corda da sua herança. ' (Deuteronômio 32:9.) "Parece-me que ficou bem claro, portanto, que a queles que nasceram na linhagem de Jacó, que mais tarde Heria chamado de Israel, e sua posteridade, que veio a �e� conhecida como filhos de Israel, nasceram na maIS Ilustre de todas as linhagens daqueles que vieram à terra como seres mortais. "Todas essas recompensas parece que foram prometidas ou preordenadas, antes do mundo existir. Certamente foram determinadas pelo tipo de vida que tivemos n o mundo espiritual pré-mortal. Alguns poderão questIOnar tais asserções, mas, ao mesmo tempo, não terão dúvida em aceitar a crença de que cada um de nós será julgado , . quando deixarmos esta terra, de a�ordo com �s ato!: feitos . durante nossa vida aqui na mortalidade. Não e Igualmente razoável acreditar que o que recebemos aqui nesta terra ('lida) nos foi dado de acordo com nossos méritos e . conduta anteriores? " ("Understandmg Who We At e Brings Self-Respect" , Ensign, janeiro de 1 974, p. 5.) Em Deuteronômio 33:6-29, Moisés faz um novo relato das bênçãos conferidas a cada uma das tribos. Esta passagem deve ser estudada e comparad� com as bê.llçãos originais pronunciadas por Jacó, as qUaIS se encontram no capítulo 49, de Gênesis .

(8-24) Gênesis 49:8-12. Que Parte Significativa da B enção de Primogenitura Foi Concedida a Judá? A bênção concedida a Judá indica que reis procederiam de sua linhagem (veja I Crônicas 5: 1 -2) . A história 0.0 Velho Testamento nos ensina que esta promessa certamente foi cumprida. Dentre alguns reis que del i . surgiram, podemos citar Davi, Salomão e Roboão. '� Rei dos Reis, Jesus Cristo, em algumas traduções do vel slculo 10 chamado de Siló, também descende desta linhag em . O Élder Ezra Taft Benson disse o seguinte, a respeito dessa promessa: "A grande bênção recebida por Judá é a de que . o contemplaria a vinda de Siló, e que a el� s e cong�egé!na . seu povo. Esta profecia concernente a SIlo, tem Sido obJeto de diversas interpretações rabínicas e cristãs e alvo d e consideráveis controvérsias. A interpretação desta passagem, feita pela Igreja Mórmon, é baseada na , . revelação dada a profetas modernos , não em comentanos eruditos . Foi revelado a Joseph Smith que Siló é o Messias. " ("A Message to Judah from Joseph" , Ensign, dezembro de 1 976, p. 7 1 .)

(8-25) Gênesis 49:Z2-26.

Recebida por José?

Qual

É o Significado da Bênção

" Há diversos conceitos desta profecia que devemos entender. Primeiro, o de que de José procederia uma multidão de nações. Compreendemos plenamente o que isto significa. Em segundo, seus ramos se estenderiam sobre o muro. O que esta frase dá a entender? Nos tempos antigos o Senhor tinha um significado para tudo . Isto quer dizer que os descendentes desta tribo se tornariam tão numerosos, que ocupariam mais que a pequena herança que lhes foi dada em Canaã; que seus des�endentes frutificariam e seguiriam para uma terra Situada a grande I distância. . . "A bênção peculiar dada a José, que acabei de ler para vós, foi a de que ele d�sfrutaria de po�sessões muit? maiores que as concedidas aos progemtores de Jaco, ate, a. extremidade dos outeiros eternos . Isto parece indicar que ocupariam uma terra localizada muito longe da Palestina. " (Orson Pratt, em Journal of Discourses, vol . 14, p. 9.) A semente de José chegou às terras da América na ocasião em que Leí e sua família ali aportaram, vindos do mundo Mediterrâneo . A terra da América foi especificamente designada pelo Senhor como um lugar reservado para "um remanescente da casa de José" (3 Néfi 1 5 : 12) .

(8-26) Gênesis 49:26. A América É a Terra dos "Montes Eternos" " Creio que Jacó teve o privilégio de ver esta terra, como aconteceu a Moisés, e se refere a ela como uma terra distante. A frase 'à extremidade dos outeiros eternos' , deve significar uma região deveras longínq�a. Jacó afirmou ?�e 'as bênçãos de teu pai excederão as bençãos de meus paiS , e que ele as transferia a José . . . Essas bênçãos divinas seriam dadas a José nesta terra. Abençoada pelo Senhor seja sua terra pelas coisas que tem recebido' do alto, muito mais valiosas que a plenitude da terra, mais preciosas que os mais diversos produtos produzidos em todos os climas deste planeta, de valor superior a todos os cereais, ouro e prata extraidos deste solo . As coisas preciosas dos céus, reveladas ao povo de José na extraordinária terra que lhe foi dada, até a extremidade dos outeiros eternos. " (Orson Pratt, em Journal of Discourses, Vol. 1 8. pp . 1 67-68 .)


97 (8-27) Gênesis 50:24. As Profecias de José No capítulo 3 de 2 Néfi, o profeta Leí falou a seu filho, José, a respeito das grandes profecias de seu ancestral, o mesmo José que fora vendido no Egito . Elas, evidentemente, se encontravam escritas nas placas de latão que Leí possuía, mas não se acham em nossa Bíblia atual. Através de revelação, Joseph Smith restaurou as escrituras perdidas, acrescentando treze versículos entre Gênesis 50:24 e 25 da Versão do Rei Tiago . Neles foi declarado que Moisés seria levantado com o propósito de libertar os filhos de Israel do cativeiro no Egito . Além disso, que um vidente, com o nome de José, seria levantado nos últimos dias, o qual , em meio às perseguições, seria um instrumento para a obtenção de novas escrituras que , j untamente com a Bíblia, haveriam de confundir as falsas doutrinas .

PONTOS A PONDERAR (8-28) Escreva uma curta dissertação intitulada " José no Egito - Um Modelo de Retidão Pessoal" . O obj etivo desta atividade não é simplesmente fazer um resumo da história de José, mas sim demonstrar como aplicá-la em sua vida, atualmente. Como um santo moderno poderia usar em sua vida cotidiana o exemplo deixado por José? Ao preparar tal mensagem, considere os seguintes fatos: ," José demonstrou vividamente por que era favorecido pelo Senhor, ou, como dizem as escrituras , porque 'o Senhor estava com ele, e tudo o que ele fazia. O Senhor prosperava. ' (Gênesis 39:23 .) Sua segurança estava no Senhor, confiava no Senhor e sua fidelidade era para com ele. " Creio ser esta a maior lição que pode ser aprendida pela j uventude de Sião - fazer a coisa certa por amor ao Senhor. Isto é de tão vital importância, que, a meu ver, se fazeis qualquer coisa justa por outra razão que não o amor ao Senhor, estais errando - pelo menos, estais pisando em terreno pouco seguro . E, mais cedo ou mais tarde vossas razões para agir retamente não terão força suficiente para ampará-los no momento crítico . Então , começareis a ceder às conveniências , ou pressões sociais , honra, fama, aplauso , ou à emoção do momento ou outro motivo mundano qualquer . A não ser que vossos motivos estejam firmemente alicerçados sobre o amor do Senhor, não sereis capazes de resistir" (Hartman Rector Jr . , " Viver Acima d a Lei para Ser Livre" , A Liahona, agosto de 1 973, p. 32) .

(8-29) A,) refletir sobre o que acabou de ler a respeito dos filhos de Jacó e das bênçãos que receberam de seu pai, pergunt� a si mesmo quão valiosa deve ter sido cada uma delas, no sentido de ajudá-los a enfrentar os desafios oferecid,)s pela vida. Reflita sobre os efeitos de longo alcance que exerceram sobre seus descendentes e toda a humanidade. Como descendente da casa de Israel, você se encontra, diante de idênticos desafios em sua existência. Como p,)de usar com maior proveito as grandes verdades contidas em sua bênção, para ajudá-lo a desenvolver ao máximo o seu potencial e ser uma pessoa útil ao serviço de nosso Se nhor? O É ld er Bruce R. McConkie teceu os seguintes comentários a respeito dessa questão : " Qua ie todo membro da Igreja é um descendente literal de Jacó , o qual proferiu bênçãos patriarcais sobre a cabeça de seus 1 2 filhos, predizendo o que aconteceria a eles e à posteridade que suscitariam . (Gênesis 49; Ensinamentos, p. 1 47.) Na posição de herdeiros das bênçãos de Jacó , os remanes :entes reunidos de Jacó têm o privilégio de receber suas próprias bênçãos patriarcais e, através da fé, serem abençoados j untamente com os povos de épocas anteriores . As bênçãos patriarcais podem ser dadas por patriarcas naturais, isto é, pelos pais em Israel que desfruta m das bênçãos da ordem patriarcal, ou podem ser concedidas por patriarcas ordenados, ou sej a, pessoas especialmente escolhidas , que são designadas para abençoar os membros da Igreja que forem dignos . "A Primeira Presidência da Igreja (David O . McKay, Stephen L. Richards, J. Reuben Clark, Jr.), numa carta dirigida a todos os presidentes de estaca, datada de 28 de junho de 1 957, deu a seguinte diretriz e explicação : As bênçãos patriarcais apresentam uma declaração inspirada da linha:�em daquele que a recebe e também incluem uma declaraç ão profética e inspirada das possibilidades e missão da vida da pessoa. Poderá incluir bênçãos, promessas, conselhos, admoestações e advertências , confom.,e o patriarca for inspirado pelo Espírito. Deve sempre ficar explícito que o cumprimento de todas as bênçãos prometidas depende da fidelidade do indivíduo e da vontade do Senhor. Todas as bênçãos são registradas e geralmente uma única bênção é apropriada à vida de cada pessoa. A natureza sagrada da bênção patriarcal requer obrigato riamente que todo patriarca implore sinceramente a orientação divina para suas declarações proféticas e promessas , alertas e admoestações" . (Informações e Sugestõ(�s aos Patriarcas, p. 4.)


98 Todo indivíduo que tenha um pai que pode abençoar a seus filhos, deve pedir e receber uma bênção paterna, quando julgar que dela necessita. Além disso, todc membro digno da Igreja, mediante recomendação, pode receber uma bênção patriarcal de um patriarca ordenado. A bênção patriarcal deve ser lida e relida com cóns.ideração inteligente, levando-se em conta o seu significado . Assim como as bênçãos são dadas através de inspiração d o Senhor, d a mesma forma o seu significado s e tornará claro por meio desse mesmo poder. O cumprimento de seus termos dependerá do procedimento do recebedor. O Élder John A. Widtsoe escreveu o seguinte a respeito dru, bênçãos patriarcais: -" Estas bênçãos constituem possibilidades baseadas na dedicação fiel à causa da verdade. Devem ser mere :idas, do contrário não passarão de vãs palavras. Certamente, alcançam seu principal valor quando se empregam como

ideais, como possibilidades particulares que procuramos realizar durante nossa vida. O Sacerdócio é ofendido quando se considera o patriarca um adivinho; ele somente indica os dons que o Senhor quer-nos dar, se trabalharmos por eles. Ajuda-nos, indicando a meta divina que podemos alcançar, se pagarmos o preço. "Esta bênção, dada com espírito de amor paternal e selada sobre nós com a autoridade do Sacerdócio, chega a ser uma força em nossa vída e um consolo em nossos dias . É uma mensagem que, se lida e honrada devidamente, chegará a ser uma âncora nos dias tempestuosos, nosso ânimo em dias nublados. Expressa nosso destino exato aqui e na outra vida, se vivermos de acordo com a lei; e durante o curso de nossa vida, fortalece nossa fé e nos conduz à verdade. "


99

"Assim disse o Senhor Deus. . . um vidente escolhido levantarei"


\',

,( , �

\

'\ \

.. " ,

._ -

:'"

I.

/-1 ,' )

"

:

, - "'--


Êxodo 1-10

9

" Deixa Ir o Meu Povo " (9-1) Introdução o profundo interesse que o Senhor tinha pelo povo que escolhera pode ser visto no chamado de Moisés . Tão extraordinário foi este líder, que, depois disso , para sempre o Senhor e seu povo usaram-no como um padrão ou modelo de profeta. Até mesmo Jesus Cristo foi chamado de profeta semelhante a Moisés (veja Atos 3:22; 7:37; Deuteronômio 1 8 : 1 5 , 18-19; 1 Néfi 22:20-2 1 ; 3 Néfi 20:23-24) . De fato, Moisés foi um protótipo ou símbolo vivo de Jesus Cristo (veja Moisés 1 :6). Mo sés foi um homem que, como qualquer um de nós, pOSSUla pontos fracos de personalidade. Sua mansidão é a chave pela qual podemos entender seu caráter, a capacidade que possuía de ser moldado pelo Senhor e seu Espírito . "E era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra" (Números 12:3). Neste capítulo , você aprenderá sobre a preordenação recebida por Moisés, a preparação que fez em sua juventude, a paciente têmpera de seu caráter, adquirida no deserto, o chamado que recebeu de Deus e sobre quando assumiu a liderança profética. Talvez o conhecimento de tais atributos o incentive a analisar sua vida, para que, como aconteceu a Moisés, possa identificar suas fraquezas , purificar-se delas, e assumir plenamente a designação que o Senhor lhe concedeu realizar aqui na mortalidade . Como Néfi, então será levado a dizer, "sejamos fortes como Moisés" ( 1 Néfi 4:2). O É lder Mark E. Petersen testificou : "O verdadeiro Moisés foi um dos homens mais poderosos de Deus de todas as épocas . . . "Ele caminhou e conversou com Deus, recebeu da glória divina enquanto vivia aqui na mortalidade, foi chamado filho de Deus e era à semelhança do Unigênito do Pai . " Moisés teve desvendados diante de si os mistérios do céu e grande parte da criação, e recebeu das mãos de Deus maior número de leis que qualquer personagem da antigüidade de que temos registro . " (Moses, p . 49.)

}

Instruções aos Alunos 1 . Ao ler e estudar Êxodo 1 - 1 0, utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem lhe oferecer. 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar, conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo professor. (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção .)

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE ÊXODO 1-10 (9-2) Êxodo 1:7. "Os Filhos de Israel Frutificaram e Aumentaram Muito" "O cumprimento da promessa feita por Deus a Abraão requeria que Israel se tornasse um povo numeroso . Para realizar esse objetivo, a pequena família, que contava

com apenas 70 pessoas (Gênesis 46: 26-27), precisava de tempo sufieiente e de um lugar tranqüilo para que pudesse crescer. O' Egito era a região adequada. . . " . . . A Palestina naquela época era um campo de batalha permanente para as nações beligerantes que cruzavam seu território de um lado para outro ao realizan:m suas conquistas nos países situados entre os rios Nilo e Eufrates . Israel jamais encontraria paz vivendo ali . Para que, eventualmente, conseguissem o desenvolvimento de' que lIecessitavam, era necessário que vivessem num ,� ambient e onde desfrutassem de condições favoráveis . . . " Nem tudo foi negativo no cativeiro do Egito. Ele . também teve o seu propósito edificante. A crueldade dos feitores , o ódio existente entre hebreus e egípcios, e a grande extensão de tempo que tiveram de servir a ,eus senhores transformou os filhos de Jacó em um povo unido . "O ódio que sentiam para com os egípcios impediu que houvess e casamentos inter-raciais entre hebreus e seus vizinhos . Para que pudesse colher os benefícios das promes! as feitas a Abraão, Israel tinha que permanecer uma raça pura, e o Senhor usou desse meio para cumprir seus des ígn ios . . . "Sim , o Egito desempenhou um importante papel no poderoso plano do Senhor, e o fez a contento . "Apé,s haverem transcorrido 430 anos de servidão, o Senhor decretara que havia chegado o tempo em que Israel deveria ocupar a terra de sua herança e tornar-se aquela 'propriedade peculiar entre todos os povos' que aguardaria a vinda do Messias . " (Petersen, Moses, pp . 27-30.)

(9-3) Êxodo 1:8. Um Faraó Que Não Conhecera a José Muitos eruditos fazem especulações e afirmam que José galgou é l elevada posição que alcançou no Egito numa é�oca em que aquela nação estava sob o domínio do povo hlcso . Manetho , antigo historiador, intitulou os hicsos de reis-past ores e relatou como a conquista e domínio por aquela raça era vista com amargura e ódio pelos egípcios. Os hicsos eram povos de origem semítica procedentes de regiões do nor!e e ao leste do Egito. Consideranc:jo que Jacó e s ua família também eram semitas, é fácil entender como José conseguiu obter os favores dos hicsos, e também de que maneira, quando aquela raça dominante finalmente foi destronada e expulsa, os israelitas subitamente perder� os privilégios que haviam adquirido junto aos hicsos, e caíram em desfavor perante os egípcios nativos. Causa uma certa estranheza a muitas pessoas o fato de José, sendo vice-regente durante tantos anos, não ter o seu nome in scrito nos monumentos erigidos pelo Egito . Se a teoria do domínio hicso for correta, então seu nome deve ter sido apagado dos registros e monumentos, juntamente com os dos governantes hicsos. Não obstante, um arqueólogo afirmou ter encontrado o nome egípcio Yufni, o qual s'eria equivalente naquele idioma ao nome hebraico Yosef. Embora a evidência não seja positivamente conclusiva, ao menos é possível dizer que pode haver evidência extra-bíblica da existência de José .

\


102

� -- ,-::- --

, --

:

���

Levi

I

I Coate I

Anrão casou-se com

I

I

Míriam

I

I

I

Outros

Joquebede

I

I

Aarão

Moisés

4 filhos Nadabe Abiú Eleazar Itamar

2 filhos Gérson Eliézer

I

I

(9-6) Êxodo 2: 1-10

Tanto a Versão Inspirada da Bíblia (veja a Leitura 8-27» como o Livro de Mórmon (veja 2 Néfi 3) demonstram que, desde a longínqua época de José, filho de Jacó, a missão futura de seu libertador havia sido profetizada. Tão rica de detalhes é a profecia feita por José, que até mesmo o nome de Moisés já era conhecido, bem como alguns incidentes de seu ministério (veja a Leitura 8-27 , sobre os acréscimos e esclarecimentos que a versão de Joseph Smith lança sobre o capítulo 50 de Gênesis) . (9-7) Êxodo 2:10. Que Espécie de Treinamento Moisés Recebeu em Sua Juventude, Quando Vivia no Egito? A colossal estátua do rei Ramsés II, que provavelmente foi o faraó da época

do &odo

(9-4) Êxodo 1: 15-22

As medidas opressivas tomadas pelo faraó não conseguiram frustrar os desígnios que Deus tinha d,� construir uma grande nação . Graças à corajosa fé que possuíam as parteiras e sua terminante recusa em le var avante as nefandas ordens dadas pelo faraó, de executarem todo filho varão no ato do nascimento Israel continuou a prosperar. A vida de Moisés, o qual e;, l um protótipo do Salvador (veja Moisés 1 :6), foi ameaçada pelo governante daquela nação, assim como a de C risto esteve em perigo nas mãos de Herodes, o qual decretou a morte de todas as criancinhas de Belém. Tanto Flávio Josefo, como Jonathan ben Uzziel, outro antigo escritor judeu, registraram que o faraó teve um sonho no qual viu um homem que em breve nasceria, o qual libertaria Israel do cativeiro, e que este sonho deu origem ao decreto real condenando à morte todo fil ho varão, por afogamento. (9-5) Êxodo 2: 1-2. Qual É a Genealogia de Moisés?

Moisés era descendente direto de Levi, tanto atra vés de Anrão (veja Êxodo 6: 1 6-20), seu pai, como de Joquebede ' sua mãe (veja Êxodo 2: 1 ; 6:20) .

No Novo Testamento, Estêvão fez um extenso discurso sobre as obras feitas pelo Senhor junto à casa de Israel . Sobre a juventude de Moisés, ele disse o seguinte: " E Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras" (Atos 7:22) . O historiador judeu Flávio Josefo afirmou que Moisés era um príncipe formoso e educado, um poderoso guerreiro ao defender a causa dos egípcios . Por ser um príncipe, Moisés provavelmente podia ter acesso às bibliotecas reais dos egípcios, bem como aos registros das escrituras pertencentes aos israelitas conforme ensinados por sua mãe. É bem possívei , assim, que tenha lido as profecias de José, e sido levado pelo Espírito a entender a designação divina que recebera de libertar seus irmãos, os israelitas. O discurso de Estêvão nos faz crer que Moisés compreendia qual era a sua responsabilidade: "Ora quando ele completou 40 anos veio-lhe ao coração ir visitar seus irmãos, os filhos de ' Israel . . . Cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; mas eles não entenderam. " (Atos 7:23 25 . ) Paulo, falando aos hebreus, acrescentou u m valioso ensinamento a esse conceito, quando declarou que "pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó; . . . tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito" (Hebreus 1 1 :24, 26) . Joquebede, mãe de Moisés, muito provavelmente ensinou a ele os princípios e tradições ,


103 dignas dos hebreus, enquanto cuidava dele durante seu crescimento (veja Êxodo 2:7-9) . (9-8) Êxodo 2: 11-15. Por Que Moisés Matou um Egípcio?

"As palavras ' feriu' e 'matou' são traduzidas do termo hebraico nakhah, que significa 'derrubar' ; é a palavra usada para descrever a ação tomada por soldados ao combaterem contra os outros. Seria correto dizer que Moisés matou um homem que estava assassinando a outro, ou que tirou uma vida para salvar a de outrém . O fato de ele olhar 'a uma e a outra banda' antes de assim proceder, simplesmente indica que estava ciente de que os egípcios não lhe perdoariam por haver defendido um escravo . " (Rasmussen, Introduction to the Old Testament, 1 :74.) "Todavia, o historiador Eusébio afirma que o assassinato ocorreu em virtude de uma intriga surgida na corte, na qual certos homens pretendiam matar a Moisés . Ao encontrar-se com seu algoz, Moisés conseguiu desarmá-lo e o matou (Eusébio IX:27). "Na Midrash Rabah, o tradicional comentário judaico do Velho Testamento, existe o ensinamento de que Moisés matou com suas próprias mãos um feitor egípcio que procurava seduzir uma mulher hebréia. Este fato é confirmado no Alcorão . . "Com certeza deve ter havido um motivo justo para Moisés agir de tal maneira, pois o Senhor certamente não teria chamado um assassino para ocupar o alto posto de profeta e libertador de seu povo, Israel. " (Petersen, Moses, p. 42.) (9-9) Êxodo 2:18. Quem Era Reuel?

O nome mais comum para Reuel era Jetro (veja Êxodo 3 : 1 ; Números 1 0:29) . Jetro era descendente de Midiã, filho de Abraão e Quetura (veja Gênesis 25 : 1 -6) . Foi através desta linhagem que Moisés recebeu o sacerdócio (veja D&C 84:6- 1 3) . (9-10) Êxodo 2:23

Atos 7 : 30 indica que o "depois de muitos destes dias" aqui. descrito significou um período de mais quarenta anos. (9-11) Êxodo 3:1

Horebe é o mesmo Monte Sinai, onde Moisés recebeu a lei das mãos do Senhor. Em outra ocasião posterior, Elias também procurou refúgio em Horebe (veja I Reis 19:8) . (9-12) Êxodo 3: 1-10

"Moisés recebeu uma manifestação através de um mensageiro de luz, fazendo com que um arbusto parecesse estar envolto em chamas; mas ele realmente não ardia, nem foi consumido . A palavra 'anjo' significa 'mensageiro' , o significado básico do vocábulo hebraico malakh . Uma chama em um arbusto, um vento poderoso, uma voz delicada, uma grande tormenta e outros fenômenos semelhantes podem trazer uma mensagem de Deus, como um malakh de Deus. Depois que a atenção de Moisés se voltou para o arbusto, a voz do próprio SENHOR veio a ele, Moisés respondeu com assombro e reverência. " (Rasmussen, Introduction to the Old Testament, 1 : 74.)

Na tradução feita por Joseph Smith de Êxodo 3 :2, lemos qUI! a "presença" do Senhor se manifestou a Moisés. (9-13) Êx [)do 3: 11-18. Qual É o Significado do Título Eu Sou ?

Quando o Senhor apareceu a Moisés na sarsa ardente, usou o nome Eu Sou para identificar-se como o Deus de Israel, o mesmo Deus que havia aparecido a Abraão, Isaque e Jacó . Embora esta seja a primeira vez que este título aparece n a Bíblia, é óbvio que, se os israelitas já não o conheces:;em, de nada valeria ao Senhor identificar-se através dde. O ato de o Senhor identificar-se corretamente era de im portância fundamental, para dar maior autenticidade ao chamado que Moisés recebera junto aos israelitas. Este nome não aparece com muita freqüência na Bíblia; nito obstante, Jesus (o Jeová do Velho Testamento) usou-o em outras ocasiões, para revelar-se a Abraão (veja Abraão 1 : 1 6) , aos judeus (veja João 8 : 58), e à Israel moderna (veja D&C 29: 1 ) . Etimol,)gicamente, o título E u Sou está diretamente relacionado com o nome da Deidade mais freqüentemente usado no Velho Testamento YHWH. Nem sempre é possível determinar quão amiúde o nome YHWH aparece na Bíblia, pois os tradutores o substituíram por SENHOR ou DEUS. Esse costume demonstra deferência em relação aos sentimentos de reverência que os judeus tinham para com esse Clome, tanto é que nunca o pronunciavam, substituindo-o pelo termo Senhor ou Adonai . (Para maiores informações a respeito desse assunto, veja a leitura A-2.) Eu Sou é a primeira pessoa do verbo ser. Portanto, YHWH (que também pode ser a terceira pessoa do singular) :;ignificaria "ELE É " ou "ELE EXISTE" . O Senhor w:ou a primeira ou terceira pessoa do mesmo verbo no texto hebraico do Velho Testamento, dependendo da ênfase que pretendia dar à sua pessoa ou à nossa penpectiva com relação a ele. -

(9-14) Êxodo 4: 10-17. Por Que Moisés Hesitou Tanto Em Ser o Por ta-voz de Deus?

Há alguma evidência de que Moisés provavelmente sofria de um pequeno problema vocal (veja a Leitura 9-22),embora alguns estudiosos afirmem que Moisés talvez estivesse wgerindo que já não tinha tanta facilidade em se expreS5 ar nos idiomas egípcio e hebraico, em virtude de ter vivido durante quarenta anos entre os midianitas . Seja qual fôr �. causa externa, o Senhor respondeu a ele com um conceito tão simples e profundo, que lhe foi difícil recusar a missão . O sentimento de inadequação possuído por Moisés era tão forte, entretanto, que continuou a insistir ql.e precisaria de ajuda. O Senhor zangou-se com essa contí nua falta de confiança e estabeleceu a Aarão como pOIta-voz de Moisés. Qualquer pessoa, com sentimen1 0s normais de incapacidade diante de um chamado de tal magnitude, pode compreender o que se passava no íntimo de Moisés, mas todos nós devemos aprender a confiar no poder do Senhor. Morôni ensinou que ele especificamente concede fraquezas aos homens, para que possam tornar-se humildes; se, no entanto, tiverem fI: em Deus, sua graça é suficiente para f�er "com q ue as co isas fracas se tomem fortes para eles" (Eter 1 2:27). Eloque recebeu uma resposta semelhante ao manifesta o seu sentimento de incapacidade; não obstante


104 grandes coisas advieram de sua fraqueza, quando se voltou para Deus (veja Moisés 6: 3 1 -32, 47; 7: 1 3) . (9-15) Êxodo 4:18

A grande visão recebida por Moisés, conforme s,� acha registrado em Moisés 1 , ocorreu depois de seu charllado original no Monte Horebe, e antes de sua chegada ao Egito . Moisés 1 : 17 se refere à experiência da sarsa ardente de maneira retrospectiva. Moisés 1 :24-25 fala da libertação de Israel do cativeiro como um evento ainda futuro. (9-16) Êxodo 4:19-21. O Senhor Endureceu o Cora ção do Faraó?

o Faraó havia endurecido seu coração, e não deixaria os israelitas partirem. É necessário ter esta verdade em mente sempre que você ler referências posteriores que afirmem que o faraó teve seu coração endurecido pelo Senhor. (9-17) Êxodo 4:18-28. Por Que o Senhor Ficou Zangado Com Moisés, Quando Este Viajava para o Egito?

Faltam alguns detalhes na Bíblia a respeito deste assunto . A Versão Inspirada indica que o Senhor estava zangado com Moisés, porque ele havia deixado de circuncidar a seu filho . Parece que Zípora, não queria que Moisés circuncidasse Gérson, mas acabou cedendo, quando o Senhor demonstrou estar irado com seu marido.

A tradução de Joseph Smith de Êxodo 4:21 declara que o Senhor desejava fazer com que Moisés prosperas ,e, mas

A Grande Pirâmide de Quéops linha cerca de mil imos na época em que Moisés se encontrava no Egito


105 (9-18) Êxodo 4:29-31 Que podemos dizer das pessoas que tiveram de ser convertidas por meio de sinais? (Vej a Mateus 1 2 : 38-39; D&C 63 :7-12.) Embora a reação que tiveram ao presenciá­ -los tenha sido deveras positiva, tão logo surgiram os desafios e adversidade , o infortúnio abalou-lhes a convicção (veja Êxodo 5 : 20-23) .

(9-19) Êxodo 5: 1-23; 6:1 Deus concedeu ao faraó a oportunidade de permitir sem ser coagido, que Israel partisse, a fim de que adorassem a seu Deus livremente . Ao recusar-se a fazê-lo, o rei não pôde culpar a ninguém pelas conseqüências que lhe sobrevieram.

(9-20) Êxodo 6: 1-8 O eterno convênio do evangelho que o Senhor Deus havia estabelecido com Adão e todos os patriarcas depois dele, entre os quais Noé, Abraão , Isaque e Jacó , foi , na época de Moisés, firmado com toda a casa de Israel .

os mais diversos milagres . As antigas cortes reais possuíam vaticina dores , sábios e astrólogos . Tais indivíduos tinham certos poderes através dos quais descobriam e solucionavam os sonhos, problemas etc . , dos monarcas . Um dos exemplos marcantes dessa prática acha-se registrado no livro de Êxodo , onde o faraó convocou 'os sábios e encantadores ' , que imitaram alguns dos milagres que o S.:nhor ordenara a Moisés e Aarão que realizassem . Quandü este último lançou sua vara ao chão , ela se transfOI mou numa serpente. Os encantadores egípcios j ogaram as suas ao solo , e o mesmo aconteceu a elas . . . " . . . O Salvador declarou que Satanás tinha o poder de se apos�,ar do corpo de homen e mulheres e afligi-los durame l1te (vej a Mateus 7 : 22-23 ; Lucas 1 3 : 16). Se ele tem o p, )der de prender os corpos,. certamente tem idêntica força pma libertá-los . Devemos lembrar-nos de que o adversá ·io tem grande conhecimento; assim sendo, pode exercer ma autoridade e controlar os elementos até certo ponto , quando um poder maior não o impede de fazê-lo . " (Smith, Answers to Cospe! Questions, Vol . 1 , pp . 1 76· 1 78.)

(9-21) Êxodo 6:3. Era o Nome de Jeová Conhecido Antes da É poca de Moisés? Êxodo 6:3 sugere que Abraão , Isaque e Jacó desconheciam o nome Jeová. Todavia, esse não é, obviamente, o caso (vej a Gênesis 4:26, onde o nome SENHOR [Jeová) aparece pela primeira vez) . Sabemos também que o Senhor (Jeová) apareceu diversas vezes a Abraão , Isaque, Jacó e outras pessoas . Está claro que há algo errado na tradução de Êxodo 6 : 3 . Essa dúvida pode ser dirimida sabendo que o versículo pode ser lido na língua hebraica como uma pergunta, simplesmente elevando-se a inflexão no fim da sentença. (Ao traduzir um texto que não é lido em voz alta, o tradutor não pode ouvir a modulação da voz e assim não capta a intenção original do autor .)

(9-22) Êxodo 6:12, 30 A Bíblia diz que Moisés afirmara ser "incircunciso dos lábios" (Êxodo 6:30) . Joseph Smith esclarece esta afirmativa em sua tradução , dizendo que Moisés tinha "lábios tartamudos " e era "lento no falar" . Esta característica explicaria a hesitação que Moisés originalmente demonstrou, quando Deus lhe pediu que fosse o seu porta-voz (veja Êxodo 4: 1 0; Leitura 9- 14).

(9-23) Êxodo 7:1 O Profeta Joseph Smith corrigiu este versículo, e a escritura passou a ensinar que Moisés devia ser um profeta para o faraó , e não um Deus.

(9-24) Êxodo 7: 11-12. Usavam os Sábios da Corte do Faraó o Poder do Senhor? "Durante o transcorrer dos séculos , em quase todas as nações, pessoas têm exercido poderes ocultos e místicos, chegando com isto até mesmo a curar enfermos e realizar

Uma cena típica de purificação encontrada n o templo de Esna

(9-25) Ê xodo 7-10. As Pragas do Egito Dura l1te muitos anos, têm sido feitas numerosas tentativ as de explicar as pragas descritas nestes capítulos do livro de Êxodo . Alguns estudiosos procuraram demons trar que as diversas calamidades ali descritas foram decorre I1tes de fenômenos naturais, como o surgimento de meteori tos, ou a explosão de uma ilha vulcânica situada no Mar Mediterrâneo . Embora exista uma certa progressão lógica no aparecimento das pragas (a poluição dos rios poderia ter expulsado deles as rãs , que vieram em grande número morrer fora dos pântanos, e tal situação fez com que sob reviessem as pragas de piolhos , moscas e enfermi dades), não é possível, no presente, explicar como o Senhor realizou estes acontecimentos miraculosos . O fato da� pragas serem seletivas (isto é, afetavam os egípcim , mas não os israelitas) aumenta sua natureza milagro sa. O Senhor freqüentemente opera através de meios naturais para levar avante os seus desígnios, mas tal


106

Esfinge construída perto do templo mortuário de Quéfren

procedimento de forma alguma obscurece a ação di vi na de sua obra. Na manifestação das pragas e na eventual libertação de Israel de seu prolongado cativeiro no Egito, encontra-se o registro da extraordinária e miraculos i intervenção de Deus em benefício de seus fílhos . O 'ato de o Senhor haver intervido para libertá-los é certamen te infinitamente mais importante do que a maneira pel a qual ele possa tê-lo feito .

PONTOS A PONDERAR (9-26) Os dois personagens principais deste capítulo são Moisés e o faraó . Aprendemos que o Senhor conhecia bem a estes dois homens muito antes de haverem nascido . Ambos foram colocados diante do teste da mortalid ade nesta época da história, com o pleno conhecimento do Senhor de que cumpririram suas respectivas funçõe� .

Moisés era humilde, e permitiu que a mão de Deus o guiasse . Tal atitude fez com que grandes milagres fossem realizados por ele, a fim de libertar do cativeiro a Israel, o povo que o Senhor escolhera. O faraó, por outro lado, era um indivíduo egocêntrico, sedento d e poder, cruel e empedernido . Ele não se deixava impressionar com O poder de Deus, preferindo dar mais valor às mistificações produzidas por Satanás , as quais lhe permitiam alimentar a falsa crença de que era um deus na terra. Faça de conta que foi convidado a proferir um discurso na reunião sacramental, sob o tema "Como Utilizar os Ensinamentos de Ê xodo 1 - 1 0 Como uma Fonte de Sabedoria para o Crescimento Pessoal" . Que aspectos da vida de Moisés e do faraó você alistaria, dignos de serem postos em prática ou evitados, para que nos tornássemos mais semelhantes a Cristo? Sej a especifico , mencionando escrituras que sirvam de base para cada um dos casos.


Seção Especial

Os Simbolismos e Protótipos Usados no Velho Testamento (C-I) A Importância dos Símbolos O grande escritor Thomas Carlyle escreveu certa vez: " É através do uso de símbolos que o homem, consciente ou inconscientemente, vive , trabalha e encontra sua razão de ser . Além disso , as gerações que melhor souberem reconhecer o valor existente nos símbolos, e tiveram por eles maior apreciação , podem ser consideradas as mais sublimes . " (Citado por Maurice H . Farbridge , em Studies in Biblical and Semitic Symbolism. ) Não é de admirar, portanto, que a linguagem simbólica e as figuras de estilo desempenhem um papel tão importante na religiãp , a qual preocupa-se com o destino eterno do homem . As ordenanças e rituais religiosos são de natureza profundamente simbólica, e nas escrituras , que contêm a palavra do Senhor revelada a seus filhos, encontramos fartos exemplos de analogias , metáforas, parábolas , alegorias , protótipos e símbolos. O simbolismo nelas utilizado é tão profundo, e encontrado em tal abundância, que, se não entendermos o seu significado, deixaremos de compreender muitas verdades importantes e indispensáveis ao nosso crescimento espiritual .

(C-2) A Lei de Moisés: Uma Lei de Significado Simbólico Inúmeras pessoas do mundo em geral , e muitos membros da Igrej a acreditam que o Velho Testamento reflete as experiências de uma cultura anterior à época da pregação do evangelho na terra, centralizada em torno do convênio mosaic q , que foi dado ao povo em lugar das leis do evangelho . Porém o Senhor declarou o seguinte a respeito da lei que os israelitas receberam , ao rejeitarem aquela natureza mais elevada: "E o sacerdócio menor continuou, o qual possui a chave da ministração dos anj os e do evangelho preparatório; o qual é o evangelho do arrependimento e do batismo, e da remissão dos pecados, e a lei dos mandamentos carnais. " (D&C 84: 26-27 ; itálicos acrescentados .) A plenitude do evangelho foi retirada dentre o povo de Israel ; porém , para substituí-la, foi apresentado aos filhos dos homens um evangelho preparatório , contendo os seus princípios básicos e fundamentais . Paulo ensinou aos santos da Galácia que o Senhor tomou tal medida para que os israelitas pudessem ser trazidos a Cristo : "De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo , para que pela fé fôssemos j ustificados . Mas , depois que a fé veio, já não estamos debaixo de aio . " (Gálatas 3 : 24-25 . ) O Velho Testamento , especialmente em seus protótipos e símbolos, reflete de maneira muito rica o caráter preparatório da lei mosaica, uma vez que ela continha o evangelho preparatório, cuja finalidade era a de fazer com que Israel tivesse fé em seu Redentor .

(C-3) Por Que o Senhor Usa Tantas Figurações e Símbolos nas Escrituras? Por que o Senhor utiliza abundantemente de linguagem simbólica para ensinar a seus filhos? Por que não se limita a apresentar claramente o que deseja que saibamos?

c

Embora não possamos entender todos os desígnios do Senho · ao assim proceder, as seguintes razões parecem ser de imj:'ortância fundamental:

(C-4) A linguagem simbólica e figuras de estilo têm o poder de, com grande força e impacto transmitir impori 'antes verdades em diferentes idiomas e às mais diversas culturas. A linguagem figurativa tem a capacidade de fornecer uma poderosa impressão didática. Por exemp lo, em meio a extensos pronunciamentos proféticos , alertar.do Israel sobre os julgamentos que sobre ela recairiam, Isaías apresentou àquele povo um ensinamento que, à primeira vista, poderíamos considerar como sendo uma passagem de escritura sobremaneira difícil de se entender: " Inclinai os ouvidos, e ouvi a minha voz; atendei bem, e ouvi o meu discurso . "Pc rventura lavra todo o dia o lavrador, para semear? ou abr e e esterroa todo o dia a sua terra? "N�.o é antes assim: quando já tem gradado a sua superLcie, então espalha nela ervilhaca, e semeia cominhos : ou lança nela do melhor trigo, ou cevada escolhi da, ou centeio, cada qual no seu lugar? 0 ;eu Deus o ensina, e o instrui acerca do que há de fazer. "Pc rque a ervilhaca não se trilha com instrumento de trilhar , nem sobre os cominhos passa roda de carro ; mas como uma vara se sacode a ervilhaca, e os cominhos com um pa l o "O trigo é esmiuçado, mas não s e trilha continuamente , nem Sé esmiúça com as rodas do seu carro , nem se quebra com o:; seus cavalos . "Até isto procede do Senhor dos Exércitos ; porque é maravJhoso em conselho e grande em obra . " (Isaías 28 :23-:19.) As figuras utilizadas por Isaías nos ensinam uma lição de grande poder instrutivo . Isaías usou como símbolo um lavrad,)r e sua maneira de cultivar o campo e fazer a colheit a, para demonstrar quais eram os desígnios de Deus . No caso em questão , Israel é o campo de Jeová. Em virtud(! de sua iniqüidade e apostasia, esse campo havia-se tornad o endurecido , incapaz de produzir frutos em abund lncia . Assim como o lavrador prepara o solo , quebwndo a sua superfície dura com a lâmina do arado, revolv. :ndo a terra e tornando-a apta ao plantio, assim também os julgamentos e castigos derramados sobre o povo cio convênio são como o arado e a grade do Senhor (comp ire com o que Mórmon ensina em Helamã 1 2 : 1 -6, sobre a natureza dos filhos de Deus) . Entretanto , observe a pergunta formulada por Isaías : "Porventura lavra todo o dia C < lavrador, para semear? " A resposta é não . Ele não ara a t �rra a todo momento . O lavrador o faz apenas o suficie nte para deixar o solo na condição adequada para nele plantar a ervilhaca, o cominho (duas espécies de herbác eas) e o trigo . Da mesma forma, no simbolismo do lavrador, por ocasião da debulha, acha-se ilustrado o processo discriminativo pelo qual Deus realizará seus j ulgamentos . ';'


110 Diferentes espécies de cereais são debulhados de diferentes maneiras . O trigo era c.olhido com .uma debulhadeira, um instrumento pesado que era trazido de arrasto por una rez ou jumento. Porém, outros meios são usados para debulhar as plantas mais tenras, como a ervilhaca e o cominho, que seriam destruídas, caso sobre elas se colocasse excessivo peso . O Senhor age de idêntica maneira. Os castigos por ele infligidos não se destinam a esmagar o povo , e com isto destruí-lo . Se a iniqüidade em que ele se encontra requer apenas que seja punido "com uma vara" , então é somente tal aflição que o Senhor permite que lhe sobrevenha. Se, pelo contrário, for preciso usar um processo mais pesado para a debulhada, ele então o fará. Em alguns casos extremos, como aconteceu p or ocasião do dilúvio , ou no caso de Sodoma e Gomorn, os campos provavelmente terão de ser queimados até o ,;hão, para que possa ser iniciado o novo plantio e colheita . O Senhor poderia ter esclarecido de maneira mais direta sua forma de agir com seus filhos que se tornam rebe ldes, alistando detalhadamente o que deviam entender. Pc rém as figurações têm maior poder de instrução que uma simples lista de requisitos ; elas têm a capacidade de SI: propagar por todas as partes do mundo , através de numerosas traduções, atingindo as mais longínquas culturas . Como o Élder Bruce R. McConkie afirmou: "O Senhor utiliza simbolismos freqüentemente com o objetivo de gravar profundamente em nosso intelectcl os eternos princípios em que devemos crer e aceitar a fim de sermos salvos; e para tornar mais impressivo seu verdadeiro significado e importância, fazendo com isto que, em nosso íntimo, fique gravada uma impressão que jamais poderemos esquecer, e para que centralizemo�; a nossa atenção nessas sublimes verdades redentoras . Os princípios abstratos podem ser facilmente esquecidos e seu significado profundo pode passar despercebido; poré m as representações visuais e experiências realmente vívida s ficam registradas com tal clareza em nossa mente, qu e jamais conseguiremos esquecê-las . " (The Promised Messiah, p . 377 .) (C-5) O ato de transmitir verdades profundas em linguagem simbólica, muito contribuiu no sentido de preservá-las da astúcia daqueles que procuravam reti(ar das escrituras as passagens claras e preciosas. Não re�;ta qualquer dúvida de que muitas verdades claras e prec iosas foram retiradas da Bíblia (veja 1 Néfi 1 3 : 26) . O Profeta Joseph Smith ensinou : "Creio na Bíblia tal como se " encontrava ao sair da pena de seus escritores originai ; . Os tradutores ignorantes , os copistas descuidados e os sacerdotes intrigantes e corruptos cometeram muitos erros . " (Ensinamentos, p. 3 1 9.) Ele sugeriu que os textos bíblicos foram propositadamente deturpados . Entretanto, os ensinamentos transmitidos por meio de representaçõc!s simbólicas exigem que a pessoa tenha o "espírito de profecia" , ou "testemunho de Jesus" , para que possa interpretá-los (Alma 25 : 1 6; Apocalipse 19: 1 0), e assim sendo, não puderam ser entendidos pelos "sacerdote ; intrigantes e corruptos" , que acabaram por deixar ta is passagens basicamente intactas . (C-6) A linguagem figurativa pode transmitir verdades e conhecimentos a todos os níveis de maturidade espiritual. Após ensinar à multidão que o seguia a parábola do semeador, Jesus advertiu-os, dizendo: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (Mateus 1 3 : 9) . Esta decla:,"ação deu a entender a- seus ouvintes que as verdades ensinadas

pelo Salvador naquele momento não deviam ser entendidas como sendo apenas uma história agradável. Numa ocasião posterior, os discípulos chegaram-se a ele e perguntaram: "Por que lhes falas por parábolas? " (Mateus 1 3 : 10.) A resposta dada pelo Salvador pode parecer-nos, numa análise apressada, um pouco equivocante. Ele esclareceu que assim ensinava, porque a multidão se recusava a ouvir e entender as verdades de natureza espiritual . O Élder Bruce R. McConkie declarou o seguinte, salientando a razão por que o Salvador ensinava através de parábolas : " Nosso Senhor empregou parábolas em muitas ocasiões de seu ministério, para ensinar verdades do evangelho. O seu propósito, entretanto, ao contar essas histórias curtas , não era apresentar as verdades do evangelho claramente, para que todos os ouvintes as compreendessem. Pelo contrário, eram contadas de modo que escondessem a doutrina envolvida, para que somente os letrados espirituais pudessem compreendê-las, enquanto as pessoas de entendimento obscurecido permaneciam nas trevas . (Mateus 1 3 : 10- 1 7 . ) Não é adequado ensinar a uma pessoa mais do que ela tem a capacidade espiritual de entender e assimilar. " (Mormon Doctrine, p. 553 . Também em Vida e Ensinamentos de Jesus e Seus Apóstolos, p . 76.) Para aqueles dotados de parco discernimento espiritual, a parábola do semeador não passa de uma historieta agradável. Entretanto, para os que se acham em sintonia com o Espírito, e que conhecem bem as verdades do evangelho, elas têm um significado bem maior. Assim sendo , a linguagem simbólica tanto pode revelar como ocultar certos princípios, dependendo da acuidade de espírito daquele que a ouve. (C-7) O valor simbólico afeta profundamente as emoções e atitudes do indivíduo. A bandeira nacional de um país não passa, na realidade, de um grande pedaço de tecido, com as cores formando um determinado padrão . Entretanto, por causa desse pedaço de pano, lágrimas são derramadas, pessoas vão à guerra, arriscam-se a sofrer,perseguições e até mesmo a morte . Não é, obviamente, aquele pedaço específico de pano que realmente importa, pois pode ser facilmente substituído . Seu real valor está no que significa para o indivíduo. Seu simbolismo pode exercer uma profunda influência em seu coração e mente. Só é preciso ponderarmos sobre o sentimento e a emoção que tais objetos ou atos simbólicos fazem surgir no íntimo de nosso ser, basta que imaginemos o que significa para nós um anel de noivado, o templo, o batismo, o sacramento, e assim por diante, para que entendamos a razão pela qual o Senhor costuma nos ensinar por meio de símbolos. (C-8) Quando somos forçados a refletir e examinar o significado de uma representação simbólica com uma atitude de busca, adquirimos com isto grande poder espiritual. Quando, em termos de esforço e sacrifício, pagamos um preço para obter alguma coisa, a apreciação que teremos por ela será maior do que se nada fizéssemos para consegui-la. Para que o estudioso consiga desvendar as grandes verdades espirituais que se acham ocultas nas escrituras em uma linguagem figurativa, é necessário que examine e pondere. Todo conhecimento tem seu preço, e quando conseguimos obtê-lo, torna-se muito mais satisfatório e valioso, que se o tivéssemos obtido de outra forma. Há ocasiões em que as pessoas tentam desestimular as outras em seu intento de compreender o significado simbólico das passagens de escritura. É óbvio que o


111 indivíduo não deve lê-Ias, dando-lhes uma conotação diferente daquela pretendida pelo autor, porém ignorar o significado simbóliso onde ele existe, seria I?erder muito do que é ensinado . O Elder Bruce R. ]\1cConk.le deu-n� s as seguintes palavras de incentivo: "E uma atitude sadia e adequada procurarmos encontrar protótipos de Cristo por toda a parte e usá-los repetidas vezes, no sentido de mantermos nitidamente gravados em nosso íntimo seus maravilhosos exemplos e mandamentos. " ( The Promised Messiah, p . 453 .) (C-9) Algumas Diretrizes Importantes para Interpretarmos os Protótipos e Símbolos Contidos no Velho Testamento

Em que ocasião uma atitude ou objeto usado nas escrituras deve ser interpretado de maneira literal ou de forma figurativa? Os símbolos podem ser interpretados de modo demasiadamente literal e seu verdadeiro significado pode-se perder numa grotesca i�itação da real�dade . Por outro lado, pode-se, ainda, esqUivar-se de explicar o verdadeiro significado de uma passagem, alegando que ela foi dada apenas no sentido figurativo. As seguintes diretrizes podem ser proveitosas para nos ajudar a interpretar corretamente os protótipos e símbolos usados nas escrituras. (C-lO) Identificar o que existe por trás do símbolo mencionado, para descobrir com que sentido nos foi dado. Os símbolos tanto podem denotar como conotar um significado especifico . A denotação de um símbolo é o que ele realmente representa. Por exemplo, uma gravura do Templo de Lago Salgado denota um edifício diferente, amplo e bem construído, contendo seis t �rres e agulhas ornamentais nas cumeeiras, uma das quais, adornada com a figura dourada de um personagem trazendo uma trombeta na boca. Todavia, considerando-o simbolicamente, o Templo de Lago Salgado também conota um significado especial. Conotação é o que �m símbolo sugere através de associação, mesmo que tais associações não façam parte do próprio símb ? lo .. r:?r exemplo, o símbolo em questão conota, ou da ! l� eIa de casamento no templo, santidade, beleza, reverenCia, ou um lugar onde se pode obter conforto espiritual . O Templo de Lago Salgado também acabou se tornando uma representação de nossa Igreja. Ao olhar-se para. ele, não se vê o casamento no templo como parte do projeto arquitetônico . Tal idéia é apenas conotada pelo ou associada ao edifício, quando se tem tal símbolo em mente . Freqüentemente a conotação de uma imagem dá à escritura um significado mais realista do que a passagem consegue denotar. Por conseguinte, devemos atentar, além do que o símbolo transmite, à conotação implícita na passagem. Ao estudar um determinado símbolo , entretanto, o indivíduo não deve deixar-se influenciar pelas limitações impostas por sua própria cultura, a ponto de não entender as figurações que a ele se acham associadas. Por exemplo, embora a pessoa tenha sido criada numa grande metrópole, e jamais haja desfrutado de qua!q�er experiência rural, isto não quer dizer �ue seja �ncapaz �e apreciar devidamente as figuras e símIles extra�dos d� Vida agrícola de uma época antiga. Sem que necessite mUito estudo e reflexão, qualquer pessoa pode entender o que significa o ato de semear, colher, joeirar, debulhar, espremer uvas e outros exemplos semelhantes. Talvez o problema mais difícil que algumas pe� soas encontram, sej a o de identificar a natureza dos diversos

símbol os usados n o Velho Testamento . A leitura do derramamento de sangue de animais sacrificados, e da maneira como o sangue era recolhido em bacias e aspergido sobre o altar, ou usado de outras formas diferentes, pode ser ofensiva a certos leitores modernos. Na época atual, o máximo que sabemos sobre a matança de animais é o que diz respeito ao açougue de um supermercado, onde a carne é higiênica e atraentemente acondi cionada em balcões frigoríficos . O sangue e as entranhas dos animais jamais são vistos pelo público em geral; assim sendo, quando alguns detalhes relativos a eles são tratados , como acontece no Velho Testamento, a reação mais comum dos leitores atuais é a náusea ou repulsa. Denmos ter em mente duas coisas importantes. Primei ro, para os povos do Velho Testamento. ta�s ' prátic" s não eram ofensivas . A �atança de ammals I?ara alimen to a visão do sangue e a limpeza da carne faziam parte ele � uas experiências cotidianas . Qualquer família típica daquela época criava animais e os matava para alimen to . Até mesmo nas grandes cidades , as pessoas compr avam carne em feiras ao ar-livre, onde freqüeritemente os animais eram mortos no próprio local, para q ue a carne fosse fresca. Tal costume ainda � comum nos países do Oriente Médio . Em segundo lugar, � o que tais práticas denotam que geralmente ofende ao leitor urbanizado de hoje em dia. Porém , quando procuramos entender o que existe por detrás do simbolismo , a conot2,ção que ele deseja transmitir, então a repulsa se transforma em apreciação das verdades que estão sendo ensinadas .

(C-lI) Será que as próprias escrituras revelam qual � a interpretação de um determinado símbolo ? Há ocasiões em qUI: as pessoas criam desnecessária polêmica em torno do sigllificado de certo símbolo, quando as próprias escrituras revelam claramente qual é a resposta correta. O que Sifnificam os sete castiçais de ouro mencionados no livro de Apocalipse? O Senhor respondeu diretamente a essa questão; portanto, não temos a menor necessidade d� criar c1)fijeturas (veja Apocalipse 1 :20) . O que Jesus quena dizer, quando falou a respeito da parábola do semeador? Ele esc lareceu especificamente o significado deste simbolismo (veja Mateus 1 3 : 1 8-23). Que representava a grandf estátua que Nabucodonosor viu em sonho? (Veja Daniel 2: 36-45 .) Há centenas de outros exemplos de interpretações diretas . Através de um estudo cuidadoso das escrituras, podemos encontrar muitas delas com a maior facilidade. Porém, é mister que o leitor pague o devido preço, se desejar descobri-Ias, pois, muitas vezes, encont ram-se em outra parte das escrituras . (C-12) Procure identificar o Salvador nos símbolos e protótipos apresentados nas escrituras. Considerando que Jesus Cristo e o sacrifício expiatório são a parte central e mais importante de nossa religião, não é de admirar que virtualmente todos os símbolos das escrituras sejam centralizados em Cristo . Poderíamos dizer que todas as parábCllas, símbolos, metáforas e protótipos têm o objetivo de ensinar aos filhos de Deus o que devem fazer, a fim e le que o sacrifício infinito de Cristo se torne parte integrante de sua vida, e consigam obter uma reconciliaç.ão perfeit 3. com o Pai Celestial. Este conceito é tão verdadeiro no Vel ho Testamento como nas demais escrituras. Néfi ensino cl a respeito da natureza abrangente dos simbolismos, quando declarou: "Eis que minha alma se regozija em confirmar a meu povo a veracidade da vinda


112 de Cristo; pois para este fim foi dada a lei de Moisés: e todas as coisas que foram dadas por Deus aos homer.s, desde o começo do mundo, são símbolo dele. " (2 Né1'i 1 1 :4; itálicos acrescentados). Amuleque ensinou o mesmo princípio da seguinte maneira: "E eis que este é o significado total da Lei, cada ponto indicando aquele grande e último sacrifício; e aquele grande e último sacrifício será o Filho de Deus, sim, infinito e eterno." ( Alma 34: 1 4.) O Rei Benjamim nos deu um ensinamento idêntico ao de Abinádi (veja Mosias 3 : 1 4- 1 5 ; 1 3 :29-3 1 ) . (Para maiores esclarec imentos sobre a natureza abrangente da idéia de um Redentor divino no Velho Testamento, v eja a Leitura l -S . ) Mórmon nos revelou uma chave pela qual podemo ; entender o verdadeiro significado da lei mosaica: "Ora, eles não acreditavam que a salvação lhes viesse por meio da lei de Moisés; a lei de Moisés, porém, serviu para forta ecer­ lhe a fé em Cristo; e assim, por meio da fé, mantinhan a esperança da salvação etema, confiando no espírito d e profecia que falava dessas coisas futuras." (Alma 25 : 1 6; itálicos acrescentados). O Senhor ensinou a João que o "espírito de profecia" consiste no "testemunho de Jes us" (Apocalipse 1 9 : 1 O). Sem possuir tal testemunho, uma. pessoa é incapaz de entender o pleno significado das leis e ordenanças mencionadas no Velho Testamento. .

(C-13) Permita que a natureza do objeto usado com(' símbolo contribua para um melhor entendimento de seu significado espiritual. Os povos do Oriente Médio tin ham grande apreciação por figurações e costumavam criar figuras e símiles utilizando coisas que existiam ao seu redor. Para tanto, usavam examinar as característica:; naturais de um objeto para ver se elas transmitiam verdades espirituais . Por exemplo, em Salmos 83: 1 3 , lemos o seguinte: "Deus meu , fa:ze-os (os inimigos) c omo que impelidos por um tufão, como a palha diante do vento. " O vocábulo tufão é traduzido da palavra hebraica galgaI, que serve para designar uma planta espinhosa, natural do Oriente Médio . Um grande comentador d i Bíblia explicou esta metáfora da seguinte forma: "Galgai é unia planta espinhosa, da família das A1 ter (Asteracea ou Compositae) . A galgaI é um arbusto in erte durante os meses secos do verão. Após caírem as primeiras chuvas de inverno, das robustas raízes perenes brota llma roseta de folhas . . . Os cachos de flores, ou inflorescências, se desenvolvem entre o final do inverno e início da primavera, produzindo o fruto com suas sementes . Depois desse ciclo, a planta morre - sendo isto pa:rte do pro cesso através do qual suas sementes se dispersam para outT>JS luga:res. As hastes geram folhas rígidas, que possuem nervuras de tal natureza, que as folhas se assemelham a asas voltadas pa:ra todas as direções. O arbusto tem a forma redonda; por isto, quando seco, é capa:z de rolar como uma bola. Quando chega a época em que as sementes da fruta morta estão prestes a serem espalhadas, a base do talo se desliga das fortes raízes, através de um tecido mais fraco que, na ocasião certa, se desenvolv<: no luga:r em que sofrerá a rutura. Ao sepa:ra:r-se, a planta começa a rola:r, levada pelo vento, dispersando suas sementes pelas estepes e campos. (A palavra galgaI também significa roda, em hebraico; o nome da planta provavelmente se originou dessa ca:racterística que elél tem de rola:r pelos campos como uma roda.) "Um pouco antes de o a:rbusto redondo se desligau de suas raizes, seu aspecto é deveras assustador - uma

verdadeira bola de espinhos de apa:rência compacta e ameaçadora. Na realidade, a planta tem sua base muito fraca, e pode facilmente ser carregada pelo vento . O som da galgaI seca, rolando impulsionada pela brisa, é uma experiência inesquecivel para aqueles que vivem nos lugares em que elas existem . "Ao cria:r uma metáfora utilizando a galgai, o Salmista está pedindo ao Senhor que torne os inimigos de Israel como aquela planta: que, embora tenham uma apa:rência atemorizante, sua base seja fraca. A planta toda pode ser levada pelo vento, pa:ra bem longe. "Uma analogia com a planta galgai é feita também em Isaías 1 7 : 1 3 : " 'Bem rugirão as nações, como rugem as muitas águas, mas ele repreendê-Ias-á e fugirão para longe; e serão afugentadas como a pragana dos montes diante do vento, e como a bola diante do tufão . ' " A 'bola' . . . é a galgai. ' Bola' , no caso, traduz somente parte do significado da palavra. Nesta alegoria, o profeta está, na verdade, prevendo a destruição do império assírio , um inimigo assustador, mas com bases muito fracas, e que poderia facilmente ser soprado para longe, pelos ventos do Senhor. " (Anivoam Danin, "Plants as Biblical Metaphors" . Biblical Archaeology Review, maio/junho de 1 979, p. 20.) Assim, podemos observar que o entendimento vem com o exame criterioso do objeto utilizado como símbolo . O estudo da história e cultura desses povos também nos ajuda a compreender o significado dos objetos usados e seu profundo impacto espiritual . (C-14) Uma verdade pode ser ensinada através de

inúmeros símbolos; um símbolo pode tipificar inúmeras verdades; e, conquanto o Senhor possa mudar os símbolos que usa para ensinar verdades, as verdades, em si, nunca mudam. Às vezes, ao descobrirem a interpretação de determinado símbolo , as pessoas se satisfa:zem com aquilo que conseguiram encontrar, e não procuram aprofundar­ -se no assunto; ou ainda, acontece de fica:rem confusas ao acharem outro símbolo que transmite a mesma verdade. Tão amplas e profundas são as verdades contidas no Evangelho de Jesus Cristo, que seria necessário usar milha:res de figurações, protótipos e símbolos para transmiti-Ias . Por exemplo, são tantos e tão variados os aspectos da vida e missão terrena de Jesus, que ele é representado ou simbolizado como o Cordeiro (veja João 1 : 29), a Luz (veja João 1 :7-8), o Advogado (veja D&C 45 :3-5), a Pedra (veja I Coríntios 1 0:4) , o Bom Pastor (veja João 10: 1 1 , 1 4) , a Videira Verdadeira (veja João 1 5 : 1 -5), o Verbo (veja João 1 : 1 , 14) , o Leão (veja Apocalipse 5 : 5) , a Pedra de Esquina (veja Efésios 2:20), o Pão Vivo (veja João 6 : 5 1 ) , o Amém (Apocalipse 3 : 1 4) , a Resplandecente Estrela da Manhã (veja Apocalipse 22: 1 6), o Sumo Sacerdote (veja Hebreus 3 : 1 ) , o Esposo (veja Mateus 25 : 1 - 1 3) , Aquele que Pisa o Laga:r (veja D&C 1 3 3 : 50), e o Fogo Consumidor (veja Hebreus 1 2 : 29) . Uma cuidadosa reflexão das conotações desses títulos proporciona um significativo esclarecimento. sobre o Salvador e sua grande missão . Da mesma forma, um só símbolo pode ensinar numerosas verdades espirituais. Por exemplo, a oliveira foi usada como símbolo da casa de Israel (veja Jacó 5 : 3 ) . Colocando e m prática a diretriz d e examinar a natureza do simbolo utilizado, a oliveira, podemos identificar muitos conceitos importantes : 1 . Ela é uma coisa viva, e produz muitos frutos .


113 2. Para que seja produtiva, requer que seja periodicamente podada, a fim de que os novos galhos que dela brotam se tornem fecundos . Sem esse trabalho constante, a árvore se transforma numa oliveira brava, que não passa de um amontoado de troncos e ramos, que produzem apenas frutos pequenos, amargos e sem nenhum valor.

Uma oliveira

3 . Para que volte a produzir bons frutos, é mister podar completamente a oliveira brava e enxertar nela um ramo de oliveira boa. Através de cuidadosa poda e cultivo, a árvore dentro de sete anos começará a dar frutos, tornando-se completamente produtiva em cerca de catorze para quinze anos. 4. Embora seja necessário um longo período para fazer com que a árvore se torne fecunda, tão logo comece a produzir, ela assim continua durante um admirável espaço de tempo . Algumas árvores da Terra vêm produzindo frutos abundantemente há mais de quatrocentos anos. 5. Quando a oliveira finalmente envelhece e morre, das raízes brotam inúmeros rebentos novos e verdejantes, os quaís, quando adequadamente cultivados, poderão transformar-se individualmente em árvores adultas . Desta forma, a mesma planta pode continuar reproduzindo-se por milênios. (Não podemos deixar de ver neste fenômeno um símbolo da ressurreição . Ele também nos leva a refletir nas diversas vezes em que os vários grupos da casa de Israel aparentemente morreram; todavia, novos ramos brotaram de suas raízes, transformando-se depois novamente em Israel.) 6. O fruto da oliveira fornece o alimento básico aos povos do Oriente Médio . Além de ser utilizado como alimento, o óleo extraído da azeitona, ou oliva, era usado naquela época, e também hoje em dia, nas lâmpadas para

ilumim,ção, para ungir o corpo, cozinhar, como ingredi,mte básico de cosméticos e para fins medicinais . Muit os dos sinais e símbolos dados na época do convên io mosaico foram posteriormente substituídos, mas isto não quer dizer que fossem de natureza inferior . O Senhor ordenou aos isràelitas que usassem franjas nas bordas de suas vestes, para que se lembrassem do relaciollamento que tinham com o Senhor (veja Númews 1 5 : 38-39; Deuteronômio 1 2 : 1 2) . Respondendo a um erudito que afirmou ser esta maneira peculiar de se vestir os toscos rudimentos e evidências de um povo espiritualmente imaturo, certo comentador da Bíblia escreve'] o seguinte: "A h umanidade veste-se das maneiras mais diversas e estranh as para seguir os estilos ditados pelo mundo. O que há de tilo problemático ou 'tosco' em trajar-se de conformidade com o que ordena o Senhor, ou usar qualquer modelo de vestuário especificado por Deus? Nada existe de invulgar ou difícil nesta lei, nem qualquer caractel"Ística absurda ou impossível. " O au tor então teceu os seguintes comentários a respeito de tais !:ímbolos: "O u so de franjas nas vestes não é observado atualmt:nte pelos cristãos, porque tal costume, como o da circunc .são, de guardar o dia do sábado, e outros aspectos da aliança feita através de Moisés, foram substituídos por novos sinais do convênio, conforme fora renovado por Cristo. A lei do convênio ainda permanece; o que mudou foram os ritos e os sinais do convênio . Porém, a forma dos sinais do convênio na época de Moisés não é menos honrosa, profunda ou bela do que a forma cristã. A mudanca não conota ou representa um avanço evolutivo, nem uma relação de superioridade ou inferioridade. O convêni o foi cumprido em Jesus Cristo; entretanto, Deus não pas sou, por isso, a considerar Moisés , Davi, Isaías, Ezequid ou qualquer outra pessoa com a qual fizera os convêni os do Velho Testamento como seres inferiores à sua vista., ou de habilidade infantil, portanto carentes de receber 'toscos rudimentos' em seus rituais . " (Rushd,)ony, Institutes 01 Biblical Law, p . 23 .) (C-IS) Para que possamos entender plenamente o ensinamento que um símbolo pretende transmitir, precisamos compreender as verdades espirituais que estão sendo p or ele ensinadas. O Velho Testamento está cheio de protótipos, símbolos, metáforas e símiles relativos a Cristo; não obstante, a maioria dos líderes de Judá, na época de Cristo, rejeitaram a Jesus , quando este surgiu em seu mei,) . Eles conheciam a linguagem, a cultura, as expressi>es idiomáticas; no entanto, rejeitaram o significado dos princípios que as escrituras ensinavam e se recusavam a serem convertidos . Eles ignoravam as verdades do evangelho, que davam aos símbolos seu significado real . A rea lidade por trás dos protótipos e símbolos apresen tados no Velho Testamento, é Jesus Cristo e seus ensinamentos que nos levam à salvação . Quanto melhor o entendermos, mais claramente seremos capazes de compre,:nder o significado dos símbolos. Sem tal compre,:nsão, a mensagem estará perdida. (C-I6) Examinar, Estudar, Refletir e Orar

É impossível entendermos tudo a respeito do simbolü:mo usado no Velho Testamento com apenas uma rápida l eitura desse livro . Pode até mesmo ser necessário


114 dedicarmos toda a nossa existência à árdua tarefa dt examinarmos e refletirmos sobre seus ensinamentos, para que o Senhor nos revele plenamente até que ponto e le encheu essa arca do tesouro de ensinamentos simból icos . Observe o que ele disse a Adão : "E eis que todas as coisas têm sua semelhança e todas as coisas são criadas e feitas para dar testemunho de m im; tanto as coisas temporais como as espirituais; coisas que estão acima nos céus , coisas que estão sobre a terra, coisas que estão na terra, e coisas que estão embaixo da ter ra, e

todas as coisas , tanto acima, como abaixo da terra; todas dão testemunho de mim . " (Moisés 6:63 . ) A o estudarmos o Velho Testamento, principalmente os protótipos e simbolismo da dispensação mosaica, devemos pagar o preço que de nós será requerido no que concerne a um estudo cuidadoso, reflexão e orações . Veremos , assim, que o Senhor revelará aos nossos olhos muitas verdades claras e preciosas . O Velho Testamento está repleto de ensinamentos que representam a Jesus Cristo , e para descobri-los , tudo o de que precisamos é ter olhos para ver e ouvidos para ouvir.


/; ..'

/

i }i

.I


Êxodo 11-19

A Páscoa Judaica e o Exodo

10

,...

(10-1) Introdução Nos capítulos anteriores , vimos que o Senhor muitas vezes in � uenciou o curso da história de tal maneira, que os acontecimentos relativos a ela se tornaram simbolicamente significativos. Jacó ensinou que o mandamento recebido por Abraão , de sacrificar seu filho, Isaque, era à semelhança do sacrifício que Deus faria de seu Filho Unigênito (veja Jacó 4:5). José, que foi vendido no Egito , acabou sendo símbolo ou protótipo de Cristo e do ministério que realizaria (veja a Leitura 8 - 1 9) . Néfi declarou que, desde o começo do mundo , todas as coisas foram dadas para prefigurar ou simbolizar a Cristo e a expiação que realizaria. (Veja 2 Néfi 1 1 :4.) Nestes capítulos de Êxodo, encontra-se uma das maiores e mais profundas prefigurações históricas que podemos encontrar. A libertação de Israel do cativeiro não somente é um dos acontecimentos mais dramáticos da história como também está repleta de significados simbólicos ara os santos de todas as épocas . Como preparação para sua leitura desse formidável evento , considere o seguinte resumo feito pelo Élder Bruce R. McConkie, sobre seu significado: "Quando chegou o momento indicado para a libertação de seus filhos do cativeiro do Egito , o Senhor ordenou que cada f�mília de Israel sacrifica� se um cordeiro , que aspergisse o sangue nas ombreiras e nas vergas das portas e que, p<:>r sete dias, comessem pães asmos - tudo isto para slmbohzar o fato de que o anjo destruidor passaria aos israelitas no dia em que tiraria a vida de todo primogênito das famílias egípcias, e também para demonstrar que, às pressas , Israel passaria da escravidão para a liberdade. Servindo de modelo para todas as instruções que Moisés futuramente receberia do Senhor, os detalhes desse cerimonial foram estabelecidos para prestar testemunho tanto da libertação de Israel como de seu Libertador. Entre outros procedimentos ordenados pelo Senhor e registrados em Êxodo 12, encontramos os seguintes : " 1 . 'O cordeiro ou cabrito será sem mácula, macho de um ano, ' representando com isto que o Cordeiro de Deus puro e perfeito, sem mancha ou deformidade, na plen'itude de sua vida, como um Cordeiro pascal, seria morto pelos pecados do mundo . "2. Os israelitas deviam tomar do sangue do cordeiro e aspergi-lo nas ombreiras das portas de suas moradas, recebendo, em conseqüência deste gesto, a promessa de que o 'sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra � o Egito ' , significando que o sangue de Cristo , que vertena em gotas no Getsêmani e se derramaria também da chaga a ser feita em seu peito, quando fosse pendurado na �ruz, purificaria os fiéis e lhes traria salvação; e que, assim como os membros da casa de Israel foram temporalmente salvos em virtude do sangue do cordeiro sacrificial que foi aspergido nas ombreiras e vergas de suas portas, também os j ustos, de todas as épocas, lavariam suas vestes no sangue do Cordeiro Eterno e dele receberiam perpétua salvação . Podemos dizer ainda que, assim como o anj o da morte passou pelas famílias

israelitas em virtude da fé que possuíam - como disse Paulo, falando a respeito de Moisés, 'pela fé celebrou a páscoa. e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhes não tocasse' (Hebreus 1 1 : 28) - da mesme. forma, o Anjo da Vida dará a vida eterna a todos aquele ; que confiarem no sangue do Cordeiro . " 3 . Quanto ao que se refere à maneira como o cordeiro deveria ser sacrificado, o mandamento era de que 'nem dela (d a carne do cordeiro) quebrarei osso (Êxodo 12:46) . Isto si!:nificava que, quando o Cordeiro de Deus fosse sacrificado sobre a cruz, embora fossem quebradas as pernas dos dois ladrões , para apressar-lhes a morte, as suas nilo seriam partidas , 'para que se cumprisse a escritu ra: 'Nenhum dos seus ossos será quebrado . ' (João 19 : 3 1 -36.) "4. \10 que diz respeito ao modo como seria comida a carne do cordeiro sacrificial, a ordem do Senhor era a de que 'nenhum estrangeiro comerá dela' , representando assim que as bênçãos do evangelho são reservadas àqueles que en tram para o rebanho de Israel, que se filiam à Igreja, que executam a parte que lhes compete na sustent ação do reino; significa também que aqueles que comem de sua carne e bebem de seu sangue, como ele declarou , alcançarão a vida eterna e serão levantados no último dia. (João 6:54.) "5. Assim como 'o Senhor feriu todos os primogênitos na tern do Egito ' por não terem dado ouvidos à palavra do Senhor que lhes fora enviada através de Moisés e Aarão, também o Primogênito do Pai, que dá vida a todos os que acreditam em seu nome, destruirá as pessoas munda nas no último dia, aniquilará todos os incrédulos que se encontram nas trevas de um Egito espiritual, cujo coração se encontra endurecido como o do faraó e dos que o cercavam. "6. No primeiro e no sétimo dia da Festa dos Pães Asmos, os israelitas deveriam realizar santas vocações e não se executaria trabalho algum, a não ser a prepara ão do que haveriam de comer. Tais ocasiões eram usadas para pregar a palavra, esclarecer, exortar e testificar. Hoje em dia, as!;istimos às reuniões sacramentais para sermos edificados no que concerne à fé e testemunho . A antiga Israel participava de santas convocações com o mesmo ob� etivo Sabendo que todas as coisas funcionam pela fé, : sena a� sim tão inadequado chegarmos à conclusão de que é tão fiLcil para nós voltarmos nossa atenção para Cristo e o sangue por ele vertido , a fim de alcançarmos a salvação , como era para os israelitas daquela época olharem para o sangue de um cordeiro sacrificado, aspergido nas ombrei ras e vergas das portas a fim de lhes proporcionar a salvaçã o temporal, quando o anj o da morte varreu a terra do Egil.O? "Naturalmente foi quando Jesus e os Doze Apóstolos celebravam a Festa da Páscoa que nosso Senhor instituiu a ordenança do sacramento, para que servisse essenci llmente aos mesmos objetivos dos sacrifícios que vinham sendo feitos há quatro mil anos . Depois daquela Páscoa final e do subseqüente levantamento na cruz do Cordei ro Pascal, chegou o tempo em que cessaria por comple to a celebração daquela festa, outrora requerida. Numa época futura, Paulo poderia dizer com muita

ç


118 propriedade: 'Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós ' , e dar aos santos a exortação natural decorrent(' desse conceito: 'Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia , mas com os asmos da sinceridade e da verdade. ' (I Coríntios 5 :7-8 . ) " ( The Promised Messiah, pp. 429-3 1 . )

Instruções aos Alunos 1 . Ao ler e estudar Êxodo 1 1 - 19, utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem-lhe oferecer. 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar, conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo professor . (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção .)

Êxodo 12: 35-36) . Provavelmente alguns desses objetos foram mais tarde usados na construção do bezerro de ouro (veja Êxodo 32: 1 -4) e do Tabernáculo (veja Êxodo 35:22-24) . As riquezas com que os egípcios os acumularam também cumpriu uma promessa feita a Abraão , de que os filhos de Israel de lá sairiam "com grande fazenda" (Gênesis 15: 14). (10-4) Êxodo 12:2. O Início da Contagem dos Meses

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE ÊXODO 11-19

Tão significativo seria o evento que estava por acontecer, que o Senhor ordenou a Israel que o usasse para marcar o início de seu calendário. Desta forma, o sagrado calendário das festas e comemorações israelitas começa com o mês de Abibe (mais tarde chamado de Nisã), o qual corresponde ao final de março e principio de abril . O chamado "Ano Novo Judaico " , que pode ocorrer tanto no mês de setembro como em outubro, começou na época em que os judeus se encontravam cativos na Babilônia.

(10-2) Êxodo 1 1 . Qual É o Significado da Ú ltima Praga que Assolou o Egito?

(10-5) Êxodo 12:8-10. Instruções sobre Como Preparar o Cordeiro Pascal

Na Leitura 1 0- 1 , o Élder Bruce R . McConkie disCl)freu sobre as semelhanças existentes entre o castigo sofriclo pelo desobediente e empedernido Egito, e a morte espiritual daqueles que se recusam a atender à voz do Primogênito de Deus. Todavia, há outra comparação que poderíamos fazer. Na prefiguração da Páscoa, os filhos de Deus (Israel) encontram-se sob o jugo de um poder maligIlo (Egito) . Da mesma forma, todos os filhos de Deus nascem em um mundo onde existe o pecado, e a possibilidac.e de se encontrarem sujeitos ao cativeiro de Sátanás e do� : poderes d o mal . (Alguns termos que conotam escra. idão foram usados em certas escrituras , como 2 Néfi 2:25'; Alma 34: 35; D&C 84:49-5 1 ; Moisés 4:4; 7:26. ) Assim sendo, o faraó poderia ser considerado como um protótipo ou símbolo de Satanás . À luz desta verdac.e, devemos observar também que o instrumento que finalmente libertou os filhos de Israel do cativeiro do faraó (o símbolo de Satanás), foi a morte dos primogênit0 5 do Egito . De idêntíca maneira, o sacrifício expiatório fe ito pelo Filho Primogênito de Deus libertou os filhos de nosso Pai Celestial da morte, isto é, de se tomarem escravos de Satanás

O cordeiro devia ser assado ao fogo, e não cozido em água. A frase "com fressura" significa que as entranhas, ou órgãos internos, deviam ser assados junto com o animal . Keil e Delitzsch deram a seguinte tradução para o versículo 9: "E naquela noite comerão a carne do

(10-3) Êxodo 1 1 :2. Seria Honesto os Israelitas "Pedirem" Coisas aos Egípcios?

"O termo hebraico sha 'al. . . signifíca pedir, solicitrJr, exigir, requerer, indagar. Deus ordenou aos israelita:i que pedissem, ou exigissem uma determinada recompensa

pelos serviços que tinham prestado, e ele abrandou ( I coração dos egípcios para que lhes dessem uma retribuição liberal, e esta, longe de ter sido um pagamento pela opressão e injustiça que cometeram, ou um gesto de caridade, não era mais que uma recompensa parcial pelos longos e penosos serviços que aproximadamente seiscentos mil israelitas haviam prestado ao Egito durante um incalculável número de anos. Além do mais, não res :a qualquer dúvida de que, durante o período em que viveram sob o jugo egípcio, eles não tiveram permiss ão de possuir nenhuma espécie de propriedade, pois tudo o que ganharam fícara nas mãos de seus opressores . " (Bib 'e Commentary, vol . I , p. 307 . ) O povo egípcio , que aparentemente era mais brando que o inflexível faraó e menos insensível aos poderes de Moisés , atendeu à solicitação dos israelitas, e estes , ( om certeza, levaram consigo riquezas em abundância (v(:ja

cordeiro . . . não o comerão cru, nem cozido em água; . . . mas sim assado ao jogo; a sua cabeça com suas pernas e sua jressura. " Eles esclareceram que, desta forma, o

cordeiro permanecia " 'completo ou inteiro, de modo que nem a cabeça ou �s pernas eram cortadas, ou qualquer dos ossos quebrado (Exodo 1 2:46), e as vísceras eram assadas dentro da barriga, juntamente com as entranhas' , as quais, como não poderia deixar de ser, eram previamente lavadas . . . Temos razão para crer que o mandamento de assar a carne não se baseava na necessidade de apressar o processo de cozimento, pois um animal inteiro poderia ser tanto cozido como assado com a mesma rapidez, e os israelitas certamente possuíam os utensílios culinários para assim proceder . A carne devia ser assada, para que pudesse ser colocada integralmente sobre a mesa, sem que o cordeiro se desmanchasse ou sofresse qualquer modificação essencial. 'Através da união e integridade do cordeiro que lhes fora dado para comer, os participantes da ceia deviam reunir-se em perfeita união e fraternidade com o Senhor, que lhes havia providenciado o cordeiro pascal . ' ' ' (Commentary, 1 :2: 14- 1 5 . ) (10-6) Êxodo 12: 14. E m Que Sentido a Páscoa É uma Ordenança Perpétua?

"A Festa da Páscoa Judaica foi daquela forma cumprida por ocasião da crucificação de Jesus Cristo. A Páscoa foi uma lei dada a Israel que deveria continuar até a vinda de Cristo; seu objetivo era fazer os israelitas se recordarem de que ele viria, e que se tornaria o Cordeiro sacrificial . Depois que Jesus foi crucificado, a lei foi modificada pelo próprio Salvador, e daquela época em diante, foi instituída a lei do sacramento. Hoje em dia, observamos essa lei, ao invés da Páscoa Judaica, pois esta foi plenamente cumprida com a morte de Jesus Cristo . Ela era um símbolo que representava a vinda e crucificação do Salvador, e o cordeiro simbolizava sua morte . . . " A afirmação contida no Velho Testamento d e que aquela ordenança deveria ser perpétua, não significa


119 necessariamente que seria comemorada até o final dos tempos, mas, sim , até o término de um determinado período . " (Smith , A nswers to Gospel Questions, Vol . V, pp . 153-54.) (10-7) Êxodo 12:8, 18-20. Qual é o Sígnificado Simbólico dos Pães Asmos e das Ervas Amargosas?

O levedo, ou fermento, era considerado na antigüidade como um símbolo de corrupção, pois facilmente se deteriorava, embolorando. Jesus usou essa figuração ao advertir seus discípulos contra o " fermento dos fariseus" (Mateus 1 6:6) , referindo-se, com isto, à doutrina corrupta por eles pregada (veja Mateus 1 6:6- 1 2). De acordo com a lei mosaica, não podia ser usado levedo nas ofertas de expiação do pecado e de expiação da culpa (veja Levítico 6: 17), dando a entender que a oferta não podia conter qualquer corrupção . O ato de os israelitas comerem pães asmos significava que partilhavam de um pão que não continha corrupção ou impureza, ou seja, o Pão da Vida, que é Jesus Cristo (veja João 6:35). A expurgação de todo levedo existente no seio da família (veja Êxodo 12: 1 9) representa bela simbologia sobre eliminar-se todas as impurezas na família. Paulo usou esta alegoria dos pães asmos ao concitar os santos de Corinto a eliminarem de sua vida toda espécie de pecado. (Veja I Coríntios 5 :7-8 .) (Observação: A comparação feita pelo Salvador, na qual ele diz que o reino dos céus é semelhante ao fermento misturado em três medidas de farinha, não se refere à característica que o levedo tem de corromper-se, mas , sim, a outro de seus aspectos, o que faz com que a massa cresça ou se expanda (veja Mateus 1 3 :33). As ervas amargosas serviam para fazer com que Israel se lembrasse do amargo e terrível cativeiro que haviam suportado no Egito. (10-8) Êxodo 12:37-38. Cerca de Seiscentos Mil Homens

O número aqui mencionado, de seiscentos mil homens, concorda aproximadamente com o recenseamento oficial dos israelitas , que se acha em Números 1 :45-46. Nesta passagem, todavia, a palavra homens diz respeito apenas às pessoas do sexo masculino de vinte anos e acima, capazes de ir à guerra. Isto significa que o total de componentes da multidão poderia facilmente ser de mais de dois milhões de pessoas . (Veja a Seção Especial E, "O Problema dos Grandes Números no Velho Testamento" .) A "mistura de gente" de que fala o versículo 38, provavelmente se refere às pessoas de outras nacionalidades que se juntaram ao povo israelita e o acompanharam no êxodo, com certeza, eram as mesmas pessoas aludidas em Deuteronômio 29: 10-1 1 , que executavam serviços braçais para os israelitas . Numa ocasião posterior, elas também os imitaram em suas rebeliões contra Deus (veja Números 1 1 :4). (10-9) Êxodo 12:40. Quanto Tempo os Israelitas Permaneceram no Cativeiro?

A Bíblia apresenta duas versões do período em que Israel permaneceu no Egito . De acordo com Êxodo 12:40-41 , ele foi de exatamente 430 anos . Paulo, entretanto, em Gálatas 3 : 1 7 , parece sugerir que o cativeiro teve a duração de 430 anos, contados a partir da época em que Abraão recebeu o convênio, até o dia em que Israel partiu do Egito, embora talvez estivesse referindo-se a algum outro fato.

O P,�ntateuco Samaritano, um dos mais antigos manus :ritos do Velho Testamento , afirma o seguinte: " Ora, o tempo que os filhos de Israel e seus pais moraram na terra de Canaã e na terra do Egito, foi de quatrocentos e trinfl r anos. " (Citado por Clarke, em Bible Commentary, Vol . I , p . 358.) Entretanto, outros manuscritos igualmente significativos não apóiam essa ampliação do período . Ao mostrar a Abraão o futuro cativeiro que Israel sofreria, o Senhor declarou : "Saibas, de certo, que peregri na será a tua semente em terra que não é sua, e servi-lc1s-ão; e afligi-los-ão quatrocentos anos" (Gênesis 1 5 : 1 3 ; itálicos adicionados) . Esta passagem nos dá uma sólida evidência de que o período de cativeiro duraria quatrocentos anos . Um estudioso da Bíblia escreve u um comentário relativo a estes dois pontos de vista e concluiu que a idéia de que houve um cativeiro mais prolon,gado é melhor defendida pelas escrituras . Ele afirmo u : "Há alguns anos costumava-se atribuir o êxodo como tendo ocorrido no século quinze antes de Cristo . Em I Reis 6: I é dito que transcorreram 480 anos desde o êxodo ; ité o quarto ano do reinado de Salomão . Isto nos leva ao século quinze . Além disso, a descoberta das Cartas de AmIma, escritas no século quatorze, as quais eram epístolas de príncipes vassalos moradores em Canaã, dirigidas a Amenófis IV (o famoso Aquenaton), falam de um grande distúrbio que houve naquela região . Este fato teve lugar em virtude de o poderio egípcio estar se enfraquecendo, e também devido ao aparecimento de bandos de salteadores, chamados ' Hapiru ' . Na mente de alguns eruditos, os hapiru são associados aos hebreus invasores de Canaã. Realçando essa suposição, o Profeswr John Gqsrstang, que escavou e descobriu a cidade je Jericó, afirmou que ela foi destruída no final da Idade c.o Bronze, uma época que se enquadra ao que indicavam as outras evidências . Aquela cidade era, sem dúvida alguma, a mencionada pela Bíblia como sendo a primeira conquistada pelos hebreus em Canaã, quando marcha ram ao redor das muralhas tocando suas trombetas, fazendo com que desmoronassem . Portanto, um cert o número de fatores se reuniu para, com certa segurar.ça apoiar o que parecia ser a data bíblica para o êxodo . Sugeriu-se, então, que o faraó da época do êxodo foi Tutnosis I I I (aprox . 1490- 1 435 A.C.) ou Amenófis III (aprox . 1406- 1 370 A . C . ) . " Hoje e m dia, esse panorama mudou inteiramente. Um após olltro, os fatores que apontavam o êxodo como tendo acontecido numa data anterior, foram considerados questio �áveis ou demonstrou-se que nada tinham a ver com a questão. Ao mesmo tempo, surgiram novas evidências que indicam ter ele ocorrido numa época posterior: no século treze, ou talvez no início do reinado de Ram sés II (1 290- 1224 A . C . ) . Êxodo 1 : I 1 nos revela que o cative iro dos hebreus estava relacionado à reconstrução das cidades reais de Pitom e Ramessés (Tanis) . A natureza da escravidão descrita em Êxodo 1 : 14 parece indicar que, sendo n ômades vivendo próximos aos locais de constru ção, aquele povo foi arregimentado em grupos de trabalho. Foram forçados a cultivar os campos que supririam as cidades com os alimentos de que necessitavam, bem como a fabricar tijolos para a constru ;ão dos novos e esplêndidos baluartes reais. As descobertas arqueológicas , indicam que essas cidades haviam entrado em declínio na época em que os hicsos foram e xpulsos do país, mas que foram reconstruídas sob o reinado de Ramsés I I , ou possivelmente no de seu pai, Seti I ( 1 309- 1290 A . C . ) . Há também, nos capítulos 20 e 21 '


120 de Números, a declaração afirmando que, quando c's hebreus tentaram passar por Edom e Moabe, foram rechaçados e tiveram que seguir ao longo da fronteira que dividia aquelas duas regiões. Novamente as pesquiséls arqueológicas recentes podem-nos dizer muita coisa a respeito dessa área da Transjordânia, e provam que ela não teve uma população fixa até o século treze. Assim sendo, antes daquela época, não haveria Edom e Moabe para recusarem passagem aos hebreus . Além disso, veio à luz outra evidência escrita, de interesse, para datar c ' êxodo. Trata-se de uma inscrição egípcia comemora rldo as vitórias conseguidas pelo faraó Mereptá, em Canaã, por volta do ano 1 220 A.C. Ela faz menção a ' Israel' e, sem dúvida, é a referência escrita mais antiga a Israel de que temos conhecimento . .É óbvio que este fato apenas demonstra a data mais recente que se pode atribuir i i presença de Israel em Canaã. Porém, a data que se encontra na inscrição 1 220 A.C. - é consideradél por muitos estudiosos como deveras significativa, se considerada à luz de outras evidências existentes, uma das quais, além das que já foram mencionadas, é a violmta destruição de inúmeras cidades cananitas, ·ocorrida por volta do século treze. Teria sido obra dos invasores hebreus? " Infelizmente a questão relativa à data em que oc orreu o êxodo não pode ser determinada com segurança. Todavia, é grande o peso dos indícios encontrados, e a maioria dos eruditos da atualidade concordam com a idéia de que foi Ramsés II, ou possivelmente seu pai, que endureceu o coração contra os hebreus . " (Frank, Discovering the Biblica/ World, p . 56.) -

(10-10) Êxodo 12:43-51. Por Que Não Era Permitid' l) aos Estrangeiros Comerem da Páscoa?

A Páscoa era uma ordenança e cerimônia que identificava Israel como sendo uma nação escolhida, um povo eleito por Jeová, e que, por sua vez, havia tomado a firme decisão de servi-lo. O Senhor proibiu que estrangeiros, ou "não-membros" da casa de Israel, comessem da Páscoa, assim como determinou que " sacramento só deve ser partilhado pelas pessoas que se arrependeram, foram batizadas e são dignas (veja 3 Néfi 1 8 : 1 6 , 28-32) . O fato de pârticipar de qualquer uma destas duas ordenanças, não sendo um membro, implicaria estar-se renovando convênios que, na verdade, o indivíduo jamais' havia feito . O Senhor sempre enfatizou, entretanto, �e, se um estrangeiro " quiser celebrar a páscoa" . (Exodo 1 2:48), deveria se unir ao povo de Israel pOI meio da circuncisão ou, no que diz respeito à época atual , ser batizado (veja 3 Néfi 1 8 : 30, e também o quarto ponto ressaltado pelo Élder McConkie na Leitura 1 0- 1 ) .

expiação e propiciação de Cristo, da qual tudo isto foi um símbolo . "Assim sendo, o Senhor reivindicou aqueles que salvara, como se por direito lhe pertencessem e, considerando-os seus, requereu que lhe prestassem serviços; porém, numa ocasião posterior (Números 8 : 1 6- 1 8) , aceitou a tribo de Levi, em lugar dos primogênitos de Israel . Como o número de levitas era menor que o de primogênitos, a diferença teve que ser redimida com dinheiro, o qual era pago a Aarão, o grande sumo sacerdote e representante do Sacerdócio Aarônico, também um levita. (Veja Números 3 : 50-5 1 .) " (Taylor, Mediation and A tonement" p. 108.) Um fato de maior significado é a verdade de que Cristo é o Primogênito dentre todos os filhos espirituais de nosso Pai Celestial (veja D&C 93 : 2 1 ) . Ele veio ao mundo como nosso Redentor, pagando o preço requerido de toda a humanidade, sendo j usto, portanto, que requeira qu� o sirvamos . Como Paulo declarou , todos os habitantes da terra foram "comprados por bom preço" (I Coríntios 6:20) . (10-12) Êxodo 13:9-10

Para explicações mais detalhadas relativa ao mandamento de pôr o sinal sobre a mão e entre os olhos, veja a Leitura 1 9- 1 2. (10-13) Êxodo 13: 17-22

"O caminho que Israel devia seguir era indicado por uma coluna de fogo, que significava que a presença do Senhor ia adiante deles . Teriam feito uma jornada mais 'curta, se estivessem preparados para atravessar as terras filistéias até Canaã . " (Rasmussen, Introduction to the O/d Testament, Vol. I , p . 80.) A fé que possuíam, entretanto, ainda não era suficiente para realizarem tal empreendimento . Deus não exige que alguém prove sua fé por intermédio de uma pro vação maior do·que pode suportar (vej a I Coríntios 10: 1 3) . A frase "subiram armados" (Exodo 1 3 : 1 8) dá a entender que existia organização, ordem, e provavelmente, preparativos para defesa contra possíveis ataques . Embora seja absolutamente espantoso imaginar o que seria conduzir dois milhões de pessoas através do deserto, este versículo sugere que não foi uma fuga caótica, mas sim um êxodo ordeiro. (10-14) Êxodo 14:4, 8, 17

Joseph Smith alterou a tradução destes versículos, mostrando que foi o faraó quem endureceu o coração contra Israel (veja a Leitura 9- 1 6) .

(10-11) Êxodo 13: 1-2, 11-16. Por Que o Senhor Requereu que Todo Primogênito de Israel lhe Fosse Santificac lo?

(10-15) Êxodo 14: 10-31. P o r Que o Senhor Conduziu Israel em Direção ao Mar Vermelho?

"Novamente, o Senhor tendo através do sinal da aspersão do sangue de um cordeiro nas ombreiras e vergas das portas dos israelitas poupado a vida de todos os primogênitos de Israel, reclamou-os como seus, para que prestassem serviços em sua causa . . . "Porém os primogênitos dos egípcios, para os quais não fora oferecido um cordeiro, como simbolo da propiciação, foram destruídos. Foi somente por meio "da propicülção e expiação que os israelitas foram salvos, quando, sol) as circunstâncias, teriam perecido juntamente com os egípcios, que haviam sido condenados, não fosse pela

Alguns estudiosos modernos têm argumentado q1,.le Moisés não levou Israel diretamente para e através do Mar Vermelho (no Golfo de Suez, um braço daquele mar), mas sim que atravessou o "Mar dos Juncos" , já que em hebraico o termo Yam Suph tem esse significado . Tais eruditos defendem que a área por eles atravessada foi uma região baixa e pantanosa, situada às margens dos Lagos Amargos. (Veja o mapa do Êxodo, na seção de Mapas e Gráficos.) Eles afirmam que os carros dos soldados ficaram atolados na lama e que os guerreiros morreram afogados, quando as águas subiram de nível. Porém os santos dos últimos dias têm informação segura de que o


121

/

o Mar Vermelho dividiu-se diante da ordem de Moisés

relato contido no livro de Êxodo está correto . Tanto o Livro de Mórmon como o de Doutrina e Convênios afirmam categoricamente que o lugar do acontecimento foi o Mar Vermelho (veja 1 Néfi 1 7 : 24-27 ; D&C 8:3). Êxodo 14:22, 29 ensina que "as águas foram-lhe como muro à sua direita e à sua esquerda" , significando com isto que se tratava de algo mais difícil que a simples travessia de uma área lodosa, que se havia tornado seca por um vento súbito. O Senhor teve, provavelmente, dois motivos para conduzir Israel através do Mar Vermelho . Primeiro , com aquele ato, ele demonstrou aos israelitas uma portentosa e surpreendente prova de seu poder de proteção . Ele foi o único guerreiro nesta batalha travada contra um dos mais formidáveis exércitos do mundo . Este evento, portanto, foi o prelúdio da razão que teria, daquele momento em diante, de exigir que Israel confiasse nele e lhe prestasse obediência. Em segundo lugar, chegando ao término da peleja, o poder do exército egípcio fora completamente destruído. Como os egípcios tiveram que passar um longo tempo reconstruindo suas forças, isto permitiu que Israel

vivesse livre de qualquer ameaça, até conseguir estabelecer­ -se na t �rra prometida. Paul, ) ensinou que a travessia do Mar Vermelho e a proteção oferecida pela nuvem ou coluna de fogo eram protótipos ou símbolos inequívocos do batismo da água e do foge, (veja I Coríntios 10: 1 -4) . (10-16) Êxodo 15:�. "E o Povo Murmurou contra Moisés" A palavra murmurou, citada mais de vinte vezes de formas várias nos registros das peregrinações de Israel, é usada r,e la priIl}eira vez neste versículo . Esse mau costume de murmurar parece ter sido uma das características domina ntes dos israelitas, e tornou-se a raiz de alguns problemas que tiveram de enfrentar. Ela é usada quase a mesma quantidade de vezes para descrever a atitude rebelde de alguns membros da colônia de Leí, ao viajarem através daquela mesma área deserta, depois que partiram de Jerusalém. O ato de murmurar, em vez de ser uma expressão franca de crítica e interesse sincero, visando resolver um


122 problema, é uma reclamação constante e prejudicial feita nos bastidores . Tal problema não era comum apenru: entre os israelitas, ou Lamã e Lemuel. Existe também entre os santos dos últimos dias na época atual. O Élder Mar ion G. Romney declarou : "Gostaria d e chamar vossa atenção para o princíJ: io da lealdade; lealdade à verdade e aos homens escolhido:; por Deus para conduzir a causa que a defende. Falo da 'verdade' e de tais 'homens' ao mesmo tempo, porque é impossível aceitar plenamente a primeira e rejeitar em parte, os segundos. "Levanto minha voz para advertir-vos e aconselhar-vos a estarem atentos contra o criticismo . . . Ele provém, em parte, de pessoas que ocupam, ou um dia já ocuparellIl, posições de destaque no reino do Senhor. Os indivíd uos a que me refiro muitas vezes se encontram ostensivam, �nte em boa situação perante a Igreja, e ao manifestarem seus sentimentos, costumam dizer: 'Não esqueça que tarr.bém somos membros da Igreja, e nossos pontos de vista devem ser levados em consideração . ' "Eles acham que alguém pode gozar de plena harnonia com o espírito do evangelho, desfrutar de todos os privilégios dentro da Igreja, e, ao mesmo tempo, est u em desacordo com os líderes eclesiásticos e com os consdhos e instruções que eles transmitem. Semelhante atitude (: deveras inconsistente, pois as orientações que esta IE reja recebe provêm não somente da palavra escrita, mas de revelação contínua, e o Senhor a concede à Igreja através dos líderes que escolheu, e de ninguém mais. Portanto, aqueles que afirmam aceitar o evangelho e que veladamente criticam os líderes e se recusam a segui! os conselhos que deles emanam, estão na verdade assumindo uma posição indefensável. (Em Conference Report, abril de 1 942, pp . 1 7 - 1 8 . ) O Presidente David O . McKay esclareceu o relacionamento direto que existe entre o criticismo e o ato de murmurar, com a seguinte declaração: "Na Igreja, às vezes, encontramos dois grupos de pessoas : os edificadores e os murmuradores. Que cada um pergunte a si mesmo: 'A que grupo pertenço? ' Somos chamados para realizar tarefas. Quando a liderança do sacerdócio e das auxiliares introduz programas novos, muitos dos membros afirmam: ' S im , nós o faremos. Colaboraremos com este novo programa. ' Mas, algumas vezes ouvimos um murmúrio, alguém que está sempre à procura de faltas, e que diz: 'Não . Não podemos fazer isto . ' Julgando motivos incorretamente, alguns logo se identificam com Lamã e Lemuel, ao invés de estarem com Néfi, cujas ações expressam o desejo de seguir a voz de Deus. (Ver 1 Néfi 1 7 : 1 7 e versículos seguintes .) Observemo-nps e sejamos fiéis aos exemplos dados por nossos líderes. As vezes ouvimos a advertência: 'Nã,) falem contra as autoridades. ' O que significa isto? Significa - 'não sejam murmuradores' . Falar contra a liderança do sacerdócio e das auxiliares é uma das coisas mais venenosas que podem ser introduzidas no lar de um santo dos últimos dias. Por que os líderes são chamados para ocupar certas posições? Para beneficio próprio ? Não, é impossível apontar um só exemplo nesta Igreja em que uma pessoa foi chamada para seu benefício pessoal. Quando se faz um chamado, é com o propósito de abençoar alguém, alguma classe, ou a humanidade em geral. Esta é a missão de cada membro, desde o Pre,idente da Igreja até o último dos conversos. A posição de cada um tem o propósito de edificar, abençoar, estabelecer a retidão, a pureza e a virtude entre os homens. " (Quatro marcos de Orientação, A Liahona de julho de 1 969, p. 4.)

(10-17) Êxodo 16: 1-35; 17: 1-7. Que Lições Deus Procurou Ensinar a Israel pela Forma Com que Lhes Deu Água e Maná?

"O Senhor usou o maná com a finalidade de ensinar lições tanto de edificação espiritual como de sustento físico . Ele ensinou a Israel que, no momento em que lhes faltou outras espécies de alimento ('te deixou ter fome' Deuteronômio 8:3), o fornecimento diário de maná devia 'dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor' (Deuteronômio 8 : 3 , compare com o verso 1 6) . Deus forneceu o maná durante seis dias, mas não no sétimo, para ensinar ao povo escolhido o princípio da obediência, e condenava-os sempre que agiam em contrário ao que ensinara (veja Êxodo 1 6 : 19, compare com os verso 20, 25-30) . Jesus Cristo utilizou-se do maná, o 'pão que desce do céu ' , como uma representação d e s i mesmo, o verdadeiro pão da vida, e ressaltou o contraste marcante que existia entre a substância física do maná e o simbolismo relativo a ele: 'vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram' (João 6:49), mas ele podia dizer: 'Eu sou o pão da vida . . . que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre. ' (João 6:35, 5 1 , compare com os verso 26-59 et passim.) (Douglas , New Bible Dictionary, p. 780.) A declaração de Paulo, que se encontra em I Coríntios 10: 1 -4, esclarece o que o Senhor estava procurando ensinar a Israel sobre Cristo, quando lhes forneceu tanto a água como o maná de que necessitavam. O Élder Bruce R. McConkie fez um comentário bastante esclarecedor com referência ao ensinamento de Paulo: "Cristo é o pão que desceu do céu, o Pão da Vida, o maná espiritual, do qual os homens devem comer para alcançar a salvação. (João 6:3 1 -58.) É a bebida espiritual, a água viva, a água da vida que a humanidade deve beber, para que nunca mais tenha sede. (João 4:6 1 5 .) " (Doctrinal New Testament Commentary, Vol. II, p . 3 5 5 . ) O "maná escondido" , mencionado por. João em Apocalipse 2: 1 7 , foi explicado pelo Élder McConkie como sendo "o pão da vida, a boa palavra de Deus, as doutrinas daquele que é o Pão da Vida - todas as quais se acham ocultas da mente carnal. Aqueles que dele comem jamais terão fome, e eventualmente serão herdeiros da vida eterna. " (Doctrinal New Testament Commentary, Vol. III, p. 45 1 .) -

Um oásis no

deserto do Sinai


123

"Aarão e Hur sustentam as mãos de Moisés "

(10-18) Êxodo 17:8-16. Por Que o Senhor Ordenou a Moisés que Destruísse os Amalequitas?

Os amalequitas provavelmente eram descendentes de Esaú (veja Gênesis 36: 1 2, 1 6) . Eles atacara� o � israelitas da maneira mais vil e covarde, matando pnmelramente as pessoas débeis, fracas e fatigadas que se encontravam na retaguarda da peregrinante nação (veja Deuteronômio 25 : 1 7- 1 9) . Em virtude dessa falta de respeito para com Deus, os amalequitas foram . amaldiçoados pelo Senhor, e �gum tempo de�?ls, os . . israelitas foram ordenados a nscar totalmente a memona de Amaleque de debaixo dos céus (Êxodo 1 7 : 14) . Nesta primeira batalha que travaram contra u m outro povo , Israel novamente demonstrou gr�nde fal�a de . confiança em Deus. Somente quando Viam MOlses . empunhando a vara, o símbolo de autoridade, consegUiam sobrepujar seus inimigos . O Presidente Harold B. Lee pôde discernir 'o significado simbólico deste evento e aplicou-o à época atual: "Penso ser esse o trabalho que o Presidente Tanner e eu temos de realizar. As mãos do Presidente Smith poderão cansar-se. Poderão começar a cair ao seu lado, por causa de . suas pesadas responsabilidades; mas enquanto nós a

seguramos, e enquanto liderarmos sob a sua direção, do seu lado, as portas do inferno não prevalecerão contra vocês e contra Israel. "A � :egurança de vocês e a nossa dependem da manei:a. como s eguimos aqueles que o Senhor colocou para presidir sobre esta Igreja, que é sua. Ele conhece a quem quer que presida sobre esta Igreja, e não cometerá erros. O Senhor não fcu: as coisas por acaso . Jamais fez alguma coisa acident almente . E penso que os cientistas e os filósofos do mundo jamais descobriram ou aprenderam qualquer coisa que o �:enhor Deus já não soubesse. Suas revelações são mais poderosas, mais significativas e têm mais conteúdo que todo o aprendizado secular do mundo . "Mantenhamos nossos olhos sobre o Presidente da Igreja e sustentemos suas mãos, como o Presidente Tanner e eu co ntinuaremos a fazer. " ("Su3tentem as Mãos do Preside nte da Igreja" , Discursos da Conferência Gera/, outubro de 1 970, p . 83.) (10-19) Êxodo 17: 14

Que evidência temos de que Moisés realmente registrou as informações que passaram às épocas posteriores , e que refutam a idéia defendida por algumas pessoas, de que a


124 Bíblia é baseada em tradição oral e que seus eventos foram escritos muito depois do tempo em que ele viveu?

dO-lO) Êxodo 18

"Jetro deu a Moisés um conselho muito proveitos' D, quando lhe sugeriu que organizasse os líderes em uni dades de dez, cinqUenta, cem e mil, para que instruíssem e julgassem o povo em todos os assuntos, exceto os mais dificeis, que seriam, quando necessãrio, apresentados a tribunais inferiores e superiores, até chegarem a Moi ,és, que se encontrava à cabeça de Israel. Moisés demomtrou possuir um notável sentimento de humildade e sabedoria, ao aceitar o conselho do velho sacerdote. (Podemos encontrar a utilização moderna de idêntica espécie de organização registrada em D&C 1 36.)" (Rasmussen, Introduction to the Old Testament, Vol . I, pp. 82-83 .) Na tradução de exodo 1 8 : 1 , Joseph Smith declara que Jetro era "o sumo sacerdote de Midiã" (itálicos acrescentados), confirmando o ensinamento que se a .cha em Doutrina e Convênios 84:6-7, de que Jetro possu ía o Sacerdócio de Melquisedeque.

(10-21) Êxodo 19:5.

Uma "Propriedade Particular' ;

A palavra original, tanto em grego como em hebraico, significa "posse , riqueza, propriedade, particular, que é separada ou posta em reserva; a idéia principal que da transmite é a de que se trata de algo escolhido, precioso e estimado, a que muito se estima e zelosamente se . pteserva . " (Wilson , Old Testament Word Studies, p. 305 .) (Veja Deuteronômio 14:2; I Pedro 2:9.)

(10-22) Êxodo 19:10-25. "Moisés ... Procurou Diligentemente Santificar o Seu Povo para que Pud, ssem . Ver o Rosto de Deus" (D&C 84:23 .) " Se Israel tivesse aceitado todos os privilégios que lhe foram oferecidos naquela ocasião, e seguisse os cons elhos que teriam qualificado aquele povo a receber o cumprimento de todas as promessas feitas por Deus, teria conseguido obter a maior de todas as revelaçõe: ; : O Senhor se ofereceu para descer diante dos olhos de tl xlo o povo e permitir que o ouvissem na Ocasião em que falasse com Moisés, para que soubessem por si mesmos qual era a sua vontade e a sua lei, acreditassem nas revelações que Moisés futuramente receberia, e temessem ainda ma:,s ao

Senhor (compare com DeuteronÔmio 4: 10). Observe a necessidade de haver uma preparação especial do povo, em termos de limpeza e dedicação espiritual, para que pudesse desfrutar dessa extraordinária experiência. "Ao sinal predeterminado, que era um toque longo de buzina, todos os que se encontravam no arraial estremeceram, tomados de assombro; mas, aparentemente, não estavam ainda preparados para subir ao Senhor' , no monte onde Moisés se encontrava, pois Deus lhe ordenou que descesse e instruísse o povo a não subir. Os indícios que nos esclarecem por que isso aconteceu, encontram-se no capítulo seguinte do exodo, em 20: 1 8-19, e também em D&C 84:21 -25 . Embora os corações dos israelitas ainda não estivessem inteiramente preparados para suportar a presença do Senhor, eles ouviram a voz e as palavras proferidas por Deus na ocasião em que foram dados os Dez Mandamentos, como veremos em outro lugar, ao estudarmos os comentários de despedida, em Deuteronômio 4: 10, 12, 33, 36; 5:22-26. "(A apresentação dos Dez Mandamentos em tábuas de pedra será relatada em outro ponto da narrativa, em exodo 3 1 : 1 8 ; 32: 1 5 , 19. Sobre o segundo conjunto de tábuas, preparado depois que o primeiro havia sido quebrado, trataremos ao abordar exodo 34: 1 em diante .)" (Rasmussen, Introduction to the Old Testament, Vol . I , . p . 83.) .

PONTOS A PONDERAR (10-23) A Páscoa judaica ocorreu há mais de três mil anos , mas ainda é comemorada pot aquele povo em todas as partes do mundo . Ap6s o sacrifício expiatório efetuado pelo Salvador, os cristãos não a celebram mais ; contudo ' ainda a consideramos como um dos eventos mais significativos para os santos de todas as épocas . Faça de conta que esteve presente naquela memorável noite e nos dias que se seguiram, e que costuma manter um diãrio fielmente. Numa folha de papel (ou em seu próprio diário, se assim desejar), registre o que sentiria, se houvesse l2articipado dos grandiosos acontecimentos descritos em Exodo 1 1 -19. Não anote o que aconteceu, mas o que teria pensado e sentido na ocasião. Faça todo o possível para escrever no mesmo estilo em que registra os eventos de sua vida em seu diário.


Êxodo 20

Os Dez Mandamentos

(11-1) Introdução Muitas pessoas da época atual, e até mesmo alguns cristãos, parecem pensar que os Dez Mandamentos faziam parte somente da dispensação de Moisés , e não de todo o evangelho . Ao iniciar o estudo desses dez princípios revelados há mais de três mil anos, pergunte a si mesmo quão importante acredita que eles sejam hoje em dia. Será que realmente fazem parte do evangelho , ou eram destinados apenas aos antigos israelitas? Esta pergunta é de vital importância para você. Cecil B. DeMille, produtor do filme Os Dez Mandamentos, fez a seguinte observação : "As pessoas que mal conhecem a Bíblia ou a natureza humana, ao assistirem ao meu filme, provavelmente verão retratada na orgia feita ao redor do bezerro de ouro, . apenas o fruto da imaginação prodigiosa de Hollywood . Contudo, os que possuem um entendimento maior, serão capazes de aprender a terrível lição sobre quão rapidamente uma nação ou um homem pode decair sem a lei de Deus . "Se a humanidade se recusar a ser guiada por Deus, certamente o será por tiranos - e não existe tirania mais despótica ou devastadora que o próprio egoísmo do homem, sem a lei . "Não podemos quebrar os Dez Mandamentos . Tudo o que podemos fazer é aniquilarmo-nos contra eles; ou então, cumprindo-os zelosamente, elevarmo-nos até conseguirmos alcançar a plenitude da liberdade regidos por Deus . O Senhor nos criou para que fôssemos livres . Com coragem divina, deu-nos o poder de escolha. " (Commencement A ddress, Brigham Young University Speeches of the Year, Provo, 3 1 de maio de 1 957.)

Instruções aos Alunos 1 . Ao ler e estudar Êxodo 20, utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem oferecer-lhe. 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar; conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo professor. (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção.)

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE ÊXODO 20 (11-2) Êxodo 20: 1-17. As Dez Grandes Pedras Fundamentais

Talvez a maior evidência do quanto os Dez Mandamentos são importantes, se encontre no fato de que eles se acham mencionados em três de nossos livros­ -padrão . Além da primeira vez em que foram dados (veja Exodo 20), Moisés os repetiu, ao fazer um resumo das experiências vividas por Israel no deserto (veja Deuteronômio 5 : 6-2 1 ) . O profeta Abinádi citou-os perante os iníquos sacerdotes do Rei Noé (veja Mosias 1 3 : 1 2-24), e assim eles se encontram também no Livro de Mórmon . E finalmente, embora não se encontrem na forma exata como aparecem nas demais escrituras, os mesmos princípios acham-se no Novo Testamento (veja

11 1

Mateu:: 5 : 1 7-37) e em Doutrina e Convênios (veja D&C � 2 : 1 8-29; 59:5-9) . Quando o Senhor dá ênfase a algum �nsinamento, repetindo-o diversas vezes, é sinal de que é muito importante. O Élder Mark E. Petersen declamu: "Co m seu próprio dedo, o Senhor escreveu os Dez Mandamentos sobre tábuas de pedra. Eles representam a lei bási,;a do Todo-poderoso, e desde que foram entregues à humwidade, têm-se constituído nos elementos fundamentais da lei civil e religiosa que o mundo cristão conhec � . "Eles são d e suprema importância e m nosso relacionamento com Deus . São uma parte integral do evange:ho restaurado de nosso Senhor Jesus Cristo, essenciais para que nos tornemos perfeitos como é perfeito nosso Pai Celestial (D&C 42; D&C 59). "Na ; normas estabelecidas em Levítico e Deuteronômio acham· se variações dessas leis, ao serem aplicadas a assuntCtS específicos; mas, geralmente, elas fornecem o alicercf' para toda conduta humana adequada. " (Moses, p. 1 1 0. ) Este�: mandamentos mostram ao homem que ele possui três pri :>ridades básicas em sua vida. Os primeiros quatro demon:;tram qual deve ser o seu relacionamento correto com D,:us . O quinto evidencia quão importantes são a família e um relacionamento familiar apropriado. Os últimm cinco regulamentam a conduta que o homem deve ter para com seus semelhantes. A pessoa que toma a firme determ inação de aperfeiçoar o relacionamento que tem com Deus, a família e seu próximo, está bem adiantada no caminh o que a levará a ser perfeita em todas as coisas . (11-3) í txodo 20:2-3. "Não Terás Outros Deuses Diante de Mim "

O pr imeiro mandamento dá ao homem a prioridade de sua vid a. Se Deus não estiver em primeiro lugar, então todas as outras coisas serão influenciadas por isso . Em nossa e xistência, nada pode vir antes de Deus, ou ter priorid,lde sobre ele, nem mesmo as coisas que mais amamc's, como nossa família, e até mesmo a própria vida. C risto ensinou especificamente este princípio a seus discípu los : "Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é d igno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim" (Mateus 10:37). E declaro u nesta dispensação : "Portanto, não receeis os vossos inimigos, pois diz o Senhor, no meu coração decretei que vos provarei em todas as coisas, para ver se permanecereis no meu convênio , mesmo até a morte, para que sej lis considerados dignos . " (D&C 98: 14- 1 5 . ) "De'Js não nos favorecerá, s e o colocarmos e m segundo lugar em nossa vida, e nos decidirmos a andar em busca das coi ias do mundo , não importa quão importante nos pareçam. "O mandamento do Salvador foi este: 'Mas buscai primeil O o reino de Deus e a sua justiça . ' (Mateus 6:33 .) Nas revelações dadas ao Profeta Joseph Smith , o Senhor ensinoll que devemos ter os olhos fitos na glória de Deus . (D&C :!7:2; 5 5 : 1 ; 59: 1 ; 88:67 . ) " (Petersen, Moses, p . 1 1 1 . )


128 À princípio, pode-se pensar que essa exigêncía que Deus faz, de que seus filhos lhe prestem exclusiva reverênc ia e adoração, pareça um tanto egoísta; porém devemos ter dois fatos em mente: primeiro, na posição de Senhor e Criador de todo o universo , e como o ser que possui todo o poder, conhecimento e glória, Deus não necessita da veneração e honra que os homens lhe dedicam, para aumentar a sua divindade . Assim sendo, seu excessivo zelo não tem a finalidade de proteger ou assegurar sua eh:vada posição . A segunda coisa que devemos lembrar é que o Senhor ensinou a Moisés que a obra de Deus é "proporcionar a imortalidade e vida eterna ao homem" (Moisés 1 : 39\ Toda vez que seus filhos dão maior valor a qualquer coisa, por menor que seja, que a Deus, nesse momento começam a frustrar os desígnios que o Senhor tem para com el es . Deus é a única fonte de poder e conhecimento capaz de nos salvar. Quando colocamos alguma coisa acima dele, tal atitude diminui nossa habilidade de utilizar aquel e poder e conhecimento em benefício da nossa salvação. Foi por este motivo que ele, em primeiro lugar, e acima de tudo, disse a seus filhos: "Não terás outros deuses d lante de mim" (Êxodo 20:3). Um conhecido estudioso da Bíblia fez o seguinte comentário a respeito desse princípio: "Este mandamento proíbe toda espécie de idolatria mental e todo apego exagerado aos bens terrenos, e a coisas que apelam �, ara os nossos sentidos . . . . Deus é afonte dafelicidade, e nenhuma criatura inteligente pode ser feliz, exceto através dele . . . O primeiro mandamento de toda a série que de deu foi divinamente calculado com o fim específico de evitar a miséria humana e promover a sua felicidade, afastan do­ -nos de sermos sujeitos a coisas falsas, e conduzindo -nos a Deus, que é a fonte de todo bem. " (Clarke, Bible Commentary, Vol . I, pp . 402-3.) (11-4) Êxodo 20:4-6. "Não Farás para Ti Imagem Esculpida"

No prefácio de Doutrina e Convênios, o Senhor declarou que uma das características do mundo atual é a de que "cada um segue o seu próprio caminho, segu ndo a imagem de seu próprio Deus, a qual é à semelhança jo mundo, e cuja substância é a de um ídolo" (D&C 1 : 1 6) . Referindo-se a o mal d a idolatria, o Élder Spencer W . Kimball ensinou: "A idolatria que mais nos preocupa neste momemo é a adoração consciente de outros deuses . Alguns são df' metal, veludo e cromo, de madeira, pedra e pano . Não são feitos à imagem de Deus ou do homem, mas são desenvolvidos para proporcionar conforto e satisfaçüo ao ser humano, para satisfazer seus caprichos, ambiçõe:;, paixões e desejos. Alguns não têm forma física, são intangíveis. "Os ídolos ou os falsos deuses modernos podem adotar as formas mais variadas, tais como roupas, casas, negócios, máquinas, automóveis , barcos e inúmeros outros desvios materiais que conduzem para longe da trilha que leva à divindade. Que diferença faz que o )bjeto de adoração não tenha a forma de um ídolo? Brigham Young disse: 'Preferiria ver um homem adorando a Jm pequeno deus de metal ou de madeira a vê-lo adoran do suas propriedades. (Journal of Discourses, Vol. VI, p. 1 96.) " As çoisas intangíveis podem prontamente tornar··se ídolos. Diplomas e títulos podem tornar-se ídolos. Muitos j ovens preferem ir para a faculdade quando deveriam

primeiro fazer missão . O diploma universitário e a prosperidade e segurança que ele proporciona, parecem tão desejáveis, que a missão fíca em segundo lugar. Alguns negligenciam o serviço da Igreja durante os anos em que estão na universidade, preferindo o treinamento secular e ignorando os convênios espirituais que fizeram. "Muitas pessoas constroem a casa, mobiliam-na e compram o automóvel primeiro - e depois descobrem que "não podem" pagar o dízimo . A quem elas adoram? Certamente não é ao Senhor do céu e da terra, pois servimos a quem amamos e consideramos em primeiro lugar o objeto de nossa afeição e desejos. Os jovens casais que adiam a paternidade até obterem seus diplomas universitários, talvez ficassem chocados se a preferência que demonstram fosse rotulada de idolatria. Essa racionalização lhes traz diplomas às custas de filhos . Será que essa é uma mudança justificável? A quem eles amam e adoram - a si mesmos ou a Deus? Outros casais, reconhecendo que a vida não tem o objetivo primário de proporcionar conforto, facilidades e luxos, completam seus cursos ao mesmo tempo que progridem em todos os setores, tendo seus filhos e trabalhando em prol da Igreja e da comunidade. "Muitos adoram as caçadas, as pescarias, as férias, os piqueniques de fim de semana etc . Outros têm como seus ídolos os esportes como o basebol, o futebol, as touradas ou o golfe. Esses prazeres quase sempre interferem com a adoração ao Senhor e com a prestação de serviço para a edificação do reino de Deus . Aos que participam desses esportes, talvez essa ênfase não pareça tão séria; entretanto, indica onde depositam a sua fidelidade e obediência. "Ainda outra imagem que os homens adoram é a do poder e prestígio. Muitos pisarão nos valores espirituais e mesmo éticos em sua escala rumo ao sucesso . Esses deuses do poder, da prosperidade e influência têm tanta procura e são quase tão reais como os bezerros de ouro feitos pelos filhos de Israel no deserto . " (O Milagre do -Perdão, pp . 48-49.) (11-5) Êxodo 20:5. "Eu, o Senhor Teu Deus, Sou Deus Zeloso"

A raiz hebraica kanah denota "ardor, zelo, cuidado " (Gesenius, Hebrew and English Lexicon of the Old Testament, p. 888) . Deste modo, a implicação desta frase é a de que o Senhor abriga em seu coração "sentimentos profundos e sensíveis" em relação à idolatria (Êxodo 20:5). A razão é bem clara. É somente em Deus que reside o poder de salvar a humanidade. Qualquer espécie de adoração falsa, portanto, coloca o pecador longe do alcance de tal poder. Considerando que Deus ama a seus filhos, e tudo o que deseja é o eterno bem-estar deles, o Senhor neste sentido é zeloso (isto é, muito enérgico) no que concerne a qualquer adoração falsa ou vã praticada por seus filhos . (11-6) Êxodo 20:5-6. O Senhor Pune os Filhos pela Iniqüidade dos Pais?

Uma explicação para o versículo 5, "visito a iniqüidade dos pais nos filhos" , é que os filhos certamente seriam prejudicados, caso aprendessem e seguissem os caminhos pecaminosos dos pais; mas veja o que (jiz o versículo 6 sobre os que se arrependem e servem ao Senhor. (ÊXOdo 20: 5-6; veja também D&C 1 24: 50-52; 98 :46-47 .) A respeito daqueles que se arrependem e voltam a servir o Senhor (Êxodo 20:5 , veja também D&C 1 24: 50-52; 98:46-47).


129

As encostas íngremes do Monte Sinai

(11-7) Êxodo 20:7. "Não Tomarás o Nome do Senhor Teu Deus em Vão "

Há dois aspectos importantes neste mandamento . Primeiro, o terceiro mandamento implica que os filhos do Senhor devem ter uma atitude de profunda reverência no que diz respeito ao seu nome . "Este preceito não somente nos proíbe de proferir falsos juramentos, mas também dizer qualquer frase corriqueira em que o nome de Deus é usado, ou invocá-lo como testemunha da verdade. Proíbe-nos; também, de toda a menção vã e irreverente de Deus ou de quaisquer de seus atributos . " (Clarke, Bible Commentary, Vol . 1 , p. 404.) Numa época em que a profanidade domina a conversação do mundo , seria proveitoso nos lembrarmos da advertência feita pelo Senhor, de que não considerará sem culpa tais indivíduos. O Élder LeGrand Richards decl�rou o seguinte acerca da profanidade: "E difícil compreender como uma pessoa possa ser leal e sincera no relacionamento que tem com Deus através da oração , procurando ser por ele abençoada, e ao mesmo tempo ser tão desrespeitosa a ponto de tomar seu nome em vão . "A profanidade é incompatível com o sentimento de reverência. Certamente nesta época crítica de nossa história, quando necessitamos tanto do auxílio indispensável de Deus , devemos fazer todo o possível para não ofendê-lo através de nossa linguagem . Incentivamos os jovens da Igreja, de todas as partes do mundo, a terem sagrada reverência pelo nome da Deidade , para que possam viver de maneira aceitável perante o Senhor, de modo que, quando surgir uma ocasião em que precisem de seu alentador apoio, possam dirigir-se a ele com a consciência tranqüila e invocar sua ajuda, certos de que serão atendidos . " (Em "The Third Commandment" , The Ten Commandments Today, pp . 52-53.) Há uma implicação adicional neste mandamento . Fundamentalmente o ato de vivermos o evangelho implica fazermos votos e convênios com Deus . Ao ser batizada, a pessoa faz o convênio de tomar sobre si o nome de Cristo (veja D&C 20:37). Se ela esquecer-se do j uramento solene que fez naquele momento, terá tomado o nome do Senhor em vão . Perante os altares do templo, homens e mulheres juram solenemente cumprir compromissos sagrados . Todavia, se, ao de lá saírem, passarem a viver como se não tivessem feito tais

promessas , estão violando o terceiro mandamento, mesmo que não usem profanamente o nome do Senhor. Aqueles que participam do sacramento a cada semana, sem dar o mínim(i valor ao significado do convênio que fizeram, de tomar � obre si o nome de Cristo, de guardar os mandamentos que ele lhes deu e de sempre se recordarem dele, estarão tomando o seu nome em vão . Essa falta de conside ração para com as coisas sagradas se constitui em leviand lde à vista do Senhor . Ele mesmo nos ensinou numa r �velação moderna: "Portanto, que todos os homen�; se acautelem como tomam em seus lábios o meu nome -- Pois eis que na verdade eu digo que muitos há que estio sob essa condenação, que usam o nome do Senhor , e usam-nos em vão , não tendo autoridade. " (D&C (;3 : 6 1 -62.) Além dos votos e convênios religiosos, muitos atos formai�, da sociedade moderna utilizam juramentos e comprCtmissos solenes . No entanto, estes votos são freqüertemente desfeitos ou relegados. Sem dúvida alguma, a violação de tais juramentos é também uma violaçã,) do terceir.o mandamento . (11-8) Í :xodo 20:8- 1 1 . "Lembra-te do Dia do Sábado, Para o Santificar"

A do utrina do Dia do Senhor é ensinada em muitos lugares das escrituras e inclui os seguintes conceitos de inquest ionável importância: 1 . Este mandamento tem a dupla finalidade de incenth'ar tanto o trabalho como a adoração . Ele nos ordena que devemos trabalhar seis dias e descansar no sétimo . Em outros lugares das escrituras , condena-se o ocioso e ressalta-se o valor da industriosidade (veja D&C 4 �:42; 56: 1 7 ; 60: 1 3 ; Alma 24: 1 8 ; 38: 12) . 2. A lei sobre o Dia d o Senhor foi dada como u m símbolo o u sinal d o dia d e descanso que o s deuses desfrutaram após haverem completado a obra da criação . A palana hebraica Schabat significa "repouso " , ou "cessanento do trabalho " . O fato de que o Dia do Senhor está dir,�tamente relacionado à criação do mundo é evident,� não apenas neste mandamento , mas também em outras escrituras, como Gênesis 2: 1 -2 e Êxodo 3 1 : 1 7 . 3 . S o b a dispensação d e Moisés, a violação d o dia do Sábado era um crime capital (veja Êxodo 3 1 : 14- 1 5). Um renomado estudioso da Bíblia fez um importante coment ário a respeito da razão pela qual se aplicava tão extremo castigo a esse pecado: "A p ena de morte, aplicada à violação do Dia do Senhor na época do Velho Testamento , nos dá a entender dois aspectos fundamentais desse mandamento . Primeiro, a lei do Dia do Senhor envolve um princípio tão importante e básico, que a sua violação constitui ofensa capital. Segundo , ela nos transmite também a idéia de que a violação dos preceitos relativos ao dia santificado implica por si mesma uma espécie de morte, isto é, que a transgn:ssão produz a morte. Os profetas deixaram bem claro este aspecto da lei . Por outro lado, a obediência à lei significa vida. " (Rushdoony, Institutes of Biblical Law, p . 1 37 . } 4. O Senhor indica que a observância d o Dia d o Senhor é um "�,inal . . . p�ra que saibais que eu sou o Senhor, que vos san/ifica" (Exodo 3 1 : 1 3 ; itálicos acrescentados). Ele nos ens:,nou um conceito de santidade semelhante ou de pureza ,�spiritual, numa revelação moderna: "E, para que te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás os teus sacramentos no meu dia santificado " (D&C 59:9; itálicos acrescentados).


130 5. O conceito de santificação e a idéia de repouso, conforme são usados nas escrituras, parecem estar intimamente relacionados . O descanso do Senhor é definido como a "plenitude da glória (de Deus)" (D &C 84:24). Alma ensinou que determinados santos da época antiga entraram "no descanso do Senhor" , após haverem sido purificados através de um processo de santifical;ão (Alma 1 3 : 1 2) . Em outras palavras, a obra de Deus é santificar a seus filhos, capacitando-os a entrar em s �u repouso final, que é a plenitude de sua glória. O homem recebeu o mandamento de, a cada semana, interromper seus labores e permitir que Deus realize nele sua obra de santificação . O ato de repousar no Dia do Senhor, portanto, significa mais do que tirar uma soneca, ou cessar as atividades normais de trabalho. Nesse dia, a humanidade deve dedicar-se à obra do Senhor, isto ó, tornar a si próprios e aos outros mais semelhantes ao Pai Celestial, o que é outra forma de traduzirmos o que é a santificação. Fazer a obra,do Senhor (santificação) freqüentemente significa realizar grande atividade no Dia do Senhor, e no sentido usual, ele provavelmente não será um dia de repouso . Podemos presumir que, se o ato de fazer o bem a um animal no Dia do Senhor é agradável a Deus (veja Mateus 1 2 : 1 1 ; Lucas 1 3 : 1 5) , então proceder de tal maneira com relação aos homens é muito mais lo uvável ainda. As duas diretrizes relativas ao Dia do Senhor são a de que nele devemos nos dedicar ao descanso e à adoração (vej a D&C 59: 1 0) . A palavra hebraica la-avodh , "adorar" , significa também "trabalhar" e "servir" . Este labor sagrado, desta forma, gera um homem novo e santo; assim sendo, o Dia do Senhor associa-se intimamente à obra de criação . 6. O mandamento relativo à observância do Dia d o Senhor não s e destinava apenas a o indivíduo, mas t2mbém abrangia seus servos (empregados), membros da família e animais. Sob a lei mosaica, até mesmo a terra deveria descansar por um ano depois de cada período de setl ! anos (veja �xodo 20: 1 0 ; Levítico 25: 1 -7). Imagine quanta fé era necessária para, a cada sete anos, confiar plenament � na providência divina, ao invés de confiar nos labores d as próprias mãos. (Esse desafio foi dado em Levítico 25 :20-22.) 7 . Foram feitas promessas de riquezas temporais, proteção divina e poder espiritual àqueles que guardassem o Dia do Senhor. Por exemplo, após dar o mandamento relativo à observância do ano sabático, o Senhor prometeu: "assim habitareis seguros na terra. Ela da�á o seu fruto, e comereis a fartar. " (Levítico 25 : 1 8- 1 9.) [saías prometeu àqueles que não se ocupassem da satisfaçã o de seus prazeres pessoais naquele dia santificado: "Enti lo te deleitarás no Senhor" (Um conceito que talvez se rerira ao fato de nossa confiança se tornar forte na presença e le Deus (veja D&C 1 2 1 :45» , e "te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança do te l pai Jacó" (Isaías 58 : 14) . A herança de Jacó foi a exaltaç ão, ele se tornou um Deus ! (Veja D&C 1 32:37.) As promessas contidas em Doutrina e Convênios �;9: 1 6-24 são baseadas nas condições específicas que se acham no versículo 1 6 . O Élder Spencer W. Kimball nos deu al guns detalhes concernentes aos desafios implícitos na santificação do Dia do Senhor: "O quarto mandamento contém uma lei de duplo aspecto: um de afirmação, e outro de negação. Qua nto à negação, temos " . . . não farás nenhuma obra " ; é a afirmação: 'Lembra-te do dia do sábado, para o santificar . . . . '

"Todas as semanas, encontramos pessoas desafiadoramente executando seus afazeres e atividades incompatíveis com o Dia do Senhor . . . Nesse dia, inúmeros estabelecimentos comerciais, como restaurantes , panificadoras, bares e lanchonetes realizam seus melhores negócios . Os corretores de imóveis fazem plantão de vendas inclusive aos domingos . Nos balneários, parques de diversões e outros lugares de entretenimento, os comerciantes conseguem obter elevados lucros . Longas filas se formam diante das bilheterias dos cinemas . Os j ogos de futebol e outras competições esportivas atraem milhares de pessoas, e inúmeras famílias passam esse dia sagrado em piqueniques e viagens de recreio. Os jovens aproveitam o domingo para estudar e fazer suas tarefas escolares . As exposições-feiras realizam vultosas vendas de animais e de outros produtos . Muitos fazem viagens desnecessárias . Agricultores preparam o solo, executam colheitas e efetuam o plantio . Alguns homens de negócio fecham seus escritórios, mas aproveitam esse dia para caçar e pescar. As donas de casa dedicam-se aos afazeres domésticos que não conseguiram completar nos outros dias da semana. Outros saem em excursões aos bosques e montanhas . O mundo todo parece estar sobre rodas - as estradas ficam congestionadas . Homens semi-despidos são vistos aparando cercas-vivas ou a grama do jardim . Os restaurantes funcionam em ritmo alucinante. Mulheres trajando roupões, e homens com o rosto por barbear, passam horas indolentes no lar. A elite realiza recepções sociais e chás , e uma semana após outra, o Dia do Senhor é profanado, e a lei de Deus desrespeitada. "A lei permite que muitas pessoas excelentes sejam forçadas a trabalhar aos domingos. Elas não têm outra alternativa, do contrário, serão despedidas . Porém, o fato é que freqüentemente os empregados que trabalham por turnos escusam de participar das atividades do Dia do Senhor, usando o trabalho como desculpa. Os operários que trabalham por turnos raramente atuam mais horas por dia que as demais pessoas , e se estiverem determinados , · terão tempo suficiente para prestar serviço e guardar o dia santificado nas horas restantes. "Quando há escassez de empregos e é difícil obtê-los , algumas pessoas acham que devem trabalhar no dia santificado, a fím de ganharem um pouco mais . Todavia, em tempos normais, é difícil encontrar um emprego que não requeira que se trabalhe aos domingos . Essa mudança de ocupação provavelmente exigirá algum sacrifício de natureza financeira, mas o Senhor prometeu que abençoará àqueles que viverem as suas leis . " (Em "The Fourth Commandment" , Part 1 , The Ten Commandments Today, pp . 55, 57 - 5 8.) Em seguida, falando a respeito dos aspectos positivos do mandamento, o Élder Kimball declarou: "Em hebraico, a palavra Schabat signifíca 'descanso ' . Ela quer dizer que as pessoas devem desfrutar de tranqüilidade, paz de espírito e sossego mental. É um dia apropriado para deixarmos de lado todos os interesses egoístas e atividades que nos absorvam . "O dia do Senhor foi concedido a todas as gerações da humanidade como um convênio perpétuo. É um sinal eterno entre nosso Pai Celestial e seus filhos . É um dia em que devemos prestar-lhe nossa adoração e expressar os sentimentos de gratidão e apreço que temos para com ele. É um dia em que devemos abandonar todos os interesses mundanos e louvarmos humildemente a Deus , pois a humildade é o início da exaltação . É um dia em que devemos abster-nos de qualquer atividade que nos cause


131 atlição ou fadiga; é uma ocasião adequada ao repouso e entretenimento sadio . É um dia em que não devem ser preparados banquetes suntuosos, mas refeições simples, e festejos espirituais; não é um dia de abstinência de alimentos, exceto quando se trata do dia de jejum, mas, sim, um dia em que empregadas e patroas descansam dos afazeres domésticos . É um dia que nos foi generosamente concedido por nosso Pai Celestial. É um dia em que os animais devem ser soltos no campo, para que possam pastar e repousar; é uma ocasião em que o arado deve permanecer no celeiro, e em que a maquinaria agrícola esfria seus componentes; um dia em que o empregador e o empregado, o patrão e o servo, libertam-se da lida cotidiana, do preparo da terra e das fadigas do plantio. É um dia em que os escritórios se fecham, os assuntos comerciais são adiados, e os problemas esquecidos; um dia em que o homem pode ser temporariamente livre do mandamento que lhe foi dado no principio . . .' É um dia em que o corpo pode descansar, a mente ter sossego, e o espírito se desenvolver. É um dia em que podemos entoar hinos, proferir oraçõ�s, pregar sermões e prestar testemunhos; uma dia em que o homem pode elevar-se às alturas, quase eliminando as barreiras do tempo, espaço e distância existentes entre ele e seu Criador. "O domingo é um dia em que podemos examinar nossa vida - analisar nossas fraquezas, confessar nossos pecados aos nossos semelhantes e ao Senhor. É um dia em que podemos jejuar em 'saco e cinza. ' É um dia em que devemos ler bons livros, um dia apropriado para refletir e ponderar; um dia para estudarmos as lições do sacerdócio e organizações auxiliares; um dia propício ao estudo das escrituras e ao preparo de discursos; um dia para tirar uma boa soneca, descansar e se descontrair; um dia para visitar o enfermo; um dia para pregar o evangelho; um dia para fazer proselitismo; uma dia para conversar sem muito alarido com os familiares , e para procurarmos conhecer melhor nossos filhos; um dia para o namoro adequado; um dia para praticar o bem; um dia para beber da fonte do conhecimento e instrução; um dia para procurar obter o perdão de nossos pecados; um dia favorável ao enriquecimento de nosso espírito e de nossa alma; um dia em que podemos restaurar nossa estatura espiritual; um dia para participarmos dos emblemas do sacrifício e expiação; um dia para desfrutarmos das coisas gloriosas do evangelho e dos domínios eternos; um dia para avançarmos no caminho ascendente que conduz ao Pai Celestial. " (Em "The Fourth Commandment" , Part 2, The Ten Comman dments Today, pp. 66-68 .)

geralmente surgem duas dúvidas a respeito deste mandamento . Primeiro, se devemos ou não honrar pais indignm ; segundo, se devemos obedecer, caso eles solicitem que façamos àIgo errado. Primeiramente, embora na maioria dos casos o ato de honrar ( i S pais envolva prestar-lhes obediência, esses dois princípios não são idênticos. Honrar significa "trazer-lhes honra 011 ter para com eles uma atitude de dar-lhes honra. " Obedecer significa sel? uir a orientação ou exemplo . "O apóstolo Paulo afirmou : 'Filhos, sede obedient es a vossos pais no Senhor, porque isto é justo" (Efésios 6: 1 ; itálicos acrescentados), e logo a seguir: 'Honra a teu pai e a tua mãe" (vers. 2) . Ao assim fazer, entretan :o, ele não adicionou nenhum requisito, dizendo apenas s �r aquele o "primeiro mandamento com promess,i" (Efésios 6:2) . Obedecer aos pais no Senhor significa obedecer-lhes em retidão (McConkie, Doctrinal New TeMament Commentary, Vol. 2, p. 521 ) . Sempre que um filho se comporta dignamente, traz honra a seus pais, sejam eles pessoas corretas ou não . O mesmo acontece ao contrário . Toda vez que um filho vive desregradamente, faz com que a vergonha sobrevenha a seus genitores, sejam eh:s dignos ou não . Vemos portanto, que honrar aos pais nem sempre implica obedecer-lhes . Nos casos relativamente raros em que os pais incentivam os filhos a se comport arem indevidamente, estes os estarão desonrando, se lhes obedecerem. No en tanto, nenhum requisito foi adicionado ao mandam ento de honrar pai e mãe. Para entendermos o porquê, ;onvém examinarmos em que se resume o padrão correto c .e relacionamento entre pais e filhos. É apenas no relaciommento que os pais celestiais do homem têm para com sem filhos, que encontramos um modelo perfeito de paternidade. Os deuses, é claro, são perfeitamente honorávds (ou seja, merecedores de toda honra) . Não teríamos qualquer problema em honrá-los, se eles fossem os único�; pais com quem tivéssemos de tratar. Porérr.. eles, em sua infinita sabedoria, acharam por bem conceder que genitores mortais fossem os seus represent antes no ato de conceber e criar filhos. Em outras palavras, os pais são os representantes diretos de Deus na mortalid;ide; portanto, como acontece aos ofícios do sacerdóc:.o, o ofício da paternidade também requer honra. Como n�ío poderia deixar de ser, os indivíduos que têm semelharte chamado recebem com ele uma importante responsa bilidade e obrigação . Os pais têm o dever de se esforçar 'Jara serem o máximo possível semelhantes a

(11-9) Êxodo 20: 12' . "Honra a Teu Pai e a Tua Mãe"

O quinto mandamento estabelece claramente a importância da família aos olhos do Senhor. O relacionamento familiar adequado é um dos dez princípios fundamentais da lei, tanto neste mundo como na vida futura. Obedecendo a este preceito, a unidade familiar e todos os outros componentes da sociedade permanecem estáveis e sadios . Na era em que vivemos, que foi profetizada como sendo uma época em que as pessoas são "desobedientes a seus pais e mães" e "sem afeto natural" (II Timóteo 3 :2-3), é necessário que consideremos seriamente as implicações contidas no mandamento de honrar pai e mãe, e sobre a promessa nele contida. Quando os pais são dignos e tementes a Deus, os filhos não encontram problema algum para entenderem a diretriz que o Senhor lhes deu, de que devem honrar a seus pais, embora muitas vezes tenham dificuldade em fazê-lo . Todavia, quando falta aos pais essa importante qualidade,

Cume do Monte Sinai


132 Deus. O Senhor deixou bem claro que, se eles falharem no cumprimento da missão que receberam de serem pais, a qual inclui ensinar a seus filhos o que ele ensinaria s e estivesse aqui, estarão sujeitos a sofrer graves conseqüências . (Veja D&C 68 :25-3 1 ; 93 :39-44.) Se os pais não cumprirem seu ofício e chamado (c:, naturalmep.te, nenhum pai pode ou será capaz de fazer isto de maneira perfeita), serão responsáveis perante Del Is; porém, tal circunstância em nada diminui a responsabilidade que os filhos têm de honrá-los . Para entendermos bem esse fato, novamente podemos va ler-nos do paralelo relativo ao ofício no sacerdócio. Embor a nenhum portador do sacerdócio seja capaz de cumI'rir perfeitamente o ofício e chamado que recebeu, o cargo que ocupa deve ser honrado, apesar de suas imperfdções . O homem digno e capaz cobre a si mesmo de honra ; porém, mesmo no caso de um bispo ter que ser desobrigado por não ser digno de ocupar essa posiç; !o, não deixaremos de honrar o seu ofício de bispo . A história de Davi e Saul é uma ilustração clássica deste princípio. Saul havia sido separado e ungido, sob a orientação do Senhor, para ser o rei de Israel. Algum tempo depois, devido ao orgulho e insensatez, ele s(: tornou indigno da graça de Deus e, eventualmente, cometeu um grave pecado e perdeu o Espírito do Sf nhor . Davi, ungido rei em seu lugar, muitas vezes teve sua . vida ameaçada por Saul, mas sempre se recusou a levant ll a mão para feri-lo . A resposta consistente que deu foi : "Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, porque é o ungido do Senhor" (I Samuel 24: 1 0) . Saul havia claramente fracassado no cumprimento de seu cha mado, mas Davi entendeu, com grande sabedoria, que o rd teria que prestar contas a Deus por tal insucesso, não a Davi. De maneira semelhante, um pai pode fracassar completamente em seu sagrado ofício e chamado, chegando ao ponto em que seja impossível a um filho seguir seu exemplo, mas este continua tendo a obriB ação de honrar o pai, devido à posição que ele ocupa como um repr�sentante de Deus . O Élder Bruce R. McConkk esclareceu esse princípio da seguinte maneira: "Os filhos chegam à mortalidade trazendo consifo o requisito inato, profundamente gravado em seu ínti mo pelo mesmo Ser que lhes deu origem como espíritos , de honrarem seus pais e seguirem os conselhos dados p or eles em retidão . " (Doctrinal New Testament Commentary, Vol. 2, p. 52 1 .)

(11-10) Êxodo 20: 12. "Para que Se Prolonguem os feus Dias na Terra . " Como foi observado acima, o apóstolo Paulo s e referiu ao quinto mandamento como sendo o primeiro com uma promessa específica (vej a Efésios 6: 1 -2) . Em que sentido o ato de honrar os pais seria capaz de prolongar nossa vida aqui neste mundo? Para responder a essa pergunta : ;eria importante considerar os seguintes fatos: 1 . O Senhor havia prometido aos israelitas que lh es daria por herança uma determinada parte da terra, :LSsim como concedera aos jareditas e à colônia de Leí uma

terra prometida. Em todos os casos aqui mencionados, ele ensinou claramente que o recebimento de tal direito não era automático , mas dependia da retidão manifestada pelo povo, e que a iniqüidade faria com que perdessem a . herança (veja Deuteronômio 28: 1 -2, 7, 10; 1 Néfi 2 20-2 1 ; Éter 2:7- 1 2) .

2. A o fazer u m resumo d a lei que o Senhor dera a Israel, Moisés fez uma pequena alteração nos termos do quinto mandamento . Em Deuteronômio 5 : 16, lemos o seguinte: "Honra a teu pai e a tua mãe, como o Senhor teu Deus te ordenou, para que se prolonguem os teus dias, e para que te vá bem na terra que te dá o Senhor teu Deus" (itálicos acrescentados) . 3 . Moisés ordenou aos pais em Israel que ensinassem diligentemente a seus filhos as leis de Deus , "para que bem te suceda . . . na terra que mana leite e mel" (Deuteronômio 6:3; veja também Êxodo 20:3-7. onde se acha registrado na íntegra o mandamento dado aos pais) . 4. Numa ocasião anterior, Moisés usou de uma linguagem semelhante ao prevenir os israelitas: "Quando, pois, gerardes filhos, e filhos de filhos . . . e fizerdes mal aos olhos do Senhor. . . hoje tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra, que certamente perecereis depressa da terra; . . . não prolongareis os vossos dias nela, antes sereis de todo destruídos " (Deuteronômio 4:25-26: itálicos acrescentados) . Em seguida, Moisés afirmou esse mesmo princípio de maneira positiva, novamente usando a mesma linguagem que aplicara ao quinto mandamento: "E guardarás os seus estatutos e os seus mandamentos, que te ordeno hoje, para que bem te vá a ti, e a teus filhos depois de ti, e para que prolongues os dias na terra que o Senhor teu Deus te dá para todo o sempre" (Deuteronômio 4:40) . 5 . Em resumo, a condição primordial para se manter ' uma herança numa terra prometida é a retidão pessoal, que só pode ser mantida quando os pais ensinam as leis de Deus a seus filhos e estes lhes obedecem e respeitam. Deste modo, para "prolongar os dias na terra" (Êxodo 20: 1 2) , a unidade familiar deve estar funcionando adequadamente e os filhos precisam honrar aos pais. 6. Este mandamento tem ainda um aspecto pessoal . O Senhor prometeu àqueles que "obedecerem aos mandamentos, " que terão saúde, vigor, resistência, e que o "anjo destruidor" os passará como aos filhos de Israel" (D&C 89: 1 8 , 2 1 ) . Comentando a respeito da frase usada por Paulo ao se referir a este mandamento como o "primeiro mandamento com promessa" (Efésios 6:2) , o Élder Bruce R. McConkie declarou: "Nesta passagem, Paulo interpreta a promessa como sendo de natureza pessoal . Os filhos obedientes e fiéis viverão por muito tempo sobre a terra. Isto é, de modo geral, a vida temporal é prolongada através da obediência às leis do evangelho; porém, de modo particular e fundamental, são as pessoas dignas e tementes a Deus ou seja os mansos - que viverão sobre a terra, quando esta alcançar seu estado final, ou celestializado . (D&C 8 8 : 1 6-20)" (Doctrinal New Testament Commentary, Vol . 2, pp. 521-22.)

(11-11) Êxodo 20: 13. "Não Matarás" Uma das transgressões e crimes mais graves, é o pecado do assassinato ou destruição da vida humana. É evidente que o ato de ser culpado de destruir a vida é um gesto de 'rebeldia ' cometido em oposição aos desígnios do Todo­ -poderoso, negando ao indivíduo cuja existência teve um prematuro fím na mortalidade, o privilégio de desfrutar plenamente das oportunidades de aprendizado que estariam ao seu alcance nesta escola terrena. Essa falta se acha enquadrada na mesma categoria que a rebelião gerada por Satanás e suas hostes; portanto, não devemos surpreender-nos, se as penalidades impostas ao homicida


133 forem de características semelhantes às que ficaram sujeitos os espíritos expulsos dos céus juntamente com o maligno . " (Harold B. Lee, em "The Sixth Commandment" , Part . 1 , The Ten Commandments Today, p. 88.) (11-12) Êxodo 20: 13. Em Que Sentido o Mandamento de

Não Matar Afeta os Indivíduos Que Vão ã Guerra? "Numa declaração concernente a este assunto, contida numa mensagem da Primeira Presidência à Igreja durante a II Guerra Mundial, proferida na conferência geral realizada no dia 6 de abril de 1 942, esse tema foi plenamente debatido . Ele veio à luz numa ocasião em que cerca de cem mil jovens SUD se achavam nos campos de batalha ou recebendo treinamento militar para combaterem na guerra mais destrutiva da história da humanidade. Citarei aqui um trecho daquela proclamação (pp . 32-36): " ' . . . A Igreja é, e tem que ser contra a guerra. A Igreja, como organização, não pode promover uma guerra, a menos que e até que o Senhor lhe dê um novo mandamento nesse sentido. Ela não pode considerar a guerra como um meio justo de acertar as divergências internacionais, que devem e poderiam ser resolvidas através de negociações e acordos pacíficos , se as nações assim concordassem. " 'Porém os membros da Igreja são cidadãos ou súditos de estados soberanos sobre os quais ela não pode exercer o menor controle. O próprio Senhor nos ensinou a esse respeito (D&C 98 :4-7 é então citada). "Embora pelos seus termos esta palavra revelada se refira mais especificamente a esta terra da América, não obstante os princípios nela proclamados são de aplicação mundial, e especificamente dirigidos a você ' (Joseph Smith) 'e aos seus irmãos da minha Igreja. ' Portanto, quando a lei constitucional, seguindo estes critérios , convoca o s homens d a Igreja para a s Forças Armadas em qualquer pais a que tenham que prestar obediência, seu mais elevado dever cívico requer que eles cumpram esse chamado. Se, ao assim procederem, acatando as ordens de seus superiores em comando, eles tiverem que tirar a vida dos indivíduos que lhes derem combate, essa atitude não fará deles assassinos , nem sujeitos às penalidades que Deus estabeleceu que sobreviriam aos homicidas , além do princípio que será mencionado resumidamente logo a

Local tradicional em que estava situado o acampamento de Israel, enquanto Moisés se encontrava no Monte Sinai

seguir. Pois Deus seria cruel, se punisse seus filhos como culpad(ls de transgressões morais, em virtude de atos cometidos por eles na posição de inocentes instrumentos de um wberano a quem o Senhor ordenou que obedecc :ssem, e a cujas ordens lhes era impossível deixar de atender. " 'O mundo inteiro encontra-se empenhado em uma guerra que parece ser a pior de todos os tempos . Esta Igreja é uma organização mundial. Seus dedicados membros podem ser encontrados em ambos os lados do campo de batalha. Eles são inocentes instrumentos que seus belicosos soberanos usam para a guerra. Em cada um dos lados , os combatentes acreditam que estão lutando em defesa de seu lar, país e liberdade. Em cada uma das facções , nossos irmãos oram para o mesmo Deus , invocan do-o sob o mesmo nome, rogando que lhes conceda a vitória. Ambos os lados não podem estar completamente certos ; e talvez nenhum seja totalmente isento de culpa. Deus agirá a seu próprio modo para julgar a justiça e o direito existente nesse conflito, mas não conside:rará os inocentes soldados que participam desta guerra, nossos irmãos que empunham armas, responsáveis por esse; , hecatombe. A humanidade está atravessando uma crise mundial de grande envergadura. Deus , porém, está ao leme . ' "Exi� :te, portanto, uma grande diferença em destruir a vida, ag indo sob as ordens de uma potência a quem temos o dever de prestar obediência, e o de cometermos arbitrar iamente um assassinato por nossa própria respons,ibilidade. Seria proveitoso se cada jovem que se acha no serviço militar, estudasse cuidadosamente o pronunciamento acima, feito pela Primeira Presidência. " (Lee, em "The Sixth Commandment" , Part 2 , The Ten Comma ndments Today, pp . 93-94.) (11-13) l �xodo 20: 14. "Não Adulterarás"

"O homem precisa reproduzir-se. Ele não foi criado como m embro do reino vegetal para seguir as normas estabele:idas para aquela forma de vida. Nem tampouco é ele um e; ,nimal, para que seja orientado pelos meros instinto� : . Como filho de Deus, o homem recebeu poderes que não foram outorgados a qualquer outra forma de vida. El(! faz parte da raça divina, tendo , portanto, o direito e le desfrutar de muitos privilégios e poderes relativo�: à divindade. "O poder de reprodução teria que ser dado ao homem, como o fora às formas inferiores de vida, com o objetivo da perp(:tuação da espécie. Enquanto que o Senhor estabele(;eu limites a este poder com relação às formas de vida inferior, aos quais os animais não tinham a tendência de ultrapassar devido à maneira como haviam sido estabeleddos, o homem se encontra numa situação diferenÍl ! . Tendo ele o direito de escolher, sendo possuidor de impu lsos naturais, uns orientados para o bem e outros para o mal (até mesmo Satanás se havia rebelado na vida pré-mor tal), ele agora poderia utilizar os poderes divinos que lhe haviam sido concedidos, tanto com ogjetivos louvávei s como para propósitos maléficos . No que dizia respeito ao homem, não se tratava de uma questão de instinto, mas sim de escolha. Ele possuía o direito de escolher muito antes de ter sido colocado neste mundo . Tal caracteristica não lhe foi retirada, ao tornar-se mortal. Os animais não corromperiam seus poderes de reprodução. O instinto :uidaria para que tal não acontecesse . Mas , que faria o h omem mortal? Esta questão faz parte do âmago do objetivo para o qual ele foi criado - para testá-lo, para provar S ! ele seria digno de voltar à presença de Deus .


134 Possuindo o arbítrio para escolher, ele teria a liberdade de selecionar o seu próprio curso . Poderia agir de mar.eira enobrecedora, ou praticar atos que corromperiam ma condição . "As leis eram a resposta. De que outra forma D(:us poderia tratar com um ser inteligente, que tinha o privilégio de escolher, e que deveria ser provado pa :a ver que caminho escolheria? "E assim Deus colocou diante de si o primeiro homem e a primeira mulher. Como macho e fêmea, eles deve riam reproduzir a sua espécie, mas só deviam fazê-lo de acordo com as normas estabelecidas pelo Senhor . . . " O convênio do casamento, os sagrados laços que deviam perdurar eternamente, foi a instituição cele:;tial criada por Deus, sob a qual seus filhos mortais que viviam aqui na terra deveriam gerar progênie. ficou estabe lecido que não deveria haver relações sexuais fora do casamento . Os filhos que nasceriam ao homem e à mulher ness ! consórcio divinamente indicado, pertenceriam a ele s por toda a eternidade. As famílias continuariam a exisLr como unidades até mesmo na eternidade. Os laços de afelO consolidados no lar terreno durariam para sempn;,. Tais características faziam parte do sistema de vida cele� tial, agora transferido para a terra. Ele deve ser mantido . sagrado . " (Mark E. Petersen , em "The Seventh Commandment " , Part 1 , The Ten Commandment s Today, pp . 1 04-5 .) (11-14) Êxodo 20: 15. "Não Furtarás"

Os Dez Mandamentos foram o alicerce dos grandes princípios fundamentais de retidão. Eles são de tal amplitude e de tão vasta e profunda aplicação , que . abrangem todos os aspectos do comportamento moral . O oitavo mandamento é um bom exemplo desse fato . É constituído apenas de duas palavras ; não obstante, sua área de aplicação é de tal magnitude, que cobre uma extensa escala do comportamento humano . Desde a época da queda, Adão e toda a humanidade que nasceu a pós ele, foram ordenados a trabalhar, a fim de ganhar o pão de cada dia (vej a Gênesis 3: 1 9) . Quando alguém procura colher os frutos do trabalho empreendido por outro indivíduo, sem dar a ele a necessária compensação , isto é uma atitude de roubo . Como podemos ver, o ato de furtar envolve muito mais que a simples apropriação dos Jens alheios. O Presidente Spencer W. Kimball declarou : "Nos cargos públicos e na vida particular, a pala vra do Senhor troveja: 'Não furtarás . . . nem farás coisa alguma semelhante. ' (D&C 59:6.) "Encontramo-nos racionalizando em todas as fo rmas de desonestidade, incluindo pequenos furtos em loj as , o que é um ato baixo e mesquinho , praticado por mil hões de pessoas que clamam ser gente honrada e decente. "A desonestidade aparece em muitas outras formas : em assaltos, jogando com o amor e as emoções das pe� soas para obter lucro sujo; roubando dinheiro em caixa ou furtando mercadorias de empregadores; falsificand o contas; tirando vantagem de outros pagadores de impostos, fazendo uso indevido de coisas pagas com o dinheiro de impostos; fazendo reivindicações falsas; declarando isenções irreais; fazendo empréstimos de órgãos do governo ou particulares, sem intenção de pagar; declarando falências injustas ou falsas para evitar ü pagamento de empréstimos; roubando na rua ou no lar, dinheiro e outras coisas alheias; roubando tempo, dando menos do que um dia completo de trabalho honesto pelo pagamento de um dia completo de trabalho; usand o transporte público sem pagar a passagem; e todas a s

formas de desonestidade e m todos o s lugares e e m todas as condições . "A todas as roubalheiras e ato desonestos, o Senhor diz: 'Não roubarás . ' Ele usou apenas estas palavras . "Talvez ele, cansado da longa lista que poderia ter feito das muitas maneiras de roubar, deturpar, tirar vantagem, tenha coberto todos os métodos de se tirar alguma coisa . que não nos pertence, dizendo: 'Não roubarás . ' " ("Um Relatório e Um Desafio " , A Liahona, fevereiro de 1 977, p . 4.) (11-15) Êxodo 20: 16. "Não Dirás Falso Testemunho"

"O assassinato, o adultério e o furto, que dizem respeito respectivamente à vida, virtude e propriedade, geralmente são considerados como faltas mais graves perante a lei que o ato de prestar falso testemunho . Embora essa transgressão não seja vista como digna de tão grande culpa, sem dúvida se tornou predominante no mundo moderno . É evidente que a maioria das pessoas que estão lendo estas lições costumam evitar as três espécies de pecados acima descritos como se fossem uma praga pois são , de fato, as três maiores ofensas sociais ; porém , conscientes , ou mesmo sem nos darmos conta disso , há ocasiões em que todos nós estamos sujeitos a ser tentados a, negligentemente, propagar mexericos e outras formas de falsos testemunhos . . . "Prestar falso testemunho é testificar ou passar adiante relatos, insinuações, especulações ou boatos como se fossem verdadeiros, em prejuízo de algum de nossos semelhantes . Muitas vezes tal procedimento é originado pela falta de informação correta relativa a um fato; outras , pela falta de compreensão; ou ainda, em virtude de um mal-entendido - ou até mesmo por uma disposição malévola de distorcer uma verdade ou deturpá-la. "O assassinato envolve tirar a vida humana, ao passo que prestar falso testemunho centraliza sua força na destruição do caráter ou na difamação do bom nome de uma pessoa. Seu escopo é a ruína da reputáção . " (Adam S. Bennion, em "The Ninth Commandment" , Part 1 , The Ten Commandments Today, pp . 1 34- 146.) (11-16) Êxodo 20: 17. "Não Cobiçarás"

Este é o último dos Dez Mandamentos, e caso não fosse evidente que ele tem estreito relacionamento com os demais, seríamos levados a supor que é um dos de menor gravidade. Todos, os mandamentos , porém, estão de tal forma interligados, que não podemos violar um deles sem enfraquecermos todos os outros. Eis alguns fatos que servirão para ilustrar esse ponto (e relembrar-nos os nove restantes): "Quem cobiça ainda que seja as coisas mais simples da vida, estará de certa forma 'tendo outros deuses ' diante do Senhor e se 'encurvando diante deles ' , em pensamento e em espírito, quando não fisicamente. "A pessoa que cobiça se torna vulgar e negligente também em outros aspectos da lei, como no que se refere a 'tomar o nome do Senhor Deus em vão . ' "O que cobiça é capaz d e profanar o Dia d o Senhor com o objetivo de ganhar dinheiro . "Quem cobiça pode ser levado a não prover para seu pai e sua mãe quando necessitarem. "Muitos indivíduos cobiçosos já mataram com a finalidade de obter lucro . "Ao cobiçarem 'a mulher do próximo' , muitos já cometeram o grave pecado do adultério.


135 "Quem cobiça está sujeito a furtar (ou a enganar ou se apoderar fraudulentamente do que não lhe pertence). "A pessoa cobiçosa é capaz de prestar falso testemunho com a finalidade de obter lucro. "Vemos, assim, que os Dez Mandamentos estão inseparavelmente interligados, e ceder ao pecado da cobiça pode levar o indivíduo a infringir os outros preceitos do decálogo - pois a vida é um todo, e uma parte complementa a outra. A palavra de Deus também é completa e harmoniosa, e toda ela provém da mesma fonte. Toda vez que ignoramos qualquer conselho ou mandamento divino , podemos estar certos de que estamos nos enfraquecendo e aumentando a possibilidade de cometer outros pecados . . . " O mandamento relativo a nos guardarmos da cobiça não significa que não devemos ter o desej o sacjio de não nos satisfazermos com nossa situação atual, e de nos esforçarmos para melhorá-Ia. Não significa também que não devemos ter uma ambição honesta de possuir um pouco mais das boas coisas da vida. Não quer dizer, ainda, que não devemos ter admiração pelo que nosso próximo possui, e procurarmos, através de nosso próprio esforço, obter bens de idêntico valor. A terra produz em abundância para todos - e o impulso de adquirir para nós mesmos bens semelhantes aos que outros desfrutam, é um importante traço de caráter - desde que os obtenhamos através de trabalho honesto, por meios legais, e vivendo de uma forma bem equilibrada. Começamos a correr perigo, quando permitimos que as coisas triviais se tornem demasiadamente importantes à nossa vista. " (Richard L. Evans, em "The Tenth Commandment " , Part I , The Ten Commandments Today, pp . 142-44.) As escrituras nos fornecem uma interessante definição do que significa cobiçar. Em duas ocasiões ; o apóstolo Paulo comparou a cobiça à idolatria (veja Efésios 5 : 5 ; Colossenses 3 : 5). A implicação é d e que, quando uma pessoa apega seu coração às coisas do mundo a ponto de

não m2.i s dar a menor importância à fidelidade a Deus e seus pr: . n cípios, então as coisas materiais se tornam um deus péifa aquele indivíduo. Ele passa a buscá-Ias mais que a tudo na vida, ou a adorá-Ias - um hábito que é semelhante ao da idolatria - um pecado que, segundo as palavr2 s do Senhor, é uma das características principais desta g,:ração (veja D&C I : 1 6) . Samuel ensinou a Saul que o pecado e a iniqüidade são também idolatria (veja I Samu el 1 5 :23).

PONTOS A PONDERAR (11-17) As leis estabelecidas nos Dez Mandamentos estavam em vigor muito antes de esta terra ser criada. Todos os profetas as ensinam . Elas são o alicerce de todas as civiliza,;ões que se desenvolveram . São também as diretrizes através das quais cada indivíduo pode ter uma vida mais plena e feliz . Se formos sábios , procuraremos obter e ;sas bênçãos através da obediência aos manda:nentos . O Profeta Joseph Smith declarou : "A f elicidade é o objetivo e o propósito da nossa existên,:ia; e também será o fim, caso sigamos o caminho que no ; leva até ela; e esse rumo é a virtude, retidão , fidelid�.de, santidade e obediência a todos os manda.nentos de Deus. Mas não podemos guardar todos os man damentos, se não os conhecermos , e nem sabê-los todos (lU conhecer mais do que já conhecemos , a menos que cumpramos ou guardemos os que já tivermos recebido. Aquilo que é errado sob certas circunstâncias , pode St T , e geralmente é, certo sob outras . " (Ensinc rmentos, p . 249.) É importante observar que, mesmo hoje em dia, em meio à dispensação da plenitude dos tempos, o Senhor reiterou cada um dos segmentos desse sagrado decálogo . Reflita por um momento e considere as implicações dos Dez Mandamentos na época em que vivemos , lendo as escrituras seguintes :

Os Dez Mandamentos Outrora e Atualmente Mandamento

Na É poca de Moisés

Atualmente

I . Não terás outros deuses diante de mim .

Êmdo 34: 1 0- 1 4; D,!uteronômio 5 : 6-7

D&C 76: 1 -4

2. Não farás para ti imagem de escultura.

Êmdo 34: 1 7 D,!uteronômio 4: 1 5 - 1 9

D&C 1 : 1 5 - 1 6

3 . Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão .

Lt vítico 19: 1 2 ; Deuteronômio 5 : 1 1

D&C 63 : 6 1 -62

4. Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.

Êmdo 3 1 : 1 2- 1 7 Di!uteronômio 5 : 1 2- 1 5

D&C 59:9- 1 3

5 . Honra a teu pai e a tua mãe.

Êmdo 2 1 : 1 5 , 1 7 ; Di!uteronômio 2 1 : 1 8-2 1

D&C 27 :9

6. Não matarás .

Ê) odo 2 1 : 12-14 D(!uteronômio 5 : 17

D&C 42: 1 8- 1 9, 79

7 . Não adulterarás .

Ê).odo 22: 1 6- 1 7 ; D(!uteronômio 5 : 1 8

D&C 42:22-26, 74-8 1

8 . Não furtarás.

Lt vítico 1 9: 1 3 ; Di!uteronômio 5 : 1 9

D&C 42:20, 84-85

9. Não dirás falso testemunho .

Salmos 1 0 1 :7; Deuteronômio 5 : 20

D&C 42:21 , 27 , 86

Pr ovérbios 28 : 1 6 Deuteronômio 5 : 2 1 -22

D&C 19:25-26

10. Não cobiçarás .


Êxodo 21-24; 31-35

A Lei Mosaica: Um Evangelho Preparatório (12-1) Introdução Vimos no capítulo 1 1 como o Senhor iniciou a revelação da lei para Israel, com os dez princípios que resumem o tipo de relacionamento que a humanidade deve ter com Deus, com sua família e seus semelhantes . Logo após o Decálogo, o Senhor revelou uma série de leis e mandamentos, aos quais chamamos hoje em dia de lei mosaica. É pesaroso notar que muitas pessoas , até mesmo alguns membros da Igreja, acreditam que a lei de Moisés tenha sido estabelecida em substituição à lei maior do evangelho . Chamamo-Ia de lei menor, usando essa palavra com uma conotação de progressão . Assim, a lei mosaica era, de fato, uma lei menor . Porém há quem julgue que esse termo significa algo de importância e significado inferiores, ou de um nível menor de verdade e justiça; contudo , não é esse o caso . Observem o que outras escrituras nos ensinam a respeito dessa lei. D&C 84:23-27

A lei mosaica era um "evangelho preparatório , " o que incluía os princípios do arrependimento , batismo, remissão dos pecados e a lei dos mandamentos carnais. Mosias 13:29-30

Ela era uma "lei muito severa" de "ritos e ordenanças " , destinada a fazer com que os israelitas conservassem viva a lembrança de Deus e de seu dever para com ele . " Jarom 1 : 11 ; Mosias 3: 14-15; 13 :31; 16:14; Alma 25: 15 ; 34: 14

A lei de Moisés era profundamente simbólica, cheia de protótipos e alegorias, todos apontando para Cristo e seu futuro sacrificio expiatório . Gálatas 3:23-24

A lei mosaica foi dada como um aio ou tutor, para fazer com que Israel ,se voltasse para Cristo. Alma 25: 16; Apocalipse 19:10

A lei de Moisés é entendida pelo "espírito de profecia" ou "testemunho de Jesus" . Em resumo, ao estudar a lei mosaica, você deve esperar receber durante a leitura: ( 1 ) um testemunho de Jesus Cristo e de seu sacrifício expiatório , e (2) princípios do evangelho ilustrados nas leis dadas . Hoje em dia, não é requerido que os santos vivam muitos dos preceitos mencionados na lei; todavia, os princípios ensinados são eternos e jamais serão abolidos . Por exemplo , o costume de oferecer sacrifícios de sangue foi cumprido, quando Jesus veio e deu os símbolos do sacramento em substituição à lei antiga. Porém, o princípio era tão verdadeiro na época em que os sinais do convênio eram

12

animai ; oferecidos sobre o altar, quanto o é agora, quando se constituem em pão e água abençoados pelo sacerdócio . O princípio eterno que devemos visualizar aqui é o de que, somente participando do sacrifício expiatório do Cor deiro, estaremos aptos a sobrepujar os nossos pecados e para eles obter o perdão . É importante conhecer duas outras características fundamentais da lei mosaica, para que se possa estudar as leis em si . Em primeiro lugar, boa parte do código mosaic D é jurisprudência. Um estudioso da Bíblia esclareceu que a lei tem duas funções : "Para compreendermos a lei bíblica, necessário s e faz que ent endamos também certas características básicas de tal lei . Primeiro , ela enumera certas premissas ou princípios fundamentais, os quais são exposições da lei básica. Os dez mandamentos nos dão tais exposições ou declara ções . Eles não são , portanto , leis entre leis , mas sim as leis básicas das quais as outras são exemplos específicos. Um ex<:mplo de uma dessas leis básicas é o que se acha em Êxodo 20: 1 5 (Deuteronômio 5 : 1 9) , 'Não furtarás . ' . . . "Tendo isto em mente, que a lei primeiramente estabel,�ce princípios fundamentais, examinemos uma segund rJ característica da lei bíblica, ou seja, a de que a maior parte dela é uma jurisprudência, quer dizer, a ilustraç ão de um princípio básico através de casos específ ic os . Estes casos específicos são freqüentemente ilustraç ões da extensão da aplicação da lei; em resumo, citande , -se um simples delito , as necessárias j urisdições da lei serão reveladas. "A l ei, portanto, primeiramente estabelece os princíp ios, depois cita alguns casos, a fim de desenvolver as implicações de tais princípios, e, finalmente, tem por objetiv D e diretriz o restabelecimento da ordem de Deus. " (Rushd oony, Institutes of Biblical Law, pp . 1 0- 1 2 . ) Vere mos numerosos exemplos d e jurisprudência ao estudar mos o código mosaico . Em tegundo lugar, a lei é originalmente negativa. Oito dos deí: mandamentos, e muitas das outras leis, nos ensinam o que não devemos fazer, ao invés de tratar do que devemos fazer. Nossa cultura geralmente sente um certo d esagrado pelas leis negativas, e alega que elas impõen demasiada restrição, preferindo leis positivas, que, as segurando os nossos direitos, parecem dar-nos maior liberdade. Tal aspecto, entretanto, é ilusório. O Senhor deu a lei mosaica a Israel não para oprimir os israelitas, mas sim para assegurar-se de que desfrutariam de maior liberdade individual . Esclarecendo como isto acontecia, um estudioso do assunto afirmou: Um I ;onceito negativo da lei nos concede duplo benefício : Primeiro, é prático, no sentido de abordar realisticamente um pecado específico . Ele afirma: 'Não furtarás ' , ou 'Não dirás falso testemunho' . Portanto, uma declara ção negativa trata determinada transgressão de modo daro e direto, proibindo-a e tornando-a ilegal. Assim, a lei exerce uma função moderadora; a lei .é limitadrJ, e igualmente limitada é a ação do estado. Como


138 órgão executor da lei, o estado se limita a reprimir o mal, não a controlar todos os homens. "Em segundo lugar, e diretamente relacionado co:n o ponto de vista acima, o conceito negativo da lei assegura a obtenção de maior liberdade: com exceção das áreas em que existe proibição, todos os outros aspectos da vid a humana se encontram fora do alcance da lei, e esta llles é necessariamente indiferente. Se o mandamento ordena: 'Não furtarás' , significa que a lei somente pode coibir o roubo; ela não pode governar nem controlar a propriedade honestamente adquirida. Quando a lei proíbe a blasfêmia e o falso testemunho, ela garante que todas as outras formas de expressão oral têm sua própria liberdade. A negatividade da lei assegura a preservação das , características positivas da vida e liberdade humana . (Rushdoony, Institutes of Biblical Law, pp . 1 0 1 -2.) Lembre-se de que, no prefácio dos dez mandamentos, o Senhor declarou : "Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei �� �erra do Egito, da casa da servidão" (Êxodo 20:2; Itahcos acrescentados). Ao proferir estas palavras, ková fez com que Israel se lembrasse de que o objetivo pri ncipal da lei era tQrnar o povo livre e mantê-lo nessa condiç:ão. .

Instruções aos Alunos 1 . Ao ler e estudar Êxodo 2 1 -24; 3 1 -35, utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem oferecer­ -lhes. 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar, conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo professor. (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção .)

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE ÊXODO 21-24; 31-35

(12-2) Êxodo 2 1 : 2-11. Os Direitos de Liberdade Estabelecidos Pela Lei

Este é o primeiro exemplo de abordagem da jurisprudência referente à 'lei mosaica. O princípio aqui retratado é "não furtarás" . Uma das coisas mais preciosas que qualquer indivíduo possui é a sua liber dade pessoal. Tolher a liberdade de uma pessoa é um gra" e ato de furto. Dessa forma, a posse permanente de escra\'os não era permitida, a menos que a própria pessoa escolhesse ser escrava por toda a vida (veja os verso :;-6.) Conforme se acha ilustrado nesta passagem, o escrallo em Israel exercia realmente as funções de servo . A lei requeria que fosse libertado após sete anos de serviço, a não ! er que ele, voluntariamente, preferisse permanecer em servi dão . Embora a um pai fosse permitido combinar o casamento de sua filha (é esse o significado da frase "vender sua filha por serva" , contida no versículo 7 . como bem evidenciam os esponsais mencionados no,; versículos 8 e 9), ela também possuía certos direitos . O marido em perspectiva não podia usá-la como escra\'a ("não sairá como saem os servos"). Se o homem não se agradava de sua noiva, a lei concedia à moça a devid,a proteção . Esta garantia legal se achava em agudo cO ltraste com os hábitos de outros povos, cujas esposas eram consideradas como mera propriedade, sujeitas a sere m negociadas quando o marido bem entendesse.

(12-3) Êxodo 21:6. Por que Existia o Costume de Furar a Orelha do Escravo?

Em virtude das diretrizes especificadas pela lei, o fardo dos escravos hebreus foi grandemente amenizado; de fato, a condição em que viviam era bem semelhante à dos trabalhadores contratados . Sob tais circunstâncias, alguns homens demonstravam a disposição de trocar a liberdade pela segurança, especialmente se haviam casado enquanto se encontravam no cativeiro, pois, com a libertação, provavelmente teriam que renunciar a suas esposas e filhos. "Quando acontecia de o escravo recusar-se a ser livre seu senhor o levava . . perante Deus, isto é . . . ao lugar o �de se procedia ao julgamento da questão em nome do Senhor (veja Deuteronômio 1 : 1 7 ; 1 9 : 1 7 ; comparar com E�odo 2� :7-8) , 'para que ali fizesse uma declaração de que nao quena ser hbertado. Sua orelha era então perfurada com �ma sove�a, de encontro à porta ou ao postigo, e, atraves desse smal, costumeiro entre muitas nações da antigüidade, era como se ele fosse ligado àquela casa para sempre. É esse o significado do ato de perfurar a orelha �ontra a porta da casa, como é evidente pela expressão mcomum encontrada em Deuteronômio 1 5 : 1 7 . 'Então tomarás � ma sovela, e lhe furarás a orelha, à porta, e teu servo sera para sempre' , caso em que a orelha e a porta têm estreita relação com aquele simbolismo . " (Keil and Delitzsch , Commentary, 1 :2: 1 30.) .

(12-4) Êxodo 21: 12:36. Algumas Jurisprudências que Esclarecem Principios

E �tas leis específicas nos dão maiores informações relativas aos mandamentos ou princípios fundamentais . 1 . Há uma diferença entre o crime premeditado e a morte acidental, ou homicídio não premeditado, como é chamado hoje em dia (veja os vers o 1 2- 1 4) . A frase "mas Deus o fez encontrar nas suas mãos" (vers. 1 3) é uma expressão idiomática indicativa de que o indivíduo não procurou propositadamente tirar a vida da pessoa. Esta lei é um esclarecimento adicional do mandamento "não matarás" . .2 .. Certos crimes eram de natureza tão grave, que eXigiam a aplicação da pena de morte. Esse fato demonstra, em primeiro lugar, a seriedade de tal transgressão, e em segundo, que a pena de morte, quando executada pelas autoridades legalmente constituídas não é uma violação do sexto mandamento . Entre os crim ;s capitais aqui alistados encontram-se os seguintes : Crime premeditado (veja os vers o 1 2- 1 4) . A tentativa d e homicídio contra o s pais (veja o vers o 1 5 ) . A palavra traduzida por "ferir" é derivada d e u m termo hebraico que significa "golpear profundamente, a fim de ferir ou matar" . (Wilson, Old Testament Word Studies , verbete "ferir" p . 401 .) Rapto (veja o verso 1 6) . Amaldiçoar o s pais (veja o vers o 1 7) . Nesta passagem, vemos ser novamente usada uma palavra hebraica de grande rigor, significando "injuriar" ou "censurar violentamente" (Wilson, Old Testament Word Studies verbete "amaldiçoar" p . 1 05). Provocar a morte de um servo (veja os vers o 20-2 1 ) . A Tradução de Joseph Smith, versículo 20, diz que se alguém matar a seu servo , será também executado. '


139 Negligência deliberada ao usar alguma propriedade pessoal (veja o vers o 29). Outros crimes passíveis de pena de morte são alistados em outras partes da lei. 3 . A gravidade do crime do aborto é ensinada no exemplo jurisprudencial aqui mencionado (veja o vers o 22-25). Se dois homens estão brigando e ferem uma mulher grávida, fazendo com que aborte, o autor sofre uma penalidade. Porém se "houver morte" (veja os vers o 22-23), então o ofensor será punido com a morte. Um estudioso da Bíblia sugeriu que o método de apresentar um exemplo da aplicação da lei ilustra até que ponto ela era posta em vigor (veja a leitura 1 2- 1 ) , e este caso oferece um excelente exemplo desse conceito. Se um aborto provocado por acidente era punido com tal severidade, devemos presumir que o aborto proposital, sem causa justa, era uma transgressão ainda mais grave. 4. Com uma ampliação do sétimo mandamento , "Não furtarás" , diversos casos de retribuição justa se acham ilustrados nesta escritura e em Êxodo 22. Ainda desta v.ez, os casos mencionados nos apresentam uma noção da amplitude da lei . O furto podia ocorrer de maneira direta, ou por negligência ou acidente . Assim , se alguém rouba bens físicos pertencentes a outros (veja os vers o 26-27) , é necessário que seja feita uma restituição . Se alguém, por negligência, causa prejuízo a outrem, também é necessário que uma restituição seja feita. A lei mosaica não é uma lei de retaliação , mas, sim , de reparação . Abinádi afirmou que a lei era "muito severa", uma lei de "ritos e ordenanças", dada porque Israel era um "povo obstinado" (Mosias 1 3 :29-30). Na lei de Cristo, um principio geral , como "tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós " (Mateus 7: 1 2) abrange situações semelhantes às mencionadas em Êxodo 2 1 . Porém , na lei mais elevada do evangelho, não era requerido que fossem mencionados mandamentos adicionais específicos . Na lei de Cristo , uma pessoa não precisava ser ensinada a precaver-se contra a negligência ou a fazer restituição pelas perdas acidentais por ela causadas. Ela assim procederá por amor ao próximo . A lei mosaica especificava como. os preceitos deviam ser vividos nas situações práticas do dia-a-dia; contudo ainda assim , ensinava a lei de Cristo . (12-5) Êxodo 22: 1-17. A Lei Preocupava-se com a Restituição às Partes Prejudicadas Primeiro , é fixada a taxa de restituição : " 'Se alguém furtar boi ou ovelha, e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas' (ÊXOdo 22: 1 ) . A retribuição múltipla baseava-se num princípio de justiça. As ovelhas têm elevada capacidade de reprodução e servem aos mais diversos usos, não apenas como alimento, mas também fornecendo a lã para o vestuário . Furtar uma ovelha significava roubar o valor presente e futuro da propriedade de um indivíduo . O furto de um boi exigia uma taxa de restituição maior (cinco vezes) , pois ele era treinado para puxar carroças e arar o campo, além de ser usado na execução das mais diferentes tarefas agrícolas . Seu valor era, portanto, avaliado não somente pela carne e utilidade do animal, mas também pelo treinamento que recebera, pois adestrar um boi para o trabalho requeria muito mais tempo e habilidade . Exigia, portanto, uma taxa de restituição bem maior. Nesta escritura acha-se claramente estabelecido um princípio de retribuição, a qual devia calcular não só o valor atual e futuro do objeto roubado , mas também o treinamento especializado envolvido na sua substituição .

"Seg undo, o furto também envolvia problemas com respeito à defesa contra o ladrão : (Êxodo 22: 2-3 é citado) . U m arr Dmbador noturno podia ser legitimamente morto, pelos proprietários da casa, a fim de defenderem sua proprie dade; tal atitude fazia parte da legítima defesa de suas vicias e bens temporais . Não há razão para se pensar que a mesma lei não se aplicava a dependências externas à casa, como por exemplo o estábulo . O ato de matar um ladrão ,l luz do dia, entretanto, exceto em defesa da própria vida, era considerado homicídio não premeditado . Neste C:l.SO o ladrão poderia ser identificado e preso , sendo a lei, m sta circunstância, uma forma de proteção . Se o ofensor não podia fazer a restituição , era vendido como escravo , a fim de satisfazer esse requisito . Em termos atuais, .sto significa colocá-lo sob uma espécie de custódia, através da qual o valor total de seu salário é revertido no sentido de que seja feita plena restituição . " Ter�eiro , a lei especificava a restituição que se requeria de um l adrão apanhado em flagrante, ou antes de se livrar dos obj etos roubados: (Êxodo 22:4 é citado) . Em tais casos, c' ofensor devia devolver a propriedade roubada e seu valor equivalente, isto é, o montante exato que a pessoa I:sperava lucrar com aquele furto . Essa era a restitui� ão .mínima que podia ser feita. Alguém que roubava determinada quantia tinha que devolver não apenas .lquela importância, mas também outro valor igual . " Quarto , alguns danos , sejam deliberados ou acidentais , incorrem em certa responsabilidade sobre o indivíduo , a qual requer que seja feita uma restituição , pois danificar a propriedade alheia significa roubar uma medida de seu vaior: (Êxodo 22:5-6 é citado) . A restituição a ser feita em tais casos depende da natureza do ato; se a parte pl ej udicada eram árvores frutíferas ou vinhas , a produçiio futura era afetada, e a responsabilidade , proporc ional . A lei criminal que hoje conhecemos não tem mais que pequenos vestígios do princípio da restituição; atualmf nte a pessoa ofendida precisa abrir um processo civil, a fim de ressarciar-se dos prej uízos sofridos , e isto sem qUé Llquer consideração pelo princípio bíblico . " Quinto, em Êxodo 22:7- 1 3 , é determinada a respons lbilidade do indivíduo pelos bens colocados sob sua cust ódia . . . " 'O� bens colocados sob a guarda de outra pessoa podiam ser tão facilmente defraudados pelo depositário , ou perd idos por sua negligência, que foi necessário estabelecer algumas leis especiais para protegê-los . Inversamente eram resguardados também os direitos do depositúrio quanto a perdas , se o objeto a ele confiado sofresse dano ou desaparecesse sem que ele fosse culpado. A legislação mosaica regia ambos os casos . Por um lado , era reql.erido que o depositário cuidasse bem das coisas colocad !l.s em suas mãos, e ele respondia perante a lei , caso elas fos�:em roubadas e não conseguissem encontrar o ladrão . Se houvesse apropriação indébita, o depositário era obri gado a "pagar o dobro " . Por outro lado, quando havia dúvida quanto à culpa, era-lhe permitido esclarecer a situaçãc mediante um juramento (versículos 10 e 1 1 ), e em casos in equívocos, provar que a perda ou dano ocorrera por um acidente inevitável (versículo 12). "SexlO, em caso de aluguel ou empréstimo , havia certos princípios a serem seguidos (é citado Êxodo 22: 1 4- 1 5) . Se uma pe� soa toma emprestados os bens de outra e os danifica , tem a obrigação de pagar pelos prejuízos causados; ela destruiu ou danificou a propriedade alheia, sendo , portanto, culpada de furto, tendo assim que fazer uma res tituição . Se o proprietário do animal veio aj udar voluntariamente a seu amigo , como um bom vizinho, o prejuízo recai sobre ele , pois sua propriedade foi


140 danificada enquanto se encontrava sob sua supervisão . O mesmo princípio se aplicava, se ele estivesse trabalh mdo mediante pagamento, pois o preço de seus serviços , executados com o auxílio de um boi, asno ou qualq ler outro equipamento , cobria, manutenção , desgaste, rupturas e danos que porventura seu instrumento de trabalho viesse a sofrer. "Sétimo a sedução não somente é uma ofensa contra o sétimo ma� damento, mas também uma quebra do oitavo , pois o ato envolve o roubo da virgindade de uma donzela (Êxodo 22: 16, l 7) . A compensação ou restituição eJjgia que o ofensor 'desse em dinheiro conforme ao dote �as virgens' . Um fato significativo é que a palavra hebr.llca traduzida para dar quer dizer pesar; o dinheiro naquela época era por peso , ou seja o peso de um siclo de prata ou de ouro . . . "Em todos o s casos, o transgressor não somente é julgado por Deus, mas também precisa fazer restituição à pessoa ofendida. A restituição , assim, está estreitamente ligada à expiação , j ustiça e salvação . " (Rushdoony, lnstitutes of Biblical Law, pp . 459-462.) (12-6) Êxodo 22: 18-24. Outros Crimes Capitais Alis tados Pelo Senhor

Em meio às leis de restituição , o Senhor alista di\ ersos outros crimes puníveis com a morte . Em outras palavras, algumas faltas eram de natureza tão grave, que a restituição tinha que ser feita com a própria vida. Entre elas encontramos as seguintes : 1 . Feitiçaria (veja o vers o 1 8) . Um comentador da Bíblia nos explicou o motivo : "Através da severidade com que eram punidas a� feiticeiras, podemos ver como eram consideradas pda justiça divina. Elas seduziam o povo e o desviavam de sua obediência a Deus, de cujo julgamento deviam depl:nder exclusivamente; e ao profanamente se intrometerem nas coisas vindouras , tentavam assumir para si um dos atributos de Deus, a predição de acontecimentosfu turos, um ato que podia ser considerado como uma grand e blasfêmia, e tinha a tendência de corromper a mente do povo, fazendo com que se afastasse do Senhor e da revelação que ele dera de si mesmo . Muitos israelita s, sem dúvida alguma, haviam aprendido essa curiosa arte durante sua longa convivência com os egípcios; e haviam criado tanto apego a ela, que encontramos evidências da grande consideração em que tinham tais prá�ic �s � a gumas das quais podem ser observadas em toda a histOrIa . judaica. Não obstante, essa falta era de natureza capital, e todos os casos eram punidos com a morte. " (Clark,�, Bible Commentary, Vol. 1 , p. 416.) Na Tradução de Joseph Smith , todavia, � palavr a feiticeira é substituída po.r assassi:z a (T JS, Ex? do. 2:�: 1 8) . 2. A s perversões seXUaiS cometidas com ammals; uma das mais terríveis formas de pecado sexual (veja Êxodo 22: 1 9). 3 . A idolatria (veja o vers o 20) . A adoração de um deus falso causa ao homem espiritual o mesmo dano qu<: o assassinato ao corpo físico - uma morte direta e desoladora. Alma, o Filho, mostrou que entendia e sse princípio, quando se referiu ao período de apostasi l em que viveu: "Sim, e que havia ass �ssinad� �u��os de seus filhos, ou melhor, que os levara a destrUlçao . (Alm a 36: 1 4; itálicos acrescentados). 4. A negligência para com as viúvas e órfãos (vej a . Êxodo 22: 22-24) . Neste caso, todavia, não era pernitldo aos juízes aplicarem a pena de morte. O Senhor reservava para si mesmo esse direito (veja o vers o 24) .

(12-7) Êxodo 22:25-27. Por Que Era Proibido Conservar as Vestes de Uma Pessoa Durante a Noite?

"A verdadeira questão é que, em seu relacionamento com o pobre, possivelmente seu próprio empregado, um israelita deveria ser generoso . Se julgar apropriado conceder-lhe uma antecipação de seu salário, não deve insistir em receber o pagamento no final do dia, com o risco de fazer com que o homem parta sem a túnica que deu como penhor do empréstimo (vers . 26) . A advertência original não se constituía tanto numa proibição de receber juros, como numa exigência de a pessoa estar pronta a 'arriscar a concessão de adiantamento ' sem reter uma garantia material . Amós 2:6 condena os israelitas por haverem feito tais empréstimos de maneira estritamente legal, até mesmo chegando ao extremo de privar os pobres de suas posses mais elementares . Quando o sistema econômico que funcionava à base de troca se transformou em sistema monetário, o problema dos juros se tornou ainda maior (Deuteronômio 23 : 19-20; Levítico 25 :26); entre os israelitas, era proibido cobrar juros sobre os empréstimos comerciais. (No idioma hebraico , a palavra 'juros' significa 'mordida' .) Reter a túnica do próximo como penhor, por um período superior ao das horas de trabalho de um dia, ocasião em que ele não a está usando, é o equivalente ao homem dar sua vida como garantia (compare com Deuteronômio 24:6, 1 7) . Essa proibição , no final, torna impossível uma pessoa aceitar outra como escrava para saldar um débito . " (lnterpreter's Bible, Vol . 1 , p . 1 (08). (12-8) Êxodo 22:28

A Tradução de Joseph Smith registra que foi dito ao povo que não deveria rebelar-se contra Deus, nem amaldiçoar seus governantes . (12-9) Êxodo 22:29-31

A palavra traduzida para "licores" é derivada de um termo hebraico que significa "chorar " , e denota o suco da uva ou óleo de oliva, e não se refere necessariamente ao suco fermentado . Estas leis simbolizavam o anseio de consagração do povo de Jeová. (12-10) Êxodo 23: 1-8. As Leis de Um Viver Digno

Muitas pessoas do mundo cristão pensam que a lei mosaica está resumida no requisito "olho por olho , dente por dente" (Êxodo 21 :24). Eles visua�zam um sistema de retaliação feroz e castigo brutal. Em Exodo 23 : 1 -8, encontramos um excelente exemplo da impropriedade dessa idéia. Ali se acham demonstradas leis que requerem um elevado padrão de moralidade, justiça e retidão, além do mandamento de fazermos bem ao próximo . Numa época em que a iniqüidade é tão profunda, onde o . mexerico e a difamação existem por toda parte (veja o vers o 1 ) , em que a humanidade segue os cap:ichos e a. moda ditada por homens perversos e mesqumhos (veja o vers o 2), em que pessoas iníquas (Joseph Smith corrigiu a palavra pobre do vers o 3 para iníquo) são apoiadas e até mesmo enaltecidas, onde tantos indivíduos se recusam a se envolver nos problemas ou infortúnios de seus semelhantes (veja os vers o 4-5) , em que a exploração do pobre e ignorante é tão difundida (veja os �e�s . 6-7), e em qu� ? suborno e a corrupção se acham diarIamente nas noticias dos jornais (veja o verso 8), o mundo seria grandemente beneficiado, se adotasse tais leis e as seguisse.


141 (12-11) Êxodo 23:8-19

(12-16) Êxodo 31

Para maiores detalhes sobre os diversos dias santificados alistados aqui , veja a Seção E special D, "As Festas e Comemorações" . Eles serviam a dois propósitos : primeiramente, para ajudar Israel a lembrar-se de sua libertação do cativeiro pelo poder de Deus; e em segundo, para auxiliá-los a dar continuidade ao relacionamento de convênio com Jeová. O objetivo principal desse costume era promover maior confiança no Senhor .

O Se l1hor opera através de homens talentosos, a fim de realizar seus desígnios (veja os vers o 1 -6) . Na leitura 1 1 -8, encontr a-se um comentário sobre o Dia do Senhor (veja os verso E- 17). A natureza das tábuas (veja o vers o 1 8) será debatida na Leitura 12-24.

(12-12) Êxodo 23:20-31

Deus prometeu cinco coisas a Israel pela sua obediência. Primeiro, um anjo do Senhor os conduziria para a terra prometida (veja os vers o 20-23) . Segundo, seriam abençoados com boa saúde (veja os vers o 24-25) . Terceiro , o povo e seus rebanhos se multiplicariam extraordinariamente (veja o vers o 26) . Quarto , seriam bem sucedidos nas lutas que travariam com as nações pagãs (veja os vers o 27-30) . Quinto, no final herdariam tudo o que estivesse entre o Mar Vermelho e o Rio Eufrates (veja o vers o 3 1 ) . (12-13) Êxodo 24: 1-8. Antes d e Moisés Subir a o Monte Sinai , Israel foi Instruída Sobre a Lei e Fez o Convênio de Obedecer a Ela.

"O povo , antes de Moisés e as setenta testemunhas especiais entrarem na presença do Senhor , foi instruído a respeito das leis. Eles aceitaram-nas , fazendo o convênio de guardá-Ias , recebendo uma cópia de tais preceitos como contrato, e santificando seus convênios com um sacrifício . Observe a promessa feita pelo povo : 'Todas as palavras que o Senhor tem falado, faremos . ' " (Rasmussen , Introduction to the Old Testament, Vol . 1 , pp . 88-89 .) As instruções que Israel recebeu antes de Moisés subir ao Monte Sinai foram preservadas no "livro do concerto" (vers . 7) : "Porém , como nenhum convênio era tido como ratificado ou celebrado sem que um sacrifício fosse oferecido , podemos compreender a necessidade dos sacrificios aqui mencionados .

(12-17) Êxodo 32: 1-6. Por Que os Israelitas Quiseram Adorar um Bezerro de Ouro?

"A h istória toda é bastante estranha e inexplicável . Como era pos ;ível que um povo tão cedo esquecesse as maravil hosas manifestações de Deus ocorridas sobre o monte? Seria possível que Aarão tivesse imaginado que poderia criar alguma espécie de deus que pudesse aj udá­ -los? E mais, não encontramos evidência de que ele tivesse alguma vez censurado o povo ! Provavelmente apenas pretend ia criar para eles alguma representação simbólica do podl!r e energia divinos, que fosse tão visível para os israelitas como fora a coluna de nuvem e fogo, e à qual Deus pudesse agregar uma energia e influência sempre presenV!s ; ou, ao requerer ao povo que sacrificasse seus ornamentos, ele pode haver suposto que diante disso , não insistiriam , em seu veemente pedido. Porém , tudo isto não passa di! simples conjetura, com ínfima probabilidade de que assi m tenha sucedido . Todavia, não podemos deixar de afirmar que não encontramos indícios de que ele tenha criado um sistema de adoração que substituísse àquela prestada ao Altíssimo . Assim , vemo-lo proclamando: 'Amanllã será festa ao Senhor, ' e observaremos , pouco depois , que alguns dos próprios rituais da verdadeira adoraç�lo foram observados naquela ocasião , pois o povo trouxe holocaustos e ofertas pacíficas (vers . 5 , 6) ; assim , é evidenli! pretender ele que o verdadeiro Deus fosse o objeto daquela adoração , embora permitisse e até mesmo os estimulasse a oferecê-Ia através de um recurso idólatra, um bezerro fundido . " (Clarke, Bib/e Commentary, Vol . I , pp . 463 -464.)

"Metade do sangue do animal era aspergido sobre o altar, e o restante sobre o povo, mostrando , assim , que

tanto Deus como eles estavam mutuamente ligados àquele convênio . Ao Senhor cabia apoiar, defender e salvar o povo . Este, por sua vez, assumia perante Deus o compromisso de temê-lo , amá-lo e servi-lo . " (Clarke, Bible Commentary, Vol . 1 , p . 425 . ) A s instruções dadas a Israel asseguravam que o povo não seria forçado a ter com o Senhor um relacionamento que não compreendia ou desejava. Desde que os israelitas manifestaram sua disposição de aceitar a lei e fizeram o pacto de vivê-Ia, Moisés ficou livre para agir por Israel na presença do Senhor. (12-14) Êxodo 24:9-11

Para maiores informações sobre esta e outras vezes em que Deus foi visto, examine a Leitura 12-23 . (12-15) Êxodo 25-30

Estes capítulos contêm as revelações do Senhor concernentes ao tabernáculo e seu mobiliário . Estas diretrizes serão consideradas no próximo capítulo . Os filhos de Israel adoraram UlI1 bel.erro de O/lro


142 (12-18) Êxodo 32:9-14. Deus Iria Realmente Destruir os Israelitas, e "Se Arrependeu do Mal"?

A Tradução de Joseph Smith corrige este versículo e afirma que Moisés rogou ao Senhor que poupasse os israelitas sob a condição de se arrependerem. No versículo 14, da Tradução de Joseph Smith, o Senh)f disse a Moisés que pouparia o povo, se ele (Moisés) puni� se aqueles que se recusassem a se arrepender. (12-19) Êxodo 32: 15-35. Moisés, o Mediador

O papel que Moisés desempenhou em todo esse acontecimento é bastante significativo. Na grande v isão que teve do Senhor, ele aprendeu que era "à semelh ança" do Filho Unigênito (Moisés 1 :6). Tal semelhança é claramente demonstrada nesta passagem . Quando c' povo estava prestes a ser destruído em virtude de sua iniq liidade, Moisés tornou-se seu mediador perante Deus . Ele defendeu sua causa e até mesmo ofereceu a própria vida para aplacar a justiça (veja Êxodo 32:3 1 -32) . Após :;e defrontar com as constantes reclamações e rebeldia do povo, qualquer líder comum teria dito: "Sim, é um povo iníquo. Vamos , destrua-o . " Porém Moisés , como Cristo, a quem era semelhante, amava seu povo apesar da dureza de seu coração e evidente iniqüidade. Ele intercedeu em seu favor e salvou-os, mas somente sob a condição de que se arrependessem . Para maiores explicações sobre o que continham as primeiras tábuas que Moisés recebeu, veja a Leitura 1 2-24. (12-20) Êxodo 32:25-30

"Moisés procurou saber quem era 'do Senhor' , dentre aqueles que Aarão havia 'despido' . (A palavra hebraica usada aqui, também pode significar 'nu, descoberto' ou 'desenfreado, turbulento' .) A palavra 'despido' pode ser entendida no mesmo sentido em que foi usada, qua ndo Adão se envergonhou e escondeu-se do Senhor, pOl que estava nu. A expressão também pode significar 'exJ: 0sto em culpa perante a ira de Deus' . Compare com a experiência vivida por Alma, ao descrever seus sentimentos, em Alma 36: 1 4-22. Por outro lado, não restava qualquer dúvida de que Israel se havia 'desenfreado' e sido 'turbulenta' sob a liderança de Aarão . Ambas as condições reverteriam para a vergonha dI! um povo que se supunha fosse religioso . " (Rasmussen, Introduction to the Old Testament, Vol. 1 , p . 93 .) Algumas pessoas imaginam por que Aarão, que desempenhou um papel tão importante no incidentl! do bezerro de ouro , conseguiu escapar sem qualquer condenação . Embora não se ache registrado em Êxodo, Moisés posteriormente afirmou que Aarão também quase foi destruído, conseguindo salvar-se apenas porque ele intercedeu em seu favor (Veja Deuteronômio 9:20) . (12-21) Êxodo 33: 1-3

Para encontrar um paralelo moderno referente a esta censura, veja Doutrina e Convênios 1 03 : 1 5-20. (12-22) Êxodo 33:4-7. Em Que Consistia o Taberná culo Que Moisés Armou Fora do Arraial?

"Moisés, então, tomou uma tenda e armou-a fora do arraial, a uma certa distância do acampamento de I srael, e chamou-a 'tenda da congregação' . A 'tenda' não el a o santuário do tabernáculo descrito em Êxodo 25-30, o qual

não foi erigido antes que se realizasse a perfeita restauração do convênio (Êxodo 35-40), nem outra espécie de santuário que fora herdado de seus ancestrais e utilizado até que se construísse o tabernáculo . . . mas sim uma tenda que pertencia a Moisés, a qual se tornou um tabernáculo temporário pelo fato de a coluna de nuvem haver descido sobre ela e ali Jeová conversar com Moisés . Era conhecida pelo mesmo nome que o tabernáculo . . . porque Jeová naquela tenda se revelara, e todos os que o buscavam tinham que dirigir-se àquele santuário fora do arraial. " (Keil and Delitzsch , Commentary, Vol . 1 :2: pp. 233- 34.) (12-23) Êxodo 33: 19-23. É Possível Alguém Ver a Face de Deus e Viver?

Certamente existe algo errado em Êxodo 3 3 : 20, pois o versículo 1 1 deste mesmo capítulo declara taxativamente: "E falava o Senhor a Moisés cara a cara, como qualquer fala com seu amigo" (itálicos acrescentados). Também, em Êxodo 24:9- 1 1 , se acha registrado que Moisés e setenta anciãos de Israel viram a Deus. O É lder Joseph Fielding Smith fez os seguintes comentários sobre o problema que Êxodo 3 3 : 20 e João 1 : 1 8 apresentam: "Existem inúmeras passagens que afirmam categoricamente ter Deus realmente aparecido àquelas pessoas e conversado 'face-a-face' com seus antigos servos. Assim sendo, as passagens declarando que ninguém jamais o viu, devem, com toda certeza, estar erradas . Por exemplo , o caso de João 1 : 1 8 . . é bem provável que tenha sido porque um tradutor da Bíblia, em anos recentes, não acreditava ser Deus uma pessoa fisica, e, conseqüentemente, achou que não poderia ser visto . Essa idéia chegou até nós desde a introdução do Credo Atanasiano no ano 325 D.C. Na Tradução do Profeta Joseph Smith, esta passagem declara que ninguém jamais viu a Deus, sem que tenha testificado do Filho, e que é somente através dele (do Filho) que o homem pode ser salvo . Em I João 4: 12, a Tradução de Joseph Smith declara que ninguém que não tenha demonstrado a quantidade apropriada de fé, viu a Deus, e que, se amarmos uns aos outros, teremos conosco o Espírito de Deus e refletiremos seu perfeito amor . "Consideremos agora outros versículos do evangelho de João, e comparemo-los com a Versão Autorizada: " 'Está escrito nos profetas : E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim . " 'Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai . ' (João 6:45-46.) "Se não estivéssemos cientes do fato de que há traduções errôneas, teríamos a impressão de que o Salvador se contradisse. O último versículo (João 6:46) não está em harmonia com João 1 : 1 8 . "Lemos que Abraão falou com Deus face-a-face, e que o Senhor também conversou com Enoque e outras pessoas . O mundo moderno, todavia, não aceita isso e tem rejeitado o Deus vivo , trocando-o por outro, que não pode ser visto nem ouvido. " (A nswers to Gospel Questions, 2: 1 62-63 .) Vemos, assim, o quanto Joseph Smith foi inspirado ao corrigir esta passagem. Em sua tradução, este versículo diz que foi declarado a Moisés que ele não teria permissão para ver a Deus naquela ocasião, e que tal visão não seria permitida a pecador algum. .


143 (12-24) Êxodo 34: 1-4. Ambos os Conj untos de Tábuas Continham as Mesmas Leis?

Para que possamos responder plenamente a esta questão, é necessário exarminarmos com cuidado o conteúdo das primeiras tábuas . Um estudioso da Bíblia ofereceu a seguinte análise: " 'As considerações abaixo sã:> uma análise geral deste assunto. No capítulo 20 de Êxodo, foram dados os dez mandamentos; e na mesma ocasião, diversos estatutos políticos e eclesiásticos, que se acham minuciosamente descritos nos capítulos 2 1 , 22 e 23 . Para recebê-los, Moisés 'se chegou à escuridão onde Deus estava' (Êxodo 20:21) e, após tê-los em mãos, voltou novamente para junto do povo , de acordo com o que lhe haviam pedido (veja o vers o 1 9) : Fala tu conosco e não fale Deus conosco, para que não morramos, pois haviam ficado aterrorizados com a maneira como Deus lhes dera os dez mandamentos; veja o vers o 1 8 . Depois disso , Moisés, juntamente com Aarão, Nadabe, Abiú e os setenta anciãos subiram ao monte, e ao retornarem, ele proclamou todas estas leis ao povo (Êxodo 24: 1 em diante); e os israelitas prometeram obedecer a elas . Até aqui , não há menção das tábuas de pedra. Em seguida, Moisés escreveu todos os estatutos num livro (Êxodo 24:4), o qual foi chamado de livro do concerto (vers . 7) . Moisés, Aarão, Nadabe, Abiú e os setenta anciãos subiram então uma segunda vez ao monte (ÊXOdo 24:9), ocasião em que ocorreu aquela gloriosa visão de Deus, mencionada nos versículos 10 e 1 1 daquele mesmo capítulo . Depois que eles desceram, Moisés recebeu ordem de subir de novo, e o Senhor prometeu-lhe dar as tábuas de pedra contendo a lei e os mandamentos (vers . 12). Esta é a primeira menção feita às tábuas de pedra; e assim parece que os dez mandamentos e diversos outros preceitos foram dados e aceitos pelo povo , inclusive com o oferecimento de um sacrifício (Êxodo 24: 5), antes que as tábuas de pedra fossem escritas ou mencionadas . ' É bem possível que os mandamentos, leis etc . tenham sido primeiramente proclamados de forma oral para o povo pelo Senhor, e repetidos posteriormente por Moisés, e que as dez palavras ou mandamentos se constituíam num resumo de toda a lei, as quais, em ocasião 'posterior, foram escritas sobre as primeiras tábuas de pedra, para serem preservadas como um registro no interior da arca. " (Clarke, Bible Commentary, Vol. 1 , p . 474.) Esta análise por certo corresponde a uma questão freqüentemente apresentada: Como o Senhor escreveu toda a lei de Moisés em apenas duas tábuas? Elas, ao que parece,continham somente o divino resumo conhecido como Os Dez Mandamentos . Na Tradução de Joseph Smith , estes dois primeiros versículos declaram que Moisés recebeu instruções de fazer duas novas tábuas, nas quais seria registrada a "lei mosaica" (uma lei preparatória, pois os israelitas não estavam prontos para uma lei maior). O Senhor então declara que nunca seria dada ao povo a oportunidade de entrar em sua presença nos dias de peregrinação. Moisés é instruído então a apresentar-se ao Senhor no Monte Sinai, na manhã seguinte.

À primeira vista, a leitura desta passagem pode soar um pouco contraditória. Nela o Senhor diz que escreverá sobre as segundas tábuas 'as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas, que tu quebraste" (vers . 1 ) , e logo a seguir, de acordo com a Tradução de Joseph Smith , declafél que "não serão iguais às primeiras " (vers . I ) . O problema a esclarecer é se, ao dizer isso, ele estava-se referin:lo à escrita nas tábuas, ou à nova ordem de coisas introduzida em virtude da rebeldia de Israel . Esta inform ação parece dizer respeito à nova ordem , e não aos novos I!scritos. Deuteronômio 1 0:2, na Tradução de Joseph Smith , declara que o segundo conj unto de tábuas não cO rltinha a "lei maior" .

Moisés fI 'cebeu as tábuas no Mome Sinai

(12-25) Êxodo 34:29-35. Que Significava o Resplendor que Moisés Tinha no Rosto e o Véu que Usava?

"Após uma prolongada permanência diante de Deus , e depois de haver desfrutado dessas maravilhosas experiê ncias, não é de admirar que o rosto de Moisés resplan decesse com glória divina no momento que retornaa, e que o povo tivesse medo de chegar perto dele. Este fe'llômeno de luz irradiando de seres celestiais e de personagens terrenos que se acham sob a influência celestial não é o único . Compare as descrições dos Apósto los no dia de Pentecostes, ocasião em que 'línguas . . . como que de fogo ' emanavam deles (Atos 2 : 3 ) . "A palavra hebraica traduzida por 'resplandecia' é qaran , um verbo denominativo derivado de um susbstantivo que significa 'chifre' , designando emanações


144 radiais de luz, como 'chifres ' ou os raios de luz matutina quando surgem no horizonte , antes de o sol nascer . Devido a este fenômeno , os árabes chamam o nasceI " do sol de 'gazela. ' (Devido a uma tradução errônea do hebraico para o latim, Michelangelo colocou chifres reais na cabeça de sua heróica estátua de Moisés ! ) " (Rasmussen , Inlroduclion l o lhe Old Teslamenl, Vo l . 1 , p . 95 .)

PONTOS A PONDERAR (12-26) A antiga Israel aprendeu claramente que a te rra pertencia ao Senhor. Ele é o seu soberano e rei . Assi m sendo , o Senhor não só pode estabelecer as leis que a governam , mas também colocar habitantes em seus mais diversos rincões. O Livro de Mórmon une-se à Bíblia para testificar este fato . Faça uma pequena pausa e exam: .ne estas escrituras : 1 Néfi 1 7 : 36-39; 2 Néfi 1 : 7 ; Deuteronômio 4:20, 37-38. Através destas passagens, podemos ver que os dirdtos que uma nação tem de conservar a terra são garantidos apenas por meio da obediência às leis daquele a quem ela pertence . Embora o homem tenha recebido , através de Adão , o direito de dominar a terra, tal domínio está sujeito a Deus . Portanto, o homem tem a obrigação de estabelecer as leis de Deus e fazer com que vigore a sua

ordem . Já que este é o caso, examine as seguintes questões : Até onde alcançam as leis de Deus? Todas as pessoas estão nela incluídas? A violação das leis de Deus entre adultos mutuamente concordantes , anula a lei? Existe, de fato , um pecado que prej udique apenas o próprio indivíduo? Em que sentido qualquer pecado é uma violação da ordem de Deus? De que maneira todos os pecados são cometidos contra Deus, embora pareçam afetar apenas o indivíduo? Que devemos responder à pessoa que diz : "A vida é minha; posso fazer dela o que bem quiser" ?

(12-27) Leia d e novo , cuidadosamente , Doutrina e Convênio s 84:23-27; Mosias 1 3 :29-30; (veja a leitura 1 2-24) ; e Alma 25 : 1 5 - 1 6 . Agora, responda às seguintes perguntas : 1 . Por que os antigos israelitas receberam esta lei mais estrita? 2. De que poderiam ter desfrutado, não fosse pela sua grande iniqüidade? 3. Se tivessem sido obedientes à lei que receberam, qual teria sido o resultado? 4. Exis tem , hoj e em dia, membros da Igreja que estejam em condição semelhante à dos antigos israelitas? 5 . De que adianta, portanto , a um santo dos últimos dias da época atual, estudar a lei mosaica?


Êxodo 25-30; 35-40

A Casa do Senhor no Deserto (13-1) Introdução Dos trovões que estrondeavam no Sinai, o Senhor revelou um plano glorioso, através do qual poderia redimir os filhos de Israel . O Senhor abriu os céus para Moisés , e através dele, estendeu a Israel a oportunidade de alcançar a plenitude de sua glória, provar do seu amor , e verdadeiramente se tornar um povo de Sião (veja Êxodo 25 : 8 ; 29:43 ; D&C 84:23-27) . Durante os quarenta dias de jejum que passou no Monte, Moisés recebeu , com todos os pormenores , as informações de que necessitava para construir um tabernáculo , uma casa do Senhor, onde Israel poderia vir e receber as chaves da salvação e exaltação . É inequívoca a ligação entre este tabernáculo e os templos dos últimos dias . Como os templos modernos, o tabernáculo foi criado para ser uma casa onde se podiam encontrar "todas as coisas necessárias " (D&C 1 09: 1 5 . ) Seria "uma casa de oração , casa de jejum, casa de fé, casa de glória e de Deus " , para que "todas as entradas do teu povo nesta casa sej am em nome do Senhor; e que todas as suas saídas sejam em nome do Senhor" (D&C 1 09: 1 6- 1 8 ; vej a também Levítico 9:23 ; 1 0: 8- 1 1 ) . E assim , através do poder da revelação , Israel poderia aprender palavras de sabedoria" e procurar "conhecimento pelo estudo e também pela fé " (D&C 1 09: 1 4) . Existe u m profundo significado n o que diz respeito às dimensões físicas e à planta do tabernáculo . Elas tinham o propósito de refletir os padrões espirit uais também transmitidos nos templos de hoje em dia. O estudo e a meditação fervorosa aj udá-lo-ão a compreender a importância dessa antiga morada do Senhor.

Instruções aos Alunos I . Ao ler Êxodo 25-30; 35-40, utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem oferecer-lhe. 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar, conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo professor . (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção . )

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE ÊXODO 25-30; 35-40 (13-2) Êxodo 25-30; 35-40. Por Que Existem no Êxodo Dois Relatos Sobre o Tabernáculo? Q uando se encontrava no monte Sinai , Moisés recebeu uma revelação indicando os detalhes da planta do tabernáculo (veja Ê xodo 25-30) . Ao descer, ele reuniu Israel e começaram a construí-lo (veja Ê xodo 35-40) . Visto que Moisés usou a revelação para orientar a construção , há um estreito paralelo entre as duas descrições que se acham em Ê xodo. (Observação: Para fins de comentário, toda a atenção será focalizada em Ê xodo 25-30, ou seja, os

13 capítulos onde se encontra a revelação, e as adições significativas registradas nos capítulos que tratam de sua construção , serão abordados quando necessário .)

( Êxodu 25 : 1-9. Um Coração Desejoso É bé .sta nte expressivo o fato de que , antes de revelar o padrãe . segundo o qual seria construído o tabernáculo , o Senhor disse a Moisés que o povo de Israel teria que demon strar disposição de fazer os sacrifícios necessários para construir o santuário do Senhor (veja o vers o 2) . Mórillt)n ensinou que, se uma dádiva ou sacrifício é oferecido a Deus com má vontade, ele não apenas é recusado pelo Senhor, mas também se torna um gesto indigno (veja Morôni 7 : 6- 1 0) . A menos que Israel tivesse uma at itude correta ao sacrificar um pouco de seus bens materiais , de nada lhe valeria. Os leitores atuais devem record, lr-se de que, apesar de suas outras faltas e transgresS-es (o incidente do bezerro de ouro ocorreu quando Moisés se encontrava no monte, recebendo esta revelaç ão) , quando Israel soube o que o Senhor pedia, correspondeu com jubilosa liberalidade ao que ele solicitava. Seus corações foram de fato tocados (veja Ê xodo 3 5 : 20-22 , 25-26, 29) e, finalmente , Moisés teve de restrini�ir-Ihes a bondade, pois doaram muito mais do que era necessário para construir o tabernáculo (veja Êxodo 36: 5-7) . Em Êxodo 25 : 8 , o Senhor revelou claramente qual era o obj etiv o do tabernáculo - ele seria a casa do Senhor. A palavra hebraica traduzida como "tabernáculo " realmente significa "tenda" ou "habitação " (Wilson , Old Testament Word Sludies, verbete "tabernáculo " , p. 434) . A fr ase "conforme a tudo o que eu te mostrar " (vers . 9) parece estar indicando que Moisés realmente teve uma visão d o tabernáculo e de seu mobiliário, e que não apenas recebeu uma descrição verbal . O éfode, mencionado no versículo 7, será tratado com porme lores na Leitura 1 3 - 1 3 .

(13-4) Êxodo 25 : 10. Que Significam o s Termos Cetim (A cáci.7) e Cávado? O ce tim (acácia) (shittim, em hebraico) é o nome de uma árvore de acácia do deserto, conhecida em todo o Egito e no Ori ente Próximo (Smith, Dictionary oi Bible, pp . 62· �-25 ) . Por ser uma espécie de madeira muito dura, de grande durabilidade e ótimo polimento , era ideal para a construção do tabernáculo . As d imensões do santuário são descritas numa unidade de meclida chamada côvado, equivalente a cerca de 45 cm . (O aluno deve examinar o gráfico de pesos e medidas , que se enCC lntra na seção de Mapas e Gráficos .) A m aior parte da mobília do tabernáculo era feita de cetim (acácia) e coberta de ouro , para dar-lhe a aparência daquel e precioso metal. Caso elas tivessem sido feitas de ouro maciço, seriam muito pesadas para carregar .


148 (13-5) Êxodo 25: 10-22; 37: 1-9. A Arca do Concerto A arca do concerto era um baú , ou caixa, feita de cetim (acácia) e recoberta de ouro . Media aproximadamente um metro de comprimento por 68 cm de largura e 68 cm de altura. Dois varais de madeira, um em cada lado da arca, permitiam que os sacerdotes a levassem sem precisar tocá­ -la. Em seu interior eram guardadas as tábuas da lei recebidas por Moisés no monte Sinai (veja o vers o 1 ( ;) . Por isso , era chamada de arca do testemunho, ou arca d D concerto . Numa ocasião posterior, também foram ali colocados um vaso contendo maná e a vara de Aarã o, que milagrosamente florescera (veja Hebreus 9:4) . A arc a era guardada num dos aposentos internos do tabernácu ,o , conhecido como o lugar mais sagrado, ou Santo do�, Santos . Os israelitas a tratavam com profunda rever ência, e cada vez que era necessário mudá-la de lugar , proferiam orações antes de fazê-lo (veja Números 1 0:35-36).

A

arca d o concerto

A tampa, ou cobertura, da arca se acha descrita e m Êxodo 27 : 1 7-22. A palavra hebraica kapporeth (qm : significa propiciatório, ou lugar de expiação , é traduzida também como "assento da misericórdia" . O propic iatório era de ouro puro , e em cima dele havia a figura de d ois querubins , cuj as asas se estendiam por cima dele e o cobriam . A palavra querubim geralmente se refere aos guardiães das coisas sagradas . Embora não saibamos o significado exato da palavra, a maioria dos eruditos concordam que eles representavam " a humanidade redimida e glorificada" ou os " santos e anjos glorificados" (W ilson, Old Testament Words Studies, verbete "querubim" , p . 75). Considerando que os santos dos últimos dia1 não acreditam que os anj os possuam asas , conforme sãc apresentados nas obras artísticas cristãs , o mandamento de formar asas nos querubins certamente levanta algumas controvérsias . Outra revelação indica, todavia, que lS asas simbolicamente representam o poder para se mover e agir (veja D&C 77 : 4) . O Senhor disse a Moisés que, no meio desses querubins, viria falar e se comunicar com ele , As revelações deelaram que os anj os permanecem como sentinelas, guardando a presença de Deus (veja D&C 1 32: 1 9) . O sangue do cordeiro d e Jeová era aspergido sobre o propiciatório durante o sagrado dia da Expiação . (Para um debate completo sobre o santo significado desse

evento , veja a Leitura 1 5-8.) Tanto Paulo como João disseram , que Jesus "é a propiciação pelos nossos pecados " (veja I João 2:2; 4: 1 0; Romanos 3 :25) . O vocábulo grego hilasterion, traduzido como "propiciação " , também foi usado, para interpretar o termo hebraico kapporeth ("assento ou lugar da expiação " ) no Velho Testamento grego . Certo estudioso da Bíblia nos deu a seguinte definição da palavra hilasterion: "Todos os substantivos gregos terminados com erion significam o lugar onde sefaz algo. Dikasterion, quer dizer o lugar onde se faz dika, ou justiça, portanto um tribunal . Thusiasterion significa o lugar onde se faz thusia, ou sacrifício , ou seja, o altar . Portanto Hilasterion certamente só pode se referir ao lugar onde se faz hilasmos, ou expiação . Devido ao fato de que tanto no Velho como em o Novo Testamento a palavra hilasterion tem um sentido uniforme e técnico , ela sempre significa a tampa de ouro colocada sobre a arca, sendo conhecida como propiciatório . Em Êxodo 25 : 1 7 começam a ser descritas as mobílias do tabernáculo : " farás um propiciatório, (hilasterion) de ouro puro . ' Essa palavra só é usada em um outro lugar do Novo Testamento , em Hebreus 9 : 5 , onde o autor fala dos querubins que cobriam o propiciatório . A palavra é usada, com este sentido , mais de vinte vezes no Velho Testamento grego . Se considerarmos que hilasterion significa propiciatório , e que Jesus foi o nosso hilasterion , ou fez a propiciação pelos nossos pecados , isto significa, por assim dizer, que Jesus é o lugar onde Deus e o homem se encontram , e que ele, (Cristo), especialmente, é o local onde os pecados humanos se unem ao amor expiatório do Senhor . " (Barelay, The Mind of St. Paul, pp . 87-8 8 . ) Assim, evidentemente, a arca do concerto era u m dos obj etos mais importantes do tabernáculo , tanto pela sua importância para a antiga Israel , como pelo valor simbólico.

(13-6) Êxodo 25 :17. Por que Foi Usado Ouro no Tabernáculo e Em Seu Mobiliário? O ouro sempre foi grandemente valorizado pela humanidade, desde as épocas mais remotas , e, portanto , possui um significado tanto simbólico como monetário . "O ouro é freqüentemente mencionado nas escrituras como um emblema do que é divino , puro , precioso , sólido , útil , incorrutível, duradouro e glorioso" (Fallows , Bible Encyc/opedia, VaI . 2, p . 723). Esse simbolismo explica, de maneira inequívoca, por que era usado na arca do concerto . A prata e o cobre também foram usados em outras partes do tabernáculo e de seu mobiliário . Esses dois metais possuem um valor simbólico e também funcional . A Encyc/opedia Judaica faz a seguinte observação: "A relatividade do grau de santidade se evidenciava pelo material empregado . Ouro puro foi usado na confecção da arca, do propiciatório , da mesa da proposição e seus utensilios, do castiçal e seus acessórios, do altar do incenso, e das vestes do sumo sacerdote . O ouro comum foi utilizado na confecção das molduras , das argolas e varais da arca, da mesa e do altar do incenso; dos colchetes das cortinas ; das barras e das tábuas ; das colunas e colchetes do véu ; também de algumas partes das vestimentas sacerdotais . A prata era destinada às bases das tábuas , às bases das colunas do véu , e molduras para o pátio do tabernáculo . Além desses dois materiais, havia também o cobre, de que era feito o altar dos holocaustos e seus


149 utensílios , as bases do tabernáculo e também as pias . O mesmo se aplicava aos tecidos bordados e de linho torcido . " O mesmo sistema de gradação se aplicava aos três tipos de pessoas que poderiam entrar no tabernáculo . Aos israelitas era permitido entrar somente até o pátio ; os sacerdotes serviam no Lugar Santo ; apenas o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos, e isto ainda uma vez por ano - no Dia da Expiação . " (VaI . 1 5 , p . 687 . )

(13-7) Êxodo 25:23-30; 37: 10-16. A Mesa da Proposição e Seus Instrumentos A segunda peça de mobiliário descrita pelo Senhor foi a mesa da proposição . Como a arca do concerto, ela também era feita de cetim (acácia) e recoberta de ouro (veja os vers o 23-24) . Possuía uma coroa e moldura (provavelmente um rebordo) de ouro no topo ou superfície , e também argolas e varais , para que fosse facilmente transportada. Media mais ou menos um metro de comprimento, por 50 cm de largura e 75 cm de altura. Diversos utensílios, chamados de colheres , pratos, cobertas e tigelas , foram feitos para serem usados com a mesa.

sementt :s parcialmente intactas), sendo feitas doze unidad( :s de tamanho considerável - duas dízimas equival, !riam a cerca de 7 litros de farinha (vej a Levítico 24: 5 ; Novo Dicionário da Bíblia, p. 1 1 74) . Assim sendo, , :ada um deles devia pesar pelo menos cinco quilos. Os pãe5 eram colocados em duas fileiras , e sobre cada uma delas punha-se um pouco de incenso puro , que posteriormente era queimado no altar dos incensos "como oferta c ueimada" ao Senhor (Levítico 24: 7 ; vej a também o vers o 15). Os pães eram trocados por novos cada Dia do Senhor, e os que foram removidos eram comidos pelos sacerdo tes (vej a Levítico 24: 8-9) . Foi desse pão que Davi se alime ntou ao fugir do rei Saul (vej a I Samuel 2 1 : 1 -6; Mateus 1 2:4) . A mdoria dos eruditos e a tradição j udaica concordam que o v nho também era colocado sobre a mesa, juntamente com os pães, embora os registros bíblicos não mencionem esse fato especificamente . As colheres eram realmeLte vasos ou taças , e não colheres semelhantes às que con hecemos hoje em dia; eram , provavelmente, recipien tes para conter líquidos . Vemos assim que os itens postos wbre a mesa da proposição encontram um paralelo distinto nos emblemas do sacramento .

(13-8) Ê xodo 25 :31-40; 37: 17-24. O Castiçal de Ouro

A mesa da proposição

Recebeu esse nome devido aos doze pães que eram nela . colocados . O Senhor chamou-os de pães da "proposição " (vers . 30), traduzido literalmente da palavra hebraica que significa "o pão das faces " , ou "o pão da presença" , significando que aquele pão era colocado diante da face do Senhor, ou em sua presença (Wilson , Old Testament Word Studies, p. 388; Novo Dicionário da Bíblia, p. 1 1 74) . O pão era feito com flor de farinha (isto é, com farinha de trigo bem moída, da qual não se deixaram as

A luz que iluminava o tabernáculo provinha do castiçal sagrado , chamado menorah em hebraico, palavra que significa "lugar das luzes " (Fallows, Bible Encyclopedia, VI. 1 , p . 332) . Em suas extremidades não eram postas velas , mas sim sete recipientes em forma de cálice , cheios de óleo de oliva puro , nos quais se colocavam e acendiam pavios . Feito de ouro puro , o menorah era apoiado num pedesta: que descansava sobre três bases . Sua haste central surgia da base, e era decorada com copos (ornamentos esférico s) , cálices (dilatações proporcionais ao tamanho dos copos, e sobre as quais havia corolas de amêndoas) e flores (dilatações esféricas representando o formato de pétalas de nor de amêndoa) . Cada um dos ramos do menora � era coroado com uma lâmpada de azeite, a qual iluminava o lugar santo , ou o primeiro aposento do taberná,:ulo . O número sete possui significação sagrada no Velho Testamento, conotando integridade e perfeição . Visto por este asp �cto, o lume que brilhava na casa do Senhor representava a luz perfeita. O óleo que alimentava as sete lâmpadas tinha que ser óleo puro de oliva (veja Ê xodo 27 :20) , especialmente consagr ado para aquele propósito . A festa judaica do Hannukah , ou Festa das Luzes , comemora a época em que Jud as Macabeu finalmente conseguiu expulsar os gregos cio templo de Jerusalém , por volta do ano 1 65 A . C . D e acor do com a tradição judaica, o s Macabeus encontr. lram óleo consagrado suficiente apenas para alimentar as lâmpadas por um dia . A cerimônia da consagnção de mais óleo levaria oito dias ; contudo, milagro ;amente , o parco suprimento queimou até que outro pudesse ser adequadamente preparado.


150 (13-9) Êxodo 26: 1-14; 36:8-38. As Cortinas do Tabernáculo

o menorah, ou castiçal sagrado

Outras escrituras indicam que o óleo de oliva representa o Santo Espírito, provavelmente porque oferece fogo , calor e luz, quando queimado nas lâmpadas (veja D&C 45 : 56-57). Assim sendo, o menorah era uma representação ou símbolo da verdadeira fonte de luz espiritual, ou seja, o Espírito Santo , ao prestar testemunho do Pai e do Filho .

o tabernáculo n o deserto

Em virtude de, naquela época, o povo israelita andar vagando pelo deserto , o tabernáculo tinha que necessariamente ser portátil. As paredes eram formadas de painéis que podiam ser armados (Veja Êxodo 26: 1 5 - 1 6) . Depois d e armadas, a s paredes e o teto eram cobertos com quatro camadas diferentes de panos . O tecido da cobertura interior era de linho fino torcido . A palavra hebraica traduzida por "linho" não é somente uma designação do tecido , mas também significa "brancura" (Wilson , Old Testament Word Studies, p. 255 ; também e m Fallows , Bible Encyclopedia, Vol . 2 , p . 1 068) . O s eruditos acreditam que s e tratava d e u m pano fino de algodão ou fibra de linho . Devido ao comprimento do tabernáculo , eram necessárias dez cortinas, ou peças de tecido, para cobri-lo . A camada interna deveria ter bordados representando querubins (anjos), e além da tonalidade branca, deveria ter também as cores azul , púrpura e carmesim . As cortinas tinham uma ourela especial, feita em toda a extremidade de cada parte costurada, impedindo que se desfiassem . A orla geralmente era de fios de tamanhos diversos, às vezes de urdidura diferente do resto da cortina. As orlas ou extremidade das cortinas eram presas umas às outras por meio de ganchos ou alfinetes de ouro , chamados colchetes, dando a impressão de que eram uma só peça de tecido cobrindo o tabernáculo . As outras três espécies de cobertura consistiam em uma de pelos de cabra, uma de peles de carneiro tingidas de _ vermelho , e outra de peles de texugo (veja Exodo 26: 7 , 1 4 ) . A natureza desta última não é bastante clara; todavia, os entendidos parecem concordar que não se tratava realmente de peles de texugo . A palavra hebraica implica


151 mais cor do que a espécie de tecido usado . Alguns eruditos acreditam que ela provavelmente era feita de peles de toninhas ou focas que existiam no Mar Vermelho, as quais dariam ao tabernáculo uma proteção exterior impermeável.

(13-10) Êxodo 26: 15-30. Em Que Consistiam as Bases e Couceiras? As couceiras eram dois grandes tarugos retangulares de madeira, colocados na extremidade inferior de cada uma das tábuas . Elas encaixavam numa base dupla chamada soquete que podia fazer cada tarugo deslizar independentemente, para cima e para baixo . Como todas as tábuas eram unidas firmemente lado a lado, formando uma parede sólida, os soquetes repousavam sobre o solo, mesmo quando este era irregular. Não podemos deixar de ficar impressionados, logo de imediato , com a riqueza de detalhes que o Senhor forneceu a Moisés, concernentes ao lugar de sua morada.

(13-11) Êxodo 26:31-37 Os dois véus, ou cortinas, aqui descritos , eram a porta exterior ao tabernáculo (entrada principal) e o véu que separava o lugar santo , ou primeira sala do aposento interno, que era o Santo dos Santos . Este último véu é adequadamente chamado de véu do tabernáculo .

(13-12) Êxodo 27: 1-19; 30: 17-21 ; 38:1-20. O Pátio Exterior e Seu Mobiliário. Ao redor do tabernáculo , havia uma grande área cercada, protegida por painéis de tecidos presos a uma parede móvel . Neste pátio, estava localizado o altar dos holocaustos (altar do sacrifício) e a pia de cobre, que servia para a lavação simbólica das mãos e dos pés . Qualquer membro da casa de Israel tinha permissão de trazer sacrifícios até este lugar , mas somente os sacerdotes podiam entrar no tabernáculo . (Há ocasiões, entretanto , em que o tabernáculo mencionado no Velho Testamento se refere a todo o conjunto , inclusive ao pátio, e não apenas à tenda.) Cada coluna do pátio do tabernáculo era cingida horizontalmente com faixas de prata, que consistiam em fitas retangulares que envolviam as colunas , tanto para proteger a madeira como para embelezá-Ia. As cortinas, ou tecido de que eram feitas as paredes externas do pátio , eram presas ao topo das colunas e afixadas na parte inferior por colchetes de prata às bases de cobre, fincadas solidamente no chão . O mobiliário do pátio exterior era o seguinte: A ltar dos holocaustos. Todos os holocaustos realizados no tabernáculo eram oferecidos sobre este altar . Ele era de formato côncavo , de cinco côvados de comprimento , por cinco de largura e três de 'altura, ou seja, media cerca de 2 , I Om x 2, I Om x 1 , 5Om . Era feito de madeira de cetim revestida de lâminas de cobre . Havia quatro pontas , uma em cada canto . Sobre elas o sacerdote colocava com o dedo um pouco do sangue do sacrifício . Agarrando-se a elas , uma pessoa poderia encontrar refúgio e segurança (veja I Reis 1 : 50; 2:28), exceto se fosse culpada de crime premeditado (veja Êxodo 2 1 : 14) . Algumas vezes, as pontas eram usadas para nelas amarrar o animal ou sacrifício que se pretendia oferecer.

Santos instrumentos de sacrifício. O caldeirão era uma grande travessa de cobre colocada sob o altar para receber as cinzas que dele caíam . Para esvaziar os caldeirões eram usadas pás feitas de cobre . , As bacias eram recipientes usados para recolher o sangue do sacrifício . Os garfos eram utensílios d e três dentes que o s sacerdotes usavam para mergulhar no recipiente sacrificial. Aquilo que com eles conseguissem tirar, serviria para seu uso pessoal . Os braseiros eram os recipientes onde se mantinha continuamente aceso o fogo do sacrifício . Pia. Como o altar dos sacrifícios, era também feita de cobre. Estava situada entre o altar dos holocaustos e o tabernáculo . Os sacerdotes a usavam para se purificarem , preparando-se para entrar no tabernáculo. Na época de Salomão , quando foi construído um templo permanente, a bacia foi colocada no dorso de doze bois (veja I Reis 7 : 23-26) . (13-13) Êxodo 28; 39: 1-43. As Vestes Sacerdotais e Seu Significado Quando os filhos de Israel perderam o direito ao sacerdócio maior e às bênçãos e responsabilidades a ele inerentes, o Senhor estabeleceu entre eles o Sacerdócio Levítico (veja D&C 84: 1 8-27) . Através desta ordem do sacerdócio , Israel desfrutava dos principios do evangelho preparatório. Os israelitas eram lembrados constantemente do sacrifício expiatório do Salvador, o qual era simbolicamente representado diante deles na pessoa que oficiava como sacerdote (cruze referência com Levítico 8 : 5- 1 0; 2 1 : 10 ; Hebreus 7 : 1 1 - 1 2. 2 1 ; D&C 107: 1 , 1 3-20; Hebreus 5 : 4; Joseph Smith 2: 68-72) . Assim como o projeto do tabernáculo , o padrão do vestuário oficial do sumo sacerdote , ou autoridade do Sacerdócio Aarônico (não se tratava do ofício de sumo sacerdote do Sacerdócio de Melquisedeque), foi dado através de revelação , e possuía um significado tanto prátíco como simbólico . As vestes consistiam dos seguintes itens : O éfode. "Era uma peça de vestuário sagrada, que os sumos sacerdotes do Sacerdócio Levítico usavam . O Senhor instruiu que não deviam usar roupas comuns ao executarem seus serviços , mas sim 'vestidos santos ' feitos por pessoas a quem o Senhor havia 'enchido do espírito da sabedoria' (Êxodo 28 :2-3). Estas vestes santas deviam ser legadas de pai para filho, juntamente com o ofício de sumo sacerdote ( Êxodo 29:29). "O éfode, usado sobre um manto azul, era feito de um material que, além dessa cor, possuía as tonalidades púrpura e carmesim , com desenhos feitos com fios de ouro , habilmente urdidos no próprio tecido. Esse vestuário era preso em cada ombro e possuía um cinto esmeradamente trabalhado , com o qual era cingido ao redor da cintura. Nas ombreiras, engastadas em encaixes de ouro , havia pedras sardônicas nas quais se achavam gravados os nomes dos doze filhos de Israel , como uma 'memória' ao sacerdote ao servir diante do Senhor. (Veja Êxodo 28:6- 1 4 e 39:2-7 . ) Preso ao éfode, havia um peitoral em que o Urim e Tumim podiam ser colocados (Êxodo 28: 1 5 -30) .


152 "Desconhece-se qual seria a função exata do éfode. Como o Presidente Joseph Fielding Smith observou , as informações relativas a essas antigas ordenanças 'jamais foram registradas em seus menores detalhes, pois sil.o sagradas e não se destinam ao conhecimento do mundo . ' (Improvement Era, novembro de 1 955, p . 794)" (Rich ard O . Cowan, "I Have a Question " , Ensign, dezembro de 1 973 , p . 33.) Este "avental " , nome com que às vezes é traduzido, possuía um maravilhoso conceito simbólico . Usand o as duas pedras sardônicas que prendiam o éfode a seu:; ombros, o sumo sacerdote (um símbolo de Cristo e também de seus representantes autorizados) entrava no tabernáculo (a casa do Senhor, ou presença de Deu ;) levando Israel sobre seus ombros (veja Êxodo 28: 1:�) . O peitoral. Preso a o éfode com cadeias d e ouro ou engastes (colchetes ou ganchos), o sumo sacerdote t razia o peitoral (veja os vers . 1 3-29) . Não devemos confund ir o peitoral usado por Aarão e os sumos sacerdotes subseqüentes, com aquele que o Profeta Joseph Srr.ith usou ao traduzir o Livro de Mórmon . O peitoral de Aarão era feito de. tecido, e não de metal, e confeccionadc com o mesmo material de que era constituído o éfode (vej ii o verso 1 5) . Tinha duas vezes o comprimento da largua, e quando dobrado, tornava-se uma espécie de bolso quadrado em que se colocava o Urim e Tumin . Na metade do peitoral que ficava exposta, havia pedras precioi;as , sobre as quais se achavam inscritos os nomes de cada uma das tribos de Israel . Dessa forma, o sumo sacerdote' levava "os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo sobre o seu coração . . . para memória diante do Senhor continuamente" (vers. 29) . O simbolismo do sumo sacerdote levando Israel : ;obre o seu coração dá maior significado à promessa de qUI ! dia virá em que o Senhor escolherá suas "jóias " (D&C 60:4; 101 :3).

O Urim e Tumim. Como observamos acima, o Urim e Tumim era carregado em um bolso que se formava, quando o peitoral era dobrado para cima (veja Exodo 28:30). Foi dado a muitos profetas em todas as épocas, exercendo um efeito transcendental no que concerne à obtenção de maior luz e conhecimento. "O Urim e Tumim consiste em duas pedras especiais, chamadas videntes ou intérpretes . As palavras hebraicas urim e tumim, ambas plurais, significam luzes e perfeições. Presume-se que uma das pedras se chama Urim e a outra Tumim . Geralmente elas são levadas num peitoral sobre o coração (Êxodo 28: 30; Levítico 8 : 8) . " . . . Abraão a s possuiu e m sua época (Abraão 3 : 1 -4), e também, Aarão e os sacerdotes de Israel, de geração em geração . (Êxodo 28:30; Levítico 8:8, Números 27 :21 ; Deuteronômio 3 3 : 8 ; I Samuel 28 :6; Esdras 2:63 ; Neem . 7:65 . ) " ... Am6n declarou o seguinte a respeito dessas pedras: 'esses objetos são chamados, intérpretes e nenhum homem os pode olhar, a menos que lhe seja ordenado, para que não procure o que não deve e pereça. E quem quer que receba ordem para olhá-los é chamado vidente. ' (Mosias 8 : 1 3; . 28: 1 3 - 1 6.) "A existência e uso do Urim e Tumim como instrumento de revelação continuará entre os seres exaltados na eternidade. " (McConkie, Mormon Doctrine, pp . 8 1 8- 1 9.) O Urim e Tumim de Aarão não era o mesmo usado por Joseph Smith , pois o Profeta recebeu aquele que fora usado pelo irmão de Jared . McConkie , Mormon Doctrine, p. 8 1 9.) O manto. Era de cor azul (para conhecer o significado dessa tonalidade, veja a Leitura 13-9) e tecido sem costuras, tendo no centro uma abertura, por onde se enfiava a cabeça (veja Êxodo 28 : 3 1 -32) . Jesus, o Grande Sumo Sacerdote, vestia uma roupa também sem costura, antes de ser crucificado (veja João 1 9:23). Ao longo da barra do manto, eram colocados , alternadamente, campainhas de ouro e urdiduras de franjas semelhantes a romãs . Certo erudito deu o seguinte significado ao manto e seus ornamentos : " (O manto era) tecido numa só peça, dando a idéia de totalidade ou integridade espiritual. A cor azul escura indicava a origem celestial e caráter do ofício associado ao manto . Se quisermos conhecer o verdadeiro sentido do manto , todavia, devemos procurá-lo nos ornamentos peculiares que pendiam da barra, cujo significado pode ser encontrado nas instruções análogas dadas em Números 1 5 :38-39), onde cada israelita foi instruído a fazer franjas nas bordas de suas vestes, feitas de cordão azul, para que, quando olhassem para elas , se lembrassem dos mandamentos de Deus e obedecessem a eles . De acordo com essa idéia, devemos também procurar reconhecer alusões à palavra e testemunho de Deus nos pendentes de romãs e nas campainhas que ornamentavam as franjas do manto do sumo sacerdote. A analogia encontrada em Provérbios 25 : 1 1 , onde a palavra é comparada a uma maçã, sugere o conceito de que as romãs, com seu aroma agradável , seu sumo doce e refrescante, e o sabor exótico de suas sementes, eram símbolos da palavra e testemunho de Deus , no sentido de que esta era um suave e aprazível alimento espiritual, que vivifica a alma e refresca o coração (comparar com Salmos 1 9 : 8- 1 1 , 1 1 9-25 , 43 , 50; Deuteronômio 8 : 3 ; Provérbios 9:8; Eclesiastes 5 : 3) , e que a s campainhas representavam o ressoar da palavra, ou a revelação e proclamação da palavra de Deus . Vestindo o manto e os


153 atavios que nele existiam , Aarão simbolizava o recebedor e intermediário da palavra e testemunho que veio dos céus ; era por esta razão que ele não ·podia aparecer diante do Senhor sem o sonido das campainhas , ou perderia a vida (veja Êxodo 28 :35). Tal penalidade não era imposta simplesmente porque ele pareceria um homem comum , caso se apresentasse sem tais ornamentos , pois ainda estaria trajando as vestes sagradas de sacerdote , embora não portasse os adornos oficiais de um sumo sacerdote; mas , sim , porque um simples sacerdote não tinha a permissão de entrar na presença imediata do Senhor . Esse privilégio era reservado à pessoa que representava toda a congregação , ou seja, o sumo sacerdote; e ele só podia fazer isso , quando estivesse usando o manto da palavra de Deus , como o portador do testemunho divino , sobre o qual se baseava o convênio de companheirismo com o Senhor . " (Keil and Delitzsch , Commentary, Vol . 1 : 2 ; pp . 202-3 . ) As tiaras de ouro e a mitra. A mitra (ou chapéu , ou barrete) era feita de linho fino (veja Êxodo 28: 39), e todos os sacerdotes usavam-na. Além desse ornamento , o sumo sacerdote levava também uma lâmina de ouro em frente da mitra, presa à testa. Nela se achava gravada a frase " Santidade ao Senhor" (vers . 36; veja também os vers o 37-38), simbolizando, em primeiro lugar , que o sumo sacerdote deveria ser caracterizado por este atributo, e em segundo, que Cristo, o Grande Sumo Sacerdote , seria perfeitamente santo diante de Deus .

pessoa só pode se aproximar da presença de Deus através da ora\ :ão , pois outras escrituras indicam que o incenso é um sím bolo da oração (veja Apocalipse 5 : 8 ; 8 : 3 -4; Salmm 1 4 1 :2) .

(13-14) Êxodo 29 Para maiores esclarecimentos sobre os rituais de purificação dos sacerdotes , e a respeito do Dia da Expiação , veja a Seção Especial D, "As Festas e Comemorações" .

(13-15) Êxodo 29:7 A Leitura 1 3 - 1 8 explica o que significava a unção com óleo .

(13-16) Êxodo 29:20. Que Simbolizava Tocar com Sangue a Orelha, o Dedo Polegar da Mão e o do Pé? "O sacerdote passava um pouco de sangue do sacrifício sobre a ponta da orelha direita, o polegar da mão direita , e o polegar do pé direito da pessoa que estava sendo consagrada, para que o órgão de audição , com o qual ele ouvia a palavra do Senhor, e os dedos que representavam respectivamente as mãos e os pés que usava para agir e andar de acordo com os mandamentos de Deus, pudessem ser assim santificados através do poder do sangue expiatório do sacrifício " . (Keil and Delitzch , Commentary, Vol . l :2, pp . 387-88, itálicos acrescentados .)

(13-17) Êxodo 30:1-10. O Altar do Incenso A terceira peça de mobiliário que se encontrava no lugar santo , juntamente com o castiçal sagrado e a mesa do pão da proposição , era o altar do incenso . Ele estava situado imediatamente defronte do véu (veja o vers o 6) . Como acontecia à arca do concerto e à mesa do pão da proposição , era feito de madeira de cetim coberta de ouro , e possuía argolas e varais por onde era carregado. No altar eram colocados carvões em brasa, e todos os dias , pela manhã e à noite (veja os vers o 7-8), o sacerdote nele queimava incenso . Este ritual parece significar que uma

o altar d" incenso

(13-18) Êxodo 30:22-33. Por Que o Senhor Mandou Moisés Ungir o Tabernáculo e Todo o Seu Mobiliário? O ól(:o de oliva puro era um símbolo do Espírito do Senhor (veja D&C 45 : 56-57» , e seu uso signi ficava a santificação da pessoa ou obj eto ungido (veja Ê xodo 30: 29) . A utilização de óleo para unção do indivíduo também pode ser uma indicativa da existência de pureza naquela pessoa, visto que o Espírito do Senhor não habitar i num tabernáculo impuro . O Presidente Joseph Fielding Smith declarou : "De1de os primeiros tempos, a oliveira tem sido o símbolo de paz e pureza . Talvez tenha sido considerada mais sa grada do que qualquer outra árvore ou forma de vegetaç ão pelos autores inspirados de todas as eras , através dos quais recebemos a palavra do Senhor . Nas parábolas das escrituras , a casa de Israel ou o povo que fez convênio com o � ;enhor , tem sido comparada com a oliveira . " (Doutrmas de Salvação, Vol . III, p . 1 83 . ) Assim sendo, o ato d e ungir até mesmo estes objetos inanimados sugere que o tabernáculo e tudo o que tinha ligação com ele era santificado pelo Espírito, em prepara ção para o serviço a Deus .

PONTOS A PONDERAR (13-19) No discurso de abertura da conferência geral em outubro de 1 978, o Presidente Spencer W. Kimball incumb iu a Igrej a com a responsabilidade de ser perfeita . Ele decl arou na ocasião que é possível alcançar essa meta, visto q11.e cada um de seus membros tem o poder de se


154 tornar como o Pai Celestial . Todavia, há alguns que ficam desanimados diante desse sacrifício , tendo em mente que o Senhor afirmou : "Pois eis que o mistério da divinda je quão grande é ! " (D&C 1 9 : 10) . Conseqüentemente, aqueles que interpretam mal esse conceito , j ulgam que o " mistério da divindade" é por demais grandioso par a que os mortais possam tão somente desej ar , quanto mais alcançar.

Moisés ordena Aarão, para que presida o sacerdócio

A verdade é que, a menos que o homem volte os 'Jlhos para o templo , o mistério da divindade sempre será uma incógnita para ele .

" Foi sobre este assunto que o Profeta Joseph Smith se referiu , quando disse : "O princípio da salvação é dado mediante o conhecimento de Jesus Cristo " , e que "o conhecimento , mediante nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo , é a chave mestra que abre as glórias e mistérios do reino dos céus . ' " (Ensinamentos, pp . 289-90.) "Estas revelações , que são reservadas e ensinadas somente aos membros fiéis da Igreja nos templos sagrados , se constituem no que chamamos de "mistérios da divindade" . O Senhor declarou que dera a Joseph 'as chaves dos mistérios e revelações seladas . . . (D&C 28 : 7 . ) Como recompensa aos santos dignos, o Senhor lhes prometeu : 'E a eles revelarei todos os mistérios, assim, todos os mistérios ocultos do meu reino desde os dias antigos . . . ' (D&C 76: 7 . ) " (Lee, Ye A re The Light of the World, pp . 2 1 0- 1 1 .) Desde as épocas mais remotas , o Senhor tem desej ado revelar-se aos filhos dos homens. Este capítulo demonstra quão minuciosamente ele arquitetou planos nesse sentido j unto à antiga Israel, através do profeta Moisés . Estabelecido como uma representação simbólica, e maravilhosamente retratado em progressivo esplendor, o tabernáculo e seu pátio se tornaram uma escola onde as coisas celestiais eram reveladas ao povo que o Senhor escolhera. Pretendia-se que os israelitas passassem do pátio exterior do tabernáculo ao recinto interno e sagrado, e que ao fazê-lo , observassem que as obras artesanais e a ornamentação iam-se tornando gradualmente mais requintadas , elaboradas e reclusas , até que , finalmente , o ritual os colocava perante a santa presença, mesmo o Santo dos Santos . Indescritivelmente sagradas , protegidas dos olhares de pessoas indignas , estas ordenanças tinham o objetivo de ser, e realmente poderiam ter sido , o cimento ou agente consolidador entre a j usta Israel e seu Deus . Esta j ornada simbólica, entretanto , foi negada a Israel , em virtude de seu próprio orgulho e rebeldia (veja Êxodo 20: 1 8-20; 32: 1 ) . Por isto , ela perdeu o direito a es sas grandes bênçãos e se tornou dependente dos sacerdotes oficiantes que agiam como procuradores, através de uma ordem menor do sacerdócio. Essa perda de privilégios, porém , de forma alguma implica que o tabernáculo tenha perdido o significado para Israel . Vimos , na Leitura 1 2- 1 , que a lei mosaica foi acrescentada ao evangelho , e era, na verdade, chamada de evangelho preparatório . Embora fosse retirada de Israel a plenitude da investidura do sacerdócio, o plano e a construção do tabernáculo em si representava, ou simbolizava, o progresso do homem rumo à perfeição , para que pudesse assim entrar na presença de Deus . Observe a planta do tabernáculo e a colocação de seu mobiliário .


155

l ei � I Véu

D

cp

Castiçal sagrado

Altar do incenso

Mesa do pão da propo­ sição

O

O

Pia

em bus,:a da perfeição e admissão à presença de Deus . Esta pr imeira etapa poderia ser comparada ao ato de ter fé em Crü,to (tendo em mente o Último e Grande Sacrifício) e arrependimento . Jesus ensinou aos nefitas que ele havia cumprido a lei mosaica, e que agora o sacrifício que deles se exigia era "um coração quebrantado e um espírito contrito " , que os levaria a serem batizados com " fogo e com o Espírito Santo" (3 Néfi 9:20) . Vemos assim que os fogos sacrificiais do grande altar significavam que a "purifi,:ação espiritual ocorreria através do Espírito Santo, a quem o Pai enviaria por causa do Filho " (McConkie, The Pr omised Messiah, p . 43 1 ) . N o pátio, n a mesma direção, encontrava-se a pia, ou bacia com água, que era usada para lavamento e purificc:,ção (veja Exodo 30: 1 9-20) . Como já foi mencio:Jado, quando Salomão construiu um templo perman ente, colocou a bacia sobre o dorso de doze bois (veja I Reis 7:25), um simbolismo que passou aos templos modern os e claramente se relaciona ao batismo . Considerando que a pia batismal , por si mesma, é "em similitu je à sepultura" (D&C 128: 1 3) , onde o "homem velho" do pecado é sepultado (Romanos 6: 1 -6) , seu simboli:;mo parece bastante claro . Tão logo o "homem natural" (Mosias 3: 1 9) é sacrificado (morto através de um coração contrito, ou do arrependimento sincero e

D

Altar dos . holocaustos

o tabernáculo era constituído de três divisões ou áreas principais: o pátio exterior, a primeira sala do próprio tabernáculo, ou lugar santo, e o aposento interior, ou Santo dos Santos . Nos templos modernos, três níveis de vida são também retratados por salas específicas , ou seja, a sala do mundo, ou telestial; a sala terrestrial, e a sala celestial . O significado de tais aposentos é ,assim descrito: Esta sala (telestial) retrata o mundo no qual nós vivemos e morremos. Aqui são dadas instruções com respeito ao segundo estado do homem e às maneiras pelas quais ele sobrepuja os obstáculos da mortalidade. A sala terrestrial simboliza a paz que poderá ser obtida pelos homens ao sobrepujarem sua condição decaída, através da obediência às leis e ordenanças do evangelho . A sala celestial simboliza a alegria e a paz eternas encontradas na presença de Deus . Algo do espírito das promessas infinitas de Deus aos obedientes foi captado no planejamento desta bela sala" . (Narrativa do roteiro do Fi/me estático: "A Casa do Senhor ", quadros 43 , 48 e 5 1 .) Se compararmos as três divisões do tabernáculo com estes três níveis de vida espiritual, encontraremos alguns paralelos e introvisões deveras interessantes. O pátio externo (o mundo ou sala te/estia/). A primeira coisa que a pessoa encontrava ao passar pelo portão principal era o altar dos holocaustos. Ali os vários animais e outras ofertas eram mortos e oferecidos ao Senhor. Vemos assim que eram requeridos estrita obediência e sacrifício como o primeiro passo no progresso simbólico

profundo), ele é purificado tanto pelas águas do batismo como p �lo fogo do Espírito Santo (vej a 2 Néfi 3 1 : 17). Uma ve z feita esta purificação, ele está preparado para

abando l1ar o mundo, ou a maneira telestial de viver , e "nascer " (J oão 3 : 5) em um estágio mais elevado de vida

espiritual . O lug ar santo (sala terrestrial) . Três peças de mobiliário se encontravam na primeira sala do tabernáculo: a mesa do pão j a proposição , o castiçal sagrado, e o altar do incenso , A mesa, em que p ão e vinho eram trocados a cada Dia do Senhor, era um símbolo equivalente aos emblem as sacramentais que conhecemos hoj e em dia . Eles representavam o corpo e o sangue do Filho de Deus, dos quais a pessoa espiritual partilha consistentemente, para que pos ,a ter vida esp irit u al em Cristo (vej a João 6: 53-56) . O castiç al, ou lâmpada, com seus sete braços e óleo de oliva, si mbolizava a luz perfeita do Espírito (vej a D&C 4: : : 56-57), através da qual o indivíduo espiritualmente renascido conhece toda a verdade (vej a João 14: 1 6- 1 7 , 1 5 : 26) . Nos convênios do sacramento ,

existe uma sólida relação entre os emblemas do corpo e sangue do Salvador e o poder do Espírito, pois o Senhor promete:u que, ao uma pessoa sempre se lembrar dele, terá eternamente consigo o seu Espírito (vej a 3 Néfi 1 8 : 7 , 1 1 ) . O terceiro componente do lugar santo era o altar do incenso, um símbolo da oração (vej a Apocalipse 5 : 8), o qual fic : lva situado defronte ao véu . Este altar sugere o

terceiro aspecto dominante da vida em con formidade com

os princípios e ordenanças do evangelho , ou seja, o de se buscar c onstantemente o poder e revelação do Senhor por intermédio da oração . O fato de que o incenso era

queimado sobre carvões em brasa nos sugere que até mesmo nossas orações devem ser influenciadas pelo Espírito Santo (veja 3 Néfi 19:24; Romanos 8 : 26) . O Santo dos Santos (sala celestial). Assim como a sala celestial dos templos modernos simboliza o reino onde Deus habita, o mesmo acontecia ao santo dos santos do


156

Santo dos Santos

A presença de Deus.

CELESTI AL

Guardiães angélicos.

! (i � !

Oração.

Véu

Viver pela luz do Espírito, e pela carne e sangue de Cristo.

D

cp

Castiçal sagrado

AJtar do Incenso

Mesa do pão da proposição

O

TERRESTI tIA L

Lugar Santo Batismo e remissão dos pecados.

O

Pia

TELESTl AL Obediência e sacrifício

D

Altar dos holocaustos

Pátio Exterior

antigo tabernáculo. A única peça de mobiliário da sala interior era a arca do concerto , a qual o próprio Senhor dissera ser o lugar onde se encontraria com Moisés , e estaria em comunhão com o povo (veja Ê xodo 25 :22). Tanto no véu , que separava o lugar santo , do santo dos santos, como na tampa da arca, havia querubins ou anjos. A utilização de anj os é uma bela representação do conceito ensinado nas escrituras modernas , de que passamos pelos anj os a caminho da exaltação (vej a D&C 1 32: 1 9). Em resumo , o tabernáculo, sua planta e as ordenanças que ali se realizavam , ilustram o grande e glorioso simbolismo do progresso ascendente do homem , de um estado em que esteve excluído da presença de Deus, até alcançar outro em que vive em plena comunhão com ele. Tenha em mente o seguinte diagrama, ao ler com todo o cuidado Hebreus 9: 1 0, onde o apóstolo Paulo tão maravilhosamente retrata o verdadeiro signi ficado espiritual do tabernáculo da antiga Israel .


Levítico 1-10

Uma Lei de Cerimônias e Ordenanças, Parte 1: Os Sacrifícios e Ofertas (14-1) Introdução Pergunta: A lei de Moisés não teria sido dada como uma genuína reprovação a Israel, castigando-a por haver rejeitado a lei maior? . Resposta: Não resta dúvida de que Deus castiga a seu povo pela desobediência, mas a concessão de leis n�o é uma punição . Os mandamentos do Senhor se constituem, como disse Moisés "para o nosso perpétuo bem" (Deuteronômio 6:24) . O propósito de tod � le! � edifica: e inspirar, reconciliar e aperfeiçoar . Esse pnnClplO se aphca também à lei mosaica. Ela foi um castigo somente no sentido de que era menos do que teriam recebido. Porém, foi um meio para que se cumprissem os desígnios de Deus , como o são todos os seus mandamentos. Como o Senhor disse aos antigos santos desta dispensação, se eles obedecerem a seu evangelho , serão "coroados com bênçãos do alto, sim, com mandamentos, não poucos" (D&C 59:4). Pergunta: Mas a lei mosaica não cbegou a ser pelo menos um passo de retrocesso? Resposta: De forma alguma. Foi um gra.nde P ll:sso à frente não de tal magnitude quanto podena ter sido, mas sem d Ítvida um grande passo. Sabemos, pelas escrituras, que os israelitas se encontravam em infeliz condição espiritual ao saírem do Egito. Haviam perdido o ofício profético, a profecia e o espírito de revela�ão , e se impregnado de tradições egípcias e idolatna. ·Quando se propôs a libertar Israel do cativeiro, o Senhor ordenou-lhe que abandonasse suas abominações e ídolos, m.as o povo recusou-se a atendê-lo : "Ninguém lançava de SI as abominações dos seus olhos, nem deixava os ídolos do Egito " (Ezequiel 20: 6-8) . Não fosse por sua grande . miserícórdia e pelos convênios que fizera com os antigos patriarcas, o Senhor teria derramadÇ,> sua justa ira contra Israel e destruído a eles todos (veja Exodo 32:7- 1 4) . Em vez disso, abençoou-os com uma lei apropriada, qu � os ajudaria a crescer espiritualmente, partindo da condição em que se encontravam . Pergunta: Quer dizer que o ato dos hebreus se voltarem à adoração dos deuses egípcios, quando se encontravam no deserto, não era uma experiência nova para eles? O bezerro de ouro, na realidade, havia sido levado nos corações de uma Israel espiritualmente enfraquecida e imatura? Resposta: Certamente. Foi um desafio mai �r retirar o Egito de dentro do coração de Israel, do que �I�ar Israel do , , de que MOlses teve que Egito . Não esqueçamos, tambem usar de sinais para convencer não somente o faraó : m�s também Israel. E quando é necessário apresentar smals como prova de autoridade, essa é uma evidência de uma

14

geração má e adúltera (veja Mateus 12: 39) . Moisés declaro u : "Rebeldes fostes contra o Senhor desde o dia em que vo:; conheci " (Deuteronômio 9:24) . Perg unta: Nesse caso, quando se diz que a le! não foi um cas tigo, mas o meio de alcançar um determmado objetiv D, isto significa que tal medida foi um plano deliberado e cuidadoso para fazer com que Israel se voltassl! para Jeová? Resposta: Isso tudo e ainda mais . A lei não somente faria com que fossem trazidos para Cristo, mas também seria o recurso através do qual poderia desenvolver-se um relaciol1amento de convênio, a fim de aumentar seu poder espiritt.al , para que pudessem desfrutar dos dons e . manife ;tações do Espírito, obter uma esperança perf�lta, e o amO! a Deus e a todos os homens . Se eles prossegUissem em frente e perseverassem até o fim , teriam a certeza da vida etl:rna (comparar com 2 Néfi 3 1 :20) . Perg unta: Nunca pensei que a lei de Moisés fosse capaz de reali zar tudo isso . Como era possível? Resposta: É mais fácil entender esse fato, quando relaciol1amos todos os aspectos da lei com o progresso espiritllal do indivíduo . O problema é que geralmente imaginamos a lei mosaica como sendo apenas aquela parte que trata dos rituais e ordenanças . . Perg unta: Quais são os outros aspectos da lei? . Resposta: Os elementos básicos d� lei são defi � ldos sob as cha\ es de autoridade do sacerdócIO menor (veja D&C 1 3 ; 84: 26-27; 107: 14, 20) . Eles se resumem nos seguintes princípios : Fé: Embora as escrituras não mencionem diretamente esse fal o , este principio se acha envolvido na questão,. visto ser a fé absolutamente necessária em todas as atitudes que se desti nam a agradar a Deus e cumprir os seus desí�nios (veja Hebreus I I :6; Romanos 14:23). Amuleque ensm�:> u c1araffil!nte que a fé era um pré-requisito da lei , essencial para tr lZer uma pessoa ao arrependimento (veja Alma :14: 1 5) . Arrependimento: O princípio do sacrifício , dado a Israel , tinha o propósito fundamental de ajudar os . israelitas a demonstrarem uma atitude de arrependimento, ensinando o povo a respeito do sacrifício expiatório de Cristo . Então, se exercessem fé no Salvador e se arrependessem de suas obras iníquas , seus pecados eram perdoados , não pela lei mosaica, mas a��av�s de s.u a fé no futuro Messias, demonstrada pela obedlencla à lei de Moisé& (veja Mosias 1 3 :28). . . . Bati:;mo por imersão: O batlsmo era a mais Importante ordena nça exterior da lei , sendo ele o meio pelo q� � o indivíduo estabelecia um relacionamento de convento com Jeová. Infelizmente foi perdida qualquer referência ao batism :> no Velho Testamento; porém , através de outras


160 fontes , sabemos que fazia parte da lei mosaica (veja D&C 84:26-27; 1 Néfi 20: 1 ; I Coríntios 10: 1 -4) . A lei dos mandamentos carnais, ou a lei dos ritos e ordenanças (veja D&C 84:27; Mosias 1 3 :30): em nm:sa época, a palavra carnal tem conotações sensuais, ma ; o termo latino da qual ela se deriva significa "carne" . Portanto , estes mandamentos tratam das ações pratkadas na mortalidade. Como Abinádi ensinou, estes preceitos tinham o propósito de "conservar viva a lembrança de Deus e de seu dever para com ele" (Mosias 1 3 : 30). A ministração dos anjos: Essa ministração tem o objetivo explícito de preparar os homens para terem fé em Cristo , a fim de que possam receber o Espírito Santc (veja Morôni 7 : 30-32) . Pergunta: Quer dizer que a lei de Moisés realment, � abrangia todos os princípios básicos do evangelho? Resposta: Para ser mais claro , a lei mosaica é cham .ada de "o evangelho preparatório " (D&C 84:26). Em vir tude de Israel haver perdido as chaves do Sacerdócio de Melquisedeque , não poderia receber a plenitude da lei de Cristo . Quando o Senhor cumpriu a lei , o evangelho preparatório ficou sujeito à lei de Cristo , e os mandamentos carnais foram abolidos . Pergunta: Podemos discernir estes fatos no Velho Testamento , da forma em que ele se encontra hoje? Resposta: Sim , desde que saibamos o que procura r e como fazê-lo . Mórmon ensinou que os conversos lamanitas entendiam adequadamente a lei mosaica, pois possuíam o "espírito de profecia" (Alma 25 : 1 6 ; vej a também o verso 1 5 ) . O espírito de profecia é o "testemunho de Jesus " (Apocalipse 1 9 : 10; vej a também Alma 6:8). A lei de Moisés foi um "aio " para condu zir Israel a Cristo (Gálatas 3 : 24) ; todavia, ela foi dada em "símbolos e figuras" (Mosias 3 : 1 5 ; veja também 1 3 : :1 1 ; 1 6 : 14). Somente aqueles que possuem o espírito de profecia podem entender esses recursos didáticos simbólicos, pois , como ensinou Amuleque: "E eis qu e este é o s ig nifi c ado total da lei, cada ponto indicando aquele grande e último sacrifício" (Alma 34: 1 4) .

Instruções aos Alunos 1 . Ao ler e estudar Levítico 1 - 1 0, utilize o auxílio que Notas e Comentários podem-lhe oferecer . 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar, conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo professor . (Os alunos que estudam individualmenw devem completar toda a seção . ) as

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE LEVÍTICO 1-10 (14-2) Levítico 1 : 1 . Qual É o Aspecto Mais Importaf lte do Livro de Levítico? O livro de Levítico contém revelações diretas de Deus, concedidas a Israel através de Moisés . Não resta dúv ida de que ele foi o manual do sacerdócio daquela geração . Este fato torna o livro de grande interesse, pois , sempre q ue Deus fala ao homem, ele se revela a si mesmo . Por meio dos ensinamentos de Levítico , podemos entender mdhor o Senhor e seus propósitos . Os leitores modernos provavelmente acharão que o conteúdo do livro já se encontra superado, especialmente no que se refere aos sacrificios de sangue, embora todos eles , como disse Amuleque , se destinassem a indicar a expiação infini ta de

Cristo (veja Alma 34: 1 4) . Um erudito observou o seguinte a respeito das diversas espécies de sacrifícios e ofertas ; "A questão primordial , portanto , que requer a nossa atenção , é esta: Em cada oferta, existem pelo menos três aspectos distintos: a oferta, o sacerdote, e o ofertante. Se quisermos entender as ofertas , é um requisito absolutamente essencial que tenhamos o conhecimento definido do valor exato de cada um desses aspectos . "Em que consiste, portanto , a oferta? E o sacerdote? E o ofertante? Cristo é a oferta, Cristo é o sacerdote, Cristo é o ofertante . Podemos ver que são tantos os relacionamentos de Cristo para com o homem e pelo homem , que nenhum símbolo , ou conj unto deles, pode representar adequadamente a plenitude de todos eles . Assim , temos muitas classes distintas de símbolos e diversas variações dentro delas , cada uma das quais nos apresenta uma característica particular de Cristo , tanto de seu caráter , como de sua obra ou pessoa. Porém , não importa sob que aspecto consideremos a Jesus, ele cobre mais que um desses relacionamentos . Isto gera a necessidade de muitos emblemas . Primeiramente ele surge como ofertante , mas não podemos imaginar o ofertante sem uma oferta, e o próprio ofertante, neste caso , é a oferta, e ele, que é tanto o ofertante como a oferenda, é também o sacerdote . Como um homem sujeito à lei , nosso substituto, Cristo , se apresentou por nós perante Deus, como o ofertante . Ele tomou do 'corpo preparado para ele ' como sua oferta, para que nele , e através dele, pudesse reconciliar-nos com Deus . Dessa forma, quando o sacrifício e a oferta falharam completamente, quando Deus não o aceitaria de mãos de homens, então disse: 'Eis aqui venho; no rolo do livro está escrito de mim : Deleito­ -me em fazer a tua vontade , ó Deus Meu ; sim , a tua lei está dentro do meu coração ' (Salmos 40:7) . Assim , seu corpo tornou-se a sua oferta: ele ofereceu-o voluntariamente ; então , como sacerdote , levou o sangue até o santo dos santos . Como ofertante, o vemos como um homem sujeito à lei, se oferecendo como nosso substituto, para em nosso lugar cumprir toda a justiça. Como sacerdote, vemo-lo apresentar-se como o mediador, o mensageiro de Deus entre ele mesmo e Israel . Como oferta, eis que ele se torna uma vítima inocente, um cheiro suave para Deus , todavia trazendo sobre si os pecados da humanidade, e morrendo por eles . "Assim, nesse mesmo símbolo , o ofertante incorpora Cristo em sua pessoa, como Aquele que se tornou homem , a fim de cumprir os desígnios de Deus: a oferta o apresenta em todo o seu caráter e obra, como a vítima pela qual a expiação foi ratificada, enquanto o sacerdote nos dá uma terceira imagem de Cristo , na relação oficial que ele tem para conosco, como o mediador e intercessor designado. Da mesma forma, quando encontramos um símbolo em que a oferta é mais proeminente , a idéia princípal será a de que Cristo é a vítima. Por outro lado, quando sobressai o papel do ofertante ou sacerdote, tal figura representará, respectivamente, Cristo como homem ou Cristo como mediador . " (Jukes , Law of the Offerings, pp . 44-45 . )

(14-3) Levítico 1 :2-3. O Que Tornava um Animal Aceitável Como Oferta a Deus? A palavra hebraica traduzida para " sem mancha" , significa ser sadio ou inteiro . Além desses dois requisitos, todos os animais destinados ao sacrifício tinham que possuir duas outras características . Precisavam ser da categoria que o Senhor declarou limpa (veja Levítico 1 1 ) , e


161 também deviam provir de manadas ou rebanhos domesticados (veja Levítico 1 :2) . " Dos animais limpos , que o. israelita obtivera através de seu próprio treinamento e cuidado , e que faziaI? parte de seus rebanhos comuns, ou do produto consegUido com o trabalho de suas mãos no campo e na vinha, do qual ele retirava seu sustento , ele oferecia . . . o alimento que providenciara no exercício de seu chamado designado por Deus, como um símbolo do alimento espiritual que perdura para a vida eterna (veja João 6:27; 4: 34) , e que alimenta tanto a alma como o corpo, para que obtenha vida infindável na companhia de Deus . . . Desta forma, as dádivas sacrificiais adquirem uma característica simbólica, e denotam a submissão voluntária do homem e de todo o seu trabalho e rendimentos a Deus . " (Keil and Delitzsch , Commentary, Vol . 1:2, pp . 275-76.) Essa oferta tinha que ser "voluntária" (veja Levítico 1 : 3). O ofertante não era obrigado a fazê-la, servindo aquele gesto como uma livre evidência de . . gratidão da parte do indivíduo . Qualquer cOisa que assim

o sacrifício simbolizava a expiação dos pecados

não fos ;e , seria uma violação do princípio básico das ofertas oferecidas de boa vontade (compare com Morôni 7 : 6- 1 0) .

(14-4) Levítico 1 : 3 . A Oferta para o Holocausto Era Realme nte Abatida Diante da Porta do Tabernáculo? Para aj udar Israel a vencer a idolatria, o Senhor especifkou que as ofertas fossem sacrificadas em um lugar determi nado , "à porta da tenda da congreg�ção " (vers . 3). Este lugar foi especificado, porque era alI . (tecnica mente situado a apenas alguns metros defronte a . porta do tabernáculo ou templo) que estava situado o . altar , sc .bre o qual o sacrifício , ou uma parte dele , sena queimado. (ObservaçãÇJ: Este versículo e as passagens subseqü entes descrevem os holocaustos . Outras ofert � s _ obedeci am a diferentes requisitos . Para ter uma descnçao complet a de todas as diferentes ofer� as , examine o gr � fico que aco mpanha esta lição , o qual fOi adapt�do do artigo de Edward J. Brandt, " Sacrifices and Offenngs of the . Mosaic Law " , Ensign, dezembro de 1 973, pp . 50-5 1 . )


Os Sacrifícios e Ofertas da Lei Mosaica NOME DA ORDENANÇA E TIPO DE SACRIFÍCIO

OBJETOS SIMBÓLICOS USADOS NA ORDENANÇA

PROPÓSITO D A ORDENANÇA

OFERTAS PÚBLICAS

OFERTA QUEIMADA (Levítico 1; 6 : 9- 1 3) .

Animal macho sem defeito (Êxodo 1 2 : 5; Levitico 1 : 3; 22: 1 8-25; Números 28 :3-4; Deuteronômio 1 5 :2 1 ; 17:1).

Este é u m outro nome para a ordenança praticada pelos patriarcas, desde Adão até Israel (Jacó) .

Originalmente , o animal deveria ser u m primogênito (Gênesis 4:4; Êxodo 1 3 : 1 2; Levitico 27 :26; Números 3 : 4 1 ; 1 8 : 1 7; Deuteronômio 1 2 : 6; 1 5 : 1 9-2 1 ) .

" Isto é á semelhança do sacriflcio do Unigênito do Pai " (Moisés 5 : 7; ver também Levítico 1 :4, 9; 1 4 : 20; Hebreus 9: 14; I Pedro I : 1 9; 2 Néfi 1 1 :4; 25 :24-27; Jacó 4:5; Jarom I ; Mosias 3 : 1 5 ) .

Épocas especificamente designadas : Diariamente: de manhã e ao anoitecer (Êxodo 29 : 3 8-42; Números 28 : 3-4) . No Sábado: uma porção dupla deveria ser oferecida (Números 28 :9- 1 0) . N a Lua Nova : mensalmente (Números 28: 1 1 - 1 5). Épocas designadas segundo as estações do ano: Festa da Páscoa e dos Pães Asmos. Festa da Colheita e Festa dos Tabernáculos . O Ano Novo e o Dia da Expiação .

O animal variava d e acordo com a posição social e os bens do indivíduo que fazia a oferta, e com a ocasião em que o sacrifício era oferecido : bezerro, cabra, carneiro , rola ou pombinhos (Levítico I : 5 , lO, 1 4; 5 : 7; Gênesis 1 5 :9).

OFERTAS PARTICULARES Oferecidas por ocasião de acontecimentos importantes dentro da família: nascimento, casamento, reuniões etc . , e em épocas de necessidades pessoai s . O mais freqüente era fazer-se tanto as ofertas públicas quanto as particulares , por ocasião das festas já mencionadas .

OFERTA DE PAZ (Levítico 3; 7 : 1 1 -38).

Animal macho ou fêma sem mancha (Levítico 3 : I , 1 2) , podendo ser gado, carneiro ou cabra, mas nunca aves ou outros substitutos (Levítico 22:27) . O animal deveria servir de alimento em refeição sacrificial . A gordura e as entranhas deveriam ser queimadas sobre o altar (Levítico 3 : 3-5); uma parte especialmente designada era dada aos sacerdotes (ver Oferta Alçada), e o resto deveria ser aproveitado naquela refeição especial (Levítico 7: 1 6) .

O propósito triplo das ofertas de paz é especificado abaixo, segundo os títulos e descrições mencionados:

OFERTA DE LOUVORES: feita a Deus para agradecer-lhe por todas as bênçãos (Levítico 7: 1 2- 1 3 , 1 5; 22:29) . OFERTA DE VOTO OU OFERTA VOLUNTÁRIA : era oferecida para se fazer ou renovar um voto ou convênio (Levítico 7 : 1 6; 22: 1 8 , 2 1 , 23; Números 1 5 : 3 , 8 ; 29 : 39; Deuteronômio 1 2 :6) . OFERTA VOLUNTÁRIA: sugeria a aceitação voluntária de convênios e suas responsabilidades e conseqüências (Levítico 7 : 1 6; 22: 1 8 , 2 1 , 23; Números 1 5 :3; 29 : 39; Deuteronômio 1 2:6, 1 7; 16: 1 0; 23 :23). Era facultado ao ofertante fazer quaisquer das ofertas descritas acima, separada ou conj untamente .

Estas eram apenas ofertas particulares, ou um sacrifício pessoal oferecido por famílias ou indivíduos (ver Ofertas Particulares).


OFERTA PELOS PECADOS (Levítico 4; 5 : 1 - 1 3 ; 6 :25-30) .

OFERTA PELAS CULPAS (Levítico 5 : 1 5 - 1 9 ; 6 : 1 -7 ; 7 : 1 - 1 0) .

Animal macho o u fêmea sem mancha . A oferta era determinada pela posição social do ofertante e suas propriedades : um sacerdote oferecia um novilho (Levítico 4 : 3 ; Números 8 : 8) ; um príncipe oferecia uma cabra (macho) (Levítico 4 : 22-23) ; os do povo em geral ofereciam uma cabra fêmea (Levítico 4:27-28); os pobres ofereciam duas rolas ou dois pombinhos (Levítico 5 :7); e os extremamente pobres ofereciam aves ou farinha (Levítico 5 : 1 1 ; Números 1 5 : 20-2 1 ) . A oferta não era queimada, mas utilizada pelo sacerdócio Levítico em uma refeição sacrificial. A carne e o couro eram para seu sustento e utilização (Levítico 6:25-30; 7 : 7-8; 1 4 : 1 3) .

As ofertas pelos pecaaos eram feitas pelos pecados cometidos em ignorância (Levítico 4:2, 22, 27), os quais geralmente não eram do conhecimento de outras pessoas (Números 1 5 :24), ou pecado por quebra de votos e convênios (Levítico 5: I , 4-5), e peçados cerimoniais de profanação ou impureza com relação aos mandamentos temporais (Levítico 5 : 2-3 ; 1 2 : 1 -8 ; 1 5 :28-30) . O propósito das ofertas pelos pecados era o de preparar o o fertante, mediante seu arrependimento sincero , para receber o perdão, como parte da renovação de seu convênio (Levítico 4:26, 3 5 ; 5 : 10; 1 0 : 1 7 ; Números 1 5 : 24-29) . Esta mesma bênção está ao nosso alcance hoje através do sacramento .

Carneiro sem mancha (Levítico 5 : 1 5 , 1 8 ; 6 : 6 ; 1 9 : Z I ) . U m leproso deveria oferecer u m cordeiro (Levítico 14: 1 2) , e um nazireu também deveria oferecer um cordeiro (Números 6 : 1 2) .

As ofertas pelas culpas eram oferecidas por causa de ofensas feitas a terceiros , tais como falso testemunho (Levítico 6:2-3), apropriação indevida, quer por força ou por logro, de objetos alheios (Levítico 6:4), desrespeito pelas coisas sagradas (Levítico 5 : 1 6- 1 7) , e atos de natureza passional (Levítico 1 9 : 20-22) . A oferta pelas culpas tinha como propósito proporcionar o perdão (Levítico 6:7). Este era concedido após o arrependimento do transgressor (Levítico 26:40-45) , e do cumprimento por parte dele

Uma oferta especial pelos pecados , que se aplicava à todas as pessoas , era oferecida no Dia da Expiação (Êxodo 30: 10; Levítico 1 6 : 3 , 6 , I I , 1 5 - 1 9). Todas as outras ofertas pelos pecados eram particulares e de caráter pessoal, freqüentemente feitas por ocasião das festas j á mencionadas .

Todas as ofertas pelas culpas eram particulares e de caráter pessoal , freqüentemente feitas por ocasião das festas j á mencionadas .

�;�pl�t� ;�p��;;çã� do"��l ����tido (q���do �9 11"11 1"1"", rpcti h , ; ,.. 13i n

-

'.:lI

1'1 1 1 '::1 1 pV10'i!:l n n nfpncnr

- -

-

-

possível) , e mais um adicional de 20070 (Levítico 5 : 1 6 ; 6 : 5 - 7 ; 27: 1 3 , 1 5 , 1 9, 27 , 3 1 ; Números 5 :6- 1 0) .

OFERTA DE MANJARES xodo 29 :40-4 1 ; Levítico 2 ; 6 : 1 4-23 ; 7:9-10; Números 1 5 :4-24; 28; 29) .

OFERTA ALÇADA xodo 29: 26-27 ; Levítico 7: 1 4 , 32-34; Números 1 8 : 1 9) .

Pão não levedado . Permitia-se somente uns poucos ingredientes misturados com a farinha: sal (Levítico 2 : 1 3), óleo (Levítico 2 : 5), e incenso (Levítico 2: 1 5); mel e fermento eram proibidos (Levítico 2 : I I ) . Entretanto, o pão podia ser cozido o u frito de diversas maneiras .

Esta oferta era um complemento à refeição sacrificial das ofertas queimadas e de paz. Era oferecida aos sacerdotes pelos seus serviços e para seu sustento . (Levítico 7 : 8- 1 0) .

Esta oferta era sempre feita juntamente com as ofertas queimadas e de paz, e em casos de extrema pobreza, podia até servir como um substitutivo da oferta pelos pecados (Números 1 5 :28, 29) .

A oferta alçada era feita com a espádua direita do animal , e a oferta do movimento era feita com o seu peito , dados ao sacerdote em pagamento pelos serviços prestados .

Esta é a porção d o sacerdote (Levítico 7 : 3 5-36; Deuteronômio 1 8 : 1 -8) . Esta oferta memorial era uma espécie de oferenda de paz ou de louvor ao Senhor, tanto quanto um sinal de que o Senhor era lembrado e servido . Os levitas também recebiam o couro de todos os animais sacrificados como pagamento pelos serviços prestados . (Levítico 7: 8 . )

Eram oferecidas na mesma ocasião que as ofertas queimadas e de paz . Eram oferecidas na mesma ocasião das ofertas .

Tudo o que os levitas recebessem por seus serviços sacerdotais , fossem ofertas alçadas ou de movimento , manjares ou dízimo (Números 1 8) , era-lhes requerido que oferecessem ao Senhor , em sacrifício, uma sua porção como oferta memorial (Levítico 2:2, 9, 1 6 ; 5 : 1 2 ; 6: 1 5 ; Números 5 : 26; 1 8 : 26-29) . "Alçar" e " mover" referem-se a gestos correspondentes ao ato de levantar as ofertas e oferecê-las ao sacerdote, que por sua vez as recebia em lugar do Senhor.

(Adaptado de Edward J . Brandt, "The Priesthood

Ordinance of Sacrifice " , Ensign , dezembro de 1 973 , pp . 50-5 1 .)


164 (14-5) Levítico 1:4. Por que o Ofertante Colocava as Mãos sobre a Cabeça da Oferta, e de Que Modo Esta Ofena Fazia a Expiação em Benefício Dele?

A imposição das mãos era uma parte importante d e todo sacrifício . " Ela significava transmissão e delega ção e encerrava um certo simbolismo , de modo que realmente indícava a substituição do sacrifício pelo sacrifícador . Assim sendo, essa prática era sempre acompanhada pela confíssão do pecado e oração . Era assim que se procl:dia. O sacrifício era virado, de modo que a pessoa que confessava a culpa olhasse rumo ao oeste, enquanto impunha as mãos entre os chifres do animal que ia ser sacrificado . Se ele fora trazido por mais de uma pessoa, cada uma delas fazia a imposição das mãos . Não se sabe ao certo se eram impostas ambas as mãos ou apenas uma; mas as evidências parecem comprovar que se devia fazer isso 'com toda a força' - como se o ofertante quisesse com isto colocar todo o seu peso sobre o substituto. " (Edersheim, The Temple, pp. 1 1 3-14.) Esse costume demonstra que o sacrifício tinha um duplo aspecto ou simbolismo . Em primeiro lugar, e acima de tudo, representava o único sacrifício que no final poderia proporcionar a paz e remissão dos pecados, ou seja, o que seria feito por Jesus Cristo . Entretanto, a imposição das mãos conotava uma transferência de identidade; isto é, o ofertante colocava sua própria identidade sobre o an mal a ser sacrificado . Conseqüentemente, a morte do animal implicava simbolicamente em uma das duas situações seguintes, dependendo da espécie de oferta. Primeiro , dava a conotação de que o ser pecador, "o homem natural " , como o rei Benjamim o intitulou (veja Mosias 3: 1 9), era morto para que o indivíduo espiritual pude sse renascer. Paulo usou esta terminologia em Romanos 6: 1 -6 ' e a pia batismal é comparada a uma sepultura, em Doutrina e Convênios 1 28 : 1 3 . Por quê? Porque o "homem velho " do pecado é ali sepultado (Romano:; 6:6) . E m segundo lugar, caso não s e tratasse d e uma oferta pela transgressão, a morte do animal implicaria no ato de entregar a vida, isto é, o sacrifício total de si mesmo perante Deus. A palavra traduzida para "expiação " é derivada d� um termo hebraico que significa "cobrir ou esconder" . A conotação que vemos não é a de que o pecado deixou de existir, mas sim a de que ele foi coberto, ou falando escrituristicamente, apagado perante Deus por intermédio de sua graça e inigualável bondade (veja Alma 7: 1 3 ) . Isto é o mesmo que dizer que o poder que o pecado tem de separar o homem da presença de Deus foi retirado . Desse modo , a palavra expiação foi usada para demonstrar que o homem voltou a ter unidade com Deus . (14-6) Levítico 1:5. Por Que É Dada Tanta Ênfase ao Sangue?

De todos os elementos da ordenança do sacrifício, nenhum deles desempenhava um papel mais proemin ente que a administração do sangue da oferta. A maneira pela qual era feita a oferta, foi minuciosamente especificada pelo Senhor. Dependendo de sua natureza, o sangue era posto sobre as pontas do altar, aspergido ou salpicad o sobre os quatro cantos do altar, ou derramado em sua base. O Senhor escolheu o sangue para dramatizar as conseqüências do pecado e do que está envolvido no processo do perdão e reconciliação . Portanto, o sang ue representava tanto a vida (veja Levítico 1 7 : 1 1) como o ato de dar a vida. A morte é a conseqüência do pecado; por

o sangue simbolizava a expiação dos pecados

isto, O animal era morto, para demonstrar o que acontece quando o homem peca. Além disso, o animal era um protótipo de Cristo, pois este, ao dar sua vida pela humanidade, através do derramamento de seu sangue, fez com que o indivíduo que está espiritualmente morto em virtude do pecado , possa encontrar uma nova vida. Encontramos um outro paralelo decorrente dessa verdade: "Assim como em Adão, ou por natureza, todos os home� s pecam e estão sujeitos à morte espiritual, também em CrIsto, e em seu sacrificio expiatório, todos os homens têm o poder de alcançar a vida eterna. " (McConkie, The . Promised Messiah, p . 259.) O objetivo do derramamento de sangue era proporcionar a reparação ou expiação (veja Levítico 1 7: 1 1 ; Hebreus 9:22) . Conforme observamos na Leitura 1 4-5, o verbo hebraico traduzido por expiar significa "cobrir" . Portanto, o ato de salpicar, aspergir ou derramar o sangue "cobria" os pecados dos homens, realizando assim a expiação . Há um extraordinário paradoxo na idéia de que os justos são aqueles "cujas vestes são branqueadas pOI; meio do sangue do Cordeiro'� (Éter 1 3 : 10; Alma 5 : 2 1 ) . E o sangue de Cristo que cobre os pecados e purifica o homem, para que ele possa ter unidade com Deus . Dessa forma, o sangue era um símbolo que envolvia todo o processo através do qual o homem podia reconciliar-se com o seu Criador. " É aparente, em todos esses fatos, que os membros espiritualmente esclarecidos da casa de Israel sabiam que suas ordenanças sacrificiais eram à semelhança da futura morte daquele cujo nome usavam para adorar o Pai, e que não era o sangue derramado sobre os altares que trazia a remissão dos pecados, mas o sangue que seria vertido no Getsêmani e sobre o Calvário . " (McConkie, The Promised Messiah, p . 258.) (14-7) Levítico 1:6-9. Qual Era o Propósito de Dividir o Corpo do Animal?

Um aspecto singular dos holocaustos era a divisão do animal em vários pedaços e o lavamento com água, das entranhas e pernas do boi sacrificado . No entanto, é exatamente essa prática que proporcionava ao sacrifício sua adequada dimensão e significado, sem desconsiderar outros aspectos importantes . Um autor nos deu a seguinte descrição desse simbolismo:


165 "O dever que o homem tem para com Deus não se resume em dedicar a ele toda a sua capacidade, mas em devotar-lhe todo o seu ser. Assim, Cristo resume o primeiro e grande mandamento - toda mente, toda alma e todos os sentimentos . 'Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento . ' (Mateus 22: 3 7 . ) Não posso duvidar de que o protótipo se refira a isso ao falar tão particularmente sobre as partes da oferta queimada; pois 'a cabeça' , 'as pernas ' , e 'as fremuras' (entranhas) se acham distintamente enumeradas . 'A cabeça' é uma parte do corpo reconhecida como emblema dos pensamentos; 'as pernas' um símbolo do ato de caminhar; e as ' fremuras' , um símbolo conhecido, constantemente usado para significar os sentimentos e desejos do coração . O significado de 'redenho' * pode não ser tão evidente, embora, neste caso, também as escrituras nos ajudem a encontrar a solução . Ele representa a energia, não dos músculos ou do intelecto, mas a saúde e vigor geral de todo o ser. Em Jesus, tudo isto foi entregue como oferta, absolutamente sem mancha ou defeito . Se houvesse na mente de Jesus um só pensamento que não fosse perfeitamente submisso a Deus; tivesse ele ainda que um só sentimento em seu coração que não fosse sujeito à vontade do Pai; tivesse Jesus dado um só passo ou decisão em sua vida, que não fosse para cumprir os desígnios de Deus, e sim para a sua satisfação pessoal; - então ele não poderia ter oferecido a si mesmo, nem ter sido aceito como 'oferta queimada ao Senhor' . Mas Jesus a tudo entregou, não reservando nada para si. Tudo foi queimado, tudo foi consumido sobre o altar . " (Jukes, Law of the Offerings, pp . 63-64.) O lavamento da fressura e perna sugeria a necessidade de o indivíduo ser espiritualmente puro , não somente em suas atitudes , mas em seus mais profundos anseios . (Veja Efésios 5 :26; Jukes , Law of the Offerings, p. 7 1 . ) Analisados em conjunto, estes atributos revelam a qualidade de existência que Jesus vive. Ele sujeitou todos os seus desejos, pensamentos, atividades e toda a sua vida a Deus. O sacrificio ao mesmo tempo ressaltava a idéia de que somente quando o ofertante se submete à vontade de Deus, sua vida se torna suave ou satisfatória perante o Senhor. (14-8) Levítico 1 : 10-17. Por Que o Senhor Permitiu que Existissem Diversos Níveis de Oferta?

Os sacrifícios aceitáveis se resumiam nos seguintes grupos: Um bezerro ou boi macho, um cordeiro ou cabrito, uma rola (macho) ou pombo. A situação econômica do indivíduo determinava qual desses animais iria sacrificar. O fato de cada um desses animais ser aceitável ao Senhor era um sinal de sua misericórdia. Para ele não é a dádiva que importa, mas o intento do coração do ofertante. (14-9) Levítico 2. Em Que Consistia a Oferta de Manjares?

A palavra hebraica traduzida como "oferta de manjares" também significa "dádiva" (Wilson, Old Testament Word Studies, p . 27 1 ) . Esse termo , quando usado no sentido sacrificial, se refere a uma oferta feita com cereais, farinha ou pães . Através dela, o indivíduo reconhecia em Deus o doador de todas as coisas, e sujeitava a ele o que lhe fora concedido como propriedade sua (ou seja, o fruto do campo), suplicando forças para cumprir seus deveres . O trigo, ou produtos feitos desse °N. T. = grande dobra do peritônio (membrana serosa que reveste interiormente o abdome) que se assemelha a uma rede.

cereal, adicionados de óleo, incenso e sal, também se constituíam em oferta (veja os vers , 1 , 1 3 ) . Em cada caso era necessário que o trigo fosse preparado de certa forma. A "flor de farinha" (vers . 4, 5 , 14) era bem difícil de ser obtida, considerando que naquela época o trigo era, na maioria das vezes, moído manualmente . Dessa forma, o tempo do ofertante, simbolizando toda a sua vida, fora aplicado na confecção da oferta. O ato de trazer como oferta o óleo, o incenso e os cereais, é uma representação bastante instrutiva (veja o vers o 1 ) . O óleo era usado nas escrituras como símbolo do Espírito Santo (veja D&C 45 : 56-57); o trigo significa a palavra de Deus (veja Marcos 4: 14); e o incenso simboliza a oração (veja Apocalipse 8 : 3 ) . Como o homem foi criado para obter a sua subsistência principalmente do pão , assim também ele deveria viver espiritualmente em Cristo, partilhando da palavra e do espírito do Senhor através da oração . Apenas uma parte da oferta era queimada (veja Levítico 2:2, 9) . Este requisito era seguido no caso de todas as ofertas, exceto na oferta pelo pecado e nas ofertas queimadas . O restante se tornava propriedade dos sacerdotes, aos quais era permitido compartilhar com seus familiares (veja os vers o 3, 10) . Deste modo , o sacerdote era sustentado pelo Senhor durante o tempo que a ele servia. As partes do sacrifício que haviam sido queimadas , eram consideradas "santas" , e as que se destinavam a servir de alimento eram chamadas de "coisa santíssima" (vers. 3, 1 0) . Essa distinção parece que servia como uma medida protetora, pois pouco dano poderia ocorrer à parte do sacrifício que era queimada, ao passo que o que restava, se não fosse cuidadosamente guardado, corria o risco de sofrer profanação . A oferta das primicias dos frutos não era um sacrifício, mas sim uma dádiva de agradecimento e louvor a Deus pelas boas colheitas (veja os vers o 1 2) . Se o ofertante desejasse usar uma parte de sua oferta das primícias como oferta de manjares , o Senhor designava como poderia assim proceder (veja os vers o 14- 16). (14-10) Levítico 2:1 1 , 13. Por Que Era Proibido Usar Fermento e Mel nas Ofertas, e o Sal se Permitia?

A proibição de usar fermento se aplicava também ao mel . É bem conhecida a capacidade que esses dois elementos têm de fermentar e produzir deterioração , tornando-se, por este motivo, excelentes símbolos de corrupção, algo que não tinha lugar nos efeitos purificadores da lei, a qual os sacrificios simbolizavam (veja a leitura 10:7) . "Embora o fermento e o mel não pudessem ser usados em nenhuma oferta de manjares, devido à tendência que tinham de fermentar e se corromper, o sal era indispensável em todas as ofertas de sacrificio . 'Não deixarás faltar à tua oferta de manjares o sal do concerto do teu Deus; em toda a tua oferta oferecerás sal ' , isto é, ele sempre deveria se achar presente em toda oferta de manjares . Com seu poder de tornar mais forte o alimento e preservá-lo da decomposição, o significado que o sal acrescentava ao sacrifício era a inabalável veracidade da rendição de si próprio ao Senhor (representada pelo sacrifício), através da qual toda impureza e hipocrisia eram repelidas . O sal utilizado no sacrifício era chamado de sal do concerto , pois na vida cotidiana ele era símbolo de convênio. Segundo um antigo costume grego, preservado até hoje entre os árabes, os acordos considerados firmes e invioláveis eram selados pelos representantes de ambas as


166 partes comendo pão com sal, representando o tratado que fizeram. Como um pacto assim firmado recebia a denominação de 'convênio do sal ' , e era indissolúvel (Números 1 8 : 1 9 ; II Crônicas 1 3 :5), nesta oferta da mesma forma, o sal acrescentado ao sacrifício recebe o nome de sal do concerto de Deus, devido ao fato de ele emprestar maior vitalidade e pureza ao sacrificio, através do qual, Israel era fortalecida e revigorada por meio de um convênio pacifico com Jeová. " (Keil and Delitzsch, Commentary, 1 :2: 295 .)

(14-11) Levítico 3. Os Sacrifícios de paz

O nome deste sacrifício em hebraico é shelamim, o plural da palavra shalom, que significa "paz " . "O plural denota o inteiro conjunto d e bênçãos e poderes, através dos quais é estabelecida e assegurada a salvação ou integridade do homem em seu relacionamento com Deus . O objetivo da shelamim era, invariavelmente, o de obter a salvação : algumas vezes era oferecida refll�tindo um ato de ação de graças pela salvação já recebida, e outras, como uma oração pela salvação desejada. A8sim, representavam tanto ofertas de súplica como de agradecimento , e eram oferecidas até mesmo em épocas de infortúnio, ou no dia em que se ofertava uma súplica pela ajuda de Deus . " (Keil and Delitzsch, Commentary,

(14-13) Levítico 4:5-7. Por Que o Sangue Era Levado ao Tabernáculo e Aspergido Diante do Véu , e Colocado nas Pontas do Altar?

O sangue de todas as ofertas era um símbolo direto da expiação (veja a Leitura 1 4-6) . O número sete representava a perfeição (pois ele provém do radical hebraico que significa "todo" ou "completo" , e também, provavelmente, devido à idéia da Criação haver sido completada em sete dias) . Deste modo o número sete se tornou um símbolo do convênio . Devido às suas transgressões, Israel estava em perigo de perder o relacionamento de convênio feito com Jeová. De fato, os israelitas eram pecadores, e suas faltas eram continuamente trazidas à presença do Senhor. Embora Israel pudesse esquecê-las com facilidade, Deus não poderia. Contudo, tampouco poderia ele esquecer que Cristo havia expiado aqueles pecados cometidos não por rebeldia, mas por causa das fraquezas da carne. O sangue da oferta pelo pecado (um símbolo da expiação feita pelo Senhor), era levado pelo sacerdote e posto diante do véu, onde permanecia sempre presente perante os olhos de Deus (Jukes, Law of Offerings, pp . 1 53-54) .

1 : 2 : 299 .)

Era permitido oferecer-se fêmeas de animais como sacrifícios de paz (veja os vers o 1 , 6), mas ainda assim era necessário que fossem sem defeito . Era proibido oferecer aves. Somente a gordura e os rins desta oferta eram queimados . Tal procedimento cumpria o objetivo do sacrifício , considerando que a gordura indicava o bem­ -estar do animal, e ela, assim, era usada para repres�:ntar a consagração plena da vida do indivíduo a Deus. Uma espécie de ovelha muito comum no Oriente Médio, possui uma cauda muito gorda. Este fato explica as instruções dadas pelo Senhor concernentes à "cauda toda" (vers . 9) , a qual deveria ser oferecida por inteiro (Wilson , Old Testament Word Studies, p. 363). (14-12) Levítico 4:2. Que Significa o "Pecado por Elrro" ?

E m hebraico , a palavra chata 't, usada com referência a este sacrifício , provém de um radical que significa "errar, não acertar o alvo " , ou "tropeçar e cair" (Wilson , Old Testament Word Studies, p. 395) . Assim, as transgressões que se pretendia expiar através deste sacrifício eram as que tinham sido cometidas por engano, erro ou negligência, isto é, pecados involuntários . Em outras palavras, este sacrifício cobria as faltas praticadas em conseqüência das fraquezas da carne, ao contrário daquelas cometidas intencionalmente, num momento de rebeldia. Este sacrificio ilustra o fato de que o pecado, mesmo quando não cometido de propósito, faz com que o indivíduo fique sujeito às exigências da justiça. O profeta e rei Benjamim explicou, "Pois eis também que seu sangue (de Cristo)

expia os pecados dos . . . que morreram sem conhecer a vontade de Deus acerca de si mesmos, ou que pecaram por ignorância" (Mosias 3: 1 1 ).

Para fazer este sacrificio , era permitido ao ofertante usar as mais diversas espécies de animais (veja Levítico 4 : 3 , 1 3 - 14, 22-23, 27-28; 5 : 6-7, 1 1 - 12) . De a.cordo com o seu entendimento da lei mosaica, diga por que o Senhor considerou aceitáveis tantas ofertas para expiar os pecados cometidos por ignorância?

A s pontas do altar

As pontas do altar de sacrifícios e do altar de incenso eram um símbolo de poder (talvez porque muitos animais possuidores de chifres têm grande força). Portanto, as pontas dos altares sugeriam simbolicamente que aqueles dois altares tinham o poder de salvar. O ato de colocar o sangue da oferta pelo pecado nas pontas do altar de incenso, significava que o sangue expiatório tinha o poder de tornar mais eficazes as orações que Israel elevava a Deus . (14-14) Levítico 4-12. Que Representava Fazer o Sacrifício pelos Erros Fora do Arraial?

O oferecimento da gordura e fressuras sobre o altar, demonstrava que a oferta era aceitável a Deus. Todavia, em virtude deste sacrifício representar os efeitos do pecado, não era permitido que ele fosse feito sobre o altar.


167 Causa certa estranheza, a princípio que a oferta pelo pecado pudesse ser um protótipo de Cristo . Neste sentido Jukes, um grande conhecedor da Bíblia, nos deu uma valiosa visão sobre como o sacrifício diferia da oferta de cheiro agradável (as ofertas queimadas, as ofertas de manjares e os sacrifícios pacíficos). "Até este ponto, a idéia do Pecado não é encontrada nos sacrifícios. A oferta queimada, a oferta de manjares e a oferta pacífíca, embora diferissem entre si, eram bastante parecidas quanto ao fato de que, em cada uma delas, a oferta consistia na apresentação de algo que era agradável a Jeová, uma oblação para satisfazer seus santos requisitos, a qual era por ele aceita com grata satisfação . Todavia, nos sacrifícios pelo erro e pela expiação da culpa, vemos o pecado em conexão com a oferta. Nestes sacrifícios temos pecado confesso, o pecado j ulgado, o pecado que requer sacrifício e derramamento de sangue; mas também, e ao mesmo tempo, o pecado expiado ' remido, perdoado . . . " . . . Os sacrifícios pelo erro mostravam que a transgressão já havia sido julgada, e que, portanto, o senti,mento pelo pecado, se acreditarmos haver sido ele remido, não precisa, necessariamente, abalar o nosso sentimento de segurança. Neste sacrifício o pecado é proeminentemente mostrado como sendo algo deveras grave, odioso e maligno aos olhos de Deus; mas mesmo assim dá a idéia de que, através do sacrifício foi perfeitamente reparado, perfeitamente apagado, perfeitamente julgado , perfeitamente expiado . . . " . . . Os sacrifícios de cheiro agradável são, pelo que sabemos, uma representação do Cristo em perfeição, oferecendo a si próprio , por nós, perante Deus, sem qualquer mancha de pecado; as outras ofertas , pelo contrário, como bem poderemos ver, simbolizam Cristo oferecendo a si mesmo como nosso representante pelo pecado . " (Jukes, Law of Offerings, pp. 1 37-39.) O sacrifício expiatório, que teve início no Getsêmani e terminou no Gólgota no dia seguinte, poderia ser considerado como um,! oferta pela transgressão, pois foi esse o seu objetivo . O Elder James E. Talmage escreveu : "A agonia de Cristo no jardim é insondável para a mente finita, tanto em intensidade quanto em causa . . . Ele lutara e gemera sob uma carga tal, que nenhum outro ser vivente sobre a terra poderia nem mesmo conceber fosse possível. Não se tratava de dor física, nem apenas de angústia mental, que o fizera sofrer tortura tão grande até �roduzir a extrusão de sangue de todos os seus poros , mas sim uma agonia da alma, de tal magnitude, que somente Deus seria capaz de experimentar . . . "De alguma forma, verdadeira e terrivelmente real ainda que incompreensível para o homem, o Salvado ; tomou sobre si mesmo a carga dos pecados da humanidade desde Adão até o final do mundo . " (Jesus o Cristo, p . 592.) Em outras palavras , para cumprir as exigências da justiça, Cristo se apresentou perante a lei como se fosse culpado de todos os pecados, embora não fosse culpado de nenhum. Ele se tornou uma oferta pelos erros de toda a humanidade. Este sacrifício envolve mais do que o sofrimento que ele padeceu no Jardim do Getsêmani. O sacrifício foi completado fora dos muros da cidade. Foi por isso que Paulo considerou o sacrifício de Cristo o cumprimento do protótipo representado pela oferta pelos erros ao ser queimada fora do arraial : "Porque <;J s corpos dos animais, cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o santuário , são queimados fora do arraial. E por isso também Jesus, para

santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos pois a ele fora do arraial , levando o seu vitupé!rio . " (Hebreus 1 3 : 1 1 - 1 3 . ) (14-15) Levítico 4:25, 30, 35

O sa.ngue derramado no sacrifício pelos erros de um príncipe e da congregação não era aspergido nos lados do altar dle sacrifícios, mas sim passado com o dedo em suas pont.as . Elas simbolizavam a força e poder de Jeová (veja a Lel� ra 14- 1 3) . O ato de passar nelas o sangue expiatório sugena que o perdão somente conseguiria ser obtido através do poder de Deus . (14-16) Levítico 5: 1-13

Estes versículos contêm a continuação dos requisitos relativos à oferta pelos pecados. As faltas aqui especificadas como necessitando de expiação são as referen tes à omissão (deixar de relatar um crime que se presenciou), contaminação involuntária (tocar em algo impuro , sem saber), e j uramento imprudente (j urar irreflet idamente) . Embora sendo chamado de oferta pela expiação do pecado (veja o verso 6) , este sacrifício não deve ser confundido com a oferta pela expiação da culpa descrita em Levítico 5 : 14- 1 9 . A oferta pela expiação do pecado aqui mencionada, se destinava a expiar os atos que se enquadravam na oferta pelos erros (por ignorância, ofensas menores e participação em cerimoniais quando não se está digno). (14-17) Levítico 5: 14-19; 6: 1-7. Qual É a Diferença entre os Sacrifídos pela Expiação da Culpa e pelos Pecados Voluntários?

Os profetas do Livro de Mórmon ensinaram claramente que as pessoas que não "nasceram do Espírito" ou não foram "mudadas de seu estado carnal e decaído" (Mos ias 27 :24-25) se encontram em "rebelião contra Deus" (Mosia.s 1 6: 5 ; veja também 3 : 1 9). Esta condição decaída ou pecaminosa, chamada de "homem natural" (Mosias 3: 1 9) é uma situação realmente perigosa. Ao tentarmos fazer uma distinção entre a oferta pela expiação da culpa e pelos pecados voluntários devemos considerar em que consist o "homem natural " . "Com nossa estreiteza d e visão , e incapacidade de perceber o que há além da superfície, temos a tendência de ver apenas o que o homem faz, e não o que ele é; e embora admitamos que ele pratique o mal, talvez nem sempre pensemos que ele seja mau . Porém Deus julga tanto o que somos, como o que fazemos, ou seja, os nossos erros, o pecado que existe em nós, bem como as nossas culpas. A sua vista, nossa natureza má é claramente representada pelos nossos pecados, os quais nada mais são que o fruto de tal natureza . . . "Ora, a distinção que se faz entre os sacrifícios pela expiaçào da culpa e pelos pecados voluntários consiste · simplesmente nisto: o primeiro é oferecido pelo pecado em sua natureza (isto é, o "homem natural"), e o segundo , pelos frutos de tal condição . Tudo o que precisamos fazer para entender esse fato é examinarmos cuidadosamente os particulares de tais sacrifícios . Assim, no caso do sacrifício pela expiação da culpa não é mencionada nenhuma t�ansgressão específica, mas vemos que uma certa pessoa é vista aparecendo como o pecador confesso; na oferta pelos pecados voluntários são mencionadas determinadas atitudes, e não é feita qualquer menção ao transgressor. No sacrifício pela expiação da culpa, vejo um indivíduo


168

o sangue derramado no Getsêmani e na cruz expiaram os pecados do mundo

que necessita do benefício da expiação oferecendo uma oblação por si mesmo, como pecador; na oferta pel os pecados voluntários , vejo certos atos que requerem expiação , e a oferta sendo oferecida por tais ofensas especificas. " (Jukes, Law of Offerings, pp. 1 48-49.) (14-18) Levítico 5:16. Por Que Era Acrescentado "o Seu Quinto" ao Sacrifício pela Expiação da Culpa?

"No caso da expiação da culpa, isto é, de nossa natureza pecaminosa, quando não havia sido realmente cometido um roubo ou falta contra qualquer pessoa , a j ustiça era plenamente satisfeita com a morte e sofrimento do pecador . Porém, o sofrimento e a morte do pecador, por si sós, não reparariam o erro cometido, uma vez que a vítima desse erro ainda sairia perdendo . A punição do pecador não apagaria o mal que ele fez. Assim sendo , a morte do pecador não repararia esse mal, nem restauraria os direitos que tinham sido defraudados de outrem . Até

que fosse feita uma reparação, a expiação da culpa dificilmente poderia ser considerada perfeita. Conseqüentemente, para que o sacrifício pela expiação da culpa fosse satisfatório , era necessário não apenas que a justiça fosse feita, mas também que a vítima recebesse restituição : que tivesse de volta aquilo de que tinha sido defraudado , e o mal plenamente reparado . " (Jukes, Law of Offerings, p. 1 79.) (14-19) Levítico 6 : 13. Por Que o Fogo do Altar Jamais Deveria Ser Apagado?

A primeira chama, acesa no primeiro altar construído por ordem de Moisés, originou-se da ação direta de Jeová (veja Levítico 9:23-24) . Era a obrigação do sacerdote mantê-la sempre ardendo , pois ela simbolizava a continuidade do convênio que tornava a ordenança do sacrifício eternamente válida. Além disso, como foi explicado na Leitura D-5 , o fogo representava o poder purificador do Espírito Santo , que jamais se extingue .


169 (14-20) Levítico 7:11-27. Por Que o Ofertante Partilhava do Sacrifício Pacifico? Tão logo eram removidos a gordura, os rins , o peito e a espádua traseira direita, o resto do animal era devolvido ao ofertante. Ao voltar para casa, ele utilizava aquela carne a fim de preparar uma festa para a qual sua família, seus amigos, e os pobres eram convidados . Visto que o sacrifício constituía o elemento principal da festa, não era lícito utilizar aves, pois estas forneciam pouca carne . Esta festa se tornou uma santa refeição do convênio , da qual se participava com grande j úbilo e ações de graça, pois representava uma confraternização com o Senhor . O alimento terreno simbolizava o poder espiritual com que o Senhor satisfazia e revigorava seus santos , e fazia com que obtivessem vitória sobre todos os seus inimigos . Todos os participantes da festa compartilhavam da carne da oferta. O Senhor especificou a parte que lhe pertencia, a que seria entregue ao sacerdote , e a que seria utilizada pela família. Portanto, todos desfrutavam do espírito da refeição de confraternização , assim como compartilhavam da obra realizada por Cristo , de proporcionar a salvação aos fiéis e a vitória sobre a morte e o inferno . Aquele que , conscientemente, participava da oferta pacifica estando em condição de impureza, poderia ser castigado com a excomunhão (veja o vers o 2 1 ) . Um indivíduo não pode estar em pecado e ao mesmo tempo em paz com Deus .

(14-21) Levítico 7:28-34. Em Que se Constituíam a Oferta Alçada e a Oferta Movida? O Senhor declarou que duas partes especificas do animal pertenceriam ao sacerdote . A primeira era uma oferta alçada, representada pela espádua direita . O termo alçar, em hebraico , significa "retirar ou remover" . Esta p arte, o ofertante dava ao sacerdote como pagamento pela sua aj uda . O "peito movido " (vers . 34) era a carne daquela parte do animal , a qual , juntamente com a gordura e os rins, pertencia ao Senhor. A carne do peito do animal era apresentada ao Senhor por meio de um ato de movimento . Para tanto, o sacerdote colocava a oferta nas mãos do ofertante, e sob estas , punha as suas próprias mãos . Depois , os dois juntos moviam 'a carne horizontalmente na direção do altar (simbolicamente transferindo-a ao Senhor) , e em seguida a traziam de volta, simbolizando a aceitação que Deus fez da oferta, e a sua transferência a seu servo , o . sacerdote .

(14-22) Levítico 8-9 Estes capítulos registram a ordenação de Aarão e seus filhos , e a santificação do tabernáculo , conforme mandamento recebido em Êxodo 28-29. Para saber o significado do sangue colocado com o dedo na orelha e polegares das mãos e dos pés , veja a Leitura 1 3 - 1 6.

(14-23) Levítico 10: 1-7. Em que Consistia o Fogo Estranho Oferecido pelos Filhos de Aarão? A palavra hebraica traduzida por "estranho" significa " ser alheio . . . ou oposto ao que é santo e genuíno" (Wilson , Old Testament Word Studies, p . 422) . Vemos assim que , a idéia aqui transmitida, não é a de que o fogo era estranho ou incomum " mas que os dois filhos de Aarão haviam apresentado uma forma não autorizada de

adoração . O relato não esclarece se eles retiraram fogo (ou brasas) de algum lugar que não o grande altar , que o próprio Deus havia acendido (veja Levítico 9:24), ou se usaram alguma espécie de incenso que não fora preparado da maneira especificada (veja Êxodo 30:34-37) . Mas ao revelar como deveria ser feito o preparo adequado do incenso , o Senhor prevenira: "O homem que fizer tal como {:ste para cheirar , será extirpado do seu povo " (Êxodo 30:38). Os outros filhos de Aarão foram proibidos de prantear oficialmente a morte de seus irmãos, pois se assim fizessem , estariam sugerindo que o Senhor havia sido injusto na aplicação daquele castigo (vej a Levítico 1 0 : 6) .

(14-24) Levítico 10: 16-19. Por Que Moisés se Indignou Com Aarão e Seus Filhos? Partt� da oferta pela expiação da culpa era destinada especificamente a ser usada pelo sacerdote que admini strava a ordenança, portanto ela, assim , lavava " a iniqüidade d a congregação " (vers . 1 7) . Entretanto, Eleazar e Itamar haviam-na queimado toda ao invés de comer a parte que lhes cabia. Esta fora a segunda vez em que os filhos de Aarão negligenciaram na observância da lei . Tomado de j usta indignação , Moisés os repreendeu , mas Aarão redargüiu a censura recebida . "A desculpa apresentada por Aarão , de não comer a oferta pela expiação da culpa, de acordo com o que ordenava a lei , foi apropriada e digna . Foi como se houvesse dito : 'Deus certamente mandou-me fazer isso; mas por haverem-me sucedido estas coisas , seria este gesto agradável aos olhos do Senhor? Não esperaria ele que eu tenha s entimentos paternos em tão amargas circunstâncias? ' Esta resposta inspirada satisfez a Moisés ; e Deus, que sabia do sofrimento pelo qual atravessava Aarão , deixou passar a irregularidade ocorrida no serviço solene . Deus concedeu à natureza humana o privilégio de chorar nos momentos de grande aflição e amargura. Em sua infinita bondade, ele ordenou que as lágrimas, as únicas evidências exteriores de nosso pesar , devem ser a válvula de escape de nossas tristezás , e costumam eliminar a causa que as originou . " (Clarke, Bible Commentary , vol . I, p . 539.)

POl'TOS A PONDERAR (14-25) Pergunta: Não foi dito que a lei mosaica seria um grande avanço? Teria ela sido um fator de progresso apenas para a antiga Israel , ou representa o mesmo para nós , hoje em dia? Re!>p osta: Considere , por um momento, qual seria o efeito no mundo moderno , se as pessoas estivessem dispostas a realmente viver os princípios ensinados na lei de Moi�;és . Mesmo alguns membros da Igrej a não vivem de acordo com os padrões dessa lei , quanto mais da lei maior , ue nos foi dada. Pergunta: Porém , temos a plenitude do evangelho , e isto faz cessar o efeito da lei mosaica, no que concerne a nós, não é mesmo? Resposta: Sem dúvida alguma, mas examinemos esse fato de um outro ângulo . Não podemos deixar de admitir que a lei das ordenanças e sacrifícios já não é requerida, ' mas a per feição que buscamos não pode ser alcançada sob o sacerdócio menor (veja Hebreus 7 : 1 1 ) . Todavia, os


170 princípios que servem de base e envolvem aquela lei são tão vitais e indispensáveis hoj e em dia, como eram naquele tempo . Tais princípios, que eram parte do evangelho preparatório , foram também incorporados à lei maior , através d a qual podemos alcançar a perfeição . Mas <'u não estava pensando apenas nisto quando afirmei que nã.o estamos vivendo à altura dos padrões da lei . Refiro-me com isto também aos aspectos morais da lei mosaica. Pergunta: Que quer dizer com isso? Resposta: Talvez a melhor maneira de responder seria revertendo o processo . Permita-me compartilhar alguns conceitos que enquadram os princípios cia lei em sua própria vida . Estas idéias indicarão o que a observância da lei mosaica poderia ter gerado não somente no coração de um israelita fiel daquela época, mas também no de u m israelita moderno, ao viver o princípio por detrás d a lei . Conceito 1 : A lei nos ensina a servir (vej a Levítico 1 9 : 1 3 - 1 8 , 32-37). Qual é a natureza do serviço que você costuma prestar? Ele fica aquém do esperado , e é fadgante e intermitente? Ou já sentiu a espécie de poder e conhecimento que um serviço prestado de todo 'o cOJ:ação pode proporcíonar? Já recebeu "graça por graça" e "continuou de graça em graça" para chegar "ao Pa:i em meu nome (no de Cristo) , e no devido tempo (recebe:r) a sua plenitude" ? (D&C 93 : 1 2- 1 3 , 1 9 . ) O Senhor pode, de fato, elogiá-lo como fez a Néfi , o filho de Helamã, por ser " infatigável " ? (Helamã 10:4.) Conceito 2 : A lei nos ensina o dever de orar (vej a Deuteronômio 26: 1 3- 1 5) . Que papel tem desempenhado a oração em sua vida? É capaz de orar como os nefitas , "cheios de anelo" e em sintonia com o Espírito , de modo que " lhes era manifestado o que deviam dizer " ? (3 Néfi 1 9: 24.) Alguma vez sentiu ao orar , uma certa influência dominante do Espírito, mansamente lhe assegurando que suas orações foram ouvidas? Conceito 3: A lei nos ensina que devemos perdoar (vej a Levítico 1 9 : 1 7- 1 8) . Sempre lhe falta a disposição de perdoar , ou faz isso de má vontade? Ou será que vive ansioso para conceder o perdão , sentindo o mesmo que o Profeta Joseph Smith , que : "quanto mais nos achegarmos ao nosso Pai Celestial, mais haverá em nós a disposi ção de sermos misericordiosos com as almas que estão pereçendo ; sentiremos o desej o de levá-las sobre nossos ombros e suportar em nossas costas o peso de seus pecados . " (Ensinamentos, p . 235 . )

Conceito 4: A lei nos ordena a adorar a Deus (vej a Deuteronômio 6 : 3 - 1 1 ) . Costuma procurar ao Senhor "para estabelecer a sua j ustiça" , ou "segue o seu próprio caminho , segundo a imagem do seu próprio Deus, a qual é à semelhança do mundo, e cuj a substância é a de um ídolo " ? (D&C 1 : 1 6 . ) Pode sentir, como disse o Profeta Joseph Smith , que "só podemos viver adorando o nosso Deus " ? (Ensinamentos, p. 237 . ) Ou , como afirmou o É lder B. H . Roberts , por ser Deus onisciente, todo-amor e sem qualquer partícula de egoísmo , "as outras inteligências o adoram , e submetem seus j ulgamentos e sua vontade ao seu julgamento e vontade . . . Essa submissão à vontade do mais inteligente (Deus) . . . chama-se adoração " . (Ensinamentos, p . 345 , nota d e rodapé . ) Conceito 5 : A lei nos ensina a amar (vej a Levítico 1 9 : 1 8) . Alguma vez sentiu a força vital que existe em você , que segundo Joseph Smith "por si só se sobressai , mas em nada prejudica " , que "alarga a mente " , e "nos permite tratar com maior liberalidade a todas as pessoas " ? (Ensinamentos, p . 142 . ) Esse princípio , afirmou ele , " É o que mais se aproxima da concepção de Deus , porque é semelhante a Deus " . (Ibidem .) De fato, João , o Amado, declarou: " Deus é caridade" (I João 4: 1 6) . Já sentiu o cumprimento de sua promessa de que "se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós , e em nós é perfeita a sua caridade " , e ainda, "quem está em caridade está em Deus , e Deus nele" ? (I João 4: 12, 1 6 . ) De fato, pode você " no dia do juízo (ter) confiança" , devido à perfeição desse ' amor , " porque qual ele é , somos nós também neste mundo " ? (I João 4: 1 7 . ) Pergunta: Agora entendo . Então , o s princípios que se acham incorporados à lei , são realmente uma etapa de progresso , e são valiosos para mim hoje em dia? Resposta: Sem dúvida. Tudo o que Deus revela a seus filhos é edificante e de proveito , embora, em alguns casos , devido à nossa falta de retidão , ele não nos possa dar tudo o que gostaria . Jamais considere a lei mosaica como uma lei primitiva e inferior . Ela é obra das mãos de Deus e , como todas elas , traz a sua marca d e perfeição . Que sej amos como o autor de Salmos, que exclamou : "Oh ! quanto amo a tua lei é a minha meditação em todo o dia . Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho. Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança para sempre, pois são o gozo do meu coração " (Salmos 1 1 9:97 , 105, 1 1 1 ) .


Levítico 11-18

Uma Lei de Cerimônias e Ordenanças, Parte 2: As Coisas Limpas e Imundas (15-1) Introdução o profeta Abinádi caracterizou a lei mosaica como sendo "uma lei muito severa . . . sim, uma lei de ritos e ordenanças . . . para conservarem viva a lembrança de Deus e de seu dever para com ele" (Mosias 1 3 : 29-30) . Então , imediatamente acrescentou , "Mas eis que vos digo que todas essas coisas eram símbolos de coisas futuras " (Mosias 1 3 : 3 1 ) . Até agora você já estudou o suficiente da lei mosaica para entender o que Abinádi queria dizer. A lei tinha duas funções principais: ensinar obediência ao povo para que pudessem progredir espiritualmente, e orientar sua mente rumo à única fonte de salvação , que é Jesus Cristo . Pudemos enxergar ambas essas funções nos mandamentos da lei , na planta do tabernáculo e seu mobiliário , e também nos sacrifícios e ofertas . Agora, voltemo-nos para as leis relativas às coisas limpas e imundas . Da mesma forma que com as outras leis, também aqui precisamos olhar para o que existe por detrás dos mandamentos e rituais exteriores , buscando pelo que pretendiam ensinar acerca das realidades espirituais . Observe, por exemplo, as leis concernentes aos animais limpos e imundos . Havia razões práticas para a existência de tais preceitos referentes à saúde e higiene. A carne de porco é altamente sujeita a ser contaminada por triquinose , uma doença que é facilmente transmitida ao homem . Os moluscos podem desenvolver um Veneno mortal , caso não sej am apanhados e usados da maneira adequada, e assim por diante . Mas o termo hebraico traduzido como limpo, conforme é aplicado na lei alimentar , significa muito mais que uma simples limpeza física. Essa palavra dá a conotação de que algo "deve ser limpo de toda contaminação e corrupção . . . e implica na existência daquela pureza que a religião requer , e que é necessária para que haj a comunhão com Deus . " (Wilson, Old Testament Word Studies, p . 78.) Como observou um autor, j udeu ortodoxo, Kosher (palavra iídiche para o que é adequado, ou satisfaz as exigências da lei) significa muito mais que a mera limpeza . "Um porco poderia ser criado numa incubadeira, à custa de antibióticos , lavado diariamente, morto na mesa de operação de um hospital , e sua carcaça esterilizada através de raios ultravioletas , e ainda assim , isso não tornaria Kosher as bistecas que ele daria . ' Imundo ' , no livro de Levítico , é uma palavra cerimonial . É por esse motivo que a Torá afirma que os camelos e lebres ' vos (serão) imundo(s) ' (Levítico 1 1 :4), limitando a definição e norma apenas a Israel . As galinhas e cabritos , que nos é permitido comer , dificilmente são mais limpos, por natureza, que as águias e leões , que são classificados entre as coisas imundas . " (Wouk , This Is My God, pp . 1 00- 1 0 1 . )

15

Se o código alimentar fôr considerado tanto simboli camente como sendo parte de um sistema de leis que abrangiam todos os atas costumeiros da vida, a sua finalidade logo se torna aparente . Deus estava usando a dieta como um instrumento de ensino . As pessoas provavelmente se esquecem de orar, brincar, trabalhar, ou prestar adoração , mas dificilmente se esquecem de comer . Abstendo-se voluntariamente de certos alimentos , ou cozinhando-os de maneira especial, um israelita fazia diariamente um compromisso pessoal de colocar sua fé em ação . A cada refeição era feita uma escolha formal , a qual gerava excelente autodisciplina. Obediência a tal lei propon:ionava fortalecimento , e seu entendimento, maior visão . Além disso , a lei servia para separar os filhos de Israel de seus vizinhos, os cananeus. Toda vez que um hebreu sentia fome , forçosamente se lembrava de sua identidade pessoal e vínculos comunitários . De fato, eram um povo à parte . A lei , portanto , agia como um instrumento social , mantendo íntegra a nação hebréia; um instrumento psicológico para preservar a identidade do indivíduo , e um instrumento religioso para fazer com que o povo se recordasse sempre de Jeová.

Instruções aos Alunos 1 . Ao ler e estudar Levítico 1 1 - 1 8 , utilize o auxílio que a; Notas e Comentários podem-lhe oferecer . 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar, conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo profe ;sor. (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção . )

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE LEVÍTICO 11-18 (15-2) Levítico 11. Alimentos Limpos e Imundos Duas condições determinavam a limpeza dos animais . Eles deveriam ter a unha fendida (isto é, os cascos separados em duas partes) , e ruminar (vej a o vers o 3). Os alimentos marinhos eram restritos aos peixes que possuíssem escamas e barbatanas . Tal requisito eliminava todos os crustáceos e moluscos, entre eles a lagosta e o camarã o , os tubarões e golfinhos, e também outras criaturas do mar, como as enguias (vej a os vers o 9- 1 2) . As aves proibidas geralmente eram as de rapina, que viviam de carn iça, ou, como é o caso da cegonha e da garça, por se aliffi<�ntarem de seres considerados imundos (veja os vers o 1 3-20) . Pensa-se que o xofrango sej a uma espécie de abutre, como a águia . A maior parte dos insetos alados era também proibida. A frase "que anda sobre quatro pés" (vej a o vers o 21) indica insetos que possuem quatro patas


174 ".--- ���:����-;;.� .��-

f". _.-= . _

. . - --=-"

-

Gado usado nos sacrifícios

curtas e duas longas, usadas para pular. Dentre este:; havia quatro aos quais era lícito comer; todos eles eram membros da família dos gafanhotos . (15-3) Levítico 11:24, 31. Por Que o Contato Com Cadáveres Tornava Uma Pessoa Imunda?

A lei especificava que o contato com o cadáver df; um animal imundo (ou de animal limpo que morrera de alguma outra forma que não a matança adequada) tornava imundo o indivíduo que o tocasse. "De acordo com as regulamentações do Velho Testamento, o cadáver humano era o que mais contaminava. Com toda certeza, isto sintetizava para o povo de Deus, a plena gravidade e conseqüências finais do pecado . " (Douglas, New Bible Dictionary, p . 239.) O fato de qualquer pessoa imunda ser impedida de participar do serviço do templo e de ter confraternização com outros israelitas, parece confirmar essa interpretação . O simbolismo sugere que o contato com o pecado faz com que o indivíduo seja maculado, e para que tal mancha fosse eliminada, era necessário que passasse por um período de purificação, o qual era simbolizado pelas restrições impostas ao indivíduo "até à tarde" (vers . 24), hora em que tinha início o novo d ia i-sraelita. (15-4) Levítico 12-15. Outras Leis Tratando da Imundície

Esta seção da lei Levítica trata de aspectos que po deriam ser classificados de imundície na carne, devido a inf(�cções ou secreções do corpo, inclusive o expelir de fluídos associados ao nascimento (veja 1 2 : 1 -8), as úlceras e males da pele, como a lepra e inchações (veja 1 3 : l -59), enfermidades em que havia fluxo (veja 1 5 : 1 - 1 5) , a "semente da cópula" ( 1 5 : 1 6- 1 8), e o fluxo menstrual (veja 1 5 : 1 9-33). Esta parte da lei faz surgir algumas perguntas intrigantes na mente de muitos leitores . A questão mais óbvia é, por que as funções naturais do organismo podem fazer com que uma pessoa se torne imunda? Primeiramente, imundo, no sentido mosaico, não significa o mesmo que para um leitor moderno . Não sugeria algo desagradável ou n ojento , nem queria dizer que o corpo ou as suas funções naturais , como a do nascimento ou as relações sexuais, eram

inerentemente maus . "O termo imundo , usado neste e nos casos seguintes, é geralmente entendido em sentido legal, ou seja, tornava uma pessoa incapacitada para realizar as ordenanças sagradas. " (Clarke, Bible Commentary, Vol. I, p. 559.) É muito importante entender este ponto, para compreender as revelações que o Senhor deu sobre o assunto . Todas as ordenanças da lei de Moisés tinham o propósito de simbolizar ou tipificar verdades espirituais. Quanto mais o indivíduo se aproximava da perfeição na execução da lei, mais perfeitamente discernia o verdadeiro significado simbólico da ordenança. O corpo físico e suas funções naturais lembravam a pessoa de que ela pertencia à terra, ou ao plano físico . Portanto, dizer que um homem ou mulher estavam imundos (isto é, que não poderiam realizar ordenanças sagradas) em certas ocasiões, era sugerir à mente que o homem natural deve ser posto de lado a fim de achegar-se a Deus . Havia um ensinamento semelhante nos requisitos exigidos do sumo sacerdote (veja a Leitura 1 6-9) . Qualquer pessoa portadora de um defeito físico não poderia exercer o ofício de sumo sacerdote (veja Levítico 2 1 : 1 7-21 ) . Deus não considerava tais indivíduos como espiritualmente inferiores às pessoas normais . Mais precisamente, tal exigência era um instrumento de ensino . O sumo sacerdote era um protótipo de Cristo, o Grande Sumo Sacerdote (veja Hebreus 4: 14) , e o requisito de perfeição física visava tipificar a perfeição de Cristo. As leis relativas à imundície natural devem ser consideradas sob este ponto de vista. A lei continha também alguns aspectos práticos e sanitários . As normas severas referentes ao contato com uma pessoa ou objetos contaminados, vão claramente de encontro a paralelos modernos . Certo comentador resumiu esses dois aspectos da seguinte maneira: "Em Canaã, os rituais de prostituição e fertilidade se encontravam profundamente misturados às cerimônias de adoração . Em marcante contraste, em Israel, tudo o que sugeria sexo ou sensualidade era totalmente banido da adoração a Deus . . . A intenção de tal atitude não é a de rotular esse lado da vida como 'imundo ' , conforme deixam claro outras passagens de escritura. O objetivo é assegurar que tais coisas não estejam presentes na adoração a Deus . A lei para estrita limpeza em todos os assuntos sexuais era, positivamente, para resguardar e preservar a saúde . " (Alexander and Alexander, Eerdmans ' Handbook to the Bible, po. 1 76.) (15-5) Levítico 12:5-6. Por Que o Período de Imundície Era Mais Longo Quando Nascia uma Criança do Sexo Feminino?

Muitos aspectos da lei de Moisés podem parecer estranhos em primeira análise, mas se tornam claros e compreensíveis depois de uma consideração mais demorada. Esta pergunta, todavia, parece não possuir, na época atual, uma chave para que possa ser corretamente interpretada. Uma implicação óbvia, precipitadamente aceita pela maioria dos críticos modernos, é a de que esta norma é um reflexo da condição inferior em que a mulher era tida antigamente, uma posição que eles j ulgam estar claramente definida pela lei . Essa conclusão é falaciosa por dois motivos. Primeiro, há evidências por todo o Velho Testamento de que a mulher possuía uma condição elevada, e de que seus direitos eram protegidos . De fato, "as mulheres aparentemente desfrutavam de uma liberdade bem mais considerável entre os judeus, do que lhes é concedida hoje em dia na Ásia ocidental" (Fallows, Bible Encyclopedia, vol. III, p . 1 733). (O livro acima


175 menciona numerosas referências de escritura que apoiam essa declaração . ) Segundo, estas leis não eram produto do intelecto do homem, mas uma revelação direta do Senhor . Deus não considera as mulheres como sendo inferiores em qualquer coisa, embora o papel que elas e os homens desempenham sejam diferentes . Fazer conjeturas sobre a razão pela qual o Senhor revelou diferentes requisitos para as cerimônias de purificação feitas após o nascimento de um menino ou menina, é algo sem qualquer validade até que recebamos maiores revelações sobre o assunto . (15-6) Levítico 13. Em Que Consistia a Lepra?

O radical hebraico tzarah , traduzido em nosso idioma para leproso ou lepra, quer dizer "afligir duramente, ou golpear" pois a pessoa leprosa era considerada como se tivesse sido "golpeada ou açoitada por Deus " (Wilson, Old Testament Word Studies, pp . 248-49) . Embora esse termo incluisse a lepra propriamente dita (mal de Hansen), essa palavra servia para designar uma vasta série de enfermidades, e até mesmo males degenerativos, como míldio ou eczema. A característica comum parecia ser a degeneração e a putrefação , e deste modo , a lepra se tornara um protótipo ou um símbolo do pecado ou do pecador. A lepra convencional era uma doença medonha e terrível, a qual exigia que a pessoa contaminada fosse afastada da sociedade e vivesse em completo isolamento (veja Levítico 1 3 :45). "Quando um homem carrega em si a marca da lepra, ele deve proceder como o que pranteia o luto , isto é, rasgar as roupas, andar com os cabelos desgrenhados e cobrir o bigode; além disso tem que ser segregado do convívio social . "A enfermidade popularmente conhecida como 'lepra' podia manifestar-se de duas formas, conhecidas respectivamente como 'tuberculada' e 'anestética' . A de natureza tuberculada se manifesta primeiramente formando manchas rosadas, nas quais mais tarde surgem tubérculos escuros: à medida que a doença progride ocorre o entumescimento e distorção da face e dos membros. A lepra anestética afeta primeiro os troncos nervosos , principalmente as extremidades, as quais se tornam amortecidas , e finalmente perdem a vitalidade. Poderíamo-nos perguntar se este capítulo de Levítico diz respeito e abrange as várias espécies de lepra. Uma resposta satisfatória, não pode ser dada. O médico de hoje não diagnosticaria a lepra pelos sintomas aqui descritos. É bem provável que muitas doenças da pele , algumas delas de importância insignificante, fossem chamadas de lepra. Por outro lado, pode-se argumentar que, nesta escritura, foram mencionados somente os primeiros sintomas, aos quais o sacerdote deveria estar atento; e ainda, considerando que a lepra (o mal de Hansen) era seguramente conhecida na Palestina da época Bíblica, sendo ela uma enfermidade que, de forma proeminente, fazia com que uma pessoa se tornasse 'imunda' , é certamente a ela que a passagem se refere, ainda que outras enfermidades da pele se achem incluídas sob o mesmo nome. "Certamente os sacerdotes adotaram medidas científicas sadias ao isolar as pessoas adultas que contraíam doenças crônicas da pele, as quais poderiam ser transmitidas aos outros. O isolamento era o melhor método de previnir sua propagação ou contágio . Ademais, é evidente que se o indivíduo mais tarde se recuperasse - nesse caso seria uma doença mais amena e recuperável - ele, então, era

consid,�rado curado, e no devido tempo, poderia retornar ao convívio da família e dos amigos . " (Buttrick, Interpreter's Bible, Vol. I I , pp . 66-67 . ) (15-7) !Levítico 14. A Purificação d e u m Leproso

No capítulo 14 de Levítico encontramos uma descrição minuciosa do ritual que deveria ser seguido quando a lepra de uma pessoa fosse curada. Devido à natureza do ritual, há pes�;oas que o consideram como um rito primitivo , supersticioso, detestável e que sustenta a idéia de que os israelitas eram um povo rude e cheio de crendices pagãs . Todavia, se aplicarmos a diretriz para interpretação de símbolos, como os referidos acima, veremos que o ritual é uma bonita representação das verdades do evangelho . Mas para isso , precisamos primeiro entender o verdadeiro significado dos diversos simbolismos nele usados, conforme a seguir: " 1 . O Leproso . A lepra, em suas mais diversas formas , era uma enfermidade que produzia a degeneração e apodrecimento do organismo vivo; e também, em virtude de sua repugnância, requeria que a pessoa fosse isolada em um lugar onde estivesse longe da companhia dos demais membros da casa de Israel . Devido a estas características, a lepra era considerada como um protótipo ou símbolo apropriado do que sucede espiritualmente ao homem que peca. () pecado produz a degeneração e corrupção do espírito, semelhante àquela que a enfermidade produz no plano físico . O pecador era afastado do convívio da Israel espiritual, e não poderia fazer parte do verdadeiro povo do convênio do Senhor . Assim, o próprio leproso servia de protótipo ou símile do que o rei Benj amim chamou de 'homem natural ' . (Veja Mosias 3: 1 9 . ) "2. O sacerdote. O sacerdote agia como representante oficial do Senhor, e era autorizado a purificar o leproso , e fazer com que voltasse a conviver plenamente com os demais israelitas . " 3 . As aves. Sendo a única coisa viva usada no ritual, as aves simbolizavam o candidato à purificação . Devido às duas v{:rdades que seriam ensinadas , era necessário que fossem utilizadas duas aves . A primeira era morta, e seu sangue derramado significando que o leproso (o homem natural) teria que dar a sua vida. A outra ave, após ser amarrada juntamente com outros símbolos, era então libertada. Isso significava que o homem fora liberto do cativeir o do pecado . "4. O pau de cedro . A madeira do cedro é ainda usada hoje em dia, em virtude de sua capacidade de preservar da decomposição as coisas que são guardadas em recipientes feitos d.este material . Portanto, o pau de cedro simbolizava a preservação da degeneração . " 5 . O carmesim. A palavra carmesim (Levítico 14:4) se referia a uma peça de tecido de lã, tingida desse tom de vermelho . O vermelho nos lembra o sangue, que é o símbolo da vida e também da expiação . (Veja Levítico 1 7 : 1 1 .) "6. O hissopo. Temos conhecimento de que, na época do Velho Testamento, esta erva trazia em si o simbolismo da purificação , embora se desconheça a razão para isso . (Veja Ê:xodo 12:22; Salmos 5 1 :7; Hebreus 9: 19.) "7. O vaso de barro com água. Observe -que o sangue da ave era misturado com água . Aprendemos em Moisés 6:59, que o sangue e a água são os símbolos do nasciffil�nto, tanto físico como espiritual . Sabemos também, que o lugar de renascimento espiritual, ou seja, a pia batismal, simboliza o lugar em que é morto o homem natural . (Vej a Romanos 6: 1 -6; D&C 1 28: 1 3 . ) A primeira ave era sacrificada sobre o vaso, simbolizando a morte do


176 também por ser um símbolo do Espírito Santo (veja D&C 45 : 55-57), o óleo de oliva carrega em si um profundo signifícado simbólico . Tocar com óleo sugeria que o efeito do Espírito recairia sobre os mesmos órgãos da vida e ação . Assim, o sangue de Cristo purificava cada aspecto da vida do ofertante, e em seguida, o processo era repetido com o óleo, para demonstrar que também o Espírito influenciaria tudo o que fizesse. Desta forma, o indivíduo recebia paz e pureza (simbolizadas pela oliveira e seu fruto). " (Lund, "Old Testament Types and Symbols " , Symposium, p . 1 84-86.) (15-8) Levítico 1 6 . O Dia da Expiação e o Perdão Recebido por Israel

Hissopo

homem natural e seu eventual renascimento como p�:ssoa espiritualmente inocente. " 8 . O lavamento do leproso. Esse ato era, claramente, um símbolo de purificação. "9. O rapamento de todos os pêlos. Pode-se notar que, o rapamento dos pelos do corpo (inclusive os das sobrancelhas, fazia com que o indivíduo adquirisse uma certa semelhança com um recém-nascido , que virtualmente quase não possui pelo algum. Assim, após passar pel o processo de renascimento de forma simbólica, o candidato demonstrava, de maneira visível em seu próprio corpo, que havia renascido espiritualmente . " 10. O sacrifício dos cordeiros. A tipificação é ba:;tante clara, já que o cordeiro a ser sacrificado tinha que ser macho, primogênito, e sem defeito. Ele simbolizava o oferecimento do Filho de Deus. " 1 1 . A aplicação do sangue sobre as partes do corpo. Em hebraico, a palavra usualmente traduzida por 'expiação' , literalmente significa 'cobrir' . Assim, qu;mdo o sacerdote tocava em alguma coisa ou pessoa com (I sangue derramado, esse gesto sugeria a santificação ou expiação feita em benefício dela. Neste caso, vemos I) sangue do cordeiro santificando o órgão da audição ou obediência (a orelha), o órgão da ação (a mão), e o órgão de seguir ou caminhar na direção correta (o pé) . Desse modo, todo aspecto da vida da pessoa era tocado e gozava dos efeitos da expiação de Cristo. " 1 2 . O óleo. 'Desde os primeiros tempos, a oliveira tem sido o símbolo de paz e pureza. ' (Joseph Fielding Smith, Doutrinas de Salvação, Vol. III, p . 1 83 . ) Por este motivo, e

"O Dia da Expiação, que ocorria no final do ano, era a mais sagrada e solene festa dos israelitas . Nela vemos claramente o protótipo ou simbolismo da obra realizada por Cristo em benefício de Israel . Era um dia de jejum nacional; um dia que significava que todos os pecados de Israel haviam sido expiados, e que a nação e seu povo voltavam a um estado de comunhão com Deus . A festa incluía os seguintes aspectos especiais (veja Levítico 16, onde são mencionados todos os detalhes): " 1 . O sumo sacerdote passava por uma meticulosa preparação, a fim de se tornar digno de agir como oficiante para o resto da casa de Israel . Esse processo exigia que fizesse sacrifícios por si mesmo e em favor de sua casa, bem como o lavamento e purificação por meio da aspersão do sangue sacrificial sobre vários objetos do tabernáculo. "2. O sumo sacerdote despia as vestes sacerdotais que normalmente usava e vestia outra mais simples , feita de linho branco . (Para saber o significado do vestuário de linho branco, leia Apocalipse 1 9 : 8 . ) " 3 . Eram lançadas sortes sobre dois bodes . U m era designado como o bode do Senhor, e o outro como bode expiatório , ou em hebraico, o bode de Azazel. O bode de Jeová era sacrificado como uma oferta pela expiação da culpa, e o sumo sacerdote levava seu sangue para o lugar santíssimo do tabernáculo , e o aspergia sobre a tampa da arca do concerto (chamada de 'propiciatório '), fazendo assim a expiação pelos pecados de Israel. "4. O outro bode, ou Azazel, era apresentado diante do sumo sacerdote, que impunha as mãos sobre a sua cabeça, e simbolicamente transferia para ele todos os pecados de Israel. Em seguida, ele era levado ao deserto e libertado onde jamais fosse visto novamente. Um comentador da Bíblia explicou o significado do Azazel, dizendo que representava 'o próprio diabo, o cabeça dos anjos decaídos, que depois veio a .chamar-se Satanás; pois nenhum espírito maligno subalterno poderia ter sido colocado em antítese a Jeová como o Azazel foi aqui, a não ser o governante ou cabeça do reino dos demónios' . (C .F. Keil e F . Delitzsch, Commentary o n the Old Testament, Livro 1 : The Pentateuch , 'The Third Book of Moses' , 1 0 vais, p . 398 .) "No livro de Hebreus, o apóstolo Paulo discorre longamente sobre o simbolismo do Dia da Expiação, a fim de ensinar a respeito da missão de Cristo . Naquela epístola ele ressaltou os seguintes fatos: "a. Cristo é o grande sumo sacerdote (Hebreus 3: 1 ) o qual, ao contrário do sumo sacerdote do Sacerdócio Aarónico, era santo e imaculado, não precisando fazer a expiação pelos seus próprios pecados para que pudesse ser digno de oficiar por Israel e entrar no lugar santíssimo


177 (Hebreus 7 :26-27) . Sua vida perfeita foi o cumprimento final do simbolismo das vestes brancas usadas pelo sacerdote. "b . O verdadeiro tabernáculo (ou templo , ou casa do Senhor) está situado no céu, e o tabernáculo terreno, feito por Moisés, deveria servir como um exemplo e sombra daquele de natureza celestial . (Veja Hebreus 8 :2-5 ; 9: 1 -9.) "c. Cristo é tanto o Cordeiro de Jeová como o Sumo Sacerdote . Através do derramamento de seu sangue ele se tornou capaz de entrar no lugar santíssimo celestial (o Santo dos Santos), onde ofereceu seu próprio sangue como resgate dos pecados daqueles que acreditariam nele e obedeceriam aos seus mandamentos . (Vej a Hebreus 9: 1 1 - 1 4, 24-28; 1 0: 1 1 -22; D&C 45 : 3-5 .)" (Lund, "Old Testament Types and Symbols" , Symposium, pp . 1 87-88 . ) Não obstante o significado simbólico d o ritual deste dia santificado, tal cerimonial não tinha o poder de conceder a remissão dos pecados a Israel. O Élder James E . Talmage declarou: "Os escritos sagrados dos tempos antigos, as expressões inspiradas dos profetas dos últimos dias , as tradições do gênero humano, os ritos do sacrifício e até mesmo os sacrilégios da idolatria pagã encerram todos o conceito de uma expiação vicária. Deus jamais se tem negado a aceitar uma oferta, feita por quem tem autoridade, em favor daqueles que de algum modo estão incapacitados de efetuar eles mesmos o trabalho necessário . O bode expiatório e a vítima de altar entre os antigos israelitas era aceito pelo Senhor para mitigar os pecados do povo , se

oferecidos com arrependimento e contrição . " (Regras de Fé, pp. 77-78; itálicos acrescentados .)

assunto . Os israelitas, devido a sua longa permanência no Egito , um país reconhecidamente idólatra, sem dúvida alguma haviam adotado muitos de seus costumes. Diversas partes do Pentatêuco parecem haver sido escritas meramente para corrigir as atitudes do povo , e trazê-lo de volta à pureza da adoração divina. "Para que nenhum sangue fosse oferecido a ídolos , Deus ordenou que todo animal , usado para alimento ou sacrifíci o, fosse morto à porta do tabernáculo . Enquanto que todo animal era morto desta forma sacrificial, até mesmo o alimento diário, usado pelo povo, deveria fazer com que se lembrassem da necessidade de fazerem um sacrifício pelo pecado . Talvez o apóstolo Paulo tivesse essa circunst ância em mente, quando declarou: " Portanto,

quer co mais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus (I Coríntios 1 0 : 3 1 ) ; e, Quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai

(Coloss,�nses 3 : 1 7) . Enqu anto o s israelitas s e encontravam acampados n o deserto , era comparativamente fácil prevenir quaisquer abusos I:ontra este mandamento divino . Assim , eles foram ordenados a trazer todos os bois, cordeiros e cabras à porta da tenda da congregação , para que ali fossem mortos, e seu sangue aspergido sobre o altar do Senhor. Porém, quando os filhos de Israel se estabeleceram na terra prometida, e a distância, em muitos casos, tornou impossí vel levar os animais ao templo para serem mortos para uso doméstico, foi permitido aos israelitas derramar o sangue dos animais perante Deus, à maneira dos sacrifícios, em suas próprias habitações, e cobrir esse sangue I:om pó (veja Levítico 1 7 : 1 3 ; Deuteronômio 12:20-2 1 ) . (Clarke, Bible Commentary, Vol I, pp . 566-67 .) (15-10) Levítico 17:7. "Após o s Quais Eles s e Prostituem"

Cabrito se/vagem do Sinai

(15-9) Levítico 17: 1-7. Por Que os Israelitas Tinham que Matar Todos os Animais Domésticos Perante o Altar, Mesmo os que se Destinavam Somente à Alimentação?

Como o sacrifício sempre foi considerado essencial à verdadeira religião, era necessário que fosse realizado de forma a assegurar o grande propósito para o qual fora instituído . Uma vez que somente Deus poderia demonstrar como isto deveria ser feito de modo agradável à sua vista, ele mesmo forneceu diretrizes claras e definidas sobre o

O conceito de que Israel "se prostituía" após falsos deuses f: encontrado com bastante freqüência nas escrituras , e complementa a metáfora de que Jeová era o marido , com quem Israel se casara, Isaías afirmou, "Porque o teu Criador é o teu marido; o senhor dos Exércitos é o seu nome" (Isaías 54:5) . Quando Israel se voltava para outros deuses, tornava-se infiel ao relacion amento conjugal que tinha com o verdadeiro Deus, e assim era descrita como que desempenhando o papel de uma prostituta, ou meretriz . Jeremias escreveu : "Viste o que fez a rebelde Israel? ela foi-se a todo o monte alto, e debaixo de toda a árvore verde e ali andou prostituindo-se . E vi, quando por causa de tudo isto , por ter cometido adultério a rebelde Israel , a despedi e lhe dei o seu libelo divórcio , que a aleivosa Judá, sua irmá, não temeu; mas foi-se e também, ela mesma se prostituiu. E sucedeu que pela fama da sua prostituição contaminou a terra; porque adulterou com a pedra e com o pau . " (Jeremias 3 :6, 8-9.) Na época do Novo Testamento , a mesma figura foi usada p ara retratar a Igreja de Jesus Cristo como sendo a esposa de Cristo (veja II Coríntios 1 1 :2; Apocalipse 1 9 : 7-8; 21 :2, 9) . Vemos, portanto , que nas escrituras, a idolatria era freqüentemente comparada ao adultério espiritual . Certo comentador da Bíblia acrescentou a seguinte explicação quanto à expressão : "se prostituíram" : "Embora este termo seja usado amiúde para constar idolatria, não devemos supor que não se deva considerar essa expressão no sentido literal , nos muitos casos em que


178 é mencionada nas escrituras , mesmo quando usada em conexão com atos de adoração idólatra. É bem conhecido o fato de que Baal-Peor e Astarote eram adorados através de rituais imundos, e que a prostituição pública desempenhava um papel preponderante na adoração de muitas deidades entre os egípcios , moabitas , canant:us , gregos e romanos . " (Clarke, Bible Commentary, Vol . I, p . 367 . )

(15-11) Levítico 1 8 . A Pureza e m Todos os Relacionamentos Sexuais "A proibição do incesto, e abominações sensuais similares, é introduzida com uma advertência geral quanto aos costumes licenciosos dos egípcios e cananeus , continua com uma exortação para caminharem de acordo co m os j ulgamentos e ordenanças de Jeová (Levítico 1 8 :2-5), e finaliza com uma ameaçadora alusão às conseqüências de tais corrupções (vers . 24-30) . " (Keil and Delitzsch , Commentary, 1 : 2 : 4 1 1 - 1 2.) A frase "descobrir a sua nudez" (vers . 6; vej a também o 7- 1 9) era um eufemismo hebraico para relações sexuais, e assim , todas as espécies de relações incestuosas eram proibidas , incluindo-se as praticadas " ( 1 ) com a mãe, (2) com a madrasta, (3) com uma irmã ou meio-irmã, (4) com uma neta, filha tanto do filho como da filha, (5) com a filha da madrasta, (6) com uma tia, irmã do pai ou da mãe, (7) com a esposa de um tio paterno, (8) com uma nora, (9) com uma cunhada ou esposa de um irmão , ( l O) com uma mulher e sua filha, ou uma mulher e sua neta, e ( 1 1 ) com duas irmãs ao mesmo tempo " (Keil and Delitzsch, Commentary, 1 : 2 : 4 1 2) . A inj unção contra permitir que os filhos passem "'pelo fogo perante Moloque" (vers . 2 1 ) é explicada da seguinte maneira: " O nome deste ídolo é mencionado pela primeira vez nesta passagem . Como a palavra moloque ou meloque significa rei ou governador, é bem provável que este ídolo representasse o sol, e mais particularmente pelo fato de o fogo ter aparentemente sido usado em sua adoração . Há inúmeras opiniões quanto ao significado de passar pelo fogo perante Moloque. 1 . Alguns asseveram que o sêmen humano era ofl!recido no fogo a este ídolo . 2. Outros acreditam que as crianças eram oferecidas em holocausto a ele . 3. E outros, ai nda, supõem que as crianças não eram queimadas, mas apenas passadas pelo fogo , ou seja, entre duas chamas, corno uma cerimônia de consagração a este ídolo . Que muitas crianças foram , de fato , queimadas vivas a este ídolo , parece ser fortemente assegurado nas escrituras d e é.cordo com a opinião de comentadores ; veja, entre outras , Jeremias 7 : 3 1 , e Ezequiel 23 : 37-39. Que outras houve que foram apenas consagradas ao seu serviço passando por entre dois fogos; é-nos assegurado com convicção pelos rabinos . E, se Acaz teve apenas um filho , Ezequias (embora provavelmente tenha tido outros; veja II Crônicas 28 : 3 ) , e as escrituras dizem que ele passou pelo

fogo ( I I Reis 1 6: 3 ) , e, não obstante, ele sucedeu a seu pai no reino (II Reis 1 8 : 1 ) , então esse ritual só poderia ser apenas uma consagração , tendo seu pai idólatra simplesmente pretendido , com isso , iniciá-lo cedo na vida no serviço a este demônio . " (Clarke, Bible Commentary, Vol. I , pp . 570-7 1 .) Outras abominações envolvendo perversões sexuais como o homossexualismo (Levítico 1 8 : 22) e a bestialidade (Levítico 1 8 : 23) eram proibidas com igual severidade. Foram essas mesmas abominações , praticadas pelos cananeus , que fizeram com que fossem expulsos da terra prometida que Israel estava prestes a herdar (vej a Levítico 1 8 : 24-25 ; 1 Néfi 1 7 : 32-35).

PONTOS A PONDERAR (15-22) O que nos parece, em primeira análise, ser apenas uma série de leis ultrapassadas estabelecidas como parte do convênio mosaico relativo à impureza pessoal , após um exame mais acurado transmite uma mensagem poderosa aos santos de todas as épocas . Se desej armos ser o povo de Deus, devemo-nos tornar diferentes dos demais povos , e ser separados das influências do mundo . O Senhor deu mandamentos à antiga Israel, não somente para aj udá-Ia a manter-se física e espiritualmente limpa, mas também para fazer com que aprendesse dele, e dele se recordasse . Agora que você possui um entendimento da lei que serviu para fortalecer Israel, escreva uma pequena redação intitulada "O Valor da Lei Mosaica para um Santo dos Ú ltimos Dias " . Faça de conta que o Senhor dera hoj e , à moderna Israel, um evangelho preparatório ao invés da plenitude do evangelho que nos deu . Em outras palavras, faça de conta que é a sociedade atual que não está preparada para viver a lei plena do evangelho, e que em vez disso , recebeu uma "rigorosa lei de ritos e ordenanças" (Mosias 1 3 :30) relativa à nossa cultura e estilo de vida. Os seguintes pontos ou perguntas podem aj udar a estimular as suas idéias , ao preparar seu texto . I . Na lei maior do evangelho , são estabelecidos princípios amplos , e o povo pode interpretá-los e aplicá-los diariamente em sua vida. Na lei mosaica eram dados princípios e interpretações específicas , que os relacionavam à cultura em que viviam e à vida diária do povo em questão . 2. Que especificações faria o Senhor hoj e em dia em termos de permanecer moralmente limpo? Conhecemos os princípios mais amplos, como guardar ii lei da castidade , manter-se moralmente limpo , e assim por diante ; mas que determinações específicas Deus daria atualmente a uma sociedade regida pela lei mosaica? Haveria mandamentos sobre a música? Diversões? Literatura? 3. A respeito de que equivalentes modernos de Moloque Deus nos preveniria? 4. Que espécie de coisas na sociedade moderna poderiam contribuir para um estado de "lepra espiritual " ? Há paralelos modernos d e objetos limpos e imundos?


Seção Especial

As Festas e Comemorações (D-l) o Objetivo dos Dias Santificados Quase que universalmente , a humanidade aguarda com certo prazer os feriados santos, pois eles representam uma pausa nos rigores normais da luta pelo sustento da existência mortal . O próprio Senhor reconheceu , desde os primeiros tempos, os benefícios que proporcionam . O Senhor instituiu os dias santifícados tendo em mente que uma série interminável de dias cheios de labuta podem fazer com que o homem se torne embrutecido e insensível às coisas do espírito . Assim , em vez de designar dias especiais para quebrar a rotina, na dispensação de Moisés o Senhor estabeleceu dias santificados que , ao mesmo tempo , cumprissem um propósito espiritual . As festas e comemorações foram instituídas por revelação , para edificar o espírito e ao mesmo tempo proporcionar repouso ao corpo . Como as outras partes da lei mosai � a, as festas e comemorações também apontavam para Cnsto .

(D-2) O Dia do Senhor (Shabbat) O mais freqüente e importante de todos os dias santificados pelo Senhor era o Seu Dia. Ele proporcionava um intervalo regular para o que , de outra forma, se tornaria numa árdua monotonia . Tanto neste dia, como em todos os seus dias santificados , o Senhor concedeu à humanidade uma folga no que diz respeito ao mandamento que dera a Adão , de que o homem deve ganhar o pão com fadiga "todos os dias da sua vida" . , (Gênesis 3 : 1 7 ; itálicos acrescentados) . Recebemos , aSSIm um dia dentre sete , para que nele possamos repousar , renovar as energias , e recordarmo-nos de Deus . No Dia do Senhor o homem deveria se lembrar de três eventos import �ntes : ( 1 ) que a criação do mundo fora realiza? a pelo Senhor Jesus Cristo para o pr � gr � sso da h � manIdade; (2) que a libertação de Israel do catIveIro do Eglto fora realizada através do poder de Jeová; e (3) que a ressurreição de Cristo traria a promessa da imortalidade para todos os fílhos de nosso Pai Celestial . (A Leitura 1 1 -8 contém um extenso comentário sobre o Dia do Senhor . ) A o cessar seus labores e recordar-se da obra d o Senhor, a qual visa "proporcionar a imortalidade e vi � a ete � na ao homem " (Moisés 1 : 39) , o homem achegar-se-Ia maIs a Deus sendo esse o objetivo de todas as festas e come�orações , bem como o do Dia do Senhor. Em todos os dias santificados pode-se ver representados as ordenanças e rituais que ajudavam Israel a recordar-se de seu Libertador e Redentor, e a renovar os con vênios feitos com ele . Cada dia santificado era celebrado com festas e comemorações, ou solenes convocações, jejum, e oração .

(D-3) Os Dias Santificados da Antiga Israel Embora os antigos israelitas contassem com muitos dias do ano designados para a realização de comemorações, j ejum e oração , quatro deles , além do Dia do Senhor , eram de particular importância : a festa da Páscoa, a festa de Pentecostes, o Dia da Expiação e a festa dos Tabernáculos . As festas da Páscoa, de Pentecostes e dos

D Tabemáculos eram comemorações alegres que tinham suas origens profundamente alicerçad � em ev� ntos hist ? ri � os, ou rel acionadas ao ciclo da colheIta. O DIa da Explaçao era um período de contrição e arrependimento de toda a nação . Estes dias santificados foram estabelecidos para Israel pelo Senhor, durante os quais, todo israelita do sexo masculino era ordenado a aparecer "perante o Senhor teu Deus " (signifícando perante o tabernáculo, ou, mais tarde, o templo) , como símbolo de sua fidelidade ao Criador (Deuteronômio 1 6 : 1 6; vej a também Levítico 1 6 : 29-34) . Desta forma, era concedida a Israel a oport unidade de, quatro vezes por ano , fazer uma I? ausa e refleti r sobre as bênçãos recebidas de Deus . Além dISSO , cada dia santificado foi estabelecido de modo a salientar um determinado aspecto da natureza e missão do Senhor Jesus Cristo.

(D-4) A Festa da Páscoa (Pesach) A festa da Páscoa, juntamente com a dos Pães Asmas, comemorava a libertação de Israel do cativeiro do Egito. As co memorações tinham início no décimo-quinto dia de Nisã (segunda quinzena de março), e continuava p � r . sete dias . I) objetivo principal dessa celebração era partIcIpar da refeição pascal , ou Páscoa, constituída de ervas amargas , pães asmos e cordeiro assado . Este era � �)ftO na noite anterior à celebração , e o chefe de cada famlha aspergia seu sangue nos umbrais e lintel da porta d.a .casa ..: Havia normas estritas que regiam o preparo e partlclpaçao da refeição pascal . O cordeiro tinha que ser assado inteiro , tomando-se cuidado de não quebrar nenhum de seus ossos . Os membros da família comiam a refeição em pé, apres�,adamente . Tudo o que sobrasse do cordeiro , tinha que ser queimado . . O r itual fazia com que Israel se lembrasse dos dIaS em que sofreram o cativeiro no Egito , época em que a vida, como as ervas , era de fato amarga, e fazia ainda com que se recordasse de sua libertação pela mão do Senhor, quando comera pães asmas por sete dias , e o povo aguardava o sinal para iniciar sua j ornada rumo à liberd ade . Porém o signifícado primordial desse ritual não era d.e natureza histórica . Os detalhes das comemorações relatIvas a ele foram estabelecidos de modo a testificarem ' não apenas a libertação de Israel , mas também acerca de seu Libert ador (veja o capítulo 10, para maiores detalhes sobre o propósito da celebração da Páscoa) .

(D-5) A Festa das Semanas (Shavuot, ou Pentecostes) A s,�gunda grande festa anual comemorada pela antiga Israel era a festa das Semanas , conhecida pelos cristãos como Pentecostes . A palavra pentecostes é de origem grega, e significa "o quinquagési m ? di � " . Essa . . comemoração , que durava um dIa mtelro , ocorna sete semanas , ou quarenta e nove dias , após a Páscoa. Era celebrada no final de maio ou início de junho . Essa ocasiã o era importante, pois assinalava o início da colheita


182 do trigo novo . Entre as ofertas colocadas sobre o grande altar nesse dia, havia as espigas de trigo . Para todos os presentes, isso significava que, embora o homem are o campo, espalhe a semente e faça a colheita Deus é o ve.rdadeiro autor de todo o crescimento . F� i ele quem cno.u a terra e lhe deu a capacidade de produzir. É elie que envia a chuva e faz com que o sol dê sua luz, proporcionando crescimento às coisas viventes . Um dos objetivos dessa comemoração era o de que toda Israd dissesse, de todo o seu coração, "Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam" . (Salmos 24: 1 . ) Nos sacrifícios realizados neste dia entretanto podemos perceber um maior signific�do. Dois c �rdeiros, um novilho e dois carneiros eram sacrificados, como ofertas pacíficas e pela expiação do pecado , oferecidos em holocausto sobre o altar de sacrifícios . Eles indicavam que o objetivo principal da festa era fazer com que Israel obtivesse a remissão de seus pecados e a reconciliação com Deus. O sacrifício de animais não poderia, realment�:, proporCionar essa expiação e reconciliação, mas tipificava o sangue e sacrifício expiatório de Cristo, e a influênda santificadora e purificadora do Espirito Santo, que é comparada ao fogo purificador, que consome todas as coisas corruptíveis . Assim, o ato de queimar os sacrifícios sobre o grande altar representava a maneira como os l?ecados de Israel seriam verdadeiramente redimidos . O Elder Bruce R. McConkie fez os seguintes comentários sobre o significado simbólico da festa, e acerca do que aconteceu pouco tempo depois da ressurreição , no d:ia de Pentecostes . "Com o encerramento da antiga dispensação e a abertura da no.va, a Festa de Pentecostes deixou de ser uma época autonzada para a adoração religiosa. Não foi por um motivo qualquer que o Senhor escolhera o dia de Pentecostes, que vinha logo após a Páscoa, como a ocasião apropriada para demonstrar, de maneira dr�ática e para sempre, o cumprimento de tudo o que se relacIOnava aos fogos sacrificiais do passado . O fogo é um agente purificador,. A imundície e a enfermidade se consomem em suas chamas. O batismo de fogo, o qual João prometeu que Cristo traria, significa que, quando os homens verdadeiramente recebem a companhia do Espírito Santo, então o mal e a iniqüidade são queimados de suas almas como que por fogo . O poder santificador desse membro da Deidade os torna limpos. Com semelhante simbolismo , todos os fogos de todos os âLltares do passado, ao queimarem a carne dos animais, representavam a purificação espiritual que seria operada através do Espirito Santo , o qual o Pai enviaria por amor ao Filho . Naquele primeiro dia de Pentecostes da chamada e�a c�i�tã, tais �hamas teriam realizado a sua purificação slmbolIca, se amda prevalecesse a ordem antiga de coisas . Quão ad�quado era, então, para o Senhor, escolher aquele mesmo dia para fazer com que descesse fogo vivo dos céus, um fogo que habitaria nos corações dos homens e substituiria para sempre as chamas que ardiam em todos os alt�es do passado . E assim aconteceu que, 'cumprindo­ -se o dia de Pentecostes , estavam todos reunidos no mesmo lugar, e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados . E foram vistas por eles línguas repartidas como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles . E todos foram cheios do Espírito Santo' . (Atos 2: 1 -4.)" ( The Promised Messiah, pp . 43 1 -32.)

(D-6) O dia da Expiação (Yom Kippur)

De todos os dias religiosos do calendário hebreu o Dia da Expiação era o mais solene e sagrado . Os israelitas cessavam todo o trabalho manual, e não se promoviam festas ou outros divertimentos . Em vez disso, a ocasião era apropriada para "afligir" a alma através do jejum. Era a�nda um dia em que a pessoa se purificava do pecado, um dia a�equado para oração , meditação e profunda contnção da alma (Levítico 1 6 : 29) . Nas observâncias relativas ao Dia da Expiação reside o coração e centro de toda a lei mosaica - a expiação do Senhor Jesus Cristo . "É nisto que consiste a lei de Moisés . Ela própria foi dada para que os homens pudessem crer em Cristo, e reconhecer que a salvação só pode ser obtida por e através de seu sacrifício expiatório, e de nenhuma outra forma. Cada princípio, cada preceito, cada ensinamento doutrinário, cada ritual, ordenança e cerimônia, e cada palavra e ato - tudo o que pertencia ao ministério de M ?i� és, tudo o que nele foi revelado, tudo o que dele se ongll�ou, e tudo o que fizeram os profetas que existiram depOiS dele - tudo foi feito e preparado a fim de c�pacitar os homens a crer em Cristo, submeter-se a suas leiS, e f�e: com .qu � ?anhassem a plenitude das bênçãos �o sac�lfIclO explatono que só Cristo poderia realizar. Os Simbolismos principais, os sirniles mais perfeitos e os inigualáveis protótipos e tipificações eram apres�ntados perante o povo uma vez por ano, no Dia da Expiação . "Em um dia de cada ano , no décimo dia do sétimo mês ' aquele que ocupava o assento de Aarão, o sumo sacerdote de Israel, da ordem do sacerdócio Levítico tinha o privilégio de entrar no lugar santíssimo da �asa do Senhor ' como se estivesse na presença de Jeová e ali fazer a expiação dos pecados do povo . Atravé� de uma série de simboli �mos sacrificiais, ele purificava a si próprio , o , , os �ortadores ?o sacerdócio de modo geral, e santuar J(� todos os Israelitas . Os ammais a serem usados nos sacri�í�ios �ram �batidos, e seu sangue aspergido sobre o proplclatóno e diante do altar; queimava-se incenso e eram executadas todas as figurações e simbolismos referentes às ordenanças de resgate. Algo que se referia so�ente a este dia em especial, é de grande importância. DOIS bodes eram escolhidos, e sobre eles lançavam-se sortes . Em um deles , colocava-se o nome de Jeová, enquanto o outro era chamado de Azazel o bode expiatório . Em seguida, o bode do Senho� era sacrificado , co�o aconteceria ao Gra.nde Jeová no devido tempo; porem, sobre o bode expiatório eram colocados todos os pecados da congregação, cujo fardo ele então levava ao deserto . Conforme a lei req\,!eria, o sumo sacerdote c?locava 'ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode VIVO, e sobre ele (confessava) todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, segundo todos os seus pecados: e os (punha) sobre a cabeça do bode' : Então o .b ? �e levava sobre si . 'todas as iniqüidades , deles a terra solItarla , como o MeSSias Prometido carregaria. o pecado de uma multidão de pessoas . 'Porque naq.uele dia se fará expiação por vós, ' disse Moisés, 'para punficar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados perante o Senhor' . (Levítico 1 6 . ) ' : R�conhecendo , como sabemos, que os pecados são redimidos nas águas do batismo; que os batismos eram a ordem do dia em Israel; que devem ser tomadas �rovidências para que os indivíduos arrependidos se libertem dos pecados cometidos após o batismo - vemos,


183 nas cerimônias anuais do Dia da Expiação , uma das medidas preparadas pelo Senhor através da qual poderiam ser renovados os convênios feitos nas águas do batismo e recebida uma vez mais, a abençoada pureza que provém da plena obediência à lei relativa àquela ordenança. Na época em que vivemos, conseguimos obter semelhante estado de pureza, participando dignamente do sacramento da ceia do Senhor . "O simbolismo e significado das ordenanças e cerimônias realizadas no Dia da Expiação se acham ressaltados na epístola que Paulo escreveu aos hebreus. Nela, o apóstolo chama o tabernáculo-templo de 'um santuário terrestre ' , onde, a cada ano , os sacerdotes levitas realizavam ordenanças a fim de expiarem pelos pecados dos homens, preparando-os assim, para entrarem no lugar santíssimo (o Santo dos Santos). Estas ordenanças deveriam continuar até ao tempo da correção , quando tendo vindo Cristo o sumo sacerdote dos bens futuros , por um maior e mais perfeito tabernáculo ' , prepararia a si próprio e a todos os homens , derramando seu próprio sangue , a fim de obter 'uma eterna redenção ' no tabernáculo celestial . O antigo convênio não passava de uma 'sombra dos bens futuros . . . Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados . . . Mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus ' . (Hebreus 9 e 1 0 . ) Quão perfeitamente as ordenanças da lei mosaica testificam a respeito daquele através de quem é vinda a salvação , e em cuj o santo nome , todos os homens são ordenados a adorar ao Pai Celestial para todo o sempre ! " (McConkie , The Promised Messiah, pp . 435-37.)

(D-7) A Festa dos Tabernáculos (Sucote) A festa dos Tabernáculos (também chamada de festa das Barracas , ou festa da colheita) tinha lugar cinco dias após o Dia da Expiação , no décimo-quinto dia de Tisri , sétimo mês do calendário hebreu , que corresponde atualmente ao final de setembro e início de outubro . A festa dos Tabernáculos iniciava e tinha fim em um Dia do Senhor, perfazendo assim , um total de oito dias de duração . Uma parte bem definida desta celebração era a armação de cabanas ou barracas temporárias (succoth , em hebraico) feitas de ramos de árvores . O povo nelas se alojava durante todo o transcorrer da festa. Isto fazia com que o povo de lembrasse da bondade do Senhor durante os quarenta anos de sua j ornada pelo deserto do Sinai, e da bênção (que lhes pertencia) de viverem permanentemente na terra prometida, se fossem obedientes . "Mais sacrifícios eram oferecidos durante a Festa da Páscoa, do que em qualquer outra época, pois um cordeiro era morto e usado como alimento por cada uma das famílias , ou grupo de pessoas ; porém , na Festa dos

Tabernáculos os sacerdotes ofereciam mais sacrifícios de novilhos, carneiros , cordeiros e bodes em benefício da nação , que em todas as outras festas israelitas combinadas . O fato de que esta comemoração celebrava o término de todas as colheitas , simbolizava a realidade do evangelho de que é missão da casa de Israel reunir todas as nações para Jeová; um processo que está sendo levado avante hoj e em dia, mas que não será completado antes que venha o dia milenar , quando 'o Senhor será rei sobre toda a terra ' , e reinará nela pessoalmente . Nessa ocasião se cumprirá o que está escrito : 'E acontecerá que , todos os que restarem de todas as nações . . . subirão de ano em ano para adorarem o Rei , o Senhor dos Exércitos , e celebrarem a festa das cabanas . E acontecerá que se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém , para adorar o Rei , o Senhor dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva. ' (Zacarias 1 4 : 9-2 1 .) Esse será o dia em que a lei procederá de Sião , e de Jerusalém , a palavra do Senhor . Evidentemente , quando fôr realizada a Festa dos Tabernáculos naquele dia,' suas cerimônias rituaIísticas serão feitas de acordo com a ordem do novo evangelho , e não segundo a ordem mosaica do passado . "A Festa dos Tabernáculos incluía uma santa convocação , que, neste exemplo , era também chamada de assembléia solene. Nas assembléias solenes da época modern a elevamos um brado de Hosana, que também tem relação com a festa dos Tabernáculos de outrora, exceto pelo fato de a antiga Israel acenar com ramos de palmeira, ao invés de lenços brancos, ao exultarem dizendo , ' Hosana, Hosana, Hosana a Deus e ao Cordeiro ' . Na época de Jesus alguns rituais complementares já haviam sido acrescentados como parte da festa, inclusive o fato de que um sacerdote se dirigia ao Tanque de Siloé , retirava água numa bilha dourada, levava-a ao templo , e derramava a água em uma bacia colocada na base do altar . E nquanto ele assim procedia, um coro cantava o Hallel , que consistia dos Salmos 1 1 3 a 1 1 8 . 'No momento em que o coro pronunciava as palavras , " Louvai ao Senhor " , e novamente quando cantava "te tornaste a minha salvação , Jeová" ; e novamente ao encerrar , "Dai graças ao Senhor" , todos os adoradores brandiam seus ramos de palmeira em direção do altar ' , um gesto que tem uma certa semelhança com o Brado de Hosana que elevamos atualmente . 'Portanto, quando as multidÕes de Jerusalém ao se encontrarem com Jesus , "cortavam ramos das árvores , e os estendiam no caminho , e . . . bradavam , dizendo , Oh , então , opera agora salvação ao filho de Davi ! " eles diziam isto com referência a Cristo . Isto era considerado uma das cerimônias principais da Festa dos Tabernáculos , e rogavam que Deus , naquele momento, se manifestasse do alto dos céus e enviasse salvação em conexão com o filho de Davi , o que era simbolizado pelo derramamento da água . ' (Alfred Edersheim, The Temple p . 279. ) " (McConkie, The Promised Messiah, pp . 433-34.)


Levítico 19-27

16

Uma Lei de Cerimônias e Ordenanças, Parte 3: Leis de Misericórdia e Justiça (16-1) Introdução Nesta designação você lerá a respeito do que foi considerado "o coração das leis éticas contidas no livro de Levítico " (Rasmussen , Introduction to the Old Testament, Vol . I, p . 1 05). Tais leis não eram apenas o âmago do Levítico, mas também de todo o Velho e Novo Testamentos. É naquele livro que se acha registrada, pela primeira vez, a revelação do princípio que governava todas as leis sobre a natureza dos relacionamentos sociais: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo " (Levítico 1 9 : 1 8) . Sob esta perspectiva, é fácil entender que todas as outras leis eram meramente a aplicação da lei do amor nas mais diversas circunstâncias . Sendo um preceito eterno e de aplicação universal , ele é o tecido inconsútil sobre o qual se acham urdidos não somente o Velho e o Novo Testamentos, mas também nossas escrituras modernas .

Instruções aos Alunos 1 . Ao ler e estudar Levítico 1 9-27 , utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem-lhe oferecer . 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar , conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo professor . (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção .)

agrupados no versículo 3, seguidos imediatamente pelo segundo mandamento (não ter imagens de escultura) . No versículo 1 1 , o oitavo mandamento (não furtar) se encontra reunido ao nono (não dizer falso testemunho), e em seguida, é novamente citado em conexão ao terceiro (não tomar o nome de Deus em vão) no versículo 1 2 . Através desse processo , o Senhor parece indicar que o que acompanha o mandamento de sermos santos está diretamente relacionado a estes princípios fundamentais de retidão . As leis espec;ficas que acompanham os mandamentos definem princípios de retidão que provêm naturalmente dos Dez Mandamentos . Por exemplo , o mandamento dado é o de não furtar; porém, estas leis demonstram que isso significa bem mais do que não roubar a um homem ou assaltar sua casa. É possível também furtar por meio de fraude ou retenção do salário de um trabalhador (vers . 1 3) . O mandamento dado é o de que devemos honrar os pais; mas , nesta escritura, o Senhor usou a palavra "temerá" (vers . 3), que dá uma conotação de profundo respeito, reverência e admiração - o mesmo sentimento que uma pessoa deve ter pelo próprio Deus . O exemplo relativo ao "mexeriqueiro " (vers . 1 6) demonstra que há outras maneiras de prestar falso testemunho além do j uramento proferido nos tribunais. E o princípio conclusivo resume todo o objetivo da lei . Se alguém for santo como Deus é santo, então amará a seu próximo como a si mesmo (veja o verso 1 8) .

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE LEVÍTICO 19-27 (16-2) Levítico 19:2-18. "Santos Sereis, Porque Eu , o Senhor Vosso Deus, Sou Santo " No capítulo anterior examinamos alguns detalhes sobre as leis relativas a coiSas consideradas limpas ou imundas , tanto no sentido físico como espiritual . Os últimos capítulos de Levítico centralizam-se em preceitos que definiam como alguém , que seguia a lei mosaica, poderia viver retamente e de forma agradável aos olhos do Senhor . O livro de Levítico termina essencialmente com a mesma mensagem com que começou, a saber a advertência sumamente importante de que os homens devem ser santos , como Deus é santo . As leis que se seguem a este mandamento , à primeira vista, parecem , não ter qualquer disposição lógica ou ligação entre si ; contudo , vemos que se acham intimamente relacionadas , quando as consideramos à luz da inj unção de que devemos ser santos , encontrada no versículo 2. Observe também , nos preceitos que são dados logo após esse conselho, o estreito relacionamento que elas têm com os Dez Mandamentos (veja os versículos 3 - 1 2) . O quinto mandamento (honrar aos pais) e o quarto (santificar o Dia do Senhor) se acham

., o Legislador


186 (16-3) Levítico 19: 18. Em que Mandamentos se Baseiam Todos os Outros? Durante o ministério terreno do Mestre, um escriba perguntou-lhe qual era o maior de todos os mandamentos . É bem conhecida a resposta que o Salvador lhe deu : Amar a Deus e ao próximo. Em seguida ele acrescentou : "Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas " (Mateus 22:40; veja também os verso 35-39) . Em outras palavras , estes dois princípios são a base de todos os escritos do Velho Testamento . Todos os princípios e mandamentos se originam da necessidade de amar a Deus e ao próximo . Ambas as leis citadas por Jesus se encontram no Velho Testamento , porém não j untas . A primeira está em Deuteronômio 6 : 5 e a segunda em Levítico 1 9 : 1 8 . As palavras usadas para o segundo mandamento são deveras instrutivas . A afirmativa de que uma pessoa deve amar ao próximo como a si mesma faz com que a idéia de amor, neste caso , passe de um estado de emoção para um de determinação . O amor é aquela espécie de emoção que alguém naturalmente sente por si próprio . Em outras palavras , é o desej o que uma pessoa tem pelo seu próprio bem-estar . O amor e cuidado que um indivíduo tem para consigo mesmo é algo comum e saudável; mas além disso , ele deve alimentar idêntico sentimento por outros . Cada ser humano deve desej ar o bem dos outros como o seu próprio . Tal anseio não é inato , mas nos vem através de um ato consciente da vontade ou livre-arbítrio. O mandamento, assim , indica que devemos trabalhar tanto para o nosso bem , como para o de nossos semelhantes . Não é lícito , portanto, engrandecer-se à custa dos outros . Este mandamento é o coração de toda interação social, e é o padrão pelo qual cada ato pode ser j ulgado . Qualquer pessoa que compreenda verdadeiramente as implicações relativas à vida diária que fazem parte do mandamento de amar a Deus de todo o coração , poder, mente e força, e de amar ao próximo como a si mesma, pode atuar bem sem que precise receber leis adicionais. Não é necessário prevenir alguém que ama ao Senhor da maneira correta, a respeito dos males da idolatria, pois qualquer ato de adoração que não sej a dedicado a Deus, lhe parecerá naturalmente ofensivo . As proibições de furtar, cometer adultério , matar e assim por diante , não procedem quando alguém verdadeiramente ama ao próximo como a si mesmo , pois tal pessoa acharia inconcebível causar tais danos a seus semelhantes . Porém, como sabemos , a maioria dos homens não compreende nem guarda estes dois mandamentos , e, por isso , o Senhor revelou muitas leis e normas adicionais, a fim de demonstrar especificamente o que é requerido por esses mandamentos . Mas , na verdade, essas diretrizes suplementares nada mais fazem que definir e apoiar os dois princípios básicos : que toda a lei e os profetas se acham resumidos nestes dois grandes mandamentos .

(16-4) Levítico 19:23-25. Que É um "Fruto Incircunciso " ? "O uso metafórico d a circuncisão é assim explicado pelo próprio texto da escritura, o qual denota que o fruto é inadequado ou impróprio para alimento . Em Levítico 26:41 é usada a mesma metáfora referindo-se ao coração obstinado ou não preparado para dar ouvidos às admoestações divinas . E ainda em outras passagens da escritura, é usado com relação aos lábios �xodo 6: 1 2 , 30) e ouvidos (Jeremias 6: 1 0) que não executam suas funções normais . " (C . D. Ginsburg, citado por Rushdoony, Institutes of Biblical Law, pp . 1 47-48 . )

Não está b e m claro por que os frutos que a árvore produzisse durante os três primeiros anos deveriam ser considerados impróprios para o consumo; todavia, neste contexto de leis de retidão e santificação , tal proibição poderia sugerir que até as primícias dos frutos da árvore serem dedicadas a Deus, como acontecia aos primogênitos dos animais e dos homens (vej a Êxodo 1 3 : 1 -2) , a árvore não era tida como santificada, ou ordenada, para o uso pelo povo do Senhor. Devido ao fato de o solo haver sido amaldiçoado por causa do homem, quando da queda de Adão (veja Gênesis 3 : 1 7), esta lei teria servido como um simples lembrete de que, até serem dedicadas a Deus e seus propósitos, todas as coisas permaneceriam inadequadas para serem utilizadas pelo povo do Senhor .

(16-5) Levítico 19:26-31. Israel É Separada do Mundo Em primeira análise, as leis encontradas nestes versículos podem parecer ter pouca aplicação no que se refere ao santo moderno , e podem até mesmo parecer requisitos estranhos exigidos da antiga Israel . Por exemplo , o que o corte de cabelo ou a barba têm a ver com retidão? Todavia, considerando o ambiente cultural em que vivia a Israel de outrora, estas proibições específicas ensinavam uma poderosa lição relacionada aos costumes dos povos pagãos das circunvizinhanças . Por exemplo a palavra hebraica nachash , traduzida por "adivinhareis " (vers . 26) significa "tentar saber o futuro " , e "agourareis" provém d e u m termo hebraico que significa "observar as nuvens " (Wilson, Old Testament Word Studies, p. 1 44) . No mundo antigo , os adivinhadores e necromantes diziam ter o poder de ler o futuro através dos mais diversos objetos e meios. Entre seus métodos encontravam-se os de observar as estrelas (astrologia) , os movimentos das nuvens e de certos animais, atar nós , jogar sortes , lançar flechas ao alto e definir os desenhos que formavam ao cair , e assim por diante . Portanto , o versículo 26 proibia a utilização de meios ocultistas para ler o futuro . Um outro estudioso da Bíblia nos deu uma importante visão acerca da proibição relativa a cortar a barba e os cabelos . "Este versículo (Levítico 1 9 : 27) e o seguinte, evidentemente se referem a costumes que certamente existiam no Egito na época em que os israelitas lá viviam , e hoje em dia é extremamente difícil até mesmo supor em que consistiam . Heródoto observou que os árabes cortavam a barba e o cabelo de forma arredondada em louvor a Baco (o deus do vinho), o qual , segundo eles, usava um corte semelhante . . . Ele afirma também que um povo da Líbia cortava o cabelo em forma de círculo, deixando um tufo no topo da cabeça . . . Os chineses usam esse estilo até os dias de hoj e . Isto poderia ter sido feito em honra a algum ídolo , e, portanto , tal prática era proibida aos israelitas . "Entre os povos antigos o cabelo desempenhava um importante papel na adivinhação . Os gregos o utilizavam para propósitos religiosos supersticiosos, particularmente na mesma época em que foi dada esta lei , que, supõe-se, tenha sido a época da guerra de Tróia. Aprendemos com Homero que era costume os pais dedicarem os cabelos de seus filhos a algum deus, o que eles faziam ao atingirem a maturidade, cortando-o e dedicando-o à deidade em questão . A quiles, por ocasião do funeral de Pátroclo , cortou seus cachos de cabelo louro , que seu pai havia consagrado a Aspércio, deus dos rios, e lançou-os nas águas do riacho . . .


187 "Se o cabelo era cortado redondo e dedicado a propósitos semelhantes , então está explicada a proibição contida neste versículo . " (Clarke, Bible Commentary, Vol . I, p . 575 . ) A o proibir o s ferimentos feitos na carne o u as tatuagens, novamente o Senhor, de maneira clara e inequívoca, indiCou que Israel deveria ser diferente das nações gentias que viviam ao seu redor . Era costume afligir-se com ferimentos por ocasião de luta pelos mortos ou durante a adoração (veja I Reis 1 8 : 28) . Além disso , " era uma prática tradicional e muito difundida levar marcas no corpo, em louvor do objeto ou ser adorado. Os membros de todas as castas hindús trazem gravados na testa, ou em qualquer outra parte do corpo, marcas que eles chamam de sinais sectários, que os distinguem das demais pessoas , não somente no ponto de vista civil , mas também religioso . "A maior parte das nações bárbaras descobertas recentemente tinham o hábito de marcar o rosto , braços ou tórax com cicatrizes ou tatuagens , provavelmente por motivos supersticiosos . Os registros deixados por autores antigos estão cheios de relatos concernentes a sinais feitos na face, braços, etc , em honra aos mais diferentes ídolos. É a esse fato que o inspirado autor se refere (Apocalipse 1 3 : 1 6- 1 7 ; 14:9, 1 1 ; 1 5 :2; 1 6 : 2 ; 1 9 : 20; 20:4), onde são representados falsos adoradores recebendo em suas mãos e testas os sinais da besta. " (Clarke , Bible Commentary, Vol . I, p. 575 .) A prostituição sacra era uma prática comum entre os adoradores pagãos, e freqüentemente as sacerdotisas dos templos de deusas do amor, como Venus ou Afrodite, tinham o único obj etivo de satisfazer e dar sanção religiosa aos desej os sexuais imorais. Deus proibiu tais práticas rigorosamente . Os "adivinhadores " a que se refere Levítico 1 9: 3 1 , são os que hoje em dia chamamos de espiritualistas ou médiuns espíritas . Eles supostamente tinham o poder de se comunicar com os espíritos dos mortos através de uma sessão espírita . A palavra hebraíca para adivinhadores significa "ventríloquo " , sugerindo como o próprio nome evidencia, o caráter fraudulento de tais pessoas . Não resta qualquer dúvida de que as leis que proibiam tais práticas idólatras tinham o objetivo de separar Israel do mundo, e da falsa adoração que oferecia. Há nesse fato uma importante lição para os santos de nossa época. Embora atualmente os costumes perversos e devassos sej am um pouco diferentes, o mundo não mudou seu procedimento . Hoj e em dia o Senhor ainda orienta seu povo , através de profetas vivos, a evitar os costumes e práticas do mundo . Não devemos nos surpreender, portanto , ao ouvir os profetas falarem contra certos estilos de penteado ou vestuário , modas passageiras , ou práticas nocivas como sexo grupal , j ogo , casamento temporário e outros costumes perniciosos .

(16-6) Levítico 19:35-36. Em Que Consistem o "Peso " , "Efa" e "Oim " ? O peso a que s e refere esta escritura diz respeito às medidas de comprimento do sistema hebraico, como a vara, palmo e côvado, ao passo que o efa e o him são medidas de volume. Ao especificar ambas as espécies de medidas , o Senhor claramente ensinou que requeria que seu povo usasse de honestidade em todas as transações comerciais .

(16-7) llevítico 20 Este capítulo especifica alguns dos pecados que eram de natureza tão grave , que eram punidos com a morte . (Para uma explicação de o que significa dar sua semente a Moloq e, vej a a Leitura 1 5 - 1 1 . ) O Senhor afirmou inequívocamente, repetidas vezes , que o obj etivo destas leis era separar Israel dos outros povos, para que fossem santificados e se tornassem um povo santo para Deus (veja os verskulos 7-8, 24, 26) .

(16-8) Levítico 20:22-24. "Não Andeis nos Estatutos da Gente tlue Eu Lanço Fora" Quando os jareditas foram trazidos à terra da promissão , o Senhor os advertiu de que se não adorassem o Deus da terra, que é Jesus Cristo , seriam "varridos" (Éter 2 : 1 O). A colônia de Leí também foi advertida de que somente poderiam ocupar a terra de sua herança, sob a condi ção de obediência; do contrário , também seriam "afastados" (1 Néfi 2: 2 1 , veja ainda o verso 20) . O s israelitas foram avisados de que, se não estivessem dispost os a se separarem do mundo , seriam "vomitados" da terra (Levítico 20:22) . Néfi declarou a seus irmãos que, o único motivo pelo qual Israel recebera a terra prometida e os cananeus dela haviam sido expulsos, era porque aquele povo "havia rejeitado toda palavra de Deus e amadurecido em iniqüidade" ( 1 Néfi 1 7 : 35). Devido à extrema perversidade dos cananeus , o Senhor exigiu que Israel totalmente os destruísse (vej a Deuteronômio 7 : 2 ; para maiores esclarecimentos sobre por Deus ordenou que os cananeus fossem destruídos, veja a Leitura 1 9- 1 5) . Néfi perguntou, "Pensai.s que nossos pais teriam sido mais favorecidos do que eles, se eles tivessem sido justos (mais que os cananeus)? Eu vos digo : Não . " (1 Néfi 1 7 :34.) Idêntica mensagem foi claramente revelada a Israel . Os cananeus foram (!xpulsos de sua terra em virtude de sua grande iniqüidade . Caso Israel não se mantivesse apartada de tais abominações, semelhantes conseqüências lhe sobreviriam .

(16-9) Levítico 21-22. As Leis de Purificação para o Sacerd6cio Nestes dois capítulos se encontram normas e requisitos especiai s dados ao Sacerdócio Levítico , principalmente ao sumo sacerdote . Aqui , pela primeira vez, é usado o título "sumo sacerdote" (Levítico 2 1 : 10). Esse termo hebraico significa literalmente "o grande Sacerdote " . Na posição de sacerdote principal, ele era o representante de Jeová para o povo . Assim sendo , era-lhe requerido que mantiv{!sse seu santo ofício resguardado de toda contaminação . (O sumo sacerdócio da época do Velho Testamento era um oficio do Sacerdócio Aarônico , e não do de Melquisedeque, como acontece hoj e em dia. O sumo sacerdote era o sacerdote presidente, ou cabeça, do Sacerdócio Aarônico . Atualmente , essa posição é ocupada pelo bispo presidente .) Todos os membros do sacerdócio tinham que se casar com virgens escolhidas dentre seu próprio povo . As prostitutas, mulheres adúlteras , ou mesmo as divorciadas eram excluídas de tal consórcio, evitando assim que houvesse a menor dúvida acerca de pureza pessoal . Os sacerdotes não poderiam contrair matrimônio com mulher "infame " (ou sej a, que não pertencesse à casa de Israel ; vers o 7), contaminar-se tocando em cadáver que não fosse o de parente próximo


188 (veja os vers o 1 -3), ou permitir que uma filha se prostituísse (veja o vers o 9) . Em outras palavras, toda Israel foi chamada a vivI!r uma vida de santidade, à parte do mundo ; mas os sacerdotes, que serviam como representantes de Deus perante o povo , tinham que manter um nível mais elevado de separação e santificação . O sumo sacerdote, que era um símbolo ou protótipo de Jesus, "o grande sumo sacerdote" , deveria seguir uma lei ainda mais severa (Hebreus 4: 1 4) . Além de cumprir os requisitos normalmente exigidos do sacerdócio, no que se refere ao casamento e à não contaminação , ele não poderia ter qualquer defeito ou problema físico (veja Levítico 2 1 : 1 6-2 1 ) . Essas medidas rigorosas tinham o propósito de fazer com que o povo se lembrasse de que Cristo, o verdadeiro Mediador entre Deus e seus filhos , era perfeito em todos os sentidos.

(16-10) Levítico 23 Neste capítulo o Senhor indicou cinco dias santificados ou festas que toda Israel deveria observar. Eram eles : o Dia do Serihor (veja os versículos 1 -3), a Páscoa e a festa dos Pães Asmos (veja os versículos 4-14), a festa das Semanas , ou Pentecostes, como era chamada na época do Novo Testamento (veja os vers o 1 5 -23), o Dia da Expiação (veja os vers o 26-32) , e a festa dos Tabernáculos (veja os vers o 33-44) . O Dia',do Senhor, é óbvio , era guardado semanalmente. As demais festas se acham alistadas na ordem em q e aconteciam . A Páscoa ocorria no final de março ou início de abril (que corresponde à época da Páscoa atual), e a de Pentecostes sete semanas depois , em maio . O Dia da Expiação , que se observava no fim de setembro ou princípio de outubro , era seguido cinco dias depois pela festa dos Tabernáculos, ou das barracas . (Para maiores esclarecimentos acerca das festas e comemorações , vej a a Seção Especial D, e o calendário hebreu na seção de Mapas e Gráficos.)

(16-11) Levítico 23:27 Afligir a alma significa ser humilde ou submisso ao Senhor. O termo hebraico transmite a idéia de disciplina. Portanto , nestes dias , os israelitas deveriam se dedicar completamente ao Senhor em jejum e oração .

(16-12) Levítico 23:37 Todas as ofertas especificadas para os dias de comemorações deveriam ser voluntárias . Eram a ocasião própria para celebrar e demonstrar livremente a gratidão ao Senhor .

(16-13) Levítico 24:17-22. A Lei Mosaica Era Realmente Olho por Olho? Esta passagem tem sido considerada por muitas pessoas como a base ou o resumo da lei mosaica: "olho por olho , dente por dente" (vers . 20) . Essa maneira errônea de entender é de fato prejudicial, pois faz com que a lei de Moisés pareça fria, inflexível e vingativa. Tal equívoco é decorrência do não se fazer uma clara distinção entre a lei social e a penal . A primeira era baseada no amor e interesse pelo bem-estar dos semelhantes (veja Levítico 1 9 : 1 8) . A segunda, não era destituída de arnor, mas fora elaborada de modo a ressaltar a necessidade de justiça absoluta. Mesmo nesse caso, todavia, devemos

ressaltar três fatos relativos à aplicação da lei que exigia olho por olho: "Primeiro , ela fora estabelecida para ser uma lei de estrita justiça, e não de vingança. Segundo, não se tratava de uma vendeta particular, mas de justiça pública. Terceiro, a exclusão do assassinato dos crimes pelos quais se permitia oferecer resgaste (Números 3 5 : 3 1 em diante) , isso provavelmente permitia que compensação por danos sofridos freqüentemente assumisse a forma de multa. " (Guthrie and Motyer, Bible Commentary: Revised, p. 1 64.) A mesma lei que requeria uma j usta retribuição e pagamento exigia que um agricultor deixasse de colher em trechos de seus campos para que neles os pobres pudessem respigar (veja Levítico 1 9: 9- 1 0; 23 :22), requeria que um empregador pagasse o salário de seu obreiro ao anoitecer, ao invés de fazer isso no dia seguinte (veja 19: 1 3), ordenava aos homens: "Não aborrecerás a teu irmão no teu coração " ( 1 9 : 1 7), e sintetizava qual deveria ser a sua condição ideal, dizendo, " Sede santos " (20: 7).

(16-14) Levítico 25. O Ano Sabático e o Ano do Jubileu Muitos cristãos modernos julgam a lei mosaica uma lei menor e primitiva, dada a um povo iletrado e imaturo . Este capítulo ilustra o compromisso de fé e confiança em Deus que era requerido de todo aquele que realmente seguia os ditames da lei . Ao israelita foi dito que, em um dentre cada sete anos, deveria confiar inteiramente em Deus para que provesse o seu sustento , em vez de nos frutos de seu trabalho. Também a terra deveria ter um sábado de descanso , no qual não deveria ser feito qualquer cultivo , aradura, semeadura ou colheita. Além disso , uma vez a cada cinqüenta anos, a terra deveria gozar de um duplo período de repouso . Após o sétimo ano sabático (no quadragésimo nono ano) deveria ser guardado um ano de jubileu . Deus havia libertado Israel do cativeiro do Egito, perdoado os incontáveis débitos que tinham para com ele, e lhes concedido uma herança na terra prometida. Para demonstrar o amor que tinham para com Deus e o próximo, Israel deveria seguir esse exemplo durante o ano do j ubileu . Os escravos ou servos deveriam ser libertados , a terra devolvida a seu proprietário original, e as dívidas perdoadas (veja os vers o 1 0, 1 3 , 3 5-36) . Seria proveitoso se os seguidores modernos da lei mais elevada do evangelho examinassem o compromisso pessoal que assumiram perante Deus e o amor que têm pelo seu próximo , perguntando a si mesmos se seriam capazes de viver tal lei . Teriam fé suficiente para confiar que Deus os sustentaria por três anos, como aconteceu à antiga Israel? (Observe os vers o 1 8-22.) Certo estudioso da Bíblia sugeriu três idéias importantes simbolizadas nos requisitos do ano do j ubileu : "O jubileu certamente simbolizava: 1 . A época de grande libertação , a dispensação do evangelho , quando todos os que crêem em Jesus Cristo são redimidos do cativeiro do pecado - voltam a possuir os favores e a semelhança à Deus, a única herança da alma humana, tendo todas as suas dívidas canceladas, e sendo-lhes restaurado o direito de possuir uma herança. É a esse fato que o profeta Isaías parece referir-se (Isaías 26: 1 3) , particularmente em 6 1 : 1 -3 . 2. A ressurreição geral . 'Ele é ' , disse o S r . Parkhurst, 'uma prefiguração vívida d a grande consumação dos tempos, que será introduzida de idêntica maneira pela última trombeta (I Coríntios 1 5 : 52) , quando os filhos e herdeiros de Deus serão ressarcidos de todas as


189 suas perdas , e restaurados à herança eterna que lhes foi preparada por seu Pai . Daí por diante, descansarão de todos os seus labores , e serão supridos pela seara de Deus, com vida e felicidade . "É digno de nota o fato de que o ano do j ubileu só era proclamado no décimo dia do sétimo mês , no mesmo dia em que era feita a grande expiação anual pelos pecados do povo . E não vem isto provar que a grande libertação ou redenção do cativeiro , anunciada pelo evangelho , não poderia ocorrer antes que fosse oferecida a grande Expiação , o sacrifício do Senhor Jesus ? " (Clarke, Bible Commentary, Vol . I, p . 592 . ) O u ainda, como afirmou C . D . Ginsburg: " A o final do grande Dia da Expiação , quando os hebreus tinham se conscientizado de que haviam alcançado paz de espírito, de que o Pai Celestial anulara seus pecados , e de que haviam obtido de novo comunhão com ele através de sua compassiva misericórdia, era então requerido que todo israelita apregoasse por toda a terra, por meio de nove toques de trombeta, que também concedera descanso ao solo , restituíra ao próximo as suas possessões , e libertara todo servo para que voltasse aos seus familiares . Assim como Jeová perdoara suas dívidas , ele também perdoara aos seus devedores . " (Citado em Rushdoony, lnstitutes of Bíblical Law, p . 1 4 l .)

(16-15) Levítico 26. Bênçãos ou Maldições: Uma Alternativa para Israel O capítulo 26 de Levítico é um dos mais poderosos do Velho Testamento . O Senhor definiu tão claramente as alternativas que se achavam ao alcance de Israel, que não poderia haver qualquer equívoco . Se os israelitas fossem obedientes , seriam abençoados com fartura, segurança, paz e proteção contra seus inimigos : "A minha alma de vós não se enfadará. E andarei no meio de vós, e eu vos serei por Deus, e vós me sereis por povo . " (Vers . 1 1 - 1 2.) Tais promessas poderiam ser resumidas numa única palavra : Sião . Caso Israel fosse obediente , alcançaria a condição de Sião . Se os filhos de Israel se recusassem a ouvir , "e não (fizessem) todos estes mandamentos" (vers . 1 4) , as bênçãos seriam retiradas, sobrevindo em seu lugar aflição , penúria, guerra, enfermidade, ,exílio , tragédia e total abandono. A Israel moderna tem diante de si as mesmas opções . No inverno de 1 976-77 a região oeste dos Estados Unidos foi afligida com uma grave seca. Um profeta vivo discerniu naqueLe e em outros fenômenos naturais, uma advertência idêntica à dada no Velho Testamento . "No principio deste ano , quando se prenunciavam tempos de seca no oeste, e havia frio e dificuldades no leste e condições climatéricas anormais no mundo inteiro, sentimo-nos impelidos a pedir que todos os membros da Igreja se reunissem em jejum e oração , implorando ao Senhor umidade onde era vital, e cessação das condições difíceis nas demais partes . "Talvez fôssemos indignos de pedir essas grandes bênçãos, porém não queremos abordar a questão frontalmente, apenas levá-la à atenção de nosso Senhor, e depois dedicar nossas energias a colocar a nossa vida em ordem .

"Um profeta disse: " ' Quando os céus se cerrarem , e não houver chuva, por terem pecado contra ti, e orarem neste lugar , e confessarem teu nome, e se converterem dos seus pecados, havendo-os tu afligido ; " 'Ouve t u então n o s céus , e perdoa o pecado de teus servos e do teu povo Israel , ensinando-lhes o bom caminho em que andem , e dá chuva na terra que deste ao teu pov o em herança. ' " (I Reis 8 : 35-36 .) " Às vezes , o Senhor usa o tempo para disciplinar seu povo por violar as suas leis. Disse ele aos filhos de Israel : (ele ent ão citou Levítico 26: 3 -6) . "Com o grande sofrimento e preocupação n o leste e a ameaça de seca aqui no oeste e outras partes, pedimos ao pov o q e se juntasse em solene círculo de oração , rogan do umida .e onde fosse necessário. Quase imediatamente, nossas reces foram atendidas , e ficamos mais gratos do que é p ossível dizer. Continuamos ainda em necessidade e esperan ça de que o Senhor haja por bem responder às nossas , reces constantes nesse assunto . . . "Tal vez haj a chegado o dia de fazermos uma auto­ -avaliaç:ão e ver se somos dignos de pedir ou se est ivemos quebrando os mandamentos, tornando-nos assim , indignos de receber a s bênçãos. "O Senhor deu mandamentos peremptórios: 'Guard areis os meus sábados, e o meu santuário reveren ciareis : "Eu sou o Senhor . " ( Levítico 1 9 : 3 0 . ) "Temos citado esta passagem inúmeras vezes, rogando ao nosso povo que não profane o dia do Sábad o ; ainda assim vemos numerosos carros estacionados j unto a estabekcimentos mercantis nesse dia, e locais de di versão apinhados e ficamos est arrecidos . . . " . . . O Senhor faz promessas específicas , dizendo : " 'Então e u vos darei a s vossas chuvas a seu tempo; e a terra dará a sua novidade, e a árvore do campo dará o seu fruto . ' (Levítico 26:4.) " Deus faz o que promete, e no entanto, muitos de nós continuamos a profanar o dia do Sábado. Depois , ele continua: " 'E a debulha se vos chegará à vindima, e a vindima se chegará à sementeira: e comereis o vosso pão a fartar , e habitareis seguros na vossa terra. ' (Levítico 26: 5 . ) "A gente pode confiar nessas promessas . , . " O Senhor. . . adverte: (Então ele cita Levítico 26: 14- 1 7 , 1 9-20.) "O Senhor vai mais além e diz : " 'Porque enviarei entre vós as feras do campo , as quais . . . desfarão o vosso gado, e vos apoucarão ; e os vossos caminhos serão desertos . ' (Levítico 26 :22.) " Podeis imaginar como as estradas ficariam desertas? Pela limitação de combustível e energia, quando não houver nenhum para usar, quando os homens terão de caminhar em vez de dirigir? " Já considerastes , minha boa gente, que a questão da paz está nas mãos do Senhor que diz : " ' Porque trarei sobre vós a espada . . . ' (Levítico 26 :25)? "Ser: i a isto difícil? Costumais ler os j ornais? Conheceis os ódios existentes no mundo? Que garantias de paz permanente vós tendes?


190 " Sem dúvida, muitos de nós sabemos m dhor do que agimos. Não é tempo de acabarmos com as práticas adúlteras , homossexuais e lésbicas , e voltar para a fé e dignidade? Não é tempo de darmos um basta à nossa tolerância diante da pornografia? "Não é tempo de nos opormos firmemente às coisas ímpias e profanas , e á devassidão , irregularidades e assuntos correlatos? "Não é tempo de iníciar vida nova? " (Spencer W . Kimball , "O Senhor Espera Que o s Seus Santos Sigam os Mandamentos , " A Liahona, outubro de 1 977, pp . 4-6.)

(16-16) Levítico 26:34-35, 43 Para descobrir como esta profecia foi cumprida, vej a Jeremias 25 :9, 1 1 - 1 2 ; 29: 10; II Crônicas 36: 2 1 .

(16-17) Levítico 27: 1-34. Que Significado Tem um Homem Fazer "Particular Voto " ?

Presidente Spencer W. Kimball advertiu-nos de que o livro de Levítico se aplica aos santos dos úllimos dias

' " . . . e sereis entregues na mão do inimigo . ' (Levítico 26 :25 .) "Existem inimigos que poderiam e desejariam afligir­ -nos? Já pensastes nisto? " ' E porei as vossas cidades por deserto ' , diz ele, 'e assolarei os vossos santuários . . . " 'Então a terra folgará nos seus sábados, todos os dias da sua assolação , e vós estareis na terra de vossos inimigos ; então a terra descansará, e folgará nos seus sábados . " 'Todos os dias da assolação descansará, porque não descansou (quando podia) nos vossos sábados, quando habitáveis nela. ' (Levítico 26: 3 1 , 34-3 5 . ) " São situações difíceis e muito graves, porém possíveis. "E o Senhor conclui: " 'Estes são os estatutos , e os j uízos, e as leis que deu o Senhor entre si e os filhos de Israel, no monte Sinai, pela mão de Moisés . ' (Levítico 26: 46.) " Isto se aplica a vós e a mim . "Não seria esta uma boa hora para nos preocuparmos seriamente com tais assuntos? Não é tempo de voltarmos para o nosso lar, nossa família, nossos filhos? Não é tempo de nos lembrarmos de nossos dízimos e ofert as , tempo de desistirmos de abortos, divórcios, de profanar o dia do Sábado , de nossa tendência de transformar o dia santo em dia de festa? "Não é tempo de arrependermo-nos de nossos pecados, imoralidades, de nossas doutrinas do demônio? "Não é tempo de todos nós santifícarmos nosso casamento , viver em alegria e felicidade , criar nossa família em retidão?

O s votos especiais faziam parte d a lei mosaica. Naquela época, era permitido a um homem ou mulher dedicar uma pessoa ao Senhor; exemplos disso , foram a filha de Jefté e o menino Samuel (veja Juízes 1 1 : 30-3 1 ; I Samuel 1 : 1 1 ) . Neste capítulo, o Senhor estava afirmando que, quando uma pessoa fazia esse voto , os envolvidos deveriam ser considerados como propriedade do Senhor , e não poderiam ser levados por ninguém . O indivíduo também poderia entregar como voto (isto é, dedicar ao Senhor) sua propriedade pessoal . Estas leis indicavam a maneira de se fazer tais votos.

(16-18) Levítico 27:32 "Tudo o que Passar Debaixo da Vara" "O significado deste versículo é bem esclarecido pelos próprios rabinos : 'Quando um homem desse a Deus, o dízimo de suas ovelhas ou vacas , deveria fechar todo o rebanho em um só redil, onde houvesse uma porta estreita, que permitisse a passagem de apenas um animal de cada vez . O proprietário , ao entregar o dízimo ao Senhor, permanecia à porta empunhando uma vara, cuja ponta havia sido embebida em vermelho ou ocre rubro . As mães das ovelhas ou vacas permaneciam fora. Quando a porta fosse aberta, os filhotes corrériam para j untar-se a elas , sendo, então , contados pelo dono ao passarem . O décimo a passar, era tocado com a vara tingida, que o marcava como o bezerro ou cordeiro do dízimo , e quer fosse magro ou gordo , são ou com defeito , era recebido como um dízimo legítimo . ' Provavelmente foi se referindo a esse costume que o profeta Ezequiel declarou à antiga Israel : 'E vos farei passar de.baixo da vara, e vos farei entrar no vínculo do concerto ' sereis novamente reclamados como propriedade do Senhor, e sereis em todas as coisas consagrados ao seu serviço , marcados ou separados através de providências e manifestações especiais de sua bondade , para serem sua propriedade particular. " (Clarke, Bible Commentary, Vol . I , p . 604.) -

PONTOS A PONDERAR (16-19) Faça agora uma pequena interrupção , leia Salmos 24: 3-5 e Levítico 26: 1 1 - 1 2, e em seguida, responda às seguintes questões :


191 1 . O que o Senhor desejava para Israel? 2. Que atributos você precisa possuir a fim de desfrutar de uma estreita associação pessoal com o Senhor? Observe que duas dessas características são a limpeza e a pureza. É importante a maneira como são usadas estas duas palavras . Pureza conota a idéia de não contaminação e consistência harmônica total . Todavia, essa pureza, por si só, não implica em que tal indivíduo seja integralmente bom . Por exemplo, há venenos que são extraordinariamente puros . Portanto , é necessário acrescentar a idéia de limpeza à de pureza. O termo limpo indica o que é livre de impurezas ou de corrupção; ou no sentido teológico , o que é livre de qualquer profanidade e pecado. Utilizando a lei como aio , o Senhor simbolicamente enfatizou o importante papel desempenhado pela pureza e limpeza . Considere os seguintes procedimentos à luz destes conceitos : a criação de gado , o plantio de árvores , a

A Lei

semeadura, a confecção de roupas , a forma de adoração , o ato ele firmar um contrato, o noivado e o casamento . Pode você compreender que as exigências de Deus transff:rem a idéia da limpeza e pureza de um plano meramente religioso para todos os aspectos da vida cotidiana? Consegue ver como , desta forma, Deus está ensinalí)do tanto à antiga como à moderna Israel que a consist ência em todas as fases da vida é a chave pela qual podemos desenvolver um relacionamento sólido e duradouro com o Mestre?

(16-20} O ponto fundamental do livro de Levítico é o mandamento "Amarás a teu pr6ximo como a ti mesmo " (Levítico 1 9 : 1 8) . Para sermos mais exatos , esse preceito era o coração da maior parte da lei mosaica . Para ilustrar esse fato, leia os seguintes requisitos da lei de Moisés e, em seguida, escreva no devido espaço , o princípio do evangelho ensinado pela lei . Os primeiros dois exemp:los j á estão feitos , como modelo .

o Princípio

1 . Êxodo 21 : 33-34; 22 :6 L

2 . Êxodo 23 :4-5

2.

3 . Levítico 1 9 : 1 3

3.

4. Levítico 1 9 : 1 5

4.

5 . Levítico 1 9 : 33-34

5.

6. Deuteronômio 1 9 : 1 6-20

6.

7 . Deuteronômio 22: 1 -3

7.

8 . Deuteronômio 22: 8

8.

9. Deuteronômio 23 :24-25

9.

1 0 . Deuteronômio 24:6, 1 0- 1 3

10.

a�!::� �*::t :t:: : j; �1M1iín6 �� Dek� � � 77Ua �a&2!l&(i;1lÂo I� m@6 . /

I

I

________ __ __ __ __ __ __ __ __ __ ___ __ __ __ __ ___ ____ ____ __ __ __ __ __

--------------__ __ __ __ __ __ __ __ __ __ __ ___--------

__ ____ ____ ______________________ ___________ _ __ __ ___


Seção Especial

o Problema dos

E

Grandes Números no Velho Testamento (E-I) Uma questão , que surge freqüentemente ao estudarmos o Velho Testamento, é a que diz respeito à exatidão dos números usados em seu texto, pois alguns deles parecem elevados demais à luz dos fatos conhecidos . Há ocasiões em que as escrituras mencionam números significativamente diferentes com relação ao mesmo acontecimento. (Por exemplo, I Crônicas 2 1 : 5 registra que, no recenseamento feito por Davi, foi contado um total de 1 . 570.000 homens em idade militar . Em II Samuel 24:9, o total mencionado é de apenas 1 . 300.000.) Um outro fator a ser levado em corita é o de que os números eram particularmente suscetíveis a erros de tradução . "Todavia, sem levantar qualquer controvérsia quanto à exatidão do número original, a própria transmissão do texto , através de contínuas cópias , feitas por milhares de anos, por si só contribui grandemente para que haja uma certa dúvida. Se considerarmos que os números na época antiga eram representados por algarismos , então eles poderiam ser alterados, suprimidos ou acrescentados com maior facilidade que as palavras ; porém , como já tivemos a oportunidade de ver, não encontramos , atualmente, qualquer evidência que corrobore essa suposição . Entretanto, mesmo quando os números são escritos por extenso , as palavras do hebraico para os números são facilmente confundíveis entre si. Assim como em português 'três ' e 'treze' só diferem nas duas últimas letras , também em hebraico, especialmente no estilo antigo da escrita, a adição de apenas uma letra transformava 'três ' em 'trinta' , e etc . Além disso , ao copiar os numerais, o escriba não seguia fielmente o contexto , como fazia no que se refere às palavras . Era possível, ainda, que o escriba tivesse seus próprios pontos de vista com relação à ' quantidade que os números pretendiam expressar, e que tenha corrigido o que julgava estar erroneamente escrito . " (Hastings , Dictionary of the Bible, p . 659.) (E-2) Um Problema Acerca dos Números Em vários lugares, o Velho Testamento registra números que podem ser considerados astronômicos . A suposição mais comum é a de que foram simplesmente inventados, e que são uma prova de que a Bíblia não é historicamente fidedigna. Mas quem criaria números reconhecidamente absurdos? Alguma pessoa, de sã consciência, inventaria uma história de uma colisão de ônibus em que 1 6 .000 passageiros perderam a vida? O mais provável é que estes números do Velho Testamento foram fielmente copiados, apesar do fato de não parecerem fazer sentido . Não podemos crer, com segurança, que sej am fruto de mera invenção . A explicação tem de ser outra. De fato , as pacientes averiguações muito têm contribuído para se chegar a uma solução para esse difícil problema. " (Alexander and Alexander, Eerdmans ' Handbook to the Bible, p. 1 9 1 . )

(E-3) AI. Alteração dos N úmeros "Há evidência de que o texto do Velho Testamento está, em seu todo , maravilhosamente bem conservado. Não resta dúvida, também , considerando os relatos paralelos encontrados em Samuel, Reis e Crônicas , e (especi almente) em Esdras 2 e Neemias 7, de que os números eram particularmente difíceis 'de se transmitir de maneira acurada. Temos alguns exemplos de zeros adicionais que foram acrescentados a um determinado número : II Samuel 10: 18 registra '700 carros ' , em I Crônicas 1 9 : 1 8 se lê ' 7 .000 ' . Houve outros casos em que foi suprimido um algárismo : II Reis 24: 8 afirma que Joaquim estava com 18 anos quando começou a reinar, ao passo que II Crônicas 39:9 diz que foi aos 8. Em outras, um número é totalmente suprimido . . . Em Esdras 2 e Neemias 7, os dígitos variam . Há muitos outros erros feitos por copistas , alguns dos quais podem ser facilmente explicados . " (Alexander and Alexander, Eerdmans ' Handbook to the Bib/e, p . 1 9 1 . )

(E-4) AI. Confusão Originada por Palavras Semelhantes "Na Bíblia hebraica moderna todos os números são registrados por extenso, mas durante muito tempo, o texto bíblico foi escrito sem vogais . A falta delas tornou possível confundir duas palavras que são de vital importância no que concerne a este problema: 'e/ef e 'al/uf . Sem as vogais, estes dois termos parecem idênticos : 'Ir. O vocábulo 'e/ef geralmente significa 'mil ' , mas também pode ser usado em muitos outros sentidos : por exemplo , ' família' (Juízes 6: 1 5 , Versão Revisada) ou 'clã' (Zacarias 9:7, 1 2 : 5 , 6 Versão Revisada Padrão) o u talvez ainda, uma unidade militar . O termo ' al/uf foi usado para indicar os 'prínci pes' de Edom (Gênesis 36: 1 5-43), provavelmente referindo-se ao comandante de um batalhão militar composto de 'mil' homens, e, com toda a certeza, designando um soldado profissional completamente armado . " (Alexander and Alexander, Eerdmans ' Handbook to the Bib/e, p . 1 9 1 .)

(E-S) Estatísticas Militares "Havia épocas em que as batalhas eram conduzidas por duas espécies de pelejadores - os Golias e os Davis - ou seja, os primeiros eram soldados profissionais, usando todas as armas de combate, e os segundos, um exército constituído de homens do povo , cujas únicas armas se resumiam naquelas usadas pelos rústicos pastores . Parece óbvio que, em muitas passagens, a palavra usada para indicar um soldado profissional tenha sido mal interpretada, como se significasse 'mil' . Veja, por exemplo , o ataque feito contra o pequeno povoado de Gibeá, relatado em Juízes 20. O versículo 2 afirma que se reuniram 400.000 soldados de infantaria 'que arrancavam a espada' . Se, de fato, se tratasse de 400 soldados


194 completamente armados , a narrativa que se acha a seguir seria mais lógica. As forças dos benjamitas (versículo 1 5) consistiam de 26 homens portando espadas , e mais 700 deles trazendo apenas fundas . No primeiro ataque (versículo 2 1 ) , os israelitas perderam 22 homens de sua tropa de choque, no dia seguinte (versículo 25) outros 1 8 , e no terceiro dia (versículos 29, 34) , foi feita uma emboscada, composta ou encabeçada por 10 desses soldados . (Será que 10.000 homens poderiam ficar à espreita, sem serem notados?) As perdas então reiniciaram (versículo 3 1 ) ' como das outras vezes ' - mas , neste caso, elas foram mantidas em sua exata perspectiva, pois a escritura afirma que 30 israelitas (que aparentement e não eram homens armados com espada) , 25 soldados benjamitas e mais 100 outros foram mortos. Dezoito deles perderam a vida no primeiro ataque da emboscada, 5 posteriormente foram destruídos 'pelos caminhos ' , e mais 2 em Gideom . Os 600 atiradores de funda que restaram se refugiaram na penha de Rimom . Da mesma forma, no ataque contra Ai (Josué 7-8) , as verdadeiras proporções da narrativa se tornam mais claras , quando nos conscientizamos de que a desastrosa perda de 36 homens se justifica pela ação de uma emboscada não de 30.000 homens valorosos , mas de apenas 30. " O banquete preparado por Davi em Hebrom , mencionado em I Crônicas 1 2 dá a idéia de que esteve presente um número' extraordinário de convidados, não homens comuns, mas os mais eminentes líderes - cerca de 340.800 deles . Neste caso, é bem provável que, de fato, entre eles se achassem 'capitães de milhares ' e 'capitães de centenas ' , e que por metonímia ou abreviação , a palavra 'mil' tenha sido usada no lugar-.de 'capitães de milhares ' e 'centenas ' , por 'capitães de centenas ! ' Portanto, os vocábulos 'mil' e 'cem' foram tratados como numerais e somados juntos. Se colocarmos esses algarismos na devida ordem , teremos um total de apenas 2.000 'homens valentes ' , algo que parece bem mais razoável. "Vistos através desta perspectiva, os problemas numéricos da última história se encaixam em seu devido lugar . Em I Reis 20: 27-30, o pequeno exército israelita matou 100 (e não 100.(00) soldados de infantaria, e o muro de Afeque tirou a vida de mais 27 pessoas (e não de 27 .(00) ao tombar . A invasão etíope mencionada em II Crônicas 1 4 : 9 tinha mil guerreiros, e não 1 milhão. Apenas 1 0 pessoas (e não 10.(00) foram lançadas do alto da rocha (II Crônicas 25 : 1 2) . " (Alexander and Alex ander, Eerdmans, Handbook to the Bible, pp. 1 9 1 -92.)

(E-6) O Tamanho da População de Israel "A questão mais interessante, mais complexa (do ponto de vista histórico) , e mais importante, é a que diz re speito ao tamanho da população de Israel nos diversos estágios de sua história . Os textos atuais indicam que as 70 almas nos dias de José se multiplicaram chegando a ser dois ou três milhões por ocasião -de Êxodo (Números 1 ) , e pelo menos cinco milhões na época de Davi (II Samuel 24:9; I Crônicas 2 1 :5). Com referência a estes últimos dados, R . de Vaux afirmou o seguinte: '(II Samuel) alista que havia em Israel 800.000 homens aptos para o serviço militar, e 500.000 em Judá . . . O pequeno total registrado em II Samuel ainda é extraordinariamente elevado : o fato de haver 1 . 300.000 homens em idade militar, implicaria na existência de uma população de pelo menos cinco milhões de habitantes, o que, para a Palestina, significaria ter mais

habitantes por quilômetro quadrado que os países mais . densamente povoados da Europa de hoje. "A solução para o problema dos números mencionados em Êxodo é uma longa história. Basta afirmar que temos boas razões para crer que, o recenseamento original que se acha em Números 1 e 26, registra o número de pessoas de cada tribo da seguinte forma: Simeão : 57 homens armados ; 23 'centenas ' (unidades militares) . Estes dados foram escritos da seguinte maneira: 57 'If, 2 'If 3 'centenas ' . "Sem notar que 'If em um caso significava 'homem armado ' e no outro , 'mil ' , ajuntou-se tudo , passando a ser lido com 59. 300. Se examinarmos esses números com bastante cuidado , acaba surgindo um quadro bastante claro de toda a organização militar . O total das forças de combate passa a ser de aproximadamente 1 8 . 000 homens , o que provavelmente quer dizer que havia a quantia de 72.000 pessoas para toda a migração . "A quantidade imputada aos levitas tem toda a característica de haver adquirido um zero extra. O mistério da Atlântida de Platão foi resolvido reconhecendo-se essa mesma confusão numérica. Platão obteve de sacerdotes egípcios o que passou a ser um relato detalhado da civilização minoana e seu súbito fim . Porém , quando os números dados foram multiplicados por um fator decimal, a área resultante era grande demais para caber no Mar Mediterrâneo; portanto , ele a colocou no Atlântico, e a data foi transferida a uma antigüidade remota, milhares de anos antes de sua época real. Idêntica multiplicação por fator decimal se acha no total de levitas registrados no livro de Números. Eliminando-se esse problema, a trib o de Levi passa a ser uma tribo de tamanho normal com cerca de 2.200 homens. Esta cifra vai de encontro a outras indicações sobre população relativas ao período da conquista e ao dos juízes . " (Alexander and Alexander, Eerdmans ' Handbook to the Bible, p. 1 92.)

(E-7) O Recenseamento de Davi "A discrepância existente entre as duas cifras do recenseamento de Davi pode ser compreendida ao reconhecer-se nos diferentes estágios de transmissão, primeiro , a adição de zeros, e em seguida, os equívocos com relação ao 'If. Se considerarmos como certos os números originais, ou seja, que Israel tinha 80.000 mais 30 'If, e Judá: 40.000 mais 70 'If, os textos de Samuel e Crônicas que ora conhecemos poderiam ser lidos da seguinte maneira: CRÔ NICAS

Estágio 1 2 3

Israel 80.000 mais 30 'If 800.000 mais 300 'If 1 . 1 00.000

Judá 40.000 mais 70 'If 400.000 mais 70 'If 470.000

Israel 80.000 mais 30 'If 800.000 mais 30 'If

Judá 40.000 mais 70 'If 470.000

SAMUEL Estágio 1 2

Neste estágio o copista com certeza ficou perplexo com os 30 'If flutuantes, que julgou serem 30.000 . Ele errôneamente combinou-os com o número referente a Judá, produzindo então : 3

800.000

500.000


195 Se os números originais indicassem um total de 1 20. 000 homens em idade militar, junto com 1 00 soldados 'profissionais, toda a população seria de aproximadamente meio milhão de pessoas , um total que novamente se enquadra muito bem com outras informações contidas no texto . "Utilizando-se estes m"étodos, podemos resolver uma grande parte dos problemas numéricos conhecidos . " (Alexander and Alexander, Eerdmans ' Handbook to the Rible, p. 1 92.)

(E-8) Conclusão Os estudiosos da Bíblia não estão sugerindo com isto 9ue todos os números do Velho Testamento sejam mexatos , nem que o mesmo acontece a todos os grandes números. Joseph Smith afirmou : "Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus , o quanto seja correta sua tradução " (Oitava Regra de Fé) . Devemos considerar, ainda, que os erros de transmissão alteraram o texto, até um certo ponto . Portanto, não deve surpreender-nos o fato de que os erros de tradução e problemas causados pelos copistas possam ter alterado alguns dos números encontrados no texto do Velho Testamento . �

l


.l

í

!1\1

. I

l i ,,

I ': I ,

.,

;

I

..

I' ,

I

I

r

)

t

I

I"'

,

.

"


Números 1-12

As Peregrinações no Deserto, Parte 1 (17-1) Introdução o título do livro de Números na versão do Rei Tiago provém da Vulgata em latim, que o chama de Numeri ("Números"), mais por descrever o recenseamento registrado nos três primeiros capítulos do livro, do que pelo seu conteúdo geral. Portanto , Números é, estritamente, o nome dado pelos cristãos a esta parte da Torá, os primeiros cinco livros de Moisés . Os hebreus procuravam encontrar um título para cada livro da Bíblia nas primeiras palavras de seus respectivos textos . Assim sendo, os judeus deram a ele o título de Vayedaber ("E ele falou"), que é a primeira palavra hebraica do livro, ou ainda, o que era mais comum, Bemidbar ("No Deserto "), que é a quinta palavra do primeiro versÍCulo. Esta parte da obra de Moisés registra as migrações dos filhos de Israel, do Monte Sinai ao Monte Pisgá, situado a leste do rio Jordão , de onde se descortinava a terra prometida. O livro contém ainda um relato da contagem de Israel, dos preparativos levíticos para a mudança do tabernáculo, da explicação do motivo de Israel haver sido amaldiçoada com quarenta anos de peregrinação no deserto, do segundo recenseamento de Israel, feito depois que todas as pessoas com idade superior a vinte anos por ocasião do Êxodo haviam morrido , da escolha de Josué para conduzir Israel, e da descrição de algumas terras dadas por herança às diversas tribos. O livro não contém grande número de pronunciamentos doutrinários , mas nos fornece a necessária compreensão quanto a eventos históricos importantes concernentes à família de Jacó . Algumas das implicações doutrinárias desses eventos históricos são de grande valor para nós . Esteja atento aos acontecimentos principais e preparativos especificos feitos por Israel a fim de se tornarem aptos a receber a recompensa que lhes fora prometida.

Instruções aos Alunos 1 . Ao ler e estudar Números 1 - 12, utilize o auxílio que Notas e Comentários podem-lhes oferecer. 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar, conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo professor. (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção .)

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE NÚMEROS 1-12 (17-2) Números 1 : 1-46. Quantas Pessoas Moisés Conduziu Através do Deserto? O primeiro recenseamento de Israel, feito após o Êxodo , afirma que havia 603 . 550 homens acima de vinte anos, que podiam sair à guerra (veja o verso 3). Esse número não incluía nenhum membro da tribo de Levi (veja o verso 47) , constituída de 22.000 pessoas (veja Números 3 : 39) . Esse total também excluía todas as mulheres, homens idosos , rapazes abaixo de vinte anos de idade, e homens incapazes

17 de pegar em armas . Este registro levou alguns eruditos a avaliar o número total dos filhos de Israel para uma cifra acima de dois milhões de almas . Outros, ainda, acreditam ter havido erros textuais na transmissão dos números através dos séculos, e que o total dos israelitas deveria ser algo mais próximo de meio milhão (veja a Seção Especial E, "O Problema dos Grandes Números no Velho Testanlento "). Seja qual for a suposição correta, a tarefa que Moisés teve diante de si foi deveras assombrosa. Já havia sido dificil guiar até mesmo quinhentos mil israelitas atravé�; de um deserto árido e hostil, procurar satisfazer­ -lhes a fome e a sede, suprir suas necessidades de proteção e abrigo contra os elementos e ao mesmo tempo, fazer com que alcançassem um elevado nível de maturidade espiritual e obediência - não é pois de admirar que Moisés tenha dito ao Senhor, "Eu só não posso levar a todo e�;te povo, porque muito pesado é para mim" (Números 1 1 : 1 4) .

(17-3) Números 1:32-35 A b1:nção de Efraim foi aqui cumprida, ao possuir ele um número muito maior de filhos aptos a pegar em armas que seu irmão mais velho, Manassés (veja Gênesis 48: 1 9-20) .

(17-4) Números 1:47-54 Os h omens que pertenciam ao Sacerdócio Levítico receberam a designação especial de cuidar da casa do Senhor: de nela oficiarem em favor dos filhos de Israel, e de armar e desarmar a tenda do tabernáculo em ocasiões de mudança. Eles eram os protetores do lugar sagrado; portan to, suas tendas circundavam o santuário .

(17-5) Números 2. Por Que Havia uma Ordem Específica para Marchar e Acampar? A casa de Deus é uma casa de ordem (vej a D&C 1 32 : 8) . O acampamento d e Israel era uma representação simbólica desse fato . A ordem era mantida tanto ao estabelecer o acampamento como ao colocá-lo em marcha. As tribos eram dispostas em quatro grupos de três . Na parte o riental do acampamento, e à frente da coluna de marcha eram colocados Issacar e Zebulom, tendo Judá à cabeça. No setor sul, em segunda posição, seguiam Simeão e Gade , sob a liderança de Rúben . No meio ficavam os levitas . A oeste, e em quarta posição na linha de marcha, estavam Manassés e Benjamim, encabeçados por Efraim. Ao nOIte e na retaguarda ficavam Aser e Naftali, com Dã à frentt! . Os lugares d e honra, à cabeça das hostes e imediatamente após o tabernáculo, eram ocupados por Judá e Efraim respectivamente. Judá acampava diretamente a leste da porta do tabernáculo .

(17-6) Números 3 Os levitas não eram contados entre as outras tribos de Israel, em virtude da mordomia divina de agir em lugar do filho primogênito (veja os verso 1 2- 1 3) . José, entretanto, já recebera uma dupla porção da herança, e tanto Efraim


198 como Manassés haviam-se tornado tribos completas e independentes (veja Gênesis 48 :22) . Havia sido feita uma distinção também entre os filhos de Aarão e os demais levitas (veja os verso 2, 8-10; Leitura 1 7- 1 5) . Os descendentes de Aarão foram designados a servir corno sacerdotes, e a eles foi concedida a mordomia de pre:;idir nas ordenanças do tabernáculo. Os demais levitas ajudavam na manutenção do tabernáculo e seus serviços, mas não lhes era permitido realizar as ordenanças de sacrificio, queimar incenso, e assim por diante. Embora todos os levitas acampassem ao redor do tabernáculo, Aarão e seus filhos, juntamente com Moisés, ocupavam uma posição privilegiada diretamente em frente á pOlta do tabernáculo (veja o verso 38). (17-7) Números 3:51. Por Que os Levitas Extras Fomm Redimidos Com Dinheiro?

O número total de levitas em serviço religioso era aproximadamente o mesmo que o número de primogênitos entre os filhos de Israel. Os 273 primogênitos excedentes, que não foram redimidos homem por homem atravé:; de um substituto levita, foram redimidos por uma oferta de cinco sidos cada um. O Presidente John Taylor explicou por que foi exigido tal procedimento: "Os primogênitos dos egípcios, para os quais não fora oferecido um cordeiro como sinal de propiciação, foram destruídos. Foi somente através da propiciação e exp:iação que os israelitas puderam ser salvos, pois sob aquelas circunstâncias, teriam perecido com os egípcios, que haviam sido condenados, não fosse pela esperada expiação e propiciação de Cristo, das quais esta era um simbolo. "Em virtude disso, o Senhor reivindicou aqueles que havia salvo, como legitimamente seus, e exigiu que lhe prestassem serviço . . . Ele aceitou a tribo de Levi em lugar de todos os primogênitos de Israel; e como havia mais primogênitos que levitas, o saldo teria que ser redimido com dinheiro, o qual foi dado a Aarão, o grande sumo sacerdote e representante do Sacerdócio Aarônico, também ele um levita. (Veja Números 3 : 50-5 1 .)" (Mediation A nd A tonement, p . 1 08.) (17-8) Números 4: 1-49. Qual a importância dos Filhos de Coate?

O capítulo 4 de Números explica os deveres e responsabilidades dos ramos da tribo de Levi com relação ao tabernáculo. Moisés e Aarão eram filhos de Anrão , neto de Levi através de Coate (veja Números 3 : 1 9; t;:xodo 6 : 1 8 , 20) . Aarão e seus filhos eram ordenados ao sacerdócio, e os outros filhos de Levi foram-lhes dados para que os ajudassem nas mudanças e funções do tabernáculo (veja Números 3 : 5 - 1 3) . Coate parece ter sido o segundo filho de Levi (veja Números 3 : 1 7) , mas provavelmente foi mencionado f:m primeiro lugar por causa de seus netos Moisés e AarãD, e também porque seus descendentes masculinos eram a s portadores d o sagrado mobiliário d o tabernáculo . Os filhos de Levi iniciavam o seu ministério no tabernáculo aos trinta anos, a mesma idade que tinha. o Salvador quando iniciou o seu ministério terreno (vej a Números 4 : 3 , 23 , 30; Lucas 3 : 22-23) . (17-9) Números 5: 1-4. A Separação dos Imundos do Acampamento

Não era permitido aos portadores de lepra ou feridas supuradas marcharem ou acamparem junto aos demais membros de Israel (veja o vers o 2) . Ser colocado fora do acampamento implicava somente numa separação do

corpo principal dos israelitas, não na total rejeição ou abandono . Um renomado estudioso da Bíblia explicou por que tal isolamento era requerido . " A expulsão aqui mencionada tinha por base as seguintes razões: 1 . Uma de naturezaf(sica, ou seja, as enfermidades eram contagiosas, e portanto, se tornava necessário separar os enfermos dos demais, para que a infecção não se propagasse. 2. Havia também uma razão espiritual, pois o acampamento era a morada de Deus, e não seria permitido que algo impuro permanecesse onde ele estivesse. " (Clarke, Bible Commentary, Vol. 1 , p. 63 1 .) (17-10) Números 5: 11-31. O Julgamento do Ciúme

Esta lei, que servia para determinar a culpa ou inocência quanto a um adultério é intrigante em muitos aspectos. Em primeiro lugar, parece estar voltada severamente contra a mulher, pois não há um requisito similar no que se refere ao homem. Um exame mais próximo demonstrará o que estava envolvido nesta lei, e por que o Senhor a revelou. "Os rabinos que comentaram a respeito deste texto nos deram a seguinte informação: Quando qualquer homem, movido pelo espírito de ciúme, suspeitava que sua mulher havia cometido adultério, ele a apresentava primeiramente aos juízes, e a acusava da transgressão; porém, se a vítima alegasse inocência, e se recusasse a reconhecer a culpa, como ele não tivesse provas a apresentar, requeria que ela fosse sentenciada a beber a água amarga, uma penalidade indicada pela lei, para que Deus, através deste processo, pudesse pôr a descoberto o que ela pretendia ocultar. Depois de ouvirem a acusação e a negação da culpa, os juízes ordenavam que o homem e a mulher se dirigissem a Jerusalém e se apresentassem diante do Sinédrio, a única instância com poderes para julgar tais questões. Os rabinos afirmam que os juízes do Sinédrio primeiramente proferiam as mais terríveis ameaças, procurando confundir a mulher e fazer com que confessasse seu crime; se ela ainda continuasse a se dizer inocente, era levada à porta oriental da corte de Israel, onde era despida de suas roupas e vestida de negro diante de algumas pessoas de seu próprio sexo. O sacerdote então lhe dizia que se de fato se julgasse inocente, nada tinha a temer; todavia, se fosse culpada, teria que sofrer tudo o que a lei estabelecia; ao que ela respondia A mém, amém. "Em seguida o sacerdote escrevia as palavras da lei num pedaço de pergaminho, com tinta isenta de vitríolo, para que pudesse ser apagada com facilidade. Estas eram as palavras escritas, segundo a informação dos rabinos:­ " ' Se ninguém contigo se deitou, e se não te apartaste de teu marido pela imundícia, destas águas amargas, amaldiçoantes, serás livre. Mas, se te apartaste de teu marido, e te contaminaste, e algum homem, fora de teu marido, se deitou contigo, o Senhor te ponha por maldição e por conjuração no meio do teu povo, fazendo­ -te o Senhor descair a coxa e inchar o ventre. E esta água amaldiçoante entre nas tuas entranhas para te fazer inchar o ventre, e te fazer descair a coxa. ' "Depois disto, o sacerdote enchia um vaso de barro com a água da bacia de bronze que se encontrava perto do altar de holocaustos, lançava dentro dela um pouco de pó apanhado do chão do templo, misturava algo amargo, como o absinto, e, tendo lido para a mulher as maldições acima mencionadas, e recebido um A mém como resposta, ele apagava as maldições do pergaminho dentro do vaso de água. Enquanto ela assim procedia, outro sacerdote rasgava as roupas da mulher até a altura do peito, descobria-lhe a cabeça, desalinhava-lhe os cabelos,


199 amarrava-lhe as roupas rasgadas com um cinto abaixo dos seios, e a apresentava com a décima parte de um efa (cerca de dois litros) de farinha de cevada, que se achava numa frigideira, sem óleo ou incenso. "O outro sacerdote, que havia preparado as águas do ciúme, a entregava então à acusada para que bebesse, e assim que ela a ingeria, ele colocava a frigideira com farinha em suas mãos. A oferta era movida perante o Senhor, e parte dela lançada no fogo do altar. Se a mulher era inocente, retornava com seu marido, e as águas, ao invés de lhe causarem qualquer mal, a tornariam mais saudável e fértil que nunca. Se, pelo contrário, fosse culpada de tal crime, imediatamente empalidecia, seus olhos se esbugalhavam e, para que o templo não fosse contaminado com sua morte, era levada para fora dele, onde morria instantaneamente, vítima de todas as ignominiosas circunstâncias mencionadas na maldição . " (Clarke, Bible Commentary, Vol. 1 , p . 634.) Devemos notar vários fatos importantes : 1 . Embora este ritual fosse centralizado n o erro cometido pela mulher, ele de forma alguma indica que os homens culpados de adultério eram escusados de suas penalidades, pois a lei claramente afirmava que os adúlteros de ambos os sexos deviam ser apedrejados (veja Levítico 20: 1 0) . 2. D e certa forma, a lei concedia duas espécies de proteção à mulher. Primeiramente, sem esta lei, seria possível a um marido acusar injustamente sua esposa de lhe ter sido infiel. Se sua palavra fosse suficiente para condená-la, ela se encontraria, de fato, numa terrível situação. O fato de colocar a determinação da culpa ou inocência nas mãos de Deus, em vez de nas mãos de seu marido ou qualquer outro homem, lhe assegurava o direito de defender sua causa, caso fosse inocente. O segundo beneficio é mais suti!, mas provavelmente de maior valor que o primeiro . Se um marido suspeitasse que sua esposa cometera adultério, um dos resultados seria a profunda tensão que surgiria no relacionamento do casal. No sistema legal moderno, não havendo testemunhas para provar a culpa, um tribunal provavelmente a consideraria inocente. Todavia, a sua absolvição seria baseada na falta de uma evidência positiva de culpa, e não numa prova de inocência. Essa declaração legal, entretanto, pouco contribuiria no sentido de aliviar as dúvidas do marido, e a desavença continuaria a existir. Os amigos e vizinhos provavelmente também continuariam a abrigar suspeitas sobre sua inocência. Com o julgamento por ciúme, entretanto, a prova dramática de sua inocência, declarada por Deus, seria irrefutável. Desse modo, a reputação da mulher e o relacionamento conjugal eram salvos. Eram ainda asseguradas a verdadeira justiça e misericórdia, e todo o problema era resolvido. 3. Aqueles que perguntam por que não havia um teste semelhante que a mulher pudesse impor ao marido, devem-se lembrar de que, se a acusada se recusasse a submeter-se à prova, não bebendo da água, seu gesto era considerado uma confissão de culpa. Assim ela e o amante, com quem praticara o adultério, eram condenados à morte (veja Levítico 20: 1 0) . Se a mulher tentasse mentir e passar pelo teste, e trouxesse sobre si aquelas maldições, este resultado também era considerado como prova da culpa de seu companheiro . É possível que a esposa que suspeitasse ser seu marido culpado de infidelidade pudesse pedir que a suposta companheira dele se submetesse ao julgamento por ciúme. O resultado comprovaria imediatamente a culpa ou inocência do marido e da outra mulher.

4. ASHim, em um mundo em que geralmente se abusava dos direitos da mulher, o Senhor proporcionava os meios necessários para protegê-los, e ao mesmo tempo, fazer com que o mal fosse erradicado e a justiça cumprida.

(17-11) l'lúmeros 6:1-21. O que Era um Nazireu?

Um nazireu era um homem ou mulher que voluntariamente fazia o voto de dedicar sua vida ao serviço do Senhor, ou de viver consagrado a ele. Ser um nazireu nada tinha a ver com o fato de ser natural da cidade de Nazaré. Um nazireu fazia três votos: de abster-se completamente de vinho ou bebidas fortes, inclusive quaisquer produtos provenil!ntes da vinha sob qualquer forma (veja Números 6: 3-4); de não permitir que navalha tocasse sua cabeça, mas qm: deixaria seu cabelo crescer naturalmente, como uma coroa para Deus (veja Números 6:5); de não se achegar ao corpo de um morto, mesmo que fosse membro de sua própria família (veja Números 6:6) . Sua vida e todos 01. seus esforços eram expressos e completamente dedicadDs ao Senhor. Essa vida de consagração parecia-se com a vida do sumo sacerdote (veja Levítico 2 1 : 1 0- 1 2) . Entre aqueles que possivelmente fizeram tais votos, ou cujos pais os assumiram em seu nome, encontramos Sansão {veja Juízes 1 3 :5), Samuel (veja I Samuel 1 : 1 1 , 28), e João Batista (veja Lucas 1 : 1 5) . Em alguns casos, estes votos eram para a vida toda, mas mais freqüentemente eram feitos por um tempo determinado, depois do qual, a pessoa voltava à vida normal. (Dois exemplos encontrados no Novo Testamento que parecem relacionar-se a esse voto se acham registrados em Atos 1 8 : 1 8 - 1 9 e 2 1 :23-26.) (17-12) Números 7

A palavra prfncipe no hebraico significa "um líder ou governante da tribo" . Para um debate sobre os utensílios do tabernáculo, veja as Leituras de 1 3-7 a 1 3 - 1 2 . Para saber o valor de um siclo, examine a tabela de pesos e medidas na seção de Mapas e Gráficos.

o santuário, ou lugar santo


200 (17-13) Números 8:1-4. O que significa " . . . defronte do candeeiro alumiarão as sete lâmpadas"?

(17-18) Números 9: 15-23. Qual o Significado da Nuvem Sobre o Tabernáculo?

No hebraico, isto significa que quando as lâmpadas estavam acesas, sua luz iluminava tudo o que se encontrava no lado oposto do aposento ("defronte do candeeiro") (vers. 2) . Neste caso, a mesa do pão da proposição se achava no lado oposto da lâmpada.

Esta declaração é a mais compreensível na lei do Senhor acerca da movimentação do acampamento de Israel. Visto que a nuvem de fumaça e fogo era um sinal visível da presença de Deus, Israel aprendeu a literalmente seguir ao Senhor. Eles acampavam, desfaziam o acampamento, viajavam e prestavam seus serviços sob as ordens do Senhor - em hebraico se lê "segundo o dito de Jeová" (compare com o vers o 1 8) . Foram, de fato, ensinados a seguir a Jeová, que sempre dirigiu sua igreja e reino; no entanto, muitos israelitas não transferiram o significado desta milagrosa demonstração fisica a seu corolário espiritual mais importante.

(17-14) Números 8:5-22

Os levitas iniciavam seu serviço no tabernáculo exatamente como um bebê vem ao mundo - limpos e puros (veja os verso 6-7) . Além disso, os filhos de Israel impunham as mãos sobre o sacerdote (veja o verso 10), que era, então, ordenado ao seu serviço. Quando um israelita trazia uma oferta ao tabernáculo, antes de oferecê-la. em sacrificio, impunha as mãos sobre o animal e simbolicamente transferia sua identidade para ele (veda a Leitura 14-5). O fato de o povo de Israel impor as m. ãos sobre o sacerdote sugere que este tomava sobre si a identidade deles, isto é, que ele se tornava seu representante perante o Senhor. (17-15) Números 8:19. Qual É a Distinção Entre o Sacerdócio Aarônico e o Levítico?

(17-19) Números 10: 1-10

As trombetas de prata batida 'ou martelada eram usadas em sete ocasiões especiais: para fazer uma convocação . geral, reunir os príncipes ou líderes tribais, dar o sinal para levantar o acampamento, dar sinal de alarme para a guerra, anunciar os dias de comemoração e regozijo , anunciar o s dias d e festividades solenes, e proclamar o início das ofertas e sacrificios ao princípio de cada mês. Era evidentemente essencial haver um instrumento de longo alcance que pudesse fazer com que tão grande multidão se pusesse em movimento.

"O Sacerdócio Aarônico é dividido em A arônico e Levftico, sendo, no entanto, um só sacerdócio . É mera questão de designação de determinados deveres dentro do sacerdócio. Os filhos de Aarão, que presidiam na ordem aarônica, eram tidos como portadores do Sacerdócio A arônico; e os filhos de Levi, que não eram filhos d(! Aarão, eram chamados de levitas. Eles eram portadores do Sacerdócio A arônico, mas serviam sob a direção dos filhos de Aarão, isto é, numa capacidade menor. " (Doutrinas de Salvação, Vol. III, p . 87 .)

Os coatitas eram levitas da mesma família que Moisés e Aarão, sendo Coate seu avô, e filho de Levi (veja Números 4: 1 5 , 1 8 ; �xodo 6: 1 8 , 20) . Eles eram os únicos membros da tribo de Levi cuja bagagem (a mobília do tabernáculo) era tão importante, que se requeria que a carregassem nas mãos (veja Números 7 : 9) .

(17-16) Números 8:23-26. Qual Era a Mordomia dos Levítas?

(17-21) Números 10:29-32. Quem Era Hobabe, e Por Que Moisés Lhe Disse, "De Olhos nos Servirás" ?

O capítulo 4 de Números fala a respeito do papel singular que os levitas desempenhavam no transport(! do tabernáculo, e estes versículos do capítulo 8 se referem à mordomia e serviço que nele prestavam. Considerando que os levitas haviam sido consignados a Aarão e seus filhos para ajudá-los na administração das sagradas ordenanças, eles tinham a incumbência de armar e desarmar o tabernáculo, limpá-lo, carregar lenha e água, e matar os animais que seriam usados por seus irmãos ao oferecerem estes sacrificios. A eles era permitido inic'iar a prestação de seus serviços cinco anos antes que os encarregados de transportar o tabernáculo . (Compare com Números 8 : 24; 4 : 3 . ) Após os cinqüenta anos, os levitas "com seus irmãos servirão" , ou seja, com Aarão e seus filhos, cuidando do mobiliário do tabernáculo (Números 8 : 25-26; veja também 3 : 7-9). Este serviço voluntário era o coroamento de s,eus anos avançados.

Reuel (veja �xodo 2 : 1 8) era Jetro, sogro d e Moisés . "Hobabe, cunhado de Moisés, foi persuadido, embora inicialmente relutasse a acompanhar os filhos de Israel e a lhes "servir de olhos" ou guia. Embora Jeová fornecesse as orientações gerais, Hobabe conhecia bem a região, e poderia ajudar a descobrir as trilhas específicas, lugares para acampamento , etc. Que sua família acompanhou o êxodo, e recebeu uma herança na terra de Israel, é evidenciado em Juízes 1 : 1 6 e 4: 1 1 ; também I Samuel 1 5 :6, II Reis, 10: 15; I Crônicas 2:55; e mais tarde em Jeremias 3 5 , onde este profeta cita seu povo como exemplo de integridade. " (Rasmussen, Introduction to the Old Testament, Vol. 1 , p . 1 1 5 . )

(17-17) Números 9:1-14

O conceito mais importante ensinado pela festa da Páscoa era o de que, através de uma cerimônia precü:a, Israel possuía um protótipo e um simbolo do Filho Unigênito de Deus, cujo sangue salvaria o homem espiritualmente, assim como o sangue em suas portas no Egito os salvara fisicamente. (Examine novamente as Leituras 1 0- 1 e 1 0-6.)

(17·20) Números 10:21

(17-22) Números 11:16-17, 24-29. Que Dom Especial Foi Dado aos Setenta?

"Atendendo ao pedido de Moisés para que tivesse ajuda, setenta Q.omens foram escolhidos e investidos com o 'espírito que está sobre (ele)' (isto é, sobre Moisés, significando que receberam um pouco da mesma autoridade e dons espirituais) para que pudessem estar aptos a também 'profetizar' . Quando algumas pessoas reclamaram que dois dos homens que não haviam estado presentes à cerimônia de posse estavam profetizando no arraial, Moisés respondeu com o seu desejo, 'Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu espírito ! ' E recusou-se a proibi-los de profetizar.


201 ("Observe que vivemos numa dispensação em que todos os membros da congregação do Senhor podem ter o dom da profecia, e muitos outros, porque todos foram batizados e receberam o ' Dom do Espírito Santo' . No entanto é que muitos de nós não utilizamos esse dom.) "Para maiores informações sobre esses dons espirituais na época de Paulo , vej a I Coríntios 1 2:4- 1 0 . " (Rasmussen , Introduction to the Old Testament, Vol . 1 , p. 1 1 5 . ) Neste material s e encontra outra evidência d a grandeza de Moisés . Alguns líderes se sentiriam ameaçados se seus subordinados demonstrassem possuir dons e habilidades semelhantes aos deles, temendo perder seus privilégios e posição . O mesmo não acontecia a Moisés . Respondendo à reclamação de Josué, Moisés perguntou , 'Tens tu ciúmes por mim? ' (Números 1 1 : 29.) Tanto não se sentia ameaçado por esta partilha de seu poder espiritual, como ainda expressou o desej o de que todo israelita pudesse desfrutar do mesmo com ele .

(17-23) Números 11: 19-20, 31-35 Quando Deus enviou as codornizes, atendendo ao anseio de Israel de provar outra coisa que não fosse o maná, o povo se tornou guloso . O que conseguira pegar o menor número de pássaros, reuniu o equivalente a cem alqueires, uma quantidade muito além da necessidade normal . A ganância de possuir mais do que poderiam usar fez com que um justo castigo sobreviesse ao povo . Não sabemos quantos foram mortos pela praga, mas o lugar foi chamado de "Sepulcros da Concupiscência, ou Sepulcros da Cobiça" . (Veja o vers o 34.)

Codorniz do deserto

que efetuaram contra os etíopes, ele casou-se com uma mulher daquela raça, para fazer uma aliança política e terminar a guerra. A razão ostensiva para as queixas de Miriã e Aarão era a de que os etíopes eram os descendentes não israelitas de Cuse . O motivo real da queixa, todavia, parece ter sido a inveja que tinham da posição que Moisés ocupava como líder espiritual e profeta de Israel . "O crescimento de Moisés gerou a inveja no coração de seu irmão e irmã, a quem Deus também havia ricamente abenço ado e elevado a posições de destaque, pois Miriã era considerada uma profetisa sobre todas as mulheres de Israel, ao passo que Aarão havia galgado, com sua investidura no sumo sacerdócio , o posto de cabeça espiritual de toda a nação . Porém, o orgulho do ser natural não se satisfazia com isso . Eles tinham que disputélf com seu irmão Moisés , a preeminência de seu chamado especial e posição exclusiva a qual j ulgavam ter o direito de reclamar para si não somente como irmão e irmã do proJeta, mas como os mais próximos sustentáculos de seu cha!mado . Miriã foi a instigadora de uma rebelião aberta, como podemos ver pelo fato de seu nome ser citado antes do de Aarão, e do verbo ser empregado no feminino . " * (Keil and Delitzsch , Commentary, 1 : 3 : 7 5 . ) Hojt: e m dia, os membros da Igreja caem e m idêntica armadilha. Em virtude de o Senhor abençoá-los com os dons do Espírito , j ulgam-se achar em posição superior ou equivalente à da autoridade do sacerdócio que os preside . Se não se humilharem e se submeterem aos servos de Deus que foram chamados para presidir, logo se encaminharão para a apostasia. Ainda que o Senhor satisfizesse o desej o de Moisés , e concedesse que todo membro da casa de Israel recebesse o dom da profecia (veja Números 1 1 :29) , Moisés ainda continuaria a ser o homem que Deus escolhera para presidir. Uma pergunta que sempre costum a surgir é: por que somente Miriã, e não Aarão, foi castigada com a lepra, quando ambos haviam-se rebelado? Há duas possíveis razões. Primeira, como afirmaram Keil e Delitzsch, Miriã foi a instigadora da rebelião contra o direito que Moisés tinha de presidir. Conseqüentemente, seu pec ado era de natureza mais grave. Em segundo lugar, o ato de Aarão procurar obter uma posição maior de liderança no sacerdócio era uma demonstração de orgulho e avidez por engrandecimento pessoal . Ele aspirava a uma posição para a qual não fora chamado . Quando Miriã quis a mesma coisa, ela não somente demonstrou orgulho, como também tentou estabelecer uma ordem contrária ao sistema de governo estabelecido por Deus . Desde o princípio, os chamados no sacerdócio e o direito de presidir foram concedidos aos homens . A intenção que Miriã tinha de liderar num plano de igualdade com Moisés representava uma séria ruptura no sistema de ordem instituído por Deus.

(17-24) Números 12:1-11 . Por Que Miriã e Aarão se Voltaram Contra Moisés? De acordo com o historiador Flávio Josefo , na época em que Moisés era general dos exércitos egípcios no ataque

• N T - N o texto e m hebraico o nome d e Miri ã , d e fato, precede o de Aarão, e na mesma língua, os verbos são conjugados segundo número gênero.

e


202

Miriã, uma profetisa rebelde.

PONTOS A PONDERAR (17-25) Freqüentemente os professores do Velho Testamento separam os capítulos 1 1 e 12 de Números, tratando cada um deles como se fossem duas histórias diferentes, quando na realidade podemos aprender uma poderosa lição observando as relações que há entre des . Responda às seguintes perguntas ao estudar novamente estes dois capítulos . 1 . O que havia acontecido imediatamente antes da reclamação sobre o alimento? (Veja Números 1 1 : 1 -3). O que este incidente nos sugere acerca da má vontade que Israel tinha de aprender com aquela experiência? 2. Quando os israelitas se queixaram da rotina de sua dieta, de quem estavam realmente reclamando? (Veja 1 1 :20.) 3. Maná era o nome popular dado ao alimento enviado por Deus, e provém de uma palavra hebraica que significa "Que é isto? " (Veja Êxodo 1 6 : 1 5 , nota de roft apé a.) Que nome o Senhor dera àquele alimento? (Veja Exodo 16:4.) 4. Que representação ou significado simbólico voc ê pode ver no fato de Israel haver se cansado do alimento que vinha dos céus, e demonstrado 'grande desej o ' (Números 1 1 :4) pela comida d o Egito? (Compare c o m João 6: 30-3 5 , 5 1 .) Lembre-se d e que o Egito, como a Babilônia, é um protótipo ou símbolo do mundo . (Veja Apocalipse 1 1 : 8 .)

5 . O Senhor eventualmente concedeu a Israel o que desejavam e forneceu-lhes carne de codornizes; mas , antes de assim fazer, atendeu o pedido de Moisés relativo a obter auxílio no peso da liderança. Ao invés de simplesmente convocar auxílio adicional, que método o Senhor escolheu para dividir as responsabilidades de Moisés? (Veja 1 1 : 1 6- 1 7 , 24-25 . ) 6. Foi concedido aos setenta anciãos d e Israel u m dos dons do Espírito, o dom da profecia (veja D&C 46:22) . A respeito de que teriam eles profetizado? (Veja Mosias 1 3 : 33-3 5 . ) 7 . Leia d e novo, com bastante atenção, João 6 : 33-34, 47-5 1 . Consegue agora ver algo de significativo no fato de que o Senhor enviou o dom de profecia aos israelitas que estavam reclamando de que estavam cansados de comer maná? 8. Observe a linguagem usada com referência ao ato de se alimentar, em escrituras como 2 Néfi 9 : 5 1 ; 32:3; Isaías 40: 1 1 ; João 2 1 : 1 5 - 1 7 ; D&C 20:77. Quem verdadeiramente se alimentou naquele dia, os israelitas que recolheram as codornizes, ou os setenta que se banquetearam com os frutos do Espírito? De que maneira estes eventos dão maior significado ao apelo de Moisés , "Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu espírito ! " ? (Números 1 1 : 29.) 9 . Como eventualmente terminarão aqueles que procurarem banquetear-se apenas com as coisas da carne do mundo? (Veja Números 1 1 : 3 1 -34.) 1 0. Agora reflita sobre a rebeldia de Miriã e Aarão , no contexto do que acabara de acontecer. Com toda a certeza Aarão teria sido um dos setenta líderes do povo, escolhido para receber o dom da profecia (veja 1 1 : 1 6) . Miriã também possuía esse dom, o qual não lhe havia sido dado nesta época, mas em uma ocasião anterior, pois ela era considerada uma "profetisa" (Êxodo 1 5 : 20) . Há algum risco de que uma pessoa que desfrute do maravilhoso poder do dom da profecia venha a pensar que, subitamente, se tornou igual em poder ao profeta, que é o oficial presidente no sacerdócio? Por quê? 1 1 . Suponha que o Senhor houvesse atendido ao desejo de Moisés (veja Números 1 1 :29) de que todo o povo de Israel fosse profeta. Teria isto significado que Moisés já não maís era o profeta ou oficial presidente do sacerdócio em Israel? 1 2 . O pecado de Miriã não foi o de buscar ser igual a Moisés em termos de dons espirituaís, mas sim, o de procurar compartilhar com ele o chamado de oficial presidente no sacerdócio . Que lição a moderna Israel pode aprender através deste evento? 1 3 . Vimos em Levítico que a lepra era, em si e por si, um protótipo (veja a Leitura 1 5-7) . Qual é, portanto, o significado simbólico de Miriã ter sido castigada por haver rejeitado a posição de liderança ocupada por Moisés? Que relação tem este castigo com a advertência dada em Doutrina e Convênios 1 : 14?


I� I!! \


Números 13-36

18

As Peregrinações no Deserto, Parte 2 (18-1) Introdução No Velho Testamento há histórias de homens e mulheres notáveis e maravilhosos. Abraão Sara Rute , ' Moisés , Adão , Eva, Enoque, e muitos out; os ' proporcionam inspiração a todos aqueles que desejam alcançar a verdadeira grandeza. Mas o Velho Testamento tambéJ? registra muitas tragédias . A tragédia não se traduzIU pelo que aconteceu, mas pelo que foi perdido e pelo. que poderia ter sido , comparado ao que foi . O re{ DavI perdeu a exaltação em virtude de sua tola tentativa de, �través de um assassinato, ocultar o adultério que praticara. Saul, chamado pelo Senhor para ser o primeiro . rei de Israel, logo esqueceu-se de quem era o verdadeiro soberano, e terminou sua vida numa busca desesperada �a paz e tranqüilidade. Sansão possuía dons e poderes mcomun� que o Senhor lhe dera; entretanto, desperdiçou­ -os em atitudes frívolas e egoístas . Neste capítulo , você estudará a respeito de outra tra�édi � do V�lho Test�ento, só que, neste caso , ela foi de ambIto nacional . Os Israelitas haviam sido libertados das .mãos do maior império do mundo da época. Eles haViam testemunhado as pragas que afligiram os egípcios, mas que não molestaram a Israel . Com suas próprias mãos haviam aspergido sangue nas portas de seus lares, e então escutado os gritos dos egípcios ao perderem seus primogêni� os. �a�i �m caminhado entre muralhas de água, que se haViam dlVldldo ante a ordem de Moisés e presenciado as mesmas águas se fecharem, eng �lfando os ex.ércitos do faraó. Haviam comido do pão que mIla?rosamente aparecera a cada manhã, bebido de água que Jorrara de uma rocha, e visto o Sinai estremecer e b �il � como que envolto em fogo . Que povo , em toda a hlstona da terra, recebeu maior testemunho de que Deus estava com eles, e de que usaria seu insuperável poder em seu beneficio? Os israelitas haviam recebido muito e muito mais lhes fora prometido . Então veio a escoiha e ' por ter sido ela tão tola, cega e absolutamente sem fé esta ' geração de Israel pôs tudo a perder . Leia agora sobre a tragédia de Israel. Ela deve fazer com que c�da alma justa de todas as épocas chore por este povo �nsensato . .Examine seu próprio coração e veja se a calamidade sofnda por Israel não poderia repetir-se em sua própria vida.

Instruções aos Alunos 1 . Ao ler e estudar Números 1 3-36, utilize o auxílio que as Notas e Comentários podem-lhes oferecer. 2. Complete a seção de Pontos a Ponderar conforme as orientações que lhe forem forn idas pelo professor. (Os alunos que estudam individualmente devem completar toda a seção.)

NOTAS E COMENTÁRIOS SOBRE NÚMEROS 13-36 (18-2) Números 13: 1-33. Os Espias e Seu Relato Negativo Sobre a Terra Prometida Nes te ponto da história, fazia apenas alguns meses que Israel havia saído do Egito e recebido a lei de Deus . O Senhor indicou que aquele era o momento adequado para entrarrem e tomarem posse da terra prometida. Ele ordenou que fosse enviado um grupo de reconhecimento a Canaã., a fim de explorarem a região . A evidência da grande riqueza da terra era irrefutável, e os espias chegar� até mesmo a trazer cachos de uvas , carregados por dOIS homens numa vara, a fim de demonstrar a beleza e riqueza dos frutos da terra (veja Números 1 3 :23) . No entanto , os espias , com exceção de Josué e Calebe, relataram que, apesar da grande fartura de Canaã não havia qualquer esperança de expulsarem seus habiÍ antes . O tom exagerado de seu relato negativo se evidencia nas palavras que usaram, como "mui grandes" (Números 1 3 :28; itálicos acrescentados) , "é terra que consome os seus moradores" ( 1 3 : 32) , "todo o povo que vimos . . . são homens de grande estatura" ( 1 3 : 32, itálicos acrescl�ntados) , "vimos ali gigantes" ( 1 3 : 3 3 ; itálicos acresc,�ntados), "éramos . . . como gafanhotos" ( 1 3 : 3 3 ' ' itálicos acrescentados) . Estf: relato exagerado, por si só, foi suficientemente negativo, demonstrou a falta de fé dos dez homens que o prestaram. A tragédia nacional, porém, teve início quando Israel deu ouvidos ao que disseram estes homens. Abertamente rejeitaram as numerosas evidências do poder de Deus que haviam presenciado quase que diariamente, e começaram a reclamar que teria sido melhor se j amais tiv.e� sem saído do J?gito. E as queixas não pararam por aí. Imclaram um movimento para rejeitar a Moisés e escolher um líder que os levasse de volta ao Egito (veja Números 14:4 e Neemias 9: 1 7 , onde se sugere que, de fato, chegaram a escolher os líderes que os conduziriam em sua viagem de retorno) . Quando Josué e Calebe tentaram neutralizar o efeito dos relatos negativos , a congregação tentou apedrejá-los (veja Números 14: 1 0) . Não é d e s e admirar, pois, que a ira d o Senhor s e tenha acendido contra Israel. Numa grande oração intercessória ' Moisé:; pediu misericórdia para seu povo (vej a Números 14: 1 3- 14) . Ele não escusou o procedimento dos filhos de Israel, mas apenas ressaltou a longânime misericórdia que o Senhor possuía. Israel foi poupada da destruição; perdeu , porém, o privilégio de entrar imediatamente na terra prometida. Durante os próximos trinta e oito anos teriam que peregrinar através do árido deserto do Sinai. Eles bl�m poderiam ter conquistado os habitantes da terra prometida, construído cidades , comido do fruto da terra que m anava "leite e mel" (Números 1 3 :27), e criado seus


206 filhos em conforto e paz. Mas não o quiseram, e, assim, todas as pessoas acima de vinte anos de idade que haviam repudiado o poder do Senhor, com exceção de Josué e Calebe, teriam que morrer no deserto .

(18-3) Números 14:40-45. Israel Pode Prevalecer Sellll a Ajuda do Senhor? Quando Moisés transmitiu aos israelitas todas as palavras do Senhor, registrou que "o povo se contristou muito" (Números 14: 39) . Entretanto, tal pesar não era oriundo de um verdadeiro arrependimento, conforme demonstram os eventos que ocorreram logo a seguir . Como crianças imaturas que não conseguem entender a razilo de um castigo paterno, Israel subitamente decidiu que deveria invadir a terra de Canaã, "porquanto havemos pecado" (vers . 40) . Mas Moisés afirmou já ser tarde demais. O Senhor havia retirado o mandamento de subir e tomar posse da terra, e portanto, se persistissem, teriam que fazê­ -lo sem a ajuda de seu poder. Aí ocorreu o segundo estágio da tragédia. Os israelitas tinham acabado de perder o direito de entrar na terra prometida, por haverem-se recusado a seguir ao Senhor . Agora, procurando demonstrar quão "arrependidos" estavam, negaram-se a obedecer a Jeová. Lacónica e amargamente, Moisés simplesmente declarou, "Então desceram os amalequitas e os cananeus, que habitavam na montanha, e os feriram, derrotando-os" (vers . 45) .

(18-4) Números 15: 1-26 Aqui está registrada a real aplicação das diversas ofertas de sacrificio prescritas em Levítico 1 a 7. As kis de sacrificio, que proporcionavam a expiação e reconciliação com Deus , foram reiteradas neste ponto do relato de Moisés , porque no estado de rebeldia em que Israel se encontrava, elas lhes possibilitariam meio de novamente obter os favores de Deus .

(18-5) Números 15:27-31 Na antiga Israel, as pessoas que pecavam conscientemente deveriam ser "extirpados" (vers . 30) , isto é, deveriam ser excomungadas do meio do povo (vej a o vers o 30) . Em alguns casos, a natureza do pecado exigia também a pena de morte . Essa medida drástica era necessária porque o pecador "desprezou a palavra do Senhor" (vers . 3 1 ) . Não se tratava de um pecado cometido por ignorância ou fraqueza, mas de uma recusa deliberada a obedecer à palavra do Senhor . Assim sendo, esta lei nos ensina, individualmente, a mesma lição ensinada a Israel coletivamente, ou seja, que quando as pessoas ou urna nação desprezam a palavra do Senhor e voluntariam(�nte transgridem,.são extirpadas da presença de Deus, e n ão mais fazem parte do povo do convênio. São fadadas a sofrer a morte espiritual.

(18-6) Números 15:32-36. Apanhar Lenha no Dia do Senhor É Passível de Morte? Apedrejar uma pessoa por ter violado o Dia do Senhor parece um castigo por demais severo . Em seu context o histórico , porém, duas coisas são importantes . Moisés havia há pouco revelado a lei para rebelião deliberada contra Deus . Será que o transgressor conhecia a lei rdativa ao Dia do Senhor? Moisés , já havia ensinado que a violação desse dia seria punida com a morte (veja �xodo 3 1 : 1 4- 1 5 ; 3 5 : 2) . Sem dúvida alguma, este era um exemplo

inequívoco de alguém que "desprezou a palavra do Senhor" (Números 1 5 : 3 1 ) . Reflita por u m momento acerca d o que acabara de acontecer a Israel . Como nação, haViam desprezado a palavra do Senhor , primeiro negando-se a combater os cananeus como o Senhor ordenara, e segundo, combatendo-os ao o Senhor proibi-lo . Por esse motivo , Israel não obteve a permissão de entrar na terra de sua herança. Agora um indivíduo desprezara a palavra do Senhor e se recusara a guardar o repouso relativo ao dia santificado . Assim como Israel deveria sofrer a morte no deserto, em virtude de sua rebeldia, semelhante castigo deveria ser infligido ao indivíduo rebelde . Se assim não fosse, Deus seria incoerente e contraditório .

(18-7) Números 15:37-41 . Em Que Consistiam as Franjas nas Bordas dos Vestidos? Um símbolo é uma coisa que representa outra. Um dos propósitos da utilização de símbolos é fazer com que nos· lembremos dos compromissos importantes que assumimos . Por exemplo , o pão e a água do sacramento são simbolos que nos lembram do sacrificio expiatório que Cristo fez por nós , e dos convênios que fizemos com ele . Israel vivia a lei do sacrificio por uma razão semelhante. Da mesma forma, o Senhor ordenou à Israel peregrina que usasse franjas nas bordas de seus vestidos , para que quando as vissem, se lembrassem dos mandamentos do Senhor (veja o vers o 39) . O homem usa o vestuário para cobrir , proteger e embelezar o seu corpo . Assim sendo, o ato de colocar franj as numa peça de vestuário simbolizava que o indivíduo se achava vestido, ou coberto com os mandamentos de Deus . O cordão azul também representava conceitos de profunda importância. O azul é a cor do céu , portanto simboliza a esfera espiritual ou divindade. "O zizith (borla) do cordão azul-celeste deveria servir como um sinal que lembrasse os israelitas dos mandamentos de Deus, para que os tivessem continuamente ao alcance de seus olhos e os seguissem , e não voltassem seus olhos e coração para as coisas do mundo , que os afastavam da palavra de Deus, e os desencaminhavam rumo à idolatria. " (Keil and Delitzsch, Commentary, 1 : 3 : 1 04.)

(18-8) Números 16: 1-40. A Rebeldia de Coré e de Outros Líderes de Israel A rebeldia de Coré foi um desafio direto à autoridade e liderança de Moisés e Aarão . Até este ponto , Israel estivera se queixando e murmurando com constância; mas aparentemente, esta foi uma tentativa bem maior, a fim de substituir Moisés como o escolhido de Deus para conduzir seu povo . (A rebeldia de Miriã e Aarão fora uma tentativa para granjear-lhes uma posição igual e ao lado de Moisés , mas não houve qualquer intenção de derrubá-lo .) Coré, um levita, ao acusar Moisés e Aarão de se elevarem acima do povo (veja os vers o 2-3), contava com o apoio de duzentos e cinqUenta dos líderes mais preeminentes de Israel . Sua afirmativa, de que "toda a congregação é santa, todos eles são santos" (vers . 3) foi semelhante àquela apresentada pelos apóstatas zoramitas, que agradeceram a Deus por serem seus "santos filhos " (Alma 3 1 : 1 6) . J á teria sido u m caso bastante sério s e esta insurreição houvesse sido encabeçada por qualquer filho de Israel,


207 quanto mais por Coré, que era um levita e possuía o santo sacerdócio, e que por este motivo, tinha que ser alguém que deveria primar pela obediência, e não pela rebeldia. As perguntas que Moisés lhe dirigiu , as quais se acham nos versículos 9 e 10, são deveras significativas . Na tradução de Joseph Smith do versículo 10 pode-se ler que Moisés perguntou a Coré se ele estava tentando usurpar também a autoridade do sumo sacerdócio . Ao invés de ter em seu íntimo um sentimento de reverência e gratidão pela honra de ser um levita, Coré e seus companheiros procuraram apoderar-se do sacerdócio maior e da liderança da nação . Esta foi uma grave crise na vida política e religiosa de Israel , e o Senhor julgou apropriado resolvê-la de uma forma direta e dramática. O Senhor ordenou que tanto Aarão e os legítimos portadores do sacerdócio, como Coré e seus seguidores trouxessem incensários e incenso ao tabernáculo . O incensário era um pequeno recipiente de metal, feito para conter brasas vivas retiradas do altar do tabernáculo . Durante os serviços que ali se realizavam, era requerido que o sacerdote oficiante aspergisse incenso sobre as brasas do altar de incenso , que ficava situado diretamente em frente ao véu do tabernáculo. 'Outras escrituras indicam que a queima de incenso era um símbolo da oração (veja Apocalipse 5 : 8 ; 8 : 3 -4; Salmos 1 4 1 :2), sugerindo que o homem só pode aproximar-se de Deus em súplica sagrada. Ao pedir que cada um dos grupos trouxesse incensários e incenso , o Senhor aplicou um teste bem semelhante ao que Elias apresentou aos sacerdotes de Baal (veja I Reis 1 8 : 1 7-40) . Naquela ocasião fora pedido aos falsos adoradores que invocassem a Deus por um sinal de que Baal tinha poder . Ao fracassarem o Senhor deu um dramático testemunho físico de que ele era Deus, fazendo com que descesse fogo do céu e consumisse o sacrifício e o altar. Neste caso, foi pedido a Coré e seus seguidores que trouxessem fogo diante do Senhor, como um símbolo de suas orações e súplica para que defendesse a sua causa. Em vez disso, a terra se abriu , engolinqo os líderes da rebelião (veja Números 1 6 : 3 1 -33), ao mesmo tempo que desceu fogo dos céus, consumindo os outros duzentos e cinqüenta homens que presumiam poder usurpar os poderes do sacerdócio (veja o vers o 35).

(18-9) Números 16:41-50. Os Filhos de Israel Murmuraram Não podemos deixar de nos espantar ante a dureza do coração de Israel . Haviam presenciado uma incrível demonstração do poder de Deus , que diretamente confirmava o chamado de Moisés e Aarão como líderes de Israel . Entretanto, mesmo diante daquele poder miraculoso eles murmuraram, dizendo que Moisés e Aarão haviam matado os verdadeiros servos do Senhor (veja o verso 4 1 ) . Não é de admirar que Abinádi descrevesse aquele povo como "povo obstinado, rápido para cometer iniqüidade e vagaroso para lembrar-se do Senhor seu Deus" (Mosias 1 3 :29). Além disso devemo-nos maravilhar com a grande paciência e longanimidade do Senhor.

(18-10) Números 17: 1-13. Qual É o significado da Vara de Aarão Florescer? No dia da insurreição contra a liderança de Moisés e Aarão, o Senhor deu duas demonstrações miraculosas que evidenciaram inequivocamente a Israel, quem ele havia escolhido para conduzir o seu povo . Primeiro, Coré e seus companheiros de rebelião foram mortos , tragados pela terra ou consumidos pelo fogo . Segundo, aqueles que

continuaram a defender a liderança maligna de Coré, mesmo após a sua morte, foram destruídos por uma praga (veja Números 1 6:49) . As escrituras afirmam que aproximadamente quinze mil pessoas perderam a vida, tentando provar que Moisés e Aarão não eram as pessoas indicadas para guiar Israel . Depois disso , o Senhor operou outro milagre, para deixar claro a quem escolhera para possuir o sacerdócio . Os estudiosos da Bíblia explicam a importância desse milagre da seguinte maneira: "O milagre operado por Deus, nesta ocasião , como o Criador da natureza, era, ao mesmo tempo, um símbolo import,ante da natureza e significado do sacerdócio . A escolhol, de varas também tinha em si uma significação . A vara df: um homem era o sinal de sua posição como cabeça de sua casa e congregação . Quando em poder de um príncipe, torna-se um cetro , a insígnia de governo (veja Gênesi:; 49: 1 0) . Sendo um ramo cortado, uma vara não poderia produzir brotos nem florir de forma natural . Deus, porém, poderia conferir novos poderes vitais mesmo para uma vara seca. Aarão não possuía preeminência sobre os cabeças das outras tribos, mas o sacerdócio era fundamentado não em qualidades e dons naturais, senão no poder do Espírito, o qual Deus concede de acordo com seus sábios desígnios , e o qual ele outorgara a Aarão pela sua consagração com o santo óleo da unção . Isso é o que o Senhor pretendia demonstrar ao povo , fazendo com que a vara de Aarão produzisse ramos, flores e frutos , através do milagre de sua onipotência, ao passo que as varas dos cabeças das outras tribos permaneceram tão secas quanto antes . Deste modo, portanto, houve um profundo significado no fato de a vara de Aarão não somente produzir brotos, pelo que sua eleição divina poderia ser reconhi!cida, mas ela até mesmo floresceu e deu frutos maduros . Isto era uma evidência de que Aarão não somente se qualificava para seu chamado, como também ministrava em seu ofício com pleno poder do Espírito , e produzia os frutos que dele se esperava. A vara de amendoeira era especialmente apropriada para demonstrar isso , pois essa árvore é a primeira de todas a florescer e dar frutos . (Keil and Delitzsch , Commentary, 1 : 3 : 1 1 4 . )

(18-11) Números 18. Os Sacerdócios Levítico e Aarônico Aqui uma distinção é feita entre as duas ordens do Sacerdócio Aarônico . Embora os termos A arônico e Levítico sejam algumas vezes usados alternadamente (veja D&C 107: 1 , 6, 1 0) , havia certas diferenças em suas obrigaç ões . O sacerdócio menor fora concedido aos membr os da "tribo de Levi" (Números 1 8 :2) , à qual Aarão l! seus filhos pertenciam. Os levitas tinham a seu encargo a execução dos serviços domésticos do tabernáculo, tal como encher as lâmpadas de azeite e acendê ..las , carregar a arca do concerto, montar e desmontar o tabernáculo, e assim por diante. Os sacerdotes, que eram escolhidos somente dentre os fIlhos de Aarlio, eram designados a oferecer sacrifícios, queimar incenso , instruir o povo na lei, etc . Quem presidia todos os sacerdotes, ou fIlhos de Aarão, era um de seus prímogênitos . Ele servia como sumo sacerdote, ou presidente dos sacerdotes (veja Números 3 : 5 - 1 0; 1 8 : 1 -7; I Crônicas 23 : 27-32) . Os homens escolhidos para ministrar nos ofícios de sacerdote e de levita eram sustentados pelos dízimos e ofertas dos fIlhos de Israel (veja Números 1 8 : 2 1 , 24) . Foi por isto que o Senhor disse a Aarão , "Todo o melhor do azeite, I� todo o melhor do mosto e do grão, as suas prírnícias que derem ao Senhor as tenho dado a ti" (vers .


208 1 2) . Como todos em Israel, os sacerdotes também deveriam pagar o dízimo sobre estas coisas (veja o v�:rs . 26) . Além disso , os levitas tinham de possuir um lugar para morar . Eles não haviam recebido uma herança de terras como as outras tribos, pois sua herança era o sacerdócio (veja o vers o 20) . A fim de espalhá-los entre as tribos e prover-lhes um lar, Moisés ordenou que fossem estabelecidas quarenta e oito "cidades levitas" para os que ministravam às necessidades espirituais de Israel (veja Números 3 5 : 1 -8). Esta herança levítica foi concedida na época em que Josué conquistou a terra de Canaã (veja Josúe 2 1 ) .

(18-12) Números 1 9 . A s Leis d e Purificação Nos tempos antigos, o israelita que estivera presente à morte de alguém, ou perto de alguém já falecido , era considerado imundo (veja a Leitura 1 5-3) . Este capítulo de Números descreve a maneira pela qual tal indivíduo (�ra purificado . Primeiramente, uma bezerra ruiva, era morta, queimada, e suas cinzas postas de lado . Em seguida, as cinzas eram misturadas com água pura, tal mistura era aspergida sobre aqueles que se haviam contaminado . Isto era conhecido como "a água de separação " , visto que , por meio dela, a pessoa era separada, ou purificada do pecado (vers. 9) . Se uma pessoa deixasse de se purificar desta forma, "do meio da congregação será extirpada" (vers . 20) . Podemos encontrar uma boa dose de simbolismo vital nesta ordenança. Todo o que se contamina com o pe:cado sofre a morte espiritual, através da qual é extirpado da presença de Deus pela perda do Espírito Santo . O afastamento da morte espiritual é obtido por meio da fé na expiação de Cristo (representada pela morte da bezerra ruiva), do arrependimento do pecado, do batismo na água, do recebimento do Espírito Santo , e da obediência aos mandamentos de Deus . A pessoa que, depois disto , comete certos pecados graves e se recusa a se arrepender, da mesma forma, "do meio da congregação será extirpada" , ou seja, excomungada (vers . 20) .

repreendeu Moisés e Aarão por não o haverem santificado perante os olhos do povo, e disse a ambos que nenhum deles teria o privilégio de conduzir Israel à terra prometida (veja o vers o 1 2) . Eles não apenas haviam deixado de seguir criteriosamente as instruções do Senhor, mas tinham dado a entender que eles haviam providenciado a água. Este incidente, considerado com outras escrituras, dá origem a uma série de perguntas . Será que Moisés realmente pecou contra o Senhor? Foi essa a razão pela qual não lhe foi permitido entrar na terra prometida? Moisés realmente tomou para si a glória daquele feito, ou estava simplesmente zangado com a incredulidade dos filhos de Israel? Teria sido apenas este erro o suficiente para cancelar tantos anos de grande fé, obediência e devoção? Pelo menos duas passagens do Velho Testamento indicam que Moisés pecou ao ferir a rocha de Meribá (veja Números 27 : 1 2- 1 4 ; Deuteronômio 32: 5 1 -52) . Outras escrituras, entretanto, ajudam a esclarecer melhor o assunto . Deuteronômio 3 :26 e 4:21 indicam que o Senhor revelou a Moisés que não lhe permitia entrar na terra prometida porque estava indignado com ele "por causa de vós" (itálicos acrescentados) . Esta declaração poderia implicar na existência de outros motivos que não a falta de Moisés , para a proibição . Dois outros fatos dão maior peso a esta suposição . Primeiro , tanto Moisés como o sacerdócio maior haviam sido retirados de Israel, em virtude da iniqüidade do povo, não de Moisés (veja D&C 84:23-25). Segundo , chegando ao término de seu ministério mortal, Moisés foi transladado (veja Alma 45 : 19). Em outras palavras, ele teve o privilégio de entrar numa terra da promissão muito mais grandiosa que a de Canaã. Moisés havia completado seu chamado na mortalidade, e um novo líder se encarregaria de conduzir Israel à terra de sua herança. E além disso, há o fato de haver sido transladado - o que certamente não representa uma punição para pecados contra Deus.

(18-13) Números 20:2-13. Por Que Não Foi Permititl.o a Moisés Entrar na Terra Prometida? Rebeliões entre os filhos de Israel não eram incomuns em sua peregrinação no deserto. A rebelião descrita nestes versículos, todavia, foi especialmente grave, pois nes te caso, ela aparentemente fez com que Moisés , o prof�:ta de Deus, por um momento esquecesse o que o Senhor ordenara que fizesse . Dissera-lhe que provesse água ii queixosa Israel de uma determinada maneira. Apontando para uma certa rocha, o Senhor ordenara a Moisés: " Falai à rocha perante os seus olhos (de Israel) , e dará a sua água" (vers. 8) . O profeta, porém , estava aborrecido e zangado com Israel . "Ouvi agora, rebeldes , " disse ele, "porventura tiraremos água desta rocha para vós ? " (Vers. 10; itálicos acrescentados .) Então , ao invés de falar à rocha como Deus ordenara, ele " feriu a rocha duas vezes" e a água dela j orrou (vers . 1 1 ) . Por isto, o Senhor

Deserto de Edom


209 (18-14) Números 20: 14 Ao dirigir-se ao rei dos edomitas (vers . 1 4) Moisés referil! -se a seu povo como "irmão Israel" , porque os edomltas eram descendentes diretos de Edom ou Esaú ' irmão de Jacó, ou Israel, de quem descendi � os israel�tas . Havia, portanto, um parentesco sangüíneo entre os dOIS povos . As coisas ditas por Moisés dão a entender que o rei tinha conhecimento desse parentesco . Não obstante, ele recusou permitir que os israelitas passassem por suas terras . En� re a rebelião de Coré (capítulos 1 6- 1 7) , e o pedido de per�lssão p �a a passagem pela terra de Edom (cap . 20) , os tnnta e OitO anos de peregrinação no deserto haviam transcorrido. Por razões que no momento desconhecemos ' Moisés não descreveu esses anos neste registro .

sucedê ·lo era chamada de investidura, ou investimento (de vestes) , assim como a desobrigação de uma pessoa de seu oficio era chamada de despimento ou desnudamento . " (Clarkl!, Bible Commentary, Vol . 1 , p . 682.) Este mesmo costume existe até hoje em algumas instituições . Quando um oficial é instalado ou removido de seu posto, o vestuário cerimonial é nele colocado ou retirad o, simbolizando a transferência de autoridade . qua�do alguém é exonerado desonrosamente, suas roupas sao literalmente arrancadas . Nas organizações militares , o ato de cortar as dragonas ou as divisas tem o mesmo signific:ado. Aarilo , entretanto , não estava sendo desobrigado por desonr a ou ignomínia. Sua morte era iminente (veja o vers o 28) , e chegara a hora de escolher uma nova liderança, um pouco mais j ovem .

(18-17) Números 21 :4-9. A Serpente de Metal no Deserto Para descobrir o significado simbólico deste evento, leia João 3 : 1 4- 1 5 ; 2 Néfi 25 : 20; Alma 33 : 1 9-20; Leitura 1 8-26.

(18-18) Números 22-24. A História de Balaão

Região da Estrada Real

(18-15) Números 20: 17. A Que Lugar se Refere a Frase "Estrada Real " ? ' " A estrada real' era a rodovia pública que provavelmente fora construída às expensas do estado, e era conservada 'para que o rei e seus exércitos por ela viaj assem . E sinônimo de 'estrada do sultão' (Derb es Sultan) ou 'estrada do imperador' , como ainda se costuma chamar, no Oriente, às antigas e largas estradas militares . " (Keil and Delitzsch , Commentary, 1 : 3 : 1 34.) A rodovia cortava os planaltos da atual Jordânia, desde o Mar Morto até a Síria . A leste, e paralelos a ela, estavam o Mar Morto e o rio Jordão .

(18-16) Números 20:22-29. Qual É o Significado do Fato de Moisés Haver Removido as Vestes de Aarão e Colocado-as em Eleazar? " Com este gesto ele estava, com efeito , desobrigando-o de seu oficio , e ao colocar os vestidos de Aarão em seu filho Eleazar, estava, na verdade, transferindo o oficio para este último . A transferência de cargo por meio da colocação das roupas do antigo possuidor na pessoa a

Quando os dois poderosos reis dos amorreus foram derrotados pelo imbatível poderio de Israel, os moabitas , e seus confederados de Midiã ficaram tomados de tal pavor, que Balaque, seu rei , procurou obter auxílio . Entretanto, ele não buscou tal poder j unto a seu próprio Deus, Baal, que provara ser ineficiente contra Israel , no conflito com os amorreus. Em vez disso, decidiu usar o próprio Deus dos israelitas , cuj a força se havia manifestado podero samente contra eles . Para isso enviou uma comitiva, levando presentes a Balaão de Petor um célebre adivinho da alta Mesopotâmia, que aparente �ente possuía reputação por abençoar e amaldiçoar com grande eficácia (veja r-;'úmeros 22:3-6) . E ditlcil determinar pelos registros que possuímos se Balaão , de fato, era um verdadeiro profeta de Deus, possuidor dos poderes da autoridade do sacerdócio. Ele vivia numa região conhecida como Arã, provavelmente assim c hamada por causa do filho de Quemuel e neto de Naor, primo de Abraão . Harã, o primeiro lugar em que Abraão se estabeleceu ao partir de Ur, era um lugar dedicado à adoração de Jeová, e também ficava em Arã. Assim :;endo, Balaão poderia ter sido uma das poucas pessoa1: dispersas , como Jetro , que possuía o sacerdócio e exercia o seu poder . A Bíblia nos dá a entender que ele conhec ia o verdadeiro Deus e podia receber revelações do Senhor . Independentemente de origens, o Senhor levanta hOIpens inspirados em todas as nações (vej a Alma 29: 8) . E bastante significativo que Balaão j amais tenha sido chamado de profeta nas escrituras , mas sim de adivinho ou vidente, algo semelhante a Simão do Novo Testamento (compare Josué 1 3 : 22; Atos 8 : 9- 1 4) . Embora reconh'!� esse a Jeová e professasse dele depender, Balaão estava disposto a se voltar contra os conselhos do Senhor e acompanhar os homens de Balaque . A fim de assegurar que seus atos estivessem de acordo com a vontade de Deus, o Se �hor enviou um anj o para ameaçá-lo de morte, caso amaldiçoasse Israel .


210 Uma das circunstâncias mais notáveis da bênção que Balaão proferiu sobre Israel é a promessa messiânica do Cristo (veja Números 24: 14, 1 7 , 1 9) . A censura que Balaão recebeu, obrada pelo espírito de Deus através de um animal, é um evento singular na história. É inútil tentarmos conjeturar sobre como isto aconteceu . O certo é que a jumenta falou de maneira compreensível a Balaão . Outras escrituras indicam que, quando os animais se tornarem cheios do espírito divino e forem celestializados, terão a oportunidade de se expressar de uma forma que não lhes é permitida no momento (veja Apocalipse 4:6, 9; D&C 77 :2-4) . As escrituras não registram que Balaão se tenha surpreendido com est(! fenômeno, o que tem levado muitas pessoas a sugerirem que sua mente estava atribulada, em virtude de sua tentativa de servir tanto a Deus como a mamom. Se fosse mais atencioso , o comportamento inusitado do obediente animal teria feito com que olhasse em redor, para descobrir a causa do problema. Se assim fizesse, provavelmente teria descoberto a presença do anj o . Todavia, este acontecimento foi suficiente para cumprir os propósitos do Senhor. Balaão foi conscientizado de que não era aquela viagem que desagradava a Deus, mas os sentimentos e intenções que tinha em mente . Todo o incidente parece ter sido provocado a fim de aguçar-lhe a consciência e encher-lhe a mente de sensatez, para qu e pudesse falar estritamente a palavra de Deus . Os registros em seguida descrevem as abominações que Israel cometeu com os filhos de Moabe, isto é, Israel se

A terra de Moabe

juntou às mulheres moabitas na adoração de Baal-Peor , o deus da fertilidade , inclusive oferecendo sacrifícios a ele, e condescendendo na prática de imoralidades sexuais. O que não se acha mencionado aqui , mas é explicado posteriormente (Números 3 1 : 1 5- 1 8) , é que Balaão aconselhou os moabitas a levarem Israel a praticar tais iniqüidades . Evidentemente, ao ver que não poderia ganhar a recompensa prometida por Balaque caso amaldiçoasse Israel diretamente, ele disse ao rei que Deus só abençoaria os israelitas enquanto eles fossem dignos . Se os moabitas pudessem levar Israel à prática de idolatria, com toda a certeza ela perderia o poder de Deus. Deste modo , Balaão se tornou o símbolo daquele que usa seus dons e chamados a fim de obter lucro e corromper o povo do Senhor (veja II Pedro 2: 1 5 ; Apocalipse 2: 14) .

(18-19) Números 25: 1-10 Apesar das medidas severas tomadas por Moisés contra aqueles que se j untaram às moabitas na adoração de Baal, um dos homens ousou trazer uma das mulheres para o arraial . Com j usta indignação Finéias matou os dois , mostrando a toda Israel que o sacerdócio não mais toleraria semelhante iniqüidade. Ele sabia que o mal praticado por apenas algumas pessoas poderia resultar em afl