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ROBERT WANG

Urn Manual de Filosofia Mistica

Os Simbolos do Taro na Arvore da Vida

L\IL\I

Pensamento


A

Arvore da Vida

em

Tres Dimens5es ("Numa Esfera S61ida").


Ok,

OTARO CABALISTICO


E PROIBIDA A VENDA

DESTE MATERIAL


Robert

Wang

OTARO CABALISTICO Urn Manual de Ftlosofia Mistica

Tradugdo

PAULO CESAR DE OLIVEIRA

EDITORA PENSAMENTO Sao Paulo


Titulo

A

Copyright

©

titulo

original:

Robert Wang, 1983

Publicado pela primeira vez nos

com o

do

The Qabalistic Tarot Textbook of Mystical Philosophy

1983, por Samuel Weiser, Inc.

EUA, em

de The Qabalistic Tarot.

Wioteca

MunlcipO

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Gr.

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de Noca^ao

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Data:. .1,2

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Edipao 94-95-96-97-98

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1-2-3-4-5-6-7-8-9-10

Direitos de traducao para o Brasil adquiridos

com

exclusividade pela

EDITORA PENSAMENTO LTDA. Rua

Dr. Mario Vicente, 374

- 04270-000 - Sao Paulo - Fone 272-1399

que se reserva a propriedade Impresso

em nossas

literaria desta traducao.

oficinas grdficas.


SUMARIO

Prefdcio

15

INTRODUgAO Estudos Modernos do Taro: A Busca da "Verdade"

A O

O O O

Um

Legado do SSculo XIX

Aurora Dourada Taro da Aurora Dourada Baralho Rider- Waite Taro Thoth de Aleister Crowley Livro "T"

19 23 29 31

32 34 35

A CABALA As Origens da Cabala

O Sepher Yetzirah (O livro O Cabalismo Medieval A Renascenca: Hermetismo O Mago da Rainha

da criacao)

40 e Cabala Crista

Os Rosa-Cruzes "Rosa-Cruzes" Tardios Fraudes Herm6tico-Cabalfsticas

A A

38 39

Cabala Herm6tica e a Aurora Dourada Arvore da Vida

41 43

44 45 45 46 48

Conceitos

51

Caminhos "Secretos" Luz Negativa Ilimitada Os Quatro Mundos Simbolismo Cabalista As Sephiroth e seus Sfmbolos As Cartas Menores As Cartas Reais

56 58 58 61

64 67 70


OS PADROES DAS SEPfflROTH Coroa Os Ases

72

Chokmah: Sabedoria Os Dois Os Reis Binah: Compreensao Os Tres As Rainhas

79 82

Daath: Conhecimento

97

Kether:

A

'5

85 8°

91 -

98

Chesed: Miserictfrdia Os Quatros

101

104

Geburah: Forca Os Cincos Tiphareth: Beleza

Os Os

Seis

106 109 112

Prfncipes

*"

119

Netzach: Vit6ria

Os

122

Setes

12^

Hod: Esplendor

Os Yesod:

128

Oitos

O

13 °

Alicerce

133

Os Noves Malkuth:

O

136 139

Reinado

Os Dez As Princesas

l^ 2

OS ARCANOS MAIORES NA ARVORE DA VIDA 146

Aplicasoes do Sepher Yetzirah

As Maternais: Ar, Agua, Fogo As Letras Duplas: Planetas, Localidades, Dias, Contrastes

As

do Zodfaco

1^0 152

O Cubo do Espaco Numerologia Conjuntos de Caminhos O Arranjo Inicial do Taro O UNIVERSO, Tau

l^ 2

O JULGAMENTO, O SOL, Resh

I

72

I

77

l

gl

A A A O A 6

Letras Simples: Signos

146 Portoes,

Shin

LUA, Qoph ESTRELA, Tzaddi TORRE, Peh DIABO, Ayin

TEMPERAN£A, Samekh

^° 158 I

60

167

i86 I 90 I 96 201


1

A O A A O A O

MORTE, Nun ENFORCADO, Mem

206 21

JUSTI£A, Lamed

RODA DA FORTUNA,

216

Caph

EREMITA, Yod FOR£A, Teth CARRO, Cheth OS AMANTES, Zain

O fflEROFANTE, Vau OIMPERADOR, Heh

A A O O

IMPERATRIZ, Daleth GRANDE SACERDOTISA, Gimel

MAGO, BOBO,

Beth Aleph

221

227 232 237 242 247 253 258 262 268 274

ATIVIDADE PRATICA Projecao Interior

281

Divinacao

282

REFERENDA Cores na Arvore da Vida Cores e Sons na Arvore da Vida Anjos dos Decanatos

Nomes Divinos das Sephiroth Os Trinta e Dois Caminhos de Sabedoria

NOTAS

294 295 296 296 297 298


iLUSTRAgOES

Fig. 1.

As Dez Sephiroth Sagradas na Arvore da Vida

Fig. 5.

Desenvolvimento do Diagrama da Arvore da Vida O Caminho da Espada Flamejante Os Triangulos da Arvore da Vida Os Pilares na Arvore da Vida

Fig. 6.

As Divisoes da Alma

Fig. 2. Fig. 3. Fig. 4.

Fig. 7.

Atribuicao dos Elementos ao Pentagrama

Fig. 10.

Os Caminhos "Secretos" da Arvore da Vida Os Quatro Mundos Os Quatro Elementos

Fig. 11.

Atribuicao dos Arcanos Menores a Arvore da Vida

Fig. 8. Fig. 9.

Fig. 12. Fig. 13.

Fig. 14. Fig. 15.

As Cartas Reais na Arvore da Vida Os Signos do Zodfaco nas Doze Casas Os Decanatos Atribuicao das Cartas Menores e das Cartas Reais

49 50 51

52 55 56 57 59 62 64 65 67 68 '*

ao Zodfaco Atribuicao dos Planetas no Hexagrama

Ill 121

Fig. 18.

O Simbolo de Venus na Arvore da Vida Atribuicao dos Arcanos Maiores a Arvore da Vida

Fig. 19.

Atribuicao Maternal

14 째

As Cartas no "Caminho da Espada Flamejante" Atribuigoes Planetanas a Arvore da Vida

149 151

Signos do Zodfaco na Arvore da Vida Os Signos do Zodfaco na Arvore da Vida

153

Fig. 16. Fig. 17.

Fig. 20. Fig. 21. Fig. 22.

Fig. 23.

Fig.

24

147

como

Elementos Cardeais, Fixos e Mutaveis

154

O

155

Cubo do Espaco

como Opostos

159

Fig. 25.

Cartas consideradas

Fig. 26.

As Cartas no Pilar M6dio Os Caminhos segundo os Trinta e Dois Caminhos

160

de Sabedoria

161

Fig. 27.

9


Fig. 28.

Padroes de Forma e Forca na Arvore da Vida

Fig. 29.

Parte da

Arvore da Ciencia do Bern e do Mai 31. Interpretacao de Levi sobre a Roda de Ezequiel 32. Duas Maneiras de Representar o que â‚Ź abarcado por Mercurio

Fig. 30. Fig. Fig.

10

A A

Alma

162 164 189

222 271


Dedicado a A. Bertrand

Channon


Agradecimentos Estou grato a Marilyn Wang, sem cujo apoio e encorajamento este e outros livros

nao teriam sido escritos, e a Israel Regardie, um amigo que me guiou atrav6s dos labirintos do esoterismo ocidental. Agradeco tambem a Gareth Knight, Delores Ashcroft-Nowicki e a Gerald Yorke por terem me proporcionado vanas descobertas especiais a respeito das doutrinas secretas tradicionais. Estendo tamb6m os meus agradecimentos a John Donovan, Aron Siegman, Gregory Lehne, James Wasserman, Sylvia Kalb, Karen Erisman, Robert Pinning, Joan Friedel, Eve Donahoo, Vincent Messina e John Warner, que fizeram sugestoes uteis para o aperfeicoamento do manuscrito, e a Laurence Leite, meu primeiro professor de histtfria da arte, que me iniciou nos m&odos academicos da iconografia. Por fim, devo agradecer a Donald Weiser, meu indulgente editor, e a Gale Courey, preparador dos originais, cujas sugestoes, apoio moral e sarcÂŁstico senso de humor

me

12

ajudaram a atravessar os quatro longos anos que levei para escrever este

livro.


de todos os sistemas de adivinhacao, tern sua origem e e* explicado pela Arvore e apenas por ela. Para o historiador academico eminfelizmente sem supenhado em buscar a origem dessas misteriosas cartas esta poder£ parecer uma afirmacao dogm£tica; cesso, podemos acrescentar todavia, quando nos damos conta de que os iniciados trabalham conjuntamente "...o

Taro, o mais

satisfattfrio

com o Taro e com a Arvore e que as duas coisas se combinam harmoniosamente em todos os aspectos imagindveis, vemos que essa seiie de correspondencia nao poderia ser arbitr£ria nem acidental." Dion Fortune

unica teoria realmente interessante a respeito do Taro sugere ser ele uma admiravel representacao simbdlica do universo baseada nos elementos da Sagrada

"A

Cabala." Aleister

"Sem o Taro

a

magia dos antigos

e"

um

livro

Crowley

fechado e torna-se impossivel

desvendar quaisquer dos grandes mist6rios da Cabala." Eliphas Levi

dos ocultistas franceses e ingleses foram inuteis e serviram apenas para gerar uma grande confusao entre os ensinamentos da Cabala e suas pr6prias invencoes, tais como a suposta origem cabalfstica das cartas do Taro." "...as atividades

Gershom Scholem


Prefacio

Este livro tern por objetivo demonstrar a relacao entre a Cabala, urn tradicional sistema mfstico, e o Taro. Faze-lo significa discordar acentuadamente

de alguns eminentes eruditos judeus que negam a existencia dessa relacao. Nesta obra procurei integrar alguns dos complexos aspectos do simbolismo e da interpretacao cabalfstica, com enfase na relacao entre a Arvore da Vida (o principal simbolo da Cabala) e o Taro praticado de acordo com a Cabala Hermitica. Devo deixar bem claro que nao estou escrevendo sobre a Cabala Hebraica e sim sobre um outro sistema tambem baseado em textos hebraicos. Em minha opiniao os eruditos judeus enganaram-se a respeito dos movimentos do s6culo XIX ao consideraMos um mero pastiche romantico e equivocado dos conhecimentos mfsticos hebraicos. Alem disso, tentei demonstrar que os principios da Cabala podem ser apropriadamente aplicados a qualquer baralho comum de Tar6. Para isto este livro reproduz quatro baralhos completos, incluindo o Taro de Marselha. Pouco se escreveu a respeito desse baralho, escolhido como um elemento de compara9ao com os baralhos moderaos, simbolicamente mais concisos, por ser o mais comum e popular dentre os baralhos que conservam nas cartas as imagens primitivas. O ocultistas

Taro de Marselha e" um baralho "padrao" e os outros tres baralhos usados aqui sao aqueles relacionados com a fraternidade oculta do s6culo XIX, a Ordem Hermetica da Aurora Dourada. Esses baralhos sao o Taro da Aurora Dourada, o Taro Thoth e o baralho Rider-Waite. Outro baralho nao apresentado aqui porem enfaticamente recomendado 6 o do falecido Paul Case e sua organizacao, Os Construtores de Adytum. Trata-se de um baralho para ser colorido a mao por cada iniciado. A16m desse baralho, Case produziu alguns livros excepcionalmente bons sobre Taro, aos quais tenho dedicado consideravel atencao. Seus cursos de Taro ha" mais de quarenta anos, ainda estao sendo dis-

por correspondencia, escritos tribufdos. E,

como

a distribuicao 6 limitada,

devo rapidamente observar que nao

estou de maneira alguma ligado a essa organizacao, tendo obtido

um

conjunto

completo de seus cursos por interm6dio de amigos. Case foi um brilhante professor que tern a seu cr6dito o fato de ter sido o primeiro a aplicar as cartas os conceitos da moderna psicologia, uma aborda15


gem muito

semelhante a de Carl Jung. Considero Case o primeiro grande conhecedor moderno do Tar6 e geralmente nao reconhecido como tal porque seus principais trabalhos estavam disponfveis apenas para os alunos dos cursos por correspondencia dos Construtores de Adytum, os quais eram solicitados a man-

em segredo. Fui influenciado pelas suas id&as e as considero bastante profundas, embora lhes faca algumas restricoes. Questiono sua dogmltica confianca na Gematria te-los

numerologia cabalfstica) e tambem algumas de suas interpretacoes a respeito do simbolismo de Waite. Alem disso, na 6poca em que Case escrevia, nossa linguagem psicoldgica ainda estava se desenvolvendo, de modo que seus cursos nao (a

O aluno tern de "ler nas entrequarenta anos de de publicacoes na area das linhas", tendo em escreveu seus cursos. Boa parte do que Case ciSncias ocultas desde que Case nao disse aos alunos de seus cursos por correspondencia foi publicado por refletem a terminologia moderna, mais precisa. vista a existencia

Regardie, Butler e outros. Estas criticas nao se aplicam ao seu pequeno trabalho intitulado

Livro

dos Tokens, escrito em 1934. Se tivesse de recomendar um unico livro, indicaria essa compilacao de ensaios sobre as letras hebraicas. Trata-se de um marco da literatura filos6fica, apresentando o

Taro como uma parte fundamental da

tra-

dicao mfstica do Ocidente. Preciso

tambem

tecer alguns comentarios a respeito

de minhas

referdncias aos trabalhos de Aleister Crowley, tido por muitos

grandes demdnios do s6culo futuro.

Embora nao

XX

e por outros

seja facil ser objetivo

em

como o

freqiientes

como um dos

precursor da religiao do

relacao a Crowley, ao tentar faze-

o Taro. O possam ser feitas contra o seu comportamento pessoal. Creio que a histdria vera" Crowley como um tfpico representante do infcio do s6culo XX, uma 6poca que aderiu a est6tica da avant garde: o novo e chocante era, por definicao, melhor que o antigo. Esta id&a constitui a base de toda arte, miisica e literatura modernas, para nao falar nos padroes de comportamento da elite artistica de Londres, Paris e Nova York durante as decadas de vinte e trinta. O comportamento de Crowley encaixa-se nesse padrao, tal como acontece com o pr6prio estilo de suas cartas, que sao basicamente Cubistas o mais importante e avant garde de todos os estilos de arte moderna durante a fase de seu apogeu. ÂŁ importante compreendermos esta diferenca conceitual entre o baralho Crowley e os outros. A Ordem da Aurora Dourada (1888-1900) foi criada num perfodo em que uma id6ia era reverenciada de acordo com sua antiguidade. Assim, seus lideres afirmaram que a hist6ria da Ordem remontava a um passado distante e recorreram a estrutura ideologica dos Deuses do Egito. Crowley, por outro lado, dizia que uma nova era havia chegado (da qual, coincidentemente, ele era o profeta). O antigo pode ser bom mas o novo 6 melhor. Talvez eu venha a ser criticado por neste trabalho me ater demasiadamente lo fiquei

impressionado

com

a profundidade de seus escritos sobre

trabalho dele continua a ter o seu valor, apesar das criticas que

—

as linhas simb61icas tradicionais, principalmente tendo

estÂŁ se processando

16

uma

reorganizacao

um

em

vista

que atualmente

tanto radical dos sistemas simb61i-


Recentemente apareceram diversos livros nos quais o arranjo tradicional das cartas do Taro sobre a Arvore da Vida foi radicalmente modificado. E, falando francamente, existem diversos elementos fundamentais que eu poderia ordenar de forma diferente caso nao tivesse nenhuma id6ia anterior a respeito de como cos.

deveriam

as cartas

ser arranjadas.

Todavia, embora o sistema ganhe vitalidade ao sofrer ligeiras modificacoes, ele nao 6 radicalmente revisado pelas maos de urn unico indivfduo. O sistema parece projetado para desenvolver-se lentamente a medida que cada especialista incorpora a ele alguma alteracao baseada nas condicoes sociais da 6poca e faz

maior valor para a sociedade contemporanea. Um sisreligiao ou um programa meditativo, 6 uma forma de acesso aos mundos interiores que foi testada e aperfeicoada ao longo das geracoes. Trata-se de um caminho para o desconhecido que foi pavimentado por sfmbolos culturalmente determinados por6m de aplicacao universal. E, dentro de qualquer escola de pensamento, os sfmbolos podem ser manipulados e aplicados de forma vari&vel. Eu certamente nao tenho nenhuma pendencia com aquelas pessoas que virtualmente viraram a Arvore da Vida de cabeca para baixo com suas combinacoes e permutacoes de id6ias. Esse comportamento, por6m, atenua

com que

passe a ter

tema, seja ele

um

um

culto,

uma

o poderoso esforco grupal chamado "tradicao" e, potencialmente, cria um novo Caminho. Em outras palavras: 6 a concordancia ao longo do tempo quanto ao significado de

nho.

Com

aceitas.

um

conjunto de sfmbolos que transforma

um

sistema

num Cami-

que hoje sao comumente que essas atribuicoes sejam imutavelmente corretas,

este fim forneci apenas aquelas atribuicoes

Longe de

significar

apenas sugere que a reconhecida correspondencia entre esses conceitos 6 de maior utilidade imediata para o estudante do que algumas de suas muitas isto

divergencias.

Gareth Knight faz uma profunda observacao a respeito deste assunto. No seu livro Experience of the Inner Worlds [Experiencia dos Mundos Interiores] ele descreve as atividades de um grupo que usou as Cartas do Taro como um meio de acesso a esfera psiquica. Ele afirma que "Do ponto de vista cabalfstico formal, descobriu-se que e" possivel iniciar qualquer Caminho partindo-se virtualmente de qualquer trunfo do Taro

— o que sugere que na verdade 6 pouco

importante a rigida e sacrossanta aplicacaO' das correspondencias entre o

Taro

1

e a Arvore da Vida." Assim, devemos sempre encarar essas questoes certos de que, qualquer que seja o sistema em particular, trata-se apenas de um meio de abordar uma realidade interior.

Minna abordagem envolve

para os conceitos relacionados

a construcao

com cada

carta

de

um s61ido alicerce intelectual

do Taro, embora o faca com

a

plena consciencia de que, mais cedo ou mais tarde, todas as construcoes intelectuais acabarao caindo e sendo substitufdas por uma nova estrutura. Cada um de n6s constr6i a sua pr6pria Cabala, que vai se modificando a medida que aprende-

que todos n6s come?amos com os mesmos conceitos, os quais personalizamos e incorporamos aos nossos pr6prios sistemas para que eles possam assumir um significado real. E, quanto mais aprendemos, mais os conceitos originais nos parecem diferentes do que eram quando comecamos.

mos novas

coisas. Isto significa

17


Ao

tentar apresentar a estrutura b&sica deste estudo, procurei,

sempre que

possfvel, mostrar a origem dos conceitos. Mais que qualquer outra coisa, isto significa a frequente repeticao da

imagem da Arvore da Vida em

virtude da

aplicacao de diferentes conjuntos de sfmbolos correspondentes. Compreender a

Cabala Herm6tica significa desenhar literalmente centenas de 6rvores da vida, at6 que a mirfade de inter-relacionamentos comece a fazer sentido. O que fiz aqui foi proporcionar exemplos da minha prdpria manipulacao das id6ias cabalfsticas, ou seja, daquelas id6ias que, quando consideradas graficamente, nos levam a fazer descobertas especiais. Um trabalho como este nao pode deixar de ser um registro do processo de aprendizado de um autor. Devo acrescentar que este trabalho concentra-se inteiramente

cos relacionados

com

na

filosofia e

nao nos exercicios

prÂŁti-

o Tard. Esses exercfcios, sejam eles ligados a meditacao

foram tao exaustivamente discutidos por outros autores que nao hi necessidade de apresentaMos novamente aqui. Eu obviamente citei os livros mais importantes nos quais esses procedimentos podem ser facilmente enconou aos

rituais,

trados.

Permitam-me dizer, finalmente, que este foi um livro extremamente dificil de escrever e que, creio eu, nao serd muito mais fdcil de ler, embora tenha dado o melhor de mim para, sempre que possfvel, simplificar os conceitos. A ironia exer6 que o extravagante e convoluto sistema de id6ias chamado Cabala nos livro que 6 o tema deste inacreditavelmente complicado cfcio intelectual ser simplicidade que poderia conduz a uma realidade interna de tal beleza e explicada a uma crianca. Todavia, 6 o prtfprio carta complexo desse tipo de

— —

abordagem que faz da realidade

interior algo significativo e compreensfvel.

Robert

Wang

Columbia, Maryland

1982

18


iNTRODUgAO

Estudos Modernos do Taro: Legado do Seculo XIX

Um

Este 6 um livro de filosofia e metafisica que descreve um profundo sistema de auto-exploracao relacionado com as 78 figuras simples que constituem o Taro. E, embora ha" muito essas cartas venham sendo publicamente associadas a cultos extravagantes e a cartomantes ciganas, a verdade 6 que elas estao cada vez mais

despertando o interesse de pesquisadores s6rios, os quais encaram as cartas como um reposittfrio de um sistema extremamente complexo de desenvblvimento do

conhecimento interior. Talvez os criadores das cartas do Taro tivessem pretendido que elas fossem entendidas como um sumÂŁrio graTico dos princfpios da Cabala, ou talvez nao. Pelo menos nao existe nenhuma evidencia escrita sugerindo tal coisa, e o grande especialista judeu em Cabala, Gershom Scholem, provavelmente estava certo ao afirmar (embora de forma depreciativa) que essa ligacao foi feita pelos

do s6culo XIX. De uma maneira ou de outra, a relacao entre o Taro e a Cabala 6 tao clara que os dois sistemas sao mutuamente explanat6rios. E, na verdade, o fato de os dois sistemas provavelmente terem se desenvolvido de forma independente confere maior credibilidade aos conceitos de ambos, pois indica que os dois tern origem na verdade ocultistas ingleses e franceses

do

final

universal.

Todavia, escreveu-se muita bobagem a respeito do Taro e da Cabala, e a venda de grande parte dos livros sobre ocultismo representa um tributo a credulidade do publico. Assim, devemos nos mostrar gratos aos trabalhos eruditos realizados nas ultimas decadas. Scholem foi o precursor dos estudos sobre a Cabala Hebraica, enquanto as tendencias ocidentais foram admiravelmente pesquisadas por estudiosos como Frances Yates, D. P. Walker, Francis King e Ellic Howe. As pesquisas serias estao cada vez mais abrindo nossos olhos para 19


a existencia de ideias incorretas a respeito das origens

do esoterismo moderno,

e nao devemos nos perturbar ao ver os castelos de areia ruirem. Se urn sistema

tem os seus meritos intemos, ele permanecer& inc61ume. Devemos tambem ter que, at6 ha" muito pouco tempo, as chamadas Doutrinas Secretas eram

em mente

transmitidas por

uma

tradicao secreta oral.

A despeito do crescente interesse por parte do publico, e espantosamente pequena a atencao dedicada ao Taro pelos pesquisadores academicos, muito embora as cartas representem uma verdadeira mina de ouro para a hist6ria da arte e para a filosofia metafisica. Elas deveriam ser de grande interesse para qualquer medievalista, sendo obviamente uma manifestacao do mesmo tipo de esforco artistico que produziu as esculturas das catedrais gdticas. E prov£vel, tambem, que as cartas estejam de alguma forma relacionadas com os livros medievais da Emblemata, e com aquelas narrativas deliciosas e supostamente histoncas chamadas Chansons de Gestes. O Taro representa uma viagem aleg6rica e cada carta e uma experiencia (uma energia universal) vivida ao longo do caminho, mais ou menos como acontece nos epis6dios da Divina Comedia* de Dante, na Jornada do PeregriSenhor dos Amis, de Tolkien. A ideia no, de Bunyan ou mesmo na trilogia aventurosa e arriscada atraves de um territ6rio desconhecido era da literatura medieval. A analogia aqui existente 6 de que viajar durante a Idade Media era tao perigoso e diffcil quanto percorrer os caminhos interiores das Doutrinas Secretas. Assim, seria possfvel concordar com o monge que, em 1377, sugeriu que o Taro era um espelho da sociedade do seculo XIV ao dizer

de

uma Jornada

tipica

que as cartas representavam ele hoje se afigura".

2

Os

"...

a melhor descricao do estado

do mundo

tal

como

primeiros baralhos apresentam muitas das Virtudes e

Artes Liberals que foram importantes para os programas iconograTicos do Humanismo G6tico, algumas das quais foram preservadas nas cartas modernas

normais do Taro:

TEMPERAN£A

e Prudencia,

FOR£A

e Fortitude,

JUSTI£A

permanece com o mesmo nome, etc. Todas estas cartas sao femininas, tal como 3 as Virtudes e Artes Liberals sempre foram representadas. Na sociedade da epoca, existia at6 mesmo um Imperador. Isto foi especialmente verdadeiro a partir de 1200, quando o Papa coroou Carlos Magno Imperador do Sacro Imperio Romano Germanico, numa tentativa de fortalecer o Cristianismo aliando-se a um grande poder secular. E, quando chegamos a GRANDE SACERDOTISA, vemos que a tradi?ao a relacionava com uma lenda, 4 que circulou nessa mesma epoca, a respeito de uma "Papisa". Existem fortes evidencias de que as cartas se originaram no seculo XIV e 6 de esperar que algum estudioso da hist6ria da arte medieval se interesse por essas fascinantes questoes e nos proporcione as verdadeiras respostas histdricas.

Por outro lado,

um

numero consideravel de experientes

esoteristas insiste

em que a origem das cartas e muito mais antiga. E provavel que esses individuos estejam encontrando, atrav6s do Taro, vislumbres de outros sistemas usados para abordar as

mesmas

energias universais. Esta diferenciacao muitas vezes

* Publicado pela Editora Cultrix,

20

Sao Paulo, 1965.


6 extremamente

diffcil

de

ser feita

no piano

interior,

o que talvez explique

a razao

pela qual as experiencias de tantos estudiosos contradizem as evidencias hist6-

Obviamente, se o Taro pode ser usado por n<5s em algo tao importante quanto o desenvolvimento da compreensao interior, estudar suas origens representa pouco mais que uma agradavel incursao secundaria. O mesmo 6 vÂŁlido para a pr6pria questao da existencia de um elo entre a Cabala e o Taro, embora estejamos aqui propondo que existe uma ligacao assim entre o Taro e a Cabala

ricas.

Hermdtica, na qual este livro se baseia.

Esse sistema, desenvolvido na Europa na 6poca de Renascenca,

e"

uma

versao ocidentalizada da Cabala. Ela surgiu a partir das tentativas dos fildsofos

XV

no sentido de incorporar o misticismo judaico ao pensamento do processo de modificacao dessas id&as pelos fil6sofos dos s6culos XVI, XVII e XVIII 6 especialmente interessante. Todavia, os desenvolvimentos ocorridos no seculo XIX sao mais importantes para n6s. Nessa 6poca a Cabala Herm6tica, em grande parte descristianizada, alcancou sua mais plena expressao com a Ordem Herm6tica da Aurora Dourada. Os lideres do s6culo cristao.

A

histdria

dessa fratemidade realizaram a notavel tarefa de unificar os diferentes elemen-

que compunham a tradicao esot6rica ocidental (Cabala, Hermetismo, AsNeoplatonismo, Magia Enoquiana de John Dee, etc.) de modo a transformaMa num m&odo coerente de exploracao interna para o temperamento fin de siecle. Existem poucas correntes modernas de pensamento esot6rico ocidental que nao foram afetadas de alguma maneira pelas atividades desse grupo. E, quando se discute o Cabalismo Herm6tico, nao hi como deixar de mencionar a Aurora Dourada como sua principal manifestacao moderna. A Cabala Herm6tica e a Aurora Dourada devem ser consideradas praticamente como tos

trologia,

termos sinonimos.

Tambem nao interessa saber se os principios esot6ricos desse grupo passaram secretamente de pai para filho ao longo das geracoes ou se foram meticulosamente selecionados a partir dos manuscritos antigos do Museu Britanico. O valor de qualquer grupo depende inteiramente de seus contatos interiores. A "Tradi?ao Secreta", "Os Mistenos" ou como quer que isto possa ser chamado estd ao alcance de qualquer pessoa. Um individuo ou grupo torna-se parte de uma tradi?ao antiga atravSs de contatos internos com mestres nessa tradicao e certamente nao hÂŁ duvida alguma de que os baralhos usados para ilustrar este livro sao resultado desse contato interior.

Os

tres principais

dessa fratemidade:

membros MacGregor Mathers),

baralhos modernos foram todos produzidos por

O Taro da Aurora Dourada

(criado por

Baralho Rider-Waite, criado por A. E. Waite, e o Taro Thoth, criado por Aleister Crowley. Um quarto baralho, jÂŁ mencionado, 6 o de Paul Case, feito para a BOTA.* Seu baralho 6 uma excelente versao aperfeicoada do baralho de Waite.

* Iniciais de The Builders of the Adytum:

Os

construtores do Adytum.

21


O

baralho de Waite, urn dos mais populares ja" produzidos, parece ter sido criado com tal preocupacao com os juramentos feitos pelos membros da Ordem que permanece inteiramente esotenco. Ele foi inclufdo na esperanca de que os estudiosos desse baralho talvez

venham

a achar o seu simbolismo (freqiiente-

mente admiravel, muitas vezes inaceitavel) mais util quando considerado a partir do ponto de vista da Cabala Herm6tica. O Tard da Aurora Dourada e" um baralho esotenco, projetado para o uso exclusivo dos membros da Ordem. O baralho de Crowley tambem 6 esotenco, no sentido de que oculta o simbolismo da Ordem do Seculo XIX. O Tard Thoth, de Crowley, 6 certamente uma das contribuicoes recentes mais originais para os estudos do Tard. Infelizmente, nem Crowley nem Mathers receberam o devido reconhecimento pelos seus trabalhos com o Tard. E, em virtude de seus comportamentos ocasionalmente escandalosos, os dois homens foram presas faceis para os historiadores da sociedade. Alem do mais, suas limitacoes academicas os transformaram em alvos de piadas por parte dos meticulosos pesquisadores da Cabala Hebraica. Todavia, um estudo de qualquer Doutrina Secreta, a nao ser que seja puramente hist6rico, requer que as nocoes preconcebidas sejam postas de lado e que o sistema seja avaliado unicamente de acordo com sua eficdcia. E necessario usar a palavra eficdcia porque ela € a unica medida v£lida de um sistema metaffsico. Ele funciona? Mas como determinar se um sistema funciona ou nao? respostas a essas questoes certamente nao serao encontradas atrav6s dos atuais m6todos cientfficos ou nos m6todos das humanidades, que se baseiam naqueles

As

das ciencias; os dados sao coletados e analisados empiricamente. Como as chamadas Doutrinas Secretas nao se prestam a esse tipo de abordagem, sendo extremamente irracionais, elas podem ser denegridas ate" mesmo por historiadores. Muitos estudiosos de valor veem o Cabalismo Herm&ico do final do seculo

ramificacao romantica e extravagante do Cabalismo Hebraico, indigna do tipo de pesquisa dedicado ao esoterismo hebraico. A16m disso, o rdtulo de "ocultismo" contribui para aumentar a barreira de preconcei-

XIX

apenas

tos existente

como uma

em

torno desses assuntos.

O problema com o estudo de qualquer aspecto das Doutrinas Secretas 6 que o proprio pesquisador torna-se necessariamente parte do sistema. Ele precisa avali£-lo a partir do seu interior, o que talvez o faca transmitir a impressao de haver abdicado da objetividade da pesquisa. O academicismo atual nao reconhece a aquisi?ao de conhecimentos atrav6s da intui9ao e do psiquismo, uma atitude que o coloca em frontal contradicao com boa parte daqueles grandes pensadores que as Humanidades estudam e simulam reverenciar. Na £rea das Ciencias Humanas, as universidades assumiram o papel de observadores e nao de participant's no desenvolvimento das faculdades criativas e intelectuais do ser humano.

Um problema mais

seno relacionado com a dissemina?ao das id&as oculprovas que possam surgir sao validas apenas para o pr6quaisquer tistas 6 que expressou isso ao dizer que "somente a psique pode prio pesquisador. Carl Jung conhecer a psique".

22


verdade, por£m, aqueles que percorrem os caminhos interiores (utilizando qualquer sistema especffico) vivem experiencias semelhantes. O encon-

Na

tro,

por exemplo, das energias simbolizadas pela carta

oricamente a

mesma

experiencia b£sica

em

O UNIVERSO produz

todas as pessoas.

mente acrescentar, porem, que no chamado nfvel

Devemos

astral da consciencia

te-

rapida-

o

indi-

vfduo opera dentro dos limites de um culto. Atrav6s do simbolismo do cristianismo um mfstico cattflico aprender£ as mesmas licoes que um cabalista aprende por meio do simbolismo da Arvore da Vida. As energias universais sao na verdade destitufdas de forma, embora as percebamos sob a roupagem do sistema

que escolhemos. E no nfvel do Entendimento de Cristo-Buda-Krishna que a unidade de todos os sistemas torna-se visfvel e nos libertamos na pura consciencia. Nesses termos, portanto, pode-se entender que, ao ser proposta a questao: "O Sistema funciona?", isto significa:

"A

estrutura simbtflica

do sistema € suficientemente

representativa das verdades universais para levar o individuo al6m do pr6prio

sistema?"

No

resposta €

um inequivoco

caso da Cabala Herm6tica e de sua ferramenta pr£tica, o Taro, a sim. Este 6 um sistema extremamente poderoso, prin-

cipalmente quando se considera que ele pode ser incorporado a qualquer sistema ou religiao em que o indivfduo prefira operar. Obviamente, nao se espera

que ninguem aceite esta afirmacao de forma irrestrita. quer que seja 6 contrana ao m6todo cabalfstico.

A

A

aceitacao cega do que

Busca da "Verdade" Existem boas chances de que a maioria dos

com

desiludidos tanto

a religiao organizada

lei tores

como com

deste livro estejam

a ciencia.

parece nos proporcionar o entendimento sobre a nossa condicao por

uma

sofisticacao crescente e universal.

Aprendemos

Nenhuma delas humana exigido

tantas coisas gracas as

maravilhas da tecnologia e das comunicacoes modernas que as explicacoes de nossos pais nos parecem mais um placebo que uma panac6ia.

Muitos dos que assim se desiludiram voltam-se para o ocultismo e para o misticismo na esperanca de encontrar a verdade e um significado maior para a vida. Eles o fazem na crenca de que o conhecimento direto da Ordem C6smica, a iluminagao, 6 possivel.

As

escolas de doutrinas secretas nos ensinam que as coisas que

nos oferecem apenas

ver, tocar e sentir

uma

podemos

Alem mundos ainda

percepfao relativa da realidade.

daquilo que € considerado "real" pela maioria das pessoas existem

mais reais que todo individuo tern a capacidade de explorar. Iluminacao significa emergir da escuridao de nossas limitadas percepfoes sensorials e estruturas de pensamento para a consciencia da realidade superior. E dela que nascemos e a ela 6 que iremos voltar ao termino de nosso breve ciclo de vida.

A

Cabala 6

um

lem) se pretendia

ter

sistema que tradicionalmente (antes dos estudos de Schosido oferecido por

mento de uns poucos adeptos escolhidos

Adao — para — e que, depois de

Deus

a

ser

do conheci-

ser "helenizado"

23


pelos gregos, tal.

O

comecou

a transformar-se

valor de urn sistema consiste

em

num movimento

da civilizacao ocidendividir o Universo em categorias espe-

permitindo o estabelecimento de correspondencias entre todos os cultos e religioes. As cartas do Taro, por exemplo, podem ser equiparadas aos principals aspectos da maioria dos sistemas religiosos. A tradicao esotenca, tal como 6 representada pelo Taro, faz algumas afircfficas,

macoes bÂŁsicas a respeito do homem e da natureza do Universo. Segundo ela, ha" uma ordem perfeita que o indivfduo tern a capacidade de perceber, e nao existe o que se chama de acidente. Cada movimento de cada folha tern uma razao de ser e todos os movimentos de todas as coisas estao inter-relacionados. O iso-

um

Somos todos parte de uma unidade maior. vem sendo expressos hÂŁ milhares de anos e de milhares de maneiras diferentes. E, de alguma forma, tal como sao expressos, eles semlamento 6

mito.

Esses princfpios

pre sao muito simples. linico

TODO

apresenta

O

conceito de que todas as coisas fazem parte de um certa poesia. Ele pode atingir um sentimento pro-

uma

em

cada ser humano e ser rapidamente esquecido. Todavia, existe uma sensacao de que a afirmativa tern o seu valor. As palavras dos profetas podem nos inspirar um estranho e momentaneo silencio, como se nossas mentes estivessem se esforcando por se lembrar de algo.

fundamente arraigado

Os estudiosos talvez reajam desta maneira a um pequeno livro publicado 1912 chamado The Kybalion. Esta obra abarca todos os princfpios fundamentals do Tar6 e procura sumariar o Hermetismo antigo. Essas id6ias sao na verdade semelhantes aos conceitos gn6sticos que deram origem a Cabala. Tanto o Hermetismo quanto a Cabala datam do infcio do Cristianismo. Quando nos referimos a Cabala HermStica, estamos falando de uma combinacao posterior dos

em

princfpios de ambos. 5 The Kybalion apresenta sete Princfpios Herm&icos. Eles derivam literal mente dos princfpios universais nos quais se fundamenta o Taro e merecem ser objeto da meditafao de todos os estudiosos.

Sao

eles:

1.

O

Principio do Mentalismo

"O 2.

TODO

6

6

em

em cima,

assim 6 embaixo; assim

como embaixo, assim

cima."

Principio da Vibragao

"Nada permanece 4.

Universo e Mental."

Principio da Correspondencia

"Assim como

3.

MENTE; O

estÂŁtico; todas as coisas se

movem

e vibram."

Principio da Polaridade

"Tudo

6 dual; tudo possui p61os; todas as coisas sao constitufdas por

em natureza mas diferenencontram; todas as verdades sao apenas tes em grau; os extremos se meias verdades; todos os paradoxos podem ser harmonizados." pares de opostos; os opostos sao identicos

24


Principio do Ritmo

5.

para dentro e para fora; tudo tem sua ocasiao; todas as coisas sobem e descem; a medida da oscilacao para a esquerda 6 a medida da oscilacao para a direita; o ritmo se equilibra."

"Tudo

flui,

Principio da Causalidade

6.

"Toda Causa produz um Efeito; todo Efeito tem sua Causa; todas as coisas acontecem de acordo com uma Ordenacao; o acaso 6 apenas um nome para uma Lei nao reconhecida; existem muitos nfveis de causalidade 7.

O

mas nenhum escapa da Lei

Universal."

Principio do Genero

"O

genero

esta"

em

tudo; tudo

tem os seus Principios Masculinos e

Femininos, o genero se manifesta

em

todos os pianos."

princfpio de que o nosso universo obedece a

O

Msico para o Taro quanto

a id6ia de

que

precisao a propria estrutura do Universo.

as cartas

uma ordem

exata 6 tao

do Taro representam com

Como disse MacGregor Mathers: "Nao

apenas transcrevi o simbolismo como tambem testei, estudei, comparei e anameios. O relisei esta questao tanto atrav6s da clarividencia como por outros Taro] [significando 6 absoT Livro simbolismo do sultado revelou-me como o ocultas do forcas representacao das sua lutamente correto e o quanto 6 exata universo."

6

Eliphas L6vi descreveu o Taro

em

termos ainda mais bomb£sticos:

"...

embora seja de certa forma popular e possa ser encontrado em € o mais oculto e desconhecido de todos os sistemas, pois 6 a chave para os trabalho, forte demais... Trata-se, na verdade, de um extraordinano e monumental toda a parte, este

a arquitetura das piramides e, portanto, tao permanente quanto livro que 6 um sumario de todas as ciencias, que pode resolver todos e l as meio os problemas atraves de suas infinitas combinacoes, que se expressa por em todas moderador inspirador e elemento da evocacao de pensamentos, que 6 um

e simples

como

— um

concepcoes possfveis e, quern sabe, a obra-prima do genio humano. Ele est£ aninclufdo, sem duvida alguma, entre as grandes dldivas legadas a n6s pela 7 Taro que o tiguidade." L6vi estava entre os primeiros a declarar publicamente as

era mais

do que simplesmente

um

meio ex6tico de

ler a sorte e

que ele repre-

sentava virtualmente a chave para todas as ciencias ocultas. Obviamente, a aceitacao desta abordagem em relacao ao Taro requer uma suspensao f6 consideravel. Esta fe\ por^m, deve ser entendida como a simples

de

um julgamento.

Aquele que deixa de fazer uma aprecia9ao racional ou que

aceita incondicionalmente qualquer princfpio esotenco 6

um mau

candidato ao

desenvolvimento interior. Devemos usar todas as nossas capacidades e a capacidade de raciocinar 6 a nossa maior prote?ao contra a possibilidade de nos desencaminharmos nessas questoes. E possivel tamb6m que os metodos da Cabala

Herm^tica sejam particularmente atraentes para aqueles individuos naturalmenpara ambas as coisas. O te inclinados as atividades artisticas, intelectuais ou faze-lo de forma eficaz exige um; qualquer para estudo desses m&odos nao 6 25


um

consideravel empenho.

vimento

A busca

espiritual representa

uma

de qualquer m£todo especffico de desenvolescolha (e nesta afirmacao acha-se contido

outro importante principio). Este princfpio 6 freqiientemente encontrado na literatura popular, expresso na forma de provSrbios como: "Somos senhores de

nosso pr6prio destino" ou "As estrelas influenciam mas nao determinam." Somos na verdade responsaveis por cada uma das experiencias que vivemos, desde o fato nao acidental do nosso nascimento e dos pais que escolhemos ate" a pr6pria 6poca e circunstancias de nossa morte. Parte da literatura religiosa ocidental alude a esta ideia. Trata-se de um princfpio que hi milhares de anos vem sendo expresso de forma aberta e explfcita pelas religioes orientais. Este nao 6 um conceito muito facil de aceitar porque ele coloca diretamente sobre nossos ombros todo o cr6dito ou a culpa pelo que acontece em nossas

que estejamos necessariamente conscientes do e" o domfnio do Eu Superior, aquela parte espiritual de nosso ser que permanece enquanto as personalidades moldadas por cada uma das sucessivas encarnacoes se dissipa e deixa de existir (a nao ser na medida em que representem experiencias assimiladas pelo Eu Superior). A busca da iluminacao e" a busca do "Conhecimento e da Convivencia com o Sagrado Anjo da Guarda", um aspecto do Eu Superior. Isto significa o desenvolvimento de uma percepcao consciente e do contato com uma dimensao espiritual profunda que 6 a essentia de Deus. A meta 6 grandiosa. A decisao de persegui-la seriamente, bem como os meios de faze-lo representam escolhas fundamentals. Neste ponto 6 necess£rio nao perder de vista o fato de que, qualquer que seja o caminho escolhido, seja ele o Taro, a Ioga ou o misticismo cattflico, sao apenas meios de alcancar o autoconhecimento e nao um fim em si mesmo. Entretanto, como Jung bem observou, algumas pessoas tentam refugiar-se dentro de um vidas. Todavia, isto

nao

significa

processo de tomada de decisao. Este

sistema:

As pessoas farao qualquer coisa, nao importa o quanto seja absurda, para nao terem de enfrentar suas pr6prias almas. As pessoas fazem todos os exercfcios da ioga indiana, observam um rigoroso regime alimentar, decoram os princfpios da teosofia ou repetem mecanicamente textos misticos de toda tudo porque nao conseguem se entender consigo a literatura mundial mesmas e nao t£m a menor fe" que qualquer coisa de litil possa algum dia

8 brotar de suas prtfprias almas.

E uma

pena que muitas pessoas perturbadas se sintam atrafdas pelas mais Sao pessoas que procuram uma safda mas nao a

diversas formas de ocultismo.

encontram.

nao se

Uma pessoa desequilibrada,

sentir£

muito mais confortada

incapaz de lidar com a sua prdpria vida, com o Taro ou com qualquer outro aspecto

das Doutrinas Secretas. Essas pessoas, ao contr£rio, poderao achar a pesquisa esotenca muito desconcertante a medida que se forem vendo obrigadas a enfrentar aspectos de sua personalidade com os quais nao podem lidar ou sentirem-se cada vez mais imersas em fantasias e perdendo contato com a realidade. A maioria dos indivfduos equilibrados tern dificuldade para aceitar a verdade da Ordem

26


Universal porque ela envolve conceitos que desmentem totalmente o que a maior parte deles acreditam que eles pr6prios sejam. Existe uma relacao de causa e aqui, que 6 a razao pela qual tantas obras esotericas incluem uma adverefeito

um pode

aprender a manipular as forcas Kundalini do seu pr6prio corpo e abrir os canais por onde desce a Luz. Estes m6todos sao basicamente muito simples e acham-se claramente descritos em obras como tencia aos leitores. Qualquer

Middle Pillar [Pilar Intermtdio] e Foundations of Practical Magic [Principios 9 da Magia Prdticd], de Regardie. Todavia, se o trabalho preparat6rio b£sico for ignorado ou feito de maneira casual, o resultado poder& ser antes um desequicapacidade lfbrio sistemico, em vez de equilibrio e de uma maior vitalidade e foram Mist6rios quais os razoes pelas de percepcao. Esses perigos sao uma das mantidos envoltos

em

segredo durante tantos seculos. Mistenos foram conservados

em

segredo para proteger as idems sagradas contra o profano, embora possamos tambem observar que, em algumas epocas passadas, o sigilo livrou o metafisico de ser condenado que foram transa fogueira. Todavia, os guardioes das Doutrinas Secretas compreenderam o quanto era tambem seculos dos atravSs mitidas oralmente

Segundo a

tradicao, os

perigoso ensinar tdcnicas pr&ticas a indivfduos que pudessem fazer seus principios.

mau

uso dos

10

hoje seria possivel defender o ponto de vista de que as pr&ticas esotericas deveriam ser mantidas em segredo, embora atualmente tanta coisa j£ tenha sido publicada que essa questao perdeu o sentido. E a verdade 6 que nao

Mesmo

existem "segredos" de verdade, tal como a maioria das pessoas compreende essa palavra. Este e o ponto crucial de todo tipo de ocultismo, misticismo e religiao esoterica. Na verdade, um importante "segredo" e" tao simples que pode ser transmitido

num

linico pardgrafo:

O que € chamado de iluminacao depende da abertura/fr/ca dos canais para que a consciencia da personalidade possa entrar em contato direto com a consciencia do universo maior. Isto significa uma manipulacao das vibracoes do corpo e uma sutil alteracao na sua fisico-quimica. Todas estas coisas sao uma forma de ioga, atividade durante a qual a pessoa sente o que lhe parece ser uma corrente eletromagnetica percorrendo-lhe o corpo. Todo o mundo )& sentiu esta corrente e qualquer um pode aprender a manipuld-la. Alem do mais, isto nao tem nada

que ver com a linha de misticismo ou de ocultismo adotada por cada individuo. "Inflama-te pela oragao", significando excitar as correntes internas do corpo, 6 a essencia pr£tica do Cristianismo, do Judaismo, do Budismo, do Hindui'smo e de todas as formas legftimas de religiao ou cultos secretos. As tecnicas de manipulacao das energias do corpo, a Cabala Hermenca acrescenta um pro-

A

diretriz:

pessoa comeca por imaginar uma cena intedescobre que as rior, um devaneio firmemente direcionado. Logo, porem, ela imaginacao. sua produto da sao nao acontecendo estao coisas que

grama de visualizacao

interna.

A

para este tipo de visualizacao, conhecido como Percorrer os Caminhos ou Ascender pelos Pianos. O objetivo de qualquer elements do Taro consiste em direcionar a atencao do individuo para uma energia especifica inteligente tal como ela 6 antropomorfizada numa carta. Este foco de

O Taro 6, obviamente, ideal

27


atencao tende a afetar

uma

ligacao inconsciente

com

a energia

que a carta

simboliza. Isto nao significa sugerir que o Taro oferece algum tipo de atalho, pois ele nao o faz. Aquele que opta por estudar o Taro pelo Metodo Cabalfstico

deve faze-lo de corpo

inteiro e

com

certo t6dio disciplinado at6 que se

discricao, sensibilidade e a aceitacao de

possam

obter resultados positivos, coisa

vezes chega a levar anos para acontecer. Os que fazem o

as

si sterna

um que

funcionar

o conseguem atrav6s da dedicacao disciplinada aos exercicios de meditacao, sem qualquer tipo de preocupafao com os resultados. Mas os resultados efetivamente aparecem e o indivfduo comeca a ver todo

o sistema de forma muito ser interpretadas.

Uma

diferente e a apreciar a fluidez

carta

pode

com que

ter vSrias interpretacoes

as cartas

(algumas

ate"

devem

mesmo

aparentemente contradittfrias), principalmente quando representa um Caminho nos nfveis superiores da Arvore da Vida. Assim, os conceitos inerentes a uma carta nunca podem ser relacionados a umas poucas frases de efeito facilmente me-

morize veis.

em sua obra The Book ofThoth [O livro de Thoth], chama o fato de que aquilo que ele consegue dizer a respeito de uma carta tambem pode representar uma pequena parcela do seu significado, ou aparentemente nao fazer sentido. Nessa atividade, Crowley muitas vezes encontrava uma carta tao profunda que era obrigado a recorrer aos simbolos da poesia Aleister Crowley,

a atencao para

para abordar suas implicacoes mais senas.

extremamente honesto ao reconhecer, no livro Confessions of Aleister Crowley [Confissoes de Aleister Crowley], que nem sempre conseguia entender completamente todas as cartas. Ele escreveu o seguinte: Ele

tambem

foi

O verdadeiro

significado dos Trunfos do Taro tambem esta" por ser plenamente compreendido. Estou convencido de que essas 22 cartas constituem

um completo sistema de hierdglifos, representando as energias totais do universe No caso de algumas cartas [presumivelmente pertencentes ao seu pr6prio baralho] foi -me possfvel reconstituir sua forma original e desvendar-lhes completamente o significado. Outras, porem, s6

cialmente, e

do que uma

em relacao

compreendo par-

a algumas, por enquanto, nao consegui formar mais

id6ia geral.

11

O Taro certamente se constitui num grande potencial para a pessoa enganar ter compreendido algum aspecto nao obstante, estarmos trabalhando com uma estrutura muito pessoal e distorcida. Por isso, o melhor â&#x201A;Ź buscar orientacao, a cada passo da experiencia de aprendizado, nos documentos tradicionais sobre o assunto. No caso do Taro, esses escritos sao o Sepher Yetzirah, um livro muito pequeno atrav6s do qual relacionamos as letras hebraicas com as cartas do Taro. Outra importante fonte de referenda da Cabala Judaica 6 o Zohar, um comentano mistico em muitos

a

si

mesma. Pode acontecer de acreditarmos

do estudo

e,

volumes que nunca foi totalmente traduzido para nenhuma lfngua europeia. O maior de todos os livros cabalisticos â&#x201A;Ź o Pentateuco, de Mois6s, os primeiros cinco livros da Biblia.

28

A

essencia da Cabala Judaica 6 constitufda pelo


estudo dos quatro primeiros livros,

em

hebraico, e dos fundamentos da

nume-

rologia.

A primeira vista, essas questoes parecem ser extraordinariamente complexas. O aspecto intelectual da Cabala, porem, ao contrano da sua aplicacao prftica, pode ser facilmente compreendido por qualquer um que esteja disposto a atacdlo

com o

vigor e a disciplina que se empregaria no aprendizado de

uma nova

lfngua.

A Cabala 6 essencialmente artificial. Ela 6 um padrao definidor imposto sobre qualidades que, de outra forma, seriam demasiado fluidas para que pud6ssemos compreende-las. Poderfamos citar, por exemplo, a id&a de periodizacao na histdria. Obviamente, nao existe nenhuma linha de demarcacao entre os uma medida

colocar blocos de idÂŁias e estilos sociais dentro de categorias rotuladas de forma arbitraiia como relativas aos s6culos seculos. Todavia, 6

XVffl,

XIX

A Aurora

e

util

XX.

Dourada

Nao 6 nenhuma coincidencia que os tres baralhos de Taro mais importanda era moderna, o de Waite, o de Crowley e o da Aurora Dourada, tenham sido produzidos por membros da Ordem Herm&ica da Aurora Dourada. Essa confraria, a herdeira intelectual dos cabalistas da Renascenca e dos rosa-cruzes barrocos, deu mais enfase ao Taro do que qualquer outro grupo cujas atividades tenham se tornado publicas. A iddia de que o Taro sintetiza os princfpios da Cabala Herm&ica, defendida por ela, tern sido fundamental para os modernos tes

estudos esot^ricos.

A Ordem Herm6tica da Aurora Dourada, particularmente na medida em que um fenomeno social, pode ser melhor compreendida quando examinada contra o pano de fundo da sua 6poca. Hoje, Londres 6 uma metrdpole enorme e sofisticada, um centro de comunicacoes e de comercio internacional. Nem mesmo a tradicional reserva dos ingleses ajuda a mascarar a vitalidade e a agitacao da vida nessa cidade. A Londres de 1890 era mais tranquila e pitoresca. Podemos imaginar ruas ladeadas por axvores e lojas antigas, e carruagens puxadas a cavalo deslocando-se representa

vagarosamente pelo calcamento de pedras arredondadas, transportando senhoras em vestidos longos e cavalheiros de cartola. A tranquilidade de algumas ruas de Londres, porem, contrastava acentuadamente com a sordidez das favelas ou com as dreas fabris da emergente na?ao industrial governada pela rainha Vitdria. Essa era

uma 6poca

e

um

lugar de grandes polaridades.

moderna Cabala conhecemos que Herm&ica, uma sociedade de carÂŁter muito diferente daquela hoje. A Ordem da Aurora Dourada surgiu durante um dos periodos mais interessantes da histdria moderna, o Fin de Siicle, La Belle Epoque. Foi um perfodo Essa sociedade serviu

como um cadinho para

as ideias da

que as pessoas estavam come?ando a avaliar e a colocar em perspectiva a grande quantidade de conhecimentos obtidos nas decadas anteriores.

em

29


Muitos historiadores consideram o extraordinÂŁrio interesse dessa epoca pelo como uma reacao contra a industrializacao e seu conseqiiente mate-

ocultismo

Em alguns cfrculos, havia certamente o medo de que a tecnologia das ma'quinas pudesse esmagar e destruir a individualidade. Outros tendem a ver o interesse pelas questoes esotiricas como o resultado do contato com id6ias rialismo.

em virtude

da presenca britanica na India e do subseqiiente nascimento da Teosofia. Entretanto, como quer que se veja o desenvolvimento do ocultismo no seculo XIX, ele representou o fruto de geracoes de estudiosos. O mesmo poderia ser dito, nessa epoca, a respeito das ciencias, da politica, da industria e de todos os tipos de arte. Em outras palavras, a virada do seculo trouxe mais orientais,

alteracoes na filosofia e no modo de vida da humanidade do que qualquer outro perfodo da histdria. Embora essas mudan9as tenham sido rApidas e irresistfveis, elas nao ocorreram do dia para a noite. Poderfamos fazer uma analogia com um

balao que se enche de ar lentamente

e,

de repente, estoura. A Aurora Dourada se formar com as filosofias cabalfsticas

uma onda de choque que comecou a da Renascenca. Os que criticam a Aurora Dourada pela sua teatralidade deveriam compreender que ela surgiu a partir das mesmas forcas sociais que estavam produzindo o teatro moderno, para nao falar na literatura, na arte e na musica modernas. Essa foi a era de Ibsen, de Stravinsky, de Henri Bergson (irmao da sra. Mathers), de William Morris, de Oscar Wilde, de Rimbaud e de Verlaine, de Van Gogh foi

e de Gauguin.

E sob esta luz que

a

Ordem pode

ser

melhor compreendida.

O que a Ordem

fez foi coletar, concentrar e desenvolver toda a experiencia anterior da Tradicao

Mfstica Ocidental.

Os elementos da Cabala Herm6tica tornaram-se muito

dife-

rentes depois de passarem pelos aprimoramentos e as definicoes criticas da

Aurora Dourada.

A Ordem Westcott, S.L.

foi criada

em

1888, sob a lideranca conjunta de William

Wynn

MacGregor Mathers e W.R. Woodman. Sua legitimidade e

rei-

vindicacao de ser a herdeira dos principios de Christian Rosencreutz (o pai do movimento Rosa-cruz) baseou-se num misterioso conjunto de "Manuscritos Cifrados" que caiu nas maos de Westcott em 1887.

A

muito complicada, tornou-se ainda mais confusa pela probamenos alguns dos materials distribufdos aos membros do grupo por Mathers et al., com a garantia de serem originanos da antiguidade, haviam na verdade sido criados por eles. 12 Os "Antigos Manuscritos Cifrados" estavam (suspeitosamente) em ingles, traduzidos para um c6digo muito simples inventado no seculo XVI pelo abade Trithemius (patrocinador de Agrippa). Essas pdginas descrevem os rituais e a estrutura hierirquica da confraria oculta e, ao que se supoe, originaram-se na Alemanha. Embora exista uma grande controv^rsia a respeito da autenticidade desse documento, nao hi duvida de que eles foram escritos por algudm que tinha hist6ria,

ja"

bilidade de que pelo

um

profundo conhecimento da tradicao mfstica. De qualquer forma, foi com base nessa legitimidade autoproclamada que se procurou arrebanhar adeptos para a nova ordem. Eles vieram das mais va30


1890, inclufam William Butler Yeats, Annie Horniman e a atriz Florence Farr. A. E. Waite pertenceu ao grupo durante pouco mais de um ano. Ele posteriormente reincorporou-se ao grupo mas acabou escrevendo de

riadas areas e,

em

forma depreciativa a respeito de suas experiencias com a confraria. Em 1892 Mathers tornou-se o unico Chefe e foi criada a Ordem Segunda ou Interna (conferindo o grau de Adeptus Minor). Mathers era um organizador habilidoso, embora talvez dado ao uso de pequenos truques destinados a engrandecer sua pr6pria imagem ou aumentar o brilho da Ordem aos olhos de seus membros. Problemas s6rios comecaram a surgir em 1895, decorrentes em grande parte da lideranca autocrÂŁtica de Mathers. Embora Mathers afirmasse estar em contato com os tres "Chefes Secretos", Mestres invisfveis que orientavam os procedimentos da Ordem, os membros tornaram-se cada vez mais relutantes em aceitar suas afirmacoes a respeito de questoes de fe\ Aleister Crowley ingressou na Ordem em novembro de 1898 e logo tornou-se discipulo do legenddrio Alan Bennett. Ele tambem conquistou o respeito de Mathers pela sua inteligencia e talento para as atividades esotericas. Todavia, as mesmas qualidades de independencia investigativa, que tao boa impressao causaram a Bennett e a Mathers, contribufram para o surgimento de atritos com outros membros. Em 1899, ap<5s MacGregor e Moina Mathers terem se mudado

Ordem, os lfderes do Templo de Londres decidiram rejeitar o pedido de Crowley para ingressar na Segunda Ordem. Esta decisao acabou provocando a desagregacao da Ordem tal como para Paris, a fim de fundar

um ramo

continental da

fora originalmente concebida.

Em Paris, Mathers conferiu a Crowley o grau de Adeptus Minor. Isto, por6m, provocou a ira dos membros de Londres, que votaram pela expulsao do pr6prio Mathers. ImpÂŁvido, Mathers decidiu criar um novo grupo. Outros, incluindo Crowley, acabaram fazendo o mesmo e todos afirmavam que a sua confraria sim era autentica e estava em contato com os Chefes Secretos. Dessa maneira, os ensinamentos da Ordem se disseminaram pelo mundo a medida que grupos dissidentes foram se formando na Inglaterra, nos Estados Unidos e em outros pafses. Os metodos da Ordem passaram a ser do conhecimento publico entre 1937 e 1940, quando foi publicado o quarto volume do livro 13 Golden Dawn (Aurora Dourada) de Israel Regardie. Esta obra contem todas as prelecoes e rituais importantes

da Ordem,

bem como uma

explicacao com-

pleta a respeito dos princfpios subjacentes a eles.

O

Taro da Aurora Dourada

Ao que se sabe, existe apenas uma referenda publicada a respeito da origem do Taro da Aurora Dourada. Ela e a autobiografia da artista e poetisa irlandesa Ella Young, publicada em 1945. No livro, chamado Flowering Dusk [Penumbra Florida], ela descreve uma visita a casa dos Mathers em companhia de Maud Gonne, um membro da Ordem. Maud fora trazida para dentro do grupo por William Butler Yeats, que a cortejara sem sucesso durante muitos anos. 31


Young

Ella

teve sua atencao atrafda por algumas grandes figuras de Deu-

ses Egfpcios feitas

cionado

Ao

numa

em

papel mosaico, as quais MacGregor afirmara ter confec-

s6 noite.

voltarmos a

tranqiiila rua,

eu disse a

Maud Gonne: "Como

ele espera

que acreditemos que ele fez aqueles mosaicos numa noite?" "Penso que 6 muito provavel que seja verdade." "Mas cortar aquelas tiras de papel, separar as cores e cold-las no lugar certo isto sem falar na criacao e no desenho das figuras... Nao me parece que

seja possfvel!"

"Ele consegue fazer coisas assim. ter cartas

Uma vez resolveu que a sociedade deveria um maco de cartas em branco,

de Taro. Imediatamente ele tomou

pediu a

um

voltou

com

nelas."

As

numa sala e pouco depois Os sfmbolos do Taro estavam pintados sociedade sao copiadas desse baralho. Eu vi rapidamente foi uma facanha equivalente a

dos membros para marc£-las, entrou as cartas marcadas.

cartas usadas pela

essas cartas. Desenh£-las tao

elaboracao dos mosaicos de papel. 14 parece, um baralho melhorado foi pintado pela sra. Mathers, uma consumada. O baralho feito por ela foi posteriormente emprestado aos membros da Ordem Interna, os quais foram solicitados a copi£-lo a mao. Este foi o procedimento adotado pela loja da Aurora Dourada a que Israel Regardie pertenceu embora na 6poca a preparacao de um baralho a Stella Matutina de Taro fosse opcional. As fotografias do baralho de Regardie (o original foi roubado) serviram de base para O Taro da Aurora Dourada, pintado por Robert Wang sob a orientacao de Regardie e publicado em 1978.

Ao que

artista

O

,

Baralho Rider-Waite

Em

1910 Arthur Edward Waite e a

artista

Pamela Colman Smith criaram

o que veio a tornar-se o baralho de Taro mais popular da hist6ria, chamado geralmente de baralho Rider por causa de seu fabricante, William Rider & Son. A producao deste baralho foi comentada por Waite em sua autobiografia, Shadows of Life and Thought:

Embora The

meu primeiro trabalho em 1910 por uma deliciosa

Secret Tradition in Goetia tenha sido o

com o experiencia com

selo Rider, ele foi precedido

de folego

as assim

chamadas Cartas Divinat6rias do Taro, tamb£m

denominadas Livro de Thoth pelo meu velho amigo Eliphas Levi. Nessa epoca havia

uma

artista

paranormal extremamente imaginativa chamada Pamela se deixara levar para a Aurora Dourada e passara a

Colman Smith, que

apreciar suas Cerimonias

ou sequer 32

tentar

— modificadas por mim mesmo — sem pretender

compreender suas conseqiiencias mais profundas. Parecia-


nos a alguns de n6s, membros do cfrculo, que havia no nosso meio uma desenhista que, sob orientacao adequada, seria capaz de produzir urn Taro com urn valor artfstico e uma capacidade de sugerir significados simbtflicos que ultrapassariam os sonhos daqueles que, durante muitas geracoes, ha-

viam produzido e utilizado essas cartas com meros propdsitos divinat6rios. especialmente aqueles dos Coube a mim cuidar para que os desenhos

— inerente — oculto carto mantivessem o Arcanos Maiores

a

determinados

Nao estou

obviaGrandes Mistenos cujos Caminhos sigalgum tivesse Dourada mente insinuando que, nessa epoca, a Aurora expresme porem, posso se nificado profundo herdado das cartas do Taro; sar assim, foi sob a minha supervisao que se divulgaram os conceitos de eram portoes que ou pelo menos alguns deles que os seus Sfmbolos

eu estava percorrendo.

davam para esferas de visao situadas alem dos sonhos ocultos. Percebi, portanto, que Pamela Colman Smith nao deveria captar ao acaso quaisquer imagens instaveis da minha prdpria mente ou da mente de outras pessoas. Ela teve de entrar em contato, de forma cuidadosa e gradual, com a Grande Sacerdotisa, com o Bobo e com o Enforcado. ...Quern se interessar por estudar seriamente o Simbolismo do Taro far£ bem em selecionar o conjunto de cartas coloridas produzidas sob minha supervisao pela senhorita Pamela

Colman Smith. 15

Existem aqui duas id&as que talvez possam ajudar a explicar as primeiras com a Ordem da Aurora Dourada. Ele sugere que nao apenas

desavencas de Waite

"modificou" as cerimonias da Ordem

como tambem

apresentou aos seus

mem-

bros o verdadeiro significado do Taro. Esses pronunciamentos nao lhe trouxeram muitos amigos e estimularam

Crowley a publicar alguns coment£rios bastante mordazes. Urn desses artigos, publicado no The Equinox, foi um falso necrol6gio do ainda vivfssimo Waite, nao faltando nem mesmo grossas tarjas pretas em cada p£gina. O titulo do artigo foi: "Dead Weight" [Peso Morto].* O artigo comecava da seguinte forma: "E com o mais profundo pesar que comunicamos o falecimento... do veneravel santo conhecido na terra como Arthur Edward Waite." O texto prosseguia com uma falsa biografia. "A carreira de Arthur Edward Waite foi deterAleister

minada pela admiraVel capacidade de percepgao de seu pai. 'Ned, meu filho', disse-lhe ele quando o futuro santo mal completara seis anos de idade, 'vejo que a inteligencia nao 6 o seu forte. Mas nao tern importancia. Se nao pode ser esperto, 16 tente convencer as pessoas do contrdrio!"' Crowley foi um duro adversaVio, um espinho no pe de Waite durante d6cadas. Entretanto, Waite na verdade pode ter sido o ultimo a rir, pois em sua extensa autobiografia ele nao menciona uma unica vez o nome de Crowley.

*

Em

ingles, a

pronuncia de "weight" (peso) e de "Waite" e muito semelhante. (N. do T.)

33


O

Taro Thoth de Aleister Crowley

O baralho Crowley tern uma hist6ria longa e complexa. Nao apenas Lady Frieda Harris levou cinco anos para pintar as cartas, como o trabalho completo teve de esperar 25 anos para ser publicado. primeira (e pouco conhecida) impressao foi feita em cariter particular por Carr Collins e sua Fundagao do Santo Graal, com sede no Texas. Foi uma impressao muito ruim, numa unica cor. Somente em 1969 um editor norte-

A

americano de livros de ocultismo lancou a primeira edicao em cores, sendo a impressao na verdade feita em Hong Kong. Lady Harris, por cuja vontade o baralho seria produzido apenas pelo impressor ingles que fazia os selos postais para o governo, sem diivida alguma teria ficado muito desapontada (se nao indignada)

com

essas edicoes.

1979 as cartas finalmente foram publicadas numa edicao de acordo com elevados padroes tipogrdficos. Para se chegar a esse ponto, porem, foi os mais preciso superar vÂŁrios obstÂŁculos. No intervalo entre a edicao da Fundacao do

Em

Santo Graal e a edicao corrigida, o curador da colecao dos documentos Crowley, mantidos no Institute Courtauld, em Londres, recusou-se a permitir que os desenhos originais fossem fotografados. A grande colecao Crowley, doada ao Courtauld por Gerald Yorke, havia sofrido diversos furtos e o museu estava se tornando cada vez mais cauteloso quando se tratava de autorizar o acesso a esses objetos. Foi somente ap6s mais de dois anos de negociacoes entre a Weiser e

o Courtauld que por fim surgiu o primorosamente produzido Taro Thoth. O projeto de pintar as cartas foi iniciado em 1938 e conclufdo em 1943, conforme a narrativa feita por Lady Harris numa palestra proferida no Tomorrow Club, a qual continua sendo a unica declaracao publica a respeito de seu papel

no desenvolvimento do baralho:

Eu

lhes contarei agora

como

foi

que

pintei aquelas cartas e

me

esforcarei

para descrever claramente os acontecimentos. Fiquei interessaTaro depois de ler o livro de Ouspensky, The Model of the Universe no da [Um Novo Modelo do Universo].* Consegui encontrar pouqufssimas infor-

ao

mÂŁximo

macoes ou pesquisas sobre o assunto, ate conhecer A.C. Ele estudara seriamente as cartas durante 40 anos... Pedi que me ajudasse e ele o fez, com grande paciencia e cortesia. Nos cinco anos seguintes, lutamos para avancar atrav6s do enorme volume de tradicoes derivadas de fontes tao divers as quanto macons, alquimistas, magos, cabalistas, geometras, gemdtricos, matemdticos, simbolistas, adivinhos, numerologistas, druidas, espiritualistas, [sic], iogues, psicanalistas, astr61ogos e, ate"

psicdlogos, filologistas, budistas

mesmo,

heraldistas, todos os quais

lizados.

A

* Publicado pela Editora

34

deixaram sua marca nos simbolos

uti-

partir dessas diversas fontes, n6s nos esforcamos por recuperar

Pensamento, Sao Paulo, 1987.


as simples e sagradas

formas originais das cartas, alem de indicarmos o

Eon de H6rus, uma aparicao ...As cartas libertaram

Novo

aterradora.

minha mente e

fui

levada por pensamentos que s6

ser expressos por arquejos e solucos... Jamais tentei pintaMas com ajuda de transes, escrita autom£tica, sessoes espiritas, m6diuns, autoa sugestao, drogas ou deixando os pensamentos fluirem.

podem

Elas sao resultado de trabalho duro, de pesquisas honestas e do senso comum e foram feitas ao ar quais, creio eu, sao as verdadeiras magias

— os

livre e

sob o sol do campo.

17

Os comentanos de Lady Harris refletem a profunda pesquisa interna necessana para se produzir urn trabalho oculto dessa magnitude. De fato, qualquer artista que tenha pintado todo um baralho de Taro concordaria com um de seus comentanos que denotam maior frustracao: "As vezes, quando me sinto esmagada por todos estes significados, repito para mim mesma as palavras de Alice no Pafs das Maravilhas: 'Quern se importa com voce? Voce nao e nada alem 18 de cartas.'"

de

um maco

O

Livro "T" Os baralhos Aurora Dourada, Waite e Crowley baseiam-se nos

principios

do Livro T, um conjunto de textos sobre Taro publicado por uma faccao da Ordem da Aurora Dourada. A principal sugestao desses documentos 6 que a Cabala e a Arvore da Vida sao a chave do Taro. Nao ha" duvida de que, sem um certo conhecimento Msico dos simbolos da Cabala, os baralhos modernos apresentados aqui seriam incompreensiveis. Ha" necessidade tambem de se conhecer o alfabeto hebraico visto que, tal como sao utilizadas nos estudos esotericos, cada letra hebraica 6 um simbolo e corporifica um bloco de conceitos. Todas as implicacoes da

imagem simb61ica da

carta

O BOBO tambem sao inerentes

a letra

hebraica Aleph. Uma das peculiaridades das doutrinas secretas e que muitos aspectos do estudo sao tao profundos que um simbolo s6 pode ser explicado em termos de outro e o estudioso penetra no cfrculo atrav£s do simbolo que ele

compreende melhor. simbolos do Taro, desenvolve Manuscritos Cifrados. Ela primeira vez nos uma f6rmula que apareceu pela Trunfos e as letras hebraicas. entre os contem a ordem dos Trunfos e a relacao conferida ao Taro. Preatencao O mais importante de tudo e a extraordinaria

O Livro T, uma complexa representacao dos

cisamos compreender que o Livro T, o Taro, e a chave secreta, nao apenas para a Cabala Hermetica, mas tambem para todo o esoterismo ocidental.

O

livro

comeca assim: 19

35


HRU O GRANDE ANJO esta"

Conduzindo

as atividades

da Sabedoria Secreta.

num Livro o que viste e envia-o aos Sete Moradores de Assiah." "E na mao direita Dele, que estava sentado num Trono, vi um livro selado com Sete Selos." "E ouvi um vigoroso Anjo proclamar em voz alta: "Escreve

'Quern 6 digno de abrir os Livros e de romper seus selos?'"

A passagem com a qual o Livro T & iniciado, certamente representa a atitude da Ordem em relacao ao baralho do Taro. A passagem foi tirada do Apocalipse de Sao Joao, capftulo cinco. Depois de o Santo ter ascendido ao Reino dos Ceus, mostram-lhe um pergaminho e lhe dizem que ninguem na Terra 6 digno de abrilo. O Cordeiro de Deus, porem, tendo dado o seu sangue pela humanidade, 6 considerado a altura deste

ato.

Sugere-se que o Taro 6 o livro mencionado no Apocalipse e a chave para o universo. Obviamente, nao 6 o baralho do Taro, por si, que constitui o chamado Livro T. A sugestao, na verdade, â&#x201A;Ź que a chave para o Cosmos 6 a nossa

percepcao dos padroes subjacentes da qual o baralho do Taro 6

um

simbolo

externo.

Este "Livro", ou conjunto de padroes universais, porem, nao

ce de

nenhum homem

esta"

ao alcan-

deste planeta. Ele s6 pode ser aberto pelo Cordeiro de

Deus, que neste contexto â&#x201A;Ź Cristo-Buda-Osiris. Apenas os iniciados no ramo da Cabala {Tiphareth) podem compreender plenamente o Taro. Aqui, a iniciacao a Tiphareth pode ser entendida como um "sacrificio de sangue humano" no sentido de envolver a perda da personalidade do Eu tal como ela era conhecida anteriormente.

A16m disso, vemos que o Livro T 6 descrito nos documentos rosa-cruzes como tendo sido encontrado na mao de Christian Rosencreutz quando seu corpo foi descoberto em perfeito estado em Vault. A Ordem da Aurora Dourada afirmava descender diretamente de Rosencreutz e, aparentemente, pretendia sugerir que detinha a posse do maior segredo dos rosa-cruzes originais. Deve-se, portanto, concluir que a Ordem via o Taro como o recepta'culo simbdlico do seu principal e mais secreto ensinamento.

O membro recebia informacoes a respeito do Taro (bem como a respeito de quase todas as outras coisas importantes) depois de ter passado por um processo de iniciacao e depois de ter alcancado o grau de Adeptus Minor. Este grau estabelecia uma ligacao com Tiphareth, o centro de Cristo e com outros deuses sacrificados. Assim, s6 quando o membro chegava a condicao de Cornum ritual) 6 que ele era conPergaminho siderado digno de abrir os selos do do Apocalipse, do Livro T, do Taro ou de como quer que os padroes do Cosmos possam ser chamados. O importante nao 6 o livro propriamente dito mas a nossa capacidade de o interdeiro Divino (sendo simbolicamente crucificado

pretar. Este ato i a abertura

36

dos selos.


A

Tal

como

Cabala

€ entendida hoje, a palavra Cabala significa uma tradigdo ou tambem significa um sistema metaffsico bastante

aquilo que 6 recebido. Ela especffico.

Na

queria dizer

A Lei. Esta tanto poderia ser uma lei

antiguidade, porem, Cabala tinha

nos cinco primeiros livros da Bfblia, go).

um

oral

significado mais geral e

como

a de Mois6s, contida

Tord (chamado de Pentateuco,

em

gre-

Foi somente no s&ulo XII que o termo adquiriu o significado preciso que

tem hoje. 20 Existem duas escolas diferentes de Cabala: a do Judafsmo e a chamada Cabala Herm&ica, que 6 produto dos conceitos da Renascenca Italiana. Pode haver alguma dificuldade aqui porque em qualquer das formas de cabalismo os nomes de Deus sao aqueles do Velho Testamento, o hebraico e" a lfngua b£sica e os principals textos pertencem a tradicao judaica. Todavia, embora a Cabala Judaica e a Cabala Herm6tica recorram as mesmas fontes literdrias, existem acentuadas diferencas entre as duas tanto na interpretacao dos textos como nas atividades pr£ticas.

diferenca mais significativa esta" relacionada com a representacao picttfrica. A lei mosaica profbe o uso de ilustracoes que apresentem a forma

A

humana: "£ igualmente proibido desenhar a figura humana, mesmo que seja apenas um rosto... Entretanto, apenas nao 6 permitido o rosto completo, isto e\ com dois olhos e um nariz. Um perfil nao € proibido." 21 Qualquer especie de idolatria era sacritegio, o que talvez possa explicar a relutancia de alguns estudiosos judeus em usar at6 mesmo a Arvore da Vida em suas publicacoes.^Mais importante ainda 6 que, ao passo que um mfstico cristao ou um cabalista herm6tico

ir^

produzir

plora?ao interior,

uma

um

representacao pict6rica

mfstico judeu procura

como um

uma

recurso para a ex-

experiencia direta de pura

consciencia.

Existem obviamente inumeras outras diferencas entre as Cabalas Herm6quanto as maneiras pelas quais os Nomes Divinos sao empregados. Todas essas diferencas sao mais bem compreendidas em termos do tica e Judaica, inclusive

37


desenvolvimento hist6rico do ocultismo ocidental. Foi por volta do segundo seculo surgir, depois de Cristo que as Doutrinas Secretas Ocidentais comecaram a tradifao por uma transmitidos elementos em baseadas presumivelmente embora oral secreta

muito antiga.

As Origens da Cabala Muitos textos cabalfsticos, mesmo nos dias de hoje, afirmam que a Cabala â&#x201A;Ź urn conjunto de conhecimentos esotencos revelados a Mois6s no monte Sinai, ligando-a assim a propria criacao da Lei Judaica. Sugere-se que Deus tenha ditado para os cinco livros da Bfblia a Moists oferecendo em seguida urn ctidigo secreto sua interpretacao.

XV

e a unica ensinada pela outra tradicao (popularizada no s6culo Aurora Dourada aos seus membros) diz que a Cabala foi originalmente revelada pelos anjos a Adao para que pudesse voltar ao Parafso depois do Pecado Ori-

Uma

MacGregor Mathers Kabbalah Unveiled: ginal.

citou Christian Ginsburg ao prefaciar o livro

A Cabala foi ensinada primeiramente pelo pr6prio

Deus

a

um

seleto

The

grupo

de anjos que formaram uma escola teos6fica no Parafso. Depois do Pecado Original, os anjos bondosamente ensinaram essa doutrina celestial aos desobedientes filhos da terra para dotar os protoplastos voltar a sua primitiva nobreza e felicidade.

De Adao

com

os meios para

ela passou para Noe" e

depois para Abraao, o amigo de Deus, que a levou para o Egito, onde o Patriarca deixou parte dessa misteriosa doutrina. Foi assim que os egfpcios

obtiveram algum conhecimento a seu respeito e que as outras nacoes orientals puderam incorporaMa a seus sistemas filos6ficos. Mois6s, que estudara todo o saber do Egito, foi iniciado na Cabala em sua terra natal, porem adquiriu maior proficiencia na sua viagem atrav6s do deserto. Ele nao s6 se suas horas de lazer durante todos os quarenta anos, como tambem recebeu licoes de um dos anjos sobre esse assunto. Apesar de todas as guerras, migracoes e infortunios que freqiientemente afligiram sua

dedicou a ela

em

com a ajuda dessa misteriosa ciencia o Patriarca conseguiu superar surgidas durante o perfodo em que conduziu os israelitas. dificuldades as Disfarcadamente, ele introduziu os princfpios dessa doutrina secreta nos qua-

nacao,

tro primeiros livros

ÂŁ

triste, talvez,

23 do Pentateuco, mas nao os incluiu no Deuteronomio.

mas

esta encantadora narrativa

nao guarda nenhuma

rela-

um fao com os fatos hist6ricos, visto que a Cabala surgiu em conseqiiencia de Merkabah. Misticismo longo e complexo desenvolvimento que se iniciou com o Merkabah, que

forma de misticismo Foi a Carruagem que transportou o Trono de Deus

significa "carruagem", foi a primeira

judaico, anterior a Cabala.

24

ou Trono do Mundo, descrito pelo profeta Ezequiel e

como 38

tido pelos mfsticos judeus

complemento das primitivas Doutrinas Secretas do Hermetismo e do


testemunhou a fusao de um grande numero de tendencias, e Scholem afirma categoric amente que: "A Cabala, do ponto de vista hist6rico, pode ser defmida como um produto da interpenetracao entre o Gnosticismo Cristao. 25

O

s6culo

n

26

Gnosticismo Judaico e o Neoplatonismo." Durante a fase final do Impeno Romano e infcio do Cristianismo, havia o Gnosticismo Cristao, o Gnosticismo Judaico, o Neoplatonismo, o Neopitagorismo, o Hermetismo (religiao pseudo-egfpcia) e muitos cultos obscuros, todos interpenetrando-se de formas sutis. O misticismo judaico dessa epoca € discutido por Scholem em seu estudo pioneiro intitulado Major Trends in Jewish Mysticism [Correntes Principais no Misticismo Judaico], ao passo que os desenvolvimentos cristaos foram relatados por Elaine Pagels em The Gnostic Gospels [Os

Evangelhos Gndsticos]. Esses estudiosos buscam a verdadeira origem dessas idems que foram objeto de controvdrsias ao longo das geracSes e que constituem a base da moderna Cabala Herm6tica. £ importante reconhecer que, em relacao a maioria dos aspectos dos Misterios, nao existe a necessidade de invocar a cortina de fumaca da "tradicao secreta oral". A maior parte dos que deram alguma contribuicao

Em

a Cabala foram muito claros a respeito de seus trabalhos e de suas fontes. qualquer sistema moderno, 6 muito pequena a quantidade de elementos para os quais nao se possa encontrar um precedente hist6rico.

O

Sepher Yetzirah (O livro da cria^ao)

m

Este livro constitufdo por seis breves capftulos, surgido entre os s£culos e VI d.C, e" a pedra angular da literatura cabalfstica e o documento onde a palavra Sephiroth aparece pela primeira vez. Trata-se de uma obra que descreve a criacao do universo em termos das letras do alfabeto hebraico e de numeros simb61icos

indubitavelmente relacionados com o Neopitagorismo. O Sepher Yetzirah 6 aparentemente um sumano das primeiras id6ias do misticismo judaico e equivale

ao que a Pistis Sophia significou para o Gnosticismo. A origem exata e o prop6sito do Sepher Yetzirah e" objeto de controvSrsias. Um autor do infcio do seculo XIX, cheio de boas intencoes, chegou a sugerir que esse texto mfstico nao era mais que um livro de gramltica e que, "sendo a primeira gram£tica hebraica, contem nao apenas as regras fundamentals da ortografia he27 braica como tambem um relato a respeito da origem das letras e numerais". Embora esta teoria, obviamente, nao deva ser levada a seno, ela serve para des3o grandes as diferencas de interpreta9ao a que os documentos cabalfsticos estao sujeitos. Por outro lado, o Sepher Yetzirah 6 uma obra muito diffcil e obscura, t3o abstrata que exige uma abordagem atipica. Quando utilizado em conjunto com o Tar6, por6m, o trabalho torna-se extraordinariamente claro.

monstrar

como

Embora o ideal seja que o Sepher Yetzirah seja lido no original em hebraiexistem diversas tradu?oes para o ingles. 6 necessano tamb6m observar que co, um documento posterior intitulado Thirty-Two Paths of Wisdom [Trinta e dois Caminhos de Sabedoria], costuma ser apresentado junto com o Sepher Yetzirah.™ 39


O

Cabalismo Medieval

O Sepher Yetzirah preparou o terreno para o misticismo judeu

ao fundir as

contexto judaico. Considerado o "primeiro tex29 suas id6ias foram deto hebraico de reflexoes sistem£ticas e especulativas", senvolvidas adicionalmente por estudiosos posteriores. Enquanto a prdpria palavra Sephiroth, por exemplo, foi originalmente usada com o significado de sim-

diversas correntes mfsticas

num

ou est£gios numdricos da criacao, na Idade Media essa palavra veio 30 a adquirir o significado de urn sistema especffico de emanacao Divina. Uma das idelas mais importantes acrescentadas pelos estudiosos medievais foi o de que se poderia encontrar relacoes numerol6gicas entre as palavras (e, portanto, entre os conceitos) atravds da Gematria. A introducao da Gematria serviu para dois prop6sitos. Primeiro, ajudou a assegurar que os escribas iriam ples niimeros

escrever os

nomes

tal

como

os haviam recebido; segundo, serviu

como

urn

meditacao s6ria a respeito dos Nomes. entre 1 150 e 1200. no sul da Franca, surgiu uma outra momento Em algum Trata-se do Sepher-ha-Bahir, supostamente importante. obra cabalfstica muito provavelmente, produzido a partir de muito um livro da antiguidade porem, 51 diver sos escritos de origem germanica ou oriental. O Bahir contem a primeira referenda a uma "Arvore secreta" e e o primeiro a descrever as Sephiroth como recipientes da Luz Divina. Uma traducao inglesa da obra, feita por Aryeh Kaplan, incentivo para

uma

32 publicada recentemente. O seculo XIII foi particularmente importante para a Cabala Judaica. Foi nessa epoca que Isaac, o Cego. um erudito de Narbona, escreveu seus comentanos sobre o Sepher Yetzirah e descreveu-o pela primeira vez como uma obra

foi

que continha um desenvolvimento sistemltico das Sephiroth. Ele tambem desenvolveu algumas id6ias expressas no Bahir* tal como outros fizeram em seus dias. O resultado do estudo do Sepher Yetzirah em termos do Bahir foi que os estudiosos comecaram a discutir conjuntamente as Dez Sephiroth e os Trinta e Dois Caminhos. Outra importante ideia que apareceu nessa epoca, na Franca e na Espanha, 34 foi de que ha via Sephiroth m£s existindo numa exata correlacao com as boas. Esse conceito foi extensivamente desenvolvido por alguns dos membros da Confraria da Aurora Dourada. Foi nesse clima de fruicao mistico-intelectual que surgiu o maior de todos escrito por Moists de Leon entre 1280 Zohar os tratados cabalisticos 35 e 1 286. Trata-se de um conjunto de comentanos sobre a Biblia e a cosmologia

mfstica.

Durante geracoes, acreditou-se que

Zohar fosse

um trabalho originano da

antiguidade. O pr6prio texto procura dar a impress ao de ter sido escrito por um Zohar 6 escrito basicamenrabino do seculo II, Simeon ben Yohai. A16m disso,

no antigo aramaico, lingua a partir da qual surgiram tanto o hebraico como o Srabe. Moists de Leon deve ter achado que o seu trabalho seria levado mais a te

Ele provavelmente estava certo, pois O Zohar rapidamente veio a tornar-se o texto mais importante do misticismo judais6rio se fosse atribufdo a

40

um autor antigo.


.

ainda acrescentar que, entre aproximadamente 1500 e 1800, a Cabaconsiderada como sendo a verdadeira essentia da teologia juamplamente la era 36 daica, e nao uma simples curiosidade, como atualmente 6 vista pelos judeus. Infelizmente, porem, O Zohar nunca foi traduzido por completo para uma lfngua europtia. Apesar de bem traduzidos, os cinco volumes da edicao inglesa 37 organizada por Maurice Simon e Harry Sperling, representam apenas 35% do trabalho original. Os tradutores optaram por suprimir as partes que acreditavam co.

Devemos

serem edicoes posteriores ou que consideraram excessivamente obscuras. Tres dos textos omitidos, porem, podem ser encontrados no livro The Kabbalah Unveiled,â&#x201E;˘ o qual contem um brilhante prefacio escrito por MacGregor Mathers e foi traduzido para o ingles a partir da Kabbalah Denudata, obra escrita em latim por Knorr von Rosenroth e publicada em 1677. Os textos em questao inZohar. Sao eles: The Book of Concealed cluem-se entre os mais diffceis de Mister ios], The Greater Holy Assembly [A AssemMystery [O Livro Secreto dos ble Sagrada Maior] e The Lesser Holy Assembly [A Assembleia Sagrada Menor]

moderna (em hebraiYehuda co). Os 21 volumes de traducao e comentanos, feitos pelo falecido Ashlag, sao descritos por Scholem como "uma traducao extremamente literal Existe apenas

uma

traducao completa para

(porem nao destitufda de muitos equfvocos

uma

lingua

textuais)".

39

A

Renascenga: Hermetismo e Cabala Crista chave para o entendimento da moderna Cabala Hermetica 6 o espirito da Renascenca, que fundiu a Cabala Judaica com os mistenos herm&icos. Durante esse perfodo de intensa atividade intelectual, os fil6sofos descobriram correntes anteriormente ocultas do misticismo judaico e tentaram adaptar essas idtias a estrutura crista. Chegou-se at6 mesmo a dizer que atravSs da Cabala se poderia provar a divindade de Cristo. A Renascenca foi uma epoca na qual o homem se considerava a j6ia da coroa do universo. Ele era "a medida de todas as coisas" e nao o humilde pecador

A

Pecado Original, como afirmara o dogma medieval. Assim, as atividades criativas e intelectuais, bem como um constante questionamento dos princfpios estabelecidos vieram a adquirir maior importancia do que os valores institucionalizados do passado. Em outras palavras, pode-se dizer que uma a expiar o

sociedade antes dominada pela Igreja tornou-se secularizada. As crencas e sentimentos do perfodo medieval foram suplantados pelo chamamento em favor de uma visao mais rational da condicao humana. Embora a sociedade fosse nominalmente crista, os te61ogos e fil6sofos tinham muita liberdade.

Essa liberdade para questionar e investigar alguns dos princfpios mais fundamentals da cristandade alcancou o seu nfvel mais elevado na Academia M6dici, em Floren5a. Na verdade, praticamente todo o ocultismo moderno deriva dos desenvolvimentos feitos pelos estudiosos dessa epoca e lugar. 41


Os M6dicis eram uma

famflia extremamente rica e governaram Florenca

do seculo XV at6 1737. Sua principal contribuicao foi como protetores das artes, urn programa que se iniciou com Cosimo, o primeiro dos grandes M6dicis, e continuou com Lorenzo, "o Magnffico", protetor de Leonardo, de Miquelangelo e de Maquiavel. Cosimo de M&lici fundou a Academia Platonica, dedicada ao estudo da filosofia grega e um niicleo de id£ias neoplatdnicas. Ela foi urn centro de estudos aberto, muito semelhante ao que e" hoje o Institute de Estudos Avancados da Universidade de Princeton.

Cosimo

era

um

entusi£stico colecionador de manuscritos.

Em

1460,

um

manuscrito grego da Hermitica chegou a suas maos vindo da Macedonia, e ele o considerou extraordinariamente importante. A reputacao dos trabalhos sobre Hermes Trismegisto como sendo uma chave para todo o conhecimento era tao consideraVel que Cosimo instruiu Marsilio Ficino, diretor de sua Academia, a deixar de lado a Republica e o Symposium de Platao e traduzir primeiro a

Hermitica."

Os fil6sofos do infcio da Renascenca acreditavam que esses documentos continham as id&as centrais da mais antiga religiao egfpcia, que os conduziria 41 A abordagem medrosa desses fildsofos e sua a propria fonte da iluminacao. papers serviu de base para a magia da Renascrenca total na correcao desses Neoplatonismo. Foram essas id£ias que precenca e para toda uma escola do cederam a entrada da filosofia cabalfstica na Academia MSdici. O que se chama de Cabala Crista foi tambem um desenvolvimento feito na Academia M6dici e a principal realiza£3o de Pico della Mirandola, um dos eminentes intelectuais da corte. Foi Pico que traduziu os principais textos cabalfsticos para o latim. E foi ele tambem que, em suas 72 Conclusoes cabalfsticas (parte de suas 900 teses), afirmou que "nao existe ciencia melhor que a 42 magia e a Cabala para nos convencer da divindade de Jesus Cristo". O decimo quarto princfpio cabalfstico de Pico afirmava que, ao se acrescentar a letra bin* (yod, heh, vau, heh), produzindo hebraica u (shin) ao nome divino

mwip Jeheshua, o nome hebraico de Jesus, tornava-se possfvel pronunciar o impronunciavel nome de Deus. Do ponto de vista da Cabala HermStica e da Aurora Dourada, este fate tern um significado especial. O princfpio mais importante da Cabala Herm&ica atual talvez seja o de que todas as coisas sao quatro elementos ativados por um quinto, que € o Espfrito. Yod € o Fogo, Heh 6 a Agua, Vau, o Ar, o ultimo Heh € a Terra e Shin € o Espfrito. Pico inspirou a obra de Johannes Reuchlin, o primeiro nao-judeu a escrever sobre a Cabala. Ele parte da premissa de que a histeria da humanidade se divide em tres perfodos. No primeiro perfodo Deus revelou-se aos patriarcas judeus atraShaddai. O segundo perfodo foi o de Moists e do v6s do nome trfplice 'ie? ,

Talmude, quando Deus se manifestou com um nome de quatro letras (TetragraPor fim, veio o perfodo da redenfao humana atrav6s do Cristo, maton) ril t\f quando Deus se revelou na forma de um nome de cinco letras, Jeheshua. Portanto, Pico della Mirandola e Johannes Reuchlin tornaram-se os fundadores dos aspectos filosoTicos do Cabalismo Cristao. O primeiro trabalho prd.

42


Agrippa, da corrente iniciada por eles foi produzido por Henry Cornelius 43 poAgrippa, Foi divulgacao. ampla teve de 1531, cujo Da Filosofia Oculta, feicom a Cabala negativa da extremamente rem, o responsavel pela associa?ao tico

mesmo

hoje goza de larga aceitacao. Todas estas obras literanas foram estimuladas pelos progressos sociais do remontam a conOcidente. Boa parte das correntes intelectuais do- s6culo migracao quista do Impeno Bizantino pelos turcos, em 1453, e a subseqiiente 1492, de sÂŁbios gregos para a Itdlia. Uma tendencia semelhante aconteceu em ticaria,

uma

crenca que

XV

quando os judeus foram expulsos da Espanha e muitos eruditos judeus tambem para eles se fixaram na Italia, aproveitando o terreno que Pico preparara

com

suas teses de 1486.

um interesse generalizado pelo misticismo hebraico no final do sdculo

Havia

entre os defensores da Cabala Crista inclufam-se importantes prelados e renovacao te61ogos cat61icos, os quais viam a Cabala como um vefculo para a

XV, e

Assim, a Cabala Crista, combinada com elementos do HermeRenascenca tismo, veio a tornar-se a principal tendencia ocultista durante a

da

intelectual

italiana.

A

fe\

44

atitude renascentista

acentuadamente cerca de

em

relacao as ciencias herm&icas modificou-se tarde quando Isaac Casaubon declarou

cem anos mais

documento forjado pelos primeiros cristaos e nao um semitexto egfpcio. Ele afirmou que os livros foram escritos por um cristao ou que a Hermitica era

um

45

O

cristao na tentativa de tornar estas doutrinas mais aceitaveis aos pagaos. significativo declmio no interesse pela magia, trabalho de Casaubon produziu

um

atividade renascentista que tinha aceitacao generalizada antes de suas revelacoes. Hoje se sabe que os documentos hermdticos eram ainda mais recentes

uma

do que Casaubon

acreditava.

despeito das esmagadoras evidencias de Casaubon, alguns autores, incluindo Robert Fludd e Athanasius Kircher, preferem ignorar a realidade inihist6rica e continuam a declarar que os textos herm&icos sao obra de um

A

ciado do antigo Egito chamado Hermes Trismegistus.

O Mago

46

da Rainha

A pr6xima figura importante que encontramos 6 o dr. John Dee (1527-1608), Magia o grande fil6sofo elisabetano que, junto com Edward Kelly, desenvolveu a compartilhaDee Mathers. Enoquiana, posteriormente ampliada por MacGregor va as id&as de homens como Pico della Mirandola e Agrippa, podendo ser considerado o seu equivalente ingles. Alem do mais, tal como os metaffsicos confidenitalianos, ele desfrutava da protecao da corte real, sendo conselheiro e 47

da Rainha Elisabete I. Dee produziu dois trabalhos de grande importancia na hist6ria do ocultismo. O primeiro foi Hieroglyphic Monad [Mdnada HierogKfica], um obscuro Relation tratado de alquimia e matemÂŁtica. O segundo foi True and Faithful te

[Ligagao Verdadeira e Leal], onde registra suas atividades

com Edward

Kelly,

43


em

que o sistema enoquiano lhes foi "revelado" pelos espiritos. Apesar do estilo pesado caracterfstico do seculo XVII, trata-se de urn livro surpreendentemente vivo e interessante que inclui preciosidades como a decisao dos dois epoca

pesquisadores trocarem as esposas entre

si.

Esses dois trabalhos foram importantes para o desenvolvimento da moderna Cabala Herm&ica. A Monada Hieroglifica forneceu as bases filosCficas para as id&as de Johann Valentine Andrae, autor de pelo menos uma das alegorias

E as id6ias de Lidesenvolvidas extraordinariamente por Mathers, Verdadeira e Leal foram gagao Apesar ultimo ser virxadrez enoquiano. de este que chegou a criar urn jogo de relacao com Taro e e" tido o tualmente desconhecido, o jogo tern uma profunda por muitos como o mais poderoso mecanismo para adivinhacao inventado pelo homem. Mathers usou a forma de Deuses Egfpcios dispostas sobre quatro tabuleiros derivados daqueles criados por Dee e, assim, incorporou idÂŁias herm6ticas (provavelmente por influencia de Fludd) ao sistema de Dee. rosa-crucianas (onde estao as origens da Aurora Dourada).

Os Rosa-Cruzes A doutrina e as prlticas dos rosa-cruzes, desenvolvidas na Boemia no infcio do seculo XVII, parecem ser o resultado direto das viagens de John Dee pela Alemanha em 1589. 48 Existem

tres

obras fundamentals para a filosofia rosa-cruciana.

primeira vez

Fama em 1614 (embora

providenciou

uma pintura dessa cripta para

Fraternitas, escrito na

desses trabalhos â&#x201A;Ź o

O

primeiro

Alemanha e publicado pela

tenha circulado na forma de manuscrito durante aproximadamente quatro anos). O Fama Fraternitas ou Relato da Fraternidade Rosa-Cruz, conta a histdria do misterioso Christian Rosencreutz e de sua confraria, dedicada a curar os doentes. O texto descreve a descoberta do tumulo de Christian Rosencreutz, cuja cripta funerana serviu de inspiracao para o sanctum sanctorum usado pela Ordem Herm&ica da Aurora Dourada (Paul Foster Case os seus

BOTA,

e muitas outras talvez

ainda existam). Diz a lenda que seu corpo foi encontrado perfeitamente preser-

vado e que ele estava segurando o Livro "T\ que tem sido simbolicamente relacionado

com o

Tar6. 49

Um segundo trabalho, expandindo o Fama Fraternitas, apareceu dois anos mais tarde, em 1616. Foi o Confessio Fraternitas ou Confissao da Louvdvel Confraria da Honorabilissima Ordem Rosa-Cruz, Escrita para todas as Pessoas Cultas da Europa. Diferentemente do Fama, que foi publicado no alemao vernacular,

o Confessio

foi escrito

mais intelectualizado.

Ao

em

latim e 6 nitidamente voltado para

contrÂŁrio

do Fama,

ele 6

um

leitor

muito macante.

Essas duas obras sao de autoria desconhecida. Todavia, um terceiro e importante trabalho foi escrito por Johann Valentine Andrae. Uma nuvem de des-

confianca paira 1616, devido a crito

44

em

M muito tempo sobre o Chemical Wedding, publicado em

uma

declaracao posterior de Andrae afirmando que o livro, es-

sua juventude, nao passava de

uma

brincadeira.

Nao

ha" diivida,

porem,


de que o texto 6 um folheto religioso s6rio e iluminado. Como escreveu Rudolph Steiner em seu ensaio sobre o Chemical Wedding: "Qualquer um que saiba o que a alma humana sente ao penetrar no mundo espiritual nao precisa ler mais do que algumas p£ginas do Chemical Wedding of Christian Rosencreutz of the Year 1459 para reconhecer que as descricoes apresentadas nesse livro sao ba50 seadas numa genufna experiencia espiritual." Frances Yates tenta esclarecer o misteno em poucas palavras. Ela observa que, ao discutir seu pr6prio trabalho, Andrae usou a palavra latina ludibrium, que significa zombaria ou brincadeira. Ele fala do "ludibrium da iniitil Fama",

ou do "ludibrium da fictfcia Irmandade Rosa-Cruz". Mas Yates levanta a possibilidade de que no sSculo XVII a palavra tambem poderia significar uma pe9a ou uma ficcao cfimica, e que Andrae estava sugerindo que o movimento dos Rosa51 Cruzes era teatral num sentido positivo e pedagdgico. Nossa intencao aqui nao e" a de sobrecarregar o leitor com as pesadas questoes te6ricas da pesquisa literana, mas sim o de evidenciar a controvfrsia que envolve muitos dos documentos ocultos que contribufram para o desenvol-

vimento da Cabala Hermetic a.

"Rosa-Cruzes" Tardios Robert Fludd,

mar

como ja" mencionamos,

foi

um dos

que insistiram

em

procla-

Hermes Trismegistos era um antigo iniciado Michael Maier). Fludd promoveu significativameno alemao

a id6ia renascentista de que

egfpcio (outro era te a id6ia

de que existia

uma

verdadeira irmandade rosa-cruciana e ele prdprio

ter acreditado nisso, embora admitisse nunca ter realmente conhecido um rosa-cruz." Fludd combinou o Hermetismo e o Cabalismo a luz dos manifestos rosa-crucianos e dos desenvolvimentos de John Dee. Ele e\ portanto, um dos

parece

principals precursores de Mathers e da

moderna Cabala Herm&ica.

Fraudes HermStico-Cabalisticas

A

questao das fraudes propositais a respeito das origens de muitos manuscritos esotencos 6 bastante sena e diffcil, sendo geralmente evitada pelos escritores ocultistas que desejam apresentar suas crenfas sob a luz mais favorivel

o niimero de textos cuja antiguidade € falsamenque a pr6pria consist§ncia dessas alegac6es torna-se duvidosa:

possfvel. Todavia, 6 t5o grande te reivindicada

Hermitica, escrita por um grego e, embora os estudiosos situem sua origem entre o s6culo HI e a Renascenca, € tida como os documentos originals de uma antiga religiao egfpcia.

A

um rabino que viveu durante a fase inicial cristianismo, mas na verdade obra de um autor do seculo XIII, que con-

Zohar, supostamente escrito por

do

feriu

maior importancia ao texto fazendo-o passar por do que realmente era.

um documento

mais

antigo

45


Andrae Os Manifestos Rosa-Crucianos, uma invencao de Johann Valentine e de outros.

Nem

Christian Rosencreutz

nem

os misteriosos rosa-cruzes

jamais existiram. sistema fragOs "Antigos Manuscritos Cifrados" da Aurora Dourada, um inquestiouma verdade, mas, na mentary de rituais supostamente antigos 53 navel fraude.

A esta lista poder-se-ia por certo acrescentar

alguns dos trabalhos de Helena

Mahatmd] e, talvez, Blavatsky, incluindo a famosa Mahatma Letters [Cartas do volumosa obra A Doutrina Secreta. as Estrofes de Dizan, no qual ela baseou sua Em todos estes casos de fraude, embuste, ou como quer que os chamemos, quanto mais antigo autores pressionados pela crenca do publico de que, vemos

esses trabalhos que documento, maior a sua validade. Por outro lado, todos disso, independentemente relacionamos como tendo origens fraudulentas sao, que mulheres e homens obras iluminadas. Eles sao o produto inspirado de conheceram a verdade. aspectos do estudo dos Esse tipo de coisa ocorre repetidamente em todos os Livro dos Tokens apaMistenos, ate" mesmo com Paul Foster Case. Quando o conhecemos o nome do autor. receu, em 1934, Case afirmou no preffcio: "Nao pode ter sido um dos As evidencias internas contidas no texto sugerem que ele 54 Hoje a orgamnao." talvez Taro, o conhecesse Talvez ele

um

cabalistas recentes.

tivesse sido escrito pelo zacao de Case publica o Livro dos Tokens como se ele quanto a autona discrepancia da respeito pr6prio Case e responde as perguntas a servir como hist6ria Por6m, se a dizendo que Case era um homem muito modesto. anonimo algum de trabalho indicador, 6 mais provavel que Case tenha achado que o livro seu. um positiva que "cabalista recente" seria recebido de forma mais O que estamos tentando dizer aqui e" que, em vez de esconder o fato 6bvio obras forjadas, devemos enfrende que a Cabala Herm&ica baseia-se em muitas falsificacoes obedecem proprias as verdade, Na tar a hist6ria de forma direta. interior dessas legitimidade indicar a nos a a um padrao que, ironicamente, tendem

obras.

Os que nao acreditam que uma obra de origem espuna possa detidamente a hist6ria

ter

um

grande

do Cristianismo

valor espiritual deveriam analisar mais que 6 a Biblia. e desse peculiar amSlgama de textos heterogeneos

A

Cabala Hermetica e a Aurora Dourada

movimento Rosa-Cruz, apesar de ser uma XVII, 6 interessante conhecer elevada alegoria espiritual, era um mito do seculo seu ritual de iniciacao para o "hist6rico" que a Aurora Dourada incorporou ao entao, 6 Aspirante, que os "Saiba assim: o grau de Adeptus Minor. Ele comeca imemoriais e que os Ritos tempos Mistenos da Rosa e da Cruz existem desde SamotrScia, na Eleusis, em Egito, no foram praticados e a Sabedoria ensinada

Em vista

46

das evidencias de que o


55 na P6rsia, na Cald&a, na India e em terras ainda mais antigas." A cerimonia prossegue com uma paraTrase direta da descricao da vida de Christian Rosen-

creutz contida

no Fama

Fraternitas.

ÂŁ provavel que a maioria dos membros da Ordem acreditasse que Christian Rosencreutz fora uma pessoa de verdade e que a Ordem Dourada descendia diretamente de sua confraria. Quanto a Mathers e Westcott terem conhecimento 56 da verdadeira histona, isto ja" e" uma questao inteiramente diversa. Sabe-se de

muitos casos em que ambos aceitaram como legftimas obras cuja autoria havia sido erradamente atribufda a uma determinada fonte. Westcott, por exemplo, escreveu um prefdcio para The Chaldean Oracles of Zoroaster [Os Ordculos Caldeus de Zoroastro], no qual afirmava que a obra apresentava "muitas das 57 Sabemos que os Ordculos foprincipais caracterfsticas da filosofia cald&a".

ram na verdade

escritos por Juliano,

um contemporaneo de Marco Aurelio. 58 En-

tretanto, os estudos conclusivos a respeito

da autoria desses trabalhos sao muito

recentes.

O mais caminhos

importante, contudo, 6 que temos a capacidade de revelar os tantos

histtfricos percorridos

pela Ordem. Portanto, podemos inferir que os

seus Ifderes tiveram todo o cuidado de assentl-la sobre uma estrutura tradicional conhecida. At6 mesmo a grafia da palavra hebraica Qabalah (em vez de

"Kabbalah" ou "Cabala") consistente

com

por Mathers porque, a seu ver, era a mais top ). As relacoes cabalfsticas encontradas

foi escolhida

a lfngua original

(

em

grande parte no trabalho de Mathers. Foi com a Ordem da Aurora Dourada que surgiram pela primeira vez o moderno sistema de Caminhos coloridos sobre a Arvore da Vida (veja a prdxima secao) e outras contribuicoes. A Ordem desenvolveu um elaborado

no 777 de Aleister Crowley parecem

ter

se baseado

sistema de ensinamentos baseado em rituais, embora nao se saiba ao certo ate" que ponto os conhecidos Rituais de Expulsao foram realmente criados por ela. Sabe-se pelo menos que esses rituais nao foram encontrados em Agrippa, Barrett ou em outros tratados ocultos anteriores a Aurora Dourada. Uma vez mais, nao e" possfvel determinar as maneiras pelas quais uma tradicao oral pode ter evolufdo. Apesar das evid&icias histtfricas, a lenda de Christian Rosencreutz baseiase inegavelmente em alguma tradicao secreta. Nao h& duvida de que ela esta"

com os mesmos padroes universais simbolizados pelo Taro. enfase "hermÂŁtica" da Aurora Dourada nos Deuses egfpcios era motivada pelos fatores sociais e tradicionais. Na Inglaterra do final do s6culo XDC, 6poca em que a ciencia da arqueologia ainda estava em sua infancia (em 1900, relacionada

A

por exemplo, nao se conhecia

nenhuma obra de

arte

grega anterior ao Partenon!),

curiosidade a respeito de tudo o que fosse misterioso ou obscuro. A enfase nos Deuses egfpcios servia para acentuar a diferenca entre os rituais e a rotina da vida vitoriana, al6m de marcar um distanciamento do Cristianismo. A Ordem Herm6tica da Aurora Dourada procurava preservar o

havia

uma grande

genuino hermetismo renascentista de Ficino. Filosoficamente, o sistema de Deuses egfpcios harmoniza-se muito bem com a Cabala. Apesar da aparente proliferacao de Deuses e Deusas, a religiao egfpcia era monotefsta. Todos os Deuses eram aspectos ou modificagoes de uma

47


Panteao egipcio, assim como a divindade ultima e original. Alem do mais, o mesmo Deus sob diferentes circunstanCabala, apresenta diferentes aspectos do de muitas formas, todas as quais tern o cias Por exemplo: H6rus apresenta-se como "H6rus, a Crianca ou nome Heru incorporado ao seu nome egipcio, tais chamavam de "H6rus dos Dois Horizontes", que os gregos

"Hdrus Cego" ou Harmachis em vez de Harpocrates. do nosso umverso coH6rus 6 a crianca que, na Cabala, ocupa o centre

maneiras. E, como a Crianca aparece nhecido e a qual estamos ligados de diversas com o Grande Pai e a Grande Mae. de diferentes formas, o mesmo acontece Aurora Dourada, que enTodas essas coisas foram claramente entendidas pela egfpcios. Esses Deuses Deuses controu considered utilidade no sistema de Panteao. Atualredoes universais melhor do que qualquer outro

expressam as relacao aos Deuses egfpcios 6 vista mente, porem, a dependencia da Ordem em curiosidade do passado. por muitos iniciados como uma mera

A

Arvore da Vida Universo,

uma

todo o Arvore da Vida (Figura 1) pretende simbolizar duvidar da possibihpoderao muitos que vastas tao proposicao de implicates urn diagrama ilusoriamente simdade de existir urn sfmbolo assim. Trata-se de Sephiroth e por 22 linhas de hgacao ples constituido por dez esferas chamadas sao chamados coletivamente Caminhos chamadas Caminhos. As Sephiroth e os de Trinta e Dois Caminhos de Sabedoria.

A

As Dez Sephiroth 1.

2. 3.

KETHER,

sao:

nm

A Coroa

CHOKMAH, nnsn Sabedoria ru * 2 Compreensao BINAH,

Sephira invisivel chamada Daath Entre Binah e a Sephira seguinte ha" uma na Arvore porque 6 uma ponte ou Conhecimento. Ela nao est* representada existente entre as Sephiroth construfda por cada individuo atrav6s do Abismo superiores e as inferiores:

4.

CHESED, Ton

5.

GEBURAH,

6. 7. 8.

9.

10.

48

Misericdrdia Severidade

rm:u

TIPHARETH, rnKDn Beleza NETZACH, n^3 Vitdria HOD, *nn Esplendor YESOD, 11 D' Alicerce

MALKUTH, niDbn

Reino


AIN AIN AIN

Figura

1.

SOPH SOPH AUR

As Dez Sephiroth Sagradas na Arvorc da Vida

A

Arvore da Vida usada pelos cabalistas hermencos modernos foi publicada pela primeira vez em 1652, no Oedipus Aegypticus de Kircher (Figura 2A). E, embora essa Arvore tenha com certeza sofrido muitas modificacoes, suas rafzes hist6ricas parecem estar fincadas num passado secreto de religioes misteriosas. Alem do mais, â&#x201A;Ź diffcil estabelecer uma seqiiencia geral de desenvolvimento porque os cabalistas judeus adotaram diferentes formas da Arvore.

49


Secreta" aparece no Bahir, publicado uma arvore na Franca por volta do ano 1200. Todavia, se alguem desenhasse seriam Malkuth, Binah a com base nesse texto, apenas oito das dez Sephiroth, de pela Saregada inclufdas, pois diz-se af que a Arvore cresce a medida que e" encontraArvore e bedoria (Chokmah). Algo do espfrito amorfo dessa primeira diagrama publicado por Robert Fludd em 1617 (Figura 2B). Todavia, 6

A

primeira referenda a

uma "Arvore

do no

muito mais curioso descobrir que urn modelo cem anos mais antigo (Figura 2C) 6 que uma vemos mais, mais a De desenvolvido. sofisticado e conceitualmente indicandiferente, abordagem uma adota (Figura 2D) ilustracao judaica de 1708 Yetzirah. Sepher do sua dependencia em relacao ao

A

B

c

D

1652

1617

1517

1708

AegypDesenvolvimento do diagrama da Arvore da Vida. A) Forma da Arvore no Oedipus Porta de Ilustracao C) Fludd, 1617. Robert Works, de Complete ticus, de Kircher, 1652. B) Adaptada de Rimmon, 1708. Lucis, Ausburgo, 1516. D) Ilustracao de Pa'amon ve Figura

2.

Arvore da Vida evoluiu ao longo dos publico e, nao por s6culos, despertando urn crescente interesse por parte do Arvore coincidencia, refletindo as perspectivas da filosofia contemporanea. A desenvolvida da Vida bidimensional, em cores (Ilustracao I), 6 a expressao mais

O mÂŁximo

que se pode dizer â&#x201A;Ź que

a

mantiver, 6 da Cabala Herm6tica do s6culo XIX. Se esse padrao evolutivo se forma utiseja a (Ilustracao II) tridimensional provavel que a Arvore da Vida incorpora o Arvore futuras. Esta geracoes lizada pela Cabala Herm6tica nas quinto urn com combinados equilibrados principio dos cinco: quatro elementos

elemento que 6 o Espfrito.

50


Conceitos Cabala ensina que o nosso universo se desenvolveu de forma organica (Figura 3). A partir de e sequencial seguindo o Caminho da Espada Flamejante Binah. Esses ties depois e Chokmah Kether, surgiram uma fonte misteriosa, serve de ponte que espiritual ÂŁpice um Superno, elementos formaram o Triangulo formaram o TriTiphareth Geburah e para a Sephira invisfvel, Daath. Chesed, Astral Triangulo foi criado o angulo Etico. Por fim, com Netzach, Hod e Yesod

A

conspicuamente no afastado dos outros, principalmente quando se imagina que Daath situa-se outras ponto superior oposto a Yesod. Ela recebe as influencias de todas as Sephiroth e, ao mesmo tempo que 6 produto do que se chama de Pecado Ori(Figura 4). Malkuth,

ginal,

contem

um

como veremos,

fica na base da Arvore,

reflexo da perfeicao de Kether.

Figura 3. O Caminho da Espada Flamejante

Figura 4. Os Triangulos da Arvore da Vida

51


A Arvore da Vida esta* dividida em tres Pilares (Figura 5). As Sephiroth do lado direito sao o Pilar da Misericdrdia, as da esquerda o Pilar da Severidade e as do centro o Pilar Midio. Alem disso, cada caminho e" o perfeito equilfbrio entre as duas Sephiroth ligadas por ele e o Caminho oposto. (O Pilar Medio)

SUAVIDADE (O

(O Pilar da Forma)

C

D

52

da Forga)

MISERIC6RDIA

SEVERIDADE

Figura

Pilar

5.

Os

Pilares

na Arvore da Vida


Este 6 urn sfmbolo composto que pode ser considerado em dois nfveis: ele 6 o indivfduo, o Microcosmo (Deus em miniatura) e o Macrocosmo (O Universo Maior a imagem do qual o indivfduo e" criado). Cada Sephira esta" relacionada

com alguma

parte do corpo

humano e com uma

parte equivalente de

um

Corpo

Divino maior. O princfpio envolvido £ expresso pelo axioma que repetiremos muitas vezes: "Assim como em cima, assim tamb6m embaixo." Existem diversos aspectos da Cabala tradicional que talvez parecam um tanto

Um

deles € a aplicacao do obscuros mas que, na verdade, sao muito simples. primeiro conceito 6 o distintos. O dois conceitos envolve Arvore e "homem" a Adam Kadmon 6 todas Zohar"). Grande Anciao do ("O de espiritual no qual um corpo organica e as dez Sephiroth, uma grande unidade

ADAM KADMON

de n6s poderia ser considerado uma unica ceUula contendo todos os atributos potenciais do todo. Adam Kadmon nao deve ser confundido com ARIKH ANPIN ou ZAUER ANPIN, as outras duas personificacoes que aparecem em varias Sephiroth. Arikh Anpin significa Grande Rosto; Zauer Anpin significa Pequeno Rosto. Arikh Anpin 6 Macroprosopus, uma antropomorfizacao das Sephiroth do Triangulo Superno. cada

um

Zauer Anpin 6 Microprosopus, as cinco Sephiroth em torno de Tiphareth. Juntas elas ilustram o princfpio do "Assim como em cima, assim tamb6m embaixo". Adam Kadmon significa toda a Arvore da Vida representada na forma de um homem. Arikh Anpin 6 o homem de cima; Zauer Anpin 6 o homem de baixo. A id6ia de que cada parte do corpo humano tern algum equivalente divino talvez seja compreendida mais facilmente por um oriental que por um ocidental. O iogue nao tern dificuldade para lidar com o conceito de centros de atividade

O

diz, e" o centro solar no do universo. O centro ffsico pode ser debilitado, a consciencia transferida para ele, e o indivfduo posto em contato com a energia pura que, no sistema cabalfstico, 6 chamada Tiphareth. Uma importante parte do trabalho pr£tico com a Cabala HermStica envolve

espiritual

no corpo

homem, um

ffsico.

Plexo Solar, como o

nome

elo entre o indivfduo e os poderes solares

59 o exercfcio do Pilar Mgdio, no qual as energias das Sephiroth sao intencionalmente invocadas e se acumulam dentro do indivfduo. Nesse exercfcio, as Sephi-

no lado esquerdo e Geburah no direito, que elas sao consideradas subjetivamente a partir de dentro do corpo, em vez de serem vistas a partir de fora. As atividades prdticas com a Arvore tamb6m envolvem o deslocamento pelos Caminhos que fazem a ligacao entre as Sephiroth, os centros objetivos de energia. Os Caminhos sao as experiencias subjetivas de passagem de uma Sephira para outra. Todavia, como existe um constante fluxo e movimento no roth sao invertidas, isto e\ Chesed fica visto

constante fluxo de energia que desce de uma Sephira para outra e volta a subir. O universo assemelha-se a um gigantesco circuito no qual a energia flui para Kether a partir do Invisfvel, desce atravds da universo, existe

tamb6m um

Arvore e sobe novamente.

Ha"

uma contfnua renovacao

de energia. Assim, quando

de referenda, os Caminhos podem ser consisejam subjetivos para n6s, eles sao objetivos Embora derados de forma objetiva. no sentido de que por eles passa um constante fluxo de energia de tal especivistos a partir de outra estrutura

53


Em

outras ficidade que pode ser expressa pelos Arcanos Maiores do Taro. crescer faze-la ou intelectualmente Vida Arvore da estudar a palavras, podemos considerando os dentro de n6s mesmos. Podemos abordar as cartas do Tar6

Caminhos a partir de dentro ou de fora. Quando as cartas sao usadas individualmente para projecao astral, elas atuam como sfmbolos grdficos e subjetivos do que e" experimentado nos Caminhos entre aquilo que 6 as Sephiroth. Neste caso elas tambem podem ser descritas como necessano para passar de uma Sephira para a seguinte. Elas definem etapas de desenvolvimento pessoal. Por outro lado, quando os Trunfos aparecem numa afetam predicao, eles sao vistos a partir de fora e atuam como forcas objetivas que indica em sequencia, aparecendo Trunfos, desses numero grande a questao. Urn consulente. controle do do fora inteiramente que estao a existencia de forcas

Embora

"percorrer os Caminhos", principalmente

com o

uso das cartas do

Taro, seja uma atividade ligada a urn alto grau de misteno e romance (tal como acontece com toda projecao astral), as experiencias sao muito prÂŁticas. Para que possam ter alguma utilidade, as licoes interiores devem ser aplicadas a nossa vida cotidiana.

Todo processo de desenvolvimento espiritual implica a necessidade de que compoem a personalidade, de modo que ela possa atuar com o Eu Superior. Todavia, quando este processo consciente em cooperacao equilibrar as partes

e"

descrito pelas Escolas Ocultistas

Agua, Ar e Terra â&#x20AC;&#x201D;

em

termos dos quatro elementos

â&#x20AC;&#x201D;

Fogo,

ele pode parecer algo remoto e misterioso. Mas nao e\ N6s nos desenvolvemos aprendendo a ter urn perfeito dominio sobre n6s mesmos no ambiente em que vivemos, de modo a nao ficarmos mais a sua merce. Esta e"

uma missao suicida espiritual para a personalidade e para todo o conceito de Eu processo natural para todas tal como ele existe numa encarnacao. Trata-se de urn quando dirigimos nossa atencao para ele. A Arvore da Vida impoe urn padrao definidor sobre os atributos da personalidade e o trabalho de desenvolvimento pessoal em curso. Assim, a pessoa sente afinidade ou antagonismo em relacao a determinadas cartas do Taro, as pessoas

mas que pode

ser acelerado

dependendo do quanto suas licoes tenham sido aprendidas. Ao estudar e utilizar os Caminhos n6s assumimos o controle sobre o nosso pr6prio processo de aprendizado e nos obrigamos a dirigir nossa atencao para muitos Caminhos importantes que, de outra forma, poderfamos ter preferido evitar. O fato de a Cabala exigir que seja dada atencao a todas as partes de urn determinado todo faz com que ela seja urn sistema ideal para influir intencionalmente sobre o desenvolvimento espiritual. Ela demonstra que existimos denonde viemos tro de um sistema racional e nos fornece indicacoes a respeito de as partes como sistemas. E, outros dos vagueza e para onde vamos. Nao existe a

humano estao relacionadas a Arvore, o mesmo acontece com diversos aspectos da Alma (Figura 6). Vamos do aspecto mais inferior da simb61icas do corpo

manifestacao

ate"

o mais elevado, o Yechidah de Kether, o Estado Original

a

que

todos aspiramos.

Todas

54

ensinam que iremos retornar a algum Estado de onde evolufmos. Ele 6 chamado de "parafso", "nirvana" ou

as principals religioes

Original a partir


NESCHAMAH Aspiragdes mais elevadas da alma

RUACH Mente e capacidades racionais

NEPHESCH Instintos animais

Figura

6.

As Divisoes da Alma. Observe aqui que o Neschamah de Binah define todo o Triangulo mesma forma como Saiurno, o planeta de Binah, tambÂŁm â&#x201A;Ź usado para representar as tres

Superno, da

Sephiroth superiores.

diagrama apresentado aqui 6 aquele ensinado pela Aurora Dourada. Autores posteriores, tais Malkuth e Case ideniificaram urn problema no fato de os "instintos animais" atribuidos a estarem mais relacionados com Yesod. Ruach, ou Microprosopus, Fisionomia Menor, foi dividido em

O

como Fortune Superior

e Inferior,

Eu Superior e Personalidade.

denominado o supremo estado de felicidade prometido pela por6m, apenas fe\ Dentre todos os sistemas metafisicos disponiveis no Ocidente, a Cabala indica em que medida estamos progredindo ao longo de urn curso natural de desenvolvimento, como se estiv6ssemos passando de uma sene para outra

como quer que

numa

seja

escola.

55


Na Ordem da Aurora Dourada os membros

sao classificados de acordo

com

ritualmente. 0=0 significa a Sephira mais elevada a que eles foram promovidos 1=10 significa que nfvel bdsico; que o candidate foi iniciado como membro no Malkuth e o espiritual Eleele teve sua primeira iniciacSo na d6cima Sephira, Sephira e o domfnio mento Terra; 2=9 significa a iniciacao em Yesod, a nona significa do Ar; 3=8 significa iniciacao em Hod e o Elemento da Agua; e 4=7

Netzach e o Elemento Fogo. as Esses quatro passos rituais simbolizaram a introducao do candidato conaquisicao de significa a iniciacao cada Teoricamente, Doutrinas Secretas. sole sobre urn dos aspectos fundamentals da Personalidade. 5=6 significa a iniciacSo a Ordem Interna e aos Mistenos de Tiphareth, iniciafao

em

assinalando a verdadeira iluminacSo do indivfduo. Consciencia Esses rituais introduttfrios ilustram o processo pelo qual a da humaniSuperior se expande e podem ser relacionados ao pr6prio sfmbolo dos equilibradas dade, o Pentagrama (Figura 7). Os quatro bracos sao as forcas Elementos. Elementos. O ponto mais elevado 6 o Espfrito atuando atrav6s dos supor, obviamente, que os rituais iniciat6rios sempre produ-

Nao se deve zam uma modifica9ao miraculosa no indivfduo. As

verdadeiras modificagoes sao

externa. Nao resultado de urn juramento, interno, estimado por uma promessa, Dourada Aurora da Ordem da membros seria errado presumir que pouqufssimos

sao realmente iniciados no verdadeiro sentido da palavra.

ESPIRITO

Figura 7. Atribuicao dos Elementos ao Pentagrama

Caminhos

"Secretos'

O conceito de caminhos "secretos" ou "ocultos" parece ter sido introduzido nenhuma indicacao de (ou pelo menos popularizado) por Paul Case. Nao existe alem dos 32 tradiCaminhos que a Aurora Dourada tenha estabelecido quaisquer uma conexao cionais. Na verdade, os Caminhos Secretos nao sao mais do que de haver possibilidade cada Sephira e todas as outras (Figura 8), sugerindo a 60

entre

56


um movimento direto de uma forma de consciencia para outra.

Esta teoria â&#x201A;Ź

uma

modificacao atenuada do conceito implfcito no diagrama usual da Arvore da Vida: temos de passar por uma Sephira antes de poder encontrar outra. O conceito de Caminhos Secretos expande acentuadamente as possibilidades da Arvore. Ele nos permite perceber determinados relacionamentos que, de outra maneira, nao seriam evidentes, tais como a derivacao do Hexagrama Unicursal a partir da prdpria Arvore. Esta figura foi originalmente publicada por

Crowley que, sem duvida alguma, foi quern a criou. Numa Arvore da Vida desenhada por Crowley 61 e publicada na edicao de 1955 do 777, feita pela Netune Press, vemos que Crowley apresentou todas as linhas adicionais entre as Sephiroth que eram necessdrias para se fazer essa figura. Aleister

B Figura 8. Esses Caminhos ligam todas as Sephiroth a cada uma das outras. Tiphareth ja tem um Caminho tradicional que a liga a todas as outras Sephiroth, exceto Malkuth. A) Os Caminhos "Secretos" da Arvore da Vida. B) Hexagrama Unicursal derivados da Arvore.

57


Luz Negativa

Ilimitada

Os mestres da Cabala enfatizam repetidamente que

a Arvore da

Vida

re-

presenta o nosso universo visivel. Essa enfase tern por objetivo expressar a id6ia de que mesmo por tr£s dos aspectos mais elevados do nosso universo esta" o Invisfvel, fonte primdria de que tudo o que existe e nao pode nos ser dado a conhecer. O Invisfvel i simbolizado pelas palavras Luz Negativa Ilimitada ou, em hebraico, Ain Soph Aur. Ele £ representado na Arvore da Vida, acima de Kether, como tres curvas de luz radiante. Considera-se que elas sejam veus separando o nosso universo do elemento a partir do qual ele surgiu. Por tr& desses

veus a energia

flui

constantemente para n6s atraves de Kether.

Embora no Taro existam pontos de referenda para todos os aspectos da Arvore da Vida, nao existe nenhuma referenda ao Ain Soph Aur. O Tar6, cujas letras freqiientemente sao transpostas para

Roda do

formar a palavra Rota, apresenta a

Universo Visfvel.

Os Quatro Mundos Cabala descreve o universo como sendo dividido em quatro "Mundos" distintos (Figura 9), cada urn dos quais representado por uma letra do Nome Divino ou Tetragrammaton ( ii*n» ). O primeiro 6 Alziluth, o Mundo Arquetfpico, o mundo do Espfrito Puro que ativa todos os outros mundos que derivam

A

Aqui ficam os Deuses das Sephiroth e a letra Yod, o Fogo Fundamental. segundo mundo 6 Briah, o Mundo Criativo, o nfvel do intelecto puro, dos Arcanjos e de Heh, a Agua Fundamental. O terceiro 6 Yetzirah, chamado o Mundo

dele.

Formativo porque aqui sao encontrados os sutis e efemeros padroes subjacentes a matena. E a esfera dos anjos e do Ar Fundamental, simbolizado pela letra Vau. O ultimo € Assiah, o Mundo Ativo que contem tanto o mundo fisico das sensacoes como as energias invisfveis da matena. E a esfera de Querubim, do ultimo

Heh do Nome Divino Cada

e da Terra Fundamental. gerou as energias subjacentes a eles, e o universo

um desses mundos

tornando cada vez mais denso a medida que evoluiu do nada para a matena. O Invisfvel produziu Kether de Atziluth e, seguindo sequencialmente o Caminho da Espada Flamejante, de Sephira em Sephira, de um mundo at6 o pr6ximo, foi se

o trabalho foi completado

em Malkuth

de Assiah, criando-se ao todo quarenta

Sephiroth.

cuja opiniao as id6ias originals da Cabala sao mais legftimas que as dos cabalistas mais recentes, tendem a adotar uma distribuicao dos quatro mundos por uma unica Arvore (compare os metodos na Figura 9). Toda-

Os

via, este

puristas,

6

um

em

excelente exemplo das maneiras pelas quais a Cabala se desenA distribuicao em quatro Arvores 6 a melhor

volveu ao longo dos sSculos. interpretacao para

o Taro.

Quatro siries, uma para cada mundo, sao aceitas pela Cabala Herm6tica: o Rei, a Rainha, o Imperador e a Imperatriz, respondendo respectivamente a 58


ATZILUTH O Mundo Arquetfpico

BRIAH Mundo

O

Criativo

YETZIRAH O Mundo Formativo

ASSIAH

O Mundo Ativo

(B)

(A)

Figura

9.

Os Quatro Mundos. A) Diagrama das Arvores tomadas individualmente. B) Atribuifao

a

uma

linica Arvore.

A

fundamental para o estudo do Taro, e a pintura dos Quatro Mundos em suas cores corretas nos proporcionara" descobertas especiais a respeito das cartas. O Taro da Aurora seqiiencia dos

Mundos

e ao Tetragrammaton.

id6ia de cor

e"

publicado, inclui a tradicional Arvore da Vida para o trabalho prÂŁtico. Nele sao apresentadas as cores dos Caminhos de Atziluth e as cores das Sephiroth de Briah. E preciso haver sempre urn equilibrio entre masculino

Dourada,

tal

como

e"

59


e feminino

em

qualquer representacao envolvendo a Arvore, o que 6 conseguido series num unico glifo.

combinando-se duas

Em

nossa discussao sobre os Quatro Mundos, escolhemos o termo Fundapara descrever o Fogo, a Agua, o Ar e a Terra simbolizados pelas letras mental do Tetragrammaton nos Quatro Mundos como urn esforco para distinguir essas energias das outras formas de Elementos descritos na Arvore. Todavia, em cada Mundo individual, o Fogo (Yod) tamb£m 6 atribufdo a Chokmah, a Agua (Hen)

a Binah, o Ar (Vau) a Tipharet e a Terra (ultimo Heh) a Malkuth. N6s sugerimos que essas subdivisoes dos Elementos Fundamentals sejam chamadas de Elementos Especificos. Assim, em Atziluth, Fogo Fundamental, existem quatro desses elementos especfficos: um Fogo (especifico) do Fogo (Fundamental), uraa Agua (especffica) do Fogo (Fundamental), um Ar (especffico) do Fogo (Fundamental) e uma Terra (especffica) do Fogo (Fundamental). Em Briah, o Mundo da Agua Fundamental, existem um Fogo da Agua, uma Agua da Agua, um Ar

da Agua, e

uma Terra da Agua. O padrao

continua atrav6s de Yetzirah e Assiah,

e constitui a base da distribuicao das cartas regias no Taro. Todo o naipe de Paus (Wands), por exemplo, descreve Atziluth, o Mundo Arquetfpico. Os Paus, portanto, sao o Fogo Fundamental, o Yod Fundamental. Esse Fogo Fundamental i dividido em quatro aspectos, personificados pelo Taro: o Rei de Paus relacionado a Chokmah em Atziluth, 6 o Fogo do Fogo. A Rainha de Paus, relacionada a Binah

em

Atziluth, 6 a

Agua do Fogo.

o Ar do Fogo. a Terra do Fogo.

Atziluth, 6 e"

Existe

Ea

O

Prfncipe de Paus, relacionado a Tiphareth

Princesa de Paus, relacionada a Malkuth

tamb£m um importante uso

em

terciano dos elementos, encontrados

em

Atziluth,

em

chamadas de Caminhos nos quais sao aplicadas diferentes letras hebraicas letras energias sao outras e Maternais pelo Sepher Yetzirah. Como todas as chamados elas serao derivadas dessas tres Maternais, os Elementos atribufdos a de Elementos Transicionais. O BOBO 6 a letra Aleph e Ar. Mas ele nao 6 o mesmo que 6 representado de forma global pelo Vau de Briah (Ar Fundamental) ou pelo Vau de Tiphareth (Ar Especifico). Os Elementos dos Caminhos sao de transicao no sentido de que estao fluindo constantemente entre duas Sephiroth. Tendo submetido o leitor a um bombardeio de termos, a sugestao de que existem ainda mais tres tipos de Elementos talvez nao seja muito bem-vinda. Entretanto, esta e" uma £rea dos estudos cabalfsticos que nao foi muito bem explorada e que veio a tornar-se uma fonte de constante confusao. Examinemos rapidamente os outros tipos de Elementos e depois tentaremos alcancar alguma esp6cie de visao geral coerente a respeito de todos eles. Os Elementos, a quddrupla divisao encontrada em toda a Arvore da Vida, tern sua

origem

em

e nao expressos.

Kether. Aqui eles sao os Elementos Primordiais, indefinidos outra aplicacao do termo Elementos 6 feita para as quatro

Uma

Fogo para Netzach, Agua para Hod, Ar para Yesod e Terra para Malkuth. Esses sao os Elementos Astrais. Por fim, em Malkuth estao os Sefiroth inferiores:

Elementos Bdsicos, que sao a expressao definitiva daqueles primeiros encontrados em Kether no seu estado primordial. A f6rmula Yod Heh Vau Heh 6 aplicada cada vez que se emprega o fluido termo Elemento. Onde quer que Yod

60


apare9a ela apresenta ardentes qualidades expansivas; onde quer que Heh apareca ele possui as propriedades fluidas e envolventes da Agua: onde quer que Vau apareca ele 6 o et&eo resultado da combinacao entre Yod e Heh; onde quer

que o Heh final apareca ele i o s61ido resultado final das ac5es de Yod, Heh e Vau. Esse padrao i na verdade a unica coisa a ser lembrada, pois ele se aplica a uma variedade de qualidades muito diferentes. Facamos uma repeticSo daqueles termos que podem ser aplicados aos assim chamados Elementos (Figura 10): 1)

ELEMENTOS PRIMORDIAIS.

Encontrados

em

Kether. Potencial indi-

ferenciado.

2)

ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. Yod Heh Vau Heh

aplicados aos

Quatro Mundos. 3)

ELEMENTOS TRANSICIONAIS. Yod Heh aplicados a

4)

5)

e Vau, que sao maternais,

Chokmah, nos Caminhos da Arvore da Vida.

ELEMENTOS ESPECfFICOS. Yod Heh Vau Heh aplicados a Chokmah, Binah, Tiphareth e Malkuth em qualquer dos Quatro Mundos. ELEMENTOS ASTRAIS. Yod Heh Vau Heh aplicados as quatro Sephiroth Inferiores.

6)

Malkuth, combinados. A expressao final da producao de materia pelo Universo. Considerados em conjunto, os elementos bdsicos constituem uma subdivisao da Terra

ELEMENTOS BASICOS.

Encontrados

em

Astral.

Embora

este seja

um

arranjo reconhecidamente complexo, ele 6 apresen-

que o Fogo, a Agua, o Ar e a Terra simbolizam na Arvore da Vida. O Yod de Atziluth nao 6 igual ao Yod energias diferentes aplicado ao Caminho de Shin ou ao Yod aplicado a seqiiencia que comeca em Netzach. Nao obstante, todos eles sao descritos pela palavra "Fogo". Uma vez mais, o que realmente importa e" a seqiiencia representada pelo Tetragrammatado para acentuar o

ton.

fato de

Poderfamos arbitrariamente

6 Agua, Pera

e"

dizer,

por exemplo, que

Maca

6 Fogo, Laranja

Ar e Limao 6 Terra. Neste caso estarfamos aplicando uma f6rmula

um relacionamento entre Maca, Laranja, Pera e Limao. No entanto, padrao subjacente for encontrado por trÂŁs de Balan?o, Cadeira, Sofa" se o mesmo e Escabelo isso nao nos levaria a supor que, em virtude de Maca e Balanco iniciarem uma seqiiencia, esses dois termos sejam exatamente equivalentes. A descricao de energias diferentes atraves de uma mesma forma parece ter sido para descrever

uma

armadilha colocada pelos primeiros cabalistas.

Simbolismo Cabalista

Um

sfmbolo 6 util na medida em que sugere algo que nao pode ser expresso adequadamente por meio de palavras (embora a linguagem seja ela pr6pria uma esp6cie de simbolismo). Mais importante, por6m, â&#x201A;Ź que, embora no 61


»

ELEMENTOS FUNDAMENTAIS ATZILUTH (>)

n

i

n

>

ELEMENTOS PRIMORDIAIS

^rv

\

Y^

ELEMENTOS n

1

n

BASICOS

BRIAH (n)

ELEMENTOS ESPECiFICOS

^VSvll

YETZIRAH

-^

(D

i\ ELEMENTOS ASTRAIS

ASSIAH (n)

ELEMENTOS

jv

TRANSICIONAIS (K) (»)

W

Ar

Agua Fogo

Os Quatro Elementos ( rilh* ) tal como descrevem os diversos aspectos da Arvore da a uma unica Arvore. Vida. Esquerda: Os Quatro Mundos. Direita: Os Elementos tal como aplicados Figura

10.

Enquanto

62

,1

"I

j*1 ">

esta relacionado

com

as Sephiroth,

H

,

»

e

KJ

estao relacionados aos Caminhos.


nosso piano de existencia os sfmbolos sejam abstracoes, em outros pianos eles meio sao coisas reais. Nas esferas astrais, um sfmbolo pode ser urn poderoso para atrair ou repelir entidades espirituais. Ele pode ser um chamamento ou uma protecao, pois confirma o poder de uma divindade que govema um determinado nfvel e forma de energia. Quando usado desta maneira, um sfmbolo poderia ser definido nos mesmos termos de um talisma no nosso piano: tratase basicamente de alguma coisa "carregada com a for9a que ela supostamente

deva representar". Existe um grande conjunto de sfmbolos ligados as Sephiroth e aos CamiPonto, nhos. Kether, por exemplo, poderia ser descrita matematicamente como formapois ela 6 a Primeira Emanacao. Quando Chokmah surge a partir de Kether se uma Linha e, com o aparecimento de Binah, ha" um Tridnguh. Pode-se, dessa maneira descer pela Arvore aplicando-se figuras geomStricas de acordo com o mimero das Sephiroth. Chesed i um Quadrado, Geburah um Pentagrama, Tiphamais reth um hexagrama, etc. Estes sao os mais Msicos e, sob alguns aspectos, os profundos sfmbolos ligados a Arvore. Os sfmbolos mais complicados sao os nomes hebraicos e os Nomes Divinos escritos nessas letras. Alguns talvez tenham uma compreensao intuitiva de que o Alfabeto Hebraico â&#x201A;Ź mais do que apenas letras. Ha" muitos anos o artista Ben Shahn publicou um livro chamado Love and Joy About Letters [Amor e Prazer Lidando

no qual ele descreve seus pr6prios sentimentos em relacao a quando era crianca: "Eu adorava desenhar e contemplar aquelas letras grandes e graciosas; sentia-me extremamente a vontade ocupando-me com elas e podia desenM-las muito antes de conseguir fazer qualquer outra coisa com as maos. Era um grande prazer copiaMas do livro de oracoes porque em cada letra havia algum sutil componente das outras e, conforme ia apren-

com

as Letras),

esse alfabeto

dendo

a fazer

conhecidas."

novas

letras, era possfvel

descobrir aquelas partes familiares

ja"

62

considerada isoladamente ou em conjunto com outras Divino 6 tanto um sfmbolo como uma figura geomettica A (nas atividades prdticas as letras e palavras frequentemente sao visualizadas). significado um palavras tern numero e as um atribufdo cada letra hebraica 6 especial de acordo com numeros derivados atrav6s de um processo conhecido

Uma

letra hebraica,

para formar

um Nome

Cabalistica (a ser discutido posteriormente). Por ora basta dizer que, na medida em que as letras hebraicas sao atribufdas a cada uma das CartasTrunfo, essas cartas podem ser usadas ate" mesmo para se escrever pictoricamente

como Adigao

os

Nomes Divinos

e descobrir novas verdades a respeito da natureza da divin-

dade. Este exercfcio serve para demonstrar em que medida o sistema cabalistico 6 constitufdo por partes precisamente inter-relacionadas. Outra importante questao esta* relacionada com o constante uso das cores

na Cabala Herm6tica. Embora a maioria das pessoas ache que as cores sao de reais natureza simb61ica, isto nao corresponde a verdade. As cores sao forgas rela?ao aos em ser dito e nao meramente sfmbolos dessas forgas. O mesmo pode seus matizes.

63


As Sephiroth

e seus Simbolos

numeradas de cada naipe (Figura 11) e pelas Cartas Reais, que sao colocadas sobre as Sephiroth de Qualquer As pertence a Kether, qualquer n> acordo com o princfpio do

No Tar6

as Sephiroth sao representadas por dez cartas

m

dois a

Chokmah, qualquer

trSs a

.

Binah,

etc.

As

Cartas Reais,

como ja"

dissemos,

n ) em Binah, os Cavaleiros ( 1 ) em Tiphareth e as Princesas ( n ) em Malkuth. Na verdade porem, as Cartas Reais estao relacionadas a Arvore toda e nao apenas a determinadas sao deitadas

com

os Reis

( * )

em Chokmah,

as Rainhas

(

Sephiroth (Figura 12).

Figura 11. Atribui9ao dos Arcanos Menores a Arvore da Vida

64


O

alfabeto hebraico 6 baseado na

forma da

letra

Yod

( > ).

Isto nos remete

ao conceito de que todo o universo deriva do que 6 simbolizado por Yod. Yod, em ultima anSlise, esta" relacionada com Kether, uma idem que Mathers chama de Yod I. Todavia, aquilo que entendemos como a expansiva forca Yod do s6 e" separada e ativada depois a impetuosa energia masculina universo

da formacao da Sephira Chokmah. Assim, para prop<5sitos pr£ticos, Yod € atribufda a Chokmah e Heh, o fraco princfpio feminino, 6 atribufda a Binah. Vau 6 relacionada com Tiphareth, mas na verdade engloba todas as Sephiroth abaixo do Triangulo Superno, exceto Malkuth, ou seja, Tiphareth e as cinco Sephiroth

que estao

em

torno dela: Geburah, Chesed, Netzach, Hod e Yesod. E, quando € considerada, forma-se um cfrculo perfeito em Daath

a Sephira oculta

torno de Tiphareth.

Figura 12. As Cartas Reais na Arvore da Vida

65


deve estar claro que, apesar de a aplicacao do Taro a Arvore da Vida cabalistica envolver algumas dificuldades lingiiisticas, o esforco para compreender essas atribuicoes sera" bem recompensado. Embora a pessoa possa por todas essas definicoes, e" imporse nao esmagada se sentir frustrada

A

esta altura

tante compreender que elas sao muito importantes para o uso da Cabala. Nao obstante as cortinas de fumaca verbais dos primeiros cabalistas, trata-se de um

sistema extraordinariamente claro e preciso. Como as cartas numeradas e as Cartas Reais das Sephiroth sao chamadas

de Arcanos Menores (Arcano significa segredo), elas talvez parecam ser menos importantes do que os Arcanos Maiores ou Trunfos. Todavia, elas sao da mais existenalta importancia porque simbolizam as verdadeiras potencialidades com as quais procuramos entrar em tes dentro de n6s mesmos e do universo

contato consciente.

Se os Naipes (Sephiroth) parecem

estar subordinados aos

Trunfos (Cami-

nhos), isto acontece por duas razoes. Primeiro, o Taro € um mecanismo de aprendizado projetado para facilitar a viagem subjetiva da consciencia de um para outro centro objetivo de energia. Ele pode ser comparado a uma carruagem que nos leva pelas estradas que ligam, uma a outra, duas cidades do interior. Assim,

embora,

em

ultima analise, os Caminhos sejam

menos importantes que

phiroth, eles sao o principal ponto de interesse do baralho do Taro.

Em

as Se-

segundo

como as cartas sao usadas para adivinhacao, elas descrevem forcas de transicao que produziram eventos no passado, atuam no presente e tern o potencial de criar eventos futuros. Isto talvez possa ser melhor compreendido lugar,

considerando-se a id6ia de que todos estamos viajando continuamente pelos Caminhos. Embora este seja um processo inconsciente para a maioria das pes-

que buscam compreender os Misterios. Alem disso, inconscientemente n6s estamos viajando por muitos caminhos "simultaneamente". Nossos conceitos limitantes de tempo, espaco e forma nao sao soas, ele 6 consciente para aqueles

aplic£veis aqui.

Como fi

dissemos anteriormente, a decisao de viajar conscientemente pelos o efeito de acelerar o que de outra forma seria um curso normal desenvolvimento. Ela tamb6m acelera o curso da acao kdrmica. Assim, a pessoa de com o Taro com o prop(5sito de aprender a respeito de si mesma que passa a lidar e do seu universo pode, no inicio, ser afligida por diversos problemas pessoais.

Caminhos

A

tern

razao disso 6 que

um

certo

mimero de

dSbitos k&rmicos 6

pago de uma s6

vez e sao eliminados os principais obst&culos a compreensao. O Taro 6 mais apropriado para uso na adivinhacao de questoes materials. Ele nao € particularmente indicado para fornecer respostas a importantes questoes de natureza espiritual porque esta"

embora — dependendo da respeito dos

66

mundos

firmemenle estabelecido em Yetzirah, possa fornecer esclarecimentos a

interpretacao

superiores.


As Cartas Menores Os Ases relacionam-se com os Elementos Primordiais encontrados em Como disse Crowley, "O importante € Kether e a prdpria origem do Ptttor que, tanto em aparencia como em significado, os Ases nao sao os elementos propriamente ditos mas sim a origem desses elementos." Quando a Arvore da Vida .

6 projetada sobre

uma

esfera sdlida, eles ficam localizados

das Princesas, que sao chamadas de "Tronos" dos Ases.

A

no

p<51o norte,

acima

Aurora Dourada ensina

que os Ases governam a evolucao do Universo e atuam como um elo entre Yetzirah, o Mundo Formativo e o nosso piano material. Os leitores fortuitos dos documentos originais da Aurora Dourada sobre o Taro talvez fiquem confusos com a ordem na qual as cartas, numeradas de dois a dez, sao apresentadas. Ao contrario dos outros sistemas, que apresentam estas cartas numa simples seqiiencia num6rica, a Aurora Dourada classificou-as em termos dos Decanatos do Zodfaco. Este foi um arranjo astrol6gico criado por Ptolomeu no antigo Egito. O Zodfaco, um disco achatado (360°) 6 dividido em 36 secoes de 10° cada. Assim, cada uma das doze casas do Zodfaco tem tres Decanatos e cada Decanato e" uma carta menor do Taro. Essas mesmas divisoes sao dias do ano, de modo que se pode atribuir a cada indivfduo uma carta menor com base na data de seu nascimento.

O principal simbolismo do Zodfaco sao as Casas e os Planetas. As Casas sao simplesmente divisoes de 30° do Zodfaco, cada uma das quais tem um dos doze signos naturalmente ligado a ela (Fig. 13.) Aries na primeira Casa, Touro na segunda, Gemeos na terceira, etc. Assim, cada signo tem tres Decanatos, cada um governado por um planeta diferente. A atividade de um Planeta num signo e" tao especffica a ponto de poder ser representada por uma carta do Taro.

r ARIES

TOURO n GEMEOS «

<& ft Trp

^

LIBRA

"l

ESCORPIAO

/

SAGITARIO

CANCER

n CAPRIC6RNIO

LEAO VIRGEM

as

aquArio

X PEIXES

Figura 13. Os Signos do Zodfaco nas Doze Casas

67


Outra causa de mal-entendidos 6 o fato de os Decanatos iniciarem-se nao primeiro Signo, Aries, mas com Leao. O primeiro grau de Leao esta" relacionado com a estrela Regulus, as vezes chamada Cor Leonis ("A Estrela Real do Coracao do Leao"). A Aurora Dourada sustenta que o infcio do Zodfaco em 0° de Aries era arbitrano e, por isso, retornou ao antiqufssimo sistema de acordo com o qual o Zodfaco inicia-se em 0° de Leao. Dessa maneira, o pri-

com o

meiro dos Decanatos 6 o CINCO DE PAUS, uma carta dinamica e fogosa. De mais a mais, o sistema de apenas sete Planetas (chamados de "Os Velhos Planetas") foi desenvolvido antes da descoberta de Netuno, Urano e Plutao, alem de considerar a propria Lua urn planeta. Embora esta ultima id6ia possa ser rejeitada como fruto da ignorSncia dos antigos, trata-se na verdade de uma descricao adequada, considerando-se a profunda e sutil influencia exercida pela

Lua sobre

Os

a nossa Terra.

planetas sao atribufdos aos Decanatos

numa

seqiiencia que se repete

cinco vezes: 1) Marte, 2) O Sol, 3) Venus, 4) Mercurio, 5) A Lua, 6) Saturno, 7) Jupiter. Existe, porem, um problema. Para citar o Livro T: "Havendo 36 Decanatos e apenas sete Planetas, segue-se que um dos ultimos deve governar

um

Decanato a mais do que os outros. Este planeta e Marte, ao qual 6 atribufdo

5

MARTE SOL VENUS MERCURIO

3)

LUA

cf

© $

h SATURNO 4 JUPITER 14. Os Decanatos, subdivisoes dos Signos do Zodiaco. Circulo exierno: as cartas pequenas do Taro aplicadas aos Decanatos; Circulo intermediario: Planetas aplicados aos Decanatos, regencia das cartas pequenas.

Figura

68


o ultimo decanato de Peixes e o primeiro de Aries, porque a superacao do prolongado frio do inverno e o infcio da primavera requerem uma grande quan-

A

lidade de energia." elas se relacionam

Figura 14 apresenta as Cartas Menores e o

com

As Cartas Menores

modo como

essas configuracoes astrokjgicas. tern dois

conjuntos intercambiaVeis de simbolismos. Elas

representam os Planetas nos signos do Zodfaco e aspectos de cada

uma

das

Sephiroth nos Quatro Mundos.

A cada Decanato

e Carta

Menor

atribufdo

e"

um par de Anjos, um dos

reina sobre o dia e o outro sobre a noite. Assim, cada carta representa

dualidade. Mais

mundo de Atziluth. As zirah,

o

uma vez

quais

uma

retornamos a id6ia de que as cartas derivam de Yet-

dos Anjos,

em

oposicao aos Arcanjos de Briah ou aos Deuses

imagens astrais, ilustrando o mundo da materia, situado abaixo, e refletindo simbolicamente os mundos da mente e do espfrito, que ficam acima. O DOIS DE PAUS, por exemplo, relaciona-se com Chokmah em Atziluth, tal como o REI DE PAUS. Todavia, nenhuma das cartas 6 exatamente a mesma que Chokmah em Atziluth, a qual e* invocada com o nome divino Ja. Pode-se dizer que o DOIS DE PAUS representa o efeito em Yetzirah do poder cartas sao

o REI DE PAUS personifica a acao do o Mundo Formativo atrav6s do qual os princfpios superiores sao transmitidos para nossas vidas. Trata-se de um universo formado por imagens refletidas de cima e de baixo, o que explica o fato de o Taro ser tao eficaz na predicao. Nao ha" duvida de que a esta altura muitos leitores estarao completamente

em Atziluth, assim como em Yetzirah. Yetzirah 6

de Chokmah

Fogo do Fogo

um jogo de palavras necessariamente complexo. Quanto mais profundamente penetramos nas definicoes, subdefinicoes, superdefinicoes, definicoes mais-que-perfeitas e platitudinais, mais entramos em perdidos. Todavia, a Cabala envolve

contato

com

ÂŁreas que nao

podem

pr6prio esforco para encontrar

um

ser

adequadamente descritas

em

palavras.

significado neste labirinto de id6ias

tante porque ele representa a expressao de

um compromisso. A maior

e"

O

impor-

defesa dos

Mistenos, agora que seus m6todos foram abertamente publicados,

e"

que os

primeiros exercfcios intelectuais e meditativos sao ex traor dinar iamente macantes. Poucos chegarao a encarar a Cabala com tanta seriedade a ponto de abrir caminho penosamente atravds de seu cipoal de palavras complicadas. A maioria desistira" rapidamente, uma idÂŁia que e" apresentada aqui como se fosse uma luva a ser apanhada por aqueles que apreciam os verdadeiros desafios. Tendo dito isto, devemos acrescentar uma outra complicacao: cada uma das 40 Sephiroth dos Quatro Mundos contem uma Arvore da Vida completa, de modo que ao todo existem na verdade 400 Sephiroth. No que diz respeito as Cartas Menores, por fim, devemos saber que os dois anjos de cada carta numerada sao especificos dessa carta e entender como sao administradas suas energias especificas. Se alguÂŁm fizesse uma projecao inte-

rior

com uma

meiro

dessas cartas, o que 6 perfeitamente legitimo, ele invocaria pri-

a protecao e a orientacao

de Deus e do Arcanjo da referida Sephira, e

depois a dos Anjos.

69


As

Cartas Reais disse que as Cartas Reais nao estao nas Sephiroth e isso ele aparentemente tentou sugerir que as cartas nao

MacGregor Mathers sim alem delas.

Com

apenas integram as Sephiroth como tamtam sao extensoes de suas qualidades. As Cartas Reais representam os poderes Elementares do Tetragrammaton, nos Quatro Mundos. Elas personificara os atributos dos Elementos nin> Especfficos (veja mais uma vez a Figura 10) e, como tais, geralmente represen,

tam pessoas de verdade quando aparecem numa predicao. Quando nao for este o caso, elas indicam urn acontecimento ou situacao que apresenta uma certa personalidade. Pode-se dizer tambem que as cartas reais representam decisao, quer da nossa parte ou da parte dos outros. ÂŁ a decisao de indivfduos (ou o resultado de situacoes causadas pela decisao individual) que coloca em acao as forcas cegas representadas pelas cartas do Tar6 numeradas de dois a dez. Assim, quando uma hucarta real aparece numa adivinhacao, isto sugere a existencia de urn fator influenciar os acontecimentos. Os Trunfos geralmente representam forgas kdrmicas que tambSm influenciam as cartas menores numeradas. Repetindo: Na adivinhacao as Cartas Reais sao as escolhas dos homens, os

mano capaz de

Trunfos sao as escolhas dos Deuses (embora num nivel mais complexo, estas escolhas sao tambem nossas) e as cartas pequenas sao as forcas postas em jogo. Obviamente, qualquer carta do baralho pode ser uma clara referenda a um indivfduo.

como as Cartas Menores, as Cartas Reais tambem podem estar relacionadas com o Zodfaco. Os Reis, Rainhas e Prfncipes ficam atrSs dos Decanatos, Tal

as Princesas, ao que se diz, "fazem a ligacao entre os Signos". Embora Reais e as que vao do Az ao Dez possam ser colocadas num diagrama Cartas as composto (Figura 15), esse arranjo 6 uma tentativa simplista de apresentar relacionamentos que sao na verdade tridimensionals e dizem respeito a Terra e aos

enquanto

seus dois p61os magn6ticos.

O

sistema completo de atribuicao das cartas do Tar6 uma esfera s61ida pode ser encontrada em

sobre a Arvore da Vida na forma de Golden Dawn, de Regardie.

70


Figura 15. Atribuicao das Cartas Menores e das Cartas Reais ao Zodiaco. Ci'rculo intemo: Os Signos e as Casas do Zodfaco; Segundo circulo: cartas pequenas do Taro; Terceiro ci'rculo: dias do ano atribuidos aos Decanatos; Quarto circulo: Reis, Rainhas e Principes no Zodiaco; Quinto circulo: tecnicamente, tres

em

dimensoes acima dos Reis, Rainhas e Principes; Circulo extemo: os Ases. Quando este diagrama

â&#x201A;Ź colocado

numa

esfera tridimensional, elas estao no Polo Norte da Terra, acima das Princesas.


Os Padroes Das Sephiroth

1.

KETHER: A Coroa Os Quatro Ases existe; a Inspiracao daquilo

Tudo o que

que nao existe A Fonte de Energia do Infinito Invisfvel O Primeiro "Movimento"

• •

Deus, o Criador

De onde viemos

e para onde voltaremos

Simbolos: Coroa, Ponto, Su£stica

Cor: Branco

Kether estd o Branco e Divino Esplendor, a cintilagao e o fulgor da a luz que ofusca a gldria a luz que ilumina o universo Gldria Divina de escuridao e sobre passa mortals nao do Sol, diante da qual a luz dos em que ela atua 4 chaA esfera a qual nao convim nos estendermos mais. o inicio do remoinho, o Primum Mobile mada de Rashilh ha-Gilgalim

Em

ou Primeiro Motor, o qual conferiu a dddiva da vlda a todas as coisas e preencheu todo o universo. Eheieh ^ o nome da Essencia Divina em KeMetatron, que conduz ther; seu Arcanjo 4 o Principe das Fisionomias Anjos 4 chamada de Ordem de Sua Deus. de presenga as pessoas ate* a tambim sao chamaVivas, que Criaturas Sagradas Chaioth ha-Qadesh, as

das de Ordem dos Serafins.

63

Todas as Sephiroth precisam ser abordadas intelectualmente antes que possamos desenvolver algumas idems intuitivas a respeito de suas naturezas. simDeve-se iniciar com um estudo dos sfmbolos ligados a cada Sephira. Esses algusugerir pode simbolo um mais, Alem do linguagem. bolos transcendem a

72


ma em urn

coisa a respeito de outro sfmbolo, criando assim urn quadro geral da energia questao. £ impossfvel conhecer Kether, da mesma forma como se diz que

homem

nao pode olhar para

a face

de Deus e continuar vivo. Todavia,

podemos estabelecer alguns princfpios acerca de Kether atrav^s de seus sfmboponto e isso 6 verdade. los, tais como o Ponto. Pode-se dizer que Kether 6 o i Kether, ele € apenas uma id6ia, urn referencial para os nossos pensamentos a respeito de Kether. O inter-relacionamento dos sfmbolos nos proporciona a melhor orientacao, pois cada sfmbolo descreve urn aspecto especffico de uma Sephira. Em Kether,

Mas o ponto nao

o Ponto e a Sudstica. Este ultimo 6 urn dos mais Suprema, infelizmente ligado ao Nazismo em Divindade antigos sfmbolos da 6pocas passadas. O primeiro sfmbolo de Kether 6 a Coroa. Embora nossa perspectiva antropom6rfica talvez nos leve a pensar que as forcas dirigentes estejam dentro da nossa cabeca, a Cabala coloca essas forcas acima dela. Essa distincao 6 imporfica acima tante, indicando que o Sagrado Espfrito Orientador 6 uma gl6ria que esses sfmbolos sao a Coroa,

de n6s e a qual devemos aspirar, uma energia a que os processos mentais do nosso c6rebro estao subordinados. A Coroa, no microcosmo, € o nosso Espfrito Essencial. No macrocosmo ela descansa sobre a cabeca de Adam Kadmon, o Homem Arquetfpico do Zohar, sfmbolo de todo o universo visfvel. Kether 6 a Coroa situada acima de toda a Criacao, e tambem aquilo de onde toda a Criacao se origina. Por isso, outro de seus principals sfmbolos 6 o Ponto. Ponto 6 completo em si mesmo, sem dimensoes ou definicoes externas.

O

Ele representa a Unidade total e 6 a semente a partir da qual o universo cresce. Em ultima andlise, tudo 6 Kether, e cada uma das Sephiroth que emanam sucessivamente de Kether sao cristalizacoes dos aspectos latentes da Unidade. A de manifestacao comeca e termina em Kether. E a Kether de Atziluth

Jornada que aspiramos e

para ela que o universo visfvel eventualmente se recolherl de aceleracao do nosso desenvolvimento espiritual ou processo Iniciamos o retorno atrav6s da invocagao da nossa prtfpria Kether, que, inconscientemente, nos orienta. O prtfprio ato de atentar para a "Luz sobre as nossas cabecas" produz uma sutil atividade nos Pianos Interiores. Trata-se de uma afirmacao inconscie"

ente da Personalidade, reconhecendo seu career mutavel e o fato de que a verdadeira fonte da vida esta" situada acima dela. Assim como o pr6prio univer-

comeca e termina em Kether, todo trabalho de desenvolvimento espiritual, Supreseja ele meditativo ou ritualfstico, deve comegar com uma invocacao do cujo nome SEREI, urn EU significa Eheieh e Kether 6 em Deus mo. O nome de respira?ao. comparado a som e significado tern sido Ao ponto 6 atribufdo o numero 1 que matematicamente tern o potencial para todos os outros numeros por simples adicao. Se tomarmos um numero 1 e colocarmos outro numero 1 ao seu lado, teremos 2. Se tomarmos um terceiro 1, teremos so

,

parece tao 6bvia a ponto de ser vazia, ate" comecarmos a meditar sobre o conceito de numeros simples e da simples geometria, esta alguma coiid£ia nos parece tao dbvia a ponto de ser insignificante. Conhecemos e que seja unidade autentica uma considerada ser possa que sa, por exemplo, ties uns,

ou

seja, 3. Esta id6ia

73


forma mais pura de sfmbolo e tem grande importancia nas estruturas cabalfsticas. Esta afirmacao nao seria contestada 6 por nenhum estudioso que tenha prosseguido a leitura de Tertium Organum* * de Ouspensky, at6 sua profunda discussao sobre as dimensoes. Embora Kether seja simbolizada pelo Ponto e pelo numero Um, ela nao 6 totalmente indivisfvel?

Os numeros sao

Em Assiah (o mundo material) estao tamtam os "Primeiros Remoinhos"

estfcico.

da manifestacao. Assim, surge uma sentando si

um movimento vital

mesma,

A niTP

a

ela esta"

em

terceira id6ia descritiva: a Sudstica repre-

e rotativo

em

torno do ponto.

Embora contida em

movimento.

tem quatro bracos, representando os quatro aspectos latentes de os Elementos Primordiais. Ela nao 6 trinitana. Essas sao as energias

SuSstica ,

em Kether, sao finalmente diferenciadas nos quatro Elementos B£sicos de Malkuth, chamado de Noiva de Microprosopus. Malkuth 6 Kether no arco inferior e define o princfpio: "Assim como em cima, assim tamb6m emque, unificadas

A Sudstica e" o sfmbolo perfeito dos Elementos Primordiais porque, se imaginarmos os bracos em movimento, como se fossem as pis de um ventilador, seria impossivel distingui-los um do outro. Como os elementos sao representados em Malkuth, sobre a Arvore da Vida, eles sao nitidamente definidos. "Assim como em cima, assim tamb6m embaixo" 6 o princfpio que, em essentia, afirma que Malkuth, o mais denso desenvolvimento do universo, € tao sagrado quanto a sua origem. Os fundamentalistas, para os quais o mundo ffsico 6 intrinsecamente mal, sao extremistas desencaminhados. A questao do mal pode ser melhor abordada em Kether porque esta e" a tinica aVea da Arvore da Vida em que nao existe nenhum mal. Ela 6 a mais sagrada das coisas sagradas, nao tendo energias opostas dentro de si. O mal 6 uma forca desequilibrada. £ um subproduto da evolucao, resultado de um desequilfbrio temporano numa Sephira, e anterior ao surgimento atenuador de uma outra Sephira. Esta 6 a teoria Cabalfstica: em cada ponto da evolucao 6 deixado um extremo de uma energia especffica. O mal 6 um extremo. Ele procura fazer as coisas penderem para um lado, baixo."

tornando impossfvel o equilfbrio. A Unidade 6 o bem supremo e resulta do equilfbrio entre dois opostos. Por exemplo: Geburah € a forca dinamica e seu

Amor. O extremo de Geburah 6 a crueldade extremo de Geburah 6 a pior forma de fraqueza, a qual se manifesta na forma de fanatismo e hipocrisia. Dion Fortune observa que existem duas esp^cies de mal, o positivo e o negativo. mal negativo 6 mais uma questao de temperamento desequilibrado escolha. do que de O mal positivo, por outro lado, envolve a adocao deliberada 65 de uma forca desequilibrada tendo em vista alguma especie de proveito proprio. Cada Sephira tem seu aspecto desequilibrado e um sistema de demonios especfficos, assim como seus Nomes Divinos e formas angelicais conhecidas como Qlippoth. Esses extremos sao tamb&n encontrados em cada indivfduo, em oposto, Chesed, 6 piedade ou hedionda.

O

* Publicado pela Editora Pensamento, Sao Paulo, 1988.

74


graus variaveis, e a Cabala serve ficd-los e,

em

como

urn m6todo para primeiramente identiE por isso que urn sistema como

seguida, colocd-los sob controle.

o de Abramelin invoca tanto as forcas do bem quanto as do mal. Nenhum deles Nao 6 considerado melhor do que o outro, ja" que ambos fazem parte do Todo. e de existe nenhum jufzo de valor e, sim, apenas o desejo de compreender restaurar o equilibrio. Este € o significado das familias em guerra do Bhagavad componentes da personalidade que se mantem literalmente em ate" que o conflito seja solucionado, gracas a intermemesmas guerra consigo neste caso), e a paz restaurada. (Krishna, Superior diacao do Eu Gita. Elas sao os

paz definitiva e a unidade de Kether sao representadas por um simbolo antropom6rfico conhecido como Imagem Mdgica. Esta imagem 6 atribufda a cada Sephira e tern sido desenvolvida ao longo dos sSculos atravSs da meditacao nos pianos interiores. Essas imagens, junto com os sfmbolos aplicaveis, sao pontos de contato com as energias das Sephiroth. No caso de Kether, a imagem 6 a de um Velho Rei Barbado Visto de Perfil. Trata-se de uma cabeca coroada e com

A

barbas brancas, vista a partir do lado direito; seu lado esquerdo permanece desconhecido para n6s, como as fronteiras do Invisfvel. Como os Ases sao atribufdos a Kether, eles representam a mais pura forma de energia, sujeitas a um maior aperfeicoamento a medida que as Sephiroth (simbolizadas pelas outras cartas numeradas do Taro) vao surgindo consecuti-

vamente para formar

um Mundo

completo. Cada

uma

delas 6 unica e distinta

quanto ao grau de sua densidade e ao seu tipo especffico de energia. Assim, quando qualquer As aparece numa adivinhacao, ele representa um grande poder. Embora Kether, enquanto origem de tudo, seja uma qualidade que nao podemos conhecer, precisamos voltar a lembrar que em certa medida 6 possivel representd-la atravSs de simbolos. £ intrigante considerar a id&a de eternidade, um esforco que tende a ressaltar a propria fragilidade do sistema de definicoes dentro do qual temos necessariamente de operar. Embora talvez tenhamos a

com a id&a de que a divisao entre espfrito e matena 6 artificial mesmo, com um conceito de inteligencia totalmente desprovido de for-

capacidade de lidar ou, at6

ma, o nosso conceito de tempo 6 totalmente inadequado! N6s partimos da suposicao de que, se Deus nao & finito, entao ele tern de ser infinite Todavia, nos 6 dito que nenhum dos nossos conceitos humanos pode aplicar-se a Kether, e o infinito € um conceito humano. Isso exige um grande m'vel de f€ e uma mente aberta que faca perguntas destemidamente at6 que surjam as respostas.

Os Ases Os primeiros em ordem de aparecimento sao os quatro

Ases, representati-

on o Espirito em acao, unindo os quatro ntveis de cada elemento e respondendo ao Domlnio das Letras do Nome na Kether de cada um. Eles representam a Forga Radical. Diz-se que os Quatro Ases estao situados no Polo Norte do Universo, onde giram, governando sua rotagao e servindo como 66 um elo entre Yetzirah e o Piano Material do Universo. 75


s>\V?n h<»

A

reM

ACE OF WANDS .

Nota: Esta seqiiencia de ilustracoes

— Cartas do baralho da Aurora Dourada (1890), Crowley — acompanha a explicacao do

(1944), Walte (1910), e Marselha (1748)

O AS DE PAUS,

texto.

Origem dos Poderes do Fogo ( > ). Esta carta representa o fluxo primano de energia do universe Ela & Kether de Atziluth, a influencia de Kether no nfvel do puro Espfrito. Na carta da Aurora Dourada uma mao angelical segura o que e" basicamente uma raiz invertida e dividida em tres ramificacoes (possivelmente influenciada pelo diagrama da Arvore da Vida publicado por Fludd). As dez subdivisoes das rafzes estao pintadas com faixas nas cores das dez Sephiroth nos Quatro Mundos. Os sinetes existentes nas tres partes principals da raiz foram desenhados a partir de Rose Cross Lamen, 61 com a utilizacao das letras vk (Aesch, Fogo),n**n(Maim, Agua) e m*i (Ruach, Ar). Os 22 Yods sao os Caminhos sobre a Arvore da Vida. O baralho de Marselha 6, provavelmente, a fonte desses Yods, embora nele o mimero pareca arbitr£rio. A carta de Waite apresenta urn bastao vivo e com folhas, uma referenda intencionalmente faUica. O As de Crowley sintetiza os Yods flamej antes na forma a

de toda a Arvore da Vida, dando continuidade, assim, ao simbolismo da Aurora Dourada segundo o qual o As de Paus € a fonte de tudo. Aqui pode-se tambem observar que toda a Arvore € um glifo do poder do impregnado por \y Fogo, quando a manifesta?ao 6 simbolizada por mn> ,

De

certo

modo, Yod e Shin sao usados de forma

O AS DE COPAS, a Origem dos O As de Copas 6 Kether em mental. Esta 6

uma Forca

.

intercambia"vel.

Poderes da Agua

(

n

).

Briah, a influencia de Kether sobre o nfvel

Maternal que tudo abrange, simbolizada pela £gua que,

nas cartas da Aurora Dourada e de Waite, derrama-se dinamicamente a partir

de uma ta?a mas torna-se calma e esta'vel na parte inferior. A Aurora Dourada representa o desdobramento da Consciencia Divina com o 16tus pintado de 76


,

vermelho para sugerir que a origem dessa consciencia esta" no Fogo. Waite, por outro lado, apresenta a Taga como a perfeigao e a formalizagao don i n^evoluindo em diregao a matena. As 26 gotas de £gua caindo da Taga significant n * um numero derivado pela Gematria, como posteriormente ser£ demonstrado. A Pomba aqui 6 um sfmbolo de Venus como a Grande Mae, sob a qual h£ um cfrculo e a cruz com bragos de tamanhos iguais. A propdsito, este sfmbolo foi adotado por Dion Fortune para representar sua Sociedade da Luz Interior.

m

Embora

a versao desta carta feita por

caracteristica da

agua

ffsica,

dirige a consciencia pura.

A

Crowley enfatize a agao ondulatdria

neste caso ela significa a atividade que abarca e

Taga surge a

partir

do pr6prio L6tus.

de Marselha t a mais simples das quatro versoes e parece ser apenas uma Todavia, a sugestao de arquitetura g6tica deixa claro que o significado pretendi-

O As

taga.

do era A Igreja, como Sagrada Mae. No seculo XIV, a Virgem Maria era frequentemente confundida com a prdpria Igreja, com a estrutura que abrigava os fi&s. Este simbolismo 6 completamente consistente com o significado do As de Copas.

d]kj •f&st 'tfBu

*7% t

ACE OF SWORDS ,

77


O AS DE ESPADAS, a Origem dos A carta 6 Kether em Yetzirah, a mundo

Poderes do Ar ( i ). influencia de Kether no

Mundo

Astral,

o

ser extrema-

uma poderosa carta que pode Ao contrano do As de Paus, que simboliza uma representa uma forca que 6 invocada. Trata-se de uma

das formas fugazes. Esta 6

mente boa ou extremamente ma\ forca natural, esta carta

forca a qual apelamos. Quando as energias de Kether sao vistas no nfvel astral elas sSo

dmamicas

diferentes situacoes. Assim, ela e errdticas, podendo ser utilizadas a vontade em "Grande forca e poder diante de Mai", e descrita como a "Espada do Bern ou do Divina e pode tornarAutoridade das dificuldades. Ela 6 a justica apoiando a 68

se a espada da Ira, da Punicao e da Aflicao". relacao com o baralho de estilo da maioria das versoes desta carta tern Kether. Os dois Marselha, mostrando a Espada do Ar trespassando a Coroa de

O

a folha de palmeira do cursos possfveis dos acontecimentos estao implicados acima da coroa da Aurora sofrimento e o ramo de oliveira da paz. Os seis Vaus (Ar) da Arvore da Vida. Ruach nucleo Tiphareth, o Dourada significam

ActofDfckj

O AS DE PENTAGRAMAS,

a

Origem dos Poderes da Terra

(

n

).

Assiah, a influencia de Kether no

Este As representa Kether em Matena. Esta 6 uma carta da materialidade que,

tal

como o As

Mundo da

DE ESPADAS,

deveria ser pode ser boa ou ml Ela nao e necessariamente a carta da riqueza, e comparada ao DEZ DE PENTAGRAMAS. A carta de Marselha 6 extremamente simples e esta" relacionada com o antigo coisas materials. naipe das Moedas, o dinheiro considerado como a essentia das urn Embora a versao de Waite tambem apresente uma moeda, ela e na verdade seguro acima de urn jardim de lfrios sfmbolo mdgico da Terra Pentagrama que permite a fruicao da matena ser algo sugerindo floridos. A mao flutua no ar,

e nao a materia propriamente

dita.

Aurora Dourada, uma mao angelical segura uma roseira encirculos extercimada por urn Pentagrama com cinco cfrculos concentricos. Os castanho-avermelhanos tern as cores de Malkuth: amarelo-limao, verde-oliva,

Na

78

carta da


do e

preto. Esses sao os quatro

em perfeito equilfbrio por meio

Elementos Bdsicos, os quais demonstram estar com bracos de tamanhos iguais.

da Cruz vermelha

raios brancos sao as forcas do Zodfaco, expressas atrav£s dos Elemenda Terra. Embora as quatro rosas tamb6m representem os Elementos, a adicao de dois botoes implica a propria fertilidade desses elementos em seu sutil equilfbrio terrestre. A cruz alada de cor vermelha faz referenda aos Elementos

Os doze tos

Primordiais de Kether. Ela tem asas para mostrar que os elementos passam pelo

estado de Ar Espiritual antes de se manifestarem na forma de mat6ria. A carta de Crowley representa, aparentemente, as asas dos quatro Arcanjos (Miguel, Gabriel, Rafael e Auriel) cujos poderes se contrabalancam mutuamente, gerando estabilidade. No centro esta o sfmbolo falico pessoal de Crowley e -

o niimero da Besta do Apocalipse, 666, com o qual ele pode ser identificado. Na roda estao as palavras gregas que significam "para a marca da besta", outra indicacao de que Crowley escolheu especificamente esta carta como sendo a sua.

2.

CHOKMAH:

Sabedoria

Os Quatro Dois Os Quatro Reis •

• •

• •

O O

Pai Celestial

O O

Grande Estimulador

Desejo de Poder Fluxo de Energia Dinamica, inorganizada e nao-compensada Primeiro Positivo

Simbolos:

O

Falo, a Linha,

Referenda Astroldgica:

A

Yod. Esfera do Zodfaco

Cor: Cinza

Em Chokmah tura

com

elas,

um cinza plumbeo que content vdrias cores e se misformando uma nevoa transparente perolada, e que mesmo

existe

assim irradia luz, como se por trds houvesse um grande esplendor. A esfera de sua influencia estd em Masloth, o C4u Estrelado, no qual estao dispostas asformas das coisas. E Yah 4 a Divina Sabedoria Ideal, e seu Arcanjo e' Ratziel, o Principe dos Principes do conhecimento das coisas ocultas e secretas. O nome de sua Ordem Angelical e Auphanium, as Rodas ou as For gas Rotativas que tambim sao chamadas de ordem dos Querubins.

Muitas das nossas atuais nocoes de sexualidade ainda se baseiam nos conceitos da era vitoriana, quando o sexo era considerado quase antinatural. Tratava-se de algo que, na melhor das hipdteses, nao devia ser discutido por pessoas educadas. Atualmente, estamos compreendendo cada vez mais claramente que o chamado "misteno do sexo" recebeu uma denominacao apropriada e que

79


manipular as correntes sexuais do pr6prio corpo era um dos maiores segredos dos antigos magos. Nao 6 nenhuma coincidencia que os extases de vision£rios como Santa Teresa ou Sao Joao da Cruz sejam descritos em palavras que parecem ser explicitamente sexuais e orgSsmicas. A repressao sexual ou descontentamento com a pr6pria sexualidade (e aqui nao estamos discutindo nem defendendo nenhum padrao especffico de compora capacidade de

seno obst£culo a compreensao dos mundos interiores. masculino CO Falo ou Lingham) 6 o principal sfmbolo de O 6rgao sexual diferenciacao da Unidade. Ele 6 o principal atributo da Chokmah e a primeira representa o Pai Celestial emanando da virilidade no nfvel mais abstrato e Binah, a Mae Celestial. natureza divina. A partir de Chokmah, surge Os estudiosos da Bfblia logo irao perceber as semelhancas com a histona de Adao e Eva tal como 6 descrita no Livro do Genesis. Deus criou primeiro o homem, moldantamento) constitui

do-o

um

com barro e insuflando-lhe o sopro da vida.

Eva, a primeira mulher, foi criada a

do primeiro homem. A uniao entre o homem e a mulher deu origem a depois de eles terem sido expulsos do jardim do 6den. humana especie Pode-se tomar simbolicamente o jardim do £den pelo prtiprio TriSngulo Superno. As energias masculinas e femininas, equilibrando-se mutualmente, desenvolvem uma densidade cada vez maior a medida que evoluem em direcao

partir da costela

aos aspectos mais inferiores da Arvore da Vida, longe das elevacoes supernas. primeiro livro da Bfblia tern sido considerado um criptograma cabalfstico

O

extremamente complexo, onde cada seu valor

numenco,

tern

um

letra

de cada palavra hebraica,

bem como

significado especffico e oculto. Todavia, interpre-

tacoes deste tipo sao mais apropriadamente objeto de interesse dos tetilogos. Poucos estudiosos possuem o conhecimento lingufstico e a capacidade de pes-

quisa necessdrios para levar adiante esta abordagem da Cabala desta forma. Alia*s, esta nem chega a ser uma necessidade prdtica visto que, embora o estudo da

Cabala seja iniciado

com o

intelecto,

sua compreensao

e\

em ultima

an&lise,

um

processo espiritual. A medida que voltamos nosso intelecto para os signos e sfmbolos da Arvore da Vida descobrimos que estamos desenvolvendo uma aprecia9ao intangfvel das energias ali descritas. E, como ja" dissemos, o numero esta" entre os sfmbolos mais importantes. No caso de Chokmah, esse numero e" o dois. numero dois simboliza o equilfbrio de opostos subjacente a toda a exis-

O

o termo "Perfeita Harmonia" descreve a Chokmah de Atziluth, o DOIS DE PAUS. Chokmah 6 o impulso de toda manifestacao ao passo que Kether, ao contrano, 6 a "Origem" desse impulso. No Chakra Mundano, ele € a Esfera do Zodiaco, assim como Binah 6 o planeta Saturno. Enquanto Kether 6 basicamente andrdgina, Chokmah 6 a id&a de virilidade e Binah a de feminilidade. N6s aqui usamos o termo ideia porque no elevado tencia material. Assim,

domfnio do Triangulo Superno nao pode haver sexualidade tal como a entendemos na nossa esfera de sensacoes. A virilidade 6 descrita como uma efusao pelas quaou seja, limitada ou formalizada de energia vital organizada chamados de Yod princfpios sao Cabala, esses lidades da feminilidade. Na Divino, atriNome Vau do (Masculino) e Heh (Feminino). Eles dao origem ao bufdo as seis Sephiroth inferiores que estao em torno de Tiphareth.

80


Existem tantos sfmbolos intercambiaVeis na Cabala que o sistema talvez 6. Todavia, 6 fundamental esse

pareca ser mais complicado do que realmente

conceito de efusao de energia vital que, atrav6s do intercurso organizadora,

da"

Binah mas, como ela

uma

com uma

a

outra sugestao: Saturno "devora suas criancas". Ha" aqui

um

nfvel mais profundo

— que o

prtfprio

entrelacadas resultante do equilfbrio entre

duplo signi-

no nascimento. Segundo e Universo, o padrao de energias

ficado. Primeiro, o de que a morte esta" implfcita

num

forca

alguma coisa mais. A letra hebraica Heh aplica-se a tambem se aplica ao mais antigo dos planetas, existe ainda

origem

Chokmah

e Binah, acabara" voltando

um caminho inverso daquele atraves do qual evoluiu. do numero dois devem ser vistos como a interacao entre opos-

a se contrair, percorrendo

Os

mist6rios

tos encontrados

em toda a Arvore da Vida, resultantes da oposicao entre Chokmah

e Binah. Isso envolve polaridades fluidas, tais

como anabolismo

e catabolismo

aumento e diminuicao, vida e morte, etc. Esses opostos, por6m, nao sao estdticos. Eles nao sao um positivo puro e im6vel contra um negativo tambem puro e imovel, posicionados um contra o outro numa especie de xequemate celestial. O crescimento e o movimento sao constantes. Quando hi uma alteracao na energia de uma Sephira ocorre uma reacao equilibradora natural em sua oposta, um efeito que se manifesta de forma dram£tica quando as Sephiroth sao aplicadas a aspectos especfficos do microcosmo. Ha" um contfnuo intercambio que poderia ser comparado a inspiracao e expiracao sugeridas pelo Nome Divino de Kether, Eheieh, o qual estabelece um padrao para tudo o que vem abaixo dele. A chave para todos os sistemas e para o Padrao Universal € Chokmah, que talvez possa ser considerada a unica "realidade", ao contrano de Kether, que nao o 6. Pode-se conceitualizar o Universo como Nao Ser (Kether) e Ser (Chokmah). £ como se ele fosse um interruptor elStrico que i desligado em Kether e ligado em Chokmah. Embora o poder exista como potencialidade em Kether, ele s6 comega a operar depois que o interruptor 6 ligado. Para compreendermos como isto funciona, imaginemo-nos "ligados" em Chokmah, num estado de medita?ao profunda e com a realidade de nossa existencia atual jorrando em nossa mente. N6s sonhamos com n6s mesmos mas nao temos consciencia do sonho. Este 6 o significado da histtfria chinesa do homem que sonha que 6 uma borboleta e, ao acordar, fica pensando se, na verdade, nao seria uma borboleta sonhando que € um homem. O fato de meditarmos 6 uma realidade da existencia terrestre. O "Eu" interior sonha aquilo que n<5s mesmos percebemos ser em vida; n6s, na verdade, nao existirfamos, uma id6ia que pode ser muito assustadora para alguns e estimu(sfntese e decomposicao),

lante para outros.

Este sonho a respeito da nossa propria vida tern algumas dimensoes muito

que geralmente sao descritas em termos de espaco porque esta € a nossa melhor estrutura de referenda. A Cabala descreve uma evolucao descendente a partir de Chokmah e diversos nfveis de sonho consigo mesmo, os quais sao as Sephiroth simb61icas. Outros sistemas explicam esses nfveis do eu como inv61ucros que se desenvolvem para o exterior a partir do "Eu" (Monada, Eu Espiritual Supremo, etc.) e que efetuam a meditacao. Algumas das mais comespecfficas,

81


obra plexas discussSes a respeito desses invdlucros podem ser encontradas na Fortune, Dion explicacao 6 de Alice Bailey. Outra que tentou apresentar uma autora de The Cosmic Doctrine [Doutrina Cdsmica]* Todavia, estes sistemas

parecem ser tao complicados a ponto de sd estarem ao alcance da compreensao de pouqufssimas pessoas. Entretanto, quando se diz levianamente que os Padroes Universais sao tao simples que poderiam ser explicados a uma crianca, pretende-se com isso excom pressar duas id£ias. Primeiramente, aquilo que temos chamado de sonho constenhamos embora nao e lugar nossas proprias exist6ncias. Em segundo somos todos, coletivamente, aquilo que chamamos de Deus. A ciencia disso perda do nosso senso de unidade com o divino, como quer que tenha aconte-

cido, 6 simbolicamente o

Pecado Original.

do Esses dois conceitos sao compreendidos primeiro intelectualmente (a "Visao transforMecanismo do Universo" de Yesod). Posteriormente, a atividade intelectual ma-se numa profunda compreensao interior. N6s ultrapassamos o pensamento e come-

gamos a

atuar conscientemente junto a nossa fonte de sonhos interior.

A

esta altura,

Sonho (como talvez seja possfvel perceber que, quando o Sonhador e o objeto do verdacontrole adquirimos urn cooperar, n6s comecam a conhecemos a n6s mesmos) deiramente extraordinano sobre o que acontece

em nossas

vidas.

Podemos

ter

tudo o

que quisermos... qualquer coisa. O que acontece, porem, € que nao queremos nada, pois entao }i teremos aprendido o que 6 importante e o que nao o 6.

Os Dois Os Quatro Dois simbolizam os poderes do Rei e da Rainha: primeiramente eles unem e deflagram a Forga, embora na presenga do Principe e da Princesa entrem plenamente em agao. Portanto, eles geralmente implicam o inicio e a fertilizagdo de alguma coisa.

* Publicado pela Editora Pensamento,

82

Sao Paulo, 1983.


DOIS DE PAUS, Senhor do Domfnio (Marte em Aries). Anjos do Decanato: Vehooel ( t?Nim ) e Deneyal ( ^KÂť:n ). Chokmah em Atziluth, a influencia de Chokmah no Mundo do Puro Espfrito. No reino Atziliithico, a impetuosa forsa masculina esta" em seu pr6prio elemento, por assim dizer, e num estado de completa harmonia. O belicoso planeta Marte rege o ardente signo de Aries, uma tremenda forca que Crowley simbolizou com duas Dorjes cruzadas, o sfmbolo tibetano do raio. Aqui compreendemos que as energias estao equilibradas, transformando esta poderosa carta num elemento de forca e estabilidade. Aos paus cruzados do baralho de Marselha a Aurora Dourada acrescentou a mao de um anjo. As cartas originais da Aurora Dourada inclufam os signos astrol6gicos encontrados nas cartas de Crowley, neste caso Marte e Aries, tendo sido posteriormente tomada a decisao de eliminÂŁ-los do baralho que acabou sendo publicado.

A

carta de

Waite mostra

um homem

expediente mnemonico destinado

inspecionando seus domfnios, um que estiverem usando as

a beneficiar aqueles

cartas basicamente para a predicao, pois apresenta apenas

um

aspecto do sig-

nificado da carta: Domfnio.

DOIS DE COPAS, Senhor do Amor (Venus em Anjos do Decanato: Ayoel Este

e*

Chokmah em

(

^j^k)

Cancer).

e Chabooyah

(

,v inn

).

Chokmah no Mundo Mental. de modo que Copas aplica-se a ele. Esta uma carta

Briah, a influencia de

e" Cancer 6 um signo aquoso, de sentimento e romance (especialmente em relacao as coisas materials), que tern uma capacidade potencial para a energia malbaratada. O Peixe geralmente diz respeito a Deusa Venus, ao passo que o Golfinho refere-se mais especificamen69 Na carta da Aurora Dourada, o simbolismo te a Netuno e ao Deus Solar Apolo. Solar (masculino) esta" implfcito na cor dourada de um dos Golfinhos, enquanto

o prateado do outro & Lunar (feminino). Eles atuam em conjunto para levar luz ao nosso mundo, o que tamb<$m faz parte da natureza do signo de Cancer, e reforcam o significado da carta como de harmonia entre o masculino e o femi83


dgua brota verde de uma fonte lfmpida, o Ldtus superior, e derramaaqui se para as ta9as, terminando por alcancar a nossa terra material. A idem proporcionada energia gracas a contida € de que a Agua ( n) somente pode fluir por Chokmah-fogo ( i ). Trata-se de uma parceria feliz e amorosa. A carta de Crowley baseia-se inteiramente naquela da Aurora Dourada. Na carta de Marselha, encontramos as origens do desenho de ambas.

A

nino.

Na sua versao esotenca, Waite enfatiza o significado divinatono nado com o amor, casamento e toda espicie de parceria?

relacio-

II

/

1

!\

•<flj

,

_

DOIS DE ESPADAS, Senhor da Paz

Restaurada (Lua

Anjos do Decanato: Yezalel (btibT?

)

Este e

Chokmah em

e Mebahel

Yetzirah, a influencia de

(

em

Libra).

bnr\2n

).

Chokmah no Mundo

Astral.

Embora as Espadas sejam geralmente negativas e destrutivas, o efeito equilibrador de Chokmah faz desta uma carta positiva. As espadas, que de outra forma poderiam estar se opondo uma a outra, sustentam juntas uma flor tanto na carta da Aurora Dourada como na de Crowley: a Aurora Dourada usa a rosa vermelha venusiana da paz; Crowley escolheu um 16tus com cinco p£talas. O Equilfbrio € expresso pela cruz luminosa situada atrfis, a qual, na carta de Crowley, indica

que se

O

trata

de

um

equilfbrio entre energias ativas.

significado divinatdrio 6 sugerido pela posicao da

Lua em

Libra.

A

Lua

6 um planeta muito mutavel e errdtico, que assume alguma estabilidade em Libra. O efeito € de sutileza, indulgencia e compromisso. Numa predi9ao, portanto, esta carta significa uma contenda encerrada e a restauragao da paz. A carta de Waite implica tudo isto mas tambem indica uma tensao subjacente que Crowley apresenta

um

em

suas formas rodopiantes atr£s das Espadas.

A

trSgua, aqui, talvez seja

pouco precana.

DOIS DE PENTAGRAMAS, Senhor

da Mudanca Harmoniosa (Jupiter

em

Capric6rnio).

Anjos do Decanato: Lekabel Este € Jupiter,

84

um

Chokmah em

(

bK23b

)

e Veshiriah

Assiah, a influencia de

(

n^nvyi

).

Chokmah no mundo

planeta muito benevolente na astrologia tradicional,

nao

material. esta"

bem


modo que sua influencia positiva s6 na qualidade de organizador. Ele assegura a harmonia de uraa

posicionado no Signo de Capric6rnio, de

pode

ser exercida

interacao de dualidades inerente a energia de

a Terra.

Chokmah quando

ela 6 aplicada

O que era uma energia perfeitamente unificada em Atziluth agora 6 uma

expressao completa de dualidade; energias

Uma vez mais parece que

em

alternacao.

de Marselha serviram de inspiracao para as tres cartas modernas, sendo que as versoes posteriores simplesmente fecharam o "S" para formar um sfmbolo perfeito do infinite A cobra com a cauda na boca, o Uroboros, e" um sfmbolo muito antigo de sabedoria (o significado da as cartas

palavra hebraica Chokmah). Todavia, esta serpente apresenta-se na forma de oito ornado

com

um

o mesmo sfmbolo do infinito encontrado sobre a caEmbora na predicao isto signifique uma mudanga harmoniosa, figuras,

beca do MAGO. nos estudos esotencos ela indica os padroes subjacentes de alternacao tipo de matena e a profunda relacao entre opostos.

em

todo

Os Reis Os Quatro Reis ou Figuras montadas em Corceis

(nas versoes da Aurora

Dourada e de Crowley) representam as forgas Yod no nome de cada naipe, Radix, Pai e origem das Forgas Materiais. Uma forga na qual todas as

em relagao a qual elas constituem um acriscimo complemento. Traia-se de uma forga de agao rdpida e violenta mas cujos efeitos logo desaparecem, sendo portanto simbolizada por umafigura montada sobre um cavalo veloz e vestida com uma armadura completa. outras estao implicadas e

e

um

85


Senhor da Chama e do Raio, Rei dos Espfritos do Fogo, Rei das primeiros dois Decanatos de Salamandras. (Ultimo Decanato de Escorpiao Sagitano). O Rei de Paus e" o Fogo do Fogo, Fogo Especffico no Fogo Fundamental sobre a Arvore da Vida. Na carta de Marselha o Rei esta" sentado num trono e segura urn bastao na sua mao direita. O Rei de Waite tambem esta" sentado e segura o mesmo bastao vivo encontrado no As de Paus de Rider. Sua coroa sugere a id6ia de chamas e as Serpentes situadas atrÂŁs dele e sobre seu manto fazem referenda a Chokmah.

REI

DE PAUS,

â&#x20AC;&#x201D;

de Crowley e da Aurora Dourada simbolizam sua energia dMmica e brusca por meio de urn cavalo frabe negro saltando atravgs das chamas. A cimeira do capacete do Rei 6 a cabeca de urn cavalo alado. Como todas as os cartas reais da Aurora Dourada, ele usa uma armadura, significando que atributos dos Elementos que ele simboliza lutam a batalha da vida para n6s. O

As

cartas

Rei segura o mesmo bastao encontrado no As, mostrando ser ele o vefculo para a Forca do Fogo.

86


DE COPAS,

Senhor das Ondas e das Aguas, Rei das Hostes do Mar, Rei primeiros dois Decanadas Ondinas e Ninfas (Ultimo Decanato de Aquano tos de Peixes). O Rei de Copas 6 o fogo especffico no Mundo da Agua Fundamental. Trata-se de uraa personificacao da forca que move as correntes do mundo mental inconsciente, simbolizadas pela Agua, uraa id&a encontrada no Rei de Waite, cujo pesado trono parece deslizar facilmente sobre a Agua, tal como acontece com a figura da Aurora Dourada. Esse Rei segura uma Taca da qual

REI

urn Caranguejo, sfmbolo do Signo de C&ncer (Agua Cardeal), que regido pela Lua, controla o fluxo das mar6s. O Caranguejo tambem esta* relacionado com 71 O pavao, encontrado no fsis, a Grande Mae, a Stella Maris, a Estrela do Mar. por Crowley, 6 conaumentado e abstrafdo capacete do Rei da Aurora Dourada, Chokmah) uma ave cuja carne € e siderado um sfmbolo de sabedoria (ou seja, sai

incorruptfvel. Ele

tambem

consumida pelas chamas pr<5prias cinzas.

esta"

relacionado

a cada

com

a Fenix,

uma

500 anos e depois renasce a

ave que morre partir de suas

72

|f§831

1bkL~ /^S\ti

pPi

^^

KING™SWORD^

O

DE ESPADAS,

Senhor dos Ventos e das Brisas, Rei do Espfrito do Ar, primeiros dois Decanatos Rei de Silfos e Sflfides (IJltimo Decanato de Touro de Gemeos). O Rei de Espadas 6 o Fogo Especffico no Ar Fundamental. Ele 6 uma personificacao das forcas instigadoras que estao por tr£s do Mundo das id£ias e imagens Astrais. Trata-se de uma forca violenta e agressiva, uma id&a mais bem representada por Crowley do que pelas cartas de Waite e de Marse-

REI

Embora o Rei montado de Crowley seja a energia dinamica do touro que ataca o Touro, mas sendo predominantemente Gemeos ele volta-se com facilidade para uma ou outra direcSo. Existe tamb6m uma alusao a Gemeos no capacete do rei da Aurora Dourada, o Hexagrama que 6 uma fusao de opostos. A esse Rei s2o atribufdas as qualidades da sutileza e da astucia, pois o Ar lha.

diz respeito a mente consciente.

87


REI DE PENTAGRAM AS, Senhor de Terras Ferteis e Incultas, Rei dos Gnoprimeiros dois Decanatos de Virgem). O Rei mos (Ultimo Decanato de Leao Trata-se de Pentagramas personifica o Fogo Especffico na Terra Fundamental.

que traz a da mais densa manifestacao da Forca Elementar Yod, e i a energia muito eficaz. fruicao material e o crescimento, como Waite mostrou numa carta O seu Rei 6 a pr6pria essentia da energia subjacente ao progresso material. Os Reis da Aurora Dourada e de Crowley tern como emblema urn cervo macho,

um animal

a que sao atribufdos grandes poderes regener adores.

Segundo

faze-lo, a mitologia, o cervo macho come a Serpente (absorve sabedoria) e, ao senisinais de fraqueza ou doenca, perde sua pele bem como qualquer tipo de 73 bastante sfmbolo um de lidade. Ele se regenera totalmente. Trata-se, portanto,

adequado do Fogo da Terra. Ele se movimenta com rapidez, tal como o fogo, mas tamb6m representa o renascimento cfclico da terra. Essa mesma fruicao 6 6bvio que indicada pelo Chifre (sfmbolo de fsis-Ceres) em primeiro piano. & as extrafdas foram onde medievais, de bestianos dos estudioso Mathers era um lendas relativas aos animais.

3.

BINAH: Compreensao Os Quatro Tres As Quatro Rainhas • • • •

A Mae

O O A

Superna Organizador e Compensador Desejo de Criar

Sombria Mae

Mae •

88

O

F6rtil

Grande Mar

Est6ril; a

Alegre

Pn


Simbolos: Planeta:

O

Yoni, o Triangulo, a Taca,

Heh

Satumo

Cor: Preto

Em

Binah existe uma profunda escuriddo que, ndo obstante encubra a de onde o seu Divina Gldria, na qual todas as cores estdo ocultas mistirio, profundidade e silencio 4, apesar disso, a morada da Luz Superna. Ld estd a Triade Superna completa. A esfera de sua Atuagdo 4 Shabbathi, ou resto. Ela confer e formas e similitudes d materia cadtica e rege a esfera de agdo do planeta Saturno. Jehovah Elohim 4 a perfeigao da Criagao e a Vida do Mundo do Porvir. Seu Arcanjo 4 Tzaphqiel, o Principe da Luta do Espirito contra o Mai, e o Nome dos Anjos 4 Aralim, aquelas entidades fortes e poderosas que tamb4m sdo chamadas de a Ordem

dos Tronos.

O principal sfmbolo de Binah 6 Yoni, o 6rgao reprodutor feminino, indicando que esta Sephira e" a energia da qual prov6m toda a vida. Ela 6 o Grande Otero, a Mae Superna a que todas as religioes, de uma ou de outra forma, fazem referenda. Ela 6 tamb6m a conclusao do Triangulo Superno, que comecou como um ponto em Kether, emanou para Chokmah como uma linha e aparece em Binah como um triangulo. Quando consideramos

pela primeira vez a "sexualidade", tal como ela 6 filosoficamente descrita nessas esferas superiores da Arvore da Vida, surgem geralmente duas questOes. A primeira questao tern a ver com o fato de que a

no alto do Pilar da Sever idade, ao passo que a principal Sephira masculina, Chokmah, estd no alto do Pilar da

principal Sephira feminina, Binah, situa-se

Misericdrdia.

Este fato reflete a definicao cabalfstica de masculinidade

como

qualidades e nSo

como

caracterfsticas estlticas,

e feminilidade

bem como, em

ultima

an£lise, a bissexualidade da alma. No pura vazao de energia, misericordiosa por ser irrestrita; a feminilidade 6 uma qualidade limitante e, portanto, severa. Descendo pela Arvore da Vida atrav6s do Pilar da Severidade, vemos que Geburah destrtii, ao passo que Hod volta a construir (anabolismo e catabolismo). No Pilar da Severidade vemos que Che-

Triangulo Superno, a masculinidade 6 a

sed constrdi enquanto Netzach tem qualidades destrutivas. A segunda questao que inevitavelmente surge por toda a Arvore da Vida £ ate" que ponto existe uma alternacSo de divindades masculinas e femininas, tal como as conhecemos. Embora a principal figura divina de Binah seja Ins, os

deuses masculinos Saturno e Chronos

tambem sao

atribufdos a esta Sephira.

Ademais, na base do Pilar da Severidade, abaixo de Binah, encontramos o deus masculino Mercurio na Sephira Hod. Na base do Pilar da Misericdrdia encontramos a deusa feminina Venus na Sephira Netzach. A resposta 6 que os nossos conceitos de genero sao insuficientes para descrever as sutis polaridades e in-

tercambios de energia que existem no Universe Aspectos de uma divindade feminina freqiientemente sao mais adequados para descrever uma Sephira ba89


ite masculina. A16m do mais, veremos que os Panteoes com os quais stamos mais familiarizados no Ocidente sao antropomdrficos. N6s criamos os ;;_ses a nossa prdpria imagem com uma certa ingenuidade fundamentalista,

embora confortadora. Binah e" restricao. Ela e" o desejo de criar, uma disciplina imposta sobre a forca simples de Chokmah. Ao mesmo tempo, ela 6 o Grande Mar a partir do qual surge a vida, um conceito que implica a existencia de um Inconsciente Primordial. Os poetas e fil6sofos sempre consideraram a Agua como depositaria dos mistenos mais profundos da nossa existencia. Na verdade, no Chakra Mundano, as teorias da evolucao sugerem que a vida, tal como a conhecemos, pode

ter

surgido a partir do mar.

A id&a de 3guas escuras e profundas

e"

muito penetrante

e,

ao fazer-se sentir

na nossa consciSncia, nao pode deixar de nos afetar de algumas maneiras curiosas. Conforme lemos nos textos da Aurora Dourada: "Em Binah existe uma profunda escuridao que, nao obstante encubra a Divina G16ria, na qual todas as cores e\ apesar disso, donde seu misteno, profundidade e silencio estao ocultas a morada da Luz Superna." Neste sentido, Binah e" descrita como o Manto Externo

â&#x20AC;&#x201D;

â&#x20AC;&#x201D;

da Dissimulagao, uma id&a que poderia ser mais rapidamente compreendida considerando-se ate" que ponto nossas formas ffsicas escondem dos outros nossas realidades interiores.

Como Binah

e"

a doadora da vida, ela

(com

6 a Alegre

Mae

Fertil.

Todavia,

6 a primeira legisladora),

no sentido de restringir e disciplinar Binah 6 chamada de Sombria Mae Estiril. Esta dualidade tambem 6 encontrada em Yesod (a Lua), a qual reflete a luz do Sol para Malkuth. A Lua 6 representada tanto por Diana como por Hicate. Uma 6 o anverso da outra, o claro e o escuro. Por todos os caminhos e Sephiroth, as qualidades de Binah e de Chokmah recebem nomes diferentes, dependendo do seu grau de densidade, ou seja, da sua localizacao na Arvore da Vida em relacao ao seu complemento em Malkuth. Assim, podemos falar de Isis em Binah ou do Caminho da IMPERATRIZ ou da GRANDE SACERDOTISA. Ou entao podemos discutir Venus, Diana, H6cate, ou mesmo Ceres, em outras Sephiroth, sabendo que elas sao aspectos da mesma Energia Divina. O Jah, de Chokmah, e o Jehovah Elohim, de Binah, usam muitos mantos diferentes ao longo do Universo. Um dos atributos mais importantes de Binah 6 Chronos, o mais antigo dos deuses, chamado de "Pai do Tempo". O conceito de tempo 6 altamente restritivo e, muito apropriadamente, esti relacionado a Binah. O tempo mede o processo de envelhecimento, a travessia da vida, desde o nascimento ate" a morte, que 6 o resultado final da dSdiva da vida. Binah, Compreensao, â&#x201A;Ź chamada de Inteligencia Purificadora e de "Pai da F6". efeito, ela

Ela pode ser usada para representar a estrutura subjacente as religioes de qualquer seita, sem a qual nenhuma "igreja" poderia existir. Os estudiosos da histona da arte talvez se

recordem do tema iconograTico no qual a Virgem Maria 6 apresentada dentro de uma igreja embora seja dado a entender que

como uma grande imagem ela,

90

Maria, i a igreja,

em

toda sua organizacao, estrutura e santidade.


6 chamada de "Pai da F6" em vez de fe propriamente dita^ a fe\ Razao, qual 6 a crenca. Binah e* a disciplina de organizacao que esta" por trds da o mais constituem ciencia e intelectualidade, todas disciplinas de organizacao, Pilar do pleno desenvolvimento da energia de Binah, encontrada em Hod na base

Mas Binah

mais da Severidade. Intuicao, sentimento e criatividade artfstica sao o produto Pilar importante da energia de Chokmah, encontrada em Netzach, na base do da Miserictfrdia.

Os

Tres realizagdo de agdo produzida carta. Agdo positivamente cada simbolo de principal pelo Principe. mal. iniciada, seja para o bem ou para o

Os Quatro Tres geralmente representam a

Senhor da Forca Estabelecida (Sol em Aries). Anjos do Decanato: Hechashiah ( rptynn ) e Aamamiah ( n*nny ). Esta carta 6 Binah em Atziluth, a influencia de Binah no Mundo do Puro equilfbrio de ChokEspfrito. Os tres Paus cruzados sobre a carta significam o a luz ao Prfncipe, Rainha deu (a Tiphareth a origem deram Binah, que mah e florescimento do como o Crowley por representado inicia), e o crescimento se Primavera. O Sol a anuncia Aries Sol em entrada do L6tus. Astrologicamente, a resultado o forMarie. O 6 por regido Cardeal, ilumina Aries, o signo do Fogo

TRES DE PAUS,

egocentrismo tamtalecimento da expressao da prdpria individualidade, embora o presuncao. b6m possa manifestar-se na forma de orgulho e

de Waite apresenta o signifi.cado divinat6rio de Forga Estabelecida, orgulho, arrogdncia e, as vezes, poder.

A carta

91


in

TRfeS DE COPAS, Senhor da Abundancia (Mercurio em Cancer). Anjos do Decanato: Rahael ( !?NnN*i ) e Yebomayah ( n>nn> ). Esta carta e" Binah em Brian, a influSncia de Binah no Mundo mental. Cancer esta* sob a regencia da Lua e e" a Agua Cardeal. Esti, portanto, em perfeita afiriidade com Binah. As d£divas de Merctirio abundam neste signo, conforme e* indicado pelo jorro de 6gua que cruza os ramos dos 16tus na carta da Aurora Dourada, de uma maneira que lembra um caduceu. Crowley modificou este mesmo tema da £gua fluindo a partir de um L<5tus duplo. Nesta carta a Agua sai de um unico L<5tus, "o negro e tranqiiilo mar caracteristico de Binah". 74 Suas tacas sao romas, o fruto de PerseTone, a quem, juntamente com Dem6ter, a carta € atribufda.

Para represents o significado de fartura, hospitalidade, abunddncia, etc., trSs dancarinas (as Gracas), um motivo popularizado durante a Renascenca.

Waite usa como tema

C

'

IEC

Jp^MU

filf

1

+

{'I .

92

,


Senhor do Infortiinio (Satumo em Libra). Anjos do Decanato: Harayel ( !win ) e Hoqmiah ( n'npn ). Esta carta e" Binah em Yetzirah, a influencia de Binah no Mundo Astral. Saturno e" urn planeta muito poderoso, as vezes chamado de "O Grande Destruidor" e as vezes de "O Grande Iniciador". Embora seu aparecimento geralmente

TRES DE ESPADAS,

nao deve ser considerada ml ÂŁ atrav6s Mae Estiril que aprendemos as licoes Sombria do sofrimento e do encontro com a mais importantes da vida. Saturno desequilibra os pratos de Libra para que eles possam se reequilibrar de uma maneira melhor. A carta de Waite, representando signifique dor e sofrimento, esta carta

infelicidade e infortiinio, mostra

que

as espadas

um corafao trespassado por tres espadas,

ao passo

da Aurora Dourada despeda9am a Rosa de cinco p&alas, como

tambem acontece na versao de Crowley.

TRES DE PENTAGRAMAS,

Senhor dos Trabalhos Materiais (Marte

em

Ca-

pric<5rnio).

Anjos do Decanato: Yechevah ( nnn* ) e Lehachiah ( Tt*rmb )â&#x20AC;˘ Esta carta 6 Binah em Assiah, a influencia de Binah no mundo material. O efeito de Marte sobre o signo mundano de Capric6rnio consiste em proporcionar um maior controle e disciplina em relacao as coisas materiais. A id6ia de emprego, negdcio e edificagao 6 representada por Waite atraves de um artesao medieval a trabalhar na constru^ao de uma igreja. A carta de Crowley mostra manifestacoes materiais que obedecem a um padrao triplo, tal como sao representadas nos diversos sistemas simbdlicos: Mercurio, Enxofre e Sal, para os Alquimistas; Sattvas, Rajas e Tamas, para os Hindus; e as letras maternais (Agua) e Shin (Fogo), na Cabala. A piramide emerge no Grande Aleph (Ar),

Mem

Mar que

e"

Binah.

As Rainhas Estdo sentadas sobre Tronos, representando as Forgas de Heh no Nome Divino de cada naipe, a Mae, e dao origem a Forga material, uma Forga

93


que desenvolve e concretiza a Forga do Rei. Uma Forga sdlida e inabaIdvel, lenta por4m permanente. Assim, ela i simbolizada por uma figura sentada num trono mas tamb£m~usando uma armadura.

RAINHA DE PAUS,

Rainha dos Tronos de Chama, rainha das Salamandras primeiros dois Decanatos de Aries). A Rainha de Paus e" Agua do Fogo, Agua Especffica no Mundo do Fogo Fundamental. Tanto a carta de Crowley como a da Aurora Dourada mostram uma Rainha entronizada acima de chamas moderadas. Numa das maos ela segura o bastao do Fogo enquanto a outra mao descansa sobre a cabeca de um Leopardo, o qual tambem aparece na carta desenhada por Mathers. Este animal representa a extrema ferocidade do fogo domada pela Rainha. Sua mao sobre a cabeya do animal indica o poder existente sob seu controle; o Bastao mostra que ela tem a capacidade de direcionar essa forca. Aqui relembramos que o bastao tambem (tJltimo Decanato de Peixes

um

sfmbolo da vontade. A carta de Waite parece salientar a vivacidade e o encanto dessa rainha,

embora tambSm sugira que

ela

pode

Wh

vir a tornar-se violenta e tiranica.

i -

-

r

4 .

1

1

1 1

-

!

QuiOl.ofCn?!

94


Rainha dos Tronos das Aguas, Rainha de Ninfas e Onprimeiros dois Decanatos de Cancer). dinas (Oltimo Decanato de Gemeos A Rainha de Copas 6 Agua da Agua, Agua Especffica no Mundo da Agua

RAINHA DE COPAS,

Fundamental.

Na

versao da Aurora Dourada sua

mao

direita segura

uma

taca

um caranguejo enquanto a mao esquerda segura um l<5tus sobre a de um Ibis. A carta de Crowley uma abstracao dos mesmos sfmbolos.

da qual sai cabeca

O

e"

lagostim

esta"

relacionado

com

a Lua.

75

Na

verdade,

uma

das caracterfsticas

desta carta 6 que seu fluxo, mais do que o de qualquer outra carta do baralho, uma altera-se de acordo com as influencias que existem ao seu redor. O fbis 6 aspecdeterminado ave tradicionalmente associada a Thoth-Hermes, o qual, sob 76 Na mitologia esta ave come os ovos da Serpente (uma to, 6 o Deus Lunar. referenda a Chokmah) e os cadaveres dos mortos. Assim, o aspecto aquoso de

Binah simboliza o Grande Mar a partir do qual a vida se origina e para onde propria Rosa, ela retorna por ocasiao da morte. O Ldtus, que foi equiparado a do intermediacao da atrav6s pois, assim, Mae. £ Grande 6 sagrado para fsis, a fazer leva fbis a Mae o Grande a mao) que UStus (em vez do toque direto de seu trabalho. Todavia, esta € uma carta tao serena quanto as £guas que fluem diante da Rainha nas tres versoes modernas. Essas dguas, sobre as quais flutuam os 16tus, sao meios de transmissao de forcas.

Rainha dos Tronos do Ar, Rainha de Silfos e Sflfides primeiros dois Decanatos de Libra). (IJltimo Decanato de Virgem A Rainha de Espadas & Agua do Ar, Agua Especffica no Mundo da Agua

RAINHA DE ESPADAS,

Fundamental. de Marselha e de Waite sao desenxabidas em comparacao com as da Aurora Dourada e de Crowley. Nessas ultimas, a imagem de uma cabeca que acabou de ser decepada pela espada da Rainha 6, sem diivida, a mais horripilante que existe em qualquer baralho de Tar6. Os documentos da Aurora Dourada nao acrescentam mais

As

cartas

detalhes a este simbolismo, o qual talvez pareca nao combinar muito com a cimeira, a cabeca alada de uma crianca. Crowley, todavia, explica esta imagem como a "clara e

95


77 consciente percepcao da Id6ia, o Libertador da Mente".

Como Yetzirah e" o domfnio do embuste, temos de compreender que a observacao atenta e a agu9ada percepcao constituem a espada que nos protege, afastando toda fantasia e irrealidade. A crianca 6 inocente e livre de conceitos estexeis e iddias inuteis. E a pr6pria cabe^a do homem, a sede do pensamento, que 6 decepada. Os princfpios da Rainha de Espadas nos levam a compreender as maneiras atraves das quais somos enganados pelo pensamento e nos ensinam a transcende-lo.

_

T^^fc^"X"

jfl

Queeu of Diskv

RAINHA DE PENTAGRAM AS, Gnomos (Oltimo Decanato de

Rainha dos Tronos da Terra, Rainha dos os primeiros dois Decanatos de

Sagit£rio

Capric6rnio).

A

Rainha de Pentagramas 6 Agua da Terra, Agua Especffica no Mundo da Em todas as versoes desta carta ela segura um sfmbolo de seu poder sobre a Terra. Na carta da Aurora Dourada ela tambem segura um cetro encimado por um cubo, um s<51ido de seis lados que faz referenda ao Altar dos Misterios. Ela 6* a parte mais alta desse altar (um cubo duplo), cuja base 6 Mathers, Crowley e Waite a PRINCESA DE PENTAGRAMAS. Todos concordaram que o bode, por representar Capric6rnio, era o sfmbolo animal Terra Fundamental.

apropriado para esta carta.

96


DAATH: Conhecimento

Daath 6 chamada de "Sephira Invisfvel" porque nao aparece em nenhuma representacao da Arvore da Vida. Em termos da doutrina cabalfstica autdntica, ela na verdade nao 6 absolutamente uma Sephira. Como afirma o Sepher Yetzirah: "Dez e* o mimero das inefÂŁveis Sephiroth; dez e n5o nove, dez e nao onze." Todavia, e" necessano conhecer Daath para cruzar o Abismo, o grande golfo entre o Triangulo Superno e tudo que esta* abaixo dele. Esta e" a area de delimitacao entre Macroprosopus e Microprosopus, entre o potencial e o real. A idem importante associada ao Abismo 6 a de que existe uma distincao nftida e vital entre as energias do Triangulo Superno e as sete Sephiroth situadas abaixo dele. Kether, Chokmah e Binah sao totalmente abstratas e estao alem da

nossa compreensao. Atravls da meditacao de Binah, a energia de Chokmah ultrapassa o Abismo e transforma-se num padrao real em Chesed. Uma vez mais, porem, o Abismo simboliza a enorme distancia entre os criadores e aquilo que foi criado. Os Supemos sao potenciais separados de sua realizacao por um abismo

que 6 ultrapassado por Daath. Diz-se que o nfvel de Daath 6 tao elevado quanto o Eu Superior consegue subir, o que exige uma definicao de termos. Os estudiosos das artes mfsticas freqiientemente descrevem a existSncia de uma dicotomia simples entre a Personalidade encarnada e o Eu Superior, que controla e dirige as projecoes da personalidade atravÂŁs das diversas encarnacoes. A rigor, porem, a constituicao do indivfduo 6 quadrffida, existindo uma forma ainda mais pura de energia que dirige e controla

o Eu Superior.

Existe o nosso Corpo Material (Assiah), depois a mente consciente, que 6 a Personalidade (Yetzirah), em seguida o Eu Superior ou inconsciente (Briah) e, por fim, o Espirito Essential, a Centelha Fundamental da Vida (Atziluth).

Na Arvore da

Vida, o Espfrito Essencial

esta"

relacionado

com

Kether.

O

Superior, um aspecto do qual 6 chamado de Santo Anjo da Guarda, tando sua capacidade de proteger a Personalidade nas encarnacoes, esta" relacionado a Chesed, Geburah e Tiphareth. A Personalidade, criada sob nova forma para cada encarnacao especifica, pertence a Netzach, Hod e Yesod. Esta 6 a consciencia normal da fase de Vigflia

Eu

salien-

e o aspecto do indivfduo que precisa alcancar um perfeito equilfbrio antes que possa entrar diretamente em contato com o Eu Superior (o objetivo final dos vefculo ffsico esta" em rituais iniciat6rios e dos exercfcios de meditacao).

Malkuth. a

Quando o perfeito equilfbrio dos elementos da Personalidade 6 alcanjado, Luz de Tiphareth pode descer para o Templo inferior da personalidade e 97


produzir urn novo nivel de consciencia. Este 6 o "Conhecimento e Familiaridade com o Santo Anjo da Guarda". Essa experiencia 6 conhecida como "ilumina-

cao" e consiste na iniciacao a Verdade Interior, a qual, em ultima analise, pode levar o Espfrito Essencial a ultrapassar o Abismo. Ultrapassar Daath e o Abismo significa renunciar intencionalmente aos poderes que a pessoa adquiriu atravSs da iniciacao, uma experiencia que tem sido considerada mais opressiva e soli-

humana consegue conceber. Veremos que o Caminho da Espada Flamejante, o ziguezague no qual as Sephiroth foram seqUencialmente emanadas, nao tem nenhum caminho que o ligue tana do que a imaginacao

diretamente a Binah e Chesed.

O

Iniciado, aspirando a

precisa saltar atravgs dele, destemidamente e

sem

Uniao com o Divino,

ajuda, criando para

si

mesmo

a transicao de Daath.

4.

CHESED:

Miseric6rdia

A.

Os Quatro Quatros • • • •

O A O O

Construtor Estrutura de Manifestacao Pai

Amoroso que 6 Rei Todos os

*

1

t

4

Recepta'culo de

Poderes •

O Bondoso

Stmbolos:

A

a Esfera e a

Pastor

Piramide, o Quadrado, Cruz Grega, o Cajado,

o Cetro. Planeta: Jupiter

Cor: Azul

Em Chokmah

estd a origem do azul e, portanto, la existe urn azul puro,

com uma Luz espiritual que 4 refletida para Chesed. de operagao i chamada Tzedek ou Justiga e amolda as imagens

primitivo e cintilante,

Sua esfera

das coisas materials conferindo paz e compalxdo; ela rege a esfera de acao do planeta Jupiter. E Al 4 o nome de um Deus forte e poderoso, reinando gloriosamente, com Magniflcencia e Generosldade. O Arcanjo de Chesed 4 Tsadkiel, o Principe da Misericdrdia e da Beneficencia, e o Nome da Ordem de Anjos 4 Chasmalim, os quais tambem sao chamados de Ordem ,

dos Dominios ou Dominacoes. A Sephira Chesed tambem 4 chamada Gedulah ou Magniflcencia e Gloria.

Chesed 6 a primeira Sephira abaixo do Abismo, e a primeira das Seis Sephiroth que conslituem o Microprosopus, sendo que a setima Sephira, Malkuth, € a "Noiva de Microprosopus".

98


Chesed 6 o Demiurgo (o Criador Menor), que 6 na verdade o Poder descrito no Livro do Genesis. A primeira parte desse livro descreve nao a origem de Kether a partir do Invisfvel mas a origem de Microprosopus a partir do Elohim de Binah, em Chesed. A escuridao vazia e amorfa do Triangulo Superno da" origem a manifestacao, que 6 forma e luz. Nao existe luz em Binah; apenas uma "espessa escuridao"; e tampouco forma, mas somente o que temos chamado de "desejo de formar".

Em

Chesed 6 encontrado o infcio da manifestacao, a externalizacao das potencialidades combinadas dos Supernos. Ela 6 o impulso inicial em direcao a estrutura material que conhecemos e, como tal, e" o Administrador das Leis primeiramente propostas por Binah. Chesed 6 Chokmah num arco inferior, a partir do qual emanou a forma pura de Binah. A medida que a evolucao prossegue rumo a Chesed, atravSs do Abismo, e retorna ao Pilar da Miseric6rdia, o impulso positivo desse Pilar atua sobre as energias de Binah (A Energia Divina de Kether e" modificada externamente e transformada atrav6s dos diversos estÂŁgios da Arvore da Vida). Isto talvez possa ajudar a explicar a colocacao das divindades masculinas ao lado "Feminino" da Arvore da Vida e vice-versa. Repetindo: quando Chesed emana, ela tern de lidar com a forma que foi criada por Binah, e ela o faz nos termos das qualidades positivas do Pilar da Miseric6rdia. Existe uma boa analogia na Emerald Tablet of Hermes Trismegistus [Tdbua de Esmeralda de Hermes Trismegistro], que descreve a a?ao das diversas energias sobre o que

chama de Entidade Unitdria. Deus fez com que o Sol fosse Pai dessa Entidade Unitana e a Lua sua Mae; ela 6 transportada no bojo do Vento e alimentada pela padrao formado pelo Sol (Fogo), Lua (Agua), Vento (Ar) e Terra 6 claro. Terra. de fato a Arvore da Vida precisamos ter sempre em mente compreendermos Para com uma multiplicidade transformada em unidade. que estamos lidando A Entidade Unitana evolui de Sephira em Sephira atrav6s da Arvore da Vida. Conforme afirma a Tablet: "Ela ascende da Terra para o C6u e desce novamente a Terra, renascida, e o Superior e o Inferior tern o seu Poder aumentado." O que foi descrito aqui â&#x201A;Ź o constante efeito renovador de Ain Soph, o qual estimula o nascimento, a morte e o renascimento em nfveis cada vez mais eleele

vados e poderosos. Assim como Binah 6 mais

bem compreendida na como equivalente e

precisa ser estudada

mah, Chesed oscilacao de energias para frente e para

sua relacao com Chokoposto de Geburah. Na

na Arvore da Vida, Chesed constr6i (anabolismo), com base nos princfpios propostos por Binah, enquanto Geburah desmantela (catabolismo), refletindo o dinamismo de Chokmah. A Arvore opera

em

trÂŁs

padroes cruzados.

Chesed 6 Miseric6rdia, enquanto Geburah 6 Forca. Elas sao os dois bracos da" e outro que tira. Chesed, relacionada a Jupiter, 6 o Poderoso bondoso e indulgente. Geburah, relacionada a Marte, governante Rei. Ela e" o esta" sentado numa carruagem e pronto para a guerra. tambSm 6 urn Rei mas O texto dos Thirty-Two Paths of Wisdom [Trinta e Dois Caminhos de Sa-

do homem, urn que

bedoria] afirma que Chesed contem todos os Poderes Sagrados, significando, uma vez mais, que ela 6 a primeira de uma nova seqiiencia e esta" relacionada

99


com Kether em

virtude da sua preeminencia

em

outra ordem.

uma

A imagem

do

energia que orienta

governante forte e amoroso encerra a id^ia de que e controla o curso da manifestacao. Ela estabelece o padrao subjacente com base no qual a materia 6 constitufda. Esta e" a esfera dos arquelipos descritos por Platao no nono livro da sua Republica, e os vÂŁrios sfmbolos de Chesed apresentam sugestoes a respeito da funcao e do propdsito desses arqu&ipos. O primeiro 6 a Piramide, o tetraedro usado como modelo de construcao pela sociedade que nos deu'os primeiros monumentos arquitetdnicos feitos de pedra. Ela reiine quatro lados, todos eles voltados para cima. A energia flui para baixo ela 6

cima e espalha-se por igual em cada um dos lados. De forma semelhante, Chesed contem todos os Poderes sagrados. Ela e" a manifestacao renasci'da dos Quatro, encontrados primeiramente nos Elementos Primordiais de Kether, e estabelece para a matena o padrao arquetfpico, que e" expresso plenamente nos elementos subdivididos de Malkuth. A16m disso, n6s nos lembramos do Pentagrama como sfmbolo do pleno desenvolvimento da humanidade, tendo quatro pontos Elementares inferiores e o ponto superior do Espfrito, que 6 a forca diretora, ja" que os Elementos estao em equilibrio. O principio da Piramide 6 o mesmo e estende o texto que descreve Chesed como "uniforme e coerente", al6m de "receptacular", significando que ela e" o recept&culo dos a partir de

Poderes Superiores.

Em concordancia com

de regencia, a Chesed tambem sao atribufdos o Cetro e o Globo. Ambos sao encontrados em vanas cartas do baralho do Taro. O Cetro 6 fÂŁlico e estd relacionado com Chokmah, ao passo que o Globo representa aspectos de Binah. Ele tamb6m sugere a reg6ncia dos Quatro a idtia

Querubins, encontrados primeiro em Kether, sobre o reino manifesto de Microprosopus, formado por Chesed e pelas cinco Sephiroth seguintes. O ultimo sfmbolo de Chesed nao 6 tao 6bvio quanto os outros. Trata-se do

Cajado de Pastor ou de um Bispo no seu papel de Pastor. Outro tftulo de Chesed â&#x201A;Ź Amor, o que neste caso significa o amor do governante pelos seus suditos ou HIEROdo pastor pelo seu rebanho. Pode-se tamb6m encontrar o Cajado em ser cuidadosamente estudaorganizada, que deveria FANTE, a carta da religiao da em termos desse simbolismo de Chesed. Os leitores familiarizados com a obra de Dion Fortune sabem que ela relacionou os "Mestres" com Chesed. Fortune, Bailey e outros autores descreveram esses Mestres como seres humanos que se desenvolveram o suficiente para ultrapassar a necessidade de encarnacoes terrestres, mas resolveram permanecer aqui por escolha propria a fim de contribufrem para o desenvolvimento espiritual

100

78 da humanidade.


Os Quatros Perfeigdo, realizagao, conclusao, resolugao de

um

problema.

QUATRO DE PAUS, Senhor do Trabalho Perfeito (Venus era Aries). Anjos do Decanato: Nanael ( ^woa ) e Nithal ( bttrpj ). Esta carta 6 Chesed em Atziluth, a influencia de Chesed no Mundo do Puro Espfrito. Aqui, Venus, o Planeta do amor e da luxuria, € ativado pelas energias marcianas de Aries. Se esse arranjo aparecesse numa leitura astroltfgica, isto poderia significar um breve romance ou algum outro tipo de sentimento afetuoso, embora fugaz. Todavia, este nao € o significado exato de Venus em Aries no QUATRO DE PAUS. Existe de fato certo mimero de cartas nas quais o significado dos Planetas nos Signos diferem daqueles normalmente aceitos, porque as cartas combinam simbolismos da Astrologia e das Sephiroth. Deve-

ter em mente aqui que o Zodiaco 4 o Chakra Mundano de Chokmah; ele aparece no mais baixo dos Quatro Mundos. As cartas representam a totalidade daquilo a que os Signos do Zodfaco se referem. Venus em Aries 6 o atributo

mos

externo da carta.

O

significado mais importante € a energia de Chesed, o quatro

puro no mundo de Yod-Fogo. Esta e\ portanto, a perfeicao, um processo de conclusao iniciado pelos Supemos. Crowley usa um expediente muito interessante aqui, que consiste em cruzar os quatro bastoes, cada um deles com a cabeca do carneiro (Aries) e do pombo (Venus). A carta de Waite 6 tambem uma brincadeira com os bastoes, usando-

um dossel de grinalda. Isto ilustra o significado da carta: trabalho perfeito, assentamento e descanso depois do trabalho. os para sustentar

101


Senhor do Prazer Harmonizado (Lua em Cancer). Anjos do Decanato: Hayayel ( bK^n ) e Mevamayah ( nÂťnin ). Esta carta 6 Chesed em Briah, a influencia de Chesed no domfnio mental inconsciente. A Lua rege naturalmente Cancer e aqui o seu fluxo oscilante 6

QUATRO DE COPAS,

atenuado. Esta 6 uma carta de prazer, ainda que com reservas: embora nas cartas de Crowley e da Aurora Dourada todas as Tacas contenham ÂŁgua, as situadas na parte de cima transbordam e as de baixo nao, sugerindo que o prazer tern limite. As energias desta carta sao muito passivas, quase indiferentes, como indicam as figuras sentadas de Waite. O significado na predicao 6 prazer e sucesso

combinados com

llll

h

% *

102

ligeiras inquietagoes e ansiedades.


QUATRO DE ESPADAS, Senhor do Descanso Ap6s a Luta (Jupiter em Libra). Anjos do Decanato: Leviah ( nrit& ) e Kelial ( 'bmbD ). Esta carta € Chesed em Yetzirah, a influencia de Chesed no Mundo Astral. Embora as Espadas geralmente sejam destrutivas, aqui o amor e a generosidade de Jupiter triunfam sobre os atributos acrimoniosos do Ar Fundamental, e a Rosa da Aurora Dourada (tal como na carta de Chokmah, o DOIS DE ESPADAS) 6 restabelecida. Assim, o significado da carta 6 o descanso apds a luta. A posicao de Jupiter em Libra € sensfvel e compassiva, contendo muitas vezes implicacoes religiosas, como se pode ver na carta de Waite. Ela apresenta uma figura de Cristo, num vitral, acima de um cavaleiro em descanso.

QUATRO DE PENTAGRAM AS, Senhor do

Poder Temporal (Sol

em

Capric6r-

nio).

Anjos do Decanato: Keveqiah ( n>pw ) e Mendial ( ^k*t:i» ). Esta carta e* Chesed em Assiah, o mundo material. Trata-se da expressao mais plena das energias de Chesed. Por isso, Crowley diz que esta carta 6 como

uma

"fortaleza". 79

vigilancia", sendo

Sua carta representa "Lei e Ordem, mantidas pela constante que cada um dos quatro elementos € conservado em equilf-

brio.

O significado divinatdrio deriva da posicao do Sol em Capricdrnio, o qual, com

sua luz e calor, assegura o sucesso material para o futuro imediato. Waite

ilustra esta

tado,

condicao de ganho material assegurado e poder temporal conquis-

porim nada alim

disso.

103


5.

GEBURAH:

Forga

Os Quatro Cincos •

• • •

O

Destruidor

O A O O

Rei Guerreiro

Capacidade de Julgamento Clarificador

Eliminador do Inutil

Sfmbolos:

O

PentSgono, a Rosa a Espa-

Tudor de Cinco P&alas, da, a Lanca, o A9oite.

Planeta: Marte

Cor: Vermelho

Em Binah estd a origem do Vermelho e Id existe uma cor vermelha pura e cintilante

que se

reflete

em Geburah. A

esfera de sua atuagao

6 chamada de Madim

ou violenta e impetuosa Forga e traz coragem, guerra, forga e massacre, visto ser a Espadaflamejante de urn Deus vingador. Ela rege a esfera de Agao do Planeta Marte. Elohim Gibor 4 Elohim, Poderoso e Terriveljulgando e punindo o mal, governando com ira, terror e agitagdo, e em cujos passos seguem o Raio e a Chama. Seu Arcanjo e Kamael, o Principe da Forga e da Coragem, e o Nome da

tambem sao chamados de Ordem A Sephira Geburah 4 chamada de Pachad, Terror e Medo.

Ordem de Anjos das Potestades.

e Seraphim, os Fogosos, que

Geburah 6 o perfeito equilfbrio de Chesed. Enquanto Chesed constr6i, Geburah desmantela. Chesed 6 amorosa e compassiva, Geburah 6 implacavel e exige o cumprimento do dever. A quinta Sephira, chamada de Forga, muitas vezes 6 considerada a Sephira de ser abordada porque suas licoes podem ser insuportlveis e devastadoras. Ela nos oferece urn corretivo necessano para nossas vidas ao eliminar tudo que 6 inutil, indesejavel ou obsoleto. Vemos a agao de Geburah no incendio que devasta uma floresta seca e empesteada, numa guerra que arrasa mais

diffcil

em qualquer situafao em que somos forgados pelas nossas vidas. Assim, Marte (o planeta e o Deus recomecar circunstancias a atribufdo a Geburah. Romano da Guerra) & Muitas vezes a influencia de Geburah € erroneamente considerada urn mal na medida em que traz alguma forma de destruicao. Trata-se, por6m, de uma forga necessana e Sagrada atravSs da qual o universo impoe, em alguns casos dolorosamente, o indispensavel equilfbrio. No Taro, por exemplo, todos os Cincos

uma

sociedade doente ou

estao de alguma maneira relacionados

com a rivalidade, sendo que a intensidade Mundo (Naipe) no qual eles operam.

dessa relacao varia de acordo com o Todavia, a luta e a destruicao no nivel dizado de

mente 104

uma

diffcil

ligao.

Quem

mundano sempre

poderia dizer que

e nao aprendeu

nada com

isso?

ja"

traz

enfrentou

consigo o apren-

uma

situacao real-


Geburah € uma rfgida disciplina que, em ultima analise, t necessdria, Ela tern a positiva e presta um bom servico aos que apreciam a sua virtude. capacidade de julgar com lucidez bem como a disposicao para ser submetida a julgamento. Isto 6 descrito pelo axioma Hermetico: "Vigie o Vigia, Examine o Examinador, Julgue o Juiz." Sem as qualidades guerreiras de Geburah, os pi-

edosos atributos de Chesed iriam acarretar um desequilfbrio de forca maleiico. Precisamos reiterar aqui a existencia de uma constante interacao entre as duas Sephiroth, um fluxo e um ritmo que € contfnuo. Dion Fortune observa que "A grande fraqueza do Cristianismo esta" no fato Vishnu e de ele ignorar o ritmo. Esta religiao opoe Deus ao Diabo em vez de

Os seus dualismos sao antagonicos em vez de equilibradores e, portanto, nunca podem produzir uma terceira opcao funcional em que o poder esteja em Shiva.

equilfbrio.

O

seu Deus permanece o

mesmo

ontem, hoje e sempre, e nao evolui

vez disso, ele regala-se com um ato especial de criacao e descansa sobre Seus Louros." No sistema Cabalfstico esse ritmo 6 visto mais dramaticamente na diffcil direita travessia entre Chesed e Geburah, entre a mao esquerda que da" e a mao Major, 6 Adeptus grau de ao correspondente tira. A iniciacao a Geburah,

juntamente

com

sua criatura.

Em

que

um

prerequisite para a iniciacao a Chesed.

perfeito controle sobre

si

mesma

antes

de

A pessoa

precisa aprender a ter

lhe ser confiada a afluencia

um

da Quarta

Sephira. Aqui, o atributo derivado da iniciacao a Geburah 6 Poder. Nos textos sagrados, Geburah esta" relacionada tanto com Kether como com Ela assemelha-se a Kether (Unidade) no sentido de que 6 uma fonte de

Binah.

grande poder fluindo para fora. Ela se une a Binah no sentido de que demole arquetipicamente em Cheas estruturas prefiguradas em Binah e concretizadas de morte implfcito no potencial do aplicacao uma sed. Trata-se, com efeito, de

nascimento atrav^s de Binah. Ao passo que a imagem magica, a de um guerreiro barbado em sua carruagem, 6 masculina, as qualidades Msicas de Geburah sao femininas. Esta id6ia 6 sugerida pela atribuicao da rosa de cinco p&alas a Geburah. A rosa € o sfmbolo de Venus, uma Deusa intimamente associada a sao transmitidas a partir de Geburah, Marte. Veremos que as energias do

Um

de Tiphareth, para Netzach, a qual Venus e" atribuido. Alem disso, deve-se observar que no Taro da Aurora Dourada a rosa 6 apredessa rosa, sentada no dois, tres, quatro, cinco, sete e oito de Espadas. O uso brilhante particularmente simbolismo 6 um partes, apresentada inteira ou em atrav6s

do nucleo

criado por

cristao

MacGregor Mathers.

Qualquer sfmbolo de cinco lados pode ser relacionado com Geburah, tal como o Pentdgono e o Pentagrama. O ultimo € usado na invocacao e no baatrav6s da nimento, e representa uma poderosa forca reguladora. E somente implacavel autodisciplina de Geburah que os pontos Elementares do Pentagrama podem ser perfeitamente equilibrados no individuo. Este 6 um sfmbolo experienadequado para aquela regiao da Arvore situada diretamente acima da

Geburah de compreensao da natureza mutavel da personalidade encarnada. do controle sob estao Indivfduo forcas do verdadeiras 6 um atestado de que as introducao uma e Pentagrama, do Espfrito, representado pelos pontos superiores cia

105


a verdadeira natureza daquele reth.

A

Eu Superior primeiramente encontrado em Tiphacomo um devastador mergulho nos Fogos

experiencia tern sido descrita

da Verdade, onde tudo o que nao presta e consumido pelas chamas. O outro sfmbolo de Geburah sao as armas. A Langa representa uma destruicao que pode ser rdpida e completa, enquanto o Agoite e a Corrente sugerem a contfnua aplicacao de

uma

grande forca. Esta e a diferenca entre a forca que (como na meditacao) e uma disciplina constante e que age com lentidao. O principal sfmbolo de Geburah e" a Espada, que merece uma mencao especial porque 6 um dos instruments "m£gicos" da Ordem da corta diretamente e aquela que

Aurora Dourada. Alem dos sfmbolos dos quatro elementos (ou naipes do taro) outras duas armas. Sao elas o Bastao de L6tus e a Espada. Enquanto o Bastao de L<5tus simboliza basicamente a Vontade e esta" relacionado com Kether, a Espada representa o grande poder exercido pela pessoa que tern um perfeito controle sobre si mesma. A forca de Geburah e" a sua maior arma.

— Paus, Taca, Adaga e Pentagrama — existem ainda

Os Cincos Oposigao, luta e conflito; guerra, obstdculo ao que se

a ocorrincia de sucesso ou fracasso

Os

tern

em

mdos. Indica

definitivos.

cincos trazem serios problemas para todas as 5reas simbolizadas pelos

Elementos. Aos Paus, (Energia) os Cincos trazem discdrdia e conflito; as Copas (Amor, Amizade), os Cincos trazem a destruicao dos relacionamentos; as Espadas (Doenfa e Dificuldades) eles trazem derrota certa numa determinada ques-

Pentagramas (Neg6cios e Dinheiro) trazem dificuldades materiais. Todavia, o sucesso ou o fracasso 6 representado por outras cartas numa predicao. Os Cincos simplesmente anunciam a existencia de uma dificuldade. tao, e aos

106


Senhor da Luta (Saturno em Leao). Anjos do Decanato: Vahaviah ( rPim ) e Yelayel ( biobi ). Mundo do Esta carta 6 Geburah em Atziluth, a influencia de Geburah no ardosigno urn em Leao, Saturno efeitos de Puro Espfrito. Aqui os poderosos DE CINCO comparada ao ser deveria roso, sao a disputa e o conflito. Esta carta

CINCO DE PAUS,

ESP ADAS, o Senhor da Derrota. A natureza dos Paus e a de uma forca em contmua efusao, de modo que a influencia de Saturno aqui, em vez de indicar chama a isto o termino de uma disputa, â&#x201A;Ź tumultuada e perturbadora. Crowley 80 Dourada de urn de "energia vulcanica". Sua carta apresenta o bastao da Aurora Major de Geburah e Adeptus Fenix do Bastao pelo interceptado Adepto Chefe mais a simboliza carta Esta Tiphareth. Minor de Adeptus pelo Bastao L6tus do por Waite. apresentada disc<5rdia condicao de que a natureza das energias do

I

CINCO DE COP AS,

Senhor da Perda do Prazer (Marte

em

Escorpiao).

Anjos do Decanato: Livoyah ( ,1>1l!? ) e Pehilyah ( n^no ). Mental. Esta carta 6 Geburah em Briah, a influencia de Geburah no Mundo extremamente efeito urn produz Escorpiao de A presenca de Marte no signo cheias emocional. A perda daquilo que 6 amado 6 simbolizada pelas tacas, antes aquelas por Dourada, e Aurora e agora vazias, das cartas de Crowley e da emborcadas aos p6s da solitaria figura da carta de Waite. A debil natureza desta significa a perda carta destoa completamente da belicosa natureza de Geburah e

do

prazer. Esta 6

em

cartas

que pode significar morte, se

torno dela apoiarem essa interpretacao. ente querido e nao do consulente.

cartas

um

tambem uma das

A

as outras

morte, neste caso, seria de

de Crowley que pode parecer peculiar 6 o Pentagrama invertido, associado genericamente ao Diabo e ao Mai. Aqui ele 6 usado para significar o triunfo da materia sobre o espirito.

Urn elemento da

carta

107


TT

^7

ft,

)

lL,

mmi ^IL

^! .

CINCO DE ESPADAS, Senhor da Derrota (Venus em Aquario). Anjos do Decanato: Aniel ( twjK )e Chaamiah ( 'n>nyn ). Esta carta e" Geburah em Yetzirah, a influencia de Geburah no Mundo Astral. Esta carta (junto com o Nove e o Dez de Espadas) estÂŁ entre as mais destrutivas do baralho. Jd foi observada uma relacao entre a Espada de Geburah e a Rosa de V6nus, que 6 tamb6m a Rosa dos Rosa-Cruzes. Elas sao energias estreitamente relacionadas, sendo que, na mitologia, Marte 6 o consorte de Venus. A carta da Aurora Dourada nos mostra que, quando a Espada de Geburah corta o Ar de Yetzirah, as energias positivas de Venus nao constituem pareo para ela, e as p6talas da Rosa sao, literalmente, espalhadas pelos ventos. A carta de Crowley mostra, na forma de um Pentagrama invertido, essas mesmas forcas de dispersao que estao por trÂŁs das Espadas. Waite ilustra o significado divinattfrio da carta: derrota, perda, fracasso, disputa terminada e decidida contra a pessoa.

108


CINCO DE PENTAGRAMAS,

Senhor das Dificuldades Materiais (Mercurio

em

Touro).

Anjos do Decanato: Mibahiah ( rpnnn ) e Pooyal ( ^N>J£J ). Esta carta 6 Geburah em Assiah, a influencia de Geburah no Mundo Material.

Devemos

fazer aqui

uma

distincao entre dificuldades materiais e a rufna

de todas as coisas, indicada pelo DEZ DE ESPADAS. A estrutura natural introduzida em Touro pel as energias de Mercurio 6 neutral izada num nfvel mais elevado pela influencia de Geburah. O resultado, numa predicao, 6 a perda da fonte de renda e dos recursos monetarios, conforme 6 sugerido pela ilustracao um tanto batida de Waite, representando vultos "expostos ao frio". As implicacoes mais sutis da carta sao vistas na versao da Aurora Dourada, onde quatro rosas estao se partindo. Este simbolismo foi estendido por Crowley, cujo Pentagrama invertido contem os sfmbolos dos cinco Tattvas, formas geom&ricas que significam Fogo, Agua, Ar, Terra e Espirito. No sistema hindu, estas sao os fluxos subjacentes da materia, cujos inversos se mostram totalmente instaveis.

6.

TIPHARETH:

Beleza

Os Quatro Seis Os Quatro Prfncipes •

Deus, o Filho

Os Deuses

Consciencia do Eu Superior e

Sacrificados

dos Grandes Mestres •

A

Visao da Harmonia das

Coisas •

Cura e Redencao

Os Reis Elementares

Simbolos:

A

Cruz da Cavalaria, a Rosa-Cruz,

a Piramide truncada, o Cubo, Vau.

Planeta:

O

Sol

Cor: Amarelo

Em

Kether estd a origem de

um

Brilho Dourado e Id existe

um amarelo

dour ado puro, primitivo e cintilante que se reflete em Tiphareth. Esta e a primeira Tn'ade a ser completada. A esfera de sua operagdo 4 a de Shemesh, a Luz Solar, e conferiu Vida, Luz e Brilho a materia metdlica e rege a esfera de agao do Sol. YHVH Eloah va-Daath 4 um Deus do Conhecimento e da Sabedoria que governa a Luz do Universo; seu Arcanjo e Rafael, Nome da Ordem de Anjos o Principe da Vivacidade, da Beleza e da Vida. e Melechim, isto 4, Reis ou Reis Angelicais, que tambem sao chamados de Ordem das Virtudes, Anjos e Soberanos.

109


A do Eu

iniciacao de Tiphareth 6 a primeira das grandes initiates ao significado Superior. Aqui a pessoa encontra o seu pr6prio Eu Superior e sacrifica

sua personalidade, aquilo que ate" entao ela acreditava ser ela mesma. Embora esta descricao possa parecer leviana, a iniciacao de Tiphareth e" literalmente a perda daquilo que a pessoa pensava ser a vida, um sacriffcio dessa vida em troca

de

realidade superior. Este € o verdadeiro significado do seguinte trecho: aquele que quiser salvar a sua vida a perder£; todo aquele que perder a

uma

"Todo

sua vida por amor a

Um

mim

a encontrarl"

81

sacriffcio, nessas condicoes, significa

desejado mas sim aquilo que

foi descrito

nao a remincia a algo muito forca de uma forma

como "translacao da

para outra". Esta 6 uma translacao de forca dirigida pela Vontade. Uma vez mais, nada na Arvore da Vida € estauco. Ao contrano do Cristianismo exotenco, que no seu nivel fundamentalista mais primitivo ve a existencia como uma simples dicotomia entre o bem e o mal, a Cabala descreve uma

Energia Universal (A Unidade) que atravessa condicoes variaveis. N6s mesmos, atravSs de um processo natural de evolucao, voltamo-nos para diferentes deuses e sacrificamos um princfpio em favor de outro. Tiphareth e" o centro da Arvore da Vida e, como tal, 6 chamada de "Inte-

Os poderes de todas as outras Sephiroth fluem para ela, equilibradas e santificadas. A visao de Tiphareth 6 a da onde permanecem ligada a sua natureza como um centro tambem Harmonia Universal, uma visao

ligencia Mediadora".

que todos os relacionamentos sao harmonizados. Este 6 tambem o centro dos planetas. Cada um dos seis pontos do Hexagrama representa um planeta (e uma Sephira planetaria), estando o Sol no centro da figura (Figura 16). Tiphareth 6 a Luz da Alma, da qual a vida desta ultima depende. De forma de cura

em

semelhante, a manifestacao ffsica de Tiphareth, o Sol, proporciona luz e man-

tem a vida na Terra. O termo Luz aparece repetidas vezes em todos os escritos esotencos senos, podendo dar a impressao de que se trata de uma metaTora acerca da condicao Espiritual. Todavia, a referenda a Luz nao 6 metaf6rica e sim descritiva. Todos aqueles que tenham um minimo de experiencia com os mundos interiores irao atestar o fato de que boa parte da literatura inspirada do Oriente e do Ocidente, interpretada pelos te61ogos como algo meramente simbolico, 6 na verdade uma descricao surpreendentemente precisa de uma experiencia espiritual. busca de uma experiencia direta dessa luz 6 a "Grande Missao" da Personalidade encarnada, e a devocao a ess a obra 6 a virtude atribufda a Tiphareth. O

A

princfpio aqui envolvido € o de que, quando a pessoa se aperfeicoa de alguma maneira, esse aprimoramento atua em beneffcio de toda a humanidade. A16m do

mais, conforme afirmou o astronomo egfpcio Ptolomeu, no seu Centiloquio: "Uma mente sagaz aperfeicoa o funcionamento da Providencia assim como um fazen82

A

Grande Missao, deiro habilidoso, atrav6s do cultivo, aperfeicoa a natureza." em ultima andlise, consiste em retornar a divindade a partir do Universo emanado. Antes de lidar com os mist6rios de Tiphareth, a pessoa precisa primeiramente a

Hod

110

ter

Agua e ao Fogo (a Malkuth, a Yesod, Nao importa de que maneira uma religiao

sido introduzida a Terra, ao Ar, a

e a Netzach, respectivamente).


Figura 16. Atribuicao dos Planetas no Hexagrama. Angulos planetarios sao atribufdos de acordo com a Arvore da Vida. Os Supernos sao representados por Saturno, o qual relaciona-se com Binah.

ou culto esot&rico

seja ele o Cristianismo, o

Budismo ou o Cabalismo

descreva os diversos componentes da Personalidade ou a iniciacao as quatro Sephirot inferiores, a pessoa, de qualquer forma, precisa passar por uma integracao antes da descida da Luz que € Deus, o Filho. Essa integracao 6 uma expiacao pessoal pelo pecado original. Em Tiphareth esta" a Redengdo. Assim como em Tiphareth o Espirito rege os quatro aspectos Elementares que sao a Personalidade, os regentes dos verdadeiros Reinos Elementares da Terra,

do Ar, da Agua e do Fogo tamb6m sao encontrados em Tiphareth. Esses sao os Malachim, as forcas naturais que, por terem alca^ado a imortalidade, regem os 111


outros elementos. Isso ocorre apenas gramas a intervencao dos seres humanos. homem e\ de fato, o iniciador dos Elementos.

O

Existe outra referenda biblica muito significado quando interpretado

em

comum que

adquire

termos cabalisticos:

um extraordinano

"A nao

ser

que

te

con-

83

vertas e te transformes numa crianca, nao entrards no reino dos Ceus." Penetrar na Divina Luz de Tiphareth 6 um renascimento, uma "conversao" ou uma "mudanca de atitude", como a palavra grega muitas vezes tern sido traduzida. O resultado da experiencia consiste em a pessoa tornar-se uma crianca num novo mundo. Assim, a Crianga (que ira\ por definicao, crescer e tornar-se adulta com a nova experi£ncia) 6 atribuida a Tiphareth. Tiphareth 6 a Crianca que atinge a maturidade e toma Malkuth (o nosso mundo material) como noiva. Ao mesmo tempo, Chokmah e Binah foram produzidas pela Vontade do Pai Eterno em Kether. O Pilar do Equilibrio Tiphareth e" Deus, o Filho. Assim, no Pilar M6dio

que se deparam com esta id6ia pela primeira vez, tal como ela as Cartas Reais em An Introduction to the Golden Dawn Tarot [Uma Introdugao ao Taro da Aurora Dourada], poderao considerl-la um feliz conto de fadas: O Rei e a Rainha se casam e nasce um Principe, que se casa

Os

leitores

6 relacionada

com

a Princesa, etc. Todavia, isto nao 6 uma simples fantasia e, sim, um simbolismo antropom6rfico que explica o modo de operacao de ftlft* onde quer que ele apareca. Tiphareth 6 o Principe, o Vau, da f6rmula.

com

Entretanto, Tiphareth

e"

tambem o

reino dos Deuses Sacrificados: Cristo,

Buda, Osfris e outros. Assim, n6s compreendemos que o Principe precisa morrer para que o Ciclo Universal seja renovado. Existem diversos sfmbolos basicos relacionados com Tiphareth, dentre os quais o primeiro 6 uma figura baseada num seis. Este € o Cubo, uma forma que aparece duas vezes no altar em cubo duplo de Malkuth. Outra figura de seis lados atribuida a essa Sephira 6 a Pir amide cortada por um piano secante, ou seja, que

A piramide representa Adam Kadmon, as seis Sephiroth Homem Arquetipico, acima do qual estao as Sagradas Super-

teve seu topo cortado fora. inferiores. Este 6 o nais, Binah,

Chokmah

e Kether. As Supernais sao o complemento da Piramide.

Outro importante sfmbolo de Tiphareth 6 a Cruz da Cavalaria, apresentada corretamente em negro e rodeada por um cfrculo e apoiada em tres suportes. Esta 6 a Cruz da Sabedoria atrav6s do Sacrificio. A Rosa Cruz e a Rosa Cruz Lamen sao

tambdm poderosos sfmbolos de

Os

Seis

Tiphareth.

Realizagao definida e conclusao de

A

um

assunto.

o sucesso resultante do esforco. Em Brian, o mundo do ter individuo se esforfado por alcancdconquistada ap6s o prazer, a felicidade 6 conflito, sucesso 6 obtido por desavenca e do o la. Em Yetzirah, o mundo da

Em

caracteristica bdsica de todos os seis 6

Atziluth, o

mundo da

meio da pr6pria os homens, isto 112

luta.

energia, isto significa vit6ria.

E em

Assiah, o

mundo dos

significa sucesso material.

neg6cios e do com6rcio entre


SEIS DE PAUS, Senhor da Vit6ria (Jupiter em Leao). Anjos do Decanato: Saitel ( ^Nmo ) e Olmiah ( hiftby )â&#x20AC;˘ Esta carta 6 Tiphareth em Atziluth, a influencia de Tiphareth no Puro Espirito. so

e,

A

benevolencia de Jupiter, no belicoso signo de Leao, traz suces-

possivelmente, cordiais relacionamentos. Trata-se de

gere certa dramaticidade e a conquista da vit6ria depois de

O

perfeito equilibrio de poderes

e"

depois da

a figura de

um aspecto que suum grande esforco.

representado pelos bastoes cruzados que, na

carta de Crowley, sao aqueles dos tres

Ao representar

Mundo do

Adeptos no

ritual

da Aurora Dourada.

um homem montado, Waite enfatizou a ideia de vitoria

luta.

izsy to

Kv^rle

(A

P

Kpjj^9l

Sh JET mm SEIS

DE COP AS,

tegs*.;

Senhor do Prazer (Sol

em

Escorpiao).

Anjos do Decanato: Nelokhiel ( btabi ) e Yeyayel ( 'pwi ). Esta carta 6 Tiphareth em Briah, a influencia de Tiphareth no Mundo Mental. Assim como Tiphareth em Atziluth significa Vit6ria depois de um esforco, 113


o initio do prazer. Escorpiao 6 urn signo de qualidades ocultas, urn signo de discriminate e magnetismo. O escorpiao pode ferroar onde a Vontade determine. Assim, quando o Sol ativa as energias de Escorpiao, a melhoria ou prazer tern inicio. Existe a sugestao, embora nao a

Tiphareth no

mundo Aquoso

significa

certeza, de que isto acontecerl As cartas de Crowley e da Aurora Dourada mostram tacas parcialmente cheias, enquanto a carta de Waite sugere o inicio do prazer por meio de flores saindo das tacas.

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SEIS DE ESPADAS, Senhor do Sucesso Merecido (Merciirio em Aquano). Anjos do Decanato: Rehaayal ( !?Nym ) e Yeyeziel ( bxT" ). Esta carta e" Tiphareth em Yetzirah, a influencia de Tiphareth no Mundo Astral. Saturno € o regente de Aquano e aqui exerce seu poder estabilizador sobre as qualidades fugazes de Merciirio

no Signo do Ar.

O

trabalho de Saturno sobre este aspecto. Assim, a carta 6

sucesso € resultado do

chamada de Senhor do

Sucesso "Merecido". Aqui, uma vez mais, as qualidades cortantes da espada sao usadas de forma positiva e a Rosa da Aurora Dourada 6 ressuscitada ap6s ter sido feita em pedacos pelas cinco Espadas antagonicas de Geburah. No simbolismo da Aurora Dourada, Espadas cruzadas sao o poder positivo do Ar. As Espadas que nao se tocam sao o poder negativo do Ar. Quando as Espadas se juntam e tocam-se mutuamente, ou tocam a Rosa, elas podem ser positivas ou negativas.

Crowley 6 particularmente interessante porque as Espadas se encontram no proprio centro de uma Rosa-Cruz constituida por seis quadrados de ouro, o que, conforme ele explicou, significa que "a Rosa-Cruz 6 o principal 84 misteno da verdade cientifica". Uma vez mais, o caminho da Cruz 6 o do sofrimento, o que tende a ressaltar o significado desta carta como sucesso apos ansiedade e contratempos A grande dificuldade para a obtencao de uma recom-

A

carta de

.

pensa 6 indicada por Waite atrav6s da representacao de urn barqueiro a carregar almas atrav6s do

114

rio

do

espfrito.


SEIS

DE PENTAGRAMAS,

Senhor do Sucesso Material (Lua

em

Touro).

Anjos do Decanato: Nemamiah e Yeyelal. Esta carta 6 Tiphareth em Assiah, o Mundo Material. As qualidades mutaveis da Lua, seu fluxo natural, encanto e sutileza combinam-se com o trabalho duro e com as qualidades terrenas de Touro. O resultado 6 a certeza de sucesso nos neg6cios e nas questoes mundanas. Apenas a carta de Crowley requer explicacao. Ele abstraiu o Hexagrama em torno de Tiphareth (veja mais uma vez a Figura 16) com seus sfmbolos planetanos e o acrescimo de uma Rosa-Cruz com 49 (7 x 7) p6talas.

Os Principes em carruagens e nelas sao conduzidos. Eles representam as Forgas Vau do Nome em cada naipe; o Poderoso Filho do Rei e da Rainha, que percebe as influencias de ambos os niveis de Forca; urn principe, o filho de urn Rei e de uma Rainha e, no entanto, urn Principe dos Principes e um Rei dos Reis. Um Imperador, cujo efeito e ao mesmo Esses Principes estao sentados

tempo rdpido (embora nao tao rdpido quanto o de um Rei) e permanente (ainda que nao tao constante quanto o de uma Rainha). Assim, ele e simbolizado por uma figura levada por uma carruagem e usando uma armadura. Contudo, a nao ser que seja acionado pela Mae ou pelo Pai, seu poder 4

ilusorio.

Os Principes sao cartas muito complexas porque dependem do Rei e da Rainha para serem totalmente ativadas. Conforme o texto sugere, eles nao dispoem de forca motora prdpria, sendo puxados em suas carruagens. Entretanto, do ponto de vista do Taro, essas cartas sao muito importantes. Primeiro, veremos que o Leao, a Aguia, o Homem e o Touro sao os Quatro Querubins. Eles sao sfmbolos antiquissimos dos elementos e estao associados a muitas religioes 115


aparecem entre os Deuses dos Assirios; sao os Quatro Animais da visao de Ezequiel, no Velho Testamento; sao os quatro simbolos dos evangelistas cristaos e os regentes dos Quatro Elementos da Cabala. Em Kether estao os Elementos Primordiais, que sao expressos individualmente em Malkuth e, diferentes. Eles

regem os Elementos em Tiphareth. Os Principes sao as forcas personificadas

juntos,

estao perfeitamente equilibrados

— Paus, Copas, Espadas e

em

(Reis) daqueles elementos que

Tiphareth. Se as cartas sao dispostas

numa

Pentagramas pode-se imaginar a Luz Douguiando espfrito permeando quatro cartas os Querubins que puxam rada do as e as carruagens. Esses sao os aspectos mais apurados da Personalidade; eles sao os Reis Elementares dentro de n6s mesmos. Assim, os Principes podem ser conduzidos para qualquer direcao pela Vontade Divina. A energia do PRINCIPE DE PAUS pode ser aplicada com justica ou crueldade; o fluxo inconsciente do PRINCIPE DE COPAS pode ser sutil e artistico ou extremamente perverso; fileira

do PRINCIPE DE ESPADAS, as id6ias, podem ser criaou destrutivas; os atributos materiais do PRINCIPE DE PENTAGRAMAS podem causar mudancas beneTicas ou maleTicas. Os Principes podem nos proporcionar uma via de acesso para a verdadeira compreensao do baralho do Taro como uma ferramenta de iluminacao. Aqui a utilidade das Princesas talvez se tome clara pois elas sao os fundamentos das licoes dos Principes expressos no nosso piano material. Agora entenderemos por que os Principes, numa predicao, frequentemente representam a chegada ou a partida de uma pessoa e o inicio ou t6rmino de uma situacao, ao passo que as Princesas muitas vezes representam a aprovacao ou desaprovacao de um assunto. as atividades mentais tivas

PRINCIPE DE PAUS,

Principe da Carruagem de Fogo, Principe e Imperador das

Salamandras (Ultimo Decanato de Cancer

O

— primeiros

dois Decanatos de Leao).

Principe de Paus 6 Ar do Fogo, Ar Especifico do Fogo Fundamental. Nas de Crowley e da Aurora Dourada, sua carruagem e puxada pelo Leao do signo do mesmo nome, simbolizando a enorme forca que pode ser orientada para cartas

116


quando enraivecida, tornar-se violenta. Na carta da Aurora Dourada, o Prfncipe segura o Bastao do Fogo Elementar ao passo que na carta de Crowley ele segura o Bastao de Fenix, associado a belicosa Sephira de Geburah. De modo geral, os Prfncipes (Cavaleiros) das cartas de Waite e de Marselha nada tem de extraordinano e nao precisam ser analisados aqui. qualquer direcao

e,

'

/ &*]nH

\2*

:

w% PtiliK jf Cutis

PRINCIPE DE COP AS, Principe da Carruagem da Agua, Principe e Imperador primeiros dois Decanatos de Ninfas e Ondinas (Ultimo Decanato de Libra de Escorpiao). O Principe de Copas 6 o Ar da Agua, Ar Especffico da Agua Fundamental. Uma vez mais, a versao da Aurora Dourada serviu de inspiragao para a carta de Crowley, sendo que ambas apresentam uma Serpente saindo de uma taca. Onde quer que a Serpente apareca ela geralmente e uma referenda a Chokmah, a Sabedoria Divina, a Forca Yod; aqui ela tem os belicosos e ameacadores atributos de Escorpiao. A Taca, segura pelo Prfncipe, e Hen, e encerra a SerpenteYod. Assim como Vau, o Principe executa as atividades combinadas de Yod e Heh; aqui esta" a Agua. A pr6pria carruagem 6 puxada atrav6s da agua por uma Aguia, o simbolo da Agua entre os quatro emblemas querubicos. Em outro nfvel, a sugestao e de que o calmo aspecto da Agua pode conter energias poderosas e violentas, tal como o dcido sulfurico, que parece ser totalmente inofensivo ate ter algo sobre o que atuar. A Agua simboliza a Inconsciencia pessoal, grupal ou universal que contem energias dinamicas.

PRINCIPE DE ESP AD AS,

Prfncipe das Carruagens dos Ventos, Prfncipe e

Imperador de Silfos e Sflfides (Ultimo Decanato de Capric6rnio Decanatos de Aquano).

— primeiros dois

O Prfncipe de Espada € Ar do Ar, Ar Especffico do Ar Fundamental. aqui

um

importante simbolismo Yesod-Lua, pois esta carta 6

uma

Existe

carta da mente.

As duas Fadas da carta da Aurora Dourada e as tres crianfas aladas de Crowley sugerem que (tal como a pr6pria mente) a carruagem pode ser puxada de forma caprichosa em qualquer direcao. Na mao direita do Prfncipe esta" a espada que invoca e cria, mas na sua mao esquerda esta" a foice que destrdi o que foi criado. 117


Aurora Dourada, a repeticao de pentagramas e uma referenda a Todavia, como a cimeira do Prfncipe 6 a cabeca de uma Geburah. Espada de crianca com urn Pentagrama na testa, a mensagem aqui 6 a de que o Prfncipe empunha a Espada com inocencia infantil. Esta e uma extensao do mesmo sim-

Na

carta da

bolismo encontrado na

RAINHA DE ESPADAS.

PRINCIPE DE PENTAGRAMAS, Principe da Carruagem da Terra, Principe e primeiros dois Decanatos Imperador dos Gnomos (Ultimo Decanato de Aries

â&#x20AC;&#x201D;

de Touro).

O

Prfncipe de Pentagramas 6

Na carta da Aurora

Ar Especifico da Terra Fundasegura na mao direita o bastao do poder

Ar da

Terra,

Dourada, ele na esquerda, urn Globo invertido (forca material aplicada de forma grosseira). A carruagem e" puxada pelo possante Touro do signo do mesmo nome. Crowley explicou detalhadamente sua versao desta carta, enfatizando as qualidades meditativas do Prfncipe. "Ele 6", disse Crowley, "o elemento da Terra

mental.

mundano

e,

tornado inteligfvel."

118

86


7.

NETZACH: Os Quatro

Vitoria

Setes

Amor

Sentimentos e Instintos

A Mente

Natureza

As Artes

Simbolos:

O

US

Grupal

91

Cinto, a Rosa, a

Lampada Planeta: V6nus

Cor. Verde Osfeixes de Chesed e Geburah encontram-se em Netzach e, por conseguinte, ai surge um verde puro, resplandecente e fulgurante como uma esmeralda. Sua esfera de operagdo 6 a de Nogah ou Esplendor Externo, produzindo ciume,

amor e harmonia

a Esfera de Aqdo do Planeta Venus Jehovah Tzabaoth e um Deus de Hostes

e

Chokmah

e regendo

e a natureza do Mundo Vegetal. de Exircitos, do Triunfo e da Vitdria, governando o universo eternamente e comjustiga. Seu Arcanjo i Hanial, o Principe do Amor e da Harmonia, e o Nome da Ordem de Anjos e Elohim ou Deuses, tambem chamados de

Ordem dos

Principados.

Cada Sephira do

Pilar da Miseric6rdia inicia

uma

seqiiencia.

a principal forca voltada para a manifestacao do Tridngulo Superno. Chesed 6 a id6ia organizadora por tr£s da primeira forma e a primeira Sephira do Tridn-

gulo Etico; Netzach inicia o Tridngulo Astral e que constituem a Personalidade.

e"

a primeira dentre as Sephiroth

Considera-se que a Personalidade seja constituida por quatro Elementos, cada dos quais representado por uma das Sephiroth inferiores. Aqui h£ um reflee da seqiiencia Fogo, Agua, Ar e Terra, com as quais xo da formula mrp Esses sao os Elementos Astrais. Netzach 6 Fogo, uma estamos familiarizados. forma inferior do Fogo-Yod de Chokmah, refletido de Geburah atrav6s de

um

Heh-Agua de Binah, refletida de Chesed atrav6s de Tiphareth. Yesod 6 Ar e Malkuth 6 Terra. Veremos que em todos os casos o ultimo Heh do Nome Divino 6 atribuido a Malkuth, pois esse Heh final € produto do "pecado original".

Tiphareth.

Hod

6 Agua,

A atribuicao dos

uma forma

inferior da

quatro Elementos a essas Sephiroth inferiores talvez pareca

frustrante complicacao ao sistema Cabalistico. Na verdapor6m, chegamos agora ao ponto da Arvore da Vida em que a consciencia de, normal desperta pode ser aplicada. Qualquer estudioso seno podera" lidar com o Triangulo Astral e com os componentes da Personalidade. A Ordem da Aurora Dourada iniciou seus membros nos Pianos Interiores atrav6s de um sistema de exercfcios Tattva, um tipo de "devaneio" controlado que tern por objetivo levar

acrescentar mais

uma

119


em

com

as esferas Elementares sutis que estao materials. Este metodo foi consensacoes imediatamente abaixo da esfera das siderado uma preparacao para as tecnicas mais avancadas de projecao interior com as cartas do Taro e para as tecnicas perigosas e ainda mais avancadas de

a pessoa a entrar

contato direto

com as Tabuinhas Enoquianas. Basta dizer com Netzach, 6 o reino da ilusao (may a).

projecao interior astral, iniciado

aqui que o reino

Netzach nao pode ser considerada independente de Hod, seu contrapeso e oposto. Enquanto Netzach representa os instintos e as emocoes,

o

Hod

representa

Os sentimentos nao verificados pela razao e a razao nao verificada sentimentos podem ser muito destrutivos. E atraves do equilibrio adequa-

intelecto.

pelos

do entre sentimento e razao que a pessoa consegue ascender, no Pilar M6dio, a consciencia superior de Tiphareth. Netzach 6 uma Sephira de compreensao particularmente dificil. Isto em parte acontece porque ela representa as primeiras projecoes indiferenciadas de Tiphareth e em parte porque ela tern de ser abordada a partir dos pontos de vista tanto do Macrocosmo quanto do Microcosmo. Quando lidamos com a Arvore da Vida

mesmo tempo com os padroes da especie humana e com os padroes do individuo. Todavia, uma das licoes dos Misterios e a extensao em que esta dicotomia 6, em si mesma, uma ilusao. Por um lado, Netzach 6 a Alma indiferenciada da Humanidade, frequentemente descrita como "Mente Grupal". A centelha da mente individual (le vanconsiderada uma Sephira de Fogo) 6 uma do em conta, outra vez, que esta estamos lidando ao

e"

parte daquela centelha grupal que,

quando passa

a incluir a si

mesma, tamb6m

abrange o todo. Por exemplo: Netzach 6 a regiao da Arvore da Vida a qual sao atribufdas as artes, a musica, a pintura, a poesia, etc. Todo artista usa as qualidades de Netzach, retirando dela sua imaginacao criativa (embora esse senti-

temperado pela disciplina de Hod-Razao, para que se possa fazer um trabalho sÂŁrio). A medida que o artista desenvolve cada vez mais a capacidade de "criar" e de compreender a natureza de seu prdprio ato criativo, ele

mento deva

ser

tamb&n desenvolve poderia ser dito

em

compreensao da natureza das artes em geral. O mesmo relacao ao cientista, o qual opera atraves de Hod, a Sephira a

onde o geral torna-se especifico. O equilibrio entre Netzach e Hod pode

ser representado

num diagrama

simples:

HOD

NETZACH

*~ Intelecto

Sentimentos e Instintos Indiferenciado

Mente Grupal

â&#x20AC;&#x201D;

Individuo

> Inicio

da Mente Individual

Considerando esse equilibrio, & fdcil compreender que Netzach 6 a Sephira a qual as forcas da Natureza sao atribufdas e que seus anjos sao os Elohim. Eles tambem sao chamados de Deuses na medida em que, para a Personalidade 120


encarnada e para a humanidade como urn todo, eles sao deuses. Eles sao os Deuses da seqiiencia inferior do Tetragrammaton. Netzach tambem e" a esfera de VenusAfrodite, a Deusa do Amor. Como o tftulo da Sephira 6 Vitoria, deve-se entender que a Vit6ria se d£ no terreno do amor. Aquilo que 6 chamado de "amor", particularmente no que diz respeito aos

Deuses e aos sistemas religiosos, 6 muitas vezes mal-interpretado. O equfvoco esta" relacionado com a propria natureza dos Deuses. J£ se disse que "Os Deuses sao Criacoes daquilo que foi Criado... que sao emanacoes da Mente Grupal das Rasas; e que nao sao emanacoes de Eheieh, o Unico e Eterao". A referenda a Mente Grupal significa, em essentia, que os Deuses sao de Netzach. Essa idem sumariada graficamente no diagrama do sfmbolo de Venus, que inclui toda a Arvore da Vida (Figura 17). Devemos tambem lembrar que a Ordem da Aurora Dourada declarou estar ela prtfpria sob a regencia de Venus.

e"

Figura 17.

O

Sfmbolo de Venus na Arvore da Vida. Ele

inclui todas as

dez Sephiroth.

A questao aqui 6 que nao existem Deuses, a nao ser aquelas poderosas forcas que moldamos a nossa pr6pria imagem para atender as nossas necessidades. Nao existe nada a nao ser nds. Estamos acima e abaixo da Tdbua de Esmeralda. Somos ao mesmo tempo muitas coisas e uma s<5. Somos tudo o que existe, embora retiremos a nossa forca do Invisfvel Divino que nao e\ Assim, o modo como nos comportamos em relacao ao nosso semelhante 6 muito mais importante do que geralmente se pensa. O amor pelo pr6ximo, o amor a Deus, qualquer relacionamento sexual

— que 6 um

equilfbrio fisico

— e qualquer intercambio equi-

librado de energia entre pessoas, ajuda a espdcie

humana

a cumprir a

"Grande

Missao" de retornar ao estado Primitivo a partir do qual ela evoluiu. E por isso que Netzach 6 descrita como a Sephira das polaridades. Em Netzach, estamos considerando uma Sephira situada sobre um pilar masculino e com uma deusa feminina ligada a ela. Todavia, a atribuicao de caracterfsticas sexuais especfficas rotuladas de "masculina" e "feminina" s6 € adequada para a nossa esfera de sensacao. O que encontramos em Netzach 6 a 121


De acordo com o que dissemos anteriormente, Geburah tern determinadas qualidades de Venus simbolizadas pela Rosa; Netzach tem certas qualidades de Marte indicadas pela atribuicao do Fogo. A16m do mais, ftlfp Tzabaoth 6 o Deus das Hostes e dos Exircitos. A relacao entre Netzach e Geburah e entre Hod e Chesed talvez possa ser ligeiramente confusa quando considerada em termos da emanacao das Sephiroth no Caminho da Espada Flamejante. Esse Caminho e" importante porque indica tanto a sequencia em que o universo evoluiu como o curso atravSs do qual quern procura o caminho (a nao ser aquele que escolheu o Caminho devocional do Pilar M6dio) podera" retoraar. Todavia, isto nao representa o equilfbrio e as interacoes energ&icas da Arvore da Vida completa. Existem trSs sfmbolos fundamentals relacionados com Netzach. Sao eles a Rosa, o Cinto e a Ldmpada. A Rosa 6 a mais perfeita das flores, um atributo de Venus frequentemente associado ao amor. O Cinto tambem e" um tradicional atributo de Venus. Aprender o segredo do n6 do seu cinto significa controlar as forfas venusianas da natureza, amarr^-las ou liberd-las a vontade. O ultimo sfmbolo â&#x201A;Ź a Lampada, o elemento portador do Fogo, relacionando Netzach com Geburah e com as poderosas forcas guerreiras de Marte. Num outro nfvel, ela â&#x201A;Ź a luz permanente do Templo do Eu inferior. interacao entre Marte e Venus.

Os

Setes Geralmente representa uma forga que transcende o piano material e asuma coroa, a qual & realmente poderosa mas requer alguem capaz de usd-la. Os setes, portanto, representam um resultado positivo que depende da agdo a ser empreendida. Eles dependem muito dos simbolos que os acompanham. semelha-se a

122


Senhor do Valor (Marte em Leao). Anjos do Decanato: Mahashiah ( IP Bills ) e Lelahel ( bnr^b ). Esta carta â&#x201A;Ź Netzach em Atziluth, a influencia de Netzach no Mundo do Puro Espfrito. Embora a posicao de Marte em Leao seja de coragem e forca, ela vit6ria no contern implicacoes ameacadoras: urn embate feroz e certo, mas a

SETE DE PAUS,

flito

nao

6.

Veremos que padrao Msico

foi estabelecido pelas cartas

de Marselha, as

quais apresentam seis bastoes cruzados e urn bastao central. Ao adaptar este nfveis padrao, Crowley usa mais uma vez os bastoes correspondentes aos tres para tosco muito bastao urn com cruza-os Dourada, mas Aurora de Adeptos da sugerir que, nesta carta, a luta

pode

ser desorganizada e ter resultados incertos.

Waite representa a ideia de oposigao e posstvel

vitoria,

dependendo de quanta

coragem se tenha.

Senhor do Sucesso Ilus6rio (Venus em Escorpiao). Anjos do Decanato: Melchel ( burton ) e Chahaviah ( nnnn ). Esta carta â&#x201A;Ź Netzach em Briah, a influencia de Netzach no Mundo Mental. A presenca de Venus em Escorpiao â&#x201A;Ź extremamente intensa e emocional, fre-

SETE DE COP AS,

quentemente envolvendo fraude e impostura. As vezes existe libertinagem, excesso de emocoes e auto-ilusao. Esta certamente pode ser uma carta de egocentrismo e egoismo. E, embora a carta da Aurora Dourada apresente as Tacas completamente vazias, poder-se-ia acreditar que elas estejam tao cheias quanto grande as de Waite. Crowley, por outro lado, sugere que esta carta encerra uma Sacrado perversao uma viscosos, feios e tornaram-se advertencia. Seus 16tus

mento do Seis de Copas, possivelmente causado por urn envaidecimento excessive Assim, o significado divinat6rio da carta 6 erro, ilusao e sucesso ilusorio.

123


SETE DE ESPADAS, Senhor do Esforco Instavel (Lua em Aqu£rio). Anjos do Decanato: Michael ( ^ND'n ) e Hahihel ( ^Nfinn )• Esta carta 6 Netzach em Yetzirah, a influencia de Netzach no Mundo Astral. Na carta da Aurora Dourada aparece mais uma vez a Rosa, pois ela e um simbolo b£sico de Venus, que rege Netzach. Todavia, as Espadas estao precariamente equilibradas umas contra as outras, uma id6ia tambem expressa pelas seis Espadas planetanas voltadas contra a grande espada do Sol. Nao esta" inteiramente claro o que se passa na cena representada, especialmente na carta de Waite, que 6 realmente enigm£tica.

Na

divinacao esta carta significa esforgo instdvel,

vacilagao e personagem indigno de confianga.

A

Lua em Aquario indica Lua aqui 6 menos

religiosas; a

sociabilidade, frequentemente fluida e mut£vel

inclinafoes

do que em outras posicoes. O pode ser rompido facilmente.

equilfbrio por ela estabelecido, porem, e prec^rio e

124

com


SETE DE PENTAGRAM AS,

Senhor do Sucesso nao alcancado (Saturno

em

Touro).

^mn

Anjos do Decanato: Herochiel ( ) e Mitzrael ( ^k*12» ). Esta carta 6 Netzach em Assiah, a influencia de Netzach no mundo material. Tal como acontece nos demais Setes, esta carta indica pouca coisa de bom. Saturno

em Touro traz desapontamento e pequena recompensa para um grande esforco.

8.

HOD:

Esplendor

Os Quatro • • • • •

Oitos

Razao A Mente Individual Sistemas: Magia e Ciencia Ponto de Contato com os Mestres Linguagem e Imagens Visuais

Nomes e Mer curio

Simbolos: Planeta:

Versfculos, Avental

Cor: Laranja

Os feixes de Geburah al

um

e Tiphareth encontram-se

em Hod

e,

portanto, surge

laranja puro, brilhante e resplandecente. Sua esfera de operacao 4

a de Kokab, a luz estelar, conferindo elegdncia, rapidez, arte e conhecimento cientifico, e regendo a esfera de agao do planeta Mercurio. Elohim Tzabaoth e tambem um Deus de Hostes e de Exercitos, da Compaixdo e da Concordancia, do Elogio e da Honra, governando o Universo com Saber e Harmonia. Seu Arcanjo i Michael, o Principe do Esplendor e da Sabedoria, e o Nome de sua ordem de Anjos e Beni Elohim, ou Filhos dos Deuses, que tambem sao chamados de Ordem de Arcanjos.

Hod 6 a mente concreta. Trata-se da esfera de Mercurio, e a ela 6 atribufdo tudo o que 6 intelectualmente sistematizado, tal como as artes da magia, a literatura, a ciencia e

o comercio.

Ela situa-se na base do Pilar da Forma, por baixo de Binah, assim

como

na base do Pilar da Forca, sob Chokmah. Nessas duas Sephiroth inferiores, vemos o mesmo equilfbrio de forma e forca encontrado nos Supernos. A diferenca € que esse padrao pode ser expresso em termos que podem ser conceitualizados e compreendidos pela nossa mente. Ao passo que em Chokmah e Binah foi necess£rio falar em termos mais abstratos e simb61icos, tais como a "id6ia da forca transbordante" ou a "id£ia da forma que limita a forfa", estamos agora lidando com conceitos que podem ser imediatamente compreendidos em termos da constituicao da personalidade individual. O simbolismo esta* mais pr6ximo de nds. Na personalidade humana o Fogo de Netzach 6 a intuicao animal ao passo que a Agua de Hod € a mente concreta e racional. Netzach

esta"

125


O

Taro, freqiientemente

chamado de "Livro de Thoth", 6

atribuido a Hod.

nomes do Thoth (egfpcio), Hermes aprendizado e do patrocinador mensageiro, mesmo Deus. Cada um deles 6 mensagens) transmitir (um meio de professor dos mistenos. Todas as linguagens estao relacionadas com Hod. Na versao Aurora Dourada da decima carta do Taro, A RODA DA FORTUNA, o macaco que aparece ao fundo 6 o Cynocephalus, companheiro de Thoth. Ele relacioâ&#x201A;Ź tambem o sfmbolo hieroglifico egfpcio para a escrita. O CinoceTalo esta" astronomia Na Merciirio. com relacionado esta" Thoth como assim nado com a Lua (observe os caantiga acreditava-se que a Lua seguia Merciirio como um cao fiel idem, n6s cheesta Ampliando (Carta LUA 18). chorros em todas as versoes d'A estudioso dos companheiro do fiel 6 o gamos a compreensao de que a linguagem importante. mais instrumento Mistenos. As palavras de forca sao o seu E por isso que os Nomes e Versiculos estao relacionados com Hod. Nao (grego) e Merciirio (romano) sao diferentes

6 fdcil convencer os c&icos de que uma palavra, pronunciada com a vibracao apropriada, pode exercer um poderoso efeito sobre os pianos interiores. Nao obstante, o efeito das palavras sobre o nosso piano â&#x201A;Ź bastante dbvio. Quern pode Para serem ser indiferente a expressoes como "Eu te amo" ou "Eu te odeio"? tern de ter um sentimento subjacente a elas. Da "Eu te amo" ou "Eu te odeio" soam estranhas expressoes mesma forma como as com emocao, os Mundos do Poder pronunciadas e vazias, a menos que sejam com os intensos sentimentos de Netzach. de Hod s6 sao eficazes quando projetados

eficientes,

porem, as palavras

outras palavras, a energia dinamica de Netzach 6 posta em acao atrav6s do vefculo representado pelas palavras. E por esta razao que tantas pessoas fracas-

Em

sam em

suas tentativas de fazer um ritual. As palavras sozinhas nao bastam; a verdadeiro. iniitil sem a forca de Netzach. E o inverso tambem â&#x201A;Ź

forma de Hod 6

Todavia, aqueles que abordam os estudos esotencos com grande vitalidade e entusiasmo mas carecem da disciplina de Hod estao desperdicando seu tempo. Os que nao conseguem utilizar a intui^ao de Netzach nas muitas palavras es"Miscritas a respeito das ciencias internas, irao rapidamente concluir que os tenos HermeHicos" sao pedantes e sem vida. Diz-se que todo aquele que aprender a pronunciar o

nome de Deus, mn*

,

o senhor do Universe Quando descobrimos que a qufidrupla divisao cabaquais requerenlfstica inclui muitos nomes (atributos da Unidade), cada um dos sera*

do uma diferente experiencia de aprendizado para

ser "pronunciado", esta afir-

ma?ao torna-se especialmente razo^vel. Embora os nomes do sistema sejam de Hod, o infcio da capacidade de utilizS-los apropriadamente esta" em Netzach, cujos deuses englobam toda a Arvore. Forma 6 limitacao e restricao. Nao pode haver forma sem uma forca que qualidades esteja de algum modo confinada. Assim, em Hod encontramos as dinamicas da forca de Netzach, as quais estao diminufdas para que possamos abordaMas com os nossos processos normais de pensamento. Esta diminuicao assume a forma tanto da linguagem como da imagem visual, que sao uma moeda muito mais intercambiavel do que alguns poderiam crer. Ambas sao conjuntos de simbolos compreensfveis convencionados pela sociedade para a transmissao 126


de mensagens. Sabemos que a linguagem 6 artificial e nao tern qualidades intrmsecas pr6prias. O mesmo se pode dizer das imagens visuais, como o sinalda-cruz, as cartas do Tar6 ou mesmo aquilo que entendemos ser uma £rvore nesta Terra. Esses sfmbolos transmitem id&as, que, em si mesmas, sao neutras. Por

o Hermafrodita 6 a imagem magica de Hod. que os vefculos das id6ias sao selecionados. Na evolucao, Hod completa o Pilar da Forma. Trata-se de um equilfbrio estabilizador para o complemento da Forca, um equilfbrio que 6 modificado em Yesod e tern como emanacao o nosso mundo material em Malkuth. Hod e Netzach (tal como Geburah esta razao,

E em Hod

e Chesed) sao eficazes apenas quando suas energias se combinam ativamente numa terceira Sephira. Nesse caso, yemos que a fusao entre Mercurio (Hod) e

origem a Lua (Yesod). O segundo principal sfmbolo de Hod, Avental, tambem esta" relacionado com a Lua, tal como acontece, de certo modo, com o proprio Thoth. Esse avental 6 um tradicional sfmbolo macdnico. Ele e" o sfmbolo do construtor que 6 o artffice

Venus (Netzach)

da"

dos Mistenos e uma peca que, ao ser usada, cobre os 6rgaos sexuais atribufdos a Yesod. A16m disso, a medida que passamos a analisar Yesod veremos como a manipulacao das energias sexuais constitui a base de todo trabalho pr£tico. Assim, dentro do grande projeto de retorno a Divindade a partir da nossa condifao material, Hod 6 um ponto fundamental, um ponto de transferencia conceitual. Aqui os mestres entram pela primeira vez em contato com as disciplinas que escolheram, assumindo eles proprios formas compreensfveis a mente humana. Aqui sao apresentadas ao estudioso as ferramentas formais do Cami-

nho Hermitico (em oposigao ao Caminho drfico de Netzach, ou ao Caminho Devocional do Pilar M6dio). Tudo isso 6 muito menos misterioso do que parece. Pode-se ter a impres-

com Hod (ou com qualquer outra Sephira) significa apenas a para esta esfera, seja atrav6s de rituais ou de tScnicas de indivfduo projecao do meditacao. Essas pr^ticas, obviamente, sao importantes. Todavia, usamos as sao de que lidar

dos Mist6rios ou todas as vezes que abordamos intelectualmente alguma coisa. As Sephiroth sao parte de n6s mesmos e estao num estado de constante atividade. O princfpio da Cabala prfitica consiste em dirigir a nossa atengao consciente para um aspecto especifico de n6s mesmos e, assim, ganharmos acesso a parte correspondente do forcas de

Hod sempre que mergulhamos nos documentos

Universo maior. Como existem 400 Arvores da Vida, operamos conscientemente no nfvel mais elevado que o nosso des envoi vimento espiritual permite. Uma ultima observafao a ser feita € a de que, embora Mercurio seja o mestre

Um

autor sugeriu dos Mistdrios, ele 6 tambem o Deus da fraude e do embuste. recentemente que este aspecto em parte representa a "adaptabilidade" exigida pela atividade esotenca e conferida pelas energias de Hod. Conforme j£ dissemos, por^m, todo o reino astral procura iludir. Quando lidamos com as imagens astrais, n6s o fazemos com toda a vulnerabilidade perceptiva de nossa mente

humana. Somos particularmente suscetiveis a isso na esfera alternativamente brilhante e tenebrosa de Yesod. E em Hod que comecamos a compreender os mecanismos de nossas percep?6es. 127


Os Oitos Geralmente indicam urn sucesso isolado, ou seja, sucesso numa questao imediatos. transitdria e que nao produz grandes resultados alem de ganhos

OITO DE PAUS,

Senhor da Rapidez (Merciirio

em

SagitÂŁrio).

Anjos do Decanato: Nithahiah ( rpnitt ) e Haayah ( n>KNH ). Esta carta 6 Hod em Atziluth, a influencia de Hod no Mundo do Puro Espirito. Merciirio aqui nao esta" bem posicionado; sua atuacao em Sagitfrio fica prejudicada. Suas energias sao atenuadas e se gastam rapidamente no Signo do Arqueiro, urn fenomeno que Crowley, em sua carta, comparou a eletricidade. significado divinat6rio 6 rapidez ou celeridade.

O

OITO DE COP AS, Senhor da Renuncia ao Sucesso (Saturno em Peixes). Anjos do Decanato: Vavaliah ( n>tm ) e Yelahiah ( n>n^ ). Esta carta â&#x201A;Ź Hod em Briah, a influencia de Hod no Mundo Mental. A presenca de Saturno no Signo Aqudtico de Peixes acarreta problemas sutis e uma 128


que se manifesta na forma de um sentimento de desinteresse O efeito da ÂŁgua em Saturno produz insatisfacao, sendo renuncia ao sucesso ou declinio do interesse por tudo. significa esta carta que Esta id6ia e" representada por Waite atrav6s da figura que caminha para longe certa introspeccao

pelas coisas materials.

das Tacas.

j

TffiT

L

1

j

em Gemeos). Yehohel ( t?Knn> ). Esta carta & Hod em Yetzirah, a influencia de Hod no Mundo Astral. A fraqueza de Jupiter (expansibilidade), aqui atuando em seu prejuizo, permite que OITO DE ESPADAS, Senhor

da Forca Diminuida (Jupiter

Anjos do Decanato: Vemibael

(

^Knoi

)

e

de Gemeos afetem suas energias positivas. Elas sao prejudicadas ou reduzidas por um desejo de seguir primeiro numa direcao e depois em outra. A aplicacao da forca de Jupiter neste signo pode ser errauca e instavel ou, entao, intensa e positiva, ainda que breve. Crowley tenta representar esta id6ia as dualidades naturais

fazendo diferentes todas as oito espadas. Waite, por outro lado, representa o efeito dessa condi?ao energ^tica: forga reduzida, aperto ou restrigdo, prisao.

mi ;

;!'*_,

ftC'j'

M

ÂŁiSI lYiidcncc

129


OITO DE PENTAGRAMAS, Senhor Anjos do Decanato: Akaiah

(

iPNDN

da Prudencia (Sol em Virgem). bmrte ). ) e Kehethel (

Esta carta 6 Hod em Assiah, a influencia de Hod no Mundo material. Aqui, o aspecto planetdrio 6 muito prdtico e tende a promover o interesse por pequenos detalhes. Tal como o restante dos oitos, qualquer proveito que possa aparecer 6 limitado e a "Prudencia" nao 6 uma grande virtude. O artifice de Waite

o significado divinattfrio desta carta: habilidade prudencia, e um excesso de cuidado com as pequenas coisas, em detrimento do quadro maior. ilustra

9.

,

YESOD: O

Alicerce Os Quatro Noves •

• •

A O

Luz

Astral

Dep6sito de Imagens As Energias Ciclicas Subjacentes a Materia

O Perfume A Lua

Sfmbolos: Planeta:

e as Sanddlias

Cor: Violeta

Os feixes de Chesed

e

Geburah

se

encontram em Yesod, surgindo

ai,

Sua portanto, um Lunar, produzindo Levanah, mudangas, o feixe esfera de atuagao e a de aumento ou diminuigao das coisas criadas e regendo a Esfera de Agao da Lua e a natureza da humanidade. Shaddai e um Deus Onipotente, que espalha beneficios e satisfaz nossos desejos, e Al Chai e o Deus da Vida, a Entidade Viva. Seu Arcanjo e Gabriel, o Principe da Mudanga e da Alteragao. O nome da Ordem de Anjos e Querubim, os quais sao chamavioleta brilhante e sendo completada a terceira Triade.

dos tambem de Ordem de Anjos.

Ao

abordar a nona Sephira, aquilo que antes foi considerado

Em

em

termos

Yesod estao aquelas enerque sao manipuladas em diversas formas de meditacao e naquilo que 6 chamado de "Magia". Essas tendencias sao conhecidas como Luz Astral ou Fluido Akdshico. Em meados do seculo XIX, Von Reichenbach, um dos primeiros a pesquisar cientificamente os fenomenos psiquicos, chamou isto de Forga Odica, 87 um termo que ocasionalmente ainda 6 empregado. Como quer que chamemos isto, trata-se de um tipo de energia que todas as pessoas podem sentir dentro de si mesmas e desenvolver extraordinariamente. Todos sentem a presenca da Luz Astral, embora a maioria a considere uma estimulacao neuroldgica generalizada, atribuivel a alguma vaga causa fisica. Ela pode ser experimentada como uma sensacao geral de formigatefricos gias,

130

pode adquirir contornos muito

diretamente subjacentes ao

praticos.

mundo

material,


mento ou como

um

calor difuso, frequentemente resultante da oracao

ou de

estfmulos de natureza sexual. Uns poucos descobrem que essa sensacao pode ser intensificada e sua energia levada a deslocar-se por todo o corpo de acordo a vontade

com

do indivfduo.

Esta forca 6 sexual e pode ser vista no Microprosopus

Yesod que cobre os

6rgaos da reproducao. Aqueles que despertam essa forca atrav6s da meditacao, da oracao, da estimulacao sexual ou de m6todos rituais, o fazem utilizando precisamente os mesmos mecanismos mentais. J£ foi dito que Deus 6 sexo, e os registros da uniao extitica de pessoas

como

Santa Teresa sao altamente er6-

de Yesod, as energias sexuais, sao dirigidas conscientemente e circulam por todo o corpo, como no Exercicio do Pilar M6dio, o efeito pode ser irresistfvel. ticos.

Quando

A

Luz

a

Luz

Astral

Astral tern sido frequentemente descrita

como uma

corrente elStrica

ou magn£tica. Na verdade, conforme o indivfduo "capta a Luz", seu corpo tornase altamente carregado. Todavia, esta € uma energia molddvel. Ela 6 mentalmente maleavel e pode nao apenas circular atrav6s do corpo, ou ser projetada em certas operacoes espirituais, como tambem € a matena-prima com que as imagens visuais sao construfdas no Piano Astral. Todo indivfduo possui um Corpo EUrico (que sai naturalmente do corpo ffsico durante o sono, pu 6 conscientemente projetado pelos entendidos) constitufdo de Luz Astral. Assim, Yesod 6 denominado Alicerce. E ela que ativa os Quatro Elementos de Malkuth, repetindo um padrao que se inicia em Kether e e encontrado em toda a Arvore: quatro elementos que derivam de um quinto.

No

Luz Astral 6 chamada de Kundalini (a Serpente), dizem que "Kundalini esta* enrolada em torno de Yesod". Nao

Oriente, a energia da

e os cabalistas

um

grande esforco mental para se chegar a correta interpretacao do Jardim do Eden, ou ao significado da Serpente que, na Arvore da Vida, 6 representada em contato com cada um dos Caminhos. Esta 6 a mesma serpente da Sabedoria que segura sua extremidade com a boca. e necessano

esoterica da serpente

Um aspecto particularmente apropriado do simbolismo da Serpente 6 que o reptil

desloca-se por meio de ondulagoes.

De forma

semelhante, a Luz Astral

avanca e recua. Ela segue diferentes ciclos que ativam os ciclos de nossa existencia ffsica e sao subjacentes a eles. As fases de Yesod produzem no piano ffsico um

movimento contfnuo de carga e descarga, o qual

se manifesta

na forma de luz e

escuridao, vigflia e sono, etc. Assim, e correto dizer que nao se pode lidar

com

Malkuth sem antes ter compreendido Yesod. Obviamente, como uma extensao dessa id6ia, nao se pode lidar com Yesod sem primeiro ter compreendido Hod. Parenteticamente, 6 para Yesod que as pesquisas parapsicol6gicas sao dirigidas, pois i possfvel usar alguns recursos cientfficos hoje disponfveis para quantificar seus efeitos no piano sensorial. Os que atuam nesta area de pesquisa descobriram que 6 necess£rio postular pelo menos a existencia de alguma forfa como a Luz Astral para explicar de que maneira coisas tao admiraVeis como a psicocinese (a capacidade de mover objetos mentalmente) podem ser realizadas. A Lua 6 o "Planeta" (assim considerada pelos antigos astronomos) atribufdo a Yesod. A medida que suas fases vao se sucedendo, diz-se que ela afeta o movimento 131


supostamente desorientador da Lua Cheia sobre algumas pessoas reflete-se na pr6pria existencia do termo lundiico. No nosso conceito, porem, a Lua pertence nao apenas aos insanos mas tambem aos amantes.

Alem

das mar6s.

disso,

Embora os psicdlogos

o

efeito

positiva. Esta

comum para ambas as uma i negativa e a outra

consigam encontrar uma origem

talvez

condicoes (que 6 o que importa), permanece o fato de que

i a tfpica dicotomia dos simbolos ligados a Lua. Ela e" a Deusa Feicom sua escuridao, e a Deusa Lunar Diana, com seu brilho. Os

ticeira Hecate,

esoteristas concentram-se neste ultimo ponto, visto que,

da Lua,

ha*

uma

com o aumento do tamanho

concomitante intensificacao na quantidade de Luz Astral subjacente

ao nosso piano, a qual pode ser utilizada para propdsitos prÂŁticos. A existencia de uma relacao entre Yesod e Binah e sugerida pelo controle que a Luz exerce sobre as Aguas. Yesod 6 na verdade o Ar, que movimenta a fsis e o Grande Mar. Esta e a Consciencia Universal a partir de ultima anÂŁlise, todas as formas se desenvolvem. Assim como Binah 6 o desejo de formar, Yesod 6 o dep<5sito das imagens formais que estao diretamente abaixo da nossa experiencia consciente.

Agua. Binah 6 onde,

em

do Mundo Astral, Yesod 6 o reino das imagens rejeitadas pela humanidade, sejam elas claras ou obscuras. Ela contem os Registros Akdshicos, que sao ao mesmo tempo a histdria das racas e de cada ato mental do homem. Blavatsky afirmou que boa parte de seus escritos extraordinariamente detalhados foi compilado psiquicamente a partir desses registros, o que, na

Sendo o

nfvel inferior

pior das hipdteses, 6

uma

assercao bombdstica.

Embora as imagens de Yesod apresentem fabulosa beleza e seducao, elas tambem podem ser hediondas e apavorantes. Elas sao os sonhos e os temores da humanidade, acumulados desde o infcio dos tempos (observe, uma vez mais, a relacao com Binah). Trata-se, na verdade, de um imenso oceano onde cada pedra do pensamento 6 atirada e produz uma onda que continua a deslocar-se eternamente. Essas formas de Yesod, porem, sao enganadoras. Elas nao sao reais no sentido que o termo seria aplicÂŁvel as experiencias de Tiphareth. Lembrese de

que

a

Lua nao

tern luz propria;

Yesod pode apenas

refletir a luz

do nucleo

Cristo-Osfris-Buda de Tiphareth. Este reflexo, porem, 6 da maior importancia para o desenvolvimento da pessoa pois ela nao consegue olhar diretamente para o Sol e s6

pode conhecer essa forca a

partir

do estudo de sua imagem refletida pelas

dguas da Lua.

Reino Astral inferior tambem e chamado de Maya ou ilusao. Os poderes do piano astral gostam de nos deixar acreditar no que quer que nos agrade. Eles nos proporcionarao visoes que confirmam as nossas ideias mais absurdas e, ao mesmo tempo, inflam o nosso ego, um resultado perigoso e muito comum quando se atua nesse nfvel. Trata-se de um labirinto para os ingenuos e confiados, o qual somente podera" ser efetivamente transposto por aqueles cujos conceitos estao firmemente estabelecidos em Tiphareth. A visao de Yesod, a do "Mecanismo do Universo", dificilmente pode ser alcancada por aqueles que estao aprisionados

O

dentro da estrutura da personal idade.

A

que a compreensao das mares c6smicas da Luz Astral de Yesod e sua utilizacao conferem poder. E, ao contrSrio da crenca 132

esta altura, deve estar claro


popular e da visao dos numerosos sistemas de iluminacao que pregam firmes valores morais, a compreensao e a capacidade de manipular a Luz Astral nada tem que ver com virtude. Ela € adquirida apenas e tao-somente pela pr£tica da meditacao. Existem atualmente na Terra algumas pessoas extremamente desagradaVeis que talvez afirmem de forma positiva que conhecem o verdadeiro

mecanismos do universo. Os simbolos de Yesod sao as Sanddlias e os Perfumes, ambos relacionados com a pr£tica da magia. As santificadas sanddlias usadas nos circulos misticos significado dos

garantem que a pessoa esta" pisando em solo sagrado e (na sua neutralidade) permitem a transferencia de energias entre a Terra e o Sol. Yesod 6 a intermedi£ria entre Malkuth e Tiphareth (um espelho duplo). Os perfumes sugerem suas qualidades fluidas e et^reas: o incenso flui atrav6s de um templo influenciando sutilmente a mente dos participantes. Suas qualidades sao sugestivas, embora fugazes e ilus6rias, como € da natureza de Yesod.

Os Noves Geralmente, eles indicant uma forga bdsica muito intensa. Grande capacidade de realizagao, tanto para o bem como para o mal.

np HPPi^^HHl

^^S'!: 1

\m / M^^^^SKk

J^jI Strength

Senhor da Grande Forfa (Lua em Sagitdrio). Anjos do Decanato: Yirthiel ( t'KriT^ ) e Sahiah ('n»iiKW ). Esta carta 6 Yesod em Atziluth, a influencia de Yesod no Mundo do Puro Espfrito. Os poderes lunares adquirem uma grande forca em Sagita"rio, embora em tudo que diga respeito a Yesod e a Lua exista sempre o outro lado da moeda.

NOVE DE PAUS,

Os sucessos sao acompanhados de

disc6rdia e apreensao.

Embora

esta carta

indique certamente boa saude, existem duvidas quanto ao que acontecera" a longo prazo. Na predicao, esta carta significa grande forga, poder, recuperagao de uma

doenga. 133


NOVE DE COPAS,

Senhor da Felicidade Material (Jupiter

Anjos do Decanato: Saliah

(

n^NO

)

e Aariel

(

bn^^y

em

Peixes).

)â&#x20AC;˘

Yesod no Mundo Mental. Aqui a benevol6ncia de Jupiter, atuando atrav6s das dguas de Peixes, produzem felicidade e satisfacao em Malkuth. Esta e" uma carta de prazer e sensualidade que Esta carta 6 Yesod

em Briah,

a influencia de

DEZ DE COPAS, cujo sucesso i mais duradouro. Tanto as cartas de Crowley como as da Aurora Dourada apresentam nove tacas transbordantes e dispostas num quadrado, de modo a sugerir aqui a id6ia de Chesed-Jupiter e da perfeicao da forca da Agua. Waite, por outro lado, poderia ser comparada ao

representa os aspectos mais

mundanos da

carta para expressar

o seu significado

de complete sucesso e realizagao dos desejos.

NOVE DE ESPADAS, Senhor da Crueldade e do Desespero (Marte em Gemeos). Anjos do Decanato: Aaneval Esta carta 6 Yesod

Nao 134

em

(

^KUJ)

)

e Mochayel

(

^K'tin

Yetzirah, a influencia de Yetzirah

6 preciso ter muita familiaridade

com

a astrologia

).

no Mundo

Astral.

para perceber que as


podem fazer nenhum bem ao signo das duada Aurora Dourada a rosa foi completamente destrufda ao passo que a versao de Crowley mostra "sangue e veneno" pingando de nove espadas

belicosas energias de Marte nao lidades.

Na carta

enferrujadas e cheias de dentes.

A carta de Waite ressalta o sentimento de desespero e os outros significados divinatdrios da carta: doenga, sofrimento, crueldade.

NOVE DE PENTAGRAM AS, Anjos do Decanato: Hazayel

(

Senhor do Ganho Material (Venus t?N>m ) e Aldiah ( ,VTt>N ).

Yesod em Assiah, Virgem traz uma grande

Esta carta 6

em

Virgem).

Yesod no Mundo Material. embora com uma relativa falta

a influencia de

Venus em de sentimentos expressos francamente. Este aspecto tende tamb6m a favorecer o acumulo de bens; trata-se, portanto, de uma carta que 6 sinal de ganho material. Isto 6 sugerido pelos Pentagramas da Aurora Dourada, cada um dos quais tern ao seu lado um botao de rosa plenamente desenvolvido, sendo que o Pentagrama central tern dois botoes para indicar a continuidade do crescimento e aquisicao no piano ffsico. A carta de Crowley 6 particularmente interessante, sendo muito mais complicada do que poderia parecer a primeira vista. Sobre esta carta ele diz o seguinte: "Os tres discos estao bem prtfximos um do outro, dispostos na forma de um triangulo equilÂŁtero com o veVtice voltado para cima e rodeados a alguma distancia por seis discos maiores que formam um hexagrama. Isto significa a 88 multiplicacao do Verbo original gracas a mistura de 'boa sorte com orientafao'." Na predi?ao, esta carta significa heranga ou ganho material. eficiencia,

135


10.

MALKUTH: O

Reinado

Os Quatro Dez As Quatro Princes as • • • • •

A

Terra em que caminhamos Kether inferior O completamento

A Mae Inferior A Noiva de Microprosopus

[a

O Altar do Cubo DuCruz Grega, o Cfrculo Mfstico, o Triangulo da Arte, o

Simbolos: plo, a

Heh

Final.

Cores: Amarelo-limao, Verdeoliva, Castanho-avermelhado, Preto.

Eapartir dos raios desta Triade (Netzach, Hod, Yesod) aparecem tres cores em Malkuth junto com uma quarta, que e a sintese de todas. Assim, do laranja de Hod e da natureza verde de Netzach surge urn verde "citrino" puro e translucido. A partir da mistura do laranja de Hod com o marrom arroxeado de Yesod surge um "castanho-avermelhado" que cintila com um fogo oculto. E a partir do verde de Netzach e do marrom arroxeado de Yesod

um verde-oliva vivo e resplandecente. A um negrume que limita com Qlippoth.

surge

£

sintese de todas essas cores

Assim, as cores das Sephiroth sao completadas na sua escala feminina,

o

Arco-iris.

embora a Arvore da Vida opere em todas as Dez Sephiroth, ela estd relacionada de forma especial com Tiphareth. Ademais, embora os ramos da Arvore da Ciencia do Bern e do Mai se estendam pelas sete Sephiroth inferiores e cheguem ate o Reino dos Involucros, eles se iden-

Alim

disso,

tificam especialmente com Malkuth. Da mesma forma, as colunas esquerda e direita das Sephiroth estao relacionadas respectivamente com Hod e

Netzach.

Em Malkuth Adonai ha-Aretz e Deus, o Senhor e Rei,

governando o reino

e o Impirio do Universo Visivel. Cholem Yesodoth, o Demolidor de Alicerces fou Olam Yesodoth, o Mundo dos Elementos), e o Nome da Esfera de Operagao de Malkuth, que £ chamada de Esfera dos Elementos, a partir da qual todas as coisasforam Principe da Fisionomia, criadas. Seus Arcanjos sao tres: Metatron, refletido de Kether, Sandalphon, o Principe da Oragao (feminino) e Nephesch ha Messiah, a Alma do Harmonizador da Terra. A Ordem de Anjos tal como estd escrito: 'Que fez seus Ese Ashim ou Chamas do Fogo

piritos Angilicos e

136

Minis tros na forma de

um Fogo flamej ante'

,

os quais


tambem sao chamados de Ordem das Almas Abengoadas ou Almas do Justo tornado Perfeito. mais complicada das Sephiroth; Kether 6 a mais simples. Todavia, aplicando o princfpio do "Assim como em cima, assim tambem embaixo", vemos que Kether est£ em Malkuth e Malkuth esta" em Kether. Em ultima an&lise, Deus esta" em tudo o que conhecemos, desde a flor do campo ate" a terra sobre a qual cami-

Malkuth

e"

a

nhamos. Tudo o que existe na Terra estd impregnado da Natureza Divina. A separacao entre o Criador e sua Criacao 6 artificial. Deus e" Homem. O Homem 6 Deus. Somos Deus coletiva e individualmente. Somos as partes e somos o todo. O sentimento de separacao resulta do pecado original, e a Grande Missao de retornar a Divindade se inicia com o reconhecimento (ou talvez com a suspeita) de que nossas percepcoes foram inexatas. Assim, a Malkuth 6 atribuida a virtude do discemimento. Sua experiencia espiritual 6 a "Visao do Santo Anjo da Guarda", urn aspecto do Eu uniao Superior. Em Malkuth, a existencia 6 demonstrada e a Tiphareth 6 atribuida a consciente da personalidade

com o

seu Genio Superior.

da unidade de todas as coisas e da manifestacao do Poder Divino em todos os aspectos do nosso mundo material pode parecer <5bvia para aquelas com pessoas que apresentam uma inclinacao natural para as questoes relacionadas sustentaram os Mistenos. Ao longo dos seculos, porem, muitas seitas religiosas que o mundo material era intrfhsecamente ruim, urn ponto de vista que acaba sendo escapista e contraproducente. O mesmo poderia ser dito a respeito de certas

A

id6ia

atitudes fundamentalistas cristas sugerindo

vontade de Deus",

ja"

que o

que isso seria virtualmente

homem

deveria "entregar-se a

uma ab-rogacao da

responsa-

bilidade individual.

Cabala ensina que o corpo € o Templo do Espirito Sagrado e que, a nao progresso ser que aprendamos as licoes de Malkuth, nao pode haver nenhum nos espirituais adicional duradouro. A verdade 6 que nossas primeiras licoes sao proporcionadas por aqueles que estao a nossa volta. E, se nao pudermos operar efetivamente no nivel material, aprendendo com os padroes cotidianos que

A

escolhemos para a nossa encarnacao, 6 improvavel que possamos atuar eficazmente num piano espiritual mais aprimorado. A capacidade de sentir a importancia das coisas comuns € uma forma especial de discemimento. Toda meditacao, toda predicao e projecao interior feita com o Taro iniciaAntes de se e termina com uma afirma?ao da for?a e estabilidade da Terra. invocar a Luz Divina, a pessoa precisa estar ligada a Terra. Alem disso, 6 necessdrio afirmar enfaticamente o retorno a consciencia normal, especialmente uma ao tennino de urn exercicio de projecao. Se isso nao for feito, pode ocorrer dissociacao ou confusao patol6gica dos pianos. atraves licao de Malkuth, o equilibrio dos quatro aspectos da Personalidade

A

de urn processo que poderia ser chamado de compensagao, e extremamente importante quando a pessoa est£ aprendendo a "Elevar-se atrav6s dos Pianos". A Personalidade precisa ser totalmente reequilibrada e reajustada depois de cada nova experiencia espiritual, urn processo que ocorre em Malkuth. A consciencia desperta 6 reintegrada a medida que as perspectivas da pessoa se modificam.

137


consistente, mas atrav6s de um processo de avancos e paradas. Primeiro adquirimos informacao ou um novo conjunto de valores e s6 depois paramos para integrar esse material ao nosso sistema. Isso precisa acontecer antes que as licoes possam ser aplicadas, razao pela qual nao podemos utilizar realmente os poderes de cada Sephira ate" que tenhamos sido iniciados na Sephira seguinte. Ao longo da Arvore, tem havido repetidas referencias aos quatro Elementos que constituem o Malkuth 6 a esfera na qual, em ultima andlise, MliT> elementos estao assentados. Eles se combinam de modo a produzir a estabilidade que conhecemos como materia. Eles nao sao propriamente o fogo, a &gua, oarea terra que vemos e tocamos, mas as forcas motoras subjacentes a esses elementos. Em termos mais simples e ainda que isso possa parecer inteiramente fantasioso quando algu6m acende um fdsforo, ele o faz apenas gra9as a Forca fgnea dos Espiritos do Fogo, o Fogo Elementar.

N6s nao aprendemos num fluxo

natural de atividade e passividade,

.

Os elementos com os quais entramos em contato nos Exercicios Tattva em formas antropomdrficas mais ou menos convencionadas, sao as forcas que estao por tris das configuracoes do Chakra Mundano, o mundo material.

O Chakra Mundano de cada categoria de existencia esta" em Assiah, o mais baixo dos Quatro Mundos. Aqui podemos uma vez mais considerar a idela de que cada Sephira cont6m toda uma Arvore. O Malkuth de Malkuth em Assiah 6 o chao sobre o qual pisamos; o Tiphareth de Malkuth em Assiah 6 o Sol em nosso C6u; Netzach 6 Venus, Hod 6 Mercurio e Yesod 6 a Lua. Todavia, aquilo que os nossos sentidos percebem 6 apenas a superficie do mundo

A

Materia (o todo de Assiah) 6 constitufda de particulas invias vemos apenas atrav^s de microsc6pios eletronicos, da forma como as forcas que ativam essas particulas s6 podem ser vistas

material.

sfveis a olho nu.

mesma com a visao Os

N6s

interior.

exercfcios dos Tattvas sao de Assiah (embora eles

possam facilmente

aprofundados no Mundo Yetzir£tico). Quando lidamos com os Gnomos, estamos entrando em contato com forcas de estabilidade situadas imediatamente abaixo da nossa esfera de sensacao, forcas que sao um amllgama de aspectos de tres elementos dentro de um quarto. Malkuth € uma unidade quadripartida. Lidar com os Silfos significa manobrar as forcas motoras do Ar, situadas diretamente abaixo do Chakra mundano de Yesod, a Lua. As Ondinas estao em HodMercurio e os Espiritos do Fogo em Netzach- Venus. Sera" muito proveitoso meditar a respeito da posigao de Malkuth na base da Arvore da Vida sobre o Pilar M6dio. Este € um receptaculo para todas as energias da Arvore. Elas sustentam Malkuth e estao assentadas na sua estabiser

lidade. A palavra inertia foi aplicada a esta Sephira significando mais um estado de descanso (estase) do que de inatividade, visto que o movimento continuo 6 uma lei da natureza. A diferenca entre Malkuth e as outras Sephiroth 6 que ela,

como

Kether, acha-se contida dentro de si mesma. Malkuth € chamada de Noiva de Microprosopus, denominacao que esta" relacionada com as Princesas do Taro. O Principe e Tiphareth, que rege a personalidade projetada em cada encarnacao. Entretanto, para que a personalidade tal

138


possa cumprir sua missao, ela tern de operar dentro de uma dada estrutura. A Princesa, enquanto noiva do Principe (que na verdade i um Rei) 6 a pr6pria estrutura (Reinado) atravSs da qual o Principe governa. Por exemplo: observamos repetidas vezes que, na iconografia crista, a Virgem Maria (Binah-Isis) 6 A Igreja. Ela 6 o ediffcio, os rituais, a estrutura de apoio sem a qual a religiao

nao conseguiria operar. Considerada num nfvel menos simb61ico, a escolha do Principe no sentido tomar a Princesa como sua esposa 6 a nossa propria decisao pessoal de de para uma nova encarnacao, com uma nova personalidade. O Eu Supepassar rior de Tiphareth constr6i a personalidade usando as energias seqiienciais de Netzach, Hod e Yesod. Essa personalidade 6 expressa atrav6s do vefculo da matena em Malkuth, Sephira que tambem 6 chamada de passagem. A uniao de dois princfpios da* origem a um terceiro, o qual se manifesta na forma de

um

quarto:

mn>

6 a Terra, ela â&#x201A;Ź ativa e produtiva, sendo chamada de Mae manifestacao de Binah, a Mae Superna, no arco inferior. Aqui percebemos que a uniao entre Vau e o ultimo Heh, tal como entre Yod e Heh, deve dar origem a alguma coisa mais. E produzida uma atividade renovadora

Como Malkuth

Inferior. Ela 6

uma

no ponto de Kether, atividade que reativa a forca de Chokmah, que sustem as energias formalizadoras de Binah, e assim por diante. Trata-se de um ciclo continuo que 6 simbolizado pelo Ovo ou pela Serpente a segurar a extremidade da prdpria cauda com a boca. Todavia, este circulo toma-se cada vez mais fechado, aproximando-se cada vez mais de Kether a cada volta. Mais cedo ou mais tarde, chega-se a um ponto na evolucao do Espirito da Humanidade em que a Arvore da Vida nao descreve mais o nosso universo. Os principals simbolos de Malkuth sao o Altar do Cubo Duplo e a Cruz Grega.

um em

O

Altar dos MistSrios Ocidentais e preto e constituido por dois cubos, cima do outro. HÂŁ aqui uma referenda ao principio "Assim como em

cima, assim tambem embaixo".

com

Alem do

mais, os seis lados estao relacionados

A

Cruz Grega sao os Elementos equilibrados. Os outros dois simbolos sao o Circulo Mistico, que define e cerca o solo sagrado, e o Triangulo da Arte, no qual ocorre a invocagao. Evocar significa trazer alguma coisa de outro piano para o nivel da manifesta?ao fisica, em geral usando o incenso como vefculo etenco. Invocar e" pedir a ajuda de uma forma especffica de Presenca Divina; trata-se de um ato semelhante a oracao, ainda que Tiphareth.

muito mais prdtico.

Os Dei Geralmente representa uma Forca completa, consolidada e plenamente desenvolvida, seja para o bem, seja para o mal. A materia estd completa e definitivamente determinada. Semelhante a forga dos Noves, mas concluindo-a e levando-a ate o fim.

139


DEZ DE PAUS, Senhor da Opressao (Saturno em Sagitario). Anjos do Decanato: Reyayel ( !?N>">T ) e Avamel ( t?KQ'K ). Esta carta € Malkuth em Atziluth, a influencia de Malkuth no Mundo do Puro Espfrito. Os poderes destrutivos de Saturno sao amplificados pela Rapidez de Sagitario, levando a aplicacao egofstica da forca material, geralmente com crueldade. Crowley representa a natureza dessa forca usando nao mais bastoes elegantes e sim toscos. A carta de Waite recorre a uma pesada carga para sugerir crueldade, malevolencia, forca e energia despoticas, injustiga.

X

^Jjg?

«*">*

¥ ¥ f 1 Y ¥ ¥

¥

J

*

.

DEZ DE COPAS,

Senhor do Sucesso Complelo (Marte em Peixes). Anjos do Decanato: Aasliah ( i\*bwy ) e Mihal ( bKii>Q ). Esta carta 6 Malkuth em Briah, a influencia de Malkuth no Mundo Mental inconsciente.

em que a interpretacao geral do signiNuma leitura astrol6gica, Marte em Peixes,

Aqui existe uma situacao

ficado astrol6gico nao 6 aplic&vel.

signo das £guas, significaria

uma

dispersao de energia e certa frustracao.

O

significado aqui, entretanto, e que o fogo de Marte faz as dguas do ultimo signo

do Zodiaco penetrarem impetuosamente em Briah, ocasionando grande sucesso 140


no piano

material.

Como sugerem

todas as imagens da carta, a felicidade

"vem

de cima". Por outro lado, deve-se ter em mente que o Taro, ao ser usado na predicao, e" mais eficaz quando aplicado as questoes terrenas; o significado dessa carta deve ser considerado de forma diferente quando aplicado a um piano mais espiritual.

Na

predicao

comum, como

resolvidas e consolidadas

DEZ DE ESPADAS,

esta carta significa questoes definitivamente se queria, sucesso

Senhor da Ruina (Sol

permanente e duradouro.

em Gemeos).

n^m

bKTPB. )Anjos do Decanato: Dambayah ( ) e Menqal ( Esta carta â&#x201A;Ź Malkuth em Yetzirah, a influencia de Malkuth no Mundo Astral. No que diz respeito as coisas materials, esta carta 6 a carta mais destrutiva do baralho, e ningu6m gosta de recebe-la numa seqiiencia. Todavia, os que usam o Taro como um instrumento de desenvolvimento espiritual aprendem a nao avaliar as experiencias da vida com base apenas em seu aspecto manifesto. Quanto ao uso do Taro para prever acontecimentos futuros, pode-se afirmar a respeito dele o mesmo que se diz em relacao a astrologia: "As estrelas influenciam mas

nao determinam." Nao somos escravos xdo nosso destino. Atraves dos processos interiores, temos a capacidade de melhorar consideravelmente a nossa sorte. Fazelo nao 6 menos 6tico do que desistir de um emprego quando fica claro que alguma calamidade relacionada com questoes profissionais surge no horizonte, ou caminhar na calcada quando "as cartas lhe dizem" que se andar no meio da rua voce provavelmente sera" atropelado por um autom6vel. N6s deveriamos fazer uso das faculdades com que fomos dotados.

O significado preditivo desta carta 6 ruina,

morte,fracasso, catdstrofe. Ela

indica mais claramente a morte do que a prdpria carta A MORTE, que geralmente significa uma morte circunstancial, uma transformacao.

DEZ DE PENTAGRAMAS, Senhor da Riqueza (Mercurio em Virgem). Anjos do Decanato: Hahaayah ( n*ynn ) e Laviah ( rPiKt? ). Esta carta 6 Malkuth em Assiah, a influencia de Malkuth no Mundo Material. Mercurio, Deus do com6rcio, rege o signo terreno de Virgem. Seu posiciona141


mento aqui assegura importancia,

uma

um

ganho material tao vasto que pode chegar a perder sua

situacao descrita

como

dificuldades produzidas pela riqueza.

Y>ÂŁfL*ÂŽ

A versao da Aurora Dourada segue o mesmo padrao do baralho de Marselha e representa o ganho por meio de rosas totalmente abertas. Tanto Waite como Crowley usam toda a Arvore da Vida para sugerir perfeicao; seguindo a atribuicao planetaria, a Arvore de Crowley apresenta vÂŁrios simbolos de Mercuric

As Princesas Elas representam as for gas do Heh Final do Nome em cada naipe, completando as influencias de outros niveis. A forte e influente filha de um Rei e de uma Rainha: uma Princesa poderosa e terrivel. Uma Rainha das Rainhas, uma Imperatriz, cujo efeito e uma combinagao daqueles do Rei, da Rainha e do Principe. [...] Seu poder 6 enorme e materialmente terrivel, constituindo

o Trono das Forgas do Espirito. Pobre de quern entrar

142

em

conflito

com

elal


A Rosa do Palacio de Fogo, As de Paus. Imperatriz das Salamandras, Trono do

PRINCESA DE PAUS, Princesa e

A

Princesa da

Princesa de Paus

e"

Chama

Brilhante,

a Terra do Fogo, a personificacao da Terra Especffica

do

da Aurora Dourada, sua mao repousa sobre um altar dourado decorado com cabecas de carneiros (Aries), lembrando-nos de que, no sistema

Fogo Fundamental. Na

carta

de Decanatos, Aries inicia e encerra a sene. O Fogo sendo "sacrificado" no altar de Malkuth, o Fogo do Bastao (agora tao imponente a ponto de ser considerado um bastao perigoso), e o Fogo sob os seus p6s, lancando-se para cima. Esta carta e" tao dinamica e

como o

imprevisfvel

Nesta

carta,

tar a atividade

Tigre que

assim

da forca

no elmo da Princesa.

esta"

como em

em

todas as cartas reais, Crowley tenta represen-

questao. Sua figura rodopiante, inseparÂŁvel do Tigre,

6 o aspecto mundano do Fogo. Aqui a dependencia de Crowley em relacao a idtia da carta da Aurora Dourada torna-se especialmente clara. Por fim, devemos comentar os "Pagens" de Waite e os Valetes do baralho de Marselha, ambos exotencos. Como essas cartas sao a "Noiva de Microprosopus", elas

devem mostrar uma

figura feminina.

O Heh

final

e"

a

Mae

Inferior.

Waite sabia disso e talvez tivesse evitado expressar uma id&a que ele considerava

um

segredo esoterico.

PRINCESA DE COPAS,

Princesa da

Agua

e L6tus do Palacio das Inundacoes,

Princesa e Imperatriz de Ninfas e Ondinas, Trono do As de Copas. A Princesa de Copas 6 Terra da Agua, a personificacao da Terra especffica

da Agua Fundamental.

Na

carta da

Aurora Dourada existem

tres

simbolos im-

portantes: a tartar uga, o cisne e o golfinho, sendo que este ultimo foi discutido

DE COPAS. A

Tartaruga e um simbolo de sabedoria propria carapaca); em alguns sistemas, de sua (porque 89 O cisne, porem, e o simbolo mais ela tambem esta" associada a longa vida. importante da Princesa, que usa uma capa feita de penas macias. O cisne estÂŁ

quando tratamos do DOIS

el a se retira para dentro

com Orfeu (que preferiu renascer nessa forma) e, portanto, com a e com todas as formas musicais. Os marinheiros acreditam tradicionalmente 90 que o cisne traz boa sorte.

relacionado lira

143


Em

PRINCESA DE PAUS Crowley

abstrai os tres simbolos da carta forma que sai da taca como sendo o descreva a da Aurora Dourada, embora cdgado que, no Hindufsmo, tern sobre sua carapaca o Elefante que sustenta o Universe Esta e\ portanto, uma carta da vida que emerge do mar e da mat6ria

que se

sua

cristaliza

na £gua.

PRINCESA DE ESPADAS,

Princesa dos Ventos Violentos, L6tus do PalScio do

Ar, Princesa e Imperatriz de Silfos e Sflfides, Trono do As de Espadas. Princesa de Espadas e" Terra do Ar, personificacao da Terra Especffica

A

no Ar Fundamental. A Princesa da Aurora Dourada fica de pe" junto a urn altar de prata sem nenhum fogo, de onde sai apenas fumaca, que pode ser levada para qualquer direcao pelo Ar de Yetzirah. Ela representa uma mistura de Minerva (Deusa da Sabedoria) e Diana (Deusa da Lua e da caca). O elmo, que descreve a sua personalidade, 6 uma cabeca de Medusa. A Medusa foi uma mulher muito bonita que, por ofender Atena, acabou sendo transformada da,

com

serpentes no lugar dos cabelos.

formaria os homens

em

pedra.

91

A

A

numa criatura hedionuma medusa trans-

simples visao de

sugestao aqui contida, portanto, 6 a de que

a personalidade da Princesa nao 6 muito agrad£vel. Deve-se tambem observar que € Perseu quem decepa a cabeca de Medusa. Ele tamb6m esta presente na

versao da carta

OS AMANTES

feita pela

Aurora Dourada, na qual e" represenum grande simbolista,

tado livrando Andromeda pretendia indubitavelmente que fiz6ssemos essa ligacao.

de seus grilhoes. Mathers,

PRINCESA DE PENTAGRAMAS,

Princesa das Colinas dos Ecos, Rosa do Gnomos, Trono do As de Penta-

Paldcio da Terra, Princesa e Imperatriz dos

gramas.

A

Princesa de Pentagramas 6 Terra da Terra, a personificacao da Terra Especffica no Mundo da Terra Fundamental. Seu atributo na Aurora Dourada

6 a cabe5a alada de um Carneiro (transformada por Crowley num capacete), sugerindo que ela 6 a conclusao do que foi encontrado na PRINCESA DE PAUS. 144


'..'.'"

'-"

":^

1

Si fi&\

IV i^X-X

&-_ »Iflk PRINCESS OF PENTACLES

.....

Prince, of

^— tH'fcs

-

*

As Princesas sao menos dcpendentes umas das reais, pois os

elementos estao combinados

em

outras

do que

as

demais cartas

Malkuth.

145


Os Arcanos Maiores na Arvore da Vida

Aplicagoes do Sepher Yetzirah Sepher Conforme ja" dissemos, o Tar6 geralmente estl relacionado com preimportante, curto porem Yetzirah ou o Livro da Criagao. Este documento, foi criado o nosso Universe tende descrever a estrutura racional e o modo como iluminadas, ele nao realmente obras as todas com acontece Entretanto, tal como estimulo a meditacao. urn como servir foi feito para ser lido e, sim, para abstratas para altamente palavras de Sepher Yetzirah usa o simbolismo sendo que figuras, de por meio descrever aquelas energias que o Taro descreve qualquer Assim, hebraico. os elos correspondentes sao as 22 letras do alfabeto comenurn considerado comentano sobre uma letra hebraica deve ser tambem tano sobre a carta do Taro correspondente a essa letra. Taro a partir do ponto de vista do Sepher Yetzirah acrescenta

O

Abordar o

antiqiiissimo importante dimensao ao estudo das cartas. A16m do mais, o diffcil. tarefa uma nao 6 documento 6 tao curto que essa aos Comecemos pela aplicacao de passagens selecionadas desse trabalho Arvore sobre a dispostos Trunfos do Taro, tal como eles sao tradicionalmente

uma

da Vida (Figuras 18 e

As

19).

Maternais: Ar, Agua, Fogo

nele 22 sons, as letras. Tres porem o Espirito surgiu delas sao primitivas, sete sao duplas e doze sao simples, 92 antes e estd acima de todas elas. nesse Ar R 6 Ar. Todas as outras cartas do Taro estao implfcitas

A partir do Espirito,

ele produziu

Areformou

O BOBO

Transicional; todas elas

146

surgem a

partir

do Ar.


O HIEROFANTE

Figura 18. Atribuiflo dos Arcanos Maiores a Arvore da Vida

A partir do Ar, Eleformou

as Aguas e, a partir do que era amorfo e vazio,

fez lama e argila e criou superficies sobre elas e escavou reentrdncias interior e formou o so lido material de sua base.

em

seu

ft O ENFORCADO 6 Agua. Esta 6 a base da materia e uma parte do Microprosopus sobre a Arvore da Vida, no lado do Pilar da Severidade. Os Alquimistas chamam a Agua de "origem de todos os minerais". A partir da Agua eleformou o Fogo efez para si mesmo um Trono de Gloria, tendo como anjos assistentes Aufanim, Serafim e Querubim; e com esses tres ele

completou sua morada... 147


MATERNAL

111 ~ ]

Figura 19. Atribui9lo das Letras Matemais, Duplas e Simples

K>

O JULGAMENTO

noiva, Malkuth, mais

6 Fogo.

uma vez no

A

a

DUPLA SIMPLES

Arvore da Vida

ultima maternal liga Microprosopus a sua

lado do Pilar da Severidade.

Da mesma forma

como o Caminho da Espada Flamejante (figura 20), que e" o Caminho da emanacao das Sephiroth, atravessa o Abismo entre Binah e Chesed, onde nao existe nenhum caminho, tambem â&#x201A;Ź possfvel a existencia de uma passagem atrav6s do Abismo entre Chokmah e Geburah (embora esta nao seja uma possibilidade viavel para o espfrito em desenvolvimento). Se isso fosse feito, seria possfvel subir e descer pela Arvore da Vida usando-se apenas os tres Caminhos das Matemais. A partir de Kether, o Caminho de O BOBO conduz a Chokmah. De Chokmah 148


Figura 20. As Cartas no "Caminho da Espada Flamejante*

um salto atrav6s do terrfvel abismo ate" Geburah. Depois de Geburah existe o Caminho d'O ENFORCADO at6 Hod. Por fim, o Caminho do JULGAMENTO conduz a conclusao material de Malkuth. Embora haja algo de "jogo mental" neste modo de utilizar o Sepher Yetzirah, o mÂŁtodo 6 de fundamental importancia para a compreensao das maneiras ha"

pelas quais o Taro incorpora elevados princfpios cabalfsticos.

149


As

Letras Duplas: Planetas, Localidades,

Dias, Portoes, Contrastes comentano inicial sobre as Letras Duplas afirma que elas recebem esta Na denominacao "porque cada letra representa urn contraste ou permutagao".

O

verdade, cada

uma

dessas sete letras tern duas pronuncias,

uma

dura e outra

branda.

dizem respeito, respectivamente, a Vida e a Morte, a Paz e a a IndigGuerra, a Sabedoria e a Insensatez, a Riqueza e a Pobreza, a Graca e pares de sao os Esses nacao, a Fertilidade e a Solidao, ao Poder e a Servidao. opostos que podemos associar aos Trunfos do Tar6 correspondentes. Acima, Abaixo, Estas Sete Letras Duplas apontam para sete localidades: no meio deles situado Santidade, da Paldcio para o Oeste, Norte, Sul e

As

letras

Leste,

e sustentando lodas as coisas. Isto descreve o Hexagrama, o qual centrais da Arvore da Vida (Figura 16).

esta"

relacionado

com

as Sephiroth

elas forEle criou, produziu e combinou estas Sete Letras Duplas e com da Portoes os Semana, e mou os Planetas (estrelas) do Universo, os Dias da Alma (os orificios de percepgdo) no Homem. Logo no infcio, 6 importante considerar que, como os Planetas sao atribufdos aos

Caminhos (Figura

21), eles

nao sao os mesmos planetas atribufdos

as

ou os Metais Sephiroth, os quais, num determinado nfvel, sao os Chakras corporais este difere mas MerciSrio, corresponde exemplo, dos Alquimistas. Ao MAGO, por

chamou do Merctirio que e o chakra terreno da Sephira Hod. Este e o que Mathers de "Mercurio Filos6fico". Os Caminhos associados aos Planetas devem ser considerados transicionais, atribufdos: eles da mesma forma como os Caminhos aos quais os Elementos sao sempre representam a acao de uma energia sobre outra, porque ligam duas Zodfaco, nos Sephiroth. O mesmo poderia ser dito a respeito dos Caminhos do do Zodfaco. Signo meio do por ocorre outro sobre urn Planeta quais a agao de parece, Seria agradavel poder sugerir que isso na verdade nao £ tao diffcil quanto esforco um requer conceitos desses compreensao porem nao e este o caso. A inteherculeo por parte daquele que pretenda abordaMos de forma puramente contato Tard. O cartas do lectual. A safda € fazer uma projecao astral com as realmente esses prindireto com essas energias e* a unica maneira de conhecer cfpios, os quais sao necessariamente expressos com frieza.

=i

T >

3 a

n n

150

O A A A A O O

MAGO

6 Mercurio, Vida-Morte. IMPERATRIZ 6 Venus, Paz-Guerra.

GRANDE SACERDOTISA 6 a Lua, Sabedoria-Insensatez. RODA DA FORTUNA 6 Jupiter, Riqueza-Pobreza. TORRE € Marte, Graca-Indigna9So. SOL £ o Sol, Fertilidade-Esterilidade. UNIVERSO £ Saturno, Poder-Servidao.


Estas sao as principals correspondencias enire os Planetas e as cartas do

Tar6, embora, conforme indicam as ilustracoes, cada Signo do Zodfaco seja regido por um Planeta. Existem apenas tres Caminhos na Arvore da Vida em relacao aos quais nao existe

nhos das Maternais.

nenhuma referenda

planetaria; estes sao os

Cami-

Um princfpio extremamente importante baseia-se neste fato

e na disposicao especffica das maternais na Arvore da Vida.

JUPITER

A Roda da

Figura 21. Atribui^oes planetirias

em

negrito.

Tambem em

a

Fortuna

Arvore da Vida. Os planetas ligados

as Sephiroth sao indicados

negrilo estao aqueles planetas diretamente atribuidos aos Caminhos; os Arca-

nos Maiores associados aos planetas sao apresentados embaixo. Os sete Caminhos planeiarios sao as sete letras duplas

do Sepher Yetzirah. Os planetas

em

itdlico sao

Caminhos atribuidos aos signos do

Zodiaco rcgidos por esses planetas. Observe que os unicos Caminhos que nao estao relacionados aos planetas sao aqueles das letras hebraicas Maternais:

K

(Ar),

?3

(Agua) e

D

(Fogo).

151


Letras Simples: Signos do Zodiaco

As

As doze

Audigao, Olfato, Fala, Paladar, Jubilo, Imaginagao e Sono. ...Ele

a base dessas doze propriedades: Visao, Sexual, Trabalho, Movimento, Cdlera,

letras simples... constituent

Amor

criou e combinou estas

Doze Letras Simples

e

com

elas

formou as

Doze constelagoes celestials do Zodiaco. (A Figura 22 mostra os Signos do Zodiaco sobre a Arvore com os Arcanos Maiores correspondentes do Tar6. Este diagrama deveria ser estudado com a Figura 23, a qual considera a atribuicao dos Elementos ao mesmo Signo em cada Caminho.) n l

T

n o > i?

3

y * p

O IMPERADOR i Aries, Visao. O HIEROFANTE 6 Touro, Audicao. OS AMANTES i Gemeos, Olfato. O CARRO Cancer, Fala. A FOR£A Leao, Paladar. O EREMITA Virgem, Amor Sexual. A JUSTI£A 6 Libra, Trabalho. A MORTE 6 Escorpiao, Movimento. A TEMPERAN£A 6 Sagitano, Cdlera. O DIABO 6 Capric6rnio, Jubilo. e"

e"

e"

A ESTRELA 6 Aquano, A LUA 6 Peixes, Sono.

Imaginacao.

Assim, a totalidade da condicao humana esta" representada nos 22 Arcanos Maiores, sendo que as Cartas Maternais constituem as principais forfas do o espfrito; as cartas das Letras Duplas sao as condicoes opostas que afetam sao as Simples Letras das cartas as encarnagao; determinada indivfduo numa atividades as quais a pessoa se dedica.

termos de Microcosmo e Macrocosmo, as Letras Maternais sao as origens de qualquer forma de consciencia, as Letras Duplas sao os portoes ou sobre a oriffcios do corpo e as Letras Simples sao os drgaos. A meditasao

Em

encarna?ao dos diversos aspectos das

letras

ira"

produzir algumas descobertas

bastante profundas.

O

Cubo do Espa^o

Urn ligeiro sentimento de desespero talvez seja uma reacao comum quando algu6m toma contato pela primeira vez com este diagrama (Figura 24), o qual pode dar a impressao de acrescentar a ultima gota d'£gua ao que ft era urn simbolismo insuportavelmente pesado. Na verdade, porem, qualquer um que consiga interpretar um mapa do metrd de Nova York nao ter£ nenhuma dificulUniverse dade com o Cubo do Espaco. Trata-se de um tipo de mapa interno do 152


apresentado no Sepher Yetzirah, onde 6 atribufda

uma

direcao a cada letra do

alfabeto hebraico.

poderiMuitos dos sfmbolos neste livro sao muito mais acessfveis do que poderia exemplo, e urn bom am parecer a primeira vista. O Cubo do Espaco e cabalfsticos foram produziservir para demonstrar em que medida os sfmbolos aprendizado. dos para serem usados em nossos processos internos de

sao as doze Figura 22. Signos do Zodfaco na Arvore da Vida. Os Doze Caminhos Zodiacais

letras

simples

do Sepher Yetzirah.

153


Quando sentamos calmamente, tomamo-nos capazes de imaginar nossos pensamentos, sentimentos e nosso ser espiritual sendo controlados a partir de um ponto central situado na cabeca. Este talvez possa ser chamado de ponto "I". Uma vez que tenhamos dirigido a nossa atencao para esse ponto interno, poderemos comecar a pensar no modo como ele se relaciona com os princfpios de interior. Esses princfpios sao os cantos e arestas do cubo. Portanto, temos de fazer de conta que a nossa consciencia esta" dentro de um cubo, dando assim a nossa inteligencia algo de concreto, embora artificial, com que iniciar

um universo

a exploracao interior.

Flgura 23. Os Signos do Zodfaco na Arvore da Vida como Elementos Cardeais, Fixos e Mutdveis.

154


6 bastante simples, ainda que seu simbolismo apresente diferente daquele encontrado na Arvore da Vida. Alem disso,

O Cubo do Espaco urn padrao muito

este Cubo do Espaco, nao atribui documento nao e facil relacionaMo com a Arvore! O problema 6 que o hoje. conhecemos especificamente os Caminhos entre as Sephiroth, tal como os 22 os todos temos visto, algumas versoes da Arvore nao apresentam

embora o Sepher Yetzirah descreva com grande precisao

E,

como

Caminhos.

Uma possfvel o os

uma

livro representa

mundos

um grande niimero de estudiosos, 6 que de fundir dois diferentes m&odos de abordar tipo de 16gica semelhante aquela dos neopita-

explicacao, aceita por tentativa

usando

interiores

um

LESTE-ACIMA

T

OS AMANTES

ACIMA

O MAGO

OESTE-ACIMA

A TEMPERANCA I

cc

IO !< ice

-i

0^

LESTE A IMPERATRIZ

<t

gQ JULGAMENT QffX NORTE >v

4r DA

n

A SUL

CENTRO

O UNIVERSO

1째

fortuna OESTE

ro'da da 1

u jO /

n

O CARRO

LESTE-ABAIXO

f/4?

4F

>

A GRANDE SACERDOTISA

ABAIXO y

O DIABO OESTE-ABAIXO

Figura 24.

O

Cubo do Espaco

155


em voga nos s6culos II e III d.C. 93 O mfnimo que se pode dizer como em relacao ao Bahir) existem aspectos de Sepher Yetzirah que

g6ricos, muito

6 que

(tal

nao se adaptam facilmente a nossa moderna estrutura simb61ica. Por outro lado, o Cubo do Espaco demonstra certos relacionamentos que nao sao de maneira alguma evidentes na Arvore da Vida. Um exemplo importante 6 o cruzamento das tres Maternais no ponto do UNIVERSO (Tau). Isto tambem e" mais consistente com as direcoes do ritual traditional: Leste, Oeste, Norte e Sul. Gareth Knight chama a isso de "Compartimento Superior", 94 um m6todo de relacionar nossas perspectivas espaciais mundanas a uma experi&ncia

com

interior,

os prop6sitos de orienta?ao.

Devemos

deixar

bem

claro,

porem, que nenhum dos sistemas externos indica

realmente a qualidade da experiencia interna dos Caminhos. A razao pela qual todos eles parecem tao complexos e desarticulados 6 o fato de tentarem sugerir

podem ser descritas adequadamente pela nossa linguagem. Nao importa quao dogmÂŁtica a pessoa possa ser a respeito do emaranhamento experiencias que nao

intelectual de sfmbolos;

o mais intricado comentano a respeito dessas questoes

freqiientemente assemelha-se as proposicoes dos clengos medievais que discu-

tiam quantos anjos poderiam caber na cabeca de um alfinete. Todavia, algumas afirmacoes que pareciam ser meramente simb61icas revelaram-se descricoes

uma experiencia universal. Cabe ao discernimenuma coisa da outra. Apenas a experiencia interior desses

extraordinariamente precisas de to

do estudioso

distinguir

Caminhos deixa

claro o que os vdrios sistemas de sfmbolos estao tentando Enquanto nao entramos em contato direto com as energias das cartas do Tar6, n6s nos esforcamos para formar conceitos acerca dessas energias por meio de t6cnicas artificiais, como a Arvore da Vida, e atrav6s de m6todos como a manipulacao cabalfstica de numeros. explicar.

Numerologia

A numerologia cabalfstica 6 chamada de Gematria. Ela implica simplesmente tomar os valores numencos de cada letra hebraica de uma palavra e somÂŁ-los. As palavras com o mesmo valor total tern teoricamente alguma relacao conceitual,

pode

embora ser

A

este princfpio possa ser levado a extremos absurdos.

uma

armadilha

A

Gematria

futil.

numeros e

letras, por6m, frequentemente sugere alexemplo: }& consideramos a interacao entre Chokmah e Binah, cuja uniao resulta em Tiphareth. Yod e Heh dao origem a Vau. Convertidos em numeros, Yod 6 10 e Heh 6 5. A soma deles 6 15, niimero que pode ser reduzido a 6, o valor num^rico de Vau. Mesmo os mais ce'ticos talvez

gumas

inter-relacao entre

idÂŁias profundas. Por

concordem que 6 interessante o fato de a relacao entre os valores numencos ser mesma que a existente entre as letras como valores filos6ficos. Esses padroes ocorrem com tamanha freqiiencia que parecem claramente ter sido criados para nos comunicar alguma coisa. precisamente a

A

excelente explicafao da Gematria feita por Westcott foi reimpressa por

Aleister

156

Crowley em seu Equinox. 95 Reproduzimos aqui

um

de seus exemplos


Nome de Deus U>t6r tin (Ruach Elohim), que significa Espfrito valores num6ricos desta frase podem ser facilmente obtidos, tal Elohim. Os de como e" mostrado abaixo. Tendo apurado que as letras da frase tern urn valor total de 300, descobrimos urn paralelo com a letra Skin, que tambem vale 300. Shin utilizando o

6 a

letra

maternal do Fogo espiritual.

o numero de Binah, implicando a existenrelacao de Ruach Elohim e das potencias simbolizadas por Shin com

Se 300 cia de

uma

for reduzido, torna-se 3,

a primeira Sephira formativa.

V 1

n

= 200 = 6 = 8 1

30 5 10

40 total

Letra

Nome

Equivalente

300 Valor

Significado

1

Boi Casa

(final)

H

A

n

ALEPH BETH GIMEL DALETH HE

i

VAU

o.u.v

T

ZAYIN

Z

n

HETH TETH

Ch

8

T

YOD

I,

9 10

KAPH

K,

LAMED

y A "T

D y

3

(I)

b

O J

CD) (1)

t>

y a

(1) (V)

B,

V

2

G, D,

Gh Dh

3

Camelo

4

Porta Janela

H

Y

Prego ou Gancho Espada ou Armadura Cerca, Cercado Cobra

Mao

20,500

Punho

L

30

Aguilhao

MEM

M

Agua

NUN SAMEKH

N

40,600 50,700

60 70

Esteio

AYIN

S Aa,

PE

P,

TZADDI

Tz

P

QOPH

Q

T

RESH

R

*

Kh

5 6 7

Ngh

Ph

E7

SHIN

S,

Sh

n

TAU

T,

Th

80,800 90,900 100

200 300 400

Peixe

Olho Boca Anzol Orelha,

Nuca

Cabeca Dente Cruz

O ALFABETO HEBRAICO 157


AtravSs da Gematria, partes.

uma

energia "total" & considerada a

soma de suas

A mesma

soletrar

abordagem pode ser feita graficamente, usando-se o Tard para os Nomes de Deus. Ruach Elohim, por exemplo, 6 constitufdo pelas

energias simbolizadas pelas seguintes coisas: 1

O SOL

1

HIEROFANTE

n

CARRO

OBOBO b n

A JUSTICA IMPERADOR

i

EREMITA

ENFORCADO Conjuntos de Caminhos

Uma

outra maneira de considerar os Arcanos Maiores

equilibrio e de opostos (Figura 25).

Aqui

e"

em

termos de

O BOBO 6 visto como o oposto de de O HIEROFANTE com base em

ou O CARRO como oposto suas posicoes na Arvore da Vida. E importante observar que o importante aqui 6 a posicao, visto que alguns autores usam outros critenos para determinar os

O MAGO, opostos.

Depois de utilizar a Gematria para estudar o funcionamento interno da Arvore da Vida, a pessoa comeca a procurar Caminhos que estejam relacionados de alguma maneira especial. A respeito disso, ja" sugerimos que certos conjuntos (tres) de Caminhos definem aspectos do Eu Superior, a saber: o Supremo Eu Espiritual, o Eu Superior e a Personalidade. Outros conjuntos de Caminhos sao mais 6bvios, tais como aqueles da Espada Flamejante (Figura 20), onde cada carta e" importante para o processo de emanacao do Universe Um dos mais poderosos conjuntos de Caminhos e" o Pilar M6dio, englobando

A GRANDE SACERDOTISA, A TEMPERAN£A e O UNIVERSO

(Figura

diagrama nos diz basicamente que 6 experimentando tres diferentes tipos de energia que podemos alcancar o conhecimento da Divindade Suprema. Se aplicarmos da mesma forma as definicoes dos Trinta e dois Caminhos Sabedoria (Figura 27), encontraremos esses tres Caminhos principals na ordem de de seu progresso em direcao a Divindade: A Inteligencia Administrativa (O UNIVERSO), a estrutura organizadora por tr£s do nosso ambiente material; A Inteligencia da Provagao (TEMPER AN£ A), talvez o Caminho mais dificil de toda a Arvore da Vida, o Caminho da Alquimia Espiritual e da terrivel "Noite Escura da Alma", levando ao mergulho deliberado da Personalidade na consciencia do Eu Superior; A Inteligencia Unificadora (A GRANDE SACERDOTISA), o Caminho atrav6s do qual tudo o que aparentemente foi afastado da Di26). Este

vindade volta a juntar-se a 158

ela.


,0

A JUSTIQA

HIEROFANTE

EREMITA

O ENFORCADO

A RODA DA FORTUNA

O JULGAMENTO

Figura 25. Cartas consideradas como oposios

A

questao aqui 6 a medida que os antigos documentos cabalisticos aumen-

tam nossa compreensao do Taro e vice-versa.

159


Figura 26. As

cartas

no Pilar M6dio. Embora existam na verdade apenas

tres cartas

sobre o Pilar MSdio,

percorrer esses Caminhos significa lambent "passar pelas" poderosas energias simbolizadas por Ires outras cartas. Observe ainda que o Caminho de A Grande Sacerdotisa estende-se atraves do Abismo.

O

Arranjo Inicial do Taro

Como temos visto, a Arvore da Vida baseia-se num principio muito simples: uma energia positiva e outra negativa, combinadas, produzem um novo terceiro tipo de energia que esta" em equilfbrio. Estas sao Yod, Heh e Vau, do Nome Divino. Uma variedade de termos descrevem este padrao, tais como: 160


Figura 27. Os Caminhos segundo os Trinta

e

Dois Caminhos de Sabedorla

Masculino, Feminino e Neutro, ou Pai, Mae e Filho. A Figura 28 qualifica as Sephiroth como Forga ou Forma, enquanto os Caminhos sao classificados como Ativadores ou Formativos. Essa ligeira distincao 6 feita para chamar a atencao para o fato de que as Sephiroth sao centros de energia ao passo que os Caminhos sao experiencias subjetivas entre esses centros. Antes de prosseguir, parece importante chamar a atencao para o fato de que

complexa discussao que se segue 6 apresentada nao tanto pelo seu conteudo mas sim pelo metodo utilizado para analisar a Arvore. a

161


os CaFigura 28. Padroes de Forma e For9a na Arvore da Vida. Os Caminhos Alivadores sao o 1 Observe minhos Formativos sao o H ; os Caminhos transversals e aqueles do Pilar Medio sao os 1 ;

.

que a palavra "formativo" e usada aqui no lugar de "passivo", como preferem alguns autores. Nao existe inÂŁrcia na Arvore da Vida; ela esli constantemente em alividade e o processo formativo 6 uma resposta a ativacao. Ele nao 6 neutro no sentido que seria indicado pela palavra passivo. Aqui talvez fosse util considerar o fato de que

(assim

O IMPERADOR 6 mais urn Caminho Formativo que O IMPERADOR) ÂŁ vermelho vivo em Atzilulh.

ativador, e

de que Binah

como o Caminho de

A Arvore da Vida 6 urn sistema de triangulos constitufdos por Caminhos que podem ser Ativadores, Formativos ou Equilibradores. Este 6 urn padrao universal. A luz desse padrao, voltemos a idem de que cada um dos triangulos principais da Arvore diz respeito a uma parte da Alma: O Triangulo Supemo 162


o Triangulo £tico 6 o Eu Superior e o TriSngulo Astral principalmente por a Personalidade encarnada. Esta idem, que foi desenvolvida 96 nove cartas do Taro: Dion Fortune, atribui uma importancia especial a

€ o Supremo Eu

Espiritual;

O EU ESPIRITUAL

TRIANGULO SUPERNO

O BOBO (Ativador) O MAGO (Formativo) A IMPERATRIZ (Equilibradora) EU SUPERIOR

A FOR£A (Equilibradora) O EREMITA (Ativador) A JUSTI^A (Formativo)

TRIANGULO ETICO

A PERSONALIDADE

A TORRE

TRIANGULO ASTRAL

(Equilibradora)

A ESTRELA (Formativo) O SOL (Ativador)

estrutura central de cada parte do Eu Superior 6 constitufda por tres aspectos: um Ativador (Yod-Fogo), urn Formativo (Heh-Agua) e uma energia

A

Equilibradora (Vau-Ar), conforme € mostrado na Figura 29. Uma importante pista para a decifracao desse simbolismo 6 que Heh-Agua, onde quer que apareca, significa consciencia. Em algumas cartas do Taro, esta 6 uma Consciencia outras i a consciencia pessoal. Yod-Fogo 6 o prind'Olivet chamou de "princfpio volitivo intelecFabre cfpio motor (aquilo que entre esses dois tual"). E sobre ele que a consciencia atua. Vau-Ar 6 o equilfbrio compreenimportante E eles. princfpios, o qual torna possivel a interacao entre

Universal, ao passo que

em

der que esse padrao 6 implfcito a todos os niveis. Tendo conhecido as atividades de Yod, de Heh e de Vau nas estruturas centrais do Eu Superior passamos a procurar pelo mesmo padrao nas energias dos Caminhos em torno dessas estruturas centrais.

do Eu Superior estao claramente definidas. O que falta, portanto, i uma compreensao do relacionamento entre essas cartas e as outras. Sabemos, antes de mais nada, que cada Caminho representa uma licao especfcompreensao do fica acerca do Eu Superior, uma licao necessana para a plena Verelacionado. esta" aspecto central (triangulo) do Eu Superior com o qual ele atraoperam Sephiroth, remos aqui que os Caminhos secundarios, tal como as

As nove

cartas

163


O EU ESPIRITUAL (MISTERIOS SUPREMOS)

ESTRUTUFU

DO

ESPfRITO*

Extremo

Extremo

Estabilizador-

-Estabilizador

Ativador

Formativo

Caminho de Conexao

Formativo

Caminho

Ativador

de Conexao

ESTRUTURA DA

O EU SUPERIOR

INDIVIDUALIDADE

(MISTERIOS MAIORES)

Extremo

Extremo

Estabilizador-

Estabilizador

Formativo

Ativador

Caminho

â&#x20AC;˘Caminho

-

Formativo de

Ativador de

Conexao

Conexfio

A PERSONALIDADE

ESTRUTURA DA PERSONALIDADE

(MISTERIOS MENORES) I

Ativador

Formativo

O CORPO FISICO

Figura 29. Este diagrama extremamente complicado baseia-se na ideia de que cada urn dos Triangulos da Arvore representa uma determinada parte da Alma, O Eu Espiritual, O Eu Superior e A Personalidade. Se aceitarmos esta ideia estamos admitindo que nove dos Caminhos (representados em preto) sao especificados, cada urn deles sendo o positive, o negativo ou o equilfbrio de um aspecto da Alma. Neste caso, faz-se necessaria a seguinte pergunta: como os ouiros treze Caminhos se relacionam com os nove especificados?


v6s da Arvore da Vida de acordo

com o mesmo padrao de

energia

em

zigue-

zague. Considerando apenas os Caminhos mais extemos:

O CARRO

O fflEROFANTE (Formativo)

(Ativador)

A RODA DA FORTUNA

O ENFORCADO (Formativo)

(Ativador)

A LUA

O JULGAMENTO

(Formativo)

(Ativador)

Os quatro Caminhos

superiores sao os extremos de energia que sustentam

os Pilares opostos e que, portanto, sao dotados de

uma

extraordindria energia

ou Formativa. Nessa altura descobrimos que em cada um dos nfveis os dois caminhos de cada lado do Pilar Medio compartilham as qualidades das cartas que estao ao lado deles. Surge assim um arranjo ainda mais complexo e interessante, o qual revela a existencia de relaestabilizadora que

pode

ser Ativadora

coes entre as cartas que, de outra maneira, permaneceriam ocultas:

O CARRO

O fflEROFANTE (Formativo)

(Ativador)

OS AMANTES

O IMPERADOR (Formativo)

(Ativador)

O ENFORCADO

A RODA DA FORTUNA

(Formativo)

(Ativador)

A MORTE

O DIABO (Formativo)

(Ativador)

O JULGAMENTO

A LUA (Formativo)

(Ativador)

Cada Caminho Extremo Estabilizante esta" relacionado com um Caminho de Conexdo interior (ou seja, OS AMANTES, O IMPERADOR, O DIABO, A MORTE). Em vez de serem parte integrante de algum Pilar, esses Caminhos interiores ligam os diversos nfveis do Eu Superior, eles tamb6m podem ser considerados os extremos menos importantes das energias Ativadoras e Formativas. Eles e os Caminhos do Pilar M6dio podem ser chamados de Caminhos Probatorios.

Embora

essas definicoes sejam de certa forma arbitrÂŁrias, nao

deixar de fazer

uma

tentativa de organizar nossos

perspectiva intelectual mais ampla.

E

a partir dai

podemos

conhecimentos dentro de uma que comecamos a internalizar 165


e a personalizar conceitos, e passamos a encarar a nossa vida de forma diferente. Este processo pode ser doloroso e frustrante. Todo o mundo que trabalha seriamente com a Arvore da Vida chega a urn

que nao consegue mais interpretar os sfmbolos de acordo com seu em que os sfmbolos parecem um tanto insfpidos Af a pessoa come^a a se perguntar: De que forma significado. destitufdos de e Maiores do Taro est£ relacionado especifiArcanos Caminhos e cada um dos surgir a partir de uma observa?ao interna questao pode camente comigo? Esta indivfduo, aquilo que os Mistenos Herpensamento do do prtfprio processo de meticos chamariam de "observar o observador". Todos temos consciencia da

ponto

em

significado manifesto, ocasiao

nossa pr6pria consciencia, embora isso seja algo em que pouquissimas pessoas algum dia pararam para pensar. Alem disso, ao observar o processo de prestar atencao em nos mesmos, poderfamos muito bem perguntar de que forma a consciencia e a observacao da consciencia se encaixam na Arvore da Vida. Para responder a esta questao, consideremos o nosso corpo. A Cabala coloca vefculos ffsicos em Malkuth (usando o sistema de uma s6 Arvore) ou nossos os

em

Assiah (de acordo

o corpo seja

um

todo,

com o

sistema de quatro Arvores).

atuando como uma unidade em

A16m do

mais, embora

toda operacao fisica que

realizemos, n6s imaginamos seus componentes separadamente a fim de podermos compreender sua contribuicao individual para o funcionamento do conjun-

cabeca nao € a mao, ainda que uma nao funcione sem a outra. Nao 6 diffcil atribuir ao corpo as diversas partes da Arvore da Vida. Para isso nao 6 necesto.

A

nenhum grande esforco intelectual. Todavia, ao nos tornarmos conscientes da nossa consciencia, a Personalidade "I" que funciona dentro de nossas cabecas, talvez tenhamos dificuldades para relacionar aquilo que observamos a Arvore da Vida. Nossa autoconsciencia (que na verdade est£ limitada a Personalidade, na maioria de n6s) nao se ensario

da Arvore da Vida. O conjunto de pensamentos e sentimentos que observamos nao parece aplicavel especificamente a alguma Sephira ou Caminho. Pode-se dizer que Hod e" intelecto, que Netzach 6 intuicao e sentimentos, ou mesmo que Yesod € a nossa capacidade de imaginacao. Entretanto, quando pensamos em alguma coisa, nao estamos operando exclusivamente em Hod, e quando usamos nossa imaginacao tambem nao estamos funcionando exclusivamente em Yesod. Essas qualidades nao sao especfcaixa totalmente

em nenhuma

parte

ficas e, sim, fluidas e misturadas.

Na verdade, operamos

necessariamente

em

todos

A consciencia da

nossa Personalidade 6 o efeito os Caminhos ao mesmo tempo. Embora nao tenhamos como nfveis inferiores. combinado do que acontece nesses capacidade de sentir, podemos separar a nossa capacidade de pensar da nossa Faze"Dissolugdo"). nos concentrar numa ou noutra (o processo alqufmico de lo € iniciar a viagem consciente por um Caminho onde encontramos a trilha deixada por muitos outros que seguiram esse mesmo processo. Os Caminhos sao, em parte, a separacao artificial dos 22 aspectos distintos da consciencia; eles tambem sao o encontro das mesmas qualidades especificas da consciencia Universal da humanidade. Usando a fdrmula "Assim como em cima, assim

tambem embaixo", comecamos por 166

estudar nossas funcoes intelectuais e intui-


A medida que comecamos a compreende-las comecamos

tivas.

padroes

em

a reconhecer seus

todos os seres humanos.

Pode-se compreender, assim, por que essas qualidades s6 podem ser expressas em termos de sfmbolos. A separacao entre o Corpo, a Personalidade, o Eu Superior e o Espfrito 6 apenas conceitual, e os sfmbolos nos proporcionam um

ponto de convergencia para o estudo de qualquer aspecto especffico do todo inerentemente indivisfvel.

32.

O O A

Caminho do

Tail

Universo Vigisima Primeira Carta

COR DO CAMINHO:

SOM RELACIONADO:

fndigo La"

Natural •

PLANET A:

SIGNIHCADO:

Saturno

Cruz Tau,

Cruz Grega •

LETRA DUPLA: Poder-Servidao

TITULO ESOTERICO: A Grande Unidade da Noite do

Tempo

9SM IwxT KMm s^^^^H f

THE \YORLd!|

I.

TRINTA E DOIS CAMINHOS DE SABEDORIA: O Caminho 4 a

Inteligencia Administratis a, sendo assim

J

Trigesimo Segundo denominado porque

em todas as suas operagoes os sete planetas, tando todos eles no seu devido cur so. dirige e associa

mesmo

es-

167


estudo dos Caminhos inicia-se, nao pela primeira carta, O BOBO, mas 97 pela ultima, O UNIVERSO. Isto acontece porque ascendemos pela Arvore da Vida, partindo da nossa perspectiva material ("embaixo") para alcancar as esferas do Puro Espfrito ("em cima"). Nossa compreensao a respeito dos padroes

O

no que aprendemos aqui na Terra. E aqui que todo trabalho esotenco seno comeca e termina, ja" que a nossa Consciencia universais mais aperfei9oados baseia-se

Divina

O

esta"

operando atrav6s de

Caminho do Tau,

Alicerce). Este

a

e"

o primeiro

uma compreensao da

um

vefculo ffsico.

O UNIVERSO, Caminho

une Malkuth

Yesod

(a Terra) a

(o

fora da condicao material e nos conduz

Personalidade forjada pelo Eu Superior de Tiphareth para

cada encarnacao. Os Trinta e Dois Caminhos de Sabedoria

chamam

a isto de

"Intelig6ncia Administrativa" e dizem que ela "dirige e associa em todas as suas operacoes os sete planetas". Em termos simb61icos, este Caminho liga a Terra

aos poderes equilibrados de Microprosopus representados pelo Hexagrama (sete planetas sobre a Arvore da Vida). O Tau 6 a ultima letra do alfabeto hebraico. Entre o Aleph e o Tau esta"

termos greco-cristaos de Alfa e Omega, o im'cio uma cruz em forma de T ou uma cruz com os tamanho, o que e" bastante apropriado para a posicao que ocupa

todo o universo, chamado

em

e o fim. Tau bracos do mesmo no Cubo do Espaco descrito no Sepher Yetzirah. Esse livro refere-se ao Tau como ao "Paldcio da Santidade que sustem todas as coisas". Ele e" ao mesmo tempo "Poder e Servidao". A16m do mais, considerado em relacao ao Cubo do Espaco, ele e" encontrado exatamente no centro as formas simbdlicas de Aleph, Mem e Shin das tres Letras Maternais significa cruz, seja

energia a partir das quais a manifestacao foi criada.

,

O

Caminho

O UNIVERSO

porque situado no ponto onde todos eles se cruzam (veja € a chave de tudo mais uma vez a Figura 24). Este ponto de cruzamento, onde essas energias primanas estao equilibradas, e" o sanctum sanctorum dos mist£rios. Alguns autores chegaram ate" mesmo a chamar este caminho de "C6u" ou "Nirvana" para indicar que ali a pessoa experimenta a consciencia do universo maior, uma realidade ultima em comparacao com a nossa condicao sensorial. A fdrmula "Assim como em cima, assim tambem embaixo" significa que a nossa experiencia com o padrao universal completo dos niveis inferiores nos diz algo a resisso,

do Criador que existe em cima. Um sfmbolo que pode ser aplicado tanto a O BOBO como a O UNIVERSO, o im'cio e o fim, € a Sudstica ou Gammadion. Em Kether, seus bracos giram tao rapidamente que se juntam e sao percebidos como um s<5 ponto. Esta 6 a licao de O BOBO. No Caminho de O UNIVERSO, entretanto, poder-se-ia dizer que

peito

a Sulstica diminuiu a velocidade de sua rotacao de

modo que cada um

dos bra?os

€ completamente perceptfvel, e todos estao perfeitamente equilibrados em torno de um ponto central. Esta 6 a completa expressao da Unidade na matdria.

estamos na verdade discutindo os domfnios da uma concepcao dualista de si mesmas: elas matena. A imagens que vao ate" elas quando sonham acham que as sao corpo e espfrito, e ou meditam estao separadas do seu lado ffsico. Todavia, os mist6rios vem afir-

Ao

discutir

O UNIVERSO

maioria das pessoas tem

168


mando ao longo das geracoes que o cosmos 6 todo mental e que a distincao entre mente e corpo 6 ilusona e nao real. Na verdade, quando fechamos os olhos e vemos imagens, aquilo que vemos primeiro sao as mais aprimoradas formas de materia, as imagens e formas de energia que estao mais pr6ximas da condicao ffsica.

O

uma idem

conceito que precisamos compreender (alils,

mente complexa) € o de que a maior parte do

mundo

reconhecida-

ffsico 6 invisfvel.

£

por

isso que, no arranjo dos Quatro Mundos, somente Malkuth de Assiah 6 descrita na nossa esfera de sensacoes. A iddia € representada na carta pela estrela de sete pontas que representa os Sete Paldcios de Assiah. Experimentar o Caminho d'O

UNIVERSO significa ser levado para a entrada desses O UNIVERSO simboliza urn Caminho no qual os

sete paldcios.

componentes do Piano Universal tornam-se manifestos, embora nao sejam necessariamente compreental sfveis. A pessoa talvez entre no Sacrario e encontre essas forcas num estado ao aqui que, importante 6 elas". O pertenca a nao delas mas "dentro que esteja contrano do que acontece nos outros Caminhos, as energias estao todas equilibradas e presentes na sua plena expressao. Isto e a id6ia de que o Tau e" o ponto central dos Caminhos Aleph, Mem e Shin constituem o significado da cruz de bracos iguais.

ponto de vista do misticismo prdtico, O UNIVERSO pode ser considerado a carta mais importante do baralho, pois e" o ponto onde iniciamos o processo de exploracao interior. £ neste ponto que penetramos abruptamente numa realidade que pode ser ao mesmo tempo apavorante e tranqiiilizadora porque boa parte do que encontramos neste Caminho foi produzido por n6s mesmos. £ neste Caminho que encontramos a consciencia da nossa pr6pria personalidade individual, tudo o que esta" dentro da nossa cabeca, separado da seguranca da realidade ffsica. Esta e* a iniciacao da Personalidade na sua propria estrutura, a qual

Do

um Universo Microcdsmico. Ao mesmo

tempo, encontramos simbolos e ideias de uma consciencia maior do que a nossa e comecamos a ver as maneiras pelas quais o nosso ser est£ relacionado com o quadro geral do universo. Este i um Caminho que s6 pode ser percorrido com sucesso por aqueles que e"

comecaram a trazer suas Personal idades para um equilfbrio baseado na compreensao de si mesmos; aqueles que nao agiram assim serao atormentados por fantasmas produzidos por eles pr6prios e terao as Portas fechadas diante de si. Por outro lado, aqueles que realmente aproveitaram suas experiencias de vida encontrarao ajuda e encorajamento em todos os passos. E no Caminho d'O UNIVERSO que a pessoa descobre o quanto o processo de exploracao interior 6 orientado, e em particular, a protecao e assistencia bastante concretas que os Arcanjos dao a humanidade. Antes de a pessoa iniciar esses exercfcios, os Arcanjos sao uma simples abstracao, alguma coisa na qual se pode vagamente acreditar ou nao. Faz-se necessano aqui uma palavra de advertencia. Como O UNIVERSO 6 um Caminho que leva a esfera Astral, devemos ter em mente que o Astral "procura iludir". Muitas pessoas acreditam estar num ou noutro Caminho quando, na verdade, estao apenas alimentando id6ias fantasiosas. At6 que tenhamos aplicado todos os testes da razao e do sentimento, devemos ter muito cuidado com a aceitacao de quaisquer imagens que nos parecam uma "realidade" de algum 169


Chega

um momento

no qual sabemos que aquilo que estamos experimenmesmos porque estamos na verdade aprendendo. Estamos adquirindo novas informacocs que frequentemente podem ser confirmadas pela pesquisa. De uma maneira ou de outra, uma considerdvel quantidade de vulgaridades precisa ser posta de lado antes que possamos chegar as coisas mais sutis. Esta 6 uma das licoes mais importantes de O UNIVERSO, um Caminho que deve ser abordado com a virtude de Malkuth, o discernimento. E apenas atrav^s do discernimento que podemos nos colocar dentro do equilftipo.

tando talvez nao seja produzido por nds

brio "administrativo" simbolizado por

uma

dancarina envolta por

da letra Kaph (uma referenda a RODA pelos sfmbolos animais dos Quatro Elementos.

em forma

Em

um

DA FORTUNA)

cachecol

e rodeada

uma vez mais, o o Espirito. Devemos lembrar aqui que os primeiros cabalistas (da mesma forma que o Sepher Yetzirah) consideravam apenas a existencia de tres elementos: Ar, Agua e Fogo, sendo que a Terra e o Espirito foram acrescentados posteriormente a filosofia. E, como temos visto, a Arvore da Vida mudou de forma ao longo dos s6culos termos cabalfsticos, aquilo que est£ representado

princfpio dos quatro Elementos unidos por

para acomodar essas mudancas conceituais. esta"

relacionada

um

quinto, que

Uma

6, e"

dessas importantes alteracoes

com o Trig6simo Segundo Caminho, o

qual,

em

alguns arran-

o Unico Caminho que liga a esfera da sensagao ao restante da Arvore. O acr6scimo dos Caminhos de Shin (JULGAMENTO) e Qoph (A LUA) igualou o niimero de Caminhos a quantidade de letras do alfabeto hebraico e tamb6m evidenciou a existencia de uma conexao direta entre Malkuth e os dois Pilares

jos, i

laterals.

Uma

do sSculo XVI mostra um homem segurando toda a Arvore pelo Caminho de O UNIVERSO. 98 Vemos assim que durante pelo menos quatrocentos anos a interpretacao bdsica desse Caminho, como uma base empfrica para a viagem consciente por todos os Caminhos, nao mudou, embora o conceito tenha sido ligeiramente atenuado pela adicao de dois Caminhos. O princfpio de acordo com o qual compreendemos toda a Arvore com base no que 6 ensinado no Caminho do Universo 6 muito profundo e nos leva de volta a id6ia representada pela expressao "Assim como em cima, assim tamb6m embaixo". Temos discutido o "Desejo de Formar", de Binah, a Grande Mae, que e" a origem da vida consciente e Saturno no elevado Reino Superno. Esta 6 a mesma energia agora expressa de forma completa encontrada no Trig6simo Segundo Caminho. A figura feminina no centro da carta € a mais plena expressao da Grande Mae, que e" A IMPERATRIZ. Ela € Isis, a Aima Elohim, ilustracao muito interessante

ela 6 Binah, 6 Saturno, 6 todos os princfpios existentes por tr&s daquilo que percebemos como a materia, £ a Dancarina C6smica que administra e ativa os Elementos. Ela 6 tamb£m uma porta de entrada e de saida de Malkuth, € Saturno, aquele que da" e retira a vida, o grande verificador que rege tanto o nascimento como a morte. Quando morremos, deixando para tr£s nosso "inv6lucro animal", 6 sobre esse Caminho que, tal como a Dancarina, subimos rodeados por um anel de estrelas.

170


Taro estao de acordo quanto ao fato de que a figura feminina deve estar rodeada por algum tipo de forma oval. No baralho de Crowley, esta 6 um anel de estrelas. Nos baralhos de Marselha e de Waite Aurora Dourada a forma oval e" constitufda por e" uma grinalda. No baralho da Zodfaco) unidas por 72 perolas (o ShemhamaSignos do doze doze esferas (os Deus). Esta forma simboliza tanto o litero da femea phoresch ou 72 Nomes de crian9a nasce, como o Grande Utero para o qual a humana, atrav6s do qual a

Todos os

principals baralhos de

alma passa por ocasiao da morte. O profundo simbolismo da Grande

Mae

atrav6s da qual a pessoa tern de

porta para entrar e sair da vida, infelizmente 6 subestimado por alguns escritores (incluindo Case) segundo os quais a "tradic3o" exige que a figura feminina seja hermafrodita. Embora essa id6ia seja

passar,

como

se fosse

uma

absurda, ela talvez represente

uma

tentativa

bem

intencionada de alguns te6ri-

Caminho com a Imagem Magica 99 "Urn Lindo Homem Nu" Este ultimo repre-

cos cabalistas para reconciliar a feminilidade do

de Yesod, no qual ela conduz

um

de Tiphareth, personificado misteno cristao nao 6 apenas dois mil anos para ser lembrado com reverencia um acontecimento ocorrido (ou de Buda, e, sim, a chave secreta de um padrao natural. A forca de Cristo mundo, a ser sacride Osfris ou de Krishna) continua a nascer dentro do nosso ficada para o bem da humanidade, a ressuscitar e a ser reconhecida. Tal como Yod Heh Vau Heh, ela permanecerd ate" o fim dos tempos, o qual serÂŁ o fim da necessidade de experiencia sensorial para a especie humana. O tempo, obEspfrito de Cristo a partir

o eterno jorro do dentro de Yesod antes de passar para Malkuth. senta

O

M

viamente, 6

Como to,

das principals restricoes de Saturno. estamos agindo dentro de uma estrutura temporal,

uma

incluindo a emanacao

da forca de Tiphareth, deve ter

um

um

acontecimen-

infcio,

um meio

e um fim. Os processos da Vida ocorrem em ondas ou espirais que voltam ao ponto de partida. Este 6 o curso natural do fluido akdshico de Yesod. Portanto, uma vez mais, a mulher â&#x201A;Ź mostrada dancando. Ela rodopia e da" voltas, ao contrario da sua forma mais abstrata de energia, A IMPERATRIZ, onde esta" firmemente sentada num Trono Superno. A For? a em espiral da natureza â&#x201A;Ź dirigida pelos bastoes que ela segura: eles representam as energias ativas e passivas, tendo cada

A

carta de

um

deles dois p61os.

Crowley representa essas forcas naturais como

Kundalini, descrita

como

as forcas sexuais bisicas da as for?as

que aprendemos a

a serpente

uma referenda Estas sao UNIVERSO. natureza encontradas n'O sobre as quais mesmos e controlar dentro de n6s

estando "enrolada

em

Yesod". Esta 6

impomos as estruturas de Binah, a Grande Mae, o Grande Mar. A Agua 6 muito importante para este Caminho, que 6 o Grande Mar da consciencia na sua expressao mais densa e dificil. O TrigSsimo Segundo Caminho poderia ser considerado uma gruta escura, cheia de cavernas e de tiineis traicoeiros, alguns conduzindo a Luz mas outros levando a Qlippoth.

171


31.

O O

Julgamento

A

Vigisuna Carta

Caminho de Shin

COR DO CAMINHO:

w

Verme-

lho-alaranjado brilhante •

SOM RELACIONADO: D6

SIGNIFICADO: Dente

Natural

LETRA MATERNAL: Fogo

TITULO ESOTERICO: O pfrito

Es-

do Fogo Fundamental

TRINTA E DOIS CAMINHOS DE SABEDORIA:

Trigesimo Primeiro

por que ele e chamado asmovimentos sim? Porque controla os do Sol e da Lua, cada um numa drbita

Caminho 6 a

Inteligencia Perpetua. Todavia,

apropriada.

O Caminho

de Shin,

O JULGAMENTO, une Malkuth (a Terra) a Hod (Escomplemento do Pilar da Severidade. A Terra,

plendor), a Sephira inferior e o

assim, 6 ligada ao que 6 a expressao final de Binah, o Desejo de Formar. Trata-

um Caminho ativador do intelecto ao passo que seu Caminho formativo da emocao. se de

oposto,

A LUA,

€ o

O que 6 representado aqui como "julgamento" 6 um processo por que passa medida que procura tornar-se consciente do seu pr6prio funcionamento interne O julgamento, por6m, nao € transit6rio ou limitado. Segundo os Trinta e Dois Caminhos de Sabedoria, ele 6 perpetuo. Trata-se de um contfnuo acompanhamento do progresso da Personalidade rumo a consciencia universal. Aquilo que € considerado indigno pelas entidades angelicas invocaa Personalidade a

172


das pelo desejo do estudioso de percorrer os Caminhos, € lentamente eliminado pelo Fogo redentor, um processo que e\ na verdade, ffsico.

Dourada chama este Caminho de "Esplendor do Mundo Caminho e o corpo ffsico. Aqui € representada uma ressurreicao, um renascimento. Essa ressurreicao baseia-se nos desenvolvimentos da carta oposta a este Caminho, A LUA, e estd relacionada com as verdadeiras modificacoes fisioldgicas que ocorrem com o estudioso em

O

texto da Aurora

Material", salientando a relacao entre o

conseqiiencia da busca disciplinada de

uma

realidade superior.

lavras, o corpo revivido 6 fisiologicamente reconstrufdo,

um

Em

outras pa-

processo estimu-

A LUA. Isto 6 o que Paul Foster Case descreveu processo de construe ao do corpo de um Mestre. Este 6 tambem um Caminho no qual os componentes da Personalidade, que se encontraram primeiramente em O UNIVERSO, sao avaliados e analisados criticamente (julgados). Esses Caminhos servem de introducao para a verdadeilado pelas energias de Qoph,

como o

do Eu Superior encarnado

ra natureza diffceis.

Na

O JULGAMENTO)

DO,

e,

podem

portanto,

verdade, todos os Caminhos Elementares (O

O

sao diffceis de entender.

ser

extremamente

BOBO, O ENFORCA-

problema deriva parcial-

mente do fato de todos os elementos estarem presentes em cada um desses Caminhos, seja numa forma manifesta ou nao. Mais tarde, deveremos voltar a este conceito.

Primeiramente, consideremos o padrao das Maternais. O Sepher Yetzirah Agua que produz o Fogo. O BOBO e" puro Ar. O

afirma que o Ar produz a

ENFORCADO

JULGAMENTO

afetados pelo

(o

Espiritual, €

6 Ar que sofreu acao da Agua. O Fogo dentro do vefculo da Terra

6 Ar e

Agua

cadinho que, na Alquimia

o nosso pr6prio corpo).

As cartas de Waite e da Aurora Dourada representam o Ar na parte superior e a Agua entre duas por^oes de Terra. Entende-se que o Ar, a Agua e a Terra estao sendo aquecidos e ativados pelo Fogo. Nao existem chamas aqui porque a acao produzida pelo Arcanjo i lenta e constante (perp6tua). Este efeito 6 produzido sobre as dualidades constituintes do indivfduo, as quais sao simbolizadas pelo Fogo e pela Agua: a Mente-consciencia (Agua) 6 ativada pelo

Princfpio Dinamico (Fogo) na presenca do Espfrito Equilibrador (Ar) dentro do

O Caminho

JULGAMENTO,

portanto, tem por do indivfduo, equilfbrio que 6 compreensao da estrutura da personalidade e da sua relacao

vefculo ffsico (Terra). objetivo a producao de

um

d'O

equilfbrio no interior

necessano para a total com o universo maior.

Todavia, dizer que o "equilfbrio" 6 produzido neste Caminho levanta uma Como € possfvel haver um equilfbrio em qualquer Caminho que nao

questao.

pertenca ao Pilar M6dio?

e

uma

A

resposta 6 encontrada na id6ia de que todo simbolo

dualidade e contem o seu prdprio oposto. Tal

como acontece com

as cores

sfmbolo s6 € funcional na medida em que for um equilfbrio independente de dois extremos. Estendendo este princfpio aos Caminhos, vemos que cada Caminho deve conter os componentes essenciais do Caminho oposto brilhantes,

a

ele.

nados

um

Aqui podemos retornar ao exemplo de Hod e Netzach, que estao relacio-

com O JULGAMENTO

e

com A LUA,

respectivamente.

O

intelecto

173


destitufdo de sentimento 6 tao patol6gico quanto o sentimento

sem

intelecto.

JULGAMENTO

aprendemos as licoes d'A LUA. E, tomando os aspectos mais refinados da Arvore da Vida, quando percorremos o Caminho d'O MAGO aprendemos as licoes d'O BOBO. Estas cartas

Quando percorremos o Caminho d'O

sao antiteticas, porem mutuamente explanat6rias. Nao 6 possivel lidar com qualquer carta sem que a energia oposta a ela esteja presente. E, como as cartas representam tipos de consciencia, pode-se dizer que todas as coisas que vivenciamos, toda idem, toda atividade, coexiste dentro de n6s com o seu oposto. Essas licoes sobre os Caminhos sao extremamente prfticas, embora isto possa nao ser 6bvio quando a pessoa comeca a lidar com os traicoeiros conceitos relacionados com os quatro Elementos simbdlicos. Por outro lado, as figuras das cartas apresentam uma forte relacao com a experiencia visual dos Caminhos, e

muito se pode aprender meditando sobre elas. As imagens dos Caminhos sao representacoes arquetfpicas de verdadeiras estradas internas construfdas por meio de seculos de esforco mental por parte dos homens e mulheres mais adiantados de todos os tempos. Essas imagens sao, na sua maioria, constructos feitos para ajudar-nos por aqueles que passaram por ali antes de n6s. £ nisso que muitas pessoas tropecam, acreditando que o constructo (o sfmbolo concretizado no piano astral) tern uma realidade prdpria. £ somente alem do piano astral inferior que a pessoa entra

em

contato

com

as realidades

que ativam os sfmbolos.

Podemos trilhar o Caminho d'O JULGAMENTO e experimentar inicialmenaquilo que € mostrado na carta do Taro. Entretanto, depois de conhecermos te visuais, passamos a compreender que o Caminho 6 o efeito constructos esses ativador do princfpio motor cdsmico da consciencia individual: o Espfrito do Fogo permeia a personalidade consciente quando a energia desce para penetrar na maultimas Huteria. Quando subimos deliberadamente pelo caminho de Shin, as soes de independencia da Personalidade sao iluminadas.

Para reiterar o simbolismo cabalfstico: Shin contem todos os quatro Elementos: Fogo, Agua, At e Terra. Este conceito pode ser explicado sob a 6tica do desenvolvimento. A evolucao do cosmos se da" do mais simples para o

mais complexo. Vai do nada a alguma coisa. Trata-se de urn processo (aplicando-se o princfpio "Assim como em cima, assim tambem embaixo") semelhante aquele por que passa o Zigoto, que se inicia com uma unica celula que 6 fertilizada e cresce at6 se transformar num organismo humano. As celulas do Zigoto multiplicam-se inumeras vezes ate se transformarem num corpo que 6 o

Em

qualquer est^gio de dereceptdculo do Espfrito Santo neste nosso mundo. senvolvimento, desde uma unica celula fertilizada at6 o produto final, o todo est£ implfcito nas partes

ma em

em

desenvolvimento. Assim, uma unidade se transforem dez bilhoes de incontaveis celulas mentais

dez ou em que constituem o corpo do universo. O extremo da simplicidade 6 O BOBO, e o extremo da complexidade 6 O UNIVERSO. Mas O UNIVERSO e todas as outras cartas estao implfcitas, ainda que nao expressas, em O BOBO. Nas cartas intermedianas, portanto, encontramos diferentes estagios daquilo que 6 ou nao expresso. Tomando uma carta especffica da Arvore, a energia de todas as cartas situadas

174

dez mil ou

acima dela estao expressas, e

as energias das cartas

abaixo dela


estao presentes

mas nao

estao expressas.

Cada uma

delas define

um

est£gio de

desenvolvimento. Utilizando-se esta 16gica, pode-se compreender que BOBO o Ar esta" expresso enquanto a Agua e o Fogo estao implfcitos.

ENFORCADO o Ar e a Agua estao expressos e o Fogo esta" implfcito. chegamos a O JULGAMENTO encontramos mais uma vez o Ar e expressos, s6 que desta vez colocados

em movimento

em O

Em O

Quando a

Agua

pela plena expressao do

Fogo.

Devemos repetir aqui que estes padroes serao completamente destitufdos de sentido ate" surgir uma verdadeira compreensao daquilo que 6 simbolizado pelos vanos "Elementos". Cada sfmbolo cabalfstico esta" relacionado com alguma parte especffica do Eu Superior e as cartas dos Arcanos Maiores do Taro sao definicoes bastante precisas das partes componentes do todo humano.

Os caminhos

O JULGAMENTO, O UNIVERSO e A LUA

consciencia normal desperta da Personalidade. Elas gios da autocompreensao.

O JULGAMENTO

e"

sao aspectos da

tamb6m representam

a carta

em que

estd-

as forcas divinas

encontram o aspirante aos Mistenos, onde a Personalidade 6 elevada do sepulcro da materia e avaliada quanto ao seu equilibrio em relacao aos quatro Elementos de Malkuth. E por esta razao que as pessoas tem experiencias tao diversas nesse Caminho; cada personalidade tem de enfrentar de forma direta o que 6 e o que tem sido, respondendo ao chamado do Anjo cuja presenca foi invocada pelo Fogo do desejo.

Em

todos os relatos,

maioria das pessoas

ira"

e"

Gabriel quern toca a trombeta do Jutzo Final, e a

presumir que 6 Gabriel quern estd representado aqui.

Todavia, este nao 6 absolutamente o Jufzo Final, e o Arcanjo 6 Michael, o

Regente Angelical de Hod. Informacoes adicionais a respeito desta carta estao contidas no significado letra hebraica, pois o nome de cada letra 6 uma palavra. Todavia, como tais da palavras sao atribufdas aos Arcanos Maiores do Taro, existe uma grande liberdade de interpretacao dentro dos limites das qualidades descritas para uma dada palavra. Shin, neste caso, significa dente, sugerindo dureza, pungencia e mordacidade. Ela pode ser interpretada como os dentes que fazem a mastigacao antes de a energia ser levada para dentro do sistema, ou seja: aquilo que promove a liberacao de energia (a forca Kundalini). O Dente tamb6m pode ser interpretado

como

aquilo que mata, significando aqui

o golpe de misericordia na percepcao

da Personalidade como algo independente. Essas palavras descritivas estendem o simbolismo dos numeros, tao importantes para a Cabala Herm6tica. Conforme foi demonstrado, o mimero 300,

o mimero da Sephira Binah; o mimero da carta, o mimero d'A GRANDE SACERDOTISA. O princfpio aqui € o de que os numeros das letras hebraicas sao reduzidos e manipulados em relacao as dez Sephiroth, enquanto os numeros das cartas (0-21) estao relacioatribufdo a Shin, 6 reduzido a 3, 20, € reduzido a 2,

nados

com

outras cartas. Obviamente, a conexao

com

as outras cartas 6 feita

em

bases mais ou menos nume>icas. Por exemplo: o fato de Shin ser Fogo sugere a existencia

(Marte) e

O

de uma relafao entre

ela e

duas outras cartas importantes,

A TORRE

SOL. 175


Esta ligacao

com

O SOL

6 explicitada no "Livro T" da Aurora Dourada,

ele que toca segundo o qual o anjo aqui 6 Michael, o Regente de Fogo Solar. E Supernais as referenda 6 a Outra Binah. de a trombeta invocando a influencia Parafso do Quatro Rios representa os qual bandeira com uma cruz vermelha, a

do nome divino. da carta da Ordem, contendo serpentes que representam o descrito Impetuoso Serafim, 6 sem duvida aquele que rodeia o fgneo Trono Divino pr6prio 100 sair do Esse arco-fris encerra o Arcanjo que parece no Apocalipse.

e as quatro

O

letras

arco-fris

tri&ngulo de Fogo.

base da carta, erguendo-se do tumulo diante da presenca do anjo, esta" esquerda 6 Samael, o Arel, o Regente do Calor Oculto. A figura masculina a Regente da Luz Astral, Anael, esta" oposto lado Regente do Fogo VulcSnico. Do fsis-Nefti. e Dem6ter-Pers6fone ela € representado em duplicata porque

Na

da tradicao, nesta apoiada firmemente e 6 importante porque sua filosofia pessoal esta" mais geral, maneira imagem do que na da maioria das outras cartas do Tar 6 Thoth. De

A

carta de Crowley,

chamada "Aeon",

afasta-se por completo

documento que, o baralho de Crowley e" representativo do Livro da Lei, um O segundo afirmou, lhe foi revelado e constitui o nucleo de seus ensinamentos. 101 Revelagao. da de Estela chamou ele que com o relacionado Aeon tambem esta" Esta carta, explicou ele, poe de lado todos os conceitos anteriores dos humaArcanos Maiores e mostra o estado harmonioso e espiritual da existencia condi?ao e" Essa XXII. s6culo meados do na neste planeta tal como sera" em simbolizada pela Deusa do Ceu, Nuith, e seu consorte, Hadit (representado como um globo dourado de luz). Eles dao origem a H6rus, representado aqui em suas para formas ativa e passiva, sentado e de pe\ Crowley tambem chama atencao

Grande o fato de que um outro nome de H6rus € Heru, que € sinonimo de Hru, "O Anjo do Tar6". O que Crowley propoe aqui esta" perfeitamente de acordo com a doutrina ou seja: o sistema evolui para atender as necessidades da evolugao um esespiritual da humanidade. Ao supor que O JULGAMENTO representa indiviPersonalidade tagio no desenvolvimento da especie e da consciencia da distante, muito dual, ele esta" sugerindo que havera" um tempo, num futuro nao em que a constitui?ao espiritual da humanidade ter£ progredido tanto que O

cabalfstica,

como era conhecido, nao descrever* mais a experiencia afirma ainda que agora estamos entrando num perfodo de deste Caminho. Ele 500 anos de extrema obscuridade e provacao, o qual ir^ preparar a humanidade

JULGAMENTO,

para

176

uma nova

tal

102 Era de Luz.


O O

30.

Caminho de Resh Sol

A Dicima Nona •

Carta

COR DO CAMINHO:

o

Laran-

ja •

SOM RELACIONADO:

R6

Natural •

PLANETA:

SIGNIFICADO: Cabeca

LETRA DUPLA:

TfTULO ESOTERICO: O

Sol Fertilidade-

Esterilidade

Senhor do Fogo do

Mundo

TRINTA E DOIS CAMINHOS DE SABEDORIA: O

Trigesimo Caminho 4 a Inteligencia Dedutiva, assim chamada porque os Astrologos deduzem

a partir dela o jufzo das Estrelas e dos signos celestials e as perfeicoes de sua ciencia, de acordo com as regras de suas resolugoes.

O

Caminho de Resh

liga

Hod

(Esplendor) a Yesod (o Alicerce), e 6 o

primeiro dos Caminhos da Trfade da Personalidade que encontramos na ascensao pela Arvore. Trata-se de urn Caminho ativo quanto ao aspecto intelectualformativo; 6 a forca ativadora da Personalidade que,

o Eu

um

tal

como o Eu

Superior e

um lado "masculino" (intuitivo-dinamico, Yod), (intelectual-formativo, Heh) e por um conjunto de energias que

Espiritual, € constitufdo por

"feminino"

sao o resultado da interacao

p-ntre

os dois opostos (equilibrador, Vau).

O SOL (Resh) 6 descrito como a "Inteligencia Dedutiva", significando que um

— neste

determinado niimero de componentes do Zodfaco, que sao simbolizados pelos doze raios que ele controla

caso, os Signos

emanam do SOL.

Esses

177


signos sao os marcos indicadores da Personalidade e receptaculos das influencias planetanas, uma das quais rege o nascimento e o curso de vida de cada encarnacao. Assim, o Sol nao e" importante apenas para a encarnacao em curso

como tambem

atua

como um elo

entre as Personalidades que passaram por outras

encarna96es. Todos os componentes da Personalidade descobertos nesses caminhos inferiores estao aqui impregnados com a dupla acao do Sol, da luz e do calor.

estranho, estas sao consideradas qualidades intelectuais. deste caminho 6 intelectual. De fato, o caminho d'O SOL 6

Embora pareca

A

atividade

nfvel do intelecto humano, assim como A ESTRELA 6 o nfvel mais elevado das emocoes. Eles sao equilibrados pela TORRE, embora o aspecto desta carta nao nos deixe muito convencidos de que esteja havendo equilfbrio. Nao obstante, ela representa o efeito das energias combinadas d'O SOL e d'A ESTRELA. Retomaremos este assunto mais adiante. Resh significa cabega, o que t compatfvel com a id6ia de que este 6 o mais

o mais elevado

elevado Caminho do intelecto humano, a "Inteligencia Dedutiva". Com relacao a isso, existe uma interessante ilustrac^o extrafda de um manuscrito alqufmico

de 1606 mostrando um vulto sem cabeca, com o corpo em forma de um globo 103 A e tendo acima de si o Sol. Ao lado dessa figura esta" escrito: "O Mundo." Sol-cabeca o sem material; o corpo acima do Sol, suspenso pr6prio 6 o cabeca SOL de chamando O id&a confirma esta Mathers existir. poderia mundo nao "Esplendor do Mundo Material". Assim, a carta representa basicamente a acao

do intelecto sobre as dualidades da condicao humana, a consciencia e seu vefculo terreno. Este € o ponto de conexao entre o intelecto humano e o intelecto superior, a Vida maior. O Sol e" tambem o Filho que leva avante o trabalho do Pai. O TrigSsimo Caminho 6 composto: sob a regencia do Sol, nele estao envolvidos os Quatro Elementos, os Signos do Zodfaco e os Planetas, de acordo com o que 6 simbolizado pelo Hexagrama. Esta figura significa a perfeita integracao entre a Personalidade e o Eu Superior. Na Arvore da Vida, isto aparece como a interacao entre os Tri&ngulos Astral e Etico, sendo que Deus, o filho de Tiphareth, esta" na origem de ambos. Como quer que as energias possam ser simbolizadas, o Caminho d'O SOL 6 um importantfssimo caminho introdutdrio.

A

experidncia

d'O SOL 6 muito profunda por

ser

uma

iniciacao ao Sol

o qual 6 a luz da Personalidade, da mesma forma como o Sol ffsico € Luz do mundo material. Neste Caminho, a pessoa sente o calor e ve a luz mas, tal como no piano das sensa?oes, trata-se de um Sol para o qual nao se pode olhar diretamente sem sofrer dano. Os opostos atribufdos a Resh pelo Sepher interior,

a

Yetzirah

fertilidade e esterilidade

,

nos recordam que o

ilumina e promove o crescimento tambem pode nos

mesmo

trazer a destrui?ao

Sol que comple-

bencao do fazendeiro 6 a maldicao do viajante solitfrio perdido no deserto, e € neste Caminho que a pessoa descobre os grandes potenciais deste poder. Esta 6 a inicia?ao da Personalidade a grande fonte de luz interior, uma iniciacao que ocorre no vefculo ffsico (o jardim murado) e afeta os componentes duais te

A

do Eu

inferior.

uma questao importante, que muito freqiientemente os Caminhos: trabalhar os Caminhos produz discutem pelos que € negligenciada Devemos

178

reiterar aqui


no corpo humane No seu programa de estuCaminhos de Sabedoria, Paul Case enfatiza a extensao desses fenomenos. Ao descrever o Caminho de Resh, ele declara o seguinte a respeito do homem que alcancou a proficiencia: nftidas alteracoes ffsico-qufmicas

dos,

Os

Trinta e Dois

acentuadas diferencas interaas em relacao ao indivfduo m6dio devemse as diferencas psicol6gicas em relacao aos estados mentais das pessoas comuns, embora tambem sejam sinais exteriores de alteracoes organicas no ...as

corpo da nova criatura. Ele â&#x201A;Ź qufmica e estruturalmente diferente do hoExistem constituintes diferentes na sua corrente sangufnea. Atrav6s do seu sistema nervoso passam correntes de energia que nao exis-

mem comum.

tem na maioria dos organismos humanos, pois nele estao abertos os canais que permanecem fechados nos vefculos ffsicos da maioria das pessoas. No corpo de um adepto, os nucleos do cerebro e do sistema nervoso, bem como as glandulas relacionadas com eles, nao funcionam da mesma maneira que 10* no corpo da maioria de seus contemporaneos.

Deve-se tambem ter em mente que a Personalidade, cujos componentes sao simbolizados por esses Caminhos inferiores, atua atravSs do corpo como um dos equfvocos mais senos vefculo coletor de experiencias para o Espfrito. corpo ffsico das energias conceitualmente o separar cometer 6 o de que se pode cadinho dos alquimistas, e dele. Este 6 o operam atravds que o criaram e que

Um

o Sol â&#x201A;Ź

um

importante sfmbolo no processo alqufmico de "transformacao do

chumbo em ouro". Os Caminhos da Personalidade conduzem diretamente ao vefculo ffsico, ou seja: a consciencia que conhecemos como "Eu" esta" diretamente ligada ao nosso corpo. O Eu Superior atua atravds da Personalidade quando sua influencia se faz sentir no piano ffsico, da mesma forma como o Puro Espfrito funciona necessariamente atrav6s do Eu Superior. Obviamente, nao existe nenhuma verdadeira separacao entre essas tres coisas: A Arvore da Vida descreve uma percepgdo racial de um padrdo de separagao. Entretanto, como a percepgdo varia amplamente de organismo para organismo, cada pessoa deve literalmente criar a sua propria Cabala. A experiencia do caminho de Resh 6 bdsica para o desenvolvimento desta Cabala individual. Este 6, alem do mais, o Caminho no qual a pessoa pode receber a aceitacao e a marca daqueles seres que dirigem a experiencia interior de aprendizado do estudioso. E neste ponto que o estudioso talvez possa candidatar-se a inicia?ao maior de Tiphareth. Muitas descobertas sao feitas neste Caminho que conduz a Hod, uma esfera onde, segundo alguns autores, os Mestres Interiores exercem sua influencia sobre o mundo material. Este 6 um Caminho onde a natureza da rela?ao entre

mente e o corpo pode tomar-se clara, onde o indivfduo comeca a compreender o controle e as limitacoes do intelecto. Trata-se tambem de um Caminho do despertar para o uso do tremendo poder sexual de Yesod. E neste ponto que compreendemos que a grande "forca" secreta manipulada pelos iniciados nos a

Mist6rios 6 a sexualidade.

179


-

Yesod 6 a Lua, a sexualidade, o fluxo e refluxo da Luz xo da nossa existencia

material.

Hod

Astral que esta por bai-

6 Mercurio, a primeira diferenciacao da Perso-

nalidade especffica. Ela 6 hermafrodita, masculina e feminina ao estas qualidades ainda estao para

num curso descendente rumo

mesmo

tempo, pois

serem separadas quando consideramos a Sephira

a manifestacao. Visto sob o aspecto

do desenvolvimen-

to, o Caminho d'O SOL € a infancia da Personalidade emergente que se desenvolve rumo a uma nova encarnacao. Quando subimos por este Caminho, voltamos ao ponto

original. Trata-se, de forma bastante literal, de um processo oposto ao do envelhecimento, um processo de nascimento invertido at6 alcan9armos um est£gio no qual haja alguma lembranca das nossas origens. Esta juventude, a Infancia do Sol, est£ representada na carta de Waite. Aqui,

de inocencia

seguindo

uma

iconografia desenvolvida por Levi, 6 apresentada

montada num cavalo branco, sfmbolo de Apolo, o Deus do Sol. a de que nesse Caminho n6s nos tornamos o Apolo crianca.

A

uma

A

crian^a

sugestao € i

Aurora Dourada, seguindo basicamente a versao do baralho de Marselha, mostra duas criancas nuas num jardim cercado por um muro. Uma esta" de p6 na terra e outra de p6 na agua. Elas sao a expressao mais pura dos princfpios positivo (masculino) e negativo (feminino) da encarnacao, tamb6m presentes nos conceitos chineses de Yin e Yang. O princfpio masculino, ativo, opera atravSs da terra firme, ao passo que o princfpio feminino, passive opera atrav6s da consciencia fluida da £gua. As crian9as estao de maos dadas para indicar que suas atividades sao reefprocas. Esta € tamb£m uma referenda a Gemeos, o signo que liga Touro (Terra) a Cancer (Agua). Gemeos foi tamb6m o signo que os antigos gregos e romanos associavam a Apolo e ao Sol. A relacao entre o Sol e o Zodfaco tem certa importancia, como indicam os doze raios que aparecem tanto na carta de Crowley como na da Aurora Dourada (Waite usou 22 e o baralho de Marselha, 16). O Zodfaco est£ relacionado com Chokmah, de onde deriva, em ultima andlise, a energia deste Caminho. Os padroes desta energia, atem do mais, sao representados pelos raios ondulados e proeminentes, as correntes alternadas masculina e feminina. Os sete Yods cadentes (sendo Chokmah, uma vez mais, a origem de Yod) fazem alusao as energias dos planetas que, sob a regencia do Sol, sao transmitidas para a matena. carta da

A carta de Crowley esta" relacionada com O JULGAMENTO, que ele chamou de Aeon. Ela mostra Heru-Ra-Ha, o Senhor da Luz, aquele que rege a nova era que esta" para vir, o pr6ximo estagio no processo de desenvolvimento humano. Em virtude do tema que foi enfatizado, € curioso perceber que Crowley baseou a carta no brasao da sua pr6pria famflia, "O Sol guarnecido rosa sobre

um

com uma

monte verdejante." 105

Segundo sua explicacao,

do Zodfaco representa o desenvolvimento da influencia solar. O montfeulo verde de terra, abaixo da Rosa-Sol, significa fertilidade, e tem essa forma para sugerir a aspirafao de se conseguir algo mais elevado. Tal como em outras versoes, existe um terreno cercado por muros, mas aqui as criancas estao fora dele, significando que a humanidade nao est£ mais presa "pelos preconceitos de pessoas que datam moralmente de 25000 a.C". 106 Mais interessante, talvez, 6 a observacao feita por 180

a rosa circundada pelos Signos


Crowley de que a Cruz, e se transformar no Sol

retirada da formula dos Rosa-Cruzes, ir£ se expandir

com doze

raios. Ele nao sera" mais limitado pelos quatro bracos e poder£ irradiar-se livremente para fora.

Uma idem especialmente significativa ligada a este Caminho 6 a de que, conforme afirma o ritual da Aurora Dourada para o Vig6simo Nono Caminho, o "Sol abarca

com

seus raios toda a criacao". 107 Esta id6ia 6 transmitida por

meio de uma como pelos quatro girass6is e 22 raios na carta de Waite, Quatro Mundos e 22 Caminhos. A carta da Aurora Dourada mostra

variedade de maneiras, significando os

dez

flores,

tal

para representar a totalidade da Arvore da Vida.

A

carta

de Crowley,

como ja" observamos, procura mostrar a expansao da Rosa e da Cruz no seu namento com o Sol, centro de manifestacao. Portanto, ela tambem se refere

relacio-

a totali-

dade da criacao, tornada quente e brilhante pelos raios do Sol. Obviamente, 6 necessano uma vez mais ter em mente a distincao entre os dois lados do Abismo. A criacao e a luz significam Microprosopus, em cujo centro esta" Tiphareth. A escuridao, ainda que potencial, esta" associada a Macroprosopus, ou seja, o Triangulo Superno.

29.

O

A

Caminho de Qoph Lua

A Dicima •

P

Oitava Carta

COR DO CAMINHO:

Carmesim

(Ultravioleta) •

SOM RELACIONADO:

Si

H

Na-

tural • • •

SIGNO: Peixes (Agua Mutavel) SIGNIFICADO: Nuca, Orelha LETRA SIMPLES: Sono TITULO ESOTERICO: O Regente

do Fluxo e Refluxo.

O

Descen-

dente dos Filhos do Poderoso.

F

IKMuo. «

181


Vigesimo Nono Camolda todos os porque minho 4 a Inteligencia Corpdrea, assim chamada seu desenvolcorpos formados abaixo do conjunto de mundos bem como o

TRINTA E DOIS CAMINHOS DE SABEDORIA:

vimento.

Caminho de Qoph liga Netzach (Vit6ria) a Malkuth (O Reino) e e mas tambem como descrito nao apenas como a "Vit6ria do Mundo Material",

O

Materials". Crowley chao "efeito enganador do aparente poderio das Forcas limiar da vida... ou renascima este Caminho de "Portal da Ressurreicao... o dois nfveis: pnmeiro, em considerado mento espiritual". Este caminho pode ser organiza o corno curso do processo de encarnacao, e a etapa em que a alma

atribufdo a Qoph que ir£ habitar. Trata-se de urn "Sono" (tal como 6 estado de yigflia, pelo Sepher Yetzirah) que precede a consciencia normal do inconsuma forma de pre-consciencia que se diferencia em materia a partir da que est* se desenciencia coletiva de Netzach. Segundo, em termos da pessoa pelo munrefletidos fantasmas dos conquista volvendo espiritualmente, e uma dos FiDescendente "O chama de Dourada do material, aquilo que a Aurora camiurn e Este criado". foi que do lhos do Poderoso", ou seja: as "criacoes fantasmas veneer os enfrentar e nho de provacao, no qual o estudioso deve da humanidade. dos recessos mais escuros de sua mente e tambem aqueles implicando a assustador, Nesse sentido, ele pode ser urn caminho terrfvel e que nao foperigos reais para a estabilidade emocional daqueles

po

ffsico

existencia de

rem suficientemente internas

podem

fortes para lidar

com

efetivamente resultar

lado, a tradicao afirma

em

esta experiencia. Essas perturbacoes

senos problemas

fisicos.

Por outro

que atravessar com sucesso este Caminho confere po-

deres de "enfeiticar e produzir ilusoes".

Quando matamos

os dragoes dos pro-

compreendemos os seus fundos recessos da nossa consciencia adormecida e essas qualidades tanto manipular mecanismos, n6s adquirimos a capacidade de em n6s mesmos como nos outros. Assim, Qoph significa nuca. & por tr£s da cabeca que esta Resh (O SOL).

LUA

precede a brilhante consciencia intelectual Sol; o Caminho d'O SOL. Neste nivel da Arvore, a Lua apenas reflete a luz do onde o Sol incide do centro da carta vai do lado escuro da Lua para o lado claro, 108 acentuadamente discordava Crowley aqui que diretamente. Deve-se observar quais a Lua e segundo as Waite, das interpretacoes da Aurora Dourada e de de Cancer, simbolo o caranguejo € fundamento 16gico aqui 6 que o aquilo que 6 simbolizado pela

crescente.

O

significando que, quando o Sol est*

em

Peixes, a

Lua

ser£ crescente

em

Cancer.

Assim, pretendia-se que o Caranguejo, saindo da Agua, num acontece quando a Lua significasse: "O Sol abaixo do horizonte, como sempre determinado nivel

a crescente

Dourada 6 a de Outra importante ideia expressa nos manuscritos da Aurora 110 essa desenvolveu Crowley Escaravelho. deriva do que a figura do Caranguejo os enfatizando carta e sua central da ideia, fazendo do escaravelho o elemento da minguante "Lua de isto chamou aspectos mais sombrios do Caminho. Ele que e necessana para o feiticaria e feitos maleficos... a escuridao deleteria 182


renascimento da luz". 111 O renascimento da Luz a partir de uma horrenda e abominavel escuridao 6 o principal objeto do seu interesse, e 6 admiravelmente simbolizado pelo besouro, uma referenda a Kephera, Pai dos Deuses e o grande Deus da criacao e da ressurreicao. 112 O besouro ou Scarabaeus, (chamado de kheprera pelos egfpcios) era o principal sfmbolo de Deus. Trata-se de um besouro que poe ovos em bolinhas de excrementos, que sao empurradas a uma certa distancia e onde os ovos eclodem depois de ficarem expostos ao calor do Sol.

A

bola de excremento foi considerada equivalente ao pr6prio Sol, pois cont6m

tudo o que 6 necess£rio para o crescimento e a nutricao.

Sob alguns aspectos, a forma que emerge das £guas e" ao mesmo tempo o o inferior. Ela e" o pr6prio criador da vida, tal como Kephera, o Deus que se diz ter emergido da "aquosa massa de Nu" na forma de um besouro. Ela superior e

6 a forca criativa superior, iniciando sua auto-expressao material

organica mais baixa.

humana;

ela

tamb£m

O

como

a forma

caranguejo significa a evolucao organica da esp6cie

diz respeito ao desenvolvimento celular

a partir das rafzes internas

do vefculo

ffsico

da natureza. E, na condicao de originador da forma,

com

A

de Peixes, os documentos mais antigos da Aurora Dourada, os assim chamados Ancient Cypher Manuscripts [Antigos Manuscritos Cifrados] afirmam que "por ele fluem as aguas de Chesed", 113 significando que ele 6 a primeira consciencia formativa no nfvel mais baixo da Arvore. Naturalmente, a mais importante referenda do Taro em relacao a Lua e" A GRANDE SACERDOTISA, o Caminho de Gimel que leva diretamente de Deus, o Pai, para Deus, o Filho. A Grande Sacerdotisa e" a fonte das £guas cristalinas da consciencia que brotam da Divindade. As mesmas £guas sao vistas em A LUA, mas neste caso estao polufdas! Isso nao significa que existe algo intrinsecamente mau neste Caminho. Mais exatamente, seus fantasmas estao relacionados com a densidade do corpo ffsico, o qual e" afetado por todos os tres Caminhos que levam a Malkuth: O JULGAMENTO, A LUA e O UNIVERSO. Como ja" dissemos, o processo de percorrer os Caminhos produz um nftido efeito sobre o corpo. O vefculo ffsico 6 sutilmente modificado a medida que a Luz vai penetrando nele e a Personalidade torna-se cada vez mais consciente da presenca e das atividades do Eu Superior. No que diz respeito ao corpo humano, o Caminho A LUA 6 organizador (formativo). Ele 6 descrito nos Trinta e Dois Caminhos de Sabedoria como "Inteligencia Corp<5rea", a qual, segundo Case, significa "consciencia do corpo". Ele tamb6m observa que o radical da palavra "corp6reo", em hebraico, significa "chover sobre". 114 Cada uma das ties cartas mostra Yods "chovendo" sobre o Caminho. Ou entao, como descreveu Pausanius, eles poderiam ser as l£grimas da Lua-Deusa, que faziam o Nilo encher e baixar. 115 Seja como for, existe uma concordancia geral de que, tal como simbolizam os Yods cadentes, alguma coisa desce da Lua para a Terra neste Caminho. Na carta de Waite, existem quinze yods, uma possivel referenda ao cativeiro da matena, simbolizado pela d6cima quinta carta-trunfo, O DIABO. A carta da Aurora Dourada mostra quatro yods, um para os poderes de cada um dos Peixes (regido por Jupiter)

esta"

relacionado

Chesed.

respeito

183


Quatro Mundos, enquanto Crowley usa nove, nuraa referenda a Yesod. Ele as 116 significando o ciclo menstrual. Ele descreve como "gotas de sangue impuro", soro tingido de sangue. torrente de descreve o Caminho como uma escuro estao intimamente associados De fato, a menstruacao e seu sangue 117 reina a Deusa grega Artemis. a este Caminho, o Caminho do parto, onde

Sendo irma de Apolo, o lente

Sol, Artemis era a Lua. Tal

como

Diana, sua equiva-

ela era a deusa da caca, percorrendo florestas bravias e monsua matilha de sabujos. Dessa maneira, o parto esta" ligado aos

em Roma,

tanhosas

com

ser aspectos mais selvagens da Natureza. Tal como o Caminho, a Deusa pode sinistros e atributos referencias a muitas lenda faz implacavel; sua perversa e punida. ferozmente imediata e era regras suas vingativos. Qualquer infracao de Portanto, a partir do ponto de vista da lenda grega, os caes d'A LUA podem ser considerados os caes

de Artemis, prontos para atacar e destruir os homens pr6pria id6ia ÂŁ bdrbara e incivilizada, assim como o

que a desagradarem. A Caminho de Qoph. Este 6 um Caminho primitivo, relacionado com a natureza bruta animal. ÂŁ o Caminho dos instintos animals (a lei da selva), das paixoes morais e energias que nao estao sob o controle de consideracoes intelectuais, ou 6ticas. Este pode ser um Caminho muito cruel, mostrando-nos aspectos de n6s mesmos que, embora a sociedade nos obrigue a reprimir, sem duvida fazem parte da natureza humana. Todavia, n6s abordamos as imagens e licoes

sem

desse Caminho

hesitar e interpretamos a luz da razao aquilo

contrado, da mesma forma como aplicamos no Caminho d'O JULGAMENTO.

A LUA 6 uma das cartas

as

emocoes ao que

para as quais a tradicao nos legou

que

for en-

6 encontrado

uma

estrutura

definida, sendo que as cartas da Aurora Dourada e de Waite baseiam-se claramente na versao do baralho de Marselha: dois cachorros (na carta de Waite aparecem um cachorro e um lobo) postam-se ameacadoramente sob uma Lua personificada, entre duas torres desertas. Na agua, na parte de baixo da carta,

bem

hi um caranguejo. E interessante observar aqui que na versao de Marselha nao 6 mostrado nenhum Caminho, e apenas por inferencia pode-se perceber que o caranguejo

irfi

passar entre os dois caes ferozes.

Mathers e Crowley concordaram que estes ultimos deveriam na vcrdade ser considerados os chacais de Aniibis, os necr6fagos da morte. Amibis era o deus chacal e o grande deus dos Infernos, encarregado de julgar e embalsamar os mortos. No Taro, isto significa o processo natural de deterioracao do corpo

da morte, o retorno de suas energias ao invisfvel, e tambem uma sugestao de correspondencia com o Caminho de Shin, O JULGAMENTO. A sugestao aqui 6 a de que, por ocasiao da morte, a atividade das forcas naalma" turais sobre o corpo ocorre de forma concomitante com a "pesagem da

ffsico por ocasiao

nesse Caminho.

Amibis 6

um

deus muito complexo e de opostos lunares, conforme 6 suum deus de luz e trevas, de morte

gerido pelas figuras duais de Crowley. Anubis 6

torno e ressurreicao, cujo culto fascinou as sociedades antigas que viviam em Pluesse deus, culto a sutilezas do romanos as do Egito. Descrevendo para os tarco escreveu:

184


Por Anubis eles entendem urn cfrculo horizontal que separa a parte invinome sfvel do mundo, que chamam de N6fti, da parte visfvel, a qual dao o de Isis; alem disso, como esse cfrculo toca tanto as fronteiras da luz como e a partir dessa as da escuridao, pode-se considerable comum a ambas

â&#x20AC;&#x201D;

circunstancia surge a semelhanca que eles imaginam haver entre Anubis e o cao, pois este animal mantem-se igualmente alerta tanto de dia como de natureza da noite. Em suma, o Anubis egfpcio parece ter o mesmo poder e

grega Hecate,

uma

divindade

comum

118 ao inferno e as regioes celestiais.

Continuando com a id6ia de Anubis e da ressurreicao, existe urn nftido relacionamento com a lenda de Cristo. Pode-se dizer, embora isto talvez pareca simurn tanto estranho, que num obscuro simbolismo medieval a lagosta â&#x201A;Ź urn 119 Devemos ter urn extremo cuidado para nao desbolo do Cristo ressuscitado. porque, embora o Taro seja muito esquivo simbolismo imediato esse cartar de medievais. No s6culo XIV, qualinegavelmente e enganoso, suas origens sao quer sfmbolo, mesmo os ocultos, estava relacionado com Cristo. De uma maneira ou de outra, nascimento, morte e ressurreicao sao conceisimb61itos fundamentals para o caminho d'A LUA. Esses nao sao processos senso nosso luz do sob a cos; sao fisioltfgicos, e ocorrem na escuridao e tambem

de percepcao. O processo energetico, um movimento ondulatdrio ciclico, e" representado por Crowley como um padrao que esta" tanto em cima como embaixo, ligado pelo Escaravelho do Sol. Reafirmando o significado deste tenebroso Caminho em seus termos mais

o nosso corpo se desenvolve no utero. longo de toda a nossa vida, a medida ao Trata-se de um processo que continua que as celulas do corpo vao morrendo e sao substitufdas. A atividade deste Caminho termina com a dissipacao da energia e o retorno a sua origem, que â&#x201A;Ź simples: esta 6 a energia a partir da qual

Netzach.

compreender a relacao entre a nossa personalidade-consciencia e o vefculo ffsico construfdo para cada encarna^ao, um empreendimento muito diffcil para a maioria das pessoas, que acha que existe apenas atrav6s de seu corpo. Aqui o significado da letra simples Qoph, sono, nos proporciona uma importante indicagao. Durante a fase cfclica da conscien-

Compreender

este

Caminho

significa

maioria das pessoas continua a agir com base em informacoes e fantasias estreitamente relacionadas com sua existencia corporal. Seus sonhos sao cheios de sombras da mat6ria, a qual, uma vez conscientemente transcia

do vefculo

ffsico, a

cendida, 6 a conquista do

Caminho d'A LUA.

185


28.

O A

Caminho de Tzaddi

s

Estrela

A Decima Setima Carta • •

COR DO CAMINHO: Violeta SOM RELACIONADO: La" Sus-

J

tenido

SIGNO: Aquano (Ar Fixo) SIGNIFICADO: Anzol LETRA SIMPLES: Imagina9ao

TITULO ESOTERICO: A

• •

Filha

do Firmamento: Aquela que Habita entre as Aguas.

TRINTA E DOIS CAMINHOS DE SABEDORIA: O Caminho

Vigesimo Oitavo

chamado de Inteligincia Natural, sendo assim denominado porque atravis dele e consumada e aperfeigoada a Natureza de todas as i.

coisas que existent debaixo do Sol.

O

Caminho de Tzaddi, A ESTRELA, liga Netzach (Vitona) a Yesod (O um Caminho muito poderoso, que indica a maneira pela

Alicerce). Trata-se de

qual a Energia Divina inerente a cada indivfduo pode ser abordada adequada-

mente.

A

mamente

letra

Tzaddi significa anzol, sugerindo meditacao,

ligado ao uso da imaginacao. Assim, a imagina?ao

e"

um

processo

descrita,

inti-

nao como

a conquista de alguma coisa, mas como uma fusao de duas correntes de conscJenda individual j>ara formal uma comci&ncia maior, Embora zsle se)a vm

Caminho da seguida,

intuicao fundamental, as vasilhas representam

uma

reintegracao da forca de

Chokmah

uma

separacao

e,

em

(neste nfvel, sentimento e

intui9ao) e de Binah (intelecto). O simbolismo do anzol na medita9ao € facilmente estendido para a Arvore da Vida: o Anzol (Tzaddi, A ESTRELA) 6 colocado nas 6guas de Mem (O ENFORCADO) para pegar o peixe (Nun, A

186


sfmbolo de consciencia. Quando praUniversal, ticamos meditacao e visualizacao criativa, lancando-nos no Oceano morte. vida e n<5s procuramos compreender os processos de Os Trinta e Dois Caminhos de Sabedoria descrevem este Caminho como

MORTE). A agua

e,

mais

uma

vez,

um

natureza atribufdas a Neta Inteligencia Natural, sugerindo as forcas brutais da natureza. Alem zach; os Elohim (Deuses de Netzach) sao sinonimos da prdpria simbolizadas mais, esta Inteligencia Natural est* relacionada com as energias

do

em

outra carta,

A FOR£A. O

numero d'A ESTRELA,

17, reduz-se

ao numero

d'A FOR£A, 8. Esta carta representa o controle consciente da energia Kundalini, aqui que, embora se diga a qual e descrita como solar ou sexual. Lembremos do Bern que a serpente Kundalini (a mesma que tentou Eva na Arvore da Ciencia Vida Arvore da na e do Mai) esta" "enrolada em Yesod", quando representada forca a encontramos ela est* em contato com todo e qualquer Caminho. Quando n6s nos Kundalini as energias sexuais que estao dentro de n6s mesmos aproximamos dos Grandes Misterios de Tiphareth, o Logos Solar, que e a Estrela especie de ioga, central da nossa existencia. O processo de abordagem e uma energia que usamos no E essa energia. de centres envolvendo a inervacao de

,

processo de meditacao; ela 6 ao mesmo tempo os meios e a meta da iluminacao consumada e aperfeipois, como diz o texto acerca de Tzaddi: "Atraves dele 6 Sol." A ESTRELA debaixo do coada a natureza de todas as coisas que existem aperfeicoamento. representa o metodo, os meios de se efetuar o Conforme declara Case a respeito desse metodo: "A meditacao e, na vereleva ate o nfvel consciente os poderes da nos consciencia autom&ica de Yesod... por mais que no infcio a meditacao possa na bem-sucedidos somos realmente quando pessoal, parecer uma atividade medisomos mas medi tamos nao verdade, n6s descobrimos que, na dade,

uma funcao do EGO, que

meditacao tados" 170 A idem aqui

que o Eu Superior (que Case chama de Ego) leva pela Personaa Personalidade a meditacao. O "anzol" € a busca da realidade pescar do Eu vara de lidade consciente no contexto da meditacao, e tambem a recolhida. Superior para puxar a Personalidade das profundezas onde se acha A figura desta carta e a mais pura manifesta?ao da Grande Mae no nfvel ela da Personalidade e antes de seu aprisionamento na materia. Por esta razao, natureza, ou da forma ffsica da perfeigao ela 6 a despida: est^ completamente nfvel de abaixo do isso: significando Sol", seja, de "tudo o que existe sob o e*

a de

mesma figura primeiramente encontrada em A IMPERATRIZ, com manto e coroa; e tambem a mesma figura encontrada em A GRANDE SACERDOTISA, e a mesma figura de O UNIVERSO. Na carta da Aurora Dourada, a mulher 6 representada despejando o con"eles teudo de duas vasilhas (Chokmah e Binah) sobre a terra, de modo que 121 Na carta de Waite, as vasilhas se juntam e formam um rio aos seus pes".

Tiphareth. Esta 6 a

Crowley e estao despejando o lfquido na terra e na agua. O simbolismo de seio, uma de forma de em tacas duas apresenta muito mais complicado. Ele essa cabeca sua sobre despeja ela ouro e outra de prata: "Com a taca de ouro, 61eo e sangue, indicando a eterna renovacao esquerda, de categorias, as inexaurfveis possibilidades da existencia. A mao

agua eterea, que tambem 6

leite,

187


abaixada, segura uma taca de prata, da qual ela tambem despeja o lfquido da sua vida... Ela o verte no limite entre a terra e a agua. Essa agua € a agua do

Grande Mar de Binah; na manifestacao de Nuith num piano inferior ela € a Grande Mae." 122 Crowley interpreta as diversas espirais desta carta como uma referenda a forma do Universo prevista por Einstein e por seus seguidores. Ele chama a atencao para o fato de que existem formas retangulares apenas na taca inferior, e diz que "Nisto talvez possa ser descoberta a doutrina segundo a qual a cegueira da humanidade a todas as belezas e maravilhas do Universo seja devida a essa ilusao de retidao." 123 A versao da Aurora Dourada para A ESTRELA cont&n informacoes mais especfficas do que as outras a respeito desses Caminhos, ainda que ocultas nas complexidades do mimero. Nesta carta, os sete raios primarios e os quatorze raios secunddrios da estrela totalizam 21. Este e" o mimero de Eheieh, o nome divino de Kether, comunicando-nos que a relacao entre este Caminho e a Divindade 6 muito mais direta do que parece. A16m do mais, as imagens da Aurora Dourada explicam por que A ESTRELA, cuja posicao foi trocada por Crowley pela de O IMPERADOR, est£ firmemente estabelecida no Vig6simo Oitavo Caminho, onde a tradicao a colocou.

A

chave de tudo sao as duas arvores ao lado da figura feminina. Elas sao

a Arvore da Vida, a direita, e a Arvore da Ciincia do Bern e do Mai, a esquerda.

Os

estudiosos da Bfblia irao imediatamente reconhecer as Arvores simb<51icas

no Genesis; Adao e Eva podiam comer o fruto da primeira, mas estavam proibidos de fazer o mesmo com os da segunda. A Ave de Hermes acima da Arvore da Ciincia do Bern e do Mai (o ibis) descritas

amplia o significado da arvore nesta carta. Trata-se de

uma referenda

a

O MAGO,

Hermes-Thoth-Mercuno. A palavra hebraica Kokab significa estrela e, mais especificamente, Mercuric Assim, vemos que, para aprender as licoes deste Caminho, precisamos aplicar a for9a de vontade do Mago, a forca diretora da meditacao. O Zohar, falando sobre a Arvore da Ciincia do Bern e do Mai explica que, "se um homem vive honradamente, esta € a Arvore do Bern, e se vive iniquamente, esta € a Arvore do Mai". 124 Isto nao implica a aceitacao de qualquer doutrina social ou lei, bem como de qualquer norma de conduta social. Significa simplesmente atuar de acordo com a Vontade Universal. Nesta carta, vemos que os ramos inferiores da Arvore sao o inverso dos principios simbolizados pelos ramos de cima. Cada ramo representa um dos sete planetas (seis em torno do Sol) e Saturno representa os tres Supernos (Figura 30). Assim, vemos que esta Arvore, relacionada com a expulsao de Adao e de Eva do parafso simboliza o dualismo da condicao humana: bem e mal, dor e prazer, harmonia e discdrdia. A ave voando acima da Arvore, embora seja uma referenda a O MAGO e a vontade, chama a nossa atencao para o fato de que a sabedoria deriva da correta compreensao e controle dos aspectos dianos de nossas vidas. Os Mistenos Herm6ticos servem para explicar tudo o que e" chamado de bem ou mal na nossa vida e nos ajudam a transcender as limitacoes que nos sao impostas por essas qualidades. Veremos tambem que a Arvore da a carta de

188


Figura 30.

A

Arvore da Ciencia do Bern e do Mai

Mai esta" voltada para o Pilar da Severidade. Seu oposto, da Vida, esta" voltada para o Pilar da Miseric6rdia pois e" uma d&diva de Deus que equilibra as licoes completamente opostas da outra Arvore. A sugestao bastante pr£tica aqui contida 6 a de que temos de aplicar continuamente a nossa vida di£ria as licoes dos mundos interiores os resultados da meditacao e vice-versa. Esta carta mostra o Jardim do fkien, a condicao original. Todavia, surge aqui uma complicada questao: por que esse Jardim deveria ser representado numa carta situada tao baixo na Arvore da Vida e, tambem, por que deveria formar urn dos principais Caminhos da Personalidade? Isto 6 explicado por uma referenda deste Caminho a urn Caminho mais elevado, o d'O IMPERADOR. O nome hebraico correto desta carta e D">nDiDn (ha-kokabim), significando as Estrelas e nao a Estrela. Case notou isto e observou que por esta razao alguns baralhos franceses e italianos antigos usavam o plural Les Etoilles e Le S telle. 175 Embora Case nao tivesse desenvolvido esta ideia, os admir adores de Crowley irao imediatamente lembrar da afirmacao contida em seu Book of the Law [O Livro da Lei] que o levou a inverter as posicoes d'O IMPERADOR e d'A ESTRELA: "Tzaddi nao 6 a Estrela." Na verdade, nao 6 uma unica estrela, como tambem nao o e O IMPERADOR. Todavia, existem muitas maneiras cabalfsticas atrav£s das quais O IMPERADOR (Heh) e A ESTRELA (Tzaddi) se correspondent Uma dessas licoes, mais uma vez demonstrada pelo Mestre da Gematria, Paul Case, esta" relacionada ao fato de que a expressao hebraica ha-kokabim tern o mesmo valor numerico de DTKM "pN (ehben ha-Adam), A Pedra de Addo. 126 Esta 6 uma referencia simb61ica a uniao do Pai Supernal, Chokmah, com o Sol, Tiphareth, ou seja: O Caminho de O IMPERADOR. Netzach 6 a energia de Chokmah em seu arco inferior, na base do Pilar da Miseric6rdia. Seus Elohim sao a expressao inferior do YHVH Elohim de Binah, os quais, conforme nos diz o Genesis, criaram o jardim e as duas Arvores. O Caminho de A ESTRELA, portanto, 6 o Eden inferior, o Eden da Personalidade. Ciencia do Bern e do a Arvore

189


Caminho de O IMPERADOR, como discutiremos posteriormente, € o aspecto Superior. fgneo do Eden superior, o Eden a partir do qual emerge o Eu referenda a uma Adao, por "restaurado" Eden mostra o A ESTRELA com o qual um estado inferior € Eden Esse atribufdo. Tiphareth, a qual Adao 6 que recordamos tambem Aqui diretamente. relacionar a Personalidade pode se

O

a formacao da consciencia individual a partir da conscinfvel mais elevado encia coletiva, se inicia a partir de Netzach. Este i tambem o SOL, o nfvel mais Caminho de da intuicao da Personalidade, ao contrano do elevado que o intelecto pode alcancar. a6reo de Aquino, associado a paz, ao amor e a inspiracao, 6

a criacao do

Homem,

O

O

signo

atribufdo a este Caminho.

Na

antiguidade, dizia-se que Saturno regia

Aquano,

UNIVERSO. Deve o que nos remete uma vez mais a Binah e, na verdade a O um mimero muito maior ficar claro aqui que A ESTRELA esta" relacionada com Maiores e, nessa condicao, Arcanos outros maioria dos de Caminhos do que a outro autor, qualquer que melhor do Crowley, tern uma importancia especial. reduzido esta" Universo "aqui o que disse explicou por que isso acontece. Ele 127

a seus elementos ultimos". Este desfgnio esta" implfcito

na propria figura da Estrela

central,

que 6 uma

um ponto central como uma figura

mistura de muitas luzes. Trata-se de um que tern sido relacionado com Lucifer. Este anjo nao 6 visto da Tarde", dos infernos, mas como o portador da Luz, a "Estrela da Manna e Netzach. tida como o planeta Venus, o Chakra mundano de brilho emitido a partir

de

geralmente

27.

O A

Caminho de Peh Torre

A Dicima • •

Sexta Carta

COR DO CAMINHO: Escarlate SOM RELACIONADO: D6 Natural

PLANETA:

SIGNIFICADO: Boca

LETRA DUPLA:

Marte Graca-Indig-

na?ao •

TITULO ESOTERICO: O

Se-

nhor das Hostes do Poderoso

TRINTA E DOIS CAMINHOS DE SABEDORIA:

Vigisimo Setimo^ porque e chamada assim Excitadora, ou Caminho i a Inteligencia Ativa movimento. espirito e atraves dela que todo ser recebe seu

O Caminho de Peh, A TORRE, liga o centro do processo de raciocmio (Hod) Caminho equilibrador da Perao centro do desejo-intuicao (Netzach). Ele € o 190


WtMMAdSSm

iW^Sl

ill MM THE TOWER. |

|

com Marte e com o Norte, regiao tradicionalmentc conhecida nos Misterios como "o local de maior escuridao", porque se diz que o Sol nunca brilha na face norte do Templo de Salomao. Nao obstante, nos 6 ensinado que a Luz vem da Escuridao, que "o ouro vem do Norte", e que "a Iluminacao tern sua origem nas fontes ocultas de poder que aterrorizam a mente sonalidade, relacionado

do ignorante". 128 Peh e" uma letra dupla e, portanto, um dos "Portoes da Alma", podendo dar passagem para duas direcoes. Como palavra, Peh significa boca, um oriffcio relacionado com a ingestao de alimentos e com a emissao da fala. No primeiro caso, podemos inferir que 6 atraves da funcao desse devastador Caminho que as energias superiores sao transmitidas para a Personalidade. A16m do mais, enquanto o alimento espiritual entra no sistema, atrav6s da sua boca simb<51ica, a fala tambem passa por ela rumo ao exterior. Qualquer um que tenha feito algum trabalho prÂŁtico esoterico tern consciencia da singular importancia das palavras e dos sons com que sao formadas. A vibragdo de um Nome Divino (sua elocucao, de tal forma que possa ser efetivamente sentida pelo corpo) produz um claro efeito sobre o vefculo ffsico e um efeito concomitante sobre os vefculos psiquicos. Este 6 um fato que pode ser facilmente testado pelo estudante, embora o efeito sobre o aspecto psfquico talvez nao possa ser completamente percebido pela consciencia desperta. As "Palavras de Forca", adequadamente vibradas com forca marciana, contribuem para a destruicao de nossas Torres pessoais, falsos conceitos e instituicoes que acreditamos serem realidade. Temos de compreender, porem, que a destruicao de algo abre espaco para a cria?ao de alguma coisa nova. Conquanto Marte seja o deus da guerra e da destrui5ao, ele 6 tambem o Deus que rege 129 Com relacao a fala, sabemos que Logos â&#x201A;Ź tama produtividade das colheitas.

bem chamado de

A

Palavra.

maioria das versoes desta carta representa

um

uma

Torre, situada

num

local

Pessoas caem dela quando a coroa 6 derrubada. Nos termos mais simples possfveis, isto simboliza a subita destruicao da nossa percepcao acerca do que constitui a realidade. A Torre 6 o conceito do deserto, sendo atingida por

raio.

191


que a maioria das pessoas chama de "Eu", a consciencia da Personalidade sendo destrocada por urn influxo de forca que revela algo a respeito da natureza do

A

Torre tambem simboliza todas as instituicoes artificiais, quer isto Superior. signifique governo, igreja ou quaisquer outros valores socialmente aceitos. Isto poderia ser interpretado como a destruicao do mal. De fato, um outro

Eu

A Casa de Deus. O processo de aprendizado espiritual envolve desenvolvimento e destruicao de conceitos criados apenas como meios o contfnuo interiores. Por exemplo: nos Caminhos, n6s mundos para a penetracao nos primeiramente encontramos os Arcanjos com uma mascara antropom6rfica. Esta

nome

desta carta €

parece ser a sua realidade, principalmente se inicialmente nao tenhamos acreditado na sua existencia. O que encontramos sao imagens estabelecidas ao longo

de seculos de pr£tica de meditacao. Elas sao, antes, uma util criacao de seres a verdadeira e pura consciencia das entidades arcangdicas. Encontrar os Arcanjos como consciencias amorfas significa destruir outra Torre criada por n6s. Todavia, essas Torres sao necessaxias e sagradas. Tal como os nossos corpos, a expressao mais densa de n6s mesmos, elas sao templos do

humanos do que

Compreendendo isto, aprendemos a aplicar os princfpios subjacentes de cada Caminho sem ficarmos presos as suas manifestacoes externas necessariamente artificiais. Sabemos que qualquer Caminho que sigamos e\ por definicao, artificial, seja ele a Cabala, o Hindufsmo, o Catolicismo, o Judafsmo Espfrito Santo.

ou o Budismo, e que cada tijolo cuidadosamente acrescentado a essas estruturas mais cedo ou mais tarde serd destrufdo. Um importante sfmbolo de A TORRE 6 o seu prdprio isolamento. Ela fica no topo desolado de uma montanha. A maioria das pessoas se ve dessa forma, como unidades de consciencia totalmente isoladas. Assim, a destruicao da Torre significa conhecer

fere a Torre 6 tern a

o Verdadeiro Ego, que nao pertence apenas

uma

a n6s.

O

raio que

subita percepcao da nossa verdadeira identidade. Esse raio

forma do cfrculo e da lanca de Marte para indicar o poder que

inicia a

experiencia.

Nas cartas de Waite e da Aurora Dourada, o raio atinge a Coroa no topo da Torre, uma 6bvia referenda a Coroa de Kether. O que est£ simbolizado aqui, porem, sao as falsas coroas da nossa existencia, aqueles valores artificiais que acreditamos nos control ar. Um dos significados da Coroa aqui € o de vontade, a Vontade Fundamental de Kether, que € a linica verdadeira realidade. A nossa tentativa consciente de nos alinharmos com esta Vontade Fundamental acarreta

uma vontade pessoal. referenda a Marte no 27° Caminho indica a correspondencia do Caminho com Geburah, a quinta Sephira. Aqui se dd a atividade de Geburah no sentido da destruicao de valores obsoletos. Naturalmente, devemos reiterar que as Sephiroth sao centros de energia objetiva ao passo que os Caminhos sao a nossa a destruicao da nossa crenca na existencia de

A

utilizacao subjetiva dessas energias.

Sephiroth estao

em

Em graus vari£veis,

as energias

de todas as

todos os Caminhos; neste caso especffico, a energia de

Geburah € predominante. Lembremos tamb6m que Netzach e Geburah, Venus e Marte estao integralmente ligados, e que os Deuses associados a Hod e a Netzach sao chamados de Deuses dos Exercitos. 192


razao que Crowley deu a esta carta o subtftulo de Guerra. Em toda a literatura esotenca espiritual o autodesenvolvimento 6 descrito em termos marciais. O Bhagavad Gita, por exemplo, descreve uma batalha simboFoi por

lica

uma boa

compoem o Eu Superior: Krishna 6 o Genio o seu campo de batalha pessoal interior.

das partes que

guia Arjuna at6

Superior que

Muitas pessoas cometem o erro de presumir que o processo de desenvolvimento espiritual 6 caracterizado por "suavidade e luz", urn equfvoco estimulado principalmente pelo Cristianismo. A TORRE indica que o crescimento interior tern de ser um processo diffcil e doloroso. A natureza nem sempre 6

bondosa conosco. Quando invocamos as forcas interiores, logo descobrimos que obtemos aquilo que precisamos e que isso nem sempre e" aquilo que queremos. Alem do mais, frequentemente nao 6 aquilo que esperamos. Os ramos da Arvore da Vida, como esta carta sugere, estao cheios de surpresas! Tanto na carta de Waite como na da Aurora Dourada, a surpresa e o car£ter siibito da descoberta sao simbolizados pela queda de um raio. A versao de Crowley representa o mesmo princfpio, mas procura expressar alguns dos significados mais sutis do Caminho. Ele nos diz que esta carta representa o "pre8 f£cio" da chegada de uma nova era mostrada na 20 Carta, O JULGAMENTO. Sua versao de A TORRE, representa a destruicao da velha ordem.

como em

A ESTRELA,

retas e figuras geometticas Ele observa que, como a perfeicao 6 o Nada, "todas as manifestacoes, por mais gloriosas e encantadoras que sejam, nao passam

Tal

para indicar aquilo que

e"

Crowley usa linhas

artificial.

de n6doas". 130

Em

sua carta, o Olho C6smico que tudo ve, observa e dirige o processo de demolicao e destruicao da Torre, enquanto Dis, o deus romano da morte, vomita chamas a partir da estrutura da base. No outro lado estao a Serpente e as "duas formas de desejo... o Desejo de Viver e o Desejo de Morrer..." Crowley diz que eles sao tambem "os impulsos masculino e fe-

o Pombo, representando minino".

131

Tanto na carta da Aurora Dourada como na de Waite, h£ duas figuras caindo da Torre. Case interpretou-as como modos duais da consciencia pessoal inferior (consciencia e subconsciencia), enquanto Mathers chamou-as de Reis de Edom. Waite presumivelmente concordou com Mathers, pois suas duas figuras tambem

usam

coroas.

A

referenda aos Reis de

desta carta.

A queda dos

Edom nos leva a alguns significados muito sutis Edom 6 uma referenda a conquista dessa nacao

Reis de

pelos judeus, lideradas por Judas Macabeu. Existe nessa queda, pordm, um significado muito mais profundo, o qual 6 discutido com certa minuciosidade no

Zohar. Esse livro afirma que, antes da criacao do nosso universo, havia outros universos ou formas de existencia com as quais o Divino Criador estava descontente e que Ele reduziu a

um

132 estado de caos ou de nao-existencia.

A16m disso, a Torre tern outras implicates bfblicas. Na parabola da Torre de Babel, por exemplo, a relacao Fala-Torre 6 apresentada com clareza. Segundo consta, depois do diluvio, os descendentes se estabeleceram na Babilonia (Babel),

onde construiram uma cidade de tijolos. Eles fizeram uma

torre

numa suposta 193


o C6u. Considerando esses homens Deus procurou castig£-los. Onde anteriormente "toda a uma s6 lfngua" e os homens podiam trabalhar em unfssono, Deus

tentativa de ganhar as alturas e conquistar inferiores e ambiciosos,

Terra tinha

impos varias lfnguas, forcando sua dispersao pela Terra. Em termos simb<51icos, a construcao de uma torre de falsos conceitos produz confusao; ela 6 a aceitacao das limitacoes da "lfngua", significando constricoes de qualquer cultura especffica. Neste sentido, portanto, a Torre tambem representa a estrutura dos sistemas religiosos individuals. Aqueles que estao entre os tijolos e a argamassa de qualquer sistema nao conseguem enxergar al£m desse sistema e ver a Unidade Divina e o prop6sito que constituem o niicleo de todas as verdadeiras religioes. As tres janelas existentes tanto na versao da Aurora Dourada como na de Waite mostram o quanto as implicacoes desta carta vao muito alem ate mesmo do nfvel do nucleo cristao de Tiphareth. O numero tres e" uma referenda ao -

Triangulo Superno, significando que a atividade d'A TORRE envolve de alguma forma os nossos eus c6smicos. Crowley usa o simbolo do Olho C6smico (o terceiro olho da visao interior) mas o significado 6 exatamente o mesmo. Aqui

h£ o envolvimento de Deus, o Pai. O fato 6 que o Caminho d'A TORRE pode ser considerado a afirmacao da Vontade Fundamental de que apenas Ela € a Verdadeira Coroa, equilibrando assim, no Eu Superior, o positivo puro (Chokmah) e o negativo puro (Binah) que ficam no topo de cada Pilar em nossas

Arvores da Vida individuais internas. Na verdade, toda Arvore da Vida est£ envolvida neste Caminho. Waite sugere isto colocando a Torre entre dois conjuntos de Yods cadentes (o Espirito descendente), os quais tern o seu numero aumentado para 22, o numero de letras hebraicas e de Caminhos. Lembraremos aqui que todas as dez sephiroth foram

criadas por meio do raio.

Na

carta da

Aurora Dourada 6

feita

uma

sugestao ainda mais profunda a

respeito de nossos sistemas de valores humanos.

No

1

lado direito esta a Arvore

no esquerdo, uma outra Arvore, que e" Qlippoth. Quando a Torre 6 do "bem" e do "mal" subitamente sao vistos de forma adquire diferente e a pessoa a consciencia de que tudo o que existe no Universo 6 uma parte do seu Unico Criador. Uma vez mais, conforme temos afirmado repetidamente: tudo o que foi criado contem as sementes do seu oposto. Ate" aqui temos discutido as implicacoes psicoldgicas do Caminho, id&as

da Vida

e,

atingida, os opostos

que podem ser facilmente derivadas a partir da meditacao com a carta. A TORRE, entretanto, envolve alguns simbolismos que raramente sao encontrados em letra impressa. Este simbolismo 6 puramente sexual. No passado, o significado de determinados sfmbolos era apenas vagamente desses sugerido porque muitas pessoas poderiam consider £-los chocantes.

Um

sfmbolos 6 a pr6pria Torre, que 6 um falo. Alem do mais, a boca (Peh) poderia ser interpretada em um determinado nfvel como significando a abertura do 6rgao reprodutor masculino, por onde sao emitidos os Yods, as sementes da vida. A carta de Crowley sugere isto de forma ainda mais clara atrav6s da forma da boca

que expele fogo na parte inferior a direita. No seu diano de 1923 ele nao deixa duvidas ao falar da "Torre destrufda que 6, na verdade, um Falo emitindo raios 194


de esperma". 133 O Fogo € destruidor e renovador, pois forca a transmutacao da energia de uma forma para outra. Ele 6, portanto, o ativador inicial que, em ultima anAlise, nos levara a fruicao. Isso torna-se claro quando se levanta a seguinte questao: o que acontece a Torre, que aqui e" vista sendo destrufda? A resposta 6 que acontece exatamente o mesmo que acontece no nosso mundo ffsico quan-

do alguma coisa queima.

A

energia 6 liberada para ser reestruturada e se

ma-

nifestar de outra forma.

uma

extremamente importante a respeito da natuno Universo. A transmutasao 6 tao difusa que pode ser encontrada em todos os nfveis da Arvore da Vida. O conhecimento de que a energia de Marte € a forca sexual universal de Microprosopus e de que a imagem da Torre e\ de algumas maneiras (embora nao todas), o Falo, sugere outro importante significado desta carta. E a energia sexual superior que destr6i a percepcao da Personalidade a respeito da natureza da funcao sexual; 6 a destruicao da percepcao do pr6prio 6rgao sexual durante o orgasmo. E, como observamos anteriormente, um dos preceitos dos Mist6rios afirma corretamente dizer que este preceito nao era muito sexo". DesnecessSrio que "Deus Esta carta cont6m

licao

reza da transmutafao de energias

e"

e"

difundido na 6poca vitoriana. Existe aqui mais

um

outro mist6rio complicado. Este 6 o misteno da cir-

na derrubada da "Coroa" do alto da Torre. Este dos mais secretos significados da carta e 6 apoiado pela Gematria. A letra Peh tern o valor 85, que 6 o mesmo da palavra hebraica que significa circuncisao. Poderfamos tambem acrescentar que, quando conquistaram os edomitas, os judeus os forcaram a se circuncidarem, o que lhes permitiu serem cuncisdo,

e\

sem

uma

diivida,

id6ia implfcita

um

absorvidos pela sociedade judaica.

Embora

a origem

do

rito

da circuncisao seja muito obscura, trata-se de

pr£tica que se sabe ter sido difundida pelos egfpcios.

134

Os

textos biblicos

uma

mostram

que diversas id6ias estao relacionadas com a circuncisao: 1) Ela estava relacionada com a preparacao para o casamento. No caso dos Mistenos, isso poderia significar aquilo que os alquimistas chamam de "Casamento Qufmico". 2) Era um rito de iniciacao a um grupo social. 3) Era uma "oferenda redentora", tal como 6 interpretada no Levftico. 135 4) E, o que € mais importante, era um testemunho do pacto entre Abraao e Deus. Em termos antigos, isto significava um acordo entre duas partes; nao se tratava de um contrato no moderno sentido da 136 palavra, mas de um compromisso bilateral de lealdade. Assim, pode-se interpretar a queda de cima da Torre como o sacrificio da percepcao da funcao sexual por parte da pessoa (uma circuncisao simbdlica), como algo que 6 exigido continuamente da humanidade como requisito para a manuten?ao do pacto entre Abraao e Deus, ou seja, para conservar o Caminho atrav6s do qual a pessoa pode voltar a Fonte de Tudo. Alem disso, ela & tambem um marco introdutdrio; trata-se de uma preparacao para o Conhecimento e a

Conversao do Anjo da Guarda de Tiphareth. Curiosamente, o texto bfblico exige a circuncisao de todas as criancas do sexo masculino no oitavo dia de vida. Isto certamente sugere uma relacao com a oitava Sephira, Hod, ligada a Netzach pelo Caminho de A TORRE. 195


A

Torre € o

falo.

ma que o Caminho

Todavia, este simbolismo nao significa de maneira alguexclusivamente pelos que estejam operando em

seja trilhado

encarnacoes masculinas.

A

existencia

do Caminho de Peh 6

de diferenciacao dos sexos para a encarnacao

e,

portanto,

e"

anterior ao ponto

uma am&lgama de

energias masculinas e femininas. Neste Caminho, a pessoa deve se concentrar

no componente masculino da forca sexual, da mesma forma como em outros Caminhos ela tem de lidar com os seus componentes femininos. O fato de o indivfduo ter um corpo masculino ou feminino, por6m, acarreta algumas diferencas na maneira de abordar os Caminhos inferiores abaixo de Tiphareth. As energias sao polarizadas de forma diferente na experiencia de um Caminho de acordo com a sexualidade do vefculo ffsico. Isto nao produz nenhuma diferenca pr£tica no trabalho individual; essas polaridades s6 precisam ser levadas em conta quando se esti trabalhando em grupo.

26.

O O A

Caminho de Ayin

<2>

Diabo

COR DO CAMINHO:

SOM RELACIONADO:

Indigo

hi

Natural •

SIGNO: Capric6rnio

SIGNIFICADO: Olho LETRA SIMPLES: Jubilo TfTULO ESOTERICO: O Senhor

(Terra

Cardeal) • •

dos Portoes da Matena; o descendente das For?as do Tempo.

196

i7

D6cima Quinta Carta

vs


TRINTA E DOIS CAMINHOS DE SABEDORIA: O

Vigisimo Sexto Caminho e chamado de Inteligencia Renovadora, pois atravis dele o Sagrado Deus renova todas as coisas mutantes que sao renovadas pela criagao do mundo.

O

caminho de Ayin, O DIABO, liga Tiphareth, o niicleo da consciencia do Hod, a esfera de Mercurio e do intelecto. O vig£simo sexto Caminho 6 formativo e, em termos da estrutura do Eu Superior, 6 uma ponte intelectual entre Sol, a

a Personalidade e a Individualidade.

De

todos os Caminhos, este talvez seja o de compreensao mais diffcil por

parte daqueles cujas rafzes estao fincadas nas culturas ocidentais, pois sua in-

terpretacao vai contra o significado que a maioria das pessoas associa ao Diabo.

Em termos Cabalfsticos o Diabo nao 6 visto como uma entidade mal6fica dotada de existencia independente. E, al6m disso, representa um misteno especial que deve ser desvendado antes que a pessoa possa conhecer o Princfpio Superior do Eu.

O

Diabo, que 6 o adversfrio, € o Senhor da forma manifesta, que temos de

enfrentar e veneer.

Paul Foster Case,

em

seu programa de estudos, foi mais longe do que

qualquer outro autor ao apontar as profundas implicacoes desta carta. Ele dis-

"De

numero 15 6 a mais importante. Ela 6 o do maior segredo pr&tico do ocultismo, pois oculta e revela o segredo dos poderes tradicionalmente atribufdos a Mois6s, a David e a Salomao. Este e" o mesmo grande segredo que Pit£goras aprendeu nas escolas dos templos egipcios. E tambem o grande Arcano da alquimia e da magia. Conhece-lo 6 adquirir a capacidade de fazer a Pedra Filosofal e o Elixir da Longa Vida. Todavia, os que conhecem este segredo nao podem reveld-lo, pois a questao essencial esta" al6m do poder de expressao das palavras." 137 Aqui temos a compreensao de estar lidando com um Caminho da Arvore da Vida que 6 uma transicao entre o intelecto normal da consciencia desperta e a verdadeise:

todas as cartas do Taro, a de

disfarce simbdlico

ra consciencia espiritual.

Caminhos que levam diretamente a Tiphareth: O DIABO, A A MORTE. Cada um desses Caminhos representa uma provacao especial. Devemos reiterar, por6m, que o estudioso nao precisa percorrer todos eles. Os que escolherem o Caminho do Pilar M6dio precisam lidar apenas com A TEMPERAN£A, que vai de Yesod a Tiphareth. Todavia, a decisao de seguir todo e qualquer Caminho significa a aquisicao de controle sobre as energias simbolizadas por cada Caminho; todo Caminho confere um poder unico. Por outro lado, percorrer o Caminho M6dio significa compreender e equilibrar, no interior do Eu Superior, as energias de todos os 22 Caminhos. A diferenfa aqui 6 que o individuo pode compreender esses aspectos conceituais da consciencia, sem necessariamente desenvolver a capacidade de manipular essas mesmas energias. Poder-se-ia dizer que a diferenfa entre o estudioso da magia e o monge catdlico 6 um maior nfvel de curiosidade. Embora alguns, obviamente, busquem os estudos ocultos movidos pelo simples desejo de conquista do poder, essas pessoas aprenExistem

tres

TEMPERAN£A

dem rapidamente

e

que, se esse poder for adquirido e mal-utilizado, havera"

um 197


preco a pagar. Nao ha" duvida de que o Caminho da devocao e da meditacao 6 muito mais seguro do que o Caminho da magia. O DIABO, na verdade, simboliza o poder em bruto. Ele 6 a forca que produz a transmutacao d'A TORRE, fato acentuado pela relacao desta carta com Marte: O DIABO 6 o signo de Capricdrnio, no qual Marte 6 exaltado. de Este â&#x201A;Ź o denso e, ate" mesmo, cego signo da Terra, simbolizando o que de iniciurn signo considerado ele 6 mais alto e de mais baixo. Nao obstante, terrfvel

M

agao ou de libertacao das limitacoes da matena. Trata-se de uma limitacao sugerida pela regencia de Saturno sobre Capric6rnio, o planeta de Binah, a Grande Mae. Capric6rnio rege as limitacoes da forma, quer isto signifique a prisao da matena ou do tempo, ou o sistema artificial com que medimos e envolvemos todas as nossas atividades. O Diabo representa a falsa percepcao da realidade por parte da pessoa comum; a crenca da nossa condicao material 6 "real" no verdadeiro sentido da palavra. Essa falsa percepcao 6 aqui simbolizada de duas formas: em primeiro lugar, pretende-se que o Diabo seja visto como uma figura comica, o bicho-papao da nossa infancia coletiva. Nossa crenca na ilusdo de matena criada pelas energias simbolizadas por esta carta 6 efetivamente risfvel, e aqui esta" mais do que claro que o riso e o bom humor sao ferramentas que nos ajudam a transcender a ilusao. Temos de aprender a nao levar a seno as ilusoes do mundo material. A hilaridade â&#x201A;Ź o primeiro grande conetivo. Em segundo lugar, nossa percepcao equivocada da verdadeira natureza das sfmbolo coisas 6 sugerida pelo pentagrama invertido na cabeca do Diabo. visao prdpria a significa que baixo, para sagrado da humanidade, virado de cabeca

O

maioria das pessoas, e seu relacionamento com uma realidade espiritual, estao de cabeca para baixo. E o significado da letra Ayin, olho, significa que a licao desta carta 6 uma reorganizacao de perspectiva, uma nova visao

de

mundo da

olho simboliza tanto a nossa aceitacao da realidade do que vemos como tambem uma visao maior deconente do uso da visao Aceitar que o nosso olho ffsico nos mostra significa nos sujeitarmos interior. o a ilusao e ao cativeiro, urn estado simbolizado nas cartas da Aurora Dourada e de Waite pelas figuras acorrentadas. As figuras tern chifres para mostrar que, das coisas.

no mundo

O

sensorial

embora sem terem consciencia

disso, elas sao servas dessa criatura comica.

afirmacao fundamental deste Caminho 6 que o Diabo nao existe da forma como 6 postulado pelo ignorante. Conforme esta" escrito na Tdbua de Esmeralda: "todas as coisas vieram da Unidade por meio da meditagao da Unidade", significando que nao existe nada no universo a nao ser Deus, inclu-

Uma

indo o assim chamado Diabo.

A carta contem urn dos maiores mistenos da Cabala,

um meio

necessano para se alcancar a consciencia Cristoo de que o Diabo Buda de Tiphareth. Descrito como a "fonte das formas e da aparencia da existencia relativa", e como "Senhor dos Portoes da Matena e Descendente das Forcas do Tempo", o Diabo 6 ao mesmo tempo o Tentador e o Redentor. Ele tambem 6 chamado de "Principe dos Poderes do Ar", indicando que essa energia media o fluxo de correntes astrais. O Ar aqui deve ser entendido como o todo de 6

Yetzirah, o Piano Astral que controla o fluxo e o refluxo da matena.

198


Este

Caminho confere

a capacidade de endireitar o Pentagrama

do Diabo

Em termos pr£ticos, isto significa a capacidade de inverter Astral. O intelecto e a meditacao disciplinada sao os meios

e de erguer a sua tocha. as correntes

da Luz

pode realizar isso e produzir a Pedra Filosofal e o Elixir processo se inicia com o intelecto de Hod e leva a intuicao de Tiphareth. Este e o significado do texto dos Trinta e Dois Caminhos de Sabedoria, que descreve Ayin como a Inteligencia Renovadora. Sabemos que atrav^s dos quais se

da Longa Vida.

O

apenas atravls das forcas do Diabo, e da nossa correta compreensao dessas que poderemos chegar a entrar em contato direto com a Luz de Deus, o Filho. As escrituras afirmam que o pr6prio Cristo foi tentado pelo Diabo. Assim, o caminho nos 6 apontado mais claramente do que os fundamentalistas cristaos jamais poderiam suspeitar. e"

forcas,

Eliphas Levi considerou este Caminho "a primeira manifestacao ffsica do Sopro Divino". E aqui recordamos que "Saturno come os seus filhos", significando que, embora a criacao da ilusao da forma seja essencial para a manifestacao no piano terrestre (e seja o verdadeiro significado do termo manifestacao), a "dissolucao dessas formas e" fundamental para o Caminho de Volta". Para os alquimistas, dissolugdo significa andlise, que € justamente o que fazemos quando separamos intelectualmente as energias que compoem a n6s mesmos e ao nosso universo em 22 Caminhos da Arvore da Vida. Primeiro precisamos distinguir conceitualmente

ponentes

e,

(bem como sob

um

aspecto pr£tico) essas partes com-

depois, reintegrd-las atrav6s da compreensao do seu funcionamento.

Desenvolvendo uma analogia ja" apresentada anteriormente: € apenas atrav6s da andlise de cada parte do nosso corpo, considerando cada drgao isoladamente, que poderemos compreender como os 6rgaos atuam em conjunto para manter o nosso ser ffsico.

A reintegracao,

esses 6rgaos.

nesse sentido, e a nossa visao geral da interacao entre essa visao geral, podemos comecar a aplicar ativa-

Tendo obtido

mente o novo conhecimento. Esta e uma fase positiva da utilizacao daquilo que

E o passo que vem logo depois da dissolucao e da reintegracao. Todavia, como estamos operando numa encarnacao terrestre, tudo deve estar relacionado com a nossa condicao mundana. Cada licao tern de estar ligada a terra. sabemos.

Este 6 o significado psicoldgico de um processo que tern sido descrito em termos simb<51icos ao longo dos seculos. Nossa psicologia nos proporcionou palavras para descrever relacionamentos de energia que os antigos apenas po-

diam expressar

de sfmbolos. Palavras como "subconsciente" e "inconstal forma ao nosso vocabuldrio que muitas vezes deixamos de reconhecer o seu valor. Assim, mais do que em qualquer outra 6poca, hoje estamos preparados para lidar com os conceitos dos Misterios, incluindo o que tern sido chamado variadamente de Fluido Akfishico, For9a (3dica ou Luz Astral. Atrav6s da compreensao d'O DIABO, esta forca pode ser manipulada para qualquer fim que a pessoa tenha em vista. Aqui L6vi (que usou a expressao "Grande Agente M£gico") descreve o processo de manipulafao como dissolver, atraves

ciente" integraram-se de

consolidar, acelerar e

moderarP* Isto significa dissolucao, terra. As mesmas qualidades podem

dade e ligacao com a Fogo, Agua, Ar e Terra.

reintegra5ao, ativiser descritas

como

199


A

indispensavel interacao entre os Quatro Elementos

pelas cartas da Aurora Dourada e de Waite:

tambem

6 sugerida

A Tocha Invertida 6 o Fogo,

as garras

da Aguia sao a Agua, as asas sao oAreo corpo grotesco do Diabo 6 a Terra. Um simbolismo interessante, porem ainda menos 6bvio, esta" no fato de O DIABO ser representado com as orelhas de um asno, uma referenda mitoldgica que sugere uma interpretacao sexual para esta carta. Priapus era o Deus Romano do 139

o asno era tradicionalmente sacrificado. O simbolismo das cartas da Aurora Dourada e de Waite 6 essencialmente o mesmo, com uma excecao. Na carta da Aurora Dourada o Diabo segura um unico chifre na mao direita. Pretende-se que este seja o chifre de um Cameiro ou Aries, o Caminho d'O IMPERADOR, regido por Marte. Mathers viu nisto

falo, a quern

o mais profundo significado da carta, pois este 6 tambem o Shofah judaico, o Kippur. chifre de cameiro que 6 tocado para convocar as pessoas para orar no Yom estao Nele servidao. da livramento meios de pr6prios Assim, o Diabo segura os levados somos mais, Alem do liberdade. confere aquilo que escraviza e o que pura que a compreender que o Caminho d'O IMPERADOR simboliza a energia que (lembrando JULGAMENTO promove a queda d'A TORRE e o exame de O estao Primavera). Todos infcio da Aries 6 o primeiro Signo do Zodiaco e marca o relacionados com Binah, que 6 um vermelho fgneo em Atziluth. A Carta de Crowley 6 muito mais complexa do que as outras e, uma vez mais, 6 explicitamente sexual. Ele diz que esta carta representa "a energia crio que ativa na sua forma mais material", e o "pangenitor, o Criador de tudo tendo Terra e mais alto da sobre o pico postando-se de p6 6 Pa, existe". Seu bode 140

Entre ao fundo "as mais fantlsticas, tenues e complexas formas de loucura". esforco muito preciso Chefe. Nao 6 Adepto as pernas do bode estd o Bastao do baspara perceber que nesta carta Crowley representou um penis, um sfmbolo seu entender, esta carta representa a mais masainda culina de todas as energias masculinas. Ele comunica um outro conceito Paraiso, no ao fazer com que a ponta do 6rgao masculino ficasse simbolicamente manifescarta, enquanto os testfculos contem as formas aprisionadas da tante apropriado, visto que,

fora

em

da

tacao ffsica.

de que muitos irao se sentir pouco a vontade pela repeticao tenha de um simbolismo claramente sexual nas cartas. Embora esse simbolismo recenMistenos, s6 nos iniciados pelos sido compreendido ao longo dos seculos temente a nossa sociedade alcancou um estagio de maturidade no qual essas idelas

Nao hi duvida

podem

ser discutidas abertamente e

numa

perspectiva apropriada.

Todo

adulto

certamente concordat que o orgasmo 6 a mais poderosa forca natural que afeta poder divino o corpo humano; todavia este 6 meramente um indicador de um tao forte

200

141 que nossas mentes nao podem conceber.


25.

O A

Caminho de Samekh

Temperanga A Dicima Quarta Carta •

• • •

• •

COR DO CAMINHO: SOM RELACIONADO:

Azul Sol Sustenido

SIGNO: Sagitano (Fogo Mutavel) SIGNIFICADO: Esteio LETRA SIMPLES: C61era TITULO ESOTERICO: A Filha dos Reconciliadores, a Parteira da Vida.

TRINTA E DOIS CAMINHOS DE SABEDORIA:

Vigesimo Quinto Ca-

minho 4 a Inteligencia da Provagao, e e assim chamado porque 4 a Tentagao primdria, atraves da qual o Criador testa todas as pessoas integras.

O

Caminho de Samekh,

A TEMPERAN£A,

vai de

Yesod

a Tiphareth, da

entre os mais importantes

Sol, da Personalidade ao Eu Superior. Ele esta" e diffceis de toda a Arvore e nele pode ser vivenciada a pr6pria enormidade da 142 urn CaGrande Missao. Ele tern sido chamado de "Noite Escura da Alma", minho no qual a pessoa penetra num tunel profundo na crenca de que ira" en-

Lua ao

contrar a tentacao,

Luz na outra extremidade. Este 6 urn Caminho de sacriffcio e de chamado de Inteligencia da Provagao. Tambem 6 conhecido como a

Em sua obra 777, Crowley fez Utero preserva a Vida. O Samekh: "O o seguinte comentirio sobre a letra 143 Todas estas frases nos suAutocontrole e o Auto-sacriffcio regem a Roda." gerem a idem de que, em ultima anaUise, por tr£s desta carta esta" a Grande Mae,

"Filha dos Reconciliadores, a Parteira da Vida".

de Binah. Por esta razao, as figuras centrais das cartas de Crowley e da Aurora Dourada sao femininas. Alem do mais, o Vig6simo Quinto Caminho € o de Sagitdrio, o Arqueiro que 6 tambem Diana, o O'rvbK

mrP (YHVH Elohim)

201


Deusa da Lua.

a cacadora,

Taro (exceto

O BOBO)

Isto reafirma

o princfpio de que todas

as figuras

do

sao Mae-Binah e Pai-Chokmah sob diferentes roupagens.

Em sua funcao como Diana, ela rege as mar6s da Terra e as flutuacoes da Corrente Astral. Ela 6 a estrutura natural e o sustentaculo do fluxo e refluxo das energias da existencia. Ela 6 o esteio, o pr6prio significado da palavra Samekh.

A

Grande

Mae

e\

assim, o "Utero que preserva a Vida". Ela 6 restricao e controle

sobre as energias naturais; todas as energias do universo manifesto sao controladas e manipuladas dentro de restri96es e limites especfficos.

Em

sua obra, Voice of his [Voz de Isis], Hariette e Homer Curtis descreMae Universal como o "poder de dar a luz na humanidade a Crianca Divina ou o Cristo". 144 E ela que, em toda pessoa, promove o contato da Personalidade com a luz divina interior. Em termos cabalfsticos, ela 6 o Conhecimento e a Familiaridade com o Santo Anjo da Guarda. A ascensao pelo Caminho d'A TEMPERANÂŁA nos conduz ao parto de uma Crianca, que 6 o pr6prio indivfduo

vem

a

renascido.

A

Eu Superior de Tiphareth. A nao a experiencia propriamente dita, mas o modo como ela e

carta 14 6

carta ilustra,

o infcio de

uma

consciencia do

uma troca e de um equilibrio de opostos que podem termos simbdlicos. Aqui, o uso de simbolos nao tern absolutamente nada que ver com o sigilo, e simplesmente reflete a inadequagao da linguagem para descrever o processo. adquirida, ou seja: atrav6s de ser descritos

A

em

carta de

Crowley â&#x201A;Ź a mais especffica, mostrando o processo

alqufmicos, nos quais o Fogo torna-se

Agua e

a

Agua

em

torna-se Fogo.

termos

Alem do

mais, visto que a alquimia fundamental ocorre dentro do corpo do pr6prio al-

podemos tambem compreender que vendo um efeito ffsico. Nao se trata de algo quimista,

esta carta esta

tao simb61ico

na verdade descre-

como

alguns pode-

riam pensar.

O

obstinado intercambio entre o Fogo e a Agua 6 a mistura de energias opostas no interior do corpo, fenomeno aqui simbolizado por um Ifquido sendo

um

vaso para o outro. Esta 6 a Agua Viva, a com o Espirito Igneo. O processo consiste em conduzir o Espirito ate" o corpo, de modo que ele modere a consciencia e seja moderado por ela, formando assim uma coisa nova, algo que "6 mais do que a soma de suas partes". Esta 6 a aplicacao pessoal, no indivfduo, da uniao entre Yod (o Fogo) e Heh (a Agua) para produzir Vau (o Ar) dentro do corpo, que 6 o Heh final e a Terra. despejado repetidas vezes de

consciencia vivificada pela mistura

O processo envolve uma manipulacao interior das energias sexuais. Na verdade, o simbolismo da flecha atirada para cima representa o orgasmo espiritual.

Embora essa

aceita

na iconografia

6 descrito cao. Este

em

interpretafao possa parecer extremada, ela 6 na verdade

termos de

simbolismo da flechada que produz extase e iluminacao parece ser uma

descricao universalmente aplicavel (na verdade arquetipica) de

O

bem

O extase de Teresa, a santa e mistica do seculo XVI, um anjo atirando uma flecha flamejante em seu cora-

crista.

um processo real.

que acontece 6 o estabelecimento de um movimento ritmico masturbat6rio de energia interior. O controle mental dessa energia, sua manipulacao 202


consciente, 6 simbolizado pelo intercambio entre o

Fogo e

a

Agua ou

pela troca

chave desse processo efetivamente simples 6 o sfmde fluido entre os vasos. bolo do infinite o oito horizontal, que Waite usa acima da figura do seu MAGO. Trata-se de um fluxo e refluxo que esta" confinado, ou seja, que 6 usado dentro

A

de parametros muito espeefficos (daf o simbolismo do utero) mas que pode ser dirigido para qualquer direcao que se queira. A medida que a pessoa altera a freqiiencia de vibracao da sua energia interior, ela aumenta ou diminui o nfvel da sua consciencia, ou seja: desloca-se de um Chakra para outro Chakra ou de

um Caminho

para outro Caminho. Explicando tudo isso de uma forma mais simples: no nfvel mais baixo, a Agua (que antes chamamos de consciencia), sob a influencia do Fogo (a energia Kundalini ou sexual), produz as imagens do astral, as representacoes que se formam na nossa mente. Estas sao as qualidades do Ar (Vau), pois nossas mentes estao ligadas a Terra.

O prinefpio consiste em produzir-se uma visao controlada

pela consciencia e limitada pela vontade. Uma questao importante a ser compreendida aqui € que a maioria das palavras simb61icas da Alquimia, do Hermetismo, da Cabala, etc., descrevem processos que qualquer pessoa pode narEles nao sao estranhos nem complicados, principalmente no nfvel de Assiah. E, sob alguns aspectos, toda essa linguagem simb61ica tern sido totalmente substitufda pela linguagem da psicologia criada por Carl Jung e outros.

rar.

acrescentar que os Metais descritos na literatura da alquimia equivalem aos Sete Chakras dos hindus e aos Sete Planetas e Sephiroth do Microprosopus. Esses termos tern sido usados de forma cifrada ao longo dos

Temos de

seculos, significando sete nfveis distintos de consciencia objetiva. Assim, quan-

um planeta rege um signo do Zodfaco, o que se pretende expressar 6 a relacao entre um Signo e um determinado centro de energia, tanto no Universo do se diz que

Maior como no corpo humano. Sagitdrio 6 o signo do Zodfaco relacionado com a A TEMPERAN£A. Seu regente planetano 6 Jupiter, significando Chesed, embora em certa medida ele tambem atue sobre A RODA DA FORTUNA, a decima carta do Taro. Chesed e" sugerida pelo azul da tunica usada pelo Anjo da Aurora Dourada, a cor

do Vig6simo Quinto Caminho

em

Atziluth.

No

peito da figura

ha"

um

qua-

drado dourado, mais uma referenda a Chesed, ao numero quatro e a materia. Na carta de Waite, o quadrado esta" coberto por um triangulo, significando que tudo no universo manifesto € governado pelos Supernos. Relembramos aqui que Chesed e" a arquiteta de toda manifestacao, trabalhando com o puro "potential de formar" de Binah. Reiterando os importantes significados de A TEMPERAN£A: 1) Ela diz respeito a um processo efetivamente ffsico, o qual tern sido conservado secreto pelos mfsticos atrav6s dos seculos. 2) Esse processo envoi ve o intercambio de energias opostas e e" dirigido pela vontade. 3) O processo se inicia no nfvel do Chesed, o nfvel mais aprimorado do Microprosopus, em cujo centro esta" o Eu Superior e a Sephira onde o desejo de formar da Grande Mae € realizado. 4) Ate" que este processo seja completado, o Eu

Eu

Superior. Ele

e"

institufdo

em

Superior nao pode ser conhecido pela Personalidade.

203


uma prepara9ao da Personal idade e do corpo no qual el a com um influxo de Luz que seria insuport£para um sistema despreparado para lidar com essa energia. O mais importante Toda experiencia

esta"

vel

e"

operando, a fim de poderem lidar

aqui 6 o monitoramento do progresso, a contfnua verifica9ao a partir de cima.

de um vaso para o outro, 6 ao mesmo tempo o Eu Superior e as forcas iniciat6rias da Natureza. Este 6 um processo permanente de verifica5ao e de medicao para se saber o quanto o veiculo fisico pode suportar. Quando ele se torna capaz de lidar com o intercambio de energia aqui simbolizaAqui, o Anjo que despeja o

elixir

do, a flecha 6 liberada. Por outro lado, o anjo certifica-se de que nenhum indivfduo receba mais energia do que pode suportar. Quando isto acontece, este anjo da" uma sacudidela de advertencia que tao cedo nao sera" esquecida. Os anjos, descri-

como

tos

sentinelas de cada portao interior, estao

la"

para a nossa protecao.

Algumas id6ias especiais podem ser obtidas a partir da anAlise da descri9ao da letra Samekh no Sepher Yetzirah, ainda que os termos deste documento se prestem a (

fAll

uma

) esta"

extraordin£ria variedade de interpreta96es.

A

palavra cdlera

relacionada a Samekh. Todavia, Case afirma que isto 6 apenas

uma

fachada e que o significado original da palavra hebraica era tremor ou vibragdo}* 5 Esta interpreta9ao 6 inteiramente consistente com o simbolismo alqufmico, pois o intercambio entre o Fogo e a Agua 6 um controle de vibra9oes interiores. Entretanto, existem dois outros significados de "cdlera" que poderiam

Caminho. Primeiro, 6 a idela de c61era no sentido de que sua for9a retesa o arco e libera a flecha de Sagitano para o alto no Pilar M6dio. Em segundo lugar, trata-se de um aspecto dos Mistenos que raramente e" discutido e que certamente 6 bastante apropriado para o VigSsimo Quinto Caminho: € a hostilidade que o estudioso muitas vezes sente em rela9ao ao prtfprio Caminho a medida que ele continua a trabalhar dia ap6s dia e parece nao chegar a resultado algum. Essa hostilidade e frustra9ao € em si mesma um grande teste; ela faz parte do trabalho que precede a obten9ao da experiencia interior. A cdlera, se 6 que ela pode ser chamada assim, 6 dissipada ao longo do Caminho, quando os Espfritos contain a encher a vasilha na qual os elementos tern sido purificados para recebe-la. ser apropriados para este

Ira Divina,

uma

furia tao devastadora

O relacionamento deste Caminho em outros tres nos proporciona um dos melhores encadeamentos do simbolismo cabalfstico, pois as letras combinadas dos tres Caminhos inferiores,

A mesma

significa arco.

p

palavra

,

ty

e

tambem

aparece repetidas vezes no Taro. Esses

tres

n

,

formam

a palavra hebraica que

significa arco-iris,

Caminhos sao

um

sfmbolo que

as for9as que,

quando

combinadas, enviam a flecha atrav6s do c6u em dire9ao a Tiphareth. Eles sao as tres prova9oes menores que antecedem a grande prova9§o de A TEMPERAN^!A. Para abordar o Vig6simo Quinto Caminho 6 necess^rio que o indivfduo tenha

come9ado

MENTO

(

a misturar a

y

)

"Agua" de

n ). Esta atividade & sugerida carregadas pela figura central. (

As tes

cartas

A LUA

(

e estabelecido o intercambio

p ) com o "Fogo" de O JULGAcom o Caminho d'O UNIVERSO

em O UNIVERSO

da Aurora Dourada e de Waite

tern

e ambas seguem muito de perto a tradi9ao.

204

pelas hastes bipolares

simbolismos muito semelhan-

Os vasos da Aurora Dourada sao


vermelho e azul para simbolizar um intercambio entre energias opostas (Chokmah e Binah em suas cores de Atziluth). Os vasos da carta de Waite sao dourados para mostrar que tudo isto 6 uma funcao do Sol. Este planeta tambem 6 representado pelo emblema na testa do anjo e pela esfera que figura sobre a cabeca do anjo da Aurora Dourada. Em ambos os casos, o anjo tern um pe" na £gua e o outro na terra, significando materia sdlida e consciencia fluida. A Agua 6, de certa forma, representativa de Yesod, a fonte inferior desse Caminho, o Alicerce que 6 a fonte das dualidades de nossa condicao sensorial e que controla o seu fluxo e refluxo. Esses sao os opostos que procuramos manipular atrav6s do uso consciente do Fogo Solar mostrado, ao fundo, na forma de um vulcao

em

erupcao.

O

simbolismo de Crowley 6 ao mesmo tempo mais complicado e mais embora o significado da carta que ele chama de Art seja exatamente o mesmo que o das outras. Dentre todas as cartas em que Crowley se afastou radicalmente do design tradicional, esta 6 uma das mais bem-sucedidas. Ela demonstra graficamente princfpios complexos e sutis que sao apenas vagamente sugeridos pelas cartas de Waite e da Aurora Dourada. Em sua obra Book ofThoth [O Livro de Thoth], Crowley observa que esta carta 6 o complemento e a realizacao da carta seis, Gemeos, OS AMANTES. Ela € "a consumacao do Casamento Real que ocorreu em Atu VI... E a mesma formula, mas num est£gio mais avancado. A dualidade original tern sido completamente compensada; depois do nascimento vem o crescimento; depois do crescimento vem a puberdade e depois da puberdade a purificacao". 146 Existe um perfeito intercambio. O Leao Vermelho alquimico tornou-se branco e o Leao Branco tornou-se vermelho. A Agua 6 despejada sobre o Fogo e o Fogo 6 misturado com a Agua, tudo isso dentro de um caldeirao dourado que 6 entendido como o vefculo ffsico purificado. Veremos que uma pequena flecha sobe em direcao aos seios da figura, os quais serao dispostos na forma dos seis planetas de Microprosopus em tomo do Sol. A16m do mais, o m6todo para trilhar com sucesso este Caminho e" dado cripticamente numa inscricao latina em torno da figura: Visita Interiora Terrae Rectificando Invenies Occultum Lapidem, que significa "Visita as partes interiors da Terra; por retificacao a pedra oculta sera" encontrada". A pedra, as vezes chamada de Pedra Filosofal, 6 o objetivo ultimo da alquimia. Obviamente, seria impossfvel discutir em detalhes aqui o sistema da alquimia e a Grande Missao, aos quais Crowley se refere. Devemos acrescentar, por6m, que o uso que Crowley faz do simbolismo alquimico tern alguns significados particulares especificos para o seu sistema. Tal como em A TORRE, ele menciona a existencia aqui de um segredo especial, conhecido pelos iniciados no nono grau de seu O.T.O. e que, como os leitores nao se surpreenderao em descobrir, explfcito,

6 claramente sexual.

Em

seu livro Sexuality,

Magic and Perversion [Sexualidade, Magia

e

um

"cbdigo" com o qual as tecnicas sexuais da O.T.O. foram descritas: "Este c6digo foi elaborado a partir da terminologia tecnica tradicional da Alquimia. O penis foi chamado de athanor, o semen de Perversdo], Francis King explicou

205


serpente ou, ocasionalmente, de sangue do leao vermelho, enquanto a vagina foi chamada de cucurbita ou retorta. As secrecoes que lubrificam a vagina foram

chamadas de menstruum do Gluten, as vezes abreviado para menstruum, e a mistura de semen com o lubrificante vaginal foi chamada de Primeira Materia ou, quando supostamente transmutada pelos poderes magicos dos participantes do rito, de Amrita ou Elixir. "Os iniciados do nono grau afirmaram ter tido sucesso em praticamente toda operacao magica, desde a invocacao de Deus ate" a 'busca do grande tesouro' 147 que poderia ser alcancado pela aplicacao da t6cnica sexual apropriada."

24.

O A

Caminho de Nun

Morte A Decima Terceira •

Carta

COR DO CAMINHO:

Verde-

azulado •

SOM RELACIONADO:

Sol

Natural •

SIGNO

SIGNIFICADO:

LETRA SIMPLES: Movimento

TTTULO ESOTERICO: O

:

Escorpiao ( Agua Fixa)

Peixe

Des-

cendente dos Grandes Transformadores; o Senhor do Portao da Morte.

gij]mi fj£&

K^^

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te

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ES^p^^affl)

DEATH.

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206


.

TRINTA E DOIS CAMINHOS DE SABEDORIA: Caminho i a

Inteligencia Imaginative!, assim

Vigtsimo Quarto

chamada porque

confer e

uma

semelhanga a todas as similitudes que sao criadas de maneira similar a seus harmoniosos aprimoramentos

O

Caminho de Nun, A MORTE, 6 um dos tres Caminhos que vao da Eu Superior. Como uma introducao ao seu estudo, poderfamos

Personalidade ao

proveitosamente considerar os comentirios de Crowley e de Case. Diz Case: "A Carta 13 nos revela o maior de todos os Segredos... aqueles que o conhece tern em suas maos um poder que poderia ser usado para destruir o mundo. Todavia,

nenhuma pessoa o aprende

antes de estar realmente preparada. Mais

do que

uma

preparacao etica tal que nenhuma tentacao de fazer mau uso desse poder jamais poderia ser suficientemente forte para afastar o conhecedor do caminho da aplicacao estritamente construtiva e benequalquer outra coisa, isto significa

que ele 6 capaz de controlar." 148 Poderfamos tambem relembrar a afirmacao de Case a respeito d'O DIABO, ao dizer que "esta 6 a mascara simbtflica para o maior segredo pr£tico do ocultismo". Conforme iremos ver, a semelhanca entre as descricoes dessas duas cartas nao e uma coincidencia. Crowley fez comentarios a respeito das implicacoes mais importantes desta carta. Ao discutir o peixe, o significado de Nun, ele diz: "Este sfmbolo resume ficente da forca

toda a Doutrina Secreta." 149

A grande importancia deste Caminho e indicada pela sua propria posicao na Arvore da Vida. Ele est£ no Caminho da Espada Flamejante, entre Tiphareth e Netzach, significando isto que ele 6 o

Caminho da emanacao da Energia do

Criador Inferior para a materia; ele 6 o Caminho no qual a energia de Deus, o Filho, e transformada na primeira esfera ou padrao de energia subjacente ao

mundo

material.

Caminho no

Em

qual o

passar por mais

termos do

homem

Eu Superior envia

uma

considerado de forma isolada, este 6 o Personalidade "para baixo" a fim de

a

encarnacao. Considerado sob a perspectiva da evolucao

um Caminho

no qual a energia da Personalidade, projetada pelo ou reconceitualizada na iniciacao. A Grande Missao envolve muitas coisas que poderiam ser chamadas de reorientacao psicol(5gica; ocorre uma alteracao perceptiva em relacao a natureza da realidade e daquilo que constitui o Eu Superior. Este 6 um aspecto da "transformafao" que ocorre neste Caminho. A transformacao implica o abandono da natureza passional de Netzach e fato o de ser o individuo absorvido por Tiphareth. Esta natureza passional € a propria essencia da Personalidade, que opera apenas em termos da satisfacao de seus desejos e necessidades. A pr6pria vontade de viver, significando o desejo da Personalidade de continuar operando na condicao sensorial, 6 anulada no Caminho d'A MORTE. Aqui a natureza temporana e ilus6ria da Personalidade 6 corretamente compreendida. A Personalidade sofre uma "morte" volunt£ria, renunciando a tudo o que ela acreditava ser. O mais dificil 6 que esta total renuncia a vida, este sacrificio iniciat6rio, deve preceder o contato com a consciencia edsmica. O individuo 6 solicitado a entregar a totalidade do seu ser, sua pessoal, este 6

Eu

Superior, e absorvida na morte ffsica

207


prtfpria vida,

uma

sem

saber exatamente o que se passa

ressurreicao na Luz.

De

acordo

com

a

mas com

a fe

afirmacao de Jung:

de que havera"

"Ao

penetrar no

inconsciente, a mente consciente se coloca numa situacao perigosa, pois est£ 150 Este e\ como Gareth Knight descreaparentemente extinguindo a si mesma."

Escura da Alma", muito semelhante ao Caminho d'A TEMPERAN£A, outro dos tres Caminhos que vao da Personalidade ao Eu Superior. Embora a pessoa possa conhecer o Eu Superior por meio de qualquer desses

veu,

uma "Noite

tres Caminhos devem ser dominadas. O DIAA MORTE sao diferentes aspectos e perspectivas da mesma coisa, sendo que A TEMPERAN£A o Caminho da meditacao entre Ayin

Caminhos, as licoes de todos os

BO, A TEMPER AN£ A

e

e"

e Nun. Isso poderia ser compreendido mais facilmente considerando-se a ideia de que a figura d'O DIABO, o Anjo d'A TEMPERAN£A e o esqueleto d'A MORTE sao todos aspectos do Eu Superior. Ao se deparar com esta trindade tao rigidamente definida das cartas do Taro, a pessoa talvez se pergunte como os principios universalmente aplic£veis do mrp podem estar relacionados. Neste caso, A MORTE 6 Yod-Fogo, O DIABO 6 Heh-Agua e A TEMPERAN£A € Vau-Ar, o resultado da interacao dos outros dois. O Sepher Yetzirah, obviamente fala apenas em Yod, Heh e Vau. Aplicadas a essas tres cartas, Yod, Heh e Vau sao forcas que inter agem no nosso

Heh final. Veremos que, embora a Arvore da Vida tenha urn Caminho chamado A MORTE, nao existe o seu oposto, o Caminho do Nascimento. Isso pode ser

prdprio vefculo ffsico, o

explicado de duas maneiras.

A

primeira 6 que

O DIABO,

que nos prende

a

materia, € sob certos aspectos a carta do nascimento! Todavia, o mais importante 6 que tanto o nascimento quanto a morte sao essencialmente a mesma a pessoa vem para este mundo, ela morre para o mundo morre neste mundo, renasce no mesmo mundo interior pessoa interior; quando a do qual se originou. Assim, esta carta representa a passagem simb61ica atrav6s de um portao que e" ao mesmo tempo a completa destruicao de um fase de energia

transicao.

Quando

e a transformacao dessa energia em alguma outra coisa. Entretanto, a transformacao 6 dirigida a partir de cima. Assim, esta carta do Taro 6 chamada de Descendente dos Grandes Transformadores. Ela £ tambem o Senhor dos Por-

da Morte. Nun nao € os Grandes Transformadores propriamente ditos, mas o seu Descendente. Nun nao 6 a Morte, mas o guardiao de seus Portoes. Este 6 um importante princfpio para a verdadeira compreensao desta carta. Um outro simbolismo que talvez seja muito util 6 de natureza alqufmica. A este Caminho 6 atribufda a putrefagao, a massa negra em decomposicao que, no cadinho, acaba se transformando em ouro. Isso representa o surgimento de uma nova vida a partir da morte. Dentre as quatro cartas apresentadas, apenas a de Crowley sugere esta id6ia. As versoes de Crowley, da Aurora Dourada e toes

de Marselha mostram o esqueleto da Morte empunhando um alfanje, ferramenta agrfcola que tambem € o sfmbolo do tempo e, portanto, de Saturno-Binah, o doador e o destruidor da Vida. Somente na carta de Crowley o destruidor movimento do alfanje tambem produz bolhas nas quais pode-se ver novas formas de vida se desenvolvendo. Esta 6 a ressurreicao que se segue a transfor208


macao da Morte. De

fato, tanto Crowley como Mathers atribuem o esqueleto a deus que foi morto e ressuscitou. Obviamente, em todos os casos o esqueleto representa aquilo que permanece depois que os vermes da terra tiverem consumido a carne. O esqueleto 6

Osfris, urn

a estrutura do sistema organico e e\ portanto, fundamental para o crescimento e a fruicao. Curiosamente, como a palavra Nun e um verbo, isto significa germinar ou crescer. Assim, podemos ver o esqueleto como uma semente simb6lica e perp6tua. Embora a planta morra no inverno, isso nao acontece antes que possa produzir as sementes que irao regenerar sua imagem na primavera. A imagem que persiste 6 uma esp6cie de esqueleto espiritual, um padrao que nao 6 influenciado pela transformacao da planta: a planta transforma-se em semente e esta, uma vez mais, transforma-se em planta. Este 6 o significado das palavras dos Trinta e Dois Caminhos de Sabedoria: "... confere uma semelhanca a todas as similitudes que sao criadas de maneira similar a seus harmoniosos aprimoramentos." A meditacao a respeito desta id6ia irÂŁ revelar a mensagem mais importante da carta A MORTE, a qual sintetiza toda a Grande Missao ou, como disse Crowley acerca de seu simbolo, o peixe, "resume toda a Doutrina Secreta".

Nun

Tzaddi significa anzol. Embora o Sepher Yetzirah Caminhos de Sabedoria, que surgiram posteriormente, chamam Nun de Inteligencia Imaginativa. Para tornar este simbolismo menos misterioso, os documentos indicam que no Caminho de Tzaddi comecamos a desenvolver as ferramentas da Imaginacao Criativa, as quais sao necessarias para se trilhar o diffcil Caminho de Nun, ou seja, para se fazer a transicao entre a Personalidade e o Eu Superior. Uma vez mais, tudo esta" sintetizado no simbolismo do peixe. O peixe 6 um sfmbolo tradicional daquilo que os alquimistas chamam de Materia Original, algo quase impossivel de se descrever mas que 6 a substantia mental de tudo o que existe. Gareth Knight diz que a melhor definicao moderna nos foi oferecida por Coleridge e 6 a de "Imaginacao Primana". 151 Desde possivelmente o seculo II d.C, o peixe tambem tern sido um sfmbolo importante do cristianismo. Na Igreja primitiva, a Eucaristia nao era espesignifica peixe;

relacione imaginacao a Tzaddi, os Trinta e Dois

cificamente representada, estando implfcita

A

comum

em

diversas cenas de refeicoes.

Agape ou Refeicao de Confraternizacao. Os icondgrafos chamam essas cenas de fractio panis, significando que o pao era simbolicamente repartido. As cenas mais primitivas de Agape mostram vanas figuras em torno de uma mesa em cujo centro esta" um peixe. Este peixe, mostrado mais

dessas cenas era o

sempre vivo e freqiientemente rece

como uma

em forma

dual, representa o Cristo

que se ofe-

refeicao simb61ica.

A associacao entre Cristo e o peixe deveu-se basicamente a hist6ria do Milagre dos Pdes e dos Peixes, outra convincente maneira pela qual os primeiros cristaos representaram secretamente a Eucaristia. Ela

nada ciais

com um epfteto de Cristo: Jesus Cristo, em grego deste epfteto formam a palavra

nifica peixe.

tamb6m

esta"

relacio-

Filho do Deus Salvador. As

ini-

que

sig-

Jchthus, a palavra grega

152

209


ambiente do peixe, o elemento de onde ele veio, e" a Agua. Em termos frecristaos, isto significa Cristo como descendente da Mae Maria Binah, que Mar. qiientemente 6 chamada de Stella Maris e o Grande O signo astrol6gico atribufdo a Nun, Escorpiao, e simbolizado de tres

O

maneiras diferentes. Ele 6 o Escorpiao, a Serpente ou a Aguia. Esta € a transicao, feita no Caminho d'A MORTE, desde a perigosa criatura que envenena e rasteja sobre a terra at6 a Serpente, que avanca sinuosamente (uma referenda a Luz Astral) para cima, a fim de se transformar na Aguia que se ergue acima

de todas as cabecas. Crowley usa todos estes tres sfmbolos. Seu esqueleto tern o Escorpiao e a Serpente aos pes e a Aguia atr£s da cabeca. O mais sugestivo 6 que a Serpente se enrola em torno do Peixe. Esta 6 uma atividade de rodopio, urn movimento que o Sepher Yetzirah descreve como um atributo de Nun. Neste contexto, movimento significa mudanca, uma contfnua transformacao que 6 o padrao permanente do universo, ou seja, aquilo que serve de base para que tudo o mais possa ser previsto.

O

movimento i a atividade principal da forca de Marte, que rege EscorAssim como hi o envolvimento de Marte, o mesmo acontece com A

piao.

a quinta Sephira, Geburah. Alem do mais, O IMPERADOR 6 essa energia de Marte durante a claridade do dia, enquanto A 6 essa mesma energia no escuro da noite. Esta 6, mais uma vez, a escuridao do desconhecido, a "Noite Escura da Alma" descrita por Sao Joao da

MORTE, com A TORRE

e

com

MORTE

O que ele diz a respeito PERAN£A e A MORTE: "... Cruz.

espfrito, ela

dessa condicao aplica-se a

embora essa noite

O DIABO, A TEM-

feliz traga escuridao para

o faz apenas para derramar luz sobre todas as coisas; e

embora

o

ela

o torne humilde e o faca infeliz, isto acontece apenas para glorificd-lo e engrandece-lo; e embora ela o esgote e o destitua de toda afeicao e vfnculos naturais, ela o faz apenas para que ele possa desenvolver-se divinamente e, assim, co153 nheca e desfrute todas as coisas que existem tanto em cima como embaixo..."

Sua referenda a perda da afeicao e vfnculos naturais 6 um comentano sobre a reducao da natureza passional da Personalidade. La" se desenvolve, de fato, um terrfvel vazio, quase um completo desinteresse por tudo, mesmo que isto diga respeito a viver ou morrer. Os processos vitais deixam de ser importantes. Apesar deste sentimento, a pessoa segue adiante, quase mecanicamente mas com muita alma avanca centfmetro por centfmetro, mergulhada numa indescritivel embora nem sempre escuridao (a "noite escura", a "putrefacao") na crenca de que a luz acabar£ aparecendo para indicar o caminho. com tanta certeza fe\

A

envolvido aqui tern rela?ao com as energias sexuais. Escorpiao rege os tfrgaos sexuais e Marte rege Escorpiao. A energia reprodutiva € conscientemente direcionada em exercfcios pr£ticos, tais como os do Pilar Midio}* A versao de Crowley para a carta A MORTE e a que melhor indica

Tudo o que

esta"

essa atividade.

da Aurora Dourada 6 bastante tradicional, com duas excecoes. Primeiro, a Aguia de Escorpiao esta em cima, a direita, transformando-se a partir da forma da Serpente Ignea. Do lado oposto esta" o Sol escurecido, que devia

A

carta

-

210


do qual surgir£ finalmente o ouro do Meio-Dia" dos cristaos. O afastamento de Waite em relacao a tradicao, ao mostrar a Morte como urn esqueleto montado e usando uma armadura, representa urn outro aspecto do Caminho: sua qualidade belicosa. Aqui Waite recorreu a representacoes medirepresentar o processo de putrefacao, a partir espiritual. Ele

e"

tambem

a "Escuridao