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O QUE E XAMANISMO Autor: Fernando Guedes


O QUE É XAMANISMO 

PLANTAS ADIVINHATÓRIAS

ABRAX - A MISSÃO

XAMANISMO, FANATISMO E A NOVA CONSCIÊNCIA

FALSOS MENSAGEIROS

TEMAZCAL

O LAMENTO DO HOMEM MEDICINA

CÉLULA-MATER – SIBÉRIA

ABORIGINES AUSTRALIANOS

CELTAS – DRUIDAS

NATIVOS NORTE-AMERICANOS

médicos, advogados,

CONEXÕES XAMÂNICAS

donas de casa,

Vodu

psicólogos,

O QUE E XAMANISMO O xamanismo é a mais antiga prática espiritual,

humanidade. Hoje

espiritualistas, místicos, estudantes, executivos,

O QUE É XAMANISMO

médica e filosófica da

e pessoas das mais variadas crenças estão estudando e aplicando o xamanismo.

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O QUE É XAMANISMO

O QUE É XAMANISMO

O xamanismo é a mais antiga prática espiritual, médica e filosófica da humanidade. Hoje médicos, advogados, donas de casa, psicólogos, espiritualistas, místicos, estudantes, executivos, e pessoas das mais variadas crenças estão estudando e aplicando o xamanismo. Os rápidos resultados, introvisões de profundo significado, o contato com realidades ocultas, a obtenção de auto-conhecimento, a busca do poder pessoal, contribuem para o interêsse nas práticas. O xamanismo é um conjunto de crenças ancestrais. Sua prática estabelece contato com outros planos de consciência, a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio, saúde. Propicia tranquilidade, paz, profunda concentração, estimula o bem estar físico, psicológico e espiritual. O xamã pode ser homem ou mulher. É o mago, o curandeiro, o bruxo, o médico, o terapeuta, o conselheiro, o contador de estórias, o lider espiritual, etc. Ele é o explorador da consciência humana. O praticante é levado a sair do torpor convencional, reconhecendo os seus limites, a sua limitada visão pessoal do mundo, buscando um plano mais universal. Através de um chamado interior ele vive um confronto existencial que o força a sair de uma zona de conforto, do falso brilho, da alienação. Reforçando a coragem e a determinação, o praticante mobilizado por visões, introvisões e vivências, expande a sua consciência, podendo processar transformações de profundas proporções na sua vida. O xamanismo resgata a relação sagrada do homem com o planeta. Praticar xamanismo é ir em busca da excelência espiritual, é enxergar a realidade existente por trás dos conceitos, é se harmonizar com as marés naturais da vida. É trilhar o Caminho Sagrado, atravessando os portais da mente, das emoções, do corpo e do espírito.

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A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o "Espírito Essencial" que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. Ele sabe quem ele é , e como se relaciona com o Universo.


O reconhecimento do caminho da verdade vem da expansão da consciência e a compreensão que o verdadeiro poder está dentro de cada praticante, e provém do desenvolvimento de seus próprios dons. Hoje, no Planeta, a vibração está mais alta do que nunca. As pessoas se preocupam cada vez mais com o autoconhecimento e fazem a sí mesmo uma pergunta : "O que eu realmente devo fazer na vida?"Nesta busca deparam-se com barreiras, seja com relacionamentos, trabalho, saúde, carreira e etc.

As práticas xamânicas compelem a mente a viver dentro do coração, até que a mente ignorante seja destruída. Isso se manifesta quando o ser se revela espontaneamente. Na verdade, o antigo modo de viver acaba, abrindo caminho para um jeito mais consciente. Quando se aproxima o verdadeiro propósito da alma, tudo da natureza interior vem a tona. A pessoa entra em um processo mais rápido de transformação pessoal. Quando convidamos o amor para despertar poderes mais profundos, trabalhar nos desafios torna-se uma aventura.

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O maior obstáculo para o crescimento é a inércia, que cria a insensibilidade, pois priva o indivíduo de novas possibilidades, cria passividade com relação à vida. Cria falta de vitalidade, limita a criatividade e predispõe ao papel de vítima. A consciência se limita a fugir, a ter medo. A vítima fica sempre vivendo as sombras do passado e com medo do futuro.

O praticante explora a estrutura de sua própria consciência e vai compreendendo como os fatos acontecem na sua vida, deixando de ser vítima das circunstâncias. Sente-se inspirado pelos desafios e aprende a utilizar a energia de forma a caminhar no Amor - Paz e Luz. Praticando a sabedoria das antigas tradições adaptadas ao mundo atual e ao estado atual da alma humana, o trabalho é feito com tambores, canções, meditações, instrumentos de poder, danças, respirações, visualizações, histórias, vivências e muito, muito amor.

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PLANTAS ADIVINHATÓRIAS

No exercício do xamanismo, a experiência mostra que a substância psicodélica, (atualmente chamada pisicoativa) atua como um ajudante, um aliado, num movimento que, para o sujeito, não é mais que o retorno às suas próprias origens. É certo que tal acontecimento transtorna as categorias da razão e, inclusive, às vezes exige, como veremos, que se vigiem as funções normais do corpo. Podemos agora encarar sem desvio a realidade dos poderes do espírito e o caminho da sabedoria que conduz até lá. Certamente, não são raros os caminhos transversais que desviam daquele caminho do meio, e por isso mesmo, do equilíbrio que representa. Porque, se encararmos as coisas de frente, se tivermos esse trabalho, essa paciência infinita, somos levados a reconhecer que a realidade, o fenômeno, que chamamos de adivinhatório, está inserido na própria trama da nossa vida quotidiana, e que, se manifesta na nossa própria experiência da existência, por pouca, por menor que seja, a atenção dada. Aqui, trata-se de dar um salto no desconhecido, para além das técnicas que, em suma, tem por objetivo ativar a receptividade psíquica adivinhatória. Para além das ervas de beberagens e da fumaça. Para além de rituais de todos os tipos, sejam conscientes ou não. Para além de toda idéia preconcebida do que ocorre aqui e agora. Einstein dizia que 80% do nosso cérebro são "silent zone". Energias misteriosas, reprimidas, desempregada ou subempregada. As camadas profundas, subcorticais do cérebro pensante e, sobretudo a parte posterior, são estas zonas silenciosas. É preciso mencionar também, o tálamo e hipotálamo, que desempenham uma função essencial na regulação do sistema central e parecem tê-la também nos "estados de atenção". De resto, mesmo as regiões e as conexões cervicais que usamos habitualmente são submetidas a uma atividade rotineira, monótona e ilusória. Temos olhos e não vemos, ouvidos e não escutamos...

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As substâncias que falarei são os produtos da terra virgem: ervas, cogumelos, lianas, cactos. Desde a aurora dos tempos, e por toda a superfície do planeta, a humanidade tem associado a absorção do princípio ativo dessas plantas para obter certos estados e consciência onde o ser descobre sua verdadeira fisionomia, ao unissono das vibrações do cosmos que o cerca. A grande abertura provocada pela planta sagrada procura, entre outras coisas e como simples


efeito, o exercício das faculdades adivinhatórias porque o sistema nervoso central e o conjunto de zonas profundas do cérebro são plenamente despertadas. A realidade não ordinária, o fantástico, o sagrado, a magia, são vivas desde que o ser, misteriosamente ativado por uma planta humilde, um pequeno cogumelo, ou um cactos amargo, vibre plenamente em seu meio.

É preciso citar para lembrar a vasta panóplia de plantas adivinhatórias à disposição da farmacopéia medieval e que era bem conhecida dos sábios, bruxas, mágicos, feiticeiros, etc... As plantas mais citadas nos velhos formulários de bruxas, mágicos, etc...são a datura, o meiodentro, a mandrágora, e a beladona (da família das solanáceas), mas também o visco, a éfedra, o acônito, a arruda e a erva dos loucos. Todas estas plantas eram mais freqüentemente usadas na forma de ungüentos, cuja preparação era guardada em segredo, também em consideração dos riscos que o usuário corria. Acrescentemos que, foi preciso esperar por Sigmund Freud para que alguns dos efeitos da coca fossem conhecidos na Europa através do seu alcalóide, a cocaína, isolado em meados do séc XIX. A papoula já é conhecida do Ocidente desde os tempos dos gregos antigos. Existem, por último, duas substâncias que, sem duvida, são as drogas mais utilizadas no mundo, juntamente com o tabaco, o chá, e o café: são a planta, canabis sativa, e o álcool.

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Destas substâncias vegetais conhecemos mais de uma centena no Novo Mundo e muito menos na velha Europa, onde as tradições as perderam; mas não há duvida alguma de que elas também estiveram presentes ali em grande número. Escolhi para examinar o uso, cinco destas plantas adivinhatórias, notadamente através das informações que me pode dar as práticas xamânicas, ainda vivas hoje. São elas: uma folha, o tabaco (muito usado pelos índios), uma liana, o yage, um cactos, o peyote, e dois cogumelos, o psilobeo e a amanita muscaia (mata-moscas).

O Psilocibo A redescoberta do cogumelo sagrado dos Maias - e o acesso à sua consumação ritual - por R. Gordon Wasson e sua esposa, a partir de 1953, na Sierra Mazateca, depois a colheita sistemática, a cultura em laboratório e a análise detalhada das diferentes espécies de cogumelos lamelares do gênero Psilocybe, sob os auspícios do Prof: Roger Heim, do museu de História Natural de Paris, representam um acontecimento primordial para todas as pessoas interessadas numa abordagem ao domínio complexo das plantas adivinhatórias. Elas dão acesso às experiências iniciáticas que remontam a mais alta antiguidade e, sem dúvida, até mesmo à pré-história. Os primeiros indícios arqueológicos foram descobertos por Wasson no sítio de Teotihuacan, não muito longe da Cidade do México. Trata-se, em particular, dos afrescos de Tempentitla, que representa o paraíso de Tlaloc, Deus do trovão e da chuva e onde estão reproduzidos os cogumelos sagrados - bem como um "Homem pequeno" (o gênio do cogumelo?), agachado debaixo de frondosa árvore, acima da qual paira uma serpente - o "dragão" que guarda

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tradicionalmente a Arvore da Vida. Restava aos Wassons descobrirem que espécies de cogumelos eram adoradas. Informantes lhes disseram que o culto ainda era praticado na Sierra Mazateca, no Estado de Oaxaca. Além disso, viajaram até lá em 1953 e foram, sem dúvida, os primeiros estrangeiros convidados a participarem de um ágape de cogumelos sagrados. Este Ritual, durante o qual os cogumelos frescos, eram consumidos aos pares, após terem sido purificados na fumaça do copal, foi para eles uma verdadeira revelação, porque para Maria Sabina, a "curandeira", tratava-se de um elemento da existência quotidiana, mas também a morada do mistério da Vida.

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É melhor dar lugar ao testemunho de R. Gordon Wasson: "Está escuro. Todas as luzes foram apagadas. Brasas ardem nas pedras da lareira. Madeira de Copal perfumada se consome num caco de cerâmica. Tudo está calmo. A cabana, a choça, fica afastada da aldeia. A voz de Maria Sabina pira na cabana(...) Tudo o que se vê naquela noite se banha na claridade da origem: a paisagem, as casas, os utensílios de uso diário, os animais, tudo é calmamente irradiado pela luz primordial; dir-se-ia que as coisas apenas acabam de serem produzidas pelo criador! Esta novidade total - dir-se-ia a aurora da criação - o submerge e o envolve, o dissolve na sua beleza inexplicável (...) Seu espírito está livre, você vive uma eternidade numa noite, vê o infinito no grão de areia. O que você vê e escuta grava-se na sua memória, é gravada ali para sempre. Enfim, você conhece o inefável, sabe que o é o êxtase! (...) Uma simples planta abre as portas, libera o inefável, traz o êxtase. Não é a primeira vez na história da humanidade que as formas mais humildes de vida dão a luz ao divino. Por mais desconcertante que seja, a maravilha que anuncia merece ser ouvida pelos homens." Outra experiência de efeitos poderosos foi feita em uma tarde de Outubro de 1960, no jardim de uma casa de campo em Cuernavaca, um jovem e brilhante titular da Universidade de Harvard, come sete cogumelos sagrados que lhe haviam sido dados por um sábio da Universidade do México. "Durante as cinco horas seguintes, encontrei-me arrastado pelo desfrutar de uma experiência que poderia tentar descrever graças à numerosas e extravagantes metáforas, mas que foi, antes de tudo e sem dúvida alguma, a mais profunda experiência religiosa da minha vida (...) Descobrir que o cérebro humano possui uma infinidade de potencialidades e pode operar em dimensões de espaço-tempo inesperadas me transfigurou por completo; convenci-me, sem qualquer sombra de dúvida, que acabava de despertar de um longo sono ontológico."

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Quem fala assim se chama Timothy Leary. Agosto de 1960 assinala a data de nascimento do que se chamará mais tarde, movimento psicodélico, que trouxe à sociedade conseqüências verdadeiramente dramáticas, sobretudo entre a juventude americana...


O Peyote "O Peyote deu um novo objetivo à minha existência. Antes de ingeri-lo, eu fingia ter um objetivo. Em meu íntimo, não sabia o que queria. Eu vivia numa vacilação contínua. Só o escrever me salvava da dissolução. Agora, sei pelo menos dar nome ao objeto da minha ambição. Sei que procuro a iluminação. Quero tornar-me no que se transformou o príncipe Sidarta sob a árvore da Boddhi". - Charles Duits

Os índios mexicanos, consomem o "peyotl" fresco, ou então, pulverizado; neste caso, moemno em almofariz de pedra, após te-lo secado ao sol e bebem-no com água. O Peyote contém quinze alcalóides, entre os quais a mescalina. O conjunto destes alcalóides atua sobre os centros cerebrais, provocando uma série complexa de manifestações psicofisiológicas. O interesse dos cientistas, médicos e filósofos centrou-se na mescalina, isolada no começo deste século. Essa substância foi a base de grande número de observações e pesquisas, sobretudo no domínio da psiquiatria experimental. Entre os grandes espíritos que fizeram experiências coma mescalina, cito Aldous Huxley, porque que ela abriu "As portas da percepção", (nome de um de seus livros), e Henri Michaux.

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O Peyote, ou Lophophora Williamsii, é um pequeno cactos desprovido de espinhos que floresce nas regiões mais áridas do México. A planta se apresenta, rente ao solo pedregoso, na forma de cabeças arredondadas, de cor cinza-esverdeada, que mergulham profundamente no terreno as suas raízes em forma de cenoura.

No ensaio O Inferno e o Paraíso, Aldous Huxley escreveu o seguinte: "Não conhecemos bem os efeitos fisiológicos da mescalina. É provável (mas ainda não estamos certos disso) que interfira no sistema produtor de enzimas que regulam o funcionamento do cérebro. Deste modo, diminui a eficiência do cérebro como instrumento que concentra o espírito nos problemas vitais na superfície do nosso planeta. A diminuição do que se pode, talvez, chamar de eficiência de acontecimentos mentais, que são normalmente excluídos, pois não oferecem valor à sobrevivência, entrem no campo da consciência... Pode tratar-se, neste caso, de percepções extra-sensoriais. Certas pessoas descobrem um mundo de beleza visionária. Outras, ainda, revelam-se a glória, o valor e o senso infinito da existência nua, do acontecimento dado, sem conceito. Num estado final de perda do ego, há um "obscuro saber", adivinhatório." Aqui se encontram os segredos das artes sagradas, as chaves da comunicação miraculosa, com o mundo animal e com o dos espíritos, e outros segredos da antiga magia. Ainda hoje (e por quanto tempo), o peyote dá a algumas tribos indígenas das montanhas remotas do México, orientados pelos seus xamãs, estes mesmos animados pela chama da tradição, a sensação de viverem ao nível dos Deuses e de se abrigarem na morada luminosa da Mãe do todas as coisas. O Peyote dá a visão. Todas as energias da biosfera são capazes de transformações ricas em metamorfoses. Todos os fenômenos, cada um segundo sua forma ondulante, são pura vibração de energia cósmica - emanação do poder "sobrenatural".

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Jikuri (o peyote) agirá como poderoso impulso, imprimindo à alma o elo necessário para entrar na órbita do sagrado. O Peyote modifica o tempo e o espaço: recria o Espaço Mítico e o Tempo Primordial, o Tempo da origem de todas as coisas. Nesta zona sagrada, impenetrável aos outros membros da comunidade, os mara'akame (xamãs) são iniciados nas grandes verdades transcendentes. Durante o transe eles assistem - às vezes vendo-os projetados num círculo mágico - ao desenrolar dos acontecimentos mitológicos que formam um núcleo da tradição da qual se tornarão depositários. É preciso acrescentar que a consumação coletiva de Peyote nas comunidades Huicholes conserva todos os caracteres de uma eucaristia. Peyotl = Cervo = Milho. Essa é a trilogia mística, simbólica e operacional sobre a qual repousa a vida social desse povo e que é reativada pela experiência xamânica e pelas grandes festas da aldeia. Se possuir o equilíbrio, essa capacidade única e indizível de se aventurar pela "ponte estreita" que se transpõe o abismo que separa o mundo habitual da "realidade não ordinária", o xamã se realiza na busca do Peyote (aqui, realizar significa que, em si, as forças do Equilíbrio o arrebatam sobre as da matéria, até o ponto que se é transportado e espiritualmente transfigurado no espaço da viagem e do tempo do rito). Ele faz com que seus companheiros transponham sem embaraços, as barreiras do espaço e do tempo, atravessando a Porta das nuvens móveis e os faz subir as montanhas sagradas, nos confins do mundo a Leste, onde os esperam os Espíritos Ancestrais. Amanita Muscaria A Amanita mata-moscas, ou Amanita muscaria, é um cogumelo de bela aparência, com chapéu de 8 a 20 cm de diâmetro, de cor vermelho-alaranjada viva, salpicada de fragmentos esbranquiçados. Familiar na Europa, comum em toda Eurásia, e muito difundida, sobretudo na Sibéria, nasce nas charnecas e nas estepes de solo silicoso e brota livremente ao pé das coníferas e bétulas. Ligeiramente tóxica, contém a muscarina e a psilocina, mas a análise destes agentes psicodélicos (pisicoativos) na realidade não deu bons resultados. A Amanita, inicialmente, toma a forma de uma pequena bóia, do tamanho e aparência de um ovo, protegida por um invólucro penugento. Quando cresce, rebenta seu invólucro, surgindo sua pele vermelha e brilhante. Pedaços do invólucro permanecem presos no chapéu, semeando-o de pequenas manchas brancas. A Amanita muscaria, é o cogumelo vermelho de pontos brancos das lendas infantis onde fadas, gnomos e animais falantes povoam florestas mágicas.

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Os grandes viajantes do séc XVIII que estiveram na Sibéria, por exemplo, o Abade Prèvost (autor não só de Manon Lescaut, mas também de uma História das Viagens) descrevem os xamãs presos da embriaguês amanítica. Deve-se notar que não apenas os humanos que a consomem pois, no Grande Norte, as renas - às quais a vida das tribos nômades está tão intimamente ligadas - apreciam muito as amanitas. No começo de um estudo extremamente minucioso dos textos do Rig-Veda, que celebram os rituais e crenças dos primeiros invasores arianos do norte da Índia e foram a base da cultura


brâname, R. Gordon Wasson, saído da sua experiência mazateca e das suas luzes sobre o xamanismo siberiano, resolveu o enigma no qual os comentaristas tradicionais e os sábios de todos os lugares destacaram: o da origem do Soma, aquela bebida sagrada e divinizante. "Quando li o Rig-Veda, fiquei plenamente seguro de que os sacerdotes-xamãs arianos, com tons de um lirismo pungente, divinizavam a amanita muscaria da taipa siberiana, cogumelo alucinógeno de virtudes psicodélicas. A Amanita Muscaria era o ingrediente da poção mágica, a beberagem sagrada de toda a Eurásia". (Em Qu'etait le Soma des Aryens in:La chair des Dieux, ele, R. Wasson, tem a coragem de apostar que a ambrosia do Olimpo, composta de hidromel e néctar, recorria, para o segundo ingrediente, ao mesmo tipo de farmacopéia.) Estas não são mais a reunião lenta de indícios, o acúmulo de provas e o trabalho a resolver um problema até então obscuro.

"Nós bebemos o Soma, nos tornamos imortais, nos transformamos em luz, encontramos os Deuses. Quem pode, doravante, nos prejudicar e que perigo nos atingir? Oh, Soma imortal!" E Wasson termina seu ensaio Qu'était le Soma des Aryens com uma meditação muito audaciosa. Sugere que o arquétipo da Árvore da Vida, e o da planta mágica nasceram no cinturão florestal da Eurásia em tempos imemoriais - que se confundem, talvez, com os tempos originais da espécie humana. Em seguida, lembra que os homens da Suméria descendiam do Norte, que seu herói legendário, Gilgamesh, está envolvido numa história de planta maravilhosa guardada por uma Serpente. Por último, observa que os semitas do Crescente Fértil estavam intimamente mesclados com os sumerianos.

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Quem conhece os cogumelos sagrados compreenderá a mais famosa estrofe do Rig-Veda:

E pergunta: "A Serpente do Gênese não será o mesmo Espírito da Terra encontrado na Sibéria? A Árvore da Vida não será a lendária bétula, que não é senão o Soma, a Amanita Muscaria, a carne do Deus?" O Yage (Ayahuasca) O Yage (Banisteriopsis caapi), é uma liana da família das malpigiáceas. A planta é consumida em toda a Amazônia e nas regiões montanhosas do Peru e do Equador, onde se chama Ayahuasca. Um alcalóide cristalino foi isolado do yage em 1923, recebendo o nome de telepatina. Embora a existência do Yage fosse conhecida da ciência ocidental desde o século XIX, foi preciso esperar até o último decênio para se dispor de dados etnográficos provenientes de trabalhos realizados no local. A natureza desta planta mágica e a posição preponderante que ocupa no seio do "cosmos amazônico" são agora mais bem conhecidas. Fascinante, alternativamente qualificada de paraíso terrestre e de inferno verde, a floresta amazônica oculta, sob estes chavões, uma terrível realidade: o aniquilamento físico e cultural

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de comunidades indígenas, sacrificadas aos interesses da civilização branca. A mensagem que nos enviam estes seres paramentados para a festa pode revelar-se muito mais preciosa: Testemunha uma certa perfeição da integração do homem com seu ecossistema e de um conhecimento íntimo dos segredos da matéria e da vida. Os índios Tucano tomam o Yage de preferência em sua casa (maloca), onde a festa dura desde o crepúsculo até o amanhecer,à luz de uma tocha. A festa tem todas as características de um ato total, de um happening ritual. O corpo é pintado e ornado de plumas, os homens conversam e cantam, ou então dançam todos juntos. A música é obsecante, alucinante. A trompa de cortiça soa. Ingere-se a beberagem. Dança-se. Repousa-se por instantes. Sobrevêm as visões... Soa novamente a trompa e todo o processo recomeça... Toma-se, assim, de seis a oito taças numa noite, de diferentes liberações de cerveja e milho. À medida que o efeito do Yage aumenta, os movimentos dos dançarinos ganham em precisão e coordenação "até o ponto em que todo o grupo parece formar um só corpo que se move com uma precisão miraculosa num ritmo que ele controla". Nesta estrutura solene, tem lugar os transes e visões rituais. Aqui, a viagem psicodélica (pisicoativa), íntima a cada um, é ao mesmo tempo substancialmente a mesma para todos. "Após uma fase de luz muito viva, na qual formas e cores estão em movimento, a visão se clarifica e toma sentido em certos detalhes reconhecíveis. A Via Láctea aparece e, longe, a luz solar, fonte da vida. A primeira mulher surge das águas do rio e o primeiro casal ancestral se forma. Vê-se o Senhor dos Animais da selva e das águas, os ancestrais gigantescos da caça, as origens da planta. O perigo original se manifesta: serpentes e jaguares, que ameaçam o caçador solitário, espíritos da selva que o acompanham. Ouvem-se vozes, percebe-se a música da aurora do mundo, vê-se os ancestrais dançarem na manhã da criação. Conhece-se a origem dos enfeites da dança, os instrumentos musicais e dos rituais (...) Para além destas visões abrem-se novas "portas". As portas da luz abrem-se na noite para outras dimensões." Le chair des Dieux (op. cit.). O desenho feito sobre o vaso de Yage é chamado gorosiri: lugar de origem, matriz e também lugar do retorno, da morte. A pessoa se identifica com um falo que penetra na cavidade materna, refaz inversamente o caminho do embrião e se dissolve no cosmos. Bem mais que para o adivinho Édipo, o incesto é, aqui, iniciático. Simbólico, ou se quisermos sutil, o ato se cerca de regras que lhe garantem o caráter sagrado - e a segurança. O passo do iniciado neste universo pré-histórico parece ser o movimento primordial de onde surgirão o Tantra e o Tao nas grandes civilizações da Índia e da China. O retorno à origem é uma morte às avessas - que podem ter todas as aparências de morte, se houver um transe - seguida de um renascimento "num estado de sabedoria", dizem os índios.

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O Álcool Seja qual for a sua forma, cerveja, cachaça, uísque, vinho, aguardente destilada, o álcool parece ser a droga mais importante do ocidente, onde seu uso às vezes toma a forma de verdadeira toxicomania. Mas nos esquecemos que as sessões de bebedeira dos guerreiros


celtas ou escandinavos tinham sua ordenação. Eram sagradas e dedicadas aos Deuses. A cerveja, preparada em enormes caldeirões, era objeto de uma consagração ritual. Ernest Junguer nos dá uma abordagem profunda à bebedeira ritual dos antigos germanos. O grupo de guerreiros bebe no corne, que circula ao redor do fogo: "Agora, o mundo exterior também se torna mântico, pleno de presságios. Os ruídos que vem de fora se transformam em batidas, em anunciações. O ouvido escuta até por trás dos sons, o uivo dos cães, o grito das aves, adquirem um poder profético. O olhar se transforma, trespassa as paredes e até mesmo as do acontecimento, para penetrar bem longe no futuro".

O Louco passa a reinar sobre o mundo - eco, distante, reflete os tempos arcaicos em que os Deuses vinham à nossa casa para sentar-se à nossa mesa. O grande Pã se aproxima. Uma azáfama de gnomos, junto à terra, une-se às altas iluminações". O Tabaco O Tabaco é uma planta da família das solanáceas, de caule reto e folhas largas. O seu princípio ativo é um alcalóide, C-10, H-14, N-2 , a nicotina. Existem mais de dez espécies de tabaco. A Nicotiana Rustica era a mais difundida ao Novo Mundo na época da Conquista. Em todos os continentes, os índios consideram o Tabaco como uma das mais importantes entre as plantas mágicas e medicinais. Planta Sagrada, cujo uso também é ritual. "O ato de fumar lembra ao homem sua origem e celebra a unidade do cosmo harmonizando a Terra e o Céu." Em certas condições, aquele que fuma pode atingir estados de "realidade não ordinária", e uma ampliação do campo de sua consciência.

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Quanto ao vinho, basta evocarmos, ainda com Junger, as festas tradicionais da vidima e da poda da vinha. "A verdadeira virtude do vinho, sua força mágica, revela-se no retorno, nas festas periódicas dos paises vinículas. Elas são celebradas quando a vidima terminou e o sol se despede da Terra - e mais fogosamente ainda quando volta para expulsar o inverno. Inspiração e expiração imensas. O vinho não mais é retirado das adegas em garrafas ou em cântaros, corre em caudais dos tonéis, verte das fontes - o ar está repleto de fermentação.

O Tabaco pode ser mascado, aspirado pelo nariz ou bebido em cocção. É consumido puro ou em associação com outras plantas; fumado em charutos e em cachimbo. Nos rituais indígenas, é bastante usado, puro ou em associação com outras plantas fumado em cachimbos bem grandes. Inútil discorrer sobre os malefícios que seu uso traz à humanidade... todos já sabemos isso atualmente. O cachimbo simboliza a harmonia do universo, é um instrumento ritual que permite a pessoa comunicar-se com as forças sobrenaturais, com os espíritos e com todos os seres do céu e da terra. O Profeta Sioux Alce Negro, deu as chaves da magia ritual do cachimbo sagrado entre os índios da planície; as quatro fitas que pendem do tubo do cachimbo representam as quatro direções do universo. Enquanto a pena de águia representa a unidade do conjunto e o zênite, rumo ao qual o espírito dos homens deve ascender, como a fumaça azul sobe ao céu, ou como a águia ganha as alturas. O ato de fumar o cachimbo permite uma comunicação

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privilegiada com o céu e a terra, e todos os seres vivos, seus filhos, "tenham eles pés ou raízes". Ele instaura um elo sagrado entre os que o realizam em comum.

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O charuto: As observações atualmente realizadas dentro de uma cultura indígena que pratica o xamanismo baseado no tabaco como um dos veículos da experiência estática, visionária e adivinhatória - e também como uma arma mágica e meio terapêutico - nos fazem ver que o mito e o ritual recobrem uma realidade que se grava em todas as células do corpo do experimentador e que a grande abertura do espírito é acompanhada da aquisição progressiva de faculdades "paranormais", ou poderes mágicos. Tomemos como exemplos os índios Warao do delta do Orenoco, na Venezuela, que fumam charutos de 50 a 75 cm de comprimento. O invólucro, feito de epiderme do caule da palmeira manacá contém, firmemente enrolados, várias folhas de tabaco preto aspergidas da resina perfumada do cucuray ou árvore shiburu. Não é raro misturar-se grãos de incenso ao tabaco. No Brasil, nas sessões umbandísticas utilizam-se charutos como propriciador de estados adivinhatórios. Como acontece quando do consumo ritual de outras substâncias de efeito psicoativo, o êxtase xamânico é a resultante, por um lado, da ação conjugada da ascese e da planta e, por outro, da programação cultural comunicada pelo ensinamento tradicional. A iniciação representa a finalização de uma profunda relação de mestre para discípulo. Ao fim de uma longa instrução por um xamã experimentado, o neófito empreende o jejum decisivo: canta os cantos, que seu mestre lhe ensinou e, chegado o momento, fuma o charuto que este lhe estende - os próximos, ele próprio os enrolará. Então, em estado de êxtase, o neófito aprende a subir ao zênite e, de lá, a caminhar ao longo de uma das rotas do arco-íres que conduzem à extremidade do cosmos (um dos pontos cardeais). Depois, num dos maciços de montanhas mágicas, que sustentam, como quatro pilares, a abóboda celeste, reencontra seu espírito aliado - e a casa de fumaça preparada para ele, por toda a eternidade... Daí por diante, sua vida será dupla: neste mundo, e do "outro lado" da realidade, sobre uma vertente visionária que não é menos real que este, e representa, ao mesmo tempo, a essência do espírito do seu povo e uma fonte inesgotável de energia mágica pessoal. As viagens iniciáticas são iguais em toda a parte do planeta e certamente não é por acaso que, do Livro dos Mortos Tibetano às narrativas amazônicas, as aventuras do ser que estão descritos apresentam tantos pontos em comum. Simbolismo vivido do arco-íris e conhecimento da clara luz.

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Por todo o território da América do Sul indígena, a viagem comporta, em geral, provas de equilíbrio acima de abismos aterradores, de reencontro com forças selvagens encarnadas por animais ferozes e, muitas vezes, passada a "porta que se fecha automaticamente com a rapidez do relâmpago, a revelação de Serpente Emplumada. Entre os Warao, o mito da origem descreve a iniciação de um menino de quatro anos:


Em breve o menino encontrou uma ponte feita de grossas cordas de fumaça de tabaco. Seguiu o invisível espírito conselheiro até à ponte onde, a pouca distância do centro da abóboda celeste, fileiras de flores maravilhosas começaram a vibrar ao longo da ponte num arco-íris de cores irradiantes - vermelho e amarelo à esquerda, azul e verde à direita. Uma doce brisa fazia ondular as flores. Como a ponte, as flores eram feitas de fumaça de tabaco solidificada. Tudo era brilhante e tranqüilo. O guia invisível impeliu o menino na direção da Casa de Fumaça. De longe, ele já ouvia o canto dos baharanao (espíritos). A ponte conduzia direto à porta da Casa de Fumaça a leste. O menino chegou ao umbral da casa, ouviu a música maravilhosa e sentiu-se transportado de alegria. Só queria entrar, imediatamente. - Diz-me quem és, perguntou uma voz no interior. - Sou eu o filho de Warao. - Que idade tens? - Quatro anos. (um número ritual e simbólico) - Podes entrar, aquiesceu o Pássaro criador.

O QUE É XAMANISMO

"Um dia, um homem e uma mulher apareceram no centro da Terra. Eram bons mas seus espíritos eram toscos. Tiveram um filho, e que aos quatro anos mostrava uma inteligência prodigiosa. Pensava em muitas coisas. Nesta condição, acabou por pensar no lugar hoebo, que fica a oeste, com odor de cadáveres de sangue e de obscuridade. Portanto, devia haver qualquer coisa a leste, disse a criança para si mesma, alguma coisa de luz e de cores". E decidiu ir para o universo. "Se bem que o corpo do menino fosse bastante leve, ainda assim era pesado demais para voar. O menino pensou nisso longamente, até que um dia pediu ao pai que empilhasse lenha suficiente para o fogo sob sua rede. Durante quatro dias não comeu nem bebeu. Na noite do quinto dia, acendeu a lenha com um fogo virgem e adormeceu. Então, com o calor e a fumaça do fogo novo, o espírito do menino subiu ao zênite. Alguém se dirigiu a ele e disse: - "Segue-me, vou mostrar-te a ponte que conduz à Casa da Fumaça do leste".

Fora o bahana (o espírito) supremo, que lhe fizera as perguntas. Ele disse: - Tu és puro e não conheceste mulher. O menino entrou na Casa de Fumaça. Saudou o Criador pássaro da aurora e seus quatro companheiros que saíram de seus aposentos. Parou diante da mesa coberta de uma toalha branca e viu os quatro pratos do jogo de bahana e, colocadas em cima, as armas. Quis saber tudo sobre estas coisas: - Qual delas gostaria de ter, perguntou o bahana supremo. - Todas elas: o cristal, os cabelos brancos, as pedras, a fumaça e também o arco e as flechas. O menino era, na verdade, muito inteligente.

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- Todas serão suas. - Agora, ensina-me teu belo canto. Então, do chão da Casa de Fumaça, o menino viu surgir a cabeça de uma serpente, dotada de quatro plumas coloridas: branca, amarela, azul e verde. E as plumas emitiam uma nota musical como fazem os sinos. Projetando sua língua bifurcada, a Serpente Emplumada emitiu uma bola de fumaça de tabaco, de uma brancura irradiante.

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- Eu conheço bahana! - bradou o menino. - Agora o tens, disse o bahana. Tu és bahanarotu. A serpente se retirou, os insetoscompanheiros retornaram aos seus aposentos e o menino saiu do transe estático".

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O "abre-te sésamo" da casa mágica é o conhecimento de si. A mensagem dos Warao une-se à Sócrates e dos patriarcas Zen: "Conhece a ti mesmo", ou então "Qual é o teu rosto original"? Quer surja o "Criador pássaro da aurora", a Esfinge ou o Dragão, a mesma pergunta atravessa a humanidade de era em era: "Quem somos nós?" Da resposta a esta pergunta, do campo infinito de experiências de que ela se constituiu, jorram Como faíscas de um fogo, toda sorte de poderes, dentre os quais o de "ver", de apreender o mundo intuitivamente, como feiticeiros, como adivinho, como sábio.


ABRAX - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE XAMANISMO - A MISSÃO

A ABRAX - Associação Brasileira de Xamanismo é uma organização sem fins lucrativos, dedicada à preservação, desenvolvimento, estudos, disseminação de práticas xamânicas no território brasileiro. Inspirados na sabedoria dos povos ancestrais temos o desafio de resgatar o conhecimento acumulado das práticas xamânicas das diversas tradições do planeta, para os dias atuais.

OBJETIVOS Trazer os benefícios do xamanismo à sociedade brasileira, garantindo aos praticantes um ambiente de confiabilidade. Identificar e mapear os condutores de práticas xamânicas no território brasileiro. Compartilhar conhecimentos com os vários condutores de práticas do Brasil e de outros países.

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Entendemos que o conhecimento medicinal ancestral e a chamada “ Medicina Alternativa”, pela nossa sociedade atual, têm muito a somar com a Medicina Acadêmica. Assim pretendemos contribuir, para a saúde, autoconhecimento e o bem-estar geral do nosso povo, assim como resgatar valores para uma vida mais harmônica e ecologicamente correta.

Estabelecer uma ética nos atendimentos, vivências, jornadas e oficinas entre os condutores e espaços filiados. Preservar as raízes ancestrais. Criar banco de imagens e textos para estudos. Documentar as atividades de xamanismo no país. A associação deverá criar meios para que praticantes possam fazer seus estudos através de artigos, livros, videos, oficinas, palestras, internet. A associação terá o papel histórico de permitir uma rede de trabalho entre os condutores de práticas xamânicas brasileiros e, poder agir coletivamente em nome deles, estabelecendo contato com comunidades internacionais, condutores de outras partes do mundo, promovendo: congressos, simpósios, conferências, mesas, seminários, feiras, encontros, cooperativas, etc, assim como apoiar movimentos ambientais, anti-proibicionistas, indígenas, e outros afins. Buscar o reconhecimento social para que os condutores possam praticar mais livremente seu ofício. Defender legalmente, condutores de praticas filiados, de calúnias e difamações

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publicados nos meios de comunicação e outros. PRINCÍPIOS Essa mobilização é uma demonstração inequívoca de uma manifestação maior acontecendo em campos sutis, na consciência das necessidades de uma classe. A força do xamanismo, como um sistema de práticas ancestrais, agora vem juntar sua tribo, respeitando as individualidades de crenças e métodos. Unindo os corações, as almas afins, subtraindo as diferenças, somando os talentos, dividindo os esforços, e multiplicando o amor nessa corrente universal, neste "Caminho da Beleza, do Autoconhecimento e da Cura" que é o Xamanismo. Léo Artése

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No xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas : A Busca por estados Alterados de Consciência – Vôo da Alma / Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática o Viagem por mundos paralelos ( Reino dos Espíritos) para executar cura, guiar espíritos, obter conhecimento espiritual - Interação com espíritos da natureza - Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe /estados alterados de consciência (tambores, maracás, etc) - Conhecimento sobre o fogo - Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas) - Canções de Poder - Danças - Respiratórios e dietas - Contação de histórias, preleições. - O xamã, não se auto-proclama. Ele é chamado para suas tarefas espirituais, passa por treinamentos e então é reconhecido pelas pessoas de sua comunidade.Trata-se de um sacerdócio. Muitas pessoas querem ser xamãs sem conhecerem as obrigações inerentes a essa função, a entrega. É uma missão de utilidade pública.

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- O xamã compreende o Círculo Sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura e ensina o que é necessário para o bem comum da comunidade.Isto significa freqüentemente colocar a comunidade em primeiro plano


- O caminho xamânico conduz a um relacionamento de amor com a Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo, sem incluir os cuidados com a preservação da vida de todos os reinos (animal, mineral, vegetal, espiritual) em nosso planeta.

- O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza : nascimento, morte e renascimento, a complementariedade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrelas. - Um verdadeiro Xamã é aquele que foi ao seu inferno pessoal e teve a coragem de entrar.É aquele que enfrentou e venceu os demônios do medo, da insanidade, da solidão, do orgulho, da vaidade e dos vícios ao passar por mortes em vida. Depois disso escolhe tornar-se curador, auxiliador, profeta, visionário, à serviço das pessoas. Mesmo você que é estudante, simpatizante, admirador do xamanismo, também poderá fazer parte da ABRAX - Associação Brasileira de Xamanismo e juntar-se nessa corrente, associandose e fazendo parte de nossa comunidade espiritual de xamanismo.

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- O xamanismo aparece como uma reflexão de um “Grande Espírito”, que pode ter vários nomes. É honrado o Criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, aguas, ventos, etc., que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência,esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas, através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da Criação.

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XAMANISMO, FANATISMO E A NOVA CONSCIÊNCIA

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Saudações ! Quero compartilhar, como um observador, o que venho lendo, sentindo e ouvindo, em minhas meditações, sobre o que vem acontecendo não no xamânismo brasileiro como um todo, que é muito grande, mas fundamentalmente neste novo xamanismo que estamos vendo nascer. Um xamanismo que é praticado nos espaços urbanos, nos sítios, nas casas, nos jardins e até chegando às novelas. Esse novo xamanismo surgiu da necessidade de um segmento de pessoas que buscam outros estados de consciência para viver de forma mais sagrada, ecológicamente correta, em paz e principalmente usar seu livre arbítrio, sem preconceitos. Assim elas unem-se àqueles que compartilham do seu caminho neste Universo de muitas moradas. Segundo Castañeda Dom Juan ensinou que um “homem de conhecimento” não é um guia de comportamento. Os instrutores, xamãs, que fui encontrando em minha caminhada tinham suas diferenças de pensamentos e práticas, mas uma coisa em comum : o reconhecimento que humanos são todos irmãos e irmãs para cada outro e para as criaturas do planeta e a honrar o sagrado ponto de vista do outro. Em 1998 conversando com Walace Black Elk (fez a passagem da alma em janeiro de 2.004), o Alce Negro, líder dos lakotas (EUA) um dia após ter participado de uma INIPI, conduzida por ele próprio, fiquei encantado com as palavras doces, alegres, porém penetrantes que ele usava, referindo-se aos paises que usam a violência para obter a paz. Uma controvérsia ! Faz parte de seus ensinamentos que, a palavra “índio” o povo dele desconhece, eles são os povos da Terra, e os que não nasceram lakotas, não sabem realmente o que é ser um. Não são educados da forma lakota. Isso não se aprende em livros.

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Ele também ensinou : Os espíritos nos disseram que este é um lugar para viver em paz. Este é um Lar de Paz e ...lakota significa paz.


Nós somos lakotas. Nós somos as lendas vivas Nós vivemos na evidencia da paz. Então são tempos dos corações das crianças aprenderem a serem homens de paz O pensamento nativo, no mundo inteiro, está voltado para a paz, nenhuma tribo está com desejos de vingança, todos sabem que agora é o momento de nos unirmos em torno da Paz na Terra. Os nativos norte americanos cultuam o "Grande Mistério". Eles sabem que é a fonte e a origem de tudo o que é vivo. Usam mais parte do seu tempo para amar e respeitar.

Tem um termo agora criado por nativos, enjoados com tudo o que acontece, que chama-se : XAMÃ DE PLÁSTICO. Esse termo é usado para pessoas que tentam se passar como xamãs ou líderes espirituais, mas que não tem nenhuma conexão genuína com a tribo ou tradição que ele diz representar. Eles também alertam para os perigos dos praticantes sofrerem algum risco psicológico e emocional. A ilusão das pessoas se sentirem como participantes de uma tribo que só existe na psicose do condutor. Dizem : Eles não têm comportamento ético, não foram instruídos por instrutores nativos, usam os nomes das culturas, prejudicam a reputação das culturas usando suas idéias e pensamentos como se fossem da cultura. Dão ao povo idéias falsas sobre cerimoniais e rituais.

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Os que como eu buscam no xamanismo uma forma mais sagrada de viver; os sacerdotes, xamãs e líderes, reconhecem o poder da maneira humilde e tem a dedicação para rezar.

Muitos ativistas nativos estão trabalhando no sentido de que os chamados por eles de “predadores” que exploram os nomes e as tradições indígenas, façam reparos inclusive de forma monetária. Eles dizem que nenhum nativo tradicional chama seus líderes espirituais de xamãs, que é um termo da Sibéria. Parece até que para ter valor no xamanismo precisa de uma ligação indígena ! Se eu tenho não sei ! Só posso afirmar que meus avós eram genuinamente italianos. Posso afirmar que sou brasileiro e jamais negarei a minha raça e o nome que meus pais me deram. Isso eu aprendi honrando as raízes no próprio xamanismo. Acredito que eu vim para este mundo para ser Léo Artése. E estou me esforçando muito para aprender a ser irmão. Aprendi e aprendo com índios, brancos, negros e orientais. No xamanismo meu vôo é solo. Não represento nenhuma tradição. Se fui índio em vidas passadas isso só serve para minha referência ou motivação interna, para o meus irmãos o que interessa é o que eu sou nesta vida. Que é ser um branco ! Se eu fosse para ser índio, Deus na sua infinita sabedoria me faria nascer numa tribo. Não vou passar a minha vida negando a minha raça, se estou em busca da minha verdade.

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Sempre evitei acusar, julgar ou criticar esse ou aquele condutor, e nem responder conteúdos mal-intencionados, por mais que eu tenha vontade. Não é meu papel julgar ninguém, isso está começando acontecer com os próprios participantes. E o tempo será soberano e o retorno implacável. Essa é a lei ! Cada um que vista ou não a cartola, mas por respeito à tudo o que aprendi resolvi escrever este artigo.

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Aprendi que um mestre verdadeiro não se autoproclama. Ele não necessita disso, seu exemplo de vida faz com que as pessoas o cerquem. Não incitam as pessoas ao ódio, a raiva, a perseguição, as calúnias, são guerreiros da paz. Não tem respostas para tudo pois sabem que a verdadeira caminhada começa dentro de nós mesmos, uma jornada interior. Não vive fazendo discursos repetitivos, unilaterais e delirantes. Incentiva seus discípulos a aprenderem por si mesmos, com livre arbítrio. Não fica falando o que pode e o que não pode ! Inspira a liberdade para as pessoas tomarem as decisões por sí mesmas. Existem tipos de pessoas que não fazem a menor idéia do que está acontecendo em seus próprios mundos pessoais. São as ovelhas ! Atenção pois, todos os buscadores, o fanatismo só lhe atinge se sua inteligência estiver afetada. O fanático religioso aparentemente é normal. Ele cria inimigos aleatórios, os inimigos devem pagar, devem ser castigados. Inspira o ressentimento, a revanche, vingança de uma humilhação e o quadro só pode se completar se tiver um inimigo, pois do contrário não haverá um herói. Cuidado ! O seu líder pode ter atitudes psicóticas e os sintomas são : dizer ter a verdade absoluta; que foi escolhido para uma missão; que tem uma vingança astral de vidas passadas. Leve os textos para um psiquiatra analisar. Soube de um psiquiatra que o pior de todos os fanáticos são os que incitam ações contra “os impuros”, “os infiéis”, “os falsos”, e daí desenvolvem uma estratégia de perseguição contra todos os que não concordam com ele. Ele faz do seu ego narcisista (eu falei, eu sou, eu faço, eu sei, etc.,) um sistema moralista cheio de raiva em relação àquilo que condena, como se pensar diferente é ser um inimigo que precisa ser destruído para reinar o bem. Ele perde o sentido de respeito com as pessoas que fazem diferente. Ele desafia e bate no peito : Quero ver quem pode comigo ! Todo o fanático é intolerante.

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Se você nem aceita pensar diferente sobre seu líder já está dominado. Significa que abdicou de seu raciocínio crítico, tornou-se mero objeto de idéias delirantes, adotando expressões e pensamentos estereotipados, caretas, pseudo-moralistas , muitas vezes usando o sistema como escudo para manter proibicionismos e usurpar a verdadeira liberdade de expressão, reprimindo o potencial criativo ou de prazer genuíno das pessoas que é um dos maiores valores do pensamento nativo e espiritual. Analise se você está tão submetido às idéias de um líder assim, e está aqui, agora mesmo, nesta leitura, achando um absurdo pensar diferente. Ou querer se apegar a qualquer coisa


para salvar essas idéias doentes, e se decepcionar, ou melhor, se desiludir ao saber que um dia achou um mestre que poderia lhe trazer a iluminação e, depois descobre que por trás desse mestre também existia uma personalidade humana com suas falhas e defeitos. Principalmente os recém convertidos estão sempre convictos que a verdade chegou e tem que ser para todos, sem discussão.

Enquanto os ativistas pregam em nome de uma causa justa : falta de alimentação, doenças, liberdade de expressão religiosa, conservação do meio-ambiente, liberdade no uso de enteógenos, etc.; o fanático assume uma postura intolerante em relação a outras idéias e trabalha para ser “do contra”. Certas verdades que alega são interpretações exageradas e mentirosas passadas de formas emocionadas, descontextualizadas . Ele é megalomaníaco ! Tudo para ele é grande ! Já curou milhares, já libertou milhares, tudo que ele faz é grande ! O fanático gosta de “maniqueísmo” , adora dividir o “bem do mal” , o “certo do errado”, “o falso e o verdadeiro”, que geralmente funciona com espíritos fracos. Não seja ingênuo! Fuja em quanto é tempo ! E quanto mais ele apresentar um cenário decadente, mais aceitação terá para as suas ações, canalizando ressentimentos de massa, através de uma promessa de vitória espetacular sobre o inimigo. A vitória final.

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O fanatismo é contagioso, atrai adeptos geralmente com crises pessoais intensas. Ele geralmente atrai pessoas vulneráveis, desesperados, desgarrados, incrédulos, rejeitados, desiludidos e rancorosos.

Também usam a palavra tocando num ponto fraco, o Ego : Você é o escolhido ! Você é muito importante para nós ! Sua missão irá salvar o Planeta ! E quando tocam pessoas com carência e predisposição para tal, dá-se o deslumbramento, o encanto, a adesão. O terror usa isso, persuadindo suicidas, de que estes estão prestando um serviço para Deus e serão recompensados, do outro lado. Fico imaginando os discípulos. Na verdade são vítimas, alimentados por líderes mundanos, que se consideram apóstolos, pregam uma fé cega, assumindo o heróico papel de expulsar os demônios. Sentem-se os combatentes do mal e estão lá para salvar a humanidade do caos. Então, para justificar a sua função, vão vendo o demônio em tudo. Senão perderiam o cargo ! Portanto, criam uma fantasia divina maniqueísta: se não estão com eles, estão com o diabo. A base da retórica é o medo que se espalha na livre expressão, nos hábitos e costumes, na cultura, criando um mundo suspeito e hostil. É importante relembrar que a história da humanidade é também pautada por inúmeros episódios de fanatismos. Para eles não é importante somente ser um seguidor, ter uma missão espiritual. Alicerçados na sensação de superioridade sobre os demais, viram combatentes que devem expulsar os infiéis ou convertê-los e para isso os fins justificam os meios. Geralmente se apegam a um sistema pseudo-moralista, carregado de ódio. Talvez um bom nome para esse tipo de movimento seja neo-inquisição.

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A maior característica do fanatismo é a intolerância e o sectarismo que aprisiona a liberdade de consciência. Eles parecem não ter idéias próprias, pouco inteligentes, têm um discurso repetitivo e delirante e no caso só atrapalham, irritam, causam conflitos. O grande problema é quando o fanatismo torna-se uma “causa suprema” e adota meios violentos e até cruéis. Hoje é crescente o número de sensitivos que canalizam mensagens . É muito tênue o fio que separa o fenômeno da canalização, da inspiração de uma personalidade humana.

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Gostei muito de ler esta interpretação de Angeles Arrien, escritora do "Caminho Quadruplo', ed. Ágora : A forma que o visionário tem de conservar a autenticidade e permanecer dentro do Arco Sagrado é dizer a verdade sem acusar nem julgar. Dizer a Verdade é um valor universal que destrói os padrões de negação e indulgência Dizer a verdade, sem críticas ou julgamentos, é a capacidade de expressar as coisas como elas são. Podemos fazer sem abdicar de nossas idéias, refletindo maneiras de se expressar " com a língua e espírito. Aqueles que usam da palavra para julgar ou condenar os outros, deveriam considerar com mais atenção a lei das manifestações, algo que os antigos magos praticavam. Os pensamentos e as palavras afetam em conjunto os padrões energéticos da nossa aura, gerando formaspensamento que nos influenciam em todos os níveis, além de atraírem material astral que vibra na mesma sintonia. É a lei das correspondências. Estamos vivendo um momento marcante, à medida que os novos tempos se aproximam a atenção da humanidade se focaliza nos medos e esperanças coletivos para o mundo futuro..Muitos pessoas sentem vida caótica e turbulenta emocionalmente. Nestes tempos temos a oportunidade preciosa de superarmos a negatividade, concentrando no perdão e compaixão e liberdade. Vamos aprender com a jornada da humanidade através dos tempos. No xamanismo aprendi a respeitar os velhos por sua sabedoria e os jovens pela força e renovação. A palavra tem uma singeleza e sutileza. Você percebe o grau de um ser, de acordo com a forma como se expressa. Os estudiosos afirmam que os anjos falam metafóricamente, como se fosse a PNL (programação neuro-linguística). Jesus Cristo falava por parábolas, os Mestres ensinavam através dos contos, usavam a palavra com maestria. Perceba como são lindos os Decretos da Fraternidade Branca. Reflita então, que tipo de mestre espiritual usaria termos chulos, agressivos, desafiadores ?

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As entidades de luz falam sem emoção, são serenas, não sentem raiva, pois compreendem a existência humana, não brigam, mas mostram o caminho. Agora, não é para a compreensão de todos ! E não foi sempre assim ? Para a minoria ?


Os mestres xamânicos, se expressam poeticamente! Seus ensinamentos são expressos, abrindo o livro da Natureza. Uma verdade que se esconde debaixo de cada pedra, de cada folha. A Sabedoria ancestral, fruto da observação da vida do homem na Terra, passado de pai para filho, cruzando as eras e formando uma rede de poder. Faço parte de um grupo que acredita que podemos criar um novo planeta. É o momento apropriado para explorarmos o Universo que existe dentro de cada um de nós. Uma boa oportunidade para conduzirmos nossas vidas. Mas é melhor usar as forças para proteger dos desafios naturais da vida e criar relacionamentos harmoniosos.

Quero propor à todos nós que buscamos expandir a consciência através do xamanismo, que usemos nossos esforços mais para construir do que destruir. Vamos focalizar as nossas medicinas para atender aos que nos procuram, ao invés de atacar grupos ou centros que por caminhos diferentes buscam a felicidade e se encontraram em seus lugares. Vamos voltar as nossas mentes para os Grandes Problemas que afligem nossa humanidade que é a fome, as doenças, a loucura, a violência, a exclusão, e não como cada centro pratica a sua fé. Proponho cada um olhar para o seu próprio trabalho e procurar dar conta daquilo que está chamando para si. Pois se chamar algo maior do puder suportar o peso te achata. A lei do Universo é soberana. Vamos viver em paz uns com os outros, o que não significa concordar e sim respeitar.

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Vamos começar pelo respeito às diferenças !

E nesse momento eu chamo a paz dentro de mim, buscando a paz que vem de você que está lendo agora, para que chegue a paz ao nosso redor e que na paz possamos seguir.

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FALSOS MENSAGEIROS

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Gostaria de refletir com vocês um pequeno tópico para uma reflexão apurada de todos nós. Tenho visto e notado pelo mundo holístico que cada dia mais surgem novos terapeutas com praticas xamânicas, wiccanianas, druídicas, entre outras mais. Basta abrirmos qualquer jornal ou revista de terapia alternativa para encontrarmos cada dia mais um número maior de terapeutas que estão surgindo. Acredito que a espaço para todos, mas gostaria que todos passassem a procurar identificar entre eles, aquele que realmente são terapeutas e não picaretas. Desculpe-me a palavra, mas não encontro outra para definir as pessoas que usam a ingenuidade de pacientes, que na sua maioria são leigos e não conhecem o terreno que estão entrando e pedindo ajuda. Muitos caem nas mãos de pessoas sérias que passaram anos estudando as técnicas que utilizam para curar e auxiliar aqueles que vem lhe pedir socorro. Mas cada dia mais, um grupo de pessoas, vai parar em mãos erradas que só querem enganar os seus pacientes, arrancando-lhe dinheiro com sessões semanais, quando não diárias. Nós que trabalhamos como Terapeutas Holísticos ou Alternativos, constantemente estamos expostos a opiniões e julgamentos de outras correntes, que nos dão os adjetivos de loucos, falsos profetas, picaretas, entre tantos outros adjetivos. E essas pessoas que não estudaram devidamente o Caminho terapêutico que estão exercendo, não ajudam em nada a eliminarmos esses adjetivos do qual somos tachados. Gostaria de lembrar a todos que não é porque alguém fez um workshop de Xamanismo que passou a ser um Xamã. Não existe um curso “Torne-se um Xamã ou um Bruxo”. Se alguém fez algum curso desse, eu lamento dizer, mas essa pessoa foi enganada e provavelmente jogou dinheiro fora.

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O xamanismo é um caminho, que para ser bem compreendido tem ser trilhado durante anos. O mesmo se dá com aqueles que seguem a Religião da Deusa. Tenho um amigo que sempre diz que há uma grande diferença entre estudar o caminho, conhecer um caminho e trilhar o caminho. No Caminho que percorro, costumo sempre procurar ver, sentir os sinais e ouvir os animais, as árvores e as pedras, antes de começar a trabalhar com uma pessoa no Caminho Sagrado. Afinal, esse é um caminho árduo e cheio de desprendimento, pois vivemos em


função da cura de nós mesmos e da comunidade em que vivemos, e só aqueles que têm o coração puro e uma grande força de vontade pode realmente trilhar esse caminho.

Peço a você que estão lendo esse texto, que fiquem de olhos abertos com os “Falsos Mensageiros” que se aproveitam do estado de espírito de pessoas que na maioria das vezes encontram-se em estado de aflição, a procura de palavras amigas e de um tratamento sério de purificação, alinhamento dos chackras, de um resgate de alma ou de seu animal de poder. Não cabe a nós julgarmos ninguém, seria sempre bom primeiro nos olharmos nos espelhos antes de qualquer julgamento, mas lembrem-se, que através de nossos atos, podemos ensinar muito a outras pessoas. Vale a pena lembrar aos xamãs e bruxos que transmitem os ensinamentos e conhecimentos que aprenderam através de muito estudo durante anos. Que partilhem esses conhecimentos somente com aquelas pessoas que se apresentarem com impecáveis intenções e pureza de objetivos. Quando falo em partilhar eu também quero dizer, que não devemos iniciar todos aqueles que nos procuram. A Iniciação se dá no momento certo, eu sempre tenho o costume de dizer que o próprio "aprendiz" se auto-inicia, pois esta é uma Jornada Interior. Devemos observar esses aprendizes, e só depois de termos certeza de seus propósitos, façamos a cerimônia de Iniciação auxiliando-os a despertarem uma visão, que possibilitem a eles descobrir o divino que há em nós e, com isso, restabelecer nossa conexão com a natureza e com o mistério do cosmo, adquirindo capacidade e sabedoria para utiliza-los.

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Como vocês podem ver, o Caminho Sagrado não é para qualquer um. Creio que o mesmo deva ocorrer com outros caminhos. As Bruxas foram perseguidas durantes séculos devido à ignorância de nações governadas por mentes que só se interessavam pelo seu próprio bem através do poder que tinha e queria manter a todo custo. Mas felizmente, graças a Deusa, hoje estão renascendo com uma vitalidade maior, resgatando a sacralidade do princípio feminino, reverenciando os aspectos e atributos da Grande Mãe no seu dia a dia.

Geralmente pelo que eu pude observar nesses anos de estudo no Caminho Sagrado, poucos conseguem ir além da jornada de iniciação. Líderes Espirituais verdadeiros são raros. E raros também são as pessoas de conhecimentos, no meu caso, eu posso contar nos dedos das duas mãos essas pessoas. Não quero dizer que não existam mais do que cinco Líderes Espirituais, mas eu nesses anos de estrada só conheço esse número. Muitos dos que trilharam essa estrada pararam no meio do caminho, e ficaram satisfeitos em se tornar curadores. Converteram-se em mestres do seu próprio caminho. E há aqueles que são seduzidos pelo poder. Começam a cair sob o fascínio de seu próprio poder, seduzido por sua própria pessoa. Perdem-se durante o trajeto. E a jornada pode durar pelo resto de suas vidas. Gostaria de lembrar a todos uma pequena frase, mais profundamente verdadeira dentro dos Caminhos da Magia: “A semeadura não é obrigatória, mas certamente iremos realizar a colheita.” Então irmãos e irmãs tenhamos muito cuidado, pois da mesma maneira que recebemos o poder, ele nos pode ser tirado. Como vocês podem ver existem muitas trilhas

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pelo Caminho, cabe a nós escolhermos o qual devemos seguir. Nós que trabalhamos com as Rodas da Medicina dos povos nativos, aprendemos a nos desprender de nosso passado, a enfrentamos nossos medos, a termos auto-controle, a nos harmonizarmos interiormente, a aceitarmos a dádiva da visão e a tarefa de melhor exercitá-la, a fim de criar um mundo ecologicamente melhor, e, individualmente sonhar com as possibilidades futuras de cura de Nós e da Mãe Terra.

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Vida Plena!

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TEMAZCAL

Para nós, uma das primeiras lições que existem dentro da tradição, é a origem. A origem é o ventre de nossa mãe terra e é uma das primeiras cerimônias quando chegamos a tomar forma, para ganhar força na vida, é chamado cerimônia Temazcal. Esta é uma cerimônia das mais antigas da existência. É a primeira cerimônia foram dadas para os seres humanos, baseia-se a bênção, a purificação do ser humano, através da água sagrada líquido através do calor da vida, pode receber o sopro da vida. O Temazcal é baseado no útero da mãe terra, que é onde a pessoa é concebida, onde um é alimentado como uma semente a ser capaz de ter a unidade de todos os mistérios do universo. "

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Origens do Temazcal

O Temazcal é um banho que foi difundido entre as culturas pré-hispânicas da Mesoamérica, e cujo os mais antigos restos encontrados nos sítios arqueológicos de Palenque, no México e na Guatemala Piedras Negras, apesar de suas origens podem ser mais remota. Seu nome em nahuatl qur dizer: temazo vapor casa - casa de banho, Calli - casa. Por milhares de anos, muito antes da chegada dos espanhóis, os povos indígenas da América Central já tinham desenvolvido uma civilização altamente avançada, métodos de saúde foram baseados na utilização de elementos naturais. Higiene e limpeza eram uma parte de seu sistema. O temazcal foi usado para as mulheres antes, durante e após o parto, para tratar várias doenças da população e para a limpeza e bem-estar geral, e este banho com ervas faz parte da vida tradicional e ritual. Tradicionalmente, o banheiro é feito de pedra, com uma estrutura circular, como um iglu ou pode ser quadrada. Elas também são feitas com estruturas temporárias feitas de galhos e folhas, peles ou cobertores e outros materiais, na etnia do norte do México foi moldada como "tipi", o Temazcal é uma pequena estrutura fechada, onde você entra as pedras porosas, previamente aquecida, derrama uma infusão de ervas, causando vapor medicinal e, dentro deste útero da mãe terra, a alquimia dos cinco elementos, eles desenvolvem e trabalham a terra representada pelas pedras e os nossos corpo físico, água, através da infusão de ervas e

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nosso suor, pelo calor do fogo, o nosso coração e espírito, o vento e o cheiro da respiração e o ativador de todos estes elementos . O uso do temazcal, ao longo da história, tem sido tanto terapêutico como ritual e cerimonial e práticas, sobrevive hoje graças à tradição oral dos povos indígenas de diferentes comunidades no México. Mais do que apenas um lugar para relaxar, é terapia de desintoxicação e mágicoreligiosas de cura, servindo não só no físico mas também no espiritual. Os alojamentos do suor variam na sua forma e na prática, de acordo com as diferentes regiões onde são utilizados e, normalmente, são sempre pequenas salas com tetos baixos, selado com o tempo.

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É geralmente realizado por uma pessoa treinada para esse fim, onde as parteiras atendem a mulheres grávidas, ou guia, e um temazcalero curador, que aplica um conjunto de práticas terapêuticas ou rituais. Terapias É evidente que o uso da termoterapia, as aplicações combinadas de tratamento de temperatura baseado em hidroterapia e um tratamento baseado na utilização de água, ervas medicinais, fitoterapia e psicoterapia, afetam o estado emocional da pessoa. Efeitos do temazcal Pele: A pele é um órgão regulador do depurador e temperatura corporal. Quando o banho for superior a 50 ° C, o corpo tem um mecanismo de auto-regulação, a pele também funciona como um rim em terceiro lugar, para os organismos o alimento envenenado, rapé, álcool, drogas, toxinas causadas por estresse ou poluição das grandes cidades, as toxinas são eliminadas através do suor e regula a temperatura do corpo. Favorece o processo de renovação da pele, acelera a descamação natural de limpeza, trazendo mais oxigênio para as células do corpo , bem como a função pulmonar, promove a formação do manto ácido, que é natural de proteção da pele de condições da pele. Doenças respiratórias: O banho de vapor tem sido utilizada para tratar problemas como resfriados, bronquite, asma, sinusite, etc. A produção combinada de calor com vapor e infusões de plantas utilizadas no temazcal, limpa e descongestiona as vias aéreas, aumenta o fluxo sanguíneo para os pulmões e brônquios e expande a expulsão de toxinas acumuladas. Sistema circulatório: O calor do banho produz um aumento na circulação de sangue por todo o corpo e dilata os vasos sanguíneos, aumenta a expulsão de toxinas do corpo, eliminando o ácido úrico e colesterol, pode dificultar as doenças do aparelho circulatório.

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Sistema nervoso: No banho há um efeito relaxante e estimulante do organismo, razão pela qual é útil para lidar com o estresse, insônia, tensão nervosa, a nível psicológico libera emoções de uma atmosfera acolhedora. Sistema digestivo: Ela funciona por melhorar a atividade intestinal, que é benéfica para limpar, ajuda com casos de colite nervosa.


Sistema Muscular: O calor ajuda a relaxar os músculos e liberação de tensão, aumenta o fluxo de sangue e libera toxinas acumuladas que dá uma sensação de alívio e bem-estar. Ajuda entorses e distensões a inflamação, eliminando líquidos retidos e do processo de regeneração do tecido. Sistema imune: aumento da produção de leucócitos (glóbulos brancos), ativar o sistema linfático tem sido provado que as pessoas com doenças crônicas que são levadas para o temazcal, regularmente melhorar suas defesas, adoecer menos ou restabelecer a sua saúde em menos tempo. Parto e Pós-Parto: Em vários estados do México e América Central, as parteiras tradicionais para mulheres grávidas usado como um curativo e preventivo de plantas medicinais. Na mulher grávida o útero se expande, o que facilita o trabalho de parto, as mulheres no pósparto são banhadas por várias vezes para entrar na matriz e remover o acúmulo de ar que teve no parto.

O Temazcal é uma cerimônia que é conhecida como Cerimônia do Fogo Sagrado, que em primeiro lugar, reativa o calor armazenado nas pedras de lava. As pedras que são utilizadas, uma vez solidificadas, então você tem o calor proveniente do núcleo da mãe terra, e que vieram à tona. Nós podemos coletar e podemos colocá-los em um monte onde se pode começar um fogo, coloque uma oração, bons pensamentos e peça ajuda para as pedras idosas que são as rochas da terra. Estas rochas são aquecidas e levadas para uma cabine que é o umbigo da Mãe Terra, e é onde as pessoas se reúnem junto as plantas medicinais e aromáticas.

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O ritual do temazcal

O Copal é usado para recuperar a memória, alcaçuz é utilizado para atingir a ternura, a beleza de todos os espíritos para aqueles que gostam do que é doce para ser doce em nossos corações, também é usado, o sábio, por escolher apenas o que precisamos. O cedro é usado também para abençoar tudo o que você realmente tem, é o poder que abençoa todas as coisas, esta planta é sempre verde e tem o poder de abençoar. Muitas plantas são utilizadas no temazcal, para agradecer e abençoar a vida. Assim, vemos como a própria concepção no ventre da nossa mãe. Sentindo o calor da vida, a presença de um aroma muito bom, com um bom coração. Estas plantas são colocadas sobre as rochas, sendo consumidas pelo calor, o fogo que mantém essas pedras. Depois de ter a oportunidade de respirar no aroma, feche a porta e todos nós compartilharemos um mistério, um momento escuro profundo com nós mesmos. Água depositada sobre as pedras, a fim de receber suas bençãos, que é onde percebemos como se move o poder, porque essa água caindo sobre as pedras, que é imediatamente retornada de uma forma mais sutil, como a água retorna ao passeio pelo ar como o vapor.

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É onde se graduou em medicina, conhecimento, sabedoria, e você pode respirar. Isso que chamamos de memória da primeira respiração, a memória do momento em que fomos concebidos. Esta é uma das mais antigas cerimônias, para receber conselhos de nossos antepassados, de como eles tinham a vida que temos agora. No Temazcal mora orações para conduzir, também usamos cânticos, tambores, conchas e chocalhos para ter uma excursão do universo, da criação, e da origem da vida.

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Dentro do Temazcal jogamos todos os mistérios que existem, é o princípio do fogo sagrado, a energia pura, que é a própria presença da criação. É a criação em movimento, para que mais uma vez aqui na Terra, aproveitemos com uma forma física. O Temazcal nos dá a oportunidade de perceber que há um alimento que é imediato, o ar e entra em nós de uma forma natural, como a primeira respiração e assim que os trabalhos dentro de nós, dentro de nossa natureza. Quando alguém é capaz de ir bem para trás no tempo, é quando fazemos a regressão. Em memória encontramos tudo. Nós também temos o presente da água, que é outro dos presentes que você recebe depois que aprende a respirar, que é também o dom de aquecer-se, porque esta água vem com um calor natural. Aqui, novamente percebemos no nosso corpo o sentimento de que temos um corpo e que é a presença da terra, desses quatro elementos que temos. Tudo isso faz parte da cerimônia de Temazcal, que nos leva a perceber que éramos primeiramente energia e energia depois que foram transformadas em movimento, depois que o líquido estava se movendo ele corria todo o nosso ser como o nosso próprio sangue. Em seguida, o Temazcal é onde você entra com sua família para a primeira casa que tivemos em nossa existência que é o ventre da Mãe Terra nesta cerimônia, nós celebramos a própria vida. É uma cerimônia de puro amor, pura vibração, porque é aí que voltamos a sentir a batida dos nossos corações. É aí que sentimos o funcionamento da nossa capacidade de respirar e de alimentar o conhecimento perpetuado nas entranhas da Mãe Terra, onde encontramos os elementos necessários e todos os medicamentos que existem, para ser bem vida, como estar em paz e harmonia. O Temazcal é uma das primeiras lições, como aprender a ouvir, prestar atenção, de alguma forma aprender a obediência em nossa natureza. A obediência de como respirar, é como uma ordem natural e sabemos que podemos usá-los.

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As forças vitais Terra, Água, Vento e fogo são os elementos básicos das terapias no Temazcalli, elementos que não foram considerados inertes, mas dotados de energia vital e poder "conceber a natureza em analogia com o homem, mas mais poderosa eficazes, cada um deles combinados em si


uma série de formas e características diferentes, por vezes, opostos. Essas forças além do controle humano encarnar, tornar-se compreensível em uma ampla gama de coisas que simbolizam: os donos das nascentes das colinas, cavernas, os senhores da chuva e relâmpagos. " Do ponto de vista da cosmogonia indígena o Temazcalli interage na geração de forças da vida: água, terra, vento e fogo, onde o equilíbrio da saúde e da perda de harmonia, a doença. Note que o ponto de vista sobre as forças vitais, entre os grupos étnicos na Mesoamérica e América do Norte, são muito semelhantes nos dois grupos, cada um dos elementos que participam na cerimónia de vapor do banho santo tem um significado especial e um papel especial .

A Terra, cuja divindade é Tonanzin, nossa mãe, está presente em todos os lugares, como em seu suor. A Terra é uma entidade viva que reage ao comportamento dos homens, para que o relacionamento com ela não seja puramente mecânica, mas é estabelecida através de inúmeros ritos simbólicos, como o Temazcal. Tem a capacidade de absorver impurezas, é como um imã para tudo que é sujo e impuro para transformá-lo em seu laboratório, em seguida, transmutar, no sua alquimia. A cerimônia é meditar sobre como a Terra gira e leva todo o lixo que é jogado para retornar na forma de belas flores e frutos que nos alimentam. Devemos orar neste momento para Terra e perguntar, como tratamos nossa própria mãe, que absorve todas as impurezas que nos afligem, para aceitar todo o lixo acumulado e transformálo em algo útil e bonito.

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A terra

Água A água Atl Tlaloc, é dois terços do corpo humano, é o meio onde as reações químicas acontecem, é o recipiente de energia térmica e do ambiente que puxa para fora do corpo todos as reações metabólica. "A água é o elemento que proporciona a purificação, dá alimento, a fertilidade e o nascimento, isso se relaciona com os nove meses que passamos na água do ventre de nossa mãe." Ela representa os seres trovão, que aparecem de uma forma terrível, mas que trazem benefícios. O encontro das águas com as rochas deitado no fogo é muito alto, e alguns vão sentir o intenso calor produzido, algo impressionante. Neste ponto é muito importante e necessária para concentrar-se na cerimônia e nas necessidades de cada um. É difícil orar, mais você vai sentir menos calor agora, ainda a vapor dos elementos purificam, curam e ajudam a viver com o grande espírito. O ar O ar "Ehecatl", cuja divindade é Quetzalcoatl, sob a invocação de Ehecatl, transporta o oxigênio para as células para oxigenar o alimento e obter sua energia química, purifica o corpo também eliminando o dióxido de carbono. "Os cientistas podem explicar esse fenômeno de uma maneira sensata, mas para os nativos, o vapor de água e calor intenso, se chama comida de seu avô, o sopro do criador. Se uma pessoa se torna realmente pura, se você fizer um bom trabalho realizado e o contato com o sagrado, pode até ser que o grande

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espírito, naquele momento, envie uma luz para resolver o problema, dar a cada um de seus filhos, uma visão. Deve abrir os poros para suar na Temazcal; mas você tem que respirar tranquilamente pois ela pode te enfraquecer ou causar um desmaio. O temazcal limpa o suor. Deixe os pensamentos fluírem livremente, os sentimentos, para remover crostas e soltar o peso que estão na alma e mente intoxicadas. Descartar mágoas, perdoar, pedir desculpas, expressa a ansiedade ... obrigado, confessar angústias internas, juntamente com o silêncio interior são expressões animadas que florescem no trabalho dentro do Temazcal . Quando a água é usada no Temazcal você pode entender o pensamento do grande espírito, que se estende na forma de vapor, para abastecer o seu poder e a vida de todas as coisas. O incenso é um elemento muito importante para a preparação de um espaço sagrado, também, é um requisito básico para o preparo dos rituais e para condicionar os participantes convidados para a experiência mística e indução de transe espiritual. Isto porque o cheiro remete imediatamente para o sagrado, como no simbólico código cultural os aromas são associados com o divino. O cheiro está na memória dos povos, despertar memórias, causando essas sensações de prazer, pode promover diferentes sentimentos. No caso de Temazcal, esta fumaça é usada para purificar o participante, antes de entrar no Temazcal, há um tipo de banho, limpar a fumaça sagrada, que é transmitido por todo o corpo, isto é para limpar, varrer as vibrações negativas que impedem que você se sinta bem. O fogo O fogo representada pela divindade "tetl" Xiuhtecutli, é a transformação de energia química em calor e luz. O fogo é como as coisas vivas, a relação entre matéria e energia. "O culto do fogo foi talvez o mais importante para os astecas e presidiu inúmeras cerimônias, sob a forma de incêndios. Esta cerimônia fomenta e integração da família. Na casa dos índios é o simbolismo do coração um elemento de unidade e coesão, de modo que aparece com destaque na casa, no meio da convivência da família. Com a presença do fogo implica que há vida em casa. Portanto, através deste elemento é mais fácil de entrar em comunicação com o mundo divino. Através do fogo as pessoas podem transmutar suas dores em felicidade, o mal à saúde e à doença. No Temazcal o fogo é representado pelas pedras quentes. Em Temazcalli, terra, água, vento e fogo absorvem a energia negativa e transmuta em algo positivo. As moléculas individuais vibram em harmonia com as questões ambientais, uma situação que parece bem-estar físico e mental. A energia positiva e harmonia interior, e com o exterior são necessárias para a preservação da saúde ou recuperá-lo.

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O LAMENTO DO HOMEM MEDICINA

Em todas as grandes tradições ancestrais sempre houveram Homens Medicina e oxalá esta linhagem não se perca, não pode se perder, não deixaremos se perder. Xamãs, Pajés, Curandeiros, Temazcaleiros, Rezadores e Benzedores, mãos benditas e corações compassivos, cuidando e curando as mazelas da humanidade desde tempos imemoriais, aconselhando e levando luz para tirar seu irmão das trevas, sofrendo calado e também se alegrando pelos que consegue auxiliar e despertar da ilusão. E aquele Homem Medicina contempla os raios brilhantes do Avô Sol atravessando o manto verde da floresta e ouve pertinho a música das águas naquele riacho onde se recolheu para fazer suas meditações e reflexões. Mais uma lágrima ameaçava escorrer face abaixo mas se contém em sua trajetória - contida no tempo e na esperança de poder fazer mais - contida no ritmo um pouco mais acelerado que agora seu coração toca, como um tambor, o seu tambor pela Mãe Terra e pelos Filhos da Terra. Assim reza o Homem Medicina:

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Vejo o semblante sereno daquele Homem... contemplo em sua face a sabedoria ancestral e em seus olhos um grande amor e compaixão por toda a criação. Observando mais atentamente vejo lágrimas ocultas e um brilho especial que transmite uma inquietação. É um lamento contrito - um choro escondido. Chora o Homem Medicina em seu lamento silencioso.

"Ahô Grande Espírito. Ahô Doce Mistério. Ahô Mãe Santíssima! Dá-me forças para lutar - Ó Soberana Presença. Dá-me forças para continuar caminhando quando já não tenho forças. Fortaleça minha confiança e fé em dias melhores." E assim meditava e refletia aquele Homem Medicina. E assim buscava forças e a inspiração divina. E assim também era atendido em seus rezos e lamentos e a inspiração germinava vigorosamente na terra fértil de sua consciência trazendo-lhe força de vontade para lutar a boa luta, trazendo-lhe entusiasmo e valentia para defender os valores de seus ancestrais, de nossos ancestrais. Seu choro ainda que não mais exteriorizado foi-se coração adentro para alimentar a fornalha de sua indignação e revolta - uma revolta positiva, de rebeldia em não querer se calar diante da banalização e da mediocridade - formando animicamente dentro de seu ser um furação de emoções e sentimentos nobres adquirindo uma renovada confiança no valor e na virtude do verdadeiro Homem Medicina. E dizia a si mesmo:

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- Não me calarei - hei de lançar aos 4 ventos uma mensagem de esperança e respeito pelo Sagrado!

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E durante muito tempo continuou estudando e meditando sobre como ensinar o respeito, como inspirar o valor do respeito pelas Sagradas Medicinas da Mãe Terra. Sua visão foi se clareando e pode vislumbrar como as forças obscuras da ignorância tentava corromper as medicinas da Mãe Terra. Viu com lamento os inúmeros malefícios da droga chamada cigarro que todos os anos mata milhares de pessoas e provoca inúmeras doenças. Perguntava-se como pode o homem corromper o sagrado transformando-a em uma das piores drogas e com o maior poder de vício. Rezou profundamente com muita compaixão pedindo forças para libertar a humanidade desde vício. Refletia em sua dor que todos os Homens Medicina devem se unir em uma grande corrente contra essa droga. Buscava entender como pode o sagrado ser transformado em droga. Que forças e que mistérios havia permitido o bem ser transformado em mal - perguntava-se - e rezava para a Medicina do Tabaquinho, pedindo perdão a esta sagrada medicina, rogando ao Grande Espírito meios para honrar esta medicina e não deixar a continuidade desta banalização. Pensou na Mama Coca e em seu uso ancestral, respeitada e utilizada como alimento e medicina por gerações sem nenhum problema - mas que o homem branco corrompeu na cocaína, crack e outras, causando a muitos anos um grave problema social. Pensou também na Sagrada Ayahuasca, honrada a milênios e comungada respeitosamente sem problemas, mas que atualmente corre um grave risco pela banalização, pelo comércio, pelo uso recreativo. Pensou ainda no Kambô, na Wachuma (cacto san pedro), na Sananga (colírio), na Jurema, no Temazcal e em tantas outras medicinas ancestrais que pouco a pouco vem sendo banalizadas pelos pacotes turísticos e pelos xamãs de plástico. Sentia-a enojado por tamanho desrespeito mas muito disposto a honrar estas sagradas medicinas e lutar pelo esclarecimento que se deve ter pelo uso responsável sob a condução de um verdadeiro Homem Medicina. "Ahô Grande Espírito. Ahô Pachamama! Colocai no coração do homem o respeito pelo sagrado. Não deixe nossas medicinas serem banalizadas! Abençoai todo Homem e Mulher Medicina." ----------------------------------------------------------------------------------------

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Eu, Luis Pereira, escrevi o texto acima como um conto pois assim o visualizei em uma experiência que tive a poucos dias, tentando descrever meus próprios sentimentos mas seguro de que são os sentimentos de muitas pessoas que lidam com medicinas. Como Homem Medicina que sou, em especial na comunhão da Ayahuasca, que neste mês de Janeiro de 2013 estou fazendo 30 anos nesta caminhada posso sentir na pele o que muitos Homens Medicina estão passando. Tenho conversado com muitas pessoas e recebido notícias


Em especial quero falar do fenômeno "rapé" - que nos últimos 3 ou 4 anos tem invadido numa velocidade espantosa praticamente todos os grupos ayahuasqueiros e outros. Líderes de grupos independentes, Padrinhos do Daime, facilitadores de bons trabalhos tem me relatado brigas, expulsões, problemas de saúde, internações, surtos com intervenção psiquiátrica, problemas familiares, comércio indiscriminado, etc. Pessoas usando "rapé" diversas vezes por dia, largando trabalho e estudos, separações de matrimônio e até um incrível problema judicial com envolvimento da polícia que preservarei os nomes. Estou sabendo que diversas Igrejas do Daime já proibiram o uso do "rapé" e também de um grupo na linha da UDV que fechou as portas por problemas decorrentes de seu uso. Informações que recebi recentemente me relatam que muitos anciões de tribos tradicionais na Amazônia também estão lamentando a banalização na própria tribo pelos mais jovens, incluindo a exploração capitalista e interesses de status ao se apresentarem como "pajés". Ou seja, a situação é crítica e pode ficar ainda pior se os verdadeiros Homens Medicina não se mobilizarem urgente para colocar ordem e moderação neste frenesi. Em especial estou sabendo que a Anvisa já está acompanhando este fenômeno de popularização do "rapé" e muitas forças ocultas no legislativo sempre quiseram criar problemas e proibir o uso da Ayahuasca e a qualquer momento o "rapé" pode vir a ser a porta de entrada para uma nova batalha de desmoralização dos grupos ayahuasqueiros. É sério, muito sério.

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de diversos grupos por todo o Brasil. Como sou membro do GMT/CONAD muitas pessoas entram em contato comigo para me trazer notícias e compartilhar ou solicitar providências para frear a banalização que a cada dia avança mais e mais. Tenho ouvido e sido testemunha de tantos problemas que muito me preocupa a própria segurança jurídica conquistada com a Resolução do Conad no uso da Ayahuasca.

Assim como o cigarro se tornou uma droga com sérios problemas sociais o rapé pode seguir pelo mesmo caminho pela banalização galopante. Eu conheci o "rapé" a muitos anos atrás em minha adolescência, na época era uma droga social entre os jovens para curtir nas discotecas ou no carnaval, assim como o lança-perfume - alias rapé é uma palavra de origem francesa e foi popularizada pelos europeus. Muitos jovens que hoje estão entrando nessa onda e hoje me criticam por minha visão mais austera nem tinha nascido quando eu já tinha tido problemas com isso. De minha parte sei diferenciar de forma muito clara e tenho grande e inestimável respeito por uma Chanupa e o sagrado uso responsável de um tabaco rezado, em especial quando está sendo portado por um Homem Medicina. Acredito que muitas pessoas não sabem valorizar ou não fazem ideia do respeito que um Homem Medicina merece. Em todas as tradições a formação de um Homem Medicina é coisa muito séria. São anos e anos de rezos. Incontáveis subidas a montanha. Dias intermináveis de isolamento e estudo íntimo com a Natureza. Lembre-se disso quando estiver frente a alguém que tenha subido para os 13 dias - e saiba diferenciar muito bem que cada coisa tem o seu lugar. Não é a Ayahuasca como subtância química em forma líquida que está liberada no Brasil - e sim o seu uso tradicional religioso! Da mesma forma não é o pó de rapé que promove a cura e

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sim a liturgia, o respeito e a cultura a ele associado. Não creio que seja difícil compreender este fato. No Universo Místico fomos obrigados a frear o uso indiscriminado e irresponsável de aventureiros e muitas pessoas ficaram magoadas com isso e saíram da família. Que posso fazer? Todo mundo é liberto - faz o que quiser fazer! - Se em algum momento exagerei em minhas palavras pela indignação com que fui tomado PEÇO PERDÃO, no entanto não cederei a chantagens e enquanto estiver sob meu comando a Família Universo Místico continuará sadia e saberá HONRAR O HOMEM MEDICINA!

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Que fique claro com todas as letras que eu, Luis Pereira, e o Universo Místico sabemos reconhecer uma medicina da Mãe Terra quando utilizada com o respeito e responsabilidade pelas mãos de um Homem Medicina e pedimos que este artigo seja divulgado amplamente para que mais e mais pessoas se mobilizem a não permitir a banalização do sagrado.

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Salve o Homem Medicina! Salve a Mulher Medicina! Que o Grande Espírito e a Rainha da Floresta nos desperte da ilusão!


A Sibéria e a Mongólia são as regiões tradicionais do xamanismo, ou do que alguns poderiam chamar de "Xamanismo Clássico" A Sibéria é a célula-máter do xamanismo. A própria palavra é de origem siberiana e engloba todas as práticam a Medicina da Terra.

XAMANISMO SIBERIANO O termo xamanismo, criado por antropólogos, é um guarda chuva que compõe todas as práticas ancestrais que mantém relação com o Sagrado, divindades, espíritos, estados alterados de consciciencia. Mas, estudos mostram que o xamanismo sobreviveu desde a época do paleolítico. Nada impede de pensar que AS TRADIÇÕES SÃO MUITO MAIS ANTIGAS AINDA.

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CÉLULA-MATER - SIBÉRIA

Segundo Alex de Montial, uma das mais antigas descrições do xamanismo da humanidade foi feita no século XIII por caçadores noruegueses que entraram no território da Lapônia; depois, no século XVII, o fundador da seita dos Velhos Crentes, o ortodoxo Avvakun, foi o primeiro a relatar as práticas xamânicas das populações norte-siberianas. Montial encontrou fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, entre os índios da América do Norte, da América Central e da América do Sul; na Oceania, na Austrália, no sudeste asiático; e, enfim na Índia, no Tibet e na China. Cada uma das práticas adaptadas a cada cultura, mas com o mesmo conteúdo espiritual. Mircea Elíade em "O Xamanismo", aborda os aspectos do xamanismo siberiano que são difusos em todo o mundo: " As relações especiais com os "espíritos", habilidades extáticas que permitem o vôo mágico, a ascensão aos Céus, a descida ao inferno, o domínio do fogo etc., se revelam, na zona em questão, integrados numa ideologia particular que valida técnicas específicas. Tal xamanismo stricto sensu não está restrito Ásia central e setentrional. Encontram-se isoladamente, certos elementos xamânicos em diversas formas de magia e de religião

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arcaicas; é grande o interêsse que despertam, pois mostram em que medida o xamanismo propriamente dito conserva um fundo de crenças e técnicas "primitivas" e em que medida ele inovou.

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Por mais que domine a vida religiosa da asia central e setentrional, o xamanismo não é a religião dessa imensa área. Só por comodismo ou confusão terá sido possível considerar como xamanismo a religião dos póvos árticos ou turco-tártaros. As religiões da Ásia Central e setentrional extrapolam em todos os sentidos o xamanismo, assim como qualquer religião extrapola a experiência mística de alguns de seus membros privilegiados. Os xamãs são eleitos e, como tais, têm acesso a uma zona do sagrado inacessível aos outros membros da comunidade. Suas experiências extáticas crescem, e ainda exercem, poderosa influência sobre a estratificação da ideologia religiosa, sobre a mitologia e os ritos das populações árticas, siberianas e asiáticas não são criações de seus xamãs. Todos esses elementos são anteriores ao xamanismo ou, pelo menos, são paralelos a ele, no sentido de que são produto da experiência religiosa geral, e não de determinada classe de seres privilegiados e extáticos. Ao contrário, observa-se freqüentemente o esfôrço da experiência xamânica (isto é extática) para expressar-se por intermédio de uma ideologia que nem sempre lhe é favorável." Para Montial, a maioria dos povos politeístas siberianos, o panteão é dividido em duas grandes classes de deuses : 

Os Superiores

Os inferiores

São oito os deuses Superiores e cada qual habita a um estágio da grande abóbada celeste : "Seu rei, Art-Toïn-Aga, reside no nono céu. É totalmente insensível aos problemas humanos, assim como os outros grandes deuses, cujo temperamento tende a ser mais passivo do que ativo. A esses, o xamã sabe que seria inútil dirigir qualquer prece; quando muito ele pode, durante uma celebração ritual , praticar um sacrifício por intenção de um deus. Mas, por razões de eficácia, ele trata de preferência com deuses menores que o acompanham.

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As divindades infernais são igualmente em número de oito, tendo à testa o Todo´Poderoso Senhor do Infinito Ulon-Toïon. embora reinando em planos subterrâneos, ele trata Art-ToïnAga como amigo e paradoxalmente permanente no terceiro céu, para os lados do ocidente. simboliza a existência cheia de lutas e sofrimentos inevitáveis. Mas a prova de remorsos, é ele quem concede aos homens e ao fogo e foi ele quem enviou a águia para aliviar-lhes as


provações. Foi ele ainda quem criou as florestas, os animais e os bosques. Ao seu redor gravita uma multidão de espíritos maus, com os quais o xamã mantém relações familiares, como o faz com deuses celestes menores. Tendo em vista a ambivalência bastante complexa dessa hierarquia divina, compreende-se por que o xamã vai servir, ao mesmo tempo,às entidades Superiores e as Inferiores, que não podem ser qualificadas fundamentalmente más.

Ma há também o psicopompo:pede-se por vezes para companhar a alma de um defunto ao Reino das sombras, de tal sorte que ela não venha incomodar a família e vagar à noite em busca de sensações antigas. " Entre os povos da Sibéria e da Mongólia, o Universo é concebido como um organismo vivo. A estrela polar era unhas celeste. Os xamãs altaicos decoravam seus tamborres com os símbolos de Vênus e da Constelação da Ursa Maior. Para os xamãs buriatas a Arvore do mundo estava conectado com o Rio do Mundo que interligava todos os três mundos. Na cosmologia, o universo está também associado com animais , tais como os alces o Mestre dos Animais.

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Assim, graças as suas experiências estáticas, o xamã é o único ser capaz de penetrar no mundo subterrâneo dos espíritos errantes e dos demônios. Ali, sobrevoando em seu cavalotambor um imenso e consistente nada, povoado de ossos e de cadáveres de xamãs malogrados, ele vai zombar da morte e antecipar suas armadilhas. Para ele cada viagem ao inferno pode ser a última, pois, mesmo que conheça bem essas regiões proibidas, o risco de aí perder-se permanece grande. Na maioria das vezes ele tem a missão de procurar a alma de um doente capturada pelos demônios; com a ajuda de seus espíritos auxiliares, que o acompanham por toda a parte de seu transe, ele deve suborná-la, enganá-la , convencê-la e capturá-la para fazê-la reintegrar o corpo de seu paciente. M

A cosmologia siberiana Universo tem um tripé composto do alto. Abaixo Piers Vitebsky : " Os povo siberianos acreditam tradicionalmente que o mundo se divide em três níveis. os seres humanos vivem no nível médio, mas o mundo superior, no céu, é atingével por intermédio de um pequeno orifício. Este mundo tem uma superfície sólida (até é povoado por animais) e divide-se em vários níveis. os caçadores do extremo norte acreditavam que havia apenas três, mas mais a sul, em resultado da influência dos impérios e das cortes próximas, muito mais se consideravam, pensando-se que o governante supremo Bai Ulgen, vivesse no nono ou sexto nível. do mesmo modo, o mundo inferior encontra-se dividido em diversos níveis e era freuentemente considerado o reino dos mortos. Estes outros mundos eram parcialmente como os nossos, com montanhas com rios e com criaturas. Os Nganasãs estavam convictos de que o mundo inferior era muito frio, e vestiam os mortos com peles próprias para o inverno. os Iacutos, pelo contrário, pensavam em que o céu é que era frio, e, por vêzes, os xamãs regressavam de uma viagem até ao céu totalmente cobertos por cristais de gelo.

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há vários tipos de xamãs, ate no mesmo acampamento. uns eram curandeiros, outros descobriam a caça, outros ainda afastavam os maus espíritos ou entravam em contato com os mortos. a idéia do xamã puro ou ideal, tal como a apresentada por Elíade torna-se cada vez mais difícil de sustentar em qualquer pesquisa nesta região social e ecologicamente diversificada.

De um modo geral, segundo Piers, há duas grandes tendencias que constituem o padrão religioso da região. a que sem duvida tem mais atraido a atenção apresenta um xamã que participa nas forças imanentes do mundo, quer sejam humanas, animais ou elementos como água, o vento. Neste tipo de xamanismo, o xamã se transforma em qualquer coisa para além dele próprio, como, por exemplo, num animal. Estes xamãs são capazes de viajar até o céu, geralmente com a finalidade de alterar uma situação desfavorável, como um doença. O outro tipo associa-se com o culto do céu e montanhas. Os locais de culto, constituidos por um amontoado de pedras com um pau vertical no cimo, mantém-se populares e designam-se por oboo na Mongólia e regiões vizinhas. os xamãs de segundo tipo raramente entram em transe e, em vez disso, concentram-se na oração e no sacrifício. estes xamãs não se transformaram em animais nem viajam até o céu. Entre os Buriatas e os Iacutos, as diferenças correspondem a uma classificação nativa dos xamãs, em brancos e pretos. Falndo de um modo geral, os xamãs pretos entram em transe e contatam com espíritos do mundo subterrâneo e da doença, enquanto os xamãs brancos não entram em transe, mas invocam bençãos para os homens e para os animais domésticos, concedida pelos deuses e pelos espíritos do mundo superior. Estes xamãs brancos correspondem ao que noutras partes do mundo se designa por sacerdotes.

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Quando a religião está intimamente relacionada com a ecologia, as alterações ao meio ambiente e ao modo de viver são acompanhadas de alterações nas estruturas religiosas e no comportamento. entre as pequenas tribos de caçadores de renss e de pastores, como sejam os Evencos e os Iucagires no norte e no nordeste da Sibéria, o xamã era um chefe de clã e negociava com espíritos sobre as almas dos animais que iriam ser caçados. para os lados do Noroeste e por exmplo entre os Nganasãs, o xamã estava menos ligado ao clã, visto este se encontrar mais disperso. Na costa do pacífico, entre os Tchuktcis e os Coriaques, o clã era fraco e as familias podiam executar alguns dos seus próprios ritos xamânicos. Onde houvesse xamãs profissionais estes


estavam relativamente pouco ligados aos grupos sociais e executavam truques particularmente espetaculares a fim de conservar os seus clientes.

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Era muito diferente p contexto do xamanismo no Sul da Sibéria e na mongólia. As grandes manadas davam origem a comunidades maiores e clãs fortes. Além disso a influência do budismo, desde a Idade Média para cá, conduziu a uma cosmologia mais elaborada, e o xamanismo estava mais fortemente institucionalizado. Além de curandeiros os xamãs serviam de sacerdotes que realizavam sacrifícios. Na Mongólia e na Sibéria do Sul, o xamanismo competia com o budismo tibetano, designado por lamaísmo.

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ABORIGINES AUSTRALIANOS

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O escritor americano Robert Lawlor, viveu 14 anos nas selvas da Tasmânia estudando, de forma inédita, o modo de vida antigo desses guardiões do "primeiro dia da Terra". No seu livro Voices of The first Day : Awakening in The Aboriginal Dreamtime, ele descreve essa visão de mundo com muito entusiasmo e clareza Evidentemente Lawlor não apóia a opinião ocidental predominantes de que os aborigines australianos seriam primitivos e antiquados, um grupo de caçadores e extratores que recusam a agricultura, a arquitetura, a escrita, vestimentas e a domesticação d animais. A sobrevivência dos aborígines não é para ele uma curiosidade etnológica, objeto de estudos acadêmicos, mas de uma mensagem viva, "um tipo de inteligência decisiva e há muito ignorada", que na nossa luta desesperada contra a morte e a transformação fala diretamente ao coração da cultura supermoderna. No seu livro Voices of The first Day : Awakening in The Aboriginal Dreamtime, ele descreve essa visão de mundo com muito entusiasmo e clareza, por exemplo : "Com as atividades e a religiosidade da agricultura começou a alienação da atenção humana, que se afastou dos sonhos e foi em direção à manipulação física do mundo material. Com o início da agricultura, a população foi ficando geograficamente cada vez mais presa e a sua sobrevivência dependia fortemente da fertilidade e do clima de uma determinada região. A terra era considerada como uma coisa que deveria ser limpa, explorada e tratada arbitrariamente." Os aborígines rejeitam a agricultura porque ela, na sua essência, impede a sua participação no tempo de sonhar, que compõe a essência de sua existência. A única palavra (expressão) da cultura dos aborígines que chegou até o nosso dicionário foi o "tempo de sonhar" ou o "sonhar", que na língua ancestral é tjukurrtjana. A percepção material viva do mundo é traduzida como yuti, que surge da região original do sonho, um estado criativo, fluente da lucidez astral. segundo as palavras de Lawlor isso significa " o fundamento absoluto da existência ou a base universal do contínuo do qual se originou toda diferenciação".

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Suas primeiras existências, esclarece Lawlor, eram em "corpos vibratórios, gigantescos, desprendidos, inconcebíveis, cujos sonhos expressavam plantas e animais, enquanto eles "nomeavam" um modelo de criação específico, transformando palavra em carne, como dizemos no Ocidente cristão. "Eles criavam enquanto projetavam as forças de vibração para fora e as estabilizavam, especificando-as ou nomeando-as, onde o nome interior apresentava a força de uma forma ou criatura". O mundo corpóreo vivo é cantado ou nomeado (passando a existir) durante o tempo de sonhar. Para se lembrar do nome profundo e criador, os aborígines olham a paisagem e ouvem a estrofe musical, o atalho sonhador que mantém a ligação mitopoética entre o céu e os ancestrais e a terra dos humanos. Os atalhos sonhadores (no inglês, "songlines") representam a cosmogênese dos ancestrais sonhadores, os quais, como rastros musicais sutis, estão escritos na paisagem. Os arredores lembram a Criação. Causar estragos na topografia significa "encobrir a história e o significado da humanidade e da realidade". A superfície da Terra é "um livro de cosmologia", uma vez que cada história do tempo de sonhar é caracterizada e lembrada através do local onde aconteceu. "Tudo no mundo natural é um rastro simbólico de seres metafísicos, cujas ações criaram nosso mundo. Como grãos, a potencialidade de um lugar está entrelaçada com a memória de sua origem. Os aborígines descrevem esta potencialidade como o sonhar de um lugar, e este sonhar constitui a santidade da Terra.

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Na cosmogênese dos aborígines, o campo da manifestação universal é a consciência, que simplesmente exterioriza ou sonha o mundo dos pensamentos, formas e matéria. Os ancestrais viajaram pelos desertos da despovoada Austrália caçando, guerreando, acampando, amando e organizando. Com isso, eles transformaram um mundo sem contornos em paisagem topográfica. Seus sonhos e aventuras criaram vermes, cangurus, emas, pássaros, cacatuas, serpentes, lagartos, acácias e o homem do mundo inicial. Até o canto é uma ligação para os aborígines, o canto significa o som criador, mântrico.

Os ancestrais cantavam seu caminho sobre toda a Terra, vivenciou o escritor inglês Bruce Chatwin, que durante uma peregrinação quis conhecer os mistérios das terras aborígines. "Eles cantavam os rios, as cordilheiras, os lagos salgados e as dunas de areia, escreve Chatwim em seu livro : Caminhos do Sonho. "Eles caçavam, comiam, amavam, dançavam : onde quer que seus caminhos os conduzissem, ficavam um rastro de música. Eles envolveram o mundo todo numa rede de canções."

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A responsabilidade ritual e cíclica de cada tribo é a de conservar os caminhos de sonhar dos ancestrais, quando não a de reviver o ciclo das canções da tribo entoado "na seqüência correta" como parte da sua viagem no sonhar através da paisagem simbólica.

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Dessa maneira, eles praticam um tipo de ecologia coletiva, um tipo de consultório ecológico em um nível metafísico. Negligenciar ou erra o canto pode "descriar" o que já foi criado.

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Segundo lawlor, para os aborígines a paisagem e o espiritualismo são indissolúveis e cada momento é a revelação do primeiro dia. "O ritual dos aborígines, fundamentalmente sua cultura como um todo, é uma confirmação efetiva do tempo de sonhar da criação. " Com sua forte convicção nessa dimensão mística, cada tribo recebe seu próprio trecho das trilhas que percorrem o continente australiano "como lembrança do sonhar original do protótipo invisível e metafísico" carregando suas vozes e sementes. O lugar,ngurra, é para os aborígines até mesmo o fundamento da identidade pessoal. Ngurra significa terra, jazigo ou lugar, uma região que foi criada através das ações metafísicas dos ancestrais míticos quando eles sonhavam transformando o mundo em existência. Lawlor esclarece que, entre os aborígines, logo depois do nascimento se cava um buraco na terra e se coloca a criança dentro. O lugar determina a relação indissolúvel da criança com a natureza para o resto da vida. A criança tem determinadas responsabilidades com aquele buraco, porque ele significa o início de sua identidade e o centro da sua terra. trata-se de um eixo personalizado num panorama completamente mitológico do ponto exato da sua ligação com o céu. Cada lugar é mitologicamente vivo, tem seu modelo de energia peculiar, seu som específico, seu próprio totem do tempo de sonhar e espécie de plantas e animais peculiares como se fossem assinaturas do lugar. Suponhamos que seu lugar de nascimento seja o lugar de sonhar de um gambá; segundo Lawlor, isso significa que o espírito daquela espécie saiu dessa região. Como parte do treinamento da sua iniciação, a pessoa visitaria novamente este local com seus instrumentos de precisão da ciência da magia natural, o didjeridoo, um instrumento musical de sopro, comprido e oco, e lá recriaria a essência vibratória do sonho do gambá. Através de um processo sinestésico - no qual seus cindo sentidos se misturam e se fundem e a pessoa ouve e vê sons - o som o didjeridoo lhe possibilita penetrar na essência do lugar. O som lhe parece como um totem dos animais.


A pessoa reconhece, então o sonhar do gambá como um outro aspecto de si mesma, uma vez que, no tempo de sonhar, características animais e humanas eram originalmente ligadas às personalidades dos ancestrais.

Enquanto partilha o sonhar do gambá como seu totem geomântico, a pessoa se encontra automaticamente numa relação de parentesco com todos os irmãos e irmãs da mesma espécie. Por exemplo: um clã se origina do tempo de sonhar de ancestrais dos cangurus, o que significa que todos os componentes do clã tem uma determinada responsabilidade com os cangurus, suas historias, cerimoniais e determinadas localidades de sonhar. "Acredita-se que o espírito de uma determinada espécie do mundo espiritual penetra no mundo material de um ambiente físico. A região pertence apropriadamente ao espírito desta espécie, e não ao clã que ele representa. por isso, a sociedade aborígine se entrelaça, desde o seu nascimento, numa rede de geomancia, animismo, totemismo e a experiência da iniciação." Um novo iniciado aborígine aceita um ponto predeterminado no tecido do caminho do sonhar, que forma a paisagem sagrada como um prolongamento do seu próprio corpo. "Enquanto eles caminham e ampliam o seu conhecimento cultural, a memória e o mundo espacial também são ampliados como um prolongamento de si mesmos. O caminho do sonhar que atravessa a terra corre como suas próprias veias e artérias." Como no corpo humano, a terra também é considerada indivisível.

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Cada espécie de animal representa um estado sentimental subjetivado dos deuses. Apenas no estágio de manifestação do yuti é que o mundo material se divide entre o material e o humano.

O conhecimento mítico interiorizado e sua ilustração topográfica, que é pintada no corpo do aborígine quando da sua iniciação, é o único mapa geográfico da região que eles possuem. " Do tempo de sonhar também se originou a ligação profunda da geomancia, animismo, parentesco, ritual, espiritualidade e o papel adequado da mulher e do homem na sociedade. A legitimidade inata dos papéis dos sexos, para os aborígines, se originou dos tres campos do tempo de sonhar em que se divide a existência: o campo dos mortos, o campo dos vivos e dos moribundos e o campo dos não-nascidos. O resultado é descrito por Lawlor como "uma cosmologia da energia sexual". O campo dos mortos é o lugar celestial, paa o qual os moribundos viajam após sua morte corpórea - é a esfera do universo masculino.

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Lawlor diz que a energia masculina está vinculada à força da morte, à caça, ao ato de matar, ao enterro, às cerimônias, à iniciação e à comunicação espiritual com as vozes do tempo de sonhar dos ancestrais.

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A força feminina, ao contrário, predomina no mundo dos vivos e dos moribundos, no mundo do concreto da natureza, do nascimento, da vida, da alimentação, do desenvolvimento e crescimento. Os aborígines dizem que as mulheres nasceram da natureza, mas os homens foram feitos pela cultura. A responsabilidade pelo campo dos não-nascidos - "o mundo das energias potenciais que se reúnem em torno das fronteiras da vida e que se aglomeram depois do limiar" - é dividida entre homens e mulheres. A combinação harmônica dos três campos ao se assumir a responsabilidade dos sexos conduz a uma cultura estável com uma continuidade de cerca de 60 mil anos. Segundo Lawlor, os papéis tanto do homem como da mulher são necessários para a continuação do mundo material. se mulheres e homens se desviam dessa defesa de prioridade e hegemonias originadas cosmologicamente, por causa do patriarcalismo e da agricultura, os resultados são catastróficos.

Lawlor observa que "no patriarcalismo ocidental, os homens tentam submeter o campo feminino e o mundo material às suas capacidades e hegemonia. Inoportunamente, eles trazem um procedimento e uma mentalidade desincorporada do tempo ao mundo dos vivos". Quando a relação homem-mulher se desequilibra, então a relação humana com a natureza e com o planejamento também se desequilibra de maneira perigosa. "Eles tratam a Terra como a sociedade trata a mulher. Na minha opinião, a crise ambiental do Ocidente baseia-se em modelos de relacionamentos."Lawlor não é o primeiro comentarista moderno a apresentar o comportamento sexual dos aborígines australianos para um público intelectual no Ocidente. No início do século, quando Sigmundo Freud dizia que uma grande parte da psique e da cultura ocidental se submetia à sexualidade insconsciente, alguns de seus admiradores, como geza Rohein em : The Gates of the Dream (Os Portões do Sonho), se apressaram em evidenciar a cultura dos aborígines como um exemplo clássico de uma sexualidade infantil, uma fase que antecedeu a civilização européia.

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Segundo Lawlor, o que Roheim apresentou numa visão ainda depreciada é, hoje 90 anos após, digno de ser seguido. Será que a visão dos aborígines se distancia dos pensamentos iniciais e da especulação do nosso tempo ? Será que os campos morfogenéticos do biólogo


inglês Rupert Sheldrake não seriam uma outra interpretação dos sonhos polimorfos dos ancestrais ? Será que a popularidade incomum de Findhorn e suas comunicações com os espíritos da natureza não trouxeram o animismo de volta à paisagem cultural ocidental dos anos 70 ? As filosofias da ecologia profunda, do ecofeminismo e do budismo engajado, interligadas, se propõem a estender a identidade pessoal, integrando o reino vegetal e anumal numa nova identidade, a qual é descrita como ego ecológico. Muitas das mais estranhas imagens que surgiram sobre os aborígines estão em concordância óbvia e absoluta com uma das principais correntes esotéricas do século XXI : a antroposofia.

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Segundo Lawlor, tudo isso não deveria nos surpeender. O espírito original da consciência do primeiro dia, que ficou adormecido tanto tempo na natureza e na psique, renasce. O tempo de sonhar ainda assegura a semente preciosa da renovação cultural, a qual é desejada e sonhada pelo subconsciente ocidental há no mínimo três séculos

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CELTAS – DRUIDAS

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"A magia dos animais habita em teu coração, chama esta energia secreta e realize logo o impossível". CERNUNNOS, Senhor dos Animais. Xamã , para mim, é aquele que transforma a si mesmo, mas com seu exemplo, toca e emociona a todos. A magia, não é tão misteriosa quanto parece, ela habita os bosques de nossos corações, entre nele e busque a luz e a sabedoria que com certeza lhe será revelada. Os druidas eram xamãs. Mediante um processo de iniciação pessoal, numa sucessão de estados de transe tinham acesso ao Outro Mundo. Eram capazes de representar um mundo dentro do outro Graças aos altos-relevos galo-romanos, sabemos hoje que existia um deus com chifres, denominado Cernunnos, cujas origens estão na divindade que os antropólogos denominam de "Senhor dos Animais" Era o deus da caça e a presa estava sob seu controle. Aparece no folclore britânico como "Herne, o Caçador". Shakespeare menciona seu carvalho sagrado no bosque de Windsor. A idéia de um caçador chifrudo remonta os tempos muito antigos, nas pinturas das cavernas mostram este homem coberto com peles de animais. A idéia era que o caçador deveria se identificar com sua caça, o cervo, com o objetivo de apaziguar seu espírito dominante. Este é o mistério mais antigo do mundo: o caçador e o caçado deveriam ser um só. A transformação em natureza animal, seja a de touro, cervo, cavalo, javali, gato, pássaro ou peixe, aparece com freqüência nos contos celtas. A identificação xamânica com animais se refletia claramente no culto celta, inclusive, nos tempos do cristianismo.

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Segundo Justino, os celtas tinham mais maestria na arte da adivinhação do que qualquer outro povo de seu tempo e atinham-se a ela cegamente. Foi uma revoada de pássaros que guiou ou galeses que invadiram Illyricum. Em outra ocasião, a maneira de voar de uma águia convenceu um rei que deveria regressar de uma expedição e evitar um desastre. Se houvesse algum litígio entre duas pessoas, cada uma colocava alguns pastéis sobre a mesa, de modo que não houvesse confusão sobre a propriedade de cada grupo de pastéis. Os corvos vinham,


pousavam na mesa, comiam vários deles e beliscavam e inutilizavam um a um. O litigante cujo pastel tivesse sido apenas beliscado era o ganhador da causa. O druida era um xamã, sacerdote, poeta, filósofo, médico, juiz e profeta. Sua educação incluía várias etapas. Desse modo, os estudos de um bardo irlandês,o "fili" constavam de versos, composição e recitação de histórias, gramática. Ogham (ciência das árvores- idioma secreto), filosofia e leis. Os sete anos seguintes eram dedicados a estudos mais especializados e incluíam linguagem secreta dos poetas e o "fili" se transforma em "ollamh". Podia então, receber instrução em genealogia, direção de fim, "o homem instruído"estava preparado para estudar encantamentos, adivinhações e magia.

Ao descrever o clero da Gália, César divide-o em três grupos: "os vates praticavam a adivinhação e estudavam filosofia natural. Os bardos relatavam em verso as grandes façanhas de seus deusas. Os druidas se ocupavam da adoração divina, da correta celebração dos sacrifícios, pública e individual e da interpretação de questões rituais." Seu poder parecia absoluto, pois segundo suas observações, o maior castigo que se podia impor a uma pessoa ou família era a exclusão do ritual dos sacrifícios.

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"Todos os druidas eram bardos, mas nem todos os bardos podiam aspirar a ser druidas."

DEUSES E HEROIS A idéia de que guardiões protegiam e defendiam o Planeta Terra, com certeza veio do pensamento celta, pois fica explícita nas toponímias que procedem do Deus do Sol, LUGH. Seu nome significa lux (luz) e lucus (arvoredo). Na França é conhecido como Laon, e Lyon, na Holanda como Leiden e na Grã-Bretanha como Carlisle. Outras divindades como Bel, Don e Og nos reportam aos poderes sobrenaturais personificados e disseminados pelas antigas tribos celtas. Porém, Lugh representa um símbolo essencial entre todos os festivais, lendas e histórias irlandesas. Os celtas eram um povo muito extrovertido que encarnavam seus deuses como Tuatha Dé Danann (deus guerreiro vencedor da eterna batalha com as trevas). Lugh do Longo Braço tinha uma lança mágica que disparava fogo e rugia na batalha Moytura, enquanto libertava o Rei Nuada e os Tuatha Dé Danann das mãos dos Fomori, os demônios da noite que só tinham um olho Antes da batalha Lugh tinha pedido para ser aceito no grupo de guerreiro, mas só foi aceito quando ganhou uma partida de xadrez. Nuada então confiou-lhe a defesa da Irlanda. Os heróis celtas tinham poderes específicos: GOIBNIU, o ferreiro, construía qualquer tipo de arma;

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DIANCECHT, o médico que construiu um braço de prata para o rei Nuanda e curava os feridos; CREDNE, o soldador, que fabricava as pontas das lanças, espadas e os rebites dos escudos; DAGNA, com sua clava, seu caldeirão da abundância, alimentava o exército dos guerreiros e tocava sua harpa em três sons: o do sonho, o do alívio e o do riso.

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Na batalha, Lugh consegue cegar o único olho do malvado rei dos Fomori com uma funda. A pedra, depois de ter-lhe atravessado a cabeça, mata muitos Fomori. O resto dos piratas foge em seus barcos e, a partir de então, essas criaturas "de um olho só, um braço só e uma perna só deixam de ser uma ameaça.

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NATIVOS NORTE-AMERICANOS Os primeiros habitantes da América vieram do Nordeste da Ásia (Sibéria), entre 100.000 a 30 mil a.C. Pesquisam indicam que eles alcançaram o Alasca através do estreito de Behing. Outros grupo chegaram à América do Sul, provenientes da Polinésia.

Devido à grande extensão territorial da América do Norte, sua população se desenvolveu de modo distinto. As tribos foram organizadas em várias famílias linguísticas, como os algonkians e os iroquois (nos Eua) e os athapascans ( no Canadá). esses grupos linguísticos dividiam-se em diversos clãs ou tribos, cuja religiosidade foi influenciada pelas características do clima onde estavam fixados e pela maneira como conseguiam alimentos por meio da caça, da pesca ou da agricultura. Os povos da região ártica (esquimós), por exemplo, desenvolveram uma religião sombria, devido aois rigores do inverno e a escassez de luz e de comida. Apesar das diferenças entre as regiões que habitavam e entre os costumes que possuíam, esses grupos tribais apresentavam em comum a crença em espíritos que guiavam todas as atividades -caça, pesca, colheita e fases da vida humana, como o nascimento, a puberdade e a morte.

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No princípio, os grupos eram nômades, migrando apra novas regiões sempre que a caça diminuia. As primeiras comunidades sedentárias surgiram por volta de 3.000 a.C.

Religião Circumpolar Como várias culturas nativas do àrtico, especialmente da Sibéria - de onde se originaram - os primitivos habitantes do norte da América (Alasca e regiões ártica e subártica) cultuavam os espíritos presentes na natureza e acreditavam no poder dos homens da medicina. (xamãs). Para eles, os seres sobrenaturais que habitam o vento, o Sol, a Lua e o Mar são capazes de impor terríveis punições quando um membro cometia crime ou violava os tabus e regras de grupo. Eles acreditavam na existência da alma e na vida após a morte tanto para os homens como para os animais. O homem da medicina era encarregado de tarefas como invocar os espíritos bons para proteger a tribo, curar doenças e expulsar os espíritos maus, responsáveis pelas aflições humanas. Ainda hoje, cada membro do grupo, sua família e respectiva tribo devem respeitar um complexo sistema de tabus para assegurar que os animais continuarão a perpetuar sua espécie.

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Os nativos norte americanos não possuem organizações religiosas, a espiritualidade para eles na verdade é um modo de vida. A espiritualidade não é a mesma de tribo para todas as tribos. A espiritualidade nati-americana incorpora crenças de espíritos que controlam os ventos, chuva e fazem rituais para controlar o clima. Ritos de passagem para a fase adulta, nas estações. A principal característica dos nativo americanos, não importa qual a tribo é a relação com a terra. Segue a tradução da Narração do Álbum The World in your eyes por J. Reuben Silverbird, que retrata uma visão nativa norte-americana da Criação

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O MUNDO EM SEUS OLHOS

A Nação americana foi separada pela geografia e linguagem. Ainda eles dividem muitas opiniões, mitos e lendas sobre o começo do mundo, e o respeito pelo meio ambiente da Mãe Terra e suas criaturas.

Yata-Hey !

Tire todos os pensamentos de sua mente e deixe-me levá-lo a tempos atrás para a terra de meu povo e o Universo da Vida

Nada é mais poderoso Que a Terra e o Céu

Através desse momento Entre, feche os olhos , e relaxe

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Deixe seu corpo flutuar através do fluxo do oceano E sua mente viajar através de águas desconhecidas


É o começo...

O Criador da Terra criou as estrelas Ele pegou água em sua boca e esguichou acima até o Céu Mas, na primeira noite Suas estrelas não tinham a luz suficiente Então, ele pegou um cristal de quartzo, e quebrou nela, E o arremessou em minúsculas peças até acima do Céu

desde então, houve luz suficiente

Raios de Sol impregnaram a Terra E, desta maneira uma milagrosa união, descendência celestial estava nascendo Nosso povo passou a chama-los Pai Céu e Mãe Terra

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Para misturar com a água e as estrelas

Desde o começo Mãe Terra e Pai Céu foram sempre se mudando Como fumaça ao vento Eles poderiam se manifestar em qualquer forma no futuro Eles mudavam a si próprios Até o homem e a mulher Na beira de cada mundo Campos, plataformas de montanhas separavam campos de outros campos

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E Mãe Terra declarou :

Devo ser um lar para as minhas pequeninas crianças. Através de meu peito eles devem tirar líquidos e alimentarem-se Nuvens brancas devem flutuar sobre estas Grandes Águas e , ao redor do mundo As nuvens devem estar firmes e repartidas pelo frio do Pai Céu Vertendo para baixo em jatos de chuva

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A água da Vida, até os lugares de desfiladeiros de meu corpo

Espécies humanas e criaturas estarão aconchegadas do frio. Ao entardecer as árvores nas altas montanhas Próximas as nuvens e Pai Céu Abaixam em direção a Mãe Terra para calor e proteção.

Calor é mãe Terra Frio é Pai Céu

Alinhado como a mulher é quente E o homem o ser frio

Estações chegariam e viriam distintas e diferentes como seus nomes

Primavera

Verão

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Inverno

As estações se articulam e formam o círculo da vida para o nosso povo acompanhar Tudo o que os nativos americanos fazem é num círculo é porque o poder do mundo sempre trabalha em círculos Assim, enquanto o arco sagrado não quebra o povo floresce

No interior da floresta

Enquanto a Terra descansa A coruja permanece em guarda Seus olhos incandescentes empoleiram-se ao alto mostrando a silhueta da Lua

O QUE É XAMANISMO

Quando a noite está negra

E caçando as estrelas

A Estrela da manhã está de pé O cheiro de doces trevos vestem os campos A floresta surge viva

Saboreia-me Eu sou o Vento Veja-me Eu sou o Urso que fica no Oeste Toque-me Eu sou o cinzento e magro Alce Dançando na floresta

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O rio é a vida Suas águas geladas espirram espumas de água através das montanhas em direção à superfície O arco-íris vislumbra no nevoeiro que vem apagando as águas cristalinas

O que é a vida ?

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Ela é o clarão dos vaga-lumes na noite É a respiração do búfalo no tempo do inverno

O que é a morte ? É um inexorável bater do Sol

Formando raios Queimando abaixo o solo do deserto

Você é chuva E você pode trazer fertilidade Ou pode trazer destruição Você pode fazer com que o arco-íris venha com toda a sua gloria esplendorosa com suas cores vívidas e coloridas Você sente facilidade para tocar

Sim, você é a chuva

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Você traz a vida para plantas e flores Para as cachoeiras sem fim


Rios, correntezas que fluem

Você é chuva

O rio corre para o mar O movimento do Oceano É como o coração batendo de vida E profundamente abaixo é o silencio do Universo

Nós somos parte de todo o universo O centro do Oceano é como nossa consciência profunda E o arrebentar das ondas são nossos pensamentos Chegando de fora para o nosso interior profundo Vida do Oceano trazendo vida para as Terras

O QUE É XAMANISMO

Como dentro de nós mesmos

Grandes nuvens de águias, evantem-me com seus ventos Tragam-me para a entrada da Terra.

Senhor do Céu Que voa próximo ao Grande Espírito levante-me com seus ventos Até acima do mundo

Deixe-me ver onde você me leva Deixe-nos vivos na casa da harmonia

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Que através de minha cabeça possa ser feliz Que por meus pés possa ser feliz Que onde que eu esteja, possa ser feliz Que tudo ao meu redor possa ser feliz

Eu sou belo e lindo

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Tudo é beleza à minha volta.

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CONEXÕES XAMÂNICAS Há o conceito que todas as coisas boas chegam das " Quatro Direções Sagradas " ( norte, sul, leste, oeste ) que contém todo o Universo. O Criador colocou as quatro raças ( brancos, vermelhos, amarelos e negros ) em suas respectivas áreas, e aparece para cada povo de diferentes maneiras e caminhos, para trazer beleza e harmonia. Nós não podemos prejudicar povos, porque todos os homens e mulheres são filhos da mesma Mãe-Terra e do mesmo Pai Criador. Aquele que desrespeita seus irmãos, ofende o Espírito do Mundo.

Estamos ligados com a Fonte de Vida do Universo. Cada partícula do nosso ser e de todos os sêres pertencem à Mãe-Terra e Pai Céu. Nós e todas as coisas, somos Sagrados. Mitakuye Oyasin (indios norte-americanos) significa "Por Todas As Nossas Relações". É um mantra que nos harmoniza com o Universo. Significa Todas As Nossas Relações com todos os sêres, em todas as nossas vidas na Terra, desde um inseto ou ser rastejante, até seu irmão de sangue.

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Todos os seres, sejam homens, animais, plantas, minerais, peixes, pequenas criaturas, etc.,possuem espírito. Tudo está ligado, conectado com a Alma do Mundo. Por entendermos Deus presente em toda a vida, honramos Todas As Nossas Relações. Acreditamos que Deus ama igualmente todas as suas criaturas.

Precisamos aprender a sentir a religação entre todas as pessoas do Universo. Quando percebemos a conexão Universal entre nós, e os que já caminharam sobre a Terra, compreendemos que todas as histórias fazem parte da nossa história. Todas as histórias falam a nós e nos ensinam a viver melhor conosco e com os outros. A consciência da conexão é vital ao aprendizado da convivência mútua. Ninguém triunfa sozinho. PROFECIA DA ÁGUIA E CONDOR A profecia da Àguia e do Condor é contada por muitas naçãos nativas no hemisfério ocidental. Nós somos como um corpo que foi quebrado em partes e este corpo quer voltar para ser inteiro outra vez. Falam que estas partes estão no sul, centro e norte. Os anciãos dizem-nos que nos uniremos e começaremos com força, lançando muitas setas que não serão quebradas.

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Recordam a historia de manter o fogo vivo. Nós temos que ser "um", para ter a compreensão completa. A ferramenta principal usada era a seta porque nossos antepassados sobre o continente eram caçadores. Há tempos adicionaram esta seta a uma curva sagrada. Esta curva é usada sobre o continente e é o que nós chamamos de meia lua. Souberam que nós estaríamos ao redor e esta curva estaria outra vez no centro, marcando o sentido de que nós devemos prestar atenção, examinar. Se nós fizermos exame de uma etapa nós emitimos esta seta para frente.

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Todos nossos povos têm que fazer um projeto novo para nossas crianças e as gerações futuras. Disseram que se escreve nas estrelas e nós temos que fazer este trabalho para mover a energia espiritual. Isto começará numa época nova em que nós pudermos fazer exame do espírito em nossas próprias mãos, quando a Águia do Norte e o Condor do Sul se encontrarem.

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Nossos líderes disseram que nós não devemos se esquecer de passar esta mensagem a nossas crianças. Nós reuniremos nossa família e nossos povos. Seu sol será uma luz nova. Quando isto acontecer, os povos cumprirão seu destino. As partes estarão no lugar. Há um espaço para todos e estarão cumprindo esta profecia. A maioria de nossos líderes dizem: não se esquecam de ensinar nossas crianças. Todos os últimos líderes que estavam no comando disseram: manter unida a família.


VODU Equipe Planeta / imagem :http://www.planetvoodoo.com O homem pode ser transformado numa planta ou animal. As pessoas devem ser desprendidas dos bens materiais. Estes são dois mandamentos do credo vodu, uma das religiões existenciais mais completa do mundo segundo os etnólogos. Constituído de heranças africanas misturadas a influencias católicas, o vodu sofreu transformações em contato com os nativos haitianos, bem como na América do Norte, onde chegou há uns duzentos anos com os primeiros escravos desembarcados nas Antilhas.

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Entre 1912 a 1930, trabalhos dos etnólogos Price-Mars e J.G. Dorsainvil, permitiram definir o vodu como a religião popular dos haitianos, de caráter sincrético, cujos principais elementos provém da crença das antigas tribos negro-africanas, principalmente da Daomé, as quais se agregam as crenças católicas e algumas transformações naturalistas dos aborígines americanos.

O essencial dessas religiões negras, que no princípio do sec. XVI se misturaram ao cristianismo para dar origem ao vodu, pode ser resumido assim : 

desprendimento do homem e das coisas

atribuição de qualidades humanas ao animais, plantas e minerais

possibilidade de transformação do homem vivo ou morto em animal ou planta

possibilidade de união dos grupos humanos com os animais para utilização dos poderes desses ultimos

Essas religiões tradicionais da Africa caracterizavam-se ainda pelo antropomorfismo, e pela noção de continuidade entre o natural e o sobrenatural. Receberam diversas denominações, dentre as quais fetichismo, adoração de pedaços de madeira, estátuas ou quaisquer objetos; animismo, crença nas almas ou nos espíritos que animam a natureza; politeísmo, crença em vários deuses; totemismo, crença nos antepassados e na encarnação do clã; dinamismo, crença em que a energia está nos elementos materiais; vitalismo, crença num princípio vital diferente para a alma e para o organismo.

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Filosofia e Panteão O estudo científico do vodu, aliás, permite afirmar que nele estão contidos todos os elementos básicos de uma religião: uma filosofia, um panteão, um clero, um ritual, um simbolismo, uma moral ou expressão de uma inquietude sobre o destino final do homem.

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Deus é chamado "Papá" ou o Grande Meste. Sua obra compreende o mundo superior e o inferior. Se trabalho de criação situa-se na origem do tempo. Depois ele se retirou no seu império, que alcança o sétimo céu, e de lá observa com certa indiferença o universo que moldou. O centro geográfico dessse universo encontra-se na Guiné, Africa. O criador situa os seres e as coisas em duas categorias: uma delas se distribui sobre a Terra, e compreende o Reino Animal (homem incluído), Vegetal e Mineral; a outra categoria povoa o espaço e a profundidade dos mares. Os três reinos se encontram e se identificam com os da primeira categoria, salvo que são invisíveis aos comuns dos mortais. As duas categorias têm a mesma organização e se comunicam numa perspectiva recíproca. Uma é o reflexo inverso da outra. O Grande mestre também infundiu um dinamismo aos seres e as coisas. esse dinamismo se difunde amplamente, e provém de uma grande alma que dentre os seus atributos pode fragmentar-se infinitamente, conservando em cada fragmento as qualidades de sua totalidade. essas qualidades estão reforçadas ou atenuadas segundo o ser ou objeto que se beneficie delas. Assim sendo, a Terra possui uma alma, a planta possui uma alma , o mineral e o homem também. Ao abandonar a Terra, por razões esquecidas no Haiti, mas gravadas na tradição da Guiné, o Grande Mestre criou uma série de seres imateriais aos quais delegou os seus poderes e cujo papel consiste em servir de intermmediários entre ele e os humanos. Estes seres imagiteriais chamam-se anjinhos vodu, mistérios e especialmente força (loá). De comum acordo com a alma, eles se apoderam do indivíduo desde a sua concepção, e dirigem o seu destino. Podemos classificar os loás de diversas formas: pelo nome dos espíritos, pelo elemento da natrureza que lhes serve de domínio; pelo culto que lhes é dedicado; por sua origem africana ou haitiana. 

Distribuição dos espíritos segundo seu domínio: espíritos do ar, espíritos da água, espíritos do fogo, espíritos da terra.

Distribuição dos espíritos de acordo com o culto: três cultos principais compõe o vodu haitiano. São eles: rada, congo e petro.

No Vodu existe um colégio sagrado a serviço dos deuses. Do lado masculino esse colégio compreende:

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Os Laplace

Os Porta-Bandeiras

Os Hougna


Do lado feminino : 

As Prta-Bandeiras

As Hounsi

As Mambo

A iniciação completa encerra três grandes princípios: 1) Laver-tête O lavar da cabeça, que assinala o fim do estado "boçal", violento e sem controle da possessão de um iniciado9 pelo espírito. Esta cerimônia consiste em verter água benta sobre a cabeça do médium para assegurar-lhe, entre outros privilégios, uma possessão equilibrada;

A prova de fogo na qual o postulante deve ser capaz de segurar com as mãos objetos incandescentes por um tempo determinado, sem demonstrar sofrimento. resistir a essa prova significa que o indivíduo está pronto para afrontar as vicissitudes da vida com coragem e firmeza; 3) L'Asson Durante essa cerimônia o sacerdote oferece ao candidato um vaso cheio de vértebras de serpentes, como símbolo de poder. Tal ritual remonta a antigos cultos ofídicos da Africa.

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2) Kanso

Extraído de John Creek em seu livro "Devenir Chaman": " O vodu é provavelmente a tradição xamânica que já fez correr mais tinta e que é, também a menos conhecida. Do ponto de vista histórico, é uma das tradições mais recentes, pese embora o fato de suas raizes serem muito antigas. Quando pensamos em vodu, imaginamos frequentemente o universo dos zumbis, das serpentes e da selva. Pensamos no ritmo alucinante dos gongos, no rum que corre e nos feitiços com ajuda das bonecas. Mas de onde provém verdadeiramente o vodu? Esta tradição viu a luz do dia pela primeira vez nas plantações das ilhas do Haiti e no Lousiana, mais precisamente em Nova Orleans, por entre os escravos que vinham da África. Para compreender sua origem é necessário sabe que a maior parte dos escravos eram oriundos da Nigéria, em particular das tribos Yorubas, que eram compostas por inúmeros clãs que se batiam entre sí. os vencidos eram sumariamente vendidos a escravagistas, a maior parte das vezes árabes que trabalhavam por conta dos negreiros franceses. Os escravos atravessavam o oceano em condições verdadeiramente horríveis: mais de um terço dos homens acabava por morrer antes de chegar a bom porto. Estas pessoas tinham as suas origens em culturas primitivas, mas que eram muito ricas em rituais xamânicos. Quando chegavam ao seu destino, davam graças a Deus por lhes ter permitido sobreviver. Em

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contrapartida, tinham de sujeitar-se ao escravagismo por parte do homem branco e abraçar sua religião sob pena de serem espancados. Foi então que nasceu o vodu, porque estes sobreviventes de uma viagem no mar continuavam a honrar e a adorar seus deuses, embora tivesse plena consciência de que o homem branco possui aliados que eram ainda mais fortes que os deles, uma vez que tinham permitido o escravagismo. Nesse momento, as pessoas que se recordavam de antigas práticas africanas começaram a associar os deuses africanos ao panteão católico dos santos, uma vez que o conceito de um único deus lhes parecia um pouco ridículo, sendo que, para estes seres, a justa-posição dos santos e dos deuses do culto Yoruba se estabeleceu de uma forma bastante rápida.

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Os escravos serviam de "pau de dois bicos": por um lado, aderiam à nova religião do homem branco e, por outro, continuavam a honrar os seus deuses, o que lhes era proibido.

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Para dar um exemplo, Yemanjá, a deusa das águas, tornou-se a outra face da Virgem Maria. Para Legba juntou-se ao Santo Antonio, e assim sucessivamente. Este culto veio a conhecer váriuas formas diferentes, sendo designado de "candomblé" no Brasil e "Santeria" em Cuba, significando, literalmente: o culto dos santos. A prática vodu sob diferentes formas está hoje em dia bastante generalizada e, apesar da má reputação provocada por Hollywood e pelos meios de comunicação, trata-se de uma verdadeira religião e não de uma prática de magia negra.


RODA MEDICINAL

A Roda Medicinal é dividida em 12 Luas ou meses que começam no dia do solstício de inverno. Os ciclos de mudança continuam por aproximadamente 30 dias de intervalo, até o retorno, para assim recomeçar do ponto. Em virtude do nascimento de cada humano começa sua jornada na vida em uma dessas luas. A Lua ou mês em que você nasceu determina sua posição inicial na Roda Medicinal e o seu primeiro totem do reino animal, mineral, vegetal, que divide características com as pessoas que nasceram neste tempo. Sua posição inicial dá a você uma força particular, mudanças e lições de vida da lua do seu nascimento. Sua posição de nascimento na roda é a que lhe deu os primeiros ensinos de como ver a vida, tem a dádiva da familiaridade e representa o primeiro ensinamento a seguir

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ACHANDO SUA POSIÇÃO INICIAL NA RODA MEDICINAL

A roda apresenta 12 luas, e também 12 categorias de personalidades. Ela identifica 12 máscaras de personalidades, 12 diferentes faces. ACHANDO SUA POSIÇÃO INICIAL NA RODA MEDICINAL

Peça pelo email o mapa da sua roda Medicinal contato@grupoboiadeirorei.com.br

65 Edição: Fernando Guedes


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O que é xamanismo  

O xamanismo é a mais antiga prática espiritual, médica e filosófica da humanidade. Hoje médicos, advogados, donas de casa, psicólogos, espir...

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