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Como toda feiticeira, Medéia usa da morte como agente de seus projetos. Dando prosseguimento ao seu objetivo, a feiticeira introduziuse no palácio do rei e fez uma demonstração de seus conhecimentos mágicos. Medéia esquarteja e rejuvenesce um velho carneiro, usando algumas palavras mágicas, ervas e um caldeirão com água fervente. Ela faz ressurgir um novilho diante das filhas de Pélias (Pausanias,VIII,11:3) que convencido e seduzido pela possibilidade de rejuvenescimento, ordenou as filhas Pélopia, Medusa, Pisidiké, Hippothoé e Alcestes (Hygino,24) a seguir os ritos prescritos pela sacerdotisa de Hécate. O ritual consistia em cortar o corpo do velho rei em pedaços e, em seguida fervê-lo num caldeirão, ato que serviu somente para apressar o seu fim. Com a morte de Pélias, a sacerdotisa fechava o ciclo iniciado na Cólquida e, ao mesmo tempo, eximia-se da dívida de sangue para com as potencias do mundo subterrâneo. Com o ritual de sangue Medeia restabelecia a ordem cósmica através da relação binária de oposição, garantido o contato harmonioso entre ela e o espaço sagrado do mundo dos mortos, a saber: Absyrto Jovem água

frio

fora

pai recolhe partes do corpo do filho

Pélias Velho fogo quente dentro filhas cortam partes do corpo do pai

74 Núcleo de Estudos da Antiguidade

Medeia mito e magia  
Medeia mito e magia  
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