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Numa sociedade cuja comunicação se processava de forma oral, havia a necessidade do desenvolvimento da memória e de meios técnicos precisos de controle, de forma a manter a estrutura do mito, a fim de que toda a informação do passado permanecesse na memória coletiva e fosse preservada.Eurípides, cidadão ateniense e integrante da organização políade teve o conhecimento dos diversos relatos míticos de Medéia e o apresentou no palco através de sua leitura singular da tragédia. Como poeta, ele teve uma abordagem pessoal do mito, sendo livre para criar relações do mito com os acontecimentos de sua época. A partir deste momento, o real e o imaginário se entrelaçaram, passando a formar uma das representações da realidade histórica, que pela palavra do poeta adquiria um sentido de verdade. Podemos nos aproximar da opção do poeta por uma das variáveis do mito onde se destacava a redução da sua prole de catorze para dois filhos. A escolha por um casal de filhos revelava a opção pelo espaço urbano. Entretanto, como o teatro era um espaço de denúncia, o poeta parecia evidenciar os demais conflitos que envolviam os atenienses no período clássico, visto que a opção pelo espaço urbana se relacionava a derrota, a insegurança e a morte. Núcleo de Estudos da Antiguidade 58

Medeia mito e magia  
Medeia mito e magia  
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