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Maria Regina Candido L.Gernet afirma que o cetro seria o lugar material de uma força religiosa (L.Gernet,1982:46), acrescentamos que esta força, na narrativa mítica, conferia a equivalência de um poder em relação a um saber. A posse destes instrumentos, colocava os seus detentores, Odisseu e Circe, em igualdade de condição para o diálogo, a relação de Eros e de philía, tipo de relacionamento buscado tanto pelos homens quanto pelas mulheres no período arcaico, minimizado no período clássico e retomado no período helenístico. Odisseu, cuja mão segurava o punhal, representava a lei dos homens, a busca da justiça através do debate nas assembléias. A arma de ferro cortante, atributo masculino, contrastava com a vara mágica de Circe, artefato de madeira, relacionado à vegetação e que se definia como uma arma feminina capaz de evocar a força dos poderes mágicos da terra em atendimentos aos anseios individuais. Odisseu, senhor do raciocínio, do controle do guerreiro invencível, da arma de bronze e que faz uso da força física que seduz, complementa Circe, senhora das emoções, que combate com a força da natureza, do encantamento, da magia e da sedução. Tais poderes parecem emergir em Atenas do V ao III 45

Medeia mito e magia  
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