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uma regra geral, e muito menos se aplica à própria Medéia, conforme teremos oportunidades de observar. As mulheres estavam subordinadas aos homens em nível das esferas política, social e jurídica. Elas, na sociedade ateniense, eram consideradas psicologicamente não autônomas, não livres e incapazes de se controlarem a si próprias. Ao contrário, as virtudes e a psicologia masculinas eram centradas em torno das noções de auto-controle, racionalidade e da capacidade para não dar meios à emoção (HUMPHREYS, 1993, p. 36).

Através da educação era imposto às esposas o modelo convencional feminino caracterizado pela submissão e pelo silêncio. Elas aprendiam, pelo convívio, com suas mães ou amas a tecelagem e a fiação, a administração do oîkos, como deviam se relacionar com os seus esposos, o seu comportamento comedido, a criação de seus filhos, o conhecimento de seu lugar na sociedade e os ritos religiosos domésticos. Muito raramente, elas aprendiam alguns elementos de leitura, escrita e aritmética (VRISSIMTZIS, 1995, p. 25). Núcleo de Estudos da Antiguidade 120

Medeia mito e magia  
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