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Maria Regina Candido Dessa forma, ao analisarmos a imagem que apresenta Medéia, precisamos destacar os indícios que nos levam a acreditar estar esta personagem próxima do modelo idealizado pela cultura grega para uma esposa bem-nascida e não outro tipo feminino e, ao mesmo tempo, demonstrarmos que a condição de estrangeira propicia à Medéia a prática de transgressões. De acordo com M. Robertson e M. Beard existem em potencial alguns pontos de dificuldade de decodificação cultural nas imagens contidas nos vasos gregos (ROBERTSON; BEARD, 1993, p. 26). Compartilhando desta mesma concepção, K.J. Dover ressalta a dificuldade de se interpretar, por exemplo, um gesto apresentado numa cena. Segundo ele, “alguns gestos são determinados pela cultura, e corre-se o risco de cometerem-se erros graves ao interpretá-los. Outros fazem sentido se interpretados como comuns a nós e aos gregos...” (DOVER, 1994, p. 19). E também não podemos nos esquecer de que os gestos são sempre polissêmicos. No que se refere às idades, notamos que o código figurativo dos vasos áticos marca mais nitidamente as masculinas do que as femininas. 111

Medeia mito e magia  
Medeia mito e magia  
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