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COLONOS e QUILOMBOLAS Memória fotográfica das colônias africanas de Porto Alegre

Irene Santos COORDENAÇÃO EDITORIAL

Cidinha da Silva Dorvalina Elvira P. Fialho Vera Daisy Barcellos Zoravia Bettiol

Setembro 2010


PROJETO

O projeto COLONOS & QUILOMBOLAS propõe o levantamento da história dos “territórios negros urbanos” surgidos em Porto Alegre no período posterior à abolição do trabalho escravo e justificase pelo propósito de remover o estigma dessas regiões da cidade como locais de intensa pobreza, vagabundagem, crimes e prostituição. A metodologia da pesquisa baseia-se no tripé: - pesquisa iconográfica privilegiando imagens de arquivos particulares; - entrevistas e depoimentos de pessoas com idade superior a 70 anos e de reconhecido saber no que diz respeito a costumes e à territorialidade dos negros em Porto Alegre, na primeira metade do século 20; - pesquisa histórica de documentos e publicações acadêmicas. Esta inclusão da História fundamenta o foco do livro na medida em que os depoimentos e as entrevistas estão eivados do subjetivismo individual, que aborda o lado imaginário, que enriquece o trabalho sobremaneira, mas que necessita ser cotejado com a história factual.


JUSTIFICATIVA

Após 1888, ex-escravos e suas famílias passaram a habitar uma área que, iniciando na atual Cidade Baixa passava pelos bairros Bom Fim, Mont'Serrat, Rio Branco (Colônia Africana) e estendia-se até o bairro Três Figueiras onde ainda subsiste o “Quilombo dos Silva”. A região popularmente conhecida como “Colônia Africana”, mesmo tendo suas ruas figurando nos mapas da cidade do século XIX nunca foi oficialmente reconhecida pela Prefeitura como um bairro da cidade. A imprensa escrita da época, porém, menciona incessantemente a “Colônia Africana” como um território de “excluídos sociais, em geral negros e pobres”. Documento encaminhado à Prefeitura em 1905, solicitando autorização para construção de um chalet na Colônia Africana

Essa impressão desfavorável aos territórios ocupados por ex-escravos, passou a fazer parte do imaginário da cidade, transformando-se em preconceito contra expressiva parcela de sua população. Trabalhos acadêmicos já exploraram este tema e apresentaram os estereótipos construídos pelo preconceito e pela discriminação, mas silenciaram quanto ao aspecto em que o projeto COLONOS & QUILOMBOLAS privilegiará e deitará seu olhar: o de apresentar e mostrar de forma afirmativa uma comunidade alegre, trabalhadora, atuante, organizada, solidária, participativa e com grande contribuição no cenário educacional, histórico, social, esportivo, cultural e musical de Porto Alegre.


SINOPSE Módulo 1.

Dona Amélia que chegou de carreta às terras da Baronesa O Areal da Baronesa é o primeiro bairro analisado no livro. O Areal era caracterizado pela predominância dos negros entre os seus habitantes A história de Dona Amélia, bisavó de uma entrevistada, resume as trajetórias de muitos negros e negras que chegaram a Porto Alegre vindos do interior do Estado em busca de uma vida digna depois da abolição. “Sem serventia nas estâncias, fazendas e charqueadas, a maioria das crianças e das negras idosas sobreviventes do duro trabalho ia sendo mandada embora. Porto Alegre era o destino, e logo passou a ser abrigo. Sem vínculos de parentesco, apoiados pela solidariedade das mulheres mais velhas, meninas e meninos negros foram crescendo e construindo uma história de sobrevivência e resistência.” No Areal viveu também, no início do século 20, o príncipe africano Custódio José de Almeida, personagem polêmico e sedutor, sempre envolvido com política e em misteriosas historias incansavelmente repetidas pelo povo do bairro. A vida cotidiana dos habitantes do Areal girava em torno de um curso d'água que atravessava o bairro conduzindo as mercadorias que abasteciam as cozinhas de grande parte da cidade. Nos anos 1940, depois de uma grande enchente que traumatizou a cidade, o Riacho foi canalizado e desapareceu da paisagem levando embora grande parte do romantismo e da poesia do Areal


Módulo 2

Bom Fim, bairro animado Os portoalegrenses gostam de pensar que os judeus foram os primeiros habitantes do Bom Fim. Na verdade, os negros chegaram antes, bem no início do século 20. Aos poucos foram colocando sua marca nas festas populares, nas festas religiosas de origem açoriana, desfilando seu carnaval e envolvendo os imigrantes europeus também moradores do bairro. Na festa do Divino Espirito Santo e na Semana da Pátria, jovens e adultos tornavam o bairro mais animado do que nunca.

Avenida Osvaldo Aranha a principal do Bom Fim em 1930

Capela do Divino em 1917

Foto de famillia no parque da Redenção

Procissão do Divino, escultura em papel


Módulo 3

De setembro até o Carnaval tudo era festa na Colônia Africana

Jaime Moreira da Silva tem 93 anos de idade. E sabe tudo sobre a Colônia Africana e a Liga da Canela Preta. Segundo ele, esta foi criada porque os negros não podiam jogar futebol na liga oficial. Hoje, os dois principais clubes da cidade negam esta informação, dizendo que nunca houve discriminação no meio esportivo.

Horacina Corrêa, nascida na Colõnia Africana fez carreira no centro do País e canto na Europa

Seu Jaime, também conta histórias da sua juventude no bairro Colônia Africana. E lembra do Salão do Rui que, durante muito tempo foi o ponto de encontro de moços e moças do bairro. Era tão importante que artistas famosos vinham do centro do país se apresentar em suas festas. Quando isso acontecia, os moradores traziam cadeiras e se reuniam na frente do prédio esperando a “canja” que os músicos e cantores ofereciam , cantando e tocando, sem microfone, das sacadas do salão. Time de várzea da Colônia Africana

Bloco humorístico Baile do Sorriso no Salão Modelo


Módulo 4

A mística do Mont’Serrat O Mont’Serrat era o bairro das lavadeiras e das casas de religião afro. Em certa época chegavam a ser sete as casas religiosas em uma única e pequena rua. As lavadeiras desfilavam com suas trouxas na cabeça, indo e voltando da única torneira disponível no bairro onde o solo era de terra vermelha. Batuqueiros e padres conviviam harmoniosamente no bairro, respeitando limites e exercitando a tolerância. Nos dias atuais, ainda no Mont'Serrat está localizado o primeiro quilombo urbano com título de propriedade fornecido pelo governo federal. O direito adquirido é contestado diariamente pela vizinhança. Mas a família Silva, emblematicamente, resiste.

Ligia Maria da Silva com familiares e o título de propriedade das terras quilombolas


FICHA TÉCNICA DO LIVRO Projeto e Coordenação Editorial Irene Santos Projeto Gráfico Zoravia Bettiol Texto Cidinha da Silva e Vera Daisy Barcellos Pesquisa Histórica e Revisão: Dorvalina Elvira P. Fialho Mapa das Colônias Africanas: Sergio dos Santos Jr CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS LIVRO Capa: Cores 4X0 Papel Supremo 300g/m² Formato de Página:230X 280mm Miolo: Cores 4X4 1, 1 Papel Couche Fosco Importado 115g/m² Formato de Página:230X 280mm / 192 Página(s) Cores 4X4 1, 1 Papel Couche Fosco Importado 115g/m² Formato de Página:230X 280mm / 8 Página(s)

ENCARTE: Mapa da cidade de Porto Alegre com localização dos principais pontos das “colônias africanas”


Colonos e quilombolas