Page 1

CIGANOS E GITANOS CONTATO@GRUPOBOIADEIROREI.COM.BR

GRUPO DE ESTUDOS BOIADEIRO REI


A HISTÓRIA DO BARALHO CIGANO LENORMAND

A origem do Baralho Cigano Lenormand tem duas versões. Na primeira delas, este magnífico jogo de cartas estaria relacionado ao Petit Lenormand. Este baralho composto de 36 cartas foi criado por Anne Marie Adelaide Lenormand, uma francesa nascida na cidade de Alençon, em 1772. Mademoiselle Lenormand ficou famosa pela precisão de suas previsões, atendendo a figuras ilustres da realeza da França. Numa casa de altos e baixos em Paris, esta mulher jovem, acompanhada de seu gato preto, espalhava sobre a mesa as cartas do seu baralho e previa o futuro de seus nobres consulentes. Ela atendia figuras da alta sociedade da época e grandes líderes, como Robespierre e o Imperador Napoleão Bonaparte. Além de cartomante, Mademoiselle Lenormand era astróloga, quiromante, numeróloga e tinha muitos outros conhecimentos como geomancia, dominomancia, cafeomancia. Ela revolucionou o conhecimento da Cartomancia, na época, utilizando flores, ervas e talismãs junto com seu jogo de cartas. Com seu desencarne, em 25 de junho de 1843, muita desta sabedoria desapareceu com ela. Somente cinqüenta anos depois, alguns manuscritos de Lenormand foram recuperados e mais tarde divulgados. Na segunda versão, o Baralho Cigano Lenormand, teria sido descoberto e propagado por este povo mágico que são os Ciganos. Através do seu modo singular de vida migrando de um lugar para outro, eles popularizaram seu jogo de cartas com figuras singelas e de fácil entendimento. Foi desse mesmo modo, que este povo nômade, nos presenteou com a expansão de muitas outras artes advinhatórias, como a Quiromancia, por exemplo, originária da Índia. Seja qual for a verdadeira origem e a descrição histórica deste baralho, vale lembrar: é fácil notar que a origem da maioria dos oráculos ao qual temos acesso hoje geralmente é deficiente, visto que a humanidade já passou por vários períodos de repressão, tendo assim, perdido muito conhecimento no campo do ocultismo. Se não fosse a persistência e a coragem


de diversos mestres da filosofia esotérica, não poderíamos desfrutar hoje deste e de outros maravilhosos jogos de cartas. O Baralho Cigano Lenormand é constituído por 36 cartas, numeradas ordinalmente e relacionadas aos 4 naipes que constituem a Cartomancia tradicional. Estes naipes -Copas, Ouros, Espadas e Paus – correspondem aos 4 elementos alquímicos: água, terra, fogo e ar. Estes elementos representam respectivamente, a emoção, a matéria, o espírito e a razão. Com arquétipos de fácil visualização, sua leitura apresenta aparente facilidade. Por este motivo é visto também, equivocadamente, como um instrumento “pobre”. Ou seja, não tão rico quanto o Tarot tradicional que a maioria de nós conhece, aquele que apresenta os 22 Arcanos Maiores. No entanto, a posição das cartas, a comparação entre uma e outra, é que especifica a mensagem do jogo feito com o Baralho Cigano Lenormand. Este último encanta também pela magia relacionada a ele. Muitos o jogam cercados de apetrechos como velas coloridas, incensos, frutas e outros objetos. Mas, existem também aqueles que jogam o mesmo baralho sem nenhum artifício. Vale lembrar que o mais importante é o jogo propriamente dito e a mensagem contida nele. O ritual é secundário. O Baralho Cigano Lenormand, assim como qualquer jogo de cartas, através dos seus arquétipos, envia mensagens que muitas vezes estão bloqueadas em nosso inconsciente. Extremamente valioso para o nosso dia-a-dia, como se fosse um amigo, um confidente, pode nos orientar para decisões mais acertadas e também nos prevenir dos perigos que nos cercam. Sejam bem-vindos à magia do Baralho Cigano Lenormand!


ALTAR CIGANO

O altar serve como elo de ligação e comunicação entre o Cigano e seu médium. Desde o momento em que existe a intenção de se oferecer um altar a um Cigano, ali se cria um elo espiritual onde quer que esteja o Cigano que é cultuado ali, sempre irá ouvir o chamado feito pelo médium diante do altar. O mais importante em um altar para os Ciganos são os 4 elementos. Para representá-los, usamos um castiçal com uma (ou mais) velas, representando o fogo, mesmo que a vela esteja apagada. As cores podem ser qualquer uma, exceto preto e marrom. Essas cores só são usadas em certos tipos de rituais. Não podemos esquecer que temos que ter a imagem de Santa Sara Kalli e de Nossa Senhora Aparecida,assim como a imagem de nossos ciganos espirituais. Deveremos ter uma taça bonita com água. A água é simbolismo do sentimento, por isso deve ser sempre a mais pura e limpa possível (água mineral sem gás). Essa água na taça atua como um catalisador de más energias, e quando estiver turva, deve ser jogada em água corrente e trocada, sempre por água filtrada ou mineral. Um incensário, onde um incenso deve ser aceso pelo menos uma vez por semana – representa o ar, mesmo sem incenso. Incenso Floral para Ciganas (rosa, violeta, lírio, dama da noite, jasmim, etc.) e Incenso Herbal para Ciganos (Sândalo, canela, cravo, eucalipto, mirra, alecrim, benjoim, etc.). Cristais, de vários tipos, cores, formas e tamanhos; caso não seja possível ter muitos, coloque algum(s) escolhido(s) por intuição.


O ideal é ter pelo menos uma pedra em estado bruto/ponta. As pedras podem ficar também num pote de vidro transparente sem tampa com água, pois a mesma potencializa a capacidade energética dos Cristais. Os cristais fecham o ciclo, representando a terra. Corpo – terra, Coração (emoção) – água, Mente – ar e Espírito – fogo. Além desses elementos, que são básicos, qualquer outra coisa que seja sentida por intuição, pode ser colocada: baralho, leque, adornos, lenços, baú, etc. As únicas exceção é o Punhal este só deve ser colocada um punhal já trabalhado, ou seja, que tenha passado pela magia de um Cigano, que pode ser o seu incorporado, ou o de outra pessoa (alguém que fez o trabalho no punhal para você – nesse caso, recomendo muitíssimo cuidado antes de aceitar). Para o fortalecimento dos Ciganos (as), é muito bom colocar uma fruta no altar, pelo menos 1 vez por semana, na 2ª noite da lua cheia ou crescente Só não coloque frutas ácidas, tipo abacaxi ou laranja… Ciganos não gostam de sabores ácidos, pelo menos a maioria não, e se você não tiver a certeza, melhor não arriscar! As frutas devem ficar até um pouco antes de apodrecer, e devem ser despachadas num jardim bonito. Pode ser oferecida também uma taça com vinho, além da que tem água, pois o vinho é a bebida Universal dos Ciganos. Após uma semana, ou quando a lua virar, despeja o vinho em água corrente. Flores também são bem vindas no altar, sendo que se for um altar para Cigano, as flores devem ser cravo branco ou vermelho, girassol, lírio branco ou Rosa branca (rosas em números ímpares). Essa regra vale apenas para caso de não se conhecer as preferências de cada Cigano. As flores murchas ou secas devem ser colocadas em um jardim, onde não haja espinhos. Não limpe seu altar na fase da lua minguante,pois isto atrapalharia suas boas vibrações como saúde e prosperidade. aproxime-se do seu altar faça uma oração, mentalize a força que te acompanha. Texto: Cigana Lumiar D´eor – Psicóloga, Cromoterapeuta, Reikiana, Numeróloga, Consultora e Professora de Baralho Cigano, Produtora de Eventos Ciganos e Radialista do programa “Magia Cigana e seus Encantamentos” no Rio de Janeiro. POTE DE GRÃOS: 1 Pote pequeno A mesma dos Grãos: Ervilha, Arroz com Casca, amendoim, Grão de Bico, Lentilha e trigo, (TODOS EM GRÃOS) Coloque por cima três moedas atuais,com o valor virado para cima,e um quartzo citrino no meio delas. Deixe energizando por três dias, na lua crescente,e peça à lua que empreste sua força mágica, para que nada falte na sua casa. Coloque dentro de casa, num lugar alto.


A Preparação de Imagens

Algumas pessoas têm, em suas casas, imagens de santos da Igreja Católica que estão sincretizados nos Orixás de Umbanda. Queremos esclarecer que para que a imagem atraia realmente a vibração que representa, ela deverá ser preparada antes, num ritual simples que passamos a descrever. Lave a imagem com água corrente e três gotas de amônia, para retirar a vibração que a imagem captou na loja comercial onde foi comprada. Em seguida, lave com água e três gotas da essência correspondente à vibração que se quer atrair. Use toalha própria para enxugar e pano branco virgem para passar a água com essência. Fure a imagem por baixo, na base, com um punhal virgem ou da vibração, fazendo um orifício de dois centímetros de diâmetro, aproximadamente. Antes de iniciar o ritual de imantação das imagens, prepare-se com banho de descarrego, roupa branca (roupa de santo, se tiver), defumação e acenda uma vela de cera com um copo d’água ao lado. Ao terminar o ritual, feche o orifício com a cera da vela e deixe queimar o restante. A vela deverá estar oleada (untada) com a essência utilizada e deve ser usada uma vela para cada imagem a ser preparada. As contas a serem utilizadas no ritual deverão ter sido colocadas anteriormente, por três dias, em água com três gotas da essência correspondente. Coloque no interior da imagem o seguinte: Oxalá pó de pemba branca 7 contas brancas algodão com 21 gotas de essência de aloés Xangô Puro 3 folhas de saião verde 3 contas marrons, 3 contas amarelas e 1 conta branca algodão com 21 gotas de essência de morango Xangô do Oriente 3 galhos de trigo imantados com essência de alfazema 3 contas roxas, 3 contas amarelas e 1 conta branca algodão com 21 gotas de essência de morango e 21 gotas de essência de alfazema Ogum Limalha de ferro 3 contas vermelhas e 4 contas brancas algodão com 21 gotas de essência de violeta Oxossi 7 grãos de milho amarelo 3 contas verdes, 3 contas vermelhas e1 conta branca algodão com 21 gotas de essência de sândalo Omulú 7 flores de Omulú (pipoca feita na areia) 3 contas pretas, 3 contas amarelas e 1 conta branca algodão com 21 gotas de essência de cravo Iemanjá pétalas de uma rosa branca 3 contas azuis claras e 4 contas brancas algodão com 21 gotas de essência de jasmim


Oxum pétalas de uma rosa amarela 3 contas amarelas, 3 contas azuis claras e1 conta branca algodão com 21 gotas de essência de angélica Iansã pétalas de uma rosa coral ou 7 pedaços de bambu verde 3 contas corais e 4 contas brancas algodão com 21 gotas de essência de benjoim Nanã pétalas de uma rosa vermelho-escura 3 contas roxas, 3 contas pretas e 1 conta branca algodão com 21 gotas de essência de limão Exu limalha de ferro e 3 pedrinhas de carvão vegetal ou mineral 3 contas vermelhas, 3 contas pretas e 1 conta branca algodão com marafo (aguardente) ou sumo de mastruço ou 21 gotas de essência de canela (exu da encruzilhada) ou de essência de cedro (exu do cemitério) Pombagira anis estrelado (erva) ou 7 tentos de exu 3 pedrinhas de sal grosso 3 contas vermelhas, 3 contas pretas e 1 conta branca algodão com licor de anis ou sumo de mastruço ou 21 gotas de essência de rosa (pombagira da encruzilhada) ou de essência de patchouli (pombagira do cemitério) Preto-velho 3 galhos de arruda 3 pedaços de fumo de rolo 3 contas pretas e 4 contas brancas algodão com 21 gotas de essência de heliotrópio e 21 gotas de essência de cravo (pretosvelhos) ou limão (pretas-velhas) Ibeijada 3 contas rosas, 3 contas azuis e 1 conta branca algodão com 21 gotas de essência de flor de maçã e 21 gotas da essência correspondente à vibração originária Caboclos 7 folhas de eucalipto fumo de rolo picado 3 contas verdes, 3 contas vermelhas e 1 conta branca algodão com 21 gotas de essência de eucalipto e 21 gotas da essência correspondente à vibração originária Oriente 3 galhinhos de trigo 3 contas amarelas e 4 contas brancas algodão com 21 gotas de essência de alfazema Dentro das imagens também pode ser colocado um pedaço do metal correspondente à vibração. No caso dos exus, pombagiras, caboclos, pretos-velhos e ibeijada, o pedaço de metal poderá corresponder à vibração originária da entidade. A Imantação das Imagens


Para explicar o que é e como funciona a imantação, devemos inicialmente esclarecer o seguinte: toda vibração tem pólo positivo e pólo negativo, e toda vibração pode ser manipulada para ajudar as pessoas – no pólo positivo – ou para prejudicá-las – no pólo negativo. Assim, uma pessoa pode estar com uma vibração negativa de um ou mais orixás e isso pode estar lhe causando vários transtornos na saúde, na vida material, na vida sentimental ou em qualquer outro setor. Para retirarmos essa vibração negativa, teremos que utilizar uma vibração positiva de mesma qualidade, ou seja, para uma vibração negativa de Oxum teremos que utilizar uma vibração positiva de Oxum, para uma vibração negativa de exu da encruzilhada teremos que usar uma vibração positiva de exu da encruzilhada, e assim sucessivamente. Isso se aplica para todos os orixás e falanges, e a Física explica, afirmando: “Pólos iguais se repelem, pólos contrários se atraem”, desde que sejam da mesma qualidade (elétrica, magnética, etc.). Esse é o principio básico da imantação. A imantação consiste numa mesa magnética onde constam dois ou mais ímãs vegetais para cada vibração, dispostos geometricamente. A presença de dois ou mais imãs para cada vibração justifica-se pelo fato de que alguns imãs são utilizados para retirar a negatividade dos participantes, enquanto os outros reabastecem os participantes de energia de características extremamente positivas. Esse campo maravilhoso de vibrações, que passa então a envolver aquele que participa da imantação, dura de oito meses a um ano, aproximadamente, dependendo bastante do tipo de atividade que se exerça. Na imantação, o participante ficará deitado por um período aproximado de duas horas, vestido de branco, e tomará conhecimento dos seus orixás de coroa. Finda a imantação, o participante levará para casa uma pedra, denominada otá, que deverá ser mantida dentro de uma quartinha de louça branca com água pura. O otá funciona como uma espécie de bateria, “recarregando” a pessoa sempre que isso se fizer necessário, e retirando qualquer negatividade que ela porventura absorver no seu contato diário com outras pessoas e ambientes carregados. O otá não deve ser tocado por ninguém já que está imantado na vibração pessoal de cada um e a água da quartinha deverá ser trocada, semanalmente, nas mudanças de fase da lua. O otá cria uma espécie de gosma ao seu redor. Essa gosma é a vibração condensada e nunca deve ser lavada nem retirada. Na troca semanal da água da quartinha, pode-se lavar a quartinha mas não se pode lavar o otá pois isso retiraria parte da sua vibração. A imantação protege contra trabalhos de magia negra porventura enviados contra a pessoa, uma vez que cria, em torno do participante, um campo vibratório poderosíssimo que a isola totalmente desse tipo de vibração negativa. A imantação pode e deve ser feita por qualquer um, mesmo que não seja umbandista, pois ela visa e produz um completo isolamento contra vibrações negativas, criando, em conseqüência, melhores condições para enfrentarmos os inevitáveis dissabores de nossas existências no que diz respeito à vida profissional, à vida sentimental, à parte espiritual e à nossa saúde.


As cores para os Ciganos

O arco-íris cigano “Cigana, tu que és um espírito de luz, quando cruzares o nosso caminho com tua saia e fitas coloridas, irradia a força do arco-íris e envolve-nos de energia positiva, nos livrando de toda e qualquer negatividade que porventura se aproxime de nós.” O povo cigano não aprecia a cor preta. Evitam-na inclusive misturada com outras cores. Esta cor lembra-lhes o luto, o drama, a inércia e o caos. Para eles, a liberdade representa o colorido da vida. Sua cultura e sabedoria são passadas diretamente, de geração para geração. Sabiamente, os ciganos sabem aproveitar todos os tons coloridos nas suas roupas, trajes e adornos. Para eles, nessas matizes existem alguns segredos, cuja importância falaremos a seguir. Através das cores podemos obter o equilíbrio e a cura de muitos males físicos e espirituais. Somos beneficiados com o conhecimento e a importância da cromoterapia e podemos empregá-los no uso de vestes coloridas, na escolha dos alimentos a serem ingeridos, na decoração de nosso lar, no uso de pedras e cristais, ou também, na irradiação de luzes nas mais diversas cores. O branco nos traz uma sensação de paz, tranqüilidade espiritual, discernimento no campo material e relaxamento mental. Deve ser usado para controlar nossa ansiedade e inquietude interior.


O amarelo libera nossa criatividade, ativa nosso poder mental, favorece a inteligência e nos devolve a autoconfiança, quando esta foi perdida. Deve ser utilizado em ambientes de leitura, estudo e negócios. O azul claro é indicado para liberarmos a nossa emoção e trabalharmos a nossa sensibilidade. Tem efeito altamente relaxante. Deve ser usado durante a noite para dormir e para amenizar os estados de tensão. O azul escuro traz confiança, disciplina, organização e estabilidade. Deve ser usado para trazer amadurecimento material e espiritual, e quando precisamos nos impor sem ferir os que estão ao nosso redor. O lilás lembra a meiguice, o romantismo e a fantasia. Deve ser utilizado quando nos encontramos em fases de extrema cobrança exterior, rigidez, desencantos e austeridade com os outros e com nós mesmos. O violeta é a cor do poder, da evolução espiritual, da cura, do misticismo e do lado oculto da vida. Deve ser empregado quando estamos deprimidos, preguiçosos, negativos, solitários e rancorosos. O verde é bom para a saúde, para o coração, para o lado emocional. Traz-nos esperança, harmonia, confiança e disposição para viver. Deve ser usado quando estamos debilitados física, emocional e espiritualmente. Recupera o nosso vigor, nossa agilidade e juventude. O rosa traz suavidade, amor, receptividade e alegria de viver. Muito bom para crianças, velhos e pessoas carentes. Deve ser usado para os momentos em que só encontramos defeitos em tudo e todos, nos lamentamos das oportunidades perdidas e não achamos graça em nada. O vermelho nos remete às paixões, ao otimismo, à luta pela vida, ao lado de guerreiro que mora dentro de cada um de nós. Deve ser utilizado quando precisamos de energia, excitação, força, coragem. Esta cor aflora os desejos mais íntimos, tanto sexuais quanto amorosos. O laranja, cor sagrada para este povo que veio do Oriente, representa o entusiasmo, a liberdade, o magnetismo e o prazer de estarmos vivos. Deve ser usada para quando nos encontramos presos a situações, quando nos sentimos isolados e buscamos o sucesso na vida. Que o colorido do povo cigano possa trazer uma primavera de alegria e felicidade para todos nós em todas as fases de nossa vida! Energias positivas de Saúde, Paz e Amor!


CIGANOS – TENTANDO DESMISTIFICAR

POVO ORIENTE: é uma Falange em grande ascensão dentro da Umbanda, chegando aos Terreiros na vibração de Xangô, normalmente conhecidos como mentores são Mestres de povos do oriente com grande desenvolvimento espiritual e conhecimento profundo de vários assuntos. São muito cultos e responsáveis, de poucas palavras e muito trabalho. Apresentamse de forma humilde e simples, não necessitando de nenhum tipo de oferenda além da fé e da dedicação de seus aparelhos, além de exigirem o cumprimento de regras básicas para uma melhor interpenetração de energias com seus médiuns. Têm uma vibração extremamente sutil. E esperam que seus médiuns cumpram sua parte no que se refere ao preparo correto para trabalhar com suas energias. Trabalham mais pela irradiação do que pela incorporação propriamente dita. CIGANOS DO ORIENTE: composta por aqueles que em encarnações anteriores tiveram grande conhecimento da espititualidade e de magia, a maioria encarnou entre o Povo Cigano e de tal povo preferiram guardar a imagem com a qual aparecem para nós. Em geral denominamse Ciganos do Oriente, para situarem de onde vêm, pois viveram no antigo oriente médio ou no extremo oriente. São mais antigos, lembram-se de tempos mais remotos em que foram conhecedores do poder e da magia dos antigos templos.Não são tão sutis quanto o Povo do Oriente, mas também não são tão mundanos quanto os Ciganos (europeus, apenas para explicar). Levam tudo muito à sério, mas também são alegres, gostam de cantorias , bebem licores,vinho branco,chás de frutas, alguns fumam outros não, “Comem” (oferendas) comidas ciganas e muitas frutas e frutos da terra.Gostam muito de flores em suas oferendas e trabalham com cristais, cromoterapia, numerologia, astrologia,limpezas de aura, uso dos chacras, fluidoterapia, fluidificação de água com fins curativos, aromoterapia, tarot, e outros jogos e magias de seu conhecimento.Gostam muito de trabalhar com a cura física e com a doutrinação que cura espiritualmente. CIGANOS: Povo nômade com grande conhecimento de magia , muito alegre, dançante, raça que tem conhecimento de muitos povos justamente por sua origem nômade e sua capacidade de num só tempo cultivar suas tradições e adaptar-se a novos lugares e costumes. Ao contrário dos Ciganos do Oriente, não passaram suas vidas no oriente, e sim em andanças pela Europa e alguns países do Oriente próximo , alguns poucos passaram pela Ásia, na altura da Índia, mas em geral vêm da Europa, e dos países da antiga cortina de ferro. Trabalham muito com magia


do amor e de prosperidade. Bebem, fumam, e seu cardápio inclui as comidas ciganas tradicionais, frutos e frutas. Jogam cartas , lêem mãos São devotos de Santa Sara Kali, e de Nossa Senhora Aparecida. São católicos em sua maioria. ESPÍRITOS CIGANOS: Estes são mais cultuados pelos Espiritualistas e pelo Povo Cigano (encarnado), onde segundo os Ciganos(encarnados) os espíritos não podem falar por não Ciganos, mas os nossos irmãos Espiritualistas discordam dessa afirmativa. POMBAGIRAS CIGANAS/ EXÚ CIGANO: Não são , em geral ciganos de origem , tornam-se “ciganos” em função do seu modo de vida que levaram e/ou porque buscam o conhecimento da magia cigana para trabalharem, ou porque em algum tempo em suas vidas passadas conviveram com esse povo e dele adquiriram alguns hábitos, mas podemos encontrar entre estes ciganos, pois como em qualquer povo existe a necessidade de resgate de suas faltas. Podemos encontrar também entre a malandragem alguns espíritos de ex-ciganos que reencarnaram e se tornaram Malandros ( nem todos os Malandros se enquadram nesta afirmativa). IMPORTANTE: Eu fiz uma adaptação de um texto da irmã Cristina Zecchinelli, que escreveu Sob irradiação e Orientação da Cigana da Estrada do Oriente, fiz a adaptação por não concordar com alguns fatos descritos no texto da nossa irmã. O que temos que ter em mente é o respeito ao Povo Cigano(encarnado), pois estes foram perseguidos, em toda sua história desde os primórdios deste planeta, não temos direito de viver da cultura desse Povo, apenas vivemos o que nos é permitido, em nada contribui ao Médium de Umbanda e sua Mediunidade querer saber a vida de tal espírito, pois isso leva ao Médium a mistificação e isso não é bom a nenhum adepto de Umbanda, de nada adianta saber cor de roupa, perfume, isso ou aquilo, pois a história e apetrechos de trabalho quem irá dar é o Guia e não as histórias que lemos por aí e admito que a maioria das histórias contidas neste site é de cunho espiritualista e não Umbandistas, então as mesmas de nada adianta para a Umbanda. Respeitemos a cultura de um Povo e seu sofrimento, pois eles sim são o Povo Cigano e os Espíritos Ciganos seus ancestrais, nós somos apenas instrumentos de trabalho desses espíritos e não devemos dizer porque trabalhamos com espírito que se diz ter sido um cigano em vida, é que temos vínculos sanguíneos com esse Povo maravilhoso.


CIGANOS NA UMBANDA

“Eu vi um formoso Cigano Sentado na beira do Rio Com seus cabelos negros E os olhos cor de anil Quando eu me aproximava o cigano me chamou Com seus dados nas mãos O cigano me falou Seus caminhos estão abertos Na saúde, na paz e amor, Foi se despedindo e me abençoou Eu não sou daqui, mas vou levar saudades, Eu sou o Cigano Pablo, lá das Três Trindades.” Esta linha de trabalhos espirituais já é muito antiga dentro da Umbanda, e “carregam as falanges ciganas juntamente com as falanges orientais uma importância muito elevada, sendo cultuadas por todo um seguimento espírita e que se explica por suas próprias razões, elegendo a prioridade de trabalho dentro da ordem natural das coisas em suas próprias tendências e especialidades. Assim, numerosas correntes ciganas estão a serviço do mundo imaterial e carregam como seus sustentadores e dirigentes aqueles espíritos mais evoluídos e antigos dentro da ordem de aprendizado, confundindo-se muitas vezes pela repetição dos nomes comuns apresentados para melhor reconhecimento, preservando os costumes como forma de trabalho e respeito, facilitando a possibilidade de ampliar suas correntes com seus companheiros desencarnados e que buscam no universo astral seu paradeiro, como ocorre com todas as outras correntes do espaço. O povo cigano designado ao encarne na Terra, através dos tempos e de todo o trabalho desenvolvido até então, conseguiu conquistar um lugar de razoável importância dentro deste contexto espiritual, tendo muitos deles alçado a graça de seguirem para outros espaços de maior evolução espiritual, juntamente com outros grupos de espíritos, também de longa data de reencarnações repetidas na Terra e de grande contribuição, caridade e aprendizado no plano imaterial.


A argumentação de que espíritos ciganos não deveriam falar por não ciganos ou por médiuns não ciganos e que se assim o fizessem deveriam faze-lo no idioma próprio de seu povo, é totalmente descabida e está em desarranjo total com os ensinamentos da espiritualidade sua doutrina evangélica, até as impossíveis limitações que se pretende implantar com essa afirmação na evolução do espírito humano e na lei de causa e efeito, pretendendo alterar a obra divina do Criador e da justiça divina como se possível fosse, pretendendo questionar os desígnios da criação e carregar para o universo espiritual nossas diminutas limitações e desinformação, fato que nos levaria a inviabilização doutrinária. Bem como a eleger nossa estada na Terra como mera passagem e de grande prepotência discriminatória, destituindo lamentavelmente de legitimidade as obras divinas. Outrossim, mantêm-se as falanges ciganas, tanto quanto todas as outras, organizadas dentro dos quadros ocidentais e dos mistérios que não nos é possível relatar. Obras existem, que dão conta de suas atuações dentro de seu plano de trabalho, chegando mesmo a divulgar passagens de suas encarnações terrenas. Agem no plano da saúde, do amor e do conhecimento, suportam princípios magísticos e tem um tratamento todo especial e diferenciado de outras correntes e falanges. Ao contrário do que se pensa os espíritos ciganos reinam em suas correntes preferencialmente dentro do plano da luz e positivo, não trabalhando a serviço do mau e trazendo uma contribuição inesgotável aos homens e aos seus pares, claro que dentro do critério de merecimento, tanto quanto qualquer outro espírito teremos aqueles que não agem dentro desse contexto e se encontram espalhados pela escuridão e a seus serviços, por não serem diferentes de nenhum outro espírito humano. Trabalham preferencialmente na vibração da direita e aqueles que trabalham na vibração da esquerda, não são os mesmo espíritos de ex ciganos, que mantêm-se na direita, como não poderia deixar de ser, e, ostentam a condição de Guardiões e Guardiãs. O que existe são os Exus Ciganos e as Moças Ciganas, que são verdadeiros Guardiões à serviço da luz nas trevas, como todo Guardião e Guardiã dentro de seus reinos de atuação, cada um com seu próprio nome de identificação dentro do nome de força coletivo, trabalhando na atuação do plano negativo à serviço da justiça divina, com suas falanges e trabalhadores, levando seus nomes de mistérios coletivos e individuais de identificação, assunto este que levaria uma obra inteira para se abordar e não se esgotaria. Contudo, encontramos no plano positivo falanges diversas chefiadas por ciganos diversos em planos de atuação diversos, porém, o tratamento religioso não se difere muito e se mantêm dentro de algumas características gerais. Imenso é o número de espíritos ciganos que alcançaram lugar de destaque no plano espiritual e são responsáveis pela regência e atuação em mistérios do plano de luz e seus serviços, carregando a mística de seu povo como característica e identificação. Dentro os mais conhecidos, podemos citar os ciganos Pablo, Wlademir, Ramirez, Juan, Pedrovick, Artemio, Hiago, Igor, Vitor e tantos outros, da mesma forma as ciganas, como Esmeralda, Carme, Salomé, Carmensita, Rosita, Madalena, Yasmin, Maria Dolores, Zaira, Sunakana, Sulamita, Wlavira, Iiarin, Sarita e muitas outras também. É imprescindível que se afirme que na ordem elencada dos nomes não existe hierarquia, apenas lembrança e critério de notoriedade, sem contudo, contrariar a notoriedade de todos os outros ciganos e ciganas, que são muitos e com o mesmo valor e importância.


Por sua própria razão diferenciada, também diferenciado como dissemos é a forma de cultuálos, sem pretender em tempo algum estabelecer regras ou esgotar o assunto, o que jamais foi nossa pretensão, mesmo porque não possuímos conhecimento de para tanto. A razão é que a respeito sofremos de uma carência muito grande de informação sobre o assunto e a intenção é dividir o que conseguimos aprender a respeito deste seguimento e tratamento. Somos sabedores que muitas outras forças também existem e o que passamos neste trabalho são maneiras simples a respeito, sem entrar em fundamentos mais aprofundados, o que é bom deixar induvidosamente claro. É importante que se esclareça, que a vinculação vibratória é de axé dos espíritos ciganos, tem relação estreita com as cores estilizadas no culto e também com os incensos, pratica muito utilizada entre ciganos. Os ciganos usam muitas cores em seus trabalhos, mas cada cigano tem sua cor de vibração no plano espiritual e uma outra cor de identificação é utilizada para velas em seu louvor. Uma das cores, a de vinculação raramente se torna conhecida, mas a de trabalho deve sempre ser conhecida para prática votiva das velas, roupas, etc. Os incensos são sempre utilizados em seus trabalhos e de acordo com o que se pretende fazer ou alcançar. Para o cigano de trabalho se possível deve-se manter um altar separado do altar geral, o que não quer dizer que não se possa cultua-lo no altar normal. Devendo esse altar manter sua imagem, o incenso apropriado, uma taça com água e outra com vinho, mantendo a pedra da cor de preferencia do cigano em um suporte de alumínio, fazendo oferendas periódicas para ciganos, mantendo-o iluminado sempre com vela branca e outra da cor referenciada. Da mesma forma quando se tratar de ciganas, apenas alterando a bebida para licor doce. E sempre que possível derramar algumas gotas de azeite doce na pedra, deixando por três dias e depois limpá-la. Os espíritos ciganos gostam muito de festas e todas elas devem acontecer com bastante fruta, todas que não levem espinhos de qualquer espécie, podendo se encher jarras de vinho tinto com um pouco de mel. Podendo ainda fatiar pães do tipo broa, passando em um de seus lados molho de tomate com algumas pitadas de sal e leva-los ao forno, por alguns minutos, muitas flores silvestres, rosas, velas de todas as cores e se possível incenso de lótus. As saias das ciganas são sempre muito coloridas e o baralho, o espelho, o punhal, os dados, os cristais, a dança e a música, moedas, medalhas, são sempre instrumentos magísticos de trabalho dos ciganos em geral. Os ciganos trabalham com seus encantamentos e magias e os fazem por força de seus próprios mistérios, olhando por dentro das pessoas e dos seus olhos. Uma das lendas ciganas, diz que existia um povo que vivia nas profundezas da terra, com a obrigação de estar na escuridão, sem conhecer a liberdade e a beleza. Um dia alguém resolveu sair e ousou subir às alturas e descobriu o mundo da luz e suas belezas. Feliz, festejou, mas ao mesmo tempo ficou atormentado e preocupado em dar conta de sua lealdade para com seu povo, retornou à escuridão e contou o que aconteceu. Foi então reprovado e orientado que lá era o lugar do seu povo e dele também. Contudo, aquele fato gerou um inconformismo em todos eles e acreditando merecerem a luz e viver bem, foram aos pés de Deus e pediram a subida ao mundo dos livres, da beleza e da natureza. Deus então, preocupado em atende-los, concedeu e concordou com o pedido, determinando então, que poderiam subir à luz e viver com toda liberdade, mas não possuiriam terra e nem poder e em troca concedia-lhes o Dom da adivinhação, para que pudessem ver o futuro das pessoas e aconselha-las para o bem.


É muito comum usar-se em trabalhos ciganos moedas antigas, fitas de todas as cores, folha de sândalo, punhal, raiz de violeta, cristal, lenços coloridos, folha de tabaco, tacho de cobre, de alumínio, cestas de vime, pedras coloridas, areia de rio, vinho, perfumes e escolher datas certas em dias especiais sob a regência das diversas fases da Lua…” Trecho extraído do livro “Rituais e Mistérios do Povo Cigano ”


CIGANOS NA UMBANDA 2

Assim como muitos grupos e massas coletivas são colocados em várias dimensões galácticas e destinados ao encarne, dentro de um critério divino de avaliação e evolução, a exemplo de Capela e outros, os Espíritos Ciganos que hoje levam esse nome e que foram trazidos para reencarne em massa em nosso planeta Terra de outra galáxia, imigrando por designação divina de outras dimensões planetárias, carregam consigo a sabedoria, os costumes e o conhecimento. Por milênios vêm reencarnando e seguindo a ordem natural da evolução, conseguindo através dos tempos conquistar seu próprio espaço entre os demais, produzindo e conseguindo seus próprios gráficos universais de força no Plano espiritual.


Acreditamos que, em razão também da união que os abençoa, acabaram por socorrer seus próprios pares que agrupando-se em plena evolução, se tornaram uma das mais prestigiadas correntes de trabalho no Plano espiritual, motivo pelo qual, a par de seus já concebidos conhecimentos e magística, ocupam hoje o lugar de destaque nesta dimensão astral, bem como se justifica, a cada passo, ao longo do tempo, a trajetória admirável que vêm travando junto às Falanges da Umbanda Sagrada e toda espiritualidade, explicando-se dessa maneira a importância do trabalho que vêm desenvolvendo neste plano. Carregam a denominação de Corrente Cigana, tanto quanto as outras tantas correntes de trabalho que conhecemos, com uma tendência natural de torna-se cada vez mais conhecida. Carregam as Falanges Ciganas, juntamente com as Falanges Orientais, uma importância muito elevada, sendo cultuadas por todo um segmento, e que se explica por suas próprias razões, elegendo a prioridade de trabalho dentro da ordem natural das coisas em suas próprias tendências e especialidades. Assim, numerosas Correntes Ciganas estão a serviço do mundo imaterial e carregam como seus sustentadores e dirigentes aqueles Espíritos mais evoluídos e antigos dentro da ordem e aprendizado, confundindo-se muitas vezes pela repetição dos nomes comuns apresentados para melhor conhecimento, preservando os costumes como forma de trabalho e respeito, facilitando a possibilidade de ampliar suas correntes com seus companheiros desencarnados e que buscam no universo Astral seu paradeiro, como ocorre em todas outras correntes do Espaço. O Povo Cigano designado ao encarne na Terra, através dos tempos e de todo o trabalho desenvolvido até então, conseguiu conquistar um lugar de razoável importância dentro deste contexto espiritual, tendo muitos deles alcançado a graça de seguirem para outros espaços de maior evolução espiritual, juntamente com outros grupos de Espíritos, também de longa data de reencarnações repetidas na Terra e de grande contribuição, caridade e aprendizado no plano imaterial. A argumentação de que Espíritos de Ciganos não deveriam falar por meio de não-Ciganos, ou por médiuns não-Ciganos, ou que deveriam fazê-lo no idioma próprio de seu povo, é totalmente e está em desarranjo total com os ensinamentos da Espiritualidade e sua doutrina evangélica. Os Espíritos Ciganos agem no plano da saúde, do amor e do conhecimento, suportam princípios magísticos e têm um tratamento todo especial e diferenciado de outras correntes e Falanges. Ao contrário do que se pensa, os Ciganos reinam em suas correntes preferencialmente dentro do plano da luz e positivo, não trabalhando a serviço do mal e trazendo uma contribuição inesgotável aos homens e aos seus pares. Trabalham preferencialmente na Vibração de Direita, e aqueles que trabalham na Vibração da Esquerda não são os mesmos Espíritos de ex-Ciganos que se mantêm na Direita ostentando a condição de Guardiões e Guardiãs. O que existem são os Exus Ciganos e as Moças Ciganas, que são verdadeiros Guardiões a serviço da Lei nas trevas. Encontramos no Plano Positivo falanges diversas chefiadas por Ciganos diversos, em planos de atuação diversos. Dentre os mais conhecidos, podemos citar os Ciganos Pablo,Wlademir, Ramires, Juan, Pedrovick, Artemio, Hiago, Igor,Vitor e tanto outros, e, da mesma forma, as


Ciganas como Esmeralda, Carmem, Salomé, Carmensita, Rosita, Madalena, Yasmin, Maria Dolores, Zaria, Sunakana, Sulamita, Wlavira, Liarin, Sarita e muitas outras também. É importante que se esclareça que a vinculação vibratória e de Axé dos Espíritos Ciganos tem relação estreita com as cores utilizadas no culto e também com os incensos. Para o Cigano de trabalho, se possível, deve ser mantido um altar separado do altar geral, o que não quer dizer que não se possa cultuá-lo no altar normal. Esse altar deve manter sua imagem, o incenso apropriado, uma taça com água e outra com vinho, mantendo a pedra da cor de preferência do Cigano em um suporte de alumínio. É importante fazer-lhe oferendas periódicas e mantê-lo iluminado sempre com vela branca e outra da cor referida. No caso das Ciganas, apenas alterar a bebida para licor doce. Sempre que possível, deve-se derramar algumas gotas de azeite doce na pedra, deixando por três dias para depois limpa-la. Os Espíritos Ciganos gostam muito de festas, e todas devem acontecer com bastante fruta, todas que não levem espinhos de qualquer espécie, podendo-se encher uma jarra de vinho tinto com um pouco de mel. As saias das Ciganas são sempre muito coloridas e o baralho, o espelho, o punhal, os dados, os cristais, a dança e a música, moedas e medalhas são sempre instrumentos magísticos de trabalho dos Ciganos em geral. Os Ciganos trabalham com seus encantamentos e magias e o fazem por força de seus próprios mistérios, olhando por dentro das pessoas e dos seus olhos. É muito comum usar-se em trabalhos ciganos moedas antigas, fitas de todas as cores, folha de sândalo, punhal, raiz de violeta, cristal, lenços coloridos, folha de tabaco, tacho de cobre, de alumínio, cestas de vime, pedras coloridas, areia de rio, vinho, perfumes e escolher datas certas em dias especiais sob a regência das diversas fases da Lua. Muitas vezes se formam no Espaço agrupamentos de Espíritos que conviveram em um mesmo clã e percorrem a caminhada da luz e dos trabalhos de caridade juntos, engrossando fileiras nas Correntes Ciganas. As Consagrações Ciganas devem ter sempre comidas nos ritual próprio, isto é, no Ritual Cigano.


CIGANOS: SEM DESTINO

A história dos ciganos, que hoje são cerca de 12 milhões espalhados pelo mundo inteiro, não é tão colorida quanto eles: teve diáspora, perseguição, escravidão e genocídio

Em uma determinada noite do começo dos anos 40, o médico nazista alemão Josef Mengele reuniu 14 pares de gêmeos no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Colocou as crianças sobre sua mesa e as fez dormir. Calmamente, injetou clorofórmio em suas veias. A morte foi instantânea. Mais tarde, as abriu e meticulosamente dissecou seus cadáveres. As crianças não eram judias. Eram de um outro grupo cuja história também é marcada por diáspora, perseguições, escravidão e genocídio, especialmente na Segunda Guerra. Os ciganos – termo genérico para designar grupos que se autodenominam rom, calon e sinti, entre outros – podem ser encontrados em várias partes do mundo, divididos em culturas, religiões e línguas diferentes. Alguns têm o dialeto, a profissão ou apenas a opção pela vida itinerante. O que todos os cerca de 12 milhões espalhados pelos cinco continentes têm em comum é uma longa história pautada pelo preconceito. Que continua ainda hoje. Pouco se sabe sobre a origem dos ciganos – que, assim como quase tudo que diz respeito a eles, está marcada por fantasias. Alguns dizem que eles descendem de egípcios do tempo dos faraós. Outros, de uma região conhecida como “Novo Egito”, na Grécia – daí a palavra “cigano”, que vem de “egipciano”. Essa história, contudo, é totalmente descartada por estudiosos do assunto. Para eles, os ciganos teriam vindo do Paquistão e do norte da Índia, nos atuais Rajastão e Punjab. A maior prova disso vem de estudos lingüísticos. O romani, a língua falada por eles, possui grandes semelhanças com o hindi, falado na Índia. A análise biológica


corrobora essa tese. Um estudo realizado com integrantes de comunidades ciganas da Europa demonstrou que era possível traçar a origem indiana de boa parte dos ciganos pesquisados. GRUPO MIGRANTE Dali, um grande contingente teria partido em uma espécie de diáspora. Ainda hoje existem comunidades ciganas na Ásia, assim como nos locais por onde passaram até chegar à Europa, como o Oriente Médio e norte da África. “Por que e quando eles deixaram a Índia, quais foram os grupos que fugiram e como se relacionavam entre eles ainda é tema de debate entre os estudiosos”, diz David Nemeth, professor de Geografia e Planejamento da Universidade de Toledo, em Ohio, nos Estados Unidos, especialista em povos nômades. “Alguns dizem que todos deixaram a Índia de uma vez, há mil anos. Outros dizem que eles foram saindo gradualmente.” Um problema, de acordo com os especialistas, é falar dos ciganos como se eles fossem um grupo racial, um povo. “A explicação da origem indiana dos ciganos dá a falsa impressão de que eles são um grupo fechado, constituído como uma unidade isolada na Índia e que viajou mantendo essa integridade”, afirma a antropóloga Florencia Ferrari, cuja pesquisa de doutorado na Universidade de São Paulo é sobre ciganos de São Paulo. Na verdade, eles apresentam uma grande mistura. O estudo lingüístico aponta uma provável data em que a maior leva de ciganos teria deixado seu território de origem: meados do século 11. Esse período coincide com a invasão, ao norte do subcontinente indiano, do sultão persa Mahmoud Ghazni (971-1030). Acredita-se que o sultão vitorioso teria expulsado essa população, provavelmente uma casta de guerreiros, do território conquistado entre 1001 e 1026. Há outras teorias para o movimento dos ciganos. Alguns especialistas supõem que eles pertençam a um antigo grupo de viajantes que nunca parou de se deslocar. Outros, que eram grupos sedentários forçados a deixar a Índia devido à expansão de outros povos. Também não se descarta que eles eram párias expulsos de suas terras. Tudo isso é suposição por causa da falta de relatos escritos sobre o assunto. Os ciganos mantêm sua história através da tradição oral – e muito do que se passou entre eles foi perdido. Segundo Isabel Fonseca, autora de Enterrem-me em Pé – A Longa Viagem dos Ciganos, o primeiro documento escrito que menciona os ciganos é um contrato de compra e venda do século 10. Mais tarde, monges relatam sobre os “atsiganoi”, povo itinerante de adivinhos e ventríloquos que visitou o imperador bizantino Constantino IX em 1054. A diáspora cigana levou-os a migrarem a oeste, fazendo com que se espalhassem pela Europa a partir do século 14. “Quando apareceram pela primeira vez na Europa, os ciganos apresentaram-se como peregrinos e liam a sorte: duas boas profissões numa época de superstição”, afirma a autora. Os grupos começaram a percorrer com maior assiduidade certas regiões, e acabaram adotando a língua e a religião delas. Mas sem perder seus próprios costumes e língua. PERSEGUIÇÃO E CAÇA Dessa mesma época já datam os primeiros registros de perseguições contra os ciganos. Em 1471, leis contra eles foram aprovadas na Suíça. Na península Ibérica, a chamada Reconquista Cristã, em 1492, significou não apenas a expulsão de árabes e judeus, mas de ciganos também. No século 16, os ciganos também foram expulsos da França, durante o reinado de Luís XII, e da


Inglaterra, pelo rei Henrique VIII. Mais tarde, Elizabeth I fez pior: durante seu reinado, entre 1558 e 1603, uma lei tornava ilegal ser um cigano. Isso quer dizer que a pessoa era condenada à morte simplesmente por ser filha de pais ciganos. “Eles se tornaram os últimos bodes expiatórios dos males sociais da sociedade do período Tudor”, afirma Thomas Acton, professor de Estudos Romani da Universidade de Greenwich, Inglaterra. A perseguição nos Bálcãs foi ainda mais aguda. A partir do século 13, os ciganos foram vistos como estrangeiros que não eram bem-vindos. Acabaram escravizados. A libertação ocorreu apenas em 1864. Na Romênia não foi diferente: os ciganos foram feitos escravos lá até o século 19. Em 1445, o príncipe Vlad Dracul, da Valáquia (antiga província da Romênia), escravizou em seu país cerca de 12 mil pessoas da Bulgária. Essa gente, de acordo com registros da época, “parecia egípcia”. Vlad Dracul, apenas a título de curiosidade, é pai do príncipe que ficou conhecido pela alcunha de Drácula. A partir do século 16, países como Suíça, Holanda e Dinamarca, passaram a promover o que ficou conhecido como “caçada aos ciganos”. Ela funcionava mais ou menos como uma caçada a raposas mesmo, quase um esporte. Não era preciso o sujeito ter cometido crime algum para ser aprisionado ou morto como um animal. Recompensas e honras eram prestadas aos que participavam das caçadas. Na Dinamarca, por exemplo, uma grande caçada foi marcada para o dia 11 de novembro de 1835. O resultado foram 260 homens, mulheres e crianças presos ou mortos. PRECONCEITO Alguns pesquisadores acreditam que a origem do preconceito contra as comunidades ciganas esteja relacionada com as profissões com as quais eles ganhavam a vida. Segundo Nemeth, os ciganos historicamente lidam com três ramos de ocupação nada bem vistos na Idade Média. Eles estão associados à indústria da “diversão”, como músicos, dançarinos e adivinhos, da “morte”, como açougueiros, e da “sujeira”, como ferreiros. Várias lendas populares pipocaram na Europa na Idade Média. Uma delas é a de que o ferreiro que fez os pregos colocados em Jesus na cruz era cigano. Jesus então teria amaldiçoado todos os ciganos com uma vida de vagância. Aliás, é o nomadismo o fator apontado como o principal motivo da desconfiança que vários povos alimentaram contra eles. “A estigmatização da vida errante se tornou um fator de demonização daqueles ciganos que eram nômades comerciais”, afirma Acton. A necessidade de deslocar-se pela lunga drom – ou “longa estrada”, em romani –¬, geralmente em coloridas caravanas, fez com que os ciganos tivessem um contato mínimo com o mundo gadjikane – “não-cigano”. Assim, o grupo continuaria com seu estilo de vida. A história da polonesa Papuzsa (“boneca” em romani) é prova de que muitos grupos temem que seu modo de vida seja alterado pela revelação de seus costumes. Harpista, ela compunha música e poesia contando os sofrimentos de seu povo. No fim da década de 50, um poeta publicou a tradução de seus poemas em polonês, à revelia da vontade de Papuzsa. Resultado: foi expulsa da comunidade por traição. Morreu em 1987, só e esquecida. A partir do fim do século 18, com a ascensão do capitalismo industrial e a rápida urbanização, o que era visto como uma diferença apenas cultural passou a ser visto como um comportamento motivado por uma questão racial. O racismo culminou com a Segunda Guerra Mundial. Além de judeus, homossexuais, comunistas e opositores do regime, os nazistas também perseguiram implacavelmente os ciganos. Eles foram deportados para campos de concentração e foram alvo dos einsatzgruppen, esquadrões móveis de extermínio. Não há


estatísticas exatas sobre o número de vítimas, mas estima-se que, dos cerca de 1 milhão de ciganos que viviam na Europa antes da guerra, pelo menos 500 mil tenham sido eliminados no Holocausto. Com o fim do conflito, muitos deles imigraram para os Estados Unidos – que, atualmente, é o país com o maior número de ciganos no mundo, cerca de 1 milhão. A última lei contra os ciganos no país, que impedia a entrada deles no estado de Nova Jersey, só foi eliminada na década de 90. Os que ficaram na Europa, no entanto, continuaram a ser sistematicamente perseguidos por diferentes governos. Na Bulgária, a língua e a música ciganas foram proibidas. Na antiga Tchecoslováquia e na Noruega, políticas oficiais promoveram campanhas de esterilização de mulheres ciganas. Até 1972, o governo suíço tomava crianças ciganas de seus pais para serem criadas por famílias não-ciganas. A maioria deles, 8 milhões, ainda vive na Europa. É a maior minoria sem país do continente. A partir de 1989, começaram a surgir partidos políticos ciganos, que tentam reverter políticas discriminatórias. Atualmente, há programas de televisão falados na língua romani na Romênia e na Macedônia. Se, por um lado, isso pode ser um fator que ajude a diminuir o preconceito em alguns locais, por outro pode também significar a absorção dos ciganos pela cultura gadjikane. O destino deles, porém, é difícil de ser lido. CIGANOS PELO MUNDO A relação entre os vários grupos ainda não é conhecida Há diversos grupos de ciganos espalhados pelos cinco continentes. Abaixo estão os principais. Muitos falam uma língua próxima, o romani (ou romanês) – com muitas palavras emprestadas de línguas locais. Grupos que vivem no Brasil, por exemplo, dizem: “Vamos pinhá o paim”. Querem dizer: “Vamos beber água” – a estrutura é a do português, mas com palavras em romani. Grupos de viajantes, como artistas circenses, são confundidos com os ciganos por serem nômades. ERLIDES Também conhecidos como yerlii ou arli, os erlides são mais comuns em comunidades localizadas no sudeste da Europa e na Turquia. Muitos deles são muçulmanos ou cristãos ortodoxos. Há ainda pequenos grupos na Palestina, Jordânia e também no Iraque. ROMA Os rom, ou roma, têm origem não-ibérica e são o grupo mais numeroso. Tanto que possui subgrupos, como os kalderash, matchuara, lovara e tchurara. Podem ser encontrados na Europa (especialmente nos Bálcãs), nos Estados Unidos e no Brasil. “Muita gente confunde os roma com os romenos. Há ciganos romenos, mas nem todo romeno é cigano”, diz o professor David Nemeth. GITANOS Chamado também de calon, o grupo é encontrado principalmente na península Ibérica, no norte da África e no sul da França. Na Espanha, os gitanos são associados à música e à dança – o flamenco é considerado de origem gitana. O mais famoso é o grupo francês Gipsy Kings. No Brasil, há uma grande quantidade de grupos calon, que se dedicam ao comércio de carros, mantas e ouro – as mulheres, à leitura da sorte.


SINTI Os sinti ou manouch também reconhecem uma origem na Índia e praticam o nomadismo. Eles falam a língua sintó e são encontrados principalmente na Alsácia, entre outras regiões da França, na Alemanha e na Itália. Há poucos deles no Brasil, chegados também no século 19. ROMNICHAL O grupo mais numeroso na Grã-Bretanha, encontrado nos Estados Unidos e na Austrália, é chamado também de rom’nie. Sua história remonta ao século 16, quando teriam chegado à Inglaterra. Foram expulsos e perseguidos no país ao longo dos séculos, mas ainda são numerosos lá. JK ERA CIGANO Bisavô do presidente brasileiro chegou aqui no século 19 A história dos ciganos no Brasil se confunde com o início de nossa colonização. Segundo o geógrafo Rodrigo Teixeira Corrêa, autor de História dos Ciganos no Brasil, o primeiro registro é de 1574, quando o comerciante João Torres, sua mulher e seus filhos foram expulsos de Portugal para cá. A maioria dos que aqui chegaram veio da península Ibérica, mas os que imigraram mais recentemente, no século passado, vêm da Europa Oriental. No século 16, os ciganos degredados se instalaram principalmente na Bahia. O comércio é a principal atividade ligada a eles até hoje. Há registros, do século 18, da presença de comunidades nômades em Minas Gerais – mas apenas dão conta de problemas em que eles se envolviam, como roubos e brigas. Em Minas, mais precisamente em Diamantina, viveu a família do mais ilustre descendente de cigano do país. O primeiro cigano não-ibérico a aportar no Brasil foi Jan Nepomuscky Kubitschek, no século 19. Reconheceu o sobrenome? Seu bisneto, Juscelino, assumiu a presidência do país em 1956. Vários ciganos, como ele, deixaram a vida nômade, mas há milhares que ainda vivem dessa forma nos grandes centros urbanos. Há entre eles artistas circenses e comerciantes – e, claro, mulheres que lêem a sorte. Não há fontes seguras nem censo sobre o número de ciganos no Brasil – acredita-se que haja cerca de 600 mil. Assim como em outros países do mundo, o principal problema da comunidade é a documentação. Aqueles que não possuem endereço fixo têm problemas para conseguir acesso a serviços públicos. “Não possuir documento é uma opção deles”, diz a antropóloga Florencia Ferrari. “A questão fascinante é como e por que eles escolhem viver assim.” COSTUMES PRÓPRIOS Grupos evitaram casamentos com não-ciganos na tentiva de preservar a cultura Por causa do convívio com os gadjikane (“não-ciganos”), os ciganos mantiveram determinados costumes para não se “contaminar” pela cultura externa. Evitaram durante séculos, por exemplo, casamentos com não-ciganos. Alguns deles só falam romani. “Para se referir a um não-cigano, há ciganos no país que o tratam por ‘brasileiro’. Isso reforça a idéia de que eles são supranacionais”, diz a antropóloga Florencia Ferrari. Outra característica é que eles também evitaram freqüentar escolas. Segundo a pesquisadora Isabel Fonseca, cerca de três quartos das


mulheres ciganas são analfabetas. Isso se mostra na própria língua romani, que não tem forma escrita. Nela, não existem palavras específicas para “escrever” e “ler”. Em seu lugar, são usadas palavras da língua local, onde quer que o grupo se encontre, ou adaptações. A palavra gin, que significa “contar”, faz as vezes de “ler”. Outro costume cigano é as mulheres lerem a sorte, além de usarem saias longas – mostrar os joelhos é um tabu para elas, assim como cortar as unhas. A segregação dos sexos também é um hábito. Homens e mulheres, por exemplo, não comem juntos. As comunidades ciganas valorizam os ritos, como casamento e funeral. Os casamentos são resultado de combinações entre famílias. Os noivos se casam muito jovens. Aos 10 anos ou menos, logo após a primeira menstruação, as meninas já estão aptas a contrair matrimônio. Além disso, a religião não ocupa lugar privilegiado na vida dos ciganos. Há comunidades que ainda preservam algumas características do shaktismo, uma corrente do hinduísmo. Alguns símbolos da antiga religião são identificados pelos gadjikane com a maior parte dos ciganos, como o tridente, arma utilizada pelo deus hindu Shiva. A palavra para tridente, em romani, é a mesma que alguns ciganos cristãos utilizam para cruz. Portanto, o que houve na maioria dos casos foi a assimilação das religiões por onde as correntes migratórias passaram. Na Europa e nas Américas, o cristianismo é a principal fé. Já no Oriente Médio e nos Bálcãs, há ciganos muçulmanos. SAIBA MAIS LIVROS Enterrem-me em Pé – A Longa Viagem dos Ciganos, Isabel Fonseca, Companhia das Letras, 1996. A autora se embrenhou entre grupos de várias partes do mundo para descrever sua cultura e sua história. História dos Ciganos no Brasil, Rodrigo Corrêa Teixeira, Núcleo de Estudos Ciganos, Recife, 1999 O autor apresenta a trajetória dos ciganos ibéricos e não-ibéricos no país. Palavra Cigana – Seis Contos Nômades, Florencia Ferrari, Cosac Naify, 2005 A antropóloga reúne aqui contos da tradição oral de comunidades ciganas do mundo todo. Fonte: Aventuras na História


Mulheres Ciganas

Em meio às praças e ruas de nossas cidades as encontramos, chamando de longe nossa atenção. Vestidos coloridos, largos, esvoaçantes. Lenços nos longos cabelos. Elas nos abordam insistentes para que as deixemos anunciar nossa sorte em troca de muito pouco ou quase nenhum pagamento. Mas basta uma aproximação mais direta de nossa curiosidade e elas se esquivam, se recolhem a seu linguajar próprio, delimitando claramente o território no qual nós, não-ciganos, não temos permissão para incursionar. Sugerem um mistério a ser preservado. Mas nossa curiosidade é insistente, e fomos em busca de imagens e representações desse universo que, a um só tempo, se exibe e se esconde. Nossos esforços, além da convivência com um grupo de ciganos de Campinas, nos permitiram assistir, fotografando e registrando em vídeo, a algumas cerimônias de casamento de ciganos. Essa festividade nos pareceu uma oportunidade privilegiada para nossas observações, por representar um momento de encontro e de celebração do povo cigano, no qual, suspeitávamos, apreenderíamos, através de nossas fotografias, vídeos e reflexões, alguns dos valores significativos para o grupo que estariam se manifestando de maneira mais concreta e, mais precisamente, visual. Partíamos, então, das reflexões de Goffman, trazendo-as para o nosso objeto de interesse – o casamento cigano – considerando que ele conteria em si os elementos mais gerais que significam a renovação dos laços simbólicos que unem a comunidade. ” Na medida em que uma representação ressalta os valores oficiais comuns da sociedade em que se processa, podemos considerá-la, à maneira de Durkheim e Radcliffe-Brown, como uma cerimônia, um rejuvenescimento e reafirmação expressivos dos valores morais da comunidade.” (GOFFMAN, 1945, p. 41) Festa para os olhos Chama a atenção de quem assiste a um casamento cigano o que talvez seja uma de suas principais características: a profusão de elementos visuais. Tratamos assim de aproveitar o momento e registrá-lo no quanto pudemos. As fotos aqui apresentadas foram realizadas por Fernando de Tacca, participante da exploração fílmica dos dois casamentos realizados, São


Paulo e Campinas, no ano de 1993. O estudo sobre os ciganos e as informações e reflexões aqui partilhadas constituem parte de uma dissertação de mestrado, concluída no Curso de Mestrado em Multimeios, Instituto de Artes, Unicamp, em 1995. O que se segue são algumas breves descrições sobre uma festa de casamento cigana, e o que ela nos parece revelar sobre o que nos atraiu mais intensamente, o foco, na câmera fotográfica e em nossas reflexões – a importância e o significado do papel desempenhado pela mulher cigana para a preservação simbólica do seu grupo e sua etnia. Embora o texto seja certamente útil para a melhor compreensão de parte do resultado do nosso trabalho, acreditamos que são as fotografias aqui expostas que comunicam melhor a combinação de exuberância e de mistério de que parece ser constituída a cultura cigana, e sem sua riqueza e beleza algo fundamental teria faltado ao nosso trabalho. O casamento Algumas particularidades distinguem e dão a um casamento cigano o seu caráter específico. A festa de casamento é prevista para durar de dois a vários dias, reunindo ciganos de todas as partes do país, e mesmo do exterior, pois os convites são dirigidos aos membros da comunidade em geral. As despesas das festas de noivado e de casamento, incluindo sua organização e o vestido de noiva, são de responsabilidade da família do noivo. Os preparativos do banquete de casamento ocorrem na residência dos pais dos noivos. Num esforço comunitário, com a participação dos parentes mais próximos do noivo – homens e mulheres envolvidos – são preparados os pratos típicos da festa. No dia do casamento na igreja, antes de todos partirem para a cerimônia, ocorre uma seqüência de eventos, agora na casa da noiva. Esta já está pronta, vestida de branco, quando chega a família do noivo, dançando ao som de músicas ciganas. Na sala de jantar, onde já está disposta a mesa com diversas comidas e bebidas, os homens se sentam. De um lado da mesa, a família do noivo. Do outro, a da noiva. A conversa acontece em romani, as mulheres permanecem à volta. É simulada uma negociação – a compra ritual da noiva. Moedas de ouro trocam de mãos. Em seguida, abrem uma garrafa de bebida, envolvida em um pano vermelho bordado, que os homens à mesa bebem – a proska . Surge então a noiva, vestida de branco, pronta para a Igreja. Mais música e agora a noiva dança com o padrinho, ainda na sala de jantar/estar. Em seguida, todos saem para se dirigirem à igreja; a noiva em uma limusine. O cortejo com as famílias seguindo, e apenas o noivo não estava presente, pois aguarda na igreja. Lá, a cerimônia é convencional, exceto pelos trajes dos convidados e padrinhos vestidos com as tradicionais roupas ciganas, e a profusão de jóias. Apenas algumas dezenas de convidados compareceram à cerimônia religiosa, considerada mais íntima. O momento seguinte do casamento ocorre num clube alugado para a ocasião e onde um conjunto garante a animação musical da festa. Desde o início, danças em círculo e uma bandeira vermelha com o nome dos noivos. Os convidados vão chegando aos poucos, juntando-se às danças, enquanto duas grandes mesas, ao longo das paredes, são arrumadas. No banquete, homens e mulheres ficarão separados, em lados opostos. À medida que cresce o número de pessoas, aumenta, de certa forma, a confusão: a solenidade das mesas contrasta com os colchões espalhados nos cantos do salão, onde dormem crianças. A festa vai chegando


ao fim quando a noiva deixa o salão de festas, juntamente com a família do noivo, à qual passa a pertencer. Entre a festa do primeiro dia e a que ocorrerá no dia seguinte, há a noite de núpcias do casal. O segundo dia A festa começa novamente no dia seguinte, agora na casa dos pais do noivo, onde o casal passa a residir. O banquete continua – agora para um número menor de convidados. No lugar do branco do dia anterior, o vermelho se sobressai na festa – nos cravos, usados pelos convidados, na decoração, na bandeira, nas roupas da noiva. Esta, à entrada da casa, recebe cada convidado, junto a uma bacia com água de onde tira cravos vermelhos, para oferecerlhes. Em troca, recebe notas de dinheiro, geralmente de pequeno valor. Santana registra este momento, em outro casamento estudado: “A continuação da festa de casamento, depois do primeiro dia, será toda voltada para a noiva, que é agora, uma mulher casada. Sempre acompanhada do marido, ela deixa o semblante triste que a acompanhou até este momento. Todos a procuram para receber dela uma flor vermelha e crianças, jovens e velhos lhe retribuem com dinheiro. Isso significa que a cumprimentam por seu novo status na sociedade, alcançado segundo a tradição dos ciganos.” (Santana , p.112) Mulher cigana A observação e registro do casamento cigano nos conduziu a algumas reflexões sobre o lugar e o papel desempenhado pela mulher cigana no interior de sua cultura, de fundamentos notoriamente patriarcais. Em um aparente paradoxo, tudo se passa como se a cerimônia de casamento constituísse não uma festa dos noivos, mas mais precisamente da noiva cigana. Esta parece ser o centro em torno do qual todos os gestos e rituais se dirigem, enquanto ao noivo, observa-se, parece estar reservado um papel secundário, como simples coadjuvante. A partir dessas observações, e de outras realizadas em outros momentos da pesquisa, o que testemunhamos parece ultrapassar a simples celebração de um casamento, mas aponta para a celebração do que representa a mulher na cultura cigana. A noiva, mais do que ela mesma – jovem que se casa – representaria a mulher cigana, encarnando portanto, simbolicamente, todas as mulheres, e seu papel de guardiãs da tradição, cultura e identidade do grupo. Isto pode ser melhor compreendido se colocarmos em oposição algumas das atribuições referentes aos papéis que homens e mulheres desempenham no interior da cultura cigana. Tomemos como exemplo, no ritual de casamento, o momento da compra da noiva, quando um aspecto importante da cultura cigana é reafirmado. Mesmo eventualmente sendo apenas simbólica, a cerimônia significa que o poder de formar as famílias – o casamento arranjado – é uma atribuição dos pais e, mais precisamente, dos homens. Cabe aos jovens submeterem-se a eles. O casamento acontece sob o signo da autoridade dos pais, da tradição, e apresenta o poder masculino da decisão, em contraponto ao poder feminino que será celebrado a partir de então. A notar que a compra da noiva é um negócio, atribuição normal e cotidiana dos homens. Sabemos que, entre os ciganos, na maioria das vezes, é o homem o responsável principal pelo sustento da família – em atividades de comércio, artesanato ou indústria. Isso significa que a ele cabe o contato, ao nível da atividade econômica, com a sociedade dominante, pois os grupos ciganos não são auto-sustentáveis. Ao exercerem o seu trabalho, não lhes é


conveniente apresentar-se como ciganos, devido aos preconceitos que freqüentemente envolvem sua imagem – sabemos de vários ciganos que ocultam sua condição étnica: enquanto participam da sociedade cigana, não admitem aparecer publicamente para os nãociganos como tal. Seria uma atitude de defesa, para não se sujeitar aos temores e desconfianças dos não-ciganos. O homem cigano teria, portanto, o papel de, com relação à sociedade dominante, apresentarse ao nível de relações concretas, materiais, assegurando a subsistência da família. Com relação à própria comunidade, ocupa o lugar tradicional de uma sociedade patriarcal – representa a autoridade, a decisão: é, de muitas forma, o senhor dos destinos, ao qual a mulher deve se submeter. À mulher, por sua vez, cabe o papel de se relacionar simbolicamente com as sociedades dominantes, carregando no próprio corpo a imagem que afirma e garante a sobrevivência do grupo, não mais no nível estritamente material: ela é sempre a cigana, identificada como tal, que aparece como a senhora da magia e dos mistérios, marcas da cultura a que pertence. Em seu próprio corpo carrega os principais valores e expectativas do grupo: virgindade/fertilidade, fidelidade às tradições. Seu papel, que será exaltado na festa de casamento, tem duas dimensões: assume a responsabilidade tanto pela reprodução física do grupo como por sua reprodução simbólica. Observamos então que a festa de casamento em si apresenta-se como a celebração da mulher, dessa vez expressa no corpo não de todas as mulheres, mas daquela que as simboliza – a noiva. Do branco usado na igreja ao vermelho do segundo dia do casamento, a transformação que ocorre significa a trajetória que deve ser aquela de todas as mulheres ciganas. A tradição do branco ao vermelho significa o fim da virgindade e o início das responsabilidades de mulher, através da modificação operada no seu próprio corpo: hímen rompido ao qual corresponderão as camisas rasgadas no segundo dia; e através das marcas que carregará na mente: os rituais em torno desse acontecimento – a espera e a exibição do sangue. A cor vermelha, a mesma que significa o sangue do fim da virgindade, é a cor, segundo as próprias ciganas, “essencialmente cigana”. Significa “alegria, virgindade, fertilidade, sorte – tudo de bom”. É a cor presente em todo o segundo dia do casamento –vestes da noiva, flores, bandeira, decoração – quando a menina se tornou oficialmente portadora da identidade cigana. Isto já a espera há muito tempo. A broska, com a qual as famílias celebram o noivado e o casamento de seus filhos, já vem envolta num pano vermelho, que a noiva usará ao assumir sua condição de cigana (e que será o seu primeiro lenço de casada). José Carlos Rodrigues nos chama a atenção para a necessidade de se estudar a maneira pela qual cada sociedade força os seus indivíduos a fazerem determinados usos de seus corpos. A forma ostensiva como os ciganos, e em especial as ciganas, parecem se esforçar em significar com seus corpos torna oportuna as suas reflexões sobre o lugar que o corpo ocupa nas sociedades: “….é a sociedade em sua globalidade, e cada fragmento social em particular que decidem o ideal intelectual, afetivo, moral ou físico que a educação deve implementar nos indivíduos a socializar, e, tanto quanto no espírito, uma sociedade não pode sobreviver sem fixar no físico de suas crianças algumas similitudes essenciais que as identifiquem e possibilitem a comunicação entre elas…. Ao realizar este trabalho, a Cultura dita normas em relação ao corpo; normas a que o indivíduo tenderá, à custa de castigos e recompensas, a se conformar,


até o ponto de estes padrões de comportamento se lhe apresentarem como tão naturais quanto o desenvolvimento dos seres vivos, a sucessão das estações ou o movimento do nascer e do pôr-do-sol”. (RODRIGUES, 1975. P.45) Referências bibliográficas GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. Petrópolis : Vozes, 1985. RODRIGUES, José Carlos. O tabu do corpo. Rio de Janeiro: Achiamé, 1975. SANTANA, Maria de Lourdes B. Os ciganos : aspectos da organização social de um grupo cigano em Campinas. São Paulo : USP, 1972. Para saber mais sobre os ciganos: MARTINEZ, Nicole. Os ciganos. Campinas: Papirus. 1989. MORAES FILHO, Mello. Os ciganos do Brazil. Rio de Janeiro : B.L. Garnier Ed., 1886. PEREIRA, Cristina da Costa. Povo cigano. Rio de Janeiro: Ed. MEC, 1985.


O Povo Cigano

Os ciganos são um povo nômade amante da música, das cores alegres e da magia, que foi expulso por invasores árabes há quase 3 mil anos da região noroeste da Índia, onde hoje é o Paquistão. Depois de vagar pelas Terras do Oriente, os ciganos invadiram o Ocidente e espalharam-se por todo o mundo. Essa invasão foi uma das únicas na história da humanidade que foi feita sem guerras, dor ou derramamento de sangue. Trata-se de uma invasão cultural e espiritual e ao contrário do que muitos pensam, o Povo Cigano é que foi perseguido, julgado e expulso ao longo do seu pacífico caminhar. O que não se sabe ainda é se esses eternos viajantes pertenciam a uma casta inferior dentro da hierarquia indiana (os parias) ou de uma casta aristocrática e militar, os orgulhosos (rajputs). Independente de qual fosse seu status, a partir do êxodo pelo Oriente, os ciganos se dedicaram com exclusividade a atividades itinerantes: como ferreiros, domadores, criadores e vendedores de cavalo, saltimbancos, comerciantes de miudeza e o melhor de suas qualidades que era a arte divinatória. Viajavam sempre em grandes carroças coloridas e criaram nomes poéticos para si mesmos. São mais de 15 milhões de ciganos em diferentes pontos da Europa, Ásia, África, América, Austrália e Nova Zelândia. Quase sempre os ciganos eram bem recebidos nos países onde chegavam. Os chefes das tribos apresentavam-se de forma pomposa, como príncipes, duques e condes (títulos, aliás inexistentes entre os ciganos). Diziam-se peregrinos cristãos vindos do Egito e, assim obtinham licença das autoridades locais para se instalarem. Na Moldávia e na Valáquia (atual Romênia), os ciganos foram escravizados durante trezentos


anos; na Albânia e na Grécia pagavam impostos mais altos. Na Alemanha, crianças ciganas eram tiradas dos pais com a desculpa de que “iriam estudar”, enquanto a Polônia, a Dinamarca e a Áustria puniam com severidade quem os acolhesse. Nos países baixos inúmeros ciganos foram condenados à forca e seus filhos obrigados a assistir à execução dos pais para que assim aprendessem a “lição de moral”. Apenas no país de Gales eles tiveram espaço para manter parte das suas tradições e a língua. Na região de Andaluzia (Espanha), encontraram facilidades e estabeleceram-se. Mesmo assim, durante a inquisição católica, vários deles foram expulsos pelos tribunais do Santo Ofício. Rotulados injustamente como ladrões, feiticeiros e vagabundos, os ciganos tornaram-se um espelho onde os homens das grandes cidades e de pequenos corações expiaram suas raivas, frustrações e sonhos de liberdade destruídos. Pacientemente, este povo diferenciado, continuou sua marcha e até hoje seus estigmas não sararam. O homem moderno ainda não aprendeu a viver e deixar viver. Diferente continua sendo o sinônimo de inimigo. Mas a “alma cigana” perfuma o lugar por onde passa. O Povo Cigano é guardião da LIBERDADE. A vida é uma grande estrada, a alma é uma pequena carroça e a Divindade é o Carroceiro. Com valores muito diferente dos nossos, os ciganos estão longe de querer o poder e não fazem a mínima questão de ascender na escala social. Os “golpes” que aplicam nos “gadjé” (nome dado aos não ciganos) são mais um meio de provar sua superioridade do que um jeito de enriquecer fácil. É também em nome dessa superioridade (cujas raízes estão em lendas como a de que os ciganos seriam filhos da primeira mulher de Adão, Lilith, e, portanto, livres do pecado original) que eles não aceitam de modo algum ser empregados dos “gadjé” e apegam-se a antigas profissões artesanais que caracterizam suas tribos e são ensinadas desde cedo às crianças. A família é a base da organização social dos ciganos, não havendo hierarquia rígida no interior dos grupos. O comando normalmente é exercido pelo homem mais capaz, uma vez que os ciganos respeitam acima de tudo a inteligência. Este homem é o Kaku e representa a tribo na Krisromani, uma espécie de tribunal cigano formado pelos membros mais respeitados de cada comunidade, com a função de punir quem transgride, a rígida ética cigana. A figura feminina tem sua importância e é comum haver lideranças femininas como as phury-day (matriarca) e as bibi (tias-conselheiras), lembrando que nenhum cigano deixa de consultar as avós, mães e tias para resolver problemas importantes por meio da leitura da sorte. O misticismo e a religiosidade, fazem parte de todos os hábitos da vida cigana. A maior parte deles acredita em um único deus (Dou-la ou Bel) em eterna luta contra o demônio (Deng). Normalmente, assimilam as religiões do lugar onde se encontram, mas jamais deixam de lado o culto aos antepassados, o temor dos maus-olhados, a crença na reencarnação e na força do destino (baji), contra a qual não adianta lutar. Quase todos são devotos de “Santa Sara”, que é reverenciada nos dias 24 e 25 de maio, em procissões que lotam Lês Saints Maries de La Mer, em Camargue, no Sul da França. A sexualidade é outro ponto importante entre os ciganos. E, ao contrário do que se imagina, eles têm uma moral bastante conservadora. Alguns mitos antigos falam da existência das mães-de-tribo, que tinham um marido e um “acariciador”. Outros falam das gavalies de la noille, as misteriosas noivas do fim de noite, com quem os kakus se encontravam uma única vez, passando desde então, a ter poderes especiais. Mas o certo mesmo é que os ciganos se casam cedo, quase sempre seguindo acordos firmados entre as duas famílias. Não recebem nenhum tipo de iniciação sexual e ter filhos é a principal função do sexo. Descobrir os seios em público é comum e natural, mas nenhuma mulher pode mostrar as pernas, pois da cintura para


baixo todas são merimé (impuras). Vem daí a imposição das saias compridas e rodadas para as mulheres, que também são proibidas de cortar os cabelos, e nunca sentam à mesma mesa que os homens. Ironicamente, como praticantes da magia e das artes divinatórias, são elas que cada vez mais assumem o controle econômico da família, pois a leitura da sorte é a principal fonte de renda para a maioria das tribos. O resultado é uma situação contraditória, em que o homem manda, mas é a mulher quem sustenta o grupo. A CULTURA A cultura dos ciganos, representada por um conjunto de tradições e crenças, está em fase de constante mudança e, em alguns casos, está se desagregando de maneira irreversível perante a hegemonia da cultura da sociedade sedentária. Existem algumas mudanças que permitem prever um caminho em direção a uma tomada de consciência difundida entre Rom, Sintos e Gitanos. No plano social e político, no decorrer dos últimos anos, foi-se delineando um amadurecimento, que resultou no surgimento de formas associativas e de movimentos de âmbito internacional. Na metade dos anos 60, aconteceu a fundação da União Internacional Romaní, seguida pelo surgimento de numerosas Organizações Ciganas, que apareceram no decorrer dos últimos 30 anos defendendo a causa da minoria cigana e tutelando sua cultura. Algumas delas contam com a participação conjunta de ciganos e gadjê, outras são geridas exclusivamente por membros das diversas comunidades ciganas. Os ciganos viveram e vivem diante de uma realidade complexa e às vezes difícil de decifrar. Em meio a situações de desagregação social e à perda de identidade, surgem sinais contrapostos de esperança e de renovação que testemunham uma rebelião contra um destino amargo. A defesa do direito à diferença; uma diferença que, no caso dos ciganos, pode conter aspectos que para muitos são difíceis de entender e de compartilhar. É preciso ter consciência de que tais formas de “desvio social” não são peculiares à cultura romaní, mas frequentemente, são consequência da secular rejeição oposta a eles pelas sociedades circunstantes. Os ciganos constituem talvez o último desafio a um modelo de vida voltada à especulação e ao cimento: o futuro deles depende da boa vontade dos povos vizinhos. Eles continuarão a existir na medida em que a sociedade dos gadjê (não ciganos) não ficar indiferente às suas ansiedades, a seus problemas e às suas aspirações. A LEITURA DAS MÃOS As linhas das mãos, tem grande importância, a saber: Por toda energia que conduzem e alimentam Por elas correm chaves que desvendam o futuro, o presente e o passado São expressões mutáveis Revela o comportamento e personalidade do indivíduo São quatro as linhas principais: do destino, da vida, da cabeça e do coração Quando uma linha é forte, bem marcada e com poucas divisões e sinais, significa que a energia que por ali corre e normal e repleta de vitalidade Quando a linha é fraca e com outras demais difusas, significa que a energia é lenta e com vários obstáculos em questão. LINHA DA VIDA Passa informações sobre nossa saúde e também sobre o modo como lutamos pelo sucesso. Normal: Quando seu traçado é bem definido e regular, caracteriza pessoa equilibrada e


saudável. Interrompida: Quando há falhas no seu traçado, indica problemas de saúde ou mudanças radicais na vida. Em cadeia: Quando o traçado lembra os elos de uma corrente, indica grande inteligência e saúde frágil. Ramificada: Quando a linha é cortada por traços ascendentes, voltados na direção dos dedos, promessa de riqueza e felicidade. Quando os tracinhos são descendentes, voltados para o pulso, possibilidade de desgostos e sacrifícios. Dupla: Identifica pessoas com capacidade de se recuperar das doenças e de agir com segurança nas situações difíceis. LINHA DA CABEÇA Representa inteligência, criatividade e capacidade de concentração. Longa: Quando se estende até o pulso, indica pessoa calma, inteligente e responsável. Curta: Quando não chega até o pulso é porque a pessoa é dispersiva e um pouco limitada intelectualmente. Em cadeia: Quando seu traçado lembra os elos de uma corrente, indica pessoa nervosa, que pode ter problemas de saúde derivados de pressão alta. Ramificada: Se ela é cortada por traços ascendentes que se voltam na direção dos dedos, indica bons pensamentos e capacidade de tomar decisões acertadas. Se os traços são descendentes, voltados para o pulso, indicam possibilidade de remorso por decisões tomadas sem reflexão. Chegando até o Monte da Lua: Define pessoas com tendência ao alcoolismo e outros vícios e a práticas esotéricas não recomendáveis, como a magia negra. LINHA DO CORAÇÃO Reflete as nossas tendências emocionais e afetivas. Normal: Quando seu traçado é regular e bem definido, revela pessoa generosa, simpática, cordial e amorosa. Grossa: Pessoa ciumenta e aventureira. Quanto mais destacado for o seu traçado, maior o indício de que ela se deixa levar mais pela emoção do que pela razão. Fina: Identifica aquelas pessoas que, quando estão apaixonadas, se entregam totalmente, esquecendo até as regras morais. Em cadeia: Quando seu traçado lembra os elos de uma corrente, é sinal de vida amorosa complicada. Ramificada: Se essa linha é cortada por pequenos traços ascendentes, que sobem em direção aos dedos, é sinal de pessoa de temperamento alegre e sempre disposta a ajudar os outros. Os tracinhos descendentes, que seguem em direção ao pulso, são sinais de inimizades e obstáculos à realização amorosa. LINHA DO DESTINO Refere-se à vida profissional as alegrias e dificuldades que poderemos encontrar no trabalho e nossas chances de sucesso social. Linha dos filhos: Indica a capacidade que a pessoa tem de gerar filhos. Se for apenas uma linha, é porque, provavelmente, ela sé terá um filho. Se forem duas, é porque ela poderá ter dois filhos. Se forem três, três filhos, e assim por diante. Linha da intuição: Indica grande capacidade de perceber e seguir o que dita a intuição. Linha das viagens: Se o seu traçado for curto, é porque, possivelmente, a pessoa só fará uma viagem importante. Se for longa, indica a possibilidade de viagens constantes. Linha lasciva: Sinal de pessoa leal e sincera, desejosa de ajudar os mais necessitados.


Normal: Quando ela tem traçado bem definido, promete uma vida profissional sem grandes problemas ou turbulências. Interrompida: Quando seu traçado não é contínuo, indica possibilidade de mudanças súbitas de profissão ou de situação financeira. Ramificada: Quando ela é cortada por traços ascendentes, que apontam na direção dos dedos, anuncia sucesso profissional. Quando esses traços são descendentes, apontando para o pulso, anunciam problemas no trabalho. Começando junto à Linha da Vida ou dentro do Monte de Vênus: – Mostra interferência da família ou dos filhos nos rumos da vida profissional. Começando no Monte da Lua: Indica possibilidade de sucesso em atividades religiosas, políticas e artísticas e ainda chances de grande projeção social. LINHA SOLAR Pode não aparecer em todas as mãos, porque indica características muito especiais, relacionadas ao talento e qualidades artísticas. Reta e bem definida: Indica que a pessoa terá sucesso no ramo artístico. Curta: Para que a pessoa tenha sucesso na área artística, terá de lutar muito. Possivelmente não receberá ajuda de ninguém e tudo o que conseguir virá pelo esforço próprio. Ramificada: Quando ela é cortada por traços ascendentes, que apontam na direção dos dedos, é sinal de grande sucesso artístico. Quando os traços são descendentes, apontando para o pulso, indicam sucesso apenas regular. Começando no Monte de Vênus: Indica que a pessoa já nasceu com talento para as artes ou que pode ser ajudada pela família nessa área. Começando acima da Linha da Cabeça: Indica que o sucesso nas atividades artísticas vai demorar para chegar. LINHA MERCURIANA Também chamada de Linha da Intuição ou linha da inteligência, refere-se à inteligência, aos dons intuitivos ou à mediunidade. Pode também dar indicações sobre nossa saúde e vida social. Longa: Prenúncio de vida saudável e dons para o comércio e para as atividades científicas. Curta: É um alerta para a necessidade de cuidar bem da saúde, porque o organismo apresenta alguns pontos fracos. Em cadeia: Quando seu traçado lembra os elos de uma corrente, sugere que a pessoa está sujeita a passar por problemas afetivos e deve, por isso, evitar situações de confronto e conflito. Seguindo até o Monte da Lua: Quem tem essa linha na palma da mão possui muita imaginação e talento para a poesia. Usa sua inspiração para se orientar nos negócios e quase nunca erra, o que lhe garante uma boa situação financeira. Seguindo até entre as Linhas do Coração e da Cabeça: Significa que a pessoa tem boa saúde, mas terá de superar muitos obstáculos na vida e trabalhar bastante se quiser progredir. SANTA SARAH Protetora do Povo Cigano O mistério envolve o povo cigano como o ar que ele respira. Da Lua Cheia, retira a magia; da dança e da música, toda a alegria; da natureza, a força e a energia. E para Santa Sarah, ele volta sua fé, seus pedidos e seus agradecimentos.


Saiba tudo sobre essa santa, as muitas lendas em torno da sua vida, do seu poder e uma oração para invocá-la, antes de ler as cartas e também nos momentos difíceis. O inicio de sua Adoração Para desvendar um pouco do mistério que acompanha Santa Sarah e descobrir porque ela é tão venerada pelos ciganos, é preciso voltar ao tempo, na Idade Média, particularmente na Europa. A religiosidade faz parte da vida dos ciganos, desde o nascimento até a morte, e para poderem cultuar seus santos sem serem vítimas dos preconceitos dos não-ciganos é que eles costumavam se converter à religião dominante do local em que se estabeleciam. Então, os grupos que foram para a Europa se declararam católicos e se ligaram a Santa Sarah que tinha origens misteriosas e a pele morena, como eles. História Ou Lenda ? Dessa aura de mistério que pairava na imagem de sarah surgiram várias versões para o seu aparecimento. Ela é considerada uma santa católica, mas não passou pelos processos de canonização desta igreja. Também se liga a uma forte tradição européia medieval, o culto às virgens negras. Muitas santidades femininas, representadas por estátuas negras, foram adoradas durante toda a Idade Média. E muitos católicos transformavam as igrejas em santuários de peregrinação. Uma das lendas diz que sara era uma escrava egípcia de uma das três Marias, Madalena, Jacobé ou Salomé; e junto com José de Arimatéia, Trófimo e Lázaro foi colocada, pelos judeus, em uma barca sem remos e alimentos. Talvez por um milagre, ou por obra do destino, eles chegaram a salvo a uma praia próxima a Saintes Maries de La Mer, em Camargue , região do sul da França. Outra versão conta que Sarah era moradora de Camargue e teve piedade das Marias, resolvendo ajudá-las. Também dizem que ela era uma rainha das terras de Camargue ou uma sacerdotisa do antigo culto celta ao deus Mitra. Uma das explicações para estas lendas é que em Camargue existiram várias colônias de antigas civilizações, como a egípcia , a cretense, a fenícia e a grega. Por isso, muitos poetas e menestréis contaram a lenda de Sarah, de acordo com o que ouviram de seu povo, e assim, o mito em torno dessa poderosa santa foi difundido pelo mundo e ela continua, até hoje, a ser adorada entre as comunidades ciganas. ORAÇÃO À SANTA SARAH: ” Estrela azul de D’arma, pelos sagrados símbolos do triângulo e da cruz, eu ( diga seu nome ), nascido(a) no dia ( data de seu nascimento ), regido(a) e protegido(a) por ( planeta regente e anjo da guarda ), peço ao Povo Cigano, ( mentalizar a energia que o(a) acompanha, apenas o cigano ou cigana ), que traga para mim ( pedidos em número impar ), em nome de Santa Sarah e do Mestre dos mestres, Jesus o Cristo. Que assim seja para todo o sempre.” Amem. SUNTÔ MARIÔNÊ ( Ave Maria Cigana ): “Suntô Mariônê, pérdô san andô svêtô ô Del tu sai. Uusi san angla sá e juvliá uusôi ô fruktô kai arakádilas tutar Jesus. Suntô Mariônê Del leski dei rudissar paala amarrê becerra akaanak ai kana méérassa. Amém”


ROMANÊS O IDIOMA DO POVO CIGANO: O Romanês, um idioma muito diferente do português e exclusivo deste povo, é um vocabulário que se originou pela mistura de muitos outros, resultado de suas andanças pelo mundo. É impossível vinculá-lo a um único idioma ou etnia. Conheça algumas palavras e sua tradução: PEQUENO DICIONÁRIO ROMANÊS: Acans: olhos Aruvinhar: chorar Bales: cabelos Baque: sorte, fortuna, felicidade Bato: pai Brichindin: chuva Cabén: comida Cabipe: mentira Cadéns: dinheiro Calin: cigana Calon: cigano Churdar: roubar Dai (ou Bata): mãe Dirachin: noite Duvêl: Deus, Nosso Senhor, Cristo Estardar: prender Gadjó: não cigano Gajão: brasileiro, senhor Gajin: brasileira, senhora Jalar: ir embora Kachardin: triste Kambulin: amor Lon: sal Marrão: pão Mirinhorôn: viúva Naçualão: doente Nazar: flor Paguicerdar: pagar Panin: água Paxivalin: donzela Querdapanin: português Quiraz: queijo Raty: sangue Remedicinar: casar Ron: homem Runin: mulher Sunacai: ouro Suvinhar: dormir Tiráques: sapatos Trup: corpo Urai: imperador ou rei Urdar: vestir


Vázes: dedos ou mão Xacas: ervas Xinbire: aguardente Xôres: barbas AGENDA CIGANA: As datas mais importantes para os ciganos são: • NATAL • PÁSCOA • DIA DE SANTA SARA, 24 de maio • SEMANA SANTA • DIA DO CIGANO, 12 de outubro COMO OS CIGANOS SÃO CONHECIDOS PELO MUNDO: GITANOS: na Espanha GYPSIES: na Inglaterra BOÊMIOS: na Alemanha ZÍNGAROS: na Itália ROM: na Europa Oriental O Baralho Cigano O Baralho Cigano foi elaborado pelos ciganos com base no oráculo mais conhecido e difundido no mundo: o Tarô. Supõe-se que os ciganos até chegaram a usar as 78 lâminas do Tarô, porém, sentiram a necessidade de terem um oráculo próprio e resolveram adaptar as 78 lâminas em 36, surgindo assim, o Baralho Cigano. Acredito que a necessidade de se ter um oráculo próprio veio da natureza dos ciganos, que só usavam o que era deles e recusavam tudo o que fosse dos “Gadjos” (não-ciganos), pois não queriam ficar presos às idéias e símbolos que não pertenciam à sua cultura e cotidiano. Sendo assim, eles transformaram os desenhos, mudaram os significados do tarô original e puderam trabalhar com um instrumento próprio. Encontramos, basicamente, no Baralho Cigano símbolos que falam só da vida ao ar livre, a natureza, rios, árvores, animais, que são sempre retratados porque fazem parte do dia a dia dos ciganos. Na maioria das cenas retratadas nas lâminas, vemos a necessidade que esse povo tem de liberdade e da vida em constante contato com a natureza. Faz parte da tradição cigana a prática da adivinhação pelas mulheres, porém, elas possuem dois tipos de cartas: uma para o uso restrito ao grupo cigano, e outro para fazer adivinhação à comunidade. A Origem do Povo Cigano ..:: A origem indiana dos ciganos é hoje admitida por todos os estudiosos. População indoeuropéia, mais especialmente indo-iraniana: não há dúvidas quanto ao que diz respeito à língua e à cultura. Os indianistas modernos, no entanto, têm tendência a não considerá-lo um grupo homogêneo, mas um povo viajante muito antigo, composto de elementos diversos, alguns dos quais poderiam vir do sudeste da Índia. A maior parte dos indianistas, porém, fixa a pátria dos ciganos no noroeste da Índia. A maioria, igualmente, os ligam à casta dos párias. Isso em parte por causa de seu aspecto miserável, que não se deve a séculos de perseguição, pois foi descrito bem antes da era das perseguições.


Também por causa dos empregos subalternos e das profissões geralmente desprezadas na Índia contemporânea pelos indianos que lhes parecem estreitamente aparentados. Um dos nomes mais freqüentemente dados aos ciganos era o de Egypcios. Por que esse nome, por que os títulos de duque ou conde do Pequeno Egito adotados com freqüência pelos chefes ciganos? Uma crônica de Constâncio menciona os “Ziginer”, que visitam, em 1438, a cidade de uma ilha “não distante do Pequeno Egito”. Um dos principais centros na costa do Peloponeso encontrava-se ao pé do monte Gype, conhecido pelo nome de Pequeno Egito. Pode-se perguntar por que o local era chamado de Pequeno Egito. Não seria justamente por causa da presença dos Egypcios? O certo é que não pode se tratar do Egito africano. O itinerário das primeiras migrações ciganas não passa pela África do Norte. O geógrafo Bellon, ao visitar o vale do Nilo no século XVI, encontra, diz ele, pessoas designadas de Egypcios na Europa, pessoas que no próprio Egito eram consideradas estrangeiras e recém-chegadas. Nenhum argumento histórico ou lingüístico permite confirmar a hipótese de algum êxodo dos ciganos do Egito, ao longo da costa africana para ganhar, pelo sul, a península ibérica. Ao contrário, os ciganos chegaram à Espanha pelo norte, depois de terem atravessado toda a Europa. O cigano designa a si próprio como Rom, pelo menos na Europa (Lom, na Armênia; Dom, na Pérsia; Dom ou Dum, Síria) ou então como Manuche. Todos esses vocábulos são de origem indiana (manuche, ou manus, deriva diretamente do sânscrito) e significam “homem”, principalmente homem livre. “Rom” e “Manuche” se aplicam a dois dos principais grupos ciganos da Europa Ocidental. Uma designação logrou êxito, a de uma antiga seita herética vinda da Ásia Menor à Grécia, os Tsinganos, dos quais subsistia – quando da chegada dos ciganos à terra bizantina – a fama de mágicos e adivinhos. Os gregos diziam Gyphtoï ou Aigyptiaki; os albaneses, Evgité. Depois que partiram das terra gregas, ficou-lhes esse nome, sob diversas formas. O nome Égyptien era de uso corrente na França do séc. XV ao XVII. Em espanhol, Egiptanos, Egitanos, posteriormente Gitanos (de onde surgiu Gitans em francês); às vezes em português Egypcios; em inglês Egypcians ou Egypcions, Egypsies, posteriormente Gypsies; em neerlandês, Egyptenaren, Gipten ou Jippenessen. LÍNGUA A língua cigana (o romani) é uma língua da família indo-européia. Pelo vocabulário e pela gramática, está ligada ao sânscrito. Fazendo parte do grupo de línguas neo-indianas, é estreitamente aparentada a línguas vivas tais como o hindi, o goujrathi, o marathe, o cachemiri. No entanto, eles assimilariam muitos vocábulos das línguas dos países por onde passaram. RELIGIÃO Os ciganos, ao deixarem a Índia, não carregaram suas divindades. Eles possuíam na sua língua apenas uma palavra para designar Deus (Del, Devel). Eles se adaptaram facilmente às religiões dos países onde permaneceram. No mundo bizantino, tornaram-se cristãos. Já no início do século XIV, em Creta, praticavam o rito grego. Nos países conquistados pelos turcos, muitos ciganos permaneceram cristãos enquanto que outros renderam-se ao Islã. Desde suas primeiras migrações em direção ao Oeste eles diziam ser cristãos e se conduziam como peregrinos.


A peregrinação mais citada em nossos dias, quando nos referimos aos ciganos, é a de SaintesMaries-de-la-Mer, na região da Camargue (sul da França). Antigamente era chamada de Notres-Dames-de-la-Mer. Mas não foi provado que, sob o Antigo Regime, os ciganos tenham tomado parte na grande peregrinação cristã de 24 e 25 de maio, tão popular desde a descoberta no tempo do rei René, das relíquias de Santa Maria Jacobé e de Santa Maria Salomé, que surgiram milagrosamente em uma praia vizinha. Nem que já venerassem a serva das santas Marias, Santa Sara a Egípcia, que eles anexarão mais tarde como sua compatriota e padroeira. A origem do culto de Santa Sara permanece um mistério e foi provavelmente na primeira metade do século XIX que os Boêmios criaram o hábito da grande peregrinação anual à Camargue. ::.. Os Costumes do Povo Cigano ..:: Os ciganos não representam um povo compacto e homogêneo, mesmo pertencendo a uma única etnia, existe a hipótese de que a migração desde a Índia tenha sido fracionada no tempo, e que desde a origem fossem divididos em grupos e subgrupos, falando dialetos diferentes. As diferenças no tipo de vida, a forte vocação ao nomadismo de alguns, contra a tendência à sedentarização de outros gera uma série de contrastes que não se limitam a uma simples incapacidade de conviver pacificamente. Em linhas gerais, os Sintos são menos conservadores e tendem a esquecer com maior rapidez a cultura dos pais. Talvez este fato não seja recente, mas de qualquer modo é atribuído às condições socioculturais nas quais por longo tempo viveram. Quanto aos Rom de imigração mais recente, se nota ao invés uma maior tendência à conservação das tradições, da língua e dos costumes próprios dos diversos subgrupos. Sua origem desde países essencialmente agrícolas e ainda industrialmente atrasados (leste europeu) favoreceu certamente a conservação de modos de vida mais consoantes à sua origem. Não é possível, também em razão da variedade constituída pela presença conjunta de vários grupos, fornecer uma explicação detalhada das diversas tradições. Alguns aspectos principais, ligados aos momentos mais importantes da existência, merecem ser descritos, ao menos em linhas gerais. Antigamente era muito respeitado o período da gravidez e o tempo sucessivo ao nascimento do herdeiro; havia o conceito da impureza coligada ao nascimento, com várias proibições para a parturiente. Hoje a situação não é mais tão rígida; o aleitamento dura muito tempo, às vezes se prolongando por alguns anos. No casamento tende-se a escolher o cônjuge dentro do próprio grupo ou subgrupo, com notáveis vantagens econômicas. Um cigano pode casar-se com uma gadjí, isto é, uma mulher não cigana, a qual deverá porém submeter-se às regras e às tradições ciganas. A importância do dote é fundamental especialmente para os Rom; no grupo dos Sintos se tende a realizar o casamento através da fuga e conseqüente regularização. Aos filhos é dada uma grande liberdade, mesmo porque logo deverão contribuir com o sustento da família e com o cuidado dos menores.


No que se refere à morte, o luto pelo desaparecimento de um companheiro dura em geral muito tempo. Junto aos Sintos parece prevalecer o costume de queimar-se a kampína (o trailer) e os objetos pertencentes ao defunto. Entre os ritos fúnebres praticados pelos Rom está a pomána, banquete fúnebre no qual se celebra o aniversário da morte de uma pessoa. A abundância do alimento e das bebidas exprimem o desejo de paz e felicidade para o defunto. NASCIMENTO Uma criança sempre é bem vinda entre os ciganos. É claro que sua preferência é para os filhos homens, para dar continuidade ao nome da família. A mulher cigana é considerada impura durante os quarenta dias de resguardo após o parto. Logo que uma criança nasce, uma pessoa mais velha, ou da família, prepara um pão feito em casa, semelhante a uma hóstia e um vinho para oferecer ás três fadas do destino, que visitarão a criança no terceiro dia, para designar sua sorte. Esse pão e vinho será repartido no dia seguinte com todos as pessoas presentes, principalmente com as crianças. Da mesma forma e com a finalidade de espantar os maus espíritos, a criança recebe um patuá assinalado com uma cruz bordada ou desenhada contendo incenso. O batismo pode ser feito por qualquer pessoa do grupo e consiste em dar o nome e benzer a criança com água, sal e um galho verde. O batismo na igreja não é obrigatório, embora a maioria opte pelo batismo católico. CASAMENTO Desde pequenas, as meninas ciganas costumam ser prometidas em casamento. Os acertos normalmente são feitos pelos pais dos noivos, que decidem unir suas famílias. O casamento é uma das tradições mais preservadas entre os ciganos, representa a continuidade da raça, por isso o casamento com os não ciganos não é permitido em hipótese alguma. Quando isso acontece a pessoa é excluída do grupo. É pelo casamento que os ciganos entram no mundo dos adultos. Os noivos não podem Ter nenhum tipo de intimidade antes do casamento. Quando o casamento acontece, durante três dias e três noites, os noivos ficam separados dando atenção aos convidados, somente na terceira noite é que podem ficar pela primeira vez a sós. Mesmo assim, a grande maioria dos ciganos no Brasil, ainda exigem a virgindade da noiva. A noiva deve comprovar a virgindade através da mancha de sangue do lençol que é mostrada a todos no dia seguinte. Caso a noiva não seja virgem, ela pode ser devolvida para os pais e esses terão que pagar uma indenização para os pais do noivo. No caso da noiva ser virgem, na manhã seguinte do casamento ela se veste com uma roupa tradicional colorida e um lenço na cabeça, simbolizando que é uma mulher casada. Durante a festa de casamento, os convidados homens, sentam ao redor de uma mesa no chão e com um pão grande sem miolo, recebem dos os presentes dos noivos em dinheiro ou em ouro. Estes são colocados dentro do pão ao mesmo tempo em que os noivos são abençoados. Em troca recebem lenços e flores artificiais para a mulheres. Geralmente a noiva é paga aos pais em moedas de ouro, a quantidade é definida pelo pai da noiva. MÚSICA E DANÇA


Quando os ciganos deixaram o Egito e a Índia, eles passaram pela Pérsia, Turquia, Armênia, chegando até a Grécia, onde permaneceram por vários séculos antes de se espalharem pelo resto da Europa. A influência trazida do oriente é muito forte na música e na dança cigana. A música e a dança cigana possuem influência hindu, húngaro, russo, árabe e espanhol. Mas a maior influência na música e na dança cigana dos últimos séculos é sem dúvida espanhola, refletida no ritmo dos ciganos espanhóis que criaram um novo estilo baseado no flamenco. Alguns grupos de ciganos no Brasil conservam a tradicional música e dança cigana húngara, um reflexo da música do leste europeu com toda influência do violino, que é o mais tradicional símbolo da música cigana. Liszt e Beethoven buscaram na música cigana inspiração para muitas de suas obras. Tanto a música como a dança cigana sempre exerceram fascínio sobre grandes compositores, pintores e cineastas. Há exemplos na literatura, na poesia e na música de Bizet, Manuel de Falla e Carlos Saura que mostram nas suas obras muito do mistério que envolve a arte, a cultura e a trajetória desse povo. No Brasil, a música mais tocada e dançada pelos ciganos é a música Kaldarash, própria para dançar com acompanhamento de ritmo das mãos e dos pés e sons emitidos sem significação para efeito de acompanhamento. Essa música é repetida várias vezes enquanto as moças ciganas dançam. MORTE Os ciganos acreditam na vida após a morte e seguem todos os rituais para aliviar a dor de seus antepassados que partiram. Costumam colocar no caixão da pessoa morta uma moeda para que ela possa pagar o canoeiro a travessia do grande rio que separa a vida da morte. Antigamente costumava-se enterrar as pessoas com bens de maior valor, mas devido ao grande número de violação de túmulos este costume teve que ser mudado. Os ciganos não encomendam missa para seus entes queridos, mas oferecem uma cerimônia com água, flores, frutas e suas comidas prediletas, onde esperam que a alma da pessoa falecida compartilhe a cerimônia e se liberte gradativamente das coisas da Terra. As cerimônias fúnebres são chamadas “Pomana” e são feitas periodicamente até completar um ano de morte. Os ciganos costumam fazer oferendas aos seus antepassados também nos túmulos.


Poema Cigano

Cigano meu cigano fogoso e dengoso… Como é bom ser levada em teus braços… De brasa ser atiçada, queimada por teu fogo… Morder tua boca, beijar, alisar teus traços…. Cigano de olhar tristonho e febril.. Vulto adorado nas noites de insônia… Teus carinhos lembram a cachoeira… Debruçada… sobre a bela begônia… Cigano meu, misto de deus e duende, Mistério que não acaba e me prende… É teu meu pensamento, meu corpo… Sou feliz assim, cativa… dessa corrente… De ti respiro… bebo vida… energia… Me perco e me encontro em teu corpo. Na dança sutil exalando perfume, paixão. Vinte é quatro horas de amor… é pouco!


Cigano meu, quente, de peito macio… Quero beber o prazer na tua taça… Rodopiar, girar, bailar no teu arrepio… Dar continuidade à nossa bela raça!… Vem cigano meu, me abraça, me caça! Sou tua para sempre, de graça!…


Preconceitos Contra os Ciganos

(Gravura Maria do Carmo)

Lourivaldo Perez Baçan É fácil entender, dessa forma, todo o processo de formação desses preconceitos contra os ciganos. Em sua maioria, as pessoas imaginam que, em função do nomadismo e do sentido de liberdade, os ciganos tenham costumes dissolutos, que podem chocar as pessoas de costumes mais rígidos. Nada existe de mais falso em relação a esse povo, onde a mulher é extremamente pudica e tradicional. Para exemplificar melhor ainda, basta verificar que a prostituição é


praticamente inexistente entre os ciganos. O adultério é condenado e execrado e a virtude é sempre exaltada. Os valores morais mantêm-se rígidos e cultivados como um aspecto cultural próprio desse povo. Outro aspecto típico dos ciganos que é mal interpretado pelos gadjos refere-se à maneira como vestem, embora isso seja muito diversificado entre os ciganos. Nos Estados Unidos, são chamados de Povo que se Veste de Vermelho, dada à predileção das tribos daquele país por essa cor. Alguns ciganos não se importam de se vestir com andrajos, sem, no entanto, dispensar os enfeites comuns e vistosos, próprios de sua tradição. Sentem-se à vontade dessa forma e pouca importância dão a uma roupa nova. Quando, no entanto, trata-se de uma cerimônia tradicional ou de uma grande festa, jamais abrem mão de seus trajes completos, cheios de cores, com enfeites, principalmente as mulheres. Usarão, nessas ocasiões, lenços coloridos nos cabelos, coletes ricamente bordados e enfeitados com pedrarias. As saias e as blusas serão sempre em tecidos brilhantes, esbanjando cores mas formando um conjunto harmonioso que dá ao grupo reunido o aspecto de um campo florido. Jamais dispensarão suas jóias, sejam de ouro ou apenas bijuterias, pois o objetivo é apenas enfeitar-se e não demonstrar riqueza ou aparentar ostentação, no que se diferenciam dos demais povos, que vê no luxo e na demonstração de riqueza quase que uma necessidade social. Para o cigano, acumular riquezas é algo impensável, pois isso fatalmente acabaria por fixá-lo ou prendê-lo a um lugar, coisa que abomina, em seu desejo de liberdade e movimentação contínua. Quanto à falta de higiene de quem são acusados os ciganos, trata-se também de outra falsidade ou má interpretação. Nas estradas, quando há água, o cigano mantém-se limpo. Sua falta, no entanto, não o impede de seguir em frente. Ele apenas convive com o problema passageiro. As críticas, no entanto, tentem normalmente a mascarar uma outra realidade, a dos sedentários miseráveis, sem condições de saneamento básico e de moradia digna, que abundam por todo o planeta. Cada país têm seus problemas nessa área e deveria ater-se a solucioná-los. As populações do mundo sempre acharam conveniente desviar a atenção de seus problemas reais, concentrando-se em subterfúgios com que tentam aplacar suas consciências pesadas. Durante a Inquisição ou mesmo na Segunda Guerra mundial, o genocídio de ciganos foi aceito porque pintava-se sobre eles e suas crenças um quadro negro, destinado justamente a provocar a ira daqueles que, passivamente, assistiam a tudo aquilo. Suas consciências ficavam preservadas com as mentiras e falsidades levantadas. Naquele tempo, como agora, o objetivo dos preconceitos sempre foi o mesmo: desviar a atenção das pessoas dos reais problemas de sua sociedade sedentária, acusando gratuitamente uma cultura que não aceitam apenas porque não conseguem ou não querem entender.


A Origem do Preconceito Já afirmamos que os valores defendidos pelos ciganos são totalmente diferentes daqueles defendidos pelos demais povos, ou gadjos, o que provoca um natural conflito entre as duas culturas. Os gadjos vivem em função do passado e do futuro. Cultivam o que se foi e preparam-se para o futuro, amealhando bens e riquezas, planejando os dias que ainda virão, numa visão idealista de que o futuro poderá ser melhor, como se pudessem construí-lo. A fatalidade é algo muito forte entre os ciganos. Cultivar o passado só se justifica enquanto maneira de manter usos, costumes e preservar valores. Preparar-se para o futuro significa abrir mão de viver o presente e o cigano tem por lema que a vida se vive apenas no presente. O futuro é incerto. A morte repentina, a que todos estão sujeitos, pode jogar por terra todo um futuro brilhante e pacientemente construído. Ao fazer isso, o indivíduo não viveu seus dias. Preparou-se para um futuro que jamais chegará. Para os ciganos, a velhice é uma conseqüência de se ter vivido um dia após o outro, aproveitando-os ao máximo. Por esse motivo, o dinheiro, para os ciganos, tem um valor enquanto atende suas necessidades imediatas. É um instrumento para chegar ao que precisa para viver seu dia a dia. Ele não deseja bens ou riquezas, porque, como já se disse, significariam o fim de sua liberdade. Nesse aspecto, diferenciam enormemente dos gadjos, que vivem em função do dinheiro. Observar os ciganos, em sua vida simples e alegre, preocupados apenas com o sustento daquele dia e não dos próximos, é algo que não é digerido pelos gadjos, que não entendem que alguém possa viver sem ser escravizado pelo vil metal. Um dos hábitos dos ciganos que muito incomoda os gadjos, principalmente no interior, quando da passagem de uma caravana, é o fato dos viajantes apanharem frutas ou caçarem animais para sua refeição. Para os fazendeiros, isso é chamado roubo. Para os ciganos, isso é apenas aceitar o que a natureza oferece ao homem. Os frutos e os animais são, de direito, daqueles que deles têm necessidade. Essa lógica simples para os ciganos não é aceita e, mas combatida e hostilizada. Isso chega ao cúmulo de, antecipando-se à passagem de uma caravana cigana, fazendeiros mandarem pulverizar com veneno as plantações para que os ciganos delas não pudessem fazer isso. Como um povo livre, o cigano encara tudo com praticidade, ao mesmo tempo que se interessa pelas coisas práticas. Um exemplo disso é a maneira como hoje está se disseminando entre eles o uso de trailers para viagens. Neles encontram todo o conforto necessário, podendo, inclusive, deslocar-se com maior rapidez e vencer distâncias que, antes, eram impossíveis com seus velhos e coloridos carroções. Com isso, perde-se uma longa tradição de conhecimentos e prática no trato e no treinamento de animais, atividade em que sempre se distinguiram. Nos encontros que promovem ainda, em determinados locais do mundo, as velhas carroças cedem lugar gradativamente aos modernos veículos motorizados, sendo postas à venda.


Com isso, um importante aspecto da arte e da cultura cigana, onde se retratava com habilidade e beleza a delicadeza e a imaginação de seus decoradores, está em processo de extinção. Os modernos trailers recebem pintura especial e cores tradicionais, mas não permitem a expressão de todo o talento artístico de um entalhe feito na madeira ou no metal, aplicado ao antigo meio de locomoção. Segue-se uma praxe dos ciganos, de viverem o presente do modo mais prático possível, assimilando com naturalidade as características de seu tempo e das culturas dos povos por onde passam. Reflete também uma outra característica do espírito cigano: a da versatilidade. Se vendiam cavalos antigamente, porque deles se utilizavam, conhecendo-os profundamente, com certeza passarão a comercializar veículos motorizados. Sua inteligência privilegiada lhe dá meios de passar de uma para outra atividade com absoluta Uma característica comum a todos os ciganos é sua natural inclinação para tudo que é fantástico ou maravilhoso. A origem disso remonta a suas origens, na antiga Índia, de onde trouxeram conhecimentos astrológicos que se completaram na Pérsia e no Egito. Em suas andanças, incorporaram toda sorte de crenças, não se fixando a uma religião determinada, mas assimilando ingredientes de todas elas. Foram associados as lendas dos lobisomens da Alemanha medieval, os morcegoshumanos que habitavam os Montes Cárpatos, as bruxas que agiam no interior da Inglaterra e da França, os montadores de bode, que agiam nos Países Baixos, os invocadores do demônio da Floresta Negra, os druidas da Grã-Bretanha, os fantasmas dos velhos castelos da Escócia, monstros fantásticos como os do Lago Ness e toda sorte de entes, duendes, gnomos e outros que povoam a imaginação das diferentes culturas por onde passaram. Em todas as narrativas desses acontecimentos fantásticos, principalmente naqueles ocorridos durante o período mais negro da Inquisição, vamos encontrar relatos de grupos de ciganos perseguidos e mortos, acusados da prática de uma dessas lendas. Em fins do século XVII, com o domínio turco da Europa Oriental, conta-se que um grupo de ciganos fugiu para os países do ocidente da Europa, espalhando o terror. Pertenciam a uma seita até hoje não devidamente esclarecida, chamada de Montadores de Bodes. Caracterizavam-se pelo terror que espalhavam, praticando os crimes mais hediondos, principalmente contra jovens virgens e crianças recém-nascidas. Segundo a lenda, eram acompanhados de demônios, que se encarregavam de arrebanhar as almas das vítimas desses ataques sangüinários e cruéis. Muitos ciganos foram presos, torturados e condenados à forca e à fogueira por esses crimes, já que, além de assassinos e de terem pacto com o demônio, aqueles ciganos, segundo seus acusadores, abjuravam Jesus Cristo e a religião. As informações contidas nos processos que foram lavrados na época detalham, inclusive, a maneira como esses bandos eram constituídos e até como um novo membro passava a fazer parte, num ritual de iniciação verdadeiramente escabroso. Além de quebrar uma imagem de Cristo e de urinar e cuspir sobre ela, ingeriam hóstias consagradas com vinho e sangue de virgens e crianças.


Além disso, comiam uma espécie de bolo, feito de carne humana, sangue, vísceras de Para se locomoverem, montavam em bodes, que os levavam a qualquer parte, para cometerem suas atrocidades. Vale dizer que todos esses relatos foram feitos por testemunhas que não precisavam se identificar e que a confirmação era arrancada através de métodos abomináveis de tortura. O que ocorreu, na realidade, é que, coincidindo com a fuga de ciganos do domínio turco, bandidos e desertores de toda sorte invadiram igualmente a Europa Ocidental, roubando, estuprando e matando, praticando toda sorte de crimes possíveis. Se já não viam com bons olhos os ciganos, ligá-los a essas fantasias foi algo muito fácil para os religiosos da época. As lendas que contam e em que acreditam não foram necessariamente vividas por eles, mas naturalmente assimiladas quando de sua movimentação pelos países onde elas se originaram. Retirado do Livro: Ciganos, os filhos do vento – Lourivaldo Perez Baçan


QUADROS


Cigana Helena


Cigana do Cais


Cigana Lemiza Lemoรก


Cigana do Jarro


Cigana Sarita


Cigana dos Ventos


Ciganinha do CabarĂŠ


– Cigana Margarita


Cigana Zaira do Oriente (novo)


Cigana Ametista (novo)


Cigana da Estrada (novo)


Cigana Dandara


Cigana Mel


– Cigana Sarita Espanhola (novo)


– Cigano Wladimir


Significados das Cartas do Baralho Cigano

O Baralho Cigano foi elaborado pelos ciganos com base no oráculo mais conhecido e difundido no mundo: o Tarô. Supõe-se que os ciganos até chegaram a usar as 78 lâminas do Tarô, porém, sentiram a necessidade de terem um oráculo próprio e resolveram adaptar as 78 lâminas em 36, surgindo assim, o Baralho Cigano. Acredito que a necessidade de se ter um oráculo próprio veio da natureza dos ciganos, que só usavam o que era deles e recusavam tudo o que fosse dos “Gadjos” (não-ciganos), pois não queriam ficar presos às idéias e símbolos que não pertenciam à sua cultura e cotidiano. Sendo


assim, eles transformaram os desenhos, mudaram os significados do tarô original e puderam trabalhar com um instrumento próprio. Encontramos, basicamente, no Baralho Cigano símbolos que falam só da vida ao ar livre, a natureza, rios, árvores, animais, que são sempre retratados porque fazem parte do dia a dia dos ciganos. Na maioria das cenas retratadas nas lâminas, vemos a necessidade que esse povo tem de liberdade e da vida em constante contato com a natureza. Faz parte da tradição cigana a prática da adivinhação pelas mulheres, porém, elas possuem dois tipos de cartas: uma para o uso restrito ao grupo cigano, e outro para fazer adivinhação à comunidade. O Mensageiro Realização, concretização de um projeto, recado, carta, aviso de boas notícias. Ou mesmo o aparecimento de alguém trazendo boas notícias. Em geral a carta simboliza notícias, mas se a carta sair perto de uma ou mais cartas negativas, avisa que as notícias não são boas. Carta Positiva Os Obstáculos Indica situações confusas ou de conflito. Mostra obstáculos no caminho. Caso esta carta saia perto de uma carta positiva, sinal de que o obstáculo não é tão forte. Carta Negativa O Mar Representa mudanças para melhor. Significa boa saúde e viagem. Esta carta é revolucionária, mostra mudança positiva a curto prazo. Possibilidade de aumento de salário ou promoções. Carta Positiva O Equilíbrio Representa a harmonia interior, traz boas novas em assuntos familiares. Reuniões de algum modo religiosas, do tipo batizado, casamento, etc. Indica também a possibilidade de mudança de endereço ou de emprego. Carta Positiva A Árvore Representa a família, aproximação de alguém que se encontra distante, notícias de entes queridos que se encontram afastados. Significa também compartilhar momentos agradáveis junto dos familiares, bem como da pessoa amada. Na parte amorosa indica boas intenções. Carta Positiva Os Ventos Significa mente confusa, turbulência nos pensamentos. Avisa para tomar cuidado em tirar conclusões precipitadas. Cuidado com fofocas, principalmente com suas palavras. Carta negativa


O Arco-Íris Representa briga, desarmonia, confusão. Pessoas de má fé ou mal-intencionadas. Alerta para não confiar demais. Carta negativa As Perdas Final de um ciclo, mudança radical, doença, tragédia. Tristeza, dor, pânico, notícias de mau agouro. Significa perda em todos os aspectos. Carta negativa A Chuva Sentimentos verdadeiros, nascimento de relacionamento. Calma, paz, tranqüilidade, possibilidade de gravidez. Bons presságios, boas novas. Emprego novo, ajustes financeiros. Carta Positiva As Transformações Uma foice ceifando o trigo representa a destruição do tempo, a morte. É a perda dolorosa no momento certo, o perigo, a transformação e o desprendimento. Traz ruptura e separação. Carta Negativa. A Magia Magia, transmutação positiva, resultado mudado por rumo de magia. Sedução, carisma, transição material, positivismo, amizade sincera. Benfeitorias espirituais, carmas realizados, paz interior. Carta Positiva As Alegrias Romantismo, namoro, paquera, afetividade sincera. Esta carta resume o sentimento apaixonado, tanto pela vida como pelo momento de viver. Início de namoro, ou firmamento de compromisso afetivo. Carta Positiva A Criança Aprendizado, vivenciando novas experiências. Sinceridade, realidade, sabedoria, momentos felizes. Carta Positiva As Armadilhas Cuidado com pessoas falsas, com armações. Mantenha-se atento a tudo e a todos a sua volta. Cuidado no trabalho. Carta Negativa As Falsidades


Representa o amigo “urso”, aquele que nos é íntimo e que usa deste contato para nos atrapalhar a vida. Olho gordo, mau pressagio, inveja, injúria, simboliza todas as pessoas negativas que estão a nossa volta. Carta Negativa A Sorte Esperança em todos os aspectos, alegria e realizações. Representa um presente ou uma surpresa agradável. Renovação de sentimentos. Esta carta tem o poder de alterar a vibração de cartas negativas. Carta Positiva As Novidades Representa oportunidades boas que irão surgir. Significa segurança, início de um novo caminho. Ressalta o fato de que devemos viver um dia de cada vez. Carta Positiva O Aliado Representa confiança, amizade sincera, carinho, afeto. Protetor, pode ser material ou espiritual, equilíbrio, harmonia. Favorece tranqüilidade nos relacionamentos. Carta Positiva A Espiritualidade Significa as coisas que fazem parte do nosso Eu. Proteção do plano maior, mudanças positivas. Alerta para que não percamos tempo tentando obter resposta no mundo material. Carta Positiva As Ervas Representa resultado positivo em tudo que depender de nossa vontade. Vida Longa, e um alerta especial “Tudo que plantamos em nosso jardim será colhido”. Carta Positiva As Pedras Justiça absoluta, independente de quaisquer interesses individuais. A Justiça divina permanece sempre. Papéis importantes, documentos ou procurações. Carta Positiva Os Caminhos Mudança de caminho, nosso caminho, nossa estrada. Significa também encontros românticos, passeios e viagem curta. Sedução, paixão momentânea. Carta Positiva Os Desgastes


Significa, perda (em todos os aspectos). Alerta, cuidado com roubo. Traz sempre chateações e influências espirituais negativas. Carta Negativa Os Sentimentos Significa a explosão dos sentimentos. Amor eterno, emoções profundas, emoções em alta. Amor verdadeiro, traz revelação de um amor puro. Carta Positiva As Alianças Simboliza um noivado ou casamento, ou até mesmo duas idéias que se unem para concretizar algum objetivo. Significa também união profissional (algum tipo de sociedade). Carta Positiva Os Livros Significa conhecimento, estudo, inteligência, sabedoria. Local de estudo, concretização de idéias. Contato com médico ou advogado (Assinatura de papéis importantes, ou resolução de processos judiciários). Carta Positiva O aviso Significa o momento presente. Quando esta carta sai irradia uma energia sobre as cartas a sua volta. Representa cuidado, fique atento, observe melhor a sua volta. Carta Positiva O Cigano Representa a figura masculina, pode ser pai, filho, marido, chefe, companheiro, amigo, paquera…. e até mesmo o companheiro ideal. Serve pra mostrar o que acontece ao seu redor, uma coisa que afeta você diretamente. Significa também alma gêmea, amor completo.. Carta Positiva A Cigana Representa a figura feminina, pode ser mãe, filha, esposa, patroa, amiga, paquera…e até mesmo a companheira ideal. Serve pra mostrar o que acontece ao seu redor, uma coisa que afeta você diretamente. Significa também alma gêmea, amor completo (energia Positiva). Carta Positiva Os Rios Representa Paz, de natureza muito profunda. Viagem inesperada. Alguém chegando de viagem, ou viagem de negócios. Esta carta traz muita energia positiva;


traz também gravidez. Carta Positiva O Sol Reencontro de antigos afetos.. Expansão de negócios, criatividade em alta. Traz luz própria e tem o poder de anular cartas negativas a seu redor. Carta Positiva As Honrarias Energia magnética muito poderosa. Influência do plano astral. Traz com ela o reconhecimento, vitória, valor reconhecido. Compensação de todos os esforços. Carta Positiva As Soluções Energia Positiva, resoluções de dúvidas. Alerta para nos empenharmos em resolver problemas. Ressalta, sobretudo, que não adianta chorar pelo leite derramado. Recomenda precaução. Carta Positiva A Matéria Conquistas materiais; bom desempenho profissional. Recebimento de herança, ou ganho de dinheiro em jogos. Representa também dinheiro. Carta Positiva A Segurança Segurança material e financeira. Na figura, vemos uma âncora, amarrada numa corda, transmitindo-nos idéias de algo sólido, firme, seguro, estável. Representa confiança, crença e fé. Significa viagem segura. Carta Positiva As Vitórias Simboliza a vitória em todos os sentidos, não importando os obstáculos que estejam em seu caminho. A cruz é poder. Perto da carta que representa você, é sinal de vitória e proteção em todos os setores; longe, indica que energias negativas estão tentando influenciar sua vida. Carta Positiva.


USOS E COSTUMES DOS CIGANOS

Ao longo do tempo, após sua chegada à Europa, os ciganos foram acusados de toda espécie de crime pelas populações sedentárias, que não entendiam como um povo poderia viver com tanta liberdade, sem apego a uma terra determinada. Além disso, da admiração inicial, fomentada, principalmente pelos líderes religiosos, iniciando-se pelo Arcebispo de Paris, quem primeiro ligou os ciganos à bruxaria, os ciganos passaram a ser vistos como verdadeiros inimigos da fé cristã, que contra eles lançou um processo sistemático de perseguição e destruição. As lendas que ligam os ciganos aos sofrimentos da Sagrada Família, da morte das crianças em Belém, da traição de Judas e do roubo do quarto cravo foram criadas com o fim específico de jogar contra esse povo a ira cristã, já que essas lendas não resistem à mais superficial análise histórica, tratada com a seriedade com que foi elaborada a pesquisa lingüística que determinou a origem desse povo. Assim, além dessas lendas infames e destinadas a desacreditar os ciganos, outras acusações foram sendo acrescentadas. Bruxaria, feitiçaria, canibalismo e outras barbaridades foram atribuídas aos ciganos, enquanto eram sistemática e metodicamente perseguidos. Esse comportamento ainda hoje persiste. Os ciganos ainda são relacionados a tudo de ruim que possa acontecer numa comunidade e sua chegada muitas vezes é motivo de reações até violentas da parte de cidadãos menos esclarecidos. Associam-nos ainda a roubos, desastres naturais, como ventanias e tempestades, além de toda sorte de trapaças e falsificações.


Na raiz de tudo isso encontra-se o fato inegável de que ciganos e gadjos têm modos diferentes de encarar a vida. A ignorância é a principal causa desse tratamento dispensado pelos sedentários aos ciganos, pois não conseguem compreender esse estilo de vida. Retirado do Livro: Ciganos, os filhos do vento – Lourivaldo Perez Baçan


CIGANA DA ESTRADA


Sou filha do Céu e da Terra; irmã da Água e do Ar. Sou o fogo na Floresta e a branca espuma no Mar. Sou a Loba; sou a Selva; sou a carícia da Relva; e a Carroça atrelada. Sou a beira e o caminho; sou um pássaro sem ninho e do galho mais fraquinho, todos me escutam cantar! Sou a menina do Dia e a amante louca da Noite; sou o alívio e o açoite, e a carne esfacelada. Sou a abelha rainha, venha provar do meu mel, pois dentro do meu casulo, Você estará no céu! Se quer que lhe deixe louco entre um beijo e uma dentada, me chame de tudo um pouco, mas o meu nome é Sttrada ! Na sombra, eu sou Vaga-lume; na luz, eu sou Mariposa; sou o inseto que pousa e a lâmpada que é apagada. Nasci para passar o Tempo e ficar um tempo parada, mesmo que a vida insista, em me deixar estafada, vou seguindo, sempre em frente, pois topo qualquer jogada, todos sabem que existo, pois o meu nome é Sttrada ! Realizo a caminhada; sem precisar me cansar; percorro vários caminhos; importante é o Caminhar. Estou aqui, ali e acolá; o que não posso é parar. Sou casada com o poder de sempre ser encontrada, aceito qualquer roteiro, me chamam de caminheiro, mas o meu nome é Sttrada ! Sou a primeira e a última, de todas as desgraçadas. Honrada ou desprezada; vil ou simplesmente sagrada; sou o som e o silêncio; sou o choro e a risada. Sou a eterna abundância; pois sempre dou importância, para a semente lançada, num solo de doce fragrância, pois o meu nome é Sttrada ! Sou o Rei e a Rainha; sou o súdito e o reinado; sou a Coroa e a Forca, o Algoz e o Enforcado. Uso a máscara da Vida, mas me confundem com a Morte. Sou o Azar e a Sorte, e, aquela que foi dispensada. Sou a bandeira da Paz mas me trocam pela Guerra, na tirania da Terra, me vejo desapontada, porém, quem me ama não erra, pois o meu nome é Sttrada ! Saindo de um turbilhão; alçando a torre encantada; me vejo como uma estrela, de Lua e Sol enfeitada.


Com certeza amanhã, estarei acompanhada, do Anjo que é puro élan, de uma mulher coroada. Sou a roca, sou o fio, sou tecelã afamada, na teia eu desafio quem faça a melhor laçada, pois entre a chama e o pavio, eu tramo a trama esperada, mesmo que seja apenas, por uma curta jornada. Me coloque em sua vida, como uma moça querida, que precisa ser amada; em troca posso lhe dar, o bem maior deste mundo numa bandeja dourada. Me traga no coração prá me deixar encantada. Não me esqueça e me honre com sua gentil chamada, grite bem alto o meu nome ! Me chame, me chame, eu sou a sua “cigana estrada” !

Helena Rêgo/Cigana Sttrada (do Clã Calom)


CIGANA DALILA E CIGANO MICHEL

O CASAL CIGANO DALILA Dalila….era uma bela cigana. Prometida a Michel desde o nascimento. Viveu e morreu por ele. Conhecedora das cartas e do futuro. Não conseguiu prever o seu próprio destino. Amada por todos e por Mauro, irmão de Michel . Dalila não aceitava seu amor e viu a morte de Mauro nas cartas. Prometida a Michel , o perdeu no dia do casamento O jovem cigano foi ferido mortalmente vitima de uma tocaia de seus desafetos.. Porém…perto do fim.. .Michel e Dalila uniram o sangue e encontraram-se na espiritualidade MICHEL Homem de muitas mulheres, Michel perdeu a vida pelos seus deslizes. O preferido do pai…era invejado pelos irmãos. Estava escrito nas cartas, Que não era de Mauro o irmão mais velho, o reino dos ciganos…


Duvidaram, mas estava escrito Enfim o jovem Michel…esqueceu as mulheres e as noitadas E tornou-se um verdadeiro cigano, após a morte do irmão mais velho Que ele lutara para salvar. Mas morrera em seus braços Porém…pouco tempo teve ele para reinar… Seu passado o perseguiu e a morte o encontrou. Porém ele pode dizer a cigana que seu desejo era viver com ela para sempre E assim fazem eles, vindo ao terreiro unidos pelo amor e pela fé. Amigos, sou suspeito para falar dessas duas entidades de luz, mas só quem viu pode afirmar a pureza desta incorporação. Eles chegam de mãos dadas, atendem seus filhos e partem como vieram, de mãos dadas. Que Santa Sara continue iluminando o casal cigano Psicografado pela medium Patricia Cavazzana da Silva


CIGANA DO EGITO – FLOR DE LÓTUS


“Conheço CIGANA FLÔR DE LOTUS, cujo seu nome verdadeiro, não me acho no direito de revelar, no entanto, posso dizer a você, que em todas as suas Incorporações, usa em seu braço esquerdo, uma pulseira e um bracelete de ouro. Veste-se com roupas de teciransparentes, túnicas e saias separadamente, de pouco falar de muito exigir. Reza a sua Lenda, que foi abandonada por sua mãe, e que viveu até os seus 16 anos de idade, como escrava de um Faraó. Desencarnou com uma doença grave de pulmão, hoje conhecidamente como Tuberculose. Quanto aos seus restos mortais, o que impressionou, foi o fato, de que apesar de ser sepultada como simples escrava, seus olhos e seu útero, permaneciam intactos. É a Cigana que cura os problemas de visão, e dá fertilidade as mulheres estéreis. Viveu na era Antes de Cristo. Fato que faz com que ela tenha alguma rejeição em relação ao Cristianismo. Quem descobre o Segredo da FLÔR DE LOTUS, descobre a Chave da Plenitude da Vida Eterna. Descobrir o Segredo da FLÔR DE LOTUS é antes de tudo, não ter medo do que terá que enfrentar. A FLÔR DE LOTUS é a certeza que precisamos de tudo e de todos para existirmos, ou seja, por mais que pareçamos independentes, só existimos porque as coisas em nossa volta existem. Algumas vezes sozinho, mas nunca solitários. Outras vezes triste, mas nunca deprimidos.” Eis o PONTO Tantas vezes quis Tantas vezes pedi De nada adiantou Precisei olhar para cima Acreditarem mim E eu sorri para o sol Para a lua Bem disse a chuva Bem disse aos ventos Areias escaldantes Queimaram meus pés E assim aprendi Que sou filha do tempo, do Faraó, de Alá, de Jeová… E assim aprendi A Vida é minha mãe Mas é a Morte Que me consola e me ampara Quando minha mãe se despede… Estar vivo é a grande certeza de que o Universo conspira a nosso favor!


CIGANA ROSA MARIA

A Rosamaria, é sensível, se apresenta ligada às artes e à beleza, e uma de suas especialidades é trabalhar com aromas. Já tem o nome de flor (Rosa) porque adora perfumes e aprecia a beleza e a harmonia. A responsabilidade de Rosamaria é levar até Luciana as informações referentes ao plano espiritual para que ela possa sempre manter seu elo com o cosmos sem se deixar levar pela vaidade ou ganância, uma vez que dotada de qualidades para pensar só em si mesma, ela possa em alguns momentos, se trancar em si mesma e esquecer de praticar a caridade ao próximo. Podemos então deduzir que, os mentores são espíritos responsáveis pelo equilíbrio energético de cada um, por isso uma pessoa pode ter só um, outro terá vários, porque de acordo com cada ponto a ser tratado, muitas vezes será necessário espíritos com perfis diferentes e especializados em cada situação para ajudar a pessoa a conseguir trilhar sua evolução. E claro, desde que, com a anuência divina (seu pedido sempre é atendido por Deus).


CIGANA CARMEM

É uma cigana encantadora que gosta de festa, música, dança e muitos sorrisos. Trabalha juntamente com todas as forças da natureza, principalmente as do fogo, pois atua com as Salamandras. Utiliza estrelas de cinco e seis pontas que represerespectivamente a magia e o amor. Também utiliza a simbologia de uma espiral que é uma forma da antiga escrita voltada para a magia, cura espiritual e física, e a promessa de proteção contínua para a médium e os que a rodeiam. Há muito tempo não reencarna aqui, mas também faz parte da grande missão de outros seres terrenos e de diversos tipos de entidades. Tomou a identidade de cigana por ter sido a última em que passou por aqui, e foi preciso haver uma adaptação dela para chegar mais próxima das pessoas deste mundo, e assim atingir mais as massas, podendo assim se expressar e atender aos pedidos das pessoas, trabalhando com os seus sentimentos. Seu trabalho é feito da seguinte forma: desperta nas pessoas o poder que elas mesmas possuem em realizar coisas boas. A entidade é uma mensageira de amor, e uma representante do elo de ligações entre tantos mundos. Nada mais faz do que pedidos a entidades superiores, a respeito dos suplícios dos consulentes, e estes recebem a graça pelo seu próprio merecimento. O seu trabalho mais importante é o despertar das pessoas para a espiritualidade e para a humildade, que para ela, caminham juntas. Por isso escolheu a Umbanda, e em especial este templo, onde isto é tratado com bastante cuidado e responsabilidade. A espiritualidade uniu estas pessoas propositadamente, é claro também, tantos outros grupos espalhados por todo o planeta.


Quando passou por aqui foi uma ciganinha bastante bem humorada, e desde cedo foi iniciada em magia por uma cigana mais velha. Chamavam-na de feiticeira da tribo. Fez muitas coisas boas, e coisas ruins também, pois trabalhavam com a cura e com interesses próprios, tais como o ouro. Desencarnou ainda jovem; não se casou, porém já estava prometida a um cigano bem mais velho. Se revoltou com isto, pois havia se apaixonado por um homem de fora da tribo, e com isto a deixaram de lado por um bom tempo. Deveria casar-se aos 14 anos, mas tinha que esperar o tal cigano passar por alguns rituais. Foi aí que aproveitou. Mesmo sendo deixada de lado, vivia sempre feliz e sorridente e encontravase com o tal homem de uma tribo bastante diferente da dela. Começou a aprender com ele a magia dos índios e da natureza, e quando sua tribo descobriu, fizeram uma grande festa para ela. Convidaram toda a tribo indígena e o seu futuro marido matou os dois no meio de toda a tribo, amarrados a uma árvore, com o seu punhal em seus corações. Foi escolhida esta morte para servir de exemplo a outras ciganas. Mas, desencarnou feliz ao lado da pessoa que amava e com sua personalidade fortalecida. Material de Trabalho: Bola de Cristal, Pêndulos, muitas pedras, incensos, velas coloridas, entre outros. Locais de Entrega: Em campos embaixo de uma árvore. Bebe: Vinho tinto Fuma: Cigarros de preferência os que contém cravo.


CIGANA CARMENCITA

Carmencita é uma cigana espanhola, da Andaluzia. Usa roupas coloridas, sem preferência de cor. Não dispensa os colares, os anéis e as pulseiras. Suas argolas são sempre de ouro. Adora tocar castanholas, principalmente quandça ao redor da fogueira. Ela não dispensa um pandeiro com fitas finas e coloridas. Todas as pessoas que têm esta cigana em sua aura jogam cartas e patacas; têm também um cristal de malaquita, que Carmencita não dispensa para suas magias. Suas oferendas são sempre feitas aos sábados, até as 10 horas da manhã e com o Sol iluminando o planeta Terra. Nunca coloque oferendas para Carmencita em um dia nublado.


CIGANA CRISTAL

A respeito da Cristal- sabemos que é uma grande Falange desta Cigana a quem trato de Eliana, é uma Cigana menina, que desencarnou por conta de uma grave infecção generalizada, desde cedo. A partir dos nove anos de idade, Cristal tinha vidências e previa o futuro, muitas vezes desastrosas das pessoas que a cercavam. Até os vinte e dois anos de idade, viveu o tormento dessa Mediunidade, morando e vivendo em vários lugares. Considerando seu apreço à beira mar e as àguas dos rios. Seus Médiuns geralmente são pessoas sencinveis, medrosas e sujestionadas. Quem carrega a Cigana Cristal, deve se preocupar em trabalhar a alta estima, pois são muito influenciada, pela opinião de quem as cercam. Quanto ao seu Clã, Ela mesmo não se permite falar. Daí Ela canta assim: Foi numa noite de lua Noite de lua cheia Ele seduziu a mulher E a mulher a Ele se entregou Antes que a lua se deitasse no horizonte Antes que o dia amanhecesse Iniciaram a minha existência Mas como não se amavam Me fizeram Sou filha da paixão E vivo a paixão


Sem perfume vêm do mato, das ervas que seduzem. Sua cor preferida é o rosa, suas jóias sempre prateadas ou de ouro branco, com pedras de topázio. Amados, estou falando da Cristal, que conheço, não querendo dizer com isso, que conheço todos os Espíritos da Falange da Cigana Cristal.


CIGANA IRIS

Esta cigana faz sua magia com as maçãs vermelhas. Quando joga suas patacas(radem ou moedas), precisa ter uma maçã cortada em quatro partes. É com esta maçã que ela confirma suas previsões. A cigana Íris usa sempre um lenço vermelho noelos: é com este lenço que forra a terra para jogar as suas patacas. Íris adora a cor vermelha, diz que é a força ardente das paixões, do amor e do sangue que corre nas veias dos seres humanos para que eles sobrevivam no planeta Terra. Esta cigana tem um certo mistério, de que infelizmente não podemos falar. Quem tem essa cigana, precisa tomar muito cuidado, pois foi da maçã que veio o pecado original da humanidade. Ela não gosta de mentiras e não admite que as pessoas finjam estar incorporando seu espirito; quando isso acontece, dias depois a pessoa começa a ter dores de cabeça, tonteira e outros problemas de saúde. Cuidado a meiguice da Íris, pois ela é perigosa quando está irada. Cigana da saia estampada, seu saquinho contém 17 moedas antigas amarelas, um rubí, que é seu cristal vermelho, e uma estrela de cinco pontas. No braço, traz 17 pulseiras douradas e, nas orelhas, argolas dourados. Seu cordão contém 17 moedas pequenas penduradas. É a cigana do jogo das patacas(moedas): tira o lenço vermelho da cabeça e coloca-o como toalha para jogar as moedas.


Sua fruta predileta é a maçã e a champanghe é sua bebida referida; gosta de rosas vermelhas e fitas vermelhas penduradas no cabelo. Seu pandeiro tem fitas e moedas penduradas. Sua magia é feita com doce de maçã e maçã crua. Suas oferendas são sempre colocadas em morro que tenha muito verde, no local mais alto; levam sempre maçã vermelha. Sempre que uma pessoa levar maçã para ela, deve levar junto uma rosa vermelha; passe-a pelo corpo e jogue do alto do morro para baixo. pedindo que ela tire tudo de negativo de sua vida. O banho de purificação que essa cigana ensina é feito com folha de maçã quinada, a maçã picadinha ou a casca de maçã. Ela usa muito a simpatia da maçã para o casamento. Retirado do Livro Mistérios do Povo Cigano de Ana da Cigana Natasha e Edileuza da Cigana Nazira E Como descobrir e cuidar dos ciganos dos seus caminhos de Ana da Cigana Natasha


CIGANA KERUMÃ

Era o dia 26 de agosto de 1098. Em Timisoara, cidade da Romênia, um grupo de ciganos ali acampados fazia seus rituais de energização da Lua Cheia, em torno de uma fogueira. De repente, a noite, que era de céu claro e estrelado, tornou-se escura. Um forte e estranho vento invadiu o acampamento, agitando a lona de todas as tendas, como se quisesse transmitir uma mensagem. A velha Zíngara chamou insistentemente por Pavalov, para avisar que Karim, sua mulher, acabara de dar á luz a uma linda ciganinha, que vier ao mundo envolta em uma pele amarelodourado, mais parecendo uma gema de ovo. Embora seu coração carregasse uma felicidade imensa, Pavalov também estava envolvido por uma dúvida; por isso, perguntou a velha Zíngara o que seria feito daquela estranha pele que envolvera a pequena Kerumã, sua primeira filha. Zíngara pediu ao cigano um pedaço de sua camisa. No retalho colocou um pedacinho da estranha pele que protegia a ciganinha, dizendo a Pavalov: “Vou fazer um talismã que você entregará à Kerumã quando ela fizer 15 anos”. O tempo passou e na festa de 15 anos da linda ciganinha, seu pai colocou-lhe no pescoço um cordão de ouro cujo pingente era o talismã que a velha Zíngara fizera no dia do seu nascimento. A partir daí, a cada ano q se passava, Kerumã ficava cada dia mais linda e, durante sua passagem pelo planeta Terra só conheceu a sorte. Sua disposição para o trabalho e a felicidade que irradiava para seu povo cigano eram invejáveis. Não existiu em seu grupo, cigana mais linda e feliz q ela. Retirado do livro: “Como descobrir e cuidar dos ciganos dos seus caminhos” ANA DA CIGANA NATASHA


CIGANA LEONI

Cigana menina, fala muito de plantas, pois é delas que faz suas magias. Adora o jasmim; diz que ele é originário da Índia. Hoje, cultivada em quase todas as zonas temperadas, essa flor é valorizada há muitos séculos na antiga Pérsia. Na China, é considerada sagrada. Diz Leoni: - A essência dessa flor esta ligada á cura, á afetividade, á maternidade, ao rejuvenescimento e á sedução. É dessa flor que Leoni faz casamentos e amarrações. Essa cigana adora o cristal de aventurina, que contem sua energia. Também gosta de tudo o que é verde, como a esmeralda. As frutas das magias dessa cigana, depois de cinco dias, são enterradas embaixo de uma planta ou arvore frondosa.


CIGANA MADALENA

A cigana Madalena era uma mulher muito alegre, terna e de muita força e fé na vida. Jamais deixava a tristeza abater quem quer que fosse, tinha sempre uma palavra de animo e consolo para seu grupo. Foi sempre um alento para as horas difíceis. Quando seu grupo teve que sair de um país, ela foi a grande amiga, conselheira e todos vinham se aconselhar com ela. Gostava de dançar, sentia imensamente cada emoção humana. Era bela, forte, sensível, terna. Quando precisava também sabia chamar a atenção, mas sempre de forma positiva. Ninguem conseguia esquecer sua dança. Ela era assim lembrada pelo seu povo: Como mãe, amiga e mulher. Vem cigana Madalena com safiras no olhar tua saia azul esvoaça vem me ensinar a dançar. Quando danças teu véu esconde um misterioso enigma, de quem muito já viveu aprendendo com a vida. Sois um misto de tudo, mãe, amiga e mulher, tens a ironia divertida de quem sabe o que quer. Sois dona de um perfume, raro, suave e sedutor, perfume que a tudo encanta, o teu nome é AMOR.


CIGANO IGOR DO RIO EUFRATES

Sou um cigano errante, Filho do sol e da Lua, Quando nasci, me batizaram , na beira do rio Eufrates, Falaram em meu pequeno ouvido, o meu nome secreto, Me deram tantas virtudes, das quais me orgulho até hoje. Andei por muitos caminhos, E não encontrei o que tanto procuro, Mas não me canso de buscar, apesar dos espinhos Que ferem os meus pés , quando ainda está escuro. Sou o filho da Lua e do Sol, Um pássaro livre a voar, Estou aqui, ali e acolá, Realizo caminhadas, sem nunca sequer me cansar.


Pois meu destino é andar e voar. Voô nos meus pensamentos E vou onde me leva o vento, Vou ao encontro do amor, Que eu sei que existe em algum lugar. Preciso de um amor, Para encantar meus dias, Que não me esqueça e me chame, Que grite bem alto o meu nome e o repita mais vezes… Igor!…Igor!…Igor!…. Vem para mim, vem me amar! Sou o Rei e sou o Príncipe, de um Reino Universal Meu reinado nunca acaba, pois a minha coroa é a vida. Meu reino é feito de amor, de paz e de puro êxtase! Sou o caminheiro do tempo, pois faço qualquer roteiro. Pois o importante é nunca parar. Sou o primeiro e o último de todos os perseguidos Honrado ou deprezado, odiado ou simplesmente amado. Sou o ruído e o silêncio : sou o pranto e a alegria. Sou o eterno caminho, sou o menino do dia e o amante doce da noite, Sou o alívio das dores, dos corações que amam, portanto se precisares, Basta apenas chamar pelo meu nome, nunca esqueça, o meu nome é Igor! Me chame…, me chame…, me chame.


CIGANO ARTEMIO


É misterioso, poucos sabem sobre sua passagem na Terra. Trabalha com um punhal, uma turmalina-verde, um espelho, um maracujá pequeno, um tacho de cobre, uma moeda antiga, folha de sândalo, folha de tabaco, muitas fitas coloridas e um lenço de quatro cores, verde-claro, verde-escuro, verde-água, e verde-folha, com uma estrela de seis pontas dourada no meio, com que cobre o tacho. É com isso que ele faz suas magias, faz amarração e desamarra casos difíceis. Quando termina o trabalho, manda colocar tudo isso no mato fechado Salve esse cigano. Que Bela-Karrano lhe dê permissão para fazer mais e mais suas magias


CIGANO BORIS

Boris é um cigano de cabelos grisalhos, com bigode e barba cerrada, moreno e de olhos verdes. Usa calça azul-marinho e blusa branca. Não dispensa seu colete de veludo vermelho e seu chapéu branco. Quando fez a passagem para o plano não era mais um jovem, mas um ancião. Ele era o conselheiro do seu grupo; foi Kaku (mago, sábio), que acabou seus dias só neste planeta. Quando chega à Terra, ele pronuncia as seguintes palavras: “Já fui novo, hoje sou velho; já fui vencido e já venci; já caí e me levantei; já tive fome e me alimentei; já chorei e já sofri; já fui triste, hoje sou alegre; já tive corpo, hoje sou um espírito; já tive mulher, e no fim da vida vivi só. Hoje tenho todos vocês em um só ideal. Venho para ajudar, para lutar e retirar barreiras dos caminhos para vocês passarem.


Sou um espírito cigano igual a outro qualquer, não sou melhor nem pior; sou o cigano Boris que acabou de chegar.” Nesse momento, ele pede um cálice de vinho tinto rascante e oferece a cada assistente um gole, dizendo: “Que este gole seja o remédio para solucionar seus problemas e que, ao se misturar com seu sangue, o purifique e leve ao seu cérebro a calma e a paz para seu dia-a-dia.” RETIRADO DO LIVRO COMO DESCOBRIR E CUIDAR DOS CIGANOS DOS SEUS CAMINHOS – AUTORA: ANA DA CIGANA NATASHA – EDITORA PALLAS


CIGANO DAMIANI

Pietro Damiani era o seu nome Filho de saqueador espanhol, que numa de suas estadas pelo Brasil, conheceu uma brasileira muito bela e a levou para a Espanha. Seu pai era devoto de San Martín, que tirava dos ricos e dava aos pobres. Num desses saqui atingido por uma flecha que paralisou o lado direito de seu corpo. Envergonhado, por ter sido um grande e respeitado saqueador, trabalhando inclusive para a Coroa Espanhola, resolveu se refugiar para não mais ser encontrado. Foi para o campo ficar em contato da natureza para tentar se redimir de seus pecados, segundo ele através de uma


mensagem de San Martín. Lá chegando fundou uma aldeia, composta por mutilados de guerra, presos, refugiados, e suas famílias. Passaram a acreditar nos ensinamentos de seu pai, e numa assembléia definiram os afazeres da aldeia, de acordo com as habilidades de cada um. Uns lidavam com cobre, outros com ervas, outros com cristais, etc. Após alguns anos seu pai recuperou parcialmente os movimentos, e sua mãe engravidou. Damiani nasceu em uma linda noite de lua cheia. Seu pai, tomando-o pelos braços, dizendo que ele não teria o mesmo destino de outros ciganos (pois era assim que passaram a ser chamados), que eram normalmente decapitados, ou mortos por punhaladas. Seria ele um chefe de aldeia e morreria de velhice. Damiani cresceu, aprendendo todos os fundamentos com seu pai. A esse tempo, todos na aldeia já tinham adquirido alma cigana. Em uma de suas viagens seu pai encontrou verdadeiros ciganos, de alma e sangue, que resolveram unir-se a eles, formando assim um grande clã. Nessa aldeia conheceu Carmem, e se interessou por ela. Seu pai veio a falecer em uma emboscada armada por um homem, cuja esposa havia presenteado-o (seu pai era um homem atraente e atraía a atenção das mulheres), e um cigano da mesma aldeia de Damiani, que foi pago para executar o serviço. Ele, por ser o primogênito, assumiu a chefia da aldeia, gerando a insatisfação do cigano que era chefe da outra aldeia que juntou-se a de Damiani. Por respeito a esse homem, Damiani nominou-o como Pablo, não sendo, porém, seu verdadeiro nome. Pablo era bem mais velho, e começou a criar intrigas na aldeia. Em um dia de festa na aldeia, com muito vinho, frango, danças, Damiani pediu autorização à sua mãe para casar-se com Carmem, e ela concedeu. Realizaram então, a cerimônia de noivado, que entre o povo cigano é um pacto de sangue feito na palma das mãos (no casamento o pacto de sangue é feito nos pulsos). Revoltado por Carmem não ter escolhido seu filho e ter se entregado de corpo e alma a Damiani, Pablo tomou o cálice de vinho das mãos de Damiani e lhe disse que assim como cigano não pede, ganha, seu filho seria um dia o chefe daquele clã. Damiani não tomou como ofensa. Já havido todos bebido demais, resolveu encerrar festa. Sabendo ele que só poderia casar-se com Carmem quando ela atingisse a maioridade, que era aos 21 anos, resolveu esperar essa data, em respeito aos costumes da aldeia de onde ela provinha. Ela contava na época com 15 anos, e ele com 21. Deveriam esperar então 6 anos. Durante esse período a sua aldeia foi acumulando muitas riquezas, e isso gerou intrigas entre os ciganos. Usava os ensinamentos de seu pai para tentar manter a ordem. Durante esse período, Damiani notou que uma cigana da aldeia que o observava desde pequenino, havia sumido. Em um de seus passeios, Carmem foi banhar-se em um rio próximo da aldeia, quando não percebeu que a correnteza a levava. Damiani pulou no rio para salvá-la, e ao sair, viu o rosto da cigana que sempre lhe observava, e que havia sumido da aldeia. Retornando à aldeia Pablo disse a todos que aquele acontecimento fora um aviso de que algo ruim aconteceria a Damiani, o que lhe deixou pensativo, pois algumas vezes Pablo acertava em sua premonições. Passaram-se então mais alguns anos (em que Damiani aprendeu a ler mãos, cartas, enxergar através da água, ter intuições), Carmem já quase atingindo a maioridade resolveu, em um dia de primavera, ir buscar flores no rio. Novamente, ao tentar alcançar uma flor, caiu no rio. Damiani salvou-a e a levou para a aldeia. Porém, lá chegando, teve um pressentimento que se voltasse para pegar a cesta de flores que


ela havia recolhido, seu casamento não daria certo. No caminho sentiu que alguém lhe observava. Chegando no rio, resolveu apanhar também a flor que Carmem tentara pegar, sem sucesso. Caiu ele também ao rio, e ao se escorar para salvar-se, sentiu uma ardência em sua perna. Percebeu que tinha sido picado por uma das cobras mais venenosas que havia na região. Sentiu que duas pessoas o observavam e gritou por socorro, quando começou a pensar que seu pai estava errado no que falara ao seu nascimento. Foi quando apareceu Pablo e lhe estendeu a mão para salvá-lo, tirando-o da água. Vendo que já estava fraco e não conseguiria andar, pois já estava sob o efeito do veneno, colocou-o de pé, segurou suas mãos, tirou-lhe o anel e o medalhão que eram de seu pai e disse-lhe que seria novamente o chefe da aldeia. Deu uma gargalhada e empurrou-o para dentro do rio, quando então, Damiani sentiu uma mão que o tirara do rio. Meio desfalecido e com muita dificuldade, abriu seus olhos e viu aquela cigana que lhe observou durante anos. Ela era na verdade uma feiticeira que por opção própria se ausentara da aldeia, auxiliando-os porém de longe, em casos de doenças. Mas nunca aparecia diante de ninguém. Se de seus remédios necessitavam iam à floresta, faziam seus pedidos em voz alta, e retornavam no dia seguinte para apanhar o remédio, que era sempre colocado em uma pedra Essa cigana tratou de Damiani durante 3 meses, os quais manteve-o entorpecido e sob tratamento do veneno da cobra. Após sua recuperação, ele voltou à aldeia. É importante salientar que durante esse período ele não manteve contato com a cigana. Nem ao menos teve a certeza de que alguém cuidou dele. Chegando na aldeia descobriu que Carmem havia se envenenado, pois Pablo, que assumira a chefia da aldeia, queria obrigá-la a casar-se com seu filho, e ela não aceitando isso, resolvera fugir. Foi capturada e levada de volta para a aldeia, mas “se não podia ter Damiani, preferia a morte”. Damiani reassumiu a chefia da aldeia, e nunca casou-se. Morreu aos 70 anos de idade, quando inacreditavelmente, o veneno da cobra fez efeito em seu organismo. Sua missão havia findado.


CIGANO FÁBIO

Este cigano é uma sumidade quanto ao conhecimento na área da Justiça. Se vc tiver algum problema judicial, pode pedir pelo Cigano Fabio, que ele conhece as leis do Brasil e as leis dos acampamentos ciganos, ele era um espírito Barô (Líder) de acampamento cigano e por isso ele presidia o Chris Romani do povo dele (o Tribunal Cigano). Não sei se vcs sabem, como os ciganos estão fora do contexto nacionalista nos locais onde se fixam, eles têm o tribunal próprio que rege as leis internas do acampamento, chamado Chris Romani. No caso do Fabio, foi cigano encarnado no Brasil, conhece as leis brasileiras e foi advogado.


CIGANO JUAN

É o cigano dos mistérios e da magia do mal. Trabalha com uma panela de pedra. Ali ele coloca um boneco e faz sua magia. Embora seja o único cigano que faz magia do mal, é um bom protetor. É um companheiro para todas as horas. Este cig meu companheiro, é o meu zelador dos meus caminhos e da minha Tsara. Ruan adora comer pimenta; sua preferida é a pimentado-reino. A esse respeito, ele diz: - É de coisa quente que se faz magia. Esse cigano é perigoso. É muito difícil engana-lo, pois é muito desconfiado. Ele nunca olha nos olhos dos outros. Sua roupa é toda vermelha. Ele é moreno, tem cabelos e olhos pretos e usa 21 punhais de prata. RETIRADO DO LIVRO MISTÉRIOS DO POVO CIGANO – ANA DA CIGANA NATASHA E EDILEUZA DA CIGANA NAZIRA – EDITORA PALLAS .


CIGANO MICHEL

Eu fui. o filho irresponsável, aquele que um dia, traiu a confiança do pai e daqueles que em mim confiavam Eu fui o irmão ausente, aquele que não conhecia a união em família e que pouco se importava. Eu fui mulherengo, encrenqueiro, apreciava bebidas, mulheres alheias, eu era jovem, vivia uma vida de falsa felicidade. Eu fui aquele que não soube respeitar as tradições de meu povo, quando chamava a responsabilidade, eu falhei. Eu fui aquele que decepcionou a todos que me amavam, e que sempre me perdoaram. em pouco tempo perdi o respeito de meu pai, perdi o irmão que era o meu ponto de equilíbrio, meu irmão morreu em meus braços, perdi o amor daquela que sempre amei e não sabia. ainda estava em tempo. Deus em sua infinita bondade me concedeu uma nova chance de saldar meus débitos com o meu povo.


Precisava recuperar o tempo perdido, o respeito de meu pai, o amor da minha vida, honrar o espírito de meu irmão, comandar meu povo, mante-lo unido em busca de novas paragens. Eu tentei mas meu passado voltou com toda a força, aqueles que um dia prejudiquei, não esqueceram e conseguiram se vingar. Uma armadilha, uma tocaia e todos os meus sonhos de mudança se perderam eu os perdôo. Com muito sofrimento, ferido mortalmente consegui chegar ao nosso acampamento. Minha vida aos poucos escapava como agua entre os dedos. todos sabiam que minha hora chegava pedi perdão aos meus irmão, ao meu povo, a minha amada dalila. logo agora, eu era um novo homem, havia conseguido o respeito de meu pai, o reconhecimento do meu povo, e em meu leito de morte, recebi a mão de minha amada, pelo sangue nos unimos e nada nem ninguém poderá nos separar… Novamente a justiça divina se fez presente e uma nova chance para que eu pudesse terminar minha missão me foi concedida. Hoje ao lado daquela que o destino me reservou, volto para pregar o amor, a confiança, a bondade, o perdão. Estamos aqui para ajudar a todos aqueles que precisam de um conselho, uma palavra de conforto, um carinho. Não desistam nunca, é a fé que nos mantém unidos e Deus, o nosso Pai Maior, é justo e soberano, através de sua mensageira Santa Sara haverá de nos ajudar nesta nova oportunidade de evolução, rumo a eternidade. ATÉ UM DIA MICHEL


CIGANO PABLO


Vivi nesta terra a muito e muito tempo atrás. Quando vivo, chefiava uma tribo de ciganos que na maior parte do tempo acampava pelas terras de Andaluza, como em minha tribo as tradições eram passadas de geração para geração e de pai para filho, herdei a chefia da tribo ainda jovem de meu pai. Aprendi tudo que era necessário aprender com os antigos da tribo, que para nós ciganos, são as pessoas mais sábias sobre a face da terra. Durante o tempo em que chefiei a tribo sempre recorri a eles em busca de sabedoria para solucionar problemas ou quando tinha dúvidas ou quando necessitava tomar qualquer decisão que fosse de maior responsabilidade, nunca gostei de tomar qualquer decisão, sem antes consultar a sabedoria dos antigos. Quando nasci, fui prometido como todos os ciganos a filha de um dos ciganos da tribo, crescemos juntos e aprendemos a gostar um do outro e assim foi até atingirmos a idade necessária para contrairmos o matrimonio, enquanto isso aprendi com os antigos, todos os truques e todas as magias ciganas. Tornei-me um grande conhecedor de magias e adquiri um pouco da sabedoria dos antigos. Chegada à época das núpcias, casamo-nos aos quinze anos de idade, aprendemos juntos como liderar a nossa tribo. Tivemos três filhos machos. Segundo a tradição todos foram prometidos e assim seguimos nossos caminhos, com muita alegria e muita fartura. Trabalhávamos arduamente cada um em seu oficio em prol da coletividade. Com os filhos crescendo e a nossa felicidade a largos passos, começaram os problemas, o meu primogênito, ao qual cabia substitui-me na liderança da tribo, resolveu rebelar-se contra a nossa tradição, não querendo aceitar o acordo de núpcias feito entre nossa família e a de sua prometida, assim causando um conflito na tribo, como se não bastasse, resolveu envolver-se com outras moças da tribo, causando o desagrado de todos os homens que já se estavam como ele prometidos a essas moças, até que seus atos o levaram a um conflito direto com um dos jovens da aldeia, e pelas leis da tribo, levaram a um duelo pela honra. Eu já sabia de antemão como terminaria esse duelo, pois, com a sua revolta, o meu filho não quis aprender comigo a arte de duelar, com isso encontrava-se despreparado para o duelo. Vendo-me com grande dor no coração por saber-me impotente em relação ao fato de também se fazer cumprir a lei da tribo (essa lei nunca havia sido utilizada na tribo). Tornei-me introspectivo e voltei-me para os antigos em busca de consolo. Sabendo os antigos pelo grande amor que nutria por meu primogênito, mostraram-me que havia uma maneira não muito ortodoxa de poupar o meu filho da morte certa, porem, sendo um bom lutador e tendo o conhecimento da magia do duelo, sabia também que não deveria vencer o jovem. Assumi o lugar de meu filho (deveria morrer em seu lugar). E assim fiz, desencarnei nas mãos de um jovem cigano irado com o fato de meu filho ter desonrado a sua prometida.


Deixei em desgraça uma jovem mulher e três filhos rezando a Santa Sara para que cuidasse de todos. Durante o tempo que me foi permitido velar por minha tribo e minha família, fiquei ao lado de todos tentando colocar algum juízo na cabeça de meu filho, esperando que depois do fato acontecido ele resolvesse aceitar o seu destino, mesmo depois de tudo o que fiz, esse meu filho ainda se rebelou com o que fiz, continuou em sua busca de algo que nem ele sabia o que era. Nessa sua busca desse algo, foi levando em seus passos o meu segundo filho, que sem o pai, estava completamente envolvido pelo irmão mais velho, tentei de todas as maneiras que pude e me foi permitido, influenciar ao primogênito o sentido de dever, não conseguindo meu intento e vendo que o meu tempo estava se escoando, fiz o que qualquer pai amoroso faria, mudei o meu objetivo para o segundo filho, que com mais jeito que o mais velho aceitou tudo o que eu pude passar para ele. Descobri então que com o segundo filho, tudo era mais fácil, pois, este já trazia de berço todos os dons que me foram passados por gerações, então investi neste, sempre com o intuito de regenerar o mais velho, indicando ao mais novo o caminho dos antigos, fiz com que este filho conseguisse com o seu carinho trazer o mais velho de volta, pois o segundo filho mostrou-se mais sábio que o pai e abrindo os olhos do primeiro filho o trouxe para o seio da tribo. Depois de regenerado o meu primeiro filho retomou o seu lugar na tribo, ocupou o meu lugar, o qual o meu segundo filho controlou com muita sabedoria, ate a volta do irmão. Ai eu pude seguir o meu caminho no astral ate o dia em que pude tornar a encontrar a minha amada, e voltar a montar a minha tribo no astral.


CIGANO PEDROVICK


É um cigano guerreiro, que desmancha magias negativas, adora o azulão e sempre traz na mão uma pena de pavão. Essa ave é a preferida desse cigano. Quando o pavão arma sua cauda, ele diz: - Está desmanchada a magia negativa. Sua fruta predileta é a manga-espada; é com ela que faz suas magias. Pedrovik tem um jogo que poucos conhecem: com quatro caroços de manga, ela fala do passado, presente e do futuro. O cigano Pedrovik adora contemplar o Sol. Ele tem uma reza que afasta os inimigos do caminho. Pedrovik não perdoa a quem ofende seus amigos – á ai que ele se torna possesso. Do caroço da manga, ele faz um pó que sopra quando o vento é forte- essa é a magia contra os inimigos. O cigano Pedrovik tem um mistério ligado à gruta de são Bartolomeu, onde estão o fundamento e a magia da mãe-cobra que é o arco-íris. As pessoas que moram em São Salvador sabem certinho onde é esse lugar. Retirado do Livro: Mistérios do Povo Cigano Autoras: Ana da Cigana Natasha Edileuza da Cigana Nazira


CIGANO RAMIRES


No dia 24 de maio de 1577, o velho cigano Bergem casou-se com a jovem cigana Gênova, formando assim, mais uma família cigana. No dia 28 de maio de 1578 nasceu a primeira filha do casal, que levou o nome de Huélva. O casal era muito feliz com sua pequena filha. Algum tempo depois, Gênova engravidou novamente e, no dia 24 de junho de 1580, para completar a felicidade do casal, nasceu um menino, no qual Gênova colocou o nome de Ramires. Assim se completou o grupo familiar de Bergem e Gênova, formado por quatro pessoas. Bergem era muito mais velho do que sua esposa, mas eles eram um exemplo de felicidade e amor. Quando Ramires estava com quatro anos, no ano de 1584, sua família ia para Madri e, no meio da viagem, o tempo mudou e caiu uma forte tempestade. As carroças do comboio deslizavam na estrada cheia de lama e poças d’água; a escuridão era imensa. Em dado momento, todos escutaram um barulho muito forte: uma das carroças tinha virado. Era um quadro desesperador. O velho cigano Bergem, sua jovem esposa Gênova, sua filha Huélva, de apenas seis anos, e seu filho Ramires, de apenas quatro anos de idade, estavam debaixo da carroça. O cigano Pedrovik, irmão de Bergem e chefe do grupo, veio logo socorrer o irmão e sua família; mas, infelizmente, não pôde fazer mais nada, além de desvirar a carroça e colocar dentro dela os corpos do irmão, da cunhada e da sobrinha. Só o sobrinho estava vivo, sem nenhum arranhão no corpinho. Pedrovik tomou conta de pequeno Ramires que, daquele dia em diante, tornou-se uma criança diferente. Ele ficava sempre isolado, vivia só, seu comportamento era bem distinto do dos outros meninos do grupo. O tempo foi passando. Ramires tornou-se homem feito. Mas era de poucas palavras, seu comportamento continuava estranho, não mudara nada desde o tempo de criança, quando ficava isolado de todos. Certo dia, seu tio Pedrovik chamou-o na tenda e disse: “- Vamos conversar, meu filho. Já és um homem eu decidi que irás casar com a minha protegida Zanair, neta da falecida Zaira.” Ramires não teve escolha e assim foi concretizado o casamento, no dia 8 de abril de 1610, quando era plena primavera em Madri. O casamento, realizado por Pedrovik, seguiu o ritual tradicional. Zanair estava belíssima com uma túnica rebordada de pedras reluzentes, a saia muito rodada que reluzia com os reflexos da fogueira, e uma coroa de flores naturais em tons claros na cabeça. Depois de realizado o ritual de união dos dois, Pedrovik deu ao casal dois potes cheios de grãos, para que nunca faltasse alimento na sua tenda. Em seguida, Zimbia Taram, uma cigana idosa do grupo, cortou um fio de cabelo de Ramires e outro de Zanair; colocou-os dentro de um copo de cristal junto com os fios de crina de cavalo e de égua e outros objetos; e fez a magia do amor para que sempre houvesse sexo entre o casal, e para que eles tivessem muitos filhos. Passados nove meses do casamento, Zanair deu à luz um lindo menino, a quem deu o nome de Izalon; e de ano em ano ela dava à luz mais um filho. Ela teve ao todo nove filhos, três meninos


e seis meninas, que nasceram na seguinte ordem: Izalon, Pogiana, Tarim, Tainara, Tamíris, Diego, Thaís, Lemiza e Talita. O fundo do coração de Ramires sempre foi um mistério. Ele teve de se adaptar à vida de família, superando muitos traumas da infância; entretanto, a seu modo, foi um esposo carinhoso. Foi também um ótimo pai, e criou seus filhos com muito amor e carinho. Os membros dessa família desceram pela primeira vez à Terra como espíritos no ano de 1910.. Esse cigano era moreno-claro, de cabelos pretos lisos e olhos esverdeados. SUAS ROUPAS A roupa preferida de Ramires era blusão branco com mangas compridas fechadas por abotoaduras de ouro em forma de botões. Por cima desse blusão ele usava um colete de veludo verde rebordado com pedrinhas coloridas. Na cintura trazia uma faixa dourada, na qual prendia o seu punhal de prata com cabo de esmeralda. Sua calça era de veludo azul-turquesa. SEUS ADEREÇOS Ramires costumava usar na cabeça um lenço vermelho amarrado para o lado esquerdo. Na orelha direita trazia uma pequena argola de ouro; e no pescoço, um cordão de ouro com uma moeda de ouro antiga como pingente. SUA MAGIA Ramires fazia magia com dois espelhos em forma de triangulo. Ele os colocava no chão, um deles com uma das pontas voltadas para o Sul. Em cada ponta desses espelhos ele acendia uma vela branca e, no meio deles, colocava um copo com água e um cravo branco. Em seguida, ele pedia a Diuela que curasse uma pessoa doente. A fase da Lua da sua preferência era a cheia. Fonte: Ciganos do Passado Espíritos do Presente – Ana da Cigana Natasha – Editora PALLAS.


CIGANOS PABLO E THINNA


Essa é a mais linda e pura história que uniu para sempre duas almas que, por um imenso e eterno amor, jamais irão se separar… Este amor tem a força de ultrapassar todas as fronteiras pois nem a distância, o tempo e o esquecimento, jamais terão forças para separá-los… Pablo e Thinna se tornaram perante toda a aldeia e tribos ciganas daquelas redondezas, os dois mais apaixonados amantes. Este amor, puro como a luz do sol e a ternura da lua, ultrapassou as fronteiras do tempo e da distância entre os dois, permanecendo vivo até hoje, mesmo estando Thinna nesse momento, encarnada entre nós e Pablo, no plano espiritual. De agora em diante, todos nós faremos uma maravilhosa viagem guiados pela luz do sol e o brilho das estrelas, para também fazermos parte desta linda estória e sentirmos no peito, a força desse amor eterno… Psicografado por Adilson Rocha


FALANDO DAS POMBAGIRAS

POMBA GIRA CIGANA 7 SAIAS

Esta é uma das entidades mais conhecidas e queridas dentro da Umbanda e Povo do Oriente, é a cigana Sete Saias. Muitos médiuns e chefes de terreiros por falta de informação não costumam apresentar esta maravilhosa entidade com a sua verdadeira origem cigana, fazendo desta linda gira uma pomba-gira de encruzilhada. A Pomba –Gira Cigana Sete Saias é considerada a Deusa do Amor pelo povo do oriente, e a ela que as moças recorrem quando desesperadas por falta de amor. “ A lenda conta que a Cigana Sete Saias foi apaixonada por um moço “não cigano” o que seus pais não aceitavam… e proibida de viver este amor parou de comer até vir a falecer. Quando seu corpo estava sendo preparado para velar, sua mãe trouxe suas sete saias favoritas e colocou a seus pés para poder rodar e jogar cartas nos caminhos do astral superior. A moça chegando as astral, foi recebida por Santa Sara a qual a designou a proteger e ajudar todas as moças que choravam por seus amores proibidos e impossíveis… É a esta entidade poderosa que as mais serias mandingas de amor são realizadas… e há quem diga que o que a Cigana Sete Saias Une… Ninguém separa! Esta pomba-gira gosta de receber suas oferendas e presentes nas encruzilhadas de campo e preferencialmente as 18:00 nas sexta-feiras de lua cheia. Nas suas oferendas não pode faltar perfume de flores ou gardênia… sua velas são coloridas quase sempre vermelhas, brancas e Rosas… que são as cores que simbolizam o sexo, o amor e a tranqüilidade nas relações.


“Há quem diga que ela vem dos cruzeiros… há quem diga que ela vem do luar… me diga oh meu Deus de onde vem Pomba-Gira Sete Saias e onde ela quer trabalhar!?” Saravá cigana Sete Saias!


POMBA GIRA CIGANA DA ESTRADA

Esta entidade queridíssima e respeitada dentro dos terreiros de Umbanda, quando chega ao mundo vem sempre sorrindo e dando gargalhadas, mostrando que sua vinda no astral é tão alegre quanto o seu tempo aqui na terra. Pomba-Gira da Estrada gosta de trabalhar para o amor e para trazer o pão (dinheiro) a quem a sua ajuda precisa. ela faz com satisfação e alegria, mais como toda a cigana… gosta de bons agrados… pulseiras, anéis, perfumes e lenços coloridos… Gosta de receber suas oferendas e pedidos nas Campinas das estradas… pode ser nas segundas ou sextas-feiras de lua cheia para trabalhos de amor e na lua crescente para trabalhos de dinheiro… Peça com fé e respeito que pomba-gira da Estrada vem alegre para lhe ajudar! O ponto “ Vinha caminhando a pé para ver se encontrava uma cigana de fé… Ela parou e leu minha mão… me disse toda a verdade… eu queria saber a onde mora a pomba-gira cigana!”


POMBA GIRA CIGANA DA LUA

Esta entidade cigana é muito querida nas giras do povo do oriente, não costuma baixar em giras que não seja específica do seu povo cigano. Seus trajes são sempre em diversos tons de azul e só recebe suas oferendas em noites claras de lua cheia. Esta cigana só trabalha para os amores impossíveis, adora trazer para uma pessoa desesperada aquele amor que foi embora e que nunca mais teve notícias… Seus trabalhos sempre são simples, mais nas suas oferendas gosta de muitas fitas, flores,frutas, cigarrilhas e vinhos. A Cigana da Lua quando incorporada dança suave sem muitas voltas… fica sempre perto da porta e quando as giras são feitas em lugares abertos…


só chegam em noites de lua. Ficam sempre sorrindo…mais não costuma gargalhar como suas companheiras… Adora conversar, lêr mãos e jogar cartas… Esta sempre dando palavras de conforto e de esperança, pois ela conhece a vida como ninguém… O ponto “Em noite de lua ela vem girar, em noite de lua ela vem ofertar! Ela oferta palavras bonitas e trás o amor de volta de quem desejar! Ela é a cigana da lua, mulher meiga do oriente que vem trazer seu brilho, sua força, seu amor e sua fé… Ela é a pomba gira cigana da lua, que usa o manto azul de yemanja e oxumaré.”


POMBA GIRA CIGANA MENINA DO CRUZEIRO DAS ALMAS


Gosta de ser chamada de senhorita ( é adolescente, tem 15 anos); seus cabelos são claros; adora rosas amarelas; bebe água, champanhe ou sidra; trabalha com uma pedra de Pirita na mão esquerda; usa um lenço estampado com predominância da cor vermelha ( com três nós: 1 em cada ponta e o outro no centro) pendurado da nuca a testa com as pontas caídas sobre os ombros); costuma dar um nó ao lado direito da barra da saia; vem em pé e gosta de dar bastante gargalhadas. É companheira do Exu Tranca Rua das Almas; recebe oferendas no jardim de preferência durante o dia ( frutas); fuma cigarro ou cigarrilha ( mas o que ela gosta mesmo é de dar consulta… de bico seco ou molhado, com ou sem cigarro) Ela costuma ensinar aos consulentes que não se deve dizer “Obrigada (o)” a um Exu. Pois, cada um tem o que merece … E diz que sempre que alguém precisar ou pensar nela, deve acender uma vela branca junto com uma rosa amarela e colocar no cruzeiro das almas, de preferência numa 2ª feira. …. Existem duas estradas para você; Uma é a de espinhos a outro é a escolher…


POMBA GIRA CIGANA CURANDEIRA

Esta entidade já foi muito confundida com a cigana Feiticeira, pois ambas gostam muito de trabalhar para a saúde. Mas esta entidade em especial ainda é mais dedicada, sendo considerada a curandeira do astral. Seu poder de cura é notório em tudo o que ela se propor a fazer, se caso não aceita cuidar de uma paciente é porque não é merecedora da cura ou porque a pessoa já se encontra nas mão do astral superior.


É uma gira muito faceira, se apresenta como uma mulher de meia idade e seus vestidos são sempre verde esmeralda, pois como sua função é a cura trás consigo tudo o que sua vibração pode oferecer, ao contrario da cigana feiticeira. Ela gosta muito de conversar e dançar… usa sempre brincos grandes dourados e capuz ou lenços verdes na cabeça. Suas oferendas são feitas em noites de lua exceto minguante, e tem que ser nas sextas-feiras, pois segunda-feira é dia de descanso para os ciganos e quando algum trabalho é ofertado para eles neste dia… eles oferecem ao povo dos cruzeiros e encruzilhadas que a apenas aceitam como carinho e respeito. A Cigana Curandeira é um gira muito rara de incorporar, pois quase sempre seus médiuns são pessoas de cura e que não fumem e não bebam. Suas oferendas constituem em flores e frutas, mel e hortelã, seu fruto predileto é o morango, limão e maça. Costuma tomar chá verde misturado com estes frutos, ou água mineral. O ponto “Em uma campina surge ela, toda de verde e dourado… trás consigo uma cesta de flores, bandeja de frutas e chá de damasco. Sua tenda é feita de pano de seda, suas toalhas de linho da Síria, ela é a cigana curandeira, cigana faceira que abre meus caminhos.”


POMBA GIRA CIGANA ESMERALDA

Esta entidade de pomba-gira é muito conhecida na linha do oriente, quando chega ao mundo bem incorporada, chega sempre alegre e sorrindo, costuma sempre se vestir de verde esmeralda e sua saia tem um bolso na frente onde guarda o seu baralho. Todos os médiuns da cigana esmeralda tem uma boa visão para as cartas e sempre são excelentes cartomantes. A Pomba-Gira Esmeralda, como muita gente sabe… foi aquela cigana que habitava Paris na época medieval onde defendeu um corcunda da maldade da igreja e do povo na época que o ridicularizava devido a sua aparência física. Filmes já foram montados e livros escritos sobre a história do Corcunda de Notre Dame e a Cigana Esmeralda.


POMBA GIRA CIGANA FEITICEIRA

O que muita gente não sabe que cada entidade cigano tem sua função no astral e quando na terra, trabalham com afinco para exercer com maestria suas tarefas. Pomba-Gira Cigana Feiticeira é considerada a rainha do povo cigano no astral, pois é através dos seus ensinamentos que os ciganos conhecem as suas origens e suas tarefas no mundo astral. A Cigana Feiticeira é uma entidade que quando chega na terra para trabalhar trás consigo a sabedoria e a liderança de seu povo nas suas atitudes. È sempre a Cigana mais bem vestida e não faz economias nos seus trajes. Não gosta de vestidos com muitos babados, porque já não é moça, mais adora seus dedos e braços bem enfeitados com pulseiras douradas e anéis de esmeralda. Ela diz que o dourado simboliza o ouro que é o poder material e a esmeralda simboliza a saúde vital nescessário para a alma. O nome dado Feiticeira não é por acaso, pois trabalha muito na feitiçaria, adora trabalhar para a saúde e bens materiais e com oferendas bem ornamentadas pode amarrar um homem ou mulher como ninguém! Adora conversar sentada, não gosta muito de dançar… só costuma rodar sua saia em noites de lua quando chega para trabalhar. Suas oferendas são sempre muito complexas e sempre depende do que quer pedir ou ofertar… adora flores, velas coloridas, perfume, bandeja de frutas, cigarrilhas, pulseiras e guizos …


Nunca esqueça de estender uma toalha de cetim vermelho para ofertar a esta cigana, pois caso contrário ela não vai aceitar. E não esqueça que ela gosta da lua cheia das sextas-feiras. Suas oferendas são entregues nos campos verdes ou embaixo de árvores frondosas. O ponto “Em noites de lua ela é a rainha, em dias de sol ela é Nazaré, na umbanda ela é a rainha cigana, feiticeira de fé! Traz na mão um cedro dourado, sandálias de prata nos pés, ela é a rainha cigana feiticeira que vem pela campina trabalhar seus filhos de fé!”


POMBA GIRA CIGANA FEITICEIRA

O que muita gente não sabe que cada entidade cigano tem sua função no astral e quando na terra, trabalham com afinco para exercer com maestria suas tarefas. Pomba-Gira Cigana Feiticeira é considerada a rainha do povo cigano no astral, pois é através dos seus ensinamentos que os ciganos conhecem as suas origens e suas tarefas no mundo astral. A Cigana Feiticeira é uma entidade que quando chega na terra para trabalhar trás consigo a sabedoria e a liderança de seu povo nas suas atitudes. È sempre a Cigana mais bem vestida e não faz economias nos seus trajes. Não gosta de vestidos com muitos babados, porque já não é moça, mais adora seus dedos e braços bem enfeitados com pulseiras douradas e anéis de esmeralda. Ela diz que o dourado simboliza o ouro que é o poder material e a esmeralda simboliza a saúde vital nescessário para a alma. O nome dado Feiticeira não é por acaso, pois trabalha muito na feitiçaria, adora trabalhar para a saúde e bens materiais e com oferendas bem ornamentadas pode amarrar um homem ou mulher como ninguém! Adora conversar sentada, não gosta muito de dançar… só costuma rodar sua saia em noites de lua quando chega para trabalhar. Suas oferendas são sempre muito complexas e sempre depende do que quer pedir ou ofertar… adora flores, velas coloridas, perfume, bandeja de frutas, cigarrilhas, pulseiras e guizos …


Nunca esqueça de estender uma toalha de cetim vermelho para ofertar a esta cigana, pois caso contrário ela não vai aceitar. E não esqueça que ela gosta da lua cheia das sextas-feiras. Suas oferendas são entregues nos campos verdes ou embaixo de árvores frondosas. O ponto “Em noites de lua ela é a rainha, em dias de sol ela é Nazaré, na umbanda ela é a rainha cigana, feiticeira de fé! Traz na mão um cedro dourado, sandálias de prata nos pés, ela é a rainha cigana feiticeira que vem pela campina trabalhar seus filhos de fé!”


POMBA GIRA CIGANA MENINA

Existem muitas entidades da linha de pomba-giras que são ciganas e meninas. Mas eu vou falar de uma entidade específica que é conhecida como a ciganinha menina. Esta entidade chegou ao mundo astral nos seus 14 anos de idade vítima de assassinato seguido de estupro. Foi socorrida de imediato pelo povo do oriente, grande mestres e andarilhos do mundo astral… onde segue com sua caravana e seguidoras de sua entidade. Pomba-gira cigana menina, gosta muito de trabalhar para o amor e sedução, pois como não teve tempo de conhecer o seu prometido quando vivia na terra, gosta de ajudar as pessoas para que tenham sorte no amor. Tem muita simpatia por ambos os sexos e esta sempre dando mensagens de amor e carinho. Suas médiuns são sempre mulheres jovens e bonitas. Como antes do seu desencarne ela tinha cortado os cabelos por uma promessa de sua mãe a Santa Sara Khali, quase sempre seus cavalos escolhidos ou aparelhos… tem o cabelo comprido e sedoso onde ela passa o tempo todo a acariciar. Adora receber presentes nas Campinas e estradas de chão, maquiagens e adornos são os preferidos, mais não esqueça das rosas vermelhas e do vinho branco suave, perfumes e velas vermelhas e cor-de-rosas. O ponto “La de baixo da mangueira quem canta é o sabiá.. la de baixo da mangueira quem canta é o sabiá! Mais seu canto é tão formoso que resisto a acreditar…


credito ser a ciganinha porque seus guizos ouço a tocar .. vem cantar nos meus ouvidos como o canto do sabiá, vem cantar cigana menina a todo pranto vem cantar… o assobiar desta bela jovem enfeitiça a quem escutar… ela é a bela ciganinha.. que vem toda proza a prozear… “


POMBA GIRA CIGANA SARITA

Esta entidade do Povo do Oriente é uma das mais belas ciganas do mundo astral. Pomba-Gira Cigana Sarita é a dançarina do povo cigano, sua dança inebria e quando esta no mundo bem incorporada demonstra toda a sua graça e beleza. Esta entidade é dedicada ao amor e a dança, para ela um homem se conquista com a dança e seu trabalhos para amor e aliança são sempre muito bem preparados e certeiros. Adora sentar depois da sua dança e tirar seu baralho e estender sobre a sua saia, é sempre muito simpática e graciosa com as pessoas que vem saúda-la ou lhe pedem ajuda. Adora receber flores para colocar no cabelo e bijuterias cor de ouro, se apresenta com um vestido bordô com rendas douradas e sempre bem arrumada e perfumada. Recebe seus pedidos e oferendas em cruzeiros de jardim e encruzilhadas de praça. Não esqueça do seu vinho, sua taça e seus arranjos de flores vermelhas… e se pedido for para amor, não deixe de comprar um bom perfume… se for para saúde não esqueça seu chalé de seda… e esta entidade belíssima virá ajuda-la sempre quando precisar. O ponto “Olha que linda cigana que vem lá! Ela vem pra dançar… ela vem pra dançar!!! É a cigana Sarita, bonita e menina que vem nos saudar… sua saia é de ouro e cabelos do luar… seu perfume tonteia a quem ela quer desposar…”


Ciganos

Bandeira do povo rom População total Mais de 5 milhões no mundo1 ou 6-11 milhões no mundo2 Regiões com população significativa Estados Unidos

1 000 000 (0,32%)

3

Brasil

800 000 (0,41%)

4

Espanha

650 000 (1,62%)

5

Roménia

535 140 (2,46%)

6

França

500 000 (0,79%)

7

Bulgária

370 908 (4,67%)

8

Hungria

205 720 (2,02%)

9

Grécia

200 000 (1,82%)

10

Sérvia

108 193 (1,44%)

11

Reino Unido

90 000 (0,15%)

12

Eslováquia

89 920 (1,71%)

13


Macedónia

53 879 (2,85%)

14

Línguas Romani, línguas da região nativa Religiões Cristianismo (Ortodoxo, Catolicismo, Protestantismo), Islã, Shaktismo15 Grupos étnicos relacionados Indo-áricos

MATERIA DE ESTUDOS DO GRUPO BOIADEIRO REI

contato@grupoboiadeirorei.com.br


Ciganos e gitanos  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you