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RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS São consideradas religiões afro-brasileiras, todas as religiões que foram trazidas para o Brasil pelos negros africanos, na condição de escravos. Ou religiões que absorveram ou adotaram costumes e rituais africanos.

Grupo de Estudos e pesquisas Boiadeiro Rei


INDICE

Religiões afro-brasileiras Casa branca engenho velho. Religiões afro-brasileiras Princípios Básicos Deus Ketu | Olorum | Orixás Jeje | Mawu | Vodun Bantu | Nzambi | Nkisi Templos afro-brasileiros Babaçuê | Batuque | Cabula Candomblé | Culto de Ifá Culto aos Egungun | Macumba | Omoloko | Quimbanda | Tambor-de-Mina | Terecô | Umbanda | Xambá | Xangô do Nordeste Sincretismo | Confraria Literatura afro-brasileira Terminologia Sacerdotes Hierarquia Religiões semelhantes Religiões Africanas Santeria Palo Arará Lukumí Regla de Ocha Abakuá Obeah Babaçuê - Maranhão, Pará Batuque - Rio Grande do Sul Cabula - Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Candomblé - Em todos estados do Brasil Culto aos Egungun - Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo Culto de Ifá - Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo


Encantaria - Maranhão, Piauí, Pará, Amazonas Omoloko - Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo Pajelança - Piauí, Maranhão, Pará, Amazonas Quimbanda - Em todos estados do Brasil Tambor-de-Mina - Maranhão, Pará Terecô - Maranhão Umbanda - Em todos estados do Brasil Xambá - Alagoas, Pernambuco Xangô do Nordeste - Pernambuco As religiões afro-brasileiras na maioria são relacionadas com a religião yorùbá e outras religiões tradicionais africanas, é uma parte das religiões afro-americanas e diferentes das religiões afro-cubanas como a Santeria de Cuba e o Vodou do Haiti pouco conhecidas no Brasil.


Candomblé é uma religião derivada do animismo africano1 onde se cultuam os orixás, voduns ou nkisis, dependendo da nação.2 Sendo de origem totêmica e familiar, é uma das religiões de matriz africana mais praticadas, tendo dois milhões de seguidores em todo o mundo, principalmente no Brasil.2 Também é possível encontrar o chamado povo do santo em outros países como Uruguai, Argentina3 , Venezuela, Colômbia, Panamá, México, Alemanha4 , Itália, Portugal e Espanha5 6 . Cada nação africana tem como base o culto a um único orixá. A junção dos cultos é um fenômeno brasileiro em decorrência da importação de escravos onde, agrupados nas senzalas nomeavam um zelador de santo também conhecido como babalorixá no caso dos homens e iyalorixá no caso das mulheres. A religião que tem por base a anima (alma) da Natureza, sendo portanto chamada de anímica. Os sacerdotes africanos que vieram para o Brasil como escravos, juntamente com seus Orixás/Nkisis/Voduns, sua cultura, e seus idiomas, entre 1549 e 1888, é que tentaram de uma forma ou de outra continuar praticando suas religiões em terras brasileiras, portanto foram os africanos que implantaram suas religiões no Brasil, juntando várias em uma casa só para sobrevivência das mesmas. Portanto, não é invenção de brasileiros.7 Diz Clarival do Prado Valladares em seu artigo «A Iconologia Africana no Brasil», na Revista Brasileira de Cultura (MEC e Conselho Federal de Cultura), ano I, Julho-Setembro 1999, p. 37, que o «surgimento dos candomblés com posse de terra na periferia das cidades e com agremiação de crentes e prática de calendário verifica-se incidentalmente em documentos e crônicas a partir do século XVIII». O autor considera difícil para «qualquer historiador descobrir documentos do período anterior diretamente relacionados à prática permitida, ou subreptícia, de rituais africanos». O documento mais remoto, segundo ele, seria de autoria de D. Frei Antônio de Guadalupe, Bispo visitador de Minas Gerais em 1726, divulgado nos «Mandamentos ou Capítulos da visita». Embora confinado originalmente à população de negros escravizados, inicialmente nas senzalas, quilombos e terreiros, proibido pela igreja católica, e criminalizado mesmo por alguns governos, o candomblé prosperou nos quatro séculos, e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888. Estabeleceu-se com seguidores de várias classes sociais e dezenas de milhares de templos. Em levantamentos recentes, aproximadamente 3 milhões de brasileiros (1,5% da população total) declararam o candomblé como sua religião.8 Na cidade de Salvador existem 2.230 terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros e catalogados pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, (Universidade Federal da Bahia) Mapeamento dos Terreiros de Candomblé de Salvador. Entretanto, na cultura brasileira as religiões não são vistas como mutuamente exclusivas, e muitas pessoas de outras crenças religiosas — até 70 milhões, de acordo com algumas organizações culturais Afro-Brasileiras — participam em rituais do candomblé, regularmente ou ocasionalmente.9 Orixás do Candomblé, os rituais, e as festas são agora uma parte integrante da cultura e uma parte do folclore brasileiro.


O Candomblé não deve ser confundido com Umbanda, Macumba, e/ou Omoloko, e outras religiões afro-brasileiras com similar origem; e com religiões afro-americanas similares em outros países do Novo Mundo, como o Vodou haitiano, a Santeria cubana, e o Obeah, em Trinidade e Tobago, os Shangos (similar ao Tchamba10 11 africano, Xambá e ao Xangô do Nordeste do Brasil) o Ourisha, de origem yoruba, os quais foram desenvolvidas independentemente do Candomblé e são virtualmente desconhecidos no Brasil.


Nações

Os negros escravizados no Brasil pertenciam a diversos grupos étnicos, incluindo os yoruba, os ewe, os fon, e os bantu. Como a religião se tornou semi-independente em regiões diferentes do país, entre grupos étnicos diferentes evoluíram diversas "divisões" ou nações, que se distinguem entre si principalmente pelo conjunto de divindades veneradas, o atabaque (música) e a língua sagrada usada nos rituais. A lista seguinte é uma classificação pouco rigorosa das principais nações e sub-nações, de suas regiões de origem, e de suas línguas sagradas: Nagô ou Yoruba Ketu ou Queto (Bahia) e quase todos os estados - Língua yoruba (Iorubá ou Nagô em Português) Efan na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo Ijexá principalmente na Bahia Nagô Egbá ou Xangô do Nordeste no Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo Mina-nagô ou Tambor de Mina no Maranhão Xambá em Alagoas e Pernambuco (quase extinto). Bantu, Angola e Congo (Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul), mistura de línguas Bantu, Kikongo e Kimbundo. Candomblé de Caboclo (entidades nativas índios) Jeje A palavra Jeje vem do yoruba adjeje que significa estrangeiro, forasteiro. Nunca existiu nenhuma nação Jeje na África. O que é chamado de nação Jeje é o candomblé formado pelos povos fons vindo da região de Dahomey e pelos povos Mahis ou Mahins. Jeje era o nome dado de forma pejorativa pelos yorubas para as pessoas que habitavam o leste, porque os mahis


eram uma tribo do lado leste e Saluvá ou povos Savalu do lado sul. O termo Saluvá ou Savalu, na verdade, vem de "Savé" que era o lugar onde se cultuava Nanã. Nanã, uma das origens das quais seria Bariba, uma antiga dinastia originária de um filho de Oduduá, que é o fundador de Savé (tendo neste caso a ver com os povos fons). O Abomey ficava no oeste, enquanto Ashantis era a tribo do norte. Todas essas tribos eram de povos Jeje,12 (Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo) - língua ewe e língua fon (Jeje) Jeje Mina língua mina São Luiz do Maranhão Babaçuê13 , Belém, Pará


Crenças

Candomblé é uma religião monoteísta,14 15 embora alguns defendam a ideia que são cultuados vários deuses, o deus único para a Nação Ketu16 é Olorum, para a Nação Bantu17 é Nzambi e para a Nação Jeje é Mawu, são nações independentes na prática diária e em virtude do sincretismo existente no Brasil a maioria dos participantes consideram como sendo o mesmo Deus da Igreja Católica. Os Orixás/Inquices/Voduns recebem homenagens regulares, com oferendas de animais, vegetais e minerais, cânticos, danças e roupas especiais. Mesmo quando há na mitologia referência a uma divindade criadora, essa divindade tem muita importância no dia-a-dia dos membros do terreiro, mas não são cultuados em templo exclusivo, é louvado em todos os preceitos e muitas vezes é confundido com o Deus cristão. os Orixás da Mitologia Yoruba18 foram criados por um deus supremo, Olorun (Olorum) dos Yoruba; os Voduns da Mitologia Fon19 foram criados por Mawu, o deus supremo dos Fon; os Nkisis da Mitologia Bantu,20 foram criados por Zambi, Zambiapongo, deus supremo e criador. O Candomblé cultua, entre todas as nações, umas cinquenta das centenas deidades ainda cultuadas na África. Mas, na maioria dos terreiros das grandes cidades, são doze as mais cultuadas. O que acontece é que algumas divindades têm "qualidades", que podem ser cultuadas como um diferente Orixá/Inquice/Vodun em um ou outro terreiro. Então, a lista de divindades das diferentes nações é grande, e muitos Orixás do Ketu podem ser "identificados" com os Voduns do Jejé e Inquices dos Bantu em suas características, mas na realidade não são os mesmos; seus cultos, rituais e toques são totalmente diferentes.


Adeptos do Candomblé. Orixás têm individuais personalidades, habilidades e preferências rituais, e são conectados ao fenômeno natural específico (um conceito não muito diferente do Kami do japonês Xintoísmo). Toda pessoa é escolhida no nascimento por um ou vários "patronos" Orixás, que um babalorixá identificará. Alguns Orixás são "incorporados" por pessoas iniciadas durante o ritual do candomblé, outros Orixás não, apenas são cultuados em árvores pela coletividade. Alguns Orixás chamados Funfun (branco), que fizeram parte da criação do mundo, também não são incorporados. Acreditam na vida após a morte, e que os espíritos dos babalorixás falecidos possam materializar-se em roupas específicas, são chamados de babá Egum ou Egungun e são cultuados em roças dirigidas só por homens no Culto aos Egungun, os espíritos das iyalorixás falecidas são cultuados coletivamente Iyami-Ajé nas sociedades secretas Gelede, ambos cultos são feitos em casas independentes das de candomblé que também se cultuam os eguns em casas separadas dos Orixás. Acreditam que algumas crianças nascem com a predestinação de morrer cedo são os chamados abikus (nascidos para morrer) que podem ser de dois tipos, os que morrem logo ao nascer ou ainda criança e os que morrem antes dos pais em datas comemorativas, como aniversário, casamento, e outras. Sincretismo No tempo das senzalas os negros para poderem cultuar seus orixás, nkisis e voduns usaram como camuflagem um altar com imagens de santos católicos e por baixo os assentamentos escondidos, segundo alguns pesquisadores este sincretismo já havia começado na África, induzida pelos próprios missionários para facilitar a conversão. Depois da libertação dos escravos começaram a surgir as primeiras casas de candomblé, e é fato que o candomblé de séculos tenha incorporado muitos elementos do cristianismo. Imagens e crucifixos eram exibidos nos templos, orixás eram frequentemente identificados com santos católicos, algumas casas de candomblé também incorporam entidades caboclos, que eram consideradas pagãs como os orixás.Mesmo usando imagens e crucifixos inspiravam perseguições por autoridades e pela Igreja, que viam o candomblé como paganismo e bruxaria, muitos mesmo não sabendo o que era isso.Nos últimos anos, tem aumentado um movimento em algumas casas de candomblé que rejeitam o sincretismo aos elementos cristãos e procuram recriar um candomblé "mais puro" baseado exclusivamente nos elementos africanos


Templos Os Templos de candomblé são chamados de casas, roças ou Terreiros.

As casas podem ser de linhagem matriarcal, patriarcal ou mista: Casas pequenas, que são independentes, possuídas e administradas pelo babalorixá ou iyalorixá dono da casa e pelo Orixá principal respectivamente. Em caso de falecimento do dono, a sucessão na maioria das vezes é feita por parentes consanguíneos, caso não tenha um sucessor interessado em continuar a casa é desativada. Não há nenhuma administração central. Casas grandes, que são organizadas tem uma hierarquia rígida, não é de propriedade do sacerdote, nem toda casa grande é tradicional, é uma Sociedade civil ou beneficente. A lei federal nº. 6.292 de 15 de dezembro de 1975 protege os terreiros de candomblé no Brasil, contra qualquer tipo de alteração de sua formação material ou imaterial. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Instituto Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) são os responsáveis pelo tombamento das casas. A progressão na hierarquia é condicionada ao aprendizado e ao desempenho dos rituais longos da iniciação. Em caso de morte de uma iyalorixá, a sucessora é escolhida, geralmente entre suas filhas, na maioria das vezes por meio de um jogo divinatório Opele-Ifa ou jogo de búzios. Entretanto a sucessão pode ser disputada ou pode não encontrar um sucessor, e conduz frequentemente a rachar ou ao fechamento da casa. Há somente três ou quatro casas em Brasil que viram seu 100° aniversário.


Hierarquia No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi, são separados por tipo de iniciação ao sacerdócio. Culto de Ifá participam tanto homens quanto mulheres, sendo um Culto patriarcal conduzido pelos Babalawos. Culto aos Egungun participam tanto homens quanto mulheres, sendo Culto patriarcal que lida diretamente com a ancestralidade, conduzidos pelos Ojés. Candomblé Ketu participam tanto homens quanto mulheres, sendo conduzido tanto por homens (Babalorixás) quanto por mulheres (Iyalorixás), entram em transe com Orixá. Candomblé Jeje participam tanto homens quanto mulheres, sendo conduzido tanto por homens quanto por mulheres Vodunsis, entram em transe com Vodun. Candomblé Bantu participam tanto homens quanto mulheres, sendo conduzido tanto por homens quanto por mulheres inicia Muzenzas, entram em transe com Nkisi.


Hierarquia no Culto aos Egungun Masculinos:

Alapini (Sacerdote Supremo, Chefe dos alagbás), Alagbá Sacerdote (Chefe de um terreiro), Ojê (iniciado com ritos completos), Ojê agbá (ojê ancião), Atokun (ojê que guia de Egum), Amuixan (iniciado com ritos incompletos), Alagbê (tocador de atabaque). Alguns oiê dos ojê agbá: Baxorun, Ojê ladê, Exorun, Faboun, Ojé labi, Alaran, Ojenira, Akere, Ogogo, Olopondá.

Femininos:

Iyalode (responde pelo grupo feminino perante os homens), Iyá egbé (lider de todas as mulheres), Iyá monde (comanda as ató e fala com os Babá), Iyá erelu (cabeça das cantadoras), erelu (cantadora), Iyá agan (recruta e ensina as ató), ató (adoradora de Egun). Outros oiê: Iyale alabá, Iyá kekere, Iyá monyoyó, Iyá elemaxó, Iyá moro.

Assogba Supremo sacerdote do culto de Obaluaiyê Babalosanyin: Responsável pela colheita das folhas.


Hierarquia no candomblé Ketu

Iyá / Babá: significado das palavras iyá do yoruba significa mãe, babá significa pai. Iyalorixá / Babalorixá: Mãe ou Pai de Santo. É o posto mais elevado na tradição afrobrasileira. Alagbá: Cargo masculino, chefe dos Oyê. Em algumas casas é também chamado de Ogan. Pode desempenhar diversas tarefas de cunho espiritual e civil e não entra em transe. Mogbá: Cargo masculino específico do culto a Xangô. Ministro de Xangô. Tojú Obá: Cargo masculino específico do culto a Xangô. Olhos do Rei. Iyaegbé / Babaegbé: É a segunda pessoa do axé. Conselheira, responsável pela manutenção da Ordem, Tradição e Hierarquia. Iyalaxé (mulher): Mãe do axé, a que distribui o axé e cuida dos objetos ritual. Iyakekerê (mulher): Mãe Pequena, segunda sacerdotisa do axé ou da comunidade. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos iniciados. Babakekerê (homem): Pai pequeno, segundo sacerdote do axé ou da comunidade. Sempre pronto a ajudar e ensinar a todos iniciados. Ojubonã ou Agibonã: É a mãe criadeira, supervisiona e ajuda na iniciação. Iyamorô: ou BabamorôResponsável pelo Ipadê de Exu. Iyaefun ou Babaefun: Responsável pela pintura branca das Iaôs. Iyadagan e Ossidagã: Auxiliam a Iyamorô. Axogun: Sacerdote responsável pelo sacrificio dos animais. Dependendo do caso, no ritual de iniciação, este sacerdote pode assumir outro cargo, ja que axogun é um ogan. Aficobá: Responsável pelos sacrifícios dos animais de Xangô. Aficodé: Responsável pelos sacrifícios dos animais de Oxossi. Iyabassê: (mulher): Responsável no preparo dos alimentos sagrados as comidas-desanto. Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando.


Iyatebexê ou Babatebexê: Responsável pelas cantigas nas festas públicas de candomblé. Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos e obrigações de "cantar folhas. Aiybá: Bate o ejé nas obrigações. Ològun: Cargo masculino. Despacha os Ebós das obrigações, preferencialmente os filhos de Ogun, depois Odé e Obaluwaiyê. Oloya: Cargo feminino. Despacha os Ebós das obrigações, na falta de Ològun. São filhas de Oya. Iyalabaké: A guardiã do alá de osaala. Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé. Pejigan: O responsável pelos axés da casa, do terreiro. Primeiro Ogan na hirarquia. Alagbê: Responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados. (não entram em transe). Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a alvorada. Se uma autoridade de outro Axé chegar ao terreiro, o Alagbê tem de lhe prestar as devidas homenagens. No Candomblé Ketu, os atabaques são chamados de Ilú. Há também outros Ogans como Gaipé, Runsó, Gaitó, Arrow, Arrontodé, etc. Ogâ ou Ogan: Tocadores de atabaques (não entram em transe). Ebômi: Ou Egbomi são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: meu irmão mais velho). Ajoiê ou ekedi: Camareira do Orixá (não entram em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Terreiro do Gantois, de "Iyárobá" e na Angola, é chamada de "makota de angúzo", "ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil. (em edição) Iaô: filho-de-santo (que já foi iniciado e entra em transe com o Orixá dono de sua cabeça), nem todo Iaô será um pai ou mãe de santo quando terminar a obrigação de sete anos. Ifá ou o jogo de búzios é que vai dizer se a pessoa tem cargo de abrir casa ou não. Caso não tenha que abrir casa o mesmo jogo poderá dizer se terá cargo na casa do pai ou mãe de santo além de ser um egbomi. Abiã ou abian: Novato. É considerada abiã toda pessoa que entra para a religião após ter passado pelo ritual de lavagem de contas e o bori. Poderá ser iniciada ou não, vai depender do Orixá pedir a iniciação.


Sarepebê ou sarapebê é responsável pela comunicação do egbe (similar a relações públicas). Otun e Osy Axogun são os auxiliares do Axogun Apokan responsavel pelo culto de Olwuaye e o Olugbajé


Hierarquia do candomblé Jeje

Os vodunsis da família de Dan são chamados de Megitó, enquanto que da família de Kaviungo, do sexo masculino, são chamados de Doté; e do sexo feminino, de Doné No Jeje-Mahi Doté é o sacerdote, cargo ilustre do filho de Sogbô Doné é a sacerdotisa, cargo feminino, esse título é usado no Terreiro do Bogum onde também são usados os títulos Gaiaku e Mejitó. similar à Iyalorixá No Jeje-Mina Casa das Minas Toivoduno Noche No Kwé Ceja Houndé Gaiaku, cargo exclusivamente feminino Ekede Os cargos de Ogan na nação Jeje são assim classificados: Pejigan que é o primeiro Ogan da casa Jeje. A palavra Pejigan quer dizer “Senhor que zela pelo altar sagrado”, porque Peji = "altar sagrado" e Gan = "senhor". O segundo é o Runtó que é o tocador do atabaque Run, porque na verdade os atabaques Run, Runpi e Lé são Jeje.


Hierarquia do candomblé Bantu ítulos Hierárquicos Bantu, Angola, Congo Tata Nkisi - Zelador. Mametu Nkisi - Zeladora. Tata Ndenge - pai pequeno. Mametu Ndenge - Mãe pequena(há quem chame de Kota Tororó, mas não há nenhuma comprovação em dicionário, origem desconhecida). Tata NGanga Lumbido - Ogã, guardião das chaves da casa. Kambondos - Ogãs. Kambondos Kisaba ou Tata Kisaba - Ogã responsável pelas folhas. Tata Kivanda - Ogã responsável pelas matanças, pelos sacrifícios animais (mesmo que axogun). Tata Muloji - Ogã preparador dos encantamentos com as folhas e cabaças. Tata Mavambu - Ogã ou filho de santo que cuida da casa de Exu (de preferência homem, pois mulher não deve cuidar porque mulher mestrua e só deve mexer depois da menopausa, quando não mestruar mais, portanto, pelo certo as zeladoras devem ter um homem para cuidar desta parte, mas que seja pessoa de alta confiança). Mametu Mukamba - Cozinheira da casa, que por sua vez, deve de prefer~encia ser uma senhora de idade e que não mestrue mais. Mametu Ndemburo - Mãe criadeira da casa(ndemburo = runko). Kota ou Maganga - Em outras nações EKEJI (todos os mais velhos que já passaram de 7 anos, mesmo sem dar obrigação, ou que estão presentes na casa, também são chamados de Kota). Tata Nganga Muzambù - babalawo - pessoa preparada para jogar búzios. Kutala - Herdeiro da casa. Mona Nkisi - Filho de santo. Mona Muhatu Wá Nkisi - Filha de santo (mulher). Mona Diala Wá Nkisi - Filho de santo(homem). Tata Numbi - Não rodante que trata de babá Egun(Ojé).


Sacerdotes na África

BANTU (ANGOLA-KONGO).

Kubama..................adivinhador de 1a categoria. Tabi....................adivinhador de 2a categoria. Nganga-a-ngombo.........adivinhador de 3a categoria. Kimbanda................feiticeiro ou curandeiro. Nganga-a-mukixi.........sacerdote do culto de possessão (Angola). Niganga-a-nikisi........sacerdote do culto de possessão (Kongo). Mukúa-umbanda...........sacerdote do culto de possessão (Angola-Kongo).


Divisão Sacerdotais no Brasil

Angola - língua quimbundo - Kongo - língua quicongo Mam’etu ria mukixi......sacerdotisa no Angola. Tat’etu ria mukixi......sacerdote no Angola. Nengua-a-nkisi..........sacerdotisa no Kongo. Nganga-a-nkisi.........sacerdote no Kongo. Mam’etu ndenge..........mãe pequena no Angola. Tat’etu ndenge..........Pai pequeno no Angola. Nengua ndumba...........mãe pequena no Kongo. Nganga ndumba...........pai pequeno no Kongo. Kambundo ou Kambondo....todos os homens confirmados. Kimbanda................Feiticeiro, curandeiro. Kisaba.................pai das sagradas folhas. Tata utala..............pai do altar. Kivonda.................Sacrificador de animais (Kongo). Kambondo poko...........sacrificador de animais (Angola). Kuxika ia ngombe........Tocador (kongo). Muxiki..................tocador( Angola). Njimbidi................cantador. Kambondo mabaia.........responsável pelo barracão. Kota....................todas as mulheres confirmadas. Kota mbakisi............responsável pelas divindades. Hongolo matona..........especialista nas pinturas corporais. Kota ambelai............toma conta e atende aos iniciados. Kota kididi............toma conta de tudo e mantém a paz.


Kota rifula.............responsável em preparar as comidas sagradas. Mosoioio................as (os) mais antigas. Kota manganza............título alcançado após a obrigação de 7 anos. Manganza.................título dado aos iniciados. Uandumba................designa a pessoa durante a fase iniciatória. Ndumbe..................designa a pessoa não iniciada.


Referências Faraimará, o caçador traz alegria: Mãe Stella, 60 anos de iniciação, Raul Giovanni da Motta Lody, Stella (de Oxóssi, Mãe.), Pallas, 1999 Agadá: dinâmica da civilização africano-brasileira, Marco Aurélio Luz, Editora da Universidade Federal da Bahia, 2000 A familia de santo nos canbombles Jejes-Nagos de Bahia, Vivaldo da Costa Lima, Bahia, 2003 Diáspora africana Por Nei Lopes História e ritual da nação jeje na Bahia, Luis Nicolau Parés, Editora Unicamp, 2006 Candomblé: agora é Angola Por Ivete Miranda Previtall Ancestralidade Africana no Brasil: Mestre Didi, 80 anos, Juana Elbein dos Santos, SECNEB, Sociedade de Estudos da Cultura Negra no Brasil, 1997 Um vento sagrado: história de vida de um adivinho da tradição nagô-kêtu ... Por Muniz Sodré, Luís Filipe de Lima, 1942 O candomblé da Bahia: (rito nagô), Roger Bastide, Companhia Editora Nacional/MEC, 1978


Pai-pequeno

Pai Pequeno é o mesmo que Babakekerê, é a segunda pessoa na casa de candomblé. Na ausência da Iyalorixá ou Babalorixá é ele que assume o comando. Está sempre presente e faz parte de todos os preceitos e obrigações.1 A Iyakekerê ou Mãe pequena, é seu correlato feminino, é a substituta da mãe ou do pai de santo, seu sucessor eventual, lhe está imediatamente abaixo na escala da hierarquia, como administradora civil e religiosa do candomblé.2 Esse cargo na maioria das vezes é ocupado pelo primeiro iniciado na casa de candomblé filha/o mais velho portanto. Pode ocorrer também, que o orixá da iyalorixá ou babalorixá escolha um outro filho que não o primeiro para ocupar a função, por questão de confiança ou por ser alguém da família. Dependendo da casa, o pai pequeno ou mãe pequena será o primeiro da lista de sucessão ao cargo de direção da casa, no caso de falecimento do pai ou mãe de santo. Em outras essa decisão é só através do jogo de búzios, e em outras é hereditário, só pessoas da própria família, (ex:, Terreiro do Gantois) até hoje só mulheres da família assumiram o cargo de iyalorixá. A palavra Pai Pequeno, pode ser utilizada de duas formas: quando se refere ao cargo de uma casa de candomblé, e quando uma pessoa ajuda o babalorixá na iniciação de um neófito, ele será o pai pequeno desse neófito. Todo iniciado tem um babalorixá ou iyalorixá e um pai pequeno ou mãe pequena. No caso é a pessoa que cuida do iniciado durante todo o período de recolhimento e o responsável pela educação do mesmo dia e noite na ausência do babalorixá.


Comida ritual

Abará Abalá Abadô Aberém Abóbora de caboclo Acaçá Acarajé Ado Ajebo Amalá Amió Angu Arroz de hausa Axoxô Bobó Carurú Deburu ou doburu Dibô Ebô Ebôya Efó Erã peterê Ekuru Farofa


Fubá Furá Imbé Ipeté Ixé Jacuba Jurema Lelê Mukunza Ori Omolocum Vatapá


Abará

Abará é um bolinho de feijão-fradinho moído cozido em banho-maria embrulhado em folha de bananeira. É um prato típico da culinária baiana. Também faz parte da comida ritual do candomblé.1 É feito com a mesma massa que o acarajé: a única diferença é que o abará é cozido, enquanto o acarajé é frito. Etimologia "Abará" é oriundo do termo iorubá aba'ra

Preparo O preparo da massa é feito com feijão fradinho, que deve ser quebrado em um moinho em pedaços grandes e colocado de molho na água para soltar a casca. Após retirada toda a casca, passa-se novamente no moinho. Desta vez, deverá ficar uma massa bem fina. A essa massa, acrescentam-se cebola ralada, sal, camarão seco e azeite de dendê. Quando for comida de ritual, coloca-se um pouco de pó de camarão, e, quando fizer parte da culinária baiana, colocam-se camarões secos previamente escaldados para tirar o sal. Os camarões secos podem ser moídos junto com o feijão, preservando-se alguns inteiros. Essa massa deve ser envolvida em pequenos pedaços de folha de bananeira, analogamente ao processo usado para se fazer o acaçá, e deve ser cozido no vapor em banho-maria. Pode ser comido puro, mas, geralmente, é ingerido com camarão, caruru, vatapá e salada, e, para quem gosta, pimenta.


Abalá

Origem: Abalá é um nome comum a dois tipos de comidas rituais votivas, inerentes aos orixás obá, xango e Yewá, quando feita de massa de milho verde, ou da massa de carimã votiva ao orixá nanã. Este alimento ritual é muito apreciado pelo povo do santo e pela maioria dos nordestinos e chamado popularmente de pamonha de milho verde e pamonha de carimã. Embora a palavra abalá seja descrito no dicionário Aurélio como o mesmo que abará, todavia pela primeira vez Raul Lody refere-se a esta iguaria feita com massa de milho verde. diferença

Abalá de milho O milho verde é ralado e à massa resultante é misturada ao leite de coco com parte do bagaço, sal e açúcar. Esta massa é colocada em "palha" da própria casca do milho, atados nas extremidades. As pamonhas são submetidas a cozimento submersas em água fervente por um período de 15 minutos. Abalá de carimã O aipim previamente descascado é submergido por um período de quatro dias para obter uma massa chamada de carimã, misturada ao leite de coco com parte do bagaço, sal e açúcar. Esta massa é colocada em "palha de aguedé" (bananeira), atados nas extremidades. As pamonhas são submetidas a cozimento submersas em água fervente por um período de 25 minutos.


Aberém

Origem: Aberém é prato típico da cozinha da Bahia, bolinho de origem afro-brasileira, feito de milho ou arroz moído na pedra, macerado em água, salgado e cozido em folhas de bananeira secas.1 No candomblé, é utilizada como comida-de-santo, sendo oferecida a Omolu e Oxumaré. O aberém pode ser servido como acompanhamento para pratos salgados ou como sobremesa.


Abóbora de caboclo

Origem: Abóbora de caboclo é um nome da comida ritual votiva, pertinente à vários tipos de caboclos, sempre vista em suas festas e oferendas no candomblé de caboclo. Geralmente a abóbora "jerimum", "moranga" ou "guiné" é cozida inteira, tirada um pedaço arredondado na parte superior onde é recheada com fumo de rolo, mel de abelha, vinho e ornada com folha da costa, depois oferendada aos ancestrais indígena e caboclo.


Acaçá

Origem: O Acaçá ÀKÀSÀ,OU EKO é uma comida ritual do candomblé e da cozinha da Bahia. Feito com milho branco ou vermelho, que fica de molho em água de um dia para o outro, e deve ser depois passado em um moinho para formar a massa que será cozida em uma panela com água, sem parar de mexer, até ficar no ponto. Este se adivinha quando a massa não dissolve, se pingada em um copo com água. Ainda quente, pequenas porções da massa devem ser embrulhadas em folha de bananeira já limpa, passada no fogo e cortada em pedaços de igual tamanho, para ficar tudo harmonioso. Colocar a folha na palma da mão esquerda e colocar a massa. Com o polegar dobrar a primeira ponta da folha sobre a massa, dobrar a outra ponta cruzando por cima e virando para baixo, fazendo o mesmo do outro lado. O formato que resulta é o de uma pirâmide retangular. Aqui o grande fundamento é que o sangue dos animais jamais pode jorrar sobre os ibás sem a presença do elemento pacificador, pois, o acaçá simboliza a paz. Quando ofertado e retirado do seu invólucro verde, tornando-se a comida de Oxalá que agrada a todos os orixás, a primeira oferenda que deve ser colocada diretamente no assentamento, juntamente com o obi e a água, antes de qualquer sacrifício. O acaçá deve permanecer fechado,imaculado até o momento de ser entregue ao Orixá, só então é retirado da folha. É como se o sagrado tivesse que ficar oculto até a hora da oferenda, prova de que o segredo é quase sempre um elemento consagrado. Todos os orixás recebem o acaçá como oferenda.


Acarajé

Origem: O acarajé é uma especialidade gastronômica da culinária afro-brasileira feita de massa de feijão-fradinho, cebola e sal, frita em azeite de dendê. O acarajé pode ser servido com pimenta, camarão seco, vatapá e caruru (todos estes, também pratos típicos da culinária da África e cozinha da Bahia).


História do acajé Manuel Querino, em "A arte culinária na Bahia", de 1916, conta, na primeira descrição etnográfica do acarajé, que "no início, o feijão-fradinho era ralado na pedra, de 50 centímetros de comprimento por 23 de largura, tendo cerca de 10 centímetros de altura. A face plana, em vez de lisa, era ligeiramente picada por canteiro, de modo a torná-la porosa ou crespa. Um rolo de forma cilíndrica, impelido para frente e para trás, sobre a pedra, na atitude de quem mói, triturava facilmente o milho, o feijão, o arroz". O acarajé dos Iorubás da África ocidental (Togo, Benim, Nigéria, Camarões) que deu origem ao brasileiro é, por sua vez, semelhante ao Falafel árabe inventado no Oriente Médio. Os árabes levaram essa iguaria para a África em diversas incursões entre os séculos VII e XIX. As favas secas e grão de bico do falafel foram alternados pelo feijãofradinho na África.1 2


Acarajé de orixá

O acarajé é uma comida ritual da orixá Iansã. Na África, na língua iorubá, é chamado de àkàrà, que significa "bola de fogo", enquanto que je possui o significado de "comer". No Brasil, foram reunidas as duas palavras numa só, acara-je, ou seja, "comer bola de fogo". "Acará" também é o nome de um pedaço de algodão embebido em azeite que era colocado em chamas e engolido pelos filhos de santo para estes provarem que estavam em transe, nos rituais de candomblé (daí, a expressão "bola de fogo").3 O acarajé, o principal atrativo no tabuleiro, é um bolinho característico do candomblé. Sua origem é explicada por um mito sobre a relação de Xangô com suas esposas,Oxum e Iansã. O bolinho se tornou, assim, uma oferenda a esses orixás. Mesmo ao ser vendido num contexto profano, o acarajé ainda é considerado pelas baianas como uma comida sagrada. Por isso, a sua receita, embora não seja secreta, não pode ser modificada e deve ser preparada apenas pelos filhos de santo. O acarajé é feito com feijão-fradinho, que deve ser quebrado em um moinho em pedaços grandes e colocado de molho na água para soltar a casca. Após retirar toda a casca, passar novamente no moinho, desta vez deverá ficar uma massa bem fina. A essa massa acrescenta-se cebola ralada e um pouco de sal. O segredo para o acarajé ficar macio é o tempo que se bate a massa. Quando a massa está no ponto, fica com a aparência de espuma. Para fritar, use uma panela funda com bastante azeite de dendê.


Normalmente, usam-se duas colheres para fritar, uma colher para pegar a massa e uma colher de pau para moldar os bolinhos. O azeite deve estar bem quente antes de colocar o primeiro acarajé para fritar. Esse primeiro acarajé sempre é oferecido a Exu pela primazia que este tem no candomblé. Os seguintes são fritos normalmente e ofertados aos orixás para os quais estão sendo feitos. O acará oferecido ao orixá Iansã diante do seu Igba orixá é feito num tamanho de um prato de sobremesa na forma arredondada e ornado com nove ou sete camarões defumados, confirmando sua ligação com os odus odi e ossá no jogo do merindilogun (cercado de nove pequenos acarás, simbolizando mensan orum, nove planetas).4 O acará de Xangô tem uma forma oval imitando o cágado, que é seu animal preferido, e cercado com seis ou doze pequenos acarás de igual formato, confirmando sua ligação com os odus Obará e êjilaxeborá.


Acarajé da baiana

O acarajé também é um prato típico da culinária baiana e um dos principais produtos vendidos no "tabuleiro da baiana" (nome dado ao recipiente usado pela baiana do acarajé para expor os alimentos), que são mais carregados no tempero e mais saborosos, diferentes de quando feitos para o orixá. A forma de preparo do acarajé da baiana é praticamente a mesma em relação ao acarajé de orixá:a diferença está no modo de ser servido. Ele pode ser cortado ao meio e recheado com vatapá, caruru, camarão refogado e pimenta. O acarajé tem similaridade com o abará, diferindo apenas na maneira de cozer. O acarajé é frito, ao passo que o abará é cozido no vapor. Os ingredientes do acarajé são: meio quilograma de feijão-fradinho descascado e moído; 150 gramas de cebola ralada; uma colher de sobremesa de sal ou a gosto; e um litro de azeite de dendê para fritar. O recheio de camarão é feito com 4/6 xícara de azeite de dendê, 3 cebolas picadas, alho a gosto, 700 gramas de camarão defumado sem casca refogados por 10 a 15 minutos. É possível acrescentar caruru, vatapá e pasta de pimenta malagueta refogada no dendê.

Referências Revista GOSTO - Isabella Editora - São Paulo -SP; Nr.004 (outubro 2009), Página 87 Crônica Histórica - A viagem do acarajé - Artigo de J.A Dias Lopes semelhança das receitas confirma uma tese do acarajé com Falafel. Jamais haverá unanimidade sobre o local exato da invenção do falafel CUNHA, A. G. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. p. 8. Orum-Aye, José Benistes


Ajebo Ajebo ou ajébo é comida ritual do Orixá Xango ayra

É feito com seis ou doze quiabos cortados em "lasca", batidos com três claras de ovos até formar um musse, regado com gotas de mel de abelha e azeite doce. Colocado em uma gamela forrada com massa de acaçá ou pirão de farinha de mandioca, ornado com doze quiabos inteiros, doze moedas circulantes, doze bolos de milho branco e seis Orobôs. A mesma oferenda pode ser oferecida a outras qualidades de Xangô, todavia acrescenta-se azeite de dendê e substitui os doze bolos de milho branco por doze acarajés.

Referências Cossard, Giselle Omindarewá, Awô, O mistério dos Orixás. Editora Pallas.


Amalá

Amalá é comida ritual votiva do Orixá Xangô, Iansã, Obá e Ibêji

No Candomblé é feito com quiabo cortado, cebola ralada, pó de camarão, sal, azeite de dendê ou azeite doce, pode ser feito de várias maneiras. É oferecido em uma gamela forrada com massa de acaçá. Também chamado pelo povo de santo nos candomblés jeje-nagôs de caruru. No Batuque do Rio Grande do Sul é preparado a base de um pirão de farinha de mandioca, onde se adicionam um molho de carne de peito bovina com mostarda, servido em uma gamela junto com bananas e maçã. Pode sofrer muitas variações na sua forma de preparo, chegando a mais de trinta pratos diferentes de Amalá


Angu

Angu é um prato típico da culinária brasileira preparado geralmente com fubá (farinha de milho), pouca água e sal escaldados. Nas regiões em que houve influência de imigrantes italianos, o angu passou a ser conhecido como polenta, prato italiano com receita praticamente igual. Além da receita utilizando farinha de milho, o angu também pode ser preparado com farinha de mandioca ou com farinha de arroz.

Etimologia O nome "angu" vem da palavra àgun do idioma africano fon da África Ocidental,2 onde a palavra se referia a uma papa de inhame sem tempero. A palavra também pode provir do ioruba a'ngu.3 Vale observar, entretanto, que, a partir de 1498, os portugueses começaram a propagar o milho pela costa africana, começando na bacia do Congo. A palavra "angu" passou a ser usada no Brasil para papas feitas com farinha de mandioca ou de milho, as quais eram acompanhadas por miúdos de carne de vaca ou de porco. Com o tempo, a palavra "angu" passou a ser usada apenas para as papas feitas com fubá, enquanto as papas feitas de farinha de mandioca passaram a ser chamadas de pirão


História

Na primeira metade do século XIX, o artista e cronista Jean-Baptiste Debret, em Voyage pittoresque et historique au Brésil, descreve a venda do angu de farinha de mandioca:

“ O angu, iguaria de consumo generalizado no Brasil, e cujo nome se dá também à farinha de mandioca misturada com água, compõe-se no seu mais alto grau de requinte, de diversos pedaços de carne, coração, bofe, língua, amígdalas e outras partes da cabeça à exceção do miolo, cortados miúdo e aos quais se ajuntam água, banha de porco, azeite dendê, cor de ouro e com gosto de manteiga fresca, quiabos, legume mucilaginoso e ligeiramente ácido, folhas de nabo, pimentão verde ou amarelo, salsa, cebola, louro, salva e tomates; o conjunto é cozido até adquirir a consistência necessária. Ao lado da marmita do cozido, a vendedora coloca sempre uma outra para a farinha de mandioca molhada. A mistura, servida convenientemente, lembra a primeira vista, um prato de arroz, recoberto de um molho marrom dourado de onde emergem pequenos pedaços de carne. Eis a iguaria, aliás suculenta e gostosa, que figura, não raro, à mesa das brasileiras tradicionais de classe abastada que com ela se regalam, embora entre chacotas destinadas a salvar as aparências e o amor próprio.”2Esse angu, relatado por Debret, era uma comida de escravos, cujos trabalhos e maus-tratos que sofreram foram registrados nas aquarelas do pintor. Saint-Hilaire também descreve esse angu (1816), em Minas Gerais, como uma "espécie de polenta grosseira" que era o principal alimento dos escravos.4 A venda do angu pode se mostrar de importância ao se saber que o Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, em 10 de julho de 1835, estampava o seguinte anúncio: "Participase aos que vendem angu, que na rua dos Ourives n. 137, se acha a venda azeite de dendê fresco, em barris, a 1$200 cada medida". Em Minas Gerais e Rio de Janeiro, o angu preparado apenas com o fubá de milho e água, sem a adição de sal, e com consistência mais firme, é conhecido como "angu mineiro". Quando preparado de forma mais cremosa, para ser misturado com miúdos de vaca e porcos na hora de consumo, é conhecido como "angu à baiana". O preparo dos miúdos de vaca e de porco é bem semelhante ao do sarapatel. Na cidade do Rio de Janeiro, continuando a tradição das vendedoras de angu do século XIX, ficou famoso, entre as décadas de 1960 e 1980, o Angu do Gomes, uma rede de carrocinhas ambulantes pertencentes ao português conhecido como "velho Gomes"5 que vendia apenas o "angu à baiana". Com preços populares, a rede fazia sucesso nas noites e madrugadas da cidade. Havia carrocinhas na Praça Quinze de Novembro junto


à Estação das Barcas, no Centro; na praça do Lido, no bairro de Copacabana; e em frente ao estádio do Maracanã nos dias de jogo de futebol. A partir de 1977, a tradição do "angu do Gomes" foi continuada pelo filho do velho Gomes, João Gomes, que inaugurou um restaurante no bairro da Saúde intitulado "Angu do Gomes", com cardápio baseado na receita do famoso angu.6 Na Bahia, faz-se outro tipo de angu. Em São Tomé e Príncipe, na costa da África, faz-se o angu de banana. Levado para a Europa pelos conquistadores da América, o milho acabou se incorporando a diversas culinárias da Europa, principalmente no norte da Itália, onde a polenta não pode faltar em nenhuma mesa. A imigração italiana trouxe, para o Brasil, a polenta, o fubá cozido na versão mais consistente do que o angu, que pode ser grelhado ou frito em pedaços.

Bibliografia DEBRET, Jean-Baptiste - Voyage pitoresque et historique au Brésil, ou Séjour d'un artiste français ao Brésil - (Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, ou Cotidiano de um artista francês no Brasil). Primeiro volume - 1834. Segundo volume, 1835. Terceiro volume - 1839.


Arroz de hausa

O Arroz de hauçá é comumente chamado de arroz papa na culinária tradicional. É um arroz cozido com bastante água exatamente para ficar mais cozido e quase desmanchando. Tempera-se normalmente. Na gíria costuma-se chamar de 'arroz unidos venceremos' uma brincadeira que se faz quando um arroz passa do ponto e amolece demais. No Candomblé é uma comida ritual trazida da África pelo povo hausa, cozido somente com bastante água, não se coloca óleo, nenhum tempero, nem sal pois será oferecido à Oxalá e Iemanjá, mas pode ser oferecido à todos os Orixás em formato de bolas ou numa tigela.


Axoxô

Axoxô ou Oxoxô é como é conhecida a comida ritual dos Orixás Oxóssi e Ogum no candomblé e umbanda, que consiste em milho vermelho cozido. Quando oferendado pra o orixa ogum é refogado com cebola ralada, camarão seco defumado, sal e azeite de dendê. Quando oferendado para orixá oxóssi o milho cozido é misturado com melaço (Mel de cana de açúcar), não confundir com mel de abelha que é o grande ewo deste orixá, enfeitado com fatias de coco sem casca.

Nota. Esta mesma oferenda pode ser consagrado à Olokun.


Bobó

Bobó de camarão é um prato da culinária brasileira. De consistência cremosa, feito com camarões refogados em temperos verdes e leite de coco, misturados no purê de aipim e mais azeite de dendê (opcional), gengibre e camarões secos (opcionais) É servido acompanhado de arroz branco, mas também pode ser servido com pirão.


Caruru

O caruru é um cozido de quiabos ou carurus, que costuma ser servido acompanhado de acarajé ou abará, de pedaços de carne, frango ou peixe, de camarões secos, de azeite de dendê e de pimenta. É um prato típico da culinária baiana, originário da culinária africana. É utilizado como comida ritual do candomblé. Foi, provavelmente, trazido para o Brasil pelos escravos africanos. Origem Segundo Guilherme Piso, que viveu em Pernambuco (1638-1644), o caruru é um prato de origem africana, também designando uma erva de uso medicinal e alimentício. No seu relato em Historia Naturalis Brasiliae, o médico do conde Maurício de Nassau informa que "come-se este bredo (caruru) como legume e cozinha-se em lugar de espinafre...". Outro relato, em 1820, na Amazônia, por Von Martius, cita o "caruruaçu" durante uma refeição com os nativos próximo ao rio Madeira, quando experimentou "um manjar de castanhas socadas com uma erva parecida com o espinafre..." Durante sua visita à África, em 1957, o padre Vicente Ferreira Pires chamou de "caruru de galinha" a refeição em Daomé, revelando que o caruru já possuía influência africana pelo uso do dendê, palmeira de origem africana. Originalmente, o caruru brasileiro era um refogado de ervas que servia para acompanhar outro prato (carne ou peixe). A versão atual do caruru, no entanto, é mais africana que indígena, sendo feita com quiabo, pimenta-malagueta, camarão seco e azeite de dendê.


Deburu

Doburu - é a comida ritual dos Orixás Obaluaiyê e Omolu, é o milho de pipoca estourado em uma panela, em alguns lugares com óleo, em outros com areia. Nesse último caso, é preciso peneirar a areia dessa pipoca depois de pronta. Ao final, a pipoca é colocada em um alguidar (vasilha de barro) e enfeitada com pedacinhos de coco.


Ebôya

Ebôya, eboia ou fava de iemanjá é uma comida ritual feito com fava cozido refogado com cebola, camarão, azeite de dendê ou azeite doce. A mesma oferenda pode ser preparada com o milho branco na falta da fava, todavia recebe o nome de Dibô, possuindo o mesmo valor ritual. É uma comida oferecida especificamente ao orixá Iemanjá, podendo ser vista nos rituais de ori, bori e assentamento de cabeça, no sentido de dar equilíbrio espiritual.


Efó

Efó - é um prato típico da cozinha da Bahia.

Ingredientes

Meio quilo de camarão seco, descascado.

Pimenta-malagueta em pó.

Meio dente de alho.

Uma cebola.

Uma pitada de coentros.

Um maço de língua-de-vaca (ou taioba, ou bertalha, ou espinafre, ou mostarda)


Preparação

Primeiro, aferventa-se a língua-de-vaca, escorre-se na peneira, estende-se na tábua e bate-se bem com a faca, até ficar informe.

Enxuga-se e estende-se na peneira para secar toda a água.

Cozinha-se no azeite-de-dendê puro, temperado com todo o resto.

E a panela fica tampada, para suar.

Come-se com arroz.

Nanã, rainha das águas doces, quando escolhe, pede um bom efó de língua-de-vaca: língua-de-vaca, erva muito comum na Bahia.

Alguns autores citam como sendo a mostarda, mas é inexato.


Erã peterê

Erã peterê, eran peterê ou simplesmente peteran, como é comumente chamado pelos adeptos do candomblé, é o nome da comida ritual votiva, pertinente a vários rituais e orixás do candomblé. É preparada com carne fresca (de preferência, oriunda dos rituais de sacrifício) e sal e rapidamente frita no azeite de dendê. Em caso de o orixá ser funfun, deve-se substituir o sal pela cebola e o dendê por azeite doce e oferecido ao orixá regente da obrigação, independente do ixé. A mesma comida ritual, recheada de camarão defumado e chamada popularmente xinxim ou moqueca de carne, é servida normalmente aos adeptos do candomblé nas festas de barracão, sendo uma comida votiva ao orixá Akeran por ter ligação com o eran (carne).

Etimologia "Xinxim" é proveniente do termo ioruba xin'xin


Ekuru

Ekuru é uma comida ritual. A massa é preparada da mesma forma que a massa do acarajé, feijão fradinho sem casca triturado, envolto em folhas de bananeira como o acaçá e cozido no vapor.


Farofa (ritual)

Farofa ou mi-ami-ami é um nome comum a v��rios tipos de comidas rituais votivas, feita de uma mistura, que tem como base farinha de mandioca, "farinha de pau ou farinha de guerra". Esta comida ritual sagrada, também é um alimento ritual e muito apreciada pela maioria do povo do santo da cultura Nago-Vodum. "Farofa" é uma palavra iorubá, e no Bénim e na Nigéria é um prato profano preparado do mesmo jeito que no Brasil, com farinha de mandioca, ovos, aceite de dendé. Tipos Farofa-de-dendê, farofa amarela, farofa vermelha, farofa de azeite ou farofa de bambá são nomes comumente chamado pelo povo do santo em sua variada apresentação a depender do ritual que esteja acontecendo. Normalmente é chamada de farofa de dendê a farofa servida aos adeptos e participantes do candomblé, feita com farinha, azeite de dendê, camarão seco, cebola e sal, vista sempre no ritual do olubajé. Os outros tipos são denominações para rituais pertinentes a limpeza de corpo, padê de exu, sasanha, afexu, axexê etc. Também oferecido para alguns orixas e preparadas só com azeite de dendê e sal. Farofa branca, farofa de agua ou farofa de egum, são farofas preparadas só com água e sal. Determinados orixas funfuns apreciam esta iguaria e algus preferem sem sal. Farofa de mel ou mi-ami-ami owin é uma farofa preparada com farinha e mel de abelha, muito utilizada nos rituais de erê, ibeji, osain e oxun, comumente visto nos carurus dos santos gêmeos e devoção a São Cosme e São Damião, Crispim e Crispiniano. Farofa de cachaça ou mi-ami-ami otin é uma farofa preparada com farinha e cachaça, muito utilizada nos rituais de exu, padê e limpeza de corpo. O povo do santo também


chamam de farofa de cacha莽a toda farofa feita com aguardentes, vinhos ou qualquer bebida alco贸lica.


Fubá

Fubá (do quimbundo fuba, "farinha") é a farinha fina feita com milho ou arroz moído muito empregada na culinária. Na sua versão de farinha de milho, é muito utilizado para fazer bolos, sendo o bolo de fubá um alimento típico de festas juninas no Brasil1 . Foi introduzido no Brasil pelos portugueses mas passou a ser utilizado mais intensamente no século XVIII por tropeiros muitas vezes substituindo a farinha de mandioca .


Furá

Furá, bolinhos, ou bola de: arroz, inhame, farinha de mandioca, farinha de milho... etc. é o nome da comida ritual votiva, pertinente a vários rituais e orixas da cultura afro brasileira denominado de candomblé. Este alimento ritual é muito comum nos rituais de limpeza de corpo, bori, assentamento de cabeça, axexê, apanan, feitura de santo, sasanha etc.


Tipos

Bolas de arroz. O Arroz é cozido na água sem sal, até ficar pastoso, depois batido com uma colher de pau até soltar da panela, em seguida formar os bolos de forma arredondada com as mãos. Esta comida ritual é para os orixás funfuns e rituais de bori, assentamento de cabeça. Bolas de farinha. Em um alguidá coloca-se a farinha, depois a água e modela os bolos de forma arredondada com as mãos. Esta comida ritual é para limpeza de corpo e axexê. Bolas de inhame. O inhame deve ser bem cozido em água sem sal, depois pilado em pilão, ou com a ponta de um garfo, em seguida sovado para obter uma massa pastosa e modela os bolos de forma arredondada com as mãos. Esta comida ritual é muito apreciada pelos orixás oxaguian, oxalufan, oxalá, yemanja e entra em vários rituais como bori, assentamento de cabeça, axexê, apanan, feitura de santo, sasanha etc. Bolinhos de dendê Em um alguidá coloca-se a farinha, depois a água, azeite de dendê e modela os bolos de forma arredondada com as mãos. Esta comida ritual é para limpeza de corpo, axexê e oferenda ao orixá Exu. Bolinhos de egun Em um alguidá coloca-se a farinha, depois a água com aguardente e modela os bolos de forma arredondada com as mãos e acrescenta um pequeno pedaço de carvão vegetal. Esta comida ritual é para limpeza de corpo, axexê e Egum. Bolinhos de iemanjá O Arroz ou milho branco é cozido na água sem sal, até ficar pastoso, depois batido com uma colher de pau até soltar da panela, em seguida formar os bolos de forma arredondada com as mãos. Esta comida ritual é para os orixás funfuns e rituais de bori, assentamento de cabeça, em especial como o nome já diz é oferecido para o orixá Yemanjá. Bolinho de tapioca A tapioca e colocada em leite de coco e açúcar até ficar pastoso, depois batido com uma colher de pau até soltar da panela e depois sova, em seguida formar os bolos de forma arredondada ou alongada com as mãos. Esta comida ritual é para os orixás funfuns e rituais de bori, assentamento de cabeça. Os de formas alongadas são fritos em azeite ou óleo, sendo carinhosamente oferendado aos ibejis e apreciados pelo povo do santo. Nota Este mesmo bolinho é vendido nos tabuleiros das baianas de acarajé com o nome de punheta ou bolinho de estudante


Ipeté

Ipeté, é um dos pratos da culinária baiana e como o acarajé também faz parte da comida ritual do candomblé, oferecida especialmente ao orixa Oxun. inhame, azeite de dendê, cebola raladas, camarão sêco e defumado, gengibre ralado, camarões frescos inteiros e cozidos para enfeitar e sal. Também oferecido ao Orixá Oxaguian, substituindo o dendê por azeite doce na festa do Pilão.


Preparo Tirar a casca do inhame e cortar em pedaços pequenos, cozinhar ao ponto de amassar com um garfo, colocar os temperos e um pouquinho de sal e bater com uma colher de pau até ficar no ponto de um purê. Colocar em uma tigela e enfeitar com os camarões inteiros.


Ixé

Ixé, inché ou eran axé é o nome da comida ritual votiva, oferecida a todos orixás da cultura afro brasileira denominado de candomblé. Este alimento ritual é um dos mais sagrados e importantes para o povo do santo. Preparado com "miúdos" entranhas e extremidades dos animais sacrificados nos rituais de oroeje, podendo ser cozidos ou não, a depender da vontade do orixá e temperado com cebola, sal e camarão seco ou com outros temperos como lelecun, bejerecum, aridan, obi, atarê, orobô, etc., tudo consultado previamente no oraculo do merindilogun. Preceitos A complexidade desta comida ritual envolve os demais sacerdotes do candomblé, como babalorixá ou iyalorixá, axogun, ekede, ogan, iyamorô, iyaefun, e principalmente a iyabassê que prepara este alimento indispensável na feitura de santo e construções de assentamentos de orixás. O Ixé Pode ser conduzido por qualquer pessoa que possua Oye como babalorixá ou iyalorixá, axogun, ekede, ogan, iyamorô, iyaefun, iyabassê, peji com muito respeito e cânticos específicos por todos da comunidade e colocado em frente dos assentamentos e ali recitados versos do itan e feito vários orikis e adurá, podendo permanecer por um período de apenas três horas, três dias ou sete. Normalmente esta grande oferenda é repartida para todos os crentes no sentido de obter a força do sagrado e fortificar os laços familiar.


Mukunza

Mukunza (às vezes também mukunzá) é uma comida votiva feita de milho branco oferecida a orixás do candomblé na tradição afro-brasileira, a qual a denomina ebô.1 O termo vem do quimbundo e significa «milho cozido».1 Em Angola, mukunza é um alimento ritualístico servido em velórios


Ori (manteiga)

Ori ou limo da costa, também chamado de banha de Ori, é uma manteiga extraida do fruto de Karité, árvore encontrada exclusivamente na África, seu nome científico é Butyrospermum parkii (G. Don) Kotschy. As africanas acreditam que este fruto guarda poderes místicos, que elas guardam em segredo. No Brasil é bastante usado pelo povo do santo, principalmente nos rituais de iniciação ou feitura de santo e no preparo da comida de Orixá. É também usado em conjunto com manteiga de cacau na indústria cosmética, geralmente como protetor labial.


Omolocum

Omolocum - comida ritual da Orixá Oxum, é feito com feijão fradinho cozido, refogado com cebola ralada, pó de camarão defumado, sal, azeite de dendê ou azeite doce. Enfeitado com camarões inteiros e ovos cozidos inteiros sem casca, normalmente são colocados 5 ovos ou 8 ovos, mas essa quantidade pode mudar de acordo com a obrigação do candomblé.


Omolokum

Omolokum significa literalmente filho do mar: Omo(filho) Lo(do) Okum(mar). Também é o nome da comida ritual do Orixá Oxum e cada grão de feijão fradinho faz alusão aos óvulos encontrado no ovário feminino que simboliza a fertilidade e possibilidade de nascimento. Esta comida ritual é oferecida ao Orixá Oxum e as Yámis. O feijão fradinho dever ser colocado de molho em água natural no mínimo cinco horas antes do preparo, na hora do cozimento os grãos devem ser colocados diretamente em água fervente, para evitar as toxinas e a ação do enxofre que causa dores abdominais e gases. Depois de cozidos devem ser escorridos e refogados com cebola ralada, camarão defumado, sal, azeite de dendê, azeite doce e noz-moscada. Sempre colocado em recipientes redondos em ligação ao útero e ovário, enfeitado com camarões inteiros e ovos cozidos inteiros sem casca, normalmente são colocados 5 ovos mas essa quantidade pode mudar de acordo com a obrigação do candomblé. A comida de Orixá difere, assim, das comidas servidas no dia a dia do terreiro, bem como daquelas passadas no corpo das pessoas, usadas para “descarregar”, limpar, livrar de algum contra-axé (infortúnios). Em linhas gerais, comida é tudo que se come. Desde à pimenta e o obi, que se masca para conversar com o Orixá, ao naco de carne oferecido a este mesmo Orixá, partilhado pela pessoa. Nesse processo de diferenciação, em que o ingrediente, na sua grande maioria, são os mesmos, muda-se a forma de ritualizar, a elaboração, o cuidado, “o tratamento”, a maneira de lidar com o mesmo ingrediente, o sentido impresso e invocado através das palavras de encantamento, cantigas e rezas.


VOUTANDO A FALAR DE COMIDA DE SANTO SÓ PARA LEMBRA

Comida Ritual

Comida ritual, nas religiões consideradas afro brasileiras, são as comidas específicas de cada Orixá, cujo preparo requer um verdadeiro ritual. Esses alimentos depois de prontos são oferecidos aos Orixás acompanhados de rezas e cantigas. Durante a festa ou no final, em grande parte são distribuídas para todos os presentes. São chamadas comida de axé, pois acredita-se que o Orixá aceitou a oferenda e impregnou de axé as mesmas. A Iyabassê é a pessoa responsável por cumprir esse ritual. Existem Orixás que não aceitam comidas com azeite de dendê, outros não aceitam mel, outros não aceitam sal, outros não aceitam camarão, etc… A Iyabassê precisa saber exatamente como se prepara cada uma dessas comidas, para que elas sejam aceitas pelos Orixás respectivos. Abará Abalá Abadô Aberém Abóbora de caboclo Acaçá Acarajé Ado Ajebo Amalá Amió Angu Arroz de hausa Axoxô Bobó Carurú Deburu ou Doburu Ebô Ebôya Efó


Erã peterê Ekuru Farofa Fubá furá Imbé Ipeté Ixé Jacuba Jurema Lelê mungunzá (ritual) Omolocum Vatapá Xinxim de galinha

Abará é um dos pratos da culinária baiana e como o acarajé também faz parte da comida ritual do candomblé. O abará tem a mesma massa que o acarajé: a única diferença é que o abará é cozido, enquanto o acarajé é frito. O preparo da massa é feito com feijão fradinho, que deve ser quebrado em um moinho em pedaços grandes e colocado de molho na água para soltar a casca. Após retirada toda a casca, passa-se novamente no moinho, desta vez deverá ficar uma massa bem fina. A essa massa acrescentam-se cebola ralada, um pouco de sal, duas colheres de dendê. Quando for comida de ritual, coloca-se um pouco de pó de camarão, e, quando fizer parte da culinária baiana, colocam-se camarões secos previamente escaldados para tirar o sal, que podem ser moído junto com o feijão, além de alguns inteiros. Essa massa deve ser envolvida em pequenos pedaços de folha de bananeira, semelhante ao processo usado para fazer o acaçá, e deve ser cozido no vapor em banho-maria. É servido na própria folha.


Abalá

Abalá é um nome comum a dois tipos de comidas rituais votivas, inerentes aos orixás obá, xango e Yewá, quando feita de massa de milho verde, ou da massa de carimã votiva ao orixá nanã. Este alimento ritual é muito apreciado pelo povo do santo e pela maioria dos nordestinos e chamado popularmente de pamonha de milho verde e pamonha de carimã. Embora a palavra abalá seja descrito no dicionário Aurélio como o mesmo que abará, todavia pela primeira vez Raul Lody refere-se a esta iguaria feita com massa de milho verde. diferença Abalá de milho O milho verde é ralado e à massa resultante é misturada ao leite de coco com parte do bagaço, sal e açúcar. Esta massa é colocada em "palha" da própria casca do milho, atados nas extremidades. As pamonhas são submetidas a cozimento submersas em água fervente por um período de 15 minutos.

Abalá de carimã O aipim previamente descascado é submergido por um período de quatro dias para obter uma massa chamada de carimã, misturada ao leite de coco com parte do bagaço, sal e açúcar. Esta massa é colocada em "palha de aguedé" (bananeira), atados nas extremidades. As pamonhas são submetidas a cozimento submersas em água fervente por um período de 25 minutos.

Abadô Abadô é um nome comum a dois tipos de comidas rituais votivas, feitas de farinha de milho, ou amendoim, previamente torrados, passado no moinho, misturado com farinha de mandioca, sal e açucar, também chamado de fubá de milho ou fubá de amendoim pelo povo de santo. Esta comida ritual é oferecido à vários orixas, principalmente a Obaluaye, oxumare e nanã,indispensável no ritual de olubajé. A mesma mistura acrescida de mel de abelha é muito apreciada pelo orixá oxum.

Aberém é prato típico da cozinha da Bahia, bolinho de origem afro-brasileira, feito de milho ou arroz moído na pedra, macerado em água, salgado e cozido em folhas de bananeira secas. No candomblé, é utilizada como comida-de-santo, sendo oferecida a Omulu e Oxumaré.


O Acaçá é uma comida ritual do candomblé e da cozinha da Bahia. Feito com milho branco ou vermelho, que fica de molho em água de um dia para o outro, e deve ser depois passado em um moinho para formar a massa que será cozida em uma panela com água, sem parar de mexer, até ficar no ponto. Este se adivinha quando a massa não dissolve, se pingada em um copo com água. Ainda quente, pequenas porções da massa devem ser embrulhadas em folha de bananeira já limpa, passada no fogo e cortada em pedaços de igual tamanho, para ficar tudo harmonioso. Colocar a folha na palma da mão esquerda e colocar a massa. Com o polegar dobrar a primeira ponta da folha sobre a massa, dobrar a outra ponta cruzando por cima e virando para baixo, fazendo o mesmo do outro lado. O formato que resulta é o de uma pirâmide retangular. Todos os orixás recebem o acaçá como oferenda.

Acarajé

Comida ritual da orixá Iansã. Na África, é chamado de àkàrà que significa bola de fogo, enquanto je possui o significado de comer. No Brasil foram reunidas as duas palavras numa só, acara-je, ou seja, “comer bola de fogo”. O acarajé, o principal atrativo no tabuleiro, é um bolinho característico do candomblé. Sua origem é explicada por um mito sobre a relação de Xangô com suas esposas, Oxum e Iansã. O bolinho se tornou, assim, uma oferenda a esses orixás. Mesmo ao ser vendido num contexto profano, o acarajé ainda é considerado, pelas baianas, como uma comida sagrada. Por isso, a sua receita, embora não seja secreta, não pode ser modificada e deve ser preparada apenas pelos filhos-de-santo. O acarajé é feito com feijão-fradinho, que deve ser quebrado em um moinho em pedaços grandes e colocado de molho na água para soltar a casca. Após retirar toda a


casca, passar novamente no moinho, desta vez deverá ficar uma massa bem fina. A essa massa acrescenta-se cebola ralada e um pouco de sal. O segredo para o acarajé ficar macio é o tempo que se bate a massa. Quando a massa está no ponto, fica com a aparência de espuma. Para fritar, use uma panela funda com bastante azeite-de-dendê ou azeite doce. Normalmente usam-se duas colheres para fritar, uma colher para pegar a massa e uma colher de pau para moldar os bolinhos. O azeite deve estar bem quente antes de colocar o primeiro acarajé para fritar. Esse primeiro acarajé sempre é oferecido a Exu pela primazia que tem no candomblé. Os seguintes são fritos normalmente e ofertados aos orixás para os quais estão sendo feitos.

Ado – é uma Comida ritual feita de milho vermelho torrado e moído em moinho e temperado com azeite de dendê e mel, é oferecido principalmente à Orixá Oxum.

Ajebo ou ajébo é comida ritual do Orixá Xango ayra É feito com seis ou doze quiabos cortado em "lasca", batido com três clara de ovos até formar um musse, regado com gotas de mel de abelha e azeite doce. Colocado em uma gamela forrada com massa de acaçá ou pirão de farinha de mandioca, ornado com doze quiabos inteiros, doze moedas circulante, doze bolos de milho branco e seis Orobôs. A mesma oferenda pode ser oferecida a outras qualidades deXangô , todavia acrescenta-se azeite de dendê e substitui os doze bolos de milho branco por doze acarajés.

Amalá ou Caruru é comida ritual votiva do Orixá Xangô, Iansã, Obá e Ibêji


É feito com quiabo cortado, cebola ralada, pó de camarão, sal, azeite de dendê ou azeite doce, pode ser feito de várias maneiras. É oferecido em uma gamela forrada com massa de acaçá. Também chamado pelo povo de santo nos candomblés jejenagôs de caruru.

Axoxô é como é conhecida a comida ritual dos Orixás Oxóssi e Ogum no candomblé e umbanda, que consiste em milho vermelho cozido. Quando oferendado pra o orixa ogum é refogado com cebola ralada, camarão seco defumado, sal e azeite de dendê. Quando oferendado para orixá oxóssi o milho cozido é misturado com melaço (Mel de cana de açúcar), não confundir com mel de abelha que é o grande ewo deste orixá, enfeitado com fatias de coco sem casca. Nota. Esta mesma oferenda pode ser consagrado à Olokun.

Deburu - é a comida ritual dos OrixásObaluaiyê e Omolu, é o milho de pipoca estourado em uma panela, em alguns lugares com óleo, em outros com areia. Nesse último caso, é preciso peneirar a areia dessa pipoca depois de pronta. Ao final, a pipoca colocada em um alguidar (vasilha de barro) e enfeitado com pedacinhos de coco.


Ebô, palavra oriunda do iorubá, consiste num alimento religioso e votivo para os orixás funfun (branco) Oxalá, dentro das religiões afro-brasileiras. É o milho branco cozido sem tempero e sem sal.

Ebôya, eboia ou fava de iemanjá é uma comida ritual feito com fava cozido refogado com cebola, camarão, azeite de dendê ou azeite doce. A mesma oferenda pode ser preparada com o milho branco na falta da fava, todavia recebe o nome de Dibô, possuindo o mesmo valor ritual. É uma comida oferecida especificamente ao orixá Iemanjá, podendo ser vista nos rituais de ori, bori e assentamento de cabeça, no sentido de dar equilíbrio espiritual.

Erã peterê

Erã peterê, ou simplesmente peteran como é comumente chamado pelo povo de santo é o nome da comida ritual votiva, pertinente á vários rituais e orixás da cultura afro brasileira denominado de candomblé. Preparado com carne fresca de preferência dos rituais de sacrifícios, sal e rapidamente frita no azeite de dendê, em caso do orixá ser funfun, deve-se substituir o sal pela cebola e o dendê por azeite doce e oferecido ao orixá regente da obrigação, independente do ixé. A mesma comida ritual recheada de camarão defumado, chamado popularmente xinxin ou moqueca de carne é servida normalmente aos adeptos do candomblé nas festas de barracão, sendo uma comida votiva ao orixá Akeran (oxossi) por ter ligação ao eran (carne).

Ekuru é uma comida ritual. A massa é preparada da mesma forma que a massa do acarajé, feijão fradinho sem casca triturado, envolto em folhas de bananeira como o acaçá e cozido no vapor.


Farofa ou mi-ami-ami é um nome comum a vários tipos de comidas rituais votivas, feita de uma mistura, que tem como base farinha de mandioca, "farinha de pau ou farinha de guerra". Esta comida ritual sagrada, também é um alimento ritual e muito apreciada pela maioria do povo do santo da cultura Nago-Vodum.

Tipos de Farofas Farofa-de-dendê, farofa amarela, farofa vermelha, farofa de azeite ou farofa de bambásão nomes comumente chamado pelo povo do santo em sua variada apresentação a depender do ritual que esteja acontecendo. Normalmente é chamada de farofa de dendê a farofa servida aos adeptos e participantes do candomblé, feita com farinha, azeite de dendê, camarão seco, cebola e sal, vista sempre no ritual do olubajé. Os outros tipos são denominações para rituais pertinentes a limpeza de corpo, padê de exu, sasanha, afexu, axexê etc. Também oferecido para alguns orixas e preparadas só com azeite de dendê e sal.

Farofa branca, farofa de agua ou farofa de egum, são farofas preparadas só com água e sal. Determinados orixas funfuns apreciam esta iguaria e algus preferem sem sal.

Farofa de mel ou mi-ami-ami owin é uma farofa preparada com farinha e mel de abelha, muito utilizada nos rituais de erê, ibeji, osain e oxun, comumente visto nos carurus dos santos gêmeos e devoção a São Cosme e São Damião, Crispim e Crispiniano.

Farofa de cachaça ou mi-ami-ami otin é uma farofa preparada com farinha e cachaça, muito utilizada nos rituais de exu, padê e limpeza de corpo. O povo do santo também chamam de farofa de cachaça toda farofa feita com aguardentes, vinhos ou qualquer bebida alcoólica.


Furá

Furá, bolinhos, ou bola de: arroz, inhame, farinha de mandioca, farinha de milho… etc. é o nome da comida ritual votiva, pertinente á vários rituais e orixas da cultura afro brasileira denominado de candomblé. Este alimento ritual é muito comum nos rituais de limpeza de corpo, bori, assentamento de cabeça, axexê, apanan, feitura de santo, sasanha etc.


Ipeté

Ipeté, é um dos pratos da culinária baiana e como o acarajé também faz parte da comida ritual do candomblé, oferecida especialmente ao orixa Oxun. Inhame, azeite de dendê, cebola raladas, camarão sêco e defumado, gengibre ralado, camarões frescos inteiros e cozidos para enfeitar e sal. Também oferecido ao Orixá Oxaguian, substituindo o dendê por azeite doce na festa do Pilão. Preparo: Tirar a casca do inhame e cortar em pedaços pequenos, cozinhar ao ponto de amassar com um garfo, colocar os temperos e um pouquinho de sal e bater com uma colher de pau até ficar no ponto de um purê. Colocar em uma tigela e enfeitar com os camarões inteiros.

Ixé

Ixé, inché ou eran axé é o nome da comida ritual votiva, oferecida a todos orixás da cultura afro brasileira denominado de candomblé. Este alimento ritual é um dos mais sagrados e importantes para o povo do santo. Preparado com "miúdos" entranhas e extremidades dos animais sacrificados nos


rituais de oroeje, podendo ser cozidos ou não, a depender da vontade do orixá e temperado com cebola, sal e camarão seco ou com outros temperos como lelecun, bejerecum, aridan, obi, atarê, orobô, etc., tudo consultado previamente no oraculo do merindilogun. Preceitos A complexidade desta comida ritual envolve os demais sacerdotes do candomblé, como babalorixá ou iyalorixá, axogun, ekede, ogan, iyamorô, iyaefun, e principalmente a iyabassê que prepara este alimento indispensável na feitura de santo e construções de assentamentos de orixás. O Ixé é sempre conduzido ao peji com muito respeito e cânticos específicos por todos da comunidade e colocado enfrente dos assentamentos e ali recitados versos do itan e feito vários orikis e adurá, podendo permanecer por um período de apenas três horas, três dias ou sete. Normalmente esta grande oferenda é repartida para todos os crentes no sentido de obter a força do sagrado e fortificar os laços familiar.

Lelê - iguaria africana, doce feito com quirela de milho vermelho, coco ralado, açúcar e leite de coco. Oferecido aos Orixás Oba e Ewa.

Mungunzá, mugunzá, ou mucunzá como é chamado pelo povo do santo é o nome da comida ritual votiva, pertinente aos orixás oxalá, oxaguian, oxalufan e o ikise lembarenganga, tanto no candomblé como na umbanda. (De mucunzá, do quimb. mu’kunza, ‘milho cozido’) "Dicionário Aurélio".


Alimento ritual feita de grãos de milho (geralmente branco), cozidos em água sem sal e com açúcar, algumas vezes com leite de coco e de gado, com pequena quantidade de "água de flor de laranjeira", servido aos adeptos com bastante caldo e aos orixás bem compactada em forma de ebô.

Omolocum – comida ritual da Orixá Oxum, é feito com feijão fradinho cozido, refogado com cebola ralada, pó de camarão, sal, azeite de dendê ou azeite doce. Enfeitado com camarões inteiros e ovos cozidos inteiros sem casca, normalmente são colocados 5 ovos ou 8 ovos, mas essa quantidade pode mudar de acordo com a obrigação do candomblé.


Afoxé (bloco)

Afoxé, também chamado de Candomblé de rua, é um cortejo de rua que sai durante o carnaval. Trata-se de uma manifestação afro-brasileira com raízes no povo iorubá, em que seus integrantes são vinculados a um terreiro de candomblé. O termo afoxé provém da língua iorubá. É composto por três termos: a, prefixo nominal; fo, significa dizer, pronunciar; xé, significa realizar-se. Segundo Antonio Risério, afoxé quer dizer o enunciado que faz acontecer. Características Para quem não conhece o candomblé e suas cantigas, olha como se fosse um bloco carnavalesco diferente, mas é o candomblé de rua, segundo Raul Lody. As principais características são as roupas, nas cores dos Orixás, as cantigas em língua Iorubá, instrumentos de percussão, atabaques, agogôs, afoxés e xequerês. O ritmo da dança na rua é o mesmo dos terreiros, bem como a melodia entoada. Os cantos são puxados em solo, por alguém de destaque no grupo, e são repetidos por todos, inclusive os instrumentistas. Antes da saída do grupo ocorre o ritual religioso (como a cerimônia do "padê de Exu" feita antes dos ritos aos orixás numa festa de terreiro). O afoxé Embaixada da África foi a primeira manifestação negra a desfilar pelas ruas da Bahia, em 1885. Em seu primeiro desfile, utilizou indumentária importada da África. No ano seguinte, surgiu o afoxé Pândegos da África.


Ocorrência Podem ser encontrados no Carnaval da Bahia em Salvador e nas cidades de Fortaleza, Recife, Olinda, Rio de Janeiro, São Paulo e Ribeirão Preto. Nos anos 1980, havia um grupo em Belo Horizonte, o Afoxé Ilê Odara, fundado por Gilberto Gil e a iyalorixá Oneida Maria da Silva Oliveira, a Mãe Gigi. O afoxé foi extinto e desfilou pela última vez, em Belo Horizonte, no ano de 1988, após a morte de dona Oneida. Desfilavam no grupo mineiro nomes como o cientista político da UFMG Dalmir Francisco, o bailarino Márcio Valeriano e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Maurício Campos, além de personalidades da comunidade negra, como a coreógrafa Marlene Silva, o músico Mamour Bá, a bailarina Rosileide Oliveira e o sambista Raimundo Luiz de Oliveira, o Velho Dico. Em Ribeirão Preto, SP, o Afoxé Ómò Orunmila iniciou nos anos 1990 sua participação no Carnaval de Rua local, sob iniciativa do Centro Cultural Orunmilá que tem na cidade entre outras a função de resistência cultural ante as tentativas de dominação da cultura negra pela cultura ociental e de preservação dos laços negros e afrodescentes do carnaval de rua, seus espetáculos e suas agremiações carnavalescas locais.


Afoxés da Bahia Filhos de Gandhy Filhas de Gandhy Filhas de Olorum Filhos de Korin Efan Filhos de Ogum de Ronda Filhos do Congo Ilê Oya Kambalagwanze Luaê Olorun Baba Mi Tenda de Olorum Afoxé de Alagoas Afoxé Odô Iyá Afoxé Laroyê Arriba


Afoxés de Fortaleza Afoxé ACABACA (Associação Cultural Afro-Brasileira Afoxé Camutuê Alaxé) Orá Sabá Omi Afoxé Filhos de Oyá Afoxé Oxum Odoláfoxé Larôiê Arriba Afoxé Obá Sà Rewà


Afoxés de Pernambuco Afoxé Orá Ode Afoxé Alafin Oyo Entidade de Cultura Negra Afoxé Ylê de Egbá Afoxé Oxum Pandá Grupo de Cultura Negra Afoxé Timbaganju Afoxé Obá Ayra Afoxé Omim Saba Afoxé Povo de Ogunté Afoxé Filhos de Ogundê Afoxé Filhos de Xangô Afoxé Guian Alamoxé Orum Afoxé Omô Nilê Ogunjá Entidade Sócio Cultural Afro-descendente Nagô Afoxé Oyá Alaxé Afoxé Axé Ifá Afoxé Ogum Toberinã Afoxé Povo de Ogundê Afoxé Ilê Xambá Afoxé Filhos de Dandalunda Afoxé Elegbara Afoxé Omó Oba Dê


Afoxés do Rio de Janeiro

AFOXÉ ILE OBA !!!BABALORISA ALEX TÍ OSANYIN. Bloco Carnavalesco de Cabo Frio Afoxé é um cortejo de rua que tradicionalmente sai durante o carnaval de Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro. É importante observar nessa manifestação os aspectos místico, mágico e por conseguinte religioso. Apesar de os afoxés se apresentarem aos olhos dos menos entendidos como simples bloco carnavalesco, fundamentam-se os praticantes em preceitos religiosos ligados ao culto dos orixás, motivo primeiro da existência e realização dos cortejos. Por isso, afoxé também é conhecido e chamado por Candomblé de rua Os grupos de afoxés passam por grandes modificações, como todo o fato folclórico, sujeito e aberto às modificações sócio-culturais. Apesar de todas as modificações e desfigurações, esses grupos procuram manter valores e características de "africanidade" como: cânticos em dialetos africanos; uso de um instrumental de percussão, incluindo atabaques, agogôs e cabaças; utilização de cores e símbolos que possuam significados específicos dentro dos preceitos religiosos dos terreiros de Candomblé. Não obstante, surgiu o afoxé de caboclo ou afoxé de índio, criação natural do processo de aculturação e assimilação de novos valores. As agremiações conhecidas por índios do Brasil, Tribo Costeira da índia, índios da Floresta representam em Salvador as novas tendências; contudo, baseadas nas características dos afoxés africanos. Os grupos Império da África, Filhos de Ode, Mercadores de Bagdá, Cavaleiros de Bagdá, Filhos de Obá, Congos da África e Filhos de Gandhi representam as agremiações que procuram manter os valores "afro" tradicionais. Na cidade de Salvador, os dias dos afoxés ocorrem no domingo e terçafeira de carnaval, sempre à tarde. As agremiações, além de desfilar pelo centro da cidade, visitam terreiros de Candomblé e casas de pessoas amigas. O espírito satírico é uma constante nessas apresentações. É comum observarmos troças que criticam os babalaôs jogando búzios, imitação dos negros Nagôs com as marcas tribais no rosto e dos trabalhos braçais desempenhados pelos negros. Dessa maneira, alguns costumes vinculados às raízes africanas são satirizados pelos próprios descendentes dessa cultura. O que realmente im¬porta é a liberdade de criar situações cômicas. As proposições dos afoxés e dos seus participantes modificam-se de grupo para grupo. Veremos no desenrolar desse trabalho o afoxé em Fortaleza, baseado exclusivamente em preceitos religiosos, constituindo-se numa complexa liturgia. Observaremos também que o grupo de afoxé da cidade do Rio de Janeiro, Filhos de Gandhi, está baseado nos preceitos do ritual Gexá. E ainda os vestígios do afoxé nas cidades de Cachoeira e Recife, e outras significativas considerações sobre o afoxé e seu campo de ação. Os laços lúdico-religiosos que congregam as pessoas nos afoxés importam antes de mais nada pela manutenção de valores culturais; pertinentes ao afoxé e suas


tradições negro-africanas, transpostas para o Brasil, adaptadas e assimiladas dentro de uma nova realidade. BABALORISA ALEX TÍ OSANYIN. Afoxé Estrela D´Oyá O Bloco Afoxé Estrela D´Oyá, fundado em 8 de março de 1999, é referência na cultura afro carioca e busca preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira no fortalecimento da identidade étnica. O Afoxé Estrela D´Oyá foi o primeiro bloco de afoxé fundado por uma mulher1 no Rio de Janeiro. Devido à beleza e a seriedade com que desfila o bloco, teve como mérito ser escolhido para ser o primeiro bloco a desfilar oficialmente na Avenida, abrindo os festejos carnavalescos no Rio de Janeiro. 2 Afoxé T'Ogum Laxe - Macaé Criado em Macaé, estado do Rio de Janeiro, no dia 29 de julho de 2004. Tem a proposta de divulgar e promover uma das raízes religiosas, culturais e recreativas da cultura afro-brasileira, através de ritmos e danças. As vestes são abadás e turbantes azul, branco e coral. O ritmos e o ijexá, compassado e envolvente que leva as pessoas, seja de que idade for, a se soltarem e a criarem seus próprios movimentos ao dançar.


Afoxés de São Paulo

Afoxé Iyá Ominibú - São Paulo - SP (Abertura Oficial do Carnaval de São Paulo) O Afoxé Iyá Ominibú foi fundado em 01/07/1993 e teve seu batizado realizado no dia 11 de setembro de 1.993 por pai Valdemiro de Xangô (Baiano) em sua sede provisória à rua São Conrado, 34 - Imirim. Tem como presidenta a Ekéde Regina, fundou o afoxé, sendo assim, a primeira mulher presidente de um afoxé no Brasil. Seu 1º desfile ocorreu no dia 13 de fevereiro de 1994 - Domingo, abrindo o desfile do Grupo I da Liga conforme acordo firmado entre a Liga e o Afoxé que deveríamos desfilar por 2 anos no Grupo I, passando então automaticamente para o grupo Especial no 3º ano. Nesse ano de 94, homenageamos a patrona do Afoxé, a orixá Oxum, como manda a tradição em ritmo de ijexá e cantando cantigas de candomblé. Bloco Afro Ilú Oba De Min - bloco composto exclusivamente por mulheres e desde 2005 sai às ruas de São Paulo celebrando a cultura afro-brasileira e destacando a participação das mulheres no mundo. Rainha Nzinga, Leci Brandão (que é madrinha do bloco) e Raquel Trindade foram algumas das homenageadas nos anos anteriores. No Carnaval de 2013 o bloco enfeitou as ruas da capital paulista com o enredo “As Yabás - as Deusas do Axé”. No ano de 2014 o Bloco realiza o seu 10º cortejo pelas ruas do centro da cidade de São Paulo com o tema é "Nega Duda e o samba de Roda do Recôncavo Baiano - Patrimônio Imaterial da Humanidade." É uma grande intervenção cultural que promove a cultura popular e a participação ativa da mulher na sociedade através da arte. Traz também para região urbana a dança e os cantos dos terreiros do Candomblé e de diversas manifestações da cultura negra, como o maracatu, batuque, coco, jongo, entre outras. O "Bloco Ilú Obá De Min" é apenas um dos projetos da entidade feminina sem fins lucrativos "Ilú Obá de Mim - Educação Cultura e Arte Negra”. O objetivo da entidade é preservar e divulgar a cultura negra no Brasil mantendo diálogo cultural constante com o continente africano. Além de abrir novos espaços de maneira lúdica visando o fortalecimento individual e coletivo das mulheres na sociedade. Por quatro anos a entidade foi contemplada como Ponto de Cultura e utilizava a verba recebida na manutenção da casa, confecção de figurinos, aquisição de instrumentos, entre outros. Hoje a entidade se mantem com as apresentações que a "Banda Ilú Obá de Min" faz durante o ano em todo o país e no exterior. Para o carnaval desse ano temos o apoio parcial da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial. Ilú Oba de Min foi fundado pelas percussionistas Beth Beli e Adriana Aragão. Não nasceu dentro de um terreiro (como os afoxés) porém trabalha com fundamento nas questões do povo de santo e no culto aos Orixás: Deuses Africanos.


Adriana é percussionista, vocalista, compositora, arranjadora e profunda conhecedora do Candomblé. Ainda menina obteve a permissão para tocar os tambores sagrados Rum, Rum-pi, Lê. Hoje Adriana Aragão não faz mais parte grupo como regente. Bethi Beli, além de diretora do Ilú, é percussionista, cantora, regente e mestra de bateria e arte educadora. Iniciou sua carreira artística em 1987, tendo como referência musical as grandes Escolas de Samba de São Paulo. Antes da criação do Ilú, participou da Banda-Lá, primeiro grupo afro de São Paulo; criou a Banda Mulheres de Ilú, junto com sua parceira Girlei Miranda e participou do bloco Ori Axé. Todos, trabalhos de resistências, explorando a diversidade cultural e rítmica da música brasileira advindas do legado deixado por ancestrais Africanos com o foco na mulher. O Ilú surge também a partir do momento que a diretora do bloco, Beth Beli, incentiva a ampliação do discurso sobre a participação feminina no ato de tocar o tambor. Mesmo dentro do Candomblé as mulheres não têm permissão para tocar tambor. Então, Beth se inspirou em outras tradições africanas nos rituais que ocorrem na Nigéria, por exemplo, onde as mulheres podem, sim, tocar o tambor. O Ilú é coordenado e dirigido pelas regentes e mestras Beth Beli e Mazé Cintra (esta última também coordenadora do instrumento Alfaia); Tâmara David, coordenadora das cantoras; Sosô Parma, coordenadora do naipe dos agogôs; Roberta Vianna, coordenadora do naipe Djembe; Silvana Santos, coordenadora do naipe do Xequerê; Cristiane Gomes e Rúbia Braga, coordenadoras do corpo de dança; Mafalda Pequenino, coordenadora do naipe de Perna de Pau; Wanda Martins – administradora; e Baby Amorim - produtora. Em 2014 o Bloco sai com um total de 196 integrantes: 135 percussionistas, 32 bailarinos no corpo de dança, 08 cantoras cantoras e 10 pernaltas bailarinos. O projeto Bloco Afro Ilú Obá De Min, com sua proposta inovadora e única em São Paulo, tornouse referência étnico-cultural e educativa e foi premiado pelo “Prêmio Culturas Populares Mestre Humberto Maracanã 2008” – SID/MINC ao lado de grandes iniciativas culturais brasileiras e acaba de conquistar o “Prêmio Governador do Estado para Cultura 2013”. Já se apresentou no Carnaval de Blocos de Rua do Rio de Janeiro e Rio Bonito, Abertura do Carnaval de Santos, Carnaval de Itapecerica da Serra e apresentações nos Sesc Bertioga, Sesc Pinheiros, SESC Santo André, Sesc Ipiranga, Sesc Santo Amaro, Sesc Pompéia, Sesc Campinas, Colômbia e Bolívia. A repercussão do projeto desenvolvido há 9 anos na metrópole é tanta que em 2013, o carnaval do bl oco atraiu um público de cerca de 13.000, algumas vindas de outros municípios e estados especialmente para esta manifestação.


Além do "Bloco" a entidade a "Ilú Obá De Min - Educação Cultura e Arte Negra abarca outros grandes projetos: Oficinas de rua para mulheres "Banda Ilú Obá De Min" cujo objetivo é a pesquisa musical de matriz africana e afro-brasileira e sua divulgação. Composta por 30 mulheres ritmistas tocando djembês,alfaias, ilús, agogôs e xequerês. O "Ilú na Mesa": ciclo de palestras e debates cujo objetivo é promover o debate entre as/os integrantes da entidade e sociedade em geral sobre temas voltados para educação, cultura e arte negra. O "Triunfo das Heranças Africanas": Tem como objetivo divulgar e dialogar com os inúmeros grupos culturais brasileiros que desenvolvem pesquisa-ação voltada para as culturas de matriz africana e afro-brasileira. Tenda Lúdica: Voltada para o público infantil. Trabalha a Lei nº 10639/2003 que alterou a LDB incluindo a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas. O projeto consiste em uma grande tenda que oferece, simultaneamente, aulas de percussão, contação de histórias, jogos africanos, confecção de bonecas pretas e biblioteca com literatura infantil que valoriza a diversidade étnico-racial. A entidade "Ilú Obá de Mim - Educação Cultura e Arte Negra, coloca seu Bloco na rua, trazendo para o Carnaval da cidade de São Paulo em sua Ópera de Rua a cultura popular brasileira, recheada de muita resistência, força feminina e preservando essa jóia rara que é nossa Herança África e o Patrimônio Imaterial da humanidade. AFOXÉ IBAÔ - Campinas - SP O Afoxé Ibaô foi fundado em dezembro de 2009, liderado por David Rosa e Alessandra Gama, filhos de santo de Mãe Iberecy. O Afoxé Ibaô foi consagrado no mesmo ano de sua fundação e tem como patronos os Orixás Xangô e Oxum. Afoxé é uma manifestação cultural composta de ritmo, canto e dança, além das indumentárias e expressões ritualísticas. O ritmo é o Ijexá, acompanhado de cânticos e instrumentos percussivos. Para além de uma expressão estética, o Afoxé Ibaô tem como principal referência os elementos da ancestralidade negra e afro-brasileira, onde através da manifestação da palavra, revivemos a memória da nossa matriz africana, no fortalecimento da identidade e do vínculo com a luta e o combate ao preconceito e à discriminação étnica e racial. O Afoxé Ibaô promove em sua essência ações coletivas de promoção e preservação do patrimônio cultural afro-brasileiro, articulando atividades educativas, com a visão de empreender ações sustentáveis nas dimensões artísticas e ambientais, sobretudo no exercício da cidadania para a integração e a transformação social.


Afoxé Ómò Orunmila - Ribeirão Preto - SP O Afoxé Omó Orunmilá é o símbolo máximo da resistência negra na região de Ribeirão Preto. Esta luta tem, em Ribeirão Preto, o Centro Cultural Orunmilá como principal espaço de liderança e ação. Uma das atividades desenvolvidas pelo Centro Cultural é o afoxé. O Afoxé Omó Orunmilá contempla em seus quadros vários representantes da comunidade que têm ligação orgânica com a causa da defesa dos negros e desfila desde 1996 - na abertura do carnaval da cidade. O Afoxé procura destacar a ancestralidade como fonte referencial da luta dos negros contra o preconceito e contra a discriminação. Em suas cantigas, entoadas na língua iorubá, em suas vestimentas e na postura combativa dos seus integrantes o Afoxé Omó Orunmilá resume o embate cotidiano de seus integrantes na busca por uma sociedade igualitária que respeite os negros como dignos co-fundadores da nação brasileira, por meio do reconhecimento dos seus direitos e permita a eles o acesso a espaços igualitários na construção social e econômica do Brasil.


Pai Agenor Miranda

Agenor Miranda Rocha, o Pai Agenor, (Luanda, Angola, 8 de setembro de 1907 — Rio de Janeiro, 17 de julho de 2004) foi um babalaô da Religião dos Orixás Candomblé Foi iniciado aos cinco anos de idade, em 1912, ao orixá Oxalá, pelas mãos de Sra. Eugênia Ana dos Santos, mais conhecida como Mãe Aninha de Xango ou Obá Biyi, fundadora do Axé Opô Afonjá, na cidade Salvador, devido a uma enfermidade, fato este que levou sua Mãe carnal a senhora Zulmira Miranda, católica Apostólica Romana, fervorosa, a aceitar o feito com intuito de salvar a vida de seu filho.Quando jovem, e já residindo na cidade do Rio de Janeiro, foi o nosso Ilustre professor, iniciado nos mistérios da Orixá Ewá, de onde segue que dado a União destes dois orixas, Oxalufã e Ewá, o nosso digno professor, ou como ele se auto intitulava, Zelador de Santo, ter um dom especial nos jogos sagrados dos buzios. O Professor Agenor, como era conhecido, foi professor catedrático aposentado do Colégio Pedro II, nas cadeiras de matemática e latim, cantor lírico (seguindo os passos de sua mãe, o soprano Zulmira Miranda e babalaô adivinho na referida tradição religiosa candomblé, um dos ocidentais mais conhecedores de a herança e a Cultura afro-brasileira, além de talvez uma das mais respeitadas personalidades religiosas por todas as lideranças de tradicionais terreiros do Brasil. Foi o jogo de búzios (meridilogun)do Prof. Agenor que decidiu a sucessão de importantes terreiros: Mãe Oké e Mãe Tatá, na Casa Branca do Engenho Velho; Mãe Stella, no Axé Opô Afonjá; Mãe Índia, no Terreiro do Bogun (o último grande jogo de sucessão antes do falecimento do professor). Agenor Miranda também foi poeta e musicista. Seu jogo de búzios foi um dos mais procurados do país. O velho professor foi orientador espiritual e conselheiro de personalidades de diferentes procedências religiosas e de muitos babalorixás,como Tatá Makamba Malaiá em São Paulo, no ano


de 1972 e orientador do Babá Augusto César de Logunedé. Jorge Amado, Zélia Gattai, Almirante Adalberto de Barros Nunes, Maria Zilda, Maria Bethânia, Gal Costa, Liége Monteiro, Hugo Gross, Zora Sejlman, Antônio Olinto, Professor Paulo Alonso, Delegado Protógenes Queiroz,Vera Fisher, Marcelo Picchi, Camila Amado, Heloísa Perissé, Bel Kutner e Regina Casé, dentre muitos outros, foram amigos ou freqüentavam à casa do velho professor.

Documentário: um vento sagrado

Foi publicada no Jornal Diário de São Paulo a matéria O zelador dos orixás na tela, feita pelo jornalista Marcos Pinho - Um Vento Sagrado, do diretor e artista plástico baiano Walter Lima, o trabalho conta a história de Pai Agenor, um dos mais importantes nomes do candomblé no país. O trabalho de pesquisa consumiu mais de três anos de viagens, pesquisas e gravações no Rio de Janeiro] Salvador, São Paulo e Roma. O filme (Brasil, 2001, 93 min.), mostra Pai Agenor em sua casa no Engenho Novo, subúrbio do Rio de Janeiro, onde figuram desde imagens de São Francisco e Buda até de Oxalá e outras divindades do candomblé. É no local que ele recebe visitantes em busca de aconselhamento e joga búzios. Suas declarações são desconcertantes. “A força do candomblé está no sangue verde das plantas e não no sangue vermelho dos animais”, comenta para condenar os sacrifícios em cultos. Professor aposentado, poeta, ensaísta, cantor de ópera e de fado, Pai Agenor é um homem múltiplo e incomum. “Ele é talvez a última das grandes figuras do candomblé”, afirma Gilberto Gil. O retrato pintado por Walter Lima é o de um ser de personalidade instigante cujas opiniões são sempre respeitadas. Até hoje ele é convocado para escolher a mãe-de-santo nos grandes terreiros baianos. A fita mostra ainda o biografado sendo recebido pelo Papa em Roma e inclui poemas nas vozes de atores como Alessandra Negrini, Ingrid Guimarães e Camila Amado, além da narração de Othon Bastos e depoimentos dos acadêmicos Antônio Olinto e Paulo Alonso, do cantor Gilberto Gil, dos professores Muniz Sodre e Wilson Choueri e de outras personalidades. Amante da música, talvez por influência de sua mãe, a fadista portuguesa Zulmira Miranda, cuja história está registrada na Casa do Fado e da guitarra portuguesa, Agenor fez uma incursão como cantor no mundo da música. Há alguns anos foram


recuperadas algumas de suas antigas gravações e hoje circula nas mãos de seus amigos e admiradores cds onde ele canta fados, canções italianas e músicas clássicas. Amante da poesia e teve dois livros publicados ainda em vida, "Poemas Infantis", em 1999, e "Oferenda - como a flor que se oculta entre as folhas", em 1998, pela Editora Sete Letras, traduzido na Espanha e editado pela Algorán Poesia, em 2001. Seus poemas foram muito bem recebidos por serem, além de belos, expressão de um grande conhecimento também nesta arte. Tinha muitos amigos e admiradores, muitos alunos, e para todos estes deixou ainda o livro "Caderno de Português", em 2000, escrito logo após uma intervenção cirúrgica bastante séria.

Faleceu em 2004, vitimado principalmente pelo agravamento de um simples caso infeccioso, uma vez que não conseguiu ser tratado a tempo em condições necessárias. Deixou muitos amigos e filhos em todas as partes do Brasil e no exterior, todos saudosos e consternados, principalmente por não terem podido ajudá-lo e intervir para que pudesse completar com "saúde e paz", como gostava de dizer, os seus almejados 100 anos de existência, que será,lembrado e comemorado por toda parte, com devoção, no 8 de setembro de 2007. Dentre as homenagens que recebeu está a Medalha Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro. Sobre ele há uma primorosa biografia: "Um vento sagrado", editado pela Editora Mauad e de autoria de Muniz Sodré e Luis Filipe de Lima.


Águas de Oxalá As Águas de Oxalá é uma festa anual em homenagem a Oxalá, no Ilê Opó Afonjá é descrita sem detalhes por Mestre Didi: Na quinta-feira à noite, antes de se iniciarem os preceitos desta cerimónia, das 7 horas da noite até à meia noite, todos os filhos da casa devem fazer um Bori, em muitas casas essa obrigação tem sido substituída por um obi, para poderem carregar as águas. Depois desse Bori ou obi, recolhem-se, até que são acordados, antes do nascer do Sol pela Yalorixá ou pelo Babalorixá para iniciarem o preceito das águas. Os filhos do Axé, trajados de branco, saem em silêncio do terreiro, em procissão, carregando potes e moringas, tendo à frente a Iyalorixá tocando o seu ajá. No tempo de Mãe Senhora, dirigiam-se para uma fonte chamada Riacho, que fica ao lado da Lagoa da Vovó, nessa roça de São Gonçalo do Retiro. Hoje, essa obrigação é feita dentro do próprio terreiro. Esta festa trata-se de um ato de respeito, um pedido de perdão pelas injustiças ocorridas com Oxalá em sua visita ao Reino de seu filho Xangô (Ver a lenda da viagem de Oxalá ao reino de Xangô, em Ayrà). Na parte externa é feita uma caminhada pelas ruas de Salvador até Igreja do Senhor do Bonfim, esta grande homenagem é iniciada através de vários rituais iniciados no ano anterior e concretizados no mês de janeiro através da lavagem das escadas da Igreja em homenagem ao Pai Oxalá, chamada de Lavagem do Bonfim. Não se pode esquecer que a lavagem das escadarias é um ritual criado pelo sincretismo religioso forçosamente adotado pelos escravos para ocultar seus orixás dos senhores de engenho e que oxalá nada tem a ver com Jesus Cristo sendo então duas divindades de religiões distintas.


Águas sagradas Água sagrada, Agbo ou simplesmente Abô, são os nomes usados pelo povo do santo para denominar a mistura de folhas sagradas, usada na feitura de santo até a ultima obrigação chamada de axexe.

Sua utilização é larga e irrestrita, significando principalmente a ligação entre o Orum e Aiye (mundo dos Orixás e o dos Homens). Proporcionando o fortalecimento físico e espiritual, prevenindo e até mesmo curando certos tipos de doenças, segundo alguns estudos. (Barros 1993:81). Também usado na sacralização de objetos como fio de contas, igba orixá e espaços sagrados.

Sua preparação é complexa, com ritos que pode durar até sete dias. A presença de um Babalorixá e de um Babalosaim é indispensável para sua confecção, pois neste ato litúrgico são exaltados os cânticos de sasanha. Além de respeitar horários para a colheita das 16 folhas sagradas, sendo oito tipos de folha chamada "fixas" (Ewe Oro) e 8 tipos de folhas "variáveis" (Ewe Orixás), de acordo com o Orixá que se esteja trabalhando, são utilizados, obi, orobo , azeite, mel e até mesmo (Ejé) sangue de animais sacrificados, entrarão nesta misteriosa mistura, tão importante para esta cultura também denominada como Jêje-Nagô. Ewe oro e Ewe Orixás são folhas sagradas pertinentes a cada terreiro, podendo variar de acordo com sua regência, todavia são escolhidas ou herdadas de forma ordenada, geralmente seguindo um equilíbrio: folha gún (excitante “quente”) , seu significado em nagô é “chama transe”, associada com uma folha èrò (calma “fria”), que é catalisadora da propriedades de outras plantas, formando assim uma parceria perfeita, para uma sintonia harmônica . As folhas gún ou èrò podem ser macho (agboro) ou fêmea (Yagbá). Na realidade o que distingue sua associação são as formas, se pontiagudas são consideradas masculinos se arredondadas femininos, todas elas tem o domínio do Orixá Osanyin.


Galeria

peregun nativo dracaena.

Tradescantia spathacea. espada de Iansã, Ida oya

Quebra-pedra, Phyllanthus niruri.

Petiveria (Guiné).Ojusaju

Vernonia._Aluman.Ewurô


Piper rivioides, Piperaceae, Ewê boyí funfun, "bétís branco"

Folha de Akoko. Newbouldia laevis Seem. Bignoniaceae

espécie Verbenaceae,Gervão. Ewé ìgbolé

Referências José Flávio Pessoa de Barros – Eduardo Napoleão - Ewé Òrìsà - Uso Litúrgico e terapêutico dos Vegetais nas casas de candomblé Jêje-Nagô, Editora Bertrand


Aguidavi

Aguidavi são varetas utilizadas para a percussão dos atabaques no candomblé na nação ou cultura ketu-Nago. São confeccionadas com pequenos galhos das árvores sagradas do candomblé, geralmente da goiabeira (psidium guaiava) e araçazeiro (psidium littorali), medindo cerca de trinta (30) a quarenta (40) centimetro.

Sacralização Este objeto sagrado deve ser preparado pelos iniciados do candomblé em especial pelos ogans, depois de descascados e lixados, dever passar por rituais específicos de sacralização para ser utilizados nas festas.


Alaiandê Xirê

Alaiandê Xirê é o festival de Alabês (nagô), Xicarangomas (congo/angola) e Runtós (jêje), é o encontro anual dos sacerdotes-músicos, de ritmos litúrgicos e cânticos dos terreiros de Candomblé da Bahia, das diferentes nações e de outros estados brasileiros e diásporas africanas, criado pelo Ogã de Ogum Roberval Marinho e pela Agbeni Xangô Cléo Martins, membros do Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro. E os fundadores deste festival diferente contaram com uma equipe histórica: Rita Virgínia do Rio, "o Xangô do Alaiandê", Luís Austregésilo e Nadja, Ana Rúbia de Mello, Magali Sepreny, Maestro Fred Dantas, Adriano Abiodun, Guelê, Neca, Ojé Eurico, Lázaro Faria, Ebome Nice de Oiá, Ogâ Léo, Ivone e família, Tonho, Papadinha, Rosa e Lídia. O primeiro festival aconteceu em 1998, no Axé Opô Afonjá, palco de todos os outros Alaiandês até 2006, a primeira edição itinerante: cada ano em uma comunidade diferente. É evento aberto ao público em geral, sem fins lucrativos. Xangô, o orixá do fogo, justiça e poder em exercício é o padroeiro do Alaiandê Xirê. Daí cantamos o HINO DO ALAIANDÊ: E, e, e cadê? Quem é de paz vem pro Alaiandê Xirê; Tata, Alabê, Babá, Huntó, Xicarangoma Oloiê... (R) O Mestre Tocador, o grande Alaiandê; Dobra os couros e celebra o amor.... Alaiandê Xirê, jangada de Xangô, dentre todos o maior,o grão Senhor" (Cleo Martins, arranjo Fred Dantas)... (R)


I - título e data do evento: Xangô dobra os couros para a velha guarda dos terreiros: de 17 a 18 de maio de 1998. Local: Axé Opô Afonjá. O primeiro Alaiandê Xirê homenageou o pintor Carybé, então recentemente falecido em 1997, e Camafeu de Oxossi, figura lendária da Bahia, falecido em 1994. Participaram deste evento a "velha guarda" dos alabês de Salvador, dando-se destaque para Jorge Alabê1 , como era conhecido o chefe dos tocadores da Casa Branca do Engenho Velho. Jorge viria a falecer exatos nove dias depois desta primeira edição do Festival, deixando farta produção e saudosa memória.

Cléo Martins - Numa entrevista feita por Jane Fernandes do Correio da Bahia: "Há muitos anos o Opô Afonjá promove discussões acadêmicas dentro do terreiro, o Alaiandê nasceu de um seminário chamado Irê Aió, que quer dizer caminho de alegria, um caminho divinatório de alegria. Roberval Marinho, que é um ogã do axé, me disse "é preciso fazer alguma coisa diferente daquela coisa fria da academia". A idéia dele era trazer uma visão acadêmica diferente, sem aquilo de todo mundo sentadinho. Então ele sugeriu um festival de tocadores de candomblé, talvez uma competição. Numa dessa, Mãe Stella entrou na jogada também e a gente entendeu que competição ficava chato, até porque todos são bons, mas festival era legal. Aí eu dei o nome. Na verdade primeiro foi Alaiandê Nilê, que seria o grande tocador na casa. Mas Roberval sugeriu Alaiandê Xirê, a brincadeira do grande tocador. Por isso, digo que ele é o pai e eu sou a mãe desse festival, que nasceu de uma vontade de trazer o acadêmico através do lúdico. Pois não tem coisa melhor que a brincadeira, você vê o mais verdadeiro da pessoa na brincadeira, na festa, quando ela se descontrai".


II - título e data do evento: O que Xangô quer toma e tomba: Xangô dobra os couros para o tombamento do Opô Afonjá, pelo Iphan: de 25 a 28 de novembro de 1999". Local: Axé Opô Afonjá. Esta foi a primeira edição internacional do Alaiandê Xirê, o qual contou com a presença de sacerdotes cubanos, residentes em Miami e Nova Iorque. Nesta edição, o festival prestou homenagem a Jorge Alabê.

III - título e data do evento: O Bambá do terreiro na Roda de bamba - 2,3,4 de dezembro de 2000. Local: Axé Opô Afonjá. Uma homenagem a Mãe Caetana Bangboshê: uma das maiores matriarcas do universo dos terreiros.

Ogans no Alaiandê Xirê IV - título e data do evento: Xangô dobra os couros para as mulheres de mercado": de 9 a 11 de dezembro de 2001. Local: Axé Opô Afonjá. Uma homenagem a Oya-Iansã, a padroeira das mulheres de mercado.

V - título e data do evento: Xangô dobra os couros para a identidade e soberania: de 8 a 10 de dezembro de 2002. Local: Axé Opô Afonjá.


VI Alaiandê Xirê Semana de herança africana: Xangô dobra os couros para as aibás orixás femininos: realizado de 24 a 28 de agosto de 2003. Local: Pátio de Xangô, do Axé Opô Afonjá.

O 6° Alaiandê Xirê reuniu em 28/08/2003 no terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá, músicossacerdotes do candomblé de várias nações para discutir a herança africana e realizar o primeiro seminário 'Xangô na África e na diáspora'. O Festival Internacional de Alabês, xicarangomas e runtós reúne os melhores músicos sacerdotes do Brasil e do exterior. Teve a participação do Ministro da Cultura Gilberto Gil (iniciado no terreiro), palestra do antropólogo Vivaldo da Costa Lima, apresentação da Oficina de Frevos e Dobrados, do maestro Fred Dantas, e lançamento do livro Ao sabor de Oyá, de Cleo Martins, coordenadora geral do evento. Expressão em iorubá que significa algo como 'a festa do grande tocador', o Alaiandê Xirê é uma espécie de celebração da música sacra das diferentes nações do candomblé, participam terreiros como a Casa Branca, Gantois, Bate Folha, Bogum e Pilão de Prata, entre outras.


Os temas são variados, indo da própria mitologia dos orixás a questões mais contundentes como ética e intolerância religiosa. Ou ainda - um ponto sempre polêmico -, o momento do transe. A primeira mesa, Xangô, Oxum, Oyá e Obá nas diferentes nações conta com professores estadunidenses, franceses e espanhóis. Nas demais, nomes ligados ao cinema e teatro (Chica Xavier, Clementino Kelé, Márcio Meirelles), literatura (Antonio Olinto e Ildásio Tavares), Ysamu Flores Peña da Universidade da Califórnia, Los Angeles, Estados Unidos, antropologia (Júlio Braga, Raul Lody, Angela Luhning), psicologia (Monique Augras, Antonio Moura, Jorge Alakija), direito (Itana Viana, Pedreira Lapa) e religião (monge Dom Anselmo, irmã Paola Pedri). Além, claro, de representantes do próprio candomblé, como o pai-de-santo gaúcho Walter Calixto, Pai Borel, que é ogã alabê e vai falar de sua resistência religiosa no Rio Grande do Sul.


VII Alaiandê Xirê

Xangô dobra os couros para Oxossi e Exu: Grande Senhor da Floresta e o Avesso do Avesso. Debate sobre ecumenismo ecológico realizado de 25 a 29 de Agosto de 2004. Local: Pátio de Xangô, do Axé Opô Afonjá.

Foi um encontro das nações de candomblé, que aconteceu de 25 a 29 de Agosto de 2004 no terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá este ano, foi dedicado a Oxóssi (Odé) e Exú e homenageia as instituições e personalidades que se voltam à preservação, conservação e ampliação dos recursos naturais, do equilíbrio ecológico e da melhor qualidade de vida de todos os seres, homenageando também, o Teatro - o mensageiro ímpar da Natureza Viva. No Candomblé a preservação da Natureza é fundamental. Na defesa do meio ambiente unem-se representantes de várias religiões no Debate sobre ecumenismo ecológico que aconteceu durante o festival 7º Alaiandê Xirê no terreiro de candomblé do Ilê Axé Opô Afonjá. Adriana Jacob - O Correio da Bahia. Representantes do budismo, do Judaísmo, da Igreja Católica, da Igreja Baptista e do candomblé unidos em torno de um mesmo objetivo. Uma mesa-redonda sobre o ecumenismo ecológico marcou, pela manhã, a programação do VII Festival Internacional de Alabês, Xicarangomas e Runtós. O encontro, que começou no dia 25 de agosto de 2004 homenageia os 65 anos de


iniciação religiosa de mãe Stella de Oxóssi, prossegue até este domingo 29 de agosto no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, Salvador, Bahia. No âmbito nacional, várias delegações a exemplo do Ilê Axé Baralejí Santo Antonio do Descoberto - Goiás, do Ilê Axé Opô Meregi São Paulo, Ilê Axé Asiuajú Santana de Parnaíba - São Paulo, Ilê Axé Oju Obá Ogô Odô Rio de Janeiro, Casa das Minas de Thoya Jarina São Luiz - Maranhão e São Paulo, Sítio de Pai Adão Recife - Pernambuco e Ilê Ijexá de Pai Borel Porto Alegre - Rio Grande do Sul). A partir das 14 horas, o grande encontro entre as delegações baianas: o Ilê Axé Iyá nassô Oká Obitiko Bamboxê (Casa Branca), Ilê Iá Omin Axé Iamassê (Gantois), Mansu Banduquenqué (Bate Folha), Tumba Junçara, Ilê Axé Odô Ogê (Pilão de Prata), Ilê Axé Maroialaje (Alaketu), Zogodô Bogum Malê Rundó (Bogum), Ilê Axé Ogum Alakayê, Ilê Axé Ibá Ogum (Muriçoca), Ilê Babá Agboulá, Ilê Axé Ayrá (Cobre), Ibece Alaketu (Muritiba), Ce Jaundê, Ilê Axé Oxumarê, Ilê Axé Kalê Bokun, Terreiro Atombency, Algi de Junçara.

Dia 28 de agosto de 2004 - sábado - Dia de Iemanjá e Oxum - Pátio do Alaiandê Apresentação das delegações nacionais: Ilê Axé Baralejí (Santo Antonio do Descoberto - GO), Ilê Axé Opô Meregi (São Paulo), Ilê Axé Asiuajú (Santana de Parnaíba - São Paulo), Ilê Axé Oju Obá Ogô Odô (Rio de Janeiro), Casa das Minas de Thoya Jarina (São Luiz do Maranhão/São Paulo), Sitio do Pai Adão (Recife - Pernambuco) e Ilê Ijexá de Pai Borel (Porto Alegre - RS). 14h00 - Apresentação das delegações baianas: Ilê Axé Iánasso Oká Obitiko Bamboxê (Casa Branca), Ilê Iá Omin Axé Iamassê (Gantois), Mansu Banduquenqué (Bate Folha), Tumba Junçara, Ilê Axé Odô Ogê (Pilão de Prata), Ilê Axé Maroialaje (Alaketu), Zogodô Bogum Malê Rundó (Bogum), Ilê Axé Ogum Alakayê, Ilê Axé Ibá Ogum (Muriçoca), Ilê Baba Agboula, Ilê Axé Ayrá (Terreiro do Cobre), Ibece Alaketu (Muritiba), Ce Jaundê, Ilê Axé Oxumarê, Ilê Axé Kalê Bokun, Terreiro Atombency, Algi de Junçara. Aconteceu também uma apresentação de dois grupos de convidados internacionais sendo um deles o grupo cubano-americano Omi Odara, que tocaram ritmos e cantigas dos cultos afrocubanos para Exu, Ogun, Oxóssi e Xangô nos tambores batá. Uma das participantes da mesa, a Lama Bhikkuni Zamba Chozom, adepta do budismo tibetano, afirmou considerar extremamente benéfica a discussão, já que, na opinião dela, as pessoas precisam se educar melhor quando o assunto é o meio ambiente. "Temos que aprender a respeitar a natureza como um dos principais valores da nossa vida. Caso isso não aconteça, teremos cada vez mais problemas, conflitos e escassez de recursos naturais", disse Bhikkuni Zamba. Ela cita como reflexo desse mau uso dos


recursos naturais problemas de distribuição da água, períodos de seca, inundações e desmatamento em países como a China. "Acho que os homens promovem ações tendo em vista apenas um benefício limitado, sem pensar em suas conseqüências. É o mesmo problema no mundo inteiro", opinou a religiosa. Ao lado de Bhikkuni Zamba, representantes de outras religiões, como o judaísmo. "Acho importante que nós tenhamos um lugar em comum para que cada religião possa deixar sua mensagem, especialmente num mundo com tantas agressões", afirmou o Rabino Ary Glikin. Ele ressaltou que o livro sagrado do Judaísmo, o Torah, faz referência ao ecumenismo e à consciência ecológica.

A idéia de realizar um debate sobre ecumenismo ecológico no Alaiandê Xirê foi possível, segundo a diretora de produção do encontro, Ana Rúbia de Melo, devido à postura de respeito às diferenças de mãe Stella. "Além disso, tanto o judeu, quanto o islâmico, o católico e o budista bebem água e respiram, então a ecologia por si só já é ecumênica", diz, destacando que este ano é de Oxóssi, orixá considerado o padroeiro da ecologia. "Oxóssi é o orixá essencialmente caçador, mas não predatório. Ele sabe que precisa oferecer algo à natureza para que ela possa consentir que ele retire algo dela. É um processo de interação subordinada a uma ética preservadora", afirmou o iperilodé e ogã de Oxóssi do Ilê Axé Opô Afonjá, Luís Austregésilo. Para além de Oxóssi, o candomblé como um todo está ligado à ecologia, segundo Austregésilo. "O candomblé é indissociável da preservação da natureza porque o fundamental em sua essência é a compreensão do que há de sagrado em tudo aquilo que pertence à natureza. Muito antes da palavra ecologia existir, já cultuávamos o ar, o vento, as águas em sua diversidade, o fogo, os minerais e metais", explica.


Outro integrante da mesa-redonda, o padre Arnaldo Lima Dias, da Igreja Católica, também defendeu a importância do discussão. "Lutar pela ecologia é um dever de todo cristão", disse. Também participaram da mesa a iyalorixá Giselle Cossard (RJ), o babalorixá José Flávio Pessoa de Barros (RJ), a Irmã Judith Mayer (BA), um representante da Igreja Presbiteriana do Brasil: Edmilson Barbosa da Cunha (PR) e Djalma Torres (BA) e Ida Apor, da Confederação Israelita do Brasil. A mesa sobre ecumenismo ecológico começou às 10h30. Mais cedo, às 9h, aconteceram as Conferências de Abertura: - Exu, o Senhor das profundezas da alma com Júlio Braga (BA) e Oxóssi - o padroeiro da ecologia com Aulo Barretti Filho (SP). À tarde, uma outra mesa-redonda sobre Exu, o Senhor das Artes cênicas: o mensageiro que está acima do bem e do mal e Exu, o Dionísios africano e a arte como elemento purificador. Local: Pátio de Xangô, o Alaiandê, do Axé Opô Afonjá. Programa completo desse Alaiandê-2004 com fotos e mais detalhes em “ VII Alaiandê Xirê Internacional "


VIII Alaiandê Xirê

As guardiãs da sabedoria: Xangô dobra os couros para os oitenta anos de vida das Ialorixás: Iyalorixás do Candomblé, ao centro Mãe Olga do Alaketu Mãe Stella de Oxóssi do Ilê Axé Opô Afonjá e Diretora Presidente do Alaiandê Xirê, Mãe Olga do Alaketu do Terreiro Ile Mariolaje e Mãe Olga (Gunaguacessy) do Terreiro Bate Folha, realizado de 31/08 a 04/09/2005. Local: Pátio de Xangô, o Alaiandê, do Axé Opô Afonjá. 31 de agosto de 2005 – 4ª feira - Dia de Xangô e Oyá Abertura solene com o Hino Nacional do Brasil pela Oficina de Frevos e Dobrados sob a regência do Maestro Fred Dantas. Hino do Axé Opô Afonjá (letra e música de Eugênia Anna dos Santos, Mãe Aninha, e arranjo do Maestro Fred Dantas), Hino do Alaiandê Xirê (letra e música de Cléo Martins e arranjo do Maestro Fred Dantas e Coral Alaiandê Xirê.


Reverência aos Ancestrais Toque em saudação aos Orixás Odé, Xangô e Oyá. Palestra: “As Guardiãs da Sabedoria”: As Iyás Olga de Alaketu, Stella de Oxossi e Nengua Guanguacessy do Terreiro Bate Folha proferida pelo Ministro de Estado da Cultura Gilberto Gil. Apresentação da Oficina de Frevos e Dobrados, sob a regência do Maestro Antônio Jorge Freitas Ferreira. Apresentação do Grupo Agô Allah 1º de setembro de 2005 – 5ª feira – Dia de Oxossi - Pátio do Alaiandê Seminário Oito e Oitenta: As guardiãs da sabedoria Palestra: O Estatuto da Igualdade Racial Palestrante: Senador da República Rodolfo Tourinho (BA) Debatedor: Luís Carlos Austregésilo Barbosa (BA) Conferência: O papel dos Ogãs nas Casas de Axé de Liderança Feminina Conferencista: Gilberto Antônio Ferreira (SP). Mesa Redonda: Do Dito ao Escrito – As Guardiãs da Sabedoria Coordenação: Maria das Graças Gaxi Freire de Menezes (BA) Participantes: Ildásio Tavares (BA), Ubiratan Castro (BA/DF), Luís Carlos Austregésilo Barbosa (BA), Heitor Reis (BA), Paulo Dourado (BA). Depoimento: A Mulher Negra no Rádio, Cinema, Teatro e Televisão. Depoente: Chica Xavier (RJ) Participação: Clementino Kelé (RJ) Debatedores: Fred Dantas (BA) e Marta Passos (RJ)


Criança assite palestra no Ilê Axé Opô Afonjá

Filhas-de-santo do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá

Neide da Costa tecelã da Casa do Alalká

Filhas-de-santo do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá 02 de setembro de 2005 – 6ª feira – Dia de Oxalá (traje branco) - Pátio do Alaiandê Mesa Redonda: A Face Feminina da Criação – Sexualidade e Cosmogonia Coordenação: Germano Tabacof (BA) Participantes: Júlio Braga (BA), Djalma Torres (BA), Arnaldo Lima Dias (BA). Debatedor: Gilberto Antônio Ferreira (SP) Conferência: A Liderança das Mulheres no Tambor de Mina do Maranhão Conferencista: Sérgio Ferretti (MA) Mesa Redonda: o Matriarcado na Bahia – Realidade ou Ilusão?


Coordenação: Lázaro Faria (BA) Participantes: Josildete Consorte (SP), Mundicarmo Ferretti (MA), Maria José Lopes da Silva (RJ). Debatedor: Luiz Nicolau Pares (Espanha) 03 de setembro de 2005 – Sábado – Dia de Iemanjá e Oxum - Pátio do Alaiandê Festival Internacional de Alabês, Xicarangomas e Runtós. 04 de setembro de 2005 – Domingo – Dia de todos os Orixás - Pátio do Alaiandê Festival Internacional de Alabês, Xicarangomas e Runtós. Encerramento: Samba de Roda Maracangalha


IX Alaiandê Xirê

O Fogo que Fica - realizado de 1 a 3/12/2006. Local: Terreiro Bate Folha - Mansu Banduquenqué

Em 2006, sob a denominação de "O Fogo que Fica", o 9° Festival foi no tradicional Bate Folha - Mansu Banduquenqué, na Mata Escura (Rua São Jorge, 65E) um dos mais antigos terreiros das nações Kongo/Angola do Brasil, fundado em 4 de dezembro de 1916. O Bate Folha é considerado o maior terreiro do Brasil, com uma área de 100.000 metros quadrados tombados pelo Iphan na celebração aos 90 anos deste terreiro congo/angola fundado por Táta Manoel Bernardino da Paixão, Ampumandezu. O Bate Folha, sob a direção de Pai Eduarlindo, Tata Mulandê e Mãe Olga, foi tombado pelo IPHAN aos 10 de outubro de 2003. Pai William de Oliveira (Obashanan) representou a FTU e o CONUB, apresentando-se no segundo dia do evento, procurando trazer as palavras de Pai Arapiaga, de que os cultos de nação e a Umbanda formam uma grande e única família espiritual.

Abertura - 1 ° de dezembro: Mostra de telas sobre Inquices de Suzana Duarte; Depoimento da atriz Chica Xavier, show da Banda Canjerê de Sinhá; Exposição de Jóias de Orixás de Andréia Barbosa. 2 e 3 de dezembro: Seminário e exibição de delegações dos sacerdotes músicos do território nacional e diáspora.


X Alaiandê Xirê Ipadê-Lomi - Encontro das Águas na Avenida Vasco da Gama, a tradicional Casa Branca do Engenho Velho - Axé Iyá Nassô Oká. Xangô dobra os couros para o Engenho Velho: ética, religiosidade e tradição: realizado de 15 a 18/11/2007 15 de novembro de 2007 - 19h30m – Abertura

Dia de Oxossi, o Orixá provedor que usa azul do céu, atira com uma flecha só e tem uma só palavra. Apresentação da Oficina de Frevos e Dobrados que comemora vinte e cinco anos de vida: regência do Maestro Fred Dantas. Hino Nacional do Brasil: Oficina de Frevos e Dobrados, sob a regência do Maestro Fred Dantas. Saudação aos Ancestrais pelo Corpo de Ojés do Ilê Axé Adeboulá, sob a direção do Alabê Edvaldo Papadinha e Corpo dos Alabês do Ilê Axé Iyá Nassó Oká: a Casa Branca do Engenho Velho. Saudação aos Orixás, Voduns e Inquices pelo Corpo de Alabês do Ilê Axé Iyá Nassó Oká. Saudação a Oxossi, o padroeiro da Casa Branca do Engenho Velho, pelo Corpo de Alabês do Ilê Axé Iá Nassó Oká. Homenagem a Xangô, o padroeiro do Alaiandê Xirê: Festival de Alabês, Xicarangomas e Runtós: Alabês do Axé Opô Afonjá sob a direção de Adriano de Azevedo Santos Filho: Otun Obá Abiodum. “Dez anos de Alaiandê Xirê”: pronunciamento de Luis Carlos Austregésilo Barbosa, Iperilodé do Ilê Axé Opô Afonjá, Amuixã do Ilê Babá Adeboula e Diretor do Instituto Alaiandê Xirê. Hino do Alaiandê Xirê pela Oficina de Frevos e Dobrados, sob a regência do Maestro Fred Dantas. Apresentação do Coral Juventude de São Bento, sob a regência do maestro Dilton César Ferreira. Apresentação do cantor Ulisses e Titun Percussão. 16 de novembro de 2007 – Seminário Xangô dobra os couros para a Casa Branca do Engenho Velho, o Axé Iá Nassô Oká: Ética, Religiosidade e Tradição.


Dia de Oxalá, o Pai dos Orixás responsável pela vida no Aiê, a terra. Pede-se o uso obrigatório de trajes brancos no espaço sagrado do terreiro. Ética nos Meios de Comunicação e Cultura, a respeito das religiões de matriz africana. Presidência: Florivaldo Cajé de Oliveira Filho. Expositores: Jary Cardoso (Jornalista; Editor de Opinião do Jornal A Tarde), José Carlos Capinan (Ogã do Axé Iyanassô Oká; Poeta/BA), Póla Ribeiro (Cineasta, Diretor do IRDEB), Lázaro Faria (Cineasta e Diretor da X Filmes da Bahia/BA); Chica Xavier (Chefe de Terreiro e atriz da Rede Globo/RJ), Clementino Kelé (Ogã e Ator) Debatedor: Gil Vicente Tavares (Ogã do Terreiro Bate Folha; Diretor teatral, dramaturgo e compositor/BA) A Casa Branca do Engenho Velho, o Axé Ia Nassô Oká: Ética, Religiosidade e Tradição. Presidência:Prof.Dr Roberval José Marinho (Ogã Lojutogum do Axé Opô Afonjá; artista plástico/UCB/DF). Expositores: Prof. Dr Ordep Serra (Ogã do Axé Ia Nassô Oká; antropólogo; Pró Reitor da UFBa; Prof. Júlio Santana Braga (Babalorixá do Ilê Axéoyá, Antropólogo/UEFS/BA); Prof. Dr. Ângelo do Prado Pessanha (Babalaxé do Ilê Axé Ayrá Intile (Xangô Menino-Macaé); Antropólogo/UFF/Niteroi/RJ). Debatedor: Prof Mestre Luiz Carlos Austregésilo Barbosa (Iperilodé do Ilê Axé Opô Afonjá; Amuixã do Ilê Babá Adeboulá; Médico Psiquiatra/FTC/BA).

A sempre jovem velha guarda dos terreiros: “a roda de bamba”.

Presidência: Kátia Alexandria Barbosa (Makota Mubemquiá do Bate-Folha, Filósofa). Expositor: Gilberto de Exú (Olosun Agba do Ilê Axé Oxum Muiuá/SP, Assobá do Ilê Axé Asiuajú/SP; Presidente do Institute of Orisa, culture and tradition; Presidente do Afoxé Omon Dada/SP) Participantes: Arielson Conceição Chaves (Ogã decano e Elemaxó do Ilê Axé Iyá Nassô Oká; Presidente da Sociedade Civil São Jorge do Engenho Velho); Edvaldo Papadinha Araújo (Alabê do Ilê Axé Iá Nassô Ocá; Presidente da Sociedade Beneficente Cultural, Civil e Religiosa Nossa Senhora da Conceição); Manuel (Papai) Nascimento Costa, Babalorixá do Sitio de Pai Adão (PE); Walter Calixto Ferreira -Pai Borel; (RS) João Antonio Ferreira dos Santos (Ogã e Presidente da Sociedade Santa Bárbara do Terreiro Bate Folha); Antonio Luís Figueiredo (Ogã do Ilê Axé Iá Nassô Ocá;, Vice-presidente da Sociedade Civil São Jorge do Engenho Velho); Babalorixá Air Jose souza de Jesus do Terreiro Pilão de Prata e Presidente da Sociedade de Preservação Cultural Axé Bamboxê Obiticu); Esmeraldo Hemetério Santa Filho- Xuxuxa do Terreiro Tumba


junçara; Luciano Maurício Esteves Osterby (Bàlé Xangô do Ilê Axé Asiuaju/SP); Adriano de Azevedo Santos Filho (Obá de Xangô do Ilê Axé Opô Afonjá; Baloyá do Ilê Axé Asiuaju-SP; Ojé do Ilê Babá Adeboulá) Exibição dos filmes:

Cidade das Mulheres, um filme de Lázaro Faria; Axé do Acarajé, um filme de Póla Ribeiro.

O XI ALAIANDÊ XIRÊ

Será no tradicional Terreiro Pilão de Prata (odô Ogê), na Boca do Rio, sob a liderança do babalorixá Air José de Jesus, da família Bangboshê Obitikô, responsável pelas primeiras comunidades estruturadas de culto aos orixás da Bahia. tema: "Xangô dobra os couros para o centenário da imigração japonesa no Brasil".


XIV Alaiandê Xirê "Origens, Tradições e Continuidades - Desafios da cultura afro-americana no século XXI" Seminário e Festival Internacional de Culturas Africanas e Afro-Brasileiras. Em SÃO PAULO de 30/10 à 02/11/2013.2 O encontro que de 1998 à 2005 foram realizados ininterruptamente no Ilé Axé Òpó Afònjá, em Salvador na Bahia, assim como foi o penúltimo ali realizado o VII Alaiandê Xirê Internacional. A partir de 2006 passou a ser itinerante, porém, somente em 2009 saiu de Salvador e foi para Recife. Infelizmente os de 2010 e 2011 não foram realizados, mas em 2012 foi realizado o de Brasília. Em 2013 volta com força (Àse) total em São Paulo, resgatando o último Alaindê Internacional em 2004 no Ilê Axé Opô Afonjá. Agora, como sempre unindo membros dos candomblés e reconhecidos intelectuais e acadêmicos de inúmeras universidades do Brasil e do exterior. Neste ano (2013) em São Paulo (Embu das Artes), o orixá homenageado será Logunedé, patrono do terreiro Ilê Afro Brasileiro Odé Loreci onde se realizará o encontro e contará com o apoio organizacional do Instituto Alaiandê Xirê, CERNe (Centro de Estudos das Religiosidades Contemporâneas e das Culturais Negras) do Departamento de Antropologia da USP (Universidade de São Paulo), Àgò Lònà Associação Cultural e Prefeitura de Embu das Artes. Maiores detalhes e a programação em XIV Alaiandê Xirê Editorial em Kultafro Editorial do XIV Alaiandê Xirê 2013


Referências

Ministro Gilberto Gil no Ilê Axé Opô Afonjá

Mãe Stella de Oxóssi

Mãe Stella de Oxóssi

Mãe Stella de Oxóssi


Antônio Maria Belchior

Filho de Belchior Rodrigues Moura e de Maria Motta, Antônio Maria Belchior nasceu em 1839, na cidade de Cachoeira. Com a morte de seu pai, em 1855, passou a ser criado legalmente por Manoel Joaquim Ricardo, Talabi, de quem recebeu o hieromônimo de Salacó, aquele que fica na pureza. Com as constantes viagens de Talabi, começou a assumir as tarefas à frente da Casa e dos negócios em parceria com Damázio, filho legitimo de Manoel Joaquim Ricardo. E em 1863, assumiu a Casa de Oxumarê como babalorixá, mais uma vez com o apoio de Damázio e Olavo. Damázio e Olavo eram os herdeiros legítimos de Talabi e deram continuidade as atividades do pai, inclusive nos negócios no continente africano. Portanto, em Salvador, era Antônio Maria Belchior, Salacó que tomava conta de todas as ações da Casa de Oxumarê e do comércio no mercado de Santa Barbára. Salacó era de Dadá, um orixá da família de Xangô, mas foi quem introduziu o culto a Dan na Casa de Oxumarê. Morava em Cachoeira, mas devido as suas atividades comerciais e religiosas estava sempre em Salvador. Tinha uma rivalidade acirrada com seu irmão José Maria Belchior, conhecido como Zé do Brechó, também filho de santo de Talabi. Ainda hoje, existe uma lenda que de dois grandes feiticeiros que mesmo depois de mortos continuaram brigando, que é uma referência a eles dois. Salacó morreu em 14 de janeiro de 1904, na cidade de Cachoeira e foi enterrado por seu sobrinho Juvenal de Souza Castro, filho de Maria Aniseta. Antes de morrer, Salacó fez o santo de Antônio Manuel Bonfim, este que seria o seu sucessor na casa de Oxumarê. Referências Ir para cima Em 15/7/2011, CEAP lança livro sobre raízes do Candomblé em seminário de cultura Jêje-Nagô. Cacau Nascimento, “Bitedô – Onde Moram os Nagôs”. A obra trata da formação de Jêje-Nagô no Recôncavo baiano, editado pelo CEAP, trata de uma pesquisa feita por Nascimento, sobre as raízes do Candomblé trazidas por famílias africanas que se instalaram no Recôncavo baiano, em meados do século XIX. Nela, a trajetória da família de Zé do Brechó e Salacó sinaliza a importância das identidades cultural e religiosa para o povo Jêje-Nagô, que se instalou no município de Cachoeira, em São Félix, na Bahia.... Os livros serão distribuídos para instituições, e não individualmente. Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) Os produtos do CEAP são distribuídos gratuitamente.


Apanan

Apanan ou panã é um ritual da iniciação ketu que ocorre logo depois do Orunko, Urupim na feitura de santo. Tem como objetivo principal fazer com que o noviço reaprenda as atividades do mundo profano e cotidiano, para que nada lhe seja prejudicial no futuro

. Ritual É um ritual complexo onde todos da comunidade participam: o Yawô ainda desorientado devido ao longo período de transe e clausura, com os movimentos ainda trôpegos, recebe orientação do seu Babalorixa ou Yalorixa para executar as tarefas do dia a dia, tais como varrer, costurar, lavar, passar, sentar-se à mesa, cozinhar, etc. Tem a finalidade de fazer com que o noviço entenda que já é hora de voltar à sua vida normal, apesar de aproveitar mais um pequeno período do seu mundo sobrenatural. Em determinado momento a depender da atividade, principalmente quando lhe oferecem uma taça de bebida alcoólica o Iaô entra em transe, estabelecendo ai o ewo, podendo ser temporário ou não.


Aridan

Aridan, àrìdan ou aridam é o nome de uma arvore de origem africanas, cultivada no Brasil que produz frutos com o mesmo nome, seu nome científico é tetrepleura ou tetraptera (Schum & Thour). Fava de aridan como é chamado pelo povo de santo é um fruto sagrado "ewe orixa" que entra na maioria dos rituais do candomblé, principalmente nos ritos de odu ejé, sasanha, abô e assentamento de orixá como exu, ogum, obaluaye, oxum, xango e outros a depender do oro axé. No sentido de proteger o terreiros e os filhos de santo contra as mazelas e feitiços, são colocadas favas de aridan em quase todos os ibas orixás e na preparação de pós, chamados de pó de pemba, efun ou atin e soprado pela iyamorô ou iyalorixa em todo compartimento do ile axé. Segundo verger este mesmo vegetal tem o mesmo nome na África e um vasto uso nos rituais, principalmente em trabalhos benéficos para combates de bruxarias praticadas pelas feiticeiras africanas (Ìyàmi), principalmente para livrar pessoas que estão sobre efeito malévolo dessas entidades "trabalho para enlouquecer alguém", ou mesmo na iniciação para tornar-se Ìyàmi.


Atabaque (candomblé)

O atabaque é um instrumento musical que chegou ao Brasil através dos escravos africanos, é usado em quase todo ritual afro-brasileiro, típico do Candomblé e da Umbanda e das outras religiões afro-brasileiras e influenciados pela tradição africana. De uso tradicional na música ritual e religiosa, empregados para convocar os Orixás, Nkisis e Voduns.


Descrição

O atabaque tradicional é feito em madeira e aros de ferro que sustentam e esticam o couro. Nos terreiros de candomblé, os três atabaques utilizados são chamados de "rum", "rumpi" e "le". O rum, o maior de todos, possui o registro grave; o do meio, rumpi, em o registro médio; o lé, o menor, possui o registro agudo podendo ser usado o aquidavi para a percussão. O trio de atabaques executa, ao longo do xirê, uma série de toques que devem estar de acordo com os orixás que vão sendo evocados em cada momento da festa. Para auxiliar os tambores, utiliza-se um agogô; em algumas casas tocam-se também cabaças e afoxés. Os atabaques no candomblé são objetos sagrados e renovam anualmente esse Axé. São usados unicamente nas dependências do terreiro, não saem para a rua como os que são usados nos blocos de afoxés, estes são preparados exclusivamente para esse fim. Os atabaques são encourados com os couros dos animais que são oferecidos aos Orixás, independente da cerimônia que é feita para consagração dos mesmos quando são comprados, o couro que veio da loja geralmente é descartado, o cilindro de madeira só depois de passar pelos rituais é que poderá ser usado no terreiro. O som é o condutor do Axé do Orixá, é o som do couro e da madeira vibrando que trazem os Orixás, são sinfonias africanas sem partitura. Os atabaques do candomblé só podem ser tocados pelo Alagbê (nação Ketu), Xicarangoma (nações Angola e Congo) e Runtó (nação Jeje) que é o responsável pelo rum (o atabaque maior), e pelos ogans nos atabaques menores sob o seu comando, é o Alagbê que começa o toque e é através do seu desempenho no rum que o Orixá vai executar sua coreografia, de caça, de guerra, sempre acompanhando o floreio do Rum. O Rum é que comanda o rumpi e o le. Os atabaques são chamados de Ilubatá ou Ilú na nação Ketu, e Ngoma na nação Angola, mas todas as nações adotaram também os nomes Rum, Rumpi e Le para os atabaques, apesar de serem denominação Jeje.


Essa é a diferença entre o atabaque do candomblé e do atabaque instrumento musical comprado nas lojas com a finalidade de apresentações artísticas, que normalmente são industrializados para essa finalidade. Segundo Edison Carneiro, o som do atabaque é o mesmo tam-tam de todos os povos primitivos do mundo. Consiste numa pele seca de animal esticada sobre a extremidade de um cilindro oco. Já no tempo de Manuel Querino, havia várias espécies de tabaques como eram chamados na época: pequenos Batá, grandes Ilú e os atabaques de guerra, bàtá koto, que desempenharam grande papél nos levantes de escravos, na Bahia no começo do século XIX, o que determinou a proibição expressa de sua importação desde 1835.


Carascterísticas locais

No Brasil, cada esta e região possui características um pouco distintas na utilização dos atabaques nos centros de Camdomblé. Bahia Raul Lody descreve que "os atabaques sempre foram alvo da polícia baiana e estavam terminantemente proibidos durante o Estado Novo. Para tocar os instrumentos, somente na clandestinidade, já que a Delegacia de Jogos e Costumes não costumava dar sopa. Mas um encontro nos bastidores mudaria essa história. Aproveitando uma viagem ao Rio de Janeiro, mãe Aninha, fundadora do Ilê Axé do Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, usou de sua influência e conseguiu uma audiência com o presidente Getúlio Vargas. Ela só queria cultuar a religião dos seus antepassados e Getúlio não teria como resistir ao pedido legítimo de uma criatura tão doce. O encontro de Aninha com o presidente do Brasil resultaria no Decreto 1.202, que permitiu o uso dos atabaques nos terreiros. O acontecimento é considerado um passo importante para a liberação definitiva do controle policial sobre os candomblés, o que só ocorreu em 1976, no governo de Roberto Santos. Na ocasião, a notícia foi recebida com entusiasmo pelo povo de santo da Bahia, em plena festa da Lavagem do Bonfim."

Maranhão No Maranhão se toca tambor nas casas de Tambor de Mina, os batás ou abatás são tambores horizontais feitos de madeira, compensado ou zinco, encourados com pele nas duas extremidades, apoiados sobre um cavalete de madeira, afinados por torniquete e tocados com as mãos. Seus tocadores são chamados de batazeiros ou abatazeiros. No Jeje-Mina, na Casa das Minas os toques são realizados por três tambores com couro numa só boca (hum, humpli e gumpli), batidos com a mão e com aguidaví. São também acompanhados pelo ferro (gã) e por cabaças pequenas revestidas de contas coloridas.


Pernambuco No Recife os tambores são denominados de ilus usados no Xambá e alfaias que são usados nos Maracatus do Xangô do Recife usam pequenos tambores de barril, com couro nas duas extremidades, são tocados com birros o nome que recebe as baquetas de madeira. Na Nação Xambá, o Terreiro Santa Bárbara localizado em Portão do Gelo em Olinda, PE, seus atabaques são chamados Ilu. O ritmo do Maranhão é diferente do de Pernambuco e o de Pernambuco é similar ao tocado na Bahia. A diferença está nos instrumentos. Rio de Janeiro O Caxambu é o tambor cerimonial maior ou principal utilizado na manifestação cultural afro-brasileira denominada Jongo. O Candomblé de caboclo que é uma mistura de candomblé e umbanda, tanto toca cantigas de várias nações como pontos e rezas. Rio Grande do Sul

No Batuque os tambores ou atabaques são um pouco diferentes do que é usado no Candomblé. Dos instrumentos da foto o maior (branco e vermelho) é chamado de Inhã e o tambor vermelho é o de uso tradicional da Nação Ijexá.Os outros dois instrumentos do centro são o Agê (instrumento feito com uma cabaça inteira trançada com cordão e contas diversas), no Candomblé é chamado de Afoxé. Ao som dos tambores, as pessoas formam uma roda de dança em louvor aos Orixás, a cada um com coreografias especiais de acordo com suas características.

Avamunha

Avamunha, vamunha, avaninha são nomes dado ao toque ou ritmo entoado pelos atabaques, (instrumentos litúrgico da religião afro-brasileiro). É tocado em todos os terreiros de Candomblé da nação Keto pelos sacerdotes Ogan Alabe, no sentido de reunir e dispersar os filhos de santo e Orixá.


Toque tecnicamente, existem diversos tipos de toque, que é o formato da percussão dos tambores ou atabaque que varia de acordo com a nação do Candomblé. Essa percussão pode ser feita com as mãos ou com duas varetas de nome aguidavi, ou por vezes com uma mão e um aquidavi, dependendo do ritmo (toque) e do atabaque que está sendo tocado. "Dobrar os couros" - é um repique lento sequencial e cadenciado que é feito para homenagear visitas ilustres que estão chegando no terreiro, praticamente é o convite para a pessoa entrar. Durante a festa, quando chegam os convidados ou sacerdotes e ogans de outras casas, interrompe-se o toque que está sendo executado para os orixás e dobra-se os couros, após a entrada dos convidados o toque é retomado normalmente. Algumas casas de candomblé não usam dobrar os couros para as visitas, mas a maioria considera isso uma honra. Dobra-se os couros também em outras ocasiões, mas sempre para homenagear. Nas casas de candomblé bantu Angola e Congo, são tocados só com as mãos, e não se faz uso dos aguidavi. A palavra também pode ser usada como "toque de candomblé", referindo-se as festas públicas, ou "toque de orixá", com alguns exemplos: Hamunha ou Avamunha : 5 Toque que serve para saída e recolhimento de filhos e orixás. Adarrum ou Adahun : Toque que serve para chamar Voduns Opanijé : Toque para o Orixá Obaluayê Alujá : Toque para o Orixá Xangô 6 Batá : Toque para o Orixá Ogum 7 Ijexá : Toque para o Orixá Oxum Ilú ou Ylú : Toque para o Orixá Oyá Agueré : Toque para o Orixá Oxóssi Igbin : Toque para o Orixá Oxalá Batá : Toque para o Orixá Oxalá Bravun : Toque para o Orixá Oxumarê Sató : Toque para o Orixá Nanã


Barravento8 : Toque de Angola e Congo Congo de Ouro : Toque de Angola e Congo Muzenza : Toque de Angola e Congo Cabula : Toque de Angola e Congo Grupos de percussão Congo de Ouro Grupo Batacotô Grupo Ofá Batuque brasileiro

Referências Ir para cima Ìlubàtá os Tambores da África Autor: Babalawo Ricardo Fabiano Ir para cima Ritmos e Repertórios Ir para cima Mistura de nações e umbanda Ir para cima Áudios - Cânticos gravados em 1958 pelo estudioso Pierre Verger. Ir para cima Avamunha Ir para cima Alujá Ir para cima [1] Alagbe Jorge Ir para cima Barravento


Atori

Atori, Atòrì ou Ichã é um apetrecho da cultura Nago-vodum em forma de cipó "vara", feito de uma planta chamada glyphaca lateriflora abraham, inerente aos Orixás nanã, oxaguian, obaluaye, oxumare, ossaim e iansã, principalmente a oya igbale e muito utilizado nos cultos de egungun. Indispensável na festa do pilão e na construção de vários objetos sagrados como xaxará, ibiri e oposaim, sua imitação de metal em forma de seta pode ser vista nos assentamentos sagrados igba oxumare, igba ossaim e igba obaluaye, o mesmo material serve para confecção das colheres de madeira sobrepostas no igba nanã. Suas hastes são simbolizadas com os ancestrais e tem finalidade de afastar os espíritos (eguns) para o seu espaço sagrado, e eliminar as energias negativas da comunidade, proporcionando a saúde e longevidade dos crentes.


Axexê

Axexê cerimônia realizada após o ritual fúnebre (enterro) de uma pessoa iniciada no candomblé.Tudo começa com a morte do iniciado, chamado de ultima obrigação, este ritual é especial, particular e complexo, pois possibilita a desfazer o que tinha sido feito na feitura de santo, é bem semelhante com o processo iniciático chamado de sacralização, só que agora este procedimento é uma inversão chamada de dessacralização, no sentido de liberação do Orixá protetor do corpo da pessoa. Com uma navalha o Babalorixá ou yalorixá raspa o topo do crânio do falecido e retira o Oxu, juntamente com todos os pós colocado na sua iniciação, em seguida quebra-se um ovo, oferece um obi Obi ritual, pintando-o com efun, wáji, e ossun, coloca-se um novo oxu, um pombo é sacrificado, o sangue que escorre é recolhido num pedaço de algodão, parte dos objetos é enrolado no pano branco e colocado na sepultura, e outra é levado para dar inicio ao ritual do Axexe propriamente dito. Junta-se todos seus pertences pessoais utilizados em sacrifícios e obrigações, como roupas, colares, nem sempre os assentamentos dos orixas são desfeitos, se faz uma consulta oracular (jogo de búzio) "merindilogun" para se saber do destino dos objetos separados, se ficam com alguém. Em caso positivo, o objeto ou objetos em questão é lavado com água sagrada e entregue aos herdeiros revelado(s) no oráculo, e em caso negativo, o objeto é separado para junto com os demais e, após serem os colares rompidos juntamente com o kelê, as roupas rasgadas e os assentamentos quebrados, são colocados em uma trouxa que será entregue em um local também indicado pelo oráculo. Normalmente, a trouxa, chamada de Carrego de Egum, é acompanhada de um animal sacrificado, indo de uma única ave a um quadrúpede acompanhado de várias aves, dependendo do grau iniciático do morto. E ainda, se o falecido era um iniciado de pouco tempo, basta um lençol branco para embalar o carrego, se tratar de alguém mais graduado, o carrego é colocado em um grande balaio, o qual é depois embalado no lençol.


O processo de preparação e entrega, ou despacho do Carrego de Egum é a cerimônia fúnebre mínima que se dedica a qualquer iniciado no candomblé quando morre. As variações surgem, como foi já colocado, dependendo do grau iniciático ao qual pertencia o morto mas também da Nação em que fora iniciado. Se o morto era uma pessoa graduada na religião é que mereceria um Axexê. O Axexê nesses casos antecede ao Carrego de Egum e consiste em uma, três ou seis noites de cânticos e danças na qual se celebra a partida do iniciado para o outro mundo, rememorando o nome de outros iniciados já falecidos e, enfim, os eguns em geral. Canta-se também a certa altura para os orixás, menos para Xangô, para os quais se canta no depois da entrega do carrego no ritual do arremate. Todos os participantes devem vestir branco, a cor do nascimento e da morte no candomblé, as mulheres devem estar com a cabeça e o pescoço cobertos e os homens com os pulsos envoltos na palha da costa. Obedecem-se vários preceitos rígidos de comportamento dentro do terreiro durante todo o processo, para evitar melindrar o espírito que está sendo respeitosamente despedido. Depois do carrego despachado, canta-se o arremate no dia seguinte à tarde, antes do pôr-do-sol, as mesmas cantigas do Axexê são ainda entoadas e no final são louvados os orixás, e empreende-se uma limpeza ritual do terreiro, com a participação eventual dos orixás que porventura tenha se manifestado em seus elegun. Ao longo do Axexê mesmo somente orixás mais ligados à morte como Oyá-Iansã, Obaluaiyê, Nanã e Ogum, etc. costumam se manifestar. No caso em que o morto era um pai ou mãe de santo cujo terreiro permanecerá ainda aberto, deverá ficar fechado ao público durante um ano ou mais conforme determinação do jogo, mas as cerimônias internas continuam, costuma-se repetir o ritual de um, três, seis meses, e um, três, sete anos depois do Axexê inicial. O Axexê também é conhecido pelos nomes de sirrum e zerim, nomes em Língua Fon significando os instrumentos que são percutidos em substituição aos atabaques. O sirrum é uma metade de cabaça emborcada em um alguidá onde se encontra uma mescla de substâncias líquidas abô e o zerim é um pote com certas substâncias dentro que é percutido com um abano (leque de palha) dobrado em dois. Quando se trata de uma pessoa especialmente antiga e poderosa na religião, o Axexê é tocado com atabaques mesmo, com os couros ligeiramente afrouxados para serem depois também despachados no carrego. Em alguns terreiros da Nação Ketu também se usa tocar Axexê com três cabaças: duas inteiras e uma com a ponta cortada. Omindarewá, Awô, O mistério dos Orixás


Azeite de dendê

O azeite-de-dendê, azeite-de-dendém ou óleo de palma é um azeite popular nas culinárias brasileira e angolana e, também, no candomblé. É produzido a partir do fruto da palmeira conhecida como Dendezeiro (Elaeis guineensis). Indispensável na cozinha afro-brasileira, é utilizado em pratos como caruru, vatapá, acarajé, bobó-de-camarão, abará, entre outros. Em Angola, é usado, por exemplo, na preparação da moamba de galinha. Além do uso culinário, o azeite-de-dendê pode também substituir o óleo diesel, embora seja muito mais caro, sendo ainda rico em vitamina A.e empregado na fabricação de sabão e vela, para proteção de folhas-deflandres e chapas de aço, fabricação de graxas e lubrificantes e artigos vulcanizados. O processo de extração do azeite pode ser artesanal ou não e pode levar horas, já que o fruto de cor marrom ou castanha escura é firme. Muitas organizações ecologistas internacionais vêm criticando o uso deste óleo, alegando que a sua produção é responsável por desmatamento, e recomendando a sua substituição por outros óleos. Beneficiamento O beneficiamento da produção deve ser iniciado imediatamente após a colheita e consta das seguintes etapas:1 esterilização - tem como finalidade inativar enzimas que provocam acidez e facilitar o desprendimento dos frutos do cacho; debulha - cuja finalidade é separar os frutos do cacho; digestão - quebra estrutura das células da polpa, facilitando a liberação do óleo; prensagem - a massa saída do digestor é submetida à prensagem, separando o óleo e uma misturas de fibras e sementes que em seguida passa pelo desfibrador, que por ventilação separa as fibras das sementes. As fibras são utilizadas como combustível nas caldeiras; as sementes são transportadas para os secadores; após a secagem são encaminhadas para os quebradores e em seguida são separadas as cascas e amêndoas, das quais, após serem trituradas por prensagem, se extrai o óleo de palmiste; o resíduo restante representa a torta, que contém 14 a 18% de proteína e pode ser utilizada como componente de ração animal.


Formas de consumo

O óleo originário desta palmeira, o azeite de dendê, consumido há mais de 5000 anos, foi introduzido no continente americano a partir do século XVI, coincidindo com o início dos tráficos de escravos entre a África e o Brasil. No contexto atual, o azeite de dendê é o segundo óleo mais produzido e consumido no mundo, representando 18,49% da produção e 20,40% do consumo mundial. O estudioso Edison Carneiro, em Ladinos e Criolos: estudos sobre o negro no Brasil, 1964, nos informa que: "Os traficantes de escravos acrescentaram o dendezeiro à paisagem natural do Brasil sem maiores dificuldades. Era natural que o plantassem primeiro na Bahia, então o grande centro do comércio de negros". Na sua Notícia da Bahia (1759), José Antonio Caldas informava que os navios negreiros, na ocasião freqüentavam a Costa da Mina para negociar "azeite de palmas" além de escravos. Se isto não prova a inexistência da palmeira no país, pelo menos indica que a produção de azeite, ou não fazia ainda ou era íntima em relação às necessidades brasileiras, Vilhena conseguiu encontrar estatísticas de 1798 que mostram que, naquele ano, entraram na Bahia mil canadas de azeite de palmas, da Costa da Mina e 500 canadas da ilha de São Tomé, no valor total de 1.500$, ou seja a mil réis a canada – cerca de 4.000 litros. No momento, porém, em que escrevia suas Cartas Soteropolitanas (1802), já estava aclimado o dendezeiro, tanto que o professor régio propunha que "fossem plantados nas terras dos engenhos, a fim de se extrair do coco azeite, tempero essencial da maior parte das viandas dos pretos e ainda dos brancos, criados com eles". O dendê é muito usado na culinária baiana, que se baseia em sabedoria ancestral trazida da África. Dá à comida sabor, cor e aroma peculiares, de que é exemplo o vatapá. O óleo de dendê é avermelhado devido a grande quantidade de vitamina A, 14 vezes maior que na cenoura. No entanto, o aquecimento do óleo para frituras acaba destruindo a vitamina A e deixando o óleo branco.


Sua importância A importância do azeite retirado do dendezeiro, chamado óleo de dendém ou azeite de palma, pode ser vista com o Alvará Régio, de 1813, do Príncipe Regente D. João, ao isentar de taxas de alfândega o sabão e o azeite de palma ou como é mais conhecido óleo de palma ou ainda óleo de dendê vindos da Ilha de São Tomé, na África. É o mais consumido no mundo, seguido pelos de soja e canola..2 O Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, em 10 de julho de 1835, estampava o seguinte anúncio: "Participa-se aos que vendem angu, que na rua dos Ourives n. 137, se acha a venda azeite de dendê fresco, em barris, a 1$200 cada medida". Composição e usos O azeite de dendê contém proporções iguais de ácidos graxos saturados (palmítico 44% e esteárico 4%) e não saturados (oleico 40% e linoleico 10%). É uma fonte natural de vitamina E, tocoferóis e tocotrienóis que atuam como antioxidantes. É rico também em betacaroteno, fonte importante de vitamina A. É o óleo mais apropriado para fabricação de margarina, pela sua consistência e por não rancificar, excelente como óleo de cozinha e frituras, sendo também utilizados na produção de manteiga vegetal, apropriada para fabricação de pães, bolos, tortas, biscoitos finos, cremes, etc. O maior uso de óleo de dendê é como matéria-prima na fabricação de sabões, sabonete, sabão em pó, detergentes e amaciantes/amaciadores de roupa biodegradáveis, podendo ainda ser utilizado (com restrições) como combustível em motores a diesel.

Referências Ir para cima Héctor Iván Velásquez Arredondo. Avaliação Exergética e ExergoAmbiental da Produção de Biocombustíveis. 2009. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica) - Escola Politécnica da Usp Ir para cima Época Negócios, edição de março de 2009 (especial de aniversário)


Baiani

Baiani, Bayanni ou Dada filho de Òrànmíyàn é irmão mais velho de Xangô e Soponna. Tornou-se Alaafin de Oyo Pacífico, foi um rei fraco que quase não reinou. No Brasil é chamado de Bayanni ou Dadá Ajaká, é representado por uma coroa de búzios chamada de Ade Bayanni ou Adê de Banni é enfeitada de búzios com diversas tiras pendentes. Orixá cultuado no Terreiro do Gantois, tem uma festa anual chamada Festa de Baiani muito concorrida por ser talvez a única casa de candomblé que cultue este Orixá.


Barravento (ritmo)

O barravento é um ritmo e um toque de atabaque utilizado na capoeira, candomblé e na umbanda. Trata-se de um toque mais rápido e quente que o ijexá.1 Conforme o dicionário Aurélio, é o toque predileto de Xangô, nos candomblés banto e também, a ansiedade que domina a filha-de-santo antes da chegada do orixá. O toque segue uma cadência por vezes acelerada e é cíclico, ou seja, não existe um ponto padrão de partida e finalização


Brajá

Brajá é o fio-de-contas usado por Babalawos, Bokonon e outros sacerdotes africanos, no Brasil é usado por Babalorixás, Iyalorixás, Ogans, Ekedis, e pessoas de outros posto de graduação do Candomblé de todas as nações, é um símbolo de nobreza, status, senioridade, sapiência, jamais poderá ser usado por pessoas que não tenham cargo ou posto. O Brajá é usado pelos filhos da cobra como são chamados os filhos de Dan, Dangbê, Bessém, Oxumarê, Hongolo, pelos filhos da terra como são chamados os filhos de Omolu, Obaluaiyê e por Voduns semelhantes e Nanã Buruku. O Brajá representa as escamas da cobra ou serpente, representa a riqueza porque é feito com búzios abertos (que na África era usado como dinheiro ou moeda corrente), trançados com fios de cordonê, de um lado e de outro sobrepostos formando as escamas.


Candomblé bantu

A palavra Bantu significa: Povo. pl de Ntu que significa: Pessoa. A palavra Bantu foi um termo utilizado pelos europeus colonizadores para identificar os escravos da região de Angola, Moçambique, Zaire e Congo. O candomblé bantu é uma das maiores nações do Candomblé, uma religião Afro-Brasileira. Desenvolveu-se entre escravos que falavam língua kimbundo, língua umbundu e língua kikongo.


Principais Minkisi/Akixi

Minkisi (do kikongo Nkisi - (plural) Minkisi receptáculos) Akixi (do Kimbundu Mukixi) Aluvaiá, Bombo Njila, Pambu Njila, Nzila, Mujilo, Mavambo, Vangira, Njila, Maviletango : - Intermediário entre os seres humanos e o outros Nkisis e protetor das casas. Nkosi, Hoji Mukumbi, Panzu, Xauê: - Nkisi de guerra e Senhor das estradas de terra, agricultura e do ferro. Ngunzu, Teleku-mpensu: - Engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra. Kabila : - O caçador pastor. O que cuida dos rebanhos da floresta. Mutalambô, Mutakalambo: - Caçador, vive em florestas e montanhas, Nkisi de comida abundante. Gongobira, Mukongo Mbila, ou Gongobila: - Caçador jovem e pescador. Katendê, Mwani Panzu: - Senhor das Jinsaba (folhas). Conhece os segredos das ervas medicinais. Nzazi, Loango, Kambaranguange : - São o próprio raio, entrega justiça aos seres humanos. Kaviungo ou Kavungu, Kafunjê, Kingongo: - Nkisi da varíola, das doenças de pele, da saúde e da morte e senhor dos mistérios. Nsumbu, Sumbo - Senhor da terra, também chamado de Ntoto pelo povo de Congo e moçambique Hongolo ou Kongolo: - Auxilia na comunicação entre os seres humanos e as divindades e também é o senhor do som. Kindembu, Kitembu dya banganga, Kintempu ou Nkisi Tempo: - Rei de Angola. Senhor do tempo e das estações. É representado, nas casas Angola e Congo, por um mastro com uma bandeira branca, chamada de Bandeira de Tempo. Kaiango ou Kayango: - Têm o domínio sobre o fogo e auxilia nkukwalunga no oráculo de ngombo. Matamba,Uambulusema - guerreira, comanda os mortos (Nvumbi). Kisimbi, Kiximbi : - A grande mãe; Nkisi de lagos e rios.


Ndanda Lunda, Dandalunga, : - Senhora da fertilidade, e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi. Kaitumba, Mikaia, Kaiala, Kokweto, Samba Kalunga: - Nkisi do Oceano, do Mar (Kalunga Grande). Nzumbarandá, Zumbá: - A mais velha das Nkisi, conectada para morte. Wunji, Nwunji: - A mais jovem dos Minkisi, Senhora da justiça. Representa a felicidade de juventude e toma conta dos filhos recolhidos. Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Nkasuté Lembá, Gangaiobanda, Malembá, Fulama: - Conectado à energia que rege a fertilidade. Nvumbi: Antepassados, ancestrais de família. O Deus supremo e Criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele estão os Jinkisi/Minkisi, divindades da Mitologia Bantu. Essas divindades se assemelham a Olorun e Orixás da Mitologia Yoruba, e Olorum e Orixá do Candomblé Ketu.

Ritual Na Angola, os sacramentos são:

1 - Massangá: Ritual de batismo de água doce (menha), na cabeça (mutue), do iniciado (ndumbi), usando-se ainda o kesu (Obi). 2 - Nkudiá Mutuè: (Bori)- ritual de colocação de forças (Kalla ou Ngunzu(Angola)= Asé(Axé) = Muki(Congo)), através do sangue (menga) de pequenos animais. 3 - Nguecè Benguè Kamutué: ritual de raspagem, vulgarmente chamado de feitura de santo. 4 - Nguecè Kamuxi Muvu: Ritual de obrigação de 1 ano. 5 - Nguecè Katàtu Muvu: Ritual de obrigação de 3 anos (Nguece = obrigação), nessa obrigação, faz-se o ritual de mudança de grau de santo. 6 - Nguecè Katuno Muvu: Ritual de obrigação de 5 anos, preparação quase que identica a de um ano, só que acompanhada de muitas frutas. 7 - Nguecè Kassambá Muvu:ritual de obrigação de 7 anos, quando o iniciado receberá seu cargo, passado na vista do público, sendo elevado ao grau de Tata Nkisi (Zelador) ou Mametu Nkisi (Zeladora).


As obrigações, são de praxe para os rodantes, porque Kota (ekedi) e Kambondo (ogã), ja recebem seus cargos na feitura, portanto já nascem com suas ferramentas de trabalho, dão suas obrigações para aprimorar seus conhecimentos. Em Angola, quem passa cargo são os enredos de Dandalunda. Isto é, não é preciso ser filho de Dandalunda, mas é ela quem autoriza aquela pessoa a receber o cargo. Após 7 anos de obrigações, se renovarão a cada ano com rito de kesu (obi) ou borí, conforme o caso, repetindo-se as obrigações maiores de 7 em 7 anos para renovar e conservar o indivíduo forte, transformando-o em Kukala Ni Nguzu- Um ser fotte. Kunha Kele: Sacramento realizado 3 meses e 21 dias após a feitura (tirada de kele), quando o santo soltará a Kuzuela = Ilá. Ordem de barco (sequência das pessoas recolhidas juntas para iniciação) na Angola

1º - Rianga, 2º - kaiadi, 3º - katatu, 4º - Kakuanam, 5º - katanu, 6º - Kassamanu, 7º Kassambà.


Hierarquia Na hierarquia de Angola o cargo de maior importância e responsabilidade são:

Tata Nkisi (homem)

Mametu Nkisi (mulher)

Tata kamukenge/Tata ndenge: Pai Pequeno

Nengwa kamukenge/ Mametu ndenge: Mãe pequena

Kambondu: Todos os homens confirmados

Makota: Todas mulheres confirmadas

Kota Maganza: Rodantes com mais de sete anos de iniciação.

Maganza: Todos os rodantes iniciados.

Muzenza: Rodantes em seu período de iniciação.

Ndumbe: Pessoas não iniciadas

Além desses existem vários outros cargos específicos para cada função dentro de uma Nzo (casa).


Casas de Candomblés Nação Angola e Kongo/Angola no Brasil

Inzo Ia Zambi Matamba Izo Ioganze - Mametu Quendá de Caiango / Grão Pará/Nova Iguaçú-RJ Nzo Mutoni Kamona Duílo - Tatetu Kamukimuloji - Guaratiba/Rio de Janeiro/RJ Inzo Ndanda kia Menha - Mametu Ndanda Kissimbi - Jacarepaguá/ Rio de Janeiro/RJ Unzó Roxo Minicongo - , Nazaré - Bahia Mansu Mansumbando Keke Neta - Mametu Nangetu Uá Nzambi -, Belém - Pará Kunzo Nkisi Caxuté Tempu Mavula - Terreiro Caxuté - ,Valença - Bahia Bate-Folha, Bahia Nkosi Mucumbi Dendezeiro - Cachoeira - BaBate-Folha- Kupapa Unsaba, Anchieta, Rio de Janeiro Tumba Junsara, Bahia Inzo Ia Nzambi - Nganga Kingongo- Tumba Junsara, Rio de Janeiro nzo dandalunda ia ngunzu Nzó Monaleucí N'gunzo de N'zambi Terreiro Lumyjacarê Junsara Rio de Janeiro. Terreiro Mokambo - Salvador Bahia Terreiro Caboclo Rompe Mato - Nzo Nsalê Turimã Junsara, Valparaiso de Goias, Entorno do DF Abassá dí Tumbanganga, Fundada em 1987 pelo seu Quendemburo. Raiz Massanganga - Maricá, RJ Inzo Tumbansi Twa Nzambi Ngana Kavungu - Itapecerica da Serra / SP - Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi (Walmir Damasceno) Terreiro Em Vaz Lobo - RJ - Inzo Nkosi Biole Tata Nkisi Biolê de Nkosi. Zazynde - Tata Edilson Damba'Ynde Nova Iguaçu


Roça Branca Terreiro de Candomblé - Tateto Londeji - Floramar - Belo Horizonte - MG Terreiro São Jorge Filho da Goméia (Tombado como Patrimônio Cultural do Estado da Bahia) Nkosi Mucumbe Dendezeiro - Alto da Levada Cachoeira Bahia Brasil Kumbata Amazy Kaiaia - Divinópolis/MG Terreiro de Candomblé de Nação Angola Ogum de Cariri-Kilombo Kayá 1906 Terreiro de Jauá - bahia NZO RIA MUENI'XI NSUMBU - Tat`etu Kafulasanje Candomblé de Angola Jacarepaguá - Rio de janeiro Abassá Diá Nganga Njila Mavile Junçara - Candomble de Angola - Tata Ria Nkisi Mavile - São Paulo-SP Roça Netos de Mineiros -Kubata N'Golo Kisimbi- Tat'etu Kisimbi -Simão de Ndanda Lunda- Santa Luzia -MG Roça Mãe Dandá - Tat'etu Simbeuamazy - Célio de Ndanda Luanda (Neto de Tat'etu Kisimbi) - Divinópolis/MG Nzo Ndandalunda - Mam'etu Maza Kessy - Santos - São Paulo Nzo Sumbo Kajaremi - Mameto Kafulemansi - Ndanje Roxi Mokumbi - Itaguaí RJ Uene Ndandalunda - Tat'etu Kitalunde - Itapevi - São Paulo Nzo Vanju Mean, fundado em 1974 - Mam'eto Kanjuvansu - Tumba Junsara Jacarepaguá - Rio de Janeiro Ile Tat'etu Roxi Mucumbe - Mam'etu Quazeua - Guarulhos - SP NZO JINDANJI LUNDA - QUIOCÔ Fundado em 1967 Cidade Nova - Belo Horizonte - MG Inzo Ndandalunda Ni Mutakalambo - São João de Meriti / RJ Inzo Nkosi- Tata Carlos de Nkosi - Nilópolis Rj Inzo TUMBA KIKONGO N''GANA LUAZÊ JUNSA .N"danji Tumba Juçara Tat'etu KONGOLUAZÊ Nova Iguaçu / RJ Inzo Tumbansi Twa Nzambi Ngana Mutakalambo - Tata Kwa Nkisi Mutadyami São Paulo, SP


Inzo Jussarangol da Ndanji Tumba Junsara - Tat'etu Tauamê - Padre Miguel - RJ Inzo ia Lemba Bojinã Junsá da Ndanji Tumba Junsara- Tat'etu Sajemi - Campo Grande - RJ

Makuria ou Comidas Makuria - comidas Kangika - milho branco cozido com coco Kidobo - milho branco cozido temperado com ndende Mukunga - milho branco cozido Masambala - milho vermelho cozido enfeitado com rodelas de goiaba Masangu - pipoca Fumpa - milho vermelho, cozido ou torrado, enfeitado com Kamusoso (cipóchumbo) Nguba - amendoim torrado Kitaba - amendoim torrado e moido, temperado com mel ou ndende Makunde - feijão preto temperado com ndende Kitande - guisado de feijão fradinho Dikende - massa de feijão fradinho embrulhada na folha de bananeira. Makanza - bolo de feijão fradinho, frito Mukunga - papa de milho branco ou vermelho embrulhada na folha de bananeira Kusuangala - pirão de arroz, temperado com azeite Loso - arroz Muenge - espiga de milho assada Mukende - banana da terra frita no ndende Kingombo - quiabo Dibangulango - guisado de quiabo (Nzazi)


Kivúdia - guisado de quiabo (Nvunji) Ndiba - mingau de farinha de milho branco Nguala - aguardente Malufo - vinho Mazi - azeite Menha, maza - água Uiki - mel Múngua - sal Sukidi - açúcar Matema - café Masana - leite Mateca - banha de carneiro Mukolo - alho Zalata - alface e chicória Kindumba - salsa Mumata - tomate Lúmbua - cebola Kupiri - pimenta da costa Ndungu - pimenta Xutu - carne Mbiji - peixe Kavula - couve Ritanga - abóbora Kikua - batata Dihonjo - banana Kimbambule - goiaba


Especial Candomblé - Terreiro resgatado Aos poucos, o candomblé angola ganha espaço e reconhecimento de estudiosos

Na fotografia de Luiz Teixeira, batuque em Angola. O candomblé angola se moldou a partir das influências de cultos bantos e de expressões religiosas presentes no Brasil. Axé, afoxé e babalorixá são termos bastante comuns na fala dos brasileiros. Eles foram incorporados à nossa cultura pelo candomblé nagô, que tanto foi divulgado nos estudos de Nina Rodrigues, Roger Bastide e Pierre Verger. Mas outra forma de candomblé vem experimentando expansão e popularidade desde o final da década de 1980: o de nação angola ou, simplesmente, candomblé angola. Valorizada pelo ativismo dos movimentos negros e reforçada por iniciativas como a criação de um curso de língua quicongo na Universidade da Bahia, essa vertente passou a ganhar atenção e estudos. E isto dentro de um contexto de resgate do papel do povo banto na construção da afrobrasilidade. Visto como um novo ideal de identidade religiosa, o candomblé angola parece não repercutir a realidade histórica do ambiente congo-angolano, como ocorre na mitologia dos orixás jeje-nagôs e no panteão de divindades daomeanas da “mina” maranhense. E por isso foi subestimado pelos etnólogos. A sequência de eventos que vai do primeiro desembarque português no Rio Congo, em 1482, até o início da colonização do Brasil e de Luanda, no século XVI, determinou a precedência dos africanos bantos na formação da civilização brasileira. Assim, é fácil intuir que, bem antes de orixás, voduns e bonçus – divindades específicas da região do


golfo da Guiné –, os baculos (antepassados) e inquices bantos (nome que designa espécies de forças sobrenaturais e também os objetos que as contêm) já seriam cultuados no Brasil. O candomblé certamente surgiu da reorganização, no Brasil, de grupos atingidos por guerras devastadoras na África Ocidental, na passagem para o século XIX. Sob essa influência, praticantes de cultos bantos (de Angola e Congo), cujas expressões religiosas já estavam presentes no Brasil desde o início da colonização, foram moldando o que depois se chamou “candomblé angola”. Este, então, se estruturou a partir do candomblé jeje-nagô (da região Benim/Nigéria). Seus líderes fundadores associaram aos seus fundamentos bantos muitos dos elementos trazidos pelos jejenagôs daquela outra parte da África. Aparentemente, só conservaram o idioma ritual, dando nomes bantos (das línguas quimbundo e quicongo) até mesmo aos orixás jejenagôs. Zaze, por exemplo, corresponde a Xangô, e Matamba, a Iansã. Os sistemas religiosos chegados aqui com a escravidão sofreram aclimatações e adaptações. Os ancestrais têm íntima ligação com a terra natal, o território comunitário, e, em terra estranha, isso só foi possível manter simbolicamente. Mesmo assim, quatro séculos depois, as diversas formas religiosas africanas, de várias origens, conservam fundamentos comuns, como a crença em um princípio criador de todas as coisas, o culto a espíritos e gênios da natureza e a reverência aos antepassados. A mais antiga descrição pormenorizada de uma celebração de um calundu – denominação genérica dos cultos africanos, de qualquer origem, antes do surgimento do vocábulo "candomblé" – no Brasil foi feita em 1646, segundo o antropólogo Renato Silveira em O candomblé da Barroquinha (Editora Maianga, 2006). O ritual aconteceu na capitania de São Jorge dos Ilhéus, sob a direção do liberto Domingos Umbata, certamente um membro do subgrupo congo Mbata, localizado no território da atual Angola. O poeta Gregório de Matos (1636-1695) chegou a se referir a “calundu” em “O Burgo” – Preceito 1: “Que de quilombos eu tenho/ com mestres superlativos, / nos quais se ensinam de noite/ os calundus e feitiços”, e seu uso passou a ser generalizado. O termo certamente se origina do vocábulo kilundu, do idioma quimbundo, de Angola, cuja tradução é “ancestral, espírito de pessoa que viveu em época remota”, e também é “parte da feitiçaria”, como afirmou o jurista e escritor Antônio Joaquim de Macedo Soares (1838-1905). No Brasil, o significado mais conhecido da palavra é o de mau estado de ânimo. Estar “de calundu” ou “com os seus calundus” é estar uma pessoa irritada e de mau humor, por conta da suposta presença, em seu quadro espiritual, de ancestrais insatisfeitos, cobrando atenção e reverência.


Já os rituais da cabula – forma religiosa tipicamente banta (congo-angolana) e certamente mais próxima das “macumbas” do Sudeste brasileiro, e não do candomblé desenvolvido a partir do eixo Pernambuco-Bahia – foram objeto de descrição detalhada do bispo D. João Correa Nery, reproduzida por Nina Rodrigues no clássico Os africanos no Brasil, escrito antes de 1906. Neste relato, a expressão “cabula” configura efetivamente uma religião, com hierarquia sacerdotal, liturgia e um corpo de doutrina; e que ela foi, talvez, a célula a partir da qual se estruturaram as antigas macumbas do Sudeste e, mais tarde, a umbanda, a quimbanda (uma linha da umbanda voltada mais para a magia maléfica) e a reação reafricanizante do omolocô (forma religiosa nascida no universo da umbanda, mas que se denomina pretensamente mais africana), na década de 1940. Entre os mais antigos tatas (pais) dos candomblés bantos no Brasil destacam-se os nomes de Gregório Maqüende e Roberto Barros Reis. Gregório, líder da nação Congo que viveu na Bahia de 1874 a 1934, nasceu em Angola e fundou sua comunidade religiosa. Já Roberto, mencionado como liberto e originário da região angolana de Cabinda, teria sido o fundador, por volta de 1850, do terreiro Inzo Tumbensi, provavelmente a primeira comunidade de culto banto com estrutura de templo no Brasil. Falecido por volta de 1909, Barros Reis foi o iniciador de outra grande personalidade dos primórdios dos candomblés bantos, a venerável sacerdotisa Maria Genoveva do Bonfim, “Maria Neném”, falecida na Bahia em 1945, com cerca de 80 anos. Dois de seus filhos de santo, Manuel Bernardino da Paixão, chefe do candomblé do Bate-Folha, fundado em 1916 – com sucursal no Rio desde 1938 –, e Manuel Ciríaco de Jesus, do Tumba Junçara, fundado em 1919, foram também tatas importantes, líderes fundadores de linhagens rituais, em comunidades que existem até hoje. O estudo das vertentes religiosas congo-angolanas desenvolvidas no Brasil nos leva inapelavelmente à comparação com o ocorrido em Cuba. Na ilha caribenha, os congos – denominação aplicada a todos os bantos – também não ficaram imunes ao impacto da cristianização colonial. Suas divindades foram associadas às dos colonizadores, a exemplo do que fizeram africanos de outras procedências. Mas eles mantiveram e desenvolveram concepções e atitudes religiosas diferentes daquelas dos bantos brasileiros, como o conceito de “inquice”. No candomblé angola, esse termo passou a ser sinônimo de divindade, enquanto em Cuba os seres espirituais cultuados são mais apropriadamente denominados mpúngu, termo do quicongo que conota altura, elevação. Portanto, “inquice” é o abrasileiramento do quicongo nkisi, força sobrenatural e, por extensão, o receptor ou objeto onde é fixada a energia de um espírito ou de um morto. Em Cuba, um nkisi é o artefato, também chamado nganga ou ganga, habitado ou influenciado por um espírito e dotado por ele de um poder sobre-humano.


Entretanto, nas religiões africanas, os ritos privados são de domínio e conhecimento exclusivos dos iniciados. Assim, embora os candomblés bantos apresentem, em seus ritos públicos, liturgia assimilada daquela do candomblé nagô, eles provavelmente conservam, na intimidade, procedimentos que os aproximam de seus similares cubanos e de outras comunidades da Diáspora. No livro Religiões africanas no Brasil, Roger Bastide observava que os candomblés bantos teriam copiado as sequências rituais e a organização eclesiástica do candomblé nagô, mantendo diferenças apenas na linguagem ritual utilizada e na denominação das entidades espirituais, “como se existisse um dicionário permitindo passar de uma religião a outra”. Mas o que parece certo é que esse fenômeno, mais do que assimilar, configurou a negociação e o intercâmbio de práticas e procedimentos rituais. Afinal, como nem só de banto se faz o angola, nem tudo é iorubá no candomblé, como comprovam as etimologias de muitos termos de uso geral. E até mesmo o seu nome, candomblé, tem origem congo-angolana, e não iorubana. Nei Lopes é autor da Enciclopédia brasileira da diáspora africana (Selo Negro, 2004) e de Kitabu, o livro do saber e do espírito negro-africanos (Senac-Rio, 2005). Saiba Mais - Bibliografia BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil, 2 vols. São Paulo: Pioneira/EdUSP, 1974). PARÉS, Luís Nicolau. A formação do candomblé: história e ritual da nação jeje na Bahia. Campinas: Editora da Unicamp, 2006. SERRA, Ordep. Águas do rei. Petrópolis: Vozes/Rio: Koinonia, 1995. SILVEIRA, Renato da. O candomblé da Barroquinha: processo de constituição do primeiro terreiro baiano de keto. Salvador: Edições Maianga, 2006.


Candomblé Ketu

Candomblé Ketu (pronuncia-se queto) é a maior e a mais popular "nação" do Candomblé, uma das Religiões afro-brasileiras. No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, Bahia. Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs estavam os Yoruba (Iorubá). Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes. Teve inicio em Salvador, Bahia, de acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, algumas princesas vindas de Oyó e Ketu na condição de escravas, fundaram um terreiro num engenho de cana. Posteriormente, passaram a reunir-se num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Jeje-Nagô pretextando a construção e manutenção da primitiva Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha que, segundo historiadores, efetivamente conta com cerca de três séculos de existência.1


No Brasil Colônia e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades. "Para cada categoria ocupacional, raça, nação - sim, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas - havia uma. Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos, etc. Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo. Para que uma irmandade funcionasse, diz o historiador João José Reis, precisava encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica". Muitas conseguiram construir a sua própria Igreja como a Igreja do Rosário da Barroquinha, com a qual a Irmandade da Boa Morte manteve estreito contato. O que ficou conhecido como devoção do povo de candomblé. O historiador cachoeirano Luiz Cláudio Dias Nascimento afirma que os atos litúrgicos originais da Irmandade de cor da Boa Morte eram realizados na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, templo tradicionalmente freqüentado pelas elites locais. Posteriormente as irmãs transferiram-se para a Igreja de Santa Bárbara, da Santa Casa da Misericórdia, onde existem imagens de Nossa Senhora da Glória e da Nossa Senhora da Boa Morte. Desta, mudaram-se para a bela Igreja do Amparo desgraçadamente demolida em 1946 e onde hoje encontram-se moradias de classe média de gosto duvidoso. Daí saíram para a Igreja Matriz, sede da freguesia, indo depois para a Igreja da Ajuda. O fato é que não se sabe ao certo precisar a data exata da origem da Irmandade da Boa Morte. Odorico Tavares arrisca uma opinião: a devoção teria começado mesmo em 1820, na Igreja da Barroquinha, tendo sido os Jejes, deslocando-se até Cachoeira, os responsáveis pela sua organização. Outros ressaltam a mesma época, divergindo quanto à nação das pioneiras, que seriam alforriadas Ketu. Parece que o “corpus” da irmandade continha variada procedência étnica já que fala-se em mais de uma centena de adeptas nos seus primeiros anos de vida. Essas confrarias eram os locais onde se reuniam as sacerdotisas africanas já libertas (alforriadas) de várias nações, que foram se separando conforme foram abrindo os terreiros. Na comunidade existente atrás da capela da confraria foi construído o Candomblé da Barroquinha pelas sacerdotisas de Ketu que depois se transferiram para o Engenho Velho, ao passo que algumas sacerdotisas de Jeje deslocaram-se para o Recôncavo Baiano para Cachoeira e São Félix para onde transferiram a Irmandade da Boa Morte e fundaram vários terreiros de candomblé jeje sendo o primeiro Kwé Cejá Hundé ou Roça do Ventura. O Candomblé Ketu ficou concentrado em Salvador. Depois da transferência do Candomblé da Barroquinha para o Engenho Velho passou a se chamar Ilê Axé Iyá Nassô mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho sendo a primeira casa da


nação Ketu no Brasil de onde saíram as Iyalorixás que fundaram o Ilê Axé Opô Afonjá e o Ilê Iya Omin Axé Iyamassé, o Terreiro do Gantois. Origens - "Um dos mitos da criação do mundo (Cf. em Barretti Fª, (1984/2003) 2012 - "Ilê-Ifé a Origem do Mundo.") diz que Odùduwà. é seu criador, fundador e o primeiro Ọba Òóni Ifè de Ilé-Ifè – o progenitor de todo o povo yorùbá (Cf. em Barretti Fª, (2003) 2012 "Odùduwà – Óòni Ifè"). Numa sociedade polígama, Odùduwà teve muitas esposas e uma grande prole. (Cf. em Barretti Fº, (2003) 2012 - "As Esposas de Odùduwà"). Os filhos, netos ou bisnetos de Odùduwà, os deuses, semideuses e/ou heróis, formaram a base da nação yorùbá, o que faz Odùduwà ser conhecido como “O Patriarca dos Yorùbá” passando a ser aclamado de Olófin Odùduwà Àjàlàiyé. (Cf. em Barretti Fº, (2003) 2012 - "A Formação do Povo Yorùbá") Enfim, alguns de seus filhos geraram as linhagens dos Ọba dos yorùbá (Reis considerados como descendentes diretos do Òrìṣà cultuado, que representam ou “são” o próprio Òrìṣà em vida) e uns foram os precursores dos principais subgrupos, ou mais, que deram origem à civilização dos yorùbá e, religiosamente falando, de todos os povos do mundo. (Cf. em Barretti Fº, (2003) 2012 - "Os Ọba"). O grupo étnico yorùbá é subdividido em vários subgrupos, tais como: os Kétu, Òyó, Ìjèṣà, Ifè, Ifòn, Ègbà, Èfòn, etc. Esses deram origem na diáspora à religião dos Òrìṣà. Os Kétu, no nosso caso, foi um importante precursor da religião no Brasil. Portanto, nos candomblés ditos de nação Kétu, de origem étnica Yorùbá, o Òrìṣà Òsóòsì, o senhor da caça e dos caçadores, é revivido, reverenciado e aclamado como “Ọba Alákétu (título real de Kétu), Rei e Senhor de Kétu e dos Kétu”: rei do “Candomblé” Kétu. Nessa mesma nação, o Òrìṣà Èṣù, principal comunicador, “articulador” e “transformador” de todo o sistema religioso yorùbá e do candomblé, ganha ainda maior notoriedade quando é agraciado, saudado e cultuado como Èṣù Alákétu, Rei em Ilé-Kétu. Esses Òrìṣà tornam-se identificadores indiscutíveis da nação Kétu e possuem em comum o título real Alákétu. (Cf. em Barretti Fº, (2010) 2012 - Os Òrìṣà Alákétu). Sendo assim, os Òrìṣà Èṣù e Òsóòsì – que intitulamos Òrìṣà Alákétu, que, além de seus valores naturais, revelam-se como poderosos identificadores dos Kétu e de fundamental importância para a continuidade do candomblé Kétu. Alákétu continua sendo o título do rei da atual cidade de Kétu, antigo reino yorùbá, situada na República do Benim (antigo Daomé), país que faz fronteira, a oeste, com a Nigéria. Essas regiões são conhecidas por yorubaland: terras onde habitam os yorùbá,


independentemente das divisões geopolíticas e/ou sociológicas impostas às etnias africanas." (Barretti Fº, 2010, dados e extratos: pp. 75–81)

Orixás Os Orixás do Ketu são basicamente os da Mitologia Yoruba.

Olorun também chamado Olodumare é o Deus supremo, que criou as divindades ou Orixás (Òrìsà em yoruba). As centenas de orixás ainda cultuados na África, ficou reduzida a um pequeno número que são invocados em cerimônias:

Exu, Orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos. Ogum, Orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia. Oxóssi, Orixá da caça e da fartura. Logunedé, Orixá jovem da caça e da pesca Xangô, Orixá do fogo e trovão, protetor da justiça. Ayrà, Usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô. Obaluaiyê, Orixá das doenças epidérmicas e pragas, Orixá da Cura. Oxumaré, Orixá da chuva e do arco-íris, o Dono das Cobras. Ossaim, Orixá das Folhas, conhece o segredo de todas elas. Oyá ou Iansã, Orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestades, e do Rio Niger Oxum, Orixá feminino dos rios, do ouro, do jogo de búzios, e do amor. Iemanjá, Orixá feminino dos lagos, mares e fertilidade, mãe de muitos Orixás. Nanã, Orixá feminino dos pântanos, e da morte, mãe de Obaluaiê. Yewá, Orixá feminino do Rio Yewa. Obá, Orixá feminino do Rio Oba, uma das esposas de Xangô Axabó, Orixá feminino da família de Xangô Ibeji, Orixás gêmeos


Irôco, Orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil). Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás. Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira. Onilé, Orixá do culto de Egungun Oxalá, Orixá do Branco, da Paz, da Fé. OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos. Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, Orixá da Adivinhação e do destino. Odudua, Orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba. Oranian, Orixá filho mais novo de Odudua Baiani, Orixá também chamado Dadá Ajaká Olokun, Orixá divindade do mar Olossá, Orixá dos lagos e lagoas Oxalufon, Qualidade de Oxalá velho e sábio Oxaguian, Qualidade de Oxalá jovem e guerreiro Orixá Oko, Orixá da agricultura Na África cada Orixá estava ligado originalmente a uma cidade ou a um país inteiro. Tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais. Şàngó em Oyó, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ògún em Ekiti e Ondo, Òşun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inisa, Oşàálà-Obàtálá em Ifé, subdivididos em Oşàlúfon em Ifon e Òşágiyan em Ejigbo

No Brasil, em cada templo religioso são cultuados todos os Orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas casas menores são cultuados em um único quarto de santo (termo usado para designar o quarto onde são cultuados os Orixás).


Ritual O Ritual de uma casa de Ketu, é diferente das casas de outras nações, a diferença está no idioma, no toque dos Ilus (atabaque no Ketu), nas cantigas, nas cores usadas pelos Orixás, os rituais mais importantes são: Padê, Sacrifício, Oferenda, Sassayin, Iniciação, Axexê, Olubajé, Águas de Oxalá, Ipeté de Oxum,... A língua sagrada utilizada em rituais do Ketu é derivada da língua Yoruba ou Nagô. O povo de Ketu procura manter-se fiel aos ensinamentos das africanas que fundaram as primeiras casas, reproduzem os rituais, rezas, lendas, cantigas, comidas, festas, e esses ensinamentos são passados oralmente até hoje.


Hierarquia

As posições principais do Ketu (são chamados de cargo ou posto, em yoruba Olóyès , Ogãns e Àjòiès), em termos de autoridade, são: O cargo de autoridade máxima dentro de uma casa de candomblé é o de Iyálorixá (mãe-de-santo) ou Babalorixá (pai-de-santo). São pessoas escolhidas pelos Orixás para ocupar esse posto. São sacerdotes, que após muitos anos de estudo adquiriram o conhecimento para tal função. Quando a pessoa escolhida através do jogo de búzios ainda não está preparada para assumir o posto, terá que ser assistida por todos Egbomis (meu irmão mais velho) da casa para obter o conhecimento necessário. Iyalorixá ou Babalorixá: A palavra iyá do yoruba significa mãe, babá significa pai. Iyakekerê (mulher): mãe pequena, segunda sacerdotisa. Babakekerê (homem): pai pequeno, segundo sacerdote. Iyalaxé (mulher): cuida dos objetos rituais. Ojubonã ou Agibonã: mãe criadeira, supervisiona e ajuda na iniciação Egbomis: são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: egbon mi, "meu irmão mais velho"). Iyabassê: mulher responsável pela preparação das comidas-de-santo Iaô: filha-de-santo que já entra em transe. Abiã ou abian: novato. Axogun: responsável pelo sacrifício dos animais (não entra em transe). Alagbê: responsável pelos atabaques e pelos toques (não entra em transe). Ogãs ou Ogans: tocadores de atabaques (não entram em transe). Ajoiê ou ekedi: camareira do Orixá (não entra em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Gantois, de "Iyárobá" e na Angola, é chamada de "makota de angúzo". "Ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil.


Candomblé jeje

Candomblé Jeje, é o candomblé que cultua os Voduns do Reino de Dahomey levados para o Brasil pelos africanos escravizados em várias regiões da África Ocidental e África Central. Essas divindades são da rica, complexa e elevada Mitologia Fon. Os vários grupos étnicos - como fon, ewe, fanti, ashanti, mina - ao chegarem no Brasil, eram chamados djedje (do yoruba àjèjì, 'estrangeiro, estranho'), designação que os yoruba, no Daomé atribuíam aos povos vizinhos,1 Introduziram o seu culto em Salvador, Cachoeira e São Felix, na Bahia, em São Luís, no Maranhão, e, posteriormente, em vários outros estados do Brasil. História Assim, como os Nagôs ou yorubas, os jejes língua ewe, língua fon, língua mina e os fanti ashantis, formam grupos sudaneses que englobam a África Ocidental hoje denominada de Nigéria,Gana, Benin e Togo. Sua entrada no Brasil ocorreu em meados do século XVII. A palavra djedje (jeje) recebeu uma conotação pejorativa, como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey. Quando os conquistadores eram avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam dando o alarme “Pou okan, djedje hum wa!” ("Olhem, os jejes estão chegando!). Quando os primeiros daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!”; e assim ficou conhecido o culto dos Voduns no Brasil ou Nação Jeje.


Bahia Dentre os daomeanos escravizados, uma mulher chamada Ludovina Pessoa, natural da cidade Mahi [pron. marri], foi escolhida pelos Voduns para fundar três templos na Bahia. Ela fundou:

um templo para Dan; Kwé Cejá Hundé, mais conhecido como a Roça do Ventura ou Pó Zehen [pó zerrêm] de Jeje Mahi, em Cachoeira e São Felix; um templo para Heviossô Zoogodo Bogun Male Hundô Terreiro do Bogum, em Salvador; um templo para Ajunsun, que não se sabe por que não foi efetivamente criado. Esse é o segmento Jeje Mahi do povo Fon. O templo de Ajunsun-Sakpata foi criado mais tarde pela africana Gaiaku Satu, em salvador e recebeu o nome mais conhecido por Cacunda de Yayá, que tem como sua representante a iyalorixá Maria de Lourdes Buana (Iyá Ominibu Kafae foobá), filha de Mãe Tança de Nanã (Jaoci), que era filha de Gaiaku Satu.A Cacunda de YáYá funcionou muitos anos no bairro da "Sussuarana" em Salvador, onde tiveram que se deslocar do lugar original pela construção da rodovia, onde foram indenizados pelo governo baiano, e foram se instalar na parte mais alta do terreno, que dizem ser tão grande que não sabiam a dimensão exata, tinha mata, fontes, riachos, tudo no terreno da Cacunda. Dona Lourdes, tem roça em Salvador, no Bairro Alto do Cabrito, e também em Nilópolis, no Rio de Janeiro, funcionando com toda a força, apesar de seus quase 80 anos, e marcando sua tradição no Kwe Foobá, com diversos descendentes do Jeje Savalu. São os Jeje Savalu ou Savaluno. Sakpata era rei da cidade de Savalu na África, segundo alguns historiadores, e foi o único rei que preferiu o exílio a se render aos conquistadores do Daomé. O dialeto dos savalus também é o Fon. Na Rua do Curuzu, no bairro da Liberdade, em Salvador, Amilton de Adaen(Sogbo) segue a luta pela preservação da tradição do Jeje Savaluno, na condição de Doté, à frente do Kwe Vodun Zo (Templo do Vodun/Espírito do Fogo). Amilton é descendente espiritual da Cacunda de Yayá, onde teve o seu nascimento para zelar do Panteão Savaluno, pelas mãos de Jaoci Mãe Tança de Nanã.


Maranhão No Maranhão encontramos a Casa das Minas, fundada por Maria Jesuína, segundo informação de Sergio Ferretti. É com certeza a mais conhecida casa de jeje do Brasil. Esse é o segmento do povo Jeje Mina. Ainda no Maranhão encontramos a Casa Fanti Ashanti fundada por Euclides Menezes Ferreira (Talabian). Esse é o segmento jeje Fanti-Ashanti do povo Akan vindo de Ghana, que inicialmente teria ligações com o Sítio de Pai Adão, da Nação Nagô-Egbá.

Rio de Janeiro No Rio de Janeiro, foi fundado pela africana Gaiaku Rosena, natural de Allada, o Terreiro do Kpodabá no bairro da Saúde, que foi herdado por sua filha Adelaide São Martinho do Espírito Santo, também conhecida como Ontinha de Oiá (Oya Devodê), mais conhecida como Mejitó, que transferiu a casa de santo para o bairro Coelho da Rocha, e esse axé foi herdado por Glorinha Toqüeno, com terreiro no bairro de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. O Kpodabá é a casa matriz , mas deixou ramificações, como o Kwesinfá fundado em Agostinho Porto, por Natalina de Aziri (Ezintoede) tendo como herdeira Helena de Bessem que transferiu o axé para Parque Paulista, em Duque de Caxias, hoje Filha de Santo de Glorinha Tokuenu. Tendo ramificações do Axé em Brasília, fundado pelo sacerdote Rui D'Osaguian filho de Natalina de Aziri. Em Manaus/Amazonas o kwensinfá teve sua ramificação através do Babalorixá Edmilson D´Oxossi, filho do sacerdote Rui D´Osaguian. Depois veio Antonio Pinto de Oliveira. Tata Fomotinho que fundou o Kwe Ceja Nassó, no bairro de Santo Cristo, depois mudou-se para Madureira na Estrada do Portela, depois para São João de Meriti onde finalmente se estabeleceu na Rua Paraíba. Dizem os mais velhos, que Mejitó, ajudou muito Tata Fomotinho no começo de sua vida de santo no Rio de Janeiro. Ele deixou uma legião de filhos, netos e bisnetos. Dentre esses, Jorge de Iemanjá que fundou o Kwe Ceja Tessi, Pai Zézinho da Boa Viagem que fundou o Terreiro de Nossa Senhora dos Navegantes, Tia Belinha que fundou a Colina de Oxosse, Temi Marcelo du Avimaje, mais conhecido no Rio de Janeiro como Doté Marcelo de Jagun, filho de Tia Belinha do Oxossi que fundou o Kwe Ceja Ji Dan, Amaro de Xangô, Djalma Souza Santos (Djalma de Lalu) que fundou o Kwe Ceji Lonã, Doné Mirtéia de Ogum que fundou o Axé Kwe Azom, Doté Wildes de Obaluayê que fundou o Axé Kwe Egi e Heraldo Sanches de Araújo (Doté Heraldo de Xangô iniciado no Nago Egbá) após mudar as águas, fundou o Axé Kwe L'Ossu.


Ressaltamos ainda, a importância do Jeje Mahi quanto ao Vodun Azunsun ou Ajunsun Azônce Sakpatá. [Todos os Voduns, pertencentes ao panteão de Sakpatá, são da família Dambirá. Nesse panteão temos vários Voduns. O mais velho que se tem notícia é Toy Akossu, no transe, ele se mantém deitado na azan (esteira). Dizem os mais velhos, que Toy Akossu é o patrono dos cientistas, ele lhes dá inspirações para a descoberta das fórmulas mágicas que curarão as doenças e as pestes. Ele é a própria "doença e cura", como também um excelente conselheiro.]

São Paulo Pai Vavá de Bessém era da nação Jeje Savalu de Cachoeira de São Félix iniciado aos 3 anos como era comum na época, quando jovem foi para Salvador onde teve um terreiro de candomblé e viveu por muitos anos, depois foi morar no Rio de Janeiro e por último em São Paulo onde morou até morrer.


Voduns

Os Voduns no Jeje são basicamente os da Mitologia Ewe e Fon.

Dangbé é a serpente sagrada que representa o espírito de Vodum Dan. Mawu é o Ser Supremo dos povos Ewe e Fon. Lissá que é masculino, e também co-responsável pela Criação. Loko é o primogênito dos voduns.dono da joia de mahi que e o rungbe Gu vodun dos metais, guerra, fogo, e tecnologia. Heviossô vodun que comanda os raios e relâmpagos. Sakpatá vodun da varíola. Dan vodun da riqueza, representado pela serpente do arco-íris. Agué vodun da caça e protetor das florestas. Agbê vodun dono dos mares. Ayizan vodun feminino dona da crosta terrestre e dos mercados. Agassu vodun que representa a linhagem real do Reino do Dahomey. Aguê vodun que representa a terra firme. Legba o caçula de Mawu e Lissá, e representa as entradas e saídas e a sexualidade.


Fa vodun da adivinhação e do destino. Aziri vodun das águas doces. Possun vodun do po e da terra seca representado pelo tigre. Bessem é o dono das águas doces em Abomey e Ouidah, do qual é patrono. Sogbô vodun do trovão da família de Heviossô. Tobossi, Naê ou Mami Wata, são todas as voduns femininas das ezins jeçuçu, jevivi e salobres. Nanã considerada por todos os adeptos do Culto Vodun como a grande Mãe Universal.

Ritual Na Nação Jeje existe a necessidade do poço (se não existir uma nascente nas terras), o ideal é um sítio com nascente, mata natural, plantas e animais. Infelizmente nas casas urbanas isto já não é tão possível, pois as Casas cada vez mais diminuem de tamanho. Mas ainda assim toda casa Jeje deverá ter pelo menos um poço, um local reservado exclusivamente para as plantas e árvores necessárias ao culto, que chamamos "kpamahin", e alguns animais que são muito importantes no culto. Voduns não usam roupas luxuosas não gostam de roupas de festa e geralmente preferem a boa e velha roupa de ração. As danças são cadenciadas em um ritmo mais denso e pesado. A iniciação ao culto dos voduns é complexa, longa e pode envolver longas caminhadas a santuários e mercados e períodos de reclusão dentro do convento ou terreiro humpagme, que podem chegar a durar um ano, onde os neófitos são submetidos a uma dura rotina de danças, preces, aprendizagem de línguas sagradas e votos de segredo e obediência.


Hierarquia

Bokonon - Sacerdote do Vodun Fa equivalente ao Babalawo Doté Sacerdotes (homens) da família de Sogbô e Doné Sacerdotisas (mulheres) esse título é usado no Terreiro do Bogum onde também são usados os títulos Gaiaku e Mejitó. Noche - Sacerdotisas do Jeje-Mina Vodunsi - após 1 ano da iniciação. Kajekaji - iniciado que ainda não completou o ciclo de obrigações. Curiosidades: Tasén = cerimonia equivalente ao bori dos yoruba. Hundote (rundote) = O mesmo que abiasé dos yorubas, quando a mae é iniciada com o filho no ventre, esse filho se torna um hundote. Ahehun (Arerrum) = o mesmo que yao. Ahuretè- ahè ( arrurete, arre ) = termo usado para pessoas nao iniciadas, o mesmo que abian dos yoruba. Adla' = o mesmo que ebo' dos yoruba. Azan = o mesmo que mariow dos yorubas. agrala = o mesmo que pade dos yoruba. ta', ita' = o mesmo que ori dos yoruba. hundeme= ronco mlam mlam = rezas dope= o mesmo que pao' aban= prato abaman= caneca abieé = o mesmo que ago, perdao odohozan ( odorozan)= o mesmo que xire dos yoruba. Durozan= despachar


Outras Religiões afro-brasileiras

São consideradas religiões afro-brasileiras, todas as religiões que foram trazidas para o Brasil pelos negros africanos, na condição de escravos. Ou religiões que absorveram ou adotaram costumes e rituais africanos. Religiões afro-brasileiras Casa branca engenho velho.jpg Religiões afro-brasileiras Princípios Básicos Deus Ketu | Olorum | Orixás Jeje | Mawu | Vodun Bantu | Nzambi | Nkisi Templos afro-brasileiros Babaçuê | Batuque | Cabula Candomblé | Culto de Ifá Culto aos Egungun | Macumba | Omoloko | Quimbanda | Tambor-de-Mina | Terecô | Umbanda | Xambá | Xangô do Nordeste Sincretismo | Confraria Literatura afro-brasileira Terminologia Sacerdotes Hierarquia Religiões semelhantes Religiões Africanas Santeria Palo Arará Lukumí Regla de Ocha Abakuá Obeah Babaçuê - Maranhão, Pará Batuque - Rio Grande do Sul


Cabula - Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Candomblé - Em todos estados do Brasil Culto aos Egungun - Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo Culto de Ifá - Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo Encantaria - Maranhão, Piauí, Pará, Amazonas Omoloko - Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo Pajelança - Piauí, Maranhão, Pará, Amazonas Quimbanda - Em todos estados do Brasil Tambor-de-Mina - Maranhão, Pará Terecô - Maranhão Umbanda - Em todos estados do Brasil Xambá - Alagoas, Pernambuco Xangô do Nordeste - Pernambuco As religiões afro-brasileiras na maioria são relacionadas com a religião yorùbá e outras religiões tradicionais africanas, é uma parte das religiões afro-americanas e diferentes das religiões afro-cubanas como a Santeria de Cuba e o Vodou do Haiti pouco conhecidas no Brasil.


Índice 1 Batuque 2 Candomblé 2.1 Iniciação 2.2 Crenças 3 Referências 4 Ligações externas

Batuque A estruturação do Batuque no estado do Rio Grande do Sul deu-se no início do século XIX, entre os anos de 1833 e 1859 (Correa, 1988 a:69). Tudo indica que os primeiros terreiros foram fundados na região de Rio Grande e Pelotas. Tem-se notícias, em jornais desta região, matérias sobre cultos de origem africana datadas de abril de 1878, (Jornal do Comércio, Pelotas)

Candomblé Antes da abolição da escravatura em 1888, os negros escravizados fugidos das fazendas, reuniam-se em lugares afastados nas florestas em agrupamentos ou comunidades chamadas quilombos, depois da libertação, os africanos libertos reuniam-se em comunidades nas cidades que passaram a chamar de candomblé. Candomblé é o nome genérico que se dá para todas as casas de candomblé independente da nação. A palavra candomblé a princípio era usado para designar qualquer festa dos africanos, teria sua origem nas línguas bantu da palavra Candombe que no Uruguai é um ritmo musical afro-uruguaio que deve existir também em outros países que receberam escravos africanos.


Iniciação

Nas religiões afro-brasileiras, vários termos são usados para designar iniciação.

Cada uma das religiões tem seus termos próprios, iniciação, feitura, feitura de santo, raspar santo, são mais usados nos terreiros de candomblé, Candomblé de Caboclo, Cabula, Omoloko, Tambor de Mina, Xangô do Nordeste, Xambá, no Batuque usa-se o termo fazer a cabeça ou feitura. No Culto de Ifá e no Culto aos Egungun usam o termo iniciação porém os preceitos são diferentes das outras religiões. No candomblé o período de iniciação é de no mínimo sete anos, se inserem os rituais de passagem, que indicam os vários procedimentos dentro de um período de reclusão que geralmente é de 21 dias (podendo chegar a 30 dias dependendo da região), o aprendizado de rezas, cantigas, línguas sagradas, uso das folhas (folhas sagradas), catulagem, raspagem, pintura, imposição do adoxú e apresentação pública, é individual e faz parte dos preceitos de cada pessoa que entra para a religião dos orixás. No Candomblé Jeje a iniciação ao culto dos voduns é complexa e longa, de no mínimo sete anos, o período de reclusão pode chegar a durar um ano, que pode envolver longas caminhadas a santuários e mercados, dentro do convento ou terreiro hunkpame, onde os neófitos são submetidos a uma dura rotina de danças, preces, aprendizagem de línguas sagradas e votos de segredo e obediência. A princípio, nessas cerimônias, tem que haver o desprendimento total, na iniciação deve-se morrer para renascer com outro nome para uma nova vida, no candomblé Ketu o Orunkó do Orixá (só dito em público no dia do nome), no Candomblé bantu além do nome do Nkisi (jamais revelado), tem a dijína pelo qual será chamado o iniciado pelo resto da vida.


Quando uma pessoa iniciada morre é feito o desligamento do Egum, Nvumbe na cerimônia fúnebre e no Axexê, conhecido pelos nomes de sirrum e zerim, que varia dependendo do grau iniciático do morto. Na Umbanda e Quimbanda não incluem os ritos de passagem, nem feitura de santo propriamente dita, uma vez que não incorporam Orixás incorporam os Falangeiros de Orixás, usa-se o termo fazer a cabeça onde pode existir a catulagem e pintura, porém a cabeça não é raspada completamente, e não tem imposição do adoxú. A reclusão nesses casos é de três a sete dias, é feita a instrução esotérica, aprendizado das rezas e pontos riscados e cantados, e é feita a apresentação pública. O Babaçuê é de origem indigena, porém já adota algumas influências da Umbanda. O "Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira" (Cenarab), a Baixada Fluminense tem 3,8 mil terreiros contra apenas 1,2 mil na área de Salvador e do Recôncavo Baiano, informação dada por Jairo Pereira, do Cenarab em 1997.


Crenças De todas as religiões afro-brasileiras, a mais próxima da Doutrina Espírita é um segmento (linha) da Umbanda denominado de "Umbanda branca", e que não tem nenhuma ligação com o Candomblé, o Xambá, o Xangô do Recife ou o Batuque. Embora popularmente se acredite que estas últimas sejam um tipo de "espiritismo", na realidade trata-se de religiões iniciáticas animistas, que não partilham nenhum dos ensinamentos relacionados com a Doutrina Espírita. Entretanto, outros segmentos da Umbanda podem ter algumas semelhanças com a Doutrina Espírita, mas também com o Candomblé por causa da figura dos Orixás. No tocante específicamente ao Candomblé, crê-se na sobrevivência da alma após a morte física (os Eguns), e na existência de espíritos ancestrais que, caso divinizados (os Orixás, cultuados coletivamente), não materializam; caso não divinizados (os Egungun), materializam em vestes próprias para estarem em contacto com os seus descendentes (os vivos), cantando, falando, dando conselhos e auxiliando espiritualmente a sua comunidade. Observa-se que o conceito de "materialização" no Candomblé, é diferente do de "incorporação" na Umbanda ou na Doutrina Espírita. Em princípio os Orixás só se apresentam nas festas e obrigações para dançar e serem homenageados. Não dão consulta ao público assistente, mas podem eventualmente falar com membros da família ou da casa para deixar algum recado para o filho. O normal é os Orixás se expressarem através do jogo de Ifá, (oráculo) e merindilogun. Dependendo da nação ou linha de candomblé, os candomblés tradicionais não fazem a princípio contato com espíritos através da incorporação para consultas, é possível mas não é aceito. Já o candomblé de caboclo tem uma ligação muito forte com caboclos e exus que incorporam para dar consultas, os caboclos são diferentes da Umbanda. E existem os candomblés cujos pais de santo eram da Umbanda e passaram para o candomblé que cultuam paralelamente os Orixás e os guias de Umbanda. No Candomblé, todo e qualquer espírito deve ser afastado principalmente na hora da iniciação, para não correr o risco de um deles incorporar na pessoa e se passar por orixá, o Iyawo recolhido é monitorado dia e noite, recorrendo-se ao Ifá ou jogo de búzios para detectar a sua presença. A cerimónia só ocorre quando este confirma a ausência de Eguns no ambiente de recolhimento. Afastam todo e qualquer espírito (egun), ou almas penadas, forças negativas, influências negativas trazidas por pessoas de fora da comunidade. Acredita-se que pessoas trazem consigo boas e más influências, bons e maus acompanhantes


(espíritos), através do jogo de Ifá poderá se determinar se essas influências são de nascimento Odu, de destino ou adquiridas de alguma forma. Os espíritos são cultuados, nas casas de Candomblé, em uma casa em separado, sendo homenageados diariamente uma vez que, como Exú, são considerados protetores da comunidade. Existem Orixás que já viveram na terra, como Xangô, Oyá, Ogun, Oxossi, viveram e morreram, os que fizeram parte da criação do mundo esses só vieram para criar o mundo e retiraram-se para o Orun, o caso de Obatalá, e outros chamados Orixá funfun (branco). Existem as árvores sagradas que são as mesmas das religiões tradicionais africanas onde Orixás são cultuados pela comunidade como é o caso de Iroko, Apaoká, Akoko, e também os orixás individuais de cada pessoa que é uma parte do Orixá em si e são a ligação da pessoa, iniciada com o Orixá divinizado. Ou seja uma pessoa que é de Xangô, seu orixá individual é uma parte daquele Xangô divinizado com todas as características, ou como chamam arquétipo. Existe muita discussão sobre o assunto: uns dizem que o Orixá pessoal é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado, outros dizem ser uma incorporação mas é rejeitada por muitos membros do candomblé, justificam que nem o culto aos Egungun é de incorporação e sim de materialização. Espíritos (Eguns) são despachados (afastados) antes de toda cerimônia ou iniciação do candomblé.


Templos afro-brasileiros

São chamados de Templos afro-brasileiros os Terreiros, Roças, Sítios, Casas de Candomblé, Batuque e Tendas ou Centros de Umbanda e outros nomes utilizados pela maioria das religiões afro-brasileiras. Segundo o antropólogo Renato da Silveira A Constituição Política do Império do Brasil, jurada, em nome da Santíssima Trindade, no dia 25 de março de 1824. Em seu artigo quinto, diz: "A religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico, ou particular, em casas para isso determinadas, sem forma alguma exterior de templo". E segundo Antonio Risério1 de Salvador, Bahia, "Temos ao mesmo tempo, uma permissão e uma proibição. A permissão se dá na dimensão simbólico-ideológica: permite-se a existência de religiões que não a católica. A proibição, por sua vez, incide sobre a expressão física dessas religiões, em termos de seus locais de encontro e rito. Não se pode ter forma alguma exterior de templo. É uma proibição arquitetônica".


Índice 1 Terreiros de Candomblé não tombados na Bahia 2 Terreiros de Candomblé no Paraná 3 Culto de Ifá 4 Culto aos Egungun 5 Xangô do Nordeste ou Nagô-Egbá 6 Xambá 7 Omolokô 8 Umbanda 9 Referências 10 Ver também 11 Ligações externas A lei federal nº. 6.292 de 15 de dezembro de 1975 protege os terreiros de candomblé no Brasil, contra qualquer tipo de alteração de sua formação material ou imaterial. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Instituto Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) são os responsáveis pelo tombamento das casas.

Depoimento do Ministro IPHAN - Qual a importância desse e de outros tombamentos de terreiro já realizados pelo Iphan?

Gilberto Gil - "O que são os terreiros de candomblé? São locais de permanência da vida cultural de um povo originalmente africano e depois brasileiro, que se tornou brasileiro aqui, ao longo da história, através da reprodução das suas matrizes africanas e a partir da interação dessas matrizes com outras matrizes, ameríndias, européias. No processo de conjugação dessas culturas, o terreiro de candomblé, esse locus, tem sido importantíssimo. São as interações das religiões africanas vindas do Golfo da Guiné com o animismo indígena daqui, com as religiões mais conceituais do mundo católico, cristão. O terreiro de candomblé, então, é um laboratório desse processamento religioso brasileiro a partir, especialmente, da vertente africana. É uma coisa valiosíssima. Tem sido valioso para o passado, é valioso hoje e permanecerá valioso para o futuro. É um conjunto de manifestações religiosas que se estendem para vários outros campos, a música, a dança, a culinária, a indumentária, a relação com a


natureza, a dimensão ecológica, tudo isso o terreiro de candomblé abriga com uma característica muito própria. E, além disso, é também um lugar de abrigo desse patrimônio humano, desse capital chamado povo afro-brasileiro." Terreiros de Candomblé são patrimônio histórico e cultural - Decreto nº 17.709 de 13 de novembro de 2007 Diário Oficial do Município de Salvador, Bahia. Os terreiros de candomblé de Salvador - santuários do culto afro-brasileiro -, são a partir de agora oficialmente reconhecidos como patrimônio histórico e cultural de origem afro-brasileira através do Decreto nº 17.709, publicado na edição de (13 de novembro de 2007) do Diário Oficial do Município. Assinado pelo prefeito João Henrique e os secretários Gilmar Santiago (Governo), Antônia Garcia (Reparação) e Ângela Gordilho (Habitação), o decreto contempla 55 sítios urbanos, entre os quais estão a Casa Branca do Engenho Velho, o Gantois e o Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro. Agora, caberá à Secretaria Municipal da Habitação (Sehab) os estudos e providências necessárias para promover a regularização fundiária dos respectivos sítios urbanos. Em Brasília, o presidente da Fundação Palmares, Zulu Santos, considerou o decreto como "uma conquista importantíssima da cultura afro-brasileira, particularmente de uma cidade como Salvador, de maioria negra". Para ele, é o reconhecimento do prefeito João Henrique da importância da pluralidade religiosa e da diversidade cultural. Zulu Santos fez questão de parabenizar o prefeito João Henrique por essa iniciativa e em particular a comunidade negra de Salvador por essa importante vitória.


O decreto prevê a criação do Cadastro Geral das Comunidades Religiosas de Referência da Cultura Afro-brasileira da Cidade de Salvador, também denominadas como "Terreiros de Candomblé", "Terreiros de Umbanda" e outras denominações congêneres. Eles terão registro em livro próprio, de folhas numeradas, da declaração de pertencimento à religiosidade de matriz africana, o qual ficará sob a guarda e pertencerá ao patrimônio da Secretaria Municipal da Reparação (Semur). Em seu Artigo 3º, o decreto considera comunidades religiosas de referência da cultura afro-brasileira da Cidade do Salvador os grupos religiosos que, segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, relações territoriais específicas e presunção de ancestralidade negra relacionada às tradições religiosas de matriz africana. Os terreiros beneficiados são os seguintes: Bate Folhinha (Manso Banduquemquim N´Saba), Caboclo Catimboiá, Casa Branca do Engenho Velho, Casa dos Olhos do Tempo que Fala da Nação Angolão Paquetan, Ilê Axé Obá Tadê Patiti Oba, Ilê Axé Oiô Bomin, Ilê Axé Abassá de Ogum, Ilê Axé de Oya, Ilê Axé Giocan, Ilê Axé Jitolu, Ilê Axé Kalé Bokum, Ilê Axé Karé Lewi, Ilê Axé Maroiá Laji (Alaketu), Ilê Axé Maroketu, Ilê Axé Oba Fé Konfé Olorum (Casa de Maria de Xangô), Ilê Axé Obá Ynã, Ilê Axé Obanirê, Ilê Axé Odé Mirin, Ilê Axé Odé Tolá, Ilê Axé Olorum Oyá, Ilê Axé Olunfã Anassidé Omim, Ilê Axé Omin Funjê Loiassi, Ilê Axé Omin J'obá, Ilê Axé Omo Ewa, Ilê Axé Oninjá, Ilê Axé Opô Afonjá, Ilê Axé Oxumaré, Ilê Axé Oyá, Ilê Axé Oyá Deji, Ilê Axé Oyá Leci, Ilê Axé Oyá Tunjá, Ilê Axé Oyassiabadê, Ilê Axé Togum, Ilê Axé Yji Ati Oya, Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê (Terreiro do Gantois), Ilê Obá do Cobre, Ladê Padê Omin, Manso Dandalunga Cocuazenza, Mansubamdu Kuêkuê Doinkuabebe, Mocambo - Unzu Ngunzo Dandalunga Ye Tempo, Ninfa Omim, Nzo Kwa Mpaanzu, Ogum Kariri Com Iansã, Oxalá (Babakan Alafin), Oxossi Mutalambo, Senzala Religiosa Mukunndewá, Sogboadã (Guerebetã Jume Sogboadã), Terreiro de Ogunjá,Tumba Jussara, Unzo de Angorô, Unzó Indebwa Kaamumzambi, Unzo Ngonzo Kwa Kayongo, Unzo Tumbancé, Vintém de Prata, Yaominide. Na Sehab, informação repassada pelo Centro de Estudos Afro-orientais (Ceao/UFBa), instituição contratada pela Semur para a execução do cadastro e mapeamento, dava conta da existência de 1.386 terreiros cadastrados, de um total de aproximadamente 1.500. O trabalho conta com o apoio do Ministério da Cultura. Fundação Palmares, Associação em Prol da Preservação do Patrimônio Bantu e da Federação Baiana do Culto Afro-brasileiro (Fenacab). Fonte: Portal Secom PMS (www.salvador.ba.gov.br)


Terreiros de Candomblé Tombados T.=Tombamento e ano.2 3 4 5 6 7 8 9 10 Casa Branca do Engenho Velho T.1986 - Salvador, Bahia Terreiro Opo Afonjá T.1999 - Salvador, Bahia Terreiro do Gantois T.2002 - Salvador, Bahia Casa das Minas T.2002 - São Luís, Maranhão Terreiro Bate Folha T.2003 - Salvador, Bahia Casa de Oxumare T.2004 - Salvador, Bahia Terreiro Pilão de Prata T.2004 - Salvador, Bahia Terreiro do Portão T.2004 - Lauro de Freitas, Bahia Terreiro do Alaketu T.2005 - Salvador, Bahia Ilê Axé Opô Aganjú T.2005 - Lauro de Freitas, Bahia Ilê Axé Ajagunã T.2005 - Lauro de Freitas - Bahia Terreiro Mokambo T.2006 - Salvador, Bahia Terreiro de Jauá T.2006 - Camaçari, Bahia Terreiro do Bogum - Salvador, Bahia Terreiro Pilão de Cobre - Salvador, Bahia Ilê Axé Ibá Ogum T.2007 - Vale da Muriçoca - Salvador, Bahia Kwé Ceja Houndé - Cachoeira, Bahia Terreiro da Goméia - Lauro de Freitas, Bahia Casa de Nagô - São Luís, Maranhão Pela sequência de tombamento: IPHAN

Ilê Axé Iyá Nassô Oká - Casa Branca T.1986, (Vasco da Gama) Ilê Axé Opô Afonjá T.1999, (São Gonçalo do Retiro)


Casa das Minas T.2002 - São Luís, Maranhão Ilê Axé Omim Iyá Yamassê - Gantois T.2002, (Federação) Inzo Manzo Bandukenké - Bate Folha T.2003, (Mata Escura) Ilê Mariolaje - Olga de Alaketu T.2005, (Luiz Anselmo) IPAC Terreiro São Jorge Filho da Goméia Portão T.2004, (Lauro de Freitas) Ilê Axé Oxumaré T.2004, (Vasco da Gama) Salvador Terreiro Pilão de Prata T.2004, (Boca do Rio) Salvador Ilê Axé Opô Aganju T.2005, (Lauro de Freitas) Ilê Axé Ajagunã T.2005, Lauro de Freitas Ilê Axé Alabaxê T.2006, Maragojipe, Terreiro de Jauá T.2006, Camaçari.


Culto de Ifá

O Culto de Ifá é oriundo das Religiões tradicionais africanas, ligado ao Orixá OrunmiláIfá da religião yoruba. Com a ida destas culturas para Brasil e Caribe, nos períodos do tráfico negreiro, alguns sacerdotes (chamados babalawo (yoruba) e Bokono (ewe/fon).) foram levados para estes países, estando ligados às religiões Candomblé (Brasil) e Santeria através da Regla de Ocha (Cuba). O culto de Ifá é um sistema divinatório, empregado na África e nos países para onde foi disseminado para decisões de cunho religioso ou social. Utiliza três técnicas diferentes (Opelê, Ikins e Merindilogun), que têm em comum os Odú-Ifá, os signos. As mulheres também podem ser iniciadas no culto, quando passam a ser chamadas apetebis (esposas de Orunmilá), mas os sacerdotes - babalawôs - sempre são homens heterossexuais, sendo vedado às apetebis jogar Opelê ou Ikins. O Merindilogun é o jogo dos OBAORIATES sendo permitido as mulheres a usarem o EKURÓ. As pessoas ebomis que não são iniciadas em Ifá usam o OBANIKA. O Culto de Ifá tem um rígido e complexo sistema de conduta moral relativo a seus adeptos, expresso no Odu Ikafun, onde surgem os dezesseis mandamentos de Ifá. Os primeiros a escreverem sobre Ifá no Brasil[carece de fontes], obras publicadas em português foram sacerdotes Umbandistas. conhecido como Mestre Yapacani já descrevia em 1956 um dos inúmeros sistemas de Ifá em suas obras. Seus discípulos, Francisco Rivas Neto (Mestre Arapiaga) e Ivan H. Costa (Mestre Itaoman) escreveram, nos anos 90, obras descritivas sobre o oráculo.


Bibliografia BASCOM, William: Ifa Divination: Communication Between Gods and Men in West Africa William R. Bascom: Ifa Divination: Traduzido ISBN 0253206383] William R. Bascom: Sixteen Cowries: Yoruba Divination from Africa to the New World ISBN 0253208475] William R. Bascom: Ifa Divination - Indiana University Press - Bloomington and Indianapolis ISBN 0-253-32890-X] ISBN 0-253-20638-3 (pbk)] The Sacred Ifa Oracle - Afolabi A. Epega and Philip John Neimark - Harper San Francisco ISBN 0-06-250309-X (pbk)] ISBN 0-06-251230-7 (cloth)] Ifa - African Gods Speak - The Oracle of the Yoruba in Nigeria - Christoph Staewen - LIT Verlag ISBN 3-8258-2813-1] Prandi, Reginaldo - Reedição de Caminhos de Odu, (Org.) os odus do jogo de búzios, com seus caminhos, ebós, mitos e significados, conforme ensinamentos escritos por Agenor Miranda Rocha em 1928 e por ele revistos em 1998. RJ, Pallas, 2001. Ivan H. Costa: Mestre Itaoman "Ifá o orixá do destino" F.Rivas Neto: Mestre Arapuagha "Umbanda a Protosíntese Cósmica"


Culto aos egunguns

África O criador de culto dos ancestrais Segundo a tradição do culto de Egungun, que é originário da África, região de Oyò. O culto de Egungun, é exclusivo de homens, sendo Alápini o cargo mais elevado dentro do culto tendo como auxiliares os Ojés. Todo integrante do culto de Egungun é chamado de Mariwó. Xangô (Sòngó), é o fundador do culto a Egungun, somente ele tem o poder de controla-los, como diz um trecho de um Itan: "Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô a frente, as Yàmi fizeram roupas iguais as de Egungun, vestiramna e tentaram assustar os homens que participavam do culto, todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou desafiando os supostos espíritos. As Yàmi ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança, em um certo momento em que Xangô estava distraido atendendo seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de Obi, e foi aí que as Yàmi atacaram, derrubaram a Adubaiyni filha de Xangô que ele


mais adorava. Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino que até então era muito próspero, foi até Orunmilà, que lhe disse que Yàmi é que havia matado sua filha, Xangô quiz saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orunmilà lhe disse para fazer oferendas ao Orixá Ikù(Oniborun), o guardião da entrada do mundo dos mortos, assim Xangô fez, seguindo a risca os preceitos de Orunmilà. Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para sí o controle absoluto dos Egungun (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos Egungun, e se tornando estremamente proibida a participação de mulheres neste culto, provocando a ira de Olorun, Xangô, Ikú e os próprios Egungun, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais as Yami".

Brasil Culto aos Egungun é uma das mais importantes instituições, tem por finalidade preservar e assegurar a continuidade do processo civilizatório africano no Brasil, é o culto aos ancestrais masculinos, originário de Oyo, capital do império Nagô, que foi implantado no Brasil no início do século XIX. O culto principal aos Egungun é praticado na Ilha de Itaparica no Estado da Bahia mas existem casas em outros Estados. Quanto ao aspecto físico, um terreiro de Egungun ou Egun apresenta basicamente as seguintes unidade: um espaço público, que pode ser freqüentado por qualquer pessoa, e que se localiza numa parte do barracão de festas; uma outra parte desse salão, onde só podem ficar e transitar os iniciadores, e para onde os Egun vêm quando são chamados, para se mostrar publicamente; uma área aberta, situada entre o barracão e o Ilê Igbalé (ou Ilê Awô - a casa do segredo), onde também se encontra um montículo de terra preparado e consagrado, que é o assentamento de Onilé; um espaço privado ao qual só têm acesso os iniciados da mais alta hierarquia, onde fica o Ilê Awô, com os assentamentos coletivo, e onde se guardam todos os instrumentos e paramentos rituais, como os Isan pronuncia-se (ixan), longas varas com as quais os Ojé invocam (batendo no chão) e controlam os Egungun.


História O Culto à Egun ou Egungun veio da África junto com os Orixás trazidos pelos escravos. Era um culto muito fechado, secreto mesmo, mais que o dos Orixás por cultuarem os mortos. A primeira referência do Culto de Egun no Brasil segundo Juana Elbein dos Santos foram duas linhas escritas por Nina Rodrigues, refere-se a 1896, mas existem evidências de terreiros de Egun fundados por africanos no começo do século XIX. Os Terreiros de Egun mais famosos foram: Terreiro de Vera Cruz, fundado +/- 1820 por um africano chamado Tio Serafim, em Vera Cruz, Ilha de Itaparica. Ele trouxe da África o Egun de seu pai, invocado até hoje como Egun Okulelê, faleceu com mais de cem anos. Terreiro de Mocambo, fundado +/- 1830 por um africano chamado Marcos-o-Velho para distingui-lo do seu filho, na plantação de Mocambo, Ilha de Itaparica. Teria comprado sua carta de alforria, anos mais tarde teria voltado à África junto com seu filho Marcos Teodoro Pimentel conhecido como Tio Marcos, lá permanecendo por muitos anos aperfeiçoando seus conhecimentos litúrgicos, onde também seu filho foi iniciado. Quando voltaram trouxeram com eles o assento do Baba Olukotun, considerado o Olori Egun, o ancestre primordial da nação nagô. Terreiro de Encarnação, fundado +/- 1840 por um filho do Tio Serafim, chamado JoãoDois-Metros por causa de sua altura, no povoado de Encarnação. Foi nesse terreiro que se invocou pela primeira vez no Brasil o Egun Baba Agboula, um dos patriarcas do povo Nagô. Terreiro de Tuntun, fundado +/- 1850 pelo filho de Marcos-o-Velho, chamado Tio Marcos, num velho povoado de africanos denominado Tuntun, Ilha de Itaparica. Marcos possuiu o título de Alapini, Ipekun Ojé, Sacerdote Supremo do Culto aos Egungun, na tradição histórica Nagô, o Alapini representa os terreiros de Egun ao afin, palácio real. Tio Marcos, Alapini, faleceu por volta de 1935, e com sua morte desapareceu o terreiro do Tuntun, porém a tradição do culto a Baba Olokotun continuou através de seu sobrinho Arsênio Ferreira dos Santos, que possuia o título de Alagba, este migrou para o Rio de Janeiro levando o assento de Baba Olokotun para o município de São Gonçalo. Depois do falecimento de Arsênio, os assentos dos Baba retornaram para Bahia, através do atual Alapini, Deoscoredes M. dos Santos, conhecido como Mestre Didi Axipá, presidente da Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Axipá. Mestre Didi foi iniciado na tradição do culto aos Egungun por Marcos e Arsênio.


Terreiro do Corta-Braço, na Estrada das Boiadas, ponto de reunião de praticantes da capoeira, atualmente bairro da Liberdade, cujo chefe era um africano conhecido como Tio Opê. Um dos Ojé, sacerdotes do culto aos Egungun, conhecido como João Boa Fama, iniciou alguns jovens na Ilha de Itaparica, que se juntariam com os descendentes de Tio Serafim e Tio Marcos para fundarem o Ilê Agboulá, no bairro Vermelho, próximo à Ponta de Areia. Outros terreiros de Egungun foram registrados no final do século XIX, um localizado em Quitandinha do Capim, que cultuava os Egun Olu-Apelê e Olojá Orum, o de Tio Agostinho, em Matatu que se tornou ponto de concentração de vários Ojés de outras casas inclusive o Alapini Tio Marcos, o Terreiro da Preguiça, ao lado da Igreja da Conceição da Praia. Ilê Agboulá, Localizado em Ponta de Areia, na Ilha de Itaparica, o Ilê Agboulá é, hoje, no Brasil, um dos poucos lugares dedicados exclusivamente ao culto dos Egun. Sua fundação remonta ao primeiro quarto do século XX por Eduardo Daniel de Paula, Tio Opê, Tio Serafim e Tio Marcos, mas a comunidade que lhe deu origem e que lhe mantém os fundamentos está estabelecida na Ilha, como já vimos há cerca de duzentos anos. Ilê Olokotun, na Ilha de Itaparica Ilê Axipá - Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Axipá. Hierarquia Nas casas de Egungun a hierarquia é patriarcal, só homens podem ser iniciados no cargo de Ojé ou Babá Ojé como são chamados, essa hierarquia é muito rígida, apesar de existirem cargos femininos para outras funções, uma mulher jamais será iniciada para esse cargo. Masculinos: Alapini (Sacerdote Supremo, Chefe dos alagbás), Alagbá (Chefe de um terreiro), Atokun (guia de Egum), Ojê agbá (ojê ancião), Ojê (iniciado com ritos completos), Amuixan (iniciado com ritos incompletos), Alagbê (tocador de atabaque). Alguns oiê dos ojê agbá: Baxorun, Ojê ladê, Exorun, Faboun, Ojé labi, Alaran, Ojenira, Akere, Ogogo, Olopondá. Femininos: Iyalode (responde pelo grupo feminino perante os homens), Iyá egbé (cabeça de todas as mulheres), Iyá monde (comanda as ató e fala com os Babá), Iyá erelu (cabeça das cantadoras), erelu (cantadora), Iyá agan (recruta e ensina as ató), ató (adoradora de Egun). Outros oiê: Iyale alabá, Iyá kekere, Iyá monyoyó, Iyá elemaxó, Iyá moro.


Ritual Tanto a tradição Nagô como a Jeje e a Congo-Angola cultuam os ancestrais. Para os Nagôs existem no Brasil três formas de cultuar os ancestrais, os Esa, os Egungun e as Iya-mi Agba. Os terreiros de Candomblé possuem um local apropriado de adoração do espírito de seus mortos ilustres, esse local é denominado de Ilê ibo aku, casa de adoração aos mortos, enfim todos iniciados no culto aos Orixás. Os Esa são considerados os ancestrais coletivos dos afro-brasileiros. Seu culto se refere à comunidade em geral. O que destaca o Esa é o fato dele ter-se destacado em vida por servir a comunidade e de continuar atuando em outro plano, contribuindo para o bom desenvolvimento do destino dos fiéis e da casa. O Ilê ibo aku onde são assentados e cultuados os Esa é afastado do templo onde são cultuados os Orixás. Os sacerdotes que são iniciados especialmente para cuidar do Ilê ibo aku não são adoxu, isso é, não manifestam Orixá. Os ancestrais cultuados no Ilê ibo aku são diferentes dos cultuados no Culto aos Egungun, no primeiro são os espíritos dos falecidos da casa de Candomblé e o segundo são os ara-orun em geral e aos espíritos dos Ojé africanos ou brasileiros. Os Esa são invocados e cultuados em diversas situações, especialmente no padê, e no axexê quando é constituído o assentamento de um adoxu ou dignitário ilustre falecido. O assento de Esa se caracteriza pela representação da existência genérica, e o Egungun pela representação do espírito individualizado, o Egungun se caracteriza pela aparição no aiyê. Os Esa e os Egun são invocados no padê.


Calendário Litúrgico

Calendário Litúrgico do Ilê Agboulá (obtido do Projeto Egungun) As festas e obrigações obedecem, no Ilê Agboulá, a um bem elaborado calendário litúrgico. E durante essas festas podem ocorrer rituais não periódicos e não obrigatoriamente integrados no calendário, como iniciação de novos Amuixan ou de novos Ojé, ou mesmo obrigações e oferendas de outros titulados da comunidade. Mas o calendário, mesmo, obedece ao seguinte: Janeiro - Em janeiro, por ocasião do Ano Novo, as obrigações transcorrem até o dia nove. Esses rituais começam com uma obrigação para Onilê seguida de outra para Babá Olukotun. Junto com esta são celebradas as cerimônias anuais em homenagem a Babá Alapalá e Babá Ologbojô. Fevereiro - em fevereiro, começando no dia 2 e se estendendo por duas semanas, ocorre uma festa muito especial, principalmente porque a comunidade de Itaparica vive do mar e para o mar. É a festa de Yemanjá e Oxum, deusas das águas, e de Oxalá, o deus da criação. Junho - em junho, na época do São João, realiza-se as festas de Babá Erin, que é o Egun do Sr. Eduardo Daniel de Paula, fundador da Casa. As festas se realizam por ocasião do ciclo de Xangô, que era o orixá do Sr. Eduardo. E atingem grande brilhantismo porque entre a comunidade do Ilê Agboulá, que é descendente do povo de Oyó, a veneração a Xangô é muito forte. Setembro - De 7 a 17 de setembro ocorrem as festas de Babá Agboulá. Por essa época é que é feita a colheita dos primeiros frutos na Ilha de Itaparica, sob a proteção de Babá. E isto é muito importante pelo fato de até bem pouco tempo a Ilha de Itaparica ter sido o grande fornecedor de frutas para a cidade de Salvador.


Xangô do Nordeste

Xangô do Nordeste também conhecido como Xangô do Recife, Xangô de Pernambuco ou Nagô Egbá. Em todo o Nordeste da Paraíba à Bahia, a influência dos yorubas prevalece a do Daomé. Esta é a zona mais conhecida quanto às religiões tradicionais africanas, a que deu lugar a maior número de pesquisas e de trabalhos sobre os nagôs. As duas palavras para designá-las são, a de Xangô na Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, e de Candomblé da Bahia para o sul, esta dualidade de nomes, que não são nomes dados pelos negros, mas sim pelos brancos em virtude da popularidade e importância de Xangô nessa região, e Candomblé por designar toda dança dos negros, tanto profanas como religiosas


Pureza Nagô Mundicarmo Ferretti em "Pureza nagô e nações africanas no Tambor de Mina do Maranhão" escreve: "Os terreiros de religião de origem africana mais identificados com a África geralmente constroem sua identidade tomando como referência o conceito de “nação”, que os vincula ao continente africano, à África negra, através de uma casa de culto aberta no Brasil por africanos antes da abolição da escravidão (“de raiz africana”). No campo religioso afro-brasileiro, os terreiros Nagô mais antigos e tradicionais da Bahia foram considerados, tanto por pais-de-santo como por pesquisadores da área acadêmica, como mais puros ou autênticos e sua “nação” como mais preservada e/ou organizada. A partir do que foi convencionado na Bahia como “nagô puro”, têm sido avaliados terreiros nagô de outros estados das mais diversas denominações: Candomblé, Xangô, Mina, Batuque e outras. Analisando a questão da “pureza nagô”, Beatriz Góis Dantas (Dantas, 1988), apoiada em pesquisa realizada em Sergipe, mostra que, apesar da hegemonia do Candomblé nagô da Bahia na religião afro-brasileira, os indicadores de autenticidade africana ou “pureza nagô” adotados na Bahia nem sempre são os mesmos de outros estados e que traços muito valorizados no Candomblé da Bahia podem ser desvalorizados ou até rejeitados em terreiros de outras localidades."


A quase extinção

Fernandes, Gonçalves - autor do livro Xangôs no Nordeste, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1937, também é autor do livro O Sincretismo Religioso no Brasil, São Paulo, Guairá, 1941, que fala sobre a noite de 1 de fevereiro de 1912 nas ruas da cidade de Maceió onde houve cenas de muita violência, com a invasão e destruição dos mais importantes terreiros de Xangô de Alagoas. O Sítio de Pai Adão foi tombamento pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco – FUNDARPE,2 e todo o conhecimento foi transmitido sucessivamente a Obalonein, Fatemi e Oluandê, para que finalmente fossem passados em Belford Roxo a Osunaloji (Pai Milton), que zela pela conservação e manutenção dessa tradição recebida, no Ilê Axé Agawere Xapanan. Em seu ilê (casa), cujo orixá patrono é Iemanjá, as novas gerações de filhos de santo recebem dele todo esse rico arsenal de cultura afro-brasileira, com fundamento na nação Nagô-Egbá. Liderado hoje por Manuel Papai e Maria das Dores ja falecida, juntamente Pai Raminho de Oxossi que incentiva os desfiles de Maracatu no Carnaval do Recife.3 Fatemi que antes do seu falecimento, procurou de todas as formas um sucessor(a), logrando êxito apenas em uma de suas Omorisa de nomeOluandê. Sem esquecer de Yá Ciça de Yemanjá, já falecida, de Yá Talamuzango, também falecida. Essas pessoas, foram as responsáveis diretas pela manutenção dos ritos Nago Egba no Rio de Janeiro. No Maranhão, a Casa Fanti Ashanti, em São Luís, nação Jeje-Nagô, babalorixá Euclides Menezes Ferreira (Talabian), (de Oxaguian c/Oxum) e Mãe Isabel de Xangô com Oxum. A raiz é do Sitio de Pai Adão, Nagô do Recife. Em São Paulo, a iyalorixá Maria das Dores Talabideiyn deixou a seu filho Pai José Alabiy (José Gomes Barbosa), babalorixá do Ilê Axé Ajagunã Obá Olá Fadaká, a tradição Egbá, passada à sua filha Oya Dolu (Lorena de Santiago) iyalorixá do Ilê Axé Oya Tundê, juntamente com Baba Alajemi (Nilso Jorge Júnior), onde também se preservam os mais antigos fundamentos do Nago-Egba. Entre outros, destaca-se a iyalorixá Valdecir de Obaluaye que, sendo filha-de-santo de Osunalogi, traz consigo a tradição e cultura dessa grande raíz. Também no município de Guarulhos-SP, existe o Abassá de Xangô Agodo e Obafunle dirigido pelo babalorixá Alexandre de Odé e a iyalorixá Dida de Xangô (Mãe carnal de Pai Alexandre), que receberam o Axé e os ensinamentos de Manuel Papai, Tia Mãezinha (in memoria) e Mãe Janda (in memoria), dos quais preservam e cultuam os fundamentos Nagô-Egbá. Além de divulgarem a raíz, eles também participam de atos e ações sociais, religiosos, políticos e são os responsáveis espirituais pelo bloco Afro Ilú


Oba De Min, formado por mulheres percusionistas que fazem um trabalho de educação, cultura e arte negra. No Rio de Janeiro, a sacerdotisa nigeriana Adioê Bamgballa (Liberata Martins Rubião; contemporâneo de João Alabá e Assumano), trouxe para o Brasil os fetiches necessários para o culto aos Orixás, em especial Iemanjá; que passou à ser considerada a divindade patrona da nação; quando ele utiliza alguns fetiches retirados do rio Ogun onde Iemanjá é cultuada em Abeokutá, para assentar os Orixás de sua casa, após se desligar do Sitio do Pai Adão, onde fora iniciada; fundando assim a Raiz Bamgballa, que atualmente tem o Baba Beto de Bara, como seu principal representante e atual guardião da Iemanjá da Nação e zelador dos axés.

Notas O termo nagô é mais usado na região do nordeste onde se localizam os Xangôs e não muito usado para se referir aos candomblés da Bahia. Luís Felipe Rios, "Como o candomblé e o xangô são referidos como de modelo nagô, em termos das matrizes míticas africanas (as nações), no Recife – talvez para que não reste dúvidas das diferenças entre o nagô baiano e o nagô pernambucano – o termo nagô é utilizado apenas para o xangô e para o modelo baiano a denominação utilizada é o candombléde-nação"


Terreiro Obá Ogunté

A história do Ilê Obá Ogunté começa por volta de 1875, com a chegada ao Brasil da africana Inês Joaquina da Costa (Ifá Tinuké) também chamada de Tia Inês, morreu em 1905. Foi a fundadora do atual Sitio de Pai Adão, no Sítio de Água Fria, no Recife. É a mais antiga casa de culto Nagô de Pernambuco e uma das mais venerandas do Brasil, considerada uma das matrizes da nação de culto afro-brasileiro Nagô, que guarda alguma semelhança com a nação Ketu da Bahia, similar ao Xambá e ao Tchamba de Togo, e Trinidad e Tobago. Primeiro terreiro a ser tombado por um governo estadual. O tombamento foi feito pelo Decreto 10.712, de 5 de setembro de 1985, pelo Governo do Estado de Pernambuco O Ilê Obá Ogunté, mais conhecido hoje como Sítio de Pai Adão, é um modelo de culto sob todos os pontos-de-vista: na sofisticação ritual, na beleza de sua música e da dança, no número de divindades cultuadas (ali são cultuadas divindades não encontradas em nenhum outro culto do Brasil), no poder espiritual das incorporações, tudo indicando uma tradição conservada com fidelidade às suas raízes. Tia Inês, ao vir para o Brasil, trouxe consigo várias divindades, sob a forma de símbolos, imagens, objetos e inclusive sementes, para plantar uma imensa gameleira, ainda existente que é venerada como a divindade Iroko. Ainda preserva em seu espaço-físico um baobá com mais de um século de existência e com mais de 10m de diâmetro, raro no Brasil por ser mais comumente encontradas espécimes desse porte nos locais de onde são nativas, na ilha de Madagascar (o maior centro de diversidade, com seis espécies), no continente africano e na Austrália (com uma espécie em cada). A casa funcionou sempre como uma grande comunidade de negros africanos e de seus descendentes. Com a morte de Ifá Tinuké, ela passou a ser liderada por Felipe Sabino da Costa (Ope Watanan), conhecido por Pai Adão (sucessor de Tia Inês), que foi a maior personalidade da história do Xangô do Recife ou "Casa Amarela", entre outros


talentos, por seus poderes espirituais, seu conhecimento profundo dos fundamentos rituais, estéticos e mitológicos da tradição e seu domínio do idioma Iorubá. O babalorixá atual é Manoel do Nascimento Costa, mais conhecido como Manuel Papai,2 e a iyalorixá Maria do Bonfim. Na nação Nagô-Egbá sempre são duas pessoas que dirigem a casa: um babalorixá e uma iyalorixá, ou seja, um pai e uma mãe-desanto. De Pai Adão, todo o conhecimento foi transmitido sucessivamente a Obalonein, Fatemi e Oluandê, para que finalmente fossem passados em Belford Roxo a Osunaloji (Pai Milton), que zela pela conservação e manutenção dessa tradição recebida, no Ilê Axé Agawere Xapanan. Em seu ilê (casa), cujo orixá patrono é Iemanjá, as novas gerações de filhos de santo recebem dele todo esse rico arsenal de cultura afro-brasileira, com fundamento na nação Nagô-Egbá. No Maranhão, a Casa Fanti Ashanti, em São Luís, nação Jeje-Nagô, babalorixá Euclides Menezes Ferreira (Talabian),(de Oxaguiã c/Oxum) e Mãe Isabel de Xangô com Oxum. A raiz é do Sitio de Pai Adão - Nagô do Recife - liderado hoje por Manuel Papai e Maria das Dores ja falecida, juntamente Pai Raminho de Oxossi que incentiva os desfiles de Maracatu no Carnaval do Recife3 . Em São Paulo, a iyalorixá Maria das Dores Talabideiyn deixou a seu filho Pai José Alabiy (José Gomes Barbosa), babalorixá do Ilê Axé Ajagunã Obá Olá Fadaká, a tradição Egbá, passada à sua filha Oya Dolu (Lorena de Santiago) iyalorixá do Ilê Axé Oya Tundê, juntamente com Baba Alajemi (Nilso Jorge Júnior), onde também se preservam os mais antigos fundamentos do Nago-Egba. Entre outros, destaca-se a iyalorixá Valdecir de Obaluaye que, sendo filha-de-santo de Osunalogi, traz consigo a tradição e cultura dessa grande raíz. Também no município de Guarulhos-SP, existe o Abassá de Xangô Agodo e Obafunle dirigido pelo babalorixá Alexandre de Odé e a iyalorixá Dida de Xangô (Mãe carnal de Pai Alexandre), que receberam o Axé e os ensinamentos de Manuel Papai, Tia Mãezinha e Mãe Janda (in memoria), dos quais preservam e cultuam os fundamentos Nagô-Egbá. Além de divulgarem a raíz, eles também participam de atos e ações sociais, religiosos, políticos e são os responsáveis espirituais pelo bloco Afro Ilú Oba De Min, formado por mulheres percusionistas que fazem um trabalho de educação, cultura e arte negra.


Bibliografia

René Ribeiro, Cultos Afro-Brasileiros do Recife. Recife: Instituto Joaquim Nabuco. 1952. Anilson Lins, Xangô de Pernambuco, ensinamentos contidos no manual do Sítio de Pai Adão, Pallas, ISBN 8534703701 Roger Bastide, As Religiões Africanas no Brasil: Contribuição para uma Sociologia das Interpenetrações de Civilizações. São Paulo, Livraria Pioneira Editora, 1989. Roberto Motta, Religiões populares do Recife como resposta à ecologia tropical da cidade. In: Seminário de Tropicologia: trópico & o Recife eurotropical, 1977, Recife. Anais... Organização e prefácio de Roberto Motta. Recife: Fundaj, Editora Massangana, 1987. p. 78-91. [III Reunião Ordinária].


Xambá

A Nação Xambá é uma religião afro-brasileira ativa em Olinda, Pernambuco. Alguns autores, como Olga Caciatore1 e Reginaldo Prandi afirmam que este culto está praticamente extinto no país.


História

No início da década de 1920, a perseguição política de que eram vítimas as religiões afro-brasileiras no país, levou o babalorixá Artur Rosendo Pereira, a fugir de Maceió, capital do estado de Alagoas, vindo a estabelecer-se por volta de 1923 na rua da Regeneração, no bairro de Água Fria, na cidade do Recife, em Pernambuco.3 Antes desse episódio, ainda vivendo em Maceió, Rosendo havia viajado até à costa da África, onde permaneceu por quatro anos com "Tio Antônio", que trabalhava no mercado de Dakar, no Senegal, vendendo panelas, conforme narra René Ribeiro. Rosendo iniciou muitos filhos de santo, tendo muitos deles aberto terreiro. Entre estes destacou-se Maria das Dores da Silva - "Maria Oyá" - iniciada em 1928. A saída de iyawó de Maria Oyá foi realizada sem o toque dos tambores e cantada em voz baixa ainda devido à perseguição, que entretanto persistia. Pouco depois da iniciação de Maria Oyá, Rosendo voltou para Maceió. Em 1930, Maria Oyá inaugurou o próprio terreiro, à rua da Mangueira, no bairro de Campo Grande no Recife. Com a conclusão de sua iniciação (13 de dezembro de 1932), recebeu no barracão as folhas, a faca e a espada das mãos de seu babalorixá, que realizou ao meio dia o ritual de coroação de Oyá no trono. Em 1932 Maria Oyá tirou o seu primeiro barco de três iyawôs. No mesmo ano, iniciou o seu segundo barco de iyawôs, maior, e iniciando nomeadamente Donatila Paraíso do Nascimento ("Mãe Tila") que, em 1933, assumiu o cargo de Mãe Pequena do terreiro Santa Bárbara. Donatila veio a falecer em 2003 aos 92 anos de idade, tendo passado seis décadas de sua vida no cargo. Uma outra filha ilustre foi Lídia Alves da Silva ("Talabi"). A sucessão de iniciações aumentou desde então. Em junho de 1935 Maria Oyá iniciou nos ritos a sua sucessora, Severina Paraíso da Silva, "Mãe Biu". Com o advento do Estado Novo no país, diante da violência policial cada vez mais maior, em 1938 Maria Oyá foi obrigada a encerrar o seu terreiro, vindo a falecer no ano seguinte (1939). Esse momento de perseguições manterá os terreiros de outras nações de candomblé cultuadas em Pernambuco, e seus fieis tolhidos, até 1950.


Mãe Biu de Oyá Megué reabriu o terreiro de Xambá em 1950, agora na estrada do Cumbe nº 1012, no bairro de Santa Clara, no Recife, tendo como babalorixa o Sr. Manoel Mariano da Silva, como Iyalorixá D. Eudoxia, como padrinho o Sr. Luiz da Guia e como madrinha D. Severina. Dez meses após, a 7 de abril de 1951 a instituição mudou-se para o atual endereço, na antiga rua Albino Neves de Andrade, atual rua Severina Paraíso da Silva nº 65 (em homenagem a Mãe Biu), na localidade do Portão do Gelo, bairro de São Benedito, em Olinda. Com o falecimento de Mãe Biu (1993), que durante 54 anos dirigiu o terreiro Xambá, auxiliada por Mãe Tila, esta assumiu o cargo de Iyalorixá que exerceu por 10 anos, tendo como babalorixá o seu sobrinho carnal Adeildo Paraíso, filho carnal de Mãe Biu. Conhecido popularmente como Ivo do Xambá, ele convocou os seus filhos de santo, os professores António Albino, Hildo Leal e João Monteiro, para elaborarem um projeto para transformar o Terreiro Portão do Gelo, no Memorial do Xambá, onde se encontram reunidos e preservados documentos fotográficos e objetos ligados à vida e à atuação daquela líder religiosa, bem como da memória do "Terreiro Santa Bárbara Nação Xambá". Em 2004, com o falecimento de Mãe Tila, assumiu a Iyalorixá Maria de Lourdes da Silva de Iemanjá, iniciada por Mãe Biu em 18 de maio de 1958. Em paralelo ao trabalho de preservação do Memorial do Xambá, destaca-se a atuação do Grupo Bongar, formado por seis percussionistas e cantores da Nação Xambá, que realiza um trabalho de resgate e divulgação da cultura e religião Xambá e de sua dança tradicional o coco


Orixás O ritual é semelhante ao do Candomblé. Calendário de festas: Toque de Obaluaiê - 21 de janeiro Toque de Oxum - 11 de fevereiro Toque de Ogum - 29 de abril Toque de Yemanjá - 27 de maio Toque de Xangô - 17 de junho Coco da Xambá - 29 de junho - Aniversário de Mãe Biu Toque de Orixalá - 29 de julho Aniversário do Babalorixá da Casa - Ivo do Xambá - 06 de agosto Dia do Quilombo Urbano do Portão do Gelo5 - 24 de setembro Toque de Bêji - 30 de setembro Toque do Inhame - 28 de outubro Dia da Consciência Negra - 20 de novembro Louvação de Oyá - 12:00 - 13 de dezembro Toque de Oyá - 16 de dezembro Os toques sempre são as 16 horas da tarde. Em todos os toques é servido aos filhos de santo da casa e aos convidados um café com manguzá, que é tradição da casa.

Aos visitantes: Não é permitido uso de roupas pretas O homem deve se vestir de calça (nunca bermuda, short ou camiseta regata) A mulher deve se vestir de saia ou vestido abaixo do joelho (nunca de calça nem camiseta)


Nação Xambá homenageada

O Governo do Estado de Pernambuco e o Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano adotaram o nome Xambá para o Terminal Integrado de Ônibus que está sendo construído próximo ao Terreiro na cidade de Olinda. O Terminal Integrado de Xambá está para ser entregue e inaugurado em Agosto de 2013.

Referência CACIATORE, Olga. Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros (3ª ed.). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1988. PRANDI, Reginaldo. Candomblés de São Paulo. São Paulo: HUCITEC, 1991. ROSA, Hildo Leal. Cartilha da Nação Xambá. 2000. a Fundação Cultural Palmares Xambá recebe título de quilombo urbano do Nordeste


Omolokô

Omolokô é uma religião sincrética praticada no Brasil tendo como base elementos africanistas, espíritas e ameríndios.

História O vocábulo deriva de uma composição baseada em duas outras, oriundas da língua iorubá com três versões distintas, segundo sua interpretação. No primeiro ramo de análise, que é a versão de Léa Maria Fonseca da Costa,1 mãe-desanto de Omolokô significa:


Omo: filho e Loko, que aludiria à árvore Iroko e resultaria em Filhos da Gameleira Branca. De acordo com a versão de Tancredo da Silva Pinto,2 Tatá Ti Inkice, pai de santo de Angola, no livro Culto Omolokô - Os Filhos de Terreiro, de Ornato José da Silva: Omo: filho e Oko: fazenda ou zona rural, na qual esse culto, por conta da repressão policial então existente, seria realizado desde a remota época da escravidão. Por fim, pode-se ainda relacionar o significado da palavra Omolokô também ao Orixá Okô, da agricultura, que era cultuado nas noites de lua nova pelas agricultoras de inhame. Ainda hoje existem as denominações de terreiro e roça para os locais em que os cultos afro-brasileiros são realizados. Nesse culto os orixás possuem nomes yorubá (nagô) e seus assentamentos são similares aos do Candomblé. Há práticas rituais e de culto aos orixás, Caboclos, Pretos-velhos cultivados também na Umbanda. O Omolokô é apontado por estudiosos e praticantes como um dos principais influenciadores da formação da Umbanda africanizada ao lado do Candomblé de Caboclo, do Cabula e do próprio Candomblé. Teria surgido, segundo Tancredo da Silva Pinto entre o povo africano Lunda-Quiôco. Possui ritualística própria e seu representante mais expressivo é o tatá Tancredo da Silva Pinto, já falecido, estafeta dos correios, morador do Morro de São Carlos, que foi um grande estudioso, colunista e escritor. Porém, há relatos da existência de uma escrava, Maria Batayo,3 e a filha de escravos, Léa Maria Fonseca da Costa, que preservaram o Omolokô dissociado da Umbanda conforme é abordado na obra de Ornato José da Silva. A diáspora dos orixás cultuados no Omolokô é a mesma utilizada pelo Candomblé e sua organização dogmática o faz diferir também por isso da Umbanda que os cultua em número menor e de forma majoritariamente sincrética. Há quem defina erroneamente o Omolokô como uma mistura de Umbanda e Candomblé4 . Pesquisas mais recentes aludem o termo Omolokô ao povo Loko, que era governado pelo rei Farma, no sertão de Serra Leoa. Ele teria sido o rei mais poderoso entre todos os manes. Sua cidade chamava-se Lokoja e se localizava à margem do Rio Mitombo, afluente do rio Benue, que por sua vez, é afluente do grande rio Níger.


Lokoja ficava próxima do reino Yorubá. O povo Loko também era conhecido pelos nomes de Lagos, Lândogo e Sosso. O nome Loko foi primeiramente registrado em 1606. Também há registro desse povo com o nome de Loguro. Os Lokos viveram até 1917 a oriente dos Temnis de Scarcies. De acordo com pesquisas realizadas, a tribo Loko estava divida em outras menores ao longo dos rios Mitombo, Bênue e Níger e no litoral de Serra Leoa. Em 1664, o filho do rei Farma foi batizado com o nome de D. Felipe. Evidentemente torna-se claro que o principio da sincretização afro-católica já acontecia na África antes da vinda dos africanos ao Brasil. Acredita-se que a tribo Loko pertencia a um grupo maior chamado Mane e que alguns de seus integrantes vieram escravizados para o Brasil e formaram o Omolokô. Os povos Mane tinham por costume usar flechas envenenadas e arcos curtos, espadas curtas e largas, azagaias, dardos e facas que traziam amarrados embaixo do braço. Para combater o veneno de suas flechas, em caso de acidente, usavam uma bolsinha com um antídoto. Avisavam os seu inimigos o dia em que iriam atacá-los através de palhas - tantas palhas, tantos dias para o ataque. Traziam no braço e nas pernas manilhos de ouro e prata. Também eram ligados aos brancos que invadiram a África Negra. Adoravam assentamentos de deuses e ídolos de madeira, os quais representavam homem e animais. Quando não venciam as guerras, açoitavam os ídolos. Se as batalhas eram vencidas, ofereciam aos deuses comidas e bebidas. Chamavam as mulheres de cabondos e tinham como marca a ausência de dois dentes da frente. O Omolokô instaurou-se no Rio de Janeiro, segundo estudiosos, no século XIX, a partir do conhecimento trazido por negros vindos da África e seus descendentes. A herança do período colonial que sofreu influência de diversas vertentes religiosas da África, predominantemente o culto aos orixás e aos inkices, tornou peculiar a sua forma de culto, mantendo a cosmologia de cada origem, acrescida de rituais religiosos contemporâneos. No Rio de Janeiro, a partir da miscigenação e influência do Espiritismo francês, instaurou-se um novo movimento denominado Omolokô, disseminado prioritariamente por Tancredo da Silva Pinto. Mantém-se como um exemplo deste seguimento a casa-de-santo Okobalaye, fundada na cidade de São Gonçalo, e o Centro Espírita São Benedito, sediado à rua Vereador Maurício de Souza, 97, Engenhoca, Niterói, RJ, chefiada por Pai Matuazambi, de origem nagô.


Estrutura da roça-de-santo A roça-de-santo é uma distinção utilizada, inclusive, pelos Omolokôs para denominar o local onde se concentram as comemorações e rituais aos Orixás. O termo é uma referência ao período colonial em que os escravos cultuavam aos Orixás às escondidas nas roças e fazendas dos senhores de engenho. A roça-de-santo possui distintos locais que concentram axé, onde juntos, emanam energia que têm como função: proteger, encantar, equilibrar e acentuar a fé dos omorixás da roça e pousar os visitantes. A roça-de-santo é dividida em dois ambientes: O público e o sagrado. O público Local onde se pode beber e fumar e onde se serve o Ajeum (refeição, comida), sendo um lugar que se é permitido maior descontração. Quintal. O sagrado Onde se encontram os atabaques e onde é executado o xirê do santo, saídas e obrigações - Sala. Onde se guardam todos os apetrechos e vestimentas dos Orixás - Peji. Onde estão guardados parte dos segredos da Roça-de-santo e onde são realizadas as iniciações - Roncó. Onde se preparam todas as comidas de santo - Cozinha-de-santo. Onde ficam os igbás e os objetos mais sagrados dos Orixás - Quartos-de-santo.


Umbanda Umbanda é uma religião heterodoxa brasileira, cuja evolução do polissincretismo religioso existente no Brasil foi resultado de motivações diversas, inclusive de ordem social, que originaram um culto à feição e moda do país. O vocábulo é oriundo da língua quimbundo, de Angola, e significa arte de curar, segundo a Gramática de Kimbundo, do Professor José L. Quintão, citada na obra O que é a Umbanda, de Armando Cavalcanti Bandeira, editora Eco, 19701 . Já os autores de vertente esotérica fazem alusão ao sânscrito a partir da junção dos termos Aum e Bandha, o elo entre os planos divino e terreno. A palavra mântrica Aumbandhan teria sido passada de boca a ouvido e chegado até nós como A Umbanda.


História

O sincretismo religioso no Brasil, ou seja, a mistura de concepções, fundamentos, preceitos, ritualísticas e divindades se processou num quádruplo aspecto: negro, índio, católico e espírita porque outros foram menos dominantes ou de modo superficial e restrito a certas áreas. O marco inicial surge com a escravatura do índio feita pelos primeiros colonizadores no Brasil. Entretanto, o aborígene pelas suas características de raça, de elemento da terra, conhecedor das matas, espírito guerreiro exaltado, sem qualquer organização com um rudimento de estrutura social, tendo a liberdade como apanágio de toda sua vida, não aceitou o jugo da escravidão. Tinha, contudo, uma crença no espírito e suas religiões. A influência do índio contribuiu para a formação da Umbanda fornecendo elementos da sua mitologia e cultivos, tais quais, a Pajelança, o Toré, o Catimbó, entre outros. Ademais, o caboclo, ancestral do índio que incorporava em suas manifestações, foi consolidado na prática umbandista 2 . O colonizador, portanto, foi buscar nas terras africanas o elemento negro, o qual oferecia condições mais favoráveis para os misteres da lavoura, já conhecidos nas regiões de origem. Desse modo, houve um circuito branco-índio-negro que contribuiu sobremaneira para o complexo da formação brasileira, nele ressalvando, como uma constante a religiosidade em vários aspectos. Na época das senzalas, os negros escravos costumavam incorporar o que se conhece hoje como pretos-velhos, antigos escravos, que ao se manifestarem, compartilhavam conselhos e consolo aos escravos. O sincretismo católico, produto da simbiose dos cultos de escravo e escravocratas no Brasil, chegou a tal ponto que se cultiva um orixá com nome e imagem do santo católico, não se podendo diferenciar em certas exteriorizações onde começa um onde termina o outro. São flagrantes os casos de São Jorge, Ogum, Nosso Senhor do Bonfim, Oxalá, São Cosme e São Damião, Ibeji, e Santa Bárbara, Iansã. Não raro, muitos chefes de terreiro mandam rezar missas e se declaram também católicos, além de haver um grande número de praticantes que frequentam as duas religiões. Houve, portanto,


uma consolidação do santo católico, admitido já sob o aspecto de espírito superior, de guia-chefe ou como orixá, enquanto os candomblés procuraram mais se distanciar do sincretismo e não aceitar as imagens. O primeiro relato histórico, segundo Cavalcanti Bandeira, cabe a Nina Rodrigues, falecido em 1906, quando já estava quase pronta a impressão do seu livro Os africanos no Brasil, referente aos estudos feitos entre 1890 e 1905, nos quais consta a descrição de um ritual praticado na Bahia, o mais semelhante da Umbanda atual, que é o seguinte: Entre os casos que poderíamos citar, tomamos por sua importância à pastoral de um Prelado Brasileiro ilustre a descrição eloquentíssima do Cabula, por ele estudada, que mais não é do que uma instituição religiosa africana sob vestes católicas. União Espiritista de Umbanda do Brasil, a Casa Mater de Umbanda Pensa-se que a expressão embanda possa ser uma corruptela do termo Umbanda ou Quimbanda, mas de qualquer modo demonstra a antiguidade do ritual na Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro, já no século XIX, onde teve a linha mestra de uma de suas origens sob certos aspectos. Na descrição do ritual cabulista é identificado o bater das palmas, as vestes brancas, a disposição das velas em sentido cabalístico como nos riscados, a engira, hoje gira, o modo de aceitar um novo membro do corpo de médiuns da casa, em alguns a iniciação dos profitentes do culto, a chegada do santé que é o santo como hoje se diz, a marcação de pontos, além do cambone, o chamado assistente cambono. Uma referência com outra data precisa se encontra no livro Religiões Negras, de Edison Carneiro, 1963, em que surge à tona o nome Umbanda ao referir: "nos candomblés de caboclo, consegui registrar as impressões umbanda e embanda, sacerdote do radical mbanda: Ké ké mim ké umbanda. Todo mundo mim ké Umbanda." De acordo com Cavalcanti Bandeira, Edison Carneiro, em 1933, teria estado na Bahia para fazer essa verificação. Assim, teve a primazia de fixar num livro brasileiro a palavra Umbanda, sem qualquer alteração, com essa grafia, em relação a um fato no culto que estudou naquele estado. Pode ser fixado o ano de 1905 para a Guanabara, como marco, quando João do Rio publicou as suas reportagens enfeixadas depois no livro Religiões do Rio, onde aprecia e relata todos os cultos, seitas e religiões existentes na época e por ele vistos, não se referindo ao nome Umbanda que, embora conhecido e usado nesse período ao que parece, não tinha galgado a evidência e nem definia um culto de largas proporções. Entretanto, sua prática no Rio de Janeiro remonta ao tempo do Império, quando na


Serra dos Pretos Forros, no Lins de Vasconcelos, atual Estrada Grajaú-Jacarepaguá, pontificavam diversas casas de culto, cada uma dentro de uma linha tradicional africanista. Já no tempo da República se achavam espalhadas pelos diversos bairros, porém com a característica afro-brasileira bem nítida. Sobressaíam-se os rituais de Angola, do Congo, de Guiné, Moçambique, Cabinda, Monjolo, Cassange, de Rebolo, Cabula, Muçurumi, como a Linha das Almas, Linha do Mar, Linha de Mina, e as chamadas Linhas Cruzadas, bem como a de Nagô. Começou a fusão praticamente, depois da Luta dos Ogãs, na década de 1910 a 1920, pois os baianos que até então não se entrosavam nas cultuações, seguindo a tradição nagô dos candomblés (as macumbas como eram chamadas), foram aos poucos convivendo no conjunto religioso. Embora predominasse o culto de Angola, tinha uma apresentação distanciada da rigidez do misticismo baiano, como o Muçurumi do Rio de Janeiro, e os terreiros eram mais conhecidos como bandas ou pelo nome das entidades, ou dos seus dirigentes. Assim, muitos já haviam surgido no Morro do Castelo, de Santo Antônio, na Mangueira e de Morro de São Carlos, entre outros. No conjunto de cultos bantos, no Rio de Janeiro, o nome Umbanda foi mais preponderante no decênio de 1920 a 1930, concorrendo para isso uma aglutinação pelos recessos motivados pelas perseguições havidas dos governos, pois, nessa época apenas se favorecia ao kardecismo. Mesmo assim, muitos centros foram surgindo, como por exemplo, a Tenda Espírita Mirim, fundada a 13 de outubro de 1924, praticando o ritual de Umbanda, sendo o nome comum de Tenda Espírita, que usavam os centros praticantes desse ritual. Na época não havia liberdade religiosa. Todas as religiões que apontavam semelhanças com rituais africanos eram perseguidas, os terreiros destruídos e os praticantes presos. Entre os inúmeros episódios desse tipo, destacou-se, por exemplo, o da chamada Quebra de Xangô, em Maceió, no estado de Alagoas, a 2 de fevereiro de 1912.3 . Em uma ação organizada pela Liga dos Republicanos Combatentes, os mais importantes terreiros de Xangô foram destruídos na capital alagoana, tendo pais de santo e religiosos sido espancados e imagens de culto destruídas. A ação teve como um de seus líderes o ex-governador Fernandes Lima, e visou atingir o então governador Euclides Malta, conhecido por sua amizade com líderes de religiões afro-brasileiras.


Sales, citando Arthur Ramos, diz que o autor chama esse novo produto, a Umbanda, de jeje-nagô-mussulmi-banto-caboclo-espírita-católico.4 Para Prandi5 e Oliveira6 , a Umbanda deriva da macumba carioca, e surge a partir da inserção de kardecistas insatisfeitos com a ortodoxia que não permitia a manifestação de caboclos e pretovelhos por serem considerados "espíritos atrasados". Ambos os autores a reconhecem como religião brasileira, surgida nas primeiras décadas do séc. XX, um período de urbanização e industrialização, o que segundo os mesmos, propiciou e contribuiu para sua formação. No período de 1930 a 1940 a situação das tendas e terreiros melhorou bastante através da liberdade consentida e depois assegurada por lei, em 1934. Também data desse ano o início do Cadastro Policial, quando eram tiradas as licenças para as chamadas Festas Africanas, na então 4º Delegacia Auxiliar, que também exigia licença para os incipientes Terreiros de Umbanda. Diamantino Fernandes Trindade relata em seu livro Umbanda e sua História que o início da expansão do Movimento Umbandista coincide com a subida ao poder de Getúlio Vargas, em 1930. Seu regime, de caráter autoritário, se solidificaria, em 1937, com a criação do chamado Estado Novo. As primeiras lideranças da Umbanda foram, direta ou indiretamente, ligadas ao regime. Alguns terreiros exibiam em suas paredes fotos do ditador. Apesar do apoio ao governo, os praticantes ainda sofreram perseguições e repressões que durariam até 1945. Uma lei de 1934 enquadrava a Umbanda, o Kardecismo, as Religiões Afro-Brasileiras, a Maçonaria, entre outras, na seção especial de Costumes e Diversões do Departamento de Tóxicos e Mistificações do Rio de Janeiro. Trata-se do mesmo departamento que lidava com álcool, drogas, jogo e prostituição. A lei vigorou até 1964. Os cultos eram vítimas da extorsão em troca de proteção da polícia, prática atualmente comum nos jogos de azar. Quando contrariada, a autoridade se resguardava na justificativa de que a macumba dava cobertura a tipos considerados comunistas. De acordo com relatos da época, Ogum, o orixá sincretizado com São Jorge, era identificado na década de 1930, com o Cavaleiro Vermelho. Há relatos de que a perseguição do governo Washington Luís (1926 a 1930) foi bastante intensa do que no governo seguinte de Vargas, pois este último teria sido um frequentador assíduo dos cultos afro-brasileiros.


Pai Jaú, falecido em 1989, ex-atleta de futebol do Corinthians, declarou certa feita numa reunião do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo (SOUESP), que várias vezes havia sido preso e sua libertação ocorrera por ordem direta de Vargas com quem mantinha relações cordiais. Muitos terreiros surgiram do kardecismo ou foram fundados por espíritas que recebiam caboclos e pretos-velhos, especialmente foi marcante a influência da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, a qual funcionava no bairro de Neves, em São Gonçalo, fundada a 16 de novembro de 1908, seguindo inicialmente o Espiritismo codificado por Allan Kardec. Em 1908, o médium Zélio Fernandino de Moraes, sob a influência do Caboclo das Sete Encruzilhadas,7 recebeu a incumbência de fundar sete centros, os quais foram instalados na cidade do Rio de Janeiro, entre 1930 e 1937, com os nomes de Tenda Espírita. Ressalta-se que tenda, na época, eram as casas que funcionavam em sobrados, comuns na cidade, enquanto o termo terreiro era aplicado aos centros que funcionavam no mesmo plano da rua. As sete tendas e seus responsáveis: Tenda Espírita São Pedro - com José Meireles, em um sobrado da Praça XV de Novembro, Centro, fundada a 5 de março de 1935 e em funcionamento até 2012 na rua Visconde de Vila Isabel, 39, Vila Isabel. Tenda Espírita Nossa Sra. da Guia - com Durval de Souza, na rua Camerino, 59, Centro. Fundada a 8 de setembro de 1927. Tenda Espírita Nossa Sra. da Conceição - com Antônio Eliezer Leal de Souza, sem sede fixa. Fundada a 18 de janeiro de 1918. Tenda Espírita São Jerônimo - com José Álvares Pessoa (Capitão Pessoa), na rua Visconde de Itaboraí, 8, Centro. Fundada a 9 de janeiro de 1935. Tenda Espírita São Jorge - com João Severino Ramos, na rua Dom Gerardo, 45, Praça Mauá. Fundada a 15 de fevereiro de 1935. Casa de Ogum Timbiri. Foi a primeira das tendas de Zélio de Moraes a promover sessões de exu. Tenda Espírita Santa Bárbara - com João Aguiar, sem sede fixa. Em outubro de 1952. Tenda Espírita Oxalá - com Paulo Lavois, na atual Av. Presidente Vargas, 2567, Centro. Fundada a 11 de novembro de 1939. Posteriormente a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade passou a funcionar na cidade do Rio de Janeiro, na Praça Duque de Caxias, 231, e em 1960, na rua Dom


Gerardo, 51. Atualmente se localiza na Cabana do Pai Antonio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras de Macacu sob a direção da neta de Zélio, Lygia de Moraes Cunha. Das sete tendas, apenas duas se encontram em funcionamento até 2012. A Tenda Espírita São Jorge está sediada à rua Senador Nabuco, 122, em Vila Isabel com sessões às segundas-feiras. Já a Tenda Espírita Oxalá se localiza à rua Ambiré Cavalcanti, 298, no bairro Rio Comprido. O sincretismo entre brancos, índios e negros formou a Umbanda

No período ainda surgiram vários centros como a Tenda Espírita Nossa Senhora do Rosário, Cabana Espírita Senhor do Bonfim (6 de setembro de 1939, ainda em funcionamento no bairro de Todos os Santos), Tenda Espírita Fé e Humildade (em setembro de 1941), Cabana Pai Joaquim de Luanda (Méier, 28 de julho de 1937), Tenda Espírita Humildade e Caridade, (em setembro de 1941), Centro Espírita Caridade de Jesus, em Vila Isabel, em 1932, Cabana Pai Thomé do Senhor do Bonfim (em setembro de 1941), Centro Espírita Religioso São João Batista (em setembro de 1941), Tenda Africana São Sebastião, Centro Espírita Caminheiros da Verdade (em 4 de março de 1932, no Engenho de Dentro), Grupo Espírita Humildes de Jesus (em 12 de dezembro de 1928) e muitos outros, desde a Praça Onze e Rio Comprido até os subúrbios mais distantes, especialmente nos municípios limítrofes do Rio de Janeiro. A 26 de agosto de 1939 foi fundada a Federação Espírita de Umbanda sediada à rua São Bento, 28, 1° andar, na Praça Mauá, sob a presidência de Eurico Lagden Moerbeck. O órgão, de 19 a 26 de outubro de 1941, promoveu o Primeiro Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda. No encontro foi proposta a desafricanização da Umbanda com o intuito de fuga da repressão policial. A comissão foi composta por Jayme Madruga, Alfredo Antonio Rêgo e o escritor Diamantino Coelho Fernandes, membro da Tenda Espírita Mirim8 . Como União Espiritualista Umbanda de Jesus (UEUJ), em 1944, teve papel preponderante na organização, edição e elaboração do livro O Culto de Umbanda em Face da Lei, entregue ao presidente Getúlio Vargas, no qual apresentava os anseios e direitos da comunidade religiosa perante a Constituição e a sociedade brasileira. Em 1947, seu nome foi alterado para União Espiritista de Umbanda do


Brasil. Foi a primeira entidade federativa do país a congregar os centros já existentes. A União funciona atualmente à rua Conselheiro Agostinho, 52, em Todos os Santos. Foi também a responsável pela criação do primeiro periódico sobre o assunto, o Jornal de Umbanda, em 1947. O objetivo principal na época era o de reunir as diversas tendas, a partir das sete primeiras, para uniformizar o culto umbandista, estabelecer o uso do branco no vestuário, homogeneizar as diversas classes participantes e as práticas ritualísticas de maneira simplificada dentro das diretrizes doutrinárias preconizadas nas bases estabelecidas, ao se criar estatutos e ordenamentos legais para evitar as terríveis perseguições ao culto. Se filiaram, entre outras, a Tenda Espírita Beneficente Santa Luzia, através do irmão Frederico, a Cabana Espírita Senhor do Bonfim, por Manuel Floriano da Fonseca, a Cabana de Pai Joaquim de Luanda, por Márcia Justino, além da Tenda Mirim, fundada em 1924, pelo médium do Caboclo Mirim, Benjamin Gonçalves Figueiredo. A histórica casa deixou inúmeras filiais, além do Primado de Umbanda, criado em 1952, compondo uma doutrinação disciplinar e hierárquica bastante contundente. Inicialmente localizada à rua Sotero dos Reis, 101, na Praça da Bandeira, se transferiu para a avenida Marechal Rondon, 597, em São Francisco Xavier, em 1942. Contava com vários colaboradores, entre os quais, o escritor Diamantino Coelho Fernandes, o Comandante Cícero dos Santos e Olívio Novaes. Já a Casa Espírita Caminheiros da Verdade, criada a 4 de março de 1932, e dirigida pelo Comendador João Carneiro de Almeida, se notabilizou como uma das mais influentes no estado. Está situada à rua Comendador João Carneiro de Almeida, 133, Engenho de Dentro, sob a liderança de Tarcizo Antonio Carneiro de Almeida. A seguir foram criadas diversas tendas umbandistas, no dimensionamento doutrinário da Linha Branca, sob a orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas também em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Pará, Alagoas e Bahia. Não raro, Zélio de Moraes se fazia presente, ou enviava representantes à organização e direção das novas tendas umbandistas. No território brasileiro existem muitos templos que


foram fundados direta ou indiretamente pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, incluindo outros que descendem dos originais. Um caso notório foi o do Tenente Joaquim Bentes Monteiro que solicitou a sua transferência para Belém do Pará a fim de fundar e dirigir a Tenda Santo Expedito.

Em 1940, é fundada por W. W. da Matta e Silva, a Escola Iniciática da Corrente Astral do Aumbhandan, a Umbanda Esotérica, na Tenda Umbandista Oriental (T.U.O.), em Itacuruçá, no estado do Rio de Janeiro. Apesar do esforço inicial e ao longo da história por parte de autores, líderes e do próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas de codificar, dogmatizar e unificar a ritualística da Umbanda, sempre foi evidente uma autonomia dos terreiros no que tange à prática do culto. O dirigente, também intitulado diretor espiritual, pai de santo, zelador ou sacerdote, em conjunto com o guia-chefe da casa, é o responsável pela própria forma de praticar a Umbanda de acordo com a sua formação, interesses e influências diretas ou indiretas. A Umbanda pode ser considerada uma união de diferentes tradições religiosas representadas pelos vários grupos étnicos e sociais existentes no país, que são freqüentemente antagônicos. Contudo, os umbandistas têm freqüentemente uma atitude ambígua em relação às tradições afro-brasileiras, o que é refletido nas tendências sócio-culturais dominantes na sociedade. A religião se originou na conjuntura de um período político bastante tumultuado que assistiu, entre outros fenômenos, a emergência de movimentos nacionalistas e fascistas. Esse desenrolar político culminou na ditadura de 1937, com o chamado Estado Novo, de Getúlio Vargas. O período de grande nacionalismo foi marcado pelo começo de ideologia da democracia racial. Gilberto Freyre, em Casa Grande e Senzala (1933) era um de seus defensores9 . Segundo esse pensamento, o igualitarismo racial


e seus vários grupos teriam tido igual importância na formação da civilização brasileira. De acordo com Diana Brown, em Umbanda: Religion and Politics in Urban Brazil, de 1994, página 206, se criou uma falsa crença de que o preconceito racial não existia no Brasil. Mas seus efeitos já se faziam sentir no fim dos anos 1920, com a nacionalização e institucionalização da cultura afro-brasileira. Práticas culturais, como o carnaval e as escolas de samba, que haviam sido relegadas ao mais baixo status por causa de sua associação com os negros foram então reconhecidas como componentes importantes da cultura nacional. Os estudiosos brasileiros também começaram a se interessar seriamente pela cultura afro-brasileira, que desde o início era vista de forma exótica e folclórica. Nesse ínterim, a ditadura aboliu os movimentos negros que lutavam contra a discriminação racial, a qual continuaria profundamente enraizada na realidade social brasileira. O Espiritismo, especialmente o pejorativamente chamado baixo espiritismo representado pelas religiões afro-brasileiras, era ainda proibido por lei. Durante o período da ditadura, em que ocorreu também a formação da Umbanda, a perseguição às pessoas envolvidas se intensificou. Contudo, a repressão era voltada aos praticantes do então baixo espiritismo, ou seja, as religiões afro-brasileiras. Por conseguinte, os umbandistas, por questão de sobrevivência, passaram a se identificar com o termo espírita, usado apenas pelos espíritas kardecistas. Ao optarem por essa denominação, os praticantes se associaram com o Kardecismo e com o então chamado alto espiritismo. Portanto, o termo espírita foi amplamente utilizado como fuga da repressão e ainda para dissociar os praticantes das novas religiões de sua ascendência afro-brasileira, um gesto que recorda o uso do sincretismo católico nos cultos afrobrasileiros durante o período da escravatura . A ideologia da democracia brasileira era legitimada e manifestada por uma hegemonia branca. Nesse contexto houve a primeira tentativa de legitimar a Umbanda como religião. A legitimação envolveu a desafricanização e o embranquecimento da Umbanda. Em 1939, alguns fundadores dos centros originais da Umbanda do Rio de Janeiro, inclusive Zélio de Moraes, estabeleceram a primeira federação de Umbanda, a União Espiritista de Umbanda do Brasil (UEUB). A federação foi criada para dogmatizar, unificar, defender e organizar a Umbanda como uma religião coerente e hegemônica e assim obter legitimação social. Em 1941, a União promoveu o Primeiro Congresso de Espiritismo da Umbanda, uma tentativa de definir e codificar a Umbanda como uma religião com direitos próprios que uniria todas as religiões, raças e nacionalidades. A conferência é ainda conhecida por promover maior dissociação com as religiões afrobrasileiras. Os participantes ainda concordaram em utilizar a obra de Allan Kardec como a doutrina operante da Umbanda. Entretanto, os espíritos considerados fundamentais, como os caboclos e o pretos-velhos ainda eram considerados espíritos muito evoluídos. Os participantes se esforçaram durante o encontro em legitimar a Umbanda como uma religião bastante evoluída. Declarou-se que que existia como


uma religião organizada há bilhões de anos, e portanto estaria à frente de outras religiões . No esforço em legitimá-la como uma religião original e evoluída, os participantes procuraram dissociá-la de suas raízes afro-brasileiras. A origem da Umbanda foi então traçada no Oriente de onde, se dizia, teria se espalhado para a Lemúria, um continente remoto e perdido, e daí para a África. No continente africano a Umbanda degenerou em fetichismo. Dessa forma foi trazida para o Brasil pelos escravos negros12 . A influência africana da Umbanda não era negada, mas vista como corrupção da tradição religiosa original, na sua fase anterior de evolução. A Umbanda, teria ficado exposta ao barbarismo africano, na sua forma vulgar dos costumes, praticada por povos de costumes rudes, defeitos psicológicos e étnicos13 . Outro jeito de sublinhar o caráter africano da Umbanda foi expresso no reconhecimento de que ela se originou na África, mas na África Oriental (Egito), portanto, na parte mais ocidental e civilizada do continente Um dos objetivos da conferência era o de traçar as raízes genuínas da Umbanda no Oriente. A invenção de raízes orientais, somada à negação das africanas, refletiu na definição do termo Umbanda, que se crê geralmente derivado da África. Declarou-se que Umbanda seria oriundo do sânscrito aum bhanda, termos que foram traduzidos como limitado no ilimitado, Princípio Divino, luz radiante, fonte de vida eterna e evolução constante15 . Os participantes do congresso se esforçaram em associa-lá às tradições religiosas esotéricas europeias e as novas correntes religiosas da Índia, representadas pela Vivekananda. A influência africana da Umbanda foi reconhecida como um mal necessário que serviu meramente para explicar sua chegada e desenvolvimento no Brasil. O Candomblé, centralizado no nordeste do Brasil, era olhado como um estágio anterior da Umbanda, que havia se desenvolvido no sudeste. O Candomblé, ainda notabilizado pela barbárie dos rituais africanos, era assim associado com a magia negra. A lavagem branca da origem da Umbanda era expressa em termos como Umbanda Pura, Umbanda Limpa, Umbanda Branca e Umbanda de Linha Branca associada à magia branca. Os termos faziam oposição à magia negra, associada ao mal. Ademais, criou-se uma espécie de divisão de espíritos. A linha daqueles que se encontram à direita, os bons, e os da esquerda, maus, representados pela magia negra. As únicas instâncias de identificação positiva da influência africana da Umbanda eram os pretos-velhos, considerados pessoas simples e humildes, mas espíritos muito evoluídos. Já a África era tida como um continente heroico e sofredor. A atitude dos participantes em relação à herança religiosa africana era assim caracterizada pela ambiguidade. Elas eram positivas e negativas, oscilando da tentativa de dissocia-los das tradições religiosas africanas até sua atitude distintamente


paternalista para com a África, a quem classificavam com a imagem de humilde escrava. Os negros brasileiros eram aceitos porque afinal tinham alma branca16 .

Em 1945, José Álvares Pessoa, conhecido como Capitão Pessoa, dirigente da Tenda Espírita São Jerônimo, obteve junto ao Congresso Nacional a legalização da prática da Umbanda. Segundo ele, em entrevista Leal de Souza, transcrita na página 439, do livro de Roger Bastide, As religiões africanas no Brasil, a fundação da Umbanda foi decidida em Niterói (estado do Rio) há mais de trinta anos, em uma macumba que ele visitava pela primeira vez. Até ali, ele fora um espírita kardecista. O pai de santo investiu-o dos poderes de presidente da Tenda de São Jerônimo, que deveria funcionar na capital, e lhe disse que importava organizar a Umbanda como religião. Em 1947, surgiu o Jornal de Umbanda, que durante mais de duas décadas, foi o portavoz doutrinário do culto umbandista, tendo como colaboradores Cavalcanti Bandeira, Olívio Novaes, J. Alves de Oliveira, W. W. da Matta e Silva, entre outros. Em 1950, os defensores das práticas africanistas na Umbanda, liderados pelo tata ti inkice (sacerdote na etnia banto) Tancredo da Silva Pinto, relegados do primeiro congresso e da União Espiritista de Umbanda do Brasil, fundaram a Confederação Espírita Umbandista do Brasil, a qual existiu até 1967. Após a instauração do Regime Militar no país, a partir de 1964, a entidade vivenciou dificuldades de relacionamento entre elementos da sua administração. Tancredo, insatisfeito, desligou-se, vindo a constituir com outros companheiros, em 20 de Janeiro de 1968, a Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB). Após o falecimento de seu presidente e fundador, em 1979, seu braço-direito, Martinho Mendes Ferreira, assumiu a instituição, a qual seria entregue a Fátima Damas, a atual presidente, antes de morrer. É importante frisar que apesar das perseguições policiais, os defensores do africanismo continuariam as suas


práticas, ao adicionar elementos, como o cavaquinho, e promover rodas de samba para iludir a repressão policial. Tancredo, através de uma coluna semana no jornal O Dia, recomendava uma forma africana para os rituais. Ele conquistou grande liderança entre os mais humildes. Com o intuito de divulgar os cultos afros, Tancredo criou as festas religiosas de Yemanjá, no Rio de Janeiro, a festa a Yaloxá, em Pampulha, Cruzandê, em Minas Gerais, a festa do Preto-Velho, em Inhoaíba, homenageando a grande yalorixá Mãe Senhora, na cidade do Rio de Janeiro, a festa de Xangô, em Pernambuco, além do evento Você sabe o que é Umbanda?, realizado no Estádio do Maracanã, na administração de Carlos Lacerda, e finalmente a festa da fusão do estado do Rio de Janeiro com a Guanabara, realizada no centro da Ponte Rio-Niterói. Em 1956, os representantes das duas correntes, superaram algumas divergências e formaram uma coligação que reunia as principais federações do Rio de Janeiro. A organização recebeu o nome de Colegiado Espírita do Cruzeiro do Sul e tinha a União Espiritista de Umbanda do Brasil como principal articuladora. Tancredo da Silva Pinto esteve presente e chegou a ser um dos presidentes. Por conseguinte, em 1960, os umbandistas ganharam força e conseguiram eleger vários candidatos em alguns estados. Em 1958, o falecido Átila Nunes, conceituado radialista e dono do programa Melodias de terreiro, fora eleito no Rio de Janeiro. Relata Diamantino Fernandes Trindade, que ainda na década de 1950, houve a penetração no Rio Grande do Sul, através de Moab Caldas, que chegou a ser eleito deputado estadual. Ocorreu ainda uma rápida expansão para o estado de São Paulo. Pai Jaú, Sebastião Costa e o Tenente Vereda, que participaram do Primeiro Congresso de Umbanda, em 1941, já haviam criado a Liga de São Jerônimo no ano seguinte. Em 1953, foi registrada em cartório a primeira federação de São Paulo, a Federação Umbandista do Estado de São Paulo (FUESP), fundada por Costa Moura. Outras associações foram fundadas, tais quais, a União de Tendas Espíritas de Umbanda do Estado de São Paulo (UTEUESP), fundada por Luis Carlos de Moura Acciolli, o Primado de Umbanda, de Félix Nascente Pinto, a Associação Paulista de Umbanda, de Demétrio Domingues. Em 1968, a UTEUESP passou a registrar roças de Candomblé e mudou sua denominação para UUTEUCESP (União de Tendas Espíritas de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo), sob a direção de Jamil Rachid. Em 1973, surgiu a FUGABC (Federação Umbandista do Grande ABC), dirigida por Ronaldo Linhares. Em 1961, ocorreu o Primeiro Congresso Umbandista do Estado de São Paulo, organizado pelo General Nelson Braga Moreira. No mesmo ano aconteceu na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) o Segundo Congresso Brasileiro de Umbanda, no Rio de Janeiro, presidido por Henrique Landi Júnior, eleito pelas comissões organizadoras, e secretariado pelo escritor João de Freitas. Ao assumir a presidência, passou a coordenar os trabalhos das comissões e reuniões preliminares em outros


estados. Quando todas já estavam com suas teses elaboradas, ocorreu no Maracanãzinho, a 28 de junho de 1961, a festa de congraçamento, na qual compareceram cerca de quatro mil médiuns uniformizados, além de grande público assistente. Cavalcanti Bandeira apresentou a tese, aprovada, de que o vocábulo Umbanda é oriundo da língua quimbundo e significa "arte de curar". Nesse congresso o Hino da Umbanda foi oficialmente adotado em todo o Brasil em caráter oficial. Houvera sido composto por um cego, ainda na década de 1960, chamado José Manoel Alves, que em busca de sua cura procurou o auxílio do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Mesmo não obtendo êxito, escreveu a letra para mostrar que era possível vislumbrar o mundo e a religião à sua maneira. Zélio de Moraes a apreciou tanto que decidiu apresentá-la no Segundo Congresso. Já a melodia foi composta por Dalmo da Trindade Reis. De acordo com o escritor Diamantino Fernandes Trindade, em seu livro Umbanda Brasileira - Um século de história, de 2009: o Colegiado Espírita do Cruzeiro do Sul organizou o Segundo Congresso Nacional de Umbanda, em 1961, no Rio de Janeiro. Um dos objetivos desse evento era fazer uma avaliação das mudanças ocorridas no panorama umbandista nos vinte anos que se passaram desde o primeiro evento, em 1941. O Congresso ocorreu no Maracanãzinho e milhares de umbandistas estiveram presentes, incluindo dessa vez, representantes de dez estados e vários políticos municipais e estaduais. Esse evento foi organizado por Leopoldo Bettiol, Oswaldo Santos Lima e Cavalcanti Bandeira. A comissão paulista foi a mais numerosa e representativa, com a participação de Félix Nascente Pinto, General Nélson Braga Moreira, Dr. Armando Quaresma e Dr. Estevão Monte Belo. Neste congresso definiu-se a criação do Superior Órgão de Umbanda para cada Estado, congregando as Federações. Apenas o estado de São Paulo conseguiu criar o então chamado SOUESP (Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo) marcando presença no congresso posterior. Também nesse Congresso foi apresentada uma tese diferente da que havia sido veiculada no primeiro sobre a “Interpretação histórica e etimológica do vocábulo Umbanda”, tese apresentada por Cavalcanti Bandeira em contraponto a tese de Diamantino Fernandes, delegado representante da Tenda Mirim, que no Congresso de 1941 situava a palavra tendo origem em antigas civilizações e no sânscrito18 . Na oportunidade se constituiu o SOUESP (Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo). Algumas discordâncias políticas fizeram com que outras federações se unissem em torno do Tenente Hílton de Paiva Tupinambá, em 1976, e fundassem o SOUCESP (Supremo Órgão de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo) que se tornou forte oponente do antecessor. Durante as décadas de 1960 e 1970 a Umbanda atrai olhares curiosos do mundo inteiro e se torna manchete de jornais e revistas. Muitos discos são lançados contendo


os pontos cantados. Manchete e Planeta são publicações que destinam sempre notícias ou estudos sobre a religião, cujo exotismo despertava a atenção das pessoas. Em 1973, foi realizado novamente no Rio de Janeiro, de 15 a 21 de julho, no Estádio de São Januário, o Terceiro Congresso Brasileiro de Umbanda, sob o comando de Cavalcanti Bandeira. No evento o dia 15 de novembro foi instituído como o "Dia Nacional da Umbanda", legitimando assim a manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas como fundador da religião e Zélio de Moraes como seu pioneiro, dois anos após o seu desencarne. Diamantino Fernandes Trindade relata a respeito em sua obra Umbanda Brasileira - Um século de história, de 2009: em 1973, realizou-se no Rio de Janeiro o Terceiro Congresso Nacional de Umbanda. A revista Mundo de Umbanda, número 1, de 1973, publicada pelo Primado de Umbanda, fazia referências às destemidas atuações de Cavalcanti Bandeira e outros umbandistas para a realização do evento. A revista citava: os umbandistas desejam consolidar o dia da Umbanda e preservar os rituais comuns e afins, proclamando o desejo de congregarem num colegiado nacional os órgãos associativos e federações estaduais, a fim de evitar as distorções e os abusos que são cometidos em nome da Umbanda. Segundo a revista, os temas propostos abordavam: Aspectos doutrinários e filosóficos; sincretismo religioso; teologias e crenças; moral e ética religiosas; práticas e rituais; iniciação e desenvolvimento; organização religiosa; música dança e cânticos; simbologia; aspectos administrativos; os cultos e a legislação oficial; órgão nacional inter federativo; temas livres e teses sobre a Umbanda. O Rio de Janeiro foi representado pelas mais importantes autoridades da Umbanda. São Paulo foi representado pelo SOUESP, por meio de seu presidente General Nelson Braga Moreira. Outros estados representados foram: Paraná, Rio Grande do Sul, Piauí e Santa Catarina. Wheatstone Pereira propôs a criação da Cartilha Umbandista e José Maria Bittencourt apresentou um trabalho sobre Casamento e Batismo na Umbanda, ambos aprovados por unanimidade. Nesse evento, a religião umbandista afirmou-se como uma das que mais crescem no Brasil e uma força significativa no campo das atividades sociais. Nessa época, diversos terreiros contavam com escolas, creches, ambulatórios etc. Após o Congresso foram fundadas onze novas federações, dentre elas a Associação Paulista de Umbanda e a Federação de Centros Espíritas e de Umbanda do Estado de São Paulo19 . A 12 de setembro de 1977, no Rio de Janeiro, foi criado o Conselho Nacional Deliberativo de Umbanda (CONDU), estabelecido à rua Sá Viana, 69, no Grajaú, sob a presidência do General Mauro Porto. Seu objetivo que era o de agrupar as federações de Umbanda espalhadas pelo Brasil. O núcleo inicial era composto por cinco grupos: Confederação Nacional Espírita Umbandista dos Cultos Afro-brasileiros, Congregação Espírita Umbandista do Brasil, União Espiritista de Umbanda do Brasil, Primado de Umbanda e Federação Nacional das Sociedades Religiosas de Umbanda. Depois outras entidades se agregaram. Chegou a reunir 46 associações. Contudo, no decorrer da década de 1980, por conta da morte de dirigentes e a consequente extinção de várias


federações, a entidade perdeu força e encerrou suas atividades. Sua fase de maior êxito ocorreu no decorrer da década de 1970 quando chegaram a integrar seu quadro o pesquisador e escritor José Beniste, a presidente e fundadora da Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade (TULEF), Lília Ribeiro, falecida em abril de 2004, o pai de santo e escritor, Ney Néri dos Santos, conhecido como Omolubá, o escritor Celso Rosa (Decelso da Congregação Religiosa Umbandista Brasileira, Loris Lugheri, da Cruzada Federativa de Umbanda de SP, o presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB), Martinho Mendes Ferreira, o campista José Raymundo de Carvalho, o presidente da Aliança Umbandista do Estado do Rio de Janeiro (ALUERJ), Floriano Manoel da Fonseca, Evaldo Pina e ainda membros de fora do estado do Rio de Janeiro, entre os quais, Carlos Alberto Dias Bellone (Confederação Umbandista do Paraná), Abrumolio Vainer (Círculo Umbandista do Brasil) (SP), Rosalvo da Cunha Leal (CNEUCAP – RJ), Asy Sgambato (Congregação Religiosa Umbandista Brasileira) (RJ), José Vareda e Silva (SP), Raymundo Viriato Baptista Rodrigues (AM), Guiomar Bussili (SP), Carlos Leal Rodrigues (PB), Marne Franco Rosa (RS), Joaquim Brito de Carvalho (SP), Djalma Rodrigues da Rocha (PI) e Flávio Nicolino (SC). Os arquivos do finado CONDU, que se encontravam em poder de Lília Ribeiro, passaram às mãos de José Beniste, o qual enfim os entregou aos cuidados de Fátima Damas, presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil20 . Durante a ditadura militar (1964-1985) a Umbanda obteve reconhecimento oficial e legitimação, por conta do projeto nacionalista. O regime diretamente apoiou a Umbanda para usá-la com o objetivo de manipular as massas, causando o desprezo dos que estavam na oposição ao governo. Por volta de 1974 os praticantes de Umbanda, declarados e não declarados, foram estipulados em mais ou menos um quarto da população do Brasil. A partir dos anos 1980, a Umbanda enfrentou forte oposição das igrejas neopentecostais, interessadas em se expandir e abarcar o maior número possível de fiéis. Começou o período de intensa decadência da religião. Ao iniciar suas atividades nos anos 50, a Igreja Evangélica Pentecostal ganhou muitos seguidores e influência na América Latina. Os pentecostais tentaram converter, e algumas vezes, perseguiram os seguidores da Umbanda e outras religiões afro-brasileiras. Alegavam que a Umbanda seria uma veneração aos demônios, além de prática de magia negra. Já a incorporação dos Orixás seria uma forma de possessão demoníaca21 . Em 2005, no estado de São Paulo, a Umbanda ganhou uma decisão contra um canal de televisão patrocinado pelos pentecostais. O Ministério Público declarou ilegal que programas de televisão se referissem às religiões afro-brasileiras de forma derrogatória e discriminatória.


Ainda assim, as igrejas pentecostais converteram muitos umbandistas, especialmente entre as camadas mais desfavorecidas da população. Em meados dos anos 80, a favela Dona Marta, no Rio de Janeiro, contava com seis terreiros de Umbanda, um terreiro de Candomblé e um centro espírita. Surgiram no lugar oito igrejas neo-pentecostais22 . Ainda hoje, apesar de existirem leis que reprimem o preconceito e a intolerância religiosa, os umbandistas enfrentam grandes preconceitos por parte da sociedade em geral. A intolerância não perdoa nenhuma faixa etária ou hierarquia religiosa, atingindo idosos, homens, mulheres e crianças, não respeitando sequer o principio universal de amor e compaixão para com o próximo e a total liberdade de crença23 . Atualmente a Lei 11.635 referendada em 27 de dezembro de 2007 pelo ministro Gilberto Gil e sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, estabeleceu o dia 21 de janeiro como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Aponta-se essa data como provável causa da escolha, pois ocorreu o aniversario de falecimento da Mãe Gilda de Ogum, mãe-de-santo, que sofreu um infarto fulminante após ver seu nome e imagem atrelados a uma reportagem do Jornal Folha Universal da Igreja Universal do Reino de Deus em uma matéria intitulada Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes e ter seu terreiro invadido por fiéis neo-pentecostais24 . No que diz respeito aos cultos religiosos de matriz afro-brasileiros, a Umbanda em especial, a grande maioria das pessoas é influenciada pelo senso comum de que a Umbanda é coisa do mal, primitiva e pagã. Aponta-se para tal repúdio diversos fatores, porém, o que chama mais atenção é a crueldade com a qual o Bispo Edir Macedo descreve a Umbanda. Em seu livro publicado pela Editora Gráfica Universal Ltda., no ano de 1990, intitulado Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?, há uma análise preconceituosa, distorcida e ofensiva sobre a Umbanda e suas entidades. O que chama mais atenção para o conteúdo de tal livro, é a influencia que exercida sobre os seguidores de tal religião. Ele insufla seus fiéis a serem preconceituosos e a desrespeitar os umbandistas25 . Edir Macedo é profícuo na publicação de obras polêmicas. No final da década de 80, sua obra Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios? foi recolhida por determinação judicial em vários estados brasileiros. A Justiça entendeu que o objetivo da obra era de propor uma ação persecutória aos adeptos das religiões de matriz africana, além de demonizar e reprimir as práticas da referidas religiões. Apesar disso ainda é possível encontrar a publicação em várias igrejas neo-pentecostais e na própria sede da IURD26 . Sendo assim, fica nítido que o mau exemplo dado por um líder religioso como Edir Macedo só faz aumentar o preconceito contra as religiões de matrizes afro, e anula quaisquer possibilidades de erradicar a intolerância religiosa. Em uma sociedade cujo homem desfruta do livre arbítrio, o que deve predominar é o respeito à pluralidade e


as diversas formas de manifestações divinas. Episódios tristes diariamente chamam nossa atenção no que concerne ao preconceito que os adeptos das religiões afros sentem. Terreiros constantemente são invadidos por fiéis das igrejas neo-pentecostais da Universal do Reino de Deus. Tal preconceito reflete nas ruas, nas escolas e em locais públicos como hospitais . Em janeiro de 2013 a ministra Luiza Barros, de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, declarou que os evangélicos estão mais intolerantes e desejam acabar com as religiões de matriz africana


O legado de Zélio de Moraes

Zélio de Moraes era branco, classe média, e filho de um espírita kardecista. Ele afirma que, em 1920, o espírito que encarnara como o jesuíta Gabriel Malagrita, o Caboclo das Sete Encruzilhadas se revelou a ele e lhe disse que ele seria o fundador de uma nova religião, genuinamente brasileira dedicada a dois espíritos brasileiros: O caboclo e o preto-velho. Ambas essas entidades eram frequentemente rejeitadas e tidas como atrasadas pelos kardecistas. Em meados dos anos 20, Zélio fundou seu primeiro centro de Umbanda e nos anos seguintes vários outros centros de Umbanda foram fundados por iniciativa do seu caboclo que assumira essa denominação porque não haveriam caminhos fechados para mim. Como Zélio, os primeiros fundadores de centros de Umbanda eram antigos kardecistas e de classe média branca. Eles consideravam o Espiritismo Kardecista inadequado, pois eram médiuns de caboclos e pretos-velhos. Portanto, adquiriram gosto pelos espíritos africanos e indígenas da Macumba, os quais acharam muito mais competentes e eficientes que os espíritos kardecistas para o atendimento e cura de doenças. Além do mais, os rituais da Macumba eram considerados mais emocionantes que as sessões pouco ritualizadas do Espiritismo Kardecista. Se os então kardecistas foram inspirados por certos aspectos da Macumba, entretanto, repeliram outros, tais quais, os sacrifícios de animais, os exus, considerados espíritos ruins, além da conduta frequentemente grosseira e o ambiente social baixo dos centros de Macumba. (Brown 1994: 38-41). É importante frisar que a Tenda Espírita São Jorge, ao contrário das


demais fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, sempre realizou sessões de exu, contrariando o ritual estabelecido. Por seu turno, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que comumente era chamado O chefe pelos seus adeptos, nunca permitiu que seu médium recebesse qualquer tipo de recompensa pelos trabalhos prestados. Portanto, ele nunca exerceu sua mediunidade como profissão. Trabalhava para sustentar a família e muitas vezes para manter as tendas fundadas pelo chefe, que dizia que a Umbanda é a manifestação do Espírito para a caridade. Em 1967, após 59 anos de atividade junto a Tenda Nossa Senhora da Piedade, entregou a direção dos trabalhos às filhas Zélia e Zilméia, passando a viver no distrito de Boca do Mato, em Cachoeiras de Macacu, a 160 km do Rio de Janeiro, ao lado de sua esposa Dona Isabel, falecida em 1981, médium do Caboclo Roxo. Nesse recanto, privilegiado da natureza, continuou a atender os necessitados do corpo e da alma, na Cabana de Pai Antonio. Segundo suas filhas Zélia e Zilméia, muitas vezes elas precisaram acolher desabrigados e doentes que seu pai trazia para casa e que de lá só saíam quando estavam curados. Não raro, ficava sem dinheiro para dar às pessoas que batiam à sua porta. Depois de 66 anos de mediunidade, Zélio faleceu no sábado, 3 de setembro de 1975, tendo podido dizer de cabeça erguida: O Caboclo das Sete Encruzilhadas nunca determinou o sacrifício de aves e animais, quer para homenagear entidades, quer para fortificar a minha mediunidade... Nunca recebi um centavo pelas curas praticadas pelos guias. O Caboclo abominava a retribuição monetária ao trabalho mediúnico. Não há ninguém que possa dizer, no decorrer destes 66 anos, que retribuiu uma cura (e foram aos milhares) com dinheiro. Ronaldo Linhares, presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, gravou a última mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas que na íntegra diz o seguinte: Meus irmãos: sejam humildes. Tragam amor no coração para que vossa mediunidade possa receber espíritos superiores, sempre afinados com as virtudes que Jesus pregou na Terra, para que os necessitados possam encontrar socorro nas nossas casas de caridade. Aceitem meu voto de paz, saúde e felicidade com humildade, amor e carinho.


Fundamentos

Os fundamentos da Umbanda variam conforme a vertente que a pratique. Existem alguns conceitos básicos que são encontrados na maioria das casas e assim podem, com certa ressalva e cuidado, serem generalizados. São eles: A existência de uma fonte criadora universal, um Deus supremo, pode receber os nomes Zambi, Olorum ou Oxalá. Algumas das entidades, quando incorporadas, podem nomeá-lo de outra forma, como por exemplo Tupã, para caboclos, entre outros, mas são todos o mesmo Deus. O compromisso com "a manifestação do espírito para a caridade".29 O que significa que a ajuda ao próximo não ser retribuída em dinheiro ou valor de qualquer espécie para o médium, podendo sim o templo receber as contribuições para o andamento e manutenção através de uma cobrança acessível de mensalidade a seus membros. Ritual variando pela origem. Vestes, em geral, brancas. Altar, Congá ou Peji com imagens ou elementos que simbolizem as divindades cultuadas pelo Templo. Exemplos: imagens de santos católicas, africanos, pretosvelhos, caboclos, baianos, marinheiros, boiadeiros etc., ou ainda pedras, madeiras, arcos, machados, etc. Bases: africanismo, espiritismo, amerindismo, catolicismo. Serviço social constante nos centros.


Magia com foco no bem estar do ser humano. Batiza, consagra e casa. O culto aos orixás como manifestações divinas. A manifestação dos guias para exercer o trabalho espiritual incorporado em seus médiuns ou "aparelhos", também chamados de "cavalos". O mediunismo como forma de contato entre o mundo físico e o espiritual, manifestado de diferentes formas. Uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e espiritual que é seguida em cada casa de forma variada e diferenciada, mas que existe para nortear os trabalhos de cada terreiro. A crença na imortalidade da alma. A crença na reencarnação e nas leis cármicas. Vale ressaltar que o surgimento da Umbanda por meio do Zélio é apenas mais uma vertente da possibilidade do surgimento dessa grandiosa e diversificada religião.


A desafricanização da Umbanda

A cosmologia da Umbanda é dividida em três níveis: o mundo astral, a terra, e o mundo inferior ou submundo. O mundo astral é presidido por Deus, e é seguido por várias linhas. Cada uma é guiada por um orixá, que freqüentemente corresponde a um santo católico. O mundo astral é um lar hierárquico, onde cada figura religiosa é colocada segundo o seu nível de evolução espiritual. Nos níveis mais baixos, estão os fundadores espirituais da Umbanda: os caboclos e pretos-velhos. A Terra constitui a plataforma para espíritos que experienciam sua encarnação humana em diferentes níveis de evolução espiritual. Ela é visitada por espíritos do mundo astral, que são incorporados pelos médiuns nos centros de Umbanda para ajudar os mais necessitados. O submundo, freqüentemente denominado Quimbanda, foi anos ligado à magia negra. Representava uma anti-estrutura da Umbanda. De acordo com essa visão seria habitado por espíritos que viveram sua encarnação com caráter extremamente duvidoso, tais quais, prostitutas, malandros e ladrões. Eram vistos como maus por conta da falta de evolução espiritual. Tais espíritos podiam subir à Terra para causar danos que tinham de ser desfeitos pelos espíritos mais evoluídos do astral. O exu foi elevado à categoria de importante trabalhador da Umbanda. E a Quimbanda como parte da Umbanda, diferenciando-se da Kiumbanda, na qual os verdadeiros espíritos inferiores, os kiumbas, seriam os agentes do mal. Os exus, portanto, seriam os responsáveis, não só pela proteção e vigília do terreiro, como os incumbidos de afastar os maus espíritos dos consulentes.


Os especialistas, que focalizam a desafricanização da Umbanda, tem procurado mostrar como a África e as tradições religiosas afro-brasileiras são reinterpretadas na sua cosmologia. Na Umbanda os orixás afro-brasileiros foram marginalizados e tem menos importância que no Candomblé, no qual todas em as cerimônias estão concentrados e são incorporados pelos filhos de santo. Nas cerimônias da Umbanda, os orixás normalmente são periféricos. Devido à sua posição elevada na hierarquia, eles permanecem na esfera astral. Porém, raramente são incorporados pelos médiuns a não ser na forma de falangeiros ou mensageiros. No entanto, em algumas casas os caboclos e pretos-velhos têm tomado na Umbanda a posição que os orixás tradicionalmente ocupam no Candomblé. Desde o século XIX, existe uma tradição oral e escrita referente às figuras do caboclo e do preto-velho. O caboclo é geralmente descrito como o representante de um indígena inculto, selvagem e orgulhoso que se tornou símbolo da antiga idade do ouro do Brasil. Já o preto-velho é o representante do escravo africano. Tem sido enfatizado que apesar das diferenças, ambos são marcados pelo processo de aculturação e civilização, além de partilhar a experiência histórica comum de terem sido escravizados. A substituição dos orixás pelos pretos-velhos é interpretada como uma expressão do estrangeiro, África, sendo substituído pelo elemento nacional, Brasil. A substituição dos orixás orgulhosos e livres pelos pretos-velhos e escravos também tem sido concebida como um símbolo da transformação da África, de ter sido livre na África e se tornado escravo no Brasil. Essa substituição tem sido vista como uma instância de sua aculturação, domesticação e embranquecimento da identidade africana na sua transformação em identidade afro-brasileira e nacionalidade brasileira (Brown 1994: 37-38).O brincalhão exu, que entre outras coisas representa o mensageiro dos orixás no Candomblé, é outra figura africana e afro-brasileira que foi reinterpretada e marginalizada inicialmente na Umbanda. Exu foi associado com o demônio antes da fundação da Umbanda. Nessa religião, entretanto, essa figura maligna foi complementada. Exu era considerado o representante do demônio, do perigo e da imoralidade. Por causa dessas peculiaridades, os primeiros umbandistas associaram exu com africanos e escravos rebeldes. Exu foi portanto segregado da Umbanda, e se tornaria o legislador da Quimbanda, do submundo. A mudança sobre a figura de exu sofreria mudanças positivas com o passar das décadas. Outra reinterpretação umbandista já ultrapassada inseria exu na ordem evolucionista de precedência conforme o modelo kardecista. Era relegado a um espírito menos evoluído que precisava evoluir para se tornar um espírito bom. Alguns umbandistas ainda distinguem o exu pagão e o batizado, que se submeteu à doutrinação e encontrou o caminho certo da escalada da evolução. Esta distinção reflete algo do caráter original ambivalente de exu, apesar do rito de passagem do batismo, que define a distinção que é certamente novo. Novamente este batismo do Exu pagão tem


sido interpretado como uma expressão e aculturação e domesticação do mal, do perigo e da imoralidade (Ortiz 1991: 137-144).


Culto aos orixás

Na Umbanda os orixás não incorporam, são periféricos, devido à sua posição elevada na hierarquia, eles permanecem na esfera astral. Porém, raramente são incorporados pelos médiuns a não ser na forma de falangeiros ou mensageiros. No entanto, em algumas casas os caboclos e pretos-velhos têm tomado na Umbanda a posição que os orixás tradicionalmente ocupam no Candomblé. Normalmente os orixás cultuados são Oxalá, Omolu, Iemanjá, Oxum, Nanã Buruquê, Oxóssi, Xangô, Ogum e Iansã. Orixá é um termo yorubano que designa um ser sobre-humano ou um deus30 . Sobre os orixás é considerado que são manifestações do Grande Deus, Olorum, criador de tudo. Todo o universo surge de Olorum através das radiações que são individualizadas e personificadas em orixás. As emanações da água, por exemplo, podem ser subdivididas em Oxum, água doce, Nanã, pântano, e Iemanjá, mar. Ocorre associação semelhante com Ossain e Oxóssi no que tange à irradiação do reino vegetal. Portanto, cada orixá é considerado uma manifestação antropomorfizada dos elementos da natureza. Por ocasião do tráfico negreiro e comércio de escravos no Brasil, negros de tribos diferentes foram misturados. Portanto, os diversas orixás de tribos distantes se encontraram em terras brasileiras e formaram o grande panteão do Candomblé. Nessa visão, ainda própria dos ritos tribais, o orixá era um ancestral que os integrantes tribais localmente tinham em comum. Geralmente era o próprio fundador da tribo e deixava grande influência por suas características incomuns de liderança, poderes espirituais e habilidades. A tribo tinha no orixá um símbolo da união, pois todos eram filhos diretamente desse grande ancestral. Os orixás, na Umbanda, se entrelaçam nas linhas de cultivo, que apresentam muita controvérsia em suas denominações e divisões, às quais abrangem reinos e falanges, de tal modo que não há uma unidade de entendimento, sendo geralmente, mas não necessariamente, distribuídas em Sete Linhas encimadas pela Linha de Oxalá. Mais complexas se tornam as divisões em reinos e falanges, pois cada praticante procura explicar a seu modo e defender o seu ponto de vista, mesmo que esteja em desacordo com os demais. O orixá, pela sua vibração, influi na sua falange, dentro de sua linha em um mensageiro ou falangeiro que se manifesta nos terreiros de Umbanda.


Sincretismo

A Umbanda é uma junção de elementos africanos (orixás e culto aos antepassados), indígenas (culto aos antepassados e elementos da natureza), católicos (o europeu, que trouxe o cristianismo e seus santos que foram sincretizados pelos negros Africanos), Espiritismo (fundamentos espíritas, reencarnação, lei do carma, progresso espiritual). A Umbanda prega a existência pacífica e o respeito ao ser humano, à natureza e a Deus. Respeitando todas as manifestações de fé, independentes da religião. Em decorrência de suas raízes, tem um caráter eminentemente pluralista, compreende a diversidade e valoriza as diferenças. Não há dogmas ou liturgia universalmente adotadas entre os praticantes, o que permite uma ampla liberdade de manifestação da crença e diversas formas válidas de culto. Seu principal lema é dar de graça o que de graça receber com amor, humildade, caridade e fé. Há discordâncias sobre as cores votivas de cada orixá conforme a região do Brasil e a tradição seguida por seus seguidores. Da mesma forma quanto ao santo sincretizado a cada orixá. Normalmente o sincretismo religioso de orixá e santo católico é feito da forma abaixo.


Alguns exemplos:

São Jorge, sincretizado com o orixá Ogum Exu - Santo Antonio, no Rio de Janeiro, chamado de Bará, no Rio Grande do Sul. Ogum - São Jorge, principalmente no centro-sul do Brasil e Santo Antonio, na Bahia. Oxóssi - São Sebastião, principalmente no centro-sul do Brasil, e São Jorge, na Bahia. Xangô - São Jerônimo, São João Batista e São Miguel Arcanjo. Iemanjá - Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Glória e Nossa Senhora da Conceição - São Paulo. Oxum - Nossa Senhora de Aparecida e em alguns lugares Nossa Senhora da Conceição. Iansã - Santa Bárbara. Omolu - São Roque e São Lázaro. Nanã - Sant'Anna. Ibeji - Cosme e Damião. Oxalá - Jesus Cristo. Zambi ou Olorum - Deus.


O culto umbandista

A Umbanda tem como lugar religioso o templo, centro, tenda ou terreiro, o local no qual os umbandistas se encontram em sessões, giras ou cultos para promover atendimentos espirituais por meio da incorporação dos seus guias e entidades. O chefe é o pai ou mãe de santo, mais correntemente chamado de sacerdote umbandista. São os médiuns mais experientes e com maior conhecimento, normalmente fundadores do templo. São quem coordenam as giras e que irão incorporar o guia-chefe, que comandará a espiritualidade e a materialidade durante os trabalhos. Como uma religião espiritualista, a ligação entre os encarnados e os desencarnados se faz por meio dos médiuns. Na umbanda existem várias classes de médiuns, de acordo com o tipo de mediunidade. Normalmente há os médiuns de incorporação, que irão "emprestar" seus corpos para os guias. Há também os ogãs que transmitem a vibração da espiritualidade superior por via do som dos atabaques e das curimbas ou pontos cantados, criando um campo energético favorável à atração de determinados espíritos, sendo muitas vezes responsáveis pela harmonia da gira. Há os cambonos que são os que comandam os cânticos e as cambonas que são encarregadas de atender às entidades, provisionando todo o material necessário para a realização dos trabalhos. Embora caiba ao sacerdote ou à sacerdotisa responsável o comando vibratório do rito, grande importância é dada à cooperação e ao trabalho coletivo de toda a corrente mediúnica. De forma geral, as entidades que são incorporadas pelos médiuns são os guias: pretosvelhos, caboclos, crianças, boiadeiros, marinheiros, baianos, orientais, mineiros e ciganos. Nas sessões de Quimbanda: exus, pombagiras e malandros (no caso específico do Rio de Janeiro).


As sessões de Umbanda O culto nos terreiros geralmente é dividido em sessões de desenvolvimento e de consulta e são subdivididas em giras. Médiuns Médium é toda pessoa que, segundo a doutrina espírita, tem a capacidade de se comunicar com entidades desencarnadas ou espíritos, seja pela mecânica da incorporação, pela vidência (ver), pela audiência (ouvir) ou pela psicografia (escrever movido pela influência de espíritos). A Umbanda crê que o médium tem o compromisso de servir como um instrumento de guias ou entidades espirituais superiores. Portanto, deve se preparar através do estudo, para desenvolver a sua mediunidade, sempre prezando sua elevação moral e espiritual, a aprendizagem conceitual e prática do bem, do respeito aos guias e orixás, além da assiduidade e compromisso com sua casa, a caridade em seu coração, amor e fé em sua mente e espírito, e saber que a Umbanda deve ser vivenciada no dia a dia, não apenas no terreiro. Uma das regras básicas da Umbanda é que a mediunidade não deve ser algo que envaideça o seu médium. Trata-se de um dom concedido que na realidade não lhe pertence para fins de resgate cármico e expiação de faltas pregressas antes de sua reencarnação. Por isso, nenhum tipo de mediunidade deve ser encarado como fardo ou como meio de ganhar dinheiro, mas como uma oportunidade valiosa para praticar o bem e a caridade. Existem médiuns que se perdem no caminho da vaidade e do deslumbramento passando a agir de forma leviana. O médium deve conceber sua mediunidade como um meio de caridade e de amor ao próximo. Ter um comportamento moral e profissional dignos e ser honesto e íntegro em suas atitudes é uma obrigação. Caso contrário, atrairá forças negativas, obsessores ou espíritos não evoluídos que vagam pelo mundo espiritual na busca de encarnados desequilibrados que estejam na sua faixa vibracional. Por isso, o desenvolvimento da mediunidade é um processo que deve ser encarado de forma séria e vivenciado através de um profundo estudo da religião através de seus conceitos morais e éticos. O médium deve fazer uso, sempre que necessário, dos banhos de descarga adequados aos seus orixás e guias, estar pontualmente no terreiro com sua roupa sempre limpa e recorrer ao chefe espiritual do terreiro quando tiver alguma dúvida ou problema espiritual ou material.


Uma grande parte dos centros ainda utiliza as obras espíritas codificadas por Allan Kardec, mas no decorrer do tempo houve uma proliferação de obras sobre várias vertentes de Umbanda. As listas de discussão e rede sociais da internet também têm contribuindo para a divulgação mais coesa da diversidade e da pluralidade existentes na religião.

Paramentos

Na Umbanda os médiuns usam normalmente como paramentos apenas roupas brancas, podendo estar os pés descalços, o que representa a simplicidade e a humildade, atributos comumente aludidos ao culto. Há vertentes que optam pelas cores do orixá homenageado ou guia. É possível que em determinadas casas uma preta-velha solicite uma saia ou um lenço para amarrar os cabelos, ou vista uma roupa diferente da habitual. Em alguns terreiros são permitidos determinados apetrechos para os guias. Os caboclos costumam utilizar cocares, machadinhas de pedra ou chocalhos. Alguns terreiros concebem a ideia de que nas giras de exu as roupas podem ser pretas e vermelhas. O ritual é variável de acordo com a orientação espiritual da casa e de seu sacerdote.


Anexo:Lista de federações e associações de umbanda e candomblé

Federações, Associações e orgãos representativos das religiões afro-brasileiras, são orgãos representativos importantes para Umbanda, Candomblé e todas as Religiões afro-brasileiras. As religiões afro-brasileiras, Candomblé, Umbanda e outros cultos afro., devido à sua expansão e atual divulgação pelo Brasil, Portugal, América do Sul, Europa e Africa, encontram-se representadas por federações, associações, núcleos, grupos, etc., que tutelam, legalizam e representam os religiosos e suas casas de culto, assim como seus filhos(seguidores). Aqui estão representados alguns dos mais importantes e conhecidos orgãos representativos: Afroconesul - Conselho Federativo dos cultos Afro-umbandistas no Conesul. Associação Religiosa e Cultural Terreiro Caxuté Tempo Marvila Senzala do Dendê (ACULTEMA), CNPJ:12.501.981/0001-30. Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira(yorùbá). Associação Umbandista e Espiritualista do Estado de São Paulo. Federação Nacional do Culto Afro Brasileiro - FENACAB. Fauers - Federação Afro-Umbandista e Espiritualista no Rio Grande do Sul Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo. Federação Internacional de Estudos das Tradições Religiosas e Culto aos Ancestrais Afro-Brasileiros. Federação Espírita de Candomblé, Umbanda e Culto Afro Brasileiro Ilé Asè Ogùn Emi Ida Ajasè (O.R.C.A. Federação) Federação Europeia de Umbanda e Cultos Afro. Federação Paulista de Umbanda. Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros - FUCABRAD. Federação de Resistência da Cultura Afro-Brasileira - FRECAB. União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil. União Umbandista dos Cultos Afro-Brasileiros. União Regional Umbandista da Zona Oeste da Grande SP.


Federação Sul-Riograndense de Umbanda e Cultos Afro- Brasileiros. Uniafro - União Nacional Federativa da Cultura Afro-Brasileira. RJ/SP/MG FECUCAB - Federação de Cultos de Umbanda e Candomblé do Brasil SP/RJ/MG Organização Federativa de Umbanda e Candomblé. Superior Orgão Internacional de Umbanda e dos Cultos Afro. Associação Internacional Afro-Umbandista com Cônsul em Portugal situado no Templo de Umbanda Tenda de Oxossy-Portugal . Federação dos Cultos Africanos - João Pessoa,PB


Referências PORTUGAL & EUROPA

BRASIL

FAUERS - Federação Afro-Umbandista e Espiritualista no RS FUCESP - Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo FIETRECA - Federação Internacional de Estudos das Tradições Religiosas e Culto aos Ancestrais Afro-Brasileiros UTUCB - União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil PRIMADO DE UMBANDA - Organização Federativa Nacional, de caráter religioso e iniciático PRIMADO DO BRASIL - Organização Federativa de Umbanda e Candomblé AUEESP - Associação Umbandista e Espiritualista do Estado de São Paulo UUCAB - União Umbandista dos Cultos Afro-Brasileiros SOI - Superior Orgão Internacional de Umbanda e dos Cultos Afro. APAACABE - Associação de Proteção ao Amigos do Culto Afro Brasileiro e Espírita URUZOGSP - União Regional Umbandista da Zona Oeste da Grande SP. FRECAB - Federação de Resistência da Cultura Afro-Brasileira. Grupo de Estudos Boiadeiro Rei UNIAFRO * União Nacional Federativa da Cultura Afro-Brasileira.*** São Paulo, Rio de Janiro e Minas Gerais FENACAB-Brasil TUTO-AIA.Cônsul-Portugal

EDIÇÃO : FERNANDO DE OGUM



Candomblé é uma religião derivada do animismo africano1 onde se cultuam os orixás