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BOIADEIROS DA UMBANDA


OS BOIADEIROS São espíritos de pessoas, que em vida trabalharam com o gado, em fazendas por todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos nas sessões de Umbanda. Usam de canções antigas, que expressam o trabalho com o gado e a vida simples das fazendas, nos ensinando a força que o trabalho tem e passando, como ensinamento, que o principal elemento da sua magia é a força de vontade, fazendo assim que consigamos uma vida melhor e farta. Nos seus trabalhos usam de velas, pontos riscados e rezas fortes para todos os fins. O Caboclo Boiadeiro traz o seu sangue quente do sertão, e o cheiro de carne queimada pelo sol das grandes caminhadas sempre tocando seu berrante para guiar o seu gado. Normalmente, eles fazem duas festas por ano, uma no inicio e outra no meio do ano. Eles são logo reconhecidos pela forma diferente de dançar, tem uma coreografia intricada de passos rápidos e ágeis, que mais parece um dançarino mímico, lidando bravamente com os bois. Seu dia é quinta feira, gosta de bebida forte como por exemplo cachaça com mel de abelha, que eles chamam de meladinha, mas também bebem vinho. Fumam cigarro, cigarro de palha e charutos. Seu prato preferido é carne de boi com feijão tropeiro, feito com feijão de corda ou feijão cavalo. Boiadeiro também gosta muito de abóbora com farofa de torresmo. Em oferendas é sempre bom colocar um pedaço de fumo de rolo e cigarro de palha. No Terreiro os Boiadeiros vêm "descendo em seus aparelhos" como estivessem laçando seu gado, dançando, bradando, enfim, criando seu ambiente de trabalho e vibração. Com seus chicotes e laços vão quebrando as energias negativas e descarregando os médiuns, o terreiro e as pessoas da assistência.Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo as portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, assim como os Exus. Quando o médium é mulher, freqüentemente, a entidade pede para que seja colocado um pano de cor, bem apertado, cobrindo o formato os seios. Estes panos acabam, por vezes, como um identificador da entidade, e até da sua linha mais forte de atuação, pela sua cor ou composição de cores. Alguns usam chapéus de boiadeiro, laços, jalecos de couro, calças de bombachas, e tem alguns, que até tocam berrantes em seus trabalhos. Nomes de alguns boiadeiros: Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro do Lajedo, Boiadeiro do Rio, Carreiro, Boiadeiro do Ingá, Boiadeiro Navizala, Boiadeiro de Imbaúba, João Boiadeiro, Boiadeiro Chapéu de Couro, Boiadeiro Juremá, Zé Mineiro, Boiadeiro do Chapadão, etc ... Sua saudação: “Getruá Boiadeiro”, “Xetro Marrumbaxêtro”


Os Boiadeiros são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, "o caboclo sertanejo". São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro e assim vai. Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé. Ao amanhecer o dia, o Boiadeiro arrumava seu cavalo e levava seu gado para o pasto, somente voltava com o cair da tarde, trazendo o gado de volta para o curral. Nas caminhadas tocava seu berrante e sua viola cantando sempre uma modinha para sua amada, que ficava na janela do sobrado, pois os grandes donos das fazendas não permitiam a mistura de empregados com a patroa. É tal e qual se poderia presenciar do homem rude do campo. Durante o dia debaixo do calor intenso do sol ele segue, tocando a boiada, marcando seu gados e território. À noite ao voltar para casa, o churrasco com os amigos e a família, um bom papo, ponteado por um gole de aguardente e um bom palheiro, e nas festas muita alegria, nas danças e comemorações. Sofreram preconceitos, como os "sem raça", sem definição de sua origem. Ganhando a terra do sertão com seu trabalho e luta, mas respeitando a natureza e aprendendo, um pouco com o índio: suas ervas, plantas e curas; e um pouco do negro: seus Orixás, mirongas e feitiços; e um pouco do branco: sua religião (posteriormente misturada com a do índio e a do negro) e sua língua, entre outras coisas. Dá mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande. O caboclo boiadeiro está ligado com a imagem do peão boiadeiro - habilidoso, valente e de muita força física. Vem sempre gritando e agitando os braços como se possuísse na mão, um laço para laçar um novilho. Sua dança simboliza o peão sobre o cavalo a andar nas pastagens. Enquanto os "caboclos índios" são quase sempre sisudos e de poucas palavras, é possível encontrar alguns boiadeiros sorridentes e conversadores. Os Boiadeiros vêm dentro da linha de Oxossi. Mas também são regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados. Levam cada boi (espírito) para seu destino, e trazem os bois que se desgarram (obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do resto da boiada (o caminho do bem).


SOBRE NOSSOS CABOCLOS BOIADEIROS Os Caboclos são entidades fortes, viris. Alguns têm algumas dificuldades de se expressar em nossa língua, sendo normalmente auxiliados pelos cambonos. São sérios, mas gostam de festas e fartura. Gostam de música, cantam toadas que falam em seus bois e suas andanças por essas terras de meu Deus. Os Boiadeiros também são conhecidos como "Encantados",pois segundo algumas lendas, eles não teriam morrido para se espiritualizarem, mas sim se encantados e transformados em entidades especiais. Os Boiadeiros também apresentam bastante diversidade de manifestações. Boiadeiro menino, Boiadeiro da Campina, Boiadeiro Bugre e muitos outros tipos de Boiadeiros, sendo que alguns até trabalham muito próximos aos Exus. Suas cantigas normalmente são muito alegres, tocadas num ritmo gostoso e vibrante. São grandes trabalhadores, e defendem a todos das influências negativas com muita garra e força espiritual. Possuem enorme poder espiritual e grande autoridade sobre os espíritos menos evoluídos, sendo tais espíritos subjugados por eles com muita facilidade. Sabem que a prática da caridade os levará a evolução, trabalham incorporados na Umbanda, Quimbanda e Candomblé. Fazem parte da linha de caboclos, mais na verdade são bem diferentes em suas funções. Formam uma linha mais recente de espíritos, pois já viveram mais com a modernidade do que os caboclos, que foram povos primitivos. Esses espíritos já conviveram em sua ultima encarnação com a invenção da roda, do ferro, das armas de fogo e com a prática da magia na terra. Saber que boiadeiros conheceram e utilizaram essas invenções nos ajuda muito para diferenciarmos dos caboclos. São rudes nas suas incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior finalidade não é a consulta como os Pretos-velhos, nem os passes e muito menos as receitas de remédios como os caboclos, e sim o "dispersar de energia" aderida a corpos, paredes e objetos. É de extrema importância essa função pois enquanto os outros guias podem se preocupar com o teor das consultas e dos passes, existe essa linha "sempre" atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de espíritos). Quando bradam alto e rápido, com tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos que entraram no local a se retirar, assim "limpam" o ambiente para que a prática da caridade continue sem alterações. Esses espíritos atendem aos boiadeiros pela demonstração de coragem que os mesmos lhes passam e são levados por eles para locais próprios de doutrina. Em grande parte, o trabalho dos Boiadeiros ''e no descarrego e no preparo dos médiuns. Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo a portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, como os Exus. Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou consulentes. Costumam proteger demais seus médiuns nas situações perigosas. São verdadeiros conselheiros e castigam quem prejudica um médium


que ele goste. "Gostar" para um boiadeiro, é ver no seu médium coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele "filho". Pois ser filho de boiadeiro não é só tê-lo na coroa.


Trabalham também para Orixás, mais mesmo assim, não mudam sua finalidade de trabalho e são muito parecidos na sua forma de incorporar e falar, ou seja, um boiadeiro que trabalhe para Ogum é praticamente igual a um que trabalhe para Xangô, apenas cumprem ordens de Orixás diferentes, não absorvendo no entanto as características deles. Dentro dessa linha a diversidade encontra-se na idade dos boiadeiros. Existem boiadeiros mais velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões, por exemplo: Nordeste, Sul, Centro-Oeste, etc...

Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.


A LINHA DOS BOIADEIROS

Os espíritos que se manifestam na Umbanda na Linha dos Boiadeiros são aguerridos, valorosos, sisudos, de poucas palavras, mas de muitas ações. Apresentam-se como espíritos que encarnaram, em algum momento, como tocadores de boiada, vaqueiros, pastoreadores etc. Os seus pontos cantados sempre aludem a bois e boiadas, a campos e viagens, a ventanias e tempestades. O laço e o chicote são seus instrumentos magísticos de trabalhos espirituais. Eventualmente usam colares de sementes ou de pedras.

O Arquétipo da Linha de Boiadeiros é a figura mítica do peão sertanejo, do tocador de gado, enfim, dos homens que viveram na lida do campo e dos animais e que desenvolveram muita força e habilidade para lidar contra as intempéries e as adversidades.

É um Arquétipo forte, impositivo, vigoroso, valente e destemido. Representa a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, também chamado de caboclo sertanejo. Lembra os vaqueiros, boiadeiros, laçadores, peões e tocadores de viola; muitos deles mestiços, filhos de branco com índio, de índio com negro etc., trazendo à nossa lembrança a essência da miscigenação do povo brasileiro, com seus costumes, crendices, superstições e fé.


Existem, no Astral, muitos espíritos que, em suas últimas encarnações, praticamente viveram sobre o lombo dos cavalos, dedicando-se a criar e a domesticar esses animais, tão úteis à humanidade, já que até um século atrás o cavalo era o principal meio de transporte. Foram vaqueiros, domadores de cavalos, soldados de cavalaria etc., e guardam em suas memórias recordações preciosas e inesquecíveis daqueles tempos. Em homenagem a eles é que se construiu, no Astral, o Arquétipo da Linha dos Boiadeiros.

Nesta Linha manifestam-se espíritos que usam seus conhecimentos ocultos para auxiliar pessoas que estejam atravessando momentos muito difíceis. São combativos, inclusive no corte de magias negativas, porque conseguem promover “um choque” em nosso campo magnético e liberá-lo de acúmulos negativos, obsessores etc.

Nem todos foram, de fato, “boiadeiros”, mas todos eles têm em comum a capacidade de atuar num campo específico e que caracteriza a Linha, qual seja o de nos trazer uma energia vigorosa, muito útil na quebra de cargas e magias negativas e para desfazer “cristalizações” mentais negativas, pois os Boiadeiros atuam no campo da Lei Divina e na Linha do Tempo.

A Linha de Boiadeiros é sustentada, num dos seus Mistérios, pelo Orixá Ogum. Por isso, eles são verdadeiros “soldados” que vigiam tudo o que acontece dentro do campo da Lei Maior, estando sempre prontos a acudir os necessitados.

Na Linha do Tempo, atuam sob a Regência de Mãe Oyá-Tempo e de Mãe Yansã, combatendo as forças das trevas pela libertação e o reerguimento consciencial dos espíritos que se negativaram, se desequilibraram e se perderam, recolhendo-os e os encaminhando para o seu local de merecimento na Criação.

Embora a Linha seja sustentada por esses Orixás (Ogum, Oyá-Tempo e Yansã), cada Boiadeiro vem na Irradiação de um ou mais Orixás que os regem especificamente, como acontece nas demais Linhas de Trabalho da Umbanda.

Na linguagem dos Boiadeiros, “boi” é o próprio ser humano em desequilíbrio. Ou seja, são os espíritos encarnados e os desencarnados em desequilíbrio perante a Lei Maior, necessitados de auxílio. Suas referências a cavalos, a tocar a boiada, a laçar e trazer de volta “o boi” desgarrado do rebanho, ou atolado na lama, ou arrastado pelos temporais, ou que se embrenhou nas matas e se perdeu, ou que foi atravessar o rio e foi arrastado pela correnteza etc., tudo isso tem a ver com o trabalho realizado pelos destemidos Boiadeiros de Umbanda: eles resgatam os espíritos que se rebelaram contra a Lei Divina, pois esses espíritos são como


“bois e cavalos” que não aceitam os “cabrestos” ou limites criados pela Lei de Deus e que por isso precisam ser “domesticados” e educados. Nada melhor que os Boiadeiros para fazer isso.

Quando um Boiadeiro da Umbanda gira no ar o seu laço, ele está criando magisticamente, dentro do espaço religioso do Terreiro, as ondas espiraladas do Tempo, que irão recolher os espíritos perdidos nas próprias memórias desequilibradas e/ou irão desfazer energias densas acumuladas no decorrer do tempo. Já quando um Boiadeiro vibra o seu chicote, está recorrendo de forma magística e religiosa à Divina Mãe Yansã, para movimentar e direcionar os espíritos estagnados no erro e na desordem. É muito efetivo o seu trabalho contra os espíritos endurecidos (“eguns”).

Dentro da Linha de Boiadeiros, em algumas Casas também se manifestam os “Cangaceiros”, simbolizando os espíritos daqueles que em recente encarnação viveram no sertão e lutaram contra grandes injustiças sociais. Isso pode parecer estranho, à primeira vista, e muitos se perguntam o quê um “cangaceiro” teria a oferecer, em termos de trabalho espiritual de ajuda.

Ocorre que os “cangaceiros” do sertão brasileiro de fato surgiram, em meados dos anos 1920, para defender as populações humildes dos maus tratos e desmandos dos “coronéis” e demais detentores do poder material, que massacravam os menos favorecidos, tomando-lhes muitas vezes até as mulheres, os poucos bens e a dignidade pessoal. Esses homens “poderosos” mandavam e desmandavam, pois se achavam acima das leis humanas e, por certo, não conheciam ou não respeitavam as Leis Divinas. E os “cangaceiros” (Lampião e seu “bando”, os mais famosos) representaram, à época, um movimento popular de revolta e combate a tais desmandos. Foram marginalizados, até porque aos “poderosos” isso convinha. É provável que tenham cometido lá seus excessos também, respondendo à violência das armas com outras armas; mas, pelo menos, tinham a justificativa de estar lutando pelos mais fracos. Já os opressores, qual desculpa teriam? Enfim, o temperamento combativo desses espíritos de certa forma foi-se agrupando à Linha dos Boiadeiros e eles começaram a se manifestar para trabalhar, nos Terreiros de Umbanda que os acolhiam. Não são “bandidos e malfeitores”, mas espíritos que têm identificação com o Arquétipo do sertanejo forte e destemido. Há Casas em que os Cangaceiros vêm na Linha de Baianos. Mas, tecnicamente falando, e sem desrespeitar opiniões em contrário, se bem analisarmos os Arquétipos das duas Linhas mencionadas, parece mais adequado a sua aproximação com os Boiadeiros. Porque o Arquétipo do Boiadeiro é o do homem sertanejo. Já o Arquétipo dos Baianos é o dos Sacerdotes (construído a partir dos primeiros Sacerdotes da Bahia e do Nordeste, que mantiveram, sustentaram e divulgaram o Culto aos Orixás). Mas, é claro, a Umbanda é uma religião universalista, voltada unicamente para a prática do Bem, de modo que não vale a pena discutir sobre divergências menores. Essencial é verificar se os espíritos que se


manifestam estão praticando o Bem, dentro dos fundamentos da religião, independente do nome com o qual se apresentem.

Cavalos= filhos de fé;

Boi= espírito acomodado;

Boiada= grande grupo de espíritos reunidos por eles e reconduzidos lentamente às suas sendas evolucionistas;

Laçar= recolher à força os espíritos rebelados;

Boi atolado= espírito que afundou nos lamaçais e regiões pantanosas;

Boi açoitado pelos temporais= egum caído nos domínios de Yansã e do Tempo, onde os “temporais são inclementes”;

Açoite ou chicote= instrumento mágico de Yansã, feito de fios de crina ou de rabo de cavalo;

Laço= instrumento do Tempo (Mãe Oyá-Tempo);

Bois afogados em rios= espíritos caídos nas águas profundas das paixões humanas;

Bois arrastados pelas correntezas= espíritos arrastados pelas correntezas turbulentas da vida;


Bois que se embrenharam nas matas e se perderam= espíritos que entraram de forma errada nos domínios de Oxóssi;

Bois atolados em lamaçais= espíritos caídos nos domínios de Nanã Buruquê;

Bois perdidos nos pantanais= espíritos que abandonaram a segurança da razão e se entregaram às incertezas das emoções.

Nomes simbólicos: Boiadeiro da Serra da Estrela, Zé do Laço, Zé das Campinas, João Boiadeiro, Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro do Lajedo, Boiadeiro do Rio, Carreiro, Boiadeiro do Ingá, Boiadeiro de Imbaúba, Boiadeiro Chapéu de Couro, Boiadeiro Juremá, Zé Mineiro, Boiadeiro do Chapadão.

Dia da semana: A terça-feira, associada a Marte e aos Orixás Ogum e Yansã.

Algumas Casas lhes dedicam a quinta-feira, na regência do planeta Júpiter, este associado aos Orixás Xangô e Egunitá, por entenderem que os Boiadeiros são regidos pelos Orixás Ogum, Yansã e Egunitá. Considerando que há uma grande ligação entre os campos da Lei e da Justiça Divinas, essa interpretação tem lá seus fundamentos.

Campo de atuação: Recolhem os espíritos que se desviaram perante a Lei Divina e agem de forma desequilibrada em qualquer dos Sentidos da Vida; combatem os espíritos trevosos e as magias negativas; promovem uma limpeza profunda em nosso campo magnético, despertando em nossas vidas, de forma ordenada, movimento e direção.

Ponto de força: Os caminhos, as campinas, os espaços abertos e as pedreiras.

Saudação: Jetuá, Boiadeiro!


Cor: Azul escuro e amarelo. Em algumas Casas também o marrom e/ou o roxo.

Elementos de trabalho: Berrante, couro, laço, cabaça, terra, pedras, semente olho de boi, anis estrelado, corda, chifres, chicotes, pembas.

Ervas: Folhas de bambu, arruda, eucalipto, peregum, quebra-demanda, espada de São Jorge, lança de Ogum, espada de Santa Bárbara, pinhão roxo, casca de alho, casca de cebola, canela, anis estrelado, cravo, folhas de limão e de laranjeira, folhas de café e de fumo (tabaco).

Fumo/defumação: Cigarro de palha, fumo de corda, charuto.

Incenso: Benjoim, anis estrelado, cravo, canela, arruda, eucalipto.

Pedras: Hematita, Granada, Turmalina Preta, Ônix Preto. Também e especialmente as Drusas de Cristal e as Drusas de Ametista. As drusas são agrupamentos de várias pontas em uma única base. Elas trabalham a união e o agrupamento de pessoas ou de objetivos e limpam o ambiente. (Fonte quanto às Drusas: “Os cristais e os Orixás”, Angélica Lisanty, Madras Editora, 2008, página 84.)

Frutos: Abacaxi, carambola, limão, laranja, uva, banana, açaí, frutas de casca amarela ou vermelha, as frutas ácidas em geral, abóbora, cará, mandioca.

Flores: Cravos vermelhos, rosas vermelhas e amarelas, flores vermelhas e amarelas em geral.

Bebidas: Suco de frutas ácidas; vinho tinto seco; vinho branco; aguardente com pedaços de canela; água de coco; cerveja clara; conhaque; café com canela; vinho tinto doce ligeiramente aferventado com folhas frescas de eucalipto; vinho tinto doce fervido com pedacinhos de gengibre.


Resina: Benjoim (serve apenas para defumações, e NÃO para banhos).

Oferenda: Frutas, ervas (inclusive dos Orixás Ogum, Oyá-Tempo e Yansã), bebidas, pedras, velas.

Cozinha ritualística:

1-Caldo de mocotó- Cozinhar um mocotó em água, com uma colher de sopa de vinho tinto seco. Depois de cozido, retirar a panela do fogo. Retirar um pouco do caldo, acrescentar cerca de uma colher de sopa de farinha de milho branca e mexer para dissolver bem a farinha. Acrescentar essa mistura ao caldo que ficou na panela e misturar bem. Temperar tudo com sal, alho, cebola e temperos frescos a gosto. Levar de novo ao fogo e deixar aferventar um pouco. Esse caldo é muito nutritivo e também tem um poder de “limpeza” extraordinário em casos de magias negativas e de enfraquecimento do campo mediúnico.

2-Cebola branca deixada no sereno- Descascar uma ou mais cebolas brancas, cortar em fatias grossas e deixar de molho em água mineral, numa vasilha branca (de louça ou de vidro) coberta com um pano branco e colocada no tempo (em espaço aberto) durante uma noite, para receber sereno. Coar. O sumo que fica (água mineral + o sumo da cebola + a ação do sereno) é muito bom para purificação e equilíbrio. Pode ser usado para banho, desta maneira: ferver um pouco de água, retirar do fogo e esperar amornar. Acrescentar um pouco daquele sumo e fazer o banho. As rodelas de cebola também podem ser passadas em azeite de oliva, temperadas com uma pitada de sal e folhas de manjericão ou de hortelã picadinhas e servidas para a Entidade manipular, ou podem ser ingeridas pelas pessoas. Isso tem ação curativa e alto poder de limpeza.

3-Arroz com lentilhas (ou ervilhas) e carne seca desfiada- Lavar as lentilhas (ou ervilhas) e deixar de molho em água por cerca de uma hora. Escorrer e reservar. Dessalgar a carne seca e cozinhá-la um pouco em água com dentes de alho picadinhos. Juntar as lentilhas (ou ervilhas) e esperar até que tudo esteja cozido. Retirar a carne seca e desfiar. Refogar a carne desfiada com cebola, alho picadinho, pimenta vermelha picadinha e sem as sementes, orégano e/ou


cheiro verde a gosto. Reservar. Refogar o arroz e juntar água quente para o cozimento. Quando estiver quase seco, acrescentar a carne seca desfiada e as lentilhas (ou ervilhas). Terminar o cozimento em fogo mínimo. Pode-se também servir este arroz acompanhado de pedaços de abóbora cozida e refogada em azeite, sal e temperos a gosto.

4-Feijão tropeiro- Dessalgar e cozinhar um pedaço de carne seca cortada em cubinhos. Guardar a água do cozimento. Reservar a carne já cozida. Cozinhar um pouco de feijão naquela água onde a carne seca foi cozida, deixando-o em ponto firme, para que os grãos não desmanchem. Reservar o feijão e um pouquinho da água do seu cozimento (uma concha pequena). Em separado, aferventar duas vezes uma calabresa e um paio, trocando a água da fervura para eliminar excessos de gordura. Retirar a pele e cortar em cubinhos. Dourar em azeite de oliva alguns dentes de alho e uma cebola picadinhos. Colocar sal a gosto e acrescentar a carne seca, as linguiças e por último o feijão com um pouquinho da água do seu cozimento. Mexer com cuidado. Juntar um pouquinho de farinha de mandioca torrada ou de farinha de milho, misturando tudo para dar o ponto de um virado. Acrescentar temperos frescos picadinhos a gosto (cheiro-verde, orégano, pimenta etc.). Regar com um fio de azeite de oliva.

5-Arroz tropeiro- Meio kg de arroz, 200 g de lombo de porco, 200 g de costelinha defumada,uma linguiça defumada, 200 g de carne de sol, várias cebolas pequenas inteiras. Preparo: O lombo é a única carne que precisa ser temperada com alho e sal a gosto. Fritar à parte: a linguiça, a carne de sol e a costelinha; depois, fritar o lombo e, assim que ficar bem dourado, colocar os outros ingredientes já fritos e o arroz. Acrescentar água quente e deixar o arroz cozinhar. Servir com couve refogada.

6-Frutas variadas, especialmente as de polpa vermelha e as de casca amarela.

7-Costela de boi- Temperar com sal, alho e cebola, tomate, pimentão amarelo e vermelho e cheiro-verde (todos picadinhos), orégano e um pouco de vinho tinto ou de vinagre. Deixar a costela de molho nessa mistura por cerca de uma hora. Fazer assada com batatas e/ou fatias de batata doce. Também pode ser refogada e dourada na panela.

8-Arroz carreteiro- ½ kg de arroz, 50 g bacon, ½ kg de carne seca, 1 linguiça calabresa defumada, 1 linguiça mista, 1 cebola picada, 2 dentes de alho picados, 1 colher de óleo. Preparo: Dessalgar a carne seca e cortar em cubos. Fritar o bacon até dourar e reservar. Fritar


as linguiças e reservar. Numa panela grande o suficiente, refogar o alho e depois a cebola. Acrescentar a carne seca, a linguiça e o bacon e dar uma boa refogada. Colocar o arroz e refogar. Juntar água quente, o necessário para o cozimento do arroz.

9-Arroz Tropeiro mineiro- Meio quilo de arroz, 1 colher de óleo, 1 tablete de caldo de galinha, pimenta-do-reino a gosto, 1/2 quilo de carne de sol; três dentes de alho, 1 cebola roxa, 2 tomates e salsinha bem picadinhos. Preparo: Picar a carne em tiras finas e refogar em óleo e alho. Adicionar um pouco de água quente e deixar a carne cozinhar por uns 10 minutos. Em separado, ferver água para o cozimento do arroz; quando ferver, juntar a ela o caldo de galinha e os temperos picados. Colocar o arroz para refogar junto com a carne. Adicionar a água que foi fervida e temperada para o cozimento do arroz. Não deixar secar muito, pois o ponto desse arroz é meio mole.

10- Carne seca com farofa de farinha de milho amarela e torresmo, acompanhada de mandioca, cará e pedaços de abóbora cozidos. Decorar com pimentas.

11-Leite de cabra- Oferendar em copos ou em metades de casca de coco, especialmente em trabalhos de limpeza “pesada” e para saúde. Pode-se fazer banho: aquecer água e retirar do fogo. Juntar um pouquinho do leite de cabra e fazer o banho.

Texto doutrinário: Os Boiadeiros

A Bíblia cita carruagens de fogo (de luz) puxadas por cavalos. Também cita os Cavaleiros do apocalipse, em suas cavalgadas pelo espaço levando o terror aos pecadores. Outras mitologias religiosas citam seres espirituais que cavalgam pelo espaço infinito. Inclusive, a Mitologia cita as Valquírias, que eram (ou são) exímias amazonas sobrenaturais. A mitologia grega cita Pegasus, o cavalo alado, e cita seres que têm corpo de cavalo e humano. Bem, separando as descrições míticas, temos de fato espíritos de cavalos que, após desencarnarem, retornam para uma dimensão da vida que é, em si, uma realidade de DEUS, toda dedicada a abrigá-los. E não só aos que encarnaram, porque essa realidade se assemelha a um sonho ou a um conto de fadas. Além de ser uma dimensão quase toda plana, só quebrada por algumas ravinas, colinas, bosques e riachos, ela é infinita em qualquer direção, e é toda verdejante, recoberta por algumas espécies de gramíneas ou capins de baixa estatura.


Nela vivem equinos das mais variadas espécies, cada uma tão bela quanto as outras; e andam em manadas tão grandes que encantam os olhos de quem os vê correndo ao longe. Ninguém é obrigado a crer no que aqui revelamos, mas essa dimensão realmente existe. Assim como existem os verdadeiros exércitos de espíritos montados em seus garbosos cavalos que, a um comando dos seus montadores, se atiram numa cavalgada pelo espaço. Briosos e fogosos, esses cavalos obedecem aos seus montadores como se ouvissem o pensamento deles. Esses exércitos de espíritos montados vigiam, como soldados dedicados, tudo o que acontece nos campos da Lei Maior e sempre estão prontos e alertas para acudirem os necessitados. Ogum, na Umbanda, difere um pouco de sua descrição no Candomblé porque nela Ele foi todo associado à Lei Maior e é “o senhor das demandas”. Ogum corta demandas o tempo todo para os umbandistas. São pedidos e mais pedidos nesse sentido e ninguém mudará essa imagem, esse arquétipo de Ogum, pois foi pra exercê-la que ele foi incorporado à nascente religião umbandista. Pois bem, a Linha de Boiadeiros é sustentada, em um dos seus Mistérios, por Ogum, e a alusão aos cavalos, ao tocar da boiada, ao laçar e trazer de volta o boi desgarrado do rebanho, o atolado na lama, o arrastado pelos temporais, o que se embrenhou nas matas e se perdeu, o que foi atravessar o rio e foi arrastado pela correnteza, etc., tudo tem a ver com o trabalho realizado por esses destemidos espíritos Boiadeiros de Umbanda. E assim sucessivamente com as alusões dos seus pontos cantados, pois as “ventanias”, as “poeiras”, as “enxurradas” e outros simbolismos indicam os campos de atuação e de ações desses espíritos aguerridos que lidam com os “bois desgarrados do grande rebanho”. Na Bíblia, o cordeiro simboliza espírito. Na Umbanda dos Boiadeiros eles são chamados de “bois”. Boiadeiros são espíritos que conduzem de volta às pastagens tranquilas e seguras os “bois” que se “desgarraram” e se desviaram da grande corrente evolucionista humana. É para buscá-los de volta e reincorporá-los, mesmo que à força (o laço e o chicote), que os Boiadeiros (Caboclos de Ogum ligados ao TEMPO) existem. Eles não são só espíritos de ex-vaqueiros ou ex-peões. Eles são grandes resgatadores de espíritos rebelados contra a Lei Maior porque não aceitam os “cabrestos” ou as “peias” criadas por ela *Lei Maior+ para educar os “cavalos e bois” *espíritos+ chucros e arredios, difíceis de serem domados e domesticados.


O simbolismo por alusão é tão associado à lida com o gado e com suas dificuldades que, ou o interpretamos corretamente ou muitos desavisados ficarão com a impressão de que eles são só espíritos de ex-peões tocadores de gado do plano material. Ogum é o senhor das demandas; Yansã é a senhora dos Eguns (espíritos); Logunan é a senhora do Tempo cronológico [Obs.: do tempo que passa, das eras, e também do Tempo Infinito de Deus, que é a eternidade]. No tempo, em que tudo acontece (a evolução), esses Caboclos de Ogum demandam com as forças das trevas pela libertação e reerguimento consciencial dos espíritos, amparados pela nossa Divina Mãe Yansã. Também, a Linha de Boiadeiros é uma linha transitória criada por Ogum e outros Orixás para que todos os Exus de Umbanda, assim que evoluam, possam galgar um novo grau de trabalhos espirituais, no qual deixam de ter que atender a todos os pedidos, não importando se são justos ou injustos, se são bons ou ruins, pois Exu é neutro e assume a polaridade de seu ativador. *Obs.: Exu é neutro. Ele “funciona” de acordo com a polaridade da pessoa que o ativa. Mas a responsabilidade é de quem o ativou e lhe deu a própria polaridade, boa ou má]. Todo espírito que atua como Exu de Umbanda, ao conquistar o grau de Boiadeiro, recupera o seu livre arbítrio e já não é obrigado a responder às invocações com fins negativos. Após conquistar o grau de Boiadeiro, o espírito deixa de ser conduzido pelos “bois” e torna-se um tocador “de gado”. Jetuá, Boiadeiro!


Boiadeiro na umbanda

História Normalmente são entidades vinculadas à homens que trabalharam, sobretudo na condução de gado. Operam nos terreiros com seu laço, chapel e cigarro de palha. O seu grito característico captura espíritos decaídos que atormentam os consulentes, encaminhando para guias espirituais de socorros destes seres desencarnados. Geralmente incorporam nas giras de Caboclos. São associados aos Mineiros, dependendo da região em que se situa o terreiro. Exemplos de Boiadeiro: Chico da Porteira; Zé do Laço; Boiadeiro Rei Zé da Campina; Tião; Zé do Facão; Zé Mineiro; João da Serra; Boiadeiro Navizala;


Laço Nervoso Carne de Boi; Zé do trilho; João Boiadeiro;

Ponto: Boiadeiro Chetruá Umbanda Chetruê, Chetruá Corda de laçar meu boi Chetruê, Chetruá Corda de meu boi laçar Chetruê, Chetruá Corda de laçar meu boi Chetruê, Chetruá Corda de meu boi laçar Seu Boiadeiro Cade sua boiada ? Mas, Seu Boiadeiro Cade sua boiada ? Seu boiadeiro na Jurema é nosso pai É nosso camarada Seu boiadeiro na Jurema é nosso pai É nosso camarada


A SAIDA DOS ORIXÁS

A SAIDA DOS ORIXÁS Por Rubens Saraceni Então chegou o momento que Olorun determinou que os seus filhos e filhas Orixás iniciassem a saída de sua morada interior e começassem a ocupar sua morada exterior. A Oxalá coube a primazia, porque ao sair, ele que é o espaço em si mesmo, cria-ria o meio ou o espaço indispensável para que os outros Orixás pudessem se deslocar e dar início à concretização de sua morada exterior com a criação dos mundos que seriam ocupados pelos seres espirituais. Não foi fácil para nenhum dos Orixás deixar de viver na morada interior, no ín-timo do Divino Criador Olorun. Para Oxalá foi mais difícil ainda, porque ele, o primogênito, iniciaria a saída. Quan-do se viu diante do portal de saída, virou-se e contemplou mais uma vez o rosto de Olorun que o contemplava com os olhos fixos e sérios, como a dizer-lhe: “Vá em frente, meu filho! Eu sou você por inteiro e você é parte de mim.” Oxalá olhou cada um dos seus irmãos e irmãs divinos, e dos olhos deles corriam lágrimas. Ele curvou-se, cruzou o solo divino que ainda pisava, tocou-o com a testa, beijou-o, e dos seus olhos caíram lágrimas que cintilaram ao tocá-lo. E ali suas lágrimas ficaram incrustadas no solo, como uma marca de sua partida. E, em cima dele muitas outras lágrimas haveriam de ser derramadas pelos outros Orixás, a medida que fossem partindo. Oxalá levantou e virou-se novamente para o portal. E, já resoluto, avançou por ele com passos firmes mas, a medida que foi saindo, seu corpo explodiu e um clarão ofuscante que se projetou no infinito, clareando em volta da morada exterior do nosso Divino Criador Olorun. E Oxalá curvou-se após ter dado o primeiro passo e cruzou o espaço à sua frente. Então levantou, já não tão ereto como quando saíra, deu um segundo pas-so e aí se curvou e cruzou o espaço à sua frente pela segunda vez... e quando Oxalá se curvou pela sétima vez e cruzou o


es-paço a sua frente, já não conseguiu se levantar senão só um pouco, e ainda assim porque apoiava-se em seu cajado, que é o eixo sustentador do mundo manifestado, denominado paxorô. Ele voltou-se na direção em que fica-va a sua morada interior e já não a viu, pois o que viu foi o espaço vazio in-fi-nito em sua volta. E ele olhou para toda a sua volta e não viu nada além do espaço vazio. Então, o peso da sua responsabilidade foi tanto, que ele caiu de joelhos e com a voz embargada emitiu essas frases: - Pai, por que fez isso comigo se o amo tanto? - Pai, por que separou-me de você, se me sinto parte do senhor? - Pai, sem o senhor eu sou o que vejo em minha volta, nada, meu pai amado! - Por que, meu pai amado? E Oxalá, de joelhos e apoiado em seu cajado, chorou o mais dolorido pranto já ouvido desde então na mo-rada exterior. E todos os outros Orixás, que es-tavam do lado de dentro da morada interior e o viam a apenas sete passos do portal de saída, emo-cio-naram-se tanto com o pranto dele, que também se ajoelharam e chora-ram o mais sentido dos cho-ros, pois tanto choraram a angústia dele quan-to a que sen-tiam, porque tam-bém teriam que deixar a morada interior. Olorun, vendo todos os Ori-xás ajoelhados e chorando, ordenou: - Meu filho Ogun, o espaço já existe na minha morada exterior. Agora é sua vez de levar para ela o seu mistério e abrir os caminhos para que seus irmãos e irmãs possam segui-los em segurança o viven-ciarem os destinos que reservei para cada um. Siga sempre em frente, pois já existe um caminho feito por mim e trilhado por Oxalá. E, ainda após você dar o sétimo pas-so só veja o espaço infinito em sua volta e nada mais, no entanto, onde seu pé direito pousar no seu sétimo passo, ali se iniciará o caminho que o conduzirá até onde ele se encontra agora. - Meu amado pai Olorun, eu vejo meu amado irmão bem ali, ajoelhado diante do portal de saída dessa sua morada, meu pai! - Ogun, assim que você der o primeiro passo depois da soleira desse portal você só verá o vasto e infinito espaço vazio, à sua volta. Não titubeie pois só encontrará o caminho que o levará até Oxalá, caso de sete passos resolutos, meu filho. - Assim diz o meu pai e meu Divino Criador Olorun, assim farei, meu pai ama-do! E Ogun despediu-se e cruzou o portal de saída. E quando deu o primeiro passo e olhos à sua direita e à sua esquerda e na-da viu além do espaço ainda vazio, mas infinito em todas as direções, um tremor percorreu-lhe o corpo de cima para baixo. Mas ele continuou a caminhar. E ao dar o sétimo passo com o seu pé direito, Ogun ajoelhou-se e cruzou o espaço vazio diante dos seus pés. E cruzou o espaço acima da sua cabeça; e cruzou o espaço a sua frente; e cruzou o espaço a suas costas; e cruzou o espaço a sua direita; e cruzou o espaço a sua esquerda... e viu seu irmão Exu, que deu uma gar-ga-lha-da e, à guisa de saudação, falou-lhe: - Ogun, meu irmão! Que bom vê-lo aqui do lado de fora da morada do nosso pai e nosso Divino Cria-dor Olorun! Por que você demorou tanto para sair? - Exu,é bom revê-lo, meu irmão! O que você faz por aqui? - O que eu faço por aqui? - Foi o que lhe perguntei, Exu. - Eu já ando por aqui há tanto tempo, que eu nem sei a quanto tempo eu ando por aqui, sabe?


- Não sei não. Explique-se, Exu! - Ogun, lá vem você com seus pedi-dos de explicação de novo! - Explique-se, está bem? - Já que você insiste, digo-lhe que é por causa do fator adiantador que gero, sabe? - Não sei não, Que fator é esse? - Bom, até onde eu já sei, ele faz com que eu chegue sempre adiantado nos acontecimentos e este é um acon-te-cimento e tanto, não? - Que é um acontecimento e tanto, disso não tenho dúvidas. Mas, como você chegou aqui, se só Oxalá havia saído? - Ah, Oxalá passou por aqui mas, como ele estava muito triste e derramando lágrimas, eu achei melhor ir até ele quando ele deixar de derramar lágrimas. Afinal, eu gero o fator hilariador, não o entristecedor, sabe? - Já estou sabendo... porque Exu ri até sem motivos. - Ogun, a falta de motivos para se rir é algo hilário, ainda que muitos pensem o contrário. Mas, se irmos atrás dos motivos da falta de risos, aí vemos que é algo tão tolo, que se torna hilário. - É se Exu está adiantado e diz isso, então você já sabe de algo que logo des-cobrirei, certo? - Foi o que eu disse, Ogun. - Então Oxalá não tinha nenhuma ra-zão para sentir-se tão triste e angustiado. É isso, Exu? - Não mesmo Ogun! Logo logo, isso aqui estará fervilhando, de tantos seres que estão à espera da concretização dos mundos que todos os que ficarem na mo-rada interior desejarão vir para cá. E isto aqui estará tão cheio, que muitos desejarão retornar à ela, sabe? - Ainda não sei, mas, se você, que chegou aqui antes do espaço existir, e não sei como, está dizendo, então logo saberei. - E então, para onde você está indo, Ogun meu irmão à minha direita? - Vou até onde está Oxalá, Exu. - Posso acompanhá-lo? - Pode sim, com você ao meu lado esquerdo, creio que não me sentirei tão só, não é mesmo? - Se é Ogun! Comigo no seu lado esquerdo ninguém nunca se sentirá só. - Então vamos, Exu. Já vejo o caminho que conduz até Oxalá. - Você vai seguir os passos dele? - Vou, Exu. - Você não quer seguir por uma caminho alternativo que é mais curto? - Caminho alternativo? Que caminho é esse? - É um atalho, um desviozinho! Mas leva até ele do mesmo jeito, certo? - Errado, Exu! Atalhos ou desvio-zinhos podem levar a muitos lugares, mas nunca levarão alguém até Oxalá ou qual-quer outro lugar, pois todos eles levam aos seus domínios, que estão localizados na vazio. Isso sim, é certo! - Tudo bem que isso é certo. Mas uma passadinha nos meus domínios não faz mal a ninguém, sabe? - Não sei e não quero saber. Quem quiser que siga seus convites. Vamos? - Vamos para onde? - Ao encontro de Oxalá, oras! - Não, não! - Por que não?


- Esse caminho que leva a Oxalá é muito reto, é retíssimo mesmo! E Exu só trilha caminhos tortos ou tortuosos, sei lá! - Até a vista, Exu! Ogun seguiu o caminho que conduzia até Oxalá. Logo chegou onde ele estava. Após saudá-lo cruzando o solo e o espaço à frente dele, levantou-se e os dois abra-çaram-se. Então ficaram no aguardo da chegada dos outros Orixás que não demoraram a chegar. E quando passou muito tempo sem mais nenhum outro aparecer, inicia-ram suas funções de poderes criadores na morada exterior do nosso Divino Cria-dor, gerando essas e muitas outras lendas sobre eles, que contaremos em outro livro. Texto extraído do livro “Lendas da Criação - A saga dos Orixás” Autor Rubens Saraceni, Editora Madras.


Pantera Negra - Exu ou Caboclo?

Pantera Negra EXU ou Caboclo? Por Ras Agdeabo - Edmundo Pelizari No rico universo místico da Umbanda, existem entidades pouco conhecidas eestudadas. Com o tempo, é natural que algumas delas sejam esquecidas pornós. Uma delas é Pantera Negra, celebrado por uns como caboclo e por outroscomo exu. Seu Pantera era mais conhecido pelos umbandistas de antigamente, quandomuito terreiro era de chão batido, caboclo falava em dialeto, bradava alto ecuspia no chão. Nas sessões ele comparecia sempre sério, voz de trovão, abraçando bemapertado o consulente que atendia. Não gostava muito de falatório, queriamesmo é trabalhar. O tempo foi passando e raramente o encontramos nos centros, tendas e outrosagrupamentos de nossa Umbanda. Aonde terá Seu Pantera ido? O falecido Pai Lúcio de Ogum (Lúcio Paneque, de querida memória), versadonos mistérios da esotérica Kimbanda, que se diferencia da popular Quimbandae está distante da vulgar Magia Negra, dizia que Pantera Negra era chefe deuma Linha de Caboclos que atuam na Esquerda. Estes caboclos, explicava Pai Lúcio, eram espíritos oriundos de tribosbrasileiras muito isoladas e desconhecidas, ou de tribos das ilhas do Caribe, Venezuela, México e mesmo dos Estados Unidos. Índios fortíssimos, arredios e alguns até brutos, as vezes gostam de marcarseus "cavalos", ordenando que coloquem na orelha uma pequena argola e nobraço uma espécie de pulseira de ferro. Ainda costumam receber suas oferendas em encruzilhadas na mata, navizinhança de uma grande árvore. Podem ser assentados em potes de barro comervas especiais, terra de aldeia indígena e outros elementos secretos, quesão consagradas por sacerdotes iniciadas nos mistérios destes espíritos. Pai Lúcio ainda dizia, que a maioria dos médiuns destes caboclos são homens. Os mais conhecidos, além de Pantera Negra, são : Caboclo Pantera Vermelha,Caboclo Jibóia, Caboclo Mata de Fogo, Caboclo Águia Valente, Caboclo CorcelNegro e Caboclo do Monte.


Alguns irmãos umbandistas conhecem estes trabalhadores astrais, com o nomede Caboclos Quimbandeiros. Pantera Negra aparece como caboclo e exu, mesmo fora da Umbanda. Na regiãoSul do Brasil, principalmente, o encontramos dentro de um grupo muitoespecial, chamado de Caboclos Africanos. Ali ele se manifesta com o nome de Pantera Negro Africano, ao lado deArranca-Caveira Africano, Arranca-Estrela Africano e Pai Simão Africano,entre outros. A maneira de atuar destes entes é muito parecida com a dosCaboclos Quimbandeiros, sendo confundidos com frequência. Alguns adeptos e médiuns que trabalham com estas entidades, acreditam que éo mesmo Pantera. Porém Seu Pantera Negra vai além. Seu culto é encontrado nos Estados Unidose no Caribe, como tive a oportunidade de conhecer, dentro do XamanismoNativo, Santeria Cubana (ou Regla de Ocha) e Palo Monte. Lembro de David Lopez, um santero de Porto Rico. Quando ele fez dezesseisanos, sua tia, Dona Carita, o levou a uma festa de Orixá e ali ele desmaiou.Aconselhado por um babalawo, David resolveu fazer o santo. Antes dainiciação para seu Orixá, como de costume no Caribe, foi celebrado um ritualem honra aos ancestrais (eguns). Na celebração, incorporou em nosso amigoum espírito de índio bravíssimo... Batia muito no seu magro peito evociferava como se estivesse em uma guerra. Quando foi pedido o seu nome,disse o indígena: sou Pantera Negra! Vi o mesmo tipo de transe aqui no Brasil, em raros médiuns de Seu Pantera,como o querido irmão Mário (Malê) de Ogum, sacerdote umbandista. No Haiti ele é conhecido como Papa Agassou (Pai Agassou) e aparece como umanegra pantera e não mais como índio. A tradição considera que ele veio da África, da região do antigo Dahomé,onde era celebrado como totem e protetor da Casa Real. O primeiro nobre desta linhagem, contam os mais velhos, foi um homem-fera, pois tinha paipantera e mãe humana. Agassou é muito temido, pois é profundamente justo e não perdoa os fracos decaráter. Poucos médiuns conseguem suportar a incorporação dele ou de outrosespíritos da família das panteras. É necessária muita preparação, firmeza depensamento e moralidade. Do contrário, e isto realmente acontece, o médium começa a sangrar muito durante a incorporação. É terrível. Em outras ilhas do Caribe, também encontramos seguidores de Pantera Negra..Alguns o invocam como espírito indígena e outros como uma força africana,meio homem, meio felino. No Brasil, ouvi as mesmas recomendações de pessoas que cultuam ou trabalhamcom Pantera Negra. Pai Lúcio me disse, que os aparelhos de Seu Pantera nãocostumavam beber, falar demais ou serem covardes. Eram disciplinados,verdadeiros guerreiros modernos. Em certos rituais de Pajelança Cabocla, podemos ouvir o bater incessante domaracá e o chamado do pajé, que canta: *YAWARA Ê!* *YAWARA Ê!* *HEY YAWARA,* *YAWARA PIXUNA,* *PIXUNA Ê, YAWARA,* *YAWARA, YAWARA!*


Yawara Pixuna, quer dizer Pantera Negra. Alguns traduzem como Onça Negra. Ocanto acima, pode ser utilizado para afastar espíritos maléficos, que fogemao ouvir este nome mágico. Caboclo ou Exu, Pantera ou Onça, brasileiro ou estrangeiro, ele é mais ummistério que Zambi animou. O tempo passa, mas Pantera Negra ainda persiste. SALVE PANTERA NEGRA! *Edmundo é Teólogo especialista em religiões Afro-Caribenhas,* *o que é fruto de uma vida dedicada ao estudo superior e livre das religiões.*


**UMBANDA O PRONTO SOCORRO ESPIRITUAL**

**UMBANDA O PRONTO SOCORRO ESPIRITUAL** Quem é umbandista já se deparou inúmeras vezes com casos de obsessão, em que o consulente já recorreu a vários meios para se libertar das amarras dos espíritos trevosos; E para aquele que não conhecem a Umbanda genuína fundada pelo Caboclo Das Sete Encruzilhadas, começará a entender os meios e métodos usados por caboclos, Preto-Velhos e Exus para a libertação permanente ou temporária do obsediado, que chega em um centro de Umbanda muitas vezes em processo de possessão ou seja o espírito obsessor já tomou a consciência do obsediado que se não for tratado em um meio espírita, logo-logo irá parar em um manicômio. -lembro-me de uma passagem no livro "Lindos Casos De Seu Bezerra De Menezes", que por horas tenta doutrinar um espírito obsessor, que encontrava-se "endurecido" ao extremo; As palavras racionais carregadas de amor e carinho não surtiam efeito e o espírito teimava em continuar em seu processo de obsessão; seu Bezerra De Menezes, não perdendo a calma mas sendo enérgico diz: Você precisa de prisão e não de conselhos. E, virando-se para os companheiros, em redor da mesa, em concentração,- Então chame-se a polícia. Pergunta! o que aconteceu a esse espírito? -com certeza a polícia do astral o prendeu, como a nossa polícia prenderia qualquer mal-feitor aqui na terra.Na Umbanda, que na maioria das vezes age como um pronto-socorro espiritual as coisas se dão de modo parecido com esse caso de seu Bezerra de Menezes, pessoas com enorme dificuldade de se espiritualizar interiormente, pela doutrina espiritual e pelos bons atos diários. Caem quase sempre em processo de obsessão simples ou mais grave ainda em possessão; não caem nestes processos por serem maldosos, mas por serem ignorantes, ou seja, desconhecedores das leis maiores pregadas de formas simples e objetivas pelo Rabi da Galiléia (Jesus). A pessoa obsediada ao chegar em um centro de Umbanda, receberá um tratamento quase sempre emergencial de libertação de seu (s) obsessor (s). Peguemos o exemplo do atendimento de um caboclo, o mesmo através de sua hierarquia espiritual e da manipulação de algum material da terra, tal como a ponteira (objeto de ferro semelhante a uma flecha); Libertará o consulente do ou dos obsessores, mas mostrará a pessoa libertada a onde está a falha que causou tal processo, assim também ocorre com os Pretos-Velhos que libertarão da obsessão,


mas o consulente não se escapará de uma reprimenda se a falha for dele.Já os Exus guardiães do lado oposto dependendo de seu grau de evolução libertarão o consulente, mas a pessoa ficará sob suas leis, ou seja, se errar nas leis do amor e na justiça para com o seu semelhante, Exu saberá e a lei do retorno irá ser executada, pelo mesmo Exu, que outrora o libertou.observando tais explicações de como ocorre e porque é feito desta maneira chegamos à conclusão de que Caboclos, Preto-velhos, crianças e Exus, agem como paliativos de nossas chagas interiores; Nós se temos realmente amor, carinho e respeito por nossos amigos, irmãos e mentores espirituais, procuremos nos reformar no interior de nós mesmos para não darmos mais trabalho, como crianças rebeldes de nossas obrigações, para com nossos guias e protetores amados, que nos carregam no colo como pais adorados, amigos e devotos de seus filhos inquietos e rebeldes, que só darão valor o dia que os perderem, pois todos os espíritos independentes de seu grau de evolução, também obedecem às leis do universo, que são imutáveis e eternas e uma delas diz: que o semelhante atraí o semelhante.


Todo Guia de Umbanda tem um compromisso firmado no Astral Superior dedesenvolver em seus médiuns e tutelados, as condiçõesnecessárias para que ambos exerçam suas tarefas no planofísico. Todo médium de Umbanda, muito embora faça parte de umacoletividade, passa por um aprendizado individual e um aprimoramentoconstante, a fim de assumir as responsabilidades com seus Guias e Protetores com outorga desse mesmo Astral Superior. Para que haja uma boa sintonia e um bom aprendizado, o médium devebuscar ser dedicado, assíduo, perseverante e paciente. Através da dedicação ao trabalho o médium ampliará a suafaixa de sintonia com os seus Guias e Dirigentes Espirituais da Casa quefaz parte, colocando-se à disposição para o serviço que nãocomeça e nem tampouco termina no momento do transe mediúnico. A questão da assiduidade firmará no médium a disciplina, queé elemento indispensável na execução dos trabalhos. Quando omédium age com assiduidade a Espiritualidade sabe que sempre terácom quem contar. A perseverança fará o médium compreender que aconteça o queacontecer, ele, o médium deve permanecer na caminhada abraçadaindependentemente da compreensão de outras pessoas. Embora muitas vezes esteja rodeado de outros irmãos o médium vaise sentir sozinho, pois ele tem um caminho interior a trilhar cabendosó a ele escalar as etapas que se sucederem, bem como as montanhas da"calúnia", da "inveja", e do "comodismo alheio". A paciência auxiliará ao médium na busca da serenidade,renunciando assim a irritação e ao imediatismo mediúnico que tantoprejudicará o bom andamento do seu aprendizado. Mediunidade não é sinônimo de "mágica" e, portanto, omédium não sabe tudo. Claro que há os mais experientes porterem começado sua caminhada nos primeiros toques dos clarins, tendojá vivenciado alguns ensinamentos, porém sempre estarãoaprendendo. Ainda vemos hoje, muitos irmãos se perguntado: por que meus Guias não se apresentam logo? Porque não riscam seu ponto? Porque nãome mostram logo tudo? Porque que eu que estou a mais tempo na Casa não sinto e nem percebo o que esse irmão que tem menos tempo sentee percebe? E assim seguem fazendo mais umas tantas perguntas... Mas será que ao invés de só perguntarem, esses médiuns buscam responder para si mesmos como está o seu procedimento ou suaconduta como médium? Guias e médiuns trabalham em parceria. A época do "guiísmo"já passou.


E assim como as Entidades esperam o tempo dos médiuns,estes devem aprender o significado do silêncio por parte de seus Guias. Que Oxalá abençoe a todos os filhos de Umbanda!


Sobre os Boiadeiros

Sobre os Boiadeiros Em nossa última passagem pela Terra fomos filhos da terra, aqueles que dela viveram, dela extraímos a raiz de cada dia, o alimento da família e a esperança. Montado no lombo de um cavalo ou boi pastávamos não os animais, mas ao som do berrante era possível berrar ao Pai Criador que olhasse por nós. Eu fui peão, cuidei de muitas fazendas e deixei muitos fazendeiros ricos, estranhamente não respingava no meu bolso a pataca que no deles enchia. Tampouco me queixava disso, afinal, não saberia viver com luxo, gostava mesmo da rede amarrada no batente da simples varanda, ali eu podia descansar meus ossos. Pra que se tenha mais entendimento, nós somos os verdadeiros sertanejos, aqueles que vivem na ferida do Brasil, é uma chaga que não se fecha e com o andar da carruagem periga que esta chaga tome o corpo todo desta terra varonil. Não vou ficar a falar de minha pessoa e nem desta realidade brasileira, vou logo palestrar sobre nós como amigos trabalhadores do mundo invisível. Parece que a linha dos boiadeiros é nova, mas não é não. Já manifestávamos em terreiros, tendas e barracões de muitas variantes do culto afro. No Catimbó é mais notável nossa presença. Quando começou o movimento Umbanda no Astral é que nos organizamos e aguardamos a oportunidade de aparição dos terreiros deste culto. Assim foi ocorrendo de forma regional até que nos alastramos por todos terreiros de Umbanda. Mas engana-se aquele que hoje pensa que esta linha de trabalho é composta por homens e mulheres da terra. Nem todos, aqui tem uma mistura grande.


Também tem o machista que prega não existir mulher na linha boiadeiros, então o que faríamos com as amazonas? Ou tantas "Marias Bonitas" que guerrilharam por uma vida melhor??? Outro tanto de companheiros nesta linha são Ex-Exus, ou seja, espíritos que atuaram no Grau Exu, lá nas esferas mais baixas e que após receber a graça de se graduar na luz tem que passar por uma linha transitória. Eis a chave do nosso "mistério". Boiadeiro enquanto Grau é um Grau de transição para espíritos que aguardam seu alocamento mais definitivo. Neste período vamos trabalhando na Lei, colocando ordem na fronteira do meio fio entre luz e trevas, já esta tênue linha existe dentro de cada um de nós, logo a oportunidade de trabalhar a ordem na fronteira, nos nossos semelhantes encarnados e desencarnados é a forma que o Criador achou para que nós pudéssemos fortalecer a ordem dentro de nós mesmo. Com nosso laço, visto pelos clarividentes, este serve para buscar os zombeteiros e perturbadores. Nossa corda é infinitamente "elástica" e de onde estivermos se localizarmos um ponto negativo e um perturbador, dali lançamos o laço e no laço quebramos o mal. Somos comumente chamados nos terreiros para limpeza pesada, pois somos mesmo aquele que retira a carga pesada, quando batemos nosso pé e gritamos nosso boi, não sobra mal algum em nosso redor. Por fim nosso arquétipo é o sertanejo, o brasileiro do sertão, quer seja o guerrilheiro lampião ou o tocador de gado. No entanto nem todos foram assim.Vou tocando meu gado por aqui e desejo que o Criador lhe ilumine!


Assentamento para Boiadeiros

Assentamento para Boiadeiros

Quem não sentiu o chão tremer e o corpo bambear ao presenciar a manifestação de um Boiadeiro no terreiro, girando o braço como que a laçar um boi e gritando: - Êi boi! ??? A oportunidade de convivência com a diversidade cultural brasileira que a Umbanda fornece é algo incrível que só vivenciando para poder compreender. Podemos viajar o Brasil todo em apenas uma gira. Obrigado aos valentes Boiadeiros do Além que nos ampara e nos guia. “ Estamos a serviço do Criador para tocar seu gado divino, cada filho seu, seu rebanho e cabe a nós laçar aqueles que se perderam ou afundaram em algum brejo da evolução e uma vez laçado vamos recolocar na trilha reta do caminhar. Mais um adeus e lá vamos nós a laçar o boi de meu Deus!” Assentamento: 01 Pedaço de corda sisal 77cm; 01 pedaço de fita cetim fina 33 cm na cor amarelo, preto e branco; 01 vela 7 dias bicolor amarelo/preto; 01 cigarro de palha; 01 cálice de cachaça. Faça um laço sem nó com a corda, onde as pontas se encontram amarre as fitas e dê sete nós. Acenda a vela, cigarro de palha e coloque o cálice tudo dentro do laço. Toda semana acenda ao menos uma vela palito bicolor amarelo/preto. Na ocasião troque o líquido. Sempre que fizer esta firmeza semanal, pegue o cigarro e dê três baforadas, concentrado nos pedidos e orações.


Oração de assentamento:

Material necessário: 7 velas azuis de Ogum (palito) 1 vela branca (palito) 7 argolas de aço soldadas (com diâmetro de cerca de 50 mm). As argolas não podem ser abertas! 1 corda de sisal com 1mt (o ideal é 1,20 metros). Não usar corda sintética. 1 laço de couro (guia de boiadeiro) Procedimentos para a Firmeza: 1. Inicialmente deve-se amarrar as argolas na corda, deixando uma medida de cerca de 15 centimetros em cada extremidade. As argolas devem ficar espaçadas com uniformidade. Ser amarradas com cordonê, sisal, linha de nylon, tiras de couro, barbante...não usar arame, pois tira a mobilidade da argola na corda, deixando ela muito rígida. 2. Feito isto, a corda deve ser colocada em circulo no chão com as pontas cruzadas, e as argolas voltadas para fora, onde serão colocadas as velas azuis, e no centro colocar a vela branca. 3. Em seguida cantar para Ogum com os médiuns todos ajoelhados e com as mãos espalmadas para a vela central. Durante o canto os médiuns pedem a Ogum que imante e consagre aquela firmeza de forças do seu Boiadeiro pessoal. 4. Logo após, cantar o ponto de chamada de Oya Logunã para que os médiuns incorporem-na e imante com seu axé a firmeza dos boiadeiros.


5. Feito isso, a corimba canta o ponto de chamada dos boiadeiros, e eles vem para cruzar a corda com argolas. 6. Depois que os boiadeiros cruzarem a corda com argolas e o laço dele, cantar novamente para Oya Logunã vir e sacramentar o cruzamento e a firmeza do boiadeiro.

7. Após tudo isso, apagar as velas, colocando ponta com ponta, recolher tudo e guardar, para então fazer o fechamento da gira, não pode fazer isso depois do fechamento da gira, porque se não as argolas juntamente com com a corda ficaram ativos no local. 8. Deve-se montar a corda com argolas novamente em casa (ou no terreiro para quem é dirigente) e terminar de queimar as velas, repondo aqueas que acabaram inicialmente, desta forma tera uma copia da firmeza na contra parte espiritual que se tornara ativa sempre que solicitado. INVOCAÇÃO ATIVADORA DA FIRMEZA DE BOIADEIROS: Eu peço licença ao divino criador Olorum, ao pai Ogum, a Mãe Oya Logunã, a corrente dos boiadeiros e ao boiadeiro (citar o nome do seu boiadeiro pessoal - guia -) que ativem esta firmeza para que nela sejam recolhidos todos os espíritos desequilibrados, todas as demandas, magias negativas feitas contra mim, minha casa (ou terreiro, se dirigente) e minhas forças, anulando-as completamente e livrando-nos de todas as sua influencias negativas, trazendo-nos de volta, paz, harmonia e equilíbrio. Amém.


O que são Assentamentos. Pelo Templo Tião D'angola e Boiadeiro Sete Porteiras.

Para muitos um ritual da religião, mas devemos entender que a Umbanda agregou o assentamento de entidades e orixás do culto africano e depois no Brasil chamado de Candomblé, de acordo com cada ensinamento passado, o fato é que os assentamentos tem uma relação de similaridade tanto na Umbanda quanto no Candomblé, suas diferenças maiores ficam no sacrifício animal, porém a vertentes de nossa religião adquiriram o conhecimento e colocam como aprendizado de seus filhos nas casas, é um número pequeno mas que merce nossa atenção. O Assentamento de Orixá provém do culto africano e do Candomblém no Brasil, é a inciação do filho de santo à religião, antes desta etapa ele passou pelo Bori, que em nossa religião é também praticado por algumas vertentes, o assentamento significa a morte do homem comum para o nascimento do homem instrumento do Orixá, é a partir daí que ele entra a sintonia fina com o seu Orixá. Na Umbanda abro parenteses nesta questão para comentar o que diz Rubens Saraceni sobre Assentamento: "Assentamentos são locais onde são colocados alguns elementos com poderes magísticos, com a finalidade de criar um ponto de proteção, defesa, descarga e irradiação". Exatamente como nos rituais africanos o objetivo é criar um campo de contato entre o Orixá e o filho de santo. Podemos dizer que a Umbanda incorporou o ritual Jejé, por conta dos ritos Voduns, onde assenta-se entidades além dos orixás. Cada igba orixa ou assentamento é uma representação material e pessoal, simboliza a captação de energia oriundo da natureza e da força, ligado aos orixás correspondentes e sempre emanando energias para seus filhos.


Antes de qualquer coisa é preciso entender que na Umbanda este rito de iniciação é chamado de Coroação, também devemos entender que incorporar os rituais não significa praticá-los exatamente como ao culto de Candomblé, até por que são conhecimentos distintos, mas temos que observar as similaridades, isso por que quando incorporado a nossa religião foi passado como aprendizado, e basicamente seguem os mesmos ritos e funções. Os Assentamentos coletivos em nosso entendimento tem função diferente para o do inicado em nossa religião o Assentamento coletivo é aquele onde os filhos, e as pessoas em geral vão fazer seus pedidos, é muito comum fazer em Assentamentos de Exu, ou mesmo do Orixá da Casa, ou da Entidade chefe da Casa, há uma distinção entre este tipo de assentamento e o individual do filho de santo. Por isso entendemos que para cada tipo de Assentamento há uma funçaão e um destinamento, outra coisa é não somente ter o olhar magistíco e científico, devemos ter a sensibilidade e orientação dos orixás e entidades, um bom preparo do Sacerdote, pois é atravéz de suas mãos e energias que tudo acontece, para o filho de santo coroado, bem como para a Casa ou Templo. Sociológicamente a iniciação e o assentamento tem significados para nós e para os que não conhecem a religião e em uma pesquisa da Professora Miriam Rabelo do Departamento de Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia - UFBA; Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Ciências Sociais e Saúde (ECSAS/UFBA), Salvador, Brasil, a definição mais precisa que encontrei sobre o tema foi: "A preparação do corpo posiciona o indivíduo em um espaço de experiência e sociabilidade. Neste sentido pode ser entendida como parte importante do processo pelo qual novos sentidos são integrados ao corpo, vindo a compor disposições e modos de orientação. O antropólogo australiano Michael Jackson desenvolve argumento semelhante ao examinar práticas de iniciação entre os Kuranko da Serra Leoa. Para o autor estes rituais constituem instâncias de desorganização do espaço cotidiano, em que formas alteradas de uso do corpo funcionam como gatilhos para a produção de novas imagens e confronto com distintas possibilidades de organização da vida social. Aqui está uma chave importante para entendermos as abordagens religiosas à aflição." Mas devemos ter um outro entendimento sobre os Assentamentos, mais significativos e profundo para nós e para os que desejam conhecer nossa religião, cultuar orixá e entidades devem ser uma vontade frequente, sem se tornar uma obrigação ou necessidade bitolada da vida, o filho iniciado ou coroado bem como os Sacerdotes devem entender também que nossa religião não é uma prisão, e ninguém é refém dela mesmo após ter passado por todo o processo dentro de uma casa. Muitos Sacerdotes acham que os assentamentos dos filhos de santo devem ficar dentro dos terreiros, com isso criam uma escravização do filho pelo Orixá ou mesmo Entidade, não podemos mais admitir isso, cada filho de santo deve sim cuidar e zelar pelos seus assentamentos, ele pode sim sair de uma casa e cuidar das suas entidades e orixás por que é dever do Sacerdote orientar e ensinar, os filhos em nossa vida fora da religião são preparados por nós para estudar, ter um bom caráter e constituir sua família se assim for sua escolha, na


Umbanda é a mesma coisa, os filhos irão se tornar pais e mães mas nunca deixaram de ser filhos. É por isso que neste tema devemos afirmar que os comportamentos e energias que levamos para um Assentamento, deve ser sempre positivos, corretos, para que todas estas energias se revertam em benefícios para o filho de santo, o sacerdote e as pessoas que frequentam as casas e necessitam da ajuda das nossas entidades.

EDIÇÃO: FERNANDO DE OGUM


Boiadeiros da umbanda fernando de ogum2