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ASTROLOGIA ESOTÉRICA

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Traduzido do original: Esoteric Astrology Copyright © 1989, Destiny Books ISBN 0-89281-181-1 Copyright © 1993 da 1ª Edição pela Livraria Roca Ltda. ISBN 85-7241-054-6 Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, guardada pelo sistema "retrieval" ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, seja este eletrônico, mecânico, de fotocópia, de gravação, ou outros, sem prévia autorização escrita da Editora. Tradução: Marcello Borges Capa: Ergom Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Leo, Alan. Astrologia esotérica / Alan Leo ; [tradução Marcello Borges]. — São Paulo : Roca, 1993. ISBN 85-7241-054-6 1. Astrologia 2. Horóscopo I. Título

93-0125

CDD-133.5

Índice para catálogo sistemático: 1. Astrologia esotérica 133.5

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1993 Todos os direitos para a língua portuguesa são reservados pela LIVRARIA ROCA LTDA. Rua Dr. Cesário Mota Jr., 73 CEP 01221-020 - São Paulo - SP Tel.: (011) 883-4440 Impresso no Brasil Printed in Brazil


PREFÁCIO

ó quando fiz minha segunda viagem à Índia é que fui capaz de encontrar a pista que haveria de me conduzir à ideia central que pôde unificar todos os meus numerosos pensamentos sobre o tema da Astrologia Esotérica. Em um dos Lugares Sagrados, conheci um sábio, cuja sua mente e a minha entraram em perfeita harmonia. Tinha apenas de expressar algumas ideias a esse maravilhoso mestre, e ele ia percorrendo toda a sequência de meus pensamentos; em poucas palavras, enfaixava essas ideias em um todo consecutivo, e conseguia encontrar aquilo que eu tinha estado elaborando durante muitos anos. Em um desses encontros, disse apenas umas palavras, mas com elas levou à minha mente umas ideias que iluminaram tanto meus pensamentos que, num instante, vi uma luz à qual eu tinha estado cego até então. Certa ocasião, montados numa velha charrete, percorremos muitos quilômetros para visitar um Templo antigo, e, enquanto ele entoava sem cessar os seus hinos sagrados, minha mente se enchia de belos pensamentos, que sugeriam precisamente as perguntas que somente um sábio poderia responder. Ao recompilar as ideias que preencheram minha mente durante muitos anos, e mesmo (conforme me foi explicado) pelo espaço de muitas vidas e, ao publicálas neste volume, vejo-me guiado pelo motivo básico de exprimir aquilo que julgo ser a verdadeira Astrologia para a nova Era que já está alvorecendo no mundo. Não desejo impor estas ideias aos astrólogos da escola esotérica; que as aceitem ou não, se quiserem; mas, pelo menos, quero acenar para um importante grupo de estudantes e de colegas sinceros, que se sentem mais atraídos por esta que por qualquer outra forma da Astrologia. Para muitos, as ideias expostas neste livro serão como que uma revelação referente às leis que guiam a evolução do mundo: leis infalíveis que trabalham sem cessar para o bem último da humanidade. As teorias expressas não são imaginárias:

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podem ser demonstradas para todos aqueles que se aplicam de modo consciencioso aos métodos necessários para a obtenção de um conhecimento em primeira mão. As experiências que me levaram a me associar a esse tema, que estive estudando continuamente durante um quarto de século, e que deram como resultado pesquisas realizadas com total independência das opiniões ou das influências de terceiros, são únicas. Nascido de pais puritanos, com severos princípios morais e religiosos, e educado na crença de que se alguém não é escolhido para a bem-aventurança eterna terá como única alternativa o tormento eterno, era natural que os problemas da vida - que parecia tão complexa a uma mente juvenil - atraíssem minha atenção mais séria e profunda. Lutei ansiosamente muitos anos para compreender o motivo de ter nascido neste mundo sem aparentemente ter pedido, e fiz muitas visitas a mestres religiosos de várias tendências; tudo me levou à convicção de que ou os ensinamentos religiosos referentes ao céu e ao inferno eram falsos, ou o Deus de que ouvia falar era injusto; e como eu não podia acreditar naquilo que não entendia ou que não sabia se era certo, conclui que eu deveria ser uma das almas perdidas. Minha querida e boa mãe, cristã devota, convertida na idade de onze anos e que tinha tornado hábito vitalício rezar por duas horas toda manhã, ao despertar, pediu a Deus para que eu fosse salvo; mas suas preces não fizeram com que eu imitasse o seu modo peculiar de pensar e de acreditar; anos mais tarde, nos momentos mais obscuros da minha vida, veio a mim a luz da Sabedoria por meio da Astrologia. Com nove anos de idade, encontrando-me no alto do castelo de Edimburgh e olhando para a Carlton Hill, tive uma visão interior que libertou minha alma de um laço que a manteve presa até então. Aos dezessete anos, estive presente a uma discussão entre minha mãe e um cavalheiro de sua religião, que acabava de chegar da Índia; mencionavam a teoria da reencarnação. Ele disse a minha mãe que era a hipótese mais razoável que ouvira até então; e, depois de refletir sobre o tema, formei a opinião de que nossas almas estavam relacionadas com as estrelas. Trabalhei, até a idade de vinte e cinco anos, nos bairros pobres de Londres, e ali enfrentei alguns dos problemas mais profundos da vida humana; as experiências que tive naquela época, em meio às criaturas humanas mais pobres e degradadas, forneceriam fatos suficientemente interessantes para preencher as páginas deste livro. As cenas que presenciava diariamente, junto com o fato de comprovar a penúria de condição e de ambiente em que nasciam milhares de meus congêneres, induziram-me a pensar continuamente nas terríveis desigualdades da raça humana, junto com outros problemas da vida, e buscava uma solução entre todas as possíveis. Nessa época eu sofria enormemente, pois, com a capacidade de benevolência amplamente desenvolvida - junto com o idealismo, a grande necessidade de refinamento, tudo combinado com os sofrimentos dos que me rodeavam -, via minha vida convertida em um abominável pesadelo. Por fim, descobri que a ciência da Astrologia poderia lançar luz sobre esses problemas, desde que estivesse mesclada com a teoria da Reencarnação, já que, até então, a Astrologia carecia desta complexa explicação sobre as desigualdades da vida humana. Dos dezessete aos vinte e cinco anos, a Astrologia satisfez, aparentemente, meus inquietos pensamentos, e dos vinte e cinco aos vinte e oito, a Astrologia e a Reencarnação, juntas, foram esplêndidas hipóteses de trabalho; contudo, em meio a um grande transtorno em minha vida social, que a Astrologia e

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a Reencarnação não bastariam para explicar, fui apresentado a um corpo de doutrinas referentes à lei do Carma. Iniciei, então, um exame exaustivo dos horóscopos de todas as pessoas em cuja hora de nascimento podia confiar, principalmente de crianças, e, sem mencionar os resultados a ninguém, recolhi fatos suficientes para estabelecer, acima de toda e qualquer dúvida, o valor permanente da Astrologia Esotérica. Pode-se dizer que ela é o estudo da Astrologia natural, ou astrologia sã, somada aos ensinamentos orientais referentes à Reencarnação e ao Carma. Durante muitos anos, com a publicação da revista The Astrologer' s Magazine, agora Modern Astrology, minhas pesquisas continuaram em silêncio, e essas ideias foram sendo incorporadas aos meus livros, textos e prática [astrológica]; o resultado foi que, em minha recente visita à Índia, pude finalmente inteirar-me, por meio de fontes indiscutíveis, de que esses ensinamentos faziam parte dos antigos mistérios da Astrologia. Atualmente, toda a minha crença na ciência dos astros coincide com o Carma e a Reencarnação, e não hesito em dizer que, sem esses antigos ensinamentos, a Astrologia Natal carece de valor permanente. A lei que dá a uma alma um nascimento em bom ambiente, no qual ela alcança elevado grau de refinamento, de oportunidade e de sã educação moral, e que dá à outra alma a pobreza, enfermidade e educação imoral é, evidentemente, injusta, para dizer o mínimo, além de estar desprovida de qualquer finalidade. É verdade, naturalmente, que a Astrologia pode ser estudada, em qualquer de seus ramos, sem sustentar as ideias da Reencarnação ou do Carma, do mesmo modo que podemos estudar o corpo físico de um homem sem ter em conta sua alma ou espírito; mas os estudantes mais avançados da natureza humana sabem que a fisiologia adquire um significado mais profundo com a adição da psicologia.

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PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA

Frederik William Alan (que escrevia, como era moda em sua época, com o pseudônimo de Alan Leo devido ao seu signo solar e ascendente) nasceu em Londres a 7 de agosto de 1860, às 5:49'36" da manhã (hora local). Interessou-se por astrologia aos 20 anos, estimulado pelo astrólogo teosofista Sepharial. Este o apresentou aos membros da Sociedade Teosófica - em especial, M. Blavatsky - e, inspirado nela, fundou, em 1890, a revista The Astrologer's Magazine, com W. Lacey. Esta revista teve muito sucesso, e passou a se chamar Modern Astrology. Escreveu abundantemente sobre astrologia, sendo o primeiro astrólogo inglês a redigir manuais de instrução para o público. Entre suas obras, destacam-se Astrology for All, Casting the Horoscope, How to Judge a Nativity, The Progressed Horoscope, Practical Astrology e Esoteric Astrology, editadas originalmente por L. N. Fowler & Co; elas são até hoje consideradas pelos estudantes como dentre as melhores. Alan Leo é um clássico da Astrologia, sendo tido como o pai da astrologia europeia. Alan Leo - falecido em 1917 - expressou neste livro todo seu saber astrológico e conhecimento humano, abrindo um amplo caminho para os estudiosos. Seu herdeiro direto foi Charles Carter, tido como o fundador da astrologia psicológica. Esta é uma das mais comentadas obras ocultistas, sendo ainda o precursor dentre os textos ocidentais a combinar astrologia, carma e reencarnação. Por este motivo, a Editora Roca decidiu oferecer ao público de língua portuguesa o marco e divisor de águas da literatura astrológica que é Astrologia Esotérica. Se uma visão rápida da história da astrologia nos permite vislumbrar trabalhos que formaram a base da astrologia ocidental como o Tetrabiblos, de Ptolomeu (sec. II d.C); Harmonices Mundi, de Kepler e o monumental Astrologia gallica principiis et rationibus propriis stabilita atque XXVI libros, de JeanBaptiste Morin, dito de

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Villefranche (ambos do sec. XVII), é em Alan Leo que a astrologia encontra não apenas as bases psicológicas, mas principalmente espirituais. Embora discutida e controvertidas as opiniões a seu respeito, a Sociedade Teosófica de Blavatsky e de Annie Besant (a quem Leo faz repetidas referências) teve o mérito de trazer os fundamentos do hinduísmo até o Ocidente, mal refeito dos excessos de valorização da ciência e da razão cometidos no século XIX. Entre os hindus, a astrologia sempre teve papel de destaque na sociedade, tendo sido praticada ininterruptamente por milhares de anos. Foi nessa fonte que Alan Leo bebeu. Ele deixa claro em seu texto que, sem abraçar a noção do carma e da reencarnação, a astrologia é, em sua opinião, totalmente destituída de valor. Isso já afirmava o Brihat Jaíaka (ca. 500 d.C), do astrólogo hindu Varaha Mihira. Em sua terceira stanza, ou estrofe, declara que "a ciência da astrologia é chamada Hora Sastra... fala dos resultados das boas e más ações cometidas pelos homens em seus nascimentos anteriores". Com este trabalho, esperamos poder ajudar a completar a lacuna, em nosso idioma, de textos astrológicos consagrados. O estudante de astrologia e o profissional encontrarão em Astrologia Esotérica uma fonte inesgotável de ideias, informações e inspiração. Aqueles que já adotam a postura espiritual esotérica na astrologia agora possuem seu texto-base; aqueles que ainda não conhecem os fundamentos dessa faceta de nossa arte/ciência têm aqui um excelente ponto de partida. MARCELLO BORGES Astrólogo e Tradutor

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ÍNDICE

Capa - Contracapa

Introdução .......................................................................................................................

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PRIMEIRA PARTE Capitulo 1 - Astrologia Simbólica ................................................................................... Os Símbolos dos Planetas ................................................................. Capítulo 2 - Astronomia Oculta ...................................................................................... O Sistema Solar................................................................................. As Cadeias Planetárias ...................................................................... Os Sete Planos................................................................................... Planos e Subplanos ........................................................................... Capítulo 3 - Esferas de Influência................................................................................... Capítulo 4 - O Significado da Casta e das Diferenças Sociais ....................................... As Subdivisões do Zodíaco Hindu .................................................... Comprimentos de Onda..................................................................... Transcendendo a Casta ...................................................................... Capítulo 5 - As Casas e Sua Importância ........................................................................ Classificação das Casas ..................................................................... A Influência das Casas ...................................................................... Relação de Signos e Planetas com Referência às Casas .................... 25 28 31 35 36 38 40 41 49 54 57 60 61 63 66 69

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Capítulo 6 - As Casas (Continuação) ....................................................................... Os Triângulos Entrelaçados da Personalidade ........................... Os Triângulos Entrelaçados da Individualidade ......................... Capítulo 7 - O Zodíaco Analisado Esotericamente .................................................. Capítulo 8 - O Significado dos Aspectos................................................................... Capítulo 9 - Fogo ...................................................................................................... Capítulo 10 - A Aura Humana e Seu Significado .................................................... Capítulo 11 - Os Planetas em Relação com a Consciência ...................................... Capítulo 12 - A Influência Planetária e a Gestação................................................. Capítulo 13 - Caracteres Fortes e Fracos ................................................................. Como Julgar ............................................................................... A marca da Maré Alta ................................................................ A idade da Alma......................................................................... O drama do Mundo..................................................................... Capítulo 14 - A Hoste Angelical ...............................................................................

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SEGUNDA PARTE Diagramas Explicativos e Horóscopos Ilustrativos Capítulo 15 - Valor Esotérico das Polaridades ......................................................... Capítulo 16 - A Estrela da Personalidade ................................................................. Capítulo 17 - A Estrela da Individualidade .............................................................. Capítulo 18 - Exemplos de Astrologia Esotérica ...................................................... Contrastes Esotéricos.................................................................. Mudando as Estrelas ................................................................... Uma Alma em Cativeiro ............................................................. A Triplicidade de Ar Posta em Manifestação ............................. Amor, Afeto e Sensação ............................................................. Comparação entre Homens de Estado ........................................ Contraste de Afinidades .............................................................. O Individual e o Pessoal ............................................................. Casos Extremos .......................................................................... Uma Alma Avançada.................................................................. Uma Comparação ....................................................................... Uma Forte Personalidade ............................................................ Capítulo 19 - Um Notável Documento Humano ....................................................... A História de Minha Vida........................................................... O Período de Mercúrio ............................................................... 147 159 171 193 193 195 197 199 201 203 207 210 212 213 215 215 219 220 221

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A Adolescência........................................................................... Falta de Harmonia no Lar ........................................................... Restrições ................................................................................... Um Duplo Acontecimento .......................................................... A Morte de Minha Mãe .............................................................. Auto-Ajuda ................................................................................. Liberdade Relativa ..................................................................... Crise Religiosa............................................................................ O Livro! ...................................................................................... O Ridículo e a Crítica ................................................................. Matrimônio ................................................................................. A Astrologia ............................................................................... O Divórcio .................................................................................. Um Segundo Matrimônio ........................................................... A Boa e a Má Fortuna................................................................. Estranhamente Mescladas ........................................................... Interpretação Esotérica do Horóscopo ........................................ A Análise Esotérica .................................................................... Viagem e Religião ...................................................................... Individualidade Marcante ........................................................... Marte, Saturno e Urano ............................................................... O Horóscopo Progredido Contra Direções Primárias ................. Direções Primárias ...................................................................... O Exotérico e o Esotérico - Análise e Síntese ............................. Os Planetas mais Fortes .............................................................. O Sol, a Lua e o Ascendente ....................................................... Positivo ou Negativo................................................................... Agrupação Planetária dos Signos Planetários ............................. Triplicidade e Quadruplicidade ................................................... Breve Sumário ............................................................................ Notáveis Dotes Psíquicos ............................................................ Síntese Geral: Lado Ocidental .................................................... Síntese Geral: Lado Oriental ....................................................... Planetas em Debilidade ...............................................................

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TERCEIRA PARTE As Divisões do Zodíaco Capítulo 20 - As Divisões Tripla e Quádrupla ......................................................... A Origem do Individual .............................................................. 251 252


A Semente no Centro .................................................................. A Saída e o Retorno ao Lar ......................................................... As Três Fases da Consciência da Unidade .................................. A Escala da Consciência ............................................................. A Cruz Dentro do Círculo ........................................................... O Triângulo Dentro do Círculo ................................................... A Tríade e o Quaternário ............................................................ Capítulo 21 - Outras Divisões do Zodíaco ............................................................... Capítulo 22 - A Quádrupla Divisão dos Signos ....................................................... Os Princípios Implicados ............................................................ Aplicação ao Horóscopo ............................................................. Quatro Grandes Símbolos .......................................................... Portas Através dos Signos .......................................................... Tipos e Subtipos......................................................................... Capítulo 23 — Significado Esotérico de Termos Astrológicos de Uso Corrente ........................................................................ Capítulo 24 - O Crescimento do Ego ........................................................................ A Lição Dada pelas Três Cruzes ................................................ O Caminho Apertado e a Porta Estreita ..................................... O Significado da Casta............................................................... Resposta e Não Resposta ........................................................... A Via do Progresso .................................................................... Capítulo 25 - Conclusões - Maldição e Bênção da Astrologia ................................ A Maldição ................................................................................ A Bênção ................................................................................... Os Dois Pratos da Balança ......................................................... O Homem da Comum ................................................................ O Gênio ...................................................................................... O Mestre .................................................................................... O Homem Sábio .........................................................................

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INTRODUÇÃO

Provar-se-á, não sei quando ou onde, que a alma humana permanece, mesmo durante esta vida, em conexão indissolúvel com todas as naturezas imateriais do mundo espiritual, e que, de modo recíproco, age sobre elas e delas recebe impressões. KANT, Traüme eines Geistersehers.

m tudo o que existe há dois lados, o espiritual e o material, o essencial e o formal. Estamos vivendo em um mundo de dualidades, através do qual alguma coisa sutil e indefinível está passando e fluindo continuamente, como essência ou princípio por detrás de todas as coisas que têm essa manifestação dupla. Isso pode ser exemplificado adequadamente por meio do contraste entre Dia e Noite, subdivididos novamente em Aurora e Ocaso do Sol, Meio-dia e Meia-noite, quando as condições da Terra são completamente mudadas e invertidas. O único fator externo nesse caso é a rotação da Terra em torno de seu próprio eixo ante a luz do Sol. Mas o que causa a rotação e a influência distinta da Aurora e do Ocaso? Primavera, Verão, Outono e Inverno são quatro estações diferentes do ano, produzidas pela revolução anual da Terra em torno do Sol. Infância, juventude, maturidade e velhice são correspondências resultantes do nascimento, crescimento, decrepitude e morte. Mas por quê o Nascimento e a Morte? Um milhão de fatos exotéricos não serão suficientes para responder essas questões, pois elas tratam de nossa inquirição esotérica com relação a aquele algo sutil e indefinível que é a essência e causa de toda manifestação. Há sempre um aspecto mais elevado e um menos elevado, um mais fino e um mais rudimentar da

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mesma substância, um abstrato e um concreto, uma causa passada e um efeito futuro em tudo o que existe na natureza; e há dois pontos de vista correspondentes pelos quais podemos estudá-la e conhecê-la. Com essas ideias à nossa frente, podemos presumir com certa segurança que a Astrologia tem uma dupla expressão, ou aquilo que poderíamos chamar de perspectiva esotérica e exotérica. A Astrologia Esotérica lida com a causa abstrata, a filosofia e o ponto de vista interior ou mais sutil; a Astrologia Exotérica, por sua vez, satisfaz-se com o efeito, a prática e a expressão concreta ou exterior, preferindo aquilo que é mais tangível e evidente ao especulativo e teórico. Para aqueles que têm opiniões radicais sobre esse tema, o lado esotérico para alguns (e o exotérico para outros) é o único digno de atenção; no entanto, para aqueles que têm mente ampla e não são tendenciosos, ambos os lados têm igual valor. Trata-se apenas de uma questão de preferência, e o sábio compreende que um lado de uma história é válido até que o outro seja ouvido. Podemos definir a Astrologia Esotérica como aquele lado do tema que vê todo fenômeno estelar do ponto de vista da unidade; enquanto principiamos o estudo da Astrologia Exotérica com a óptica da diversidade e da separação, o Astrólogo Esotérico entende que a expressão global da vida emana de uma única fonte, central e primeira, e assim procura compreender o tema do ponto de vista do Um fluindo para os muitos. No sistema solar, o Sol é o centro de tudo e o ponto de partida de sua filosofia, pois nele todas as coisas procedem do Sol; e é na vida solar que todas as coisas vivem, movem-se e existem. Desse centro provém as correntes vitais que passam através dos organismos materiais de cada coisa viva da Terra. Essa vida desce e sobe, por meio de cada um dos sete planetas, e é transformada nesse processo para o uso das entidades em evolução, e adaptada ao estágio que atingiram na escala de evolução; os sete planetas estão, direta ou indiretamente, ligados às sete substâncias principais do corpo humano. O Homem, tal como o conhecemos, compõe-se dos grandes elementos Fogo, Ar, Água, Terra e Éter. À frente de cada um deles há uma entidade viva e consciente, da qual a força vital e a consciência que fluem pelo elemento são emanações. No decorrer destes Capítulos, vamos lidar com essas forças e substâncias do ponto de vista esotérico, ampliando as ideias associadas a elas nos estudos exotéricos; pois, apesar desses elementos já serem conhecidos dos astrólogos há muitos séculos, seu significado esotérico nunca foi plenamente revelado; no entanto, é nas sete divisões primárias do zodíaco - em Fogo, Ar, Terra, Água, Cardinal, Fixo e Mutável - que o verdadeiro significado de cada horóscopo se baseia. Vamos estudar esses signos e os planetas, mas, antes de fazê-lo, devemos nos esforçar para entender melhor os PRIMEIROS PRINCÍPIOS Quando tentamos explorar os mundos numênicos que estão por trás dos reinos exteriores dos fenômenos, uma vez que o espiritual está por trás do material (ou

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melhor, o precede), não temos outra escolha senão usar a linguagem e as expressões do mundo físico. Cada autor que buscou fazê-lo percebeu as limitações e revezes de que se reveste o assunto, pois é sempre difícil, até perigoso, tentar expressar, em linguagem cotidiana, pensamentos e ideias que, em si, transcendem o material e o comum. A vida dos reinos mais sutis fica disfarçada e mal compreendida quando assume formas concretas, e o escritor ou orador que trata desses temas geralmente percebe, com certo espanto, que ele acabou transmitindo um conceito bastante errôneo ao leitor ou ao buscador. Nem um, nem o outro são totalmente culpados, nem cabe reclamar da incapacidade da linguagem. Quando lidamos com ideias grandiosas e complexas ou com pensamentos e sentimentos muito abstratos, parece haver sempre algo que se recusa, até o fim, expressar-se plenamente em qualquer idioma à nossa disposição, algo que só pode ser aprendido e percebido por meio da verdadeira experiência pessoal. A emoção do amor em uma amizade perfeita não pode ser explicada completamente pelas palavras mais eloquentes ou expressada plenamente pelos traços e ações mais bem proporcionados, apesar destas coisas serem mutuamente recíprocas c movidas por um impulso espontâneo e harmonioso. Por mais perfeitas que sejam, perde-se algo indefinível quando as expressamos. "Pois as palavras, como a natureza, revelam metade e ocultam metade da alma que há no interior" como Tennyson escreveu adequadamente acerca da expressão de dor ante a perda de um ser amado. Só percebemos os pensamentos e sentimentos dos outros até o ponto que nós mesmos experimentamos pessoalmente; se não dispomos disso, nossa compreensão c percepção do tema serão proporcionalmente carentes. Só entendemos aquilo que experimentamos, mesmo que o tema só se refira a este mundo físico; isso é mais acertado ainda quando o assunto diz respeito a planos interiores da existência que não dizem respeito a nenhum dos cinco sentidos. Levando em conta esses fatos, os sábios de todos os tempos declararam que não é válido especular sobre o incognoscível, pois conhecer AQUILO significaria tornarmo-nos um com Ele, e então nosso silêncio seria completo. Na filosofia mais profunda, e na maioria das religiões, sempre se postulou que o UM absoluto, a Primeira Causa suprema, surge daquela qualidade que é a raiz sem raízes da qual todas as coisas surgiram. Essa causa Una e Suprema de tudo é Deus, o Ser inominável e a substância da qual todas as poderosas Inteligências do universo provieram. Vivendo e se movendo no vasto oceano do Ser e da substância, do qual O Absoluto é tanto o centro como a circunferência, há milhões de universos e de sistemas solares. Estes são unidades que dispõem de um Sol, ou Logos Solar, em seu centro; o Sol é a glória exterior e física da Inteligência Espiritual, ou consciência suprema, cujo Ser total é o sistema Solar

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com seus planetas e poderosos centros de consciência, vistos ou não pelos órgãos físicos. Para ajudar nosso pensamento, vamos pensar no Sol ou Logos Solar como a expressão visível do Deus de nosso Universo, e os corpos planetários como os veículos ou mansões de Seus Anjos; cada mundo ou orbe vive e se move em Sua vida c vasta esfera de influência. Nosso globo, a Terra, também é uma unidade, tendo seu lugar no grande universo da vida e seu Espírito regente, conhecido por alguns como o Espírito da Terra, e por outros como o Senhor do mundo. Em volta da Terra há o grande mar de Éter, uma substância sutil na qual flutuam miríades de partículas mais finas de matéria, formando uma vasta esfera da qual a Terra é o centro. Essa substância é a aura da Terra, e nela está refletido tudo que diz respeito à Terra e à sua evolução. Essa aura e os signos do zodíaco estão intimamente relacionados, e dela vêm os diferentes tipos de movimento, conhecidos pelo Astrólogo Hindu como os tattvas. Do ponto de vista de quem estuda o conhecimento estelar da Astrologia em sua faceta interior ou esotérica, o zodíaco - círculo limitador da aura da Terra - é o campo e o depósito de tudo o que já existiu, existe e vai existir. Ela é o campo de batalha de Arjuna, o playground do Logos e o palco onde o grande drama da vida é encenado; e aqueles que desejam penetrar em seus mistérios deve erguer o véu de Isis. Os planetas são os principais atores ou instrumentistas, cujos movimentos no grande palco determina o tema da orquestra, as cores cambiantes dos trajes e o ritmo organizado daqueles a que se designou um papel. Só há um Autor da peça, e Sua poderosa vontade e pensamento exalam vida nos personagens do drama, reunidos e movidos por Sua imaginação imperial, embora o propósito do todo e a finalidade da peça não sejam conhecidos de antemão por ninguém, exceto por aqueles que reconquistaram a consciência cósmica que os demais perderam. Para produzir a divina comédia da vida universal, Deus envia, de Si certas corporificações espirituais de poder, amor e sabedoria. Os Espíritos ou Inteligências planetárias que levam a cabo Sua vontade são manifestações de Sua consciência, e sua vida e atividade gloriosas transcendem até a consciência expandida de um super-homem. Essas limitações ou centros de vida cósmica produzem certas energias vibratórias conhecidas como influências planetárias, onde cada vibração vitaliza e anima um departamento e reino específico da natureza, sobre o qual o Espírito planetário preside; mas cada um exerce ainda uma subinfluência sobre os outros departamentos e reinos. Os GUNAS Há apenas Uma substância material no universo, a matéria primordial ou raiz. Dela, a Vida Una, pulsando em três ondas, envia seus três modos fundamentais de

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movimento, a Estabilidade, a Flexibilidade e a Harmonia; estes se manifestam em nossos sentidos como movimento rotatório, de translação e vibratório. Os extremos ou a ação excessiva sobre nossos corpos da estabilidade ou resistência, e da flexibilidade ou não-resistência, produzem dor, mas seu equilíbrio ou harmonia causa prazer. Essas três grandes modificações da matéria, conhecidas há eras pelos filósofos hindus como os três Gunas, Tamas, Rajas e Sattva, são equivalentes às três qualidades dos signos zodiacais, Fixo, Cardinal e Mutável. Por combinação, esses três modificam-se novamente, produzindo sete tipos de energia, sete modos de movimento ou vibração que se expressam na matéria ou no lado formal do universo. Do ponto de vista da Astrologia, são as sete divisões abstratas e primárias dos signos do zodíaco, que conhecemos como as três quadruplicidades (Cardinal, Fixo e Mutável) e as quatro triplicidades (Fogo, Terra, Ar e Água). Os TATTVAS Os astrólogos hindus da antiguidade sintetizaram essas quatro triplicidades em uma quinta que compreenderia a essência das quatro e das três. É o Éter mais elevado, a forma mais rarefeita de matéria, conhecido como o tattva Akasha. Ele é potencialmente tríplice, e com isso inclui tanto as quadruplicidades como as triplicidades. Os outros quatro tattvas correspondentes às quatro triplicidades são respectivamente Agni, Prithivi, Vayu e Apas; e, de acordo com os antigos astrólogos e sábios, "O universo procede dos tattvas; dirige-se para os tattvas; desaparece nos tattvas" (Shivagama). Os SIGNOS DO ZODÍACO Assim, cada signo do zodíaco representa, em primeiro lugar, um estado específico da matéria; em segundo, um modo característico de movimento; em terceiro, um tipo coordenado de consciência ou Self. Esses três, a matéria, o movimento e a consciência, correspondem-se e estão em harmonia. Estão ligados à classificação fundamental - Self, Não-Self e a Relação entre eles. A vida criativa procede do Self e percorre os outros dois, e sobre este fato se baseiam todas as leis da Astrologia; os Espíritos ou Inteligências Planetárias, por meio de seus numerosos anjos ou agentes exibindo os diversos estados da consciência, e os signos em suas muitas combinações, exibem as formas da matéria em movimento, na qual a consciência trabalha. Segue, portanto, que uma mudança na consciência produz uma mudança na forma, e vice versa. O Senhor de todo o zodíaco, ou do Akasha, é Indra. Ele é o Rei de todos os Devas - Os Fulgurantes. Esses seres moldam as combinações de elementos e guiam as vibrações que atuam nas diversas condições da matéria correspondentes às divisões do zodíaco em porções diminutas, como os graus e suas frações.

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Sobre a triplicidade aérea dos signos, Vayu é o Senhor do Ar. Agni, Senhor do Fogo, rege a triplicidade de Fogo. Varuna é o Senhor da Água e desta triplicidade; finalmente, Kshiti ou Kubera é o Senhor da Terra. As hostes de devas, anjos e elementais eram conhecidas na antiguidade como Silfos, Salamandras, Ondinas e Gnomos; o conhecimento desses espíritos da natureza quase desapareceu em nosso século [experimentando um ressurgimento agora, no início da década de 1990 - N. do T.], porém, e com ele a sabedoria profunda ligada à Astrologia. Agora, no estudo da Astrologia Esotérica que propomos apresentar nos capítulos seguintes, vamos lidar com os temas mencionados nesta introdução, de modo a tornar os ensinamentos sobre esse tema mais compreensíveis; para isto, as três ideias principais a seguir devem ser mantidas em mente: 1. Só há Uma Vida no universo - A Vida Suprema de Deus, que jorra através do Sol. 2. Essa vida se expressa por meio dos diversos estados ideais de consciência através das esferas de influência planetárias, e 3. A força e matéria do universo se expressam em inúmeras modificações através dos diversos grupos e divisões dos signos do zodíaco, que representam o Éter ou os planos internos da matéria e que são refletidos em nosso universo material. Para imprimir essas ideias nas mentes dos estudantes, elas serão repetidas de diversas maneiras nos capítulos seguintes, os quais, apesar de mais ou menos completos em si mesmos, podendo ser lidos isoladamente do resto do livro, foram, na medida do possível, distribuídos de maneira a terem uma sequência definida.

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PRIMEIRA PARTE

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CAPÍTULO 1

ASTROLOGIA SIMBÓLICA

O homem é uma inteligência espiritual, que se encarnou com o objetivo de obter experiência em mundos sob o espiritual, com o fito de poder dominá-los e governá-los, e, em idades posteriores, ocupar seu lugar entre as hierarquias criadoras e diretoras do universo. O Enigma da Vida.

Astrologia Esotérica se ocupa, principalmente, com a ciência da natureza humana, tratando de explicar, mediante seu simbolismo singular, as realidades e os princípios básicos que regem a humanidade sob o governo dos corpos celestes. Os símbolos comumente usados para descrever os signos do Zodíaco, os planetas e suas relações (aspectos), têm servido para conservar esse significado interno ao longo das épocas sombrias de materialismo, das quais a espécie humana está emergindo neste preciso momento. Visto de modo isolado, o círculo significa a unidade incompreensível que subjaz toda manifestação. Aplicado ao universo como um todo, significa o Absoluto, o Deus não-manifestado, a fonte do todo, igualmente presente em todas as coisas, tanto na matéria como no espírito, tanto no que chamamos bem como no mal. Aplicado a nosso Sistema Solar, representa a Vida Una que subjaz e inclui todas as formas de manifestação dentro do sistema, que existiu antes de que se formasse o primeiro átomo do Sistema Solar e que continuará existindo depois que todas as coisas tenham desaparecido. Devido à sua unidade absoluta, sem distinção de partes, nem "self e nem a ausência de "self, transcende nossa compreensão e não pode classificar-se com base a qualquer forma de consciência que nos seja familiar. Não tem limites na extensão do tempo, nem entra na formação de qualquer relação; devido

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a isso, não se pode dizer, logicamente, que a Vida Una tem um símbolo, pois mesmo o círculo vazio significa limitação, devido à sua circunferência, e é, por conseguinte e falando de modo estrito, inadequado. Contudo, a mente humana sempre exige símbolos, nos quais pode condensar e expressar grandes concepções mediante uma síntese apropriada, e, no simbolismo da forma geométrica, o círculo se presta a menos objeções que qualquer outro símbolo. Em termos do simbolismo dos números, será o número Zero; de luz e cor, será a Escuridão. Como fator da Astrologia simbólica, o círculo é usado para representar o Espírito em geral, abstrato e individualizado, ganhando em autoconsciência mediante a limitação e a combinação. Quando se coloca um ponto no centro do círculo, algo vem à existência desde as profundezas do incompreensível Nada; a Luz está começando a brilhar a partir do escuro; o Som surge do interior do silêncio, o Ser provém do Não-ser, o número Um, a unidade relativa de todas as coisas manifestadas, está fazendo sua aparição. Quando se aplica à totalidade do universo, representa Deus manifestado ou com atributos, universal em sua manifestação, mas compreensível para aqueles que são capazes de unir sua consciência com a d'Ele. Aplicado a nosso Sistema Solar, significa o Logos Solar, o único Deus supremo do sistema. Não há forma de vida dentro do Sistema Solar que não seja Sua vida, nem forma de consciência que não seja um aspecto da Sua consciência; Ele criou o sistema inteiro a partir de Seu próprio ser, no princípio, e o destruirá no final, reabsorvendo-o em Si mesmo. O Sistema Solar, considerado como um todo, pode ser considerado como Seu corpo, e os planetas como centros ou órgãos desse corpo, cada um utilizando e manifestando um tipo diferente de vitalidade e de consciência, do qual o Sol é o coração - para os que habitam este planeta - e a Terra é a cabeça. Embora onipresente, Sua vida e Seu poder se manifestam mais especificamente por meio do Sol, o grande luminar que este símbolo representa astrologicamente. A força cósmica vital desce até o Sol desde planos superiores do ser, a chamada quarta dimensão do espaço, e dali é enviada a todos os planetas do sistema, fluindo através do éter como o sangue através do corpo humano, ou como prana ao longo dos nervos, mantendo cada planeta em contato com todos os outros e com o Sol. Quando o círculo se divide em duas metades por meio de um diâmetro, significa que o espírito abstrato está manifestando as duas polaridades do espíritomatéria, não separadas nos dois extremos - espírito de um lado e matéria do outro , mas unidas numa só, dualidade que tem a unidade subjacente a si mesma. Em termos de consciência, pode descrever-se como Ego-Não Ego, dando as possibilidades tanto da consciência, ou mundo interior, como da matéria, ou mundo exterior. Significa, por conseguinte, um estado de dualidade, um meio entre dois extremos, combinando dois estados sem pertencer exclusivamente nem a um, nem a outro; desta maneira, é empregado como símbolo da Alma, considerada como intermediária entre o Espírito (acima) e o Corpo (abaixo). Quando escrito dessa forma, um círculo dividido por um diâmetro, da mesma forma que a letra grega theta, o símbolo astrológico é o do horizonte; tomado, porém, na forma do semicírculo, significa a Lua em suas duas fases duais de luz e escuridão, crescente e minguante, representação da alma pessoal

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com seus estados de ânimo variáveis, que pode subir e chegar a ser uma só coisa com a consciência, em cima, ou pode descer e ficar presa ao corpo, embaixo. A Lua Nova, conjunção da Lua com o Sol, simboliza a união da alma com o espírito, da personalidade com a individualidade, levada a cabo tanto depois da morte, no mundo espiritual, como durante a vida, em transe do corpo. A Lua Cheia, a oposição dos dois luminares, representa a personalidade iluminada pelo Sol, ou espírito, e que projeta sobre a Terra a consciência física, sua luz emprestada. Quando um segundo diâmetro divide o primeiro em ângulo reto, forma-se a cruz dentro do círculo. Este é um símbolo familiar e de aplicação muito ampla, tanto em Astrologia como em outras áreas. Oferece o plano básico do horóscopo comum, mostrando a linha do horizonte, que vai desde o ascendente, a leste, até o descendente, a oeste, e a linha vertical do meridiano, que vai do zênite até o nadir. Faz supor a manifestação completa e a atividade incessante, pois não pode se formar enquanto o Ego e o Não-ego não tenham sido polarizados, ativo e passivo, positivo e negativo, agindo cada um sobre o outro e reagindo cada um sobre o outro. Essa ação e reação entre os dois tem várias consequências e implicações. Em primeiro lugar, subdivide as duas metades em quatro quartos; em segundo lugar, pressupõe uma atividade incessante, porque se a ação e a reação cessassem, os quadrantes desapareceriam e só restariam os dois semicírculos do símbolo precedente, existindo unicamente os quadrantes enquanto continua a atividade. Em terceiro lugar, faz supor uma corrente de influência que passa ao redor do círculo, seguindo a direção da ação e da reação e fazendo com que o próprio círculo dê voltas em torno de seu eixo, tal como faz a Terra. Isso é representado por meio do símbolo familiar da Suástica, uma cruz que é imaginada em giro rápido e que deixa uma cauda por trás da extremidade de cada um dos quatro braços. Esses pequenos segmentos terminais são representados como linhas retas curtas, formando ângulos retos com os braços, mas é evidente que isso não é certo, pois se a cruz estivesse realmente girando descreveria um círculo, e a cauda seria circular, sendo os segmentos terminais pequenos arcos de um círculo, não linhas retas. Na verdade, esse símbolo é o mesmo que o último, a cruz dentro do círculo, omitindo-se partes da circunferência do círculo. Sua aplicação é muito vasta. Pode significar o movimento giratório dos átomos, ou então vórtices no éter, como correntes em torno de um eixo central; em escala maior, representa a rotação axial da Terra, muito parecida com a de um átomo. Indica o movimento espiral da eletricidade cm torno de um eixo magnético, o movimento serpentino da energia vital elétrica e ígnea chamada Kundalini, e o movimento em rodamoinho dos chakras ou centros de força da contraparte etérica do corpo físico. Representa um desses centros em particular, que se descreve assim: "O primeiro centro, na base da espinha dorsal, dispõe suas ondulações de tal modo que dá a impressão de estar dividido em quadrantes, com vazios entre eles. Isso faz com que pareça marcado pelo sinal da cruz, e por essa razão a cruz é usada, com frequência, para simbolizar este centro, e às vezes se usa uma cruz flamejante para indicar o fogo serpentino que nele reside." Theosofist, vol. XXXI, p. 1077.

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Quando uma roda, ao girar, avança na linha de seu eixo, não descreve um círculo, mas uma espiral. Em todos esses casos, a Suástica indica uma espécie de força cie movimento espiral que atua na matéria, moldando-a e pondo-a em movimento, desde um planeta até um átomo. No homem, essa cruz representa o Corpo, distinguindo-se do círculo, Espírito, e do semicírculo, Alma. Astronomicamente, a cruz dentro do círculo é usada como símbolo da Terra, para o que é, evidentemente, muito apropriado. Quando se omite o círculo e fica apenas a cruz de braços iguais, de certo modo se esquece ou se deixa sem expressar a origem espiritual do símbolo, e só se sugere a força que atua na matéria. Quando se representa a Suástica como se girasse da direita para a esquerda, temos a direção da revolução da Terra em sua órbita ao redor do Sol, e também sua direção de rotação axial. Quando se representa girando da esquerda para a direita, indica a direção aparente do movimento do Sol, da Lua e dos planetas em sua saída e em seu ocaso, segundo são vistos da Terra. Os SÍMBOLOS DOS PLANETAS Desses três glifos - círculo, semicírculo e cruz -, podem derivar-se os símbolos astrológicos dos planetas como segue. a SOL - Unidade. Vida ou Consciência. O ego individual. Espírito. b LUA - Dualidade, relação. O princípio formativo. O ego pessoal. Alma. n TERRA - Diferenciação. Atividade na matéria. O ego material. Corpo. d VÊNUS - O ego espiritual ou individualidade acima da matéria. e MARTE - A matéria dominando o espírito. O espírito operando por meio das atividades materiais. f JÚPITER - A alma estendendo-se além da matéria, mas conservando a forma material. g SATURNO - A alma concreta, limitada pelas condições materiais. c MERCÚRIO - A cruz inferior significa a consciência astral ou desejo; o círculo do meio, a consciência mental; o semicírculo superior indica que a evolução foi levada para além do mental, e está refletindo, para baixo, a luz recebida de um plano ainda mais elevado, o búdico, que o domina todo. Este símbolo pode ser interpretado ainda como o caduceu de Hermes, duas serpentes entrelaçadas em torno de uma vara central, referindo-se à força ígnea, o Kundalini, cujo pleno controle faz de alguém um mago prático. h URANO - Autoconsciência individualizada. i NETUNO - Autoconsciência pessoal.

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Contudo, a Astrologia Esotérica não é apenas uma interpretação simbólica da natureza humana, mas também uma filosofia, pela qual explicam-se, claramente, as leis internas da Natureza, e o sistema em que vivemos torna-se mais compreensível. O Sol é mais do que um símbolo do espírito, é o verdadeiro foco ou centro da vida de nosso Sistema Solar, o coração do Logos Solar e os planetas são os veículos ou corpos de Seus mensageiros espirituais, sendo cada um deles o centro de uma grande Hierarquia espiritual. Cada departamento da Natureza é governado por um dos grandes espíritos planetários; Saturno rege o reino mineral, Júpiter e Lua o reino vegetal e Marte o reino animal e o homem-animal, efetuando cada um deles a Vontade da inteligência suprema. Esses espíritos planetários são Raios da Grande Luz única, e encontram-se à frente de seu próprio departamento do universo; regem os princípios fundamentais, bem como os menores detalhes da vida. Cada raça e sub-raça, cada nação e colônia dessa nação, assim como toda religião, com suas subdivisões, é influenciada por uma dessas poderosas Inteligências. Elas conhecem a Vontade de Deus, e tratam de cooperar com essa Vontade guiando os destinos do mundo. A Astrologia Esotérica ensina a Imanência de Deus, e busca descobrir, por meio das posições dos corpos celestes, as mudanças da Natureza, que conhecemos como as leis de Deus. Reconhece o importante papel que essas Inteligências divinas devem desempenhar no destino do Homem, porque são seus protótipos celestes; por conseguinte, quanto mais o homem se aproxima de uma união com seu Pai celestial (sua estrela real), mais se aproxima da salvação ou da consciência individualizada, e quanto mais se afasta, mais perigosamente fatal e desarmoniosa se torna sua vida. Nisso reside a principal diferença entre a Astrologia Esotérica e a Exotérica, a primeira se referindo às ações dentro do homem e à capacidade dele se harmonizar com as leis da Natureza, e a segunda se referindo aos impulsos humanos ditados por atrações externas, pois a Astrologia Esotérica mostra as possibilidades, latentes em toda a humanidade, de unificação com a vontade divina, ou, conforme declaram os astrólogos antigos, "O Sábio governa suas estrelas, o tolo as obedece". A autora da Doutrina Secreta expressou estas ideias em uma bela linguagem, ao dizer: "Sim, nosso destino está escrito nas estrelas. Só que quanto mais estreita é a união entre o reflexo mortal que é o Homem e seu Protótipo celestial, menos perigosas são suas condições externas e as reencarnações subsequentes. Há condições externas e internas que afetam a determinação de nossa Vontade sobre nossas ações, e embora o homem não possa escapar ao Destino que o governa, pode escolher um ou outro. Aqueles que acreditam em Carma têm de acreditar no destino, que desde o nascimento até a morte vai tecendo o homem ao redor de si mesmo, como vai tecendo a teia uma aranha, e este destino está guiado ou pela voz celestial do protótipo invisível, ou por nosso íntimo homem astral, ou homem interno, que, com excessiva frequência, é nosso gênio maligno."

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Realizar-se-á, nesta obra, uma séria intenção de mostrar algumas ideias acerca da influência que os Espíritos Planetários e os Signos Zodiacais exercem sobre a humanidade, e far-se-á também um esforço para indicar quão estreitamente se relacionam todas as coisas manifestadas com o Sol, a Lua e os planetas, por meio de seu traço de união, os signos do Zodíaco. Contudo, deve ficar bem claro, desde o início, que não são os próprios planetas físicos que afetam a humanidade, mas as Inteligências supremas que usam os corpos planetários como seus veículos físicos, por assim dizer. Cada corpo planetário tem uma influência que lhe é própria e peculiar, e cada um deles combina sua influência especial com a de todos os outros. Na linguagem das cores, isso se expressa muito bem, dizendo que a branca luz do Sol muda, ao passar através da esfera planetária, para a cor desse planeta específico: o índigo, violeta e azul de Vênus, Lua e Júpiter; o amarelo, alaranjado e vermelho de Mercúrio, Sol e Marte; o equilíbrio com o verde de Saturno, tom e com médios. O corpo, a alma e o espírito do homem absorvem essas cores por um processo mental que altera a cor pura e original - que herda mediante a herança física, psíquica e espiritual - para matizes mais grosseiras ou mais delicadas, segundo sua escolha de pensamentos, sentimentos e ações. Esperamos explicar tudo isso nos capítulos seguintes.

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CAPÍTULO 2

ASTRONOMIA OCULTA

Nenhuma pena, nem mesmo a do anjo dos registros, pode descrever toda a essência da verdade, a menos que o homem encontre sua resposta no santuário de seu próprio coração, no mais profundo de sua divina intuição. Doutrina Secreta.

s astrólogos falam da influência planetária com um grau de confiança que, às vezes, incomoda aqueles que não abordam o tema ao longo de linhas de estudo místicas ou ocultas e que estão mais familiarizados com os métodos da ciência concreta, por um lado, ou com os da utilidade prática comum, por outro. No final, quando nossos conhecimentos a respeito do tema estiverem completos, veremos que todos esses métodos de considerar a Astrologia se fundem em um só. O homem de ação encontrará aquilo que lhe é de valor prático na vida diária, o estudioso compreenderá que é uma ciência tão definida como qualquer outra e que forma um capítulo de um grandioso e vasto esquema de filosofia, enquanto o místico descobrirá que seu valor religioso é transcendente e sublime, porque faz parte de um dos sete métodos de abordar as coisas espirituais. No entanto, neste momento estamos apenas no alfabeto da ciência, e são tantos os capítulos que ainda há para se aprender; nem sempre é fácil explicar o não-descoberto em termos familiares, traçar um mapa dos céus como se se tratasse de um subúrbio de Londres. A "telegrafia sem fios" pela qual os corpos celestes influem sobre o homem pode ser considerada de vários pontos de vista: como um sistema de vibrações, cada uma delas de seu gênero e cada uma transportando algum tipo peculiar de energia, capaz de produzir seu efeito sobre nós; como um método, mediante o qual a vitalidade

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especializada de um planeta é irradiada para todos os outros, para ser utilizada por eles e por seus habitantes de acordo com sua capacidade para recebê-la, e como um esquema, pelo qual o tipo de consciência que evolui em relação a cada corpo celeste envia, a todos os outros do Sistema Solar, sua força de vontade, seu pensamento e seu sentimento para serem utilizados por todos, em troca do que recebe desses outros. Seja qual for o ponto de vista que adotemos, qualquer influência que chega até nós (e até nossa Terra) só vem através do Zodíaco, que modifica e adapta tudo o que passa por ele. A forma primária e imodificada da energia planetária não é jamais experimentada, mas unicamente aquele tipo de energia misturada e composta que resulta de sua adaptação às condições especiais dos signos do Zodíaco e da aura da Terra. Por exemplo, nunca recebemos a influência pura de, digamos, Júpiter, pois ela sempre chega mesclada com a do signo zodiacal em que está colocado esse planeta num dado horóscopo. Na verdade, a complexidade é ainda maior do que vimos, pois, como sabe qualquer astrólogo, os aspectos dos outros planetas exercem um poderoso efeito modificador sobre qualquer corpo celeste. Júpiter em oposição a Saturno não é, de modo algum, como Júpiter em trígono com Marte; os acontecimentos que ocasiona e o tipo de caráter que revela são completamente diferentes nos dois casos, e, vendo que um planeta está, com frequência, em aspecto com meia dúzia de outros num horóscopo, e que cada um deles está modificado pelo signo através do qual sua influência é transmitida para a Terra, a complexidade resultante é maior do que geralmente se compreende, ou do que alguns estudiosos estariam dispostos a admitir. O ponto mais próximo da simplicidade ocorre quando o planeta está livre de aspectos, o que raramente ocorre, e, mesmo assim, tampouco se observa uma simplicidade completa ou algo que poderíamos chamar de um isolamento atômico. Os resultados dessas combinações de influências parecem ser mais análogos aos compostos químicos que às simples misturas. A água é formada pela combinação química de gases de Hidrogênio e de Oxigênio, mas a água possui propriedades que não manifestam nenhum de seus constitutivos em separado. Também podemos utilizar a analogia da harmonia musical. Quando duas notas, Dó e Sol, soam juntas, ouvimos algo mais que o som de Dó acrescido do som de Sol; ouvimos também aquele tipo especial de harmonia característico do intervalo musical chamado de quinta, e é fácil observar que, se uma pessoa jamais tivesse ouvido as notas, exceto em combinação, sua estimativa do valor de qualquer nota simples, tomada separadamente, poderia ser muito inexata. Esta é, no entanto, a situação de todo astrólogo: ele nunca experimenta a influência de um planeta, exceto em combinação com a de seu signo. Certamente, esta é a causa de muitos dos erros cometidos quando atribuíram poderes e características aos signos e aos planetas. Cada estudante aborda o tema, primeiramente, do ponto de vista de seu próprio horóscopo, com suas complexidades e intricações especiais, e, secundariamente, do ponto de vista de uns tantos horóscopos de pessoas que ele conhece bem, e assim temos o espetáculo de pesquisadores que sustentam opiniões completamente diferentes sobre alguns temas. Um considerará Netuno como planeta

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maléfico, outro como benéfico. Um considera Saturno como o tipo do sacerdote, e outro como o do homem de Estado.1 Para um, parece que Libra é um signo de isolamento e de independência, e para outro ele implica em união e dependência mútua. Essas e outras opiniões divergentes se sustentam realmente, e se expressam ainda hoje. Em grande parte, o mesmo sucede com uma pessoa que começa a ter a faculdade da clarividência: percebe as cores das auras dos outros somente através dos matizes modificadores de sua própria aura, e é provável que lhes atribua características que, na verdade, pertencem a ela mesma, ou que foram alteradas por terem sido vistas por entre as cores especiais que rodeiam o próprio vidente. Na prática, o astrólogo tenta superar a dificuldade ampliando sua experiência e tomando a média de um grande número de observações. É verdade que Marte elevando-se em Áries não dará o mesmo tipo de personalidade que Marte elevando-se em Touro, e ambos se diferenciarão um pouco do mesmo Marte elevando-se em Gêmeos; mas, de qualquer forma, Marte entra em cada uma dessas combinações, e, se é possível abstraí-lo da influência dos signos sucessivos, o tipo devido ao planeta permanecerá e será o mesmo em cada caso. O ocultista clarividente nos diz que as ilusões existentes em um plano não podem ser completamente superadas enquanto a consciência não se elevar a um plano superior, contemplando dali os planos inferiores; que as infinitas complexidades e intricações do plano astral, por exemplo, só podem ser vistas em suas verdadeiras proporções mediante uma visão pertencente ao plano seguinte, mais além; e que a verdade sobre a personalidade, sua formação, dissolução e trajeto pelos diversos mundos a que pertence não pode ser plenamente compreendida enquanto a consciência não se elevar acima da personalidade em seu conjunto. De modo semelhante, a influência de Júpiter jamais pode ser percebida claramente por um astrólogo que está sujeito a condições perturbadoras e distorcedoras, inevitáveis para quem vive nesta Terra. A própria Terra não será vista na relação correta com seus planetas companheiros enquanto não transcendermos as limitações da Terra e o que poderia denominar-se a personalidade da Terra. O Zodíaco não pode ser compreendido senão quando se tenha desenvolvido um grau de consciência que permite explorar o círculo da necessidade desde cima e além dele. A cadeia de mundos - em conexão com a qual evoluímos e da qual nossa Terra faz parte - não é vista realmente senão quando se alcança um grau de evolução suficiente para levar a alma além daquele plano ao qual pertence o mais elevado deles, quando serão vistos em suas relações corretas e se compreenderá a verdadeira função de cada um. Podemos tomar como um amplo princípio geral o de que qualquer plano superior, ou mundo, representa uma unidade relativa quando comparado com seu inferior imediato, o qual é uma multiplicidade relativa. Compreender é reunir

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Para ambos se requer um conhecimento da natureza humana. O verdadeiro sacerdote tem as qualidades do homem de Estado (N. do A.).


fragmentos esparsos de sentido, ou ideias relativamente isoladas, e descobrir o que têm em comum, qual a unidade subjacente a todas elas. A unidade representa o plano, o mundo ou o ponto de vista superior e a multiplicidade do mundo inferior. A última palavra dos mistérios de nosso Sistema Solar, do ponto de vista do astrólogo ou de qualquer outro, não pode ser entendida enquanto não se alcançar, na consciência, a unidade final do sistema, e esta é a razão para se fazer ressaltar o ponto de vista místico das coisas e a metafísica como meio de complementar e unificar aquilo que, de outro modo, seriam leis e experiências dispersas e sem coordenação. A ciência constitui sua própria justificação para a existência e não tem necessidade de defesa, mas não pode alcançar sua plenitude enquanto a alma não tiver aprendido a transpor o umbral do mundo fenomenal exterior para entrar no mundo interior que o transcende. Uma consciência, uma vida, uma energia penetra todo o Sistema Solar; concretamente, a do grande Ser que o formou no princípio e que continua a sustentá-lo: o Logos Solar. Toda forma de energia que flui através da matéria dos diversos planos do sistema é derivada diretamente dele; Sua vitalidade, irradiada do Sol, anima os corpos de todos os seres vivos, e todo modo de consciência, humano ou de outra classe, origina-se n'Ele. Ele é a unidade subjacente que transcende e sintetiza a vasta multiplicidade de todo o sistema, tanto em termos de consciência como de força ou de matéria. Qualquer unidade, tanto material como espiritual, durante sua manifestação como existência separada, deve exibir, necessariamente, três aspectos. Em primeiro lugar, atua sobre o que a rodeia, é positiva e efetua mudanças em relação ao que a rodeia; em segundo lugar, o que a rodeia atua sobre ela, é negativa e reage a ela em termos de estímulos recebidos de fora, e, em terceiro lugar, coordena e equilibra esses dois aspectos em uma média neutra entre os dois extremos. De modo semelhante, o Logos Solar, durante sua manifestação, mostra os três aspectos ou "Pessoas" da divina Trindade, chamados os três Logos. Entrando na manifestação desde a desconhecida obscuridade do além, Ele é uma unidade transcendente, mas exibe três aspectos durante uma vida do Sistema Solar. O Terceiro Logos molda a matéria do futuro sistema e o configura em átomos, dos quais há sete tipos adequados para atuar como veículos para sete classes diferentes de consciência e dispostos em sete grandes planos, dentre os quais o físico é o mais baixo. O princípio fundamental aqui é a separação ou criação. O Segundo Logos desenvolve veículos ou corpos de vários graus, animados pela vida e movidos pela consciência; o princípio fundamental aqui é a harmonia, equilíbrio, a reunião de átomos esparsos e vidas separadas. Finalmente, o Primeiro Logos desenvolve o Ego dentro dos veículos, confere aquela classe de autoconsciência que, começando pela separação e isolamento dentro de seus próprios veículos, termina na compreensão da verdadeira unidade do todo. As três quadruplicidades dos signos zodiacais ilustram, com traços amplos, esses três modos sublimes em que Ele se manifesta: os signos Mutáveis ou Rajásicos, que correspondem ao Terceiro Logos; os Comuns, Cardinais ou Sáttvicos, ao Segundo Logos, e os Fixos ou Tamásicos ao Primeiro Logos.

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Não devemos cometer o erro de supor que esses signos são realmente os três Logos, porque isso não pode ser dito nem dos signos, nem dos planetas, mas como a energia, vida e consciência divinas estão difundidas universalmente através da matéria de cada plano, é lícito buscar a realidade subjacente em meio à diversidade superficial.

O SISTEMA SOLAR O Sistema Solar, em seu conjunto, pode ser considerado como um corpo do Logos. Cada plano dele, desde o físico, mais baixo, até o espiritual, mais elevado, está energizado e animado por esta vida e consciência, tal como o corpo humano o é pela vida e consciência humanas. As propriedades da matéria em cada plano estão projetadas e desenvolvidas por Ele em seu aspecto de Terceiro Logos; a vida de todo plano e Reino, inclusive a vida elemental invisível, deriva diretamente d'Ele como Segundo Logos, e toda forma de autoconsciência se origina n'Ele como Primeiro Logos. D'Ele, como o Pai único de tudo, emanam Sete grandes Seres, chamados Arcanjos ou Logos Planetários, inferiores unicamente a Ele mesmo, mas superiores a todos os outros seres dentro do Sistema Solar. Cada um deles preside uma sétima parte de todo o sistema, e é a cabeça suprema de um dos sete esquemas de evolução. Tais sete Seres são os verdadeiros "Sete Governantes", e não as esferas do plano físico, a que nos referimos com frequência. São poderosas inteligências espirituais, que extraem sua energia, vida e consciência da grande e central Vida Una de tudo, o Logos Solar, manifestando, cada uma delas, um modo diferente dele, segundo a obra que devam realizar e o tipo de evolução sobre a qual tenham de presidir. Cada um dos sete Logos planetários tem, sob seu encargo, milhares de milhões de almas em todos os estágios de desenvolvimento, algumas ainda no estágio elemental, mineral, vegetal ou animal, algumas humanas como nós e outras ainda para além do humano. São a fonte primária, sob o Logos Solar, dos sete Princípios do homem, que atuam através das doze Ordens Criativas menores, representadas pelos signos espirituais (diferentes dos físicos) do Zodíaco, representando, coletivamente, o Mundo septenário. São os verdadeiros Criadores do universo septenário e agem de acordo com o desenho esboçado pela sabedoria do Logos Solar uno e trino, cujos sete raios criativos, poderes ou centros são eles mesmos, e toda alma da Terra pertence, espiritualmente, a um ou outro deles. Existindo eles mesmos em elevadas regiões espirituais, vigiam a formação e evolução de cada globo visível e invisível dentro do Sistema Solar. Há, dentro de cada um de seus sete domínios, multidões de Inteligências menores que obedecem à sua vontade, elaborando planos e mundos e os diversos reinos da Natureza, fornecendo a inteligência que está por trás das chamadas Leis da Natureza e guiando as correntes de influência que passam de cada planeta a todos os demais. Já foram dados vários

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nomes a essas hostes subordinadas que trabalham na administração das Leis da Natureza: denominaram-nas deuses, anjos ou elementais ou espíritos da Natureza, segundo seu estágio de evolução e o plano ou estado em que estão operando. Em outros tempos, quando os deuses andavam com os homens, eram conhecidos e sua função na Natureza era totalmente compreendida, mas agora já não são reconhecidos; foram esquecidos pela maioria, salvo pelos poucos que sabem o papel que desempenham nas obras da Natureza.

AS CADEIAS PLANETÁRIAS Cada Logos Planetário preside um esquema diferente de evolução, que se realiza em sete planetas distintos existentes nos três planos inferiores do Sistema Solar, como se vê na Figura 1. Esse grupo de sete globos recebe o nome de Cadeia, e há sete de tais cadeias dentro do Sistema Solar, e alguma delas pertence cada um dos planetas visíveis. No caso da nossa Terra, há os globos A e G no Plano mental e os globos B e F no Plano astral, e esses quatro, por conseguinte, são invisíveis à visão física comum. Mas o globo C é o planeta Marte, o globo D é a nossa Terra e o globo F é o planeta Mercúrio, de sorte que três dos sete são planetas físicos visíveis e os outros quatro são invisíveis.1 Há apenas outra cadeia septenária com três planetas físicos: é a cadeia de Netuno, porque há dois planetas físicos existentes além de Netuno que pertencem à sua Cadeia. Este fato indica que as evoluções representadas pela Terra e Netuno se encontram, espiritualmente, no mesmo estágio de evolução, ou seja, o quarto estágio ou manvantara, porque somente neste estágio há três planetas físicos numa Cadeia. A primeira e a sétima encarnação de qualquer Cadeia não têm nenhum planeta inferior ao mental; na segunda e na sexta o planeta inferior da Cadeia é astral, na terceira e na quinta é físico e na quarta são físicos três planetas. Os sete Logos planetários estão representados no plano físico pelos planetas Vulcano, Vênus, a Terra, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Cada um desses é um globo em uma cadeia septenária, de sorte que, embora a Terra e Netuno se encontrem no mesmo estágio de evolução, pertencem a tipos completamente diferentes. O Sol, o oitavo, é o grande Pai dos sete Pais, porque cada um desses sete Logos Planetários é o "Pai celestial" daquelas almas que pertencem a Seu tipo de evolução espiritual. Nosso Sistema Solar é um Todo consciente, vivo e orgânico, e há milhões de tais sistemas, alguns menores, alguns enormemente maiores, dentro do universo total. Recebe um tipo particular de vida e consciência através do Logos Solar, que se

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Para maiores detalhes sobre as cadeias, rondas planetárias, etc, deve-se consultar a Doutrina Secreta, mas pode encontrar-se um esboço útil no manual de "Teosofia" da série The People's Books, de T.C. e E.C. Jack (N. do A.).


A CADEIA DOS GLOBOS

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encontra em união consciente com o vasto universo, mais além, recebendo vida dele e devolvendo-lhe vida, tal como cada planeta envia e recebe dentro do sistema. Esta vida recebida de fora pode ser comparada com um raio de luz branca, una e uniforme em si mesmo, mas que imediatamente se decompõe em três bases fundamentais de cor, correspondentes aos três Logos Planetários; cada um destes recebe, do Logos Solar, um tipo diferente de vida e consciência que resulta dessa decomposição e análise. Os SETE PLANOS Começando de novo neste estágio, vemos com a imaginação cada Logos Planetário recebendo um tipo especial de vida e consciência, utilizando-o para os fins da classe de evolução realizada na Cadeia de globos que preside. Por exemplo, o Logos Planetário de nossa Cadeia terrestre tem seu próprio "colorido" especial, e o raio que recebe se divide, por sua vez, em sete sub-raios, um dos quais pertence a cada um dos sete globos da Cadeia. Em nosso atual estado de conhecimentos, seria como se cada um de tais globos estivesse animado por um Ser, chamado o Espírito do globo, cujo corpo parece ser o próprio globo e que recebe e adapta, ao tipo de evolução ali realizada, o sub-raio que lhes é transmitido através do Logos Planetário.1 Da mesma maneira que o Logos Solar envia sete sub-raios aos sete Espíritos Planetários de sua Cadeia, existe uma correspondência geral entre raios e sub-raios com relação à escala septenária. O que são os sete globos para a Cadeia em seu conjunto, são as sete Cadeias para o Sistema Solar como conjunto, mas ainda não possuímos suficiente informação para decidir qual seria a ordem exata de correspondência. O Sistema Solar é um todo orgânico; e, em um sentido subordinado, cada Cadeia de sete globos é também um todo orgânico. Cada todo se compõe de partes, mas estas dependem mutuamente umas das outras. No caso de uma Cadeia, estabelece-se constantemente entre os sete globos uma circulação de forças físicas e de outros tipos, bem como de vitalidade, embora o ponto de máxima atividade esteja centrado às vezes num globo, às vezes noutro, segundo o estágio de evolução alcançado. Assim, os sete globos de uma Cadeia estão mais estreitamente associados entre si, e dependem mais um do outro para o intercâmbio de influências vitais e conscientes que os diversos planetas físicos. Esta é uma parte da astrologia oculta a cujo respeito não se sabe praticamente nada, mas, de algum modo misterioso, a posição e condições dos sete planetas físicos anteriormente mencionados constituem uma pista das condições e influências das sete Cadeias. Com referência aos sete planos de que se compõe o Sistema Solar, encontrase uma subdivisão e correspondência similares. O plano Físico é o mais baixo, o plano 1

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Com referência ao conhecimento posterior, esta ideia foi modificada, mas a informação até agora obtida não pode ainda ser expressada claramente (N. do A.).


Astral é o seguinte, o Mental segue o Astral e logo vem o plano Intuitivo, depois o atmico ou espiritual, logo o Anupadaka e o Adi, ou planos supra-espirituais, sendo cada plano superior mais etéreo, mais sutil e de maior extensão que o que está embaixo. Nos três planos inferiores, como vimos anteriormente, encontram-se os sete globos da Cadeia terrestre. Cada plano se divide em sete subplanos, que são para o plano, em seu conjunto, o que os sete planos são para o Sistema Solar como um todo, e os subplanos de qualquer plano correspondem, em ordem, aos sete planos. No texto a seguir, é necessário distinguir cuidadosamente entre o que se diz com referência aos planos e o que se diz com referência aos subplanos. No plano físico, as quatro subdivisões inferiores são sólidas, líquidos, gasosos e éteres, que correspondem ao que chamamos terra, água, fogo e ar. Estes quatro entram na composição de cada planeta físico, e, ao fazê-lo, especializam-se de algum modo, porque se diz que os átomos variam suas proporções de combinação em cada planeta. Os três subplanos superiores do físico, que às vezes se designam com o nome dos éteres superiores, mas que também são chamados superetérico, subatômico e atômico, sendo este último o mais alto, não estão especializados desta maneira, mas são comuns a todo o Sistema Solar, sendo os canais pelos quais se transmitem várias formas de energia e vitalidade de um planeta a outro, incluída a influência astrológica no que esta tem de física. Os tipos de vida e consciência que caracterizam os sete planos do Sistema Solar resumem-se em sete grandes Inteligências, os Regentes dos planos, que correspondem e são aspectos dos sete Logos planetários. Dois destes planos, os dois mais altos, ultrapassam nossa concepção no estágio atual de nosso desenvolvimento e não entram em nossa atividade evolutiva, de maneira que apenas cinco devem ser considerados atualmente como reais para nós. São estes os Senhores do plano Físico: terra, Kshiti ou Kubera; do plano Astral, água, Varuna; do plano Mental, fogo, Agni; do plano Búdico ou intuicional, ar, Vayu; e do plano atmico ou espiritual, éter ou akasha. Estes se relacionam também com os Tattvas, modos de movimento na matéria, que determinam a forma e propriedades dos átomos últimos de cada plano, que correspondem aos cinco sólidos platônicos, que nos atraem mediante nossos cinco sentidos ativos da seguinte maneira: terra, olfato; água, paladar; fogo, visão; ar, tato; akasha, som. Os quatro estados ou planos são penetrados universalmente pelo Quinto, éter ou akasha, que por sua vez é tríplice, de certo modo, porque inclui os dois superiores que se encontram além dele e aqueles que, hoje em dia, ainda não podemos responder em separado. No akasha fica impressa a memória de tudo que tem lugar na Natureza, todo pensamento, palavra e ação em cada um dos outros planos. Os cinco planos possuem certas qualidades sumamente difíceis de descrever, que resultam, naturalmente, da estrutura da matéria do plano, segundo se exprime nos últimos átomos e tattvas, e que são capazes de expressão em termos de matéria ou de consciência. Terra, contração e coesão, ação; água, o equilíbrio entre expansão e contração, sentimento;

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logo, expansão, separação, individualização, autoconsciência; ar, interpenetração, relação, sabedoria; akasha, espaço, unidade, vontade. Cada um dos cinco estados ou elementos é polarizado, sendo positivo e negativo, expirante e inspirante, descendente e ascendente, fazendo um total de dez, e estes, com os dois que se encontram além, fazem doze, correspondendo aos signos do Zodíaco.

PLANOS E SUBPLANOS Veremos que um termo tal como "terra", empregado para designar um estado da matéria, aplica-se, às vezes, ao plano físico em seu conjunto, e, às vezes, à mais baixa subdivisão deste; analogamente, que "água" significa, às vezes, o plano astral, e, às vezes, a segunda subdivisão - ou líquida - do plano físico. Isso ocorre porque planos e subplanos correspondem-se exatamente uns com os outros; na verdade, em certo sentido, a "água" do plano físico pode ser vista como resultante da influência do plano astral que se lança para baixo, para o físico, de modo que a subdivisão do plano inferior se acha em contato com o plano superior em seu conjunto, e é possível passar de um para o outro. A classificação septenária é a pista do Sistema Solar, tanto em termos de consciência como de matéria. Resulta dos três aspectos de todas as coisas manifestadas e dá origem à classificação em doze classes, familiar no Zodíaco. Foi indicado que as quatro subdivisões inferiores do plano físico entram na composição dos globos físicos e que as três superiores são comuns a todo o sistema. A influência das três superiores, que atuam sobre as quatro inferiores das três variedades de cada um destes quatro, doze no total, no mesmo princípio, podem ser aplicados de um modo mais amplo para incluir os planos do Sistema Solar e os corpos do homem. A julgar pelo número de globos, a influência do duodenário prevalece atualmente no plano físico, pois o número de planetas físicos reais é onze, incluídos Vulcano e os dois mais além de Netuno, e o Sol completa o número de doze. No entanto, este número parece variar em diferentes períodos da vasta história de todo o sistema, e se produzem mudanças em ritmos enormemente longos, dos quais a ciência não tem ainda pista alguma. Nossa Cadeia terrestre tem três de seus globos no plano físico, e o mesmo pode ser dito da Cadeia de Netuno, mas não foi assim no passado distante, nem o será sempre no futuro mais remoto.

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CAPÍTULO 3

"ESFERAS DE INFLUÊNCIA"

Planetas e Princípios As TRÊS GRANDES VERDADES: A Alma do homem é imortal. O princípio que dá a vida mora em nós e fora de nós, jamais morre e é eternamente benfazejo. Cada homem é seu próprio legislador absoluto. O Idílio do Lótus Branco.

Em nossa fase atual de pesquisa astrológica, temos muito pouca noção de primeira mão a respeito das funções da hoste angelical que governa as esferas planetárias de influência. O autor recebeu alguma valiosa informação oculta de estudantes de ocultismo que trabalham em um tipo de atividade distinta da do Raio Astrológico, e, em sua maior parte, as vibrações mais sutis de cada planeta foram descobertas por experiência prática, de modo que, juntando as duas coisas, temos um sistema que oferece uma representação muito justa da relação planetária com os princípios do homem. Se pudéssemos obter mais informações referentes aos Sete Raios, as sete subdivisões de cada um e sua relação com os Sete planetas, conheceríamos muitíssimo mais sobre a Astrologia Esotérica. Contudo, esta informação é decididamente fragmentaria. O pouco que nossos mestres primários nos deram até agora foi expresso com muita cautela, e eles têm sido tão reticentes que fica evidente que um conhecimento dos Raios deve ter relação com os mistérios interiores. Conforme o que podem saber aqueles que não foram iniciados nestes mistérios, parece provável que apenas um dos grande Raios afete nosso Sistema Solar, pois,

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como nos diz a segunda Estrofe da Doutrina Secreta: "Seu coração não tinha se aberto ainda para que entrasse o único Raio, dali para todos, como três em quatro, no seio da Ilusão". E na Estrofe III, lemos: "A Escuridão irradia Luz e a Luz deixa cair... um Raio Solitário". Este Raio é o Logos de nosso Sistema Solar, simbolizado para nós, na Astrologia, pelo Sol. Suas sete subdivisões e os outros sete Raios Criativos são os Logos Planetários, ou Construtores. "Espaço e Tempo são uma só coisa". "O Espaço e o tempo não têm nome, porque são o ISSO incognoscível que só pode ser percebido por meio de seus sete raios, que são as sete criações, os sete mundos e as sete leis", etc. Os Raios deste único Raio imaculado são inumeráveis: d'Ele, o um se converte em muitos. Astrologicamente, interessam-nos agora os sete sub-raios deste único Raio Solar, cada um dos quais tendo suas próprias sete subdivisões, perfazendo um total de quarenta e nove raios primários, diretamente relacionados com os planetas. Esses raios são sempre distintos quanto às formas e aos veículos pelos quais passam, e toda a humanidade pertence a um que outro deles. Para ilustrar esta ideia do ponto de vista astrológico, podemos tomar o espírito de Marte como a cabeça do Reino Animal. Todos os animais, como gênero, encontram-se sob o raio dominante de Marte, mas é evidente que diferentes animais podem classificar-se em sub-raios distintos. Por exemplo, o elefante se encontra sob o sub-raio saturnino de Marte, e o cavalo sob o sub-raio jupiteriano, de modo que fica claro que o impulso da vida universal que agora está animando um elefante ou um cavalo continuará a se manifestar por meio da mesma espécie, até que tenha lugar a diferenciação na evolução humana. Isto pode ser ilustrado tomando-se o planeta regente de qualquer horóscopo como o raio pessoal. Se Vênus é o regente e está situado no signo de Áries, teremos então um raio de Vênus com uma subinfluência de Marte. Isto também pode se aplicar às raças e sub-raças, religiões e seitas, políticas e partidos; na realidade, a cada departamento da Natureza, em todos os seus produtos principais e secundários. Para que o assunto fique ainda mais claro, podemos considerar os sete Raios como divididos em três classes. O primeiro Raio forma a primeira classe, Vontade, o segundo raio forma a segunda classe, Sabedoria, e os outros cinco raios formam a terceira classe, Atividade. O terceiro é o Raio astrológico, e inclui o total dos quatro que estão abaixo dele, sendo o cabeça de um grupo de cinco Raios. Os dois primeiros e mais elevados são excepcionais, e governam por sobre o humano, pois a humanidade em seu conjunto está agora agindo ao longo de uma evolução quíntupla; os outros, que perfazem os sete, encontram-se atualmente por cima e além do homem normal. Agora podemos organizar os sete raios, representados pelos planetas, numa linha horizontal, com sete subdivisões de cada um ordenados numa linha vertical. Cada planeta se encontra, assim, à frente de um Raio que tem subdivisões, como se indica na figura da página seguinte (Figura 2).

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O SOL

Vida

a Prana Correspondência Simbólica Aquário O Homem Raio da Vontade

PLANETAS E PRINCÍPIOS Correspondência Simbólica

h c h c

d g b e f

Espírito

Alma Espiritual

Gêmeos Os Gêmeos Raio da Sabedoria

Alma Humana

d g b e f Figura 2

Libra O Equilíbrio Manas da Alma A Ponte entre o Superior e o Inferior Manas Inferior O Cérebro Estados Mentais Kama A Alma Animal

Estado Crítico

Mente Pessoal

Sentimentos Pessoais

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Condições Físicas

O Corpo Etéreo e Físico


O Sol representa aqui o Raio Uno solitário, que significa a Vida Una que impregna todas as coisas. Simboliza a vida ou a consciência cósmicas, que se converte depois na separada vida de corpo, alma e espírito. Encontra-se além e acima do lado formal da manifestação, que funciona por meio da matéria em seu grau mais fino e raro, sendo a Luz, Vida e Consciência dos mundos. Do mesmo modo que os signos de ar do Zodíaco sintetizam as outras triplicidades, o Sol sintetiza as influências dos planetas em sua relação com essas triplicidades. Do ponto de vista exclusivo da forma ou dos veículos de consciência, Júpiter é o grande sintetizador. Por exemplo, quando ao morrer o corpo físico é abandonado, tudo o que está latente nos signos de terra é conservado na influência do planeta Júpiter, e é levado ao veículo seguinte de manifestação, de modo que temos, no plano astral, a influência de sua própria triplicidade mais a de Júpiter, sendo este o planeta da semente do plano físico. Do ponto de vista da vida ou estados de consciência, Urano é o planeta sintético e representa o "caminhante sem casa", o ser completamente individualizado e autoconsciente. Entre esses dois poderosos planetas, situa-se Saturno como o planeta individualizante. Agora se verá por que se tem usado sempre o Sol como um símbolo da individualidade, na Astrologia Esotérica, e também porque se diz que substitui outro planeta místico, que agora sabemos ser Urano, o planeta que representa a Vontade verdadeira. Para a maioria das almas que vão evoluindo, o Sol continuará representando aposição mais sólida ou central do horóscopo, pois dá luz e expressão ao signo que ilumina a cada mês e conduz, da latência à manifestação ativa, aqueles signos e planetas entre a gama dos aspectos mais fortes do Sol. Mas não é o planeta da individualidade no verdadeiro sentido da palavra. Trata-se puramente de compreender a diferença entre os termos vida e consciência. "A consciência voltada para dentro é a vida, e a vida voltada para fora se conhece pelo nome de consciência". Na Astrologia Esotérica, a Mônada está representada pelo tríplice aspecto de Urano, Mercúrio e Vênus. Qualquer um destes pode estar situado no ápice do triângulo, conforme a linha de desenvolvimento, e tudo o que está sob a esfera de sua influência deve primeiro receber as qualidades individualizantes de Saturno, antes que o Ego ou a individualidade possa ser forte o suficiente para reagir a suas vibrações sutis. No indivíduo muito evoluído, Urano brilha como gênio e individualidade, Mercúrio como adaptabilidade e a perfeição dos princípios humanos e Vênus como refinamento e beleza, expressado nas artes criativas. Dito do modo mais simples possível, o indivíduo medíocre não toca nenhum destes princípios: vibra constantemente por baixo do anel de Saturno, por assim dizer. Para chegar a tocar as vibrações mais altas de Saturno, a pessoa deve ter evoluído além da média ou da vulgaridade. Em nosso atual estágio de evolução, a influência real de Urano, Mercúrio e Vênus deve ser considerada mais ou menos latente, pois a consciência manásica completa - livre de Carma, ou desejo - só se manifesta no plano físico em indivíduos altamente

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evoluídos, que são capazes de vencer e controlar a matéria de modo a usar seus corpos e veículos autoconscientemente, não permitindo ser usados por eles; e como tal, emanam sabedoria e habilidade em todas as suas ações. Para a maioria, esses três planetas afetam o corpo etérico e não o físico, e, sendo suas vibrações etéricas, dependem de um corpo sensível para uma expressão clara e favorável. Atuam principalmente por meio da mente subconsciente e, com relação a Urano, pode-se dizer que é este exatamente o caso, pois suas vibrações são demasiadamente sutis para se perceber no corpo físico, exceto por meio de um sistema nervoso altamente organizado. Abstratamente, Urano representa o aspecto da Vontade no espírito, suas motivações e propósitos de vida; e, embora não se relacione, na realidade, com nenhum signo do Zodíaco, Aquário e os signos de ar, com os signos fixos como subinfluência, são, para este planeta, os signos de menor resistência e os com que têm a maior afinidade. Se Urano não estiver angular ou não estiver em um signo de ar no nascimento, cabe perguntar-se seriamente se sua influência pode ser percebida de um modo particular; também deveria estar em aspecto com os luminares, ou, pelo menos, com Mercúrio e Vênus. Diz-se que Urano é o planeta do astrólogo, pois está ligado à Vontade e à magia, ou ocultismo. Mercúrio também é um planeta cuja influência se sente mais etérica do que fisicamente, pois suas vibrações são por demais finas e sutis para que possam ser percebidas por aqueles que não são muito refinados e sensíveis, e sua influência só pode agir livremente por meio do sistema nervoso. Seus efeitos físicos quase sempre são experimentados por meio de sua relação com outros planetas ou por seus aspectos. Mercúrio governa a Razão Pura ou o que se conhece como Razão Abstrata, a qual é humana, na realidade, e está completamente livre dos lados animais e mais rudes da Natureza, estado que para muitos é sobre-humano. É essencialmente o planeta do ritmo e da harmonia, e, por conseguinte, as posições ou aspectos adversos a este planeta perturbam a razão e os pensamentos e intuições mais elevados e puros do homem. Sua melhor expressão se dá por meio dos signos de ar e dos mutáveis, tendo Virgem - o mais etérico dos signos - como subinfluência. Seu efeito isolado, à parte dos signos, só pode ser percebido pelos adeptos. Vênus tem muito mais afinidade com o Zodíaco, embora a influência que exerce isoladamente dos outros planetas só possa ser experimentada pelos mais refinados e por aqueles que vivem vidas cultivadas. Tem simpatia por Libra, o começo do Zodíaco no reino humano, o signo do equilíbrio. Vênus é o planeta que significa a "Graça de Deus", mas para compreender este termo é preciso entender plenamente a influência do planeta Saturno. Embora sua ação seja muito mais poderosa na matéria etérica do que na física, as manifestações de Vênus - por meio das artes criativas e do refinamento do pensamento, sentimento e ação - trazem sua influência para bem mais perto de nós do que as de Mercúrio e Urano.

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Vênus é o planeta do equilíbrio, representando as percepções claras da mente, a qual, tendo expressado tudo o que possa ser percebido no plano físico, volta a visão para dentro para perceber agora os planos interiores do ser. Representa, pois, a alma humana. O planeta que representa qualquer Ego na manifestação pode encontrar-se e estar situado no vértice do triângulo individual, observando as seguintes linhas de desenvolvimento: Se na linha da Vontade, Urano; na linha da Sabedoria, Mercúrio, e, na linha da Atividade, Vênus. Dos sete planetas relacionados com os sete princípios do homem, Saturno é o central, e rege o estágio crítico entre a tríade individual e a pessoal da consciência. Pode ser denominado a "Ponte" entre as expressões superior e inferior de Manas, o abstrato e o concreto; assim sendo, é o caminho que conduz do inferior ao superior. Saturno é o grande crivo da evolução humana. Falando metaforicamente, ninguém pode ultrapassar a influência deste planeta se não pagou as dívidas do destino, ou Carma, até o último centavo. Em toda crise e em todas as fases críticas da evolução do homem a influência de Saturno decide o resultado. Saturno é, portanto, o planeta da Justiça pura, que sustenta a balança de Libra, o perfeito equilíbrio. Este planeta é Juiz e Legislador, e representa a Justiça de Deus. Ninguém pode ser perdoado enquanto não tenha recebido a sanção de Saturno. Como se disse, Vênus representa a "Graça de Deus", e, entre esses dois poderosos anjos, todo ser humano é pesado na balança de Libra, simbolizada com tanta frequência nos mistérios egípcios pela Balança, pelo Altar e pela Almofada do neófito. Nos ensinamentos cristãos, Satã "O Tentador" é a personificação de Saturno, o Provador e Crivador do espiritual das experiências materiais. Saturno, como planeta individualizador, torna permanentes todas as coisas, unindo todas as formas, controlando e restringindo as expressões da vida mediante limitações que fazem com que uma lição seja aprendida antes de se tentar aprender a seguinte. Saturno é o planeta do Darma, dever ou obrigação, para toda criatura humana. Saturno constrói o andaime em torno da juventude de cada alma, protegendo o edifício que está sendo erguido até que se obtenha a estabilidade, a perseverança e o controle de si mesmo. Aparentemente a mais baixa, a influência de Saturno é a mais alta que o homem mortal pode atingir. Em toda experiência psíquica, Saturno define a consciência mediante a compreensão e marca a época de toda alma em seu progresso através do Tempo, rumo à Eternidade. Saturno é, pois, o "Princípio Médio" entre as tríades material e espiritual. Entre cada triplicidade de signos há um centro ou ponto de equilíbrio, um ponto no qual duas forças se encontram e equilibram. Este é o ponto neutro em um centro, do qual emergem Forças e dentro do qual desaparecem. Os estados neutros conhecidos entre o sólido, líquido e gasoso são os centros de Laya, governados pelo crítico planeta Saturno. Da mesma maneira que Saturno tem um anel ao seu redor, sua influência marca o "anel de não passar" entre cada plano de consciência.

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Esses centros de Laya são as águas do Letes, que afogam a recordação do outro lado. Encontram-se entre o dormir e o despertar, entre a vida e a morte, e se não fosse por esse anel ou barreira natural não haveria interrupção na consciência. É a ponte de Saturno que nos permite passar através do desfalecimento da inconsciência, e isto só pode se realizar mediante a compreensão plena das leis do ser de cada um e dos métodos ocultos de progresso que levam da escuridão até a luz. Por baixo de Saturno na ordem dos Planetas está a Lua, que sintetiza as triplicidades de fogo como coroa da personalidade, pois ela recolhe a consciência pessoal por meio da cabeça e do cérebro, que rege; representa o homem psíquicointelectual centrado na cabeça com suas sete portas. Por isso faz-se tanto pé firme no controle da mente, com o objetivo de que a voz do homem espiritual, que tem sua sede no coração, possa ser ouvida quando se cala o inquieto cérebro. Dissemos que o raio da Mônada é representado pelo aspecto tríplice de Urano, Mercúrio e Vênus, e vimos como são poucos os que reagem à sua influência e que, por isso, o Sol representa a Individualidade para a maioria. A consciência, como representada pelo Sol, encontra-se focalizada no coração, que é o último lugar do corpo a morrer. Bem, do mesmo modo que o Sol como representante da consciência individual está centrado em Urano pelo gênio da individualidade despertada, a Lua, representante da personalidade, está centrada em Saturno, o planeta que controla o caminho do discipulado ou que liberta da irresponsabilidade. Assim, vêse quão importante é estudar a posição e os aspectos da Lua em todo mapa natal. O plano seguinte sob o mental é o dos sentimentos pessoais, governado pelo planeta Marte; este representa o homem animal na plenitude de sua força, uma força que não deve ser desprezada ou ignorada, mas que se deve transmutar e usar sabiamente, porque Marte representa a consciência de todas as células do corpo, inclusive o cérebro, excetuando-se o coração. O controle do desejo é necessário antes que o animal possa ser vencido e convertido em servo útil. O Cerebelo é o armazém de toda a força cármica ou passional; e Marte, seu planeta representante, fornece os materiais para a ideação, enquanto os Ióbulos frontais do cérebro dão o acabamento e o polimento aos materiais, mas não são seus criadores. Agora podese ver a afinidade entre Marte e Vênus, governando Marte o sentimento animal e Vênus a alma, de modo que quando ambos estão em harmonia, mediante a atração, o resultado é a afinidade; quando se opõe, há antipatia ou antagonismo entre eles. Temos de concluir agora este breve exame dos planetas com uma consideração sobre Júpiter. Este planeta governa todos os corpos do homem incluídos em sua Aura, desde a mais fina película de matéria que rodeia o "Divino Fragmento" até o corpo físico, e governa-os completamente por meio do sangue vital e dos sentidos. Contudo, não é prudente pensar que só Júpiter governa o corpo físico, pois todos os planetas têm influência sobre ele, mas como senhor ou rei do corpo Júpiter desempenha um papel importante e misterioso: o de dar expansão ao limite do Carma para a vida atual, e é deste modo que tem governo sobre os átomos e células do corpo.

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No que diz respeito à consciência física em si, Júpiter rege: 1º, o sensual; 2º, o instinto; 3º, o fisiológico-emocional; 4º, o passional-emocional; 5º, o mentalemocional e 6º o espiritual-emocional. Este último explica por que Júpiter significa a religião estrita ou ortodoxa e qualquer sentimento religioso no qual as emoções desempenham um papel proeminente. Aqui, o sentimento é mais ativo que o intelecto, e, a esse respeito, deve-se lembrar que a consciência astral e a física são intercambiáveis ou recíprocas. Esta parte de nosso estudo será tratada mais amplamente mais adiante, quando falarmos da relação entre o planeta Júpiter e a aura humana.

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CAPÍTULO 4

O SIGNIFICADO DA CASTA E DAS DIFERENÇAS SOCIAIS

Assim, diz-se que toda raça nasce, em sua evolução, sob a influência direta de um dos planetas, recebendo a Primeira Raça seu alento de vida do Sol, enquanto a Terceira humanidade - aqueles que de Andróginos se converteram em macho e fêmea - diz-se que esteve sob a influência direta de Vênus. Doutrina Secreta.

á muitas maneiras de explicar a origem divina do homem e sua longa peregrinação desde a divindade até a compreensão autoconsciente de sua imortalidade, passando por vários ciclos de manifestações. Contudo, para compreendê-la, os olhos do espírito devem se abrir à compreensão da divina centelha interior e, por necessidade, harmonizá-la com o exterior. A Astrologia Esotérica ensina esta verdade da divina herança do homem mediante uma simbologia antiga, que toma o Sol como seu símbolo central. Considera-se o Sol refletido por meio de seus inúmeros raios, como miríades de sóis cm miniatura, cujos reflexos por sua vez se espelham pelo vasto oceano da vida. Cada indivíduo é um sol em miniatura, que brilha com sua luz própria nas numerosas formas da matéria, e mediante os reflexos projetados novamente sobre si mesmo chega a conhecer-se como a luz daquele Sol interior. A Astrologia assinala estes reflexos na grande tela da matéria (em todas as suas diferentes formas) nos signos do Zodíaco, e sua presença nas vibrações planetárias como outros tantos modos de consciência. Mediante o mapa natal estuda as múltiplas identificações da vida persistente, com as formas sempre mutantes, e ajuda os que começaram a luta para retornar ao pai Sol, do qual não é mais do que um fraco reflexo.

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Nas civilizações antigas, cujas relíquias permanecem ainda hoje na Índia, o senhor da raça, o MANU ou Rei Divino, organizava grupos de homens no que se conhece como Casta ou, como diríamos no Ocidente, em graus de sociedade. Por este meio os homens sabiam onde estavam na escala de evolução e até que houvessem ultrapassado a Casta em que nasceram cumpriam os deveres inerentes à mesma. Chega um momento, em certos períodos da evolução, em que todos os sistemas de casta parecem ser rompidos para um novo acerto, e isso tem lugar quando há uma confusão quanto ao dever e uma petição de direitos que pertencem mais adequadamente à forma do que à vida. Um hindu pode explicar essa confusão de um modo mais adequado que um astrólogo ocidental, devido ao fato de estar perfeitamente familiarizado com a casta e suas relações com a Astrologia, e, por conseguinte, temos a sorte de possuir uma explicação simples e quase completa sobre este assunto em um admirável capítulo sobre a "confusão de castas" no primeiro volume de Estudos do Bhagavad Gita, por The Dreamer ["O Sonhador"]1, do qual fazemos o longo extrato seguinte na crença de que ajudará os estudantes ocidentais de Astrologia a ver como se lida com esse tema no Oriente. O Sonhador trata de O Yoga de discriminação, e no Capítulo 2 diz: "Permitamo-nos, pois, compreender o que é a casta e descobrir se existe alguma relação qualquer entre casta e dever. O Senhor, no Bhagavad Gita, descreve a casta ou a cor como sendo devidos à Guna e ao Carma. Estes formam os fatores diferenciadores na divisão das castas. A casta é assim a expressão, nos planos inferiores, das heranças cármicas e das qualidades internas desenvolvidas pelo Ego. Em outras palavras, numa Sociedade normalmente só há sempre uma regra fixa que governa as fases do crescimento individual, que depende das qualidades e limitações do indivíduo. "Se estudamos a origem do indivíduo, encontramos algo que ajuda a aclarar o tema. O indivíduo, ou, como é denominado às vezes, o Eu individualizado, quando começa a existir, é uma centelha branca da Luz Divina encerrada numa película incolor de matéria. É uma centelha que emana da Divina Chama e que possui desenvolvidas em si todas as qualidades do pai. A semente é lançada ao solo dos planos fenomênicos para que se desenvolva até a semelhança com seu senhor. No que diz respeito à Centelha de Luz, per se, é a mesma Divina Luz em todas as partes, é sempre a substância daquilo que no Gita recebe o nome de Daivi Prakriti. "Contudo, do ponto de vista dessa Luz, não há diferenciação nem evolução, não podemos assinalar-lhe começos no tempo, porque Ela sempre existe. Por conseguinte, devemos buscar em outra parte a raiz da evolução. "Embora seja em essência incolor, no princípio, em sua manifestação atual tem lugar certa mudança. A Centelha divina só pode chegar à matriz da matéria por meio

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Publicado pela Sociedade Teosófica, 161, New Bond St., W.


de alguns agentes intermediários, Raios de Luz, que recebem o nome de Filhos da Mente. A Divina Luz, ao manifestar o Universo desde o estado de pralaya, age não diretamente sobre o veículo da matéria, mas por meio do que podemos chamar "raios" definidos. Estes raios, ou lápis de Luz, captam a imagem do Logos de um sistema e o refletem nos diversos upadhis.1 As características desses raios são diferentes, bem como suas funções. Assim, aos raios que energizam e vivificam a matéria do cosmos em vários planos de matéria ou densidades diferentes dá-se às vezes, na literatura teosófica, o nome de Primeira Onda de Vida. Os Devas que vigiavam a elaboração das formas e a modelação do tabernáculo do homem procedem, por sua vez, da Segunda Onda de Vida. Quando o tabernáculo está no ponto, efetua-se então outro derrame do Logos, chamado a Terceira Onda de Vida. É o nascimento do indivíduo. "Muito bem: se nos detemos cuidadosamente nos Shastras, veremos que esta chegada do homem, ou melhor, a formação do veículo da individualidade, é causada pela ação daqueles Raios da Divina Luz conhecidos na terminologia teosófica como os Filhos da Mente, os Manasaputras de Brahma. Estes poderosos seres de um Kalpa anterior, tendo desenvolvido seus upadhis individuais - tendo alcançado a individualidade - convertem-se nos canais mediante os quais a única Luz Divina chega a se individualizar para fins de evolução. "Cada um destes grandes Filhos da Mente tem suas características próprias. Como o Homem perfeito, Ele é de natureza sétupla, mesmo tendo por princípio básico um certo princípio, ou seja, aquele no qual os outros entram e se inserem sem perturbar a harmonia básica. A harmonia básica é expressa por um som, cor e outras correspondências específicas. Assim, a cor básica pode ser denominada a cor do Raio em sua manifestação. Quando esses Raios Primários se subdividem, a cor básica não se perturba, mesmo quando chegam os outros princípios num grau levemente diferente (mas sem perturbar a harmonia). Esses grandes Seres, que nos kalpas anteriores tinham uma mente e uma consciência desenvolvidas, que inclusive tinham alcançado a felicidade espiritual na plena consciência de um gnanin, convertem-se no vínculo que une a centelha espiritual e os corpos materiais, a ponte que liga a matéria com o Espírito. Assim, lemos no Yoga Vashista como Eles foram visitar o Logos e como o orgulho e a consciência de Sua liberdade espiritual levaram-nos a recusar a obedecê-lo, e como foram condenados a encarnar no homem e a procurar-lhe corpos mentais bem organizados e bem providos, com as formas e leis do pensamento. Foram Eles, os Pitris Superiores, que forneceram às mônadas humanas emanadas o que se conhece como o corpo causal. Tais seres estão unidos às sete cores em que se refrata a luz branca singular quando passa através do prisma do princípio Buddhi. As diferentes características individuais que são propiciadas assim aos corpos causais das mônadas emanadas dão a esses corpos, feitos da delicada película da matéria causal, as suaves linhas da diferenciação. As cores do corpo causal assim

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Veículos ou "invólucros" (N. do A.).


fornecidas indicam as linhas de menor resistência, ou seja, as linhas ao longo das quais a centelha pode desenvolver melhor seus poderes latentes. Os planetas astrológicos que regem a vida de um homem são apenas outros nomes das influências destes Sete Senhores da Luz, e estes significam a Natureza, a ordem e o equilíbrio dos princípios nessa vida terrestre específica. Essa cor é, assim, o plasma espiritual, a base da herança espiritual da centelha que vem à existência, e, como já foi dito, define os limites do crescimento, as Unhas de ação, etc. do homem interior. É, por assim dizer, a tônica da vida desse homem, misturando-se com ela todas as outras notas de tal maneira que produz harmonia. Ao avançar a diferenciação, a cor básica se combina com as cores dos outros princípios, dando origem a uma definida variedade e combinação de cores, sem perturbar a harmonia básica. Isso pode ser entendido pela analogia da música, com suas sete notas principais. Na música da Índia temos seis Ragas ou notas principais manifestadas e uma não-manifestada, possuindo cada uma suas próprias marcas características. As Ragas se subdividem em subtons chamados Raginis, cada um dos quais possuindo diferentes marcas próprias, e, no entanto, tendo às vezes que se conectar com a Raga original de onde surgiu, embora diferindo em forma externa e até em notas e subnotas. A harmonia sutil que existe entre a Raga e os Raginis não é normalmente percebida; a identidade básica deixa geralmente de ser notada pelo músico vulgar, que observa mais a forma externa do que a essência interna. Quando as Ragas se diferenciam e se convertem em Raginis, não se perturba a harmonia básica, mas dentro de seus limites se organizam as outras notas de diversas . maneiras, dando origem a várias melodias, conservando ainda, para a harmonia básica, a característica da Raga original. Os próprios Raginis podem se combinar para produzir mais variedades, mediante a disposição das notas e subnotas em várias maneiras, embora resulte sempre em harmonia. "Assim é, também, o caso do homem. Os hindus estão familiarizados, mesmo sem se preocupar muito com sua verdadeira extensão, com o que se denomina o gotra e o prabara do indivíduo. Assim, todo mundo tem um prabara, a cor radical de seu ser, dependendo, como se sabe exotericamente, do Deus planetário particular, mas na realidade do raio particular que sai do Sol Central. Então essa cor radical se diferencia, dentro dos limites da harmonia, até que se alcance um Rishi particular, que é a fonte direta do plasma espiritual no homem, e ao longo dessas linhas deve viajar o indivíduo para que possa alcançar a meta com a mínima dissipação possível de energia. Isso é, como pode se conjecturar, o que se chama o guna do indivíduo, e define a lei de crescimento do indivíduo até chegar ao corpo causal. Esta é a razão pela qual, quando um homem ultrapassou as limitações do corpo causal, quando alcança a fase de PARAMAHANSA, abandona as marcas características da casta; e esta é, também, a razão pela qual quando está apto a sair do KARANA SHHAHIRA - é transladado de um raio para outro, para que, agora desenvolvido em força e equilíbrio, possa assimilar as qualidades de qualquer outro raio, e assim passar de novo à luz branca do Sol, de onde saiu, enriquecido com o fruto da evolução. A Natureza nunca atua "por saltos"; todas as suas obras são sequenciais.

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"Isso no que se refere ao guna1. E agora, vamos considerar o outro elemento, o carma do indivíduo. Carma é a expressão da vida em um dado plano. É, assim, a ordem, disposição e harmonia entre os seis princípios restantes que expressam a vida interior do Indivíduo. É a expressão dessa vida em termos dos princípios restantes. Da mesma maneira que na música a adição de duas notas secundárias e subnotas contribui para diferenciar uma Raga em miríades de Ragas e Raginis secundários, e também como a disposição harmoniosa das notas contribui para o que o músico chamaria o retrato e a expressão da Raga, assim também as disposições dos princípios contribuem para a diferenciação da Raiz Individual em vários subgrupos, espécies e indivíduos. Falando de novo em termos de astrologia, o elemento cármico se simboliza pela coordenação dos outros princípios. Da mesma maneira que na música as notas secundárias são necessárias para produzir - com sua disposição harmoniosa - maior harmonia, uma melodia mais agradável do que seria possível com a apagada monotonia de uma só nota, também em qualquer encarnação individual os princípios secundários estão sempre dispostos de modo a produzir uma harmonia mais adequada ao indivíduo e melhor adaptada à verdadeira expressão da vida real. Temos, na astrologia, a Chave Primária - sob a qual nasce uma pessoa - e o planeta natal, assim como também outros planetas que ocupam diferentes casas. Os planetas primários dão o Guna do indivíduo, enquanto a disposição de outros planetas e os lugares ocupados por eles indicam a ordem e relativa "energia motriz" dos princípios restantes. O planeta primário se associa com a fonte espiritual do seu ser, enquanto a ordem e a disposição dos outros expressam a fase de evolução, as capacidades desenvolvidas e, em suma, o Carma do indivíduo. A disposição harmoniosa dos planetas contribui para a manifestação da Vida interior segundo as linhas de menor resistência desenvolvidas no passado, e assim contribui para a maior diferenciação do Raio individual. Assim, várias pessoas podem ter o mesmo planeta primário como sua estrela natal, embora seja a disposição dos planetas restantes o que expressa sua vida como indivíduos. Esta disposição e ordem dos planetas secundários indica o Carma do indivíduo; mostra, para a mente devidamente treinada, as potencialidades físicas, mentais e superiores, assim como também os acontecimentos da vida de um homem. Indicam a qualidade, energia e capacidades dos diferentes corpos do homem, e assim contribuem para a expressão harmoniosa da vida interior em termos destes corpos. "Também podemos observar, de passagem, que até nas formas de iniciação pelo Guru da família, predominantes entre os hindus, faz-se o horóscopo de um homem e calcula-se a ordem e poderes dos planetas secundários antes que lhe seja concedido o MANTRA. Cada família tem um MANTRA especial, mas a forma do MANTRA depende da ordem e disposição dos planetas secundários do indivíduo. Mesmo que isso possa parecer, para muitos, uma limitação, na verdade essas limitações são necessárias para a mais verdadeira expressão da vida interior, e servem ainda ao

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Ritmo, qualidade (n. do T.).


Homem interior como instrumentos de crescimento, fornecendo-lhe veículos adequados e magistralmente elaborados para a manifestação da vida interior. "Assim, por cima da coloração original do Corpo Causal temos o Corpo do homem individual (formado pela matéria dos níveis de ARUPA do plano mental), as cores refletidas nesse corpo, as cores dos princípios desenvolvidos pelo homem e os aumentos de poderes que correspondem aos princípios. À medida que vai se desintegrando corpo após corpo, à medida que princípio após princípio vai sendo resolvido em potencial, as matérias colorantes passam para o Ovo Áurico, onde permanecem em estado latente como sementes cármicas que germinarão com o novo despertar do Ego, e delas sairão seus princípios e corpos inferiores, e essa a razão pela qual se dá ao Ovo Áurico também o nome de Corpo Causal. Desenvolvidos todos os poderes, ganham todas as coordenações de uma vida terrestre, conservam-se assim como cores que se manifestam por meio do Corpo Causal. A síntese de todos esses fatores, ao se manifestarem nos planos inferiores como poderes de consciência, é o que real e verdadeiramente pode ser chamada a cor do Indivíduo, sua Casta. "Um Corpo Causal bem desenvolvido, podemos aqui mencioná-lo, é uma coisa formosa, com os mais belos matizes cintilando através dele, algo de sublime glória; enquanto que, nas fases inferiores, aparece às vezes como uma neblina, inconsistente e instável, sem nenhuma manifestação de força vital, algo somente iniciado ao invés de um organismo definido". O autor prossegue, dizendo: "Fatos assim, revelados pela Astrologia atual, têm abundantes reflexos transcendentes se refletimos sobre eles". Acrescenta também sabiamente que "as infinitas subdivisões de castas que encontramos na Índia atual são o resultado de necessidades da evolução, até a especialização do indivíduo". As SUBDIVISÕES DO ZODÍACO HINDU O astrólogo oriental reconhece a notável correspondência entre as diversas divisões do Zodíaco e os tipos de matéria, e para explicar essas divisões e subdivisões dos signos fez mais do que podem imaginar muitos astrólogos ocidentais. O astrólogo hindu leva em consideração a menor divisão do Lagna, ou signo ascendente, que é certa fração de um segundo de tempo, como uma semente lançada ao solo cósmico ou Éter para soltar suas qualidades latentes, das quais o indivíduo que nasce absorverá mais ou menos, supõe-se, conforme suas capacidades de reação e a fase de evolução da alma. O astrólogo hindu é, aparentemente, um fatalista, mas individualmente tem uma crença firme no livre arbítrio, dentro de certos limites bem definidos. A bem estabelecida crença na reencarnação e na transmigração faz dele um fatalista no que diz respeito as recompensas e castigos das vidas passadas, e por que atribui o destino inevitável da vida presente a causas postas em movimento em um nascimento anterior, uma vez que possui uma compreensão do Carma muito maior que o astrólogo ocidental.

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Como já dissemos em capítulos anteriores, há três modos fundamentais de matéria e quatro disposições diferentes desses três modos, o que produz sete tipos distintos de caráter. Os modos de manifestação de pensamento, sentimento e ação serão diferentes em cada tipo, inclusive em circunstâncias parecidas; e esse conhecimento da lei torna possível prever resultados a partir das diversas divisões do Lagna, ou signo ascendente. A crença no destino e no livre arbítrio é só parcial, porque um homem não está nem sujeito inteiramente ao destino, nem é inteiramente livre, e a única maneira de medir a extensão de suas limitações é esforçar-se para compreender sua condição de conhecimento ou de ignorância; o que, numa sociedade bem organizada, o atrairia até a casa ou estado social a que pertence naturalmente. Um homem com conhecimento se esforçará por trabalhar com alguém que tenha o poder de ajudá-lo, enquanto um homem ignorante pode recorrer a um agiota, que lhe cobrará uma alta taxa de juros, deixando assim ainda mais desesperadoras suas condições. Ao que parece, o astrólogo hindu possui um notável conhecimento do valor das subdivisões do tempo e do arco em relação com a influência planetária. Estas subdivisões se agrupam em Trimsamsas, Dwadasamsas, Asterismos, Navamsas, Drekkanas e Horas, e formam um completo zodíaco, segundo se ilustra em nossa figura seguinte (Figura 3: veja Frontispício). Para o astrólogo hindu, os céus formam o Macrocosmos e o homem, o Microcosmos. O homem é uma cópia exata do universo, um mundo pequeno ou miniatura do grande mundo que o rodeia. Infelizmente, a grande dificuldade em se harmonizar a ciência oriental e a ocidental repousa na medição exata do Ayanamsa, que é a diferença entre o primeiro ponto das constelações zodiacais, conhecido como Nirayana Sphutam, e o equinócio da primavera no começo da eclíptica, conhecido como Sayana Sphutam. A Astrologia hindu calcula os lugares dos planetas com base no Nirayana Sphutam, e o fracasso em se medir corretamente a longitude do ayanamsa faz com que o horóscopo do hindu não seja confiável, ao ser julgado pelas normas ocidentais. Alguns astrólogos se interessaram pela tentativa de aplicar as interpretações do zodíaco hindu ao sistema ocidental, não com muito êxito até agora. No entanto, o autor acredita que esta interpretação do zodíaco hindu constitui a esperança de que a Astrologia Esotérica seja reestabelecida ao lugar que lhe corresponde como um sistema único de genetlialogia, com métodos próprios, distintos da atual e desfavorável mescla com a Astrologia Horária. Falando em termos gerais, há, na astrologia hindu, três métodos principais de classificar o Zodíaco e suas divisões. (1) (2) Os vinte e sete asterismos sobre os quais tem a Lua o principal governo; Os doze signos e suas numerosas divisões, sobre as quais tem o Sol seu principal governo; (3) Os nove planetas em suas relações como regentes sobre as duas classes anteriores.

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Ao tratar desses sistemas de classificação zodiacal, com relação aos quais são feitas as interpretações hindus, é preciso recordar que, em vez de partir da suposta posição da estrela fixa Revati (que alguns dizem ser Zeta Piscum), nós partimos do primeiro ponto do signo de Áries, desde o qual foram medidos os diversos graus do diagrama. À primeira vista, este diagrama parece muito complicado, mas é, na verdade, muito simples se o vemos do ponto de vista de um só signo e se são seguidas cuidadosamente suas divisões, começando do centro e rumando para a circunferência. Tomando Áries, ver-se-á que este signo se divide em duas metades, positiva e negativa, regidas pelo Sol e pela Lua. Uma pessoa nascida nos primeiros 15o de Áries será mais positiva que negativa, mais masculina que feminina, no que diz respeito a esse modo de expressão, e o mesmo se aplica se um planeta ocupa esse signo no nascimento ou se desloca até ele depois do nascimento. A metade positiva pertence ao lado de manifestação centrífugo da vida, elétrico, volitivo, subjetivo, e a metade negativa ao lado centrípeto, magnético, formativo, objetivo e plástico. O signo de Áries tem, no lugar seguinte, três divisões principais de 10° cada uma, conhecidas como drekkanas ou decanatos, governados por Marte, Sol e Júpiter. A seguir, vem a classificação conforme os navamsas de 3 1/3° cada um, e que possui a natureza dos signos do Zodíaco e seus respectivos regentes. Esta é seguida pelos asterismos, cada um dos quais com 13 1/3°. O círculo seguinte é o dos Dwadasamsas, onde se vê que um signo se divide em doze porções iguais de 2°30' cada, presidida, cada uma, por um dos signos do Zodíaco e pelo senhor desse signo, levando assim a influência dos doze signos a cada uma delas. O círculo exterior é o dos Trimsamsas ou graus, que são considerados como os mais importantes. Estes se agrupam um tanto irregularmente, segundo o modo dos "termos" ptolomaicos, e não são tão fáceis de se seguir, como os outros. Fora desse conjunto, encontram-se os signos e seus nomes hindus. Este complexo método de dividir um signo em numerosas partes levou alguns autores hindus a compilar numerosos slokas, que incorporam, em forma de aforismo, todas as regras e ideias relacionadas com cada pequena divisão do Zodíaco; devido à confusão causada pelas diversas medições do ayanamsa, muitos desses slokas -especialmente referentes ao Lagna e suas divisões - já não se aplicam. O autêntico astrólogo hindu espera que seu irmão ocidental restaure o antigo conhecimento do Zodíaco e de suas divisões por meio de um método de cálculo mais exato e preciso. O autor desta obra não imagina que o Zodíaco das constelações possa, de algum modo, afetar diretamente os seres humanos, salvo por meio da Astrologia Nacional ou Mundana, na qual é essencial considerar as constelações e conhecer com exatidão a precessão dos equinócios, mas na Astrologia genetlíaca ele parece ter valor escasso, ou nulo.

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A eclíptica é um reflexo das constelações consideradas à parte da precessão, e enquanto não voltarem a coincidir a eclíptica e as constelações a humanidade ver-se-á envolvida em outro dos inúmeros ciclos pelos quais está obrigada a passar enquanto se dirige a essa meta de perfeição, que está destinada, no final, a alcançar. Aplicando o sistema hindu de dividir o Zodíaco aos métodos ocidentais, podemos aumentar proveitosamente nosso conhecimento acerca de sua influência sobre a vida e o destino humanos. Em primeiro lugar, podemos usar razoavelmente a divisão de cada signo em metades, positiva ou masculina e negativa ou feminina, governadas respectivamente pelo Sol e pela Lua. Também podemos aceitar o bem provado sistema dos decanatos, mas ao ir além dessas divisões devemos trabalhar com o campo da experimentação. Se aceitamos essas importantes divisões de um signo em Horas e Decanatos e as aplicamos a cada grau de um signo, teremos reduzido nossas divisões até o ponto em que é seguro proceder atualmente; sua aplicação mesma será insegura caso o horóscopo não tenha sido retificado, eliminando toda possibilidade de erro no horário do nascimento. Há 60' em cada grau, que, ao ser dividido, dá 30' positivos e 30' negativos. Aplicados na ordem dos signos, veremos que a primeira metade do primeiro grau de Áries é masculina e que a segunda metade é feminina. A primeira metade do segundo grau será feminina e a posterior masculina, e assim sucessivamente através dos 30° do signo de Áries. A primeira metade do primeiro grau de Touro será feminina e a última metade do primeiro grau masculina, enquanto a primeira metade do segundo grau será masculina e a última metade desse grau feminina, e assim por diante. Logo, temos como masculina a primeira metade do primeiro grau de cada signo positivo e feminina a primeira metade de cada signo feminino ao longo do Zodíaco. Quanto aos decanatos, os primeiros 20' de cada grau serão da natureza do próprio signo e os 20' seguintes serão da natureza do segundo decanato desse signo, e os 20' terceiros ou últimos da natureza do terceiro decanato. Contudo, como dissemos, essas pequenas divisões não são confiáveis, a menos que o horóscopo tenha sido especialmente retificado, e mesmo então será preciso um juízo acima do comum para entender seu verdadeiro valor. A astrologia do futuro averiguará, com toda certeza, o valor exato de cada grau do Zodíaco, e, em vez de contentar-se, como até agora, com o conhecimento de alguns graus, estimará seu valor verdadeiro. A Astrologia perdeu, em grande parte, o valor dos graus do Zodíaco considerados separadamente e em conjunto, e será tarefa do pesquisador do futuro redescobri-los e classificar sua influência em proveito da astrologia genetlíaca. COMPRIMENTOS DE ONDA Para a maioria dos leitores, será familiar a ideia de que o zodíaco eclíptico é a aura da Terra, e que as quadruplicidades, triplicidades e signos são subdivisões

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trazidas à existência pelas sutis forças elétrica, magnética e de outro tipo que atuam na matéria dessa aura. Dizem que há muitas de tais forças, de várias ordens e com diversas propriedades, que ainda não foram descobertas pela ciência, e parece bastante seguro que em quaisquer outras subdivisões do Zodíaco, no seu conjunto, ou dos signos, tomados separadamente, baseiam-se nas vibrações dessas forças na matéria etérica, astral ou de outro tipo pela qual passem. Mesmo a mais longa dessas vibrações deve ser, naturalmente, sumamente . pequena se comparada com toda a circunferência da Terra, mas se um número de vibrações de classes diferentes passam juntas através do Zodíaco ficarão marcadas regiões de harmonia e de discordância. Onde se sincronizam duas ou mais classes de vibração haverá harmonia, mas onde se chocam ou interferem haverá discordância. Assim, mesmo se a matéria pela qual passam essas forças fosse originalmente uniforme, ficará dividida em regiões, as quais variam em número e em propriedades, segundo a natureza das forças, suas categorias vibratórias e a harmonia ou discordância resultantes. As subdivisões muito pequenas do grau estão marcadas por vibrações consideradas em separado, ou apenas umas poucas de cada vez. As subdivisões maiores, tais como as de um signo, resultam de um grande número das pequenas, que foram agrupadas e ali estabeleceram pontos de concordância e de discórdia próprios, tal como o fizeram originalmente as ondas mais ínfimas. E quando essas, por sua vez, juntam-se, formam não apenas signos, mas grupos de signos, como as triplicidades e quadruplicidades. Um número de classes simples de vibração nos dariam - se conhecêssemos seu valor numérico - regiões do espaço com propriedades variáveis, como as que realmente encontramos no Zodíaco. Ainda não sabemos quantas dessas forças devemos levar em conta, nem podemos dizer, com segurança, até que ponto é praticável dividir e subdividir signos e graus, mas a teoria científica nos apresenta um quadro claro de nós e inter-nós vibratórios como algo não apenas possível, mas inevitável. O Zodíaco é um vasto instrumento musical, e as leis da harmonia musical são observadas em toda a sua extensão; algum dia, relacionar-se-ão com as propriedades conhecidas dos signos e dos planetas. A ilustração seguinte mostra como se fariam as subdivisões assim que, num meio previamente uniforme, pusessem-se em marcha algumas forças de diferentes categorias vibratórias.

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Esse diagrama representa seis sistemas diferentes de vibração de diferentes forças. A força A se desloca a certa taxa uniforme, e mostram-se doze de suas ondas, indicadas pelos números um a doze ao longo da linha horizontal. A força B tem um comprimento de onda duplamente maior, e apenas seis de suas ondas estão incluídas em relação às doze de A. Harmoniza com A nos pontos verticais marcados Z, X, V, T, R e P, mas discorda nos pontos intermediários. Essas harmonias e discordâncias entre A e B correspondem à diferença entre signos ímpares e pares. A força C tem um comprimento de onda três vezes maior que A, e as duas coincidem nos pontos Z, W, T e Q, e esses pontos correspondem às triplicidades. A força C coincide com B apenas em dois pontos, Z e T. A força D tem um comprimento de onda quatro vezes maior que A, e ambas coincidem apenas em três pontos - Z, V, R -, que, neste diagrama, correspondem às quadruplicidades. D coincide com B também nesses mesmos pontos, mas é marcantemente desarmoniosa tanto com A como com B em X, T e P. As outras duas forças do diagrama, E e F, explicam-se por si mesmas. Se levamos em conta as seis forças, quatro delas coincidem em T, o que corresponde à divisão do Zodíaco em duas metades, a setentrional e a meridional. Se o diagrama estivesse disposto de modo a representar um deslocamento circular e não horizontal das forças, simbolizaria melhor o Zodíaco. O número de forças também deveria aumentar, representando-as como que girando sobre si mesmas ao redor do círculo. Dessa maneira, haveria nodos e internodos adicionais, alguns dos quais de considerável complexidade, correspondentes a subdivisões de signos, mas isso complicaria o diagrama de modo indesejável; uma representação mais simples, tal como esta, embora incompleta, será mais fácil de entender. É seguro dizer que existem outras subdivisões dos signos além das mencionadas nos livros hindus já publicados, e cabe questionar se as que aqui foram apresentadas receberam classificação correta em todos os casos, dado especialmente o fato de que algumas dessas classificações variam nas obras de diferentes autores. A divisão em sete partes está relacionada com um sistema descrito no Livro III do The New Manual of Astrology [O Novo Manual de Astrologia], que trata da Lei do Sexo, pelo qual cada quadrante zodiacal se dividia em sete. As vinte e oito partes resultantes coincidem com as chamadas Mansões da Lua, às quais referiam-se alguns dos autores mais antigos e que desapareceram das obras modernas. Em conjunto, essas subdivisões são, de certo modo, propriedades do Zodíaco e de suas forças tomadas separadamente. Quando se tira qualquer conclusão da presença, digamos, do ascendente em uma das subdivisões, ela dependerá das características naturais daquele arco, derivadas da classe de força que está atuando. Quando, além disso, toma-se em conta a influência do planeta, o caso se modifica. As vibrações da força que emana do planeta serão harmoniosas ou discordantes das que existem naquela parte do Zodíaco considerada independentemente. Por isso, segue-se inevitavelmente que cada planeta terá suas posições de força ou harmonia e de debilidade ou discordância, e que estas posições poderiam ser graduadas (para

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qualquer planeta, se fosse suficiente a informação de que dispomos) desde a perfeita harmonia (domicílio), passando pela harmonia parcial (exaltação, etc), até a discordância parcial (queda) e a discordância completa (exílio), segundo as leis da harmonia musical.

TRANSCENDENDO A CASTA Enquanto estamos tratando da massa de detalhes referentes às pequenas divisões e subdivisões, não devemos perder de vista o fato de que, por trás do conjunto, o ego real é uma unidade incomposta e desarmoniosa, eternamente banhada pela luz do Sol Central. A confusão de castas surge quando a harmonia interior não encontra sua resposta no mundo exterior, ou, como diria o Sonhador, quando o Ego deixa de discriminar entre o Real e o Irreal. Nas regras exotéricas da Astrologia, encontramos uma disposição harmoniosa das doze casas de um horóscopo com os doze signos do Zodíaco e também com os planetas, como senhores e regentes de seus signos respectivos, e podemos ver com que facilidade essa disposição harmoniosa pode ver-se transtornada por uma leve mudança na disposição. Mas a Astrologia Exotérica deixa grandemente de encontrar a harmonia em meio à aparente desarmonia das subinfluências dos signos, o que contribui evidentemente para a confusão ao perturbar a ordem natural das coisas, em vez de, como procura mostrara Astrologia Esotérica, restaurar aquela harmonia com uma maior compreensão autoconsciente, que a ordem natural não deu ao indivíduo. De nada serviria a Casta, ou os diversos graus da sociedade, se mantivesse o homem atado às suas leis não-escritas, mais ou menos rígidas, das quais não pudesse se elevar mediante o esforço e o mérito individuais. Enquanto o homem está se desenvolvendo nas primeiras fases de sua Casta de evolução, é necessário retê-lo dentro dos laços das leis e de costumes justamente ordenados; mas quando o homem se converteu em uma lei para si mesmo e construiu, dentro de sua própria natureza, o desejo de fazer o justo somente por amor ao justo, então já não está obrigado a obedecer à rígida influência dos signos do Zodíaco, ou, como se diz corretamente, de "suas estrelas"; mas obedece de bom grado aquelas leis que ele conhece e entende, e conscientemente trabalha com as influências que, compreendidas, constituem um meio perfeito para um fim perfeito. Astrologicamente, elevou-se primeiro acima da escravidão da Cruz das doze casas; depois, acima das Cruz dos doze signos e, finalmente, acima da Cruz das influências planetárias que afetam esses signos. Seu Sol brilha agora gloriosamente radiante, iluminando o Caminho que se estende adiante dele e que já não se projeta nele, como uma luz refletida; porque ele mesmo se converteu naquele Sol, e brilha agora sobre outros, para iluminar os escuros lugares de dúvida e desespero que ele mesmo havia habitado. O Cristo nasceu dentro dele, a matéria já não o ata, está livre, e busca a maneira de triunfar sobre a vida, tal como anteriormente triunfou sobre a morte.

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CAPÍTULO 5

As CASAS E SUA IMPORTÂNCIA

Não sabeis que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se algum homem profana o templo de Deus, Deus o destruirá, porquanto o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós.

s doze casas são importantes porque exercem sobre o destino e a sorte no mundo exterior, o Carma da vida atual, uma influência mais direta do que os signos zodiacais ou os planetas, quando considerados à parte das casas. As casas podem ser comparadas com o corpo físico e as posições planetárias nos signos com o homem interior que habita esse corpo. A posição zodiacal - com esse ponto de vista - torna-se muito importante, porque revela os poderes e possibilidades do homem interior, suas capacidades, suas faculdades fortes e fracas; no entanto, na prática atual, isto está subordinado à posição das casas. Seja a alma forte ou fraca, sábia ou néscia, selvagem ou civilizada, não pode realizar nada neste plano a menos que possua um corpo físico mediante o qual possa atuar. Isso é certamente verdadeiro quanto ao homem mediano, pois quando desencarna, é tão completamente incapaz de demonstrar que sobreviveu à morte do corpo que um grande número de pessoas hesita em crer que haja algo que sobrevive, ou então pensa que o corpo é o homem real. É igualmente verdadeiro se levamos em consideração os fenômenos do espiritismo e das intervenções paranormais nos assuntos humanos em geral. Nestes casos, ou o corpo desencarnado toma por empréstimo o corpo de alguma pessoa física viva, ou é capaz de reunir, ao seu redor, quantidade suficiente de matéria deste mundo para servir-lhe de corpo provisório, e mesmo assim não pode realizar ações físicas.

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Portanto, a posição planetária nos signos, embora altamente importante quanto aos poderes e características interiores, não é necessariamente tão importante com respeito aos fatos e acontecimentos do mundo exterior. Isso não quer dizer que tais acontecimentos não sejam nunca significados pela posição no signo, mas que não são assim tão inevitáveis como a posição na casa. Por exemplo, se a Lua está na sétima casa no horóscopo do homem, bem aspectada, e se nenhuma outra coisa o contradiz, o casamento é quase tão seguro quanto poderia ser; mas se a Lua está no sétimo signo, ao invés de na sétima casa, o casamento não pode ser predito com tanta confiança, mesmo que os aspectos sejam os mesmos. É possível que o homem deseje se casar e seja apto para viver felizmente nesse estado, mas a posição no signo não terá a inevitabilidade da posição na casa; e antes que se faça uma predição definida, deveria observar-se a influência de qualquer planeta na sétima casa; ou, se não há nenhum, a posição do senhor da sétima em relação à Lua, Vênus e ao regente do ascendente. Contudo, esta distinção entre signos e casas varia um pouco segundo a idade da alma- sua posição na sequência evolutiva. Como já se disse noutro lugar, as almas mais jovens estão agora muito profundamente imersas no corpo, e, por conseguinte, são as que estão mais expostas à influência da posição das casas, porque as doze casas correspondem ao denso corpo físico, o qual, tomado isoladamente como corpo, pode ser o de um selvagem ou de um santo, um idiota ou um gênio, e as casas significam o corpo de qualquer pessoa. No caso da alma jovem e não evoluída, a posição na casa será quase absolutamente importante, e uma influência maléfica ou benéfica operará por si mesma, com segurança prática. No caso do caráter forte e altamente evoluído, alguma espécie de gênio ou de santo, as circunstâncias serão moderadamente invertidas. Sua força, caráter ou grandeza de alma é, muito mais provavelmente, significada por posições e aspectos nos signos do que nas casas. A posição na casa ainda intervirá no problema, mas mostrará até que ponto o corpo está adaptado para atuar como veículo para este tipo de alma, e até que ponto o carma da vida atual ajuda ou impede os poderes internos da alma; não exercerá tanta restrição e limitação, não haverá tanta inevitabilidade, como no caso da alma mais jovem. Os planetas, isoladamente dos signos e das casas, representam o homem espiritual individual, considerado à parte tanto da personalidade temporal como do corpo físico. Aqueles que alcançaram a fase de super-homem da evolução, que passaram por uma ou mais das grandes iniciações, ficarão mais sob a influência direta dos planetas e exibirão características planetárias além dos signos e das casas; apesar disso, mesmo estes, ao descer à manifestação, terão de assumir vestes zodiacais para a alma e corpo físico, e deverão submeter-se, de certo modo, às limitações naturais. Em tal caso, as posições nos signos indicarão que poderes psíquicos se encarnaram na personalidade, e as posições nas casas indicarão a natureza da obra que se empreendeu e o ambiente em que deve se realizar, pois o corpo está adaptado (e é um espelho dele) ao mundo no qual se move e ao uso que deve ser feito do mesmo. Aqui, a posição do planeta ao qual a alma pertencia seria o fator predominante, o centro e

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o coração do conjunto, e todo o resto estaria subordinado a isso - corpo, acontecimentos e caráter, todos seriam igualmente governados pelo espírito interior. Há, assim, três estágios de evolução. A alma jovem e inexperiente se encontra sob o domínio das doze casas, e quase não pode fazer mais do que se submeter às condições que elas impõem. A alma mais forte e experimentada tem caráter e faculdades próprias, indicadas principalmente pela posição de signo, embora os signos zodiacais pertençam a todo tipo de alma e mostrem todos os estados de ânimo e todas as fases, desde o animal até o humano altamente evoluído. Finalmente, os planetas - isoladamente dos signos - representam o estágio sobre-humano da evolução. Um horóscopo é, assim, uma combinação de espírito, alma e corpo, e as doze casas são a expressão física do todo.

CLASSIFICAÇÃO DAS CASAS Voltando agora à classificação das casas, há que se observar que estão divididas em grupos triplos e quádruplos, que correspondem exatamente aos signos zodiacais. Cardinal ou Angular Fixas Sucedente Mutável ou Cadente

I, IV, VII, X Fogo Terra

II, V, VIII, XI Ar

III, VI, IX, XII Água

I, V, IX

II, VI, X

III, VII, XI

IV, VIII, XII

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É de se estranhar que se, por um lado, os termos cardinal, fixo e mutável aplicados às casas recebem os nomes de angular, sucedente e cadente, por outro, não tenha sido proposto nenhum substitutivo para os termos fogo, terra, ar e água, de sorte que estes quatro nomes têm de ser empregados igualmente para os signos e para as casas. Além desses dois grupos, há também a evidente distinção entre as metades diurna e noturna dos círculos; pois o Sol sai na cúspide do ascendente - horizonte oriental - e se põe na cúspide da sétima casa, ou horizonte ocidental; de sorte que as casas doze até a sétima pertencem ao dia; o resto, à noite. Embora tecnicamente o ascendente faça parte da metade escura, deve ser incluído no dia, pois é a casa do crepúsculo matutino. Essas metades diurna e noturna dividem o círculo em dois pelo diâmetro horizontal, a linha do horizonte. Através desta há outra classificação dupla, a das metades ascendente e descendente do círculo do céu. A cúspide da quarta casa, ou nadir, ou ponto da meia-noite, é a parte inferior do círculo, e a cúspide da décima casa, ou zênite, ou ponto do meio-dia, é a superior. Qualquer corpo celeste que se desloque da quarta para a décima passa de uma posição inferior a outra superior, e neste sentido está ascendendo.


A metade diurna do círculo é a manifestação, revelação, exposição à luz, criação, abertura, publicidade, poder, manvantara, e a metade noturna é a de ocultamento, latência, retirada, dissolução e pralaya. A metade oriental ou ascendente do círculo é a do Ego, egoísmo, de seu aumento, individualização, separação dos outros, evolução, obtenção de poderes ou faculdades; e a metade ocidental ou do descendente é a dos Outros, o resto do mundo, quer sejam considerados amigos ou inimigos, união, diminuição do Ego, involução, altruísmo. Quando consideramos esses dois diâmetros ao mesmo tempo, forma-se a conhecida cruz do círculo, dividindo-o em quatro quadrantes. Essa é a base de todo o horóscopo; na verdade, quase que se poderia dizer que este é realmente o horóscopo, e que as oito casas restantes são meras subdivisões. Podemos ver quão claramente essas quatro partes do círculo possuem as características e propriedades que se lhes atribuem examinando sua relação com referência ao movimento aparente do Sol em seu nascimento e em seu ocaso. A cúspide do ascendente é o ponto de saída do Sol; a da décima, o do meiodia; a cúspide da sétima casa, o ponto de pôr-do-Sol, e a cúspide da quarta, o de meia-noite. Três desses quatro pontos se relacionam com o dia, a saber: a saída do Sol, quando começa o dia; meio-dia, a metade do dia e o ponto de mais completa manifestação; e o pôr-do-Sol, quando o dia acaba. O ponto restante marca a metade da noite, e, neste sentido, marca o ponto do qual saem os outros três, que continuam durante a manifestação do dia; regressam novamente quando o dia chega ao fim e se transforma em noite; assim, dos quatro pontos, um que está sempre escondido é a fonte dos outros três manifestados, e os quatro podem dividir-se em um três manifestado e em um sintético escondido. Quando o Sol está na meia-noite, a escuridão reina sobre o mundo; terminaram as atividades do dia e, tipicamente, todos os homens dormem. No mundo atual, naturalmente, em especial nos centros ativos da vida humana, há algumas atividades que se desenrolam durante as vinte e quatro horas, mas é evidente que este período corresponde cosmicamente ao pralaya, antes de que o Sistema Solar chegasse a existir ou depois que tenha deixado de existir, enquanto individualmente indica o estado similar de não imanifestação - antes que a alma tivesse nascido num corpo neste mundo físico ou depois que tenha saído desse corpo, com a morte. Em termos das fases lunares, corresponde à Lua Nova, quando o satélite de nossa vida fica invisível, afastado de toda manifestação, o meio da "quinzena escura". Quando sai o Sol, começa o dia e suas atividades. Aqui, as correspondências com a chegada à existência de um Sistema Solar e com o conhecimento de um ser humano são demasiadamente evidentes para que faça seja necessário sobre o tema. Algo que antes estava latente está se manifestando agora. Este é o ângulo do Ego, o separado centro em torno do qual vão se reunindo todas as experiências subsequentes, ações, sentimentos e cognições. O Pranava Vada informa-nos que, em termos da palavra sagrada hindu Aum, a saída do Sol corresponde à letra A, ao Ego e à cognição;

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e, como o ascendente ou a primeira casa estão associados com o primeiro signo, Áries, com o fogo e o plano mental, isso é apropriado. Ao meio-dia, as atividades cotidianas se encontram em sua maior animação, o ponto da manifestação mais completa possível foi atingido, e há uma evidente analogia com o período médio de vida de um sistema solar, com o quarto globo de uma cadeia e com a quarta raça. O Ego está elevando ao máximo seus poderes como ser separado, e suas capacidades, que só eram possibilidades, ao princípio, converteram-se agora em realidades. A correspondência aqui é com a letra U, o não-Ego e a ação, e os astrólogos observarão que a décima casa significa ocupação, quer dizer, ação no mundo exterior e a culminação dos poderes do indivíduo. Aqui aparece o signo de terra Capricórnio, que pertence ao plano físico e à ação. Ao pôr do Sol, as atividades do dia estão a ponto de terminar. O Sol está agora no ponto médio daquele declinar que começou quando tinha sido passado o ponto do meio-dia. O período de manifestação está chegando ao fim, e estão começando o descanso e a cessação da atividade. O Ego, que foi separado ao sair o Sol e ao meio-dia, perde aqui sua separação, e fica indissoluvelmente associado com os outros e misturado com eles, e, ao fazê-lo, adquire assim características e faculdades apropriadas a aquele estado, para o bem e para o mal; ou seja, amor e ódio, amizade e inimizade, e se produz o despertar de todos os poderes emocionais e intuitivos a eles associados; este é o ângulo dos Outros, e corresponde à letra M, à relação entre Eu e Não-eu, e o desejo (na personalidade ou consciência búdica na individualidade). Embora tenham sido referidos esses quatro pontos quanto ao Sol, os mesmos princípios se aplicam à saída, culminação ou ocaso de qualquer outro dos corpos celestes. Quando sai um planeta, manifesta-se como ego separado; quando culmina, encontra-se na posição mais proeminente possível, e se encontra no período médio da transformação; quando se põe, está diminuindo sua separação e está começando a união, e quando está no meridiano mais baixo, retirou-se completamente da manifestação. Esta divisão quádrupla do círculo dá as quatro triplicidades de fogo, terra, ar e água. Quando se inscreve o triângulo equilátero no círculo, resultam as três quadruplicidades: dos signos Cardeais ou rajásicos, signos Fixos ou tamásicos e signos Mutáveis ou sátvicos. Esta classificação, aplicada às subdivisões do dia, não é tão familiar; e, em sua maior parte, é utilizada como uma mera subdivisão do sistema quádruplo, mediante o qual cada quadrante se divide em três partes, dando as doze casas no total. A divisão do dia em três períodos, além de ter sido empregada pelo rei Alfredo, o Grande, foi utilizada realmente pelos antigos magos egípcios, e encontramos um breve relato disso na obra Egyptian Magic [Magia Egípcia], do dr. E. W. Budge. A experiência indica que as partes do céu que estão em trígono mundano umas com outras, ou que estão situadas nos pontos de um triângulo equilátero, têm muitas propriedades em comum, e que esta classificação é uma realidade. Os três pontos desse triângulo e suas correspondências não devem ser confundidos com os pontos manifestados da cruz. Há a tentação de confundi-los, e, em

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alguns aspectos, existe realmente uma analogia. Se em vez de representar o dia e a noite como duas metades do círculo cada uma estivesse representada como um círculo completo em si mesmo, a analogia seria completa, e o nascer do Sol, o meio-dia e o pôr-do-Sol formariam um triângulo parecido com o das quadruplicidades, e com correspondências parecidas. Contudo, tal como estão as coisas, especialmente na astrologia prática, a meia-noite é um quarto ponto, que forma uma cruz quando se une aos pontos de saída do Sol, meio-dia e pôr-do-Sol, de sorte que os três últimos são três ângulos de um quadrado, e não formam um triângulo equilátero como as quadruplicidades. As três quadruplicidades são também mais sutis que as quatro triplicidades, pois as últimas correspondem ao fogo, terra, ar e água, que são estados da matéria, todos plenamente manifestados e objetivos, enquanto o triângulo corresponde mais certamente a qualidades e modos de movimento, e a coisas abstratas deste mundo onde a alma se manifesta sempre em um corpo. O triângulo é um grupo de três, e a unidade ou síntese deles faz, em certo sentido, um quarto, mas isto é completamente diferente da cruz, onde o quarto - embora também seja, de certa forma, a fonte e o fim dos outros três - é apenas outro ponto dentro do mesmo círculo, distinto de cada um deles. Em suma, um leva o simbolismo do ternário e o outro o do quaternário.

A INFLUÊNCIA DAS CASAS As quatro casas Angulares - I, IV, VII e X - são as mais importantes de um horóscopo; certamente, constituem a tal ponto uma parte essencial do mapa, que as outras casas, como observamos anteriormente, aparecem como pouco mais do que subdivisões destas quatro. A influência dos ângulos é parecida com a dos signos cardinais, relacionando-se com fazer manifestas e concretas as coisas, com trazer à luz, revelar e manifestar qualquer coisa que esteja latente na personalidade, e tudo o que está indicado pelos signos e planetas relacionados com os ângulos. Contudo, as quatro casas que se classificam como ângulos não estão todas em um plano de igualdade a esse respeito. Já vimos que a metade diurna do mapa, incluindo o ascendente, tem a ver com o levar da latência à manifestação, e que as casas por sob a Terra tendem a velar, preservar, proteger, esconder e reter na latência. Mas o caráter privado e reservado que rodeia as casas inferiores é só relativo, e não absoluto, porque como todas elas se relacionam com várias atividades da vida, seu repouso não é o de uma completa inconsciência. Falando de um modo geral, cada casa da metade noturna do mapa reflete sua oposta na metade diurna, de sorte que as duas chegam a ser complementares: a primeira e a sétima, a segunda e a oitava, a terceira e a nona, etc. Dos ângulos, o ascendente e o meio-céu são os mais potentes e ativos, e seria apenas um exagero dizer que tudo o que está significado por planetas nessas casas deve inevitavelmente ser expresso de algum modo, e não pode ser evitado. Conclui-se que os planetas nesses dois ângulos denotam o que pode ser chamado de uma vida típica do

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ponto de vista astrológico, quer dizer, uma vida que nem excede demais o termo médio através de uma insólita força de vontade ou através de rápida maturação de genialidade, nem tampouco fica muito atras da média por motivo de debilidade ou de inexperiência. Há alguns casos em que se deve experimentar rapidamente um destino insólito e a vida está cheia de incidentes, em quantidade anormal; mas, no momento, deixamos de lado esses casos, e a generalização anterior se refere a pessoas comuns. A sétima casa é quase tão aberta, proeminente e inevitável quanto a primeira e a décima, embora em menor grau, e, enquanto o Eu domina, de certa forma, as últimas duas casas, as experiências da sétima se realizam através dos Outros. Pode se dizer que está entre a latência e a atividade, e o mesmo é certo, em grau muito maior, da quarta casa, referindo-se a assuntos tais como o lar, os criados, os parentes, a velhice, a solidão; porém, ambas casas podem levar à atividade naquilo que denotam. A primeira casa é completamente pessoal em sua influência, e depende da força da Individualidade que há por trás dela para dar expressão a seus poderes. O Eu, tanto no sentido estrito como no mais amplo, é dominante. O mesmo é válido para a décima casa, mas aqui há um campo mais vasto para a utilização dos talentos do Eu. A sétima se relaciona mais com experiências referentes ao Não-Eu, tomado no sentido dos Outros - amigos, sócios, companheiros, todos aqueles cujos interesses estão misturados com os do nativo, tanto em amor como em ódio, ajuda ou rivalidade, e as experiências obtidas por meio desse ângulo se realizam tanto por meio das ações iniciadas pelos Outros como por meio das iniciadas pelo Eu. A quarta casa pode ser tida, em certo sentido, como nem pessoal, nem individual, porque aqui a separação tende à perda ou à escuridão: na alma jovem ou débil, por causa da falta de força para romper os laços, e nas almas fortes pela submissão voluntária à vontade dos outros. Esses quatro ângulos se relacionam diretamente com o mundo físico ou externo, e representam atividades voltadas para o exterior que se originam no Eu, mas que afetam muito diretamente o Não-Eu. Mostram, geralmente, a natureza das coisas que hão de se expressar abertamente, e, por conseguinte, denotam a fama, a reputação, a posição pública e atividades gerais de um modo mais claro e definido que qualquer das outras casas. As casas Sucedentes - II, V, VIII e XI - relacionam-se com o desejo, sentimento, emoção e com o guna tamas. Não são tão abertas, expressivas e cheias de ação como os ângulos, estão menos na superfície e são também muito menos dadas a mudanças. As experiências e as características baseadas em planetas nessas casas tendem a continuar, sem variação ou com o mínimo de alteração, durante longos períodos, às vezes durante toda a vida. As falhas de caráter que surgem dos planetas aí situados são mais difíceis de superar que no caso dos ângulos, e as boas qualidades jamais se perdem. Os maus aspectos ao hyleg1 vindos dessas casas têm efeitos mais

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Na astrologia tradicional, significador da longevidade, "doador da vida" (N. do T.).


sérios sobre a saúde e ocasionam enfermidades longas e impossíveis de se tratar, mas os bons aspectos conferem um grande poder para resistir à enfermidade. A segunda e a quinta casas são um pouco mais conservadoras, e seus efeitos são um pouco menos abertos que a oitava e a décima-primeira, mostrando estas duas últimas o desejo mais exteriorizado na ação. As casas Cadentes - III, VI, IX e XII - são mentais e indicam como o pensamento guia tanto a ação como o desejo. Os acontecimentos denotados por estas casas, isoladamente, baseiam-se e originam-se no conhecimento, mais do que nos sentimentos ou na ação. Trata-se aqui do estado da mente do nativo, das operações de seu pensamento e de sua capacidade de reação mental. Estas casas carecem um pouco de iniciativa, e os nativos se desenvolvem melhor quando trabalham sob um superior ou quando obedecem à vontade de outros, embora nem sempre se dêem conta disso; às vezes, tendem ao ressentimento, e se esforçam em tomar conta do poder e da autoridade por si mesmos, mas quando o fazem não se desenvolvem melhor, nem são mais afortunados. A terceira e a nona são mais definidamente intelectuais e também mais positivas, conferem muitos e variados interesses, às vezes duas ou mais tinhas de atividade realizadas ao mesmo tempo, além de versatilidade mental. As casas sexta e décima-segunda referem-se mais aos trabalhadores e às ocupações realizadas em relação amassas de pessoas; são também mais silenciosas, reservadas, de movimento lento e menos ambiciosas e independentes; os acontecimentos que surgem delas são ou pessoais e privados ou, com frequência, acham-se rodeados de mistério e segredos. Estas divisões do céu - angulares, sucedentes e cadentes, em sua analogia direta com a ação, o desejo e o conhecimento - têm um interesse especial para aqueles que compreendem a lei de ação e reação, ou carma, e aceitam a teoria da reencarnação, já que revelam as condições sob as quais cada pessoa tem de lavrar seu próprio destino. A Lua, de rápido movimento, e o enérgico e impulsivo Marte são os dois corpos celestes mais característicos pertencentes à cruz angular cardinal, embora, ao dizer isto, não se deve supor que governem a quadruplicidade em algum sentido restrito e limitado, porque não é esse o caso. Sobre qualquer planeta pode atuar e influir Rajas, se está situado numa dessas casas, e quanto mais próximo estiver das cúspides das casas, dos quatro pontos da cruz, mais forte será a influência exercida sobre ele e manifestada por meio dele. As características dessa cruz são: rapidez de movimento, frequência de mudança, inquietude, separação, individualização e muitos outros traços consequentes às necessidades destas características e que variam segundo sejam usados sábia ou imprudentemente, para o bem ou para o mal. A cruz sucedente fixa marca um ângulo da base de cada um dos quatro triângulos, ou seja, os que formam as cúspides ou primeiros pontos das casas e signos segundo, quinto, oitavo e décimo-primeiro. O Sol e Saturno são membros típicos dessa quadruplicidade fixa, cujas características são fixidez, lentidão de movimento, mudanças infrequentes, egocentrismo, energia para resistir às influências externas,

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força de vontade, tenacidade e constância. Tal como todos os outros poderes, podem ser empregados para o bem ou para o mal, e variam segundo a atuação por meio de fogo, terra, ar ou água. A cruz cadente comum marca o segundo ângulo da base de cada um dos quatro triângulos, a saber, os que formam as cúspides ou primeiros pontos das casas e signos terceiro, sexto, nono e décimo-segundo. Mercúrio e Júpiter são os dois planetas que regem aqui. As características desta quadruplicidade são o movimento rítmico, adaptação, equilíbrio, transferência de força, o estabelecimento de relações, ordem, coerência, a modelação da forma, a construção de veículos, o juntar unidades que estavam separadas, tanto na matéria como na consciência. RELAÇÃO DE SIGNOS E PLANETAS COM REFERÊNCIA ÀS CASAS Tendo captado a ideia de que as casas são a expressão concreta da vida no corpo físico, será fácil compreender que sua significação e força naturais podem aumentar ou diminuir conforme os planetas e signos sejam parecidos em sua natureza com as casas em que se encontram, ou o contrário. Qualquer signo pode se encontrar na cúspide de qualquer casa, mas para o fim que aqui nos ocupa é suficiente limitar a atenção às três cruzes ou quadruplicidades, com referência às quais a tabela seguinte mostra o número possível de variações. Angulares Cardinal Fixo Mutável Sucedentes Fixo Mutável Cardinal Cadentes Mutável Cardinal Fixo

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Os signos cardinais em ângulos aumentarão consideravelmente a tendência à atividade, mental e física ou ambas, levará o nativo ante o público, para o bem ou para o mal, conforme suas próprias ações, sua própria auto-expressão. Se estiver aqui também a maioria dos planetas, resultará disso uma vida de extrema atividade, cheia de interesses e experiências variadas; mas se os aspectos forem maléficos, haverá muitas lutas e disputas, rivalidade e oposição, perda de amigos, ruptura de laços e aparição de inimigos. Os signos fixos em ângulos levam o desejo à atividade; estados de consciência motivados pelo desejo passam à ação (e devemos recordar que a palavra desejo inclui uma série quase infinita de sentimentos e emoções, altos e baixos, simples e complexos). Além disso, manifestar-se-á a aversão à mudança e à obstinação, em maior ou menor escala, assim como constância, rigidez, conservadorismo ou indolência, que são características dessa quadruplicidade. Os signos mutáveis nos ângulos indicam que o conhecimento e a ação põe-se em contato; as ações se realizam por motivos que se originam mais no pensamento


que no sentimento, e exibir-se-ão traços que pertencem a esta categoria - dualismo no pensamento ou no sentimento ou na ação, adaptabilidade, atitude judiciosa, indiferença, etc. O homem de ação, cujos pensamentos e sentimentos se interessam principalmente pelos resultados práticos no mundo exterior, encontra mais facilmente a expressão se tiver signos cardinais nos ângulos. Um organizador, homem de Estado, um comerciante, um filantropo obteriam mais proveito se estivessem sob signos fixos. Um escritor, um homem de escritório, um editor, um viajante, um teólogo, um médico, uma babá se associariam melhor com nativos de signos mutáveis nos ângulos. Em todos estes casos, são altamente importantes as posições planetárias. Se corroboram as indicações do signo ascendente, o horóscopo ver-se-á grandemente intensificado, mas quando os dois se contradizem, o resultado poderá ser ou uma mescla de ambos, ou a quadruplicidade planetária dará importância ao ascendente. Não é preciso considerar aqui todas as combinações que podem se realizar. Os signos cardinais e os ângulos se relacionam mais diretamente com acontecimentos do mundo exterior, que parecem ou iniciados pela pessoa, ou inevitáveis. Os signos fixos e as casas sucedentes têm mais a ver com o desejo ou com a vontade e o movimento rumo à ação. Os signos mutáveis e as casas cadentes têm mais influência sobre os pensamentos que sobre as ações. Os signos e os planetas que estavam em casas sucedentes ou cadentes no nascimento são mais ou menos latentes nos primeiros anos de vida, e passam a agir à medida que vão progredindo para os ângulos devido ao movimento direcional do horóscopo. Isto faz com que os ângulos sejam a parte mais importante do mapa do ponto de vista externo, e talvez também isto seja mais desejável até que possamos nos dar conta de que as ações produzem ambientes, tanto maus como bons. Isto pode ser ilustrado observando os dois extremos mostrados por Saturno, o planeta da limitação e da resistência. Uma pessoa com Saturno em elevação pode tratar todas as dificuldades e obstáculos como oportunidades para o exercício de sua vontade e recursos, e, exibindo as virtudes de paciência e perseverança, pode alcançar êxito e honras. Outra pessoa, entristecendo-se por suas limitações e lamentando seus erros, pode chegar a cair em depressão e no desespero. O caráter, segundo vem indicado pela posição e aspectos zodiacais, explicará estas diferenças. Uma e outra pessoa terão oportunidades para a ação, mas a atitude da mente decidirá o uso que vai ser feito de tais oportunidades. A seguinte classificação dos signos baseia-se em sugestões contidas no Pranava Vada. Eu ÁRIES LEÃO SAGITÁRIO Não-eu TOURO VIRGEM CAPRICÓRNIO Relação GÊMEOS LIBRA AQUÁRIO Soma CÂNCER ESCORPIÃO PEIXES

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Permita-nos concluir, fazendo ressaltar que há duas maneiras principais de classificar os signos e as casas. Podem ser considerados como formados por três cruzes ou quatro triângulos. Quando são considerados como quatro triângulos, estes se comparam com os chamados quatro elementos ou estados da matéria, terra, água, ar e fogo, tendo o triângulo de fogo seu ápice para leste, o de ar com seu ápice para o oeste, o de terra com seu ápice no zênite e o de água com ápice apontado para o nadir, ideia que aparece mais elaborada no Capítulo seguinte.

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Figura 4


CAPÍTULO 6

As CASAS (CONTINUAÇÃO)

As Virgens da Luz têm seus domínios em (I) Reino, (II) Sabedoria, (III) Vitória, (IV) Persuasão, (V) Pureza, (VI) Verdade, (VII) Confiança, (VIII) Paciência, (IX) Franqueza, (X) Bondade, (XI) Justiça e (XII) Luz. Estas doze virgens correspondem aos doze signos do Zodíaco.

o capítulo presente, prosseguiremos o tema nas mesmas linhas que o precedente, mas com especial atenção às aplicações práticas que ali se expuseram. Do ponto de vista geométrico, cada horóscopo pode ser considerado como composto por quatro triângulos entrelaçados, com ápices em cada um dos quatro pontos da cruz no círculo. O Triângulo de Terra tem seu ápice na décima casa, e sua base vai da segunda à sexta. Esta é a divisão puramente física, que representa a fama, a honra, a reputação e o conjunto do bem-estar físico ou corporal; suas limitações são o renome mundano, a fama mundial e a notoriedade. Pela segunda casa, representa posses físicas, riqueza e acumulação de dinheiro; pela sexta casa, trabalho, emprego, alimentos, serventes e serviços de todo tipo. O Triângulo de água, que representa a natureza psíquica e emocional, tem seu ápice na quarta casa, a do lar, infância, sentimentos, recepção de sensações e todas as experiências psíquicas. Tem sua base nas casas oito e décima-segunda, com a oitava representando as tendências geradoras e regeneradoras, a fixação dos sentimentos e a influência dos outros, representando a décima-segunda a purificação das emoções, a compreensão mediante os sentimentos e a autodestruição mediante o abuso dos sentimentos pessoais.

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O Triângulo de Fogo tem seu ápice na primeira casa, a casa do cérebro e da visão mental; tem sua base desde a quinta até a nona casa. Estas representam o passado (5a), o presente (1ª) e o futuro.(9a). Isso se deve aos estados mentais representados por elas: a quinta, o Fogo Fixo ou as qualidades mentais herdadas, o carma passado; a primeira, á casa da mente nova e não formada, exposta a mudanças, como a qualidade de rajas, o Fogo Cardinal; a nona indica, pois, as introspecções, aspirações pelo futuro e as possibilidades da mente superior. Além das casas, os regentes da triplicidade de signos de fogo denotam o seguinte: o Sol, regente do quinto signo, Leão, representa o caráter acumulado no passado, a Individualidade; Marte, regente do primeiro signo, Áries, a Personalidade presente, e Júpiter, regente do nono, a filosofia, o armazenamento do fruto desta vida na aura como carma futuro. O Triângulo de Ar tem seu ápice na sétima casa, a casa da união, percepção e refinamento. É o Triângulo da Intuição, e tem sua base na décima-primeira e terceira, as casas da Razão e da Memória. O entrelaçamento dos triângulos indica que são complementos, ou contrapartes. Nos horóscopos com o signo de Áries no ascendente, os signos seguirão na mesma ordem que as suas casas correspondentes; contudo, em outros, pode surgir alguma dificuldade ao interpretar os signos no ápice de cada triângulo. Os horóscopos mais simples e menos complexos serão principalmente aqueles em que Áries se eleva no nascimento, mas, secundariamente, aqueles em que se eleva algum signo de fogo. Complicam-se as coisas quando outros signos ocupam o ascendente, sendo os mais complexos aqueles em que Libra se eleva, pois Libra inverte a correspondência natural dos signos e das casas de modo mais completo que qualquer outro signo, levando a influência ocidental natural para o leste e conduzindo o fogoso Eu de Áries até o altruísta Outro-eu da sétima casa.

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Os TRIÂNGULOS ENTRELAÇADOS DA PERSONALIDADE Na Figura 4 vemos o entrelaçamento dos triângulos físico e psíquico, mostrando as casas com os signos que lhes correspondem naturalmente. Nos casos em que Áries está na primeira casa, Touro na segunda, etc, em ordem regular, as casas e os signos coincidem com toda regularidade. Nos casos em que os signos e as casas não coincidem nessa ordem, as casas representam permanentemente estes triângulos, com a décima, a segunda e a sexta representando o físico e a quarta, a décima-segunda e a oitava o psíquico. Os planetas nestas casas se vêem afetados pelos planos representados por eles, e operam sobre esses planos. O ápice do triângulo físico está na décima casa, representando o resumo das condições físicas, e aquela parte do corpo físico governada pelo signo da cúspide da décima será a mais sensível, pois representa o ponto crítico ou crucial das correntes


vitais. Os planetas nesta casa têm uma ação mais ou menos independente, e estão menos sujeitos ao signo em que se encontram do que em qualquer outra casa. Esta regra se modifica quando os planetas estão na primeira ou na sétima casa, e mais ainda quando há alguns na quarta casa, pois a posição angular dos planetas está mais livre da influência do signo que no caso das outras casas. O Sol tem muita força na décima, e dá abundância à vida. Nesta posição ele combina a influência da primeira com a da décima, porque o Sol está exaltado em Áries, o signo normal da primeira casa. A Lua na décima combina a influência da segunda com a décima, pois a Lua se exalta em Touro, signo normal da segunda casa, indicando fama e dinheiro. Raciocinando de modo análogo, deduz-se facilmente que Mercúrio na décima combina a influência da sexta casa com a da décima; Vênus na décima casa combina-a com a décima-segunda, e Saturno na décima combina a sétima com aquela. Urano na décima aumenta o fluxo dos fluidos nervosos através do corpo, e denota um forte magnetismo pessoal, enquanto que Netuno na décima acentua as condições físicas pessoais. As casas dois e seis dependem da décima para a expressão, e se não estão apoiadas por uma boa influência desta, produzem um carma indiferente no que diz respeito às expressões físicas e externas. Isso não ocorre quando os signos e as casas coincidem em ordem regular. A quarta casa é o ápice do triângulo psíquico. As forças magnéticas do corpo polarizam-se para cima ou para baixo. A vida e toda expressão externa de força e vitalidade correm para cima, em direção ao ápice do triângulo físico, e a vida interior (ou todas as tendências internas que se manifestam através do sentimento e da emoção) corre para baixo, através do ápice do triângulo psíquico. Em outras palavras, a décima é o pólo elétrico e a quarta é o pólo magnético das correntes de vida que fluem através do corpo. Disso se deduz que a maior atividade física passa através da décima, segunda c sexta casas, e a maior energia psíquica se derrama por meio da quarta, décimasegunda e oitava casas. Estes triângulos são as manifestações objetiva e subjetiva dos dois estados do ser, e representam as duas metades do ser humano nos dois sexos, os elementos masculino e feminino combinados. Em qualquer mapa natal em que os signos de terra aparecem no triângulo físico, numa ordem qualquer, haverá uma expressão harmoniosa de força no plano físico. O mesmo pode ser dito dos signos de água e o plano físico. Marte exaltado em Capricórnio e a Lua exaltada em Touro no triângulo físico indicam que têm afinidade com o modo de vida puramente físico, e, geralmente, denotam uma combinação harmoniosa do invólucro físico com o etérico. No caso da Lua, regente da tríade psíquica, o físico e o astral aparecem bem unidos, e não são fáceis de separar; indicam uma forte herança física, e, geralmente, o fato dos laços familiares serem fortes e nada fáceis de se romper. Em geral, dá uma personalidade bem equilibrada.

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76 76 Figura 5


A exaltação de Marte indica que o corpo não se dissolverá facilmente. Os planetas na quarta casa afetam o triângulo psíquico. Saturno, de certo modo, é inimigo dele, tendendo a fazê-lo demasiadamente concreto e muito afetado pelas condições físicas. Mercúrio e Urano não estão bem situados aqui, sendo o sistema nervoso sensível demais. Marte não faz aqui bem para a saúde, sendo desagregador e desintegrador. Tendo Júpiter a exaltação no quarto signo, é favorável aqui, dando expansão e plenitude. Observar-se-á que os planetas benéficos, Vênus e Júpiter, são os mais fortes deste triângulo, tendo ambos simpatia com a natureza emocional e psíquica. Os TRIÂNGULOS ENTRELAÇADOS DA INDIVIDUALIDADE Na Fig. 5, temos o entrelaçamento das tríades mentais superior e inferior. Relacionam-se mais com o individual e representam os estados objetivo e subjetivo da mente, bem como a expressão masculina e feminina do ser humano. A primeira casa é o ápice do corpo mental ou da mente, já que se manifesta por meio do cérebro. Pode-se dizer que o próprio triângulo representa, assim, muita substância mental, que recebe sua coloração dos signos que se encontram em seu ápice e em sua base. As casas mostram o fluir da substância mental, limitada pelo cérebro e suas ramificações. A substância mental é primariamente afetada pelo eu na primeira casa, expressa-se na geração por meio da quinta e como criação pela nona. Planetas nestas casas têm uma influência direta sobre a mente do nativo; o Sol na primeira ilumina a mente no cérebro, na quinta dá muita força geradora e na nona estimula as faculdades criativas, porque o Sol dá vida a qualquer triângulo que ocupa. A Lua em qualquer dessas casas dá um tipo de mente psíquica e aumenta a receptividade mental. Urano dá originalidade à mente e Netuno a faz sonhadora. Júpiter a expande, Saturno a contrai e Vênus a refina, enquanto Marte tende a fazê-la afirmativa e enérgica. Qualquer dos signos de fogo, seguindo a ordem desse triângulo, favorece a mente em sua evolução normal. Tem uma afinidade secundária com os signos de ar, mas não com os de terra ou de água. Tendo a triplicidade de ar seu ápice na sétima casa, relaciona-se com a mente superior ou espiritual. É o triângulo do refinamento e da unidade, e se relaciona mais diretamente com o Ego Superior que qualquer dos outros triângulos. Entrelaçado com a triplicidade de fogo, representa os tipos de mente subjetiva e objetiva, reagindo uma sobre a outra. Tem afinidade com o triângulo de água, mas pouca ou nenhuma com o de terra. A triplicidade de ar tem mais afinidade com Urano que com qualquer outro planeta, e Saturno tem sua exaltação em Libra, o signo do ápice deste triângulo. Quando se dissolvem as concreções da mente inferior, a individualidade de todo ser humano é pesada na balança de Libra, o signo onde a personalidade se funde, finalmente, com a individualidade.

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CAPÍTULO 7

O ZODÍACO ANALISADO ESOTERICAMENTE

A descida e a re-ascenção da Alma não podem ser separadas dos signos zodiacais, e parece ser mais de acordo com a realidade crer numa misteriosa simpatia entre a alma metafísica e as brilhantes constelações e na influência das estrelas sobre a alma que na absurda ideia de que os criadores do Céu e da Terra colocaram no Céu os tipos das doze tribos de Israel. Doutrina Secreta.

a Astrologia Esotérica, o Zodíaco é a linha que delimita a esfera de influência da Terra e o conjunto figurativo do que se conhece como luz astral, a sutil forma de existência que se encontra na base de nosso universo material. Nesta luz astral está representada, pictoricamente, toda a história do mundo, desde o começo até o fim de seu ciclo, e o Zodíaco é a síntese da substância do mundo, conservando, como memória eterna, o registro de todos os acontecimentos passados, presentes e futuros. É o livro da vida que se lê no Dia do Juízo. O Zodíaco esotérico é, portanto, uma placa sensível que forma uma ponte entre os lados subjetivo e objetivo da Natureza, enlaçando o Céu e a Terra, ou espírito e matéria. Embora o Zodíaco seja o alfabeto do astrólogo, do qual ele obtém as palavras de poder para interpretar seu simbolismo astrológico, é um círculo de mistério mais profundo que os planetas. A importância vital do Zodíaco foi estabelecida há tempos, e sua natureza foi revelada, ao ponto de não haver a menor dúvida quanto à influência que exerce sobre a vida e o destino humanos. Diz-se, porém, que a chave para abrir os mistérios do Zodíaco deve dar a volta sete vezes, e a verdade desta afirmação é evidente quando sabemos que cada signo é uma ideografia, um número, uma cor, uma nota, etc, e a combinação do conjunto representa um órgão perfeito da Natureza.

N

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Matematicamente, o Zodíaco é um na plenitude de seu círculo, mas em sua natureza inerente é divisível. É a matriz do universo, onde está colocado a semente da substância eterna e da qual nascem todas as formas e figuras, cada caráter dentro dela contendo uma qualidade essencial do signo de seu nascimento. Da mesma maneira que os raios do Sol iluminam e vitalizam cada grau do Zodíaco, assim o fazem também os raios da Mônada; ao passarem a matriz do universo terrestre, dão a cada Ego seu tom e colorido próprios e peculiares, e, embora esses raios sejam eternamente puros e imaculados, chegam a aderir-se a formas ou veículos de expressão, que absorvendo outros tons e coloridos, produzem confusão para o Ego, levando-o assim a condições que explicam a peculiar natureza de seu destino. Cada eu individualizado que entra em uma existência específica é um raio puro da Divina Luz, encerrado numa película incolor de substância imaculada. É uma semente lançada aos mundos fenomênicos, com o objetivo de poder crescer, como se crescesse rumo ao Pai celestial. Contudo, antes que possa alcançar esses mundos, essa semente deve passar através de um desses raios que se relacionam diretamente com os Senhores dos signos zodiacais, porque sem este traço de união não é possível realizar uma entrada inteligente no universo terrestre. Estes raios são conhecidos pelo nome de "Filhos da Mente", e cada um deles tem um som e uma cor peculiares, que dão aos indivíduos que estão sob sua proteção e guia. São os vínculos eternos entre o espírito e a matéria, e por meio destes Filhos da Mente o homem extraiu seu princípio pensante. Por isso, a herança espiritual do homem deriva destes sete Senhores da Luz, que são os sete espíritos diante do trono de Deus, e o guiam, sob a influência dos sete planetas, até o signo sob o qual nasce. Em essência, como "Fragmento Divino", o espírito do homem desce do plano do Logos com suas possibilidades não-expressadas. Mediante a ação dos Raios Divinos, atrai, em torno do espírito, no plano mental superior, matéria para poder se expressar, e assim cria como seu veículo um corpo causal, que tem dentro de si a coloração primária do Pai que está no Céu. Dentro desse corpo causal desenvolvese o Ego, a consciência do homem, que se conhece a si mesmo como "eu sou eu", e deste corpo causal projeta-se um raio até o corpo físico no nascimento, conhecido no mundo material como a Personalidade. No plano físico, consideramos o homem como um ser composto de Espírito, Alma e Corpo. O Espírito do homem é um centro na consciência universal, uma unidade de consciência. A alma do homem é espiritual, humana e animal, segundo o plano ou qualidade de matéria com que, no momento, esteja se identificando sua consciência. O corpo do homem é o veículo com que ele estabelece contato diretamente com o plano em que está funcionando; assim, para expressar-se a si mesmo no plano físico, requer um corpo físico sólido, no plano psíquico um corpo astral e no plano espiritual um corpo mental refinado, ou puro. Com esses corpos ou veículos de consciência buscamos os signos zodiacais, sendo o corpo físico o veículo do plano material que expressa tudo o que, vindo dos

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estados de consciência mais sutis ou mais refinados, pode se manifestar por meio dele, porque todo ser humano é, em essência, divino. Trata-se, pois, de um desempenho individual por meio de uma variedade de formas, onde o temperamento e a qualidade da matéria desempenham sua parte mais vital e importante. A divisibilidade do Zodíaco provê uma seleção de veículos para todo tipo concebível de Ego, e, embora os princípios fundamentais sejam os mesmos para todos, cada indivíduo tem um grande número de objetivos, dentro de certas limitações, para expressar-se livremente quanto ao seu método. Há muita longitude dentro da latitude, por assim dizer. Esses princípios fundamentais vão unidos aos aspectos de consciência da Vontade, Sabedoria e Atividade, e as linhas de menor resistência para expressão nos mundos da forma se dão por meio dos signos fixos, mutáveis e cardinais, respectivamente, pertencendo cada signo a estas qualidades, que possuem uma expressão sétupla, produzindo assim inúmeras subinfluências. Esses sinais de qualidade dão também, a cada corpo, sua estabilidade, flexibilidade e capacidade de resposta. Compõem as três quadruplicidades principais do Zodíaco, de onde se formaram as quatro triplicidades de elementos. É por meio desses sete grupos distintos que cada signo simples do Zodíaco - visto como ideografia, cor, som ou número - adquire sua maior complexidade. Esta começa quando o círculo do Zodíaco se divide em duas metades de signos positivos e negativos, formando, por suas posições alternantes, os dois grandes dragões da vida e da forma, indissoluvelmente entrelaçados. Cada signo, positivo ou negativo, é uma ideografia de enorme importância para desentranhar os segredos da Natureza caso seu hieróglifo seja corretamente interpretado, e a Astrologia Esotérica interessa-se principalmente por estas interpretações internas. As notas e cores se relacionam com as triplas disposições de signos, basicamente nos signos Cardinais, Fixos e Mutáveis, produzindo violeta, índigo e azul, respectivamente, com o verde como cor central, e estes, invertidos de novo, produzem as triplicidades de Mutáveis, Fixos e Cardinais, amarelo, alaranjado e vermelho (Figura 6). As notas estão na mesma ordem, mas como os números são intercambiáveis segundo o significado ascendente em qualquer momento dado, não há ordem direta em que possam se colocar. Apresentamos a seguinte tabela dessa disposição para referência posterior: Signo Características Cor Nota 1

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A B C D E F

Intuição Secreção Razão Sentimento Fé Circulação

Vermelho Índigo Amarelo1 Violeta Laranja Amarelo

Dó Lá Mi Si Ré Mi

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"Semitons" de som e cor.


82 82 Figura 6


Signo

Características

Cor

Nota

G H I J K L

Percepção Afeto Introspecção Absorção Memória Emoção

Índigo Vermelho Azul1 Verde Verde Azul

Lá Dó Sol Fá Fá Sol

Podemos considerar, esotericamente, que o homem tem uma correspondência exata com o círculo do Zodíaco, tendo cada parte desse círculo seu ponto sucessivamente mais alto a cada volta, e passando as triplicidades de signos da luz à sombra e do refinamento à densidade. O círculo, ao dividir-se em seus quatro pontos cardeais, produz todos os extremos que se hão de obter das três qualidades primárias, que constantemente prefiguram a possível quarta, nesta mística quadratura do círculo. Cada uma delas ascende, culmina e desce sucessivamente. Dividindo essas quatro triplicidades, respectivamente de fogo, terra, ar e água, vemos que a consciência do homem se perturbou com essas complexidades de expressão, esquecendo no processo sua origem divina. O conhecimento da origem divina da consciência se perdeu para a maioria dos habitantes da Terra por causa do materialismo da época, correspondendo ao nosso passo através do arco inferior do círculo, e a Astrologia, embora sobrevivendo através dos períodos mais obscuros, sofreu também materialização, até que os que a explicavam tiveram de se contentar com uma explicação exotérica ou objetiva, a qual está tão longe da verdade relativa à Astrologia como um lago se encontra longe do mais alto pico da montanha. A Astrologia Esotérica tem a esperança de que, com uma simplificação de sua interpretação metafísica, possamos voltar a descobrir a origem divina do homem desde as formas mais grosseiras de manifestação, até as mais refinadas, e até que se compreenda não apenas que há uma só vida a impregnar a maravilhosa diversidade da existência, como também quão verdadeiramente a Astrologia fez bem em afirmar que "N'Ele nos movemos e vivemos e temos nosso ser". Cada signo do Zodíaco tem sua expressão Leve, Primaria e Obscura, o que equivale a dizer que as três qualidades estão encerradas em cada signo separado. Isso tem sido conhecido por meio da partição que os hindus fazem de um signo em muitas subdivisões, pequenas demais para que pudéssemos estudar agora. A Astrologia como ciência não reconhece o bem ou o mal, simplesmente trata de qualidades da matéria e estados de consciência. Não podemos descobrir o que são em essência as três qualidades, mas bastará dizer que há, por trás destas qualidades, uma substância divina onde as três se encontram inseridas como um todo homogêneo, c seu movimento em uma tripla expressão produz tudo que pode se fazer manifestar; 1

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"Semitons" de som e cor.


"O que pode ser, deve ser". Estas qualidades são: estabilidade, mudança e harmonia, ou ritmo, que a ciência conhece como inércia ou resistência da matéria, e também movimento e vibração; ou podem ser expressas como os três modos de movimento - rotação, translação e vibração. As quatro principais divisões dos elementos - cada divisão uma triplicidade em que sempre se combinam as três qualidades - guardam correspondência com certos estados ou divisões da consciência, os quais podem ser considerados como representados por elas, do ponto de vista astrológico. Os signos de ar são os que aparecem primeiro nessas divisões. Compõem-se dos signos humanos mais finos e mais importantes: Aquário, o Homem; Gêmeos, os Gêmeos, e Libra, a Balança. Estes três signos harmonizam e sintetizam as outras três triplicidades de signos. Também representam as três qualidades em sua forma mais sutil e são, por isso mesmo, os signos elementares do Zodíaco, os menos complexos e, contudo, os mais difíceis de se interpretar, sendo signos evasivos e inexpressivos para os nãodesenvolvidos, e os mais elásticos e expressivos para o homem desenvolvido ou regenerado. Estes signos correspondem ao que se conhece como autoconsciência intelectual, o estado Manásico ou Manas, de Man, pensar. Assim, é evidente que quanto menos um homem pensa independentemente e à parte dos demais, especialmente quando se trata de pensamentos estereotipados e concretos, menos provável é que reaja a estes signos; mas quanto mais pensa, origina e emana o Gênio de si mesmo, pensando no abstrato desde dentro, mais provável é que encontre sua consciência nesse nível. Esta triplicidade de ar corresponde então ao ideal de abstração e refinamento, já que engloba os signos da verdadeira arte, Libra; da música, Aquário, e da literatura, Gêmeos. São os signos de exaltadas latitudes, que apresentam a máxima longitude. Também é por meio desses signos que se encontram os degraus que conduzem aos planos superiores da sabedoria e à unificação da Vontade individual com a Vontade suprema. São signos equilibradores, fundamentais e espirais do Zodíaco, em torno dos quais giram todos os outros signos, entre os lados objetivo e subjetivo da Natureza; os signos nos quais se invertem as esferas zodiacais e as esferas planetárias superiores se abrem à iluminada visão do vidente. São, para todo mundo, os signos da Memória, da Razão Pura e da clara Percepção. Em cada triplicidade, representam as três qualidades permanentes e sutis da matéria, que inundam a totalidade da substância do mundo. Cada triplicidade tem, em comum com cada signo, uma divisão leve, primária e escura, sendo o primeiro o ponto crucial, indicado sempre pelo signo Mutável que separa o signo fixo, representando o escuro, do signo Cardinal leve. Esta divisão dos signos não deve ser vista da perspectiva do bem e do mal. O termo "escuro" quer indicar potencialidade, concentração, força oculta que está esperando a oportunidade de se expressar, e o termo "leve" denota aquilo que é volátil, voluntário, de expressão espontânea e fácil, ou precipitada. São os signos do passado, presente e futuro no eterno AGORA, representativos do Carma Sanchit, Pralabdha e Vartaman.

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Ágora será preciso um mapa ou diagrama para estudar as outras divisões das quatro triplicidades (Figura 7, página seguinte). Nessa figura, pode-se ver que a triplicidade de Ar se separou por completo das outras triplicidades abaixo dela pela "A Ponte", que será explicada mais tarde. Isso não quer dizer que não tenham relação com as outras triplicidades; ao contrário, os signos de ar são os mais unitivos e relativos dos signos, sendo as outras triplicidades, em grande medida, reflexos deles, como se verá pelas letras A, B e C. As triplicidades dos signos de fogo, terra e água devem ser consideradas, para todos os fins práticos, como representantes, no homem atual do mundo, do seu ser composto de espírito, alma e corpo; e para a manifestação no plano físico, elas serão suficientes para descrever seus desejos, cognições e volições, e tudo aquilo que se expressa normalmente por meio de sua personalidade, sobre a qual é a Lua, exaltada em Touro, é o gênio que preside. Os três signos da triplicidade de terra são os signos físicos sintéticos que afetam a honra: mediante a ação, ou Capricórnio; as possessões mediante o desejo, ou Touro, e a atitude de serviço, assim como a saúde do corpo, ou Virgem. O etérico, a contraparte do corpo físico, é governado por Touro, o signo dos órgãos vocais e todas as motivações ocultas. O vínculo com o corpo astral ou psíquico é formado por Virgem, que rege o Cerebelo e o sistema nervoso simpático. O esqueleto e a estrutura óssea estão governados por Capricórnio, que se relaciona com a mentalidade e o sistema nervoso mais fino, por meio da volição, dando motivos para a ação. Por conseguinte, o desejo, Touro, a cognição, Virgem, e a volição, Capricórnio, expressam-se fisicamente como ação mediante esta triplicidade. É através de Capricórnio, absorção, que se individualiza a personalidade. Os cinco sentidos se resumem nesta triplicidade no olfato, e o método físico de abertura dos sentidos interiores se realiza mediante a cerimônia e o ritual. A triplicidade da água sintetiza o lado sensível e emocional da natureza do Homem. Governa todos os instintos, sentimentos e emoções, desde as suscetibilidades pessoais mais limitadas até a mais alta e profunda expressão de devoção. É a triplicidade que representa a alma em todos os seus vários modos de expressão, desde o animal até o humano, inclusive até o limite do espiritual. Tomados em separado, cada signo reage a uma nota de sentimento, onde a cor se pronuncia de modo especial. Em Câncer, os sentimentos são cambiáveis e se expressam sempre ativamente, e neste signo alternam-se o prazer e a dor em constante sucessão. A cor deste signo é malva pálido, ou violeta, e vai se fazendo mais belamente pálido e delicado à medida que vão se refinando os sentimentos. No signo de Escorpião, o signo da ligação, os sentimentos são pronunciados em atração ou repulsão e o amor ou o ódio são ativos, raramente fracos, sendo mais frequentemente profundos no afeto e implacáveis no ódio. A cor deste signo é um vermelho escuro intenso, com todo tipo de nuvens de cor sanguínea e rosada. A natureza de desejo de Escorpião é muito potente, sendo este o signo do Zodíaco em que o sentimento se concentra em estados de ânimo permanentes. Em Peixes, as emoções são mais profundas e extensas, e embora duais

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TABELA DE ASTROLOGIA EXOTÉRICA

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a) O Físico reflete o Espiritual, ou aspecto "Vontade" da Consciência. b) O Emocional reflete o Subespiritual, ou aspecto "Sabedoria" da Consciência. c) O Mental reflete a Mente Pura, ou aspecto "Atividade" da Consciência.

Figura 7


e românticas, são mais impessoais, o elemento amoroso é mais pronunciado e o ódio raramente se encontra neste signo; assim encontramos amor por todas as criaturas torpes e desvalidas e uma expressão da mais ampla simpatia através de Peixes. Os indivíduos que constituem, por assim dizer, os restos e desperdícios deste signo, são aqueles que deixaram de elevar suas emoções acima do estado egocêntrico ou superficial. A triplicidade da água representa o fator mais importante em nossa vida cotidiana atual, pois, como incentivos, estes signos são os propulsores ou o vapor gerador da atividade. Em Câncer, os sentimentos se referem ao eu, pessoal ou individual; por isso, há egoísmo nos casos em que o interesse é pelo eu. Em Escorpião, os sentimentos sempre se vêem afetados por outras pessoas, particularmente os iguais à própria pessoa, e em Peixes se dirigem para os inferiores ou superiores em forma de piedade ou reverência. Todo o prazer, nestes signos, deve-se à expansão dos sentimentos, e a dor se deve à contração dos mesmos. Os signos de terra e de água vão unidos, tendo ambos a ver com o lado da forma da vida e sendo os signos negativos ou formativos do Zodíaco. Quando são afetados de fora ou movidos por condições externas, são pessoais, e quando são movidos de dentro, ou subjetivamente, são individuais e muito mais altamente evoluídos. Câncer nunca mantém o sentimento muito tempo. Escorpião o leva até o Inferno, e Peixes até o Céu. Os signos de água são, pois, os mais impressionáveis do Zodíaco. São como a água em todas as suas condições: reflexivos, como o espelho de um lago; inquietos e cambiantes como a corrente de um rio, e sempre cheios de movimento como o oceano. Esta é a razão pela qual são tão pouco confiáveis os fenômenos psíquicos, a menos que sejam interpretados por um sensitivo treinado, que tenha desenvolvida a razão pura de modo que possa perceber o que há sob a superfície das coisas. Representando o Cármico Astral, ou região do desejo, tendendo sempre para o sentimento e o impulso, são os signos do Carma-Manas, e porque a mente vai misturada com o desejo em todas as coisas pessoais, estes signos devem se purificar e se refinar no fogo do amor e do conhecimento antes que a personalidade possa esperar chegar a ser salva. A triplicidade de fogo, em sua relação com o pensamento, ou manas, e as atividades mentais, é o primeiro motor do ser humano como ser pensante. É a coroa da personalidade, e, por meio dela a escória do Kama-Manas é queimada pelo fogo do conhecimento, já que o conhecimento põe fim à dor. A triplicidade de fogo guarda uma relação peculiar com os outros signos através de Áries, que inicia o círculo, e desde sua posição vital dentro desse círculo afeta o todo de modo considerável, sendo oposta à triplicidade de ar e se ajustando aos signos de água e de terra. Dentro do corpo humano, por meio desta triplicidade, um raio de consciência se reflete diretamente desde os signos de ar complementares, e sua perfeita expressão depende de um bom cérebro, Áries; um coração sadio, Leão, e uma organização nervosa pura, Sagitário. O mais que pode fazer o cérebro é receber centelhas intuitivas dos planos superiores do ser. O mais alto que o coração pode alcançar é ter fé no raio divino que está centrado

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nele, e a personalidade, por meio de Sagitário, pode fazer isto, mediante uma sábia introspecção, e enlaçar o Manas Inferior com o Superior. Na manifestação comum, a consciência, refletida por meio de Áries, é uma mente cambiante, reformadora e precursora, adiantando-se amiúde às aptidões atuais do homem. Em Leão, a autoconfiança e estabilidade da Vontade permitem falar à voz da mente. Em Sagitário, a flexibilidade da mente permite que o homem consiga, na meditação, captar uma inspiração de seu eu superior. O melhor dessa triplicidade expressa uma razão desenvolvida e o conhecimento autoconsciente do justo e do injusto, ou a discriminação entre o real e o irreal. É nesta triplicidade que cada um se dá conta da responsabilidade. Contudo, estes signos são os do grande perigo, pois uma pessoa pode escolher a Magia Negra em lugar da Branca, pois só estes são os signos da escolha. Podem produzir gigantes de desenvolvimento intelectual e, contudo, pode estar completamente adormecido o Eu Superior, sendo arrastada toda a consciência do homem para a personalidade e seu conhecimento empregado exclusivamente para fins pessoais egoístas, e não para o bem dos demais. Em vista da importância de uma compreensão correta do que representam os signos de fogo, com relação à consciência, não posso deixar de citar, com ligeiras modificações, as palavras de nosso venerando Mestre: "O Ego Superior é, por assim dizer, uma esfera de pura luz divina, uma unidade de um plano superior, na qual não há diferenciação. Descendo a um plano de diferenciação, emana um Raio que só pode se manifestar por meio da personalidade, que já está diferenciada. Uma porção deste Raio, a Mente inferior, pode chegar durante a vida a se cristalizar e a ser uma só coisa com o Desejo, de modo a permanecer assimilada à Matéria. A porção que retém suas formas de pureza (aponte). Todo o destino de uma encarnação depende de se (Saturno) será capaz de reprimir ou não o Kama-Manas (Natureza do desejo). Após a morte, a Luz Superior (purificada através de Saturno), a qual contém a impressão e a recordação de todas as aspirações boas e nobres, assimila-se ao Ego Superior, e o mal se dissolve no espaço e logo volta como mau Carma, aguardando a personalidade. O sentimento de responsabilidade é o começo da Sabedoria, ou prova de que (Saturno) começa a se desvanecer: o início da perda da separatividade."

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O estudante intuitivo de Astrologia Esotérica compreenderá agora que a quádrupla divisão do Zodíaco representa os vários corpos ou veículos de consciência necessários, quando se funciona em diferentes planos de manifestação. O triângulo de terra, que tem seu ápice no M.C., representa o invólucro físico. O de água, que tem seu ápice na quarta casa, corresponde ao corpo astral ou psíquico; o triângulo de fogo, com seu ápice no Ascendente, corresponde ao corpo mental, e o triângulo de ar, com seu ápice na sétima, corresponde aos raios Búdicos ou intuicionais. Estes corpos não estão separados um do outro mas, interpenetram-se mutuamente, já que os signos do Zodíaco configuram o círculo nesta forma triangular; porém, em sonho ou na morte, quando a consciência se retira do plano físico, a triplicidade de terra está latente e inativa; e o mesmo ocorre através do círculo dos


signos. Quando a consciência astral se retira, a triplicidade de água está latente, e até que a consciência volte a ser espiritual, o círculo inteiro passa à latência. Mas este é um assunto para outro estudo, o que se refere à Aura e ao corpo Áurico.

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CAPÍTULO 8

O SIGNIFICADO DOS ASPECTOS

A Matéria é o veículo para a manifestação da Alma neste plano de existência, e a Alma é o veículo em um plano superior para a manifestação do Espírito, e estes três são uma trindade sintetizada pela Vida, que tudo preenche. Doutrina Secreta,

s aspectos entre os planetas, a partir dos diversos signos e casas no círculo zodiacal, modificam suas influências, estabelecendo uma relação que muda, em grau notável, a natureza das vibrações. Os Planetas representam as influências espirituais que afetam a consciência em seus veículos. Os Signos do Zodíaco representam os sentidos e os veículos pelos quais a consciência está operando. Os Aspectos indicam a relação entre corpo e espírito, ou a atitude da alma ou do eu para com o seu ambiente; representam os estados de ânimo variáveis e cambiantes e os pontos de vista da alma. O Sol, a Lua e Mercúrio são os fatores principais para os aspectos, já que atuam como tradutores e comunicadores diretos entre o espírito, a alma e o corpo. O Sol, que representa a vida e as energias do corpo, indica a interação entre um corpo são e a mente, e rege o coração, a vontade e a atitude moral. A Lua representa a parte inferior do cérebro, a espinha dorsal e o sistema simpático, e por ele se relaciona estreitamente com os sentidos. Indica a alternância entre pensamento e sentimento, ou a natureza psíquica com todos os seus estados de ânimo rápidos e flutuantes, e as mudanças de consciência. Mercúrio representa o sistema nervoso cerebroespinal, especialmente as porções mais recentemente desenvolvidas. Por conseguinte, este planeta responde mais rapidamente às condições e relações significadas pelos aspectos dos planetas. Traduz

O

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Figura 8


todos os aspectos em termos da mente, e sua influência é mais ou menos pronunciada segundo o signo e a posição que ocupa no nascimento. O Sol traduz os aspectos de Marte e Vênus mais rapidamente que os de quaisquer outros planetas, e o faz à base de força e beleza. A Lua traduz os aspectos de Saturno e Júpiter mais facilmente que os de outros planetas, e os expressa em termos de expansão e contração ou fluxo e refluxo da vida, tanto psíquica quanto fisiológica. Mercúrio traduz os aspectos de Urano e Netuno em termos do ocultista e da visão mística da vida. Estes três centros formam o ápice das três tríades que governam a vida dos veículos: as sensações, os sentimentos e o pensamento, tanto concreto como abstrato (Figura 8). Devido à influência modificadora os aspectos dos planetas entre si, a partir de diferentes signos e casas, surgem todas as complicações que tornam tão difícil seguir o desenvolvimento do lado espiritual da natureza do homem. Os aspectos representam a atitude cambiante frente a todos os fenômenos transitórios da vida e da forma. A alma pode repetir uma e outra vez as mesmas experiências, correndo em círculos como um ratinho numa gaiola ou passando de uma para outra sucessivamente, como passa uma abelha de uma flor para outra, recolhendo a sabedoria e a experiência necessárias para sua evolução. Cada aspecto tem uma qualidade especial, uma importância maior ou menor, com uma correspondente influência do planeta ao qual pode-se dizer que pertence o aspecto, segundo se mostra na Figura 9. A Oposição é ou um aspecto complementar, ou um aspecto separativo e oposto.1 Indica o final ou a terminação do destino, ou Carma, e é da natureza de Urano e do Sol. Completa ou põe fim a um sistema de vibrações sem que necessariamente unifique. Esta posição acentua os dois pólos dos signos positivos e negativos nos quais tem lugar a oposição. De Áries a Libra, acentua as qualidades de fogo e cardinal ou as de ar e cardinal. No mapa natal do rei Jorge V da Inglaterra, Urano está em oposição a Júpiter em signos mutáveis - ar e fogo de Gêmeos e Sagitário. Isto indica reformas mentais e sociais, em que se verá afetada a mente do rei. De Touro a Escorpião, a oposição acentuaria as influências de terra e de água, e assim sucessivamente através do Zodíaco, atuando de forma diferente segundo as qualidades fixa, mutável ou cardinal. Na notável carta astrológica do príncipe Rodolfo da Áustria, nascido às 22:15 de 21 de agosto de 1858, em Viena, Marte e Vênus estavam em oposição em signos de ar e fogo entre as casas 1 e 7. Esta força oponente produziu a tragédia na vida do príncipe, pois a atitude de sua mente - Mercúrio em oposição a Netuno era separativa e conflitiva. Neste caso, as quadraturas mundanas de Saturno, Urano e Marte são também muito significativas.

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1

Ângulo de 180° entre os planetas (N. do T.).


Natureza das posições e dos aspectos

Complementar e Oposto Humano e Seletivo Harmonioso e Rítmico Crítico e Conflitante Vibratório e Combinante Natural e Contestador Completante e Unificador Natureza dos Aspectos

b a h c d gi e f Q U T S R V P (Mental) Ângulo Ocidental e M.C. e Ângulo Norte e e e Aspecto Maior Aspecto Indiferente Aspecto Maior Aspecto Maior Aspecto Maior Aspecto Indiferente Aspecto Menor

Ascendente e

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Figura 9


O aspecto de Quincúncio ou Inconjunto, de 150°, é da natureza de Mercúrio. É humano e seletivo, e só é perturbador quando está em aspecto com Saturno ou Urano, mas, sendo um aspecto indiferente, participa mais estreitamente da natureza do planeta aspectado do que o normal. Assimila duas influências contrárias, tais como terra e fogo, ou ar e água, e tais elementos não se combinam facilmente. As influências dos planetas em aspecto são modificadas consideravelmente pelo quincúncio, ou até parcialmente neutralizadas, até produzirem uma atitude mental parecida com o "estar em cima do muro", estrutura mental indecisa, não comprometida, que tende a manter as coisas em suspenso ou adiá-las para uma ocasião mais propícia. O aspecto seguinte é o Trígono,1 que é da natureza de Vênus, harmonioso e rítmico. Combina harmoniosamente a influência dos planetas que formam o aspecto. Se está formado entre Saturno e Marte, os extremos e contrastes desses planetas são modificados e obrigados a atuar mais de acordo com a natureza de Vênus que a de Marte ou Saturno. Harmoniza os corpos, ou veículos, representados pelos signos ocupados pelos planetas. Através dos signos de água, influi no corpo astral ou emocional, e através de signos de fogo, marca o corpo mental. Neste sentido, é um aspecto afortunado, porque estabelece harmonia entre as influências de fora e a atitude da mente, de dentro, de sorte que sua natureza é sem fricção, antagonismo ou aspereza, e é pacífica, indulgente e caritativa. Este aspecto melhora muito um horóscopo que, de outra forma, seria adverso. Quando tem lugar entre os luminares, é mais afortunado que quaisquer aspectos favoráveis lançados apenas aos benéficos, especialmente se um destes planetas está no triângulo (participa do trígono). A Quadratura2 é o mais crítico e conflitivo dos aspectos. Nunca deixa de produzir uma atitude perturbada, cheia de preconceitos ou adversa às condições e circunstâncias concomitantes. Também, como Saturno, é um aspecto separativo, que geralmente afeta o tom moral do mapa astrológico. É conhecido como o ângulo da dor e da pena, produzindo remorsos e um estado perturbado da mente e dos sentimentos, com preocupação, ansiedade e desalento. As enfermidades produzidas pela quadratura costumam ser lentas e longas, mas quando são agudas nunca somem tão depressa como na oposição. Toda condição ou evento produzidos por este aspecto são críticos, e dão uma reviravolta para qualquer extremo na sorte, com resultados mais ou menos permanentes para qualquer extremo. Os aspectos de Semiquadratura [45o] e de Sesquiquadratura [135o] devem ser considerados juntamente com a quadratura; são da mesma natureza, mas são menos definidos, menos críticos e conflitivos. Não obstante, ambos são da mesma natureza que Saturno, e indiretamente afetam a honra e os estados morais. A quadratura é, provavelmente, o único aspecto que pode ser considerado como decididamente mau,

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1 2

Ângulo de 120° entre os planetas (N. do T.). Os planetas formam um ângulo reto, ou de 90° (N. do T.).


embora mesmo aqui possa surgir o bem de um aparente mal. Implica nas quatro triplicidades, de fogo, terra, ar e água, por posição e por polaridade, e por meio delas pode chegar a afetar qualquer assunto governado por elas; assim, pode observar-se facilmente até que ponto podem a mente e os sentimentos estar em conflito, quando se produz uma quadratura em signos de fogo e água, e quão desarmoniosos podem ser o pensamento e a ação quando ocorre o aspecto em signos de ar e de terra. Embora a quadratura dê uma coloração saturnina, a natureza de cada planeta que participa deste aspecto costuma ser mais acentuada, e a atitude do espírito, da mente e dos sentimentos é, geralmente, uma atitude que tende a produzir uma crise. O aspecto de Sextil1 é mais combinador, em sua natureza, do que qualquer outro, no sentido de que as influências dos planetas que formam este aspecto se combinam mutuamente. Como aspecto vibratório, é mais ou menos incolor, e depende principalmente dos planetas e signos entre os quais ocorre. Com frequência, é mais potente e favorável que o trígono, e parece combinar duas influências de uma natureza mais ou menos igual, tais como fogo e ar ou terra e água. Neste sentido, pode-se dizer que o trígono denota bondade negativa [sic], enquanto que o sextil é positivamente bom, ou, dito em outros termos, há mais atividade e mudança mostrados pelo sextil que pelo trígono. No horóscopo do rei Jorge V, o trígono entre Netuno e Marte é passivamente benéfico, no que diz respeito ao aspecto, e por meio dele pode-se ter boa influência, enquanto o sextil entre Marte e Lua é um aspecto ativamente bom, posto que a atitude de sua mente se expressará de um modo mais enérgico. O trígono pode ser comparado com a recompensa do passado, e o sextil contém a potencialidade do futuro. O aspecto de Semi-sextil2 costuma ser mais importante do que parece, pois põe dois signos vizinhos em relação ativa, na qual se vêem, de uma vez, afetados os elementos positivo e negativo. Neste sentido, o Sol sextil Netuno no horóscopo do rei Jorge é menos complexo do que o Sol semisextil Vênus; o primeiro ressoa apenas como uma nota positiva, enquanto o segundo dá vez a uma vibração positiva e negativa. Os aspectos de semisextil são naturais mas contrastantes, e põem em ação duas forças que podem ser um tanto contrárias por natureza, tais como o fogo e a água, ou a terra e o ar, ou o ar e a água, e, no entanto, incluem as influências positiva e negativa. Assim, o semisextil e o quincúncio têm uma vibração parecida, sendo ambos favoráveis. A Conjunção3 é mais ou menos expansiva, completadora e unificadora. Em alguns casos, tende a neutralizar os efeitos dos planetas que a formam, e, com frequência, produz uma atitude de indiferença ou suspense. A conjunção de Júpiter

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1 2 3

Ângulo de 60° entre os planetas (N. do T.). Ângulo de 30° entre os planetas (N. do T.). Os planetas ocupam o mesmo grau zodiacal (N. do T.).


com qualquer outro planeta nunca deixa de expandir sua influência e consumar aquilo que denota no horóscopo. Por outro lado, a conjunção de Saturno nunca deixa de contrair e limitar a influência do planeta com que se acha em conjunção, Marte perturba a influência do planeta com o qual faz conjunção, e Urano a faz definitivamente oponente ou complementar; Mercúrio humaniza e Vênus harmoniza. O Paralelo1 deve ser julgado segundo o aspecto mais próximo dos planetas em paralelo; além disso, é parecido com uma conjunção quando ocorre entre planetas benéficos, e com uma oposição quando com maléficos. Os ASPECTOS CONSIDERADOS FILOSOFICAMENTE Quando o universo se classifica sob os títulos de Eu, Não-eu e a relação entre eles, é fácil observar que os aspectos pertencem ao terceiro desses rótulos, pois representam forças que fluem através de linhas definidas entre os vários corpos, pondo-os em relação uns com os outros. Ao tratar de qualquer horóscopo, e do ponto de vista do nativo ou sujeito do mesmo, os aspectos aparecem entre os dois departamentos do mundo interior, ou o Eu, e o mundo exterior, ou Não-eu, e pondo-os em contato. Cada um atua sobre o outro e recebe a reação do outro, e os aspectos indicam os modos de ação e reação, quer suaves e pacíficos, quer discordantes e que provocam oposição. Considerados desta maneira como meras relações, os bons aspectos mostram que as atitudes do homem com o mundo, reciprocamente, são harmoniosas e agradáveis. Disso não segue, necessariamente, que o homem seja extraordinariamente sábio ou bom ou forte, o que pode ser ou não o caso. Ele pode ser tudo o que implicam estas palavras, mas, por outro lado, os aspectos benéficos podem significar unicamente que seu bom Carma o cercou de condições favoráveis, com as quais tem segurança para prosperar e evitar a séria tentação e o fracasso. Analogamente, os maus aspectos indicam que as atitudes do homem com o mundo são reciprocamente desarmoniosas e desagradáveis. Aqui, de novo, não segue necessariamente que o homem seja fraco ou mau; ele pode sê-lo ou não. Pode tratar-se de uma alma forte colocada em meio a um ambiente com o qual não se adapta bem, com a finalidade de realizar algum tipo especial de trabalho, alguma obra reformadora ou precursora, onde a oposição seja inevitável; por outro lado, seja o homem forte ou fraco, os aspectos maléficos podem indicar a operação de um Carma desagradável. Mas isto não esgota o problema dos aspectos. Os planetas significam o caráter, quer dizer, estados de consciência no Eu, bem como objetos e condições no mundo exterior. Por exemplo, no mundo interior, ou o Eu, Marte rege a coragem, a energia, o positivo, o desejo, etc, e no mundo exterior, ou Não-eu, significa soldados, guerra, 1

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Os planetas ocupam o mesmo grau em declinação (N. do T.).


armas, ferro, fogo e muitos outros objetos. Por conseguinte, como o modo de operação de um planeta está condicionado pela maneira como está aspectado, os aspectos podem ser interpretados em termos de caráter, por um lado, e de condições do mundo exterior por outro lado. Estes dois modos de interpretação têm importância secundária, e estão subordinados ao significado primário que acabamos de dar, a saber, que os aspectos são meras relações entre o Eu e o Nãoeu. Não obstante, é bom mencioná-los. Quando os aspectos se tomam como relação entre os diferentes estados de consciência ou departamentos do caráter no próprio homem, os bons aspectos indicam pensamentos, sentimentos e ações que tendem a um desenvolvimento favorável e harmonioso do caráter, enquanto que os maus aspectos implicam pensamentos, sentimentos e ações que são desarmoniosos, contraditórios ou que provocam discórdia e oposição. Quando se tomam como relações entre as partes do ambiente, ou do mundo exterior, os bons aspectos indicam ambiente aprazível, que produz felicidade e prosperidade, enquanto que os maus aspectos indicam que algumas das coisas ou pessoas do ambiente são contraditórias ou discordantes com outras coisas ou pessoas, um estado de assuntos que resulta, provavelmente, em tristeza ou desconsolo para o dono do horóscopo. Por exemplo, é possível que os pais briguem entre si e que o nativo mantenha mesmo assim uma atitude amistosa com cada um deles.

CARÁTER OU AMBIENTE? Em nenhum horóscopo os aspectos entre os corpos celestes são todos bons ou maus, sem mistura alguma, e devido a isto, e também ao considerável número e variedade de aspectos possíveis, suscita-se a questão quanto a podermos saber ao longo de qual destas linhas algum dado aspecto deve ser interpretado. Não é fácil, de modo algum, dar uma resposta clara a isto, pois todos estes métodos de interpretação mostram-se vitais, cada um a seu modo, se utilizados com prudência. Sabe-se, contudo, que alguns dos corpos celestes têm mais direito que outros a representar o dono do horóscopo. O Sol, a Lua e o Ascendente (incluindo aqui o seu regente ou senhor) são os três mais diretamente relacionados com o Eu, e, destes, o ascendente e o planeta regente são os mais imediatamente importantes. Assim sendo, prescindindo da outra questão sobre qual é o verdadeiro regente do horóscopo, se é o planeta ascendente, ou o planeta mais forte e mais proeminente, ou o senhor do signo ascendente, podemos supor certamente que, apesar de todos os corpos celestes poderem produzir efeitos, tanto dentro como fora do homem, há um que tem o direito predominante de representá-lo como o Eu, ou o mundo interior, e que todo o restante, embota possuindo uma correspondência subjetiva em termos de caráter, pertence preponderantemente ao mundo exterior, e representa objetos e pessoas do ambiente que produzirão o devido efeito no homem.

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Seria interessante averiguar se os aspectos indicam verdadeiramente o justo ou o injusto, o bem ou o mal, mas a questão é complicada demais para poder ser tratada aqui, e o que cabe dizer agora é que seu significado primário é provavelmente apenas sua harmonia ou desarmonia relativas. A outra questão sobre a força ou fraqueza da alma, e sobre sua fase de evolução, ultrapassa também o objetivo deste capítulo. Os caráteres fortes e fracos podem, igualmente, ter ambos feições propícias e agradáveis ou hostis e desagradáveis. Se o regente do horóscopo é fraco ou escurecido pelo signo e posição, mas está bem aspectado, isso poderia indicar um caráter forte (embora não necessariamente perfeito) num ambiente hostil, com algum trabalho difícil a se realizar. Há outro ponto de vista sob o qual podem ser considerados os aspectos. Os que estudaram o assunto da cristalização sabem que todas as substâncias que cristalizam fazem-no conforme alguns sistemas geométricos definidos, e que a mesma substância cristaliza sempre da mesma maneira se as condições permanecem inalteradas. O sal comum forma cubos, o alumínio forma octaedros, enquanto que o dodecaedro se acha em algumas preparações de cobre, prata e ouro. O fato de que diferentes substâncias químicas produzem cristais de diferente forma, indica que a diferença na forma implica uma diferença nas propriedades internas ou qualidades, quer dizer, que para cada variação da vida, dentro, há uma correspondente variação na forma, exteriormente. Esta conclusão não está justificada apenas pela ciência, mas vem corroborada pela pesquisa clarividente, que revelou que diferentes elementos químicos têm, todos eles, átomos de diferentes formas e constituição. Todas estas formas cristalinas e outras, sejam simples, sejam complexas, estão construídas em torno de eixos que se encontram dispostos formando diversos ângulos entre si. Mas os aspectos astrológicos também estão formados por linhas inclinadas que formam diversos ângulos entre si, e aqui temos uma clara correspondência entre forma, eixos, ângulos e propriedades interiores ou caracteres. Isto constitui um grande tema por si só, e não podemos fazer mais do que indicá-lo; quase cada aspecto astrológico ou ângulo implica algum poder, qualidade ou característica definidos, e isso justifica o intento que fazemos neste capítulo de oferecer algumas indicações gerais do que representam estas características para cada aspecto, considerado independentemente dos planetas que o formam. Para estudar o tema completamente, inclusive do ponto de vista esotérico, seria preciso pesquisar as muitas formas possíveis de cristais, seus ângulos e eixos, a variação das propriedades químicas e médicas com a variação da forma cristalina, etc, mas é evidente que isto excede completamente nossa capacidade, mesmo se dispuséssemos agora de informações suficientes. Deixemos que as pesquisas científicas do futuro confirmem os fatos.

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CAPÍTULO 9

FOGO

Os elementos agora conhecidos chegaram a seu estado de permanência nesta Quarta Ronda e Quinta Raça. Têm um breve período de repouso antes que sejam impulsionados uma vez mais em evolução espiritual ascendente, quando o "fogo vivente de Orco " dissociará os mais irresolvíveis e voltará a espargi-los para o Um primordial. Doutrina Secreta.

O

s quatro elementos da antiguidade - fogo, terra, ar e água, com o quinto, éter, a quintessência dos quatro -, têm sido a fonte de um pouco de confusão para os leitores modernos, em parte devido à dúvida quanto à ordem correta em que deveriam ser enumerados, e, em parte, pela incerteza quanto ao significado preciso do que se lenta transmitir por meio deles. O uso da palavra elemento quanto a isto não deveria, naturalmente, dar origem a nenhuma dificuldade, por não levar aqui a mesma conotação que tem quando empregada pelo químico, que fala de uns oitenta elementos químicos, e o uso que fizeram dela os ocultistas, astrólogos e alquimistas foi muito anterior ao uso que fez o moderno homem de ciência. Os cinco elementos são os tipos dos átomos últimos dos cinco planos cósmicos inferiores, dos quais se formou, por combinação, toda a matéria destes planos. Têm correspondências nas cinco subdivisões inferiores de cada plano, e seus arquétipos, são os cinco sólidos regulares ou platônicos. No familiar plano físico, os estados conhecidos da matéria são sólido, líquido e gasoso, além dos quais se acha o misterioso éter, e a primeira dificuldade surge quando observamos que o fogo não se enumera nesta lista e que não parece haver

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"Poder do pensamento"; uma das sete forças da natureza (N. do T.).


razão particular para que figurasse nela. O antigo nome de "terra" evidentemente significa sólido, e "água" significa líquido, nas correspondências com nosso plano físico, mas não é evidente porque algum estado especial devesse ser chamado de fogo. Aos sólidos, líquidos e gases podemos fazer arder todos em condições adequadas. Ainda não sabemos exatamente se arderá o estado que se encontra além do gasoso, embora, uma vez que certamente conduz a luz e o calor, não parece irrazoável supor que suas partículas, sejam elétrons ou não, poderiam entrar naquela combinação chamada combustão. Ademais, há uma falta de acordo entre as autoridades quanto ao lugar que deveria ocupar o fogo na lista. Às vezes, tem sido indicado como o segundo, e outras vezes como o terceiro ou quarto contando de baixo para cima. A doutora Anna Kingsford, em Vestido Com o Sol, indica a seguinte ordem das Divindades Elementais em seus hinos: Hefesto, fogo; Demeter, terra; Poseidon, água; Palas Atena, ar. Ao que parece, menciona-se o fogo em primeiro lugar porque se diz que a subdivisão mais baixa do plano astral se acha, de fato, sob a superfície da terra, apesar do resto desse plano se estender por muitos milhares de quilômetros sob da superfície; é bem corrente a ideia da "descida" dos mortos ao Tártaro, Hades ou Inferno. De modo que o fogo se aplica aqui realmente ao plano astral, referindo-se ao fogo do desejo, purgatorial em seu efeito. A água refere-se aqui ao mundo celestial, e talvez queira significar um contraste com o inferior fogo do desejo, que se extinguiu na alma que chegou ao plano superior, e também, embora a água signifique matéria em geral, a primeira veste de matéria assumida pela alma em sua descida até a encarnação no corpo mental, no inferior plano mental. No caso do Zodíaco, temos fogo, terra, ar e água, três vezes repetidos nesta ordem, para compor os doze signos. O ponto de vista predominante é o de que o fogo é separativo e individualizante, já que corresponde ao mundo celestial ou plano mental, onde tem lugar a individualização. Este plano é o terceiro de baixo para cima, e responde, ao que parece, ao estado gasoso do plano físico. Alguém poderia objetar que não há razão para que o termo fogo devesse se aplicar exclusivamente ao terceiro plano, porque, já que todos os três estados inferiores da matéria física podem arder, os três planos inferiores poderiam todos denominar-se fogo, indistintamente. A resposta a isso parece ser que as moléculas das substâncias sólidas e líquidas passam à condição gasosa, mesmo que fosse só por uma fração de segundo, antes de arder, e, por conseguinte, o termo fogo se aplica corretamente ao gás, e não ao sólido ou ao líquido. Uma objeção adicional poderia ser feita à ideia de que o fogo é separativo e destrutivo, baseada em que se trata de uma meia-verdade. Se se queima um pedaço de madeira, destrói-se certamente como madeira, e os elementos químicos de que se compõe se separam de suas combinações e ficam espalhados, mas isto é apenas a metade do que acontece. Se, ao invés de nos fixarmos no pedaço de madeira como um todo, prestarmos atenção em seus componentes químicos, veremos que está se

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realizando todo o tempo a união junto com a separação. O carbono da madeira se une com o oxigênio do ar para formar o gás carbônico, o hidrogênio da madeira se combina com o oxigênio do ar para formar água, e analogamente com quaisquer outros elementos que sejam capazes de combinação. O problema se simplifica se, ao invés de considerar um material complexo como a madeira, estudamos a combustão de um elemento químico simples, como o gás hidrogênio. Quando se aplica uma chama a este gás e ele arde, o processo de combustão consiste em que o hidrogênio entra em combinação com o oxigênio do ar, com a formação de água, que se compõe de dois volumes de hidrogênio unidos a um volume de hidrogênio; e não pode ter lugar nenhuma combustão sem esta combinação. Isto pode ser ilustrado assim: 4H

+ 2O = 2H2O

À primeira vista, parece que não há nenhuma separação, nenhuma destruição, pois o hidrogênio puro se une ao oxigênio puro, e o processo parece ser completamente um processo de combinação, síntese, integração. Nada se destrói, mas algo - a saber, a água - se cria. É verdade que, em certo sentido, pode-se dizer que o hidrogênio e o oxigênio são destruídos, como gases separados, quando se unem para formar água, mas isto não é o mesmo que a destruição da madeira ao ser queimada. No entanto, a ciência nos diz que os átomos de hidrogênio nunca existem sós, que quando não estão unidos com algum outro elemento se combinam entre si, unindo-se dois átomos de hidrogênio para formar uma molécula de hidrogênio, e que o mesmo acontece com o oxigênio. Portanto, a combustão do hidrogênio se efetua em duas fases. A molécula do hidrogênio se destrói primeiro, ao se separarem seus dois átomos, e os átomos livres se combinam então com o oxigênio para formar a água, separando assim as moléculas de oxigênio durante o processo:

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Isto parece fornecer uma descrição do que acontece quando uma substância se queima ou é levada ao estado de fogo. As moléculas da substância se separam primeiro em seus átomos constituintes, e estes logo se recombinam de diversas maneiras; são suscetíveis disso geralmente por meio do oxigênio atmosférico. Uma definição do fogo, portanto, poderia ser mais ou menos assim: O fogo é o estado durante o qual os átomos se encontram no processo de separar-se de uma combinação e entrar em outra. A palavra "átomo" é empregada aqui tal como a empregam os cientistas químicos modernos, os quais falam de elementos sólidos, líquidos e gasosos, e não


no sentido em que é empregada pelos observadores ocultistas, que usam essa palavra para a matéria da sétima e mais alta subdivisão de um plano. Também se deve observar que os átomos que flutuam soltos e sem combinação não se acham necessariamente no estado de fogo. Tal condição descombinada é, ao que se diz, normal no caso de alguns dos gases mais raros da atmosfera, cujos átomos não se podem fazer combinar nem sequer uns com os outros. Um átomo só se encontra no estado de fogo durante o tempo em que se separa de uma combinação para entrar em outra, e não enquanto está flutuando sem se combinar. Se há alguma verdade nesta hipótese, projeta-se uma luz adicional à correspondência entre o fogo e Agni, o deus do fogo, assim como Tejos, o tattva do fogo, e o plano mental. Este plano é a morada do Ego, a alma permanente, no corpo causal; dele se efetua a descida à matéria dos planos inferiores em cada nova encarnação, e a ele volta a alma quando termina cada encarnação. Se observamos a condição do Ego no momento em que uma encarnação terminou completamente, tendo sido retiradas completamente suas energias do corpo causal, e quando ainda não começou o impulso criativo que formará a personalidade seguinte, ver-se-á que tal Ego se encontra, nesse momento, em um estado precisamente análogo ao de um átomo na condição de fogo. É exatamente no ato de separar-se de uma combinação - a da personalidade passada - e dirigir-se a outra, que será a personalidade seguinte. Pode-se dizer que qualquer Ego em tal período se encontra numa condição que corresponde àquele estado da matéria chamado fogo. Alcançou-se o maior grau possível de separação, de individualização, pois a combinação passada foi destruída (Shiva, Tamas, Fixo), a seguinte combinação ainda não se formou (Brahma, Rajas, Cardinal), e o Ego está equilibrado, ou melhor, movendo-se ritmicamente entre as duas (Vishnu, Sattva, Mutável). Assim sendo, tomado neste sentido, o fogo pareceria corresponder ao eu, o qual, em nosso estágio de evolução, manifesta-se em nós como autoconsciência intelectual, a consciência do eu separado, à parte de outros "eus" e também do Não-eu. Mas sua correspondência pareceria ser primariamente com o eu, e só secundariamente com o intelecto. O intelecto é o meio pelo qual o homem chega a ter consciência de seu eu, mas o eu não é o intelecto. É uma aplicação muito mais elevada; o Logos é o grande fogo cósmico, porque Ele passa da desintegração de um universo à criação de outro, tal como o Ego passa da desintegração de uma personalidade à criação de outra. Assim, lemos na Doutrina Secreta: "O Fogo é a Divindade em sua presença subjetiva através do universo". Ademais, esta transição de uma condição para outra, quer seja um átomo de hidrogênio o que se move, quer seja um Ego humano ou um Logos, comporta uma evidente analogia com a passagem de uma fagulha elétrica entre os dois pólos da bateria, e isto garante a ideia do fogo como aquela energia cósmica universal que se conhece com os nomes de Daiviprakriti, a Luz do Logos, Fohat. "Em outras condições, este Fogo Universal se manifesta como água, ar e terra. É o único

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Elemento de nosso universo visível que é a Kriyashakti de todas as formas de vida. É o que dá luz, calor, morte, vida, etc". É, portanto, a fonte de todas as formas de energia, em todos os planos da Natureza, tanto se aparece como atração, integrador, formativo, como se se apresenta como repulsão, desintegrador, destruidor. Isto poderia ter sido inferido da definição de fogo dada anteriormente, a saber, que é o estado intermediário entre a separação de uma combinação e a formação de outra; porque os átomos podem ser transferidos quimicamente de uma combinação para outra enquanto se encontram no estado líquido, sem combustão visível e sem mostrar chama alguma. Se uma solução em água de qualquer cloreto solúvel é agregada a outra solução em água de nitrato de prata, a prata será separada de sua combinação de nitrato e se unirá com o cloro, formando cloreto de prata. Enquanto está passando de um a outro, a prata estará sofrendo uma mudança parecida com a de um átomo de carbono na madeira que arde, mas o processo terá lugar na água e não se produzirá luz ou chama. Em correspondência com isto, pode-se observar que, se o Ego humano finaliza um processo de desencarne e inicia outro de reencarnação no plano mental, efetuam-se mudanças análogas nos reinos animal e vegetal em planos inferiores ao mental, e possivelmente em todos os planos. As tríades que estão passando através da condição de alma de grupo nos reinos inferiores - mineral, vegetal e animal devem passar por processos semelhantes de separação e reunião muitas centenas de vezes, e isto não terá lugar no plano mental, na maioria dos casos. Cada vez que - e onde quer que -isso tiver lugar, a entidade em questão se encontra momentaneamente em estado de fogo; e, evidentemente, devemos reconhecer um estado atual ou potencial de fogo em todo o plano cósmico. A ideia de que o fogo é individualizante vem apoiada pela posição de Áries, o signo mais fogoso do Zodíaco. Isto corresponde ao ascendente ou primeira casa do horóscopo, e significa o eu ou a pessoa a quem pertence o mapa astrológico; um eu físico, em sua aplicação mais baixa, mas realmente o eu individual espiritual que anima um corpo físico através de um raio pessoal. Considerado isoladamente das casas mundanas, Áries é o eu do Zodíaco, o Eu Cósmico; a respeito, escreve Subba Rao em seu ensaio sobre Os Doze Signos do Zodíaco que Mesha (Áries) significa o Brahman supremo, "o existente por si mesmo, eterno, auto-suficiente, causa de tudo". Ao dizer isto, confere à ideia do eu sua mais alta aplicação cósmica possível; mas, sendo "o de cima como o de baixo", todos os "eus" menores se acham inseridos no único Eu Cósmico supremo como as contas de um fio, até chegar, descendo, ao eu limitado e restrito do corpo físico; o fio da "eucidade" é contínuo através de todos eles. O mesmo autor aponta o significado de Leão, o segundo signo de fogo, como o homem tornado perfeito, o Cristo, o Buda, que se realiza a si mesmo como o filho do Eu Cósmico, Áries, representando a quinta casa, que corresponde a Leão, o filho da primeira casa. De Sagitário, o terceiro dos signos de fogo, diz-se representar os construtores do universo material, sendo construtiva e integradora a quadruplicidade

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mutável ou sáttvica, de modo que o fogo sáttvico é um nome que serve para designar as forças inteligentes que constróem e configuram o Sistema Solar, e especialmente seu corpo de fogo. Na aplicação humana, isso se converte nas energias coesivas, vitalizantes, que mantém unido o corpo físico do homem e outros corpos; o poder de crescimento físico das células e o poder do Hiranyagarbha, ou corpo brilhante espiritualmente radiante, significado por Júpiter, o regente de Sagitário. O leitor se recordará que em tempos antigos e também na moderna astro-meteorologia Júpiter era o produtor do raio, uma forma de fogo. O fogo, pois, pode ser tomado ou como energia, ou como consciência, ou como forma da matéria. Como energia, está polarizado e concentrado, e é a causa de todas as mudanças de estado, de todas as separações e reuniões na matéria, tanto física como superfísica, e é a causa animadora e motriz de todas as coisas. Como consequência, representa um estado muito parecido de concentração em um eu limitado, e de polarização que ocasiona movimentos de separação e combinação. No caso do homem, este eu pertence ao plano mental, e seus movimentos se manifestam como morte e renascimento; mas em todos os planos cósmicos, acontece de unidades de matéria e de consciência passarem através de mudanças análogas.

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CAPÍTULO 10

A AURA HUMANA E SEU SIGNIFICADO

Quando se representa Cronos mutilando seu pai Urano, o significado desta mutilação é muito simples: faz-se com que o Tempo Absoluto se converta em tempo finito e condicionado; rouba-se uma porção ao todo, mostrando assim que o pai dos Deuses se transformou da Duração Eterna em um período limitado. Doutrina Secreta.

o Capítulo 3, dizia-se que o planeta Júpiter representa o corpo, cujo termo inclui o duplo etérico bem como o corpo denso físico; e também se mencionou, em relação à aura humana, a conexão com outros veículos de consciência, além do físico. Durante muitos séculos, todo o saber concernente à aura que envolve a todo ser humano esteve rodeado de um profundo mistério, devido provavelmente a ser invisível para todos, salvo para os que possuem a clarividência, e não foi senão até anos recentes que os astrólogos estiveram em condições de compreender a afirmação de que Júpiter se relacionava com a aura em todas as suas várias divisões. A grosso modo, podemos dividir a aura humana em quatro partes principais, que se correspondem estreitamente com os quatro estados da matéria que se encontram em nosso planeta e ao redor dele. São os famosos tattvas do astrólogo hindu: Vayu ou ar, Agni ou fogo, Apas ou água e Prithivi ou terra. O último destes, o tattva Prithivi, que atua na matéria etérica, forma a aura etérica ou da saúde, que rodeia o corpo físico; é, na verdade, o molde etérico sobre cujo modelo se construiu o corpo físico. Esta Aura Etérica é governada pela Lua, em sua subinfluência sob Júpiter. Não é fácil seguir estas subdivisões sem aplicar-lhes a linguagem das cores, tão amiúde utilizada pelos clarividentes e pelos que desejam julgar desapaixonadamente

N

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Cores Planetárias e Suas Subdivisões Subinfluências JÚPITER AZUL Subinfluências SATURNO AZUL Vermelho Violeta Verde Índigo Amarelo Laranja

g

f

VERDE

O Envelope Único

Mental

VERDE Índigo Amarelo Laranja Azul Vermelho Violeta

MARTE

e

VERMELHO

Astral e Passional

VERMELHO Violeta Verde Índigo Amarelo Laranja Azul

VÊNUS

d

ÍNDIGO Mente Manásica ou Abstrata

ÍNDIGO Amarelo Laranja Azul Vermelho Violeta Verde

LUA

b

VIOLETA

Etérico

VIOLETA Verde Índigo Amarelo Laranja Azul Vermelho

MERCÚRIO

c

AMARELO

Búdico ou Intuitivo

AMARELO Laranja Azul Vermelho Violeta Verde Índigo

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Subinfluências SOL

a

LARANJA Prânico (átmico Jiva dominado de Urano)

LARANJA Azul Vermelho Violeta Verde Índigo Amarelo

Figura 10


as influências planetárias; portanto, agora ser-nos-á útil a seguinte tabela das cores planetárias e suas subdivisões (Figura 10). Por esta tabela, ver-se-á que a cor relacionada com a Lua é o violeta, e que a subinfluência da Lua sob Júpiter - azul - é um sub-raio violeta do azul. Este molde etérico lunar é depositado na matriz da mãe na época pré-natal, e é fecundado pelo átomo físico permanente, projetado pelo pai no momento do coito, tendo lugar a concepção quando se fundiram plenamente os dois elementos. A posição da Lua na época pré-natal é importantíssima, porque o molde etérico é atraído pela mãe quando o vórtice magnético é estabelecido pelos progenitores, que são atraídos mutuamente naquele momento, seja pela paixão ou amor, seja por sentimentos animais ou humanos. O lugar da Lua nessa época decide o ascendente do nascimento; daí a importância do mapa pré-natal, que requer compreensão mais completa pelos estudantes de astrologia. O molde etérico é novo a cada renascimento do Ego no plano físico de manifestação. É obtido praticamente das emanações mais baixas do invólucro áurico permanente do próprio Ego; e, no momento da época pré-natal, converte-se no modelo do duplo etérico e do corpo físico denso. Pode-se dizer que este duplo etérico do corpo físico atua como o veículo para as influências transmitidas dos planos astral e mental; assim sendo, a Lua governa o conjunto da personalidade, assentada no quaternário inferior do homem mortal, que se compõe de atividades pessoais; sentimentos pessoais e pensamentos pessoais. Quando a Lua representa a aura da vitalidade ou da saúde, é a subinfluência do Prana Solar; manifesta-se como o sub-raio Violeta Central do raio Alaranjado. Quando se relaciona com os sentimentos pessoais desejos, é o sub-raio Violeta do raio vermelho, representando o corpo astral. Quando se relaciona com os pensamentos pessoais, ou a mente inferior, é o sub-raio Violeta do raio verde, representando o corpo Mental. Agora pode-se compreender facilmente por quê, na Astrologia Esotérica, os aspectos com a Lua são tão importantes para uma interpretação correta do horóscopo. A Lua em bom aspecto com o Sol denota boa saúde, bom poder de recuperação e muita vitalidade, enquanto seus aspectos adversos impedem o fluir do prana doador de vida, reduzem a vitalidade e retardam o processo de recuperação. A Lua em aspecto com Marte aumenta a reação ao sentimento e estimula os impulsos das atrações pessoais. A Lua em aspecto com Saturno torna concreta a mente e limita o pensamento a fins pessoais práticos, até que o sub-raio violeta possa ficar absorvido pelo verde. Antes de passar adiante, pode ser conveniente observar que quanto mais puro é o raio violeta que se mostra nesta aura, mais próximo se encontrará o homem mortal de liberar-se dos desejos e pensamentos pessoais que o atam às influências mais baixas ou grosseiras da matéria. Pode-se dizer que todas as cores dos planetas são complementares ou intercambiáveis; por exemplo, o Vermelho e o Verde são cores complementares,

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assim como o Azul e o Laranja, e o Amarelo e o Índigo. O verde absorverão vermelho; e, à medida que o homem avança na evolução, cada cor se refinará e se manifestará mais através dos veículos superiores da consciência. As DIVISÕES DA AURA A divisão mais importante da aura humana corresponde mais ou menos ao tattva Vayu, e é o que se relaciona com o Ego ou Individualidade. Tem a ver com aquela parte da aura que está em contato com a essência ou aroma da personalidade, ou todos os pensamentos e emoções que subiram ao céu. Falando da consciência que age nesta divisão, o Ensinamento esotérico diz: "O Ego Superior é, por assim dizer, uma esfera de pura luz divina, uma luz de um plano superior, onde não há diferenciação. Descendo a um plano de diferenciação, emana um Raio, o qual só pode se manifestar por meio da personalidade, a qual já está diferenciada. Uma parcela deste Raio, o Manas inferior, pode cristalizar-se durante a vida de tal modo, e fazer-se uma mesma coisa com Kama, que permanece assimilada à matéria. Aquela porção que conserva sua pureza forma Antahkarana (Saturno). Todo o destino de uma encarnação depende de se Antahkarana (Saturno) será capaz ou não de refrear o Kama-Manas (Marte). Depois da morte, a Luz Superior (Antahkarana), que leva as impressões e a memória de todas as aspirações boas e nobres, assimila-se ao Ego Superior; o mau se dissocia pelo espaço e volta sob a forma de mau Carma que aguarda a personalidade"; ou, dito de outro modo, é elaborado no molde etérico ou porção mais baixa da aura e se manifesta no signo ascendente no nascimento, e também através do planeta regente e seus aspectos com os outros planetas. Este ensinamento prossegue dizendo: "O sentido da responsabilidade (Saturno) é o princípio da Sabedoria, uma prova de que Ahamkara está começando a decair, o começo da perda do sentido da separação". Esta porção da aura é chamada com frequência de Ovo Áurico, que é "o conservador de toda recordação cármica". "É o depósito de todos os poderes bons e maus do homem, que recebe da vontade - inclusive em seu próprio pensamento toda potencialidade, a qual se converte, no momento e lugar oportunos, em potência atuante; esta aura é o espelho no qual os sensitivos e os clarividentes sentem e percebem o homem real e o vêem tal como é, não como aparece". Sua capacidade para realizar tudo o que leva gravado faz dela o registro de toda a vida passada de uma pessoa. É o corpo de Manas ou a pura mente abstrata, considerada à parte dos desejos e pensamentos concretos práticos, e através dela a mente pura, representada por Vênus, brilha cada vez que as vibrações mais baixas cessam e as paixões se transmutam. O próprio Ovo Áurico, considerado como veículo, encontra-se sob a influência dominante de Júpiter, como estão todas as substâncias mais sutis que compõem os veículos internos da Consciência; mas está também sujeito à influência vinculadora de Saturno, e é aqui que se experimentam as

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influências principais de Júpiter e de Saturno, operando continuamente a expansão e a contração, aumentando e diminuindo os limites da consciência, em diversas fases da evolução do homem. Esta porção da Aura acha-se sob o raio azul, e é afetada indiretamente pelos sub-raios verde e índigo. O raio verde atuará como uma espécie de andaime que protegerá a individualidade dentro da aura até que esta esteja pronta para estar só, depois de ter se estruturado lentamente por meio das eras, sob a ação individualizante de Saturno. Saturno atua como a ponte entre a parte pessoal e mortal do homem e a parte superior, espiritual e imortal; assim, pode-se dizer que Saturno purifica, refina e espiritualiza a essência da Lua e de Marte, e transforma suas cores de vermelho escuro para rosado e dos tons mais escuros do Violeta até os matizes mais refinados e sutis dessa cor. Nesta divisão da aura entram todas as variações entre os extremos de otimismo e pessimismo, de esperança e de depressão. Até aqui, no que se refere aos tattvas ou vibrações no éter, chegamos agora à divisão mais elevada, a do Akasha, de que se compõe o corpo Causal ou espiritual. Sc dividimos a aura em seus componentes e cores ativos, veremos que o tattva prithivi afeta o corpo físico através do Prana, ou Vitalidade, que flui continuamente através dele enquanto segue existindo como corpo vivo no qual se está manifestando constantemente a vida animal. O tattva Apas ou água afeta o Duplo Etérico, o molde sobre o qual estão construídas as células físicas. O tattva Tejas corresponde ao Corpo Astral, ou aquela porção ou coloração da aura através da qual operam as paixões e os desejos animais, e na qual se encontra grandemente implicada a mente inferior. O tattva Vayu, sobre o qual exerce Saturno seu principal domínio, representa o estado crítico entre o éter (mais homogêneo), Akasha e Tejas; a linha divisória, por assim dizer, entre o homem mortal e o homem imortal. Sobre o tattva Akasha pode-se dizer que Vênus exerce a maior influência, porque ela é senhora do céu, a verdadeira ísis, e aqui se encontra o Véu entre o espírito e a matéria. A Doutrina esotérica trata de outros dois tattvas completamente desconhecidos dos estudantes comuns, mas a Astrologia nos permite compreendêlos mediante os planetas Mercúrio e Urano; conhecem-se como os tattvas Anupadaka e Adi. A porção da aura que pode ser considerada estendida para além do Ovo Áurico individual se compõe da essência espiritual, da qual se forma a alma espiritual, embora, em realidade, a forma - tal como a conhecemos - não exista nestes planos. É conhecida como o "Raio Búdico", e se acha sob a influência do planeta Mercúrio, o Raio da Sabedoria. Sua cor é o amarelo, existe como subinfluência em todos os outros raios e todos os outros raios existem nele como sub-raios. Para chegar a ele através do Corpo Etérico, devemos compreender o quarto sub-raio da Lua na ordem dos sub-raios Violeta; através do corpo astral, ou a devoção de Marte, compreendendo

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a razão da devoção, ou por contato direto com o objeto de devoção através da emoção purificada, por meio do quinto sub-raio ou sub-raio Amarelo do raio Vermelho; e através de Vênus e a inteligência pura por meio do segundo sub-raio, ou amarelo, do raio índigo. A influência pura de Mercúrio é a da intuição, a compreensão espiritual, um conhecimento direto das coisas espirituais, um reflexo imediato da consciência Cósmica e sobre-humana. É o plano do mundo celestial, e para chegar a esta porção da aura têm de desaparecer todas as coisas terrenas, e a consciência deve funcionar diretamente através do raio Amarelo, separada de qualquer divisão dele; ou, em termos astrológicos, há de chegar ao plano de consciência em que gira o planeta Mercúrio, isoladamente de todo contato dos signos zodiacais. O espelho da verdadeira consciência Mercurial só deve refletir-se a si mesmo e ao que é semelhante a si mesmo. O seguinte e último tattva de que podemos ter alguma consciência é o tattva Adi, sob o governo de Urano. Ao falar da influência deste planeta sobre a aura, a Doutrina Secreta o descreve como opalescente, brilhando a aura inteira com uma bela luz, iridescente como a do nácar. Não há palavras para descrever a luz que brilha através desta aura semelhante ao Sol, fazendo dela o quadro mais belo que se pode contemplar.

PASSADO E FUTURO O mais notável acerca de toda a aura que envolve uma pessoa é que contém os resultados de todas as vidas anteriores e as potencialidades do futuro. Cada um dos tattvas se centra ao redor de um átomo permanente, onde se acham armazenadas todas as possibilidades vibratórias acumuladas durante passadas encarnações; e, por isto, cada homem continua, no renascimento, com as energias vibratórias destes átomos, que o impelem a atuar de certas maneiras, o que, para ele, constitui alinha de menor resistência. Quando consideramos que cada tattva cósmico tem uma Inteligência espiritual ou Senhor como cabeça do mesmo e como fonte, e uma hoste de inteligências menores que operam neste particular campo ou éter, podemos ver facilmente como as vibrações de cada átomo correspondem a seu próprio planeta particular, e como a consciência do homem interior responde à matéria fora dele mesmo. Um estudo cuidadoso da aura e sua relação com os planos superiores e inferiores, ou mais sutis e mais densos, dará uma pista para uma considerável quantidade de conhecimentos referentes às três fases definidas da evolução de um homem. A porção mais elevada e mais refinada da aura se encontra sob a influência de Urano, o planeta da vontade, que se utiliza na Astrologia Esotérica como um símbolo da mônada, o Eu real. A porção inferior, ou a que mais ou menos diretamente está em contato com o físico, encontra-se sob a influência de Júpiter.

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No homem comum, que é o Homem-Animal sem se regenerar, a Lua é o símbolo da personalidade, que se limita ao cérebro e às sensações para sua expressão; mas quando se regenerou, a expansão da consciência causada por Júpiter translada o centro do cérebro e das sensações para o coração, e nasce um sentido moral, que é posto à prova pelas responsabilidades impostas sobre o homem pelas influências saturninas, e o homem passa então a um estado mais plenamente individualizado. Durante um longo período, o Sol é um representante do indivíduo comum, que não é autoconsciente, estabelecido no corpo Causal ou espiritual; mas quando se desenvolveu plenamente o sentido moral e o coração se liberou das atrações dos sentidos e dos impulsos da mente inferior, a força expansiva de Júpiter é demasiadamente grande para caber dentro dos fins das limitações restritivas de Saturno, e seus laços se rompem, por assim dizer. Então, começa a influência de Urano, aprendendo o homem a transcender a individualidade e a se dar conta de que a humanidade não é senão uma só Entidade da qual ele faz parte. Ele é, então, o verdadeiro estudante da natureza humana, a qual, compreendendo tudo, tudo perdoa. Está pisando então o caminho da liberdade e se converte no caminhante sem casa no verdadeiro sentido do termo, não tendo nenhum signo zodiacal mais proeminente que outro, sendo o círculo inteiro seu campo de manifestação e não uma parte isolada do mesmo. Nas mitologias antigas, Urano, Senhor do Espaço, foi destronado por Saturno, Deus do Tempo, que finalmente cedeu o lugar a Zeus, Senhor de toda forma e matéria; na mitologia hindu, estes símbolos se expressam por sua vez em Shiva, Vishnu e Brahma.

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CAPÍTULO 11

Os PLANETAS EM RELAÇÃO COM A CONSCIÊNCIA Mercúrio, como planeta astrológico, é ainda mais oculto e misterioso que Vênus. Ele era o condutor e evocador das Almas, o "Grande Mago " e Hierofante. E o "Hermes de Dourados Cabelos", cujo nome os Hierofantes proibiam de falar. Doutrina Secreta.

deveria ficar claro porquê todas as nossas ideias a respeito da Astrologia Agora, Esotérica deveriam se basear numa compreensão da diferença real entre a Individualidade, que é a parte permanente de nossa natureza, e a personalidade, que é a parte transitória, e que unicamente existe como um pequeníssimo raio da Individualidade. Cada planeta tem uma relação definida com a consciência em todos os seus graus, desde o mais baixo até o mais alto. Só há uma consciência suprema, mas cada "esfera de influência" representada por um planeta participa de uma grande porção desta consciência, e a utiliza em relação com os sete princípios ou aspectos da consciência humana, tais como o aspecto da Vontade, o aspecto da Sabedoria, etc, relacionando-se cada planeta com a evolução de um dos princípios. Evoluímos na consciência da mesma maneira que o fazemos no corpo, e possuímos um corpo físico, um emocional e um mental para a expressão dos correspondentes estados de consciência. Os estados mais elevados e mais sutis da consciência são os que encontram expressão só através da Individualidade, ou alma permanente do homem, a saber, os aspectos de Vontade, Sabedoria e Amor. Estes três altos e exaltados estados de consciência são regidos, segundo as regras da Astrologia Esotérica, por Urano

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(Vontade), Mercúrio (Sabedoria) e Vênus (Amor). Relacionam-se com o que amiúde se chama, na Filosofia Oriental, a tríade imortal, e no Ocidente a trindade da perfeição. Podemos considerar estes estados de consciência como representando o Espírito, a Alma Espiritual e a Alma Humana, ou três aspectos daquilo que, em seu sentido mais elevado, é a única Alma individual. Na ordem inversa, há três reflexos desta consciência superior relacionados com a Personalidade, e têm mais a ver com a limitada vida incorporada na matéria: matéria mental, matéria astral e matéria física. Representam, em primeiro lugar, a vida do corpo físico, pois todas as células do corpo têm uma consciência própria, e esta é regida pelo planeta Júpiter. Em segundo lugar, há a vida dos sentimentos pessoais, a Alma Animal, como a soma total de todos nossos diversos estados de ânimo, sensações e sentimentos, a consciência de nosso corpo emocional; e esta é regida pelo planeta Marte. Finalmente, há a vida da mente, nossa peculiar mente pessoal, que nos dá opiniões, tendências e preconceitos. É a mente que preenche nossas células cerebrais, dandolhes vida e consciência próprias, animando os órgãos frenológicos na cabeça e fazendo com que vejamos todas as coisas de uma maneira concreta e prática; esta mente é regida pela Lua. Quando estes três estados de consciência e os veículos através dos quais operam se acham todos combinados no corpo físico único, são vitalizados pelo Sol, que proporciona o Prana, ou força vital; e quando este Prana se retira do corpo físico, produz-se a morte. O cerne da consciência inferior ou pessoal se concentra então na Individualidade, conforme os seguintes pares de opostos: Urano e Júpiter, que representam respectivamente o aspecto da vontade na consciência e a estabilidade do corpo. Mercúrio e Marte, que representam a Alma Espiritual e seu oposto, a Alma Animal; Vênus e a Lua, a Alma Humana e a mente pessoal do cérebro. A RELAÇÃO ENTRE INDIVIDUALIDADE E PERSONALIDADE Saturno forma a Ponte, ou o caminho reto e estreito entre a Individualidade e a Personalidade. Este Planeta é o divisor e separador entre o rude e o fino, o impuro e o puro, e assim é a grande fonte de aflição e dor, o depurador e também o individualizador. Podemos agora representar estes estados de consciência e os planetas que os regem em forma de tabela: a Espírito ................................. expresso como Vontade h. c Alma Espiritual .................... expressa como Sabedoria c. d Alma Humana ....................... expressa como Amor d. g A Ponte ou Individualizador. b A Mente Pessoal .................. expressa através do Cérebro b. e Os Sentimentos Pessoais ...... expressos através da Alma Animal. f As Células Físicas ................ expressas através do Corpo Etérico e Denso. a A Vitalidade ou vida do corpo.

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O Sol é, ao mesmo tempo, espírito e vida, o mais alto e o mais baixo. Do mesmo modo que Aquário é o signo ideal do astrólogo, assim é Urano seu planeta ideal, e aqueles que podem sentir as vibrações de todos os outros planetas, podem esperar contatar e reagir a Urano. Alguns só podem reagir a Marte, e alguns só a Urano, mas os que podem responder a Urano, inclusive em sua expressão mais baixa, são poucos e raros. Este é, então, o verdadeiro significado de viver à altura de seu próprio horóscopo, respondendo plenamente as vibrações mais altas que se puder. Estes são os planetas do plano físico, que se utilizam como representantes dos sete estados de consciência e os sete caminhos da evolução. Cada individualidade está evoluindo sob os cuidados e guia de um dos grandes Seres representados por estes planetas, e toda Personalidade encarnada nasce sob o governo de um deles; mas, enquanto a Individualidade, ou alma permanente, permanece constantemente em contato com o mesmo dos Sete, normalmente, ao menos, ao longo de toda a grande série de encarnações, o regente pessoal muda de uma vida para outra.

A RELAÇÃO DA PERSONALIDADE COM O CORPO Quando chega o momento do nascimento, escolhe-se um corpo de tipo especial, adequado para que a alma possa adquirir a experiência que se necessita nessa época em particular. A formação desse corpo não é questão do acaso, mas tem lugar conforme um plano predeterminado, e a mesma estrutura e composição do corpo se organizam para obedecer a esse plano. Os vários gêneros de elementos químicos de que se compõe o corpo, assim como o modo em que se combinam, expressam as operações dos regentes planetários, e o nascimento se efetua quando os planetas estão nas posições que deveriam ocupar com relação ao plano prédeterminado que constitui o horóscopo. O tipo de corpo e sua formação se ordenam, pois, para obedecer a este plano, e é sobre este plano que se estrutura a própria base do corpo; e esta é a verdade que serve de base a ciências como fisiognomia, frenologia e quiromancia. Não que o corpo, mediante um esforço continuado por longo tempo, chegue a se parecer com a alma (embora haja algo de verdade neste ponto de vista), mas o tipo de corpo se dispõe de antemão para se adequar a, e expressar, o tipo de Personalidade, da mesma maneira que um vestido se ajusta ao corpo; e, sendo este o caso, não deverá nos causar estranheza o fato da forma, tamanho, estrutura e contorno do corpo e de suas partes mostrarem o caráter da pessoa que utiliza esse corpo à guisa de veículo. No nascimento, pois, as posições planetárias constituem um indício perfeito quanto ao tipo de corpo que nasce e da personalidade que o habitará durante o espaço de uma vida. Mas, provavelmente, o momento do nascimento é o único momento de toda a vida em que as posições planetárias indicarão exatamente o tipo de corpo, porque as posições e aspectos dos planetas no céu se encontram então em plena correspondência com as correntes de vida no interior do corpo e com as

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potencialidades da Personalidade; porque o corpo muda muito lentamente, enquanto os planetas se afastam muito depressa das posições que ocupavam no nascimento, e nunca voltam a ser exatamente iguais, nem sequer na mais longa das vidas. É esta correspondência que confere ao horóscopo uma importância que, de outro modo, não poderia ter, e faz dele um guia quanto ao tipo de Personalidade que se mostra no corpo e quanto ao caráter da alma que mora dentro dele. Cada personalidade é, de certa forma, uma nova evolução que há de funcionar em um corpo que foi pré-organizado para produzir certo tipo de caráter a partir da consciência que há em seu interior; e o corpo faz isto bloqueando certas dificuldades, superando parcialmente outras e permitindo o pleno desenvolvimento e livre operação das restantes. Isto vem determinado principalmente pela estrutura do sistema nervoso, que, segundo a composição de suas diversas partes, permite a livre ação da consciência ou a dificulta, ou então a impede por completo. Aquelas faculdades que têm livre ação se suscitam com grande facilidade durante a educação ou por meio da influência dos pais ou companheiros, e, geralmente, produzem prazer em seu exercício; na maioria dos casos, se não em todos, representam poderes que foram se desenrolando lentamente ao longo de muitas encarnações passadas, e serão mostrados pelos planetas mais fortes do horóscopo, embora não sejam necessariamente os mais bem aspectados. As faculdades que estão parcialmente excluídas se adquirirão com maior dificuldade durante a vida; não proporcionarão tanto prazer em sua prática, e a pessoa só terá sucesso incompleto em qualquer ocupação que dependa delas; geralmente, estão representadas por planetas que são mais fracos, ou menos proeminentes no horóscopo. Podem tratar-se de faculdades que a alma ainda não adquiriu adequadamente em nenhuma de suas vidas passadas; mas, em alguns casos, são excluídas deliberadamente, para que a pessoa passe por um tipo particular de experiência ou pague alguma dívida cármica; já que quase todas nossas ações dependem de nosso caráter, quando se conhece o ambiente, produzirse-ão as ações e experiências apropriadas. Algo parecido sucede com as faculdades que foram excluídas quase que por completo; ou faltam por completo, ou são intencionalmente impedidas de se expressar por motivos cármicos. Os planetas que significam estas faculdades ou são muito fracos, ou se encontram em partes obscuras do horóscopo, ou estão seriamente afligidos, e com frequência têm estes três inconvenientes juntos. O horóscopo do Conde de Arundel mostra quão gravíssimas podem ser as aflições quando ficam bloqueadas muitas faculdades. Por conseguinte, algumas faculdades se suscitam poderosamente, algumas parcialmente e outras não se suscitam em absoluto; e quando se colocam em um ambiente dado, previamente escolhido pelos divinos guias do destino da alma, aparece o tipo de Personalidade preestabelecido. As ações se realizam segundo a categoria de caráter condicionado pelo ambiente; adquire-se experiência, apresenta-se à alma um novo ponto de vista sobre o mundo pelo espaço de uma só vida, e, mais

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cedo ou mais tarde, depois da morte, tudo se reunirá na permanente Individualidade, que ficará mais rica, mais plena e mais poderosa através do que adquiriu.

ENCARNAÇÕES SUCESSIVAS As personalidades se sucedem umas às outras, representando, cada uma delas, a mesma Individualidade, mas não há duas que sejam completamente iguais. Se tomamos como exemplo uma Individualidade que está evoluindo sob Saturno, os sete regentes estarão representados dentro dessa Individualidade, mas Saturno será o mais forte. Quando encarna em uma Personalidade que nasce sob Júpiter, este planeta e Saturno serão ambos fortes no horóscopo, embora não necessariamente estejam bem aspectados, porque isso é questão do carma. Durante uma vida, a alma verá tudo sob 0 ponto de vista de Júpiter, e, após a morte, sua experiência irá enriquecer a Individualidade, fazendo mais forte dentro dela a influência de Júpiter. Seguirá a essa outra Personalidade, depois de um intervalo de descanso no mundo celestial, nascendo sob outro planeta para enriquecer outro aspecto da Individualidade; e quando, após uma sucessão de vidas, chegar o momento dessa alma voltar a nascer sob Júpiter, sucederá de novo que este planeta e Saturno atuem de algum modo como as influências mais poderosas do horóscopo, mas o resto do mapa desta personalidade jupiteriana será diferente do da anterior, porque a alma terá evoluído, crescido, mudado de algum modo no longo intervalo, terá saldado algumas dívidas de seu antigo carma e terá contraído outras, e os Divinos Guardiões do homem procurarão fazer com que nasça em um ambiente diferente, com vistas à obtenção de maior experiência. Por conseguinte, seu horóscopo será necessariamente diferente em muitos aspectos, embora, numa sucessão de tais personalidades, possamos esperar encontrar algumas fortes semelhanças, como as que geralmente existem entre membros da mesma família. Não há outra diferença entre as almas além da que se deve ao gênero variado de experiências que tiveram no passado. O maior pecador e o santo mais sublime não se diferenciam mais do que nisso, e no fato do santo ser uma alma velha e experiente, enquanto que o pecador é relativamente jovem e inexperiente quanto à alma. O nascimento em sucessivas Personalidades sob novas combinações de signos e planetas fornece, astrologicamente falando, as experiências requeridas; e isto assegurará que o pecador de hoje seja o grande santo do futuro distante.

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CAPÍTULO 12

A INFLUÊNCIA PLANETÁRIA E A GESTAÇÃO

As relações com os outros complicam o carma de uma pessoa no plano físico, e a forma particular que ostentam durante uma determinada vida deverá ser adequada, para o cumprimento desse complicado carma. Um Estudo sobre a Consciência.

xistem muitos pontos de vista mediante os quais se pode estudar e classificar o universo, no esforço por compreender e explicar o desconhecido ou o só parcialmente conhecido, com base nas coisas que conhecemos. Toda ciência constitui um de tais pontos de vista, sob o qual se vê um pouco da verdade das coisas, porque cada pesquisador agrega novos fatos ao acervo universal e trata de explicá-los relacionando-os com outros fatos e princípios já conhecidos. Toda religião, no que diz respeito ao entendimento, é outro ponto de vista, que considera uma região completamente diferente do universo, mas, seguindo a mesma regra de poder, vê o que é diferente ou distante em relação ao que é familiar e próximo, e, assim, explica um por meio do outro. Em princípio, e especialmente do ponto de vista científico, este método parece ser completamente objetivo em seus fins, e nos ocupamos em explicar uma porção do universo exterior por meio de outras porções do mesmo universo exterior. Um botânico que descobre uma nova planta a entende suficientemente do ponto de vista botânico quando determinou sua espécie, habitat e fatos parecidos, todos os quais se relacionando com o mundo exterior. O mesmo pode ser dito das outras ciências; e até as pessoas religiosas, quanto ao que pensam da vida depois da morte, consideram-na sempre como situada definidamente em algum lugar do espaço, possuindo tanta realidade objetiva como este mundo, embora, sem dúvida,

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sendo estruturada segundo uma ordem diferente de matéria e obedecendo a outras leis. Muitos filósofos vão ao extremo oposto e resolvem tudo em estados de consciência, negando-se a reconhecer a existência independente de um universo material exterior. Dizem que o único conhecimento que temos de um mundo exterior é o que passa dentro de nossa consciência; que, quando se emprega um ou mais dos cinco sentidos, o resultado é uma modificação da consciência, a qual é tudo o que está realmente presente para nós e tudo o que realmente podemos conhecer; e que o argumento pelo qual tratamos de demonstrar a existência de algo que não seja a consciência é, por sua vez, unicamente uma série de modificações da consciência, e não pode se demonstrar que seja algo mais. Isto resolve o universo inteiro em consciência e estados de consciência, e nega a existência de qualquer outra coisa. O processo de compreender consiste então em pôr algum estado de consciência novo, ou relativamente pouco familiar, em relação com outro estado mais antigo, mais familiar ou mais abrangente, de sorte que os dois se fundem e se interpretam dentro da consciência total, e um se compreende por meio do outro. O materialista ou o realista considera a consciência ou o espírito como um sub-produto das atividades da matéria. O idealista total chega ao extremo oposto, e considera a matéria apenas como um modo de manifestação do espírito; aquele grau de espírito que constitui a consciência em cada um de nós está tão longe daquele outro grau de espírito que constitui a matéria, que parece haver, entre ambos os graus, um abismo insolúvel, e mesmo quando se consideram apenas como ideias, negam-se a misturá-los, parecem ficar separados como o óleo e a água, mas são só dois modos diferentes de manifestação do mesmo espírito subjacente. Como indica a senhora Annie Besant, o espírito é a atividade de Deus, a matéria é a quietude de Deus. Esta divisão do universo em mundo do espírito ou consciência e mundo da matéria, separados um do outro por seus graus de dessemelhança, relativos mas não absolutos, conduz à consideração do homem como constituído de forma análoga. O homem, como o universo em geral, é essencialmente consciência ou espírito rodeado por algo de matéria. No homem, a consciência percebe-se a si mesma, chegou à autoconsciência; e devemos observar que, evitando examinar mais de perto o problema referente a se a matéria tem uma experiência própria, se aceitamos a matéria e o espírito pelo que possam valer, a matéria é sempre exterior e se acha manifestada, enquanto que a consciência é sempre interior e está oculta. A matéria é uma grande variedade de formas, e a vemos ao nosso redor por todos os lados, mas o espírito ou a consciência ou o eu jamais são vistos, porque sempre se acham escondidos por detrás de um véu de matéria. Quem quer que exercite os cinco sentidos comuns pode perceber a matéria, mas ninguém percebe a consciência mediante estes sentidos ou mediante quaisquer outros parecidos. Tudo o que percebemos é o véu material, que oculta o eu que se acha dentro.

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Se levamos o exame ao seguinte plano superior do universo, o mundo astral ou do desejo, pode afirmar-se exatamente o mesmo. Quem funcionar nesse plano ou o examinar clarividentemente desde o plano físico, perceberá vários objetos e corpos animados e inanimados formados de matéria astral, mas não perceberá no astral a consciência melhor do que a percebe aqui. Em um e outro mundo, tudo quanto percebemos são as manifestações externas da consciência que age sob e dentro da matéria. O mesmo volta a ser certo no mundo mental que se encontra mais além do astral: a matéria é sempre manifesta, está na superfície e é perceptível; a consciência está sempre oculta, sob a superfície e não é notada. Quando um clarividente nos diz que vê um espírito, a expressão "um espírito" se emprega de modo popular e inexato, e o que realmente vê é algo da matéria do plano astral organizado numa forma humana. Esta forma é animada por uma consciência humana, tal como o estão nossas formas físicas neste mundo, mas a consciência como tal não a vê mais do que a vemos nós aqui; ele vê a matéria astral e nós vemos matéria física, e isso é tudo. Subba Rao escreve que nem sequer o Logos vê Parabrahman; vê Mulaprakriti, matéria-raiz, como um véu lançado sobre Parabrahman.

A FUNÇÃO DO CORPO EM RELAÇÃO À CONSCIÊNCIA O homem pode considerar-se, pois, como consistindo em consciência ou eu, que está sempre dentro, e corpo, que é feito da matéria do mundo onde está funcionando, e ambos estão rodeados exteriormente pelo resto do mundo. Tomando o plano físico comum como típico do todo, temos, em primeiro lugar, o mundo em geral, o ambiente; em segundo lugar, o corpo físico; e, em terceiro lugar, o homem, que utiliza esse corpo como veículo enquanto vive. O ambiente inclui aqui não só os arredores imediatamente visíveis, tangíveis e audíveis, mas também tudo o que se encontra fora dele e que produz qualquer efeito sobre ele por meio de suas vibrações aéreas ou etéreas, não importa quão grande seja a distância, como por exemplo os corpos celestes. O homem interno ou real é posto em contato com seu ambiente físico por meio de seu corpo físico. Este é o propósito para o qual existe o corpo - introduzir o homem nesses ambientes, permitir-lhe receber impactos dos objetos animados e inanimados do mundo físico e, por isso, chegar a ser consciente deles, sentir por eles afeição ou desgosto e despertar suas faculdades inerentes ao buscá-los ou evitá-los; de modo que, começando com um estado de completa ignorância dele, ao final chegue a ser sábio na sabedoria deste mundo e cheio de experiência quanto aos homens e as coisas. Se não fosse pelo corpo, este mundo físico seria inexistente para nós. A alma ainda não encarnada, ao descer para o nascimento, requer um corpo físico para que seja posta em contato com o mundo físico, e, até que tenha adquirido um de tais corpos, o lado físico das coisas não pode causar nela nenhuma impressão. E, analogamente, depois da morte do corpo, o plano estritamente físico deixa de existir

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para o homem; a lembrança dele permanece, e o desejo dele pode ser muito ativo, mas já não possui nenhum sentido por meio do qual a matéria física possa causar alguma impressão nele, e já não possui nenhum poder que lhe permita afetá-lo e causar mudanças no mesmo. Ainda vê as contrapartes astrais de todos os corpos físicos, cada vez que dirige a atenção para eles, e, devido a corresponderem exatamente aos próprios objetos físicos, percebe que a contraparte astral de, por exemplo, uma casa, é o mesmo que perceber a casa física; de modo que o homem morto chega facilmente a ser consciente do que está acontecendo neste mundo. Não obstante, é certo que, para ele, a matéria física como tal deixou de existir; ele é influenciado pela matéria astral, e, por sua vez, influi sobre ela, tanto a que existe nos objetos inanimados como a que forma os veículos das pessoas vivas; mas as combinações puramente físicas são praticamente inexistentes para ele, da mesma maneira que ele se tornou invisível e imperceptível para as pessoas comuns, que estão revestidas de um corpo físico e que só são conscientes plenamente das vibrações, da matéria física, e só reagem aos impactos desta última. A posse ou não de um corpo decide, pois, se um homem é capaz de entrar em contato com este mundo, afetá-lo e ser afetado por ele. Se adotamos a classificação de (1) homem, (2) seu corpo e (3) o mundo ambiente, o corpo é a chave de toda a situação, e permite que os outros dois se influenciem mutuamente. Se o caráter pertence à alma, o homem real, com sua faculdade de se expressar neste mundo depende inteiramente do corpo. A alma traz consigo suas diversas faculdades quando nasce nesta terra, mas sua possibilidade de usá-las eficazmente depende do tipo de corpo que lhe foi dado; e, posto que o caráter determina o destino em muito boa medida, o tipo de corpo decide qual será o caminho do homem, sua boa e má sorte, seus êxitos e seus fracassos. Que isto é certo é, em parte, evidente; porque um corpo débil e enfermo tornará impossível ter êxito numa ocupação que requer força muscular e resistência; um corpo tosco e pesado assegurará o fracasso se o homem tenta seguir uma profissão que requer tato refinado e delicadeza na manipulação. Um sistema nervoso frágil e sensível tornará impossíveis muitas experiências e situações que exijam grande autodomínio e nervos fortes. Estes e outros casos parecidos, que ocorrerão a qualquer pessoa que reflita, tornam-se evidentes por si mesmos; mas a astrologia e o ocultismo, assim como também as teorias científicas sobre a questão da herança, exigem que levemos a teoria muito mais adiante. É evidente que temos que ver no corpo uma espécie de epítome físico ou expressão do conjunto do caráter da alma, ou melhor, de grande parte da mesma quando se manifesta durante o espaço de uma vida. Devemos reconhecer que o caráter e, por conseguinte, o destino, variam com o corpo, não só nos traços gerais e nas maneiras evidentes que mencionamos, mas também do modo mais sutil e em relação a faculdades que não se acham tão na superfície ou não são assim evidentes. Tipos e qualidades especiais do corpo, e especialmente do cérebro e do sistema nervoso, se combinam com tipos especiais de caráter; ou, invertendo a proposição, cada tipo distinto de caráter requer uma categoria distinta de corpo para se expressar,

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e não poderia manifestar-se sem ele. O corpo e a mente se ajustam entre si como a mão e a luva. O corpo é uma espécie de máscara viva que oculta, e, contudo, ao mesmo tempo expressa, o homem que a porta. Um homem com uma máscara rosada não pode desempenhar com êxito o papel de um negro; e a alma, seja o que for em si mesma e à parte deste mundo, é, analogamente, limitada em suas possibilidades pelo tipo de corpo recebido dos pais. Frenólogos, fisiognomistas, quiromancistas e pesquisadores semelhantes da natureza humana estão familiarizados com a ideia de que o corpo, ou ao menos a parte que eles estudam, expressa o caráter e, através deste, em grande medida, o destino de uma pessoa. A astrologia, o ocultismo e os problemas da herança nos obrigam a reconhecer o fato de que isto é certo não só quanto à cabeça, face ou mãos, mas também quanto ao corpo por inteiro, por dentro e por fora, da cabeça aos pés. A HERANÇA DO PONTO DE VISTA CIENTÍFICO Tomando primeiramente o assunto da herança, as teorias mais recentes e amplamente aceitas pelos homens de ciência afirmam que dentro do corpo há certas células generativas, que se transmitem inalteradas de pai para filho. Duas destas células, uma do pai e outra da mãe, se unem, e o óvulo fecundado que resulta de sua união se subdivide, produzindo muitas novas células. Algumas destas células se transmitem inalteradas ao filho para formar suas células generativas, e só uma delas, por contínua subdivisão, forma a massa de material que serve para a construção do corpo do filho. Esta única célula contém todas as potencialidades do futuro corpo. É a base física para a expressão do caráter da criança que vai nascer, e, em seu reduzido espaço, estão contidas todas as complexas forças da herança. Acredita-se que toda parte do corpo que é capaz de variar como um todo, está presente como fator dentro do núcleo desta única célula. Weisman, que defendeu fortemente esta teoria, considerava, segundo dizem, que os últimos elementos físicos da herança dentro do núcleo da célula são "uma colônia de unidades vitais invisíveis, que se propagam por si mesmas, ou bióforos, cada uma das quais tendo a faculdade de expressar no desenvolvimento alguma qualidade particular". Ele supunha que "estes bióforos se agregam em unidades de uma ordem superior, conhecidas como determinantes, um para cada estrutura do corpo que é capaz de variação independente. Estes determinantes, ao que se supõe, agrupam-se formando ids, cada um dos quais possui um complemento completo dos caracteres específicos do organismo e têm também um caráter individual".*

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* Teoria antiga, anterior à descoberta do DNA por Watson & Crick, mas bastante próxima da realidade científica do conceito atual dos "gens". (N. da R.)


Esta é uma versão científica do modo como as potencialidades de todo o corpo físico se acham contidas dentro da célula única da qual se origina o corpo. Simples na aparente estrutura exterior, é sumamente complexa por dentro, e contém a categoria de material que expressará as forças da herança e resultará no novo corpo completo, com suas várias possibilidades e limitações.

OUTRAS CONSIDERAÇÕES Passando à continuação dos ensinamentos ocultos sobre este assunto, encontramos que as teorias científicas precisam ser complementadas por dois fatores importantes. O primeiro deles refere-se ao plano ou arquitetura do corpo, e o segundo à influência da alma que vai habitar e animar este corpo. O corpo não se forma a si mesmo, nem cresce de uma maneira automática e mecânica, tal como as limalhas de ferro vão se agrupando em torno de um ímã. Certos elevados seres espirituais, os Senhores do Carma, dão um modelo do corpo que vai existir e criam um elemental artificial, cuja tarefa é construí-lo baseando-se no modelo. O plano do modelo varia segundo o tipo de caráter que deve se expressar pela alma e o tipo de experiência pela qual está destinada a passar durante seu período de existência no corpo. Nem todo o caráter e toda faculdade da alma se expressam no corpo físico, porque algumas ficam definitivamente excluídas, às vezes porque tal é o destino que o homem mereceu por sua passagem anterior em outras vidas, e, as vezes, para que possa voltar sua atenção para outros aspectos de caráter que necessitam se desenvolver. Isto nos leva de novo aos princípios anteriormente expressados: que um determinado tipo de caráter só pode se expressar mediante um corpo exatamente adaptado a esse fim; que um corpo que é veículo adequado para um tipo de caráter seria inadequado ou impossível para expressar um tipo de caráter completamente diferente; e que o destino e a sorte variam em grande medida segundo o caráter. Não que o corpo cause o caráter, porque este, com todas as suas forças e fraquezas é inerente à alma, mas o tipo de corpo e o ambiente asseguram que certas experiências fiquem impressas no interior do homem, e, por reação, suscitem os poderes e faculdades latentes, alguns deles facilmente, porque estão bem desenvolvidos e livres de impedimento, outros com dificuldade ou de nenhum modo, porque são fracos ou foram excluídos em parte ou totalmente na formação do corpo. Temos aqui uma clara sucessão de princípios. O plano do corpo e o ambiente em que ele vai nascer são decididos pelos Senhores do Carma. Isto determina o tipo geral de caráter, e, por sua vez, também dos fatos e acontecimentos que se experimentarão na história da vida. O plano do corpo expressa, por sua vez, o caráter e o destino; em realidade, o horóscopo fica incorporado à própria essência do corpo, e se soubéssemos o suficiente de anatomia e fisiologia ocultas,

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poderiamos ver o Sol, a Lua, os planetas e signos zodiacais expressos na constituição do corpo, variando para bem ou para mal segundo suas forças ou fraquezas. Os TRÊS FATORES QUE AGEM NO EMBRIÃO A alma não entra no corpo senão um considerável tempo depois do nascimento, mas está em contato com ele inconscientemente desde um período inicial da vida pré-natal, fluindo várias correntes de energia desde a alma que desempenham um papel na configuração do corpo. Por conseguinte, há três fatores que agem no embrião: primeiramente, as forças da herança, contidas no óvulo fecundado; em segundo lugar, o plano dado pelos Senhores do Carma, com base no qual o elemental artificial constrói o corpo; e terceiro, a influência da alma que vai nascer, exercida, em geral, de modo inconsciente.

A INFLUÊNCIA PLANETÁRIA DURANTE A GESTAÇÃO A duração da gestação humana é de 40 semanas (280 dias), mas é possível uma grande variação a partir desta cifra. Uma criança nascida com 28 semanas pode viver, embora isto não costume ocorrer. Quanto mais tempo for o período de gestação passar além de 28 semanas, maior é a probabilidade de que viva a criança, se nascer prematuramente. Uma semana é a quarta parte da revolução da Lua. O nascimento, tanto dos homens como dos animais, é regulado pela Lua. As revoluções sinódicas seguintes, se tomadas em algumas proporções simples, dão uma medida muito próxima do período de gestação, 280 dias. Planeta Revolução Sinódica Proporção Dias

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Lua Mercúrio Vênus Terra Marte Júpiter Saturno Urano Netuno

29,530 dias 9½ 115,877 " 2½ 583,920 " ½ 365,256 " ¾ 1 779,936 " /3 398,867 " ¾ 378,090 " ¾ 369,656 " ¾ 367,488 " ¾ Média do conjunto

281 290 292 274 260 299 284 277 276 281

A primeira destas colunas dá o nome do corpo celeste; a segunda dá o período de sua revolução sinódica média em dias e décimos de dia, dando-se a revolução


sideral no caso da Terra; a terceira dá a proporção da revolução utilizada, e a quarta dá o resultado mais próximo de um dia inteiro, desprezando as frações. Uma revolução sinódica é o tempo que um planeta passa entre duas conjunções com o Sol, ou o tempo que transcorre antes de voltar à mesma posição relativa no Zodíaco em relação ao Sol, segundo se vê da Terra. No caso de Mercúrio e Vênus, se a conta se efetua a partir da conjunção superior, a revolução termina com o retorno à conjunção superior, e não com a inferior. Esta tabela indica que 9 ½ revoluções sinódicas médias da Lua medem 281 dias (mais exatamente, 280,54), apenas um dia além do período normal de gestação. Para Mercúrio, 2 ½ revoluções sinódicas medem 290 dias. A metade do período de Vênus dá 292 dias. Os outros planetas dão um pouco mais ou um pouco menos do normal; a média do conjunto é de 281 dias, que se aproxima muito dos 280 dias postulados pela ciência médica. Com relação às proporções utilizadas, observar-se-á que as únicas frações são metades, quartos e terços, todas as quais astrologicamente legítimas, porque em realidade se empregam no cálculo dos aspectos. A tabela da página anterior mostra, com grande eloquência, a estreita relação que há entre gestação e revolução planetária, e da suma importância da Lua, em especial. O fato de que a revolução tomada é a sinódica (ou seja, a posição segundo se vê da Terra) mostra a natureza geocêntrica do conjunto e, por conseguinte, está em harmonia com o resto da ciência astrológica, posto que o nascimento tem lugar nesta Terra e é a influência irradiada pelos planetas até os seres humanos que nela vivem o que se há de ter em conta. Até a metade ímpar das proporções da Lua, Mercúrio e Vênus têm significado, pois estes são os únicos corpos situados entre a Terra e o Sol. No caso da Lua, se se supõe que quando a concepção tem lugar na Lua Nova, o nascimento ocorrerá normalmente ao redor de uma Lua Cheia. Tomando o Sol como símbolo da Individualidade e a Lua como da Personalidade, na Lua Nova ambas são uma só coisa no mundo celestial superior. A separação dos dois astros durante o crescente da Lua simboliza a separação entre a Personalidade e a Individualidade ao descer para a encarnação; e a vida encarnada no plano físico é simbolizada pela Lua Cheia, quando a Lua dista meio círculo em relação ao Sol. O minguante da Lua significa a separação do plano físico e o retorno da Personalidade à sua fonte. A revolução média é, pois, apropriada. No caso de Vênus ou de Mercúrio, a conjunção superior (quando o planeta se encontra do lado distante do Sol em relação à Terra) simboliza a unidade da consciência pessoal e individual no céu superior, o mesmo que a Lua Nova. Se a concepção tem lugar em uma conjunção superior, o nascimento se produzirá normalmente sob uma conjunção inferior, quando o planeta se encontra entre a Terra e o Sol, cuja posição simboliza a descida para a reencarnação. Contudo, estes dois planetas variam demasiadamente em relação à média para serem tomados como normas, tal como a Lua.

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Caso seja somada a coluna intitulada "Revolução Sinódica" e se calcula a média, a mesma dará 375,414 dias; e então, ¾ deste valor é 282,386 dias, o que, de novo, é um resultado muito próximo da média de 280 dada pelos médicos. O autor pensa que esta é a primeira vez que se aponta estas médias planetárias; e se recordamos que as Revoluções Sinódicas variam de 29 ½ dias (no caso da Lua) a 780 dias (para Marte), é certamente curioso que seja possível uma aproximação tão grande ao cálculo científico de 40 semanas. O fato indica claramente que existe uma estreita relação entre os corpos celestes e o período de gestação. A razão de tomar ¾ como proporção é, naturalmente, porque nove meses é esta fração de um ano. A proporção 1/3, usada no caso de Marte, mede desde a cúspide da 1ª casa à da 5a (o filho). A proporção ¾ mede desde a cúspide da 8a casa (geração) à da 5a. O SOL, A LUA E O ASCENDENTE A maior evidência com respeito à influência da Lua sobre o nascimento se obtém no estudo do que se chama época Pré-natal. Isto demonstra que a Lua e o Ascendente ocupam uma relação definida entre si durante os meses sucessivos da gestação até o momento do nascimento, de sorte que o lugar da Lua ou sua oposição no dia da Época, uns nove meses antes do nascimento, se converte ou no Ascendente, ou no Descendente de nascimento. O Sol representa a herança através do pai e sua relação com o filho, e também a vitalidade; a Lua representa a herança através da mãe e sua relação com o filho, assim como a base material viva do corpo, e o Ascendente representa a própria criança. Os meses sucessivos da gestação repetem, em pequena escala, as diversas fases da evolução humana no passado e também correspondem aos Princípios humanos que têm estado em processo de evolução, processo que ainda não terminou.

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CAPÍTULO 13

CARACTERES FORTES E FRACOS

As "profecias" Siderais do Zodíaco, como as chamam os místicos cristãos, nunca apontam nenhum acontecimento particular, por muito sagrado e solene que possa ser para alguma porção da humanidade, mas leis periódicas, sempre recorrentes, da Natureza, só compreendidas pelos iniciados dos mesmos Deuses siderais. Por que ver em Peixes uma referência direta a Cristo (um Salvador para seus seguidores diretos, uma grande e glorioso iniciado para todos os demais), sendo que essa constelação brilha como um símbolo de todos os Salvadores Espirituais passados, presentes e futuros que emanam luz e dissipam a obscuridade mental? Doutrina Secreta.

ma vez em cada ciclo de Vinte e Seis Mil Anos, o tempo que leva todo o Zodíaco para girar em torno de um ponto dado, nasce um HOMEM superior; para muitos, é conhecido como MANU, o homem divino ou legislador, que dá a tônica de todo o ciclo. Por sua vez, a cada Dois Mil Anos nasce um ser humano onde se acha personificado todo o princípio humano, e dá a tônica do signo do Zodíaco que ELE representa, porque ELE é o mestre de uma raça, dando a tônica de uma nova religião que se ajusta à raça nascida sob este signo particular. A cada Século, nasce um homem que se encontra à frente da raça, e cada Década vê nascer um homem particular, que é superior em expressão aos que lhe seguem. Em cada Ano, nasce um homem que dá uma nota mais alta que a nota comum, e a cada mês e cada dia nasce um homem ou uma mulher que se encontra no ápice do (empo em que nasce.

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Estes períodos especiais oferecem oportunidades para o nascimentos de almas que se encontram acima da mediocridade. As figuras geométricas produzidas pelo movimento dos corpos celestes mudam eternamente, e embora expressem os cálculos matemáticos em que se baseiam as leis astrológicas, nunca se repetem da mesma forma durante a revolução cíclica de todo o Zodíaco.1 Os aspectos dos planetas entre si baseiam-se também nesta lei. Este axioma nos ajuda a vislumbrar um pouco o valor da Lua Nova que precede o tempo de qualquer nascimento, ou a entrada do Sol nos signos zodiacais antes deste tempo, embora nossos estudos de Astrologia Natal não tenham avançado ainda o suficiente como para permitir-nos compreender toda sua importância. Isto implica certas limitações, além das quais as almas não podem evoluir, se é que hão de reter o corpo moldado segundo o modelo da figura geométrica com que este último se relaciona. Isso implica, no entanto, a necessidade da Iniciação naquele estado de consciência representado pelo "além" dessa forma particular. Olhando para os sete raios planetários de baixo, à frente do grupo de indivíduos pertencentes a cada raio se acha um Mestre, ou ser humano aperfeiçoado, que fundiu em si mesmo todas as influências contraditórias dos outros raios, como sub-influências de Seu próprio raio. Esse Mestre da vida e da forma, que vive no Eterno, é o ideal para todo ser humano, pois, como nada perturba a harmonia de Sua expressão humana aperfeiçoada, devemos tratar de transmutar todos os elementos que lutam em nossa própria natureza e fazer soar, de forma clara e distinta, a nota da existência física presente. O modelo celestial sobre o qual se moldaram os veículos que habitamos pode ter limitado a expressão de nossa consciência, mas não nos ata aos corpos físico, emocional ou mental em separado, porque podemos transcender um deles e todos eles e, no entanto, não nos desenvolvermos além das limitações de modos de consciência superiores aos que aqueles veículos expressam. Podemos ser medíocres quanto a ações físicas, e, contudo, chegarmos a ser geniais quanto ao pensamento, o sentimento ou o desenvolvimento espiritual. Os fenômenos do que se chama "conversões" e outras experiências religiosas menos comuns, para não falar daqueles lampejos de intuição que quase todos experimentamos, demonstram com suficiente clareza que não estamos apegados a um só lado de nossa natureza com exclusão de outros lados ainda não desenvolvidos. É a persistente identificação com uma vibração planetária com exclusão

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Demonstrou-se que em 23,982 anos a Terra, Marte e Vênus completam um número exato de revoluções, depois do que se repetiriam naturalmente as séries de aspectos solares e mútuos formados entre eles. Para incluir Júpiter, este período deveria ser multiplicado por 5; se fôssemos incluir também Urano, por 30, e para todos os planetas do Sistema Solar, por 90. Assim, a série completa de aspectos planetários possíveis só pode se repetir depois de passado o lapso de dois milhões de anos.


de outras que, geralmente, produz aqueles desenvolvimentos desequilibrados e aquelas influências sumamente contraditórias que encontramos em muitos horóscopos; e, com grande frequência, um horóscopo medíocre exerce alguma influência benéfica que foi negligenciada pelo nativo, o qual permanece indiferente a ela; devido a isso, ele qualifica erroneamente a força das circunstâncias.

COMO JULGAR São tantos os fatores que há que se levar em conta quando tentamos sintetizar um horóscopo, que passar por alto o fato de que cada figura se encaixa dentro de outra figura pode distanciar do verdadeiro foco todo nosso juízo; portanto, devemos nos esforçar por compreender a partir de que momento surgem muitas das influências contraditórias. Uma criança nasce numa família com a qual está em harmonia, ou ao contrário; em outras palavras, a figura geométrica se encaixa com os horóscopos dos outros membros da família, ou então, é impossível encontrar sequer algo que se pareça com um ajuste. Examinaram-se muitos desses casos e não se encontrou nenhuma explicação além da teoria da Reencarnação, ou o renascimento sucessivo da alma em condições necessárias para elaborar seu destino. As pessoas com que nos encontramos na vida diária têm sobre nós uma influência maior do que pensamos a princípio, e, até que aprendamos a nos considerar como partes da grande família humana, não adquirimos um verdadeiro sentido de proporção. Muitas vezes, ofendem-nos as palavras, sentimentos e ações dos outros, e causam em nós uma reação que poderia ser evitada se houvéssemos compreendido os motivos ou o temperamento de tais pessoas; e não simpatizamos com outros ou não os compreendemos enquanto não nos damos conta da natureza contraditória dos elementos que formam o molde de expressão mediante o qual está operando nossa consciência. Marte e Saturno são, em aparência, elementos contraditórios, mas em seu próprio lugar operam harmoniosamente e sem nenhum conflito real. Os temperamentos marciano e saturnino não podem ser compreendidos um ao outro enquanto cada um esperar ou exigir que o outro expresse vibrações similares. A coloração marciana é a primeira e mais poderosa vibração na vida da maioria das pessoas, e esta vibração vai do muito vulgar ao muito fino, segundo o signo, a posição da casa e os aspectos de Marte. O essencial da vibração marciana se expressa em Vênus. Pode-se dizer que a coloração saturnina é a última influência que prevalece para a maioria, e vai do muito grosseiro ao muito sutil; sua essência se expressa em Urano, ou, para os que não podem alcançar essa sutil influência, em Júpiter. A vibração uraniana só pode afetar os pouquíssimos que operaram através de todas as influências inferiores, e agora reagem àquela que, em termos, sintetiza o todo.

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A MARCA DA MARÉ ALTA Há, em todo horóscopo, a "marca da maré alta", até a qual sobe a água da vida; pode ser Marte ou Vênus, Saturno ou Júpiter, ou possivelmente Urano ou Netuno; e até cada indivíduo se esforça mais ou menos para chegar até esta marca, e sua capacidade para responder a qualquer vibração particular pode ser observada no fato de sopesar cuidadosamente todas as possibilidades. A posição da Lua, o lugar de Mercúrio e os ângulos são os pontos mais sensíveis de todos os horóscopos. Os aspectos da Lua denotam capacidade para responder às influências dos planetas que a aspectam. Todos os aspectos deveriam ser interpretados imparcialmente, sem ter em conta as influências ditas "maléficas" ou "benéficas", mas o signo e a casa jamais deveriam ser passados por alto. As pessoas que são fortemente individuais reagem menos ao lado devocional da vida, e, geralmente, vêem-se afetadas pelos signos positivos. O Sol, a Lua e Mercúrio em signos negativos denotam receptividade e reações excessivas, e a tendência a deixar-se afetar em demasia pelas sensações e sentimentos ou pelas circunstâncias; sucede o contrário quando se acham em signos positivos. Em geral, é uma regra segura julgar a capacidade de resposta pelos planetas em signos negativos, tal como seguem: a Lua, reações em geral, modificada pelos planetas que a aspectam; Mercúrio mental, Vênus emocional, Marte passional, Júpiter social, Saturno resistente. Dentro do mais íntimo de cada um se encontra a força vital que se baseia nos ideais da consciência que nós concebemos como sabedoria, amor e capacidade para trabalhar; e todos estamos tratando, com habilidade maior ou menor, de dar expressão a essa força vital inerente. Como indicamos em um Capítulo precedente, cada alma é um puro raio branco de seu pai, ou Astro Pai, e, ao brilhar este raio sobre o caleidoscópio da existência material, é colorido pelos quadros que predominam nessa fase especial da evolução em que se encontra a alma ou ego. Os quadros são os mesmos para todos os seres, e a evolução vai seguindo seu curso, independentemente de se tratar de um pecador ou de um santo.

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A IDADE DA ALMA O que, então, constitui a grande diferença entre as almas que nascem no mundo material, enquanto as imagens vão passando através da lanterna do tempo? É a idade da alma e a natureza de sua experiência passada e a consequente atitude que a alma adota frente ao sempre mutável panorama da Vida o que faz com que se identifique com um quadro, enquanto faz caso omisso de outros. Algumas almas são receptivas e se deixam impressionar pela cor dos quadros, enquanto outras são indiferentes e carecem de receptividade suficiente para ficar muito impressionadas; outras, por sua vez, fixam toda sua atenção em um só quadro em particular e se deixam absorver por sua influência.


O raio procedente do Ego é dirigido para o corpo da criança, o qual lhe dá a primeira coloração material. A criança se desenvolve até a juventude colorida pelo ambiente em que vive. Desperta à visão do grande drama da vida e é mais ou menos consciente de uma grande peça teatral, da qual sabe pouco ou muito segundo sua memória oculta do passado, sua capacidade de reação no presente e seus ideais com relação ao futuro.

O DRAMA DO MUNDO Os espíritos planetários são os dramaturgos e os principais atores do grande drama do mundo. O Zodíaco é, para nossa Terra, o cenário em que todas as cenas estão mudando constantemente, e desse cenário a intensa luz dos holofotes se reflete nas vidas dos homens e mulheres que desempenham seus papéis em miniatura no cenário da vida cotidiana. O drama da vida humana foi escrito por seres sábios e perfeitos. As cenas podem mudar com cada volta do rolo do tempo, mas os atos são quase iguais, embora possa parecer que variam com os séculos e as civilizações. Com cada nascimento no universo material, todo ser humano tem a oportunidade de representar seu papel de um modo completo ou indiferente, e a única limitação a seu objetivo e eficácia se produz quando ele se identifica com outros planetas ou com papéis menos importantes que aquele que estava destinado a representar. Aqui, podemos indicar o período de influência que cada planeta se diz exercer sucessivamente na vida de todo ser humano. Quando uma criança nasce, fica diretamente sob a influência da Lua durante os quatro primeiros anos de sua vida, e isto corresponde ao desenvolvimento e à formação definida do molde etérico como receptor e coletor de vibrações astrais e físicas. Enquanto o corpo cresce e prospera mais ou menos à medida que a vida vai avançando, esta influência lunar pode continuar para além dos quatro anos, indefinidamente, se não houver resposta à influência seguinte que cerca a criança. Esta é a influência de Mercúrio, que se estende dos 4 aos 10 anos de idade e depende da posição de Mercúrio e dos signos mercurianos no horóscopo. Durante este período, as faculdades intelectuais deveriam estender-se, mediante a percepção e a observarão, e uma grande parte deste desenvolvimento mental dependerá dos pais, do ambiente e das impressões causadas na jovem mente. A influência do planeta Vênus atua sobre o sistema generativo; as emoções são estimuladas pela associação com o sexo oposto e o surgimento de sentimentos e sensações que afetam a natureza venusiana. Estes três períodos são as fases juvenis. O período da maturidade começa sob a influência do Sol aos 18 anos de idade e dura até que o período do Sol termine, no trigésimo-sétimo ano da vida, durante o qual as energias vitais estão fortalecendo e vitalizando o corpo. Dos 37 aos 52, o

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corpo se encontra em seu apogeu; é quando se realiza a obra principal do mundo, e a ambição triunfa ou fracassa sob a influência de Marte, o planeta da força e da energia positiva. Dos 52 aos 64, estende-se o período de Júpiter e traz sabedoria e juízo sereno. Os anos restantes da vida encontram-se geralmente sob a influência do planeta Saturno. Estas são as influências gerais que governam os diversos períodos da vida, fazendo-a boa ou má segundo as posições, aspectos e direções dos planetas que regem estes períodos. Mas são unicamente períodos gerais, que regem, sobretudo, em um sentido geral. É verdade que temos ouvido falar de prodígios que surgem de vez em quando e de crianças precoces que transcenderam os períodos e, ao que parece, elevaramse acima deles. Também temos conhecido anciãos no apogeu da vida e jovens já "idosos", e precisamos nos aprofundar mais nos mistérios da Astrologia para explicar estes e todos os casos anormais. A Astrologia Esotérica ensina que o signo ascendente, em particular o seu decanato, constitui um foco para as características pessoais e individuais expressadas no horóscopo.

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CAPÍTULO 14

A HOSTE ANGELICAL

O versículo "Porque ainda há o que chamam Deuses, quer no céu, quer na terra, como há muitos Deuses e muitos senhores" indica de qualquer forma o reconhecimento por parte de Paulo de uma pluralidade de "Deuses", que ele chama "demônios" ("espíritos", nunca diabos). Principados, tronos, dominações, etc, são todos eles nomes judeus e cristãos para os deuses dos antigos, sendo, em todo caso, os Arcanjos e Anjos daqueles, os Devas e os Dhyan Choans das religiões mais antigas. Doutrina Secreta.

uanto mais adentramos no estudo da Astrologia Esotérica, mais nos aproximamos do reino da Hoste Angelical, de cuja evolução sabe tão pouco a humanidade, embora se encontre na raiz de todas as coisas, relacionadas tanto com a ciência como com a religião. Os astrólogos antigos fizeram, ao que parece, um estudo especial a respeito dessa evolução (ou ao menos tiveram dela um conhecimento mais profundo), que se desenvolve paralelamente à humana, embora invisível para nossos sentidos físicos. Transmitiram-nos restos deste saber naquilo que nos foi ensinado acerca dos cinco "Elementos" relacionados com os signos do Zodíaco, conhecidos como éter, fogo, água e terra. Alguns astrólogos modernos confirmaram a utilidade desta classificação e redescobriram o significado interno destas divisões em relação aos tipos de matéria através dos quais estão operando constantemente as modificações da consciência. Podemos, no entanto, aplicar a conhecida máxima hermética de "Como em cima, assim também em baixo" a estes "Elementos" e ampliar nosso saber até descobrir

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forças mais poderosas que atuam por meio de uma hoste de entidades pertencentes às esferas planetárias. Estas se relacionam especialmente com as múltiplas subdivisões dos sete grandes raios que fluem constantemente através das sete esferas planetárias de influência. O fato de haver uma grande evolução além da humana, onde há graus daqueles Seres chamados anjos, desde os poderosos arcanjos até os elementais menores, não deveria surpreender a ninguém que tenha sequer uma leve noção da religião, já que todas as religiões ensinam que a obra da criação começou com a chamada à existência de uma vasta hoste de Seres inteligentes de diverso poder e autoridade, a cujo cuidado foi confiada a tarefa especial de guiar e controlar as atividades da Natureza. Se pudéssemos olhar o interior do mundo angelical, ficaríamos assombrados ante a maravilhosa evolução que ali se está realizando, em um reino que é tão real e tão importante quanto as divisões da Natureza das quais somos mais plenamente conscientes, ou seja, os reinos mineral, vegetal, animal e humano. Cada anjo tem seu lugar nesse mundo como os humanos têm neste, mas eles são movidos por uma só vontade: a da Inteligência suprema, que é, por sua vez, o coração e o cérebro de tudo; e embora tenham um poder maior que qualquer ser humano, estão limitados e restritos à sua própria esfera particular de operações. Muitos nomes têm sido aplicados a esses anjos, mas os Astrólogos Hindus denominaram-nos sempre Devas, que significa Brilhante ou Radiante, devido a seus corpos serem formados por clara matéria luminosa do plano a que pertencem. Dar-lhes-emos, pois, seu nome oriental de Deva, para evitar confundi-los com as ideias modernas associadas com a palavra anjo. Todos os Devas se relacionam mais ou menos com o lado material da evolução, e geralmente são ou construtivos ou destrutivos; quer dizer, sua tarefa consiste em dirigir e configurar as formas que são requeridas para fins de evolução, e também em destruí-las quando concluído seu tempo de utilidade.

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Os DEVAS É fato que muitos seres humanos pensam que estão trabalhando, enquanto todo o tempo são as energias dos Devas que estão operando através deles, porque são os agentes dos grandes espíritos planetários sob cuja influência trabalham. Uma boa parte da chamada boa e má "sorte" se deve à operação invisível dos Devas, que têm poder, dentro de certos limites, para facilitar ou dificultar a operação das influências planetárias. Mais de um invento científico ou um grande plano de reforma foram elaborados por eles, no curso de seu trabalho de aplicar praticamente as influências primárias relacionadas com os acontecimentos. Isso não significa que haja favoritismo no plano divino, mas que um homem pode adquirir o direito, por seu mérito, habilidade ou energia, de ser o instrumento físico pelo qual se levam a cabo pequenos ou grandes acontecimentos. É verdade que um Deva pode ser atraído até uma pessoa especial


mediante suas orações e sacrifícios, mas para fazer isto conscientemente a pessoa deve estar familiarizada com as leis do ocultismo, que são superiores às que, comumente, relacionam-se com os mortais. Não obstante, a ajuda dos Devas, como a dos homens, é apenas transitória, de modo que atrair sua atenção e ganhar sua boa vontade não é a meta para aqueles que estão percorrendo seriamente o caminho do ocultismo. Os nomes dos principais Devas relacionados com a evolução humana são os seguintes: Indra, que se relaciona com os planos do éter; Vayu, o Deva do ar; Agni, o Deva do fogo; Varuna, o Deva da água e Kubera, o Deva da terra. Cada um tem uma contraparte ou aspecto feminino, mas isto não nos interessa no momento. Também há outros Devas menores, cujos nomes são conhecidos e que trabalham diretamente sob os Cinco, mas tratar deles nos levaria agora muito longe de nosso tema. Na Astrologia Caldeia, eram conhecidas as funções dos Deuses e Devas, e o sacerdotes da Caldeia se ocupavam principalmente em invocar estes grandes seres; todo o estudo da Astrologia parece ter estado orientado nesta direção. Indra era conhecido como o Deus do Firmamento, ou o Rei dos Deuses Siderais; Vayu era o Deus ou soberano do ar; Agni, o Deus do fogo; Varuna, o Deus das águas, e Kubera ou Kivera, o Deus do Hades e rei dos elementais terrestres. Contudo, estes Devas têm um significado mais profundo, já que cada um deles era um protetor da humanidade, alguns relacionando-se com a vida e alguns com a morte, mas todos atuando como guardiões e auxiliares do gênero humano. Não podemos saber diretamente o que acontece na realidade no reino dos Devas, mas sabemos que estão relacionados diretamente com a tarefa de contribuir para que todas as formas se manifestem como uma expressão perfeita da consciência que há dentro delas. Nem uma só forma humana vem à existência sem que um Deva se relacione com sua configuração, e, portanto, embora não fosse mais que por sua ajuda em nossa evolução, contraímos com eles uma dívida de gratidão. É possível dividir os Devas em classes separadas, e isto tem sido feito por estudantes que não trabalham diretamente ao longo da linha astrológica; no entanto, as duas classificações coincidem estreitamente, e lançam luz uma sobre a outra, de modo que se pode obter ajuda neste sentido em obras tais como Um Estudo sobre a Consciência, A Doutrina Secreta, etc. Aprendemos que há três tipos de Devas que vieram com o Logos do Sistema Solar de um universo passado, e conhecendo o plano de todo o Sistema trabalham conscientemente em sua construção. A primeira destas três classes inclui os grandes Devas relacionados com os elementos éter, ar, fogo, água e terra; e há, ainda, dois mais destes elementos ainda não manifestados, sete no total. Depois, há os arquitetos, que se conhecem pelo nome de Logo Planetários, os quais têm departamentos definidos, onde elaboram o plano ou esquema do grande Logos Solar, e, finalmente, há uma terceira classe que são os Lipikas ou Escribas, relacionados com o Carma de todo o sistema e daquilo que ele contém. Estes grandes Seres vivem nos planos mais elevados, e nós só vemos os últimos resultados de suas atividades nos planos

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inferiores. Diz-se que cada Deva na primeira dessas classes tem como corpo toda a matéria do plano ao qual pertence, e controla as hostes de Devas menores que trabalham em seu plano; de modo que quando nossa consciência se encontra no plano de algum grande Deva particular, estamos realmente vivendo e nos movendo em seu corpo. Também se pode dizer que os nomes dados a estes Devas são apenas os das funções que desempenham, e qualquer de tais nomes se aplica, geralmente, a qualquer Ser elevado que possa desempenhar tal função a qualquer momento. Também devemos recordar que aquilo que para eles é um mundo pode estar composto de muitos mundos no que diz respeito à nossa consciência, da mesma maneira que nosso corpo é um corpo inteiro para nós, mas consta de muitas partes que compõem este corpo. Relacionam-se com as cadeias de mundos, das quais há sete em nosso Sistema Solar, formando todo o conjunto o grande homem dos céus, o homem celestial ou Adão Cadmon da Cabala. Os Arquitetos, dos quais é muito pouco o que podemos saber, são os Construtores de cada Cadeia, desde os que realizam a obra mais elevada relacionada com a construção, até os espíritos da Natureza, que estão trabalhando em todo o seu reino inferior. Só podemos conhecer os Escribas pelo nome. Lemos acerca deles no livro da Revelação como os Escribas do Sistema Solar relacionados com "o livro da vida". Têm a ver com a Lei de Deus e se relacionam principalmente com o carma coletivo das nações e do universo em geral. Em relação com estes grandes Seres e sob seu governo há um bom número de Devas, também grandes, mas subordinados e eles. Em relação com os Devas dos Elementos estão os governantes dos espíritos da Natureza e os mesmos espíritos da Natureza. Em relação com os Arquitetos estão os Construtores e aqueles que configuram os reinos mineral, vegetal e animal, e também os relacionados com as formas humanas. Além disso, estão em conexão com os Escribas aqueles Devas que têm a ver com a administração da lei cármica em sua relação, primeiramente, com nações inteiras, e, em segundo lugar, com os indivíduos. Finalmente, também ficam incluídos aqui os Pitris Lunares. O CULTO DOS DEVAS E AS GRANDES RELIGIÕES Disto se verá que o que chamamos forças naturais não são nem mais nem menos que as atividades dos Devas, que trabalham direta ou indiretamente em relação com alguma especial esfera de influência. Astrologicamente, todos os Devas relacionados com Kubera e o elemento terrestre estão trabalhando na esfera de influência do planeta Júpiter. Se continuássemos investigando, poderíamos descobrir que a religião evoluída sob a influência de qualquer ritual e cerimonial tende diretamente ao controle ou à

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cooperação com estes Devas. Ensinam-nos, pois, que as forças envolvidas nas operações da química, alquimia, astronomia, astrologia, eletricidade e magnetismo estão todas inspiradas pelo Espírito de Júpiter, o grande Senhor da Forma. A cadeia de mundos a que pertence a Terra e que inclui Mercúrio e Marte relaciona-se com Agni, o Deus do fogo. Em outro capítulo tratamos mais extensamente o tema do elemento fogo e sua relação com os signos do Zodíaco. Todos os adoradores do fogo, tais como os Parsis, ficam sob sua influência, e esta se estende desde o culto do fogo comum, governado por Marte, até os grandes logos magnéticos relacionados com o Sol. Varuna, o Deus das águas, relaciona-se estreitamente com o plano astral e a quarta raça. Governou as religiões do Egito para os adoradores do Nilo. Também está relacionado com todos aqueles ensinamentos religiosos que se referem ao Deus Peixe, tal como Oannes dos babilônicos, etc. Em Vayu, um poder que ainda há de se manifestar de um modo mais proeminente, a verdadeira influência mercuriana será ainda mais ativa; enquanto que por meio de Indra virá a poderosa influência de Urano. A seguinte e interessante relação das influências dos Devas se tomou de uma conferência pronunciada faz muitos anos por um famoso ocultista: Os planetas que vocês vêem não têm influência alguma por eles mesmos, salvo a microscópica influência da gravitação; ninguém supõe o contrário. Mas existe uma influência, de algum gênero, que não provém dos próprios planetas, mesmo que atue em relação com eles. Talvez possa se dizer que os planetas representam certos centros do corpo físico do Logos. O Sol se emprega principalmente como seu representante, mas todos os planetas de nosso sistema, sendo em realidade só fragmentos do Sol, relacionam-se também com o corpo físico do Grande Logos. Diz-se que estes planetas marcam certos centros desse corpo, e quando falamos dele devemos recordar que possui mais dimensões do que as que realmente conhecemos. Os movimentos de seu plano físico indicam o movimento de esferas de influências mais elevadas ainda que as que nos são conhecidas, e é o movimento dessas esferas o que produz o que se chama de influência planetária. Nosso próprio corpo físico tem seus centros, cada um dos quais trata principalmente com um tipo ou subdivisão da matéria etérica. Quando algum destes centros é chamado à atividade, isso indica que o homem é capaz de reagir à vibração particular dessa porção de matéria etérica. Em todas as condições da matéria, seja astral, etérica ou de outra categoria, existem essências elementares de todo gênero. Certas partes da essência elementar circundante põem-se em movimento quando algum centro é chamado à atividade. O homem sofre então influência de duas maneiras: uma parte da essência elementar que está dentro dele se põe em movimento, e também intensifica a atividade da essência elementar que está fora dele, e essa reage sobre ele.

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Pela posição dos planetas físicos podemos dizer onde está operando a influência planetária em qualquer momento específico. Contudo, se fôssemos clarividentes, poderíamos ver a influência por nós mesmos, e não teríamos necessidade de que nos indicassem os planetas físicos. São como os ponteiros de um relógio, que assinalam o que está acontecendo naquelas outras esferas invisíveis, sem ser elas mesmas as causas da influência. Na ação das influências espirituais dos planetas, fala-se de três entidades como o "espírito do planeta". 1. Há uma entidade, não muito adiantada quanto ao conhecimento, à qual se chama o "espírito da Terra". 2. Uma parte básica da essência elementar, que é chamada à atividade pela ação do planeta particular, e que se chama o "espírito do planeta". 3. Um reino muito mais elevado, denominado o reino dos Devas, que tem suas divisões correspondentes às dos reinos humano, animal e vegetal, cujas influências se atribuem ao "espírito do planeta" e que se parece com a ideia cristã dos Anjos. Estes têm grande influência. A adoração que os caldeus atribuíam aos espíritos planetários não era do mesmo gênero que nossa adoração a Deus. Era mais uma forma de afeto e de veneração para com estes Devas das Estrelas. O que o caldeu tinha em sua mente pode ter sido uma ideia exagerada, mas sem dúvida havia verdade nela. A ideia do Arcanjo do planeta era certamente uma ideia verdadeira. Este tipo de adoração não é, na atualidade, necessário para nós, mas pode ter sido necessário inclusive para os Adeptos daquela época, que era então sua fase de evolução. A religião da Caldeia tinha um grande efeito na vida cotidiana, até nas ações mais insignificantes das pessoas, como todas as religiões devem ter. Os caldeus foram fortemente afetados pelos ensinamentos de seus sacerdotes e astrólogos; em alguns dos altamente desenvolvidos, manifestaram-se as possibilidades de se entrar em contato muito estreito até com a própria hierarquia dos Devas. (Devemos recordar sempre que, mesmo que não nos tenham ensinado a adorar os Devas das Estrelas, existem outras escolas de ocultismo além da forma particular na que nos iniciou a Teosofia.) E ainda havia um desdobramento mais elevado ainda, mediante o qual um homem podia conseguir renascer em outra esfera, muito distante deste mundo. Mas eram poucos, muito poucos os capazes de consegui-lo. A Astrologia, agora, não é considerada como religião ou um meio de culto ou de oração; mas era assim considerada na antiga Caldeia. Entre os sacerdotes, estudavam-se diversos cursos em relação às influências das estrelas. Em uns, estudava-se a medicina e a cura, de modo que podiam oferecer receitas adequadas às condições planetárias de seus pacientes.

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Em outra classe, estudava-se agricultura; observava-se o efeito das influências planetárias em diferentes tipos de plantas, de modo que podiam aconselhar as pessoas quanto ao melhor momento para semear ou colher. Outros sacerdotes realizavam um estudo do cruzamento dos animais, etc. Outra classe estudava o que se referia ao tempo, e possuía uma espécie de escritório meteorológico. O Governo estava interessado nesta parte dos estudos, de modo que os profetas do tempo eram responsabilizados pelos fracassos e despedidos de seus cargos se as predições não fossem certas. Um traço muito importante da religião Caldeia era o trato pessoal dos sacerdotes com o público. Diziam a uma pessoa quais eram as qualidades que predominavam em sua aura, e, assim, podiam indicar-lhe quais as condições planetárias que exerceriam sobre ela maior influência.

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SEGUNDA PARTE DIAGRAMAS EXPLICATIVOS E HORÓSCOPOS ILUSTRATIVOS

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OS DIAGRAMAS Todos os Diagramas, Mapas, etc. deste livro foram dispostos de modo que apareçam na página da esquerda e, por isso, qualquer Diagrama ou Horóscopo pode ser comparado com qualquer outro ou com o texto descritivo, sem o inconveniente de ter que buscar páginas para trás ou para frente para ver o que se encontra do lado oposto. Os mapas de Estrela das págs. 1 50 a 1 78 explicam-se na pag. 1 83, mas seria preferível estudar os Capítulos 15-17 antes de estudar a explicação. O Horóscopo da senhora Besant foi tomado como exemplo em uma Série de Lições Especiais, e para tal fim foi cuidadosamente retificado pelos acontecimentos para 5:29 PM, 01/10/1847; por isso, difere ligeiramente do mapa publicado em sua "Autobiografia ", que indica 10° de A ascendendo. A própria senhora Besant disse que a hora foi "entre as 5 e as 5:45 PM".

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CAPÍTULO 15

VALOR ESOTÉRICO DAS POLARIDADES

O Sol é a manifestação do Sétimo Princípio de nosso Sistema Planetário, enquanto a Lua é o Quarto Princípio, brilhando com a roupagem emprestada a seu dono, saturada de, e refletindo, todo impulso apaixonado e mau desejo de seu corpo grosseiramente material, a Terra. Todo o ciclo do Adeptado e a Iniciação e todos seus mistérios se relacionam, e se subordinam a estes dois e aos Sete Planetas. Doutrina Secreta.

a Astrologia Esotérica, considera-se que os luminares representam os centros Positivo e Negativo, e o plano sobre o qual se traçaram as combinações Solilunares se baseia nas posições destes centros em relação com os signos zodiacais, primeiro do ponto de vista das três qualidades, e depois do das triplicidades às quais pertencem. Isto pode se ilustrar melhor tomando como exemplos algumas das Polaridades publicadas nos Livros de Texto de Astrologia. Áries é o signo cardinal da triplicidade do fogo, e, por conseguinte, representa a atividade do fogo. O Sol se exalta em Áries, e assim torna ativas todas as qualidades deste signo do ponto de vista positivo ou elétrico. O Sol representa a individualidade crescente ou as forças vitais mais permanentes, e tem importância primordial em todos os assuntos relacionados com a polaridade dos dois luminares, sendo normalmente positivo. Em um signo positivo, pode-se dizer que o Sol é inteiramente elétrico, ou o centro de uma aura elétrica onde circula ou é polarizada uma corrente contínua de forças individualizantes, e a Lua forma, então, o centro negativo ou coletor das forças magnéticas. O conjunto tem sido reduzido a termos de Individualidade e Personalidade, representados pelos luminares.

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Hor贸scopo de Mrs. Annie Besant Oradora, Reformadora, Ocultista (Ver Nota p谩g. 1 46)


Tomando o Sol como centro individual, quando está no signo de Áries, pareceria ser mais ativo na cabeça, regida por Áries, e, ao que parece, encontraria a linha de menor resistência através de todas as diferentes vibrações da matéria representadas por Áries, que astrologicamente se sintetizam como cardinal-fogo ou atividade mental. Tomando a Lua como o centro pessoal e representante da tendência magnética ou receptiva, as energias que ela significa tenderão a se polarizar exteriormente, ou a se expressar principalmente na forma material através da qual se estão manifestando as forças soli-lunares combinadas. Se supomos a Lua e o Sol ocupando ambos o signo de Áries, a polaridade será inteiramente ariana em seu modo de expressão, afetando a cabeça e a atividade mental. Tomando o Sol como centro quando está em uma parte qualquer do signo de Áries, e sustentando a ideia de que as forças vitais estão sendo individualizadas através da cabeça e da atividade mental, a Lua em cada signo sucessivo atrairá, então, as energias da Individualidade para todo centro secundário que esteja indicado pelo signo através do qual ela está passando. Tomaremos como exemplo o Sol em Áries e a Lua em Touro, lemos ao fundo a força vital do Sol, que busca expressão através do intelecto, atraída para o centro lunar em Touro, e isto dá estabilidade, poder de resistência, concentração, firmeza e qualidades conservadoras; em realidade, combina o cardinal-fogo de um com o fixo-terra do outro, apesar de permitir que o centro solar tenha a influência maior. Tomemos agora como exemplo o Sol em Áries e a Lua em Gêmeos. Nesta polaridade, aumentam as tendências intelectuais e se denota uma expressão rápida ou inteligente da mentalidade. No primeiro caso, vemos que as triplicidades em questão são fogo e terra, Áries e Touro, e no segundo caso, fogo e ar, Áries e Gêmeos. Através de todo o ciclo, há uma mescla de características diferentes, uma síntese das energias (|ue se manifestam através da vida e lhe dão forma, consciência e veículo. Estas mesclas podem ser harmônicas ou desarmônicas. No caso do Sol em Áries e da Lua em Câncer, não há harmonia completa devido ao desacordo entre fogo e água, e também porque o aspecto de quadratura nunca é harmonioso. Há, não obstante, um acordo parcial porque a polaridade está formada em signos cardinais, de modo que se indica alguma afinidade ao longo da linha de atividade. As tendências desarmoniosas surgirão de uma excessiva atividade mental, que causaria preocupação, mau humor e hipersensibilidade. Astrologicamente, encontraríamos possibilidades de transmutação através da dignidade do Sol por exaltação e da posição reforçada da Lua em seu próprio signo de Câncer. A imaginação poderia ser treinada e a simpatia acalentada até que se efetuasse uma unificação da polaridade, trazendo assim cada um alguma oportunidade para a experiência adicional necessária para o crescimento do Ego. O Sol em Áries e a Lua em Leão formam uma boa combinação, mas poderia facilmente produzir um estímulo excessivo do intelecto mediante a triplicidade de fogo, que é aquela sob a qual evolui a mente em si, mas como é uma combinação das influências cardinal e fixa, seria benéfica, já que a inquietude e atividade de Áries receberiam a capacidade de uma maior concentração e estabilidade sob o fixo e

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Figura 11


reservado Leão. Julgaríamos a polaridade como mentalmente impulsiva, com uma tendência a extremos de mente e sentimento. Um juízo da mistura de muitos fatores pode ser obtido com a síntese cuidadosa dos luminares nos signos. O Sol em Áries e a Lua em Virgem é uma combinação onde aparece alguma repetição do Sol em Áries e da Lua em Touro. Pode ser que não pareça harmoniosa, porque fogo e água não se misturam facilmente, mas traz discriminação devido à natureza crítica de Virgem e a natureza intelectual de Áries. O Sol em Áries e a Lua em Libra é, provavelmente, a polaridade ideal. Converte todas as qualidades intelectuais e mentais de Áries em pensamento e sentimento abstratos, e, com um uso cuidadoso, produz clarividência e faculdades intuitivas. O Sol em Áries e a Lua em Escorpião pareceria uma mescla desfavorável, à primeira vista, já que o fogo e a água não constituem, de modo algum, mistura favorável, mas também aqui seria necessário o bom senso para dar uma síntese correta, porque Áries e Escorpião são os signos positivo e negativo de Marte, seu planeta regente. Por isso, esta polaridade acentuaria as tendências marcianas em um Ego imaturo, mas daria poderes a um indivíduo excepcionalmente evoluído. O Sol em Áries e a Lua em Sagitário seria uma mescla excelente. Acentuaria a tendência fogosa e intelectual, mas modificaria consideravelmente a tendência magnética ou atrativa, e poderia causar uma natureza positiva e um tanto dura. As possibilidades de expressão seriam grandes. O Sol em Áries e a Lua em Capricórnio não parece uma mistura particularmente boa, regendo Marte e Saturno estes signos, e, por isso, produzindo certa tendência para os extremos e dureza de caráter. O Sol em Áries e a Lua em Aquário é outra mescla do mesmo tipo, mas melhorada pela combinação entre a triplicidade do fogo e do ar. O Sol em Áries e a Lua em Peixes é uma combinação contrária, reunindo fogo c água, condição cardinal e mutável, e é provável que produza elementos contraditórios de caráter. Os princípios em que se baseiam estas combinações ficam suficientemente i lustrados pelas breves descrições anteriores e podem ser elaborados por aqueles que desejem ampliar estas ideias. O Sol nos signos negativos denota que as características permanentes, vitais e individuais são menos positivas e também menos abstratas, e que existe uma clara inclinação para o lado mais prático e concreto da existência. Nestes casos, a Lua em signos positivos tenderá a dar um tipo de personalidade mais positiva, que talvez seja pouco manejável para o ego solar que se encontra dentro dela. ALGUNS PROBLEMAS A consideração destas polaridades suscita muitos problemas que ainda não estamos em condição de solucionar de um modo muito definitivo. É certo que se

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Figura 12


formularão perguntas como: Seguimos os signos um atrás do outro através de vidas sucessivas? Nascemos com o Sol sempre no mesmo signo? É evidente que não podem ser dadas respostas enquanto não se tenha acumulado e examinado horóscopos para encarnações sucessivas, e até o presente isto se fez em um ou dois casos, pouco demais para justificar uma generalização. Contudo, parece que a resposta às duas perguntas anteriores é negativa. A pouca informação que podemos obter das pesquisas ocultistas sobre as vidas passadas, tais como as que foram publicadas em The Theosophist, também parecem coincidir com isto, no sentido de que indica que o Ego às vezes escolhe apresentar aspectos completamente diferentes de si mesmo na encarnação, ou a isto se vê obrigado pela Lei cármica. Apesar disto, contudo, parece que estamos justificados em acreditar que, na maioria dos casos, a posição do Sol representa aquele aspecto do Ego individual que se encontra dentro da esfera do eu pessoal. Mas é preciso fazer aqui uma distinção entre uma alma imatura, não evoluída, e outra que já progrediu muito e se acha na primeira fila da evolução. No primeiro caso o Sol, e no segundo Urano, tem maior significação quanto ao grau de autoconsciência despertada do Ego em seu próprio inundo. Também parece provável que algo parecido seja válido para a Lua, Netuno e a Personalidade; quando é imatura e está atrapalhada pelas ondas do sentimento, com muito pouco domínio estabelecido em seu interior, a personalidade está sujeita principalmente à Lua, mas quando é forte e concorda harmoniosamente com o Ego, seu símbolo é Netuno. Mas não se pode dizer que nenhuma destas duas coisas seja conhecida de modo definitivo, e aguardamos novas informações. A RELAÇÃO ENTRE O ASCENDENTE E A POLARIDADE As polaridades dos dois luminares não esgotam, de modo algum, o assunto da polarização, pois a manifestação é por ternários, de modo que quando há dois extremos sempre há um meio entre eles para suprir o terceiro fator e completar o triângulo. Devemos ter em conta não só a relação entre o Sol e a Lua, mas também a destes dois quanto ao Ascendente. Destes três, parece que estamos justificados em concluir que o Sol significa a Individualidade, conforme se expressa dentro dos limites da Personalidade. A importância disto e a extensão de sua influência parece variar consideravelmente em casos diferentes. No homem físico, o Sol governa as energias vitais e tem muito significado quanto ao pai e ao lado positivo da natureza em geral. A Lua significa a Personalidade e concentra todas as forças planetárias que estão ativas nela. No homem físico, rege o lado físico ou a matéria, mais do que o lado da energia do corpo; a base material da vida, mais do que a própria vida. Tem relação com a mãe e o lado negativo, receptivo e plástico da Natureza. O Ascendente significa o sentido separado do Eu na criança, isoladamente de seus pais, embora em estreita relação com ambos os progenitores. Pode se identificar

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Figura 13


mais estreitamente ou com a Individualidade, ou com a Personalidade, segundo as circunstâncias, ou pode variar e flutuar. Pode ser mais positivo e vital ou mais negativo e receptivo, segundo o signo ascendente e o estado do horóscopo. DIGNIDADES E DEBILIDADES A tarefa de analisar e classificar os diversos modos destes três é demasiadamente grande para tentar ser realizada agora, mas requererá muita atenção, se é que a Astrologia Esotérica deve chegar a ser mais eficaz do que atualmente é neste sentido. Em relação às polaridades, o estudante esotérico deverá considerar de um modo muito cuidadoso as dignidades e debilidades do planeta. O Zodíaco é uma representação abstrata de todos os graus e tipos de matéria que se manifestaram ou se manifestam no mundo em que vivemos, e os planetas são os centros de esferas de influência que representam as mudanças de consciência, segundo esta é afetada pelos diversos tipos de matéria traduzidos em termos do Zodíaco. Os planetas têm suas afinidades e antipatias zodiacais, ou signos em que suas influências são fortes ou fracas, segundo se descreveu anteriormente. Tomando os signos para representar a matéria ou os veículos através dos quais se expressa a consciência, Júpiter, o planeta do crescimento e da expansão, ampliará os sentimentos e simpatias quando estiver em Câncer. O Sol, doador de vida, ilumina o cérebro quando estiver em Áries. Saturno, o planeta da profundidade e da meditação, dá equilíbrio e intuição quando se expressa plenamente em Libra. Marte, o planeta da energia e da ação, dá destreza na ação quando se expressa plenamente em Capricórnio. Desta maneira atuam e reagem os signos e os planetas. As mudanças na forma produzem mudanças na consciência e vice-versa. As debilidades são, de modo geral, depressões; as formas de consciência expressadas pelos planetas não encontram as linhas de menor resistência nestes signos. Os detrimentos são expressões indiferentes, e, em geral, denotam desarmonia entre a vida e a forma.

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UM EXEMPLO As polaridades do Sol e da Lua, especialmente quando tomadas em conjunção com o signo ascendente, constituem, em geral, um índice de todo o plano de vida da encarnação atual. Por exemplo, a senhora Annie Besant tem o Sol em Libra (positivo-cardinal-ar), a Lua em Câncer (negativo-cardinal-água) e o Ascendente em Áries (positivo-cardinal-fogo). Aqui, a polaridade é CARDINAL ar-água-fogo, combinação diretamente relacionada com os três planos de consciência, o intuicional, o emocional, o mental.


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Figura 14


As expressões da consciência representadas pela Lua, Júpiter e Vênus estão todas nas linhas de menor resistência. A polaridade neste caso forma uma Cruz Cardinal, e o ápice dessa Cruz não tem planetas, mas é regida por Saturno. A polaridade é notavelmente forte, pondo a vida em intensa atividade. Em torno desta Cruz bem polarizada encontra-se agrupada a maioria dos planetas. O Sol está estreitamente associado a Vênus e Mercúrio, a Lua com Júpiter e o ascendente com Urano. Os luminares levam os benéficos para a polaridade e o ascendente está bem equilibrado entre os chamados maléficos, absorvendo-os na personalidade para fins de transmutação.

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Figura 15


CAPÍTULO 16

A ESTRELA DA PERSONALIDADE

A Estrela sob a qual nasce uma entidade humana, diz o ensinamento oculto, permanecerá para sempre sua estrela através da série de suas encarnações em um ciclo vital. Mas esta não é sua estrela astrológica. Esta última tem a ver e se relaciona com a personalidade, aquela com a individualidade. Doutrina Secreta.

O indivíduo, ou, como às vezes é chamado, o eu individualizado, ao iniciar sua existência é uma chama branca da Luz Divina, envolta em uma película incolor de matéria. Estudos sobre o Bhagavad Gita.

s duas afirmações anteriores sugerem uma influência individual que é diferente da pessoal, e pareceria como que se a Astrologia Esotérica, no que se refere à personalidade, não pudesse tratar, de modo algum, com o individual ou descobrir sua estrela. Pode-se dizer que a Astrologia Esotérica ocupa um lugar entre a Astrologia Esotérica e a Oculta, e, embora não se interesse diretamente pelos MISTÉRIOS, OU Astrologia Oculta, fornece indiretamente uma pista para aqueles mistérios que não são revelados ao estudante comum da Astrologia Esotérica. A Astrologia Esotérica estabeleceu a verdade que diz que a estrela astrológica sob a qual nasceu uma pessoa é aquela que descreve sua personalidade, e que ela é o planeta regente ou senhor do signo ascendente no nascimento; também vai mais além, e resume a personalidade sob a influência da Lua e o signo que ocupa.

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Figura 16


O ensinamento oculto da Doutrina Secreta trata o homem em seus três aspectos de Espírito, Alma e Corpo, que têm seus reflexos no mundo físico por meio do corpo físico, das emoções e do intelecto. Os três inferiores da personalidade são mortais enquanto não mudaram ou se transmutaram em Mente Superior, Alma Espiritual e Espírito, constituindo estes três a Individualidade, ou, como é comumente chamado, o Ego. A Astrologia Esotérica, indo mais além que o estudo esotérico, encontra a Individualidade em cada horóscopo através de seu reflexo na personalidade. Usando a terminologia de Espírito, Alma Espiritual e Alma Humana ou Manas para descrever a Individualidade, encontramos esta tríade refletida na imagem, ou personalidade, como Manas Inferior ou mente cerebral, desejos astrais e atividades do corpo físico. Por meio de um sistema perfeitamente legítimo de correspondências, segundo a ideia de "como em cima, assim também em baixo", o signo ascendente, ou para ser mais exato, o planeta regente, representa o Manas inferior ou a personalidade como enfocada no cérebro; a Lua representa o astral, ou corpo de sentimentos, e o Sol, o Prana ou vida do corpo físico. Existe um ensinamento oculto de que o Espírito se reflete no Corpo Físico, o aspecto da Sabedoria no corpo astral ou do Desejo e o aspecto Manásico ou da atividade mental no Manas inferior, representado pelo cérebro.

INVERTENDO NOSSAS ESFERAS Quando uma pessoa inverteu suas esferas, segundo se diz, ou transferiu a atenção do eu da personalidade para a individualidade, não se torna independente de seu horóscopo ou deixa de estar sob sua influência; simplesmente, rege suas estrelas e muda as vibrações destas, de influências objetivas para influências subjetivas; e quando se identificou efetivamente a si mesma com a nova ordem de coisas, também muda os regentes. Como exemplo, podemos tomar a vida de uma pessoa comum, cuja consciência se acha quase exclusivamente voltada para fora, para o mundo objetivo. Seu cérebro e a substância mental que passa através dele estarão coloridos pelo signo ascendente e o planeta regente; seus sentimentos e estados mutáveis de emoção estarão sob a influência da Lua, e suas ações e atitude moral serão energizadas pela posição do Sol. O Sol, pois, representará a Individualidade, e a Lua a Personalidade. Durante muitas vidas, a influência solar irá se fazendo mais e mais presente, até dar à pessoa um ponto de vista moral bastante bom sobre a vida e o domínio, em grau maior ou menor, de suas flutuações lunares de estados de ânimo e sentimentos. Pode até dominar seu planeta regente. À medida que a pessoa atual vai se fazendo mais individualizada, de modo autoconsciente, o aspecto solar dá mais e mais coloração à sua individualidade. Da

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Figura 17


cor de Marte, passará à de Saturno, que estabelecerá sua individualidade autoconsciente; depois, à de Júpiter, para expansão, e, finalmente, à de Urano plena individualização. As posições, aspectos e influência do Sol dominarão agora seu horóscopo, e já não será classificada como uma pessoa comum, mas como um indivíduo progressivo. O ensinamento oculto declara que o Sol e a Lua substituem outros dois planetas, e, apesar de se supor que seria Urano o planeta que o Sol substitui, é mais que provável que Netuno seja o outro; e, por conseguinte, nosso indivíduo progressivo está se preparando para viver a vida uraniana do caminhante sem casas e sem signos, cuja individualidade está a ponto de se converter em algo mais do que autoconsciente, ou seja, Superconsciente.

UMA ILUSTRAÇÃO Para tomar um exemplo específico desta ideia de transmutação ou representação individual, tomemos o horóscopo do indivíduo mais progressivo de nossa época, a senhora Annie Besant. Esta famosa oradora nasceu sob o signo de Áries, e Marte deve ser tomado como o planeta regente da Personalidade. Marte se acha situado no signo de Touro, o signo de seu exílio. A senhora Besant declarou que durante metade de sua vida sua consciência esteve obscurecida, mas despertou em circunstâncias excepcionais, ao ouvir uma voz. Touro é o signo da voz ou palavra falada. A Personalidade está também indicada pela Lua em Câncer, conjunta a Júpiter, mostrando grande expansão dos sentimentos e emoção pessoais. O Sol, regente da consciência individual normal, estava em oposição - complementar - a Urano. A senhora Besant inverteu suas esferas quando entrou em contato com o ensinamento oculto por meio da Doutrina Secreta, e trocou a mente inferior pela superior graças a Vênus, planeta regente de Touro e planeta da Alma humana ou Manas superior. Seus sentimentos foram transmutados no aspecto Búdico da consciência, ou Sabedoria, por meio da Lua conjunta a Júpiter e em trígono a Netuno. Pelos terríveis conflitos de Urano em oposição ao Sol, ela estabeleceu sua Vontade e veio a ficar sob a estrela individualista Urano; respondendo à vibração uraniana, que age sobre o ascendente, veio a ficar sob a influência de seu Mestre e, desde então, tem vivido individualmente. A ESTRELA INDIVIDUAL A afirmativa anterior pode ser tomada para representar o ponto de vista particular do astrólogo esotérico que olha para o tema de baixo. Contudo, se é

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Figura 18


considerado do ponto de vista dos Princípios, pode-se dizer que encaixa com o ensinamento oculto referente à Estrela Individual. Tomando o Zodíaco como uma representação do Corpo Causal da terra, correspondente ao horóscopo de um ser humano, podemos pensar nos planetas como expressões externas dos Filhos da Mente, que colorem o Corpo Causal de cada "Divino Fragmento". Esta débil coloração da Inteligência Espiritual é refratada através dos signos do Zodíaco e interpretada simbolicamente por meio dos planetas em cada horóscopo pessoal, e as Sete Estrelas Individuais parecem perdidas no labirinto da matéria composta, que compreende os diversos veículos da consciência e que está representada pelos signos do Zodíaco. Nos mundos inferiores, o planeta regente se converte agora no raio representativo do indivíduo, e, como tal, parece ser uma subinfluência da coloração primária. Em cada vida o homem trabalha desde este centro, seu planeta regente, seu representante ao longo da vida atual; e o signo em que este planeta estava situado no nascimento representa o guna ou qualidade de matéria por meio da qual está operando; e, até que tenha superado as limitações do Corpo Causal, quer dizer, todo o círculo do Zodíaco, não pode se permitir desfazer das características deste raio. O ambiente momentâneo de cada indivíduo, ou seja, enquanto não tenha absorvido seus raios ou vibrações em si mesmo, é representado pelos seis planetas fora do seu planeta regente; e os signos em que eles estão, junto com seus aspectos, indicam a relação entre o homem e seu ambiente. Desta combinação de colorações que provém dos outros planetas compõem-se a melodia de sua vida, e, segundo as relações do regente com os outros planetas, podemos predizer as linhas de menor resistência para qualquer indivíduo. A partir disto, podemos deduzir a diversidade dos muitos a partir de uma unidade primária, e, através dessa diversidade, de novo a unidade, porque embora se diga que há sete estrelas individuais e sete planetas regentes, cada um dos sete pode ter 777 combinações, ou mais, com os outros. Podemos supor que, qualquer que seja a cor primária no corpo causal, toda coloração que se abstrai nos mundos inferiores se armazena na aura do homem, e aquelas colorações mais sutis - que guardam afinidade com a cor original do corpo causal - intensificarão essa coloração e lhe darão um matiz mais rico e mais transcendente. Em outras palavras, quanto mais autoconsciente chega a ser a consciência nos veículos superiores, mais eficazmente reage o homem inferior ao homem superior, e quanto mais em consonância está o homem com o raio, estrela ou coloração individual, mais livre está de seus veículos; ou, para dizê-lo de outro modo, quanto mais estável chega a ser o centro individual, maiores chegam a ser as possibilidades de expansão. Com este breve esboço, podemos buscar a razão da diferença entre a afirmação do astrólogo - de que a Individualidade se vê no horóscopo - e a do ensinamento oculto - que a estrela individual não é a Estrela Astrológica.

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Figura 19


Podemos ilustrar estas ideias empregando a palavra Estrela em seu sentido mais pleno, que é, literalmente, cintilar, ou brilhar, como as estrelas no céu. Cada homem é uma estrela, que irradia de si mesmo (por meio da forma que ostenta) uma influência que é ou pessoal - ou seja, limitada à sua consciência física -, ou individual, ou seja, do espírito ou caráter interno. Neste sentido, o homem se relaciona diretamente com as estrelas. "Paracelso considerava a hoste estrelada como a porção condensada da Luz Astral que desceu até a geração e a matéria, mas cujas emanações magnéticas ou espirituais mantiveram, constantemente, uma comunicação incessante entre elas mesmas e a fonte primordial de tudo, a Luz Astral. As estrelas exercem uma atração de nós para elas, e nós, por nossa parte, delas para nós', disse. A vida é fogo, que vem como a Luz das estrelas e do céu. Tudo o que pertence ao Mundo Espiritual deve chegar a nós por meio das estrelas, e se mantemos a amizade com elas, podemos obter os maiores efeitos mágicos. Da mesma maneira que o fogo passa através de uma estufa de ferro, assim as estrelas passam através do HOMEM, com todas as suas propriedades, e penetram nele como a chuva penetra na terra. O corpo humano está sujeito, tal como a Terra, os planetas e as estrelas, a uma dupla lei: atrai e repele, porque está saturado com um duplo magnetismo, o influxo e a Luz Astral". (Ísis sem Véu.)

As ESTRELAS DA PERSONALIDADE E DA INDIVIDUALIDADE É esta Luz Astral que forma a base de nosso universo material, e todo ser humano é uma estrela na Luz Astral. As Estrelas da Personalidade e da Individualidade, tomando em conta as formas através das quais se expressam, não são planetas particulares, embora os planetas estejam associados ocultamente com as estrelas e indiquem sua qualidade e coloração especiais. Na estrela pessoal, os signos do Zodíaco desempenham o papel mais importante, já que produzem figuras geométricas que descrevem a forma peculiar de cada estrela e também indicam a coloração pessoal pela disposição que tomam em cada caso particular. Por isso, toda alma se relaciona com a estrela de sua individualidade, mas antes que possa ser autoconsciente dessa estrela, deve ter transcendido a estrela da Personalidade, que para a maioria pode se simbolizar mediante um semicírculo, o símbolo da Lua, ou, geometricamente (para os mais avançados), por meio do pentágono. A Lua governa os signos de terra e de água do Zodíaco, formando estas duas triplicidades triângulos entrelaçados e representando, falando em sentido figurado, a verdadeira estrela da personalidade. Esta "Estrela" se relaciona com as condições puramente físicas da existência, ou tudo o que é concreto e definido na forma, e também com as sensações que culminam nas paixões, e com a parte fluídica da natureza, ou o egoísmo da vida sólida e concreta dos planos inferiores; para se expressar, enfim, numa personalidade completa em si.

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Antes de passarmos a lidar com a estrela da Personalidade de uma forma definida, devemos considerar seu complemento, a estrela da Individualidade, que é também um par de triângulos entrelaçados e também suscetível de se transformar om um Pentágono ou Estrela de Cinco Pontas.

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CAPÍTULO 17

A ESTRELA DA INDIVIDUALIDADE

Um Número pode se converter em um fenômeno em qualquer plano da existência, só por se manifestar nesse plano através de uma base ou veículo apropriado... a Hierarquia de Seres espirituais através dos quais a Mente Universal entra em ação é como um exército, por meio do qual se manifesta o poder combativo de uma nação, e que se compõe de corpos de exército, divisões, brigadas, regimentos, etc, cada um com sua individualidade ou vida separada e sua limitada liberdade de ação e responsabilidades limitadas; cada um contido numa individualidade maior, e cada um contendo, dentro de si, individualidades menores. Doutrina Secreta.

Estrela da Individualidade pertence às triplicidades de fogo e ar, e como estas triplicidades não se limitam ao modo de expressão concreto e puramente material, sendo mais subjetivas e relacionadas com as atividades internas da consciência, os símbolos de fogo e ar não necessitam forçosamente se colocar no ápice e na base de dois novos triângulos, como no Diagrama XII; podem estar interseccionados entre os outros dois, como no Diagrama XIII, formando assim uma condição complementar de fogo e ar sem estar tão fortemente marcados ou divididos, como no caso com os signos relacionados com os triângulos pessoais. Estes Mapas de Estrelas estão ilustrados na série de diagramas que acompanham estes capítulos, e quando se colocam juntas as duas estrelas se vê que os doze signos do Zodíaco coincidem todos com sua ordem natural no círculo. Mas como o círculo se divide em dois grupos de signos, positivos e negativos, pode-se dizer que as duas estrelas, da Personalidade e da Individualidade, representam estas

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metades positiva e negativa do círculo, ou a objetiva e a subjetiva. Em cada ponta da estrela de seis pontas se colocam alguns planetas, que são os regentes dos signos pertencentes a esses pontos, e são iguais para a Personalidade e para a Individualidade, com a exceção do Sol e da Lua. Por isso, estes hexágonos são realmente pentágonos, sendo a Lua o regente de toda a estrela da Personalidade e o Sol a da Individualidade. Os planetas que regem os signos das duas estrelas têm significados completamente diferentes quando se estudam esotericamente, e tomaremos primeiro os significados dos regentes da Estrela Pessoal, para mostrar como o mesmo planeta tem duas expressões diferentes com relação a estas estrelas.

Os SIGNOS NEGATIVOS Primeiro, trataremos da Estrela da Personalidade. No ápice do triângulo se coloca Capricórnio; e Saturno é, portanto, o planeta regente. A influência de Saturno em relação à Personalidade, sem nenhuma interpretação subjetiva ou nova, representa o lado inferior ou concreto desse planeta; os que estão sob seu domínio, do ponto de vista pessoal, estão sujeitos a mudanças de estado de ânimo, muito egocentrismo, grande preocupação e ansiedade, e a tudo aquilo que tende à personalidade. Mas se extrai um bem deste aparente mal, e o verdadeiro propósito desta influência egocêntrica é que a personalidade seja menos fluida e mais sólida, concreta. Na realidade, sua influência pode ser resumida como sendo a solidez, concreticidade e limitação, para produzir um centro mais forte do eu; como o ápice da estrela, pode-se dizer que é o rei, ou coroa, da Personalidade. Na base esquerda deste triângulo se encontra Touro, e Vênus é o planeta regente. A influência deste planeta se relaciona mais com a aquisição de posses, e esta acumulação de bens pessoais explica o significado das palavras de Jesus quando o jovem foi a Ele e lhe perguntou sobre o que devia fazer para ser salvo. O Mestre lhe respondeu: "Vende o que tens e segue-me", mas diz-se que o jovem se afastou cabisbaixo, porque tinha muitas posses. Mas a palavra posses não significa aqui apenas os bens mundanos; inclui todos os poderes e faculdades considerados como algo próprio ou limitado à Personalidade, tais como orgulho intelectual, obstinação e arrogância, qualidades Venusianas particularmente ligadas ao signo de Touro; podemos comentar entre parênteses que a Lua, regente da Personalidade, está exaltada em Touro, mostrando principalmente o laço com estas posses que se relacionam completamente com o eu pessoal e isolado. Virgem pertence à base direita do triângulo, e Mercúrio é o planeta regente; sua influência, do ponto de vista pessoal, é a indiferença em relação aos outros, excessiva absorção pelos interesses pessoais, especialmente com respeito ao estudo e aquisições mentais, reagindo sobre o corpo físico quando a tensão vai além do

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ponto normal, sendo o resultado a ansiedade, má saúde e afecções do sistema nervoso. O triângulo com o ápice para baixo é governado principalmente pela Lua, estando Câncer no ápice, e como soma total da personalidade temos, a partir da influência lunar, aquela crítica capciosa ou áspera, arrogância e estreiteza de visão, que considera todas as coisas do ponto de vista pessoal e que mostra indiferença por todas as considerações que não são as do eu pessoal. Na base esquerda deste triângulo se encontra o signo de Peixes, governado por Júpiter; sua influência pessoal se relaciona com formalismo, estreiteza, juízo superficial, todas aquelas condições limitadoras que estão associadas com as religiões muito sectárias, das quais se fazem inimigos, preconceitos irracionais que surgem da tendência personalista e, às vezes, orgulho e hipocrisia. Na base direita deste triângulo temos Escorpião, sobre o qual governa Marte, c sua influência quanto à personalidade é produzir amor egoísta, ciúmes, agressividade, parcialidade e uma tendência a se apoiar nos outros mediante um apego excessivo; disso, surgem tragédias associadas com amores e ódios pessoais, que às vezes incluem violência, assassinato, brigas e todas essas separações. Todo o conjunto vai resumido sob a Lua como regente desta estrela na mistura de terra e água (que, como uma vez, faz muitos anos, observou causticamente um estudante de astrologia, é adequada para produzir barro!)

Os SIGNOS POSITIVOS A diferença entre as duas estrelas será vista ainda mais claramente se nos fixamos agora na positiva, a Estrela da Individualidade, consistente nos triângulos de fogo e ar, interseccionando o primeiro nos pontos oriental e ocidental, à direita e à esquerda da figura. Aqui está o signo de Áries à esquerda, governado por Marte, e a interpretação positiva desta influência é força, individualidade, auto-sacrifício, amor à pureza e à verdade e uma intrépida determinação para cumprir o que é justo apenas por amor à justiça, pois Áries nos dá uma interpretação superior e mais refinada da influência marciana, o que, na astrologia comum, relaciona-se estreitamente com a cabeça e o cérebro, e, em realidade, representa o raio da consciência em manifestação no corpo físico. No ponto oposto, no ângulo ocidental, ou à direita de nossa figura, temos o signo de Libra, governado por Vênus em seu aspecto positivo, que denota simpatia, tolerância e devoção, a influência complementar de tudo o que vem indicado pelo planeta Marte; porque, assim como Marte tende a externar ou a manifestar no mundo objetivo, estando representado simbolicamente como a cruz sobre o círculo, no seu lado oposto aparece o círculo com a cruz por baixo, e se cumpre tudo o que se havia

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iniciado como força e energia sob Marte para ser transmutado, através de Vênus, em simpatia, tolerância e devoção. Na verdade, estas duas influências fazem par em mente e intuição, força e beleza, energia e graça; do ponto de vista individual, convertem-se em influências complementares em vez de polaridades, resumindose na individualidade, que sai da base do triângulo. Na parte inferior da esquerda da figura, temos Gêmeos, governado por Mercúrio em seu aspecto positivo, denotando clara intuição, discriminação e uma compaixão mental que abrange a humanidade na interpretação externa ou esotérica. Esta posição se relaciona com os parentes e o intelecto em geral, mas de um ponto de vista individual se relaciona com todos os homens como irmãos, e toda a humanidade como parentes; do ponto de vista superior de Mercúrio temos aquela clara visão e discriminação que permite à individualidade distinguir o real do irreal. Ao fundo da figura temos Leão, regido pelo Sol, que é agora o regente de toda a Estrela da Individualidade, fundindo-se toda a influência relacionada com este triângulo na própria individualidade; portanto, não tem uma influência particular, exceto que se acha sintetizado na Individualidade: o Sol, por assim dizer, sendo o símbolo do Indivíduo em formação. À direita, na parte superior da figura, temos Sagitário, governado por Júpiter em seu aspecto positivo ou individual, denotando a plenitude da verdadeira compreensão da simpatia interior, a única que pode se relacionar com a Individualidade, lemos aqui toda a expansão relacionada com a mente, uma ampliação que abrange todas as religiões, e, na realidade, toda a Verdade com a qual se relacionam associações e grupos de almas. Na parte superior da figura temos Aquário, governado por Saturno em seu aspecto positivo e mais elevado, denotando confiança na própria natureza interna da pessoa, realização de pureza, autodomínio e serenidade, indicando todas as virtudes que se relacionam com a meditação e a contemplação. À frente desta figura poderia ser colocado o glifo de Urano, que é o símbolo da Individualidade aperfeiçoada, porque este planeta sintetiza o conjunto das outras influências e traz uma interpretação inteiramente nova à leitura dos horóscopos.

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Os PLANETAS NOS SIGNOS Da mesma maneira que a Astrologia Esotérica trata dos planetas nos diversos signos, dando força aos que estão em suas próprias casas, uma força aumentada aos que se acham em signos de exaltação e diminuída aos planetas em signos de queda ou exílio, assim a Astrologia Esotérica dá uma interpretação diferente aos planetas que ocupam diferentes signos em um ou outro dos triângulos relacionados com a Personalidade e a Individualidade; mas a interpretação é mais psicológica,


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relacionando-se com a imagem subjetiva das coisas, agindo por trás do plano das ações externas. Por conseguinte, acentua todos os planetas relacionados com signos cardinais e aqueles que se acham nos signos ou casas relacionados com a cruz cardinal, que são Câncer e Capricórnio, no Triângulo Pessoal, e Áries e Libra no Individual. Por isso, os planetas em Câncer e Capricórnio afetam consideravelmente a Personalidade, enquanto os de Áries e Libra guardam mais relação com a Individualidade. Isto é certo, de qualquer forma, no que diz respeito aos signos, mas não é de todo aplicável às casas, embora se pudesse dizer com segurança que o caráter individual se vê muito reforçado por planetas que ascendem ou que descendem, e que os fatos ou acontecimentos da vida se relacionam mais com o Meio-Céu e o Nadir. Podem ser dadas algumas ilustrações da aplicação desta ideia aos planetas nos signos do ponto de vista esotérico, para que se possa estabelecer uma regra geral em benefício dos que estão realizando um estudo especial deste assunto. Tomaremos, por exemplo, Júpiter, regente de Sagitário no Triângulo Individual e de Peixes no Pessoal, pondo-o em Câncer, signo de sua exaltação e ápice do Triângulo Pessoal. Deveríamos aqui esperar encontrar a Personalidade enriquecida pelas virtudes sociais, os princípios morais relacionados com a vida doméstica e as associações familiares, fazendo-a sumamente receptiva às vibrações superiores relacionadas com a vida espiritual ou individual; de modo que haveria uma interação ou influência entre o pessoal e o individual por meio desta exaltação em Câncer. Ou, novamente, podemos tomar Marte, o planeta que tem um tipo diferente de poder nos dois triângulos, e encontrar, em sua exaltação em Capricórnio, uma mistura das características pessoais e individuais, pondo em operação - por meio da Personalidade e do corpo físico - o domínio de si mesmo em todas as energias que saem ao exterior, pureza de vida no que diz respeito às paixões e sentidos, uma forte autoconfiança pessoal na ação correta e, eventualmente, uma tranquilidade dos sentidos, pondo-os em linha com as vibrações saturninas. Podemos aplicar novamente este método de tratar as exaltações ao triângulo individual. Saturno, regente do ápice do triângulo pessoal, está exaltado em Libra, onde se equilibra em tolerância, imparcialidade e justiça, e é a ponte entre a Personalidade e a Individualidade, porque esta última encontra sua Unha de menor resistência no signo do equilíbrio, onde dois triângulos estão colocados formando um equilíbrio móvel. Depois, vemos no triângulo individual que o Sol tem sua exaltação em Áries; o cérebro está iluminado e toda a Individualidade se alinha com a Personalidade por meio do cérebro, e se dão passos definidos rumo ao aperfeiçoamento do homem. Observar-se-á que, no triângulo individual, há apenas estas duas exaltações, o Sol e Saturno; este leva a Personalidade a um estado de fusão com a Individualidade e se equilibra em Libra, enquanto o Sol, regente da individualidade, atinge sua exaltação em Áries, o signo da cabeça.

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Rainha Wilhelmina de Holanda


Com relação a duas exaltações não mencionadas, relacionadas com o triângulo pessoal, Vênus em Peixes e Lua em Touro, vemos que a verdadeira exaltação da Personalidade vem por meio da reverência, obediência e respeito pela lei e pela ordem e uma tendência à precisão e ao cuidado, que encontramos na vida dos que têm a Lua em Touro e que o exibem em grau muito acentuado. Pode-se dizer que a Personalidade é levada à condição em que se torna, astrologicamente, obediente e exata. A exaltação de Vênus em Peixes denota uma ampla simpatia pelo sofrimento, e a devoção da personalidade às necessidades e requisitos dos outros, de modo que encontramos aqui uma razão muito mais satisfatória do que poderíamos encontrar na astrologia esotérica comum. Contudo, aplicaremos estas regras a um sentido geral nos diversos horóscopos que tomamos por exemplos nas páginas seguintes e que foram delineados mais adiante de forma mais completa. No estudo de um horóscopo do ponto de vista esotérico, todo o fim proposto constitui um esforço para harmonizar os veículos com a consciência que atua através deles, e esta é a razão pela qual temos planetas em harmonia com tantos signos; e, enquanto é certo que quantos mais planetas encontramos situados em suas próprias casas, mais harmoniosa é a operação da consciência, temos sempre de considerar até que ponto estes signos se simpatizam com as casas; porque, com os três fatores de casas, signos e planetas, sempre há a tendência de que tais interações complexas perturbem a harmonia. Em um sentido geral, podemos correlacionar casas, signos e planetas. Mas como os planetas reforçam e acentuam tudo o que vem denotado pelas casas, se os ideais relacionados com os planetas não estiverem plenamente realizados na vida, é provável que surja o desacordo e a falta de harmonia, até que os três fatores - casa, signo e planeta - tenham sido postos em linha uns com os outros. Como ilustração, tomaremos alguns horóscopos que mostrarão como o ambiente produz mudanças na vida e na consciência do nativo. Uma ilustração muito boa disto seria provavelmente o caso do rei Eduardo VII, que, em sua ascensão ao trono, declarou ter passado por uma mudança completa em todas as direções, e isto foi tão marcante que foi observado por todos os que tinham estado em contato com ele. Ao examinar o horóscopo, ver-se-á que a ascensão de Júpiter e a elevação do Sol permitiram que a vida transcorresse muito igual até a morte de sua mãe, a rainha Vitória, quando esta influência teve que abrir espaço para a elevação de Saturno e Marte em Capricórnio na primeira casa. Isto fez com que se manifestasse a influência do interceptado signo de Capricórnio, diminuindo, em grande parte, a influência jupiteriana e trazendo a súbita compreensão da responsabilidade e a determinação íntima da alma de se adaptar às importantes condições em que a Personalidade estava situada. Nesta influência, podemos descobrir Urano em quadratura com Júpiter entre os triângulos pessoal e individual, rompendo condições antigas e existentes e pondo em manifestação as de Saturno e Marte. Em sua vida pessoal, com Marte como regente

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Rei Eduardo VII


no meio-céu, os acontecimentos moldaram e configuraram a consciência mediante a posição do planeta no ascendente, manifestando todo o poder de sua exaltação em Capricórnio. Observar-se-á que a Lua se encontrava justamente a ponto de abandonar Virgem para entrar em Libra, e, embora este horóscopo revele muitas fases interessantes de consciência, do ponto de vista esotérico, é mais interessante para o estudante de Astrologia Esotérica observar que, na mudança de ambiente, houve uma mudança correspondente de consciência, dando oportunidade para a expressão de muitas coisas que, até então, tinham ficado latentes. Neste horóscopo, poderíamos tomar muitos exemplos de natureza parecida, mas o anterior é suficiente para ilustrar a ideia. Tomemos o horóscopo do jovem que nasceu em um ambiente notavelmente bom, mas que esteve privado das faculdades de audição, visão e fala, nascendo surdo, cego e mudo, com as faculdades mentais sem desenvolver. Olhando para este horóscopo do ponto de vista interno, vemos que Touro possuía a Lua em conjunção com Marte, destruindo algumas daquelas posses mundanas que, se corretamente utilizadas, teriam sido sumamente valiosas. O Sol em conjunção com Urano e em oposição a Júpiter era também destrutivo e inimigo da expressão pessoal. Um estudo cuidadoso de horóscopos como estes revelará muitas coisas que não se vê na Astrologia Esotérica comum, e pode conduzir o estudante intuitivo para a causa daquelas limitações. Se se compara o horóscopo de Lady Burton com o de Georges Sand, ver-se-ão algumas características muito importantes do ponto de vista esotérico; Outrossim, os horóscopos de Robespierre e do Príncipe Bismarck, e de Gladstone e Churchill, constituem contrastes marcantes; mas já se disse o suficiente para indicar o modo como podem ser seguidas estas ideias. Este método de interpretação foi adotado por certa escola de astrólogos rosacruzes, que combinaram as influências pessoais e individuais em um famoso símbolo da unidade.

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DIAGRAMAS DOS MAPAS DE ESTRELAS Embora sejam, provavelmente, muito sugestivos para um estudante intuitivo os diagramas de mapas de estrelas das páginas 156 a 178, é possível que os estudantes mais práticos e menos intuitivos requeiram alguma explicação a mais. Todos os desejos são mais ou menos pessoais; portanto, os mapas de Estrela que representam a personalidade mostrarão a natureza do desejo em várias formas de manifestação. Nestes mapas, tentou-se mostrar que os "pares de opostos" sempre estarão atuando através dos signos opostos da mesma quadruplicidade; assim, Touro, morada


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Conde de Arundel e Surrey


de Vênus, opõe-se a Escorpião, casa de Marte, e assim sucessivamente ao longo de todo o círculo do Zodíaco. As influência planetárias se refletem aqui, e o sentido da verdadeira proporção se perde através da atividade da natureza do desejo e dos laços da mente, que é escravizada pelas formas do desejo. Nos mapas de Estrela individuais, representam-se os estados mentais superiores, onde o intelecto está se afastando do desejo e este vai mudando em vontade; nem o desejo, nem o intelecto, está tão sujeito às formas como acontece com os signos pessoais ou negativos, porque o indivíduo está começando agora a conhecer a si mesmo como indivíduo, e não é, em tão alto grau, a criatura de estados de ânimo c de mudanças. Na Figura 14, que pode ser denominado a estrela da Personalidade indefinida, a consciência instintiva é a mais ativa, as tendências naturais estão principalmente influenciadas por signos negativos, tais como fome e apetite (Touro); a busca de alimentos (Virgem) e a busca de emprego (Capricórnio). Os sentimentos se despertarão também através da tendência de Câncer a produzir sensibilidade, digamos, para o desejo de comida, etc. A natureza passional pode se ver estimulada por Escorpião, e a reação de júbilo pode resultar em depressão, temor, etc. Na Figura 15, que se pode dizer relacionado com a estrela da Individualidade, a individualidade indefinida pode ser autocentralizadora, e começar a reforçar a noção do "eu", seja pela impetuosidade de Áries, seja pela observação de Libra, ou pode ser por meio da superstição, pela influência de Sagitário ou pela indecisão de Gêmeos. A vontade de Leão e Aquário, com toda probabilidade, serão latentes e a credulidade ocupará o lugar da Vontade; em outras palavras, o individual ficará submergido e as tendências pessoais ocuparão o lugar preferencial. Com o pessoal, o signo ascendente pode mostrar a influência mais pronunciada, e os outros signos (no que diz respeito ao caráter) estarão latentes. Contudo, o signo ascendente encontrará sua polaridade na Lua, a sede da consciência lunar ou instintiva. A Individualidade estará mais ou menos representada pelo planeta regente. A Figura 16 destina-se a mostrar a expressão dos signos. A consciência lunar está mais estabelecida e a personalidade formada de um modo mais definido. Na Figura 17, a individualidade também se mostra em sua formação; o planeta Marte influi no horóscopo além da influência separadora do signo ascendente, planeta regente, etc. A Vontade de Aquário é obscura e latente, e quando se manifesta através de Leão é dominante e assertiva. A consciência se torna mais autocentrada e combativa. A Figura 18 é para representar a fase da autoconsciência pessoal. A Lua e o planeta Marte têm marcante influência; sensibilidade através do signo de Câncer e afeto através do signo de Escorpião aparecem mais e mais pronunciados à medida

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Homem, morto de ĂĄgua no cĂŠrebro 27/1/1897


que vai se desenvolvendo a personalidade. O estado que coroa a consciência é a ambição. A Individualidade em desenvolvimento, representada pela Figura 19, mostra uma influência mais ativa de cada um dos signos positivos. A vontade está começando a atuar mediante a perseverança, e se vê como a consciência individual vai despertando através da crescente influência de Saturno, além da influência do planeta regente, a Lua e Marte, etc. As atividades estão ainda governadas pelo impulso, embora a educabilidade e a percepção estejam começando também a influir nelas, até certo ponto. Na Figura 20, temos uma representação da personalidade desenvolvida, na qual a influência concreta de Vênus está se tornando muito ativa através do afeto, e a cognição assume a forma de análise, que, eventualmente, há de conduzir à discriminação. A atividade culminante se expressa com o tato ou no paladar e na diplomacia, ou mais hábil na ação. Este desenvolvimento marca a fase da consciência humana pessoal. Na Figura 21, temos representadas as condições de uma Individualidade desenvolvida. O Sol e Saturno partilham sua influência no horóscopo, fazendo com que a fé e o individualismo sejam as formas em que, mais provavelmente, manifestar-se-á a Vontade. A consciência humana individual está despertando através da intuição e de uma visão mais clara. A razão e a introspecção estão se tornando ativas. O indivíduo está se expressando como uma oitava mais alta da personalidade. O desejo está cedendo o caminho à Vontade e as cognições são mais abstratas e refinadas. As atividades são desejos e estão movidas por uma melhor compreensão quanto ao valor da responsabilidade. As estrelas estão mudando agora da estrela de seis pontas para a de cinco, ou Pentágono. No Pentágono, um dos signos se encontra no interior, os pares de opostos deixam de existir, a polaridade está cedendo o passo à unicidade. Pode ser que seja o signo de Câncer, ou qualquer outro signo, o que está retraído, mas cada um sucessivamente é recebido no Centro e suas qualidades transmitidas ao signo polar, até que, finalmente, só há três operativos do lado pessoal do Pentágono. O mesmo acontece com o aspecto individual: um depois do outro, os signos vão sendo levados para o interior; pode ser que Leão inicie a síntese, ou Áries ou Sagitário; de qualquer forma, somente três signos ficarão para formar o triângulo da verdadeira Mônada Humana. Não obstante, esta transmutação dos signos não se dá enquanto a Consciência do Ego não tenha se elevado acima das mudanças do corpo, uma vez que o corpo físico se converteu, então, no instrumento perfeito para ser usado. Em vez de desejos conflitantes e do contínuo deslocamento do ponto de vista, surgido da equação pessoal, o Ego chegou a harmonizar com seus veículos. Neste sentido, o signo de Escorpião se converte no signo do desapego e a força generativa desse signo se transmuta no poder criativo de Touro. Como se vê na Figura 22, Câncer aparece

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Lord Tennyson, poeta laureado


interiorizado e já não se exibe como a sensibilidade mutável dos sentimentos pessoais, transmutando-se no serviço real oculto no signo de Capricórnio, agora expresso como a atividade mais elevada. Peixes e Virgem assumem a polaridade da terra e água e decidem o Caminho que deverá ser percorrido pela personalidade, até que a discriminação se converta em saber e a emoção em devoção, cada uma devendo ser absorvida pelo Ego Individual. A Individualidade: segundo se ilustra na Figura 23, a Fé do signo de Leão se converte na Vontade de Aquário, a noção do "Eu" do signo de Áries se amplia mediante a percepção mais ampla do signo de Libra e a introspecção do signo de Sagitário é absorvida na razão pura do Gêmeos desprendido. Quando o triângulo está completo, a unidade da Vida Una pode ser vista inteiramente pelos que estão tratando de percorrer o Caminho da liberação, e as três influências se fundem na vibração planetária única que enlaça a alma liberada com a Estrela Pai que está no Céu (19, 25). ALGUMAS PERGUNTAS COM TRÊS RESPOSTAS Os que buscam mais luz em relação aos símbolos e operações internas da Astrologia Esotérica deveriam considerar as seguintes perguntas e respostas: Quais são as concepções abstratas da divisão de um horóscopo em casas? Resposta: Limitações no Espaço. Quais são as concepções abstratas dos doze signos do Zodíaco? Resposta: Limitações no Tempo. Qual é o significado da Influência Planetária? Resposta: Casualidade. Quando começamos a transcender estas três grandes ilusões? Resposta: Pela Meditação; o pensamento abstrato definido ou o sentimento abstrato. De quem se pode dizer que governam suas Estrelas? Resposta: Daqueles que já não estão sujeitos às três grandes ilusões de tempo, espaço e causalidade. Quem são? Resposta: Os que vivem no Eterno. _____________________ Para aqueles que não se interessam pelas concepções abstratas e que preferem a demonstração prática do simbolismo, vamos considerar agora alguns horóscopos de pessoas famosas, com a inclusão de um interessante Documento Humano. O autor se refere ao antigo símbolo astrológico para Marte, que é a cruz sobre o círculo, exatamente inversa ao de Vênus (N. do T.).

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CAPÍTULO 18

EXEMPLOS DE ASTROLOGIA ESOTÉRICA O Espírito é a raiz da individualidade de todo tipo e grau, sub-humano ou superhumano, porque existe uma individualidade além da que conhecemos como individualidade no homem. Um Eu é um indivíduo, e a raiz do "estado do eu" reside na Unidade da Consciência, mesmo quando esse "eu" não tenha florido no autoreconhecimento em seus veículos. Introdução à Ciência da Paz

CONTRASTES ESOTÉRICOS (págs. 148, 180) á uma estranha semelhança entre o horóscopo da senhora Annie Besant e o da rainha Guilhermina da Holanda. O primeiro tem, fortemente marcada, a Estrela da Individualidade; no segundo, a Estrela da Personalidade é a mais forte, embora ambos acentuem a linha horizontal, a da Individualidade. Contudo, há uma diferença marcante de temperamento. No caso da senhora Besant, predomina a influência Cardinal-ar; no da rainha Guilhermina, é mais forte a Mutável-terra, com uma poderosa influência secundária dos planetas angulares, apesar dos signos nos ângulos serem mutáveis. Em um caso, a Mestra é, por casta, uma Governante; no outro, a Governante é, zodiacalmente, uma Mestra. A posição de Urano ascendente, no horóscopo da senhora Besant, tem correspondência no Sol da jovem Rainha, conjunto a Urano angular. Ambas têm a Lua, regente da Estrela Pessoal, no signo de Câncer, mas no caso da senhora Besant a Lua está em conjunção a Júpiter, e no mapa da Rainha está em aspecto de quadratura com Júpiter e Saturno.

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Uma tem poder temporal, a outra poder espiritual. As tendências psíquicas diferem nos dois casos, no que diz respeito a sua aplicação, mas em ambas é ativa; numa é física, na outra é mental. No horóscopo da Rainha, o regente do M.C. está ascendendo no ângulo da primeira casa, no signo Cardinal de Áries. No horóscopo da senhora Besant, o regente da fama e distinção mundiais está na Cadente casa doze, em Peixes. Também é significativo o fato dos signos positivos e negativos regerem as mesmas casas destes horóscopos, com seus regentes invertidos, em signos positivo e negativo. O signo mais forte em cada caso mostra a influência do regente, de novo invertido. No horóscopo da Rainha, Virgem é o signo mais forte, um signo mutável-terra; seu regente Mercúrio está no signo, fixo e real, de Leão, mas em uma casa cadente e, por conseguinte, consideravelmente limitado. No mapa da senhora Besant, Libra é o signo mais forte. Vênus, seu regente, está angular no signo cardinal-ar e, portanto, de certa forma, está livre de limitação. Se pudéssemos ler exatamente a influência da Estrela Pessoal no horóscopo da Rainha, encontraríamos Mercúrio como influência predominante e o representante ativo da porta pela qual poderia se alcançar a autoconsciência individual na vida atual. Pessoalmente, a Estrela é Júpiter; Individualmente, é Mercúrio. Os estudantes de Astrologia Esotérica que desejam saber como podem se dar mudanças de uma vibração para outra, ou de um modo de desenvolvimento para outro, observarão no mapa da Rainha que a influência mutável-terra pode mudar, peias posições angulares, para Cardinal-terra, ou a linha da atividade prática, em vez da atividade mental. Os que estudam a história das nações verão quão aplicável é este mapa aos destinos do país sobre o qual governa a rainha Guilhermina. Pessoalmente, esta soberana está repleta de sensibilidade, conhece o valor da obediência e vive num mundo de análise que culminará em fé e discriminação. No tema da senhora Besant, também encontraremos sensibilidade aliada à compaixão, uma verdadeira obediência e a purificação das emoções, culminando em uma clara percepção.

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MUDAMOS AS ESTRELAS (pág. 182) A mudança da estrela pessoal para a individual aparece claramente marcada no horóscopo do rei Eduardo VII. Quando subiu ao trono, a estrela pessoal se converteu numa grande luz, e é evidente que a responsabilidade do Estado foi sentida de maneira aguda, fazendo com que o pronunciado elemento de Capricórnio subisse ao cume da natividade, substituindo totalmente o Sol em Escorpião, o que fez com que a influência de Saturno e de Marte realizassem cabalmente seu destino ascendente.


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A ponte entre o pessoal e o individual se produziu por meio de Vênus em quadratura com Marte e sextil com Júpiter. Como Príncipe, produziram-se todos os aspectos pessoais do aspecto de quadratura; como Rei, entrou em operação toda a influência do sextil, granjeando para o rei Eduardo o título de Pacificador. O aspecto de quadratura entre Urano e Júpiter constituiu um grande problema para muitos dos estudiosos que tentaram penetrar sob a influência superficial desta importante quadratura; no entanto, os que puderem obter uma leitura mais completa do horóscopo combinarão o Sol em trígono com Urano e Júpiter em quadratura com Urano, ocorrendo ambos com Peixes como centro da influência. A Lua estava abandonando o signo pessoal de Virgem e entrando no signo individual de Libra, o signo da percepção interna e do equilíbrio, posição muito significativa. A posição da Lua na cúspide da nona casa, a da mente superior, era uma posição crítica além da oposição de Urano e da quadratura de Júpiter, e se encontrava com o sextil de Mercúrio no signo de Sagitário, o nono. A triplicidade de terra estava completada por Saturno, Marte e a Lua nos três decanatos, como se vê: fj, "\$; d", yi-Q', D» tljr-dAo que parece, o Rei aprendeu mais em seus dez anos de poder temporal e responsável do que durante toda sua vida anterior. O decanato ascendente de Sagitário acentuava o decanato de Leão desse signo, o signo fundidor do individual. O ideal do dever foi vivido pelo Rei como Rei.

UMA ALMA EM CATIVEIRO (pág. 184) É tão raro encontrar os sentidos de um ser humano completamente paralisados que este horóscopo, do ponto de vista pessoal e individual, deve ser fascinante para aquele que procura as causas dos fatos. O Conde de Arundel e Surrey nasceu desafortunadamente surdo, mudo e cego e com suas faculdades mentais sem desenvolvimento. Com a exceção de Netuno, não há um só aspecto bom neste mapa. Ao se estudar a estrela pessoal deste horóscopo, podem-se ver, simbolicamente, as causas físicas. A Estrela está invertida, estando Capricórnio no ponto Norte, e para aí convergem as influências dos luminares, com Marte envolvido, nos decanatos de Touro e de Virgem do signo de Capricórnio. Saturno, a estrela pessoal do ápice, ou ponte, estava descendendo e em detrimento, retrógrado e em oposição a Vênus, o regente do tema. Vênus é o verdadeiro planeta da mente, ou princípio intelectual, do homem. Aqui, Vênus estava retrógrado, e não formava nenhum traço de união com outro planeta. Sua influência estava completamente paralisada pelo paralelo com Urano, no signo discriminador de Virgem, e por Júpiter em aspecto de sesquiquadratura com Marte e a Lua. Júpiter também estava retrógrado em Peixes e em oposição ao Sol e a Urano, estes no signo do discernimento, Virgem. Além das muitas outras aflições, o Sol estava em aspecto pleno de quincúncio com Saturno descendente no decanato

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de Áries-Leão. O signo de água deste horóscopo não se mistura bem com os signos de terra. A afinidade entre os signos de fogo e ar estava também gravemente abalada por Mercúrio, no decanato de Áries do signo de Leão, estando em aspecto de sesquiquadratura com Saturno descendente. Neste mapa, a falta de harmonia entre o individual e o pessoal é quase extrema. O Eu em seu interior não podia se unir harmonicamente por meio do invólucro mental. UM CASO PARECIDO (pág. 1 86) Outro caso, um tanto parecido com o do Conde de Arundel, embora diferente no efeito, pode ser útil para os que preferem o prático ou o metafísico. Neste caso, a morte veio por causa de água no cérebro. Encontramos aqui Saturno invertido, ascendendo e não descendendo. Sua posição no ascendente está exatamente oposta à da Lua descendendo. As aflições não são tão graves, mas as posições são igualmente desarmônicas. Urano está em aspecto de quadratura com Júpiter nas casas primeira e décima, importantes ângulos. O regente Marte está em aspecto de quincúncio com o ascendente, e faz quadratura com o Sol e paralelo à Lua. O mapa é inteiramente pessoal, sendo extremamente fracas as influências individualizantes. É o horóscopo de um jovem ego, em que a clemência não havia começado a germinar e o passado estava, provavelmente, muito desprovido de virtudes. Não há nenhum vínculo com o elemento de Capricórnio nos signos de terra, sendo apenas Touro e Virgem os representados, ou por um signo, ou por um decanato da triplicidade de terra. Neste caso, tampouco produziram mescla satisfatória os elementos de terra e água. Os corpos astral e físico não estavam em harmonia. Ainda aqui, o signo do ápice do mapa de Estrela se acha no ângulo norte. A inversão do signo do ápice dos mapas pessoal ou individual pode explicar as vidas difíceis que têm de viver os nascidos sob Libra ou Escorpião. Em alguns destes casos, a deficiência pode residir no ajuste entre Vênus e Marte. O menino nasceu às 11 h 10 min de 29 de agosto de 1896, latitude 52°49'N, longitude 2°00'W, e morreu em 27/1/1897. Viveu, pois, apenas cinco meses, tempo suficiente para que a Lua, por progressão secundária, chegasse à oposição com o ascendente Urano. A TRIPLICIDADE DE AR POSTA EM MANIFESTAÇÃO (pág. 188) No nascimento de Lord Tennyson, o signo de Gêmeos estava ascendendo e o terceiro decanato, Gêmeos-Aquário, acentuava-se pela posição de Vênus. A Lua

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estava no segundo decanato, Gêmeos-Libra, a casa de Vênus; por isso, através do signo ascendente de Gêmeos, a Lua no segundo decanato e Vênus no terceiro, pôde se manifestar toda a triplicidade. O Poeta Laureado deu plena expressão à influência mutável de sua estrela individual, e seu horóscopo denota harmonia entre a natureza interior e a exterior. O planeta regente, Mercúrio, deu a necessária atividade, mediante sua posição no signo cardinal de Câncer, para expressar seu talento em ação, e a terceira casa deu facilidades especiais para a expressão pela escrita. A personalidade era suficientemente psíquica e sensível para reagir à vida individual e o seu ambiente era satisfatório, estando em harmonia tanto as características pessoais como as individuais. O triângulo deste horóscopo deveria ser traçado desde Aquário na cúspide do M.C. até o ascendente Gêmeos e a quinta casa, ocupada principalmente pelo signo de Libra. Entrelaça-se pela triplicidade de fogo, desde Leão, na cúspide da quarta casa, à sétima e décima-primeira, abrangendo o Sol, Netuno e Júpiter. Pondo o Sol no centro, com o signo de Leão, forma-se o pentágono de ar mutável. O estudante intuitivo que meditar sobre o simbolismo deste horóscopo descobrirá sua interpretação como o ideal de uma Vida Universal.

AMOR, AFETO E SENSAÇÃO (págs. 190, 191) As características individuais estavam bem marcadas no mapa de nascimento de Lady Isabel Burton, e isto, ao que parece, permitiu que aquilo que poderia ter se manifestado como limitações egoístas da personalidade fosse superado por meio do amor e da devoção aos outros. As condições de água e terra da estrela pessoal estão tratando sempre de ligar e manter a alma à forma, enquanto que as condições de fogo e ar da estrela individual tratam de queimar a escória da natureza e dissolver as cristalizações das formas inferiores. Como estudo da emoção do amor, este mapa proporciona um resultado muito frutífero. A personalidade, vista pelo corpo astral, é de profunda emoção, pois a sensibilidade e o afeto produzem uma abundante colheita para a expansão do centro individual. Aqui, encontramos todas as circunstâncias favoráveis para a expansão do Corpo Causal, com a conjunção entre Urano e Júpiter no meio céu e no ápice do Triângulo Individual de ar. Todo o triângulo de ar aparece magnificamente colorido por quatro poderosas influências. O ápice da estrela individual, expandida por Júpiter e Urano, é levado ao signo de Gêmeos pelo ascendente, e aqui reforçado por Marte.

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A influência de Gêmeos ascendendo é levada a Libra (segundo decanato de Gêmeos), e a Lua completa a influência triangular por meio do decanato de Aquário do signo ascendente de Gêmeos. Esta é uma expressão quase perfeita da triplicidade de ar, através de sua relação com o meio céu e o ascendente do horóscopo pessoal. Traduzido esotericamente, constitui uma união do individual com o pessoal através de Mercúrio, regente do tema, colocado em Peixes, que pulsa a corda da devoção através dos signos mutáveis. É como se este horóscopo fundisse, num só, os mapas de Estrela 21 e 22. Comparando o anterior com o mapa de Georges Sand, podemos ver que a posição do Sol e Urano no segundo mapa perturba a harmonia da individualidade, acentuando o elemento pessoal. Este mapa é uma estranha mescla, onde o destino manifestado pelo horóscopo pessoal parece ser o resultado de desarmonia interna. Ao final, a influência de Mercúrio serve como que de vínculo entre Gêmeos e Libra, e reestabelece um pouco o equilíbrio entre as condições pessoais e as individuais. O aspecto de quadratura entre Marte e Vênus, do signo negativo de Touro ao signo positivo de Leão, denota o atrito entre os dois planos de consciência, que a Lua suportou em Áries em oposição a Júpiter, o regente do meio céu. No aspecto de quincúncio de Saturno com o grau ascendente encontramos a influência vinculadora entre a Personalidade e a Individualidade. Por meio do casamento e dos companheiros, a sétima casa do mapa de Georges Sand indica carma ou destino suficientes para despertar plenamente os signos de Virgem e Libra, que ocupam a sétima casa. Saturno extraiu as qualidades analíticas e discriminadoras de Virgem, e, mediante Mercúrio na cúspide da quarta, no signo de Gêmeos, finalmente produziu discriminação, o que Urano, no signo de Libra, contribuiu para manifestar por meio da constante perturbação do aspecto de quadratura com o Sol. Os aspectos de quadratura entre Marte e Vênus, Sol e Urano produziram todas as variações de sensação que ocasionaram o apego ao sentido artificial do Ego físico. As uniões físicas produziram entendimentos, que servem de alimento para a alma que está se desenvolvendo individualmente. Desde os mais baixos apegos até os mais elevados, estão afinados para reforçar ou a vida pessoal, ou a individual. Felizes são os que encontram verdadeira união com a família, o companheiro ou os amigos, mas mais felizes são os que encontram união com o Eu superior.

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COMPARAÇÃO ENTRE HOMENS DE ESTADO (págs. 192, 194) O senhor W. E. Gladstone, conforme é reconhecido, foi um grande e útil homem de Estado que dedicou grande parte de sua vida ao serviço da nação por ele representada. A estrela pessoal mostra a maneira pela qual esse serviço foi elaborado em sua vida.


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No ápice do triângulo pessoal regido por Capricórnio, encontravam-se situados o Sol e Mercúrio, pondo em atividade todo o triângulo de terra, primeiro mediante o Sol no segundo decanato de Capricórnio-Touro, e, em segundo lugar, mediante Mercúrio ascendendo em um signo de terra. Interpretando esotericamente, encontramos grande adaptabilidade e proeminente esforço individual. Provavelmente aprendeu uma grande lição quanto à reserva com Urano culminando em Escorpião, e o fracasso da Lei Home Rule, que ele tinha acabado de tentar sancionar, deve ter-lhe trazido notáveis entendimentos quanto à sua consciência pessoal. É evidente que seu planeta regente, Saturno, deu-lhe muitas oportunidades, durante sua ativa vida pública, para transmutar suas experiências pessoais em qualidade individual. Cabe supor astrologicamente, mediante a posição da Lua em Libra, que ele necessitou (e provavelmente conseguiu, durante sua carreira pública) de um verdadeiro sentido de proporção, ou de uma clara percepção da natureza humana, segundo se manifesta nos assuntos nacionais. O horóscopo do senhor Gladstone, embora denote uma grande dose de individualização, mostra ter sido utilizado principalmente no serviço, e, evidentemente, em prol da nação. A culminação e a contrariedade desse individualismo, e a quebra das esperanças e afetos, estão claramente marcadas pelo aspecto de quadratura de Marte em Aquário, signo do ápice da estrela individual, com Urano em Escorpião. A Lei "Home Rule" pareceria haver dado uma boa lição tanto ao senhor Gladstone como à nação, prescindindo dos méritos ou deméritos da lei. Segundo consta, foi ele o homem capacitado para empreender a tarefa especial de traçar uma linha entre o socialismo e o individualismo. É possível que as nações aprendam através do fracasso dos estadistas, especialmente quando estes não lêem a escrita da parede do céu. À Astrologia não interessam tanto os resultados como as causas que se encontram por trás dos acontecimentos. Apesar disso, o Príncipe Bismarck deu uma nota de individualismo muito mais definida que o senhor Gladstone. Ele possuía tanto Marte quanto Saturno em Aquário, e conseguiu sua realização através de um poder maior que o seu próprio, o de seu senhor o Imperador Guilherme I, que está representado por Vênus em Touro culminado. Ainda que ele tenha sido um homem muito forte, teve que prestar obediência a um superior. O Homem de Sangue e Ferro teve a faculdade de levar seu individualismo além da imaginação dos mortais comuns; porém, seu serviço foi mais pessoal do que o de Gladstone, ainda que pelas aparências fez mais por sua nação; porque a Lua em Capricórnio é o signo do serviço pessoal, ao passo que o Sol neste signo o eleva até o reino superior da individualidade. Não obstante, não devemos nos alongar nestas reflexões sobre um e outro, pois cada uma das duas coisas serve aos seus fins na elevação da alma.

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Gladstone obteve sua oportunidade graças à influência transmutadora de Saturno em Sagitário, de elevar-se individualmente graças a sua queda temporal, porque todos nós aprendemos mais por meio de nossos fracassos e erros. Sua própria força intrínseca, individual c pessoalmente, seu amor ao serviço e seus intensos afetos, ajudaram-no a verificai as causas de seu próprio desastre, conforme está indicado por Vênus cm Sagitário na casa doze. Nos horóscopos de nascimento os planetas estão ascendendo no natalício do Senhor Gladstone e descendo nado Príncipe Bismarck; e isto inclui Saturno, o planeta do destino humano. É muito significativo que uma nação regida por Touro, o signo da cúspide da quarta casa fosse a causa da queda de Gladstone, especialmente quando seu regente se encontra na casa doze; também que Vênus, governando a décima casa no horóscopo do Príncipe Bismarck, fosse mais forte (por estar em domicílio pelo signo e posição) do que o Sol, que se encontra em exaltação. Ambos se relacionam com os mapas de estrela 20 c 21 W. E. Gladstone nasceu às 7:59 A.M. (hora retificada) de 29/12/1809 em Liverpool. O Príncipe Bismarck nasceu às 1:30 P.M. de 1/4/1815, em Schonhausen, Alemanha. Os horóscopos destes grandes estadistas mostram-se ricos de instruções para o estudante. Podemos mergulhar muito mais fundo esotericamente em um horóscopo do que por meio da comum análise esotérica. CONTRASTE DE AFINIDADES (págs. 196, 1 98) Compararemos agora os mapas de alguns indivíduos de alto grau cujas vidas são bastante conhecidas, com o objetivo de que se possa ver mais nitidamente a diferença entre a expressão pessoal e individual da vida. Comparando os mapas do Conde Rosebery e Lord Randolph Churchill encontramos muito em comum. O poder individual está fortemente marcado em ambos os casos, em um caso pela Lua em Aquário e no outro pelo Sol no mesmo signo. A carreira de Lord Randolph Churchill parece ter sofrido da mesma forma que a de W.E. Gladstone através do aspecto de quadratura Marte-Urano. Ambos lutaram por um princípio, ainda que os pormenores tenham sido diferentes. O conjunto dos triângulos individuais se põe em evidência mediante o primário e as subinfluências no natalício do Conde Rosebery, porém a personalidade não parece ser igualmente forte, porque só está afetada por quatro dos signos de terra e água. Os elementos neste natalício são: 5 planetas em Signos Mutáveis 2 planetas em Signos Fixos 2 planetas em Signos Cardinais iegfd ba ch

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3 planetas em Signos de Ar bfd 2 planetas em Signos de Fogo c h 3 planetas em Signos de Água i e g 1 planetas em Signos de Terra a Combinação Mutável-Ar. A polaridade dos signos de água e de terra, que regem os ângulos oriental e ocidental, está harmonizada pelo sextil entre seus regentes respectivos, Júpiter e Mercúrio. Isto se reflete também no sextil Sol-Saturno. A influência de Mutável-ar é a mais pronunciada, pois a Lua está em Aquário e os benéficos em Gêmeos na terceira casa. Lord Randolph Churchill possuía também três planetas no signo de Peixes e um dos luminares em Aquário, porém em outras relações os mapas não se parecem. Entretanto, os dois procuravam combinar o saber com o poder. Lord Randolph fracassou devido à influência perturbadora da quadratura Marte-Urano em signos cardinais, que influíam sobre o trígono Urano-Júpiter na triplicidade de fogo. A personalidade do mapa estava em conflito com o carma, resultando na intenção de introduzir reformas em postos elevados. A personalidade aparece aqui como um agente eficaz para verificações individuais de caráter reformador. Os elementos deste horóscopo eram: 3 planetas em signos Mutáveis g c i 3 planetas em signos Fixos afb 3 planetas em signos Cardinais d e h 1 planeta em signo de Ar 3 planetas em signos de Fogo 4 planetas em signos de Água 1 planeta em signo de Terra a fdh gieb c

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O equilíbrio das gunas está aqui perturbado pelo elemento de água e também pelos signos de fogo, denotando que a mente mesclada com o sentimento foi impelida à atividade uma vez que o regente da personalidade estava exaltado num signo cardinal ou ativo. Porém, essa atividade se converteu em ação extrema por Marte estar em quadratura com Urano. As características Individuais e Pessoais não estavam em harmonia. Esta falta de harmonia se mostra pela polaridade do Sol e da Lua, segundo se descreve em Astrologia para Todos. O horóscopo inteiro constitui um estudo útil, e o estudante que busca as causas da ação individual fará bem em estudar cada porção do horóscopo em sua relação com a vida real.


Não é certo que vemos o mundo como um reflexo de nós mesmos c encontramos nele as condições adequadas para restabelecer ou perturbar a harmonia? O INDIVIDUAL E O PESSOAL (págs. 200, 202) Robespierre e Balzac nasceram sob os mesmos graus de signos opostos, Aquário e Leão. Ambos se destacaram ante o público francês c desempenharam papéis importantes na história. Robespierre era um idealista, Balzac era um médium mental. Se nos é permitido o contraste, o segundo estava possuído por ideias, o primeiro possuía ideias; as ideias não o possuíam.

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Robespierre entrou em contato com a realidade individual devido à violência que sofreu em mãos de seus inimigos e que pôs fim à sua vida física. O aspecto de quadratura Saturno-Mercúrio foi a causa de sua queda; Saturno roubou a Mercúrio a intuição que este deveria lhe ter dado no período crítico de sua vida, c fez que tivesse receio e mágoas em vez de valor e energia. É um fato estranho que um aspecto mundano de quadratura entre Marte e Júpiter induzisse a esperar-se o cumprimento de um destino triste, abandonando-se o valor do trígono entre os mesmos planetas. Sua prova esteve escondida no quadratura Mercúrio-Saturno nos signos mutáveis de ar e água. A influência do fogo mutável era demasiado frágil para superar as duas importantes quadraturas, uma mundana, outra zodiacal. O aspecto mundano coincidia com o aspecto de quadratura Saturno-Mercúrio. Tomando o período e o papel desempenhado por Robespierre nessa época, o horóscopo é muito significativo. Um juízo mais completo pode se encontrar em A Arte da Síntese. O horóscopo de Balzac é um horóscopo pessoal, no qual o cérebro se mostra muito receptivo e os sentimentos peculiarmente mesclados com a mente. Se fosse dotado de mais caráter individual e menos mediunidade ou imaginação psíquica, Balzac teria sido mais feliz na vida; a maioria de suas experiências foi extremamente física e astral, e o único contato com o individual foi através da Lua em Sagitário oposta a Júpiter em Gêmeos. A posição de Mercúrio em oposição a Netuno foi causa de seus tendências fantásticas, e o aspecto de trígono com Urano lhe conferiu uma espécie de gênio para os assuntos mentais e literários. O elemento de água prevaleceu sobre todos os outros, vindo a seguir o de terra, absorvendo estas duas triplicidades não menos do que sete influências planetárias. Isto lhe deu uma grande receptividade a tudo o que o rodeava e, em combinação com o ascendente Leão, a faculdade de imitar e reproduzir dentro de seu cérebro todas as sensações do signo de Câncer com seus três importantes planetas dentro. A imaginação de Câncer é um fator notável onde se mesclam a mente e o sentimento, como sucede sempre que há planetas neste signo. O célebre novelista constrói suas imagens em matéria mental e as move de um lado a outro como lhe apraz, de sorte que a intriga que idealizou em sua mente é representada literalmente diante de sua visão mental. Por outra, estas imagens mentais, formadas pela influência de signos de terra ou de água, podem chegar a ser completamente objetivas e às vezes podem até adquirir forma tangível. Alguns novelistas notam que os personagens que eles criaram se tornam muito reais e realmente persistem cm tomar parle na tarefa de moldar a ficção com a qual eles se relacionam. Isto se explica de diversas maneiras, tais como a de que um novelista falecido influi desde o além os escritores, ou que alguns espíritos da natureza animam as formas de pensamento criadas por eles. Balzac foi um médium para tais entidades. A este respeito diferia de Robespierre, que foi amiúde um médium para os que viviam ao lado de cá do universo fenomênico. Robespierre foi dos dois o mais individual c Balzac o mais pessoal. O primeiro tentou

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viver para a nação, o segundo principalmente para servir a si mesmo, mas ambos tinham razão segundo sua fase de evolução. CASOS EXTREMOS (págs. 204, 206) O "Visconde Hinton" e Cecil Rhodes nasceram ambos com Júpiter ascendente; no entanto, o primeiro nasceu com este planeta no signo de seu detrimento e o segundo com esse planeta forte e em seu próprio signo. O horóscopo de "Visconde Hinton" abunda em vibrações discordantes. Forma uma cruz de signos mutáveis nos ângulos do natalício, o planeta Marte no alto do M.C. se opõe ao Sol e Mercúrio. Júpiter no ascendente está em aspecto de quadratura com Marte no M.C. e com o Sol e Mercúrio no nadir; completando os aspectos em cruz, Saturno em Áries está em quadratura com a Lua em Capricórnio. Neste caso, o elemento pessoal é absorvido por Júpiter ascendente, fazendo com que a vida seja consumida em um contínuo reclamar de direitos pessoais e posições mundanas. Sua vida praticamente terminou no plano físico quando seu caso foi levado à Câmara dos Lordes e o julgamento lhe foi adverso. Neste momento culminante, obteve a experiência que estava destinado a receber através de Urano na oitava casa e no signo de Áries. Em comum com todos os que têm a Lua em Capricórnio, teve que se dar conta, diante do fracasso pessoal da ambição, do valor transitório dos desejos pessoais. Os detalhes deste horóscopo estão publicados em A Arte da Síntese. Cecil Rhodes teve, evidentemente, um horóscopo muito mais fatal e pessoal, porque as figuras referentes às influências planetárias que afetam os signos positivos e negativos estavam invertidas, e apesar disso, Cecil Rhodes fez da minoria melhor uso do que o "Visconde Hinton". As circunstâncias levaram Cecil Rhodes ao país onde o poder pessoal se exercia poderosamente e a influência individual se utilizava para o máximo proveito da personalidade. Aqui temos o uso e abuso das influências planetárias. Em um caso, a falta de harmonia entre as características pessoais e individuais é acentuada através do detrimento da Lua, regente das tendências pessoais; no outro caso, a Lua bem situada, no ângulo ocidental e no próprio signo, está em harmonia com os outros planetas, e o regente do horóscopo pessoal está situado em um signo individual que une por paralelismo a influência do Sol, de Vênus e de Marte. Não há conflito de ideais ou desejos no caso de Cecil Rhodes, porém no do "Visconde Hinton" todo o horóscopo mostra um conflito entre o eu individual e o eu pessoal. Toda a alma tem que passar através dos pares de opostos, ou a experiência da dualidade, para conhecer-se a si mesma; porém no caso do "Visconde Hinton" esta dualidade está acentuada em alto grau. O regente do horóscopo pessoal não só é muito débil, em sua queda c oposto a Marte, como está em conflito com o ascendente Júpiter no signo pessoal e, neste caso, crítico, em Virgem.

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Com o planeta regente como índice e um conhecimento correto das tendências individuais e pessoais, pode ver-se com facilidade quão importante é a afirmação de que o caráter é o destino, e também como podam chegar a ser intercambiáveis os termos. Porque se o caráter é o destino, então seguramente o destino atua sobre o caráter, fazendo a vida harmoniosa ou não. UMA ALMA AVANÇADA (pág. 208) Vamos considerar agora o natalício de uma alma avançada. Este mapa servirá também para ilustrar o valor das subinfluências em um horóscopo e a importância de considerar cuidadosamente os decanatos dos signos. Observa-se que o signo ascendente é Câncer no terceiro decanato, CâncerPeixes. Esta subinfluência leva ao Ascendente uma influência da nona casa, ocupando esta o signo de Peixes. Júpiter é, pois, como regente do signo de Peixes, regente parcial do horóscopo, sendo a Lua o regente natural. A Lua estava em conjunção com Urano no segundo decanato do signo de Leão, Leão-Sagitário, e isto dá ao regente natural outra subinfluência jupiteriana. Júpiter estava situado no signo de Escorpião, e no terceiro decanato desse signo, Escorpião-Câncer; assim, Câncer tem, através deste decanato de Escorpião, outra influência jupiteriana. O Sol estava situado em Sagitário, signo jupiteriano, e no decanato de Leão desse signo, reforçando consideravelmente o aspecto de trígono entre Sol e Lua. Mercúrio estava em Sagitário, influência jupiteriana, e no segundo decanato, enlaçando o Meio do Céu (com o qual a Lua e Mercúrio formavam um aspecto de trígono). Vênus estava no segundo decanato de Capricórnio, um decanato de Touro, pertencente a Vênus. Saturno estava no terceiro decanato de seu próprio signo de Aquário, produzindo assim uma subinfluência de Libra, onde Saturno está exaltado. Marte estava em Peixes na nona casa, representando completamente a influência jupiteriana. Netuno, o mais elevado dos planetas, estava quase livre de aspectos, salvo um sextil com Marte e um trígono com o Sol. A influência de Júpiter através das várias subinfluências do horóscopo é, pois, a mais forte neste mapa natal, e Júpiter está em aspecto de trígono com o ascendente. O estudante que se aprofundou em uma avaliação dos natalícios não terá dificuldade em ver a grande força que há na conjunção Lua-Urano ascendente e na conjunção SolMercúrio na casa do serviço. Apesar disso, é possível que encontre alguma dificuldade em conciliar as posições de Marte, Saturno e Júpiter com o estado de adepto. Se considerarmos o assunto do ponto de vista da lei da compensação, encontraremos as posições compensadoras tão bem equilibradas que produzem todas as qualidades essenciais de cada uma. A conjunção Lua-Urano ascendendo é igual, se não de maior valor, que Urano ascendendo sozinho sobre o ascendente. Urano e Netuno praticamente governam

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toda a porção oriental do mapa natal, o que os converte em regentes parciais do horóscopo. A conjunção Lua-Urano absorve Júpiter, Sol, Mercúrio e Saturno; transforma a influência destes quatro planetas em uma poderosa vibração uraniana. Com a exceção da Lua, Urano e Netuno, todos os planetas representam o carma que deve ser elaborado na vida atual. A posição de Saturno é inofensiva e complementa a da Lua e de Urano, e também faz sextil com o Sol e Mercúrio. Saturno e Júpiter estão nos decanatos de exaltação, e necessariamente em quadratura. Observe-se agora o poder da cruz fixa. Saturno está no ângulo ocidental governando o signo fixo-ar de Aquário, o Homem, e governando a mente, dando-lhe a qualidade firme e permanente de meditação e contemplação. No ângulo oriental encontramos a conjunção LuaUrano no signo fixo-fogo de Leão. O coração e as paixões são regenerados pela fé estabelecida neste signo mediante a operação dos princípios superiores, sendo uma só coisa a vontade e a unidade mental. Júpiter está ao pé da cruz em Escorpião, o signo da regeneração e da adesão aos princípios, e também, conforme o decanato (Peixes) e a germinação das sementes da compaixão. No ápice da cruz está o signo místico de Touro, que contém Netuno. Na cruz cardinal encontramos Vênus sozinho, descendo, e sua influência no signo de Capricórnio se lê como a transmutação das atividades (denotadas por este planeta da mente criativa) em serviço. Na cruz mutável, a de Sattva e sabedoria, o fogoso Marte cede suas energias ao refinamento do amor. Peixes, a exaltação de Vênus e signo do dissolvente universal, trocou a paixão de Marte e os sentidos pela paixão da devoção. Note-se a troca das exaltações: Vênus em Capricórnio, Marte em Peixes. O conjunto deste horóscopo está repleto de sugestões intuitivas para aqueles que estudam com base nas linhas esotéricas. Todos os horóscopos onde uma das cruzes está pronunciada têm algum significado especial - para o bem ou para o mal. Tomando este horóscopo em particular, que revela tanto ao estudante intuitivo com a ilustração das subinfluências ocultas, a chave de todo horóscopo, observamos as posições espalhadas dos planetas por todo o céu, o que denota versatilidade. A cruz fixa dá estabilidade em meio à versatilidade, de modo que estão presentes tanto a flexibilidade como a estabilidade. Agora, relacionando a cruz fixa com os decanatos dos planetas, Saturno no decanato de Libra, Júpiter no decanato de Câncer, temos dois braços da cruz cardinal da cruz fixa; Vênus, regente de Touro na cruz fixa, estando em Capricórnio faz o terceiro braço da cruz cardinal, e, com Áries no M.C., a cruz cardinal está completa. A força da vontade e as atividades criativas, ou o amor em ação, vêm denotadas por estas importantes cruzes, por posições primárias e decanatos ou subinfluências.

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UMA COMPARAÇÃO (pág. 1 48) Para tomar mais claras as ideias relacionadas à Astrologia Esotérica, podemos nos referir ao horóscopo da senhora Annie Besant, que está principalmente na cruz cardinal, mostrando as influências criativa, ativa e construtiva em grau pronunciado. Examinando os decanatos desta cruz cardinal, encontramos Urano no segundo decanato de Áries, Áries-Leão; a conjunção LuaJúpiter no segundo decanato de Câncer (Câncer-Escorpião) e Mercúrio em conjunção a Vênus no segundo grau de Libra, Libra-Aquário. Para completar a cruz fixa, Marte, o planeta exaltado em Capricórnio, o ápice da Cruz cardinal da senhora Besant, está em Touro, de modo que em seu caso temos invertida a ordem. Em nosso horóscopo de exemplo é Fixo-Cardinal, porém no caso da senhora Besant é Cardinal-Fixo. No horóscopo de exemplo, as triplicidades de fogo e de água estão plenamente representadas. No caso da senhora Besant as triplicidades de ar e de água são completas. UMA FORTE PERSONALIDADE (pág. 210) Para que por casualidade não sucedesse que se censurassem alguns mapas que parecem demasiado pessoais e, portanto, demasiado débeis, não ficará mal que tomemos o horóscopo de uma personalidade sumamente forte, a de Napoleão I, em cujo mapa natal não menos de sete planetas iluminavam a Estrela Pessoal. Napoleão possuía toda a capacidade de mente que denota Vênus em Câncer, tendo também toda a ambição pessoal que indica Saturno no Meio do Céu neste signo. O Sol, bem situado no signo de Leão, é a única indicação direta da Força da Individualidade. O planeta regente, a benéfica Vênus, em Câncer, sustentado por Saturno e pelo Sol no seu próprio signo, sustentado por Mercúrio, constituíam indicações de um caráter onde estavam fortemente marcados os elementos de poder pessoal. O lado psíquico da personalidade foi singularmente eficaz em assegurar o poder temporal que obteve sobre uma nação governada por Leão. Na primeira parte da notável carreira de Napoleão, as posições dos planetas eram altamente favoráveis, especialmente seu regente Vênus na nona casa, em sextil com Marte e em trígono com Júpiter; porém, é evidente que a ânsia pessoal de poder o levou a uma altura que não podia manter individualmente e que o ultrapassou a si mesmo, levando o lado pessoal de sua natureza além dos limites do êxito ou da resistência. O ascendente Júpiter e a culminante Vênus foram certamente as estrelas de boa sorte, porém sua glória foi desviada nos signos de água de tenacidade e afeto. As sensações de Câncer foram suficientemente vividas enquanto teve a oportunidade de

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dar satisfação à ânsia de poder, e a resistência de Escorpião foi suficiente enquanto conteve a influência de Júpiter em sextil com Marte; apesar disso, a crise veio quando entrou em ação o triângulo pessoal do elemento aquoso ou astral. Napoleão modificou-se em si mesmo, e sua sorte mudou com a alteração que se seguiu à derrota em um projeto no qual ele havia posto seu coração. Desde então, nunca mais voltou a ser o mesmo homem; foi então que a Lua em Capricórnio em oposição a Saturno iniciou sua obra. Napoleão sabia que sua benéfica estrela culminante, Vênus, ia descer. Era um homem do destino, com todas as ambições pessoais e físicas que um homem mundano pode ter, e enquanto teve oportunidade a aproveitou em sua maior parte; porém, já houve referência à história de como se encontrou com um homem cuja estrela ainda não estava em descendência e que era individualmente superior a ele. Somente os psicólogos podem explicar o mistério de Napoleão. OBSERVAÇÕES FINAIS Um pouco de reflexão abstrata sobre os horóscopos ao largo destas linhas vem demonstrar rapidamente a diferença entre a Astrologia Esotérica e a Exotérica ou Horária. Se estes exemplos forem seguidos atentamente, poderá se observar a diferença entre as posições primárias e suas subinfluências. A Astrologia Esotérica é completamente prática ao ensinar que cada triplicidade de signos constitui uma perfeita representação do plano correspondente; também, que cada triplicidade tem uma subinfluência (através das quadruplicidades) referente a um poder ou qualidade especial do veículo ou envoltório pelo qual pode se expressar a consciência, representada pelos planetas. Cada signo do Zodíaco produz certas vibrações que estabelecem formas, e as vibrações dos planetas que representam a vida autoconsciente ou correspondem às formas e se harmonizam com elas, ou chocam e causam desarmonia. Um destino afortunado ou bom carma é o resultado da fusão harmônica do planeta e o signo; o mau destino ou o mau carma é o resultado de uma mescla desarmônica. Não podemos julgar acerca da realidade da Mônada que está por trás de cada manifestação, porque é sempre algo que não se manifesta; no entanto, podemos conhecer as qualidades das formas pelas quais se está manifestando o Ego. Um Ego jovem tem precisamente o horóscopo que enganaria a muitos que procurassem julgar o crescimento da alma ou o caráter do Ego prescindindo do carma aderido a essa personalidade particular. Todos os estudantes do lado esotérico ou mais profundo da astrologia deveriam considerar isto do ponto de vista experimental no que se relaciona ao Ego, até que a intuição fosse suficientemente ativa para ver claramente. O mesmo sucede com todas as outras seções do ocultismo onde se trata do pensamento e sentimento abstratos. O psíquico está examinando as leis ocultas da

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Natureza da mesma maneira, e com frequência cometerá graves erros até que as vibrações inferiores estejam completamente sujeitas às superiores. Nosso próximo capítulo trata de um horóscopo particular, dando um relato mais detalhado da vida e uma interpretação mais completa de acordo com o ponto de vista esotérico.

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218 218 Um Documento Humano


CAPÍTULO 19

UM NOTÁVEL DOCUMENTO HUMANO Nem mesmo a individualidade, porquanto é reabsorvido, se perde, nem sequer se perde a essência da personalidade, se é que restou alguma. Porque, por mais limitado que seja o estado nirvânico do ponto de vista humano, tem, no entanto, um limite na Eternidade. Uma vez alcançado este limite, a mônada voltará a emergir dele como um ser ainda mais elevado em um plano muito superior, para voltar a iniciar seu ciclo de atividade. Doutrina Secreta.

A

biografia seguinte é a de uma pessoa cujo horóscopo figura em frente a esta página. Para os que se interessam pela astrologia direcional oferecemos aqui como apêndice o Speculum. Mais tarde daremos uma interpretação esotérica do natalício. SPECULUM Ascensão reta Distância Meridiano

Semi-arco

Posição Mundana

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A HISTÓRIA DE MINHA VIDA Nascida de pais maduros, pois minha mãe contava 42 anos e meu pai 52. Fui a única de seus filhos, precoce e difícil de criar. Comecei menina saudável, porém as vicissitudes e os transtornos logo se abateram sobre mim. A princípio estive quase a ponto de morrer de fome, porque minha mãe, que não podia criar-me por si mesma, trouxe-me uma ama-de-leite e também me dava papinhas, o que teria sido suficiente, a não ser pelo fato de que na ocasião minha mãe tinha ao seu serviço uma jovem criada que, muito aficcionada às guloseimas, devorava quase tudo e só me deixava um pouco de leite. Isto foi descoberto por minha mãe, para minha sorte, quando esteve em condições de voltar às suas obrigações domésticas. Com a idade de duas semanas, a enfermeira que atendeu minha mãe no parto me empurrou por descuido e me fez cair da cama; felizmente, fui parar em um macio tapete, motivo porque pouco me machuquei, ainda que minha mãe despertada por meu pranto - saltasse da cama e corresse em minha ajuda, temendo que eu tivesse morrido, porque naquela época as camas eram muito altas e era desastroso para um bebê cair de tal altura; no entanto, algo devia velar por mim, pois parece que tal fato não me causou dano algum. A seguinte calamidade surgiu quando eu tinha três meses, e minha mãe não podia compreender por que eu chorava continuamente e ia ficando quase reduzida a esqueleto; por fim, procurou a ajuda do médico, que descobriu que a ama-deleite, uma moça roliça que criava seu filho e também a mim, muito logo se converteu em ama-seca, ao secar-se-lhe a fonte do alimento natural. Era uma mulher pobre e necessitava do dinheiro que minha mãe lhe pagava, motivo por que não havia dito nada de tudo isso; de modo que, se não fosse pelas três papinhas diárias que me preparava minha mãe, eu teria morrido de inanição; apesar disso, minha mãe procurou outra nutriz para mim, e desde então tudo correu como seda. Na idade de dois anos, quando caminhava com passo vacilante atrás de minha mãe, dei um passo em falso no alto da escada e comecei a rolar rapidamente por ela; minha mãe, inclinando-se muito, conseguiu agarrar-me por um pé e me reergueu, salvando-me assim provavelmente a vida. No entanto, o carma, fraudado por um lado, teria que ser pago por outro; assim, pouco depois, antes de completar três anos, adoeci de uma lenta malária que durou mais de dois meses; tornei-me puro osso e, por causa da debilidade, foi-me impossível andar, e durante três meses tive de ser levada de um lado para outro recostada em uma caminha acondicionada em um carrinho. Ninguém pensava então que eu pudesse me restabelecer, porém me restabeleci quando chegou o momento. Entre os cinco e os seis anos de idade, caí enferma de escarlatina e uma noite meus pais me observavam para ver se eu dava o último suspiro; eles me queriam com loucura, porque eu era sua única filha, e a idade de minha mãe excluía a possibilidade de ainda ter outros. Posso recordar vagamente como à minha mãe caiam as lágrimas como chuva, enquanto,

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sentada ao lado de minha cama, mantinha minha mãozinha segura e eu, meio conscientemente, me perguntava por que estaria chorando. O médico disse que temia que eu não pudesse passar daquela noite, e ouvi minha mãe dizer que eu havia estado como morta durante várias horas e que, por fim, não pôde descobrir em mim alento algum, tanto que pegou um espelho e o aproximou de meus lábios, e quando o viu ligeiramente embaçado entendeu que eu não me havia ido, apesar de tudo. Naquela noite se produziu a crise, dormi várias horas e afinal me restabeleci; contudo, foram três meses de enfermidade e tiveram que levar-me para beira-mar, o que me deu grande alegria, e ali voltei a crescer robusta e saudável. Tive mais vitalidade e me tornei muito mais forte a partir dos sete anos de idade, mas até que não tivesse passado esse período estive em várias ocasiões às portas da morte. O PERÍODO DE MERCÚRIO Aprendi a ler muito depressa - praticamente aprendi sozinha - e na idade de 7 anos sabia ler e escrever bem; certamente, as irmãs de minha mãe, mulheres solteiras, achavam que eu tinha um letra estupenda, sendo uma menina tão pequena; cada uma delas me deu uma brilhante moeda nova dentro de uma caixinha, que minha mãe guardou em seguida, que me deu um desgosto, porque eu gostava de brincar com coisas que fossem brilhantes. Eu era uma menina rara e fantasiosa; praticamente, não tinha companheiros de folguedos em meu plano físico, portanto costumava construir para mim companheiros imaginários e brincava com eles, e sempre estava tentando voar. Punha-me de pé em cima de uma cadeira alta e estendia os braços em intenção de vôo, só, logicamente, para acabar me vendo ignominiosamente no chão. Minha principal afeição em minha infância eram, e o são hoje também, os LIVROS; naquela terna idade me entusiasmavam os contos de fadas; era o mundo em que eu vivia. Eu era Chapeuzinho Vermelho, Borralheira e tudo o mais, vivendo em um mundo próprio, seguindo minhas próprias fantasias, entre pessoas práticas de negócios que não compreendiam a natureza mais sutil de uma criatura ou não acreditavam em nada que transbordava as realidades do plano físico. Sempre estava procurando fadas e temendo os duendes, e quando caia a cortina da noite e ocultava a luz, eu gritava se minha mãe me deixava no escuro. Como eu via ou imaginava coisas (que, inclusive agora, não saberia dizer), estranhas pequenas figuras, pequenos seres corcundas me rodeavam e eu me assustava muitíssimo. Minha mãe tratava em vão de esconder os livros, porém eu acabava sempre descobrindo onde os havia ocultado; dizia-me muito séria que não havia fadas e nem duendes, e que todas essas coisas eram colocadas nos livros só para que se vendessem, c que eu devia aprender a coser e a fazer coisas úteis e não imaginar toda sorte de tolices que não tinham fundamento algum. Fantasmas, fadas e duendes eram mentira,

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não tinham nenhuma existência, porém eu sabia que sim. Acaso não via eu meninos reais ao meu redor, sentando-se nas cadeiras que eu punha diante deles? Porém ela jamais acreditaria que eu pudesse ver algo. Minha mãe me amava com ternura e estava orgulhosa de minha beleza infantil, e passava horas encrespando minha cabeleira que batia na cintura e desenhando belos vestidos para mim. Porém, minha mente e minha alma eram alheias e estranhas à sua percepção. Eu não me parecia com ninguém da família; era uma menina muito curiosa, uma sapequinha; que poderia ter feito minha mãe para que Deus a afligisse com uma filha assim, com a cabeça sempre enterrada em um livro e imaginando toda a sorte de coisas impossíveis? Minha mãe dizia que quando tinha minha idade sabia fazer bainhas, coser e bordar, tirar o pó dos móveis e era muito útil à sua mãe, enquanto eu detestava os labores c se ela me desse um lencinho para que fizesse nele uma bainha, eu dava um jeito para perdê-lo quando ia à escola. Costumava aprender poesias e recitá-las ante um auditório imaginário, se não fosse possível ante um real, e, à minha maneira infantil, sempre pensava em ser professora, Eu tinha uma grande família de bonecas, umas vinte no total (porque tendo minha mãe uma grande loja de brinquedos, pude ter brinquedos, bonecas e livros infantis ao meu belprazer). Costumava colocar estas bonecas em filas nas cadeiras e as ensinava, contava-lhes histórias e lhes dava lições; era para mim uma escola verdadeira, eu era realmente a professora das bonecas, repartindo entre elas prêmios e castigos; e ao olhar retrospectivamente vejo com toda a clareza que eu vivia uma intensa vida imaginativa, uma vida interior em vez de uma vida externa. Sempre dormia com um livro sob o travesseiro, na meninice e também durante minha primeira juventude, e, ao despertar cedo, pela manhã, imediatamente começava a folhear o livro; geralmente faziam minhas delícias os livros de fadas ou os contos infantis com ações de heroísmo. Com a idade de oito anos, padeci gravemente com uma tosse ferina e mais tarde tive o sarampo; aos 10 tive um achaque em um olho, que me durou três meses; todavia, apesar disso, minha saúde ia melhorando constantemente e minha educação progredindo com rapidez, ainda que as escolas que eu frequentava não estivessem versadas nos princípios da pedagogia deixando as crianças abandonadas à sua própria iniciativa. Estudei música com excelentes disposições c me agradava o desenho e a pintura, pela qual mostrava marcada aptidão, porém meus pais, interessados principalmente nos negócios, prestaram-me pouca atenção; ninguém me ajudava nas lições que devia estudar em casa, nem se tomava interesse em minha educação; em consequência jamais cheguei a ser realmente educada no sentido próprio da palavra nem lui uma verdadeira estudante. O superficial ocupou o lugar do completo e profundo. Haviam dito aos meus pais que eu devia praticar o piano pelo menos duas horas diárias e me obrigavam a fazê-lo. porém como nunca estavam ali para vigiar-me, eu costumava praticar minhas

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escalas lendo ante meus olhos um livro de contos em vez da partitura musical. Na realidade, ensinei-me a mim mesma e o que me era fácil se realizava, e o difícil ficava por fazer. A ADOLESCÊNCIA Se tivesse havido uma orientadora que me houvesse amado e compreendido, que diferença teria representado para toda a minha vida futura. Na idade de 12 anos, deixei para trás minha infância e lembro que enipacotei duas ou três de minhas mais queridas bonecas, brinquedos, etc, dentro de uma caixa grande e escrevi em cima: "acabaram-se as coisas infantis; agora sou uma mulher e devo tomar a vida a sério", e depois disto jamais voltei a me entreter com brinquedos ou bonecas. Escolhi para o meu aniversário um volume dos poemas de Longfellow e durante os dois anos seguintes vivi praticamente com ele, dormindo com o volume debaixo do travesseiro. Neste período amei a poesia mais que nenhuma outra coisa no mundo, c dos 12 aos 20 anos desfrutei enormemente de todos os poetas clássicos que caíram em minhas mãos. Fui à escola de arte e estudei pintura c desenho, e obtive um título e uma medalha por ambas as coisas. Meu professor de música disse que eu possuía grandes aptidões porém nenhuma perseverança, de modo que, posto que agora deveria tocar piano bastante bem, meu pai disse que não valia a pena gastar mais dinheiro em minha educação musical. Já tocava suficientemente bem para distraí-lo. No entanto, a Escola de Arte era gratuita e ali continuei. Quando eu contava uns dez anos, meus pais haviam cessado o negócio e se haviam aposentado, vivendo em outra casa com um lindo jardim; meu pai, graças aos investimentos e à especulação, havia se convertido em um homem muito rico, embora vivesse como se tivesse uma pequena renda, porque por natureza era tacanho e detestava gastar um só centavo desnecessariamente. Aos doze anos me enviaram a um pensionato de Kilburn. Ao ver-me separada do lar e de meus pais, meus sentimentos e emoções me puseram enferma uma semana, por pura tristeza. A diretora daquela escola era dura e antipática e todas as meninas a temiam, e eu também. É possível que eu pusesse de algum modo à prova a sua paciência, porque, à medida que eu aprendia com facilidade a maioria das matérias, havia uma que jamais consegui entender, que era a aritmética; nunca fui capaz de dominar as cifras, e por maior que fosse o meu esforço ou o de meus anteriores professores, nunca cheguei a dominar a arte dos números. A senhora Dunn, a diretora, declarou que somente era teimosia de minha parte e disse que me ensinaria ela mesma; por fim, cheia de raiva e impaciência ante minha estupidez, acabou dando-me bofetadas. Depois deste episódio, escrevi para casa sigilosamente e disse que se minha mãe não viesse me buscar, eu fugiria, de modo que veio e me levou para casa. Ao cabo de dois meses encontraram para mim outra escola, e de novo sofri as angústias da separação e chorei até adoecer, porém esta escola ficava no campo e era de um tipo diferente.

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As senhoras que estavam na direção da mesma eram amáveis e simpáticas, e procuravam tornar feliz a vida das meninas; era uma escola rural, e ainda que se ensinassem bem matérias tais como ética, religião e moral, não era uma escola de primeira categoria, e com exceção da aritmética, as lições ali me eram fáceis. Obtive uma medalha por declamação e outra de prata para ensaios sobre temas originais, e pouco antes de completar quinze anos, meus pais declararam que eu já havia recebido suficiente instrução escolar para uma garota e que devia estudar música e desenho em casa, de modo que depois de um ano e três meses de pensionato, escolhido mais por seu baixo preço do que pela excelência de seu ensino, voltei para casa. FALTA DE HARMONIA NO LAR Quando eu contava 16 anos, meus pais, cujas relações se haviam tornado tensas durante algum tempo, começaram a ter diferenças domésticas, e a falta de harmonia converteu-se no estado normal da atmosfera no lar. Finalmente se separaram. Meu pai abandonou minha mãe e se mudou para outra cidade, levandome consigo. Meu pai era judeu e minha mãe cristã, de modo que fui educada em cada uma destas religiões, ainda que, devido a haver uma catedral na cidade em que nasci e nenhuma sinagoga, o domingo era para mim mais importante que o sábado; porém, quando nos mudamos para uma cidade com uma grande sinagoga, o ministro judeu, um doutor muito erudito, ensinou-me cabalmente o hebreu e me iniciou nos mistérios da fé hebraica Agora ia eu regularmente à sinagoga e costumava me perguntar qual religião era verdadeira, a de meu pai ou a de minha mãe, ou se as duas o eram. Minha mãe continuou a viver naquela tranquila cidade catedralícia e eu ia visitá-la algumas vezes. Era uma mulher muito pouco egoísta e literalmente me afastava dela (ainda que me amasse mais do que à sua própria vida) para que eu vivesse permanentemente com meu pai. Ela considerava que, posto que meu pai era rico, podia fazer por mim muito mais que ela, de sorte que, com a idade de 16 anos, eu estava conduzindo a casa de meu pai com criados a vigiar e tendo que cozinhar, e o que eu padecia com todos estes detalhes domésticos que devia atender, e sem uma mulher que me aconselhasse, seria impossível descrever; porque eu estava praticamente sem mãe, precisamente na idade em que uma mocinha mais necessita de uma mãe. Em ocasiões, quando as coisas se tornavam demasiado difíceis para mim e a língua de meu pai me havia me causado uma grande ferida, eu corria a refugiar-me ao lado de minha mãe por uns dias. Porém, ela não deixava que eu permanecesse, sempre voltava a despedir-me, imprimindo tanto em minha mente como em meu coração que eu jamais devia abandonar meu pai, sucedesse o que sucedesse; dizia-me que havia feito um supremo sacrifício ao entregar-me a ele e que se lhe partiria completamente o coração se eu o abandonasse algum dia; ela nos amava aos dois com grande carinho, altruísmo e fidelidade. Meu pai era um homem de forte vontade e de disposição sumamente egoísta, porém tinha seus pontos bons e um deles era um amor apaixonado pelas crianças; e

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enquanto eu era menina e o obedecia em tudo, raramente me dirigia uma palavra áspera, senão que me beijava e me prodigalizava suas Carícias. Porém, a partir dos 16 anos de idade, praticamente todo este carinho se transformou em grande severidade; agora ele esperava de mim que eu tomasse o encargo de sua casa, cozinhasse, administrasse, e economizasse de todas as maneiras possíveis, e ainda que ele pudesse viver então à razão de 5 mil libras esterlinas por ano, vivia à razão de duzentas, pois a paixão que o dominava era a da avareza. Ele era muito pouco razoável ao esperar de mim, sem nenhum tipo de treinamento, que fosse uma experimentada dona de casa e administradora, tão experimentada e cuidadosa como havia sido minha mãe; porém eu nunca fui treinada em nenhum método de economia doméstica, de modo que se produziu como consequência disso uma guerra de palavras. As recriminações estavam na ordem do dia, e a vida se me converteu em um panorama de desgraça e aflição. Durante um período de uns quinze anos, raramente passei um dia sem verter amargas lágrimas ou puder ter uma refeição em paz.

RESTRIÇÕES Meu pai me amava à sua maneira, porém amava o dinheiro mais que qualquer outra coisa no mundo, e o dinheiro o possuía mais do que ele possuía ao dinheiro. Vestia-me sem reparar nos gastos, porém não me dava dinheiro para minhas coisas, e se minha mãe não me houvesse enviado algum, minha vida teria sido ainda mais difícil. Da pequena quantia que ela me enviava, eu costumava pagar tudo o que se quebrava ou se desgastava na casa; porque dizer a ele que algo havia se quebrado era incitar-lhe a que se entregasse ao mais furioso arrebatamento de paixão. Fiz várias amigas, jovens da mesma idade que eu e mulheres mais velhas, mas como raramente podia convidá-las à minha casa e raras vezes me era permitido sair, a menos que o fizesse com meu pai, costumava fazer visitas às escondidas; isto me pesava muitíssimo, e um homem, médico de meu pai, insistiu com ele para que me deixasse ir algumas vezes a concertos e divertir-me um pouco, dizendo-lhe que uma vida adequada para um homem de setenta anos não era propriamente a atmosfera que podia tornar feliz uma jovem; como meu pai sentia um grande respeito por ele (era um médico muito competente e uma boa pessoa), devido a suas instâncias, tive alguns raros prazeres, que, de outro modo jamais teria podido conseguir. A ideia de meu pai era que ele era a única pessoa no mundo a quem devia dedicar atenções, que ninguém mais importava, que eu devia viver somente para ele, de modo que muitos anos vivi como uma espécie de monja, deitando-me toda noite às nove, tocando piano e lendo durante muitas horas em voz alta para meu pai; de vez em quando, permitia-me convidar alguma amiga para tomar chá. Eu tinha uma amiga a quem queria muito: uma vez, encontrou-se em um apuro e mandou me buscar. Meu pai disse que eu não devia ir, e que se fosse, que não voltasse a entrar nunca mais em minha casa. Passei aquela noite na mais amarga dor, escrevendo e

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explicando por que não podia ir. Meu pai dominava completamente minha vida, e nas ocasiões em que eu discutia com ele, tinha tais acessos de paixão que não duvidava em bater-me se de algum modo eu o molestava, e, inclusive depois de eu ter completado vinte anos, não vacilava em dar-me bofetadas quando se aborrecia. Todavia, é curioso que, apesar de tudo isto, eu o amava; não podia dizer se era devido à minha disposição afetuosa ou aos laços de sangue, porém eu permanecia dedicada aos seus melhores interesses, cuidando-lhe na enfermidade e fazendo todo o possível para satisfazê-lo.

UM DUPLO ACONTECIMENTO Aos 21 anos produziu-se um fato duplo. Fiz uma viagem de dois meses com meu pai, e me tornei judia, com grande dor por parte de minha mãe; porém, meu pai o desejava, e alguns dos ensinamentos internos do judaísmo - particularmente a crença na unidade da Vida Una e a oração diária do "Escuta, Israel, o Senhor nosso Deus é Uno" - atraiam-me grandemente; eu pensava que teria tão bom resultado como em qualquer outra religião, porque naquele tempo eu não tinha nenhuma religião. Eu buscava a verdade, e dizia às minhas amigas íntimas que era uma buscadora da verdade. Meu pai gastou cem libras para que eu aderisse à fé judaica, e como seu maior amor era o dinheiro, isto me impressionou muitíssimo. Naquela época, eu era muito boa estudante de hebreu, e como conhecia todos os dogmas da fé hebraica e durante vários anos havia guardado a maior parte das festas e jejuns da igreja judia, houve pouca dificuldade, e fui batizada pelas mãos do doutor Adler e me foi dado um certificado. Olhando retrospectivamente, vejo que as cerimônias, formas e religião não significavam nada para mim; penso que a mente de meu pai de algum modo dominava a minha e que eu o fazia principalmente para satisfazê-lo; não acho que meu pai tivesse a intenção de ser cruel, porém certamente foi a pessoa mais egoísta que conheci e eu tive que viver sua vida e fazer o que ele desejava, ou me haveria obrigado a fazê-lo pela força; assim, minha vida era muito desgraçada, e os livros eram minha única alegria. Minha mãe vivia em outra cidade, e ainda que eu a visse algumas vezes e sempre a tenha amado, ela era impotente para alterar minhas condições; certamente, ela temia mais do que eu ao meu pai e nunca contradizia sua vontade, e, nas breves visitas que nos fazia, só sabia aconselhar-me paciência, dizendo-me que algum dia ele seguramente morreria (porque então era muito velho) e então poderia eu fazer o que quisesse, já que seria muito rica; de todas as formas, ela era impotente no que se referia ao meu pai. Meu pai raramente queria perder-me de vista, e, no entanto, pôs-se a perder minha vida, assim como a sua, encontrando sempre defeitos em tudo, repreendendo e resmungando.

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A MORTE DE MINHA MÃE Assim continuaram as coisas, mês após mês. Na idade de 25 anos, praticamente no dia em que os completava, perdi a minha mãe. Ela teve uma queda quando havia saído a passeio e faleceu em consequência de comoção cerebral após uma única semana de enfermidade; meu pai veio nos ver, e naquela hora esteve muito amável; porém, como o desgostava ver enfermidade, morte ou sofrimentos, só passou uma hora conosco. Foi meu primeiro ataque de dor mortal, porque amava profundamente minha mãe. Como sofri, que angústia tive que suportar! Cuidei dela de dia e de noite até que morreu, e senti como se metade de minha vida houvesse ido com ela. Na sua morte tive uma curiosa visão psíquica: eu a vi de pé toda vestida de branco junto à porta, e ouvi sua voz me dizer debilmente que estava bem e me rogava que não sofresse por ela; e uma vez, posteriormente, durante uma grave enfermidade, eu a vi sentada frente a mim na cômoda cadeira, olhando-me com olhos de compaixão e amor; muitas vezes em minha vida tenho tido curiosos sonhos e visões e me ocorreram estranhos fatos psíquicos, ainda que toda a minha vida as intuições tenham sido minha tábua de salvação. Após vender a casa, voltei à de meu pai, tendo perdido minha melhor amiga na terra, minha mãe querida. Pouco depois deste período, encontrei casualmente um livro de frenologia e o estudei a fundo durante vários meses, e logo encontrei outro que tratava de fisiognomia e mais tarde outro sobre quiromancia e grafologia.

AUTO-AJUDA O estudo da natureza humana me agradava e não foi necessário que ninguém me obrigasse a dedicar-me a ele. Durante três anos, estudei cabalmente estes temas, adquirindo todos os livros que podia. Meu pai, um dia, em um de seus curiosos arrebatamentos de paixão, atormentou-me com o fato de que eu não havia ganho nenhum centavo em minha vida, e com sua usual observação de que faria eu, e de que se não fosse ele, onde eu estaria, etc, etc, por uma vez fez brotar dentro de mim uma chispa de resposta, e armando-me de coragem, disse-lhe: "posso ganhar muito bem a vida como frenóloga e posso tornar-me completamente independente de você se me deixar que o faça". Pôs-se a rir, escarnecendo-se de mim, porém eu lhe disse: "se quiser me permitir que o tente, dê-me seu consentimento", e respondeu:"Sim", não pensando nem por um momento que eu tivesse a intenção de fazer o que dizia. De modo que obtive meu diploma de Fowler e pus meu nome em uma placa de latão na porta como professora de Frenologia, Grafologia e Quiromancia. Quase imediatamente, vieram a ver-me clientes; a princípio, cobrava a módica soma de 5 shillings para lhes ler o caráter, porém depois, ao ter êxito, um guinéu, e por uma descrição completa por escrito inclusive, dois.

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Quando havia juntado umas 40 libras esterlinas em ouro, levei-as à sala de jantar, coloquei-as em cima da mesa e disse a meu pai: "aqui está meu dinheiro, ganhei-o eu, você não mo deu nem mo emprestou". Pela primeira vez me tratou com respeito; agora me havia tornado inteligente segundo a ideia que ele tinha de inteligência, porque era capaz de fazer dinheiro, algo que estava dentro de sua própria linha. Até aquele dia, ele sempre me havia tido por tonta, e sempre caçoava de mim chamando-me de Boa Samaritana, porque dizia que eu sempre corria atrás dos mendigos e cuidava de todas as pessoas enfermas. Ele nunca dava nada aos mendigos e evitava qualquer enfermidade por temor do contágio. A única ideia que tinha de mim era que "Deus jamais me havia dotado de senso comum, porque qualquer um podia me contar uma história triste e tirar-me algo". Sua máxima era: que faz o mundo por ti? Sempre tens que pensar primeiro em ti mesma, o número um deveria ser tua máxima, e declarava com grande pesar que, depois de todos seus ensinamentos, eu continuava tão tonta como sempre. Assim, qualquer bem que eu pudesse fazer ou qualquer ajuda que pudesse prestar, tinha que fazê-lo em segredo, porque se ele descobrisse que se havia dado algo, punha-se furioso e tornava minha vida desditosa. Meu pai e eu éramos completamente opostos; contudo, à sua maneira, ele me amava, e eu lhe dediquei minha vida. Nunca me ocorreu que aquele fosse um grande sacrifício, e somente agora, olhando para trás, dou-me conta de que não poderia tornar a viver aqueles anos. Seria preferível a morte. A constante falta de harmonia, as contínuas disputas, meus defeitos relatados a todos os amigos que me visitavam ou mesmo a estranhos que casualmente vinham à casa, e, todavía, apesar de toda minha amarga dor, eu continuava levando minha cruz diária, porque o pedido de minha mãe defunta: "filha, nunca abandone seu pai, recorda o sacrifício que fiz: fique com ele até o fim", retinha-me ao seu lado. Pois nessa época eu possuía uma profissão, não dependia de ninguém e facilmente teria podido viver à minha maneira. Não obstante, as coisas se tornaram um pouco mais fáceis quando meu pai descobriu que havia muitas pessoas que vinham me consultar e elogiavam minha habilidade e diziam que minhas descrições eram maravilhosamente exatas. LIBERDADE RELATIVA Assim, fui obtendo cada vez mais liberdade, e com o tempo o ancião até me permitiu algumas vezes sair pelo mundo a dar conferências sobre Frenologia, Quiromancia e temas afins, mostrando-se particularmente satisfeito quando eu recebia um cheque no valor de cinco guinéus por uma tarde de conferência e análise. Assim, minha ausência a seu lado assumiu outro caráter, porque isto, como ele dizia, era trabalho, e não diversão; e eu obtinha remuneração em vez de gastar dinheiro em concertos, teatros, etc. Foi assim, que a partir dos 28 anos de idade, eu falava e dava conferências sobre a ciência da natureza humana, frequentemente viajando e fazendo análises diárias. Meu tempo estava agora completamente ocupado, sem dispor apenas

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de um momento para mim mesma; devido à minha profissão, agora tinha que passar horas escrevendo e vendo clientes em outra habitação separada de meu pai; porém, então ele deu seu consentimento porque o fato de que eu ganhasse dinheiro era para ele uma coisa muito importante. Estranha anomalia da humana natureza: nesta época meu pai possuía 80.000 libras esterlinas, porém isto não fazia diferença alguma em sua maneira de me tratar, porque eu só tinha o dinheiro que podia ganhar por mim. Neste período, aos 28 anos de idade, perdi, pela morte, um velho e valioso amigo, o médico a quem aludi anteriormente, que, em minha primeira infância e até o dia de sua morte, sempre tratou de me ajudar e fez o quanto pôde para persuadir meu pai a me dar algum pequeno prazer ou distração de vez em quando. Isto foi para mim um grande motivo de pena, e inclusive arrancou de meu pai algumas expressões de pesar, porque este apreciável cavalheiro era o único homem, que eu saiba, em quem meu pai havia confiado, com a exceção, mais tarde, de meu marido. Eu era agora membro das classes profissionais e entrei em contato com outros de ocupação parecida; aí, conheci um homem que rapidamente se sentiu atraído por mim e finalmente se me declarou, porém eu não lhe fazia caso. Ele insistia comigo para que me casasse com ele, porém eu recusei, em parte porque não o amava e em parte porque sabia que meu pai jamais me permitiria a união, posto que ele era cristão e isso iria contra a religião de meu pai. Assim ficaram as coisas durante muito tempo: sua irmã (grande amiga minha) e seu esposo possuíam um grande estabelecimento hidropático junto ao mar, de modo que quando estive lá durante minhas férias de verão, entramos em contato; também mantivemos ocasionalmente correspondência por carta. Entretanto, vários pretendentes judeus haviam pedido minha mão em matrimônio conforme o costume judeu; a um em particular, preferido por meu pai porque era um homem rico, meu pai, para induzir-me a aceitá-lo, disse que me daria 10.000 libras esterlinas no dia de minha boda. Porém não queria me casar; preferia uma vida de celibato e tinha fortes pontos de vista relacionados a uma vida platônica, baseada em um amor puro e em viver dentro do matrimônio somente como amigos e companheiros. Meu pai dizia que eu estava louca ao pensar que tal coisa fosse possível; minha mãe, durante sua vida, dizia que pensava que uma coisa assim não era possível para homens e mulheres humanos; apesar disso, esse era o meu ideal; se tomasse um companheiro seria para fins de ajuda e companheirismo, de modo que recusei me casar com o homem que meu pai havia encontrado para mim, e só nesse caso particular não tentou forçar minha vontade, e disse brincando que eu lhe havia economizado 10 mil libras esterlinas. CRISE RELIGIOSA Neste período tinha eu 30 anos; agora que possuía uma profissão, havia obtido maior liberdade, e entrei em contato com muitas pessoas, escutei muitas histórias

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tristes c dou graças em poder dizer que pude ajudar e consolar muitos corações aflitos. Minna mente se havia voltado agora para Deus e a religião; em vão buscava alguma fé em que pudesse aceitar, porque nessa época eu era quase materialista. É certo que ia à sinagoga, porém era simplesmente para satisfazer meu pai; para mim, tudo eram formas externas carentes de espírito, e o problema que sempre me angustiava por encontrar solução era: se há um Deus todo-poderoso, com toda esta miséria que há no mundo; se o há c Ele é um Deus de Amor, por que o permite; por que alguns sofrem tanto e outros só desfrutam; a vida é um enigma, e se eu pudesse decifrá-lo! Porém não podia achar resposta ao meu problema. Procurei um livro da biblioteca municipal que continha todas as religiões do mundo, para ver se podia encontrar uma que me satisfizesse, porém nenhuma explicava a causa da humana miséria e da dor humana. Assisti a conferências sobre temas religiosos, unitários, cristãos, hebreus, porém em nenhuma encontrei consolo algum. Ao cabo de dois anos de buscar a luz, esta me veio de repente em forma de um livro. Um livro enviado do Oriente a uma alma do Ocidente, e como este fora o acontecimento mais poderoso de minha vida, posso recordar cada um dos incidentes relacionados com ele. No mês de novembro anterior ao meu 33º aniversário, caiu em minhas mãos um livro entitulado Budismo Esotérico; sua vinda a mim foi estranha, e os fatos relacionados com ela mais estranhos ainda. Uns dois ou três anos antes, havia conhecido um homem de uns 70 anos, que se interessou por mim e pelos temas que eu ensinava; vou chamá-lo de Bentley. Ele era pobre, algo decrépito, andava pobremente vestido, porém era bem educado e tinha tido uma carreira de êxito, vivendo muitos anos no Oriente, e, tal como eu, sentia um grande desejo de compreender os problemas da vida. Apresentei-o ao meu pai, mas este não quis conceder-lhe sua amizade, porque a pobreza constituía aos seus olhos um delito. Aquele ancião me dava muita pena, porque vivia sozinho e tinha pouco dinheiro e nenhum amigo, de modo que eu costumava passear com ele, e falávamos sobre a vida, a morte e a imortalidade. Vivia completamente só em uma casinha, a uns três quilômetros longe da cidade, e isso tanto lhe fazia. Eu costumava ir prestar-lhe uma pequena ajuda pondo ordem em sua casinha e cozinhando para ele. Descobri que possuía dois filhos em Adyar, os quais às vezes lhe escreviam. Em várias ocasiões, mostrou-me suas cartas; parece que tratavam de ingressar em alguma sociedade, da qual falavam com grande entusiasmo. Bem, um dia, o senhor Bentley me mandou umas linhas pedindo-me que fosse vê-lo, porque tinha que dar-me uma notícia. Recordo-me muito bem daquele dia, um sábado pela manhã, em novembro, porém fazia um sol esplêndido. Ao ver-me, sorriu e me disse: "tenho aqui algo que vai lhe agradar, um livro conforme seus próprios sentimentos, porque diz como se há de por os pés no rincão da chaminé e sair voando em direção ao espaço; eu mesmo não o entendo em absoluto, porém o li para satisfazer aos meus filhos, que me disseram que devo lê-lo, porque temiam que eu não vivesse o suficiente e estavam ansiosos para

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que eu tivesse conhecimento da Verdade, como o chamam eles. Mas, de toda forma, sei que a você agradará muito. Creio que é precisamente o que você quer". Eu o agradeci calorosamente e ele me deu para ler a carta de seu filho, a qual havia chegado junto com o livro. Ao olhar retrospectivamente, inclino-me a crer que aqueles filhos deviam ser psíquicos, com uma previsão do que ia suceder. Eu não sabia o que tudo aquilo significava naquele momento, porém tomei o livro e lhe perguntei por quanto tempo podia tê-lo. "Pode ficar com ele, se quiser", disse "eu já não voltarei a necessitar dele". Quando lhe disse adeus, observei que não tinha boa cara e me disse que ultimamente o coração lhe havia dado motivo de preocupação. Recordo-me de que me senti muito agradecida por haver se lembrado de mim e haver me presenteado com o livro, e assim regressei ao meu lar. O LIVRO! Eu sabia que não teria oportunidade de ler com calma até que meu pai houvesse se retirado para descansar, porém como geralmente subia para se deitar às oito e meia, tornando-se-lhe, pela sua avançada idade, muito necessário o repouso, eu estive esperando ansiosamente que chegasse essa hora. Quando o vi bem agasalhado em sua cama, eu me retirei para meu quarto. Fechei com chave a porta, acendi o gás, sentei-me junto ao fogo e abri o livro, e estive lendo-o durante toda a noite, salvo uns intervalos em que as lágrimas inundavam literalmente meus olhos e já não podia ler a letra impressa. Estreitei o livro contra meu peito, como um amigo bem-amado, gritando: "encontrei a verdade, encontrei a verdade; oh! Deus, graças te dou pela luz". Quando a empregada me trouxe o chá no domingo pela manhã, eu já era teósofa, e ao cabo de vinte e quatro anos de estar na Sociedade Teosófica, eu não sou uma crente mais firme das doutrinas do que cheguei a sê-lo naquela hora. Foi uma conversão para mim, das trevas da ignorância brilhou cintilando a luz, e eu, que havia estado cega, vi. Sentia-me muito feliz, porque eu havia tido fome e o pão da sabedoria era muito bom. Havia tido sede da verdade e ao fim havia descoberto a água de vida e sabia que nunca mais voltaria a ter sede. Naquela noite cheguei a ser como alguém que voltou a nascer; agora compreendia os caminhos de Deus para com o homem, o Carma e a reencarnação me explicavam as desigualdades da raça humana e que havia uma grande lei que estava atuando e que no coração de todas as coisas estava o amor de Deus pela humanidade. Guardei com sumo cuidado meu tesouro, Budismo Esotérico, mas os pensamentos enchiam ao mesmo tempo meu coração e meu cérebro. Na segundafeira, quando estávamos ceando, meu pai disse: "Quem diria que morreu?" Disse que não sabia. "Pois morreu seu velho amigo, o senhor Bentley; dizem que o encontraram morto em sua poltrona, com os pés sobre o manto da chaminé; alguns dos vizinhos, descobrindo leite e pão fora de sua porta perguntaram se estaria enfermo e entraram para vê-lo e o encontraram morto."

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Meu velho amigo! Quão verdadeiramente posso chamar-te amigo! Quantas vezes o abençoei desde então por haver me dado aquele livro. No sábado me deu o Budismo Esotérico e na segunda estava morto. Isto causou uma grande impressão em minha consciência. Um mês depois, veio Annie Besant e deu duas conferências sobre Teosofia: uma sobre o Carma e a Reencarnação e a outra sobre a Lei da Evolução; nem preciso dizer que as assisti, e ao finalizar a conferência lhe fiz várias perguntas, às quais ela encontrou muita dificuldade em responder. Senti que meu coração voava até ela em admiração e adoração, porque era realmente uma oradora sumamente maravilhosa, e eu desejava conhecê-la pessoalmente... Quando uma vozinha que costumo ouvir interiormente me disse com calma: "conhecê-la-á muito bem mais adiante". Toda a minha vida tenho sido consciente, em períodos críticos, de uma voz interior que parece falar-me e me guiar, e várias vezes fui salva do perigo, físico e de outra classe, através de sua influência. Um mês depois, me inteirei de que havia uma Loja Teosófica em Bournemouth, e me filiei a ela; isto sucedeu quando eu contava uns 33 anos de idade.

O RIDÍCULO E A CRÍTICA Eu tentei fazer compreender aos amigos que me rodeavam algumas das verdades que constituíam todo o mundo para mim, e me perguntava a mim mesma, por que a verdade - que me atraia tão fortemente - tinha que ser ridicularizada pelos que se achavam ao meu redor. Porém, em meu entusiástico pressentimento, descobri que a consequência costumava ser o ridículo e a crítica, e me disseram que Madame Blavatsky era uma charlatã, enquanto a senhora Annie Besant se havia juntado com aquele ateu de Bradlaugh. Eu, em vão, tratava de explicar que Madame Blavatsky era um dos maiores mestres da época moderna e que a senhora Annie Besant estava se esforçando em divulgar as verdades que aquela havia apresentado ao mundo em Ísis sem véu e na Doutrina Secreta. Com o tempo me dei conta de que muito poucos eram capazes de captar as verdades da Religião da Sabedoria. Em vão, tentei dar um pouco de ensino teosófico ao meu pai, judeu ortodoxo, porém ele me pediu que não falasse a ninguém destas ideias além dele, porque poderiam ter-me por lunática. Por fim, encontrei uma pessoa que de todas as formas me escutava e que parecia crer em alguns dos ensinamentos. Foi o irmão de minha amiga, o qual agora me suplicou que me tornasse sua esposa; estava em nossa cidade pelo espaço de um mês de trabalho e um mês de conferências. Disse-lhe que eu nunca havia pensado em nenhum homem com tais intenções e lhe repeti o que havia dito há um ano ou dois, que meu casamento com um cristão era impossível, que não podia desagradar a meu pai, que agora já tinha muitos anos e que talvez não vivesse muito tempo mais. Um dia, com grande surpresa de minha parte, disse: "serei membro da fé judaica por ti, e irei ver teu pai e o direi a ele". Tentei

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fazê-lo ver o perigo físico em que incorreria e que isso constituiria uma prova muito grande, porém tudo foi em vão. Também lhe disse que ele não me interessava mais do que como amigo e lhe expus meus ideais de uma vida platônica. Declarou que esses eram também seus ideais e que o companheirismo era tudo quanto desejava na relação conjugai. Jamais me ocorreu que, sendo então meu pai um homem muito rico, se pudesse considerar a mim um bom partido sob esse ponto de vista. Logo expôs o argumento de que, já que ambos éramos frenólogos, eu podia ajudá-lo em sua profissão, que era Outrossim a minha, que trabalharíamos juntos e com o tempo poderíamos estar muito bem situados; disse além disso que se faria Membro da Sociedade Teosófica e que, ainda que não tivesse dinheiro, era muito trabalhador e que juntos poderíamos ir muito bem financeiramente. Pedi-lhe seis meses de prazo para meditar a questão e durante esse período solicitei ser membro da escola interna da Sociedade Teosófica, e à parte de meu trabalho, ocupava-me no estudo de Ísis sem véu e da Doutrina Secreta. Finalmente, concordei em que ficássemos noivos, se meu pai desse seu consentimento.

MATRIMÔNIO Agora felizmente, meu pai, nessa época, havia começado a pensar que eu não me casaria nunca, e do ponto de vista judeu, o matrimônio é algo que convém a toda mulher. É curioso que meu pai se deixou cativar por este jovem pelo seu valor em desejar se tornar judeu, e disse que se passasse pela cerimônia, ele lhe daria sua filha, porém não lhe daria dinheiro algum. Se eu queria casar-me com um homem pobre, isso era problema meu. Um mês depois, ele entrou no Pacto de Israel, e na primavera seguinte nos casamos segundo os ritos da Igreja Judaica.

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A ASTROLOGIA Entretanto, eu havia estado em Andermouth assistindo a reuniões, entregando documentos e ajudando a Loja da Sociedade Teosófica da qual eu era membro. Um dia, surgiu o tema da Astrologia e eu disse que não tinha muita fé nela, porque dois ou três professores me haviam feito o horóscopo e nenhum deles havia acertado. "Quem os fez?" - disse alguém do grupo - "Alan Leo?" "Não" - respondi. "Quem é ele?" Então me disseram que era astrólogo e editor de uma revista astrológica, e que se assinasse sua revista, far-me-ia uma leitura escrita de meu mapa. Disse: "muito bem, eu o farei", mas também disse a nosso Secretário: "envie você os dados de meu nascimento, para que o astrólogo não possa julgar nada baseando-se em minha letra", pois eu sabia que dela podia apreender-se muito. Assim, o Secretario da Loja enviou


detalhes de meu nascimento e mais tarde chegaram a revista e meu horóscopo, e ele os enviou a mim. lira um horóscopo muito curto, escassamente duas páginas, porém cada palavra era certa. "Agora, felizmente" - disse -, "tenho aqui algo que devo estudar por mim mesma", de modo que me sentei e disse que estava muito contente com meu horóscopo, que sua exatidão me maravilhava e rogava ao seu autor que se alguma vez viesse à cidade cm que eu vivia, viesse ver-me, posto que eu desejava ser sua discípula. E um dia veio. Não acho que tenha me sentido atraída o mínimo que fosse por sua personalidade, porém as estrelas me fascinavam e cm seguida quis ser sua discípula por correspondência. Assim, depois deste encontro, ele me deu lições por correspondência, e como ambos éramos profundos estudantes da sabedoria oriental, tínhamos muito cm comum. Ele amava a Astrologia, porém ainda que ela me fascinasse, não a considerava sob nenhum aspecto religioso; para mim era só uma ciência, porém mais profunda c plena do que qualquer outra que estudara antes. Eu acreditava nela, porém não podia compreender seu aspecto racional; só mais tarde, quando cm um sonho me foi dito que o Sol era o corpo externo de Deus do sistema solar e que as estrelas eram espíritos planetários cujo invólucro externo era a própria estrela, compreendi o lado espiritual e religioso da Astrologia.

O DIVÓRCIO Em meu regresso da América à Inglaterra, voltamos a nos encontrar em Andermouth, c meu marido, que acreditava que se poderia ganhar dinheiro com isso, imediatamente iniciou o estudo da Astrologia. Eu costumava passar com meu pai os fins de semana, porém tinha um escritório para assuntos de negócios e uma sala de recepção onde via as pessoas, c costumava trabalhar das 10 da manhã até meia-noite, examinando cabeças, dando conferências e falando. Muito conhecimento da natureza humana me veio através de minha profissão e também cheguei a compreender que meu casamento era um equívoco, porque eu era muito desgraçada. Descobri que meu marido não havia se casado comigo por amor c companheirismo como eu imaginava senão pela fortuna que era provável que um dia eu herdasse. Eu tinha toda a responsabilidade do negócio sobre meus ombros e fazia a maior parte do trabalho, além de entregar o dinheiro ao meu marido, de modo que ainda que trabalhasse dia após dia nunca tinha dinheiro algum. Para aumentar minhas preocupações, descobri que os ideais de meu marido eram completamente alheios aos meus, e que, igual a meu pai, era muito aficionado ao dinheiro c, para minha maneira de ver, demasiado econômico, já que o dinheiro era para mim um meio conducente ao fim, em lugar de um fim em si mesmo. Ele nunca chegou realmente a ser teósofo, e nossas relações foram se tornando cada vez mais tensas. Finalmente, após somente seis meses de vida de casada, obtive através dos tribunais uma anulação de meu matrimônio, com a faculdade de recobrar meu nome de solteira.

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Se houve alguma vez um matrimônio peculiarmente cármico, este certamente o foi, sendo muitas coisas relacionadas com ele de uma índole sumamente peculiar e privada, e foi causa de uma grande decepção, cujo resultado só podia ser uma ruptura da relação. Em casa de meu pai voltei a retomar meu trabalho, completando-o agora com o estudo da Astrologia. Alguns anos depois, casei-me com esse que agora é meu marido, a quem amo profundamente, com o fim de trabalhar juntos. UM SEGUNDO MATRIMÔNIO Meu segundo matrimônio foi mantido em segredo durante uns anos, porque eu temia que se meu pai chegasse a descobrir que me havia casado fora da fé judaica, jamais me perdoaria e provavelmente me afastaria de casa. De modo que tive que viver uma dupla vida, passando parte dela com meu pai e parte com meu esposo; anteriormente a isto eu havia estado viajando e dando conferências durante vários anos, de sorte que para mim foi possível manter na ignorância o ancião. Eu o fiz principalmente por ele, já que agora tinha quase 90 anos e eu temia que se se encolerizasse pudesse isto fazê-lo adoecer gravemente, se é que não lhe causaria a morte, e eu não queria fazê-lo infeliz. Apesar disso, alguém que me vira a mim e ao meu esposo frequentemente juntos, disse-o ao meu pai que se eu não estava casada, certamente deveria fazê-lo; assim, quando voltei de uma de minhas visitas ao meu esposo, disse-me de repente: "dize-me a verdade, estás casada em segredo?" Eu soube naquele momento tudo o que sucederia, porém não podia dizer ao velho uma mentira, de modo que disse: "sim", e quando ele olhou minha certidão de matrimônio, disse: "preferiste dar-te gosto a ti mesma, e agora o gosto vou dar-lhe eu; só te deixarei o suficiente para que não morras de fome, e jamais te perdoarei que me tenhas enganado". Assim, depois disto voltei à casa de meu esposo e ali fiquei. Depois, quando se tornou mais débil e foi declinando sua saúde, escreveu-me pedindo-me que fosse cuidar dele, porém que devia ir sozinha; mais adiante, pediu-me que levasse comigo o meu esposo. A partir de então, sentiu uma grande simpatia por meu esposo, confiando nele e apoiando-se nele; um dia me disse que considerava que o homem com o qual me havia casado não era nem um velhaco, nem um néscio, senão uma boa pessoa. Após uma longa enfermidade, durante a qual o atendi de dia e de noite, fez um novo testamento no qual me legava todas suas posses mundanas, que haviam minguado e diminuído consideravelmente; porque aos 90 anos o cérebro de um homem não está em condições de dominar as complicações da bolsa, e na realidade havia estado perdendo dinheiro durante anos, mesmo dizendo que não podia deixá-lo; reconhecia que era um jogador, porém tinha que continuar até o fim. E certamente especulou até quatro ou cinco anos antes de sua morte, quando teve uma grave enfermidade e o médico o advertiu que qualquer emoção podia serlhe fatal. Então

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c somente então deixou os negócios, quando descobrimos que de toda sua fortuna só restavam umas sete ou oito mil libras esterlinas. A BOA E A MÁ FORTUNA ESTRANHAMENTE MESCLADAS Com meu segundo casamento começou por completo o período mais feliz de minha vida. Havíamos atraído ao nosso redor muitas pessoas a quem podíamos ensinar e ajudar. Nós nos amávamos ternamente e a vida ia se tornando mais plena e feliz de ano a ano. Meu pai, que ia se debilitando cada vez mais, morreu de pura velhice na idade de 102anos, aproximadamente na data de meu aniversário. Antes desse acontecimento, eu tive uma grave enfermidade, bronquite e ligeira pneumonia, que me reteve na cama durante seis semanas e me deixou muito débil durante um mês depois. Dois anos mais tarde me vi envolvida em um pleito que foi decidido em meu favor, e desde então tenho tido, por um bom Carma, o inestimável privilégio de visitar Adyar. Seguramente devido a um bom Carma do passado, meu destino me guiou até os pés de uma alma tão grande como a senhora Annie Besant, cuja vida e ensinamentos têm sido minha inspiração, quem tem mantido em forma tangível meus ideais e com quem tenho contraída tão grande dívida de gratidão por toda a ajuda que me prestou que nada poderia eu fazer para pagá-la. Durante os últimos cinco anos, minha saúde, que até agora nunca me havia falhado, tem se ressentido em maior ou menor medida e põe obstáculos no trabalho que desejaria realizar. Se é que o esforço pode ser mais forte que o destino, declaro que tenho tentado por todos os meios disponíveis restaurar minha vitalidade, já que se requer um robusto veículo físico para o serviço no mundo exterior. O que o futuro me tenha reservado se encontra agora em mãos dos deuses. Só tenho um desejo, e é de ter boa saúde, para poder trabalhar melhor em prol da grande causa da Teosofia e da Fraternidade que tanto amo, para transmitir, cheia de gratidão, em maior medida a outras pessoas a luz que foi dada a mim mesma. Porém, se meu passado Carma é demasiado pesado e meu veículo físico se tornou inadequado para a atividade que, com tantos planetas em signos cardinais, constitui a necessidade vital de meu ser, possa ao menos recordar que "eles também servem somente aos que resistem e esperam". INTERPRETAÇÃO ESOTÉRICA DO HORÓSCOPO O anterior documento humano, tomado como estudo para estudantes de Astrologia Esotérica, apresenta os fatos tal como ocorreram realmente em uma existência que se pode considerar como uma vida de peculiares compreensões, nas

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quais o Carma, o fado acumulado através das vidas anteriores, teve que se dissolver na existência presente para que pudesse realizar-se um maior progresso até o desabrochamento espiritual. Na análise comum do mapa natal, cada fato pode ser explicado pelas posições do tema, o qual, não obstante, só indicaria os acontecimentos e os fatos extraordinários, tendo o estudante de julgar as experiências internas que provavelmente se produziriam a partir dos acontecimentos. Podemos tratar rapidamente da análise esotérica do mapa natal para explicar os acontecimentos antes de tratar da análise do ponto de vista esotérico. A ANÁLISE ESOTÉRICA A nativa era o filho único de pais de idade avançada, tendo a mãe 42 anos de idade e o pai, 52. A mãe está significada pela Lua em Capricórnio, na terceira casa, e o pai por Saturno em Câncer, no meio céu. Foi criada com dificuldade, aplicando a Lua em Capricórnio a quadratura do Sol e estando o Sol em quadratura com Saturno. Nasceu como uma menina sã, estando Vênus como planeta regente em um ângulo e o Sol em Áries. Os fatos sucedidos durante a primeira infância podem se explicar pelo Sol em oposição ao ascendente e Saturno elevado em quadratura com o Sol, governando Saturno as quedas; de novo, Saturno em Câncer em quadratura com Vênus explicava os fatos indicados com a ama-de-leite e o fato de que a menina quase morreu de inanição. Na idade de 2 anos, falhou-lhe o pé no alto de uma escada, porém foi salva por sua mãe; isto se explica por sua vez por Saturno e o Sol em sesquiquadratura com Marte; também as doenças febris provêm destas duas influências. A nativa tinha facilidade para aprender: Mercúrio na sétima em Áries em conjunção com Vênus. Graves dificuldades domésticas ocorreram na idade de 16 anos; teve lugar a separação dos pais; a progressão da Lua ao paralelo de Urano trouxe agora uma crise, denotando a oposição mundana de Marte e Saturno, regentes da quarta e a décima (estando ao mesmo tempo Marte em paralelo com Urano), a aparição de condições juvenis e irresponsáveis. A mãe era cristã e o pai judeu; observe-se os duplos signos nas cúspides das casas terceira e nona. VIAGEM E RELIGIÃO Agora, do ponto de vista esotérico, há um acontecimento importante que é digno de ser levado em conta: na idade de 21 anos, a nativa tornou-se judia para satisfazer seu pai, e foi recompensada com dois meses de viagem ao estrangeiro. Observar-se-á que Marte estava situado em Sagitário, o nono signo, que governa a

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religião, e afirma-se que a nativa esteve sempre entre duas fés; sentiu-se atraída para o cristianismo, indicado por Marte, através de sua mãe, porém definitivamente se fez judia quando a Lua passava por seu ascendente no signo de Libra. Pode-se dizer que teve dúvidas sobre todas as matérias religiosas, governando Mercúrio a nona em quadratura com Saturno. Marte, pouco depois do nascimento, tornou-se retrógrado, passou de Sagitário a Escorpião, dirigindo-se até o trígono com Saturno; Saturno era o planeta mais elevado do mapa natal, estreitamente relacionado com o pai, e estando em quadratura com Mercúrio, regente da nona, pode se discernir facilmente a causa esotérica das duas fés. Há uma coisa vital no mapa natal, do ponto de vista esotérico, o efeito que os acontecimentos da vida têm sobre a consciência. Aqui vemos também os acontecimentos que produzem as mudanças externas, assim como também as mudanças internas de consciência, porque destas duas fés que influem na primeira parte da vida, a nativa chegou finalmente à Teosofia, que não tem nenhum credo particular, porém que, todavia, baseia-se na ideia de que a Verdade subjaz a toda religião. A partir do horóscopo progredido podemos ver que as posições planetárias haviam mudado tanto desde o nascimento até para apresentar a oportunidade de que alvorecesse uma nova luz sobre sua consciência a qual se produziu na idade de 33 anos, quando Mercúrio chegou à conjunção com Júpiter e formou um aspecto de sextil com Saturno; o Sol se dirigia então para uma conjunção com Júpiter, que tem a ver com o pensamento religioso e com as mudanças internas da consciência. INDIVIDUALIDADE MARCANTE As influências duais neste horóscopo estão muito fortemente marcadas; tanto, que produzem dualidade em quase todos os acontecimentos de um caráter vital quo afetou a vida. A nativa foi educada em duas fés de um caráter decididamente oposto, com a possibilidade de combinar as duas em uma se tivesse desejado; além disso, teve dois lares durante a maior parte de sua vida e dois peculiares assuntos amorosos. Também teve duas demandas, a primeira para dissolver o matrimônio, enquanto a segunda dissolveu toda a relação com o parentesco judeu, separou-a de tudo o que se relacionava com o pai e, como a mãe morreu sem ter parentes, deixou-a praticamente sozinha, sem nenhum outro laço no que diz respeito à família. Do ponto de vista esotérico, deveríamos buscar a fusão das duas fés em uma só como a causa que produziu sua forte adesão à Teosofia na ruptura de todas suas ataduras e na realização de um estado de consciência livre destes obstáculos, e em seus afetos uma união que trouxe satisfação e a realização de alguns de seus ideais; tudo o que pode se relacionar mediante uma interpretação esotérica do mapa natal. Do ponto de vista esotérico, nenhuma destas experiências se mostra claramente, c só podemos dar indicações delas mediante uma interpretação comum do

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horóscopo. Porém, projetando o refletor do conhecimento esotérico sobre este mapa natal, podemos ver as influências subjacentes que afetam a consciência tanto quanto a forma através da vida inteira. Há, naturalmente, uma interpretação científica, mas sem um conhecimento de Astrologia Esotérica é sumamente difícil harmonizar a interpretação psicológica com a científica.

MARTE, SATURNO E URANO A dualidade de todo o horóscopo é tão marcada que dá a pista para a ideia de que as energias salientes hão de cessar na vida presente e há de se efetuar ura retorno às fases internas e mais sutis da existência. Por exemplo, seu pai era um ancião sumamente mundano e externo, que vivia a vida normal de mentalidade materialista, o que influiu consideravelmente no lado formal da vida da filha; porém, observemos como entra em sua vida outro ancião, o qual lhe dá um livro que abre toda a sua natureza espiritual e lhe permite ver a luz através dos ensinamentos que continha. A responsividade (flexibilidade de resposta) da natureza tornou possível experimentar as três fases religiosas de sua vida: Marte ascendente, a religião cristã; Saturno elevado, a judaica; e Urano, a teosófica que foi desenvolvida através de Júpiter, planeta religioso, que está em conjunção com Urano. Uma experiência muito singular que não pode se explicar do ponto de vista esotérico é a de que ainda que tenha se casado duas vezes, a nativa permaneceu virgem, singular experiência difícil de rastrear no horóscopo partindo das regras de analise ordinárias. No nascimento, o segundo decanato de Libra ascendente se relaciona com o signo que rege a quinta casa do mapa natal, o que permitiu que a quadratura de Vênus e Saturno permutasse sua influência em uma transmutação dos afetos desde o físico e o material até o espiritual; na realidade, lodo o horóscopo é uma revelação peculiar da transmutação de influências desde o inferior até o superior. E com tantos planetas descendentes, revela-se que a vida há de estar regida pelo fado, ocorrendo fatos sobre os quais a nativa tinha escasso ou nenhum controle. Assim, a transmutação das indicações ordinárias em condições espirituais aparece muito marcada. O HORÓSCOPO PROGREDIDO CONTRA DIREÇÕES PRIMÁRIAS Outra posição muito peculiar deste mapa natal requer uma interpretação esotérica: é a progressão de Mercúrio até a conjunção exata com Júpiter, e logo depois seu retorno ao lugar natal, devido a estar retrógrado diretamente ao chegar à conjunção.

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Compreender-se-á que em todas as interpretações esotéricas de um mapa natal a progressão dos planetas é muito mais importante que os aspectos mundanos ou as direções primárias, que têm que ver somente com coisas externas. O EXOTÉRICO E O ESOTÉRICO - ANÁLISE E SÍNTESE Tomaremos, todavía, o horóscopo do ponto de vista exotérico, com o qual as interpretações esotéricas se mesclam para elucidar um pouco mais as anteriores observações. Examinaremos antes o horóscopo à luz dos diversos métodos de sínteses. A análise divide um horóscopo em seus componentes de posição das casas, posição dos signos, aspectos, triplicidade, quadruplicidade, dignidade, debilidade, etc. A síntese emprega alguns destes mesmos agrupamentos como métodos para reunir influências que, de outro modo estariam separadas, considerando-as sob títulos gerais para simplificar o estudo do horóscopo. Por exemplo, neste mapa Marte e Vênus não têm nenhum aspecto entre si, porém ambos estão em signos de fogo; a Lua e Saturno não se fazem aspecto, porém ambos estão em signos cardinais; a Lua e Netuno não estão em aspecto entre si, porém ambos estão em casas cadentes. Quando tratamos com grupos como estes, juntamos em uma só classe influências que de outro modo permaneceriam com grande peso em separado, e se lança muita luz sobre o problema do tipo ou ordem particular ao que pertence o horóscopo. Começando com as casas, veremos que há quatro planetas em casas angulares, três em sucedentes e dois em cadentes. As casas angulares são, pois, as mais fortemente ocupadas e dominarão o horóscopo no que tange a este sistema de classificação. A sétima e a décima são as duas casas afetadas e o Sol, Vênus, Mercúrio e Saturno são os corpos que as ocupam. As casas angulares fazem com que a nativa se destaque de algum modo ante o público; o agradável e o desagradável depende da natureza da combinação; dá-lhe muitos amigos e conhecidos e asseguram que chegue a ser muito conhecida. O matrimônio e a associação com outras pessoas fora da vida do lar se consideram como os agentes principais para realizar isto no caso presente, porque a sétima casa é a mais fortemente ocupada. Se o Sol, Vênus e Mercúrio pudessem considerar-se completamente à parte, o resultado seria agradável e harmonioso, assegurando popularidade, benevolência, êxito e felicidade; e estas coisas se indicam em certa medida em qualquer caso, porque, ainda que haja inconvenientes que se farão sentir, não podem neutralizar por completo tais fortes posições da sétima casa. As influências adversas provêm em parte de Marte (em sesquiquadratura com o Sol), o que implica dinheiro, desgostos em relação a dinheiro, perda de dinheiro, uma demanda acerca de dinheiro, porém, em grande parte, de Saturno em quadratura com a sétima desde a décima e governando a quarta; isto indica desgostos na vida do lar, falta de harmonia entre os progenitores, as influências conflitivas do pai e do matrimônio, pena e tristeza através

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do pai e perigo de crítica hostil e de ser apresentada ante o público de alguma maneira desagradável. Não obstante, Saturno dá também algum grau de poder e autoridade, o qual vem apoiado fortemente pelo Sol angular em exaltação, e as quadraturas não contradizem isto. Se passamos agora à posição dos signos, há cinco planetas em signos cardinais, dois em fixos e dois em comuns. Isto dá um excesso considerável aos cardinais, e o fato de que um signo desta quadruplicidade ascenda torna ainda mais forte a indicação. Falando de um modo geral, os signos cardinais correspondem aos ângulos e proporcionam indicações algo parecidas; porém, a posição dos signos tem a ver com os impulsos que surgem do caráter, enquanto a posição das casas se relaciona mais com o que ao homem comum lhe parece como o fado ou a pressão de circunstâncias inevitáveis da vida. As duas coisas coincidem neste caso, pois, com exceção da Lua, os corpos que estão em signos cardinais são também angulares. Os signos cardinais indicam um caráter ativo, enérgico, empreendedor, autorradiante, amigo das mudanças, que se desenvolve em muitas direções, com muitos interesses, que entra em contato com muitas pessoas diferentes e forma uma variedade de associações com tipos de pessoas completamente diferentes. Isto conduz à aquisição de muitos amigos (ou inimigos, se os aspectos são tensos) e a aparecer ante o público de alguma maneira proeminente; porém, enquanto uma pessoa com fortes signos pessoais realizará isto mediante suas próprias ações, mais ou menos deliberadamente, quem tem planetas angulares, porém poucos ou nenhum em signos cardinais, pode aparentar a proeminência, poder, fama ou notoriedade, etc. por causa das circunstâncias, e que ou não deseje muito tal forma de vida, ou que não tenha êxito nisso. Lord Tennyson tinha a Lua, Vênus e o Sol angulares, porém só dois planetas em um signo cardinal e em um signo comum (Gêmeos) ascendente; adquiriu grande fama, que ele apreciou em silêncio, porém era muito reservado e lhe desagradava a proeminência pessoal ou a publicidade. Lord Byron tinha também três planetas angulares, Marte, Saturno e Vênus, porém tinha cinco em signos cardinais e em um signo cardinal ascendente, e apreciava completamente a popularidade e era dado a chamar a atenção do público. Dos vários fatores que apoiam ou contradizem as indicações fornecidas pela posição dos signos e outros agrupamentos, o ascendente é naturalmente o mais importante, porque significa o dono do horóscopo da maneira mais direta e é a chave de toda a situação. Sendo neste horóscopo e também no de Lord Byron, cardinal o signo ascendente, pertence ao mesmo grupo daquele que contém a maioria dos planetas, e este fato confere muita força e importância adicionais às indicações cardinais. Pelo contrário, no horóscopo de Tennyson, o signo comum Gêmeos ascendente tem muito pouca simpatia com as casas angulares ou os signos cardinais e, por conseguinte, não só deixa algo de sua significação, senão que torna mais indireta sua influência. Deste modo, é evidente que são possíveis várias combinações diferentes de posição de signo e posição de casa.

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Os PLANETAS MAIS FORTES Se comparado com os planetas mais fortes, verificamos que Saturno está exaltado acima de todos os outros corpos celestes e, por conseguinte, tem a maior força mundana, e que o Sol está exaltado em Áries e tem a maior força zodiacal. Estes são ao mesmo tempo cardinais e angulares, e apoiam todas as indicações que temos dito que eram dadas por estes grupos. O SOL, A LUA E O ASCENDENTE Se for adotado o método de examinar os três pontos principais do horóscopo, o Sol, a Lua e o Ascendente, vemos que aqui todos eles se encontram em signos cardinais; de modo que uma vez mais se faz ressaltar a importância deste grupo. A classificação segundo estes três complementos é dada por completo em A Arte da Síntese (Terceira Edição). A união dos três em signos pertencentes à mesma quadruplicidade, todos cardinais, todos fixos ou todos mutáveis, concentra-os e os reduz a um só ponto, por dizê-lo assim, de sorte que toda a natureza está atuando em uma só direção; todas as diversas energias, cognição, desejo e ação estão cooperando para o mesmo fim; o caráter aparece mais preciso e entra de um modo mais definido em sua própria classe que aqueles horóscopos em que se observa maior diferença. Outras pessoas famosas que têm o Sol, a Lua e o Ascendente todos em signos cardinais são a senhora Besant, Gladstone, Sir Isaac Newton, Sir Isaac Pitman, L.N. Fowler, "Carmen Sylvia", Swami Vivekananda, Sr. A. P. Sinnett, Bhagavan Das. Por mais que estas pessoas possam diferir em outros aspectos, é evidente que todas elas pertencem ao grupo cardinal; chegaram a ser muito proeminentes ante o mundo; são pessoas de muita atividade e iniciativa, mental ou fisicamente, ou as duas coisas ao mesmo tempo; a maioria delas exerceram poder de alguma classe ou ocuparam alguma posição oficial; descobriram ou responderam rapidamente às novas ideias; manifestaram em um aspecto ou outro um espírito reformador ou de precursor.

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POSITIVO OU NEGATIVO? Se retornamos à questão acerca de se o horóscopo é mais positivo ou negativo, somente quatro planetas se encontram em signos ímpares, enquanto cinco se encontram em pares, e se isto fosse tudo, deveríamos considerá-lo relativamente negativo; porém devem-se levar em conta outros fatores. Um signo positivo é ascendente; o Sol é muito mais forte que a Lua, que é relativamente obscura e débil; se incluirmos o Sol na cúspide da sétima casa, há seis planetas acima da Terra e somente três na metade negativa do mapa, e estes seis incluem o regente do ascendente; dois corpos celestes se encontram nas cúspides dos ângulos, as posições


mais fortes de qualquer horóscopo, e são o Sol e Saturno, ambos positivos. Estes fatos bastam para dar considerável predomínio ao temperamento positivo. Isto confere força de vontade, energia, determinação capacidade para configurar o próprio destino e controlar tanto as pessoas como as circunstâncias, força dos sentimentos, decisão de caráter e confiança em si mesmo. Porém, estas coisas atuam em grande medida através dos elementos marcianos e venusianos da natureza, que podem cooperar com os fatores negativos para dar algum grau de receptividade e adaptabilidade. AGRUPAÇÃO PLANETÁRIA DOS SIGNOS PLANETÁRIOS Se examinamos o modo como se acham distribuídos os planetas através dos signos classificados pelos regentes o resultado é: planetas em signos marcianos, três; em signos venusianos, dois e o ascendente; em signos governados por Júpiter, dois; por Saturno, um. Isto nos leva à mesma conclusão que se mencionou anteriormente mais de uma vez: que os signos de Vênus e Marte dominam o horóscopo e que a visão que da vida tem a nativa é amplamente colorida pelos sentimentos e está impelida por motivos que se baseiam no sentimento. As emoções são nela muito fortes; positivamente, no sentido de que a impelem à ação no mundo, que em grande parte configuram no curso da vida e determinam sua atitude perante outras pessoas, e negativamente no sentido de que pode adaptar-se aos sentimentos de outras pessoas, pode compartilhar suas alegrias e suas penas quase como se fossem próprias, e pode responder a uma chamada emocional do exterior. Estes planetas, Marte e Vênus, são complementares, são um par de opostos dos quais é Marte mais ativo, enérgico, extrovertido, impetuoso, ardente, entusiástico e rápido, e Vênus é mais afetuosa, amorosa, amável, terna, compassiva, simpática e amigável. No plano da mente, temos um par parecido em Mercúrio e Júpiter. O homem aperfeiçoado equilibrará opostos como estes, utilizando a ambos e controlando-os desde dentro e não se deixando desviar demasiado em uma direção ou em outra. Entre cada par de opostos se assenta o Eu, e é seu dever aprender a manter o equilíbrio; e quando é impossível evitar a ascensão e a queda de pensamentos, sentimentos e experiência mutáveis, deve adotar estas coisas a seus fins, utilizá-las para efetuar as mudanças necessárias que se requerem na vida. Um harmonioso equilíbrio de Marte e Vênus (emocionalmente) e de Mercúrio e Júpiter (intelectualmente) levará a humanidade muito perto da perfeição; porém, em cada caso, é a Saturno a quem se requer para permitir que se ajuste o equilíbrio e se alcance a harmonia, tanto no sentimento como no pensamento. TRIPLICIDADE E QUADRUPLICIDADE Se examinarmos o horóscopo por meio da distribuição dos corpos celestes entre as quatro triplicidades, o resultado é: ar, ascendente somente; fogo, quatro, incluindo

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o Sol e o planeta regente; água, dois, terra, três. Isto dá a maioria de fogo, esse elemento algo misterioso que cria e destrói ao mesmo tempo. Cria ao fornecer a energia que anima o corpo e a alma, as emoções e a mente, sendo uma manifestação do que há de ser que torna viva todas as coisas e destrói separando formas de todas as classes e liberando suas partes componentes para entrar em novas combinações. Áries, aqui o único signo de fogo, é separador e individualizante; corresponde ao ascendente, ao eu separado do horóscopo, do qual todas as outras casas e signos são outros tantos aspectos e poderes diferentes. Áries é autoconfiante, separador, valoroso, independente, ativo, positivo, ardente entusiástico e mutável. A forma corporal é Libra e Vênus, porém a vida que a anima provém de Áries e de Marte e pertence ao estado de fogo. Se se pudesse levar este para um equilíbrio, o resultado seria um físico esplêndido e uma alma ativa e enérgica, porém a preponderância do fogo, junto com os muitos aspectos cruzados e as debilidades da Lua, Saturno e Vênus, mostram uma energia que desgasta o veículo físico, e um corpo que não pode responder com bastante rapidez às grandes demandas que se lhe fazem. A combinação da triplicidade do fogo e a quadruplicidade cardinal já se comentou nos capítulos anteriores e não faz falta repeti-la aqui. BREVE SUMÁRIO Todos estes são outros tantos métodos diferentes de examinar ou comprovar um horóscopo, outros tantos pontos de vista diferentes dos que se pode examinar para determinar a que ordem, classe, gênero e espécie pertence. Neste caso, a maioria dos métodos chega mais ou menos à mesma conclusão e podemos classificar o horóscopo do modo seguinte: signo ascendente, Libra; regente na sétima casa em Áries; a triplicidade mais forte, fogo; a quadruplicidade mais forte, cardinal; o planeta zodiacalmente mais forte, o Sol; o planeta mais forte por posição mundana, Saturno; o signo mais forte, Áries; a casa mais forte, a sétima; mais positivo que negativo; o quadrante mais forte, o sudeste; duas vezes mais planetas acima da Terra que por baixo dela; número de casas ocupadas, seis; planetas em dignidade, o Sol por exaltação; planetas em debilidade, a Lua, Vênus e Saturno por detrimento; planetas angulares, o Sol, Vênus, Mercúrio e Saturno. Por conseguinte, o horóscopo denota um tipo de caráter de Vênus e Marte, que indica que os principais acontecimentos e características da vida estarão coloridos por sentimentos venusianos e impulsos marciais, sempre moderados pela castidade saturnina. Rápida percepção, seguida de rápidas impressões e rápido juízo, indicam capacidade para observar agudamente todas as coisas relacionadas com a forma. A percepção denotada por Libra e o interesse na natureza humana indicado pelo decanato aquariano de Libra ascendente, darão todo o incentivo necessário para expressar os traços principais do regente que descende entre o Sol e Mercúrio em Áries na casa sétima. Há uma combinação de Libra e Áries, ou de Vênus e Marte, no

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raio pessoal, ou linha horizontal, das casas primeira e sétima, que mostra que a personalidade está fortemente colorida, claramente definida e polarizada até a cabeça e o cérebro. A intuição de Áries e a percepção de Libra acentuam as atividades do cérebro e fazem dele o centro desde o qual se considera a vida por inteiro. A exaltação do Sol e a conjunção de Vênus e Mercúrio no signo de Áries fazem que o cérebro seja muito sensível, sendo facilmente arrastado até esse centro a vida e a força nervosa. Relacionado com os planetas que se põem em Áries e denotando aprovação e apreço públicos, temos o signo de Touro, vinculado a ele por Sol em semisextil a Júpiter e Mercúrio em semisextil a Urano, o que confere o dom da palavra e o desejo de expressão. Desta combinação podemos deduzir facilmente que a nativa é uma aguda observadora, rápida para receber impressões, bem capacitada para expressar-se através da palavra oral e com facilidade de linguagem. Isto a tornou apta para a profissão que ela escolheu naturalmente e ao estudo ao qual pôde dedicar toda sua atenção, fazendo dela uma excelente frenóloga, quiromante, grafóloga e leitora geral do caráter, sempre em seu elemento quando se dirigia ao público para falar de qualquer tema relacionado com o estudo do caráter e com a leitura do mesmo. NOTÁVEIS DOTES PSÍQUICOS Em relação a esta faculdade para ler com êxito o caráter há posições e aspectos com os quais o astrólogo hábil e intuitivo pode extrair outras conclusões. Netuno neste horóscopo está bem situado em Peixes na cúspide da sexta casa e brilhantemente aspectado por um semisextil a Vênus e a Mercúrio, um sextil com Júpiter e Urano e um trígono a Saturno sem uma só aflição. Isto dotou a nativa de uma peculiar e notável faculdade física. Deu-lhe um estranho poder de previsão, uma presciência que atua no que pode se chamar de método clariaudiente e clarividente, no qual o saber vem à nativa de acontecimentos que se sucederam nas vidas daqueles em quem está profundamente interessada; estes acontecimentos passam diante de seu cérebro como quadros que ela descreve facilmente sem conhecer o método mediante o qual são vistos. Também adota de uma simpatia por todas as coisas de índole psíquica e oculta, Também deu à nativa curiosos sonhos e o que parecem ser vividas experiências astrais. SÍNTESE GERAL: LADO OCIDENTAL Podemos sintetizar a influência dos três signos, Áries, Touro e Peixes, que contêm a maioria dos planetas como a base das casas que ocupam como da natureza destes signos. Observar-se-á, com referência ao mapa, que o signo positivo de Áries está em posição angular entre os signos negativos de Peixes e Touro. Normalmente

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se põem cm evidência as energias positivas, afirmativas e salientes, e assim Áries neste caso denota a linha de menor resistência, sendo polarizadas as forças vitais e expressadas todas as impressões através da cabeça e cérebro. Todavía, há tanto o fluxo como o refluxo desta força vital que, neste caso, ao não encontrar nenhuma válvula de escape através do sistema gerador, regenera-se ou se transforma em força psíquica, dando à alma aquelas intermitentes centelhas de intuição e quadros de coisas sucedidas no passado. Em um estado subnormal, esta influência negativa atrai uma multidão de entidades tristes ao redor da nativa, as quais se deleitam em morar em sua aura compassiva e banhar-se na cálida luz desta força regeneradora. Isto vem explicado pela posição de Saturno em Câncer, que está em trígono com Netuno e sextil com Júpiter. Esta posição de Saturno denota uma natureza emocional muito simpática e receptiva, situada no começo do decanato de Peixes, o signo das emoções profundas. Um servente (influência da sexta casa) em apuros ou um inferior que se encontra desvalido, mendigos e aqueles que estão enfermos, despertaram imediatamente todas as simpatias e suscitaram os afetos em medida anormal, e esta é com frequência a causa do que parece ser uma ação estúpida e uma compaixão mal empregada. Neste curso de raciocínio sintético chegamos a uma série de conclusões que abarcam a influência principal do horóscopo; porém é o método mediante o qual se efetuam todas as deduções afortunadas na leitura completa dos horóscopos. SÍNTESE GERAL: LADO ORIENTAL Tudo o que resta agora é mostrar a influência da Lua e do planeta Marte no lado oriental do nascimento. Marte ascendendo em Sagitário reafirma a previsão já observada. Este é um signo profético, expressivo, direto. Somente neste signo ele é inocente, ainda que entusiasta impulsivo e muito independente. Os males que surgem disso são a despreocupação, fala impulsiva e intolerância. O aspecto com Sol, a sesquiquadratura, provoca ira, tendência aos extremos e irritabilidade. Frente a isso, a Lua em Capricórnio dá preocupação e tendências conservadoras. Estas posições de Lua e Marte mostram os defeitos do horóscopo do ponto de vista ético. Marte em Sagitário, sustentado por planetas em Áries, denota impulso, a tendência a ir aos extremos em algumas direções, algo de extravagância, exagero, e uma peculiar independência e amor à liberdade de pensamento e de ação. A Lua se afasta disso de modo considerável e fará com que a nativa às vezes manifeste duas naturezas. A Lua em Capricórnio denota o desejo de adquirir posses, cuidado acerca de assuntos pequenos e insignificantes, economia de centavos e tendências econômicas. Isto está bem elaborado pela polaridade do Sol em Áries e a Lua em Capricórnio. Dá a nota pessoal no mapa natal e inclina até ao amor pela autocomplacência e a acentuação dos instintos autoprotetores. Tem seu complemento na elevação de Saturno em seu detrimento e na quadratura com Vênus. Indica que a nativa é às vezes

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estranhamente afirmativa como resultado de uma herança c um ambiente egoístas; assim, temos extremas manifestações de egoísmo e altruísmo, economia c liberalidade, exatidão c simpatia. Do ponto de vista esotérico, a nativa chegou ao extremo mais distante durante a vida presente, c o retorno da matéria ao espírito fica assegurado através da progressão do horóscopo.

PLANETAS EM DEBILIDADE Podemos agora concluir este resumo com o que (do ponto de vista esotérico) constitui uma consideração sumamente importante; a posição de não menos que três planetas angulares em seu detrimento, Lua cm Capricórnio, Saturno em Câncer e Vênus cm Áries, com só um planeta em exaltação. Quando um planeta está em detrimento ou queda, sua influência é débil sob todos os pontos de vista, tendo escasso poder para expressar suas qualidades particulares. Os três planetas ueste caso representam o pai, Saturno; a mãe, a Lua, c a nativa, Vênus. Os pais, o ambiente c a relação da nativa com eles vêm magnificamente expressados por estes três planetas cm seu detrimento neste mapa natal. O cônjuge está representado pelo Sol exaltado em Áries; através do matrimônio, o ambiente mudou, e disso resultou a felicidade. Observe-se aqui que o Sol primeiro se aplica á sesquiquadratura com Marte; primeiro cônjuge, separação legal, Marie em Sagitário. Em seguida, o Sol se aplica ao semisextil com Júpiter, segundo cônjuge.

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O estudo deste mapa natal desceu a um sem-fim de pormenores porque dá um exemplo útil do método de aplicar os ensinamentos da Astrologia Esotérica aos numerosos detalhes que podem se recolher da leitura esotérica comum de um horóscopo, e se espera que a visão prática da elaboração de ideias assim obtida permita ao leitor apreciar melhor a importância dos capítulos seguintes.


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TERCEIRA PARTE As DIVISÕES DO ZODÍACO

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GLOSSÁRIO ESOTÉRICO Muitos termos de uso comum em Astrologia Exotérica se empregam na Astrologia Esotérica no que quase poderia se denominarem novo sentido, e, por isso, incluiu-se um Capítulo no qual se oferece a explicação destes termos do ponto de vista esotérico (Capítulo 23).

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CAPÍTULO 20

As DIVISÕES TRIPLA E QUÁDRUPLA

A obscuridade irradia Luz e a Luz deixa cair um Raio solitário nas Águas, na Profundidade Materna. O Raio surge através do Ovo Virginal, o Raio faz vibrar o Ovo Eterno e cairo Germe no eterno, que se condensa no Ovo do Mundo. Os Três entram nos Quatro... Estâncias de Dzyan

esta obra se tentou conduzir o leitor até o ÚNICO pensamento principal, difícil de expressar mas, mesmo assim, de importante compreensão, porque é a base de todas as ideias relacionadas com a Astrologia Esotérica. Por que nascemos neste mundo? Por que vivemos para sofrer e gozar? Por que morremos, quando precisamente estamos começando a aprender a viver? E por que há tantas desigualdades na raça humana? Do ponto de vista astrológico, há somente uma hipótese por meio da qual podemos esperar responder a estas perguntas: Todo ser humano é um "Fragmento Divino", um centro dentro da consciência divina universal, inseparavelmente unido a todos os outros centros, e todos se mesclam em definitivo por meio da Vida e da Consciência universais em que estão centralizados. Se compararmos a Vida universal com uma chama, a alma humana é uma centelha dessa chama, não realmente separada dela. Se empregarmos a comparação de um diamante, a alma é uma faceta desse diamante. Se empregarmos o simbolismo do som, a alma é uma nota na grande música que soa através de toda a criação. Não tem começo nem fim; porém, separada da Vida universal, não é nada. Seu raio, o homem pessoal, desce à encarnação para adquirir experiência, e o horóscopo mostra uma parte dos poderes e características desse raio em sua descida,

N

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a classe de experiência que veio para obter neste mundo e o trabalho que deve realizar. O "Fragmento Divino" mesmo, separado de seu raio, pode representar-se como um pequeno círculo em branco no centro de todo horóscopo ou o centro igualmente vazio do círculo do Zodíaco. Deste centro, podemos imaginar franjas ou fios que partem em todas as direções do círculo do horóscopo e que se unem aos pontos dentro desse círculo para os quais são atraídos. Tudo o que foi e tudo o que há de ser se descreve dentro do círculo, como o Sol, a Lua e as estrelas, o Zodíaco e suas múltiplas divisões. Para aquele que é representado pelo círculo em branco, tudo o que existe fora do Aquele ou Eu é o Não-Eu. Provavelmente isto soa muito metafísico, porém (se desejamos penetrar nos mistérios da Astrologia Esotérica), deveríamos captar a ideia de que o Eu é eternamente puro, imortal e divino. Em essência é um com Deus, e até que esta essência se identifique a si mesma com uma forma que primeiro alcança a autoconsciência e depois a superconsciência, não se conhece a si mesma como à parte de sua fonte e é, todavia, una com ela. A ORIGEM DO INDIVIDUAL Um astrólogo hindu expressou a ideia anterior com as palavras seguintes: "Se estudamos a origem do indivíduo, encontramos algo que nos ajuda a esclarecer o âmago do assunto. O indivíduo, ou como se o chama às vezes, o Eu individualizado, ao começar a existir, é uma chispa branca da Luz Divina encerrada em uma película incolor da matéria. É uma chispa que emana da Chama Divina e que tem todas as qualidades de seu progenitor. A semente é lançada ao solo dos planos fenomênicos, para que possa crescer na semelhança do senhor. No que respeita à Chispa da Luz, per se, é a mesma Luz Divina em todas as partes, é sempre a substância do que se chama, no Gita, a Daivi Prakriti. "Entretanto, do ponto de vista desta Luz, não há diferenciação ou evolução; não podemos atribuir-lhe nenhum começo no tempo, porque sempre existe. Portanto, devemos buscar em outra parte a raiz da evolução. "Ainda que no começo em essência seja incolor, em sua manifestação real, contudo, opera alguma mudança. A Chispa Divina só pode alcançar a matriz da matéria através de alguns agentes intermediários, Raios da Luz, que são chamados os Filhos da Mente. A Luz Divina ao manifestar-se no Universo desde o estado de pralaya, não atua sobre o veículo de matéria diretamente, e sim através do que podemos denominar "raios" definidos. Estes raios, ou os lampejos de Luz, captam a imagem do Logos de um sistema e refletem-na nos diversos upadhis.1 Os caracteres destes raios são diferentes, e assim o são também suas funções. Assim, na literatura

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1

Veículos ou "envoltórios".


teosófica se fala às vezes dos raios que energizam e vivificam a matéria do cosmos em vários planos de matéria, chamando-os de Primeira Onda de Vida. Outrossim, os Devas que dirigiram a estruturação das formas e a configuração do tabernáculo do homem vieram da segunda Onda de Vida. Quando o tabernáculo está disposto, então há de novo um derramamento do Logos chamado de Terceira Onda de Vida. É o nascimento do Indivíduo". A SEMENTE NO CENTRO Se pudermos evitar materializar a ideia, podemos dar o nome de Mônada ao círculo em branco do centro do horóscopo. O horóscopo representará então o NãoEu, ou o mundo das formas, os fios de comunicação desde o centro serão então a relação entre o Eu e o Não-Eu ou o espírito e a matéria, e esta relação pode ser interpretada como mente, inteligência ou instinto. Também podemos, como sugere nosso astrólogo hindu, pensar no Eu como uma semente lançada ao mundo manifestado da forma, para que cresça até a semelhança de seu senhor. Do ponto de vista astrológico, achamo-nos principalmente interessados neste crescimento, ou desenvolvimento, das divinas qualidades inerentes à semente. As Mônadas, ou espíritos, receberam das Divinas Inteligências aqueles princípios humanos de que se compõem a alma, e através da alma ou ego estão vinculados às formas animais ou corpos físicos, para que possam manifestar-se no universo físico. As Sete Inteligências Espirituais se relacionam de maneira misteriosa, que atualmente nos é desconhecida, com as "esferas de influência" cujos centros físicos são os planetas, cuja natureza tratamos de compreender em nossos estudos astrológicos. São os raios - aos quais pertencemos em grupos -, e, até que sejamos superconscientes, são nossos anjos custódios nos quais vivemos realmente e nos movemos e temos nosso ser humano. À cabeça da cada grupo se acham os Mestres ou Homens divinos que alcançaram plenamente o estado superconsciente, e até que alcancemos esse estado por nós mesmos, estamos protegidos e limitados por nosso Corpo Causal ou corpo de Inteligência e devemos permanecer no Raio ao qual pertencemos primariamente. Este corpo causal é o único veículo que é permanente através de todo o círculo da humana peregrinação; continua vida após vida, e contém todas as sementes, boas e más, de cada existência terrena, e à entrada em cada nova vida física estas sementes despertam de sua latência e emitem suas forças vibratórias postas em atividade pela estimulação do Ego. Podemos voltar agora ao círculo em branco no centro do horóscopo. Relativamente incolor por si mesmo, no princípio, e inconsciente em qualquer plano por baixo do espiritual, este círculo em branco é colorido primariamente pelos espíritos planetários com cuja esfera de influência se acha associado de momento. Este círculo

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colorido pode ser concebido agora como o corpo causal ou espiritual do Ego, e de todo horóscopo será sempre o centro, recebendo do horóscopo direções até que se converta em um corpo glorioso e radiante, preparando-se para o momento em que se rompa a circunferência deste círculo e fique em liberdade. A SAÍDA E O RETORNO AO LAR Pode-se supor com segurança que todo ego que vem a se manifestar provém da proteção amorosa de alguns Seres Divinos a um mundo de separação, para que possa obter sua própria e peculiar autoconsciência. O estudo de cada horóscopo indica o labirinto através do qual cada alma está tratando ou de ficar mais separada, ou de encontrar retorno ao centro de amor e sabedoria. A Justiça é a meta do progresso e o amor é a atração da alma que regressa. Enquanto a separação nos retém e o egoísmo nos atrai, estamos atados pelas limitações do horóscopo, porém quando a unidade e o serviço se tornam atrativos, aprendemos que o segredo que nos liberará de toda escravidão reside nas palavras do grande Mestre, que disse que o amor era o cumprimento da lei. Quando a Astrologia é empregada para compreender melhor a natureza humana, aprendemos os Caminhos ao longo dos quais todas as almas transitam até esta meta, e quanto mais conhecemos acerca da natureza humana e dos fios que a atam à separação, melhor podemos ajudar os outros. As TRÊS FASES DA CONSCIÊNCIA DA UNIDADE Cada vez que há manifestação, há sempre dualidade, e isto pode se afirmar em vários termos - força e matéria, corpo e alma, consciência no interior e o universo no exterior; e se estudarmos estas duas linhas de evolução, constataremos que se estendem ao longo de caminhos parecidos e desenvolvem características coordenadas. Força, vida, alma ou consciência - porque somente são nomes diferentes para designar diversos aspectos da mesma realidade -, sempre se manifestam em três modos, não importa de que mundo se trate. A consciência deve ser necessariamente ativa e exteriorizada, porque se não o fosse, não poderia jamais afetar o mundo, nem fazer nada, nem realizar mudanças ou mostrar-se exteriormente; permaneceria para sempre envolta na sonolência e na inércia. Também deve ser capaz de se converter em relativamente passiva e receptiva, pois, assim não sendo, o mundo jamais a efetuaria em termos de qualquer dos cinco sentidos; de sorte que aqui só estaria voltada para o interior e, por conseguinte, seria inconsciente. Por último, nunca pode ser completamente ativa ou completamente passiva; tem que ter algum estado de ânimo no qual as duas se mantenham em relação entre si, ou passem de uma para outra; e este terceiro aspecto será necessariamente neutro ou dualista, flutuando

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entre os dois extremos, sem chegar a identificar-se exclusivamente com nenhum dos dois. Estes três são somente aspectos diversos da única e mesma unidade de consciência ou eu, e esta unidade é tanto uma necessidade como o são os três aspectos. Sem isso, teríamos um eu que seria todo atividade, outro que seria absoluta passividade, e um terceiro que não seria um nem o outro. Porém, nenhuma entidade assim se vê em nosso universo; o mesmo eu que é ativo uma vez será passivo em outra ocasião, e também manifestará equilíbrio. Toda unidade de consciência ou de matéria não pode evitar manifestar-se em três modos e apresentar três aspectos ao mundo, e estes são somente três apresentações até o exterior de uma unidade subjacente. Em termos da consciência pessoal ordinária do homem, estas três são: (1) ação, (2) desejo ou sentimento e (3) cognição ou pensamento, e sua unidade está no eu. O eu que atua também deseja e pensa, porque o eu é uma unidade na qual estes modos de consciência constantemente mutantes são como as contas de um mesmo colar. Em termos dos signos zodiacais, as três são as chamadas qualidades ou gunas que dividem o Zodíaco nas três quadruplicidades, as cardinais ou móveis, as fixas e as comuns ou mutáveis. Sua unidade reside na matéria ou na consciência que subjaz às três e que desenvolve estas três características. Por exemplo, Libra é um signo cardinal ou móvel, Aquário é um signo fixo e Gêmeos é um signo comum ou mutável; porém todos são signos de ar e neste fato encontram sua unidade. O mesmo ar é móvel em Libra, fixo em Aquário e comum em Gêmeos. O mesmo eu que sai ao mundo em frequente atividade através de Libra, permanece fixo e inalterado em seu próprio centro em Aquário e mantém os dois extremos em relação flutuante em Gêmeos. Por conseguinte, estão corretamente simbolizados por um triângulo equilátero, cujos três ângulos formam um só triângulo. Às vezes o triângulo se traça dentro de um círculo, e então os três pontos cortam o círculo em três arcos iguais que apresentam três faces diferentes ao mundo, e o próprio círculo é a unidade dos três. Os QUATRO CORPOS Quando voltamos aos corpos nos quais o homem funciona e aos mundos ou planos com que estes corpos estão em contato e de cuja matéria estão formados, temos um quadro muito parecido com o anterior, ainda que apresente algumas marcantes diferenças. Tomando ao homem como termo médio, que é uma Individualidade que se manifesta como uma Personalidade revestida de um corpo, encontramos matéria extraída de diferentes planos.

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Corpo

Plano

Matéria

Eu

CAUSAL MENTAL ASTRAL FÍSICO

Mental Superior Mental Inferior Astral Físico

Ar Fogo Água Terra

Individualidade Personalidade " "

Aqui deveríamos ter presente a diferença entre ar e fogo, à qual fizemos referência em capítulos anteriores. Aquilo que chamamos ar pertence na realidade a um plano acima e mais além do Mental; mas, como o homem pessoal do termo médio de que agora estamos tratando não eleva sua consciência a esse alto nível, o fogo, o ar, a água e a terra se consideram como estando restritos dentro dos limites dos três mundos: o plano físico, o plano astral e o plano mental, dividindo-se este último em dois. O ar significa então a classe da matéria sem forma que se encontra no plano Mental Superior. Deste está construído o Corpo Causal e nele funciona a Individualidade permanente, permanecendo através de centenas de encarnações: corresponde ao pensamento abstrato e ao eu como unidade. O fogo significa aquela classe de matéria que se encontra no plano Mental Inferior. O Corpo Mental está construído dele, formado de novo em cada encarnação e nele funciona o pensamento concreto da Personalidade. O fogo pertence realmente a todo o plano mental e o ar ao plano além do Mental, porém quando nossa visão se restringe somente aos três mundos, diz-se que eles têm as correspondência aqui indicadas. A água significa aquela classe de matéria que se encontra no Plano Astral. O corpo astral do homem está construído dela, sendo formado de novo em cada encarnação, e nele funcionam todas as emoções, paixões, desejos e sentimentos, bons e maus, altos e baixos. Quando o Homem Pessoal sente afeição ou aversão por algo, a matéria deste corpo entra em vibração, do mesmo modo que a matéria do seu Corpo Mental quando ele pensa em algum objeto. A terra significa a matéria física do plano físico, de que está construído o corpo externo do homem, a veste que nasce ao nascer o homem e morre quando o homem morre. A ação, ou vontade em ação, é o estado de consciência característico deste corpo.

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A ESCALA DA CONSCIÊNCIA Se começarmos desde o mais baixo destes estados da matéria e imaginarmos a consciência auto-evolutiva em modos cada vez mais elevados à medida que vai ascendendo através de todos eles, o mero movimento, que no homem se converte em ação definida, é o que começa no estado chamado terra. Corresponde ao reino mineral; porque, apesar de ser possível atuar sobre a matéria inorgânica ou mineral,


e ela poder reagir, não o faz manifestando sentimento nem pensamento. Seu nível mais elevado se alcança nos vegetais, que correspondem tipicamente à matéria sutil ou etérea do plano físico. Quando se chega ao estado de evolução chamado água, a consciência de prazer ou de dor, de gosto ou de desgosto junta-se à mera ação ou reação da terra. O eu evoluiu agora ao nível do plano astral e funciona no reino animal. Quando se misturam os dois estados e a ação do físico terrestre é elevada ao prazer-dor do aquoso astral, temos o desejo e seu oposto, a aversão; porque estes se formam quando a consciência funciona em termos de prazer ou dor, e então vai em direção ao objeto ou retrocede e se afasta do mesmo. A ida rumo ao objeto ou o afastamento dele é o ingrediente de ação que se acrescentou e se combinou com o mero prazer-dor passivo, ou sentimento. Quando se chega ao estado chamado fogo, desenvolve-se um eu humano consciente de si mesmo com capacidade para pensar, e o pensamento é somado ao sentimento e à ação. O fogoso Áries é o signo deste ego humanizado, que se dá conta de sua separação dos outros e se conhece a si mesmo como "eu". Quando se alcança o estado chamado ar se desenvolve o super-homem além do mental; porém, como indicamos anteriormente, a humanidade comum só manifesta isto como pensamento em seus diversos estados, o pensamento abstrato do plano mental superior que um dia está destinado a transcender. É sintetizante e unificante quando está plenamente desenvolvido, à diferença da ação separadora do fogo. O eu separado de Áries e o ascendente se mesclam com o outro eu em Libra e na sétima casa; e o mesmo processo sintético pode se observar na irmandade de Gêmeos e a terceira casa e a amizade ou fraternidade universal de Aquário e a casa onze. A CRUZ DENTRO DO CÍRCULO Há aqui quatro estados definidos, terra, água, fogo, ar; e é necessário observar que existe uma semelhança com a anterior classificação do triângulo no círculo, e, contudo, uma clara diferença. A semelhança se baseia no fato de que estes quatro estados constam de um terno inferior ou exterior, terra, água, fogo, que se manifestam plenamente na personalidade do homem comum, formam-se de novo no nascimento de cada nova personalidade e morrem e se desintegram depois de cada morte; e de uma unidade sintética superior, ar, da qual provêm os três e à qual retornam. Na realidade, se isto fosse tudo, estes quatro corpos poderiam também estar representados pelo mesmo símbolo de um triângulo em um círculo, representando o triângulo aos três inferiores e o círculo ao sintético superior. Apesar disto, não se emprega este círculo. A matéria e os corpos formados dela se simbolizam por meio da cruz dentro do círculo; e surge a pergunta de porquê e como se efetua esta distinção. A resposta é que ainda que os quatro corpos se dividam em uma tríade e uma unidade, os quatro se manifestam definidamente,

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cada um em seu próprio plano, àqueles cujos sentidos estão abertos para percebêlos. Podem separar-se um do outro e realmente se acham separados aos olhos do verdadeiro clarividente, que observa primeiro um e logo outro, compara sua qualidade vasta ou fina, e calcula o grau de controle que o Ego tem sobre eles. Porém, quatro objetos que podem se separar um do outro pedem quatro pontos diferentes dentro do círculo, se simbolizam; e quando se unem estes pontos, resulta disso uma cruz. O TRIÂNGULO DENTRO DO CÍRCULO É diferente o caso da consciência ou vida ou espírito considerados à parte do corpo. Aqui há também um três manifestado, cognição, desejo e ação, em um sintético, o eu subjacente que manifesta os três e sem o qual eles não poderiam existir. Porém, há esta distinção importante. O eu, a unidade sintética, não pode separar-se de sua tríplice manifestação, nem esta dele. Onde quer que haja um eu em manifestação ativa, sempre exibe cognição, desejo e ação. Um eu separado destes três e de suas combinações e correspondências é nada em absoluto, é inexistente. Se um eu se manifesta deve fazê-lo através destes três; e além disso, os três devem perceber-se, porém o uno, o eu, não pode ser percebido. Jamais se manifesta algo como um eu abstrato e desnudo que não exiba nem pensamento, nem sentimento, nem ação, nem nenhuma de suas correspondências em planos de existência superiores ou inferiores. Neste caso, pois, os três se expressam por um triângulo dentro do círculo, e o eu unitário é o círculo considerado como o fundo do triângulo; o eu não pode constituir um quarto ponto do círculo separado dos outros três. A TRÍADE E O QUATERNÁRIO Estas duas classificações se encontram no Zodíaco. A divisão do círculo pelo Triângulo nos dá as três quadruplicidades, cada uma das quais corresponde a um dos três modos de consciência e um dos três caminhos ao longo das quais estão evoluindo todas as almas. Pertence ao lado vital das coisas e está associada com o Sol, porque a casa do Sol, Leão, se medida desde o começo do Zodíaco, marca um dos três segmentos no qual o círculo está dividido pelo triângulo. A divisão do círculo pela Cruz dá as quatro triplicidades, cada uma das quais correspondendo a um dos quatro corpos e a um dos quatro estados da matéria. Pertence ao lado formal das coisas e está associada com a Lua, porque a casa da Lua, Câncer, se medida desde o começo do Zodíaco, marca um dos quatro quadrantes no qual o círculo é dividido pela cruz. Estas duas divisões se interpenetram entre si em todas as partes e em todos os pontos, e formam a primeira classificação septenária do Zodíaco; porém, é um

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septenário que também pode se considerar como um ternário, um quaternário ou duodenário, segundo o ponto de vista em questão. São suscetíveis de muitas combinações e subdivisões, algumas das quais já foram descritas. VONTADE SABEDORIA ATIVIDADE

O Eu Individual AR O Eu Pessoal FOGO

K E H B Fixos Inércia ou Estabilidade Sacrifício

C I L F Mutáveis Harmonia ou Ritmo

G A D J Cardinais

ESPIRITUAL INTELECTO

O Eu Pessoal ÁGUA O Eu Físico TERRA Três quadruplicidades Três Gunas

EMOÇÃO AÇÃO

Atividade ou Mobilidade Devoção

Três Caminhos (sugeridos)

Conhecimento

Um exame desta Tabela revelará que resume tudo o que se disse anteriormente e que também dá a chave de outras linhas de pensamento. Deveria ser lida em relação com a Tabela anterior a este capítulo.

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CAPÍTULO 21

OUTRAS DIVISÕES Do ZODÍACO1 Assim, o número sete, como um composto de 3 e 4, é o elemento fator em todas as religiões antigas, porque é o elemento fator da Natureza... o universo é um septenário composto em sua totalidade de grupos septenários, simplesmente porque a capacidade de percepção existe em sete aspectos diferentes que correspondem às sete condições da matéria, ou às sete propriedades ou estados da matéria. Doutrina Secreta.

N

o último Capítulo, começando com o simples círculo, indicou-se como suas divisões em três partes e em quatro partes, correspondentes à universal manifestação tripla da vida ou da consciência e o quádruplo aspecto da forma nos corpos do homem, interpenetram-se em todos os pontos; de sorte que, onde quer que esteja uma, podemos também descobrir as outras. E qualquer parte dada do círculo pode classificar-se em termos do ternário ou do quaternário. A ideia de que qualquer parte unitária de um todo maior é uma imagem menor do todo do qual forma parte é completamente familiar à maioria das pessoas e se expressa em denominações tais como "o microcosmo é um espelho do macrocosmo", "como é em cima, assim também é em baixo". Esta ideia se aplica de diversos modos na Astrologia, porém sua aplicação ao tema presente nos leva a ver todo o Zodíaco refletido em cada signo. O ensino de que os sete planos cósmicos 1

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A porção do CAPÍTULO 4 que trata das subdivisões zodiacais pode se ler utilmente em relação ao presente Capítulo, já que as observações sobre comprimentos de onda são particularmente aplicáveis às considerações que neste vão se efetuar.


contém cada um sete subplanos nos ajudará a compreender como cada um dos doze signos se subdivide por sua vez em doze partes que refletem o todo dentro delas. Como se tem dito anteriormente, isto se expressa de um modo mais destacado nos livro hindus do que nos escritos dos Astrólogos europeus, porém mostra uma base para métodos não só de subdividir, senão também de combinar signos, e um destes métodos, o dos decanatos, já se indicou que possuía utilidade prática. O CÍRCULO DO DIA Todos estão familiarizados com a ideia de que os dias da semana [em outros idiomas que não o português - N. do T.] recebem seu nome do planeta que rege a primeira subdivisão do dia, porém nem todos estão conscientes do fato de que isto pode se aplicar de mais de um modo e que os princípios que lhe servem de base são aplicáveis à classificação do dia segundo as vinte e quatro horas, porém a que foi dada por Mme. H.P. Blavatsky, fundamentada em um fato ocultista, divide cada dia em quatro partes, do seguinte modo: 2ª 1 2 3 4 3ª 4ª 5ª 6ª Sábado Domingo

b c d a

e f g b

c d a e

f g b c

d a e f

g b c d

a e f g

A segunda-feira se chama dia da Lua porque sua primeira quarta parte, que começa pouco depois da saída do sol, está regida pela Lua, que, ao que parece, exerce uma espécie de governo geral sobre o dia inteiro. Seu segundo quarto, que é mais forte ao meio-dia, está governado por Mercúrio; seu terceiro quarto, mais forte no momento de se por o sol, por Vênus; e seu último quarto, meia-noite, pelo Sol. E assim sucessivamente com os outros dias pela ordem. Isto corresponde evidentemente à divisão do Zodíaco em quatro triplicidades, fogo, terra, ar, água; e ambas podem simbolizar-se da mesma maneira pela cruz inscrita no círculo. O leitor reflexivo não se surpreenderá ao saber que pode se obter exatamente o mesmo resultado no que se relaciona ao nome dos dias, quer dizer, dividindo cada dia em três partes; e que essas partes correspondem à divisão do Zodíaco nas três quadruplicidades descritas no Capítulo anterior. Observam-se que na quádrupla classificação temos empregado os sete "sagrados" regentes na ordem de sua rapidez de movimento segundo se vê da Terra, e que começamos com o mais rápido, a Lua. Na classificação tripla começamos por Saturno, o mais lento, do modo seguinte:

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Sábado Domingo

g f e

a d c

b g f

e a d

c b g

f e a

d c b

A divisão do dia em três partes iguais era utilizada no antigo Egito. Introduzimos aqui este tema, em primeiro lugar, porque as divisões tripla e quádrupla do círculo do dia são precisamente análogas às quadruplicidades e triplicidades zodiacais; e em segundo lugar, porque princípios similares governam a subdivisão de cada signo. O CÍRCULO DO SIGNO Seguindo a ideia à qual anteriormente nos referimos, de que todo o Zodíaco se reflete em cada signo, ver-se-á que ela contém a divisão de cada signo em doze partes iguais de dois graus e meio cada uma. Estas partes correspondem aos signos, recebem deles seu nome e estão regidas por eles. A primeira parte de cada signo está regida pelo próprio signo; a segunda parte pelo signo seguinte, e o resto pela mesma ordem. Havendo efetuado uma subdivisão duodenal de cada signo desta maneira, pode aplicar-se o agrupamento segundo o triângulo e a cruz; e os resultados não só são interessantes como curiosidades intelectuais, senão que um deles pelo menos se constatou que era de considerável valor prático e é provável que o mesmo ocorra com os outros quando aumente a experiência. Se se dispõe cada signo com suas doze subdivisões como um pequeno círculo e dentro dele se inscreve o triângulo equilátero, então, começando desde o princípio do signo, teremos os seguintes resultados: Apontado triângulo no começo do signo indicará aquela subdivisão que recebe seu nome do próprio signo e da mesma maneira que o regente planetário da primeira porção do dia continua seu governo até chegar à porção seguinte, assim o primeiro doze avos da parte do signo terá, nesta classificação, uma regência generalizada sobre o primeiro terço (ou decanato) do signo.

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A segunda ponta do triângulo indicará a quinta das doze partes em que se divide o signo; isto será o mesmo que o quinto signo contado desde o próprio signo. Por exemplo, se o signo é Aquário, a quinta das doze partes será da natureza de Gêmeos, o signo seguinte da mesma triplicidade, e estenderá uma regência geral sobre todo o segundo decanato de Aquário. A terceira ponta do triângulo medirá até a nona das doze partes que será da natureza de Libra, e estenderá sua significação pelo terceiro decanato de Aquário. Aqui temos a base da classificação dos decanatos em que o primeiro é da natureza do próprio signo, o segundo da natureza do signo seguinte da mesma triplicidade, e o terceiro da natureza do terceiro signo da mesma triplicidade. Os DECANATOS Tendo chegado aos decanatos, deveríamos falar da classificação - muito sugestiva - das influências que proporcionam, antes de aplicar o outro método da cruz ao signo. O triângulo divide primeiro todo o Zodíaco e logo cada signo em três partes. Os que leram o Estudo sobre a Consciência, da Sra. Besant, recordarão que no Capítulo III a autora ilustra como "uma tríade produz um septenário por suas próprias relações internas, posto que seu três fatores podem agrupar-se de sete maneiras e não mais".1 Quando o círculo inteiro se divide em três partes, o primeiro terço é encabeçado por Áries, signo cardinal ou móvel; o segundo por Leão, signo fixo; e o último por Sagitário, signo comum ou mutável. E estes três, dominados pelas três gunas, interagem para produzir um septenato. Onde quer que uma triplicidade se divida em três signos e cada signo em três decanatos, estas tríades interagem também para produzir septenatos. Esta não é uma mera subdivisão e diferenciação sem finalidade; porque cada decanato, sendo da natureza de um ou de outro dos signos da mesma triplicidade, quando subdivide, ao mesmo tempo entretece o conjunto em uma só coisa, segundo indica a seguinte tabela. AR FOGO ÁGUA TERRA

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1 Isto pode ser ilustrado tomando-se as letras a, b, c, para representar os três fatores que compõem a tríade, e diferentes tamanho de tipo para indicar a preponderância relativa de qualquer dos três. São possíveis sete agrupamentos, assim: Abc, Acb, Bac, Cab, Cba, e finalmente ABC em que todos estão equilibrados por igual.


A primeira e mais alta combinação em qualquer triplicidade está formada pelo primeiro decanato de cada um dos três signos dessa triplicidade tomados juntos como iguais em força, porque o primeiro decanato é da mesma natureza que o próprio signo. As seis combinações que seguem em cada triplicidade são conforme o segundo e terceiro decanatos de cada signo. O conjunto indica que cada triplicidade forma um septenato. DECANATOS, SEPTENATOS E PLANOS Se as triplicidades se relacionam com os planos do universo segundo as tabelas dadas no Capítulo anterior, há aqui correspondências evidentes com a divisão septenária de cada plano. O ar septenário, descendente do plano Mental Superior, corresponde às sete subdivisões do Primeiro Reino Elemental. O fogo septenário, descendente do plano Mental Inferior, corresponde às sete subdivisões do Segundo Reino Elemental. A água septenária dá os sete subplanos do astral, o Reino Elemental Terceiro; e o septenário de terra nos faz baixar ao plano físico. As pessoas nascidas sob quaisquer destas combinações e com muitos planetas em qualquer delas se relacionam com o tipo correspondente de consciência e de essência elemental. PLANETAS E TRIPLICIDADES Os grupos de terra e de água são reflexos invertidos do aéreo e fogoso, e estão regidos pelos mesmos planetas; e isto é certo não só em relação aos signos em seu conjunto, senão também aos decanatos. Saturno, Mercúrio e Vênus regem os signos de ar e também seus primeiros decanatos; e os mesmos planetas na ordem oposta regem os três signos de terra. Os seis decanatos de ar estão regidos pelos mesmos planetas que governam os seis decanatos de terra. Saturno pertence ao grupo de terra e de ar. A influência de Urano sobre Aquário não se manifesta até que a Individualidade se ache muito avançada na evolução; até então é Saturno ainda o planeta que preside, porque a diferença entre estes dois reside no grau da força de vontade denotada por eles. Saturno representa a vontade concreta limitada, ou aquela que não está totalmente abstraída do desejo; Urano denota a vontade que está livre e isenta de limitações. O primeiro mantém o Corpo Causal e ata o homem à sua Individualidade separada e limitada; o segundo se libera dele para elevar a consciência a planos muitos superiores. O Sol como vida e Saturno como vontade são somente substitutos, até que a influência do ar fique consciente e forte para que Urano seja o regente; quando a influência deste planeta se expressa plenamente, o Corpo Causal já não limita e confina o indivíduo, porque este atingiu a plena condição humana.

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Mercúrio, que governa o aéreo Gêmeos e a terrena Virgem, é um planeta duplo e à parte de qualquer outra consideração; é o mais dual de todos. Da mesma maneira que Saturno é a ponte entre o individual e o pessoal em termos de vontade, Mercúrio é o mesmo em termos de memória e inteligência, elo de união entre o mais baixo e o mais alto, porque tem dignidade no segundo decanato de Aquário, o Corpo Causal, e no terceiro de Capricórnio, o físico. Sua contraparte nas triplicidades de fogo e de água é Júpiter, o planeta da expansão e da penetração. Estes dois se relacionam com o aspecto de Sabedoria da consciência, estando Júpiter no lado formal ou objetivo e Mercúrio no lado vital ou subjetivo. Vênus, que rege a aérea Libra e o terreno Touro, denota o lado criativo da consciência e se emparelha nos mundos do fogo e da água com Marte, o planeta da geração e da atividade objetiva. Os grupos de fogo e água se relacionam de modo parecido, salvo que o Sol na triplicidade do fogo tem a Lua como seu representante na de água. Da mesma maneira que o Sol representa a Individualidade até que Urano passe a ser o regente, suspeita-se, ainda que não se saiba de um modo absoluto, que Netuno substitui a Lua como regente da Personalidade aperfeiçoada. A Influência da Lua se estende através das três triplicidades inferiores, porque está exaltada no terreno de Touro, tem sua casa no aquoso Câncer e sua contraparte, o Sol, pertence ao fogoso Leão. TRIÂNGULO E CRUZ Estes septenários resultam do fato de se inscrever o triângulo no círculo do Zodíaco, bem como no círculo menor de cada signo. Produzem as três quadruplicidades, à frente das quais se encontram os três signo humanos de ar: Aquário, Gêmeos e Libra. Touro, Escorpião e Leão são signos fixos que formam um centro forte e inalterável, capaz de resistir a todos os golpes do destino e de formar um eu resistente que se expressa, em seu mais alto grau, na Vontade de Aquário. Capricórnio, Câncer e Áries são centros ativos de energia saliente que se transmutam em um modo mais elevado na Atividade de Libra, o signo que individualiza, que separa, porém que também une. Virgem, Peixes e Sagitário expressam a harmonia dos opostos, que alcança seu estado mais elevado em Gêmeos, a Sabedoria, o signo do Grande Homem de Swedenboorg e do cabalístico Adam Cadmon. O emprego da cruz inscrita no círculo se verá no Capítulo seguinte.

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CAPÍTULO 22

A QUÁDRUPLA DIVISÃO Dos SIGNOS É uma cruz em um círculo e Cruz Ansata, certamente; porém, é uma cruz na qual todas as paixões humanas devem ser crucificadas antes que o Iogue passe pela "porta estreita", o círculo estreito que se alarga até um círculo infinito, tão logo que o Homem Interior haja transposto o umbral. Doutrina Secreta.

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á foram descritos os resultados que se seguem de inscrever o triângulo nos signos do Zodíaco, do dia e do signo; e também a aplicação da cruz ou quádrupla divisão do Zodíaco e do dia. Só resta dividir cada signo em quatro partes, o que vem ilustrado na tabela na próxima página.

A referência ao Capítulo anterior mostrará que quando cada signo se divide em doze partes, a primeira parte é da natureza do próprio signo; a quinta parte, da natureza do signo seguinte da mesma triplicidade; e a nona parte, da natureza do terceiro signo da mesma triplicidade; e isto nos dá uma pista para o governo dos decanatos. A mesma regra se aplica à divisão do signo em quatro quartas partes. Primeiro quarto, como antes, será da natureza do próprio signo. O segundo quarto começará com a quarta das doze partes em que se subdivide cada um dos signos, que é da natureza do signo seguinte da mesma quadruplicidade e que exerce um governo geral sobre todo o quarto. Se o signo é Aquário, este segundo quarto será da subinfluência de Touro. O terceiro quarto começará a subinfluência do terceiro signo da mesma quadruplicidade, que no caso de Aquário é Leão, e que caracterizará todo o quarto. O quarto, seguindo o mesmo plano, é da natureza de Escorpião, o último signo da mesma quadruplicidade, começando com Aquário.

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A presente tabela mostra os quartos dispostos conforme o plano dos quatro ângulos do horóscopo. O próprio signo ocupa o braço da cruz que marca o ascendente. O segundo quarto está situado no ângulo da quarta casa; o terceiro quarto no ângulo da sétima casa; e o último quarto no ângulo da décima casa. Assim, os quartos de um signo e os quartos do zodíaco começando com o signo concordam por sua natureza. Os PRINCÍPIOS IMPLICADOS Os princípios da subdivisão do dia, o mês (ou signo) e o ano (ou todo o Zodíaco) são os mesmos, tanto se a divisão é em três, como se é em quatro partes; e estas várias divisões não são contraditórias, porque pertencem a diferentes classificações. Dizer que Áries é um signo móvel não é contradizer o fato de que é também um signo de fogo, porque estas duas caracterizações se interpretam de diferentes maneiras. O primeiro resulta da aplicação da tríplice classificação, pela qual os signos se relacionam com os três aspectos da consciência - saber, desejar e fazer; e o segundo segue da quádrupla classificação, que se refere aos quatro elementos, aos quatro corpos e outros grupos de quatro. O primeiro pertence mais à Vida e o segundo à Forma. Examinando a tabela, vê-se que os três signos de ar ocupam o plano mais elevado, tal como ocupavam em tabelas anteriores; e que quando uma se divide em quartas partes, os doze signos do Zodíaco são levados ao plano do ar, onde existem como subdivisões ou polaridades da matéria pertencente a esse plano e do corpo formado dessa matéria. Analogamente, ainda que o plano seguinte seja de fogo, e ainda que Áries, Leão e Sagitário se refiram especialmente a ele, os doze signos estão

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presentes ali como subdivisões aquáticas, terrenas e aéreas do fogo; e os mesmos princípios se aplicam aos planos de água e de terra. Esta conclusão poderia ter sido deduzida do princípio a que antes nos referíamos - de que o microcosmo é um espelho do macrocosmo. Se os quatro quadrantes do Zodíaco correspondem aos quatro planos, cada quadrante e cada plano devem refletir o todo. Na TRIPLA classificação dos signos, com decanatos dispostos em grupos septenários, todos são do mesmo elemento; os septenários de terra são também de terra. Porém, as três quadruplicidades estão todas representadas dentro do sete. Na QUÁDRUPLA classificação de qualquer signo, as subdivisões são todas da mesma quadruplicidade, porém estão presentes os quatro elementos. Aquário, como signo fixo, está em contato com a quadruplicidade comum através de seu segundo decanato e com a móvel através de seu terceiro. Aquário, como signo de ar, está em contato com a terra e o plano físico através de seu segundo quarto, com o fogo e o plano mental através de seu terceiro quarto e com água e o plano astral através de seu último quarto. APLICAÇÃO AO HORÓSCOPO Em sua aplicação ao horóscopo se deduzem do fatos seguintes. Os planetas no primeiro quarto de um signo se aplicam diretamente ao nativo, a suas faculdades e características. Expressam suas próprias faculdades pessoais, considerando-o como um eu separado, autocontido e completo. Os planetas no segundo quarto de um signo se referem ao lar, ao plano doméstico e à influência dos pais, a esfera da família. Expressam sua relação com os pais e os filhos e com outras pessoas só indiretamente. O círculo do eu é dilatado, porém ainda é um círculo relativamente privado e separado. Os planetas no terceiro quarto de um signo expressam sua relação com o mundo em geral em termos de certa igualdade. Casamento, companheirismo, amizade, inimizade, popularidade geral são unicamente variações na aplicação desta relação. O círculo do eu é assim dilatado aqui até incluir uma grande parte do não-eu. Os planetas no último quarto de um signo expressam sua relação com o mundo em termos de superioridade, poder, domínio, fama, lucro, publicidade, proeminência. A natureza da combinação do planeta e signo determina se estes são agradáveis ou desagradáveis, afortunados ou não. QUATRO GRANDES SÍMBOLOS Nas lições preliminares dos estudos de Astrologia Esotérica que se davam no Vol. IX (Nova Série) de Astrologia Moderna, expressavam-se algumas ideias referentes a um Sol Espiritual ou Central e sua conexão com os Raios e Mônadas. Há quatro símbolos em Astrologia Esotérica e Exotérica com os quais deveríamos nos

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familiarizar. O Sol Central se simboliza pela Estrela Polar e podemos tomar esta como correspondendo à Mônada ou Fragmento Divino. O Sol no centro de nosso Sistema Solar corresponde então à luz e ao espírito do Indivíduo ou Corpo Causal; a Lua à luz débil da consciência astral-mental; e a Terra ao corpo físico. Estas quatro representações simbólicas têm uma correspondência mais definida nas quatro triplicidades - ar, fogo, água e terra. Falando em geral, há sempre uma interação entre dois destes graus, um superior ou individual e o outro inferior ou pessoal. No estado atual da evolução, o Indivíduo está representado pelo corpo causal e a Personalidade pelas três expressões inferiores de consciência. Quando, no curso da evolução, o homem transcende o corpo causal, sua consciência já não está limitada a condições afetadas pelo Zodíaco da terra, porque então pode criar seus próprios veículos de consciência à vontade. Disto se verá que temos seres humanos que evoluem sujeitos a quatro graus definidos de matéria, cada um dos quatro passando através de todos os estados, das partículas mais finas às mais grosseiras, pertencentes àquele grau. PORTAS ATRAVÉS DOS SIGNOS A subdivisão dos signos em três ou quatro partes, como se disse anteriormente, dá um séptuplo aspecto a cada signo; porém, destes sete, somente cinco podem dizer-se que conduzem fora do próprio signo. O primeiro decanato e o primeiro quarto são ambos da mesma natureza que o próprio signo. Através do segundo e terceiro decanatos, e o do segundo, terceiro e quarto quartos, o signo se mantém em contato com outros aspectos da consciência e outros corpos ou planos do ser. Por exemplo, Leão é um signo de fogo fixo, e se refere ao plano mental através de sua natureza de fogo; e ao aspecto de vontade, que é desejo no homem não evoluído, através de sua qualidade fixa. Seu segundo e terceiro decanatos o põem em contato com Júpiter e o raio da sabedoria, e com Marte e o raio da atividade. Seu segundo quarto contribui com a influência do corpo astral ou de água; seu terceiro quarto com o do elemento ar; e seu último quarto o faz descer ao plano físico. Poderia se pensar, à primeira vista, que estas subdivisões de signos são demasiado complexas para estudiosos práticos, e que é suficiente considerar o signo como um todo. Isto é certo para a maioria dos fins, e, em todo caso, o fato de que um signo possa se dividir não contradiz de modo algum a verdade de que Leão se comporta como um todo regido pelo Sol; da mesma maneira que o fato de um homem ser um indivíduo não contradiz a ideia de que funciona em três modos de consciência e através de quatro corpos. TIPOS E SUBTIPOS A necessidade destas e outras complexidades se verá se retrocedermos à ideia expressada em Capítulos anteriores: de que há sete tipos de almas evoluindo nesta Terra sob a guarda dos Sete Grandes Seres que são os vitalizadores e governantes espirituais

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das sete cadeias ou grupos de planetas. Toda a alma humana se acha diretamente relacionada com um destes grandes Seres individualmente, e está adquirindo predominantemente as características, poderes e faculdades que pertencem a esse um dos sete. Não obstante, toda a alma está adquirindo também, ainda que em um grau menos marcante, as características que pertencem aos outros seis tipos; e o faz encarnando em corpos que se Constroem sucessivamente, conforme as naturezas dos sete regentes em série. Por exemplo, uma Individualidade cuja principal linha de evolução é a que está representada por Saturno não necessariamente nascerá em uma Personalidade de Saturno; esta terá um nascimento Júpiter, outra Marte e assim sucessivamente através dos sete; de sorte que, ainda quando Saturno represente o lado mais forte e melhor da natureza da alma individual, estão se adquirindo os poderes dos outros seis regentes, com variáveis graus de sucesso. Disto se segue que a classificação dos indivíduos sobre uma escala septenária não esgota o tema. Não basta dizer: esta pessoa está sob Saturno, aquela sob Júpiter, outra sob Vênus e assim sucessivamente. Se não houvesse mais que os sete tipos e não existissem outras diferenças, os indivíduos pertencentes ao mesmo raio planetário deveriam ser exatamente iguais. Dois saturninos seriam fac-símiles um do outro; regidos pelo Sol seriam indistinguíveis. Sabemos que este não é certamente o caso com a personalidade física, e as informações dadas pelos que funcionam em planos superiores levam à conclusão de que tampouco é certo no que diz respeito à Individualidade. Quando classificamos um indivíduo como pertencente a um dos sete de um modo predominante, resta todavia a pergunta sobre o grau de êxito que tem coroado seus esforços por adquirir os poderes dos outros seis tipos. Se suas faculdades mais fortes e melhores são as de Saturno, quem vem em segundo lugar depois dele? Há outros seis, e qualquer deles pode, teoricamente, ocupar o segundo lugar. De modo que, mesmo se há somente sete tipos no princípio, a classificação se complicará pelo fato de que cada um dos sete pode variar em seis direções diferentes, perfazendo quarenta e dois tipos secundários. Isto não esgota o tema, porque ainda há outras cinco linhas de evolução, sub-linhas dentro da principal seguida pela alma; e de novo aqui podem adquirir-se suas características em qualquer ordem. Por conseguinte, qualquer tipo secundário dado pode variar em cinco direções diferentes; o qual nos dá 42 X 5 ou 210 tipos no terceiro estado. Para não prolongar o argumento diremos que é evidente que este terceiro estado implica a possibilidade de um quarto estado que varia em quatro direções; 210 X 4, ou 840 no quarto estado; e um quinto que varia em três direções, 840 X 3, ou 2.520 no quinto estado; e um sexto que varia em duas direções, 2.520 X 2 ou 5.040 no total.1

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Este número parece significativo. Na página 53, diz-se que o astrólogo hindu considera que a menor divisão de um signo, que é certa fração de segundo, é "uma semente lançada ao solo cósmico do éter". Supondo que esta fração fosse uma centésima parte de um segundo de arco, então um "jogo" completo, como poder-se-ia dizer de tais "sementes", seria 50" 4. Esta é exatamente a medida da precessão anual, pela qual o zodíaco dos signos retrocede sobre o Zodíaco das constelações.

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Isto decorre da existência de sete tipos fundamentais, cada um dos quais contendo os outros seis como subtipos dentro de si. Não há necessidade de sugerir novas complicações, como as devidas ao Zodíaco, o que elevaria o número ao infinito; porque combina com o fato de que nunca há dois indivíduos exatamente iguais. As diferenças entre eles se devem aos diversos gêneros de experiência pelas quais passaram em anteriores encarnações, neste e noutros globos. A experiência do mundo suscita, ou educa, uma faculdade dentro da alma; e como os caminhos trilhados pelos peregrinos nunca são exatamente iguais para dois deles, a experiência adquirida e as faculdades suscitadas devem variar proporcionalmente. O santo se diferencia do pecador por ser uma alma "mais antiga", com maior experiência e poderes mais elevados. O gênio desenvolveu suas faculdades em uma extensão maior que a pessoa mediana. Mesmo se todas as almas fossem da mesma idade, a complicação (como vimos) seria grande; porém, como há grandes variações em idade e, por conseguinte, em grau de evolução, a complexidade é enorme. E, contudo, todas se acham incluídas dentro dos sete tipos simbolizados pelos planetas, seguindo os três caminhos de poder, amor e sabedoria.

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Agora ficará evidente que em Astrologia Esotérica expressões familiares adquirem novos significados, e nosso Capítulo seguinte tratará das mais importantes.


CAPÍTULO 23

SIGNIFICADO ESOTÉRICO DE TERMOS ASTROLÓGICOS DE USO CORRENTE "Seu Alento deu Vida aos Sete " (nas Estâncias de Dzyan) refere-se tanto ao Sol, que dá vida aos Planetas, como ao "Alto ", o Sol Espiritual, que dá vida ao Cosmos inteiro. As chaves astronômica e astrológica que abrem a porta que conduz aos mistérios da Teogonia podem se achar somente nos glossários posteriores, que acompanham as Estâncias. Doutrina Secreta.

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seguinte glossário dos termos astrológicos correntes, adaptado às necessidades da Astrologia Esotérica, será útil para referência. Em muitos casos, oferecem-se ilustrações para que as explicações possam seguir-se mais facilmente.

Aflição ou aflitivo são termos aplicados a aspectos entre os corpos celestes quando o resultado total é desventuroso. Isto surge em parte da natureza do aspecto, em parte dos signos em que se encontram os aspectos e em parte da natureza dos planetas que se diz ocasionarem as aflições. Saturno e Marte afligem porque representam extremos; Saturno por sua influência inerentemente fria, que restringe e limita a corrente uniforme de vitalidade e consciência, e Marte por sua rápida expansão e calor que ocasiona ação mal regulada ou excessiva tanto no corpo como na alma. O aspecto de quadratura entre planetas é uma aflição porque os signos que formam o quadrado não se simpatizam quando considerados como separados de todo o círculo. Por exemplo, o fogo e a água são incompatíveis, sendo realmente opostos ou inversões, como a eletricidade positiva e negativa, e analogamente com respeito ao volátil ar e à sólida terra.

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Outrossim, Saturno aflige o Sol com muita frequência, porque a influência do Sol é expansiva e a de Saturno contrativa; Marte aflige bastante a Lua, porque esta é fria e úmida, enquanto Marte é quente e seco. A interpretação das aflições requer cuidado, porque pode acontecer que uma aflição seja benéfica em alguns horóscopos onde sejam necessárias influências de resistência. Tomaremos alguns dos horóscopos que servem de exemplo para ilustrar tanto as vantagens como os inconvenientes ou aflições em alguns casos. O aspecto de quadratura Mercúrio-Urano no horóscopo de Cecil Rhodes afetou sua saúde, e o obrigou a viajar para um clima mais adequado - África, regida por Câncer - o que lhe deu a oportunidade de que necessitava, suscitando assim seu latente gênio para a construção do Império. Muitas experiências são bênçãos disfarçadas, que rompem antigos vínculos e formam outros novos, destruindo o que é velho e gasto e pondo o nativo em contato com novas e mais benéficas experiências. O aspecto de quadratura entre Marte e Urano no horóscopo do Lord Randolph Churchill trouxe progresso e mudança, e se houvesse vivido, teria resultado em muitas reformas e na introdução de novas ideias no parlamento, porém, na realidade, ele plantou a semente que as gerações futuras haveriam de colher. Estes exemplos poderiam se multiplicar indefinidamente, porque algo parecido ocorre na vida da maioria das pessoas; porém, os anteriores são suficientes para mostrar que as aflições nunca deveriam ser interpretados como inteiramente más; os astrólogos antigos consideravam úteis todos os aspectos. A atitude da mente concreta é o que os torna realmente maus. Posições Angulares. As Posições Angulares dos planetas são muito importantes para a expressão ou plena manifestação de sua influência. Todos os que se destacam com proeminência na vida ou assumem um trabalho público e levam uma vida ativa têm muitos planetas angulares. Apesar disso, estas posições podem produzir tanto notoriedade desagradável quanto popularidade e fama. As aflições e as influências benéficas dos ângulos são sempre os fatores mais importantes de um horóscopo. Levam da latência à potência tudo o que indicam. Aplicação. Em todas as avaliações de um mapa astral é importante distinguir aspectos que se acham em processo de formação e que se encontram dentro de esferas daqueles que têm sido completados e que agora estão se separando. A Aplicação indica aquilo que está se formando, e separação aquilo que está se dissolvendo. A Lua em oposição a Saturno no mapa de Napoleão era uma influência dissolvente desde a décima e a quarta casa. Acentuou todos os desterros e separações pelos quais passou e finalmente o isolamento, no final de sua vida, de todos os seres queridos. O Sol era também separador devido a uma quadratura com Júpiter, e isto indicava a derrota de seu orgulho por seu fracasso final no que se relaciona a chegar acima de sua ambição. Observe-se as aplicações no horóscopo de Cecil Rhodes. A Lua aplicava-se a Marte,

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Urano, Sol e Netuno, e sua vida foi construtiva e não dissolvente. Veja-se também a Lua no horóscopo de Bismarck. Ascendendo. Todos os planetas que ascendem ou se elevam no horóscopo são importantes, porém os que estão mais próximos da cúspide do ascendente têm uma influência capital. Os grandes planetas têm mais importância que os menores. Urano, Saturno e Marte são respectivamente mais fortes em sua influência quando se elevam que Netuno, Júpiter ou Vênus, enquanto que os luminares e Mercúrio dependem de aspectos e signos que lhes confiram uma força real. Urano ascendendo dá independência, força de vontade e alguma tendência à excentricidade ou à expressão pouco comum. Saturno dá resistência, perseverança, paciência e estabilidade. Marte dá força, vigor e afirmação. Netuno tende a dar experiências mediúnicas, oníricas e idealistas. Júpiter alarga, amplia e tende a levar a vida até uma boa maturidade. Vênus dá amor e prazer, afeto e uma vida fácil. Mercúrio tende à versatilidade e adaptabilidade. O Sol dá ambição, orgulho e ânsias de domínio, novidade e diversos estados de ânimo. O planeta ascendente se converterá, em alguns casos, no planeta regente, e sempre é importante como regente secundário ou agente pelo qual pode se mudar a consciência e a vida. Tome-se por exemplo o horóscopo de um homem que mostra uma tendência ao exagero; com Saturno ascendendo, pode converter-se em amante da verdade e da prudência. Aspectos. Quando tudo relacionado ao signo e à posição foi examinado, é conveniente prestar uma atenção cuidadosa aos aspectos formados entre os corpos celestes. Os aspectos mudam a influência de um planeta mais que a casa ou signo; por exemplo, a separatividade e as influências isoladoras de Saturno podem ser bastante modificadas por um aspecto favorável com Marte ou com Júpiter; e a boa posição de Júpiter por signo e casa será bem modificada por um aspecto desfavorável com Marte ou Saturno. A influência de Saturno pode também tornar-se mais adversa quando aspectos desfavoráveis acentuam o egoísmo e a frieza. Júpiter, sob aspectos adversos, pode também denotar hipocrisia e dubiedade em vez de sinceridade e expansão. Quando se analisam os aspectos, há que se considerar primeiramente os dos luminares e Mercúrio, porque são os condutores, receptores e distribuidores da influência planetária. Os aspectos da Lua tendem a afetar as condições físicas. O Sol influi namorai ou caráter individual e Mercúrio nas condições racionais e humanizantes. Nunca se poderia passar por alto os aspectos principais e nunca se haveria de aumentar os aspectos menores. As posições de conjunção e oposição são de importância primária; depois, vêm os trígonos e quadraturas, seguidos dos aspectos de sextil e menores. A sesquiquadratura costuma ser um aspecto importante, porém nem sempre se compreende, já que às vezes é uma influência muito contraditória.

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Benéficos. Júpiter e Vênus são geralmente os planetas benéficos, porém há vezes em que podem ser o contrário; por exemplo, Júpiter pode dar excesso e uma superabundância do que comum e erroneamente se denominam "coisas boas". Vênus pode acarretar a ruína mediante o prazer ou a alegre companhia. O termo pertence mais à astrologia horária do que à astrologia natal. Sitiados. Este é outro termo horário, porém pode aplicar-se à astrologia natal como modificações de signo, posição e aspecto. Um planeta "benéfico" entre "maléficos" modificaria aquilo que o benéfico significava. Apesar disso, mediante a progressão do mapa, haveria a oportunidade de evitar esta experiência. Combustão. Este é outro termo horário. Quando um planeta está muito perto do Sol, não é tão poderoso como quando está mais longe. Afeta a Mercúrio mais e a Marte menos que qualquer outro planeta. Culminante. Todos os planetas culminantes ou próximos da cúspide do M.C. são poderosos e têm muita influência, especialmente se também estão essencialmente dignificados, quer dizer, se se acham em sua casa ou exaltação. Quando não estão essencialmente dignificados, sua mera presença perto do meridiano superior se diz que os torna acidentalmente dignificados. Um planeta na décima casa mais alto que todo o resto se diz elevado. Às vezes, há uma tendência a duvidar sobre que é o mais forte - um planeta ascendendo próximo da cúspide do ascendente ou um culminante. Napoleão tinha Júpiter ascendendo em Escorpião, porém não no horizonte; Saturno era culminante em Câncer. Por conseguinte, Saturno estava dignificado acidentalmente, porém não essencialmente. Estava na casa décima, à qual pertence, porém no signo de seu detrimento; Júpiter ascendendo deu oportunidade a Napoleão e ele foi suficientemente forte para aproveitá-la; seu planeta regente punha em evidência o desejo de fazê-lo, e Saturno culminante lhe deu a capacidade para isso. A elevação de Júpiter reforçou Marte e Saturno mediante bons aspectos, Sua ascensão e queda se manifestam por meio destas posições. A culminação de Vênus no horóscopo do Príncipe Bismarck foi de imenso valor para ele como homem de Estado; com isso se permitiu à fortuna favorecê-lo. Cúspide. Às vezes há dificuldade em decidir a respeito de a qual casa pertence um planeta; suponhamos que um planeta dista 8o da cúspide da nona casa, deveria considerar-se que influi na nona ou na oitava? Se concedemos um orbe de 8o à influência da cúspide de cada casa, não haveria necessidade de se adotar nenhuma regra rígida e precipitada. Júpiter distante 8o da nona; se está no signo de Sagitário, terá uma influência de nona casa, porém se estivesse em Escorpião, estaria na oitava. A margem deveria ser suficientemente elástica para permitir ao estudante analisar. Quando estão próximos dos ângulos,

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pode se dar um orbe muito maior; porém quando se examinam os aspectos às cúspides das casas dever-se-ia conceder um mais estreito. Uma boa regra consiste em tratar as cúspides das casas da mesma maneira que as conjunções. Um planeta no centro de uma casa é às vezes mais forte do que quando está na cúspide; porém quanto mais perto está da cúspide da casa, mais forte é a influência de um modo geral. Com frequência ocorrerá que um planeta só, a uns 8o acima da cúspide do ascendente influirá grandemente no ascendente; este é às vezes o caso também com um que esteja abaixo da sétima casa. Decanatos. Os decanatos do signo são mais importantes do que parecem compreender muitos estudantes; há, apesar disso, uma tendência a produzir confusão com o julgamento quando um signo se divide em três partes separadas, a menos que o estudante possua uma excelente memória. A mesma dificuldade a experimentam às vezes os principiantes quando se dão conta de que o círculo do Zodíaco se divide em signos, triplicidades e quadruplicidades. Cada signo contém em si toda a triplicidade à qual pertence. O primeiro decanato de 10° é sempre da mesma natureza que o próprio signo. O segundo decanato, de 10° a 20°, é da natureza do signo seguinte da mesma triplicidade, o que modifica o signo pondo em operação uma subinfluência; e o terceiro signo da triplicidade se introduz como uma modificação do signo por subinfluência no terceiro decanato. Esta disposição põe em um só signo o conjunto da influência combinada de Cardinal, Fixo e Mutável. Ilustraremos o valor dos decanatos mediante os horóscopos que nos servem de exemplo. Napoleão tinha seu planeta regente no primeiro decanato de Câncer. Mercúrio e Netuno estavam também nos primeiros decanatos dos signos que ocupavam. Júpiter estava no segundo decanato de Escorpião, o de Escorpião-Peixes, e Saturno estava também em uma parecida subinfluência, Câncer-Peixes. Por conseguinte, mediante Saturno e Júpiter, deixava evidente todo o triângulo de água. O Sol estava no terceiro decanato de Leão, Leão-Áries. Marte estava no segundo decanato de Virgem, Virgem-Capricórnio; e a Lua no terceiro decanato de Capricórnio, Capricórnio-Virgem. Urano estava também no decanato Virgem de Touro. A distribuição dos planetas através dos decanatos revela três influências cardinais primárias, quatro fixas primárias, e duas mutáveis primárias; com as subinfluências invertidas, seis influências sub e primárias mutáveis, quatro fixas primárias e cinco influências primárias e subcardinais. Outras análises mostram quatro influências primárias de terra, três primárias de água e duas primárias de fogo. Sem influências do ar. Outras análises deste natalício mostrariam que os ângulos estavam acentuados; Vênus regente do horóscopo em um signo cardinal; o Sol no decanato da sétima casa; a Lua na quarta, Capricórnio. Saturno na décima em Câncer. Marte no decanato Capricórnio de Virgem, influência da décima casa, etc. Um contraste de caráter surpreendente encontramos no horóscopo do "Visconde Hinton", que tem seis influências mutáveis primárias, três cardinais e nenhuma fixa.

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As influências primárias e submutáveis são sete; as cardinais três, todas primárias; e as quatro fixas são subinfluências. Declinação. Os Paralelos de declinação costumam ser omitidos por alguns estudantes que não se dão conta de seu valor. Os Paralelos deviam observar-se cuidadosamente em todos os mapas, porque possuem uma grande influência que, com frequência, coincide com fatores que foram passadas por alto. Ainda que os Paralelos tomados em separado atuem de um modo parecido com as conjunções, quando os planetas estão também em aspecto devem se considerar como da mesma natureza que o aspecto. O Sol e Júpiter podem estar em Paralelo, enquanto que aplicando a ou separando-se de uma quadratura, isto tornaria o Paralelo da mesma natureza que o quadratura. Se consideramos o Paralelo da mesma natureza que uma conjunção, tendo sempre o mesmo efeito, com grande frequência lhe atribuiremos uma influência errônea. No caso do mapa natal de Napoleão, um Paralelo de Lua e Saturno atuaria da mesma maneira que a oposição, acentuando-a, ao invés de diminuindo sua influência. Descendente. A sétima casa ou ângulo ocidental é sempre importante quando contém um ou mais planetas. Este ângulo, ainda que mostre a formação de uniões, não se relaciona completamente com o matrimônio. Às vezes, indica a capacidade do nativo para expressar e manifestar as influências que afetam aquela casa, tal como a capacidade para aparecer ante o público, realizar uma obra pública e oferecer o eu ao serviço e ao sacrifício. Sempre representa aquele que está mais afastado do nativo, de seus ideais, etc. Seu bom significado, no caso de planetas benéficos e bem aspectados, pode-se dizer que é o poder de cooperar com outros, pensar, sentir e trabalhar com eles, a realização de Buddhi e fraternidade. Sua má interpretação sob aspectos maus é o contrário disto: separação, inimizade, falta de combinação devido à debilidade, ódio ou uma personalidade demasiado intensa. Detrimento. Termo empregado quando um planeta se acha no signo oposto àquele no qual é senhor ou regente, tais como Marte em Libra, Saturno em Câncer. A opinião corrente, quando o Zodíaco se considera completamente à parte das casas, é que um planeta é forte e afortunado quando está em sua própria casa ou exaltação, exibindo sua força e o lado melhor de sua natureza; os aspectos sobre ele têm pleno efeito, especialmente os bons aspectos. Por outro lado, quando está em seu detrimento, um planeta é mais débil e menos afortunado, é provável que mostre o lado menos desejável de sua natureza, e bons aspectos até ele têm efeito relativamente escasso, enquanto os maus causam muito dano. Isto se aplica à posição no Zodíaco somente, e está sujeito a modificações, porque um planeta pode ser débil pelo signo e forte pela posição mundana. Marte em Touro, ascendendo, por exemplo, diminui a afirmação do planeta e permite que se

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expressem algumas de suas qualidades mais finas; enquanto Marte em Áries, embora dê um caráter forte e autoconfiança, é provável que dê demasiada autoafirmação e impulsividade, o que, se não se controla, pode ser a causa de muitos transtornos, evocando em outros crítica, rivalidade ou franca hostilidade. Marte em Libra dará intuição, rapidez de percepção e habilidade artística em uma pessoa culta ou naturalmente refinada, porém em uma não preparada ou naturalmente subdesenvolvida será prejudicial e significará uma influência que não pode manifestar-se propriamente. Saturno em Capricórnio é lento, negociante, industrioso, com domínio de si mesmo, firme e de forte vontade, e o lado melhor do planeta é capaz da mais plena manifestação. Saturno em Câncer, ainda que menos forte e plenamente expressado, pode fazer bem ao refrear as tendências devidamente emocionais; porém se esta restrição e limitação se voltam em direção à pena e à depressão, ou se os sentimentos são mórbidos e displicentes, é uma influência muito difícil e pode atuar muito danosamente tanto sobre a saúde física como sobre a sorte mundana. Saturno em Câncer culminante é forte pela posição mundana porém débil pela posição zodiacal. Neste caso, o carma ou o destino darão oportunidades para a realização de ambição, proeminência, êxito mundano ou riqueza; e se o resto do horóscopo o apoia, estas coisas podem conseguir-se, porém, a débil posição zodiacal traz propensão ao fracasso ou a um êxito que se verá demasiadamente diminuído pela má saúde ou algum aspecto do caráter proveniente do lado mau de Saturno, tal como a depressão, egoísmo, isolamento reserva, falta de sinceridade, etc. Dignidades. São de duas classes, essencial e acidental. A dignidade essencial é a posição no Zodíaco pela casa ou exaltação. A dignidade acidental é a posição nas casas mundanas, mediante a qual se obtém força e proeminência. Qualquer planeta está acidentalmente dignificado se está cerca das cúspides das casas primeira, décima ou sétima, e isto dá proeminência; o planeta é impelido para a publicidade, por assim dizer; porém, há outra classe de dignidade acidental na qual o planeta pode não ser proeminente, mas está em uma casa que harmoniza com sua própria natureza, tal como Mercúrio na terceira casa, a Lua na quarta, o Sol na quinta, Júpiter na nona, etc. Direções. O horóscopo de nascimento - na medida que representa a personalidade, suas possibilidades e limitações -, não é fixo de modo algum; empregam-se as direções para mostrar até que ponto podem se modificar as limitações e aumentar as possibilidades. Os autores que consideram o horóscopo como um destino muito fixo, adotam o mesmo ponto de vista tratando-se das direções; porém é melhor considerar estas como algo que procura oportunidades para a mudança e o crescimento. As boas direções oferecem uma abertura para desenvolver as melhores qualidades dos planetas que intervêm na formação da direção; é mais fácil fazer isto em tal momento, e o esforço empregado então produzirá mais fruto que em geral. Podem desenvolver-se qualidades justas, benévolas, humanitárias e religiosas sob uma boa direção sobre Júpiter; previsão, prudência e domínio de si mesmo sobre

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Marte; força e atividade do intelecto sobre Mercúrio, etc. E não só melhorará e se desenvolverá o caráter, senão que os acontecimentos do mundo exterior que acompanham as direções, a boa sorte, como com frequência chamamos, identificar-se-ão em sua ação e será feita uma melhor colheita. As más direções oferecem oportunidades para restringir tais qualidades desfavoráveis, porque geralmente vão associadas com vários planetas quando estão afligidos. A intenção de fazer isto desenvolverá a força de vontade e fará que o homem seja mais dono de si mesmo do que se se rendesse sem luta. É certo que, pelo carma que criamos para nós mesmos no passado, algumas coisas que nos sucedem são fatais ou inevitáveis; porém este não é o caso com todos os acontecimentos, provavelmente não o é com a grande maioria deles, e governandonos a nós mesmos governamos nossas estrelas. Excetuando-se as questões de força e debilidade, bem e mal, as pessoas parecem diferir em seu modo de responder à influência planetária. As pessoas muito devotas parecem responder prontamente; as pessoas muito emocionais também, e parecem, pois, mais sujeitas às influências planetárias de todo o gênero que as que não possuem uma natureza tão vulnerável. As naturezas mais sensíveis parecem ser as que se encontram sob as influências dos signos cardinais e na maioria dos casos as menos receptivas são aquelas que estão sob os signos mutáveis. Completamente à parte da natureza muito semelhante dos que nascem sob a influência dos signos cardinais, em um mapa natal se revelam várias condições sensíveis. Há, assim, natalícios nos quais se revela muito pouca resposta e, apesar disso, parece como se o progresso do nativo dependesse desta capacidade para responder às influências planetárias; o êxito na compreensão de um mapa natal pareceria depender de conhecer este fato antes de qualquer outro. Todas as pessoas nascidas com planetas nos ângulos estão destinadas a responder a essas influências, queiram ou não queiram; e geralmente têm as vidas mais cheias de acontecimentos, mais variáveis e ativas. Em seguida, vêm as casas sucedentes, e finalmente as casas cadentes. Todos os planetas em ângulos mostrariam uma extrema atividade; todos os planetas em casas cadentes, uma extrema latência; os sucedentes ocupam um lugar intermediário. Algumas pessoas são muitos sensíveis aos trânsitos dos planetas através do mapa natal, enquanto que outras parecem sê-lo menos. Não parece que haja nenhuma regra rígida pela qual possam efetuar-se em todos os casos predições definidas e precisas. O resultado de uma grande experiência nesta direção indica que a partir do horóscopo de um ladrão ou de uma pessoa muito ambiciosa, qualquer tentação de roubar ou de cobiçar pode ser excitada pelas influências natais que são estimuladas por direções adversas. Uma pessoa cujo horóscopo indica uma natureza muito sensual sucumbirá às inclinações sensuais quando se encontre em um ambiente que permita às condições naturais operar e quando, sob direções adversas, é mais particularmente débil nesta direção que em outras ocasiões.

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A Cabeça e a Cauda do Dragão. A Cabeça do Dragão é o nó ascendente da Lua ou o ponto em que a Lua cruza a eclíptica, quer dizer, não tem latitude em sua trajetória para o norte; a Cauda do Dragão, ou nó descendente da Lua, é o ponto oposto no qual a Lua cruza a eclíptica em sua viagem até o sul. Estas coisas foram consideradas de importância pelos antigos e são utilizadas até o dia de hoje pelos astrólogos hindus; é considerada como benéfica a Cabeça, tendo dignidade em Gêmeos, e a Cauda como maléfica e com dignidade em Sagitário. A maioria dos autores modernos faz caso omisso delas por considerá-las de valor escasso ou nulo. O único valor prático que parecem ter é que indicam o lugar onde se produziram eclipses durante o período anterior ao nascimento; e é muito possível que este tema mereça estudos posteriores. Um eclipse, especialmente se é visível, causa uma forte impressão no ponto do Zodíaco em que incide, e esta impressão, ao que parece, é retida por algum tempo; de sorte que pode constituir um ponto de alguma importância em um horóscopo, que será passado por alto porque os luminares podem haver se afastado desde então. Apesar disso, os eclipses nem sempre estão exatamente na Cabeça ou na Cauda, senão somente em sua proximidade. Eleições. São as que se efetuam durante os melhores momentos para começar empreendimentos importantes, tais como viajar, comprar ou vender, firmar documentos, colocar as primeiras pedras em uma construção, etc. São utilizadas em combinação com o horóscopo e as direções, e são de valor permanente. Claudio Ptolomeu escreveu: "É importante efetuar a eleição de dias e horas em um momento bem constituído para o mapa natal. Se o tempo fosse adverso, a eleição não serviria para nada, por muito favorável que pudesse ser o resultado prometido." Elevação. Qualquer planeta mais alto nas casas que outro se diz que está elevado acima de outro; porém o termo se aplica geralmente aos planetas que se acham acima da Terra. Aquele que está mais próximo da cúspide da décima casa é o mais elevado no horóscopo. Quando dois planetas estão em aspecto, um está geralmente mais alto que o outro, e se um está acima da Terra e o outro abaixo, o elevado ganha em força e proeminência por sua elevação. Se o aspecto é uma quadratura ou oposição, o mais baixo dos dois corpos será debilitado e as coisas que significa sofrerão mais que as regidas pelo outro. No caso de Napoleão, Saturno estava elevado acima da Lua. O temperamento costuma ser afetado por planetas elevados. Se Marte sozinho está no M.C. e não há planetas ascendendo, o temperamento marcial será o mais pronunciado e a mesma observação pode se aplicar a todos os outros planetas. Exaltação. A influência de um planeta se acentua geralmente quando se encontra no signo de sua exaltação, e quando isto sucede em pessoas não preparadas pode causar transtorno mediante envaidecimento, egoísmo ou excessiva confiança, enquanto as preparadas empregarão a influência em um sentido transmutado e purificado.

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Marte em Capricórnio temperará a força de Marte como o ferro bruto pode temperar-se e converter-se em fino aço. Esta analogia pode aplicar-se a todas as exaltações. O chumbo de Saturno pode liquefazer-se em Libra, as vaporosas e voláteis emoções da Lua podem permanecer fixas em Touro e o amor de Vênus converter-se em amor universal em Peixes, e assim sucessivamente. Aplicadas à Astrologia Natal, têm um significado diferente que quando se reduzem na Astrologia Horária. Queda, Veja-se Detrimento. Signos femininos. Os signos pares Touro, Câncer, Virgem, Escorpião, Capricórnio e Peixes são os signos femininos ou negativos. Relacionam-se particularmente com o lado formal da expressão como distinto do lado da vida ou lado mais forte e positivo, expresso pelos signos masculinos. Napoleão tinha nada menos do que sete planetas nos signos pares ou formais. Tratou de governar a Terra e foi sempre uma expressão material de si mesmo. Em compensação, Bismarck tinha seis planetas em signos positivos ou ímpares. Tratou de levantar um império. Napoleão estava sempre destruindo. Por conseguinte, são representantes das forças construtivas e destrutivas da natureza. Estrelas fixas. A Astrologia Moderna ainda não tentou tratar com as estrelas fixas em escala muito extensa ou observar sua influência nos mapas natais. Apresenta-se uma lista das estrelas fixas na segunda edição do pequeno manual Astrologia Horária [de Alan Leo]; o estudante deveria colocá-las nos horóscoposexemplo e observar seu efeito. No horóscopo de Lady Burton, a Lua estava em conjunção com Capela. No mapa de Gladstone, Mercúrio e o Sol estavam em conjunção com Vega. Bismarck possuía o Sol em conjunção com Cabeça de Andrômeda e Robespierre tinha Saturno em conjunção com Fomalhaut. Astrologia geocêntrica e heliocêntrica. Em tempos antigos, quando a maioria das pessoas acreditavam que o Sol e todos os corpos celestes giravam ao redor da Terra, ninguém jamais pôs em dúvida o valor da astrologia geocêntrica. Agora que sabemos que o Sol é o centro real de nosso sistema, todavía, não é surpreendente que alguns autores sustentem que a Astrologia deveria ser heliocêntrica e que se deveria abandonar o velho sistema geocêntrico. Não concordamos com esta ideia pelas seguintes razões. Nós vivemos sobre esta Terra e a Astrologia é a ciência dos efeitos produzidos pelas influências do Sol, da Lua e dos planetas conforme se derramam sobre esta Terra. Para julgar a respeito destes efeitos temos que medir os ângulos e distâncias dos planetas segundo se encontram desde esta Terra e não segunda estão distantes do Sol, sobre o qual não habitamos. Estamos elaborando nosso destino na Terra e as

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influências que se derramam diretamente sobre esta Terra são as que nos interessam, não aquelas que se derramam sobre o Sol. Uma ciência heliocêntrica será provavelmente aperfeiçoada algum dia, porém nada do que até agora se obteve tem comparação com a Astrologia ordinária quanto aos seus resultados. Astrologia Horária. Ainda admitindo o valor da Astrologia Horária, os astrólogos modernos tem se esforçado em separar a Astrologia Horária da Astrologia Genetlíaca, e até agora com resultados muitos satisfatórios. Foi devido ao uso excessivo da Astrologia Horária que toda esta ciência chegou a desacreditar-se. Era fácil, quando se desconhecia a hora do nascimento, erigir uma figura horária e substituir com ela o mapa do nascimento. Milhares destas figuras horárias se fizeram passar durante o século XIX por mapas natais e se consideraram confiáveis, em menoscabo da genuína Astrologia. Uma figura horária é útil para responder a perguntas sérias quando se desconhece a hora do nascimento ou quando a mente está muito ansiosa com respeito a qualquer acontecimento importante; e conquanto que não se confunda com a Astrologia Natal, pode ser sumamente útil. Tende, todavía, a debilitar a Vontade e a iniciativa do usuário que confia na figura, porque com isso se torna mais ou menos fatalista. Se utilizada como suplemento das Direções no horóscopo, pode servir para conhecer se são seguros uns investimentos ou se é prudente uma especulação. Responderá a todas as perguntas sobre as quais a mente de quem pergunta está buscando seriamente uma resposta, e as regras de sua aplicação são muito simples. Erigindo uma figura para o momento em que à mente chega pela primeira vez um pensamento a respeito de qualquer tema, o ascendente indica o que faz a pergunta, e a casa ou regente de qualquer casa particular, referente à pergunta, dá a resposta.* A primeira casa representa então o que faz a pergunta, e o senhor ou regente dessa casa ou os planetas da primeira o descrevem. Se perguntamos sobre dinheiro, deveríamos considerar a segunda casa, seu regente e Júpiter ou Vênus. Se o tema da pergunta são os parentes, viagens e correspondência, consultase a terceira casa com seu regente e também os planetas que há nela e a Lua. Isto se repete uma ou outra vez, tomando cada casa para responder à pergunta. Toda esta arte se explica no pequeno manual de Astrologia Horária. Se abusamos dela, a Astrologia Horária toma-se perigosa, porém se utilizada prudentemente, constitui-se em um meio de adivinhação útil e bem confiável. Casas. Cada uma das doze casas de um mapa natal tem importância própria e é completamente distinta em sua influência especial. Estas doze casas são os centros

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* Leia-se também, a respeito de Astrologia Horária, o livro de Adonis Saliba Astrologia Horária, publicado pela Roca em 1991 (N. do T.).


concretos de forças que, na pessoa avançada, reagem sobre, e modificam assim, os centros mais subjetivos dos signos e dos planetas. A primeira casa representa a cabeça e o rosto do nativo, a segunda, a garganta, etc. Neste sentido, as casas representam as condições hereditárias e aquilo que está fixado como destino para a vida corrente. As pessoas que vivem em condições puramente físicas, ou seja, que habitualmente crêem que são somente o corpo físico, e aquelas que geralmente são classificadas como materialistas, responderão às condições das doze casas diferentemente das dos signos ou planetas que as ocupam. Hyleg. É importante conhecer qual a duração da vida que se indica no horóscopo, porém as regras comuns não se aplicarão em todos os casos, e se requer uma análise especial ali onde o horóscopo mostra uma tendência a estudar as leis da higiene e a viver uma vida de temperança. A astrologia não ensina o fatalismo, senão a operação da lei natural. Alguns horóscopos indicam longa vida, outros uma curta duração de vida, enquanto que a maioria pode dizer que tem um limite até o qual se pode viver. Não há regras especiais para indicar o limite da vida em casos individuais, e é questão de julgamento sobre se o nativo passará através de um aspecto crítico ou não; porém, quando uma sucessão de más direções está operando e dura além de um período muito longo, pode se esperar a morte quando a vitalidade desce abaixo da capacidade de recuperação. Muitos horóscopos indicam um estado de saúde delicado na infância porém boas condições durante a metade da vida; e outros, o contrário. É dever do astrólogo aconselhar uma vida cuidadosa e equilibrada, uma atenção adequada às leis da higiene, a conservar as energias e os métodos adequados de vida, porém nunca deve predizer a morte. O momento aproximado da morte pode se afirmar com relação ao limite da vida, porém nunca a data verdadeira. O fato de que aquilo que chamamos de morte não é senão a retirada da vida do corpo físico para um corpo mais sutil e para outro plano, indica que não podemos estar seguros, em muitos casos,.quanto à data verdadeira da morte, como tampouco podemos predizer a hora em que um pessoa irá dormir em uma noite em particular. Podemos descobrir o momento em que haverá uma probabilidade de acidentes graves, enfermidade ou baixa vitalidade, porém não podemos calibrar a verdadeira energia que há atrás da personalidade para dirigir a influência até outro canal. Nos horóscopos não desenvolvidos podemos ver a fatalidade de um modo mais ou menos claro, porém a dificuldade aumenta quando a vida se torna mais plenamente autoconsciente. Uma ilustração deste mapa pode ajudar aos estudante de Astrologia a compreender a operação de uma lei superior.

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Há muitos anos, um astrólogo predisse publicamente a morte da senhora Annie Besant aos 60 anos de idade. A senhora Besant superou aquele período crítico, e ao pedir-lhe sua opinião acerca da predição, em vez de fazer caso omisso desta, mostrou seu grande amor à verdade observando que "teria falecido naquele momento predito, se não fosse a ajuda de seu Mestre", o qual previu a utilidade de sua vida e assumiu a responsabilidade de conservá-la. Todo estudante de Astrologia deveria procurar dar-se conta de que há uma lei de amor que não interfere com as leis naturais, senão que transmuda a lei inferior na lei superior; porém, somente os que conhecem a lei e colaboram com ela têm o poder de mudar o inferior em superior. Se a morte pudesse ser predita em todos os casos com absoluta certeza, então seria inútil esperar que o esforço pudesse ser mais forte do que o destino. Há sempre círculos dentro de círculos, e toda a evolução é uma expansão de círculos menores a círculos maiores. Signos interceptados. A muitos estudantes será difícil julgar a influência dos signos interceptados. Em um sentido geral, absorvem toda a casa na que ocorrem, e ao mesmo tempo introduzem na casa uma influência conjunta dos outros signos que afetam essa casa. Os planetas nos signos interceptado* têm mais importância do que o usual em sua ação sobre os assuntos da casa em que estão situados. Senhores das Casas. Os Planetas nas Casas costumam ser mais fortes que os regentes das casas e em geral se lhes deveria dar preferência. Luminares. O Sol e a Lua deveriam considerar-se sempre como distribuidores e coletores de influência e não como verdadeiros fatores ou causas de influência. Aspectos Mundanos. Os estudantes não deveriam nunca passar por alto o valor dos aspectos mundanos. Ainda que não se considerem tão poderosos como os aspectos zodiacais, são todavia importantes, e geralmente afetam o corpo ou as condições puramente físicas. Tomemos o exemplo de Robespierre. Se pudéssemos ver os motivos neste caso saberíamos por que os aspectos mundanos superarão os zodiacais. Fez mau uso de sua oportunidade ou estava destinado no nascimento a sofrer morte violenta em mãos de seus inimigos? Oriental. Esta palavra é usada em dois sentidos: primeiramente, aplicada àqueles dois corpos que se encontram na metade oriental do mapa, especialmente quando estão no ascendente, e em segundo lugar, aplicada a um planeta que sai imediatamente antes do Sol, quando se diz que é "oriental ao Sol", posição de

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importância e força. Mercúrio e Urano no horóscopo de Lord Rosebery são orientais nos dois sentidos. À posição oposta se denomina ocidental. O ascendente se relaciona diretamente com o nativo, o Eu; e os planetas que estão em ou cerca do ascendente influem no caráter e nas ações que surgem do caráter. O descendente, por outro lado, refere-se a pessoas e coisas do mundo exterior com sua influência sobre o nativo; a linha do meridiano combina com os dois. Podemos dizer, pois, que os planetas na metade oriental do mapa, e especialmente os do ascendente, tendem a criar carma novo e representam o destino, que é o resultado natural do caráter e que pode ser evitado, se o caráter puder ser controlado. Os planetas na metade ocidental do mapa representam o cumprimento ou elaboração de um destino feito com antecipação, a reação do ambiente sobre o nativo, que é menos evitável ou modificável que o primeiro. Parte da Fortuna. Este símbolo pode ter significação em relação com a astrologia horária, porém em geral está desacreditado nos natalícios. Dista tantos graus do grau ascendente como dista a Lua do Sol, contando desde o Sol em direção aos signos. Alguns dos astrólogos mais antigos sugeriram muitas outras "Partes". Gadbury diz que a Parte da Fortuna invertida dá a Parte do Espírito, contando desde a Lua até o Sol na ordem dos signos e marcando então a Parte na mesma distância do grau ascendente. Contando do Sol a Saturno se diz que mede a Parte do amor de irmãos; e contando de Saturno ao Sol, a Parte do pai. No que se relaciona ao Sol, as Partes são quase as mesmas que calculando um horóscopo para a saída do Sol; porém o cálculo costuma tratar de outros corpos. Da Parte do Matrimônio, diz-se que é a mesma distância desde o ascendente que a cúspide da sétima casa desde Vênus, começando a contar desde Vênus. Todas estas partes se supõem afortunadas ou ao contrário, segundo os aspectos que recebem; porém atualmente, em geral, faz-se caso omisso delas. Quadruplicidade ou Qualidade. Estes termos são muito importantes porque dão uma pista direta do significado do horóscopo em seu conjunto, e assim formam uma base para a síntese. Têm resistido à prova de muitos anos de trabalho prático e merecem confiança. Originalmente se usava a palavra qualidade porque são somente uma adaptação das gunas hindus: Rajas, a qualidade ativa móvel; Tamas, a qualidade fixa estável; e Sattva, a qualidade equilibradora, harmonizadora, rítmica. Recentemente, se vem usando a palavra Quadruplicidade porque apresenta uma evidente analogia com Triplicidade. Cada Triplicidade contém três signos dispostos conforme aos chamados elementos ou estados da natureza: três de ar, Aquário, Gêmeos e Libra; três de fogo, Leão, Sagitário e Áries; três de água, Escorpião, Peixes e Câncer, e três de Terra, Touro, Virgem e Capricórnio; e dividem o círculo em quatro partes, a cruz no círculo. Cada Quadruplicidade contém quatro signos dispostos conforme as gunas ou modo de movimento na matéria: quatro ativos, móveis ou rajásicos, Áries, Câncer,

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Libra e Capricórnio; quatro fixos, inalteráveis ou tamásicos, Touro, Leão, Escorpião e Aquário; e quatro rítmicos ou sáttvicos, Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes, intermediários na natureza entre os outros dois. Dividem o círculo em três partes, o triângulo no círculo. Por conseguinte, cada signo zodiacal tem duas características, uma segundo a Triplicidade e a outra segundo a Quadruplicidade, como quando dissemos que Áries é fogo móvel (ou cardinal). Se pudéssemos compreender plenamente todos estes termos implicados conheceríamos toda a natureza de Áries, dentro e fora; e analogamente com os outros signos. Explicam-se extensamente no volume A Arte da Síntese. Recepção. Quando dois planetas se encontram cada um na casa [ou no signo] do outro, diz-se que estão em recepção mútua, e isto dá força e boa fortuna e diminui a gravidade de qualquer aspecto mau entre eles, No horóscopo de Napoleão, Saturno em Câncer e a Lua em Capricórnio se acham em recepção mútua. No horóscopo do imperador Guilherme II da Alemanha, Saturno em Leão e o Sol em Aquário se encontram em recepção mútua. Alguns quiseram ampliar isto até incluir a recepção por exaltação, como com o Sol em Libra e Saturno em Áries; e outros quiseram atribuir uma importância parecida aos planetas que se aspectam uns aos outros desde suas próprias casas, um Marte em Áries quadratura com a Lua em Câncer, que pode dar muita força, ainda que marcial e impulsiva. Um planeta na casa ou exaltação indica sempre que suas características são fortes e estão bem desenvolvidas na pessoa. Retrógrado. Isto se considerou outrora como um sinal de debilidade e desgraça, mas é duvidoso que haja algo de verdade nesta ideia. Os astrólogos se acham muito divididos sobre este ponto. As conjunções retrógradas de Vênus e Mercúrio com o Sol parecem ser muito fortes, porém não é fácil determinar se levam consigo algum significado de má sorte; não se demonstrou que o levem. Revolução. Um mapa traçado para o momento em que o Sol regressa ao grau, minuto e segundo exatos de longitude que tinha no nascimento se denomina uma revolução solar ou mapa de nascimento. Geralmente ilustra o destino e a fortuna para o próximo ano de vida. Um método alternativo utilizado por alguns consiste em averiguar a hora e o minuto em que a Ascensão Reta do M.C. é a mesma que no nascimento. Procede-se encontrando o dia em que o Sol está mais próximo da longitude que tinha no nascimento (que geralmente será o dia do nascimento ou um dia antes ou depois), e então calcular um mapa para este momento; as cúspides das casas de tal mapa serão as mesmas que no nascimento. O primeiro método equivale a sustentar que a posição do Sol só indica o dia e que a hora e o minuto vêm

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determinados pelo retorno da cúspide do ascendente à posição que ocupava no nascimento. Seja qual for o método que se adote (e com frequência não existe muita diferença), devem considerar-se as posições planetárias em sua influência sobre o horóscopo do nascimento, especialmente os trânsitos benéficos e maléficos. A informação sobre os nascimentos dada nos almanaques é praticamente inútil, porque não se refere ao mapa do nascimento. Todo o tema requer um exame mais cuidadoso do que até agora se lhe tem dado e requer investigação a questão do nascimento progredido na razão de um dia por ano. Síntese. A habilidade para sintetizar um mapa natal é a coroação do saber de um estudante acerca da astrologia natal, porque conduz, pela intuição requerida para fazer isto com eficácia, àqueles métodos abstratos de pura síntese que finalmente revelarão a verdadeira finalidade sobre as linhas seguintes: Fogo Terra Ar Água 2 4 3 Cardinais Fixos Comuns Fixos-Terra Planetas bem situados e distribuídos. Traços principais: Libra ascendente, segundo decanato, Vênus regente em Câncer, perto do M.C., situado na nona casa; Vênus em sextil a Netuno, Urano e Marte, e em trígono a Júpiter; sete planetas acima do horizonte, Júpiter ascendendo em Escorpião. Personalidade: Tenaz, ainda que amistoso e muito perceptivo, grande atração magnética, repousadamente crítico, agudo juiz da natureza humana e uma ambição anormal. Resumo do horóscopo: Resoluto e persistente. Ânsia de poder, excelente capacidade organizadora, algo de gênio (Marte em trígono com Urano) combinado com métodos práticos e consistentes. 3 4 2

NAPOLEÃO. Elementos:

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CAPÍTULO 24

O CRESCIMENTO DO EGO

Uma pessoa pode ter conquistado a vida imortal e continuar sendo o mesmo eu interior que era na Terra, por toda a eternidade; porém isto não implica necessariamente que deva continuar sendo o Mr. Smith ou o Mr. Brown que foi na Terra ou perder sua individualidade. Por conseguinte, a alma astral e o corpo astral e o corpo terrestre do homem podem, no obscuro Depois, ser absorvidos no oceano cósmico de elementos sublimados e deixar de sentir seu ego se este ego não merecia subir mais ainda; e o divino espírito continuar sendo ainda uma entidade inalterada, ainda que esta experiência terrestre de suas emanações possa ficar completamente obliterado no instante em que se separe do indigno veículo. Ísis sem véu

odos os que dedicaram algum pensamento ao estudo da Astrologia Esotérica se deram conta de que é um tema muito vasto, que requer a mais aguda inteligência e a máxima concentração para compreendê-la plenamente. Aqueles que perceberam o significado interno de seu conjunto conceberam as melhores ideias acerca do verdadeiro valor desta ciência. Um horóscopo carecerá de significado para alguns e não dará ideia alguma quanto à finalidade da vida que representa, enquanto que para outros estará cheio de sugestão e rico em ideias quanto às suas possibilidades latentes. Em alguns, a centelha da divindade que há por trás da manifestação se encontram todas as possibilidades da poderosa chama que um dia chegará a ser, porque cada centelha contém todas as potencialidades da Chama Progenitora, e cada uma delas está destinada a voltar a converter-se em Chama.

T

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Simbolicamente, a centelha é o ponto dentro do Círculo, e se vê em sua latência no glifo do Sol em cada horóscopo, para converter-se finalmente no símbolo de Urano, no qual o Círculo (ou, o que é mais provavelmente correto, o Triângulo) está em cima do Semicírculo e da Cruz. Sozinho, manifesta Vontade, e o centro entre o Espírito e a existência. Quando se encontra unido ao símbolo de Mercúrio, isso implica uma experiência mais plena; chegou-se à discriminação entre o real e o irreal, e está ativa a razão pura e abstrata. Mercúrio é o centro entre a Sabedoria e o Saber, o princípio unificador. Quando se encontra unido ao símbolo de Vênus, denota-se o princípio da Criação. Vênus é o centro da vida e da forma: a alma humana. Em forma de diagrama, podemos colocar nossos símbolos assim: Sol à cabeça e sozinho; Urano, Mercúrio, Vênus debaixo, formando um triângulo. Estes três símbolos são os representantes abstratos da consciência imortal: o espírito, a alma espiritual e a alma humana. Encontram-se à cabeça das três grandes Cruzes: Cardinal, Mutável e Fixa. Destes três símbolos, somente um, Vênus, é exaltado em qualquer signo do Zodíaco, e esta exaltação de Vênus em Peixes representa o final do ciclo da necessidade, o dissolvente universal, o amor triunfante, a lei cumprida. Urano é a qualidade abstrata ou quintessência da Cruz Fixa; Mercúrio é o abstrato da Cruz Mutável; e Vênus é o abstrato da Cruz Cardinal. Constituem princípios, e como tais, jamais são interpretados verdadeiramente mediante os signos do Zodíaco. A LIÇÃO DADA PELAS TRÊS CRUZES O cumprimento da missão da Cruz Cardinal, a cruz da atividade e da criação, consiste em levantá-la do solo da matéria, por assim dizer, e chegar a estar sob a mente livre, que tem poder para criar através da divina imaginação ou da faculdade de formar imagens. O cumprimento da missão da Cruz Mutável consiste em trocar o saber pela sabedoria e elevá-la da base irreal em que tem estado no mundo da ilusão. Para chegar a estar sob o verdadeiro Mercúrio, a influência do adepto da sabedoria, é preciso exercitar plenamente a discriminação, até que a intuição ocupe o lugar da razão. Cumprir a missão da Cruz Fixa é trocar o desejo e a atração pela vontade e o desapego. Estar livre de todos os laços e limitações é converter-se no caminhante sem casa que encontra lar em todos os lares e irmandade em toda a humanidade. Fundir estas três coisas em uma só, transladar o ponto do centro à circunferência, conhecendo e sentindo-o todo como uma coisa só, é chegar a ser Dono do destino, Dono da sabedoria e a compaixão. O chela ou discípulo de Vênus se converte no adepto de Mercúrio pelo Mestre Uraniano e, finalmente, o próprio Mestre. Quando o ponto sai do centro no princípio e entra nos planos abaixo do divino, o Eu adquire consciência de si mesmo através das triplicidades dos signos que

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governam os planos causal, mental, astral e físico. Cada uma destas triplicidades têm que se converter na perfeita tetraktys dentro da consciência do Ego, que se encontra na cabeça de cada triângulo sucessivamente. Inconscientemente, é arrastado até abaixo para despertar no físico, e cumprir a missão dos signos de terra: obediência-Touro; resposta-Virgem; atividade automotivada-Capricórnio. Quando estes vínculos se realizaram mediante esforços autoconscientes através das limitações de Saturno no ambiente e na circunstância, inicia-se a expansão da consciência, e Júpiter, o planeta expansivo da aura, dá benefícios e recompensas em todos os planos; porque na medida que Júpiter é a maior fortuna no plano físico, os poderes que dá podem transportar-se dentro da alma até níveis superiores. A missão do triângulo de água é despertar emoção autoconsciente e os primeiros germes da intuição, através do instinto Câncer; os afetos, Escorpião, e as simpatias emocionais, Peixes. Na cabeça deste triângulo se encontra Marte, o planeta da devoção pessoal. Seu símbolo indica que o espírito se está esforçando sempre por vencer a matéria e sua consciência é a energia do desejo, operando no corpo astral. A missão do triângulo do fogo é despertar a autoconsciência mental, para obter saber através de Áries na intuição da mente; através de Leão, a fé do coração; e a introspecção através de Sagitário, a coroa da expansão da mente de Júpiter, tal como este planeta é, por Peixes, a expansão das emoções no plano astral. A missão do triângulo de ar, o mais elevado dos quatro, é sintetizar, abstrair e tornar impessoal tudo o que tem sido governado pelos triângulos de fogo, terra e água. À cabeça deste triângulo se encontra Vênus, o planeta da "habilidade na ação", poder criador e idealismo. O CAMINHO APERTADO E A PORTA ESTREITA Separando os três planetas superiores dos quatro que controlam a manifestação mais baixa ou pessoal, encontra-se o grande planeta Saturno, senhor do signo de terra Capricórnio e do signo de ar Aquário. Este é o planeta individualizante, regente do caminho apertado e da porta estreita; refinando, restringindo e purificando, amiúde através da pena e da dor, porém também mediante a resistência e o domínio de si mesmo. Ninguém pode ultrapassar Saturno se não tiver a pureza, o amor e a verdade como seus verdadeiros ideais. Os Signos do Zodíaco se relacionam sempre com as formas e os veículos, enquanto os Planetas se relacionam sempre com a consciência, à parte das formas. Quando as duas coisas estão unidas em harmonia, tudo vai bem e o progresso é rápido; porém quando não estão em harmonia, tudo parece ir contra e tende ao choque, confusão e discórdia. Por exemplo, Capricórnio pode dar responsabilidade, poder e honra através da vocação, amor ao dever através de um sentido de responsabilidade, etc. Porém Saturno, seu senhor, é a vibração que significa especialmente responsabilidade e, por

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conseguinte, para escapar à forma e a suas limitações é necessário acentuar as responsabilidades autoconscientemente, buscar a honra pela honra, o serviço pelo serviço e trabalhar no mundo porque é um dever. Fazendo-o assim, nós nos pomos sob a influência direta de Saturno. O mesmo sucede com cada cruz e cada ângulo. As uniões de Libra devem ser trocadas pela unidade de Vênus, para que se realize o ideal abstrato da unidade. O impulso de Áries deve ser trocado pela verdadeira energia de Marte, e a influência sensorial de Câncer pelos instintos da Lua. É uma questão da identificação do eu com o lado da forma, em seu modo concreto e limitado de expressão, ou com o lado da vida, em sua manifestação abstrata e livre. O SIGNIFICADO DA CASTA Os sábios astrólogos da antiga Índia conheciam o valor e o uso correto da casta, que ainda prevalece, ainda que agora se levou demasiado longe em suas inumeráveis subdivisões. As castas se relacionam com os quatro triângulos; os Shudra, ou casta trabalhadora, sob o triângulo de terra; os Vaishya, ou casta de mercadores, sob o triângulo de água; os Kshattriua, ou casta governante e guerreira, sob o triângulo de fogo, e os Brahmanes, ou casta docente e sacerdotal, sob o triângulo de ar. A entrada em qualquer destas castas era questão de nascimento, não de favor, patronato ou ambição; e quando uma alma superou naturalmente das castas aprendendo todas as lições que ela tem a lhe ensinar, nasce na seguinte, até chegar à casta superior, da qual começa a tomar sua cruz. RESPOSTA E NÃO RESPOSTA Agora então, mesmo que o estudante intuitivo possa julgar acerca do crescimento do Ego a partir destes triângulos, deve estar preparado para algumas exceções à regra; porque, ainda quando a Astrologia é claramente simbólica, é também muito mais que isso. As três cruzes antes mencionadas, antes de serem elevadas do plano da matéria densa estão firmemente arraigadas no solo da ignorância ou da falta de resposta às mais sutis vibrações dos planetas que as regem. A cruz fixa pode representar o Guna Tamas, ou a qualidade da inércia, no qual a obediência e a firmeza hão de ser as primeiras lições. A complicação implicada na correta ordenação das três cruzes e dos quatro triângulos pode parecer intrigante para os que não podem aclarar suas ideias mediante um processo de pensamento abstrato; porém, é necessário recordar que a Cruz Fixa, que reflete a vibração da vontade da consciência é também inércia e obscuridade, além de estabilidade e firmeza, havendo

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dois lados para cada forma, o de luz e o de obscuridade. O mesmo sucede com todos os signos e suas divisões. Os signos cardinais podem ser super-ativos, excessivamente ambiciosos, separativos e exagerados, além de hábeis na ação, receptivos e criativos. Os signos mutáveis são também mudos, indiferentes e vaporosos, além de conectivos, harmoniosos e humanos. Nisto se estriba a dificuldade de chegar a ser astrólogo. Como estudantes, podemos analisar, dissecar e pôr todas as coisas em seu lugares adequados, porém o equilibrar corretamente, sintetizar bem o conjunto e saber em um golpe de vista distinguir entre o jovem e o velho é um dom que em alguns pode chegar a ser genialidade. Os estudantes, no entanto, podem ver suficiente para compreender que, se as formas podem se estender e ser transbordadas por um ego, tem que haver algo vital na teoria da reencarnação e também ver algumas razões para crer no Carma ou fado e destino autocriados. A VIA DO PROGRESSO Todos nós estamos destinados a passar por uma longa peregrinação, para obter a autoconsciência necessária na compreensão de nosso destino divino. Um estudo de astrologia genetlíaca não só nos ajudará a compreender por que temos que passar por certas condições, senão também por que, pelo que parece, progredimos tão devagar até o remoto término ideal. Verdadeiramente, há milhões de vibrações que atuam sobre nós durante cada minuto de cada dia; infelizmente, a tão poucas respondemos de modo inteligente e autoconsciente! Os veículos, em vez de serem serventes úteis do ego que há por trás deles, retêm a vida em escravidão a suas próprias limitações, e assim muitas almas giram uma e outra vez no círculo da necessidade como um esquilo dentro de uma jaula, em vez de subir a espiral dos novos modos de matéria para expressar novas fases de consciência. "Como o faremos?" perguntará o sério estudante. Essa é a pergunta final deste livro. Primeiro, trataremos de compreender nosso próprio horóscopo e a nós mesmos; e se compreendermos corretamente um e outro cessaremos de praticar o mal e aprenderemos o bem que podemos fazer mediante as possibilidades que há dentro de nós mesmos. Responderemos mais às vibrações superiores de nosso horóscopo e menos às inferiores. Veremos até que ponto podemos misturar nossas influências com as influências dos outros, até que passemos a estar sob a única grande influência do Mestre que atua como representante de nossa peculiar linha de evolução, e então teremos que nos converter realmente no Homem Sábio, o qual governou suas estrelas e que deixou de ser o néscio que cegamente as obedece.

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CAPÍTULO 25 - CONCLUSÕES

MALDIÇÃO E BÊNÇÃO DA ASTROLOGIA Reduzindo todo o Carma através da harmonia, transcendendo todo apego mediante a Sabedoria, firme no único Eu, as ações, oh! Dhananjaya, não amarram. Bhagavad Gita

A

maldição da Astrologia tem sido sua separatividade; seus ensinos foram compreendidos somente pela mente concreta, e aqueles que conseguiram descobrir seu inestimável valor utilizaram seu saber em benefício próprio. Os resultados deste uso egocêntrico da Astrologia podem ser observados no uso geral dos termos de ordem separativa como "minha Lua", "meu Sol", etc.

Durante a descida à matéria no caminho da separação, cada indivíduo se identifica com certas influências planetárias, e esta identificação chega a ser tão pronunciada que faz com que a influência seja especial do indivíduo. Com dificuldade, aprende a se dar conta de que outros junto a ele podem estar sob a mesma influência, e mesmo quando sabe que é assim, continua separando-se deles, sustentando que nenhum outro horóscopo é exatamente como o seu, da mesma maneira que não há dois rostos exatamente iguais. Toda a maldição da Astrologia firma-se em confundir a forma, sobre a qual a vibração planetária tem a máxima influência, com a vida. O jovem ego está limitado pelas casas do horóscopo no qual nasceu. Seu ambiente e circunstâncias se limitam a cada passo, não pode romper os laços do destino, não sendo bastante sábio nem bastante forte para isso; portanto, sucumbe à sua influência. O Ego que realizou algum progresso está ainda limitado pelos signos do Zodíaco e pelas faculdades corporais

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regidas por estes signos. Suas sensações e instintos o atam e encarceram através de seus gostos e aversões, as repulsões e aversões de seus sentidos, não podem elevarse acima deles, e assim considera a influência de Marte como inevitável e fatalista. Julga somente pelas inclinações de seus sentidos e permite que eles o governem. O Ego avançado está limitado pelas influências que atuam através do Zodíaco, e está atado pelas limitações de sua mente. É superior ao homem cujos sentidos o cegam através das tendências e preconceitos e, contudo, restringe sua mente a esta visão pessoal e se vê necessariamente limitado por sua própria experiência de seus costumes, hábitos e egoísmo. Adquire um conhecimento da Astrologia e fica fascinado pelas maravilhas de seu horóscopo, que considera como um fetiche; é seu horóscopo, e em seguida se separa do resto da humanidade, desfrutando as alegrias dos bons aspectos e posições planetárias e lamentando-se pelos maus aspectos e posições. Há atualmente milhares de pessoas que estudam Astrologia e que não compreendem o significado da advertência do astrólogo que diz: "O SÁBIO GOVERNA SUAS ESTRELAS, O NÉSCIO AS OBEDECE ". Todo estudante de Astrologia está em contato com uma inestimável sabedoria e, todavia, em sua maior parte, ignora-a.

A MALDIÇÃO O ilustrado astrólogo hindu sabe que pesa uma maldição sobre a Astrologia e que esta maldição só pode ser eliminada e ser convertida em uma bênção por aquele que supera as limitações da separatividade. Um conhecimento da Astrologia Esotérica eliminará essa maldição para o que compreende. Considerado o assunto desde a base, com os olhos da mente concreta, os planetas giram em suas órbitas como corpos separados, separados uns dos outros ou do Sol, da Lua e das estrelas. Os Signos do Zodíaco são signos separados, tendo cada um deles um significado distinto e próprio. A Terra é considerada também como um corpo separado e isolado que gira no espaço, e causando com seu movimento o dia e a noite. Para a mente superior e ilustrada, tudo depende de qualquer outra coisa e só é completo formando parte do conjunto. Para o astrólogo esotérico, os planetas são esferas de influência que se movem dentro de outras esferas de influência, separados em suas proporções de vibração e nas diversas fases que apresentam de uma Vida monopolizadora, que serve de base a todas as coisas e na qual eles vivem e se movem e têm seu ser. O Zodíaco é fundamentalmente um todo homogêneo, completo na harmonia de seu círculo, e separado somente nas subinfluências de suas divisões ou signos. A Terra é uma parte de uma esfera de evolução muito mais ampla, que, por sua vez, é só uma parte de todo o Sistema Solar, e está inseparavelmente unida a ele.

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A BÊNÇÃO A bênção da Astrologia provém de seu ensinamento da unidade. Em todo horóscopo, os mesmos planetas são símbolos de uma grande influência comum a todos eles. Todo homem nascido sob a influência de Marte possui um raio com exatamente a mesma influência que qualquer outro homem que pertence a esse planeta através do tipo de seu horóscopo; e este é também o caso daqueles que nascem sob qualquer outro planeta. Não há mais que uma só influência suprema e Divina, e todas as outras, não importa quão longínquas pareçam, estão dentro da esfera desta única influência suprema. Cada ser humano, durante sua existência, compartilha com todos os outros seres humanos o Círculo do Zodíaco, e cada um, por sua vez, passa em torno desse círculo, assimilando, na medida do que pode em cada fase de sua existência, uma porção da influência zodiacal até que, por fim, tenha unificado e conquistado o círculo inteiro. A dificuldade em ver a unidade que subjaz ao conjunto dos ensinamentos astrológicos surge da incapacidade do estudante para ajustar as diversas partes ao todo; e, apesar disso, a dificuldade fica eliminada em parte graças à distribuição dos planetas nos signos do Zodíaco. OS DOIS PRATOS DA BALANÇA Os sete planetas e a metade dos signos do Zodíaco se relacionam com o lado espiritual da evolução do homem, enquanto que a outra metade dos signos junto com as doze casas do horóscopo se relacionam com o lado material de sua evolução. É o ajuste destes dois lados, que é necessário, para se compreender a unidade do conjunto. Os signos pertencentes às triplicidades de terra e de água são receptivos à experiência concreta, e respondem a impactos recebidos do mundo material, a ponto de suscitar dos corpos físico e astral dos homens uma consciência que é instintiva e autoconservadora, a qual forma a consciência pessoal separada. Ilustramos isto traçando uma linha reta perpendicular que representa o meridiano superior e inferior do horóscopo, ou dos triângulos entrelaçados das triplicidades de terra e de água. A outra metade do Zodíaco, que compreende as triplicidades de ar e de fogo, é subjetiva e abstrata, respondendo a impressões recebidas do mundo mental e que afetam o indivíduo em uma região superior a das tendências pessoais. Isto vem ilustrado pela Unha horizontal que cruza a perpendicular de leste e oeste. Do ponto de vista concreto, há harmonia e discórdia nos membros desta cruz sobre a qual está ligada a consciência individual e pessoal; porque, enquanto o fogo e o ar estão em harmonia e a água e a terra tratam de se misturar, não existe harmonia aparente entre o fogo e a água ou entre a terra e o ar. A personalidade separada não vê senão guerra e antagonismo entre os elementos da Natureza, e à medida que se dá conta de sua própria separatividade como indivíduo, não individualiza completamente estas

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forças contraditórias em si mesmo; porque descobre que se produz continuamente uma luta em sua própria natureza entre a mente e os sentidos, o corpo e a alma. A esta guerra dos sentidos, liberada no campo de batalha do Zodíaco, acrescentam-se as influências dos planetas, causando maior perturbação e desarmonia, e induzindo o homem a considerar-se como um ser composto em vez de uma unidade de consciência com diversas formas de expressão. O HOMEM DA COMUM Na interpretação analítica comum de um horóscopo, constatamos que o sujeito da delineação, com frequência, se vê totalmente incapaz de se ver em um resumo que apresenta uma síntese composta do conjunto. Na maioria dos casos, o signo ascendente, o planeta regente, o Sol e a Lua apresentam um bom quadro da natureza do homem e constituem uma síntese suficiente, com talvez a adição de algumas vibrações de Marte. São muito poucos os que respondem ao melhor lado da influência de Saturno em seus mapas, porque a influência dolorosa, triste e egoísta deste planeta, causando contrariedades e obstáculos, é tudo quanto em geral se percebe. O GÊNIO Compare-se o horóscopo de uma pessoa comum do mundo com o de um grande gênio, tanto se sua força reside na sabedoria como no amor ou na ação. As mesmas vibrações atuam sobre cada um deles; e ainda que as posições dos planetas, os signos e os aspectos possam ser completamente diferentes, não obstante, as influências de cada um são idênticas em sua essências. O mais alto que pode alcançar o homem comum é uma análise completa das diversas forças que atuam à sua volta. O mais baixo que o Mestre toca é a síntese do conjunto dessas forças em si mesmo e sacudindo de si, constantemente, os graus mais grosseiros de matéria, com o objetivo de que sua consciência possa operar através dos graus mais sutis. O MESTRE Nenhum Mestre de Sabedoria está limitado pelas doze casas de seu horóscopo; ele pode transcendê-las. Não está atado pelos signos do Zodíaco e pelos tipos de matéria que eles regem; tampouco está limitado pelas influências dos planetas. Um Mestre é Uno como o todo. O todo o vê como manifestações da única vida. Em um mundo de aparente separação, ele sabe que cada unidade separada é uma parte integrante do todo.

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O HOMEM SÁBIO O homem sábio governa suas estrelas cooperando com elas no mundo, conhecendo-as como forças benéficas para o cumprimento do destino e compartilhando com os outros suas influências. A bênção da Astrologia provém do conhecimento da unidade, e da crença de que somos filhos de Deus com direito a uma divina herança. A maldição da Astrologia é a limitação que impomos a nós mesmos, vendo nosso horóscopo como separado do horóscopo do mundo; como resultado, somos incapazes de ver a bênção que flui até aqueles que vêem o Eu único em todas as coisas.

"Da mesma maneira que a tartaruga retrai seus membros para dentro de si mesma, assim também, quando o Iogue se separa a si mesmo e separa seus sentidos dos objetos dos sentidos, sua sabedoria se torna estável." - Bhagavad Gita.

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Os livros o dizem bem, meus Irmãos! A vida de cada homem É o resultado de sua existência anterior; Os erros passados produzem penas e desditas, O bom trabalho passado origina bênção. Aquilo que semeares, isso colherás. Olha aqueles campos! O joio era joio, o trigo Era trigo. O Silêncio e a Obscuridade o sabiam! Assim é como nasce o destino de um homem. Ele chega, colhedor do que semeou, Joio, trigo, tudo o que semeou no passado nascimento; E toda a má erva e a planta venenosa que o prejudicam A ele e à terra doente. Se ele lavrar a terra como é necessário, Plantando sementes sãs em terreno abonado, O solo será fecundo e belo e limpo, E abundante será a colheita. Se o que vive, aprendendo a causa do infortúnio, Aguenta com paciência, procurando pagar A dívida contraída pelo mal que fez, Sempre em Amor e Verdade... Deixará ao morrer, como a soma de si mesmo, Fechada a conta de sua vida, e seus males ficarão mortos e quitados E seu bem é rápido e poderoso, distante e próximo. De sorte que produza copioso fruto. A Luz DA ÁSIA.

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Este livro foi preparado e destinado especialmente às pessoas que buscam o desenvolvimento espiritual, que se preocupam com a situação em que a Terra se encontra e pretendam participar ou assumir verdadeiramente uma missão de Amor aos seus semelhantes e que, ao mesmo tempo, possam aprofundar-se mais rapidamente numa sabedoria Cósmica através dos ensinamentos transmitidos pelo Reino Angélico e pelos Mestres Cósmicos.

307 307 NUNOVIDE Número, nome, vida e destino Yarà Azeredo Marino

Este livro contém, de forma clara e simples, o método para cada indivíduo encontrar os seus arcanos e a explicação pormenorizada dos seus significados, assim como as barreiras e os potenciais de cada vida. Partindo do princípio de que: "o que pode ser previsto pode ser evitado", neste manual há a orientação para cada um se colocar em harmonia com as suas vibrações e, assim, encontrar o sucesso e a felicidade.


Autocura Como utilizar a energia psitrônica Pier Campadello O livro mostra os vários métodos de sentir a Energia que está ao seu redor e usá-la em nosso benefício, de tal forma que Você nunca estará desamparado, nunca estará só, poderá vencer todas as dificuldades que aparecerem em seu caminho, não permitirá que a mágoa o perturbe, encontrando o caminho da tranquilidade do equilíbrio, para poder escutar a sua voz interior, a voz do silêncio. Descobrindo a verdade nas coisas e nas pessoas, colhendo infalivelmente aquilo que houvermos semeado, porque ao atingir, com este método, a tranquilidade e a harmonia interior, geraremos pensamentos positivos voltados para o nosso bem e o bem da coletividade.

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Frederik William Alan (que escrevia, como era moda em sua época, com o pseudônimo Alan Leo devido ao seu signo solar e ascendente) nasceu no bairro de Westminster, Londres, a 7 de agosto de 1860, às 5:49'36" da manhã (hora local). Interessou-se por astrologia entre os 20 e 25 anos, estimulado pelo astrólogo teosofista Sepharial. Este o apresentou aos demais membros de seu movimento, e, inspirado nele, fundou, em 1890, a revista The Astrologer's Magazine, com W. Lacey. Esta revista teve muito sucesso, e passou a se chamar Modern Astrology. Escreveu abundantemente sobre astrologia, sendo o primeiro astrólogo inglês a redigir manuais de instrução para o público. Entre suas obras, destacam-se Astrology for All, Casting the Horoscope, Progressed Horoscope e este presente livro, Esoteric Astrology. Suas obras são até hoje consideradas pelos estudantes como dentre as melhores, especialmente seus livros de texto. Alan Leo é um clássico da Astrologia, sendo mesmo tido como o pai da astrologia europeia. Este livro, Astrologia Esotérica, é uma das mais comentadas obras ocultistas, sendo ainda o precursor dentre os textos ocidentais a combinar astrologia, carma e reencarnação. Alan Leo - falecido em 1917 - expressou nele todo seu saber astrológico e conhecimento humano, abrindo um amplo caminho para os estudiosos. Seu herdeiro direto foi Charles Carter, tido como o fundador da astrologia psicológica.

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Astrologia esotérica alan leo  
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