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4''


5^/2-32, LIBRARY

OF

THE

SEMINARY

THEOLOGICAL

PRINCETON,

N.

J.

PRESENTED BY

The Author.

DizisiorL..^\..L.

Section.

^

^


o APOCALYPSE Uma

interpretação do Século

XX


o APOCALYPSE Uma

interpretação do século XX^f^^J^^

POR

HARRY PRESTON MIDKÍFF, Revisão

e

prefácio do Pastor

Todos os

M.

EDUARDO MREIRA

direitos reservados

1930

LIVRARIA EVANGÉLICA Rua das Janelas Verdes,

LISBOA

A., B. D.

28,

30 e 32


e impresso na Marianos - Janelas

Composto Imprensa Limitada

—

V


SIĂ?

minha querida esposa, SĂ­nnie,

e

a meus dilectos

e

^aroldy dedico

balho-

filhos, Carl,

este

^ean

modesto

tra-


Agradecimento Justo é registar aqui a minha gratidão ao prezado amigo e

collega,

o distincto literato e orador evangélico rev.

Eduardo Moreira, peio seu valiosissimo auxilio na correcção do portuguez deste citados e

A

elle

também

livro,

na verificação dos textos biblicos

pelas sabias sugestões que delle recebi.

devo, outro-sim, o relevante serviço de obter editor

e attender ao serviço todo quanto á publicação do livro.


PREFÁCIO Quantas nobres

intelligencias

teem preten-

dido exhaurir o mySterio desse livro admirável a que Milton

chamou

tragedia altissima e im-

ponente, encerrando e mesclando as suas sce-

nas

com

o septulo coro das alleluias e a sym-

phonia das harpas

Um vel,

grande bispo catholico e orador inimitá-

como

foi

Bossuét

;

um famoso

pastor pro-

como foi Jumas universal,

testante, seu celebre adversário,

rieu

;

como

um

sábio,

foi

não

Newton;

homens procuraram

direi inglez

e tantos

outros illustres

perscrutar o mysterio

do

Apocalyse, desde Victorino, o bispo de Pettau, até Filippe

Mauro. E, sem duvida, de todos os

estudos feitos

com

sinceridade humilde, tirou o

pensamento christão utilidade, apesar-de varias escolas se chocarem na sua interpretação. Mas quanto ha para dizer, visto que o mysterio persiste e a sua interpretação c cyclica e ideal


Voltaire isso,

ao

não percebeu ou não quiz perceber

ridicularizar alguns

commentaristas da

e, comtudo, essa grande verdade fora já entrevista pelo génio de Bacon. Recentemente a escola idealista ou espiritual

escola histórica,

ensina

com

clareza

como em todo o elemento

prophetico, o qual constitue a

um tempo

a

uma interprecomo ha uma revelação

trama e a urdidura da Bíblia, ha tação progressiva

progressiva; e o cumprimento da prophecia realisa-se através

dos séculos

dum modo

ger-

minativo e crescente, no dizer de Bacon. Erra a Egreja se esquece ou desdenha o es-

tudo deste radas

livro cheio

lições.

O

de maravilhosas e inspi-

Apocalypse

é,

como

se sabe, o

desenvolvimento da antiga prophecia pelo me-

thodo

litterario

de Daniel e de parte de Eze-

quiel e de Zacarias.

disse

do

livro

E

o que

de Daniel, que

sir

Isaac

rejeita-lo

Newton

o

mesmo


XI

era que rejeitar a religião christã, dito

bem pode ser

do Apocalypse também.

Se toda a prophecia tem para nós especial importância, o que se ha de dizer do livromestre da prophecia biblica?

Numa

do pensamento humano como é esta nossa, tem o Apocalypse um particular valor, como luz que se vislumbra no negrume da geral angustia. Sêde epocha de

crise social e

de paz e sobresaltos de guerra revoltas e con;

tra-revoltas politicas, religiosas e lutas

económicas

de raças e de confissões e campanhas de

unificação de credos e de federação de povos

proclamações mais ou menos estrondosas dos direitos

dos fracos, a-par-de

manhoso de

um

tráfegos infames

;

alastramento

tudo são sym-

ptomas da tremenda crise. As almas que sentem a angustia do dia-de-hoje, como não vislumbrarão com enorme gozo essa luz


xn

Quer o commentador

trazer

mais perto de

nós o pharol da prophecia, e abrir-nos os olhos para as suas bellezas e fulgores.

Bemvindo

seja o seu trabalho

É a litteratura evangélica portugueza escassa em commentarios e do livro que fecha o Novo Testamento nada se tem publicado em Portugal, existindo no Brasil somente um ou dois ;

trabalhos, ou de feição popular ou de alvo restrito.

com satisfação uma «uma visão actual de

Será, pois, recebida

obra onde se delineia Christo

em

relação

com

os problemas que hoje

nos defrontam». Estas palavras do Autor dão

uma

do seu plano, inteiramente novo para nós, e no qual se soccorreu de Carpenter, Charles, Alford, Plummer, Farrar, Harold, Scott, ideia

Gardiner, Ramsay, Trench, Beckwith, Milligan,

Quinness, Peake, Bengel, Speer c principal-

mente de

P.

Whitwell Wilson.

Mas

o encanto


xin

maior do

quanto a mim, na maneira

livro está,

cheia de interesse e de utilidade

como

se faz

aplicação das verdades eternas da Visão no cyclo histórico que até

vamos atravessando, indo

ao pacto Briand-Kellog e aos successos

hodiernos da Palestina.

^

E

agora,

leitor,

^

^

deixa-me dizer-te

:

antes de

do tratado que o gentil espirito do dr. Midkiff nos offerece, meditemos na grande verdade proclamada por Gaebelein, que é impossível um estudo aturado e proficuo da prophecia se não vivemos libertos do mundo, no verdadeiro gozo da communhão encetarmos a

leitura

com Deus. E, ao mesmo tempo, esforcemonos, em oração e anseio, por constatar que esse estudo aturado e piedoso produzirá o gozo e a libertação

que almejamos.


IMTRO.DUÇÃO Até ha uns oito annos o Apocalypse era para mim, na sua mor parte, um livro quasi desconhecido. Conhecia eu alguns trechos, é certo gostava das suas empolgantes promessas e do espirito de ternura, amor e protecção divinas que suas paginas inspiradas exhalavam. Alimentava o meu espirito com a gloriosa esperança alli delineada, mas as suas visões eram para mim um enigma e a confusão que me parecia reinar sobre a questão do Millenio afugentava-me para terreno mais seguro nos ;

meus humildes esforços por

interpretar a Palavra

Divina.

Mas

We

a leitura de ''The Vision

Forget„, po-

pular livro de P. Whitwell Wilson, sobre o Apoca-

deu-me uma chave

desde então tenho-me dedicado tanto quanto possivel ao estudo das visões de João. Tempo não tive, nem capacidade, de fazer um

lypse,

estudo profundo,

como

e

desejava.

Tenho-me

esfor-

porém, por tirar algumas das lições mais obvias do livro que parece ser, pelo assumpto de çado,

que

trata,

o mais importante que possuímos. Ahi se

delineia para nós o Christo actual

em

relação

com

os problemas que hoje nos defrontam. As Escrip-


*

le

turas não

devem

ser

nem

quebradas,

truncadas.

Quando, porém, systematicamente negligenciamos livros da Biblia, é isto essencialmente o que então fazemos. Diz o autor do Apocalypse, «Bemaventurado o que lê e bemaventurados os que ouvem as palavras desta prophecia e guardam as cousas que nella estão escriptas». Apesar desta recommendação especial, quantos de nós não temos deixado de lado este livro? A minha humilde esperança é conseguir que mais dos nossos o leiam com attenção e assim colham as bênçãos promettidas. Gostamos de ler as historias encantadoras do nascimento de Jesus, da sua infância perfeita, do seu incomparável ministério da palavra e da sua obra amabilissima, da sua consagração até a morte e morte de cruz, e da sua gloriosa Victoria sobre o mal e a morte. Ora à sua ressurreição

seguiram-se varias

apparições e promessas que animaram os discípulos

na resolução de tudo abandonarem para prégar o Principalmente

Evangelho.

entre

estas

promessas

está a da sua presença continua: «Eis que eu estou

comvosco todos os dias

até o fim

do mundo» (Mat.

28:20).

Devido

a

negligenciarmos o Apocalypse, a nossa-

consciência da presença de Christo está muito

aquém do que

em nossa

desejaríamos.

vida

O

segredo a vista que

da transformação da vida de Saulo foi elle teve do sempre-presente Christo. Cônscio desta presença em poder, lançou elle um repto ao mundo do mundo ine mesmo aos poderes destes ares,


17

visível.

«Tudo posso»,

fortalece».

Parece que

me

«por Aquelle que

dizia,

a principal falta da egreja

hoje é a falta da consciência da presença de seu

Senhor e Mestre. O passado tem um certo encanto para nossos olhos. Gostamos de viver com os heroes de outr'ora. O presente, porem, com seus problemas e deveres exige a nossa attenção, um tanto recalcitrante. «Oh!

pensamos nós», se tivesse dar léa,

com

tido o privilegio

de an-

aquella magnética Personalidade da Gali-

a minha vida seria

bem

differente

!».

Até dos

esquecemos ao olharmos o passado. Ha pessoas que contemplam o crucifixo durante horas e nunca enxergam a Presença poderosa que ao seu lado diz «Pedi e dar-se-vos-á» Mas ha ainda mais uma cousa que necessitamos de privilégios de hoje nos

. .

:

cultivar,

—é

a

capacidade

de

visionar

o futuro.

Muita cousa no passado foi boa, mas o futuro devenos apresentar cousas melhores. Contamos aos nossos filhos os «Era uma vez* e esquecemo-nos de lhes antepor os «Haverá algum dia» dos sonhos e

das visões arrebatadoras da nova

em nosso

tadas

era, architec-

espirito e especialmente nas paginas

O vidente João nha génio especial para taes inspiradas visões. inspiradas do Livro dos livros.

Como

recebeu João a mensagem do

ti-

livro ?

Ha quem entenda que o livro é uma serie de como as de Dante ou de Bunyan em outras palavras, a visão é simplesmente visões imaginarias, ;

2


18

a forma literária que o autor adoptou.

É

claro que

João escreveu com intuito intensamente serio, em tempos muito afflitivos. Ao ler o livro temos a impressão de que o autor passára por

uma experiên-

empolgantíssima; cahiu como morto ao ver-se

cia

na presença de Christo glorificado (1:17); chorou

immenso ao contemplar o rolo do enigma humano sem haver quem o abrisse (5:4); prostrou-se aos pés do mensageiro para o adorar (19:10 e 20:8), Entendeu elle que escrevia as verdadeiras palavras de Deus (19:9). O problema da objectividade ou subjectividade das visões deixamo-lo para os psy-

chologos. e

as

O

que elle as viu de alguma forma conforme entendeu que recebera

facto é

registrou

mandamento do Senhor. E nossa.

Quem tem

ahi estão para edificação

capacidade,

leia,

quem tem

ouvi-

dos ouça, quem tem entendimento guarde as cousas escriptas e será abençoado.

O ficou

espirito de

João inundou-se com a divindade,

«intoxicado por Deus». Paulo achou

contar o

illicito

que ouviu no terceiro céu; João revela

menos a mensagem dos sete trovões (10:4). «Onde não há visão o povo perece» e onde se revela uma visão da Divindade ahi encontramos uma fonte tudo,

de inestimáveis riquezas espirituaes. Sem esta visão, Milton jamais podia ter escrito o seu «Paraiso Perdido». Esta Visão é o climax das allegorias de BunyanCasada com a harmonia, soa nos coros de Hãndel e em antiphonas e hymnos innumeraveis. Casada

com

a cor, brilha gloriosamente nas telas de Ra-


19

phael, tores

de Miguel Angelo e duma multidão de pintambém. Rossetti, Burne-jo-

pre-raphaelitas

nes, Ruskin teem folgado nos explendores desvendados do ceu, na tétrica magnificência do inferno, da segunda morte e do lago de fogo. Sem a verdade não ha vida, por mais formidável que seja essa verdade, e se o Apocalypse tem feito o seu appello ás mentes-mestras da musica e da literatura, é porque as mentes-mestras somente são mestras quando teem a coragem de enfrentar tanto o peor como o

W.

melhor». (P.

As cousas

Wilson).

espirituaes são aprehendidas

espiri-

tualmente e nós somos notavelmente obtusos quanto ás cousas abstractas e metaphysicas.

Jesus

tinha

muita cousa a contar, que estava

alem do alcance dos Apóstolos e disse que o Espirito havia de as revelar. No Apocalypse é o Espirito que falia ás egrejas, conforme diz Jesus no fim de cada uma das sete cartas dictadas. Novas verdades e princípios geraes penetram no espirito

humano com

Os prophetas labutam por que sirvam de base no conhecido para a edificação das novas verdades, que veem do desconhecido. Jesus admirou-se da falta de comprehensão do povo, e, por belíssimas difficuldade.

achar figuras materiaes

parábolas e similes transmittia o seu ensino.

Mesmo

quando declarado em linguagem insophismavel, ás vezes o seu ensino calou no espirito dos Apóstolos somente depois de passar por experiências que lhes abriram

o

entendimento. Referimo-nos

particular-


20

mente á morte e ressurreição de Jesus e factos próximos d'esses. Quando o Infinito se vem despejar no finito, o vaso está em perigo de rebentar. O vidente difficiimente comprehende as suas visões. Nós não podemos subir ao céu, mas é o céu que desce a nós. Na sua perplexidade espiritual Job brada: «Poderás descobrir as cousas profundas de Deus? Poderás descobrir perfeitamente o Todo-poderoso?

Como

as alturas do céu, é a sua sabedoria; que poderás

fazer? Mais profunda do que o Sheol; que poderás

saber?

a terra,

e

A

sua medida é mais comprida do que

mais larga do que o mar» (11:7-9).

Psalmista nos dá a formula

que eu sou Deus»

:

O

«Aquietae-vos e sabei

Assim João não escalou o céu, mas passivamente, «estava no espirito» e as (46:10).

brizas celestes vibraram

em sua alma

;

seu espirito es-

tava afinado pelo radio infinito e reverberou

com

a eterna musica; as janellas do coração estavam

Nova Jerusalém e propheticamxente Nova depois dos séculos de successivos e formidáveis recontros do bem com

abertas para a

previu o advento da Era

o mal. Talvez a nossa capacidade de comprehender estas visões augmentará mais se,

em vez de

pro-

curarmos o seu cumprimento definitivo em qualquer acontecimento no passado ou calcularmos datas futuras, nos assentamos

com João

e passiva-

mente deixamos estas figuras photographaram-se-nos no espirito e gravar em nosso intimo os princípios que incorporam, (cf. Cor. 2:10). I


21

Precisamos lembrar, comtudo, que as visões não para nós o mesmo valor que tiveram para

terão

João, a não ser que tenhamos na mente o

mesmo

sabstratum mental que João possuia. A verdade se lhe apresentava naturalmente nas formas e na lin-

guagem que

Taes formas nós as encontramos na literatura sacra do seu povo, os Judeus. Se o nosso espirito for embebido no Velho Testamento, será immensamente ajudado na comprehensão do Apocalypse, pois «o todo deste livro é um reflexo das visões propheticas do Velho Testamento.

.

.

lhe

eram

é cheio

familiares.

de referencias e allusões aos es-

Moysés

e dos prophetas, numerosos demais para se detalharem» {Oxford Helps, citado por P. W. Wilson).

criptos

No

de

entretanto João vae muito alem das prophe-

do Messias e o glorioso do povo de Deus. Assim como Jesus foi tão diverso, na sua vida, das expectativas dos Judeus, que o não reconheceram como Messias, assim também João espiritualisa as prophecias acerca do Reino Messiânico e é bem possível que, mesmo depois de dois millenios da progressiva vinda de Christo, ainda hoje não vejamos o extraordinário alcance deste Reino espiritual por causa da sua simcias antigas sobre o reino

futuro

Quando Elie se nos revelar plenamente na sua segunda vinda, é bem possível que a nossa surpreza e falta de preparo e comprehensão sejam tamanhas como as do seu povo, plicidade e intimidade.

quando em Belém nasceu, glorificando assim para


22

todo o sempre o lar quando lidou no seu banco transformando a industria e o comercio quando en;

;

como jamais

sinou, fallando

fallou qualquer

homem,

assim lançando os alicerces para a philosophia e a sciencia verdadeiras; quando serviu os necessitados, demonstrando insophismavelmente a missão

de nós todos. Que as janellas do nosso espirito sejam abertas continuamente para a Nova Jerusalém, para que a sua ineffavel luz inunde a alma e transfigure o espirito! «Os dias da possibilidade de ex.

.

ploração venturosa nas regiões longínquas não pas-

A fronteira de um mundo novo não está disNão é apenas a fronteira de um novo anno de tempo, mas a fronteira de uma nova vida de amor e de fidelidade e de sacrifício, uma vida que, de

saram. tante.

or'avante, prosseguirá para completar os soffrimentos de Christo,

opportunidade

que nos dias deste novo mundo de e

necessidade, dará

a

si

própria,

tudo que delia existe, tudo que Christo pôde collocar nella, no esforço para completar agora aquillo

que Jesus Christo, pela Sua vida

e

morte e res-

surreição, principiou» (R. E. Speer).

Deus tem revelado

a sua

pelas seguintes maneiras

:

mensagem aos homens

— fallando

directamente

como um homem falia a outro, como no caso de Adão, Moysés etc; 2.** por meio de sonhos, como no caso de

com

elles, e

a sua representação é

Salomão, Daniel, os Magos, etc; 3.^ por meio de extasis, como no caso de Ezekiel, Paulo eVc; 4." por meio de signais e actos symbolicos,

Jacob,


23

como no caso de Abrão (Gen. 15; 8-11) e dos soldados de Gedeão, no casamento de Hoseas, a escripta na parede para o rei Bielshazzar etc. 5.'' por meio de visões 6.° por meio de anjos 7.° pelo con;

;

tacto directo

;

com o seu

espirito.

João recebeu a mensagem que transcreveu no Apocalypse por todas estas maneiras, menos a de sonhos. tuario

Um

(11:

acto symbolico é a medição varias

1-2);

vezes

elle

do sanc-

ouviu vozes,

inclusivé a de Jesus, faliando; frequentemente

anjo apparece

como

pelo Espirito;

e,

guia e interprete

por

fim, a

;

foi

um

arrebatado

maior parte do livro des-

creve as suas visões.

Taes experiências não eram limitadas aos servos de Deus e ainda se reproduzem nos extasis do médium espiritista, etc. Quanto á sua validade, cita-

mos

Charles: «o Propheta e o vidente egualmente

tiveram sonhos, visões e extasis, e estas experiências psychicas

em

Israel distinguiam-se

das dos vi-

dentes pagãos, não pela sua realidade maior, pois

em

geral

eram egualmente reaes em ambos os casos,

mas por meio de um padrão bem

differente, isto é,

pela fonte de onde originaram, o meio

em que foram

produzidas, e a influencia que exerceram sobre a vontade e o caractet

.

A

todos estes respeitos o methodo

prophetico e o apocalyptico foram devidamente authenticados no V. T., piritismo de hoje rios

pontos de

bem como no

N. T.»

O

es-

deve ser examinado sob estes vá-

vista.

Já mencionámos a

difficuldade de exprimir as


24

experiências espirituaes e tornamos a citar Charles

cNo nosso

sobre este assumpto:

autor as visões

são de uma natureza elaborada e complicada, e quanto mais exaltada e intensa a experiência, mais incapaz se torna de ser descripta literalmente. Ain-

da mais, se cremos, como crê o escriptor actual, que atraz destas visões ha um verdadeiro siibstra-

tum de realidade pertencente ao mundo superior espiritual,

então o vidente poderia aprehender as

cousas vistas e ouvidas

em

taes visões, somente na

medida do seu equipamento para a poderes psychicos

e

tarefa,

por seus

pelo desenvolvimento espiri-

que já attingíra. Em outras palavras, elle podia, na melhor hypothese, apenas parcialmente aprehender a significação da visão celestial que lhe foi

tual

outorgada. Ás cousas vistas

foi

obrigado a ligar os

symbolos mais ou menos transformados que ellas naturalmente evocaram em sua mente, symbolos que elle devia á sua experiência quando accordado ou á tradição do passado; e os sons que ouviu naturalmente se vestiram nas formas literárias armazenadas na sua memoria. Assim o vidente labutou debaixo de duas incapacidades. Os seus poderes psychicos não tinham a capacidade de aprehender a plena significação da visão celestial, e os seus poderes de expressão frequentemente eram incapazes de expor as cousas que aprehendera.

«Na

tentativa de

descrever para os leitores o

que estava completamente alem do alcance do conhecimento e da experiência delles, o vidente cons-


25

mão do

tantemente lança

recurso de symbolos...

as imagens que usa são symbolos e não literaes ou

Deveras, o symboíismo

pictoraes.

em

relação a

taes assumptos é a única linguagem que o vidente e o leigo conjunctamente

podem empregar.

«Ha uma forma de experiência

.

espiritual

mais

alta que a de audição prophetica ou visão prophetica.

Nesta experiência superior o esclarecimento

divino ganha-se espiritual,

cia de

em que

si

num

estado de intensa exaltação

o eu perde a immediata consciên-

próprio

sem se

tornar inconsciente, e as

melhores faculdades da mente são avivadas para sua maior potencia. Neila a alma entra directo

com

que em

tal

em

contacto

a verdade ou o próprio Deus.

A

luz,

experiência elevada visita o espirito luta-

vem como uma graça, um conhecimento profundo da realidade, que a alma jamais poderia ter alcançado pelos seus poderes sem adjutorio, e todavia pode vir tão somente á alma que se preparou para a sua recepção. Em tal experiência, pode ser que o ouvido do vidente não ouça voz alguma, nem veja visão, no entretanto nisto mesmo a experiência espiritual chegou ao seu auge. Taes experiências sempre teem de ser alem do alcance de descripção literal. Podem apenas ser suggeridas por symbolos Ao mesmo tempo taes experiências espirituaes do vidente teem as suas analogias na do musico, do poeta, do pintor, do estudante erudito». Assim sendo, de certo teremos um tanto de liberdade na interpretação da literatura. Diz João Erskine «Os grandes livros são

dor,

.

:

.


26

aquelles que são capazes de reinterpretações. Isto

que aquillo que gozamos num livro pôde não ser o que o autor quiz exprimir. » Tal conceito suggere-nos a possibilidade de tirar para nós lições e suggestões que o próprio autor não signilíca,

naturalmente,

sonhou em exprimir. Parece que a literatura prophetica especialmente se adapta a tal methodo. O livro do Apocalypse adapta-se admiravelmente ás nossas

mas naturalmente o seu aue, quem nem comprehendeu que viria o dia em que o

circumstancias actuaes,

tor era incapaz de prever a guerra moderna,

sabe,

«livrinho» supplantaria exércitos e couraçados. Será que as visões não nos pertencem a nós, bem como a elle, de maneira que nos ajudam a interpretar a vida actual bem como ajudaram a egreja universal

de então?

Assim diz Beckwith com referencia ás prophedo V. T. «As prophecias dadas conteem somente o gérmen das grandes verdades que se desdobram lentamente atravez do futuro e que hão de alcançar a sua fruição somente na consummação do reino do Messias. Assim como em toda a prophecia, a eterna verdade é dada necessariamente decias

:

baixo de formas locaes e temporaes».

Entendemos que João teve varias visões na ilha de Patmos e que depois elle as descreveu organisando tudo numa forma literária de arte excepcional. Se elle acrescentou matéria obtida de outras fontes, introduzindo-a no meio das visões, pouco nos importa.

Na maior

parte, elle declara ter visto ou ouvi-


27

do,

mas ha secções, especialmente no

em que

elle

Modos de Os

interpretes

geraes; —

capitulo 12,

não parece ser testemunha pessoal.

1.''

interpretar o livro.

dividem-se

em

quatro classes

os preteristas, que entendem que os

principaes acontecimentos symbolisados se realisa-

ram na queda de Jerusalém 2.^ os futuristas, que sustentam que o cumprimento das profecias se realisará no futuro 3.*^ os históricos, que affirmam que ;

;

as visões se referem aos acontecimentos da historia até

ra se

ao presente e que

uma

parte ainda resta pa-

cumprir no futuro;

4.°

os que espiritualisam

as visões e entendem

que a sua referencia não é tanto a certos acontecimentos mas a grandes princípios que operam atravez dos séculos e se manifestam repetidamente Estes

modos de

em

eventos históricos.

não se ex-

interpretar o livro

cluem mutuamente. Os preteristas difíicilmente incluem o cumprimento todo no passado; os futuristas concedem que parte já se realisou Inclinamo-nos a pensar que seria melhor encarar o livro como representando princípios em vez de acontecimentos, pois assim evitamos as dificuldades que surgem quanto introduzimos o elemento do tempo. Quando nos movemos no mundo espiritual ou de ideias espirituaes, parece que o nosso modo de contemplar as cousas pelos moldes do tempo e do espaço não regula. Parece que o tempo não é simples.

.

.


28

mente um pedaço da eternidade mas algo differente sua natureza. O anjo em 10:6 disse que tempo não iiaveria mais. S. Pedro diz que um dia deante do Senhor é como mil annos, e mil annos como um

em

dia

(II

Ped. 3:8).

As expressões: «Cousas que cedo devem acontecer» (1:1), «o tempo está próximo» (1:3) e outras semelhantes, nos põem em duvida quando tomadas como referindo-se ao tempo como nós usualmente o entendemos. Persistentemente os discipulos indagavam de Jesus quando se havia de cumprir certas cousas e Elie sempre lhes afastava a attenção deste aspecto para os princípios eternos.

do Senhor

como

O

dia

não lhes competia a elles «saber os tempos ou as epochas... mas... sereis minhas testemunhas» (Act. 1:7-8). O ponto viria

ladrão,

de vista de Christo é a eternidade, mas a nós compete sermos fieis testemunhas no tempo que nos resta.

Talvez aqui encontraremos uma suggestão para em que parecemos chegar ao fim de cada vez, somente para voltar e iniciar nova serie.

a solução do problema das series de visões

«Não devemos procurar indicações de tempo nas visões do Apocalypse; e o que devia ter tornado isto

muito claro é o emprego de números propor-

cionaes para indicar as epochas propheticas no vro.

li-

Estes números, cuidadosamente seleccionados,

sempre relacionados entre si, e de tal maneira seleccionados que uma interpretação literal delles é quasi


29

que excluída, são sem duvida symbolicos, e assim estão em harmonia com o caracter total do livro. «A maior parte dos números no Apocalypse não se deve tomar arithmeticamente, mas indefinidamente, pois são parte da vestidura poética tomada de empréstimo do V. T.i (Davidson). A anciedade quanto aos «tempos e as epochas» tem levado muitos interpretes a volumosos erros, e tem creado um desassocego thessalonicense de espirito em muitos logares.

É

infinitamente mais importante notar os as-

pectos espirituaes do

livro,

os principios

maus

e

bons que se descrevem em conflicto e as feições que em epochas differentes o combate terá» (Carpenter). Todavia não devemos olvidar o facto que o livro sahiu de certas circumstancias, foi escripto para satisfazer as necessidades espirituaes de um dado tempo, embora os principios applicaveis então, se

appliquem universalmente e em qualquer epocha. Claro que, com o decorrer dos séculos, se vê cada vez melhor a sua applicação. «As prophecias de Deus são escriptas numa linguagem que pôde ser lida por mais de uma geração». Parece que o espaço também perde um tanto a sua significação no mundo espiritual. Paulo não sabia se estava no corpo ou fóra delle quando subiu ao terceiro céu, e João não distingue sempre nitidamente entre o céu e a terra. O espaço occupado pela cidade com as suas monstruosas dimensões não preoccupou o espirito de João, mas significava para elle apenas o caracter delia.


O

Objectivo do Vidente

<^0 objectivo

do Vidente

é proclamar a vinda

do

Reino de Deus á terra, e assegurar á Egreja Christã o triumpho final da bondade, não somente no individuo ou dentro de seus próprios limites, não so-

mente em todos os reinos do mundo relações uns

com

os outros,

o universo. Assim a seu evangelho cipio ao

mesmo tempo

foi

em

suas

desde o prinde corpora-

individualistico,

ção, nacional, internacional e cósmico. sete

e

mas também em todo

Emquanto as

egrejas representam o total da Christandade,

Roma

representa o poder deste mundo...

Entre

estas duas potencias não pode haver armistício ou transigência. Entre ellas o conflito tem de continuar

inexoravelmente,

mundo

sem

parar,

até

que o reino do

se torne o reino do Senhor e de seu Christo.

Este triumpho ha de se realisar na terra.

Não

haverá legislação, nem governo, nem negócios de estado que afinal não sejam postos em. sujeição á

vontade de Christo.

O

Apocalypse

vino Estatuto internacional,

é portanto

o Di-

bem como um manual

para a direcção pessoal de cada christão. Neste espirito de explendido

optimismo o Vidente defronta

o poder mundial de

Roma com

a sua pretensão

blasphema á supremacia sobre o espirito do homem. Elie, tão promptamente como qualquer dos mais pessimistas, reconhece o poder apparentemente esmagador do inimigo, mas não cruza os braços, como faz o pessimista,

em

apathia impotente,

nem

enfra-


31

a coragem de seus irmãos por lamentações

qiiece

e lagrimas ociosas.

Guiados pelo esclarecimento que

totalmente falta ao pessimista,

podemos reconhecer

o pleno horror dos males que ameaçam engolfar o

mundo

;

todavia o

vidente nunca cede ao

menor

pensamento de duvida da vitoria final da causa de terra. Elie saúda cada nova conquista feita pelo mal. triumphante, por meio de mais uma chamada de trombeta para maior fidelidade, mesmo quando esta fidelidade exige o supremo sacrifício. Os fieis devem seguir por onde conduz o Cordeiro que foi morto, e para os taes, ou vivendo ou morrendo, não pode haver derrota. Assim, com hymnos e acções de graças, elle assignala cada grau do conflito mundial que se

Deus sobre a

como

trava incessante e inexoravelmente até que,

em na

1

Cor. 15: 24-27, cada poder

terra,

mau no

céu, ou

ou debaixo da terra é destroçado

truído para todo

e

des-

sempre» (Charles).

O

Autor

As opiniões variam muito quanto ao autor do Apocalypse.

A

ideia mais acceitavel nos primeiros

séculos do Christianismo foi que João o Apostolo o escreveu e muitos escriptores modernos acceitam esta hypothese. Outros, porém, allegam por varias

razões que era impossível João o Apostolo te-lo escripto. Uma das razões é que pensam ter elle sido martyrisado annos antes da data que marcam ao


32

apparecimento do João Marcos, e

livro.

um

João, o Presbytero da Asia,

judeu da Palestina, são outros

nomes propostos. Não discutiremos o assumpto nem examinaremos os argumentos, por o julgarmos do escopo deste tratado. O autor allega que o seu nome

fóra

é João e nota-se que tinha intimo conhecimento das egrejas a quem escreveu e, pela sua maneira de escrever, notamos que é conhecido por aquelles a quem escreve. Designa-se como propheta (22:9), porem dirige-se aos leitores simplesmente como irmão e companheiro. Em logar algum diz que é Apostolo, mas falia com autoridade, e entende que tem perfeito direito de escrever ás egrejas como um pastor. No tempo em que escreveu já tinha sahido de Patmos e, como era talvez pastor de aquellas egrejas, podia ter narrado as visões pessoalmente, a não ser que entendesse ser a sua mensagem destinada a um circulo maior. Vê-se pelos seus conceitos que é judeu e seu espirito está saturado das tradições

judaicas. Era dominado, porem, pela catholicidade

do Evangelho. Charles diz que

bora escrevesse

elle

pensava em hebraico em-

em grego

e

por

isto

o seu estylo

Evangelho e o Apocalypse ha muita semelhança quanto á linguagem e as figuras e termos applicados a nosso Senhor (Carpenter), de maneira que se vê que os livros não são independentes um do outro. Por outro lado as differenças grammaticaes e outras são taes que é todo excepcional. Entre o quarto


como Charles e alguns mais, dizem que não podem ser do mesmo autor. Felizmente, como no caso de muitos outros li-

eminentes eruditos,

vros da Biblia, cujos autores são desconhecidos, o

seu valor e autoridade para nós são independentes

da personalidade de quem o escreveu. «O Apocalypse veio a nós declaradamente como obra de um

Propheta Christão, trazendo as suas próprias credenciaes; e a Egreja foi levada pelo consenso commum a reconhecer nelle uma mensagem de ver-

dades espirituaes leitor acceita

emanada de Deus. Como

em sympathia

lhosas visões, palavras de

tal

o

a lição de suas maravi-

mandamento

e

de anima-

ção» (Beckwith).

O

autor é simplesmente João de

controu

com

tal,

que se en-

o Christo vivo e nos relata e sua ex-

traordinária experiência.

Â

Forma

O livro tem a forma de uma carta, com saudação no principio e doxologia no fim, á maneira das demais cartas do N. T.. Como estas, ella também é com as necessidades pardos grupos aos quaes é enviada. E' evidente que foram escolhidas justamente as

destinada a encontrar-se ticulares

sete

egrejas- cujas características

correspondiam ao

em vista, e a mensagem geral das visões segue immediatamente as secções endereçadas ás egrejas com individuação. Ha indicação de que a carta real-

fim

3


mente se destina á egreja universal, pois escolheuse apenas sete de entre as varias egrejas na Asia, e «sete» era considerado numero perfeito ou completo. A ordem das egrejas é aquella em que um pastor as visitaria

em

seu itinerário.

João allega que a mensagem tem a sua origem a revelou ao Filho, e este ao Seu anjo

em Deus que

que a transmittiu ao vidente com a ordem de a esÉ o único livro que possuímos que se attribue a si mesmo, directamente, a autoria de Deus. crever.

A

Data

Esta se determina principalmente pelas evideninternas. Ha differença de opinião quanto á época em que o livro foi escripto. Uns pensam que foi em 68 ou 69 A. D. e outros dizem que foi nos últimos annos de Domiciano (81-96). Carpenter, depois de pesar a evidencia, acha que difficilmente se decide mas opta pela data anterior, pois pensa que o Apostolo escreveu este li\^ro e também o Evangelho que traz o seu nome. Assim sendo, João escreveu o Apocalypse emquanto as influencias hebraicas prevaleciam no seu estylo e o Evangelho annos depois, quando, tendo residido na Asia, desenvolvera maior habilidade no manejo da lingua grega. Charles, Beckwith e outros adduzem fortes argumentos a favor da data posterior. Ao mesmo tempo Beckwith inclina-se a pensar que o Evan-

cias

gelho e o Apocalypse são ambos do Apostolo João.


 A

Literatura Apocalyptica.

oppressão

politica e espiritual

dos Judeus

em

dois ou mais séculos antes de Christo e no primeiro

século depois, contribuiu para a produção de literatura

especial

que

é

uma

chamada apocalyptica. porem com

Ella participa da natureza de prophecia,

differenças importantes. d'ella faz

Damos

a descripção

que

Beckwith: «Emquanto que as expectativas

da prophecia e do género apocalyptico ambas teem o seu centro na futura era messiânica, isto é, na era final em que será estabelecido o reino de Deus, a primeira concebe este reino principalmente nos aspectos políticos e terrestres, e o ultimo naquelles

que são não-politicos e sobrenaturaes. O interesse principal de um é mundano; o do outro é super-mundano. Os elementos principaes na esperança messiânica da prophecia são o Dia de Jehovah, em que se castigarão os pagãos e os Israelitas infiéis o livramento do povo de Deus, de todos os seus inimigos a instituição do reino de Jehovah na Palestina e a extensão do poder deste reino sobre todos os ;

gentios

;

a volta dos Israelitas dispersos, a restau-

em grande esplendor; presença em seu templo o reinado de um Messias numa era de perfeita paz e gloria. Por ou-

ração de Jerusalém

de Deus Davidico

di

;

no género apocalyptico os factores principaes da esperança eschatologica são o advento da <^<edade vindoura''^ que ha de ser espiritualmente perfeita em contraste com a «edade presente» irreme-

tro lado,


diaveímente corrupta

;

o juizo universal, não do Ju-

deu e do Gentio como

taes, mas sim dos justos e dos maus, não dos homens somente mas também dos anjos e dos espiritos; a ressurreição dos mortos; a sempiterna destruição do poder de Satanaz e suas hostes; o sobrehumano Messias que reina com Deus,

no céu e na terra renovados a vida eterna na presença de Deus e do Messias para os justos, e para os maus a punição sem fim na Gehenna.» Outras caracteristicas desta literatura apocalyptica ;

são as visões e arrebatamentos, pelos quaes os autores

dizem

ter

recebido as revelações; as formas mons-

truosas que nelles aparecem, cuja significação fre-

quentemente exige os

officios

de

um interprete; a modo de usar

interdependência literária quQ. se vê no

a matéria já existente para a confecção de novos conceitos.

«Cada

escriptor

toma emprestado de seu

O

predecessor e da tradição comum...

livro

de

Daniel, o primeiro grande apocalypse, estabeleceu

a

norma que os escriptores posteriores seguiram

mais ou menos de perto

symbolos

bém

foi

e

9a

em

certas ideas e

a influencia de certas passagens

cap. 13 e 14, Ezekiel rias

em

formas,

estructura geral. Muito extensiva tam-

14^) ...

1

e

como

28 a 39, Joel 2 e

Os apocalypses, com

3,

Isaias

Zacha-

a excepção dos

escriptos por João e o Pastor de Hermas, foram attribuidos a autores de uma época remota. Elles apresen-

tam-se como contendo revelações

feitas a homens da como Moysés,Enoch, Isaias. O apocalypse de João, porem, neste, bem como em muitos

antiguidade

.

.


37

outros respeitos, differe dos demais.

Os

escriptoies

apocalypticos provavelmente foram levados a

attri-

algum grande nome por terem a consciência de que não podiam fallar á sua geração em seu próprio nome e com o poder de um propheta independente». O contrario se dá no caso do autor do Apocalypse da Biblia. Pertence a esta classe de literatura, mas num alto-plano, incomparavelmente buir os seus escriptos a

superior.

As

circunstancias

Já vimos que a literatura apocalyptica é fructo de tempos aflictivos. O desespero do presente levou o povo a olhar o futuro com esperança de livramento e

de uma vida

Os

feliz.

gentios

dominavam sobre

o povo judaico e não havia n'elle esperança de que fosse libertado

num

futuro immediato. Era o

povo

de Deus e Deus havia de o livrar e restaurar, conforme as previsões dos prophetas. Assim os escrip-

animavam o povo no meio das provas amargas de dominio e oppressão estran-

tores apocalypticos

geira.

No tempo em que foi escripto o Apocalypse de João os Romanos dominavam o mundo todo. Um estranho phenomeno se manifestou mais ou menos no principio da era christã, o culto aos impera-

dores romanos. Antes deste tempo tinha-se

buido honras

divinas

attri-

aos Pharaós «no Egypto, e

certos heroes nacionaes dos

Gregos foram

deifica-

dos depois de morrerem; mas na época que trata-


38

mos

vários imperadores romanos,

Julio Cesar, exigiam para

si

o

começando com

mesmo

culto

que se

dedicava aos deuses, e para elles foram erigidas estatuas e templos.

Neste

podiam

culto

nem

os christãos

nem os

judeus

participar, e por conseguinte levantaram-se

contra elles fortes perseguições, que variavam

em

intensidade conforme as exigências de vários imperadores.

A não

participação no culto imperial foi

como deslealdade

interpretada

á pessoa do Impe-

rador. Este estado de. cousas reflecte-se

cap. 13.

Os

princípios dos christãos

em Apoc.

também os con-

servaram afastados das festas idolatras e dos costumes immoraes dos pagãos. Por outro lado os ju-

deus dedicavam-lhes

um

odio figadal e atacavam-

-nos onde e quando podiam. a Paulo

em

Jerusalém

O

illustra

tratamento infligido

essa attitude.

«As suas frequentes reuniões particulares (dos eram tidas como occasiões de crimes taes como o incesto e o beber o sangue dos próchristãos)

prios

Inevitavelmente,

filhos.

tinha de ser,

como

tal,

portanto, o christão

objecto de perseguição; ás

como no caso em Lystra (Act. 19:29),

vezes, por meio de violência da turba,

de Estêvão, (Act. outras

7),

de Paulo

vezes debaixo das formulas da

como Jesus

tinha sido

assim

condemnado pela accusação

de traição contra Cesar. Os Actos mostram que a offensa á

lei

romana

como um pretexto para por exemplo, pelos amos da jovem

frequentemente se allegava satisfazer odio;

lei,


38

em

com

espirito

sp),

pela ^populaça quando se prenderam Jason e

outros

em

adivinhador,

Thessalonica.

Philipos (Act. 16:19

.

aA primeira perseguição tentada pelo governo Romano directamente e de mota próprio foi a de Nero no anno 64 e, de todas as perseguições romanas,

foi a

em

mais feroz

suas atrocidades» (Be-

Esta perseguição limitou-se á cidade de

ckwith).

Roma. Domiciano, o «segundo Nero», promoveu

uma

que se estendeu a todo o império. Houve poucas atrocidades e embora a pena de

perseguição

morte fosse ás vezes aplicada, co

exilio, a

ceração, o confisco etc, eram mais

comuns» A

dição diz que

foi elle

quem

encartra-

baniu João o Apostolo

para Patmos. Nestas circumstancias

foi

escripto o

Apocalypse que, como as demais cartas do N. T.. é um «Tratado para os tempos». É destinado a

povo de Deus em tempos de

confortar e animar o

grande

calma e penetrante luz da eternidade sobre as scenas agitadas desta vida; revela que na sombra do invisível vigia Deus sobre os Seus e atraz do véu peleja Um que é invencível, e que actualmente Este está no meio daquelles a quem ama e cuja companhia especialmente preza.

Os

aflição, pois lança a

soffrimentos

e o desfecho feliz

e

o

conflicto são temporários

se realisará breve, ao

menos em

embora o processo se prolongue atravez de varias epochas de progressiva Victoria e domi-

principio,

nio sobre

o mal, até á hora gloriosa

em

que, de


40

uma

vez, o mal será totalmente banido

e os fieis reinarão

com

do universo

o seu Senhor.

Semelhante mensagem era especialmente necessária, em vista das promessas de Jesus e das esperanças dos primitivos crentes. Entendiam estes que Elie havia terra,

mas,

de estabelecer em breve o seu Reino na tal como os esperançados Israelitas ao

sahirem da escravidão, haviam de passar o deserto antes de chegar á terra promettida. Ficaram desil-

ludidos

em

sua expectativa, pois

gloriosamente

com seu

em vez de

reinar

Senhor, eram, e isto justa-

mente por causa de sua lealdade a Elie, victimas de perseguições. Qual Moysés, Jesus tinha augmentado as dificuldades do povo e multiplicado

ferozes

os seus soffrimentos.

O meio em que viviam era corrupto e quanto melhor seguissem a Jesus mais em desharmonia ficavam com o mundo. «Quão bella foi a manhã da Egreja! Quão rápido o seu progresso! Que espectativas seria natural

que se formassem da sua his-

que tinha principiado tão bem! Sem duvida ellas se formaram em muitos corações; mas em breve ficaram annuviadas. Tornou-se evidente quando os primeiros conflictos passaram, que outros succederiam e que a longa e fatigante guerra com os poderes das trevas apenas se principiara. A lucta toria

futura,

;

«contra os principados, contra os poderes, contra os

governadores do mundo destas trevas, contra as hostes espirituaes da iniquidade» (Eph. 6:12) havia de se fazer sentir ainda mais dolorosamente,

e os


41

crentes estavam preparados

para serem «partici-

pantes dos soffrimentos de Christo» e não «estranha-

rem a ardente provação*., como se vos aconte-

uma cousa extranha»(I Ped. 4:12). «Mas peores para a Egreja que as luctas de fóra, eram os medos de dentro. Homens que havia tempo professaram o Evangelho, «tinham ainda miscesse

que alguém os ensinasse nos rudimentos dos Deus» (Heb5:12). Estavam «decahindo da graça» e voltando outra vez aos rudimentos fracos e pobres, aos quaes queriam ainda de novo escravisar-se» (Gal. 4:9 e 5:4). «Alguns já se desviavam para seguir a Satanaz» (1 Tim. 5:15), e onde não havia especial prevalecimento do erro, a frieza e mundaneidade do espirito provou a triste reflexão: «Todos elles buscam o que é seu, não o que é de Christo Jesus» (Phil. 2:21). Contendas predominavam, e scismas se alastravam; homens havia que no nome de Christo e da verdade, estavam-se «provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros». Novas formas do erro começaram a surgir, da combinação de ideias christãs com os rudimentos do mundo e as extravagâncias da philosophia oriental ... No tempo em que os Apóstolos escreviam, as conditer

princípios elementares dos oráculos de

ções e as tendências visíveis das cousas mostravam claramente demais Egreja; ticas

e,

ao

o que seria a historia futura da

mesmo tempo,

as intimações prophe-

tornaram ainda mais escuro o futuro: pois

Espirito di? expressamente

«O

que nos últimos tempos


42

alguns apostatarão da

fé,

atteiidendo a espíritos en-

ganadores e a doutrinas de demónios» (ITim.4:l)— que «nos últimos dias viriam tempos difficeis» ca-

uma escuridão de condição moque se poderia ter esperado serem dissipadas pelas influencias do Evangelho (II Tim, 3: 1-5)— racterisados por

ral

«que nos últimos dias viriam escarnecedores, com zombarias, andando segundo as suas cobiças, e di-

zendo: Onde está a promessa da sua vinda? ^(IlPed*

— que

o dia do Senhor não viria «sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, aquelle que se oppõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objecto de adoração, de sorte que se assenta no sanctuario de Deus, ostentando-se como Deus (II Thess. 2:3-7). «O mysterio da iniquidade 3:3-4)

operava, e

como o

antichristo viria,

mesmo

então

(I Jo. 2:18,22) «homens negando ao Pae e ao Filho», negando «até ao Senhor que os comprou» (II Ped. 2:1), «transformando a

havia muitos Antichristos»

graça de Deus

em

dissolução

)

e «trazendo sobre si

destruição repentina».

«Não

sei

como qualquer homem, ao

terminar as

Epistolas, poderia esperar encontrar a historia sub-

da Egreja essencialmente diversa daquillo que é. Naquellas escripturas, parece, por assim dizer, não presenciarmos algumas tempestades passageiras que purificam o ar, mas sentirmos que toda a atmosphera está carregada com os ele-

sequente

mentos do furacão

e

da morte futura» (T. D. Ber-


43

The Progress

nard,

of Doctrine in the

New

Testa-

ment).

Nestas circumstâncias, perigosas por dentro e por fora da egreja, nasceu o Apocalypse, e vimos

quão necessária era semelhante carta e quão adequada para encontrar as profundas necessidades da comunidade christã, vivendo em pequenos grupos espalhados em muitas locahdades que lhes eram em grande parte hostis e cuja hostiUdade chegava ás vezes a perseguições extremamente rancorosas. Êsse conflicto com o mundo externo e o mundo espiritual interno é millénario. É mencionado primeiro em Gen. 3 15 e vemol-o em todos os livros da Bibiia, vemol-o nos séculos da historia da egreja christã, havemos de vel-o até estarmos promptos para acceitar o dominio do Príncipe da Paz. :

Alguns ensinamentos do Apocalypse

Em

primeiro logar é este

Neste sentido apresenta livro

um

um

livro

de

Victoria,

grande contraste com o

de Ecclesiastes, cujo autor, desilludido pelas

experiências e pesquizas, concluiu que tudo é vai-

A

porque olhou somente as cousas do sol». Aquella Victoria íinal já é suggerida ao annunciar-se o combate, apenas o calcanhar da semente da mulher havia de ser ferido, emquamto que a cabeça da serpente se esmagaria. É indicada também na benção pronunciada sobre Sem, na promessa a Abrão, nas prophecias messiânicas etç. etç. Mas no Apocalypse se dade.

razão deste

foi

na terra — «debaixo


44

vêem consummadas

as esperanças dos séculos

numa

serie de victorias, coroadas pela Victoria final.

O

agente, na marcha victoriosa delineada no

vro, é

Deus Pae,

Filho e Espirito Santo.

se tira e

invisível

vemos

O

li-

véu do

a relação intima entre o

visivel e a potencia regente e dominante.

No

livro

de Job e na parábola do rico e Lazaro tivemos pequenas vistas do Céu, mas aqui vemos directamente a operação da divindade nas cousas dos homens.

Vemos que nossos problemas são mente no terreno do tro cavalleiros

a

fome

e

espirituaes e so-

Os qua-

espirito se resolverão.

representando o militarismo, a guerra,

a morte (cap. 6)

;

as nuvens de paixão

subindo do abysmo do coração pervertido e as hos-

que pelejam no campo de batalha (cap. 9), nada resolvem e só trazem desgraça, desastre e morte, pois «todos os que tomam a espada, mor-

tes

rerão á espada».

De

cima,

porem, vem o anjo

forte e glorioso

trazendo a arma verdadeira pela qual se estabelecerá o dominio universal. Essa arma é

—a

Deus, —

um

livrinho,

instrucção, — o

Palavra de appelo a ao raciocínio, ao espirito (cap. 10). Assim também a sua vem Christo com a espada da sua bocca, verdade, para vencer o mal.

A

primeira scena representa-nos o Christo eter-

namente presente com poder no meio dos seus e logo «somos elevados ás cortes em cima, o templo de Deus no Céu é aberto, e presenciamos os eventos da terra como tendo a sua origem naquillo que ;


45

se passa alem. Lá são abertos sellos, trombetas sâo

to-^

cadas e taças são derramadas, as quaes regem as mu-

danças da egreja e das nações. Emquanto olhamos para baixo atravez das cerrações que em baixo passam, continuamente estamos perante o throno de

Deus

e

do Cordeiro,

no meio dos vinte e quatro

e

anciãos, as quatro creaturas viventes, e a innumera-

companhia de anjos e ouvimos vozes que procedem do throno, os brados de espiritos despojados do corpo, e alleluias que reverberam atravez do universo. Vemos ainda que ha motivo desta participação do mundo de cima nos eventos do mundo de baixo, pois se torna cada vez mais patente que a terra é o campo de batalha dos reinos da luz e das trevas» (Bernard). No Apocalypse elevamos os olhos, desde as nossas fraquezas, derrotas e tristezas, para cima, donde vem o nosso auxilio e a vel

;

eterna Victoria.

Paulo continuamente vivia nesta atmosphera,

S.

dizendo: «Somos mais que vencedores por Aquelle

que nos amou» (Rom. 8:37); e S. João diz: «Pois todo o que é vencido de Deus, vence ao mundo» (I João 5:4). Podia haver uma só origem de semelhante espirito, pois no

sejamos, afinal terra

como

vem

mundo, por mais

felizes

que

a derrota, «o pó volta para a

era e o espirito para

Deus que o deu».

E mesmo na

jornada da vida, continuamente succumbimos a circumstancias ou «forças maiores». A origem do espirito vencedor é Aquelle que disse «No :

mundo

tereis tribulações

;

mas tende bom animo, eu


tenho vencido o mundo» (João 16:33). lypse este

No Apoca-

se sente mais distinctamente

espirito

em uma como para o

pois ahi a victoria virtual se transforma Victoria visível,

tanto para o Senhor

Seu povo. Cada promessa, nas endereça «ao vencedor»

do servo com a

Victoria

nizado.

.

Quando

.

;

epistolas, se

sete

e a ultima epistola une a

victoria

do Senhor enthro-

as visões propheticas estão para

começar, a abertura do livro é representada como

sendo o resultado da victoria, O Leão da Tribu de Judah. venceu para abrir o livro Os santos sangue do 'vencem pelo Cordeiro' (12:11); ouvimos o seu brado de triumpho, e vemos as palmas nas suas mãos até na ultima crise os exércitos vencedores do céu majestosamente aparecem, seguindo ao Vencedor que 'traz sobre a sua capa e sobre a sua coxa este nome escripto: Rei dos reis, e Senhor dos senhores' (19: 16)» (Bernard). O Diabo é lançado no lago de fogo e enxofre, com a besta e o falso propheta, a morte e o Hades teem o mesmo destino e os Vencedores entram na nova Jerusalém, .

-

.

;

sua habitação perpetua.

A

nova Jerusalém

A consummação conflicto

entre

o

dos séculos, o desenlace do e o mal, a nova era, emfim,

bem

apresenta-se a João na forma de vida encorporada e organizada

numa

cidade. Elie não sonha na volta

á vida primitiva do Eden,

mas numa sociedade per-

feitamente articulada quando as trevas da ignorância


4t

se dissiparem na luz do perfeito dia de esclareci-

mento espiritual; quando as paixões se submetterem ao Rei dos reis; quando a liumanidade se constituir numa fraternidade universal quando o culto divino não mais for feito por symbolos, pois cada ;

rosto

reflectirá

a

gloria divina

em

cuja presença

permanece; quando os homens não mais cavarão para

si

próprios cisternas fendidas,

mas humilde-

mente se ajoelharão para se saciar no rio que sae do throno da vida; quando não gastarão mais o seu dinheiro naquillo que não é pão mas hão de extender as mãos para tomar do fructo da arvore da vida. Os montes de differenças sociaes, as ilhas de orgulho separador, os mares de tempestuosas afflições, tudo se removerá e os homens caminharão no áureo mar de crystal de perfeito commercio, de egualdade e de sociabilidade. A própria terra se fará nova e o céu se renovará, o ambiente será completamente transformado, nos meios de ganhar a vida e nos ideaes. Um immenso cubo descendo do céu com muros de jaspe, ruas de ouro, portas de pérola. é materialmente inconcebível, mas tomada como figura da nova era tão almejada, é visão altamente

.

reconfortante e inspiradora. álcool,

cada erro exposto á

Cada luz,

Victoria sobre o cada golpe dado

ao carnaval, cada vicio vencido, cada paixão domada, vae escavando as valletas para os alicerces; cada virtude adquirida, cada reforma instituída, cada passo na approximação das nações, cada verdade incorporada na vida, cada alma que sae das trevas


48

cada conquista espiritual da collectivi^ uma pedra naquelles muros de jaspe luzente. No entretanto, lembremo-nos que esta cidade não sae do abysm.o, nem da planicie de nospara a

luz,

dade, é mais

sas vidas

nem da nossa imaginação, como

de Babel, mas vem de cima. Os heroes da

a torre

fé,

pere-

procuravam a «cidade que tem os fundamentos, cujo architecto e edificador é Deus». Nesta estructura somos «pedras vivas». As tentatinão tivas humanas semearam a terra de ruinas, grinando na

terra,

nham o fundamento de

Christo. Resta-nos ver se a

actual civilização ruirá ou se, fundada sobre a

Ro-

cha dos séculos, e cimentada pelo veraz amor fraternal, formará a cidade eterna e gloriosa. O Noivo vem. Está á porta. Pacientemente espera que a noiva se aprompte. Onde está a sua vestidura branca de perfeita consagração, a sua vir-

em cada cellula do seu eu, a paixão de só a Elie pertencer? Quando se poderão realizar as núpcias da humanidade com o Divino ? O crescente contacto dos homens entre si pelas invenções modernas têem trazido grandes problemas. Parece que o homem se approxima somente para discordar e tornar-se rival, em vez de cooperador. A grande guerra foi o resultado directo da approximação physica das nações por meio dos novos modos de communicação. Essas bênçãos, em gindade de alma, o amor que palpita

mãos perversas, tornaram-se agentes

Ha

destruidores.

os que desesperam das cidades. João Baptista


49

abandonou a cidade para morar a sós no ermo. Jesus, porém, gastou a sua vida no meio do povo. A solução não se encontra na solidão mas na solidariedade, no desenvolvimento pela consolidação. Muralhas chinezas, gigantescas frotas navaes... não tolhem guerras. A seggregação das nações e dos individuos não é a solução do problema das nossas relações, mas sim a approximação espiritual dos povos da terra. Assim temos a figura de uma cidade

como o ideal futuro. «A Biblia nos abre um prospecto do qual a historia nos levára a desesperar. É uma longa narração, a

da preparação da cidade de Deus... Ella nos

exhibe a restauração, não somente da vida pessoal,

mas também da vida social a creação não somente do homem de Deus, mas também da cidade de Deus; e apresenta a sociedade ou a cidade, não como um mero nome, para a congregação dos individuos, mas como possuindo um ser e vida próprias, em que o ;

Senhor acha a Sua satisfação e o homem a sua perfeição. A «Jerusalém que é lá de cima» é, em relação com o Senhor, «a noiva, a esposa do Cordeiro» (21 :9), e, em sua relação com o homem «a Mãe de nós todos» (Gal. 4:23). Pela sua apparição, o curso revelado da redempção culmina, e a histó-

do homem fecha-se e assim, os últimos capítuda Biblia declaram a unidade do livro todo, no completar do desígnio que se tem desenvolvido em suas paginas, e pelo descobrir do resultado para o qual todos os passos precedentes tenderam. Tirae

ria

:

los

4


ôô

da Biblia a visão final da Jerusalém celeste; que se teria perdido? Não somente uma passagem, uma descripção sublime,

uma

revelação importante;

mas

a conclusão por meio da qual se interpreta e justi-

Para uma mente que olha alem da vida individual, ou que comprehende o que é necessário para o aperfeiçoamento da vida

fica

tudo que a precede...

uma Biblia que não terminasse pela ediuma cidade de Deus, pareceria deixar muito no homem sem satisfação, e muito em si mesmo que seria inexplicável» (Bernard).

individual,

de

ficação

Um

facto

curioso notamos: que apesar do es-

trondoso triumpho culminando a serie de victorias,

em logar algum se descreve um conflicto não ouvimos o choque das tropas nem o ruido das armas nem o grito dos soldados. Arregimentam-se as hostes dos que se consagram a Deus e seguem o seu incomparável Chefe e então a Victoria simplesmente se realisa. Parece como que a Victoria da alva so;

bre a noite,

sipam.

— a luz

Como

se manifesta e as trevas se dis-

os soldados recuaram e cahiram na

presença de Jesus, em Gethsemane, assim o mal é vencido. A sua arma não é carnal mas espiritual.

Traz espada, porem está na bocca

mesma. Não nas mãos não

ção de

e

na manifesta-

si

;

é feita

de aço mas sim

de

verdade.

Ainda mais singular

é o facto que,

como Cam-

peão, Elie se nos apresenta no aspecto do Cordeiro.

Venceu pelo seu sangue, pelo

sacrifício

de Si pro-


51

A

ganha «não por força, nem por poder, mas por Meu espirito, diz Jehovah dos exércitos» (Zacli. 4:6). Pedro confiou na espada de aço em Gethsemane e foi derrotado; Jesus venceu em prio.

Victoria se

Nos

oração.

fingidos processos legaes, Jesus, pelo

seu silencio, mystificou e confundiu os accusadores; pela sujeição á cruz, anniquilou este supplicio atroz, pois não mais se applica ao receber no coração os inflammados dardos do odio e da malignidade humana, venceu de vez o mal com o bem, na maravi;

lhosa supplica: «Pae, perdoa-lhes, porque não sa-

bem

o que Tazem.» Venceu o mundo, e espiritualmente havemos, com Elie, de tornar effectiva a Victoria já por Elie ganha.

As

victimas das forças malignas participam da

derrota destas e

para

juizo final (20: 12).

fim

tal

Em

21

:

são

reunidas

8 encontramos

uma

no lista

de qualidades que excluem da cidade santa as victimas do peccado.

de fogo (20:

O

seu destino

também

é o lago

15).

Ensinamentos acerca de Deus

Como vimos

acima.

Deus

é representado

como

reinando sobre o universo e é o agente invisível nas varias scenas de Victoria sobre o mal. A Elie se entoam hymnos de louvor ao realisar-se cada etapa no progresso de 7: 12, e 11

No

:

15). E'

Seu reino, (4:11, 5:13, Elie autor da mensagem do li-

augusto throno está assentado e recebe a homenagem da natureza toda e da egreja, na pes-

vro.


52

Do

Soa dos anciãos e das hostes dos remidos.

seu

throno saem directamente vários mandos, no drama apocalyptico.

Com

admirável reserva o auctor não tenta des-

O

vê na

Os relâmpagos, vozes

e tro-

crever a apparição da pessoa divina. Elie

sua

scintillante gloria.

vões que saem do throno nos lembram o esta impressão se intensifica ao

vermos a

Sinai, e

retribuição

em successivos desastres e pragas sobre a terra; ao vermos o fumo das ruinas da Babylonia subir vir

pelos séculos dos séculos, e ao vermos a portentosa scena do juizo

Deus

final.

é representado

como sendo Eterno

e

Omni-

potente, o Creador e o Juiz de todos os mortos. santo, justo e verdadeiro.

não se salientam neste

A

É

graça e o amor de Deus

livro,

devido á natureza do

seu conteúdo, pois trata do fim das cousas, do cas-

do banimento áo mal do universo. Todavia não faltam indicações da possibilidade de os maus se arrependerem (3:9; 9:21 e 16:9); e o próprio ardor do furor de Deus é representado como o corollario do seu zelo pelo seu povo (11:18; 16:6; 19:2). Ainda mais, o livro nos ensina a perfeita unidade que existe entre Deus e Jesus Christo e ha muitas passagens que declaram o amor d'Este para com seu povo. O terno amor e cuidado dos Dois pelo seu povo apparecerá mais adeante quando tratarmos da segurança dos salvos. tigo eterno dos malfeitores e


53

Ensinamentos acerca de Jesus Christo

No

primeiro capitulo temos

apparição do Senhor, mas é

uma descripção da

que a arte plástica não a pode representar e disto deduzimos serem os seus elementos apenas symbolos de características espirituaes que calaram no espirito de João. Ha varias referencias breves á sua vida terrestre] frequental

temente a Elie se applica seu

nome

pessoal, Jesus;

Judah e mencionam-se a sua crucifixão, resurreição e ascensão. Duvidamos entretanto que se refira ao seu nascimento refere-se a sua estirpe de

em

cap.

12.

David

e de

Mencionam-se também os seus doze chamado Cordeiro

Apóstolos. Vinte e oito vezes é

e isto nos suggere o seu sacrifício na cruz.

A

sua eternidade se indica pelos cabellos bran-

com 33 anos), e pelas expressões «Sou o primeiro e o ultimo», «Estou vivo pelos séculos dos séculos», «o Alpha e o Omega», o «principio da creação», etc. cos (Elie morrêra

Mas

é principalmente

como o

Christo exaltado

que O vemos neste admirável livro e, em suas novas e maiavilhosas relações com Deus, o homem os anjos e o mal, encontramos o nosso maior con-

mensagem do autor para a egreja opprimida e perseguida do primeiro século forto e esperança, pois a

é

de illimitado optimismo.

A

nota-chave do livro é

a vinda gloriosa e victoriosa do supremo e único Salvador, que se nos apresenta cumprindo varias

funcções nas varias visões que ahi surgem.


54

Nós o encontramos em pé deante de Deus (5 6), á dextra de Deus (12:5) e assentado no throno com Deus (3:21). Elie é o Filho de Deus num sentido :

especial.

nam

A

expressão «Filho de Deus» se applica

uma

a Elie

filhos

só vez (2: 18).

Emquanto outros «se

tor-

de Deus» Elie é o Filho. Elie tem podepois pode apagar nomes do livro da

divinos,

res

vida (3:5), e pode admitir ao throno do Pae aquelle

que vence (3:21), pode-nos fazer reino e sacerdotes para Deus e seu Pae (1:6) e recebe culto como Deus (5:8) e com expressões eguaes (7:12). O culto aos anjos se piohibe expressamente, mas os próprios anjos adoram ao Cordeiro que foi morto (5:1

1

e sg).

mas Jesus

Em

Os

sempre

é

com os santos, com Deus.

anjos são classificados classificado

geral a sua actividade parece ser identifi-

cada com a do Pae. É omnisciente, pois sabe o que se passa nas sete egrejas, que representam a egreja universal; é omnipresente pois anda no seu meio; omnipotente,

suas mãos.

pois

Com

segura as estrellas d'ellas

em

o Pae, Elie possue os reinos deste

mundo

(11:15) e conjunctamente

throno

(22:3).

E

Elie

tem

ambos possuem o

poder

sobre a

vida

(2:23).

Por outro lado, João nunca O chama Deus. Uma vez é chamado o Verbo de Deus. Elie depende de Deus pois é Este que Lhe dá a revelação (1-0 ^ Deus recebe a ordem de ceifar (14:15). Do Pae recebe o poder de reinar (2:27), Elie julga á luz da face de Deus (3:2), o Pae é «meu Deus» e a Elie


55

pertencem o templo e Jerusalém, e o nome de Deus Elie o escreve na fronte do vencedor.

Mas é principalmente em sua relação com o homem que revela as suas mais altas e attraentes características. É nossa esperança da resurreição, «as

pois é

da morte» (1:18); participa

primícias

da nossa humanidade

um Pae

ha

crentes

;

para Elie e para todos os

celeste;

portanto é nosso

Ir-

mão.

Sua

principal tarefa,

é salvar seus Irmãos.

como

a de José (Gen. 42 a 47),

Creou a communldade

chrlstã

pela sua morte remldora e o seu cuidado vigilante

sobre

ella.

Está no melo das egrejas, segura as es-

trellas

em

suas mãos, seus olhos penetram os seus

motivos e discernem suas acções. de-lhes a

coroa

a

alcancem.

É

a

de vlctorla, fiel

Em

orando

amor extenpara que

Testemunha da eterna ver-

dade.

Ama

os seus. Deseja que participem do seu sa-

cerdócio,

do seu throno e da sua

gloria.

A

sua

morte manifestou o seu amor Immorredouro (1:5) e seu desejo dominante é entrar na vida do Individuo a cuja porta pacientemente bate (3:20). Elie

dá,

espiritual

ao entrar, mas para Elie o

satisfazer

Não somente

mesmo

o coração faminto

é

manjar

;

— Elie

«cela» comnosco. Sella-nos para SI com o nome do Pae (14:1) e entrega-nos a pedra branca de secreta communhão e paz que o mundo desconhece (2:17). Preciosos a Elie são os seus, pois os comprou (5:9) e os remiu pelo seu próprio sangue (1:5), e neste


56

sangue os lava,

e branqueia

as vestiduras

delles

(7:14 e 22:14).

Entre Elie e a egreja existe a doce intimidade que caracterisa a vida matrimonial. A egreja é a sua noiva (19:7-9 etc). Elie é o mediador único da salvação, pois possue a chave de David (3:7). Nada faltará

aos

(7:17),

é

seus,

Elie

pois

mesmo

Elie

os

pastoreia

a sua luz (21:22-23). Absolutamente

nada tem a temer, pois na própria morte são abençoados (14:13). Morrer no Senhor significa «mor-

em

rer

seus braços» (Beyschlag).

Nossos problemas individuaes, nacionaes

e inter-

nacionaes são perfeita e inescrutavelmente sellados, até Elie tétrica

abrir

os sete sellos

carnificina

na sua victoria

gança

;

vemol-0, atravez da

sobre o poder egoista, a vin-

final

e o odio figadal.

Elie participa rias

;

de contenção e lucta universaes,

em

todo o

em

todas as nossas provas e victo-

livro,

aquella figura mysteriosa se-

Homem

melhante ao Filho de

anda no forno com os

seus e os resguarda.

Todavia vem.os salientado egualmente outro aspecto do Christo Exaltado,— o seu officio de Juiz (14:14). Discerne nossas obras com olhos de chamma (1:14);

sabe o que se

passa

na vida dos seus

condemna com a mesma sevecom que condemna aos do mundo. Os pró-

(2:2,4,9,19) e julga e

ridade

prios motivos são contemplados,— é esquadrinhador

dos

rins e

mas promette guardar palavra da sua paciência. Não

do coração

aos que guardam a

(2:23),


57

é sua

vontade que pereçam mas que se arrependam

(2:16) e o próprio castigo d'elles é evidencia

amor remidor

do Seu

(3:19).

ha de ser absolutamente supremo, Senhor dos senhores e Rei dos reis (17:14 e 19:16), e esta Elie

É Senhor das egrejas, com autoridade absoluta (caps. 2 e 3), mas rege em amor. Todavia, em casos disciplinares, procede com severidade (2:16,23 e 3:19). Sobre os anjos também Elie exerce autoridade; soberania ha de ser universal (12:5).

o anjo do Apocalypse é seu anjo ou mensageiro e 22:16);

(1:1

mão.

A

os anjos das egrejas estão na sua

própria Victoria que Miguel ganha sobre o

dragão é por meio do Seu sangue. (12:11). Sua designação «o Cordeiro de Deus», ou simplesmente Cordeiro, tem suscitado

um

tanto de dis-

Duvida-se se a referencia histórica é ao cordeiro da Paschoa ou a Isa. 53. Parece, porém, que a significação geral é clara, Elie vence pela entrega de Si Próprio. É o inescrutável paradoxo do Cordeiro morto e ao mesmo tempo victorioso. Superou pela morte. O mal esgotou as suas forças cussão.

n'Elle e foi derrotado

coração de

Q

infinito

pelo

invencível

bem do Seu

amor.

papel do Crucificado se inverte, porem, no

O crucifixo não é symbolo appropriado do Christo actual. Hoje não é victima mas Guia victorioso. Seu rosto brilha em plena força. A sua espada de dois gumes, os pés como latão polido, os olhos de chamma de fogo, a vara de ferro que des-

Apocalypse.


58

pedaça os vasos de barro, suggerem a terrível natureza do seu encontro com o mal. Sae no Seu Cavallo branco e os seus exércitos O seguem (19:14). A sua capa é immersa em sangue, mas os seguidores teem vestidos brancos, pois é Elie só que ganha a Victoria, embora, para a marcha triumphal, espere até que os seus estejam preparados para O accompanharem. Sosinho subiu o Calvário para uma derrota apparente, mas a victoria final depende da consagração da sua egreja. Elie

vence e bane Satanaz e seus cúmplices. As

suas armas, porem, procedem-lhe da bocca, é o seu

ensino,— a sua verdade. O conflicto é espiritual. Os nossos problemas nunca se resolverão pela força, mas pelo espirito de amor, bondade, sacrifício de si próprio, serviço.

O

maior de todos os poderes é o

amor. Elie vem, este Almejado dos séculos. Já traz muitas coroas. Estadistas, jornalistas, o capital e o trabalho, philosophos e mestres, reis e presidentes, já

reconhecem a sua supremacia em nossa vida

cial,

e

humano

suas

conquistas intimas sobre o

multiplicam-se.

É

Elie a luz

ra-

espirito

do dia nascente

(21:23) que nunca se ha de annuviar pelas sombras Já divisamos essa (22:16) presagio do novo dia.

nocturnas.

diz

Manhã

Estrella

da

O

Verdadeiro

Fiel e

«Eis que venho á pressa», e cada alma sincera

responde: «Amen; vem, Senhor Jesus».


59

Ensinamentos ácerca do Espirito Santo

A

doutrina do Espirito Santo é pouco desenvol-

vida no Apocalypse.

A

com o Pae e o É representado como

sua unidade

Filho é contudo muito patente.

sendo septuplo (1:4) e distincto das outras pessoas da Trindade. Elie pertence a Deus (3:1,4:5 etc.) e a Christo (3:1 e 5:6). Neste ultimo verso Elie é tido

como os olhos de

É também chamado as (4:5). É Elie quem falia

Christo.

«sete lâmpadas de fogo» no intimo das egrejas, applicando a mensagem de Christo, como se vê no fim de cada uma das sete cartas.

Elie é

também o agente nos arrebatamentos

de João, nas suas visões extáticas (1:10,4:2,17:3 e Elie é o inspirador dos prophetas, e inter-

21:10).

cede junto com a egreja, pedindo a vinda de Christo (22:17).

A No meio do

segurança dos

fieis

que se encerrará na Victoria definitiva, os fieis estão seguramente guardados da artilharia pesada do inimigo nas trincheiras impugnáveis do amor divino. O Generalíssimo dirige o combate e cada praça, firme no seu conflicto universal

posto, segura os salientes até à hora de

galgar o

A

«barragem» se completou na cruz e o avanço se realisará no momento que se completar o numero dos que se dedicam á Causa da verdade a ponto de despresar a sua vida (6:11) e os demais parapeito.

interesses particulares etc).

(cf.

Luc. 9:23,14:7, Mat. 5:29


60

Muitas expressões encontramos a attestar a se-

gurança dos

e

fieis

podemos bem imaginar o con-

que a leitura deste manuscripto trouxe aos pequenos grupos num meio que lhes era tão adverso e do qual tanto soffriam. Havia de os confortar immensamente a lembrança de que o seu Chefe estava no meio delles sympathisando com todas as suas difficuldades e sempre capaz de supprir todas as necessidades. Da Sua mão direita foiça alguma os poderia arrancar. Ouviam a Sua voz como a de muitas ondas vibrando no intimo e dizendo «não temas». As almas dos martyres se agasalham debaixo do próprio altar (6:9); os anjos dos ventos são prohibidos de fazer damno á terra até que se protejam os servos de Deus por meio do Seu sello (cap. 7); os que passam pela grande tribulação, por amor de Christo, cantam deante do throno (7:9-14); o movimento do drama providencial é detido para receber as orações dos santos e estas mesmas recebem auxilio de cima (8:3-5); são isentos, como Israel no Egypto, de muitas das pragas que caem sobre os forto

«da terra»,

— cuja

ctuario de

Deus

são medidos,

cidadonia é deste mundo; o sane

em

o

altar,

e os

que

nelle

adoram

signal de protecção e conservação

(11:1);

as duas testemunhas são resurgidas e pre-

miadas

(11:12),

novo a arca da

e

nesta perseguição revela-se de

alliança de

Deus com o seu povo

e

nota-se que está no próprio sanctuario e portanto

especialmente preciosa e segura (11:19); a maternidade é glorificada

em

cap. 12 e a creança é objecto


Bi

de especiaes cuidados celestes (12:5) a besta vence os santos mas somente por uma permissão e con;

segue a adoração somente da parte daquelles que não estão inscriptos no céu (13:7-8); os remidos habitam "espiritualmente o monte Sião, junto com o Cordeiro, cantando um cântico novo (14:1-5); a seara madura dos seus é ceifada pelo próprio Christo,

mas o anjo do fogo manda outro cortar os cachos dos maus e os lança no lagar da ira de Deus (14:14-20); vemos a segurança dos salvos também no seu cântico, que precede a sete pragas (15:2-4);

um

terrível

serie

das

parenthese na narração da

nos relembra a benção de aquelles que «vigiam e guardam as suas vestes» (16:15); quando a Babylonia está para ser destruída ouvisexta praga,

mos

o terno convite, «Sahi delia povo meu» (18:4); quando Christo e os seus afinal galgarem o parapeito é só a capa d'Elle que se immerge no sangue do conflicto (19:11-14); o meigo transporte do amor divino ha de se extender tector sobre

ser seu

como um tabernáculo pro-

os seus (21:3), o próprio Deus ha de

Companheiro inseparável

e Elie tirará toda

a lembrança do triste passado e banirá todo o tivo

de

mo-

desgostos no futuro, supprindo todas as

suas necessidades pela agua e pela arvore da vida

com Elie hão de reinar eternamente na cidade celeste que lhes

(21:6 e 22:2); Elie será a sua luz e

preparou (22:5); verão a Sua face e participarão da Sua natureza gloriosa (22:4) e o próprio furor di;

vino,

em

seu explodir contra os agentes do mal, se


6'2

alimentará

com o sagrado

(16:6,18:6,19:2, cular,

etc).

zêlo do

amor pelos seus

Assim, terminada a lucta se-

o Noivo, tendo purificado

e

preparado a

noiva, a recolherá na bemdicta segurança do lar celestial

por infindos séculos.


ESBOÇO Prologo:

1:1 a 8 a

3

O

4 a

8

Saudação

1

1

:

9 a 20

Livro e a sua procedência

Visão de Christo eternamente presente com os

Seus IMII IV

V VI

Sete cartas á Egreja Universal A Côrte celestial O livro Sellado e o Cordeiro A abertura de seis sellos Os quatro cavallos, as alma» dos martyres, portentos na terra e no ceu Episódios O sellar dos filhos de Deus A felicidade dos remidos O sétimo sello, silencio de meia hora Episodio: O incenso e as orações dos santos Seis trombetas annunciando desastres sobre: a vegetação, o mar, as aguas doces, os luminares do ceu; e sobre os homens, pelos gafanhotos e a cavallaria maravilhosa Episódios: O anjo e o livrinho As duas testemunhas A sétima trombeta Cânticos de Victoria :

Vll;la8 Vll;9ai7 VIII

:

1

VIII: 3

a5

VII!:6alX:21

X XI :1 8 13 XI

:

14 a 19

;

Episódios: XII

A

mulher e o dragão


64

A XIV

:

1

O

a 5

As quatro vozes

XIV: 6 a 13

XIV:

XV

XV:

:

5 a

Ua 2

a

20

A

4

O

10

19

A

XVII XVIII

XIX

:

a

11 a

XX :1

a 10

As

15

O A

XXII

:

11

a

8 a 21

sete taças

e as bodas do Cordeiro marcha triumphal de Cristo e as hostes con-

sagradas Subjugação final de Satanaz e enthronisação dos martyres

XXI: XXII: 5

XX:

ceifa e a vindima

Cântico de Moysés e do Cordeiro derramando pragas na terra, no mar, nas fontes das aguas, no sol, no throno da besta, no rio Euphrates e no ar A visão da grande prostituta A ruina da Babylonia Vozes celestes celebrando o triumpho de Deus

XVI: 21

XIX :1

besta do mar e a besta da terra Cordeiro e os seus no Monte Sião

Juizo final nova era

Epilogo


CAPITULO

1

Revelação, Esta palavra inicial indica a natu-

1.

reza do livro. Significa «acto de

De

Jesus Christo.

inspirado,

uma

No

tirar

o autor o escreve.

O

livro

revelação da pessoa de Jesus,

com

continuamente

o véu».

espirito d'Elle e por Elie é,

também,

como estando

as egrejas, no meio dos seus e

progressivamente conduzindo-os á victoria.

Que Deus lhe concedeu. Procedência em ordem Deus a transmittiu ao Filho, e Este, por seu anjo, a João.

Manifestar.

nosso autor,

«Esta

quando

palavra significa

é

do

característica

uma

revelação por

meio de visões» (Charles). Seus servos. Os crentes em geral (cf. cap. 22:9.) Cedo. A imminencia do Reino de Deus conti-

nuamente nos surge no N. T. Ver Mat. 24:29, Luc. 21:32, Rom. 16:20, Apoc. 22:6 e 7, etc. Elie está já estabelecido em nossos corações. A velha ordem social tem de dar logar á nova. O machado, como disse João Baptista, está posto á raiz

Christo bate á porta do coração humano. e

princípios

da arvore.

Os

factos

symbolisados nas visões manifesta-

ram-se no tempo de João e muitas vezes desde então na historia. «Os princípios enunciados pelo propheta, embora cumpridos «cedo», não se exhau-

rem no seu cumprimento immediato mas ainda

tra5


66

zem

lições para as successivas gerações

(Carpenter)

(cf.

II

humanas».

Ped. 3:4,8).

Por meio de figuras intelligiveis aos methodo da cartilha moenredo é uma série de parábolas dramati-

Significou. leitores,

derna.

semelhante ao

O

sadas.

Anjo, Mensageiro

espiritual.

O

próprio Christo»

porém, começou e terminou a revelação. 2.

Testificou.

lhos, Epistolas e

Uma

característica

Apocalypse.

O

dos Evange-

livro é oriundo

da

experiência do autor e este fielmente descreve a

verdade como

ella se lhe

apresentou.

Bemaventurado o que lê. e os que ouvem. A primeira referencia provavelmente é á leitura publica do livro nos logares de reunião. É possível que o povo de Deus tenha perdido grandes bênçãos por ter deixado de estudar devidamente o ultimo livro e a coroa da Biblia, o livro que contém 3.

.

.

sete bemaventuranças.

Guardam. Comprehendem, lembram, observam.

De

outra forma seriam

sobre a areia Prophecia.

(cf.

A

como o homem que

edificou

Luc. 8:18).

exposição da mente de Deus. «O

conteúdo do Apocalypse não é apenas predicção conselho moral e instrucção religiosa constituem o peso,

a

mensagem

principal

das

suas paginas».

(Alford).

O

tempo está próximo. «Na linguagem do Vi-

dente o passado, o presente e o futuro estão entrelaçados

tal

como são

vistos por

Deus

e nela se


67

exprime mais da verdade do qué o próprio Vidente sabia. Comquanto João contemplasse eventos próximos a seus dias, para nós as suas palavras não se limitam áquelles eventos»

(cf.

Luc. 18:7,8; Mat.

24:29) (Plummer). Iniciou-se já a marcha da

nha

campa-

final.

4. João, tolo,

É

impossível sabei se

o Presbytero ou outro.

É

claro

elle é o Aposque era conhe-

pois não necessitava de designação mais exacta. D'este e outros factos, muitos concluem que é o Apostolo. Inclinamo-nos a acceicido pelos leitoies,

tar

esta

hypothese. Elle apresenta-se-nos simples-

mente como um que se encontrára com a Divindade. O que escreveu, pelo seu valor intrínseco, attesta a realidade da expeiiencia. Ás sete egrejas. O numero perfeito indica que a applicação é universal. A mensagem de cada carta é destinada

não somente á egreja a que se escreve

mas também ás

Ramsay

egrejas» (Ver 2:7,11, etc.)

suggere que cada cidade a que se escieve representa

uma

com as Sabemos

região que incluía varias egrejas

características indicadas nas vai ias cartas.

que havia mais que sete egrejas «na Asía». Na Asta, A província romana que comprehendia a parte occidental da Asía Menor. Graça a vós e paz. Bellíssíma saudação, commum na egreja primitiva. «É a saudação de esperança e repouso, baseada no único vero alicerce de um ou de outro, a graça de Deus que é a fonte de vida e amor» (Carpenter).


68

Que

é.

O

grande «Eu sou», o eterno, iinmutavel

Deus, que fallou com Moysés.

Que era. Manifesto na historia dos servos de Deus, incarnado

em

Jesus, desde a eternidade Elie existe.

Que ha de

«Teriamos esperado, depois de mas não se apphca «ha de ser» a um eterno Deus. Com Elie tudo é; portanto se usa a expressão «ha de vir» que suggere as suas manifestações constantes na historia, e a vinda final no juizo» (Carpenter). «Elie é Senhor do presente, do passado e do futuro» (Peake). Realmente o thema db livro é a divindade actual e presente operando os seus intuitos atravez dos séculos, vencendo o mal em victorias progres«é»

e «era», a

sivas até á

vir.

expressão «ha de ser»

;

consummação num universo de

perfeita

harmonia. Sete espíritos. 4-5 é descripta

em

5:6,

como

Uma

como

perfeição espiritual que

olhos

sete

«symbolos da

luz

tudo abrange».

Podemos

(cf.

eterna e

Zach.

e

3:9,4:2,10),

do conhecimento que

consideral-os

sentando o Espirito Santo

cm

Deus

as sete lâmpadas de

em sua

como

repre-

multiforme acti-

vidade.

e

Deante de seu t/irono. Sujeitos á sua autoridade promptos para servir. 5. Jesus

Cííristo.

Em

terceiro logar aqui, talvez

porque Elie é a figura central do hvro. Testemunha fiel. Digna de confiança. A sua vida, ensino, morte, resurreição e presença em poder de-

monstram que

Elie é

um

perfeito expoente

da ver-


69

dade. Testemunha é

uma

ideia favorita de S.

João

(Ver João 3:32 5:36,18 37 e Apoc. 19:10 e 22:18). Primogénito dos mortos. «O primeiro que nas:

;

ceu para a vida eterna, depois da morte que ter-

mina esta vida»

(Plummer),

(cf.

1

Cor,

15:20

e

Col. 1:18).

Princípe dos reis

da

terra.

Governa os que go-

vernam os vivos. O poder do principe d'este mundo se quebrou e o sceptro pertence a Christo. É posse actual e agora já no principio do livro João assevera a autoridade d'Elle. Acima de todos os imperadores e reis, acima de todos os exércitos e multidões, elle pensava no Christo como Aquelle que regia e dirigia o curso da historia, e tendo a cer-

tempo devido havia de manifestar a «Um punhado lê os philosophos myriades morreriam por Christo. Aquelles, em sua popularidade, difficilmente poderiam

teza de que no

sua soberania» (Plumptre). ;

fundar

uma

escola; Christo, desde a sua cruz, rege

o mundo» (Farrar, citado por Carpenter). Áquelle que nos

O

Christo.

ama. Predicado principal

seu reino se fundou no amor e no

de

mesmo

se mantém.

Nos

É

libertou

dos nossos peccados pelo seu san-

do crente, porem desafia segundo nascim.ento é tão mysterioso como o primeiro. A mente moderna a figura pouco

gue.

facto experimental

definição.

O

suggere,

mas

e outros

da antiguidade

7:13,14).

era conceito

commum

(cf.

I

João

entre os Judeus 1:7,5:8

e

Apoc.


70

6.

Nos fez

reino

e

sacerdotes para Deus.

ser,

isto

posição

quem

é,

sacerdotes-principes de Deus, e esta foi

ganha para

elles

por

um Messias

a

quem todos os nãoque reconhecer como soberano»

os judeus rejeitaram e a

christãos

terão

(Moffat).

Com

mos

«Os

o que Israel esperava

christãos agora e aqui são

Elie

reinamos, dominamos o regra-

a nossa vida pela verdade. Por Elie entramos

immediatamente na Presença divina e Lhe chamamos «Pae» ... O terceiro grande oíficio, o de propheta, é omittido. Delle não haverá necessidade, pois todos conhecerão directamente a Deus. A elle a gloria. Ao lembrar o que Cliristo fez por nós, o autor interrompe o curso do seu pensa-

mento para uma doxologia que expontaneamente se apodera da sua penna. «As doxologias de S. João augmentam progressivamente, dupla aqui, tripla em 4:11, quadrupla

em 5: 13

e septupla

em

7:12» (Plum-

mer).

Pelos séculos dos séculos.

O

ponto de vista do

autor é o da eternidade. Treze vezes no livro elle

usa esta expressão. 7.

Eil'0 que vem. Expressão vívida. Elle está e

progressivamente vem. Diariamente somos julgados pela sua ineffavel presença.

Em

marcha atravez dos séculos, de até á consummação.

passo triumphal Elle victoria

em

Victoria,

Com as mivens. Estas frequentemente acompanham manifestações divinas, (cf Act. 1:11, Mare. 1 4:62, Dan. 7:13 e Ex. 19:16). Nuvens suggerem tristeza, .


71

guerra, revolução; no seio d'Elle, porem, repousa o arco-iris

da promessa.

Todo o olho o

verá.

mente seria limitada a

A vinda physica necessariaum certo logar, mas espiri-

tualmente Elie se manifestará na conversão de indi-

viduos e na transformação da sociedade. Elie

vem

vicio, na fraternisação das nações, na dedicação de todos os membros da sociedade

na abolição do

para o bem-estar

commum.

Elie

vem

á

medida que

se aplanar o caminho pelo banimento do mal. Visi-

velmente a plenitude da sua chegada se approxima.

Uns almejam

esta

vinda e outros,

com

razão, a

receiam. Aquelles que o traspassaram. É somente João que narra como o soldado abriu o lado de. Jesus com uma lança. Esse representa Jerusalém, os judeus, todos, emfim, que O crucificam de novo pela

sua recusa.

Todas as tribus da terra. Aquelles cuja cidadonia não está no céu. Lamentarão. Ninguém será indifferente a Elie. Gozo extático da parte dos que anciosos esperam a sua vinda, mas indizível desespero da parte dos que pertencem á terra. (cf. 6:15 e 16). Para estes a vinda significa juizo. Ver também Mat. 24:30. Diz Carpenter: «Elie vem quando o paganismo cae. Elie vem quando a força bruta do mundo se derruba. Elie vem quando cae o mundanismo. Elie

vem

e a sua vinda se extende continuamente sobre

o mundo, e brilha cada vez mais até ao dia perfeito.


72

As nuvens podem-se

que estão mais perto do pleno dia, mais escuras que as suas predecessoras no emtanto cada época conduz ao dia áureo. A linha de conflicto pode avançar ou juntar e tornar as épocas

;

retroceder de

tempo em tempo, mas

é

um campo

de

batalha triumphante que se representa. É, portanto,

o livro do advento e da victoria de Christo».

este,

Os que não estão em harmonia com gramma lamentarão a sua vinda.

esse pro-

O

Alpha e o Omega. A expressão encontra-se no livro. São a primeira e a ultima lettras do alphabeto grego. Elie é o perfeito Revelador porquanto abrange todas as lettras de que se for-

trez vezes

mam

palavras.

Visão Introductoria Versículos 9-20

O Yldente recebe a sua comralssão (cf. Jer. 1:1-10, Ezek.

1:1-13 e

Isa.

cap. 6, etc).

Vosso irmão e companheiro. «Linguagem de-

9.

de democracia» (Wilson). João escreve como irmão e não como sendo bispo ou papa. liciosa

Tribulação. foi exilado.

elle

nica,

A

perseguição dos crentes, na qual

Paulo, tendo de fugir de Thessalo-

escreveu aos crentes duas cartas para os

mar na

fir-

fé.

Reino.

Interior,

e

do

céu. (cf. Luc. 17:21). Esta

posse os habilitava a tudo soffrer (cf. Act. 14:22 e Apoc. 7:14). O império os perseguia, mas tinham recurso no reino espiritual. A opposição não os attingia,

pois atacava

num plano

inferior. Christo

-


73

podia enfrentar a Pilatos sem a mínima perturba-

ou pela Causa, pois diz Reino não é deste mundo».

ção ou temor por

si

Paciência. Esta

também

caracterisou

:

«Meu

os soffri-

mentos de Jesus. Pafmos. Uma pequena ilha pedregosa, não muito distante de Epheso. «Restringido a um pequeno logar na terra, é-lhe permittido penetrar os largos espaços do céu e seus segredos» (J. F. & B.). Comparem-se as visões de outros exilados ou prisioneiros, Jacob, Moysés, Ezekiel, Daniel, Bunyan, etc, etc. lhe

Por causa da palavra de Deus. A sua fidelidade outorgou tribulação mas também uma serie de

visões celestes. Paulo

foi arrebatado ao paraiso de Deus. Os anjos ministraram a Jesus, em Gethsemane. Os christãos de forma alguma podiam parti-

cipar no culto ao im.perador, portanto eram consi-

derados como sendo anti-patriotas e até inimigos do Estado. A adoração do Deus-homem não se coaduna com o culto ao homem-deus. Atravez dos séculos vem o mesmo conflicto. «O Senhor era Deus e veio como homem o Papa era homem e veio como ;

Deus» (Harold). 10. Arrebatado pelo Espirito.

A

experiência

foi

deve ser interpretada. Pode-se traduzir também assim «Fiquei» ou «Cahi no espirito», i. é, num estado extático. Elie estava no espirito de communhão, preparado para ver e espiritual

e

espiritualmente

:

As almas sinceras e empenhadas na sua pesquiza da verdade frequentemente caem na abstracouvir.


74

ção

espiritual,

ao que se passa

indifferentes

em

redor.

No

dia do Senhor.

O

dia a Elie consagrado, o

Domingo. Já nos dias dos Apóstolos o primeiro dia da semana chegou a ter uma profunda significação espiritual,

devido á resurreição

e

aos apparecimen-

tos de Christo nesse dia.

«O usual

primeiro dia da semana» (cf.

Act.

20:7

e

1

foi

a designação

Cor. 16:2). Mas, «desde

uma completa corrente de evidencia que he kuriak se tornou o nome christão usado para indicar o primeiro dia da semana. que as visões que seguem são agrupadas em series de sete, sete sellos, sete trombetas, sete pragas e o facto que ellas principiam no primeiro dia dos sete é eminentemente apropriado.» ("Plummer). Parece que certo dia da semana era chamado «O dia do imperador.» Ouvi por detraz de mim. Do passado. As visões são repletas de referencias ás figuras do Velho Testamento. O livro é eminentemente adaptado para Ignacio temos

.

.

terminar e coroar a Palavra divina.

Grande importante.

voz. Esta indicava

«Do

captiveiro

que a mensagem era

dos

seus

mestres,

a

Egreja tem recebido os seus thesouros mais permanentes» (Carpenter).

O som

não era incerto mas forte, vibrante, e penetrava até o âmago do espirito de João. 11.0 que vês. Elie devia usar methodo scientiTrombeta.

fico

— observar

antes de tirar conclusões:

nasceu da sua experiência da verdade.

O

livro


75

Escreve-o. Doze vezes elle recebe esta ordem. As visões eram tão importantes que deviam ser re-

gistadas para as gerações que haviam de

egreja universal.

aqueila

em que

vir.

O

numero completo indica a Ver sobre isto vers. 4. A ordem é

A's sete egrejas,

se lhes faria visita pastoral.

12. Voltei-me. Das preoccupações temporárias. Para ver a voz. A angustia do povo de Deus sempre tem sido occasião de revelações especiaes da Sua graça. O livro foi escripto, não para predizer acontecimentos históricos, embora estes tenham

exemplificado

os

princípios

revelados,

mas sim

para revelar a Christo e á verdade que Elle representa

em

relação aos problemas da humanidade.

Sete candieiros de ouro,

A

preciosa egreja univer-

Em

Zacharias (cap. 4) o candieiro é um só com sete lâmpadas alimentadas por canudos que descem

sal.

de

um

A

que a egreja diffunde é proveque vem de cima. Ella vence, conforme disse o anjo, não por força nem por poder mas pelo espirito, pela luz da verdade que difniente

vaso.

luz

do

alim.ento

yVí7

meio dos candieiros. Conforme a sua pro-

funde. 13.

messa, Elle assiste espiritualmente á egreja universal,

constituindo a sua unidade

em sua

diversidade.

Nos Evangelhos vemos o Christo histórico; aqui vemos o Christo actual e eterno. Semelhante ao filho do homem. Mesmo depois de glorificado, Elle retém a sua natureza humana. João reconheceu immediatamente suas feições.


76

De roupa

talar e cingido pelos peitos. Encontra-

mos, porem, elementos novos. «Elie apparece tracom a dignidade real e sacerdotal. A cinta

jado

.

.

não está nos lombos, como se estivesse preparado para acção e labuta (Luc. 12:35), mas é usada

como por um que descansa do

labor *no repouso da soberania'. a cinta é. de ouro puro, o emblema de uma presença real» (Carpenter). 14. ^ cabeça e os cabellos eram brancos. João estava perante o «Ancião de dias», o eterno Deus, o Ente celestial, coroado de «experiência, dignidade .

.

.

.

e autoridade».

Como a

como a

lã branca,

neve.

Admirado,

elle

repete; são brancos, diz,

como

morrera com

annos, que tinha suppor-

tado

uma

trinta e trez

a neve. Aquelle que

eternidade de dor, assim sahiu sempiterno

na sua experiência, Ancião de Dias na sua sabedoria» (Wilson).

Os

olhos eram

como chamma de fogo. A juventude

eterna brilhava no seu olhar; os olhos iiluminavam,

penetravam, julgavam. Deus é

um

fogo consumidor

para todo o mal. 15. Latão polido.

O

ciado, fraco e trôpego.

agora estão e

Christo actual não é

Os

uma vez

fortes, inflexíveis, brilhantes.

verdade no seu andar.

majestosa

Pés,

A

ema-

cravados,

Ha

justiça

força e a gloria da sua

pessoa estendem-se até

aos próprios

pés.

A

voz de muitas aguas.

murmúrio do

arroio,

Doce musica como o

o deslisar da meditação, o sus-


77

surro da consciência; poderosa

como

a catadupa e

o ribombar da ressaca, a vibração da eternidade nas praias do tempo. «Forte e majestosa entre os

sons babelicos da terra». 16. Sete (vers.

estrellas.

Guiam

20).

São os anjos das egrejas

pela sua posição fixa. Quanto

mais densas forem as trevas da afflicção, mais visivel será a sua luz. «Talvez pareciam como uma grinalda, ou

como um diadema

adornado de es-

real

na sua Mão. Exprimem a sua preciosidade á vista de Christo e o desvelo com que cuida del-

trellas,

les.»

(Carpenter)

Da

(cf. Isa.

bocca sahia

que profere

62:3

e Jer. 22:24).

uma espada aguda. A verdade

é a única

arma que

traz este augusto

gumes dividem a verdade e o erro, Os separam os bons e os maus, «expõem os pensamentos e intentos da alma». Corta os membros infeccioVulto.

nados

dois

e cauterisa as feridas ("Ver

Heb. 4:

12,

Isa.

11:4, Eph. 6: 17 etc.) Eis a única arma que é legitima ao soldado da Cruz. (cf. Mat. 26 52 e II Cor. :

10:4).

«Os dois gumes, ou cortaram o peccado do

homem, ou cortarão o homem no seu pecado» (Carpenter.).

O rosto era como o sol. Nada de pessimismo não é abatido ou triste. A gloria da sua infinita personalidade não a pódemsupportaros olhos humanos. E' a luz inacessível de Deus (I Tim. 6: 16) que se reflectiu no rosto de Moysés e com que os justos hão de brilhar (Mat. 13:43). 17. Cahi. E' irresistível o choque do encontro


78

do

com o

finito

santo

(cf.

Infinito,

o peccador

com o Deus

a experiência de Isaias, Paulo, etc).

Aos seus

O

pés.

espirito de humilde adoração

encontra a refulgencia divina.

Pôs a sua dextra sobre mim. E' um gesto de meiga amizade e amor. E' a mão que tantas vezes se estendeu para confortar e soccorrer.

Não

temas. E' esta a sua phrase costumada para

o coração receoso. Quando

Elie,

o Senhor do uni-

verso visivel e do universo espiritual, assim

falia,

o

coração socega.

O primeiro

e o ultimo. (Ver nota sobre versículo

«Antes de todas as coisas Elie era, portanto, o

8).

primeiro

;

e ainda

como uma

voltas

que todas as coisas mudem, en-

vestimenta, os seus annos não fa-

lharão; portanto é o ultimo» (Carpenter).

O

que

vivo.

No

sentido absoluto.

Fui morto. Quanto á carne. Morreu no tempo

mas

«Onde está, ó morte, a tua Ha aqui duas maravilhas: o Vivo fica

vive na eternidade.

Victoria?»

morto e o Morto para todo o sempre está vivo. E' uma outra forma do paradoxo de que os Apóstolos tanto gostavam (Phil. 2:8,9; Heb. 2:9. Carpenter) Estou

vivo. Elie

vive nos céus e

em

milhões de

corações victoriosos. Nesta convicção os Apóstolos

sahiram para conquistar o mundo.

Tenho as chaves.

Elie

tem autoridade sobre a

morte e o Hades.

Hades. braica,

A

invisível região,

aonde

conforme a crença he-

iam todos ao sahirem deste mundo.


79

Assim, no cap.

6:8,

receber as suas

o Hades segue a Morte para venceu a morte e

victimas. Elie

traz-nos a vida. Portanto Elie traz conforto real aos

que estão como estavam os crentes da Asia, debaixo da sombra da morte. 19. Escreve. Pois tância deve

de Deus

em

ser

uma

visão de tamanha impor-

publicada para confortar o povo

todos os tempos.

As cousas que

viste.

O

que entrou no seu pers-

picaz coração.

As que

são.

Que

realmente existem atraz destas

scenas exteriores e passageiras princípios e verdades sobre

;

«aquelles eternos

quaes se apoiam

as

todos os phenomenos humanos».

E

No

as que hão de succeder.

séculos,

desenrolar dos

emquanto os princípios se materialisam na

vida do povo de Deus e nas desgraças que sobre-

veem aos que 20.

rejeitam o seu amor.

MysteriO'

A

significação

secreta

que se

pôde obter somente por meio da revelação.

As

sete estreitas

são os anjos. Varias theorias

se encontram sobre a significação de anjos

:

os bis-

que vieram ter com João, os seus anjos de guarda. Charles pensa que as estreitas representam, ao modo semítico, o pos, leitores, os seus mensageiros

ideal

celeste das sete egrejas, e os sete candieiros

são a realisação effectiva daquelles ideaes.

de Carpenter é semelhante.

«O

A

ideia

anjo da egreja en-

tão seria a personificação da egreja... é a egreja vista

em

seu

representativo

celestial

e

portanto


80

á

vista

que

luz

lhe

daquellas

pertencem se

possibilidades ella

esplendidas

se firmar naquelle que

segura as sete estrellas». Jesus culpas

falia

como

ao anjo, louva-o

encontramos «anjos de ventos», de fogo». As sus, todavia

e

nelle

lança as

se elle fosse a própria egreja.

estrellas

são

sua permanência

ellas ahi.

e,

em

são seguras na

8:3,

Em

7:1

o «anjo

mão de

mesmas responsáveis

Je-

pela


CAPITULO

II

Carta á Egreja de Epheso Ao

1.

anjo.

As egrejas.não são avocadas

dire-

ctamente mas sempre por intermédio de seus an-

O

jos.

anjo é o seu «complemento celeste e repre-

sentante responsável.

—o

.

melhor da egreja

é o «eu»

.

«eu» que se estimula e accorda quando a voz

de Deus é ouvida verdadeiramente por ella» (Scott).

É

«o espirito da egreja personificado

tor

como seu

tu-

responsável» (Plummer).

Epheso.

A

primeira e maior de todas as cidades

da «Asia». Mais tarde Smyrna tomou a primasia. Naquella Paulo trabalhou tres annos. Outros notáveis evangelistas,

como Apollo

ram a fundar a obra

em Actos

alli.

O

e Timotheo, ajuda-

caracter da cidade se

Seu commercio provavelmente suggeriu a descripção de Babylonia no cap. 18Possuia o famoso templo da «Diana dos Ephesios». Escreve, Ver nota sobre 1:11 (cf. Isa. 8:1; Jer. reflecte

30:2

;

Hab.

19.

2:2, etc.)

A

descripção da pessoa de Christo varia conforme a attitude que Elie assume para com a egreja a quem Elie falia nas varias Isto diz aquelle que.

cartas.

Ha uma

descripções á

.

.

extraordinária

egreja

e

adaptação

à çidade

em cada

dessas caso.


82

Quasi todas as qualidades estão na descripção 1

:

em

13 a 16.

Tem as

A

sete estrellas.

palavra grega

krato

quer dizer governar, ser senhor de. Elie governa absolutamente as sete

estrellas.

A

egreja, pelo con-

deixado o seu primeiro amor.

trario, tinha

Anda no

meio.

Observando

a luz variável, espe-

vitando, renovando o azeite.

Assim elle falia a todas as egrejas. Elie sabe, porque está no meio tudo presenceia. O tribunal de Christo não se reserva para o ultimo dia. Embora o mundo menospreze e olvide os heroes da fé, ha Um que tudo nota. 2.

Sei.

;

O

Obras. nação,

etc.

bem que

seu trabalho, perseverança, descrimi-

Elle

sempre sabe, em primeiro logar o

encontra e nota,

organisação

ciona culto bonito, bello,

mas sempre

frutos e

com grande

perspicácia,

de cada egreja. Elle nunca men-

as circumstancias

falia

em

perfeita,

edifício

«obras». Elle procura

não folhas.

Não podes

sapportar os maus. Cuidadosamente

excluíam aquelles cuja vida não se conformava com o Evangelho. Os corinthios foram negligentes a este respeito.

(I

Cor. 5:1).

Examinavam cuidadosamente de Berea (Act. 17:11). Não eram,

Puzeste á prova.

como

fizeram os

indiferentes quanto ao ensino da egreja.

Os que dizem ser apóstolos. Os mestres falsos que tão frequentemente aparecem para perverter. Perturbaram aos gaiatas e aos corinthios. Jesus


83

predisse a sua vinda. (Mat. 7 2 1 e 22). Também Paulo. :

(Act. 20:29). 3. Perseverança.

Apesar das duras provas,

João 16:2). Não te has cansado.

Um tanto,

(cf.

porém, no espirito

de Saulo de Tarso. 4. Deixaste o teu primeiro

mas a

principal, (ver

amor.

Cor. 13).

I

O

Uma

amor

só cousa,

foi

a prova

única exigida de Pedro para a sua restauração ao

apostolado (João 21 15-18). Os ephesios haviam tido grande affeição a Paulo. (Act. 20:37, 38). Tal:

vez a sua

contra

luta

a heresia os tornasse

um

com os seus semelhantes e da mesma forma esfriaram para com o Salvador. tanto descaridosos para

O

de amor da do serviço perderam a sua primitiva affeição. O espirito de Maria é preferível ao de Martha. (Luc. 10:40 e 41). «Toda a religião se resume em uma palavra, Amor. Deus nos pede isso não podemos dar mais, e Elie não pode acceitar menos». 5 Lembra-te, pois, de onde cahiste. É triste lem brar um passado desperdiçado no serviço do mal. Paulo queria esquecer o tempo em que perseguira os crentes. Mas é ainda mais triste contemplar alturas de experiência espiritual de onde temos cahido. Envergonha-nos ter de voltar pelo caminho por onde já viemos. «Sempre ha aguilhões na memoria de um passado melhor e mais nobre, que aguilhoam aquelle que baixou o nivel da sua vida e o incitam

amor d'Este

nossa parte.

.

é muito sensível á falta

Na

rotina


84

a tomar para

O

si

de novo o que perdeu». (Trench).

pródigo lembrou-se do

filho

lar.

(Comp. Heb.

10:

26-32).

Um quando

marido pode continuar a manter o seu lar, morto o seu primitivo amor pela esposa,

está

mas um verdadeiro marido guarda ò ardor de seu amor, conserva-o fresco e puro e ardente e nunca repartido.

Os

uma

garante

nos

juga-se

com

De

dynamica que

é a única

idade fructifera». (Gardiner).

Arrepende-te. defeitos

mas

hábitos christãos são excellentes,

devoção ao nosso Senhor

O

filhos,

amor mal comprehendido tolera mas o amor do Salvador con-

a firmeza de

outra forma.

O

um

cirurgião.

arrependimento é necessidade

absoluta.

Primeiras obras, Elie não se contentava

obras rotineiras do dever, dantes,

paixão

expontâneas, christã.

A

mas desejava

exuberantes

actividades

paixão de Christo

as

da

é constante;

para reatar as doces relações anteriores,

cousa necessária é que

com

as abun-

a

única

ellas voltem.

Removerei o teu candieiro. Da desobediência resultam trevas. De vez em vez o porto de Epheso assoreava-se, de maneira que a cidade foi obrigada varias vezes a mudar de logar. Ramsay pensa

que este facto suggeriu a expressão. Scott prefere pensar que os membros da egreja haviam de ser espalhados pela perseguição. É, porém, somente «a

lorma

terrestre

da egreja que é removida.

permanece na mão do Redemptor».

O

A

estrella

amor divino


segura

tudo

menos

o

que Lhe arrancamos das

mãos. Nosso é o indizível prejuizo. (Mat. 21:43).

Mas

6.

isto tens.

O

amor procura o que pode a

favor dos seus.

Aborreces as obras. ella

tiva,

Embora uma

virtude nega-

não escapa aos olhos do Salvador. Não

aborreciam os homens mas as suas obras. Aborre-

sem amar o que Elie amava. Nicolaitas. Provavelmente os que ensinavam que a lei moral se abrogava em Christo. A egreja primitiva achava-se entre dois grandes perigos, o

ciam, porém, o que Christo aborrecia,

de seguir os judaisantes que exigiam que todos os

que adoptavam o Evangelho fossem também judeus os que interpretavam mal o ensino de Paulo, allegando que as obras são indifferentes uma vez que tenhamos fé. 7. Quem tém ouvidos. O apello de Jesus sempre é feito ao individuo. Individualmente os membros da egreja de Epheso são responsáveis. Se o individuo for fiel, elle permanece, embora caia a egreja de que é membro, (cf. Mat. 9:15, Mare. 4:9, Luc. e

8:8,

O

etc.

Espirito.

A

personalidade de João cedeu o seu

logar completamente. Elle era apenas

Cada mensagem

é

«uma voz».

endereçada à egreja, para os

trtembros individualmente,

e,

por fim, para a egreja

universal. .45 egrejas. As sete cartas formavam um só documento que circulou entre todas as egrejas. De-


pois do primeiro capitulo,

usa mais

em

o numero sete não se

referencia ás egrejas.

Vencedor.

O homem

foi feito

para dominar e não

para ser dominado, seja pelo mal ou outra qualquer

cousa (Gen.

1

:

28).

A

vida christã é a vida victoriosa.

Neste livro ha muitas designações de Christo, mas

aos christãos é só esta que se applica. (Peake). Participamos da Victoria de Christo. (Cap. 3:21 cf. João 16:33; João 2: 13,14 e 5:4,5). I

Darei.

A

immortalidade é dadiva de Deus.

Arvore da vida. «A arvore que dá a vida»,

Gen.

:

«o pão da vida»

e

(cf.

3 22-24). Assim também a «agua da vida» (João 6:35).

Em

todos estes

casos «vida» é expressa pela palavra grega zoa, o principio vital que o

homem

participa

junto

com

que exprime o que elle possue junto com os demais homens». (Plummer). Pelo comer desta arvore poderão voltar ao paraizo Deus, e não pela palavra

bios,

de deliciosa communhão, que perderam por amor. Esta arvore será accessivel a todos, as estações, na .

Nova Jerusalém.

falta

em

de

todas

(22:2).

O logar de onde o peccado os O arrependimento lhes outorga novo ingresso.

Paraiso de Deus.

excluiu.

Carta á Egreja

em Smyrna

Smyrna. Era uma cidade magnificente, com excellente porto, que ainda florescia, tendo 250.000 habitantes. O seu padroeiro era Dionysio, deus dos 8.

«poderes mysteriosamente productivose intoxicantes


da natureza».

A

vizinhança era fertilissima e dizia-áé

que as videiras

alli

davam duas vezes ao anno.

Corria a lenda que Dionysio resuscitara, e isto fre-

quentemente se representava no tiíeatro de Smyrna. É possível que a saudação esteja influenciada por este facto. Nesta egreja, bem como na de Philadelphia,

nada passível de condemnação

foi

achado.

A

sua tribulação e pobreza e perseguição apresentam

um

grande contraste com a populosa e respeitável

egreja de

Epheso.

o fazer somente

Quem um

por

a ella se unisse havia de

sincero

amor dedicado a

Christo.

Tribulação. Esta foi o resultado da sua pureza

9.

num meio

corrupto.

Pobreza. Provavelmente muitos tinham perdido a sua

propriedade,

christã.

por multas impostas aos da

Semelhantes a Lazaro, porém,

ricos perante Deus.

Laodicea.

(cf.

II

O

elles

eram

contrario se diz da egreja de

Cor. 6:10 e Mat. 6:20).

Calumnia. Assim soffrera Jesus. As accusações falsas

não são especificadas por aquelle que vê os

corações.

Judeus. Entre os seus mais ferozes perseguidores estavam aquelles que pelas suas antigas tradições deviam constituir o povo de Deus. Quando Polycarpo,

o seu ministro, foi queimado, «conforme o seu costume» estavam entre os primeiros a trazer lenha. E nisto não se sentiram constrangidos pelo facto de ser em sabbado, seu dia de descanso.

Não

o são.

A

sua conducta e o seu espirito rene-


88

gavam o nome que ainda teriormente,

Rom.

(cf.

traziam.

A

2:28).

dos dois partidos extremos

:

Eram judeus ex-

egreja primitiva soffria

de

um

lado os Judaisan-

exigindo a observação completa da

tes,

bem como da

nial,

lei

ceremo-

moral, de outro os Antinomistas

ensinando que pela fé se abrogava a que a conducta nada valia.

lei,

de maneira

Synagoga de Satanaz. Synagoga quer

dizer as-

semblea e aqui pode ser tomado o termo como representando o conjuncto de aquelles que se opõem á verdade. «É o contrario da «synagoga do Senhor»

em Num. 16:3 e 20:4. Exceptuando Tiago 2:2, «synagoga» no N. T. sempre se refere a assembleas judaicas» (Plummer). Comparar o «throno de Satanaz» ver. 1

0.

13.

Não

temas. Vide nota sobre 1:17.

Os

perigos e

nunca os occulta. (João 16:33, Mat. 10:16-31). Mas com a prova vem o auxilio necessário. Tal como o nosso dia, assim será a nossa força. as difficuldades da vida

O

que estás para

cliristã, Elie

soffrer.

Previsto e permittido

por Deus. (Assim Job, e Paulo, Act. 9: 16). Satanaz tenta, mas Deus prova-nos para nos fortalecer

nos

e desenvolver.

Também

lha. (Luc. 3: 17).

Elie separa o trigo da pa-

Não estamos

livres

de

soffrer,

mas

somos resguardados na fornalha da afflicção. Diabo. O «accusador» (Job 1 6, Zach. 3:1 e :

Apoc. 12: Prisão.

10).

A

2,

calumnia é dos judeus.

Os Romanos não usavam

castigar a

não

ser por multa, exilio ou morte e somente lançavam


na prisão para esperar o processo ou a execução da pena. «Precisamos entender («a prisão») como

sendo

um

breve epitome (resumo) de todos os sof-

frimentos que os esperavam. Prisão era o.

.

.

prelu-

dio para o cumprimento da sentença» (Ramsay).

Dez

Conta redonda, indicando brevidade. A perseguição não iiavia de continuar por um periodo indefinido, mas por Deus estava limitada. Os annos de amarga perseguição que Paulo soffreu foram considerados por elle como uma «afflicção modias.

«um eterno peso de gloria». também o uso de «dez» em Dan. 1 12 e 14, Num. 11 19). Sobre numero, no Apocalypse, vide

mentânea», que produz (Cf.

e

:

:

o appendice.

fiel até

á morte. Sê

ainda que

fiel

própria vida. (Cf. Phil. 2 8). :

Quando

te

custe a

veio a perse-

guição predicta, o pastor de Smyrna, o velho Polycarpo, incitado a renegar a sua fé salvar a vida, respondeu

:

em

Christo para

«Quatro vintenas e seis

annos tenho sido o servo d'ElIe e Elie nenhum mal me fez: como posso blasphemar o meu Rei que

me

salvou ?»

A

fidelidade d'esta cidade ao

romano é notável na historia. Coroa da vida. A nota predominante da

— Victoria sobre

governo carta é

a morte. Christo tornou a viver, os

haviam de receber a coroa da vida e o vencedor nada soffreria na segunda morte. «A coroa de fieis

Smyrna» era phrase corrente

e

referia-se ás suas

edifícios situados em Monte Pagos. Apollonio de Tyana disse-lhe que antes devia glo-

torres e bellos


no caracter dos seus homens. «A promessa agora é que uma coroa nova se dará a Smyrna. Não trará mais uma coroa apenas de edifícios e riar-se

torres,

nem mesmo dos bons

lonio a aconselhava a tomar,

cidadãos, como Apolmas uma coroa de vida»

(Ramsay). Nos jogos, os victoriosos eram coroados. (Cf.

Cor. 9:25, Phil. 3: 14 etc.)

1

«Assim como a arvore da vida é symbolo da immortalidade bemdicía

em

Christo,

a coroa parece

plena consummação» (Charles). Segunda morte, A morte da alma. Somos sujeitos á morte do corpo, mas o espirito escondido com Christo em Deus é immune. «Quem duas vezes

symbolizar a sua 11

.

uma só vez. Nascido apenas uma bem como o corpo, morre».

nasce, morre

o espirito,

Carta á Egreja Pergamo a

vez,

em Pergamo

«Para João era a sede onde o poder d'este mundo, o inimigo da egreja 12.

capital de «Asia».

do seu Autor, exercia dade se exercia por dois ção civil pelo procônsul e rigida pela Communa da e

a

autoridade.

A

autori-

modos... a administraa religião do Estado diAsia» (Ramsay). Aqui o

Christianismo havia de ter o seu mais renhido conflicto

com o culto imperial. uma cidade culta, possuindo em

certa epo«Pergaminho» cha a segunda bibliotheca do mundo. se deriva do nome da cidade. Era também uma

Foi

«cidade de templos».


Afiada espada de dois gumes, Ella separa o bem

do mal. As sete cartas, o espada de discernimento

livro

tomado, constituem a

e secessão.

A

descripção,

porém, representa aqui o facto de que «atraz do

Governador Romano

e

acima

d'elle

ha

Um

cuja au-

ctoridade é ainda mais poderosa, pela vontade do

Qual os principes governam e para com Quem os próprios tyrannos da terra são responsáveis» (Scott). 13. Sei onde habitas. Elie conhece as nossas circumstancias todas e as considera quando nos julga. Onde Satanaz tem o seu throno. Sendo a capital da Asia, era o centro do culto do imperador. Os soffrimentos de Smyrna procederam principalmente de seus concidadãos e, sobre tudo, dos judeus. Mas a perseguição que cahiu sobre Pergamo distingue-se claramente de aquella espécie de soffrimento. Em Pergamo tomou a forma do «soífrer pelo Nome», quando os christãos foram processados na tribuna proconsular e defrontados

com

a alternativa de se

conformarem com a religião do Estado ou terem a morte immediata Prisioneiros de todas as partes da .

.

.

Provincia foiam levados a Pergamo para o processo e a

sentença perante a auctoridade que possuia o

da «espada. Jus gladii, o poder de vida e de morte, i. e. o Procônsul Romano da Asia» (Ramsay). direito

Pode symbolisar também qualquer logar «onde se

esquece Deus, e o mundo

é

adorado, onde a

como sendo desconvenções dos homens ou ao código

lealdade a Christo se interprete lealdade ás

não escripto das relações sociaes»

(Scott).


Conservas o meu nome. «O nome de Christo parece

em

ter,

conservar e

si

nome de Christo

algo objectivo, de maneira que se pode confessar e negar..,

perder,

O

Christo comprehende a própria pessoa de

em

com

conjuncto

ria» (Meyer). Elie

as suas riquezas e glo-

sempre menciona

primiciro o

que

é de elogiar.

Nâo o

negaste.

nome de

Em

muitos casos o simples negar

christão ou

o blasphemar o nome de

Jesus era sufficiente para livrar o crente da pena

de morte. Antipas. Este

É

nome

é mencionado somente aqui*

um numero elevado de «Que um nome representasse a lista inem harmonia com o estylo do Apocalypse»

provável que represente

victimas. teira está

(Ramsay). Provavelmente a perseguição nessa occaSião extendia-se a muitas outras cidades também.

Em

17:6 a mulher

é

embriagada com o sangue dos

santos.

Minha

testemunha.

fiel

taphio, ainda

Um

que merece este epi-

que morto vive para sempre. em confessar aos que

de Christo se deleita

O amor O con-

fessam.

umas poucas de cousas. Este amor, Poucas cousas, mas sérias, toporém, não lerava aos que seduziam, como Balaão. Semelhante a elle, a egreja tinha o bem misturado com o mal. (Vide Num. 31 16). 14. Contra

ti,

é cego.

:

Pedra de tropeço. (Mat. 18:6).

Uma

das maiores offensas.


93

15. Nicolaitas. (Vide nota sobre ver. 6). Parece

que eram crentes commodistas, entendendo talvez que não faria mal queimar um pouco de incenso ante a estatua de Cesar. A religião christã, assim transigindo com o mundo, perderia o seu valor. «Ou havia de vencer e destruir a idolatria imperial, ou teria

de transigir

e,

assim fazendo, seria ella

destruída». S. Paulo,

bem como

toda a clareza o perigo

S. João,

mesma

viram com

da decadência da egreja

por esta forma e combateram-no

com todas

as suas

forças.

16. Arrepende-te.

demna.

não connós mesmos se não

Christo corrige

Condemnamo-nos

acceitarmos o Seu convite.

a

Com

e

infinita

longanimi-

dade e amor elle nos convida a abandonar o mau caminho e voltar a andar com Elle. Venho a

ti

sem demora. A vinda é como a -de um O effeiío do mal não tarda, embora

ladrão de noite.

muitas vezes seja occulto. Pelejarei.

«Se alguém não se arrepender. Deus

afiará a sua espada». (Ps. 7: 12). resistir?

quando

No

capitulo

19

Quem Lhe

poderá

vemos o que acontece

Elle sae contra o mal.

Quem Lhe

poderá re-

sistir?

Contra elles. Christo vem á egreja mas peleja somente contra os malfeitores.

A espada de minha bocca. A intransigente arma da verdade do seu ensino. Desastroso é viver em desharmonia com a verdade. Balaão encontrou um anjo armado de espada, e por uma espada elle nior-^


94

(Num. 31 8) O viver no meio de uma geração corrupta não nos desculpa qualquer peccado. 17. Vencedor. E' possível vencer, mesmo onde existe o throno de Satanaz e num meio corrompido reu.

:

de doutrinas Elie

sabe

falsas.

as

Em

tal

caso maior é o premio

circumstancias

e

ajuda conforme

nossa necessidade, se a Elie recorrermos.

O

a

vence-

dor é aquelle que tem o costume de vencer o mal.

Manná

escondido. Manjar que o

nhece. (Cf. João

4:32

e

I

mundo não

co-

Cor. 2:9). Aarão depo-

sitou um homer do alimento celeste deante do Testemunho (Ex. 16:33) e a tradição judaica diz que antes da queda de Jerusalém o propheta Jeremias enterrou a arca e seu conteúdo no monte Pisga, onde havia de repousar até que Deus convocasse de novo o seu povo. E' o manjar secreto com que Deus alimenta os Seus, habilitando-os a resistir ao mundo e a vencer o inimigo da nossa alma. «Semelhante ao fogo na casa de Interprete (no «Peregrino»), os homens podem-se esforçar por apagal-o,

mas

certa

mão

escondida, secretamente alimenta o

fogo com azeite» (Carpenter).

Em

S.

que o pão vivo que desce do céu é «Vê-se mais uma vez o Christo a si mesmo da forma humana, mas forma do pensamento humano, com o

sus.

que teve no principio, para se dar a

João notamos o próprio Jerevestindo-se doesta vez na

mesmo intuito mesmo aos

si

homens» (Scott). Pedra branca, «Pedras brancas representavam á mente antiga a absolvição, ou admissão a uma

festa,


95

OU boa fortuna,

etc.» (Moffatt).

Nos jogos

era signal

O

sacerdote judaico trazia pedras com Trench suggere neste passo o Urim, que talvez fosse um diamante, tendo insculpido o nome nunca pronunciado de Jehovah, que assim podia suggerir um mais profundo conhecimento de Deus. Ramsay entende que é a tessera, «um cubo ou bloco rectangular de pedra, marfim ou outra substancia, com palavras ou symbolos burilados em uma ou mais faces». Embora seja impossível dizer qual a referencia histórica da figura, a significação parece ser a nossa experiência secreta da graça divina. O material, pedra, é immorredouro e a cor indicava felicidade. O vestuário dos remidos

de Victoria.

inscripções.

é branco.

Novo nome. Nomes

secretos,

deuses, eram considerados

especialmente dos

como conferindo grande

poder aos que os conhecessem. «Elie poria no coração de seu servo fiel o nome que é acima de to-

dos os nomes, o nome ao qual se dobrará todo o joelho dos que estão nos céus, na terra e debaixo

da

terra.

.

.

.Christo lhe daria

sentido profundo da Biblia,

um «nome novo» no uma nova natureza, a

verdadeira chave do verdadeiro céu» (Scott). Assim Jesus toma as ideias erróneas da magia dos circulos esotéricos e as reveste de ção,

servindo-se

d'ellas

uma

verdadeira significa-

pára indicar a

união

e

communhão profunda do christão com o seu Christo. Ninguém sabe. O mundo não conhece nem pode tirar

a paz ao christão,


96

Carta á Egreja

em

Thyatira

Esta é a carta central e a mais comprida das sete.

Thyatira era

uma

cidade commercial, e os ci-

dadãos, para poder ganhar a vida e gozar os privilégios próprios da sua posição, eram quasi obriga-

dos a pertencer ás associações industriaes

e

com-

merciaes e a assistir a seus banquetes, que eram

sempre dedicados a alguma divindade pagã. O problema era um tanto difficil para os crentes. Aqui o mal se enraizara na própria egreja e arrogava para si

uma

certa auctoridade.

18. Filho de Deus.

Uma

expressão majestosa,

neste livro usada somente aqui.

Olhos como tudo

uma chamma

de fogo. Elie percebe

(v. 23).

Pés semelhantes ao latão polido. São semelhande um guerreiro de armadura forte para calcar o mal pertinaz. 19. Sei. As cousas recommendaveis são pormenorisadas e recebem tanta emphase que nos dão a entender que o Mestre as contempla com grande amor. tes aos

Obras.

amor, e

dois pares de virtudes: serviços e

e perseverança.

Do amor

são oriundos

os serviços, da fé provem a perseverança.

Ultimas obras mais numerosas. «Epheso retromas Thyatira progride... Em Epheso ha

cedeu,

muito zelo pela orthodoxia, mas pouco amor.

Em

Thyatira ha muito amor mas descuido quanto á doutrina falsa»

(Plummer),


20. Toleras. Supportas sem reprehender. tão e a egreja não

podem

O

chris-

ser indifferentes ao

mal

uma víbora. Jezabel. Uma influencia má, uma pessoa ou um partido dentro da egreja que a corrompia, como fez que, no seu seio, é semelhante a

a perversa mulher de Achab. Ella prefigura a prostituta

do cap.

17,

assim como Balaão prefigura o

do cap. 16. «Parece melhor considerar o nome como sendo symbolico, sempre lembrando que o espirito de "Jezabel, orgulhoso, collocando-se a si próprio em autoridade, blasonando

falso propheta

santidade superior, ou conhecimentos mais elevados, ligado a

para

menosprezo

—e

talvez a

desdém

com o

aberta,

legalismo, e seguido de immoralidade tem pouco a pouco alastrado nas egrejas de

Deus» (Carpenter). Ensina. Era activa na propaganda das ideias falsas.

lava

As cousas profundas, os mysterios que revecomo sendo desconhecidos pelo vulgo, eram

realmente de Satanaz Fornicar.

A

(v. 24).

apostasia no V. T. é continuamente

representada pela infidelidade conjugal ou impureza.

A

noiva abandona o noivo quando a egreja segue

outros deuses. Por outro lado os sacrifícios e as

do paganismo eram e são acompanhados frequentemente por costumes lascivos. Comer das cousas sacrificadas aos idolos. Este costume suscitou uma das questões mais vexatórias na egreja primitiva. Em si a carne em nada era dif-

festas religiosas

ferente de outra qualquer,

mas o

transigir

com o pa7


98

ganismo podia acarretar perigos moraes. A impureza de vida é frequentemente associada a este costume no N. T. (cf. Act. 15:20). A idolatria e a impureza

andam de mãos dadas. 21. Dei tempo. Ninguém

se pode queixar por opportunidade de se arrepender. Deus é longanimo, mas nada ha mais terrivel em seus effei-

de

falta

tos sobre a alma

Gen. 6

:

Lanço forma

que desprezar a sua graça. (Vide

3).

em

mm

leito.

«O

quarto voluptuoso se trans-

O

quarto de doença.

logar do peccado será

a scena do castigo» (Carpenter). se relaciona directamente

suas

com

O

castigo de

Deus

a offensa contra as

leis.

grande tribulação. O dia de Jehovah é grande e mui terrivel: e quem ó poderá supportar?

Numa

'

(Cf. capítulos 7, 9, 18, etc).

Os que adulteraram com ella. Estes são arrastados para participar da sua perdição. Se não se arrependerem. Parece que para elles a opportunidade ainda não passou. ella

Seus filhos. Os que se teem relacionado com moralmente, tornando-se discípulos d'ella. O

castigo é tão terrivel porque a própria existência da

egreja estava em jogo. Se transigisse com a sociedade em que vivia, a religião christã ter-se-ia tornado simplesmente mais uma religião, ao lado do culto do imperador. «Deveria o Christianismo con-

formar-se

com

os princípios então existentes e ac-

ceitos pela sociedade, ou deveria elle forçar a socie-


99

dade a conformar-se com seus princípios ? Quando se faz assim a pergunta em sua plena e veraz apresentação vemos logo quão errados estavam os nicolaítas e a

sua prophetisa de Thyatira. Reconhece-

mos que o futuro todo do Christianismo estava em jogo, em relação á questão proposta mais uma vez admiramos a perspicácia perfeita com que os Após;

tolos aquilataram cada questão

que se lhes apresen-

tava na vida complicada d'aquelle periodo» (Ramsay). Farei morrer.

A

«O

salário

do pecado

é a morte.»

iniquidade opera a sua própria anniquilação.

Sou o esquadrinhador. O que existe no recanto mais intimo do coração lhe é visivel (cf. Rom. 8 27). :

Exteriormente e perante o publico, os peccadores

frequentemente levam

uma

vida respeitável.

Rins, Estes para os judeus sejos,

emoções

eram a sede dos de-

e affeições. (Jer. 12:2).

Corações. Sede dos pensamentos e da consciência.

(Vide Rom. 8 27, Ps. 7 9 e :

:

Jer.

1 1

:

20).

Darei a cada um. Individualmente responsável e individualmente premiado ou condemnado conforme as suas obras, que são a exteriorisação d'aquillo

que enche os corações. 24. Digo a vós outros. Os fieis. Recebem elles uma mensagem de teor differente. Cousas profundas. Mysterios, círculos esotéricos, penetrados somente pelos iniciados, cryptographia.

Os homens sempre teem inventado

substitutos para

o «mysterio do reino de Deus». Palavras magicas,

«emboras», palavras «chaves de entrada», signaes


100

em ás vezes degeneram em sentando-nos um triste

secretos, originam-se

instinctos primitivos,

mas

cousas de Satanaz, apre-

com

contraste

as

cousas

profundas de Deus

que o Espirito nos revelou. (I Cor. 2:9 e 10) Vide também Rom. 11 :33 e Eph. 3: 18. «A insistência em conhecer mysterios intellectiiaes,

á

quer como accrescimo quer como substituto

simples obediência que a vida christã requer,

sempre tem sido uma fraqueza da egreja» (Charles). Outro fardo. Comparar a decisão do concilio de Jerusalém, Act. 15:28 e 29. 25. Guarda-o bem. Certas cousas, precisamos expugna-las e outras conserva-las. Não devemos cahir no erro de Epheso. «Guardae o amor, a fé, o serviço, a paciência e o crescimento nestas virtudes

pelas quaes tendes sido louvados (v. 19)» (Plummer).

Até que eu venha.

A

vós individualmente ou a

todos na consummação. 26. Vencedor. Somente fallar

em

em

victoria,

um

christão é

quem pôde

circumstancias tão adversas.

Guarda as minhas obras. Assim se distinguindo dos que guardam as obras da falsa prophetisa. Até o fim.

O

christão verdadeiro

seu amor e dedicação, até o ultimo

demonstra o

momento da sua

vida consciente, neste mundo.

Audoridade.

Vide Ps. 2:8 e

Em 9.

Luc. 19: 17 é sobre dez cidades.

Quem

se identificar

com

a ver-

dade, participará da victoria d'ella e da sua auctori-

dade sobre a família humana. 27. Regerá. Em 7: 17 a palavra

é traduzida «pas-


101

torear».

Jesus

Da mesma forma em

manda

João 21:16, quando pastorear as suas ovelhas.

Pedro

(Plummer).

Vara de sigente.

O

ferro.

A

salário

de causa e

effeito.

verdade é absolutamente intrando peccado, a lei da gravitação, .

.

são todas igualmente inflexi-

veis.

Quebrando-as. pedra, ficará

«Todo o que

em pedaços; mas

cahir

sobre esta

aquelle sobre

quem

será reduzido a pó (Luc. 20:18). Antes de se poder reconstruir a sociedade sobre as bases ella

cahir,

do amor

fraternal, as velhas relações internacionaes,

o militarismo, a sanguinolenta concorrência, o nacionalismo egoista, a industria sangue-suga, teem de ser estilhaçadas.

Assim como eu a

recebi.

«Em

qualquer logar onde

a egreja tem illegalmente lançado ella

e

tem perdido.

furtara ás

O

mão do

poder,

miserável poder que arrancara

nações, tem sido virado

contra ella;

tem sido obrigada a agachar-se ante as nações e a implorar o seu auxilio, e com justiça ellas a teem desdenhado ... Se a egreja tivesse confiado no seu Senhor, Elie lhe teria dado a estrella da manhã. Teria assim derivado d'Elle o que pretendeu independente d'Elle. E assim teria dado luz ao mundo». (Carpenter) (cf.

João 17:18; 20:21; Luc. 22:29, etc).

A estrella da manhã. O próprio Christo 22:16) «O penhor do dia vindouro». 29. Quem tem ouvidos. Isto é, discernimento es-

28. (cf.

piritual,


CAPITULO Carta á Egreja 1

.

III

em Sardes

uma cidade muito

Sardes, Era

rica, notória

por

afamado ricaço, foi um não soffria de heresia membros immoraes, mas, cousa peior,

seu luxo e luxuria. Creso, o

dos seus

ou por

reis.

ter

tinha decahido

A

egreja

em uma

alli

lastimável frieza e indiffe-

rença que só se podia caracterisar, na linguagem d'Aquelle que tudo conhece, pelo termo «morte».

Tem

os sete espíritos. Vivificantes. Nesta carac-

terística Elie

vem

Sete estreitas.

á egreja morta.

Os

(cf.

gura na dextra. Poderia, portanto, egreja, se ella

O

Rom. 8:9-11).

anjos das egrejas que Elie seter

segurado a

deixasse.

Obras. Aqui apenas significa actividades.

Nome

de que vives. Reputação de grande activi-

dade, organisações dentro da egreja, reuniões sociaes.

Uma egreja da moda e nada de vida espiritual. Apenas um club com a capa da religião. Seguia um credo morto, esquecendo-se que o Christianismo é um motor

um

«caminho».

A

egreja era ponão porque fizera atrahente o Evangelho, mas porque se accommodara ao mundo; não elevára os ideaes da cidade mas sacrificára os seus.

de vida,

pular,

Estás morto. Estas são palavras

cem uma çondemnação

absoluta,

terríveis,

Mas

pare-

«Elie vos dçu


103

a vida quando estáveis mortos pelos vossos delidos e

peccados» (Eph. 2:1). Elie condemna, para con-

verter.

2. Sê vigilante. A cidade tinha sido tomada por surpresa duas vezes, na guerra. Comparar a admoes-

tação de Jesus no jardim de Gethsemane.

O

que ainda permanece,

O

Mestre descobre

mesmo em

boccadinho do bom,

um

Sardes, e quer que

esse seja salvo. São os restos do naufrágio. Elie

«não quebrará a canna rachada, nem apagará a torcida que fumega» (Isa. 42 3). :

Prestes a morrer.

Perecendo numa atmosphera

de pestilencial indifferença. Não tenho achado tuas obras completas. Faltava o espirito de amor e dedicação. A forma existia sem a substancia, o

nome sem

a realidade.

Deante do meu Deus. Que tudo vê. Comparar a atíitude de Deus e a do mundo para com esta egreja «popular». 3. Lembra-te.

De um passado

melhor.

O mesmo

appello recebeu a egreja de Epheso. Aquilio que

receberam e ouviram trazia comsigo bilidade

(cf.

Deut. 7

A

Arrepende-te.

:

18

;

8

:

uma responsa-

18, etc).

secular solicitação divina.

vertei-vos, convertei-vos dos vossos

nhos» (Ezek. 33 nas 3:8, etc).

:

1 1

;

Cf. Jer.

«Con-

maus cami-

3:14; Hos. 12 6 :

;

Jo-

Se não vigiares. Se vos esquecerdes de Deus e da Sua lei se olvidardes a applicação da verdade à vossa vida, ;


104

Como

ladrão.

de surpresa. Elie

Os impenitentes vem «com pés de

serão tomados lã».

Poucas pessoas. Estas conservaram a sua fé e modo christão de viver, no meio da apathia geral. Onde se encontram dois ou três em oração, o Se4.

bem longe de olvidal-os, alli estará com elles. Não contaminaram as suas vestes. Não eram

nhor,

perfeitos

(Tiago

nem

1

mas guardaram-se da corrupção do mundo. :

27).

o torpor de

«Nem a corrupção do paganismo uma egreja moribunda os infectara.»

(Plummer).

Andarão commigo.

O

supremo privilegio do chris(Comp. João 17:24). Vestes brancas. «O corpo glorificado, depurado

tão e grande desejo do Senhor.

de todas as suas fezes e impurezas, tendo sido

precipitado na morte o que restava d'ellas e agora

transformado e transfigurado conforme a semelhança

do corpo de Christo

(Phil.

3:21). Este corpo

a sua vestidura, seu ambiente e sua effluencia de é elle

mesmo, eu

creio, as vestes

com luz,

brancas que Christo

promette aqui aos seus remidos» (Trench). Charles

que são «symbolo da vida espiritual como se manifesta em caracter recto, que forma a vestidura celeste dos remidos. O corpo da resurreição era tido

diz

como *um corpo de 11

luz'».

Dignas. Pela graça divina. (Comp. Luc. 20:35, Thess. 1 :5 e 11). A paga dos peccadores, encon-

em 16:6. Não apagarei

tramo-la 5.

o seu nome.

cidadãos, ao morrerem.

Como

O nome

se fazia aos

fica registado

no


105

livro

da vida

alé,

por sua negação terminante, a alma

escolher de vez o seguir o mal. (Vide Ex. 32:32,

Deut. 29:20, Luc. 10:20, etc).

Confessarei o seu nome. Será apresentado ao Pae pelo próprio Senhor Jesus. Se perdoar, será per-

doado, se confessar será confessado.

Para o vencedor a promessa é

sem mancha na celestial.

3)

Não

gloria. 2)

Será

Juiz» (Plummer).

tríplice; «1)

publicamente reconhecido

Ver Mat.

Carta á egreja 7, Philadelphia, E'

1

0 32 e 33 Luc. ;

:

em

Será

perderá a cidadonia

1

pelo

2 8e :

9.

Philadelphia

frequentemente chamada «A

Pequena Athenas» por causa dos seus muitos templos; por ahi se vê que se interessava muito na religião.

com

Ainda

terramotos.

existe,

Na

apesar de ter soffrido muito

sua historia «demonstrou todas

as nobres qualidades de paciente perseverança, verdade e constância, que lhe são attribuidas na carta de S. João» (Ramsay). «Foi a ultima cidade de Byzancio a entregar-se aos turcos, e quando succumbiu foi mediante melhores condições que as outras» (Plummer). Com Smyrna, escapa a qualquer palavra reprovatoria do Senhor. «De todas as sete egrejas, ella teve a vida mais prolongada como cidade christã» (Carpenter).

Santo.

Consagrado. «Applica-se áquillo que é

posto de lado para Deus».

Em

6

:

10 «santo e ver-

dadeiro» sãQ epithetos applicados a Deus,


106

Verdadeiro.

No

no cumpria realisação perfeita de

sentido absoluto

;

fiel

mento das suas promessas tudo que d'Elle podemos esperar. Chave de David. Signal de auctoridade. «E' regente no reino de Deus» (Plummer). «A Christo pertence auctoridade completa quanto a admissão ou a exclusão da cidade de David, a nova Jerusalém. Assim como Eliakim trazia as chaves da casa de ;

David, na corte de Hezekias, Christo no reino de a

mesma

Deus

auctoridade

(cf.

22 22) assim faz Eph. 1 :22). Elie tem

(Isa.

:

quanto ao Hades

(1

:

18),

e

auctoridade suprema no céu e na terra (Math. 28: 18) e

é

como

filho

sobre a casa de Deus (Heb. 3:6)»

(Charles).

O

poder conferido aos Apóstolos é limitado e Quantas vezes não tem Elie de rectificar o que o homem, na sua pequenez, sujeito a revisão por Elie.

resolve 8.

Porta

aberta.

Opportunidades maiores.

A

no pouco (Math. 25:21). As suas obras geraram novas forças e capacidades que os habilitaram a assumir maiores responsabilidades e ninguém lhes podia fechar esta porta. A chave que lhes foi entregue é a verdade que assimilaram e incarnaram em caracteres nobres e consagrados e contra elles as portas do Hades não prevalecerão egreja tinha sido

(cf.

fiel

João 20: 19 e também

1

Cor. 16:9,

II

Cor. 2: 12,

Act. 14:27).

Pouca força. Em numero de membros, equipamento ou recursos, mas «a minha força se apertei-


107

çoa na fraqueza».

«Um homem com Deus

é maio-

ria».

Guardaste a minha palavra. Tinha sido fiel nas provas que frequentemente eram até á morte. Esta fidelidade talvez vencera os preconceitos e abrira a

porta do coração da sua communidade.

Synagoga de Satanaz, Os judeus

9.

nacionalistas,

inimigos figadaes dos judeus convertidos. (Ver nota

sobre 2:9).

Deus

Judeus. Aqui, o vero Israel de

Mas

christão.

da

os

synagoga

não

e portanto

acceitam

a

povo escolhido. Smyrna havia de ser protegida d'elles, mas Philadelphia havia de os sujeitar, (cf. Rom. 4; Cor. 7: 19; Rom. 9 6, etc.) Prostrar-se. Talvez em alguma perseguição elles Christo e por isso não pertencem ao

I

:

haviam de

vir

pedindo refugio ou, mais provavelafinal, que os chris-

mente, reconheceriam, humildes,

tãos eram o verdadeiro Israel e Jesus o Messias, (cf. Isa.

Eu

45: 14 e 60:

14).

O

Evangelho em uma palavra. 10. Guardaste. te guardarei. Vide nota sobre vers. 5. Comparar também Mare. 4 24. Elie não nos conserva isentos de tentação e tribulação, mas resguarda-nos de qualquer damno. Não orou que os seus fossem tirados do mundo, mas que fossem guardados do Maligno. No cap. 7 o drama desastroso da expurgação tinha de esperar até que fossem sellados os servos de Deus. «Lealdade a Çhristo, sem reserva, traz comsigo te

amei.

.

.

:


108

immunidade em face da angustia

da in-

espiritual e

quietação mental» (Charles).

Palavra da minha paciência. Que ensina e inspira paciência pela historia do exemplo de Christo. Essa é especialmente

virtude

recòmmendada neste

Se conseguirmos alcançar o ponto de

vista

livro.

do céu

tudo poderemos supportar.

Hora de provação. Nos frequentes terramotos a cidade tinha soffrido muitas horas terríveis, e ajudal-os-ia a pensar nos

isto

medonhos acontecimentos

logo adeante descriptos.

Para provar. Se o

edifício

do seu caracter «é de

ouro, de prata, de pedras preciosas, de madeira, de

feno ou de palha» (1 Cor. 3: 12). 1 1

.

Venho sem demora.

Em

nossa angustia Christo

se acha immediatamente presente. «E' a nota mestra

do

livro.

Vem como um

aviso para os infiéis e

como

mensagem animadora para os fieis.» O que tens. As conquistas espirituaes. Haviam de ser vigilantes.

O

christão nunca se

pode descuidar

ou relaxar. Coroa. Esta é promettida somente ás duas egrejas

não reprovadas.^^

Alguma coisa firme. Uma parte do que o sustenta e embelleza. Talvez se reás duas columnas do templo de Salomão, cujos

12. Columna. edificio, fira

nomes significavam «estabilidade» e «permanência». (1 Reis 7:15 e 21). Frequentemente as columnas tinham forma humana.

A

sua significação figurada é

frequente na Bíblia. (Vide Jer.

1

;

18, etc.)


109

Jamais sahirá. Tornar-se-há uma parte integrante e permanente do templo que é de Deus. Seus caracteres serão fixos. Talvez ha aqui uma allusão aos frequentes terramotos que tinham destruído edifícios da cidade. «Quem não almeja aquella cidade donde nenhum amigo sae e onde nenhum inimigo entra!» (Santo Agostinho). Escreverei sobre

graça divina,

uma

elle.

Cada um

epistola viva.

distingue os filhos de Deus.

O

é

monumento da

Em 9:4

«nome»

o sello

caracterisa os

salvos durante a eternidade (14:1 e 22:4). Signi-

posse absoluta da parte de Deus.

fica

O

nome da

cidade.

a sua cidadonia. 11

(cf.

O

Gal.

seu passaporte, indicando

4:26;

3:20; Heb.

Phil.

10, etc.)

:

O

meu novo nome. Não somente hão de

partici-

par da natureza de Christo á medida que a conhe-

cem

já,

mas

a mais profunda revelação do futuro

terá o seu ineffavel effeito sobre os seus espíritos.

O

não termina com a morte. Não o podemos comprehender agora (cf Cor. 13:12). crescimento

espiritual

.

Que

1

desce do céu, E' portanto espiritual.

A

Jeru-

salém nova, a sociedade reconstruída, não nasce da não se estabelece pela força ou pela diploma-

terra,

cia

mas

é oriunda da verdade eterna, divinamente

revelada e applicada ás relações humanas.

19:12.)

(Vide


110

Carta á Egreja

Um

14. Laodicea.

também

fabricava

em

Laodicea

opulento centro bancário que

em grande

tecidos

escala.

Era

alem d'isso a sede de uma florescente escola medica. «Muitas expressões na epistola levam-nos a crer que João conhecia a Epistola aos Colossenses, a qual S. Paulo pediu fosse lida perante esta egreja. (Charles).

ser

A

Laodicea Paulo escreveu

porem que essa na sua

ella,

uma

carta

a não

;

carta seja a escripta aos Ephesios,

de zelo, a perdeu. Nesta egreja

falta

nosso Senhor nada achou digno de encómios; nem

mesmo

alguns membros não contaminados,

encontrou

em

Sardes.

A

lerante, condescendente.

zia martyres,

tal

como

egreja era commodista, to-

Em uma

época que produ-

seria especialmente exe-

attitude

cravel.

O

Amen.

O

Verdadeiro, aquelle que guarda o

pacto. (Charles) Elie é

É

egreja transigente.

um

grande contraste com a

«a fonte de toda a certeza e

verdade» (Carpenter).

Testemunha Verdadeiro.

Vide notas sobre 1:5 e 3 7. Qualidade imprescindível em uma

fiel.

:

testemunha.

O principio da creação. ção recebeu o seu de Deus, como

«Aquele de

inicio». Elie é

em João

1

:

3,

Col.

Quem

a crea-

«o agente creador 1

:

16,

Heb.

1

(Beckwith). Por isso é, Soberano das riquezas

:

2».

em

que os Laodicençes confiavam e superior aos prin-


ííi

cipados que elles eram tentados a adorar. (Col. 1:16, 2:15). 15.

Não

és frio

vicções, estagnados;

victimas de

uma

Oxalá foras

sem

apathia insípida.

Se estivessem fóra da egreja,

frio.

coniiecer o

nem quente. Neutros, sem consem zelo e sem enthusiasmo,

amor de Deus, o seu estado

seria

mais esperançoso. Os publicanos e as meretrizes os

precedem no Reino. transforma a religião

A

sua attitude de indifferença

em assumpto enfadonho

;

torna

sem graça e a própria vida aborrecida. Que enorme contraste com o contentamento e enthusiasmo de aquelles que buscam primeiramente o Reino de Deus! as missões

Ou

quente.

Não ha meio Não podeis servir a Deus Rom. 12: 11). Não podemos acco-

Ao

ponto de ferver.

termo no reino de Deus. e a

Mammon

(cf.

modar-nos ao meio. mundo.

O

crente

tem de refazer o

16. Estou para te vomitar. A sua rejeição era imminente a não ser que se arrependesse. A aspereza da expressão é temperada pelas carinhosas palavras

17.

do

V.

18 e

do que segue.

Rico sou.

materialmente.

Um

Prospero, pastor

decerto

espiritual

e

bem pago, um templo

bancos commodos, sermões brandos, (Paulo exhortou o seu ministro, Archippo, a cuidar

amplo

e bello,

no seu ministério (Col. 4:

17), livre

de perseguição,

tudo concorreu para o seu contentamento e nada


havia para a estimular e attrahir para mais peito dõ Crucificado.

Estou enriquecido. Pelos próprios esforços. Gostavam de meditar na sua prosperidade e esqueceram que tudo vem de Deus (cf. Hos. 12 8 e 9). :

Não sabes. Uma moeda perto de um dos olhos pode esconder o

sol.

Cheios de

si,

orgulhosos de suas vir-

obcecou-se-lhes o discernimento espiritual,

tudes,

mesmos. A egreja comparava com o publicano. Faltava-lhe a visão de Deus em Sua santidade, para lhe revelar a immundicia d'ella (cf. Isa. 6 1-8). Oihava-se a si própria em vez de olhar a capacidade de avaliar-se a

si

era semelhante ao phariseu que se

:

a Jesus

em

sua perfeição.

Coitado. tas palavras

Como

devia ter doído á egreja

ler

es-

que tanto offenderiam o seu amor pró-

prio e o seu orgulho

augmenmas nada enthesourara do

Miserável. Semelhante ao rico louco que

tou os seus armazéns

céu

;

como o

outro rico

em

tormento, depois de ol-

vidar as necessidades e soffrimentos de Lazaro.

Cego. Jesus quer dar vista espiritual. Elie nos revela os defeitos de caracter e amor, cirurgião que corta para curar

(cf.

como um bom

Mat. 23: 17).

Nú. As5im parece a alma orgulhosa perante seu Deus. As suas próprias virtudes são tecidas pela imaginação. Tal alma, no juizo, ha de querer esconder-se nas trevas exteriores. 18.

Eu

te aconselho.

Embora em estado

tão las-


113

timavel, ha possibilidade de

mudança.

Elie

não obriga

mas Que de mim compres. Não por uma troca de valores, mas sem dinheiro e sem preço (Isa. 55: 1); não nos mercados do mundo, mas no de Aquelle pede, appela, avisa, attrahe.

que offerece mercadorias sempiternas. O christão realmente nada sacrifica, pois recebe centuplicado o que confia a Christo (Mat. 19:29 e Mare. 10:30). Ouro refinado no fogo. «Um coração novo», um caracter inabalável que sustenta todas as provas. Os martyres testemunham a resistência d'este ouro que mais vale que o mundo todo. Para te enriqueceres. Com a paz que o mundo não conhece nem pode tirar. Tornar-se-hiam ricos para com Deus comprariam o campo com o thesouro ;

escondido, adquiririam a pérola de grande preço. Vestes brancas.

É

Para cobrir a nudez

espiritual.

vestuário celeste embranquecido no sangue do

Cordeiro (7: 14) e outorgado aos vencedores (3 5). Vergonha. Causada pela exposição do seu cara:

cter á

luz penetrante

10:4

nhar (H Sam.

e

honrar (Gen. 41 :42 e

do céu. Despir era envergoIsa. 20:4); dar roupa era 45:22, Dan. 5:29, etc.) De-

viam «revestir-se de Christo (Col. 3 justiça

(Phil.

:

10 a 14) e sua

3:9), para que a vergonha

da sua

nudez não apparecesse ou, muito melhor, não fosse manifestada» (Carpenter). Collyrio.

«O famoso pó phrygiano receitado pela em Laodicéa» (Charles). A verdade

escola medica é remédio

que arde, convencendo-nos dos

defeitos,

8


114

mas, sendo sinceramente applicada, cura. rito

O

Espi-

Santo «primeiro nos abre os olhos para a nossa

miséria e então para o Salvador

dade»

&

F.

(J.

A fim

divino»

por

;

isso,

progresso, apanágio do condemnação da complacên-

são a

cia e frouxidão é tão severa. terieis

peccado algum

vemos,

fica

João cap. 19.

i4

sua preciosi-

de que vejas. Luz, entendimento, «descon-

tentamento christão

em

B.)

;

subsistindo

«Se fôsseis cegos, não

mas agora que

dizeis

:

nós

o vosso peccado». Vide

9.

quantos eu amo, reprehendo e castigo. De-

pois das palavras da mais dura reprehensão e condemnação, seguem immediatamente as mais ternas palavras de amor e saudoso convite ao arrependimento. Devido ao seu immenso amor, Elie não pode ser indifferente aos defeitos da amada egreja, mas quer purifical-a para a apresentar a Si mesmo, sem macula nem ruga (Eph. 5 27, cf. judas 24). Nosso Senhor não pôde terminar as sete cartas sem manifestar de novo o seu immenso amor e almejo de que :

os errantes se arrependam e se convertam. Filiação implica castigo (Heb. 12:8). Muitos ha que se conservam fóra d'esse grémio de correcção. Alguns até chegam ao ponto em que Deus, em vez de os

mesmo endurecer o seu coração, coPharaó. Mas aos filhos, Elie, com paciente

castigar, deixa

mo

fez a

amor, corrige, attrahindo-os cada vez mais perto de Si

mesmo. Zeloso.

«Nenhum coração

é puro se

não sente


115

nenhuma

paixão,

A

siasta!

virtude é segura se não é entliu-

em Laodicéa

egreja

demnação

cahlu naquella con-

mordazmente descripta por Dante

tão

«Esta miserável sentença soffrem, de aquellas laventuradas almas que viveram

sem

fâmia ou merecer louvores, misturando-se desditosa turba de anjos que

nem

mas

leaes a Deus,

apenas»

(Scott).

mesmo, a

Si,

nem

a

si

mesmos

seguil-o a Si

incita a

em

cujo zelo o devorara,

com

rebeldes foram

subsistiram para

Jesus os

ma-

incorrer na in-

sua lealdade

ao culto puro de Deus (João 2: 17). 20. Estou á porta. Elie que é a porta perante a qual

devemos nós

trada

!

ter

supplicar, está a rogar-nos en-

Ao batermos nós

esperar (Mat. 7

Alguém.

Da

á porta d'Elle, não ha mis-

7).

:

collectividade insulsa, Elie volta para

A sociedade a que pertencemos não nos salvará nem nos arrastará á perdição a não ser que queiramos acompanhal-a. Qualquer convidar ao individuo.

membro e,

d'aquella egreja infiel podia arrepender-se

em recompensa da

fraternidade e do acolhimento

assim perdidos, transformar-se-hia de simples beneficiário

passivo

Minha tente

e

voz.

em

e suave, paciente, persis-

amorosa que se accrescenta ao toque da

Providencia

em

nossas vidas.

nos batem á porta coração.

insigne hospedeiro de Christo.

Voz mansa

Quão

;

Os acontecimentos

a voz divina resoa no imo do

em face da nossa Quão sobrehumano é permittir

divino é persistir,

vergonhosa repulsa

!

esta espantosa inversão de papeis.

.

.

o Senhor dos


116

em

senhores se transfigura

supplicante, á porta de

em

casa de

Ma-

Martha, e na de Zaccheu, e ceiou

com os

dois

seus vassalos! Jesus hospedou-se ria e

em Emmaús.

discípulos

.

Abrir a porta. Elie não a arromba. João queria chamar fogo do céu sobre a cidade samaritana que lhes recusou a hospitalidade (Luc. 9

:

54). Jesus res-

Se Elie nos comse nos puxa, é com

peita a nossa soberana liberdade.

poder da affeição,

pelle, é pelo

as cordas do Seu amor.

O

divino entra no humano a perfeição novo na nossa imperfeição, e a eleva e transforma. A maravilha é que o Seu amor é tão grande que realmente Elie deseja fazer isso. Ceiarei com elle. Que condescendência prodiEntrarei.

;

se incarna de

giosa!

O

Reis dos reis entra

em nossa choupana,

assenta-se á nossa mesa e encontra ahi gozo e sa-

A

tisfação.

com

sua conversa

a samaritana consi-

derou-a Elle um «manjar» (João 4:32). Desejou ansiosamente comer com os apóstolos a Paschoa, antes da sua paixão (Luc. 22:15), e espiritualmente ha de

comnosco no reino do Pae (Mat. 26:29)

celebral-a «Participar oriental

E

uma

refeição

em commum

era para o

prova de confiança e affeição» (Charles).

elle

commigo.

se demonstra prehensivel.

O

distinctissimo

hospedeiro.

Recebemos

Isto

Hospede logo

nos é mais com-

refrigério

espiritual, força

para as tarefas e provas da vida, communhão santa e pura que prefigura a eterna ceia do Cordeiro. deliciosa

camaradagem commensal dos mais

A

inti-


117

mos amigos representa banquete celeste.

Ao

e

vir a

typifica pallidamente o

nós Elie procura, não as

viandas cuidadosamente preparadas de Martha, mas

sim

doce companhia do coração entendido de Das mãos de Zaccheu recebe pão material

a

Maria.

em

pão da vida. 21. Sentar-se commigo no meu throno. Que contraste com o casebre que a Elie nós podemos offerecer! Esta promessa «é o climax de uma serie ascendente de gloriosas promessas que levam o pensamento, desde o jardim do Eden (cap. 2:7) através do deserto (cap. 2:17), ao Templo (cap. 3:12), ao throno» (Carpenter). Vide Eph. 2:6 e a realisação da promessa em Apoc. 20:4. Para animar os membros d'esta egreja, cuja condemnação é tão severa, vem esta mais subida offerenda. «O logar mais alto a menor faisca está ao alcance do mais humilde da graça pode ser soprada na maior flâmula de amor divino» (Trench). O Christianismo tem o seu para lhe dar

troca o

;

bem como com o Christo

lado positivo, e

reina

o passivo.

O

christão vence

triumphante.

A

promessa

culminante apropriadamente termina a serie de pro-

messas

O

feitas á egreja universal.

que o Espirito diz ás egrejas. «As sete men-

sagens não são apenas admoestações, endereçadas

sómente a cada egreja em particular, mas todas as epistolas se destinam a todas as sete egrejas, e, depois

d*ellas, á egreja universal.

a sua queda

camente

;

Cada

egreja tinha

especial, a ella apresentada emphati-

no emtanto as sete advertências consti-


118

tuem uma unidade para a edificação de todas. E assim como os peccados especiaes que cada uma deve evitar, por todas deverão ser evitados, assim os prémios mencionados separadamente, são promettidos a todos os que vencem. São, portanto, não .

.

realmente prémios distinctos, mas antes pliases diversas de

uma grande somma de

gloria

que goza-

rão aquelles que luctaram victoriosamente contra as

provas e tentações do mundo» (Plummer).


CAPITULO

IV

Visão de Deus e Seu Throno

«Com scena

e

o capitulo IV ha

uma mudança completa de

O

contraste dramático não

de assumpto.

podia ser maior. Até agora a scena das visões do

agora é o céu. De um temos tido uma descripção vívida que se deve das egrejas christãs da Asia Menor, considerar como sendo typica da egreja geral, os ideaes que nutriam, as suas falhas na execução e deslealdades não infrequentes, e cujo futuro se annuviava no caso de cada uma com a apprehensão de perseguição universal e martyrio. Mas no momento em que deixamos o desassocego, as inquietações, as imperfeições e apprehensões que caracterisam II-III, passamos immediatamente para uma atmosphera de perfeita confiança e paz. Não se ouve aqui o mais fraco echo sequer de alarmes e temores dos fieis, nem as desmedidas pretenções e malfeitorias do supremo e imperial poder na terra despertam por um momento sequer presentimentos, na confiança e adoração das hostes celestes. Uma infinita harmonia de justiça e poder prevalece, em quanto que as maiores ordens angélicas proclamam perante o throno a justiça de Aquelle que nelle se Vidente tinha sido a terra

lado,

em

II-III,

:


120

assenta,

que é Todo-poderoso desde a eternidade

á eternidade, e a cuja vontade soberana o e tudo

que

nelle ha

deve

e

mundo

tem devido a sua exis-

tência» (Charles).

Depois

1.

introduz

d' isto olhei.

uma nova

e

«Esta expressão sempre

importante visão no no5so

Apocalypse» (Charles) (cf. 7:1,15:5 etc). Depois da visão de Christo e depois de receber as mensagens para as egrejas,

elle

uma nova

é a sua experiência espiritual

visão.

Tão

real

que parece ser trans-

portado ao próprio céu. «Elle é transladado para o plano do eterno».

Uma

Não é que a porta se dado ver e apreciar o facto da porta já estar aberta. «O caminho para a presença de Deus permanece aberto (Heb. 10:19-20); todos os que teem fé podem entrar; nas mentes de taes os pensamentos do celestial se misturarão com as tristezas da terra e terão a calma da segurança. lhe

porta aberta no céu.

abriu,

(Ps.

mas que

lhe

foi

46:5)» (Carpenter). Vide Ezek. cap.

3: 16, Act. 7:56,

O

autor

11

1,

Mat.

Cor. 12:4.

emprehende uma

tarefa arduosissima

quando tenta exprimir em linguagem humana, por meio de figuras tiradas da nossa experiência terrestre,

as realidades celestes que percebeu. Elle tinha,

porem, antecessores e usou

e

adaptou muitas figu-

ras do Velho Testamento. S. Paulo, no entretanto,

com todo o seu dominio sobre

a linguagem, ape-

nas se refere negativamente á sua visão do céu. (1

Cor. 2:9).


121

A

que ouvira em 1:10. E' de Christo. João concentra a attenção na mensagem e não distingue a personalidade que falia. João Baptista era «uma voz» apenas. A estrondosa voz fez uma impressão tal no espirito de João que immediatamente a identificou quando de novo a ouviu. Feliz é o homem que reconhece e attende a voz

A

primeira voz.

divina.

Sobe para

aqui.

Levanta os teus olhos

;

contem-

com os olhos da eternidade; colloca-te a ti mesmo no ponto de vista do céu. Paulo diz que

pla

Elie

nos fez sentar nas regiões celestiaes (Eph.

2:6).

A

Em

posição do Vidente oscila entre o céu e a

Até o capitulo 10

terra.

elle

descreve scenas do céu.

da visão do anjo com o livrinho, no mar, de novo relata scenas celestes... Os dois mundos lhe são mui 11:15, depois

com um pé na

terra e outro

reaes e presentes,

mas

afinal

o primeiro céu e a

primeira terra passam, o conflicto termina e elle vê

somente a nova Jerusalém. Mostrar-te-hei. Mysticamente

em

contacto directo

com

elle

havia de estar

realidades, factos e rela-

ções que antes lhe eram occultas. Christo o habilita a ver o Monarcha do universo; mostra-se a si próprio, no seu papel de Revelador e Vencedor; o conflicto secular e a victoria final

amargo processo os que

;

e

em

todo este

pertencem são espiritualmente incólumes, sellados e resguardados por Elle

lhe

mesmo.

O

queldeve acontecer. «Deve» aqui tem a força


122

de «precisa». E' o imperativo da necessidade divina, emquanto a verdade opera na realisação de si própria através dos séculos. tratado

em

capitulos

olhos para o futuro

no

I-III

e,

Do

presente que

foi

o Vidente agora volta os

como no principio de com Deus.

tudo,

de Génesis, começa

livro

2. Fui arrebatado pelo espirito. Literalmente no grego a expressão é «fiquei em espirito». Em 1:10 está no espirito e agora, desde que as cousas que ha de presenciar são celestiaes, o preparo espiritual é renovado. S. Paulo não sabia se physicamente elle esteve no céu ou não. (II Cor, 12:2-4). E' claro que o estado do espirito é o essenelle

cial.

Um

throno posto no céu.

e anarchia

na

terra,

ha

Um

Embora

haja injustiça

que tudo rege

e «vigia

«Enao throno de Deus em cada capitulo do Apocalypse, exceptuando 2, 9 e 10 onde não ha occasião de mencional-o e em 15:5-8 onde a visão trata do templo no céu» (Charles). Sobre o throno, um sentado. Este Ente se deliEzek. 10:1 e

Isa. 6:1-2).

traços muito indefinidos.

Nem nome

sobre os seus»

contra-se

neia

(cf.

referencia

com

traz;

nada ha de anthropomorphismo. «Nenhuma forma somente luzes de vários matizes, scintié visivel lando através da nuvem que circunda o throno» :

(Charles).

Pelo que parecia.

A

impressão que fazia sobre um fogo con-

João: «Brilho offuscante, a ardência de

sumidor, a suave irradiação da promessa do arco-


123

são os elementos de contraste, na im-

estes

iris,

pressão que se fez no Vidente» (Scott). 3. Jaspe.

Talvez o brilhante ou a opala. Suggere

a pureza, a santidade e a justiça.

Sardonio. E' a

misericórdia.

uma pedra vermelha assim suggere ;

Em

5:6,

João divisa

como se tivesse sido morto. Ao redor. Por cima, como circulo,

ou,

um

Cordeiro

o segmento de

um um

conforme parece indicar o grego, ao redor, que assim attenuava

circulo de verde claro

o brilho. Arco-iris Este

symboío da fidelidade divina no

cumprimento do seu pacto (Gen. 9:12,13e Ezek. é

especialmente apropriado

1:28)

perseguidos

os

do primeiro século.

christãos 4.

para

Vinte e quatro anciãos. Estes presbyteros teem

sido interpretados por vários modos. Charles classifica 1.

as theorias coiiio

Homens

seguem

glorificados,

como os

patriarchas e

apóstolos; 2.

Um

collegio de anjos cuja origem

vem da

tra-

dição de estrellas-deuses dos Babylonios;

Representantes angélicos das vinte e quatro

3. a)

ordens sacerdotaes 3.

dos

(cf.

I

Chron. 25:9-31);

Representantes angélicos, aqui, do corpo

b)

fieis.

Elie

«podem fieis

acceita

a

ultima hypothese, achando que

ser os representantes celestes de todos os

no seu aspecto duplo de

«Os

vinte

e quatro

reis e sacerdotes».

presbyteros representam a


121

Deus completa no passado e no futuro, no mundo judaico e gentílico. É a grande egreja unida. O mesmo pensamento se encontra no cântico duplo de Moysés e do Cordeiro, (15:3) e nas portas e fundamentos da Nova Jerusalém (21:12 e 14)» (Caregreja de

.

.

penter), 5. Relâmpagos, vozes, trovões. Descarga eléctrica espantosos quando o céu se approxima da terra; phenomenos naturaes que frequentemente nas Es-

cripturas

acompanham revelações

(

vide 8 5 e

mesmo

1 1

:

16:18, Ezek. 1:13, Ps. 18:13-15, Ex. 19:16,

etc.)

;

O

se deu na conversão de Saulo e no baptismo

de Jesus. Alguns presenceiam apenas o raio e trovão

sem

attender ás vozes. Depois de passado eternamente o conflicto e se estabelecer a Nova Jerusalém, não se verão mais phenomenos espantosos em connexão com a presença divina; mas um brilho calmo permeia tudo e do throno sae o bemdito rio da agua da vida, perennemente regando a arvore da vida que produz os seus doze fructos (caps. 21 e 22).

Sete lâmpadas.

Os

sete espíritos de Deus, a se-

ptupla (perfeita) actividade do Espirito Santo, que illumina e instrue.

Fogo. Seu baptismo é acompanhado por

um

ba-

ptismo de fogo (Mat. 3:11). O- Espirito desce sobre

Fogo suggere com Abrahão o fogo

os apóstolos por esta forma (Act. 2:3). juizo

e

purificação.

No

pacto

passou entre os pedaços dos animaes sacrificados, o arco-iris sellou o pacto com o patriarcha Noé e

uma tempestade

assignalou o pacto no Sinai.

A

lem-


125

brança d'estes pactos confortaria os crentes opprimidos.

O

tos

antigos

uma

fogo tinha

sobre

e

parte saliente

diversos

em

vários cul-

altares

ardia

elle

continuamente. 6.

Mar

throno

de

um

de

é

vidro.

«O mar calmo soffre

O

brilho e

próprio pavimento d'este

profundo e extraordinário-

semelhante ao vidro, que nunca

tempestade, mas que somente se penetra da

chamma

(15:2),

representa os conselhos de Deus,

aquelles intuitos de justiça e amor, frequentemente

mas nunca obscuros, sempre os mesem vez brilhando com ira

insondáveis,

mos, ainda que de quando

santa (15:1). (Comparar as palavras do Psalmista-

«Os

teus juizos são

um abysmo

profundo»

77:19 e Rom. 11:33-36)» (Carpenter).

Em

;

cf.

Ps.

contraste,

Babylonia, a antithese de Deus, senta-se sobre muitas aguas,

— os

elementos turbulentos da sociedade

peccaminosa. Crysfal.

Nada havia de

defeito ou irregularidade

para deformar a sua limpidez.

A

lucidez crystalina

apoia o throno de Deus.

No não é

meio do throno e ao redor. clara,

A

sua disposição

que significa uma assocom o throno. Talvez um ficava os outros em volta.

mas

é evidente

ciação muito intima

no centro e

Quatro creaturas restre.

Ha

quatro

viventes.

.

ter-

quatro pontos cardiaes,

ventos,

quatro estações no anno.

Quatro é numero

.

por isso inclinamo-nos

a pensar que estas creaturas não são anjos de

uma

ordem superior (Charles assim pensa) mas sim que


126

symbolizam a natureza toda, inclusive a intelligencia humana, que serve, louva e glorifica a Deus. São mui semelhantes ás quatro creaturas que achamOg

em

porem differem d'ellas em muipormenores. «Symbolizam a creação toda, no

Ezek.

tos

e Isa. 6,

1

cumprimento do

officio

que

lhe é próprio

— attende^

a Deus, cumprir a Sua vontade e manifestar a Sua gloria» (Plummer).

«Louvae cá da

vós, monstros marinhos e todos os

terra a Jehovah,

abysmos; fogo

e

neve e vapor. .» (Ps. 148, cf. Ps. 19, etc. etc). Cheias de olhos. «Intelligencia illimitada». Em

saraiva,

.

como brazas de

Ezekiel são

Os

pagos.

fogo, labaredas, relâm-

olhos suggerem o espirito de investiga-

todos os factos que se descobrem no universo, terra, céu, mar, na personalidade humana, a chimica, a physica, a astronomia, a psycho-

ção

scientifica,

logia...

Contribuem para a gloria do trez-vezes-

santo omnigovernante

Deus creador. Teem os olhos

por detraz, indagando da

como

historia,

ou por deante^

os de estadistas sagazes, os olhos do telescó-

pio e do microscópio; e pelas variadíssimas maravi-

que os olhos revelam na senda da verdade, reunem-se elles para cantar: «Santo, santo, santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, o que era, o que é e o que ha

lhas

de

E

vir».

os vinte e quatro presbyteros respondem

porque Tu creaste todas as coisas e pela Tua vontade existiram, e foram

«Tu

és

digno...

creadas».


127

me-

Pelas experimentações nos laboratórios da

dicina e pelas pesquizas sociológicas nas universi-

dades, estes seres trazem curas nas suas azas (Mal.

innumeros indivíduos

4:2) a

«O poder da

natureza não é

e ás

nações da

uma força

cega, empre-

ga-se no serviço da providencia divina e se imprime

o sello do raciocínio» (Currie

Carpenter). Carpenter accrescenta:

«A

terra.

em

servo

em

por

força da natu-

reza sempre observa a vontade de Deus. Suas riades de olhos n'Elle se fitam,

tudo

cit.

como os

my-

olhos de

um

seu senhor (Ps. 123:2), cumprindo seu man-

damento, escutando a voz da sua palavra (Ps. 103:20 e 21).

Os

olhos de toda a creação esperam

também

em Deus, que lhes dá de comer a tempo (Ps. 104:27)». Leão. Não se diz de que maneira se manifesta essa característica. «O rosto humano, o novilho (boi) representando os animais domésticos, o leão repre-

sentando os animais não domesticados e a águia entre as aves, parecem typificar as quatro mais conspícuas ordens da vida animal» (Plummer). «As características d'estes quatro chefes

para fazer

um

que devia ser corajoso como o o boi, aspirante

homem» tura, se

os

fieis,

da creação se unem

retrato perfeito de serviço verdadeiro,

como

(Carpenter).

como como o

leão, paciente

a águia, e intelligente

Assim o mundo, toda a crea-

une com a grande egreja invisível de todos representados pelos vinte e quatro pres-

do throno do Infinito e em cântico harmónico e majestoso attribui louvores a Aquelle que se assenta no throno do universo. byteros, ao redor


128

Em

8. Seis azas.

Isaias 6: 2

com duas cobriam com duas cobriam

o rosto, o que suggere reverencia, os pés, humildade, e

Os

cherubins

em

com duas voavam,

serviço.

Ezekiel teem apenas quatro azas.

Cheias de olhos ao redor e por dentro. Pelas experimentações, etc; vide acima.

Não teem descanso. «Nada de estagnação ou repouso ou somno» continuamente louvam a Deus. «Orae sem cessar», disse Paulo. Os adoradores da besta também não teem descanso, mas quão diffe;

rente é a razão

Dia (Ps.

e noite.

74:16).

!

(J.

«Teu

Os

F.

&

B).

é o dia,

também Tua

é a noite»

luzeiros celestes incessantemente

louvam ao Creador. As glorias do nascente e as do poente; o fulgor do dia, as sombras nocturnas; as infinitas actividades das creaturas, o magestoso circuito dos astros, todo o universo proclama a gloria de Deus e annuncia as obras das Suas mãos.

(Ps. 19:1).

Santo,

santo,

santo.

nante; é o trisagio de

A

repetição é impressio-

Isa. 6:3,

porem modificado.

«Santo» diz Smith, «exprime a distancia e o pas-

moso

inclue contraste entre o divino e o humano. cada caracter distinctivo da divindade». A natureza e a intelligencia humana nos faliam na santidade, .

.

omnipotência e eternidade de Deus. O seu amor redemptor se revela no Filho, no cap. 5. (cf. Ps. 99:3,5 e 9).

derem gloria. Embora sempre na attitude de louvor, a acção de glorificar é represen9.

Quando.

.


129

tada

como sendo

intermittente.

As quatro creaturas

introduzem as quatro primeiras visões dos sellos (cap. ira

5)

e

uma

delias apresenta as sete taças da

de Deus, aos anjos que as derramam (15:7). 10. Lançarão as suas coroas. Prostrados

adoração,

os

representantes

da egreja

em

universal

lançam as suas coroas deante do throno de Aquelle de quem as recebem. Por esta acção de subida honra elles a si mesmo se honram. 11. Senhor nosso e Deus nosso. Entre a egreja reunida e seu Deus a relação é muito mais intima

que a que existe entre a natureza e o Creador. As quatros creaturas louvam a Deus por aquillo que elle é, e os presbyteros o louvam por aquillo que Elie faz, as Suas obras. Pela tua vontade existiram. «A vontade divina

um

facto no eschema das couque o poder divino desse expressão material ao facto» (Swete, cit. por Charles). Beckwith discorda e pensa que a expressão quer dizer que «a existência se contempla vividamente, como sendo um facto consummado em resposta á vontade divina». (Cf. Gen. 1:3). tinha feito o universo sas, antes

9


CAPITULO V

O 1

.

Vi,

Livro Sellado e o Cordeiro Apresenta-se agora

uma nova phase da

vi-

são. Volvemos os olhos, de Deus, «um vulto immovel, silencioso,

Um

livro.

majestoso», para a funcção do Filho.

Este é destinado a revelar «os decre-

tos da sua vontade quanto á

consummação do seu

reino» (Beckwith). E' o enlace das nossas relações

com Deus

e

com nossos

semelhantes.

A

applicaçâo

da regra áurea por certos commerciantes e industriaes o pacto de Locarno, o tratado do desarmaa Liga das Nações, são tentativas significanmento, ;

porem do diminuto alcance. Precisamos do «desarmamento do espirito» que somente o Príncipe da Paz nos pôde outorgar. Escripto por dentro e por fóra. Assim foi o rolo que Ezekiel recebeu (Ezek. 2:9 e 10). Todo o espaço nos dois lados do rolo estava occupado. A revelação é completa; a ella não se pode accrescentar

tes,

cousa alguma. lê,

mas o que

A

parte superficial, o

mundo todo

a

está por dentro somente será reve-

lado pelo Filho. Porem,

mesmo quebrados

os sete

mas apenas se indica por scenas symbolicas. Agora vemos em enigma e conhecemos em parte (1 Cor. 13:12). Sete sellos. Assim se sellavam os testamentos

sellos, o

conteúdo não se


131

lado e

O

numero indica que é perfeitamente Selsomente Christo é digno de quebrar estes

romanos. sellos.

Anjo forte,

«Um

cuja voz alcançaria os limites

mais longínquos do universo» (Beckvvith). Digno. Moralmente habilitado. Requer-se mais que habilidade intellectual para tomar as cousas profundas de Deus e nol-as revelar. Somente o puro de coração verá a Deus. Beckwith pensa que se inclue aqui também a ideia de agencia do cumprimento da revelação. Os prophetas eram capazes de annunciar os intuitos de Deus, mas somente o Cordeiro é digno de ser o agente para os executar.

Ninguém. Embora a voz penetrante echoasse no céu, na terra e nas regiões subterrâneas, não se encontrou quem pudesse abrir o livro dos «decretos divinos e dos destinos do mundo». Actualmente, na nossa busca da paz mundial, nenhum individuo ou grupo de homens, reunidos nas varias conferencias na America e na Europa, descobriu a formula 3.

acertada das nossas relações internacionaes.

sageitadas

mãos do

interesse,

xão tramam tratados secretos

As de-

do egoismo e da paie depois tentam cor-

o seu enredo pelas armas, esquecendo-se de que desde que se ergueu o madeiro no Calvário, não é necessário derramar mais sangue e que Christo, pela sua incomparável palavra, nos desar-

tar

ma

o espirito.

Nem

olhar para

elle.

«Pôde ser que todos que

se teem esforçado por tomar o livro fossem incapa-


132

zes de enfrentar a gloria

em que

elle estava.

Quan-

do Christo se revelou a Saulo, este não o podia gloria d'aquella luz» (Carpen-

ver por causa da ter).

4.

Bu

chorava muito.

«Os que teem almejado

ver o fim da oppressão, da fraude e da tristeza na

saber algo das

terra, e te,

leis

que governam o presen-

assim como do seu desfecho no futuro, compre-

henderão estas lagrimas. Sem lagrimas não foi escripto o Apocalypse, nem pôde elle ser entendido

sem lagrimas» (Carpenter).

«Elle chorava

um impedimento

apparentemente

via

porque ha-

á revelação»

(Moffat). Parecia-lhe que as esperanças suscitadas

pela gloriosa visão seriam vãs.

Os quatorze pontos

de Wilson, entretoto, despertaram

um

de

delirio

enthusiasmo. 5.

cem

;

nunca 8:52)

Não as

As cousas não são como pareconferencias de paz falham, mas ha um que choreis.

Jesus confortava os seus (Luc. 7:13 e

falha.

e

todas as lagrimas hão de ser enxugadas

(cap. 21:4).

Leão que é da tribu de Judah, a raiz de David. poder conquistador de David, o homem

«Nelle, o

de guerra,

e

de Judah, escolhido por príncipe (1 com toda a frescura de um moço»

Chron. 28:4) sae (Milligan).

Venceu.

(Vide Gen. 49:9,

O

livro

Isa.

todo é de

nhou de uma vez a

11:1,

Col.

1:26).

victoria. Christo

victoria sobre o

peccado

gae

a

morte, e nos convida a participar da sua victoria,

promettendo toda a espécie de galardão ao vence-


133

dor.

Vez após vez no

livro

vemos arregimentarem-

do mal contra Elie. 6. No meio do throno. Como no caso dos seres viventes, não devemos pensar tanto no arranjo physico, quanto na ideia das relações que o auctor quer se futilmente as forças

indicar

como

existindo entre as personalidades apre-

sentadas. Entre os que rodeiam a Magestade assenada, Christo é a figura central.

Cordeiro. «Elie olhava, para ver poder e força. e viu

amor

e ternura».

A

.

sua victoria não fora pelo

poder mas pelo sacrifício. Não se diz como o facto da morte se representava nem como um cordeiro podia tomar o

livro.

As realidades

espirituaes apre-

sentaram-se-lhe ao espirito e não aos sentidos.

Os

sonhos frequentemente nos dão impressões que, quando as analysamos, não sabemos como as rece-

bemos, pois pela sua natureza não se nos podiam representar pelas figuras no palco dos sonhos. O coração e a mente de João estavam repletos de figuras e ensinamentos do Velho Testamento e da

sua interpretação e cumprimento na vida e ensino

do Mestre; pgrtan^o na visão, factos, princípios e verdades geraes se dramatizam em traços largos, sem muita preoccupação com as minúcias de tempo, modo ou consistência. Sobre a figura de cordeiro vide João 1:29 e 36, Act. 8:32, etc.

A

1

Ped. 1:19,

Isa. 53:7,

palavra no grego é «Cordeirinho», termo de

carinho e amor;

também accentua o facto que não é mas pelo amor, pela doci-

pela força que conquista lidade,

pela sujeição,

pela consagração perfeita de


Si-proprio.

A

misericórdia e sacrifício já se sugge

rem no vermelho do sardonio (ver. 3). Nos capituque seguem Elie figura como Cordeiro e somente quando no fim dos encontros intermediários, quando los

em 19:11, é que reascom que se apresenta no

sae para a Victoria definitiva,

sume cap.

a forma majestosa 1

.

.

Como

se tivesse sido morto. «Elie chegou ao poder supremo e á omnisciência por meio do sacrifício de Si-proprio» (Charles). Aos maus Elie vence pela entrega de Si-proprio, aos bons Elie premeia da

mesma

forma.

perfeita

O

seu caracter sem mancha e a sua

consagração

O

habilitam a abrir o livro do

destino das duas classes. Sete chifres. Chifre é o symbolo biblico do poder.

Elie,

porem, não dava marradas, como fazia o

carneiro da visão de Daniel. Meios violentos sãoIhe

estranhos,

— vence

verdade que enuncia soffrimentos,

poder

pela vara da sua bocca, a

e incarna.

«Do enunciado dos

o Vidente passa para o enunciado de

e sabedoria» (Carpenter).

Sete olhos: perfeita perspicácia.

seu conhecimento

(cf.

Nada escapa ao

Zach. 4:10).

Sete espiritos de Deus. Estes são ao

mesmo tempo

os olhos de Christo, o Espirito Santo (1:4), as sete

lâmpadas que ardem deante do throno (4:5) e os enviados da divindade para uma missão universal. 7. Elie veio. Espiritualmente moveu-se para tirar o livro. «Elie toma e revela os mysterios da divindade eterna em que como Deus tem parte»


135

(Plummer). «O

intuito e a significação

de todos os

mysterios e tristezas da vida, n'Elle se explicarão (cf.

I

Cor. 1:24, Eph.

1

:9 e 10, Col.

8. Prostraram-se.

Nos

«Adoração do Cordeiro

1

:

18)». (Carpenter).

versiculos 8-14 temos a

— primeiro

pelas creaturas

-viventes e os anciãos, 8-10; depois pelas innumeras

hostes dos anjos, ção,

11-12; e então por toda a crea-

13; segue-se que as creaturas viventes dizem

«Amen»

e

os

anciãos

se

prostram e adoram, 14»

(Charles).

O

como a pátria da musica. «Adoração e louvor se evocam ao manifestar-se o Redemptor, assim como os quatro seres Harpa.

viventes

e

dor. Aqui,

céu se revela á terra

os anciãos adoraram na visão do Crea-

porem, mais duas categorias de adorado-

apparecem.

res

A

poesia e a musica são expres-

sões naturaes das emoções, na presença de factos as-

sombrosos. Nestas descripções a linguagem se confunde e se contradiz na ingente labuta de descrever

scenas supramundanas, e o recurso natural é louvor e adoração, junto

Incenso. etc).

com

os seres celestes.

Este symbolizava a oração (Ps. 141:2,

A composição usada no templo era prohibido em outro logar. «D'estes trez perfumes, diz o

usa-la

Arcebispo Leighton, alludindo á composição do in-

censo do templo, fissão, a

— nomeadamente,

a petição, a con-

acção de graças, se compõe o incenso da

oração, e pelo fogo divino do

o coração e tudo, junto com ções dos Seus se

amor ascende a Deus, quando os cora-

elle; e

unem em oração commum,

a


136

columna de suave fumo sobe maior e mais completa». «Cada oração que rebentou em soluço de um coração agonisante, cada suspiro do christão solitário e pelejador, cada gemido de aquelles que se dirigem ás apalpadelas para Deus, se junta aqui

com

os cânticos dos felizes e triumphantes» (Car-

penter).

São preciosíssimas as orações, pois se apre-

senta o incenso

em

taças de ouro.

Nome dado

aos crentes no N. T. Elles não se acham presentes na corte do céu, de outra forma as suas orações não seriam apresentadas por Santos.

outros. (Beckwith) (cf. 8:3). 9.

Novo

cântico.

A

expressão

é frequente

nos

Psalmos. Celebram-se novas bênçãos com cânticos novos. Muito apropriadamente aqui se annuncia a

nova creação, a redempção em Christo, por um cânnovo. «Novo» e «branco» são palavras-chaves do Apocalypse. «Ainda que em tempos anteriores o mundo que se esperava podia ter sido na maioria dos casos meramente uma repetição glorificada do mundo que então existia, mais tarde a expectação se transformou e se esperava um mundo que fosse novo, não quanto ao tempo (néos), mas quanto á qualidade (kainôs)... O Vidente... vê um novo universo creado por Deus... (21:5,2 cf. 3:12). Ainda mais, cada cidadão d'este Novo Reino trará um novo nome (2: 17,3: 12) e em louvor d'este reino os presbyteros cantam um cântico novo, e da mesma forma os anjos (14:3) e a bemdita companhia dos

tico

martyres perante o throno (14:2)» (Charles).


137

Tem

Compraste.

significação d'esta

havido muita discussão sobre a

semelhantes expressões que

e

encontramos em Cor. 6:20 e 7:23, Act. 20:28, Apoc. 14:3, etc. Aqui não se diz de que ou de quem é a Ped. 1:18 temos esta explicação: compra. Em I

I

«Fostes resgatados das vossas practicas vãs».

Em

Ap. 14:3 o resgate é da terra e seus males. Em 14:4 foram comprados d'entre a raça corrupta dos homens.

Uma outra um poder

interpretação é que fomos resgatados de inimigo,

experiência

—o

que desafia analyse. De toda a tribu. cionadas e indicam

em

.

diabo.

A

figura indica

conhecida pelo crente

espiritual

.

uma mas

Quatro categorias são men-

a universalidade da salvação

tamanha para os junão cabia na sua comprehensão e ainda hoje ha-os, como Klausner, pensando que a desnacionalização da religião operada por Jesus é condemnavel. O vinho novo do Evangelho arrebentou os odres velhos do nacionalismo judaico, como o ha de fazer a todas as linhas que dividem a raça humana. Sete vezes no maravilhoso livro encontramos esta quadrupla expressão de universalidade, aliaz com pequenas variações (5:9,7:9,11:9,10:11, Christo. Esta novidade foi

deus que,

em

geral,

13:7,14:6 e 17:15).

e

10. Reino. Vide nota sobre 1:6. Aqui, eleitos já taes, teem grande prestigio. Em 20: 4 tomam

como

posse dos seus thronos. Sacerdotes. Não precisando de outro Mediador senão Christo. Cada crente chega directamente a


138

Deus atravez do «véu rasgado». Os

filhos de Deus tornam-se sacerdotes da mesma maneira que o fez o seu Filho maior, «pela apresentação de Si próprio,

corpo e alma, a Deus, recimento

em

sacrificio vivo»

(Rom.

um

sacerdócio santo pelo offe-

de sacrificios

espirituaes acceitaveis a

12: 1-2) e tornam-se

Deus por Jesus Christo (IPed, 2:5) (Plummer). Reinarão sobre a terra. Não politicamente, como os judeus suppunham do Messias, mas espiritual-

mente dominarão os ideaes e a vida intima. Paulo applica o termo «reinar» á vida, apparentemente com a idea do dominio próprio (Rom. 5: 17 e Cor. 4:8). Assim também Prov. 16:32: «Quem domina a sua alma (vale mais) do que quem toma uma cidade.» Christo lhes «dá também um dominio sobre a terra, entre os homens, pois estão exercendo aquellas influencias e dispensando aquellas leis de justiça, santidade e paz, que em realidade regem todos os melhores desenvolvimentos de vida e de historia. Todos os que atravessam estas leis são apenas intrusos, ou tyrannos transitórios, que exercem somente um poder phantastico. Não são reis. Podem governar mas não reinam (cf. ICor. 3:21-23; Eph. 2:6)» (Carpenter). 11. Olhei, Uma nova phase de visão Os an1

:

jos accrescentam os seus louvores aos dos remidos.

Aquelles rodeiam estes.

Voz de muitos anjos. Como na annunciação aos pastores. «Aos anjos que 'desejam contemplar' o mysterio da redempção do mundo (I Ped. 1 12) :


139

agora é declarada a •multiforme sabedoria de Deus, por meio da egreja.

segundo o propósito dos séque Elie fez em Christo Jesus, nosso Senhor, (Eph. 3:10-11); e assim se habilitam o participar do cântico dos remidos» (Plummer). Uma multidão excesMyriades de myriades sivamente grande que não se pode contar (cf. Dan. 7: 10 e Heb. 12:22). 12. Clamando com uma grande voz. O coro é imponente. N'aquella perfeita harmonia celeste a voz é uma só. ��E' o segundo coro, o dos anjos.» .

.

culos,

.

em

Digno. 7:12.

tos e

em

.

.

de receber.

Em 4:9

.

A

honra é septupla, como

e 11 imputa-se-lhe trez attribu-

5:13, quatro.

uma vez

13, Toda a creatura. «Mais

alarga-se

o circulo dos adoradores, e segue-se ás doxologias e acções

de graças dos cherubins e dos anciãos e

das innumeras hostes dos anjos, o grande

final

pro-

nunciado por toda a creação» (Charles). A enumeração «céu, terra, debaixo da terra, e mar» inclue todo

o espaço imaginável,

—o

culto

absoluta-

é

mente universal todas as creaturas de todas as categorias reúnem as vozes em majestosa adoração, ;

(cf.

Phil.

2:10).

A'qiielle

deiro.

que está sentado sob o throno, e ao Cor-

«Esta maneira de Hgar o Cordeiro

o enthronisado, é são ligados

como

commum em

objecto de louvor;

ligados na ira a temer; nistrar

consolação;

todo o

em

em

com Deus, livro.

em

Aqui

6: 16 são

7: 17 são ligados no mi-

19:6 e 7 5ão ligados no trium-


140

Na

do livro o Senhor Deus e o Cordeiro são o templo (21:22) e a luz (21:23) o refrigério (22:1) e a soberania (22:3), da cidade pho.

visão

final

celestial» (Carpenter).

14. Amen.

O

augusto drama de

homenagem

ter-

mina como principiou «pelos anjos junto ao throno, o Amen das creaturas viventes e a adoração silenciosa dos vinte e quatro presbyteros» f inalisa-se em sentimentos profundos demais para se exprimirem. ;


CAPITULO

Os 1.

Vi.

VI

seis primeiros sellos

Introduz-se nova phase da visão. Aqui

começa a própria revelação

;

os cinco capítulos pri-

melros são apenas introductorios.

vemos a Deus enthro-

Nelles

Christo no meio da Egreja attribulada e

nisado no céu. Nos capítulos seguintes symbolios fieis são sam-se os resultados d'estes factos, resguardados do mal, marcham victorlosos com Christo e participam da sua victorla final as forças

;

malignas são subjugadas e banidas por fim

;

e a so-

ciedade perfeita, regida por Deus e o Cordeiro, estabelece-se.

O

drama se desenrola nas visões dos

das trombetas e das taças que

sellos,

em

Intensidade

cada vez mais augmentada delineiam os juízos de Deus. O progresso da narrativa é interrompido por trez parentheses, capitulo

e capítulos

12 a 15.

7,

capitulo 10 até 11

:

13

Entramos agora em terreno

muito discutido, mas se pudermos considerar exclu-

sivamente os princípios geraes symbolisados no livro, não será necessário negar a sua exemplificação

em

qualquer acontecimento da

do

livro

podem

ter

historia.

«As visões

applicações preliminares, pois

os princípios nos quaes são construídos são eternos.

.

.

Ha, talvez,

também uma applicação

d'estes

-


142

sellos á historia

A

da Egreja.

sua era primeira é de

d'ahi procede uma era de controvérsia— a guerra de opiniões; a idade da controvérsia produz a idade de escassez espiritual, pois os homens, engolfados na controvérsia, esquecem-se do vero pão que desceu do céu, e uma fome da palavra de Deus se succede e d'isto emerge o pallido Cavallo da morte espiritual, a parodia do cavalleiro

pureza e conquista

;

;

victorioso.

.

.

a idade

do ritualismo religioso» (Car-

penter).

Não se lê o texto do livro, mas o acto que acompanha o quebramento de cada sello indica o seu conteúdo. «Este capitulo não conta o que está no rôlo, mas o que tem acontecido atravez da avenida do tempo, emquanto os homens experimentaram lel-o. Os quatro cavalleiros dão a historia do es.

.

forço para estabelecer o reino ideal pela força. E' a historia de Alexandre, de

Napoleão, do Kaiser, de

qualquer que crê que o fim

justifica as

meios, e que

pela espada elle pode escrever novas e ideaes cons-

da sociedade. Não creio que João está contando o que ha de succeder a Roma somente ou principalmente, mas o que é e ha de ser o nosso tituições

rccord

humano

até

reconhecermos que o universo

está do lado de Christo, que collocou o sceptro nas

mãos do amor remidor e que se sacrifica a si próprio... As quatro creaturas viventes lançam um repto aos quatro cavalleiros para sahirem da sua

obra

em

toda a terra» (Gardiner).

Voz de

trovão. Esta é attribuida

somente á

pri-


143

meira creatura que tade de

quem

falia

falia.

Parece indicar a majes-

ou da sua mensagem.

Vem. Por este impressionante monosyllabo cada dos cavalleiros é ordenado a demonstrar o seu papel na historia do homem vemos a vaidade do

um

;

militarismo, o vermelho morticínio da guerra, e os

hed ondos espectros da fome e da morte que lógica e chronologicamente seguem um ao outro. 2. Cavallo branco.

são do cap.

19,

Alguns, influenciados pela vi-

entendem que o cavaleiro

é Christo

ou a egreja triumphante, mas isso parece inconsistente com o facto que é Christo que quebra os sellos na mesma scena e «ha uma semelhança essencial entre os cavalleiros

:

—é

claro

que teem

commum

origem

e representam o principio das dores (Mare. 13:8)»

(Charles).

Arco.

A visão é uma modificação de Zach. Symbolo de armamento que

6

:

1

e 8.

fere a distan-

cia.

Coroa. Esta suggere dominio sobre os vencidos auctoridade para chamar ao serviço militar. E'

em-

blema de capacetes brilhantes, morriões plumosos, uniformes sumptuosos, paradas espectaculosas. Vencendo e para vencer. E' orgulhoso, jactancioso, ameaçando «Deutschland ueber alies»; «Minha pátria, com ou sem razão» «Austriae est imperare orbi Universo», e «Roma semper eadem». 4. Vermelho. Cor apropriada para a guerra, em que o fogo e o sangue se commisturam. Que tirasse a paz. Descobriu-se emfim que a guerra não é capaz de pôr termo ás guerras e esta.

:

;


144

«A guerra gera guerra, a paixão desperta paixão». Espada. E' arma de conflicto apertado e sanguinolento. «Todos os que tomam a espada morrerão á espada» (Alat. 26 52). Charles nota o desenvolvimento da ideia da espada no sentido eschatologico. Primeiro em Isaias e Ezekiel é Jehovah que a occupa. Em Enoch os israelitas a occupam contra os seus inimigos e os de Jehovah também no mesmo livro a espada é dada aos inimigos de Deus para se destruírem mutuamente. 5. Cavallo preto. Quem nelle estava montado personifica a fome. A Allemanha, a Áustria, a Rúsdepois da guerra, são exemplos. sia. belecer na terra a paz.

:

;

.

.

Balança.

Esta

foi

necessária

na

conflagração

mundial, para distribuir as rações escassas

26:26

e

lação do

(cf.

Lev.

Ezek. 4: 10 e 16). Tres quartos da popu-

mundo comprehende

a figura agora, pois

para elles Hoover segurou a balança.

Um

qaeniz de trigo.

Um

litro,

a ração diária de

um homem. Por um denario. O ordenado de um operário por um dia de serviço. Nada lhe restava para a familia e para outras despesas pessoais.

O

trigo

tem doze

vezes o valor normal.

Não faças damno ao

ao vinho. Estes são symbolos de alegria e gozo (Ps. 104: 15) e bênçãos de Deus (Ps. 23); eram objectos de luxo caracterísazeite e

ricos, portanto pode bem ter parecido a um aspecto apropriado da angustia final que João

tico

dos


145

uma

seria

indulgência aggravada de prazer entre os

emquanto que os géneros mais necessários ficassem quasi alem do alcance das massas» (Case). São os pobres que soffrem mais nas calamidades, e na guerra ha sempre os que aproveitam a necessidade do povo e se tornam profifeurs implacáveis. Na parábola do Bom Samaritano, azeite e vinho são applicados como remédios e, sendo este o seu uso, podem representar as actividades da Cruz Vermelha. Os hospitaes não deviam ser bombardeados ricos,

nem

os navios-hospitaes ser torpedeados.

8. Amarello. «Pallido

ou

li

vido

como um cadá-

ver» (Moffat).

que cavalga neste ultimo cavallo, e a sua ordenança é o Hades, para armazenar o que seu superior ceifa. Em Ezekiel (cap. 14:21) ena espada, a contramos «quatro juizos violentos», o livido ceifeiro tem fome, as feras e a peste, muitas foices (cf. Isa. 14:9, Ps. 49:19 e Apoc. 20: 13 e 14). «Apesar das lições tristissimas da guerra, que com a efficiencia moderna se torna quasi um suicídio da nossa raça, continuamos a treinar a mocidade na sua arte e preparamos immensos «stocks» de munições e machinas mortíferas, virando as costas ao Príncipe da Paz Temos pensado que a chave do universo é a força, mas a fechadura recusa a abrir-se, e a humanidade ainda fica fora do reino da fraternidade e da paz» (Gardiner). Este sello central é «a meia noite das tristezas», é o mais negro Morte,

ella

!

dos

sete.

Os

próprios cavalleiros nada fazem neste 10


146

drama symbolico, mas as palavras de explicação deixam a sua missão bem patente. 9. Quinto sello. Este inicia um grupo de tres que differem muito dos quatro já vistos.

Debaixo do altar. «Conforme a tradição judaica entendia-se que as almas dos justos «eram enterradas debaixo do altar» (Peake). A' base do altar se derramava o sangue dos sacrifícios (Lev. 4 7). Os judeus e os primitivos christãos entenderam que os martyres eram sacrifícios. Em S. Paulo a ideia é espiritualisada (Rom. 12: 1, 11 Tim, 4 :6 e Phil. 2: 17). E' ao altar espiritual no templo do ceu que se re:

fere.

mesma palavra se apem 5:6. No espirito d'Elle vive-

Mortos. «Sacrificados» plica ao Cordeiro

ram

e

;

a

consagraram as suas vidas ao serviço da

verdade. Provavelmente inclue todos que de qual-

quer forma soffrem pela causa da humanidade.

Por causa da Palavra de Deus. Por

esta

mesma

causa João soffria o exilio (1 :9). «O guerreiro não é o único que se tem esforçado por resolver o eterno enigma.

Tem

havido almas martyres que se

dedicaram ao que creram ser a verdade. Prophetas de Deus, eram campiões da Sua palavra e testemucrendo na Sua lei e apoiando-a como sendo mais preciosa que a vida. As suas almas estão no eterno mundo, e bradam debaixo do altar em que nho,

foram sacrificadas» (Gardiner). 10. Até quando? E' a pergunta secular. quanto tempo durarão os açtuaes soffrimentos e

Por in-


147

justiças?

O

Quando será vindicada a justiça de Deus? com a oração: «Amen vem, Senhor

livro termina

;

Jesus. (Cf. Ps. 79:5-10, Zach,

1

:

12 e 13, Act. 1:6

e Mat. 24:3).

Santo e verdadeiro. Vide notas sobre 3 7). 05 gue habitam sobre a terra. Cuja cidadonia é :

d'este

mundo.

Vingar o nosso sangue. Este sentimento parece o contrario de aquelle que Jesus e Estêvão exprimiram na hora da sua morte mas, a) devemos lembrar a angustia do povo de Deus naquella epocha b) os martyres reconhecem que a vingança pertence a Deus (Rom. 12:19); c) pode-se considerar a oração como uma petição pela vinda do Reino de Deus sobre a terra d) pode ser uma expressão figurativa em que, não os martyres mas sim o seu sangue, qual o sangue de Abel, clama a Deus desde a terra assim, segundo Carpenter, «as injurias esquecidas ou ignoradas de gerações, saem do olvido e reclamam vingança» e) não se exprime «apenas a sêde de vingança é, em parte ao menos, um protesto da ;

;

;

;

justiça contra a iniquidade». (Beckwith).

11. Vestidura branca. tituir

racter

Para cobrir ou antes subs-

o que tinham exteriorisado. Parece que o caha de se continuar a modificar na eterni-

dade.

O mundo

não supporta as consciências esclarecidas que dão fiel testemunho. A sua vida e o seu testemunho reprovam o mal e indirectamente julgam e

condem nam os

malfeitores.

O mundo

enxota estes


148

No

pedaços do céu como sendo corpo extranho. o contrario se dá com elles.

céu

Milligan diz que a vestidura branca «significa a perfeita justiça de Christo, externa e interna,

doada

ao crente desde o momento em que, pela

se faz

um com

fé,

Jesus». D'ahi elle conclue que estes mar-

tyres são os fieis da velha dispensação, os santos,

não do Christianismo mas do Judaismo (cf. Apoc. 3:4, 5. 18; Act. 13: 39; Ps. 51:7; Isa.61:10; Ezek. 36 25-29). «Elles precisavam da vestidura branca... pois :

o simples facto de serem offendidos pelos homens não quer dizer que estão nas devidas relações com Deus. Um arménio pode ser cruelmente perseguido, sem que tenha o costume de contar a verdade a seu patrício. É profundo corollario da expiação, que os sacrifícios feitos por nós são insuffic^ientes sem o sacrifício feito

por Christo» (Wilson).

Que repousassem. O clamor da vingança não é agradável a Deus como o são os cânticos de lou-

Os Apóstolos foram reprehendidos por seme-

vor.

lhante sentimento (Luc. 9

:

54

e 55).

Por um pouco de tempo. A imminencia do Reino constante no ensino de Jesus e encontramol-a

é

mesmo

no V. T. (Aggeo 2:6 e 7). O homem de oitenta annos acha brevíssimos os annos da sua meninice em retrospecto e é á vista da eternidade que a historia

da nossa raça se considera

(cf.

11

Cor. 4: 17,

etc.)

Completa-se o mimero. Era çrença corrente entre


149

OS judeus que o fim do se o

numero dos

pressão é o

mundo

justos.

modo

viria

ao completaf-

Suggerimos que esta ex-

divino de contar o tempo, ou

«successão de acontecimentos», não por annos pela consagração do seu povo.

rem capazes de são

mas

os seus fo-

dissipar a sua vida pela

humanidade, como Paulo realmente

Quando

Causa da

(I

Cor.

15:31); quando

«crucificados

com

Christo»

(Rom.

6:6); mortos para com a corrupção do mundo mas vivendo em Christo o presente e miserável estado

da sociedade ha-de acabar. A marcha victoriosa se detém até que estejamos promptos a trajar a vestidura branca de absoluta consagração e acompanhal-0 aonde quer que Elie nos conduzir (Apoc. 19: 11-21).

O Inicia-se

Sexto Sello

agora a narração de

uma

serie inter-

phenomenos desastrosos no mundo physico, que se realisam em connexão com o sexto

mittente

de

sello, as primeiras

quatro trombetas e as sete taças.

Representam transacções espirituaes por meio de figuras materiaes, e tomal-os apenas literalmente trará confusão. O autor é vidente e não «repórter» que descreve desastres para um jornal. A mensagem applica-se admiravelmente ás condições do homem em todas as epochas. Século apoz século temos visto cumprimentos illustrativos d'estas prophecias

e,

com esperança

e fé

renovadas, somos ani-


mados

a redobrar os esforços para ajudar a introa scena final do grande drama espiritual e

duzir

niillenial.

«Parece que devemos considerar a lingua-

gem

como sendo

que ainda que a sua applicação mais ampla pertence ao advento final, pode haver muitos adventos antecipados. O julgamento frequentemente se ensaia antes do dia aqui

de juizo.

.

figurada, e lembrar

.» (Carpenter).

A

12. Grande terramoto.

rísticas

primeira de sete horrí-

Catastrophes cósmicas são caracte-

ficas desgraças.

da Htteratura apocalyptica e apparecem tam-

bém nos

prophetas.

Em

Joel 2: 10 lemos:

tremem

se abala deante d'elles e os céus

;

«A

terra

o sol e a

lua escurecem, e as estrellas retiram o seu resplen-

dor»

(cf.

Amós

Heb. 12:25-29

8:8, etc.)

Ezek. 38:19, Aggeu 2:6-7,

Jesus referiu-se a phenomenos

semelhantes (Mat. 24 etc).

O

sol tornoií-se negro.

E' elle

que deveria

illu-

minar; d'elle depende toda a vida physica e a alegria

na natureza. Agora o próprio sol traja vestimentas de luto. (cf. Isa. 50:3 e Amós 8:9). 13.

A

lua iornou-se

como sangue. Os horrores

da noite eram peores que os do

dia. E'

citação de

Joel 2:31. .45 estrellas

cahiram. Absolutamente nada resta-

va para illuminar ou orientar. 14.

O

céu recolheu-se.

«A

figura é a de

um

pa-

pyro que se rasgou pelo meio e cujas partes divie formam um rolo de cada lado»

didas se torcem


(Charles)

(cf.

Aggeo

2:6 e 21, Isa. 34:4, Apoc. 21:1,

Mare. 13:31, Ps; 102:26,

II

Ped. 3:10).

Todos os montes e ilhas. Tudo que se salienta na terra ou no mar foi arrasado (cf. Isa. 40:4, Jer. 3:23, e Apoc. 16:20). 15. Os reis... Sete categorias de homens são mencionadas e incluem todas as classes desde o imperador até o escravo,

(cf.

nem posição, nem nem talento nem

leza,

13:16 e 19:18).

força de armas,

lência,

força,

ou

physica, valem naquella crise»...

Nem

rea-

nem opu-

intellectual

ou

(Carpenter).

As

distincções sociaes, tão prezadas por certas pessoas,

apagam num momento e todos comparecem perante Deus reduzidos a duas classes apenas. se

16. Cahi sobre nós. Antes ser

esmagados de-

baixo dos destroços dos montes que ter de enfren-

Deus.

tar a

Os

santos, arrebatados de gozo, ado-

ram Aquelle que se assenta no throno, emquanto que os malfeitores fogem à Sua augusta presença. A alma que na terra despreza a luz e segue o mal, procurará as trevas exteriores para occultar a alma maculada, afim de que não se patenteie no fulgor celeste, (cf. Isa. 2:19, Hos. 10:8 e Luc. 23:30).

Da

ira

do Cordeiro.

A

expressão é paradoxal. em que um cor-

Extraordinária devia ser a occasião

O

uso d'esta designação aqui nos lembrar que o meigo Mestre appellara para

deiro se irasse. faz

elles,

que se tinha offerecido por

elles,

e tinham

rejeitado a incarnação da misericórdia divina.

rejeição era inevitável.

Elles recusaram o

A

sua

dom da


152

O

amor vemo-lo no cap. 21:3. Essa ira sé despertou no Templo, ao encontrar os vendilhões, quando com palavras fulminantes

vida.

resultado

d'esse

destroçou a hypocrisia. 1

7.

E' chegado o grande dia da

ira.

Continua-

mente se levantam aquelles que, como estes, assustados dizem que estamos nos últimos tempos. Pensaram que o dia já chegára, mas o terrível drama do juizo apenas começára. Messina, Pompeia, Rhodes, são apenas figuras. O abysmo ainda ha de ser aberto (cap. 9); o fumo do tormento do remorso ha de subir pelos séculos dos séculos. Uma catastrophe no mundo physico ou mesmo um cataclysmo universal não constituem o juizo de Deus. O homem, bem como Deus, é espirito e no espirito soffre e soffrerá, no espirito goza e no espirito gozará. Há um sentido em que cada dia é dia de juizo, pois o caracter se esculpe pelos pensamentos, palavras e

actos diários, e a perfeição ou mutilação resulta de aquillo

que se realisa na vida

Quem pôde

subsistir?

A

(cf.

Judas 6 e seg.).

pergunta é

por

feita

aquelles que edificaram sua casa na areia do

mundo

mundo espiritual são completamente falhos de recursos. O rico se transformou em mendigo e Lazaro não soffria falta (Luc.

material e ao passar para o

16:19-31).

Sendo as occorrencias preliminares tão espantosas,

quem sobreviverá ao

tulo 7

dia presagiado?

O

capi-

dá a resposta confortadora aos crentes,

Mal. 3:2).

(cf.


153

Wilson faz

mens

um commentario

que «Os ho-

interessante

a applicação espiritual d'este sello

illustra

:

faliam levianamente da próxima guerra.

Em

amor, Cliristo quebra o sexto sello e nos mostra o

que será a próxima guerra. A defesa nacional etc. A próxima guerra será «um grande terramoto». Onde milhões de homens e mulheres assim Tolice!

luctam, o próprio sol se escurecerá pelo conflicto e a lua se incendiará pelas

fumo do chammas. Como

do ceu, assim cahirão os projecteis; como a chuva na terra, ou como figos verdes num tufão. Como o pergaminho que se enrola, as-

as estrellas

sim desapparecerá a civilisação na catastrophe, e

cada monte, seja

gios— cada

ilha,

de riquezas ou de privilénem que diste milhares de léguas, elle

mappas dos homens. Todas as classes acharão um nivel commum e este será subterrâneo. Nas covas e nos penhascos dos se removerá de seu lugar nos

montes reis e

— em

adegas e cavernas

grandes homens,

e ricos e capitães e livre,

se enconderão

— que

homens

e

trincheiras,

ironia nas palavras!

fortes e

num commum

cada escravo e

terror de remorso.

Melhor é, dirão elles, que os montes caiam sobre nós, que as rochas nos esmaguem, que, tendo feito a próxima guerra, enfrentemos a Deus no Seu throno, e a Sua ira a cólera, notai essa palavra do Cordeiro. Porque se a próxima guerra vier será, ver-

dadeiramente, o grande dia da indignação de Deus».


CAPITULO

Os

servos de

Deus

Vil

são sellados

Antes de quebrar o sétimo sello e abrir completamente o livro que contem a espantosa serie

de juizos narrados nos capitulos seguintes, até á hora em que o triumpho de Christo se realisa, ha uma pausa na narrativa, para um parenthese con-

não pediu que os discípulos fossem do mundo mas que fossem guardados do maligno e aqui não são isentos- das tribulações dos últimos tempos mas sellados de forma que será fortador. Jesus

tirados

impossível perderem-se.

Na mesma

visão

vemos

de aquelles que se conservam fieis através das provas imminentes. Na destruição geral Deus se lembrou de Noé. Na linguagem de a indizível gloria

Paulo, a nossa vida «está escondida

com

Christo

em Deus». 1.

Quatro anjos.

Em

Mat. 24:31 diz-se que os

anjos «ajuntarão os escolhidos dos quatro ventos,

uma

a outra extremidade dos céus». Quatro cantos. Posições estratégicas que dominam o todo. Sobre o numero quatro vide nota sobre 4:6. «O numero quatro é symbolo de universa-

de

lidade e de creação» (Plummer).

Os

quatro ventos. Symbolisam agentes destruc-


Vindo dos quatro pontos cardeaes, formariam São também instrumentos de juizo (Jer. 49 36 e 37, cf. Dan. 7 2). Os anjos seguram os ventos da paixão humana. Ha recrudescimento do tivos.

furacão. :

:

de egoismo, de nacionalismo e de suspeitas na Europa, actualmente. Soltos os cães da guerra,

espirito

o próprio mal se destroe a si mesmo, mas arrasta comsigo milhões de innocentes e outros milhões dos mais nobres da terra, para o anniquilamento. O individuo é governado em parte pela sociedade, a respeitabilidade limita a sua acção, mas em tempos anormaes ou em terras longínquas o freio se retira das suas paixões. Os ventos não são governados pelos homens, mas o perfeito dominio do Senhor dos senhores se estabelecerá; nenhuma tempestade perturbará o mar de vidro e o nosso seductor, a besta e o falso propheta, para todo o sempre hão de ser lançados no lago de fogo e enxofre (cap. 21 8). No emtanto a Liga das Nações, o Tribunal Internacional, o Pacto de Locarno e o sentimento (por emquanto apenas sentimento) contra a guerra, seguram os ventos até serem sellados os servos de Deus numa perfeita consagração de abnegada peleja, na revolução pacifica do «desarmamento do espirito do homem». Avante, ó hostes de Christo! :

Avante, ó Alliança Evangélica

Avante, ó escolas e

!

seminários evangélicos! Avante, ó professores christãos

!

Avante, ó paes piedosos

consagrada

!

!

Avante ó mocidade

Este armistício é a vossa hora-zero.

O

inimigo está-se entrincheirando de novo. Levantae-


155

do Deus invencível! Marchae 2. Vi outro anjo. Este é differente dos anjos que apenas refreiam por meio de sentimentos ou costumes, leis ou tratados. Este vem tocar o individuo e sellar o seu espirito para o Deus da paz. Do lado do nascimento do sol. D^aquelle lado «vem a luz e, semelhante ao sol da justiça, elle se levanta trazendo curas nas suas azas; porque a sua missão é tornar incólumes os servos de Deus» (Plummer). 3. Não façaes damno. Assim, depois de annunciar o diluvio esperou-se até que se apromptasse a arca (Gen. 6: 14), e o anjo da morte se deteve no Egypto até que se assignalassem as casas dos servos de Deus. (Ex. 12).

vos e recebei na testa o Marchae «Deus o quer» !

sello

!

.

.

Antes de termos sellado os servos de nosso Deus,

Nada sobrepuja em

valor a alma immortal

prios processos do juizo

final,

:

os pró-

tão insensíveis e ty-

rannicos, são obrigados a deter a sua marcha hor-

renda até se assegur"^ o seu bem-estar.

O

sello

não

os conserva physicamente, pois ainda estão sujeitos a perseguição e martyrio (13:15),

mente são incólumes

podem

e

mas espiritualabysmo não

as forças do

Alguns senhores sellavam seus escravos alguns que se dedicavam ao serviço de templos pagãos e ás vezes soldados que se conattingil-os (9:4). ;

sagravam a certos deuses, marcavam o seu próprio corpo. A ideia é frequente no Apocalypse. Não somente são sellados os justos, (7:2 sq., 9:4, 14:1,


157

22 4) mas também os seguidores da besta levaa sua marca (13: 16, 14:9; cf. Isa. 49: 16). A :

vam

sem duvida

ideia

era figurada, pois marcar o corpo

era prohibido (Lev. 19:28, 21 :5-6, Deut. 14:

Ezek.

9:4

e Gal. 6: 17).

E' considerado

como sendo na

testa,

1,

cf.

— um logar

vital, a parte mais visível do corpo e a sede do pensamento e dos ideaes. Os fieis sellavam as convicções pelo seu comportamento os fructos demonstram a fé. «O firme fundamento de Deus permanece, tendo este sello 'O Senhor conhece os que são d'elle', e 'Aparte-se da injustiça todo aquelle que pronuncia o nome do Senhor'» (II Tim. 2: 19). «Em ;

:

seu sentido mais profundo, esta acção de sellar significa

a manifestação exterior do caracter» (Charles).

Os

sacerdotes traziam

ouro fino

sobre

Christo diz

:

a

na lamina de

inscripto

mitra: «Santidade a Jehovah».

«Escreverei sobre elle o

nome do meu

Deus (3:12) e os remidos no monte Sião, com Christo «tinham o nome d'elle e o nome de seu Pae escripto sobre as testas» (14: eternidade «o seu

servos (22

:

nome

1); e durante á

estará nas testas» de seus

4).

E' o sellar

do

Espirito, aquella raiz

da vida ce-

na alma, que é o penhor da união da alma com Deus. Eis os termos da carta regia da sua protecção: Quem vos fará mal se fordes seguidores

lestial

do bem

?

Na

ideia bíblica, o peccado, ou a

macula

moral, é o único mal verdadeiro; as demais cousas

cooperam para o bem (Carpenter). Paulo

sentiu o


158

sello

da

victoria

quando escreveu o hymno de trium-

pho. «Se Deus é por nós

Quem

quem

será contra nós?.

.

separará do amor de Çhristo?» (Rom.

nos

No baptismo recebemos as aguas que no nome do Deus triuno. O crente, com a insígnia do nome divino e a consagração cliristã» 8:31

e 39).

sellani

marclia intrepidamente na peleja contra o mal. Po-

demos bem imaginar o conforto que traria

esta

mensagem

aos pequenos grupos de crentes perseguidos

na Asia Menor. (Vide 3:

10,

6: 11, 13: 10, 14: 12).

Jesus teve o sello do Pae (João 6

:

27).

4. Cento e quarenta e quatro mil, «Este é

mente les).

mera-

um numero

symbolico e não definido» (Char«Doze é usado como o numero de aquelles

que, em cada idade, teem sido chamados para testemunhar a favor de alguma grande verdade que o

mundo

precisava... doze tribus de Israel... doze

apóstolos...

O

um testemunho

numero doze portanto representa mundial para a verdade divina

fructos d'este testemunho mundial

continuado

êxito

milheiros

*a

;

o

são

um

;

e os

largo e

doze multiplicado por doze não degenerada prole dos

nativa e

Apóstolos multiplicada apostolicamente' representa

o crescimento para o numero completo dos escolhi-

dos de Deus» (Carpenter). Quatro e dez são números terrestres. Quatro mais trez, (o numero de Deus) e quatro vezes trez, formam números perfeitos, o resultado da união do homem com seu Creador. Aqui temos o quadrado de doze multiplicado pelo çubo dç dez que indica o


159

numero completo dos salvos sem indicar quantos serão. E' numero symbolico como os sete sellos, sete classes de homens, vinte e quatro anciãos... Emprega-se nas Escripturas, como actualmente, para «representar um grande numero mas indeterminado», A significação da visão é que todos os servos de Deus, sem excepção alguma, serão sellados e portanto guardados. «Se os eleitos suppor-

tam com paciência as naturaes provas provenientes do seu discipulado com Christo, então Elie os resguardará das provas sobrehumanas que estão para accommetter o mundo todo, conforme Elie promette A bondade occulta dos servos de Deus em 3: 10. .

afinal se

.

nome

brazonará exteriormente, e o

divino

que em secreto se escreveu nos seus corações agora se burilla abertamente nas suas testas pelo próprio

annel de sinete do

Deus vivo.

.

.

No

fim o caracter

entra na phase de final idade» (Charles).

Filhos de Israel, E' contrario ao espirito do N. T.

separar os homens

em

sua attitude catholica

;

classes e S. João prima pela de maneira que aqui elle não

vê os christãos judaicos, como alguns pensam, mas o Israel espiritual de S. Paulo (Rom. 2 29). :

Judah, Nesta lista, pela primeira vez nas Escripturas, tem o primeiro logar. Sem duvida é devido á sua insigne Prole que se ha de coroar agora, universalmente.

Dan

em

é

omittido,

provavelmente porque cahira

que d*elle havia de Todavia o numero doze se con-

idolatria e a tradição dizia

sahir o Antichristo.


160

serva pela inclusão de Manassés, embora este já se inclua em José. Uma analogia é a eleição de Ma-_

para substituir Judas entre os Apóstolos. «Ephraim, que se exaltou em Israel, agora se perde no nome maior de José.» Ruben, o instaveh

tílias

perde a primazia. Levi, omittido na lista dos que receberam terra em Canaan, no céu recebe o seu quinhão. Sendo o sacerdócio universalmente prati-

cado

pelos filhos

de Deus,

a

distinção

de Levi

-desapparece.

Uma

9.

Não

grande multidão...

se deve pensar que

um

certo

de toda a nação-

numero será salvO

ou que qualquer raça terá a proeminência. As estatísticas

das próprias cgrejas não são conclusivas.

pertencer

O

a certa sociedade ou organisação nada

«Tenho também outras oveque não são d'este aprisco» (João 10:16) e estes afinal serão ajuntados em um só rebanho e

garante. Jesus disse: lhas

terão

um

Pastor.

O

Vidente presenceia nesta visão

essa consummação bemdita. Muitos commentadores

consideram esta multidão da egreja universal e invisível idêntica aos cento e quarenta e quatro mil,

dois aspectos da experiência sendo estes «a egreja militante» e aquelles, «a egreja triumphante.» Uns são guardados do mal e do perigo, outros já passaram alem do perigo c das tribulações para a perfeita paz. Isto não

que

representam

christã,

quer dizer que a experiência não é realisavel aqui e agora. Deveras, Gardiner pensa

niente á experiência actual

:

que se

refere so-

«Esta não é a visão e


m o cântico do

final

triumpho

;

é o cântico

que conti-

nuamente ascende, emquanto homens e muliíeres passam da tribulação para o triumpho. Elles clamam salvação ao nosso Deus, isto é, Elie nos trouxe triumphantes atravez das tristezas e rigores do campo de batalha! Pelejámos a boa peleja e triumphámos !» Milligan, seguindo Gibson, também entende que a

As prophecias do V. T. quanto á reorganisação da sociedade por Christo (Isa. 49: 10; 25:8; Zach. 14: 16, etc.) e as promessas de Jesus quanto ao resultado da acceitação do seu modo de viver a fonte de agua que

primeira referencia é á vida presente.

mana para

a vida eterna

— — todas são presentes. Elie

do céu é actual e em Hebreus tem «chegado ao monte Sião e á

disse que o Reino

12:22 a Egreja

;

cidade do Deus vivo, Jerusalém celestial.» «Eis o ta-

com os homens» (Apoc. 21:3). «Não poderemos comprehender qualquer parte do Apocalypse a não ser que reconheçamos o facto que tudo que elle trata é elevado a um padrão ideal.

bernáculo de Deus está

O

premio e o castigo, a

justiça e o

peccado, os

martyrios da Egreja e a sorte dos seus oppressores,

são-nos todos apresentados a uma luz dente move-se

em meio de

ideal.

O

Vi-

conceitos que são fun-

damentaes, finaes e eternos. As luzes quebradas' que parcialmente

illuminam

mundo, estão para

elle

nosso

Vestiduras brancas. Insígnias

bém de

justiça.

progresso

neste

absorvidas na 'vera luz'».

de victoria e tam-

(Vide nota sobre 3

:

5).

Palmas. Estas eram o premio em certos jogos 11


romanos

e

Mas

gregos.

Festa dos Tabernáculos

:

«a imagem é tirada justamente

como o

da

sello

nos lembrou do signal protector no limiar das casas de Israel no Egypto, assim estas palmas e cânticos de regosijo relembram as ceremonias da festa posNenhum symbolo ou imagem seria mais natu-

terior.

ral

para o vidente sagrado e

nenhum

apropriado para o seu assumpto. bernáculos elles

O

A

mais

seria

Festa dos Ta-

commemorava o cuidado de Deus sobre

no deserto,

e a gratidão

d'elles pela colheita.

povo sahia das casas e habitava choças

;

as ruas

se enchiam de multidões alegres que traziam ramos

da palmeira, da Neh. 8

:

A

14-17).

do myrto; sons de regoouviam (Ex. 23: 16, Lev. 23:43,

oliveira e

sijo e cânticos se

visão aqui mostra

uma

festa muito

maior» (Carpenter).

Uma grande

voz. Que coro empolgante Que Que companhia feliz Salvação a nosso Deus. Venceram mas attribui-

10.

scena encantadora

ram a

Victoria

!

!

ao Autor da sua salvação.

11. Prostraram-se

em

5: 14 e 11

.

.

e

adoraram. «Assim como

16-17 o louvor é acompanhado por

:

adoração e culto» (Plummer). 12. Amen.

Os

anjos adoptam

como seu o coro

dos remidos, assim como as quatro creaturas em 5: 14 fizeram ao coro dos anjos. Ha perfeita harmonia e concordância no céu. Differenças de opinião, de lealdade, de

attitude,

de culto desapparecem de

vez. Era antiphonia imponentíssima. Sete attributos

são enumerados

(cf.

cap. 5).


1â.

Quem

são.

.

.? Parece

que o ancião deu vo2

«Onde

á admiração manifesta nos gestos de João.

uma

se faz

que se

explicação

refere

á egreja,

a

tomada pelos anciãos, emquanto que os anjos introduzem as visões, que se deixam sem parte activa é

explicação

(cf.

5:2, 7:

1

e 2; cap. 8; 10:

1,

3 e 5)

(Plummer). E' frequente nas Escripturas este me-

thodo de perguntas

(cf. Zach. 4:2, Ezeq. 37:3, João 21 12, etc.) Nesta vasta multidão vê João os fructos da commissão universal de Jesus (Mat. 28 19). :

:

14.

Meu

tosíssima;

Senhor, tu o sabes.

elle

adivinhar, mas,

A

resposta é respei-

não exteriorisa opinião nem tenta

como bom

discípulo, attende a

Quem

sabe.

05 que veem da grande

tribulação.

Uma

vez que

consideramos que essa multidão é a totalidade dos remidos, a tribulação é o conjunto das provas conse-

quentes do viver

em

contacto

com a corrupção

e

opposição d'este mundo, inclusivé naturalmente os ais

que seguem a abertura do sétimo

sello.

é presente e representa acção continuada.

«Veem»

«Em

to-

epochas é certo que precisamos de, por meio de grande tribulação, entrar no reino de Deus das as

e a visão aqui certamente

não é de aquelles que

de algumas provas particulares, mas da grande multidão de todas as epochas e de todas

saem

illesos

as raças que pelejaram contra o peccado e que, no

meio d'aquelle protrahido conflicto, supportaram a grande tribulação que continuará até á volta de Christo» (Carpenter).


164

Lavaram as suas

vestiduras.

O

desenvolvimento

do caracter não é passivo: a graça e as obras são devidamente contrabalançadas em Phil. 2:12 seq. Nos seus corações o bem expurgou o mal as altas aspirações substituíram desejos indignos; o templo se purificou para o Espirito Santo os fogos da tri;

;

bulação eliminaram a escoria.

No

sangue do Cordeiro. Participaram da sua vida consagrada e sacrificial. Por Elie foram perdoados e purificados; por Elie venceram (cf. João 1:7, Rom. 3:25 e 5:9, Heb. 9:14. Vide também Isa. 4:4 e Eph. 5:25-27, Apoc. 22: 14). 15. Por isso. Assim se explica a reunião tão extraordinária de elementos diversíssimos que antes de Christo sonharam em romper as barreiras do nacionalismo exclusivista. Em nossos dias realisam-se timidas tentativas, a Allemanha até é admittida á Liga das Nações, mas os Estados Unidos absteem-se, entendendo que, por emquanto, não se pode realisar este ideal utópico. A tribulação por si só não modifica o caracter. As nações principaes do mundo lavaram as suas vestiduras no sangue de milhões dos melhores homens e ainda acham impossível I

qualquer união. E, o que é o maior absurdo,

um

accordo para a limitação de armamentos é difficilimo de realisar, mas gastam-se rios de ouro com os instrumentos de homicídio, emquanto mulheres e creanças morrem de fome na Europa central e o operariado da Inglaterra se levanta numa greve geral por falta do sufíiciente para sustentar a vida! Somos


165

ainda mais capazes de rezar «hymnos de odio» que

de entoar cânticos de salvação ao Príncipe da Paz,

num

coro internacional. Temos, porem, federações

de egrejas, a União Mundial das Escolas Domini-

Conselho Internacional das Missões. aos poucos a immensa multidão está-se ajuntando, das nações da terra, para. formar o magnifico coro branco. Deante do throno. Vivendo sempre como na sua caes, o

.

Presença,

— sujeitos

.

á sua divina vontade.

so-

mente quando estivermos neste espirito que Elie nos pode abençoar, conforme quer.

Adoram.

A

palavra grega

latreiíein,

«significa o

como seu povo 26:7, Rom. 9:4, Heb.

serviço prestado a Jehovah por Israel,

3:3, Act.

peculiar

(cf.

9:1 e

como observa Lightfoot, serviço, não externos mas sim de culto espiritual (Rom.

de 12:

Phil.

6). E,

ritos

Como

1).

tal,

pertence a todo o povo, e se dis-

do serviço sacerdotal.

tingue

A

palavra apropriada

para o ultimo é leitourgein. Este serviço sacerdotal era feito não somente no templo da terra mas também, conforme os conceitos judaicos, no templo celeste, onde o officio sacerdotal é realisado pelos archanjos. Porem no céu christão não se exercem semelhantes funções sacerdotaes e não ha logar para

qualquer casta exclusivamente sacerdotal. Todos os

bemditos são sacerdotes para Deus» (Charles).

Dia 4:8).

A

e

noite.

Continuamente. (Vide

linguagem é

taes divisões de

Sanctuario,

terrestre.

No

nota

sobre

céu não haverá

tempo (22:5). Habitação

de

Deus.

Reconhecerão


166

que o logar em que é santo,

estão,

quer que

onde

pela presença

santificado

accordarão do seu engano

«Na verdade Jehovah

como

divina

;

seja,

nunca

Jacob, para dizer

está neste logar; e eu

não o

sabia» (Gen. 28: 16).

Estenderá o seu tabernáculo

de Deus, agasalhados por

.

.

Serão hospedes

Elie. Literalmente

a ex-

pressão quer dizer que o próprio Deus se estenderá

sobre

elles,

Pessoa filhos

(cf.

— Deus 21 :3).

nos protege com sua própria

A Sua

gloria enche a vida de Seus

assim como cobria o tabernáculo de dia

uma nuvem

e

com

de noite pelo fogo (Ex. 40:34-38),

Elie os circunda

com

a sua luz,

como

o

ar, Elie

pe-

netra no seu intimo, purificando-os e vivificando-os.

Paulo sentiu a força de Christo repousar sobre (II

16.

Não

elle.

4:5-6, Ezeq. 37:27 e João. 1:14). terão fome, nem sede, jamais. Sendo hos-

Cor. 12:9,

cf. Isa.

pedados pelo Creador, Rei e Dono do Universo. Elle nos concede dominio e usofructo, conforme a nossa capacidade de utilisal-os. Esta capacidade augmentou immensamente na ultima geração. Elle promette sustento a todo que procurar o Reino do céu (Mat. 6:33, cf. Isa. 49:10). A expressão tem significação espiritual também. «A minha comida é fazer a vontade d'aquelle que me enviou» (João 4 34) e «Quem beber da agua que eu lhe der nunca :

jamais terá sede» (João 4:

14).

«Todavia,

num

ou-

fome e sede nunca cessarão pois o seu objectivo nada menos é que o próprio Deus

tro sentido, a sua

e as suas perfeições» (Charles),

;


167

Nem

cahirã sobre elles o sol Estando debaixo da

em sua

sombra das suas azas. «O

sol oriental,

e oppressiva intensidade, é

emblema apropriado para

feroz

que reseccam as forças» (Carpenter). indica que Esta trindade, agasalho, pão e agua nada lhes faltará (cf. Ps. 36 6-9). «Quando Isaias (49:10) primeiro escreveu assim, do cuidado de Deus, poder-se-ia ter dito que era um pensamento formoso e poético. Mas quando João repetiu o pensamento poético e formoso, este tinha supportado a prova do tempo, da experiência, de immensa angusas

provas

:

tia

e tristeza. João,

pobre,

mas

elle

por sua parte, estava velho e

mesmo

sabia que o cuidado de

Deus

não falhara» (Wilson).

17.0

SemDeus so-

Cordeiro que está no meio do throno.

pre é Elle a figura central.

Chegamos

a

mente por meio d'ElIe. Embora sendo o bom Pastor, chama-se o Cordeiro e a sua identidade com as ovelhas persiste. Conhece perfeitamente os nossos problemas, pois foi victima d'elles e, ao mesmo tempo, venceu-os. Pastoreará.

Elle

é

sapientissimo

conductor,

conhece o nome e a natureza de cada ovelha, é absolutamente dedicado ao seu bem-estar, ama-as mais que a própria vida (cf. Ps. 23, Luc. 15 4, João 10:11). :

mana do prónão de cisternas fendidas

Fontes da agua da vida. Esta agua prio throno de

Deus

e

agua viva e progressivamente alcançada

4:11;

Isa.

terra árida.

12:3).

A

figura é

(cf. João mui expressiva numa


168

Deus enxugará toda a lagrima. Como uma ca«Assim rinhosa mãe. será removida toda a tristeza nenhumas lagrimas marejarão os olhos de todos porque as fontes da tristeza serão cortadas da terra, onde não haverá mais peccado. Ninguém pode tornar a chorar quando é Deus que enxuga as lagrimas. .

.

:

Bem-aventurados os que choram, disse Christo bem-aventurados deveras nisto que Deus se torna o seu confortador. Somente os que choraram pode:

rão gozar esta consolação.

Quem não

lagrimas d'esta vida para ter a

xugal-as!» (Carpenter).

derramaria as

mão de Deus

a en-


CAPITULO

O

sétimo 1

.

O

sello.

sétimo

As

sello.

VIII

seis primeiras

trombetas

Depois das duas visões subor-

dinadas voltamos agora para a serie principal. Repete-se este eschema na serie das trombetas, onde se intercalam as visões do Anjo

com

o livro e das

duas testemunhas entre a sexta e a sétima trom-

pensa que são designadas a dar-

betas. Carpenter

-nos ideia da vida intima da egreja de Christo no

meio dos aspectos exteriores da historia do mundo em que ha guerras, perseguições e tribulações de toda a espécie. «As visões principaes

e da Egreja,

nos dão os clangores das varias

(das trombetas)

providencias de Deus, convocando o entregar a Elie

temunho mundo.

se

filhos

de Deus neste

series dividem-se

em grupos de

dos verdadeiros

e obra .»

.

mundo para

as visões subsidiarias indicam o tes-

;

As duas

quatro e de trez. Silencio,

meno: silencio

1.

Ha

varias

— Symbolisa

explicações

que nos conta que a

eloquentemente nos

gozo

ineffavel

falia

pheno-

d'este

e paz. «E' o

tristeza se

acabou e

de paz do coração. E' o

descanso do perturbado, no seio de Deus».

2.

— E*

o espanto á vista dos terríveis acontecimentos futuros, revelados

ao abrir o ultimo

sello. 3.

dar precedência ás orações dos santos;

— E*

para

assim

a


170

congregação guardava silencio emquanto o sacerdote queimava o incenso no sanctuario (Luc. 1 10). :

«Os louvores das supremas ordens de anjos no céu se calam para que as orações de todos os santos

soffrendo na terra, se possam ouvir perante o throno.

As suas necessidades preoccupam mais

a

Deus que

toda a psalmodia do céu» (Charles). Inclinamo-nos a

combinar 2 e

3.

Pode ser também o

silencio

da reser-

va; muita cousa ha que não nos é dado saber agora.

Meia hora.

Uma

pausa extensa e portanto muito

impressionante no meio d'este movimentado drama.

O

universo estava attento, esperando os acontecimen-

do sétimo sello. No Apocalypse «a metade de qualquer cousa suggere, não tanto a metade literal, cinco, como um todo quebrado e interrompido, tos

dezena quebrada,

meio

um

seis,

uma

dúzia quebrada, trez e

septenario quebrado...

A

de Jesus que 'acção' sendo pri'hora*

é para João o momento em meiro resolvida pelo Pae, é tomada pelo Filho (vide

João 2:4 e 12:27); e 'meia hora' pode apenas indicar que o curso dos acontecimentos se interrompeu, e que o instante para renovado juizo

foi

adiado.

(AAilligan).

2. Sete anjos. «Até agora estes anjos tinham somente proferido uma mensagem ás igrejas, não ao

mundo

alem, e ás egrejas,

mento, appello,

uma

foi sufficiente,

voz, palavras, argu-

pois nas egrejas havia

homens que tinham ouvidos para mundo, algo mais que a voz foi

Mas

para o

necessário,

— uma

ouvir.

trombeta, desafiadora, mechanica, metálica,

com uma


171

simples nota penetrante. Estes anjos sahiram

como

o Exercito da Salvação, como Pedro o Eremita e Savonarola, ministros em toda a parte, de aviso so-

lemne para os que offendem a seus irmãos ou a

mesmos

.

.

.

Quando

si

a trombeta soa, a consciência

despertada estremece.

O

primeiro facto esquecido

a oração. Qual dos cavalleiros, naquelles cavai-

foi

los, tinha

pensado nas mães de joelhos, intercedendo

pelos seus filhos; nas creanças de joelhos, orando

em

favor de suas

mães nos paes implorando a bên-

ção divina para os

;

filhos,

nos evangelistas rogando

Por João as orações dos santos se viam tão claramente como o incenso a salvação dos peccadores?.

que sobe do thuribulo

e.

.

.

.

.

agora comprehendia que

o incenso alcança o próprio coração de Deus. Dele-

um anjo para garantir a entrega uma das mais humildes petições. As mãos levantadas podem estar calejadas da lida, e as faces ga-se especialmente

de cada

murchas, o vestido roto e esfarrapado, mas a oração

nada menos preciosa e o thuribulo que a leva do Eterno, nenhum outro pode ser senão o thuribulo de ouro. Não se diz que as orações dos santos devem ser escriptas, ou que precisam ser guarnecidas com linguagem de belleza e eiudição. São orações e basta.» (Wilson). não

é

até deante

Os

anjos se interessam

ritual

(Luc. 15

mani.

O

:

em nossa attitude espicom Jesus em Gethse-

10)._Estiveram

próprio Espirito exprime por nós o que sen-

mas que é profundo demais para palavras (Rom. 8 26). Nada ha aqui que nos leve a pensar

timos

:


172

nos anjos ou santos como mediadores; Jesus é o único Mediador (I Tim. 2 5). «O incenso symbolisa :

a verdade, que as orações de todos os santos pre-

cisam de tornar-se acceitaveis pela infusão de

gum elemento

divino...

E*

difficil

al-

esquecer aqui

Aquelle cuja offerta e saciificio se tornaram

um

odor

de suavidade (Eph. 5: 1-2)». (Carpenter). 3. Altar de ouro. Altar suggere sacrifício e

munhão.

O

com-

material preciosíssimo de que é feito é

significativo.

«Todo o accesso ao céu

do

Sejam as orações dos

sacrifício.

é pela

fieis

avenida

ou dos pró-

prios martyres, todas egualmente precisam ser apre-

sentadas ou offerecidas no altar celeste para que

sejam assim purificadas da ultima nódoa do

'eu'

e

tornadas acceitaveis a Deus» (Charles).

O lançou sobre a terra. Semelhantes ao arcoque sobe aos céus e volta á terra, as orações alcançam o Throno omnipotente, que, qual o transformador eléctrico, as adapta aos fins divinos. Pediram o estabelecimento do Reino de Deus, mas 5.

-irís

terríveis

acontecimentos o hão de preceder, pois é

necessário limpar o terreno. estructura da

chamada

Ao desmuronar da

civílisação

vemos

velha

as paredes

manchadas, os alicerces podres, as galerias subterrâneas do abysmo que geram pestílencias sociaes. A praga de ulceras no Egypto foi iniciada quando Moysés lançou ao ar cinzas do forno (Ex. 9:8-10); e

mandou-se que fossem lançadas brasas sobre a

cidade condemnada, Trovões,

em

vozes...

Ezek. 10:2.

Manifestações são estas da


poderosa presença divina, como no Sinai Deus res-

pondeu á oração de Elias com fogo (I Reis 18 38). «Assim como a oração subiu da terra, assim desceu o fogo. O monte Carmelo tornou-se no universo e :

cada discipulo num propheta Elias. O fogo estava nas almas de homens. Foi elle a chamma que incendiou o enthusiasmo de S. Francisco, de João Knox, dos Wesleys, que arde no coração de missionários e professores, que sustem os doentes e aquenta os

pobres. Elle tem transformado muitos operários cavalleiros mais nobres fez muitas jovens

em

que muitos dos fidalgos e

mais verdadeiramente senhoras

que muitas das que^ são ornamentos da sociedade. apenas fumega mas nunca se pode dizer quando romperá, varrendo tudo como o fogo no campo, atravez da sociedade dos homens

A*s vezes o fogo

;

e das mulheres.

«Quando João viu pela primeira vez o throno, notou que d'elle procediam vozes, trovões e relâmpagos.

Mas não

lhe occorreu

que estes phenome-

nos eram associados com as orações diárias próprio e dos discípulos. Agora

plenamente. Sentiu tes

christãos

também o terramoto

realmente

d'elle

comprehendia

elle

—que

es-

estavam transformando o

mundo» (Wilson). Este autor cita dum livro que o jornalista McKenzie escreveu sobre a Korea «Os :

missionários espalharam a Biblia

namico

e perturbador

no mundo. Quando

saturado da Biblia é posto rannia,

— o livro mais dy-

uma de duas cousas

em

contacto

acontece

:

um povo

com

a ty-

ou o povo é


m exterminado ou a tyrannia cessa».

E Wilson

conti-

nua: «Ahi temos precisamente a explicação da gura que

fi-

estamos discutindo. Inflammados com as

brasas d'aquelle

os discipulos teem espalhado

altar,

do Redemptor. Edificaram hospitaes fundaram missões, pintaram quadros no-

as boas novas e escolas,

escreveram musica e poesia esplendidas, cui-

bres,

daram dos pobres, ministraram aos velhos, reformaram as prisões». 6.

Os

sete anjos.

.

prepararam-se

.

.

Reence-

ta-se a acção interrompida para receber as orações.

As pragas das primeiras quatro trombetas cahem sobre o mundo natural e attingem apenas indirectamente os homens. As ultimas trez caem directamente sobre os homens que não foram sellados. As pragas do mundo natural são intensificações de certas pragas do Egypto e são semelhantes ás quatro primeiras pragas de cap.

16.

symbolicos; se os tomarmos tecendo, cahimos

Os acontecimentos são como literalmente acon-

em confusão

e

encontramos varias

contradições. Sete sacerdotes tocaram trombetas no sitio

de Jericó

(Jos.

6:16).

A

«grande trombeta»

de Mat. 24:31, destinada a juntar os escolhidos, não

mencionada no Apocalypse. «Teríamos pensado que, quando um anjo de Deus toca a trombeta ao ouvido do homem, a resposta do homem seria o arrependimento e a fé. Mas assim não tem sido. cada século com sua Século apoz século passa carga de prophecia e ainda assim nos servimos a é

nós mesmos, luctamos procurando nossos pi-oprios


prazeres, e olvidamos as consequências. Assentados

em nossas

cadeiras confortáveis recusamos

bolismo do Apocalypse como se fosse

o sym-

uma cousa

remota e fantástica» (Wilson).

«Cada

juizo deveria despertar o verdadeiro servo,

para maior vigilância e progresso mais ávante.

Os

milagres teem sido chamados os sinos de alarme do

da mesma forma os estranhos e assustadores acontecimentos da historia do mundo são notas de alarme sopradas pelos anjos de Deus atravez do mundo». universo

7.

;

Saraiva e fogo misturados com sangue. «Viu-se

moderna, e nunca houve uma descripção de explosivos

ahi pela primeira

na

literatura

vez a

artilharia

tão breve e perfeita» (Wilson). Claudiano disse que

Roma pelos invasores godos foi semeuma tempestade de saraiva (Carpenter).

a tomada de lhante a (Cf.

«S.

Ex. 9 24, Ezek. 38 22, Joel 2 30, Act. 2:19). Pedro annunciou que o cumprimento da pro:

:

:

phecia de Joel começou com a effusão pentecostal do Espirito Santo. Tinha soado então a trombeta de guerra o processo da emancipação da terra princi;

piara.

Começou

então a serie de tristezas e julga-

mentos que o obstinado amor dos homens pelas trevas,

em

preferencia á luz, traria sobre

si

próprios

e por meio da operação d'estes o reino de Christo

se estabeleceria» (Carpenter).

Chuva de «sangue» tem occorrido de

facto

em

muitos logares, devida á presença no ar de pó vermelho dos vulcões ou do deserto.


m A

terça parte,

O

estrago

foi

immenso mas a maior

Os campos de batalha da França «O uso de fracções para proporções relativas já se acha em Zach.

parte salvou-se. illustram

exprimir

13:8 terra,

essa destruição.

5:2)» (Charles). A terça parte da do mar, das aguas doces e dos corpos celes(Cf. Ezek.

tes, foi attingida

pelas primeiras quatro pragas.

Arvores. Isaias (2: 12-13) usa os cedros do Lí-

bano e os carvalhos de Basan como typo dos soberbos e altivos. Wilson diz que são «as instituições da sociedade, as universidades e egrejas e palácios»; Wordsworth, que são os príncipes. Herva verde. Na verdade o povo é herva (Isa. 40:7). Esta ideia é frequente na Biblia (cf. Ps. 103: 15, I Ped. 1 24, etc). Wilson pensa que representa os lares humildes e Wordsworth, o povo :

commum. A praga 8.

Um

traz grande desolação.

como grande monte. Jeremias

prega figura semelhante: diz Jehovah,

a terra

;

(51

:

25)

em-

«Eis que sou contra

ti,

ó monte destruidor, que destroes toda

estenderei a minha

mão

sobre

ti

e te farei

rodar dos penhascos abaixo, e te tornarei em um monte queimado». Parece que se refere a Babylonia. Provavelmente Jesus referia-se também ao monte

de iniquidade enraizada

em grandes

instituições so-

que havia de ser removido pelas orações dos cf. Ps. 46 2 e Zach. 4 7). 21 Sangue. Esta operação cirúrgica não se faz sem perigo e perturbação. O commercio foi um tanto deslocado pela lei da prohibição nos Estados Uni-

ciaes,

seus (Mat. 21

:

;

:

:


177

dos;

uma

paiz.

A não

cro,

resaca de desrespeito á ser

em vez de

de Patmos, era

que a operação seja

inundou o o can-

espalha-se. Thera, perto

se curar,

um

lei

radical,

vulcão activo no primeiro sé-

culo e talvez suggeriu os pormenores da figura a

«Na erupção de 1573 o mar ao redor de Thera tingiu-se, num raio de vinte milhas, e mesmo quando o vulcão submarino é quiescente, 'o mar na visiJoão.

nhança do cone tem uma cor brilhante de laranja*. Em 1707 uma grande rocha subitamente appareceu no mar, numa erupção, e devido aos vapores nocivos 'todo o peixe no porto morreu'» (Moffat). As civilisações de Babylonia,

Roma, Sodoma.

.

.

desap-

pareceram no mar das invasões (cf. II Reis 3:23, Ex. 7:20-21, Ps. 78 44 e Apoc. 16:3). 1 0. Grande estreita. «Como cahiste do céu, ó filho :

radiante,

filho

todas cahiram

da alva»

em

6: 13.

muito apropriada para

Uma tação

(Isa.

A

14:12). As estrellas

em Isa. 14 é como Napoleão.

descripção

uma

figura

de valor para orien-

estrella fixa e brilhante é

numa viagem no mar. Se

ou mudar

ella cahir

de logar o viajante desorienta-se como os mari-

uma

va-

Ardendo como um facho. Foi semelhante a

um

Colombo ao ver o que

nheiros de

parecia

riação na posição das estrellas.

meteorolitho ao encontrar a nossa atmosphera.

Rios tingidas,

.

.

.

fontes ...

— as

escolas,

As aguas potáveis foram as egrejas,

— as

at-

fontes das

dos ideaes. «As religiões falham a não ser que fiquem no céu ou região da felicidade. A reli-

ideias e

12


178

gião que cahe nos rios e arroios como uma ferrugem, tornando as aguas amargosas como o absintho, tornando o Domingo monótono como um castigo, a

hedionda

Biblia

como um

sermões tão sem interesse

os

e

jornal velho,

— aquella

religião,

qualquer

que seja o seu nome, semeia a morte e a escuridão. Arruinada é qualquer religião que transforma o doce em amargo, invadindo o lar, perturbando o amor de marido e esposa, prohibindo prazeres innocentes e justificando desegualdades sociaes» .

.

(Wilson).

Moysés espalhou o pó do bezerro de ouro nas aguas e obrigou o povo a bebel-as. As aguas de Mara eram castigo para o povo de Israel. Porque o povo abandonou a lei de Deus e foram todos apoz os Ídolos, Jehovah disse

com (Jer.

absintho,

9:15,

cf.

11. Terça parte.

A

a beber

agua de

fel»

Deut. 28: 18).

somente o bem 12. Sol.

«Alimentarei a este povo

:

darei

lhe

e

O

mal

é parcial

e temporário;

é universal e permanente.

luz

directa

do throno de Deus, que

illumina o coração. Parecia que esta luz se retirava

de Jesus, quando na cruz (Mare.

15:34).

Trevas

constituíram a nona praga no Egypto(Ex. 10: 21-23).

Lua.

A

luz reflectida,

como na

architectura: a arte,

as escripturas, etc. Estrellas.

As

egrejas.

A

idade escura principiou

(Wilson). E' claro que o autor não está descrevendo desastres

mundo

meteóricos,

material, pois

acontecimentos seriados no

em

6: 13 as estrellas todas já


179

cahiram. Assim truída

também em 8 7 toda a herva :

é

des-

mas em 9 4 a herva é protegida, em estações taes como estas, quando as da sabedoria humana e direcção divina pare:

«E'

luzes

cem obscurecidas, que a

egreja precisa sahir adeante.

O

chãos precede a creação e é atravez de chãos que de novo a egreja de Christo tem de passar para o novo céu e a nova terra. Estas visões das trombetas, lidas ao lado da história do Génesis, parecem o desmanchar da creação a vegetação se anniquila, a terra e o mar se commisturam, as luzes do firmamento se obscurecem, os seres viventes, em mares e rios, se destroem, 'mas vida mais abundante sahirá ;

d'esta decadência'.

cede a edificação

A

demolição necessariamente pre-

a remoção do degenerado é

;

um

passo no caminho da regeneração que segue» (Carpenter).

13. Águia. Velocíssima ave de rapina

9:26).

A

quarta creatura

águia que voa (4

:

7).

A

senta flagrante contraste

era

(cf.

semelhante a

Job.

uma

missão desta águia apre-

com

a do anjo de 14:6.

A

águia figura na insígnia de muitas nações. Será que isto

em breve

se modifique?

de lá sua voz numero a sua posição vantajosa a habilitaria a ver o que aos da terra era vedado era o «az» da artilharia divina. Pelo meio do céu. Visível a todos

alcançaria o maior

Ai, ai, ai.

«Trez

;

;

ais é a alternaítiva a trez

vezes

santo» (Wilson). Nesta segunda serie das trombetas,

os homens d'este

mundo são

attingidos directamenta.


CAPITULO

Os Uma

1.

IX

primeiros dois ais

estreita.

Frequentemente

significa

uma

personagem eminente. (Num. 24: 17, Isa. 14: 12 etc.) Em Job 38 7 os anjos são chamados estrellas. Jesus diz «Vi Satanaz caliir do céu como relâmpago» :

:

(Luc. 10: 18).

«Tal

Mirabeau,

era

— taes

os

Girondinos na

França; taes os Lvoffs, Tolstois e Kropotkins da Rússia

— homens

que em tempos perturbados de-

sertam da sua esphera da sociedade e se encontram,

por alguma sorte, de posse da chave do abysmo sem

fundo da paixão e da miséria. Taes homens soltam as forças que não

grande

forno,

podem dominar, o fumo de um

todos os preconceitos e ignorância

gerados pela oppressão.

podemos ver pirar,

O

e o ar pelo qual

pelo qual somente somente podemos res-

sol,

são obscurecidos pelas exhalações da anarchia,

do abysmo saem enxames de gafanhotos. Estes são os naturaes do mundo inferior, a canailte, (are

raia-miuda), os peões, os servos, os setenta e cinco

por cento da escravatura

em que

se baseava o Im-

Romano, que teem vivido tão perto do solo que o simples comer a satisfação das necessidapério

des materiais

— é seu

desejo supremo. D'ahi os Ja-

cobinos, os Bolchevistas,

— d'ahi

os Terroristas

em


181

qualquer parte.

.

Mas

.

o mero facto da democracia

do abysmo da degradação, não quer dizer que por emquanto a democracia já convenha ao mundo. Traz na sua cauda um aguilhâo» (Wilson). Foi-lhe dada a chave. Christo possue por direito as chaves. Tudo está debaixo do poderio de Deus. Satanaz tem somente o poder que lhe é concedido. Poço do abysmo, «No Apocalypse o abysmo é considerado como sendo um logar preliminar da punição dos anjos cabidos, dos demónios, da besta e do falso propheta, e da prisão de Satanaz durante ter

libertado

mil annos» (Charles). O logar final destinado a todos os elementos maus é o lago de fogo e enxofre

(20:10, 14 e

abysmo

15,

Luc.

cf.

é a fonte infima

8:31

e

II

Ped. 2:4).

«O

de onde surgem os peores

perigos» (Carpenter). 2.

O

sol e o ar escureceram-se.

«O fumo do

in-

censo (8 4) purificou as orações dos santos e tornou-as acceitaveis perante Deus o fumo que as:

;

cende do abysmo escurece a mente dos homens e tolda o seu entendimento» (Plummer). D'isto resul-

tam os

ais

da humanidade

3. Gafanhotos. irresistível (Deut.

Uma 28 38 :

;

sam quaesquer hordas que os

militaristas,

sae do

(cf.

11

Cor. 4 4). :

praga destructivissima e Joel 2

se

:

25, etc.) Simboli-

dominam pelo

mal,

os anarchistas, o proletariado que

abysmo da oppressão para dominar

e des-

truir.

4.

Que não fizessem damno á

herva.

A

praga

era mil vezes intensificada pelo facto dos próprios


182

homens serem

deixavam execravel

Os

das.

Não

(cf.

o exemplo era péssimo,

— feriam com as cau-

Luc. 10: 19).

que os matassem. Foram limitados

como

seu poder,

Ha

ideias,

influencia,

sellados de Deus, porem, são espiritual-

mente incólumes, 5.

Não devoravam mas enve-

victimas.

nenavam, — incutiam

foi

Satanaz

em

em

referencia a Job.

cousas peores que a morte e frequentemente o

viciado põe termo á sua existência

Job 3: 20-21, Jer. 8:2; Luc. 23:30; Apoc. 6:16). Mas a morte espiritual foge. Não haverá somno nem esquecimento. (cf.

Cinco mezes. Este é aproximadamente o periodo

da duração da praga natural do gafanhoto. Todas as pragas são limitadas, salvo a série final, a das taças. 7. Cavallos

preparados para a guerra. Velozes,

«Um grande exercito symbolico, numerosíssimo como gafanhotos, malicioso como es-

fortes, destruidores.

corpiões, regendo

como

reis, intelligentes

como ho-

mens, dotados de astúcia mulheril, bravos e ferozes como leões, irresistíveis como os que trajam armadura» (Carpenter). 1 1

.

Como

brilhante

um mundo de

ser,

Tem

rei

o anjo do abysmo. «Aquella estrella

mas mal fadada que cae no movimento de já

afinal,

mais

feliz,

não

servirá.

um homem como

de ser de entre os que surgirem

Robespierre,

um

O

chefe tem

Marat ou Lenine.

— um Danton, um

Mas ao mesmo tempo que como rei. É tão déspota como

Trotsky.

é camarada, procede

os tyrannos que substitue. Pode-se chamar o

por nomes

homem

differentes, nos diversos paizes, — Abba-


183

Appolyon no Grego mas a sua significação e intuito são os mesmos. E' destruidor e não edificador. Empobrece os ricos sem enriquecer os pobres. Demole a velha Jerusalém sem lançar os alicerces da nova. Queima as Tulherias sem Critica constituições edificar moradas de aluguel sem pensar em outras melhores. E' negativo, e não don no Hebraico

e

.

positivo

tal

como um

.

.

não é perpetuo, de re-

ai,

pente o seu dia passa. Torna-se apenas ria

(Wilson). (Cf. Rom. 3: 18). Apollyon (des-

vil»

truidor), effeito

12.

uma memo-

como

Absintho,

é

nome que exprime o

que produz.

O primeiro

ai já passou.

As palavras são de

solemne aviso, intensificando o interesse dramático. Este «ai» é presagio dos outros dois. 13.

O

sexto anjo. «Esta praga assemelha-se á

é de uma natureza muito mais aggrauma vez temos grandes hostes, com os Mais vada. poderes do cavallo, do leão e da vibora, mas os elementos destructivos augmentam em numero, as cabeças dos cavallos ficam semelhantes ás do leão. Com a bocca respirando ameaças e morte, bem como com a cauda armada com colmilhos mortíferos, podem espalhar não somente a dor, mas a própria morte, a uma proporção vasta da raça humana... O fim d'esta praga é exhibir o poder mortífero de pensamentos falsos, costumes falsos, crenças falsas

ultima,

mas

e despertar os

homens para largarem os

falsos cul-

o mundanismo e a satisfação das paixões que cahiram (vv. 20-21» (Carpenter).

tos,

em


184

Quatro chifres do

Os

altar.

niartyres oraram de-

baixo do altar (6:9-10); deante d'elle o incenso

foi

ajuntado ás orações dos santos (8:3); o fogo tirado d'elle foi

lançado sobre a terra (8:5); por

isto

pa-

rece que o segundo «ai» está especialmente ligado

com

as orações. Representa-se que os quatro chi-

fres faliam. Chifre significa força.

14. Solta os quatro anjos. Estão atados até á

hora destinada por Deus, que tudo governa. quatro anjos seguram os ventos 7:1). Pode-se tomar esta visão

os resultados do peccado.

«O

Em

7:1,

(vide nota sobre

como representando

juizo todo representa

os males espirituaes que affligem os impios nesta

que os dão como se fosse um ante-gosto da sua condemnação na vida futura. o terror do homicida, a vergonha do ladrão, o aviltamento e o sofvida, e

.

.

frimento dos impuros, o delirium tremens do ébrio,

são tormentos muito reaes».

Mas

a referencia ao rio

Euphrates suggere outra interpretação. Euphrates.

O

tradicionalmente

Deut. 1:7; seria

soltar

I

rio

que servia de barreira ás nações

inimigas

Chron. 5:9,

de

Israel

etc). Soltar

(Gen. 15:18; os seus anjos

os «cães de guerra». Infelizmente, por

emquanto «não ha fronteira na face do globo onde não permaneçam os anjos da malicia, cobiça, inveja e ambição, e assim é necessário que seja, a não ser que se transforme o coração humano» (Wilson).

Os

parthos, habitantes do

oriente,

«cavalleiros

eram muito temidos pelos romanos na época em que foi escripto o Apocalypse. «Os ho-

terríveis»,


185

mens naquelles dias previam o «Perigo Amarello» com não menos anciedade que alguns de hoje. E mais de

uma vez na

hiistoria

quando os hunos, os successivamente

da Europa esta tem

Deus tomou. Assim

sido a forma que o juizo de

das

soltos

foi

ottomanos foram

tártaros e os

no

habitações

suas

oriente» (Scott).

15. Para a hora...

«Foi doutrina cardeal dos

escriptores apocalypticos que

Deus

determinou a

Os

hora exacta de cada acontecimento» (Beckwith).

em que haviam

allemães brindavam der tag (o dia)

de se banquetear

em

Paris.

Os avanços nas

trinchei-

se realisavam á «hora zero». Jesus fallava na

ras

sua «hora». 6.

1

Tropas de cavallaria. Estas sempre inspiravam

terror aos

israelitas

(cf.

Isa.

8:5-8

etc.)

Os

anjos

são soltos mas, na praga, somente os cavallos e os cavalleiros apparecem, e

tomam

mesmo

parte na destruição.

nas defensiva.

Na

A

não sua armadura é apeestes últimos

guerra moderna salientam-se as

machinas vomitando projecteis, fogo e gazes tóxicos; os homens pouco apparecem nos campos.

Duas myriades de

myriades. 200.000.000.

«Na

conflagração europea havia plenamente este numero

de homens e mulheres empregados ou na

lucta,

ou

nas fabricas de munições ou naquillo que se cha-

mava 1

'trabalhos de guerra'» (Wilson).

7.

Couraças de fogo... «Nunca

li

em nenhures uma

descripção tão tersa, tão accurada e tão empolgante,

da

artilharia

moderna, nas suas múltiplas formas


186

mortíferas,

—O

gaz venenoso, os magnos canhões,

os 'whizbangs*, os torpedos aéreos e aquáticos». (Wilson).

Cabeças de

leões.

A

sua

apparencia suggeria

força feroz.

De

suas boccas sahiam fogo

.

.

Retrato

uma

dos

fiel

navios de guerra, dos submarinos, dos tanks.

.

.

E'

do resultado do falso ensino, o contrario da espada da verdade que procede da bocca de Christo. 19. Suas caudas. Os aeroplanos deixavam cair bombas. os homens vão deixando a sua influencia possível considerar esta

.

figura

.

atraz de si. «Mr. Bent recorda a curiosa superstição dos habitantes de Thera, que durante a erupção do ultimo século viram 'nas columnas de fumaça que

sahiam do vulcão, gigantes e cavalleiros e alimárias...'

A amphisbena

terríveis

da mythologia antiga

frequentemente se descrevia como possuindo cauda munida de cabeça» (Moffat). Pode representar a tristeza e devastação deixadas pela guerra.

20.

Não

se arrependeram.

Não

ficaram convictos

da futilidade da guerra. Soffrimentos atrozes e o próprio terror da morte pouca influencia teem sobre o caracter. «Nós outros, os velhos, nascemos numa época em que se consideravam os armamentos e as

cepção.

A

como

instrumentos essenciaes da não renunciamos a esta conmocidade de hoje deve repellil-a. Há

guerras eventuaes civilização

humana

e

pouco desencadeou-se sobre o mundo a mais horrível e devastadora das guerras de que há memoria


187

não arranca essa ideia do coraA Europa tanto se embriagou de

e a juventude actual

ção da civilização.

armamento que por fim chegou ao mens* de 1914, e hoje está briagar de

novo.

em

A Europa

'delirium

tre-

vésperas de se em-

está,

neste momento,

mais armada que nunca» (Lloyd George, na sétima

Convenção

Internacional Christã).

Demónios. «A superstição hellenica attribuia a demónios malignos estas mesmas pragas de pesti-

fome» (Moífat). Os judeus e christãos consideravam as divindades pagãs como demólência, guerras e

nios.

ídolos de ouro.

.

.

Ainda se contende sobre

ilhas,

jazidas petroliferas, reparações de guerra, concessões

commerciaes,

assentos

no Conselho da Liga das

Nações.

Nem podem etc).

ver

.

.

.E' ã tradicional descri pção

(vide Deut. 4:28,

Ídolos

O

Ps.

115:4-7, Dan.

dos 5:23

materialismo sempre nos tornará a arrastar

para a guerra. Somente quando levantarmos os olhos d'estes idolos mortos para o

Deus

vivo,

seremos ca-

pazes de viver no alto plano do espirito

em

que,

quanto mais tivermos, tanto mais desejaremos repartir

com

os outros.

O mundo

material então não mais

nos possuirá, mas nós dominaremos sobre

elle.

«E'

contra o mundanismo, onde quer que se encontre, idolatrias

que o verdadeiro

de qualquer espécie,

génio do Christianismo peleja.

.

.

A

cobiça, a vera

essência do mundanismo, é chamada duas vezes por S.

Paulo

idolatria

(Col.

3:5 e Eph. 5:5)...

Éo


188

ambiente de crescimento do peccado que o Psalmista notou,

quando os homens perdem o santo

aborrecimento pela iniquidade (Ps. 36:4). Para os taes,

o arrependimento está-se tornando impossivel

(Carpenter).

21

Seus homicídios.

No

guerra Europea, fallava-se

principio,

em

depois

da

enforcar o Kaiser.

que desistiram pela mesma razão que os ãccusadores da adultera deixaram-na sem castigo, quando Jesus os autorisou a apedrejal-a? (João

Será

8:1-11). Feitiçarias... foi

«Immoralidade de toda a espécie

a consequência natural do culto demoníaco e da

idolatria» (Charles).


CAPITULO X

O Anjo Poderoso e o Livrinho (Parenthese entre a sexta e a sétima trombeta)

A

sétima trombeta, semelhante ao sétimo sello, é

precedida por

uma

visão intermediaria.

antes de alcançar o fim da serie,

estamos no limiar do desenlace Aqui,

como no caso dos

No momento

quando parece que

final,

uma

pausa.

sellos, a visão é dupla. Lá,

interrompeu-se o terrível drama dos effeitos do mal sobre os malfeitores para sellar os servos de Deus; aqui,

um

anjo dá ao Vidente

um

livro e representa-se

o episodio das duas testemunhas.

Na

terceira serie,

a acção não se interrompe mas, com passo accelerado, marcha directamente para o fim. Há, porem, entre as trombetas e as taças um ter-

a das taças,

Abrange os capítulos Xll, e XIV. É o parenthese que precede a serie final, da mesma forma que os outros precedem, nas suas series, a praga final. Nas primeiras duas series parece que estamos a ver o fim, mas em cada caso enceta-se nova serie em movimento progressivamente intensificado. Isto tem sido a experiência também de aquelles que procuram, nos acontecimentos, signaes do fim do mundo. O effeito espiritual das catastrophes que seguiram as ceiro

parenthese

que

XIII

é

o

mais

longo.


190

seis primeiras trombetas foi nullo;

com

anjo

que appela á

o livro

consciência.

É

a «voz^de

um

agora apparece o intelligencia e á

suave silencio»

(I

Reis

que succede a tempestade, conferencias que succedem ás batalhas. Jehovah não estava no vento, no fogo ou no terramoto, mas na voz Elie falia. Que Elie nos dê ouvidos para ouvir e coraTalvez temos aqui a razão ções para entender porque não valia a pena registar a mensagem dos sete trovões. Os nossos problemas são espirituaes, disse Woodrow Wilson, e nunca se resolverão nos 19:12)

!

campos de

batalha.

O homem

sua essência e natureza as suas luctas para este

é espirito.

É

esta a

real. Elie precisa transferir

campo

afim de conseguir

uma

solução permanente. Isto é a âmago, a medulla, do ensino do Apocalypse. ficar

O mundo

material ha de

por completo subserviente ao

espirito.

Ver-

se-há que o reino da felicidade não se encontra na

mas no intimo do coração. É necessário que uma revolução no espirito, de maneira que o mundo de hoje seja substituído por uma nova terra e um novo céu. O homem é espirito e necessário é

matéria haja

que pelo

espirito

elle

peleje, e á

verdade se con-

sagre. 1.

Vi outro anjo. Este interrompe a acção dos

sete.

Forte.

Assim como o que procurou quem fosse (5:2), e o que annun-

digno de abrir o livro sellado ciou a

queda de Babylonia

Vestido de

(18:21).

uma nuvem. A

descripção da sua ma-


191

jestosa presença leva alguns a pensar que elle é o

mas quando Este apparece,

próprio Christo,

Quem

ramente indicado

é e parece

uma

é cla-

improvável que

como «um outro anjo forte», sendo assim collocado a par com os sete que tocavam as trombetas. Aqui, como em todo o livro, devemos tomar cuidado quanto á interpretação literal; assim Carpenter diz: «Devemos separar Elle

seja indicado por

phrase

dos nossos pensamentos a ideia de seres angélicos pessoaes. Taes seres Deus emprega, mas no mechanismo d'estas visões os anjos não são necessaria-

mente anjos, mais do que de qualquer maneira as são literalmente estrellas são anjos typicos, representativos. Assim falíamos no Anjo da Paz, ou o Anjo da Guerra; assim temos os Anjos do Tempo, da Morte, da Vida, como no Apocalypse. O anjo aqui, posto que não represente a Christo-Mesmo, estrellas

vem com

:

as evidencias do poder de Christo... a

chave do abysmo

foi

entregue á estrella cahida, e as

hostes dos gafanhotos foram conduzidas pelo anjo

do abysmo.

Como

resposta a isso

vem

este anjo

trazendo os testemunhos do poder de Christo.

nuvem sempre

.

.

A

symbolo da presença divina (Ex.

é

13:21, Ezek. 1:4, Mat. 17:5, Act. 1:9).

«O o

arco-iris.

Não um

arco-iris, a insígnia

dor da sua cabeça

;

arco-iris,

como em 4

do pacto de amor,

:

3,

mas

reluzia ao re-

seu rosto, qual o de Moysés, tinha

colhido a indizível luz, a luz semelhante ao sol da

presença de Christo (1:16) e seus pés eram semelhantes a columnas de fogo, para pisar a terra, for-


192

tes

O

na força de purificação e juizo.

seu rosto

que o mensageiro de Deus não pode estar triste. «Quão formosos são os pés dos que annunciam coisas boas»! (Rom. 10:15).

brilhante lembra-nos

2. Livrinho.

A

sua missão é entregar este livrinho.

Parece função singela demais para rioso.

Com

um

ser tão glo-

certeza a importância do livro não se in-

dica pelo tamanho. Indivíduos e nações teem querido dominar a terra e o mar pelas frotas armadas e os exércitos disciplinados, mas este anjo, sem armas

nem armadura, subjuga ricos,

um

terra e

mar porque vem mu-

«Em

todo o império romano,

sábios e 'poderosos

como eram muitos dos

nido de

livrinho.

governavam — duvido

homens que o

uma pessoa sequer com

que houvesse

discernimento sufficiente

para comprehender, nesse tempo, que

um Livro trans-

formaria a história. Quanto ao livro, não ha segredo. E*

um

.

Livro que permanece aberto aos olhos de

todos. E'

um

Livro que não está sellado

rentado,

mas livremente

guas, e

em

vertido

nem

acor-

para todas as

edições baratas para

qualquer

lín-

leitor,

por mais pobre que seja... Seu papel é tão fino

(em nossos dias, que não nos dias de João) que se pode trazer no bolso. Ainda o Canon das Escripturas não fôra decidido quando João escreveu, mas agora temos o simples facto que o seu sonho já se realisou. O antídoto da guerra, do odio e do vicio é

um

Livro

— a Biblia

repudia-la.

.

.

Com

prehendia que

é

uma

realidade, e é impossível

perspicácia prodigiosa João

com-

o anjo ou mensageiro que leva o


m livro,

ainda que pequeno, precisa elle

«forte».

A

mesmo

de ser

distribuição das Escripturas, a sua liber-

tação de peias ecclesiasticas e politicas, sempre tem sido tarefa tremenda. Naquelle forte mensageiro de

boa vontade, vemos o erudito estudando aturadamente ve;lhos manuscriptos o traductor formulando a grammatica da lingua de alguma tribu selvagem o colportor conduzindo o seu animal carregado nos caminhos montuosos da Hespanha o

adolescente collocando os seus

da Sociedade Biblica sagradas santas.

—o

—o

archeologo

artista

que

tostões

na

caixa

que pinta scenas

desenterra

cidades

Aquelle anjo forte é qualquer pessoa

em

qualquer logar que, por qualquer methodo ou forma dá a Biblia, ou explica a Biblia, ou vive a Biblia, entre aquelles com quem trabalha. Este anjo não tinha azas como tinha o anjo da misericórdia, que bradou 'Ai, Ai, Ai O anjo com a Biblia tinha pés firmemente plantados no mundo onde nós realmente vivemos. Elle não era um mero emocionalista voando acima das nuvens, mas um ajudante practico de homens e mulheres opprimidos» (Wilson). No Apocalypse temos tres livros, um Sellado (5:1) que contem os problemas da nossa existência e que foi aberto pelo Cordeiro este livro revelador, trazendo o seu doce-amargo; e o livro da vida (20:12) o livro da nossa conducta, a nossa interpretação practica da verdade ao nosso dispor. Pé direito sobre o mar. A sua posição indica a universalidade da sua missão ou poder, industria

;

.

.

13


e

commercio, judeu e gentio, missões nacionaes e A altitude d'elle é de «um conquis-

estrangeiras.

.

.

tador que toma posse do

mundo

todo.

Ha um po-

der, portanto,

por meio do qual a Egreja de Deus

e os filhos de

Deus podem possuir a

terra.

Não

é

um

poder de orgulho ou mundanismo. As veras armas não são carnaes a espada do espirito é a Palavra de Deus, e os mansos (mansos para serem :

ensinados, e mansos na vida)

possuirão a terra»

(Carpenter). 3.

Grande

voz.

Actualmente as vozes do scep-

emmudecem

ticismo e do atheismo

tratados secretos, a burla dos

concorrência feroz de Nietzsche

;

a affronta dos

«superhomens», .

.

.

a

calam-se, e ou-

vimos uma voz differente. suave e ao mesmo tempo grande, pois reverbera em cada cellula da alma e echoa como sete trovões. Por um, breve espaço de tempo Woodrow Wilson parecia fazer o papel d'este anjo.

«Elie

desenvolveu uma concepção das

relações internacionaes que veio lho,

como

a esperança de

um

como um evange-

muiído melhor, a todo

Accordos secretos haviam de cessar, 'nações' haviam de determinar os seus próprios destinos, aggressões militaristas haviam de suspender-se, os caminhos do mar haviam de ser o hemispherio

oriental.

humanidade. Estas ideias vulgado pensamento americano, estes desejos secre-

livres para toda a

res

tos de todo

o

homem

de juizo, vieram como

uma

grande luz sobre as trevas da ira e do conflicto na Europa» (Wells, The Outline of History, II, p. 545).


195

Os

«Os judeus tinham o costume

sete trovões.

de chamar ao trovão ral-o

como

'as sete vozes*

e de

a voz do Senhor» (Plummer).

conside-

«Em

todas

em que trovões formam uma premo-

as outras passagens introductorias

se

ouvem (8:5,

19, 16

:

ira divina

;

11

ção de juizos da

:

18)

é esta provavelmente a

sua significação aqui» (Beckwith).

«A humanidade pode ouvir o trovão somente Deus abriu podem ouvir a ;

aquelles cujos ouvidos

mensagens inspiradoras que trazem. AsO povo alguns pensaram que um anjo disse que trovejava fallou mas havia palavras articuladas que elle ouviu; elle, que veio fazer a vontade de Deus, em

falia

sim

e as

foi

durante a vida de nosso Senhor. ;

;

cujo coração estava a

lei

de Deus

;

e a elle aquella

voz semelhante ao trovão prometteu glorificar o seu nome. Ouvidos moucos ha que ouvem o trovão mas nunca ouvem a voz de Deus olhos embaciados ha que não vêem vestígio algum do Architecto divino em toda a natureza, ainda que ;

A

terra está repleta de

Os

Deus

commum com

cada sarça

elle a arder está.

trovões não haviam de ser escriptos

para aquelles que teem ouvidos para ouvir».

de coração entendido

gem dos

ler a historia

;

eram

Quem

recebe a mensa-

trovões.

4. Sella.

O

não contar importa em

Dan. 12:4, Act.

1

sellar (cf.

:7 e Apoc. 22: 10). Paulo ouviu


cousas que não era

contar

licito

Cor. 12:4). Pa-

(II

que João pretendia accrescentar ás series dos

rece

sellos,

das trombetas e das taças,

a dos sete trovões,

mas

uma

quarta serie,

entendendo que

desistiu,

era contra a vontade divina. Daniel já havia escripto

o que

mandado

foi

sellar.

João simplesmente não

escreveu. 5.

Levantou a dextra...

solemnemente

Jurou

pelo eterno Creador. Este «certamente cumprirá o eterno

intuito

que teve ao

O

o mundo».

crear

gesto era habitual ao jurar-se (Gen. 14:22, Dan.

12:7 Deut. 32:40). 6.

Não

tempo não

haveria

mais demora. Literalmente, o Ao tocar-se a sétima trom-

existirá mais.

beta, o mysterio de

Deus se cumprirá. «Como

nir aquelle mysterio, eu,

defi-

por emquanto, não indago,

mas seu cumprimento ou acabamento quer dizer final e completa uma liquidação já muito adiada entre a sociedade humana e Jesus Christo. D'este ponto em diante, cada syllaba do Apocalypse defronta os rebeldes com seu Soberano

uma comprehensão

Senhor» (Wilson). 7.

O

mysterio de Deus.

«Com

frequência se faz

no N. T. referencia a um plano ou

intuito

de Deus,

escondido por um certo tempo, ou apenas parcialmente revelado, mas eventualmente manifestando-se por completo; a salvação S.

em

em

especial, o intento de

Christo, v. g.

Rom. 16

:

25,

Deus para 1

Cor. 2

:

7.

Paulo applica a palavra á incorporação dos gen-

tios

no povo de Deus (Eph. 3

:

4).

Em

nossa pas-


197

sagem

grande intento unfco que inclue todos os

é o

demais, a plena salvação dos santos no reino aperfeiçoado» (Beclíwith).

Segundo elle annunciou. Este mysterio, Deus o tem progressivamente revelado atravez dos séculos. S. Paulo também menciona o mysterio em connexão

com

a ultima trombeta

8.

A

voz.

A mesma

(I

Cor. 15:51-52).

que mandou

de que os sete trovões fallaram.

cousas segunda phase

sellar as

A

da visão começa.

Toma

A mesma 9.

o

livro.

Voluntariamente recebe-o para

figura se encontra

Come 'O.

Um

livro

em

tão

si.

Ezek. 2:9 a 3:3.

importante não pôde

ser recebido superficialmente. Precisa ser mastigado,

digerido e assimilado, tornar-se

uma

nismo, de maneira que a vida sejam rio natural

a Christo,

A

ideia

parte

do orga-

um commenta-

do conteúdo. Assim havemos de receber

— comer a sua carne, que

de

effeitos

beber o seu sangue.

espirituais

procedem do

No Paraiso comeram do bem e do mal; Jere-

comer, é frequente na Biblia.

da arvore do conhecimento

mias comeu as palavras de Jehovah e eram-lhe gozo

no coração (Jer. 15:16). Também entendemos que da Santa Ceia provêem bênçãos espirituaes. e alegria

E havemos

de comer do fructo da arvore da vida

(vide 22:14).

Amargor.

O

anjo,

antes de mencionar o gosto

agradável, avisa o Vidente do effeito desagradável

da ingestão do livrinho assim Jesus avisava aos que 0 desejavam seguir (Mat. 16:24, Luc. 14:28 etc). A or;


198

dem que João dá aos termos: doce.

.

.

amargo, é a

da sua experiência. Diz Origenes: «Mui doce é este das Escripturas quando se encara no principio,

livro

é amargo para a consciência interna». Quanto á sua forma e qualidade literárias, a Palavra de Deus encanta ao leitor criterioso, todavia a sua intransigência para com o peccado torna desagradável a sua assimilação. A referencia pôde estender se também á commissão de João. «A doçura exprime o prazer e promptidão com que elle recebe a sua commissão, e o amargor symbolisa a tristeza que o possue quando a natureza da mensagem penetra no seu espirito» (Plummer) Moysés sentiu este amargor quando disse «Senhor, porque trataste mal a este povo? Porque me mandaste?» (Ex. 5:22). O amargor também apparece na experiência das duas testemunhas do cap. 11. 11. Cumpre que ainda prophetizes. Quem assimila a verdade não pôde ficar calado. Do seu intimo hão de manar as aguas da vida. Saulo de Tarso

mas

:

transformou-se

em uma

força internacional e secular

quando acceitou a verdade. «Ai de mim se eu não evangelizar»

Muitos povos

.

.

.

Mais uma vez o autor usa o

numero quatro para indicar a universalidade, da missão do Vidente,

(cf.

Act. 9:15).

— aqui,


CAPITULO

As Duas

XI

Testemunhas e a Sétima trombeta

A visão das duas testemunhas é a segunda parte do parenthese entre a sexta e a sétima trombetas. Depois de comer o livrinho o Vidente é mandado medir o sanctuario, o altar e os que nelle adoram. D'ahi surgem duas testemunhas que prophetizam, com poderes milagrosos semelhantes aos de Moysés e Elias, mas são mortos e, depois de tres dias, sobem ao céu. Um terramoto destroe a decima parte da cidade e os sobreviventes, aterrorizados, dão gloria a Deus. Mede, Esta acção na Biblia significa tres cousas: que o objecto medido vae ser: a) destruído 1

(II

.

Reis 21:13,

40:2

e

seq.

Isa.

34:11 etc); 6) reedificado (Ezek.

Zach.

2:2-8

etc.)

ou

c)

preservado

Sam

8:2). Aqui é claro que tem a ultima significação. «O medir, semelhante ao sellar, no cap. 7, quer dizer a preservação dos fieis, não de mal phy(II

sico,

mas sim dos

assaltos espirituaes do Antichristo»

(Charles).

O

sanctuario.

A

palavra grega indica a parte in-

do templo, a parte mais sagrada, incluindo o logar santo e o santíssimo. A data em que entende-

terior

mos

ter

sido escripto o livro, o templo

em

Jerusa-


200

lem

já fora destruido;

em

todo o caso os christãos

não consideravam o templo de especial significação, e é provável que muitos tivessem assumido, para

com

elle

e

as suas cerimonias, attitude

um

semelhante á dos protestantes para com

tanto

as ima-

quando

deixam a egreja Romana, (cf. Gal. Por outro lado, porém, Jerusalém representava Israel, e este, o próprio povo de Deus na nova dispensação. E a ideia é completamente espiritualizada por Paulo: «Nós somos um sanctuario do Deus vivo» (II Cor. 6:16. cf. Eph. 2:19 sq., Ped. 2:5 e Apoc. 3:12). Portanto, medir este sanctuario assignalar os que pertencem a Deus. quer dizer O autor não dá as dimensões nem sequer diz que realmente mediu o templo. «O não corresponder ao padrão de Deus ou não

gens,

5:6

4:9,

etc).

I

bem da sua prova, os homens, mas quando

sahir

significa calamidade para

Elle abalisa suas capaci-

dades e necessidades, ao estar-se em perigo, isso implica protecção» (Moffat).

05 que nome.

O

nelle

adoram, Elle conhece os Seus pelo

individuo não se perde na collectividade.

Cada um recebe o «sello». O medir é a preservação da verdadeira e invisível egreja, a egreja dentro da o Temegreja; e tudo o que é necessário ao culto

plo, o altar

e os adoradores

— todos são preservados»

(Carpenter). Christo distinguia entre os que sincera-

mente

O

seguiam

e os

que cumpriam formas exte-

riores (Mat. 7:21). 2.

O

átrio.

Representa os que

comçm

e

bebem


201

na presença do Senhor (Luc. 13:26) oblações vãs Deixa-o,

— que

trazem

(Isa. 1:13).

A

expressão grega quer dizer, «lança-o

para fóra». Semelhantes ao joio (Mat. 13:30) haviam

de ser expulsos.

Não

o meças,

É

rejeitado,

e

portanto não pre-

cisa entrar na conta.

Gentios.

São os do mundo, que não pertencem

ao povo de Deus

(cf.

Luc. 21:24).

Pisar debaixo dos pés. Entrar e tomar conta,

como um

exercito invasor

dos habitantes.

Uma

que despreza os

para os judeus motivo da maior tristeza.

das cousas santas,

direitos

invasão da cidade santa era

quando o poder

poder mundano nos homens,

pisa,

ao

É

o pisar

bestial,

ou o

modo dos

sui-

nos, as pérolas da graça debaixo dos pés e se vira

ferozmente contra aquelles que lhas deram. Tal deve ser a experiência da Egreja de Christo.

O

sanctuario

estará seguro, mas o espirito das nações, embora nominalmente christão, será o espirito dos gentios,

de mundanismo e

Quarenta

mesmo de

e dois mezes.

violência» (Carpenter).

Este é o «período con-

vencional apocalyptico da dominação do mal que pre-

cede o fim» o qual encontramos primeiro (7:25 e 12:7) pois os commentadores

em

em

Daniel

geral pen-

sam que a palavra «tempo» significa anno e «tempos», dois annos. É mencionado cinco vezes no Apocalypse anno,

dos

12:6,

3 V2

(11:2, 11:3,

12:14 e

anno5 mas

onde se calcula 360 dias ao Não se sabe a origem

13:5).

«é o

tçmpo durante o qual

\


202

O Antichristo reina» (Charles). E*

um

periodo incerto

poderemos deque o reino e o dominio do mal são para um breve espaço apenas. Entretanto Christo reinará pelos séculos dos séculos. Darei. Deus mandará em commissão. Ás minhas duas testemunhas. O artigo definido indica que são pessoas ou entidades conhecidas, mas tem havido muita discussão quanto á sua identidade. Os seus poderes e assumpção suggerem immediatamente Moysés e Elias. Representam respectivamente a lei e os prophetas e ambos appareceram no monte da transfiguração. Peake pensa que representam os poderes civil e ecclesiastico. e quebrado, cujo principio e fim não

terminar. Indica

Vestidas

de sacco. Este é o trajo do luto e do

É mencionado frequentemente em connexão com as prophecias condemnatorias (I Reis 20:31, Ezek. 7: 18, Jonas 3:6 etc.) João Baptista e

arrependimento.

outros prophetas, pelas vestiduras e maneira de vida

protestaram contra o luxo e a luxuria dos tempos.

A

sua missão era desagradável. Assim o Uvrinho de

10: 9 era amargo.

Mil e duzentos e sessenta dias. Vide nota sobre ver. 2. 4.

As duas

A

oliveiras.

A

visão lembra a de Zacha-

produz azeite que illumina a casa, alimenta o corpo, medica feridas, faz reluzir o rias cap. 4.

oliveira

rosto. Utilisava-se para ungir reis. É, portanto, bel-

lissima figura da verdade de Deus. e a prophecia, enraizadaç

As

oliveiras, a lei

no seio do fértil solo do amor


4

203

divino,

produzem o tão

util

azeite espiritual.

A

oli-

veira symbolizava a prosperidade e as bênçãos divinas.

Estes são os que «assistem junto ao Senhor».

Dois candieiros. Taes homens illuminam a nossa «Vós sois a luz do mundo». No meio dos candieiros anda o próprio Christo. «A lei é uma existência.

luz» (Prov. 6

:

23).

Da

sua bocca sahirá fogo. «Converterei em fogo as minhas palavras na tua bocca, e em lenha 5.

povo, e aquelle os devorará»

este

(Jer.

alguns a verdade convence, aos demais na.

A

O

A

condem-

verdade é adamantina. «Todo o que cahir sobre

esta pedra ficará

quem

ella

5:14).

em pedaços; mas

ella cahir, será

aquelle sobre

reduzido a pó» (Luc. 20: 18).

como figura da forma final da punique sobrevem á rejeição da graça de Deus. (Apoc. 20: 15). 6. Fechar o céu. Elias assim fez, e também chamou fogo do céu. Converter as aguas em sangue. Assim como na primeira praga no Egypto. A rejeição da verdade traz as suas penalidades neste mundo, bem como no mundo vindouro. Devido ao peccado soffremos toda a sorte de pragas. «O mundo que lança fóra as suas palavras, verá que ellas voltam com ardente poder; da mesma forma que o sopro de Deus dá ao mundo vida e belleza e poder aos corações e ás vidas dos homens (Ps. 104 30, João 20 22), com aquelle mesfogo é usado

ção

:

mo

:

sopro de Seus lábios matará ao perverso

11:4)..,

(Isa.

devemos lembrar que o próprio poder da vçr-


204

dade é tal que, quando rejeitada, pode, e de facto assim faz, vingar-se a si própria pelo fechar o céu

em cima da nossa^abeça,

e pelo tornar todos os límpi-

dos arroios dos mais puros prazeres da vida tão nojentos como sangue, ao coração sensualizado e pervertido» (Carpenter).

7. Quando tiverem acabado.., O Senhor resguarda os Seus, conservando-lhes vida e forças até cumprirem a sua missão.

A

besta. «Esta besta se

encontrará

também nos

capítulos treze é desasete, onde veremos que

poder concentrado de um mundo material e em sua opposição a um mundo espiritual e

«A besta de Dan. 7 7

é

o

visível invisí-

abominação da desolação' predicta pelo propheta Daniel

vel» (Milligan).

(Mat.

:

24:15), tinha-se tornado

uma

seq.

'a

representação

conhecida do Antichristo» (Beckwith).

Sobe do abysmo. E' esta a sua. morada. Christo O domínio da besta por espaço breve. Vencerá e os matará. Mas somente no sentido em

resurgiu para reinar eternamente. é

que Christo foi morto. A religião christã foi rejeitada na Rússia e na França. Frequentemente a Bíblia tem sido declarada antiquada e sem valor para os tempos modernos. «Os homens podem fazer calar, podem vencer, podem matar testemunhas de uma vida superior,

toria

mais pura, mais nobre. Assim teem

do

mundo

é

frequentemente

a

feito.

A

historia

his-

do

adiamento do progresso moral e social durante séculos, devido á feroz

erupção de algum espirito bruto