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4''


5^/2-32, LIBRARY

OF

THE

SEMINARY

THEOLOGICAL

PRINCETON,

N.

J.

PRESENTED BY

The Author.

DizisiorL..^\..L.

Section.

^

^


o APOCALYPSE Uma

interpretação do Século

XX


o APOCALYPSE Uma

interpretação do século XX^f^^J^^

POR

HARRY PRESTON MIDKÍFF, Revisão

e

prefácio do Pastor

Todos os

M.

EDUARDO MREIRA

direitos reservados

1930

LIVRARIA EVANGÉLICA Rua das Janelas Verdes,

LISBOA

A., B. D.

28,

30 e 32


e impresso na Marianos - Janelas

Composto Imprensa Limitada

—

V


SIĂ?

minha querida esposa, SĂ­nnie,

e

a meus dilectos

e

^aroldy dedico

balho-

filhos, Carl,

este

^ean

modesto

tra-


Agradecimento Justo é registar aqui a minha gratidão ao prezado amigo e

collega,

o distincto literato e orador evangélico rev.

Eduardo Moreira, peio seu valiosissimo auxilio na correcção do portuguez deste citados e

A

elle

também

livro,

na verificação dos textos biblicos

pelas sabias sugestões que delle recebi.

devo, outro-sim, o relevante serviço de obter editor

e attender ao serviço todo quanto á publicação do livro.


PREFÁCIO Quantas nobres

intelligencias

teem preten-

dido exhaurir o mySterio desse livro admirável a que Milton

chamou

tragedia altissima e im-

ponente, encerrando e mesclando as suas sce-

nas

com

o septulo coro das alleluias e a sym-

phonia das harpas

Um vel,

grande bispo catholico e orador inimitá-

como

foi

Bossuét

;

um famoso

pastor pro-

como foi Jumas universal,

testante, seu celebre adversário,

rieu

;

como

um

sábio,

foi

não

Newton;

homens procuraram

direi inglez

e tantos

outros illustres

perscrutar o mysterio

do

Apocalyse, desde Victorino, o bispo de Pettau, até Filippe

Mauro. E, sem duvida, de todos os

estudos feitos

com

sinceridade humilde, tirou o

pensamento christão utilidade, apesar-de varias escolas se chocarem na sua interpretação. Mas quanto ha para dizer, visto que o mysterio persiste e a sua interpretação c cyclica e ideal


Voltaire isso,

ao

não percebeu ou não quiz perceber

ridicularizar alguns

commentaristas da

e, comtudo, essa grande verdade fora já entrevista pelo génio de Bacon. Recentemente a escola idealista ou espiritual

escola histórica,

ensina

com

clareza

como em todo o elemento

prophetico, o qual constitue a

um tempo

a

uma interprecomo ha uma revelação

trama e a urdidura da Bíblia, ha tação progressiva

progressiva; e o cumprimento da prophecia realisa-se através

dos séculos

dum modo

ger-

minativo e crescente, no dizer de Bacon. Erra a Egreja se esquece ou desdenha o es-

tudo deste radas

livro cheio

lições.

O

de maravilhosas e inspi-

Apocalypse

é,

como

se sabe, o

desenvolvimento da antiga prophecia pelo me-

thodo

litterario

de Daniel e de parte de Eze-

quiel e de Zacarias.

disse

do

livro

E

o que

de Daniel, que

sir

Isaac

rejeita-lo

Newton

o

mesmo


XI

era que rejeitar a religião christã, dito

bem pode ser

do Apocalypse também.

Se toda a prophecia tem para nós especial importância, o que se ha de dizer do livromestre da prophecia biblica?

Numa

do pensamento humano como é esta nossa, tem o Apocalypse um particular valor, como luz que se vislumbra no negrume da geral angustia. Sêde epocha de

crise social e

de paz e sobresaltos de guerra revoltas e con;

tra-revoltas politicas, religiosas e lutas

económicas

de raças e de confissões e campanhas de

unificação de credos e de federação de povos

proclamações mais ou menos estrondosas dos direitos

dos fracos, a-par-de

manhoso de

um

tráfegos infames

;

alastramento

tudo são sym-

ptomas da tremenda crise. As almas que sentem a angustia do dia-de-hoje, como não vislumbrarão com enorme gozo essa luz


xn

Quer o commentador

trazer

mais perto de

nós o pharol da prophecia, e abrir-nos os olhos para as suas bellezas e fulgores.

Bemvindo

seja o seu trabalho

É a litteratura evangélica portugueza escassa em commentarios e do livro que fecha o Novo Testamento nada se tem publicado em Portugal, existindo no Brasil somente um ou dois ;

trabalhos, ou de feição popular ou de alvo restrito.

com satisfação uma «uma visão actual de

Será, pois, recebida

obra onde se delineia Christo

em

relação

com

os problemas que hoje

nos defrontam». Estas palavras do Autor dão

uma

do seu plano, inteiramente novo para nós, e no qual se soccorreu de Carpenter, Charles, Alford, Plummer, Farrar, Harold, Scott, ideia

Gardiner, Ramsay, Trench, Beckwith, Milligan,

Quinness, Peake, Bengel, Speer c principal-

mente de

P.

Whitwell Wilson.

Mas

o encanto


xin

maior do

quanto a mim, na maneira

livro está,

cheia de interesse e de utilidade

como

se faz

aplicação das verdades eternas da Visão no cyclo histórico que até

vamos atravessando, indo

ao pacto Briand-Kellog e aos successos

hodiernos da Palestina.

^

E

agora,

leitor,

^

^

deixa-me dizer-te

:

antes de

do tratado que o gentil espirito do dr. Midkiff nos offerece, meditemos na grande verdade proclamada por Gaebelein, que é impossível um estudo aturado e proficuo da prophecia se não vivemos libertos do mundo, no verdadeiro gozo da communhão encetarmos a

leitura

com Deus. E, ao mesmo tempo, esforcemonos, em oração e anseio, por constatar que esse estudo aturado e piedoso produzirá o gozo e a libertação

que almejamos.


IMTRO.DUÇÃO Até ha uns oito annos o Apocalypse era para mim, na sua mor parte, um livro quasi desconhecido. Conhecia eu alguns trechos, é certo gostava das suas empolgantes promessas e do espirito de ternura, amor e protecção divinas que suas paginas inspiradas exhalavam. Alimentava o meu espirito com a gloriosa esperança alli delineada, mas as suas visões eram para mim um enigma e a confusão que me parecia reinar sobre a questão do Millenio afugentava-me para terreno mais seguro nos ;

meus humildes esforços por

interpretar a Palavra

Divina.

Mas

We

a leitura de ''The Vision

Forget„, po-

pular livro de P. Whitwell Wilson, sobre o Apoca-

deu-me uma chave

desde então tenho-me dedicado tanto quanto possivel ao estudo das visões de João. Tempo não tive, nem capacidade, de fazer um

lypse,

estudo profundo,

como

e

desejava.

Tenho-me

esfor-

porém, por tirar algumas das lições mais obvias do livro que parece ser, pelo assumpto de çado,

que

trata,

o mais importante que possuímos. Ahi se

delineia para nós o Christo actual

em

relação

com

os problemas que hoje nos defrontam. As Escrip-


*

le

turas não

devem

ser

nem

quebradas,

truncadas.

Quando, porém, systematicamente negligenciamos livros da Biblia, é isto essencialmente o que então fazemos. Diz o autor do Apocalypse, «Bemaventurado o que lê e bemaventurados os que ouvem as palavras desta prophecia e guardam as cousas que nella estão escriptas». Apesar desta recommendação especial, quantos de nós não temos deixado de lado este livro? A minha humilde esperança é conseguir que mais dos nossos o leiam com attenção e assim colham as bênçãos promettidas. Gostamos de ler as historias encantadoras do nascimento de Jesus, da sua infância perfeita, do seu incomparável ministério da palavra e da sua obra amabilissima, da sua consagração até a morte e morte de cruz, e da sua gloriosa Victoria sobre o mal e a morte. Ora à sua ressurreição

seguiram-se varias

apparições e promessas que animaram os discípulos

na resolução de tudo abandonarem para prégar o Principalmente

Evangelho.

entre

estas

promessas

está a da sua presença continua: «Eis que eu estou

comvosco todos os dias

até o fim

do mundo» (Mat.

28:20).

Devido

a

negligenciarmos o Apocalypse, a nossa-

consciência da presença de Christo está muito

aquém do que

em nossa

desejaríamos.

vida

O

segredo a vista que

da transformação da vida de Saulo foi elle teve do sempre-presente Christo. Cônscio desta presença em poder, lançou elle um repto ao mundo do mundo ine mesmo aos poderes destes ares,


17

visível.

«Tudo posso»,

fortalece».

Parece que

me

«por Aquelle que

dizia,

a principal falta da egreja

hoje é a falta da consciência da presença de seu

Senhor e Mestre. O passado tem um certo encanto para nossos olhos. Gostamos de viver com os heroes de outr'ora. O presente, porem, com seus problemas e deveres exige a nossa attenção, um tanto recalcitrante. «Oh!

pensamos nós», se tivesse dar léa,

com

tido o privilegio

de an-

aquella magnética Personalidade da Gali-

a minha vida seria

bem

differente

!».

Até dos

esquecemos ao olharmos o passado. Ha pessoas que contemplam o crucifixo durante horas e nunca enxergam a Presença poderosa que ao seu lado diz «Pedi e dar-se-vos-á» Mas ha ainda mais uma cousa que necessitamos de privilégios de hoje nos

. .

:

cultivar,

—é

a

capacidade

de

visionar

o futuro.

Muita cousa no passado foi boa, mas o futuro devenos apresentar cousas melhores. Contamos aos nossos filhos os «Era uma vez* e esquecemo-nos de lhes antepor os «Haverá algum dia» dos sonhos e

das visões arrebatadoras da nova

em nosso

tadas

era, architec-

espirito e especialmente nas paginas

O vidente João nha génio especial para taes inspiradas visões. inspiradas do Livro dos livros.

Como

recebeu João a mensagem do

ti-

livro ?

Ha quem entenda que o livro é uma serie de como as de Dante ou de Bunyan em outras palavras, a visão é simplesmente visões imaginarias, ;

2


18

a forma literária que o autor adoptou.

É

claro que

João escreveu com intuito intensamente serio, em tempos muito afflitivos. Ao ler o livro temos a impressão de que o autor passára por

uma experiên-

empolgantíssima; cahiu como morto ao ver-se

cia

na presença de Christo glorificado (1:17); chorou

immenso ao contemplar o rolo do enigma humano sem haver quem o abrisse (5:4); prostrou-se aos pés do mensageiro para o adorar (19:10 e 20:8), Entendeu elle que escrevia as verdadeiras palavras de Deus (19:9). O problema da objectividade ou subjectividade das visões deixamo-lo para os psy-

chologos. e

as

O

que elle as viu de alguma forma conforme entendeu que recebera

facto é

registrou

mandamento do Senhor. E nossa.

Quem tem

ahi estão para edificação

capacidade,

leia,

quem tem

ouvi-

dos ouça, quem tem entendimento guarde as cousas escriptas e será abençoado.

O ficou

espirito de

João inundou-se com a divindade,

«intoxicado por Deus». Paulo achou

contar o

illicito

que ouviu no terceiro céu; João revela

menos a mensagem dos sete trovões (10:4). «Onde não há visão o povo perece» e onde se revela uma visão da Divindade ahi encontramos uma fonte tudo,

de inestimáveis riquezas espirituaes. Sem esta visão, Milton jamais podia ter escrito o seu «Paraiso Perdido». Esta Visão é o climax das allegorias de BunyanCasada com a harmonia, soa nos coros de Hãndel e em antiphonas e hymnos innumeraveis. Casada

com

a cor, brilha gloriosamente nas telas de Ra-


19

phael, tores

de Miguel Angelo e duma multidão de pintambém. Rossetti, Burne-jo-

pre-raphaelitas

nes, Ruskin teem folgado nos explendores desvendados do ceu, na tétrica magnificência do inferno, da segunda morte e do lago de fogo. Sem a verdade não ha vida, por mais formidável que seja essa verdade, e se o Apocalypse tem feito o seu appello ás mentes-mestras da musica e da literatura, é porque as mentes-mestras somente são mestras quando teem a coragem de enfrentar tanto o peor como o

W.

melhor». (P.

As cousas

Wilson).

espirituaes são aprehendidas

espiri-

tualmente e nós somos notavelmente obtusos quanto ás cousas abstractas e metaphysicas.

Jesus

tinha

muita cousa a contar, que estava

alem do alcance dos Apóstolos e disse que o Espirito havia de as revelar. No Apocalypse é o Espirito que falia ás egrejas, conforme diz Jesus no fim de cada uma das sete cartas dictadas. Novas verdades e princípios geraes penetram no espirito

humano com

Os prophetas labutam por que sirvam de base no conhecido para a edificação das novas verdades, que veem do desconhecido. Jesus admirou-se da falta de comprehensão do povo, e, por belíssimas difficuldade.

achar figuras materiaes

parábolas e similes transmittia o seu ensino.

Mesmo

quando declarado em linguagem insophismavel, ás vezes o seu ensino calou no espirito dos Apóstolos somente depois de passar por experiências que lhes abriram

o

entendimento. Referimo-nos

particular-


20

mente á morte e ressurreição de Jesus e factos próximos d'esses. Quando o Infinito se vem despejar no finito, o vaso está em perigo de rebentar. O vidente difficiimente comprehende as suas visões. Nós não podemos subir ao céu, mas é o céu que desce a nós. Na sua perplexidade espiritual Job brada: «Poderás descobrir as cousas profundas de Deus? Poderás descobrir perfeitamente o Todo-poderoso?

Como

as alturas do céu, é a sua sabedoria; que poderás

fazer? Mais profunda do que o Sheol; que poderás

saber?

a terra,

e

A

sua medida é mais comprida do que

mais larga do que o mar» (11:7-9).

Psalmista nos dá a formula

que eu sou Deus»

:

O

«Aquietae-vos e sabei

Assim João não escalou o céu, mas passivamente, «estava no espirito» e as (46:10).

brizas celestes vibraram

em sua alma

;

seu espirito es-

tava afinado pelo radio infinito e reverberou

com

a eterna musica; as janellas do coração estavam

Nova Jerusalém e propheticamxente Nova depois dos séculos de successivos e formidáveis recontros do bem com

abertas para a

previu o advento da Era

o mal. Talvez a nossa capacidade de comprehender estas visões augmentará mais se,

em vez de

pro-

curarmos o seu cumprimento definitivo em qualquer acontecimento no passado ou calcularmos datas futuras, nos assentamos

com João

e passiva-

mente deixamos estas figuras photographaram-se-nos no espirito e gravar em nosso intimo os princípios que incorporam, (cf. Cor. 2:10). I


21

Precisamos lembrar, comtudo, que as visões não para nós o mesmo valor que tiveram para

terão

João, a não ser que tenhamos na mente o

mesmo

sabstratum mental que João possuia. A verdade se lhe apresentava naturalmente nas formas e na lin-

guagem que

Taes formas nós as encontramos na literatura sacra do seu povo, os Judeus. Se o nosso espirito for embebido no Velho Testamento, será immensamente ajudado na comprehensão do Apocalypse, pois «o todo deste livro é um reflexo das visões propheticas do Velho Testamento.

.

.

lhe

eram

é cheio

familiares.

de referencias e allusões aos es-

Moysés

e dos prophetas, numerosos demais para se detalharem» {Oxford Helps, citado por P. W. Wilson).

criptos

No

de

entretanto João vae muito alem das prophe-

do Messias e o glorioso do povo de Deus. Assim como Jesus foi tão diverso, na sua vida, das expectativas dos Judeus, que o não reconheceram como Messias, assim também João espiritualisa as prophecias acerca do Reino Messiânico e é bem possível que, mesmo depois de dois millenios da progressiva vinda de Christo, ainda hoje não vejamos o extraordinário alcance deste Reino espiritual por causa da sua simcias antigas sobre o reino

futuro

Quando Elie se nos revelar plenamente na sua segunda vinda, é bem possível que a nossa surpreza e falta de preparo e comprehensão sejam tamanhas como as do seu povo, plicidade e intimidade.

quando em Belém nasceu, glorificando assim para


22

todo o sempre o lar quando lidou no seu banco transformando a industria e o comercio quando en;

;

como jamais

sinou, fallando

fallou qualquer

homem,

assim lançando os alicerces para a philosophia e a sciencia verdadeiras; quando serviu os necessitados, demonstrando insophismavelmente a missão

de nós todos. Que as janellas do nosso espirito sejam abertas continuamente para a Nova Jerusalém, para que a sua ineffavel luz inunde a alma e transfigure o espirito! «Os dias da possibilidade de ex.

.

ploração venturosa nas regiões longínquas não pas-

A fronteira de um mundo novo não está disNão é apenas a fronteira de um novo anno de tempo, mas a fronteira de uma nova vida de amor e de fidelidade e de sacrifício, uma vida que, de

saram. tante.

or'avante, prosseguirá para completar os soffrimentos de Christo,

opportunidade

que nos dias deste novo mundo de e

necessidade, dará

a

si

própria,

tudo que delia existe, tudo que Christo pôde collocar nella, no esforço para completar agora aquillo

que Jesus Christo, pela Sua vida

e

morte e res-

surreição, principiou» (R. E. Speer).

Deus tem revelado

a sua

pelas seguintes maneiras

:

mensagem aos homens

— fallando

directamente

como um homem falia a outro, como no caso de Adão, Moysés etc; 2.** por meio de sonhos, como no caso de

com

elles, e

a sua representação é

Salomão, Daniel, os Magos, etc; 3.^ por meio de extasis, como no caso de Ezekiel, Paulo eVc; 4." por meio de signais e actos symbolicos,

Jacob,


23

como no caso de Abrão (Gen. 15; 8-11) e dos soldados de Gedeão, no casamento de Hoseas, a escripta na parede para o rei Bielshazzar etc. 5.'' por meio de visões 6.° por meio de anjos 7.° pelo con;

;

tacto directo

;

com o seu

espirito.

João recebeu a mensagem que transcreveu no Apocalypse por todas estas maneiras, menos a de sonhos. tuario

Um

(11:

acto symbolico é a medição varias

1-2);

vezes

elle

do sanc-

ouviu vozes,

inclusivé a de Jesus, faliando; frequentemente

anjo apparece

como

pelo Espirito;

e,

guia e interprete

por

fim, a

;

foi

um

arrebatado

maior parte do livro des-

creve as suas visões.

Taes experiências não eram limitadas aos servos de Deus e ainda se reproduzem nos extasis do médium espiritista, etc. Quanto á sua validade, cita-

mos

Charles: «o Propheta e o vidente egualmente

tiveram sonhos, visões e extasis, e estas experiências psychicas

em

Israel distinguiam-se

das dos vi-

dentes pagãos, não pela sua realidade maior, pois

em

geral

eram egualmente reaes em ambos os casos,

mas por meio de um padrão bem

differente, isto é,

pela fonte de onde originaram, o meio

em que foram

produzidas, e a influencia que exerceram sobre a vontade e o caractet

.

A

todos estes respeitos o methodo

prophetico e o apocalyptico foram devidamente authenticados no V. T., piritismo de hoje rios

pontos de

bem como no

N. T.»

O

es-

deve ser examinado sob estes vá-

vista.

Já mencionámos a

difficuldade de exprimir as


24

experiências espirituaes e tornamos a citar Charles

cNo nosso

sobre este assumpto:

autor as visões

são de uma natureza elaborada e complicada, e quanto mais exaltada e intensa a experiência, mais incapaz se torna de ser descripta literalmente. Ain-

da mais, se cremos, como crê o escriptor actual, que atraz destas visões ha um verdadeiro siibstra-

tum de realidade pertencente ao mundo superior espiritual,

então o vidente poderia aprehender as

cousas vistas e ouvidas

em

taes visões, somente na

medida do seu equipamento para a poderes psychicos

e

tarefa,

por seus

pelo desenvolvimento espiri-

que já attingíra. Em outras palavras, elle podia, na melhor hypothese, apenas parcialmente aprehender a significação da visão celestial que lhe foi

tual

outorgada. Ás cousas vistas

foi

obrigado a ligar os

symbolos mais ou menos transformados que ellas naturalmente evocaram em sua mente, symbolos que elle devia á sua experiência quando accordado ou á tradição do passado; e os sons que ouviu naturalmente se vestiram nas formas literárias armazenadas na sua memoria. Assim o vidente labutou debaixo de duas incapacidades. Os seus poderes psychicos não tinham a capacidade de aprehender a plena significação da visão celestial, e os seus poderes de expressão frequentemente eram incapazes de expor as cousas que aprehendera.

«Na

tentativa de

descrever para os leitores o

que estava completamente alem do alcance do conhecimento e da experiência delles, o vidente cons-


25

mão do

tantemente lança

recurso de symbolos...

as imagens que usa são symbolos e não literaes ou

Deveras, o symboíismo

pictoraes.

em

relação a

taes assumptos é a única linguagem que o vidente e o leigo conjunctamente

podem empregar.

«Ha uma forma de experiência

.

espiritual

mais

alta que a de audição prophetica ou visão prophetica.

Nesta experiência superior o esclarecimento

divino ganha-se espiritual,

cia de

em que

si

num

estado de intensa exaltação

o eu perde a immediata consciên-

próprio

sem se

tornar inconsciente, e as

melhores faculdades da mente são avivadas para sua maior potencia. Neila a alma entra directo

com

que em

tal

em

contacto

a verdade ou o próprio Deus.

A

luz,

experiência elevada visita o espirito luta-

vem como uma graça, um conhecimento profundo da realidade, que a alma jamais poderia ter alcançado pelos seus poderes sem adjutorio, e todavia pode vir tão somente á alma que se preparou para a sua recepção. Em tal experiência, pode ser que o ouvido do vidente não ouça voz alguma, nem veja visão, no entretanto nisto mesmo a experiência espiritual chegou ao seu auge. Taes experiências sempre teem de ser alem do alcance de descripção literal. Podem apenas ser suggeridas por symbolos Ao mesmo tempo taes experiências espirituaes do vidente teem as suas analogias na do musico, do poeta, do pintor, do estudante erudito». Assim sendo, de certo teremos um tanto de liberdade na interpretação da literatura. Diz João Erskine «Os grandes livros são

dor,

.

:

.


26

aquelles que são capazes de reinterpretações. Isto

que aquillo que gozamos num livro pôde não ser o que o autor quiz exprimir. » Tal conceito suggere-nos a possibilidade de tirar para nós lições e suggestões que o próprio autor não signilíca,

naturalmente,

sonhou em exprimir. Parece que a literatura prophetica especialmente se adapta a tal methodo. O livro do Apocalypse adapta-se admiravelmente ás nossas

mas naturalmente o seu aue, quem nem comprehendeu que viria o dia em que o

circumstancias actuaes,

tor era incapaz de prever a guerra moderna,

sabe,

«livrinho» supplantaria exércitos e couraçados. Será que as visões não nos pertencem a nós, bem como a elle, de maneira que nos ajudam a interpretar a vida actual bem como ajudaram a egreja universal

de então?

Assim diz Beckwith com referencia ás prophedo V. T. «As prophecias dadas conteem somente o gérmen das grandes verdades que se desdobram lentamente atravez do futuro e que hão de alcançar a sua fruição somente na consummação do reino do Messias. Assim como em toda a prophecia, a eterna verdade é dada necessariamente decias

:

baixo de formas locaes e temporaes».

Entendemos que João teve varias visões na ilha de Patmos e que depois elle as descreveu organisando tudo numa forma literária de arte excepcional. Se elle acrescentou matéria obtida de outras fontes, introduzindo-a no meio das visões, pouco nos importa.

Na maior

parte, elle declara ter visto ou ouvi-


27

do,

mas ha secções, especialmente no

em que

elle

Modos de Os

interpretes

geraes; —

capitulo 12,

não parece ser testemunha pessoal.

1.''

interpretar o livro.

dividem-se

em

quatro classes

os preteristas, que entendem que os

principaes acontecimentos symbolisados se realisa-

ram na queda de Jerusalém 2.^ os futuristas, que sustentam que o cumprimento das profecias se realisará no futuro 3.*^ os históricos, que affirmam que ;

;

as visões se referem aos acontecimentos da historia até

ra se

ao presente e que

uma

parte ainda resta pa-

cumprir no futuro;

4.°

os que espiritualisam

as visões e entendem

que a sua referencia não é tanto a certos acontecimentos mas a grandes princípios que operam atravez dos séculos e se manifestam repetidamente Estes

modos de

em

eventos históricos.

não se ex-

interpretar o livro

cluem mutuamente. Os preteristas difíicilmente incluem o cumprimento todo no passado; os futuristas concedem que parte já se realisou Inclinamo-nos a pensar que seria melhor encarar o livro como representando princípios em vez de acontecimentos, pois assim evitamos as dificuldades que surgem quanto introduzimos o elemento do tempo. Quando nos movemos no mundo espiritual ou de ideias espirituaes, parece que o nosso modo de contemplar as cousas pelos moldes do tempo e do espaço não regula. Parece que o tempo não é simples.

.

.


28

mente um pedaço da eternidade mas algo differente sua natureza. O anjo em 10:6 disse que tempo não iiaveria mais. S. Pedro diz que um dia deante do Senhor é como mil annos, e mil annos como um

em

dia

(II

Ped. 3:8).

As expressões: «Cousas que cedo devem acontecer» (1:1), «o tempo está próximo» (1:3) e outras semelhantes, nos põem em duvida quando tomadas como referindo-se ao tempo como nós usualmente o entendemos. Persistentemente os discipulos indagavam de Jesus quando se havia de cumprir certas cousas e Elie sempre lhes afastava a attenção deste aspecto para os princípios eternos.

do Senhor

como

O

dia

não lhes competia a elles «saber os tempos ou as epochas... mas... sereis minhas testemunhas» (Act. 1:7-8). O ponto viria

ladrão,

de vista de Christo é a eternidade, mas a nós compete sermos fieis testemunhas no tempo que nos resta.

Talvez aqui encontraremos uma suggestão para em que parecemos chegar ao fim de cada vez, somente para voltar e iniciar nova serie.

a solução do problema das series de visões

«Não devemos procurar indicações de tempo nas visões do Apocalypse; e o que devia ter tornado isto

muito claro é o emprego de números propor-

cionaes para indicar as epochas propheticas no vro.

li-

Estes números, cuidadosamente seleccionados,

sempre relacionados entre si, e de tal maneira seleccionados que uma interpretação literal delles é quasi


29

que excluída, são sem duvida symbolicos, e assim estão em harmonia com o caracter total do livro. «A maior parte dos números no Apocalypse não se deve tomar arithmeticamente, mas indefinidamente, pois são parte da vestidura poética tomada de empréstimo do V. T.i (Davidson). A anciedade quanto aos «tempos e as epochas» tem levado muitos interpretes a volumosos erros, e tem creado um desassocego thessalonicense de espirito em muitos logares.

É

infinitamente mais importante notar os as-

pectos espirituaes do

livro,

os principios

maus

e

bons que se descrevem em conflicto e as feições que em epochas differentes o combate terá» (Carpenter). Todavia não devemos olvidar o facto que o livro sahiu de certas circumstancias, foi escripto para satisfazer as necessidades espirituaes de um dado tempo, embora os principios applicaveis então, se

appliquem universalmente e em qualquer epocha. Claro que, com o decorrer dos séculos, se vê cada vez melhor a sua applicação. «As prophecias de Deus são escriptas numa linguagem que pôde ser lida por mais de uma geração». Parece que o espaço também perde um tanto a sua significação no mundo espiritual. Paulo não sabia se estava no corpo ou fóra delle quando subiu ao terceiro céu, e João não distingue sempre nitidamente entre o céu e a terra. O espaço occupado pela cidade com as suas monstruosas dimensões não preoccupou o espirito de João, mas significava para elle apenas o caracter delia.


O

Objectivo do Vidente

<^0 objectivo

do Vidente

é proclamar a vinda

do

Reino de Deus á terra, e assegurar á Egreja Christã o triumpho final da bondade, não somente no individuo ou dentro de seus próprios limites, não so-

mente em todos os reinos do mundo relações uns

com

os outros,

o universo. Assim a seu evangelho cipio ao

mesmo tempo

foi

em

suas

desde o prinde corpora-

individualistico,

ção, nacional, internacional e cósmico. sete

e

mas também em todo

Emquanto as

egrejas representam o total da Christandade,

Roma

representa o poder deste mundo...

Entre

estas duas potencias não pode haver armistício ou transigência. Entre ellas o conflito tem de continuar

inexoravelmente,

mundo

sem

parar,

até

que o reino do

se torne o reino do Senhor e de seu Christo.

Este triumpho ha de se realisar na terra.

Não

haverá legislação, nem governo, nem negócios de estado que afinal não sejam postos em. sujeição á

vontade de Christo.

O

Apocalypse

vino Estatuto internacional,

é portanto

o Di-

bem como um manual

para a direcção pessoal de cada christão. Neste espirito de explendido

optimismo o Vidente defronta

o poder mundial de

Roma com

a sua pretensão

blasphema á supremacia sobre o espirito do homem. Elie, tão promptamente como qualquer dos mais pessimistas, reconhece o poder apparentemente esmagador do inimigo, mas não cruza os braços, como faz o pessimista,

em

apathia impotente,

nem

enfra-


31

a coragem de seus irmãos por lamentações

qiiece

e lagrimas ociosas.

Guiados pelo esclarecimento que

totalmente falta ao pessimista,

podemos reconhecer

o pleno horror dos males que ameaçam engolfar o

mundo

;

todavia o

vidente nunca cede ao

menor

pensamento de duvida da vitoria final da causa de terra. Elie saúda cada nova conquista feita pelo mal. triumphante, por meio de mais uma chamada de trombeta para maior fidelidade, mesmo quando esta fidelidade exige o supremo sacrifício. Os fieis devem seguir por onde conduz o Cordeiro que foi morto, e para os taes, ou vivendo ou morrendo, não pode haver derrota. Assim, com hymnos e acções de graças, elle assignala cada grau do conflito mundial que se

Deus sobre a

como

trava incessante e inexoravelmente até que,

em na

1

Cor. 15: 24-27, cada poder

terra,

mau no

céu, ou

ou debaixo da terra é destroçado

truído para todo

e

des-

sempre» (Charles).

O

Autor

As opiniões variam muito quanto ao autor do Apocalypse.

A

ideia mais acceitavel nos primeiros

séculos do Christianismo foi que João o Apostolo o escreveu e muitos escriptores modernos acceitam esta hypothese. Outros, porém, allegam por varias

razões que era impossível João o Apostolo te-lo escripto. Uma das razões é que pensam ter elle sido martyrisado annos antes da data que marcam ao


32

apparecimento do João Marcos, e

livro.

um

João, o Presbytero da Asia,

judeu da Palestina, são outros

nomes propostos. Não discutiremos o assumpto nem examinaremos os argumentos, por o julgarmos do escopo deste tratado. O autor allega que o seu nome

fóra

é João e nota-se que tinha intimo conhecimento das egrejas a quem escreveu e, pela sua maneira de escrever, notamos que é conhecido por aquelles a quem escreve. Designa-se como propheta (22:9), porem dirige-se aos leitores simplesmente como irmão e companheiro. Em logar algum diz que é Apostolo, mas falia com autoridade, e entende que tem perfeito direito de escrever ás egrejas como um pastor. No tempo em que escreveu já tinha sahido de Patmos e, como era talvez pastor de aquellas egrejas, podia ter narrado as visões pessoalmente, a não ser que entendesse ser a sua mensagem destinada a um circulo maior. Vê-se pelos seus conceitos que é judeu e seu espirito está saturado das tradições

judaicas. Era dominado, porem, pela catholicidade

do Evangelho. Charles diz que

bora escrevesse

elle

pensava em hebraico em-

em grego

e

por

isto

o seu estylo

Evangelho e o Apocalypse ha muita semelhança quanto á linguagem e as figuras e termos applicados a nosso Senhor (Carpenter), de maneira que se vê que os livros não são independentes um do outro. Por outro lado as differenças grammaticaes e outras são taes que é todo excepcional. Entre o quarto


como Charles e alguns mais, dizem que não podem ser do mesmo autor. Felizmente, como no caso de muitos outros li-

eminentes eruditos,

vros da Biblia, cujos autores são desconhecidos, o

seu valor e autoridade para nós são independentes

da personalidade de quem o escreveu. «O Apocalypse veio a nós declaradamente como obra de um

Propheta Christão, trazendo as suas próprias credenciaes; e a Egreja foi levada pelo consenso commum a reconhecer nelle uma mensagem de ver-

dades espirituaes leitor acceita

emanada de Deus. Como

em sympathia

lhosas visões, palavras de

tal

o

a lição de suas maravi-

mandamento

e

de anima-

ção» (Beckwith).

O

autor é simplesmente João de

controu

com

tal,

que se en-

o Christo vivo e nos relata e sua ex-

traordinária experiência.

Â

Forma

O livro tem a forma de uma carta, com saudação no principio e doxologia no fim, á maneira das demais cartas do N. T.. Como estas, ella também é com as necessidades pardos grupos aos quaes é enviada. E' evidente que foram escolhidas justamente as

destinada a encontrar-se ticulares

sete

egrejas- cujas características

correspondiam ao

em vista, e a mensagem geral das visões segue immediatamente as secções endereçadas ás egrejas com individuação. Ha indicação de que a carta real-

fim

3


mente se destina á egreja universal, pois escolheuse apenas sete de entre as varias egrejas na Asia, e «sete» era considerado numero perfeito ou completo. A ordem das egrejas é aquella em que um pastor as visitaria

em

seu itinerário.

João allega que a mensagem tem a sua origem a revelou ao Filho, e este ao Seu anjo

em Deus que

que a transmittiu ao vidente com a ordem de a esÉ o único livro que possuímos que se attribue a si mesmo, directamente, a autoria de Deus. crever.

A

Data

Esta se determina principalmente pelas evideninternas. Ha differença de opinião quanto á época em que o livro foi escripto. Uns pensam que foi em 68 ou 69 A. D. e outros dizem que foi nos últimos annos de Domiciano (81-96). Carpenter, depois de pesar a evidencia, acha que difficilmente se decide mas opta pela data anterior, pois pensa que o Apostolo escreveu este li\^ro e também o Evangelho que traz o seu nome. Assim sendo, João escreveu o Apocalypse emquanto as influencias hebraicas prevaleciam no seu estylo e o Evangelho annos depois, quando, tendo residido na Asia, desenvolvera maior habilidade no manejo da lingua grega. Charles, Beckwith e outros adduzem fortes argumentos a favor da data posterior. Ao mesmo tempo Beckwith inclina-se a pensar que o Evan-

cias

gelho e o Apocalypse são ambos do Apostolo João.


 A

Literatura Apocalyptica.

oppressão

politica e espiritual

dos Judeus

em

dois ou mais séculos antes de Christo e no primeiro

século depois, contribuiu para a produção de literatura

especial

que

é

uma

chamada apocalyptica. porem com

Ella participa da natureza de prophecia,

differenças importantes. d'ella faz

Damos

a descripção

que

Beckwith: «Emquanto que as expectativas

da prophecia e do género apocalyptico ambas teem o seu centro na futura era messiânica, isto é, na era final em que será estabelecido o reino de Deus, a primeira concebe este reino principalmente nos aspectos políticos e terrestres, e o ultimo naquelles

que são não-politicos e sobrenaturaes. O interesse principal de um é mundano; o do outro é super-mundano. Os elementos principaes na esperança messiânica da prophecia são o Dia de Jehovah, em que se castigarão os pagãos e os Israelitas infiéis o livramento do povo de Deus, de todos os seus inimigos a instituição do reino de Jehovah na Palestina e a extensão do poder deste reino sobre todos os ;

gentios

;

a volta dos Israelitas dispersos, a restau-

em grande esplendor; presença em seu templo o reinado de um Messias numa era de perfeita paz e gloria. Por ou-

ração de Jerusalém

de Deus Davidico

di

;

no género apocalyptico os factores principaes da esperança eschatologica são o advento da <^<edade vindoura''^ que ha de ser espiritualmente perfeita em contraste com a «edade presente» irreme-

tro lado,


diaveímente corrupta

;

o juizo universal, não do Ju-

deu e do Gentio como

taes, mas sim dos justos e dos maus, não dos homens somente mas também dos anjos e dos espiritos; a ressurreição dos mortos; a sempiterna destruição do poder de Satanaz e suas hostes; o sobrehumano Messias que reina com Deus,

no céu e na terra renovados a vida eterna na presença de Deus e do Messias para os justos, e para os maus a punição sem fim na Gehenna.» Outras caracteristicas desta literatura apocalyptica ;

são as visões e arrebatamentos, pelos quaes os autores

dizem

ter

recebido as revelações; as formas mons-

truosas que nelles aparecem, cuja significação fre-

quentemente exige os

officios

de

um interprete; a modo de usar

interdependência literária quQ. se vê no

a matéria já existente para a confecção de novos conceitos.

«Cada

escriptor

toma emprestado de seu

O

predecessor e da tradição comum...

livro

de

Daniel, o primeiro grande apocalypse, estabeleceu

a

norma que os escriptores posteriores seguiram

mais ou menos de perto

symbolos

bém

foi

e

9a

em

certas ideas e

a influencia de certas passagens

cap. 13 e 14, Ezekiel rias

em

formas,

estructura geral. Muito extensiva tam-

14^) ...

1

e

como

28 a 39, Joel 2 e

Os apocalypses, com

3,

Isaias

Zacha-

a excepção dos

escriptos por João e o Pastor de Hermas, foram attribuidos a autores de uma época remota. Elles apresen-

tam-se como contendo revelações

feitas a homens da como Moysés,Enoch, Isaias. O apocalypse de João, porem, neste, bem como em muitos

antiguidade

.

.


37

outros respeitos, differe dos demais.

Os

escriptoies

apocalypticos provavelmente foram levados a

attri-

algum grande nome por terem a consciência de que não podiam fallar á sua geração em seu próprio nome e com o poder de um propheta independente». O contrario se dá no caso do autor do Apocalypse da Biblia. Pertence a esta classe de literatura, mas num alto-plano, incomparavelmente buir os seus escriptos a

superior.

As

circunstancias

Já vimos que a literatura apocalyptica é fructo de tempos aflictivos. O desespero do presente levou o povo a olhar o futuro com esperança de livramento e

de uma vida

Os

feliz.

gentios

dominavam sobre

o povo judaico e não havia n'elle esperança de que fosse libertado

num

futuro immediato. Era o

povo

de Deus e Deus havia de o livrar e restaurar, conforme as previsões dos prophetas. Assim os escrip-

animavam o povo no meio das provas amargas de dominio e oppressão estran-

tores apocalypticos

geira.

No tempo em que foi escripto o Apocalypse de João os Romanos dominavam o mundo todo. Um estranho phenomeno se manifestou mais ou menos no principio da era christã, o culto aos impera-

dores romanos. Antes deste tempo tinha-se

buido honras

divinas

attri-

aos Pharaós «no Egypto, e

certos heroes nacionaes dos

Gregos foram

deifica-

dos depois de morrerem; mas na época que trata-


38

mos

vários imperadores romanos,

Julio Cesar, exigiam para

si

o

começando com

mesmo

culto

que se

dedicava aos deuses, e para elles foram erigidas estatuas e templos.

Neste

podiam

culto

nem

os christãos

nem os

judeus

participar, e por conseguinte levantaram-se

contra elles fortes perseguições, que variavam

em

intensidade conforme as exigências de vários imperadores.

A não

participação no culto imperial foi

como deslealdade

interpretada

á pessoa do Impe-

rador. Este estado de. cousas reflecte-se

cap. 13.

Os

princípios dos christãos

em Apoc.

também os con-

servaram afastados das festas idolatras e dos costumes immoraes dos pagãos. Por outro lado os ju-

deus dedicavam-lhes

um

odio figadal e atacavam-

-nos onde e quando podiam. a Paulo

em

Jerusalém

O

illustra

tratamento infligido

essa attitude.

«As suas frequentes reuniões particulares (dos eram tidas como occasiões de crimes taes como o incesto e o beber o sangue dos próchristãos)

prios

Inevitavelmente,

filhos.

tinha de ser,

como

tal,

portanto, o christão

objecto de perseguição; ás

como no caso em Lystra (Act. 19:29),

vezes, por meio de violência da turba,

de Estêvão, (Act. outras

7),

de Paulo

vezes debaixo das formulas da

como Jesus

tinha sido

assim

condemnado pela accusação

de traição contra Cesar. Os Actos mostram que a offensa á

lei

romana

como um pretexto para por exemplo, pelos amos da jovem

frequentemente se allegava satisfazer odio;

lei,


38

em

com

espirito

sp),

pela ^populaça quando se prenderam Jason e

outros

em

adivinhador,

Thessalonica.

Philipos (Act. 16:19

.

aA primeira perseguição tentada pelo governo Romano directamente e de mota próprio foi a de Nero no anno 64 e, de todas as perseguições romanas,

foi a

em

mais feroz

suas atrocidades» (Be-

Esta perseguição limitou-se á cidade de

ckwith).

Roma. Domiciano, o «segundo Nero», promoveu

uma

que se estendeu a todo o império. Houve poucas atrocidades e embora a pena de

perseguição

morte fosse ás vezes aplicada, co

exilio, a

ceração, o confisco etc, eram mais

comuns» A

dição diz que

foi elle

quem

encartra-

baniu João o Apostolo

para Patmos. Nestas circumstancias

foi

escripto o

Apocalypse que, como as demais cartas do N. T.. é um «Tratado para os tempos». É destinado a

povo de Deus em tempos de

confortar e animar o

grande

calma e penetrante luz da eternidade sobre as scenas agitadas desta vida; revela que na sombra do invisível vigia Deus sobre os Seus e atraz do véu peleja Um que é invencível, e que actualmente Este está no meio daquelles a quem ama e cuja companhia especialmente preza.

Os

aflição, pois lança a

soffrimentos

e o desfecho feliz

e

o

conflicto são temporários

se realisará breve, ao

menos em

embora o processo se prolongue atravez de varias epochas de progressiva Victoria e domi-

principio,

nio sobre

o mal, até á hora gloriosa

em

que, de


40

uma

vez, o mal será totalmente banido

e os fieis reinarão

com

do universo

o seu Senhor.

Semelhante mensagem era especialmente necessária, em vista das promessas de Jesus e das esperanças dos primitivos crentes. Entendiam estes que Elie havia terra,

mas,

de estabelecer em breve o seu Reino na tal como os esperançados Israelitas ao

sahirem da escravidão, haviam de passar o deserto antes de chegar á terra promettida. Ficaram desil-

ludidos

em

sua expectativa, pois

gloriosamente

com seu

em vez de

reinar

Senhor, eram, e isto justa-

mente por causa de sua lealdade a Elie, victimas de perseguições. Qual Moysés, Jesus tinha augmentado as dificuldades do povo e multiplicado

ferozes

os seus soffrimentos.

O meio em que viviam era corrupto e quanto melhor seguissem a Jesus mais em desharmonia ficavam com o mundo. «Quão bella foi a manhã da Egreja! Quão rápido o seu progresso! Que espectativas seria natural

que se formassem da sua his-

que tinha principiado tão bem! Sem duvida ellas se formaram em muitos corações; mas em breve ficaram annuviadas. Tornou-se evidente quando os primeiros conflictos passaram, que outros succederiam e que a longa e fatigante guerra com os poderes das trevas apenas se principiara. A lucta toria

futura,

;

«contra os principados, contra os poderes, contra os

governadores do mundo destas trevas, contra as hostes espirituaes da iniquidade» (Eph. 6:12) havia de se fazer sentir ainda mais dolorosamente,

e os


41

crentes estavam preparados

para serem «partici-

pantes dos soffrimentos de Christo» e não «estranha-

rem a ardente provação*., como se vos aconte-

uma cousa extranha»(I Ped. 4:12). «Mas peores para a Egreja que as luctas de fóra, eram os medos de dentro. Homens que havia tempo professaram o Evangelho, «tinham ainda miscesse

que alguém os ensinasse nos rudimentos dos Deus» (Heb5:12). Estavam «decahindo da graça» e voltando outra vez aos rudimentos fracos e pobres, aos quaes queriam ainda de novo escravisar-se» (Gal. 4:9 e 5:4). «Alguns já se desviavam para seguir a Satanaz» (1 Tim. 5:15), e onde não havia especial prevalecimento do erro, a frieza e mundaneidade do espirito provou a triste reflexão: «Todos elles buscam o que é seu, não o que é de Christo Jesus» (Phil. 2:21). Contendas predominavam, e scismas se alastravam; homens havia que no nome de Christo e da verdade, estavam-se «provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros». Novas formas do erro começaram a surgir, da combinação de ideias christãs com os rudimentos do mundo e as extravagâncias da philosophia oriental ... No tempo em que os Apóstolos escreviam, as conditer

princípios elementares dos oráculos de

ções e as tendências visíveis das cousas mostravam claramente demais Egreja; ticas

e,

ao

o que seria a historia futura da

mesmo tempo,

as intimações prophe-

tornaram ainda mais escuro o futuro: pois

Espirito di? expressamente

«O

que nos últimos tempos


42

alguns apostatarão da

fé,

atteiidendo a espíritos en-

ganadores e a doutrinas de demónios» (ITim.4:l)— que «nos últimos dias viriam tempos difficeis» ca-

uma escuridão de condição moque se poderia ter esperado serem dissipadas pelas influencias do Evangelho (II Tim, 3: 1-5)— racterisados por

ral

«que nos últimos dias viriam escarnecedores, com zombarias, andando segundo as suas cobiças, e di-

zendo: Onde está a promessa da sua vinda? ^(IlPed*

— que

o dia do Senhor não viria «sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, aquelle que se oppõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objecto de adoração, de sorte que se assenta no sanctuario de Deus, ostentando-se como Deus (II Thess. 2:3-7). «O mysterio da iniquidade 3:3-4)

operava, e

como o

antichristo viria,

mesmo

então

(I Jo. 2:18,22) «homens negando ao Pae e ao Filho», negando «até ao Senhor que os comprou» (II Ped. 2:1), «transformando a

havia muitos Antichristos»

graça de Deus

em

dissolução

)

e «trazendo sobre si

destruição repentina».

«Não

sei

como qualquer homem, ao

terminar as

Epistolas, poderia esperar encontrar a historia sub-

da Egreja essencialmente diversa daquillo que é. Naquellas escripturas, parece, por assim dizer, não presenciarmos algumas tempestades passageiras que purificam o ar, mas sentirmos que toda a atmosphera está carregada com os ele-

sequente

mentos do furacão

e

da morte futura» (T. D. Ber-


43

The Progress

nard,

of Doctrine in the

New

Testa-

ment).

Nestas circumstâncias, perigosas por dentro e por fora da egreja, nasceu o Apocalypse, e vimos

quão necessária era semelhante carta e quão adequada para encontrar as profundas necessidades da comunidade christã, vivendo em pequenos grupos espalhados em muitas locahdades que lhes eram em grande parte hostis e cuja hostiUdade chegava ás vezes a perseguições extremamente rancorosas. Êsse conflicto com o mundo externo e o mundo espiritual interno é millénario. É mencionado primeiro em Gen. 3 15 e vemol-o em todos os livros da Bibiia, vemol-o nos séculos da historia da egreja christã, havemos de vel-o até estarmos promptos para acceitar o dominio do Príncipe da Paz. :

Alguns ensinamentos do Apocalypse

Em

primeiro logar é este

Neste sentido apresenta livro

um

um

livro

de

Victoria,

grande contraste com o

de Ecclesiastes, cujo autor, desilludido pelas

experiências e pesquizas, concluiu que tudo é vai-

A

porque olhou somente as cousas do sol». Aquella Victoria íinal já é suggerida ao annunciar-se o combate, apenas o calcanhar da semente da mulher havia de ser ferido, emquamto que a cabeça da serpente se esmagaria. É indicada também na benção pronunciada sobre Sem, na promessa a Abrão, nas prophecias messiânicas etç. etç. Mas no Apocalypse se dade.

razão deste

foi

na terra — «debaixo


44

vêem consummadas

as esperanças dos séculos

numa

serie de victorias, coroadas pela Victoria final.

O

agente, na marcha victoriosa delineada no

vro, é

Deus Pae,

Filho e Espirito Santo.

se tira e

invisível

vemos

O

li-

véu do

a relação intima entre o

visivel e a potencia regente e dominante.

No

livro

de Job e na parábola do rico e Lazaro tivemos pequenas vistas do Céu, mas aqui vemos directamente a operação da divindade nas cousas dos homens.

Vemos que nossos problemas são mente no terreno do tro cavalleiros

a

fome

e

espirituaes e so-

Os qua-

espirito se resolverão.

representando o militarismo, a guerra,

a morte (cap. 6)

;

as nuvens de paixão

subindo do abysmo do coração pervertido e as hos-

que pelejam no campo de batalha (cap. 9), nada resolvem e só trazem desgraça, desastre e morte, pois «todos os que tomam a espada, mor-

tes

rerão á espada».

De

cima,

porem, vem o anjo

forte e glorioso

trazendo a arma verdadeira pela qual se estabelecerá o dominio universal. Essa arma é

—a

Deus, —

um

livrinho,

instrucção, — o

Palavra de appelo a ao raciocínio, ao espirito (cap. 10). Assim também a sua vem Christo com a espada da sua bocca, verdade, para vencer o mal.

A

primeira scena representa-nos o Christo eter-

namente presente com poder no meio dos seus e logo «somos elevados ás cortes em cima, o templo de Deus no Céu é aberto, e presenciamos os eventos da terra como tendo a sua origem naquillo que ;


45

se passa alem. Lá são abertos sellos, trombetas sâo

to-^

cadas e taças são derramadas, as quaes regem as mu-

danças da egreja e das nações. Emquanto olhamos para baixo atravez das cerrações que em baixo passam, continuamente estamos perante o throno de

Deus

e

do Cordeiro,

no meio dos vinte e quatro

e

anciãos, as quatro creaturas viventes, e a innumera-

companhia de anjos e ouvimos vozes que procedem do throno, os brados de espiritos despojados do corpo, e alleluias que reverberam atravez do universo. Vemos ainda que ha motivo desta participação do mundo de cima nos eventos do mundo de baixo, pois se torna cada vez mais patente que a terra é o campo de batalha dos reinos da luz e das trevas» (Bernard). No Apocalypse elevamos os olhos, desde as nossas fraquezas, derrotas e tristezas, para cima, donde vem o nosso auxilio e a vel

;

eterna Victoria.

Paulo continuamente vivia nesta atmosphera,

S.

dizendo: «Somos mais que vencedores por Aquelle

que nos amou» (Rom. 8:37); e S. João diz: «Pois todo o que é vencido de Deus, vence ao mundo» (I João 5:4). Podia haver uma só origem de semelhante espirito, pois no

sejamos, afinal terra

como

vem

mundo, por mais

felizes

que

a derrota, «o pó volta para a

era e o espirito para

Deus que o deu».

E mesmo na

jornada da vida, continuamente succumbimos a circumstancias ou «forças maiores». A origem do espirito vencedor é Aquelle que disse «No :

mundo

tereis tribulações

;

mas tende bom animo, eu


tenho vencido o mundo» (João 16:33). lypse este

No Apoca-

se sente mais distinctamente

espirito

em uma como para o

pois ahi a victoria virtual se transforma Victoria visível,

tanto para o Senhor

Seu povo. Cada promessa, nas endereça «ao vencedor»

do servo com a

Victoria

nizado.

.

Quando

.

;

epistolas, se

sete

e a ultima epistola une a

victoria

do Senhor enthro-

as visões propheticas estão para

começar, a abertura do livro é representada como

sendo o resultado da victoria, O Leão da Tribu de Judah. venceu para abrir o livro Os santos sangue do 'vencem pelo Cordeiro' (12:11); ouvimos o seu brado de triumpho, e vemos as palmas nas suas mãos até na ultima crise os exércitos vencedores do céu majestosamente aparecem, seguindo ao Vencedor que 'traz sobre a sua capa e sobre a sua coxa este nome escripto: Rei dos reis, e Senhor dos senhores' (19: 16)» (Bernard). O Diabo é lançado no lago de fogo e enxofre, com a besta e o falso propheta, a morte e o Hades teem o mesmo destino e os Vencedores entram na nova Jerusalém, .

-

.

;

sua habitação perpetua.

A

nova Jerusalém

A consummação conflicto

entre

o

dos séculos, o desenlace do e o mal, a nova era, emfim,

bem

apresenta-se a João na forma de vida encorporada e organizada

numa

cidade. Elie não sonha na volta

á vida primitiva do Eden,

mas numa sociedade per-

feitamente articulada quando as trevas da ignorância


4t

se dissiparem na luz do perfeito dia de esclareci-

mento espiritual; quando as paixões se submetterem ao Rei dos reis; quando a liumanidade se constituir numa fraternidade universal quando o culto divino não mais for feito por symbolos, pois cada ;

rosto

reflectirá

a

gloria divina

em

cuja presença

permanece; quando os homens não mais cavarão para

si

próprios cisternas fendidas,

mas humilde-

mente se ajoelharão para se saciar no rio que sae do throno da vida; quando não gastarão mais o seu dinheiro naquillo que não é pão mas hão de extender as mãos para tomar do fructo da arvore da vida. Os montes de differenças sociaes, as ilhas de orgulho separador, os mares de tempestuosas afflições, tudo se removerá e os homens caminharão no áureo mar de crystal de perfeito commercio, de egualdade e de sociabilidade. A própria terra se fará nova e o céu se renovará, o ambiente será completamente transformado, nos meios de ganhar a vida e nos ideaes. Um immenso cubo descendo do céu com muros de jaspe, ruas de ouro, portas de pérola. é materialmente inconcebível, mas tomada como figura da nova era tão almejada, é visão altamente

.

reconfortante e inspiradora. álcool,

cada erro exposto á

Cada luz,

Victoria sobre o cada golpe dado

ao carnaval, cada vicio vencido, cada paixão domada, vae escavando as valletas para os alicerces; cada virtude adquirida, cada reforma instituída, cada passo na approximação das nações, cada verdade incorporada na vida, cada alma que sae das trevas


48

cada conquista espiritual da collectivi^ uma pedra naquelles muros de jaspe luzente. No entretanto, lembremo-nos que esta cidade não sae do abysm.o, nem da planicie de nospara a

luz,

dade, é mais

sas vidas

nem da nossa imaginação, como

de Babel, mas vem de cima. Os heroes da

a torre

fé,

pere-

procuravam a «cidade que tem os fundamentos, cujo architecto e edificador é Deus». Nesta estructura somos «pedras vivas». As tentatinão tivas humanas semearam a terra de ruinas, grinando na

terra,

nham o fundamento de

Christo. Resta-nos ver se a

actual civilização ruirá ou se, fundada sobre a

Ro-

cha dos séculos, e cimentada pelo veraz amor fraternal, formará a cidade eterna e gloriosa. O Noivo vem. Está á porta. Pacientemente espera que a noiva se aprompte. Onde está a sua vestidura branca de perfeita consagração, a sua vir-

em cada cellula do seu eu, a paixão de só a Elie pertencer? Quando se poderão realizar as núpcias da humanidade com o Divino ? O crescente contacto dos homens entre si pelas invenções modernas têem trazido grandes problemas. Parece que o homem se approxima somente para discordar e tornar-se rival, em vez de cooperador. A grande guerra foi o resultado directo da approximação physica das nações por meio dos novos modos de communicação. Essas bênçãos, em gindade de alma, o amor que palpita

mãos perversas, tornaram-se agentes

Ha

destruidores.

os que desesperam das cidades. João Baptista


49

abandonou a cidade para morar a sós no ermo. Jesus, porém, gastou a sua vida no meio do povo. A solução não se encontra na solidão mas na solidariedade, no desenvolvimento pela consolidação. Muralhas chinezas, gigantescas frotas navaes... não tolhem guerras. A seggregação das nações e dos individuos não é a solução do problema das nossas relações, mas sim a approximação espiritual dos povos da terra. Assim temos a figura de uma cidade

como o ideal futuro. «A Biblia nos abre um prospecto do qual a historia nos levára a desesperar. É uma longa narração, a

da preparação da cidade de Deus... Ella nos

exhibe a restauração, não somente da vida pessoal,

mas também da vida social a creação não somente do homem de Deus, mas também da cidade de Deus; e apresenta a sociedade ou a cidade, não como um mero nome, para a congregação dos individuos, mas como possuindo um ser e vida próprias, em que o ;

Senhor acha a Sua satisfação e o homem a sua perfeição. A «Jerusalém que é lá de cima» é, em relação com o Senhor, «a noiva, a esposa do Cordeiro» (21 :9), e, em sua relação com o homem «a Mãe de nós todos» (Gal. 4:23). Pela sua apparição, o curso revelado da redempção culmina, e a histó-

do homem fecha-se e assim, os últimos capítuda Biblia declaram a unidade do livro todo, no completar do desígnio que se tem desenvolvido em suas paginas, e pelo descobrir do resultado para o qual todos os passos precedentes tenderam. Tirae

ria

:

los

4


ôô

da Biblia a visão final da Jerusalém celeste; que se teria perdido? Não somente uma passagem, uma descripção sublime,

uma

revelação importante;

mas

a conclusão por meio da qual se interpreta e justi-

Para uma mente que olha alem da vida individual, ou que comprehende o que é necessário para o aperfeiçoamento da vida

fica

tudo que a precede...

uma Biblia que não terminasse pela ediuma cidade de Deus, pareceria deixar muito no homem sem satisfação, e muito em si mesmo que seria inexplicável» (Bernard).

individual,

de

ficação

Um

facto

curioso notamos: que apesar do es-

trondoso triumpho culminando a serie de victorias,

em logar algum se descreve um conflicto não ouvimos o choque das tropas nem o ruido das armas nem o grito dos soldados. Arregimentam-se as hostes dos que se consagram a Deus e seguem o seu incomparável Chefe e então a Victoria simplesmente se realisa. Parece como que a Victoria da alva so;

bre a noite,

sipam.

— a luz

Como

se manifesta e as trevas se dis-

os soldados recuaram e cahiram na

presença de Jesus, em Gethsemane, assim o mal é vencido. A sua arma não é carnal mas espiritual.

Traz espada, porem está na bocca

mesma. Não nas mãos não

ção de

e

na manifesta-

si

;

é feita

de aço mas sim

de

verdade.

Ainda mais singular

é o facto que,

como Cam-

peão, Elie se nos apresenta no aspecto do Cordeiro.

Venceu pelo seu sangue, pelo

sacrifício

de Si pro-


51

A

ganha «não por força, nem por poder, mas por Meu espirito, diz Jehovah dos exércitos» (Zacli. 4:6). Pedro confiou na espada de aço em Gethsemane e foi derrotado; Jesus venceu em prio.

Victoria se

Nos

oração.

fingidos processos legaes, Jesus, pelo

seu silencio, mystificou e confundiu os accusadores; pela sujeição á cruz, anniquilou este supplicio atroz, pois não mais se applica ao receber no coração os inflammados dardos do odio e da malignidade humana, venceu de vez o mal com o bem, na maravi;

lhosa supplica: «Pae, perdoa-lhes, porque não sa-

bem

o que Tazem.» Venceu o mundo, e espiritualmente havemos, com Elie, de tornar effectiva a Victoria já por Elie ganha.

As

victimas das forças malignas participam da

derrota destas e

para

juizo final (20: 12).

fim

tal

Em

21

:

são

reunidas

8 encontramos

uma

no lista

de qualidades que excluem da cidade santa as victimas do peccado.

de fogo (20:

O

seu destino

também

é o lago

15).

Ensinamentos acerca de Deus

Como vimos

acima.

Deus

é representado

como

reinando sobre o universo e é o agente invisível nas varias scenas de Victoria sobre o mal. A Elie se entoam hymnos de louvor ao realisar-se cada etapa no progresso de 7: 12, e 11

No

:

15). E'

Seu reino, (4:11, 5:13, Elie autor da mensagem do li-

augusto throno está assentado e recebe a homenagem da natureza toda e da egreja, na pes-

vro.


52

Do

Soa dos anciãos e das hostes dos remidos.

seu

throno saem directamente vários mandos, no drama apocalyptico.

Com

admirável reserva o auctor não tenta des-

O

vê na

Os relâmpagos, vozes

e tro-

crever a apparição da pessoa divina. Elie

sua

scintillante gloria.

vões que saem do throno nos lembram o esta impressão se intensifica ao

vermos a

Sinai, e

retribuição

em successivos desastres e pragas sobre a terra; ao vermos o fumo das ruinas da Babylonia subir vir

pelos séculos dos séculos, e ao vermos a portentosa scena do juizo

Deus

final.

é representado

como sendo Eterno

e

Omni-

potente, o Creador e o Juiz de todos os mortos. santo, justo e verdadeiro.

não se salientam neste

A

É

graça e o amor de Deus

livro,

devido á natureza do

seu conteúdo, pois trata do fim das cousas, do cas-

do banimento áo mal do universo. Todavia não faltam indicações da possibilidade de os maus se arrependerem (3:9; 9:21 e 16:9); e o próprio ardor do furor de Deus é representado como o corollario do seu zelo pelo seu povo (11:18; 16:6; 19:2). Ainda mais, o livro nos ensina a perfeita unidade que existe entre Deus e Jesus Christo e ha muitas passagens que declaram o amor d'Este para com seu povo. O terno amor e cuidado dos Dois pelo seu povo apparecerá mais adeante quando tratarmos da segurança dos salvos. tigo eterno dos malfeitores e


53

Ensinamentos acerca de Jesus Christo

No

primeiro capitulo temos

apparição do Senhor, mas é

uma descripção da

que a arte plástica não a pode representar e disto deduzimos serem os seus elementos apenas symbolos de características espirituaes que calaram no espirito de João. Ha varias referencias breves á sua vida terrestre] frequental

temente a Elie se applica seu

nome

pessoal, Jesus;

Judah e mencionam-se a sua crucifixão, resurreição e ascensão. Duvidamos entretanto que se refira ao seu nascimento refere-se a sua estirpe de

em

cap.

12.

David

e de

Mencionam-se também os seus doze chamado Cordeiro

Apóstolos. Vinte e oito vezes é

e isto nos suggere o seu sacrifício na cruz.

A

sua eternidade se indica pelos cabellos bran-

com 33 anos), e pelas expressões «Sou o primeiro e o ultimo», «Estou vivo pelos séculos dos séculos», «o Alpha e o Omega», o «principio da creação», etc. cos (Elie morrêra

Mas

é principalmente

como o

Christo exaltado

que O vemos neste admirável livro e, em suas novas e maiavilhosas relações com Deus, o homem os anjos e o mal, encontramos o nosso maior con-

mensagem do autor para a egreja opprimida e perseguida do primeiro século forto e esperança, pois a

é

de illimitado optimismo.

A

nota-chave do livro é

a vinda gloriosa e victoriosa do supremo e único Salvador, que se nos apresenta cumprindo varias

funcções nas varias visões que ahi surgem.


54

Nós o encontramos em pé deante de Deus (5 6), á dextra de Deus (12:5) e assentado no throno com Deus (3:21). Elie é o Filho de Deus num sentido :

especial.

nam

A

expressão «Filho de Deus» se applica

uma

a Elie

filhos

só vez (2: 18).

Emquanto outros «se

tor-

de Deus» Elie é o Filho. Elie tem podepois pode apagar nomes do livro da

divinos,

res

vida (3:5), e pode admitir ao throno do Pae aquelle

que vence (3:21), pode-nos fazer reino e sacerdotes para Deus e seu Pae (1:6) e recebe culto como Deus (5:8) e com expressões eguaes (7:12). O culto aos anjos se piohibe expressamente, mas os próprios anjos adoram ao Cordeiro que foi morto (5:1

1

e sg).

mas Jesus

Em

Os

sempre

é

com os santos, com Deus.

anjos são classificados classificado

geral a sua actividade parece ser identifi-

cada com a do Pae. É omnisciente, pois sabe o que se passa nas sete egrejas, que representam a egreja universal; é omnipresente pois anda no seu meio; omnipotente,

suas mãos.

pois

Com

segura as estrellas d'ellas

em

o Pae, Elie possue os reinos deste

mundo

(11:15) e conjunctamente

throno

(22:3).

E

Elie

tem

ambos possuem o

poder

sobre a

vida

(2:23).

Por outro lado, João nunca O chama Deus. Uma vez é chamado o Verbo de Deus. Elie depende de Deus pois é Este que Lhe dá a revelação (1-0 ^ Deus recebe a ordem de ceifar (14:15). Do Pae recebe o poder de reinar (2:27), Elie julga á luz da face de Deus (3:2), o Pae é «meu Deus» e a Elie


55

pertencem o templo e Jerusalém, e o nome de Deus Elie o escreve na fronte do vencedor.

Mas é principalmente em sua relação com o homem que revela as suas mais altas e attraentes características. É nossa esperança da resurreição, «as

pois é

da morte» (1:18); participa

primícias

da nossa humanidade

um Pae

ha

crentes

;

para Elie e para todos os

celeste;

portanto é nosso

Ir-

mão.

Sua

principal tarefa,

é salvar seus Irmãos.

como

a de José (Gen. 42 a 47),

Creou a communldade

chrlstã

pela sua morte remldora e o seu cuidado vigilante

sobre

ella.

Está no melo das egrejas, segura as es-

trellas

em

suas mãos, seus olhos penetram os seus

motivos e discernem suas acções. de-lhes a

coroa

a

alcancem.

É

a

de vlctorla, fiel

Em

orando

amor extenpara que

Testemunha da eterna ver-

dade.

Ama

os seus. Deseja que participem do seu sa-

cerdócio,

do seu throno e da sua

gloria.

A

sua

morte manifestou o seu amor Immorredouro (1:5) e seu desejo dominante é entrar na vida do Individuo a cuja porta pacientemente bate (3:20). Elie

dá,

espiritual

ao entrar, mas para Elie o

satisfazer

Não somente

mesmo

o coração faminto

é

manjar

;

— Elie

«cela» comnosco. Sella-nos para SI com o nome do Pae (14:1) e entrega-nos a pedra branca de secreta communhão e paz que o mundo desconhece (2:17). Preciosos a Elie são os seus, pois os comprou (5:9) e os remiu pelo seu próprio sangue (1:5), e neste


56

sangue os lava,

e branqueia

as vestiduras

delles

(7:14 e 22:14).

Entre Elie e a egreja existe a doce intimidade que caracterisa a vida matrimonial. A egreja é a sua noiva (19:7-9 etc). Elie é o mediador único da salvação, pois possue a chave de David (3:7). Nada faltará

aos

(7:17),

é

seus,

Elie

pois

mesmo

Elie

os

pastoreia

a sua luz (21:22-23). Absolutamente

nada tem a temer, pois na própria morte são abençoados (14:13). Morrer no Senhor significa «mor-

em

rer

seus braços» (Beyschlag).

Nossos problemas individuaes, nacionaes

e inter-

nacionaes são perfeita e inescrutavelmente sellados, até Elie tétrica

abrir

os sete sellos

carnificina

na sua victoria

gança

;

vemol-0, atravez da

sobre o poder egoista, a vin-

final

e o odio figadal.

Elie participa rias

;

de contenção e lucta universaes,

em

todo o

em

todas as nossas provas e victo-

livro,

aquella figura mysteriosa se-

Homem

melhante ao Filho de

anda no forno com os

seus e os resguarda.

Todavia vem.os salientado egualmente outro aspecto do Christo Exaltado,— o seu officio de Juiz (14:14). Discerne nossas obras com olhos de chamma (1:14);

sabe o que se

passa

na vida dos seus

condemna com a mesma sevecom que condemna aos do mundo. Os pró-

(2:2,4,9,19) e julga e

ridade

prios motivos são contemplados,— é esquadrinhador

dos

rins e

mas promette guardar palavra da sua paciência. Não

do coração

aos que guardam a

(2:23),


57

é sua

vontade que pereçam mas que se arrependam

(2:16) e o próprio castigo d'elles é evidencia

amor remidor

do Seu

(3:19).

ha de ser absolutamente supremo, Senhor dos senhores e Rei dos reis (17:14 e 19:16), e esta Elie

É Senhor das egrejas, com autoridade absoluta (caps. 2 e 3), mas rege em amor. Todavia, em casos disciplinares, procede com severidade (2:16,23 e 3:19). Sobre os anjos também Elie exerce autoridade; soberania ha de ser universal (12:5).

o anjo do Apocalypse é seu anjo ou mensageiro e 22:16);

(1:1

mão.

A

os anjos das egrejas estão na sua

própria Victoria que Miguel ganha sobre o

dragão é por meio do Seu sangue. (12:11). Sua designação «o Cordeiro de Deus», ou simplesmente Cordeiro, tem suscitado

um

tanto de dis-

Duvida-se se a referencia histórica é ao cordeiro da Paschoa ou a Isa. 53. Parece, porém, que a significação geral é clara, Elie vence pela entrega de Si Próprio. É o inescrutável paradoxo do Cordeiro morto e ao mesmo tempo victorioso. Superou pela morte. O mal esgotou as suas forças cussão.

n'Elle e foi derrotado

coração de

Q

infinito

pelo

invencível

bem do Seu

amor.

papel do Crucificado se inverte, porem, no

O crucifixo não é symbolo appropriado do Christo actual. Hoje não é victima mas Guia victorioso. Seu rosto brilha em plena força. A sua espada de dois gumes, os pés como latão polido, os olhos de chamma de fogo, a vara de ferro que des-

Apocalypse.


58

pedaça os vasos de barro, suggerem a terrível natureza do seu encontro com o mal. Sae no Seu Cavallo branco e os seus exércitos O seguem (19:14). A sua capa é immersa em sangue, mas os seguidores teem vestidos brancos, pois é Elie só que ganha a Victoria, embora, para a marcha triumphal, espere até que os seus estejam preparados para O accompanharem. Sosinho subiu o Calvário para uma derrota apparente, mas a victoria final depende da consagração da sua egreja. Elie

vence e bane Satanaz e seus cúmplices. As

suas armas, porem, procedem-lhe da bocca, é o seu

ensino,— a sua verdade. O conflicto é espiritual. Os nossos problemas nunca se resolverão pela força, mas pelo espirito de amor, bondade, sacrifício de si próprio, serviço.

O

maior de todos os poderes é o

amor. Elie vem, este Almejado dos séculos. Já traz muitas coroas. Estadistas, jornalistas, o capital e o trabalho, philosophos e mestres, reis e presidentes, já

reconhecem a sua supremacia em nossa vida

cial,

e

humano

suas

conquistas intimas sobre o

multiplicam-se.

É

Elie a luz

ra-

espirito

do dia nascente

(21:23) que nunca se ha de annuviar pelas sombras Já divisamos essa (22:16) presagio do novo dia.

nocturnas.

diz

Manhã

Estrella

da

O

Verdadeiro

Fiel e

«Eis que venho á pressa», e cada alma sincera

responde: «Amen; vem, Senhor Jesus».


59

Ensinamentos ácerca do Espirito Santo

A

doutrina do Espirito Santo é pouco desenvol-

vida no Apocalypse.

A

com o Pae e o É representado como

sua unidade

Filho é contudo muito patente.

sendo septuplo (1:4) e distincto das outras pessoas da Trindade. Elie pertence a Deus (3:1,4:5 etc.) e a Christo (3:1 e 5:6). Neste ultimo verso Elie é tido

como os olhos de

É também chamado as (4:5). É Elie quem falia

Christo.

«sete lâmpadas de fogo» no intimo das egrejas, applicando a mensagem de Christo, como se vê no fim de cada uma das sete cartas.

Elie é

também o agente nos arrebatamentos

de João, nas suas visões extáticas (1:10,4:2,17:3 e Elie é o inspirador dos prophetas, e inter-

21:10).

cede junto com a egreja, pedindo a vinda de Christo (22:17).

A No meio do

segurança dos

fieis

que se encerrará na Victoria definitiva, os fieis estão seguramente guardados da artilharia pesada do inimigo nas trincheiras impugnáveis do amor divino. O Generalíssimo dirige o combate e cada praça, firme no seu conflicto universal

posto, segura os salientes até à hora de

galgar o

A

«barragem» se completou na cruz e o avanço se realisará no momento que se completar o numero dos que se dedicam á Causa da verdade a ponto de despresar a sua vida (6:11) e os demais parapeito.

interesses particulares etc).

(cf.

Luc. 9:23,14:7, Mat. 5:29


60

Muitas expressões encontramos a attestar a se-

gurança dos

e

fieis

podemos bem imaginar o con-

que a leitura deste manuscripto trouxe aos pequenos grupos num meio que lhes era tão adverso e do qual tanto soffriam. Havia de os confortar immensamente a lembrança de que o seu Chefe estava no meio delles sympathisando com todas as suas difficuldades e sempre capaz de supprir todas as necessidades. Da Sua mão direita foiça alguma os poderia arrancar. Ouviam a Sua voz como a de muitas ondas vibrando no intimo e dizendo «não temas». As almas dos martyres se agasalham debaixo do próprio altar (6:9); os anjos dos ventos são prohibidos de fazer damno á terra até que se protejam os servos de Deus por meio do Seu sello (cap. 7); os que passam pela grande tribulação, por amor de Christo, cantam deante do throno (7:9-14); o movimento do drama providencial é detido para receber as orações dos santos e estas mesmas recebem auxilio de cima (8:3-5); são isentos, como Israel no Egypto, de muitas das pragas que caem sobre os forto

«da terra»,

— cuja

ctuario de

Deus

são medidos,

cidadonia é deste mundo; o sane

em

o

altar,

e os

que

nelle

adoram

signal de protecção e conservação

(11:1);

as duas testemunhas são resurgidas e pre-

miadas

(11:12),

novo a arca da

e

nesta perseguição revela-se de

alliança de

Deus com o seu povo

e

nota-se que está no próprio sanctuario e portanto

especialmente preciosa e segura (11:19); a maternidade é glorificada

em

cap. 12 e a creança é objecto


Bi

de especiaes cuidados celestes (12:5) a besta vence os santos mas somente por uma permissão e con;

segue a adoração somente da parte daquelles que não estão inscriptos no céu (13:7-8); os remidos habitam "espiritualmente o monte Sião, junto com o Cordeiro, cantando um cântico novo (14:1-5); a seara madura dos seus é ceifada pelo próprio Christo,

mas o anjo do fogo manda outro cortar os cachos dos maus e os lança no lagar da ira de Deus (14:14-20); vemos a segurança dos salvos também no seu cântico, que precede a sete pragas (15:2-4);

um

terrível

serie

das

parenthese na narração da

nos relembra a benção de aquelles que «vigiam e guardam as suas vestes» (16:15); quando a Babylonia está para ser destruída ouvisexta praga,

mos

o terno convite, «Sahi delia povo meu» (18:4); quando Christo e os seus afinal galgarem o parapeito é só a capa d'Elle que se immerge no sangue do conflicto (19:11-14); o meigo transporte do amor divino ha de se extender tector sobre

ser seu

como um tabernáculo pro-

os seus (21:3), o próprio Deus ha de

Companheiro inseparável

e Elie tirará toda

a lembrança do triste passado e banirá todo o tivo

de

mo-

desgostos no futuro, supprindo todas as

suas necessidades pela agua e pela arvore da vida

com Elie hão de reinar eternamente na cidade celeste que lhes

(21:6 e 22:2); Elie será a sua luz e

preparou (22:5); verão a Sua face e participarão da Sua natureza gloriosa (22:4) e o próprio furor di;

vino,

em

seu explodir contra os agentes do mal, se


6'2

alimentará

com o sagrado

(16:6,18:6,19:2, cular,

etc).

zêlo do

amor pelos seus

Assim, terminada a lucta se-

o Noivo, tendo purificado

e

preparado a

noiva, a recolherá na bemdicta segurança do lar celestial

por infindos séculos.


ESBOÇO Prologo:

1:1 a 8 a

3

O

4 a

8

Saudação

1

1

:

9 a 20

Livro e a sua procedência

Visão de Christo eternamente presente com os

Seus IMII IV

V VI

Sete cartas á Egreja Universal A Côrte celestial O livro Sellado e o Cordeiro A abertura de seis sellos Os quatro cavallos, as alma» dos martyres, portentos na terra e no ceu Episódios O sellar dos filhos de Deus A felicidade dos remidos O sétimo sello, silencio de meia hora Episodio: O incenso e as orações dos santos Seis trombetas annunciando desastres sobre: a vegetação, o mar, as aguas doces, os luminares do ceu; e sobre os homens, pelos gafanhotos e a cavallaria maravilhosa Episódios: O anjo e o livrinho As duas testemunhas A sétima trombeta Cânticos de Victoria :

Vll;la8 Vll;9ai7 VIII

:

1

VIII: 3

a5

VII!:6alX:21

X XI :1 8 13 XI

:

14 a 19

;

Episódios: XII

A

mulher e o dragão


64

A XIV

:

1

O

a 5

As quatro vozes

XIV: 6 a 13

XIV:

XV

XV:

:

5 a

Ua 2

a

20

A

4

O

10

19

A

XVII XVIII

XIX

:

a

11 a

XX :1

a 10

As

15

O A

XXII

:

11

a

8 a 21

sete taças

e as bodas do Cordeiro marcha triumphal de Cristo e as hostes con-

sagradas Subjugação final de Satanaz e enthronisação dos martyres

XXI: XXII: 5

XX:

ceifa e a vindima

Cântico de Moysés e do Cordeiro derramando pragas na terra, no mar, nas fontes das aguas, no sol, no throno da besta, no rio Euphrates e no ar A visão da grande prostituta A ruina da Babylonia Vozes celestes celebrando o triumpho de Deus

XVI: 21

XIX :1

besta do mar e a besta da terra Cordeiro e os seus no Monte Sião

Juizo final nova era

Epilogo


CAPITULO

1

Revelação, Esta palavra inicial indica a natu-

1.

reza do livro. Significa «acto de

De

Jesus Christo.

inspirado,

uma

No

tirar

o autor o escreve.

O

livro

revelação da pessoa de Jesus,

com

continuamente

o véu».

espirito d'Elle e por Elie é,

também,

como estando

as egrejas, no meio dos seus e

progressivamente conduzindo-os á victoria.

Que Deus lhe concedeu. Procedência em ordem Deus a transmittiu ao Filho, e Este, por seu anjo, a João.

Manifestar.

nosso autor,

«Esta

quando

palavra significa

é

do

característica

uma

revelação por

meio de visões» (Charles). Seus servos. Os crentes em geral (cf. cap. 22:9.) Cedo. A imminencia do Reino de Deus conti-

nuamente nos surge no N. T. Ver Mat. 24:29, Luc. 21:32, Rom. 16:20, Apoc. 22:6 e 7, etc. Elie está já estabelecido em nossos corações. A velha ordem social tem de dar logar á nova. O machado, como disse João Baptista, está posto á raiz

Christo bate á porta do coração humano. e

princípios

da arvore.

Os

factos

symbolisados nas visões manifesta-

ram-se no tempo de João e muitas vezes desde então na historia. «Os princípios enunciados pelo propheta, embora cumpridos «cedo», não se exhau-

rem no seu cumprimento immediato mas ainda

tra5


66

zem

lições para as successivas gerações

(Carpenter)

(cf.

II

humanas».

Ped. 3:4,8).

Por meio de figuras intelligiveis aos methodo da cartilha moenredo é uma série de parábolas dramati-

Significou. leitores,

derna.

semelhante ao

O

sadas.

Anjo, Mensageiro

espiritual.

O

próprio Christo»

porém, começou e terminou a revelação. 2.

Testificou.

lhos, Epistolas e

Uma

característica

Apocalypse.

O

dos Evange-

livro é oriundo

da

experiência do autor e este fielmente descreve a

verdade como

ella se lhe

apresentou.

Bemaventurado o que lê. e os que ouvem. A primeira referencia provavelmente é á leitura publica do livro nos logares de reunião. É possível que o povo de Deus tenha perdido grandes bênçãos por ter deixado de estudar devidamente o ultimo livro e a coroa da Biblia, o livro que contém 3.

.

.

sete bemaventuranças.

Guardam. Comprehendem, lembram, observam.

De

outra forma seriam

sobre a areia Prophecia.

(cf.

A

como o homem que

edificou

Luc. 8:18).

exposição da mente de Deus. «O

conteúdo do Apocalypse não é apenas predicção conselho moral e instrucção religiosa constituem o peso,

a

mensagem

principal

das

suas paginas».

(Alford).

O

tempo está próximo. «Na linguagem do Vi-

dente o passado, o presente e o futuro estão entrelaçados

tal

como são

vistos por

Deus

e nela se


67

exprime mais da verdade do qué o próprio Vidente sabia. Comquanto João contemplasse eventos próximos a seus dias, para nós as suas palavras não se limitam áquelles eventos»

(cf.

Luc. 18:7,8; Mat.

24:29) (Plummer). Iniciou-se já a marcha da

nha

campa-

final.

4. João, tolo,

É

impossível sabei se

o Presbytero ou outro.

É

claro

elle é o Aposque era conhe-

pois não necessitava de designação mais exacta. D'este e outros factos, muitos concluem que é o Apostolo. Inclinamo-nos a acceicido pelos leitoies,

tar

esta

hypothese. Elle apresenta-se-nos simples-

mente como um que se encontrára com a Divindade. O que escreveu, pelo seu valor intrínseco, attesta a realidade da expeiiencia. Ás sete egrejas. O numero perfeito indica que a applicação é universal. A mensagem de cada carta é destinada

não somente á egreja a que se escreve

mas também ás

Ramsay

egrejas» (Ver 2:7,11, etc.)

suggere que cada cidade a que se escieve representa

uma

com as Sabemos

região que incluía varias egrejas

características indicadas nas vai ias cartas.

que havia mais que sete egrejas «na Asía». Na Asta, A província romana que comprehendia a parte occidental da Asía Menor. Graça a vós e paz. Bellíssíma saudação, commum na egreja primitiva. «É a saudação de esperança e repouso, baseada no único vero alicerce de um ou de outro, a graça de Deus que é a fonte de vida e amor» (Carpenter).


68

Que

é.

O

grande «Eu sou», o eterno, iinmutavel

Deus, que fallou com Moysés.

Que era. Manifesto na historia dos servos de Deus, incarnado

em

Jesus, desde a eternidade Elie existe.

Que ha de

«Teriamos esperado, depois de mas não se apphca «ha de ser» a um eterno Deus. Com Elie tudo é; portanto se usa a expressão «ha de vir» que suggere as suas manifestações constantes na historia, e a vinda final no juizo» (Carpenter). «Elie é Senhor do presente, do passado e do futuro» (Peake). Realmente o thema db livro é a divindade actual e presente operando os seus intuitos atravez dos séculos, vencendo o mal em victorias progres«é»

e «era», a

sivas até á

vir.

expressão «ha de ser»

;

consummação num universo de

perfeita

harmonia. Sete espíritos. 4-5 é descripta

em

5:6,

como

Uma

como

perfeição espiritual que

olhos

sete

«symbolos da

luz

tudo abrange».

Podemos

(cf.

eterna e

Zach.

e

3:9,4:2,10),

do conhecimento que

consideral-os

sentando o Espirito Santo

cm

Deus

as sete lâmpadas de

em sua

como

repre-

multiforme acti-

vidade.

e

Deante de seu t/irono. Sujeitos á sua autoridade promptos para servir. 5. Jesus

Cííristo.

Em

terceiro logar aqui, talvez

porque Elie é a figura central do hvro. Testemunha fiel. Digna de confiança. A sua vida, ensino, morte, resurreição e presença em poder de-

monstram que

Elie é

um

perfeito expoente

da ver-


69

dade. Testemunha é

uma

ideia favorita de S.

João

(Ver João 3:32 5:36,18 37 e Apoc. 19:10 e 22:18). Primogénito dos mortos. «O primeiro que nas:

;

ceu para a vida eterna, depois da morte que ter-

mina esta vida»

(Plummer),

(cf.

1

Cor,

15:20

e

Col. 1:18).

Princípe dos reis

da

terra.

Governa os que go-

vernam os vivos. O poder do principe d'este mundo se quebrou e o sceptro pertence a Christo. É posse actual e agora já no principio do livro João assevera a autoridade d'Elle. Acima de todos os imperadores e reis, acima de todos os exércitos e multidões, elle pensava no Christo como Aquelle que regia e dirigia o curso da historia, e tendo a cer-

tempo devido havia de manifestar a «Um punhado lê os philosophos myriades morreriam por Christo. Aquelles, em sua popularidade, difficilmente poderiam

teza de que no

sua soberania» (Plumptre). ;

fundar

uma

escola; Christo, desde a sua cruz, rege

o mundo» (Farrar, citado por Carpenter). Áquelle que nos

O

Christo.

ama. Predicado principal

seu reino se fundou no amor e no

de

mesmo

se mantém.

Nos

É

libertou

dos nossos peccados pelo seu san-

do crente, porem desafia segundo nascim.ento é tão mysterioso como o primeiro. A mente moderna a figura pouco

gue.

facto experimental

definição.

O

suggere,

mas

e outros

da antiguidade

7:13,14).

era conceito

commum

(cf.

I

João

entre os Judeus 1:7,5:8

e

Apoc.


70

6.

Nos fez

reino

e

sacerdotes para Deus.

ser,

isto

posição

quem

é,

sacerdotes-principes de Deus, e esta foi

ganha para

elles

por

um Messias

a

quem todos os nãoque reconhecer como soberano»

os judeus rejeitaram e a

christãos

terão

(Moffat).

Com

mos

«Os

o que Israel esperava

christãos agora e aqui são

Elie

reinamos, dominamos o regra-

a nossa vida pela verdade. Por Elie entramos

immediatamente na Presença divina e Lhe chamamos «Pae» ... O terceiro grande oíficio, o de propheta, é omittido. Delle não haverá necessidade, pois todos conhecerão directamente a Deus. A elle a gloria. Ao lembrar o que Cliristo fez por nós, o autor interrompe o curso do seu pensa-

mento para uma doxologia que expontaneamente se apodera da sua penna. «As doxologias de S. João augmentam progressivamente, dupla aqui, tripla em 4:11, quadrupla

em 5: 13

e septupla

em

7:12» (Plum-

mer).

Pelos séculos dos séculos.

O

ponto de vista do

autor é o da eternidade. Treze vezes no livro elle

usa esta expressão. 7.

Eil'0 que vem. Expressão vívida. Elle está e

progressivamente vem. Diariamente somos julgados pela sua ineffavel presença.

Em

marcha atravez dos séculos, de até á consummação.

passo triumphal Elle victoria

em

Victoria,

Com as mivens. Estas frequentemente acompanham manifestações divinas, (cf Act. 1:11, Mare. 1 4:62, Dan. 7:13 e Ex. 19:16). Nuvens suggerem tristeza, .


71

guerra, revolução; no seio d'Elle, porem, repousa o arco-iris

da promessa.

Todo o olho o

verá.

mente seria limitada a

A vinda physica necessariaum certo logar, mas espiri-

tualmente Elie se manifestará na conversão de indi-

viduos e na transformação da sociedade. Elie

vem

vicio, na fraternisação das nações, na dedicação de todos os membros da sociedade

na abolição do

para o bem-estar

commum.

Elie

vem

á

medida que

se aplanar o caminho pelo banimento do mal. Visi-

velmente a plenitude da sua chegada se approxima.

Uns almejam

esta

vinda e outros,

com

razão, a

receiam. Aquelles que o traspassaram. É somente João que narra como o soldado abriu o lado de. Jesus com uma lança. Esse representa Jerusalém, os judeus, todos, emfim, que O crucificam de novo pela

sua recusa.

Todas as tribus da terra. Aquelles cuja cidadonia não está no céu. Lamentarão. Ninguém será indifferente a Elie. Gozo extático da parte dos que anciosos esperam a sua vinda, mas indizível desespero da parte dos que pertencem á terra. (cf. 6:15 e 16). Para estes a vinda significa juizo. Ver também Mat. 24:30. Diz Carpenter: «Elie vem quando o paganismo cae. Elie vem quando a força bruta do mundo se derruba. Elie vem quando cae o mundanismo. Elie

vem

e a sua vinda se extende continuamente sobre

o mundo, e brilha cada vez mais até ao dia perfeito.


72

As nuvens podem-se

que estão mais perto do pleno dia, mais escuras que as suas predecessoras no emtanto cada época conduz ao dia áureo. A linha de conflicto pode avançar ou juntar e tornar as épocas

;

retroceder de

tempo em tempo, mas

é

um campo

de

batalha triumphante que se representa. É, portanto,

o livro do advento e da victoria de Christo».

este,

Os que não estão em harmonia com gramma lamentarão a sua vinda.

esse pro-

O

Alpha e o Omega. A expressão encontra-se no livro. São a primeira e a ultima lettras do alphabeto grego. Elie é o perfeito Revelador porquanto abrange todas as lettras de que se for-

trez vezes

mam

palavras.

Visão Introductoria Versículos 9-20

O Yldente recebe a sua comralssão (cf. Jer. 1:1-10, Ezek.

1:1-13 e

Isa.

cap. 6, etc).

Vosso irmão e companheiro. «Linguagem de-

9.

de democracia» (Wilson). João escreve como irmão e não como sendo bispo ou papa. liciosa

Tribulação. foi exilado.

elle

nica,

A

perseguição dos crentes, na qual

Paulo, tendo de fugir de Thessalo-

escreveu aos crentes duas cartas para os

mar na

fir-

fé.

Reino.

Interior,

e

do

céu. (cf. Luc. 17:21). Esta

posse os habilitava a tudo soffrer (cf. Act. 14:22 e Apoc. 7:14). O império os perseguia, mas tinham recurso no reino espiritual. A opposição não os attingia,

pois atacava

num plano

inferior. Christo

-


73

podia enfrentar a Pilatos sem a mínima perturba-

ou pela Causa, pois diz Reino não é deste mundo».

ção ou temor por

si

Paciência. Esta

também

caracterisou

:

«Meu

os soffri-

mentos de Jesus. Pafmos. Uma pequena ilha pedregosa, não muito distante de Epheso. «Restringido a um pequeno logar na terra, é-lhe permittido penetrar os largos espaços do céu e seus segredos» (J. F. & B.). Comparem-se as visões de outros exilados ou prisioneiros, Jacob, Moysés, Ezekiel, Daniel, Bunyan, etc, etc. lhe

Por causa da palavra de Deus. A sua fidelidade outorgou tribulação mas também uma serie de

visões celestes. Paulo

foi arrebatado ao paraiso de Deus. Os anjos ministraram a Jesus, em Gethsemane. Os christãos de forma alguma podiam parti-

cipar no culto ao im.perador, portanto eram consi-

derados como sendo anti-patriotas e até inimigos do Estado. A adoração do Deus-homem não se coaduna com o culto ao homem-deus. Atravez dos séculos vem o mesmo conflicto. «O Senhor era Deus e veio como homem o Papa era homem e veio como ;

Deus» (Harold). 10. Arrebatado pelo Espirito.

A

experiência

foi

deve ser interpretada. Pode-se traduzir também assim «Fiquei» ou «Cahi no espirito», i. é, num estado extático. Elie estava no espirito de communhão, preparado para ver e espiritual

e

espiritualmente

:

As almas sinceras e empenhadas na sua pesquiza da verdade frequentemente caem na abstracouvir.


74

ção

espiritual,

ao que se passa

indifferentes

em

redor.

No

dia do Senhor.

O

dia a Elie consagrado, o

Domingo. Já nos dias dos Apóstolos o primeiro dia da semana chegou a ter uma profunda significação espiritual,

devido á resurreição

e

aos apparecimen-

tos de Christo nesse dia.

«O usual

primeiro dia da semana» (cf.

Act.

20:7

e

1

foi

a designação

Cor. 16:2). Mas, «desde

uma completa corrente de evidencia que he kuriak se tornou o nome christão usado para indicar o primeiro dia da semana. que as visões que seguem são agrupadas em series de sete, sete sellos, sete trombetas, sete pragas e o facto que ellas principiam no primeiro dia dos sete é eminentemente apropriado.» ("Plummer). Parece que certo dia da semana era chamado «O dia do imperador.» Ouvi por detraz de mim. Do passado. As visões são repletas de referencias ás figuras do Velho Testamento. O livro é eminentemente adaptado para Ignacio temos

.

.

terminar e coroar a Palavra divina.

Grande importante.

voz. Esta indicava

«Do

captiveiro

que a mensagem era

dos

seus

mestres,

a

Egreja tem recebido os seus thesouros mais permanentes» (Carpenter).

O som

não era incerto mas forte, vibrante, e penetrava até o âmago do espirito de João. 11.0 que vês. Elie devia usar methodo scientiTrombeta.

fico

— observar

antes de tirar conclusões:

nasceu da sua experiência da verdade.

O

livro


75

Escreve-o. Doze vezes elle recebe esta ordem. As visões eram tão importantes que deviam ser re-

gistadas para as gerações que haviam de

egreja universal.

aqueila

em que

vir.

O

numero completo indica a Ver sobre isto vers. 4. A ordem é

A's sete egrejas,

se lhes faria visita pastoral.

12. Voltei-me. Das preoccupações temporárias. Para ver a voz. A angustia do povo de Deus sempre tem sido occasião de revelações especiaes da Sua graça. O livro foi escripto, não para predizer acontecimentos históricos, embora estes tenham

exemplificado

os

princípios

revelados,

mas sim

para revelar a Christo e á verdade que Elle representa

em

relação aos problemas da humanidade.

Sete candieiros de ouro,

A

preciosa egreja univer-

Em

Zacharias (cap. 4) o candieiro é um só com sete lâmpadas alimentadas por canudos que descem

sal.

de

um

A

que a egreja diffunde é proveque vem de cima. Ella vence, conforme disse o anjo, não por força nem por poder mas pelo espirito, pela luz da verdade que difniente

vaso.

luz

do

alim.ento

yVí7

meio dos candieiros. Conforme a sua pro-

funde. 13.

messa, Elle assiste espiritualmente á egreja universal,

constituindo a sua unidade

em sua

diversidade.

Nos Evangelhos vemos o Christo histórico; aqui vemos o Christo actual e eterno. Semelhante ao filho do homem. Mesmo depois de glorificado, Elle retém a sua natureza humana. João reconheceu immediatamente suas feições.


76

De roupa

talar e cingido pelos peitos. Encontra-

mos, porem, elementos novos. «Elie apparece tracom a dignidade real e sacerdotal. A cinta

jado

.

.

não está nos lombos, como se estivesse preparado para acção e labuta (Luc. 12:35), mas é usada

como por um que descansa do

labor *no repouso da soberania'. a cinta é. de ouro puro, o emblema de uma presença real» (Carpenter). 14. ^ cabeça e os cabellos eram brancos. João estava perante o «Ancião de dias», o eterno Deus, o Ente celestial, coroado de «experiência, dignidade .

.

.

.

e autoridade».

Como a

como a

lã branca,

neve.

Admirado,

elle

repete; são brancos, diz,

como

morrera com

annos, que tinha suppor-

tado

uma

trinta e trez

a neve. Aquelle que

eternidade de dor, assim sahiu sempiterno

na sua experiência, Ancião de Dias na sua sabedoria» (Wilson).

Os

olhos eram

como chamma de fogo. A juventude

eterna brilhava no seu olhar; os olhos iiluminavam,

penetravam, julgavam. Deus é

um

fogo consumidor

para todo o mal. 15. Latão polido.

O

ciado, fraco e trôpego.

agora estão e

Christo actual não é

Os

uma vez

fortes, inflexíveis, brilhantes.

verdade no seu andar.

majestosa

Pés,

A

ema-

cravados,

Ha

justiça

força e a gloria da sua

pessoa estendem-se até

aos próprios

pés.

A

voz de muitas aguas.

murmúrio do

arroio,

Doce musica como o

o deslisar da meditação, o sus-


77

surro da consciência; poderosa

como

a catadupa e

o ribombar da ressaca, a vibração da eternidade nas praias do tempo. «Forte e majestosa entre os

sons babelicos da terra». 16. Sete (vers.

estrellas.

Guiam

20).

São os anjos das egrejas

pela sua posição fixa. Quanto

mais densas forem as trevas da afflicção, mais visivel será a sua luz. «Talvez pareciam como uma grinalda, ou

como um diadema

adornado de es-

real

na sua Mão. Exprimem a sua preciosidade á vista de Christo e o desvelo com que cuida del-

trellas,

les.»

(Carpenter)

Da

(cf. Isa.

bocca sahia

que profere

62:3

e Jer. 22:24).

uma espada aguda. A verdade

é a única

arma que

traz este augusto

gumes dividem a verdade e o erro, Os separam os bons e os maus, «expõem os pensamentos e intentos da alma». Corta os membros infeccioVulto.

nados

dois

e cauterisa as feridas ("Ver

Heb. 4:

12,

Isa.

11:4, Eph. 6: 17 etc.) Eis a única arma que é legitima ao soldado da Cruz. (cf. Mat. 26 52 e II Cor. :

10:4).

«Os dois gumes, ou cortaram o peccado do

homem, ou cortarão o homem no seu pecado» (Carpenter.).

O rosto era como o sol. Nada de pessimismo não é abatido ou triste. A gloria da sua infinita personalidade não a pódemsupportaros olhos humanos. E' a luz inacessível de Deus (I Tim. 6: 16) que se reflectiu no rosto de Moysés e com que os justos hão de brilhar (Mat. 13:43). 17. Cahi. E' irresistível o choque do encontro


78

do

com o

finito

santo

(cf.

Infinito,

o peccador

com o Deus

a experiência de Isaias, Paulo, etc).

Aos seus

O

pés.

espirito de humilde adoração

encontra a refulgencia divina.

Pôs a sua dextra sobre mim. E' um gesto de meiga amizade e amor. E' a mão que tantas vezes se estendeu para confortar e soccorrer.

Não

temas. E' esta a sua phrase costumada para

o coração receoso. Quando

Elie,

o Senhor do uni-

verso visivel e do universo espiritual, assim

falia,

o

coração socega.

O primeiro

e o ultimo. (Ver nota sobre versículo

«Antes de todas as coisas Elie era, portanto, o

8).

primeiro

;

e ainda

como uma

voltas

que todas as coisas mudem, en-

vestimenta, os seus annos não fa-

lharão; portanto é o ultimo» (Carpenter).

O

que

vivo.

No

sentido absoluto.

Fui morto. Quanto á carne. Morreu no tempo

mas

«Onde está, ó morte, a tua Ha aqui duas maravilhas: o Vivo fica

vive na eternidade.

Victoria?»

morto e o Morto para todo o sempre está vivo. E' uma outra forma do paradoxo de que os Apóstolos tanto gostavam (Phil. 2:8,9; Heb. 2:9. Carpenter) Estou

vivo. Elie

vive nos céus e

em

milhões de

corações victoriosos. Nesta convicção os Apóstolos

sahiram para conquistar o mundo.

Tenho as chaves.

Elie

tem autoridade sobre a

morte e o Hades.

Hades. braica,

A

invisível região,

aonde

conforme a crença he-

iam todos ao sahirem deste mundo.


79

Assim, no cap.

6:8,

receber as suas

o Hades segue a Morte para venceu a morte e

victimas. Elie

traz-nos a vida. Portanto Elie traz conforto real aos

que estão como estavam os crentes da Asia, debaixo da sombra da morte. 19. Escreve. Pois tância deve

de Deus

em

ser

uma

visão de tamanha impor-

publicada para confortar o povo

todos os tempos.

As cousas que

viste.

O

que entrou no seu pers-

picaz coração.

As que

são.

Que

realmente existem atraz destas

scenas exteriores e passageiras princípios e verdades sobre

;

«aquelles eternos

quaes se apoiam

as

todos os phenomenos humanos».

E

No

as que hão de succeder.

séculos,

desenrolar dos

emquanto os princípios se materialisam na

vida do povo de Deus e nas desgraças que sobre-

veem aos que 20.

rejeitam o seu amor.

MysteriO'

A

significação

secreta

que se

pôde obter somente por meio da revelação.

As

sete estreitas

são os anjos. Varias theorias

se encontram sobre a significação de anjos

:

os bis-

que vieram ter com João, os seus anjos de guarda. Charles pensa que as estreitas representam, ao modo semítico, o pos, leitores, os seus mensageiros

ideal

celeste das sete egrejas, e os sete candieiros

são a realisação effectiva daquelles ideaes.

de Carpenter é semelhante.

«O

A

ideia

anjo da egreja en-

tão seria a personificação da egreja... é a egreja vista

em

seu

representativo

celestial

e

portanto


80

á

vista

que

luz

lhe

daquellas

pertencem se

possibilidades ella

esplendidas

se firmar naquelle que

segura as sete estrellas». Jesus culpas

falia

como

ao anjo, louva-o

encontramos «anjos de ventos», de fogo». As sus, todavia

e

nelle

lança as

se elle fosse a própria egreja.

estrellas

são

sua permanência

ellas ahi.

e,

em

são seguras na

8:3,

Em

7:1

o «anjo

mão de

mesmas responsáveis

Je-

pela


CAPITULO

II

Carta á Egreja de Epheso Ao

1.

anjo.

As egrejas.não são avocadas

dire-

ctamente mas sempre por intermédio de seus an-

O

jos.

anjo é o seu «complemento celeste e repre-

sentante responsável.

—o

.

melhor da egreja

é o «eu»

.

«eu» que se estimula e accorda quando a voz

de Deus é ouvida verdadeiramente por ella» (Scott).

É

«o espirito da egreja personificado

tor

como seu

tu-

responsável» (Plummer).

Epheso.

A

primeira e maior de todas as cidades

da «Asia». Mais tarde Smyrna tomou a primasia. Naquella Paulo trabalhou tres annos. Outros notáveis evangelistas,

como Apollo

ram a fundar a obra

em Actos

alli.

O

e Timotheo, ajuda-

caracter da cidade se

Seu commercio provavelmente suggeriu a descripção de Babylonia no cap. 18Possuia o famoso templo da «Diana dos Ephesios». Escreve, Ver nota sobre 1:11 (cf. Isa. 8:1; Jer. reflecte

30:2

;

Hab.

19.

2:2, etc.)

A

descripção da pessoa de Christo varia conforme a attitude que Elie assume para com a egreja a quem Elie falia nas varias Isto diz aquelle que.

cartas.

Ha uma

descripções á

.

.

extraordinária

egreja

e

adaptação

à çidade

em cada

dessas caso.


82

Quasi todas as qualidades estão na descripção 1

:

em

13 a 16.

Tem as

A

sete estrellas.

palavra grega

krato

quer dizer governar, ser senhor de. Elie governa absolutamente as sete

estrellas.

A

egreja, pelo con-

deixado o seu primeiro amor.

trario, tinha

Anda no

meio.

Observando

a luz variável, espe-

vitando, renovando o azeite.

Assim elle falia a todas as egrejas. Elie sabe, porque está no meio tudo presenceia. O tribunal de Christo não se reserva para o ultimo dia. Embora o mundo menospreze e olvide os heroes da fé, ha Um que tudo nota. 2.

Sei.

;

O

Obras. nação,

etc.

bem que

seu trabalho, perseverança, descrimi-

Elle

sempre sabe, em primeiro logar o

encontra e nota,

organisação

ciona culto bonito, bello,

mas sempre

frutos e

com grande

perspicácia,

de cada egreja. Elle nunca men-

as circumstancias

falia

em

perfeita,

edifício

«obras». Elle procura

não folhas.

Não podes

sapportar os maus. Cuidadosamente

excluíam aquelles cuja vida não se conformava com o Evangelho. Os corinthios foram negligentes a este respeito.

(I

Cor. 5:1).

Examinavam cuidadosamente de Berea (Act. 17:11). Não eram,

Puzeste á prova.

como

fizeram os

indiferentes quanto ao ensino da egreja.

Os que dizem ser apóstolos. Os mestres falsos que tão frequentemente aparecem para perverter. Perturbaram aos gaiatas e aos corinthios. Jesus


83

predisse a sua vinda. (Mat. 7 2 1 e 22). Também Paulo. :

(Act. 20:29). 3. Perseverança.

Apesar das duras provas,

João 16:2). Não te has cansado.

Um tanto,

(cf.

porém, no espirito

de Saulo de Tarso. 4. Deixaste o teu primeiro

mas a

principal, (ver

amor.

Cor. 13).

I

O

Uma

amor

só cousa,

foi

a prova

única exigida de Pedro para a sua restauração ao

apostolado (João 21 15-18). Os ephesios haviam tido grande affeição a Paulo. (Act. 20:37, 38). Tal:

vez a sua

contra

luta

a heresia os tornasse

um

com os seus semelhantes e da mesma forma esfriaram para com o Salvador. tanto descaridosos para

O

de amor da do serviço perderam a sua primitiva affeição. O espirito de Maria é preferível ao de Martha. (Luc. 10:40 e 41). «Toda a religião se resume em uma palavra, Amor. Deus nos pede isso não podemos dar mais, e Elie não pode acceitar menos». 5 Lembra-te, pois, de onde cahiste. É triste lem brar um passado desperdiçado no serviço do mal. Paulo queria esquecer o tempo em que perseguira os crentes. Mas é ainda mais triste contemplar alturas de experiência espiritual de onde temos cahido. Envergonha-nos ter de voltar pelo caminho por onde já viemos. «Sempre ha aguilhões na memoria de um passado melhor e mais nobre, que aguilhoam aquelle que baixou o nivel da sua vida e o incitam

amor d'Este

nossa parte.

.

é muito sensível á falta

Na

rotina


84

a tomar para

O

si

de novo o que perdeu». (Trench).

pródigo lembrou-se do

filho

lar.

(Comp. Heb.

10:

26-32).

Um quando

marido pode continuar a manter o seu lar, morto o seu primitivo amor pela esposa,

está

mas um verdadeiro marido guarda ò ardor de seu amor, conserva-o fresco e puro e ardente e nunca repartido.

Os

uma

garante

nos

juga-se

com

De

dynamica que

é a única

idade fructifera». (Gardiner).

Arrepende-te. defeitos

mas

hábitos christãos são excellentes,

devoção ao nosso Senhor

O

filhos,

amor mal comprehendido tolera mas o amor do Salvador con-

a firmeza de

outra forma.

O

um

cirurgião.

arrependimento é necessidade

absoluta.

Primeiras obras, Elie não se contentava

obras rotineiras do dever, dantes,

paixão

expontâneas, christã.

A

mas desejava

exuberantes

actividades

paixão de Christo

as

da

é constante;

para reatar as doces relações anteriores,

cousa necessária é que

com

as abun-

a

única

ellas voltem.

Removerei o teu candieiro. Da desobediência resultam trevas. De vez em vez o porto de Epheso assoreava-se, de maneira que a cidade foi obrigada varias vezes a mudar de logar. Ramsay pensa

que este facto suggeriu a expressão. Scott prefere pensar que os membros da egreja haviam de ser espalhados pela perseguição. É, porém, somente «a

lorma

terrestre

da egreja que é removida.

permanece na mão do Redemptor».

O

A

estrella

amor divino


segura

tudo

menos

o

que Lhe arrancamos das

mãos. Nosso é o indizível prejuizo. (Mat. 21:43).

Mas

6.

isto tens.

O

amor procura o que pode a

favor dos seus.

Aborreces as obras. ella

tiva,

Embora uma

virtude nega-

não escapa aos olhos do Salvador. Não

aborreciam os homens mas as suas obras. Aborre-

sem amar o que Elie amava. Nicolaitas. Provavelmente os que ensinavam que a lei moral se abrogava em Christo. A egreja primitiva achava-se entre dois grandes perigos, o

ciam, porém, o que Christo aborrecia,

de seguir os judaisantes que exigiam que todos os

que adoptavam o Evangelho fossem também judeus os que interpretavam mal o ensino de Paulo, allegando que as obras são indifferentes uma vez que tenhamos fé. 7. Quem tém ouvidos. O apello de Jesus sempre é feito ao individuo. Individualmente os membros da egreja de Epheso são responsáveis. Se o individuo for fiel, elle permanece, embora caia a egreja de que é membro, (cf. Mat. 9:15, Mare. 4:9, Luc. e

8:8,

O

etc.

Espirito.

A

personalidade de João cedeu o seu

logar completamente. Elle era apenas

Cada mensagem

é

«uma voz».

endereçada à egreja, para os

trtembros individualmente,

e,

por fim, para a egreja

universal. .45 egrejas. As sete cartas formavam um só documento que circulou entre todas as egrejas. De-


pois do primeiro capitulo,

usa mais

em

o numero sete não se

referencia ás egrejas.

Vencedor.

O homem

foi feito

para dominar e não

para ser dominado, seja pelo mal ou outra qualquer

cousa (Gen.

1

:

28).

A

vida christã é a vida victoriosa.

Neste livro ha muitas designações de Christo, mas

aos christãos é só esta que se applica. (Peake). Participamos da Victoria de Christo. (Cap. 3:21 cf. João 16:33; João 2: 13,14 e 5:4,5). I

Darei.

A

immortalidade é dadiva de Deus.

Arvore da vida. «A arvore que dá a vida»,

Gen.

:

«o pão da vida»

e

(cf.

3 22-24). Assim também a «agua da vida» (João 6:35).

Em

todos estes

casos «vida» é expressa pela palavra grega zoa, o principio vital que o

homem

participa

junto

com

que exprime o que elle possue junto com os demais homens». (Plummer). Pelo comer desta arvore poderão voltar ao paraizo Deus, e não pela palavra

bios,

de deliciosa communhão, que perderam por amor. Esta arvore será accessivel a todos, as estações, na .

Nova Jerusalém.

falta

em

de

todas

(22:2).

O logar de onde o peccado os O arrependimento lhes outorga novo ingresso.

Paraiso de Deus.

excluiu.

Carta á Egreja

em Smyrna

Smyrna. Era uma cidade magnificente, com excellente porto, que ainda florescia, tendo 250.000 habitantes. O seu padroeiro era Dionysio, deus dos 8.

«poderes mysteriosamente productivose intoxicantes


da natureza».

A

vizinhança era fertilissima e dizia-áé

que as videiras

alli

davam duas vezes ao anno.

Corria a lenda que Dionysio resuscitara, e isto fre-

quentemente se representava no tiíeatro de Smyrna. É possível que a saudação esteja influenciada por este facto. Nesta egreja, bem como na de Philadelphia,

nada passível de condemnação

foi

achado.

A

sua tribulação e pobreza e perseguição apresentam

um

grande contraste com a populosa e respeitável

egreja de

Epheso.

o fazer somente

Quem um

por

a ella se unisse havia de

sincero

amor dedicado a

Christo.

Tribulação. Esta foi o resultado da sua pureza

9.

num meio

corrupto.

Pobreza. Provavelmente muitos tinham perdido a sua

propriedade,

christã.

por multas impostas aos da

Semelhantes a Lazaro, porém,

ricos perante Deus.

Laodicea.

(cf.

II

O

elles

eram

contrario se diz da egreja de

Cor. 6:10 e Mat. 6:20).

Calumnia. Assim soffrera Jesus. As accusações falsas

não são especificadas por aquelle que vê os

corações.

Judeus. Entre os seus mais ferozes perseguidores estavam aquelles que pelas suas antigas tradições deviam constituir o povo de Deus. Quando Polycarpo,

o seu ministro, foi queimado, «conforme o seu costume» estavam entre os primeiros a trazer lenha. E nisto não se sentiram constrangidos pelo facto de ser em sabbado, seu dia de descanso.

Não

o são.

A

sua conducta e o seu espirito rene-


88

gavam o nome que ainda teriormente,

Rom.

(cf.

traziam.

A

2:28).

dos dois partidos extremos

:

Eram judeus ex-

egreja primitiva soffria

de

um

lado os Judaisan-

exigindo a observação completa da

tes,

bem como da

nial,

lei

ceremo-

moral, de outro os Antinomistas

ensinando que pela fé se abrogava a que a conducta nada valia.

lei,

de maneira

Synagoga de Satanaz. Synagoga quer

dizer as-

semblea e aqui pode ser tomado o termo como representando o conjuncto de aquelles que se opõem á verdade. «É o contrario da «synagoga do Senhor»

em Num. 16:3 e 20:4. Exceptuando Tiago 2:2, «synagoga» no N. T. sempre se refere a assembleas judaicas» (Plummer). Comparar o «throno de Satanaz» ver. 1

0.

13.

Não

temas. Vide nota sobre 1:17.

Os

perigos e

nunca os occulta. (João 16:33, Mat. 10:16-31). Mas com a prova vem o auxilio necessário. Tal como o nosso dia, assim será a nossa força. as difficuldades da vida

O

que estás para

cliristã, Elie

soffrer.

Previsto e permittido

por Deus. (Assim Job, e Paulo, Act. 9: 16). Satanaz tenta, mas Deus prova-nos para nos fortalecer

nos

e desenvolver.

Também

lha. (Luc. 3: 17).

Elie separa o trigo da pa-

Não estamos

livres

de

soffrer,

mas

somos resguardados na fornalha da afflicção. Diabo. O «accusador» (Job 1 6, Zach. 3:1 e :

Apoc. 12: Prisão.

10).

A

2,

calumnia é dos judeus.

Os Romanos não usavam

castigar a

não

ser por multa, exilio ou morte e somente lançavam


na prisão para esperar o processo ou a execução da pena. «Precisamos entender («a prisão») como

sendo

um

breve epitome (resumo) de todos os sof-

frimentos que os esperavam. Prisão era o.

.

.

prelu-

dio para o cumprimento da sentença» (Ramsay).

Dez

Conta redonda, indicando brevidade. A perseguição não iiavia de continuar por um periodo indefinido, mas por Deus estava limitada. Os annos de amarga perseguição que Paulo soffreu foram considerados por elle como uma «afflicção modias.

«um eterno peso de gloria». também o uso de «dez» em Dan. 1 12 e 14, Num. 11 19). Sobre numero, no Apocalypse, vide

mentânea», que produz (Cf.

e

:

:

o appendice.

fiel até

á morte. Sê

ainda que

fiel

própria vida. (Cf. Phil. 2 8). :

Quando

te

custe a

veio a perse-

guição predicta, o pastor de Smyrna, o velho Polycarpo, incitado a renegar a sua fé salvar a vida, respondeu

:

em

Christo para

«Quatro vintenas e seis

annos tenho sido o servo d'ElIe e Elie nenhum mal me fez: como posso blasphemar o meu Rei que

me

salvou ?»

A

fidelidade d'esta cidade ao

romano é notável na historia. Coroa da vida. A nota predominante da

— Victoria sobre

governo carta é

a morte. Christo tornou a viver, os

haviam de receber a coroa da vida e o vencedor nada soffreria na segunda morte. «A coroa de fieis

Smyrna» era phrase corrente

e

referia-se ás suas

edifícios situados em Monte Pagos. Apollonio de Tyana disse-lhe que antes devia glo-

torres e bellos


no caracter dos seus homens. «A promessa agora é que uma coroa nova se dará a Smyrna. Não trará mais uma coroa apenas de edifícios e riar-se

torres,

nem mesmo dos bons

lonio a aconselhava a tomar,

cidadãos, como Apolmas uma coroa de vida»

(Ramsay). Nos jogos, os victoriosos eram coroados. (Cf.

Cor. 9:25, Phil. 3: 14 etc.)

1

«Assim como a arvore da vida é symbolo da immortalidade bemdicía

em

Christo,

a coroa parece

plena consummação» (Charles). Segunda morte, A morte da alma. Somos sujeitos á morte do corpo, mas o espirito escondido com Christo em Deus é immune. «Quem duas vezes

symbolizar a sua 11

.

uma só vez. Nascido apenas uma bem como o corpo, morre».

nasce, morre

o espirito,

Carta á Egreja Pergamo a

vez,

em Pergamo

«Para João era a sede onde o poder d'este mundo, o inimigo da egreja 12.

capital de «Asia».

do seu Autor, exercia dade se exercia por dois ção civil pelo procônsul e rigida pela Communa da e

a

autoridade.

A

autori-

modos... a administraa religião do Estado diAsia» (Ramsay). Aqui o

Christianismo havia de ter o seu mais renhido conflicto

com o culto imperial. uma cidade culta, possuindo em

certa epo«Pergaminho» cha a segunda bibliotheca do mundo. se deriva do nome da cidade. Era também uma

Foi

«cidade de templos».


Afiada espada de dois gumes, Ella separa o bem

do mal. As sete cartas, o espada de discernimento

livro

tomado, constituem a

e secessão.

A

descripção,

porém, representa aqui o facto de que «atraz do

Governador Romano

e

acima

d'elle

ha

Um

cuja au-

ctoridade é ainda mais poderosa, pela vontade do

Qual os principes governam e para com Quem os próprios tyrannos da terra são responsáveis» (Scott). 13. Sei onde habitas. Elie conhece as nossas circumstancias todas e as considera quando nos julga. Onde Satanaz tem o seu throno. Sendo a capital da Asia, era o centro do culto do imperador. Os soffrimentos de Smyrna procederam principalmente de seus concidadãos e, sobre tudo, dos judeus. Mas a perseguição que cahiu sobre Pergamo distingue-se claramente de aquella espécie de soffrimento. Em Pergamo tomou a forma do «soífrer pelo Nome», quando os christãos foram processados na tribuna proconsular e defrontados

com

a alternativa de se

conformarem com a religião do Estado ou terem a morte immediata Prisioneiros de todas as partes da .

.

.

Provincia foiam levados a Pergamo para o processo e a

sentença perante a auctoridade que possuia o

da «espada. Jus gladii, o poder de vida e de morte, i. e. o Procônsul Romano da Asia» (Ramsay). direito

Pode symbolisar também qualquer logar «onde se

esquece Deus, e o mundo

é

adorado, onde a

como sendo desconvenções dos homens ou ao código

lealdade a Christo se interprete lealdade ás

não escripto das relações sociaes»

(Scott).


Conservas o meu nome. «O nome de Christo parece

em

ter,

conservar e

si

nome de Christo

algo objectivo, de maneira que se pode confessar e negar..,

perder,

O

Christo comprehende a própria pessoa de

em

com

conjuncto

ria» (Meyer). Elie

as suas riquezas e glo-

sempre menciona

primiciro o

que

é de elogiar.

Nâo o

negaste.

nome de

Em

muitos casos o simples negar

christão ou

o blasphemar o nome de

Jesus era sufficiente para livrar o crente da pena

de morte. Antipas. Este

É

nome

é mencionado somente aqui*

um numero elevado de «Que um nome representasse a lista inem harmonia com o estylo do Apocalypse»

provável que represente

victimas. teira está

(Ramsay). Provavelmente a perseguição nessa occaSião extendia-se a muitas outras cidades também.

Em

17:6 a mulher

é

embriagada com o sangue dos

santos.

Minha

testemunha.

fiel

taphio, ainda

Um

que merece este epi-

que morto vive para sempre. em confessar aos que

de Christo se deleita

O amor O con-

fessam.

umas poucas de cousas. Este amor, Poucas cousas, mas sérias, toporém, não lerava aos que seduziam, como Balaão. Semelhante a elle, a egreja tinha o bem misturado com o mal. (Vide Num. 31 16). 14. Contra

ti,

é cego.

:

Pedra de tropeço. (Mat. 18:6).

Uma

das maiores offensas.


93

15. Nicolaitas. (Vide nota sobre ver. 6). Parece

que eram crentes commodistas, entendendo talvez que não faria mal queimar um pouco de incenso ante a estatua de Cesar. A religião christã, assim transigindo com o mundo, perderia o seu valor. «Ou havia de vencer e destruir a idolatria imperial, ou teria

de transigir

e,

assim fazendo, seria ella

destruída». S. Paulo,

bem como

toda a clareza o perigo

S. João,

mesma

viram com

da decadência da egreja

por esta forma e combateram-no

com todas

as suas

forças.

16. Arrepende-te.

demna.

não connós mesmos se não

Christo corrige

Condemnamo-nos

acceitarmos o Seu convite.

a

Com

e

infinita

longanimi-

dade e amor elle nos convida a abandonar o mau caminho e voltar a andar com Elle. Venho a

ti

sem demora. A vinda é como a -de um O effeiío do mal não tarda, embora

ladrão de noite.

muitas vezes seja occulto. Pelejarei.

«Se alguém não se arrepender. Deus

afiará a sua espada». (Ps. 7: 12). resistir?

quando

No

capitulo

19

Quem Lhe

poderá

vemos o que acontece

Elle sae contra o mal.

Quem Lhe

poderá re-

sistir?

Contra elles. Christo vem á egreja mas peleja somente contra os malfeitores.

A espada de minha bocca. A intransigente arma da verdade do seu ensino. Desastroso é viver em desharmonia com a verdade. Balaão encontrou um anjo armado de espada, e por uma espada elle nior-^


94

(Num. 31 8) O viver no meio de uma geração corrupta não nos desculpa qualquer peccado. 17. Vencedor. E' possível vencer, mesmo onde existe o throno de Satanaz e num meio corrompido reu.

:

de doutrinas Elie

sabe

falsas.

as

Em

tal

caso maior é o premio

circumstancias

e

ajuda conforme

nossa necessidade, se a Elie recorrermos.

O

a

vence-

dor é aquelle que tem o costume de vencer o mal.

Manná

escondido. Manjar que o

nhece. (Cf. João

4:32

e

I

mundo não

co-

Cor. 2:9). Aarão depo-

sitou um homer do alimento celeste deante do Testemunho (Ex. 16:33) e a tradição judaica diz que antes da queda de Jerusalém o propheta Jeremias enterrou a arca e seu conteúdo no monte Pisga, onde havia de repousar até que Deus convocasse de novo o seu povo. E' o manjar secreto com que Deus alimenta os Seus, habilitando-os a resistir ao mundo e a vencer o inimigo da nossa alma. «Semelhante ao fogo na casa de Interprete (no «Peregrino»), os homens podem-se esforçar por apagal-o,

mas

certa

mão

escondida, secretamente alimenta o

fogo com azeite» (Carpenter).

Em

S.

que o pão vivo que desce do céu é «Vê-se mais uma vez o Christo a si mesmo da forma humana, mas forma do pensamento humano, com o

sus.

que teve no principio, para se dar a

João notamos o próprio Jerevestindo-se doesta vez na

mesmo intuito mesmo aos

si

homens» (Scott). Pedra branca, «Pedras brancas representavam á mente antiga a absolvição, ou admissão a uma

festa,


95

OU boa fortuna,

etc.» (Moffatt).

Nos jogos

era signal

O

sacerdote judaico trazia pedras com Trench suggere neste passo o Urim, que talvez fosse um diamante, tendo insculpido o nome nunca pronunciado de Jehovah, que assim podia suggerir um mais profundo conhecimento de Deus. Ramsay entende que é a tessera, «um cubo ou bloco rectangular de pedra, marfim ou outra substancia, com palavras ou symbolos burilados em uma ou mais faces». Embora seja impossível dizer qual a referencia histórica da figura, a significação parece ser a nossa experiência secreta da graça divina. O material, pedra, é immorredouro e a cor indicava felicidade. O vestuário dos remidos

de Victoria.

inscripções.

é branco.

Novo nome. Nomes

secretos,

deuses, eram considerados

especialmente dos

como conferindo grande

poder aos que os conhecessem. «Elie poria no coração de seu servo fiel o nome que é acima de to-

dos os nomes, o nome ao qual se dobrará todo o joelho dos que estão nos céus, na terra e debaixo

da

terra.

.

.

.Christo lhe daria

sentido profundo da Biblia,

um «nome novo» no uma nova natureza, a

verdadeira chave do verdadeiro céu» (Scott). Assim Jesus toma as ideias erróneas da magia dos circulos esotéricos e as reveste de ção,

servindo-se

d'ellas

uma

verdadeira significa-

pára indicar a

união

e

communhão profunda do christão com o seu Christo. Ninguém sabe. O mundo não conhece nem pode tirar

a paz ao christão,


96

Carta á Egreja

em

Thyatira

Esta é a carta central e a mais comprida das sete.

Thyatira era

uma

cidade commercial, e os ci-

dadãos, para poder ganhar a vida e gozar os privilégios próprios da sua posição, eram quasi obriga-

dos a pertencer ás associações industriaes

e

com-

merciaes e a assistir a seus banquetes, que eram

sempre dedicados a alguma divindade pagã. O problema era um tanto difficil para os crentes. Aqui o mal se enraizara na própria egreja e arrogava para si

uma

certa auctoridade.

18. Filho de Deus.

Uma

expressão majestosa,

neste livro usada somente aqui.

Olhos como tudo

uma chamma

de fogo. Elie percebe

(v. 23).

Pés semelhantes ao latão polido. São semelhande um guerreiro de armadura forte para calcar o mal pertinaz. 19. Sei. As cousas recommendaveis são pormenorisadas e recebem tanta emphase que nos dão a entender que o Mestre as contempla com grande amor. tes aos

Obras.

amor, e

dois pares de virtudes: serviços e

e perseverança.

Do amor

são oriundos

os serviços, da fé provem a perseverança.

Ultimas obras mais numerosas. «Epheso retromas Thyatira progride... Em Epheso ha

cedeu,

muito zelo pela orthodoxia, mas pouco amor.

Em

Thyatira ha muito amor mas descuido quanto á doutrina falsa»

(Plummer),


20. Toleras. Supportas sem reprehender. tão e a egreja não

podem

O

chris-

ser indifferentes ao

mal

uma víbora. Jezabel. Uma influencia má, uma pessoa ou um partido dentro da egreja que a corrompia, como fez que, no seu seio, é semelhante a

a perversa mulher de Achab. Ella prefigura a prostituta

do cap.

17,

assim como Balaão prefigura o

do cap. 16. «Parece melhor considerar o nome como sendo symbolico, sempre lembrando que o espirito de "Jezabel, orgulhoso, collocando-se a si próprio em autoridade, blasonando

falso propheta

santidade superior, ou conhecimentos mais elevados, ligado a

para

menosprezo

—e

talvez a

desdém

com o

aberta,

legalismo, e seguido de immoralidade tem pouco a pouco alastrado nas egrejas de

Deus» (Carpenter). Ensina. Era activa na propaganda das ideias falsas.

lava

As cousas profundas, os mysterios que revecomo sendo desconhecidos pelo vulgo, eram

realmente de Satanaz Fornicar.

A

(v. 24).

apostasia no V. T. é continuamente

representada pela infidelidade conjugal ou impureza.

A

noiva abandona o noivo quando a egreja segue

outros deuses. Por outro lado os sacrifícios e as

do paganismo eram e são acompanhados frequentemente por costumes lascivos. Comer das cousas sacrificadas aos idolos. Este costume suscitou uma das questões mais vexatórias na egreja primitiva. Em si a carne em nada era dif-

festas religiosas

ferente de outra qualquer,

mas o

transigir

com o pa7


98

ganismo podia acarretar perigos moraes. A impureza de vida é frequentemente associada a este costume no N. T. (cf. Act. 15:20). A idolatria e a impureza

andam de mãos dadas. 21. Dei tempo. Ninguém

se pode queixar por opportunidade de se arrepender. Deus é longanimo, mas nada ha mais terrivel em seus effei-

de

falta

tos sobre a alma

Gen. 6

:

Lanço forma

que desprezar a sua graça. (Vide

3).

em

mm

leito.

«O

quarto voluptuoso se trans-

O

quarto de doença.

logar do peccado será

a scena do castigo» (Carpenter). se relaciona directamente

suas

com

O

castigo de

Deus

a offensa contra as

leis.

grande tribulação. O dia de Jehovah é grande e mui terrivel: e quem ó poderá supportar?

Numa

'

(Cf. capítulos 7, 9, 18, etc).

Os que adulteraram com ella. Estes são arrastados para participar da sua perdição. Se não se arrependerem. Parece que para elles a opportunidade ainda não passou. ella

Seus filhos. Os que se teem relacionado com moralmente, tornando-se discípulos d'ella. O

castigo é tão terrivel porque a própria existência da

egreja estava em jogo. Se transigisse com a sociedade em que vivia, a religião christã ter-se-ia tornado simplesmente mais uma religião, ao lado do culto do imperador. «Deveria o Christianismo con-

formar-se

com

os princípios então existentes e ac-

ceitos pela sociedade, ou deveria elle forçar a socie-


99

dade a conformar-se com seus princípios ? Quando se faz assim a pergunta em sua plena e veraz apresentação vemos logo quão errados estavam os nicolaítas e a

sua prophetisa de Thyatira. Reconhece-

mos que o futuro todo do Christianismo estava em jogo, em relação á questão proposta mais uma vez admiramos a perspicácia perfeita com que os Após;

tolos aquilataram cada questão

que se lhes apresen-

tava na vida complicada d'aquelle periodo» (Ramsay). Farei morrer.

A

«O

salário

do pecado

é a morte.»

iniquidade opera a sua própria anniquilação.

Sou o esquadrinhador. O que existe no recanto mais intimo do coração lhe é visivel (cf. Rom. 8 27). :

Exteriormente e perante o publico, os peccadores

frequentemente levam

uma

vida respeitável.

Rins, Estes para os judeus sejos,

emoções

eram a sede dos de-

e affeições. (Jer. 12:2).

Corações. Sede dos pensamentos e da consciência.

(Vide Rom. 8 27, Ps. 7 9 e :

:

Jer.

1 1

:

20).

Darei a cada um. Individualmente responsável e individualmente premiado ou condemnado conforme as suas obras, que são a exteriorisação d'aquillo

que enche os corações. 24. Digo a vós outros. Os fieis. Recebem elles uma mensagem de teor differente. Cousas profundas. Mysterios, círculos esotéricos, penetrados somente pelos iniciados, cryptographia.

Os homens sempre teem inventado

substitutos para

o «mysterio do reino de Deus». Palavras magicas,

«emboras», palavras «chaves de entrada», signaes


100

em ás vezes degeneram em sentando-nos um triste

secretos, originam-se

instinctos primitivos,

mas

cousas de Satanaz, apre-

com

contraste

as

cousas

profundas de Deus

que o Espirito nos revelou. (I Cor. 2:9 e 10) Vide também Rom. 11 :33 e Eph. 3: 18. «A insistência em conhecer mysterios intellectiiaes,

á

quer como accrescimo quer como substituto

simples obediência que a vida christã requer,

sempre tem sido uma fraqueza da egreja» (Charles). Outro fardo. Comparar a decisão do concilio de Jerusalém, Act. 15:28 e 29. 25. Guarda-o bem. Certas cousas, precisamos expugna-las e outras conserva-las. Não devemos cahir no erro de Epheso. «Guardae o amor, a fé, o serviço, a paciência e o crescimento nestas virtudes

pelas quaes tendes sido louvados (v. 19)» (Plummer).

Até que eu venha.

A

vós individualmente ou a

todos na consummação. 26. Vencedor. Somente fallar

em

em

victoria,

um

christão é

quem pôde

circumstancias tão adversas.

Guarda as minhas obras. Assim se distinguindo dos que guardam as obras da falsa prophetisa. Até o fim.

O

christão verdadeiro

seu amor e dedicação, até o ultimo

demonstra o

momento da sua

vida consciente, neste mundo.

Audoridade.

Vide Ps. 2:8 e

Em 9.

Luc. 19: 17 é sobre dez cidades.

Quem

se identificar

com

a ver-

dade, participará da victoria d'ella e da sua auctori-

dade sobre a família humana. 27. Regerá. Em 7: 17 a palavra

é traduzida «pas-


101

torear».

Jesus

Da mesma forma em

manda

João 21:16, quando pastorear as suas ovelhas.

Pedro

(Plummer).

Vara de sigente.

O

ferro.

A

salário

de causa e

effeito.

verdade é absolutamente intrando peccado, a lei da gravitação, .

.

são todas igualmente inflexi-

veis.

Quebrando-as. pedra, ficará

«Todo o que

em pedaços; mas

cahir

sobre esta

aquelle sobre

quem

será reduzido a pó (Luc. 20:18). Antes de se poder reconstruir a sociedade sobre as bases ella

cahir,

do amor

fraternal, as velhas relações internacionaes,

o militarismo, a sanguinolenta concorrência, o nacionalismo egoista, a industria sangue-suga, teem de ser estilhaçadas.

Assim como eu a

recebi.

«Em

qualquer logar onde

a egreja tem illegalmente lançado ella

e

tem perdido.

furtara ás

O

mão do

poder,

miserável poder que arrancara

nações, tem sido virado

contra ella;

tem sido obrigada a agachar-se ante as nações e a implorar o seu auxilio, e com justiça ellas a teem desdenhado ... Se a egreja tivesse confiado no seu Senhor, Elie lhe teria dado a estrella da manhã. Teria assim derivado d'Elle o que pretendeu independente d'Elle. E assim teria dado luz ao mundo». (Carpenter) (cf.

João 17:18; 20:21; Luc. 22:29, etc).

A estrella da manhã. O próprio Christo 22:16) «O penhor do dia vindouro». 29. Quem tem ouvidos. Isto é, discernimento es-

28. (cf.

piritual,


CAPITULO Carta á Egreja 1

.

III

em Sardes

uma cidade muito

Sardes, Era

rica, notória

por

afamado ricaço, foi um não soffria de heresia membros immoraes, mas, cousa peior,

seu luxo e luxuria. Creso, o

dos seus

ou por

reis.

ter

tinha decahido

A

egreja

em uma

alli

lastimável frieza e indiffe-

rença que só se podia caracterisar, na linguagem d'Aquelle que tudo conhece, pelo termo «morte».

Tem

os sete espíritos. Vivificantes. Nesta carac-

terística Elie

vem

Sete estreitas.

á egreja morta.

Os

(cf.

gura na dextra. Poderia, portanto, egreja, se ella

O

Rom. 8:9-11).

anjos das egrejas que Elie seter

segurado a

deixasse.

Obras. Aqui apenas significa actividades.

Nome

de que vives. Reputação de grande activi-

dade, organisações dentro da egreja, reuniões sociaes.

Uma egreja da moda e nada de vida espiritual. Apenas um club com a capa da religião. Seguia um credo morto, esquecendo-se que o Christianismo é um motor

um

«caminho».

A

egreja era ponão porque fizera atrahente o Evangelho, mas porque se accommodara ao mundo; não elevára os ideaes da cidade mas sacrificára os seus.

de vida,

pular,

Estás morto. Estas são palavras

cem uma çondemnação

absoluta,

terríveis,

Mas

pare-

«Elie vos dçu


103

a vida quando estáveis mortos pelos vossos delidos e

peccados» (Eph. 2:1). Elie condemna, para con-

verter.

2. Sê vigilante. A cidade tinha sido tomada por surpresa duas vezes, na guerra. Comparar a admoes-

tação de Jesus no jardim de Gethsemane.

O

que ainda permanece,

O

Mestre descobre

mesmo em

boccadinho do bom,

um

Sardes, e quer que

esse seja salvo. São os restos do naufrágio. Elie

«não quebrará a canna rachada, nem apagará a torcida que fumega» (Isa. 42 3). :

Prestes a morrer.

Perecendo numa atmosphera

de pestilencial indifferença. Não tenho achado tuas obras completas. Faltava o espirito de amor e dedicação. A forma existia sem a substancia, o

nome sem

a realidade.

Deante do meu Deus. Que tudo vê. Comparar a atíitude de Deus e a do mundo para com esta egreja «popular». 3. Lembra-te.

De um passado

melhor.

O mesmo

appello recebeu a egreja de Epheso. Aquilio que

receberam e ouviram trazia comsigo bilidade

(cf.

Deut. 7

A

Arrepende-te.

:

18

;

8

:

uma responsa-

18, etc).

secular solicitação divina.

vertei-vos, convertei-vos dos vossos

nhos» (Ezek. 33 nas 3:8, etc).

:

1 1

;

Cf. Jer.

«Con-

maus cami-

3:14; Hos. 12 6 :

;

Jo-

Se não vigiares. Se vos esquecerdes de Deus e da Sua lei se olvidardes a applicação da verdade à vossa vida, ;


104

Como

ladrão.

de surpresa. Elie

Os impenitentes vem «com pés de

serão tomados lã».

Poucas pessoas. Estas conservaram a sua fé e modo christão de viver, no meio da apathia geral. Onde se encontram dois ou três em oração, o Se4.

bem longe de olvidal-os, alli estará com elles. Não contaminaram as suas vestes. Não eram

nhor,

perfeitos

(Tiago

nem

1

mas guardaram-se da corrupção do mundo. :

27).

o torpor de

«Nem a corrupção do paganismo uma egreja moribunda os infectara.»

(Plummer).

Andarão commigo.

O

supremo privilegio do chris(Comp. João 17:24). Vestes brancas. «O corpo glorificado, depurado

tão e grande desejo do Senhor.

de todas as suas fezes e impurezas, tendo sido

precipitado na morte o que restava d'ellas e agora

transformado e transfigurado conforme a semelhança

do corpo de Christo

(Phil.

3:21). Este corpo

a sua vestidura, seu ambiente e sua effluencia de é elle

mesmo, eu

creio, as vestes

com luz,

brancas que Christo

promette aqui aos seus remidos» (Trench). Charles

que são «symbolo da vida espiritual como se manifesta em caracter recto, que forma a vestidura celeste dos remidos. O corpo da resurreição era tido

diz

como *um corpo de 11

luz'».

Dignas. Pela graça divina. (Comp. Luc. 20:35, Thess. 1 :5 e 11). A paga dos peccadores, encon-

em 16:6. Não apagarei

tramo-la 5.

o seu nome.

cidadãos, ao morrerem.

Como

O nome

se fazia aos

fica registado

no


105

livro

da vida

alé,

por sua negação terminante, a alma

escolher de vez o seguir o mal. (Vide Ex. 32:32,

Deut. 29:20, Luc. 10:20, etc).

Confessarei o seu nome. Será apresentado ao Pae pelo próprio Senhor Jesus. Se perdoar, será per-

doado, se confessar será confessado.

Para o vencedor a promessa é

sem mancha na celestial.

3)

Não

gloria. 2)

Será

Juiz» (Plummer).

tríplice; «1)

publicamente reconhecido

Ver Mat.

Carta á egreja 7, Philadelphia, E'

1

0 32 e 33 Luc. ;

:

em

Será

perderá a cidadonia

1

pelo

2 8e :

9.

Philadelphia

frequentemente chamada «A

Pequena Athenas» por causa dos seus muitos templos; por ahi se vê que se interessava muito na religião.

com

Ainda

terramotos.

existe,

Na

apesar de ter soffrido muito

sua historia «demonstrou todas

as nobres qualidades de paciente perseverança, verdade e constância, que lhe são attribuidas na carta de S. João» (Ramsay). «Foi a ultima cidade de Byzancio a entregar-se aos turcos, e quando succumbiu foi mediante melhores condições que as outras» (Plummer). Com Smyrna, escapa a qualquer palavra reprovatoria do Senhor. «De todas as sete egrejas, ella teve a vida mais prolongada como cidade christã» (Carpenter).

Santo.

Consagrado. «Applica-se áquillo que é

posto de lado para Deus».

Em

6

:

10 «santo e ver-

dadeiro» sãQ epithetos applicados a Deus,


106

Verdadeiro.

No

no cumpria realisação perfeita de

sentido absoluto

;

fiel

mento das suas promessas tudo que d'Elle podemos esperar. Chave de David. Signal de auctoridade. «E' regente no reino de Deus» (Plummer). «A Christo pertence auctoridade completa quanto a admissão ou a exclusão da cidade de David, a nova Jerusalém. Assim como Eliakim trazia as chaves da casa de ;

David, na corte de Hezekias, Christo no reino de a

mesma

Deus

auctoridade

(cf.

22 22) assim faz Eph. 1 :22). Elie tem

(Isa.

:

quanto ao Hades

(1

:

18),

e

auctoridade suprema no céu e na terra (Math. 28: 18) e

é

como

filho

sobre a casa de Deus (Heb. 3:6)»

(Charles).

O

poder conferido aos Apóstolos é limitado e Quantas vezes não tem Elie de rectificar o que o homem, na sua pequenez, sujeito a revisão por Elie.

resolve 8.

Porta

aberta.

Opportunidades maiores.

A

no pouco (Math. 25:21). As suas obras geraram novas forças e capacidades que os habilitaram a assumir maiores responsabilidades e ninguém lhes podia fechar esta porta. A chave que lhes foi entregue é a verdade que assimilaram e incarnaram em caracteres nobres e consagrados e contra elles as portas do Hades não prevalecerão egreja tinha sido

(cf.

fiel

João 20: 19 e também

1

Cor. 16:9,

II

Cor. 2: 12,

Act. 14:27).

Pouca força. Em numero de membros, equipamento ou recursos, mas «a minha força se apertei-


107

çoa na fraqueza».

«Um homem com Deus

é maio-

ria».

Guardaste a minha palavra. Tinha sido fiel nas provas que frequentemente eram até á morte. Esta fidelidade talvez vencera os preconceitos e abrira a

porta do coração da sua communidade.

Synagoga de Satanaz, Os judeus

9.

nacionalistas,

inimigos figadaes dos judeus convertidos. (Ver nota

sobre 2:9).

Deus

Judeus. Aqui, o vero Israel de

Mas

christão.

da

os

synagoga

não

e portanto

acceitam

a

povo escolhido. Smyrna havia de ser protegida d'elles, mas Philadelphia havia de os sujeitar, (cf. Rom. 4; Cor. 7: 19; Rom. 9 6, etc.) Prostrar-se. Talvez em alguma perseguição elles Christo e por isso não pertencem ao

I

:

haviam de

vir

pedindo refugio ou, mais provavelafinal, que os chris-

mente, reconheceriam, humildes,

tãos eram o verdadeiro Israel e Jesus o Messias, (cf. Isa.

Eu

45: 14 e 60:

14).

O

Evangelho em uma palavra. 10. Guardaste. te guardarei. Vide nota sobre vers. 5. Comparar também Mare. 4 24. Elie não nos conserva isentos de tentação e tribulação, mas resguarda-nos de qualquer damno. Não orou que os seus fossem tirados do mundo, mas que fossem guardados do Maligno. No cap. 7 o drama desastroso da expurgação tinha de esperar até que fossem sellados os servos de Deus. «Lealdade a Çhristo, sem reserva, traz comsigo te

amei.

.

.

:


108

immunidade em face da angustia

da in-

espiritual e

quietação mental» (Charles).

Palavra da minha paciência. Que ensina e inspira paciência pela historia do exemplo de Christo. Essa é especialmente

virtude

recòmmendada neste

Se conseguirmos alcançar o ponto de

vista

livro.

do céu

tudo poderemos supportar.

Hora de provação. Nos frequentes terramotos a cidade tinha soffrido muitas horas terríveis, e ajudal-os-ia a pensar nos

isto

medonhos acontecimentos

logo adeante descriptos.

Para provar. Se o

edifício

do seu caracter «é de

ouro, de prata, de pedras preciosas, de madeira, de

feno ou de palha» (1 Cor. 3: 12). 1 1

.

Venho sem demora.

Em

nossa angustia Christo

se acha immediatamente presente. «E' a nota mestra

do

livro.

Vem como um

aviso para os infiéis e

como

mensagem animadora para os fieis.» O que tens. As conquistas espirituaes. Haviam de ser vigilantes.

O

christão nunca se

pode descuidar

ou relaxar. Coroa. Esta é promettida somente ás duas egrejas

não reprovadas.^^

Alguma coisa firme. Uma parte do que o sustenta e embelleza. Talvez se reás duas columnas do templo de Salomão, cujos

12. Columna. edificio, fira

nomes significavam «estabilidade» e «permanência». (1 Reis 7:15 e 21). Frequentemente as columnas tinham forma humana.

A

sua significação figurada é

frequente na Bíblia. (Vide Jer.

1

;

18, etc.)


109

Jamais sahirá. Tornar-se-há uma parte integrante e permanente do templo que é de Deus. Seus caracteres serão fixos. Talvez ha aqui uma allusão aos frequentes terramotos que tinham destruído edifícios da cidade. «Quem não almeja aquella cidade donde nenhum amigo sae e onde nenhum inimigo entra!» (Santo Agostinho). Escreverei sobre

graça divina,

uma

elle.

Cada um

epistola viva.

distingue os filhos de Deus.

O

é

monumento da

Em 9:4

«nome»

o sello

caracterisa os

salvos durante a eternidade (14:1 e 22:4). Signi-

posse absoluta da parte de Deus.

fica

O

nome da

cidade.

a sua cidadonia. 11

(cf.

O

Gal.

seu passaporte, indicando

4:26;

3:20; Heb.

Phil.

10, etc.)

:

O

meu novo nome. Não somente hão de

partici-

par da natureza de Christo á medida que a conhe-

cem

já,

mas

a mais profunda revelação do futuro

terá o seu ineffavel effeito sobre os seus espíritos.

O

não termina com a morte. Não o podemos comprehender agora (cf Cor. 13:12). crescimento

espiritual

.

Que

1

desce do céu, E' portanto espiritual.

A

Jeru-

salém nova, a sociedade reconstruída, não nasce da não se estabelece pela força ou pela diploma-

terra,

cia

mas

é oriunda da verdade eterna, divinamente

revelada e applicada ás relações humanas.

19:12.)

(Vide


110

Carta á Egreja

Um

14. Laodicea.

também

fabricava

em

Laodicea

opulento centro bancário que

em grande

tecidos

escala.

Era

alem d'isso a sede de uma florescente escola medica. «Muitas expressões na epistola levam-nos a crer que João conhecia a Epistola aos Colossenses, a qual S. Paulo pediu fosse lida perante esta egreja. (Charles).

ser

A

Laodicea Paulo escreveu

porem que essa na sua

ella,

uma

carta

a não

;

carta seja a escripta aos Ephesios,

de zelo, a perdeu. Nesta egreja

falta

nosso Senhor nada achou digno de encómios; nem

mesmo

alguns membros não contaminados,

encontrou

em

Sardes.

A

lerante, condescendente.

zia martyres,

tal

como

egreja era commodista, to-

Em uma

época que produ-

seria especialmente exe-

attitude

cravel.

O

Amen.

O

Verdadeiro, aquelle que guarda o

pacto. (Charles) Elie é

É

egreja transigente.

um

grande contraste com a

«a fonte de toda a certeza e

verdade» (Carpenter).

Testemunha Verdadeiro.

Vide notas sobre 1:5 e 3 7. Qualidade imprescindível em uma

fiel.

:

testemunha.

O principio da creação. ção recebeu o seu de Deus, como

«Aquele de

inicio». Elie é

em João

1

:

3,

Col.

Quem

a crea-

«o agente creador 1

:

16,

Heb.

1

(Beckwith). Por isso é, Soberano das riquezas

:

2».

em

que os Laodicençes confiavam e superior aos prin-


ííi

cipados que elles eram tentados a adorar. (Col. 1:16, 2:15). 15.

Não

és frio

vicções, estagnados;

victimas de

uma

Oxalá foras

sem

apathia insípida.

Se estivessem fóra da egreja,

frio.

coniiecer o

nem quente. Neutros, sem consem zelo e sem enthusiasmo,

amor de Deus, o seu estado

seria

mais esperançoso. Os publicanos e as meretrizes os

precedem no Reino. transforma a religião

A

sua attitude de indifferença

em assumpto enfadonho

;

torna

sem graça e a própria vida aborrecida. Que enorme contraste com o contentamento e enthusiasmo de aquelles que buscam primeiramente o Reino de Deus! as missões

Ou

quente.

Não ha meio Não podeis servir a Deus Rom. 12: 11). Não podemos acco-

Ao

ponto de ferver.

termo no reino de Deus. e a

Mammon

(cf.

modar-nos ao meio. mundo.

O

crente

tem de refazer o

16. Estou para te vomitar. A sua rejeição era imminente a não ser que se arrependesse. A aspereza da expressão é temperada pelas carinhosas palavras

17.

do

V.

18 e

do que segue.

Rico sou.

materialmente.

Um

Prospero, pastor

decerto

espiritual

e

bem pago, um templo

bancos commodos, sermões brandos, (Paulo exhortou o seu ministro, Archippo, a cuidar

amplo

e bello,

no seu ministério (Col. 4:

17), livre

de perseguição,

tudo concorreu para o seu contentamento e nada


havia para a estimular e attrahir para mais peito dõ Crucificado.

Estou enriquecido. Pelos próprios esforços. Gostavam de meditar na sua prosperidade e esqueceram que tudo vem de Deus (cf. Hos. 12 8 e 9). :

Não sabes. Uma moeda perto de um dos olhos pode esconder o

sol.

Cheios de

si,

orgulhosos de suas vir-

obcecou-se-lhes o discernimento espiritual,

tudes,

mesmos. A egreja comparava com o publicano. Faltava-lhe a visão de Deus em Sua santidade, para lhe revelar a immundicia d'ella (cf. Isa. 6 1-8). Oihava-se a si própria em vez de olhar a capacidade de avaliar-se a

si

era semelhante ao phariseu que se

:

a Jesus

em

sua perfeição.

Coitado. tas palavras

Como

devia ter doído á egreja

ler

es-

que tanto offenderiam o seu amor pró-

prio e o seu orgulho

augmenmas nada enthesourara do

Miserável. Semelhante ao rico louco que

tou os seus armazéns

céu

;

como o

outro rico

em

tormento, depois de ol-

vidar as necessidades e soffrimentos de Lazaro.

Cego. Jesus quer dar vista espiritual. Elie nos revela os defeitos de caracter e amor, cirurgião que corta para curar

(cf.

como um bom

Mat. 23: 17).

Nú. As5im parece a alma orgulhosa perante seu Deus. As suas próprias virtudes são tecidas pela imaginação. Tal alma, no juizo, ha de querer esconder-se nas trevas exteriores. 18.

Eu

te aconselho.

Embora em estado

tão las-


113

timavel, ha possibilidade de

mudança.

Elie

não obriga

mas Que de mim compres. Não por uma troca de valores, mas sem dinheiro e sem preço (Isa. 55: 1); não nos mercados do mundo, mas no de Aquelle pede, appela, avisa, attrahe.

que offerece mercadorias sempiternas. O christão realmente nada sacrifica, pois recebe centuplicado o que confia a Christo (Mat. 19:29 e Mare. 10:30). Ouro refinado no fogo. «Um coração novo», um caracter inabalável que sustenta todas as provas. Os martyres testemunham a resistência d'este ouro que mais vale que o mundo todo. Para te enriqueceres. Com a paz que o mundo não conhece nem pode tirar. Tornar-se-hiam ricos para com Deus comprariam o campo com o thesouro ;

escondido, adquiririam a pérola de grande preço. Vestes brancas.

É

Para cobrir a nudez

espiritual.

vestuário celeste embranquecido no sangue do

Cordeiro (7: 14) e outorgado aos vencedores (3 5). Vergonha. Causada pela exposição do seu cara:

cter á

luz penetrante

10:4

nhar (H Sam.

e

honrar (Gen. 41 :42 e

do céu. Despir era envergoIsa. 20:4); dar roupa era 45:22, Dan. 5:29, etc.) De-

viam «revestir-se de Christo (Col. 3 justiça

(Phil.

:

10 a 14) e sua

3:9), para que a vergonha

da sua

nudez não apparecesse ou, muito melhor, não fosse manifestada» (Carpenter). Collyrio.

«O famoso pó phrygiano receitado pela em Laodicéa» (Charles). A verdade

escola medica é remédio

que arde, convencendo-nos dos

defeitos,

8


114

mas, sendo sinceramente applicada, cura. rito

O

Espi-

Santo «primeiro nos abre os olhos para a nossa

miséria e então para o Salvador

dade»

&

F.

(J.

A fim

divino»

por

;

isso,

progresso, apanágio do condemnação da complacên-

são a

cia e frouxidão é tão severa. terieis

peccado algum

vemos,

fica

João cap. 19.

i4

sua preciosi-

de que vejas. Luz, entendimento, «descon-

tentamento christão

em

B.)

;

subsistindo

«Se fôsseis cegos, não

mas agora que

dizeis

:

nós

o vosso peccado». Vide

9.

quantos eu amo, reprehendo e castigo. De-

pois das palavras da mais dura reprehensão e condemnação, seguem immediatamente as mais ternas palavras de amor e saudoso convite ao arrependimento. Devido ao seu immenso amor, Elie não pode ser indifferente aos defeitos da amada egreja, mas quer purifical-a para a apresentar a Si mesmo, sem macula nem ruga (Eph. 5 27, cf. judas 24). Nosso Senhor não pôde terminar as sete cartas sem manifestar de novo o seu immenso amor e almejo de que :

os errantes se arrependam e se convertam. Filiação implica castigo (Heb. 12:8). Muitos ha que se conservam fóra d'esse grémio de correcção. Alguns até chegam ao ponto em que Deus, em vez de os

mesmo endurecer o seu coração, coPharaó. Mas aos filhos, Elie, com paciente

castigar, deixa

mo

fez a

amor, corrige, attrahindo-os cada vez mais perto de Si

mesmo. Zeloso.

«Nenhum coração

é puro se

não sente


115

nenhuma

paixão,

A

siasta!

virtude é segura se não é entliu-

em Laodicéa

egreja

demnação

cahlu naquella con-

mordazmente descripta por Dante

tão

«Esta miserável sentença soffrem, de aquellas laventuradas almas que viveram

sem

fâmia ou merecer louvores, misturando-se desditosa turba de anjos que

nem

mas

leaes a Deus,

apenas»

(Scott).

mesmo, a

Si,

nem

a

si

mesmos

seguil-o a Si

incita a

em

cujo zelo o devorara,

com

rebeldes foram

subsistiram para

Jesus os

ma-

incorrer na in-

sua lealdade

ao culto puro de Deus (João 2: 17). 20. Estou á porta. Elie que é a porta perante a qual

devemos nós

trada

!

ter

supplicar, está a rogar-nos en-

Ao batermos nós

esperar (Mat. 7

Alguém.

Da

á porta d'Elle, não ha mis-

7).

:

collectividade insulsa, Elie volta para

A sociedade a que pertencemos não nos salvará nem nos arrastará á perdição a não ser que queiramos acompanhal-a. Qualquer convidar ao individuo.

membro e,

d'aquella egreja infiel podia arrepender-se

em recompensa da

fraternidade e do acolhimento

assim perdidos, transformar-se-hia de simples beneficiário

passivo

Minha tente

e

voz.

em

e suave, paciente, persis-

amorosa que se accrescenta ao toque da

Providencia

em

nossas vidas.

nos batem á porta coração.

insigne hospedeiro de Christo.

Voz mansa

Quão

;

Os acontecimentos

a voz divina resoa no imo do

em face da nossa Quão sobrehumano é permittir

divino é persistir,

vergonhosa repulsa

!

esta espantosa inversão de papeis.

.

.

o Senhor dos


116

em

senhores se transfigura

supplicante, á porta de

em

casa de

Ma-

Martha, e na de Zaccheu, e ceiou

com os

dois

seus vassalos! Jesus hospedou-se ria e

em Emmaús.

discípulos

.

Abrir a porta. Elie não a arromba. João queria chamar fogo do céu sobre a cidade samaritana que lhes recusou a hospitalidade (Luc. 9

:

54). Jesus res-

Se Elie nos comse nos puxa, é com

peita a nossa soberana liberdade.

poder da affeição,

pelle, é pelo

as cordas do Seu amor.

O

divino entra no humano a perfeição novo na nossa imperfeição, e a eleva e transforma. A maravilha é que o Seu amor é tão grande que realmente Elie deseja fazer isso. Ceiarei com elle. Que condescendência prodiEntrarei.

;

se incarna de

giosa!

O

Reis dos reis entra

em nossa choupana,

assenta-se á nossa mesa e encontra ahi gozo e sa-

A

tisfação.

com

sua conversa

a samaritana consi-

derou-a Elle um «manjar» (João 4:32). Desejou ansiosamente comer com os apóstolos a Paschoa, antes da sua paixão (Luc. 22:15), e espiritualmente ha de

comnosco no reino do Pae (Mat. 26:29)

celebral-a «Participar oriental

E

uma

refeição

em commum

era para o

prova de confiança e affeição» (Charles).

elle

commigo.

se demonstra prehensivel.

O

distinctissimo

hospedeiro.

Recebemos

Isto

Hospede logo

nos é mais com-

refrigério

espiritual, força

para as tarefas e provas da vida, communhão santa e pura que prefigura a eterna ceia do Cordeiro. deliciosa

camaradagem commensal dos mais

A

inti-


117

mos amigos representa banquete celeste.

Ao

e

vir a

typifica pallidamente o

nós Elie procura, não as

viandas cuidadosamente preparadas de Martha, mas

sim

doce companhia do coração entendido de Das mãos de Zaccheu recebe pão material

a

Maria.

em

pão da vida. 21. Sentar-se commigo no meu throno. Que contraste com o casebre que a Elie nós podemos offerecer! Esta promessa «é o climax de uma serie ascendente de gloriosas promessas que levam o pensamento, desde o jardim do Eden (cap. 2:7) através do deserto (cap. 2:17), ao Templo (cap. 3:12), ao throno» (Carpenter). Vide Eph. 2:6 e a realisação da promessa em Apoc. 20:4. Para animar os membros d'esta egreja, cuja condemnação é tão severa, vem esta mais subida offerenda. «O logar mais alto a menor faisca está ao alcance do mais humilde da graça pode ser soprada na maior flâmula de amor divino» (Trench). O Christianismo tem o seu para lhe dar

troca o

;

bem como com o Christo

lado positivo, e

reina

o passivo.

O

christão vence

triumphante.

A

promessa

culminante apropriadamente termina a serie de pro-

messas

O

feitas á egreja universal.

que o Espirito diz ás egrejas. «As sete men-

sagens não são apenas admoestações, endereçadas

sómente a cada egreja em particular, mas todas as epistolas se destinam a todas as sete egrejas, e, depois

d*ellas, á egreja universal.

a sua queda

camente

;

Cada

egreja tinha

especial, a ella apresentada emphati-

no emtanto as sete advertências consti-


118

tuem uma unidade para a edificação de todas. E assim como os peccados especiaes que cada uma deve evitar, por todas deverão ser evitados, assim os prémios mencionados separadamente, são promettidos a todos os que vencem. São, portanto, não .

.

realmente prémios distinctos, mas antes pliases diversas de

uma grande somma de

gloria

que goza-

rão aquelles que luctaram victoriosamente contra as

provas e tentações do mundo» (Plummer).


CAPITULO

IV

Visão de Deus e Seu Throno

«Com scena

e

o capitulo IV ha

uma mudança completa de

O

contraste dramático não

de assumpto.

podia ser maior. Até agora a scena das visões do

agora é o céu. De um temos tido uma descripção vívida que se deve das egrejas christãs da Asia Menor, considerar como sendo typica da egreja geral, os ideaes que nutriam, as suas falhas na execução e deslealdades não infrequentes, e cujo futuro se annuviava no caso de cada uma com a apprehensão de perseguição universal e martyrio. Mas no momento em que deixamos o desassocego, as inquietações, as imperfeições e apprehensões que caracterisam II-III, passamos immediatamente para uma atmosphera de perfeita confiança e paz. Não se ouve aqui o mais fraco echo sequer de alarmes e temores dos fieis, nem as desmedidas pretenções e malfeitorias do supremo e imperial poder na terra despertam por um momento sequer presentimentos, na confiança e adoração das hostes celestes. Uma infinita harmonia de justiça e poder prevalece, em quanto que as maiores ordens angélicas proclamam perante o throno a justiça de Aquelle que nelle se Vidente tinha sido a terra

lado,

em

II-III,

:


120

assenta,

que é Todo-poderoso desde a eternidade

á eternidade, e a cuja vontade soberana o e tudo

que

nelle ha

deve

e

mundo

tem devido a sua exis-

tência» (Charles).

Depois

1.

introduz

d' isto olhei.

uma nova

e

«Esta expressão sempre

importante visão no no5so

Apocalypse» (Charles) (cf. 7:1,15:5 etc). Depois da visão de Christo e depois de receber as mensagens para as egrejas,

elle

uma nova

é a sua experiência espiritual

visão.

Tão

real

que parece ser trans-

portado ao próprio céu. «Elle é transladado para o plano do eterno».

Uma

Não é que a porta se dado ver e apreciar o facto da porta já estar aberta. «O caminho para a presença de Deus permanece aberto (Heb. 10:19-20); todos os que teem fé podem entrar; nas mentes de taes os pensamentos do celestial se misturarão com as tristezas da terra e terão a calma da segurança. lhe

porta aberta no céu.

abriu,

(Ps.

mas que

lhe

foi

46:5)» (Carpenter). Vide Ezek. cap.

3: 16, Act. 7:56,

O

autor

11

1,

Mat.

Cor. 12:4.

emprehende uma

tarefa arduosissima

quando tenta exprimir em linguagem humana, por meio de figuras tiradas da nossa experiência terrestre,

as realidades celestes que percebeu. Elle tinha,

porem, antecessores e usou

e

adaptou muitas figu-

ras do Velho Testamento. S. Paulo, no entretanto,

com todo o seu dominio sobre

a linguagem, ape-

nas se refere negativamente á sua visão do céu. (1

Cor. 2:9).


121

A

que ouvira em 1:10. E' de Christo. João concentra a attenção na mensagem e não distingue a personalidade que falia. João Baptista era «uma voz» apenas. A estrondosa voz fez uma impressão tal no espirito de João que immediatamente a identificou quando de novo a ouviu. Feliz é o homem que reconhece e attende a voz

A

primeira voz.

divina.

Sobe para

aqui.

Levanta os teus olhos

;

contem-

com os olhos da eternidade; colloca-te a ti mesmo no ponto de vista do céu. Paulo diz que

pla

Elie

nos fez sentar nas regiões celestiaes (Eph.

2:6).

A

Em

posição do Vidente oscila entre o céu e a

Até o capitulo 10

terra.

elle

descreve scenas do céu.

da visão do anjo com o livrinho, no mar, de novo relata scenas celestes... Os dois mundos lhe são mui 11:15, depois

com um pé na

terra e outro

reaes e presentes,

mas

afinal

o primeiro céu e a

primeira terra passam, o conflicto termina e elle vê

somente a nova Jerusalém. Mostrar-te-hei. Mysticamente

em

contacto directo

com

elle

havia de estar

realidades, factos e rela-

ções que antes lhe eram occultas. Christo o habilita a ver o Monarcha do universo; mostra-se a si próprio, no seu papel de Revelador e Vencedor; o conflicto secular e a victoria final

amargo processo os que

;

e

em

todo este

pertencem são espiritualmente incólumes, sellados e resguardados por Elle

lhe

mesmo.

O

queldeve acontecer. «Deve» aqui tem a força


122

de «precisa». E' o imperativo da necessidade divina, emquanto a verdade opera na realisação de si própria através dos séculos. tratado

em

capitulos

olhos para o futuro

no

I-III

e,

Do

presente que

foi

o Vidente agora volta os

como no principio de com Deus.

tudo,

de Génesis, começa

livro

2. Fui arrebatado pelo espirito. Literalmente no grego a expressão é «fiquei em espirito». Em 1:10 está no espirito e agora, desde que as cousas que ha de presenciar são celestiaes, o preparo espiritual é renovado. S. Paulo não sabia se physicamente elle esteve no céu ou não. (II Cor, 12:2-4). E' claro que o estado do espirito é o essenelle

cial.

Um

throno posto no céu.

e anarchia

na

terra,

ha

Um

Embora

haja injustiça

que tudo rege

e «vigia

«Enao throno de Deus em cada capitulo do Apocalypse, exceptuando 2, 9 e 10 onde não ha occasião de mencional-o e em 15:5-8 onde a visão trata do templo no céu» (Charles). Sobre o throno, um sentado. Este Ente se deliEzek. 10:1 e

Isa. 6:1-2).

traços muito indefinidos.

Nem nome

sobre os seus»

contra-se

neia

(cf.

referencia

com

traz;

nada ha de anthropomorphismo. «Nenhuma forma somente luzes de vários matizes, scintié visivel lando através da nuvem que circunda o throno» :

(Charles).

Pelo que parecia.

A

impressão que fazia sobre um fogo con-

João: «Brilho offuscante, a ardência de

sumidor, a suave irradiação da promessa do arco-


123

são os elementos de contraste, na im-

estes

iris,

pressão que se fez no Vidente» (Scott). 3. Jaspe.

Talvez o brilhante ou a opala. Suggere

a pureza, a santidade e a justiça.

Sardonio. E' a

misericórdia.

uma pedra vermelha assim suggere ;

Em

5:6,

João divisa

como se tivesse sido morto. Ao redor. Por cima, como circulo,

ou,

um

Cordeiro

o segmento de

um um

conforme parece indicar o grego, ao redor, que assim attenuava

circulo de verde claro

o brilho. Arco-iris Este

symboío da fidelidade divina no

cumprimento do seu pacto (Gen. 9:12,13e Ezek. é

especialmente apropriado

1:28)

perseguidos

os

do primeiro século.

christãos 4.

para

Vinte e quatro anciãos. Estes presbyteros teem

sido interpretados por vários modos. Charles classifica 1.

as theorias coiiio

Homens

seguem

glorificados,

como os

patriarchas e

apóstolos; 2.

Um

collegio de anjos cuja origem

vem da

tra-

dição de estrellas-deuses dos Babylonios;

Representantes angélicos das vinte e quatro

3. a)

ordens sacerdotaes 3.

dos

(cf.

I

Chron. 25:9-31);

Representantes angélicos, aqui, do corpo

b)

fieis.

Elie

«podem fieis

acceita

a

ultima hypothese, achando que

ser os representantes celestes de todos os

no seu aspecto duplo de

«Os

vinte

e quatro

reis e sacerdotes».

presbyteros representam a


121

Deus completa no passado e no futuro, no mundo judaico e gentílico. É a grande egreja unida. O mesmo pensamento se encontra no cântico duplo de Moysés e do Cordeiro, (15:3) e nas portas e fundamentos da Nova Jerusalém (21:12 e 14)» (Caregreja de

.

.

penter), 5. Relâmpagos, vozes, trovões. Descarga eléctrica espantosos quando o céu se approxima da terra; phenomenos naturaes que frequentemente nas Es-

cripturas

acompanham revelações

(

vide 8 5 e

mesmo

1 1

:

16:18, Ezek. 1:13, Ps. 18:13-15, Ex. 19:16,

etc.)

;

O

se deu na conversão de Saulo e no baptismo

de Jesus. Alguns presenceiam apenas o raio e trovão

sem

attender ás vozes. Depois de passado eternamente o conflicto e se estabelecer a Nova Jerusalém, não se verão mais phenomenos espantosos em connexão com a presença divina; mas um brilho calmo permeia tudo e do throno sae o bemdito rio da agua da vida, perennemente regando a arvore da vida que produz os seus doze fructos (caps. 21 e 22).

Sete lâmpadas.

Os

sete espíritos de Deus, a se-

ptupla (perfeita) actividade do Espirito Santo, que illumina e instrue.

Fogo. Seu baptismo é acompanhado por

um

ba-

ptismo de fogo (Mat. 3:11). O- Espirito desce sobre

Fogo suggere com Abrahão o fogo

os apóstolos por esta forma (Act. 2:3). juizo

e

purificação.

No

pacto

passou entre os pedaços dos animaes sacrificados, o arco-iris sellou o pacto com o patriarcha Noé e

uma tempestade

assignalou o pacto no Sinai.

A

lem-


125

brança d'estes pactos confortaria os crentes opprimidos.

O

tos

antigos

uma

fogo tinha

sobre

e

parte saliente

diversos

em

vários cul-

altares

ardia

elle

continuamente. 6.

Mar

throno

de

um

de

é

vidro.

«O mar calmo soffre

O

brilho e

próprio pavimento d'este

profundo e extraordinário-

semelhante ao vidro, que nunca

tempestade, mas que somente se penetra da

chamma

(15:2),

representa os conselhos de Deus,

aquelles intuitos de justiça e amor, frequentemente

mas nunca obscuros, sempre os mesem vez brilhando com ira

insondáveis,

mos, ainda que de quando

santa (15:1). (Comparar as palavras do Psalmista-

«Os

teus juizos são

um abysmo

profundo»

77:19 e Rom. 11:33-36)» (Carpenter).

Em

;

cf.

Ps.

contraste,

Babylonia, a antithese de Deus, senta-se sobre muitas aguas,

— os

elementos turbulentos da sociedade

peccaminosa. Crysfal.

Nada havia de

defeito ou irregularidade

para deformar a sua limpidez.

A

lucidez crystalina

apoia o throno de Deus.

No não é

meio do throno e ao redor. clara,

A

sua disposição

que significa uma assocom o throno. Talvez um ficava os outros em volta.

mas

é evidente

ciação muito intima

no centro e

Quatro creaturas restre.

Ha

quatro

viventes.

.

ter-

quatro pontos cardiaes,

ventos,

quatro estações no anno.

Quatro é numero

.

por isso inclinamo-nos

a pensar que estas creaturas não são anjos de

uma

ordem superior (Charles assim pensa) mas sim que


126

symbolizam a natureza toda, inclusive a intelligencia humana, que serve, louva e glorifica a Deus. São mui semelhantes ás quatro creaturas que achamOg

em

porem differem d'ellas em muipormenores. «Symbolizam a creação toda, no

Ezek.

tos

e Isa. 6,

1

cumprimento do

officio

que

lhe é próprio

— attende^

a Deus, cumprir a Sua vontade e manifestar a Sua gloria» (Plummer).

«Louvae cá da

vós, monstros marinhos e todos os

terra a Jehovah,

abysmos; fogo

e

neve e vapor. .» (Ps. 148, cf. Ps. 19, etc. etc). Cheias de olhos. «Intelligencia illimitada». Em

saraiva,

.

como brazas de

Ezekiel são

Os

pagos.

fogo, labaredas, relâm-

olhos suggerem o espirito de investiga-

todos os factos que se descobrem no universo, terra, céu, mar, na personalidade humana, a chimica, a physica, a astronomia, a psycho-

ção

scientifica,

logia...

Contribuem para a gloria do trez-vezes-

santo omnigovernante

Deus creador. Teem os olhos

por detraz, indagando da

como

historia,

ou por deante^

os de estadistas sagazes, os olhos do telescó-

pio e do microscópio; e pelas variadíssimas maravi-

que os olhos revelam na senda da verdade, reunem-se elles para cantar: «Santo, santo, santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, o que era, o que é e o que ha

lhas

de

E

vir».

os vinte e quatro presbyteros respondem

porque Tu creaste todas as coisas e pela Tua vontade existiram, e foram

«Tu

és

digno...

creadas».


127

me-

Pelas experimentações nos laboratórios da

dicina e pelas pesquizas sociológicas nas universi-

dades, estes seres trazem curas nas suas azas (Mal.

innumeros indivíduos

4:2) a

«O poder da

natureza não é

e ás

nações da

uma força

cega, empre-

ga-se no serviço da providencia divina e se imprime

o sello do raciocínio» (Currie

Carpenter). Carpenter accrescenta:

«A

terra.

em

servo

em

por

força da natu-

reza sempre observa a vontade de Deus. Suas riades de olhos n'Elle se fitam,

tudo

cit.

como os

my-

olhos de

um

seu senhor (Ps. 123:2), cumprindo seu man-

damento, escutando a voz da sua palavra (Ps. 103:20 e 21).

Os

olhos de toda a creação esperam

também

em Deus, que lhes dá de comer a tempo (Ps. 104:27)». Leão. Não se diz de que maneira se manifesta essa característica. «O rosto humano, o novilho (boi) representando os animais domésticos, o leão repre-

sentando os animais não domesticados e a águia entre as aves, parecem typificar as quatro mais conspícuas ordens da vida animal» (Plummer). «As características d'estes quatro chefes

para fazer

um

que devia ser corajoso como o o boi, aspirante

homem» tura, se

os

fieis,

da creação se unem

retrato perfeito de serviço verdadeiro,

como

(Carpenter).

como como o

leão, paciente

a águia, e intelligente

Assim o mundo, toda a crea-

une com a grande egreja invisível de todos representados pelos vinte e quatro pres-

do throno do Infinito e em cântico harmónico e majestoso attribui louvores a Aquelle que se assenta no throno do universo. byteros, ao redor


128

Em

8. Seis azas.

Isaias 6: 2

com duas cobriam com duas cobriam

o rosto, o que suggere reverencia, os pés, humildade, e

Os

cherubins

em

com duas voavam,

serviço.

Ezekiel teem apenas quatro azas.

Cheias de olhos ao redor e por dentro. Pelas experimentações, etc; vide acima.

Não teem descanso. «Nada de estagnação ou repouso ou somno» continuamente louvam a Deus. «Orae sem cessar», disse Paulo. Os adoradores da besta também não teem descanso, mas quão diffe;

rente é a razão

Dia (Ps.

e noite.

74:16).

!

(J.

«Teu

Os

F.

&

B).

é o dia,

também Tua

é a noite»

luzeiros celestes incessantemente

louvam ao Creador. As glorias do nascente e as do poente; o fulgor do dia, as sombras nocturnas; as infinitas actividades das creaturas, o magestoso circuito dos astros, todo o universo proclama a gloria de Deus e annuncia as obras das Suas mãos.

(Ps. 19:1).

Santo,

santo,

santo.

nante; é o trisagio de

A

repetição é impressio-

Isa. 6:3,

porem modificado.

«Santo» diz Smith, «exprime a distancia e o pas-

moso

inclue contraste entre o divino e o humano. cada caracter distinctivo da divindade». A natureza e a intelligencia humana nos faliam na santidade, .

.

omnipotência e eternidade de Deus. O seu amor redemptor se revela no Filho, no cap. 5. (cf. Ps. 99:3,5 e 9).

derem gloria. Embora sempre na attitude de louvor, a acção de glorificar é represen9.

Quando.

.


129

tada

como sendo

intermittente.

As quatro creaturas

introduzem as quatro primeiras visões dos sellos (cap. ira

5)

e

uma

delias apresenta as sete taças da

de Deus, aos anjos que as derramam (15:7). 10. Lançarão as suas coroas. Prostrados

adoração,

os

representantes

da egreja

em

universal

lançam as suas coroas deante do throno de Aquelle de quem as recebem. Por esta acção de subida honra elles a si mesmo se honram. 11. Senhor nosso e Deus nosso. Entre a egreja reunida e seu Deus a relação é muito mais intima

que a que existe entre a natureza e o Creador. As quatros creaturas louvam a Deus por aquillo que elle é, e os presbyteros o louvam por aquillo que Elie faz, as Suas obras. Pela tua vontade existiram. «A vontade divina

um

facto no eschema das couque o poder divino desse expressão material ao facto» (Swete, cit. por Charles). Beckwith discorda e pensa que a expressão quer dizer que «a existência se contempla vividamente, como sendo um facto consummado em resposta á vontade divina». (Cf. Gen. 1:3). tinha feito o universo sas, antes

9


CAPITULO V

O 1

.

Vi,

Livro Sellado e o Cordeiro Apresenta-se agora

uma nova phase da

vi-

são. Volvemos os olhos, de Deus, «um vulto immovel, silencioso,

Um

livro.

majestoso», para a funcção do Filho.

Este é destinado a revelar «os decre-

tos da sua vontade quanto á

consummação do seu

reino» (Beckwith). E' o enlace das nossas relações

com Deus

e

com nossos

semelhantes.

A

applicaçâo

da regra áurea por certos commerciantes e industriaes o pacto de Locarno, o tratado do desarmaa Liga das Nações, são tentativas significanmento, ;

porem do diminuto alcance. Precisamos do «desarmamento do espirito» que somente o Príncipe da Paz nos pôde outorgar. Escripto por dentro e por fóra. Assim foi o rolo que Ezekiel recebeu (Ezek. 2:9 e 10). Todo o espaço nos dois lados do rolo estava occupado. A revelação é completa; a ella não se pode accrescentar

tes,

cousa alguma. lê,

mas o que

A

parte superficial, o

mundo todo

a

está por dentro somente será reve-

lado pelo Filho. Porem,

mesmo quebrados

os sete

mas apenas se indica por scenas symbolicas. Agora vemos em enigma e conhecemos em parte (1 Cor. 13:12). Sete sellos. Assim se sellavam os testamentos

sellos, o

conteúdo não se


131

lado e

O

numero indica que é perfeitamente Selsomente Christo é digno de quebrar estes

romanos. sellos.

Anjo forte,

«Um

cuja voz alcançaria os limites

mais longínquos do universo» (Beckvvith). Digno. Moralmente habilitado. Requer-se mais que habilidade intellectual para tomar as cousas profundas de Deus e nol-as revelar. Somente o puro de coração verá a Deus. Beckwith pensa que se inclue aqui também a ideia de agencia do cumprimento da revelação. Os prophetas eram capazes de annunciar os intuitos de Deus, mas somente o Cordeiro é digno de ser o agente para os executar.

Ninguém. Embora a voz penetrante echoasse no céu, na terra e nas regiões subterrâneas, não se encontrou quem pudesse abrir o livro dos «decretos divinos e dos destinos do mundo». Actualmente, na nossa busca da paz mundial, nenhum individuo ou grupo de homens, reunidos nas varias conferencias na America e na Europa, descobriu a formula 3.

acertada das nossas relações internacionaes.

sageitadas

mãos do

interesse,

xão tramam tratados secretos

As de-

do egoismo e da paie depois tentam cor-

o seu enredo pelas armas, esquecendo-se de que desde que se ergueu o madeiro no Calvário, não é necessário derramar mais sangue e que Christo, pela sua incomparável palavra, nos desar-

tar

ma

o espirito.

Nem

olhar para

elle.

«Pôde ser que todos que

se teem esforçado por tomar o livro fossem incapa-


132

zes de enfrentar a gloria

em que

elle estava.

Quan-

do Christo se revelou a Saulo, este não o podia gloria d'aquella luz» (Carpen-

ver por causa da ter).

4.

Bu

chorava muito.

«Os que teem almejado

ver o fim da oppressão, da fraude e da tristeza na

saber algo das

terra, e te,

leis

que governam o presen-

assim como do seu desfecho no futuro, compre-

henderão estas lagrimas. Sem lagrimas não foi escripto o Apocalypse, nem pôde elle ser entendido

sem lagrimas» (Carpenter).

«Elle chorava

um impedimento

apparentemente

via

porque ha-

á revelação»

(Moffat). Parecia-lhe que as esperanças suscitadas

pela gloriosa visão seriam vãs.

Os quatorze pontos

de Wilson, entretoto, despertaram

um

de

delirio

enthusiasmo. 5.

cem

;

nunca 8:52)

Não as

As cousas não são como pareconferencias de paz falham, mas ha um que choreis.

Jesus confortava os seus (Luc. 7:13 e

falha.

e

todas as lagrimas hão de ser enxugadas

(cap. 21:4).

Leão que é da tribu de Judah, a raiz de David. poder conquistador de David, o homem

«Nelle, o

de guerra,

e

de Judah, escolhido por príncipe (1 com toda a frescura de um moço»

Chron. 28:4) sae (Milligan).

Venceu.

(Vide Gen. 49:9,

O

livro

Isa.

todo é de

nhou de uma vez a

11:1,

Col.

1:26).

victoria. Christo

victoria sobre o

peccado

gae

a

morte, e nos convida a participar da sua victoria,

promettendo toda a espécie de galardão ao vence-


133

dor.

Vez após vez no

livro

vemos arregimentarem-

do mal contra Elie. 6. No meio do throno. Como no caso dos seres viventes, não devemos pensar tanto no arranjo physico, quanto na ideia das relações que o auctor quer se futilmente as forças

indicar

como

existindo entre as personalidades apre-

sentadas. Entre os que rodeiam a Magestade assenada, Christo é a figura central.

Cordeiro. «Elie olhava, para ver poder e força. e viu

amor

e ternura».

A

.

sua victoria não fora pelo

poder mas pelo sacrifício. Não se diz como o facto da morte se representava nem como um cordeiro podia tomar o

livro.

As realidades

espirituaes apre-

sentaram-se-lhe ao espirito e não aos sentidos.

Os

sonhos frequentemente nos dão impressões que, quando as analysamos, não sabemos como as rece-

bemos, pois pela sua natureza não se nos podiam representar pelas figuras no palco dos sonhos. O coração e a mente de João estavam repletos de figuras e ensinamentos do Velho Testamento e da

sua interpretação e cumprimento na vida e ensino

do Mestre; pgrtan^o na visão, factos, princípios e verdades geraes se dramatizam em traços largos, sem muita preoccupação com as minúcias de tempo, modo ou consistência. Sobre a figura de cordeiro vide João 1:29 e 36, Act. 8:32, etc.

A

1

Ped. 1:19,

Isa. 53:7,

palavra no grego é «Cordeirinho», termo de

carinho e amor;

também accentua o facto que não é mas pelo amor, pela doci-

pela força que conquista lidade,

pela sujeição,

pela consagração perfeita de


Si-proprio.

A

misericórdia e sacrifício já se sugge

rem no vermelho do sardonio (ver. 3). Nos capituque seguem Elie figura como Cordeiro e somente quando no fim dos encontros intermediários, quando los

em 19:11, é que reascom que se apresenta no

sae para a Victoria definitiva,

sume cap.

a forma majestosa 1

.

.

Como

se tivesse sido morto. «Elie chegou ao poder supremo e á omnisciência por meio do sacrifício de Si-proprio» (Charles). Aos maus Elie vence pela entrega de Si-proprio, aos bons Elie premeia da

mesma

forma.

perfeita

O

seu caracter sem mancha e a sua

consagração

O

habilitam a abrir o livro do

destino das duas classes. Sete chifres. Chifre é o symbolo biblico do poder.

Elie,

porem, não dava marradas, como fazia o

carneiro da visão de Daniel. Meios violentos sãoIhe

estranhos,

— vence

verdade que enuncia soffrimentos,

poder

pela vara da sua bocca, a

e incarna.

«Do enunciado dos

o Vidente passa para o enunciado de

e sabedoria» (Carpenter).

Sete olhos: perfeita perspicácia.

seu conhecimento

(cf.

Nada escapa ao

Zach. 4:10).

Sete espiritos de Deus. Estes são ao

mesmo tempo

os olhos de Christo, o Espirito Santo (1:4), as sete

lâmpadas que ardem deante do throno (4:5) e os enviados da divindade para uma missão universal. 7. Elie veio. Espiritualmente moveu-se para tirar o livro. «Elie toma e revela os mysterios da divindade eterna em que como Deus tem parte»


135

(Plummer). «O

intuito e a significação

de todos os

mysterios e tristezas da vida, n'Elle se explicarão (cf.

I

Cor. 1:24, Eph.

1

:9 e 10, Col.

8. Prostraram-se.

Nos

«Adoração do Cordeiro

1

:

18)». (Carpenter).

versiculos 8-14 temos a

— primeiro

pelas creaturas

-viventes e os anciãos, 8-10; depois pelas innumeras

hostes dos anjos, ção,

11-12; e então por toda a crea-

13; segue-se que as creaturas viventes dizem

«Amen»

e

os

anciãos

se

prostram e adoram, 14»

(Charles).

O

como a pátria da musica. «Adoração e louvor se evocam ao manifestar-se o Redemptor, assim como os quatro seres Harpa.

viventes

e

dor. Aqui,

céu se revela á terra

os anciãos adoraram na visão do Crea-

porem, mais duas categorias de adorado-

apparecem.

res

A

poesia e a musica são expres-

sões naturaes das emoções, na presença de factos as-

sombrosos. Nestas descripções a linguagem se confunde e se contradiz na ingente labuta de descrever

scenas supramundanas, e o recurso natural é louvor e adoração, junto

Incenso. etc).

com

os seres celestes.

Este symbolizava a oração (Ps. 141:2,

A composição usada no templo era prohibido em outro logar. «D'estes trez perfumes, diz o

usa-la

Arcebispo Leighton, alludindo á composição do in-

censo do templo, fissão, a

— nomeadamente,

a petição, a con-

acção de graças, se compõe o incenso da

oração, e pelo fogo divino do

o coração e tudo, junto com ções dos Seus se

amor ascende a Deus, quando os cora-

elle; e

unem em oração commum,

a


136

columna de suave fumo sobe maior e mais completa». «Cada oração que rebentou em soluço de um coração agonisante, cada suspiro do christão solitário e pelejador, cada gemido de aquelles que se dirigem ás apalpadelas para Deus, se junta aqui

com

os cânticos dos felizes e triumphantes» (Car-

penter).

São preciosíssimas as orações, pois se apre-

senta o incenso

em

taças de ouro.

Nome dado

aos crentes no N. T. Elles não se acham presentes na corte do céu, de outra forma as suas orações não seriam apresentadas por Santos.

outros. (Beckwith) (cf. 8:3). 9.

Novo

cântico.

A

expressão

é frequente

nos

Psalmos. Celebram-se novas bênçãos com cânticos novos. Muito apropriadamente aqui se annuncia a

nova creação, a redempção em Christo, por um cânnovo. «Novo» e «branco» são palavras-chaves do Apocalypse. «Ainda que em tempos anteriores o mundo que se esperava podia ter sido na maioria dos casos meramente uma repetição glorificada do mundo que então existia, mais tarde a expectação se transformou e se esperava um mundo que fosse novo, não quanto ao tempo (néos), mas quanto á qualidade (kainôs)... O Vidente... vê um novo universo creado por Deus... (21:5,2 cf. 3:12). Ainda mais, cada cidadão d'este Novo Reino trará um novo nome (2: 17,3: 12) e em louvor d'este reino os presbyteros cantam um cântico novo, e da mesma forma os anjos (14:3) e a bemdita companhia dos

tico

martyres perante o throno (14:2)» (Charles).


137

Tem

Compraste.

significação d'esta

havido muita discussão sobre a

semelhantes expressões que

e

encontramos em Cor. 6:20 e 7:23, Act. 20:28, Apoc. 14:3, etc. Aqui não se diz de que ou de quem é a Ped. 1:18 temos esta explicação: compra. Em I

I

«Fostes resgatados das vossas practicas vãs».

Em

Ap. 14:3 o resgate é da terra e seus males. Em 14:4 foram comprados d'entre a raça corrupta dos homens.

Uma outra um poder

interpretação é que fomos resgatados de inimigo,

experiência

—o

que desafia analyse. De toda a tribu. cionadas e indicam

em

.

diabo.

A

figura indica

conhecida pelo crente

espiritual

.

uma mas

Quatro categorias são men-

a universalidade da salvação

tamanha para os junão cabia na sua comprehensão e ainda hoje ha-os, como Klausner, pensando que a desnacionalização da religião operada por Jesus é condemnavel. O vinho novo do Evangelho arrebentou os odres velhos do nacionalismo judaico, como o ha de fazer a todas as linhas que dividem a raça humana. Sete vezes no maravilhoso livro encontramos esta quadrupla expressão de universalidade, aliaz com pequenas variações (5:9,7:9,11:9,10:11, Christo. Esta novidade foi

deus que,

em

geral,

13:7,14:6 e 17:15).

e

10. Reino. Vide nota sobre 1:6. Aqui, eleitos já taes, teem grande prestigio. Em 20: 4 tomam

como

posse dos seus thronos. Sacerdotes. Não precisando de outro Mediador senão Christo. Cada crente chega directamente a


138

Deus atravez do «véu rasgado». Os

filhos de Deus tornam-se sacerdotes da mesma maneira que o fez o seu Filho maior, «pela apresentação de Si próprio,

corpo e alma, a Deus, recimento

em

sacrificio vivo»

(Rom.

um

sacerdócio santo pelo offe-

de sacrificios

espirituaes acceitaveis a

12: 1-2) e tornam-se

Deus por Jesus Christo (IPed, 2:5) (Plummer). Reinarão sobre a terra. Não politicamente, como os judeus suppunham do Messias, mas espiritual-

mente dominarão os ideaes e a vida intima. Paulo applica o termo «reinar» á vida, apparentemente com a idea do dominio próprio (Rom. 5: 17 e Cor. 4:8). Assim também Prov. 16:32: «Quem domina a sua alma (vale mais) do que quem toma uma cidade.» Christo lhes «dá também um dominio sobre a terra, entre os homens, pois estão exercendo aquellas influencias e dispensando aquellas leis de justiça, santidade e paz, que em realidade regem todos os melhores desenvolvimentos de vida e de historia. Todos os que atravessam estas leis são apenas intrusos, ou tyrannos transitórios, que exercem somente um poder phantastico. Não são reis. Podem governar mas não reinam (cf. ICor. 3:21-23; Eph. 2:6)» (Carpenter). 11. Olhei, Uma nova phase de visão Os an1

:

jos accrescentam os seus louvores aos dos remidos.

Aquelles rodeiam estes.

Voz de muitos anjos. Como na annunciação aos pastores. «Aos anjos que 'desejam contemplar' o mysterio da redempção do mundo (I Ped. 1 12) :


139

agora é declarada a •multiforme sabedoria de Deus, por meio da egreja.

segundo o propósito dos séque Elie fez em Christo Jesus, nosso Senhor, (Eph. 3:10-11); e assim se habilitam o participar do cântico dos remidos» (Plummer). Uma multidão excesMyriades de myriades sivamente grande que não se pode contar (cf. Dan. 7: 10 e Heb. 12:22). 12. Clamando com uma grande voz. O coro é imponente. N'aquella perfeita harmonia celeste a voz é uma só. «E' o segundo coro, o dos anjos.» .

.

culos,

.

em

Digno. 7:12.

tos e

em

.

.

de receber.

Em 4:9

.

A

honra é septupla, como

e 11 imputa-se-lhe trez attribu-

5:13, quatro.

uma vez

13, Toda a creatura. «Mais

alarga-se

o circulo dos adoradores, e segue-se ás doxologias e acções

de graças dos cherubins e dos anciãos e

das innumeras hostes dos anjos, o grande

final

pro-

nunciado por toda a creação» (Charles). A enumeração «céu, terra, debaixo da terra, e mar» inclue todo

o espaço imaginável,

—o

culto

absoluta-

é

mente universal todas as creaturas de todas as categorias reúnem as vozes em majestosa adoração, ;

(cf.

Phil.

2:10).

A'qiielle

deiro.

que está sentado sob o throno, e ao Cor-

«Esta maneira de Hgar o Cordeiro

o enthronisado, é são ligados

como

commum em

objecto de louvor;

ligados na ira a temer; nistrar

consolação;

todo o

em

em

com Deus, livro.

em

Aqui

6: 16 são

7: 17 são ligados no mi-

19:6 e 7 5ão ligados no trium-


140

Na

do livro o Senhor Deus e o Cordeiro são o templo (21:22) e a luz (21:23) o refrigério (22:1) e a soberania (22:3), da cidade pho.

visão

final

celestial» (Carpenter).

14. Amen.

O

augusto drama de

homenagem

ter-

mina como principiou «pelos anjos junto ao throno, o Amen das creaturas viventes e a adoração silenciosa dos vinte e quatro presbyteros» f inalisa-se em sentimentos profundos demais para se exprimirem. ;


CAPITULO

Os 1.

Vi.

VI

seis primeiros sellos

Introduz-se nova phase da visão. Aqui

começa a própria revelação

;

os cinco capítulos pri-

melros são apenas introductorios.

vemos a Deus enthro-

Nelles

Christo no meio da Egreja attribulada e

nisado no céu. Nos capítulos seguintes symbolios fieis são sam-se os resultados d'estes factos, resguardados do mal, marcham victorlosos com Christo e participam da sua victorla final as forças

;

malignas são subjugadas e banidas por fim

;

e a so-

ciedade perfeita, regida por Deus e o Cordeiro, estabelece-se.

O

drama se desenrola nas visões dos

das trombetas e das taças que

sellos,

em

Intensidade

cada vez mais augmentada delineiam os juízos de Deus. O progresso da narrativa é interrompido por trez parentheses, capitulo

e capítulos

12 a 15.

7,

capitulo 10 até 11

:

13

Entramos agora em terreno

muito discutido, mas se pudermos considerar exclu-

sivamente os princípios geraes symbolisados no livro, não será necessário negar a sua exemplificação

em

qualquer acontecimento da

do

livro

podem

ter

historia.

«As visões

applicações preliminares, pois

os princípios nos quaes são construídos são eternos.

.

.

Ha, talvez,

também uma applicação

d'estes

-


142

sellos á historia

A

da Egreja.

sua era primeira é de

d'ahi procede uma era de controvérsia— a guerra de opiniões; a idade da controvérsia produz a idade de escassez espiritual, pois os homens, engolfados na controvérsia, esquecem-se do vero pão que desceu do céu, e uma fome da palavra de Deus se succede e d'isto emerge o pallido Cavallo da morte espiritual, a parodia do cavalleiro

pureza e conquista

;

;

victorioso.

.

.

a idade

do ritualismo religioso» (Car-

penter).

Não se lê o texto do livro, mas o acto que acompanha o quebramento de cada sello indica o seu conteúdo. «Este capitulo não conta o que está no rôlo, mas o que tem acontecido atravez da avenida do tempo, emquanto os homens experimentaram lel-o. Os quatro cavalleiros dão a historia do es.

.

forço para estabelecer o reino ideal pela força. E' a historia de Alexandre, de

Napoleão, do Kaiser, de

qualquer que crê que o fim

justifica as

meios, e que

pela espada elle pode escrever novas e ideaes cons-

da sociedade. Não creio que João está contando o que ha de succeder a Roma somente ou principalmente, mas o que é e ha de ser o nosso tituições

rccord

humano

até

reconhecermos que o universo

está do lado de Christo, que collocou o sceptro nas

mãos do amor remidor e que se sacrifica a si próprio... As quatro creaturas viventes lançam um repto aos quatro cavalleiros para sahirem da sua

obra

em

toda a terra» (Gardiner).

Voz de

trovão. Esta é attribuida

somente á

pri-


143

meira creatura que tade de

quem

falia

falia.

Parece indicar a majes-

ou da sua mensagem.

Vem. Por este impressionante monosyllabo cada dos cavalleiros é ordenado a demonstrar o seu papel na historia do homem vemos a vaidade do

um

;

militarismo, o vermelho morticínio da guerra, e os

hed ondos espectros da fome e da morte que lógica e chronologicamente seguem um ao outro. 2. Cavallo branco.

são do cap.

19,

Alguns, influenciados pela vi-

entendem que o cavaleiro

é Christo

ou a egreja triumphante, mas isso parece inconsistente com o facto que é Christo que quebra os sellos na mesma scena e «ha uma semelhança essencial entre os cavalleiros

:

—é

claro

que teem

commum

origem

e representam o principio das dores (Mare. 13:8)»

(Charles).

Arco.

A visão é uma modificação de Zach. Symbolo de armamento que

6

:

1

e 8.

fere a distan-

cia.

Coroa. Esta suggere dominio sobre os vencidos auctoridade para chamar ao serviço militar. E'

em-

blema de capacetes brilhantes, morriões plumosos, uniformes sumptuosos, paradas espectaculosas. Vencendo e para vencer. E' orgulhoso, jactancioso, ameaçando «Deutschland ueber alies»; «Minha pátria, com ou sem razão» «Austriae est imperare orbi Universo», e «Roma semper eadem». 4. Vermelho. Cor apropriada para a guerra, em que o fogo e o sangue se commisturam. Que tirasse a paz. Descobriu-se emfim que a guerra não é capaz de pôr termo ás guerras e esta.

:

;


144

«A guerra gera guerra, a paixão desperta paixão». Espada. E' arma de conflicto apertado e sanguinolento. «Todos os que tomam a espada morrerão á espada» (Alat. 26 52). Charles nota o desenvolvimento da ideia da espada no sentido eschatologico. Primeiro em Isaias e Ezekiel é Jehovah que a occupa. Em Enoch os israelitas a occupam contra os seus inimigos e os de Jehovah também no mesmo livro a espada é dada aos inimigos de Deus para se destruírem mutuamente. 5. Cavallo preto. Quem nelle estava montado personifica a fome. A Allemanha, a Áustria, a Rúsdepois da guerra, são exemplos. sia. belecer na terra a paz.

:

;

.

.

Balança.

Esta

foi

necessária

na

conflagração

mundial, para distribuir as rações escassas

26:26

e

lação do

(cf.

Lev.

Ezek. 4: 10 e 16). Tres quartos da popu-

mundo comprehende

a figura agora, pois

para elles Hoover segurou a balança.

Um

qaeniz de trigo.

Um

litro,

a ração diária de

um homem. Por um denario. O ordenado de um operário por um dia de serviço. Nada lhe restava para a familia e para outras despesas pessoais.

O

trigo

tem doze

vezes o valor normal.

Não faças damno ao

ao vinho. Estes são symbolos de alegria e gozo (Ps. 104: 15) e bênçãos de Deus (Ps. 23); eram objectos de luxo caracterísazeite e

ricos, portanto pode bem ter parecido a um aspecto apropriado da angustia final que João

tico

dos


145

uma

seria

indulgência aggravada de prazer entre os

emquanto que os géneros mais necessários ficassem quasi alem do alcance das massas» (Case). São os pobres que soffrem mais nas calamidades, e na guerra ha sempre os que aproveitam a necessidade do povo e se tornam profifeurs implacáveis. Na parábola do Bom Samaritano, azeite e vinho são applicados como remédios e, sendo este o seu uso, podem representar as actividades da Cruz Vermelha. Os hospitaes não deviam ser bombardeados ricos,

nem

os navios-hospitaes ser torpedeados.

8. Amarello. «Pallido

ou

li

vido

como um cadá-

ver» (Moffat).

que cavalga neste ultimo cavallo, e a sua ordenança é o Hades, para armazenar o que seu superior ceifa. Em Ezekiel (cap. 14:21) ena espada, a contramos «quatro juizos violentos», o livido ceifeiro tem fome, as feras e a peste, muitas foices (cf. Isa. 14:9, Ps. 49:19 e Apoc. 20: 13 e 14). «Apesar das lições tristissimas da guerra, que com a efficiencia moderna se torna quasi um suicídio da nossa raça, continuamos a treinar a mocidade na sua arte e preparamos immensos «stocks» de munições e machinas mortíferas, virando as costas ao Príncipe da Paz Temos pensado que a chave do universo é a força, mas a fechadura recusa a abrir-se, e a humanidade ainda fica fora do reino da fraternidade e da paz» (Gardiner). Este sello central é «a meia noite das tristezas», é o mais negro Morte,

ella

!

dos

sete.

Os

próprios cavalleiros nada fazem neste 10


146

drama symbolico, mas as palavras de explicação deixam a sua missão bem patente. 9. Quinto sello. Este inicia um grupo de tres que differem muito dos quatro já vistos.

Debaixo do altar. «Conforme a tradição judaica entendia-se que as almas dos justos «eram enterradas debaixo do altar» (Peake). A' base do altar se derramava o sangue dos sacrifícios (Lev. 4 7). Os judeus e os primitivos christãos entenderam que os martyres eram sacrifícios. Em S. Paulo a ideia é espiritualisada (Rom. 12: 1, 11 Tim, 4 :6 e Phil. 2: 17). E' ao altar espiritual no templo do ceu que se re:

fere.

mesma palavra se apem 5:6. No espirito d'Elle vive-

Mortos. «Sacrificados» plica ao Cordeiro

ram

e

;

a

consagraram as suas vidas ao serviço da

verdade. Provavelmente inclue todos que de qual-

quer forma soffrem pela causa da humanidade.

Por causa da Palavra de Deus. Por

esta

mesma

causa João soffria o exilio (1 :9). «O guerreiro não é o único que se tem esforçado por resolver o eterno enigma.

Tem

havido almas martyres que se

dedicaram ao que creram ser a verdade. Prophetas de Deus, eram campiões da Sua palavra e testemucrendo na Sua lei e apoiando-a como sendo mais preciosa que a vida. As suas almas estão no eterno mundo, e bradam debaixo do altar em que nho,

foram sacrificadas» (Gardiner). 10. Até quando? E' a pergunta secular. quanto tempo durarão os açtuaes soffrimentos e

Por in-


147

justiças?

O

Quando será vindicada a justiça de Deus? com a oração: «Amen vem, Senhor

livro termina

;

Jesus. (Cf. Ps. 79:5-10, Zach,

1

:

12 e 13, Act. 1:6

e Mat. 24:3).

Santo e verdadeiro. Vide notas sobre 3 7). 05 gue habitam sobre a terra. Cuja cidadonia é :

d'este

mundo.

Vingar o nosso sangue. Este sentimento parece o contrario de aquelle que Jesus e Estêvão exprimiram na hora da sua morte mas, a) devemos lembrar a angustia do povo de Deus naquella epocha b) os martyres reconhecem que a vingança pertence a Deus (Rom. 12:19); c) pode-se considerar a oração como uma petição pela vinda do Reino de Deus sobre a terra d) pode ser uma expressão figurativa em que, não os martyres mas sim o seu sangue, qual o sangue de Abel, clama a Deus desde a terra assim, segundo Carpenter, «as injurias esquecidas ou ignoradas de gerações, saem do olvido e reclamam vingança» e) não se exprime «apenas a sêde de vingança é, em parte ao menos, um protesto da ;

;

;

;

justiça contra a iniquidade». (Beckwith).

11. Vestidura branca. tituir

racter

Para cobrir ou antes subs-

o que tinham exteriorisado. Parece que o caha de se continuar a modificar na eterni-

dade.

O mundo

não supporta as consciências esclarecidas que dão fiel testemunho. A sua vida e o seu testemunho reprovam o mal e indirectamente julgam e

condem nam os

malfeitores.

O mundo

enxota estes


148

No

pedaços do céu como sendo corpo extranho. o contrario se dá com elles.

céu

Milligan diz que a vestidura branca «significa a perfeita justiça de Christo, externa e interna,

doada

ao crente desde o momento em que, pela

se faz

um com

fé,

Jesus». D'ahi elle conclue que estes mar-

tyres são os fieis da velha dispensação, os santos,

não do Christianismo mas do Judaismo (cf. Apoc. 3:4, 5. 18; Act. 13: 39; Ps. 51:7; Isa.61:10; Ezek. 36 25-29). «Elles precisavam da vestidura branca... pois :

o simples facto de serem offendidos pelos homens não quer dizer que estão nas devidas relações com Deus. Um arménio pode ser cruelmente perseguido, sem que tenha o costume de contar a verdade a seu patrício. É profundo corollario da expiação, que os sacrifícios feitos por nós são insuffic^ientes sem o sacrifício feito

por Christo» (Wilson).

Que repousassem. O clamor da vingança não é agradável a Deus como o são os cânticos de lou-

Os Apóstolos foram reprehendidos por seme-

vor.

lhante sentimento (Luc. 9

:

54

e 55).

Por um pouco de tempo. A imminencia do Reino constante no ensino de Jesus e encontramol-a

é

mesmo

no V. T. (Aggeo 2:6 e 7). O homem de oitenta annos acha brevíssimos os annos da sua meninice em retrospecto e é á vista da eternidade que a historia

da nossa raça se considera

(cf.

11

Cor. 4: 17,

etc.)

Completa-se o mimero. Era çrença corrente entre


149

OS judeus que o fim do se o

numero dos

pressão é o

mundo

justos.

modo

viria

ao completaf-

Suggerimos que esta ex-

divino de contar o tempo, ou

«successão de acontecimentos», não por annos pela consagração do seu povo.

rem capazes de são

mas

os seus fo-

dissipar a sua vida pela

humanidade, como Paulo realmente

Quando

Causa da

(I

Cor.

15:31); quando

«crucificados

com

Christo»

(Rom.

6:6); mortos para com a corrupção do mundo mas vivendo em Christo o presente e miserável estado

da sociedade ha-de acabar. A marcha victoriosa se detém até que estejamos promptos a trajar a vestidura branca de absoluta consagração e acompanhal-0 aonde quer que Elie nos conduzir (Apoc. 19: 11-21).

O Inicia-se

Sexto Sello

agora a narração de

uma

serie inter-

phenomenos desastrosos no mundo physico, que se realisam em connexão com o sexto

mittente

de

sello, as primeiras

quatro trombetas e as sete taças.

Representam transacções espirituaes por meio de figuras materiaes, e tomal-os apenas literalmente trará confusão. O autor é vidente e não «repórter» que descreve desastres para um jornal. A mensagem applica-se admiravelmente ás condições do homem em todas as epochas. Século apoz século temos visto cumprimentos illustrativos d'estas prophecias

e,

com esperança

e fé

renovadas, somos ani-


mados

a redobrar os esforços para ajudar a introa scena final do grande drama espiritual e

duzir

niillenial.

«Parece que devemos considerar a lingua-

gem

como sendo

que ainda que a sua applicação mais ampla pertence ao advento final, pode haver muitos adventos antecipados. O julgamento frequentemente se ensaia antes do dia aqui

de juizo.

.

figurada, e lembrar

.» (Carpenter).

A

12. Grande terramoto.

rísticas

primeira de sete horrí-

Catastrophes cósmicas são caracte-

ficas desgraças.

da Htteratura apocalyptica e apparecem tam-

bém nos

prophetas.

Em

Joel 2: 10 lemos:

tremem

se abala deante d'elles e os céus

;

«A

terra

o sol e a

lua escurecem, e as estrellas retiram o seu resplen-

dor»

(cf.

Amós

Heb. 12:25-29

8:8, etc.)

Ezek. 38:19, Aggeu 2:6-7,

Jesus referiu-se a phenomenos

semelhantes (Mat. 24 etc).

O

sol tornoií-se negro.

E' elle

que deveria

illu-

minar; d'elle depende toda a vida physica e a alegria

na natureza. Agora o próprio sol traja vestimentas de luto. (cf. Isa. 50:3 e Amós 8:9). 13.

A

lua iornou-se

como sangue. Os horrores

da noite eram peores que os do

dia. E'

citação de

Joel 2:31. .45 estrellas

cahiram. Absolutamente nada resta-

va para illuminar ou orientar. 14.

O

céu recolheu-se.

«A

figura é a de

um

pa-

pyro que se rasgou pelo meio e cujas partes divie formam um rolo de cada lado»

didas se torcem


(Charles)

(cf.

Aggeo

2:6 e 21, Isa. 34:4, Apoc. 21:1,

Mare. 13:31, Ps; 102:26,

II

Ped. 3:10).

Todos os montes e ilhas. Tudo que se salienta na terra ou no mar foi arrasado (cf. Isa. 40:4, Jer. 3:23, e Apoc. 16:20). 15. Os reis... Sete categorias de homens são mencionadas e incluem todas as classes desde o imperador até o escravo,

(cf.

nem posição, nem nem talento nem

leza,

13:16 e 19:18).

força de armas,

lência,

força,

ou

physica, valem naquella crise»...

Nem

rea-

nem opu-

intellectual

ou

(Carpenter).

As

distincções sociaes, tão prezadas por certas pessoas,

apagam num momento e todos comparecem perante Deus reduzidos a duas classes apenas. se

16. Cahi sobre nós. Antes ser

esmagados de-

baixo dos destroços dos montes que ter de enfren-

Deus.

tar a

Os

santos, arrebatados de gozo, ado-

ram Aquelle que se assenta no throno, emquanto que os malfeitores fogem à Sua augusta presença. A alma que na terra despreza a luz e segue o mal, procurará as trevas exteriores para occultar a alma maculada, afim de que não se patenteie no fulgor celeste, (cf. Isa. 2:19, Hos. 10:8 e Luc. 23:30).

Da

ira

do Cordeiro.

A

expressão é paradoxal. em que um cor-

Extraordinária devia ser a occasião

O

uso d'esta designação aqui nos lembrar que o meigo Mestre appellara para

deiro se irasse. faz

elles,

que se tinha offerecido por

elles,

e tinham

rejeitado a incarnação da misericórdia divina.

rejeição era inevitável.

Elles recusaram o

A

sua

dom da


152

O

amor vemo-lo no cap. 21:3. Essa ira sé despertou no Templo, ao encontrar os vendilhões, quando com palavras fulminantes

vida.

resultado

d'esse

destroçou a hypocrisia. 1

7.

E' chegado o grande dia da

ira.

Continua-

mente se levantam aquelles que, como estes, assustados dizem que estamos nos últimos tempos. Pensaram que o dia já chegára, mas o terrível drama do juizo apenas começára. Messina, Pompeia, Rhodes, são apenas figuras. O abysmo ainda ha de ser aberto (cap. 9); o fumo do tormento do remorso ha de subir pelos séculos dos séculos. Uma catastrophe no mundo physico ou mesmo um cataclysmo universal não constituem o juizo de Deus. O homem, bem como Deus, é espirito e no espirito soffre e soffrerá, no espirito goza e no espirito gozará. Há um sentido em que cada dia é dia de juizo, pois o caracter se esculpe pelos pensamentos, palavras e

actos diários, e a perfeição ou mutilação resulta de aquillo

que se realisa na vida

Quem pôde

subsistir?

A

(cf.

Judas 6 e seg.).

pergunta é

por

feita

aquelles que edificaram sua casa na areia do

mundo

mundo espiritual são completamente falhos de recursos. O rico se transformou em mendigo e Lazaro não soffria falta (Luc.

material e ao passar para o

16:19-31).

Sendo as occorrencias preliminares tão espantosas,

quem sobreviverá ao

tulo 7

dia presagiado?

O

capi-

dá a resposta confortadora aos crentes,

Mal. 3:2).

(cf.


153

Wilson faz

mens

um commentario

que «Os ho-

interessante

a applicação espiritual d'este sello

illustra

:

faliam levianamente da próxima guerra.

Em

amor, Cliristo quebra o sexto sello e nos mostra o

que será a próxima guerra. A defesa nacional etc. A próxima guerra será «um grande terramoto». Onde milhões de homens e mulheres assim Tolice!

luctam, o próprio sol se escurecerá pelo conflicto e a lua se incendiará pelas

fumo do chammas. Como

do ceu, assim cahirão os projecteis; como a chuva na terra, ou como figos verdes num tufão. Como o pergaminho que se enrola, as-

as estrellas

sim desapparecerá a civilisação na catastrophe, e

cada monte, seja

gios— cada

ilha,

de riquezas ou de privilénem que diste milhares de léguas, elle

mappas dos homens. Todas as classes acharão um nivel commum e este será subterrâneo. Nas covas e nos penhascos dos se removerá de seu lugar nos

montes reis e

— em

adegas e cavernas

grandes homens,

e ricos e capitães e livre,

se enconderão

— que

homens

e

trincheiras,

ironia nas palavras!

fortes e

num commum

cada escravo e

terror de remorso.

Melhor é, dirão elles, que os montes caiam sobre nós, que as rochas nos esmaguem, que, tendo feito a próxima guerra, enfrentemos a Deus no Seu throno, e a Sua ira a cólera, notai essa palavra do Cordeiro. Porque se a próxima guerra vier será, ver-

dadeiramente, o grande dia da indignação de Deus».


CAPITULO

Os

servos de

Deus

Vil

são sellados

Antes de quebrar o sétimo sello e abrir completamente o livro que contem a espantosa serie

de juizos narrados nos capitulos seguintes, até á hora em que o triumpho de Christo se realisa, ha uma pausa na narrativa, para um parenthese con-

não pediu que os discípulos fossem do mundo mas que fossem guardados do maligno e aqui não são isentos- das tribulações dos últimos tempos mas sellados de forma que será fortador. Jesus

tirados

impossível perderem-se.

Na mesma

visão

vemos

de aquelles que se conservam fieis através das provas imminentes. Na destruição geral Deus se lembrou de Noé. Na linguagem de a indizível gloria

Paulo, a nossa vida «está escondida

com

Christo

em Deus». 1.

Quatro anjos.

Em

Mat. 24:31 diz-se que os

anjos «ajuntarão os escolhidos dos quatro ventos,

uma

a outra extremidade dos céus». Quatro cantos. Posições estratégicas que dominam o todo. Sobre o numero quatro vide nota sobre 4:6. «O numero quatro é symbolo de universa-

de

lidade e de creação» (Plummer).

Os

quatro ventos. Symbolisam agentes destruc-


Vindo dos quatro pontos cardeaes, formariam São também instrumentos de juizo (Jer. 49 36 e 37, cf. Dan. 7 2). Os anjos seguram os ventos da paixão humana. Ha recrudescimento do tivos.

furacão. :

:

de egoismo, de nacionalismo e de suspeitas na Europa, actualmente. Soltos os cães da guerra,

espirito

o próprio mal se destroe a si mesmo, mas arrasta comsigo milhões de innocentes e outros milhões dos mais nobres da terra, para o anniquilamento. O individuo é governado em parte pela sociedade, a respeitabilidade limita a sua acção, mas em tempos anormaes ou em terras longínquas o freio se retira das suas paixões. Os ventos não são governados pelos homens, mas o perfeito dominio do Senhor dos senhores se estabelecerá; nenhuma tempestade perturbará o mar de vidro e o nosso seductor, a besta e o falso propheta, para todo o sempre hão de ser lançados no lago de fogo e enxofre (cap. 21 8). No emtanto a Liga das Nações, o Tribunal Internacional, o Pacto de Locarno e o sentimento (por emquanto apenas sentimento) contra a guerra, seguram os ventos até serem sellados os servos de Deus numa perfeita consagração de abnegada peleja, na revolução pacifica do «desarmamento do espirito do homem». Avante, ó hostes de Christo! :

Avante, ó Alliança Evangélica

Avante, ó escolas e

!

seminários evangélicos! Avante, ó professores christãos

!

Avante, ó paes piedosos

consagrada

!

!

Avante ó mocidade

Este armistício é a vossa hora-zero.

O

inimigo está-se entrincheirando de novo. Levantae-


155

do Deus invencível! Marchae 2. Vi outro anjo. Este é differente dos anjos que apenas refreiam por meio de sentimentos ou costumes, leis ou tratados. Este vem tocar o individuo e sellar o seu espirito para o Deus da paz. Do lado do nascimento do sol. D^aquelle lado «vem a luz e, semelhante ao sol da justiça, elle se levanta trazendo curas nas suas azas; porque a sua missão é tornar incólumes os servos de Deus» (Plummer). 3. Não façaes damno. Assim, depois de annunciar o diluvio esperou-se até que se apromptasse a arca (Gen. 6: 14), e o anjo da morte se deteve no Egypto até que se assignalassem as casas dos servos de Deus. (Ex. 12).

vos e recebei na testa o Marchae «Deus o quer» !

sello

!

.

.

Antes de termos sellado os servos de nosso Deus,

Nada sobrepuja em

valor a alma immortal

prios processos do juizo

final,

:

os pró-

tão insensíveis e ty-

rannicos, são obrigados a deter a sua marcha hor-

renda até se assegur"^ o seu bem-estar.

O

sello

não

os conserva physicamente, pois ainda estão sujeitos a perseguição e martyrio (13:15),

mente são incólumes

podem

e

mas espiritualabysmo não

as forças do

Alguns senhores sellavam seus escravos alguns que se dedicavam ao serviço de templos pagãos e ás vezes soldados que se conattingil-os (9:4). ;

sagravam a certos deuses, marcavam o seu próprio corpo. A ideia é frequente no Apocalypse. Não somente são sellados os justos, (7:2 sq., 9:4, 14:1,


157

22 4) mas também os seguidores da besta levaa sua marca (13: 16, 14:9; cf. Isa. 49: 16). A :

vam

sem duvida

ideia

era figurada, pois marcar o corpo

era prohibido (Lev. 19:28, 21 :5-6, Deut. 14:

Ezek.

9:4

e Gal. 6: 17).

E' considerado

como sendo na

testa,

1,

cf.

— um logar

vital, a parte mais visível do corpo e a sede do pensamento e dos ideaes. Os fieis sellavam as convicções pelo seu comportamento os fructos demonstram a fé. «O firme fundamento de Deus permanece, tendo este sello 'O Senhor conhece os que são d'elle', e 'Aparte-se da injustiça todo aquelle que pronuncia o nome do Senhor'» (II Tim. 2: 19). «Em ;

:

seu sentido mais profundo, esta acção de sellar significa

a manifestação exterior do caracter» (Charles).

Os

sacerdotes traziam

ouro fino

sobre

Christo diz

:

a

na lamina de

inscripto

mitra: «Santidade a Jehovah».

«Escreverei sobre elle o

nome do meu

Deus (3:12) e os remidos no monte Sião, com Christo «tinham o nome d'elle e o nome de seu Pae escripto sobre as testas» (14: eternidade «o seu

servos (22

:

nome

1); e durante á

estará nas testas» de seus

4).

E' o sellar

do

Espirito, aquella raiz

da vida ce-

na alma, que é o penhor da união da alma com Deus. Eis os termos da carta regia da sua protecção: Quem vos fará mal se fordes seguidores

lestial

do bem

?

Na

ideia bíblica, o peccado, ou a

macula

moral, é o único mal verdadeiro; as demais cousas

cooperam para o bem (Carpenter). Paulo

sentiu o


158

sello

da

victoria

quando escreveu o hymno de trium-

pho. «Se Deus é por nós

Quem

quem

será contra nós?.

.

separará do amor de Çhristo?» (Rom.

nos

No baptismo recebemos as aguas que no nome do Deus triuno. O crente, com a insígnia do nome divino e a consagração cliristã» 8:31

e 39).

sellani

marclia intrepidamente na peleja contra o mal. Po-

demos bem imaginar o conforto que traria

esta

mensagem

aos pequenos grupos de crentes perseguidos

na Asia Menor. (Vide 3:

10,

6: 11, 13: 10, 14: 12).

Jesus teve o sello do Pae (João 6

:

27).

4. Cento e quarenta e quatro mil, «Este é

mente les).

mera-

um numero

symbolico e não definido» (Char«Doze é usado como o numero de aquelles

que, em cada idade, teem sido chamados para testemunhar a favor de alguma grande verdade que o

mundo

precisava... doze tribus de Israel... doze

apóstolos...

O

um testemunho

numero doze portanto representa mundial para a verdade divina

fructos d'este testemunho mundial

continuado

êxito

milheiros

*a

;

o

são

um

;

e os

largo e

doze multiplicado por doze não degenerada prole dos

nativa e

Apóstolos multiplicada apostolicamente' representa

o crescimento para o numero completo dos escolhi-

dos de Deus» (Carpenter). Quatro e dez são números terrestres. Quatro mais trez, (o numero de Deus) e quatro vezes trez, formam números perfeitos, o resultado da união do homem com seu Creador. Aqui temos o quadrado de doze multiplicado pelo çubo dç dez que indica o


159

numero completo dos salvos sem indicar quantos serão. E' numero symbolico como os sete sellos, sete classes de homens, vinte e quatro anciãos... Emprega-se nas Escripturas, como actualmente, para «representar um grande numero mas indeterminado», A significação da visão é que todos os servos de Deus, sem excepção alguma, serão sellados e portanto guardados. «Se os eleitos suppor-

tam com paciência as naturaes provas provenientes do seu discipulado com Christo, então Elie os resguardará das provas sobrehumanas que estão para accommetter o mundo todo, conforme Elie promette A bondade occulta dos servos de Deus em 3: 10. .

afinal se

.

nome

brazonará exteriormente, e o

divino

que em secreto se escreveu nos seus corações agora se burilla abertamente nas suas testas pelo próprio

annel de sinete do

Deus vivo.

.

.

No

fim o caracter

entra na phase de final idade» (Charles).

Filhos de Israel, E' contrario ao espirito do N. T.

separar os homens

em

sua attitude catholica

;

classes e S. João prima pela de maneira que aqui elle não

vê os christãos judaicos, como alguns pensam, mas o Israel espiritual de S. Paulo (Rom. 2 29). :

Judah, Nesta lista, pela primeira vez nas Escripturas, tem o primeiro logar. Sem duvida é devido á sua insigne Prole que se ha de coroar agora, universalmente.

Dan

em

é

omittido,

provavelmente porque cahira

que d*elle havia de Todavia o numero doze se con-

idolatria e a tradição dizia

sahir o Antichristo.


160

serva pela inclusão de Manassés, embora este já se inclua em José. Uma analogia é a eleição de Ma-_

para substituir Judas entre os Apóstolos. «Ephraim, que se exaltou em Israel, agora se perde no nome maior de José.» Ruben, o instaveh

tílias

perde a primazia. Levi, omittido na lista dos que receberam terra em Canaan, no céu recebe o seu quinhão. Sendo o sacerdócio universalmente prati-

cado

pelos filhos

de Deus,

a

distinção

de Levi

-desapparece.

Uma

9.

Não

grande multidão...

se deve pensar que

um

certo

de toda a nação-

numero será salvO

ou que qualquer raça terá a proeminência. As estatísticas

das próprias cgrejas não são conclusivas.

pertencer

O

a certa sociedade ou organisação nada

«Tenho também outras oveque não são d'este aprisco» (João 10:16) e estes afinal serão ajuntados em um só rebanho e

garante. Jesus disse: lhas

terão

um

Pastor.

O

Vidente presenceia nesta visão

essa consummação bemdita. Muitos commentadores

consideram esta multidão da egreja universal e invisível idêntica aos cento e quarenta e quatro mil,

dois aspectos da experiência sendo estes «a egreja militante» e aquelles, «a egreja triumphante.» Uns são guardados do mal e do perigo, outros já passaram alem do perigo c das tribulações para a perfeita paz. Isto não

que

representam

christã,

quer dizer que a experiência não é realisavel aqui e agora. Deveras, Gardiner pensa

niente á experiência actual

:

que se

refere so-

«Esta não é a visão e


m o cântico do

final

triumpho

;

é o cântico

que conti-

nuamente ascende, emquanto homens e muliíeres passam da tribulação para o triumpho. Elles clamam salvação ao nosso Deus, isto é, Elie nos trouxe triumphantes atravez das tristezas e rigores do campo de batalha! Pelejámos a boa peleja e triumphámos !» Milligan, seguindo Gibson, também entende que a

As prophecias do V. T. quanto á reorganisação da sociedade por Christo (Isa. 49: 10; 25:8; Zach. 14: 16, etc.) e as promessas de Jesus quanto ao resultado da acceitação do seu modo de viver a fonte de agua que

primeira referencia é á vida presente.

mana para

a vida eterna

— — todas são presentes. Elie

do céu é actual e em Hebreus tem «chegado ao monte Sião e á

disse que o Reino

12:22 a Egreja

;

cidade do Deus vivo, Jerusalém celestial.» «Eis o ta-

com os homens» (Apoc. 21:3). «Não poderemos comprehender qualquer parte do Apocalypse a não ser que reconheçamos o facto que tudo que elle trata é elevado a um padrão ideal.

bernáculo de Deus está

O

premio e o castigo, a

justiça e o

peccado, os

martyrios da Egreja e a sorte dos seus oppressores,

são-nos todos apresentados a uma luz dente move-se

em meio de

ideal.

O

Vi-

conceitos que são fun-

damentaes, finaes e eternos. As luzes quebradas' que parcialmente

illuminam

mundo, estão para

elle

nosso

Vestiduras brancas. Insígnias

bém de

justiça.

progresso

neste

absorvidas na 'vera luz'».

de victoria e tam-

(Vide nota sobre 3

:

5).

Palmas. Estas eram o premio em certos jogos 11


romanos

e

Mas

gregos.

Festa dos Tabernáculos

:

«a imagem é tirada justamente

como o

da

sello

nos lembrou do signal protector no limiar das casas de Israel no Egypto, assim estas palmas e cânticos de regosijo relembram as ceremonias da festa posNenhum symbolo ou imagem seria mais natu-

terior.

ral

para o vidente sagrado e

nenhum

apropriado para o seu assumpto. bernáculos elles

O

A

mais

seria

Festa dos Ta-

commemorava o cuidado de Deus sobre

no deserto,

e a gratidão

d'elles pela colheita.

povo sahia das casas e habitava choças

;

as ruas

se enchiam de multidões alegres que traziam ramos

da palmeira, da Neh. 8

:

A

14-17).

do myrto; sons de regoouviam (Ex. 23: 16, Lev. 23:43,

oliveira e

sijo e cânticos se

visão aqui mostra

uma

festa muito

maior» (Carpenter).

Uma grande

voz. Que coro empolgante Que Que companhia feliz Salvação a nosso Deus. Venceram mas attribui-

10.

scena encantadora

ram a

Victoria

!

!

ao Autor da sua salvação.

11. Prostraram-se

em

5: 14 e 11

.

.

e

adoraram. «Assim como

16-17 o louvor é acompanhado por

:

adoração e culto» (Plummer). 12. Amen.

Os

anjos adoptam

como seu o coro

dos remidos, assim como as quatro creaturas em 5: 14 fizeram ao coro dos anjos. Ha perfeita harmonia e concordância no céu. Differenças de opinião, de lealdade, de

attitude,

de culto desapparecem de

vez. Era antiphonia imponentíssima. Sete attributos

são enumerados

(cf.

cap. 5).


1â.

Quem

são.

.

.? Parece

que o ancião deu vo2

«Onde

á admiração manifesta nos gestos de João.

uma

se faz

que se

explicação

refere

á egreja,

a

tomada pelos anciãos, emquanto que os anjos introduzem as visões, que se deixam sem parte activa é

explicação

(cf.

5:2, 7:

1

e 2; cap. 8; 10:

1,

3 e 5)

(Plummer). E' frequente nas Escripturas este me-

thodo de perguntas

(cf. Zach. 4:2, Ezeq. 37:3, João 21 12, etc.) Nesta vasta multidão vê João os fructos da commissão universal de Jesus (Mat. 28 19). :

:

14.

Meu

tosíssima;

Senhor, tu o sabes.

elle

adivinhar, mas,

A

resposta é respei-

não exteriorisa opinião nem tenta

como bom

discípulo, attende a

Quem

sabe.

05 que veem da grande

tribulação.

Uma

vez que

consideramos que essa multidão é a totalidade dos remidos, a tribulação é o conjunto das provas conse-

quentes do viver

em

contacto

com a corrupção

e

opposição d'este mundo, inclusivé naturalmente os ais

que seguem a abertura do sétimo

sello.

é presente e representa acção continuada.

«Veem»

«Em

to-

epochas é certo que precisamos de, por meio de grande tribulação, entrar no reino de Deus das as

e a visão aqui certamente

não é de aquelles que

de algumas provas particulares, mas da grande multidão de todas as epochas e de todas

saem

illesos

as raças que pelejaram contra o peccado e que, no

meio d'aquelle protrahido conflicto, supportaram a grande tribulação que continuará até á volta de Christo» (Carpenter).


164

Lavaram as suas

vestiduras.

O

desenvolvimento

do caracter não é passivo: a graça e as obras são devidamente contrabalançadas em Phil. 2:12 seq. Nos seus corações o bem expurgou o mal as altas aspirações substituíram desejos indignos; o templo se purificou para o Espirito Santo os fogos da tri;

;

bulação eliminaram a escoria.

No

sangue do Cordeiro. Participaram da sua vida consagrada e sacrificial. Por Elie foram perdoados e purificados; por Elie venceram (cf. João 1:7, Rom. 3:25 e 5:9, Heb. 9:14. Vide também Isa. 4:4 e Eph. 5:25-27, Apoc. 22: 14). 15. Por isso. Assim se explica a reunião tão extraordinária de elementos diversíssimos que antes de Christo sonharam em romper as barreiras do nacionalismo exclusivista. Em nossos dias realisam-se timidas tentativas, a Allemanha até é admittida á Liga das Nações, mas os Estados Unidos absteem-se, entendendo que, por emquanto, não se pode realisar este ideal utópico. A tribulação por si só não modifica o caracter. As nações principaes do mundo lavaram as suas vestiduras no sangue de milhões dos melhores homens e ainda acham impossível I

qualquer união. E, o que é o maior absurdo,

um

accordo para a limitação de armamentos é difficilimo de realisar, mas gastam-se rios de ouro com os instrumentos de homicídio, emquanto mulheres e creanças morrem de fome na Europa central e o operariado da Inglaterra se levanta numa greve geral por falta do sufíiciente para sustentar a vida! Somos


165

ainda mais capazes de rezar «hymnos de odio» que

de entoar cânticos de salvação ao Príncipe da Paz,

num

coro internacional. Temos, porem, federações

de egrejas, a União Mundial das Escolas Domini-

Conselho Internacional das Missões. aos poucos a immensa multidão está-se ajuntando, das nações da terra, para. formar o magnifico coro branco. Deante do throno. Vivendo sempre como na sua caes, o

.

Presença,

— sujeitos

.

á sua divina vontade.

so-

mente quando estivermos neste espirito que Elie nos pode abençoar, conforme quer.

Adoram.

A

palavra grega

latreiíein,

«significa o

como seu povo 26:7, Rom. 9:4, Heb.

serviço prestado a Jehovah por Israel,

3:3, Act.

peculiar

(cf.

9:1 e

como observa Lightfoot, serviço, não externos mas sim de culto espiritual (Rom.

de 12:

Phil.

6). E,

ritos

Como

1).

tal,

pertence a todo o povo, e se dis-

do serviço sacerdotal.

tingue

A

palavra apropriada

para o ultimo é leitourgein. Este serviço sacerdotal era feito não somente no templo da terra mas também, conforme os conceitos judaicos, no templo celeste, onde o officio sacerdotal é realisado pelos archanjos. Porem no céu christão não se exercem semelhantes funções sacerdotaes e não ha logar para

qualquer casta exclusivamente sacerdotal. Todos os

bemditos são sacerdotes para Deus» (Charles).

Dia 4:8).

A

e

noite.

Continuamente. (Vide

linguagem é

taes divisões de

Sanctuario,

terrestre.

No

nota

sobre

céu não haverá

tempo (22:5). Habitação

de

Deus.

Reconhecerão


166

que o logar em que é santo,

estão,

quer que

onde

pela presença

santificado

accordarão do seu engano

«Na verdade Jehovah

como

divina

;

seja,

nunca

Jacob, para dizer

está neste logar; e eu

não o

sabia» (Gen. 28: 16).

Estenderá o seu tabernáculo

de Deus, agasalhados por

.

.

Serão hospedes

Elie. Literalmente

a ex-

pressão quer dizer que o próprio Deus se estenderá

sobre

elles,

Pessoa filhos

(cf.

— Deus 21 :3).

nos protege com sua própria

A Sua

gloria enche a vida de Seus

assim como cobria o tabernáculo de dia

uma nuvem

e

com

de noite pelo fogo (Ex. 40:34-38),

Elie os circunda

com

a sua luz,

como

o

ar, Elie

pe-

netra no seu intimo, purificando-os e vivificando-os.

Paulo sentiu a força de Christo repousar sobre (II

16.

Não

elle.

4:5-6, Ezeq. 37:27 e João. 1:14). terão fome, nem sede, jamais. Sendo hos-

Cor. 12:9,

cf. Isa.

pedados pelo Creador, Rei e Dono do Universo. Elle nos concede dominio e usofructo, conforme a nossa capacidade de utilisal-os. Esta capacidade augmentou immensamente na ultima geração. Elle promette sustento a todo que procurar o Reino do céu (Mat. 6:33, cf. Isa. 49:10). A expressão tem significação espiritual também. «A minha comida é fazer a vontade d'aquelle que me enviou» (João 4 34) e «Quem beber da agua que eu lhe der nunca :

jamais terá sede» (João 4:

14).

«Todavia,

num

ou-

fome e sede nunca cessarão pois o seu objectivo nada menos é que o próprio Deus

tro sentido, a sua

e as suas perfeições» (Charles),

;


167

Nem

cahirã sobre elles o sol Estando debaixo da

em sua

sombra das suas azas. «O

sol oriental,

e oppressiva intensidade, é

emblema apropriado para

feroz

que reseccam as forças» (Carpenter). indica que Esta trindade, agasalho, pão e agua nada lhes faltará (cf. Ps. 36 6-9). «Quando Isaias (49:10) primeiro escreveu assim, do cuidado de Deus, poder-se-ia ter dito que era um pensamento formoso e poético. Mas quando João repetiu o pensamento poético e formoso, este tinha supportado a prova do tempo, da experiência, de immensa angusas

provas

:

tia

e tristeza. João,

pobre,

mas

elle

por sua parte, estava velho e

mesmo

sabia que o cuidado de

Deus

não falhara» (Wilson).

17.0

SemDeus so-

Cordeiro que está no meio do throno.

pre é Elle a figura central.

Chegamos

a

mente por meio d'ElIe. Embora sendo o bom Pastor, chama-se o Cordeiro e a sua identidade com as ovelhas persiste. Conhece perfeitamente os nossos problemas, pois foi victima d'elles e, ao mesmo tempo, venceu-os. Pastoreará.

Elle

é

sapientissimo

conductor,

conhece o nome e a natureza de cada ovelha, é absolutamente dedicado ao seu bem-estar, ama-as mais que a própria vida (cf. Ps. 23, Luc. 15 4, João 10:11). :

mana do prónão de cisternas fendidas

Fontes da agua da vida. Esta agua prio throno de

Deus

e

agua viva e progressivamente alcançada

4:11;

Isa.

terra árida.

12:3).

A

figura é

(cf. João mui expressiva numa


168

Deus enxugará toda a lagrima. Como uma ca«Assim rinhosa mãe. será removida toda a tristeza nenhumas lagrimas marejarão os olhos de todos porque as fontes da tristeza serão cortadas da terra, onde não haverá mais peccado. Ninguém pode tornar a chorar quando é Deus que enxuga as lagrimas. .

.

:

Bem-aventurados os que choram, disse Christo bem-aventurados deveras nisto que Deus se torna o seu confortador. Somente os que choraram pode:

rão gozar esta consolação.

Quem não

lagrimas d'esta vida para ter a

xugal-as!» (Carpenter).

derramaria as

mão de Deus

a en-


CAPITULO

O

sétimo 1

.

O

sello.

sétimo

As

sello.

VIII

seis primeiras

trombetas

Depois das duas visões subor-

dinadas voltamos agora para a serie principal. Repete-se este eschema na serie das trombetas, onde se intercalam as visões do Anjo

com

o livro e das

duas testemunhas entre a sexta e a sétima trom-

pensa que são designadas a dar-

betas. Carpenter

-nos ideia da vida intima da egreja de Christo no

meio dos aspectos exteriores da historia do mundo em que ha guerras, perseguições e tribulações de toda a espécie. «As visões principaes

e da Egreja,

nos dão os clangores das varias

(das trombetas)

providencias de Deus, convocando o entregar a Elie

temunho mundo.

se

filhos

de Deus neste

series dividem-se

em grupos de

dos verdadeiros

e obra .»

.

mundo para

as visões subsidiarias indicam o tes-

;

As duas

quatro e de trez. Silencio,

meno: silencio

1.

Ha

varias

— Symbolisa

explicações

que nos conta que a

eloquentemente nos

gozo

ineffavel

falia

pheno-

d'este

e paz. «E' o

tristeza se

acabou e

de paz do coração. E' o

descanso do perturbado, no seio de Deus».

2.

— E*

o espanto á vista dos terríveis acontecimentos futuros, revelados

ao abrir o ultimo

sello. 3.

dar precedência ás orações dos santos;

— E*

para

assim

a


170

congregação guardava silencio emquanto o sacerdote queimava o incenso no sanctuario (Luc. 1 10). :

«Os louvores das supremas ordens de anjos no céu se calam para que as orações de todos os santos

soffrendo na terra, se possam ouvir perante o throno.

As suas necessidades preoccupam mais

a

Deus que

toda a psalmodia do céu» (Charles). Inclinamo-nos a

combinar 2 e

3.

Pode ser também o

silencio

da reser-

va; muita cousa ha que não nos é dado saber agora.

Meia hora.

Uma

pausa extensa e portanto muito

impressionante no meio d'este movimentado drama.

O

universo estava attento, esperando os acontecimen-

do sétimo sello. No Apocalypse «a metade de qualquer cousa suggere, não tanto a metade literal, cinco, como um todo quebrado e interrompido, tos

dezena quebrada,

meio

um

seis,

uma

dúzia quebrada, trez e

septenario quebrado...

A

de Jesus que 'acção' sendo pri'hora*

é para João o momento em meiro resolvida pelo Pae, é tomada pelo Filho (vide

João 2:4 e 12:27); e 'meia hora' pode apenas indicar que o curso dos acontecimentos se interrompeu, e que o instante para renovado juizo

foi

adiado.

(AAilligan).

2. Sete anjos. «Até agora estes anjos tinham somente proferido uma mensagem ás igrejas, não ao

mundo

alem, e ás egrejas,

mento, appello,

uma

foi sufficiente,

voz, palavras, argu-

pois nas egrejas havia

homens que tinham ouvidos para mundo, algo mais que a voz foi

Mas

para o

necessário,

— uma

ouvir.

trombeta, desafiadora, mechanica, metálica,

com uma


171

simples nota penetrante. Estes anjos sahiram

como

o Exercito da Salvação, como Pedro o Eremita e Savonarola, ministros em toda a parte, de aviso so-

lemne para os que offendem a seus irmãos ou a

mesmos

.

.

.

Quando

si

a trombeta soa, a consciência

despertada estremece.

O

primeiro facto esquecido

a oração. Qual dos cavalleiros, naquelles cavai-

foi

los, tinha

pensado nas mães de joelhos, intercedendo

pelos seus filhos; nas creanças de joelhos, orando

em

favor de suas

mães nos paes implorando a bên-

ção divina para os

;

filhos,

nos evangelistas rogando

Por João as orações dos santos se viam tão claramente como o incenso a salvação dos peccadores?.

que sobe do thuribulo

e.

.

.

.

.

agora comprehendia que

o incenso alcança o próprio coração de Deus. Dele-

um anjo para garantir a entrega uma das mais humildes petições. As mãos levantadas podem estar calejadas da lida, e as faces ga-se especialmente

de cada

murchas, o vestido roto e esfarrapado, mas a oração

nada menos preciosa e o thuribulo que a leva do Eterno, nenhum outro pode ser senão o thuribulo de ouro. Não se diz que as orações dos santos devem ser escriptas, ou que precisam ser guarnecidas com linguagem de belleza e eiudição. São orações e basta.» (Wilson). não

é

até deante

Os

anjos se interessam

ritual

(Luc. 15

mani.

O

:

em nossa attitude espicom Jesus em Gethse-

10)._Estiveram

próprio Espirito exprime por nós o que sen-

mas que é profundo demais para palavras (Rom. 8 26). Nada ha aqui que nos leve a pensar

timos

:


172

nos anjos ou santos como mediadores; Jesus é o único Mediador (I Tim. 2 5). «O incenso symbolisa :

a verdade, que as orações de todos os santos pre-

cisam de tornar-se acceitaveis pela infusão de

gum elemento

divino...

E*

difficil

al-

esquecer aqui

Aquelle cuja offerta e saciificio se tornaram

um

odor

de suavidade (Eph. 5: 1-2)». (Carpenter). 3. Altar de ouro. Altar suggere sacrifício e

munhão.

O

com-

material preciosíssimo de que é feito é

significativo.

«Todo o accesso ao céu

do

Sejam as orações dos

sacrifício.

é pela

fieis

avenida

ou dos pró-

prios martyres, todas egualmente precisam ser apre-

sentadas ou offerecidas no altar celeste para que

sejam assim purificadas da ultima nódoa do

'eu'

e

tornadas acceitaveis a Deus» (Charles).

O lançou sobre a terra. Semelhantes ao arcoque sobe aos céus e volta á terra, as orações alcançam o Throno omnipotente, que, qual o transformador eléctrico, as adapta aos fins divinos. Pediram o estabelecimento do Reino de Deus, mas 5.

-irís

terríveis

acontecimentos o hão de preceder, pois é

necessário limpar o terreno. estructura da

chamada

Ao desmuronar da

civílisação

vemos

velha

as paredes

manchadas, os alicerces podres, as galerias subterrâneas do abysmo que geram pestílencias sociaes. A praga de ulceras no Egypto foi iniciada quando Moysés lançou ao ar cinzas do forno (Ex. 9:8-10); e

mandou-se que fossem lançadas brasas sobre a

cidade condemnada, Trovões,

em

vozes...

Ezek. 10:2.

Manifestações são estas da


poderosa presença divina, como no Sinai Deus res-

pondeu á oração de Elias com fogo (I Reis 18 38). «Assim como a oração subiu da terra, assim desceu o fogo. O monte Carmelo tornou-se no universo e :

cada discipulo num propheta Elias. O fogo estava nas almas de homens. Foi elle a chamma que incendiou o enthusiasmo de S. Francisco, de João Knox, dos Wesleys, que arde no coração de missionários e professores, que sustem os doentes e aquenta os

pobres. Elle tem transformado muitos operários cavalleiros mais nobres fez muitas jovens

em

que muitos dos fidalgos e

mais verdadeiramente senhoras

que muitas das que^ são ornamentos da sociedade. apenas fumega mas nunca se pode dizer quando romperá, varrendo tudo como o fogo no campo, atravez da sociedade dos homens

A*s vezes o fogo

;

e das mulheres.

«Quando João viu pela primeira vez o throno, notou que d'elle procediam vozes, trovões e relâmpagos.

Mas não

lhe occorreu

que estes phenome-

nos eram associados com as orações diárias próprio e dos discípulos. Agora

plenamente. Sentiu tes

christãos

também o terramoto

realmente

d'elle

comprehendia

elle

—que

es-

estavam transformando o

mundo» (Wilson). Este autor cita dum livro que o jornalista McKenzie escreveu sobre a Korea «Os :

missionários espalharam a Biblia

namico

e perturbador

no mundo. Quando

saturado da Biblia é posto rannia,

— o livro mais dy-

uma de duas cousas

em

contacto

acontece

:

um povo

com

a ty-

ou o povo é


m exterminado ou a tyrannia cessa».

E Wilson

conti-

nua: «Ahi temos precisamente a explicação da gura que

fi-

estamos discutindo. Inflammados com as

brasas d'aquelle

os discipulos teem espalhado

altar,

do Redemptor. Edificaram hospitaes fundaram missões, pintaram quadros no-

as boas novas e escolas,

escreveram musica e poesia esplendidas, cui-

bres,

daram dos pobres, ministraram aos velhos, reformaram as prisões». 6.

Os

sete anjos.

.

prepararam-se

.

.

Reence-

ta-se a acção interrompida para receber as orações.

As pragas das primeiras quatro trombetas cahem sobre o mundo natural e attingem apenas indirectamente os homens. As ultimas trez caem directamente sobre os homens que não foram sellados. As pragas do mundo natural são intensificações de certas pragas do Egypto e são semelhantes ás quatro primeiras pragas de cap.

16.

symbolicos; se os tomarmos tecendo, cahimos

Os acontecimentos são como literalmente acon-

em confusão

e

encontramos varias

contradições. Sete sacerdotes tocaram trombetas no sitio

de Jericó

(Jos.

6:16).

A

«grande trombeta»

de Mat. 24:31, destinada a juntar os escolhidos, não

mencionada no Apocalypse. «Teríamos pensado que, quando um anjo de Deus toca a trombeta ao ouvido do homem, a resposta do homem seria o arrependimento e a fé. Mas assim não tem sido. cada século com sua Século apoz século passa carga de prophecia e ainda assim nos servimos a é

nós mesmos, luctamos procurando nossos pi-oprios


prazeres, e olvidamos as consequências. Assentados

em nossas

cadeiras confortáveis recusamos

bolismo do Apocalypse como se fosse

o sym-

uma cousa

remota e fantástica» (Wilson).

«Cada

juizo deveria despertar o verdadeiro servo,

para maior vigilância e progresso mais ávante.

Os

milagres teem sido chamados os sinos de alarme do

da mesma forma os estranhos e assustadores acontecimentos da historia do mundo são notas de alarme sopradas pelos anjos de Deus atravez do mundo». universo

7.

;

Saraiva e fogo misturados com sangue. «Viu-se

moderna, e nunca houve uma descripção de explosivos

ahi pela primeira

na

literatura

vez a

artilharia

tão breve e perfeita» (Wilson). Claudiano disse que

Roma pelos invasores godos foi semeuma tempestade de saraiva (Carpenter).

a tomada de lhante a (Cf.

«S.

Ex. 9 24, Ezek. 38 22, Joel 2 30, Act. 2:19). Pedro annunciou que o cumprimento da pro:

:

:

phecia de Joel começou com a effusão pentecostal do Espirito Santo. Tinha soado então a trombeta de guerra o processo da emancipação da terra princi;

piara.

Começou

então a serie de tristezas e julga-

mentos que o obstinado amor dos homens pelas trevas,

em

preferencia á luz, traria sobre

si

próprios

e por meio da operação d'estes o reino de Christo

se estabeleceria» (Carpenter).

Chuva de «sangue» tem occorrido de

facto

em

muitos logares, devida á presença no ar de pó vermelho dos vulcões ou do deserto.


m A

terça parte,

O

estrago

foi

immenso mas a maior

Os campos de batalha da França «O uso de fracções para proporções relativas já se acha em Zach.

parte salvou-se. illustram

exprimir

13:8 terra,

essa destruição.

5:2)» (Charles). A terça parte da do mar, das aguas doces e dos corpos celes(Cf. Ezek.

tes, foi attingida

pelas primeiras quatro pragas.

Arvores. Isaias (2: 12-13) usa os cedros do Lí-

bano e os carvalhos de Basan como typo dos soberbos e altivos. Wilson diz que são «as instituições da sociedade, as universidades e egrejas e palácios»; Wordsworth, que são os príncipes. Herva verde. Na verdade o povo é herva (Isa. 40:7). Esta ideia é frequente na Biblia (cf. Ps. 103: 15, I Ped. 1 24, etc). Wilson pensa que representa os lares humildes e Wordsworth, o povo :

commum. A praga 8.

Um

traz grande desolação.

como grande monte. Jeremias

prega figura semelhante: diz Jehovah,

a terra

;

(51

:

25)

em-

«Eis que sou contra

ti,

ó monte destruidor, que destroes toda

estenderei a minha

mão

sobre

ti

e te farei

rodar dos penhascos abaixo, e te tornarei em um monte queimado». Parece que se refere a Babylonia. Provavelmente Jesus referia-se também ao monte

de iniquidade enraizada

em grandes

instituições so-

que havia de ser removido pelas orações dos cf. Ps. 46 2 e Zach. 4 7). 21 Sangue. Esta operação cirúrgica não se faz sem perigo e perturbação. O commercio foi um tanto deslocado pela lei da prohibição nos Estados Uni-

ciaes,

seus (Mat. 21

:

;

:

:


177

dos;

uma

paiz.

A não

cro,

resaca de desrespeito á ser

em vez de

de Patmos, era

que a operação seja

inundou o o can-

espalha-se. Thera, perto

se curar,

um

lei

radical,

vulcão activo no primeiro sé-

culo e talvez suggeriu os pormenores da figura a

«Na erupção de 1573 o mar ao redor de Thera tingiu-se, num raio de vinte milhas, e mesmo quando o vulcão submarino é quiescente, 'o mar na visiJoão.

nhança do cone tem uma cor brilhante de laranja*. Em 1707 uma grande rocha subitamente appareceu no mar, numa erupção, e devido aos vapores nocivos 'todo o peixe no porto morreu'» (Moffat). As civilisações de Babylonia,

Roma, Sodoma.

.

.

desap-

pareceram no mar das invasões (cf. II Reis 3:23, Ex. 7:20-21, Ps. 78 44 e Apoc. 16:3). 1 0. Grande estreita. «Como cahiste do céu, ó filho :

radiante,

filho

todas cahiram

da alva»

em

6: 13.

muito apropriada para

Uma tação

(Isa.

A

14:12). As estrellas

em Isa. 14 é como Napoleão.

descripção

uma

figura

de valor para orien-

estrella fixa e brilhante é

numa viagem no mar. Se

ou mudar

ella cahir

de logar o viajante desorienta-se como os mari-

uma

va-

Ardendo como um facho. Foi semelhante a

um

Colombo ao ver o que

nheiros de

parecia

riação na posição das estrellas.

meteorolitho ao encontrar a nossa atmosphera.

Rios tingidas,

.

.

.

fontes ...

— as

escolas,

As aguas potáveis foram as egrejas,

— as

at-

fontes das

dos ideaes. «As religiões falham a não ser que fiquem no céu ou região da felicidade. A reli-

ideias e

12


178

gião que cahe nos rios e arroios como uma ferrugem, tornando as aguas amargosas como o absintho, tornando o Domingo monótono como um castigo, a

hedionda

Biblia

como um

sermões tão sem interesse

os

e

jornal velho,

— aquella

religião,

qualquer

que seja o seu nome, semeia a morte e a escuridão. Arruinada é qualquer religião que transforma o doce em amargo, invadindo o lar, perturbando o amor de marido e esposa, prohibindo prazeres innocentes e justificando desegualdades sociaes» .

.

(Wilson).

Moysés espalhou o pó do bezerro de ouro nas aguas e obrigou o povo a bebel-as. As aguas de Mara eram castigo para o povo de Israel. Porque o povo abandonou a lei de Deus e foram todos apoz os Ídolos, Jehovah disse

com (Jer.

absintho,

9:15,

cf.

11. Terça parte.

A

a beber

agua de

fel»

Deut. 28: 18).

somente o bem 12. Sol.

«Alimentarei a este povo

:

darei

lhe

e

O

mal

é parcial

e temporário;

é universal e permanente.

luz

directa

do throno de Deus, que

illumina o coração. Parecia que esta luz se retirava

de Jesus, quando na cruz (Mare.

15:34).

Trevas

constituíram a nona praga no Egypto(Ex. 10: 21-23).

Lua.

A

luz reflectida,

como na

architectura: a arte,

as escripturas, etc. Estrellas.

As

egrejas.

A

idade escura principiou

(Wilson). E' claro que o autor não está descrevendo desastres

mundo

meteóricos,

material, pois

acontecimentos seriados no

em

6: 13 as estrellas todas já


179

cahiram. Assim truída

também em 8 7 toda a herva :

é

des-

mas em 9 4 a herva é protegida, em estações taes como estas, quando as da sabedoria humana e direcção divina pare:

«E'

luzes

cem obscurecidas, que a

egreja precisa sahir adeante.

O

chãos precede a creação e é atravez de chãos que de novo a egreja de Christo tem de passar para o novo céu e a nova terra. Estas visões das trombetas, lidas ao lado da história do Génesis, parecem o desmanchar da creação a vegetação se anniquila, a terra e o mar se commisturam, as luzes do firmamento se obscurecem, os seres viventes, em mares e rios, se destroem, 'mas vida mais abundante sahirá ;

d'esta decadência'.

cede a edificação

A

demolição necessariamente pre-

a remoção do degenerado é

;

um

passo no caminho da regeneração que segue» (Carpenter).

13. Águia. Velocíssima ave de rapina

9:26).

A

quarta creatura

águia que voa (4

:

7).

A

senta flagrante contraste

era

(cf.

semelhante a

Job.

uma

missão desta águia apre-

com

a do anjo de 14:6.

A

águia figura na insígnia de muitas nações. Será que isto

em breve

se modifique?

de lá sua voz numero a sua posição vantajosa a habilitaria a ver o que aos da terra era vedado era o «az» da artilharia divina. Pelo meio do céu. Visível a todos

alcançaria o maior

Ai, ai, ai.

«Trez

;

;

ais é a alternaítiva a trez

vezes

santo» (Wilson). Nesta segunda serie das trombetas,

os homens d'este

mundo são

attingidos directamenta.


CAPITULO

Os Uma

1.

IX

primeiros dois ais

estreita.

Frequentemente

significa

uma

personagem eminente. (Num. 24: 17, Isa. 14: 12 etc.) Em Job 38 7 os anjos são chamados estrellas. Jesus diz «Vi Satanaz caliir do céu como relâmpago» :

:

(Luc. 10: 18).

«Tal

Mirabeau,

era

— taes

os

Girondinos na

França; taes os Lvoffs, Tolstois e Kropotkins da Rússia

— homens

que em tempos perturbados de-

sertam da sua esphera da sociedade e se encontram,

por alguma sorte, de posse da chave do abysmo sem

fundo da paixão e da miséria. Taes homens soltam as forças que não

grande

forno,

podem dominar, o fumo de um

todos os preconceitos e ignorância

gerados pela oppressão.

podemos ver pirar,

O

e o ar pelo qual

pelo qual somente somente podemos res-

sol,

são obscurecidos pelas exhalações da anarchia,

do abysmo saem enxames de gafanhotos. Estes são os naturaes do mundo inferior, a canailte, (are

raia-miuda), os peões, os servos, os setenta e cinco

por cento da escravatura

em que

se baseava o Im-

Romano, que teem vivido tão perto do solo que o simples comer a satisfação das necessidapério

des materiais

— é seu

desejo supremo. D'ahi os Ja-

cobinos, os Bolchevistas,

— d'ahi

os Terroristas

em


181

qualquer parte.

.

Mas

.

o mero facto da democracia

do abysmo da degradação, não quer dizer que por emquanto a democracia já convenha ao mundo. Traz na sua cauda um aguilhâo» (Wilson). Foi-lhe dada a chave. Christo possue por direito as chaves. Tudo está debaixo do poderio de Deus. Satanaz tem somente o poder que lhe é concedido. Poço do abysmo, «No Apocalypse o abysmo é considerado como sendo um logar preliminar da punição dos anjos cabidos, dos demónios, da besta e do falso propheta, e da prisão de Satanaz durante ter

libertado

mil annos» (Charles). O logar final destinado a todos os elementos maus é o lago de fogo e enxofre

(20:10, 14 e

abysmo

15,

Luc.

cf.

é a fonte infima

8:31

e

II

Ped. 2:4).

«O

de onde surgem os peores

perigos» (Carpenter). 2.

O

sol e o ar escureceram-se.

«O fumo do

in-

censo (8 4) purificou as orações dos santos e tornou-as acceitaveis perante Deus o fumo que as:

;

cende do abysmo escurece a mente dos homens e tolda o seu entendimento» (Plummer). D'isto resul-

tam os

ais

da humanidade

3. Gafanhotos. irresistível (Deut.

Uma 28 38 :

;

sam quaesquer hordas que os

militaristas,

sae do

(cf.

11

Cor. 4 4). :

praga destructivissima e Joel 2

se

:

25, etc.) Simboli-

dominam pelo

mal,

os anarchistas, o proletariado que

abysmo da oppressão para dominar

e des-

truir.

4.

Que não fizessem damno á

herva.

A

praga

era mil vezes intensificada pelo facto dos próprios


182

homens serem

deixavam execravel

Os

das.

Não

(cf.

o exemplo era péssimo,

— feriam com as cau-

Luc. 10: 19).

que os matassem. Foram limitados

como

seu poder,

Ha

ideias,

influencia,

sellados de Deus, porem, são espiritual-

mente incólumes, 5.

Não devoravam mas enve-

victimas.

nenavam, — incutiam

foi

Satanaz

em

em

referencia a Job.

cousas peores que a morte e frequentemente o

viciado põe termo á sua existência

Job 3: 20-21, Jer. 8:2; Luc. 23:30; Apoc. 6:16). Mas a morte espiritual foge. Não haverá somno nem esquecimento. (cf.

Cinco mezes. Este é aproximadamente o periodo

da duração da praga natural do gafanhoto. Todas as pragas são limitadas, salvo a série final, a das taças. 7. Cavallos

preparados para a guerra. Velozes,

«Um grande exercito symbolico, numerosíssimo como gafanhotos, malicioso como es-

fortes, destruidores.

corpiões, regendo

como

reis, intelligentes

como ho-

mens, dotados de astúcia mulheril, bravos e ferozes como leões, irresistíveis como os que trajam armadura» (Carpenter). 1 1

.

Como

brilhante

um mundo de

ser,

Tem

rei

o anjo do abysmo. «Aquella estrella

mas mal fadada que cae no movimento de já

afinal,

mais

feliz,

não

servirá.

um homem como

de ser de entre os que surgirem

Robespierre,

um

O

chefe tem

Marat ou Lenine.

— um Danton, um

Mas ao mesmo tempo que como rei. É tão déspota como

Trotsky.

é camarada, procede

os tyrannos que substitue. Pode-se chamar o

por nomes

homem

differentes, nos diversos paizes, — Abba-


183

Appolyon no Grego mas a sua significação e intuito são os mesmos. E' destruidor e não edificador. Empobrece os ricos sem enriquecer os pobres. Demole a velha Jerusalém sem lançar os alicerces da nova. Queima as Tulherias sem Critica constituições edificar moradas de aluguel sem pensar em outras melhores. E' negativo, e não don no Hebraico

e

.

positivo

tal

como um

.

.

não é perpetuo, de re-

ai,

pente o seu dia passa. Torna-se apenas ria

(Wilson). (Cf. Rom. 3: 18). Apollyon (des-

vil»

truidor), effeito

12.

uma memo-

como

Absintho,

é

nome que exprime o

que produz.

O primeiro

ai já passou.

As palavras são de

solemne aviso, intensificando o interesse dramático. Este «ai» é presagio dos outros dois. 13.

O

sexto anjo. «Esta praga assemelha-se á

é de uma natureza muito mais aggrauma vez temos grandes hostes, com os Mais vada. poderes do cavallo, do leão e da vibora, mas os elementos destructivos augmentam em numero, as cabeças dos cavallos ficam semelhantes ás do leão. Com a bocca respirando ameaças e morte, bem como com a cauda armada com colmilhos mortíferos, podem espalhar não somente a dor, mas a própria morte, a uma proporção vasta da raça humana... O fim d'esta praga é exhibir o poder mortífero de pensamentos falsos, costumes falsos, crenças falsas

ultima,

mas

e despertar os

homens para largarem os

falsos cul-

o mundanismo e a satisfação das paixões que cahiram (vv. 20-21» (Carpenter).

tos,

em


184

Quatro chifres do

Os

altar.

niartyres oraram de-

baixo do altar (6:9-10); deante d'elle o incenso

foi

ajuntado ás orações dos santos (8:3); o fogo tirado d'elle foi

lançado sobre a terra (8:5); por

isto

pa-

rece que o segundo «ai» está especialmente ligado

com

as orações. Representa-se que os quatro chi-

fres faliam. Chifre significa força.

14. Solta os quatro anjos. Estão atados até á

hora destinada por Deus, que tudo governa. quatro anjos seguram os ventos 7:1). Pode-se tomar esta visão

os resultados do peccado.

«O

Em

7:1,

(vide nota sobre

como representando

juizo todo representa

os males espirituaes que affligem os impios nesta

que os dão como se fosse um ante-gosto da sua condemnação na vida futura. o terror do homicida, a vergonha do ladrão, o aviltamento e o sofvida, e

.

.

frimento dos impuros, o delirium tremens do ébrio,

são tormentos muito reaes».

Mas

a referencia ao rio

Euphrates suggere outra interpretação. Euphrates.

O

tradicionalmente

Deut. 1:7; seria

soltar

I

rio

que servia de barreira ás nações

inimigas

Chron. 5:9,

de

Israel

etc). Soltar

(Gen. 15:18; os seus anjos

os «cães de guerra». Infelizmente, por

emquanto «não ha fronteira na face do globo onde não permaneçam os anjos da malicia, cobiça, inveja e ambição, e assim é necessário que seja, a não ser que se transforme o coração humano» (Wilson).

Os

parthos, habitantes do

oriente,

«cavalleiros

eram muito temidos pelos romanos na época em que foi escripto o Apocalypse. «Os ho-

terríveis»,


185

mens naquelles dias previam o «Perigo Amarello» com não menos anciedade que alguns de hoje. E mais de

uma vez na

hiistoria

quando os hunos, os successivamente

da Europa esta tem

Deus tomou. Assim

sido a forma que o juizo de

das

soltos

foi

ottomanos foram

tártaros e os

no

habitações

suas

oriente» (Scott).

15. Para a hora...

«Foi doutrina cardeal dos

escriptores apocalypticos que

Deus

determinou a

Os

hora exacta de cada acontecimento» (Beckwith).

em que haviam

allemães brindavam der tag (o dia)

de se banquetear

em

Paris.

Os avanços nas

trinchei-

se realisavam á «hora zero». Jesus fallava na

ras

sua «hora». 6.

1

Tropas de cavallaria. Estas sempre inspiravam

terror aos

israelitas

(cf.

Isa.

8:5-8

etc.)

Os

anjos

são soltos mas, na praga, somente os cavallos e os cavalleiros apparecem, e

tomam

mesmo

parte na destruição.

nas defensiva.

Na

A

não sua armadura é apeestes últimos

guerra moderna salientam-se as

machinas vomitando projecteis, fogo e gazes tóxicos; os homens pouco apparecem nos campos.

Duas myriades de

myriades. 200.000.000.

«Na

conflagração europea havia plenamente este numero

de homens e mulheres empregados ou na

lucta,

ou

nas fabricas de munições ou naquillo que se cha-

mava 1

'trabalhos de guerra'» (Wilson).

7.

Couraças de fogo... «Nunca

li

em nenhures uma

descripção tão tersa, tão accurada e tão empolgante,

da

artilharia

moderna, nas suas múltiplas formas


186

mortíferas,

—O

gaz venenoso, os magnos canhões,

os 'whizbangs*, os torpedos aéreos e aquáticos». (Wilson).

Cabeças de

leões.

A

sua

apparencia suggeria

força feroz.

De

suas boccas sahiam fogo

.

.

Retrato

uma

dos

fiel

navios de guerra, dos submarinos, dos tanks.

.

.

E'

do resultado do falso ensino, o contrario da espada da verdade que procede da bocca de Christo. 19. Suas caudas. Os aeroplanos deixavam cair bombas. os homens vão deixando a sua influencia possível considerar esta

.

figura

.

atraz de si. «Mr. Bent recorda a curiosa superstição dos habitantes de Thera, que durante a erupção do ultimo século viram 'nas columnas de fumaça que

sahiam do vulcão, gigantes e cavalleiros e alimárias...'

A amphisbena

terríveis

da mythologia antiga

frequentemente se descrevia como possuindo cauda munida de cabeça» (Moffat). Pode representar a tristeza e devastação deixadas pela guerra.

20.

Não

se arrependeram.

Não

ficaram convictos

da futilidade da guerra. Soffrimentos atrozes e o próprio terror da morte pouca influencia teem sobre o caracter. «Nós outros, os velhos, nascemos numa época em que se consideravam os armamentos e as

cepção.

A

como

instrumentos essenciaes da não renunciamos a esta conmocidade de hoje deve repellil-a. Há

guerras eventuaes civilização

humana

e

pouco desencadeou-se sobre o mundo a mais horrível e devastadora das guerras de que há memoria


187

não arranca essa ideia do coraA Europa tanto se embriagou de

e a juventude actual

ção da civilização.

armamento que por fim chegou ao mens* de 1914, e hoje está briagar de

novo.

em

A Europa

'delirium

tre-

vésperas de se em-

está,

neste momento,

mais armada que nunca» (Lloyd George, na sétima

Convenção

Internacional Christã).

Demónios. «A superstição hellenica attribuia a demónios malignos estas mesmas pragas de pesti-

fome» (Moífat). Os judeus e christãos consideravam as divindades pagãs como demólência, guerras e

nios.

ídolos de ouro.

.

.

Ainda se contende sobre

ilhas,

jazidas petroliferas, reparações de guerra, concessões

commerciaes,

assentos

no Conselho da Liga das

Nações.

Nem podem etc).

ver

.

.

.E' ã tradicional descri pção

(vide Deut. 4:28,

Ídolos

O

Ps.

115:4-7, Dan.

dos 5:23

materialismo sempre nos tornará a arrastar

para a guerra. Somente quando levantarmos os olhos d'estes idolos mortos para o

Deus

vivo,

seremos ca-

pazes de viver no alto plano do espirito

em

que,

quanto mais tivermos, tanto mais desejaremos repartir

com

os outros.

O mundo

material então não mais

nos possuirá, mas nós dominaremos sobre

elle.

«E'

contra o mundanismo, onde quer que se encontre, idolatrias

que o verdadeiro

de qualquer espécie,

génio do Christianismo peleja.

.

.

A

cobiça, a vera

essência do mundanismo, é chamada duas vezes por S.

Paulo

idolatria

(Col.

3:5 e Eph. 5:5)...

Éo


188

ambiente de crescimento do peccado que o Psalmista notou,

quando os homens perdem o santo

aborrecimento pela iniquidade (Ps. 36:4). Para os taes,

o arrependimento está-se tornando impossivel

(Carpenter).

21

Seus homicídios.

No

guerra Europea, fallava-se

principio,

em

depois

da

enforcar o Kaiser.

que desistiram pela mesma razão que os ãccusadores da adultera deixaram-na sem castigo, quando Jesus os autorisou a apedrejal-a? (João

Será

8:1-11). Feitiçarias... foi

«Immoralidade de toda a espécie

a consequência natural do culto demoníaco e da

idolatria» (Charles).


CAPITULO X

O Anjo Poderoso e o Livrinho (Parenthese entre a sexta e a sétima trombeta)

A

sétima trombeta, semelhante ao sétimo sello, é

precedida por

uma

visão intermediaria.

antes de alcançar o fim da serie,

estamos no limiar do desenlace Aqui,

como no caso dos

No momento

quando parece que

final,

uma

pausa.

sellos, a visão é dupla. Lá,

interrompeu-se o terrível drama dos effeitos do mal sobre os malfeitores para sellar os servos de Deus; aqui,

um

anjo dá ao Vidente

um

livro e representa-se

o episodio das duas testemunhas.

Na

terceira serie,

a acção não se interrompe mas, com passo accelerado, marcha directamente para o fim. Há, porem, entre as trombetas e as taças um ter-

a das taças,

Abrange os capítulos Xll, e XIV. É o parenthese que precede a serie final, da mesma forma que os outros precedem, nas suas series, a praga final. Nas primeiras duas series parece que estamos a ver o fim, mas em cada caso enceta-se nova serie em movimento progressivamente intensificado. Isto tem sido a experiência também de aquelles que procuram, nos acontecimentos, signaes do fim do mundo. O effeito espiritual das catastrophes que seguiram as ceiro

parenthese

que

XIII

é

o

mais

longo.


190

seis primeiras trombetas foi nullo;

com

anjo

que appela á

o livro

consciência.

É

a «voz^de

um

agora apparece o intelligencia e á

suave silencio»

(I

Reis

que succede a tempestade, conferencias que succedem ás batalhas. Jehovah não estava no vento, no fogo ou no terramoto, mas na voz Elie falia. Que Elie nos dê ouvidos para ouvir e coraTalvez temos aqui a razão ções para entender porque não valia a pena registar a mensagem dos sete trovões. Os nossos problemas são espirituaes, disse Woodrow Wilson, e nunca se resolverão nos 19:12)

!

campos de

batalha.

O homem

sua essência e natureza as suas luctas para este

é espirito.

É

esta a

real. Elie precisa transferir

campo

afim de conseguir

uma

solução permanente. Isto é a âmago, a medulla, do ensino do Apocalypse. ficar

O mundo

material ha de

por completo subserviente ao

espirito.

Ver-

se-há que o reino da felicidade não se encontra na

mas no intimo do coração. É necessário que uma revolução no espirito, de maneira que o mundo de hoje seja substituído por uma nova terra e um novo céu. O homem é espirito e necessário é

matéria haja

que pelo

espirito

elle

peleje, e á

verdade se con-

sagre. 1.

Vi outro anjo. Este interrompe a acção dos

sete.

Forte.

Assim como o que procurou quem fosse (5:2), e o que annun-

digno de abrir o livro sellado ciou a

queda de Babylonia

Vestido de

(18:21).

uma nuvem. A

descripção da sua ma-


191

jestosa presença leva alguns a pensar que elle é o

mas quando Este apparece,

próprio Christo,

Quem

ramente indicado

é e parece

uma

é cla-

improvável que

como «um outro anjo forte», sendo assim collocado a par com os sete que tocavam as trombetas. Aqui, como em todo o livro, devemos tomar cuidado quanto á interpretação literal; assim Carpenter diz: «Devemos separar Elle

seja indicado por

phrase

dos nossos pensamentos a ideia de seres angélicos pessoaes. Taes seres Deus emprega, mas no mechanismo d'estas visões os anjos não são necessaria-

mente anjos, mais do que de qualquer maneira as são literalmente estrellas são anjos typicos, representativos. Assim falíamos no Anjo da Paz, ou o Anjo da Guerra; assim temos os Anjos do Tempo, da Morte, da Vida, como no Apocalypse. O anjo aqui, posto que não represente a Christo-Mesmo, estrellas

vem com

:

as evidencias do poder de Christo... a

chave do abysmo

foi

entregue á estrella cahida, e as

hostes dos gafanhotos foram conduzidas pelo anjo

do abysmo.

Como

resposta a isso

vem

este anjo

trazendo os testemunhos do poder de Christo.

nuvem sempre

.

.

A

symbolo da presença divina (Ex.

é

13:21, Ezek. 1:4, Mat. 17:5, Act. 1:9).

«O o

arco-iris.

Não um

arco-iris, a insígnia

dor da sua cabeça

;

arco-iris,

como em 4

do pacto de amor,

:

3,

mas

reluzia ao re-

seu rosto, qual o de Moysés, tinha

colhido a indizível luz, a luz semelhante ao sol da

presença de Christo (1:16) e seus pés eram semelhantes a columnas de fogo, para pisar a terra, for-


192

tes

O

na força de purificação e juizo.

seu rosto

que o mensageiro de Deus não pode estar triste. «Quão formosos são os pés dos que annunciam coisas boas»! (Rom. 10:15).

brilhante lembra-nos

2. Livrinho.

A

sua missão é entregar este livrinho.

Parece função singela demais para rioso.

Com

um

ser tão glo-

certeza a importância do livro não se in-

dica pelo tamanho. Indivíduos e nações teem querido dominar a terra e o mar pelas frotas armadas e os exércitos disciplinados, mas este anjo, sem armas

nem armadura, subjuga ricos,

um

terra e

mar porque vem mu-

«Em

todo o império romano,

sábios e 'poderosos

como eram muitos dos

nido de

livrinho.

governavam — duvido

homens que o

uma pessoa sequer com

que houvesse

discernimento sufficiente

para comprehender, nesse tempo, que

um Livro trans-

formaria a história. Quanto ao livro, não ha segredo. E*

um

.

Livro que permanece aberto aos olhos de

todos. E'

um

Livro que não está sellado

rentado,

mas livremente

guas, e

em

vertido

nem

acor-

para todas as

edições baratas para

qualquer

lín-

leitor,

por mais pobre que seja... Seu papel é tão fino

(em nossos dias, que não nos dias de João) que se pode trazer no bolso. Ainda o Canon das Escripturas não fôra decidido quando João escreveu, mas agora temos o simples facto que o seu sonho já se realisou. O antídoto da guerra, do odio e do vicio é

um

Livro

— a Biblia

repudia-la.

.

.

Com

prehendia que

é

uma

realidade, e é impossível

perspicácia prodigiosa João

com-

o anjo ou mensageiro que leva o


m livro,

ainda que pequeno, precisa elle

«forte».

A

mesmo

de ser

distribuição das Escripturas, a sua liber-

tação de peias ecclesiasticas e politicas, sempre tem sido tarefa tremenda. Naquelle forte mensageiro de

boa vontade, vemos o erudito estudando aturadamente ve;lhos manuscriptos o traductor formulando a grammatica da lingua de alguma tribu selvagem o colportor conduzindo o seu animal carregado nos caminhos montuosos da Hespanha o

adolescente collocando os seus

da Sociedade Biblica sagradas santas.

—o

—o

archeologo

artista

que

tostões

na

caixa

que pinta scenas

desenterra

cidades

Aquelle anjo forte é qualquer pessoa

em

qualquer logar que, por qualquer methodo ou forma dá a Biblia, ou explica a Biblia, ou vive a Biblia, entre aquelles com quem trabalha. Este anjo não tinha azas como tinha o anjo da misericórdia, que bradou 'Ai, Ai, Ai O anjo com a Biblia tinha pés firmemente plantados no mundo onde nós realmente vivemos. Elle não era um mero emocionalista voando acima das nuvens, mas um ajudante practico de homens e mulheres opprimidos» (Wilson). No Apocalypse temos tres livros, um Sellado (5:1) que contem os problemas da nossa existência e que foi aberto pelo Cordeiro este livro revelador, trazendo o seu doce-amargo; e o livro da vida (20:12) o livro da nossa conducta, a nossa interpretação practica da verdade ao nosso dispor. Pé direito sobre o mar. A sua posição indica a universalidade da sua missão ou poder, industria

;

.

.

13


e

commercio, judeu e gentio, missões nacionaes e A altitude d'elle é de «um conquis-

estrangeiras.

.

.

tador que toma posse do

mundo

todo.

Ha um po-

der, portanto,

por meio do qual a Egreja de Deus

e os filhos de

Deus podem possuir a

terra.

Não

é

um

poder de orgulho ou mundanismo. As veras armas não são carnaes a espada do espirito é a Palavra de Deus, e os mansos (mansos para serem :

ensinados, e mansos na vida)

possuirão a terra»

(Carpenter). 3.

Grande

voz.

Actualmente as vozes do scep-

emmudecem

ticismo e do atheismo

tratados secretos, a burla dos

concorrência feroz de Nietzsche

;

a affronta dos

«superhomens», .

.

.

a

calam-se, e ou-

vimos uma voz differente. suave e ao mesmo tempo grande, pois reverbera em cada cellula da alma e echoa como sete trovões. Por um, breve espaço de tempo Woodrow Wilson parecia fazer o papel d'este anjo.

«Elie

desenvolveu uma concepção das

relações internacionaes que veio lho,

como

a esperança de

um

como um evange-

muiído melhor, a todo

Accordos secretos haviam de cessar, 'nações' haviam de determinar os seus próprios destinos, aggressões militaristas haviam de suspender-se, os caminhos do mar haviam de ser o hemispherio

oriental.

humanidade. Estas ideias vulgado pensamento americano, estes desejos secre-

livres para toda a

res

tos de todo

o

homem

de juizo, vieram como

uma

grande luz sobre as trevas da ira e do conflicto na Europa» (Wells, The Outline of History, II, p. 545).


195

Os

«Os judeus tinham o costume

sete trovões.

de chamar ao trovão ral-o

como

'as sete vozes*

e de

a voz do Senhor» (Plummer).

conside-

«Em

todas

em que trovões formam uma premo-

as outras passagens introductorias

se

ouvem (8:5,

19, 16

:

ira divina

;

11

ção de juizos da

:

18)

é esta provavelmente a

sua significação aqui» (Beckwith).

«A humanidade pode ouvir o trovão somente Deus abriu podem ouvir a ;

aquelles cujos ouvidos

mensagens inspiradoras que trazem. AsO povo alguns pensaram que um anjo disse que trovejava fallou mas havia palavras articuladas que elle ouviu; elle, que veio fazer a vontade de Deus, em

falia

sim

e as

foi

durante a vida de nosso Senhor. ;

;

cujo coração estava a

lei

de Deus

;

e a elle aquella

voz semelhante ao trovão prometteu glorificar o seu nome. Ouvidos moucos ha que ouvem o trovão mas nunca ouvem a voz de Deus olhos embaciados ha que não vêem vestígio algum do Architecto divino em toda a natureza, ainda que ;

A

terra está repleta de

Os

Deus

commum com

cada sarça

elle a arder está.

trovões não haviam de ser escriptos

para aquelles que teem ouvidos para ouvir».

de coração entendido

gem dos

ler a historia

;

eram

Quem

recebe a mensa-

trovões.

4. Sella.

O

não contar importa em

Dan. 12:4, Act.

1

sellar (cf.

:7 e Apoc. 22: 10). Paulo ouviu


cousas que não era

contar

licito

Cor. 12:4). Pa-

(II

que João pretendia accrescentar ás series dos

rece

sellos,

das trombetas e das taças,

a dos sete trovões,

mas

uma

quarta serie,

entendendo que

desistiu,

era contra a vontade divina. Daniel já havia escripto

o que

mandado

foi

sellar.

João simplesmente não

escreveu. 5.

Levantou a dextra...

solemnemente

Jurou

pelo eterno Creador. Este «certamente cumprirá o eterno

intuito

que teve ao

O

o mundo».

crear

gesto era habitual ao jurar-se (Gen. 14:22, Dan.

12:7 Deut. 32:40). 6.

Não

tempo não

haveria

mais demora. Literalmente, o Ao tocar-se a sétima trom-

existirá mais.

beta, o mysterio de

Deus se cumprirá. «Como

nir aquelle mysterio, eu,

defi-

por emquanto, não indago,

mas seu cumprimento ou acabamento quer dizer final e completa uma liquidação já muito adiada entre a sociedade humana e Jesus Christo. D'este ponto em diante, cada syllaba do Apocalypse defronta os rebeldes com seu Soberano

uma comprehensão

Senhor» (Wilson). 7.

O

mysterio de Deus.

«Com

frequência se faz

no N. T. referencia a um plano ou

intuito

de Deus,

escondido por um certo tempo, ou apenas parcialmente revelado, mas eventualmente manifestando-se por completo; a salvação S.

em

em

especial, o intento de

Christo, v. g.

Rom. 16

:

25,

Deus para 1

Cor. 2

:

7.

Paulo applica a palavra á incorporação dos gen-

tios

no povo de Deus (Eph. 3

:

4).

Em

nossa pas-


197

sagem

grande intento unfco que inclue todos os

é o

demais, a plena salvação dos santos no reino aperfeiçoado» (Beclíwith).

Segundo elle annunciou. Este mysterio, Deus o tem progressivamente revelado atravez dos séculos. S. Paulo também menciona o mysterio em connexão

com

a ultima trombeta

8.

A

voz.

A mesma

(I

Cor. 15:51-52).

que mandou

de que os sete trovões fallaram.

cousas segunda phase

sellar as

A

da visão começa.

Toma

A mesma 9.

o

livro.

Voluntariamente recebe-o para

figura se encontra

Come 'O.

Um

livro

em

tão

si.

Ezek. 2:9 a 3:3.

importante não pôde

ser recebido superficialmente. Precisa ser mastigado,

digerido e assimilado, tornar-se

uma

nismo, de maneira que a vida sejam rio natural

a Christo,

A

ideia

parte

do orga-

um commenta-

do conteúdo. Assim havemos de receber

— comer a sua carne, que

de

effeitos

beber o seu sangue.

espirituais

procedem do

No Paraiso comeram do bem e do mal; Jere-

comer, é frequente na Biblia.

da arvore do conhecimento

mias comeu as palavras de Jehovah e eram-lhe gozo

no coração (Jer. 15:16). Também entendemos que da Santa Ceia provêem bênçãos espirituaes. e alegria

E havemos

de comer do fructo da arvore da vida

(vide 22:14).

Amargor.

O

anjo,

antes de mencionar o gosto

agradável, avisa o Vidente do effeito desagradável

da ingestão do livrinho assim Jesus avisava aos que 0 desejavam seguir (Mat. 16:24, Luc. 14:28 etc). A or;


198

dem que João dá aos termos: doce.

.

.

amargo, é a

da sua experiência. Diz Origenes: «Mui doce é este das Escripturas quando se encara no principio,

livro

é amargo para a consciência interna». Quanto á sua forma e qualidade literárias, a Palavra de Deus encanta ao leitor criterioso, todavia a sua intransigência para com o peccado torna desagradável a sua assimilação. A referencia pôde estender se também á commissão de João. «A doçura exprime o prazer e promptidão com que elle recebe a sua commissão, e o amargor symbolisa a tristeza que o possue quando a natureza da mensagem penetra no seu espirito» (Plummer) Moysés sentiu este amargor quando disse «Senhor, porque trataste mal a este povo? Porque me mandaste?» (Ex. 5:22). O amargor também apparece na experiência das duas testemunhas do cap. 11. 11. Cumpre que ainda prophetizes. Quem assimila a verdade não pôde ficar calado. Do seu intimo hão de manar as aguas da vida. Saulo de Tarso

mas

:

transformou-se

em uma

força internacional e secular

quando acceitou a verdade. «Ai de mim se eu não evangelizar»

Muitos povos

.

.

.

Mais uma vez o autor usa o

numero quatro para indicar a universalidade, da missão do Vidente,

(cf.

Act. 9:15).

— aqui,


CAPITULO

As Duas

XI

Testemunhas e a Sétima trombeta

A visão das duas testemunhas é a segunda parte do parenthese entre a sexta e a sétima trombetas. Depois de comer o livrinho o Vidente é mandado medir o sanctuario, o altar e os que nelle adoram. D'ahi surgem duas testemunhas que prophetizam, com poderes milagrosos semelhantes aos de Moysés e Elias, mas são mortos e, depois de tres dias, sobem ao céu. Um terramoto destroe a decima parte da cidade e os sobreviventes, aterrorizados, dão gloria a Deus. Mede, Esta acção na Biblia significa tres cousas: que o objecto medido vae ser: a) destruído 1

(II

.

Reis 21:13,

40:2

e

seq.

Isa.

34:11 etc); 6) reedificado (Ezek.

Zach.

2:2-8

etc.)

ou

c)

preservado

Sam

8:2). Aqui é claro que tem a ultima significação. «O medir, semelhante ao sellar, no cap. 7, quer dizer a preservação dos fieis, não de mal phy(II

sico,

mas sim dos

assaltos espirituaes do Antichristo»

(Charles).

O

sanctuario.

A

palavra grega indica a parte in-

do templo, a parte mais sagrada, incluindo o logar santo e o santíssimo. A data em que entende-

terior

mos

ter

sido escripto o livro, o templo

em

Jerusa-


200

lem

já fora destruido;

em

todo o caso os christãos

não consideravam o templo de especial significação, e é provável que muitos tivessem assumido, para

com

elle

e

as suas cerimonias, attitude

um

semelhante á dos protestantes para com

tanto

as ima-

quando

deixam a egreja Romana, (cf. Gal. Por outro lado, porém, Jerusalém representava Israel, e este, o próprio povo de Deus na nova dispensação. E a ideia é completamente espiritualizada por Paulo: «Nós somos um sanctuario do Deus vivo» (II Cor. 6:16. cf. Eph. 2:19 sq., Ped. 2:5 e Apoc. 3:12). Portanto, medir este sanctuario assignalar os que pertencem a Deus. quer dizer O autor não dá as dimensões nem sequer diz que realmente mediu o templo. «O não corresponder ao padrão de Deus ou não

gens,

5:6

4:9,

etc).

I

bem da sua prova, os homens, mas quando

sahir

significa calamidade para

Elle abalisa suas capaci-

dades e necessidades, ao estar-se em perigo, isso implica protecção» (Moffat).

05 que nome.

O

nelle

adoram, Elle conhece os Seus pelo

individuo não se perde na collectividade.

Cada um recebe o «sello». O medir é a preservação da verdadeira e invisível egreja, a egreja dentro da o Temegreja; e tudo o que é necessário ao culto

plo, o altar

e os adoradores

— todos são preservados»

(Carpenter). Christo distinguia entre os que sincera-

mente

O

seguiam

e os

que cumpriam formas exte-

riores (Mat. 7:21). 2.

O

átrio.

Representa os que

comçm

e

bebem


201

na presença do Senhor (Luc. 13:26) oblações vãs Deixa-o,

— que

trazem

(Isa. 1:13).

A

expressão grega quer dizer, «lança-o

para fóra». Semelhantes ao joio (Mat. 13:30) haviam

de ser expulsos.

Não

o meças,

É

rejeitado,

e

portanto não pre-

cisa entrar na conta.

Gentios.

São os do mundo, que não pertencem

ao povo de Deus

(cf.

Luc. 21:24).

Pisar debaixo dos pés. Entrar e tomar conta,

como um

exercito invasor

dos habitantes.

Uma

que despreza os

para os judeus motivo da maior tristeza.

das cousas santas,

direitos

invasão da cidade santa era

quando o poder

poder mundano nos homens,

pisa,

ao

É

o pisar

bestial,

ou o

modo dos

sui-

nos, as pérolas da graça debaixo dos pés e se vira

ferozmente contra aquelles que lhas deram. Tal deve ser a experiência da Egreja de Christo.

O

sanctuario

estará seguro, mas o espirito das nações, embora nominalmente christão, será o espirito dos gentios,

de mundanismo e

Quarenta

mesmo de

e dois mezes.

violência» (Carpenter).

Este é o «período con-

vencional apocalyptico da dominação do mal que pre-

cede o fim» o qual encontramos primeiro (7:25 e 12:7) pois os commentadores

em

em

Daniel

geral pen-

sam que a palavra «tempo» significa anno e «tempos», dois annos. É mencionado cinco vezes no Apocalypse anno,

dos

12:6,

3 V2

(11:2, 11:3,

12:14 e

anno5 mas

onde se calcula 360 dias ao Não se sabe a origem

13:5).

«é o

tçmpo durante o qual

\


202

O Antichristo reina» (Charles). E*

um

periodo incerto

poderemos deque o reino e o dominio do mal são para um breve espaço apenas. Entretanto Christo reinará pelos séculos dos séculos. Darei. Deus mandará em commissão. Ás minhas duas testemunhas. O artigo definido indica que são pessoas ou entidades conhecidas, mas tem havido muita discussão quanto á sua identidade. Os seus poderes e assumpção suggerem immediatamente Moysés e Elias. Representam respectivamente a lei e os prophetas e ambos appareceram no monte da transfiguração. Peake pensa que representam os poderes civil e ecclesiastico. e quebrado, cujo principio e fim não

terminar. Indica

Vestidas

de sacco. Este é o trajo do luto e do

É mencionado frequentemente em connexão com as prophecias condemnatorias (I Reis 20:31, Ezek. 7: 18, Jonas 3:6 etc.) João Baptista e

arrependimento.

outros prophetas, pelas vestiduras e maneira de vida

protestaram contra o luxo e a luxuria dos tempos.

A

sua missão era desagradável. Assim o Uvrinho de

10: 9 era amargo.

Mil e duzentos e sessenta dias. Vide nota sobre ver. 2. 4.

As duas

A

oliveiras.

A

visão lembra a de Zacha-

produz azeite que illumina a casa, alimenta o corpo, medica feridas, faz reluzir o rias cap. 4.

oliveira

rosto. Utilisava-se para ungir reis. É, portanto, bel-

lissima figura da verdade de Deus. e a prophecia, enraizadaç

As

oliveiras, a lei

no seio do fértil solo do amor


4

203

divino,

produzem o tão

util

azeite espiritual.

A

oli-

veira symbolizava a prosperidade e as bênçãos divinas.

Estes são os que «assistem junto ao Senhor».

Dois candieiros. Taes homens illuminam a nossa «Vós sois a luz do mundo». No meio dos candieiros anda o próprio Christo. «A lei é uma existência.

luz» (Prov. 6

:

23).

Da

sua bocca sahirá fogo. «Converterei em fogo as minhas palavras na tua bocca, e em lenha 5.

povo, e aquelle os devorará»

este

(Jer.

alguns a verdade convence, aos demais na.

A

O

A

condem-

verdade é adamantina. «Todo o que cahir sobre

esta pedra ficará

quem

ella

5:14).

em pedaços; mas

ella cahir, será

aquelle sobre

reduzido a pó» (Luc. 20: 18).

como figura da forma final da punique sobrevem á rejeição da graça de Deus. (Apoc. 20: 15). 6. Fechar o céu. Elias assim fez, e também chamou fogo do céu. Converter as aguas em sangue. Assim como na primeira praga no Egypto. A rejeição da verdade traz as suas penalidades neste mundo, bem como no mundo vindouro. Devido ao peccado soffremos toda a sorte de pragas. «O mundo que lança fóra as suas palavras, verá que ellas voltam com ardente poder; da mesma forma que o sopro de Deus dá ao mundo vida e belleza e poder aos corações e ás vidas dos homens (Ps. 104 30, João 20 22), com aquelle mesfogo é usado

ção

:

mo

:

sopro de Seus lábios matará ao perverso

11:4)..,

(Isa.

devemos lembrar que o próprio poder da vçr-


204

dade é tal que, quando rejeitada, pode, e de facto assim faz, vingar-se a si própria pelo fechar o céu

em cima da nossa^abeça,

e pelo tornar todos os límpi-

dos arroios dos mais puros prazeres da vida tão nojentos como sangue, ao coração sensualizado e pervertido» (Carpenter).

7. Quando tiverem acabado.., O Senhor resguarda os Seus, conservando-lhes vida e forças até cumprirem a sua missão.

A

besta. «Esta besta se

encontrará

também nos

capítulos treze é desasete, onde veremos que

poder concentrado de um mundo material e em sua opposição a um mundo espiritual e

«A besta de Dan. 7 7

é

o

visível invisí-

abominação da desolação' predicta pelo propheta Daniel

vel» (Milligan).

(Mat.

:

24:15), tinha-se tornado

uma

seq.

'a

representação

conhecida do Antichristo» (Beckwith).

Sobe do abysmo. E' esta a sua. morada. Christo O domínio da besta por espaço breve. Vencerá e os matará. Mas somente no sentido em

resurgiu para reinar eternamente. é

que Christo foi morto. A religião christã foi rejeitada na Rússia e na França. Frequentemente a Bíblia tem sido declarada antiquada e sem valor para os tempos modernos. «Os homens podem fazer calar, podem vencer, podem matar testemunhas de uma vida superior,

toria

mais pura, mais nobre. Assim teem

do

mundo

é

frequentemente

a

feito.

A

historia

his-

do

adiamento do progresso moral e social durante séculos, devido á feroz

erupção de algum espirito bruto


ôo5

e irracional ...

Ha uma

força resurgidora

em cada

verdade rejeitada; o poder d'ella é immorredoiro» (Carpenter). 8.

Os

seus cadáveres Jazerão nas ruas. Esta iné-

dita negligencia indica o grau

As

um

ruinas de

do seu menosprezofé e devoção

templo testemunham a

de outr'ora.

Sodoma

nomes

e Egypto. Estes

significam abo-

minações (vide Deut. 32:32,

Isa. 1:10,

patente que a linguagem é

figurada e que a visão

é altamente espiritual e symbolica.

demos como

haja

quem

rejeite

Ezek. 20:7), E'

Não comprehen-

a interpretação alle-

gorica quando applicada a este livro.

Onde também o seu Senhor foi

Sodoma, Egypto, Jerusalém representam todos os que rejeitam a verdade e a ella se oppõem. A visão apresenta vários incidentes que são semelhantes aos acontecimentos da semana da morte e do dia da recrucificado,

surreição de Christo.

10. Se alegrarão. iV\anifesta-se o delírio da vai-

dade.

A

coroa

prostituta se

em Notre-Dame; «o

Momo domino Calvário zombavam do Cru-

paraiso dos tolos» se estabelece; deus

na sardonicamente cificado.

«O

;

Christianismo falhou»

— disseram os es-

carnecedores ao estalar a guerra mundial.

Temporariamente são sono êxito criminoso. Herodes e Pilatos se reconciliaram no dia da Crucificação. Atormentaram. Assim Elias perturbou a Ahab (I Reis 18: 16). Herodes pensou em ter a paz ao Enviarão presentes.

lidários

.

.


206

encarcerar João Baptista. «A reprehensão do seu Evangelho e a reprehensão do seu exemplo. lhes tinha sido uma tortura; havia nelles uma voz que echoava com a sua voz, a voz de uma consciência condemnadora e a voz de um juízo antecipa.

.

do». 1 1

.

Trez dias e meio. Prophetizáram trez annos e

meio. Christo ministrou trez annos, e trez dias esteve sepultado.

O espirito da vida- Este vem de Deus e, inspirado nos cadáveres, os transforma em seres viventes, formados á imagem do Creador. A expressão usada é a mesma que se usa em referencia ao valle de ossos seccos (Ezek. 37 10). A verdade foi reivindicada. O Christianismo não falhou,— «nunca foi experimentado». Um christão professo foi eleito presidente da França succedendo a um atheu. A Rússia prohibiu a religião para de novo a permittir. Viu quintuplicar :

os crentes e perseguiu-os

Os

estadistas

çam Que

;

abandonam

mas

a fúria vai cessando.

tratados secretos e

come-

a considerar a solução do «Príncipe da Paz». a Victoria d'Este é assegurada, eis a

fundamental do

mensagem

livro. « Acabou-se a resistência

ao do-

mínio papal e á religião; os opponentes já não exis-

tem!

— bradou o orador do Concilio Lateranense em

1514; mas dentro de trez annos e meio a Luthero

mão de

pregou as suas theses em Wittemburgo.»

(Carpenter).

Grande temor. Os guardas do tumulo de Jesus tiveram experiência egual.


12. Ouviram.

«Os mortos ouvirão a voz do Filho

de Deus» (João 5 25). Subi para cá. «Entra no gozo do teu Senhor.» O soffrer com Christo torna-vos participantes da :

sua gloria (Rom. 8: 17, tyres

cf.

Cor. 15

I

13).

:

Os marque

outr'ora são canonizados pela egreja

de

os matou; as gerações seguintes sabem appreciar os insignes pensadores que a sua própria geração

comprehender.

é incapaz de

Em uma A

nuvem. Semelhantes a Christo e a Elias.

tradição dizia que

cebido.

O

um novo

E

Moysés também

pôr do seu sol aqui, lhes

foi

foi

assim

re-

o nascer de

dia alem.

os viram os inimigos

d'elles.

Aquelles foram

obrigados afinal a presenciar, plenamente revelado, aquillo

que se tinham esforçado por

destruir.

A

ver--

dade persiste, embora os expoentes d'ella desappareçam. Querer destruil-a pela força é o mesmo que nuvens. Cruzes não a destruirão,

atirar ás

los imperiaes

ou

tapada rebentará

repressoras a abafarão.

em

outra parte.

O

13. Terramoto.

natureza terra

A

(cf.

nem

leis

cap. 6

sel-

fonte

Deus manifesta-se na

12). Ezekiel prediz

:

«quando Gog

juizo de

A

um

tremor de

vier contra Israel» (38: 18 e 19).

decima parte.

O

dizimo pertencia a Deus e

exige o que é Seu.,

Quão

não seria trazer-Lhe alegremente o que Lhe pertence? (cf Gen. 28 22 Lev. 27 32 1 Sam. 8 1 5 e 1 7 etc.) agora

elle

:

.

Sete mil.

completo.

;

:

;

differente

:

«Sete encerra a ideia de

Mil suggere

um numero

um numero

muito grande,


porem nâo

mos

infinitamente grande, pois para este te-

numero nos informa, Deus alcança um nuque o numero é completo; ninguém

'milhares de milhares'. Este

portanto, que a vingança de

mero grande

e

que a merece escapa» (Plummer). Os limites, porem, não são exactamente demarcados. Deram gloria ao Deus do céu. Assim como o centurião ao pé da cruz (Mat. 27 «significa glorificar a tasia e o

:

54).

sahir

A

phrase

da sua apos-

arrependimento» (Charles). «A egreja vi-

commove-se do mundanismo.

sível

.

em

Deus pelo

;

.

ha

uma

A

reformação rejeitada vinga-se

reacção contra o espirito

revolução, e a cidade que se podia ter purificado

pela palavra, se purga pelo espirito de juizo

(Isa. 4:4)»

Em

9:21 as catastrophes não produziram arrependimento. A attitude do povo ao ler a lei em Nehemias cap. 8, apresenta um contraste feliz. 14. O segundo ai. Tres «ais» foram annunciados em 8: 13 e depois de cada um annuncia-se solemnemente a sua realização. Os dois parentheses de cap. 10 e 11 1-13 parecem ser considerados como parte do segundo ai, ou ao menos não são considerados como interrompendo o movimento do drama. Cedo. Que a consummação vinha logo, era crença (Carpenter).

:

geral dos prophetas (vide Zeph.

1

:

14

etc.)

A ma-

Apocalypse demonsque João se movia num meio onde o tempo não tinha a mesma significação que tem para nós, pois se vê pelo movimento do drama que o processo havia de ser continuado durante muito tempo ainda; neira de usar esta palavra no

tra


209

que o Eterno se projecte no tempo de maneira que Christo está aqui agora e reina e não percebemos a sua presença, poder e OU, por outra, é possível

Ha tendência de contemplarmos as mado passado e as glorias do futuro e esquecermos a dynamica da actualidade. O terceiro. Uns acham que o terceiro «ai» realmente não se realizou, mas que em seu logarveio um cântico de louvor. Plummer entende que esse ai, que é

auctoridade. ravilhas

a sétima trombeta e é semelhante ao sétimo sello,

não é descripto, mas que a sua natureza se indica no vers. 18. «S. João não experimenta dar uma representação completa, nem das bênçãos do céu nem dos ais do inferno». Mas a expressão «^nos dias da

voz do sétimo anjo» parece indicar que a acção será extensa, de maneira que

pensamos que

esta

trombeta abrange as sete pragas e a narração d'ella termina

em 22

:

5.

«Então se cumprirá o mysterio de

Deus, segundo Elie annunciou aos Seus servos, os prophetas» (10:7). 15.

O

Grandes vozes. São das multidões no céu.

céu é qualquer logar, ou antes,

pirito

em que

se

um

cumpre a vontade

estado de esdivina.

Quem

não exulta no seu coração ao pensar no dominio de Christo? Houve silencio ao abrir o sétimo sello. «Ainda que nosso auctor tem como thema os inevitáveis conflictos e antagonismos do bem e do mal, de Deus e dos poderes das trevas, o seu livro é emphaticamente um livro de canções. Canções fúnebres ha, certamente, e threnos; mas estes não se 14


210

que cahiram, antes nascem dos lábios dos reis da terra, seus mercadores, seus principes e seu povo do mar, apanhados pela queda do império d'este mundo e a destruição dos seus poderosos em que tinham confiado, ou referem aos martyres, aos

fieis

dos lábios de peccadores ante a sua sentença, actual ou imminente. Sobre a egreja martyrizada, porem, sobre aquelles que cahiram na luta, o Vidente não tem canção de nota menor para cantar, mas a beatitude pronunciada pelo próprio céu Bemaventurados, bemaventurados os mortos que morrem no Senhor! Uma fé immensuravel, um optimismo inexpugnável, um gozo inexprimível, procuram-se expressar e tomam a forma de antiphonas de louvor e alegria e acções de graças, emquanto o Vidente segue na visão as variadas fortunas da lucta mundial, até que afinal a vê completa e o mal destruído; a :

justiça estabelecida para todo o sempre, e todos os fieis

— mesmo os mais fracos dos servos de Deus — gozando a sempiterna bemaventurança

entre elles,

na eterna cidade de Deus, trazendo na testa o Seu

nome

e crescendo

cada vez mais na Sua semelhança»

(Charles).

O

reino do

mando. Não «os reinos». Pouco im-

porta a forma de governo. cidos por Satanaz

(Luc.

Os

reinos foram offere-

4:5).

«A

significação

é,

simplesmente, que o mal tem sido afinal e para todo

o sempre abatido, que o bem é finalmente e para todo o sempre triumphante» (Milligan).

Passou a ser de nosso Senhor.

O

reino

sempre


211

lhe pertencia,

embora

até esse

ponto não exercesse

a sua soberania completamente, para impedir a acti-

vidade do maligno.

E de Victoria

throno.

seu Christo. Christo estabelece o reino pela

com o Pae se assenta no Para os do mundo é o terceiro «ai». Para a sobre o mal, e

egreja é occasião de antiphona triumphante.

Tempo

Pelos séculos dos séculos.

vém lembrar que

infindo.

Con-

este triumpho segue a fidelidade

das duas testemunhas. 16.

Os

vinte e quatro anciãos,

Egreja de Deus

em

todas as épocas

«Representam a ;

elles se

assen-

tam com Christo nos logares celestes, mesmo quando labutam e teem pesares na terra; cada um dos verdadeiros filhos do reino apparece perante Deus, e os seus anjos enxergam a presença de seu Pae que está nos céus» (Carpenter). Vide nota sobre 4:4. 17. Graças te damos. «As orações da egreja gemebunda (cap. 5 8 e Luc. 18 7 e 8) e os brados da creação que estava com dores de parto (Rom. 8 22) foram ouvidos» (Carpenter). Afinal alcan:

:

:

çou-se o desejo dos séculos, o dia suspirado raiou, realizou-se aquillo pelo qual

os crentes

em todos

os tempos empenharam a sua vida, as posses, as esperanças.

É

Que

e

és

realmente occasião de

que has de vir» de Tens tomado o

em

summo

regosijol

que eras. Omitte-se aqui a phrase «e 4:8, pois

agora

já viera.

grande poder. Agora exerce sua totalidade aquillo que sempre Lhe pertencia.

Deste ponto

em

teu

deante o Evangelho se applica ao


212

commercio, á industria, a todas as relações e actividades humanas. Todos viverão para servir, a re-

gra áurea tornar-se-á a regra dos homens todos. 18. Encheram-se de criticam

e

ira.

Os mundanos

.

irritam-se,

atacam os representantes do Reino de

Deus. «O poder sempre pertencia a Deus, mas as

humanas tinham imaginado que homens

tyrannias

elle

podia

que conduzissem legiões armadas. Estas almas pagãs zangam-se ao ouvir qualquer suggestão de que há uma força mais poderosa que o «punho armado» e ser conquistado e segurado por

uma

lei

Elles

mais invencível que o odio» (Gardiner).

ameaçam autoridades, Dizem que a internacionaes.

ridicularizam

formam

fortes

intrigas

as

leis,

.

.

«concorrência é a vida do commercio» que o Christianismo

uma

é

bella

theoria,

mas impossível de

applicação aos problemas da vida.

.

.

«Estes são os

Ímpios, sobre os quaes sobrevem o juízo;

de se converterem, são movidos a

um

e,

em vez

ultimo e su-

premo levantamento de maldade oriunda do desespero»

Este levantamento,

(Milligan).

vemo-lo em

16:13 e 20:8 seq.

Mas contra

veio

Deus

a tua

ira.

É

irrisória a ira

(Ps. 2:4,37: 13).

O

dos homens

julgamento não se

descreve aqui, mas nos capítulos seguintes vemos o resultado do encontro de Christo

com o

mal.

Julgados os mortos. O suicida pensa em escapar dos resultados da sua maldade e esquece-se que por esta forma se está lançando na presença augusta

do

eterno

Rei,

sem

ser

chamado. Perante Elle


213

todos teem de comparecer. As consequências natu-

mundo, são indícios

raes do peccado, colhidas neste

dos

Os que morrem «no

effeitos eternos.

terriveis

Senhor» teem o seu descanso; os outros não.

Dar a recompensa, sas. Os epilogos das

O

de promesconteem variadissete cartas simas promessas ao vencedor. O céu interior do

christão

(Luc.

17:21)

livro é cheio

é vislumbre das glorias vin-

douras.

Aos

Os prophetas são salientados enumeradas, mas a affeição pelo povo

teus servos.

nas classes

.

.

de Deus se indica pelos vários termos inclusivos, applicados a

elle.

A recompensa

será para todos;

absolutamente ninguém, grande ou pequeno, é olvidado.

O

Destruir os destruidores,

directamente attitudes e

das

com

acções são

em nosso

castigo relaciona-se

os actos maus. Todas as nossas fiel

e infallivelmente reflecti-

caracter e destino.

desapparecerão

e

As

classes sociaes

haverá apenas duas categorias de

homens, os servos de Deus e os destruidores. 19, Abriu-se o sanctuario de Deus.

que durante tanto tempo

foi

agora se discute nos jornaes ques,

;

A

religião,

assumpto esotérico, invulnerável aos ata-

agora se impõe aos homens como a única

solução dos problemas da humanidade. «Agora ve-

mos como por um espelho em enigma, mas face a face» (1 Cor. 13:12).

ser

em

então

«Pode ser aqui; pode

outro logar; parece quasi impossível dize-lo,

mas quanto mais o

leitor entrar

no espirito d'este


214

livro,

mais

difficil

lhe será resistir á impressão

de

S. João considera este mundo presente como sendo não somente a scena da grande lucta entre o bem e o mal, mas também, depois de purificado,

que

como sendo

A

a sede da sempiterna justiça» (Milligan).

arca da sua alliança.

A

Biblia está repleta de

expressões, figuras e exemplos que demonstram a fidelidade de sas, e

«é

Deus no cumprimento de suas promes-

Beckwith pensa que o descobrimento da arca manifestação symbolica do fiel cumprimento

uma

de Deus ao pacto

feito

com Seu povo». Na morte

de Jesus o véu do logar santíssimo, no templo, se rasgou de alto a baixo e descobriu-se o intimo do coração divino.

que

é a delicia

A

as taboas da

arca continha

dos justos (Ps.

1

lei,

19:77) e o thesouro

do seu coração (Ps. 37:31); a vara de Aarão, que brotou e deu fructo e que symboliza o poder vivificador e fructificante de Deus o manná, symbolo da eterna providencia e do manná escondido, nutrimento de todo o coração sincero. Desvenda-se esta arca, vê-se claramente a misericórdia de Deus e os thesouros espirituaes que Elie outorga. ;

Relâmpagos

.

.

«A habitação de Deus

rio aberto á fé; para os infiéis é

um

é sanctua-

Sinai nublado

coroado de relâmpagos (cf. Heb. 12:18-24)» (Car«Foi um grande trovão, e parecia o final climax a completa victoria do bem sobre o mal.

e

penter).

Mas no

próprio echo da antiphona, ouviu-se a baixa

e distante reverberação de artilharia no horizonte

viu-se o longínquo lampejo da eterna artilharia


215

as vozes de homens em lucta também attingiram o ouvido— e grande saraiva, como de metralha e bailas de chumbo. Lá ao longe a guerra ainda se travava.

Ainda havia reinos para conquistar» (Wilson).

«Quando

a antiphona celeste termina,

a terra

responde com acções, quaes as que acompanharam a morte e resurreição de nosso Senhor» (Gardiner) (cf.

Heb. 12:26-27 e nota sobre 6:1).


CAPITULO

A

XII

Mulher e o Dragão

«Agora entramos no terceiro grupo de visões (ou a quarta secção do livro, se incluirmos as epistolas ás sete egrejas), que occupam os capítulos XII, XIII e XIV, e terminam com a scena solemne da colheita e a vindima (14:14-20).

em harmonia com

A

conclusão de cada serie

e, como tal, Os sellos terminam em paz; as trombetas terminam em victoria; as presentes visões terminam em colheita. Mostrou-

está

seu intuito geral,

outorga a chave da sua significação.

se-nos que as

labutas e desgostos terminam no descanso e o conflicto no triumpho agora vai-senos mostrar que haverá uma colheita no fim do mundo, quando os fructos dos princípios oppostos da vida tiverem amadurecido, e quando o que o "

;

homem tem semeado

isso tiver colhido: e os

homens

como são. Esta serie de visões, pormove num plano differente dos grupos partindo do mesmo ponto, revê o terreno

serão vistos tanto,

se

anteriores

com

;

intuito diverso.

Trata das condições espirituaes

da grande guerra entre o mal e o bem; despe as apparencias falsas que illudem

os homens

;

torna

manifestos os pensamentos do coração dos homens;

demonstra que a grande guerra não é apenas uma


217

mas apenas entre um espiDeus e que, portanto, a ques-

guerra entre o mal e o bem,

mau

rito

e o Espirito de

boa e a conducta má, mas entre espirituaes disposições verdadeiras e tão não é apenas entre a conducta

falsas.

uma

Os homens olham o mundo

e

reconhecem

espécie de conflicto entre o mal e o

bem; vaEUes não

gamente sympathizam com o bem... comprehendem que a guerra que se desencadeia ao redor d'elles não é uma guerra entre homens moralmente bons e homens moralmente ruins, mas entre poderes espirituaes, e que o que o Evangelho pede não é simplesmente uma vida moral, mas uma vida vivida pela fé no Filho de Deus, uma vida em que as disposições se ostentem para

com

Christo.

.

.

com Deus

e

para

Até aqui vimos os aspectos exterio-

res da grande guerra.

Agora havemos de ver seus

occultos, secretos, espirituaes— sim, sobrenaturaes—

possamos comprehender quão incommensuravelmente divergentes e antagónicos são os principios que estão em conflicto, sob vários e especiosos aspectos na historia do mundo» (Caraspectos, para que

penter).

A

visão apresenta certas difficuldades quanto á

A mulher tem sido tomada como sendo a Virgem Maria; o verdadeiro Israel ou a sua interpretação.

communidade dos lher

em

mente o

crentes, a Egreja Christã;

geral; e a

a

mu-

Nova Jerusalém. Semelhante-

filho d'ella se

tem interpretado como sendo todo o filho que nasce e

o Christo,

um novo

uma nova

disposição no coração humano.

Israel,


218

As

da vida de Jesus são muito vagas e ha muitas omissões. E' verdade que encontramos o mesmo plienomeno no quarto evana factos

referencias

gelho, mas não existe a correspondência que seria de esperar se o autor desejasse representar sym.bo-

licamente a vida de Jesus.

mesmo

deserto,

O

menino Jesus não

figurativamente.

verdade

E'

com vara de

havia de reger as nações

elle

foi

nem sua mãe alimentada no

arrebatado para o céu,

que ferro,

mas isso todo o vencedor fará (2:27). Outrosim não vemos nenhuma razão porque João havia de referir a

bem

vida,de Jesus, tão

vaga

e

um

sempre era positivo

Nos

aggressivo.

sempre

conhecida, por esta forma

tanto inexacta.

O

e

outros

representa

No

em

até,

passos

como o

tretanto o filho d'esta mulher

Como

occasiões,

livro

o

autor

faz,

Como

En-

é completa-

podia o autor

morte e victoriosa re-

omittir todas as referencias á

surreição de Christo?

certas

do

forte vencedor.

nada

mente passivo no drama todo.

toria foi

seu ministério Jesus

representar que a Vic-

simplesmente escapar sem nada fazer para

os outros, e dizer que iMiguel, e não Christo, é o forte

vencedor? Parece-nos que, em vez de

personagens princípios

geraes e verdades fundamentaes, e que

estas se illustram frequentemente na historia.

Charies: tre

o

bem

«O

— que

lina

Eph. 6

Assim

capitulo 12 representa o conflicto en-

e o mal,

mico :

certas

e factos históricos, o Vidente representa

como sendo um

não se origina na :

12, etc».

terra.

conflicto cós-

A

ideia é

pau-


219

A

mulher pode ser tomada como sendo o ver-

dadeiro povo de Deus que se angustia para produ-

uma nova

zir

iiumanidade. Assim Paulo diz

:

«Sinto

as dores de parto até que Christo seja formado

em

vós» (Gal. 4:19). Pode symbolizar «cada mulher

isto é, a

mulher no grande mundo todo, a eterna

em todas as epochas, vossa própria mãe, vossa própria esposa, vossa irmã e filha... Maior que qualquer egreja é cada mulher. Mais divina que qualquer ceremonia é aquillo que pelo demãe de

filhos

ver ella faz. Cada vida que ella produz é risco

com o

da sua. Sómente por meio do soffrimento é

que se aperfeiçoa o seu

filho» (Wilson).

que João não descreve como visão sua. Este facto e o que ella re«uma serie de acontecimentos tão extraorpresenta dinários que nem podemos imaginar que realmente 1.

Foi

visto.

.

.

E' a única scena

aconteceram,

nem

os interpretar

como symbolos»,

levam muitos commentadores a pensar que elle cita judaica e a ella dá uma interpretação

uma prophecia christã.

Signal.

Encontramos signaes no céu em Luc.

11:16, Mare. 8:11 da sua cidadonia. Mulher. cf.

Isa.

A

O

céu é o logar

egreja é a noiva ^de Christo (21:9

54:5-6,

Vestida do

e Mat. 16:1.

II

sol.

11:2, Eph. 5:25-32 etc.)

Cor.

«E' simplesmente vestida de luz

da cabeça até os pés.

.

.

é o perfeito

emblema da

luz

em

tes

tinham vestiduras brancas e no monte da trans-

sua fulgência e pureza». As multidões celes-


220

figuração as vestes de Jesus tornaram-se «resplan-

decentes e gloria de

A

em extremo

um

brancas». Parece indicar a

caracter immaculado.

lua debaixo dos seus pés.

Media-se o tempo

pelas phases da lua; portanto esta mulher é supe-

do anno e ás mudanças dos sécusymbolo eterno. Coroa de doze estrelas. Doze é numero intimamentelligado com o povo de Deus, nos dois Testamentos. Estrellas são anjos das egrejas (1 :20). Todos os luminares do céu contribuem para a sua rior às estações los, é

gloria. 2.

Soffría

sossegará até se

O

do bem não estabelecer o reino do céu na

tormentos.

espirito

terra.

«Ai de Paulo.

A

mim

se eu não prègar o Evangelho», diz

própria creação participa desta angustia

(Rom. 8 22). «E' claro que João não está pensando na Virgem Maria, mas na communidade ideal do :

povo de Deus, a própria egreja de Christo em suas dores para o nascimento de uma nova disposição nas almas humanas,

uma

fraternidade universaes,

disposição de amor, paz e

—o

nascimento do espirito

de Christo no coração dos homens» (Gardiner). 3. Grande dragão. Um vulto hediondo vem-se oppor á mulher e sua prole. E' Satanaz (vr. 9) o Leviathan (Isa. 27:1) Behemoth (Job 40:15) e a serpente (Amós 9:3). O Egypto, o grande inimigo de Israel, é chamado dragão (Isa. 51 9, Ezeq. 29: 3). Vermelho. Como o cavallo do segundo sello (6:4). :


221

A

suggere fogo e sangue. Elie é «homicida

cor

desde o principio» (João 8 44). Sete cabeças. Muito intelligente, de perfeita astú:

cia

;

«possue tudo para o

planos». Essa qualidade destruição

(cf.

13:3).

A

habilitar a executar

também torna

os seus

difficil

a sua

hydra da mythologia baby-

lonica tinha sete cabeças.

Dez

Estes indicam força ou grande po-

chifres.

der organizado. «Elie é um,

mau

pirito

der.

A

;

mas

diversificado;

um, como um esdo seu po-

diversificado, nas variedades

mulher é apenas uma

:

mas o seu

inimigo é

tem uma alliança para guardar, um trabalho para fazer, e pode cumpril-o somente do modo do seu Mestre o mal não se liga a qualquer lei, não contempla qualquer escrúpulo, e exerce o seu poder por qualquer canal, e por todos os meios ... O retrato aqui, bem como o retrato da fera no cap. 17, representa, como concentrado numa só forma inimiga, todas as variadas forças e impérios successivos que se opposeram ou que opprimiram o povo de Deus, e que procuraram destruir os seus esforços para o bem'; pois o mal todo tem as suas raizes num espirito de inimizade com Deus» multiforme

;

ella

:

(Carpenter).

Sete

exerce autoridade. toria»

Como

diademas.

A

príncipe

mundo

d'este

«coroa» da mulher indica «Vic-

mas o «diadema»

é «simplesmente

um

signal

de realeza». 4.

Cauda. Arrasta pela sua influencia

infernal.


222

Prende com as sinuosidades do seu corpo, como a

Os gafanhotos (9:5) e os cavallos (9:19) com a cauda. A terça parte. A mesma proporção como em cada uma das primeiras quatro trombetas. Muitos foram arrastados, mas a mor parte fica firme (cf. Jugiboia.

feriam

das 6 e Apoc. 12:7 sq.) Estreitas,

cerão

como

12:3); os

Os que convertem

a muitos resplande-

as estrellas para todo o sempre (Dan.

de Deus são como astros no mundo

filhos

(Phil. 2: 15).

A

influencia malévola

apaga a

luz

do

christão que por ella se deixa arrastar.

Sobre a

terra.

A

numa atmosmundanismo. Ficam como

sua luz se suffoca

phera de materialismo e

os meteorolithos ou pó de estrellas.

O

dragão parou. afim de devorar o filho. O Herodes e Pharaó. Qualquer alma que quizer sahir da cidade da destruição encontrará leões no caminho, o próprio Apollyon procurará tirar-lhe a vida. Qualquer reforma provoca criticas, .

.

retrato relembra

invectivas e ataques inveterados.

Exemplos são a

Liga das Nações e a Lei Prohibitoria nos Estados Unidos,

como

lico-Romanos.

a contra-idolatria nos paize^ Catho.

.

Os homens pisam,

as aves do céu

levam, os espinhos suffocam a boa semente. Literalmente, o dragão está á espera de cada

fi-

lho nascido de cada mulher. Exhallando o monstro

micróbios deletérios, logo a alma pura e innocente se macula pelo ambiente polluido. insidiosas suggestões,

Exemplos maus,

procuram minar-lhe o

caracter;


223

a onda da opinião popular e as correntes do vicio o

arrastam, e a mulher vê destruído o filhinho do seu

coração. Crucificaram

continuamente,

O

a Jesus Christo e de novo,

crucificam.

«A sociedade organi-

zada odeia o novo espirito gerado por Christo, na egreja e por meio d'ella» (Gardiner).

«Este dragão vermelho é a nossa pagã, guer-

readora

e

avarenta civilização,

em que

primeiro

chamada emancipação da mulher, e em segundo logar uma ameaça mortífera para a mater-

vemos

a

nidade.

Mesmo

ao nascer a creança, o dragão a quer

Engorda com a mortalidade infantil. Edifica casas de aluguel onde ha logar para tudo menos para o conforto da prole. Desenha cidades sem lo-

tragar.

gar para as creanças brincarem e substitue o

lar por dimensões da familia e assim reduz a natalidade. Tira lucros do trabalho de mulheres gravidas e de má vontade dá descanso e alimento á mulher que amamenta. Desleixa as moléstias das

hotéis. Limita as

creanças,

colloca a creança cedo no

dá-lhe largas para se

crear na rua,

trabalho, e

ou

depois en-

os precoces delinquentes pelos crimes de que só são culpados os seus perseguidores» (Wil-

carcera

son).

e e

5. Deu á luz. Nesta nobilíssima missão a mulher, também o pensador que descobre uma ideia nova a applica á vida, mais se approximam do Creador.

Frequentemente

encontra-se

são «dores de parto»

no

V. T. a expres-

usada figurativamente

certos logares representa o esforço da

;

em

communidade


224

um novo

theocratica para produzir

Israel (vide Isa.

26:17-18 e 66:7 sq.).

Vara de ferro. Em relação ás nações da terra a verdade é vara de ferro que as rege e domina; em relação aos seus, Jesus, que é a verdade, é o Cor-

um membro do rebanho (7:17, 14:1 verdade ha de vencer. Na nova sociedade a deiro,

publica condemnará

vida

e

piritual.

etc).

A

opinião

absolutamente aquelle que ol-

menospreza as

leis

da saúde physica e es-

O

(Vide nota sobre 2:27).

mal, de forma

alguma se tolerará mais (cf. 19:15). Foi arrebatado para Deus. A creança que desleixamos, cuja alma anda esfomeada por falta de instrução e inspiração, cuja vida se perde por falta de

tomou os me«Vede não desprezeis um

direcção, é lembrada por Deus. Jesus

ninos nos braços e disse

:

d'estes pequeninos» (Mat. 18:10).

Para o seu

throno.

bem longe de

Jesus,

Os salvos

reinarão

com

Elie.

ser victima de Satanaz, foi ele-

vado á posição da maior gloria, honra e poder. As forças do bem possuem um poder frustrador, em seu encontro com o mal. O sello romano de nada vale no tumulo do Christo o sangue dos martyres se transforma em semente da egreja; a artilharia de Napoleão nada pôde contra a opinião illuminada; destruir o corpo dos apóstolos do bem é o mesmo que atirar pedras ás nuvens. ;

6. (vr.

A

mulher fugiu. Para escapar á perseguição

13) ella foge da sociedade que despreza a sua

missão

e

destroe seu

filho.

Abrahão sahiu da sua


terra;

em

Moysés,

Israel, Elias,

João Baptista e Jesus,

certas occasiões, refugiaram-se

momentos em que o

no deserto. Ha

christão se sente

como pere-

grino e estrangeiro na terra.

Deus lhe havia preparado um logar, Elie nunca desampara os seus. Estes encontram na própria perseguição bênçãos (Mat. 5:10). Elie é «nosso refu^ gio e fortaleza». Alimentada. Assim Elias, pelos corvos serto, Israel, pelo

e a

e, no demanná. Jesus nos dá o pão do céu,

agua da vida. Mil e duzentos e sessenta dias. «O periodo

em

que a Egreja dá testemunho contra o mal predominante» (vide nota sobre 11:3).

A

Guerra no Céu

Interrompe-se a história para mostrar mais claramente que a peleja é espiritual, e que o mundo invisível participa nella de tal maneira que a Victo-

De

ganhou resta-nos apenas príncipe do poder do ar já experimentou a sua primeira derrota, não mais rege o ar, mas tem apenas uma esphera limitada na terra. Isto é, os seus sophismas são descobertos; elle é simples e nuamente materialista, brutal, sensual, grosseiro. Conhecemo-lo por aquillo que elle ria é certa.

facto já se

colher os seus fructos.

;

«O

é» (Gardiner). 7.

No

céu.

«O céu

é tanto

um

local

ou supramundano como a esphera

premundano

espiritual,

den15


tro

mesmo

da qual habitam os crentes,

durante a sua

peregrinação terrestre» (Milligan).

O

Guerra.

conflicto

não

A

fero por ser espiritual.

é

cripturas e favorita de Paulo

Miguel.

Deus?»

O nome

significa

13: 4. Elie é

levanta a favor do

ou mortí-

real

(cf.

Es-

Eph. 6:11 sq. etc).

«quem

é semelhante a

ao «quem é semelhante á

e corresponde

besta», de

menos

figura é frequente nas

«o grande principe que se

Teu povo» (Dan.

12:1 cf.

Dan.

10:13 e 21). Naturalmente este facto o colloca

em

opposição ao dragão. Pode ser «um nome genérico applicado a qualquer que no momento representa a causa de Deus, no grande conflicto contra o mal. Portanto

pode não ser pertença d'um certo ser

mas

angélico,

ser

uma

espécie

nome

de

typico

applicado ao campião e principe do povo de Deus, e assim nesta

que é

o

passagem usado para designar Aquelle

Capitão

da nossa

salvação»

(Carpen-

ter).

E

seus anjos.

mas também 8.

Não

As

forças

do mal são múltiplas,

as são as do bem.

prevaleceram. Resistência sempre há, da

parte do mal, mas, no fim, este sempre é vencido.

Álcool

dragão

resiste

á

prohibição;

o

O

monstro

Guerra cynicamente zomba da Liga das Nações e das conferências da paz. Temos, todavia, plena certeza do desenlace

Nem

final.

o seu logar se achou mais no céu,

o coração repletos do teúdo,

bem excluem,

O

céu e

pelo seu con-

o mal. Não pode haver sociedade entre a


Ô2t

justiça e a iniquidade,

e as trevas 9.

(II

Foi precipitado.

como relâmpago»,

céu

nem communhão

Cor. 6:14

cf.

«Eu

entre a luz

Luc. 10:15). via a Satanaz cahir

do

disse Jesus, ao notar o êxito

do espirito consagrado dos setenta, quando voltaram da sua primeira missão. «As palavras significam que o mal já foi expulso da sede do seu poder, que até ahi tinha occupado, e que a primeira e mais importante phase da conquista de Satanaz já se realizara.

A

sua esphera de

ora avante é mais restricta» (Charles). Sua derrota

completa espera a consagração dos discípulos de hoje.

Antiga serpente,

O nome

é mui apropriado

;

re-

fere-se á tradição edenica (Gen. 3:1).

Diabo. Quer dizer «calumniador».

A

Satanaz. Significa accusador.

mes

variedade de no-

indica a popularidade da concepção; estes dois

últimos designam suas características principaes.

Que engana. De outra forma a estulticia do peccado seria tão evidente que o bom senso humano a aboliria do mundo. «Elie é mentiroso e pae da mentira»

(João 8:44,

cf.

II

Cor. 2:11).

10. Grande voz. Esta é «característica de todas

as falias celestes» (Plummer).

num

A

victoria celebra-se

cântico de regosijo. Relembra-nos os cânticos

de Moysés e Myriara (Ex. cap.

15).

Charles diz que

a expressão «nossos irmãos» prova que os cantores

são homens e que são os martyres christãos de 6:9-11.


22â

E

Que suspiro de allivio Que Que psalmo de Victoria! A salganhou. Cabe a nós aproprial-a. Ma-

vinda a salvação.

cântico

vação

!

regosijo!

cie

já se

nifestou-se o poder; estabeleceu-se o reino; reco-

nheceu-se a auctoridade divina. Parece a resposta á oração dominical tremulando nos lábios dos milhões que almejam a vinda bemdita do Senhor. Nesta própria oração encontramos o

«Teu

reino»...

é

paradoxo «Venha o teu :

o reino...

para sempre». Este

somos

reino está dentro de nós, nelle entramos e feitos reino.

O accusador, 3:1, Job

1

«Noite e dia elle accusava.

:9 e 2:5).

Em

(cf.

Zach.

escripturas judaicas,

Mi-

advogado' e fica em opposição ao accusador; mas agora o accusador é precipitado; 'quem formará accusação contra os escolhidos de

guel se chama

*o

Deus, quando é Deus quem

justifica,

quem morreu?' (Rom. 8:33-34)». 11.

mas os Victoria.

mundo»

Elles

o venceram.

A

quando

é Christo

(Carpenter).

Victoria é de Christo,

bem como na Deus vence ao

salvos participam no conflicto

«Tudo o que (1

João 5:4).

é nascido de

O

crente sae para o combate,

já victorioso.

Pelo sangue do Cordeiro.

A

base da expulsão de

Satanaz e da Victoria dos crentes é o sacrifício de Christo.

«A morte do Cordeiro

é a causa primaria e

o testemunho dos martyres é a causa secundaria de

sua Victoria» (Charles). Pela palavra do seu testemunho.

dade é poderosíssima

(cf.

Isa.

A espada

da ver-

11:4, João 8:31-32


229

e 51,

15:3

Apoc.

e

1

:

O

15,16 etc.)

reino passou a

ser de nosso Senhor, depois que as duas testemu-

nhas foram

fieis

até á morte.

O

Ghristo victorioso

marcha para completar a sua victoria, somente quando os seus estiverem promptos a deixar tudo e a marchar com Elie, quando estiverem preparados

em

a collocar

primeiro logar o reino de

Deus

(vide

19: 11-12).

Não amaram as suas vidas. A sua dedicação á causa da collectividade sobrepujou os interesses particulares.

A

causa da humanidade, que é a causa de

Christo, evoca-lhes a dedicação completa das suas

energias e posses.

affeições, significa

succede

«testemunha»

em

certas crises,

e sacrifício;

O

martyr,

— dá a sua em um

—o

vida, talvez,

termo

como

só acto de coragem

mas usualmente, atravez do sannos de

devotado serviço,

elle

reahza na vida o espirito do

seu Senhor. Quando isto se generalizar cumprir-se-á

o reino de Deus na

terra.

12. Exiiltae ó céus. Cantae ante a expulsão do

elemento perturbador.

Agora estão isentos dos do maligno, presenceiam a victoria. Ai da terra. Neila as actividades do inimigo são recobradas, pois sabe que o tempo d'elle é breve. Desceu a vós. Trazendo a maldição. Apresenta um contraste com o anjo do cap. 10, que trouxe o Vós que

nelles habitaes.

insidiosos ataques

livrinho.

Grande

ira.

Está irritado pela derrota e raivoso

por sentir limitado o seu poder.

O

demónio Álcool


230

desesperadamente as forças exemplo.

ataca

«seccas»,

por

13. Perseguiu a mulher. Ketoma-se agora o fio da narrativa da mulher. O aiictor pormenoriza o que

no

já indicou

vers. 6.

Temos

muitos exemplos d'este

Não podendo vencer

estylo no livro.

a verdade

com

os argumentos, o dragão vira-se contra a pessoa d'ella. Como o filho é immune, ataca da maternidade. Vira-se contra o lar e

dos expoentes a santidade

contra o matrimonio, incute «a ideia de

uma moral

cada sexo». Nada podendo contra a

differente para

reHgião, vitupera a egreja e persegue-a.

Duas azas de grande

14.

águia. Eu, «vos trouxe

sobre azas de águias e vos cheguei a mim» (Ex. 19 4. :

Cf.

esperam

também Deut. 32 no

águias»

(Isa.

Senhor... 40:31).

:

1 1

e Ps.

subirão

A

36 7). «Os que com azas como :

águia e a serpente são

ini-

migas naturaes.

Ao seu logar. Deus sempre outorga refugio aos Mandou EUas á torrente de Cherith e a casa

seus.

da viuva de Zarephat. E' alimentada. Todas as suas necessidades foram suppridas (vide nota sobre vers.

Um São

trez

dicional, tra

Um

tempo.

tempo aqui

6).

é egual a

annos e meio, 1260 dias.

em que

.

.

um

anno.

o periodo tra-

as forças do mal prevalecem con-

os justos, nos tempos que precedem o fim, (vide

nota sobre 15. diluvio

1 1

:

2 e

cf.

7

Agua como um

:

25 e 12:6).

rio.

«No N. Testamento, um

frequentemente significa desgraça esmaga-


231

dora» (Plummer,

cf.

Ps. 69

:

15,

90 5 :

e

Dan. 9 26). :

A mulher, na sua pureza e dignidade, é atacada por um diluvio de ideias frivolas e baixas, romances eróticos, modas indecentes constituem um diluvio .

.

.

de suggestões emittidas pela bocca demoniaca. «E

quando parece que cada mulher se submergirá na * corrente, ella descobre que tem azas de águia, que é capaz de levantar-se acima da rotina, quer seja do trabalho fatigante quer seja dos prazeres que degradam, escapar da necedade da servidão, e ser

tempos meio dias da semana; quando o drama da vida ainda está incompleto, as enchentes de Satanaz proseguem, mas em vão. São absorvidas pelo solo ^as-sim anniquiladas. O bom senso nativo da mulher o seu contacto com o dever salvaguarda-la-há da lama em que se procura ennutrida no seu espirito durante este «tempo,

e meio», estes tres e

golfal-a.

«Assim derrotado, Satanaz descobre o seu erro ao imaginar que a mulher é o sexo mais fraco. Elie não quer reconhecer o seu erro. Portanto volve a sua attenção para os homens, cada um dos quaes teve afinal uma mãe. Ferir a mãe triumphante por meio de seu filho é o ultimo ardil de aquelle que é extremamente mialvado. Elie visa particularmente os melhores homens, aquelles que guardam os mandamentos de Deus e manteem o testemunho de Jesus». (Wilson) (cf. Isa. 59:19, Ps. 18:4-16 e 124:2-6). 1 6. i4 terra ajudou a mulher. A terra tragou a Korah (Num. 16:32). As questões concernentes á mulher,


232

á sua educação, emancipação c entrada nas profissões, abrindo-llie

outros caminhos alem do casa-

mento, tornam-na independente. Agora é capaz de

do pretendente á sua mão que se approxime dos ideaes que ella tem. A terra, os problemas

exigir

practicos d'este

mundo, da mesma forma ajudam a

egreja a esquecer suas frivolas discussões doutrinarias

para cooperar no serviço da humanidade.

O

17.

Dragão

Jesus escapou,

irou-se,

mas os

apóstolos continuaram a ser perseguidos.

«O

universo está do lado de Christo e do seu

povo». Tudo coopera para estabelecer e vindicar a verdade.

As pesquizas da

sciencia a revelam

;

as

experiências do individuo e das nações a demons-

tram; a historia é eloquentíssima pelos factos com

que a apresenta; a natureza se vinga horrivelmente a verdade do eterno Creador se escreve no trajecto dos corpos celestes e se imprime no intimo de aquelle que segue os pensamentos do infinito.

naquelles cuja vida a ultraja

Restante dos filhos.

É

:

esta a explicação da terrí-

vel perseguição da egreja pelo dragão. Despeitado

pela derrota infligida pelos poderes celestixies, a sua fúria,

intensificada

tempo

pela consciência de que o seu

é breve, vira-se contra os verdadeiros filhos

da egreja invisível e universal, contra aquelles cuja vida é pura e cujo coração é fiel. «Se me perseguiram No a mim, também vos^hão de perseguir a vós. .

mundo

tereis tribulações

tenho vencido o mundo».

;

.

mas tende bom animo, eu


CAPITULO

O

Agente

do

XIil

Dragão, a Besta do

Mar

e o seu Ajudante «Este capitulo descreve a apparição de dois ini-

migos de Christo e do seu povo. São descriptos «feras», em opposição Áquelle que é o Cordeiro. Distinctas do dragão, essas feras são por elle inspiradas. A ellas o dragão dá poder (vr. 4) e a sua voz falia por meio d'ellas (vr. 11). São as forças e os poderes utilizados por elle em sua hostilidade contra a causa da justiça e da verdade. Deve-se ler, connexa com esta secção, a visão parallela de Dan. 7». (Carpeníer). 1. Sobre a areia do mar. Há duvidas, devido a uma divergência dos manuscriptos, se é João ou a dragão que tomou a posição referida. Pouca differença faz, porem, sobre a interpretação da passagem. É a praia mutável do mar desassocegado e turbulento dos «povos, multidões, nações e linguas» (Apoc. 17:15) d'este mundo. O dragão, nesta nova guerra, muda de táctica,— utiliza-se de agentes. Este mar apresenta um contraste ao socego e paz do monte deleitavel onde, no cap. 14, encontramos o Cordeiro e seus remidos. É a «grande massa dos homens dominada pelo impulso ou paixão». «Para

como duas .


234

João,

bem como

para seu collega Judas, significava

(o mar) qualquer sociedade que não tem

fé,

suble-

vada por qualquer rajada de vento, formando partidos que mudam e desapparecem, de um momento

O

para outro.

consentimento anarchista.

Seu

mar era assim este invio dédalo por Todavia João não toi

popular. ideal

.

foi

.

o mais alto ideal de

lei

que jamais foi lançado ao papel. Mas reconheceu que por meio de instituições sociaes, por mais impressivas que fossem, a Serpente é capaz de fomentar o engano» (Wilson). 2. Dea-lhe o seu poder. Ao atacar o restante dos filhos da mulher, o dragão nomeia um substituto, civica

dando-lhe o seu poder, posição e autoridade. reis,

Os

representados pelas sete cabeças, são tomados

como sendo vários reis do Império Romano; mas é difficil identifical-os sob esta theoria. Outros pensam que são a successão de potencias que perseguiram o povo de Deus. Milligan pensa por alguns

que sejam as do Egypto, da Assyria, da Babylonia, da Medo-Persia, da Grécia e de Roma, «junto com aquella potencia ainda mais extensa que a romana,

que

S.

João notou que

ia

irar-se

nos derradeiros

dias apressados do «ultimo tempo», contra a simpli-

cidade,

pureza,

santidade e piedade do

pequeno

rebanho de Christo». 3.

Como

ferida de morte.

A

phrase é

^ mesma

que foi usada em referencia ao Cordeiro, em 5:6. A cabeça assim ferida pode significar, conforme o modo de interpretar a besta, o golpe mortal infligido a


235

por

Satanaz

nosso Senhor na sua passagem re-

demptora pela

terra;

a

passagem do Império Ro-

mano, do paganismo para o Christianismo a expulsão do dragão por Miguel; ou a morte ou coisa ;

equivalente de

considerar

exemplo d'essa

A

um imperante um d'estes

cada

ferida

perseguidor.

Podemos como

acontecimentos

ferida.

demonstra a vulnerabilidade da besta,

mas ao mesmo tempo manifesta o seu maravilhoso poder recuperador, de maneira que muitos a admiram e a seguem justamente por causa d*isto. Somente

no fim a

victoria é definitiva.

ças, por

exemplo o

não

Esmagar uma das cabe-

álcool, o jogo, a prostituição.

.

lhe affecta a vida.

«Não importava que de vez em quando alguma cabeça recebesse ferida mortal. Carthago poderia

Roma. Mafoma poderia alcançar as portas de

atacar

A Britannia poderia perder as suas colónias americanas. A Hespanha poderia cahir. A Allemanha Vienna.

poderia ser humilhada.

Mas

as nações da Africa e

da Asia, olhando essas calamidades, continuariam ainda a perguntar-se mutuamente

:

«Existe qualquer

coisa semelhante a esta besta? Qual de nós

pode

pelejar contra ella?» Aqui, deveras, havia a supre-

macia da sciencia na batalha

—a

gloria de coroas e

em armamentos de guerra. Alguns ainda não se desilludiram quanto á nossa «civilização». Parece incrível, mas reinof^»

até

ao

moçda

(Wilson). Ha-os ainda que confiam

presente ideias imperialistas passam legitima na Europa,

em

certos

como

çirculos.

A


236

mantem-se e os Estados Pontifícios reconstituiram-se num arremedo do que foram outr'ora, pela cedência ao Papa do bairro do Vaticano. 4. Adoraram o dragão. Foi este o preço exigido a Jesus (Mat. 4:9). O grande inimigo sempre procura arrastar-nos para o plano do materialismo. Adoraram a besta. O culto exterioriza o caracter. Os que se assemelham á besta prestam-lhe culto: os que participam da natureza de Deus adoram-no ficção da infallibilidade papal

a Elie,

em

espirito.

Em

todos os séculos,

com

estra-

nha perversidade, os homens teem deixado as aguas vivas para cavarem para si cisternas rotas, que não reteem as aguas (Jer. 2:13). Cultos de toda a espécie se teem levantado, florescido e desapparecido,

mas

tornam a viver em novas formas. Fartura ha de exemplos: Theosophismo, Espiritismo, Positivismo...

homem

precisa de adorar

algo,

e a

O

natureza áo

objecto influe poderosissimamente sobre o seu caracter.

Quem há

semelhante é besta ?

phema de Ex.

15:11,

Ps.

Uma

113:5,

imitação blas-

Isa.

40:25, Miq.

7:18, etc.

Quem pode da força

;

pelejar contra ella? Eis a adoração

é o espirito

que nos arrasta para

conflictos

sangrentos. Poder, posição, autoridade, são adora-

das; princípios, justiça, amor, são pisados. 5.

Faltava

grandes coisas.

inimigo, promessas seductoras. lhe

foi

A Eva fez elle, o Mas a própria bocca

dada para assim fallan Por

si,

nada tem dç


2^7

O

ou autoridade.

força

poder que exercia

foi

sim-

plesmente para lhe deixar conseguir a sua própria ruina.

A

bocca, tão longe de ser-lhe

uma bênção, Os dotes

occasião de se tornar fanfarrão profano.

íoi

de Allan Kardec, Alexandre Dowie, Mrs. Eddy, Mrs. simplesmente os trazem á tela White, José Smith. .

.

da opinião publica, para serem julgados deficientes. Deu-se-lhe autoridade. Todo o poder e autoridade pertencem a Deus e somente por concessão d'Elle é que o dragão ou a besta os possuem. Elie os recebe apenas por 42 mezes que é o breve espaço em que dominam, antes do fim. 6. Blasphemias contra Deus. Não se importava com a sua idoneidade mas entendia que reinava por

mas a sua como Jesus Pilatos, assim os opprimidos podem dizer á «Não terias sobre mim poder algum, se elle

«direito divino».

força é o seu disse a

besta te

:

«Deus não

deus».

não fosse dado

No

é a sua força

entretanto,

de cima» (João 19: 11). é, na sua totalidade e

«A descripção da besta

em

detalhes multiplicados, uma caricatura do próprio Senhor Jesus Christo, Cabeça e Rei, Tutor e Protector do seu povo. Semelhante a este, aquelle é o «enviado» de uma potencia invisível, pela qual todo o poder lhe é «dado» tem a sua morte e resurreição; tem as suas multidões de maravilhados e en;

thusiastas adoradores

;

a autoridade que exerce so-

bre os que acceitam o seu dominio não é limitada

por termos nacionaes, mas abrange todo o mundo

emfim ajunta e reúne em

si

todos os elementos es-


2â8

palhados pelas trevas e pela inimizade contra a verdade, que anteriormente existiam entre os homens, e

de que a Egreja de Deus

já soffrera.

«Que será então esta primeira besta? Não é a Roma pagã nem a papal não é uma determinada ;

forma de governo

terrestre,

por mais forte que

nem qualquer imperador romano embora

seja,

violentís-

simo e cruel é, sim, a influencia do mundo, á medida que ella se oppõe a Deus, substituindo o ;

humano pelo

divino, o visivel pelo invisível, o

tem-

porário pelo eterno. E' a personificação d'aquelle

mundo de que Paulo

escreve

:

'Nós não recebemos

que vem de quando diz 'Aquelle, pois, que quizer ser amigo do mundo, constitue-se inimigo de Deus', e acerca de que João exhorta: 'Não ameis o mundo nem as cousas que ha no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pae, não está nelle; porque tudo que há no mundo, o espirito do mundo,

Deus'

(I

mas sim o

espirito

Cor. 2:12); de que Tiago falia

:

a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a vaidade

da vida, não vem do Pae, mas sim do mundo'

(I

João

em uma palavra, é o mundo aspecto em que nosso Senhor,

2: 15-16). «Esta besta,

considerado naquelle

Elie próprio, podia dizer d'elle

que o diabo

foi

o seu

príncipe; ao qual, conforme contou aos discípulos,

ti-

nha vencido, e ao qual se referiu na oração sacerdotal: 'Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Elles não são do mundo como eu não sou do mundo» (João 17: 15-16). «A influencia da besta aqui mencionada não se


limita,

portanto,

qualquer partido, ou

a

seita,

ou

época. Pode-se encontrar na Egreja e no Estado,

em cada

homem

se deixa

visível

ou pelo

em cada familia, ou mesmo no em qualquer logar onde o dominar pelo visivel em vez do inmaterial em vez do espiritual, ahi

está 'O

mundo'»

(Milligan). (cf. Eph. 6: 12).

sociedade,

próprio coração,

pois

Guerra aos santos. Ella é permittida para provar o povo de Deus como provou a Job. Quando as 7.

forças do mal atacam a

um homem, querendo-o

des-

é boa indicação quanto ao seu caracter (cf. Dan. 7:21, Apoc. 11:7 etc). Vencesse. Com armas carnaes, temporariamente,

truir,

exteriormente. inattingivel, a

O

seu espirito é porém absolutamente

sua personalidade é inviolável. Elles, e

possuem a chave da sua vida intima. mas não a arromba. O maligno esgota a sua raiva pelos ataques que na terra limitam as suas operações, mas o céu interior, elle não é capaz de o attingir. Assim Christo, durante um somente

elles,

Christo bate á porta

breve espaço,

que

ella se

foi sujeito

esgotou

á malignidade raivosa até

em Sua

pessoa.

Sobre toda a tribu ... As quatro designações in-

dicam a condição universal da sua autoridade, porem, neste

mesmo

terreno, ha aquelles cujos

nomes

estão escriptos no livro da vida do Cordeiro, e estes

de

modo algum

lhe estão sujeitos (cf. Dan. 7

:

22 e

Apoc, 5:9). «Ainda que vencidos, vencem». 9. Se alguém tem ouvidos. Esta expressão impressiva

chama a attenção a uma declaração so-


240

lemne.

E'

11:15

etc.)

frequente

na bocca de

encontra-se

Christo;

(Mat.

em cada uma das

cartas

escriptas ás sete egrejas.

10. Se alguém é para captiveiro.

contra a perseguição é

.

Resistência

,

As armas do

inútil.

christão

mundo não

lhe perten-

cem, antes se viram para sua própria

destruição

são espirituaes. As armas do

(cf.

Mat. 26:52 e

15:2).

Jer.

Aqui está a perseverança. é submissão,

verança e

como

fé se

.

A

sua maior prova

Christo se submetteu; a sua perse-

demonstram pelo

espirito

em que

soffrem. 1 1

.

Outra besta. Esta

é

agente da primeira

e,

in-

vestida da sua autoridade, e por meio da feitiçaria e

da boycottagem domina sobre os habitantes d'este mundo. Vemos o seu poder nos governos provinciaes

no sacerdócio imperial (Charles, que obrigavam os cidadãos a adorar a

(Ramsay),

Scott, etc.)

imagem do imperador, a primeira dócio papal, operando na cio (Wilson)

balho...

com

No

besta.

Inquisição;

sacer-

o commer-

os dois chifres, o capital e o tra-

«Todos os que usam seu conhecimento,

sua cultura, sua sabedoria para ensinarem aos ho-

mens que nada ha digno de culto, salvo o que possam ver e tocar e saborear, fazem o papel da segunda

bestafera;

sciencia ou

e

sejam

elles

apóstolos

da

apóstolos da cultura ou apóstolos da

immoralidade lógica, ou apóstolos do chamado materialismo, tar

o

se o seu ensino leva os

culto ao visivel

e

tangível,

homens elles

a limi-

assim os


241

levam a adorar a besta, que é o adversário dos servos do Cordeiro. As duas bestas sobem da parte de baixo. O mar, de que sobe a primeira, representa os tumultuosos impulsos e paixões do género humano a terra, o elemento mais fixo, do pensamento e da sabedoria humanos, ou a sociedade consolidada ;

e disciplinada

A

pela intelligencia e a cultura.

sa-

bedoria, comtudo, que guia esta fera, não é sabedo-

mas aquella sabedoria que um escriptor sagrado descreve como sendo terrena, animal e diabólica (Tiago 3: 15)» (Carpenter). ria divina,

Chifres semelhantes aos de

um

cordeiro.

Falta-

va-lhe a apparencia terrível da primeira besta.

Em

vez de dez, tem apenas dois chifres e estes pequenos, suggerindo

mas sim

não a força

terrível

de

um

monstro

a mansidão do cordeiro.

Faltava como dragão.

A

sua

falia

desmente a

sua apparencia, todavia não fallava blasphemias,

como

mas com palavras especiocomo fez a serpente no jar-

fazia seu senhor,

sas procurava seduzir,

dim do Edem. 13. Obrou grandes milagres. Assim a vinda do

homem da Satanaz

«é segundo a operação

iniquidade

com todo o

ligencia,

(II

com signaes e com com toda a seducção da in-

poder, e

prodígios mentirosos e justiça»

de

Thes. 2:9-10). Elie appella, não á intel-

pela racionalidade do seu ensino,

consciência pelo abnegado amor,

nem aos

nem

á

instinctos

mais elevados, pela revelada pureza de vida, mas mystifica por «espíritos» evocados, imagens que

meie


242

neiam a cabeça, «santos» cujas feridas de novo vertem sangue, ou cujo sangue annualmente se liquefaz Mare. 13:22).

(cf.

Descer fogo do

do cap.

11 (cf.

14. Enganava, e é própria

céu. Imitava as

Reis

II

A

1

:

10-12

duas testemunhas

e Luc.

9:54).

mentira é a sua arma predilecta

da sua natureza.

«Os homens teem appellado para milagres mentirosos a favor de

um

credo que soffreu ferida mortal:

a destreza do partidarismo interesseiro raramente se

acha

de ardis imponentes.» (Carpenter).

falta

Que fizessem uma imagem. A nheira inseparável da

muletas do espirito aleijado,

Das

desviada.

compa-

Constitue as

miragem da alma

a

realidades espirituaes desviam as ima-

gens a attenção para o material e

com

idolatria é

religião.

falsa

inerte, se a alma,

as azas ligadas ao barro, se não levanta para

encontrar o Eterno Pae espiritual no vôo da

15.

Que communicasse fôlego. A magia

e

fé.

o ven-

triloquismo frequentemente se teem empregado

esporas da

como

fé recalcitrante.

Fossem mortos. Ai d'aquelles que questionam o poder dos santos! Não se deve pôr á prova as «manifestações» espiritas. Os que dependem de aua sua fé atacam veexaminam os seus docuque hementemente aquelles mentos históricos. A religião falsa, falha de recursos, lança mão da força. A religião verdadeira nunca se rebaixa a perseguir. E' somente a besta que é capaz toridade

exterior para escorar

de realizar

um

Auto-de-fé ou

um

processo de heresia.


243

A

16.

todos.

classificar os

A

única distinção ou maneira de

homens aqui

é a sua attitude para

com

a besta.

Uma

Para os

marca.

identificados

Assim foram

identificar.

os filhos de Deus (3:12,

7:3, etc).

Encontramos a mesma ideia em Deut. 6 8. Em vr. 17 vê-se que a marca consistia no nome da besta ou no numero do seu nome. Nome, na Biblia, indica caracter. «Ptolomeu Philadelpho obrigou a certos judeus de Alexandria a receber a marca de Dio:

nysio» (Beckwith).

Na mão

direita. Isto indica

sobre as acções

Na

testa.

A

— a vida

que a besta domina

e as relações sociaes.

besta fiscalizava os ideaes e formava

o caracter. As feições do malvado reflectem seus

pensamentos. Paulo trazia

de Jesus (Gal. 6: 17.

em

seu corpo as marcas

17).

Ninguém pudesse comprar ou

boycottagem dos christãos

traria

vender. Esta

grandes soffrimen-

Ha-os que dizem ainda hoje que, para negociar, Querem que o commercio continue a usar a marca da besta. E para ser politi-

tos.

necessário é lograr.

co

!..

18. Sabedoria. frentar

A

primeira besta havia de se en-

com perseverança

e fé (v.

10),

mas

esta

tem de se vencer pela arma mais aguda da intelligencia. Até que o commercio, a industria e as relações humanas em geral sejam completamente transformadas pelo espirito de Christo, besta, astuta e polida,

o crente terá continuamente problemas de solução


244

difficil

na sua vida e muito custoso é

elle

prosperar

num meio pagão. Numero da besta. Antigamente usavam-se lettras com valor numérico, antes da invenção dos algarismos; o numero do nome de qualquer pessoa seassim o numero indicado pelas

ria

lettras

de seu

Se o transliteramos em grego poderemos tirar d'elle o nome de Nero Cesar. Outros acham o nome «Lateinos» no grego também e entendem que representa o império Romano. A mente humana

nome.

gosta d'estes quebra-cabeças, e tem-se desperdiçado

muito tempo com este numero, fazendo

d'elle

mina

de muitos nomes. Salmon da

tres regras pelas quaes pensa que se pode achar o numero em qualquer nome: 1. Se o nome próprio por si só não dá o numero, accrescentae um titulo. 2. Se a somma não se encontra no Grego, experimentae o Hebraico ou mesmo o Latim. 3. Não sejaes muito exigentes

quanto á orthographia.

Parece-nos que as referencias ao imperador e

ao império são tão claras que seria desnecessário, e mesmo um contra-senso, indicar o nome de um ou de outro por esta maneira tão enigmática e difficil. Talvez a expressão «numero de homem» suggira a solução. Apesar da sua semelhança ao Cordeiro, do seu poder maravilhoso, da sua astúcia e da sua autoridade universal, na realidade elle não alcançava a perfeição, era imperfeito

caracterizado por

uma

uma

como homem.

trindade de seis,

E' por isso

falta-lhe

coisa para attingir a perfeição indicada pelo nu-


245

sendo portanto os fieis armados com a perfeição de Deus, nada teem a temer na sua presença. Assim Carpenter inclina-se a pensar que

mero

sete

:

«este 'seiscentos

e sessenta

e

seis'

symbolico que exprime tudo quanto cançar

um numero

sabedoria humana e ao poder humano,

á

quando indica

é

é possível al-

dirigidos por

um

um

espirito

mau.

O

numero

estado maravilhoso de perfeição terrena,

quando o poder da besta tenha alcançado seu desenalto, quando a cultura, a civilização, as artes, a sciencia e o raciocínio, se combinarem para produzir uma edade que tanto se approxima da volvimento mais

a

uma edade dourada, se não uma edade quando os homens começarão a dizer que em Deus é uma impertinência e que a espe-

perfeição

áurea

rança de

uma

vida futura é

um

libello contra a feli-

cidade da vida presente. Então o poder

mundano

da sua influencia; então souma que mente sabedoria desce lá de cima será capaz de discernir a differença infinita entre um mundo com fé e um mundo sem fé, e o grande abysmo que

terá alcançado o zenith

a falta de

um pouco

cancara entre

No

cap.

de amor que nasce do céu es-

uma epocha

19:20

é

e outra

chamado o

epocha.»

falso propheta.


CAPITULO XIV

Remidos

Christo e os Seus

e os Sete Mensageiros

O

Vidente deixa estas terríveis scenas do domí-

nio de Satanaz para contemplar as scenas celestes,

a segurança dos salvos e a triste sorte das victimas

da besta. 1

.

Olhei. João levanta os olhos

ticados no valle do conflicto

em

dos horrores pra-

que, pela força,

o

mal predomina, para a ineffavel paz, gloria e gozo dos logares celestes onde é a nossa cidadonla. Cordeiro.

Mesmo

como

proeminente o aspecto de

conserva

victorioso

sacrifício

da sua vida.

A

sua candura apresenta agradabilíssimo contraste com o dragão vermelho e os agentes monstruosos d'este. Elie

não oppõe a força á

força,

mas pelo seu auto-

amor tudo vence. Prompto para receber os

-sacrlficante

Em pé.

para marchar

com

seus,

prompto

elles à victoria.

Sobre o monte.

Os sequazes da

arrasta sobre o ventre,

descem

besta que se

para a praia das pai-

xões bestiaes, mas os que adoram ao Cordeiro, com Elie sobem ao monte da visão e da transfiguração.

Sião.

A

cidadella

tomada por David

(II

Sam. 5 7) :


247

em centro do culto de Jehovah Abrangeu depois o monte Moriah, 10-12).

e por elle transformada (II

Sam. 6

:

onde mais tarde se edificou o templo e frequentemente o nome é usado na Biblia para indicar a cidade de Jerusalém, Jerusalém

celestial

(II

Reis 19:21, Ps. 48,

(Heb.

etc.) e

a

12:22). E' «a sede do

reino messiânico».

Com

elle.

Conforme o grande almejo

d*ElIe (João

17:24).

Cento '7

:

4.

quarenta e quatro mil. Vide nota sobre

e

«Um

grande e perfeito numero.

Uma

multidão

cujo total é completo» (Plummer).

O

nome

d'elle e

de seu Pae. Tinham

penhor. São marcados para demonstrar a

tencem.

Os

um

duplo

quem per-

allucinados pela besta recebiam a marca

na testa e na mão.

Em

3: 12 a inscripção é dupla.

Receberam os ideaes divinos. Seu caracter transformado espelhava-se no rosto. A sua luz brilha no mundo. 2. Voz de muitas aguas. Era semelhante á voz de Christo (1:15). «Ao redor da morada dos santos ouvem-se vozes celestes, cheias de majestade, terribilidade e doçura, assimi como se mesclam os sons do mar e do trovão com a musica das harpas celestes. Lembramo-nos do Psalmo 29; ahi os santos, seguros em Sião, ouvem ao seu redor a voz de Deus no trovão e no mar, emquanto que no Seu Testas.

seguro sanctuario os santos podem cantar emi sua honra» (Carpenter). Trovão. Assim fallou Deus

em

Sinai.

Imponente


248

immensa multidão que cantava o novo

era a voz da cântico.

Como

de harpistas. Era a doce harmonia da união

na verdade. «O céu é o similes é

uma

lar

da musica.

Em

todos os

uma mensagem

voz e esta traz

á alma.

Majestade e doçura a caracterizam».

Novo

3.

Em 5:9

cântico.

as quatro creaturas

viventes e os vinte e quatro anciãos cantavam

um

novo em .louvor ao Cordeiro. Neste livro encontramos um novo nome, a nova Jerusalém, cânticos novos, um novo céu e uma nova terra o clímax» encontramol-o em 21 :5: «Eis que faço novas tocântico

:

das as cousas».

«A sua experiência, lagrimas, é a mãe do enten-

Ninguém podia apprender oriunda das labutas e

dimento» (Charles).

O

cântico celeste não se apprende

num meio dominado

pela zurraria do jazz ou a ga-

lhofa carnavalesca.

«Entre as vozearias mundanas

de Babylonia os homens não podem ouvir nem can-

com acerto a canção de Jehovah (Ps. 137:4); mas os remidos do Senhor (os comprados da terra), podem vir com jubilo para Sião (Isa. 51 11)» (Car-

tar

:

penter). 4.

Não

se

É claro que esta phraum conceito frequentemente

contaminaram,

se é figurativa e que segue

.

.

encontrado nas Escripturas Sagradas,

— que a

fide-

lidade a Jehovah é semelhante á verdadeira relação entre o marido e sua esposa no lar e que a idolatria

ou outro qualquer afastamento da vera religião é como o adultério (Vide Ps. 106:39, Jer. 3:9, Apoc.


249

1

9 7-8, :

etc. etc.)

Assim

S.

Paulo diz

:

«

.

.

.

vos despo-

sei com um só esposo, para vos apresentar a Christo como uma virgem pura». E' portanto esta «virgem

pura» que S. João vê na occasião das «bodas do Cordeiro».

Sabemos que

podem ser tomausadas em argumento a

as palavras não

das literalmente e assim ser favor do celibato, pois

Este numero, representativo de todos os sal-

1.

vos, naturalmente tanto haveria de incluir mulheres e

homens casados como os não casados.

2. Em logar algum encontramos na Biblia a ideia que o estado do matrimonio é inferior ao estado do celibato. Somente nas circumstancias especiaes de perseguição e de futuro incerto, encontramos o con-

selho de não estabelecer lares

O

3.

(I

Cor. cap. 7).

uma conceshomem e da mu-

matrimonio, tão longe de ser

são á carne, é o estado natural do

(Gen. 2:18-25); deve ser tratado por todos

lher

com honra

(Heb. 13:4);

foi

honrado por Christo na

occasião do seu primeiro milagre (João 2:3-11) e é declarado por elle indissolúvel (Mare. 10:9).

Paulo condemna aos que prohibem o casamento (I Tim. 4:3) e expressamente diz e repete 4.

S.

que nada ha de peccaminoso no casamento

(I

Cor.

cap. 7).

Se o casamento fosse considerado um estado naturalmente não seria usado como typo da união intima que existe entre a egreja e seu Senhor (Eph. 5:22-30, Apoc. 21 2 etc.) 5.

inferior,

:


250

6.

A

palavra grega traduzida «'contaminaram*,

quando usada figuradamente, sempre contem a

ideia

de peccado, e nenhures nas Escripturas existe indicio de tal

pensamento quanto ao casamento» (Beck-

with).

Virgens.

A

palavra grega applica-se aos

sexos. São virgens espirituaes,

dois

— não se contamina-

ram com o mal. «Este versículo, portanto, parece descrever aquelles que são isentos da impureza espiritual e infidelidade, os que não adoraram a besta e sua imagem» (Plummer). Elles não se prostituíram

indo após os seus idolos (Ezek. 6

«A

:

9).

significação de parthenos, virgens, tem de se

precisar pelas palavras

com que com

gada, *não se contaminaram vras que não se

podem

pois moluno, contaminar,

referir

directamente é

mulheres'

li-

— pala-

á copula conjugal,

quando empregada

figura-

damente, sempre contem a ideia de peccado, e nenhures nas Escripturas existe vestígio de

tal

pensa-

mento quanto ao matrimonio. A impureza ceremonial podia-se considerar como sendo o resultado do ajuntamento de 15: 18),

não

mas

um homem com uma

a palavra que a caracteriza, akarthos,

significa necessariamente peccado.

vras do adultério

mulher (Lev. Estas pala-

podem-se referir somente ao ou fornicação. As palavras que seguem,

vr. 4, portanto,

'porque são virgens', semelhantes a 'estão sem defeito',

vr. 5,

exprimem o caracter permanente dos

144.000 (a mudança para o tempo presente deve ser notada) e explanam como escaparam à pollução


251

não porque eram

Seguem o

mas porque são cas-

celibatários,

to3 no principio fixo

do caracter» (Beckwith).

Cordeiro.

Em resposta ao

convite d'Elle.

Nisto teem o seu maior gozo.

Onde quer que

Incondicionalmente.

vá.

Com

vontade é fazer a vontade d'Elle.

Elie

A

sua

sobem

ao monte da visão e descem para o valle do serviço em prol do próximo. O reino de Deus tem a prima-

em seus negócios, na maneira de crear os filhos em todas as relações da sua vida (cf. Mat. 20 28,

zia

e

:

Luc. 14:27, João 12:24-26).

Comprados. Não pertencem mais ao mundo, mas são remidos de toda a iniquidade e purificados por Christo para

si.

(Tito 2

14 e

:

I

Ped, 2

9).

:

Primicias. Elie nos gerou pela palavra da ver-

dade, para que de algum cias

modo tossemos

das Suas creaturas (Tiago

toda é as primicias de Deus

1

:

18).

as primi-

«A

egreja

quando ella se deita sobre o Seu altar, temos a promessa que virá a hora em que a creação seguirá nas Suas pisadas, quando 'será libertada do captiveiro da corrupção para a liberdade da gloria dos filhos de Deus' (Rom. 8:21)» ;

e

(Milligan). 5. Mentira.

Nenhum

mentiroso pode estar soce-

gado no reino da verdade. Quem se pode hospedar na tenda de Jehovah é somente aquelle que falia verdade no seu coração (Ps. 15

Sem

defeito.

Remidos

e

:

2; cf.

da natureza de seu Senhor. «Sede

como vosso Pae

21

:

santificados,

27 e 22:15). participam

vós, pois, perfeitos,

celestial é perfeito»

(Mat. 5 48). :


252

«Quanto apartado

do occidente, tanto Elie tem

dista o oriente

de

nós

nossas transgressões»

as

(Ps.

103: 1-12). As quatro qualidades acima enumeradas constituem esta perfeição,

— pureza

na sua vida, a

adoração somente de Jehovah; obediência absoluta; separação do mundo e amor supremo á Verdade. 6.

Vi outro anjo. Tres anjos agora

sahem com

empolgantes mensagens. Meio do céu. A expressão nos relembra os meos aeroplanos thodos modernos de publicidade,

escrevendo com

distribuindo folhetos ou

imprensa, o radio.

A

.

.

á tona da nossa consciência historia e

fumo, a

verdade infallivelmente virá ;

manifestar-se-lia na

na experiência.

Evangelho. Boas novas. Annuncia-se que a hora

do juizo chegou. Acabou-se o dominio do dragão e das bestas dcs caps. 12 e 13. Eterno. Immutavel, valido por toda a eternidade.

Habitantes da

terra. Literalmente, «os que se assentam na terra» em indifferença e descuido, assim

como

em

a prostituta

17:

1.

Parece que é annuncio

de juizo e não offerecimento de salvação.

Toda a nação universalidade.

O

Mais um caso do quatro da amor de Deus se estende a todos .

.

(Mat. 24: 14) e da jeição

d'esse

.

mesma forma o Seu

amor importa na

juizo.

rejeição

do

A

re-

rejei-

tador. 7.

Alta voz. «Caracteristica de todas as falias celes-

tes» (Plummer).

Em

10: 7 diz-se que

foi

aos prophetas; aqui é proclamado ao

proclamado

mundo

todo.


253

Actualmente está sendo annunciado como nunca no passado.

Temei a Deus. E não à besta. Nada se diz na quanto ao nosso credo ou á egreja a que pertencemos. As exigências evangélicas são admiravelmente simples e apresentam forte contraste com os accrescimos humanos. Dae-lhe gloria. Em vez de adorar a besta. Assim os homens, tomados de terror, fizeram em 11:13. ultima grande hora,

E

chegada a hora... João Baptista disse: «O

machado

O

já está

céu

e

posto á raiz das arvores».

a terra...

Esta

quadrupla formula

abrange a natureza toda. Os juizos das trombetas cahiram sobre os quatro e hão de ser de novo ata-

cados nas pragas das taças. 8.

Segando

mensagem do

anjo. Este continua e

desenvolve a

primeiro.

Cahiu, cahia.

A

repetição é impressiva

(cf. Isa.

21 :9, Jer, 51 :8,). Realmente a cidade não cae até

chegarmos ao cap. 18, porem aquelle que se entrega a fazer o mal já cahiu, a sua ruina já se realizou. «Aqui, como nas passagens do V. T., o verbo no tempo passado é prophetico» (Beckwith). Babylonia. «Um typo do poder mundial que persegue a egreja» (Plummer). No tempo de João este era Roma. Babylonia representa o mundo; Jerusalém» a egreja de Deus. O mesmo Evangelho que aos sellados traz eterno gozo, traz aos habitantes da Babylonia o eterno ai. «Os princípios do Evangelho de Christo teem de minar o poder mundano a queda ;


254

de algum principio babylonico

seguido

uma

quasi sempre tem

era de revivificação espiritual.

A Roma

pagã cae perante o Evangelho. A liberdade civil segue na pista da liberdade religiosa... a Roma papal

frequentemente foi a Babylonia para uma edade "subsequente (cf. 16:19 e cap. 17)» (Carpenter).

Deu a

Sendo assim

beber.

tanto maior

(cf.

a sua responsabilidade

Mare. 9:42).

Esta é uma expressão peculiar, que encerra uma figura dupla. Diz Moffat: «Duas !. O vinho da sua coisas são aqui entremeadas: fornicação, do qual todas as nações teem bebido 2. O vinho da ira de Deus, que Elie lhe (17:2) e

Vinho da

ira.

.

.

dará a beber

(v.

10 e cap. 16:19).

O

ultimo é a

do primeiro; o primeiro se transforma no ultimo; são considerados como sendo uma só coisa». A impureza é figura de apostasia da verdade (vide retribuição

nota sobre v. 4). 9.

Terceiro anjo. Este annuncia o pavoroso cas-

tigo dos adeptos da besta (vide 13:8-17).

A responsabilidade pessoal Se alguém adora. sempre se salienta. 10. Beberá. Terá que receber no seu intimo o resultado do seu peccado. A psychologia moderna nos indica algo a respeito de como isso se dá. (cf. Hos. 5: 10, Ps. 75:8 e Isa. 30:33, etc). .

Sem

mistura.

Não

.

diluido pelo esquecimento ou

pelas diversões, o álcool ou a cocaína.

gará

os

fogos

do

Nada apa-

remorso durante a eternidade.


255

«Pois o juizo é sem misericórdia para aquelle que

não tem usado de misericórdia» (Tiago 2: 13). Cálix da sua cólera. Metaphora forte. Contrasta com o cálix da vontade divina (Mat. 26 39). :

Fogo tigo

e enxofre. Estes

são instrumentos de cas-

frequentemente encontrados na Biblia. Assim

foram destruidas Sodoma e Gomorraii (Gen. 19: 24; vide também Isa. 34:9, Apoc. 19:20 etc). figura que representa o tormento espiritual de aquel-

que rejeitam a sabedoria e o amor de Deus. «O pleito da força (13: 12), não os desculpará (cf. Mat. 10:28)» (Moffat). Deante dos santos anjos. O seu tormento se intensificará ao lembrarem-se que os mensageiros de ies

Deus os avisaram. EUes tinham Moysés

e os pro-

phetas (Luc. 16:29).

Deante do Cordeiro. Sobre todas as cousas terão si e lembrança do amor de Aquelle que se deu a si próprio por elles. Sem duvida os seus

deante de

sentimentos são semelhantes aos de Judas, quando lhe penetrou o espirito o

demos por

escolha, mais

que tinha feito. O que peraugmenta a amargura do

remorso.

11.0 fumo besta e á sua dia

nem de

do seu tormento. Esta expressão foro grau da sua angustia. «Adorae á

tíssima indica

imagem noite,

e

não

e se a

tereis

repouso,

nem de

vossa rebeldia continuar

para sempre, assim será o fumo do vosso tormento,

vosso remorso e angustia. Não podeis servir a Deus e ás riquezas e

nem que

isso leve

uma

eternidade, te-


256

de aprender aquella lição». (Wilson)

reis

(cf.

Apoc.

19:3). Pelos séculos

«Se a arvore cahir para o sul ou no logar em que cahir, ahi ficará» (Eccl. 11:3). A Bíblia não dá esperança alguma de uma mudança depois da morte. Pharaó endureceu o seu coração e depois o próprio Deus o endureceu. A alma que rejei a a luz sae para a sua morada natural (cf. Luc. 16:26, Mare. 9:44 e João para on

.

.

orte,

3:19).

Não

teem repouso. «Repouso não encontraremos repousarmos em Ti». O mundo tão pouco pode dar como tirar a paz christã. até

Que adoram a

— —

com Se qualquer homem, o Evangelho prégado e a Babylonia cahida ainda adora esta besta e a sua imagem, se ainda vive para besta.

o dinheiro e o prestigio

se ainda permitte

social,

que elle próprio seja sellado ou marcado na mão ou na testa, se elle fizer nos negócios aquillo que cauteriza a sua alma ou degrada o pensar ou o ha-

bito—então aquelle mesmo homem...

inevitável-

mente soffrerá» (Wilson). Terrível é o seu destino,

mas

facílimo é evitar tal desgraça.

12. Aqui está a perseverança. tra pela fidelidade

13:10

e

.

.

Ella se

demons-

na sua resistência ao dragão

18; também 12:

(cf.

17).

13. Voz do céu. Esta sae dos eternos conselhos

de Deus. Anjos annunciam a sentença condemnatomas a voz celeste pronuncia a bemaventurança. Assim no vr. 14 o Filho do Homem ceifa os bons

ria,


257

mas a vindima, que julgamos por

um

Escreve,

Esta importantíssima mensagem deve para nunca se esquecer e para ser

registada

ser

transmittida

19:9

ser os maus, faz-se

anjo, v. 17.

e 21

:

gerações de todos os séculos

ás

(cf.

5).

Bemaventurados. Que constraste com os que desfallecem no tormento

!

Ha

sete bemaventuranças

no

livro.

O

Evangelho veio completamente transformar a ideia da morte. Desde a revelação de Christo ella é a porta que abre para a vida de eterna felicidade. O ultimo inimigo já foi vencido. «Hoje «Adeus estarás comigo no paraiso». O epitaphio é completamente estranho aos círpara sempre» Mortos.,.

culos christãos.

Morrem no Senhor, Elie,

Espiritualmente

— «nos seus braços».

ligados a

Sim, diz o Espirito. Este confirma e explana a

bemaventurança.

O

Espirito fallando

no seu intimo

confirma para o Vidente a voz celeste. Esta mensa-

gem empolgante

enleva o espirito humano

esperança eterna e

com

a

immorredoura.

Para que descansem. Os impios não encontram repouso. Saul rito

foi

reprehendido por invocar o espi-

de Samuel e recebeu

uma mensagem de

des-

Sam. 28:15). João, querendo saber do mundo invisível, não consultou aos médiuns espiritistas que «chilram e murmuram», mas sim ao seu Deus, conforme indica Isaias (8 19,) que accrescenta graça

(I

:

17


258

«acaso

a

dos

favor

vivos

consultará

aos

mor-

tos ?»

Trabalhos.

A

palavra grega «encerra

em

si

a

que é penoso, e aqui se usa com referencia aos soff ri mentos e ás perseguições dos santos» (Beckwith). A Biblia, em logar algum nos apresenta a monotonia da inactividade, como sendo o descanso eterno. Suas obras. Estas são a evidencia do seu amor ideia d'aquillo

e fé. Os que se venderam para fazer o mal teem o desgosto de contemplar a sua vida desperdiçada.

Os bons gozam

a satisfação de ter empregado a

vida na produção de algum valor permanente.

O

obreiro morre, mas a obra boa lhe serve de monumento perpetuo. «João arrevesa o pessimismo de Marco Antonio. O mal que os homens fazem é quebrado como foi a Babylonia e queima-se a fogo, mas o bem, tão longe de ser enterrado com os seus ossos, persiste para sempre» (Wilson).

A Ceifa e a Vindima Por estas duas figuras familiares representa-se em poucas palavras, o desenlace do drama cujos detalhes serão. suppridos nos capíantecipadamente,

tulos seguintes.

Nuvem

14. 1

:9 e

Apoc.

1

:

11) e

7, etc.)

branca.

Uma nuvem

numa nuvem

o recebeu (Act.

voltará (Mat. 24:30,


259

Com

Sentado.

autoridade para julgar

(cf.

5

:

7 e

Act. 17:31).

Semelhante a filho de homem.

A

expressão ori-

em Dan. 7: 13. João a usa somente aqui e em 1:13. Fomos feitos á imagem de Deus, portanto ginou-se

o perfeito Filho ha de ser semelhante a nós, porem

sem macula de peccado (cf. João 5 27). Coroa de ouro. Os homens lhe deram coroa de espinhos. Esta é a coroa de victoria, como indica o :

grego, que Elie ganhou e que nos promette a nós

(2:10). Foice afiada.

Como «Senhor da

seara»

(Mat

9 38)' vem para buscar os Seus (João 14:3). Um por um, Elie nos corta, mas a foice é aguda e a mão :

que a maneja se feriu para a nossa salvação. Elie corta sómente quando a seara está «branca» os nossos trabalhos acabados, o fructo formado, a haste secca, sem seiva, sem sensibilidade... «Por este modo temos de O acceitar, nem sempre como Christo Scientista, o Medico maravilhoso, mas como Christo o Ceifeiro. Não basta confiar n'Elle quando nos cura. Ainda que nos tire a vida devemos confiar n'Elle. A morte é melhor que a corrupção, e foi desejo de S. Paulo entrar no porto como um na-

.

.

.

vio

com

.

todas as velas desfraldadas, a toda a força

de panno. Emquanto a haste pode murchar se pode reduzir a pó

— o grão

sobrevive,

e

— certo dentro

do grão ha vida eterna». 15. Outro anjo. Este é coordenado com os dos vers. 6, 8 e 9.


260

Do

Do

sanctuaria.

legar santíssimo, que repre-

sentava a habitação de Deus

portanto elle vem anplanos Íntimos que eram vedados ao próprio Filho (Mare. 13:32).

nunciar

Alta voz.

A mensagem

gem do Pae ao pode

;

os

é imponente. E* a

Filho, pois este de si

mensa-

m.esmo nada

fazer (João 5: 19).

i4 terra foi ceifada. Jesus vem colher o fructo da sua obra salvadora. E' possível que a Seara in-

16.

clua os

maus

junto

com os

bons,

como em Mat-

13:30, mas preferimos pensar que na vindima se refere mais particularmente áquelles.

Outro anjo. Este sahe do sanctuario, não

17.

como mensageiro, mas como agente da vina. Semelhante ao Filho, traz uma foice

Do

Do

justiça di-

afiada.

clamavam os martyres pedindo julgamento o de Deus sobre os (6:9-10) d*este mundo; do altar se lançou sobre a terra o 18.

altar.

altar

fogo que introduziu os castigos das sete trombetas (8

:

5).

Este anjo tinha poder sobre o fogo o qual é

continuamente associado com o juízo. Vindima. Salienta-se aqui o aspecto condemnatorio

do fim do mundo.

A

alegria da colheita se su-

bordina á scena do lagar, onde os pés e os vestidos

dos homens se tingem com o «sangue das uvas» (Gen. 49: 11). A colheita é pisada no «grande lagar

da (cf.

ira

de Deus».

A

figura originou-se

em

Joel 3: 13

65:8, etc). 05 cachos. Aqui de novo ha suggestão da resIsa.

ponsabilidade individual.


261

Bem

maduras.

O

mal ao chegar ao seu auge não

será mais tolerado no universo.

As tabernas nos Estados Unidos, tornando-se verdadeiros antros de vicio e politicagem, chegaram a ser insupportáveis e foram banidas.

Assim a socie-

dade mais tarde ha de accordar e extirpar tudo que

homem.

destroe o

19.

Vindimou a

Não somente

os cachos no lagar da ira. Os cárceres sequestram os criminosos, mas a educação christã destroe a videira que produz os maus fructos. 20. Fora da cidade, Alli se faziam os sacrifícios

mas

pelo

videira.

até a própria videira é lançada

peccado,

alli

se

executavam os reus

Christo foi crucificado (Heb. final

13:12).

«Um

e

alli

ataque

povo de Deus pelas forças unidas dos

contra o

seus inimigos, e a derrota d'estes, são as predicções

communs das

escripturas apocalypticas, e este acon-

tecimento é considerado

como

realizando-se perto

de Jerusalém» (Beckwith).

Sangue. até aos freios dos cavallos. Estes talvez sejam os de 19: 14. E' uma carnificina incrível. .

Charles cita Enoch cap. 3: «E os cavallos andarão

no sangue dos peccadores, e o carro será submerso até ao lado de cima». O coração do Pae não deixa de se commover quando os seus filhos O esquecem desprezam-se e opprimem-se uns aos outros apoderam-se de mais que a cota parte pessoal dos Seus bons dons e transformam a Sua vinha no álcool de concupiscência e avareza até aos peitos

e paixão

.

.


2d2

«Militas vezes o

lhante

mundo tem

esmaj^amento das

testetmmhailo seme-

ri()iiezas e

extravaí<ancía,

pela consciência dacommunidade. Aconteceu no Paris revolucionário e mais cratas,

uma vez

na Rússia.

Os

aristo-

naquellas terras, não teriam dilticuldadc ao

imagens tremendas de levantamento conheciam assaz o (jue significa aquclla

interpretar estas social. Elles

de mil e seiscentos estádios (juadrados, no meio da qual jazia a cidade do terror. Biles soube-

area

ratn

que alvoroço havia para arranjar cavallos

para qualquer vehiculo

pelo qual o fugitivi; pu-

desse escapar para a segurança do exílio alem. Escapar do lagar-

este íoi o único f)ensamento— porem quão poucos escaparam! Quando a guilhotina estava tfio occupada como os escjuadrões de fuzileiros,

cavallos

morte agarrou os pro))rios Ireíos dos

a

e

mesmo sangue

o

tornou iinpos-jvfl o

êxodo.

«A sociedade

-

af)render que nâo

polida, culta, cynica

ha escapatoií

de

tinh;!

mu tabi-

!

m' lieíro Não podeis tnand; ou chauffeur levar-vos alem das hont( ira'; da vo- -a iii;im' obrigação a Deus e aOS homens. Quando r)f;) rju;, /< // levanta ao redor de VÓS, os í)ii;!r'

lidade moral.

;i

.

-,

não se podem

renta estádios

os

vossos

ÇÍiO

não

ramado,

— Elie mo

—a

••Mf/nr-

f"-'''-V íj

;

cavallos á vontade

.

mesmo

vós fostes

.

.

.

>.

vo

límir/'-

lançado fora da cídaH sofíreu

alem

i

/(/

iifri;,

d;i'

i

,

rjí-f

-

(juc

tiin

sim co-

\>'>\\:r.-

c

ua


2Ô3

Sua

ciLiz

poderíeis ter achado a vossa segurança»

(Wilson).

Mil e seiscentos estádios. Não se sabe bem o porquê d'este numero. E' o quadrado de quatro, o numero da terra, multiplicado por cem e portanto suggere a universalidade do juizo.


CAPITULO XV

As 1.

mas

ultimas pragas

:

Os Vencedores

Outro signal. Apresentam-se os sete anjos,

antes de elles cumprirem o seu papel de justi-

çar os maus, intervém

uma

visão da segurança dos

que venceram a besta. Esta visão nos lembra as visões demonstrando a segurança do povo de Deus, como foi indicado nos cap. 7 e 14: 1-5. Grande.

Como em

O

12:1.

movimento

é

mais

rápido agora; as pragas mais intensas.

mas as

Sete anjos. Estes se apresentam aqui,

pragas que

elles

teem não se derramam

da visão de paz e gloria vê sahir do sanctuario.

celestes.

Em

até

vr. 5,

depois

João os

Ultimas pragas. Esta serie completa as tres series principaes

— os

sellos, as

trombetas e as taças,

que representam por estas formas diversas o desenvolvimento do drama espiritual do conflicto entre o

bem

e o mal.

Ao terminarem

as pragas realiza-se a

ruina completa da Babylonia, a victoria

consummada

de Christo sobre o Dragão e seus adeptos, e o juizo

que precede o estabelecimento da nova Jerusaconsummada a ira de Deus. 2. Mar de vidro. Este suggere a paz celeste. E'

final

lém. Nellas é

fundo, calmo, limpido.

Nada ha para

ser encoberto.


265

Contraste-se

com

as muitas aguas

em que

a Baby-

lonia assenta.

Misturado de fogo. «A sinceridade diaphana da resplandece com um enthusiasmo calo-

fé primitiva

roso» (Wilson).

O

mar sereno

reflecte perfeitamente

as glorias que estão por cima d'elle.

Os que venceram. Podiam succumbir á maior 15), mas espiritualmente foram victoriosos. .

força (13

.

:

Apesar da perseguição formidável, viviam conforme as suas convicções, guardaram a fé, preservaram a integridade da sua alma. Em pé. A scena é semelhante á do mar vermelho, quando as hostes de Pharaó foram derrotadas sob as ondas. Sobre o mar. No mesmo nivel todos os montes ;

de privilegio removidos, todas as ilhas de separação desapparecidas.

Harpas de Deus. «S. João sabe que a melodia mais nobre aos ouvidos de Deus é a nobre vida de

O poder de tal vida reside não em si própria (João 15:5, Gal. 2:20) e a musica de tal vida é a musica que Deus produz (II Cor. 4:7-10) obtendo os tons mais doces das cordas que forem feridas com dor e tristeza; e assim como a sua musica de vida é ensinada por Deus, da mesma maneira o seu cântico triumphal não soa da sua própria harpa mas sim da harpa de Deus»

fé,

soffrimento e amor.

em Deus

e

(Carpenter). 3. Cântico de

principal

do V.

Moysés.

T.,

.

.

Este varão é a figura

emquanto Christo

é a principal


2b6

do N. T. Moysés representa a primento

d'ella.

O

aspecto

presenta o

e Christo o

lei,

cântico é imo. sacrificial

O

cum-

«Cordeiro» re-

da sua missão. Os

dois são os grandes libertadores

(cf.

Ex. cap. 15 e

Gal. 5:1).

«Os hymnos se compõem de dizeres do V. T.» (cf. Ps. 111:2,92:5, 139: 14, 1 Chron. 16:9 etc). Grandes

e maravilhosas.

Tuas obras, ó Senhor.

O

triumpho é attribuido

a Deus. Elie é o Senhor de tudo que existe; Elie é

o Todo-Poderoso. Por Elie os vencedores fizeram o que humanamente era impossível. Justos e verdadeiros.

Nada ha de

duvidosos na obra de Deus

(cf.

astúcia ou meios

Deut.

32:4

e 41,

Ps. 145:17).

Rei das nações. E' o soberano universal.

pressão é de

Jer.

Quem não

10:

A

ex-

7.

temerá? Realmente só os que não O conhecem. «O temor do Senhor é a sabedoria» (Job 28 28). Pois só tu és santo. Esta é a base do reconhecimento universal. Todos os demais seres no universo são imperfeitos e portanto indignos de adoração e 4.

te

:

mesmo

|de

111:9,

etc).

autoridade

illimitada

(cf.

Ps.

99:3

e

Todas as nações virão. Virá o dia em que a humanidade abrirá o seu entendimento, de maneira que comprehenda a vera natureza dos juizos de Deus e abandonará os então prostrar-se ha deante d'Elle,

seus Ídolos mesquinhos

(cf.

1

Cor. 13: 12).


267

5.

Depois

Depois da visão do choro

d'ísto olhei.

dos vencedores, volta-se para a visão dos sete an-

com

jos

as sete pragas.

Abria-se o sanctiiario. Este logar santissimo re-

presentava a

habitação de Deus.

A

sua abertura

suggere a revelação dos seus mysterios. Rasgou-se

o veu, na morte de Jesus. Tabernáculo do frequente no V. T.

testemunho.

O

Esta

expressão é

tabernáculo testemunhava a

presença de Deus no acampamento do deserto. Ahi se depositava a arca (Ex. 25: 16).

No ceu. Tudo foi feito por Moysés conforme o modelo que Jehovah lhe mostrou. 6. Sahiram do sanctuario. Em procissão imponente. Vinham revelar os eternos conselhos do infinito

Deus.

Linho puro. São «creaturas magnificentes» ornadas de ouro e de luz resplandecente, assemelhan-

do-se com Christo (1:13) e saem para executar os «Do templo rejeitado veem os anjos

juizos divinos.

da

ira

é

;

sempre verdade que das misericórdias

jeitadas se forjam

as pragas

re-

mais penosas» (Car-

penter). 7.

Uma

das quatro ..

.

(Vide nota sobre 4:6).

emblema apropriado que um representante da

E'

natureza apresente as taças a estes anjos, pois a natureza vinga-se por cada

lei

quebrada.

A

lei

real-

mente não se quebra, mas o transgressor quebra-se a

si

próprio.

Taças. São «tigellas razas ou pires, não exha-


268

Iam fumo (como o thuribulo de 8:4) grato a Deus estão cheias de vinho venenoso, quente, amargo, emquanto o fumo se derrama da majestade divina, cuja santidade intensa irrompe contra o peccado humano. Os fogos fumegantes da indignação estão agora prestes a irromper para o castigo, sahindo do arsenal da ira. Portanto, até se acabarem as pragas,

a presença de

A

Deus

fonna da taça

é-lhe insupportavel» (Moffat).

é tal

que o seu conteúdo se pode

derramar subitamente.

De ceu

ouro. Metal apropriado para os utensílios

do

as taças para o incenso, 5 8, etc.) Vive pelos séculos ... contraste com o pec(cf.

:

Em

cado que Elie destroe. 8. Fumo da gloria. Este encheu o tabernáculo (Ex. 40 35) e o templo, ao serem dedicados. Isaias viu phenomeno semelhante (Isa. 6:4) e o monte :

Sinai assim manifestou a presença divina (Ex. 19: 18).

Ninguém podia

entrar.

.

«Até se cumprirem as

pragas, ninguém podia desviar pela oração a

triste

cahir sobre a terra por

meio

sorte

que estava para

d'estas pragas» (Charles).


CAPITULO XVI

O derramamento das sete taças 1

.

Grande

voz. E*

Deus mesmo que

falia.

Seme-

lhantes ao ceifeiro e ao vindimador do cap, 14, os

anjos

esperam o signal antes de cumprir a sua

missão. Sete taças. Semelhante ás outras series de sete, esta é repartida tres.

O

sobre a

em um grupo de quatro e outro de como no caso das trombetas, cahe o mar, as aguas doces e o sol. As

primeiro, terra,

pragas agora affectam a totalidade, emquanto que

no caso das trombetas apenas a terça parte soffreu. 2. Chaga. Esta representa as doenças causadas pelo peccado. E' semelhante também á sexta praga do Egypto (Ex. 9:10). Alguns suggerem que seja a ulcera do remorso. Na primeira trombeta é a vegetação que soffre, mas aqui ella recae directamente sobre o homem. Cruel.

em

.

E' semelhante ao cálix da cólera divina

.

14:10-11.

Marca da

besta.

Somente os maus soffrem. En-

tende-se que todas as pragas cahiram sobre os maus

somente. Os bons encontram-se sobre o mar de vidro (15:2). As ulceras da alma se manifestam e a

malignidade se intensifica á luz da eternidade.

Os


270

são separados e nada resta agora para conser-

fieis

var a sociedade humana.

Pela

falta

dos justos a

como aconteceu no caso de So-

ruina apressa-se,

doma (Gen. 18:23-33). O

sal

da

terra retirou-se

da

massa.

O

3.

mar

tornoa-se

em sangue.

O

mar deu

ori-

gem

á primeira besta (13:

tuta

(17:1) e representa os indómitos impulsos e

1),

é

a sede da prosti-

paixões humanas. E' o mar que ha de desapparecer (21

:

Esta é semelhante á primeira praga do

1).

Egypto.

Como

um

de

morto. Coagulado,

putrefacto,

no-

do desfecho do mal. absintho os tornou amar-

jento, mortífero. E' figura forte 4.

Rios

e.

.

.

fontes.

gosos, ao soar a

O

terceira

trombeta.

As praxes

e

ideaes da sociedade se reflectem na vida das crean-

ças

a maré leva a sua pollução

:

até aos

arroios

e

As iniquidades dos paes recaem sobre os Os rios e fondevem alimentar a vida, mas aqui são envenena-

fontes.

filhos até à terceira e quarta geração.

tes

dos

e

corrompidos,

— representam

«a imprensa cor-

rompida, a literatura decadente, a arte pervertida» (Wilson). 5.

O

anjo das aguas. Neste livro os anjos são

encarregados fogo,

de vários elementos como sejam o

penter). critica tiça

etc. «As Deus» (Carsymbolo da

os ventos, as orações dos santos,

forças da natureza são mensageiros de

O

anjo das aguas c perfeito

do castigo

;

que admitte a jusque o responsável não é Deus mas

e

literária

dramática


271

homem

sim o

(Wilson).

A

posta do altar constituem

anjo e a res-

falia d'este

um

parenthese entre a ter-

ceira e a quarta praga.

Que

és e que eras.

Toda

a historia é unificada na

presença do eterno Deus. N'Elle o passado é ligado

com o de

presente.

«As palavras addicionaes 'que has em 1:4, 8 e 4:8 são ommit-

encontradas

vir'

porque se antecipa agora o fim, como sendo tão perto que se pode pensar em Deus como

tidas aqui,

vindo» (Beckwith). Pois derramaram sangue. Por curiosa e

6.

terrí-

os que derramaram o sangue dos

vel retribuição,

santos são obrigados a beber sangue. perfeitamente relacionado

com

O

castigo é

a offensa.

E'

facto

que a transgressão traz o seu próprio castigo. Quem lança mão da espada pela espada morrerá. «A medida com que medirdes ser-vos-ha applicada a vós» (cf. Luc. 11

:

O

50-51).

João ouve a falia do do qual estavam aquelles cuja morte 7.

altar.

á justiça (6:9). anjo.

altar, foi

um

debaixo ultrage

Este altar confirma a opinião do

Vingou-se agora o sangue innocente que se

derramou. Sobre o

altar

se offereciam

as orações

dos santos (8:3); d'elle sahiu o fogo do juizo (8 5), a voz que mandou soltar os quatro ventos (9: 13), :

e o anjo que tinha poder sobre o fogo (14: 18). fim "a justiça

de Deus

se

reconhecerá

Por

universal-

mente. 8.

Sobre o

çãos materiaes.

sol.

Elie é fonte

principal das bên-


272

Queimar.

Em

vez de aquecer e revigorar.

A

bên-

ção de que se abusa transforma-se em maldição. Christo,

como o

O

a nós. Se

A

sol na sua força (1

rejeitarmos,

:

lô) se offerece

a alternativa é tristíssima.

sciencia degrada-se para a destruição das vidas

na guerra

;

o amor puro, deturpado na lascívia, gera

«Não somente as dadivas

moléstias asquerosas...

e influencias amenas, que, semelhantes ás correntes

de agua, sendo

feitas

se tornam corruptas;

para alegrar os homens comtudo

mas

a própria fonte de luz e

conhecimento se transforma num poder para destruir» (Carpenter).

Blasphemaram. Ao coração empedernido, o soffrimento traz maior condemnação (cf. 9:21, 16:11 e 21, também Ex. 8:32 etc.) O soffrimento do Filho de Deus o attrae cada vez para mais perto do seu 9.

coração de amor, mas o impio accrescenta aos hor-

da experiência, nos resultados da sua vida da blasphemia. Contrastar os dois ladrões na cruz. A agonia evocou em Jesus a mais terna petição de perdão pelos algozes, O ouro purifica-se no fogo a esco-

rores

transgressora, a formidável amargura

;

ria

se reduz a massa disforme e

10. Sobre o throno da besta.

inútil.

O

seu poder e a

sua autoridade são assim extinctos, como

um

vul-

cão morto ou uma estrella apagada. Carpenter descreve a sua decandencia «Primeiro a doença moral nos indivíduos a seguir uma corrupção da morali:

;

dade nacional, que se estende até ás ordens supevem então o feroz orgulho de riores da sociedade ;


273

jactanciosa luz que queima.

Onde

sorganização não está distante

homicida e volta para casa

;

isto existe, a

de-

o mal sahe como

A

feito suicida.

retribui-

ção recae sobre o seu autor; o throno do poder mundano, a própria cabeça e centro da sua autoridade, é ferido» (Carpenter).

Mergulhado em trevas. A luz lhe foi retirada. Assim, no reino de Pharaó (Ex. 10:21-23). Quem rejeita o Sol da justiça habita as trevas exteriores "

(Mal. 22:13, etc.)

As

civilizações

sem

Christo de-

O

seu tormento

sapparecem.

Mordiam de dor as suas

línguas.

augmenta com as trevas (vide nota sobre 14:10). «Roma, a Rússia e grande parte da Europa, teem sabido o que quer dizer morder a língua em agonia de dissolução sociah (Wilson). 11. Nào se arrependeram. E' o amor de Deus que quebranta o coração do peccador. O castigo apenas o endurece. «Continuaram a amar o que Deus odeia e a odiar o que Deus ama» (Car-

penter).

12. Euphrates. Este rio representa os limites dos

paizes da terra (vide nota sobre 9: 14).

Seccaram-se as suas aguas. Foi caminho, como se fez no

isto

Mar Vermelho

para abrir e

no Jor-

dão. Cyro tomou Babylonia pelo desvio das aguas

do Euphrates.

No

cap. 9: 14 a cavallaria hedionda

estava presa junto ao rio Euphrates. Significa-se

aqui o pleno commercio entre as nações e que,

uma

vez que não sejam christianizadas, este estreitamento 18


274

de relações importa

em

dar occasião a conflictos

mundiaes. Reis vindos do oriente, Milligan pensa que estes

representam os remanescentes do povo de Deus, que voltam do captiveiro (cf. Isa. 11 15-16), e que :

devem

dos «reis do mundo» do vr. 14. Preferimos pensar, porém, que o Euphrates representa a barreira dos inimigos do povo de Deus, que costumavam vir do oriente, os assyrios e ba-

se

bylonios

distinguir

no tempo de João,

e,

ameaçavam

O

invadir o paiz.

rio

os

parthos,

que

seccou e as hor-

das vieram. Pode symbolizar a barreira de opinião publica que restringe o mal, e que esta barreira será removida.

«Pode

vir

um

tempo, depois de se-

rem ensinados princípios falsos, tolerados costumes corrompidos e a luz de cousas melhores obscurecida, em que o sentimento publico perca toda a da vergonha, e os decoros da vida, que serviram de dique contra a maré do affrontoso mal, sejam arrombados. Então o Euphrates se secca sensibilidade

do mal, desenfreadas em absopela consciência popuousadamente e invadem todo o lar, atravessam solo sagrado da vida humana» (Carpenter). Quando o sal é removido da terra, a corrupção lavra ràpie as inimigas forças

luto,

sem serem impedidas

damente. 13. Díi bocca.

Da bocca de

Christo sahia a es-

pada de dois gumes (1 16). Aqui se representa a propaganda ou as influencias que impelliram os reis ao levantamento. :


275

Do

dragão.

.

A

.

trindade do mal, dos capítulos

12 e 13, é responsável pelo movimento. Conta-se a

obra dos trez sem de novo nol-os apresentar. Espíritos immundos. Imitando os discípulos en-

viados por Jesus, assim sahem

em missão

Correspondem á sabedoria mundana que

universal. é «terrena,

animal e diabólica» (Tiago 3: 15). «Estes espíritos

congregam todos os poderes mundanos para a guerra do grande dia do Omnipotente. O dia que porá á prova o poder do mal, conluiado, o dia que, começando em orgulho temerário, acabará em derrota amarga. Para esta os espíritos maus engodam seus sequazes, assim como os prophetas falsos engodaram a Achab para o seu destroço em Ramath-Gilead (I Reis 22:20). O iniquo tem no seu coração um .

.

oráculo de transgressão

(Ps.

36:1-4)»

(Carpen-

ter).

Rãs. Estas

agentes do mal.

na antiguidade eram

A

actual

propaganda

consideradas militarista

de

desconfiança suggere o seu coaxar. As rãs nos lem-

bram da segunda praga do Egypto. 14. Milagres. Produzem gazes venenosos, raios diabólicos por esta forma promettem victoria certa. Teem poder como a segunda besta (13: 13 seq.) Reis. «Estes reis do mundo todo, são idênticos aos mencionados em 17:12-14, onde se lhes dá o numero symbolico de dez e onde a sua funcção na guerra contra o Cordeiro é a mesma que se descreve aqui. O que aqui se descreve é apenas a .

.

.

.

.

preparação para a grande batalha (19:11 seq.)»


276

(Beckwith).

Em

17:17

é

Deus que os

em com a

unifica

lealdade á besta. Isso Elie faz, de accordo

natureza pervertida d'elles, por meio dos espíritos

mentirosos a

quem costumam obedecer

à maneira

de Acliab. 15. Venho como ladrão. Esta é a expressão de

aviso (cf.

que frequentemente encontramos no N. T.

3:3, Luc. 12:39,

gração Europeia

foi

II

Ped. 3: 10

etc.)

A

Confla-

uma surpreza para o mundo.

Apesar das repetidas admoestações de Jesus, ha ainda quem nesciamente gasta seu tempo em calcular quando deve vir o Filho do Homem. Bemaventurado. E' esta a terceira bemaventurança do livro. O autor sempre volta ao thema principal do livro, a victoria e a segurança dos filhos de Deus, e isso elle o faz sempre ao descrever uma scena especialmente horrorosa, indicando os tormentos e as derrotas dos impios. Vigia. Para não ser surprehendido pela tentação (Mare. 14:38, etc); diligente no serviço do Mestre; vigilante em aproveitar todos os meios para apressar a sua vinda. Viver de tal maneira que a morte ou o fim do mundo será simplesmente passagem natural para a vida dilatada da eternidade (cf. 3:2, Mat. 26:41, etc.) Guarda as suas vestes. Téndo-as á mão, promptas para a viagem (Ex. 12: 11). «A preguiça ou o prazer

podem aconselhar o relaxamento, tentando o

vigiador a pôr de lado os seus vestidos, a descansar e dormir» (Carpenter).

Pode

incluir

também

a ideia


277

de conservar os vestidos sem macula, manter a integridade do seu caracter de christão.

Har-Magedon. Encontramos este nome somente aqui e embora o autor nos diga que é hebraico, não dá a sua significação. Portanto inclinamo-nos a pensar que é nome mystico ou typico, inventado 16.

para indicar o logar do encontro espiritual da ultima batalha do mal e do bem. Provavelmente o

nome

monte de Magedon. Magedon era o campo de batalha onde cahiram Sisera (Juizes 5:19), Josias (11 Reis 23:29) e Ahaziah (II Reis 9:27). Era tradição que o conflicto final havia de se realizar «sobre os montes de Israel» (Ezek. 38:8 e 21) no valle de Jehoshaphat Qoel 3 2) e perto de Jerusalém (Zach. 14:2 seq.) Har-Magedon é o campo de batalha em que actualmente se peleja sobre a lei que significa

:

prohibe a fabricação e o uso de bebidas alcoólicas na America do Norte, é o terreno em que se discute «E' o campo de bataa proscripção da guerra. lha entre Christo e Behal, Deus e a besta. é o monte da decisão, o logar onde a maldade organizada é desthronada» (Gardiner). .

.

.

17. Ar.

O

.

que os homens respiram, as ideias

correntes, o ambiente, a opinião publica. Satanaz é

o «chefe das potestades do ar» (Eph. 2

:

2).

voz vinda directamente do sanctuario, como no vr. 1, que annuncia estes últimos e terríveis acontecimentos. A palavra «grande»

Grande

voz.

E' esta

apparece sete vezes na descripção

d'esta ultima

praga. «Accumulação e repetição assignalam a phra-


278

seologia (vers. 18 e 19); as calamidades ultrapas-

sam tudo que

se conhece na experiência dos homens». (Beckwith).

Está feito. João primeiro ouviu estas palavras no Calvário (João 19:30). Assim como Christo bebeu dos effeitos do mal até ás fezes, assim beberão aquelles que O rejeitam. Que suspiro de allivio! «Afinal terminaram o soffrimento e a dor, a maldade e o crime, a pobreza e a injustiça». Realiza-se agora, em movimento rápido, o julgamento final da Babylonia, que symboliza o poder mundano. 18. Relâmpagos... Phenomenos naturaes de novo manifestam a presença de Deus em juizo. Neste caso, porem, tudo é intensificado e augmentado

numa

escala

sem precedente

(cf.

8 5 e 11 :

:

19).

19. Foi dividida. «Perdeu o seu poder de cohesão.

Os

todas as

maus esforçaram-se por unir potencias em um grande assalto, mas não

tres espíritos

ha cohesão natural entre aquelles cujo único vinculo é o odio

provindo do mal.

A

estilhaça, e as cidades das

primeira convulsão os

nações cahem. Cada po-

em que havia mistura do eleDan. 2:41-44) foi derrubada pelo terramoto, assim como «toda a planta que meu Pae

tencia subordinada,

mento terreno celestial

não

(cf.

plantou,

será

arrancada

pela

raiz

(Mat. 15: 13)» (Carpenter).

Cidades das nações, «Estas são os reductos do peccado do mundo, os logares nos quaes, como seus centros, a irreligião e a impiedade teem dominado. Deus iembroíi-se. Ainda que os homens se es-


279

Elíe não os perde de vista, e o nos membros e no espirito d'elles, operando mal, produz o seu effeito inevitável. «Sabei que o vosso peccado vos ha de achar» (Num. 32 23). Quem semear o vento ha de colher a tempestade o salário do peccado é a morte. As iniquidades dos paes são

queçam de Deus,

:

;

visitadas nos filhos até á terceira e quarta geração,

mas a

misericórdia de

Deus

rações d'aquelles que o

se estende até mil ge-

amam

(Ex. 20

:

5-6).

Babylonia. Ella é a tradicional captora e inimiga

do povo de Deus. Representa a jactância e ufania da sociedade irreligiosa e immoral (cf. Dan. 4:30 etc.) A sua natureza e destruição se descrevem nos capitulos 17 e 18.

Dar a

em

beber. Isto foi predicto

prido no cap. 18.

«fElla

mesma

foi

14: 10 e cum-

obrigada a be-

ber o cálix da ira que tem dado aos homens, e por

conforme 18:2 seq. e 14:8, obrou a (Beckwith). A morte produz a sua própria anesthesia e assim o peccado tem em si a semente do seu próprio extermínio. Tem-se dito na America do Norte que o melhor castigo

meio

d*isto,

sua própria ruina»

para os «bootleggers» que matam pelas bebidas ve-

nenosas que essas

mesmas

produzem, seria obrigal-os a beber bebidas.

Vinho do furor. Vide nota sobre 14:8. magnificência

nem

a antiguidade

a absolvição para os crimes de a

ordem moral» (Moffat). 20. Toda a ilha fugiu.

Em

«Nem

a

podem grangear

um

império, contra

6: 14 os montes e as


280

foram apenas removidos de seus logares. Aqui desapparecem as ilhas de isolamento e os montes ilhas

de privilegio. Perante Deus não ha excepção de pessoas.

As

ilhas se

submergem no mar de vidro

barreiras das serras se derretem.

Em

20

:

1 1

e as

a pró-

pria terra e o céu fogem.

21.

Chuva de pedras. A

terra

que costumava re-

ceber do céu a bênção da chuva, agora é por

bombardeada. rada

como

A

castigo de

Deus

10: 11, Ezek. 13:11, Apoc.

Um

elle

saraiva é frequentemente conside-

talento. Este

(cf.

8:7

Ex. 9 22 :

sg., Jos.

etc.)

peso variou, em varias épo-

cas e paizes, de uns 25 para 50 kilos. Era «uma

chuva branda, congelada pelo inverno malévolo a chuva constante, de circunstancias adversas. Os homens, em vez de se auxiliarem mutuamente, briuma praga de descaridade, de dolo e de gando

suspeitas» (Wilson).

Blasphemaram. Vide nota sobre

v. 9.


CAPITULO

XVII

Visão da Grande Prostituta «Os já

sete sellos foram rôtos, as sete trombetas

soaram

e

as sete taças estão vasias;

havemos

presenciar, em um drama concluído, a queda da Babylonia e a medrança da Nova Jerusalém». Parecíamos estar no fim ao completar cada uma das series (6: 17 e 11 18); e já ouvimos que

agora de

:

a Babylonia cahiu (14:8 seq.).

De novo

agora, no fim da terceira serie, conforme

o costume do autor, se nos apresentam novas vi-

sões de julgamento. Dois capítulos se consagram á descripção

da «mystica metrópole do império da

maldade», especialmente «seu caracter, crimes, poder e posição. E' vista vestida de esplendor, embebedada com seu poder e crueldade, sustentada pela besta, e inimiga da causa do justo Juiz destinada, porem, a cahir, causando a admiração do mundo e o regosijo dos santos» (Carpenter). 1 Um dos sete anjos. Isto mostra que o que se segue está relacionado com a visão das sete taças. «Aqui, pela primeira vez no livro, apparece um anjo interprete, uma figura commum na literatura apocalyptica.» (Beckwith) (cf. Dan. 7:16 seq., 8:16 seq. Apoc. 1:1). ;

.


282

Vem

João tinha de sahir de

cá.

sas extraordinariamente ruins,

si

para ver coi-

bem como

para ver

as glorias celestes. Agora encontra a prostituta no

Em

deserto. bir a

Sentença.

O

e

ver a

elle

egual convite para su-

Nova Jerusalém

(cf

4:1).

único motivo que podia levar João

semelhante figura era ver como

estudar

a

21:9 recebe

um monte

podia

ser destruída.

Assim, pessoas cultas teem entrado

nos antros do

vicio,

pal-os.

O

pitulo,

mas

estudando os meios de extri-

estudo da sua natureza se faz neste caa sua sentença se executa somente no

capitulo 18.

Grande

Encontramos varias interpretações d'esta figura, que no fundo realmente reprea maldade incarnada sentam o mesmo principio, na vida do homem: 1. O Império Romano que perseguia a egreja; 2. A parte apóstata da egreja, conforme as expressões propheticas de Isa. 1 :21, Jer. 2 20, Hos. 2 5 etc. 3. A mulher da moda, representando o mundanismo; 4. O commercio degraprostituta.

:

:

;

dado.

Cidades corruptas como Niniveh, Tyro, e,

aqui

titutas

em

vr. 5,

Roma

Babylonia, são alcunhadas de pros-

por escriptores da Biblia.

«Vemos erguidas

e

aqui as riquezas, o prazer, a volúpia,

supportadas

pela metrópole do poder

mundial, e os governadores da terra aviltando-se e

a seus povos pela concupiscência do ouro. Ella está

no meio de

um

deserto; isto é o lado avesso do

luxo ostentador que destroe a alma, é a miséria es-


283

qualida.

Os problemas das cidades grandes são ex-

plicação SLifficiente da figura de João» (Gardiner).

Levanta-se a questão se esta mulher representa a apóstata egreja papal. Carpenter assim responde

«A medida que a Roma papal tem exercido poder tyrannico,

se transformou

cionou entre o espirito do

em perseguidora, estahomem e Christo, de-

pravou a consciência humana, reteve a verdade, dissimulou a depravação, se procurou engrandecer, e

machina politica em vez de testemunha do justo Rei, ella tem herdado as feições da Babylonia». Muitas aguas. Conforme o vr. 15 estas são «povos, foi

multidões, nações e línguas».

Temos

visto

também

que representam as paixões indómitas dos homens (13:1). 2. Fornicaram. Figura

da infidelidade

espiritual.

Vide notas sobre 2 20 e 14:4. :

Vinho da sua fornicação. Os reis d'este e seus súbditos foram

mundo

embebedados pela ostentação Todos elles teem de

e a jactância do materialismo.

beber do vinho da

ira

de Deus.

(cf.

14: 10 e Jer.

51:7). 3. Pelo Espirito.

ser tentado (cf.

Deserto.

A

1

:

Assim Christo

10,

4:2, 21

:

foi

levado, para

10).

mulher gloriosa e pura do cap. 12

um logar preparado por Deus no Achando-se em terreno desolado não ficou desconsolada. «Cada pessoa com Deus constitue maioria». Mas a prostituta, embora rodeada de reis e dominando sobre povos, realmente estava no de-

tinha para ella

deserto.


284

Não

serto.

havia laços perduráveis para conservar

A

a sociedade falsa que formara.

ephemera

era

sua popularidade

e os próprios partidários

haviam de

a consumir (vr. lô).

Mulher sentada. A mulher vestida de luz estava

em

Ha

pé.

contraste interessante entre as duas,

Nova

entre a Babylonia e a

Jerusalém, entre as duas

A «borboda sociedade» é parasita. O mal em geral consome e não produz. Não trabalha e só serve de espécies de sociedade que representam. leta

carga para os outros. lesca.

Em

É

figura pintada e carnava-

vez de se dedicar a

a «sorte grande».

A

uma

profissão, espera

custa dos outros vive no luxo

e na luxuria.

uma

Sobre bre

bestas

«O montar

besta.

apropriadas

figuras divinas so-

característica

é

sahiu do

mar no cap.

embora haja

13,

ficações na descripção d'ella.

portada,

— sustentada

A

babylo-

com

niana» (Moffat). Esta besta identifica-se

certas

mulher

a que modi-

é trans-

pelo vicio e a vaidade dos

homens. Escarlata.

«O dragão

era vermelho

(12:3), a

mulher vem vestida de escarlate. Será o emblema da depravação, que termina na violência? (cf. Isa. 1:18).

Tem também

a

apparencia da soberania».

(Carpenter).

Cheia de nomes.

.

.

Em

13:

1

são apenas as ca-

beças assim marcadas. Os Imperadores arrogavam a si titulos divinos que constituíam a maior blasphemia.

«Os seres viventes (4:8) estavam cheios de


285

olhos,

o symbolo de

A

intelligencia.

prompta obediência e veraz

besta é cheia dos symbolos da de-

pravação e ufania» (Carpenter).

Purpura

Purpura é a cor da reaque esta na figura é manchada com o sangue dos santos. A outra mulher é vestida do sol. Adornada de ouro Enfeites exteriores substi4.

e escarlarte.

leza e alguns dizem

.

.

.

tuíram os adornos do caracter.

As doze

indicavam a lealdade e pureza

da outra. Glorias

estrellas

celestes emanavam d'ella, emquanto esta escondia a nudez do espirito com o ouropel terreno. Em toda a historia do passado, no paganismo bem como no

judaísmo, a noiva ideal tinha-se estado ornamen-

tando para o encontro atravez da

mesma

com o Noivo;

e

não menos,

historia, a prostituta tinha-se es-

tado .vestindo de purpura e de escarlate e ador-

nando-se de ouro, pedras preciosas e jóias para poder tentar os homens a resistirem á influencia do seu Rei Legitimo» (Milligan). «A descripção é tão

do mundo que é descommento» (Plummer). Comparar a Ezek. 16: 13 e 27 e ver o contraste com a Noiva característica das attracções

necessário o

de Apoc. 21

:

11.

Cálix de ouro. E' de metal precioso, porem cheio de

abominações. Representa o deslumbramento da tentação e a asquerosidade que os illudidos bebem para o envenenamento dos seus espíritos. Em Jer. 51 7 Ba:

bylonia é representada

na

mão de

como sendo

o copo de ouro

Jehovah, que embriaga toda a terra.


286

5.

Na

sua

testa.

Era costume das prostitutas as-

sim trazer a seu nome.

mente

trazia

o

nome

O

povo de Deus

d'Elle

espiritual-

nas testas (7

:

3).

Nos

dois casos isto indicava o caracter.

que não devemos tomar a mas sim espiritualmente. A palausada em connexão com o Evangelho, significa

Mysterio.

Significa

visão literalmente vra,

cousas antigamente occultas, agora reveladas.

Mãe.

.

cia maléfica.

Vemos

A

aqui a extensão da sua influen-

inimizade contra

Deus destroe o

lare

produz todas as abominações encontradas na terra. 6. Embriagada com o sangue. «Este conceito de uma nação embriagada, não com vinho mas com .

mundo antigo» mundana devora a

sangue, era familiar na literatura do (Charles). Esta hedionda figura

vida espiritual e levanta-se para destruir tudo que é de valor verdadeiro (cf. Isa.

34 7 :

e

49 26). :

Fiquei espantado. Aquelle que tinha subido ao

monte da transfiguração, que costumava contemplar a gloria do serviço e gozar a bênção de communhão com o Eterno e Invisível, que tinha visto o suor de sangue em Gethsemane, que tinha conhecido sómente senhoras nobres e puras, que tinha hospedado a Maria mãe de Jesus em sua casa, agora, obrigado a contejnplar esta mulher perdidá, associada tão intimamente com tudo que é bestial, ficou profundamente commovido e admirado. Quem se propõe a cooperar para a salvação da humanidade, tem de contemplar os factos por mais asquerosos que sejam,


João sabia que existiam «cabarets», casas de jogatina, tabernas e lupanares,

vez, encarou

mas

os repugnantes factos á luz do céu.

Interpretação

7.

Porque

ter visto e

agora, pela primeira

te

admiraste ?

da visão Tudo

isso elle deveria

sabido antes. Até quando virará a egreja

de Christo as costas ás cousas que pervertem troem? 8.

Era

e já

não

é,

,

.

A

e

des-

linguagem é semelhante

á usada quando se descreve Christo e a sua historia

apresenta certos paralellos interessantes.

da besta, todavia, e o seu contrastes

com

fim,

a vida e a

A

missão

apresentam tristíssimos

consummação da missão

de Christo. Ella apparece, floresce, é vencida, desapparece, reapparece e afinal sae para a perdição.

O

não é» talvez se refere a uma derrota temcomo o ferimento de 13:3. Assim foi vencido Satanaz (12:9), e amarrado (20:3), e a «já

porária,

se operou (Heb.

victoria ainda

não se realizou

sua destruição potencialmente 2:14).

Ha

de subir.

A

completamente, continuamente o mal vencido recrudesce, e a ferida mortal se cura. Vários

commenta-

dores pensam que ha referencia aqui á crença cor-

que Nero havia de resuscitar para realizar ainda mais terrível. Em todas essas figuras entendemos que João vê representa-

rente

uma perseguição


288

dos princípios que se manifestam

em

varias occa-

siões e paizes, acontecimentos e pessoas.

Em

Perdição. ella

vez de marcha triumphal, porem,

vae cambaleando para o tumulo. As duas teste-

munhas do

cap.

1 1

e

Christo

resurgiram para a

gloria eterna.

Se admirarão, Ella não desapparece, porem, ande fascinar a todos, exceptuando os inscriptos no livro da vida (cf. 13:3). 9. Sabedoria. Continuamente Deus appella á nossa intelligencia. Para comprehender o immenso problema do mal, necessitamos de todos os dotes

tes

que possuímos

(cf.

Sete montes.

13: 18).

Isto

é

suggerido

provavelmente

pela cidade de

Roma que

forças malignas

dominam os homens como

tinha sete collinas.

As

ella

do-

10 demonstra que João pensava

em

minava o mundo.

«O verso

algo maior que Roma, algo que existia antes de

Roma e que ha-de existir depois d'ella. Ao mesmo tempo Roma pode ser uma phase da sua visão; mas João está tratando de um problema mundial, do conflicto entre o mal e o bem. A besta e a .

.

sua septupla expressão hão de ser egualmente destruídas

pelo Christo que tudo subjuga.

A

batalha

ainda não terminou, mas Christo está continuamente

ganhando.

«Da mesma forma que

as cabeças ou collinas

são reinos de maldade, assim os chifres são projecções de maldade, forças, theorias, phases do mal^


289

emquanto

este

procura fdominar a sociedade.

Tudo como

sae do mar que, no vr. 15, se explica sendo a humanidade» (Gardner). 10. São também sete reis. Muitos acham que se quer dizer aqui, não reis mas reinos. «A besta não pertence exclusivamente a qualquer epocha, mas é uma potencia que se tem levantado em todas as epochas; as sete cabeças representam as culminações successivas da potencia mundial. As quatro bestas de Daniel (Dan. 7 3-8) são declaradas como sendo quatro reis e estes reis não são reis individuaes, mas representam reinos (vide Dan. 7 23). representavam a grande potencia mundial de então isso

.

.

:

.

:

e os seus trez successores,

a Pérsia, a Grécia, e

Mas duas grandes potencias mundiaes tiRom^. nham precedido Babylonia, a saber, o Egypto e a Assyria estas figuram nas prophecias antigas como .

.

:

do justo Rei. S. João, cujas visões abrangeram o drama do mundo todo, não podia ver o representante da hostilidade mundana que continuamente se levantava contra os escolhidos de Deus, sem ver incluídos o Egypto e a Assyria... Em vários impérios o poder mundano se manifestou no Egypto, a casa de servidão (Ex. 20: 2) na Assyria, que se exaltou contra Deus (Isa. 37 23) na Babylonia, o martello do mundo todo (Jer. 50:23); na Pérsia, e na Grécia e successivamente estes reinos cahiram, somente para serem succedidos por outro Roma. Cinco cahiram; existe um. Mas o que será o sétimo, o outro que ainda não veio? forças inimigas

;

:

;

19


290

Precisamos lembrar a apparição da besta. Tinha sete cabeças e dez chifres. Onde estavam estes dez chifres? Parece geralmente admittido que estavam

todos na sétima cabeça. reis

ou

.

.

.os dez chifres são dez

menores

potencias

(vr.

12).

Conclue-se

portanto que a sétima cabeça deve ser antes

uma

aggregação de monarchias que um simples império (cf. Dan. 7 7, 23, 24). Pouco tempo. Os cinco cahiram, o que existe não durará. O mal traz em si próprio os elementos da sua dissolução seu poder é passageiro. 11. Oitavo rei. O mal ultrapassa o numero perfeito, vae alem de todos os limites torna-se desmedido, e nesta manifestação não cae, como no caso dos sete, mas vae para a perdição. «A bestafera, agora ferida em todas as sete cabeças do seu poder, na sua agonia convulsiva, parecerá ser uma oitava potencia, na qual se exprime a vida deca-

universal» (Carpenter)

:

;

;

dente das sete.

.

.

D'este feroz e ultimo estrebuchar

do sentenciado poder do mal, se trata de novo em 20:7-10» (Carpenter). Como no caso da crucificação de Christo, no ultramedido exercício dos seus Ínfimos intentos opera sua própria derrota. «Semelhante aos casos de Belshazar, de Nabucadonosor e do traidor Judas, o instante em que alcança o auge da sua criminosa ambição é também o instante da sua queda» (Milligan). 12. Dez chifres. Grande poder organizado. Elles nos lembram dos «trusts» e das corporações «sem alma» de poderosas combinações do capital ou do ;


291

que exercem autoridade interesseiramente, nutrindo a fera que ainda existe no coração humano. Dez reis. «Os dez reis são figuras puramente eschatologicas, representando a totahdade dos poderes de todas as nações da terra, que serão feitos subservientes do Antichristo» (Beckwith). Por uma hora» Brevissimo é o reino do mal. Por maiores que sejam suas victorias, mais perto está a trabalho,

sua derrota

final.

13. Estão todos de accordo.

A

porem, é

liga,

baseada apenas na sua subserviência á besta e opposição ao Cordeiro. Não são unidos por qualquer principio duradouro. 14.

O

Cordeiro os vencerá. D*este glorioso facto

0 autor nunca duvidou e o fim do livro é delinear o processo

d'elle.

As ultimas phases do

as passa a narrar.

O

egoismo

conflicto,

alliado

rialismo organiza as suas forças todas,

logo

com o matenuma ultima

suprema campanha, mas o amor, a força mais com a facilidade que caracteriza a Victoria do sol sobre as trevas nocture

potente que exi3te, vence

nas.

Porque

é

Senhor.

.

Por

esta

deve o Dan. 2:47,

razão

seu povo obedecer-lhe (Deut. 10: 17, cf. 1 Tim. 6: 15 e Apoc. 19: 16). Por isso também Elie

domina sobre o «príncipe deste mundo»). Também vencerão os que estão com accrescenta mais trez

elle.

características — «os

dos, os escolhidos, os fieis».

dam em dedicado amor,

Os que com

João

chamaElle an-

participam da sua Victoria.


292

As aguas... É

15.

figura apropriada

para a

massa desassocegada da humanidade, corrompida pelo peccado.

Odiarão a prostituta.

16.

arregimenta contra

No

O

mal se divide e se

próprio; é auto-destructivo.

si

fim o ébrio odiará mais intensamente o cálix que

o destroe, do que o odeiam os que pelejam pela

O

secca».

Moda

provocará a

aos desilludidos sequazes,

ira

quando forem esclarecidos pela

A

«lei

extravagante luxo da parasita Dama-da-

sociedade

já está

luz

da eternidade.

despertando ante a innominavel

vergonha de aquellas que se prostituem. O dia não em que os companheiros neste crime social participarão da mesma vergonha. «Não existe realmente dualismo no universo. Os próprios poderes do mal, finalmente, serão sujeitos aos intuitos de

tardará

Deus, sendo então destruídos» (Charles)

^cf. 17:14).

pensa que ha aqui referencia á união de a Jerusalém infiel, para crucificar o Sal-

Milligan

Roma com vador,

e

a

subsequente destruição de Jerusalém

pelas forças de Roma.

Desolada e nua. Arrancar-se-há a mascara do deus Momo. Despir-se-há o ephemero ouropel e a alma peccaminosa será manifesta na sua vergonhosa miséria.

Comerão as suas fera

indómita.

corpo.

A

besta

A

carnes.

syphilis

em que

se vira para a consumir,

Queimarão.

A

O

vicio é

destroe

as

como uma

cellulas

do

a mulher cavalgava, agora

(cf.

Ps. 27:2, Jer. 10:25, etc).

sua destruição será absoluta.

O


293

O

fogo é agente altamente prophylactico.

em

é descripto

18:9 seq.

17. Deus lhes poz.

.

Á

.

a jactância, a vangloria e

verdade a

ira

(Ps. 76:10).

A

incêndio

luz

da Biblia é

ufania do

irrisória

homem. «Na

do homem redundará em teu louvor» Babylonia apresenta

um

extraordiná-

com

a nova Jerusalém. «A prostituta e uma; a noiva e a Jerusalém celeste são igualmente uma e a mesma. «As duas mulheres contrastam em cada parti-

rio contraste

a Babylonia são

cular

da sua descripção

:

uma

é

como a

tão pura

própria pureza, preparada e idónea para a santidade

immaculada do céu a outra tão immunda como a corrupção a pode tornar, merecendo somente os fogos da destruição. «Uma pertence âo Cordeiro que a ama como o ;

ama a sua noiva a outra associa-se com a com os reis da terra, que no fim a odeiam e destroem, «Uma veste-se de linho fino e em outro logar se diz ser vestida do sol e coroada com diadema de estrellas, isto é, vestida com a justiça divina e resplandecente com a gloria celeste a

noivo

;

besta e

;

;

outra veste-se de escarlate e ouro, jóias e pérolas,

sumptuosas, deveras, mas com esplendor terreno

Uma representa-se como uma virgem casta, desposada com Christo; a outra é mãe de prostitutas e das abominações da terra. «Uma é perseguida, acossada pelo dragão, afuapenas.

gentada para o.deserto e quasi vencida

embebeda com o sangue dos martyres,

:

a outra se

e está assen-


294

tada

numa

besta que recebeu o seu poder do dra-

gão perseguidor.

«Uma

habita o

deserto

em

solitude;

a

outra

reina no deserto sobre povos, multidões, nações e linguas.

«Uma

vae com o Cordeiro para a ceia das bodas,

entre alleluias de regosijo; a outra é despida, insultada,

rasgada e destruída pelos seus delinquentes

amantes.

«Perdemos de

vista a noiva entre a fulgência

da

gloria e dos gozos celestes, e da prostituta entre o

negrume

e

a escuridão do fumo que 'subiu pelos

séculos dos séculos'» (de Guinness, gan).

^

cit.

por Milli-


CAPITULO

A

XVIII

Ruina da Babylonia e o Pranto dos Mercadores

O anjo em 17:1 prometteu mostrar a sentença da Babylonia, mas primeiro foi mostrada ao Vidente a sua natureza. Agora um anjo de grande autoridade annuncia o seu estado decadente, uma outra voz avisa o povo de Deus sobre a necessidade de saliir d'elia, pois subitamente havia de vir a ruina; é feita uma lista das suas mercadorias os mercado;

res,

os commandantes e os marinlieiros pranteiam

a perda da fonte dos seus lucros, e

ao mar uma

São

anjo lança

de moinho, para symbolizar a vio-

lência, a precipitação,

truição.

um

o remate brusco da sua desmas o Vidente não vê

estes os dados,

o que realmente acontece á cidade. É claro que elle não pensa numa certa cidade, mas no principio do mal que ha de ser eliminado do universo de Deus. Elle não descreve o conflicto, e de facto, em todas as visões do mal, o triumpho do bem se lhe commistura, na mente de João. 1. Outro anjo, «Entramos numa nova serie de sete partes, semelhante áquella, do cap. 14, onde seis anjos e suas acções, trez de cada lado, estão agrupados ao redor de Um mais alto que os anjos,


296

e

a

constituindo

serie é longa,

figura

do movimento. A 18: 1 a 22:5» (Mil-

central

— extende-se de

ligan).

A cem

terra ficou illuminada.

Quão

differentes pare-

quando illuminadas de cima! Salomé encantava Herodes e seus companheiros, mas no Evangelho parece ella o instrumento miserável de as coisas

uma mãe sem

escrúpulos

:

a Babylonia admirada é

realmente guarida de toda a asquerosidade. Lance-

O

mos

a luz do céu sobre o Carnaval

luz,

muitas vezes é apenas ignóbil astúcia egoísta,

que se considera experteza em commercio, quando exposto á

como

que prosperou

a d'aquelle

!

e edificou

zéns maiores e era, á vista de Deus,

Quão

desprezível

é,

um

arma«tolo».

para a consciência esclarecida,

o politico que se vende, ou uma autoridade approveita a sua posição para beneficio próprio esta luz

humano

está

que !

E

illuminando cada vez mais o coração

e está dispersando o

negrume

espiritual

em

que temos vivido. 2. Voz forte. A verdade traz comsigo sua autoridade. Vibra com terror no intimo dos malfeitores. Empolgante é a voz «Cahiu, cahiu a grande Babylonia!» Mais cedo ou mais tarde, a voz do mensa:

geiro

de Deus se fará ouvir acima da balbúrdia

mundana.

Morada de demónios. Nas bita toda a espécie

lencia

50

:

(cf.

Mat.

39, etc).

12:44 e 45,

Temos

ruinas espirituaes ha-

de asquerosidade e de malevoaqui mais

22 e

Isa.

13:21

uma

vez a trindade do

e

Jer.


297

mal

demónios,

espíritos

puros e aves immun-

das. 3.

As nações teem bebido

.

.

.

Maior condemna-

ção recebem aquelles que levam os outros a peccar (Luc. 17:1,2).

Vide notas sobre 14:8 e 17:2, povo de Deus não pode ter parte na sociedade mundana. Estão no mundo mas não são d'elle. Assim Lot escapou de Sodoma e assim o Eterno Pae continuamente roga aos homens que abandonem a cidade corrupta (cf. Isa. 48 20, Jer. 51 :6, Mat. 24: 16 etc. etc). Essa separação ás veVinho da

4.

Sahi

ira.

d'ella.

O

:

zes precisa estender-se a

Os motivos são

dois

um

afastamento physico.

para não estarem sujeitos ás

:

suas seducções e para evitarem as suas pragas II

(cf.

Cor. 6:14, seq).

«Acaso tenho eu prazer na morte do ímpio? Senhor Jehovah não quero eu antes que se converta do seu caminho, e viva?» (Ezek. 18:23, diz o

cf. V.

;

32).

Até o céu. A expressão é fortíssima. Assim queriam estender a torre de Babel. A medida da sua 5.

iniquidade está absolutamente cheia

(cf. Jer.

51 :9).

Deus lembrou-se. Isto quer dizer que chegára o momento da reacção de Deus. 6. Retribui-lhe Colhemos o que semeamos .

(cf.

.

.

Gal. 6:8).

Com

dobro.

«Uma

expressão convencional que

significa plena retribuição (cf. Isa. 40:2, Jer. 16:18,

17:18, Ex. 22:4,7,9)» (Beckwith).


298

No

cálix.

O

castigo se relaciona directamente

cotn a offensa. 7. Como rainha. A sua ufania e presumpção tornam mais terrível a sua queda. Nada obceca tanto como o peccado (cf. a arrogância de Tyro, Ezek.

caps. 26 e 27). 8.

Num

(cf. vrs.

só dia- Subitamente virá a sua ruina.

10 e 17).

Suas pragas. Estas são quatro, como vindas de todos os pontos cardiaes. São tristíssimos confrontos com a sua vida anterior e representam o maior contraste para o que imaginava no seu coração. Porque forte é o Senhor. Os raios da sua justiça fulminam o cancro da malignidade. «Jehovah, teu Deus, é| um fogo consumidor» (Deut. 4:24). O fogo é o agente principal nas prophecias da retribuição de Jehovah (vide Apoc. 17:16, 19:3, Isa. 34:10 e Ezek. 28: 18), 9.

05

reis.

.

.

sobre Jerusalém,

Não como Jesus chorou mas por amor próprio; porque

chorarão.

não mais participarão da sua

luxuria,

lamentam a

desolação do juizo divino. 10. Estando de longe. O seu interesse egoista impede-os que de qualquer forma acudam ou mesmo sympathisem com a desgraçada amiga de outr'ora.

Não

existe

solidariedade verdadeira entre os ele-

mentos maus.

A

cruz de Christo, pelo contrario, é

o Estandarte das multidões dos Seus seguidores.

.

Por medo. Suas consciências os accusam. 11.

Mercadores. E' esta a segunda das quatro


299

classes que pranteiam a ruina da grande cidade.

As

commandantes e os marinheiros. unem no melancholico e pesaroso tlireno;

outras duas são os

Todos

se

«Ai, ai

como

da grande cidade».

A

habilidade do Vidente

manifesta-se na sua reticencia quanto

literato

no fazer-nos sentir o desastre atravez das lamentações dos prejudicados pelo cessar da sua luxuria e luxuoso trafego (cf. Ezek. 26 e 27). á catastrophe

e

12. Mercadorias de ouro.

.

.

A

lista

parece

uma

reminiscência das facturas emittidas. E' significativa a sua ordem,

— primeiro,

objectos caríssimos para o

adorno pessoal da Dama-da-moda, jóias e tecidos finíssimos; moveis luxuosos para sua casa; perfu-

mes

etc, para o seu toucador; géneros alimentícios

incluindo carnes seios;

e,

afinal,

;

cavallos e carros para seus pas-

como sendo de menos

importância,

escravos (literalmente «corpos») e almas de homens.

«Por uma

triste

perversão, os objectos de luxo para

a minoria privilegiada se deixam preceder às neces sidades da massa da sociedade, e os direitos da alma veem por ultimo» (Wilson). A cidade que classifica,

de qualquer forma, entre suas mercadorias, o

corpo ou a alma humana, desde já é sentenciada. A reflecte perfeitamente o commercio da cidade de Roma d'aquelles tempos; reflecte também os

lista

ideais de

uma

certa classe social de hoje

(cf.

Ezek.

27 5-24). :

1 4. 05 fructos que a tua alma. Na intensidade da sua emoção o autor, numa apostrophe, falia á .

cidade cahida.

.

A maior desgraça de uma alma

pre-


300

versa é poder alcançar os seus desejos.

Todo o

no fim será arrancado ás mãos cubiçosas. Sómente o thesouro celeste é posse permanente. 20. Exulta sobre ella. O poder mundano se que-

fructo

brou.

illicito,

A

oração de 6

10 é respondida. E' nova apos-

:

trophe que, no seu enthusiasmo, o autor endereça

ao céu e a todos que ao reino do céu pertencem.

Poderemos nós hoje

attingir esta altura

de

que

arrebatou o espirito de João?

Um

21.

forte anjo.

encontramos nós

em

.

.

Jer. 51

O mesmo :

63,64.

morta, que se submerge pela

lei

acto symbolico

«A grande massa do seu próprio

peso, sem poder ajudar-se a si própria, significa uma queda sem remédio. Assim se afundaram Pharaó e suas hostes, como chumbo, nas poderosas aguas... Aquella que estava sentada como rainha sobre muitas aguas, se afunda como uma pedra nas

aguas poderosas» (Carpenter). Esta cidade que duziu os homens a peccar lembra-nos, na sua

in-

triste

de Jesus ácerca de aquelles que puzerem uma pedra de tropeço no caminho de um que n'Elle crê (Mat. 18:6). 22. O som, não se ouvirá. E' como se andássemos com o autor na solidão de ruas desertas e aquellas paredes que outr'ora vibravam tétricas sorte, as palavras

.

.

;

com

a musica dos bailes e das festas carnavalescas,

agora respondem aos passos do pelo sibilo

turista

com melan-

zumbido da industria se substitue do vento nos muros fendidos; o triste

cholico echo; o


301

crepúsculo e a negra noite já não se alegram pelos

lumes dos lares;

desolado está o

altar

onde em

pacto solemne dois corações se uniam. Os versos 22 e 23 constituem uma apostrophe, mas em 24 o autor volta a usar a terceira pessoa (cf. a prophe.

cia contra Jerusalém, Jer.

.

25: 10).

23. Pois os teus mercadores eram os príncipes.

«O

êxito é o supremo motivo na vida, emquanto que os prophetas e os santos, os que veem e os que servem são mortos sobre a terra negligenciados, postos de lado» (Wilson). A sociedade dominada pelos plutocratas desapparecerá; a Babylonia ruiu porque, conforme os seus ideaes, os millionarios eram os grandes da terra, o commercio estava

em

primeiro logar, a universidade se substituía pela

bolsa, o banqueiro sobrepujava o professor, cursos commerciaes monopolizavam as escolas. Feitiçaria. A ambição do ouro leva muitos á estulticia do occultismo. Consulta-se o horóscopo, procura-se o segredo de ganhar a sorte grande. em vez de dedicar-se seriamente a uma vida util que produz valores, os quaes a sociedade de boa .

vontade paga

Apoc. 13: 13 sq.) 24. Sangue dos prophetas. Os que se levantam contra o mal sabem que por sua vez serão ata(cf.

.

.

cados.

De todos os que foram mortos. Aqui temos mais uma indicação que a referencia não é a qualquer cidade, mas ao principio do mal que se tem manifestado e se manifesta no mundo todo. Diz o dr.


302

Adão

em

Smith,

referencia á prophecia de Isaias con-

«Não suffoquemos o nosso interesse nesta prophecia, como fazem muitos estudantes de

tra Babylonia

:

prophecias, nas ruinas

mento

A

primitivo.

e

no

pó do seu cumpri-

carcassa de Babylonia, a sum-

ptuosa cidade que se levantava nas margens do Eudeveras se

phrates,

desmanchou em escombros;

está morta. A Babylonunca morre. Para a consciência do vidente de Christo, esta mãe de prostitutas, ainda que morta e

mas

a Babylonia

mesma não

nia

deserta no Oriente, resuscitou no Occidente. A' cidade

da Roma,

em

seus dias, João transferiu, palavra por

palavra, as phrases de Isaias e Jeremias.

Roma

era

a Babylonia, á medida que se enchia de crueldade, de arrogância, de confiança nas riquezas, de credulidade nas

adivinhações, d'aquelle desperdício de

poder mental

moral que Juvenal desvendou

e

nella.

Mas não podemos deixar mesmo aqui a applicação; devemos usar a mesma liberdade com João que João usa para com os prophetas. Devemos ultrapassar o particular cumprimento das suas palavras,

em que

e os

elle

porque pode

ter

dos seus dias se interessavam,

para nós somente

tórico e secundário

um

interesse his-

á face de outras Babylonias de

nossos dias, com que nossas consciências, se estão vivas, se

devem preoccupar. Alguns homens hones-

tos continuam

a limitar as referencias, no livro do

Apocalypse, á cidade e á egreja de Roma. E' verdade que João se referia á Roma dos seus dias; é verdade que muitas das feições da sua Babylonia


303

se manifestam no successor do Império

Egreja Romana.

Mas que

Romano, a

importa isso, se temos in-

carnações do espirito babyionico muito mais perto

em qualRomana?» (cit.

de nós, para infecção e perigo, de que quer epocha o possa ser a Egreja

por Scott). Talvez o

dr. Smithi

modificasse

a ultima oração, se tivesse morado

o Romanismo domina.

em um

um

tanto

paiz onde


CAPITULO XIX

Regosijo no Ceu,

As Bodas do

A Campanha A

Cordeiro,

Final

primeira scena d'este capitulo lembra-nos o

como lá, a scena é a grande sala real de Jehovah, com todas as categorias de seres celestiaes dispostas em ordem, deante e ao redor do Todo-Poderoso em ambas as scenas, as ordens superiores e inferiores cantam antiphonicamente em capitulo 5. «Aqui,

;

;

'ambas, as quatro creaturas viventes e os vinte e qua-

prostram em adoração deante do em ambas, as quatro creaturas viventes acompanham os outros no Amen. Na scena anterior, tro presbyteros se

throno;

toda a creação accrescenta a sua resposta ao cân-

no ceu; aqui, uma voz chama os santos da da mesma forma, accrescentar a sua antiphona de louvor» (Beckwith). 1. No ceu. O reino espiritual da justiça de Deus. Inclue todos que estão em harmonia com a vontade tico

terra para,

divina.

Grande voz. E' a harmonia perfeita da immensa multidão dos salvos, vibrando no espaço (cf. 7 9, :

14:

1,

2 e 15:2).

dá logar ao coro phe de 18:20.

A

balbúrdia lasciva de Babylonia

celeste. E'

a resposta á apostro-


305

Alleluia,

A

palavra significa— «Louvae a Jeho-

vah». Ella «apparece nesta passagem não

menos que

4 e 6) não se encontra em outro logar no N. T. mas é-nos familiar nos Psalmos, pois quinze d'elles começam ou terminam com 'Louvae a Jehovah' ou 'Alleluia*. E o génio de quatro vezes (vers.

1, 3,

:

;

Hãndel engastou a palavra

em musica immorre-

doura» (Carpenter).

«Ha quem pense

que, se formos

chamados a

dei-

xar os deleites de Babylonia, nada mais nos resta

senão a piedade enfadonha e sombria. Não foi isto que João viu na sua visão. Emquanto a Babylonia

desmuronava, emquanto se fechavam as casas de bebidas e os antros do vicio, recrescia a felicidade e uma immensa multidão se achava no ceu, se

a região da ventura agora e no futuro» (Wilson).

Que ou

allivio

um

de espirito, quando

um

ébrio se converte

devasso entra no caminho da vida! Que

dif-

quando a mocidade Babylonia! A hediondez, fraqueza e peçonha d*esta, claramente se verão à luz do ceu. Bemaventurado aquelle que lê este livro, bemaventurado o mundo quando o povo de Deus chegar a conhecer a Sua mensagem e comprehender a significação d'ella para ferença não fará a sociedade

estiver resguardada das tentações seductoras de

a nossa vida

Salvação. «A palavra inclue mais que o livramento dos santos é a salvaguarda e manutenção em triumpho, da causa toda do reino de Deus, com a sua bçmaventurança» (Beckwith). Ella é sempre ;

20


306

Deus

attribuida a

12: 10, Ex. cap. 15

(cf.

etc.) «E*

a

affirmação triumphante da verdade, pela qual a Egreja e os filhos de

Deus tinham sustentado

as suas es-

forçadas petições, emquanto terminavam a oração

que o próprio Christo lhes ensinara, dizendo, quando frequentemente o contrario se parecia dar Teu é o reino e o poder e a gloria'. Assim, aqui rendem tri:

plo louvor

:

a salvação, e a gloria e o poder, todos

pertencem a Deus» (Carpenter). 2.

Porque verdadeiros

mundo

presente fieis

se justificaram.

e ufania

e justos.

terminou, e a

.

.

A

injustiça

Deus poz termo

á;

prosperidade

da prostituta, que sempre apresentaram

estranho e injusto contraste

com

a

do

espei;ança dos

fé e

um

posição humilde

dos santos. Corrompia. Este peccado repetidamente se salienta

na condemnação dos maus.

Vingou o sangue.

(Rom. 12:

19, Luc.

Conforme a sua promessa

18:7,

etc).

A

Elie só pertence a

vingança. 3.

Outra

vez.

Impressionante repetição, demons-

trando a solemne alegria.

Fumo. Este continuamente se levanta dos escombros, lembrando-nos,

como o

arco-iris,

da salvação

que vem de Deus. Representa a memoria do passado. «A canção de berço do futuro é o cântico fúnebre de 4.

Os

Roma»

(Moulton).

anciãos e as quatro creaturas.

A

a natureza toda, passado agora o periodo

egreja e

em que


307

gemeram, (Rom. 8 22-23) adoraram a Deus e apoiaram os sentimentos da multidão celeste. 5. Do throno. A falia é autoritária; não se sabe, porem, quem falia. 6 Grande multidão Muitas aguas fortes trovões. O coro lhe lembrou todas as vozes mais empolgantes que jamais ouvira elle accumula expressões para dar ideia do volume e do peso da canção. «Todos os sons da natureza parecem confundir-se nesta voz de louvor; é humana, é majestosa como o mar e gloriosa como o trovão» (Carpenter). Reina. Eternamente elle tem reinado e reinará. :

.

.

.

.

.

.

.

;

O

coro celebra o facto de Elle afinal manifestar

plenamente o seu poder e autoridade. Era esta a aspiração secular dos judeus. Elle sempre tem rei-

nado mas será universalmente reconhecido o seu governo, logo que cesse o reino da prostituta. 7. Alegremo-nos e exultemos, e demos-lhe a gloria. A intensidade da exultação se manifesta nesta invocação

tripla.

Bodas. Elle não vem estabelecer politico

mas uma

um governo

intima e terna união entre

seu povo. Esta é a sua expressão predilecta

si e

em

o

re-

22:2-10 e 25: 1-10; etc). Todas as bênçãos

ferencia a essa união (cf. Mat.

vide

também Eph. 5

:

23,

promettidas nas sete epistolas aqui são resumidas

em uma

só figura,

Sua esposa já

— as bodas

do Cordeiro.

se preparou. Isto ella o fez pela fé

e consagração ao seu reino. Parece

do reino

é devida

ao facto de

çlla

que a demora não estar prompta


308

Ás vezes pedimos

ainda.

cemo-nos de pedir que possa

vir

a vinda do Senhor e esqueElie nos prepare para

que

aos nossos corações e reinar sobre nos-

Mais uma vez parece que chegamos ao mas logo notamos que a acção ainda não ter-

sas

vidas.

fim,

mina, pois ha ainda uns passos a tomar para findar

de vez o mal. toria sobre

O hymno

positivo de

lado

dos vrs.

1

e 2 celebra a Vic-

Babylonia e este hymno glorioso

resultado

apresenta

o

para o povo

de Deus. limitar, assim como fazem as Escriptulinguagem tirada do amor conjugal, conside-

«Devemos ras, a

rando a noiva, a egreja como car o termo a individuos,

como Roma

faz

em sua

no caso das

os crentes são para o

um

freiras.

effeito

todo e não appli-

relação

com

Como

Christo,

individuos,

— chamados hospedes;

collectivamente, constituem a noiva.

A

prostituta di-

vide as suas af feições entre muitos amantes; a egreja

consagra as suas exclusivamente a Christo».

&

(J.

F.

B.).

8.

Linho finíssimo. Symbolo é este da sua vida, em actos de justiça. Apresenta um

consagrada

grande contraste com as vestes multicores que ornavam má a mulher, o que é symbolo da iniquidade (cf. Mat. 22:2,11-1, 14). «Pelo

uma

trajo,

esta alva flor de

vida irreprehensivel, dá testemunho

em

prol do

seu Senhor e contra o espirito de impudicicia e de

peccado (Mat. 7. 16-18)» (Carpenter). Os vestidos de Jesus resplandeciam, no monte da transfiguração,


9. Escreve.

A

visão e a

mensagem são

tão impor-

que precisam ser registradas e não deixadas á sorte da memoria. Bemaventurados. O maior desejo de Deus é abençoar-nos. A expressão é encontrada seis vezes

tantes

neste livro.

«A

egreja de Cliristo descansará, feste-

com seu Senhor; e de toda a paz, alegria e triumpho d'aquelle tempo *de gozo, os servos de Deus participarão» (Carpenter). reinará

e

jará

Verdadeiras.

Este quasi incrivel sonho utópico

representa a realidade das coisas.

Algum

dia des-

pertaremos para verificar que os sonhos christãos são reaes e as apparencias enganosas do mal são phantasticas.

De

Deus. Portanto não ha possibilidade de ellas

falharam. 1

Quando

0 Prostrei-me.

acreditará a sua egreja nellas?

Não devemos condemnar a João uma creatura em vez do Crea-

pelo erro de adorar a dor,

tomado pela tremenda verdade que rompeu na foi abysmado. Em nosso espi-

sua alma, e peia qual rito esta

Não

verdade ainda não calou. faças

tal.

Ante creatura alguma, nem que

devemos curvar ou prostrartambém prohibiu semelhante acção (Act.

seja anjo de Deus, nos

nos. Pedro

10:25).

Soa servo comtigo. Na bemdita democracia ce-

não ha aristocracia ou hierarchia, todas as de classe desapparecem na abençoada camaradagem dos conservos, no reino de Deus (cf. lestial

distincções

Rom. 1:1, Apoc. 1:9, 12:

10, etc).


Adora a Deus. Na

Biblia

não se encontra entre

os filhos de Deus bajulações; não se beijam anneis

de bispos e muito menos as suas estatuas. Todo o acto de adoração é privativo de Deus.

Testemunho de Jesus.

O

anjo participava no tra-

balho prophetico dos homens. Este testemunho era sello

da veracidade da missão dos mensageiros

João 4: 1-3 ?

O

I

espirito de prophecia.

Quem

recebe a verdade

de Deus não a pôde guardar para «Ai de

mim

(I

Cor. 12:3).

si.

Paulo disse

se não prègar o evangelho». João, de-

pois de comer o livrinho, havia de prophetizar.

A

Marcha

victoriosa

do Messias

Céu aberto. Em 4:1 viu-se aberta a porta do céu. Agora veem-se plenamente as forças espirituaes, em sua campanha contra o mal. 11.

Cavallo sello.

e

O

branco.

militarismo, porem, usa de armas materiaes

somente desastre

nós,

Este nos relembra o primeiro

e

desgraça o seguiam. «Para

aquella figura representava o primeiro esforço

do homem para resolver o enigma da vida, a crença de que se precisa de um super-homem, um Alexandre ou Cesar, para conduzir os homens á felicidade.

E vimos

a

guerra

gerar a guerra»

(Gardner).

A

única arma d'este Vulto victorioso é a espada da

verdade. Era antiga tradição judaica que Jehovah havia de vir como homem de guerra contra seus inimigos e estabelecer o seu reino universal

(cf. Isa.


13:4,31:4, Ezek. caps. 38-39, Joel cap. 3, Zac. 14:3).

Mais tarde a tradição attribuia uma parte d'este papel ao Messias (Beckwith). Fiel. Cumpre as promessas. E' digno da nossa confiança,

(cf.

1:5,

3:7

e 14).

como sendo

Verdadeiro. Elie é reconhecido afinal

a grande realidade, no meio das apparencias enganosas. Por Elie vieram graça e verdade.

Com justiça julga. Observa não somente mas sonda

motivos.

os

apesar das injustiças actuaes, virá peleja

(cf. Isa.

Fs. 45, onde se encontra

de gozo marital

e

que julga e

uma combinação semelhante

A

triumpho marcial.

o seu progresso na guerra, assim se manifesta para

com

justiça

como

marca

a fidelidade

os que n'Elle confiam ...

A

de Deus está sendo revelada: algum dia todos

justiça

Um

11:3-5).

«Este guerreiro-noivo leva-nos atraz, ao

Peleja.

verão

os actos

Conforta-nos saber que,

isto

;

mas agora os

n'Aquelle que é

fiel

justos precisam viver pela

e verdadeiro e

o gérmen da vida divina

que preserva

na historia do mundo»

(Carpenter).

12.

Expõe

Chamma e

de fogo.

condemna o

Como em

mal.

serão provadas pelo fogo

(I

1

:

14

(cf.

2:18).

As obras de cada um Cor. 3:13-15).

Muitos diademas. «O dragão ostenta sete coroas, mas Christo se adorna de muitos dia-

a besta dez,

demas. As coroas eram symbolos de victorias ganhas pelas forças brutas; os diademas, symbolos de realeza e autoridade inherentes. Antes de

poderem as


âi2

bestas conservar as suas coroas, necessário é que

ajustem as contas rei;

da

rei

humanos,

com

historia,

rei

Elie. *Elle rei

verdadeiramente é

da vida,

rei

de corações

sobre cada reino e sobre

universal,

todos os reinos, Rei dos

reis.

Senhor dos senhores'»

(Gardner).

Nome,

.

.

que ninguém sabe-

Ha profundezas na

sua natureza, ainda não sondadas pelo conhecimento

Um nome secreto antigamente era considecomo conferindo poder especial a quem o conhecia. Ha aqui uma suggestão de uma certa reserva quanto a petições feitas no nome de Jesus Christo. O nome completo, ou todos os nomes, não nos são revelados por emquanto. O nome secreto

humano. rado

indica a sua superioridade a todos os appellos; de-

monstra que o preza

O

(Moffat)

terrível e punitivo vigor

da sua em-

torna inaccessivel ás invocações humanas» (cf.

2:17 e 3:12). Apesar dos muitos

nomes

applicados a este máximo Vulto da historia, estão longe de exhaurir o estudo d*aquelle Caracter riquíssimo. «A plenitude do seu amor e poder, ninguém a pode exhaustar; a profundidade da Sua sabedoria, ninguém a pôde sondar». Por isso a contemplação d'Elle enriquece a vida

do

christão, e a enriquecerá

durante a eternidade.

Capa immersa no sangue. Trez

ideias nos sangue defrontam aqui: que é o dos inimigos, em antecipação do conflicto, já se considerando como tingindo a sua capa, pois pisa o lagar do vi-

13.

— a)

nho da

ira

de Deus

;

b)

que representa o seu sa-


crificio,

—do Cordeiro como se tivesse sido morto—

ganha e que a marcha triumphal se dará no momento em que os c) fieis estejam preparados a marcharem com Elie «O seu coração ainda sangra pelo nosso peccado e suggerindo-nos que a victoria

já está

;

pesar,

nem foram

ainda sarados os seus ferimentos»

(Wilson). Esta parte da descripção provavelmente

Na força da sua consagração com seu sangue, sangrado pela

é tirada de Isa. 63:1-3.

completa, que sellou

sua divina compaixão e consumido pelo zelo da

avança fulminando tudo que destroe aos que Elie ama. Verbo de Deus. Esta expressão é mais uma ligação entre este livro e o Evangelho segundo S. João. Christo tem muitos nomes conhecidos, embora tenha um que ninguém sabe senão Elie mesmo. Christo é Elie

justiça,

o Verbo de Deus, é a expressão eloquente

e

per-

da sabedoria e vontade divinas. Existe com Deus desde a eternidade.

feita

Os

14.

exércitos

que

estão

aquelles cuja habitação é do céu

(II

no

céu.

Todos

Cor. 5:2). Esses,

«que não são definidamente mencionados na narraparallela (14:14 e 18-20) mas que são suben-

tiva

tendidos pelas palavras, 'até aos freios dos cavalos',

desceram com Christo do ceu.» (Charles). Não vemos motivo de suppor que estes exércitos são sobrenaturaes, 12:11

e

e o próprio Charles accrescenta:

17:14 parecem ser os

fieis».

«Em

Gostamos de

pensar que são as hostes espirituaes que Christo está

chamando continuamente para

se dedicarem ao


ài4

serviço dos seus

semelhantes.

Elie pacientemente

que os que professam o Seu nome estejam promptos a derramar a perfeita medida de consagração e marchar com Elie, onde quer que as necessidades da humanidade os levarem, esperando,

está

para a Victoria

até

final.

Suggerem a victoria. «Não ha uma nota sequer que não seja victoriosa.

Cavallos brancos. neste livro

O

livro é positivo,

de triumpho absoluto da justiça»

(Gardner).

Linho finíssimo.

os actos dos santos (vr 8). vida e perfeita consagração.

Isto é,

Suggere pureza de

Também notamos que

esta alvura contrasta

com

a

capa carmezim de Aquelle que peleja e vence. Realmente é Elie que ganhou a victoria sobre o Hades, a morte e o peccado; e esta victoria se tornará

uma

momento tomem as vestiduras alvas da completa consagração. Quando estaremos promptos para marchar com Elie ? effectiva

em que

15.

e

realidade no mundo, no

as suas hostes

Espada. «As suas armas são duas, o olho

de fogo que descobre e consome o mal e a espada

da sua bocca que destroe o malfeitor» (Wilson). Esta espada representa a verdade proferida (cf. 1:16). Afiada. A verdade é cortante. Ella tem dois gumes,

— penetra

alma e para

discernir

coração» lhante

:

e divide. «Penetra até á divisão de

espirito, e

as

de juntas e medullas, e é prompta disposições

(Heb. 4:12).

«Ferirá a terra

A

ideia

com

pensamentos do de Isaias é seme-

e

a vara de sua bocca, e


matará o perverso com o assopro de seus (Isa. 11:4).

O

labioS^^

poder d'esta palavra se notou quando

em Gethsemane. Vara de ferro. «Os que se oppõem a este reino de justiça verão o cajado do pastor semelhante a uma vara de ferro. A pedra rejeitada cae sobre os foram prendel-0

edificadores e os esmiuça»

Vide nota

(Carpenter).

sobre 2 27 e comp. Ps. 2:9.. :

Pisa o lagar. 14: 10 e 14: 19.

o vinho da

ira

Combinam-se aqui «Do lagar pisado por .

.

figura

mana

de Deus, do qual os Seus inimigos

63 3 seq.) e exprime o completo e destruição do mal em to-

são obrigados a beber» (Charles)

A

as figuras de Christo

é muito

forte

absoluto esmagamento e

(cf. Isa.

:

das as suas modalidades.

«Ha

exércitos no cea,

montados como Elie em

cavallos brancos, e revestidos

como

Elie de vesti-

— ainda que sem os galões de marechal em sangue vermelho remidor, — que O seguem na terra — que deixam as riquezas e o bom — que se êxito na vida, para o serviço o duras brancas,

e

e

sacrifício

orgulham de pelejar numa companhia onde somente o Capitão foi eternamente ferido. Aqui então havia radiante na cruzada de surgir a Egreja Militante

do Christo pessoal e sahindo

com

nhar as nações e transformar egrejas

Elie

para ga-

em

cidades de

Deus» (Wilson). 1

7.

No

sol.

De

a sua convocação podia ser

universal.

Todos os pássaros. i

O

horror da scena do juizo


Siê

de Deus se intensifica pela

tétrica

presença das as-

querosas aves de rapina que esperam os cadáveres das

victimas

Mat.

(vide

24:28

comp. Ezek.

e

39: 17-20). Lembremo-nos de que se

trata

de ma-

téria espiritual.

Ceia de Deus. Esta apresenta

com

traste

Os que da

um

tristíssimo con-

a festa nupcial das bodas do Cordeiro.

rejeitam o convite para esta, serão victimas

da ceia de Deus. Assim como em 6 15 e 13:16, as distinções humanas se apagam e todos se dividem em duas classes apenas. «A guerra não se terrível carnificina

Carnes de

reis.

.

.

:

trava entre classe e classe

mas

entre a justiça

e a

iniquidade, a verdade e a falsidade, Christo e Belial.

Precisamos lembrar que a visão é uma grande representação figurativa da derrota dos poderes e prin-

mundo

cípios anti-christãos no

d'uma

;

isso nos resguardará

interpretação do seu intuito, e d'um

lite-

ralismo escravizado» (Carpenter).

Carnes de cavallos.

dem

será

com

elles

Mesmo

aquillo de que

consumido.

A

depen-

destruição dos

exércitos do mal será completa.

19.

i4

besta.

Ella

«é a malignidade, nas suas

formas grosseiras e brutaes; o falso propheta é o agente da besta na sua forma mais especiosa e philosophica».

Reis da terra.

Os que regem em

atiçados pelos espíritos

Seus exércitos.

iniquidade.

immundos (16:

13-14).

«Ainda que súbditos dos

são exércitos da besta».

São reis,


317

Reunidos.

O

seu único laço, porem, é a

iniiriizade

contra o Cordeiro.

Seu exercito. Os exércitos do vr. 14 se congregam, pela sua lealdade e consagração, em uma solidariedade invencível.

Quando

ao menos em principios e

virá o dia d'essa união,

espirito,

para a campanha

contra o álcool, o fumo, o jogo, a prostituição.

20.

A

literatura judaica tra

.

.

?

Não houve conflicto. Na não encontramos, como se encon-

besta foi presa.

na literatura pagã, a ideia que as forças malignas

possuem poderes

sufficientes para

forças da justiça.

Sempre

combater com as

entre os judeus, Satanaz

possuíam somente os poderes por Jehovah, para a execução dos seus intentos, e nunca nos escriptos judaicos se encontra descrípção de combate entre Deus e Satanaz. Este, tão longe de poder combater Aquelle, é vencido pelo sopro da bocca de jesus e os seus simulacros se fazem em (11 Thes. 2:8) pedaços, attingidos pela pedra que foi cortada sem auxilio de mão (Dan. 2:45). Assim, aqui, a reunião de todas as forças do mal é apenas occasião d'uma e

seus

emissários

concedidos temporariamente

Victoria final e decisiva.

Falso propheta. Pela descrípção das suas obras,

vemos que cap. 13.IE'

este termo indica a

um

segunda besta do 13. Acerca

da trindade do mal de 16:

do seu papel, vide notas sobre 13: 12 seq. Lago de fogo. A segunda morte (20:14). «O lago, o fogo e o enxofre, recordam a geographia e os incidentes que acompanharam a demolição de


318

Sodoma

O

e

Gomorrha

(cf.

Num.

16 32-34, :

Isa.

5

:

14).

lago de fogo é aqui mencionado pela primeira

vez

;

mais tarde se menciona com maior frequência

(20:10,

14,

15 e 21

:

8).

As chammas, o

enxofre,

o fumo e outras forças vulcânicas, que indicam a existência de fogo subterrâneo, mui facilmente po-

diam levar os antigos a collocar o seu Tártaro e a Gehenna num mundo inferior. Assim suppriram as imagens, que se crystallizaram na linguagem das gerações

seguintes»

(Carpenter).

Neste

lago

foram

lançados o Diabo (20: 10), a morte, o Hades e os não inscriptos no livro da vida (20: 14-15). E' diffi-

que significa este «lago». A primeira suggestão que recebemos é que será um estado em que cessa a capacidade de molestar ou prejudicar cil

dizer o

de qualquer maneira. e

também

nelle

destruição.

O «fogo» O facto

suggere purificação

de serem lançadas

as concepções abstractas de

des» indica 21.

05

bem

o uso figurativo

outros.

As

«Morte» e «Ha(cf.

Dan. 7:11). duas

illudidas victimas das

bestas.

Espada que sahia da da bocca do Rei

homens

alliados

viva

efficaz

e

(cf.

com (Heb.

vr.

bocca.

«A espada que sae

15 e cap.

1:16) mata os

o mal. Aquella palavra que é 4:12),

aquella

palavra

que

Christo fallou nos dias da sua humilhação, aquella

palavra que é poderosa e que dá vida (Tiago 1:18) e

também que

a destroe, afinal sae victoriosa.

aves consomem as carnes.

O

As

orgulho e a belleza

dos homens, a sua força apparente, as confedera-


319

ções e os systemas que os teem

feito tão fortes

a

seus olhos, quando os seus corações pulsavam de vaidade, demonstram-se sem valor e sem forças; todos os homens, cujas mãos eram poderosas, nada encontram (Ps. 76:5-6). Assim, emquanto se vê que toda a carne é apenas herva e que toda a sua boa apparencia e gloria são como a flor do campo, a palavra recta e justa do Senhor se estabelece para sempre, e no fim se levanta como uma espada para abater e matar os seus inimigos». (Carpenter). <^Sim,

a palavra de Christo é a arma espiritual, á qual

nada pode

resistir,

ufania e a força valor.

A

e

deante d'ella o orgulho,

humanas apresentam-se

fracas e

a

sem

única cousa certa e eterna é o poder de

Christo. E' mais forte

o peccado» (Gardner).

que a morte, mais

forte

que


CAPITULO XX

A Solução da Lei Temos agora apenas mais um

acto,

em

trez sce-

chegarmos ao desfecho que é o estabelecimento na terra da Nova Jerusalém. A narrativa é simples, mas no campo da sua interpretação teem-se travado grandes batalhas theologicas. Os prophetas do Velho Testamento previam o estabelecimento d'uma nova theocracia na terra e esta sociedade perfeita havia de durar eternamente. Mais tarde appareceu a ideia que a nova ordem social havia de se realizar depois de renovados os ceus e a nas, antes de

terra, e

Alem

havia de incluir os

d'estas ideias veio a

rio entre

resurgidos da morte. d'um estado intermediá-

fieis

o regimen presente e a Victoria

Deus sobre seus

inimigos.

Não podemos

final

de

dizer quanto

estas ideias influiram nas visões de João,

mas con-

tinuamos no nosso ponto de vista espiritual e en-

tendemos que João não está prevendo certos acon-

mas sim interpretando Tornemos a citar Carpenter:

tecimentos

um

que pois,

(1)

«A visão mil-

semelhante a tantas das visões apostoHcas,

lenial,

é

princípios.

quadro ideal; exhibe é

possível aos

um

estado de cousas

homens em qualquer epocha,

para usar a linguagem de Hengstenberg 'Se o


321

mundo

vigiasse e orasse durante mil annos, Sata-

naz nada

A

teria nelle* ...

fligida pela

redempção)

derrota de

é descripta

Satanaz (in-

como uma queda

do ceu (Luc. 10:18), como uma expulsão 12:31),

como um julgamento

já feito

(João

(João 16:11).

O

quadro ideal corresponde-lhes. Satanaz está acorrentado no abysmo, assim como, conforme diz S. Pedro, os anjos peccaminosos são reservados para o juizo nos abysmos da escuridão (II Ped. 2:4). (2) Mas a rejeição do poder e da victoria de Christo adia a realização d'este quadro: a obstinada recusa do Filho do Rei 'Não queremos que este homem

nos governe', interpõe

uma

barreira contra o

cum-

primento immediato da visão ... (3) A visão tem o seu cumprimento approximado, á medida que a Egreja de Christo,

com

na realidade da victoria

de seu Senhor, leva àvante a peleja contra o prín-

mundo

maldade espiritual nos logares altos. O facto que este cumprimento approximado não é sem realidade, pode-se ver pelos successos em que o Christianismo tem substituído o paganismo. Christo já tomou o throno do mundo, o príncipe d'este mundo já foi julgado, a ascendência do pensamento christão e, de princípios chrístãos tem harmonizado e purificado maravilhosamente o mundo. Para um Ireneu, um Polycarpo, um Justino Martyr, um Tertuliano, o quadro do mundo durante os séculos chrístãos teria o aspecto d'um millenio, quando o contrastassam com a era do domínio pagão e da perseguição pagã... De facto os Apóstolos, os cipe d*este

e a

21


322

martyres, os

fieis,

reinam com Cristo...

que os santos resurgem a christandade, lização

ideal...

e reinam

vemos que

approximada,

e

com

Mas

ainda

Christo sobre

isso é apenas

uma

rea-

muito aquém do quadro

Aegreja... pode-se regosijar no cresci-

mento do reino de seu Senhor, mas ella procura ver o dia quando as potencias do mal serão mais effectivamente restringidas e o Evangelho terá mais liberdade. Então se verá mais claramente a plenitude da Victoria de Christo». 1 Chave do abysmo. O abysmo é «a fonte infima de onde veem os perigos maiores». O anjo desce .

com

auctoridade e poder para abrir e fechar.

no seu próprio reino tem Satanaz

Nem

direito e auctori-

dade.

Cadeia.

este o

nosso principal remédio para

o crime. Castigamos o reu e esquecemo-nos de fe-

Formulamos leis sem nos lembrarmos de formar caracteres que naturalmente e gostosamente sigam o bem. 2. O dragão. Repetem-se aqui os quatro termos applicados a elle em 12:9. Quatro é o numero de universalidade terrestre. Elle tem dominado o mundo

char as escolas do crime.

«feroz como um dragão, astuto como uma serpente, o calumniador de Deus e de seu povo e o adversário de toda a justiça». 3. Amarrou. Elle foi preso como os seus dois cúmplices, mas é lançado no lago com elles, somente e demonstrou-se

depois dos «mil annos» e depois da sua tentativa final de vencer o bem, seduzindo as nações da


323

A

terra.

sua prisão pode ser considerada como a

a execução da

Mil annos.

lei

A

contra o mal.

interpretação

literal d'esta

expres-

são acarreta muitas difficuldades. Preferimos pensar

que «incorporam uma ideia; e aquella ideia, ou applicada á subjugação de Satanaz ou ao triumpho dos santos, é a ideia de remate ou perfei-

com

Milligan,

ção. Satanaz é

amarrado durante mil annos,

isto é,

completamente amarrado. Os santos reinam

elle é

durante mil annos, isto

é,

são introduzidos dentro

d'um estado de perfeita e gloriosa Victoria». Elle cita o uso figurado de «sete annos» durante os quaes os israelitas haviam de estar queimando as armas dos seus inimigos vencidos, em Ezek. 39 9. A significação é uma destruição grande e completa. :

Da mesma

maneira interpreta os «sete mezes» em que haviam de se occupar no enterramento dos mortos (Ezek. 39:12). Carpenter, Plummer, Gardner e outros concordam em pensar que «mil annos» não

se

podem entender

E

literalmente.

o lançou no abysmo.

Embora temporariamente

impotente, devido ás cadeias de força superior, o

dragão

fica

incólume e está escondido no fundo do

coração humano. Felizmente agora a

lei

reprime e

condemna o mal, nas suas formas mais grosseiras, mas é apenas o ouropel da civilização moderna. E uma catastrophe qualquer, como a opinião publica

a conflagração europeia, arranca a mascara e descobre a realidade. Durante os lascivos dias do car-

naval o dragão ostenta-se..,

A lei

nâo attinge as raizes


324

do mal. Jesus disse que necessário é nascer de novo. «A parte maravilhosa na previsão do nosso vidente é que a prègação do Evangelho durante o millenio terá êxito somente em parte, ainda que as personificações do mal tenham sido removidas da terra durante este periodo. Envolve isto o facto que cada homem traz no seu intimo as possibilidades do seu próprio ceu e do seu próprio inferno» (Charles). Gardner accrescenta: «E' este um pensamento surprehendente. Temos imaginado que, se pudéssemos eliminar o diabo, se pudéssemos somente dar ao povo um meio apropriado, boas leis, instituições correctas, influencias para o bem, todos ficariam bons e entrariam no caminho de Christo. Não, diz o servo de Deus. Podeis ter uma condição ideal que se

estenda durante

mas

um

vasto periodo de

aquelle que é injusto e

sel-o.

Os homens não

tempo,

immundo continuará

a

estão tão promptos a acceitar

a Christo e seguir a bondade

como podeis

Acceitarão o mal quando de novo

elle

imaginar.

apparecer».

«Elie se apodera do dragão e o amarra durante mil annos; assim elle o encarcera no fosso

da paixão humana. Ahi tendes a

— o Evangelho

lei

no seu papel negativo

lamentos para as fabricas, alugueis de casas

—a

leis

sem fundo

da prohibição

— os

regu-

reguladoras dos

policia secreta efficaz

— um

systema de prisões admirável e efficiente» (Wilson). Ahi tendes também o pacto de Paris. Selloa. Assim foi sellado o tumulo de Jesus. Parece que S. João gosta muito de contrastes e

mesmo


325

de imitações. Vide a «ceia de Deus» (19:17) e a Babylonia em contraste com a mulher ideal do cap. 12, eíc. Branqueia ou mesmo sella o tumulo, porem não destroe o seu conteúdo. O mal é capaz de recrudescer. A ferida de morte (13:3) attingiu apenas uma das suas cabeças. «Isto foi apenas a sua Elba. a Sta. Helena ...A sua sentença final foi o

lago de fogo e enxofre».

A sciencia emnão enganasse. povo sobre os effeitos do álcool; a prostituição é reconhecidamente um cancro social a lotaria um immenso desperdício, dissolvente do caracter; a guerra está completamente desprestiPara que

elle

.

.

fim esclareceu o

giada...

A' luz d'este século vigésimo o povo já

não deve deixar-se

Cumpre que

vem

elle

illudir.

seja solto.

a reacção. Confiantes nas

Depois da campanha leis

decretadas, des-

cansamos. Banidos os horrores das tabernas,

os

norte-americanos toleram o trafego clandestino.

Os

passaram por crises taes que até queriam voltar ao Egypto. Um pouco de tempo. As reacções são temporárias. Primeiro as conquistas da verdade são apenas

israelitas

libertados

intellectuaes. Registram-se as leis correspondentes,

e a raça pára, para tomar fôlego. Cortou-se a arvore

e esqueceram-se as raizes vitaes.

solo e desperta-se

então,

ante

reforma do caracter. Quando a

A

selva invade o

a necessidade da ira

do

Deus o mal será banido mente do mundo. ajuntar á ira de

homem

se

definitiva-


326

4. Thronos.

autoridade

Os

fieis

são elevados a posições de

— Constantino,

:

O

Nitti,

Lloyd

George,

povo de Deus tem um prestigio constantemente augmentado á medida que realiza em sua vida os desígnios de Deus, elle se impõe (vide Wilson.

.

.

;

nota sobre

1

6 e 5

:

10).

Esta prerogativa talvez represente

Julgar.

das

:

as de

autoridade.

Ha

outra

suggestão,

to-

— as

suas vidas reprehendem aos que se deixam seduzir pela besta. Assim, a rainha do sul se levantará no juizo e os ninivitas

dem

condemnarão aos que não atten-

a voz divina (Luc.

11

Luc. 22:30, Mat. 19:28 e

A

Almas.

:

1

31-32;

cf.

Dan. 7:22.

Cor. 6:2).

parte essencial da nossa natureza,

a personalidade, o caracter.

Decapitados. Naturalmente os que morreram por

methodo em nada seriam superiores aos outros Esta classe é mencionada para representar a todos os martyres. Milligan vae alem d'esta ideia: «Aos olhos de S. João todos os discípulos d'um Senhor martyrizado são martyres». Viveram e reinaram com Chrísto. Participaram da este

martyres.

da sua vida

e

da sua victoria sobre o mal, e da sua

perenne autoridade. 5.

rado,

vida

Não

viveram.

Semelhantes a seu chefe amar-

a sua vida e actividade não prevaleciam.

sem

A

Christo é morte (Eph. 2: 10).

Primeira resurreição.

«Esta pode ser applicada

somente áquelle primeiro despertamento do peccado para a vida gloriosa do Evangelho, que S. João em


327

outro logar descreve d'uma maneira semelhante. 'O

tem a vida eterna. que ouve a minha palavra. já passou da morte para a vida' (João 5:24). E' o resurgir espiritualmente com Jesus. João não usa nenhures a phrase 'segunda resurreição' ainda que use as palavras 'segunda morte'» (Plummer). A ideia que a conversão é vida dada aos mortos nos delictos e peccados, é commum no N. T. (vide Eph. 2:1, .

.

.

.

5:14, Rom. 6:5,

II

Cor.

5:15

.

.

e Col. 2:12).

Carpenter também acha que não se deve entender

uma

*viver'

ou

«A palavra menos dezaseis vezes no

em nove

d'estas se applica á eterna

resurreição physica, pois (1)

usa-se mais

Apocalypse, e

Deus o Pae ou de Deus o Filho. Usa-se duas vezes nesta passagem (vers. 4 e 5). Das cinco occasiões restantes em que se usa a palavra, emvida de

prega-se quatro vezes

num

sentido

em que pa-

não ser figuradamente (3:1, 7:17, 13:14 e 19:2J). Alguns poderiam duvidar do uso figurado nesta ultima passagem, mas só uma vez se emprega num sentido que com lealdade se pode defender como literal (16:3). (2) Haverá gente infiel durante o millenio as nações que hão de ser seduzidas (vr. 8). Havemos então de rece impossível tomal-a a

imaginar santos

com corpos

glorificados pela resur-

que ao mesmo tempo é mulheres ainda no corpo na-

reição a habitar na terra,

habitada por

homens

Ha uma

e

a segunda resurreição, descripta

com certeza, é em vers. 12-13:

esta ultima é a resurreição geral

dos mortos, gran-

tural ? (3)

resurreição que,


328

des e pequenos. Parece, portanto, que não ha mo-

adequado para affirmar que esta primeira resurreição precisa de ser pliysica. As nossas noções da vida e da morte são tão circumscriptas pela geographia da terra, que raramente em nossos pensamentos damos á palavra 'vida' a sua verdadeira riqueza e plenitude de significação. Deixamos de nos lembrar que os fieis, que vivem porque Christo vive, teem a promessa da vida que agora é, bem como d'aquella que ha de vir. E esquecemos que Deus não é Deus dos mortos, mas sim dos vivos». 6. Bemaventarado. O autor não se cansa em repetir as bênçãos dos santos de Deus. O uso do singular indica o gozo individual de cada um. Segunda morte. A morte espiritual. Os resurgi-

tivo

dos

em

Christo são isentos d'esta terrível sorte. E* o

lago de fogo

(vr. 14).

Sacerdotes. Este sacerdócio suggere o sacríficio

de

si

rupta

mesmos e com Deus

a sua (cf.

communhão

1:6, 5: 10 e

directa e ininterIsa.

61 :6).

Reinarão. Mais cedo ou mais tarde a verdade se imporá, e os que

com

ella se identificam subirão

aos postos de responsabilidade e autoridade

(cf.l

Esta esperança apresentava immenso contraste

:

6).

com

o estado abatido da egreja perseguida.

O recrudescimento do mal e a Victoria definitiva 7.

Mil annos.

nas Escrípturas.

do bem

O uso figurado Em Deut. 7:9,

de mil é frequente Deus guardará a


329

sua alliança até mil gerações dos que

«como poderia

em um

um

só perseguir mil, e

fuga dez mil ?» (Deut. 32 30) :

em

dia

«pois vale mais

Teus olhos são como o

dia de

(Ps. 90:4).

Solto.

Vide nota sobre

8. Seduzir.

ciencia das truir

porem

teus átrios do que mil» (Ps. 84:10);

«pois mil annos aos

hontem»

;

O amam;

dois

A

vr. 3.

sociedade tranquilizada pela

medidas

legislativas,

effi-

esquece-se de ins-

a nova geração quanto aos perigos do vicio e

sem a opportunidade de observar os effeitos do mal, facilmente se illude. Nações da terra. Aquelles cuja cidadonia está no céu, teem outro gosto e difficilmente são arrastados esta,

para se arregimentarem contra Christo.

«O

um

reinado de Christo

com seus

santos tem sido

testemunho do poder do nosso Mestre sobre o

maligno.

Este

testemunho tem sido também

uma

opportunidade ao mundo. Foi a approximação, na terra,

do quadro

ideal. Testificou

quão inteiramente

'todo o poder no ceu e na terra foi dado a Christo*

como havia, portanto, ao alcance dos homens, o poder d'Aquelle que pisaria os seus verdadeiros

e,

inimigos e voltaria sua

mão

contra os adversários

81:13-14); mas o tempo de opportunidade !' tem de findar. 'Oxalá que o meu povo escutasse é um brado que podia ter seu traslado atravez da (Ps.

historia

das opportunidades perdidas na

terra.

O

Christianismo está plantado na terra para servir de

andaime de poder regenerador para a humanidade,


330

da mesma forma que a Lei e os seus adjutorios foram destinados a serem-no em Israel. Mas, assim

como

naqueila dispensação as

idolatras irromperam,

velhas

influencias

na regra do pacto de Deus,

assim aqui vemos que a visão nos retrata como a Christandade será invadida pelas influencias do maligno,

quando a humanidade deixar escapar-se

esta

esplendida opportunidade d'uma edade verdadeira-

mente áurea.

.

E' claro, portanto,

um

periodo

em que

que o reino millennial não é

o dominio de Christo será uni-

Ha poderes operando que rivalizam, para ganhar as affeições e interesses humianos; mas a acceitação geral dos princípios christãos restringe a acção das forças do mal, e a força benigna de Deus limita o poder do Archinimigo. Todavia, quando se retiram estas restricções, versal e sinceramente acceito.

o mal, reprimido durante longo tempo, irrompe, e as nações reluctantes se reúnem para a guerra já

mencionada em 16:14 e 19:19. Todas as restricções que Christo e o ensino christão teem dado ao mundo, paulatinamente se removem. O Euphrates secca, o Diabo é solto, os espíritos immundossahem, e a ultima phase da longa guerra eiitre o bem e o mal, entre Christo e Belial, se realiza» (Carpenter).

Gog e Magog. Encontramos primeiro estes nomes em Ezek. 38:2 «onde o primeiro indica o príncipe, e o segundo a sua terra mas nos escripto;

que escreveram mais tarde, frequentemente ficaram como nomes symbolicos das

res apocalypticos


331

nações que

nos

últimos

dias

se

levantariam

em

guerra contra Deus e o Seu povo» (Beckwith). «Magog em Gen. 10:2 é mencionado entre os filhos de Japheth, que eram os antecessores das nações do norte

(cf.

Magog

Ezek. 38: 15 e 39:2). Portanto o

nome

do norte que invadiram a Palestina e vizinhanças, cêrca de A. C. 630-600. De Ezek. 39 deprehendemos que Gog originalmente foi um chefe entre estas tribus, e de Ezek. 38: 17 consignifica as tribus

nomes para sympovo de Deus» (Plum-

clue-se que Ezekiel usou estes bolizar todos os inimigos do

mer).

Não

apenas uma batalha mas conflicto prolongado e decisivo. Guerra.

é

Como a areia. Em uma nuvem para cobrir de Jesus

:

Ezekiel o exercito é

um como

Compare-se o dizer «Muitos são chamados mas poucos escoa terra.

lhidos». 9.

Subiram. Conforme a vontade divina, mani-

festaram afinal a sua verdadeira natureza e a sua

opposição á cidade espiritual da nova ordem de cousas. E' o ultimo ataque de desespero. Largura da terra. Pareciam dominar tudo menos o núcleo dos santos. Estes, porem, estão acampados, organizados e preparados; as suas armas espirituaes

estão-lhes

nas mãos

(cf.

Neh. 4:17-18,

João 2: 14 e Eph. 6: 10). Cidade querida. Esta é a sociedade idealizada nos seus corações, pela qual estão promptos a tudo sacrificar.


332

Desceu fogo.

O

elemento prophylactico

espiritual,

cuja apparição é frequente nas Escripturas.

Assim

as cidades da planicie foram destruídas (Gen. 19:24);

os rebeldes contra Moysés (Num. 16:35); os inimigos das duas testemunhas (Apoc. 11:5) etc. As-

sim também Christo purificará a sua eira (Mat. 3:12); Cf. Ezek. 39 6). :

Do

ceiL

A

força

humana

migos. «Não por força espirito,

diz

é inútil contra estes ini-

nem por poder mas por meu

Jehovah dos exércitos» (Zach. 4:6). é capaz de

«Nada senão a omnipotência de Deus, desarraigar o mal do mundo». 10. Diabo. Este, que

foi

expulso do ceu e amar-

rado no abysmo, é agora lançado no eterno tormento

do lago de fogo onde se acham a besta e o falso propheta. Para todo o sempre, afinal, são impedidos de continuar as suas maléficas machinações. Que bênção e gloria, quando o espirito for desprendido das peias do peccado, de maneira que o querer e o effectuar serão idênticos! Naquelle dia

bemdito, a lucta espiritual de Rom. cap. 7 não se

conhecerá mais.

O julgamento dos homens Esta visão segue os traços geraes das ideas de outras

passagens das Escripturas

que tratam do apo-

juizo final, e salienta-se entre outros escriptos

calypticos pela sua simplicidade

poucas

linhas, o

e seriedade.

Em

tremendo facto do comparecimento


333

de todos perante o tribunal augusto, se delinea. Com esta passagem devemos comparar Mat. 25:31-46,

Rom. 14:10, II Cor. 5:10, etc. 11. Grande throno branco. Não apparece mais o arco-iris da promessa, nem o sardio que suggere misericórdia, nem outro ser algum a não ser Aquelle que está sentado para (II

julgar.

A

alma «descoberta»

Cor. 5:10), despida da carne e de tudo que possa

occultar

os

seus sentimentos ou

comparece perante

a sua natureza,

o throno cuja alvura suggere

justiça absoluta.

De jndica

O

cuja presença.

Ao modo dos

Deus por um circumloquio

e de

hebreus, João

forma alguma

descreve.

Fugia a terra e o ceu. A attenção se fixou naquella empolgante presença. Afinal, nada realmente importa a não ser as nossas relações com Elie. As nossas circumstancias, o meio, os costumes, os companheiros, todas as exterioridades fogem, e a alma

nua se expõe á penetrante luz da eternidade II

(cf.

Ped. 3: 10, 13). 12. Mortos. Uns pensam que estes são os maus,

que são mortos em seus dehctos e peccados outros pensam que é uma resurreição geral para o juizo. Grandes e pequenos. As distinções anteriores são agora apagadas (cf. 11:18, 13:16 e 19:5 e 18). Em pé. Para serem julgados. Que força sustentará aos maus para se poderem manter de pé perante este throno? ;

Livros.

Na

alma, no caracter, se regista indele-


334

velmente tudo que se realiza na vida. Cada aspiração, cada impulso,

cada paixão, palavra e acção,

burilam o seu effeito na personalidade e tudo se revela

quando se rasga o veu da carne

8: 17).

Nada

mortos

.

Luc.

.

Outro

livro.

somente o

também

(cf.

se diz sobre missas por intenção dos

rol

Felizmente

não se considera tão

de imperfeições da nossa vida, mas

se olha o registro d'aquelles que

acceitaram a salvação que ha

em

Christo.

pela fé

Este é a

garantia da salvação e o motivo de maior regosijo

Ha que o nome

tal maapagado seja d'este livro ( Apoc. neira 3:5; ct. Apoc. 13:8 e 17; Ps. 69:28 e Dan. 12:1). Segundo as suas obras. As obras demonstram as

(Luc. 10:20).

possibilidade de viver de

suas inclinações e a sua

ou incredulidade. Não

ha indicação de que a morte ou qualquer experiência

depois da morte virá a modificar o caracter.

como cae; «quem está sujo, ainda... quem está santo santifique-se (Apoc. 22:11). Cada um receberá «o que

arvore

jaz

A

suje-se

ainda» fez

por

meio do corpo, conforme o que praticou, o bem ou o mal» (II Cor. 5: 10). 13. Mar. A menção do tumulo aqueo dá emphase á universalidade do juizo. Morte e Hades. Este recebia as victimas d'aquella. Todos foram entregues e obrigados a comparecer perante o throno branco.

si,

Cada um foi julgado. O individuo responde por pessoalmente. «Não ha paciência que eguale


335

esta pesquiza de

nos

Deus para encontrar a acção que

ao Seu benigno

ligaria

intuito.

E

se

tal

registo

não existir, será de admirar se a alma for lançada no lago de fogo ? Mesmo os peores d*entre nós são bastante nobres para sentir o remorso» (Wilson). 1 4. Lançados no lago de fogo. Banido o peccado, o seu salário, a morte, também desapparece Cor. 15:26 e Apoc. 21 :4). E' este

(cf.

l

também o des-

que rejeitam o amor de Deus. A morte do corpo é apenas A uma pallida suggestão da morte do espirito. «Mui terrível é aquella morte espiritual que desconhece e não ama a Deus e da qual Christo nos veio despertar; mais terrível deve ser aquella segunda morte em que o espirito, não sendo já a peccaminosa victima do mal hereditário, se tornou a victima da escolha habitual do mal, amando as trevas em vez da luz e escolhendo a alienação de Deus antes que a reconciliação as alfarrobas dos porcos antes que a casa do Pae. Da plena significação

tino d'aquelles

segunda morte,

das palavras na sua vera força futura, pallida ideia

podemos

ter.

figurativas

penter).

Basta-nos lembrar duas cousas: são

mas

figurativas

de alguma coisa» (Car-


CAPITULO XXI

O Novo Universo. A Nova Era Passou a terrível noite tempestuosa do conflicto do bem e do mal. Este afinal é fulminado e os próprios destroços removidos de uma vez. Agora en-

um novo

a atmosphera

está

purificada e raia a alva d'um dia pristino que

nos

frentamos

principio:

relembra da pureza e goso do Eden.

Encontramos nova Jerusalém Esta

foi

lliante a

tica

interessantes e a

Babylonia

regida pela prostituta,

uma

contrastes já

entre

não existente

mas aquella

noiva ataviada para o esposo

é :

:

a

sememys-

a

metrópole da maldade se assentava sobre as mas a cidade nova tem a sua ori-

turbulentas aguas,

gem de

cima.

A

Babylonia

trafego desnaturai e lascivo c alimenta.

murias,

illude e destroe pelo seu ;

a nova Jerusalém cura

Aquella desapparece entre egoístas

mas

esta,

em

refulgente

la-

esplendor, dura

para sempre. E' de notar também que o conflicto é

em termos de acontecimentos históricos no mundo material, mas ao passar para a cidade celestial não encontramos quasi nada de gosos terrestres transplantados para ella. Na maior parte a descripção é negativa, indicando a ausência de tudo

descripto

é indesejável, e a única

approximação a praze-

res physicos encontramo-los

nas folhas medicinaes

que


337

No

e nos perennes fructos da arvore da vida.

mais,

os prazeres são espirituaes, oriundos especialmente

da ineffavel presença de Deus, Nisto apresenta

um

com

contraste

como por exemplo, o

tações,

e

da sua graça.

outras represen-

paraiso dos Gregos

ou o ceu sensual de Mafoma. Finalmente, no tempo do reinado de Babylonia, a multidão seguia ao mal e aqui e alli os individuos fieis resistiam á onda; mas agora a multidão «está nas ruas da cidade de Deus e é o individuo que ama as suas mentiras e a satisfação de suas paixões e assim se exclue a si próprio da felicidade... Assim como se precisou de sete dias para completar a velha creação, com a

alma do

homem

dentro d'ella, assim sete sellos, sete

trombetas e sete taças, cooperando atravez do mal

para o bem, transformaram a creação

uma nova

ceu e

«A

bemaventurança do premio proaos santos consiste na presença de Deus e

gloria

niettido

em um novo

terra» (Wilson).

e a

com

na perfeita communhão

Elie,

a satisfação de

todos os almejos pela vida divina da alma e a ausência da morte, da tristeza e do peccado»

(Beck-

with). 1

a

.

Novo

terra

creada.

ceu

.

actual

Parece,

.

.

Alguns pensam que, literalmente, destruída e uma nova terra

seiá

porem,

mente a renovação da Carpenter:

tramos novo.

em

«A palavra

que

terra

se e

indica

simples-

do ceu. Assim diz que encon-

característica

toda a parte da descripção é a palavra

Todas as cousas hão de

ser feitas novas

;

os 22


338

ceus e a terra são novos

Ha

a Jerusalém é nova.

;

duas palavras que se traduzem por novo

;

uma

d'ellas

(neos) refere-se a tempo; a outra (kainos) refere-se á qualidade. Uma se applicaria áquillo que recentemente começou a ser; a outra áquillo que demonstra feições incipientes (novas)». Este uso da palavra se vê na sua applicação ao tumulo de Jesus, que era novo somente no sentido de nunca ter sido usado, e aos odres de vinho, no sentido de não terem perdido a sua elasticidade.

«Podem teem a

um

um novo

novo

é

um

caracter novo, adaptado

fim» (Milligan). Para Pedro o elemento

que nelles habita a

uma

mas

ser o velho ceu e a velha terra;

aspecto novo,

justiça

(II

Ped. 3:

13).

65:17; Ezekiel previu uma restauração do templo, do culto e do povo de Deus na sua terra. A mensagem, em uma ou outra Parece

citação de

forma, encontramo-la

Isa.

em

quasi todos os livros pro-

pheticos.

se foram.

O mundo

decadente

já se

O

foi

;

os

4 A cousas que foram. algumas renovação menciona é tão completa que o resultado será como um mundo completamente novo. O mar. D'elle sahira a besta e sobre elle a Babylonia reinara; «o perturbado mar do mal, que não pode ter socego, cujas 'aguas lançam de si lama e lodo' (Isa. 57 20) não se encontrará mais na face da terra, nem perto d'aquella cidade cuja paz é como um rio, e cuja justiça é como as ondas do elementos

deletérios

:

foram

eliminados.

vr.


339

mar

(Isa.

48: 18) e cujos habitantes são libertados

das 'ondas d'este

No

mundo de

peripécias'» (Carpenter).

sereno ambiente celestial não tem logar o

tumultuoso mar que suggeria 2. Cidade santa.

perigos e divisões.

«A visão da nova Jerusalém

pode-se dividir nas seguintes secções: a) a vista ao longe da nova cidade (1-8), b) a medição da ci-

dade (9-17), rio e

o caracter da cidade (18-27), d) o

c)

a arvore da vida (22: 1-5)» (Peake).

Cidade é onde os homens moram juntos e suggere protecção e auxilio mutuo, o intercambio de

pensamentos

e

cooperação

faz os instinctos fraternaes

o

homem

a sós,

estar a sós'

;

nem

em

escala grande. Satis-

do homem. «'Não é bom é

bom uma

nem tampouco um grupo de

familia estar

famílias

;

e esta

visão nos mostra aquele 'evento divino e longínquo'

como sendo realizado na vida corporal da humanidade, numa sociedade tão vasta que nenhum dos filhos de Deus ficará de fora, e todavia tão compacta que o melhor modo de descrevel-a é como a sociedade d'aquelles que moram numa cidade». (Scott). Entendemos que representa a

perfeita organiza-

ção da sociedade prevista por Platão na «Nova Republica», More na «Utopia» e especialmente pelos prophetas de Deus. E' objecto dos sonhos, almejos, sacrifícios

justiça

e

esforços de todos os que procuram a

de Deus.

Nova Jerusalém, Jerusalém

era o centro das as-

pirações nacionaes e religiosas dos judeus. tivo

das Cruzadas

foi

O

objec-

restaurar esta cidade. Jesus


340

predisse a queda da cidade material e ficar a

Os judeus

2:5).

mandou

cidade espiritual (Mat. 28:19-20; persistem

em

cf.

I

edi-

Ped.

materializar esta Je-

rusalém; os romanistas caem no

mesmo

erro

com

a

sua egreja universal exercendo poderes políticos e

em

até,

occasiões, physicos; os espiritistas

certas

dependem de phenomenos Descendo do

que

sensíveis.

ceu. E' este a fonte e

.

origem de tudo

é verdadeiro e portanto edificante e permanente.

Aqui

e

alli

de Babel,

encontramos as ruinas das nossas torres que orgulhosamente projectamos para

cima; no entretanto se nos offerece a «cidade que

tem os fundamentos, cujo architecto e edificador é

Deus» (Heb.

1

1

:

10).

Com immenso

dispêndio cons-

truímos navios de guerra e treinamos os jovens para

matarem os seus semelhantes; e o Príncipe da Paz bate á porta trancada do nosso coração. Lançamos á cara d'Aquelle que disse «Amae-vos uns aos outros», as canções do nacionalismo exaggerado e mesmo «hymnos de odio». Pela lei queremos reformar e governar, em vez de educar e converter pela verdade, carinhosamente ensinada e exemplificada

em nossa

vida.

A

Liga das Nações só garantirá a

paz e a prosperidade á medida que se basear nos princípios de Jesus.

«Com a Jerusalém destruída pelos romanos e a immemorial Paschoa interrompida, a não ser no Gerizin herético, onde era um insulto, todos os marcos d'esse patriotismo fervoroso se desvaneceram e cllc tinha que enfrentar a desillusão que hoje tem


no mundo todo. O que o allemão sente quanto á ruina da sua pátria, a amargura de Vienna, ao notar que é cabeça sem corpo, a inquietação do americano que descobre que mesmo o seu paiz é calcado debaixo dos pés de immigrantes que pouco sabem das suas grandes tradições, a humilhação da Gran-Bretanha sob um império que paulatinamente se transforma em uma mera alliança, o fim de tudo que antigamente se reconhecia como fonte de autoridade na surprehendido milhões de gente

— tudo

Rússia,

leal,

isto illustra a tristeza

de João sobre

a velha Jerusalém que tanto tinha vivido nos seus affectos. d'elle

E

para nós hoje, o valor da

consiste justamente nisso

destruiu a

— que

experiência

quando se

ordem estabelecida na sociedade

e

as

não ficou inconsolável. Em Christo achou mais que aquíllo que Jerusalém jamais tinha sido para elle. Ser judeu ou allemão ou inglês ou americano ou russo instituições foram reduzidas ao chãos, elle

podia envolvel-o

mas

ser

homem

em desappontamento

e anciedade,

de Christo queria dizer esperança

— a visão

d'uma sociedade nova e melhor, surgindo dos eternos alicerces do amor e da justiça, ao redor da pessoa de Deus e o Cordeiro» (Wilson). Da parte de Deus. Carlyle dizia que o homem e a sociedade soffriam porque se esqueceram de Deus. Estamos começando a reconhecer que todo o progresso real e douradouro é oriundo d'Elle. O tabernáculo foi construído no deserto conforme o modelo visto no monte (Act. 7 44) assim a nova sociedade e visão

:

;


tem de ser construída conforme a visão que João viu.

Pela dupla figura,

Noiva.

— cidade

e

noiva

notamos que a interpretação é necessariamente espiritual. O symbolismo elaborado que segue é muito suggestivo para os que estudam os problemas sociaes.

Adornada. Jesus a preparou e santificou para a apresentar a Si mesmo sem macula e sem ruga (Eph. 5:25-27). A cidade é como uma immensa joia

em que

ciosas.

O

d'Elle,

e

estão engastadas as pedras mais pre-

povo de Deus é preciosíssimo á vista a vida do seu povo se embelleza pelas

suas valiosas virtudes.

Grande

3.

voz.

E'

imponente a

falia

do throno

divino.

Tabernáculo. Symbolizava para Israel a perpetua

presença de Deus.

mens; panha bilita

Elie ;

Em

7:15 estava sobre os hopessoalmente os acomum novo espirito que os ha-

os protege

forma nelles

a formar entre

si

e,

a mais bemdita sociedade

representada pela cidade santa e

com

elles entra

na

mais intima communhão, representada pela união entre marido e esposa. No V. T. constantemente Deus é representado

como querendo governar

a Israel e

no seu meio (Lev. 26:11-12 e Ezek. 37:27-28). Os prophetas previam o restabelecimento de Jerusalém, mas entre os seus escriptos encontramos também expressões do mais terno amor de Deus pelo seu povo, na figura da noiva (Ps. 45:13-14,

habitar


Isa.

61

:

10 e 62:4-5).

A

paixão de Deus pela hu-

manidade se exprime, na sua perfeição, na Incarnação, e continuamente se manifesta na vida d'aquelles que por Elie são regidos. Christo bate á porta do coração (Apoc. 3 20). :

Serão o seu povo. Elie é como o bom pastor, a quem as ovelhas pertencem. Ainda mais, seu povo é como a menina dos seus olhos (Deut. 32:10 e 8), de maneira que os seus minimos soffrimentos já são sentidos por Deus. Deus mesmo estará com elles. A deliciosa conversação do Eden ha de se realizar de novo. A própria Divindade será companheira dos homens. O

Zac. 2

:

pastor está 4.

com

as ovelhas dia e noite.

Enxugará toda a lagrima. Como a mãe

cebe a

um

filho

25:8, 65: 19 e 51 Jerusalém acabará

attribulado e o conforta 11).

:

tristeza.

Não haverá. «Esta esplendida vem como arautos da paz :

reIsa.

Aquelle que chorou sobre

com toda a

tivos

Jerusalém

(cf.

comitiva de negapositiva da

nova

o mar, as lagrimas, a morte, o pranto,

o choro, a dor

;

com

as primeiras cousas, estas seis

sombras desapparecem da vida» (Carpenter). Se existisse na terra semelhante região, quão grandes não seriam os esforços dos homens para aproveital-a

!

No

emtanto, entre os crentes e estas paragens

ambicionadas ha apenas o estreito

rio

da morte e

deveras, no lado de cá temos o ante-gosto d'aquelle

goso

e paz.

«Onde

está, ó morte,

o teu aguilhão ?»

«Christo destruiu a morte e trouxe á luz a vida e a


344

immortalidade pelo Evangelho»

Tim. 1:10). «Seguramente virá o dia em que os túmulos e os cemi(II

monumentos funerários serão tão obsoletos quando o vestuário de luto será uma memoria quando entraremos na sua gloria com cânticos, assim como fizeram os 'primitivos chris-

térios e

como

Ídolos

tãos» (Wilson)

(cf. Isa.

35: 10 e 51

:

11 etc.)

Primeiras cousas. As tribulações até agora ex-

perimentadas.

Sentado sobre o throno. Aquelle que Primeiro foi visto por João (Apoc. 4:2). 5.

reina.

Faço novas.,. Parece indicar renovação

e

creação, para substituir algo já destruído.

O

não

facto é

que o autor se importava com o resultado, e o methodo da sua realização era cousa secundaria. Em Mat. 19:28 a palavra «regeneração» éa usada (cf. Isa.

65:

17,

66:22

e Ps. 102:25-26).

Doze vezes João recebe esta ordem. E' mandado escrever a cada uma das sete egrejas e cinco vezes é mandado registar a mensagem, de Escreve.

maneira que sirva para todas as gerações,

em

toda

a parte. Fieis e verdadeiras. Por mais incrível que pareça, ha uma realidade que corresponde a esta serie de visões. Realmente é a nossa incredulidade o maior impecilho para a sua realização. A mesma phrase que se applica ás palavras se applica ao próprio

Christo

em

As dores

19: 11

— são tão verdadeiras como

e tristezas

Elie.

da vida marcaram-se a fogo


345

tão profundamente

em nossa alma que

é quasi

possível imaginar a nossa existência sem 6.

Deus

Tudo está cumprido. Dito affirma

uma cousa

é

o

im-

ellas.

«Quando

e feito.

mesmo como

se já

«Duas vezes neste livro se diz 'Está feito', primeiro quando se cumpre a ira de Deus em 16:17, e outra vez aqui, quando se renovam todas as cousas» (Bengel). A parte de Deus está feita; a consummação se realizará quando, fosse feita» (Gardner).

por nossa

e

nossa vida, ratificarmos os actos

d'Elle.

Omega. A expressão

é usada quatro que affirmo, também origino, e eu que origino levarei á consummação. Aquelle que começa aperfeiçoará a obra. Elie não nos deixa a viver apenas pela esperança. Aqui e Aquelle agora existem as fontes da agua da vida. que sinceramente deseja communhão com Deus pode-a gozar. 'A sêde de Deus se sacia na relação de perfeita filiação com Deus'» (Gardner). Sêde. Expressão vívida do sentimento das necessidades espirituaes. Recebemos conforme o nosso desejo. As aspirações, que no fundo são realmente as nossas orações, determinam a capacidade de receber; e achamos aquillo que buscamos. A Samaritana, ao cultivar uma nova sêde, recebeu a agua da vida (João 4: 10); os que teem sêde de justiça se-

Alpha

vezes no

e

livro. «Isto é, eu,

.

rão fartos

(cf.

22: 17).

Gratuitamente.

sem

dinheiro e

.

A

graça de Deus, a salvação, é

sem preço. A todos

é offerecida

sem


U6 commutação alguma. A sabedoria clama nas offerecendo

as

suas

incomparáveis

(Prov. 3) e o único preço que

dono de tudo que nos

é

ruás,

mercadorias

Deus pede

é o

No

prejudicial.

aban-

emíanto

ainda traficam aquelles que pretendem fornecer valores espirituaes a troco de dinheiro

A

!

única con-

dição que Deus impõe é «sêde», o desejo e a capa-

cidade de receber seq. e 63:

(cf. Isa.

44:3, 55:

1

e Ps. 42:

1).

Embora sejam

7. Vencedor.

os adversários os mais

que se possa imaginar, como os vemos neste livro, mesmo o dragão e seus sequazes e a hedionda Babylonia, não ha sequer uma única duvida quanto ao desfecho, e os fieis participam da victoria, emfortes

bora a sua parte na lucta pareça ser apenas conser-

varem-se

fieis.

mencionam no João 16 33). Herdará,

Estes são os «vencedores» que se fim de cada

uma das

sete cartas

(cf.

:

O

premio não ganho pelos esforços

não o salário de obras feitas Serei o seu Deus. Mais uma expressão do desejo secular de Deus, de estar unido com os seus filhos. Na simples relação de pae e filho está consummada a vontade divina para comnosco. Sendo d'Elle nascidos venceremos ao mundo, «e esta é a victoria

que venceu o mundo, a nossa fé» (I João. 5 4). 8. Medrosos. Agora vemos o reverso do quadro :

os vencidos. Oito classes são mencionadas,

cujos

caracteres as excluem, pois «não entrará cousa al-

guma impura»

(vr. 27).

«As abominações aqui men-


â4t

cionadas se referem ás de 17:4». Naturalmente òâ salvos não foram perfeitos na sua vida,

mas deixa-

ram de amar as suas imperfeições e foram lavados no sangue de Christo, foram perdoados e purifi-

cados de maus desejos.

Lago que

Terrível figura de

arde.

remorso e

que alimentaram o espirito, do pó da cinza do peccado; que desprezaram o amoroso convite divino que peccaram contra a sua na-

afflicção d'aquelles

e

;

tureza e ultrajaram a

de Deus escripta nos seus

lei

membros. Recusando a vida offerecida em Christo colhem a morte

espiritual.

Descripção e medição da cidade Naturalmente esse immenso cubo que

mado

cidade, precisa ser estudado

é

cha-

como uma fórma

imaginaria, cujas características physicas teem de ser interpretadas conforme o que

suggerem aos

lei-

de João. «A metade dos erros da egreja tem sido devida aos homens de mente prosaica que não

tores

podiam discernir a differença entre figura e facto; e homens de temperamento anti-poetico e vehemente teem confundido estas descripções, e os seus erros teem desacreditado todo o Apocalyse aos olhos de alguns» (Carpenter).

«A nova Jerusalém. realmente é a figura, não de um logar, mas de um povo. Não é o ultimo lar dos remidos, mas os próprios remidos. É 'a noiva, a .

.

esposa do Cordeiro'.

.

.

A nova

Jerusalém

já veio,


â48

tem estado em nosso meio durante mais de 1800 annos. é a condição ideal do verdadeiro povo de Cliristo. em todas as epochas. Talvez o quadro não se realizasse ainda completamente, mas cada bemaventurança delineada na sua tela, em principio, .

.

.

.

pertence ao crente de agora e será mais e mais sua,

na sua experiência actual, á medida que abrir os olhos para ver e o coração para receber». (Milligan).

As esperanças dos judeus focalizavam Jerusalém, na Palestina, cidade que havia de ser a capital

não somente Isa. 60

universal, ritual,

9:9

conforme

politica :

1 1

mas também

sq. e Zach. 8

mas ao mesmo tempo

sq.,

:

espi-

22 sq. e

existia a ideia

de

outros centros de culto a Jehovah, por exemplo, o

Egypto

(Isa.

19: 19) e

um

culto puro universal (Mal.

1:11) não era desconhecido. calizavam Jerusalém (Isa. 65 35

:

Mas :

19,

as esperanças foetc.)

e Sião (Isa.

Parece que o nosso autor conseguiu espi-

10).

ritualizar

essa esperança.

Um

dos sete. Fora um d'estes agentes da ira de Deus que mostrara também a corrupta cidade de 9.

Babylonia e a sua sentença a João. «Não é pelo evitar o juizo que a humanidade jámais attingiu o bem-estar,

mas pelo

acceitar o juizo

trar-se a misericórdia 1

0.

Monte.

cípios do

Num

com

— pelo encon-

a justiça» (Wilson).

monte, Jesus proclamou os prin-

novo regime que veio estabelecer; num

monte os Apóstolos O viram transfigurado; num monte Elie também foi visto com os remidos (14: 1).


349

Para contemplar a besta temos de descer á praia e

do mesmo nivel contemplamos aquella que se assensobre muitas aguas. Para contemplar as glorias futuras e comprehender a verdade de Deus, necesta

sário

mo-nos, orar. 1 1

tual

.

para cima, subir, aspirar, consagrar-

olhar

é

.

Tendo a gloria de Deus.

A

sua gloria é espiri-

—o seu encanto, a presença divina. Em 15:8 esta

gloria excluía todos, até se

gas

(cf.

Seu

Ezek. 43 brilho.

:

5 e

Isa.

cumprirem as sete pra-

60:

1).

Primeiro a cidade é

descripta

do

lado de fóra.

uma pedra

Jaspe, «Provavelmente é e clara

como o

crystal, retendo,

verdeado pertencente ao jaspe. cidade era lustroso

como o

transparente

porém, o tom es-

O

brilho geral da

brilhante,

porém tempe-

rado pelo mimoso verde do arco de esmeralda que varria o throno» (Carpenter).

12. Muro. Christo derrubou o muro que separava os povos (Eph. 2: 14) mas aquillo que separa e distingue o povo de Deus do mundo, ainda existe, e é grande e alto.

48.

Doze portas. Comparar a descripção com Ezek. A menção das tribus nos lembra da sua dispo-

sição ao redor do tabernáculo no deserto

7 5-8). :

feito

Embora muralhada, a cidade

ingresso por todos os lados

;

(cf.

Apoc.

offerece per-

a graça divina e

o convite de entrar se estendem a todos.

Doze

anjos.

«As guardas angélicas das portas


350

1

um

são

toque isaianico accrescentado ao quadro de

Suggerem segurança. Doze fundamentos. Correspondiam ás doze secções entre as portas. Os nomes dos Apóstolos,

Ezekiel». 14.

que esta cidade se baseia no Evangelho. A nova ordem social será fundada nos moldes do ensino de Christo (cf. Epli. Ped. 2:4-6). 2:20, Mat. 16:18 e inscriptos nos

alicerces,

indica

I

Canna de ouro. Nós dizemos a regra áurea. «Tudo que quizerdes que os homens vos façam, fazei-o assim também vós a elles» (Mat. 7:12). 15.

Será esta a medida-padrão para todas as transac-

um

ções e relações na nova Jerusalém. Paris tem

metro padrão de; platina, para usos commerciaes;

pesos e metros padrões verificam a seriedade dos foi pesado e achado em

commerciantes. Belshazzar falta

(Dan. 5:27).

Medir. «Elie mede, para dar las

proporções»

A

cidade.

O

(cf.

governo, as

a organização social. Cor. 3:9).

também

O

emphase às suas

bel-

Ezek. 40 e Apoc. 11:1). leis,

Somos

o espirito do povo,

edifício

conceito é espiritual

de Deus

— esta

(1

«cidade»

é «noiva».

Suas portas. O seu commercio. Muro. A segurança de um paiz consiste no ca-

Em 3:12, ao vencedor se columna no sanctuario de Deus e sobre ella será escripto o nome da nova Jerusalém. 16. Quadrangular. «Os gregos consideravam o

racter dos seus cidadãos.

promette ser

elle

quadrado o symbolo da perfeição» (Charles). «O


351

um

cubo era symbolo da perfeição para (Moffat).

O

serto era

um

Doze mil

cubo. estádios.

Approximadamente 2.400

lometros, ao redor ou, mais provavelmente, lado.

judeu»

logar santíssimo do tabernáculo no de-

ki-

em cada

«Taes dimensões desafiam a imaginação

e

são

permissiveis somente na linguagem do symbolismo»

(Swete). «É evidente que se pensa na cidade

como

sendo idealisticamente perfeita e não conforme a possibilidade das cousas» (Milligan). «Assim como no caso do tabernáculo em Jerusalém, do Hexateucho, assim aqui

:

a symetria e a harmonia da vida

divina são ingenuamente representadas pela phantasia oriental

tectura...

em termos de mathematica

A

descripção toda se edifica

plos de doze,

um numero

de archi-

e

em

múlti-

sagrado de acabamento»

(Moffat).

Cento e quarenta e quatro cubitos. Uns se-

17.

tenta metros. Alguns

Achamos

sura.

lhes

physicos,

pensam que se

prejudicial

cidade,

uma

nos deta-

a não ser que seja para ver a sua

significação espiritual. «Se

o muro é

refere á gros-

fixar attenção

pudermos considerar que

linha de defeza exterior, distincto da

então podia muito

contra a entrada dos

maus

bem e

servir

como defesa

immundos»

(Charles).

Medida de homem Afinal os padrões entre os homens correspondem aos celestiaes. .

18.

,

Jaspe. Vide notas sobre vr.

11

e

4:3.

A

presença radiantíssima de Deus protege ao Seu povo e exçlue toda a malignidade.

Em 4:3

esta gloria se


352

manifestava sómente na sala do throno :.aqui, na ci-

dade toda

De

e até

por fóra

ouro. Preciossima.

d'ella.

O

como um

siderado I

como a me«Pode ser con-

seu povo é

nina dos seus olhos (Deut. 32: 10).

signal d'opulencia (Ps. 72:15,

Reis 10: 14-21) da cidade real;

mas

as riquezas

d'aquelia cidade são o amor» (Carpenter).

Vidro puro. Isto suggere que o ouro é absolutamente puro (cf. Zacli. 13:9). O brilho era tão offuscante que párecia uma luz emanando do coração d'um metal transparente. Nada havia para ser encoberto. Perfeita verdade, sinceridade absoluta

ali

pre-

dominava. 19. Fundamentos. Os próprios alicerces scintilavam com preciosidade. «As doze pedras preciosas que compõem os doze fundamentos do muro correspondem em sua totalidade ás pedras engastadas

no

peitoral

39: 10-13,

do summo sacerdote (Ex. 28:17-20,

Cf.

Ezek. 28: 13)» (Charles). Nestas penomes dos Apóstolos

dras fundamentaes, porem, os

substituem os das tribus.

mes das

Em

tribus são escriptos

Ezek. 48:31, os no-

nas portas.

«A

da

qual nasce a sua visão é histórica, é aquella que é

conservada em nossas Biblias, tem o seu centro em Christo, nasce

em Abrahão»

(Gardner).

A

esplendida

collecção de matizes nos insinua a concepção da

aurora d'um novo dia, d'uma nova era. 21.

Doze

pérolas.

«Eu sou o caminho, disse nosso

Senhor. Elie é a porta d'entrada, e Elie é semelhante á pérola de grande preço».

A

pérola é a única pe-


353

'

dra preciosa qu? se não lapida.

A

accrescentar á sua belleza natural.

Alem

arte

nada pode d'isto ella

é

formada por forças vitaes e é o resultado de soffrimento, conflicto e victoria. Assim a nossa philosophia e sciencia nada podem accrescentar á verdade de Christo e ao seu modo de vida. A entrada na perfeita paz de Deus é o caminho do soffrimento, conflicto e victoria que Elie pisou. Bunyan nota que as portas não são medidas, porque «Christo, o caminho, está alem de toda a medida». A cidade tem a medida de homem, avoluma-se em nosso horizonte conforme a medida da nossa fé. A entrada é trez portas em cada um dps quatro abundante, lados, sem possibilidade de exclusão para qualquer que sinceramente procura entrada; mas ha uma só qualidade de porta.

A

rua.

«O nome

indica o conjuncto das ruas, ou

talvez melhor, refere-se á única rua larga, caracte-

d'uma cidade oriental» (Beck\A^ith). Ouro paro. As riquezas e as bellezas são postas completamente á disposição do publico e consagradas ao bem-estar commum. Óptimas escolas publirística

cas, bibliothecas, hospitaes, orphanatos,

— todos os

recursos existentes são accessiveis a todos.

Em

tal

rua de paz e bemquerença entram os homens, o commercio é despido de todos os seus senões e

todos cooperam para a prosperidade

commum, por-

que «afinal se recobrou o talento do guardanapo da posse egoista». 22. Não vi nella sanctuario. «Ao principio, nada 23


354

de novo se depara na nova Jerusaleíi. Muros e portas, ouro, arvores e rios

Nada

Babylonia.

— ver-se-hia tudo

isto

na antiga

se diz acerca de carros e telef)tio-

e arranha-ceus ... O que tornava a cidade «nova» era evidentemente algo differente algo invisivel no ar algum espirito de vizinhança que os homens respiravam uma presença, um cuidado

nios

organizado e pessoal de cada

um

—a — os

para todos

paternidade operando atravez da fraternidade

materiaes existentes, afinal applicados ao seu uso pró-

Para se encontrar com Deus, o povo não preir em dias especiaes para logares especiaes á.egreja ou á synagoga. Afinal raiarão dia quando, nem em Jerusalém nem em Samaria, os homens adorariam ao Pae, mas antes O adorariam em toda a parte, em Espirito e em Verdade» prio.

cisava mais de

.

.

(Wilson). Jesus predisse a destruição do templo, e a espe-

rança de João, quanto ao culto, é perfeitamente espiritualizada.

Jeremias

approximou-se d'esta

ideia

disse (3: 16) que a arca não havia de figu-

quando

mas Paulo é mais de«Agora vemos como por um espelho em clarado enigma, mas então face a face». Paulatinamente esrar

mais no culto de Deus

;

:

tamo-nos despojando de ceremonias e formas que, em vez de nos revelarem a Deus, occultam o seu Espirito do nosso. O verdadeiro sanctuario é o coração. O nosso corpo é templo do Espirito Santo. e o Cordeiro são o seu sanctuario. Nesta Deus, nova era «o directo, e cônscio serviço de Deus não .

.


se limita a qualquer porção do nosso tempo ou vida

ou pensamento

;

e viver é

existir é servil-o a Elie,

adorar. Portanto não ha lá sanctuario» (Scott).

23.

Não

precisa do sol.

O

.

.

esclarecimento e a

illuminação espirituaes ultrapassam muito aos lumi-

nares do dia e da noite.

deixam de funccionar. justiça raiaram

em

Não

A Luz

se affirma que estes

do mundo e o Sol da

seu fulgor, o Pae das luzes mani-

festa a sua gloria ineffavel

;

então a lua se confunde

e o sol se envergonha (Isa. 24:23;

A

cf. Isa.

60: 19).

gloria de Deus. Essa gloria encheu o taberná-

culo (Ex. 40:34) e o templo

(l

Reis 8: 11). Assim a

sua luz ha de permear a sociedade. Candeia. Isto é apenas a continuação do paralel-

lismo de Christo e Deus. «x^final descobre-se que

o Redemptor é a Luz do mundo e que ninguém que seguir andará nas trevas, sejam estas de duvida ou de desespero, do odio ou do peccado» (Wilson). O rosto de Moysés reflectiu a gloria de Deus. Quem não almeja o dia em que todos os homens reflectirão continuamente a graça de Deus em suas vidas? «Aquelle que faz os justos brilharem como as estrellas, e as suas egrejas as faz brilhar como luzes no mundo, será Eile mesmo a Luz e o Sol do

O

seu povo notar de

este O verá assim como Elie é. Deve-se novo que o emblema do Cordeiro se usa :

para descrever a nosso Senhor neste

no da obra de Christo na terra nunca se oblitera ainda no intenso esplendor e gozo d'aquella cidade de luz, a ultimo versículo,

bem como no

14.

logar

e

A memoria :


356

lembrança d'AquelIe que

foi

levado

como um

cor-

deiro para o matadouro dá profundidade e plenitude

ao seu gozo» (Carpenter). 24. i4s nações caminharão tre a egreja christã

.

.

Que

contraste en-

de hoje e as pequenas e acanha-

das congregações do tempo de João O bom êxito das communidades ahristãs tem attraido a attenção !

das demais. As nações antigas pensam na possibilidade d'estabelecer uns «Estados Unidos da Europa» a limitação do trafego das bebidas alcoólicas^ ;

onde tas.

é

experimentada attrae o estudo dos estadis-

Estuda-se a força da Inglaterra e a sua rainha

declara que reside no facto que é

a Biblia.

05

uma nação que

.

reis

da terra...

Sabá trouxe a sua

Assim como a rainha de

gloria á corte de Salomão,

— veio

também ella apprender. Actualmente os estadistas do mundo todo procuram estabelecer uma união dos homens em bases verdadeiras e portanto permanentes

(cf.

Ps. 72: 11 e 17).

25. As portas não se fecharão.

Num

universo

novo não ha perigo de roubo ou assalto. Deveras na nova ordem todos vivem para dar e não para receber. Por outro lado os filhos das trevas não escondem-se no supportam essa penetrante luz, elemento que lhes é próprio, assim como Judas sahiu da companhia santa. Mas as portas estão con-

tinuamente abertas para dar entrada a

a luz

(cf. Isa.

60:

quem procurar

11).

Noite não haverá.

A

luz eterna illumina a cidade


357

durante o eterno dia.

cado que

traz

para o coração — se

traz a noite

o sempre.

«Tudo que escurece

a noite para a alma

Em

paz de

dia,

;

— o pec-

a tristeza

que

banirão para todo

as portas da cidade es-

nem pode haver alli noite, pois Deus, o Todo-poderoso, é o sol» (Carpenter). 26. i4 ella trarão a gloria. Hoje o nome de chrislão é honrado em todo o mundo. No Brasil «Biblia»,

tarão abertas

;

«Protestante», «Evangélico», tornaram-se

peitados por todos.

Tão admirável

nomes

res-

era semelhante

visão para S. João que elle torna a repetir a asser-

ção do vr. 24. 27. Não entrará cousa alguma impura. Embora as portas estejam abertas, o ambiente lhes é tão in-

como o são os raios solares aos micróbios. Nosso Deus é fogo consumidor para toda a injustiça (cf. II Cor. 6:17 e Apoc. 18:4 e 21:8). supportavel


CAPITULO 1.

XXII

O mesmo

Mostrou-me.

anjo agora indica os

benefícios recebidos pelos habitantes,

—a

agua da

vida, fructos perennes, folhas medicinaes, a presença

continuamente manifesta de Deus e do Cordeiro. João agora parece entrar na deleitavel cidade e vê cousas que nos relembram do paraiso que os primeiros paes perderam.

mesma

Rio, Charles pensa que este tem a

ficação espiritual que

em 7:17

Um kiel

signi-

«as fontes da agua da vida»

«agua da vida» em 22:17. rio irrigava o Eden (Gen. 2: 10). O rio de Eze(cap. 47) augmentava cada vez mais em seu e

21:6

e a

curso, trazia saúde, alimentava

com os seus peixes

e irrigava as arvores fructiferas que produziam fructo

todos os mezes e cujas folhas serviam de remédio.

também tornou saudáveis

Elie

aguas do mar.

as

Zacharias prevê que aguas vivas sahirão de Jerusa-

lém tal

e,

e

repartindo-se, irão metade para o

Em

metade para o mar occidental.

2: 13 contrastam-se as cisternas rotas

de aguas que é Deus.

como

a

Palestina

Numa

vemos

terra de

bem

a

mar orienJeremias

com

a fonte

pouca chuva força da fi-

gura.

Resplandecente.

As suas límpidas aguas,

desli-

sando naquelle reino de perfeita paz, reflectem a áurea refulgencia que orla o seu leito.


359

Throno. Deus é a fonte de todo o bem.

Em

Eze-

do sanctuario. 2. No meio da sua rua. Accessivel a todos. Nenhum bairro é privilegiado. «Se alguém tiver sêde, venha a mim e beba» (João 7 37). D'um e d'outro lado. Parece um bosque, como kiel sae

:

em

Ezekiel.

Doze

Nunca haverá

frucfos.

Conforme o

falta.

nosso dia será a nossa força (Deut. 33 25, :

cf

.

Prov.

30:8 e 3: 18). Para a cura. Onde reina a perfeita lei de Deus não pode haver enfermidade, soffrimento ou morte. Elie sara todas as nossas enfermidades (Ps. 103:3; Cf.

147:3

e Isa. 30:26).

3. Maldição.

«A

ignorância,

a dor e a morte já

se foram, porque a maldição, a sua causa, afinal se

levantou de cima d'aquelles que são chamados para a

cidade do

lar.

«Maldição» representa o peccado

em

seus effeitos sobre a vida humana, representa o pec-

cado no seu papel de annuviar e perverter o conhecimento de Deus, e de semear na constituição do homem as sementes da doença e da dor, de introduzir dentro da sociedade humana as forças divisoras do egoismo e da crueldade, e de dar á morte o seu aguilhão» (Scott).

Seus servos. «A palavra traduzida «servos» é a

mesma que os Apóstolos usavam quando fallavam em si próprios como sendo escravos de Jesus Christo, II

possuídos e empregados por Elie Ped.

1-: 1,

lud. vr. 1»

(Carpenter).

(Phil.

1:1,


360

Servirão,

O

'

céu não será

um

monó-

estado de

tona inactividade.

Verão a sua face. Isto para o mortal é impossíemquanto na carne. Aos puros de coração é

4.

vel,

promettido este insigne privilegio.

«Quem me

dera

que soubesse onde o encontrasse» (Job 23:3) exprime o ardente desejo dos filhos do Altíssimo. Nós o «veremos como Elie é», diz o coração d'aquelles que O amam (I João 3:2). Havemos de ler na sua face o que é do seu agrado e respeitar absolutamente a sua perfeita vontade (cf. Ps. 17:5 e Mat.

«O que? Qual a necessidade de um mundo o são ?. Este

5:8).

templo, pois as paredes do

.

.

Semblante, tão longe de se desvanecer, antes cresce, torna-se o

meu universo que

sente e sabe»

(Brown-

Moffat cita estes versos e conta o caso

ing).

rabbi cego que despediu lavras

umas

visitas

com

um

xle

estas pa-

«Tendes visitado uma face que se vê mas

:

que não vê; oxalá sejaes considerados dignos de Face que vê e não é vista». João não ten-

visitar a ta,

em

logar algum, descrever a ineffavel Presen-

A

nos dá da divindade é de offuscante e puríssima luz. Esta promessa refere a mais um privilegio perdido no Eden pelo peccado.

ça.

.

.

impressão que

O Nome blia,

elle

estará nas testas.

Nome

indica,

na Bí-

caracter. Reflectirão a divindade na fronte (cf.

3:12,7:3, 13:16

e

14:1). «Seremos semelhantes

O veremos como Elle é» (1 João 3 2). «Aquelles que são semelhantes a Deus veem-0, e

a Elle porque

aquelles que

O vêem

:

são semelhantes a Elle (Mat.


361

5:8). 'Virá tempo quando o serviço de

contemplaI-0

Deus será a

ainda que nestes mares tempes-

e

;

tuosos, onde agora

somos

batidos, aqui e além se

vê obscuramente o Seu Espirito na face das aguas, e somos deixados para lançarmos ancora desde a popa e esperar anciosamente o dia, o dia virá

quando, com o evangelista no mar crystalino e estável, todas as creaturas de Deus serão cheias de olhos por dentro, e não haverá mais maldição,

O

os seus servos (Ruskin 5.

mas

verão a Sua face»

por Carpenter).

cit.

Não

servirão e

haverá mais

noite.

Neste glorioso estribi-

lho temos a reaffirmação das três affirmativas de

21:23, 25, 27. «noite» já se

Candeia.

Ti^^do

o que se pode affigurar por

foi.

As especulações

e theorias se substi-

tuem pelos factos averiguados por aquelles que vêem, em contacto directo com o universo de Deus. Sol,

A

luz espiritual.

É independente de qualquer

circumstancia physica.

Deus os toda é

feita

illuminará. Claro

para

é

que a desçripção Sem a Presença

fins espirituaes.

nesta cidade imaginaria, que offusca lho e illumina

com

com o

seu bri-

a sua pura e penetrante luz, a

como um diamante de dimensões quasi planetárias, seria apenas uma bolha de ar, o febril sonho de uma mente transtornada pela perseguição e o desterro. «A face que os santos verão, em vr. 4, brilhará sobre elles em bênção etercidade que

scintilla

na» (Charles),

(cf.

Ps. 4:6, 89: 15, etc.)


362

Assim termina a serie de visões, no brilho do eterno dia d'Aquelle que é nosso sol e escudo, e

com

Elie

os filhos da luz reinarão pelos séculos dos séculos. 6. Fieis e verdadeiras.

A

incrível visão

não

é chi-

merica; o autor é o próprio Deus e a sua realiza-

ção é retardada somente pela

falta de fé e consagração da nossa parte. Pela terceira vez se assevera a veracidade da mensagem.

7.

Venho á pressa. Elie

veio, continuamente

vem

e virá. Continuamente bate á porta

do individuo e da conectividade. Não se indica se estas palavras são uma citação feita pelo anjo ou se Christo falia directamente.

Bemaventurado o que guarda. «Não é pela leitura ou pela admiração, ou pelo fallar, mas pelo guardar, que vem a bênção. Quem ama a Christo guardará os seus mandamentos (João 14: 15), assim como Christo amou seu Pae e guardou os seus mandamentos (João. 15: 10). Aquelles que guardam os dizeres ou palavras de Christo neste livro, permanecerão firmes, assim como aquelles que edificaram sobre o rochedo (Mat. 7 24-25). A bemaventurança de Christo para taes, é a victoria sobre a morte. 'Se alguém guardar a minha palavra, nunca jámais :

verá a morte' (João 8:51)» (Carpenter). 8. Ouvi e vi. É testemunha pessoal. João

af firma

soiemnemente que ouvira a mensagem mandada por Deus e confirmada por Christo. Não é sonho vão, nascido dos seus almejos, mas sim uma revelação. Prostrei-me. Duas vezes João cahiu no erro


363

tão

commum

duas vezes

home-

entre o nosso povo, de prestar

nagem exaggerada foi

a

uma

19:10); e somente perante

creatura

reprehendido.

É

(cf.

Deus que devemos curvar-nos e ao proceder em contrario degradamo-nos a nós mesmos e quebramos o segundo mandamento. «Adora a Deus». 10. Não selles. Daniel foi mandado sellar (Dan12:9-13), pois a consummação era remota, mas agora o tempo está próximo. 11. Injustiça... As duas classes de peccados

mencionados, o peccado contra a sociedade e o peccado contra si próprio, representam todo o peccado e

parece que o ensino aqui não é tanto. que a vinda

está tão perto

que não haverá tempo para modifi-

cação do caracter, mas que a vida vindoura será realmente

uma

continuação da vida de agora

— que

a morte não nos modificará, o sepulcro não trans-

formará o caracter. Os livros

que serão abertos suggerem os caracteres que se formam atravez dos annos pelos pensamentos, palavras e actos. O caracter persistirá; os gostos, as aspirações, não perecem com o corpo. Quem escolhe a luz é, durante a eternidade, filho da luz; quem rejeitar a amor de Christo nesta vida não ha de querer com (20: 12)

Elie habitar na vida futura.

«Á medida que o coração

e a

vontade do

homem

realmente se inclinam para o mal ou o bem, a alliança

que

elle

tem escolhido tem a tendência de progresso um ou de ou-

continuo no sentido do triumpho de tro» (Milligan).


364

É claro que ha duas classes e que a sua separação é definitiva e eterna, conforme a sua escolha. Deus não tem «prazer na morte do impio», todavia não destroe a sua personalidade pela compulsão. «O céu afinal não é um logar, embora tenhamos de pensar nelle como tal; o céo é uma condição localizada.

A

condição é a dos justos aperfeiçoados,

de homens que amaram a

justiça, que tinham que continuamente têem a consciência de não attingir a justiça de Deus, e agora

isto é,

fome

e

sede de

— estão mejado — é

justiça,

satisfeitos.

rito

.

.

O

fim

— para elles

o fim al-

o momento quando os fructos do Espi-

dentro d'elles se tornam perfeitos e permanentes.

«Nem tão pouco é o inferno um logar. Também é uma condição localizada, a condição de ter escolhido o mal e

ter-se

esta

escolha tornado

per-

sendo obrigada, para todo o sempre a concupiscência saciada a tragar as cinzas da paixão morta, e a folia que nega a Deus fixada como a inevitável rotina da eternidade» (Scott). manente,

Lentamente, pelo pensar e proceder, forjamos os e fixamos o caracter, e afinal determinado e torna-se indepeno nosso destino é

grilhões

do costume

dente da nossa vontade. 12. Venho á pressa. Elie está perto de cada

um

de nós e cedo vem com a recompensa, para retribuir conforme as obras que fez por meio do corpo (cf. II Cor. 5:10, Apoc. 2:23, Rom. 2:26. Ps. 62: 12).

«Uma

verdade ao menos,

quanto à vinda de


365

é que sempre está prompto a ficar onde o querem. Christo acceita a nomeação em qualquer

Christo,

eleição

em que

Elie é o único candidato, e acceita

a responsabilidade pelo governo de qualquer paiz

onde somente Elie é

rei.

Mas não ha homem ou com quem Elie

mestre, por mais illustre que seja, esteja

prompto a fazer concorrência. Desde que a so-

ciedade escolheu a Barrabás, por plebiscito unanime, Christo, o Ascendido, espera até que, por plebiscita unanime, a sociedade inverta a decisão» (Wilson).

no

livro.

A

A

expressão é usada quatro vezes sua natureza eterna garante a certeza das

13. Alpha.

.

palavras e o seu cumprimento. 14.

consiste

Que lavam,..

em

fugir

O

remédio do peccado não

da justiça ou de Deus, pois n'Elle

temos o remédio e o refugio do mal e de nós mesmos. As vestiduras se purificam no sangue de Jesus e não nos fogos purgatoriaes. 15. Cães. «Para os Judeus, estes eram o emblema de tudo que era bravo, desregrado, immundo e offensivo (cf. Ps. 22:16 e 20, Mat. 7:6, Phil.3:2) (Milligan). Feiticeiros ...

A

lista

que encontramos em 21

de peccados é semelhante á :8.

Não ha

logar, naquelle

reino de luz e pureza, para qualquer coisa

immunda

ou contaminada.

uma vez no livro Elie falia Apocalypse começo e termina com Elie que faz a revelação por intermédio do

16. Ea, Jesus. Mais directamente. Elie.

É

O

seu anjo e a manda transmittir ás egrejas.


366

Sou a raiz. «Podem os críticos reduzir David a um principe insignificante, sou a raiz e a geração d'elle, Seu Creador e seu descendente seu Deus e seu filiio. Pode a sciencia descobrir estrellas em numero e de distancia e magnitude inimagináveis. Nenhuma tem o brilho dos raios de esperança e amor e gozo com que eu, a Luz do AAundo, illumino as .

.

me pertencem»

myriades de corações que

(Wil-

son).

17.

O

Espirito.

.

O

Espirito de

pelos prophetas e pela egreja

A

noiva.

A

egreja, o

em

Deus que

falia

geral.

povo de Deus.

Vem. Esta petição é considerada por quasi todos os

commentadores como uma resposta peticionaria á promessa do versiculo 12. Portanto é endereçada a Jesus. Charles pensa que é o convite evangélico, endereçado ao mundo dos homens que teem sede da vida e da verdade. Assim também Wilson: «Sobre o mundo, dilacerado e desassocegado, ha, no próprio ar que respiramos, uma Presença que nos convida a vir a Christo» É verdade que a Noiva também diz: Vem; as egrejas nos convidam mas este estranho Espirito penetrante não é limitado a ellas, sopra onde quer e ouvimos a sua voz. É um acha-0 de novo! toma-0 Vem! cochichar vosso!» (Wilson). Elie seja que com faze Quem ouve. A Boa Nova abre as fontes do amor. Quem recebe a mensagem tem de a transmittir. A .

.

.

;

luz e o calor divino despertam a vida espiritual e

provocam o

espirito de serviço,

em cooperação com


367

O Divino. Basta conhecer a Verdade para nos tornar-

mos

arautos d'ella.

O

que tem sede.

A

única condição de receber a

graça de Deus é o sentimento da necessidade d'ella; o único limite é a capacidade de a receber. Venha.

A

vinda de Christo nada nos vale se não

nos chegarmos a Elie. A própria agua, nem que corra aos nossos pés, nada nos vale sem que nós nos

curvemos em humilde communhão para a beber. Quem qaízer. Em amorosa insistência Jesus offerece, convida,

attrahe.

A

sua vida, morte, victoria,

que exhaurem as possibilidades de expressão humana, tudo com-

gloria; as suas palavras incomparáveis

bina para vencer o coração reluctante (cf. João 3:16). -18 e \^ Accrescentar tirar. «As palavras são ,

.

.

um protesto solemn* contra o espirito que trata temerária

ou

dolosamente

a

palavra de Deus; que lhe

accrescenta os seus próprios pensamentos, ou tor-

na seu próprio desejo o progenitor das suas interpretações; que dilue a força das suas advertências, ou depaupera a plenitude das suas promessas» (Carpenter).

20. Certamente que venho.

Isto é

mais

uma

asse-

veração solemne da reaUdade da série das visões sello e subscripção veis, é a resposta

do Autor das promessas

;

o

infalli-

aos gemidos e dores de parto da

creação (Rom. 8:22), a resposta ás saudades espi-

da noiva, á grande oração fundamental que âmago do ser christão, que se balbucia nas preces e reverbera nas obras do crente. rituais

se sente no


368

na

Amen ; vem, A Biblia começa com Deus e termicom oração. Poderá alguém que acompanhou

João na contemplação da visão gloriosa, deixar de dizer do fundo de seu coração: «Amen; vem Senhor Jesus?»

Não ousaremos

que de facto que o dia virá

acreditar

estas palavras-são fieis e verdadeiras e

quando o universo ha de dizer sinceram,ente Senhor Jesus ?»

:

«Vem


Abreviaturas Sendo

este commentario baseado na versão brasileira,

usa-se nas suas referencias algumas abreviaturas differentes

das versões biblicas de Figueiredo e de Almeida. Para facilitar, àquelles que não possuam a referida versão, o encontro dos passos citados, indicaremos aqui essas abreviaturas:

Ezek. Hos. Zeph.

As

Ezequiel ou Ezekiel Hosea, o mesm.o que Oséas. Zephanias, o mesmo que Sofonias.

referencias dos Psalmos são as do original hebraico

(seguido por Almeida e a V. B.) e não as da Vulgata (se-

guida por Figueiredo), consistindo a differença em que o Ps. 10 do original é 9, 2.^ parte, na Septuaginta e na Vul. gata, e desde ahi são marcados nessas traducçòes com uma unidade menos até ao 147, vr. 10, voltando desde então a igualar-se as duas formas de divisão do texto. Os passos íranscriptos de differentes commentadoressão seguidos ou precedidos do seu nome, excepto no caso de Jamieson Faucet & Brown, que é citado pelas suas iniciaes.

Corrigenda

Bem

contra nossa vontade sahiram vários erros nesta

edição, pecha que attinge todas as edições princeps.

Ao

benévolo pedimos desculpa e esperamos que a sua intelligencia supprirá muitas faltas. Aqui só apontaremos as que nos parecem mais graves leitor

A A A

pag. 13, linha 9.^, a referencia é 22:8 e não 20:8. pag. 97, linha 27.', leia-se «carnes» onde está «cousas». pag. 236, linha 21,'', leia-se «á besta» onde está «é

besta».

Afora estes enganos não foram indicados alguns poucos números de vrs. nos trechos comnientados, o que facilmente se corrigirá no estudo.


Apocalypse  

Quantas nobres intelligencias teem pretendido exhaurir o mySterio desse livro admirável a que Milton chamou tragedia altissima e imponente,...

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