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edição 10 • 2011

Ana Paula

Padrão

Uma jornalista de sucesso

Vida Ativa

Thiago Pereira: a conquista da natação brasileira

Gastronomia

Um bate papo com Edu Guedes

Tom Maior O talento musical de

Caio Mesquita

Cultura Marcos Veras, Thalita Rebouças, Ary Toledo e Polliana Aleixo

E mais... Moda, saúde, economia e

Élégant 1 muitas outras surpresas!


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Editorial 04 Moda&Beleza Rabo de Cavalo 06 por Débora D. Dornella

A arte de criar aromas 07 por Jéssica Tokarski

Batom 08

por Débora D. Dornella

Mostre suas pernas no verão 09 por Jéssica Tokarski

Cílios 10

por Jéssica Tokarski

Em busca do liso perfeito 12 por Leidinara Batista

Corpo Hidroginástica 14

Vida Ativa Thiago Pereira: uma história dentro das piscinas 34 por Emerson Roberto

Faça um strike em sua desconcentração 36

Viagem Toronto 76

por Emerson Roberto

por Débora D. Dornella

por Jéssica Tokarski

Receita perfeita para planejar sua viagem 80

por Débora D. Dornella

Documentos necessários para uma viagem perfeita 82

por Jéssica Tokarski

Natal 84

Enxaqueca: a mais temida dor de cabeça 40

por Jéssica Tokarski

Ritual fora de série 42 Sensibilidade nos dentes 44

etiqueta Saiba como viver em harmonia com os seus vizinhos 18

por Emerson Roberto

Varizes! E agora? 39

por Jéssica Tokarski por Solange Frazão

por Emerson Roberto

Saúde Anemia 38

Cigarros eletrônicos 43

Limão: um santo remédio 17

por Emerson Roberto por Emerson Roberto

por Emerson Roberto

Economia & Negócios Economize o 13.º salário 85

por Prof. Dr. Aonio Genicolo Vieira

Animais Amor incondicional pelos animais 46 por Emerson Roberto

Animais dentro de casa? Saiba como agir 48

por Jéssica Tokarski

Água-viva 50

por Fabio Arruda

União em troca da boa ação 52

A arte de ser anfitrião 23 Bem Estar Mantenha o seu intestino saudável 24 por Emerson Roberto

A comida congelada de cada dia 26 por Jéssica Tokarski

A massagem e os seus benefícios 27 por Emerson Roberto

Voz: Cuidados e dicas para preservar as cordas vocais 28 por Débora D. Dornella

Ronco problema incômodo 30 por Jéssica Tokarski

“Sai pra lá, mosquito” 31 por Emerson Roberto

Decoração Home Theater 32 por Tâmara Gomes

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por Jéssica Tokarski

por Emerson Roberto

por Débora D. Dornella

Amor & Sexo Mas eu me mordo de ciúmes! 60 por Emerson Roberto

Comportamento Assédio moral 62 por Débora D. Dornella

Divórcio sem cicatrizes 66 por Jéssica Tokarski

Timidez 68

por Emerson Roberto

Cultura Inspiração que vem da alegria 88 por Jéssica Tokarski

capa Padrão: conceito e sobrenome no jornalismo 54

Os benefícios do sexo 61

por Jéssica Tokarski

por Cesar Romão

por Débora D. Dornella

por Jéssica Tokarski

por Emerson Roberto

O que é FGTS? 86 Motivação Atue no que é prioridade 87

por Emerson Roberto

Educação no trânsito 20

por Débora D. Dornella

Nozes, pra que te quero! 73 Um sabor mais do que especial 74

por Débora D. Dornella

por Emerson Roberto

Silicone: colocar ou não colocar? 16

Gastronomia Ingredientes de sucesso 70

Cultura: tem pra vender? 91 por Patrick Diener

Falando a Veras 92 por Débora D. Dornella

Polliana Aleixo 96

por Emerson Roberto

Tom Maior Caio Mesquita 98 por Débora D. Dornella

Profissão Uma profissão cujo sucesso é a felicidade 100 por Débora D. Dornella

Entrevista Ary Toledo 104 por Emerson Roberto

Crônica O rio do desassossego 105 por André Mantovanni

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Editorial

A ansiedade lhe toma um dia antes. Assim como a espera ou o medo ou a inquietação para que o dia seguinte chegue logo. Então vem a pergunta: “Será que as pessoas irão lembrar desse momento tão especial?”. Esses são alguns dos sentimentos que muitas pessoas têm na véspera de seus aniversários. Porém, quando chega o tão esperado dia, esses anseios desaparecem como mágica. E aí vem a alegria da festa e a comemoração de completar mais um ano de vida. A Élégant está nesse clima, muito feliz em poder comemorar com você, querido leitor , a décima edição da revista. E o nosso melhor presente é celebrar com você que nos prestigia sempre. Por isso, preparamos uma lembrança que o tempo não apagará, que nunca será desvalorizada no mercado e que pode lhe acompanhar em todos os lugares: a leitura. Essa edição está repleta de matérias com variados temas, entrevistas especiais e muita dedicação de uma equipe para que essa seja, sem dúvida, uma grande festa regada a muito sucesso. Hoje a festa é sua! Aproveite cada momento e desfrute de um tempo para si mesmo. Dance, sorria, aprecie um bolo, encontre os amigos, deixe de lado os problemas e, no final, curta sua lembrança. Obrigada por festejar conosco. Uma ótima leitura e boa diversão!

betoferreira.com.br

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Uma jornalista de sucesso

Vida Ativa

Thiago Pereira: a conquista da natação brasileira

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Um bate papo com Edu Guedes

Tom Maior O talento musical de Caio Mesquita

Cultura

Marcos Veras, Thalita Rebouças, Ary Toledo e Polliana Aleixo

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Moda, saúde, economia e muitas outras surpresas!

verão 2012

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Diretor Presidente Beto Ferreira - Editora Chefe Débora Dreyer Dornella DRT 00079631/PR - Coordenação de matérias Emerson Roberto e Jéssica Tokarski - Diretor Financeiro Marcelo Scheliga - Departamento Jurídico Fabrício de Lima Moraes - Fotografia Juliana Merchiori - Editor de arte / anúncios Jr. Milek - Departamento Comercial Oscar Molina e Marlene Wenceloski - Colaboradores Cesar Romão, Fábio Arruda, Solange Frazão, Patrick Diener, André Mantovanni, Tâmara Gomes e Aonio Genicolo Vieira - Revisão Rossana Pacheco - Redação 41 3078-5634 - elegant@betoferreira.com.br - revistaelegant@gmail. com - twitter: @revistaelegant - Projeto gráfico e direção de arte Marcelo Winck - Os textos assinados ou afirmações contidas nessa revista são de responsabilidade de seus autores não refletindo a opinião política dos editores.


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Moda&Beleza

Rabo de cavalo O penteado que nunca sai de moda por Débora D. Dornella

U

m penteado antigo que “faz a cabeça” de várias mulheres é o famoso rabo de cavalo. Por ser rápido e prático de se fazer, o sexo feminino aderiu com força a esse estilo, que nunca sai de moda e que pode ser usado tanto em festas como no dia a dia. Apesar de ser mais comumente usado no verão, o rabo de cavalo combina com qualquer roupa, pessoa ou lugar e pode ser usado em qualquer época do ano. Para valorizar o look e deixá-lo sofisticado, a dica é incrementar o penteado ou mudá-lo de lado, segundo o hair stylist e visagista do MM Hair Salon de São Paulo, Marcello Marcondes. Quem tem cabelos finos, quebradiços e muito crespos devem usá-los com menor frequência. Às demais pessoas, o penteado pode sempre ser uma boa opção. Um penteado simples pode se tornar chique. Marcondes cita como exemplo de tal possibilidade a cerimônia do Oscar de 2011, durante a qual, fa-

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mosas como Anne Hathaway, Reese Witherspoon e Nicole Kidman desfilaram pelo tapete vermelho com belos vestidos e charmosos rabos de cavalo, cada um com um estilo diferente. O profissional ainda acrescenta que usar tal penteado mais apertado e preso a quatro dedos da nuca deixa o visual elegante - ainda mais se estiver aliado a um vestido longo, saltos altos e uma boa maquiagem. Cabelos presos de forma mais solta no topo da cabeça são indicados para ocasiões mais despojadas. “Mas, isso não é uma regra. O uso varia de acordo com o estilo de cada pessoa”, explica o profissional. Para quem é adepto do estilo mais clássico, uma ótima opção é prender de maneira fixa. “O rabo de cavalo mais apertado inspira sobriedade e elegância”, ressalta Marcondes. Para manter o penteado arrumado, ele indica o uso de um fixador extra forte para unir os fios e possibilitar mais firmeza. Outra dica útil é prender o cabelo próximo à nuca e separar uma pequena mecha para enrolar em volta do elástico e dar acabamento. “Fica lindo!”, afirma. Para cuidar das “madeixas”, deve-se evitar presilhas do tipo garras, pois elas quebram e marcam o cabelo. Opte por prendê-los com um palito ou hashi, já que esses acessórios não danificam a estrutura dos fios. Outra alternativa é usar um elástico com dois grampos. Nesse caso, prefira os elásticos revestidos de tecido ou com uma tira fina em couro. Por fim, para deixar o rabo de cavalo mais bonito e elegante, a dica do profissional é escovar bem o cabelo antes de prendê-lo e virar as pontas dos fios para fora. Se quiser dar mais textura ao cabelo, use gel, mousse ou spray no momento precedente à execução do penteado. “Após fazer o rabo de cavalo na altura das orelhas, pode-se inclusive colocar alguns apliques ou adornos e finalizar com um spray de brilho ou com uma pomada iluminadora”, sugere Marcondes.


Moda&Beleza

A arte de criar aromas por Jéssica Tokarski

“A

criação de um perfume se compara à criação de uma obra de arte. O perfumista traduz, com sensibilidade, uma ideia, um sentimento ou uma emoção por meio de uma complexa composição de fragrâncias”. É assim que a diretora técnica de uma marca de perfumes, Luciana Maciel, descreve o ato de produzir uma essência. Normalmente, o produto passa por três etapas até chegar ao seu estágio final: mistura dos componentes, maceração (retirada de substâncias) e filtração e envase. A etapa de maceração é a mais importante, pois é fundamental para a harmonização do artigo e intensificação do aroma. Para a criação de um perfume, são utilizados entre 30 a 250 componentes. O item principal é a essência (mistura de matérias-primas de origem natural ou sintética). Além dela, outro elemento vital é o álcool neutro. “Ele tem a função de veículo para a essência”, explica Luciana. As matérias-primas variam de acordo com a

fragrância que se deseja obter. A extração dos princípios-ativos pode ser alcançada através de quatro processos. Na destilação, o ingrediente é submetido à fervura até a evaporação completa da água, deixando o óleo essencial decantar; por meio da prensagem, o material é comprimido; na enfleurage, uma base gordurosa absorve o óleo essencial da flor; já a extração vegetal consiste em imergir o vegetal em solventes orgânicos aquecidos. O profissional mais apto para desenvolver fragrâncias é o perfumista, graduado, normalmente, em Química ou Farmácia. “Também, é preciso que o profissional tenha, em sua memória olfativa, aproximadamente dois mil elementos que farão parte das futuras essências”, revela a especialista. Nós, brasileiros, somos muito influenciados pelo clima na hora de eleger um perfume. Por isso, a sensação de frescor é, comumente, a mais valorizada. Essa atribuição pode ser encontrada nas essências mais vivas e simples. Boa escolha!

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Moda&Beleza

BATOM

Uma mistura de beleza e sedução, quando usado corretamente por Débora D. Dornella

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uringa” da maquiagem, com várias cores e formatos, ele está sempre presente nas bolsas femininas. O batom ajuda a realçar a beleza, valoriza os lábios, contribui para mantê-los hidratados e é um excelente aliado na sedução. Com todas essas vantagens, é claro que faz parte do universo feminino. Mas, é preciso ter cuidado ao utilizá-lo. O maquiador e cabeleireiro Fernando Rodrigues adverte que, se ele não for usado de maneira correta, ao invés de valorizar os lábios, dará à mulher uma aparência indesejada. “Os lábios são uma valiosa ferramenta para atração e o batom pode transmitir uma ideia que pode ou não ser o que a mulher realmente deseja transparecer”. Assim, o profissional alerta que deve ser levada em conta a espessura dos lábios, assim como a harmonia do rosto em si. A cor do batom é uma escolha pessoal de cada mulher. Porém, é preciso sempre considerar o horário em que a maquiagem está sendo feita; já que períodos noturnos e diurnos combinam com tons diferentes. Para lábios finos, o maquiador indica cores neutras com tons de bege, rosa, pêssego, nude ou cor de boca (evite as cores escuras, que os deixam com aparência mais fina). As mulheres que apresentam lábios mais grossos podem abusar de tons intensos como o marrom, o café com leite, o vermelho e o vinho. Outra dica valiosa é o uso do gloss, muito útil para dar um destaque especial à boca e, também, para aumentar o volume dos lábios mais finos. Um pouco de gloss no meio dos lábios cria um ponto de luz, passando, assim, a impressão de que estes são maiores. Se a intenção é proporcionar maior volume à boca, a falta de maquiagem não será problema, pois existem vários produtos que contribuem para

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a obtenção do efeito de lábios mais grossos. “O lápis de contorno é um aliado poderoso, principalmente quando se quer destacá-los e aumentá-los”, sugere Rodrigues. Porém, é preciso ficar atenta para não deixar o contorno marcado - deve-se esfumaçar bem e usar cores sempre próximas à cor natural da boca ou do batom utilizado. Como a maioria das mulheres aderiu à moda dos lábios mais cheios, existem, no mercado dos cosméticos, batons que proporcionam a impressão de maior volume; e eles realmente funcionam. A maioria dos produtos com essa finalidade apresenta, em sua fórmula, ácido hialurônico, pimenta e partículas de brilho. Para fixar o batom por mais tempo, o maquiador aconselha escolher um produto de qualidade. Outra sugestão é cobrir os lábios, antes da aplicação do batom, com base (ou corretivo) e pó. Caso a mulher não opte por uma maquiagem completa, pode-se, também, cobrir os lábios com lápis de boca e, depois, aplicar o batom. Além disso, existem batons de longa duração – mas, lembre-se de que cada boca tem uma absorção diferente, o que resultará em um tempo maior ou menor de duração do produto sobre os lábios. Finalmente, Rodrigues informa que, na temporada de verão de 2012, haverá um clamor de cores: desde mais claras (como o rosa, o nude e o pêssego), até mais intensas (como o alaranjado, o bronze e o vermelho). “O importante é não somente seguir a moda. A mulher deve se conhecer para que seu look fique harmônico com o cabelo, as roupas e os acessórios”. Ou seja, para deixar o visual perfeito e para arrasar neste verão, não se esqueça de aliar bom gosto e bom senso.


Moda&Beleza

Mostre suas pernas no verão por Jéssica Tokarski

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asta as estações quentes despontarem que as mulheres logo começam a tirar as saias dos armários. Essencial no guarda-roupa feminino, com esse item é possível criar os mais diversos visuais, mantendo-se sempre o frescor que a época do ano pede. No verão 2012, as saias continuarão em alta, trazendo várias surpresas para realçar a feminilidade e a delicadeza de quem as veste. Segundo a professora de modelagem Marcella Tavares, os modelos apresentarão cores fortes, tanto os lisos como os estampados em florais, folhagens, bichos e frutas tropicais. “Junto com as cores mais vibrantes, o branco também voltará à moda. Assim, a aquarela dessa estação estará bastante psicodélica, com um boom de cores fantásticas”, revela. Os cortes, igualmente, estarão bastante variados e o comprimento ficará mais “comportado”, pois segue os padrões dos anos 70. É hora de guardar as micro-saias e dar espaço para os modelitos acima do joelho ou mais longos. “Os tecidos mais em alta são os de toque sedoso, malhas, jeans e estruturados”. A cintura alta está em moda já há algum tempo e, no próximo verão, sua aceitação continuará em vigor. “Ela está começando a reinar nos guarda-roupas, estando presente principalmente nas saias”, diz Marcella. Esse tipo de modelagem é bastante versátil, mas, ainda assim, é preciso usá-la com coerência. Por isso, a especialista nos dá algumas dicas: “Se for curtinha, cai bem tanto com camisetas básicas simples como as de seda, mas pedem sal-

to alto. Já as saias mais longas e rodadas vão bem com regatinhas vestidas por dentro do cós complementadas por uma sandália rasteira, formando um estilo hippie-chic”. Se você não abre mão da querida minissaia, pode usá-la tranquilamente, desde que mantenha o equilíbrio da composição. “Já que ela cobre apenas uma pequena área, é importante cuidar da parte de cima. Nada de barriga de fora ou decotes muito profundos”, orienta a professora. Se não quiser errar, complemente o visual com sandálias. Mas, se preferir arriscar, pode calçar um tênis feminino ou uncle-boots, dependendo do estilo que deseja compor. É importante saber balancear o visual adequadamente. “Saias largas vão bem com regatas, já as mais justas com blusas soltinhas ou de ombros caídos”. Também, atentar às suas medidas corporais é necessário. Segundo Marcella, a saia reta clássica é uma peça que veste bem todos os corpos. “A estilo lápis é mais adequada para mulheres magras e altas. A godê evidência o quadril, sendo, então, ideal para quem tem essa parte do corpo mais estreita. As gordinhas e baixinhas devem calçar salto alto, fugir da balonê e preferir modelos que alonguem a silhueta. As magrinhas precisam evitar listras verticais e devem optar por estampas maiores”. Mas, o que realmente não pode faltar em seu look no verão é o colorido e a suavidade, sempre aliados à praticidade e ao conforto que o calor da estação pede. “Principalmente, não podemos deixar faltar a energia para passar o verão nos sentindo lindas como somos, sem sofrer pelos ideais de beleza, pois ela já está em cada mulher”, conclui Marcella.

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Moda&Beleza

cílios a cortina dos olhos por Jéssica Tokarski

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s cílios realçam o rosto das mulheres e merecem destaque na maquiagem. Além disso, é fato que precisam de certos cuidados, pois, além de embelezarem o visual, eles têm a função de proteger os olhos contra impurezas. A utilização de máscaras para valorizá-los é muito comum. Porém, seu uso causa muitas dúvidas no sexo feminino. Será que esses produtos fazem mal? Segundo a dermatologista Flávia Monteiro, esse tipo de maquiagem não prejudica. “Mas, é fundamental retirá-la bem, fazendo uma limpeza, diariamente, antes de dormir”, orienta. Atualmente, existem variadas espécies de maquiagem para os olhos e elas só são danosas a quem sofre de alergia a algum componente do cosmético. Outro artefato essencial para deixar os olhos sedutores é o curvéx, um aparelhinho muito comum utilizado para curvar os cílios. Muitas mulheres não se atrevem a usá-lo e, às vezes, têm até receio dele. Para quem não está familiarizado com o aparelho, a princípio, realmente, o curvéx causa medo. Mas, quem o conhece sabe que ele não é nenhum “bicho de sete cabeças”. Entretanto, mesmo as adeptas ao uso do curvéx se perguntam se tal ferramenta pode quebrar ou machucar as pestanas. De acordo com Flávia, não faz mal utilizá-lo. “Porém, é preciso observar o estado da borracha que protege os cílios. Ela tem que estar bem encaixada e deve

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ser trocada com regularidade para evitar contaminação bacteriana”, explica. As mesmas dúvidas surgem em relação aos cílios postiços, que só são prejudiciais às mulheres que tiverem alergia à cola usada para fixá-los. E como todo tipo de maquiagem, adereço e cosmético, é essencial tomar muito cuidado na hora da retirada. “O ideal é tirar com cotonete e demaquilante para não sensibilizar a pálpebra, que é uma pele muito fina, sensível e propensa a ter alergias”. Mas, mesmo tomando os devidos cuidados, sempre acontece de um ou outro cílio cair. São vários os possíveis motivos que fazem com que isso aconteça. A especialista cita os mais comuns: “Inflamações da borda da pálpebra (blefarite), dermatite atópica, dermatite seborreica, tumores de pálpebra, disfunções na tireóide, entre outras”. Dependendo da causa, a queda pode ser classificada como cicatricial ou não cicatricial. Na primeira, folículos pilosos (estruturas capazes de produzir pelos) são destruídos e então, os fios não voltam a crescer. Isso acontece, normalmente, em casos de tumores de pálpebra, radioterapia prévia, lúpus ou tracoma. Já a segunda é causada, geralmente, por dermatites e, nesse caso, os cílios crescem novamente. A vida média de cada fio é de três a cinco meses. A dermatologista explica que as pestanas são como o cabelo e apresentam três fases: “Há a etapa de


crescimento, de parada de crescimento e degradação e a de repouso. Cada cílio se encontra em uma dessas etapas, por isso, pode estar crescendo ou caindo. Isso é normal”. Para as pessoas que sofrem com a queda excessiva de pestanas, há tratamento. Segundo Flávia, a melhor opção é o uso da bimatoprosta. “Este componente é encontrado em colírios usados para o tratamento de glaucoma. A ideia de utilizá-lo contra a queda de cílios surgiu após a observação de que os pacientes que o estavam utilizando tinham como efeito colateral o aumento de cílios. Devido a essa observação e a outros estudos, desenvolveu-se um produto que soluciona o problema relacionado à queda de cílios. Em forma de solução, e não de colírio, o remédio é empregado com aplicadores descartáveis, semelhantes a um delineador. O efeito pode ser observado após um mês”. Mas, o resultado é reversível – portanto, se o paciente parar de usar a solução, o efeito acaba (por isso, é necessário manutenção periódica). A especialista ressalta que o produto é um me-

dicamento e, por isso, deve ter indicação médica. “Ele pode apresentar efeitos colaterais graves (como o escurecimento da pálpebra e da íris) e não deve ser utilizado por gestantes e por mulheres em período de amamentação”, alerta. Com relação às máscaras que prometem regeneração, não há estudos contra, mas, também, não existe comprovação científica que comprove sua eficácia. Para continuar utilizando maquiagem sem se submeter a riscos, o mais importante é saber limpar muito bem a pele antes de dormir. “Primeiro, utiliza-se um bom demaquilante juntamente com um sabonete e, para finalizar, água termal. Assim, a pele estará saudável para ser maquiada no outro dia”, sugere a dermatologista, que também recomenda utilizar um primer (produto usado para preparar o local onde será aplicada a maquiagem) para cílios antes das aplicações de máscara. Além disso, é essencial observar a validade do cosmético, que dura em torno de seis meses. “Os cílios têm uma enorme função de defesa. Por isso, cuide bem deles”, aconselha Flávia.

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Moda&Beleza

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las são as “queridinhas” dos salões de beleza. As escovas são uma preferência da mulher brasileira, já que esta continua optando pelo cabelo liso. Devido a esse fato, surgem, a cada dia, diferentes tipos de escova: progressiva, definitiva, inteligente, marroquina, de morango, fotônica, entre outros. As opções são tantas que, na hora de escolher, fica difícil saber qual é a mais indicada para cada tipo de cabelo, ou qual vai proporcionar o resultado esperado. Primeiramente, o cabeleireiro Allan Pavesi esclarece a principal dúvida, relacionada às diferenças entre a escova progressiva e a definitiva. “A escova progressiva e a marroquina têm a mesma função, que é alisar o cabelo gradativamente. Elas também agem como um redutor de volume para quem tem muito cabelo. Já a escova definitiva usa produtos que mudam a estrutura interna do fio. Assim, os cabelos não perdem o efeito liso com as lavagens, apenas quando os fios crescem”, explica o profissional. Quem tem os cabelos cacheados ou crespos e deseja tê-los lisos, a opção mais recomendada pe-

Em busca do liso perfeito Escova progressiva ou definitiva: você sabe qual tipo escolher? por Leidinara Batista

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los cabeleireiros é a escova definitiva. Esse foi o caso da assistente administrativa Ana Paula Martins Soares. “Tenho o cabelo muito crespo. Primeiro, fiz a escova progressiva, mas o resultado não foi satisfatório (eu ainda precisava usar a chapinha depois de secar o cabelo). Então, resolvi fazer a definitiva e, hoje, estou muito feliz com o resultado; é só lavar e está pronto. Amei”, comemora. Apesar de ser indicada para apenas alguns tipos de cabelo, a escova progressiva ainda é a mais procurada por mulheres que querem disciplinar os fios. O efeito dela, como o próprio nome já indica, depende de aplicações periódicas do produto. Também, por se tratar de uma química mais suave, o efeito é menos duradouro; aos poucos, os fios retornam à sua forma original. Um tipo de escova progressiva bastante procurado é o alisamento fotônico (também conhecido como Photon Hair). Sendo composto por menos química que os demais métodos, este procedimento proporciona, além do alisamento, a hidratação dos fios. A turismóloga Cristiane da Silva ficou satisfeita com o procedimento logo na primeira sessão. “Comprei o Photon Hair em uma oferta de sites de compras coletivas. Na hora, não acreditei que apenas uma luz azul pudesse proporcionar esse resultado. Mas, além de ter demorado bem menos tempo para ser executado, em comparação às outras escovas progressivas, meu cabelo, que era volumoso, ficou liso e ‘domado’”, conta Cristiane, satisfeita. O laser empregado no tratamento capilar é mais superficial do que o utilizado pela medicina, sendo semelhante ao de consultórios odontológicos. Outra vantagem do alisamento fotônico é que ele pode ser feito, também, em cabelos descoloridos, com tintura e que já passaram por outros processos químicos. Independente de qual tipo de escova tenha sido feito, a manutenção do cabelo liso ocorre por métodos muito parecidos. “’Hidratação’ é a palavra-chave. Após todo procedimento químico, é necessária muita hidratação para poder garantir a qualidade dos fios”, ressalta Allan. Em relação ao momento precedente à técnica, existem, também, cuidados que devem ser levados em conta. É recomendado se informar do que é feito o produto que será aplicado, principalmente se a cliente possui cabelos que já receberam outras químicas. Afinal, a mistura de substâncias como amônia, tioglicolato, guarnidina e hidróxido de sódio pode provocar a quebra dos fios. Além disso, deve-se observar a concentração de formol na composição do produto. A Vigilância Sanitária proíbe concentrações acima de 0,2% no composto de produtos para alisamento, pois o formol é altamente agressivo às mucosas, aos olhos e ao aparelho respiratório. Ainda, o uso pode causar irritações na pele e no couro cabeludo. Assim, desde que se pesquise antes e se mantenham os cuidados depois, o alisamento resulta em mais praticidade no dia a dia e permite à mulher conquistar o cabelo liso tão desejado; com movimento, fios sedosos e brilhantes. Ou seja, proporcionando o cabelo dos sonhos de grande parte das mulheres brasileiras.

Outros tipos de escovas Escova inteligente (também conhecida como Escova alemã): define-se como um tratamento de nutrição intensa. É ideal para todos os tipos de cabelo - principalmente os danificados -, pois reestrutura o cabelo ao penetrar na cutícula, deixando os fios sedosos e brilhantes. Escova marroquina: é parecida com as progressivas normais, mas possui um neutralizador, que permite prender os fios no mesmo dia do processo e lavá-los já no dia seguinte. Escova de chocolate: seu resultado depende do tipo dos cabelos. Por exemplo: nos muito crespos ou afros, a escova age domando os fios e definindo cachos, enquanto os cabelos ondulados se tornam extremamente lisos. Como diferencial, para as loiras ou de cabelos claros, há a opção de utilizar a escova de chocolate branco. Além disso, ela é composta por manteiga de cacau, que protege os fios do frio e do sol. Escova de frutas: composta por extratos de frutas como o maracujá, o morango e frutas vermelhas, apresenta alto teor de Vitamina C e é rica em queratina. Garante hidratação profunda e pode ser usada em todos os tipos de cabelo, inclusive pelos que já passaram por tratamentos químicos. É ideal, principalmente, para os cabelos com ondas mais leves e para os arrepiados, pois, devido ao fato de a escova de frutas conter menos lipídios, não os deixa com um aspecto muito pesado.

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Corpo

HIDROGINÁSTICA A solução através da água por Emerson Roberto

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rata-se de um exercício físico realizado dentro da água, por meio de alguns métodos da ginástica. Segundo o preparador físico Tiago Augusto Ferreira, a hidroginástica reduz o risco de lesões e permite a reabilitação até de

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pessoas que tenham alguma restrição a exercícios de sobrecarga vertical, como portadoras de lombalgias, artrose, reumatismo, etc. É uma atividade muito procurada por pessoas da terceira idade, pois os movimentos podem ser facilmente executados e


de forma prazerosa, proporcionando uma melhor qualidade de vida. A hidroginástica traz diversos benefícios: auxilia na correção postural, no retorno venoso e na reeducação respiratória. Também melhora a capacidade física e aeróbica, a resistência cardiorrespiratória, a força muscular e a flexibilidade. Oferece relaxamento, propiciando ao praticante uma aparência saudável e jovial. Aumenta a autoconfiança dos alunos (principalmente daqueles que são portadores de doenças), pois estes fazem movimentos dentro da água impossíveis de serem realizados fora dela. Além disso, é possível emagrecer, reduzir o colesterol, equilibrar a pressão arterial, combater o estresse e melhorar a depressão. “Graças à tridimensionalidade, a performance na água é global. Ou seja, trabalha-se quase todas as partes do corpo”, diz o preparador físico. Para praticar a hidroginástica, é necessário que o aluno tenha as avaliações físicas e médicas em dia. A partir dos resultados destes exames, os praticantes são distribuídos em turmas de níveis diferentes, já que as aulas são montadas e aplicadas conforme o grau de aptidão física da classe. As vestimentas utilizadas para a prática são: maiô (para as mulheres), sunga (para os homens), touca, óculos de natação, protetores auriculares e sapatilhas aquáticas antiderrapantes. Os três últimos itens citados são opcionais. O fato de essa atividade ser realizada dentro da água já a diferencia de todas as outras que são terrestres, como a musculação, a ginástica, a corrida, o ciclismo, etc. “A frequência cardíaca, a pressão arterial e o fluxo sanguíneo se modificam quando o corpo entra na água. A hidroginástica é caracterizada por ser um exercício de predominância cardiorrespiratória - este é seu principal objetivo. Por isso, não se pode afirmar que ela modele e tonifique os músculos do praticante, já que não se trata de uma atividade de hipertrofia (típica das salas de musculação)”, afirma o especialista. As aulas coreografadas da hidroginástica possuem um papel importante para os praticantes. Elas proporcionam melhor condicionamento físico

e coordenação motora. “A diferença é justamente a combinação dos exercícios de uma maneira inovadora e desafiadora que, quando realizada, gera grande satisfação nos praticantes”, conta. Essa atividade também pode atuar na prevenção dos seguintes problemas: fibromialgia, contraturas musculares, alterações posturais, limitações na amplitude de movimentos, lesões articulares e musculares, problemas de coluna em geral (inclusive hérnia), fraturas, traumas articulares, doenças cardiovasculares, obesidade, reumatismo, artrose, artrite, fraqueza muscular, alterações cardiorrespiratórios e de pressão arterial, dificuldade no controle motor, entre outros. A aluna de hidroginástica Indiamara Silva, que pratica esse exercício há seis meses, duas vezes por semana, resolveu aderir à prática da hidroginástica para buscar melhoras nas suas dores nas pernas e coluna. “É um ótimo exercício para quem possui problemas como esses”, relata. Os hidrofóbicos ou os que não são adaptados ao meio-líquido devem insistir para se adequarem a esse exercício que traz tantos benefícios. O aluno que não se sentir seguro mesmo na parte rasa da piscina e os que não sabem nadar poderão usar um colete de flutuação para minimizar a insegurança. Outro recurso interessante são meias ou sapatilhas antiderrapantes, que podem ser encontradas em qualquer casa de esportes e melhoram a aderência ao fundo da piscina. Além do mais, a hidroginástica tem a vantagem de poder ser praticada por pessoas de qualquer sexo e idade. É uma excelente opção para aqueles que levam uma vida muito agitada e possuem pouco tempo para a prática de exercícios. “Serve para atletas em treinamento, gestantes, pessoas que estão se recuperando de lesões, que estão acima ou abaixo do peso e para indivíduos com algum tipo de deficiência”, completa Ferreira. E, conforme a aluna Indiamara, que sempre teve vontade de fazer essa atividade da qual agora é adepta, a hidroginástica só traz benefícios: “Depois de aderir a essa prática, percebi melhoras nas dores que eu sentia nas pernas e, principalmente, em minha coluna”.

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Corpo

SILICONE: colocar ou não colocar? por Jéssica Tokarski

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mamoplastia de aumento é uma das campeãs no ranking de cirurgias estéticas no Brasil. Ter seios maiores e mais proporcionais ao corpo é o sonho de muitas mulheres. Esse procedimento pode, mais do que apenas deixar o corpo bonito, muitas vezes, transformar o estado emocional da pessoa – por meio do aumento da autoestima -, podendo contribuir para a melhoria da qualidade de vida. Por ser uma intervenção cirúrgica, é normal o surgimento de dúvidas que acabem causando receios e interferindo no momento da decisão sobre a realização ou não do procedimento. Segundo o cirurgião plástico Marcos Grillo, o primeiro passo é buscar informações sobre a cirurgia com um especialista confiável. “A melhor maneira de inteirar-se a respeito dos prós e contras do procedimento é consultando um cirurgião plástico indicado por alguém que já fez tal cirurgia ou por um médico conhecido”, indica. O tamanho e o tipo da prótese são decisões tomadas em conjunto, ou seja, a paciente e o seu médico. Vários são os fatores que influenciam na escolha do implante ideal. Para eleger o tamanho correto, deve-se avaliar a estatura, o tamanho prévio das mamas e a proporcionalidade corporal. Em relação à escolha do modelo, o que importa é o desejo da mulher. “Por exemplo, se ela não quiser um colo mamário muito visível, o ideal é colocar um implante de perfil natural. Caso contrário, as próteses redondas são as mais indicadas”, explica Grillo. Esse tipo de procedimento não tem contra-indicações. Entretanto, são realizados alguns exames pré-operatórios para checar o estado clínico das pacientes. Exames de sangue, cardiológicos e, ainda, uma avaliação anestésica são essenciais antes da cirurgia. “A intervenção deve ser realizada em hospitais ou clínicas especializadas em cirurgias plásticas, sempre com a assistência de um anestesista. Nunca deve ser feita no próprio consultório médico”, adverte o cirurgião plástico. A operação apresenta, em geral, poucos riscos. Contudo, é necessário tomar diversos cuidados de rotina, como em qualquer cirurgia. Há, também, a probabilidade de hematomas, infecção e rejeição das próteses, mas, segundo Grillo, estes casos são muito

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raros. O pós-operatório pode ser resumido em muito repouso. “Após a internação de 12 a 24 horas, a paciente deve permanecer em casa por três a quatro dias. Não é aconselhável dirigir antes de 10 ou 15 dias, nem fazer exercícios durante 20 dias. “A medicação analgésica é administrada somente quando necessária. Além disso, não indicamos a elevação dos braços acima dos ombros antes de 30 dias após a intervenção”, explica o especialista. Felizmente, as cicatrizes, hoje em dia, já não são um grande problema. Elas têm cerca de quatro centímetros e podem ser colocadas no sulco mamário (parte abaixo da mama), na aréola ou, ainda, na axila. A escolha do lugar depende do cirurgião e da paciente. Outra dúvida muito frequente das mulheres que desejam implantar próteses relaciona-se à gravidez e à amamentação. O cirurgião plástico Marcos Grillo explica que estes casos não são influenciados pelo silicone. “Pode-se engravidar a qualquer momento após a cirurgia. Mas, recomenda-se esperar em torno de um ano, quando o processo de cicatrização está completo”, esclarece. Normalmente, entre 10% a 15% das mulheres que possuem implantes deverão ter suas próteses trocadas a cada dez anos. “Poucos dias depois do procedimento, o organismo forma uma fina membrana (chamada cápsula) ao redor da prótese para isolá-la. Em algumas mulheres, essa cápsula pode se contrair e comprimir a prótese, o que chamamos de ‘contratura capsular’. Tal situação pode trazer sintomas para a paciente e, por isso, indicamos a troca do implante”, revela. A mulher deve continuar fazendo o auto-exame mensalmente e consultar um ginecologista e um cirurgião plástico ao menos uma vez por ano, para exames de rotina. Não há uma idade ideal para a realização do procedimento, mas é recomendado que a paciente tenha, no mínimo, 18 anos. Um conselho muito valioso do cirurgião plástico Marcos Grillo é a busca pela informação. “Aconselho àquelas que desejam submeter-se ao aumento das mamas a se informarem da melhor maneira possível com seu cirurgião plástico e decidirem se realmente estão dispostas a enfrentar a cirurgia, o pós-operatório e as eventuais complicações. Mas, posso afirmar que o resultado é extremamente compensador”.


Corpo

LIMÃO

Um santo remédio

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Ainda tem gente que pensa que ele é ácido demais. Mentira! Apesar de seu sabor azedo, o limão chega ao estômago harmonizando qualquer disfunção. Isso ocorre porque seu ácido cítrico transforma-se em citrato de sódio, um sal capaz de neutralizar a acidez. Limão tahiti, galego, siciliano, cravo, etc. Faça uma limonada agora mesmo, posso garantir que valerá a pena! Beijos e saúde, SÔ FRAZÃO Marco Maximo

ara quem quer emagrecer, desintoxicar, alcalinizar o sangue, melhorar a circulação e a imunidade: tome todas as manhãs, em jejum, o suco de um limão em um copo de água morna. Pode acreditar! Eu, particularmente, amo saber tudo sobre os alimentos funcionais (alimentos que têm uma grande importância para o funcionamento do organismo). Após ter estudado sobre o assunto, quero muito que todos saibam que essa fruta “azedinha” tem um enorme poder para quem não quer ficar doente e para quem quer emagrecer (ela elimina gorduras). Já diziam os sábios milenares: “Quem consome limão diariamente não fica doente”. Relatam os estudiosos que, além da vitamina C, existe um princípio ativo em sua casca que tem o poder de reduzir a ansiedade, combater a depressão, dissolver cálculos renais, desentupir as artérias e prevenir o câncer. Além de ajudar a emagrecer, baixa o colesterol, desintoxica e ativa o sistema imunológico. Portanto, a partir de agora, use muito limão!

Solange Frazão

solangefrazao.com.br

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Saiba como viver em harmonia com os seus vizinhos por Emerson Roberto

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essencial ter bom senso, respeito e educação para bem conviver com os vizinhos. E esse comportamento deve partir de ambas as partes. Porém, quando o morador ao lado não possui essas características, segundo o palestrante e instrutor José Lemos da Silveira, o conselho é restringir ao máximo os contatos diretos para evitar maiores desgastes e conflitos. No caso de a pessoa morar em condomínios, deve-se exigir do síndico e do conselho soluções para as situações bilaterais que porventura ocorrerem. As maiores reclamações entre vizinhos são aquelas decorrentes do descumprimento das normas e dos deveres do lugar onde se mora. Dentre elas, estão a falta de zelo com o patrimônio coleti-

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vo; os barulhos que se prolongam após às dez horas da noite, provocados por som alto, vozes, gargalhadas e, até mesmo, brigas entre familiares; a execução de reformas com prazos indeterminados de duração que causam problemas como sujeiras, danos nas paredes, portas ou elevadores e o latido e miado de cachorros e gatos durante momentos inoportunos. Para que não ocorram problemas como esses, os responsáveis pela administração devem saber usar a sua autoridade e fazer com que os moradores cumpram as normas vigentes para que todos possam viver em paz. Segundo o instrutor, a utilização indevida do elevador também é motivo suficiente para causar desarmonia entre os moradores. Muitos o usam,


sem a prévia informação aos moradores, para transportar mudanças, carregar caixas, compras de supermercado ou animais. Cabe, aqui, lembrar que não se deve manter a porta do elevador travada até o final de uma conversa com alguém, atrapalhando os horários dos outros moradores. Se o vizinho tiver o costume de ocasionar barulhos inadequados ou se tiver crianças que, a qualquer hora, pulam ao brincar no apartamento, o melhor momento para conversar sobre as faltas ocorridas, sem que haja estresse, é no dia seguinte à situação desagradável ou em uma ocasião em que ninguém altere seu estado de humor com o fato. “Nos momentos de raiva, as pessoas, em vez de se corrigirem, acabam por se vingar, o que provoca ainda mais problemas”, esclarece Silveira. Antes de realizar uma festa, convidar o morador ao lado apenas como uma forma estratégica para evitar suas reclamações devido ao barulho é um comportamento totalmente inadequado. Convites devem ser feitos para amigos e não só porque a pessoa é vizinha. Além disso, lembre-se de que existem outros moradores que poderão se incomodar com os barulhos realizados. E, principalmente, evite prolongar as reuniões após as dez horas da noite. Quando estiver muito incomodado com seu vizinho, o indicado é conversar com ele antes de levar o problema para o síndico ou o administrador, principalmente se houver um grau de intimidade

e amizade. “Quando os envolvidos têm liberdade e confiança para conversar em um nível adequado de educação, com sutileza, pode-se alertar o vizinho”, sugere o instrutor. Porém, se o caso envolver pessoas difíceis de se entender, o ideal é usar o bom senso e levar o caso a uma instância superior. Todos os moradores devem participar das reuniões do prédio ou condomínio. Mas, não se esqueça: é falta de ética comentar ou reclamar, diante de todos, a respeito de problemas específicos relacionados a um vizinho. Para evitar isso, é preferível pedir ao responsável pela administração que mencione a situação desagradável, sem nominar as pessoas envolvidas. Porém, se ambas as partes não conseguirem chegar a nenhum acordo, os envolvidos terão que resolver o problema na justiça. “Infelizmente, ainda, o que se tem visto, também, é que muitos se obrigam a mudar de endereço”, conta Silveira. O instrutor sugere, também, algumas dicas para se evitarem problemas desse feitio bem como para se ter um bom convívio com o vizinho: “Seja gentil, educado e respeitoso o tempo todo. Jamais faça comentários ou fofocas de um morador para outro. Proceder assim gera conflitos e a formação das famosas ‘panelinhas’, que minam o relacionamento das pessoas em qualquer ambiente”. E, principalmente, não esqueça que, em muitas situações, um vizinho pode ajudar o outro.

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Educação no Trânsito

Educação na Vida por Jéssica Tokarski

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educação é a base para uma boa convivência em todo e qualquer lugar e, por isso, deve estar presente em todas as pessoas, inclusive no trânsito. Entretanto, observam-se, diariamente, várias atitudes desrespeitosas e mal educadas, não apenas pelo fato de se constituírem em uma infração à lei, mas pela falta de generosidade por parte tanto dos condutores de veículos como dos pedestres. Segundo o Coordenador de Educação para o Trânsito do Detran-PR, Juan Franco, a questão

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principal não é como manter a educação no trânsito, mas sim como manter o trânsito em educação. Solucionar esse problema exige a tomada de atitudes rígidas para com pessoas de todas as faixas etárias. “É necessário mudar o comportamento dos condutores e pedestres de hoje. Por isso trabalhamos o tema desde os primeiros anos de formação escolar. Ensinar valores como: ética; disciplina; integridade; humildade; cooperação e respeito é essencial para a mudança de atitudes”, declara.


De acordo com o coordenador, ações como ultrapassar veículos em lugares proibidos; não respeitar a sinalização de trânsito; dirigir alcoolizado; jogar lixo para fora do carro, etc., não representam apenas falta de respeito, mas uma clara demonstração do estado em que se encontra a educação em nosso país e em nosso tempo. “De modo geral, uma pessoa educada é aquela que sabe como se portar em qualquer situação. Portanto, uma pessoa respeitosa no trânsito, assim como em qualquer ambiente, saberá agir ou reagir com equilíbrio, tolerância, gentileza e atitudes solidárias”. Para que a qualidade do trânsito e a de vida melhorem, algumas ações voltadas para esse objetivo têm sido

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Etiqueta realizadas. “Atualmente as blitzes educativas dirigidas a motoristas e pedestres têm se mostrado insuficientes para mudar atitudes. Devemos pensar em longo prazo e para pessoas de todas as idades”, explica Franco, que considera essencial adotar práticas educativas dirigidas a crianças, adolescentes e jovens, enquanto estão em período escolar. Por isso, medidas como avaliar a formação teórica com vistas à primeira habilitação, bem como a atualização dos conhecimentos acerca da legislação de trânsito, direção defensiva, noções de primeiros socorros e relacionamento interpessoal no trânsito a condutores em geral estão sendo implantadas e trabalhadas. “A fiscalização no trânsito existe, mas não con-

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ta com recursos humanos e financeiros suficientes para que ocorra de forma ostensiva, permanente, contínua e até simultânea com outras ações de caráter educativo”, esclarece o coordenador. Por isso, é sempre importante lembrar que crianças e jovens são a esperança de uma futura melhora nos quesitos trânsito e educação e, dessa forma, a conscientização das pessoas é imprescindível. Exercitar a paciência, tolerância, solidariedade, compreensão e respeito são atitudes simples que podem salvar vidas. “Antes de reagir ante uma ação negativa de outrem, pare e pense que você merece ser feliz e viver em paz, e que uma atitude violenta pode lhe trazer o contrário do que você deseja para si e para sua família”.


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A arte de ser anfitrião S

obrigar o visitante a se deliciar com um banquete composto de acarajé, vatapá e caruru, tudo com muito azeite de dendê. Se fizer isso, o resultado será certamente desastroso. É fundamental que fique bem claro o tempo de permanência do visitante e que as prioridades e expectativas destes estejam adequadas às possibilidades e à realidade dos anfitriões. O bom viajante deve informar-se bem sobre o país de destino e pessoas de bom senso conhecem o implacável dito alemão: “Hóspedes são como peixes, depois de cinco dias começam a feder”. Explicar a ele a rotina da casa é um modo de deixar claros os horários e limites. Se o visitante optar por um hotel, vale procurar saber sua agenda antes de determinar passeios ou compromissos. Mas o básico nesta relação costuma ser esquecido: tanto o “espírito” de receber visitantes quanto o de se hospedar deve existir. Caso contrário, a relação será uma tortura para todos. Afinal, depois de um período por aqui, só mesmo com um mau humor típico de Carlota Joaquina para que o visitante não queira levar de volta para sua terra natal nem o pó deste nosso delicioso país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.

divulgação

er um bom anfitrião é um dom e ser um bom hóspede é uma arte. Quando, em 1500, Portugal descobriu o Brasil, alguns índios locais bem que tentaram receber os visitantes europeus com mimos e hospitalidade. Entretanto, os portugueses tomaram o lugar dos índios e tentaram fazer com que estes assimilassem seu comportamento europeu. Nunca funcionou. Fugindo de Napoleão, após 99 dias de viagem, os refinados portugueses da Corte chegaram, em 1808, a uma colônia de clima tropical e desprovida de requintes palacianos. Mais uma vez, observou-se elegância ao receber, afinal, edifícios haviam sido pintados e reformados - inclusive com a construção de passarelas para evitar que se pisasse na lama - e as ruas foram cobertas de areia branca e folhas aromáticas. Dos balcões e janelas enfeitadas, a população lançava flores aos recém chegados. O fundamental, independentemente do luxo ou da riqueza, é demonstrarmos, a quem chega, que estamos felizes em receber sua visita. Os que já habitavam estas terras assim o fizeram e mesmo assim quem chegou só sabia se queixar. Hoje, 203 anos depois, algumas dicas podem ajudar bastante para receber bem quem ao Brasil vier. Acredite se quiser, nem todos que vêm para cá estão loucos por um show de mulatas em escola de samba ou literalmente babando por um bom rodízio em churrascaria. Pergunte ao estrangeiro se esses programas são do seu agrado ou se estão em sua lista de interesses. Em relação à alimentação, lembre-se de que nossas comidas típicas costumam ter temperos fortes e, muitas vezes, estranhos a quem vem de fora. Já foi recomendado, em matérias anteriores, que você prove todo alimento que lhe for oferecido em viagens ao exterior (mesmo que seja só para degustar). Porém, isso não significa que, enquanto anfitrião, você deva cair na tentação de

Fabio Arruda

fabioarruda.com.br

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Mantenha o seu intestino saudável por Emerson Roberto

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ocê sabia que um intestino saudável ajuda a eliminar a barriga? É isso mesmo. Segundo o nutrólogo Maximo Asinelli, o intestino é a parte do corpo responsável pela elaboração e eliminação do bolo fecal e quando seus sinais não são atendidos, isto é, se pessoa não for ao banheiro no momento em que sente vontade, as fezes acumulam-se, prejudicando a saúde. “É importante lembrar que cada organismo possui características diferentes e quando não se vai ao banheiro diariamente, isso não significa que a pessoa esteja com prisão de ventre (caracterizada pela diminuição na frequência de evacuações). Cada um tem o seu tempo de trânsito intestinal, entretanto, ir ao banheiro menos de três vezes por semana pode indicar algum problema”, sinaliza o médico. O intestino preso acarreta desconforto, inchaço na barriga, mau humor e acúmulo de toxinas que prejudicam o organismo, deixando os cabelos fracos e a pele sem viço, flácida, com acne e celulite. E, pior, pode também causar doenças mais graves como câncer e hemorróidas. Segundo Asinelli, os alimentos que mais prejudicam o intestino são os doces, as comidas industrializadas (ricas em gordura, sódio e açúcar) assim como o leite e seus derivados. Para o bom e correto funcionamento do intestino, a pessoa deve ingerir alimentos ricos em fibras como laranja, ma-

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mão, linhaça, granola, aveia, maçã, pêra, iogurtes e lactobacilos. “Tanto as fibras solúveis (presentes no feijão, na lentilha e nas frutas) quanto as insolúveis (encontradas em alimentos integrais como farelo de trigo, arroz e pão integral) devem ser consumidas”, aconselha o nutrólogo. As fibras insolúveis atuam como laxantes naturais, aumentam o volume do bolo fecal e diminuem a consistência das fezes, contribuindo, assim, para a evacuação. “O ideal é consumir 70% de fibras insolúveis e 30% das solúveis sem exagerar na quantidade”, ressalta o nutrólogo. Além das fibras, recomenda-se, também, a ingestão de, pelo menos, dois litros de água por dia, sempre aos poucos, para evitar a sobrecarga renal. Outro fator importante para manter o intestino saudável é a prática de exercícios físicos, que devem ser feitos três vezes por semana por, no mínimo, meia hora cada sessão. “A atividade física estimula os movimentos do intestino e favorece a evacuação”, explica o médico. O sexo feminino é o que mais sofre com problemas intestinais. De acordo com Asinelli, há dados indicadores de que a prisão de ventre atinge 15% dos brasileiros, ou seja, cerca de 29 milhões de pessoas. Para cada homem, três mulheres sofrem com o problema. “Os homens vão ao banheiro pelo menos cinco vezes por semana, enquanto as mulheres


vão três. Isso acontece porque elas levam em média 40 a 60 horas para transformar os alimentos em fezes e evacuá-las, enquanto eles, apenas 30 horas. Além disso, o tempo varia conforme o tamanho do intestino, os hábitos alimentares e a força de contração que, nas mulheres, é bem menor e, por isso, o processo é mais lento”, esclarece o nutrólogo. O uso de remédios que contribuem para o funcionamento do intestino deve acontecer apenas em último caso. O tratamento precisa começar com reeducação alimentar e aumento da ingestão de líquidos. “Se for necessário, pode-se fazer o uso de medicamentos apropriados, mas somente com a orientação de um médico especialista”, aconselha Asinelli. O uso indiscriminado de laxantes, antidepressivos, anestésicos, anti-histamínicos, antiácidos, anticonvulsivantes, relaxantes musculares, contraceptivos orais e outros remédios podem agravar ainda mais o problema. Portanto, para evitar que o intestino funcione mal, lembre-se de que é necessário fazer uma alimentação saudável e equilibrada - com muitas frutas, verduras, legumes e cereais -, praticar atividades físicas e beber pelo menos dois litros de água por dia. Além disso, mastigue bem os alimentos, evite o consumo de chocolates e massas com farinhas refinadas e faça as refeições a cada três horas. Crie, também, um hábito para ir ao banheiro e vá sempre quando sentir vontade, isto é, nunca “segure” ou deixe para depois. “O ideal é seguir uma rotina, ou seja, ir ao banheiro pela manhã na própria casa, local onde a pessoa se sente mais à vontade, segura e onde terá, à sua disposição, todas as condições de higiene necessárias. A posição também deve ser levada em conta e, para isso, os joelhos devem ficar um pouco acima da bacia enquanto que os pés, firmes no chão. A concentração é outro fator importante. Deve-se evitar ler ou se distrair durante o momento da evacuação e, caso a pessoa sinta sintomas de prisão de ventre, ela deve procurar um médico para avaliar o problema”, indica o especialista.

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A comida congelada de cada dia por Jéssica Tokarski

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om a correria dos dias de hoje, cada vez mais pessoas se tornam adeptas das práticas comidas congeladas. Afinal, poder tirar o alimento da embalagem e programar um tempo no forno microondas faz com que muito tempo seja economizado (tanto no preparo da refeição quanto depois, na hora de limpar a bagunça). Entretanto, ganhar tempo não deve ser sempre a prioridade. É necessário analisar, também, os benefícios e os malefícios que este hábito pode oferecer e, então, avaliar o verdadeiro custo-benefício. Primeiramente, é importante saber que as comidas congeladas dividem-se em dois grupos: as de preparação caseira e as industrializadas. As primeiras são feitas pela própria pessoa ou adquiridas em locais que comercializam esses produtos, e são mais naturais. Já as últimas são desenvolvidas em indústrias de alimentos, possuem valores elevados de sódio e gordura além do próprio valor calórico. Segundo Elisangela Casagrande, nutricionista da rede de hotéis Deville, o que se deve fazer, antes de ingerir produtos de ambos os grupos, é avaliar, no rótulo, sua composição e seus nutrientes. “Vale ressaltar que, mesmo as comidas feitas em casa, se forem acrescidas de temperos industriais, terão níveis altos de gorduras e sódio”, explica. Mesmo dentro das opções de comidas congeladas industrializadas, existem opções de alimentos mais benéficos. “Os vegetais congelados são mais saudáveis, pois passam por processo de branqueamento antes de serem resfriados. Dessa forma, não se perde praticamente nada de nutrientes, além de garantir produtos mais higiênicos”, orienta Elisangela. O maior vilão dos mantimentos congelados é o sódio, geralmente presente em alta quantidade.

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“Mesmo um hambúrguer de soja, mais saudável devido à composição vegetal, possui alto teor deste componente”, revela a especialista, que também adverte que consumir excessivamente alimentos industriais pode levar a síndromes metabólicas. Caso o tempo seja realmente insuficiente, optar por pratos congelados que tenham sido feitos em casa é uma boa escolha. Destinar parte de um dia da semana para cozinhar refeições que possam ser reaproveitadas depois é uma maneira de economizar tempo e, também, de comer bem. “Feijão, arroz e massas podem ser conservados já na quantidade correta a ser consumida. As carnes devem ser congeladas in natura. Alguns folhosos (alface americana, almeirão, etc.) têm a opção de serem lavados, desinfetados e guardados secos, com o auxílio de uma toalha de papel, por até dois dias”, sugere a nutricionista. Mas, mesmo agindo dessa maneira, devem-se tomar alguns cuidados com o preparo da refeição. Se, para cozinhar, forem utilizados temperos prontos, glutamato monossódico, muito azeite e óleo vegetal, a qualidade nutricional do prato caseiro não apresentará vantagens. “Recomenda-se reduzir ao máximo a quantidade de óleo e utilizar temperos naturais como alho, cebola e ervas. Assim, é possível deixar a refeição mais saborosa e, também, saudável”. Para se ter qualidade de vida, mais importante do que otimizar o tempo, é priorizar a saúde. “Reorganizar as tarefas do dia a dia e incluir novas técnicas de preparo de alimentos que não tomem muito tempo (mas que possibilitem uma alimentação mais natural e saudável) evita o comprometimento da própria saúde bem como a dos familiares”, recomenda Elisangela.


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A massagem e os seus benefícios por Emerson Roberto

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massagem faz parte do grupo das denominadas terapias alternativas, assim como a acupuntura, a aromaterapia, a fitoterapia chinesa, a quiropraxia, a homeopatia, a reflexologia e o shiatsu. Há vários estilos de massagem, segundo a fisioterapeuta Nadinne Lais Rosa Portela, sendo que as mais comuns são a modeladora, a relaxante e a drenagem linfática. Essa terapia é muito utilizada para o tratamento de problemas musculares e para relaxamento. Ajuda no aumento da circulação sanguínea, na recuperação muscular e no aumento da secreção de hormônios como a ocitocina e a endorfina, que trazem sensações de alívio e bem-estar. Além disso, a massagem proporciona a redução de dores. “Tem sido indicada para as dores crônicas presentes na fibromialgia, na lombalgia, na cervicalgia e em enfermidades reumáticas”, esclarece a fisioterapeuta. Unindo-se todos os benefícios da

massagem, pode-se reduzir problemas de ansiedade e até mesmo auxiliar na cura de enfermidades psiquiátricas como o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e a depressão. Assim, aumenta a disposição no dia a dia e propicia sensações de bem-estar. Outra vantagem do procedimento é o auxílio na redução de medidas e processos inflamatórios. O tratamento é dividido em sessões, que geralmente duram em torno uma hora ou uma hora e meia. Durante a massagem, são realizados diversos movimentos, utilizando-se óleos ou cremes diretamente sobre a pele do paciente, os quais fornecem diversos benefícios. Outros acessórios como o bambu (bambooterapia) e o rolo (massagem turbinada) também podem ser utilizados. São muitas as pessoas que podem se beneficiar dessa terapia. Assim, lembre-se sempre de que é possível e importante acalmar o corpo e a mente com uma boa massagem.

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VOZ

Cuidados e dicas para preservar as cordas vocais por Débora D. Dornella

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magine a cena: um professor está em uma sala de aula, na frente de 50 alunos e precisa transmitir conteúdos de modo que todos entendam. O problema é que (como ocorre em quase toda sala de aula) há um grupinho mais barulhento, o que faz com que o professor precise aumentar muito o volume de sua voz. Assim, ao final da aula, ele se despede da turma quase rouco, ou pior: afônico. Esse é um episódio clássico de mau trato às cordas vocais. Assim como o professor, todos nós corremos o risco de agir dessa forma, ou seja, elevarmos o volume de nossa voz para sermos ouvidos. Cabe nos perguntar, portanto, se prestamos a devida atenção à maneira como tratamos nossas cordas vocais. Será que as usamos corretamente e cuidamos desse instrumento importantíssimo de comunicação e trabalho? Para que um professor, por exemplo, não tenha problemas com as cordas vocais, uma solução é o uso de um microfone. Com certeza, este item contribuiria muito para a melhora da fala e para o entendimento por parte dos alunos. Pensando na voz, a Élégant preparou algumas dicas com a ajuda de Simon Wajntraub, fonoaudiólogo e professor de Oratória, para cuidar desse recurso tão importante que, muitas vezes, passa despercebido por nós.

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CUIDE DE SUAS CORDAS VOCAIS Quando isso não é feito, podem ocorrer vários danos como: nódulos nas cordas e voz falha (rouca, trêmula, muito alta ou muito baixa) e até a perda da voz.

CALO NAS CORDAS VOCAIS É causado pelo uso excessivo da voz e, principalmente, pela sua má colocação. Segundo o fonoaudiólogo, algumas vezes, o calo pode ser eliminado através de cirurgia ou de exercícios vocais. Em fumantes, os calos (chamados de nódulos) podem representar um tumor benigno ou maligno. Por isso, é muito importante consultar, anualmente, um otorrinolaringologista.

BEBIDAS GELADAS X QUENTES A água gelada é prejudicial à laringe devido a sua densidade. “Outros líquidos, como sucos e refrigerantes, podem ser ingeridos gelados, já que não afetarão a modulação vocal”, explica o professor. Bebidas excessivamente quentes também não fazem bem, pois contribuem para que a voz fique abafada e sem muita potência.

MITOS Segundo Wajntraub, a história de que comer maçã ajuda a limpar as cordas vocais é um mito. “Se algum alimento atingir as cordas vocais, a pessoa engasga e o organismo provoca uma tosse para expulsá-lo da laringe. Quando nós engolimos, a glote fecha para que o alimento seja direcionado para o esôfago e não entrar erradamente na laringe”. De acordo com ele, também é mentira a afirmação de que balas e pastilhas de hortelã são prejudiciais por amortecerem a garganta quando ela está inflamada. A hortelã ajuda a acalmar as paredes da laringe e da faringe.

AQUECIMENTO VOCAL E SONO Para o fonoaudiólogo, o aquecimento vocal só é útil no canto. Ele aconselha que, quando se estiver com a voz fraca, deve-se dormir por cerca de quinze minutos, pois a musculatura relaxa e, depois, a voz voltará a ficar mais forte.

EVITE CIGARROS E BEBIDAS ALCOÓLICAS Além das cordas vocais serem bastante prejudicadas pelo cigarro e o álcool, o organismo todo também é afetado. “É muito comum o câncer de laringe no fumante e no alcoólatra”, adverte o especialista. Além disso, fumantes de charuto e cachimbos podem desenvolver câncer na língua e na parte interior da boca.

AR CONDICIONADO “O ar condicionado é muito prejudicial para aqueles que têm rinite alérgica, pois o aparelho resseca um pouco a laringe e a faringe, visto que tira a umidade do ar”. Por isso, Wajntraub aconselha colocar uma bacia de água perto do aparelho ou até uma toalha molhada para que o ar do ambiente fique melhor. Caso queira conferir mais dicas e saber mais sobre cuidados com a voz, acesse o site do Fonoaudiólogo e Professor de oratória Simon Wajntraub: www. boasfalas.com.br

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Ronco

problema incômodo

por Jéssica Tokarski

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omo é horrível dormir com alguém roncando por perto, não é mesmo? Esse som pode acompanhar a pessoa a noite inteira ou por alguns períodos, fazendo com que nem aquele que sofre com o problema nem os que dormem no mesmo lugar tenham uma boa noite de sono. Apesar de ser muito frequente na população, o ronco não é normal e a situação merece atenção especial. Segundo a médica neurologista e neurofisiologista Márcia Assis, o ronco é um ruído provocado pela vibração das paredes das vias aéreas durante o sono. “É um sinal importante de que existe alguma obstrução na passagem de ar enquanto dormimos. Normalmente, é um estágio inicial de uma doença mais séria: a apneia do sono. Ambos estão relacionados com o risco de doenças cardiovasculares ”. Mas por que ele ocorre? Vários fatores podem ser seus agentes causadores como: patologias do nariz (desvio de septo nasal, rinite, sinusite, adenóides aumentadas, etc.), relaxamento das paredes laterais da faringe, amígdalas aumentadas e excesso de peso. “Durante o sono, o tônus muscular do pescoço e da faringe diminui. Isso causa um estreitamento do espaço da faringe e o volume de ar necessário precisa ser inspirado com uma força e velocidade maior, ocorrendo, então, a vibração dos tecidos moles como úvula, língua e outros. Este é o ruído chamado ronco”, explica Márcia. O distúrbio ainda pode ser agravado por causa da ingestão de bebida alcoólica, alimentação pesada durante a noite e também pela posição da pessoa ao dormir.

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Como consequência desse problema, a qualidade do sono é comprometida, pois a pessoa não tem um sono restaurador e apresenta sonolência durante o dia. “No ronco, existe um esforço a mais para respirar e em alguns casos há também quedas na oxigenação”, revela a neurologista. À medida que o quadro se agrava e não é tratado, ele pode se desenvolver para uma apneia do sono. Por isso, a observação dos familiares é muito importante para o diagnóstico. O primeiro passo após a suspeita do problema é realizar uma entrevista com um especialista, na qual serão avaliados os sintomas diurnos e noturnos. “Além disso, um exame chamado polissonografia é importante para o diagnóstico. Na análise, é feito um registro do sono, da oxigenação, do movimento respiratório e dos batimentos cardíacos durante a noite toda. Através deste método, podemos diagnosticar a existência do ronco, sua gravidade, comprometimento na qualidade do sono e a existência de apneias”, comenta a especialista. Acordar o acometido ou apenas mudar de quarto para não ser mais incomodado, não é a melhor atitude. O ideal é que os familiares incentivem a procura por um médico. O tratamento é tranquilo, mas essencial. “O ronco pode ser tratado com aparelhos para auxílio respiratório ou através de intervenção cirúrgica. A escolha depende da idade, peso e gravidade da doença”, orienta Márcia. Tomar uma atitude com relação ao distúrbio, além de prevenir doenças mais sérias como hipertensão e problemas cardíacos, melhora generosamente a qualidade do sono do acometido e dos parentes mais próximos.


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“Sai pra lá, mosquito” por Emerson Roberto

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ssa é uma das frases mais utilizadas quando somos incomodados por algum mosquito. No verão, o número desses insetos torna-se ainda maior, pois, devido ao aumento da temperatura e da quantidade de chuvas, é comum a formação de poças de água onde as larvas podem se desenvolver. Segundo a bióloga Silvia Borges, do maior aquário da América do Sul - Acqua Mundo, localizado em Guarujá (SP), essas são condições propícias à proliferação de mosquitos. No Brasil, existem duas espécies que são as mais comumente encontradas em ambientes domésticos: o Culex quinquefasciatus e o Aedes aegypti. Com a chegada do calor, acelera-se o ciclo reprodutivo e de desenvolvimento destas duas classes de mosquitos. De acordo com Silvia, há mosquitos que entram nas casas ao anoitecer enquanto outros são de hábitos diurnos, como o Aedes aegypti, transmissor da dengue, que costuma picar nas primeiras horas da manhã e ao entardecer. Durante a época de calor e umidade, é necessário ter alguns cuidados para evitar a proliferação desses insetos, como manter a casa e o quintal sempre limpos e impedir a exposição de materiais que possam acumular água, pois é neles que as fêmeas depositam seus ovos. “Fechar as janelas no início das chuvas e antes de anoitecer também é recomendado”, completa a bióloga. Porém, se o calor estiver muito grande e se for impossível fechar o ambiente, é indicado o uso de telas ou mosquiteiros. Outro método a que muitas pessoas recorrem para eliminar os insetos é a utilização de produtos quími-

cos dentro de casa. É importante ressaltar que estes são feitos à base de água e de toxina e que devem ser nocivos somente aos insetos. Mas cuidado: algumas dessas substâncias, quando inaladas, podem causar alergias ou problemas respiratórios em pessoas mais sensíveis, sejam estas crianças ou adultos. Apenas as fêmeas dos mosquitos picam. Elas são atraídas pelo calor, pela luz, pela transpiração e pelo odor corporal. Para ajudar na proteção contra elas, é possível ingerir vitamina B12 e usar repelentes em quaisquer formatos (spray, elétricos ou espirais). Os repelentes não matam os mosquitos - apenas os repelem, como o nome já diz. Quando aplicados, impedem, por um período limitado, que os mosquitos pousem sobre a pele e, assim, piquem-na. A duração do efeito protetor depende das substâncias químicas de que o produto é feito e de outros fatores como a umidade ou o tipo de pele da pessoa que está utilizando o repelente. É aconselhável a utilização de marcas conhecidas e que especifiquem sua composição. Em bebês, recomenda-se consultar um pediatra antes de aplicar qualquer produto químico. Após a picada, o mosquito deixa um pouco de saliva na ferida, causando uma resposta do sistema imunológico e levando à coceira e ao inchaço. A pessoa não deve coçar o local, pois pode contaminá-lo ou provocar mais infecção e ocasionar futuras cicatrizes. “Lave o local com água e sabão. Geralmente, picadas dispensam assistência médica, mas procure o médico se houver uma reação alérgica forte”, aconselha Silvia.

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Decoração

Movelaria Casa i Casa e som Goldensound

Home Theater Diretamente do cinema para sua casa!

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CD, LED, 3D... Ficção Científica? Não! Realidade. Desde o final do milênio, a televisão tem adquirido novos visuais. Desmembrado em uma parafernália de acessórios eletrônicos que lhe conferem excelentes efeitos, o home theater – a estrela da casa – brilha e exige espaço próprio. Espaço esse que pode ser perfeitamente adaptado em um canto da sala de estar. Nesse caso, é preciso introduzir uma estante bem dimensionada para abrigar toda aparelhagem de áudio e de som, além de posicionar sofás e poltronas que tragam conforto aos moradores. Se a sua proposta é criar seu próprio home theater, fique atento para algumas orientações: • Observe a distância entre a tela e o sofá. Ela deve ser de, no mínimo, três metros. Calcule a al-

divulgação

Tâmara Gomes

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Arquitetura e Decoração - Responsável por vários projetos do quadro “Sonhar Mais um Sonho”, do Programa do Gugu. tamaragomes.com.br

tura de modo que a linha dos olhos de quem está sentado coincida com o centro da tela. • Após a TV estar instalada, posicione a caixa acústica central sob a tela e as caixas frontais a uma distância de, no mínimo, um metro e vinte deste centro. Sempre as deixe voltadas para o público, nunca para a tela. As duas caixas traseiras (surround) devem ficar atrás dos ouvintes ou nas paredes laterais. Embora as caixas acústicas não apresentem problemas de ventilação, precisam ficar expostas, já que os equipamentos de som esquentam quando ligados. • Os aparelhos devem ficar próximos, mas não empilhados. O ideal é que estejam dispostos a uma altura de fácil manuseio; nem altos nem baixos demais. • Um visual limpo requer tomadas individuais para os aparelhos. Evite furos entre as prateleiras e rolos de fios aparentes e embaralhados. Imprescindíveis, mas antiestéticos quando expostos, os fios precisam ficar muito bem escondidos. Um fundo falso de pelo menos três centímetros atrás do móvel resolve a questão. • Se a ideia é começar pelo equipamento básico e, aos poucos, ampliar seu home theater, deixe espaço livre na estante ou opte por um móvel modular. Novos equipamentos podem surgir para incrementar ainda mais sua sala de cinema. Está sem ideia? Consulte o site www.movelariacasaicasa.com.br, tem coisas lindas lá.


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Móveis na era

Hitech S

e neste exato momento pudéssemos conversar individualmente com cada um dos leitores e perguntássemos: “Olá, tudo bem? Como está?”, tenho certeza de que a maioria iria nos responder que está com muito trabalho, correndo contra o tempo, com muitas atividades por fazer! A impressão que temos é a de que os dias estão cada vez mais curtos e que o tempo está passando mais rápido do que nunca. A tecnologia está cada vez mais presente em nossa vida, seja nos celulares, palms, tablets, notebooks, etc. Por um lado, é esta tecnologia que nos faz correr mais, pois de certa forma, ficamos dependentes dela, mas também acredito que ela facilita muito a nossa vida. Para planejarmos um ambiente, não poderíamos deixar de recorrer à tecnologia. Usando softwares específicos, podemos criar o ambiente dos nossos sonhos e escolher cores e texturas em um piscar de olhos (ou passar de dedos).A tecnologia, portanto, nos ajuda muito na decoração de nossa casa, pois os espaços, cada vez menores, nos obrigam a usar o “jeitinho brasileiro” para tornarmos os ambientes práticos e saudáveis. A própria tecnologia das matérias - primas usadas na confecção de móveis sob medida contam com proteção antibacteriana e ferragens específicas para cada funcionamento com grande durabilidade. Materiais de vários acabamentos e texturas com grande resistência trazem beleza e praticidade ao nosso home sweet home (lar, doce lar)! A tecnologia de hoje, cada vez mais acessível, aumenta nossa mobilidade e jeito de pensar e agir. Por isso, na hora de decorar ou planejar um ambiente, nada mais prático e confortável do que se tornar um pouco “hitech”!

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Vida Ativa

THIAGO PEREIRA

Uma história dentro das piscinas por Emerson Roberto

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tualmente, Thiago Pereira é um dos grandes nomes da natação no Brasil. Desde a infância, sempre foi apaixonado por água e tudo começou quando tinha um ano e meio de idade. Ele pulou na piscina e, por não conseguir se segurar na borda, quase se afogou. Essa situação fez com que sua mãe o matriculasse em uma escola de natação. “Mas, comecei a aprender a nadar mesmo com dois anos de idade”, conta o nadador.

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Depois, praticou diversos esportes como futebol e basquete, mas optou por natação, definitivamente, quando tinha seus 12 anos de idade. “Desde essa idade é que venho treinando e competindo”, revela. E para seguir carreira, Thiago se inspirou em dois nomes consagrados desse meio: Rogério Romero e Gustavo Borges. Ao escolher uma profissão, é necessária muita dedicação para que se tenham resultados positivos. E, muitas vezes, fica até difícil conciliar a profissão


Gil Leonardi - ZDL

escolhida com outras ocupações. Foi o que ocorreu com Thiago, que havia iniciado a faculdade de Administração e teve que abandoná-la. “Viajo muito e depois de um tempo não deu pra conciliar. Chegou a um ponto em que tive de escolher entre fazer uma das coisas. E eu optei pela natação”, conta. Segundo o jovem, ele treina oito vezes por semana em piscina e no resto do treinamento faz musculação. Mas, ele não faz apenas exercícios, também usufrui de uma boa alimentação para se manter em forma. Dentre tantas medalhas importantes que conquistou, Thiago não sabe definir quais delas foram as mais importantes. “Mas acredito que, até hoje, o que mais me marcou foi estar entre os oito melhores nas Olimpíadas de Pequim (2008). Foi um momento muito significante!”, lembra o atleta que agora se tornou brasileiro mais vencedor da história dos jogos Pan-Americanos, com dez medalhas de ouro, igualando-se ao mesatenista Hugo Hoyama. Thiago, que sonha em conquistar medalhas nas Olímpiadas de 2012, em Londres, dá o seguinte conselho a quem deseja seguir carreira na natação: “Pratique esportes. Qualquer atividade ajuda no desenvolvimento não só do corpo, mas de tudo. E lembre-se de que é necessário ter muita força de vontade, treinar bastante e seguir em frente”, orienta. Gil Leonardi - ZDL

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Vida Ativa

Faça um strike em sua desconcentração por Débora D. Dornella

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ara quem tem dificuldades para se concentrar, uma boa dica é praticar boliche. Além de esse esporte ser muito divertido, ele é um excelente aliado na busca pela concentração. O desafio do jogo está em acertar o maior número possível de pinos, que ficam dispostos em uma configuração triangular no final de uma pista de madeira. Objetiva-se, assim, fazer strikes, (derrubar os dez pinos em uma única jogada). Para isso, o jogador precisa ter habilidade, precisão e concentração. Os pinos, popularmente conhecidos como “garrafinhas”, pesam aproximadamente um quilo e meio. A ex-atleta de boliche e, hoje, proprietária do boliche Del Rey (em Belo Horizonte) Helena Falabella, conta que o boliche é considerado um esporte. “Está organizado mundialmente pela F.I.Q. (Federation Internacionale des Quileurs), que pos-

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sui 88 países filiados, distribuídos pelos cinco continentes. O número de competidores cadastrados nas competições em todo o mundo ultrapassa 60 milhões”. Porém, no Brasil, segundo ela, não há profissionais de boliche devido ao fato de que o esporte não remunera os atletas. “Temos atletas nas categorias masculinas e femininas, desde crianças até os seniores filiados à CBBOL (Confederação Brasileira de Boliche) que, com o apoio da confederação, participam de competições nacionais e internacionais, mas sem serem remunerados para isto”. Além das competições, o esporte é muito procurado com o intuito de diversão, atraindo pessoas de todas as idades. O principal adversário é a própria pista, com suas condições desafiantes e o número máximo de jogadores é seis pessoas. Ao contrário do que se pensa, Helena conta que o essencial, nesse espor-


te, não é força e, sim, jeito. Uma partida consiste em dez etapas. “Em uma destas, se o jogador fizer strike, jogará uma só vez. Se não conseguir, ele terá direito a uma segunda jogada para tentar derrubar os pinos restantes e fazer, assim, o spare”, explica a ex-atleta. A pontuação da partida depende da quantidade de pinos atingidos e da forma como eles são derrubados. Os pontos podem ser desde zero, quando não se derruba nenhum pino em todas as jogadas, até 300, quando acontecem 12 strikes consecutivos. “É evidente que, como cada partida tem dez frames, só seriam possíveis dez strikes. Porém, se o jogador derrubar todos os pinos no primeiro arremesso do décimo frame, ele ganha o direito de jogar mais duas bolas; conseguindo, assim, a chance de completar doze strikes em uma mesma linha, embora seja muito raro isso ocorrer”. A pista apresenta 18, 20 metros de comprimento por 1,07 metro de largura. A bola tem, normalmente, três furos, mas pode apresentar quatro (quando é necessário dar balanceamento à bola). Para ajudar na escolha da bola certa, Helena re-

lata que, em toda house ball (bola fornecida pelo boliche), existe um número que indica o peso em libras. “Experimente algumas bolas com pesos diferentes até achar a mais adequada ao seu estilo”, sugere. Outro fator importante é o modelo dos sapatos. É indicado o uso de calçados especialmente desenvolvidos para essa atividade, pois possuem uma sola própria que não estraga o piso. Para quem pensa em se tornar um competidor dessa modalidade, a dica é apresentar um ótimo preparo físico, pois este é exigido nas longas horas de jogo. Helena recomenda ginástica para contribuir na melhora do condicionamento do atleta. Segundo a especialista, o boliche apresenta benefícios para o corpo e a mente, pois desenvolve muito a concentração, o equilíbrio, o raciocínio e a interação entre jogadores. “Diverte, socializa e aproxima as pessoas”, conclui. Assim como todos os esportes, o boliche também possui regras. Helena nos ensina as básicas. Se quiser conhecê-las, acesse nossa página no facebook (on.fb.me/RevistaElegant) e confira!

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Saúde

ANEMIA por Emerson Roberto

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rata-se de uma síndrome caracterizada pela diminuição do número de eritrócitos (glóbulos vermelhos) no sangue circulante. Segundo o hematologista Valdir de Paula Furtado, existe uma grande quantidade de causas desse problema e, dentre elas, está a falta de algumas substâncias necessárias para a produção dos eritrócitos, como o ferro, a vitamina B12, o ácido fólico e outros nutrientes. De acordo com o médico, outros fatores também são causadores dessa enfermidade: destruição anormal dos eritrócitos (anemias hemolíticas); ausência de produção dos glóbulos vermelhos na medula óssea, falta de células progenitoras (anemia aplástica), proliferação de células anormais que sufocam a medula óssea (leucemias agudas) ou invasão de células anormais na medula óssea (metástases de tumores malignos); doença renal crônica pela falta de produção de um hormônio chamado eritropoietina, que regula a produção de eritrócitos na medula óssea; e disfunção de algumas glândulas como a tireóide. A anemia leve pode ser assintomática. Porém, quanto maior for a intensidade da doença, mais sinais a pessoa apresentará, como: fraqueza, palidez, falta de ar e taquicardia. Assim, é importante lembrar-se de que esses sintomas podem se agravar e causar a morte. “Embora o que torne o quadro

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grave não seja a anemia em si, mas a sua causa”, constata o médico. Para diagnosticar essa doença, basta fazer um exame de sangue. “Um hemograma compreende a contagem dos eritrócitos, a dosagem da hemoglobina e a determinação do volume globular”, explica Furtado. Outra forma de descobrir a enfermidade é através do exame da medula óssea, que é feito, muitas vezes, para elucidar a causa do quadro anêmico. As anemias, em geral, incidem do mesmo modo em ambos os sexos. Mas, a anemia causada por falta de ferro acontece mais comumente nas mulheres, principalmente naquelas que sofrem com um ciclo menstrual intenso. A prevenção consiste em evitar a sua causa. Ou seja, se a mulher está anêmica por perder muito ferro, deve receber o mineral regularmente, seja pela alimentação ou sob a forma de medicamentos. A cura da anemia pode ocorrer de diversas maneiras, pois depende do que, primeiramente, causou tal doença. Possíveis tratamentos são: reposição de ferro, tratar a doença que prejudica a função da medula óssea (hipotireoidismo) e da que sufoca a produção dos eritrócitos (leucemia aguda) e, também, transplante de medula óssea (no caso da anemia aplástica). Finalmente, o hematologista explica: “Estes são apenas alguns exemplos de prevenções das anemias mais importantes”.


Saúde

Varizes! E agora? por Jéssica Tokarski

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ormalmente encontradas nas panturrilhas, as varizes são veias doentes que se tornam maiores, mais alongadas e tortuosas. Mais frequentes nas mulheres, o problema afeta 65% do sexo feminino e 35% do masculino. Segundo o cirurgião vascular e angiologista José João Lopes, elas estão relacionadas a várias causas. “As mais comuns envolvem o fator hereditário, a idade (surgem geralmente acima dos 40 anos), o sexo, a gravidez, o sedentarismo e o uso de hormônios, como os anticoncepcionais”, explica. Segundo o especialista, a frequência de varizes é maior nas mulheres devido à influência dos estrógenos. “Eles têm a capacidade de, quando em concentrações alteradas, promover lesões na parede das veias”. Andar de salto alto e ficar muito tempo em pé também têm importância significativa para o desenvolvimento das varizes. A utilização de saltos muito altos muda a dinâmica do pé, tornando mais difícil a execução dos movimentos que ajudam na circulação do sangue. “Da mesma forma, quando uma pessoa passa muito tempo em pé ou parada, além de estar submetida à força da gravidade contra a subida do sangue, não há contração do músculo da perna, o que é primordial para a boa circulação”, esclarece Lopes. O cirurgião explica porque o problema pode aparecer no período da gestação. “No primeiro trimestre, o possível aparecimento dessas veias doentes deve-se ao aumento de alguns hormônios. Já a partir do quarto mês, o útero aumenta de tamanho e passa a comprimir veias pélvicas, dificultando o retorno venoso e aumentando a chance da manifestação do problema”. Apesar de usualmente surgirem nas pernas, há ocorrência de varizes também nos braços (quan-

do decorrentes de trombose venosa profunda), no esôfago (causadas por problemas no fígado) e na pelve (em mulheres). Para se diagnosticar o problema, é necessária uma análise visual e sintomática. “Basta olhar as pernas e notar veias salientes, tortuosas e que geralmente causam dor, sensação de peso, cansaço, queimação e inchaço”, revela Lopes. A doença, além de acarretar problema estético, pode levar ao aparecimento de feridas e evoluir para enfermidades mais graves, como a úlcera varicosa, tromboflebite e trombose venosa. Se você já sabe que tem predisposição genética, o angiologista aconselha a tomar algumas atitudes para prevenir o problema. “Evitar uso de estrógenos (anticoncepcional e reposição hormonal), controlar o peso, praticar exercícios físicos (principalmente aeróbicos) e evitar ficar muito tempo parado, seja em pé ou sentado”, explica Lopes. O médico também acha necessário que haja uma mudança nos hábitos de vida: deve-se ter uma alimentação saudável, não fumar e disponibilizar um tempo para atividades de lazer. O problema das varizes pode ser atenuado principalmente de duas maneiras: usando-se meias elásticas específicas e cirurgia. “O uso das meias é indicado para pessoas com pernas inchadas e que têm profissões em que precisem ficar muito tempo paradas”. O tratamento cirúrgico, atualmente, pode ser considerado bastante simples. “Ele é feito com o uso de laser endovascular. Mediante simples punções e sem a necessidade de cortes, as veias são eliminadas. Como consequência da técnica, o repouso no pós-operatório é mínimo. Em um ou dois dias, o paciente volta ao trabalho normalmente”, conta Lopes.

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Saúde

ENXAQUECA A mais temida dor de cabeça por Débora D. Dornella

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onhecida por afetar grande parte da população, a enxaqueca, literalmente, é uma “dor de cabeça” para muitas pessoas. Mas, como conviver com essa doença? Quais são suas causas e seu tratamento? Existe cura? Essas são algumas das perguntas mais frequentes feitas por quem sofre com a enxaqueca. Também conhecida como migrânea, o problema é considerado um tipo de dor primária. Isso significa que não existe uma causa estrutural para ele. “Trata-se de uma reação neurovascular anormal (em um organismo geneticamente vulnerável) que se manifesta por episódios recorrentes de dor de cabeça associada a outros sintomas e, que, geralmente, dependem da presença de fatores desencadeantes”, explica o neurocirurgião Marcelo Amato. Sua causa ainda é desconhecida, embora existam várias teorias. De acordo com ele, a mais aceita é a de um organismo vulnerável que, quando submetido a mudanças bruscas corporais ou do ambiente externo, sofre uma inflamação nos vasos sanguíneos do cérebro e de estruturas adjacentes. Os principais motivos que contribuem para o início da crise são: problemas emocionais, como ansiedade e depressão; modificações do ciclo sono-vigília (excesso ou privação de sono); consumo de bebidas alcoólicas (principalmente o vinho tinto); alguns alimentos (como chocolates); alguns tipos de queijos e defumados; jejum prolongado; estímulos luminosos intensos e/ou intermitentes e exposição a odores fortes e penetrantes. Os sintomas são bem característicos. No quadro clínico, observa-se dor, geralmente, unilateral, de forma pulsátil ou latejante e de intensidade moderada a acentuada. Assim, no momento da crise, não é possível continuar trabalhando e, nessa situação, atividades físicas ou movimentos mais intensos podem agravar a dor. Outro indício da presença da enxaqueca é a associação da dor de cabeça com náuseas e sensibilidade à luz e ao som.

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É possível que a dor comece de forma contínua em toda a cabeça (indo de uma intensidade baixa à moderada) e, que, com o passar das horas, surja a crise propriamente dita. “Pode, ainda, haver a presença de “aura”, que é uma manifestação neurológica reversível caracterizada por distúrbios visuais e sensitivos. Ela dura de cinco a 20 minutos e precede o início da dor”, explica o neurocirurgião. Esse tipo de enxaqueca com “aura” é conhecida, também, como enxaqueca típica e, apesar do nome, é menos frequente (afeta somente de 10 a 15% dos casos). Uma crise pode durar de quatro a 72 horas, mas, segundo o médico, caso a crise seja tratada de maneira inadequada, ela pode chegar a durar vários dias. Na maioria dos episódios, não são necessários exames complementares para o diagnóstico, pois o


médico é capaz de reconhecer a enxaqueca pelos sintomas descritivos, a evolução da doença e a resposta ao tratamento estipulado. Porém, vale ressaltar que, para ser considerada enxaqueca, o paciente deve ter apresentado, no mínimo, cinco crises que preencham os critérios considerados. As pessoas mais propensas a ter esse problema são as que apresentam histórico familiar. A questão da influência da genética ainda é imprecisa – porém, já é inquestionável. O médico acredita ser muito provável que a herança seja do tipo multifuncional, isto é: apesar da presença da enxaqueca familiar ser frequente, não se pode afirmar que a pessoa terá este problema só porque alguém da família o tem. Outras pessoas propensas são aquelas que têm problemas emocionais e/ou que não levem uma vida saudável.

Para prevenir, é aconselhável alimentar-se corretamente e regularmente, hidratar-se bem e fazer exercícios físicos sempre. Recomenda-se evitar o excesso de condimentos e defumados e dar preferência ao consumo de frutas e verduras. Fuja de chá, café, clara de ovo, comida japonesa, álcool, refrigerante, corantes, cheiros fortes e não fume. A exposição ao sol pode contribuir para a crise devido à luminosidade intensa ou à exposição prolongada ao calor, que pode causar desidratação. Muitas pessoas, quando estão em crise, sentem necessidade de ficar no escuro e em silêncio. Isso se deve à fotofobia e à fonofobia (sensibilidade à luz e ao som). Há também pessoas que, para aliviar os sintomas da enxaqueca, preferem dormir ou causar vômitos. Segundo Amato, dormir nem sempre ajuda. Há, sim, alguns pacientes que melhoram, mas o alívio iria acontecer de qualquer forma (mesmo se estivessem acordados). Porém, outros acordam com a mesma dor de cabeça. “Em relação ao vômito, o estímulo parassimpático estimulado por tal situação pode promover um relaxamento muscular e, consequentemente, aliviar a crise de dor”. “O principal problema da enxaqueca é o sofrimento do paciente”, destaca o neurocirurgião. Mas, por ser negligenciada, tratada de forma inadequada ou sem orientação médica, ela pode se tornar crônica e, até mesmo, levar a quadros depressivos de insatisfação profissional e pessoal, devido ao mau rendimento causado pelas crises frequentes de dor. “Alguns tipos raros de enxaqueca podem cursar com acidentes vasculares encefálicos (AVC’s), relacionados à grave inflamação dos vasos cerebrais”, conta. Infelizmente, não existe cura para a doença. Mas, a boa notícia é que existe tratamento. Se o paciente for bem tratado, pode ficar livre das crises ou tê-las com menor frequência e intensidade. Depois de consultar o médico, o paciente deve estar sempre atento, para que possa tomar o medicamento correto logo no começo da crise. Além disso, de acordo com o neurocirurgião, existem algumas medidas não medicamentosas que podem ajudar no alívio da dor, tais como: ir para um lugar silencioso e escuro; usar bolsa de gelo ou spray gelado na têmpora; tomar banhos de contraste (quente seguido de frio) e praticar técnicas de relaxamento e de biofeedback, que têm como objetivo desviar o excesso de sangue do segmento cefálico para outros segmentos do corpo. Assim, o tratamento é baseado na adoção de hábitos saudáveis, terapias não farmacológicas, tratamento medicamentoso abortivo da crise e medicamentoso profilático, sendo este último indicado quando há, no mínimo, uma crise por mês ou quando há crises de grande intensidade e duração.

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Saúde

Ritual fora de série

por Jéssica Tokarski

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bsessão, segundo o dicionário, significa preocupação constante ou ideia fixa. Já a palavra compulsão refere-se a uma força que compele a repetir um ato não deliberado, ou mesmo contrário à vontade da pessoa. Ambos os comportamentos são características de uma doença muito grave: o Transtorno Obsessivo Compulsivo, também conhecido como TOC. De acordo com o médico psiquiatra e psicanalista Mario Louzã, os pensamentos repetitivos, dos quais a pessoa não consegue se livrar, apesar de saber que não têm sentido, bem como os rituais que ela se vê obrigada a repetir, mesmo sem o desejo de fazê-lo, caracterizam o problema. O TOC, enfermidade que faz parte dos Transtornos de Ansiedade, pode ser apresentada por meio de compulsões por limpeza, simetria, rituais e/ou outras maneiras, sempre oferecendo pensamentos ou ritos repetitivos sem sentido, mas que a pessoa é levada a obedecer. Louzã cita alguns exemplos de sintomas típicos do problema. “O paciente pode ter a obsessão de que, ao encostar-se em qualquer objeto ou pessoa, pode ser contaminada. Desse modo, necessita lavar as mãos inúmeras vezes para se livrar da contaminação. Alguns têm pensamentos repetidos de que podem fazer algo a entes queridos; outros precisam verificar diversas vezes se uma porta está trancada, mesmo sabendo que ela está de fato trancada”, revela. O psiquiatra cita um personagem de seriado muito famoso, que pode exemplificar o que um acometido por esse transtorno sofre. “O detetive do seriado ‘Monk’ tem, principalmente, as características de rituais e a obsessão por limpeza”. A história retrata, de forma cômica e leve, um problema sério que afeta cerca de um a dois por cento da população. É comum rirmos com as desventuras do protagonista problemático. Entretanto, o TOC é uma doença que merece atenção e cuidados médicos. Com a evolução do problema, pode-se chegar ao estágio de evitações, ou seja, mecanismo usado para evitar os rituais ou as obsessões. “Por exemplo, uma pessoa que tenha obsessão por contaminação vai evitar cumprimentar outra pessoa, para não ter que sair correndo lavar as mãos”, explica o especialista.

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É bastante comum, ao ouvirmos falar sobre os sintomas da enfermidade, pensarmos que sofremos do referido transtorno. Lavar muito as mãos, verificar várias vezes se trancamos alguma porta ou se desligamos todas as bocas do fogão são preocupações naturais do cotidiano que, segundo Louzã, podem acontecer em maior ou menor intensidade. “Mas, no caso do TOC, essas preocupações ou comportamentos invadem o cotidiano da pessoa, fazendo com que ela empregue uma boa parte do seu dia (e muitas vezes o tempo todo) com as obsessões e compulsões”. São esses os casos que merecem maior atenção e que, provavelmente, caracterizam a doença. Mas, o único que pode diagnosticar com precisão tal problema é o médico psiquiatra. “Se uma pessoa acredita que está apresentando os sintomas típicos, é ideal que procure imediatamente um profissional para iniciar o tratamento enquanto a doença está em estágio inicial. À medida que ela se torna crônica, fica mais difícil responder aos tratamentos”, comenta o médico. O tratamento para o Transtorno Obsessivo Compulsivo consiste na administração de medicamentos específicos combinada, em geral, com a psicoterapia cognitivo-comportamental. De acordo com o psiquiatra, é muito difícil que o paciente consiga curar-se sozinho, sem a ajuda de profissionais para auxiliá-lo. “Com o tempo, o TOC tende a aumentar se não for tratado”. Muitas vezes, o que acontece é que o problema se apresenta durante a infância e melhora por um determinado período de tempo. Contudo, ele volta a se manifestar na idade adulta. Mas, mesmo com a ajuda de um especialista, alguns aspectos dependem da vontade que o doente tem de se curar. “O acometido precisar ‘lutar’ contra os pensamentos e rituais, evitando repeti-los”, orienta o psiquiatra. É de suma importância que os familiares, ao observarem os sintomas, auxiliem o portador a controlá-los. O TOC pode, sim, ser muitas vezes retratado através do seu viés caricato e engraçado, mas deve ser tratado com seriedade, principalmente no período de tratamento. O transtorno tem cura e a força de vontade é combustível motivador para uma vida melhor.


Saúde

CIGARROS ELETRÔNICOS por Emerson Roberto

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novidade tem como principal objetivo auxiliar os fumantes a abandonar o tabagismo. O aparelho, semelhante ao cigarro comum, é dividido em três partes: a eletrônica, o filtro e a bateria (que pode durar por um dia ou, até mesmo, uma semana, dependendo do fabricante). A sua fumaça é emitida em forma de vapor d’água. Segundo o pneumologista Paulo Roberto de Miranda Sandoval, do Hospital VITA de Curitiba, ainda não existem estudos que afirmem que o uso dos cigarros eletrônicos possa ser prejudicial à saúde. “Mas, independente da existência de estudos, o fato é que não oferecem as 4.000 substâncias nocivas contidas no cigarro comum”, afirma o médico. Os cigarros eletrônicos proporcionam as mesmas sensações que um cigarro normal. De acordo com o médico, eles podem até conter nicotina, a substância da qual mais dependem os fumantes. Porém, ainda não se pode afirmar que o e-cigarro (como também é chamado) vicie. “Seu uso é recente e não há relatos de dependência do cigarro ele-

trônico”, explica o especialista. Diversas pessoas deixaram de fumar os cigarros tradicionais para se tornarem adeptas a essa novidade do mercado. Um dos aspectos interessantes é que esse dispositivo pode apresentar diversos sabores, cuja escolha depende do gosto do usuário. Além disso, segundo Sandoval, por ser um cigarro que não possui cheiro, é mais aceitável o seu consumo dentro dos ambientes sociais. O e-cigarro custa em torno de 190 reais. Ele pode durar a vida inteira ou por um determinado período – a duração do produto depende do seu fabricante. Há diversas opções oferecidas no mercado, podendo ser simples ou mais elaboradas. Mas, para quem deseja parar de fumar os cigarros comuns, o pneumologista alerta que utilizar cigarros eletrônicos não é o melhor método atualmente existente. “Há alguns medicamentos, a terapia de reposição de nicotina e a abordagem cognitiva comportamental, que são efetivos e testados há muito tempo com bons resultados. No futuro, o e-cigarro pode vir a ser a melhor opção, mas ainda não existem estudos suficientes”, finaliza.

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Saúde

Sensibilidade nos dentes

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divulgação

om a chegada do verão, as pessoas tendem a procurar por alimentos e bebidas geladas. A ingestão de alimentos muito quentes, amargos ou doces, seguida por sensação dolorosa nos dentes, diagnostica um comum problema: sensibilidade nos dentes. Essa sensibilidade é um problema que afeta 25% da população adulta e ocorre quando a camada protetora do dente, o “esmalte”, deixa de exercer sua função, deixando a “dentina” exposta. Também pode surgir quando a gengiva recua e deixa a raiz dentária exposta. A raiz e a dentina são conectadas ao nervo central do dente por meio de canalículos que transmitem a sensações para o indivíduo. As causas mais comuns desse problema são: • Cárie dental; • Inflamações nas gengivas (geram a retração gengival); • Técnicas incorretas de escovação (provocam desgaste nos dentes, levando a uma maior sensibilidade). Portanto, observe sua escova de dentes: se, em poucos dias de uso, suas cerdas estiverem amassadas, você está usando-a com muita força; • Abifração, que ocorre quando a pessoa aperta muito os dentes durante mastigação, gerando a quebra do esmalte perto da região das gengivas (deixando a dentina exposta);

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Prof. Dr. Aonio Genicolo Vieira Cirurgião Dentista aoniovieira.com.br

• Branqueamento (ou clareamento) dentário feito de maneira incorreta; • Dentes fraturados ou lascados, cariados ou não; • Bruxismo (ranger os dentes); • Dieta muito ácida, na qual há desmineralização do esmalte dentário, deixando o dente mais suscetível à ação da temperatura e da pressão osmótica de alguns alimentos; • Bulimia e refluxo gástrico. Saiba como evitar a sensibilidade dental: • Utilizar um creme dental com baixa abrasividade e com flúor na sua composição; • Usar escovas de dente com as cerdas macias e não fazer muita força na higienização; • Ter uma boa higiene bucal: usar fio dental e escovar os dentes após as refeições principais (no mínimo três vezes ao dia); • Evitar alimentos e bebidas ácidas, como refrigerantes e alimentos cítricos. Se você já está com sensibilidade nos dentes, procure o seu dentista para que ele lhe indique o melhor tratamento. Atualmente, os tratamentos disponíveis são: • Uso de enxaguatório bucal com flúor – é útil, quando usado de modo contínuo. É indicado para quem tem uma leve sensibilidade; • Aplicação de flúor tópico – é feita pelo dentista a cada seis meses. Além de proteger os dentes, elimina a sensação de dor; • Aplicação de flúor verniz – também praticada pelo dentista. Esse tipo de flúor é indicado para combater a cárie em seu processo inicial; • Laserterapia - o laser estimula as mitocôndrias, que servem para dar energia e renovação às células. Quando estiverem renovadas e mais fortes, a sensibilidade também é eliminada; • Desensibilizantes – indicados para casos de desgaste por abrasão. Eles vedam os canalículos dentários, evitando a dor.


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tualmente, o biólogo Sérgio Rangel apresenta o quadro “Diário de Viagens” no “Programa da Eliana” (SBT), realizando reportagens sobre o que mais gosta: animais e meio ambiente. Ele sempre foi fascinado pelo mundo animal. “Nasci em uma casa cheia de bichos, no Rio de Janeiro. Tínhamos macacos, papagaios, tatus e muitos aquários”, lembra. Por trabalhar há mais de 30 anos em zoológicos, o biólogo descobriu que possui uma grande fascinação por elefantes. “Tive a chance de conhecer estes enormes, inteligentes e sensíveis seres. Sua inteligência e sensibilidade me deixam apaixonado por eles”, conta. Um dos sonhos de Sérgio é poder contribuir para o bem-estar dos elefantes. “Gostaria de poder ter um santuário para dar boa vida aos velhos elefantes, cansados de circos e zoológicos”. O fato de ser apresentador de TV e biólogo ao mes-

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Rangel Consultoria

Animais

mo tempo, trouxe muitos benefícios para a sua vida. “Por sempre estar em busca de animais interessantes, pude conhecer quase o mundo todo. Já estive nos Estados Unidos, Europa, México, África, Japão, Equador e em muitos outros países”, conta satisfeito. Dentre as tantas matérias gravadas por Sérgio, o biólogo afirma que a mais fantástica aconteceu durante a viagem para as Ilhas Galápagos. “É um lugar maravilhoso para um biólogo visitar. Lá, tive um precioso encontro, na ilha Seymour Norte, com um raro exemplar de iguana híbrida”. O apresentador também não esquece os momentos em que viveu na África do Sul. “Tive a maior surpresa: encontramos no Parque Cruger um jaboti leopardo, um animal que não é típico da região”, recorda. Mesmo tendo passado por diversos países, o Brasil, para ele, em relação à variedade da fauna, é um dos locais mais fascinantes. “O pantanal do sul


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Amor incondicional pelos animais por Emerson Roberto

Rangel Consultoria

é o melhor lugar do mundo para observar e filmar bichos como aves, répteis, tamanduás bandeira, antas, jaguatiricas, onças pardas, onças pintadas, entre outros”, afirma. Mas, a profissão de biólogo também possui os seus riscos. Sérgio já foi picado algumas vezes por serpentes peçonhentas. “A situação mais grave foi com um exemplar de surucucu do Amazonas. Fiquei em coma por nove dias”, diz ele. O apresentador não tem preferências entre animais selvagens ou domésticos. “Para mim, bicho é bicho. Não importa”. Em relação à convivência com os seus bichinhos de estimação, o biólogo conta: “Tenho cinco cães, que são como filhos. Também tenho carinho por minhas aves - em especial, pela cacatua Cocotinha”. De acordo com ele, ter animais em casa é uma atitude saudável, sejam eles domesticados ou selvagens. “Há várias espécies silvestres permitidas para se ter em domicílio. Acho que é adequado, desde que a pessoa tenha condições para dar acomodações, alimento e conforto psicológico para elas. Conheço indivíduos que convivem em harmonia com os seus animais selvagens”. Com tantos momentos vividos e sonhos já realizados, Sérgio ainda possui um desejo muito significativo não só para ele, mas para o mundo: “Que diminua a destruição ambiental no planeta. A meu ver, a preservação, hoje, dos ecossistemas é a única solução para protegermos as espécies para as próximas gerações”, conclui. Para saber mais sobre o biólogo Sérgio Rangel, acesse o site: www.sergiorangelbiologo.com.br

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Animais

Animais dentro de casa? Saiba como agir por Jéssica Tokarski

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uem não ama animais de estimação? Cães, gatos, passarinhos... Eles estão por toda parte e é difícil encontrar alguém que não tenha um mascote em casa. Essas criaturinhas se tornam parte da família, são tratadas como seres humanos e, cada vez mais, tomam conta dos espaços da casa. É ótimo ter a companhia de um bichinho e compartilhar com ele as partes boas da vida. Porém, é necessário atentar para um fator muito importante: o limite entre o que é saudável e o que pode oferecer riscos para a saúde dos moradores da casa ou, até mesmo, para os próprios animais. Segundo a veterinária Jacqueline Felipetto, é necessário tomar os cuidados básicos inerentes a qualquer animal: “Manter a vacinação em dia, desverminar de quatro em quatro meses, conservar o ambiente limpo, higienizar comedouros e bebedouros semanalmente, dar ração de boa qualidade e levá-lo ao veterinário regularmente”. São atitudes simples, mas que, se não realizadas, podem levar a consequências graves. O maior perigo na convivência entre bichos e seres humanos são as zoonoses, verminoses, sarnas e micoses. Além dessas doenças, leptospirose e giardíase podem ser adquiridas se as devidas vacinas não forem aplicadas. Normalmente, as crianças são as mais prejudicadas nesses casos. Pessoas alérgicas também sofrem devido à convivência no mesmo ambiente. Portanto, é importante evitar esse contato para não desencadear uma reação alérgica. Muitas pessoas são tão apegadas aos pets, que acabam compartilhando sua cama com eles. Mas, mesmo quando bem higienizados, ainda há o risco de transmitirem bactérias. “Quando eles vão passear nos parques e na rua, trazem muita sujeira nas patinhas e, com certeza, bactérias. Por isso, é muito importante limpá-las após os passeios”, aconselha a veterinária, que considera ideal deixar que os animais durmam em suas próprias caminhas. Uma parte essencial no processo de limpeza dos bichinhos é o banho. Ele pode ser dado em casa ou em pet shops e Jacqueline indica que o processo

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aconteça a cada quinze dias. “Mas no verão, pode ser dado a cada sete ou dez dias, sempre utilizando produtos de boa qualidade e específicos para os pets. Nada de usar xampus para pessoas!”. Para que não haja problemas devido à convivência com um animal dentro de casa, é interessante que este seja bem educado e adestrado. Por isso, impor limites é essencial. Se o dono tiver dificuldades quanto a isso, pode consultar um médico veterinário ou um adestrador. “Hoje em dia, muitos adestradores atendem em domicílio, o que traz uma resposta rápida e positiva”, garante a especialista. É importante que os mascotes aprendam a fazer suas necessidades nos lugares estipulados. Se na casa houver quintal e grama, é preferível que lá seja o espaço destinado para essa finalidade. Caso a moradia não possua tais espaços, podem ser adquiridos “banheirinhos” especiais para os animais domésticos. “Para os gatos, há caixas com areia própria e, para os cães, há tapetes higiênicos com fragrância natural atrativa e um neutralizador de odores”, conta. Depois que o bichinho fizer as necessidades, é imprescindível coletá-las com luvas ou pás apropriadas. As pessoas que vivem em apartamentos devem ter em mente que animais necessitam de espaço para brincar e se exercitar. Por isso, é extremamente importante passear com os pets. Segundo Jacqueline, se os animais ficarem sempre confinados em espaços pequenos, podem desenvolver estresse, distúrbios comportamentais e outros problemas. “Assim como para nós, seres humanos, a exposição aos raios solares é saudável, para eles também é, desde que aconteça com moderação”, revela a veterinária. Se, mesmo saindo frequentemente para passear, a agitação exacerbada do animal continuar, uma alternativa para deixá-lo mais tranquilo é a castração (principalmente no caso dos machos). Quem planeja adquirir um animal de estimação, mas mora em lugar pequeno, deve escolher raças que se adaptem mais facilmente a essa situação. “Os mais apropriados são pássaros como a Calopsita, cães da raça Yorkshire, Shitsu e Lhasa Apso e gatos em geral”.


Informe Publicitário

Por que identificar o seu animal de estimação?

O

s animais perdidos nas ruas podem sofrer maus tratos, acidentes sérios e adoecer por diversos motivos. Identificar eletronicamente o seu animal de estimação, através de um microchip, é a forma mais eficaz e segura de cadastrar o proprietário, de forma definitiva. O microchip nunca se perde, ao contrário, é tudo o que seu animal precisa para voltar rapidamente para casa. Além disso, microchipando seu pet, você estará preservando seus direitos e bem-estar, já que a identificação eletrônica tem se tor-

nado obrigatória por lei em vários países e avança, nesse sentido, também no Brasil. O médico veterinário é o profissional habilitado a fazer a aplicação do microchip. A médica veterinária Ana Caroline Garrido, reforça que não há motivos para preocupação dos proprietários. “A aplicação é simples, rápida e indolor. Com as soluções mais modernas, como o BackHome Biotec, que adotamos em nosso consultório, com apenas um click o animal estará identificado e protegido para toda a sua vida”. Se o animal for encontrado por alguém e encaminhado a uma clínica, o veterinário utilizará uma leitora para identificar o número do pet e, com esse número, poderá acessar o banco de dados ou a central de atendimento para saber quem é o proprietário, chegando até ele imediatamente. Caso o veterinário não possua uma leitora, é possível também a identificação através da plaqueta, que o animal deverá sempre usar. “Em contato com a Central de Atendimento e fornecendo o número da placa, será indicada a clínica mais próxima que possua uma leitora para o reconhecimento”, afirma Ana. Além de ser uma das soluções em identificação eletrônica mais vendidas no mundo, ainda possui um banco de dados, onde são guardadas todas as informações sobre a vida do seu melhor amigo, incluindo lembretes de vacinação e vermifugação, histórico médico e tudo mais que você quiser.

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Animais

ÁGUA-VIVA

Curiosidades sobre este animal tão antigo que continua presente nas águas do mundo por Débora D. Dornella

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guas-vivas, também conhecidas como medusas, são comumente encontradas no litoral, principalmente na época de verão. Muitas pessoas relatam que já foram queimadas por elas e isso acontece porque estes animais pertencem ao filo cnidária e, portanto, possuem cnidoblastos, estruturas parecidas com dardos que inserem toxina e, assim, dão a sensação de queimação. Fazem parte deste mesmo filo os corais, as anêmonas e também as caravelas (que não são o mesmo que água-viva). A bióloga Rossana Helena Pitta Virga, do maior

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aquário da América do Sul - Acqua Mundo, localizado em Guarujá (SP) - conta que a toxicidade varia de espécie para espécie, assim como a reação humana varia de indivíduo para indivíduo. “Na maioria dos casos, ocorre uma sensação de queimação. Por isso, as pessoas dizem ter sido ‘queimadas’ por águas-vivas”. Esses animais apresentam uma estrutura muito simples: possuem duas camadas celulares (a ectoderme e a gastroderme), que são separadas por uma camada gelatinosa de mesogleia, podendo ser celular ou não. “O animal se apresenta, basicamente, em


duas formas principais: a forma séssil de pólipo e a livre nadadora de medusa”, explica a bióloga. Segundo ela, existem, no mundo, mais de mil espécies desse animal distribuídas entre cifomedusas, cubomedusas, hidromedusas e sifonóforos. Dentre os sifonóros, as mais comuns no Brasil são a Physalia physalis (caravela portuguesa), a Vellela e a Porpita. O tamanho da água-viva é variável. “Algumas podem atingir até dois metros de diâmetro da umbrela (disco ou sino). Entretanto, o que mais importa não é o tamanho da umbrela e, sim, o comprimento dos tentáculos. Uma caravela portuguesa com 30 centímetros de comprimento do flutuador pode ter até três metros de comprimento de tentáculos”, explica a bióloga. Essa espécie é composta por 98% de água (quase todo seu corpo é preenchido por água do mar), tem hábitos carnívoros e alimenta-se principalmente de peixes, crustáceos e moluscos. As espécies menores podem alimentar-se de plâncton. Uma curiosidade interessante é que se trata de um animal muito antigo. “Para saber a idade de um animal, é necessária a existência de registros fósseis. Como as medusas são preenchidas praticamente por água, sua decomposição é muito rápida. Mas, mesmo assim, foram descobertos fósseis de medusas do Período Cambriano, entre 540 a 490 milhões de anos atrás”, acrescenta Rossana. Vale a pena ressaltar, também, que elas não queimam o banhista como forma de defesa. “Na realidade, a intenção delas não é queimar os banhistas, pois elas usam esse mecanismo para cap-

tura de seu alimento. Se gastarem os nematocistos conosco, elas terão que fabricar mais e, portanto, gastam energia à toa, já que não somos comida para elas. Entretanto, quando estamos nadando, podemos encontrar esses animais boiando ao nosso lado e, ao fazermos movimentos bruscos, seus tentáculos, levados pelo movimento da água, podem nos queimar”, explica a bióloga. Segundo o Ten.Cel. QOBM, Edemilson de Barros, comandante do 8º Grupamento de Bombeiros do Litoral do Paraná, nas duas últimas temporadas de verão, foram registrados 782 casos de queimaduras por águas-vivas no litoral paranaense. O comandante alerta que o principal cuidado a ser tomado para não se queimar é evitar entrar na água quando for observada uma grande quantidade destes animais na areia da praia. “Roupas de neoprene evitam o contato, no caso dos surfistas e nadadores”, acrescenta Barros. O comandante conta que os sintomas mais comuns causados pela queimadura são as urticárias e queimaduras locais dolorosas, sendo que podem durar de 30 minutos a 24 horas. “Nos casos mais graves, podem ocorrer dor de cabeça, mal-estar, náuseas, vômitos, câimbras e outros sinais que vão desde dificuldade respiratória até arritmias cardíacas, paralisia, delírio e convulsão”, enfatiza. Algumas pessoas utilizam a urina para aliviar a queimação. Porém, essa prática não é recomendada. O tenente sugere algumas dicas para quando houver queimadura. Confira-as:

Ao ser atingido • Não coce o local. • Não tente remover os tentáculos aderidos com as próprias mãos. • Mantenha a calma e tente sair da água o mais rápido possível, para evitar o risco de choque e afogamento. • Só após chegar à areia, faça a remoção cuidadosa dos tentáculos aderidos e nunca esfregue a região atingida, • Lave abundantemente a região atingida com a água do mar. Não utilize água doce. • Lave a região, sem esfregar, com ácido acético a 5% (vinagre) por cerca de 5 a 10 minutos, alternando com água do mar, por 2 a 3 vezes. O vinagre neutraliza a peçonha, mas não tem ação sobre a dor. • Caso a dor continue, use compressas geladas no local e analgésico indicado por um médico. Não se automedique. • Havendo reação alérgica ou inflamatória, é importante procurar um médico para orientação.

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Animais

Interação com cães e outros animais proporciona companheirismo, alegria e qualidade de vida por Emerson Roberto

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a edição passada, a Élégant deu início a uma série de reportagens especiais sobre cães heróis, a fim de homenagear esses companheiros fiéis e melhores amigos do homem. O primeiro tema abordado foi o trabalho dos cães de resgate, os quais desempenham um papel fundamental na sociedade junto ao Corpo de Bombeiros. Nesta edição, vamos dar continuidade a essa série e falar mais um pouco sobre aqueles que proporcionam alegria, fidelidade e companheirismo para as pessoas. O Instituto Cão Amigo & CIA, de Curitiba, é uma organização não governamental, responsável por levar animais aos asilos, aos lares para crianças e às escolas especiais ou regulares, com o objetivo de - por meio da realização da Atividade (A), Educação (E) ou Terapia Assistida por Animais (TAA) - melhorar a qualidade de vida das pessoas que estão doentes. A Atividade conta com a participação de vo-

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luntários (independente da sua área de formação) que, junto de seu animalzinho, são capacitados para trabalhar com pessoas doentes. A Educação, por sua vez, é a inserção do animal dentro da sala de aula, isto é, em ambiente escolar, com vistas a estimular crianças com dificuldades de aprendizagem. Tal atividade pode ser realizada por profissionais da saúde e da educação. Já a Terapia Assistida por Animais recorre aos bichinhos no setting terapêutico de psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros profissionais da área da saúde, com finalidades específicas para cada paciente. Qualquer animal pode ser utilizado para esses fins. “A maioria dos animais voluntários são os cães. Mas já trabalhamos com coelhos, chinchilas, calopsitas e, atualmente, estamos com dois gatos. Em Jundiaí, interior de São Paulo, há um grupo que trabalha com animais exóticos como cobras, aranhas, besouros, etc. Em São Paulo, existe um

Manuella Balliana Maciel

União em troca da boa ação


-estar desses bichinhos são avaliados regularmente durante as atividades terapêuticas. Enquanto isso, os donos dos animais participam de diversas palestras de capacitação, assistindo às aulas demonstrativas. Importante salientar que eles também visitam todas as Instituições assistidas e, só depois de aprovados em todas as etapas, iniciam o trabalho voluntário junto de seu animalzinho. “Todos recebem dicas de como educar os seus mascotes de forma a adequá-los apropriadamente para o trabalho”, explica Manuella. Segundo a coordenadora do instituto, quando pessoas apresentam fobias de animais, é feito um tratamento com os próprios bichinhos para eliminar esse problema e tal medida tem se mostrado eficaz. “Há inúmeros casos de pessoas que tinham medo e, hoje, pedem para acariciar os bichinhos. Com o tempo, todos percebem o quanto é prazeroso o contato com os animais”, ressalta. Alguns médicos ainda são céticos com relação a essas terapias, mesmo após os resultados. Porém, quando acompanham esses trabalhos terapêuticos, muitos se convencem da transformação instantânea proporcionada pelo contato das pessoas com os animais. “A presença do animal é altamente benéfica e é perceptível a mudança positiva no estado geral da pessoa durante a atividade da Terapia Assistida Por Animais. Sempre me emociono com a reação amorosa e paciente que Buddy demonstra com as crianças”, declara Gisane. Além disso, esse tipo de tratamento é cientificamente comprovado. “Existem inúmeros estudos em todo o mundo que comprovam os benefícios tanto físicos, quanto psicológicos dessa interação”, revela a coordenadora Manuella. Carlos Roberto Stier

projeto chamado Dr. Escargot, que utiliza escargots no tratamento de crianças com paralisia cerebral”, conta a fundadora e coordenadora do instituto, Manuella Balliana Maciel. “Respeitamos a individualidade dos nossos pacientes assistidos quando oferecemos essa variedade, já que cada um tem uma história de vida e gostos diferentes. Há pessoas que nunca gostaram de animais, mas depois de um tempo, acabam se encantando com eles”, afirma. Os animais utilizados nessas terapias podem também ajudar pessoas portadoras de problemas como: autismo; paralisia cerebral; dificuldades de aprendizagem; hipertensão arterial; imunodeficiência bem como crianças que sofreram violência e maus tratos; depressão; ansiedade, dentre outros. Não existem animais ou raças mais apropriados para realizar essas funções. O que está em foco é o perfil dócil e estável do bichinho. É o caso do cãozinho poodle Buddy, da voluntária do Instituto Cão Amigo, Gisane Biacchi Gomes. Os dois participam da Terapia Assistida por Animais. Segundo ela, seu cão possui o temperamento apropriado para participar do projeto. “Buddy demonstrava qualidades que indicavam a possibilidade de colaborar com essa atividade. Inscrevi-o e ele passou em todos os testes. Desde então, tem realizado um belíssimo trabalho na Escola Especial 29 de Março, para crianças portadoras de paralisia cerebral, há quase dois anos”, conta a dona do pet. Antes de iniciar o tratamento, entretanto, é feita uma seleção rigorosa quanto ao comportamento e à saúde dos animais. Por isso, passam por uma avaliação individual, em que são simuladas todas as possíveis situações que podem ocorrer nas diversas instituições que o Cão Amigo & CIA atende, com a finalidade de perceber as suas reações frente ao estresse. “Essa avaliação é realizada em duas etapas. Primeiramente, em grupo, quando se avalia o comportamento do animal com outros bichos. E, na sequência, é feita uma avaliação individual do animal”, explica a voluntária Gisane. “Após as avaliações e a aprovação para que esteja apto a se tornar um cão terapeuta, o cãozinho recebe o treinamento denominado ‘Socialização e Educação Canina Permanente’, de profissionais altamente capacitados para tal atividade”, completa. De acordo com Manuella, também se realiza uma habituação dos animais em relação aos objetos que podem ser estranhos para eles, como bengala e cadeira de rodas. A saúde física e o bem-

Gisane com o seu poodle Buddy

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Priscila Prade

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PADRÃO Conceito e sobrenome no jornalismo por Débora D. Dornella

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ornalismo envolve compromisso com os fatos, dedicação, credibilidade e, acima de tudo, é doação à profissão. Quem escolhe esse caminho precisa estar sempre trabalhando, seja qual for o lugar, o horário ou a circunstância. Afinal, cada informação pode se tornar uma notícia relevante. Para seguir carreira no jornalismo, além de conhecimento, é necessário ter coragem e uma mente aberta. Deve-se lembrar, sempre, que existem, no mínimo, dois lados em cada história e, acima de tudo, é preciso optar pela imparcialidade. A sua opinião deve ficar somente para você, para os outros leve a verdade e o que realmente aconteceu. A décima edição da Élégant não poderia deixar de ser especial, e para isso nada melhor do que alguém que represente todos aqueles que buscam a verdade, que vieram ao mundo com o intuito de informar e contribuir com a sociedade. Para representar todos esses batalhadores e corajosos que estão nesse meio e aqueles que prestigiam , sempre esperam ansiosos por mais informações e, baseado nisso, concebem suas opiniões, entrevistamos a bela, destemida e inteligente Ana Paula Padrão, um sinônimo de credibilidade e competência na história do jornalismo. Além de ser excelente profissional, ela é dona de um bom humor incrível. Confira!

Élégant Em qual momento você decidiu ser jornalista? E por quê?

Ana Paula Padrão Sempre soube que queria

estar onde as coisas estivessem acontecendo. Sempre quis andar por aí e presenciar os fatos. Adoro ver e contar histórias de uma maneira interessante e adoro gente. Acho que decidi ser jornalista quando descobri que é isso que um jornalista faz.

Élégant Se não atuasse em jornalismo, que outra profissão você teria escolhido para a sua vida?

Ana Paula Padrão Já fui bailarina profissional, mas acho que o que eu queria mesmo era ter sido cantora. Mas, para isso, falta-me um talento básico: boa voz (risos). Élégant Em algum momento da sua vida você

imaginou que apresentaria jornais consagrados na televisão?

Ana Paula Padrão Nunca desejei apresentar

telejornais, já que minha carreira foi quase toda na reportagem de rua. Acredito fortemente que a reportagem é a coisa mais nobre do jornalismo, é a base da profissão. É nela que o jornalismo, de fato, se realiza. A apresentação de telejornais é uma contingência, é a administração da carreira. Em um determinado momento, o próprio mercado leva a isso, mas nunca fiz esforço nessa direção. Se pudesse, ainda estaria apenas na reportagem.

Élégant O que você pensa a respeito das mídias digitais hoje? Acha que é uma oportunidade maior para os profissionais da área?

Ana Paula Padrão Acho que é, sobretudo, a mais concreta democratização da informação. O fato de qualquer pessoa poder ter seu blog, entrar em uma rede social, emitir opinião, ser um pouco “jornalista” e contar as histórias que vê por aí é uma coisa sensacional. Claro que existem exageros, já que todo processo novo vem com certa radicalização. Mas, o público já está aprendendo a “separar o joio do trigo” e, de qualquer maneira, as mídias digitais têm um papel fundamental nas mudanças sociais. Também, por causa da presença maciça do consumidor na internet, empresas estão mudando a forma de desenvolver e testar produtos. Enfim, sou fã do digital! Aliás, acabei de lançar um grande projeto, o Tempo de Mulher, presente no portal www.tempodemulher.com.br. Este trabalho é fruto de uma longa pesquisa sobre a nova mulher brasileira, a mulher que chegou à nova classe média e quer ter informação, repertório e receber dicas de como administrar seu novo papel social. Élégant Em algum momento, durante a apresentação de jornais, você teve vontade de rir ou chorar?

“Sempre soube que queria estar onde as coisas estivessem acontecendo”. Élégant

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capa Ana Paula Padrão Muitas vezes, quase caí na

gargalhada, e já me comovi até quase chegar às lagrimas. Mas acho que a extrema concentração que é preciso ter durante uma transmissão ao vivo (que envolve uma equipe enorme) faz com que as emoções fiquem contidas. Assim, já que é preciso estar muito relaxado pra ter um ataque de riso, por exemplo, isso nunca acontece. Por mais relaxado que você esteja, a transmissão ao vivo envolve um grau de tensão que “trava” certas coisas. É por isso também que não temos espirros, tosses e coisas do gênero.

Élégant Você já ganhou inúmeros prêmios, sen-

do que muitos deles homenageiam mulheres de destaque. Isso acarreta mais responsabilidades, ao mesmo tempo em que lhe traz recompensa como profissional e mulher?

Ana Paula Padrão Tenho muito orgulho de todos os prêmios que recebi. Em especial, aqueles que são concedidos através de votação popular. O Prêmio “Marcas de Confiança”, da Seleções Reader´s Digest, é feito a partir de uma pesquisa de opinião do Ibope Inteligência. Ganhei três vezes. Entrei para o rol da fama e não posso mais participar, o que me deixa até frustrada! Mas sabe qual é a maior recompensa? É quando entro em uma redação e vejo uma colega mais novinha que me diz que decidiu fazer jornalismo por minha causa. Isso é satisfação, prazer e sensação de dever cumprido. Também, tenho um grande reconhecimento das

mulheres, que se espelham em mim para exercitarem seus vários universos. É a elas que quero me dedicar a partir de agora e é por isso que lancei o projeto Tempo de Mulher. Além do portal, estamos desenvolvendo várias outras áreas do projeto, com pesquisas, encontros, seminários, etc.

Élégant Você já realizou reportagens em diver-

sos lugares do mundo. Existe um lugar que você ainda sonhe em gravar uma matéria?

Ana Paula Padrão Existem vários! Acho que o melhor projeto é sempre o próximo, o que eu ainda não realizei ou aquilo que eu ainda não fiz. Mas, se eu contar, deixa de ser surpresa.

Élégant Qual desses lugares marcou mais sua memória? Por quê?

Ana Paula Padrão São vários os lugares, também, que marcaram. Minha chegada de avião ao extremo norte do Alaska, vendo a terra se partir e virar gelo lá embaixo, foi inesquecível. A fuga em massa de Kosovares da invasão sérvia em Kosovo e os imensos acampamentos de refugiados que se formaram na Macedônia em seguida, também, nunca vão sair da minha memória. Outro local marcante foi a primeira cidade que conheci no Afeganistão, Jalalabad, que parecia estar na Idade Média devido aos mercados de escambo e às mulheres de burca. Enfim, amo viajar.

“Mas sabe qual é a maior recompensa? É quando entro em uma redação e vejo uma colega mais novinha que me diz que decidiu fazer jornalismo por minha causa”. 56

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“Já havia estado no Afeganistão e conhecia bem a trajetória de Bin Laden. Foi como prever o futuro”. Élégant Você já trabalhou na correria do

jornalismo diário e em programas de documentários e reportagens especiais. Qual a diferença entre essas duas áreas e o que você prefere fazer?

Ana Paula Padrão Gosto de ambas, contanto que envolvam gente. Gosto da cobertura de comportamento. Se for uma notícia econômica que afete diretamente a população, me interessa. Se for uma guerra, me interessa porque há pessoas no limite. Se for a história de alguém, me interessa pelo exemplo. Enfim, gosto de conhecer pessoas e suas reações. Élégant Como foi, para você, cobrir o atentado ao World Trade Center em 2001, após anos trabalhando em Nova Iorque?

bro aconteceu, eu já estava de volta ao Brasil e cobri a história na bancada. Comecei a transmissão às 11 da manhã e só deixei a bancada depois do fim do Jornal da Globo, bem depois da meia-noite. Foi estressante e, como eu tinha acabado de chegar, após anos em Nova Iorque, me tocou muito ver a cidade daquele jeito. Mas, vi como os outros brasileiros, pela televisão. O mais interessante foi ter tido todos os bastidores da história que culminou com o ataque às torres gêmeas. Já havia estado no Afeganistão e conhecia bem a trajetória de Bin Laden. Foi como prever o futuro.

Priscila Prade

Ana Paula Padrão Quando o 11 de setem-

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capa

“Acredito fortemente que a reportagem é a coisa mais nobre do jornalismo, é a base da profissão. É nela que o jornalismo, de fato, se realiza. [...] Se pudesse, ainda estaria apenas na reportagem”. Élégant Nos anos 80, não havia muitos modelos

femininos em quem se inspirar. Qual foi seu maior incentivo naquela época? E quais as dificuldades que teve que enfrentar?

Ana Paula Padrão Todas nós, mulheres dos

anos 80, copiamos o modelo masculino no mercado de trabalho e isso dilacerou a vida pessoal da maioria de nós. Talvez seja por isso que, desde os anos 2000, o momento de resgate dos universos femininos tem sido tão evidente. Segundo pesquisas do meu projeto, Tempo de Mulher, para 71% das mulheres da nova classe média, o trabalho não vem em primeiro lugar na vida! Acho que essas mulheres são mais equilibradas ou, pelo menos, perseguem o equilíbrio entre família, educação, trabalho, lazer e maternidade. Além da autoindulgência.

Élégant Além de ser muito competente, você

também é muito bonita. Como faz para manter a beleza em dia e o corpo em forma?

Ana Paula Padrão Muito obrigada pelo elogio,

mas prefiro acreditar que sou apenas harmoniosa. Não faço exercício, sou muito preguiçosa e não vejo graça nenhuma em academia. Mas, como pouquíssimo para me manter magra e checo meu peso todos os dias! Se engordo 300 gramas, já passo o dia só na rúcula! No mais, nunca fiz nenhuma intervenção, mas uso e abuso dos creminhos para a área dos olhos, dos hidratantes, de ácido retinóico, da hidroquinona para clarear as manchas e de outras coisas assim.

Élégant Você já colocou a sua carreira em segundo plano por causa da vida pessoal. Você faria isso novamente?

divulgação

Ana Paula Padrão no mercado de moedas no Afeganistão

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Ana Paula Padrão Não me arrepen-

do do que fiz. Mas acho que, se tivesse uma filha, diria pra ela tentar viver, além do trabalho, com mais intensidade tudo que a vida oferece. Sou uma legítima representante da minha geração, sou parte da minha época. Isto me trouxe muitas vantagens: construí uma carreira sólida e me transformei em uma profissional respeitada. E, felizmente, quando precisei escolher, fiz isso com lucidez e maturidade. Hoje, o trabalho não é a coisa mais importante da minha vida.

Élégant Você tem algum objetivo que ainda pretende alcançar? Qual?

Ana Paula Padrão Tenho vários. No

dia em que eu alcançar todos, é porque morri. Vou desenvolver projetos para o resto da vida! Nesse momento, estou focada no Tempo de Mulher, que está apenas no começo.

Élégant Para quem pensa em seguir a carreira de jornalista, o que você sugere?

Ana Paula Padrão Trabalho, traba-

lho, trabalho, dedicação e, principalmente, a certeza de que esta é a sua vocação. Jornalismo, assim como medicina, é profissão vocacionada. Você não deixa de ser jornalista quando sai da redação todos os dias. Então, é bom pensar bem, porque esse será seu destino, sua vida inteira e sua sorte nesse mundo.

Priscila Prade

“Você não deixa de ser jornalista quando sai da redação”. Élégant

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Amor&Sexo

Mas eu me mordo de ciúmes! por Jéssica Tokarski

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odos nós já sentimos ou ainda vamos sentir, algum dia, ciúmes. Seja dos pais, filhos, amigos, irmãos ou parceiro, pois esse é um sentimento muito presente na vida do ser humano. Mas, até que ponto ele é suportável? Existem diversos níveis e maneiras de lidar com o ciúme e eles fazem toda a diferença em uma relação. Segundo a Psicóloga Débora Lanna, esse sentimento segue o ser humano assim como sua sombra o faz. “Trata-se de algo ruim que causa muita dor e sofrimento ao ciumento. O ciúme acarreta uma vida de exigências e possessividade, gerando uma expectativa de que o outro deve ser exclusivo, simplesmente pelo medo de se perder o objeto amado”, explica. De certa forma, também pode ser um anseio de proteção, já que, aqui, vale a velha máxima: “Quem ama cuida”. Quando gostamos de alguma coisa, cuidamos dela e tentamos evitar que algo ruim lhe aconteça. “Nesse caso, podemos considerar o ciúme como algo positivo, pois leva a zelo, cuidado e busca de segurança”. O maior perigo é não saber identificar o limite entre o que é saudável ou não. A partir do momento em que o sentimento passa a causar sofrimento, torna-se exagerado. “Quando acarreta violência física ou psicológica, invasão de privacidade, desrespeito, perturbação na alma, intranquilidade e prejuízos no contexto geral, é porque o ciúme chegou a um estado patológico, doentio”, alerta a psicóloga. Quando a pessoa está em um estágio avançado do problema, oferece riscos não apenas para o seu relacionamento, mas, principalmente, para si mesma. Não há como diagnosticar pessoas que sentem mais ou menos ciúmes, muito menos entender o porquê das variações na manifestação desse sentimento. “A psicanálise diz que a estrutura da personalidade é a forma única do indivíduo se expressar e reagir a determinados estímulos. Ela é formada

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com o passar dos anos, influenciada pela herança genética, pode se mostrar de diferentes formas de acordo com as experiências de vida, as quais trazem à tona ou reprimem tendências comportamentais”, justifica Débora. Mas, é possível observar certas atitudes para descobrir se o sentimento é algo natural ou se já está fazendo mal. “Se ele incomoda, certamente está na hora de parar e repensar, compreender-se, refletir e transformar-se. Afinal, o ciúme nada mais é do que a percepção (ainda que inconsciente) do fato que não temos garantias e nem controle do que o outro sente e pensa”. Apesar de ser algo intrínseco ao indivíduo, o problema pode, sim, ser revertido. E, para que isso aconteça, existem etapas que levam à melhora do estado emocional. Autoestima e equilíbrio são dois fatores relevantes na conquista de resultados positivos. “Uma boa autoestima faz com que a pessoa possa se aproximar dos outros sem medo de perder o controle, de ser invadida ou subjugada. Assim, ela não dependerá do outro para amar, ser feliz, realizar-se e dar um sentido à vida”, revela a especialista. O sujeito que sofre com esse quadro precisa ser acolhido, cuidado e tratado, muitas vezes, por psicólogos e psiquiatras. Os profissionais são importantes para ajudar o paciente a melhorar sua autoestima e a retomar seu equilíbrio mental e espiritual. Todos são passíveis de sofrer devido a esse problema, em qualquer relação. Por isso, para evitar que se passe por tal situação, é apropriado se prevenir. “Em qualquer relação, deve-se ter a liberdade de falar não apenas de coisas boas, mas também sobre insatisfações e inquietudes”, declara Débora, que é adepta do respeito. Afinal, este sim é um sentimento primordial para que um relacionamento sobreviva. “Ninguém deve viver à sombra do outro ou ser totalmente dependente da convivência. O amor é muito importante, mas não é único. Deve, também, haver comunicação sincera, desejos individuais, bom humor e equilíbrio”.


Amor&Sexo

Os benefícios do sexo por Emerson Roberto

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lém do prazer, o sexo pode trazer outros benefícios. Se uma pessoa tem uma vida sexual satisfatória, irá, consequentemente, ter um melhor humor, um maior rendimento no trabalho e uma vida conjugal mais harmoniosa. Segundo a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, o sexo regula hormônios ligados ao bem-estar – afinal, é uma atividade física que influencia o corpo e a mente. A relação sexual, sendo uma fonte de prazer, é uma excelente aliada no combate à ansiedade e à depressão, conforme esclarece a sexóloga: “Quanto mais sexo de forma satisfatória a pessoa fizer, menos ansiedade ela terá”. Além disso, a ação é eficaz para elevar a autoestima. Os resultados da prática sexual podem variar mui-

to e dependem da disponibilidade de cada pessoa. Sexo em quantidade adequada e realizado de forma positiva pode ajudar a rejuvenescer. Para manter uma saudável vida sexual é recomendado, aos casais, o exercício de conversas sobre suas intimidades, sempre que possível. “Este tipo de diálogo estimula os casais a ficarem mais próximos e, consequentemente, a procurarem estar bem com o corpo, com a mente e a buscarem novidades para praticarem durante o ato sexual”, diz a sexóloga. Ter uma atividade física, por exemplo, que garanta uma boa resistência aos esforços necessários durante a relação contribui bastante para o sucesso desta. Assim, os benefícios do sexo são válidos tanto para as mulheres quanto para os homens. E sentir desejo sexual é sinal de saúde.

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Comportamento

ASSÉDIO MORAL Um tema bastante relevante na vida profissional por Débora D. Dornella

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maginemos a seguinte história: João trabalha em uma empresa no ramo de varejo. Nela, trabalha, também, Ana, que está esperando ser promovida a gerente geral. No entanto, essa promoção não irá ocorrer, pois outra pessoa está vindo para assumir o lugar. Então, Ana fica como sub-gerente 1. Irritada por não ter sido promovida e por não poder descontar sua raiva no gerente que entrou em seu lugar, ela desconta sua indignação em João, o coordenador de vendas. Uma pessoa manda João fazer uma ação e Ana pede outra coisa. Assim, ele não tem tempo de atender ao pedido das duas e acaba, por isso, sendo humilhado na frente dos colegas de trabalho e dos clientes. Ana afirma que nunca pode contar com ele, que ele não tem competência. Ou seja, ela faz tudo o que pode fazer para dificultar o trabalho de João. Ana age com o intuito de que os funcionários não o respeitem, ao mesmo tempo em que conquista aliados e promete que, quando João sair da empresa, ela dará seu cargo para quem estiver do lado dela. No trabalho, João precisa ser o primeiro a chegar o último a sair. Ele tem que enfrentar essa situação sozinho, pois nenhum colega o defende. Alguns têm medo de perder o emprego e outros almejam ocupar o seu cargo/lugar. Então, João resolve relatar o que está acontecendo para o gerente geral. Mas, para a sua decepção, o gerente não faz nada. Nesse caso, ele acredita que o gerente não age porque acabou de entrar na empresa e não quer administrar conflitos e, sim, ter foco somente nos resultados. Mesmo se sentindo humilhado, não quer levar esse caso para a justiça, pois a empresa em que trabalha é de grande porte e ele teme que, se denunciar a situação, sua possível entrada em outras empresas ficará prejudicada. Essa circunstância estressante faz com que João desenvolva bruxismo (ranger os dentes) e gastrite. Cansado dessas ocorrências, ele resolve pedir demissão. Afinal, para ele, a paz de espírito e a saúde mental devem estar em primeiro lugar e dinheiro não paga o seu bem-estar. Essa é uma história verdadeira (com nomes fictícios) que aconteceu há algum tempo e mostra algo frequente no mercado de trabalho: o assédio moral. Diante de tal problema, surgem diversas questões: Como enfrentar o assédio moral? O que fazer com o medo de denunciar e perder o emprego? Como agir diante dessa situação tão rotineira? Essas e muitas outras questões intrigam pessoas que são afetadas por esse problema ou que o presenciam constantemente. Por se tratar de uma agressão psicológica progressiva, o assédio moral não é facilmente identificado. “É uma violência velada que, com o passar do tempo e devido à frequência em que acontece, provoca grande sofrimento. Pode, assim, chegar a repercutir no físico”, enfatiza a psicóloga Messiana Montagner, da empresa Gestor e Consultoria. O assédio moral se desenvolve ao longo do tempo e a vítima se vê cada vez mais fragilizada, podendo, devido a esse problema, chegar a quadros de incompetência e de baixa produtividade. Mas, atenção: nem sempre, a vítima é o funcionário. “Ao contrário do que se imagina, o assédio moral pode acontecer em vários níveis: do chefe para o subordinado (o caso mais frequente), do subordinado para sua chefia (geralmente, é um grupo de funcionários que está envolvido) e de um colega ou um grupo de colegas em relação a outro”, acrescenta Messiana.

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Comportamento No ambiente de trabalho, esse problema se manifesta, geralmente, mediante um humor sarcástico do agressor em relação à vítima. As piadas, no início, podem ser consideradas brincadeiras. Porém, elas acabam se intensificando e fazendo com que a vítima se sinta hostilizada e inferiorizada. O agressor usa algumas estratégias para concretizar as humilhações. “Procura fazer com que a vítima se sinta culpada por tudo o que acontece de errado; rebaixa-a para elevar sua própria autoestima; critica-a publicamente de forma negativa; recusa-se a dar explicações sobre sua atitude; ignora a presença da vítima; trata-a de modo desigual; redireciona seus trabalhos para outros sem explicações; direciona, a ela, olhares de desprezo, suspiros de impaciência; etc.”, alerta a psicóloga. O medo está muito presente nas situações de assédio moral. Afinal, a vítima teme a perda do emprego. Um exemplo foi relatado na história narrada anteriormente, quando João não entrou na justiça por medo de não conseguir outro emprego após a ação. Assim, frente ao medo de denunciar, uma alternativa sugerida pela psicóloga é a procura pela área de RH da empresa. Caso o lugar não possua este departamento, o indicado é buscar o médico do trabalho ou a chefia à qual o assediador se subordina. Se optar por denunciar, é importante saber que, à exceção de algumas leis municipais, a legislação brasileira não transcorre sobre esse tipo de assédio. Por isso, quando alguém comete tal ato, a previsão legal em que se enquadra melhor a situação é a dos danos morais. Danos morais incluem qualquer ato de natureza ilícita (não necessariamente assédio) capaz de causar danos à moralidade de outra pessoa. “O assédio ocorre quando existe prática reiterada de atos lesivos, enquanto que o dano moral pode ser configurado com um único ato”, esclarece o advogado Fabricio de Lima Moraes. Segundo o advogado, se o ato for enquadrado na previsão genérica dos danos morais, a condenação será meramente pecuniária. “Ou seja, a vítima deverá ser indenizada com valor arbitrado em juízo e este valor, geralmente, não é alto como a vítima gostaria que fosse”. É importante ressaltar que, por se tratar de relações de trabalho, a obrigação de indenizar não é do agressor em si, mas, sim, do dono da empresa em que a vítima trabalha, mesmo que aquele não tenha culpa do acontecimento. A responsabilidade cabe ao dono devido ao fato de

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ele representar a pessoa jurídica, que será a verdadeira sentenciada. Para Moraes, é importante esclarecer que assédio moral não é crime, já que não existe tipificação expressa no Código Penal. Mas, essa ação pode ser enquadrada como injúria, difamação ou calúnia. Estas, sim, são condutas tipificadas e dotadas de antijuricidade. “Mas, o processo penal, nessa situação, é ainda menos interessante para a vítima do que o processo cível, uma vez que a pena prevista para estes crimes é baixa. Assim, o réu será condenado, no máximo, a penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade, interdição temporária de direitos e limitações de fins de semana, mas, em nenhuma delas, a vítima será reparada”. Para a psicóloga, ter uma testemunha que confirme a caracterização do assédio é muito válido. No entanto, se isso não for possível, ela aconselha ter fatos e dados bem estruturados para poder relatar ao juiz com segurança. Outro fator importante é apresentar um parecer médico e/ou psicológico que comprove o comprometimento emocional e/ ou físico decorrente da situação. O advogado também sugere tentar fazer gravações ou, ainda, ter documentos (como cartas e e-mails) que possam comprovar o assédio. Mas, caso não haja provas suficientes, convém lembrar que como o problema refere-se a danos morais, não é tão relevante demonstrar que houve assédio. “A condenação será como danos morais e esta não exige a reiteração de atos para ser demonstrada, bastando que a vítima comprove a existência de um ato lesivo a sua moralidade ou imagem”. Por isso, Moraes explica que, mesmo que a vítima não possa provar a continuidade dos atos, ela ainda terá direito à indenização se provar, no mínimo, a existência de um único ato lesivo (como ofensa ou situação vexatória), mesmo que ele tenha durado somente um dia ou um minuto. “Basta a comprovação da existência da ação que levou ao dano moral, não existindo necessidade alguma de provas mais minuciosas, como perícia médica, psiquiátrica ou outras do gênero”, acrescenta. É importante também destacar que há uma enorme diferença entre o assédio moral e o assédio sexual. “O sexual está previsto em lei, tipificado no Código Penal, com penalidade própria e seu objeto, ou seja, o bem jurídico defendido possui natureza completamente diversa. Já o moral não existe para lei, visto que não está previsto em legislação”, revela Moraes.


O assédio moral pode ter consequências graves, pois a vítima, quando submetida a ele por muito tempo, sente-se cada vez mais exausta, deprimida e humilhada. Como resultado, ela apresenta queda na qualidade de seu trabalho, menor produtividade e risco de doenças profissionais. “Dependendo da extensão do dano, pode ser muito difícil se recuperar. Outra dificuldade está relacionada aos próprios colegas de trabalho que, por vezes, passam a ver a vítima como uma pessoa difícil de se conviver, esquecendo-se de todas as qualidades que ela demonstrava antes de sofrer com o assédio”, alerta a psicóloga. Para prevenir essa situação, a dica da psicóloga é que os profissionais, de um modo geral, fiquem atentos para perceber condutas que indiquem tal ato. Ela também sugere que haja diálogo com o possível agressor, usando o recurso de conversa conjunta com um mediador e, se não houver retorno, que se procure ajuda. Embora a população esteja consciente de que os direitos podem ser cobrados, muitos não o fazem. “Ainda existem, lamentavelmente, pessoas que se

enchem de medo só em falar de processar alguém. Assim, é comum encontrar indivíduos que sofrem ou sofreram esse tipo de assédio, mas que não querem ingressar com as medidas cabíveis para se defender”, conta o advogado. O profissional ainda explica que muitos desconhecem como funciona esta ação legal: “O caso é que muita gente nunca ingressou com processo judicial contra ninguém e, além disso, tem medo do juiz ou de se envolver em um processo”. Para quem está sofrendo com esse problema, a psicóloga aconselha a não ter uma atitude passiva, mas relatar o fato aos profissionais competentes dentro da organização bem como utilizar toda a estrutura interna local e corporativa para a resolução do impasse. Caso todas essas alternativas não levem ao resultado satisfatório, a dica é acionar organismos externos, como: sindicatos da categoria, DRT (Delegacia Regional do Trabalho), MP (Ministério Público) ou a justiça. “Paralelo a estas ações e como forma de fortalecer o emocional, é importante que a vítima procure ajuda médica e psicológica”, conclui Messiana.

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Comportamento

Divórcio sem cicatrizes por Jéssica Tokarski

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divórcio tem se tornado cada vez mais comum nas casas brasileiras por muitos motivos e facilidades, como a lei do divórcio direto, que tem por objetivo agilizar processos judiciais. Dessa forma, com menos democracia, a separação acaba saindo rapidamente. Entretanto, uma separação sempre traz dificuldades, principalmente para os filhos. As crianças são as últimas a aceitarem a decisão, muitas não entendem nem se conformam, o que acaba acarretando problemas emocionais como consequência. Certamente não é possível manter um relacionamento fadado ao fracasso com o intuito de que os filhos não sejam contrariados. Por outro lado, não se pode banalizar a prática do divórcio, pois dificilmente não haverá sofrimento para as pessoas envolvida, afinal, a separação é uma ruptura, uma mudança de rotina. Porém, uma das maneiras de minimizar o sofrimento antes que o episódio se concretize é por meio do diálogo com os filhos. Segundo a psicóloga clínica Juliana Toledo, cada filho age de uma maneira diferente. Geralmente, crianças entre três a cinco anos tendem a apresentar uma reação de raiva e tristeza. “Nesta fase, elas têm predisposição à regressão, ou seja, voltam a chupar o dedo e a chupeta e pedem ajuda para se alimentar. Sentem, também, ansiedade e medo”. Os maiores, entre seis e oito anos, ficam tristes e choram facilmente. “Sentem-se rejeitados pelo pai ou mãe que partiu, e isso os faz desenvolver uma baixa autoestima ou depressão, seguidas de uma queda no desempenho escolar”. Nas crianças que estão na faixa dos nove a doze anos, pode existir um sentimento de raiva por aquele que tomou a iniciativa do divórcio. “É comum a tentativa de culpar um dos pais e, além disso, podem ocorrer

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problemas durante a convivência com os amigos”. Já na adolescência a adaptação à nova situação acontece com mais facilidade. “Eles normalmente acabam se relacionando menos com os pais e tornam-se mais maduros, auxiliando seus irmãos e o genitor com o qual convivem”, declara. O ideal é preparar o terreno antes que a circunstância ocorra. Mas, é extremamente importante que o assunto da separação só seja abordado, diante dos filhos, quando as duas partes do relacionamento estiverem realmente decididas


a tomar a atitude. “O melhor método é ambos os pais conversarem juntos com os filhos, e não em particular com cada um. É essencial, também, que essa conversa ocorra com certa antecedência para evitar que a partida de um dos genitores se dê de forma inesperada”. A criança deve ter explicações sobre o que está acontecendo e sobre o porquê de o pai ou a mãe estar se mudando de casa. “Sempre por meio de uma linguagem que a criança seja capaz de entender”, orienta a psicóloga. Além disso, é imprescindível, durante as primeiras semanas, o contato diário do genitor que foi embora com os filhos, seja por telefone ou pessoalmente. Um outro aspecto também importante no que concerne à separação diz respeito à decisão acerca de quem morará com as crianças e tal decisão geralmente se efetiva por meio de um acordo consensual. Mas, se houver desacordo entre as partes, cabe ao juiz intervir, assim como solicitar perícia psicológica quando necessária. De acordo com Juliana, o pai que não tem a guarda do filho nunca deve ser privado do direito de visita ou comunicação. “A criança tem o direito de manter relacionamento com os dois genitores, mesmo após a separação, e se isso não for de comum acordo, caberá

à justiça resolver perante a lei. Por isso, a guarda compartilhada acaba sendo um passo a mais, pois ambos são responsáveis pelos filhos”, diz. Vale lembrar também que, depois de divorciados, os pais devem ter um relacionamento respeitoso entre eles, mas isso não significa que tenham de “forçar a barra”, saindo juntos só para agradar os filhos. “Os genitores não precisam sair juntos, a não ser que tenham uma relação saudável e os filhos saibam que não há a possibilidade de reconciliação”. O que mais importa nesses episódios é a convivência. Outro ponto conflitante diz respeito às perguntas feitas aos filhos quando estes saem com o genitor que não mora mais com eles. “Nenhuma criança deve ser interrogada, muito menos usada para satisfazer qualquer curiosidade ou controlar a vida do ex-cônjuge”, adverte a especialista. A relação de proximidade após a mudança de rotina é ideal, pois os pequenos precisam entender que não é porque o amor entre o casal acabou, que também terminou esse sentimento por eles. “Deve ser explicado que o sentimento existente pelos filhos não mudará jamais e que o pai e a mãe vão continuar trabalhando juntos para cuidar deles, sem nunca abandoná-los”. É comum que o genitor (que deixou a casa) continue agindo da mesma maneira, já que, se ele era participativo e amoroso durante o casamento, continuará sendo depois do divórcio também. Quando, entretanto, um dos genitores inicia um relacionamento amoroso, tal fato pode causar problemas, mas é preciso salientar que os pais, após uma separação, continuam vivendo suas vidas e é normal que encontrem outros parceiros. Contudo, o lugar do pai ou da mãe nunca deve ser substituído, nem por outro membro da família, nem por um padrasto ou uma madrasta. “Estabelecer uma relação de respeito com o ex-cônjuge e seu novo companheiro é um desafio que exige esforço e generosidade da parte de todos”, expõe a psicóloga. Apesar das facilidades encontradas ultimamente, o divórcio é algo sério que pode afetar a estrutura e a base familiar. Portanto, decisões precipitadas ou impulsivas nunca devem ser tomadas, pois elas podem acarretar problemas graves tanto para o casal como para os filhos e parentes. “Não vale a pena agir por vingança. Se o casamento não está indo bem, procure ajuda de profissionais, converse, faça terapia de casal, mas não brinque com a separação. Ela é muito dolorosa e, por isso, deve ser muito bem pensada”, aconselha Juliana.

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Comportamento

TIMIDEZ por Emerson Roberto

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e você sofre com esse problema, saiba que a timidez não é uma doença ou transtorno de personalidade. Ela é, apenas, uma maneira diferente de interagir e de se ex-

pressar. Segundo a psicóloga Maria Marta Ferreira, os comportamentos mais comuns observados na pessoa tímida referem-se ao retraimento e ao sentimento de insegurança. Os tímidos também possuem receio de julgamentos alheios e, assim, de vivenciar situações vexatórias. São observadores, menos falantes e mais introspectivos. A própria estrutura física da pessoa - seja esta como for - pode gerar desconforto e medo de não ser aceita na sociedade. “Fatores externos e internos interferem no estilo de vida e podem levar à inibição social, à depressão e a uma baixa autoestima. A pessoa acaba se escondendo mais do que consegue se re-

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velar”, explica Maria Marta. Caso a timidez seja incontrolável e excessiva, ela pode levar a um sério transtorno de ansiedade, denominado Fobia Social. O indivíduo que sofre de tal desequilíbrio, tem extremas dificuldades para interagir, o que provoca sofrimento profundo e leva a prejuízos ocupacionais e sociais. Funcionando como um mecanismo de defesa dos tímidos nas relações interpessoais, pode acarretar um nível excessivo de autopreservação. Esse aspecto requer atenção, porque a mesma “armadura” que protege alguém de situações negativas também a resguarda de experiências positivas. Afinal, como ressalta Maria Marta: “Viver significa se arriscar, acertar e errar. Excesso de prudência pode nos ‘congelar’. Podemos nos proteger dos erros, mas perderemos, também, as oportunidades de acertar”.


A base da timidez reside, também, em fatores genéticos, que determinam que certas características comportamentais sejam herdadas de familiares. Além do aspecto biológico, uma conduta mais tímida pode ser reforçada ou não pelo meio em que se vive. Por exemplo, se uma criança demonstra sinais de timidez, mas é encorajada a enfrentar seus medos ao mesmo tempo em que respeita suas limitações - aprendendo que não é obrigada a acertar sempre - ela aceitará, naturalmente, que as dificuldades fazem parte da vida. Porém, se seus pais forem intransigentes no processo da aprendizagem, a criança tenderá a se retrair ainda mais. “Estar atento aos sinais é importante. Assim, pode-se moldar o comportamento de forma a favorecer uma maior flexibilidade e uma espontaneidade”, explica a especialista. É importante salientar que mesmo pessoas com perfil comunicativo e espontâneo podem se deparar com situações que lhes causem algum constrangimento – o que é natural. Ou seja, certas dificul-

dades esporádicas de expressão não diagnosticam por si só um comportamento realmente tímido. Além de ocasionar as dificuldades já abordadas, a timidez também abrange características comportamentais positivas, como a prudência, a atenção e a cautela – elementos valiosos que contribuem para a qualidade dos relacionamentos interpessoais. Assim, é preciso, antes de tudo, respeitar cada maneira de ser. Finalmente, cabe ressaltar que, se uma pessoa não conseguir superar sozinha o problema da timidez e perceber que tal modelo comportamental prejudica seu padrão de vida, é aconselhável que ela busque ajuda de um profissional. A psicoterapia pode ser uma alternativa eficaz, na medida em que o profissional auxilia a identificar quais fatores dificultam a vida social e ajuda, assim, a modificar os comportamentos considerados prejudiciais. “Somos seres com competência de mudança em qualquer época. Podemos e devemos buscar a melhor versão de nós mesmos”.

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Gastronomia

Ingredientes de sucesso A mistura de talento e trabalho de Edu Guedes por Débora D. Dornella

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ozinhar é uma arte e fazer disso um bom negócio é um dom. Talento na gastronomia e nos negócios não falta para ele. Edu Guedes é respeitado como pessoa e por seu trabalho. Ele compartilha todo esse sucesso com os seus telespectadores, ensinando maravilhosas receitas. A gastronomia sempre esteve presente em sua vida. Desde pequeno, Edu cozinhava, mas se profissionalizou mesmo há mais de 16 anos. Sua avó, de origem italiana, era a sua companheira na cozinha e, juntos, eles preparavam pratos para a família. “A cozinha tem uma característica especial de reunir as pessoas. Cozinhar sempre envolve harmonia, reunião de amigos e família”, declara o apresentador. Para ele, cozinhar é sinônimo de prazer e satisfação. “É se entregar a fazer algo especial para o deleite das pessoas”. Os pratos que ele mais gosta de preparar são os risotos. Edu também é graduado em administração de empresas, curso que ele considera muito impor-


o pão de queijo, que é possível adaptar para pão de mandioca”, explica. Uma das receitas mais difíceis de preparar, segundo o apresentador, são os pães, devido à temperatura do estúdio, pois o ar condicionado pode influenciar no crescimento da massa. O empresário menciona que um dos seus maiores aprendizados foi ter feito parte do programa “Tudo a Ver”, com o quadro “Tá na Mesa”, pela oportunidade que teve de realizar matérias nas ruas. “Conhecer pessoas simples, suas histórias de vida e saber, que além disso, elas fazem receitas saborosas e com uma boa apresentação, foi muito gratificante”, acrescenta. Edu Guedes considera que o Brasil cresceu muito na área da gastronomia. “A cozinha foi democratizada e passou por um upgrade. Além dos talentos natos, muita gente tem se especializado nos excelentes cursos de gastronomia existentes atualmente”. Segundo o apresentador, a maior vantagem dessa profissionalização está em formar novos profissionais e capacitar aqueles que já têm a cozinha em sua “genética”. “O brasileiro tem, em geral,

Chico Audi

tante para administrar os seus negócios. Depois de se formar, ele foi estudar em Bologna, na Itália. “Estudei patisserie, culinária italiana e tradicional. Eu aprendi muita coisa na Itália e isso serviu muito para a minha cultura e minha área de sorvetes”, destaca o apresentador, que é dono de uma famosa fábrica de sorvetes, além de se dedicar a outros ramos, como: uma fazenda de criação de gado de elite e uma revendedora de itens de limpeza. Além disso, trabalha para várias outras empresas. Fora isso, ele apresenta o programa “Receita pra Dois”, exibido pela rede Record News, e é um dos apresentadores do programa “Hoje em Dia”, da rede Record. O apresentador se dedica de corpo e alma a sua profissão e está sempre atento àquilo que pode criar ou aprimorar e sempre está à procura de novidades. Uma das fontes de inspiração para as suas pesquisas é o livro “Ingredientes”, da editora Konemann, pois contém várias fotografias e informações preciosas sobre os segredos dos alimentos. Embora haja quem diga que não consegue comer o que cozinha, isso não funciona para Edu. “Como e experimento de tudo, faz parte da minha profissão”, conta. O apresentador sempre ensina receitas no programa “Hoje em dia”. É ele quem decide as delícias que vão ser mostradas no ar. Para isso, ele conta com a assistência da Cidinha (Cida Santiago) e do Chef Guilherme Ávila. “Na cozinha experimental do ‘Hoje em Dia’, testamos as receitas que poderão ir ao ar. Chegamos por volta de duas horas antes de o programa começar e deixamos o passo a passo pronto. Como são dez minutos para apresentar a receita, é preciso estar tudo finalizado”, conta Edu. Ele já ensinou na televisão mais de 2.300 receitas. É claro que gravando diariamente e mostrando pratos, ele já passou por situações complicadas. “Certa vez íamos fazer um fondue e na data de exibição, fez o maior calor! Mudamos o prato na hora! Cozinhar na televisão não se aprende de um dia para o outro. E explicar as receitas na TV, mesmo já as tendo feito várias vezes, é difícil, pois temos que nos adaptar ao tempo que temos”. Segundo ele, seu trabalho na TV consiste em fazer aquilo que o público pede. Edu procura produzir algo simples a fim de possibilitar as pessoas a adaptarem a receita aos seus gostos. “A minha receita eu faço em casa, no programa, eu presto um serviço pensando no que as pessoas assistem. Como

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Gastronomia

Chico Audi

divulgação fassess

vocação para a área. Quem nunca passou uma tarde da infância vendo a mãe ou a avó fazer “mágica” na cozinha? A profusão de ingredientes, cores e sabores que o Brasil oferece forma um panorama propício ao crescimento da gastronomia no país”. Além disso, conta-se com inúmeras influências vindas de outros países. Edu cita como exemplo a cidade de São Paulo, que atualmente é considerada um dos maiores pólos gastronômicos do mundo, por oferecer excelentes opções de restaurantes das mais diversas especialidades, além de haver, na cidade, chefs consagrados. Além da gastronomia, Edu possui outra paixão: o automobilismo. Ele conta que corre profissionalmente pela Porsche. “No ‘Hoje em Dia’, fiz algumas reportagens sobre carros, pilotagem e um curso sobre a atividade. Gostei muito. Interessei-me ainda

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mais pelo assunto e fiz mais cursos, procurando ganhar espaço em uma competição”. Ele já conquistou mais de dez pódios desde que começou a participar. “Divirto-me muito no carro, fico conversando com a equipe pelo rádio e quero saber a todo o momento como estou indo. Corro por prazer”. O automobilismo e suas outras ocupações têm um papel especial na vida de Edu, mas sua grande paixão mesmo é a gastronomia. “Posso fazer muitas coisas, mas cozinhar é o que eu quero”. Por isso, ele recomenda para aqueles que pensam em seguir essa carreira a importância de fazer aquilo que ama, que lhe proporcione felicidade e, saber que como em qualquer outro trabalho, é necessário se concentrar para produzir um produto de qualidade. Vale a pena ressaltar que é preciso, também, estar ciente de que, ao buscar o sucesso neste tipo de trabalho, você estará sujeito a uma série de coisas, assim como em qualquer outra profissão, além, é claro, de se ver diante de novos desafios. “Você sabe que vai encontrar muitas dificuldades e preconceitos, assim como eu os encontrei também. E o sucesso vem, com certeza, da vontade de fazer o melhor, de amar o que se faz e trabalhar muito. E quem é inteligente sabe aproveitar uma oportunidade da melhor forma”, finaliza Edu.


Gastronomia

Nozes, pra que te quero! por Emerson Roberto

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uitas são as pessoas que apreciam as diversas receitas salgadas de strogonoff; seja este preparado com carne, frango, camarão ou outro componente. Mas, que tal degustar esse prato em forma de doce? Para isso, o strogonoff pode ser feito com nozes, fruta que dará o sabor especial a essa receita cedida pelo Chef Executivo Renato Freire, da Confeitaria Colombo: INGREDIENTES - 800 gramas de doce de leite pastoso - 2 latas de creme de leite sem soro - 200 gramas de nozes tostadas e picadas grosseiramente

- 5 ovos (gemas e claras separadas) - 1 colher (de café) de essência de baunilha - 1 pitada de canela em pó Passe as gemas por uma peneira e misture ao doce de leite. Leve o doce ao fogo baixo, mexendo sempre até aquecer bem, para cozinhar as gemas (mas, não deixe ferver). Retire do fogo, acrescente as nozes, misture bem e deixe esfriar. Após, adicione o creme de leite sem soro e misture novamente. Finalmente, bata as claras em neve e junte ao creme, mexendo de baixo para cima para deixar o creme bem leve. Coloque em uma travessa ou em taças individuais e, para servir, polvilhe com um pouco de canela e decore com nozes. Depois, é só desfrutar dessa delícia.

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Gastronomia

Um sabor mais do que especial por Emerson Roberto

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petitoso, o cupcake é um bolo individual recheado e de massa leve. Possui uma cobertura externa, que caracteriza cada sabor e pode ser feito no tamanho tradicional ou mini. Geralmente está presente em ocasiões como: café da manhã, chá da tarde, aniversários e festas em geral. De acordo com a gerente de cozinha da confeitaria Miss Cupcake, Miriam Ribeiro Silva, essa delícia surgiu por volta de 1790, no Reino Unido, onde até hoje são chamados de Fairy Cakes (bolo das fadas), devido a sua delicadeza. Já o termo cupcake foi mencionado pela primeira vez no livro “Seventy-Five Receipts for Pastry, Cakes, and Sweetmeats”, publicado em 1828, e escrito por Eliza Leslie. Esse doce chegou aos Estados Unidos em meados do século XIX e já naquela época se tornou

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sensação. Ele já foi chamado de cup, measure e number cake. A razão de tais nomes se deve ao fato de todos os ingredientes da receita serem medidos por xícaras (cups) e assados nelas. Tal maneira de medição foi considerada revolucionária pela facilidade e rapidez de preparo. Há cerca de dois anos, os cupcakes chegaram ao Brasil e se tornaram um fenômeno. Foram trazidos dos EUA pelos chefs pâtisserie e confeiteiros brasileiros que aperfeiçoaram as massas, os recheios e as coberturas para o nosso paladar. “Assim, podemos encontrar uma variedade infinita de sabores. São utilizados o brigadeiro, o doce de leite, o marshmallow, a ganache e o fondant”, afirma Miriam. O doce é mais comercializado em datas comemorativas como a Páscoa e o Natal sendo que nessas ocasiões é vendido com decorações temáticas. Os consumidores também o procuram mais frequente-


mente em dias de frio para acompanhá-lo com um bom café. “E, geralmente, muitas pessoas o encomendam para festas e comemorações, com a finalidade de apresentar um diferencial para o seu evento”, revela a gerente de cozinha. Segundo ela, os sabores mais procurados são os de chocolate (massa de chocolate, recheio e cobertura de brigadeiro), nhá benta (massa de chocolate, recheio de doce de leite e cobertura de marshmallow com uma casca de chocolate), marta rocha (massa de baunilha e chocolate, recheio de geleia de damasco e cobertura de buttercream com suspiro, crocante e baba de moça) e prestígio (massa de chocolate recheio de cocadinha mole e cobertura de brigadeiro). O preparo do cupcake é um pouco trabalhoso, uma vez que é preciso produzir muitos dos recheios e coberturas com antecedência. “Eles precisam esfriar para serem utilizados”, explica Miriam. “O mesmo ocorre com a massa, que deve descansar em temperatura ambiente para ser confeitada”, completa. Qualquer pessoa pode fazer a sobremesa. “O que importa é fazê-la com amor. E a criatividade conta muito também na hora de realizar a sua decoração”, diz. Se deu água na boca, confira a receita cedida pela gerente de cozinha Miriam e mãos à obra.

CUPCAKE DE LIMÃO COM MERENGUE ITALIANO Cupcake de limão - 325 gramas de farinha (2 ¼ xícaras) - 13 gramas de fermento (1 colher de sopa) - ½ colher de chá de sal - 300 mililitros de buttermilk (leite com meio limão espremido dentro, descansar por 5 minutos) - 120 gramas de claras (cerca de 4) - 300 gramas de açúcar (1 ½ xícaras) - casca ralada de dois limões (Taiti ou Siciliano) - 115 gramas de manteiga sem sal em temperatura ambiente (½ xícaras) - 1 colher de chá de extrato de baunilha - 1 colher de chá de suco de limão Misture o açúcar com as cascas de limão até que ele fique úmido. Peneire farinha, sal e fermento juntos. Adicione a manteiga ao açúcar com limão e bata em velocidade média por três minutos, até que a massa esteja homogênea. Bata as claras e o buttermilk com um fuet até que fiquem espumosas e, na sequência, adicione-as à batedeira, alternando com a mistura dos secos. Adicione o suco de limão e o extrato de baunilha por último. Depois, bata por dois minutos em velocidade alta. A massa fica com uma aparência um pouco granulosa, por conta do suco de limão e do buttermilk. Asse em forno a 180ºC por 20 a 25 minutos ou até que eles comecem a ficar dourados nas bordas.

Merengue italiano - 200 gramas de açúcar branco refinado - 100 mililitros de água - 60 gramas de claras (2 claras) Coloque o açúcar e a água em uma panela, ligue o fogo e deixe ferver. Enquanto isso, ligue a batedeira para bater as claras em neve até picos firmes. Enquanto isso, ligue a batedeira e bata as claras até que fiquem em neve. O procedimento, normalmente, demora o mesmo período de tempo que a calda leva para ferver. Quando a calda estiver com borbulhas altas e começando a mudar de cor – de incolor para amarelado – desligue o fogo. Espere as bolhas abaixarem, ligue a batedeira novamente em velocidade máxima e derrame a calda em fio vagarosamente na tigela da batedeira. Quando terminar, deixe a batedeira ligada até que a vasilha esteja morna, quase fria. Deposite o merengue, usando um saco de confeitar com bico. Decore os cupcakes como preferir.

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Viagem

TORONTO arte, cultura e desenvolvimento econômico

arquivo pessoal

por Débora D. Dornella

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orar fora do país é o sonho de muitos. Várias são as pessoas que pretendem viajar para o exterior para estudar, trabalhar ou conhecer outras culturas. Um dos lugares bastante procurados para essa troca de experiências é o Canadá, mais especificamente a capital, Toronto, a maior cidade do país, considerada uma das mais modernas comparada às outras capitais do mundo. O desenvolvedor de sistemas Gihad Fauaz Murad comprova a atratividade de Toronto: “Desde que eu vim para o Canadá pela primeira vez, eu soube que

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Toronto era a cidade onde eu gostaria de morar. Os motivos para morar aqui são inúmeros. Um deles é que a cidade abriga imigrantes e descendentes do mundo todo - é um dos locais do globo com a maior diversidade cultural -, com aproximadamente 50% da população sendo composta por estrangeiros”. A arte e a cultura fazem parte de Toronto. Por isso, é internacionalmente conhecida pelo teatro e por outras artes cênicas, ficando atrás somente de Londres e Nova Iorque. Anualmente, ocorrem vários festivais, como o TIFF (Festival de Filmes In-


ternacional de Toronto) e o Caribana Festival, uma tradição Caribenha que reúne milhões de participantes. De acordo com Murad, a cidade também é conhecida pelos esportes. É a casa de times da NHL, NBA e MBL (ligas profissionais de Hockey, Basquete e Baseball, respectivamente), além do fato de que lá acontece, anualmente, a Copa Rogers de Tênis, que reúne os principais jogadores do mundo. O desenvolvedor de sistemas conta, ainda, que muitas empresas escolhem a cidade como sede de operações, o que gera grandes oportunidades de

carreira. Essa escolha ocorre devido ao fato de que o lugar é o segundo maior centro econômico da América do Norte, sendo o primeiro Nova Iorque. Além da culinária e dos eventos, a grande diversidade cultural é o que mais encanta Murad. “Toronto é uma cidade multicultural e muito diversificada. Preconceito não tem espaço aqui, pois como aproximadamente metade da população é composta por estrangeiros, atitudes preconceituosas não são toleradas. Existe pouca distinção entre imigrantes ou nativos”.

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arquivo pessoal

Viagem

A gastronomia também é muito variada e, sendo assim, é possível experimentar a culinária de diferentes partes do mundo. O desenvolvedor de sistemas diz que muitos estrangeiros acabam trabalhando em restaurantes. Um prato famoso do Canadá é o poutine, feito com batatas fritas, queijo e molho de carne. “Esse prato é original de Quebec”, esclarece. Por falar em gastronomia, o preço da alimentação canadense é relativamente comparável ao do Brasil. “Algumas coisas, como limão e carne de boi, são muito mais caras aqui. Por outro lado, o preço para jantar em um restaurante é mais barato”, ressalta Murad. A cidade oferece várias atrações para visitação, sendo que o principal marco é a CN Tower, uma torre turística e de comunicações. O lugar favorito do desenvolvedor de sistemas é o Yonge-Dundas square, uma praça no centro da cidade onde ocorrem diferentes eventos a cada fim de semana e, frequentemente, apresentações musicais. Além disso, na mesma região, também é possível encontrar muitos restaurantes, as maiores lojas da cidade e o maior shopping, o Eaton Centre. Outro atrativo é a segurança. “Pode-se andar

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na maior parte da cidade, a qualquer hora, sem a sensação de perigo. Estatisticamente, Toronto tem taxas de roubos e homicídios muito baixas”, conta. O custo de vida é um pouco alto, principalmente, no quesito moradia. “Em uma cidade menor, que fica a 100 quilômetros de Toronto, o aluguel de um apartamento de localização central pode custar duas vezes mais barato ou mais”, declara Murad. O preço de outros produtos, como eletrônicos e roupas, é tabelado (por isso, ele é sempre o mesmo em todo o estado). A cidade tem temperaturas extremas, mas, ainda sim, tem um clima mais estável do que o resto do Canadá. Em Toronto, durante o inverno, faz muito frio: a temperatura, no mês de janeiro, gira em torno de - 7° C, podendo chegar a -20° C com sensação térmica de até -30°C. Em compensação, o verão é quente e úmido, com temperaturas entre 23 e 31° C (atingindo, em algumas ocasiões, 40° C). Durante a primavera e o outono, o clima é mais agradável. Se você pensa em se mudar para Toronto, é importante visitar e conhecer a cidade antes. “Ao visitar a cidade, procurei uma região central e que


arquivo pessoal

ficasse próxima ao transporte público. Eu já sabia que o aluguel de um apartamento seria caro no centro de Toronto, portanto, foi essencial achar um local com bom acesso ao transporte público, eliminando-se a necessidade de comprar um automóvel”, explica Murad. Além disso, ele alega que sua moradia tem proximidade a mercados, shoppings, cinemas, pontos de entretenimento e, também, a boas possibilidades de empregos. Finalmente, para quem teve seu interesse despertado para conhecer essa região, o desenvolvedor de sistemas indica que, se possível, a viagem ocorra na metade do ano, pois, assim, o turista escapará do inverno no hemisfério sul e aproveitará o verão no hemisfério norte. “Assista a uma peça de teatro, pegue o ferry boat e visite as ilhas de Toronto, o shopping Eaton Centre e as inúmeras lojas no centro da cidade. Se o orçamento permitir, jante no restaurante 360° da CN Tower”, aconselha. Caso opte ir durante o inverno e deseje fazer ski ou snowboarding, existem montanhas e resorts a poucas horas de Toronto. Mas, lembre-se: é bom preparar-se para o frio canadense.

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Viagem

Receita perfeita para planejar sua viagem por Jéssica Tokarski

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h, as férias! Esse período tão esperado do ano que, além do descanso, normalmente tem um motivo específico: viagens. Quem não adora viajar, conhecer lugares diferentes, novas culturas? E para que nada dê errado nesse momento tão gostoso, que tal algumas dicas?

Destino decidido. E agora? Segundo o empresário do ramo de turismo, Edson Rios, para garantir que tudo saia conforme o planejado é importante programar a viagem com, no mínimo, seis meses de antecedência, principalmente as internacionais, que são mais rigorosas quanto a documentos e vacinação. E são justamente esses os passos que devem ser dados após definido o destino. “Verificar necessidade de visto consular, vacinas e compra de moedas”, recomenda. A prevenção às doenças, por exemplo, é muito específica em cada região, portanto, para consultar quais medidas tomar, o empresário sugere sites específicos, como o www.vistos.com.br.

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Planejamento Outro fator importante que deve ser muito pensado é a hospedagem. “É bom ter noção da localização do hotel. Se está no centro, afastado, na beira da praia, longe, etc.”, orienta Edson, que também aconselha a buscar passagens aéreas em horários adequados para o itinerário. “Preferencialmente, voos diretos ou com o menor número de conexões possíveis”. Lembre-se sempre que viagens de avião requerem documentação em dia. Procurar conhecer a cultura da região ou país a ser visitado é algo que pode facilitar muito o passeio, além de prevenir certas gafes. “Viajar já sabendo o que pode ou não ser feito pode evitar constrangimentos, principalmente, em lugares de cultura oriental”, adverte o especialista. Além disso, quanto mais planejar e conhecer o lugar, antes mesmo da viagem, maior é a garantia de sucesso. Dessa forma, é possível escolher quais pontos conhecer, os horários mais adequados e em quais trechos é possível pegar atalhos. “O agente de viagem


pode auxiliar a traçar um itinerário de acordo com o que o viajante deseja”. Se no lugar de destino a moeda vigente for diferente da sua, a dica é fazer o câmbio no país de origem, antes de chegar ao local pretendido. “Perde-se menos no trâmite. Hoje, os cartões pré-carregados também são muito usados”. Ainda com relação ao dinheiro, programar-se com relação à quantidade que pretende gastar, além de segurança, também impõe um limite no consumo. “Aconselho a procura de um agente de viagens para ter uma base do valor pretendido a ser gasto com a viagem e durante o passeio, para não onerar o orçamento da família”.

Fazendo as malas Apesar de a preferência por viagens normalmente ser em meses como julho e dezembro, o ideal é avaliar que cada destino possui suas particularidades. “Há locais com épocas melhores, menor intensidade de chuva ou frio”, alerta o empresário. Mas como o clima sempre causa imprevistos, Edson

sugere colocar na mala roupas para todas as ocasiões, porém sem exagero. “Basta uma calça jeans, malhas para a estação que estiver e várias roupas de baixo”.

Desfrutando o lugar Após chegar ao local, o melhor conselho é aproveitar ao máximo todas as belezas e atividades existentes para ver e fazer. Registrar cada momento e guardar aquele período para sempre na memória. E, para ter uma estada tranquila, é essencial escolher a melhor forma de locomoção, que varia conforme o local a ser visitado. “Em Buenos Aires, o táxi é muito econômico e compensa mais. Por outro lado, em Orlando e Miami, é recomendado o aluguel de carros. Já na Europa, o transporte público é muito eficiente, assim, o ideal é usá-lo”, sugere o empresário. Depois de seguir todas as dicas e preparar com carinho a viagem, basta torná-la uma experiência inesquecível, fazendo o máximo de coisas possíveis e se divertindo muito. Boa viagem!

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Viagem

Documentos necessários para uma viagem perfeita por Emerson Roberto

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dúvida mais frequente na cabeça daqueles que vão viajar está relacionada à documentação que devem providenciar. Muitos não sabem se levam apenas o passaporte, o documento de identidade ou o visto, caso o país de destino exija este último.

PASSAPORTE De acordo com a turismóloga Ana Carolina Stallbaum, todos os países que fazem parte da Europa requerem, do viajante, o passaporte. No continente americano, por exemplo, para a entrada em lugares pertencentes à República Dominicana, como Punta Cana, o turista deve estar com esse documento em mãos. No México, especificamente em Cancun, e, dependendo da companhia aérea, não só o passaporte é necessário, como também um visto eletrônico. “Basta fazer na internet que ele fica pronto na mesma hora”, explica. Ao viajar para a Europa, também é necessário o seguro viagem. Ele funciona como garantia de coberturas com gastos como internação em hospi-

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tais, compras de remédios, extravio de bagagem, dentre outros. Segundo a turismóloga, o passaporte só pode ser feito na Polícia Federal. Mas antes é preciso um agendamento no próprio site deles. “Lá você fará um cadastro com todos os seus dados. Depois será gerado um número de protocolo e uma guia, que custa em torno de 150 a 160 reais, para ser paga no banco. E, por fim, o agendamento”, esclarece. Leva em torno de um mês para se agendar o atendimento. Depois disso, é possível obter o documento, na Polícia Federal, em até dez dias. Geralmente, o passaporte dura um período de cinco anos. Mas é preciso ficar atento para a validade não passar do prazo. “Se for viajar para a Itália, por exemplo, e o passaporte for vencer dali a um ou dois meses, o indicado, portanto é que na data da viagem, o documento ainda tenha seis meses de validade até o vencimento”, explica Ana.

VISTOS Além do passaporte, há destinos que obrigatoriamente exigem o visto: Estados Unidos, China, Japão e Canadá. Alguns países fazem essa exigência para terem um maior controle de quem entra e sai do local. Para consegui-lo, como para ir aos EUA, é importante fazer um cadastro no site do consulado. Após o cadastro ter sido feito, uma entrevista é agendada para o viajante no próprio consulado. “Por exemplo, se for viajar para os EUA, é necessário ir até o consulado americano, que tem sede em São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília, com todos os documentos originais em mãos (conforme as solicitações do site). Se for para o Canadá, o visto é feito via agência e não é necessário ir no consulado. Mas tudo isso quem pode resolver é o próprio agente de viagem ou o despachante”, esclarece a turismóloga. Porém, é importante lembrar que o visto pode ser negado. Mesmo com a viagem toda programada, isso pode acontecer e a pessoa que o requereu pode pagar um multa para obter o reembolso daquilo que gastou. “O correto é que a obtenção do visto ocorra antes de se comprar o pacote da viagem”, comenta a especialista.

DOCUMENTO DE IDENTIDADE Passaporte e vistos são dispensáveis em países da América do Sul ou que façam parte do Mercosul, como: Argentina, Uruguai, Chile, dentre outros. Nessas regiões, exige-se apenas o RG ou passaporte. Entretanto, tal documento deverá estar legível, apresentável e sua emissão ter sido realizada em menos de dez anos. “Se o RG tiver mais de dez anos, não é permitida a viagem. E, lembre-se, outro documento, como a carteira de motorista, não é aceito”, adverte a turismóloga.

MAIS INFORMAÇÕES Quanto aos brasileiros naturalizados em outros países, eles podem entrar em contato com o respectivo consulado, a fim de retirarem seu passaporte naquela localidade. “Dessa forma, terão livre acesso a esses países. Mas, para isso, é necessária toda uma documentação para retirá-lo”, explica Ana. De acordo com a turismóloga, organizar uma viagem com antecedência é sinônimo de tranquilidade. “Se deixar tudo para a última hora, muitas vezes, não se consegue tirar o passaporte e/ou o visto. Tudo tem que ser feito antes”, sugere. “E, se houver dúvidas, o ideal é consultar um agente de viagem”, aconselha.

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Viagem arquivo pessoal

NATAL

Uma mistura de cultura e lazer por Emerson Roberto

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cidade de Natal é a capital do estado do Rio Grande do Norte. Também conhecida como “Cidade do Sol” ou “Noiva do Sol”, é uma das localidades brasileiras com o maior número de dias ensolarados por ano. Para quem deseja tirar férias, colocar a cidade de Natal no roteiro é uma ótima opção. Segundo o administrador Marcelo Scheliga, que conheceu Natal por sugestões de amigos e, é claro, pelas belezas naturais da cidade, as atrações oferecidas aos turistas são muitas. “Para quem gosta de aventuras, praias e calor, esse é o lugar certo”, diz. De acordo com ele, há, principalmente, dois lugares que chamam a atenção: a praia de Maracajaú, que possui águas claras, tranquilas e famosas por seus parrachos e o Cajueiro, considerado o maior do mundo. Maracajú oferece, também, restaurantes com ótimas estruturas, aonde se pode chegar pela manhã e ficar até o final da tarde. “É possível desfrutar das melhores comidas típicas da região”, conta. Scheliga recomenda o prato carne de sol acompanhado por arroz, feijão verde, macaxeira, farofa ou paçoca. “É provavelmente o prato mais servido por lá”, afirma. Já o Cajueiro impressiona devido ao seu tamanho. A árvore cobre uma área de aproximadamente 8500 metros quadrados, com um perímetro de mais ou menos 500 metros (sua dimensão equivale à de 70 cajueiros). E produz cerca 75 mil cajus durante a safra, a qual pesa até 2,5 toneladas. São várias as alternativas de passeios em Natal.

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No litoral norte da cidade, Scheliga sugere a todos que visitem a Lagoa de Pitanguí, a praia de Genipabu e a Lagoa de Jacumã. “É possível desfrutar a Lagoa de Pitanguí para banhos. Enquanto na praia de Genipabu, é possível ser conduzido pelas dunas em um passeio de dromedário e andar de buggy por vários trajetos. Já na Lagoa de Jacumã pode-se praticar ‘aerobunda’ (descida, na posição sentada, de uma enorme duna, caindo então direto na lagoa) e ‘esquibunda’ (descida das dunas em cima de pranchas de madeiras até cair na lagoa)”, lembra o administrador. Para quem prefere algo mais tranquilo, conhecer as feiras de artesanato é o mais indicado. Elas oferecem muitas opções de presentes e lembranças que podem ser levadas para familiares e amigos. E, durante a noite, diversos são os bares com música ao vivo que se pode visitar. Independentemente do lugar para onde se estiver indo, o administrador aconselha a todos que sempre se programem antes de fazer qualquer atividade. “Na noite anterior aos passeios, eu sempre planejava o que faria no dia seguinte. Quando precisava de guias turísticos, buscava indicações ou profissionais oferecidos pelo hotel”. Além de tudo, de acordo com Scheliga, todos os moradores do lugar são bem receptivos aos turistas. Por isso, quando tiver uma oportunidade, prepare a sua bagagem e visite essa belíssima cidade. Mas, não esqueça: dispensar o ar-condicionado não é recomendado – afinal, Natal é um destino realmente quente.


Economia&Negócios

Economize o 13.º salário por Emerson Roberto

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muito importante não gastar todo o 13º salário ao recebê-lo. De acordo com a economista da UFPR, Ana Paula Cherobim, o conselho para quem possui dívidas é, basicamente, pagá-las. Para tal, deve-se saber analisar as finanças e, quando necessário, negociar os débitos existentes. Para quem não está devendo, a sugestão é poupar uma parte desse salário para comprar os presentes de Natal e pagar as despesas do início do ano, referentes às férias, ao material escolar e, principalmente, a impostos como o IPVA e o IPTU. Algumas empresas adotam o método de pagar uma parte do 13º salário no meio do ano e a outra no final. Nesse caso, por receber uma das parcelas antes, é necessário ter um maior controle sobre o dinheiro para conseguir economizá-lo. “Para quem não controla suas finanças, o adiantamento é um risco a mais, pois a pessoa gastará ao invés de poupar”, diz a economista. Há muitas pessoas que gastam o 13º salário antes mesmo de tê-lo recebido. Porém, só é viável comprometer tal dinheiro caso as dívidas estejam no cheque especial ou no cartão de crédito, pois, nessas situações, os juros são mais altos. “Mas, essa estratégia só vai funcionar se a pessoa não usar novamente o limite do cheque especial e voltar a pagar a fatura integral do cartão de crédito no vencimento”, explica Ana. Caso as dificuldades financeiras para o ano seguinte já estejam previstas, pode-se, após planejamento, fazer do 13º salário uma reserva para o pagamento das dívidas futuras.

Para aqueles que têm uma poupança, é possível fazer boas compras de final de ano sem gastar tudo. Segundo Ana, o ideal é listar tudo o que se planeja comprar para presentear os familiares e amigos. Outra dica é fazer pesquisas na internet para estabelecer um referencial dos preços. “Após a pesquisa online, some os valores listados. Caso a soma ultrapasse o seu poder de compra, use o bom senso e refaça a planilha de presentes”. Se, após esse planejamento racional, sobrar uma parte do dinheiro, outra opção é aplicá-lo em um fundo de renda fixa e planejar seu uso para o próximo ano. Mais complicada é a situação dos autônomos e profissionais liberais, que não recebem 13º salário. Essas pessoas devem se organizar ao longo do ano a fim de ter reservas para pagar as despesas referentes às festas de final de ano e às férias, que chegarão, provavelmente, associadas a uma diminuição das atividades profissionais. Finalmente, Ana adverte: “É imprescindível que a pessoa faça um diagnóstico financeiro e saiba onde o seu dinheiro ‘vai parar’”. Assim, quite primeiro as dívidas que tenham os juros mais altos. E, no caso dos impostos de início do ano, pague-os à vista para se beneficiar do desconto. Para quem quer poupar dinheiro, a economista também dá mais uma dica valiosa: “Se, durante todos os meses, a pessoa conseguir guardar 8% do salário, ao final do ano, terá acumulado o valor equivalente a um segundo 13º salário. Poupar mensalmente é uma ótima opção para ficar mais tranquilo nesse período”.

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Economia&Negócios

O que é

FGTS? por Jéssica Tokarski

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á algum tempo, os trabalhadores registrados têm direito a uma série de benefícios conhecidos pelas siglas INSS, PIS, Pasep, FGTS, dentre outros. Muitas vezes, todavia, a finalidade desses benefícios não é conhecida, de fato. É o que ocorre, por exemplo, com o FGTS. Sabemos que ele existe, mas para que serve ao certo, poucos têm conhecimento. Segundo o advogado Murilo Aith, trata-se de um fundo criado pelo Governo Federal com o objetivo de proteger o trabalhador demitido sem justa causa, mediante a formação de uma conta vinculada ao contrato de trabalho. “No início de cada mês, as empresas devem depositar, em contas abertas na Caixa econômica Federal (CEF), em nome dos seus empregados, o valor correspondente a oito por cento do salário de cada funcionário”. Todos os trabalhadores regidos pela CLT, que firmaram contrato de trabalho depois de cinco de outubro de 1998, têm direito ao FGTS. “Antes dessa data, a opção pelo benefício era facultativa”, explica o advogado. Trabalhadores rurais, temporários, avulsos, safreiros e atletas profissionais também podem receber o recurso que pode ser sacado nas situações de aposentadoria, compra da casa pró-

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pria, demissão sem justa causa, morte do patrão e/ou fechamento da empresa, término do contrato de trabalho de um trabalhador temporário, falta de atividade remunerada para trabalhador avulso por 90 dias ou mais, idade igual ou superior a 70 anos, doenças graves (como AIDS ou câncer) do trabalhador ou da mulher e de filhos e em casos de estágio terminal em qualquer doença. Sua retirada pode ser feita em qualquer agência da Caixa Econômica Federal. Sendo o FGTS um direito do trabalhador, nada é descontado do seu bolso referente à esse fundo. “É possível acompanhar se o patrão está pagando corretamente o benefício por meio do extrato bimestral de sua conta do FGTS (enviado por correio para a casa dos beneficiados), através de consulta no site da Caixa (necessário informar o Número de Identificação Social – NIS, PIS, Pasep, NIT) e nos caixas eletrônicos instalados nas agências da CEF. Todos os terminais de atendimento possuem a opção de consulta de saldo ou extrato do FGTS por meio do uso do cartão do cidadão”, esclarece Aith. O FGTS é mais um benefício pelo qual os sindicatos e trabalhadores lutam diariamente, por isso, é importante exigi-lo e fazer uso dele em situações de necessidade.


Motivação

Atue no que é prioridade N

faz…”, mas nada muda na vida delas. Quando nos empenhamos na realização de algo que não é prioritário em nossa vida, nós apenas executamos a ação, mas quando nos empenhamos na realização do que é de fato prioritário, estamos fazendo algo importante para nossa vida. Perguntar a si mesmo se algo é realmente prioritário exige coragem na resposta e em sua prática. Ninguém deve levar uma vida com sacolas existenciais. Muita coisa que carregamos nem nos pertence e temos pouca noção disto. Define o que realmente pertence a sua vida, o que realmente é parte integrante de suas atividades e hospede em sua morada apenas os filhos de seu coração.

divulgação

aturalmente, para vivermos, precisamos de algumas coisas básicas, mas isso não significa que necessitemos de um punhado de coisas que vamos acumulando ao longo da vida e tampouco realizar tantas coisas que habitualmente fazemos ou pensamos ser necessário fazer. Essa coisa de “vou fazendo, vou fazendo” tornou-se muito desgastante e dispendiosa para o atual estilo de vida da nossa sociedade. Fazer muitas tarefas nem sempre implica produzir algo realmente importante. Afinal, uma das prioridades de nosso dia a dia deve ser a de realizar algo que seja realmente importante. É aconselhável que você observe como tem levado sua vida e faça um balanço de suas atividades a fim de perceber qual o grau de importância que dá a elas. É importante, também, relacionar as atividades e, depois, classificá-las em ordem de importância. Você vai descobrir, por exemplo, que faz muitas coisas e que muitas delas você as faz quase que mecanicamente. Outra opção é, dentre seus afazeres, classificar os itens que relacionou e, a partir do que foi selecionado, perguntar-se: “É prioridade fazer isso?”. Toda vez que estiver num momento de indecisão em relação a algo em sua vida, faça essa pergunta para você, pois muitas pessoas, hoje, praticamente se transformaram numa verdadeira generalidade ambulante, ou melhor, em escravas do “faz, faz,

Cesar Romão

Escritor e consultor organizacional cesarromao.com.br

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Cultura Carlos Luz

Inspiração que vem da alegria Um bate papo com Thalita Rebouças por Jéssica Tokarski

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riativa, bem humorada e super talentosa, a animada Thalita Rebouças seguiu ao pé da letra sua resposta à pergunta feita a todas as crianças: “O que você quer ser quando crescer?”. A “fazedora de livros”, como ela mesma se autodenominava, já passou por várias experiências, mas após realizar seu sonho de pequena, segue colhendo os frutos do seu dom até hoje. Ela conta histórias para os adolescentes, tendo ela própria a jovialidade de seu público-leitor. Suas publicações são extremamente divertidas e interessantes e é por meio de conselhos em forma de papo descontraído que ela tenta ajudar seus leitores. Confira a entrevista que a simpática Thalita cedeu à Élégant:

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Seu interesse por escrever começou quando você ainda era criança. Mas de onde vinha sua inspiração naquela época? E hoje?

Thalita Rebouças Desde pequena eu gosto

de escrever e de contar histórias. Quando tinha 10 anos, eu me autodenominava “fazedora de livros”. Minha inspiração vem do dia a dia: da observação das pessoas em um supermercado, no elevador, na praia, da conversa com amigos, da minha memória.

Élégant Você tem alguma dica para que a imaginação se desenvolva? Thalita Rebouças A minha dica para quem quer ser escritor é: leia e escreva sempre. Élégant Você é formada em jornalismo e já tra-

balhou em vários lugares, atuando nessa função. Então, resolveu parar para seguir o sonho de criança. O que achou do tempo em que trabalhou como jornalista? Pensa em voltar a atuar nessa área?

Thalita Rebouças

Eu fui muito feliz como jornalista. Não penso em voltar, mas agradeço ao jornalismo o contato constante com a língua portuguesa e com as normas gramaticais. Além disso, os prazos também me ajudaram. Fiquei disciplinada e acredito que isso tenha vindo do jornalismo

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Você é animadíssima, espoleta e jovem! Foi por isso que decidiu escrever para o público adolescente?

Thalita Rebouças Com 25 anos publiquei meu primeiro livro: “Traição Entre Amigas”. Imaginava que esse livro seria lido por meninas entre 18 e 22 anos. Para minha surpresa, o livro conquistou um público mais novo, meninas com 13, 14, 15 anos! Percebi que as adolescentes gostavam muito do que eu escrevia, então, não parei mais. Foi o público que me escolheu. E é muito prazeroso escrever para adolescentes. Adolescente não faz social à toa, quando diz que gosta é porque gosta mesmo, quando te abraça, te abraça de verdade. É um público exigente e eu me sinto privilegiada por fazer companhia a esta galerinha que se encontra numa fase tão complicada. Élégant Você tem projetos para desenvolver outros tipos de literatura?

Thalita Rebouças Não. Eu espero ficar velhinha escrevendo para o meu público. (risos) Élégant

De que maneira essa sua espontaneidade ajudou em sua vida e na sua carreira?

Thalita Rebouças Quando era pequena, eu era muito tímida, sabia? Então fui fazer teatro e ganhei a tal da desinibição. Se não fosse o teatro, jamais teria tido coragem para subir em uma cadeira e chamar a atenção das pessoas para os meus livros, como fiz no início da minha carreira. Minha espontaneidade me ajudou em muitos momentos e agradeço ao teatro por isso.

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Cultura Élégant Você tem quantos livros publicados?

rinho também. O que importa é que meus livros estão conseguindo ser uma grande companhia para eles, fazendo-os rir, emocionando-os e levando cada um a refletir um pouco. Adolescentes são todos iguais, só mudam de endereço. (risos)

Thalita Rebouças No Brasil, são 12 livros publicados e, em Portugal, seis. Em novembro, será lançada a obra “Fala Sério, Filha! - A Vingança dos Pais”, um pedido que já escutei muito de pais e mães. Estou amando escrever. Aguardem!

Élégant Tendo em vista todo esse sucesso, você pretende expandir suas publicações para outros países?

Élégant Como você citou, suas obras são famo-

sas também em Portugal. Que reação elas provocam no público português?

Thalita Rebouças

Claro que sim! Não quero apenas ser publicada, quero vender meus livros, como acontece em Portugal. Uma hora serei publicada na Itália e na Espanha por uma editora forte, está tudo caminhando para isso

Thalita Rebouças

Os adolescentes portugueses também são muito carinhosos comigo. Autografei até braço por lá! (risos). O livro “Fala Sério, Mãe!”, ou melhor, “Que Cena, Mãe” (título que essa obra recebeu na terrinha!), já está na terceira edição e os livros “Que Cena, Professor!” e “Que Cena, Amor!” estão seguindo o mesmo caminho.

Élégant Qual o seu maior sonho como escritora? Thalita Rebouças Meu maior sonho? Nossa, consegui muito mais do que eu sonhava. Não vejo a hora de ver meus livros serem traduzidos para outros países da América Latina e Europa. Quero mais traduções, adaptações, mais livros. Enfim, mais estrada pela frente! E também adoraria ver meus livros sendo vendidos a preços mais baixos no Brasil.

Élégant Qual é a sensação de saber que seus li-

vros estão fazendo parte de uma cultura diferente?

Thalita Rebouças Acho muito bacana! Ape-

sar das diferenças culturais (a infância lá não está tão encurtada como no Brasil), as inseguranças e as dúvidas dos adolescentes são parecidas. E o caCarlos Luz

Élégant Você também ministra cursos para ajudar aqueles que desejam escrever livros. Qual o conselho mais precioso para essas pessoas? Thalita Rebouças Meu curso é sobre os bastidores do mercado editorial para escritores que estão começando. A proposta é passar para eles o que descobri sobre o assunto ao longo de 11 anos de carreira e que nunca foi passado pra mim. Tive que aprender na marra! Conselho? Não costumo dar conselhos, mas ultimamente tenho realizado palestras motivacionais para adultos. Nelas, conto, com muito humor, toda a minha trajetória, os percalços que encontrei e como fiz para superá-los. O que posso dizer para as pessoas é: tirem o sonho da gaveta, acreditem nele e batalhem por seus objetivos. Élégant Que tal deixar um recado para seus fãs? Thalita Rebouças É gratificante saber que consigo, além de fazer rir, motivar as pessoas a lutar pelos seus sonhos. Lutem por eles, afinal, não é para isso que estamos aqui?

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Cultura

Cultura Tem pra vender? E

pliação da moda da “haute” para as massas, o que eu acho ótimo. Era tanto Lagerfeld, Stella e Missoni no varejo-shopping center que não conseguia parar de pensar que a massclusivity tinha, finalmente, também me atingido. Na verdade é impossível fugir dela. O que antes tornava o objeto qualquer em objeto de desejo (e isso serve também para a música) está ali, para qualquer um levar para casa (ou para dentro do carro). Fácil assim. Por essas e outras experiências estou cada vez mais encaixando minha vida entre viagens. Espero sempre a próxima e o que existe entre elas é quase que prelúdio. Como uma espera ao filme principal enquanto se assiste trailers. Minha próxima parada? Aprender alemão in-loco. Vou pelo Goethe-Institut (uma instituição sem fins lucrativos) para Alemanha (e claro, de lambuja, ver bem de perto todo aquele dia-a-dia). Quero ver outras cores, sentir outros cheiros e escutar outras línguas e, claro, trazer outras experiências. Muito provavelmente aproveitarei para mostrar algumas delas na TV. Já pensou como pode ser gostoso fazer o mesmo? Para onde você quer ir?

Bruno Santos

u, particularmente, acho que não há jeito melhor de expandir os horizontes senão viajando. Viajar para ver coisas novas, hábitos diferentes; viajar para abrir a cabeça e absorver novos ares. Não há livro, curso, programa de TV ou site na internet que substitua o contato direto com as pessoas, locais e atmosferas distantes. Há quem, limitadamente, bafore por aí que nada melhor do que é local, regional, ou o que for. Eu, por outro lado, acho que o vasto mundo é fascinante. Sempre que volto de uma viagem mais ou menos longa sinto que demoro a voltar a por os pés no chão. Longe de deslumbramento. Não sou afeto do efusivo. O que acho que acontece é que sempre me inebrio. Fico por um tempo pensando não somente nos lugares que fui, mas nos hábitos de quem lá mora, trabalha, dirige, come e dorme. E isto me enriquece. Gosto dos detalhes, das cores do céu e dos aromas não-identificáveis. Sim, voltei de umas dessas minhas “andanças” há pouco. Duas coisas (dentre tantas outras) me chamaram a atenção a ponto de eu escrever sobre elas aqui. Uma delas foi meu (provinciano) primeiro contato com a rádio digital paga. Afinal, quem pagaria para ouvir rádio? Mas agora digo: eu! Centenas de estações com qualidade cristalina e cobertura nacional deixam qualquer viagem de carro mais suportável (nem preciso mencionar a falta de corriqueiros buracos). Poder escolher entre estações de rádio sem intervalos comerciais que toquem músicas somente da década de 90 (ou de qualquer outra) ou ter outras dezenas só com jazz me fez por algumas vezes ficar um pouquinho mais dentro do carro. Eu sou do tempo quando queria uma música tinha que esperar para comprar ou (que vergonha!) gravar da rádio. E este é o tipo de aquisição cultural que estou falando (ok, bem superficialmente) aqui. Outra coisa que achei interessante desta vez é a am-

Patrick Diener

Pós-graduado em Comunicação Audiovisual, mestrando em Estudos do Cinema, diretor e apresentador de TV. patrickdiener.com

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Cultura

FALANDO A VERAS Show, carreira e visão do humor: uma entrevista com o humorista Marcos Veras por Débora D. Dornella

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Brasil tem se destacado no humor e isso se comprova, facilmente, quando observamos que cada vez mais humoristas talentosos conquistam a mídia e o stand-up. O gênero, cujo papel principal é despertar boas gargalhadas nas pessoas, também tem a importante função de transmitir mensagens. No entanto, em razão do novo formato do humor brasileiro, algumas críticas têm surgido. Enquanto algumas pessoas o consideram engraçado, outras afirmam que a maneira como ele tem sido empregado está extrapolando limites. Frente a essas afirmações, vários comediantes se defendem, alegando a liberdade de expressão. Para saber mais sobre esse mundo tão divertido e responsável por gerar tantas polêmicas, a Élégant entrevistou o humorista Marcos Veras, que nos contou um pouco a respeito de sua carreira e de sua visão sobre o humor. Marcos Veras é formado em Propaganda e Marketing e Teatro. Por um período, deu aulas de teatro para crianças e adolescentes em duas das melhores escolas do Rio de Janeiro. “Foi uma experiência

muito bacana, porque tive oportunidade de montar clássicos do teatro com eles e eu mesmo me aprofundava nas obras à medida que ensaiava”, revela Veras. Em relação à sua primeira formação, Veras relata que usa algumas ferramentas do marketing para o sucesso do seu trabalho como ator. Veras não tem preferência por TV ou teatro, já que, para ele, cada veículo proporciona um prazer diferente, porém, está inserido no mesmo universo da arte. “Eu costumo dizer que prefiro o trabalho. Sou apaixonado pelo meu trabalho!”. Sua primeira peça na escola de teatro foi “Viúva, porém honesta”, de Nelson Rodrigues, enquanto sua primeira obra profissional foi “Bela Adormecida”. “Que diferença, não é?”, brinca o humorista. Em relação à sua primeira participação na TV, o ator comenta: “Inesquecível! Fui um pavão no ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’. Na ocasião, eu usava uma máscara que tornava impossível me reconhecer”, conta bem humorado a história que faz parte do seu show de humor (além de ser engraçada, a situação acabou sendo o seu pontapé inicial).

“Eu sou ator, não somente humorista. Gosto de desafios e de novidades. Mas, a vida sempre apresenta um caminho e, por enquanto, este caminho é o humor”. 92

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Cultura Segundo Veras, não existe uma fórmula para começar a trabalhar na TV. Uma das maneiras é a pessoa focar sua carreira, desde o início, neste meio televisivo. Mas, esse não é o caso de Veras, pois seu trabalho originou-se no teatro. “Comecei no palco, é lá que está o trabalho do ator. A TV é uma consequência deste trabalho”. Porém, o ator reconhece uma grande vantagem da TV: a exposição e o reconhecimento. “É por causa da televisão que a peça começa a se tornar mais conhecida e o auditório a ficar mais lotado. Não deveria ser assim, mas é”, afirma. Simpático e modesto, o humorista diz não saber se seu trabalho tem o reconhecimento do público. “Aliás, acho que não tenho, porque, se eu achar isso, acabo me acomodando”. Segundo Veras, a televisão é uma das responsáveis pelo reconhecimento do público. Mediante tal veículo, o artista mostra uma parte do seu trabalho e as pessoas passam a ter noção (não completa) de como é sua obra. Por falar em televisão, é possível assistir ao humorista no programa “Zorra Total” que, segundo ele, é um trabalho divertidíssimo e com um elenco incrível. “Devo muito da minha carreira ao ‘Zorra’. Minha experiência lá agregou muito ao meu solo ‘Falando a Veras’, que já está em cartaz há três anos”. Em relação a este show de humor solo, é essencial comentar que é o trabalho considerado pelo ator como um dos mais especiais de sua carreira. O espetáculo tem o texto do próprio Marcos Veras com a colaboração de Saulo Aride. A ideia surgiu quando o amigo - e também humorista - Maurício Manfrini disse que Veras deveria fazer uma apresentação individual. “Tive medo no início, mas, depois, me entusiasmei e comecei a idealizar o show. Nestes últimos três anos, mudou muita coisa no show, mas ele continua a minha cara”, empolga-se o ator. Em cada cidade que se apresenta, tenta pegar nome de bairros ou cidades do estado para

montar algumas piadas. O espetáculo, além de ser divertido, é bastante musical. Veras canta muito durante a apresentação. Porém, ele explica que não pensa em seguir a carreira de músico, gostando, simplesmente, da mistura da música com humor. “Sou um ator que canta”, faz graça. Apesar de dizer que não é músico profissional, toca percussão sem ter sequer estudado esse instrumento. Veras sempre foi o engraçado do colégio, imitando professores e colegas. “Gostava de fazer piadinhas, mas, por incrível que pareça, eu era bom aluno, tirava boas notas e era querido pela escola”. Hoje, aos 31 anos, ele diz não se lembrar da origem exata do seu viés humorista, mas acredita que, principalmente, os últimos quatro anos de vida o levaram a isso. “Eu sou ator, não somente humorista. Gosto de desafios e de novidades. Mas, a vida sempre apresenta um caminho e, por enquanto, esse caminho é o humor”, enfatiza. No início de sua carreira, ele não recebeu muito incentivo de seus familiares. “Nenhuma família, eu acho, quer ver o filho seguir uma carreira instável”. Porém, isso mudou quando perceberam que ele realmente queria essa profissão e que a estava levando a sério. Então, passaram a ser os primeiros a apoiá-lo. “Na primeira vez em que meu pai me assistiu no teatro, ele chorou igual a uma criança. Minha mãe também sempre me acompanhava”. O ator tira a inspiração do cotidiano e diz que o humor tem papel de protagonista em sua vida. Além da sua formação em teatro, ele aprendeu muito lendo, observando, assistindo e praticando - e acha que, talvez, esta seja a fórmula do sucesso. Seus humoristas favoritos são Chico Anísio, Golias, Pedro Cardoso, Jim Carrey e Bruno Mazzeo. “Apesar de ter tanta gente boa”, conta ele. Sobre a questão do humor no Brasil, ele possui uma visão bem interessante. Acredita que o gênero vive um momento maravilhoso no país, com muitas

“Não acho que na comédia vale tudo ou quase tudo. Pra mim, o limite é o bom senso”. 94

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peças, shows, stand-up, séries e programas humorísticos na TV, com o surgimento de novos talentos. Por outro lado, o ator alerta sobre uma desagradável vigília sobre a comédia: “O mundo mudou e ficou mais ‘careta’. As pessoas estão levando o humor muito a sério. O politicamente correto está podando o comediante. Mas também não acho que se possa falar de tudo, usando a ‘desculpa‘ de que é humor”. Segundo Veras, alguns humoristas acham que agredir é fazer humor. O stand-up tirou um pouco do profissionalismo do humor, pois, hoje, muitos acham que podem, simplesmente, subir em um palco e serem engraçados. “Não acho que na comédia vale tudo ou quase tudo. Pra mim, o limite é o bom senso”, comenta Vera. O ator também acredita que o público é o verdadeiro aprovador, pois é ele que julga se algo é agressivo ou não. “Não gosto de

brincar com tragédias que mexam com um grupo de pessoas, pelo menos não em público. Mas, já vi humoristas irem para o twitter no mesmo dia em que a tragédia ocorreu pra mostrar que são rápidos e ‘engraçados’”. Como todo mundo, Veras também tem problemas pessoais, mas estes ele supera, sem deixar que atrapalhem o seu show. “Até o mau humor é muito usado para fazer humor. O dia em que você acorda mal pode, sim, ser o mote em um texto à noite”. Finalmente, ele brinca que é um ser humano normal. “Ou quase”. Quanto aos sonhos, é difícil dizer qual é o dele, pois muda toda hora. Mas, no momento, um deles é fazer cinema (algo que ainda não fez). E, para finalizar, ele dá o seguinte conselho a quem pensa em seguir a mesma carreira de humorista: muito estudo, leitura e respeito à velha guarda do humor.

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Cultura

POLLIANA

ALEIXO A jovem talentosa que vem conquistando espaço dentro das telinhas por Emerson Roberto

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ovem e imensamente talentosa. Com essas poucas palavras, é possível descrever a atriz mirim Polliana Aleixo. Aos sete anos de idade, posou para o seu primeiro book em uma agência em Curitiba, iniciando, dessa forma, a sua carreira como modelo para comercias. Depois, seguiu viagem para o Rio de Janeiro, onde fez os seus primeiros testes para a televisão. “Passei no teste para ‘O Segredo da Princesa Lili’ e, em seguida, para a novela ‘Beleza Pura’; ambas produções da Rede Globo. Desde então, não parei mais”, conta. A atriz diz que mudar de cidade por causa do trabalho, no início, foi difícil. “Nunca havia sofrido nenhum tipo de mudança e, de repente, mudei de colégio, de casa e de estado”. Segundo a jovem, participar de “O Segredo da Princesa Lili” foi uma experiência incrível. “Como esse especial apresentava trechos musicais, tive aulas de canto e dança. E, devido ao fato de a minha personagem fazer parte do reino, tive aulas de etiqueta, também”. Mas, a maior satisfação

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de Polliana foi, sem dúvida, estar ao lado de um dos grandes comediantes do país. “Trabalhar com o Renato Aragão foi um prazer. Aliás, toda a sua família é maravilhosa. Conversamos até hoje”, alegra-se. Para a atriz, três trabalhos contribuíram muito para a evolução de sua carreira: as novelas “Beleza Pura” (2008) e “Insensato Coração” (2011) e o seriado “Tudo Novo de Novo” (2009). Dentre as produções, a atriz confessa que possui um carinho especial pela personagem Júlia, de seu trabalho realizado em 2009. “Foi, sem dúvida, a que mais exigiu de mim, profissionalmente. Além disso, é muito bom gravar um seriado, já que temos mais tempo. É diferente de uma novela”. Em relação a “Insensato Coração”, Polliana conta que, além de ter sido ótimo gravá-la, teve a oportunidade de, nos bastidores, criar laços fortes de amizade com todos e, principalmente, com as atrizes Isabela Garcia e Roberta Rodrigues. “O pessoal era muito ligado. Nos momentos livres, saíamos e brincávamos muito.


Paula Guimarães

Conviver com o elenco e a produção desse trabalho, em especial, foi maravilhoso”, lembra. De acordo com a jovem, é necessário um processo de preparação antes de se interpretar uma personagem. Primeiramente, o ator recebe a sinopse e, em seguida, os capítulos da trama. Depois, acontecem encontros para leituras do texto em grupo, o que ajuda o profissional a ter uma noção ampla da proposta pedida para a interpretação. “Também, planejam-se a caracterização e o figurino, o que colabora para a preparação”, completa. Segundo Polliana, a carreira de atriz é maravilhosa, mas também oferece dificuldades. “As pessoas acreditam que é fácil e que tem muito glamour. Porém, trabalhamos por horas a fio, lidamos com muitas emoções, choramos por coisas que não aconteceram e amamos pessoas que não existem de verdade. Tudo isso desgasta o organismo. Che-

gar a essa profissão requer uma jornada dificílima e se manter na indústria da televisão é uma maratona diária”, afirma. Por outro lado, a carreira também proporciona vantagens. Uma delas é dividir cenas com outros atores espetaculares. Polliana confessa que sonha em contracenar com a atriz que mais a inspira: Glória Pires. “Tive o privilégio de conhecê-la, mas, infelizmente, não contracenamos juntas”, relata. Para quem é ator/atriz, como ela, é importante saber conciliar todas as atividades cotidianas com a profissão. “A emissora sempre respeitou meu horário escolar, é raríssimo ter de faltar à escola por conta das gravações. Estudo de manhã e trabalho à tarde”, conta. Finalmente, se você deseja seguir essa carreira, Polliana dá uma dica valiosa: “Para cada ‘não’ que receber, sorria e diga ‘sim’. Só você é quem sabe da sua grandeza e coragem”.

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Tom Maior

CAIO MESQUITA Referência na música instrumental, o músico se destaca cada vez mais e domina novos campos musicais por Débora D. Dornella

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mpossível imaginar a vida sem música, não é mesmo? Ela é como se fosse mágica: alegra momentos e emociona-nos. Além disso, uma canção pode representar, muitas vezes, a trilha sonora da nossa própria vida. Em relação aos que fazem a mágica da música ser possível, observa-se que alguns, desde muito cedo, já se envolvem com esse ritmo de prazer, mas, também, de muito trabalho e estudo. É o caso do jovem Caio Mesquita que, apesar de novo, talento é o que não lhe falta. É um garoto simpático, modesto e apaixonado pelo que faz. Caio se interessou pela música aos cinco anos de idade. Ninguém o influenciou na escolha, mas sempre recebeu apoio, principalmente, de sua tia e seu pai, que tinham certo contato (mesmo que distante) com o tema. A família é muito importante para ele. “Foi sempre o motivo de todas as vitórias. São meu apoio e minha base até hoje”, ressalta o músico. Ousadia e atitude fazem parte da sua vida, como fica evidente ao se analisar a escolha de seu instrumento musical: o peculiar saxofone. Caio também tem interesse por outros instrumentos; afinal, toca doze. “Grande parte de quem se envolve com produção musical gosta de ter contato com todos os instrumentos, devido à facilidade de expressar as ideias. Por isso, toco bateria, baixo, guitarra, violão, piano, teclado, flauta, gaita, saxofone, percussão, entre outros”, acrescenta Caio.

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Para quem já aprecia ouvir o músico tocando, logo terá uma surpresa. Quem sabe ouvi-lo cantando? Ele admite que já pensou em ser cantor e que essa é uma das ideias que vem se tornando cada vez mais presente em sua vida. “Há muitos projetos envolvendo esse tema, em breve!”, diz o artista, em tom de mistério. Por gostar de muitas coisas, o músico demonstra estar sob diversas influências musicais e, variados estilos: desde o instrumental e o jazz, até o pop, o rock e o sertanejo. Por falar em sertanejo, ele lançou o projeto “Caio Mesquita Sertanejo”. “Várias portas se abriram com o projeto, foi um grande marco na minha história”, conta o jovem. Além de outros planos, Caio tem um grande objetivo: popularizar a música instrumental entre os jovens. “Acho que, fazendo um trabalho de bom gosto, com apelo pop e planejamento de mídia, tenho conseguido bastante sucesso nessa ‘missão ’, que não é tão simples”, esclarece o músico. Como reconhecimento do seu trabalho, Caio já Ana Estegani

ganhou vários prêmios, como discos de platina e ouro, DVD de ouro e muitos outros. Ele os vê como recompensa pelo trabalho que faz. “Não é o valor material, mas, sim, o valor sentimental que tudo isso traz”, orgulha-se ele, que, com humildade, não admite fazer tanto sucesso. “Sinto que o caminho ainda está no começo, que a cada dia aprendo e cresço. Além disso, acho que sucesso e reconhecimento são apenas consequências de um trabalho feito com verdade e bom gosto”. A escolha do seu repertório musical ocorre em conjunto com todos aqueles que trabalham com o músico. Por este e outros motivos, segundo ele, o sucesso é sempre da equipe. “Sempre me refiro a ‘nós‘, nunca apenas a ‘mim‘. Isso é importante”. Existem vários sonhos que ele ainda pretende realizar em sua carreira. Entre eles, estão parcerias, carreira internacional e reconhecimento dentro de outras áreas do ramo musical, como produção e direção. Para quem pensa em seguir carreira musical, ele recomenda, primeiramente, ter certeza do que se quer, além de ter em mente o fato de que tal trajetória não é simples, fácil e nem tem retorno rápido. Mas, para quem gosta, é um caminho feliz. “Não é garantia de sucesso, riqueza e nem de reconhecimento, mas o importante é a verdade que vem de dentro, independente do que acontece fora”. Além disso, segundo Caio, é preciso muito estudo e dedicação, elementos fundamentais para que as coisas aconteçam no tempo certo. Por isso, caso você escolha essa carreira, além de conhecer as notas musicais, é preciso sentir-se bem e ser feliz. Esta é a função da música na vida de Caio: “Fazer-me feliz, em primeiro lugar. É minha grande realização, meu sonho concretizado e meu trabalho de cada dia. Desejo que possa haver sempre evolução, aprendizado e cada vez mais realizações”, finaliza o músico.

“(...) sucesso e reconhecimento são apenas algumas das consequências de um trabalho feito com verdade e bom gosto”. Élégant

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Profissão

Uma profissão cujo sucesso é a felicidade por Débora D. Dornella

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m mundo mágico em que a realidade cede espaço para a imaginação. Um lugar onde tudo parece possível, onde os sonhos e as fantasias se encontram. Sim, estamos falando do circo que, além do encanto que proporciona, é o local onde não faltam as boas gargalhadas. E é dessa tarefa que se incubem aqueles que são responsáveis por provocar o sorriso escancarado no rosto das crianças e adultos, fazendo o mundo mais feliz. São eles, os engraçadíssimos e famosos palhaços! Marcos Casuo, antes de se tornar um dos palhaços brasileiros mais famosos do mundo, realizou diversas outras atividades como ballet, ginástica olímpica, capoeira, dentre outras. Ele também trabalhou como garçom, coreógrafo, mecânico e em outras funções. Assim, essas diferentes experiências acrescentaram um grande conhecimento em sua vida uma vez que toda essa diversidade o levou a conhecer algumas partes de mundos diferentes. “Como diz o ditado: ‘Cada cabeça um mundo’”, comenta Casuo. Segundo ele, todos nós temos uma grande capacidade de nos adaptarmos ao mundo e entendê-lo. “Foi assim comigo. Não tive problemas e nunca briguei com o meu destino, porque sempre permiti que a vida me levasse conforme ela quisesse. Foi dessa forma que descobri o circo, pois ele já se manifestava em mim antes mesmo de conhecê-lo”, ressalta o palhaço. No circo, ele fez de tudo um pouco, com o objetivo de se especializar em inúmeras modalidades a fim de ter a chance de estar sempre disponível no

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mercado de trabalho. “Com isso, acabei me transformando no tal garoto ‘bombril’, isto é, ‘com mil e uma utilidades’. Não queria e também não me permitiria perder nenhuma oportunidade de trabalho”, conta Casuo, que não deixou de ser trapezista ou acrobata. Porém, sua veia cômica falou mais alto. Como sempre foi divertido e brincalhão, seus amigos e conhecidos o incentivaram a ser palhaço. Segundo o artista, a preparação para tudo isso foi simples, porém, longa. Para ele, o mais importante é alimentar-se diariamente de seus sonhos, pois isso foi o que sempre lhe deu forças para aprender um pouco de tudo. “Tive que treinar muito, cuidar do meu corpo e dos hábitos alimentares, além de escutar com atenção o que diziam os grandes artistas, profissionais do ramo circense e do esporte. Ser artista é estar feliz com tudo e com todas as formas existentes de arte, e não é fácil adquiri-la, pois aprendemos técnicas, mas ninguém nos ensina arte. Somos nós que a criamos”. O palhaço brasileiro ficou muito conhecido por ter feito parte do Cirque du Soleil e, consequentemente, viajou por aproximadamente oito anos com o espetáculo. As muitas viagens e treinos faziam parte de sua rotina. “Tínhamos dez shows semanais e treinávamos de duas a quatro horas, de terça a domingo. Quando iniciei nesse circo, fazia Russian Bars. Era o único brasileiro na equipe russa e

juro a vocês que hoje entendo muito bem a expressão ‘A coisa está russa’”, brinca Casuo. “Nunca busquei a fama ou o estrelato, minha procura sempre foi pela excelência. O Cirque du Soleil contribuiu para isso e hoje incentivo essa busca na minha empresa: a Universo Casuo”. O palhaço acredita ter tido sorte para chegar onde está, mas também precisou trabalhar muito para isso. “O ponto mais alto da minha carreira deve-se à oportunidade que tive de protagonizar o show ‘Alegria’ do Cirque du Soleil, além de criar cinco performances que eles utilizam até hoje por onde passam. Tudo isso realmente ajudou a alavancar minha carreira”. Fica claro que ele considera sublime toda essa experiência que o circo lhe proporcionou e a carregará consigo para sempre, pois foi lá que aprendeu

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Profissão parecido com meu pai. Tive cinco minutos para me conter, respirar e pisar no palco para fazer três mil pessoas rirem. Durante as performances, eu também ria muito com o Anton”. Após 18 anos de carreira se divertindo com suas próprias apresentações, essa foi a primeira vez em que o palhaço precisou atuar. E é por isso que ele leva em consideração a importância da preparação obtida em workshops e cursos, bem como as técnicas teatrais e outros recursos que ajudam, em determinados momentos, a provocar o desligamento da razão e da emoção. “No circo, existe o ditado: ‘O show sempre tem que continuar’. Após duas horas e meia de show, quando a música final ‘Alegria’ começou, meu coração se desmanchou em prantos ao sentir que aquele era o primeiro dia em que não mais tinha a pessoa que me ensinou tudo o que sei. Quando saí do show e fui para o back stage, lá estavam todos os artistas batendo palmas para mim e dando-me os pêsames. Com isso, aprendi que, independente de qualquer circo ou teatro, somos sempre uma família”, conta o artista. Para quem deseja colocar o pé no picadeiro e o sorriso no rosto e muita gente, o palhaço lembra que é necessário ter talento, pois é com ele que se conseguirá, certamente, proporcionar um bom espetáculo a todos.

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o valor dos artistas perante o mundo. Casuo conta, também, que recebeu dois convites para voltar ao Cirque Du Soleil; porém, hoje, seu foco é outro: seu show e a sua empresa, Universo Casuo Show. Ele sonha em conquistar o Brasil, estrear o circo e viajar o mundo com a sua companhia. Além disso, pretende montar uma Clown School (escola de palhaços) e formar muitos artistas com visão de empreendedores. O artista conta que o reconhecimento do seu trabalho veio com o tempo, mas que o momento mais marcante mesmo foi no Japão, durante uma turnê. “Nunca iria imaginar que teria toda essa repercussão! Vivi episódios importantes como quando Bono Vox esteve em meu camarim e a rainha de Bruxelas foi tirar fotos comigo e minha equipe,no intervalo”, ressalta o palhaço, que acredita que o humor em sua vida representa a alegria e a vontade de viver. Para ele, não existe sentimento igual ou tão prazeroso como a sensação de rir ou gargalhar. E essa alegria de palhaço que se percebe em Caruso contagia todos que estão a sua volta. Além disso, ele é uma pessoa com muita força e determinação. Casuo conta que a situação mais difícil em sua trajetória foi também no Japão. Faltando cinco minutos para entrar no palco, ele recebeu uma ligação na qual informaram que seu pai acabara de falecer. “Meu parceiro, o Anton Valem, era muito

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Entrevista

ary toledo

O sinônimo do bom humor

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ry Toledo - um talentoso brasileiro - é cantor, compositor, ator, teatrólogo, piadista e, é claro, dono de uma imensa alegria. Ele se destaca como umas das personalidades mais expressivas do bom humor no Brasil. Começou sua carreira aos 22 anos, mas, desde criança, em sala de aula, já gostava de contar piadas. Foi nesse momento que percebeu que seu maior dom era fazer as outras pessoas rirem. “O humor foi o início de tudo”, afirma. O começo da sua carreira artística também se deve a uma gaita de boca e um violão que ganhou de sua mãe. A partir desses presentes, a música passou a ter grande importância em sua vida. “Ela acalma a minha alma. Adoro tocar bandolim com os meus amigos”, conta. Mas, Ary Toledo foi aconselhado por Vinícius de Moraes e por Elis Regina a seguir a carreira de humorista. “A indicação ocorreu por causa da música ‘Pau de Arara (Comedor de Gilete)’ – composta por Vinícius e Carlos Lyra –, que, inicialmente, era para ser triste, mas eu fiz o público rir com ela”, relembra. O humorista, para chegar ao seu atual status, teve que vencer diversos obstáculos. Um deles foi a ditadura militar. “Sofri muito naquela época, pois tive meu show proibido em território nacional. Por isso, defendo que a liberdade é importante não só para a expressão de comédia, mas para a vida”, diz.

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Serginho

por Emerson Roberto

O processo de criação das suas piadas varia. Pode ser uma ideia que surge repentinamente em sua cabeça ou uma criação desenvolvida a respeito do tema. Seja qual for o método, há apenas um objetivo: fazer seu público rir. “É o que me dá mais satisfação e prazer. É a melhor sensação do mundo, um sinal de que fiz meu trabalho direito e com dignidade”, revela. Segundo Ary Toledo, existem vários assuntos que, facilmente, podem originar piadas; como os relacionados a crianças e a portugueses. “Mas, não se esqueça: em Portugal, também são contadas piadas sobre brasileiros”, ressalta. Ainda, por se tratar de humor, é importante lembrar que são necessários cuidados para selecionar os temas que resultarão em comédia. “Há assuntos que, por mais que se queira, não acabam em risadas”, afirma. Para finalizar, o humorista - que admite ser animado e engraçado o tempo todo em seu dia a dia, mesmo nos momentos de pagar as suas dívidas - dá uma dica àqueles que são mal-humorados: “O ministério da saúde adverte: mau humor faz mal à saúde. Se a vida te der um limão, faça uma limonada”.


Crônica

O rio do desassossego

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Só, não soube se situar e perdeu-se entre presente e futuro. O passado passava com as águas idas, que o barco atravessava correnteza afora. E as lembranças, onde ficariam? Queria guardar o eterno. Talvez, houvesse um lugar pequenino, em algum canto de espaços estreitos, onde elas ressoariam de tempos em tempos. Tudo parecia tão longe e tão distante que a alma rarefeita de sentimentos confundidos deram-lhe o impossível, mas agora o alcançável, que invadia-lhe sem pedir licença. Ganhara daquelas águas um novo coração. Como uma espécie de baú – coração antigo que piratas e marinheiros um dia descobriram. Dentro do baú, estava o tesouro mais precioso: um amor azul cravejado de estrelas do mar, trazido por guardiões das sereias do mundo dos encantados. Era um amor tão claro e tão transparente que se assemelhava ao céu límpido e iluminado que fundia-se com o mar sem fim. Lisboa, Portugal.

Jade Stickel

desassossego vai junto, escorre como água fluida. Está dentro de si, agarrado no eu. Descoberta simples e fatal. Assim, de repente, num instante de lúcida contemplação, à sombra de tudo que via ao redor, desabrochando sem demora num fio mínimo de esperança branda. Não havia palavras para ensaiar uma expressão ou um gesto. Restava a espera. Guardou o bilhete no bolso e, atento à canção, caminhou à beira do Tejo. Deixou pegadas que o vento logo apagaria, menos em seu íntimo. Nas margens, peixes beijavam os rochedos, confundidos entre açúcar e sal de espumas brancas. À bordo do sonho, lembrou do verso de Pessoa (...) Pelo Tejo vai-se para o Mundo (...) e era isto que estava revelando: apesar da dor única de existir e dos desassossegos inevitáveis, sentiu, por segundos de epifania, o mundo entre as mãos. Navegando, queria atirar ao mar, gratidões, presentes, perfumes, livros e barquinhos de papel. Não os tinha. Com o olhar, lançou flores imaginárias de todas as cores, perfumadas de alegria, sonhos e saudade na intenção de ficar com o coração livre, purificado ou, quem sabe, mais sossegado. Pertenceu. Estava pertencendo. Era só isso que sentia: mesmo estrangeiro da vida, àquele lugar, ainda pertencia. Deixou-se pertencer pela brisa e aquelas águas lhe davam a certeza de que nascera com um destino derradeiro, a sina dos homens do mar. A passagem silenciosa ditava-lhe palavras de infância, de velhice e de poesia. Tudo num único momento apocalíptico.

André Mantovanni

Escritor e apresentador de rádio e televisão. Mestrando em Literatura e Crítica Literária (PUC-SP). É especializado em Estudos Literários e formado em Artes Visuais. Autor dos livros “Mar de Mim” e “O Acontecer das coisas” (com Alice Bethania Miranda), ambos pela Ghemini Editora.

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Mensagem

É tempo de renovação T

empo de um novo olhar para o horizonte, da visualização de novos caminhos. Tempo de encerrar e iniciar novos ciclos... É tempo de renascimento, de recomeço, de recriar, de efetivar sonhos! E, não há maneira melhor de sonhar, construir e renovar do que entre familiares e amigos. Por isso o meu desejo para você, leitor da Élé-

Beto Ferreira Presidente do Grupo Beto Ferreira

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gant é que esteja sempre rodeado por pessoas queridas e companheiras! Tenha sempre com quem contar, tenha sempre uma pessoa estimada por perto. A solidão não faz bem para ninguém, as pessoas precisam de amizade, de companhia, de se sentirem amadas. Plante solidariedade e amor para colher apoio e compaixão. Neste novo ano faça diferente: busque reaproximar-se daqueles com quem já não mantinha mais contato; procure novas amizades, acolha aqueles que precisarem e peça auxílio nos momentos difíceis. Desculpe-se, perdoe, dê chances aos outros e uma nova chance a si mesmo! Desta vez, tenha a certeza de que sua vida correrá de forma diferente. Acredite em Deus e no que Ele tem para lhe dar. Coloque fé na força do seu pensamento e confie que o futuro lhe reserva um caminho maravilhoso... Seguir ou não por esse caminho, só depende de você! Bom recomeço! Um abraço!


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Revista Élégant 10 - Ana Paula Padrão  

Décima edição da revista Élégant. Na capa Ana Paula Padrão. Matérias com Caio Mesquita, Thiago Pereira, Edu Guedes, Marcos Veras, Thalita Re...

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