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A interação universidades e empresas em perspectiva histórica no Brasil* Wilson Suzigan Eduardo da Motta e Albuquerque

Uma avaliação razoavelmente consensual na literatura da economia da tecnologia relativa ao Brasil ressalta o estágio ainda precário da construção do Sistema Nacional de Inovação (SNI). O sistema de inovação brasileiro pode ser situado em um nível intermediário de construção, possivelmente ao lado de países como México, Argentina, Uruguai, África do Sul, Índia e China (ver, por exemplo, Viotti; Macedo, 2003). Essa posição intermediária do sistema de inovação do Brasil é constatada por Mazzoleni e Nelson (2007), em um artigo cujo objetivo central é uma discussão a respeito do papel das instituições de pesquisa nos processos de catching up e de suas interações com empresas e atividades econômicas em geral, nos casos bem-sucedidos (Japão, Coreia do Sul e Taiwan). O caso brasileiro é tratado a partir da discussão de duas experiências específicas: agricultura, em torno da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e indústria aeronáutica, com a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer). O contraste entre a experiência brasileira e as da Coreia e Taiwan é apresentado, identificando a posição intermediária do Brasil. Uma das características de sistemas de inovação nessa posição intermediária é a existência de instituições de pesquisa e ensino construídas, mas que ainda não conseguem mobilizar contingentes de pesquisadores, cientistas e engenheiros em proporções semelhantes às dos países mais desenvolvidos. *

Versão revisada de trabalho apresentado no simpósio Ciência, Tecnologia e História Econômica, 1er. CLADHE – Congresso Latino-Americano de História Econômica. Montevidéu, 5-7 de dezembro de 2007. Os autores agradecem aos organizadores do simpósio, Tamás Szmrecsányi e Luiz Carlos Soares, bem como aos demais participantes, pelos excelentes comentários e sugestões que contribuíram para aprimorar o trabalho. A pesquisa para a elaboração deste artigo é apoiada pelo CNPq (Auxílio Pesquisa, processos 401666/2006-9 e 300856/2006-7), pelo IDRC e pela FAPESP (Projeto Temático, processo 06/58878-8). Agradecemos também a todos os integrantes desses projetos que participaram de seminários de pesquisa para discussão de versões preliminares.

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Em busca da inovação: Interação universidade-empresa no Brasil