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Reúnem-se, aqui, as questões apresentadas e discutidas durante o IV Colóquio Internacional Michel Foucault, realizado na cidade de Natal, em 2007. Para usar a conhecida expressão de Foucault, este livro é um “nó em uma rede”. Tomando o pensamento do filósofo como uma caixa de ferramentas, cada capítulo parte de diferentes perspectivas disciplinares e temáticas de modo a refletir tanto sobre as políticas espaciais quanto sobre os diversos espaços da política nos dias de hoje. Ao deslocar seu olhar para as bordas constitutivas da racionalidade ocidental – dedicando-se a estudar a loucura, a anormalidade, a monstruosidade, a sexualidade, o corpo, os ilegalismos, os infames e tudo aquilo que a racionalidade moderna excluiu, desconheceu ou definiu como passível de punição, de normalização e de medicalização –, Michel Foucault fez aparecer uma nova geografia de nosso pensamento e de nossas práticas. O desejo maior dos organizadores deste livro é que ele contribua para uma melhor compreensão e problematização sobre essa nova geografia, de modo a saber onde e como nos situamos e quais são os espaços (concretos e simbólicos) que constituímos e que nos constituem.

Leita também da coleção Estudos Foucaultianos:

Figuras de Foucault Margareth Rago, Alfredo Veiga-Neto (Orgs.)

Foucault e a crítica da verdade Cesar Candiotto

Para uma vida não-fascista

ISBN 987-85-7526-360-0

Margareth Rago, Alfredo Veiga-Neto (Orgs.) www.autenticaeditora.com.br 0800 2831322

Poder, normalização e violência Incursões foucaultianas para a atualidade Izabel C. Friche Passos (Org.)

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Albuquerque Júnior A l f r e d o Ve i g a - N e t o Alípio de Souza Filho

de

(Orgs.)

Estudos Foucaultianos

O desejo maior dos organizadores deste livro é que ele contribua para uma melhor compreensão e problematização sobre essa nova geografia. O que se coloca, enfim, é saber onde estamos, onde e como nos situamos, quais os espaços que constituímos e que nos constituem, que segmentações espaciais atualizamos em cada uma de nossas ações.

Durval Muniz

Este livro destina-se a todos os interessados em pensar e problematizar o nosso presente a partir do legado intelectual de Michel Foucault: professores, pesquisadores e estudiosos, seja dos campos da Educação, da Filosofia, da Sociologia e da Literatura, seja dos campos da Medicina, do Direito, da Política e das Artes.

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desconheceu ou definiu como passível de punição, de normalização e de medicalização –, Foucault fez aparecer uma nova geografia de nosso pensamento e de nossas práticas. Para ele, aquilo que uma sociedade exclui, joga para as margens, é o que constitui seus limites, as suas fronteiras e é justamente o que a define, o que dá seus contornos e seu desenho. As experiências do fora, das margens, dos limites, das fronteiras seriam as experiências que permitiriam cartografar novos desenhos, novas configurações para o acontecer de uma dada sociedade.

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Foucault

Reunindo boa parte das questões apresentadas e discutidas durante o IV Colóquio Internacional Michel Foucault, realizado na cidade de Natal, em 2007, este livro propõe-se a refletir sobre várias questões e problemas do mundo contemporâneo. Ao tomar o pensamento de Michel Foucault como uma caixa de ferramentas, cada capítulo parte de diferentes perspectivas disciplinares e temáticas de modo a refletir tanto sobre as políticas espaciais quanto sobre os diversos espaços da política nos dias de hoje. Para usar a conhecida frase de Foucault, as “margens deste livro não são nítidas nem rigorosamente determinadas: além do título, das primeiras linhas e do ponto final, além de sua configuração interna e da forma que lhe dá autonomia, ele está preso a um sistema de remissões a outros livros, outros textos, outras frases: nó em uma rede”. Num momento em que parece acentuar-se e ampliar-se a crise ética vivida pela sociedade brasileira, num momento de profundo desprestígio da política entre nós, é pertinente a publicação de um livro que traz o pensamento de um autor que sempre colocou a ética e a política como temas nucleares de sua própria reflexão. Ao deslocar seu olhar para as bordas constitutivas da racionalidade ocidental – dedicando-se a estudar a loucura, a anormalidade, a monstruosidade, a sexualidade, o corpo, os ilegalismos, os infames e tudo aquilo que a racionalidade moderna excluiu,

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Durval Muniz de Albuquerque Júnior Alfredo Veiga-Neto Alípio de Souza Filho (Organizadores)

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Foucault Estudos Foucaultianos

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Copyright © 2008 by os autores coordenador da coleção

Estudos Foucaultianos

Alfredo Veiga-Neto Estudos Foucaultianos Alfredo Veiga-Neto (UFRGS, ULBRA); Walter Omar Kohan (UERJ); Durval Albuquerque Jr. (UFRN); Guilherme Castelo Branco (UFRJ); Sílvio Gadelha (UFC); Jorge Larrosa (Univ. Barcelona); Margareth Rago (Unicamp); Vera Portocarrero (UERJ) conselho editorial da coleção

Capa Diogo Droschi (Sobre imagem de Martine Franck © Magnum Photos/LatinStock) projeto gráfico da

projeto gráfico do

Miolo

Diogo Droschi editoração eletrônica

Christiane Costa Revisão Ana Carolina Lins Brandão Todos os direitos reservados pela Autêntica Editora. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da editora.

Autêntica Editora Ltda. Rua Aimorés, 981, 8º andar . Funcionários 30140-071 . Belo Horizonte . MG Tel: (55 31) 3222 68 19 Televendas: 0800 283 13 22 www.autenticaeditora.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Cartografias de Foucault / Durval Muniz de Albuquerque Júnior, Alfredo Veiga-Neto, Alípio de Souza Filho, (organizadores). -- Belo Horizonte : Autêntica Editora, 2008. – (Coleção Estudos Foucaultianos) Bibliografia. ISBN 978-85-7526-360-0 1. Artigos filosóficos 2. Filosofia francesa 3. Foucault, Michel, 1926-1984 - Crítica e interpretação I. Albuquerque Júnior, Durval Muniz de. II. Veiga-Neto, Alfredo. III. Souza Filho, Alípio de. IV. Série. 08-10393

CDD-194

Índices para catálogo sistemático: 1. Artigos : Filosofia francesa 194 2. Filósofos franceses 194

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Sumário

9 Apresentação: uma cartografia das margens

Durval Muniz de Albuquerque Júnior Alfredo Veiga-Neto Alípio de Sousa Filho

13 Foucault: o cuidado de si e a liberdade ou a liberdade

é uma agonística Alípio de Sousa Filho

27 Foucault e as novas tecnologias educacionais: espaços

e dispositivos de normalização na sociedade de controle Antonio Basílio Novaes Thomaz de Menezes

41 Cartografias homoafetivas na espacialidade da urbe:

percursos na obra de Caio Fernando Abreu Antonio Eduardo de Oliveira 53 Amizade e modos de vida gay:

por uma vida não-fascista Antonio Crístian Saraiva Paiva 69 A educação do corpo e o trabalho das

aparências: o predomínio do olhar

Carmen Lúcia Soares 83 Michel Foucault e os paradoxos do corpo e da história

Denise Bernuzzi de Sant’Anna

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93 Às margens d’O Mediterrâneo: Michel

Foucault, historiador dos espaços Durval Muniz de Albuquerque Júnior

109 Michel Foucault e os guerreiros insurgentes: anotações

sobre coragem e verdade no anarquismo contemporâneo Edson Passetti

123 Discurso e autoria: a escrita terapêutica

Eugênia Correia Krutzen

137 Atitude-limite e relações de poder: uma interpretação sobre o

estatuto da liberdade em Michel Foucault Guilherme Castelo Branco

149 Cartografias minoritárias do enclausuramento:

sobre Michel Foucault e Charles Fourier Heliana de Barros Conde Rodrigues

165 Clarice Lispector, “perto do coração

selvagem”: uma cartografia das singularidades selvagens à luz de Michel Foucault Ilza Matias de Sousa

181 A crise da governamentalidade e o poder ubuesco

José Luís Câmara Leme

199 Clínica da saúde e biopolítica

Lore Fortes

215 Narrativas infames na cidade: Interseções entre

Walter Benjamim e Michel Foucault Luis Antonio Baptista

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225 Alteridade e produção de territórios

existenciais na “Cidade do Prazer” Magda Dimenstein Alex Reinecke de Alverga

241 Entre a vida governada e o governo de si

Márcio Alves da Fonseca

253 Michel Foucault e o Zoológico do Rei

Margareth Rago

269 Cartografando a gurizada da fronteira:

novas subjetividades na escola Marisa Vorraber Costa

295 Modos de subjetivação de professores afrodescendentes:

técnicas de si ante práticas de inclusão/exclusão Marluce Pereira da Silva

307 As instituições da desinstitucionalização: reflexões

foucaultianas para a construção de uma prática de liberdade Nina Isabel Soalheiro Paulo Duarte Amarante

325 A genealogia e o “eu fascismo”

Orlando Arroyave

343 Limites e fronteiras entre história e biologia

em Michel Foucault: As palavras e as coisas e o surgimento da biologia no século XIX Regina Horta Duarte

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355 Espaços imaginários: a linguagem artaudiana

cartografada por Foucault Renato Amado Peixoto

365 Marginalização filosófica do cuidado

de si: o momento cartesiano Salma Tannus Muchail

377 Foucault: a experiência da amizade

Sandra Fernandes

393 Para além do sexo, por uma estética da liberação

Tania Navarro Swain

407 O exercício dos corpos na cidade: o espaço, o tempo, o gesto

Terezinha Petrucia da Nóbrega

419 Os limites da vida: da biopolítica aos cuidados de si

Vera Portocarrero

431 Os autores

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Apresentação

Uma cartografia das margens Durval Muniz de Albuquerque Júnior Alfredo Veiga-Neto Alípio de Souza Filho

Como o nomeia Gilles Deleuze, em artigo famoso (Um Novo Cartógrafo. Em: Foucault, Brasiliense, 1988), Michel Foucault seria um novo cartógrafo, que tentou dar conta dos diagramas de forças e saberes que constituíram e constituem historicamente as sociedades ocidentais. Diagrama entendido como mapa das relações de força, mapa de densidade, de intensidade, que procede por ligações primárias não-localizadas e que passa a cada instante por todos os pontos, estabelecendo relações múltiplas e diferenciadas entre matérias e formas de expressão também díspares. O pensamento de Michel Foucault estaria, assim, marcado por certa visão espacializante, que se explicitaria em seus conceitos e na sua própria forma de colocar os problemas e visualizar o funcionamento do social. Uma das contribuições trazidas pelas obras de Michel Foucault seria, justamente, esse deslocamento do olhar daquilo que sempre foi considerado como central, nuclear, essencial para se entender o funcionamento da sociedade e das instituições, para aquilo que era descrito como periférico, marginal, menor, fronteiriço. Como cartógrafo de nosso tempo e de nosso mundo, Foucault teria deslocado seu olhar para as bordas constitutivas da racionalidade ocidental ao se dedicar a estudar a desrazão, a loucura, a anormalidade, a monstruosidade, a sexualidade, o corpo, a literatura, os ilegalismos, os infames, tudo aquilo que a racionalidade moderna excluiu, desconheceu, definiu como passível de punição, de normalização e de medicalização. Sua obra fez aparecer uma nova geografia de nosso pensamento e de nossas práticas ao ir buscar naquilo que foi considerado minoritário, desviante, criminoso, invisível, ameaçador, as próprias operações fundamentais de constituição do que somos e daquilo que fizemos e fazemos com nós mesmos. Para Foucault, aquilo que uma sociedade exclui, joga para as margens é o que constitui seus 9

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limites, as suas fronteiras e é justamente o que a define, o que dá seus contornos e o seu desenho. As experiências do fora, das margens, dos limites, das fronteiras, seriam as experiências que permitiriam cartografar novas desenhos, novas configurações para o acontecer de uma dada sociedade. Como o saber é perspectivo, esse olhar das margens permite constituir outras visibilidades e outras dizibilidades sobre qualquer tema ou problema que se queira colocar para o conhecimento. Conhecer é, portanto, também uma questão de localização, de colocação em um dado lugar, da abertura de um dado espaço para o pensamento. Em seus textos Foucault aciona toda uma gama de conceitos e noções que remetem a uma compreensão espacial das relações de poder e das práticas discursivas e não-discursivas: deslocamento, posição, campo, lugar, território, domínio, solo, horizonte, paisagem, configuração, região, solo, geopolítica, que aparecem como metáforas atuantes em toda a sua produção e possibilitam pensar a história e as sociedades em termos de relações, tensões, conflitos, que levam a constituição e ao desmanchamento de dadas configurações ou desenhos espaciais. Embora a inscrição de seu pensamento no campo das relações entre uma dada historicidade e a emergência de dadas formas de pensamento tenha levado a maioria dos que com ele trabalham a enfatizar a dimensão temporal presente em seus textos e a negligenciar essa dimensão espacial, essa geopolítica – já que seus espaços são sempre pensados como construções surgidas do investimento de dadas estratégias e de dadas táticas – como elemento importante na sua maneira de pensar, é oportuno ressaltar esse aspecto ainda negligenciado e que pode vir a constituir uma outra visibilidade para seu trabalho e permitir a abertura de novas áreas de pesquisa a serem fertilizadas por seu pensamento. Vivemos uma época em que as grandes questões políticas, sociais, econômicas e culturais estão revestidas de conotações espaciais. Noções como as de globalização, multiculturalismo, integração econômica, mundialização, implicam na reflexão das dimensões espaciais presentes nas grandes questões de nosso tempo. Os processos migratórios, a desterritorialização de grandes contingentes populacionais por motivos econômicos, políticos ou jurídicos, a ressurgência dos nacionalismos e dos regionalismos, a formação de grandes blocos econômicos e o questionamento das fronteiras nacionais colocam a política dos espaços como um tema nuclear da nossa época. Michel Foucault foi um pensador 10

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que colocou como tarefa do pensamento fazer a arqueologia do tempo presente, que nos intimou a fazer do presente o nosso problema, que nos conclamou a sermos capazes de nos tornamos diferentes de nós mesmos, que nos incitou a fazermos um diagnóstico do que estamos fazendo com nosso tempo. O IV Colóquio Internacional Michel Foucault, realizado na cidade do Natal, entre os dias 9 e 12 de abril de 2007, patrocinado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, CNPq, CAPES e FAPERN, tendo como coordenador geral o professor Durval Muniz de Albuquerque Júnior, abordou o tema geral: Michel Foucault, cartógrafo: um pensador dos espaços, das margens, dos limites e das fronteiras, tendo como objetivo, justamente, refletir, a partir de diferentes lugares de autoria e de diferentes perspectivas disciplinares e temáticas, tomando o pensamento de Foucault como ferramenta, sobre as questões e problemas do mundo contemporâneo, suas políticas espaciais e os diversos espaços da política. Michel Foucault tratou em suas pesquisas da constituição histórica e social de diferentes espacialidades, desde os espaços disciplinares como: a escola, o asilo, o hospício, o hospital, a prisão, até os espaços de liberdade inventados pelos homens em seu cotidiano de lutas e resistência às normas e à lei, o que chamou de heterotopias. Em suas obras buscou escavar um novo espaço para o pensamento e para as práticas de si e em relação aos outros. Num momento de profunda crise ética vivida pela sociedade brasileira, num momento de profundo desprestígio da política entre nós, parece-nos pertinente a publicação de um livro que traz para o debate o pensamento de um autor que sempre colocou a ética e a política como temas nucleares de sua reflexão. Em seus livros, textos e entrevistas, em suas ações, não cessamos de encontrar uma proposta de abertura de novos espaços de reflexão e de prática de novos procedimentos éticos e políticos. Ao pôr em questão as certezas que tínhamos e temos, ao mostrar como construções históricas, contingentes e interessadas as verdades que nos pareciam óbvias, ao abordar as relações de poder como constitutivas de sujeitos e de objetos que nos pareciam transcendentes e eternos, quando não naturais, ao chamar a atenção para a atividade que nós mesmos exercemos sobre nossa subjetividade, sobre a produção de nosso corpo, Michel Foucault nos interpela no sentido de que somos responsáveis, sempre onde estamos, pela produção e reprodução ou pelo questionamento e inflexão das figuras de saber, das relações de poder, das práticas e das estratégias que constituem espaços de exclusão, de segregação, de Apresentação: Uma cartografia das margens

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censura, de interdição, de reclusão, de silenciamento, que fazem parte da maquinaria social que sustentamos. Refletir, portanto, sobre onde estamos, onde nos situamos, quais os espaços que constituímos e que nos constituem, que segmentações espaciais atualizamos em cada uma de nossas ações, tem uma relevância política e ética que torna este livro, este Cartografias de Michel Foucault, que reúne os textos apresentados no Colóquio, uma oportunidade de maturação de novas práticas acadêmicas e políticas, uma nova maneira de relacionar cultura e pensamento.

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