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ARMAZENAMENTO É ‘VILÃO’ DA LARVA NO CHOCOLATE, DIZEM ANVISA E BIÓLOGO Fonte: G1

Ao ganhar um bombom do chefe no último dia 16, a assistente administrativa Miliane de Freitas encontrou uma surpresa desagradável. Em meio ao recheio, algumas larvas passeavam pelo produto que, segundo a leitora, estava lacrado. “Estava vedado direitinho, não tinha sinal de que tinha sido aberto”, comenta sobre a embalagem. Esse é um dos vários casos que são relatados semanalmente ao VC no G1 de vários lugares do Brasil sobre a presença de bichos em chocolate industrializado. Tanto o cacau quanto castanhas e cereais adicionados ao produto são ambientes que, durante o transporte e armazenamento, favorecem o aparecimento desses organismos, segundo dizem a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e especialistas (leia mais abaixo). As larvas não fazem mal à saúde - mas será difícil encontrar um consumidor impassível ao encontrar esse complemento inesperado dentro do doce. Os fabricantes confirmam as informações, mas dizem que a responsabilidade é dos lojistas na hora de guardar os produtos. Também afirmam que estão atentos ao problema e que, de efetivo nesses casos, fazem ações para alertar os comerciantes sobre as melhores práticas de estocagem. A internauta do G1 conta que os bombons Sonho de Valsa foram comprados em uma banca de jornais na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio de Janeiro. Ao todo, foram comprados 5 chocolates, mas somente o doce recebido por ela apresentou problemas. “Nós somos 5 meninas, mas eu fui a única contemplada com esse ‘presentinho’.” www.grupoastral.com.br


A leitora conta que entrou em contato com o fabricante do bombom. “Eles me informaram que vão mandar outro bombom, mas falei que não queria”, relata, acrescentando que a empresa também explicou que o produto com larvas seria retirado para análise na semana seguinte. Mais larvas em chocolates Além do caso de Miliane, na cidade de Duque de Caxias (também no RJ), uma internauta encontrou larva em um bombom sabor guaraná da marca Cacau Show, em março. Em maio, um morador de Itapetininga (SP) teve o mesmo problema com um bombom Ouro Branco, da fabricante Lacta. Outro consumidor, de Umuarama (PR), encontrou uma larva em uma barra de chocolate Snickers, da Mars Brasil, em agosto. Em março deste ano, o G1 reuniu diversos relatos de leitores sobre larvas encontradas em chocolates de diferentes fabricantes. Insetos que causam a infestação A Agência Nacional de Vigilância Sanitária afirma que, no “caso de produtos com cereais, como barras de cereais, biscoitos e alguns tipos de bombons e chocolates, biscoitos, pesquisas já realizadas apontaram que os vestígios de infestação geralmente são característicos de insetos da Ordem Lepidóptera [a que pertencem as borboletas e mariposas], que em condições favoráveis desenvolvem-se em cereais, principalmente durante as etapas de transporte e armazenamento do produto”. O biólogo Fernando Noll, do Departamento de Zoologia e Botânica da Unesp, explica que, “embora seja possível que vários tipos de insetos possam atacar sobretudo o chocolate, o mais comum é um pequeno besouro, ou coleóptero da família Anobiidae, chamado Stegobium paniceum (L.)”. O professor explica que “a infestação pode ocorrer tanto pelo chocolate como pelas nozes [presentes em recheios], por exemplo.” “Pelos relatos de vigilância sanitária de outros países que pude acompanhar, é informado que nenhuma embalagem é totalmente segura contra a infestação. Assim, o problema pode ser tanto a matéria prima já conter ovos desse besouro (que são muito pequenos) como o local de estocagem já estar infestado”, esclarece o biólogo. “A única maneira de prevenção é uma busca constante nos locais por esses besouros adultos e sua eliminação, posto que a aplicação de qualquer inseticida diretamente comprometeria o produto.” Saúde do consumidor A Anvisa esclarece que “as larvas de Lepidóptera não são considerados vetores mecânicos”, ou seja, não são capazes de servir de “transporte” para microorganismos causadores de doenças. “Logo, a presença de larvas não torna o produto impróprio para o consumo”, diz a agência em nota. No entanto, a Anvisa explica que, “ao ser constatada a presença de larvas de Lepidópteras em alimentos, a vigilância sanitária pode adotar medidas como a interdição do produto, para que possa avaliar as boas práticas de fabricação dos estabelecimentos produtores e o atendimento às boas práticas de armazenamento nos pontos de venda e distribuição”. “Com base nos resultados de inspeção, a vigilância pode solicitar que a empresa adote medidas para eliminar as irregularidades constatadas e também proibir a comercialização do alimento”, diz a Anvisa. www.grupoastral.com.br


Sobre o besouro da família Anobiidae, o biólogo Fernando Noll afirma que não encontrou relatos sobre possíveis riscos ao consumidor em caso de ingestão acidental das larvas. “É difícil dizer, mas não encontrei relatos sobre a toxicidade, de modo que, em princípio, não fazem mal a saúde”, diz. Resposta dos fabricantes A Mars Brasil, fabricante do chocolate Snickers, enviou comunicado esclarecendo que “casos de larvas de insetos em chocolates geralmente são causados por pragas que fazem microfuros nas embalagens”. “Isto geralmente ocorre em alguma parte da cadeia logística, seja no distribuidor, no transporte ou no ponto de venda por conta de condições de armazenamento inadequadas. Porém, sabemos que as matérias-primas podem conter ovos destes insetos. Por isso, a Mars possui um rigoroso processo de controle de qualidade em toda a sua cadeia produtiva. [...] Realizamos, também, auditorias e treinamentos, além de procedimentos ao longo da cadeia de suprimento, como controle de pragas e expurgos que vêm a eliminar todas as fases do inseto caso haja algum vestígio imperceptível, além de reduzir o desenvolvimento da praga. Reforçamos que [...] todos os comentários recebidos sobre nossos produtos são criteriosamente analisados, tomando as medidas necessárias para minimizar o risco de ocorrências como essas.” A Mondelēz Brasil, responsável pelas marcas da Lacta, enviou nota lamentando a situação da leitora e se colocando à disposição para esclarecer dúvidas pelo SAC (0800 704 1940). “Temos rigorosos controles de qualidade que garantem que nossos produtos saiam de nossas fábricas em perfeitas condições de consumo. Infestações como as relatadas podem ocorrer caso, nos pontos de venda, os produtos sejam armazenados ou expostos de maneira inadequada. Neste caso, existe o risco de que as embalagens sejam perfuradas por insetos, ainda que de forma imperceptível. Mesmo considerando que a gestão das lojas é de responsabilidade de seus proprietários, estamos intensificando ações de conscientização para minimizar o risco de ocorrências como essas.” A Cacau Show informou que realiza “rigoroso controle de qualidade em suas fábricas e nas mais de 1.400 lojas franqueadas da rede, com procedimento higiênico-sanitário no que se refere [...] ao controle integrado de vetores e pragas”. “Outro procedimento que a empresa adota é o Programa de Excelência do Franqueado (PEF), o qual preza pela qualidade, excelência e gestão da loja, estoque, área de venda, higiene e dedetização. Para conferir maior idoneidade e seriedade ao Programa, as auditorias são realizadas por uma empresa terceirizada. [...] Por fim, a Cacau Show reforça o posicionamento de sempre estar à disposição para ouvir seus clientes, mantendo uma preocupação contínua em aprimorar a qualidade de seus produtos e serviços.” O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados, Ubiracy Fonseca, afirma que larvas não surgem nos bombons durante o processo produtivo. “Os produtos não saem das fábricas assim. É importante monitorar e controlar os sistemas de transporte e armazenagem para que estes problemas não ocorram”, diz. Fonseca acrescenta que a ABICAB oferece treinamento às redes varejistas para evitar infestações. “É uma importante contribuição para a melhoria dos processos de estocagem, pois houve a oportunidade de incrementar a área de transporte, limpeza, controle de pragas e condições ideais.” www.grupoastral.com.br


PRAIA DE JOÃO PESSOA ESTÁ INFESTADA COM CARAMUJOS AFRICANOS Fonte: G1

Desde o mês de julho, a praia do Cabo Branco, João Pessoa, uma grande quantidade de caramujos-africanos estão sendo encontradas, no início da manhã ou no final da tarde. Segundo o Centro de Vigilância Ambiental e Zoonose, a infestação acontece por conta da vegetação e do clima propícios, e, a partir desta segunda-feira (2), mutirões estão sendo feitos diariamente para o recolhimento da espécie na praia. A educadora física Cybelle Navarro usa o espaço da praia para dar aulas e afirma que a realidade é assustadora. “Trabalho aqui há quatro anos e nunca vi esse descontrole na população de caramujos aqui. Os alunos se assustam e acaba sendo perigoso”, contou. Ela confirmou que o número de caramujos começou a aumentar em julho. “Mas só em agosto eu realmente fiquei assustada e procurei o pessoal da Zoonose. Eu e outros professores chegamos uma hora antes das aulas, todos os dias, para fazermos um mutirão. Todos os dias nós capturamos entre 10 kg e 15 kg de caramujos”, explica. Ronílson José da Paz, biólogo do Ibama, recomenda que as pessoas protejam as mãos para manusear os animais. “É comendável que seja usada uma luva ou algum saco plástico, já que eles transmitem doenças. Para a eliminação do animal, aconselhamos que coloquem as espécies em um balde com água e sabão, que em pouco tempo eles morrem”, explica. O biólogo explica que o caramujo transmite dois vermes: um causador é da meningite e o outro pode produzir perfurações intestinais, provocando, em casos mais graves, até a morte. No entanto, no Brasil não há registros de doenças provocadas por eles. Com a grande quantidade, é necessário o auxílio dos órgãos de meio ambiente para esse controle. A partir de hoje, no fim da tarde, a Emlur e a Zoonoeses farão catação na região. Introdução ao Brasil Ronílson conta ainda que a espécie chegou no país através de uma proposta de transformar os animais em escargot, para serem consumidos em restaurantes. “Como a população não tem o hábito de comer esse alimento, a produção foi grande demais e não conseguiu ser comercializada. Depois, os caramujos foram literalmente jogados no mato, provocando essa invasão, já que são animais de forte resistência e prolífica”, conta.

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ESTUDO MOSTRA QUE AQUECIMENTO FAVORECE EXPANSÃO DE PRAGAS Fonte: G1

A disseminação crescente de pragas (insetos, fungos, bactérias, vírus, etc), provocada principalmente pelo transporte de mercadorias, combinada à alta das temperaturas que favorecem sua aclimatação em novas latitudes, ameaça a segurança alimentar mundial, alerta um estudo, publicado este domingo (1º) na revista “Nature Climate Change”. Os trabalhos, realizados por cientistas de Exeter, no Reino Unido, mostram que pragas de todo tipo avançam cerca de 3 km ao ano em direção aos polos norte e sul e afetam inclusive o Brasil, um dos maiores exportadores agrícolas do mundo. A pesquisa também demonstrou a existência de um forte vínculo entre a elevação global das temperaturas ao longo dos últimos 50 anos e a implantação crescente das pragas. Sabendo que entre 10% e 16% das culturas mundiais já estão perdidas por causa da ação de parasitas, os autores calculam que a segurança alimentar mundial poderia, enfim, ser ameaçada por uma disseminação ainda mais importante das pragas. Segundo Dan Bebber, da Universidade de Exeter, “se as pragas continuarem a se desenvolver em direção aos polos à medida que a Terra esquenta, os efeitos combinados de uma população mundial crescente e das perdas de culturas cada vez mais importante ameaçarão seriamente a segurança alimentar mundial”. Para sua colega, Sarah Gurr, também da Universidade de Exeter, “são necessários grandes esforços para fiscalizar a disseminação das pragas e controlar sua migração de uma região para outra se quisermos deter a destruição contínua de culturas em um contexto de mudanças climáticas”. Para este estudo, os cientistas acompanharam a progressão de 612 pragas no curso de 50 anos. Eles concluíram que os movimentos das pragas na direção dos polos norte e sul, em regiões que antes eram poupadas, ocorrem em paralelo à elevação das temperaturas, o que favorece sua instalação em uma nova latitude. Na América do Norte, por exemplo, o besouro do pinho (Dendroctonus ponderosae) se desenvolveu fortemente em latitudes mais elevadas, destruindo trechos importantes da floresta americana, sobretudo porque invernos menos rigorosos permitiram-lhe sobreviver na região. Outro exemplo é o da piriculariose do arroz. O fungo, atualmente presente em mais de 80 países trazendo consequências dramáticas para a agricultura e os ecossistemas, agora contaminou o trigo. No Brasil, as colheitas de trigo são fortemente afetadas por este novo www.grupoastral.com.br


TecNews 04/09/13