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INFORMÁTICA E TECNOLOGIA EM COMUNICAÇÃO

ARTIGO

A TECNOLOGIA ASSISTIVA NA ACTUALIDADE

Vivemos numa sociedade onde, cada vez mais, a Tecnologia é inerente a vida do ser humano. No entanto, têm-se proclamado inúmeros malefícios da mesma: na comunicação social, no nosso dia-a -dia, em conversas de café, etc. Surgem-se posições mais radicais, ouvimos "profetas" que a culpam, num futuro próximo, de levar à extinção de entidades como a família e de corromper valores morais. Verdadeiros ou não, estes argumentos levantam sérias questões. Porém não nos propusemos abordar a dialética bem/mal, mas sim destacar uma área onde o contributo da tecnologia é inquestionável.

Nesta publicação: Fecho de Guantána- 4 mo, para quando?

Embora o homem seja capaz de evoluir e conceber fascináveis invenções, não consegue extinguir todas as suas limitações. Continuamos a adoecer e a morte é incontornável. Esta é a realidade comum a todos, mas existe quem enfrente obstáculos diariamente. Para estes a tecnologia tem desempenhado um papel fundamental no que toca à simplificação e auxílio nas suas rotinas.

A voz revelação do 6 Britain's got talent.

O que é a Tecnologia Assistiva?

Pode a solidão tornar 8 -se fascinante?

Definida como «uma ampla gama de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minorar os problemas encontrados pelos indivíduos com deficiências» (Cook e Hussey • Assistive Technologies: Principles and Practices • Mosby – Year Book, Inc., 1995), esta é uma área transdisciplinar, cujos serviços envolvem profissionais de diversas áreas que trabalham em prol de uma melhoria, significativa, na qualidade de vida de indivíduos com deficiên-

Os detalhes de

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Presos. Os detalhes de

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Presos

Houve teatro em Albufeira!

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cia. Visa, ainda, a integração de tais indivíduos na vida familiar e na sociedade. Tarefas que para o indivíduo comum podem parecer totalmente banais como abotoar uma camisa, subir um degrau ou fazer uma chamada telefónica, apresentam-se desafiantes para um indivíduo com limitações. São diversos os produtos especiais, inseridos dentro de Tecnologia Assistiva, que auxiliam o quotidiano de deficientes, estes podem variar desde uma simples bengala a um sistema computadorizado de comunicação.

Quais são os seus objetivos? Este tipo de tecnologia visa proporcionar uma melhoria na qualidade de vida aos indivíduos com deficiência. Por meio do aumento, manutenção ou da devolução das suas capacidades, e por meio da ampliação da sua comunicação, mobilidade, controle do seu ambiente, habilidades do seu aprendiz, trabalho e integração com a sua famí-

lia, amigos e mesmo na sociedade. A Tecnologia Assistiva propõe-se, ainda, a melhorar a funcionalidade das pessoas com deficiência. O termo funcionalidade deve ser entendido num sentido maior do que habilidade em realizar tarefas de interesse. Segundo a CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade), o modelo de intervenção para a funcionalidade deve ser Biopsicosocial e diz respeito à avaliação e intervenção em: Funções e estruturas do corpo ; Atividades e participação ; Factores Contextuais, ambientais e pessoais.

EXEMPLOS DA APLICAÇÃO DE TECNOLOGIA ASSISTIVA


PRINCIPAIS TIPOS, SEGUNDO ÁREAS DE APLICAÇÃO: Página 2 Dispositivos que auxiliam no desempenho de tarefas de autocuidado (como o ADAPTAÇÕES PARA ACTIVIDADES DA VIDA DIÁRIA banho, a preparação de alimentos, a manutenção do lar, vestir-se, entre outras). Possibilitam o desenvolvimento da

SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO expressão e receção de mensagens. Existem sistemas computadorizados e ALTERNATIVA manuais. Variam de acordo com o tipo, severidade e progressão da incapacidade.

DISPOSITIVOS PARA UTILIZAÇÃO DE COMPUTADORES

Recursos para receção e emissão de mensagens, acessos alternativos, teclados e ratos adaptados, que permitem a pessoas com incapacidades físicas operarem em computadores.

UNIDADES DE CONTROLO AMBIENTAL

São unidades computadorizadas que permitem o controlo de equipamentos eletrodomésticos, sistemas de segurança, de comunicação, de iluminação, em casa ou noutros ambientes.

ADAPTAÇÕES ESTRUTURAIS Dispositivos que reduzem ou eliminam EM AMBIENTES DOMÉSTICOS, barreiras arquitetónicas, como por PROFISSIONAIS OU PÚBLICOS exemplo rampas, elevadores, entre outros.

ADEQUAÇÃO DA POSTURA SENTADA

ADAPTAÇÕES PARA DEFICIENTES VISUAIS E AUDITIVOS

EQUIPAMENTOS PARA MOBILIDADE

ADAPTAÇÕES EM VEÍCULOS

Produtos que permitem montar sistemas de assento e adaptações em cadeiras de rodas individualizados. Permitem uma adequação da postura sentada que favorece a estabilidade corporal, a distribuição equilibrada da pressão na superfície da pele, o conforto, o suporte postural. São os ampliadores, lentes de aumento, telas aumentadas, sistemas de alerta visuais e outros. Cadeiras de rodas e outros equipamentos de mobilidade, como andadores, bengalas, muletas e acessórios. Estes devem ser ajustados à necessidade funcional do utilizador, avaliando-se força, equilíbrio, coordenação, capacidades cognitivas, medidas antropométricas e postura funcional. Incluem as modificações em veículos para direção segura, sistemas para acesso e saída do veículo, como elevadores de plataforma ou dobráveis, plataformas rotativas, plataformas sob o veículo, guindastes, tábuas de transferência, correias e barras.

A Tecnologia Assistiva é normalmente transdisciplinar envolvendo profissionais de diversas áreas, tais como: fisioterapia; terapia ocupacional; fonoaudiologia; educação; psicologia; enfermagem; medicina; engenharia; arquitetura; design e técnicos de muitas outras especialidades


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CONTRIBUTO PARA UMA VIDA MELHOR “ossos de cristal” como vulgarmente é conhecida. A Filipa desloca-se numa cadeira de rodas elétrica que possibilita deslocar-se no Campus, através das rampas colocadas nos passeios e à entrada das Escolas Superiores, uma vez que a Universidade do Algarve e a academia tem demonstrado uma grande vontade em adaptar-se à realidade dos A autonomia não deficientes motores. significa um afastamento das As portas da UAlg e pessoas que os auxiliam nas do conhecimento foram tarefas diárias, simboliza abertas e adaptadas para a sim, uma aproximação dos Filipa poder estudar e ter as mesmos à sociedade, em mesmas oportunidades de igualdade. Ser-se igual não é estudo e futuramente no a melhor definição, mas mercado de trabalho que os estar em igualdade de direioutros colegas. A Tecnologia tos e de acessibilidade aos Assistiva utilizada pela Filipa mesmos projetos e experiêne pela Universidade do cias, sim. Algarve permitiram-lhe que a Muitas das vezes a etapa universitária fosse tão visualização de um exemplo normal na sua vida como concreto sensibiliza-nos mui- aos restantes universitários. Vivemos numa era to mais para a importância informática, onde a tecnoloda aceitação, promoção e gia reina. Mas o homem temdesenvolvimento deste tipo de tecnologia na nossa se adaptado muito bem a sociedade. Expomos, de todas as alterações do seu seguida, um exemplo próxi- tempo e este caso não é mo à comunidade académi- exceção. Posições radicais ca da Ualg, que ilustra efi- são tomadas a favor e contra cazmente o mote deste tex- a utilização da tecnologia nos nossos dias, mas o certo to. é que se a utilizarmos consFilipa Ferreira é cientemente a mesma será apenas mais uma aluna da uma mais-valia para todos. É Universidade do Algarve. o caso da Tecnologia AssistiMas destaca-se pela deter- va. minação. Tem Osteogénese Por último, alertaImperfeita, uma doença mos para construção de genética que deriva da falta rampas que permitam a de colagénio nos pacientes, união do caminho do conhelevando à fragilidade e con- cimento e da tecnologia ao sequente quebra dos ossos. caminho da igualdade de Estima-se que existam 660 direitos pessoas em Portugal que sofram da doença dos São indiscutíveis as mais-valias da Tecnologia Assistiva, estas não se restringem apenas à facilidade de mobilidade, mas prendem -se sobretudo na esperança e motivação que promovem junto de quem as vê como um instrumento que os guiará para uma vida mais autónoma e independente.

ATACADOR ELÁSTICO

Exemplo de tecnologia assistiva na Escola Superior de Educação e Comunicação: casa de banho adaptada.

A cadeira de rodas elétrica tem ajudado a Filipa a locomover-se.

ADAPTAÇÃO PARA MEIA

ADAPTAÇÃO PARA BOTÂO


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OPINIÃO

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Fecho de Guantánamo, para quando? Parecia uma utopia, mas o fecho da prisão de alta segurança americana situada na base naval de Guantánamo, em Cuba, se afigurava real aquando das promessas do então candidato à Presidência da terra do Uncle Sam: Barack Obama. O candidato prometeu, os estado-unidenses votaram, e ele venceu. No entanto, as várias vidas encarceradas sob condições desumanas, culpadas ou não, continuaram a definhar, e a utopia voltou a tornar-se uma constante. No passado 20 de Maio, o Senado norteamericano chumbou o pedido feito pela Casa Branca, 80 milhões de dólares (58 milhões €) que Obama pediu para pagar as operações de encerramento da prisão. Apesar da polémica interna e das dificuldades em obter o dinheiro, Obama reafirmou a promessa do fecho até Janeiro de 2010. Para além disto, ordenou o encerramento dos centros de detenção que a CIA mantém atualmente no estrangeiro para os suspeitos de terrorismo. Herdada pelos E.U.A, no fim da guerra com os espanhóis em 1988, a base naval de Guantánamo é tida por muitos como punição por uma vida criminosa, ou, talvez, como um encarceramento sem explicação. Para a maioria dos reclusos é um inferno de torturas. Para certa Miss Universo é um local “relaxante, calmo e lindo, uma experiência inesquecível”. É, ainda considerada, para alguns como prova válida que se faz justiça. Bush encarou-a como uma "arma com grades para condenar a ameaça terrorista", e para Obama significa mais um capítulo que terá de acabar no livro da administração Bush. Porém, para a grande pluralidade de pessoas é um modelo contra a democracia

e os direitos humanos. De modo a que este episódio da história universal não seja esquecido, o National Geographic Chanel "envergou” o uniforme laranja - mecânica, e mostrou, num documentário, intitulado Bastidores: Guantánamo, tanto como funciona a prisão, como detalhes da vida quotidiana de presos e guardas. Tudo sob a atenta vigilância deste lugar, que quebra dia após dia com tudo o estabelecido na Convenção de Genebra sobre as leis de proteção de prisioneiros. E sp er o q ue a humanidade não se esqueça deste hediondo exemplo de "se fazer justiça", e que não adote uma posição similar à de certos islamitas fundamentalistas que querem apagar o genocídio de judeus, na Segunda Guerra Mundial, da história. Também, anseio que o fecho de Guantánamo não se torne uma manobra de distração da sociedade, com o objetivo de esconder outras prisões do conhecimento do mundo (como o recente caso, noticiado pela SIC, da secreta prisão israelita). Mas, sem qualquer dúvida, o fecho da prisão de Guantánamo torna-se essencial e imediato. Aspiro que estes sejam os últimos latidos de vida duma das prisões mais conhecida por suas formas de implementar justiça e pelos nomes, os rostos e as lágrimas daqueles que deixaram nos seus barrotes grande parte das suas vidas como culpados da "guerra do terror" e mártires do outro lado da justiça. Só estes conhecem a verdade dos seus delitos.

Por isso Obama só me resta dizerte: rápido que já se faz tarde!


OPINIテグ

Susan Boyle: A voz revelaテァテ」o do Britain's got talent.

O.M.G

She sings!! OPINIテグ


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Se ainda não a conhece, está na hora de faze-lo, pois pode não parecer, mas esta senhora tem uma enorme dádiva. Como todos os dias abri a minha caixa de e-mail. A minha amiga “Dani” sugeriu-me ver este filme no YouTube: http://www.youtube.com/ watch?v=9lp0IWv8QZY Primeiro pensei que fosse daquelas “cenas” que o pessoal envia, mas que não tem assim muita piada, mas tive uma grande surpresa. Não chorei como a Demi Moore, mas fiquei com pele de galinha ao ouvir Susan Boyle cantar "I dreamed a dream"( do musical Os miseráveis). Ela apresentou-se no reality show "Britain's got talent", e embeveceu o público e o júri com o seu talento. À primeira vista ninguém acreditou quando a escocesa, de 47 anos, afirmou que aspirava ser uma cantora profissional. A não muito bem apanhada senhora, foi alvo da desconfiança e uma certa troça por parte do auditório. Simon Cowell (júri e criador do programa), conhecido pelas suas ásperas e, por vezes, controversas críticas sobre os competidores, teve de reconhecer a aptidão vocal de Susan Boyle. O mesmo prevê que um disco da concorrente alcance o topo da lista dos mais vendidos nos Estados Unidos (país onde tem despertado um notável interesse). Já cantou ao vivo para o Good morning America (programa detentor de uma audiência de 5 milhões de pessoas). Oprah Winfrey convidou a cantora para o seu programa. Susan cantou e deu uma entrevista no Today show, da NBC. Até o actor Ashton Kutcher postou no twitter um link do vídeo de Susan que dizia: Isto fezme ganhar a noite.

A verdade é que ela se tornou um fenómeno internacional. Cerca de 18 milhões de pessoas já viram a performance de Susan no YouTube. O seu clube de fãs superou, em muito, os espectadores que a viram no reality. Em Portugal temola visto, durante esta semana, em diversos telejornais no âmbito da comemoração do dia mundial da voz (16 de Abril). Mas o caso de Susan fez-me reflectir sobre a discriminação que muitas pessoas sofrem, quer nomeio artístico, no nosso caso, na área da comunicação (talvez mais incidente no meio o televisivo) e mesmo no dia-a-dia. Pessoas que podem ser igual ou até mais preparadas do que outros que desempenham funções sem formação, vocação e/ou sem qualquer profissionalismo. Também é verdade que a nossa imagem é o nosso cartão-de-visita. Mas será que esta é tão vital? Melhor, será que a nossa sociedade lhe atribui a devida importância? Mas , relativamente a Susan Boyle, é caso para se dizer: Don't judge the Book by its Cover


RECENSÃO CRÍTICA

“100 ANOS DE SOLIDÃO” Pode a solidão tornar-se fascinante?


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O AUTOR GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

«O melhor livro escrito em castelhano desde D. Quixote». - Pablo Neruda Pode

a solidão tornar-se fascinante? 00 Anos de solidão é uma obra-prima da literatura contemporânea, que consagrou definitivamente Gabriel García Márquez como escritor. O prémio Nobel da literatura, constrói um fabuloso romance, marcando a diferença e afirmando-se, uma vez mais, como um dos melhores autores de todos os tempos. A Obra tornou-se de eleição para muitos leitores em todos os recantos do mundo, cativou milhões e ainda atrai milhares de fãs à literatura constante de García Marquez. Em 200 páginas narra-se a "fabulosa aventura da família BuendíaIguarán com os seus mila-

gres, fantasias, obsessões, tragédias, incestos, adultérios, rebeldias, descobertas e condenações, que são a representação ao mesmo tempo do mito e da história, da fatalidade e do amor do mundo inteiro". Uma obra dotada de grande misticismo e esoterismo, que envolvem o leitor, e transportam-no à remota Macondo, rodeada por uma bruma de mistério e superstição. A cidade retrata, de certa forma, a realidade mais patente na profunda América do Sul. Desta forma, o autor consegue provar que é possível criar uma realidade fantástica, dois termos que aparentemente se poderiam opor. Toda a narrativa desenrola-se nessa fictícia cidade colombiana, que se parece, em muito, com Aracataca, cidade natal do autor. O livro mostra a trajetória da família BuendíaIguarán, desde a fundação de Macondo até a sétima geração. É nessa cidade que se desenrola o panorama da passagem pela Terra do clã. Macondo sofre uma evolução (redonda) com o passar do tempo. Inicialmente era um lugar inóspito, onde a novidade era trazida

pelos ciganos, que anunciavam as novas invenções aos locais. Com a chegada de imigrantes, torna-se próspera. Com o passar do tempo transforma-se numa cidade tomada pela violência e pela guerra, e é no final dos 100 anos que volta a reinar a solidão. Para além do local da ação, toda a narrativa é marcada por uma única palavra: Solidão. O tempo de ação decorre em 100 anos, daí a justificação do título da obra. Embora pareça um logo período de tempo, a escrita de linguagem apelativa e estimulante, e de registo corrente, faz com que nos envolvamos cada vez mais com a ação, e que com o folhear das páginas a ansiedade da descoberta nos tome por completo. As personagens que marcam esta história são, sem dúvida, aquelas que pertencem à família. Cada membro teria confinado na sua pessoa algum dom ou espécie de poder, algo estranho, que os acompanharia o longo das suas vidas, sendo estas um emaranhado de caminhos tortuosos, onde por diversas ocasiões a solidão se sobreporia à felicidade. Uma de entre muitas particularidades da

família, parece residir no facto dos netos herdarem os nomes dos respectivos avós ou avôs, o que não torna tarefa fácil, identificar as personagens que vão surgindo com o decorrer dos anos. O percurso de cada um dos seus membros cruza -se, deixando marcas indeléveis no percurso de outros, uma família na qual cada geração possui uma forte ligação com aquela que a antecedeu e assim sucessivamente. Todos os Buendía nos soam imortais, numa forma através da qual todo o conhecimento e sabedoria de um, é passado a outro, e a outro, de tal modo que conseguimos renuir num só Buendía, pedaços de essência da qual é feita cada um dos membros, os quais o destino tratou de conciliar para todo o sempre. Das personagens podemos destacar o General Aureliano Buendia e Remedios a Bela. O primeiro seguiu os seus ideais de lutar na guerra por uma causa nobre, mas como o tempo o poder corrompeu-o. É-nos possível estabelecer um paralelo com certos generais revolucionários que lutaram pela libertação da América Latina. Mas é Remédios a Bela, a personagem que


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que mais nos fascinou. É a personagem mais fantástica e esotérica. Vivia num mundo próprio, criado por ela, e onde só ela era a residente. A sua morte é um dos trechos mais belos desta narrativa surpreendente, marcado por na sua proximidade haver sempre borboletas azuis. A descrição cuidada, detalhada e acima de tudo sentida leva, até ao leitor mais distante, a envolvência no romance e ao surgimento dos sentimentos mais puro e dolorosos. O final da obra também é fascinante, onde as profecias do cigano Melquíades revelam toda a história desta família. No fim, somen-

te um daquela estirpe existe, Aureliano Babilónia, aquele que lê (assim como o leitor) a história da família, escrita cem anos antes, muito antes da sua própria morte, a qual ele também lê. Ao mesmo tempo que toma conhecimento da história da sua família, vai morrendo, incapaz de resistir ao sufocante peso de tantas vidas passadas, na sua alma. Ele morre, sabendo que as gerações condenadas a cem anos e solidão, jamais terão outra oportunidade na terra, pois na altura em que acaba as últimas páginas, tudo o que alguma vez proporcionou a existência à Macondo seria apagado da memória dos Homens. Neste finalizar, os

episódios que se materializam ao longo das várias gerações fundem-se num único difícil de esquecer. Esta obra, como já referido, transmite o mito e a história da tragédia e o amor do mundo inteiro. Em 100 anos de solidão, narra-se a história de um país, uma nação - através da história de uma família. As gerações vão-se seguindo, passando por situações inusitadas, mas nem tanto para quem está familiarizado superficialmente com a história real da América do Sul, entre amores e ódios, revoluções e guerras, prosperidade e pobreza. Aconselhamos por isso a leitura deste livro, que

cremos uma obra apaixonante, baseada num romance inspirado na América Latina e verdadeiramente inspirador para todos os leitores. A real essência está em ver a história além dos seus personagens e entender o círculo que se fecha ante às previsões de um fim anunciado. Há diversos elementos que se entrelaçam, formando um conjunto bastante interessante, pois, como disse Pablo Neruda, um dos mais importantes poetas castelhanos do século XX, «este é o melhor livro escrito em castelhano desde D.Quixote»


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ENTREVISTA Publicitários de renome...Criativos de várias campanhas de sucesso... Conversamos com Diogo Anahory e José Carlos Bom-Tempo, ex diretores criativos da agência publicitária McannErickson , para saber o processo criativo da campanha publicitária Presos.

OS DETALHES DE PRESOS

Em que consiste a campanha publicitária Presos?

indicada pela Amnistia nómica um pobre e para a Internacional, ou tiveram religiosa um muçulmano - hoje liberdade total para desenem dia parece que quando É uma campanha volver o projeto? vemos um árabe vemos imecontra 3 tipos diferentes de diatamente um terrorista discriminação: a racial, a Tivemos liberdade (como é óbvio, está longe de económica e a religiosa. Daí QB. Não nos podemos ser verdade) termos partido para 3 temas esquecer que a Amnistia diferentes, o africano, o Internacional é uma marca e, Como é que se sentiram homeless e o muçulmano. como tal, tem os seus valo- quando receberam os Leões res, a sua personalidade, o de Ouro, em Cannes, por Em que meios de comuni- seu tom de voz. Fizemos este vosso trabalho? cação social foram publi- questão de respeitar tudo cadas as imagens desta isso. :):):):):):):):):):):):) campanha e quando? :):):):):) Quais foram as vossas Na imprensa influências? (jornais e revistas) e em cartazes de rua. Não se pode dizer que existam influências. Existe Como é que surgiu este um briefing ao qual tentamos OS DIRECTOREES CRIATIVOS DA CAMPANHA projeto? responder da melhor forma. Depois entramos em brainstorFomos abordados ming e tentamos encontrar a pela Amnistia Internacional melhor ideia. Estas ideias, é que nos passou um briefing claro, acabam por ser o resulfocado no problema da dis- tado das nossas vivências: criminação. dos livros que lemos, dos filmes que vimos, etc, etc. Quais eram os objetivos do cliente? Como é que escolheram os símbolos que as Sensibilizar a “personagens”/modelos população em geral para fotográficos carregam? este problema. E claro, reduzir ao máximo os casos O briefing era muito claro relade discriminação. tivamente aos 3 tipos de discriminação. Para a racial escoSeguiram alguma linha lhemos um negro, para a eco-

«Hoje em dia parece que quando vemos um árabe vemos imediatamente um terrorista.»


REPORTAGEM

HOUVE TEATRO EM ALBUFEIRA!

No âmbito da comemoração do Dia Mundial do Teatro (27 de Março), Albufeira acolheu aquela que foi a segunda edição do Festival Internacional de Teatro. Mapeado como capital do turismo em Portugal, o Município de Albufeira prima cada vez mais em promover eventos de índole cultural. Marcando assim o panorama artístico-cultural nacional. Albufeira brinda aos seus munícipes e visitantes com novas opções de entretenimento de qualidade.


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ENTREVISTA À ENCENADORA LUÍSA MOTEIRO Como surgiu o Festival Internacional de Teatro de Albufeira?

tos que integraram este festival? Geralmente, vejo muito teatro, aqui e sempre Surgiu da necessi- que me desloco para fora do dade de criar em Albufeira país, às vezes em viagens um momento onde se cele- de fim-de-semana. A escolha brasse a arte do palco, de recaiu sobre duas variantes: modo a oferecer ao público a preço e qualidade. possibilidade de escolha Qual foi o feedback do entre um variado leque de ofertas. público? Como acolheu esta iniciativa? Quais foram os principais objectivos desta segunda Superou as expecedição? Foram atingidos? tativas nesta segunda edição. Casa cheia quase todas Melhorar em termos as noites. Tivemos ainda logísticos e abarcar todo o uma tertúlia em torno da tipo de públicos. Sim, foram. dramaturgia contemporânea e um curso de Dança RenasDe que forma decorreu o centista com Maurizio Padoprocesso de escolha das van, um dos mais ilustres peças, e os demais evenmestres da área, no qual participaram 46 pessoas.

NOTA BIOGRÁFICA Oriunda de Vila Nova de Famalicão, terra que a viu nascer a doze de Junho de 1968, Luísa Augusta Monteiro Araújo de Sá reside no Algarve desde 1998. Licenciada em Ciências da Comunicação (pela Universidade Fernando Pessoa), pós-graduada em Comunicação e Marketing Político e em Literaturas Românicas – Modernas e Contemporâneas, é ainda doutorada em Literatura Comparada com a tese: O mito de Édipo na obra ficcional de João Gaspar Simões (Universidade Nova). Atualmente prepara o mestrado em EncenaçãoTeatro. Durante 17 anos dedicouse ao jornalismo e publicou artigos literários em variadas revistas. Tem 23 obras de ficção publicadas, entre romance, novela e conto, assim como ensaio e biografia. Algumas destas obras obtiveram prémios literários, como o Prémio Florbela Espanca e o Lions Internacional, entre outros. Encenou mais de duas dezenas de trabalhos cénicos e atualmente dirige a Companhia de Teatro Contemporâneo e é encenadora residente da Companhia Guizos – Teatro.

Poderia apontar as principais dificuldades na organização de um evento desta envergadura? Gostaríamos de ter mais recursos financeiros e uma maior envolvência por parte de agentes que apoiassem o evento. Para além de organizadora é encenadora e guionista de três das peças que integraram o Festival: O turno da Padecida e Dinis no Jardim - O segredo de Choné (peça infantil) e Modigliani (nesta última deu voz a Mãe de Modigliani). Poderia descrever essa experiência e a reação do auditório em particular à estas peças? A recção foi excelente. Para mim, não é uma experiência pioneira. Faço teatro desde os 14 anos de idade e com o tempo, habituámo-nos a trabalhar em todas as áreas, em várias peças em simultâneo. Seduz-me a velocidade dos corpos e das mentes. Também se cria na velocidade que imprimimos ao tempo.

Luísa Monteiro

Elenco e Equipa técnica da peça Modigliani. (Nuno Pardal, Luís Marreiros, Marco Pedroza, Fernando André, Miguel Martinho Luísa Monteiro; Hélia Guerreiro; Jorge Cabral; Paulo Fernandes, Mónica Cunha)

Como organizadora, encenadora, e guionista de que forma vê o panorama artístico - teatral no Algarve e, também, a nível nacional? Faz-se mais e melhor, há mais público, mas as condições continuam muito precárias para a maioria das companhias. E isso, passa-se aqui e em quase todas os municípios – o de Lisboa incluído, porque também trabalho lá, e as dificuldades não são menores. Existe uma ideia quase generalizada de que Albufeira é uma cidade exclusivamente de bares e praias, que só “funciona” no Verão. Nota-se que a Câmara de Albufeira temse empenhado cada vez mais em mudar o estigma de que esta localidade dá primazia ao Turismo, em detrimento de outras áreas, como a Cultura por exemplo. Como é que o Festival T contribui para esse feito? Isso é verdade. O Município de Albufeira tem trabalhado arduamente para

alguns aspetos quase míticos do nome Albufeira, nomeadamente, de que aqui só há bares, praias, muita cerveja e pessoas em biquíni. Não, aqui há massa cinzenta, há muito trabalho e sério, e um empenho extraordinário por parte do Presidente, Desidério Silva, assim por parte dos vereadores, em fazer-se um trabalho estrutural e edificante em diversas frentes da sociedade. A Cultura deu um salto notável desde que Desidério Silva se colocou à frente do Município. Claro que ainda há muitíssimo a fazer nesta área; há, na minha opinião, questões a aprofundar, a necessitarem de um outro olhar, mas sei que está a ser planeado um grande futuro cultural para esta cidade. E isto não é discurso encomendado, é a realidade, reporto-me aos factos. Com o Festival T pretende-se lançar sementes para uma referência teatral, não só aqui, como lá fora. Já temos esse feedback. Fui contactada por várias companhias daqui, do Brasil, de Espanha e Itália para poderem vir a este Festival. Mas tratava-se de grandes elencos, grandes distâncias, espetáculos mui-


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HOUVE TEATRO EM ALBUFEIRA! to caros e a verba não chegava. Devagar, para um caminho mais sólido. De resto, ao nível teatral, as coisas estão a mudar um pouco, começa a haver um espírito cultural. É curioso verificar que quando entro com grupos em cafés da cidade, já vou ouvindo, “olha, aqueles são os do teatro” e, regra geral, perguntam sempre de como decorrem os trabalhos cénicos.

mos de teatro, a toda a hora, todos os espaços públicos, ao longo de uma semana inteirinha; um pouco como se faz em alguns estados do Brasil, e que é fabuloso. Para Albufeira, anseio algumas novidades, daqui a uns anos, como por exemplo, teatro ao domicílio para aqueles que estão impedidos por razões físicas ou financeiras, de saírem de casa.

Quais são os próximos projectos para o Festival T?

Qual é o balanço deste curto, mas bem sucedido percurso do festival?

Fazer a festa em Muito todo o município, inundar- Anseio repetir.

positivo.

« A Cultura deu um salto notável desde que Desidério Silva se colocou à frente do Município. Claro que ainda há muitíssimo a fazer nesta área; há, na minha opinião, questões a aprofundar, a necessitarem de um outro olhar, mas sei que está a ser planeado um grande futuro cultural para esta cidade. »

A obra e vida do pintor Amadeo Modigliani inspirou não só o teatro, mas também a sétima arte.


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