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Edição nº 136 A Revista do Gestor Escolar

ano 14 |Março 2018 www.direcionalescolas.com.br


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Nesta Edição: 08 10

Coluna - Christian Coelho

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Construção em ação: caminhos e processos para abrir e/ou expandir uma instituição de ensino.

Liderança, segurança e o medo do novo.

Coluna - Celso Antunes

Conversa com o Gestor

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Dica: Arquitetura Escolar Inovação na estrutura.

Gestor ou gestora?

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Segurança em primeiro plano.

Coluna - Fernanda Misevicius Caminhos para ampliar sua escola.

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Dica: Playgrounds

Coluna - Jane Patricia Haddad

Escutar mais...

Dica: Cursos

Formação integral.

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Fique de Olho: Alimentação Escolar

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Qualidade, serviço especializado e hábitos saudáveis


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Editorial Empoderamento Feminino

É preciso recordar e reafirmar, não somente no mês de março (ou, especificamente, no dia 08 de março) que o processo de desenvolvimento social-cultural instituído para as mulheres denota uma distinção explícita (econômica, social, racial e sexual), bem como a negação de direitos e possibilidade de igualdade, rejeitando autonomias e fomentando discursos que descaracterizam as potências e os trabalhos das mulheres. Nesse sentido, de forma positiva, avistamos uma onda na atualidade que impulsiona e empodera a fala das mulheres, suas posições, manifestos e interesses. E, como escreve a ONU Mulheres (Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, criada em 2010), “a igualdade de gênero não é apenas um direito humano básico, mas a sua concretização tem enormes implicações socioeconômicas. Empoderar a mulher impulsiona economias mais prósperas, estimulando a produtividade e o crescimento”. Empoderamento, dentre algumas definições, encontramos: conceder autoridade; habilitar; conceder poder; ação ou efeito de empoderar; autoridade; ato de tomar poder sobre si. Empoderamento feminino, então, a partir destes significados, transcende expectativas binárias de gênero e toma para si uma consciência coletiva, ações de mulheres (com mulheres e para mulheres) expressivas e, con-

sequentemente, um fortalecimento feminino em todas as áreas – tanto no campo pessoal como profissional. Neste mês de março de 2018, em especial, celebramos 1 ano de vida de um projeto que desenvolvemos com o corpo editorial da revista Direcional Escolas. Intitulado “Empoderadas na Gestão”, este projeto é caracterizado por um blog temático que reúne reflexões das gestoras, visibilidade, troca de informação e a interação entre gestoras, diretoras, mantenedoras e coordenadoras. Com o objetivo de criar um ambiente livre, ilimitado, com a fala de diretoras que estejam dispostas a debater um tema, narrar uma experiência significativa em sua escola, promovendo ligações e compartilhamentos relevantes. Reunindo, assim, diferentes ideias em diversas regiões do país. Nosso projeto também segue um modelo colaborativo, pois acreditamos que a luta feminina pelos espaços é uma tarefa diária e merece ser dividido – principalmente no processo primordial da construção pessoal e social: a educação. E, para nós (e também para nossas leitoras), seria um prazer inenarrável trabalhar e articular uma parceria com vocês nesse projeto. Acesse e saiba mais: https://empoderadasnagestao.wordpress.com Participe. Empodere-se!

Rafael Pinheiro

Jornalista Responsável

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O movimento pela equiparidade, por identidades diversificadas, autonomia sobre o próprio corpo, reivindicação de direitos, lutas e resistências cotidianas, e tantas outras organizações e ativismos marcaram (e ainda marcam), de forma física ou simbólica, meninas e mulheres espalhadas por todo o planeta.


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EXPEDIENTE Diretores Alex Santos & Paula De Pierro Público Diretores e Compradores Periodicidade: Mensal exceto Junho / Julho e Dezembro / Janeiro

A Revista do Gestor Escolar

Tiragem 20.000 exemplares Jornalista Responsável Rafael Pinheiro | MTB 0076782/SP

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Circulação São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais

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Tiragem de 20.000 exemplares auditada pela Fundação Vanzolini, cujo atestado de tiragem está à disposição dos interessados. Distribuição gratuita - Venda Proibida Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias, sujeitando os infratores às penalidades legais.

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COLUNA / CHRISTIAN COELHO Liderança, segurança e o medo do novo

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ão somente os homens, mas alguns mamíferos e aves sociais, sentem-se seguros quando liderados. É um sistema eficaz evolutivo de proteção em que o líder, macho ou fêmea, dependendo da espécie, defende o restante do grupo de predadores, os conduz na busca de alimentos, na divisão de tarefas e nos processos migratórios. Esta estratégia de sobrevivência está enraizada no DNA do ser humano desde a pré-história até os dias de hoje e tem assegurado a sua sobrevivência. Desta forma, a etologia explica que, quando liderado, o homem sente-se mais seguro para tomar a iniciativa assim que se depara com uma situação nova.

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O homem adulto tem muita dificuldade em sair da zona de conforto e experimentar o novo. As mudanças climáticas que aconteceram na África meridional préhistórica transformaram a vegetação da região extinguindo grande parte da alimentação dos homens primitivos. Em busca de alimentos, os homens iniciaram o processo migratório. Nessa mudança de ares, conheceram novas localidades e estiveram em contato com predadores desconhecidos, desenvolvendo o medo do novo como sistema de proteção, conhecido como zona de conflito, mudança psicofisiológica que continua latente até os dias de hoje. O corpo do homem em zona de conflito gera respostas físicas e mentais se preparando para o embate. O fluxo sanguíneo diminui de intensidade no cérebro e nos órgãos digestivos e sensoriais e é direcionado para a musculatura, a temperatura do corpo é aquecida, a quantidade de açúcar no

sangue é aumentada, habilitando o corpo para determinadas exigências do meio ambiente. Se a zona de conflito permanecer por muito tempo, pode ocorrer o estresse, isto é, o corpo começa a se desgastar mais rapidamente que o normal. Neste momento, um dispositivo de segurança faz com que o ser humano saia do meio ou situação que está lhe fazendo mal e volte para a zona de conforto e segurança. Também existe uma grande chance de um professor, ao se movimentar em direção a uma situação nova (meritocracia, monitoramento em sala de aula, análise de desempenho), entrar em zona de conflito e seu cérebro primitivo pedir para ele retroagir para sua zona de conforto original. Porém, quando acompanhado, o professor sente-se confiante em sua capacidade de experimentar ou adquirir um novo hábito, pois não está sozinho nesta empreitada. Ao seu lado existe uma pessoa com conhecimento e liderança para acompanhá-lo, ensiná-lo e apoiá-lo ao longo de uma nova experiência. Liderança individual e coletiva - Quando pensamos em liderança, logo vem à mente a imagem de um mestre e seus asseclas ou um líder e sua equipe. Este tipo de liderança coletiva em que um indivíduo está à frente de um grupo maior é mais visível e fácil de identificar. A coordenação exerce a liderança coletiva quando reúne o seu corpo docente nos momentos de planejamento estratégico no início de ano e virada do semestre, nas reuniões de monitoramento semanais e nas atividades meritocráticas. Nestas situações, a liderança coletiva tem o papel de transformar um grupo de pessoas

em uma equipe de alta performance, em busca dos mesmos resultados, de forma segura e motivada. Outra forma de liderança é a individual, em que a coordenação influencia todos a sua volta desde o momento que entra na escola até a hora de ir embora. No dia a dia os coordenadores inspiram e influenciam o corpo docente em suas atividades através de seus atos, vínculos e postura. A liderança individual está ligada à lapidação de pessoas com o objetivo de promover a sensação de confiança para que os colaboradores possam evoluir sem estresse, através de uma comunicação eficaz, do uso de processos decisórios participativos, gerenciamento de conflitos, meritocracia extrínseca e intrínseca, negociação de acordos e apresentação de ideias. Liderar uma pessoa é mais difícil e complexo que liderar uma equipe, pois necessita de uma grande inteligência emocional. A tendência natural do ser humano é dar mais atenção às pessoas por quem temos mais apreço e afinidade em detrimento das demais. Desta forma, a liderança individual pode ser tendenciosa, protecionista e desequilibrada, comprometendo a liderança coletiva e a formação de uma equipe coesa. Ou pior, afetar o desempenho e até mesmo o emocional de um colaborador que, por ser mais tímido ou reservado, não se aproxima da coordenação e se sente desprezado.

O Colunista CHRISTIAN ROCHA COELHO Formando em comunicação, especialista em andragógia e neuropsicologia. Diretor do Grupo Rabbit Educação. www.rabbitmkt.com.br


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COLUNA / CELSO ANTUNES foto cedida pelo colunista

GESTOR OU GESTORA?

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magine que um mantenedor de um expressivo Centro Educacional, que possui cursos em todos os níveis, necessite contratar um gestor ou uma gestora para conduzir sua escola. Rico, politicamente influente, acredita que chegou a hora de buscar uma opção política e, portanto, necessita esquecer o comando da Instituição de Ensino que, por mais de vinte anos, presidiu. Pensa em dispor de um profissional ou de uma profissional competente que possa garantir e ampliar a qualidade de ensino que sua escola construiu e que possa, também, manter ou aumentar o número de alunos matriculados.

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Após receber indicações e colecionar currículos chega aos dois últimos profissionais que, segundo sua análise, acredita que poderiam substituí-lo com vantagens na gestão da entidade. Compara os currículos e descobre que ambos são íntegros, competentes, dedicados e que se acomodam em pretensões salariais compatíveis ao que oferece. Possuem quase a mesma idade, uma candidata é mulher, outro candidato é um homem. Qual escolher? A diferença de gênero influi na qualidade gestora? Este ou aquele sexo é superior para a função que pretende? As diferenças de cérebro masculino e feminino interferem na ação e desempenho de um profissional, sendo possível garantir que um é superior ao outro? Até relativamente pouco tempo essas questões não apareciam. Havia uma ética hipócrita que não permitia aceitar diferenças expressivas em funções profissionais e os estudos sobre o cérebro humano e sua ação na conduta da pessoa, ainda navegavam em oceano primitivo. Hoje já não é mais assim. Desde a década de 1980, surgiram aparelhos que permitiram observar o cérebro em funcionamento e imagens de tomogra-

fia por emissão de pósitrons e ressonância magnética funcional mostraram que homens e mulheres processam informações de forma diferente, administram, escutam e leem de maneira nada parecida. Dessa forma, podem se destacar mais nesta ou naquela profissão, podem até mesmo fazer com que se pressinta qual apresenta tendências mais adequadas para a gestão escolar. O cérebro humano é mais simétrico na mulher que no homem. As mulheres possuem quantidade mais expressiva de matéria cinzenta, contam com cerca de 11% a mais de neurônios nas áreas pré-frontais e temporais e, por essa razão, possuem processo de compreensão, linguagem e memória superior. O corpo caloso feminino é cerca de 20% superior ao masculino e isso lhes permite, com uma facilidade e agilidade que todo verdadeiro homem inveja, fazer muito mais coisas ao mesmo tempo. Os homens, por sua vez, as superam no que se denomina massa branca e por isso conquistam o poder de concentração com rapidez maior, são melhores em raciocínios numéricos e em habilidades espaciais. Não é sem razão que existem mais homens que mulheres na arquitetura, pilotagem de aviões e neurocirurgia. Além dessas diferenças, os hemisférios cerebrais influem muito e assim os homens por trabalharem principalmente o hemisfério esquerdo são melhores em análises de situações, raciocínios lógicos e atenção focada, mas perdem para as mulheres que, operando bem mais o hemisfério direito, são excelentes na percepção de mundo, nas formas e espaços, na administração e compreensão de sentimentos e na argumentação verbal. O que é certo é que, homens e mulheres, ativam distintas partes do cérebro diante do mesmo estímulo e isso interfere muito na forma como irão gerir a escola fictícia que

para este ensaio se buscou caracterizar. Mas, todo o volume dessas certezas neurológicas, ainda não responde de forma objetiva a pergunta do mantenedor. Escolhe um homem ou prefere uma mulher, considerando que a imensa abrangência que envolve uma ação de gestor educacional implica nas qualidades masculinas da linguagem mais articulada, do raciocínio numérico, da lógica e do poder de análise, mas também na administração de sentimentos e emoções, prosódia, integridade e poder de síntese, claramente mais expressivas em quem melhor administra seu hemisfério direito? A resposta não é fácil e, certamente, o melhor candidato seria aquele ou aquela que sem abdicar das qualidades do hemisfério direito, pudesse também abarcar as qualidades do hemisfério esquerdo. Homens e mulheres, do ponto de vista estritamente cerebral e como gestores educacionais, são como duas excelentes espaçonaves. Ambos possuem turbinas, cabines, bancos e freios, mas a diferença é que um Boeing 787 Dreamliner não é um Boeing Yellowstone. Circunstância que não impede de se acreditar que são ambos Boeing e de se estar sempre bem servido com um e com outro, desde que jamais se descuide de sua manutenção.

O Colunista Celso Antunes tem bacharelado e licenciatura em Geografia. É mestre em Ciências Humanas pela USP e é considerado um grande formador de opinião no mundo da educação. Tem mais de 280 publicações e suas obras foram traduzidas pra mais de seis países. Celso Antunes também ministra palestras em diversos países como Argentina, Uruguai, Peru, México, entre outros. EMAIL: celso@celsoantunes.com.br


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CAMINHOS PARA AMPLIAR SUA ESCOLA

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epois de tanto trabalho é hora de colher os frutos de seu sucesso e pensar em ampliar sua escola. Tal expansão pode acontecer com a abertura de uma nova unidade, com a mudança para um prédio maior ou até mesmo com a oferta de novos cursos. É o que geralmente acontece com as escolas de Educação Infantil que pretendem oferecer o Ensino Fundamental, por exemplo.

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Todavia, é importante lembrar que, em qualquer caso, será necessário obter nova autorização de funcionamento junto aos órgãos competentes. Para as escolas de Educação Infantil, tal crescimento geralmente representa a “troca de supervisão”. Isso porque a escola deixará de pertencer ao Sistema Municipal de Ensino e passará a integrar o Sistema Estadual, sendo obrigada, então, a cumprir uma “nova legislação”. Já para as demais, significará a atenção a novas exigências e obrigações. Nesse projeto de expansão, passaremos praticamente pelas mesmas etapas da abertura de uma escola nova. Algumas serão mais simples, outras exigirão o mesmo cuidado e empenho. Mas, levantamento e análise de documentos, criação de espaço físico necessário, alteração do Regimento Escolar e Projeto Político-Pedagógico, dentre outros, serão imprescindíveis.

A grande dificuldade estará, sem dúvida, em cumular a gestão da escola já em funcionamento com a viabilização do projeto de ampliação da escola. Nesse contexto, o planejamento ganha extrema importância e saber o que é preciso para expandir sua escola torna-se fundamental. Quais as exigências legais terei que cumprir? O que o prédio precisa ter para sediar minha escola? Quantos profissionais terei que contratar? Quais materiais terei que adquirir?

Assim, estude! Planeje! Conheça o Direito Educacional expresso principalmente por decretos, portarias, pareceres, resoluções e indicações dos Conselhos Nacional, Estadual e Municipal de Educação. Caso a legislação educacional se mostre confusa ou você não tenha conhecimento técnico sobre a questão, procure ajuda. Tais cuidados impedirão que você perca tempo e dinheiro desnecessários e garantirá o sucesso dessa nova etapa.

Com essas informações você conseguirá visualizar, também, o quanto precisará ser gasto para viabilizar a instituição dos seus sonhos. É nesse momento que os cortes acontecem e que os planos são muitas vezes redirecionados. Após, entendido o que será necessário para o seu funcionamento e definido o orçamento para o projeto, podemos iniciar um planejamento – ou um checklist – com todas as ações que serão necessárias. Alterar o contrato social, reformar o prédio, solicitar alvará na Prefeitura, contratar pessoal, entre outros. Mais uma vez ressaltamos: Todas essas decisões devem ser tomadas de acordo com a legislação educacional. De nada adianta você montar uma escola linda e não conseguir obter a autorização de funcionamento depois. Você estará apenas jogando dinheiro fora.

A Colunista Fernanda Misevicius Soares Advogada especialista em Direito Educacional. Sócia fundadora da Misevicius & Prado Assessoria Educacional e Diretora Jurídica da Travessa Educacional. Integrante da Comissão de Direito Educacional da OAB/SP-CJA. Atuando na área educacional há mais de 8 anos. Consultora educacional de inúmeras instituições de ensino no Estado de São Paulo.

foto cedida pela colunista

COLUNA / fernanda misevicius


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COLUNA / JANE PATRICIA HADDAD

foto cedida pela colunista

ESCUTAR MAIS...

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credito que o momento atual na educação é um convite à arte de ESCUTAR. Assim, gostaria de convidar cada um/a de vocês, gestores/as e professores/as, a refletir sobre isso. Recentemente, li um livro que se chama “À Escuta”, do filósofo francês JeanLuc Nancy (2014, p. 19), onde ele diz: “Escutar é inquietar-se (...) É estar inclinado para um sentido possível, e consequentemente não imediatamente acessível”. “Estar à escuta é sempre estar à beira do sentido, ou num sentido de borda e de extremidade, como se o som musicalmente escutado, quer dizer, recolhido e perscrutado por ele mesmo (...)” (p. 17). Como estamos escutando a violência na escola, o descaso político, o abandono de crianças e jovens, o sofrimento dos professores? É preciso silêncio interior para refletirmos tais sintomas e não nos conformarmos com respostas rápidas e apressadas que estamos recebendo. Como dizia T. S. Eliot citado por Rubem Alves : “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?”. Onde está a escuta diante de tanto barulho e dizeres pedagógicos, leis, novas Bases Nacionais, Ranking(s)? Quem vai escutar os professores? Escutar, primeiro, a cada um de nós mesmos. Escutar com tempo cada fala, cada aluno, cada família. Escutar inquietando-se com o que é falado. A educação contemporânea deve

caminhar no sentido contrário da pressa, do grupo, da impulsividade, das verdades prontas, dos diagnósticos apressados e, principalmente, da RAPIDEZ da escola e do mundo. Educar é incompatível com a pressa e com a falta de cuidado ao escutar o outro. Como dizia nosso saudoso Rubem Alves: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular”. Escutar, portanto, nesse momento é mais importante do que método s de avaliar e classificar gerações, que não conseguem ser escutadas em sua dor de existir.

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“O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: ‘Se eu fosse você’. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção” Rubem Alves (O AMOR QUE ACENDE A LUA).

O nosso ofício de professor e professora nos conduz por caminhos não previstos nas Universidades, como nos alertou Sigmund Freud, em 1937, no texto “Análise terminável e interminável”, a espelho do que fizera em 1925, onde ele anuncia a existência de três ofícios impossíveis: psicanalisar, educar e governar. Aceitar que educar é impossível é compreender a singularidade de cada um, reconhecer suas histórias, bagagens e que sabe ESCUTAR uma outra forma de fazer o ato pedagógico. Entre o que eu falo e o que o outro escuta existe um mundo. Então, o meu

NANCY, Jean-Luc. À Escuta. Edições Chão de Feira. Belo Horizonte, 2014. ALVES, Rubem. A Alegria de Ensinar. ARS Poetica. São Paulo, 1994.

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desejo como professora, educadora, mãe, provocadora de desejos, é que: ESCUTEMOS MAIS e Falemos menos...

A Colunista JANE PATRICIA HADDAD Mestre em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná (2010-2013). Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário Newton Paiva (2004), Teoria Psicanalítica pela UFMG (2001) e Psicopedagogia pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (1999). Graduada em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1998).


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CONVERSA COM O GESTOR Construção em Ação: Caminhos e processos para abrir e/ou expandir uma instituição de ensino Por Rafael Pinheiro / Fotos Divulgação

“Na última década, grandes grupos privados de investimento passaram a atuar em um ramo que, historicamente, foi administrado por gestões familiares. Para se abrir uma instituição privada de ensino dentro desse contexto, a gestão deve seguir os mesmos passos de grandes grupos empresariais: investir em pesquisas, ferramentas elaboradas de gestão e profissionais capacitados dentro do ramo”, destaca Diego Lopéz, Diretor da Pandora Educacional (SP)

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rojetos, planejamentos, estratégias, resoluções, melhorias. Essas palavras-chave ganham uma notoriedade imensurável quando o assunto é gestão escolar. O desenvolvimento plural, presente em todos os ramos de uma instituição, está alicerçado no diagnóstico, na proposição de metas, identificação e planejamento de ações a serem utilizadas e, consequentemente, na resolução. Gerando, sem dúvida alguma, resultados satisfatórios.

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Compreender uma instituição de ensino com alto nível de administração, mantendo a escola dentro das normas do sistema educacional, seguindo portarias e instruções; valorização da qualidade do ensino, supervisão e a orientação pedagógica, criando oportunidades de capacitação docente; além de preocupar-se com uma gestão pautada na democracia, interagindo ativamente com pais e alunos, não é tarefa fácil, já que existem, hoje, uma gama gigantesca de setores internos no campo educacional.

Grupo Pandora de Ensino

Nesse aspecto, é possível eleger uma PLANO DE NEGÓCIOS característica que se desdobra em emaranhados complexos, atravessando diversas áreas de uma instituição escolar: a construção. Os significados e sinônimos que compõem a construção evocam vários aspectos, dentre eles: obra; estruturação; composição; implantação; elaboração; concepção. Através destes significados, o processo educacional pode ser inserido, aqui, como uma metáfora de construção. Rodrigo Morais,

coordenador e gestor escolar

Deslocando o olhar para os emaranhados que envolvem a construção (no sentido estrito da palavra) de uma escola – seja ela de qualquer nível de aprendizado – surgem alguns questionamentos instigantes: Quais são os primeiros procedimentos que devem ser adotados para criar uma instituição de ensino? Quais são os projetos e planejamentos que devem ser seguidos? Quais são processos legais para sua regulamentação? Com uma multiplicidade de escolas, como é possível criar uma escola singular, significativa e especial?

Rodrigo Morais, coordenador do MBA de Gestão de Escolas do IBFE (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores) e gestor escolar do Anglo Campinas (Unidade Center Ville), acredita que é necessário compreender, primeiramente, que a educação como um negócio apresenta especificidades únicas. Neste caso, deve-se elaborar um Plano de Negócios completo, ou seja, um projeto que busca antecipar situações alternativas presentes no ambiente de negócios para, não só fixar objetivos empresariais, como também escolher

O Grupo Pandora de Ensino é composto por colégio, curso pré-vestibular e editora, todos localizados na grande São Paulo.


17 os caminhos para alcançar esses que colaboram. Se todos falarem a mesma objetivos, garantindo a sustentabilidade língua e direcionarem seus esforços para econômica e pedagógica da instituição. o mesmo sentido e direção, o dia a dia fica mais fácil e a base de crescimento da “Definir o conceito geral do negócio instituição fica mais sólida e uníssona”. (Educação Básica, Ensino Superior, EAD, Curso Técnico, Bilíngue) identificando PESQUISAS E ANÁLISES assim o potencial cliente; proposta de valor que atenda uma determinada necessidade dos potenciais clientes (proposta pedagógica, diferenciais); canais de comunicação (cursos presenciais, cursos em vídeos, plataformas digitais, aplicativos); como será estabelecida a relação com os clientes (redes sociais, mala direta, telemarketing, comunicação visual); estabelecer as principais fontes de Guilherme Siriani renda (anuidade escolar, material didático e escolar, livros); definir os principais Guilherme Siriani, administrador de recursos chaves (professores qualificados, empresa e CEO de uma consultoria, prédio, plataforma de gestão escolar); ressalta que, para qualquer projeto – definir as atividades chaves; observar independente de seu tamanho – é preciso potenciais parceiros chaves (escolas desenvolver um bom plano de negócios, um parceiras, fornecedores, transporte plano de ação bem traçado e um estudo de escolar) e uma estrutura de custos, ou viabilidade do projeto. Essas três premissas seja, tudo que será pago para que adicionado a um bom assessoramento, o negócio aconteça”, explica Rodrigo. trazem maior segurança ao investidor.

Diego Lopéz, diretor da Pandora Educacional (SP), destaca que, na atualidade, há uma grande oferta de sistemas e soluções educacionais, “mas para entender qual delas se adequa melhor a tal mercado é necessário investir em pesquisas de mercado para buscar brechas e oportunidades. Além disso, profissionais competentes e capacitados devem estar envolvidos desde o início para que a estrutura fique em pé depois de montada. Por isso, gestores, corpo docente e líderes educacionais são cada vez mais necessários”. Para complementar, aponta Diego, é imprescindível que uma instituição escolar seja administrada dentro de uma filosofia muito clara e que seja compartilhada por todos os envolvidos. “Professores, diretores, gestores administrativos, auxiliares de manutenção, tem que conhecer a missão daquela instituição em

“Em primeiro lugar é preciso fazer uma boa pesquisa de campo. Isso significa ir até o local em que almeja abrir o negócio, analisar o entorno da possível instalação, quais empresas já estão no local, conversar com esses empresários para entender melhor o público do local, potencial econômico e demais peculiaridades de consumo”, diz Guilherme. De acordo com o consultor, deve-se, ainda, analisar a concorrência e os serviços que são entregues aos consumidores da região e fazer uma análise profunda de sua proposta, com o intuito de verificar se está em linha com a demanda local. “Seguido todos os passos, e após a profunda análise de potencial, retome ao seu projeto inicial, faça os ajustes necessários para que consiga entregar ao público-alvo o projeto de melhor de instituição de ensino”. ASPECTOS LEGAIS Dentre os procedimentos que devem ser trilhados para abrir uma instituição de ensino ou, até mesmo, entrar em um processo de regularização, conhecer as questões legais e estudar a legislação educacional específica são fatores fundamentais. Fernanda Misevicius Soares, advogada especialista em Direito

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Assim, a partir destas definições, alguns caminhos tornam-se tangíveis e possíveis, desde que avaliados e organizados criteriosamente. Pensando, exclusivamente, no mercado de educação privada no Brasil, há uma intensificação nos últimos anos de grandes redes de ensino, além de alta competitividade e profissionalização.


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do/a investidor/a; e, via de regra, que a consultoria de negócios seja uma e a consultoria jurídica seja outra, podendo desenvolver, assim, um trabalho cauteloso. “Cuidado com aqueles que oferecem um ‘pacote de serviços’ de business + contabilidade + jurídico, posto que, regra geral, administradores e contadores não entendem profundamente de leis, e advogados não são bons administradores, nem tampouco sabem fazer a contento serviços de contabilidade”. O Instituto Maria Auxiliadora (IMA) situado em Porto Alegre integra a Rede Salesiana Brasil de Escolas (RSB)

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Educacional, nos conta que é a partir da legislação educacional específica que o/a gestor/a tomará inúmeras decisões importantes, como o local-sede da escola, os profissionais a serem contratados, as possibilidades pedagógicas do curso, etc. “Como exemplo, podemos citar uma escola de educação de infantil. De nada adiantará construirmos um prédio lindo, contratar excelentes profissionais, se a escola não tiver o AVCB emitido pelos bombeiros ou se o Regimento Escolar não trouxer as informações legais sobre avaliação condizentes com essa etapa da Educação Básica. A escola não será autorizada. O mantenedor terá então que se adequar às tais exigências, o que demandará mais gastos com obras e mais tempo pagando aluguel sem a escola estar funcionando”, ressalta Fernanda.

A advogada Fernanda Misevicius complementa alertando a importância com relação a qualificação do consultor. “Uma boa dica é pedir referência de alguma escola para qual ele trabalhou”. EXPANSÃO EDUCACIONAL O Instituto Mara Auxiliadora de Porto Alegre (IMA), situado em Porto Alegre (RS) e integrante da Rede Salesiana Brasil de Escolas, é um case de expansão em infraestrutura e educação neste ano. O caminho utilizado segue os conceitos de Reggio Emilia, metodologia de educação italiana reconhecida internacionalmente, em que a família integra as ações escolares.

“O berçário, nosso último maior investimento, inaugurado em janeiro deste ano, foi demandado a partir das famílias, Com relação às leis específicas, temos as visando atender uma faixa etária que resoluções ou deliberação aprovadas pelos necessita dos nossos serviços”, revela a Conselhos de Educação. De acordo com diretora Grace Freitas Pinto. a advogada, é de extrema importância sabermos qual sistema de ensino a O berçário foi incluído em janeiro com a futura escola se enquadrará para, então, possibilidade de turno integral à escola, estudarmos a legislação correta. “Em São sendo destaque para colégios regulares Paulo, para as escolas do sistema de ensino da região. No IMA, outros fatores que estadual temos a Deliberação CEE/SP nº promovem a expansão do atendimento a 138/2016 e para as do sistema municipal, alunos vêm sendo a inclusão de crianças especiais e a recepção em todo o período a Deliberação CME/SP nº 04/2014”. do ano, que inclui férias escolares. “Um É possível localizar, na atualidade, benefício àquelas famílias que precisam empresas que disponibilizam consultorias da escola como apoio no período reverso para quem deseja construir uma escola. e também nos meses em que os alunos E, nesses serviços de consultorias, em estão de recesso”, completa a diretora. geral, estão inclusos esclarecimentos que tangem os aparatos legais. O professor e advogado Fabrício Posocco revela algumas indicações para o/a gestor/a que deseja contratar estas consultorias especiais, como averiguar a confiabilidade do local; a compatibilidade do trabalho com a realidade orçamentária

No IMA, a família participa do processo pedagógico e expande de acordo com as necessidades de pais e alunos. “O berçário partiu de uma solicitação das próprias famílias”, comenta Grace Freitas Pinto. Ainda, conforme as diretrizes de Reggio Emilia, o investimento valoriza

Alunos do Instituto Maria Auxiliadora (IMA) situado em Porto Alegre

a representação simbólica como ferramentas primordiais no aprendizado. “O espaço é todo pensado como um terceiro professor. O ambiente educativo é lúdico e demandou a contratação de uma assessoria pedagógica especializada para escolher cores, brinquedos, mobília e itens que contemplam o espaço pedagógico aos bebês”, diz. Com a expansão da infraestrutura e da faixa etária de atendimento, o IMA atualizou com qualificação a equipe pedagógica da escola. “Nossa assessoria especializada capacitou e atualizou nossos professores, e isso é importante também quando se expande”. O projeto de expansão do IMA envolveu, assim, uma equipe multidisciplinar, como professores, diretoria, assessoria especializada, arquitetos, pedagogos, psicólogos, nutricionista e famílias. “Esforço e investimento coletivo viabilizaram este projeto”, conclui.

SAIBA MAIS Diego Lopéz (Pandora Educacional) colegio@pandoraeducacional.com.br Fabrício Posocco contato@posocco.com.br Fernanda Misevicius Soares fernanda@mpeducacional.com.br Grace Freitas Pinto (Instituto Mara Auxiliadora de Porto Alegre/IMA) marketing@imapoa.com.br Rodrigo Morais (IBFE/ Anglo Campinas) rodrigopires.morais@gmail.com


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Dica: ARQUITETURA ESCOLAR

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Inovação na Estrutura

s meandros que constituem a contemporaneidade ressaltam e evidenciam aspectos que interseccionam diversos campos. Acompanhamos, de certa forma, estudos, pesquisas direcionadas, discussões relevantes e ações práticas que compõem, de forma singular, o aparecimento de novas visões, bem como reformulações, adaptações e inovações – sobretudo no que tange a infraestrutura.

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Nas últimas décadas, em especial, mudanças contínuas despontaram no segmento educacional, nas questões comportamentais, culturais, tecnológicas e, também, na arquitetura. “Houve uma época, em que as carteiras escolares eram pregadas no chão! Antes, os ambientes eram bem demarcados pela sua única função: biblioteca, sala de leitura, auditório, etc. Hoje em dia, buscamos espaços que sejam multidisciplinares. A biblioteca pode ser também uma sala de contação de histórias ou de informática, por exemplo. Nas salas de aula, temos carteiras que podem se juntar e virar uma grande mesa de debate”, indica Claudia Porto, arquiteta que desenvolve, entre outros trabalhos, um extenso portfólio especializado em escolas infantis. Na Finlândia, conta Claudia Porto, referência em educação e arquitetura escolar, com um dos melhores resultados globais no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), muitas escolas já não têm mais paredes como as salas tradicionais, mas sim divisórias translúcidas e móveis flexíveis, “dando liberdade para que os professores possam ensinar no local em que julgarem adequado para determinado assunto. As antigas salas foram pensadas para que ti-

vessem uma hierarquia, o professor na frente, mais alto, onipresente. Hoje em dia, já se busca o protagonismo do aluno em busca do conhecimento”. Tendo a arquitetura escolar no centro das mudanças, o movimento de repensar uma infraestrutura, com o objetivo de se adaptar a novos tempos, representa uma atenção às urgências e necessidades mutáveis e flexíveis que a contemporaneidade nos mostra. “Para ter uma escola que se conecte com os seus alunos é preciso abandonar os velhos padrões. E a arquitetura ajuda muito nisso. Os métodos construtivos têm evoluído muito e é possível realizar uma ampliação ou uma reforma com mais agilidade do que há dez anos, por exemplo”, diz a arquiteta Claudia Mota, especializada no segmento educacional. De acordo com Mota, algumas dicas são valiosas para os/as gestores/as que desejam reformar e/ou inovar as escolas, como: Avalie o que realmente é importante. Organização é fundamental e um plano de reformas ajuda muito; A estrutura da escola tem que passar a imagem da instituição e conversar com a sua proposta pedagógica; Qualquer mudança no espaço da escola impacta diretamente o dia a dia da comunidade. “É importante pensar em todos que fazem parte comunidade escolar e que frequentam o lugar diariamente. A escola tem que ser um local desejado pelos pais, adorado pelos alunos e estimulante para funcionários e professores”, acrescenta. (RP)

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Claudia Mota claudia.arquiteturaescolar@gmail.com Claudia Porto cportogomes@gmail.com


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Dica: PLAYGROUND

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Segurança em primeiro plano

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brincadeira representa, no espaço educacional, um elemento significante que destaca a arte de explorar – criar, imaginar, aprender, interagir, divertir e experienciar momentos de total sinergia. Avistamos, nesses produtivos desenvolvimentos socioculturais, aspectos fundamentais para o crescimento plural de toda criança. Sob essa ótica, a inclusão de um ambiente específico para brincadeiras, com equipamentos e brinquedos adequados, que estimulam a ligação entre aprendizado e diversão de forma lúdica, sadia e prazerosa, ressaltam características únicas a todos os alunos.

Os processos que devem ser observados pelos/as gestores/as que desejam incluir playgrounds nas escolas percorrem alguns aspectos indispensáveis, como averiguação de espaço, pisos, certificações, pesquisas de brinquedos para idades específicas, entre outros. Gislene Naxara, coordenadora pedagógica do Ensino Infantil do Colégio Salesiano Santa Teresinha, localizado em São Paulo, destaca a importância de seguir as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), com leis que regulamentam parques em escolas de Ensino Infantil e Fundamental I, tanto em escolas particulares quanto em públicas. “É necessário verificar se o brinquedo escolhido está de acordo com as normas da ABNT e acompanhar o processo de instalação e segurança. Não pode, de imediato, colocar as crianças para brincarem. É preciso testar, observar e verificar a segurança antes de permitir que as crianças brinquem”, diz Gislene. De acordo com a norma NBR 16071-1:2012,

que define os termos utilizados para playgrounds e aplica-se aos equipamentos para uso em escolas, a área de circulação ao redor do parquinho deve ter, no mínimo, 1,5 metros; parafusos e roscas salientes devem ter acabamentos de proteção; o playground deve ser dividido em áreas, conforme faixa etária das crianças; os cantos dos brinquedos devem ser arredondados; parquinhos de madeira devem ter acabamento liso, livre de lascas ou farpas; é necessário instalar barreiras de segurança ao redor dos brinquedos, para desencorajar as crianças a correr dentro da área do trajeto dos balanços. Com relação as idades das crianças que utilizam os brinquedos, Gislene ressalta que não é a idade da criança que fará com que ela vá ao parque, é o tipo de brinquedo que será utilizado. “Uma criança de dois anos pode usar o playground dentro da escola, desde que o brinquedo seja apropriado para essa idade, tem que haver segurança”. Outro fator determinante no que tange a segurança são as orientações e capacitações aos adultos – professores e auxiliares – que interagem e acompanham diretamente as crianças nas brincadeiras. “Quando há o brinquedo na escola, antes que as crianças usem o equipamento, o professor precisa ter ciência do tipo de brinquedo que elas irão utilizar, e ele precisa ser orientado e capacitado para aquele brinquedo. No caso da Educação Infantil, sempre duas pessoas ao menos irão acompanhar e orientar”, finaliza. (RP)

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Colégio Salesiano Santa Teresinha marketing@salesianost.com.br


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Dica: cursos

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conhecimento é um campo do saber que acompanha todos e todas durante uma extensa e densa trajetória. Desde o primeiro contato com a escola, como o crescimento no ensino fundamental até a conclusão no ensino médio, os ensinos multidisciplinares envolvem e interligam movimentos fluidos do aprendizado que podem ser encontrados nas disciplinas regulares, como em cursos de férias, aprimoramentos, extensões e extracurriculares. “O aprendizado é uma construção ininterrupta. Por isso, oferecer atividades extras de qualidade e das mais diversas naturezas, é um grande apoio na formação integral de nossos alunos. Os cursos extras trabalham habilidades cognitivas, emocionais e sociais, algo que nossa experiência pedagógica sempre nos mostrou ser extremamente positivo, já que se reflete no bom desempenho dos nossos alunos”, destaca Irma Akamine Hiray, diretora geral do Centro Educacional Pioneiro, localizado em São Paulo. Tendo o conhecimento como fator central em nosso dia a dia, presente em várias esferas sociais, podemos alinhar e projetar novos rumos pedagógicos, que intensifique todo e qualquer aprendizado, ou até mesmo, disponha de novas experiências atraentes e significativas. “As férias são momentos importantes para experimentar novas habilidades e sair da rotina. Nós, do Pioneiro, oferecemos uma proposta bem completa aos alunos que ficam conosco por mais tempo. Os alunos têm a opção do curso de férias, com dias de muito aprendizado e diversão que incluem atividades lúdicas e de interesse de cada faixa etária”, diz a Irma Akamine. Segundo a diretora geral, o conhecimento adquirido

Formação Integral nos cursos extras pode despertar nos alunos e alunas interesses por áreas específicas “ou faz a conexão com aquilo que ele viu em sala de aula no período regular. A recepção dos alunos aos nossos cursos costuma ser bastante positiva já que, em geral, os cursos surgem da demanda dos estudantes. Periodicamente revemos nossos cursos para ajustá-los às necessidades da turma e às necessidades de nossos alunos”. Com relação a verificação e inserção de uma grade extracurricular – como cursos de férias, por exemplo – Max Roger Franco Pompílio, professor e coordenador nacional do curso de Metodologias Ativas do IBFE (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores), acredita que instituições escolares que não abrem outras possibilidades de cursos estão perdendo uma grande chance de oferecer o que o seu aluno precisa. “É preciso consultar o mercado e o alunato. Há demandas que não existiam poucos anos atrás e hoje estão em pauta. Quem vai preparar os profissionais do mundo atual? Há necessidades que estão abertas sem grandes preocupações de preenchimento”, reflete Max, que indaga: “Falemos, por exemplo, da escola básica. O seu aluno quer aprender a tocar violão? Por que não na escola? A mãe dele gostaria de praticar inglês ou ioga? Por que não poderia na escola do filho? Basta saber do que a comunidade precisa e oferecer com a melhor logística para todos”. (RP)

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Centro Educacional Pioneiro comunicacao@pioneiro.g12.br Max Roger Franco Pompílio max@inovaconsulting.com.br


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Fique de Olho – ALIMENTAÇÃO escolar

Qualidade, Serviço Especializado e Hábitos Saudáveis infantil, rica em nutrientes e proteínas saudáveis, são pilares importantes para um desenvolvimento adequado, A alimentação influenciando no crescimento, compreensão e entendimento nos estudos. A preocupação em adequar um cardápio nutricional nas escolas ganha uma proporção incalculável – e necessária. CANTINAS DO TIO JULIO Com um histórico de 35 anos de existência e atuação na área alimentícia, Cantinas do Tio Julio atende, diariamente, acima de 57 colégios que integram as suas 153 unidades em território nacional. Com aspectos rigorosos que compõem alimentação saudável e reeducação alimentar, um dos destaques da empresa concentra-se na equipe do Setor Nutricional.

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“Assessoria Nutricional junto aos Cessionários e elaboração de cardápios criando opções de Kit Lanches, Refeições e Ceias, além da criação de opções para alunos que possuem restrições alimentares, são funções de responsabilidade do Setor Nutricional da Rede Cantinas do Tio Julio, somando-se ainda outras funções referentes a cobranças junto aos Cessionários, de modo que atendam as exigências dos órgãos que fiscalizam o seguimento de alimentação em todo o Brasil”, diz o Diretor Julio Cesar Salles. Alcançando cerca de 305 mil alunos em toda a rede e mantendo o foco em atender os alunos em, no máximo, 12 minutos nos seus intervalos – independentemente do total de número de alunos – Cantinas do Tio Julio disponibiliza lanches da manhã (colação), almoço, lanche da tarde e, também, ceias em algumas unidades para os alunos do período integral. “Toda alimentação é fornecida através de cardápios elaborados de acordo com a faixa etária dos alunos através de sua Equipe Nutricional, tendo, também, a iniciativa de promover Alimentação Saudável e Reeducação Alimentar junto a todos os alunos com a participação da Equipe Pedagógica do colégio. Os valores acompanham os preços do mercado local e poder aquisitivo local”, ressalta o diretor. NUTRICO

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NUTRICO (11) 3852.8669 / (11) 3852.8465 nutrico@nutrico.com.br www.nutrico.com.br

Atuando desde 1995 na área de alimentação infantil para o segmento educacional, a Nutrico iniciou suas atividades com um grupo de 4 amigos que mantinham um objetivo em comum: atender o mercado de refeições para escolas particulares. “Atendemos mais de 40 escolas nas diversas regiões de São Paulo. Fornecemos atualmente mais de 1.500 refeições diárias e temos a satisfação em ter clientes que continuam conosco por mais de 15 anos”, diz Luana Ramos, Gerente de Produção da empresa. Com uma larga experiência no fornecimento de refeições, a Nutrico trabalha com alguns pilares para proporcionar a satisfação e fidelização dos clientes: matéria-prima de qualidade, tecnologia, mão de obra e individualidade de nossos clientes. “Durante os últimos anos investimos em fornos e equipamentos de última geração, buscando padronização e otimização de nossos processos, melhorando a qualidade de nossos produtos”, explica Luana. Com relação a mão de obra, a Gerente de Produção indica que um dos diferenciais da empresa é o investimento no desenvolvimento dos funcionários, bem como tê-los bem treinados e satisfeitos “é um ponto fundamental para uma boa qualidade no atendimento às necessidades dos nossos clientes. Não somente instalações e equipamentos, mas principalmente pessoas bem treinadas, é fator fundamental para termos padrões em segurança alimentar que garantam uma alimentação não somente saborosa e nutritiva, mas segura do ponto de vista higiênico-sanitária”.

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Acessรณrios, Bebedouros, Brindes


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Bebedouros, Fachadas, Grama SintĂŠtica, protetor de coluna


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Entretenimento (Passeios, Parque), Mรณveis, Persianas e Cortinas


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Pl aygrounds

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pisos, Reformas, Toldos e Coberturas


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Revista Direcional Escolas Edição 136 – Março/2018  
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