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VOLUME I

“Antigamente era assim...” Património Religioso do Concelho de São Vicente


São Vicente

Edição: Associação de Solidariedade Social Crescer Sem Risco Coordenação: Associação de Solidariedade Social Crescer Sem Risco Colaboração: Ilídio Santos | Jesse Barbosa | Sandra Caldeira | Alexandra Carvalho Fotografias: Décio Carreira | DRAC | ARM Design e Paginação: ZeroVinteOito Impressão: ZeroVinteOito ISBN: 978-989-98489-0-0 Depósito Legal: 361297/13


VOLUME I

“Antigamente era assim...” Património Religioso do Concelho de São Vicente

Com o apoio de:

Com a colaboração de:


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Índice

Introdução Freguesia de São Vicente Capela de São Vicente Igreja Matriz de São Vicente Capela do Livramento Ermida de Nossa Senhora do Rosário Capela de Nossa Senhora de Fátima Igreja de Nossa Senhora da Paz Igreja de Nossa Senhora da Saúde Capela de Nossa Senhora da Piedade – A Casa do Passo Freguesia de Ponta Delgada Igreja do Senhor Bom Jesus Capela do Imaculado Coração de Maria Capela de Santo António Capela dos Reis Magos Freguesia da Boaventura Capela de Santa Quitéria Capela do Imaculado Coração de Maria Ermida de São Cristóvão Capela de Sant’Ana Capela da Sagrada Família Bibliografia Agradecimentos

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Património Religioso do Concelho de São Vicente

Introdução

O Património Religioso é por norma um ponto preferencial de visita turística, não só porque está inevitavelmente associado à história de uma terra bem como pelas peças de arte encontradas em cada Capela e Igreja, facto comummente ligado à Religião Católica.

No Concelho de São Vicente encontram-se alguns dos ex-líbris da Ilha da Madeira, tais como a Capelinha de São Vicente, a Capela de Nossa Senhora de Fátima, associada sempre ao grande relógio e a Igreja do Bom Jesus. Apesar do destaque turístico de alguns dos locais de culto cristão do Concelho, jamais podem ser esquecidas as restantes Capelas e Igrejas, pois são todas elas que reafirmam e contam a história de cada freguesia pertencente ao Concelho de São Vicente.

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Freguesia de S達o Vicente


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Capela de São Vicente

A Capelinha de São Vicente localizada na foz da ribeira e escavada no basalto da mesma é já muito antiga, não havendo uma data exata da sua construção. Contudo, os primeiros dados sobre esta Capela remontam ao ano de 1691, data em que fora encontrado um pedido de bênção.

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Em 1920, por diligência do Padre António Pinto da Silva, esta Ermida sofreu várias alterações de forma a mantê-la em boas condições. Ainda no mesmo ano, foi adquirida uma imagem do Santo, padroeiro da Paróquia de São Vicente, para expor na Capela. Atualmente, é um ponto de referência e visita obrigatória para turistas. É conhecida mundialmente, pois todos os que por cá passam levam gravado na sua memória e nas suas fotografias e vídeos a singularidade desta Capela construída no basalto da foz.

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Antigamente… …mais precisamente “nos finais do século XVII, uma enchente lavou o lugar onde está hoje a Vila. Entrando na igreja, arrastou alguns paramentos para a caudalosa ribeira, entre os quais estava uma imagem do próprio santo. Quase por milagre, foram dar com essa imagem depositada na base daquele rochedo depois de as águas se acalmarem. O povo logo quis erguer ali uma ermida de invocação ao santo”. A sabedoria popular diz que a imagem de São Vicente terá sido retirada da capelinha. Pouco tempo depois, o mar embraveceu, chegando a água à capela. O povo de então tomando o sinal como um aviso, retornaram a imagem do santo para a sua ermida, com o fim de acalmar a enchente. O certo é que depois de retornada à origem, o mar não tardou a voltar à normalidade.

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Igreja Matriz de São Vicente

A Igreja matriz de São Vicente foi a primeira Igreja de todo o norte. Tornouse Igreja Paroquial aquando da elevação a freguesia no último quartel do século XV. Nos primórdios da sua existência, tratava-se de um pequeno templo, construído com materiais rudimentares, tais como pedra, barro e telha de bica. Antigamente… …a primitiva igreja localizava-se numa chã, antigamente chamada o Serradinho, situada na margem esquerda da ribeira.

Com o tempo e o aumento da população, o espaço tornou-se exíguo e insuficiente para todos os moradores, havendo necessidade de novas alterações e aumento dos espaços. Pelo ano de 1591 a Igreja de São Vicente estava a decair, maltratada pelas intempéries que de vez em quando a freguesia era alvo. Nessa época, o Bis8

po aconselhou que se fizessem obras de forma a consertar os danos, mantendo assim a Igreja, contudo, tal não aconteceu e em 1594 a Igreja estava prestes a ruir. A reparação não se deu, muito devido ao descuido e negligência do padre responsável que não foi capaz de levar a cabo as obras que eram fundamentais para que aquela Igreja permanecesse erguida. Dada a gravidade da situação, o visitador ameaçou excomungar o vice vigário caso não cumprisse as suas ordens, mandando retirar também o Santíssimo da Igreja. Antigamente… …durante o período de reparação da igreja de São Vicente, serviu de sede a Capela de Nossa Senhora do Rosário que contribuiu para o crescimento da população serrana.

Saliente-se que a reparação não foi imediata, pois não existiam mestres na freguesia que dessem continuidade à

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obra, fazendo com que os custos fossem elevados, uma vez que estes trabalhadores tinham de vir de fora. Durante vários anos, esta Igreja sofreu várias alterações, ou para ampliar o espaço, ou para melhorar o que já existia. Em 1692, a Igreja de São Vicente apresentava uma imagem e construção muito mais resistente, mais alta, com mais divisórias e com um telhado renovado. Por volta de 1900, aconteceram novamente grandes alterações na Igreja matriz de São Vicente, nomeadamente, no telhado, que havia sido substituído de telha de bica por telha Marselha, este melhoramento aconteceu na época do Padre Manuel José de Sousa. Mas os melhoramentos significativos deram-se no ano de 1942, por iniciativa e dinamismo do padre responsável da paróquia, Alfredo Teodoro de Ponte de Lira.

A Igreja, ao longo dos anos, havia sido alvo das sucessivas intempéries, aluviões, terramotos e encontrava-se fragilizada, havendo necessidade de grandes reparações. Com dificuldades mas com a boa vontade das gentes daquela freguesia e entrega à causa por parte do Padre, foi possível rejuvenescer a velha Igreja, tornando este templo num espaço de culto acolhedor e formoso, com as suas belas pinturas e talha dourada. A festa em honra ao padroeiro de São Vicente acontece anualmente no dia 22 de janeiro, data que faz aumentar os devotos que se dirigem à Igreja, sendo esta uma população maioritariamente católica. Porém, o acontecimento que atrai mais gente às ruas circundantes à Igreja é a semana do Concelho, festividade que se realiza na última semana de agosto, incluindo sempre o último fim de semana do mês.

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A semana de São Vicente dinamiza todo o Concelho, pois atrai forasteiros de toda a Ilha, que vêm quase sempre mais cedo para aproveitar os melhores dias da festa, contribuindo assim para a economia local, nos alojamentos, nos restaurantes, nas infraestruturas turísticas e complexos balneares.

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Esta é uma festa caracterizada pela grande afluência de público juvenil, adulto e até um mais velho, impulsionado pelos artistas internacionais que o Concelho convida para animar os visitantes bem como por toda a dinâmica ao redor dos concertos, as muitas barraquinhas, a tradicional poncha e todo o ambiente festivo que se vivencia e partilha.

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Capela do Livramento

A Capela do Livramento situada no sítio das Feiteiras na freguesia de São Vicente foi edificada pelo Padre Manuel Gomes Garcês, por volta do ano 1685. Da Capela inicial pouco lhe resta, “apenas a tela do retábulo, pintura de ingénuo sabor, na posse dos herdeiros da Casa da Ribeira Seca, que lhe fica próxima’’. Associação de Solidariedade Social Crescer Sem Risco

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Ermida de Nossa Senhora do Rosário

A Capela de Nossa Senhora do Rosário, fundada por José Caldeira remonta ao ano de 1602, sendo esta a data mais antiga de referência à dita Capela. Ainda nesse ano, nasceu a confraria de Nossa Senhora do Rosário, possuindo o seu altar na Igreja matriz de São Vicente.

Esta era uma Capela exígua, construída de forma um tanto ou quanto primitiva. Ainda assim, realizavam-se ali vários eventos religiosos, tais como missas em dias assinalados, casamentos e até óbitos. 12

Antigamente era assim… A Batalha de Lepanto, em 1572, que opõe turcos e cristãos, marca o início da devoção à Senhora do Rosário, sendo que os fiéis atribuem a sua vitória à intervenção da virgem e do seu santo Rosário.

Contudo, a partir de 1685, aquando a construção da Capela do Livramento, as atividades divinas na ermida de Nossa Senhora do Rosário acabaram por diminuir. O certo é que muitas das missas com intenção a Nossa Senhora do Rosário não eram celebradas na Ermida mas na Igreja matriz, e encontra-se informações que havia pessoas a pedir que essas missas fossem celebradas na sua ermida. É importante referir as oferendas que a ermida recebia. Tal era a devoção dos fiéis, mantinham firme a preocupação de manter a lâmpada da capela sempre acesa. Logo, a oferenda recorrente era azeite, mediante as possibilidades de cada devoto. Apesar disso, as oferendas não se limitavam apenas a azeite, era também usual ofertar materiais que contribuíssem para o aperfeiçoamento da capela bem como para os seus paramentos. Com o crescimento da população local, esta capela tornou-se insuficiente para os moradores. Pelo ano de 1877 deram início as obras para a nova ca-

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pela, estando concluída no final do século XVIII. Uma vez que já estava dotada de melhores condições e espaços, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, por esta época, já detinha de todas as condições para que dali surgisse uma paróquia própria e independente para benefício de todos os residentes que se queixavam da distância da Igreja matriz de São Vicente. Até ao século XIX, esta Igreja foi alvo de várias reparações e remodelações, algumas mais significativas que outras. Não existe informação exata sobre a data de início da Festa de Nossa Senhora do Rosário. Sabe-se que um periódico terá referido em outubro de 1848, a afluência elevada de gente ao Mês do Rosário, em que acontecia, meditação, terço e missa, bênção da eucaristia e cânticos religiosos. Atualmente, esta festa que se realiza no primeiro Domingo de outubro, é caracterizada pela imensidão de romeiros que ali vão para usufruir das festividades que ali se fazem em honra à padroeira da Paróquia.

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Capela de Nossa Senhora de Fátima

A Capela de Nossa Senhora de Fátima ou Capela-torre do Relógio, como também é conhecida, situada no Pico da Cova, terá sido construída entre 1942 e 1953, tendo esta, 14 metros de altura.

Antigamente era assim… A Capela de Nossa Senhora foi construída devido a uma promessa que o pároco da época terá feito. Caso Portugal não entrasse na guerra, este envidaria todos os esforços para a criação da dita Capela. Assim, logo após o fim da Segunda Grande Guerra deu início à construção da Capela em honra a Nossa Senhora de Fátima.

O responsável pela criação desta Capela terá sido o Padre Lira, havendo até versos em agradecimento a este pelo seu empenho na compra do relógio. Antigamente era assim… Numa tentativa de obter fundos para a compra do relógio, aconteceu em Venezuela uma recolha de donativos, levadas a cabo pelos Senhores Daniel Gonçalves e António Joaquim, tendo sido aberta também um peditório no Curaçau. Os fiéis de então não tinham muito, mas a fé bem como a força de vontade sobressaíram, e lá conseguiram angariar os fundos necessários para a compra do relógio.

A primeira missa celebrada nesta capela terá sido em 25 de julho de1948. Trata-se de um lugar com algum misticismo, estando longe de tudo.

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Olhando para baixo, deparamo-nos com uma paisagem deslumbrante, onde avistamos o mar lá longe. Olhando para cima, imperam as imensas montanhas verdejantes, típicas no lado norte da Ilha da Madeira. É devoção desta Capela, ir em romaria rezar à Nossa Senhora de Fátima, no dia 13 de cada mês. No entanto, atualmente a assiduidade é menor. A afluência maior acontece apenas no mês de maio e no mês de outubro

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Igreja de Nossa Senhora da Paz

outubro de 2009, com a presença do Governo Regional e de muitos paroquianos, tendo sido presidida a missa pelo D. António Carrilho e concelebrada por D. Teodoro de Faria.

A paróquia das Feiteiras foi constituída em 1961, embora num passado recente, já detivesse um salão paroquial/ cripta, construído provisoriamente para realizar alguns eventos religiosos. Contudo, a população sempre ansiou por um templo maior. Este desejo terá vindo a ser concretizado anos mais tarde, com um projeto de arquitetura de João Cunha Paredes, aprovado em 2005, subsidiado pelas entidades governamentais competentes. Da construção anterior ainda se aproveitou o edifício, tendo sido demolida apenas a sacristia e o anexo onde era dada a catequese, visto ser uma construção precária.

A paróquia das Feiteiras tem como sua padroeira a Nossa Senhora da Paz, tendo como festas principais, em honra ao Santíssimo Sacramento no último Domingo de julho, sendo esta apenas de caráter litúrgico e a festa em honra da Nossa Senhora da Paz no primeiro Domingo de agosto, com caráter litúrgico e profano. Esta segunda festa tem vindo a atrair cada vez mais romeiros, não só pelo seu caráter religioso mas também provavelmente pelos intérpretes que a localidade convida para animar aquela festividade.

A rudimentar Igreja serviu à população durante cerca de 40 anos. A atual Igreja foi consagrada a 25 de 16

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Igreja de Nossa Senhora da Saúde

A Igreja dos Lameiros localizada no sítio com o mesmo nome, pertencente ao Concelho de São Vicente, foi benzida a 12 de dezembro de 1999, tendo como fonte de devoção a Nossa Senhora da Saúde.

A paróquia dos Lameiros foi criada por decreto episcopal de D. David de Sousa a 24 de novembro de 1960, com o intuito de aproximar a Igreja dos residentes. A cerimónia de dedicação desta Igreja aconteceu apenas a 27 de fevereiro de 2005.

Esta Igreja foi mandada construir em agosto de 1997, onde antes já existia uma cave que funcionava como sede paroquial. A já existente cave foi alvo de infiltrações, sendo que na altura que decidiu-se dar continuidade à obra. Desta forma houve a extrema necessidade de recomeçar os trabalhos, dando início tanto à nova cave como também à nova Igreja.

Hoje em dia, a festa religiosa que aqui acontece no primeiro Domingo do mês de agosto, em honra à Nossa Senhora da Saúde é o ponto alto deste sítio. Trás ao local romeiros de toda a ilha, atraídos principalmente pelo convívio festivo, pelas barraquinhas, pela música e pelo ambiente acolhedor, visto se tratar de uma zona diminuta, que permite que toda a gente se encontre e desfrute da festa.

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Capela de Nossa Senhora da Piedade

Algumas casas antigas senhoriais tinham a sua própria Capela. É o caso da Casa do Passo, onde se encontra as instalações da Polícia de São Vicente. Em honra a Nossa Senhora da Piedade, esta Capela foi construída a pedido do Padre Manuel de Andrade em 1784. Aquando a sua ordenação, o Padre Manuel de Andrade terá recebido um património no Sítio do Passo, por parte dos pais. Sendo sacerdote, solicitou ao Prelado que o deixassem construir uma Capela junto da sua residência, tendo sido atribuída a licença para o efeito. Naquela altura, era sinal de grande estatuto social possuir junto às casas ou nas suas propriedades, uma Capela, sendo que muita gente abastada o terá feito por toda a Ilha. No entanto, com o passar do tempo e o desleixo por parte dos herdeiros, que estavam responsáveis pela continuação da Capela, esta acabou por ruir, não tendo sido recuperada posteriormente. Recentemente, pertenceu ao padre Abel, oriundo dos Canhas.

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Freguesia de Ponta Delgada


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Igreja do Senhor Bom Jesus

De acordo com a tradição local, diz-se que o Senhor do Bom Jesus foi escolhido como patrono, aquando o aparecimento de uma imagem deste, num caixote no calhau. A imagem foi transportada para a Capela dos Reis Magos e misteriosamente, no outro dia, reapareceu no mesmo local onde havia sido encontrado inicialmente, dando assim azo a que a população considerasse um “sinal do céu”. Decidiram então, nessa época, que havia de ser construído um templo para aquele Bom Jesus. Antigamente… …segundo a gente local, constava que a imagem do Senhor Bom Jesus foi encontrada nos arredores de um calhau com uma forma que muito se assemelha a uma pegada humana. A tradição diz que o Senhor Bom Jesus “colocou ali o pé quando deu à costa” nos primórdios da colonização, ficando por isso tradicionalmente conhecido como a “Pegada do Senhor Bom Jesus”.

A construção da Igreja do Senhor Bom Jesus ronda o ano de 1470, tendo sido construída pelo fundador da freguesia de Ponta Delgada, Manuel Afonso de Sanha. Antigamente era assim… Com as suas origens na Galiza, Manuel 22

Afonso de Sanha, o primeiro povoador das terras de Ponta Delgada, era proveniente de Braga, cidade com grande devoção ao Senhor Bom Jesus, tal como Ponta Delgada.

Em 1520, esta Igreja terá dado origem à criação da atual paróquia. A Igreja tal como foi construída já não existe, uma vez que foi sofrendo várias alterações ao longo do tempo. Antigamente… …segundo a sabedoria popular, o povo de Ponta Delgada queria que a Igreja do Bom Jesus tivesse sido construída numa zona mais central da freguesia, servindo assim a todos pela proximidade. Diz-se que teriam feito

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uma maquete da Igreja, feita com canas e colocavam onde achavam que a Igreja deveria ser edificada. No entanto, como esses terrenos eram pertença dos Senhores, e estes não estavam interessados em ceder a sua terra, voltavam a colocar esse projeto em canas da Igreja na zona que menos lhes interessava, perto do mar, onde hoje está situada a Igreja matriz da freguesia. Este impasse terá acontecido durante algum tempo, pois não existia consenso entre os Senhores e o povo.

A 12 de julho de 1908, um incêndio de grandes dimensões ocorreu nesta Igreja, intitulado na época por um periódico do Funchal, de Pavoroso Incêndio, provocando a sua comple-

ta destruição. Deste incêndio apenas restou uma imagem do Senhor Bom Jesus calcinada, parte da Sacristia e o arquivo paroquial. Antigamente… …dizia-se que, uma mulher natural da freguesia de São Jorge teria vindo à Igreja “pagar uma promessa”, e deixando um círio mal acomodado, provocou o “pavoroso incêndio” que consumiu grande parte da igreja. O Senhor Martinho Fernandes Luís, residente no sítio da Oliveira, apercebendo-se das labaredas, correu até o poço de rega da Fonte da Ribeirinha, no sítio da Varanda, despejou-o para a Levada, encaminhando a água até os arredores da Igreja com o intui-

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to de extinguir as chamas que se alastraram para o resto do santuário. Apesar do esforço de todos aqueles que, de uma forma inglória, tentaram abafar as chamas, com todo o tipo de utensílios que dispunham, o todo espólio da igreja foi carbonizado, exceto a velha imagem, feita em madeira, do senhor do Bom Jesus.

Todavia, com a acérrima devoção e ajuda, a Igreja fora reconstruída pelos paroquianos, sob a alçada do Padre Casimiro Augusto Fernandes de Freitas de Abreu, sendo este, na época o pároco da freguesia. Pelo ano de 1919, a reconstruída Igreja foi então consagrada. Antigamente era assim… Nos primórdios do século XVIII dependia da Igreja do Senhor Bom Jesus, a ermida de Nossa Senhora da Conceição, da qual desconhece-se a sua localização e a sua história.

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O ponto alto anual desta Paróquia é o arraial do Senhor Bom Jesus, que remonta aproximadamente ao ano de 1577, celebrado nos nossos dias no primeiro Domingo de setembro. Esta festividade religiosa, que atrai milhares de pessoas de toda a Ilha da Madeira, designados Os Romeiros, vêm para pagar as suas promessas ao Senhor Bom Jesus, demonstrando a sua devoção na missa e na procissão. No entanto, é importante realçar, que esta festa tem também um caráter profano, atraindo pessoas que apenas vêm para aproveitar a festa ao redor da Igreja, dinamizando toda a economia da freguesia. Os Romeiros espalham-se, atualmente, pelas várias ruas circundantes à Igreja, enchendo a localidade de som através dos despiques tão conhecidos e de cheiro a carne, nas típicas espetadas. Trata-se de um arraial que atrai vários públicos, um mais velho que vem movido pela fé e um mais jovem que vem cobiçado pelo divertimento proporcionado nas ruas da freguesia. Apesar da existência do Arraial do Bom Jesus em setembro, a festa oficial em homenagem ao Senhor Bom Jesus é celebrada a 1 de janeiro, embora a afluência de participantes seja significativamente de população da própria freguesia.

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Capela do Imaculado Coração de Maria

A Capela do Imaculado Coração de Maria está localizada no Sítio da Primeira Lombada na freguesia de Ponta Delgada. Esta Capela foi benzida a 15 de janeiro de 1979, embora a sua construção tenha principiado em 1976. A Capela do Imaculado Coração de Maria tem como principal público, os fiéis das três lombadas, devido ao grau de proximidade geográfica. A celebração em honra à sua padroeira realiza-se todos os anos no segundo Domingo de agosto, dando lugar a uma festa profana depois dos eventos religiosos. No entanto, dado a sua localização, é hoje em dia, uma festa com pouca adesão, participando apenas os locais, tanto das três lombadas como da zona baixa da Ponta Delgada.

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Capela de Santo António

A Capela de Santo António, hoje em ruínas, foi provavelmente a primeira capela da freguesia de Ponta Delgada, situada no Sítio do Pico que pertencia a uma casa senhorial. Trata-se de uma antiga referência no panorama religioso da localidade. Segundo fontes locais, o Santo António desta Capela encontra-se na casa de familiares dos primeiros proprietários e outros artefactos foram doados à Igreja de Ponta Delgada. É sabido que ainda existem excedentes de um altar desta Capela, mas a degradação é muito visível e a zona onde se situa a Capela está hoje em dia pouco cuidada, dificultando o acesso aos vestígios da mesma. Antigamente era assim… Em tempos afins, coexistiu em Ponta Delgada uma Capela em devoção a Santa Ana. Da mesma quase nenhuma informação se conhece, exceto a sua localização ao sítio do Ladrilho.

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Capela dos Reis Magos

chegar à gruta do Menino Jesus” tal como os Reis Magos.

Nos primórdios da sua existência, uma procissão acontecia no Domingo de Ramos, que partia da Igreja do Senhor Bom Jesus até à Capela dos Reis Magos. Lá, se liam algumas orações e bênçãos, regressando posteriormente o cortejo à Igreja mãe. A Capela dos Reis Magos localizada no Sítio do Terreiro na freguesia de Ponta Delgada foi construída no século XVI pelo sesmeiro desta localidade de então, Manuel Afonso de Sanha. A primeira referência desta Capela é datada de 1577, altura em que se encontrava já em muito mau estado de conservação, tendo esta pertencido posteriormente à Casa Carvalhal. Antigamente era assim… Muito reverenciados pela população da Terceira Lombada, é tradição antiga a comemoração do dia dos Reis Magos. Esta devoção deriva, do facto de, tradicionalmente, ser a população local a encarregada de organizar e suportar as despesas da Missa que se celebra pontualmente na madrugada do Dia de Reis, na Igreja do Senhor Bom Jesus. Tal atribuição foi-lhes concedida porque, por viverem longe da Igreja, “eram os últimos a 28

A degradação da Capela impingida pelo implacável passar do tempo conduziu ao termo desta rotina religiosa. Só mais tarde, pelo ano de 1778, quando pertencente à Casa Carvalhal, a Capela em devoção aos Reis Magos foi reparada, mais precisamente por João de Carvalhal Esmeraldo e Câmara. Recentemente, a reabilitação da Capela pelos atuais proprietários, possibilitou a visita dos fiéis ao interior da mesma. A tradição dos tempos longínquos do Domingo de Ramos e a sua procissão, foi retomada após o término das obras de requalificação. No entanto, apesar do reinício desta tradição, não se encontra aberta ao público para fins de culto. Tratando-se de uma Capela privada está interligada ao Turismo Rural e de Habitação, projeto da família proprietária, de nome Casa da Capelinha.

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Freguesia de Boaventura


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Capela de Santa Quitéria

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A Capela de Santa Quitéria que hoje é a Igreja matriz da freguesia de Boaventura surgiu de um movimento de fiéis, habitantes desta localidade, revoltados pela falta de uma Igreja próxima que lhes permitisse o culto religioso. Este movimento deu-se no fim do século XVIII, já quase no início do século XIX.

Antigamente… …diziam os antigos que a imagem de Santa Quitéria, inicialmente pertencente à freguesia da Ponta Delgada foi trocada por água, que em tempos de seca, abundava em Boaventura ao contrário do sítio vizinho.

Nesta época estes fiéis estavam dependentes da Igreja do Senhor Bom Jesus para praticar e participar nos eventos

e festividades religiosas, acabando por dar demasiado poder à Igreja da Ponta Delgada. Em 1728, aproveitando a visita do Bispo do Funchal, fizeram o pedido para que este desejo da criação de uma Igreja fosse realizado, oferecendo até alguma ajuda monetária. Reivindicaram esse pedido alegando a distância bem como os caminhos sinuosos que tinham de percorrer para poder participar nos atos religiosos que aconteciam na Paróquia mais próxima. Mais tarde, em 1733 foi então criada uma Ermida com invocação a Santa Quitéria. Ainda no mesmo ano, a 3 agosto foi erguida a Confraria de Santa Quitéria, com o intuito de manter a fé bem presente por todos os moradores. Antigamente… ...a imagem de Santa Quitéria foi oferecida à igreja da Ponta Delgada em 1721 por Manuel de Freitas Vasconcelos, domiciliado no Funchal, sendo endereçada para a nova capela pouco depois da sua construção.

Esta confraria serviria para arrecadar fundos para criar uma Igreja mais ampla que satisfizesse a todos. Passaramse vários anos a angariar esmolas mas a confraria permanecia determinada a conseguir construir a Igreja para a sua população.

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A construção da Igreja constituía, também, fator determinante para a elevação da Boaventura a freguesia em 1836. Em 1993 a Igreja da Boaventura foi alvo de reparações, pois encontrava-se em estado de degradação considerável. Estas obras foram executadas sob a alçada do Padre Paulo Jorge Catanho da Silva, apesar de a ideia inicial ter sido do pároco anterior, João Pedro Gomes Henriques. Posteriormente, a 19 de março de 1995, a Paróquia da Boaventura viu chegar mais um pároco, Padre António Paulo, ao qual, se prontificou 34

a finalizar o trabalho antes iniciado: concluir a recuperação da Igreja e da Casa Paroquial. Em 2003 as obras de recuperação estavam concluídas, à exceção dos altares laterais e do exterior da Igreja. Comemora-se a festa em honra a Santa Quitéria no quarto Domingo de maio e no terceiro Domingo de agosto em honra ao Santíssimo Sacramento, sendo estas festas de caráter religioso e profano, atraindo romeiros de vários pontos da ilha.

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Capela do Imaculado Coração de Maria

Situada na Fajã do Penedo, a Capela do Imaculado Coração de Maria surgiu da devoção de uma moradora daquela zona da Boaventura, Margarida Maria dos Anjos Ribeiro, tendo sido benzida em 1919. Antigamente era assim… A Capela da Fajã do Penedo terá surgido devido a um sonho que a menina Margarida Maria dos Anjos Ribeiro tivera acerca do Imaculado Coração de Maria. Apesar de não ter revelado nada a ninguém de início, acabou por ser confrontada com essa revelação que tivera em sonho numa conversa com o Senhor Bispo do Funchal. Este incentivou a construção da Capela, ainda que para isso fosse necessária a ajuda dos moradores. A menina Margarida, apelou então, aos habitantes da Fajã do Penedo e com a sua ajuda foi possível construir a dita Capela. 36

Mas algo estranho aconteceu, no dia da Bênção da mesma. O dia solarengo que se fazia sentir foi subitamente encoberto por uma nuvem sombria que arrojava raios vermelhos no céu, como se um tremendo temporal fosse assolar aquela zona. A menina Margarida, devota como era a Nossa Senhora, pensou logo que tal sombra era obra de Satanás. De imediato rezou e em pouco tempo tudo azulou. O povo maravilhado com tal feito, agradeceu a Nossa Senhora com uma salva de palmas.

Em 1941 era pertença de Francisco Ribeiro de Andrade. Esta Capela posteriormente tornou-se em Igreja, em devoção ao Imaculado Coração de Maria, pois os católicos de então queriam uma Igreja onde fosse possível celebrar missas nos dias assinalados, como Domingos e dias san-

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tos, estando dispostos a participar nos custos para remodelação e ampliação da Capela. No segundo Domingo de setembro é celebrada anualmente uma festa em honra ao Imaculado Coração de Maria e no terceiro Domingo de setembro festejam em honra ao Santíssimo Sacramento. Saliente-se que estas duas festas consecutivas atraem imensos fiéis, alguns apenas pelos motivos religiosos e outros apenas pelas festividades fora da Igreja. Festas estas, que dinamizam toda a economia local e movimentam o sítio que por si só é demasiado calmo e pequeno.

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Capela de São Cristóvão

Foi no sítio, atualmente com o mesmo nome, que existiu uma pequena ermida em honra de São Cristóvão, sendo esta o primeiro local de culto existente nas terras de Boaventura. A Pedro Gomes Galdo ou aos seus descendentes, deve-se a sua fundação, muito antes de 1578, data em que já se encontrava em mau estado de conservação, de acordo os arquivos paroquiais da freguesia de Ponta Delgada. Antigamente… …nos tempos primitivos da colonização, foi o sesmeiro Pedro Gomes Galdo um dos primeiros e mais antigos colonizadores desta freguesia, que então pertencia, à paróquia da Ponta Delgada.

Apesar de sofrer várias transformações, presumivelmente devido à celebração de cerimónias matrimoniais e batismais entre os anos de 1586 e 1628, a Capela até então consagrada a São Cristóvão por motivos desconhecidos, foi apeada pelo ano de 1748.

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Capela de Sant’Ana

Muito antes da capela e atual igreja do Imaculado Coração de Maria, subsistiu no sítio da Fajã do Penedo uma Capela em honra de Sant’Ana. Pouco se conhece desta Capela sendo apenas reconhecido o seu fundador, o morgado António Francisco de Caires, e sua mulher Teresa Maria de Barros pelo ano de 1768. Com pouca história para reclamar, a capela de Sant’Ana foi demolida na década de 40 do século XIX, menos de um século após a sua edificação.

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Capela da Sagrada Família

O Padre Silvério Aníbal Matos apoiou a sua construção, focalizando a sua utilidade enquanto local de oração e de celebrações, não só para a população em geral, mas, particularmente para os idosos dadas as dificuldades de deslocação à respetiva Igreja Paroquial. A ideia também agradou ao Senhor Bispo, D. Francisco Santana, porém, com a recomendação de que nunca poderia ser um local de Missa Dominical. O mesmo Sr. Manuel Vicente cedeu o terreno para a construção da Capela tendo a Câmara Municipal de São Vicente aceitado e deferido a respeti-

A construção de uma Capela no sítio da Falca era uma ideia há muito alimentada pelos seus habitantes. Porém, os parcos recursos financeiros adiaram a sua construção durante quase um século. Um dos maiores impulsionadores da sua construção foi o Sr. Manuel Vicente Xavier Júnior, mais conhecido pela alcunha de “O chora”, pois, nas suas idas à Venezuela onde tinha os seus filhos bem de vida, angariou algumas ofertas para a construção da Capela da Falca.

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va autorização para proceder à construção da Capela. Finalmente, a obra arrancou a 23 de setembro de 1979, sendo celebrada uma Missa Campal. Antigamente era assim… Foi no primeiro dia de março de 1981 que se celebrou a primeira festa solene em honra da Sagrada Família, cuja Imagem foi oferecida pelo Sr. José Gerardo de Andrade. É deste modo esta capela devota à Sagrada Família.

Entretanto, foram realizados aperfeiçoamentos desta pequena Capela. A Capela da Sagrada Família, ou da Falca como é comummente conhecida, situa-se no sítio que adota o mesmo nome. Os seus principais propósitos relacionam-se com as encomendações dos defuntos, bem como todas as celebrações fúnebres das almas deste sítio.

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Bibliografia

Clode, L., Adragão J. (1989). Madeira. Lisboa: Editorial Presença. Gomes, M. (1988). Festas - romarias na Madeira. Atlântico – Revista de Temas Culturais. 14. 140-148. Gouveia, H. (s/d). Igreja do Bom Jesus de Ponta Delgada. Passado e actualidade. Madeira: Imprensa Regional Matos, S. (2001). Achegas para a história de São Vicente. São Vicente: Câmara Municipal de São Vicente. Mendes, D. (2008). Perfil Toponímico de Ponta Delgada. Madeira: Grafimadeira. Nascimento, J. (1931). Ex-Libris relacionados com a Madeira. In Arquivo Histórico da Madeira. (Vol. I, nº 2, p. 88-91). Funchal. Nascimento, J. (1935). Capelas e morgados da Madeira. In Arquivo Histórico da Madeira. (Vol. IV, nº 2, p. 65-72). Funchal. Silva, F., Meneses, C. (1863-1949). Elucidário Madeirense. (4ªed.). (Vol. I-III). Funchal: Secretaria Regional da Educação e Cultura. Ribeiro, A. (2000). A Capelinha de São Vicente. Funchal: Editorial Calcamar. Ribeiro, A. (2002). A Paróquia de Nossa Senhora do Rosário. Funchal: Editorial Calcamar. Ribeiro, A. (2005). S. Vicente – Subsídios para a História do Concelho. São Vicente. Ribeiro, A. (s/d). O Rosário em São Vicente. Funchal: Editorial Calcamar.

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Agradecimentos

Maria Conceição Caldeira (Boaventura) Graça Carvalho (Ponta Delgada)

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Património Religioso do Concelho de São Vicente Freguesia de São Vicente Capela de São Vicente Igreja Matriz de São Vicente Capela do Livramento Ermida de Nossa Senhora do Rosário Capela de Nossa Senhora de Fátima Igreja de Nossa Senhora da Paz Igreja de Nossa Senhora da Saúde Capela de Nossa Senhora da Piedade – A Casa do Passo Freguesia de Ponta Delgada Igreja do Senhor Bom Jesus Capela do Imaculado Coração de Maria Capela de Santo António Capela dos Reis Magos Freguesia de Boaventura Capela de Santa Quitéria Capela do Imaculado Coração de Maria Ermida de São Cristóvão Capela de Sant’Ana Capela da Sagrada Família

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