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Clarissa Wild Ultimate Sin Livro Único

Tradução: Sil Revisão: Deni Adequação de Leitura Final: Nai A. Data: 10/2016

Ultimate Sin Copyright © 2016 Clarissa Wild ~2~


SINOPSE Regra #1: Nunca desobedeça as ordens do mestre. Regra #2: Sempre se esforce para agradar o seu mestre. Regra #3: Não mate o seu mestre.

Quebrar as regras é o maior pecado.

Tudo o que eu sou é uma serva. Regras como estes me mantem viva. Elas são tudo o que eu conheço. Até ele. Meu novo mestre: Marcus Knight, o líder carismático e ambicioso de um império subterrâneo. Um homem com uma história que ele promete destruir. Com a sua propriedade recém-descoberta sobre mim, ele procura consertar seus crimes... e satisfazer suas necessidades. Com amor, ele me mostra o que significa pertencer a ele... e isso me faz questionar tudo. Eu não sei por que ele me escolheu, mas parece bom demais para ser verdade. E é. Porque eu vou quebrar todas as regras.

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Prólogo 5947 Dias antes Todas as noites, meninas são roubadas das ruas ou arrancadas de suas casas... as meninas gostam de mim. Eu sou a número 5947. Eu não tenho nome, mas este número tatuado na parte de trás do meu pescoço me identifica e sela meu destino. Nomes são para Mestre. Os números são para as funcionárias. Hoje, eu não servi meu Mestre corretamente, e agora, eu devo ser punida. Com minhas mãos atrás da minha cabeça e minhas pernas abertas, eu suporto chicotada atrás de chicotada. Cada chicotada acrescenta uma cicatriz entre muitas. Cada golpe em mim, mais uma lembrança da minha posição inferior. Cada chicotada dolorosa em minha pele afirmando meus próprios erros. Um grito sai da minha boca como cada gota de sangue, mas eu sei que minha voz não significa nada. Não para eles. Não a ninguém. Nem mesmo para mim. — Isto é por quebrar mais um copo. Outro golpe. Lágrimas rolam pelo meu rosto. — Obrigada, Senhor. — murmuro. E de novo. — Isto é por não ser obediente o suficiente. — Obrigada Mestre. — digo depois de um grito. O sangue quente escorre pelas minhas costas nuas e pernas, se reúnem em torno de meus pés. ~4~


— Isto é por não engolir toda a minha porra. A dor atira através de mim como trovão. — Obrigada, Mestre. — Eu profiro, com meu corpo tremendo com veemência. — Isto é por não cozinhar o macarrão Al dente. O próximo golpe me quebra, minhas pernas colapsam debaixo de mim. — Obrigada Mestre. Eu ouço seus pés batendo em minha direção. — Levante-se! Fique de pé sua fodida sem valor! — Ele me chuta no estômago, e eu me enrolo em uma bola no chão no meu próprio sangue. Tento me levantar, mas a dor intensa faz com que seja impossível. — Figa! — Ele cospe em mim. — Você me dá nojo. — Sinto muito, Mestre. Não vai acontecer novamente. — Claro que não vai acontecer novamente. Vou matá-la se isso acontecer. — ele rosna. Ele me bate novamente com o chicote. — Levante-se! Apesar da dor aguda, eu rastejo nas mãos e nos joelhos, mas como não é rápido o suficiente para ele, ele me bate com as costas da mão. — Agradeça-me. — diz ele. — Agradeça-me por lhe permitir ficar em pé. — Obrigada, Mestre. — Eu me levanto lentamente, tentando não fazer um som, mesmo que meu corpo esteja gritando em agonia. — Boa. Espero que você tenha aprendido a lição. Eu tinha tantas esperanças em você, mas você continua me decepcionando. Eu acho que é hora de você saber o que você é. — diz ele, me circulando. — Mãos atrás das costas. Abra suas pernas. — Ele torce meus mamilos para que eu me movimente rápido. — Pare. Meus olhos se arregalaram quando ele vai para a lareira e agarra um ferro que está nas chamas ardentes todo esse tempo. O olhar em seus olhos quando ele pega, faz os cabelos na parte de trás do meu

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pescoço se arrepiar, um frio congela meus ossos, e o medo corre por minhas veias. — Agora, você finalmente vai se tornar minha para sempre. — ele rosna. Ele levanta o ferro, as palavras gravadas me fazem gritar no topo dos meus pulmões. Vagabunda do DeLuca. E agora, ele irá gravar permanentemente em minha pele, selando meu destino até o dia que eu morrer. Não há como escapar destas palavras que serão visíveis para o mundo ver... as palavras que ele pretende marcar na minha própria testa. — Não! — SILÊNCIO! — Ele me obriga a ficar de joelhos. — Por favor, Mestre, não! Eu te imploro. Por favor, não faça isso. — Lágrimas correm pelo meu rosto enquanto eu rogo-lhe que me perdoe. Que me deixe. Mas o brilho maligno em seus olhos me diz que não há como voltar atrás com isso. — Você é minha puta, e você vai aprender a se comportar! — Diz ele. O ferro está apenas alguns centímetros da minha cabeça enquanto eu prendo a respiração e fecho os olhos, desejando que eu pudesse me transportar para outro mundo e fingir que tudo isso não existe mais. Mas, em seguida, a porta se abre e meu Mestre vira a cabeça em direção à interrupção. — Senhor... — Que porra você quer? Você não pode ver que estou ocupado? — Sim, senhor, eu sinto muito, mas há alguém solicitando uma audiência com você. — Bem, diga-lhe que estou ocupado. — ele rosna. — Eu tentei dizer-lhe, Senhor, mas ele não aceita um não como resposta. Meu Mestre suspira. — Tudo bem, diga-lhe que vou encontrá-lo em duas horas. — Ele especificamente disse que queria falar com você agora... ~6~


Meu Mestre ri histericamente. — Oh, ele disse? E quem diabos ele pensa que é? — É ele, Senhor. Sr. Knight. Os olhos de meu Mestre se estreitam e ele range os dentes. — Porra, esse filho da puta. Ele realmente quer fazer isso agora? — Sim senhor. Eu não teria interrompido o seu negócio se não fosse importante. Ele exige falar com o Senhor agora. — Tudo bem. — Meu Mestre lança o ferro quente para o lado e marcha em direção à porta, deixando-me nua e coberta de sangue. Mas antes de sair, ele me olha por cima do ombro.— Nós vamos continuar esta tarde. Não é apenas um aviso. É uma promessa. Uma promessa para quebrar o que sobrou da minha alma. Quando o silêncio volta à sala, eu solto um suspiro e afundo no chão, incapaz de manter-me em pé no ar frio, com feridas que ainda estão abertas. Eu olho para o chão onde o meu próprio reflexo olha de volta para mim de uma piscina do meu próprio sangue, e de alguma forma, nesse caso, eu vejo outra versão de mim. Uma menina brava. Uma menina corajosa. Uma menina honrada. Alguém que persistiu e que ainda vive, apesar de todo o mundo tentando corromper e arruinar além do reparo. Alguém que ainda tem sonhos e esperanças de um futuro melhor. Alguém que, no fundo, nunca, nunca se submeteu plenamente aos desejos sombrios e feios de seu Mestre. Essa última gota de autopreservação que perdura no meu rosto sob a forma de uma lágrima, eu limpo afastando quem nunca será meu Mestre. E isso é quando eu percebo que se eu quiser algo mais do que servir meu Mestre, mais do que agradá-lo, então eu serei tratada bem, serei mais perfeita do que eu posso ser. O que eu quero, é cometer o pecado final.

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MARCUS — E qual o significado disso? Sua raiva faz-me sorrir quando ele entra como um furacão no restaurante. Eu sento e balanço a minha cabeça para ele, determinado a não perder a calma, mas só de vê-lo já me deixa furioso. — É melhor que seja importante. — Ele coloca as mãos sobre a mesa. — Oh, é... — Eu digo, e eu remexo no bolso. No momento em que ele começa a divagar sobre estar ocupado com alguma garota, eu puxo uma pilha de dinheiro e jogo sobre a mesa. — Eu quero fazer os arranjos. — O que, agora? — Sim, agora. — Eu olho para ele diretamente em seus olhos para que ele saiba que eu estou falando sério. — Nós tínhamos um acordo, lembra? — Bem, você poderia ter me chamado e nós poderíamos ter resolvido em um encontro. — Eu não estou interessado em ficar em uma lista de espera. Você vai me ouvir e você vai me dar o que eu quero, agora. — Você está esquecendo que está no meu restaurante, se intrometendo nos meus assuntos, tentando roubar o que é meu? Você acha que eu sou idiota? — Você está esquecendo o fato de que você me deve? — Devo a você? Eu não te devo nada. — ele cospe. — Você não pode fazer exigências aqui. Você quer algo de mim... quem diz que eu estou disposto a abrir mão disso? — Esta pilha de dinheiro diz. — Eu me inclino sobre a mesa e agarro sua gravata, puxando-o para mim. — Mas você sabe o que mais? O fato de eu cobrir sua bunda. — Besteira.

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— Não me faça virar seu inimigo, DeLuca. Nós dois sabemos que nada de bom virá disso. — Você não tem nada contra mim. — ele rosna. — Sério? E o que acontece com aqueles dois homens insubordinados a vocês, X e Phoenix? A solta e fora de seu alcance. A informação que eles carregam sobre a sua divisão é como a porra de uma bomba-relógio. Uma palavra para os federais e eles vão expor toda a nossa empresa. Um deles quase trouxe a polícia direto para nós. Sem mencionar o fato de que seu filho está prestes a percorrer o mesmo caminho. Você perdeu o controle, DeLuca, e eu sou o único que pode consertar isso. Ele range os dentes, mas não fala uma palavra. — Você. Precisa. De. Mim. — Eu o empurro para trás em um assento e cai para baixo. — E agora, eu quero algo de você em troca. — Você não pode esperar que eu concorde com isso. Eu estreito meus olhos. — Você vai concordar... não há escolha. Nós já fizemos o negócio. Agora, pegue a minha oferta generosa antes de eu retirá-la completamente da mesa. — Eu aceno em direção à pilha de dinheiro. Ele franze as sobrancelhas, mas suas mãos gananciosas já estão em direção à pilha. Pouco antes das pontas dos dedos tocarem o dinheiro, eu intercepto sua mão sobre a mesa. — Amanhã. Onze da manhã em ponto. No lugar de sempre. Ele engole. — Tudo bem. Considere-o feito, mas eu não lhe devo mais nada. — Apenas me traga o que eu quero e considere feito. Ele balança a cabeça, e eu solto sua mão para que ele possa pegar a pilha e colocá-la em seus bolsos gananciosos. Eu estendo minha mão e espero até que ele finalmente a pegue, apertando com força. — Fico feliz de finalmente concordarmos. — Não é como se eu tivesse escolha, agora, não é? — Ele resmunga, soltando minha mão. — Não, você não tem. Mas pelo menos você tem dinheiro suficiente para satisfazer todas as suas necessidades, seja ela qual for. ~9~


— Afinal por que você a quer? Você escolheu aquela garota de todas as meninas que eu tenho? Eu poderia ter-lhe dado algo muito melhor. Uma que seja mais obediente e faça o melhor boquete. Por que ela? Eu sorrio e digo: — Não há razão particular. Eu só gostei de seu sorriso quando a vi. Um carro que aparece no estacionamento exterior chama a minha atenção, e eu rapidamente desvio o olhar da janela. Acabou o tempo. Eu limpo minha garganta e me levanto. — Bem, vai ser assim, então. — Saindo para arruinar mais vidas, não é? — Ele pergunta quando eu passo por ele. Eu nem sequer olho para trás por cima do meu ombro para ele quando eu respondo. — Eu poderia dizer o mesmo sobre você. Seu filho, Angel, está a caminho daqui com uma arma na mão, e algo me diz que alguma merda não está indo bem... mas não é da minha conta. Tudo o que importa é este negócio e fazer isso acontecer. Vou corrigir minhas más ações, mesmo que isso me custe o último centavo no meu bolso. Qualquer coisa para limpar a minha alma da corrupção auto infligida. Eu sou destinado a ser um vilão. Hoje, eu renasci. Hoje, eu tomei o destino em minhas próprias mãos. Eu devo me redimir do meu pecado final, mesmo que isso me mate.

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Capítulo um 5947 Agora A primeira lembrança que tenho é dos meus pais sendo mortos em frente dos meus olhos. Não é algo que eu queira lembrar, mas ninguém escolhe as coisas que permanecem em sua mente. Eu existia antes desse dia... mas a minha vida acabou naquele dia também. Eu fui raptada da minha casa, jogada em uma cela, e fui forçada a lutar pela minha sobrevivência. Tornei-me um deles. Um boneco para que eles se aproveitassem. Uma serva. Tudo depois desse dia não foi nada além de dor e sofrimento. É tudo o que conheço agora. Mas não é tudo o que eu já conheci. Há mais na minha história. Mais memórias que perduram por baixo da superfície. Mas esses momentos felizes, passados com a minha família estão escondidos, enterrados longe no abismo da minha mente. Não pode haver mais do passado. Não há mais história. Há apenas o agora e tudo o que meus Mestres me dizem para fazer. Eu sento na minha cama, olhando para o chão de concreto frio sob meus dedos formigando, perguntando quando eles vão me deixar sair novamente. Eu odeio este lugar. Este quarto, que não é realmente um quarto - é mais uma cela - é onde eles me mantêm quando não me querem ao redor da casa. Quando eles preferem que eu desapareça. Embora esteja tudo bem, porque eu estou acostumada a isso. Eu sou uma serva. Estou sob o comando deles. Eu respeito as suas regras. Seus desejos são os meus desejos. Eu vivo para vê-los felizes. Na verdade, é a única razão pela qual eu ainda estou viva.

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Eu faço o que me dizem, simplesmente porque é isso que eu sei. Eu só sei servir e sobreviver. Eles dizem que eu deveria ser grata por eles me deixarem viver. Uma e outra vez... todos os dias desde que cheguei aqui. E eu acho que eu sou. Tento mostrar isso a eles, fazendo o meu melhor com todas as minhas tarefas a cada dia. Mas hoje foi diferente. Em qualquer outro dia, eles iriam me deixar sair da minha cela, precisamente às 08h00 para fazer o café da manhã para o meu Mestre, sua família e companheiros, e para fazer outros serviços. Mas já passou muito tempo, e eles ainda não vieram. Eu não tenho um relógio no meu quarto, mas sei o horário que eu tenho que me levantar e ir para a cama, pelo instinto, pelo coração. Tudo é sempre a mesma coisa aqui. Mesma rotina. Exceto agora. Quando a trava da minha porta é destravada e minha porta range sendo aberta, eu olho para cima. Finalmente. Olhos que me encaram através da abertura me dizem que está na hora. Então eu saio da cama e vou de joelhos. Mais baixo. Tanto quanto eu posso. Minhas mãos estão estendidas na minha frente, tal como a minha face deitada no chão frio e duro. O frio se arrasta pela minha pele, exatamente onde minhas bochechas tocam a superfície. Isso me conforta um pouco. — Levante-se. — Uma das pessoas de meu Mestre veio para me pegar. Eu rapidamente me levanto e fico parada enquanto o homem cerra os olhos. — Me siga. Eu faço o que me dizem, sigo na ponta dos pés atrás dele, os meus passos são como pluma, como deveriam ser. Fazer barulho perturbando meu Mestre e seu povo é a última coisa que eu quero. A dor do meu Mestre é a minha dor, e por isso, faço o meu dever da forma mais perfeita. Se não, eu acho que eu não teria dedos para contar história.

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Quando eu passo pela cozinha, eu olho para as outras mulheres que estão limpando os pratos. Elas lavam a louça apressadamente, como se estivessem agitadas, e o horror toma conta de seus olhos quando elas me veem. Elas só dão uma breve olhada em mim antes de voltar para suas tarefas. Eu deveria fazer o mesmo. Nós não estamos autorizadas a ponderar, muito menos falar. Não que elas pudessem, as suas línguas foram cortadas muito tempo atrás. Eu sou uma das poucas que ainda tem a capacidade de falar, e é por isso que eu gosto tanto dela. Eu sempre uso minha boca quando o meu Mestre me permite, porque eu não quero perturbá-lo. No entanto, gostaria, mesmo que apenas por um segundo, eu pudesse falar com estas mulheres. Para dizer-lhes que está tudo bem. Eu posso ver que elas estão ansiosas, e é provavelmente por minha causa. Eu nunca fui retirada da cela tão tarde, assim, algo deve estar acontecendo. As mulheres devem sentir isso também. Acho que vi o amor em seus olhos enquanto olhava para elas uma última vez. Afinal elas foram as mulheres que cuidaram de mim todos estes anos, enquanto eu permaneci aqui. Como uma prisioneira. Todas nós. Elas foram as únicas que me alimentaram. Mostraram como agradar nosso Mestre, para que eu não acabasse como elas. E agora, eu me pergunto se tudo foi em vão. O homem me guia pelos corredores até chegar a escada. Eu subi tantas vezes essa escada antes. Eu o sigo através da escotilha e saio para a luz. — Rápido, agora. — Ele agarra meu braço e me puxa pela mata até chegar a um caminho onde um carro leva-me para a mansão. É lá que o meu Mestre e a sua gente vivem. Onde eu faço minhas tarefas e qualquer outra coisa que eles desejam de mim até que eles se cansam da minha presença e mandam-me de volta para minha cela, para onde sou escoltada de volta. Essa é a minha rotina e minha vida como uma serva obediente. No entanto, essa rotina agora foi quebrada.

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Nós não estamos no horário, e eu gostaria de saber se meu Mestre ficará tão chateado comigo que poderia cortar minha língua também. Eu sei que não fui tirada da minha cela no horário certo, mas ainda assim, ele me culparia. Quando eu entro no carro e me sento, o homem fecha a porta com tanta violência que parece que ele fechou permanentemente. Eu tremo quando ele se senta ao meu lado. Eu nunca gostei dele. Especialmente quando ele coloca a mão no meu colo, como ele faz agora. As pessoas do meu Mestre fazem o que eles querem de mim, e eu aceito tudo. No entanto, o meu Mestre não sabe que este homem me toca de uma maneira que só o meu Mestre deveria. Duvido que ele ficasse satisfeito. Eu tremo, uma parte de mim já se preparando para o pior. Devo pedir ao meu Mestre por misericórdia? Afinal de contas, é sempre minha culpa se algo que ele não gosta acontece. Eu sou uma prostituta. Um desperdício. Uma menina simplória que nada mais é do que uma boneca de pano, esperando para ser jogada fora. Se meu Mestre está descontente, é minha culpa. Se o meu Mestre não me quer mais, a culpa é minha. É sempre culpa minha. E eu aceito isso, porque foi para fazer isso que eu fui treinada. Quando nos dirigimos ao longo da estrada, não posso deixar de notar que não estamos indo para a mansão. Quanto mais nós dirigimos, mais meu coração acelera na minha garganta. Eu tenho problemas para manter a minha postura e respiração, mas temo as consequências se eu desmoronar. Eu não devo quebrar. Eu não devo quebrar nunca. Não importa quantas vezes eu queira perguntar para onde estamos indo, minha boca permanece fechada. Eu não devo abrir minha boca. Eu não devo falar a não ser se me perguntem. As perguntas são para o Mestre, não para os funcionários. Eu só respondo. Então eu permaneço em silêncio durante o resto da viagem, tentando não manter meus dedos muito contraídos. Às vezes, eu me ~ 14 ~


pego olhando pela janela, muito curiosa para saber para onde estamos indo, mas eu me recrimino mentalmente por sequer pensar nisso. Eu não posso vacilar no meu dever. Minha lealdade está com meu Mestre. Minha vida é dele e ele faz comigo o que ele desejar. Ele está me mandando embora? Oh Deus, eu não sei por que eu estou pensando isso, mas é a única razão pela qual ele não iria me chamar para sua mansão. Mas eu devo parar. Eu não posso duvidar do meu Mestre, nem mesmo na minha própria cabeça. É punível com a morte. O suor escorre pelas minhas costas quando o carro para em algum lugar em uma estrada abandonada depois de ter dirigido cerca de uma hora mais ou menos. O homem tira a mão da minha perna e abre a porta, sinalizando para eu sair também. O sol está brilhante e arde quente quando eu saio, piscando rapidamente para ver o próximo carro à distância. O homem espera até que o carro pare, à frente não muito longe. — Fique aqui. — ele rosna para mim, então eu fico. Alguém sai do outro carro e os dois começam a andar em direção um do outro. No meio, eles param. Eles parecem estar conversando e eu observo, querendo saber o que é que eles estão discutindo. Depois de um tempo, uma mala é dada ao homem que me trouxe aqui, e depois de verificar o conteúdo, ele me olha de cima do ombro e acena para eu me aproximar. Eu vou em direção a eles, um passo de cada vez, sem saber se isso é o que eu deveria estar fazendo. Mas as minhas pernas parecem ter mente própria. Uma mente curiosa.Uma mente de querer saber as respostas que tão desesperadamente procura. O que eles estão fazendo e por que estou aqui? Eu não acho que vai demorar muito para eu descobrir. Ao me aproximar deles, percebo que o outro homem esconde seus olhos por trás dos óculos escuros e as mãos atrás das luvas de couro. — Eu suponho que temos um acordo, então? — Diz o homem.

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— Sim. Ela é toda sua. — O homem que me trouxe aqui, fecha a mala e acena. Em seguida, ele dirige sua atenção para mim. — Vá com ele. Ele se vira e caminha de volta para o carro. Meus pés querem ir atrás dele, mas uma mão no meu ombro me impede de fazê-lo. — Vem comigo. — o homem atrás de mim diz. Eu tento me mexer, mas ele me gira em torno de meus pés. — Você não precisa voltar com ele. — Mas meu Mestre... — Deseja vê-la aqui comigo. Agora, venha. — Ele me empurra para o carro, que tem vidros escuros, e abre a porta para mim. Eu não tenho escolha, eu entro e a porta é fechada atrás de mim. Afinal de contas... ele disse que meu Mestre me quer aqui. Quando o homem se coloca atrás do volante, eu não posso deixar de perguntar. — Será que... o meu Mestre não me quer? — Pergunto hesitante. No momento em que as palavras escapam dos meus lábios, eu coloco minha mão na frente da boca. Ele muda as marchas e vira o carro. — Seu Mestre quer você com a gente agora. A mesma resposta genérica, o que significa que ele não vai me dizer até chegar a algum destino, o que ele tem em mente. Pergunto-me onde estamos indo e o que vai acontecer comigo, mas eu sei por experiência, que ninguém nunca vai me dizer se eu perguntar. E se eu tentar... Eu corro risco de perder um dedo ou a língua. Então, eu me abstenho de fazer mais perguntas e deixo o homem me conduzir para o desconhecido. Três horas. Esse é o tempo que leva para chegar a um aeroporto. Minhas mãos e rosto estão colados à janela quando eu vejo os aviões no ar. O carro para, mas eu não consigo parar de olhar para os aviões flutuando. Ele abafa uma risada. — É a sua primeira vez em um aeroporto? — Sim, senhor. — eu respondo. — Então você nunca viu ou embarcou em um avião? — Não senhor. ~ 16 ~


— Interessante. — Ele abre a porta e sai, em seguida, me permite sair também. Nós caminhamos para o aeroporto, onde eu deixo meus olhos vaguearem ao redor. Estou muito interessada em tudo para perceber que estamos indo direto para o embarque. Ninguém está perto da entrada que estamos nos aproximando. O homem mostra sua passagem para a senhora, bem como a minha. Eu não estou surpresa que ele tenha uma para mim também. Tudo está sempre preparado, como servos não estamos autorizados a fazer qualquer coisa por conta própria. Nós caminhamos até o portão e por um longo túnel. Parece algo saído de um filme, um daqueles filmes de alienígenas que meu Mestre, por vezes, assiste. Ao entrar no avião é como entrar no navio, só que não são assentos luxuosos, parecem mais com mesas de cirurgião onde pessoas podem ser amarradas a elas. Eu paro para esconder uma risada na minha mão. — Vá em frente. — o homem atrás de mim diz quando ele me empurra para frente. Eu ando pelo corredor do avião, notando que ninguém está realmente a bordo, exceto um comissário de bordo. Quando eu olho por cima do ombro, noto que o homem está sentado na parte da frente do avião, deixando-me passear. Bem quando eu passo por um assento no meio, eu avisto cabelos escuros apontando para cima de um dos assentos na parte de trás. É um espaço circular com dois assentos de couro luxuosos e uma mesa no meio, descansando em um tapete colorido. Quando eu faço o meu caminho para a pessoa sentada naquela cadeira, meu coração não pode evitar, mas bate mais rápido a cada segundo. Estou fazendo a coisa certa? Será a pessoa que vai me dizer o meu paradeiro? Será que este homem finalmente vai me dizer o que estou fazendo aqui? Minha respiração vacila quando eu passo pelo homem que se senta na cadeira. Eu não olho para ele, porque seria rude. Em vez disso, eu abaixo os olhos para o chão quando me viro para ele, eu faço uma reverência, mostrando humildade em comparação a ele. — Pare. — Sua voz é mágica, bonita, como uma música delicada, mas com uma pitada de escuridão. — Olhe para mim.

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Meus olhos viajam até o seu perfeito terno caro até que caiam sobre os olhos mais intensos que eu já vi. Azuis, radiantes, e vastos como o mar, escondendo muitos segredos que eu quero mergulhar. E então ele sorri. É algo que eu raramente vi no rosto de alguém quando me encontrava, e muito menos no de meu Mestre. Ninguém sorri para alguém como eu. No entanto... ele faz, e é tão suave, tão puro. Aquele sorriso... É máscara de mil palavras ainda não ditas. — Sente-se. — Ele aponta para o assento em frente a ele. Eu concordo com a cabeça e faço o que ele instrui, sentando sem fazer um som. — Preparem-se para a decolagem, — uma voz soa através dos alto falantes. — Afivelar cintos de segurança. O homem na minha frente é atraente, ouso dizer. Cerca de dez anos mais velhos do que eu, por isso cerca de trinta anos, e ele é muito mais alto. Sua voz rouca, barba por fazer, e parece robusto, o exato oposto de seus olhos suaves. Como se ele estivesse tentando esconder sua compaixão sob uma aparência áspera. Ele olha para mim quando eu coloco o meu cinto de segurança e espero que algo aconteça. E se algo acontecer. Eu não estou preparada para o momento em que o avião corre para fora da pista, meu corpo parece estar sendo esmagado contra o assento até que de repente todo o peso é levantado de mim e eu me sinto livre como um pássaro. O avião deixa a Terra e nós também. Fico maravilhada com a visão que eu testemunho através da pequena janela. Eu não posso tirar os olhos do mundo que cresce mais a cada segundo e as nuvens que aparecem à vista. Só a sua voz quebra os meus pensamentos. — Você pode desatar o cinto agora. Eu faço o que ele diz e tomo uma respiração longa e profunda. Depois de experimentar algo tão emocionante, eu definitivamente precisava disso. — Você quer um travesseiro?

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— Oh, não, eu estou bem, senhor. — eu digo, espantada por ele mesmo ter oferecido. — Eu quero que você fique confortável. — Ele pega um de uma pilha ao lado dele no peitoril da janela e estende as mãos para mim. Aproveito de bom grado, mas sinto como se eu não devesse. Ninguém, nem mesmo as mulheres me fizeram um agrado desses. Por que ele me daria essas coisas sem que eu merecesse? — Obrigada, Senhor. — Eu tento esconder o rubor no meu rosto, baixando a cabeça. Ele parece satisfeito pela maneira como olha para mim como se ele estivesse feliz em me ver, me confundindo. — Então, como foi a viagem? — Ele pega o bule de chá da mesa e derrama em uma xícara. — Bem, senhor. — Qualquer coisa extraordinária? — Ele coloca a xícara para baixo. — Não senhor. — Nem mesmo os aviões? Eu olho para ele. — Bem, eu nunca tinha visto um antes, senhor. — Sério? Hmm... — Eu o vejo pegar outra xícara e servir mais chá. Ele deve estar com sede, e eu conversando, vai atrapalhá-lo de beber seu chá, então eu rapidamente fecho a boca. Foi quando ele fez a coisa mais estranha. Ele empurra uma das xícaras para o meu lado da mesa. Eu olho para ele, perguntando o que é que ele quer que eu faça. — Vá em frente. — diz ele. — Pegue. Eu lambo meus lábios, meus dedos estendendo a mão para a xícara. Eu já podia saborear o chá na minha língua, mesmo antes de beber. Já faz um longo tempo desde que eu bebi qualquer coisa diferente de água, mas lembro do sabor do chá como se fosse ontem. — Beba. — diz ele quando eu pego a xícara em minhas mãos. — É para você.

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Eu levo a xícara aos lábios e saboreio. Tem gosto de céu. Quente, doce, e picante. Tão bom. Eu poderia chorar, mas isso iria perturbar o homem, por isso eu não choro. Eu queria deixar o chá ficar na minha língua para o sabor durar um pouco mais. — Como está? — O homem na minha frente pergunta. — Delicioso. — eu respondo. E então eu engasgo com meu chá, tossindo. — Quero dizer, Senhor. Sim, senhor, está perfeito. Oh Deus, o que eu fiz? Eu não disse Senhor. Por quê? Por que eu me atrapalho tantas vezes? Eu me acovardo na visão dele levantando uma sobrancelha. — Sinto muito, senhor. Isso não vai acontecer novamente. — Eu engulo as lágrimas e coloco solto a xícara, me preparando para o pior. — Está tudo bem. — Ele balança a cabeça, em seguida, o mesmo sorriso aparece novamente. — Não se preocupe com isso. Eu pigarreio e olho para o tapete. Eu não entendo este homem. — Eu fui rude. Deixe-me me apresentar. Meu nome é Marcus Knight. E seu nome é? Meus olhos se arregalam, e eu paro de respirar por um segundo. Então eu caio da cadeira de joelhos, afundando meu rosto no tapete macio. Um material acolhedor em relação à cela fria, dura que eu estou acostumada a me curvar. — O que você está fazendo? — A voz dele é severa, descontente. — Lamento profundamente, Senhor. Eu o desapontei. Eu não quis ser rude. Eu não mereço a sua atenção ou o chá que você tão gentilmente me ofereceu. Lamento pelo meu acidente, por me esquecer de chamá-lo de Senhor. Eu sou humilde. Eu não sou nada em sua presença. Eu tremo, esperando que minhas palavras façam justiça e me permitam sair disso ilesa. — Levante-se. — As palavras deslizam de sua língua como veneno. Quando eu levanto a cabeça, vejo seu rosto enfurecido, e eu hesito em me levantar. — Se. Levante. — Ele rosna.

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Então eu obedeço porque eu sempre faço o que me mandam. — Eu não quero nunca mais ouvir essas palavras saindo de sua boca novamente. Você me ouve? — Sim, senhor. — Eu me levanto, testemunhando a sua glória. — E pare de me chamar de Senhor. — Ele ajusta a gravata. — Me chame de Marcus ou Sr. Knight. — Sim, Sen... Quero dizer, Sr. Knight. — Eu não ousaria chamálo pelo seu primeiro nome. Isso é um privilégio para aqueles que estão livres. — Agora, sente-se. — Ele parece irritado quando pega o bule de chá de novo e enche minha xícara mais uma vez. — E beba o seu chá. — Sim, Sr. Knight. Eu espero que ele termine de servir o chá antes de pegar a xícara e beber novamente. Ainda está tão delicioso como antes, mas eu não entendo por que ele quer dar isso para mim.Enquanto eu saboreio, não posso evitar e me atrevo olhar para ele enquanto ele se senta na cadeira e relaxa novamente. — Você quer me perguntar alguma coisa? — Diz ele depois de um tempo. — Sinto muito, Sr. Knight. Não quero ofendê-lo com os meus pensamentos remanescentes. Eu estava apenas admirando sua presença. Eu não sou digna dela. — Pare de dizer essas coisas, — diz ele. — Pergunte-me o que você está realmente pensando e pare de se desculpar por isso. — Sim, Sr. Knight. Eu estou - perdoe-me, fui treinada desta forma — Ele revira os olhos, então eu me ajeito no meu lugar. — Por que você me permite beber o seu chá? — Meu chá? É o seu chá agora. Você está bebendo, é seu. — Ele cerra os olhos. — Eu não mereço... — Se eu lhe der algo, é porque você merece. — Ele se inclina para frente. — Você merece mais do que você pensa.

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Eu engulo afastando o nó na garganta. — Obrigada, Sr. Knight. Você é muito gentil. — Hmm... — Ele suspira e se inclina para trás de novo, claramente não está feliz com a minha resposta. — Diga-me... Por que é que você sente a necessidade constante de se desculpar e elogiar as pessoas com quem você está falando? — Porque é isso que eu fui ensinada a fazer. Eu vivo para servir e fazer você feliz. — Não, — diz ele, com o rosto descontente. — Você vive... — Ele vira a cabeça, não termina a frase. Suas narinas estão dilatadas enquanto olha para fora da janela. — Eu disse algo errado? — Eu pergunto, meu coração bate mais rápido quando eu percebo que eu falei sem ser solicitada. Ele vira a cabeça para trás para mim de novo, o dedo indicador descansando entre o nariz e os lábios. — Não tenha medo de falar. Não existem consequências quando você está em torno de mim. — Sim, Sr. Knight. Vou lembrar disso. — Bom. Agora, você ainda não me disse o seu nome. — Eu não tenho um nome, Sr. Knight. Eu tenho um número. É 5947. Eu sou o que você quiser me chamar. Ele franze a testa. — Um número? O que você quer dizer? — Cada funcionário tem o seu próprio número, Sr. Knight. Eles são atribuídos a nós no momento em que somos capturados. — Hmm... Ok. — Ele suspira. — Do que as pessoas geralmente a chamam, então? — Serva. Prostituta. Cadela. Seu rosto se contorce com cada palavra que eu falo, e suas mãos apertam com força o braço da poltrona. — Qual é o seu nome? Seu nome verdadeiro. — Eu... eu não... — Eu olho para a xícara na minha mão, observando o redemoinho de chá ao redor. Isso me lembra do meu coração e minha mente... sempre girando enquanto a vida passa, sem nunca parar para pensar e sentir o que está realmente lá.

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— Pense. Qual é o seu nome? Qual o seu nome antes de você se tornar uma serva? Quem é Você? As perguntas me puxam para os cantos da minha mente, para a memória muito além do meu alcance. Num dia sangrento quando vi pintados de vermelho as paredes e o chão. A xícara cai das minhas mãos, o chá derrama sobre o tapete. — Oh, não, — eu murmuro, afundando-me de joelhos. — Sinto muito, Sr. Knight. Eu realmente sinto. Vou limpá-lo. — Não, não. Está tudo bem. — Ele move rapidamente os dedos. — Amelia! Uma mulher corre pelo corredor com uma pequena toalha e fica de joelhos ao meu lado, embebendo o chá do tapete sem eu fazer nada. — Deixe-me... — eu murmuro. — Não, — diz o Sr. Knight. — Vamos, Amelia vai limpar. Basta ficar sentada. Com relutância, eu faço o que ele diz, observando a mulher limpar a minha bagunça. Isso parece tão errado. — Qual é o problema? — Ele pergunta. — Eu tenho que limpar eu mesma, Sr. Knight. Eu fiz a bagunça. É minha culpa. — Há outros que podem limpar tão bem quanto você. — Ele cruza os braços. — Mas eu... gosto. — Eu mordo meu lábio. — Você gosta de limpar? — Ele inclina a cabeça. — Sim. Isso me faz... acalmar. — Eu dou de ombros. — Interessante. — Ele pega a xícara e bebe mais um pouco de chá. Amelia se levanta do chão. — Bem, não está perfeito, mas isso vai ter que servir. — Ela sai com uma toalha molhada, deixando-me com uma frustração. Imperfeito? Deve ser... para ele. — Pare de se preocupar, — diz o Sr. Knight. Concordo com a cabeça em obediência. ~ 23 ~


— Agora eu entendo por que você não quer me dizer o seu nome. Você não se lembra, não é? — Não é que eu não possa... eu só... — Eu franzo a testa. — Está tudo bem. Nós nome. Como Ava, o que acha?

vamos

apenas

dar-lhe

um

novo

— Ava? Parece... agradável. — Eu sorrio para ele, o que eu lamento imediatamente. Ele sorri de volta, apesar de tudo. — Você tem um sorriso tão bonito. Você deve sorrir mais vezes. Seu comentário me faz sorrir ainda mais. — Preparem-se para o pouso. — Uma voz ressoa através do intercomunicador. Amelia volta para pegar o bule e as xícaras. — Esqueci de levar. — Ela ri como se não fosse grande coisa e os leva. — Coloque o cinto de segurança, — diz o Sr. Knight. Eu faço conforme as instruções e espero o que acontece em seguida. O avião começa a mergulhar, e a resistência do ar o faz tremer. Quando eu sinto o pânico crescente, tudo que eu preciso fazer é olhar para a calma do Sr. Knight e seus olhos assertivos e saber que estou segura. Quando o avião pousa, o homem que me trouxe em seu carro junto com o senhor Cavaleiro me acompanha para fora. Nós caminhamos pela calçada fria do aeroporto apenas para entrar em um helicóptero. O homem que me trouxe para o Sr. Knight fica para trás. — Eu vou te ver em breve, — Sr. Knight diz a ele, e acena para o outro. Eu me sento e afivelo o cinto de segurança novamente. O helicóptero parece tão pequeno e move-se violentamente à medida que sobe para o ar. Sr. Knight parece que não consegue tirar os olhos de mim, apesar de tudo. Seu sorriso faz dele incrivelmente bonito, diferente de qualquer outra pessoa que eu já conheci. Seu olhar contínuo faz-me corar quando eu esfrego meus lábios e escondo meu rosto mais uma vez. Eu não sei se eu deveria dizer algo. Sr. Knight me disse que eu poderia falar sem ter medo de ser reprimida, mas eu nunca tive aprovação antes. Eu não sei como lidar com isso.

~ 24 ~


— Diga-me o que você está pensando, — ele grita no microfone. Eu tomo um rápido olhar para fora da janela, vendo a floresta profunda à frente. — É lindo. — Gifford Pinchot Floresta Nacional. Um vasto terreno, com montanhas íngremes, penhascos perigosos, e árvores, tanto quanto os olhos podem ver. — Onde é isso? — Eu pergunto, esperando que a minha pergunta não esteja fora de questão. — Estado de Washington. — Um sorriso puxa o canto dos seus lábios. — É onde fica o meu lar. Eu ouço, mas meus olhos não podem parar de olhar para o exterior à vista magnífica. Eu nunca vi nada como isso antes. Tal natureza crua. É uma grande diferença de onde meu Mestre vive. Eu franzo a testa, percebendo que estou tão longe de casa. Eu me pergunto o que o meu Mestre quer de mim, o que eu devo fazer aqui fora. Porque é que este homem me trouxe aqui? Qual é o objetivo da visita? O Sr. Knight de repente desce em direção a uma casa no meio da floresta, não muito longe à frente. É enorme, e feita totalmente de madeira. Pelo menos, no lado de fora, parece-se misturar muito bem no ambiente. — O que é isso? — Pergunto. — É a minha casa. — Sua língua rapidamente se lança a lamber os lábios. — E é também o lugar onde você vai ficar. — Você vive na floresta? — Eu não só vivo lá, — diz ele, olhando para fora da janela, como se ele estivesse se vangloriando, — eu a possuo. — A casa? Ele sorri. — Tudo. Meus olhos ligeiramente se arregalam a partir dessa afirmação, embora eu não devesse estar surpresa. Meu Mestre tem muitos, muitos amigos ricos. — A floresta é minha, então eu posso fazer o que quiser com ela.

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— Então você vive aqui? — Eu limpo minha garganta. Quando ele não responde, eu acrescento, — Me desculpe se eu estou fazendo muitas perguntas, Sr. Knight. — Não há nada para se desculpar, Ava. Você está apenas curiosa, isso é tudo. Mas você vai descobrir em breve. — Ele sorri e, em seguida, vira a cabeça. Eu acho que a conversa acabou. Logo depois, o helicóptero pousa sobre uma pista ao lado de sua casa. Ele salta do helicóptero, mas quando eu me levanto, ele estende a mão. Leva-me um segundo de hesitação para aceitar sua oferta. Eu a agarro e imediatamente sinto o calor que flui dele para mim. Ele é forte, mas suave quando me ajuda sair, segurando a minha mão como se eu fosse uma flor delicada que ele tem que proteger. — Aqui estamos, — diz ele. -Venha. — Sr. Knight me puxa com ele para a casa. — É... enorme, — murmuro. — Mmmhmm, mas haverá tempo de sobra para você explorar. — Ele pega um cartão especial e passa em algum tipo de dispositivo eletrônico que fica verde. A porta faz um estalido. — Você vai ficar aqui por um tempo. — Ele empurra a porta aberta, permitindo-me olhar dentro. No entanto, a pergunta que eu sinto que eu deveria fazer é mais importante para mim agora do que olhar ao redor de sua casa. — Sr. Knight, posso perguntar-lhe... — Qualquer coisa, — diz ele. Eu olho para ele. — Quanto tempo eu vou ficar aqui? — Isso importa? Minha testa vinca. — Meu Mestre pode ficar descontente se eu ficar aqui por muito tempo. Ele abafa uma risada e esfrega o nariz. — Para ser honesto, eu realmente não me importo com o que ele pensa ou sente. Meus lábios se abrem, mas eu não sei como responder. E quando eu pensei que as suas palavras não poderiam me confundir mais, ele vai e quebra a norma, me oprimindo ao ponto de eu não saber o que dizer.

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A mão dele agarra a minha. — Você não vai voltar para aquele lugar, Ava. — Ele coloca a outra mão sobre a minha, enfatizando seu poder sobre mim. — Esta é a sua casa a partir de agora. — Mas por quê? — Eu engulo o medo que corre em minhas veias. Ele se inclina, e sussurra meu ouvido. — Porque eu sou seu Mestre agora.

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Capítulo dois AVA Mestre. Meu novo Mestre? Ele falou isso, mas é verdade? Como pode ser? Meus lábios tremem enquanto eu tropeço para dentro de sua casa, sua presença por si só fazendo meu coração tremer. Ele segura as mãos no ar como se quisesse dizer que não quer me causar nenhum dano, mas ele já está me quebrado ao meio, dizendo aquela palavra. Mestre. — Não tenha medo. — Ele dá um passo adiante. — Eu não vou te machucar. Eu não tenho medo, mas estou confusa. — Como você pode ser meu Mestre? Eu já tenho um Mestre. — DeLuca não será o seu Mestre nunca mais. Eu sou seu Mestre agora. — Não! Meu Mestre não me abandonaria. — Eu dou um passo para trás. Eu menti. Eu estou com medo. Medo das consequências se suas palavras forem verdadeiras. — Escute-me. Eu sou seu Mestre agora. Eu não sou DeLuca. Eu não vou tratá-la mal. Eu balanço minha cabeça, ainda tentando me agarrar ao que eu conheço. — Não fale palavras ruins sobre o meu Mestre. — Ele não é o seu Mestre. Não mais. Eu tremo, tentando agarrar uma mesa, ou qualquer coisa que haja para eu me agarrar. O chão parece que está sendo puxado debaixo

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de mim, e eu estou familiarizada com ele. — Eu não entendo... por que ele faria isso... como? — Ele a vendeu para mim. Meus olhos atiram da esquerda para a direita, tentando compreender a situação. — Eu fui comprada? Ele balança a cabeça. — Não me faça falar mais palavras sobre isso. Eu odeio a própria palavra. — Então você... você me possui agora? — Eu murmuro. Ele balança a cabeça lentamente novamente. — Você é minha, completamente. Meu primeiro instinto é fugir. Só que eu não posso. Ele já fechou a porta, e tenho certeza que ela está trancada. Quando em perigo, uma pessoa escolhe sempre uma de duas coisas. Luta ou fuga. Fugir não é possível, mas eu sou capaz da outra opção? Sem pensar, eu pego o primeiro objeto perto de mim. Um abridor de cartas. — Não se aproxime! — Eu o seguro como uma faca. O medo me comanda agora. Não o medo da dor ou punição. Eu sei como é isso. Mas eu não sei o que está acontecendo agora... meu medo é algo que eu nunca senti antes. O medo do desconhecido. Mesmo quando eu aponto a minha arma para ele, ele vem na minha direção, levantando as mãos e abaixando o rosto. — Não faça nenhum movimento brusco, Ava. Você não quer cometer um erro. Minha mão está tremendo por eu me defender contra um homem que me trancou em sua casa. Um homem que eu não conheço. Um homem que me diz que é o meu novo Mestre... um homem que pode, literalmente, quebrar uma mulher com apenas uma palavra. Essa única palavra... Mestre. Ele me quebrou. — Não... — eu murmuro com lágrimas caindo pelo meu rosto.

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Mesmo quando ele chega mais perto, a minha arma permanece no ar, mas eu não o atinjo. Em vez disso, eu a deixo escorregar por meus dedos abertos. Eu espero que ele a use em mim. Eu não mereço nada menos. Eu o ameacei. Um Mestre... não, não apenas qualquer Mestre... o meu novo Mestre. Se o que ele diz é verdade, eu quebrei o voto inquebrável. Eu devo ser punida. Fechando os olhos, aguardo a meu castigo, esperando que seja rápido e doloroso. Mas, então, a coisa mais peculiar acontece. Ele me abraça. — Shh... Suas palavras são simples, mas abriram o espesso muro construído em torno do meu coração. — Não fique chateada. Eu não estou aqui para te machucar. — Ele me segura mais perto, seu abraço é caloroso e acolhedor. Isso é bom. Melhor do que qualquer coisa que eu já senti. — Eu sei que você não confia em mim, e você não tem nenhuma razão para isso ainda, mas saiba que você está segura. — Ele acaricia a parte de trás da minha cabeça e meu rosto instintivamente mergulha em seu peito como se buscasse o conforto que eu não mereço. Eu tentei machucar meu Mestre. — Você... — Eu não posso nem mesmo continuar falando. — Sim, eu sou o seu novo Mestre. Se você vai ou não querer acreditar, não importa. A única coisa que importa é que você é minha agora, e eu não quero que você pense sobre o seu velho Mestre por mais de um segundo. Você entende? Eu deveria ter vergonha de mim mesma. Respeito é o que me leva a escapar de seus braços e afundar no chão. — Por favor, perdoe-me, Mestre. — Eu agarro sua bota e a beijo. — Eu sou sua humilde serva. Tenha piedade.

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Ele balança a perna. — Não faça isso. — Quando eu não respondo e me agarro a sua perna, ele grita: — Olhe para mim! Eu olho para ele e testemunho a raiva se desdobrar. — Levantese! Eu fico de pé na frente dele, mansa, como um cordeiro. Ele vira o abridor de cartas até que a lâmina esteja apontada para mim, e eu me inclino para trás, assustada. — Não faça isso de novo, você entendeu? Eu engulo em seco de medo. — Fazer o que de novo... Mestre? — Não me implore por perdão quando não há nada a perdoar. — Sinto muito, Mestre. — Eu limpo minha garganta. — Não lamba a minha bota como se você fosse um cão, — ele continua. — Eu te ameacei com um objeto pontiagudo. Não foi certo. — Você estava com medo, e com razão. Talvez eu devesse ter lhe contado mais cedo. Meu Mestre... duvida de si mesmo? — Eu sou sua para fazer o que quiser, incluindo dizer-me qualquer coisa sempre que quiser. Ele suspira. — Eu cometo erros. Assim como você. Assim como qualquer outro ser humano. — Oh, não, Mestre não pode ser comparado a qualquer servo simples. Ele engole em seco, e se apoia como se ele precisasse se segurar. — Você não é minha serva. Não sou uma serva? Eu nunca ouvi tal coisa antes. Eu não entendo, mas ele parece irritado, por isso não vou perguntar. Eu não quero perturbar o meu novo Mestre. Eu já atravessei muitas linhas. — Venha, — diz ele, colocando a mão na parte inferior das minhas costas. — Deixe-me mostrar-lhe a minha casa. Seu toque deixa a minha respiração irregular, mas o meu coração se acalma quando eu olho para o seu rosto suave. Ele é tão gentil

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comigo, não é o que eu estou acostumada de um Mestre. Me pergunto por quê. No entanto, no momento em que ponho meus olhos em sua casa, eu perco o restante da habilidade de falar. É magnífica. Forrada de madeira no exterior, mas o interior parece brilhar com um piso de mármore e tapetes vermelhos espalhados. No canto, uma formação rochosa invade a casa como se ela fosse uma parede natural; como se a Terra desse a luz nesta mesma casa. — Esta é a sala de estar, — Eu o ouço murmurar atrás de mim, mas eu estou muito espantada para prestar atenção. No meio há uma grande área aberta com sofás brancos enfrentando filas e filas de janelas e uma lareira ao lado. Por trás das janelas, vejo um rio espumante com água jorrando e seguindo o fluxo. A floresta está um pouco além, uma vasta paisagem preenchida com riachos, árvores, arbustos, aves, e uma montanha à certa distância com uma cachoeira que desce de uma fenda. Sua mão deixa as minhas costas, e eu instintivamente caminho em direção as janelas, atraída pela beleza do mundo exterior. Perguntome como seria caminhar até lá. A céu aberto. Livre. — Você gostou? — Ele pergunta. Concordo com a cabeça e olho por cima do meu ombro. — É lindo. Ele se coloca ao meu lado, olhando a natureza que nos rodeia. — Você já viu algo assim? — Só na televisão. Ele olha para mim de lado. — Então, você nunca esteve lá, em carne e osso? Eu balanço a minha cabeça. — Meu Mes... eu nunca saí antes de ser trazida para você. — Eu engulo a palavra que eu estava prestes a falar. Suas sobrancelhas se levantam. — Hmm... Seu zumbido me dá um arrepio. O que isso significa?

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É algo que ele sabia ou não? Ele está surpreso? Irritado? Eu gostaria de saber. Quando eu olho para trás, percebo que a minha mão deixou uma marca no vidro. Eu não percebi que tinha tocado o vidro. — Desculpe, Mestre, eu vou limpar isso imediatamente. — Eu quero que você olhe ao redor pela casa em primeiro lugar, — ele imediatamente interrompe quando eu me viro. — Oh...

tudo bem. — Eu mexo meus dedos, sem saber o que

fazer. Ele coloca a mão no meu ombro. — Este lugar é o lugar onde você vai ficar de agora em diante. Eu quero que você se familiarize com ele para que você se sinta em casa. — Obrigada Mestre. Sempre que eu digo a palavra... Mestre, suas narinas e os olhos começam a arder. Será que ele odeia a palavra? Ou será que ele gosta muito? Eu não sei dizer, o que é frustrante. Eu quero que ele fique feliz com tudo o que faço. Eu devo isso a ele depois do que eu tentei fazer com ele. Ele me cutuca e me puxa de minhas breves reflexões. — Vamos, vamos dar um passeio.

***

MARCUS Ela me surpreende. A maneira como ela olha através das janelas para o mundo exterior como se fosse uma pintura de um dos maiores artistas me deixa surpreso. Ela toca minha geladeira e aparelho de som, que abrem automaticamente ao som de uma voz. Seu corpo se encolhe como um gato, com medo de qualquer coisa que se mova. Ela fica fascinada pelos aparelhos tecnologicamente avançados espalhados ao redor da minha casa, como as luzes que acendem e apagam na primeira detecção de movimento ou as minhas portas que se abrem automaticamente. Eu os ~ 33 ~


uso para minha conveniência, mas para ela, são as maiores maravilhas do mundo. Nunca em meus sonhos mais selvagens eu teria pensado em suas cicatrizes mais profundas. Que ela nem sequer reconhece o mais simples dos avanços tecnológicos, invenções que estão aqui há pelo menos cinco anos ou mais. O quão privada da realidade ela realmente foi? O que realmente aconteceu naquela casa onde ela morava? Quando eu coloquei os olhos sobre ela, eu sabia que ela estava danificada. Eu só não sabia até que ponto. Toda vez que ela olha para mim, meu coração racha. Ela é pura e tão quebrada. Quando ela olha para mim e minha casa, com olhos grandes, inocentes, me diz que ela é inexperiente, mas ela sabe exatamente como se comportar em torno das pessoas. Como um fantoche que domina seus próprios Mestres. Ela sabe como me enrolar em torno de seus dedos, mas eu não vou deixar. Eu não posso. Devo manter meu objetivo em mente e me concentrar apenas nisso. Se eu me desviar, tudo terá sido em vão. Mas esta menina... o que tem sido feito com ela é errado, e eu ainda participo disso em todos os sentidos. Eu a comprei para que pudesse tirá-la do monstro que a treinou e a usou como sua boneca pessoal. Eu não fiz isso apenas por ela... Eu fiz isso por minhas próprias razões egoístas, pessoais. Mas quando eu olho para ela, tudo o que vejo é a sua história e a dor que ela sofreu. Sua vida deve ter sido um inferno, que nem eu mesmo posso começar a compreender. É por isso que devo persistir. Sua alma foi pisada muitas vezes. Ela está praticamente além do reparo, mas eu não vou desistir. Não importa o custo. Mesmo se ela me odiar por isso, vou ensinar a ela como viver novamente. Como ser um ser humano e sentir novamente.

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Vou mostrar-lhe a liberdade. Um dia. É a única coisa que posso fazer depois sujar minha própria alma por tanto tempo. Eu sou sombrio por dentro. A morte se alastra em mim. Não muito antes de afirmar minha vida... E tudo o que fiz até agora é arruinar pessoas. O que deixo é um legado de destruição. É o que eu faço. Arruinar a vida das pessoas ou pior... matá-las. É o que todos nós fazemos. Nosso povo. Nossa companhia. Nosso trabalho é contagioso. É o modo como vivemos. E assim, isso me faz pensar... certa pela primeira vez?

eu serei capaz de fazer a coisa

Eu posso consertar o que já está quebrado para começar? E devo ser tão arrogante por achar que posso ajudar uma menina que eu comprei como se ela realmente fosse uma porra de um servo. Mas não há como voltar atrás. Ela sabe quem é dono dela e eu já fiz o negócio. Ela foi treinada para desistir, e sua vontade será um teste maldito para mim, que eu não tenho certeza se posso passar por isso. Ninguém pode machucá-la agora... exceto eu... porque eu sou seu Mestre agora. O que foi que eu fiz?

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Capítulo três MARCUS Ela limpa a minha casa como uma empregada doméstica adequada. Não porque eu exijo que ela faça, mas porque ela gosta de fazer. Então eu deixo. Eu até lhe dei uma folha com as tarefas de modo que ela tenha algum trabalho a fazer. E devo dizer, ela é muito aplicada. É pecado, do jeito que eu a assisto trabalhar. Ela meticulosamente faz panquecas para mim, tomando cuidado extra para que elas fiquem redondas e todas do mesmo tamanho. Como ela organiza a manteiga e com os olhos se certifica que esteja no centro. Como ela despeja a calda por cima como se fosse uma obra de arte que ela tem de criar. E ela faz tudo para mim. A fim de me agradar, ela busca a perfeição. E isso me deixa louco de desejo. Eu não quero estes sentimentos que se escondem sob a superfície. Meu pau se contorce em minhas calças, me dizendo como é bom ter alguém cuidando de mim. Ter alguém completamente dedicada a me fazer feliz. Isso mexe com qualquer homem. Eu sempre tive um fraco por mulheres disponíveis. Se elas abrirem as pernas para mim, eu me rendo. Eu adoro quando elas se rendem. Mas esta menina... ela tem algo diferente. Algo que não se deve tocar. No entanto, eu não quero mais nada, quando ela caminha para mim com aquele brilho nos olhos e seu lindo sorriso, carregando um prato cheio com panquecas para mim. É como se ela soubesse que está me provocando com a perfeita apresentação dela. Seus olhos... eles me assombram. Sempre que ela me olha, parece como se ela necessitasse do meu reconhecimento. Como se nunca tivesse dado o suficiente a ela.

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E é exatamente reconhecimento a ela.

por

isso

que eu não

deveria

dar

esse

Apenas dois dias. Dois dias e eu já estou atolado na porra de sua obediência. Eu devo conter essas tentações, rapidamente, antes que eu sucumba a elas. Mas a única maneira de fazer com que ela pare de se comportar assim, é ensinar-lhe a não se preocupar tanto com o seu Mestre, ou mesmo o que as outras pessoas pensam dela. Fazê-la perceber que ela também é um ser humano, e não apenas uma ferramenta para outra pessoa usar. Mas Deus... isso é tão tentador. Usá-la... para todos os meus desejos malditos. Especialmente quando ela coloca o prato na minha frente e os seus seios espreitam por cima do vestido quando ela diz: — Para você, Mestre. Aquelas palavras. Porra. Eu... Eu não tenho a porra da coragem de olhar nos olhos dela. Não porque eu tema por mim, mas porque eu tenho medo do que isso vá fazer com ela. O que eu vou fazer com ela. Então eu franzo a sobrancelha e olho para meu prato, dizendo: — Obrigado. — O prazer é meu, Mestre. Espero que você goste. Eu pego o garfo e a faca e corto um pedaço. — Eu tenho certeza que eu vou, mas, por favor, faça um prato para você também. Ela lambe os lábios e se inclina para trás. — Mas elas são apenas para o Mestre. — E eu estou dizendo a você agora. Você vai comer. — Sim, Mestre. — Ela se curva. — Sinto muito por desafiar você. Eu bato meu garfo em cima da mesa. — Chega. Pare de se desculpar. Agora, faça algo para o seu café da manhã e se divirta. — Sim, Mestre, eu vou.

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Ela sorri e acena com a cabeça, e depois volta para a cozinha para preparar panquecas para si mesma. Eu gritei com ela, mas ela nem sequer pestanejou. Tudo o que ela fez dói sorrir, como se tudo o que ela pensa é em como me fazer feliz novamente. Concordar comigo é a única coisa que ela pode fazer. Não porque ela queira, mas porque ela foi treinada para isso. Ela nunca vai deixar de querer me agradar. Espero ter forças para me controlar.

**

AVA Eu passei o dia explorando a casa dele, mas parece tão surreal. Como ele pode me deixar andar por aí tão livremente? Será que ele confia em mim tanto assim? Eu até tenho meu próprio quarto. Meu próprio quarto, com uma cama, mesa, cadeira, e um armário cheio de roupas. Eu nunca tive meu próprio armário antes... na minha antiga casa, eu usava roupas de segunda mão das mulheres que visitaram meu Mestre, bem como trapos. Usávamos, roupa suja, na maioria velhas, que mesmo lavadas, pareciam pouco limpas, e as manchas nunca desapareciam. Mas essas roupas são novas, e cheiram tão bem. Eu enterro meu nariz em um dos vestidos pretos que está pendurado em um cabide. São roupas lindas, bom demais para ser verdade. Mas eu me lembro do meu novo Mestre dizendo que eram minhas e eu poderia colocá-las sempre que eu quisesse. Ele me disse muitas coisas. Eu sou sua agora, e isso me dá algumas responsabilidades, como a limpeza de sua casa, me certificando que tudo esteja em ordem, e ajudando-o com qualquer coisa que ele me peça. Cozinhar também faz parte das minhas tarefas diárias, como ele explicou, usando uma lista com os seus horários. Ela está pendurada na parede como um lembrete do meu propósito aqui. Finalmente tenho um propósito... além de agradar meu Mestre. ~ 38 ~


Eu não ainda não o ouvi falar uma única palavra sobre isso. Verdadeiramente agradá-lo... não importa quantas vezes eu olho para ele ou lhe pergunto se isso é tudo que ele precisa, ele não me pede mais. Meu Mestre anterior exigia que eu fosse lá todas as noites, vestida em trajes específicos - mas não o Mestre Marcus. Ele não pediu minha presença desde que cheguei aqui, há dois dias. Isso me faz questionar se eu estou fazendo meu trabalho direito. Eu não deveria hesitar quando se trata de meu Mestre, mas eu estou sempre preocupada que ele esteja satisfeito. É o que uma garota como eu deveria fazer... seu Mestre sempre vem em primeiro lugar. No entanto, esta noite eu vou parar em seu quarto para pegar sua roupa suja para que eu possa lavá-la e talvez então ele vá finalmente me pedir para ser verdadeiramente sua. Assim, com o vestido preto na minha mão, eu ando para o espelho e o coloco na minha frente, verificando se ele vai servir. É o tamanho perfeito, pequeno o suficiente para cobrir a minha pele e ossos. Eu não tenho muitas curvas, mas este vestido vai esconder meus defeitos também. Quando eu visto, eu não posso evitar, e deixo meus olhos vaguear através de meu corpo. As cicatrizes e marcas escuras que cobrem a minha pele, quase desapareceram. Parece como se tivessem afundado mais profundo em minha carne. Não me atrevo a olhar para as chicotadas recentes e marcas nas minhas costas. Elas ainda são muito dolorosas e, por vezes, temo que se eu olhar demais, elas vão se abrir e ensanguentar minhas roupas. Seria um crime. Eu estaria com problemas se eu manchasse minha roupa de sangue, se eu morasse ainda com meu antigo Mestre. Então eu tenho que me certificar de não deixar abrir qualquer uma das feridas quando eu puxo para baixo o vestido. Só a perfeição é boa o suficiente para o meu Mestre. Eu olho para mim mesma no espelho e coloco um sorriso no rosto. Nunca consegui fazer isso facilmente, agora parece mais fácil. Depois de tomar uma respiração profunda, eu aperto o botão do lado da porta, que se abre. Ainda fico um pouco assustada quando eu a vejo deslizar automaticamente, mas com certeza é melhor do que ter que empurrar as portas com um carrinho cheio de roupa suja o tempo todo.

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Eu pego um dos cestos vazios da lavanderia e percorro o caminho através dos corredores estreitos de sua casa. Há tantas portas; eu ainda nem sei o que há por trás de cada uma, mas eu estou tentando memorizar e não irei incomodá-lo por isso, a menos que eu precise. Uma leva ao seu estúdio, outra para a sala de ginástica, uma para o closet, e outra onde todos os materiais de limpeza ficam; existem dois banheiros independentes, e então do lado esquerdo está seu escritório. Para a direita é o quarto dele, e há um par de portas que eu ainda não abri. Não me atrevo abrir nada sem a sua permissão. Quando eu chego ao seu quarto, eu respiro fundo e hesito em bater na porta. A porta está entreaberta, mas não fechada. E se ele estiver dormindo? Eu não quero acordá-lo. Mas ele poderia estar estudando ou lendo um livro, portanto eu não quero incomodá-lo. Mas se ele acordar com uma bagunça em torno dele ou se ele perceber que eu não vim para limpar o quarto, ele pode ficar furioso, e eu não quero isso. Então eu decido espiar na ante sala antes de eu entrar. Ele está deitado em sua cama, de olhos fechados, os músculos sem camisa rijos. No entanto, seu rosto se contorce e ele está fazendo sons sibilantes, mordendo o lábio. Então eu olho mais de perto, porque eu estou preocupada, apenas para descobrir suas mãos estão em suas calças, que são estendidas até ao limite. Meus olhos se arregalam. Isso acontece quando seus olhos se arregalam também. Um segundo é tudo leva. E ele me nota. Em estado de choque, eu largo a cesta, sem saber o que estou vendo. Se eu deveria estar vendo isso. Oh Deus, por que eu fui espiar em seu quarto? Ele para imediatamente e se inclina contra o seu repouso absoluto, enfatizando ainda mais os músculos grossos em torno de seu abdômen e tronco. Ele olha para mim. Eu não deveria estar aqui. Eu pego a cesta. — Sinto muito, Mestre. Ele se levanta, revelando sua ereção ainda mais. — Não, espere.

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— Eu não deveria ter entrado em seu quarto. — Eu me viro e saio como um raio. Seus passos seguem atrás de mim enquanto eu vou para a lavanderia, tentando não fazer um som para que ele não me note. O movimento da roupa dentro da máquina de lavar faz muito barulho, e espero que isso mascare a minha presença. Espero que ele passe a porta e se esqueça de mim e do que aconteceu. Na verdade, eu gostaria de poder banir o que eu vi da minha cabeça. Não por ser pecaminoso, mas porque mexeu comigo. Dentro do meu corpo. Eu pude sentir isso. Uma faísca, bem ali... Eu olho para as minhas pernas e as fecho imediatamente, puxando para baixo o meu vestido, tanto quanto eu posso. Eu nem deveria estar pensando sobre isso. Está errado. Ele é meu Mestre, e ele faz o que ele quer. Eu não deveria tê-lo incomodado. — Ava. — Sua voz me congela. Sua mão toca meu ombro, e eu recuo. Meu instinto imediato é cair de joelhos e implorar por perdão, mas eu sei que ele não quer isso, então eu não faço. — Sinto muito, Mestre, — eu digo. — Peço desculpas pela intromissão. — Está tudo bem, — ele diz com uma voz suave. — Eu não estou bravo. — Mas eu não bati antes de entrar. Eu não deveria ter entrado seu quarto sem a sua permissão. — O estrondo da máquina de lavar roupa quase abafa minha voz. — Isso acontece, — diz ele, agarrando meus ombros e me virando. — Não fuja de mim. Eu olho para o chão. — Eu não sei mais o que fazer. Eu vi algo que eu não deveria, e eu o interrompi. — Está bem. Não se preocupe com isso. Você não fez nada de errado. — Mas... Ele pressiona acima meu queixo com apenas um dedo. — Você não precisa se desculpar por ver o que você viu. Se eu quisesse total privacidade, eu deveria ter fechado minha porta. É minha culpa. ~ 41 ~


— Vou agir como se nada tivesse acontecido, Mestre, — eu digo, balançando a cabeça. — Não... Eu sei o que você viu... — Ele sorri suavemente e chega um pouco mais perto. — Eu sei que é difícil esquecer uma coisa dessas. — Eu vou fazer o meu melhor, Mestre. — Diga-me o que você viu. Eu mordo meu lábio. — Bem... você tinha as mãos em suas calças e você estava... — Sim... — Ele se inclina para frente. — Eu estava dando prazer a mim mesmo. Eu engulo o caroço na minha garganta quando eu olho em seus olhos ardentes. — E você tem todo o direito de fazer sempre que quiser. — Você nunca se sentiu tentada? — Ele pergunta. — O quê? — Eu dou um passo para trás até bater na parede. — Você deve ter sentido alguma coisa quando me viu, — diz ele, chegando ainda mais perto até que eu não tenha outro lugar para ir. — Eu... eu... Ele coloca a mão ao meu lado na parede. — Você não tem que ter medo. É normal sentir-se... excitada. É da nossa própria natureza querer e desejar. Ele está tão perto que posso sentir seu hálito, que exala álcool. — Eu nunca desejei qualquer coisa, Mestre. — Sério? Ou isso é apenas algo que você acha que deve dizer? Algo que foi treinada para fazer? — Sua mão livre agarra meu braço e ele empurra-se contra mim. — Eu não sei. Sua testa se inclina contra a minha, e o atrito inevitável que ele faz, inflama uma chama em mim que eu simplesmente não posso ignorar. Eu sei que está lá... mas agir é uma coisa totalmente diferente. Ele procura meus olhos. — Eu sei que você sentiu algo, Ava. Eu pude ver em seus olhos enquanto você me observava. — Sua mão livre vai até meu braço e depois no meu rosto, segurando o meu queixo

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suavemente na palma da sua mão. Ele é tão gentil, eu quase me inclino para seu toque. Quase. — Prazer e diversão são coisas normais, — diz ele calmamente. — Como comer e respirar. Você não pode sentir isso? Concordo com a cabeça lentamente. — Sim, mas apenas se o meu Mestre quiser que eu sinta isso. Ele aperta os olhos. — Eu quero que você me diga o que você sente. O que você pensou quando me viu. — Eu me senti... quente. — Isso fez você quer vir para perto de mim? — Pergunta ele, lambendo os lábios. — Sim, — eu digo em uma única respiração. — O que você sente agora, então? — Ele murmura, a boca tão perto da minha que eu quase posso sentir o gosto dele. — O que você quiser que eu sinta, — murmuro, enquanto fecho os olhos. — Eu não decido o que você sente. Você decide. E eu quero que você me diga o que você sente quando eu toco você assim. Eu sei o que ele quer de mim agora. Meu antigo Mestre era muito descarado e direto com suas necessidades, mas o meu novo Mestre é diferente de qualquer outra pessoa. Ele é complicado... e difícil de compreender. Mas a partir do modo como seu corpo arqueia em direção a mim, e as suas mãos passam brevemente no meu rosto, eu posso dizer que ele quer estar perto de mim. Talvez seja por isso que ele me pergunta se eu quero fazer o mesmo. Mas por que ele se importa? Eu vivo para ele. Eu sou sua para fazer com o que ele deseja. Ele não precisa se preocupar com as minhas emoções ou pensamentos. Eles não têm importância em comparação com os seus desejos, porque foi para isso que eu fui treinada. Então, por que ele tentaria mudar? — Sinto-me... bem, — murmuro. Não foram muitas vezes que eu verdadeiramente me expressei como me sinto, e as palavras não vêm facilmente a minha mente. Mas isso não quer dizer que eu não gosto de tê-lo me acariciando tão suavemente.

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— Você quer me tocar? — Ele murmura entre sua respiração irregular. — Eu quero fazer de tudo para agradá-lo, Mestre. Ele respira com dificuldade, como se estivesse desesperado, e então ele pega meu rosto com as duas mãos e cobre a minha boca com a dele.

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Capítulo quatro AVA Um beijo. Eu tive tantos antes. Breves, mais simples, destinados apenas como um dispositivo para preservar a luxúria. Esse beijo não é nada simples. Ele me enche de calor e excitação, meu corpo congela e se transforma em uma poça, tudo ao mesmo tempo. Seus lábios nos meus me acariciam de um modo sem precedentes. Uma emoção que eu nunca soube que existia e nunca senti antes. Seu beijo é tão cheio de necessidade; que literalmente tira o meu fôlego. Sua mão aperta meus braços e ele me vira em direção a máquina de lavar e me coloca sentada em cima dela. Sua boca nunca quebra o contato, seus lábios são tão atraentes. Eu nunca senti essa sensação antes... esta sensação de libertinagem crescendo dentro do meu coração. Um beijo sempre apenas serviu para aumentar minha umidade, para tornar mais fácil para o meu Mestre me penetrar, mas agora, algo mais do que apenas umidade acontece. Não estou apenas sendo preparada para a tomada. Meu coração está sendo liberto. Sua mão se move de meu braço para o meu peito e ele aperta levemente, meus sentidos atiram raios de prazer pelo meu corpo. Um gemido escapa de seus lábios quando eu deixo a sua necessidade me consumir. Seu corpo pressiona contra o meu enquanto ele me beija profundamente, suas calças se estendem contra a minha perna. Mas, em seguida, do nada, ele para. A boca dele se afasta da minha, deixando-me com um lábio inchado, vermelho e formigando. Quando eu abro meus olhos para ver o que está errado, ele pisca um par de vezes, seus olhos piscando para baixo em direção ao seu pau duro, e depois ele recua.

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— Merda, — ele murmura. Ele se afasta de mim dando passos para trás. — Mestre, qual é o problema? — Eu pergunto quando ele continua se afastando de mim. É como se ele tivesse visto um fantasma. — Eu não posso, — diz ele. Balançando a cabeça, ele se vira e sai da lavanderia. Eu ainda estou sentada em cima da máquina de lavar tremendo, meu corpo vibrando com uma necessidade que eu não sabia que eu tinha. O primeiro pensamento que passa pela minha cabeça é que fui eu. Mas então eu me lembro que ele veio até mim, me beijou forte, e me tocou. Eu não fiz nenhuma dessas coisas. Mas por que não fui capaz de agradá-lo? Eu gostaria de saber o que o estava incomodando, mas perguntar agora parece fora de propósito. Então eu deixo escapar um suspiro, deslizo para fora da máquina de lavar, e pego a cesta novamente para que eu possa continuar de onde parei. No entanto, aquele beijo permanece firmemente alojado na minha mente quando eu faço minhas tarefas. Elas nunca foram mais divertidas.

***

MARCUS Alguns dias mais tarde, à noite Ensinei Ava ficar longe do escritório, quando eu estiver tendo uma reunião da empresa. Eu não quero que ela interfira, porque ela poderia nos colocar em risco. Ela não sabe o que está vindo, e é melhor se que continue assim. Somente o fato de todos estarem já cria uma atmosfera tensa. Os melhores guardas escolhidos a dedo para todos os três convidados estão a postos na porta fora da construção, que está convenientemente escondida em uma floresta densa de modo que ninguém no mundo lá fora saiba o que se passa aqui.

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Três homens, eu incluído, e uma mulher sentada em uma mesa, segurando todo o poder do mundo na palma das suas mãos. É por isso que é da maior importância que ninguém saiba. — Então, como estão os negócios, Marcus? — Amir, chefe da divisão do Oriente Médio, coça sua barba suavemente. — Estão indo bem, Amir, obrigado. — Pegou quaisquer invasores ultimamente? — O brilho em seus olhos me diz que ele está jogando em busca de pistas. Eu limpo minha garganta. — Ah, você sabe, o de sempre. — Há uma razão para a minha resposta vaga. O Tribunal não expõe seus trabalhos, porque então as divisões individuais iriam tentar contornar as regras do Tribunal por fomentar cada um deles. E ele sabe disso. Não que ele não vá tentar descobrir independentemente. Eu costumava pensar exatamente a mesma coisa antes de me tornar o chefe desta divisão. Eu costumava pensar que, como um homem de negócios, não havia regras. Assassinos poderiam matar quem eles quisessem, e poderíamos sequestrar quem bem entendêssemos. Mas existem leis não escritas entre nós... e se você quebrá-las, o Tribunal irá cuidar de você. — Suponho que você se acostumou com o papel de presidente, agora, então? — A Senhora pergunta. Ela é a cabeça da segunda unidade de assassinos, conhecida apenas como The Lady ou Senhora. Seus servos a chamam de Senhora, e ninguém sabe seu nome real. — Nunca é fácil, mas eu faço o que devo, — eu digo. É a verdade. Esta divisão é a mais difícil de gerir. Alguém poderia pensar que ser a chefe dos Sequestradores, que é a divisão que mantém e vende meninas e meninos, é a pior divisão que você poderia encontrar-se. Mas quando você é o único que pune os demônios, você mesmo poderia ser punido pela maioria. Se eu fizer um movimento errado, estou morto. O Tribunal só existe para as empresas. Eu não sou nada sem eles - da mesma forma, eles não são nada sem mim. Devemos manter esta

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tradição e manter uma política rigorosa. Caso contrário, seríamos selvagens sem regras. Não que nós não tenhamos cruzado a linha, por simplesmente existir. — Como está a menina que você comprou? Ela está sendo útil para você? — É DeLuca. A simples visão dele me faz querer arrancar meus olhos fora. Ou os dele. — Ela é perfeita, obrigado, — eu digo, desviando rapidamente os meus olhos para que possamos continuar com os tópicos em questão, mas ele continua falando. — Ela era minha favorita, sabe? Pena que você a tenha comprado de mim. Eu estava tão ansioso para marcá-la com a minha insígnia. — Chega, — Eu cuspo, enviando-lhe ameaças de morte com meus olhos. — Nosso acordo foi feito. Fim da história. Vamos continuar a reunião? — Tudo bem, — diz ele, cruzando os braços. — Eu só estava curioso. Eu não a vi ainda. Eu não quero que ninguém saiba que eu a comprei, mas eu acho que é tarde demais agora que ele vomitou sobre isso na frente de todos. Eles estão todos olhando para mim com olhares confusos, então eu sorrio. — Eu gosto muito de um determinado tipo de garota. Agora, sobre as nossas relações... Eu já solicitei uma declaração oficial de todos vocês sobre suas condutas. É hora de finalmente pôr de lado nossas diferenças e nos concentrarmos em trabalhar juntos para resultados máximos. — Você quer que eu te mostre todas as minhas cartas? — A Senhora diz, abafando uma risada. — Você deve estar brincando. Não há nenhuma maneira de compartilharmos nossos dados. — Tem algo a esconder? — DeLuca solta. Eles trocam olhares de reprovação. — DeLuca... por favor, — eu digo, dando-lhe um olhar severo. — Lembre-se de por que estamos aqui. — Para manter a Aliança, — intervém Amir. — Exatamente, — eu digo. — E para fazer isso, temos de começar a compartilhar. Transparência é a chave de tudo. ~ 48 ~


— E se eu compartilhar meus dados? Como eu poderia saber que ele fez o mesmo? — Diz a senhora. — Confiança é a chave aqui. Vou manter todas as declarações oficiais até que tenham sido verificadas e validadas, depois vamos compilar os dados em um único documento. Será enviada uma cópia para todo mundo simultaneamente. — Absurdo. Isso significa que o Tribunal vai saber tudo, — a senhora responde. Eu entrelaço os dedos e coloco minhas mãos calmamente sobre a mesa na minha frente. — Qual é exatamente a finalidade do Tribunal? Controlar as informações e garantir que tudo aconteça de acordo com as regras e planos. Eu sei por que ela está contrariada. Sua divisão foi conhecida por quebrar a lei não escrita. Eles fazem isso com frequência, e é por isso que estou tão inflexível sobre como conseguir esses dados. Temos de começar a trabalhar juntos... para que possamos abolir nossos erros e focar os objetivos corretos. Matando e roubando apenas aqueles que fizerem algo de errado, não apenas pelo dinheiro. Mas eu não posso dizer-lhes isso. Eles nunca concordariam, e eu já não seria chefe do Tribunal se descobrissem o verdadeiro propósito dos meus pedidos e transações comerciais. Eu seria enforcado por traição. — Eu digo que se foda a Aliança, — diz DeLuca. — Eu já tive o suficiente de pessoas brincando com os meus negócios de qualquer maneira. — O quê? — Amir faz uma cara feia. — Você está sugerindo que um de nós se intrometeu em seus negócios? — Isso é exatamente o que estou dizendo, — diz ele, cerrando os olhos. Se olhares pudessem queimar, este cômodo inteiro estaria em chamas no momento. — Acalmem-se, por favor, — eu digo, soprando um suspiro. — Nós não estamos quebrando a Aliança. Nós sempre fazemos assim e vamos continuar dessa forma, para nossa própria segurança. DeLuca bufa e range os dentes, virando a cabeça para longe de nós, mas ele não responde.

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Ele tem sido inflexível sobre querer sair por um longo tempo, e eu sei que vou ter de honrar seu pedido, um dia, mas não hoje. Não antes que eu tenha em minhas mãos todas as informações que eu possa recolher. — Por enquanto, vamos continuar a trabalhar juntos, — eu digo, olhando diretamente para DeLuca. — Eu sei que não é o que você tinha em mente, mas sei o que é melhor para a sua divisão. — Como você sabe? Eu levanto uma sobrancelha. — Porque nós costumávamos ser uma verdadeira aliança. As nossas divisões trabalhavam em conjunto, costumávamos confiar um no outro. — Isso foi antes... — Antes de nós trocarmos nossos devidos lugares. Nós mesmos arruinamos tudo. Ninguém mais o fez. — E o seu antecessor? — Pergunta Amir. Eu franzo a testa. — Eu não falo mal do meu ex-líder, mas aprendi bastante desde que assumi este trabalho. Como você, Amir. — Eu sorrio, deixando-o saber que eu não gosto quando as pessoas duvidam de mim. A dúvida é ruim. Ela poderia ter me matado. — Então, o que você propõe fazermos então? Enviar todos os nossos dados para você e esperar o melhor? Porque se os meus homens morrerem por causa de alguém que se infiltrou e sabe todos os detalhes sobre a minha empresa, você sabe que é para cá que eu virei — DeLuca rosna. — Eu percebo isso, e eu assumo total responsabilidade se isso acontecer, — eu digo. Eu não acho que ele á fazer isso, no entanto. Nenhum deles tem a coragem de começar uma guerra entre nós. É por isso que esta aliança deve permanecer... porque tememos o poder do outro. É a única maneira de funcionar. De repente, a porta se abre e um guarda espreita pela fresta que foi aberta. — Desculpe-me, senhor. Um convidado acaba de chegar.

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— Agora? — DeLuca rosna. — Deixe-o entrar, — eu digo. O guarda abre a porta completamente e meu último convidado entra. — Ah, você está finalmente aqui, — eu digo. É Vladim, chefe dos sequestradores, a divisão que rapta pessoas e os obriga a ser servos. O mais desagradável de todos nós, se você me perguntar. Ele joga o casaco e o guarda mal consegue pegá-lo. Ele caminha em direção ao seu assento com um sorriso sinistro naquele rosto marcado dele. — Não conseguiram esperar por mim, não é? — Você está atrasado, — A Senhora lembra. — E você é velha. — Ele faz uma careta para ela, e todos nós lutamos para não rir. — Bem, não espere, sente-se, — eu digo, e ele dá a volta até sua cadeira. — Há quanto tempo. — Sim, bem, é um prazer fazer negócios com você pessoalmente de novo. — Onde está o seu cúmplice, então? — Pergunta DeLuca. — Sim, onde está Viktor, na verdade? — Pergunto. — Eu esperava vê-lo em seu lugar. Sem ofensa. — Sem ofensa. Ele não está aqui, porque eu decidi que eu estou no comando novamente. Eu não quero mais ninguém nos meus negócios. — Então, onde está ele? — Provoca DeLuca. Vladim estreita os olhos para ele. — Não está aqui. — Pelo que sei, ele foi visto sabotando seu próprio trabalho. Que coincidência, — A Senhora provoca. Vladim rosna. — Ele não vai voltar a este lugar ou chegar a qualquer outro lugar perto das divisões. — Ele era um capacho de qualquer maneira. Ainda bem que você se livrou dele, — continua DeLuca. — Você não sabe nada sobre ele ou eu, então cale a boca, ok? — Vladim rosna.

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Bem, isso está tomando um rumo desagradável. Eu ouvi rumores sobre seu segundo na linha, Viktor, mas eu não sei a extensão do mesmo, e parece que agora o tema está muito aquecido. Eu sinto como se Viktor o tivesse traído, o que não ficaria bem para Vladim. — Bem, eu certamente espero que ele não vá ser meter com a nossa divisão, porque isso poderia causar uma verdadeira bagunça, — diz A Senhora. — Independentemente da sua relação com ele, é importante que ninguém cruze a linha. Ouso dizer que o Tribunal iria intervir se isso acontecesse. — Você ousa falar sobre cruzar a linha na minha frente? — Vladim saca uma caneta do bolso, apontando-o para A Senhora. É apenas uma caneta, pode-se dizer. Mas essas canetas são armas mortais nas mãos das pessoas certas. — Vamos manter as coisas civilizadas, tudo bem? — Eu digo, sinalizando para eles se conterem. — Tudo bem... — Vladim resmunga e depois volta sua atenção para o resto. — Fique fora do meu negócio e eu vou ficar fora do seu. — Nós estávamos discutindo o pedido oficial que foi enviado para que enviássemos os dados para o Tribunal, — diz A Senhora. — O quê? — Profere Vladim. — É só para a nossa própria segurança, — eu digo, tentando desfazer os danos que ela continua tentando infligir. — Se todo mundo enviar seus dados, eu vou pessoalmente compilá-los e enviar a todos uma cópia do mesmo montante, de modo que ninguém saiba mais do que o outro. — Besteira. — ele rosna. — Exatamente o meu ponto, — acrescenta DeLuca. — Nós basicamente damos todo o nosso poder para você. — O Tribunal ficou e sempre vai ficar de fora do seu trabalho. Nós só nos metemos quando a linha é cruzada. — E o que é a linha exatamente? — A Senhora pergunta, inclinando-se para trás. — Isso é para o Tribunal decidir. — Então, basicamente, você e seus homens vão nos governar. De jeito nenhum. ~ 52 ~


— A Aliança não vai ficar pra trás se todos nós trabalharmos juntos. Você de todas as pessoas deveria entender, Vladim, — exclama Amir. — Seu segundo na linha é o principal exemplo de por que a Aliança, e o Tribunal, existem. — E o que o Tribunal têm feito para corrigir a situação, hein? Você estava assistindo do lado de fora enquanto ele quase arruinou toda a minha divisão. Eu fui deixado para puni-lo por conta própria, e você sabe o quê? Foi brando. — Isso não deixa tudo bem, Vladim. O Tribunal cuida com retribuição. Você passou por cima da linha com ele. — Foda-se, — ele cospe. — Independentemente... — Eu digo, suspirando. — Vou deixar passar, por agora. Eu entendo a delicadeza da situação, e eu vou agir de acordo com nossas leis, uma vez que você enviar a sua reclamação sobre o seu próprio cúmplice diretamente a mim. Esse é o trabalho do Tribunal. — Ninguém tem a porra da coragem de falar com Viktor. Nem mesmo você, — ele rosna, batendo a mão na mesa. — Há uma razão para eu deixar o filho da puta viver. — Você o deixou viver... ou ele sobreviveu? — A senhora comenta com um encolher de ombros, provocando-o ainda mais. — Ele deveria ter sido morto, — murmura Vladim. — Mas eu sou misericordioso. — Misericordioso... — DeLuca balança a cabeça e ri. — Sim, isso é exatamente o tipo de negócio que fazemos. — Eu vou falar com ele pessoalmente, — eu digo. Todo mundo vira a cabeça para olhar para mim como se eu tivesse perdido a cabeça. — O próprio fato de que ele quebrou as regras significa que ele não vai nos ouvir ou ao Tribunal. O que faz você pensar que pode se aproximar dele, e muito menos falar qualquer coisa para ele? — Diz Vladim. — O que dizem, é que ele ficou louco depois do que Vladim fez com ele. De jeito nenhum eu vou tentar furar a defesa dele, — diz A Senhora.

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— Eu digo que é melhor deixá-lo viver a sua vida miserável em paz. Ou o que resta dela, pelo menos, — murmura DeLuca. — Não. Eu não vou permitir insubordinação. Devo dar um exemplo claro, — eu digo. — Esta é a minha maneira de provar a todos vocês que o Tribunal pode ser confiável. Vou falar com ele e acertar as coisas. — E então o quê? Você vai matá-lo? — Eu acho que sua punição já foi grave o suficiente. Aliado ao fato de que ele ainda está vivo significa que seu sofrimento está apenas começando. Vladim acena. — Verdade. Depois de ficar em silêncio por alguns segundos, eu prossigo com um acordo final. — Bem... vamos prosseguir com o pedido oficial, então?

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Capítulo cinco MARCUS Quando meus convidados se vão e os guardas com eles, eu desabo no sofá com um copo de uísque e esfrego minha testa. Deus, hoje foi um pesadelo de proporções épicas. Eu sei que tenho em mãos uma tarefa difícil, mas está se tornando mais complicado a cada dia que passa. Às vezes, eu me preocupo se eu vou conseguir fazer isso sozinho. Independentemente disso, eu devo continuar. Vou falar com Viktor, e espero que ele entenda coisas do meu jeito. Eu não tenho outra escolha. Mas, falar com ele significa arriscar a minha própria vida, que já está por um fio. Foda-se... o que estou fazendo? Minha raiva toma conta de mim, quando eu pego o meu copo de uísque para jogá-lo contra a parede. O vidro se estilhaça em um milhão de pedaços, mas isso não me perturba. Eu esfrego meu rosto com as duas mãos desejando que eu tivesse tomado um caminho diferente na vida. Mas é tarde demais para desejar isso agora. Desejar é para aqueles que são fracos para agir sobre os seus desejos. E eu vou conseguir o que quero. Eu, pessoalmente, vou fazer essa porra acontecer antes de eu morrer. De repente, ouço barulho dos cacos de vidro, eu me atiro para cima do sofá, imediatamente arrancando a arma escondida debaixo de um dos assentos. Eu a aponto para quem está na minha casa, me espionando. Meu dedo repousa sobre o gatilho, pronto para puxar. Com o objetivo de matar. ~ 55 ~


Só que não é um espião ou um hóspede indesejado. É Ava, pegando os cacos de vidro com as mãos. E sua vida está literalmente em minhas mãos agora. Tudo o que tenho a fazer é puxar o gatilho. Atirar para matar. Seria tão fácil. Sem nenhuma dor. Sem memórias. Sem nada. Ela estaria melhor. Exceto que minha alma egoísta não pode lidar com essa verdade. É minha crença egoísta que a mantém viva. A mantém neste inferno. Seus olhos se arregalaram mostrando que ela viu a arma. Ela congela e assim fazem suas mãos. O vidro a corta; Eu posso ver isso em seu rosto enquanto ela se encolhe. Ela se levanta de imediato como um soldado que está sendo chamado em posição de sentido. — Oh... é você, — murmuro. Eu abaixo a arma e a coloco de volta de onde eu tirei, mas isso não tira seu olhar assustado no rosto. — Sinto muito, Mestre. Eu não sabia que incomodando. Achei que seus convidados tinham ido.

eu

estava

— Eles foram. Oh, Ava... venha aqui. — Eu a chamo com as mãos. Ela cuidadosamente dá um passo em direção a mim, certificandose de evitar qualquer caco de vidro quebrado espalhado no chão. Mas ela esconde as mãos atrás das costas, quando está na minha frente. — Mostre-me suas mãos, — eu digo. Ela hesitante as puxa para fora, coberta de sangue e pedaços de vidro. Eu suspiro e franzo a testa. — Por que você os pegou sem proteção? — Eu não queria fazer muito barulho, Mestre. Eu queria limpar o mais rápido possível. Eu ia colocar os cacos em meus bolsos e sair.

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— Você não deveria ter feito isso, — eu digo, balançando a cabeça. — Por que... por que você apontou arma para mim, Mestre? — Eu pensei que você fosse um intruso. Eu não queria assustála. — Eu sorrio para ela. — Não tenha medo. — As armas... podem causar muita dor... — ela murmura, com os olhos cintilando da esquerda para a direita. — Sim, elas podem. — Eu me pergunto como ela sabe disso. Seu ex-Mestre já lhe deu uma arma? Ou será que ele usava nela? Tento fazê-la olhar para mim, seguindo seu olhar. — Mas eu nunca vou usá-la contra você. Ela balança a cabeça. — Tudo certo. — Bom. Agora, vá lavar as mãos. Ela balança a cabeça e faz exatamente o que eu digo. Assim como um servo o faria. Deus, eu odeio essa palavra. Eu odeio saber que eu não posso tê-la e que ela me chama de Mestre. Que eu sei que devo aceitar que ela me chame assim porque ela foi ensinada dessa forma. Eu odeio que eu quase a tive em meus braços. E que eu não posso deixar de pensar nela também. Eu preciso dela. Mais do que ela sabe. Mais do que eu estou disposto a admitir. Quando ela volta, suas mãos estão limpas e o vidro se foi, mas os pequenos cortes em suas mãos permanecem. — Dói? — Eu pergunto, agarrando a mão para dar uma olhada. — Não. Estou acostumada a dor. Isso não doeu tanto. A magnitude do que ela diz, e a forma blasé que ela diz... me arruína. Dor. É o que ela está acostumada. A única coisa que já foi dada a ela. E agora, eu a trouxe aqui. ~ 57 ~


Eu suspiro e olho para o chão, perguntando o que diabos eu estou fazendo. — Você quer outro uísque, Mestre? — Ela pergunta. Eu tomo uma respiração profunda. — Não, não, não. Definitivamente não. — Meu Deus, eu realmente deveria parar de beber. Veja onde isso me levou da última vez. Na cama, batendo uma com ela me observando. E foi a coisa mais excitante que aconteceu em décadas. Quando ela me viu, seus olhos... eles fizeram alguma coisa comigo. Me deixaram ainda mais duro. Me fizeram querer pedir para ela entrar e terminar o trabalho para mim. Em vez disso, ela correu. E o que foi que eu fiz? Eu a beijei. Porra eu a beijei. É como se eu cedesse ao pecado de bom grado. Eu desvio os olhos, franzindo a testa, e digo: — Basta ir para a cama. Eu ficarei bem. — Eu não estou cansada, Mestre, — diz ela suavemente. — Mas eu estou, — eu digo. — Posso ajudá-lo a ir para a cama? — Ela pergunta. Tal oferta tentadora, mas devo resistir. Eu devo. Por ela. — Não, eu vou ficar bem. Só... — Eu suspiro. Eu não saberia o que dizer a ela de qualquer maneira. Cada fibra do meu corpo está gritando por um pouco de distração. Algum carinho. Qualquer uma, falando assim, me ganharia. Mas não com ela. Ela é perigosa. Perigosa... porque eu quero isso pra caralho, e isso não é certo. Ela é muito disponível. Muito fácil. Muito submissa. É como uma droga para mim. Ela se afasta, e por um segundo, eu acredito que ela se foi. Mas, em seguida, suas mãos estão nos meus ombros e ela gentilmente me massageia. — Você... está me massageando? — Pergunto depois de alguns segundos de puro relaxamento. — Sim Mestre. Eu pensei que poderia te ajudar a relaxar. Você parece tenso. ~ 58 ~


Eu suspiro e deixo ir toda a minha raiva e fúria reprimida. Sua inocência e carinho me afetam, até o ponto de sentir como se eu estivesse nas nuvens. Eu fico olhando para o copo pelo chão e me pergunto o que ela deve pensar de mim. Será que ela pensa que eu sou um tirano? Eu sou o Mestre que ela deve agradar a ser autorizada a viver? Ou eu sou o homem que ela toma como exemplo e, que mostra que ela como o ser humano é? Eu gostaria de poder ver dentro de sua mente, mas já posso imaginar como turvo deve ser para ela, e para mim. Ela está enterrada tantas coisas miseráveis... Tudo por causa de sua servidão para homens que não a merecem. Eu não a mereço. — Pare, — eu digo. — Você não gosta disso? Eu posso fazer outra coisa se você quiser. — diz ela. — Não. — Eu pego a mão dela antes que ela tente massagear meu couro cabeludo. — O que você quer, então, Mestre? — Eu quero que você pare de me dar o que eu não mereço, — eu digo. As mãos dela desaparecem do meu pescoço e ela anda à minha frente, em seguida, cai de joelhos, desta vez mantendo a cabeça para cima. Pelo menos, ela não baixa a cabeça mais. — Me perdoe. Eu não queria irritá-lo ainda mais. Eu fecho meus olhos e suspiro, pensando comigo mesmo que grande idiota eu sou. Então eu a agarro e puxo até que ela cai no meu colo. — Nunca peça desculpas. Você não precisa. — Posso perguntar por quê? — Eu posso ser seu Mestre, mas eu cometo erros também, — eu digo, afastando uma mecha de cabelo do rosto e a colocando atrás da orelha. — E é sempre um erro você fazer coisas que não quer fazer. — Mas eu quero fazer isso, para você, Mestre.

~ 59 ~


— Exatamente. Para mim. Você deve fazer coisas para você em primeiro lugar. Ela balança a cabeça, lambendo os lábios. Apenas a ponta de sua língua mergulhando para fora me faz querer inclinar-me e beijá-la. — Eu faço isso porque eu quero, Mestre. Porque eu quero ver você feliz. — Por quê? — Eu pergunto, acariciando seu rosto. — Porque... Isso me faz feliz também. — Suas palavras são ditas tão baixinho. É como se ela tivesse medo de deixá-las sair. Ela se inclina, colocando a mão no meu peito, pairando perto de meus lábios. É muito tentador puxá-la para mais perto e pressionar meus lábios nos dela. Eu estou morrendo por seu carinho agora. É a única coisa que tira a minha mente das minhas obrigações. — Eu preciso... eu preciso...

— Eu murmuro, fechando meus

olhos. Eu nem sequer tenho que beijá-la. Ela me beija. Seus lábios macios, sua massagem tão gentil em mim, me fazem desejá-la. Seu toque é delicado, como um anjo dando vida a mim. Sua boca tem a capacidade de me atordoar. Tentadora. Graciosa. Beijos que são leves como pena, tal como ela é. E ela está me beijando de sua própria vontade. Mas por quê? Eu não fiz nada, nada para merecer isso. O que significa que ela só está fazendo isso porque ela acha que deve. Eu pego os braços e quebro o beijo desesperado dela. Ela me olha desconcertada quando eu a coloco no chão e me levanto com um tesão visível em minhas calças. Eu tenho que resistir a ela. — O que está errado, Mestre? — Ela pergunta. — Vá para o seu quarto, — eu digo. — Você não está feliz com o que eu fiz, Mestre? — Ela pergunta.

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— Não, está tudo bem, mas... — Eu suspiro novamente. Não há nenhuma maneira que eu possa explicar isso para ela. Especialmente ela; de todas as pessoas. — Eu só preciso descansar um pouco. E me tirar da situação antes que ela possa sair da mão. — Você precisa de mim para alguma coisa? — Pergunta ela, ainda caminhando atrás de mim. — O que eu preciso é uma fuga, — murmuro quando eu entro no meu quarto. Eu não sei por que digo isso. É apenas uma espécie de desculpa fora de hora. Sento-me na minha cama, enquanto ela fica na porta, esfregando os lábios. Eu me pergunto se ela saboreia o meu gosto. Pare com isso. Não se atreva a pensar nisso. — Eu posso te dar essa fuga. Ela puxa a fita que está em torno de seu pescoço e deixa cair no chão. Sua mão desaparece atrás das costas e um zíper é puxado, o vestido desce muito lentamente. Eu engulo afastado o nó na garganta olhando para ela. — Deixe-me dar-lhe o que você precisa, Mestre. Oh, foda-me. Essas palavras me desmontam. Eles trazem à tona o pecador dentro de mim. Mesmo que isso vá contra cada fibra do meu ser. Contra toda moral e julgamento. Eu quero ela pra caralho. E eu não vou ser capaz de resistir por muito mais tempo.

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Capítulo seis AVA Eu tento chegar perto dele, mas ele rosna, — Não. — Mas... não é o que você quer? — Pergunto. O vestido cai no chão. Seus olhos admiram meu corpo nu como um lapidador olha para diamantes. Como se eu fosse algo precioso, algo para ser visto. Minha frágil estrutura pequena, não é algo especial, mas para ele... parece que eu sou mais do que qualquer garota. Meus mamilos instantaneamente ficam tensos da forma como ele olha para mim. Mas, em seguida, ele balança a cabeça e diz: — Vá. Deixe-me. — Ele fecha os olhos, provavelmente, obrigando-se a não olhar. — Eu sei que isso é o que você quer. Você me beijou. Você teve uma ereção. — Só porque eu tive, não significa que está certo, — ele se explica. Eu olho para o chão. — Sinto muito, Mestre. — Porque você está se desculpando? Eu mordo meu lábio. — Porque eu te deixei com raiva. — Não... não é sua culpa. Eu apenas estou tendo algumas dificuldades com... minha excitação. — Mas por que você não deixa eu te dar o que você precisa? — Porque é errado, — diz ele. — Você disse que estava tudo bem em sentir, — eu digo, e eu fecho a porta atrás de mim. — Sim, e eu disse. — Então por que você se não deixa levar pelo que você sente, você não me quer?

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Meus olhos sobem ao encontro dos seus em uma tentativa desesperada de me conectar com ele. Eu me sinto triste. Triste de não poder dar o que ele quer. Triste, porque eu sinto que é minha culpa. Como eu se não pudesse dar o que ele precisa... E eu quero ser capaz de fazer exatamente isso. Eu devo isso a ele. — Eu quero você. Você nem sequer sabe o quanto, — diz ele. Meu coração palpita quando ele finalmente admite. — Mas por que você resiste? Ele franze a testa. — Porque eu não sou esse tipo de Mestre. Eu sei que você está oferecendo a si mesma só porque eu a possuo e não por que você realmente sente ou quer. Você faz isso porque você foi ensinada a se submeter. A ceder a todas as minhas necessidades. Como um servo. — Mas eu não sou sua serva, — murmuro, recordando claramente o que ele disse anteriormente. — Você mesmo disse. Eu estou quebrando todas as regras, indo contra ele. Ao baixar a minha calcinha e expondo minha nudez. Mas ele não precisa pedir ou fazer quaisquer exigências. Vou dar-lhe o que ele precisa por minha própria conta. Seus olhos voam em direção a minha boceta imediatamente, e ele morde o lábio brevemente, a excitação piscando em seu rosto. E então ele olha para longe novamente. — Não, você não é minha serva. Ele dá um suspiro. Por que ele está resistindo, mesmo que seja isso que ele quer? Eu quero também. Não há nenhuma razão para continuar lutando. — Mas eu sou sua, Mestre. Ele estala, — Por quê? Por que você quer ser? Eu não fiz nada para você. — Você me acolheu e me deu... sentimentos. Palavras. — Eu respiro com cuidado. — Eu nunca tive o luxo de sentir qualquer coisa. Muito menos falar sem permissão. Pode parecer estranho para alguns, mas para mim... palavras e sentimentos são toda a liberdade que existe. Ele esfrega o rosto com as mãos. — Bem, eu estou feliz que pelo menos eu pude lhe dar alguma coisa.

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— Deixe-me dar algo para você. Sou grata por você ser meu novo Mestre. — Eu dou um passo para frente e deixo de lado as mãos. De pé entre as pernas dele, eu trago a mão dele para o meu peito. — Eu sou sua. Seus lábios se abrem. — Por sua própria vontade? Ele lambe os lábios quando a palma da sua mão gentilmente me toca, e eu posso sentir o mesmo baque entre as minhas pernas. Minha boceta responde ao seu toque e me faz desejar-lhe ainda mais. E eu posso dizer pela maneira como ele me olha, com fome em seus olhos, que ele me implora também. É como se sua mente tivesse ficado em branco no momento em que ele colocou a mão no meu corpo. Como se ele estivesse finalmente dando a si mesmo permissão para me tocar. — Eu sou sempre sua, — repito. É a verdade. Meu Mestre me possui. Eu sou sua. Nada vai mudar este fato, e é tudo que eu já conheci. É também a razão pela qual eu preciso fazer isso. Por que eu preciso dele para me tocar e tirar de mim o que ele precisa. Isso significa que eu pertenço a ele. — Por favor… Peço-lhe. Peço-lhe para me levar. Peço-lhe porque eu preciso dele. Porque é tudo que eu já conheci. Porque eu me sinto incompleta sem dar meu ao Mestre o que ele precisa. — Eu não posso... — ele murmura, as sobrancelhas franzidas, mas sua determinação está diminuindo. — Por favor... Eu preciso disso, — eu sussurro. — Eu preciso do meu Mestre, porque o meu Mestre precisa de mim. Eu preciso agradá-lo... ou então não vou me sentir bem comigo mesma. Ele deixa escapar um suspiro e, em seguida, envolve seus braços em volta do meu corpo nu e toma em uma lufada do meu cheiro. Ele repousa a cabeça abaixo dos meus seios, acariciando minhas cicatrizes das costas com os dedos. — Diga isso de novo, — ele murmura.

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— Eu sou sua, Mestre. Por favor, me tome. Ele planta um beijo na minha barriga, me segurando apertado e me puxando para mais perto, sua fome insaciável. — Você me faz querer cometer um pecado, Ava. — Mas Mestre, não é um pecado, se nós dois queremos isso, — murmuro. Isso vai contra tudo o que me foi ensinado a dizer — ao meu Mestre, mas eu sinto que é exatamente o que ele precisa ouvir agora. Seus lábios estão em toda parte - na minha barriga, meus seios, meus mamilos. Como isso é excitante, eu assobio e mordo o meu lábio, minha boceta pulsando. Ele mordisca gentilmente, puxando meu mamilo até que um gemido escapa da minha boca. Suas unhas cavam em minhas costas enquanto ele me prende mais perto, meu corpo pronto para ele. — Você não tem ideia do quanto eu já pequei, — ele sussurra contra a minha pele. — Mas eu vou reivindicar o que é meu agora. Ele passa a beijar minha clavícula e pescoço, deixando marcas vermelhas deliciosas em todos os lugares, me marcando como sua. Finalmente, ele me reivindica. Finalmente, posso dar ao meu Mestre algo que ele realmente precisa. E mesmo que eu mal saiba quem ele é, eu sei que as necessidades animalescas muito básicas devem ser sempre satisfeitas. E eu estou disposta. Capaz. Necessitado por um Mestre que me faça sentir como se eu estivesse no lugar certo: ao seu lado, como uma serva obediente. — Você é tão linda, — ele murmura, sua língua circulando meu mamilo. — Tão inocente. Tão perfeitamente submissa. Você vai ser minha ruína. Eu não sei o que ele quer dizer com essa última palavra e por que ele acha que eu vou ser sua ruína, mas vou fazer o meu melhor para ser o que ele deseja... Porque essa é a minha razão de existir neste mundo. É por isso que eu quero que ele me leve. Porque me dá um propósito. Há um sentido à minha vida se eu posso dá-lo a outro. — Você ainda acredita que eu estou bravo com você? — Ele pergunta. — Não, Mestre.

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— Bom, porque eu quero te mostrar o quanto eu preciso de você, mesmo que eu não mereça. Eu quero que você saiba quanto você é importante. Ele deixa um rastro de beijos por todo o caminho até a minha boceta até que ele atinja o meu clitóris, fazendo-me ofegar. — Seu prazer é tão importante quanto o meu, — ele murmura, me lambendo. Ei mio de emoção, incapaz de manter os sons enquanto ele me beija lá. Ele cutuca minhas pernas e eu abro voluntariamente, dominada pelas sensações que estou sentindo. — Você já foi lambida antes? — Ele pergunta. — Não, não tão suave como você está fazendo, Mestre. Ele circunda o meu clitóris e habilmente rola em torno de sua língua entre minha fenda, fazendo-me tremer nos meus pés. — Hmm... então ninguém jamais fez você gozar por aqui? — Não, Mestre. Ele olha para mim de debaixo de suas sobrancelhas, uma pitada de excitação em seus olhos, e ele sussurra: — Há uma primeira vez para tudo. — Eu sou sua para fazer o que quiser, Mestre, — eu digo, com meu corpo inteiro se liquefazendo da forma como ele olha para mim. Possessivo. Ávido. — Isto não é para mim, Ava. Isto é para você. Eu quero fazer você se sentir bem, — ele murmura, e ele mergulha de volta. Ele... ele quer me fazer sentir bem? Oh Deus. Eu nunca ouvi isso antes. Isso traz lágrimas aos meus olhos. Elas rapidamente evaporam enquanto ele me lambe com mais veemência, me provocando com sua língua. A energia aumenta à medida que eu me esforço para respirar e ficar de pé, mas seu aperto é firme quando ele me mantém no lugar. Eu posso sentir o calor subindo por todo meu corpo, meus mamilos ficam duros com a tensão se

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construindo dentro de mim. Eu não reconheço esse sentimento que experimento, a crescente luxúria passeia entre as minhas pernas. — Você tem um gosto tão bom... — Ele geme e empurra sua língua na minha boceta, fazendo-me ofegar. — Abra suas pernas. Eu faço o que ele me manda e abro as pernas o máximo que consigo sem cair. — Segure-se em mim. — diz ele, assim, eu coloco minhas mãos em seus ombros enquanto tremo com a necessidade. Eu não sei por que ele está fazendo isso. Por que ele é tão bom para mim quando eu sou só a sua submissa. Não sou nada sem ele, mas ele me faz sentir como se ele não seria nada sem mim. — Porra, você é tão pecaminosa. — ele murmura, lambendo meus sucos. — Goze para mim, Ava. Goze na minha língua. — Eu não... — Eu suspiro. — Eu não sei como. — Sim, você sabe. Apenas deixe acontecer. Eu sempre gozei quando me mandavam, ele metia em mim até eu gozar, ou usava algum artifício até que eu gozasse. Mas eu nunca tinha sido lambida tão docemente. É como se ele estivesse me acariciando com sua língua. Estou acostumada a aspereza, não isso... isso é muito bom para mim. — Sinto muito, Mestre. — eu digo, sabendo que eu não gozei quando ele pediu. — Não há pressa. — ele sussurra. — Apenas se deixe levar pelo momento. Goze quando você sentir o orgasmo explodir em você. O acúmulo é enorme, e quando ele me diz isso, eu esqueço as minhas expectativas e vivo o momento. Sem medo, sem dor, gozar acaba por ser muito mais difícil. Mas também muito mais excitante. A umidade escorre pelas minhas pernas e ele ansiosamente lambe cada gota. A língua dele me traz perto, tão perto; Eu quase posso sentir isso. Minha boceta vibra com um prazer que nunca senti antes, e por um momento, eu sinto que eu poderia explodir. Minhas unhas cravam em seu ombro quando eu estou chegando ao limite. Eu posso sentir e, em seguida, do nada, eu voo. E é a melhor coisa que eu já senti. Eu me desnudo na frente dele, deixando de lado todas as minhas inibições, meus medos, e meu passado. Sinto-me livre. Leve como uma ~ 67 ~


pena. Preenchida com nada além de borboletas, flutuando em uma nuvem cor de rosa. E então eu caio... caio em seus braços, as unhas arranhando seu ombro, liberando seu aperto. Minhas pernas entram em colapso debaixo de mim, mas suas mãos me pegam bem na hora. Com um sorriso no rosto, ele me coloca no colo, se arrasta para trás até que meu corpo descansa na cama, e ele ao meu lado. Eu expiro lentamente, tentando me acalmar, mas nada pode impedir as lágrimas de brotarem dos meus olhos. — O que há de errado? — Ele pergunta. — Nada, Mestre. Nada está errado. É só que... foi bom demais. — Eu sorrio para ele. Ele inclina a cabeça e coloca a mão no meu rosto, acariciando minha bochecha. — Então por que você está chorando? — Eu me sinto tão... sobrecarregada. Alegre. Meu corpo foi explorado da melhor forma, Mestre. — Dirijo-me para ele e coloco a mão debaixo da bochecha. — Obrigada. Seus lábios se separaram, mas ele fecha a boca e fica em silêncio ao meu lado. Meus olhos vagam para baixo em direção a suas calças, que são claramente estendidas, então eu me arrasto para mais perto dele e pressiono um beijo em suas bochechas. — Eu quero dar-lhe o que você precisa também, — eu digo. Minha mão desliza para baixo do seu corpo e sua ereção salta com o meu toque. Sua respiração acelera quando eu começo a esfregar. — Você não tem que... — ele sussurra. — Mas eu quero, Mestre. Eu me inclino e o beijo do lado de seus lábios. Em seguida, outro. E outro... até que ele vira a cabeça para mim, fecha os olhos, e me beija. Ele segura meu rosto, enquanto sua boca explora a minha, seus lábios são hipnotizantes. Seus beijos são viciantes, tão suaves e doces. Ninguém nunca me beijou assim antes. Eu me pergunto por que ele não é como o meu antigo Mestre que frequentemente me levava sem remorsos. Levar. Levar. Levar. É tudo que eu já conheci.

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Mas ele... ele se recusa a tirar qualquer coisa de mim a menos que eu dê de bom grado. Então eu faço. Abro a boca e o deixo entrar, sua língua ansiosamente mergulha lambendo o meu céu da boca. E mesmo que eu esteja nua e ele não, sinto-me segura envolta em seu calor. Quanto mais eu o beijo, mais duro fica seu pênis, assim como sua respiração. Suas mãos apertam meu corpo e me puxam ainda mais perto, empurrando-me em suas coxas. Ele geme em minha boca e deixa as mãos passar entre meus seios, puxando e provocando meus mamilos até que endureça. Cada toque sedutor dele, deixa o seu pau com mais desejo.Minha boca saliva só de pensar no seu gosto, mas depois ele me vira, então eu deito de costas, e ele rasteja em cima de mim. — Porra... Eu quero você pra caralho, — ele murmura contra os meus lábios. — Então me leve, Mestre, — eu digo. — Me faça sua. Depois de deixar um beijo final e lambendo os lábios, ele chega até a gaveta na mesinha ao meu lado e pesca um preservativo, que ele rasga com os dentes. Quando ele puxa para baixo o zíper e tira seu pênis da cueca, eu não posso evitar e me surpreendo o quão apetitoso parece. Tão jovem e viril. Como uma força a ser reconhecida. Ele rola o preservativo para baixo em seu comprimento e continua a me beijar novamente, plantando beijos por todo o meu rosto e corpo, até que me faz sorrir. Quando eu sinto sua ponta na minha entrada, eu abro mais as minhas pernas como eu estou acostumada, permitindolhe acesso total. Eu não resisto quando ele agarra meus braços e os puxa acima da minha cabeça, prendendo meus pulsos no o colchão. Eu nunca resisto Mas ele me penetra tão lentamente que me faz franzir o cenho. — O que está errado? Você está com dor? — Ele pergunta. — Não, não, Mestre. De modo nenhum. — Eu não quero feri-la. — Ele pressiona um beijo na minha testa enquanto ele desliza mais. — Eu apenas... não estou acostumada a isso, Mestre, — eu acrescento.

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Ele sorri. — Não está acostumada a ser acarinhada? — Ele murmura, deixando um beijo nos meus lábios. Eu suspiro quando ele está completamente dentro de mim. Ele é tão grande; Eu nunca esperei que ele fosse assim, mas a plenitude realmente me faz sentir inteira novamente. — Sim, — eu gemo. E então ele empurra. De novo e de novo. Cada vez que eu gemo, ele vai um pouco mais rápido. Seus olhos permanecem em mim em todos os momentos, nunca olhando para longe enquanto ele toma o que pertence a ele. Não estou acostumada a ser encarada enquanto sou fodida. Assim não. Não como se ele estivesse tentando descobrir quem eu sou só de olhar para mim... como se ele desejasse ver nas profundezas da minha alma. Isso faz algo comigo. Calor. Afeição. O desejo de proteger. Seu olhar cria sentimentos profundos dentro do meu coração, que eu pensei que eu tivesse enterrado há muito tempo. Ele criou uma conexão Eu não sabia que poderia existir uma entre um Mestre e seu servo. Nos transformou em algo mais do que apenas Mestre e submissa. Nos fez pecadores amantes. Ele me fode até um gemido alto escapar de sua boca, e ele pulsa dentro de mim, sua semente quente me enchendo. Mais três estocadas e ele desliza para fora de mim com facilidade, ambos os nossos corpos encharcados de suor e paixão. Ele me beija, nos lábios e no nariz, ao remover o preservativo atirando-o longe. Todo o tempo, ele mantém seu olhar em mim, quase como se ele não quisesse desviar o olhar. Ele olha para mim como se estivesse forçando-se a entrar em acordo com a sua escolha por me reivindicar... Por testemunhar o desenrolar do meu mundo. Eu sou sua. Mas eu sou realmente sua? Ou há alguma parte de mim que, neste momento de pura luxúria, estende a mão para um tempo quando eu pertenci a ninguém além de mim?

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Em seu olhar, acho que nรฃo hรก respostas, sรณ perguntas que imploram para ser desvendadas. Mas eu sou corajosa o suficiente para procurรก-las?

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Capítulo sete MARCUS Ela adormeceu nos meus braços na noite passada. Senti o cheiro de seu cabelo e corri meus dedos por ele. Eu a abracei forte, cantarolando até que seus olhos se fecharam. Eu escutei seus sons enquanto ela respirava. E eu senti a culpa me corroendo. A lua veio e se foi, mas a minha culpa ficou. Hoje à noite, eu cometi mais um pecado atroz. Eu cedi à luxúria. Eu a deixei alimentar meus desejos. Eu não deveria ter feito isso, mas é tarde demais para mudar o que aconteceu. Eu sou fraco por não resistir? Por dar a ela o que ela me pediu? Ou era certo ceder a ambas as nossas necessidades? Independentemente disso, eu não sou o que ela acha que eu sou. Mestre ou não, eu devo fazer o que é certo, mesmo que ela vá me odiar por isso. Devo parar com isso agora... antes que seja tarde demais. Quando a manhã chega, eu me levanto da cama e vou para o banheiro adjacente, lavando o rosto para me livrar da preguiça da manhã. No entanto, o rosto que olha para mim me horroriza. Olhar-me no espelho faz-me querer quebrar o vidro em pedaços. Marcus Knight. Você não é um homem. Eu a usei. Uma menina inocente que você anunciou ter salvo, e você a usou. Eu a usei, e ela nem sequer lutou com isso.

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Droga. Claro, ela não ia lutar. Ela foi treinada para não lutar. Na verdade, está em sua natureza querer me agradar. É por isso que ela me pediu, e é por isso que de bom grado eu desisti da luta... porque ela precisava de mim. Mas foi errado, no entanto. Eu jogo outro esguicho de água no meu rosto, mas isso não diminui minha irritação. Como eu pude deixar isso acontecer? Eu sucumbi às minhas necessidades e sua submissão ansiosa me empurrou sobre o limite. Meu desejo de dar a ela o que ela precisa me transformou em um animal. Eu a tomei daquele monstro, e a usei da mesma forma? Não importa o quão doce ou suave eu seja, isso nunca vai ficar bem. Não enquanto ela me vir como seu Mestre... o que é a única coisa que eu não posso tirar dela. Dou um passo para o lado e olho para ela de uma distância segura. Seu corpo encontra-se debaixo de uma fina camada de lençol, os seios mal cobertos, mamilos espreitando para fora. Ainda assim tão nua e inocente como sempre. E eu a humilhei. Eu gostaria de poder me tirar da equação - poder me afastar dela - mas eu não posso. Eu sabia disso quando comecei tudo isso, que esse era o único resultado... que ela viria a confiar em mim, ela não será capaz de continuar sem mim. Ela depende de mim. Minha existência é a única coisa que importa para ela neste momento. E vai comê-la viva se eu a deixar. Então eu tenho que ficar. Devo mantê-la segura e fazer o que puder para consertar o que não pode ser corrigido. É uma tarefa impossível, mas eu estou mais do que disposto a tentar. É minha responsabilidade. Meu dever. Meu pecado final. Eu suspiro e caminho para fora do quarto, deixando-a dormir.

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Eu não ousaria rastejar de volta na cama com ela, mesmo que seja o único pensamento na minha mente agora. Em vez disso, eu faço o caminho para a cozinha, pego uma frigideira e um pouco de manteiga, e começo a cozinhar.

***

AVA O cheiro de bacon e ovos me acorda. Meus olhos se abrem, e por um momento, eu me pergunto onde estou. Memórias da noite anterior inundam minha mente, e batem em mim como uma onda. Percebendo o que aconteceu, eu me sento, meu coração batendo na minha garganta, mas quando eu viro minha cabeça, meu Mestre Marcus não está lá. Eu respiro um suspiro de alívio. Só que quando eu olho em volta, eu noto que eu ainda estou em seu quarto. Nua. Eu jogo o lenço de cima de mim e me levanto. Um espelho na parte de trás me atrai, e eu olho para mim mesma. Meu corpo parece diferente, e minha mente e coração também. Sinto-me revigorada. Renovada. Renascida. Como uma borboleta, finalmente, capaz de abrir suas asas. Na noite passada, nós nos tornamos um, e eu fui capaz de agradar meu Mestre com este corpo frágil. Antes, eu sempre olhei para mim mesma com uma pitada de desgosto. Eu era aquela menina serva inútil que podia ser trocada por qualquer outra pessoa. Agora, eu sou sua. Ele me acha bonita. Ele me acha perfeita. Suas palavras são mais do que apenas palavras... elas me afetam de uma maneira que eu não acho que seria possível. Elas me fazem sorrir e me fazem querer me ver nesse espelho da maneira como ele me vê quando olha para mim com aqueles olhos. Eu dou outro suspiro, desta vez não de alívio, mas de felicidade. E então eu abro a porta e olho para fora. Não vejo nada então eu rapidamente corro para o banheiro para me refrescar e, em seguida,

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vou para o meu quarto buscar algumas roupas. Uma nova blusa preta com rendas brancas e calças justas. Enquanto eu as coloco, o cheiro de bacon e ovos me faz salivar, então eu me arrumo e faço o caminho para a sala de estar. Me pergunto o que está acontecendo e por que eu sinto o delicioso aroma da comida. As poucas vezes que eu pude sentir um cheiro tão bom, era quando eu cozinhava para o meu Mestre anterior e, em seguida, o assistia comer tudo. É por isso que estou tão surpresa quando eu encontro Mestre Marcus salpicando ervas sobre os ovos mexidos, que ele coloca em dois pratos. Não um. Dois. Será que temos um convidado? Ele vira a cabeça e sorri quando me vê. — Bom dia, Ava. — Bom dia, Mestre. — Eu aceno. — Você precisa de alguma ajuda? Eu posso assumir para você, se quiser. — Não, não, sente-se. — Ele aponta para um assento com a espátula. — T-tudo bem... — Eu hesitante faço como ele diz, ainda olhando ao redor procurando o suposto convidado que vai e tomar café com ele. Enquanto isso, ele traz os pratos para a mesa juntamente com o sal e a pimenta e coloca um deles, incluindo um garfo e faca, na minha frente. Eu fico olhando para ele quando ele se senta na minha frente e começa a cortar os ovos. Minha boca está salivando com a visão de toda essa comida deliciosa, mas estou perplexa. Por que ele iria dar isso para mim? — Por que você não está comendo? — Pergunta ele, baixando a faca. — Eu... não... isto é para um convidado? — Pergunto. — Não, é para você, — diz ele coloca uma garfada na boca. Meus olhos se arregalam. — Você... cozinhou para mim? — Sim. É assim tão estranho?

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— Eu... Sinto muito, Mestre. Eu apenas nunca... Você não tem que fazer isso por mim. Eu devo cozinhar para você. — Que absurdo. Ele pega a água, derrama em seu copo e dá um gole. — Você não tem que fazer tudo. Eu gosto de cozinhar de vez em quando. — Posso fazer uma pergunta? — Sim, mas você não tem que pedir permissão para isso também. — Tudo bem... Eu só quero saber por que você quer que eu coma ao seu lado. Eu pensei que comer juntos fosse apenas para os convidados. Ele para de comer e larga o garfo. — Porque você é minha convidada. Só porque eu comprei você não significa que você não pode comer comigo. Você não está abaixo de mim, Ava. — Ele acena para o meu garfo. — Eu fiz isto para você, para que você possa desfrutar de um bom café comigo. Ou você não está com fome? — Oh, sim, eu estou, Mestre. — Eu lambo meus lábios. — Então coma. Prestativa, eu pego o garfo e faca e corto um pedaço pequeno, sentindo como se eu não devesse ultrapassar essa linha. Ele me observa como um falcão quando eu coloco na minha boca, mas nada me prepara para a explosão de sabor na minha língua. Eu quase derramo lágrimas nos meus olhos. — E? — Ele pergunta. — Está delicioso, Mestre, — eu digo. — Eu nunca provei nada assim. — Eu mastigo mais e mais até não restar mais nada, saboreando cada pequeno pedaço. Sua boca se curva em um sorriso. — Estou feliz que você tenha gostado, embora eu tenha que dizer, cozinhar não é uma das minhas melhores qualidades. — Ah, mas você é um cozinheiro fantástico, Mestre, — eu digo. — Você não tem que me pajear com elogios. Eu sei que meus ovos com bacon nem sempre são perfeitos. Muitas vezes eu deixo passar do ponto. — Eu não saberia, no entanto, estes estão perfeitos para mim.

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— O que você quer dizer? — Ele franze a testa. Eu engulo a garfada, me sentindo muito feliz. — Eu realmente nunca tinha comido ovos com bacon antes, Mestre. — Você nunca... tinha comido ovos com bacon? — Ele faz parecer estranho. — Não, Mestre. Mas eu amei isso. — Eu sorrio para ele, e um sorriso aparece em seus lábios também, mas eu sinto um pouco de tensão entre nós. — Vá em frente. Eu quero que você terminar o seu prato, — diz ele, e pega o garfo também. Comemos em silêncio até que nossos pratos estejam vazios e os nossos estômagos cheios. É a primeira vez que eu como algo tão bom. — Obrigada, Mestre... por me deixar provar a sua comida, — eu digo empurrando a cadeira para trás. Ele balança a cabeça. — Você não precisa agradecer. — E ele se inclina para pegar meu prato. Eu imediatamente me levanto e pego o seu, tentando tirar dele, mas ele não me permite. — Não, — diz ele, seus olhos escuros. — Fique. Eu congelo no lugar. — Mas eu quero... ajudar, — murmuro. — Você não deveria ter que fazer esse tipo de coisa, Mestre. É o meu trabalho como sua serva. — Seu trabalho é fazer o que eu quero, e o que eu quero agora é que você se sente e deixe-me levar isso para a cozinha. — Sim, Mestre. — Eu me sento na cadeira. — Bom, — diz ele. Eu o vejo levar os pratos e talheres para a cozinha, e eu amasso minhas roupas por causa disso. Meus dedos estão ansiosos para começar a trabalhar e meus pés estão contraindo-se para começar a se mexer. Mas, ouvir meu Mestre é mais importante do que a minha própria necessidade de tirar o peso do ombro. Ele não quer que eu... mas por quê? Por que ele não quer permitir que eu o ajude?

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Será que é porque ele quer que eu seja vista como ele? Alguém que faz tantas tarefas como eu faço? Alguém que não só vai levar, mas também dar? Isso é impossível, porque eu sou uma serva e ele é um Mestre. Nós nunca seremos iguais. Ele mexe em alguma coisa na cozinha, e depois de um tempo, eu sinto o cheiro de café. O cheiro me dá dor de cabeça, lembrando-me de todas as vezes que eu não consegui fazer um café cremoso perfeito e fui chicoteada por isso. Eu engulo seco quando o Mestre Marcus traz duas xícaras fumegantes para a mesa e se senta, deslizando uma para o meu lado no final da mesa. Nós olhamos, e eu sei que é porque ele está me testando, vendo se eu finalmente ajo por conta própria, sem que ele me diga nada. Eu sei que é o que ele quer, então eu pego a xícara e trago para os meus lábios. O calor do líquido me surpreende, e eu engasgo um pouco antes de engolir. — Cuidado, está quente, — diz ele, rindo um pouco quando me vê ofegar. — Sim, eu não percebi. Eu nunca provei antes. — Sério? Nem mesmo café? — Não, Mestre. O café é para Mestres. — Isso é o que você foi ensinada... , — diz ele, tomando um gole. — É a única coisa que eu sei. — Certo... então me diga, o que exatamente você comia e bebia antes de vir para este lugar? — Nós comíamos biscoitos de arroz e suplementos vitamínicos. Eles eram mais baratos do que o alimento normal. Ele solta sua xícara na mesa e olha para mim como se eu tivesse enlouquecido, seus olhos se arregalam e os lábios ficam entreabertos. — Assim, em toda a sua vida, você nunca comeu nada além de biscoitos? — Ele faz uma cara.

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— Com a exceção do que o nosso Mestre generosamente nos deu... não. Ele quase se engasga com seu café, mas consegue segurar e engolir. Balançando a cabeça, ele suspira. — Será que você está com raiva, Mestre? Você parece triste. — Não, não... É apenas surpreendente, isso é tudo. — Ele pondera sobre isso um pouco. — Há tanta coisa que eu não sei sobre você ainda. Por que você não me conta sobre sua vida antes de vir morar comigo? — Minha vida? Você quer dizer com o meu Mestre anterior? — Sim, — diz ele. — Eu acho que é importante. — Oh... ok. — Eu aceno devagar. — Tudo certo. Aonde você quer que eu comece? Ele pega um guardanapo, acaricia sua boca com ele, e amassa na mão. Com uma voz firme, ele diz: — Do começo.

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Capítulo oito AVA Treze anos atrás Estamos comemorando o Natal, e eu estou abrindo meu presente quando eles vêm. Eu mal sei que dia é esse, eu recebo muitos presentes de um indivíduo idoso, de barba com uma roupa vermelha, caindo abaixo da chaminé e é trazido por suas renas. Exceto, que este ano é apenas um presente, mas a minha mamãe e papai deixaram muito claro que este é muito especial. Eles dizem que o Papai Noel já lhes enviou seu presente e que eles estão tão felizes comigo eles só querem me ver sorrir. Eu sou muito jovem para perceber que algo está errado quando alguém bate na porta e a voz de minha mãe fica trêmula com medo. Vozes gritam do outro lado da porta, e meu pai corre imediatamente para a porta, deixando minha mãe e eu sozinhas perto da árvore. Ameaças são feitas. Algo sobre dinheiro e empréstimos. Eu nem sei quem são eles, mas a partir de sua raiva, eu posso dizer que é importante. Então, meu coração para. Bang. O barulho é ensurdecedor, o som ecoando pelos corredores e sala de estar. O rosto de minha mãe fica pálido. Ela olha para mim com terror nos seus olhos. — Vamos. — Ela não hesita, nem um segundo, para me pegar em seus braços e fugir. Meu presente cai das minhas mãos, pois eu sou incapaz de agarrá-lo, a boneca que estava dentro rompe com a caixa, o conteúdo se espalha pelo chão. Na minha cabeça, eu me pergunto por que minha

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mãe está me impedindo de abrir o meu presente e por que o meu pai está falando e fazendo barulho com as pessoas na porta em vez de celebrar o Natal. Eu não pergunto a minha mãe porque ela parece com pressa para nos levar para o quarto. Ela me coloca no chão e fecha a porta atrás dela, girando a chave na fechadura. Ela nunca tranca a porta. Eu fico olhando para ela enquanto ela empurra um pequeno armário em frente da porta e então se vira para me encarar. — Mamãe, o que está acontecendo? — Minha voz treme. Ela se ajoelha e me pega, me abraçando apertado. — Não se preocupe. Tudo vai ficar bem. — Quem eram aqueles homens na porta? — Pergunto. — Apenas alguns homens, papai tem que lidar com eles. — Seu sorriso brilhante não pode esconder as lágrimas manchando os olhos. — Ele está ocupado agora, então abrir o presente vai ter que esperar por apenas alguns minutos, ok? Eu concordo. — Bom. Mas eu não quero que você fique entediada, então vamos jogar um jogo de esconde-esconde. Se você for pra debaixo da cama, eu vou me esconder, e você não pode sair até que você ouça seu pai ou eu gritar seu nome, ok? — Ok… Ela me beija na bochecha. — Boa menina. Agora, vá para debaixo da cama. Eu faço o que ela diz, rastejando sobre a madeira até que a minha cabeça está escondida e ela tem de se curvar para me ver. — Perfeito. De repente, uma batida forte faz um buraco na porta. Minha mãe vira a cabeça em direção à porta e, em seguida, de volta para mim, o rosto crivado de medo. — Não saia. Fique aí, ok? — Ela pega a minha mão, apertando. — Sim, mamãe. — Mamãe te ama. Você sabe disso, certo? — Ela dá um beijo ao meu lado, uma lágrima rolando pelo seu rosto.

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— Por que você está chorando? — Pergunto. — Porque eu estou tão feliz por você e seu papai serem tudo para mim. Ele te ama tanto. Lembre-se, ok? Lembre-se que nós te amamos... mais do que qualquer coisa neste mundo. — Ok, — eu digo, quando ela solta a minha mão. — Eu tenho que ir agora. Eu vou ver o papai, fique aí embaixo. Eu aceno enquanto ela se levanta para seus pés e caminha em direção à porta. Vozes crescem através da casa. — Nós sabemos que você está aí. — Fique longe! — Minha mãe diz com uma voz severa. — Não até que você nos dê o que nós viemos buscar. — Eu não tenho nada! Me deixe em paz! — Com certeza… Outro grande estrondo acompanhado de grito da minha mãe me faz empurrar meus dedos em meus ouvidos. Uma força empurra o armário longe e as batidas abrem as portas. Minha mãe tropeça para trás, gritando: — Não se aproxime! — Onde está o dinheiro? — Nós não temos! O que você fez com ele? Onde ele está? — Ela pergunta. — Eu coloquei uma bala em seu cérebro. O som de gritos segue um segundo de silêncio; minha mãe corre para os homens, só para parar centímetros na frente deles. Prendo a respiração quando ouço os estrondos novamente. Então minha mãe cai. Posso vê-la deitada na minha frente, segurando um pequeno canivete suíço na mão, o rosto voltado para mim. Marcas vermelhas estão por todo seu vestido branco.

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Meus olhos se arregalam quando ela se apaga lentamente, e ela estende a mão para mim, seus lábios se separaram para sussurrar, — Eu. Amo. Você. Uma única lágrima desce seu rosto e sobre o tapete manchado de vermelho. E, em seguida, a cama é levantada de cima de mim. Eu grito com a visão do cara assustador, careca com óculos de sol, que tem muito mais que a minha idade, de pé em cima de mim. — Bem, Olá. — Droga. Novamente, nenhuma porra de dinheiro. Por que todos esses filhos da puta continuam pedindo um empréstimo com juros quando não podem pagá-los a tempo? — O outro, do lado dele com botas de cowboy cospe, e ele caminha em direção a nós. — Não, eles nunca aprendem a lição? Eu me escondo debaixo da cama, rastejando para trás, tanto quanto eu posso, mas eu não consigo ficar longe dos homens assustadores. — Bem, olha o que temos aqui... — aquele com as botas de cowboy diz, rindo um pouco. — Talvez possamos vendê-la para obter uma parte de volta. — Ela parece ter quase sete anos. — Quem se importa? Eles vão querer qualquer coisa que tenha uma boceta, enquanto ela possa limpar e cozinhar. — Não. Eu não vou fazer isso de novo. — Você sabe o que o chefe disse. — Eu sei o que ele disse, — o careca cospe. — Eu não dou a mínima. — Eu estou pouco me fodendo com o risco que estou correndo, então, que se foda. Vou levá-la. O careca rosna dando passos na minha direção, e eu grito. — Mamãe? — Não vai ajudar gritar pela mamãe agora, garota, — o homem com botas de cowboy diz, sorrindo para mim com os dentes podres. — O que você fez com a minha mãe? — Eu grito, chorando. ~ 83 ~


— Eu não tive outra escolha quando ela partiu pra mim, mas a sua mamãe e papai fizeram isso para si mesmos, — diz ele. — Cale a boca, — diz o careca. — Estou cansado de ouvir a sua merda. — O que você disse? — Eles enfrentam um ao outro agora; suas cabeças quase perto o suficiente para bater um no outro. — Tem algum problema aqui? — Não encha a menina. Ela já viu o suficiente. — Eu não vou sair sem dinheiro, então eu vou levá-la. A menos que você me mostre outra maneira de corrigir esta merda, nós dois estaremos mortos. — Ótimo, — o careca cospe e ele olha para mim. — Vou levá-la. Meus olhos se arregalaram quando ele vem na minha direção, e eu grito para ele ficar longe, mas ele não faz. Ele me pega em seus braços, e eu chuto suas costas enquanto ele me levanta por cima do ombro. — Não! Mamãe! — Eu grito, querendo que ela se levante e me tire deste homem assustador. Mas ela não se mexe. Ela nunca se levanta. Ela não olha para mim quando ele me leva para fora do quarto. Seu sorriso se foi. Tudo o que resta são lágrimas vermelhas do fluxo de sangue e um buraco no meu coração.

***

Agora A imagem dos olhos mortos da minha mãe ainda está impressa em mim até hoje. Quando eu me lembro da história de como eu me tornei uma órfã do dia para a noite, sempre traz calafrios aos meus ossos.

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Eu ainda não posso acreditar que isso aconteceu comigo, e alguma parte escura, impaciente de mim ainda acredita que foi apenas um sonho. Mas eu sei que não foi. Eu estou vivendo a vida que foi me dada apenas alguns dias depois. Minha mãe era o meu mundo. Eu era muito jovem para viver sem ela... todas essas memórias preciosas... foram... substituídas por um evento brutal que tomou o controle da minha vida. E o pior de tudo... eu não consigo nem lembrar os nomes dos meus pais. Mestre Marcus se mexe desconfortavelmente em sua cadeira, limpando a garganta, com uma carranca inquieta no rosto. — O que aconteceu depois? — Ele pergunta. — Oh... eu achei que você talvez tivesse sido surpreso pelo meu passado. — Eu fiquei, mas isso não significa que eu não queira saber de tudo. — Ok, — eu digo, balançando a cabeça e engulo seco, e, em seguida, olhando para longe, para processar minha própria história. — Bem, quando esse homem veio e me levou, muito do que aconteceu depois foi um borrão, mas eu especificamente me lembro de ter sido levada para uma casa onde várias outras mulheres eram mantidas em gaiolas, e havia um cão de guarda que constantemente ladrava em nossas orelhas. Lembro-me de quão assustada eu estava e como eu queria a minha mãe... Nessa idade, eu não sabia o que significava a morte. O que a minha vida era, e o que aconteceria quando eles me levaram. — O que eles fizeram com você? Eu olho nos olhos dele. — Eles me treinaram. Seus olhos piscam com algo poderoso eu não posso colocar em palavras, mas me chama a atenção, no entanto. — Treinaram para fazer o quê? — Servir.

***

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MARCUS Eu aceno devagar, esfregando o queixo. Eu continuo a achar difícil chegar a um acordo com o que ela está dizendo. Considerar como a verdade seria insano, monstruoso, mas ela não poderia mentir... É quase demasiado difícil de lidar. No entanto, eu preciso que ela me conte tudo... até o último detalhe. — Então, aqueles homens que mataram seus pais, o que aconteceu depois? — Acho que eles queriam dinheiro, Mestre. Algo sobre um empréstimo. Eu não sei por quê. Eu era muito jovem para saber sobre isso, — diz ela. — Mas eles levaram você em vez... — Como pagamento, sim. Quando os meus pais não podiam darlhes o que eles queriam, eles me levaram e me venderam. Eu respiro fundo e solto um suspiro, olhando para longe dela. Apenas o pensamento deste ato monstruoso faz mal ao meu estômago. — Desculpe, Mestre... Se eu o incomodo, eu posso parar. — Ela lambe os lábios. — Não, não, está tudo bem. — Faço um gesto para que ela continue. Ela balança a cabeça. — Eu fui vendida a um homem que me criou para ser uma serva. Ele me disse que é o que eu nasci para ser... para alguém usar... e que eu deveria aceitar, então eu o fiz. Obedeci suas regras. Eu era punida se eu errasse e... — Punida? — Eu interrompo. — Sim Mestre. Com chicotadas e às vezes me batiam se meu erro fosse ruim o suficiente. Então é verdade. Eles realmente as espancam e com ferramentas. Eu já tinha visto as cicatrizes em suas costas quando ela estava nua, mas eu não quis perguntar sobre isso. Eu não queria arruinar seus já pensamentos frágeis... mas ouvir isso agora me faz sentir como se eu tivesse sido um tolo. Ignorei suas feridas e cicatrizes intencionalmente, sabendo muito bem o quão profundamente danificada, tanto por dentro como por fora, ela realmente era.

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Disse a mim mesmo que eu não ia perguntar a ela sobre eles para poupá-la... mas foi realmente para me poupar. — Quando ele fazia isso? — Eu pergunto, mordendo o interior da minha bochecha. — Quando eu deixava cair algo no chão ou quando eu estava atrasada. Ou se eu ficasse doente. Eu faço uma careta. — Ele batia em você se você estivesse doente? — Sim. Como serva, eu nunca deveria ficar doente. É nossa culpa pegar uma infecção em primeiro lugar, — diz ela. Eu franzo a testa, como a própria ideia de ser acusado de ficar doente. — Que bobagem... — Em vez de terminar a minha frase, eu olho para a minha xícara de café, percebendo que quanto mais perguntas que eu faço, pior minha raiva se torna. Mas devo continuar. Pelo bem de ambos, eu preciso saber a extensão de sua miséria. — Mas tudo o que fazemos de errado é culpa nossa, é claro. Não devemos fazer coisas erradas. Fomos ensinados como fazê-las corretamente, por isso não há razão para cometer erros. — Hmm... — Eu nem sei o que dizer a ela. Ela tem sofrido uma lavagem cerebral em sua apresentação completa, a ponto de não se preocupar com seu próprio bem-estar. — Eu fui treinada para ser perfeita, — ela continua. — Somos recompensados com amor, se formos perfeitos. Eu gosto de amor, — diz ela, sorrindo suavemente, como se isso provasse alguma coisa. — Amor? Que tipo de amor? — Qualquer coisa... beijos, um toque, ou sexo. Assim, o sexo se torna uma ferramenta para recompensar o bom comportamento, mesmo que ela seja usada. Revoltante. — Quando eu cresci o suficiente e sabia todas as regras, eu fui enviada para viver com um novo Mestre. — O homem do qual eu te comprei... — eu digo.

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— Sim Mestre. Ele me comprou por isso eu fui trabalhar para ele e viver em sua casa. Ele tem muitos servos, os quais são gratos por terem sido comprados por ele, porque não estariam vivos se ele não tivesse feito isso. Jesus Cristo. É muito ruim. O que me faz pensar... — E quanto a essas cicatrizes em suas costas? — Eu levanto uma sobrancelha. Ela fecha a boca e parece um pouco surpresa. — Bem... elas são do meu... Mestre anterior. As cicatrizes mais antigas são a partir de quando ele, pessoalmente, queria me treinar ainda mais. Disse que queria me ouvir gritar. Ele me ensinou a pedir. Só ouvir as palavras dela me faz querer vomitar. — Em seguida, as mais novas também são de quando eu não fiquei molhada o suficiente para ele. Foi minha culpa por não estar molhada o suficiente, — diz ela. — Embora, quando eu estava molhada o suficiente para ele, ele ainda me atacava com uma bengala que tinha bordas irregulares no final. Às vezes, ele a usava em minhas partes sensíveis... como meus seios ou vagina. Ele disse que a dor no meu rosto e o sangue iam se misturar com seu esperma. Eu ergo minha mão e fecho os olhos. — Sinto muito, Mestre. Eu falei demais, — diz ela. — Desculpe-me. — Eu me levanto e caminho até o banheiro, onde eu levanto o assento e me ajoelho para vomitar. Tudo vem para fora, o café da manhã, mas o gosto deixado na minha boca quando eu termino, nem sequer se compara com a acidez da sua experiência. Esses monstros... vão pagar.

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Capítulo nove AVA Alguns dias depois Pela primeira vez na minha vida, eu estou em uma cidade. Uma verdadeira cidade chamada Portland. Não apenas a casa que eu vivo, ou os quartos que eu limpo, mas no verdadeiro mundo exterior. Eu não consigo parar de olhar para fora da janela; Estou praticamente colada ao vidro quando nós passamos através das ruas e eu olho para todas as lojas e todas as pessoas se movimentando ao redor. Vejo-os falar, sussurrar, rir, comer. Viver. Eu quero saber quem eles são e o que fazem. Quero saber tudo sobre este mundo que eu nunca vi antes. — Você está animada, — Mestre Marcus percebe. Sento-me corretamente novamente. — animada. Eu nunca fui a uma cidade antes.

Sim,

Mestre,

muito

— Bem, há uma primeira vez para tudo. Eu acho que você vai gostar de Portland. — Eu também acho. Muito obrigada por me trazer aqui. Um canto de sua boca se levanta. — Nós nem mesmo saímos do carro ainda. — Oh eu sei. Eu só estou já emocionada ao ver outras pessoas. Ele franze a testa. — Você não viu muita gente antes de vir morar comigo, não é? — Não... mas tudo bem. Claro, eu sou apenas uma serva. Ele se inclina e coloca uma mão na minha perna, me fazendo sentir quente. — Você é mais do que apenas uma serva. — Ele sorri e coloca meu queixo para cima. — Você é minha.

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Ele pressiona um beijo em meus lábios, me virando do avesso. Seus lábios quentes são tentadores, mas o beijo dura apenas um segundo... não há tempo suficiente. — Agora, quando formos lá fora, eu quero que você faça algo para mim. — Qualquer coisa, Mestre. Ele olha para mim. — Não me chame de Mestre. Me chame de Marcus. — Mas… — Seria ruim me chamar assim perto de outras pessoas, você entende? — Sim, Mest... Marcus — Minhas bochechas ficam vermelhas brilhantes quando ouço, mas soa ruim dizer seu nome também... como se eu não devesse dizer isso em voz alta. — Boa menina. — Ele me dá um tapinha na perna e, em seguida, o carro para. — Chegamos. Ele abre a porta e sai, caminhando ao redor do carro para abrir a porta também. Ele pega a minha mão e me acompanha. Então ele me deixa andar. Sem coleira, sem amarras, sem nada. Nada me ligando a ele. Nada me impede de fugir. E mesmo que isso passe na minha mente, eu não faço o salto para a liberdade. Eu não quero... ou talvez eu seja simplesmente incapaz de deixálo, de deixar a minha rede de segurança. — Vamos, vamos entrar, — diz ele, e ele me leva para dentro do prédio mais próximo. Há prateleiras e prateleiras cheias de roupas apenas de mulheres, tanto quanto os olhos podem ver. Meu queixo cai e fico maravilhada com a vista de todas as cores bonitas, me perguntando por que estamos aqui. — Esta é uma loja. Em todas as lojas, eles vendem alguma coisa. Este lugar é onde se vendem roupas para você. — Oh meu... que maravilhoso, Mest... Marcus — Eu limpo minha garganta.

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Seus olhos pegam os meus por um breve momento antes de ele olhar para longe. — Vá em frente, então. Pegue algo que você goste. Eu vou para uma das prateleiras e toco o tecido macio de um vestido. Ele é como um pequeno pedaço do céu em meus dedos, tão delicado. — É lindo. — Deixe-me ver. Eu tiro para fora do cabide e mantenho na frente do meu corpo. — Como se parece? Ele levanta uma sobrancelha. — Você deve experimentá-lo. — Sério? Mas não é meu. — É seu, se eu quiser que ele seja, — diz ele. — Qualquer coisa que você quiser, eu posso comprar para você. — Oh, mas eu não posso levar isso... Seus olhos estreitos. — Sim você pode. Eu engulo afastado o nó na garganta quando o vejo olhar para mim, e tenho a sensação de que este é algum tipo de teste. Então eu pego o vestido e vou para o provador. Demora um tempo para eu tirar a minha roupa e colocar o vestido; Eu não estou acostumada a fazer isso. Hesito em sair, mas o faço de qualquer maneira porque o único espelho está lá fora, na frente. Quando eu saio, encontro Mestre Marcus olhando para mim de um canto. Lambendo os lábios, ele se aproxima e sorri quando eu olho para ele. — Bonita. Agora, eu coro ainda mais. — O que você acha? — Ele pergunta, sinalizando para o espelho. Eu fico na frente dele, meus olhos arregalados com a minha própria visão. Eu não posso acreditar que sou eu. Eu pareço tão diferente. Apenas um vestido pode fazer toda a diferença no mundo. Eu quase pareço como... uma pessoa normal no momento. Como alguém que possui funcionários em vez de ser um. Eu sacudo para cima e para baixo quando eu sinto as mãos no meu ombro. — Você está linda, você não concorda?

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— Sim, Marcus... — Eu ainda não gosto de dizer seu nome, mas eu estou me acostumando com a regra agora. — Eu adorei. — Ótimo. Vamos levá-lo. — O... o quê? Você vai comprar isso para mim? — Sim. — Seu sorriso é brilhante e me deixa sem graça. — Por que não? — Bem, eu não estou... Eu não sou... Ele se inclina, seus lábios perto do meu ouvido, sussurrando timidamente, — Você não é... o quê? Eu tremo, meu lábio trêmulo com prazer dele estar tão perto de mim. — Eu... Obrigada, Marcus. — Eu hesito por um segundo, mas então eu finalmente percebo o que ele quer... que eu não diga que estou abaixo dele, porque para ele, eu não estou. Mas eu não entendo por que isso acontece. — Você é bem-vinda. — Ele aperta meus ombros levemente e, em seguida, se vira. — Vá em frente e coloque suas roupas normais novamente. Nós vamos para a próxima loja. — Próxima loja? — Eu digo, quando entro no provador. — Sim. Eu quero parar por todas elas para você conseguir dar uma boa olhada em Portland e, mais importante, sentir o que é ser um ser humano normal. Eu me sinto tão fora de lugar quando ele diz isso, mas ainda assim, faz-me corar. Mestre Marcus é muito gentil.

***

Depois de visitar apenas cinco lojas, nossos braços estão cheios de sacolas, e Mestre Marcus se recusa a me deixar levar qualquer uma delas. Ele se mantém me puxando para lojas, onde, é claro, eu fico maravilhada com cada jóia, roupa e sapato que me deparo. É um mundo de opulência, um dos quais eu não sabia a extensão, mas eu me sinto honrada de dar uma olhada, mesmo que isso não vá durar para sempre. A vasta riqueza que as pessoas têm e os produtos que consomem tanto me surpreendem. É muito para processar. Meu Mestre

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anterior nunca nos permitiu a usar joias ou roupas, e ele desprezava tecnologia. Mas não Mestre Marcus... ele parece gostar de me observar me embasbacar com todos os itens, e ele continua me pressionando para provar coisas novas. Como agora, ele nos comprou sorvete em um cone, e quando eu lambo, o frio imediatamente dispara até meu cérebro e me faz tremer. — Congelou o cérebro, — diz ele, abafando uma risada. — O quê? — Congelou do cérebro. É o que acontece quando você come o sorvete rápido demais. — Ele sorri. — Hmm... mas como eu não poderia comer isso rapidamente, Marcus? Isto é... tão bom. — Eu salivo antes mesmo de colocá-lo na minha boca cada vez que eu dou uma lambida. — Bem, eu estou feliz que você goste. Eu quero tentar um monte de coisas com você. — Sério? Mas... por quê? — Pergunto. Ele franze a testa, olhando para mim com o canto dos seus olhos. — Desculpe, Marcus, eu não quis ofendê-lo, — eu digo, limpando a garganta. — Está bem. Eu não estou com raiva. Eu fico apenas sempre tão surpreso com o quão pouco você experimentou. Mas as perguntas são boas. Sempre faça perguntas. Nunca se contente com uma resposta parcial. — Certo... Eu só quero saber por que você quer fazer tudo isso comigo quando há tantas outras garotas que matariam para passar o tempo com você. Ele ri. — Matar? Bem, isso é um exagero. Você realmente acha que eu seria tão popular com as mulheres? Meus olhos se arregalaram e eu coro quando percebo o que eu disse. — Oh, sim, sim, é claro, quero dizer, você é muito bonito e tão gentil... Mas eu não quis dizer isso.

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Ele ri novamente e esfrega minhas costas, seu toque envia arrepios na espinha. — Entendi. Eu só estou brincando com você. Então... você realmente acha que eu sou bonito? — Bem, sim... Eu acho que sim, pelo menos. Está bem eu achar? — Eu olho em seus olhos quentes. — Mais do que bem, — diz ele, me puxando para mais perto. — Na verdade, sinto-me lisonjeado. E sabe de uma coisa? Você pode pensar e sentir o que quiser. — Sobre qualquer coisa? — Qualquer coisa. Este mundo, essas pessoas, tudo isso, inclusive eu. — Inclusive você... — Eu repito. Pode parecer bobagem para alguns, mas ninguém nunca me deu o consentimento explícito para sentir e pensar o que quiser. Parece que ele está me entregando um dos presentes mais preciosos do mundo. — Obrigada, Marcus. Ele me puxa para o lado, agarrando ambos os meus braços, e olha direto nos meus olhos. — Não me agradeça por dar-lhe algo que você deveria ter sido autorizada a fazer sempre. Eu concordo. — Você me perguntou por que eu estou fazendo isso... É porque eu quero ver você se torne a verdadeira você. — A verdadeira eu? Ele aponta para o meu peito sobre o meu coração com o dedo. — O que você estava destinada a ser. Alguém que você nunca foi autorizada a ser. Eu quero que você seja parte deste mundo novo. Como uma pessoa. Não como uma serva. — Eu? Sem ser uma serva? Mas como assim? — Ser o mesmo que eu. Meus olhos se arregalam. — Ah, não, eu nunca poderia estar em pé de igualdade com alguém tão maravilhoso como você, Marcus. Ele pega a meu rosto, olhando intensamente nos meus olhos. — Você pode. Você só tem que acreditar que você é. — Seu polegar escova

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meu rosto, me enchendo de calor e afeto, que cresce a cada segundo. — E se eu acredito que você pode fazê-lo... então você também pode. Um dia, você vai ver e ser capaz de aceitar. Confie em mim. — Ok… — Bom. Agora, vamos continuar a fazer compras, — diz ele, terminando com um sorriso como se fosse a cereja no topo. Quando voltamos e viramos à esquerda para atravessar a rua mais próxima, algo no outro lado agarra a minha atenção. Uma figura escura de pé a direita, alheio ao seu entorno, com exceção de mim. Botas que fazem um som bruto com cada passo que dá, o ruído desperta a minha necessidade primordial de fugir. Quando seus olhos se estabelecem nos meus, o sorvete cai da minha mão, e eu tremo de medo. — Qual o problema? — Pergunta Marcus. Eu tremo e os meus lábios se abrem, mas nenhum ruído sai. Sinto-me presa em meu próprio corpo, congelada no lugar, quando o homem que assombra meus pesadelos põe os pés na mesma rua eu ando. Meu primeiro instinto é correr. Então eu me viro e me choco com Marcus, que estava logo atrás de mim. Eu tinha esquecido que ele estava lá. Ele me agarra pelos ombros, sacudindo-me um pouco. — O que você viu? Um dedo trêmulo sobe, a última tentativa do meu corpo para combater o trauma que ocorreu e me proteger do que pode vir. Marcus segue meu dedo, e, de repente, ele me pega em seus braços e faz uma inversão de marcha. Ele não olha para trás, nem sequer olha para mim, quando ele me leva todo o caminho de volta para o carro e me senta no banco de trás e fecha a porta. Em seguida, ele caminha ao redor do carro e entra. Quando ele se senta ao meu lado, meu corpo inteiro está tremendo, meu cérebro em modo de sobrevivência e pânico completo, tudo ao mesmo tempo. — Dirija, — Marcus rosna para o motorista. — Onde, Senhor? ~ 95 ~


— Eu não me importo onde; apenas nos tire daqui! — Ele rosna. Ele coloca o braço em volta de mim quando o carro dá a partida e derrapa para fora do estacionamento. No entanto, nada pode parar as memórias horríveis que ressurgem na minha cabeça. A imagem que aparece constantemente na minha retina, de um homem com os olhos tão negros como a noite que vem para me levar depois de matar os meus pais, me mantém em silêncio. Me mantém no lugar. Me impede de querer explorar o mundo. E quando eu encosto no meu Mestre Marcus, suas mãos me puxam para mais perto e seus sussurros baixinhos me acalmam, percebo não há outro lugar que eu preferiria estar do que em seus braços. O único lugar que eu vou sempre me sentir em casa.

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Capítulo dez MARCUS Mais tarde eu me dei conta do que ela tinha visto em Portland. Eu a peguei no colo, a levei para o meu carro, e fomos direto para o helicóptero com os qual voamos até em casa. Mas não foi a tempo. O encontro com um dos homens que a levaram a aterrorizou tanto que ela fez xixi suas calças. Eu descobri quando eu peguei a calcinha encharcada do chão do banheiro. Eu imediatamente a coloquei debaixo do chuveiro e prometi que ela nunca teria que vê-lo novamente. Deus, eu não posso acreditar que ele estava lá. É como uma cruel reviravolta do destino. Quando eu estava prestes a mostrar-lhe como bom poderia ser viver como um ser humano normal, ele tinha que estragar tudo. A simples visão dele a fez tremer. Só quando vi o terror em seus olhos me fez perceber a extensão de seu trauma. Ela não está preparada para isso. Eu pensei que eu poderia levá-la lá fora, no mundo real, mas enquanto seus inimigos viverem, ela nunca vai se sentir totalmente segura. Ela não vai se sentir em casa comigo enquanto aqueles que a machucaram, ainda estiveram vivos. É por isso que devo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para mudar esse fato. Eu bato minha cabeça contra a porta. Foi estúpido tirá-la daqui, para ir às compras e comer sorvete, fingir que tudo é normal quando não é. Eu deveria ter percebido que era muito cedo. Suas cicatrizes físicas podem se curar rapidamente, mas suas cicatrizes mentais vão levar tempo. É uma pena porque ela parecia tão feliz em ver coisas novas. Feliz em ser capaz de usar roupas novas e comer novos alimentos, deve ter sido como descobrir a China para ela. Eu não posso imaginar como deve ter sido, e é por isso que eu queria que ela experimentasse tudo. E então aquele filho da puta arruinou o nosso passeio.

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Eu fechei a mão em punho e soquei a parede. Se eu quiser que ela se sinta segura e fique melhor, é hora de tomar as rédeas em minhas próprias mãos. Eu me viro para encará-la tremendo, nua, e com cicatrizes pelo corpo. — Eu sei o que você viu. Aquele homem... quem era ele e o que ele fez com você? — Ele... ele... foi um dos homens que me tirou da minha casa e... Eu passo mais perto e coloco a minha mão em seu ombro. Eu não dou a mínima se o meu casaco molhar; Eu só quero que ela saiba que eu estou aqui para ela. — O que ele fez? — Eu era tão jovem... Eu mal me lembro, mas eu fui levada para um quarto de motel, antes de ele me levar para o meu primeiro Mestre. — O que aconteceu que te deixou tão chateada? — Pergunto, procurando os olhos marejados. — Nesse motel... quando o careca tinha saído para comprar algo, o outro com as botas de cowboy me amarrou à cama, e... ele... ele... — Ela baixa os olhos para a banheira e fecha as pernas, fungando. — Não me diga que ele... Porra, não. — Eu era tão nova... — ela murmura novamente. Tropeçando para trás, eu sucumbo ao ódio que corre através de mim. Não pode ser. Aquele filho da puta levou sua inocência? — Eu não podia... eu não estava preparada. — Ela olha para mim com vergonha, olhos perfeitamente em ruínas, e nesse ponto eu percebo... Eu vou assassinar o filho da puta.

***

Dois dias depois Eu checo meu redor antes de ir para o prédio, me certificando que ninguém está observando. Depois de tocar a campainha, eu espero até

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que ele abra a porta, e quando isso acontece, eu tenho uma arma apontada para a cabeça do cara. — Whoooa, que porra é essa? — Ele murmura. — Entre, — eu rosno, avançando então ele tem que se mover. — Jesus Cristo, — ele grita, andando para trás, quase tropeçando em uma pequena mesa. Eu bato a porta atrás de mim, mantendo a minha arma apontada para sua testa. — Que porra você está fazendo aqui? — Eu poderia te perguntar a mesma coisa maldita! — Ele grita. — Como você sabe onde eu moro? — Eu o segui até aqui. Sim, temos mantido um olho em você. Suas botas são meio difíceis de não notar, e você foi visitar o mesmo bar nos últimos dois dias. — O que? Como você sabe disso? — Eu tenho minhas fontes, e isso não é da sua maldita conta, — eu agarro e aperto a minha arma. Suas mãos estão no ar. — Ei, cara, coloque a arma para baixo, podemos conversar. — Responda! — Eu não consegui encontrar outro lugar certo? Jesus, não há necessidade de ficar tão nervoso.

para

viver,

— Você não deveria estar aqui. — Porra, — diz ele com uma careta. — Você não pode me falar essas merdas. — Deite-se na mesa, — Eu rosno, ignorando a provocação. — Por quê? O que você vai fazer? Quer atirar em mim? Continue. Eu miro em seu braço, e ele grita de dor. — Porra! Você atirou em mim? Você atirou em mim, porra! Eu não acredito que você realmente fez isso. Jesus Cristo. — Isso foi um aviso. Agora, deite-se na mesa ou eu vou colocar uma bala em seus miolos.

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— Ok, ok, — ele diz, caminhando em direção à mesa. Ele se senta em cima e desliza sem jeito, seu rosto se contorcendo de dor. — Qual é o seu problema, cara? Eu não fiz nada de errado. — Besteira, e você sabe disso. Deite! Ele faz o que eu digo depois de eu apontar a arma para suas bolas. — Eu sinto muito estou deitado! — Ele repete. Eu tiro a bolsa dos meus ombros, mantendo a arma apontada para ele e remexo até que eu encontrar algumas cordas. — Que merda você está planejando? Você perdeu a cabeça, porra? — Não, exatamente o oposto, — medito, e eu entrego as cordas para ele. — Amarre as pernas na mesa. — O que? Porque eu faria isso? — Faça isso porra! — Eu grito, minha arma nunca vacilando. — Tudo bem, tudo bem. — Ele começa a amarrar a corda em torno de suas pernas, mas não rápido o suficiente. Cada segundo que passa eu prefiro vê-lo queimar no inferno. — Apenas me diga por que, — diz ele. — Vamos lá, você pelo menos me deve isso. — Eu não lhe devo nada! Você é a porra de um canalha, — eu cuspo. — Por que você está fazendo isso? O que foi que eu fiz para você? — Cale a boca, ou eu juro por Deus, eu vou colocar uma bala na porra do seu pau, — Eu rosno. — Agora, se apresse antes que eu perca a paciência. Ele continua se amarrando, apesar de seu rosto permanecer retorcido como se ele estivesse tentando me dizer sem palavras que ele não concorda com isso. Como se ele se recusasse a admitir para si mesmo o que fez. Bem, foda-se ele. Ele merece cada dor que vai sentir. Quando ele termina de amarrar as pernas, eu observo e, em seguida, amarro suas mãos na mesa também. — O que você vai fazer comigo? — Pergunta ele.

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— Você vai descobrir em breve. Quando acabo, eu vou para a cozinha e pego a maior faca que encontro. No momento que eu a trago até sua visão, ele se encolhe de medo. — Oh, Deus... — ele choraminga quando eu coloco a arma entre as pernas, apontada diretamente para o pau dele. — Por causa de você, agora eu tenho que quebrar uma das minhas regras fundamentais. A culpa é sua que isso esteja acontecendo... você me levou a fazer isso. — Oh, Deus, não. Por favor, tenha misericórdia. — Misericórdia? Você está implorando por misericórdia quando você não foi misericordioso com uma menina? Seus olhos se arregalam, o reconhecimento piscando em seus olhos. — Não, não, não! Por favor! — Ele grita quando eu seguro a faca perto de seu pescoço, ameaçando cortá-lo. — Eu sinto muito. Eu fui estúpido. Isso nunca deveria ter acontecido. — Isso mesmo, não deveria ter acontecido, — Eu rosno. Com um empurrão simples contra o gatilho, eu explodo suas bolas. Eu não consigo evitar. Ele grita em agonia, o sangue correndo do que é agora um buraco entre as pernas. — Foda-se, foda-se! Você deu um tiro nas minhas bolas! Deus, foda-se! — Sim, chame Deus, filho da puta... porque você vai precisar dele. Ele grita quando eu passo a faca em seu peito. — Apodreça no inferno pelo o que você fez com ela! — Eu rosno. Eu enfio a lâmina em sua carne, uma e outra vez, até que o sangue esguicha para fora e no meu rosto e, mesmo assim, eu continuo. Eu não paro até que o corte seja grande o suficiente para a minha mão entrar em seu corpo. Seus gritos enchem a sala quando eu continuo e o sangue escorre para fora dele como se ele fosse uma vaca no matadouro. Ele merece.

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— Este é o preço que você paga por tomar o que não lhe pertence, — eu assobio perto de seu rosto quando ele tosse sangue, os olhos rolando na parte de trás de sua cabeça. Com as minhas próprias mãos, eu rasgo seu corpo. E então eu arranco seu coração. Uma rápida puxada e é tudo o que preciso para acabar com a vida dele e o coração que mantinha seu corpo, deixando de bater na minha mão. Com desprezo, eu olho para ele, a carne vermelha nojenta, em um espetáculo para ser visto. Esse pequeno órgão tem tanto poder... e é tão facilmente levado. Uma vez eu fiz uma promessa a mim mesmo, que eu nunca mataria novamente. Acho que não pude manter minha promessa, afinal. O sangue escorre da mesa, se reunindo no chão, mas eu não me importo. Eu olho para fora da janela e olho para o cão no quintal. É o cachorro dele. Ou, pelo menos, era. Parece desnutrido, exatamente como eu esperava que fosse. Então eu abro a janela e solto o coração para a sua refeição saudável. Enxugando minhas mãos sangrentas em um de suas toalhas, eu pesco meu telefone do meu bolso e disco um número que eu não tive que discar em um longo, longo tempo. — Sim? — Eu preciso de uma equipe de limpeza. — Eu digo a ele o endereço. — Claro senhor. — Obrigado. Enfio o telefone de volta no bolso e faço o meu caminho até a porta. Eu nem sequer olho para trás, para o corpo mutilado em cima da mesa. Por duas razões. Um... Eu odeio ele.

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Dois... Nunca olhe para trĂĄs ou vocĂŞ vai se arrepender para o resto de sua vida.

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Capítulo onze MARCUS Com uma dor de cabeça em fúria, eu faço o meu caminho para casa depois de confirmar que a limpeza estava sendo feita. Eles cuidam do corpo e descartam qualquer prova. Ninguém vai saber o que aconteceu lá... exceto eu. E eu não vou esquecer isso tão cedo. Seu sangue ainda está em minhas mãos enquanto meu motorista me leva para o heliporto. Eu nunca me senti mais sujo antes quando eu abri a porta. — Limpe o carro hoje, por favor. Ele vai precisar de algum trabalho feito no interior. — Claro senhor. Eu saio e vou para o helicóptero com o qual eu voo de volta para casa. Olhar por cima das copas das árvores nunca foi mais perturbador e calmante, ao mesmo tempo. Eu estou preocupado com o que Ava dirá se ela me vir. Eu deveria tomar um banho e me livrar dessas roupas manchadas de sangue. Melhor ainda, queimar tudo. Estou enojado, ainda sinto a adrenalina. Eu não deveria me sentir bem sobre quebrar minha promessa, e eu definitivamente não deveria me sentir bem sobre matar alguém... mas é tão malditamente bom. *** Ava Eu estou limpando a casa como tenho feito nos últimos dias quando o Mestre Marcus finalmente retorna de sua viagem. Ele se recusou a me dizer para onde estava indo e ele não mencionou quando estaria de volta, de modo que o momento em que eu vejo seu rosto, eu acendo como uma árvore de Natal. — Mestre, você está de volta! — Eu digo toda entusiasmada.

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Ele deixa cair sua bolsa no chão e imediatamente vai para a pia na cozinha, nem mesmo parando para olhar para mim. Ele liga a torneira e repetidamente esfrega as mãos, até esfolar sua pele. — O que está errado, Mestre? aproximando. — Aconteceu alguma coisa?

Eu

pergunto,

me

A água na pia está escura e vermelha. Isso é o que eu acho que é? Ele desliga a torneira, aperta as mãos, e imediatamente vai para o seu quarto. Ele se recusa a responder, então eu o sigo, querendo ajudá-lo, mas quando eu tento tirar o casaco dele, ele não me deixa. — Não, — ele rosna. — Eu... só queria ajudar. — Eu sei. — Ele suspira. Somente quando eu consigo tirar o casaco dele, noto todas as manchas de sangue em sua camisa. Meus olhos se arregalam. — Meu Deus. Isso é sangue. — Está tudo bem, — diz ele, livrando-se rapidamente de todas as roupas sujas, mas eu não posso fingir que não vi nada. — Você está ferido? — Pergunto, rapidamente agarrando-as do chão e colocando-as em uma cesta. — Não, eu estou bem. Não se preocupe comigo, por favor, — diz ele, ainda não me olhando no olho. Pergunto-me o que aconteceu e se é o seu sangue ou de outra pessoa. Em nenhum lugar em seu peito eu vejo uma ferida, mas poderia ser em suas pernas ou em qualquer outro lugar. — Tem certeza de que não precisa de ajuda? — Pergunto. — Sim, — diz ele, segurando sua cabeça para baixo enquanto anda em seu banheiro. — Só... continue com o que você estava fazendo. Algo está errado, e eu tenho a sensação que ele está escondendo isso de mim. — Não, — eu digo, engolindo o nó na minha garganta. Tem sido um longo tempo desde que desafiei um Mestre.

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— Não? — Ele franze a testa. — Vá trabalhar. — Deixe-me ajudá-lo, Mestre. — Eu pego a fivela do cinto, tentando abri-lo para ele, mas ele agarra os meus pulsos. — Não. Eu não quero sua ajuda. — Eu estou aqui por você, Mestre. Por que você não me deixa ajudá-lo? Seu domínio sobre meus pulsos é forte quando ele se inclina mais perto. — Porque eu fiz algo ruim, ok? Eu não mereço, e eu não quero envolvê-la. Concordo com a cabeça suavemente, embora eu não compreenda inteiramente. — O que você fez, então, se posso perguntar? — Cuidei de um problema. — Ele agarra meu queixo e me acaricia suavemente, seu polegar roçando brevemente o topo do meu lábio. — Aquele homem com as botas se foi. Ele nunca vai incomodá-la novamente. — O que? — Eu gaguejo. — O que você fez, Mestre? O sangue. Sua relutância em me dizer. — Como eu disse... você não quer saber. Confie em mim. — Ele me solta de suas garras e se vira. Tudo me bate uma vez. — Você... o matou? Ele olha por cima do ombro, os lábios se separando, mas, em seguida, fechando novamente. Ele caminha até o banheiro e fecha a porta atrás dele, deixando-me com uma sensação desconfortável no estômago. Eu sei que ele me disse para continuar o meu trabalho, mas o desejo de falar com ele é muito forte. Se é verdade que ele o matou... Eu quero saber o porquê. Ele disse que eu deveria escutar meus sentimentos e que estava tudo bem se eu fizer perguntas... Então aqui vai meu primeiro passo. Abrindo a porta do banheiro, eu olho para dentro, apenas para vê-lo completamente nu. O vapor do chuveiro quente enche o ambiente, mas não cobre seu corpo musculoso quando ele se inclina contra a ~ 106 ~


parede, o rosto enterrado em seus braços, água descendo em cascata por suas costas como chuva do céu. Só agora que eu observo as duas estrelas negras que marcam suas costas. A luz brilhante que ilumina o banheiro não bloqueia a escuridão que emana dele. Mas não importa a escuridão, ele parece impressionante, como um modelo que saiu de uma passarela. A centelha de luz não pode ser erradicada do seu coração. Eu sei isso. Eu sinto. Quando eu abro a porta um pouco mais para que eu possa entrar, seus olhos caem sobre mim. — O que você está fazendo aqui? Eu pensei ter lhe dito para continuar a limpeza. — Eu sei que você disse. Sinto muito por desafiar você, Mestre. — Não faça isso. Não se desculpe porra, — ele rosna, batendo com o punho na parede. — Eu sou o único que deve se desculpar com você. Mesmo que ele tenha me dito para não entrar, eu dou um passo mais perto. Eu não posso me conter. É como se meu corpo estivesse flutuando em direção a ele como um ímã, atraído por seu poder. — Você não tem nada para se desculpar, Mestre, — eu digo. — Sim, eu tenho! — Ele cospe, enlouquecido, com os olhos cheios de fúria. — Você não tem ideia do que eu fiz. Do que eu sou capaz. Que... tipo de monstro eu sou. Ele bate na parede com o punho, mas sua cabeça ainda está pendurada entre os ombros. Mesmo que ele pareça irritado como o inferno, eu ainda me atrevo dar mais um passo, sabendo que o ato poderia significar uma punição. — Você não é um monstro. Você me salvou. Monstros não salvam as meninas como eu, — eu digo, de pé em frente ao chuveiro. Ele olha para mim de debaixo de seus cílios molhados, gotas de água rolando seus lábios. — Você está errada. — Você não é um monstro, se você matou aquele homem, — eu digo, engolindo. — Pelo menos, eu acho que não, Mestre. — Matar é errado, — ele sibila, suspirando em voz alta. — Não, se o homem merecia isso, — eu digo.

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De repente, surge uma intensidade de chamas em seus olhos que me faz querer dar um passo atrás, mas eu não me movo. — Ele mereceu tudo o que teve depois do que fez com você. — Ele range os dentes. — Se eu soubesse, eu teria me certificado de que sua vida tivesse terminado muito mais cedo. Eu sorrio, mordendo os lábios, sem saber se isso é algo que se deva sorrir... mas eu sorrio mesmo assim. — Você matou... por mim, — eu murmuro. As palavras soam tão errado, mas eu me sinto tão bem. Ele fecha os olhos e esfrega o rosto com a água. Ele parece em conflito sobre o que fez, quando não deveria. — Eu não queria vê-la sentir mais dor, — diz ele, e ele deixa cair água em seu rosto e em sua boca, como se ele estivesse tentando afogar-se. — Você não precisa se sentir culpado por isso, Mestre, — eu digo. Ele parece tão zangado com as sobrancelhas franzidas e seus músculos todos tensos. Eu tenho que fazer algo sobre isso. Eu começo a me despir. Depois de eu ter jogado meu vestido no chão e tirado as alças do meu sutiã, ele percebe. — O que você está fazendo? — Me despindo, — eu respondo enquanto tiro a minha calcinha. Seus olhos passam pelo meu corpo como um lobo faminto desesperado por algum alívio. Ele está visivelmente afetado, lambendo os lábios, músculos ainda vibrando de raiva reprimida. Eu quero ajudá-lo, consolá-lo, fazê-lo se sentir bem novamente, então eu entro no chuveiro com ele. — Por quê? — Ele pergunta, olhando para mim com aqueles olhos cheios de luxúria. — Porque meu Mestre precisa de mim. Ele faz uma careta. — Eu não preciso de você. Eu não quero precisar de você. E eu com certeza não quero que você pense que seu Mestre precisa de você.

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— Então é porque eu quero você, — eu digo. A água espirra em suas costas enquanto ele me prende em seus braços. — Eu matei por você. Eu matei um homem. O sangue está em minhas mãos. Você deveria me desprezar. Estar desgostosa por mim. — Eu não estou, — eu digo suavemente. — E você quer me ajudar? — Eu quero que você se sinta bem, — eu digo. — E eu vou fazer de tudo para que isso aconteça, Mestre. Eu envolvo meus braços em volta de seu pescoço e me empurro contra ele, esfregando meus seios contra o peito dele. Seu pau cresce e empurra contra minha barriga. Suas sobrancelhas franzem. — Pare. — Parar o quê? — Eu pergunto, pressionando um beijo na lateral de seus lábios. Ele geme de desejo, e sua mão agarra o meu ombro. — Eu não mereço você, — diz ele. — Não depois... do que eu fiz. — Mestre. Você me disse que eu deveria falar o que vêm à minha mente e seguir meus sentimentos. Então eu vou te dizer agora que meus sentimentos por você só tem crescido. Você não é um monstro. Você é um homem bom... deixe-me ser gentil com você também. Deixe-me agradecer pelo que você fez. Eu pressiono outro beijo próximo a seus lábios, e logo, eles encontram o caminho para sua boca. Aproximamo-nos um do outro quando uma força imbatível nos puxa. Nossos beijos são quentes, furiosos, inflamados pela paixão e o calor de gotas fazendo barulho sobre nós. Seu corpo fica tenso contra mim enquanto seus braços envolvem em torno de meu corpo para me puxar para ele. Quando nossos lábios se soltam, eu pego uma gota de sangue escorrendo pelo seu rosto. Não é sua, mas não me assusta. Eu limpo e mostro para ele, e ele parece preocupado. — Por que você não está com medo? — Ele pergunta. — Porque eu optei por não ter medo, — eu respondo. — E eu também optei por te agradecer por isso.

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Deixo um beijo em seu peito, espalhando beijos sempre que posso. Um gemido abafado profundo deixa sua boca, deixando os meus sentidos em chamas. Eu amo esse som de necessidade primordial correndo para a superfície. E mesmo que ele se recuse a fazer algo sobre isso, eu vou fazer isso por ele, porque é isso que as boas meninas fazem. *** Marcus Seus beijos me desarmam. Fodem com a minha cabeça. Eu estou explodindo de necessidade, raiva, desejo, tudo de uma vez, e ela consegue expor cada uma das minhas emoções como se fosse brincadeira de criança para ela. Ela me conhece... muito bem, e o que ela está fazendo, mostra bem isso. A forma como os lábios se arrastam para baixo por meu estômago em direção a minha fúria de tesão me faz querer empurrá-la contra a parede e transar com ela. Eu deveria me conter... Eu não posso fazer isso com ela... Mas como, quando ela se oferece de bom grado? Eu a quero pra caralho agora. Eu sou como um garanhão fodido, querendo foder seus miolos apenas para tirar as imagens desagradáveis do filho da puta da minha cabeça. Mas só de pensar nisso meu estômago se torce. Como eu poderia fazer isso com ela? Como eu poderia transar com ela, sabendo que ele esteve lá em primeiro lugar? — Vamos lá, Mestre, — ela sussurra. — Pare, — murmuro, mas quanto mais ela me beija, mais difícil se torna dizer não... e quanto mais eu me deixo levar, mais difícil fica. Foda-me; meu pau está com fome de sua boca. Os seus lábios estão mais perto, e eu estou morrendo para ela embrulhar sua pequena boca em torno dele, mas é errado. Eu não deveria querê-la. Eu não deveria precisar dela. Mas ela precisa de mim... como eu posso resistir? — Mestre, deixe-me satisfazer as suas necessidades, — ela sussurra contra a minha pele. ~ 110 ~


— Não... — Eu gemo quando ela me beija logo acima do meu pau. — Assim não. Não depois... Mas ela continua indo, continua a me beijar até que chega na minha base. Meu pau instantaneamente salta com seu toque, sentindo seus lábios molhados contra a minha dureza. Deus, que loucura. Eu mato o filho da puta que colocou as mãos nela, e agora, ela quer me recompensar por isso. — Obrigada, Mestre, — ela cantarola como se ficasse feliz apenas dizendo isso. — Não, não me chame assim, — murmuro enquanto seus olhos encontram os meus. — Marcus... Marcus está bem. — Mestre me faz sentir como se eu estivesse usando-a... e talvez, eu não queira pensar nisso agora, mesmo que seja verdade. — Marcus... — Só de ouvi-la pronunciar meu nome me faz querer devorá-la. Foda-me... este desejo de seu corpo disposto irá me arruinar, mas eu não consigo deixar de sucumbir à sua boca ansiosa. Sua língua mergulha para lamber meu comprimento e isso me faz soltar um silvo de prazer. Meu pau está duro, a ponta pingando o prégozo enquanto ela lentamente passa a língua em torno de mim, me lambuzando com sua saliva. Ela é suave e delicada, e quando ela me toma em sua boca, eu quase explodo. — Foda-se... — Eu lamento, mordendo meu lábio. — Como é que eu vou lutar contra isso quando você está tão ansiosamente envolvendo seus lábios em volta do meu pau, Ava? É tudo que eu sonhei para essa noite... — Então deixe-me dar a você, Mes... Marcus, — diz ela enquanto respira. Todo o meu corpo fica tenso quando ela mergulha de volta outra vez, e eu posso sentir cada polegada de sua boca ávida quando ela me chupa. Eu me pergunto se ela percebe o que está fazendo comigo, me contorcendo em torno de sua língua até eu ceder à necessidade pura. Eu me sinto mal por deixá-la, sabendo o que aconteceu, mas porra, eu estou muito excitado para impedi-la também. Quanto mais ela lambe, mais duro eu fico, e quando a ponta do meu pau toca o fundo da garganta dela, eu ajo impulsivamente,

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empurrando dentro dela com uma fome que eu não posso descrever. Eu quero foder sua boca até que ela me peça para parar. Ela deveria. — Não me deixe assumir, — Eu rosno, quando ela se inclina para trás. Mas ela não responde. Ela só olha para mim com aqueles olhos grandes e maravilhosos, suplicando-me para fazer o que eu quiser. Gozar naquela língua macia dela é o que eu quero. Eu seguro o rosto dela com as duas mãos enquanto seu corpo é empurrado contra a parede, sua boca ainda molhada e aberta para me foder. — Pare, — eu digo. — Ou que Deus me ajude... Ela balança a cabeça, sua língua avidamente me reveste com sua saliva, embebida com meu pré-gozo. Deus, ela é perfeita, perfeita demais para mim, mas eu não quero nada mais do que fazê-la minha. A raiva me deixa louco. Me faz cometer pecados atrozes. Faz-me querer reivindicar o que não pertence a mim. Mesmo que eu possua a porra do seu corpo, coração e alma, eu nunca vou ganhar esse direito. — Você tem alguma ideia do que faz para mim quando você se atira aos meus pés assim? Isso me faz querer transar com você até que você grite o meu nome. Faz-me querer explodir toda a minha carga em cima de você. — Por favor... Faça, — ela murmura chupando meu pau. — Por favor, me fode, Marcus. — Oh... porra, sim, eu vou, — eu rosno, e o meu domínio sobre a sua cabeça aumenta. Quando os lábios dela fazem um O, eu mergulho. Eu não vou lento. Eu não vou suave. Eu vou duro e rápido, transando com ela até que seus olhos se encham de água e sua saliva sai de sua boca e, mesmo assim, eu não paro. Eu não posso. Não consigo parar de foder sua boca. Não posso parar. Eu amo o som... é o som de poder e controle. Eu sou viciado em ver seus olhos, o olhar assustado, mas totalmente comprometida; aquele que me diz que ela se submete a todos os meus caprichos. Eu empurro, gemendo em voz alta, não dando a mínima se ela mal consegue respirar. Sou egoísta. Mau. Errado.

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Mas ela gosta de mim desse jeito. Ela me quer dessa maneira. Pelo menos, é o que digo a mim mesmo enquanto transo com ela contra a parede até que ela não tenha para onde ir. — Vê o que você faz comigo? — Eu rosno. — Vê o quanto eu quero revestir a sua língua com a minha porra? Ela balança a cabeça, a boca mal capaz de me segurar, mas eu estou perto demais para ela se virar. — Foda-se, eu vou gozar na sua boca, e você vai engolir tudo, — Eu rosno loucamente, impulsionado pela luxúria. — Sim, — ela grasna, ofegando por ar enquanto eu empurro dentro e fora. Só que essa única palavra me empurra para o orgasmo. Um impulso profundo até o fundo da garganta dela e eu estou perdido. — Porra! Meu pau dispara seu gozo na parte traseira de sua garganta. Seus olhos se voltam para mim quando ela se esforça para lidar com a carga maciça que eu ejaculei em sua boca. — Engula, — eu rosno, e quando ela faz, eu posso sentir o impulso da sua língua contra meu pau, dando-lhe apenas o impulso extra que eu precisava. Meus dentes se apertam quando minha porra jorra até a última gota, a energia que foi reprimida dentro de mim, finalmente foi liberada. Quando estou saciado, eu puxo meu pau de sua boca e limpo o excesso de gozo de seus lábios com o polegar, mergulhando-o em sua boca para que ela saboreie cada gota de mim. Deus, eu sou um filho da puta por desfrutar a vista de sua boca cheia... — Boa menina, — eu digo. — Obrigada, Mestre Marcus. Eu sorrio para ela e a ajudo, acariciando seu rosto ao longo do caminho. — Por que você está me agradecendo? Eu é que deveria estar agradecendo a você, — eu digo.

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— Porque é isso é o que boas meninas fazem quando recebem o gozo de seu Mestre. Eu franzo a testa. É realmente profundo isso. Pergunto-me se eu nunca vou conseguir romper isso. — Chega disso, — eu digo, e de uma só vez, eu a levanto em meus braços. Ela grita um pouco, mas então sorri quando eu a levo para a minha cama. Eu caio para trás com ela em cima de mim, e eu a puxo para mais perto do meu rosto. — Sente-se no meu rosto, Ava, — eu digo. — Com minha…? — Coloque sua boceta na minha boca, — eu digo, arrastando-a para mim. Suas bochechas coram imediatamente. — O-ok... Ela desliza em cima de mim, suas pernas ao lado da minha cabeça, sua boceta ainda pairando acima de mim. — Vou te dar o mesmo prazer, — eu digo. — Com o meu dedo? — Ela pergunta. — Não. Com a minha língua, — eu digo, lambendo meus lábios. Seus olhos se alargam. — Ah, mas eu não posso... — Sim você pode. Eu quero que você foda meu rosto. — Mestre Marcus fode sua serva... servas não... — Ava, — eu digo, olhando-a diretamente nos olhos. — Você me deu o que eu precisava... agora, deixe-me retribuir o favor. Foda o meu rosto. Eu não vou dizer isso de novo. Ela desce a sua boceta em cima dos meus lábios com facilidade, dando um suspiro quando ela ultrapassa seus próprios limites. Isso é bom. Eu quero que ela saiba que está tudo bem ter necessidades e agir sobre elas. Quando eu mergulho minha língua para fora para prová-la, ela se sacode para cima e para baixo um pouco, um suspiro escorrega de sua boca. Eu ignoro e continuo, lambendo-a lentamente, sensualmente,

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adicionando mais pressão. Eu chupo os lábios inferiores e clitóris até que ela geme baixinho, e depois rolo minha língua ao longo de toda sua vagina. Eu amo os sons que ela faz, e quanto mais eu a beijo, mais ela parece se soltar. — Monte minha cara, Ava, — murmuro em sua boceta. Lentamente, ela começa a girar em cima de mim, e eu a deixo guiar a minha língua onde ele precisa. Seus gemidos saem em suspiros curtos, mais rápidos e mais alto quando eu a ajudo, movendo os quadris com as mãos. Eu a seguro no lugar de modo que ela não possa se afastar. Eu quero que ela se mantenha assim até que ela não possa se segurar por mais tempo. Eu quero que ela sinta como é estar no controle. — Como você se sente? — eu pergunto entre lambidas. — Tão bem, Mestre Marcus. — Hmm... vá rápido o quanto você quiser. Isto é para você. Ela geme e se inclina sobre mim, colocando as mãos sobre minha cabeça, seus mamilos endurecem quando ela se aproxima do êxtase. Seu corpo se aquece e sua umidade agora escorre ao longo do meu queixo, cobrindo a minha língua com seu delicioso sabor. Eu mergulho minha língua em sua vagina e permito que ela dê a volta por cima de mim, deixando-a decidir para onde eu vou. Lábios molhados na minha língua molhada, e eu a lambo tanto quanto ela me fode. Mais rápido. Mais duro. Ela está quase lá; eu posso sentir. — Mestre Marcus... eu... — ela geme. — Sim, goze no meu rosto, — Eu rosno. Um gemido alto e intenso, e, em seguida, seus quadris chacoalham e ela treme em cima de mim. A umidade se derrama em minha boca, e eu chupo tudo. O gosto de seu orgasmo me deixa tão excitado, que meu pau fica duro instantaneamente. Ela cai em cima de mim, então eu a pego em meus braços e a deixo descansar no meu peito, seus mamilos praticamente em minha boca. Eu não posso evitar, mas eu os sugo alegremente, colocando-a em chamas ainda mais. Deus, ela é como um presente enviado do céu.

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Um presente que nĂŁo se deve tocar, quanto mais desembrulhar muito cedo. Eu irei para o inferno por isso.

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Capítulo doze AVA — Você passou com distinção, — diz o médico com um sorriso, entregando-me o papel que confirma que meus testes de DST deram negativo. — Nada nos exames. — Isso é uma boa notícia, — Mestre Marcus diz quando ele pega o papel das minhas mãos para olhar. — Você tem certeza? — Positivo. Os testes não indicaram nada de errado, — diz o médico. — Tudo bem... — Mestre Marcus faz uma carranca e esfrega o queixo enquanto ele lê o relatório. — Vou levar o resultado para ela, então. — Não há necessidade. A prova está no papel. — O médico sorri e pega sua pasta. — Bem, eu vou indo agora. — Sim. Eu vou te acompanhar, — Mestre Marcus diz, e ele leva o homem até a porta e espera-o sair. No entanto, o olhar em seu rosto permanece inquieto. Como se ele estivesse intrigado. — Há algo errado? — eu pergunto. — Não, não... é só... curioso. Eu não esperava que este fosse o resultado. — Oh... — Eu abaixo os olhos. — Oh, não me leve a mal, — diz ele, sorrindo para mim. — Eu estou feliz. Esta é uma boa notícia. Eu só não acho que você estaria... limpa. Mas você está. — Meus Mestres têm cuidado bem de mim, — eu digo. Ele aperta os olhos. — Hmm... se você diz . De repente, ele tosse. Não uma, mas várias vezes, e ele puxa um lenço do bolso, segurando-o na frente de sua boca. A tosse não para; só piora.

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— Você está bem, Mestre? — eu pergunto. Ele tosse mais uma vez, abaixando o lenço para olhar para ele. Havia gotas de sangue. — Oh, não, — murmuro. Isso não parece certo. — Está bem. Isso acontece de vez em quando, — diz ele, rapidamente amassando o lenço e colocando-o de volta no bolso. — Eu posso chamar o médico, fazê-lo voltar, se você quiser, — eu digo. — Não, não, está tudo bem, — Mestre Marcus diz com sobrancelhas franzidas, limpando a garganta. A campainha toca. Eu curiosamente o vejo caminhar em direção à porta, ainda me perguntando o que significava aquele sangue. Quando ele abre a porta, é um dos entregadores que trazem mercadorias regularmente esta casa, que fica tão longe da cidade. — Obrigado, — Mestre Marcus diz quando o homem lhe entrega um pacote gigante. — Eu tenho um pouco mais comigo. Quer que eu leve para a parte de trás? — eu me estico para ver um carrinho atrás dele. — Sim, se você puder, por favor. — Posso ajudar? — Pergunto. — Não, está tudo bem, — Mestre Marcus diz, enquanto coloca a caixa para baixo na minha frente. — Esta é realmente para você. Meus lábios se abrem. — Para mim? — Por um segundo, eu acho que ele está brincando, mas o olhar sério em seu rosto me diz o contrário. — Eu nunca… Ele morde o lábio inferior e sorri ao mesmo tempo. — Recebeu um presente? — Não, mas... obrigada, Mestre, — eu digo, engolindo as lágrimas. Ele pega uma faca de cima da mesa e oferece para mim. Eu olho para ele, perguntando se eu deveria levá-la de sua mão. Mas quanto mais eu penso sobre isso, mais assustada eu fico. É uma arma que eu poderia facilmente usar contra ele. Por que ele confia tanto em mim?

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Sua testa vinca e ele agarra a minha mão, empurrando a faca na nela como se ele não fosse aceitar um não como resposta. Eu só fico olhando para ele, perguntando-me o que eu fiz para merecer sua confiança. Eu poderia machucá-lo... então, novamente, eu nunca realmente faria isso. Talvez ele saiba. — Bem, abra-a, então. — Ele dá um tapinha na caixa. Sorrindo, eu cuidadosamente corto a fita até que a caixa possa ser aberta e rapidamente coloco a faca de volta na mesa. Ele me observa com paciência, mas com um sorriso tenso em no rosto, quando eu abro a caixa lentamente e espio dentro, quase nervosa demais para realmente olhar. Mas quando eu vejo o que está lá dentro, eu prendo a respiração e meus olhos se arregalaram. Livros. Filmes. Revistas. Toneladas e toneladas deles. As revistas estão logo em cima, e eu sou atraída por elas. Algumas são sobre mulheres e moda; outra é sobre o mundo exterior. Há uma sobre esportes, em seguida, outra sobre economia, uma sobre estilo de vida (qualquer que seja), e outra sobre decorações... e muito mais. Elas vêm preenchidas com imagens do mundo exterior. Eu pego um dos livros, em minhas mãos. É um livro de história, e tem um cheiro tão bom. O mesmo vale para o próximo, um livro sobre animais, e depois há outro sobre a tecnologia, e outro sobre a ciência. Eu os cheiro todos como uma fanática, louca, mas então eu percebo Mestre Marcus franzindo a testa e rindo ao mesmo tempo quando ele olha para mim com um olhar peculiar em seu rosto. Eu amo isto. Eu realmente amo. Não porque eu nunca tenha visto isso antes... Eu sei que há livros que ensinam as pessoas sobre o mundo... Eu às vezes furtivamente olhava alguns quando meu Mestre anterior não estava olhando. Um dos seus servos mais velhos que foi sequestrado mais tarde me ensinou a ler. Mas eu nunca tive o conhecimento de graça... entregue a mim por meu próprio Mestre. — Isso tudo é realmente... para mim? — eu pergunto.

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— Tudo isso, — diz ele. — Obrigada... — Eu murmuro, segurando um dos livros perto do meu coração. — Muito obrigada, Mestre. — Meus olhos marejam de lágrimas quando suas bochechas ficam um pouco vermelhas, e uma enorme sensação de gratidão me enche. — Posso... posso abraçá-lo, Mestre? Ele sorri suavemente e abre os braços, permitindo-me a cair nele como um travesseiro. Eu suspiro em seu peito, cheirando, afastando as lágrimas quando eu sinto o calor fluir através de mim. Uma intensa alegria me faz sorrir brilhantemente, sabendo que meu Mestre quer dar esses presentes para mim. É como se me fosse dado tudo o que o mundo tem para oferecer. — Muito obrigada, — eu sussurro. — Eu não sei o que eu fiz para merecer isso, mas obrigada, Mestre. Ele passa os dedos pelo meu cabelo enquanto ele me trata como um animal de estimação. — Você não precisa fazer nada para merecer isso, Ava. Seja você mesma. Eu quero que você aprenda tudo o que há para saber sobre este mundo. Eu sei que não é muito, mas nós temos que começar em algum lugar. — Oh, não, eu não poderia querer mais, — eu digo, olhando-o nos olhos. — Você deveria, — diz ele. — Mantenha-se sempre à procura de mais. Alimente o seu cérebro, Ava. Você não precisa da minha permissão para aprender sobre este mundo. O conhecimento é livre e é um direito de qualquer ser humano. — É certo? — Murmuro. Ele agarra meu queixo e acaricia meu rosto suavemente. — Sim. Você é um ser humano como qualquer um de nós. Suas palavras me tocam de uma maneira que eu não consigo explicar. Eu estou finalmente aprendendo que há mais na vida do que servir... que eu posso ser mais do que apenas uma serva. Estes livros me contam a história de uma vida que eu poderia ter tido. A vida que eu ainda posso ter... Eu só preciso descobrir.

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— Agora. Estes são todos seus. Eu quero que você leia todos. Não pense que não são permitidos. Você pode ler quando você quiser. Vá mais lento ou mais rápido que você conseguir, ao seu tempo, — diz ele. — Eu vou, Mestre. — E não se esqueça dos vídeos, — ele acrescenta. — Oh, eu não vou parar até que eu tenha lido e assistido todos. — Eu prometo. — Boa menina, — diz ele, seu polegar esfregando suavemente meus lábios. Seus olhos amolecem, e ele se inclina para frente, quase como se ele pretendesse me beijar, mas depois ele para, olha para mim e sorri. Ele limpa a garganta e balança a cabeça, em seguida, dá um suspiro. — Tudo certo. Bem, escolha um livro que você gosta, então. — Eu quero ler este primeiro. — Eu mostro o livro que eu estava segurando. — Se estiver tudo bem para você, é claro. Ele dá um passo para trás como se ele estivesse prestes a sair. — Você faz o que quiser fazer, Ava. Eu quero que você goste. — Eu... eu quero saber porque, — Eu pergunto, olhando para o chão. — Por que você é tão bom para mim? Ele inclina a cabeça. — Como? Você considera isso ser bom, quando eu só estou lhe dando o que você deveria ter tido desde o começo? Eu não chamo isso de ser bom. Eu chamo isso de recuperar o tempo perdido. Seu lábio se curva brevemente, e isso me faz pensar porque ele é tão inflexível quanto a eu não ser grata a ele. — Isso ainda não muda o fato de que você é um doce para mim. Meus Mestres nunca foram doces para mim, mas você é. — Eu não sou doce, Ava. — Seu tom muda de repente, e seu punho fechado me diz que cruzei a linha. — Não diga isso, por favor. — Desculpe, Mestre. — Está tudo bem, mas não me coloque em um pedestal, por favor. Eu não sou doce. Eu não sou do tipo. Eu não sou bom. Eu não sou nenhuma dessas coisas que você pensa que eu sou.

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— Mesmo assim, você está sendo comigo, por quê? — Eu hesitante dou um passo em direção a ele novamente. — Não sou nada como você quer que eu seja. Isso não significa que eu não vou tentar, mas... — Ele suspira. — Como pode um homem ser considerado bom quando tudo que ele fez em seu passado é arruinar vidas de outras pessoas? — Você é bom se você mudou. Você é bom quando você faz essas coisas para mim, — eu digo. Quando tento pegar sua mão para mostrar que está tudo bem, ele a empurra. — Não, Ava. Uma coisa boa não apaga um monte de coisas ruins. — Então me fale sobre todas as coisas ruins. Se eu souber de tudo, e ainda achar que você é bom, você acreditaria em mim? A raiva passa em seu rosto. — Você não diria que sou bom se você soubesse a verdade. — Eu prometo que não vou virar as costas para você. Eu não vou correr. Nem mesmo se for muito ruim. — eu digo, engolindo o medo do desconhecido. — Eu acho que eu posso dizer que eu já passei pelo pior. Seu rosto se contorce com descrença, seus olhos se fechando como se ele estivesse tentando entrar em acordo com alguma coisa. Ele deixa escapar um longo suspiro. — Pergunte-me então. Pergunte-me o que eu faço para viver. Pergunte-me quem são as pessoas que vieram me visitar no outro dia. — O que você faz? — Pergunto, conforme solicitado. — Eu mato pessoas. Tenho feito isso por muitos anos. — Por quê? — Porque nós somos pagos para fazê-lo. — E é isso? — Eu franzo a testa. Eu tinha razão; Eu já vi pior. — Não. Não é nem a metade. — Então me diga mais... por favor. Ele engole. — Nossa empresa tem várias divisões. As pessoas que você viu são parte dessa empresa. Dois deles são chefes das divisões de assassinos. Nós começamos o nosso trabalho pelas pessoas que nos contratam. ~ 122 ~


— E você? — Eu mantenho a ordem. — diz ele, com os olhos como o de um diabo, que queima de raiva, mas não dirigida a mim. — Eu me certifico de que todas as divisões ajam de acordo com um conjunto de regras que foram projetadas para manter a empresa de ser exposta ao público em geral. — Então, você faz as regras... — Não, eu as mantenho. E eu puno aqueles que ultrapassam os limites. — Então você mata a sua própria gente? — Pergunto. — Se for exigido. A frieza em sua voz causa um arrepio nos meus ossos. — Por que você faz isso? — Eu nem sequer uso as palavras Mestre ou Marcus mais. Eu não sei por quê. Talvez seja a minha curiosidade, a necessidade de conhecê-lo melhor, que me deixa tão descuidada e apressada nas minhas perguntas. Eu não acho que ele se importa, apesar de tudo. — Porque alguém tem que fazer. — Por que não outra pessoa, então? Seus olhos se estreitam. — Porque eu sou o único que pode. — Então, você é forçado a fazer isso? — Não há uma resposta para essa pergunta. Eu acho que você poderia dizer que aconteceu, — diz ele. — Você gosta de matar pessoas? — Ele engole, as sobrancelhas se juntam, então eu acrescento. — Desculpe se eu estou fazendo muitas perguntas. — Eu não gosto de nada disso, mas eu faço isso porque eu preciso. Eu não tenho outra escolha. — Mas você é o líder de sua divisão. Você faz as escolhas. — Não é tão simples assim, Ava. — Ele range os dentes. — Eu vim para esta empresa jovem, inexperiente, e incrivelmente ingênuo. Eu não sabia em que eu estava me metendo, mas chega um momento na vida que é tarde demais para voltar atrás. Passei esse ponto há muito

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tempo. As pessoas esperam que eu continue com o que o meu antecessor me ensinou ou as consequências serão graves... então eu segui em frente. Eu sinto que eu estou apenas começando pescar pequenos pedaços de informação dele, mas é melhor do que nada. — E os outros? — Pergunto. — Todos têm divisões em todo o mundo. Em seguida, há um deles que chamamos de 'Sequestrador'. Essa palavra faz meu coração bater na minha garganta, e meus sentidos subitamente ficam em estado de alerta. — Sequestrador... — Repito, pronunciando cada sílaba como se isso fosse me ajudar a entender melhor. — Eles são os que roubam as pessoas das ruas e os vendem a quem pagar o preço mais alto. — Eu... fui arrancada... — Soa como uma pergunta, mas não é. Ele balança a cabeça. — Você foi trazida à divisão do Vladim, que por sua vez lhe vendeu a DeLuca. — Como você sabe tudo isso? — Eu gaguejo. — Porque todos eles trabalham para a mesma empresa. A mesma empresa que eu faço parte. Tremendo, eu tropeço para trás, agarrando a mesa como se isso fosse me manter em pé. O ar é sugado para fora dos meus pulmões. Eu sinto que estou caindo de um prédio de dez andares. — Você... você trabalha com os homens que me fizeram de escrava? — Sim, — diz ele. Sua admissão faz meu coração parar. Eu não posso acreditar no que estou ouvindo, mas por alguma razão, eu sei que é verdade. Eu tento ficar parada, mas as minhas pernas tremem por saber da verdade e quero correr. Eu devo?

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Por que não? Mas ele é o Mestre Marcus, o homem mais gentil que eu já conheci. No entanto, após esta revelação, eu não sei o que eu deveria sentir ou pensar sobre ele mais. Ele estava certo. Nem tudo é o que parece. Um lobo vestido em pele de cordeiro é, e sempre será, um lobo, capaz de devorar sua presa inteira. Eu tenho sido negociada. De um Mestre para o próximo. Eu não tinha me livrado... Eu ainda estou nas garras dos monstros que me levaram naquele dia. — Eu ainda sou bom? — Ele pergunta. — Eu sou que tipo de pessoa? Huh? — Seu rosto se contorce. — Diga-me! — Sua voz entra em erupção. Seus gritos ecoam em meus ouvidos, mas nada se iguala ao silêncio na minha cabeça. Ainda assim, não me atrevo dar uma resposta. — Você vê agora, Ava? — Ele rosna. — Você vê o monstro em mim agora? — Não... — murmuro. Eu não sei o que me obriga a responder. O que me leva a dizer não. Talvez, o meu desejo de que ele permanecesse doce, pelo menos na minha cabeça. Ele é meu anjo. Meu cavaleiro de armadura brilhante. Exceto que agora está provado que ele não é, e eu não quero que a imagem que eu tinha dele se quebre. — Eu sou apenas um cara tão mau quanto eles, — diz ele, as sobrancelhas franzidas, sua mandíbula cerrada. — Não há maneira de contornar isso. — Eu não acredito nisso... — eu digo. Ele balança a cabeça, abafando uma risada. — Acredite ou não, isso não torna menos verdade. — Ele limpa a garganta. — Agora, eu tenho alguns negócios a tratar. Tenho certeza que você pode manter-se ocupada.

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Ele se vira e vai em direção à porta, mas, em seguida, faz uma pausa para olhar por cima do ombro. — É hora de parar de ser ingênua, Ava. Leia os livros. Assista aos vídeos. Voltarei mais tarde. Antes que eu possa perguntar aonde ele vai, ele já passou pela porta.

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Capítulo treze MARCUS Eu não queria dizer a ela, mas eu senti que não tinha outra escolha. No momento em que ela disse que achava que eu era bom, eu tive de colocar um fim a isso. Eu não sou quem ela pensa que eu sou, e eu nunca mais serei o cavaleiro de armadura brilhante que ela quer que eu seja. Apesar do fato de que eu disse a mim mesmo uma e outra vez que eu posso ser mais do que um vilão, eu não posso ser apenas — bom — com o estalar de um dedo. Ela me dizendo que eu sou o tipo que parece um monstro. Isso não muda o meu passado. Isso não dá de volta a vida que tirei daqueles que mereciam. Não deixa as coisas melhores. E eu não quero parecer melhor. É um sentimento de justiça, a necessidade de punir a mim mesmo pelos próprios pecados que me leva a afastá-la. Talvez seja tolo, mas isso me faz sentir bem agora, não sucumbir à sua gratidão. Ainda não, pelo menos. É muito cedo. Talvez sempre seja muito cedo. Não importa quantas vezes eu tente me sentir apaixonado e pense nela, essa voz na parte de trás da minha cabeça sempre vai me dizer que eu não sou digno dela. Que eu não sou digno do amor de ninguém e que estou destinado a morrer sozinho. É isso que eu mereço. E honestamente... Eu acredito que seja verdade. Eu não posso deixá-la chegar muito perto.

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Se isso me faz um covarde, que assim seja. Eu prefiro ser um covarde, que um homem que se entregou muito facilmente, muito cedo. No momento que ela me abraçou, eu podia sentir que ela tinha se ligado muito a mim. Eu não posso deixá-la se apaixonar por mim. Não é para minha própria proteção, mas para a dela. Eu quero ajudá-la, darlhe um futuro melhor, mas suas emoções estão ficando no caminho. Ela acha que está no lugar certo vivendo sob a minha asa, mas ela não tem nenhuma pista de quão errada ela está. Eu sou o monstro feio que se esconde no escuro. O homem obscuro, de duas caras que se esconde atrás de uma máscara. Aquele que sente remorso por trás de um véu de pecados. Mas hoje, eu procuro me arrepender. Quando eu faço o meu caminho para o pequeno café no meio da cidade, eu já vejo A Senhora sentada a uma mesa no canto, olhando-me de cima a xícara de café fumegante. Um sorriso divertido aparece em seu rosto quando me sento na cadeira oposta a ela. — Olá Marcus, — diz ela, olhando para mim como se estivesse surpresa por eu ter vindo. — Eu não estou aqui para conversa fiada, — eu digo de forma abrupta, sem humor. Desde que me tornei o líder, ela está tentando se aproveitar do meu lado doce, mas isso não vai acontecer. — Oh, vamos lá, não podemos apenas falar de uma vez? — Não, — eu disse, franzindo a testa. — Eu estou aqui por negócios. — Hmm... Eu tenho estado agitada para saber o que significava quando você disse que queria que nos encontrássemos secretamente em público. — Significa apenas que eu não confio em você quando não estamos em público ou em minha própria casa. Isso tinha que acontecer. — Oh, Marcus. Eu ficaria ofendida, se eu não o conhecesse melhor, — ela reflete, tomando mais um gole de seu café. — Mas pelo menos deixe-me lhe pagar uma xícara de café. ~ 128 ~


— Na verdade, — eu digo, puxando um envelope do bolso. — Eu só vim aqui para comprar algo de você. — Comprar? — Ela franze as sobrancelhas para o envelope que eu seguro do outro lado da mesa. — O que eu teria que você iria querer comprar? — Número 5862. Seus olhos se arregalam e seus lábios se separam, então ela coloca sua xícara na mesa. — Você está falando sério? — Tão sério quanto a pilha de dinheiro nesse envelope. Você não vai abri-lo? — Eu digo, levantando uma sobrancelha. Ela hesitante pega da mesa e verifica o seu conteúdo, apenas para estreitar os olhos para mim. — O que você quer com ele? — Não é da sua conta. — Então eu não estou interessada. — Ela joga o envelope de volta para mim como se isso não significasse nada para ela, mesmo que seja uma quantidade considerável. — Vamos lá. Tenho certeza de que podemos fazer um acordo. — Não até que você me dizer por que você o quer, — diz ela. — Porque eu gostei dele quando o vi ao seu lado no outro dia. Ele era seu guarda pessoal na reunião, não era? Sua deglutição me diz que eu estou certo. — Tanto faz. Eu não irei vendê-lo. — Você não quer dizer isso. Diga seu preço. Qualquer coisa. Seus olhos piscam com entusiasmo. — Qualquer coisa? — Qualquer coisa. Exceto Ava. Ela não está à venda. Ela suspira. — Então você colocaria sua casa inteira na linha, mas não essa menina? — É uma questão de princípios, — medito. — Agora, você vai pensar na minha oferta? Ela se inclina para trás e suspira, fazendo beicinho. — Bem, como ele é um guarda, eu só fui capaz de vê-lo em combate até agora. Mas ele é lindo, e eu só tive algumas noites de diversão com ele até agora. ~ 129 ~


— Vá direto ao ponto, por favor, — eu digo, sem brincadeiras. — Bem. Você quer que eu o venda? Eu só vender depois que eu tiver pelo menos mais uma noite sem limites para eu me divertir com ele... se você entende o que quero dizer. Eu levanto minhas mãos. — Ei, eu não vou te impedir. — Eu ainda não tinha terminado, — avisa. — Eu quero que você organize uma festa. Eu franzo a testa. — Eu não faço festas. — Eu não estou falando de uma festa normal... Eu estou falando sobre as festas especiais que seu antecessor por vezes organizava. — Ela se inclina para frente. — O tipo de festa onde pele encontra pele, onde os órgãos se encontram, e os fluídos se misturam. Parece que ela dá um choque em minhas veias. Apenas uma fração de segundo é o suficiente para perceber o que ela está pedindo de mim. Eu não tenho certeza se posso dizer que sim... mas ela não me deixa outra escolha. — Vou cuidar disso, — eu digo, erguendo a minha mão. — Uma noite de festa na minha casa. Depois disso, ele fica. Você vai. Um sorriso diabólico se espalha nos lábios dela. — Não tão rápido... Eu tenho mais uma exigência, e então você vai ter o negócio. Tenho a sensação de que vou me arrepender disso.

*** Algumas horas depois Quando estou de volta em casa e abro a porta com o meu cartão, e eu já sinto um peso enorme que paira sobre os meus ombros. Eu empurro a porta aberta, suspirando, esperando a minha morte. Em vez disso, eu a vejo, se virando em seu assento para olhar para mim. Por um momento, só há silêncio quando eu percebo que ela ainda está aqui.

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Estou surpreso. Após a maneira como eu a tratei, eu esperava que ela fosse embora. Achei que ela arranjaria uma maneira de sair deste lugar, roubando um dos cartões ou claramente quebrando as janelas. Mas ela não fez nada. Ela está sentada confortavelmente na cadeira em frente à lareira lendo um livro. E ela não foi embora. Ela ainda está aqui, apesar de tudo que eu disse. Apesar de tudo o que eu não disse. Ela deve me odiar agora. No entanto, a primeira coisa que ela faz é sorrir. Tão bonita. Isso me quebra. Ela coloca o livro sobre a mesa na frente dela e se levanta. — Você está... ainda está aqui, — eu digo, sem saber o que dizer. Ela junta as mãos. — Onde mais eu estaria, Mestre? Dominada. Eu sou seu Mestre. Na verdade eu sou grato pela primeira vez em ouvir esta palavra. Eu sorrio para ela e dou um suspiro de alívio, evitando seus olhos. — Por um segundo, pensei que tinha perdido você. Ela vem em minha direção, e então faz a coisa mais peculiar. Ela me abraça. Enterra o rosto no meu peito. Agarra meu casaco como se fosse a última coisa que ela pudesse segurar. Seus braços envolvem em torno de mim como um casulo, envolvendo-me com o seu amor incondicional.

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Amor que é extraviado, mas congratulado de qualquer maneira. — Eu queria fugir, — diz ela. — Eu realmente queria. — Então por que você não fugiu? — Eu não posso, — ela sussurra. — Eu preciso de você, e você precisa de mim. — Mesmo que eu trabalhe com os mesmos homens que feriram você? — Não é culpa sua, Mestre... eu não culpo você. Eu não estou brava com você. — Você deveria, — eu digo. — Eu não estou, — eu digo. — Você não tem medo de mim? — Pergunto. — Não. Eu não acredito que você vá me machucar. Você poderia dizer que sim, mas suas ações mostram diferente. Elas me mostram que você se importa e que você não quer que eu me sinta mal. Deus, se eu soubesse antes o quanto ela pode me ler... Eu coloco minha mão na parte de trás da cabeça dela, acariciando seu cabelo macio, deixando-a saber que está tudo bem. Meu coração está batendo firme, mas rápido. É porque ela ainda está em meus braços, segura, sem ferimentos. Protegida. Eu não deveria me sentir assim, mas eu me sinto. Eu cuido dela. E eu me sinto tão mal sabendo o que eu estou a ponto de fazer com ela. O que eu já fiz a ela. — Você não deveria me abraçar, — eu digo. — Mas estou feliz que você o faça. — Vou abraçá-lo por tanto tempo quanto isso te faça feliz, Mestre, — ela murmura em minha camisa. — Obrigado, — eu digo, olhando para ela quando ela arqueia suas sobrancelhas para mim. — Significa muito para mim.

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— Tem alguma coisa errada, Mestre? — Ela pergunta, seus olhos preocupados. — Não, — eu minto, dando um sorriso. — Tudo está bem. Nada vai ficar bem quando ela descobrir o acordo que eu fiz.

*** Dois dias depois Hesito em bater em sua porta quando eu a vejo ler alegremente um dos livros que eu dei a ela, mas antes que eu possa mudar de ideia, ela já me viu. — Mestre Marcus. — Sua voz alegre me faz sorrir, mas logo desaparece novamente quando me lembro o propósito desta intrusão. — Você tem alguns minutos de sobra para mim? — É todo seu, — ela diz, fechando o livro e sentando-se na cama. — O que você precisa de mim? Estou a sua disposição. — Eu quero te perguntar uma coisa, — eu digo, entrando no quarto dela. — Mas eu não quero que você surte. — Pergunte-me qualquer coisa, Mestre, — diz ela. Eu arranco uma pequena caixa que eu estava escondendo nas minhas costas e mostro a ela. — Eu quero que você use isso para mim esta noite. Seu pescoço se estende enquanto ela espia-se no que está dentro da caixa. — É um… — Plug, — eu digo. Seus lábios tremem, e eu já me arrependo do pedindo que fiz a ela. — Está tudo bem se você disser não. — Eu vou fazer isso, — diz ela, sugando uma respiração. — Para você. Meu coração está pesado. Por que ela sempre concorda comigo? Ela não pode me dar uma razão para não usá-lo? Ela não pode, por uma vez discordar de em alguma coisa? Eu franzo a testa. — Vai ser desconfortável. ~ 133 ~


— Eu sei. Já usei um antes. — Você fez isso porque você queria? — Pergunto, sentando-me ao lado dela na cama. — Meu Mestre queria dentro da minha bunda como um adorno, então ele colocou em mim. — Ele nem sequer pediu... — Eu digo com um suspiro. — Não... mas você pediu, — diz ela, sorrindo para mim. — Não tem problema se você não quiser. — Eu quero, se lhe agrada, Mestre. Ela faz com que seja tão fácil. Toda a porra do tempo. Eu deveria dizer não. Por causa dela. Mas, novamente... Não fazer isso significa ainda mais dor para ela. — Apoie-se contra a sua mesa de cabeceira, — eu digo, apontando para ela no canto. Ela se levanta e caminha até lá curvando-se como eu disse a ela para fazer. Ela ouve tão bem... muito bem. Isso vai acabar por ser sua ruína. E a minha. Levanto-me e me posiciono atrás dela. Cuidadosamente, eu deslizo para cima seu vestido preto curto, expondo sua calcinha. Eu passo meu dedo debaixo dela e afasto até que sua bunda esteja exposta. — Fique aqui, — eu digo. Eu vou para o meu quarto para pegar um pouco de lubrificante da minha mesa de cabeceira. Quando eu volto, ela ainda está debruçada sobre a mesa, a cabeça enterrada entre os braços como se ela tivesse feito isso muitas vezes antes. Ela provavelmente fez, então eu continuo dizendo a mim mesmo que desta vez é diferente. Desta vez, alguém pediu-lhe permissão antes de tirar vantagem dela. Eu coloco um pouco de lubrificante sobre o meu dedo, revestindoo completamente, e depois eu deslizo sobre o seu buraco enrugado.

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— Isso pode doer um pouco, — eu digo. — Mas saiba que é para o meu prazer. Vou dar-lhe a satisfação de fazer algo por mim, então eu vou ser o único a sentir a pontada de culpa. Seu buraco enrugado permite-me entrada com facilidade como se não doesse nada, mas seus dedos apertando a mesa me dizem o contrário. Ela persiste sem fazer barulho, expirando respirações lentas quando eu insiro o meu dedo na sua bunda. Eu o giro, empurrado para dentro e para fora, e brinco com ela por um tempo. Meu pau se contrai nas minhas calças, e o pensamento de puxálo para fora para me masturbar sobre seu traseiro passa pela minha mente. Brincar com ela sempre deixa o meu pau duro. Mas então eu me lembro que há muito mais para vir, e eu não deveria pensar nisso. Quando ela está suficientemente solta, eu retiro meu dedo e lubrifico o plug, em seguida, coloco em sua entrada. — Relaxe, — Eu ordeno. Ela olha para mim enquanto mordendo o lábio, e depois deixa cair a cabeça sobre a mesa para aceitar seu destino. Ela sabe o que está vindo, e apenas aquele olhar de rendição em seus olhos que me excita pra caralho. Ainda não, Marcus. Ainda não. Sua vez virá em breve. Eu não sei por que essa depravação me excita tanto. Eu deveria estar revoltado com meus próprios desejos, mas eu não estou. A única coisa que posso pensar agora é quão bom o meu pau vai se sentir quando eu empurrá-lo em seu rabo. Mas eu não deveria ceder. Não agora. Não quando eu puder evitar. Ela não vai sobreviver de outra forma. Eu empurro o brinquedo dentro, lentamente, forçando nela quando um gemido escapa de sua boca. Meu pau se contrai com o som que ela faz. — Pronto, — eu digo, esfregando seu traseiro.

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Eu levanto a calcinha e cubro seu traseiro de novo, deslizando o vestido preto de volta para onde ele deve estar. Que vergonha. Ela parecia tão bem. — Obrigada, Mestre, — ela murmura enquanto ela levanta a cabeça. — Não me agradeça por isso, — eu digo. — Você vai se arrepender mais tarde. Eu pego o lubrificante e faço meu caminho fora. — Espere, — ela diz, e eu olho por cima do ombro para ela. — Você não vai brincar comigo? — Pergunta ela, um olhar confuso em seu rosto. Eu sorrio, percebendo que talvez ela queira tanto quanto eu. Deus, eu sou um bastardo doente mesmo por ter gostado disso. — Logo, Ava. Em breve.

*** Mais tarde naquela noite Quando os primeiros convidados chegam, eu sei que não vou voltar atrás no meu negócio. Amelia chegou para ajudar com os convidados, e ela sabe exatamente o que está prestes a acontecer. Foi o que aconteceu antes, há muito tempo, em uma casa diferente, onde ela estava servindo para o meu antecessor, quando ele ainda era o líder do Tribunal. Agora é a minha vez. Cada um dos meus convidados trouxe alguém para jogar, e alguns ainda trouxeram dois. Eles se sentam em meus sofás e cadeiras, comendo minha comida e bebendo o meu álcool enquanto riem e conversam. Alguns estão jogando um com o outro, carícias, e toques em todos os lugares. A maioria deles tem roupas de luxo com máscaras para cobrir sua identidade. Não que isso seja necessário. Nós somos todos parte da mesma empresa de qualquer maneira, e isso não muda o fato de que este é deboche em sua forma final. Isto é o que A Senhora queria. Não apenas qualquer festa... uma festa de sexo.

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Na minha maldita casa. A música toca e as pessoas estão dançando enquanto estão se esfregando umas nas outras, fodendo com a roupa em uma sala cheia de pessoas. Alguém quase derruba um vaso. Estou contente por ter retirado os meus itens valiosos da sala, mas eu ainda me sinto enojado por saber o que eles estão fazendo. E eu concordei com isso, pelo amor de Deus. Eu perdi minha mente, mas, novamente, eu não tinha outra escolha. Devo tê-lo. Quando A Senhora chega com seu convidado, eu dou um suspiro de alívio, sabendo que tudo vai acabar logo. Apenas uma noite, uma noite sem limites, descontrolada, animalesca, e o negócio estará feito. Ela está usando um vestido ousado, os seios voluptuosos quase se derramando para fora. Se eu não soubesse que ela é podre por dentro, eu poderia ter pensado que ela parecia bem. — Boa noite. — eu digo, quando ela permite que o cara ao lado dela tire seu casaco. — Noite, Marcus. Tão feliz que você decidiu ir em frente com a festa. — diz ela, sorrindo maliciosamente. Seu convidado, número 5 8 6 2, está ao lado dela, de cabeça para baixo, completamente silencioso. Ele não faz contato visual com ninguém e não se move, a menos que ela mande. — Você o treinou bem. — eu digo, apontando para o rapaz. — Sim, eu também acho. O que você acha, menino? — Ela pergunta. — Sim, senhora. Você me treinou para ser perfeito. — diz ele em voz baixa, como se falar não fosse sequer permitido, apesar do fato de que ela lhe fez uma pergunta. — Vá em frente, pegue algo para eu beber. — Ela bate nas costas dele e ele imediatamente vai. Meus olhos o seguem quando ele constantemente caminha em direção à tigela de ponche, seus traços musculosos bastante definidos. Surpreende-me que ele seja dócil.

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— Lindo, você não acha? — diz A Senhora e ela reajusta a posição de sua máscara vermelha, amarrando a fita. Viro a cabeça em direção a ela novamente. — Eu posso ver porque você gosta dele. — Oh, eu não gosto, não gosto dele. Mas ele tem um corpo quente e uma mente como nenhum outro. — Sério? — Sim, ele é muito protetor, você sabe... — Ela levanta a sobrancelha como se isso me impressionasse. Isso não aconteceu, mas eu jogo junto de qualquer maneira. — Muito bom, — eu digo. — Eu posso totalmente entender por que você iria querer comprálo, — diz ela, olhando para sua bunda. — Hmm... sim, bem, é por isso que você o trouxe aqui, — eu digo. Seus olhos se estreitam por alguns instantes. — Não tão rápido, Marcus. Vamos curtir a festa em primeiro lugar, não é? Eu fecho meus lábios e aceno. — Certo. Ela pega a bebida de sua mão quando ele volta. — Estou com muita sede, — ela comenta, olhando para os lábios que parecem rachados. — Você não está com sede também? — Sim, senhora. Muita. — diz ele. — Hmm... talvez eu vá deixá-lo dar um gole mais tarde. — Ela sorri como se fosse algum tipo de piada cruel. Eu estou lutando para manter uma cara séria... e não dar um soco nela. — Então... onde está a sua menina? — Ela me pergunta. — Se preparando. — Bem, ela deve terminar algum dia. Você não pode buscála? Estou aqui. Por que não começamos a festa? Minhas narinas se expandem. — Bem. Vou trazê-la em um minuto. Ela ergue a cabeça. — Bom.

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Soa mais como uma ameaça. Como ela fosse cancelar o acordo se eu não fizer o que ela quer. E isso é a última coisa que eu quero que aconteça. — Vá em frente, você vai buscá-la. Eu vou reunir a multidão. — Ela pega a mão dele como se ele fosse seu menino de brinquedo e o puxa junto. — Eu amo essa música. Vamos dançar. Ela sai dançando, sensualmente, seduzindo o rapaz na pista de dança, tocando-o de todos os tipos de formas. E o pior de tudo é que ele provavelmente se convenceu de que ele gosta. É doentio. É confuso. Pervertido. E agora, eu estou jogando junto esse mesmo jogo, porra. Quando um garçom passa por mim, eu pego dois copos de vodka pura de sua bandeja e os engulo um por um. O calor que passa pelo meu esôfago fornece um impulso muito necessário de vigor quando eu vou para o quarto de Ava. Quando eu abro a porta, sua roupa sexy é a primeira coisa que eu vejo. Que se foda. Ela está quente. Meia-calça com rendas amarrada a uma minúscula tanga, e um espartilho preto que mal cobre seus mamilos. Ela parece devastadora. Comestível. Como uma porra de um brinquedo. Algo que eu não deveria ver, mas não se pode negar que eu faço. A única coisa que passa pela minha mente agora é que eu quero fode-la. Muito. E isso me faz uma besta. Algo que eu lamento cada vez mais quando os meus olhos se arrastam por ela. O que eu estou fazendo? Eu me forço a olhar as cicatrizes em seu corpo, lembrando-me que não fui eu que as fiz, mas eu sou parte do problema. — Sim, Mestre Marcus? — Ela pergunta. Mesmo agora, com sua roupa sexy e seu rubor, ela ainda é submissa. Meu plug ainda está em sua bunda neste momento e ela não parece se importar. Nem mesmo um pouco. É como se nada mais importasse para ela que não me agradar. Então por que estou até pensando sobre isso? — Você está pronta? — Pergunto.

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Não há como voltar atrás de qualquer maneira. O que está feito está feito. — Sim Mestre. Posso perguntar... o que está acontecendo lá fora? Eu não lhe disse o que ia acontecer e por quê. Ela só sabe que tenho convidados e que ela deveria ficar aqui até que eu viesse para buscá-la. Que é agora. — Eu estou dando uma festa. Uma festa muito... especial. — Oh... — Ela sorri. — Bem, o que você precisar, estou à sua disposição. Eu pego a mão dela. — Eu quero que você venha comigo. — Certo. Claro, Mestre. — Ela balança a cabeça, e eu sorrio de volta para ela. — Você sabe... você está linda, — eu digo. — Obrigada Mestre. Você escolheu o melhor. Eu desejo que isso não estivesse acontecendo. Eu gostaria que ela não parecesse tão bem. E eu desejo que eu não estivesse assim tão ligado a ela agora, mas eu estou. — Você sabe por que você foi convidada a se vestir desta maneira? — Eu pergunto quando eu a puxo para fora do quarto. — Não, mas eu suponho que é para a festa. Talvez todo mundo esteja vestido assim. Você gostaria que eu ajudasse a servir? — Não. — eu digo. — Mas você está certa. É para a festa. Eu a puxo comigo pelo corredor e mais perto da música. Mais perto de seu destino. Quando as portas são abertas, seus olhos se arregalam e se concentrar todas as pessoas na sala que estão dançando... e fodendo. Ela congela. Ela não precisa dizer nada. Eu sei o que ela está pensando. Eu posso ver isso em seus olhos.

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Portanto, quando digo as palavras seguintes, eu sei que ela provavelmente vai me desprezar pelo resto da noite... se não para sempre. — Bem vinda à festa. Você é a convidada especial... quem todo mundo estava esperando.

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Capítulo catorze AVA Essas pessoas... elas estão fazendo sexo e dançando ou fazem sexo enquanto dançam. É uma loucura, e eu não acho que seria possível ver algo como isso nunca mais, mas está acontecendo bem na frente dos meus próprios olhos. — Uma festa de sexo? — Murmuro. — Shh... — Ele coloca um dedo nos meus lábios e me puxa para mais perto em direção a ele, apertando seus braços em volta de mim. — Está tudo bem. — O que... por quê? — Eu murmuro olhando para ele com um olhar confuso. — Sim, é uma festa de sexo. Não se sinta envergonhada. Está tudo bem em olhar. Todo mundo aqui está se divertindo, — ele murmura. — Eu... — Eu nem sei como responder. Eu sinto que estou violando a privacidade de outra pessoa. Como eu devesse pedir desculpas a todos e tentar não olhar. Mas eu não posso parar de olhar para todos os corpos quentes – se torcendo e se virando, fundindo juntos, suor se misturado com fluídos em uma orgia quente. — O seu antigo Mestre não a usava para isso? — Pergunta ele, avançando lentamente para trás comigo em seus braços. — Sim, — eu choramingo. — Mas eu pensei... eu pensei... — Você pensou que eu não gostasse dessas festas? — Diz ele. Meu corpo treme. — Sim. — Eu odeio admitir isso, mas é a verdade, e meu Mestre ia querer que eu falasse a verdade. — Não tenha medo. — ele sussurra perto do meu ouvido, e depois ele planta um beijo no meu pescoço. — Nada vai acontecer com você. Eu estou aqui e não vou sair do seu lado. Ninguém vai te machucar. Sou apenas eu.

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Ele me puxa para a multidão, e as pessoas olham para mim como se eu fosse a estrela do show. — Por que todos estão olhando para mim assim, Mestre? — eu pergunto. — Porque eles sabem que vamos fazer algo especial agora... — ele sussurra, ainda segurando-me perto de seu corpo. — Por que eu? — Eu não tinha outra escolha, — diz ele, a escuridão em sua voz me assusta mais do que as pessoas me olhando quando nós caminhamos para o centro da sala. Há uma corda amarrada ao teto e uma barra encontra-se no chão. Ele agarra a corda e desliza as mãos por meus braços, em seguida, levanta-os no ar pelos meus pulsos. Sensualmente, ele me olha nos olhos quando amarra a corda em volta dos meus pulsos. Meu coração bate na minha garganta enquanto eu sou obrigada a ceder, quase incapaz de me conter. A pequena roupa que estou vestindo me faz sentir como se todo mundo me olhasse, como se eu fosse um objeto sexual. Talvez eu seja. Talvez eu estivesse errada sobre Mestre Marcus todo esse tempo. É isso o que ele sempre quis? Ele vai me amarrar e fazer coisas comigo na frente das pessoas? Pensamentos sobre a dor e punição correm pela minha cabeça, e eu separo meus lábios trêmulos. — Por favor, não me machuque. Ele coloca um dedo sobre os meus lábios e se inclina junto ao meu ouvido. — Eu não vou te machucar. Eu só vou te foder. Duro. Minhas pupilas se dilatam. — Na frente de todos? — Como eu disse... este é o único caminho. Basta deixar acontecer. Você está em minhas mãos agora, e eu não vou deixar você ir — ele diz com uma voz baixa. Ele orbita em torno de mim, apertando a corda até que ela esteja quase torcendo na minha pele. A queimadura me lembra do que meu antigo Mestre costumava fazer para mim. Algo que Mestre Marcus não fez... mas poderia a qualquer momento. Talvez eu estivesse errada em pensar que ele não o faria.

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Mas a vontade do meu Mestre é lei. Seus desejos são a minha única regra. Eu tenho que aceitar. Mesmo que ela se torne a minha própria ruína. Então eu fico pendurada no meio da sala, vigiada por essas pessoas, pessoas que eu não conheço, quando ele conecta os dedos sob minha tanga e a puxa lentamente até que ele expõe a minha nudez para todos. Um rubor avermelha minhas bochechas e calor corre através de mim quando seu olhar recai sobre o meu corpo nu. Mas, em seguida, seus dedos me acariciam, lentamente, abrindo um caminho em direção ao meu rosto, comandando atenção. — Concentre-se em mim. Esqueça eles. Esqueça tudo. Lembre-se, só os meus olhos. Minha voz. Minhas necessidades, — diz ele, segurando meu queixo. — Agora, afaste as pernas. Concordo com a cabeça, sentindo o calor na minha barriga quando eu faço o que ele pede. Ele pega a barra no piso, que tem fechos de metal em cada extremidade, e posiciona-a entre as minhas pernas. Em seguida, ele bloqueia-a no lugar, fixando os fechos de metal em torno de meus tornozelos. Agora, eu realmente me rendi a sua misericórdia. Ele circula ao meu redor com um olhar escuro, mas provocativo em seu rosto, aquele que me diz as coisas estão prestes a ficar sujas. Quando ele está atrás de mim, dando beijos suaves na parte de trás do meu pescoço, eu não posso deixar de notar a senhora no canto olhando para mim. Mesmo com uma máscara vermelha escondendo seus olhos, o jeito que ela me olha de longe ainda me assombra. E então eu noto o cara de pé ao lado dela em calças de couro, e nu na parte de cima, acariciando seus seios e beijando-a em todos os lugares. Ela deve ser uma das convidadas do Mestre Marcus, e ele deve ser dela, assim como eu sou dele. Ela parece estar curtindo o show, a julgar pela maneira que ela lambe os lábios. Fecho os olhos, respiro um sopro de ar quando meu Mestre lambe minha orelha e suga levemente. — Pense somente em mim. — ele sussurra. Suas mãos passam sobre a minha bunda e ele espalha minhas bochechas para expor o plugue que tem estado lá por horas. Foi tão ruim a princípio, mas então se tornou lentamente agradável quando eu ~ 144 ~


andava pela casa durante dia. Quando meu Mestre puxa, eu o sinto escorregar para fora de mim, a plenitude me oprimindo. Prendo a respiração enquanto ele gentilmente puxa-o para fora, segurando-me no lugar. — Muito bem. — ele murmura, e ele deixa um beijo lascivo nos meus ombros que me deixa ofegante. Parece errado ter tantas pessoas me vendo quando ele tira minhas roupas e tira o plug, mas é o que ele quer... e o que ele quer deve ser o que eu quero. Mas então não é assim? Eu não tenho tempo para pensar sobre isso, quando Mestre Marcus pega lubrificante de alguém e espalha sobre o meu buraco enrugado. Eu ouço um zíper sendo puxado, seu pau quente derramando-se contra a minha bunda. Ele coloca mais lubrificante na parte superior e desliza seu pau entre as minhas nádegas, tornando ainda mais difícil para respirar. Deus, eu me sinto tão envergonhada e ainda excitada por ele. Parece errado com todas essas pessoas ao nosso redor, mas enquanto meu Mestre estiver aqui e ele for o único me tocando, eu acho que posso lidar com isso. Eu devo. Eu não tenho outra escolha, quando sou deixada completamente pendurada por um fio de sua misericórdia. Ele posiciona a ponta do seu comprimento na minha entrada de trás, agarrando o meu cabelo para puxar minha cabeça para trás e sussurrar. — Isso pode doer um pouco, mas saiba que vai me agradar quando eu foder sua bunda. A barra mantém as minhas pernas abertas quando ele empurra seu pau no meu pequeno buraco. Eu assobio e prendo os dedos em torno da corda enquanto ele lentamente me enche com sua ereção, a plenitude dele é indescritível. — Leve-o como uma boa menina, Ava. — ele murmura contra a minha orelha. Ele agarra meus quadris com força, empurrando até que ele atinge a base. Eu posso senti-lo em todos os lugares, e eu sinto como se estivesse prestes a explodir. Especialmente quando ele desliza sua mão para frente entre as minhas pernas e cobre a minha boceta. — Minha.

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Apenas esse único rosnado me faz choramingar, querendo mais. Ele me provoca com o dedo indicador, brincando com meu clitóris na frente de todos, e sinto-me humilhada, lembrado do que eu sou... o que eu sempre serei. Propriedade de outra pessoa, de usar e foder como lhe for convenente. Ele lentamente empurra para dentro e para fora, fazendo me acostumar com a plenitude e o tamanho de seu pênis na minha bunda. Eu posso sentir a dor escaldante, mas eu posso lidar com isso, desde que ele esteja aqui. Seus dedos nunca deixam minha boceta, construindo a pressão entre as minhas pernas quando eu sinto a emoção crescendo. Quanto mais ele me toca, mais eu começo a pingar, o que o faz gemer de prazer. Ele sorri contra a minha pele e dá beijos em toda parte do meu ombro, na parte de trás do meu pescoço, deixando trilhas molhadas e quentes por onde passa. Meus olhos piscam brevemente abertos de excitação, e é quando eu noto a mesma senhora no canto olhando para mim. Só que, desta vez, o cara que ela trouxe com ela está entre suas pernas, lambendo sua vagina. — Feche os olhos. — sussurra Mestre Marcus. Obrigada, obrigada, eu penso comigo mesma. Ele acrescenta: — Concentre-se apenas no meu pau reivindicando o seu rabo. Eu libero a tensão dos meus músculos, quando eu percebo que não adianta lutar contra isso. Ele vai conseguir o que quer, porque ele vai tomá-lo. Ele é o Mestre... e eu sou a serva. Quando luxúria e o medo começam a se misturar, sinto-me tonta, e seus gemidos me confundem, me deixam excitada, me fazem sentir como se eu quisesse ser fodida. Talvez eu queira porque eu nada mais quero é que ele me queira, que fique comigo, que me valorize. Eu quero ele, assim eu o deixo meter em mim. Ele começa a bater em mim, mais forte, mais rápido, apertando meu corpo perto do dele. A barra de mal me mantém de pé, eu fico na ponta dos pés, mantida no lugar apenas por suas mãos ansiosas segurando meus quadris. Suas unhas cavam em minha pele enquanto ele me fode, me espetando com seu comprimento uma e outra vez até que a dor se transforma em prazer e tudo que eu quero é que ele me foda mais.

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Por um momento, eu mesma me esqueço todas as pessoas que estavam ao nosso redor, dançando ao som da música, fodendo com a nossa visão. Mestre Marcus agarra meu rosto, cobrindo meus lábios com a mão enquanto ele me fode. Eu não podia gritar, mesmo se eu quisesse. Apenas gemidos curtos e suspiros escapam da minha boca enquanto ele dirige seu pau em mim, uma mão ainda dá prazer a minha boceta. Eu não posso me segurar por muito mais tempo, meu corpo treme de desejo. — Vamos lá, Ava. Goze para mim, e eu vou encher sua bunda com minha porra. — ele sussurra em meu ouvido. Sua voz só me faz desmoronar em suas mãos. Ele me fode com os dedos, intensificando o orgasmo ondulando através de mim. Minhas pernas estão prestes a entrar em colapso debaixo de mim, e a única coisa que me segurando no lugar é a corda e seu corpo encravado contra mim, seu pau me enchendo até o limite. Eu posso senti-lo dentro de mim... pulsando... explodindo seu gozo. Ele goza com um gemido e um aperto na minha boceta, quase como se meu orgasmo o fizesse gozar. Ele empurra mais três vezes antes de seus pau ficar flácido na minha bunda, juntamente com seu esperma que escorre pelas minhas pernas. Eu não abro os olhos. Eu não faço um som. Por um momento, eu só quero ficar flutuando, a leveza que eu sinto como se eu estivesse pendurada como uma boneca, amarrada com um sorriso satisfeito no rosto. Mas, em seguida, Mestre Marcus dá um tapa minha bunda, me acordando do transe. — Espero que todo mundo tenha gostado do show. — ele brinca, e todos abafam suas risadas e cochichos entre si. — Obrigada, Mestre. — eu digo com uma voz suave, tentando não deixar ninguém, só ele ouvir. Ele não diz nada. Quando ele fecha as calças, eu vejo a senhora empurrar de lado o cara que estava comendo sua vagina de volta para sua posição correta. Ela caminha mais perto de nós.

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— É isso? — Ela cruza os braços. Marcus passa na minha frente, bloqueando-a do meu ponto de vista. — Eu fodi ela. — Sim, você transou com ela... e? Não foi o suficiente. — diz ela, franzindo a testa. — É tudo o que você vai conseguir. — Eu não concordo. — Ela estala os dedos, e o cara que estava lambendo sua boceta caminha para o lado dela. — Vamos adicionar mais algum divertimento à mistura, não é? Acho que estamos todos querendo mais. Ouço os aplausos da multidão. Pânico corre em minhas veias. — Vocês todos têm paus e bocetas. Fodam um ao outro. Tem muitas coisas para ver. — Mestre Marcus rosna. — Eu tenho uma ideia muito melhor. Por que não deixar os dois brincarem um com o outro? — A mulher empurra o cara na minha direção. — Vá lamber sua vagina. — O quê? — A palavra rola fora a minha língua antes de pensar. Mestre Marcus range os dentes, fazendo um punho, mas ele não se move. Em vez disso, ele só fica lá quando o cara se aproxima, os olhos no chão, pronto para se curvar e me lamber. Mas só de pensar nisso me faz querer gritar. Eu não o conheço. Eu não conheço nenhuma dessas pessoas, mas eu estou submetida a todos os seus caprichos, como um fantoche de sexo. Isso me assusta mais do que tudo, sabendo que eu não posso fazer nada sobre isso. Eu não posso correr. Eu não posso lutar. Eu só posso implorar por misericórdia. E a parte mais assustadora é que eu não quero isso. Eu não quero que eles me usem. Eu não quero que ninguém me foda, me lamba, até mesmo me toque, a menos que seja Mestre Marcus.

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Eu não sei por que me sinto desta maneira, ou o que essas emoções são, porque eu nunca senti antes. Mas elas estão aqui, e eu não posso negá-las por mais tempo. — Por favor. — Eu gemo, tentando chamar a atenção do meu Mestre. Eu não sei o que me leva a implorar para ele interceptar o cara quando ele se ajoelha e paira mais perto de minha boceta... o que dá em mim quando eu grito. — Não! Cabeças giram em estado de choque. Eu disse a palavra. Uma palavra que nenhum servo deveria dizer. Eu engulo, mas a palavra não volta para minha boca. Tudo o que posso fazer é me revirar e suar, esperando que meu Mestre me perdoe por minha desobediência. Pela minha vergonha. Quando ele olha por cima do ombro para mim, furioso, eu me encolho, desejando que eu pudesse voltar no tempo e desfazer o que fiz. Mas então ele faz a coisa mais estranha. Ele rosna. — Pare. Alto e claro, como o rugido de um leão. — Não. — a mulher diz: — Não diga a meu menino para parar. Ele estava prestes a começar. De uma forma feroz, Mestre Marcus puxa meu corpo longe da língua do cara, e ele o empurra para o chão. — Eu disse não. A mulher anda como um furacão. — Como você ousa? Não toque nele. Eu lhe dei uma ordem. — E eu disse que não. Não vou dizer isso de novo. — Meu Mestre desamarra a corda em volta do meu pulso rapidamente. — Qual é o seu problema? Nós estávamos prestes a começar. Estávamos nos divertindo, e agora, você tem que explodir tudo? — Eu dei o que você queria. — ele grita. Quando as cordas caem dos meus pulsos, eu quase caio, mas meu Mestre me pega em seus braços fortes.

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— Você me deu o que eu queria? — A mulher ri histericamente. — Nem mesmo chegou perto. Você chama isso de uma festa? Patético. Você só comeu ela. Dentro e fora. Isso não é um show. — Ela balança a cabeça. — Eu já tive o bastante disso. Ela olha para o servo dela e lambe os lábios. — Você. Vá lamber a boceta dela agora e faça um bom show. Em seguida, ela puxa uma faca de sua cintura.

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Capítulo quinze AVA Uma faca. Apenas o brilho da lâmina já me faz encolher de medo. O dano que ela poderia fazer é bastante substancial, e eu não sei o que ela está planejando. Será que ela vai me machucar se eu não concordar? Ou ela vai atacar meu Mestre? Quando o cara tenta rastejar em direção a mim novamente, eu entro em pânico e me enterro nos braços do Mestre. Em um flash, Mestre Marcus saca uma arma debaixo de seu colete e aponta para a mulher. A sala inteira parece ter congelado, e eu ouço suspiros ao redor. — Não. — Sua voz é baixa, mas em expansão, enchendo a sala. Os olhos da mulher se estreitam quanto a faca em sua mão muda de posição. Em vez de apontar para o cara, ela agora aponta para o meu Mestre. — Você se atreve a me ameaçar na minha própria casa? — Ele rosna. — Você é o único carregando uma arma. Eu pensei que esta era uma festa sem armas — ela zomba. — Olha quem está falando. — Você deveria ter me dado o que eu pedi. — Eu dei-lhe mais do que você pediu. Nosso negócio está feito. — ele cospe. — Agora, saia. — O que? Você acha que pode simplesmente decidir o que acontece? Porra, eu não estou feliz, Marcus.

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— Agora. Saia. — A arma clica quando ele coloca o dedo sobre o gatilho. — Você não faria... — a mulher sibila. — Me teste. Eles olham um para o outro pelo o que parece séculos, mas são apenas alguns segundos antes dela rosnar. — Ótimo. Ela dá um passo para frente e agarra os ombros do cara no chão a apenas centímetros dos meus pés. — Não a toque. — meu Mestre rosna, agarrando o braço do cara e puxando-o para ficar. — Ele é meu. — O quê? — O rosto da mulher se contorce. — Solte ele! — A arma é apontada para a sua cabeça. Ela estreita os olhos, provocando-o. Eu posso ver as gotas de suor escorrer de sua testa. Isso não vai acabar bem se ela não sair agora. Eu posso ver em seus olhos... a raiva... Eu vi isso antes no dia em que ele chegou em casa coberto de sangue. Ele vai matá-la. Ela engole, visivelmente abalada, e depois enfia a faca de volta onde estava. — Você vai ouvir falar de mim. Aposte nisso. — ela sussurra, e então ela marcha para fora. Todos os olhos a seguem quando ela rompe para fora da porta e bate a porta atrás dela. Então, tudo fica tranquilo. Depois de um tempo, meu Mestre grita.— A festa acabou. Recolham tudo. Ele dirige sua atenção para Amelia. — Limpe o lugar. Quando estiver acabado, tranque tudo e vá para casa, por favor. — Sim, senhor. — Amelia começa imediatamente trazendo bandejas de volta para a cozinha. As pessoas começam a balbuciar, sussurrando silenciosamente entre si, enquanto eles colocam suas roupas e apressam-se para a

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porta. Parece que um peso foi tirado dos meus ombros enquanto a última pessoa sai, deixando nós três respirando um suspiro de alívio. Três. Não um. Não dois. Somos três agora. E eu só sei que vai ficar selvagem. Eu não tenho tempo para perguntar por que ele vai ficar aqui quando meu Mestre me levanta do chão e me carrega em seus braços. Ele nem sequer tem tempo para tirar a barra de afastamento que ainda está ligada aos meus tornozelos antes de me levar para a minha cama. Ele me coloca para baixo no colchão e tira uma camisola para fora do armário. Quando ele puxa a camisola longa sobre a minha cabeça, eu sinto que devo a ele um pedido desculpas por dizer não. Não era para acontecer, mas aconteceu de qualquer maneira. Mas algo dentro de mim me impede de abrir a boca... algo que me enche de raiva. Um senso de justiça. Eu franzo a testa, olhando para o chão quando meu Mestre desfaz as tiras em torno de meus tornozelos e libera as minhas pernas. Elas estão vermelhas, assim como meus pulsos, que ele pega em sua mão, esfregando-os suavemente. — Eu... eu... — Você me odeia. — diz ele. Ele olha para mim de debaixo de seus cílios. O contato visual por si só, traz lágrimas aos meus olhos. — Me diga o que você está pensando. — Eu pensei que seria só você e eu... — eu sussurro. — Não em uma sala cheia de pessoas. — Você pensou errado. — Você me fez pensar dessa maneira. Você me fez sentir desse jeito. — Uma lágrima rola no meu rosto. — É o cara, não é? Foi o que finalmente fez você dizer não. Eu concordo. — Eu não podia... Eu não deveria ter dito isso...

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Ele pega a minha mão e me acaricia como um animal de estimação, suavemente, me calando. — Está tudo bem. — Não está nada bem. Eu confiei em você. Eu não sei o que me obriga a dizer tal coisa. Está errado. Algo que um servo nunca deve fazer. Mas a sensação do meu coração sendo esfaqueado pela traição é muito forte. Ele fez algo para mim que me quebrou. Fez-me transar sem querer, sendo fodida na frente de todos, quase ser usada por um cara que eu não conheço. Meu antigo Mestre teria feito o mesmo com um estalar de dedos. Ele teria deixado ser fodida por todos os seus homens, um por um... mas Mestre Marcus não é como meu ex-Mestre. Mestre Marcus é muito mais do que isso. Por alguma razão, eu esperava que ele não fosse fazer isso comigo. Eu acho que, no final, eu estava errada em confiar nele. Por sentir que eu poderia significar mais para ele, que ele me via como mais do que apenas um servo. Eu não deveria ter pensado qualquer uma dessas coisas... porque nada vai mudar o que eu sou. O que eu nasci para ser. Minha mão desliza para fora da sua quando eu perco a vontade de lutar. — Ei, olhe para mim. — diz ele. Meus olhos se voltam para os dele, mas apenas por obrigação e necessidade de seguir as regras. Não porque eu realmente queira. — Eu não estou bravo com você. Você estava certa quando disse que não, e eu estou realmente feliz que você tenha feito isso. — diz ele, sorrindo um pouco. — Mas eu entendo se você estiver com raiva de mim. — Por quê? — É a única palavra que eu posso pronunciar agora. O cara que meu Mestre exigiu que ficasse aqui aparece de repente na porta, espreitando dentro, como se ele não soubesse mais o que fazer. Meu Mestre vira a cabeça, e depois diz algo que me confunde completamente. — Por ele. ~ 154 ~


***

MARCUS Foi tudo para libertar aquele menino. Eu sabia que se eu fizesse isso, significaria sua ruína. Eu posso ver a raiva em seus olhos, o veneno de desconfiança que escoa através do seu coração neste momento. E é tudo culpa minha. Eu fiz o negócio com A Senhora... Para comprá-lo, eu teria de transar com ela na frente de todos em uma festa de sexo. Então eu fiz. Mas ela querer mais da minha Ava foi um passo longe demais. Arrisquei seu amor e confiança para salvá-lo... Eu sacrifiquei algo que eu não deveria ter feito. E aquela mulher se atrevia a pedir mais? Só de pensar nisso me faz querer arrancar seu coração fora e me alimentar com ele. Eu deveria ter puxado o gatilho. Talvez, então, Ava tivesse se sentido menos usada. Em seguida, novamente... Eu não poderia matar alguém da empresa. Isso significaria o meu próprio fim também. Eu não estou pronto para ir ainda. E eu não estou pronto para perder Ava. Mas eu entendo por que ela está tão chateada. Eu me aproveitei dela sem perguntar-lhe se estava tudo bem... apenas como um de seus Mestres anteriores teria feito. Eu não sou melhor do que eles, mesmo que tente fazê-la acreditar nisso. Quão estúpido eu poderia ser? Levanto-me e olho para longe, não querendo que qualquer um deles veja o pesar nos meus olhos. Eu tenho que lembrar... este é o único caminho.

~ 155 ~


Mesmo que ela me odeie pelo que eu fiz, eu tinha que ir por este caminho. — O que tem ele? — Ela murmura, olhando para o menino com o cabelo ruivos e olhos azuis que está na porta. Eu olho para ele, e ele imediatamente aperta seu punho. — Não é o que você está pensando. — eu digo. O menino corre. Eu o sigo para a sala, tomando meu tempo para me certificar de que não o deixar mais agitado ainda, confiante de que ele não vai escapar. Todas as portas estão fechadas, não há nenhuma maneira de sair. — Não corra. — eu digo. — Não! — Ele grita. — Eu tenho que voltar para A Senhora. Ela vai me punir se eu não for. — Ele bate na porta, como se ele fosse quebrar. Como se ele pudesse abrir seu caminho para fora. Eu acho que ele é tão quebrado quanto ela. — Ela não vai. Você não vai voltar para lá, e se depender de mim, você nunca mais irá vê-la novamente. Com os olhos arregalados, ele se vira os punhos ainda na porta. — O que você fez? — Eu possuo você agora. — eu digo. — Eu o comprei dela. — O quê? — Ele franze a testa fortemente, e tenho a sensação de que ele está prestes a me atacar. Eu ergo minhas mãos e digo: — Eu não estou aqui para prejudicá-lo. Acalme-se. Eu fiz um acordo com ela. Ela o vendeu por um preço específico, que eu paguei na íntegra. — eu digo. — Eu sou seu Mestre agora. — Não... isso não pode ser. — Ele retira os punhos da porta, mas agora, ele se vira para mim, mas não parece menos ameaçador. — Você realmente precisa se acalmar. — eu digo. — Eu não vou fazer nada. Ninguém vai te machucar. — Mas... você tinha uma arma. — Foi necessário, porque ela queria mudar o preço depois que o negócio foi feito, e eu não faço isso. ~ 156 ~


Ele estremece. — Se eu não voltar para lá, ela vai me matar. — Eu não vou deixar isso acontecer. — Eu chego mais perto, segurando minhas mãos para cima para que ele possa ver que eu não tenho nada. — Eu não vou deixá-la chegar a lugar nenhum perto de você. Eu prometo. — Você não entende. Ela não apenas o fere. Ela acaba com você. — Eu sei, é por isso que eu o comprei em primeiro lugar. — Quando eu chego mais perto, ele rosna. — Não se aproxime. — ele sibila. — Eu sei que você não confia em mim. — eu digo. — Mas você tem que acreditar em mim. — Essa arma. Jogue-a fora — diz ele, apontando para o meu casaco. Então, eu a retiro e jogo no balcão da cozinha, provando para ele que eu não quero lhe causar nenhum dano. — Melhor? Ele não responde. — Olha, você pode tentar quebrar minha porta e janelas durante todo o dia, mas não vai chegar a lugar nenhum. — Por que você fez isso? — Ele pergunta. — Para salvá-lo. — Por que eu? O que há de tão especial em mim? Eu nem sequer conheço você. — diz ele, sua postura um pouco menos ameaçadora agora. — Porque eu sei o quão maltratado você foi enquanto sob os cuidados dela. Eu não podia suportar isso por mais tempo, sabendo o que ela faz. O mesmo vale para o monstro que era dono de Ava. Seus olhos piscam em direção a algo atrás de mim, então eu me viro e noto Ava pé na porta. — Volte. — eu sussurro para ela. — Isso pode ser perigoso. Ela olha para mim como se não entendesse o por que. Então o menino de repente dá um salto em direção à mesa e agarra a primeira coisa afiada à vista, um abridor de cartas.

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— Uau, uau, você não quer fazer isso. — eu digo. — Fique longe de mim. — Ele grita, a lâmina balançando em suas mãos. Ava passa à frente. — Deixe-me tentar. — Não. Eu não quero que você se machuque. — eu digo, colocando minha mão na frente dela para que ele não a tenha como alvo. — Eu não vou me machucar, Mestre. — diz ela. — Por favor, deixe-me tentar. Eu olho para os olhos inocentes, ainda percebo a raiva flutuando neles, mas então eu percebo que dizer sim a ela pode ser a única maneira de reconquistar a sua confiança. Ela quer fazer isso... e talvez ela possa chegar até ele. Então eu abaixo a minha mão. Enquanto seguro minha respiração e aperto minha própria jaqueta, eu a vejo caminhar em direção a ele com passos confiantes.

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Capítulo dezesseis 5862 A lâmina afiada treme em minha mão enquanto eu me esforço para lidar com a situação. Eu estou preso em uma casa que não é minha e me foi dito que eu não posso voltar ao lugar de onde vim. Eu não sei se é uma bênção ou uma maldição. Eu não conheço essas pessoas, e agora, estou descobrindo que este homem me comprou? É quase muito difícil de acreditar. A menina passa à frente. Seu rosto é a primeira coisa que eu vejo, e a forma como ela brevemente sorri para mim chama a minha atenção imediatamente. Ela parece inocente, mas confusa, quase como se ela estivesse tentando me entender mais do que eu estou tentando entendê-la. A primeira vez que a vi foi aqui na festa, onde A Senhora me disse que ela seria fodida e que ela iria assistir enquanto eu lambia sua boceta. Agora, eu a vejo novamente, só que desta vez não amarrada e nua. Há algo intrínseco sobre a maneira como nos conhecemos. Como o contraste entre a perversidade e a normalidade nos conecta, de alguma forma. Algo sobre a maneira como ela se aproxima me faz querer abaixar o abridor de cartas. — Está tudo bem. — diz ela, com a voz como a de um anjo. — Como ele disse, ninguém vai te machucar. Eu só quero conversar. Por alguma razão, sua presença não é tão ameaçadora como aquele homem ali. Ela tem essa aura de curiosidade que eu não posso descrever... algo intangível, mas eu posso sentir isso. Esperança. Enquanto que o homem... quando eu olho para ele, tudo o que vejo é a morte. Quem são essas comprou? Por quê?

pessoas? Será

~ 159 ~

que

ele

realmente

me


— Eu sei que você deve ter um monte de perguntas. — diz a menina. — Eu fiz muitas perguntas quando o Mestre Marcus me comprou. Meus olhos se arregalam. — Você... é uma serva? De alguma forma, o abridor de cartas na minha mão abaixa. Talvez seja sua voz. Ou talvez eu sinta que posso confiar nela... e só nela. Ela balança a cabeça, com cuidado e dá um passo à frente. — Eu sei que você não pode confiar nele, mas, pelo menos, saiba que ele não irá prejudicá-lo. Eu engulo quando ela chega perto o suficiente para colocar a distância o abridor de cartas. Eu não entendo por que ela não tem medo. Eu poderia esfaqueá-la... mas eu não quero. — Eu sei que você não vai me machucar. — ela sussurra. — Eu só quero conversar, ok? — Sua mão paira sobre o abridor de cartas, e antes que eu perceba, ela o pega em sua mão. Eu deixo deslizar da minha mão quando ela leva para longe de mim e coloca sobre a mesa. — Sinto muito. — eu digo. — Foi errado da minha parte. — Eu entendo. — diz ela, colocando seu cabelo atrás da orelha. — Na verdade, mais do que isso... Eu fiz o mesmo quando cheguei aqui. Eu franzo a testa, confuso. — Você usou um abridor de cartas como uma arma? — Eu estava com medo. — diz ela, dando de ombros. — Eu não sabia o que estava acontecendo. Quando o Mestre Marcus me disse que tinha me comprado, eu me senti tão confusa. Sozinha. Aterrorizada. Eu não sabia o que ia acontecer. — Eu... Eu sinto... — Como se o mundo estivesse sendo puxado debaixo de meus pés. — diz ela. E ela está certa. Isso é exatamente o que eu sinto. Como se o mundo tivesse desaparecido e eu estou caindo em um poço sem fim.

~ 160 ~


— Eu sei como você se sente. — diz ela. — E não há problema em se sentir assim. Você não precisa se desculpar. Mestre Marcus sempre entende. — Ela olha para ele por cima do ombro. — Não é? Ele acena com atenção, mas permanece estável, o que é uma coisa boa. Eu não quero ele perto de mim agora. Quando a menina agarra meu braço, eu recuo. — Você não precisa se preocupar com sua senhora mais. Ou qualquer outra coisa em relação a isso. Você pertence a nós agora. — É verdade que ele me comprou? — Se meu Mestre diz que comprou, então ele comprou. Mas não é uma coisa ruim. De modo nenhum. Ele é muito legal, sabe? — Ela cora, e enfia uma mecha solta de seu cabelo castanho atrás das orelhas novamente. — Você vai gostar daqui. Eu prometo. — Mas o que dizer da Senhora? Ela não vai ficar louca? — Você não precisa se preocupar com isso. — o homem exclama. — Eu vou protegê-lo durante o tempo que você estiver aqui. — Por quê? — Eu digo. — Por que você fez isso? Vejo a confusão no seu rosto. — Eu só quero fazer o mundo melhor. Mesmo que seja apenas com dois pequenos passos. Eu franzo a testa, não inteiramente com a certeza que estou satisfeito com essa resposta, mas eu acho que vou ter que aceitar. Eu não tenho qualquer outra escolha. Eu sou um servo. Alguém que é uma propriedade... e desta vez, ele é meu dono. Eu me pergunto o que ele quer comigo. Por que ele me escolheu. Mas também sei que fazer essas perguntas enquanto sou servo, nunca é bom. A vontade do Mestre é lei. Ele me comprou. Fim da história. Um suspiro longo e arrastado escapa minha boca, e eu deixo sair a frustração reprimida. Não vai mudar nada sobre a minha situação, por isso é inútil ficar com raiva.

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A única coisa que posso fazer é aceitar meu destino com dignidade e espero que o meu novo Mestre cuide melhor de mim. E do jeito que ele transou com ela na frente de todos, eu não tenho tanta certeza. — Você está bem? — Ela pergunta, puxando-me dos meus pensamentos. — Sim... eu acho. — Isso depende do que ela considera ficar bem. Ela estende a mão. — Eu sou Ava. Qual o seu nome? — 5 8 62. A Senhora me chama de menino ou animal de estimação. — Nós apertamos as mãos. — Nós vamos ter que descobrir um novo nome para você, então... — ela comenta, sorrindo, e seu nariz se contorce como o de um coelho quando cheira. — Vamos deixar as coisas tranquilas, tudo bem? — Diz o homem. Eu o vejo quando ele chega mais perto, percebendo que este homem é agora o meu novo Mestre. Eu não o conheço. Eu não confio nele. Mas eu não tenho outra escolha. Eu estou em sua casa, sujeito a suas regras. Ele para em algum lugar bem no meio vindo em minha direção e volta onde pela primeira vez se levantou como se ele estivesse esperando por mim para fazer o primeiro movimento. Eu não vou ceder. Não está em minha natureza ser curioso. Não sou como aquela menina. Sou sempre cauteloso, sempre na ponta dos pés. Lutar é a única maneira que eu conheço para permanecer vivo. Lutando para sobreviver. É assim que eu vivi e como eu sempre vou viver. É comer ou ser comido, neste mundo cruel, e eu não pretendo deixar ninguém fazer uma refeição de mim. — Vamos. — a menina diz, agarrando minha mão. — Você tem que conhecer o meu Mestre. A atração é pequena, mas tudo o que preciso é de um empurrãozinho para me mover. Ela tem uma espécie de efeito magnético em mim, como se ela pudesse me puxar para fora, mesmo que eu não tenha certeza do que me rodeia. Eu a deixo me levar para ele, onde eu estou e olho no tapete, percebendo o que aconteceu. ~ 162 ~


— Ei. — diz o homem. — Estou realmente feliz por você estar aqui agora. Desculpe a confusão na nossa apresentação. Se eu pudesse ter te trazido aqui de outra maneira, eu teria feito, mas esta foi a minha única opção, então eu a agarrei. Espero que você me perdoe. Perdoá-lo? Perdoar um Mestre. Perdoar a quem me comprou da Senhora. — Você não precisa ter medo. Nada vai acontecer com você. — Eu não estou. — eu digo com firmeza. Um pouco precipitadamente. Culpa mastiga em meu coração, e eu olho para trás por cima do meu ombro para o abridor de cartas ainda sobre a mesa. Eu tentei usálo contra eles. Contra o meu novo Mestre. Ele está dizendo para mim que eu não deveria ter medo. Eu deveria estar implorando pela minha vida. Imediatamente, eu me ajoelho e coloco minha cabeça para baixo. — Eu peço desculpas por pegar um abridor de cartas e ameaçálo com ele. Eu imploro seu perdão. — Levante-se, rapaz. — diz ele, e eu imediatamente sigo a sua instrução. — Você não tem que pedir o meu perdão. Já está perdoado. — Ele sorri e coloca a mão no meu ombro, e por algum motivo, parece como se um peso saísse de cima de mim. — Você é parte de nós agora. Você está onde pertence.

*** Horas mais tarde Depois que ela me mostrou a casa, ela me levou a um cômodo onde nosso Mestre pediu. Quando abre a porta, ela parece tão surpresa quanto eu. — Uau. Outro quarto de hóspedes. Eu não sabia que o Mestre tinha outros. — Talvez ele estivesse me esperando. — eu digo casualmente, mas as sobrancelhas vacilam me dizendo que ela pode realmente achar isso.

~ 163 ~


— Bem, este é o seu quarto agora. — ela diz, suspirando brevemente quando me permite entrar. Eu olho em volta, me perguntando o que eu fiz para merecer o meu próprio quarto com uma cama. Sento-me no colchão e me mexo um pouco. É tão macio. Eu tive poucas chances de me sentar em um destes. — É uma sensação boa, não é? — Diz ela. — O que? — Sua própria cama. E a mesa. E o armário. E praticamente todo o resto. — O sorriso dela é radiante. Como o sol, só que muito mais brilhante. Ele me aquece da mesma forma. — Sim, é muito bom. — Eu olho para as minhas pernas, esfregando-as, de repente percebendo que eu ainda não tenho uma camisa. Todas as minhas roupas estão na casa da Senhora. — Oh, espere, deixe-me pegar alguma coisa para você. — Ava diz, e ela dá a volta. Segundos depois, ela volta com um pijama. — Aqui, coloque isso. — O que, porque? Isso não pertence ao nosso Mestre? — Sim, mas ele quer que você use. — diz ela com um sorriso peculiar. — Ele tem muito mais roupas. Amanhã, ele vai comprar-lhe mais um pouco, então você vai ter um armário cheio. — Ele vai comprar roupas para mim? — Eu levanto uma sobrancelha. — Sim. Nosso Mestre é muito gentil, sabe? Ele não é como... — Ela faz uma pausa, quase como se ela estivesse repensando suas palavras. — Bem, ele é diferente. — Diferente... — Repito, deixando escapar um suspiro. — Diferente é bom. — diz ela. — Certo? — Sim, acho que sim. Eu só não entendo por que. — Nosso Mestre é apenas assim. Ele quer nos ajudar. Eu franzo a testa. — Mas por que nós? Por que não qualquer um dos outros?

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Ela encolhe os ombros. — Eu não sei. Talvez ele vá ajudar, um dia. Eu não vou perguntar. Não é da minha conta. Eu só acho que devemos ser gratos pelo que nos foi dado. O que nos foi dado... ela faz parecer que é algum dom do céu. Como se trocar um Mestre por outro não seja ruim. Ela entra no quarto e fecha a porta atrás dela, então ela se senta ao meu lado. — Você está bravo com ele por comprar você? — Não. — Eu abaixo a cabeça. — Você pode falar a verdade aqui. — diz ela, baixando a cabeça também, então ela ainda pode olhar nos meus olhos. — Mestre não irá puni-lo por ter sentimentos reais. — Tem certeza? — Pergunto. — Sim. — ela diz. — Ele me disse muitas vezes que eu podia expressar meus sentimentos e ficar bem com isso. — Ele disse, sim. Mas ele nunca disse uma palavra sobre mim. Eu nem o conheço. Ela abafa uma risada. — Eu pensei a mesma coisa quando eu cheguei aqui. — Por que você está tão certa de sua aceitação? — Porque eu só sei. Eu vivo aqui por tempo suficiente para saber o que ele quer... como ele responde... como ele gosta das coisas. — Suas bochechas ficam com um tom suave de rosa. — E eu acho que você vai descobrir muito em breve. Eu viro a cabeça para longe. — Eu não quero saber. — Está tudo bem. — De repente, eu sinto sua mão nas minhas costas. É quente e corre para cima e para baixo na minha espinha, criando arrepios por onde passa. Isso é bom. Bom demais. Apenas A Senhora me tocou assim antes, mas nunca foi reconfortante. Para ela, eu era simplesmente um animal de estimação para brincar, como um gato que você acaricia sempre que você acha que merece alguma atenção. Mas isto... isto parece algo que eu poderia me acostumar.

~ 165 ~


— Você vai ficar bem. É uma boa vida aqui. Mestre é muito brando. Ele não pune, nunca. — Sério? — Eu olho para ela. — Então o que você achou de ser fodida na festa? Suas pupilas dilatam, e ela abre seus lábios, mas parece que os sons deixaram seus lábios. — Não era um castigo? Com certeza parecia que sim para mim. — Não. — ela diz, franzindo a testa. — Ele fez isso para comprar você. — Isso não deixa as coisas melhores. Ele usou você. — Ele... — Ela limpa a garganta. — Eu sou dele. Como você é. E ele tem todo o direito de nos usar como quiser. Esse é o significado de nossa existência. Eu esfrego meus lábios. Ela está certa, mesmo que eu não queira que ela esteja certa. Eu não posso negar. Fomos criados para querer o que querem nossos Mestres. É lógico que ela iria pensar dessa maneira. Talvez seja porque eu não o vejo como meu Mestre, ainda que eu possa ver além de tudo isso. Mas ainda... Ele transou com ela na frente de todas essas pessoas, até de mim. Eu podia ver cada parte pecaminosa do corpo dela, pingando de suor e gozo. Foi incrível. Foi francamente sexy. No entanto, sinto vergonha de admitir isso. — Sinto muito. — eu deixo escapar. — Pelo quê? Eu não quero que ela se sinta triste ou irritada com o que aconteceu, mas eu preciso me redimir. — Sinto muito por ter olhado para você enquanto ele te fodia, e eu sinto muito, porque eu ia enfiar a língua em você. — Oh. — Agora, o rosto dela fica completamente vermelho, e ela esconde um riso com a mão. — Está tudo bem.

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— Não está tudo bem. E eu quero que você saiba que nunca foi minha intenção fazer você se sentir desconfortável, mesmo que fosse o desejo da Senhora. Eu sei que você disse que não. Ela olha para mim em estado de choque. — Não é... Ah, não, por favor, não pense que eu disse não por sua causa. Eu só não queria que meu Mestre me compartilhasse. Eu me senti vulnerável naquele momento, e isso me fez ser verdadeira a ponto de ser incapaz de cumprir as ordens. Eu sou a única que deveria pedir desculpas. Eu causei a confusão. Meu Mestre quase matou A Senhora por causa da minha recusa. — Ela franze a testa, mordendo o lábio. — Eu não deveria ter dito não. — Mas você fez. — eu digo. — Aconteceu. Está bem. Eu só queria que você soubesse que eu não sou assim. Foi apenas porque aquela Senhora exigiu que eu... Ela coloca um dedo nos meus lábios. — Não fale mais uma palavra sobre ela. Ela não é mais sua Mestre. Eu concordo. — Só espero que, como eu vou estar aqui por um tempo, ainda fiquemos... Ok. Seu lábio se abre brevemente para cima em um meio sorriso. — Está tudo bem. Não estava bem no momento, mas eu fiz as pazes com ele agora. — diz ela. — Eu disse que não porque os meus limites foram forçados esta noite. Eu normalmente não teria dito não, mas... bem, como eu disse, meu Mestre é um pouco diferente. — Ela encolhe os ombros. — De qualquer forma, não foi por sua causa. Quero dizer, você é muito bonito, e se fosse em qualquer outra circunstância, eu nunca diria não a uma coisa dessas porque eu quero que o meu Mestre consiga o que ele precisa e seja feliz. — Muito bonito? — Eu sorrio. Ela faz beicinho e cora um pouco mais, o que me faz sorrir ainda mais. Ela esconde o rosto nas mãos. — Eu sinto muito. Eu sou uma tagarela. Eu rio quando ela vem de novo, com os olhos escondendo atrás de um espesso véu de cabelo castanho, com muito medo de olhar para mim. Então eu pego uma mecha de seu cabelo e a coloco atrás da orelha. — Eu acho que você é muito bonita também. Seus olhos encontram os meus, e por um segundo, não há nada mais que ar cheio de silêncio entre nós.

~ 167 ~


Ela toma uma respiração, quase sugando o ar, antes de bater as mãos nas pernas. — Bem, eu vou deixar você, então. — Ela me dá outro sorriso e se levanta da cama, correndo para fora da porta e deixando-me sozinho. Um suspiro sai da minha boca enquanto eu caio na cama. Ela parecia bastante desconfortável com o meu elogio. Como se ele a fizesse se sentir culpada. Oh, bem, não há nada que eu possa fazer sobre isso. Eu fico olhando para o teto, ouvindo o tique-taque do relógio na mesa de cabeceira. É estranho estar aqui. Como se eu não devesse estar nesta cama, neste quarto, nesta casa. A Senhora me mataria se ela descobrisse. Ou meu novo Mestre iria matá-la em primeiro lugar. De qualquer maneira, as coisas ficariam sangrentas. A única coisa que eu não entendo é por que ele iria passar por todo esse problema só por mim. Eu não sou tão especial. Eu sou apenas um servo. Assim como ela é. Ela ainda é sua serva, não importa quão bem ela diz que ele a trata. Ele a comprou para ele, o que significa que ele é dono dela. No entanto, parece como se ela o colocasse em um pedestal, mesmo que ele a fodesse muito violentamente. Como ela poderia o adorar tanto? É por causa das regras? A gratidão falsa que somos forçados a expressar perto da nossos Mestres? Ou é porque ela realmente gosta dele mais do que ninguém? Bem, uma coisa é certa. Eu não vou ser tão fácil de persuadir. Nada pode me fazer amar um Mestre. Vou seguir suas regras e eu vou obedecer as suas ordens, mas eu nunca vou olhar para ele do jeito que ela faz. Porque eu sei que, no fundo, ainda há algo que vale a pena lutar. Algo que eu nunca vou desistir. Liberdade.

~ 168 ~


Capítulo dezessete MARCUS Alguns dias depois Eu me sento na minha cadeira e folheio o jornal, leio apenas as manchetes, o resto, só passo o olho. Ava vem mostrando ao cara a casa, mas parece que ele já está bastante familiarizado com todos os espaços. Eles falam muito entre si, e ela escreveu várias coisas para ele em uma folha de papel, o mais provável é que seja o que ele precisa fazer. Isso me faz sorrir, sabendo que ela está colocando-o para trabalhar. Às vezes, ela pode ser tão mal-humorada... apenas como uma menina normal. De vez em quando, eu vejo os dois brincarem com os utensílios da cozinha, rindo enquanto eles fazem uma confusão com as coisas. Eles estão tão próximos. Eu nunca esperei que Ava se acostumasse a ele tão rapidamente. Eu pensei que ela ficaria apreensiva, com medo mesmo, quando eu trouxe a notícia de que ele iria ficar com a gente. Mas estou agradavelmente surpreendido com o quão bem eles parecem se dar. Eles estão provocando um ao outro, quando ela diz-lhe o que fazer e ele a cutuca. Seu suspiro para ele o faz brincar com massa de panqueca. Devo dizer, eu nunca vi qualquer um deles se comportar dessa maneira. Eles são quase... normais. De certa forma, eu posso ver que eles se ajudam mutuamente. Ela o faz sentir-se em casa enquanto ele a deixa confortável também. É como se eles se complementassem perfeitamente. O sorriso em seu rosto me diz o suficiente. Ela gosta de sua companhia... o que significa que eu tomei a decisão certa. No entanto, gostaria de saber por que ela age dessa maneira em torno dele. Ela permite que ele a ajude. Ela nunca iria querer que eu a ajudasse. A maneira como ela olha para ele, sem um cuidado, faz-me perceber que ela o vê como um igual. Algo que eu nunca vou ser para ela, não importa o quanto eu tente.

~ 169 ~


Eu sinto uma pontada de ressentimento no meu estômago, mas eu ignoro. Eu já estou contente de ver finalmente um sorriso genuíno em seu rosto. Um verdadeiro sorriso de felicidade. — Pronto! — Diz ela, pegando três pratos de panquecas e trazendo para a mesa. Largo meu jornal e me sento na frente quando ela os coloca para baixo. — Bom apetite, Mestre! — Obrigado. Parece delicioso. — eu digo, ansiosamente agarrando um garfo e faca. — Aprecie a sua refeição, Mestre. — o rapaz diz rigidamente. Eu olho para ele quando ele puxa o assento. — Bem, venha comer também. Ele franze a testa. — O que? Ava agarra sua cadeira e se senta, batendo na cadeira dele também. — Vamos lá. Vamos desfrutar do nosso café da manhã. Ele parece confuso, mas, em seguida, desliza para sua cadeira de qualquer forma, sentando-se com relutância. — Ok... — Ele olha para Ava. — Café da manhã é para Mestres apenas. — Não aqui. — Ava corta sua panqueca. — Nosso Mestre nos quer comendo juntos. Ele quer que nós desfrutemos do nosso café, tanto quanto ele. Ele olha para mim agora, ainda à espera. Eu pego um dos pratos e deslizo em direção a ele. — Coma. Ele pega o garfo e faca, os olhos procurando nos meus por algo diferente que admissão, mas ele não vai encontrar. Lentamente, mas com certeza, ele dirige sua atenção para a pilha de panquecas e tira uma fatia. Ele é cuidadoso, quase com medo de fazer um movimento errado enquanto todos nós o vemos colocar um pedaço na boca. Quando ele mastiga, Ava sorri para ele. — O que você acha? Ele engole. — Uau. Eu sorrio. — Isso é o que ela disse.

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Ava cora. — Oh, Mestre... — Sinto muito, às vezes eu não consigo evitar. — eu digo. — Vá em frente, coma o seu café. — Obrigado, Mestre. — diz o menino. — Eu realmente não sei o que dizer, mas obrigado. — Não há necessidade. Você cozinhou. Você merece. — Está muito bom. Eu nunca tive nada parecido antes. Ava engole. — Sua Mestra nunca o deixava comer alguma coisa boa também, Daniel? Com uma sobrancelha levantada, eu interponho. — Daniel? Ela olha para mim. — Sim, nós escolhemos um nome para ele. Eu tirei de uma das revistas que você me deu, Mestre. Daniel gostou do nome, não é? — Ela olha para ele, e ele lhe dá um meio sorriso. — Sim. — diz ele. — Está tudo bem? — Ava me pergunta. — Claro. Se você gosta, eu gosto. — Eu dou outra mordida na panqueca. Ela sorri brilhantemente e sussurra para o menino agora apelidado de Daniel. — Vê? Eu disse que ele iria gostar. — É um bom nome. — Ele dá outra mordida em suas panquecas. — Quase tão bom quanto essas panquecas. — Eu brinco, com a comida que está deliciosa. — Ava é uma perfeita cozinheira. — Daniel ajudou muito, Mestre. — Ele foi fantástico também. — acrescento, sorrindo para ambos. — Agora, vamos comer antes que esfrie. Você vai precisar de energia também. — Se posso perguntar, por que eu iria precisar da energia, a Mestre? — Daniel pergunta. — Planos. Você verá. Basta comer o seu café e, em seguida, eu vou explicar. Ambos estreitam seus olhos para mim, quase como se eles estivessem com medo que eu poderia submetê-los a algo horrível, mas ~ 171 ~


eles não têm ideia do que eu quero que eles façam. É algo que ambos irão apreciar. Mas, primeiro, panquecas. Quando eu dou a mordida final, apreciando os sabores salgados do xarope e manteiga, algo vermelho escorre no meu prato. — Oh... Mestre. — Eu olho para Ava, que está apontando para o meu prato, alertando-me para a queda. Outra gota limpo. Sangue.

cai. Eu

trago

o

meu

dedo

no

meu

nariz

e

— Você está sangrando, Mestre. — diz Ava. — Oh, às vezes acontece. — eu digo. Eu pego rapidamente o guardanapo na mesa e limpo o nariz com ele. Então eu arranco um pedaço pequeno e coloco na abertura do sangramento, me certificando do sangue não cair mais, dando-lhe algum tempo para estancar. No início, eles me olham perplexos quando eu pego o garfo e faca de novo, o pedaço de tecido macio ainda no meu nariz. Mas, em seguida, eles sorriem. Um riso incontrolável segue. Não posso deixar de rir junto com eles. — O que eu digo. — Você parece... Sinto muito, Mestre. — Eu pareço idiota? — Pergunto. — Sim, muito. — Daniel diz entre risos. Eu levanto uma sobrancelha, em seguida, mantenho a língua para fora e fico vesgo. A explosão de risos que se segue enche meu coração com calor e faz-me esquecer todos os nossos problemas. Mesmo que por pouco tempo. De repente, meu telefone vibra, e eu o tiro do meu bolso e me levanto da cadeira. — Desculpe-me, um segundo. — Eu fico de pé diante da mesa e verifico o meu telefone. É um e-mail criptografado que só posso abrir no meu PC, o que significa que ele contém algo destinado apenas a mim.

~ 172 ~


Algo que eu estive esperando por todo esse tempo. A última peça do quebra-cabeça. Um sorriso diabólico aparece no meu rosto. As coisas começaram a se desvendar rapidamente. O meu telefone vibra mensagem. É da Senhora.

novamente,

desta

vez

com

uma

Não use esses documentos contra mim, ou eu juro por Deus que vou trazê-lo para o chão comigo, você me ouviu? Era tarde demais para impedir meus assistentes de enviar os documentos, mas isso não significa que eu concordo em você recebê-los. Não abra o e-mail. Não olhe para as informações. Eu não dou a minha permissão. Eu sorrio. Antes da festa, ela concordou em enviá-los, mas eu acho que foi tarde demais para impedi-los depois que ela foi para casa da festa. Muito ruim para ela... bom para mim. Ela pode me ameaçar o quanto quiser... não vai adiantar. Eu tenho todas as cartas agora, e tenho a intenção de usá-las bem.

***

AVA 3 horas mais tarde Eu estou no topo da colina e respiro o ar fresco, deixando os raios do sol aquecerem a minha pele. É mais bonito aqui fora do que eu imaginava, e me pergunto se este foi a maneira do Mestre Marcus compensar a outra noite durante a festa. Este lugar com certeza é melhor que qualquer outra coisa que eu já vi por um longo tempo. Natureza, tanto quanto os olhos podem ver. A

~ 173 ~


grama debaixo dos meus pés descalços faz cócegas nas minhas solas, e eu adoro isso. Eu nunca me senti mais viva. E pensar que tudo isso pertence ao Mestre Marcus... é incrível. Eu me pergunto como no mundo ele possui tudo isso. — Bonito, não é? — Diz ele, piscando quando o sol o cega. — É perfeito, Mestre. — eu digo. — Como uma pintura. É tão vasto. Como você adquiriu tudo isso? — As pessoas no mesmo negócio que eu, tendem a ter um monte de dinheiro. Eu não sou exceção, mas eu prefiro fazer o meu dinheiro com obras honestas. — Ele olha de soslaio para mim. — Eu tenho um monte de ações em diferentes empresas que têm sido muito lucrativas para mim. Eu comprei durante uns anos. — Entendo... — Eu aceno, embora eu não saiba nem mesmo o que significa isso. Nós desfrutamos do silêncio do ar livre por um tempo, ouvindo o canto dos pássaros. — Quando estou me sentindo exausto ou chateado, eu venho aqui para relaxar e descontrair. — Ele sorri para mim quando eu viro minha cabeça para ele. — Eu provavelmente faria o mesmo. — eu digo. — Você pode. A partir de agora, você vai estar aqui todos os dias. Meus olhos se arregalam. — Sério? — Sim, eu quero você e Daniel treinando aqui neste mesmo lugar. — Ele acena para o topo da colina. — Treinando? — Daniel chega ao meu lado. — Sim, você vai treinar a Ava. Eu quero que você a ensine a se defender. Ela vai precisar disso. Eu tenho muitos inimigos. Minhas sobrancelhas se reúnem e eu lambo meus lábios, preocupada com o que isso poderia significar. É por isso que ele comprou Daniel? — Como? — Daniel pergunta. Mestre Marcus sorri depois joga um grande saco na frente de nossos pés. — Abra.

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Daniel fica de joelhos e abre o zíper. No interior estão luvas de boxe, almofadas, material de proteção, uma arma, uma faca, e algumas cordas. Daniel pega hesitante a faca e a arma, inspecionando de perto. — São falsas. — Claro, que eles são: — Mestre Marcus diz, colocando as mãos na cintura. — Não quero que vocês se machuquem. — Certo... — Daniel tira tudo para fora do saco. — Você quer que eu a treine com isso? — Sim. Você foi ensinado como se defender e atacar usando essas ferramentas, certo? Isso é o que eu achei, sabendo alguns dos princípios básicos. — Sim, mas... você realmente quer que eu os use com ela? — Ele pergunta, olhando para Mestre Marcus. — Eu quero que você comece devagar. A faca e arma são para mais tarde. Por que você não tenta o combate corporal em primeiro lugar? Ensine alguns movimentos básicos. Daniel franze a testa quando se levanta de novo, segurando as luvas de boxe nas mãos. — Mas por que aqui? Mestre Marcus sorri. — Porque ninguém irá ouvir vocês aqui se vocês fizerem algum som. Além disso, ao ar livre é um lugar muito melhor para treinar. Menos coisas para quebrar. Menos lesões. Você não acha? Daniel concorda com a cabeça lentamente. — Tudo certo. Se é isso que você deseja. — Ele coloca as luvas como se fosse natural para ele. — Espera... nós realmente vamos fazer isso agora? — Pergunto quando Daniel me entrega outro par de luvas. — Nunca há um momento melhor. Por que não agora? Eu prefiro que você esteja preparada para o pior. — diz Mestre Marcus. — Você nunca sabe. — Ele limpa a garganta, mas algo sobre essa afirmação, só me fez dar arrepios. — Bem, vá em frente. — diz ele, apontando para o saco. — Coloque a proteção e vamos ver como se faz.

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***

DANIEL Uma semana depois — Mais forte! — Eu grito, quando eu facilmente bloqueio seu soco. Ela coloca as mãos nos joelhos para tomar um fôlego. Temos treinado sem parar durante os últimos dias. Primeiro, começamos com as luvas, mas depois de um tempo, ela já não precisava delas. Se Marcus quer que ela seja treinada bem e esteja preparada para todos os tipos de situações, ela precisa de experiência de combate corpo-a-corpo também, que é o que estamos fazendo agora. Apenas os punhos, nada entre eles. É muito difícil para ela, pois ela não está acostumada com a força que tem de acrescentar ao seu soco, a fim de conseguir um golpe, e meu corpo agora serve como o saco de pancadas, o que é muito mais duro do que as almofadas que usamos antes. Meus músculos são duros como uma rocha, então eu posso agüentar firme. Eu só estou preocupado que ela possa romper uma junta ou duas tentando me bater. Ela tem se dedicado desde esta manhã, nem mesmo pedindo para uma única pausa. Eu posso ver isso nela. Ela está suando e ofegando, e eu me pergunto se eu deveria intervir. Não que ela me escute quando eu digo a ela para parar. Ela quer fazer isso. Eu não sei por quê. Talvez porque nosso Mestre queira muito isso, mas eu espero que não. Eu gostaria que ela decidisse algo por conta própria, então eu espero que ela esteja fazendo isso para si mesma. Ela precisa de treinamento. Como ele disse, o nosso Mestre tem muitos inimigos, e eu não vou deixá-los levá-la tão facilmente. Eu quero que ela seja capaz de se defender. Para proteger seu próprio corpo. Como diz nosso Mestre, é seu direito como um ser humano dizer não e lutar por sua vida. Isso é o que estamos fazendo aqui... não apenas treinando fisicamente, mas mentalmente ensinando-nos que nossas vidas valem a pena lutar. Mas isso colocou pressão sobre ela.

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— Quer fazer uma pausa? — Pergunto. — Beber um pouco de água? — Não, eu estou bem. Eu sabia. Ela realmente é um osso duro de roer. Só depois de treinar com ela por tanto tempo eu começo a ver o que está debaixo de todas essas camadas. Há muito mais nela do que receber comandos, do que ser obediente. Ela é mal-humorada, quando sabe que não pode comigo, mas tenta bater de qualquer maneira. Ela é engraçada... irritante às vezes, com a constante necessidade de agradar, mas engraçada. E ela pode ficar gananciosa quando se trata da afeição de nosso Mestre. Eu não sei por que ela gosta tanto dele, mas acho que ele tem seus encantos. Ele não é tão ruim se eu pensar nisso. Eu só não gosto da ideia de ser a posse de alguém. Embora, quando eu tomo um segundo para perceber onde estou, fora, no sol, respirando... não é tão ruim. Eu poderia me acostumar com essa vida. Mesmo que eu não seja livre. É melhor do que de onde eu vim. Qualquer coisa é melhor do que estar com A Senhora. Nada é melhor do que estar com Ava. Ela é a única coisa real sobre este mundo. A única pessoa no mesmo barco que eu estou. A única pessoa que eu posso falar sem me sentir pressionado a mentir. Quando ela olha para mim, eu sinto a necessidade de sorrir. É algo sobre seus olhos... eles chegam até mim. Como o momento em que eu vejo, eu só quero sorrir. — Você está bem? — Pergunto, observando. — Sim. Eu estou pronta. — diz ela, erguendo os punhos novamente. — OK. Dê-me o seu melhor golpe. — eu digo, entrando em uma postura defensiva. Ela me joga um gancho de esquerda, que eu evito e bloqueio, virando seu cotovelo para empurrá-la para longe. — Oh, vamos lá. Eu sei que você pode fazer melhor do que isso.

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— Vá devagar com ela. — Marcus grita de uma pequena distância. Ele está descansando em sua cadeira, lendo alguns papéis, os óculos de sol descansam na parte mais baixa do nariz. Ele parece tão velho quando faz isso. Especialmente quando ele insiste sempre em nos observar de sua poltrona e não se preocupa em participar do seu treino. É a única razão para eu não ter feito uma corrida até ele. Eu sei que ele está escondendo uma arma em algum lugar. Ainda assim, ele poderia, pelo menos, torná-lo um pouco mais fácil através da participação em seu treino, mas ele se recusa. Ele diz que eu sei melhor, e que ele não seria de muita ajuda de qualquer maneira. Eu digo que ele é preguiçoso e ele simplesmente não gosta de se machucar. Eu bateria nele em qualquer momento. Eu rosno para ele e me concentro no treinamento de Ava. Eu não preciso dele para me lembrar de ser gentil. Eu sei o quão frágil ela é. Suas feridas podem ter se transformado em cicatrizes ao longo do tempo, mas seu corpo nunca se recuperou da desnutrição que ela foi forçada a suportar durante tantos anos. É por isso que eu vou lhe dar uma mão. Não faz mal ajudar de vez em quando. Enquanto ela não descobrir... não importa. Enquanto ela se prepara para o próximo golpe, eu posiciono propositadamente meus pés de uma forma que não me dê equilíbrio total. — Whoa. — eu digo, esfregando minha bunda quando eu me levanto. — Isso doeu. — Sério? Desculpa. Eu não achei que foi tanto assim. — Ela cora, e isso me faz sorrir. — Não se preocupe. Eu posso lidar com alguma dor. Bom golpe. Ela se alegra porque fez o certo. Mesmo que eu a tenha ajudado um pouco, é bom vê-la sorrir. Eu me reposiciono e digo: — Mais uma vez. Ela faz a mesma coisa, só que desta vez em sentido inverso. Mas eu não vou pegar leve com ela agora. Ela não está preparada quando eu agarro o seu braço enquanto ela tenta me derrubar, e nós dois caímos no chão. Eu estava esperando que ela me bloqueasse. Em vez disso, ela cai direto em cima de mim.

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Eu pensei que era uma coisa ruim, mas não foi. Isso realmente parece ser muito, muito bom. Bom demais. Ela estar deitada em cima de mim foi muito bom. Seu rosto paira perto do meu, quando ela se esforça para respirar. Mas eu posso sentir sua respiração quente na minha bochecha. Estamos do lado de fora, no frio, mas eu não me senti mais quente desde a última vez que tomei um banho. Por um momento, nós só nos olhamos. Seu coração bate mais rápido a cada segundo, a pele corada brilhando ao sol, exigindo minha atenção. E então eu sinto seus mamilos endurecerem contra a minha pele. Meu pau se contrai na minha calça, e mesmo que eu esteja no chão, eu não consigo parar essa necessidade incontrolável crescendo dentro de mim. Está errado. Mas parece tão certo. Seus olhos se arregalam e ela engasga. Com as palmas das mãos, ela se levanta de cima de mim, seu rosto ficando vermelho como um tomate. — Sinto muito. — ela murmura. — Está tudo bem. — Eu sorrio. Meu instinto me diz para tocar seu rosto, então eu faço. Eu não sei por que, mas ela se acalma quando eu acaricio sua bochecha. Eu juro que eu posso senti-la na minha mão, mesmo que apenas um pouco. É então que eu percebo que ela é linda. Como o mundo exterior, inocente, imaculado, incompreendido. E que eu não posso nunca tê-la... nunca, porque ela não é minha. Afinal... ambos pertencemos ao mesmo Mestre. Ele é o único que nos possui. Ele decide o nosso destino. Nós não pertencemos a nós

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mesmos... nossos corações nem sequer são nossos para dar de presente. E, em seguida, o momento passa. Do nada, o nosso Mestre de repente senta-se na cadeira, ofegante, suspirando, e vomita na grama. Ele não para. Os olhos de Ava imediatamente se afastam dos meus, e ela empurra-se de mim, correndo para o nosso Mestre. Ele continua a vomitar, então eu me levanto para que eu possa dar uma olhada. O corpo dele balança para o lado, perigosamente perto de cair da cadeira. Eu me levanto. Isso é quando eu percebo que não é apenas vomito. Há sangue também. Ava grita. — Mestre! Seu corpo mole cai no chão. Seus olhos se fecham.

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Capítulo dezoito AVA A primeira coisa que fizemos foi pegar o telefone celular de Mestre Marcus do bolso e chamar o único número que poderíamos: Amelia. Eu não sei como usar um telefone; Eu nunca liguei para ninguém. Eu não tinha permissão e nem Daniel, então nós apenas escolhemos o primeiro nome que soava familiar. Mestre Marcus sempre me disse para ligar para este número se alguma coisa acontecesse com ele. E agora, finalmente aconteceu. A primeira reação de Daniel foi que deveríamos fugir. Eu fiquei chocada dele sugerir tal coisa. Eu nunca deixaria meu Mestre aqui. Felizmente, Daniel não foi embora. Eu não sei por que ele ficou, mas eu não estava em condições de pensar. Tudo em que eu conseguia pensar era que algo estava terrivelmente errado com o Mestre Marcus. Demorou trinta minutos para Amelia chegar até nós com alguns médicos que ela tinha chamado. Eu estava sentada ao seu lado, segurando sua cabeça para que ele ainda conseguisse respirar. Mas ele ficou inconsciente toda a viagem de volta para casa. Eles o levaram para a sua cama e, em seguida, disseram-nos para sair. No início, eu recusei, mas desde que Mestre Marcus não era capaz de me dar qualquer comando, Amelia entrou em cena para assumir. Ela sempre sabe o que é melhor... e ela queria que nós saíssemos do quarto para que o médico pudesse trabalhar melhor. Isso foi há vinte e quatro horas atrás. Eu não estive ao seu lado desde então. O médico saiu da casa. Amelia me disse que ele precisava descansar. Ela nos proibiu explicitamente de ir em seu quarto. Eu só espero que ele esteja bem.

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Eu desperdiço o dia vagando ao redor da casa, fazendo tarefas aqui e ali, mas nunca me concentrando totalmente. Tudo em que posso pensar é em Mestre Marcus e por que ele estava vomitando sangue. Eu fiquei tão assustada quando o vi entrar em colapso... Eu ainda tenho arrepios cada vez que eu penso sobre isso. Daniel é o único que tem sido capaz de manter a calma durante todo o calvário. Ele não disse uma palavra para mim desde que aconteceu. Tudo o que ele faz é olhar para o mundo através das janelas. Olhar para mim trabalhando. Olhando para a porta atrás da qual Mestre Marcus reside. Às vezes, eu me pergunto o que ele está pensando. Se é algo que ele não deveria estar pensando. Provavelmente. Eu suspiro, varrendo o chão. Eu não deveria estar pensando sobre isso também, mas eu não posso evitar. Não depois do que aconteceu lá fora, durante o treinamento. Eu caí em cima de Daniel e eu pude sentir suas calças se estendendo contra mim. Era como se o tempo parasse por um momento, e tudo o que restava fosse ele e eu. E a parte mais estranha que eu nem sequer tinha isso em mente. Eu deveria me importar. Eu deveria estar dizendo-lhe que é errado. Nós pertencemos ao Mestre Marcus. Nós não podemos... Mas não importa quantas vezes eu tente esquecer, um sorriso ainda aparece em meus lábios. Aquele sorriso... isso acontece sempre que vejo Daniel me olhando. Me tocando. Sorrindo para mim. É como se o meu coração de repente parasse de bater... e, em seguida, bate duas vezes mais rápido. A montanha-russa de emoções passa por mim cada vez que ele chega perto. Eu não sei por que isso está acontecendo, e eu sei que eu deveria colocar um fim nisso. Eu só não sei como. Talvez Mestre Marcus tenha uma resposta.

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Então, novamente, isso não é algo que eu deveria dizer a ele. Ou eu deveria? Ele sempre me disse que eu poderia confiar nele... que eu deveria falar o que viesse a minha mente e deixar os sentimentos tomarem conta. Mas isso é diferente. Isto não é sobre ele. E eu não quero que ele seja perturbado. Afinal de contas, eu sou sua. Isso inclui o meu coração. Além disso, ele está doente. Só Deus sabe como é ruim. Ele não tem tempo para falar sobre sentimentos. Eu nem deveria estar pensando sobre isso. É errado e meu Mestre precisa de mim para trabalhar tão duro quanto eu puder para aliviá-lo do estresse. Talvez isso irá ajudá-lo. É a única coisa que posso fazer, realmente. Eu não estou autorizada em entrar em seu quarto. A cada hora que estou na frente dele, minha mão paira perto da maçaneta da porta, mas então eu retiro novamente. Eu não tenho coragem de ir contra as regras. Mas meu coração não pode evitar, eu penso muito nele. Sinto falta dele. Eu sinto falta de seu toque suave. Sua risada quente. Suas palavras amorosas. Sinto falta de tudo sobre ele, e quanto mais tempo ele fica longe, mais vazia eu me sinto. Quanto mais o tempo passa, mais eu quero saber o que está errado com ele, porque em algum lugar na minha loucura, eu quero ser capaz de corrigir o que não está bem com sua saúde, então ele ficaria bem de novo e nada iria mudar. Quero ser completa novamente. Depois de se passarem mais de vinte e quatro horas, Amelia está dormindo no sofá, eu tomo coragem e abro a porta para espiar pela fresta, sabendo muito bem que eu estou quebrando as regras. Eu não posso resistir por mais tempo. Mestre Marcus se encontra de lado, o rosto pálido e seus olhos tristes. Mas eles estão abertos. E eles estão olhando diretamente para mim.

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— Sinto muito, Mestre. — eu sussurro, e eu me afasto novamente. — Não, espere. — ele murmura e tosse. Com um sorriso, eu abro a porta um pouco mais. — Eu não quero incomodá-lo. — Você não está me incomodando. — ele sussurra, puxando um pano quente fora de sua cabeça e colocando sobre a mesa. Dou um passo em seu quarto. — Como você está se sentindo? Um sorriso morno puxa seus lábios. — Eu já me senti melhor. — Ele me chama e, em seguida, dá um tapinha na cama. — Vamos lá. Sente. Eu aceito provisoriamente o convite e tento não tocá-lo quando eu me sento ao seu lado. Ele parece tão frágil e doente. — Eu sinto muito. Eu sei, Amelia me disse que eu não deveria vir aqui e que você precisa de descanso, mas eu não podia... Ele coloca um dedo nos entendo. Você estava preocupada.

meus

lábios. —

Está

bem. Eu

— Sim. Você estava cuspindo sangue. O que está acontecendo com você? Ele pega a minha mão e acaricia suavemente. — É apenas uma úlcera de estômago que eu tenho lidado por algumas semanas. O médico diz que eu vou ficar bem. Não se preocupe comigo. — Ele coloca outra mão nas minhas costas e me consola. Seu toque sozinho faz com que lágrimas se formem. — Oh, querida. — diz ele, me puxando para perto. Ele me faz deitar em seus braços enquanto ele me abraça apertado. Eu enterro meu rosto em seu peito, sentindo seu cheiro que me lembra que ele ainda está aqui em carne o osso. É uma sensação boa estar tão perto dele. Eu dou um suspiro de alívio. — Eu estava tão assustada. — Eu sei. — diz ele, me calando. — Não há problema em ter medo. Vai passar.

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— Quando eu te vi... Achei que você tinha... Eu não posso nem dizer a palavra. Ele me cutuca para que ele possa me olhar nos olhos, levantando uma sobrancelha. — Você se importa tanto comigo? — Sim. — eu digo. — Você é meu Mestre. Claro, que eu me importo. Ele balança a cabeça. — Eu sou apenas um homem simples. Um homem que tomou você. Que te comprou de outro. Eu usei você. — Eu quis que você me usasse... — eu digo. Está tudo bem, desde que ele esteja comigo. — Não. — ele diz com firmeza. — Você quer amar alguém. E isso é bom. Você deveria amar. Mas não se apaixone por mim. — Seus dedos cavam a minha pele quando ele me segura apertado. — Não importa para mim. Não caia de amores por mim. Você me ouviu? — Sim... — murmuro. Ele agarra meu queixo. — Prometa-me que vai se lembrar. Pense no que eu fiz para você na festa. — Não. — eu digo, balançando a cabeça. — Eu não quero me lembrar. — Ava... difícil.

— Ele suspira. — Você realmente está tornando isso

Eu baixo os olhos. — Se o Mestre deseja me ver longe, eu posso sair. — Não... não é isso que... Oh, não importa. — Ele deixa escapar outro suspiro e, em seguida, passa seu braço sobre mim novamente, me puxando para outro abraço. — Eu acho que algumas coisas nunca vão mudar. — Isso é uma coisa ruim? — Eu pergunto, passando os braços ao redor dele também. — Isso depende para quem você perguntar. — Ele lambe os lábios e pressiona um pequeno beijo na minha testa. — Você é sempre tão enigmático. — eu digo.

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Uma risada gutural baixo deixa sua boca, criando um sentimento morno, distorcido no meu estômago. — A vida não seria emocionante sem ter um enigma para resolver. Eu sorrio contra a sua pele e inalo o cheiro dele, levando conforto no fato de que ele está vivo e em meus braços. E mesmo que eu tenha quebrado as regras, eu me sinto bem. Eu me sinto forte. Capaz de mais do que apenas obedecer. Capaz de agir sobre pensamentos e emoções. — Eu espero que você não esteja bravo comigo por quebrar as regras. — Absurdo. Eu estou realmente feliz por você ter entrado no meu quarto. Eu estava começando a ficar entediado. — ele brinca. — Entediado? Há quanto tempo você está acordado? — Tempo suficiente para quase querer sair da cama. Não consigo dormir de qualquer maneira, então por que ficar na cama? — Bem... — Meus pensamentos borbulham pela minha cabeça. — Você sempre pode me abraçar. Um sorriso malicioso puxa seus lábios. — Você gostaria disso, não é? — Muito, Mestre. — murmuro. — Eu gosto de estar perto de você. — Diga-me o que mais você gosta. — ele sussurra em meu ouvido. — Eu gosto de você. Eu gosto do seu toque. Sua voz. Ele coloca um pequeno beijo debaixo da minha orelha, me fazendo ofegar. — Eu gosto... de sentir as coisas com você. — Que tipo de coisas? — Outro beijo é colocado no meu pescoço. — Excitação. Paixão. — Seus lábios deixam beijos ardentes na minha clavícula, tornando difícil me concentrar no que eu quero dizer. — Necessidade. — Do que é que você precisa? — Ele murmura contra a minha pele, deixando uma marca quente vermelha. — Eu preciso de você. — eu sussurro. — Você precisa de mim... para lhe proporcionar...

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— Amor. — Não. — Ele enterra os dentes no meu ombro, e um grito curto escapa da minha boca. — Intimidade. — Sim. — eu digo. — Mas suas necessidades sempre em primeiro lugar. Você está doente. Eu não quero... Ele me interrompe com um beijo suave que agrada meus sentidos. — Eu estou doente. — diz ele entre beijos. — Faça-me sentir vivo outra vez, Ava. Me faz sentir alguma coisa. — Sim. — eu gemo quando ele alega minha boca. — Use-me, Mestre. Quero tanto você. Usa-me para as suas necessidades e para as minhas Suas mãos desaparecem em minhas leggings, se colocando em minha boceta. — Diga as palavras, Ava. Seus dedos habilmente brincam comigo até que eu esteja praticamente implorando por ar. — Por favor... foda-me, Mestre. — sinto um doce alívio dos meus lábios, e eu percebo que, neste momento, que eu estou agindo exclusivamente por necessidades egoístas, porque eu quero ver meu Mestre feliz novamente, e eu vou dar-lhe qualquer coisa que ele quiser para conseguir isso. Eu não me importo e nem ele. Tudo o que importa é a proximidade que ansiamos. A devassidão que cresce dentro de nós dois. Apesar do fato dele ter me rebaixado na frente de todos na festa, meu corpo ainda anseia por ele. Sinto-me borbulhando, mas eu forço para baixo quando eu sucumbo aos beijos do Mestre Marcus. Sua língua entra na minha boca, avidamente tomando o que é seu, e eu derreto em uma poça em seus braços. O calor forma uma piscina entre as minhas pernas enquanto seus dedos rolam em meu clitóris, umidade se espalhando em todo lugar. O meu atrevimento me surpreende quando eu agarro seu pênis através de suas calças e massageio seu pau duro. Os gemidos que escapam sua boca são música para os meus ouvidos. Minha calcinha está embebida no momento em que seus dedos entram em mim, enchendo-me completamente. Eu engasgo com a pressão que ele constrói usando dois dedos, fodendo-me duro e profundo. Seus olhos de fogo me pegam enquanto ele se inclina sobre mim, mordendo o lábio. ~ 187 ~


— Você está tão molhada. Não admira que você esteja me implorando. Você devia estar morrendo de vontade que eu te fodesse. — Sim Mestre. Por favor... me fode forte. — eu gemo, e ele cobre a boca com a minha. Doce, deliciosos beijos quentes e uma língua exigente quando ele me leva no limite. Tudo o que posso pensar é nele dentro de mim, fechando a lacuna entre nossos corpos até que nós sejamos um. Como se pudesse ler meus pensamentos, de repente ele puxa os dedos para fora de mim só para rasgar minha calcinha de uma só vez. Então, ele tira minha camisa sobre a minha cabeça e meus mamilos instantaneamente endurecem a partir de uma corrente de ar frio... e sua língua. Ele suga e lambe meu mamilo até que eu estou tremendo e gemendo, amassando sua calça de moletom com as minhas mãos, desesperada por mais. Meus olhos piscam abertos de desejo. E aparece na porta um cabelo laranja brilhante. Segurando minha respiração, eu seguro Mestre Marcus apertado e viro a cabeça em direção a Daniel. Seus olhos se arregalaram com a visão de nós, os lábios separando. Isso é quando eu noto que ele tem a sua mão em suas calças. Ele tem nos observando todo esse tempo.

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Capítulo dezenove DANIEL Eu não sei o que me leva a me masturbar com os dois tocando um ao outro. Eu só vim verificar onde Ava tinha ido. No momento em que eu os vi juntos, eu sabia que não deveria estar lá. No entanto, eu não pude deixar de observá-los aos beijos... abraços... toques. Eu não posso deixar de sentir ciúme. De querer exatamente o mesmo. Minha mão se moveu para minha calça de sua própria vontade, querendo ainda me sentir quando vi Marcus despi-la. Apenas vê-la inclinar-se em sua mão enquanto ele a dedilha, gemendo muito, me deixou duro. Era impossível ignorar, até mesmo desviar o olhar. Tudo o que eu conseguia pensar era o quão bom ele deve sentir-se em tocá-la e transar com ela assim. Quanto eu queria transar com ela. Eu sou um bastardo, por me tocar assim na frente deles, mas o desejo de fazer algo sobre meu tesão tornou-se muito forte. Vendo a intimidade entre eles fez-me querer colocar minhas mãos em minhas calças e me foder enquanto os via. Mas agora eu fui apanhado em flagrante. Seus olhos me perfuraram como uma faca cortando minha mão, e eu imediatamente as afasto das minhas calças. — Espere. — Marcus diz assim que eu me viro. Eu paro, percebendo que provavelmente vou ser punido por isso. Valeu a pena. Senhor, ver isso, valeu tudo. Eu sou um bastardo sujo, mas eu não me arrependo de colocar os olhos nela enquanto ela fazia amor. Foi a coisa mais doce, mais

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pecaminosa que eu já vi. É como arrancar a maçã da árvore e morder, sabendo muito bem que eu seria mandado para o inferno por isso. — Vire-se. — diz Marcus. Por alguma razão, sinto-me obrigado a fazer o que ele diz. Ela me olha por trás seus cabelos escuros, incapaz de esconder sua pele em brasa. Eu não desvio o olhar. Quero que ela veja o que ela faz comigo. Eu quero que eles saibam que não me afastei de qualquer coisa. Nem mesmo o seu piercing, a julgar pelos olhos. — Venha. — Ele me convida para entrar. Seus lábios se abrem, mas ela não fala. Ela deve me dizer para não entrar. Ela deve resistir a ele. Ela não deveria sequer olhar para mim. Mas ela não faz nada. Em vez disso, tenho a sensação de que ela não pode tirar os olhos de mim. Marcus agarra o braço dela e a puxa com ele quando ele sai da cama. Relutantemente, ela fica de pé, com as mãos cobrindo os seios como se ela tivesse esquecido que eu já vi. Ela não precisa escondêlos. Eles são lindos. Ela é linda, como um anjo. Como algo que eu quero violentar até que ela já não possa pensar em mais ninguém além de mim. — Chegue mais perto. — Marcus acena para mim, e eu dou um passo a frente. — Não tenha medo. Estou bem em frente de seu corpo nu, e é difícil parar meus olhos de se abater sobre ela, então eu engulo seco. Com uma fúria de tesão, eu não posso ignorar suas bochechas rosadas e pele branca como pérola tão desesperadamente precisando da minha boca. Se eu me inclino para frente, eu quase posso tocá-la, mas eu não faço. A única coisa que me impede é ele. Aquele homem circulando em torno de nós como um abutre.

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Gostaria de saber se ele está pensando na maneira mais cruel para me punir. Eu deveria ser punido. Talvez eu queira ser. Por um segundo, eu acho que detecto um sorriso em seu rosto, mas depois desaparece tão rapidamente como veio. — Isto é o que você quer, certo? — Ele diz com uma voz baixa. — Ela. Hesito entre olhar diretamente para ele evitando o contato visual a todo o custo. Eu escolho o primeiro porque eu já estou em apuros mesmo. Ele cerra os olhos para mim. — Diga. — Sim, senhor. — Eu respiro fundo, enquanto assisto suas pupilas se dilatarem. — É por isso que você veio nos ver... porque você gosta dela, não é? — Sim senhor. Ele ainda está circulando em torno de nós, com a mão brevemente tocando nossos ombros quando ele passa. — Eu sei que vocês dois estão de olho um no outro. Não pensem que eu não percebi. Merda. Eu acho que eu fui pego. Mas o que ele quer dizer com ‘nós’? Ava desvia os olhos e fecha os lábios enquanto ele para trás e coloca ambas as mãos em seus ombros. — Ela não é linda? — Sim senhor. Muito. Ele sorri diabolicamente. — Aproxime-se, então. Eu dou um passo para frente até que eu estou batendo nela. Eu posso sentir seus seios empurrando para cima contra o meu peito, e está fazendo meu pau pulsar com necessidade. Deus, isso é tortura. — Veja? Ele gosta de você, Ava. Ele quer você tanto quanto eu. — ele sussurra em seu ouvido, deixando um pequeno beijo em meu pescoço. — Você o quer também?

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Seus lábios tremem. — Eu... eu acho... Ele olha para mim. — Beije-o, Ava. Meus lábios instintivamente se abrem em confusão, e ela lambe os dela em antecipação. Em seguida, ela se inclina e paira mais perto de mim, seus lábios a polegadas de distância dos meus, batendo os cílios para mim como se estivesse pedindo autorização. Mas ela não precisa pedir. Quando seus lábios tocam os meus, eu me desfaço.

***

AVA Eu o beijo. Não apenas porque meu Mestre exige, mas porque eu quero. Eu não deveria querer ele, mas eu quero. Eu queria beijá-lo desde quando eu caí em cima dele na grama. Eu podia sentir que ele gostava de mim desde que nos encontramos pela primeira vez, mas eu nunca percebi nada. Até agora. Até que meu Mestre me disse para beijá-lo. Eu tenho permissão para fazer o indizível. Para tocar o que não deve ser tocado. E agora, eu posso ter tudo. Eu não queria acreditar, mas é verdade. Eu mais do que ser igual a ele... Eu me sinto ligada a ele de uma forma que eu não posso explicar, e eu sei que ele sente o mesmo. Eu posso sentir isso pela maneira como ele me beija de volta. Sua boca é diferente da do meu Mestre, mas no bom sentido. Ele não me reclama como sua; em vez disso, ele me permite mostrar o que eu posso fazer com a minha língua. Eu lambo a borda dos lábios,

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persuadindo-o a abrir a boca. Ele me lambe volta com igual fervor, sua língua deliciosamente molhada e necessitada. Minhas mãos encontram o caminho em torno de seu pescoço, puxando-o mais perto, e ele faz o mesmo, enreda suas mãos pelo meu cabelo. Nosso beijo parece interminável, e eu sei que é tudo, menos certo. Com a observação de meu Mestre, eu percebo que o que estamos fazendo é tão errado... mas isso é tão bom. Eu não posso dizer não. Não a meu Mestre. Não a esses sentimentos. Não em querer os dois ao mesmo tempo. Seu beijo me deixa em transe, completamente sucumbida ao seu toque. Com meus mamilos esfregando contra seu peito, eu gemo em sua boca, e eu sinto seu pênis crescer contra mim. Naquele momento, eu percebo que não estamos fazendo isso para o meu Mestre. Nós não estamos fazendo isso porque ele quer que nós façamos. Estamos fazendo isso por nós. Para o nosso próprio prazer. Dentro de um instante, esqueço tudo sobre a forma como Daniel e eu nos encontramos. Para ele, eu nunca vou dizer não novamente.

***

DANIEL Eu a beijo forte, sem ficar chateado por sermos observados pelo Mestre. Ele nos deu permissão. Agora, eu vou em frente. Eu tomo um punhado de seu cabelo e a puxo para mais perto, querendo lamber cada centímetro de sua boca. Seu gosto é inebriante e me faz querer fazer coisas pecaminosas ao seu corpo. Meu pau já está dolorosamente duro, empurrando contra a minha calça, praticamente implorando para ser retirado.

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Eu queria isso desde o primeiro momento que eu coloquei os olhos nela. É tão ruim, mas eu não posso ter o suficiente do jeito que ela olha para mim com aqueles olhos inocentes. Ela é uma raposa, e ela sabe disso. Ela nos gira em torno de seu dedo mindinho, e eu adoro. Marcus está atrás dela, agarrando sua cintura, apenas para empurrá-la para perto de mim. Ele beija o ombro, pescoço e costas dela enquanto eu a beijo. Entre nós, ela arde com fogo e desejo que é impossível de ignorar. Eu deixo minhas mãos vaguearem livremente sobre seu corpo, apertando seus seios e puxando seus mamilos até que ela se contorce e geme em minha boca. Eu sorrio contra seus lábios e continuo a beijá-la, sabendo que o meu toque a leva a loucura. Eu sei como agradar uma mulher. Fui ensinado por tanto tempo, eu nunca poderia esquecer. Mas foda-se, isso é outra coisa. Estamos beijando-a, ambos imprensando ela entre nós como homens das cavernas loucos por sexo. — Mostre-lhe quanto você a quer. — Marcus rosna, cavando seus dentes em sua pele. Ela engasga quando ele deixa uma marca de mordida suave, e eu levo seu mamilo em minha boca e chupo duro, então mordisco um pouco, deixando sua pele em chamas. Ela geme em voz alta, e eu volto para o rosto para captar o som. — Sim, faça esses sons, Ava. Mostre-nos o quanto você nos quer também. — rosna Marcus. Ele desliza a mão entre suas pernas quando eu a beijo, e eu posso dizer que do jeito que ela está ofegante em minha boca, ele está brincando com seu clitóris tão forte que ela poderia gozar ali mesmo. Deus, eu gozaria apenas por esse olhar de puro prazer em seu rosto. É magnífico. Fascinante. Algo especial que não pode se medir, mas eu sinto no fundo do meu coração. Eu preciso desta mulher. Agora mesmo. No entanto, sem a chance de fazer um movimento, porque Marcus pegou um frasco de lubrificante e posicionou-se atrás dela, esguichando tudo sobre ela e ele próprio. Ele abriu suas pernas, agarrou seu pau e empurrou-o até sua bunda.

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Ela geme em voz alta, a cabeça inclinando para trás enquanto ele agarra seu cabelo. Eu faço a única coisa que eu posso pensar. Eu beijo seu pescoço, brincando com seus mamilos quando ele dá estocadas em sua bunda novamente e novamente. Seus olhos se conectam com os meus, e eu sinto um tesão imenso e o desejo de satisfazê-la em todos os seu desejos. Então eu continuo beijando-a mais e mais até que ela mal consegue respirar. Eu o vejo levar os dedos de volta para sua boceta, sacudindo o clitóris enquanto ele transa com ela. — Você está tão molhada, Ava. Será que é porque você está beijando ele? — Ele sussurra. — Ou é porque eu estou fodendo seu rabo apertado? — Sim. — ela geme, e sua admissão só me deixa mais duro. — Ambos. — Aposto que você gostaria de gozar de todas as formas, não é? Seu modo sujo de falar me deixa tremendo quando eu beijo seus lábios. — Oh, Deus, sim. — diz ela, estremecendo. — Daniel quer você também, Ava... Ele quer foder sua boca pequena e bonita enquanto eu desfruto do seu rabo... — Sim... vocês dois. — Nós dois, ao mesmo tempo, fodendo seus buracos até que você não possa mais aguentar. — ele geme. Ela engasga. — Sim. Foda-se. Eu pensei que meu pau não poderia ficar mais duro, mas, aparentemente, poderia sim. Está prestes a estourar fora da minha calça, então eu esqueço tudo e tiro minha calça, permitindo que meu pau salte livre. E bom Deus... a maneira como ela olha para ele, piscando rapidamente, lambendo a parte superior de seus lábios... isso me faz querer dobrá-la e transar com ela em seguida. — Veja o quanto ele está duro para você? É tudo para você, Ava.

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— Mas Mestre... — Ela engole, olhando para meu comprimento e, em seguida, de volta para os meus olhos. — Tem certeza que isso é certo? — Ava... ambos pertencem a mim. — Seus olhos brilham com sede quando ele lambe sua pele como um animal. — Agora... Dobre-se mais. Ele coloca a mão em suas costas e a dobra como se fosse nada. Agora, a cabeça paira perigosamente perto de meu pau e apenas o pensamento do que pode acontecer, faz meu pau saltar para cima e para baixo. — Agora, pegue o pau dele. — nosso Mestre rosna. Ela olha para mim enquanto agarra meu pau na base, fazendo beicinho com seus lábios, fazendo com que minha mente derreta. — Sim Mestre. A voz dela. Deus, ela torce meu coração em um nó. — Tome-o em sua boca. Seus lábios deslizam em direção ao meu pau, a boca se abrindo para me tomar, e tudo o que eu posso fazer é olhar e orar, porque eu sou um cara de sorte. Quando a boca envolve em torno do meu pau, eu chupo uma respiração. Parece tão bom, especialmente quando a língua dela começa a se mover. Enquanto ela me lambe, eu me movo juntamente com sua boca, cobrindo meu pau. Eu lambo meus lábios quando a vejo me chupar, e é bom. Deus, eu poderia gozar em sua boca agora e eu não iria nunca me arrepender. Eu não sei por que ele está permitindo-me fazer isso ou quão longe eu posso ir, mas eu não vou deixar esta oportunidade ir para o lixo. Posso dizer pela forma como ela olha para mim com aqueles olhos desesperados que ela me quer tanto quanto eu a quero. Talvez seja errado, mas neste momento, eu não me importo mais. Tudo que eu quero é foder sua boca, então eu faço. Eu empurro dentro e fora dela, mordendo meu lábio enquanto eu cresço ainda mais com sua sucção. Ela é tão boa no que faz, isso cria arrepios em mim. Minha mão atinge instintivamente a parte de trás de

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sua cabeça, querendo empurrar o rosto dela no meu pau, mas eu hesito. — Você quer foder sua boca, não é? — Marcus diz, olhando para mim. — Faça. Eu olho para baixo para Ava, pedindo-lhe a permissão sem dizer uma palavra. Tudo o que ela diz é: — Foda-me. É isso aí. Eu mergulho em sua boca com força total, incapaz de me segurar por mais tempo. Ela engole, com lágrimas nos olhos quando eu atinjo o fundo de sua garganta. Eu tomo um punhado de seu cabelo e a puxo para a minha virilha até que a ponta da língua está em torno de minha base. Ela não pode se mover, mas não parece querer afastar-se qualquer um de nós. Marcus solta ela por trás, balançando o corpo dela para mim e forçando-a a me chupar sem parar. De vez em quando, ela ofega por o ar, e então eu mergulho de volta novamente, delirante com a necessidade. Completamente possuído de luxúria. — Eu vou dar tudo que você precisa, Ava. — Marcus rosna, e ele tira o seu pênis para da bunda dela, apenas para mergulhar em sua boceta. Um grito luxurioso, frenético escapa de sua boca, e eu aproveito a oportunidade para agarrar o seu rosto e me empurrar de volta em sua boca. Nós vamos e voltamos como por minutos a fio, transando com ela, como loucos, querendo nada mais do que enchê-la com a nossa porra. Três pessoas, consumidas pela luxúria. Três pessoas, arruinadas pela paixão.

***

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MARCUS Eu transei com ela porque ela me implorou. Eu não posso dizer não para ela. Não com aqueles olhos suplicantes. Não para seus pequenos lábios. Ela é muito perfeita, e juntos, nós nos completamos. Uma e outra vez... até que gritos de prazer são tudo o que resta. Suor e sexo cobrem nossos corpos aquecidos com o desejo. Gemidos, suspiros enchem a sala com ar quente, somando-se a loucura de tudo isso. Na minha doença, eu achei depravação. Na minha necessidade de agradá-la, achei ganância. Eu sou egoísta por ter o que quero dela, mas ela quer o mesmo, então por que deveria ser errado? Em primeiro lugar, eu fodo duro sua bunda, seu minúsculo buraco fornecendo ampla pressão. Meus pênis pulsa dentro dela, e eu seguro firme quando bato nela. Eu olho para Daniel com sua boca envolvida em torno de seu pênis, esperando que ela goste. A partir do som de seus gemidos, sim, ela gosta. Neste momento, eu posso esquecer, mesmo que apenas por pouco tempo, quão quebrado eu sou. Não há nada de errado com três pessoas enroscadas uma a outra, se todos querem isso pra caralho. Para ela, é devoção. Para mim, é alívio. Para ele... é amor. Eu posso ver isso em seus olhos, a maneira como ele olha para ela, é como se ele a adorasse. É um olhar que ele não pode esconder. Não de mim.

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Mas eu não me importo. Podemos amá-la da mesma forma. Pouco antes de explodir, eu levo o meu pênis para fora de sua bunda e sopro uma respiração, acalmando-me, e deixando meu pau para baixo, então eu tenho mais tempo para aproveitar isso. Enquanto isso, eu a vejo chupá-lo como uma boa menina. Ela faz isso tão bem, eu fico com um pouco de ciúme. Quando eu estou pronto para ir novamente, eu afasto suas nádegas e empurro meu pau em sua boceta. Seus gemidos só melhoram meu prazer, me deixando ainda mais duro quando eu meto nela. — Sim, tome o meu pau como uma boa menina. — eu rosno, batendo naquele rabo gostoso. — Mestre, eu... oh, Deus. — Você vai gozar para mim? — Eu digo, lambendo meus lábios. — Sim, por favor! — Ela implora. — Goze no meu pau, Ava. Sua vagina aperta em torno de mim, e, em seguida, todo o seu corpo começa a tremer. Seus músculos se contraem em volta de mim, criando pressão deliciosa que me faz gemer em voz alta. — Foda-se, sim. — eu murmuro. Ela se arqueia enquanto goza, seu corpo aquece, o suor escorrendo pelas costas. — Obrigada, Mestre. — murmura lambendo o pênis dele. Deus, eu amo o som disso. É pecaminoso. Está errado. Mas todos nós gostamos, então qual é o mal? Então eu transo com ela sem reservas. Eu bato até que ela tenha dificuldade em ficar pé. Ela fica na ponta dos pés ao tentar manter o equilíbrio, com as mãos segurando a cintura de Daniel para se apoiar. Ele tem o cabelo dela apertado em suas mãos quando ele fode sua boca, então ela permanece entre nós em todos os momentos. Ela não vai cair. Eu não vou permitir isso.

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Ela geme com cada um dos meus impulsos, e contrai seu rabo apertado, seus sons me deixam com tesão pra caralho. Quanto mais eu transo com ela, mais eu esqueço quem eu sou. Nós fodemos e fodemos até que quase parece que nossos corpos se fundiram em um só. — Foda-se, sua boceta é tão boa para mim, Ava. Deixe-me gozar dentro de você. — Sim Mestre. Eu quero a sua porra. — ela geme. É tudo que eu preciso. Um grande impulso e meu pau começa a pulsar. Eu solto um berro e meu gozo se atira para fora de mim como uma fonte, enchendo-a completamente. Ela solta um grito quando minha semente entra nela, aquecendo o seu interior. Eu tremo com a liberação, todo o desejo reprimido e agonia saem de uma só vez. Quando eu estou satisfeito, eu puxo meu pau para fora, mas ainda está meio duro. Olho para Daniel, que ainda está desfrutando de sua boca. Eu estou com muito ciúme de deixá-lo terminar. — Minha vez. — Eu rosno. E ele sai imediatamente. Eu bato na bunda dela, fazendo-a se sacudir. — Você não teve o bastante ainda? — Eu nunca vou ter o suficiente de seu pau, Mestre. Eu sorrio. — Bom porque Daniel vai transar com você agora. — Eu aceno para ele. — Sério? — Ela murmura. — Sim. Eu acho que ele deve usufruir do seu rabo, para que ambos os buracos sejam preenchidos. O que você acha? Seus olhos se alargam quando ela olha para mim, o rosto corado de calor. — O- Obrigada, Mestre. Eu não sei se ela está me agradecendo verdadeiramente ou porque ela foi ensinada.

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Independentemente disso, eu ainda estou com tesão da porra, e eu sinceramente não me importo neste momento. — Vá em frente. Pegue a bunda dela. — Eu aceno para o menino, e ele imediatamente se empoleira atrás dela depois esguichar mais lubrificante. Minha mão nunca deixa de tocar seu corpo enquanto eu ando para o rosto dela e posiciono meu pau na frente de sua boca. — Chupe tudo. Como os lábios envoltos em torno de mim, eu o vejo entrar por trás dela, os olhos vacilam com a dor. — Boa menina. — eu sussurro. — Se você me fizer gozar também, eu vou dar-lhe outra carga de porra em sua boca. Você gostaria disso? — Sim, por favor, Mestre. Eu sabia. Eu nem sequer tenho que perguntar. É o que ela deseja sempre... me agradar. E será a nossa ruína. Quando eu o vejo transar com ela, seu rosto se transforma em felicidade completa, seus lábios ansiosamente persuadindo-me dentro de sua boca. Sempre ansiando. Sempre precisando de mais. Mesmo enquanto ele bate nela por trás, ela ainda quer mais. Mesmo quando ele ruge com a luxúria, a sua porra jorrando em sua bunda e escorrendo de seus dois buracos, ela ainda quer mais. Eu sorrio com maldade, meu pau já endurecendo novamente, pronto para uma segunda vez. Eu sei que ela pode sentir o espessamento do meu pênis enquanto seus olhos piscam em direção aos meus com um desejo desesperado por mais. E eu estou disposto... capaz... equipado para lidar com tudo isso. Por ela, vamos transar até que a noite tenha acabado, e tudo o que ela vai se lembrar é de amor, paixão, dor, desejo e necessidade. Por ela, vamos cometer o pecado final. Então, eu pergunto-lhe: — Você está pronta?

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Capítulo vinte MARCUS Quando os nossos corpos não podia mais ficar de pé, caímos sobre a cama e fizemos amor lá até que um de nós estivesse cansado demais para continuar. Logo depois, os dois dormiram, enquanto eu permanecia acordado, vigilante, como um observador durante a noite. Com um olho aberto e um olho fechado, eu ponderei sobre o que aconteceu. Amor e necessidade em algo perversamente sujo e errado. Algo que não deveria ter acontecido, mas aconteceu porque eu queria. Eu queria dar a ela o que ela precisava o que ela me pediu... mesmo que isso significasse dar alguns passos para trás. Ela estava tão feliz, tão feliz, o sorriso e a emoção praticamente escorriam de seu rosto. Agora, ela encontra-se em seus braços, juntos, e é como eles dormem a noite toda. Eu não tenho dormido. Não há muito tempo. Estou inquieto. Doente. Minha cabeça gira com possibilidades e o fim inevitável da nossa existência juntos. Depois de algumas horas, eu percebo que não importa se eu ficar na cama ou não, eu não vou ser capaz de dormir. Não quando eu sei que tudo está finalmente no lugar. Como deveria. Ainda assim, me aterroriza que ela goste tanto de Daniel, e que ele, por sua vez, a adore. Apenas a partir da maneira como eles se abraçam durante o sono me diz o suficiente. Eles querem um ao

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outro. Mais do que eles estão dispostos a admitir. Mais do que eu estou disposto a admitir. É apenas o melhor. Pelo menos, é o que digo a mim mesmo quando eu me esquivo da cama e me levanto, bocejando, por causa da falta de energia. Eu me sinto terrível, em mais de uma maneira, mas eu estou contente. Eu não poderia querer nada mais do que vê-la feliz, e ela com certeza parece bem feliz quando eu olho para os dois juntos em minha cama. Sorrindo, eu fecho a porta atrás de mim e deixo os dois dormir. Eles merecem isso.

***

AVA Quando eu acordo, eu estou aconchegada nos braços de Daniel. Com um pouco de ronronar, eu me enterro contra ele, aproveitando o calor e conforto que ele exala. Enquanto eu estou deitada aqui, sentindo seu corpo contra o meu, minha mente inunda com imagens da noite passada. Dois homens muito diferentes, por quem eu tenho profundo desejo, me foderam em ambas as extremidades, ao mesmo tempo. Estou sobrecarregada de emoções, meus olhos lacrimejam quando eu me sinto mais amada do que nunca, embora eu saiba que este tipo de amor é torcido. Nós prosperamos na luxúria e no sexo. É a única coisa que eu sei como fazer, e eu faço bem. Gosto de agradar meu Mestre, e Daniel gosta de mim por quem eu sou. Gosto de dar-lhes o que eles querem, e por sua vez, eles me dão o que eu preciso, o seu afeto. Eu ainda posso sentir o frenesi entre as minhas pernas, um lembrete de sua reivindicação sobre mim. Mesmo que a afirmação de Daniel seja diferente do meu Mestre, ainda é bom. Enquanto o meu Mestre me possui, Daniel conquistou meu coração.

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Eu não sei por quê. Há apenas algo sobre esse rapaz... tão brincalhão e puro de coração. E quando eu pensava enquanto seus pênis batiam em mim, tudo que eu posso pensar agora, é o quanto eu desejava gritar o nome de Daniel. Não o do meu Mestre. Eu nunca iria chamá-lo pelo seu nome a menos que ele exigisse de mim. Meu Mestre sussurrou timidamente em meus ouvidos, seduzindome a ponto de desistir do meu corpo para eles. Mas o meu coração... ele ansiava por mais. Ele vai sempre ter tempo para mais. Enquanto eu respiro tentando me acalmar, os olhos de Daniel vibram abertos, e eu sorrio quando eu o vejo bocejar. — Ei... . — ele murmura. — Ei... — Eu sussurro de volta. Nós olhamos um para o outro, sem falar uma palavra. Eu só tenho que olhar em seus olhos para saber que ele quer que eu mostre muito mais, ele quer que eu o conheça muito mais. — Eu... sinto muito sobre a última... Coloco um dedo sobre os lábios. — Não se desculpe. — Certo... Nosso Mestre nos ensinou isso. — Eu não estou dizendo isso porque ele quer que a gente pare. Eu estou dizendo isso porque eu não quero que você se sinta culpado por ter relações sexuais comigo. — Nós também a usamos. — diz ele, suas bochechas corando um pouco. — Está tudo bem. — eu digo, passando os braços ao redor dele. — Eu gostei. — Você gostou? — Ele olha para mim. — Sim... Eu queria isso também. — Eu me senti como um animal. Era como se algo tivesse me possuído. ~ 204 ~


— Você me queria também. — eu digo. Ele sorri para mim. — Você pode ler as pessoas tão facilmente. — Não. Só você e o Mestre. Seu sorriso desaparece lentamente. — Qual o problema? — Pergunto. — Nada. — Ele se vira de costas. — Eu só estou me perguntando por que isso tudo está acontecendo. — Hmm... Meu Mestre disse que é normal se sentir assim, você sabe. Se você sente algo por mim, é permitido. — Ele diz um monte de coisas. — ele brinca, olhando para o teto. — Você não gosta dele? — Pergunto. — Eu não diria que não. Eu diria que, forçado, tenho respeito. — Por quê? — Eu me inclino para cima. — Nosso Mestre é muito gentil. Ele zomba: — Sim, tão gentil que ele a usou na noite passada. — Eu me ofereci a ele. E eu não ouvi você reclamar. Ele franze a testa. — Isso é diferente. — Diga-me como. — Ele é o seu Mestre. Ele é seu dono. Você só pode aceitar. — Eu não quero aceitar. — Mas vê? Esse é o problema. Você não pode. Você poderia me recusar, mas você não quis. — Eu não poderia recusar qualquer um de vocês, mesmo que eu quisesse. Ele suspira e vira as costas para mim. — Porque ele disse-lhe para fazer. É sempre o mesmo. Ele comanda, e você obedece. — Não é isso que Mestres fazem? — Sim, mas isso não significa que eu esteja feliz com isso.

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— Por que não? Quero dizer, nosso Mestre é bom para nós. Ele nos trata bem. Muito melhor do que eu jamais fui tratada. Ele se vira para me encarar novamente. — Como você foi tratada, então? Antes de se tornar dele, eu quero dizer? Eu me inclino no meu cotovelo. — Bem... eu não estou autorizada a falar sobre o meu Mestre anterior... — Mestre Marcus não está aqui. Ele não vai saber. — diz ele. Eu olho ao redor do quarto e ao lado de mim. Só então eu noto que Mestre Marcus está faltando. Eu tinha esquecido completamente dele. — Certo… Ele se inclina para trás nos cotovelos, o peito aparecendo para fora do cobertor. — O que o seu Mestre anterior fazia com você? Será que ele a tratava bem? — Não... — Eu desvio os olhos. — Quando eu deixava cair alguma coisa ou não dizia obrigada, ele me chicoteava. Muitas vezes, eu perdia a paciência, porque eu não merecia isso. Ele coloca a mão no meu rosto e me acaricia suavemente. — Você sempre merece. — Foi minha culpa por quebrar suas regras. É por isso que fui punida com tanta frequência. — Você está errada. — Um fogo arde nos olhos dele, um que me assusta e me incita. — Não é sua culpa por ser um ser humano. Não é isso o que o Mestre Marcus continua nos dizendo? Nós não estamos em falta aqui. Nascemos humanos, assim como eles, e os seres humanos cometem erros. — Mas nós somos servos. — Eles nos fizeram tornar servos. Eles colocaram essas regras no lugar que lhes fosse conveniente para dar uma razão para nos punir. Ele estava errado. — Ele me olha diretamente no olho. — Nada disso é culpa sua. É deles. Meus lábios se abrem, mas eu não sei o que dizer, então eu opto em não dizer nada.

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Ficamos quietos por algum tempo, e Daniel continua a olhar para o teto enquanto eu brinco com o meu cabelo, me perguntando se ele está certo. Eu não entendo como ele sabe de tudo isso. Foi ele tratado de forma diferente de onde ele veio? Ou ele viveu uma vida normal antes de se tornar um servo? Talvez seja por isso que eu não entendo. — Conte-me sobre o seu passado. — Eu deixo escapar. — O quê? — Ele olha para mim. — Você quer dizer antes de eu vir para cá? — Sim, me diga sobre sua Mestra anterior. Conte-me sobre sua vida. — Oh... bem... — Ele toma uma respiração profunda e suspira. — Minha Mestra não era desse 'tipo'. Ela era cruel. Ela gostava de jogar com a gente. Com... jogos sujos, onde tínhamos que brigar uns contra os outros, lutando por comida ou uma cama para dormir. — Isso soa horrível. — eu digo. — E foi. Eles nos davam armas para ferir o outro enquanto ela observava. Eu ainda posso ouvi-la cacarejando risadas. — Ele treme. — Muitas vezes, eu ganhava, mas quando A Senhora saía da sala, eu sempre compartilhava com os outros, mesmo que isso não fosse permitido. Isso sempre acabava me deixando com mais fome, mas eu não me importava. Minha consciência estava limpa. — Uau... — Eu realmente não sei o que dizer. Parece muito intenso. — Outras vezes, ela nos pedia para fazer sexo um com o outro. — Mesmo com outros homens? — Qualquer coisa, contanto que a fizesse feliz. Se disséssemos que não, nossas cabeças poderiam ser cortadas, ou pior... — Ele olha para mim pelo canto do olho. — Houve muitas histórias circulando sobre servos anteriores que tiveram seus paus cortados. Eu faço uma careta quando a bile sobe. — Eu sou um dos sortudos. Bem, se você considera sorte, isso. Quero dizer, sim, eu consegui manter meu pau, mas eu estava apenas trocando um mal por outro. Ao vencer tantas vezes, eu me tornei seu guarda pessoal. — Ele faz aspas com os dedos. — Eu digo guarda, mas isso significa necessariamente apenas defender ela. Sim,

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ela precisava da minha proteção e força como um lutador, mas ela também queria brincar comigo. Como uma boneca pessoal. — ele zomba. — Insano. — Mas... eu acho que é para isso que fomos feitos. — eu digo, suspirando. — Não. — ele diz com uma careta. — Eu não acredito que seja isso e você também não deveria. — Eu não conheço nada diferente. Isso é como ele sempre foi. Desde que eu era pequena, eu fui ensinada que eu só estava viva para servir os outros. — Deve ter havido um tempo em que você não era a posse de alguém. — diz ele, inclinando-se para trás. — Hmm... Talvez, mas foi há muito tempo atrás... eu ainda era muito jovem quando eles me levaram, mas lembro-me claramente da minha mãe e do meu pai, quando nós nos sentávamos em torno da árvore de Natal. Eu tinha uma boneca que ganhei de Papai Noel, e foi a meu único presente. Em seguida, os homens vieram e mataram a minha mãe e meu pai. Ainda me lembro da boneca deitada no chão quando eles me tiraram da minha casa. Ela estava com um lenço bonito roxo e um vestido rosa combinando com o batom. — Meus olhos estavam vidrados quando eu olhava para o nada. Voltar a esse dia, não é algo que eu goste. Só de pensar nisso me faz encolher. — Eu não quero mais falar sobre isso. — OK, eu entendo. Parece horrível o suficiente. — Sim... — Eu suspiro. Ficamos quietos por alguns segundos antes dele abrir a boca novamente. — Se isso te faz sentir melhor, eu nem sempre fui um servo. Eu acho que eu tinha oito ou nove anos quando eles me arrancaram das ruas. — Arrancaram das ruas? — Eu levanto uma sobrancelha. — Sim. Eu estava no meu caminho para a escola quando aconteceu. Roubado, apenas a poucos quarteirões de distância da escola. Em uma van. Ainda me lembro do cheiro de gasolina, e até hoje, isso me faz vomitar. — Espere, ele só te levaram? Bem desse jeito?

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— Só assim... — ele repete. — Uau. — Sim. Meus pais não sabem. Eles devem pensar que estou morto. Se eles estão ainda vivos. — Ele dá de ombros, quase como se ele não se importasse, mas eu posso dizer pelo jeito que ele está esfregando as mãos que ele se importa. — De qualquer forma, a primeira coisa que me lembro é de ser levado para um homem que negociava pessoas. Como bens, só que eles eram... vivos. — Sim, eu também... — murmuro junto. — Ele me ensinou como lutar. Como usar armas e como me defender. Eu estava basicamente sendo treinado, preparado, se quisessem, para o serviço. E então, quando chegou a hora, ele me vendeu para a minha Senhora. — Isso é tão parecido com a minha história, só que sem as armas, — eu digo, abafando uma risada mesmo que não seja engraçado em tudo. — Fui treinada para cozinhar e limpar, na maioria, mas também para agradar meu Mestre, é claro. Ele tinha muitos pedidos. — Sim, exatamente. Eles me usaram em mais de uma maneira bem, especialmente A senhora... com certeza ela gostava dos meninos. Quanto mais maduro, melhor, mesmo que ela os comprasse quando eles não eram ainda totalmente crescidos. — Como você lidou com tudo isso? — Pergunto. — Bem, como você lidou? — Diz ele. — Quero dizer que nós todos apenas dizemos que um dia as coisas vão melhorar, certo? — Hmm... talvez... — Eu medito sobre isso um pouco. — Eu só ficava pensando que, se eu quisesse o suficiente, eu finalmente seria tratado melhor. É por isso que eu sempre escutei e sempre segui as regras. — Eu só seguia as regras para que não me machucassem. Eu não as seguia para fazer outras pessoas felizes. Eu nunca deixo de lado o passado. Eu ainda me lembro vividamente o dia em que fui levado, e eu me forço a lembrar. Cada dia, eu ficava dizendo a mim mesmo: Um dia eu serei livre.

~ 209 ~


Eu aceno, pensando comigo mesma que Daniel é alguém para admirar... Eu gostaria de ter a coragem de pensar assim todos os dias da minha vida como uma serva. Mas a ideia de que eu poderia perder minha vida ao longo do pensamento, mais que simplesmente um desejo que as coisas seriam diferentes, sempre me parou. Ele se transformou em um robô sem sentido, enquanto ele ainda mantinha sua mente para si mesmo. Invejo-o um pouco. De repente, ele pega a minha mão e olha profundamente nos meus olhos. — Um dia, seremos livres, Ava. — Livres? — Sim. Sem qualquer um nos dizendo o que fazer. Sem regras ou julgamento ou punição. Nós vamos ser capazes de fazer tudo o que quisermos, quando quisermos. — Eu nem sei o que é isso... ou o que fazer com isso. — Não se preocupe. — diz ele, me puxando para mais perto. — É muito fácil uma vez que você experimenta. Você só faz o que você quer e se deixa levar. — Deixar levar… — Simples assim. — diz ele, sorrindo. E eu sorrio de volta. Não porque eu estou animada, ou feliz, mas porque eu estou com medo de que se eu não fizer isso, isso poderia levá-lo para o lado errado. Afinal, ele quer desesperadamente ser livre... mas eu? Eu não sei o que eu quero. Isso é a coisa mais terrível de todas.

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Capítulo vinte e um AVA A primeira coisa que fizemos foi aproveitar um banho juntos. Eu não queria ir porque era o banheiro de Mestre Marcus, mas depois de alguma persuasão tanto dele quanto de Daniel, eu finalmente cedi. Eu não queria decepcionar qualquer um deles. Mestre Marcus disse que queria nos dar algum tempo sozinhos, então ele não ficaria junto, o que é muito ruim, mas eu não vou contra ele. — Ele só tossiu. — Daniel sussurra. — Shh, ele vai ouvir você. — eu digo, quando ouço Mestre Marcus. Quando Mestre Marcus olha para nós enquanto fechando a porta, eu finjo que nada aconteceu. Espero que ele não esteja ficando doente de novo. Eu tento não pensar nisso. Em vez disso, me concentro na banheira. As bolhas de sabão me fascinam. Daniel me disse que ele esteve em uma banheira antes com sua amante, por isso não é novidade para ele. Embora, isso seja diferente, já que eu não sou sua amante. Mas ele continua olhando para mim com esse olhar estranho em seu rosto. Faz-me sentir relaxada. Ele me faz sentir relaxada, e nunca ninguém foi capaz de fazer isso. Eu pego um pouco da espuma e sopro até que ele esteja cuspindo e eu estou rindo. — Oh, sua louca! — Ele espirra um pouco da água na minha cara, me fazendo gargalhar. — Acho que eu tinha que fazer isso. — eu digo. — Mas isso ainda não acabou! Nós espirramos a água uma e outra vez até que metade está no chão e nós dois estamos encharcados. Foi tudo muito divertido. Eu gosto de diversão... e isso foi o que ele também achou, olhando para o seu sorriso.

~ 211 ~


Ele faz uma barba com sabão e finge que é Mestre Marcus, o que me faz esconder uma risada atrás da minha mão. Eu não quero rir, porque eu acho que é desrespeitoso, mas eu não posso evitar. Ele é muito engraçado. Nós somos uma boa dupla. Depois que terminamos de brincar, eu lavo as costas dele, tomando cuidado para não pular nenhuma mancha, como eu estou acostumada a ser diligente. A perfeição era a única coisa certa, mas Daniel não parece se importar que eu demore. Eu cantarolo um pouco quando passo sabão por suas costas, traçando as cicatrizes em sua pele. Elas se parecem exatamente como as minhas apenas mais espessas e mais visíveis. — Como você conseguiu isso? — Pergunto. — Anos de treinamento. Algumas são feridas de facas e armas. — Eu vejo um grande círculo em suas costas, que deve ser uma ferida de bala. — Outros são de chicotadas. Sento-me para trás, abaixando a esponja. — Chicotadas... Elas parecem dolorosas. Ele se vira na água, pegando meu queixo com os dedos. — Está tudo bem. Elas não doem mais. São apenas cicatrizes. — São memórias também. Elas nos lembram que temos que andar na linha. Ele pega a minha mão tira a esponja — Não. Faz-me lembrar o que eu conquistei, e que eu ainda estou vivo e não estou pronto para desistir ainda. Eu ranjo meus dentes um pouco. — coragem. Eu gostaria de poder dizer o mesmo.

Eu

admiro

a

sua

— Você pode. — Ele segura meu queixo assim que eu vou olho para ele. — Você ainda esta viva. Você está aqui, comigo, curtindo a vida. Bem, pelo menos tanto quanto você é capaz, ainda é posse de alguém e tudo mais. — Ele pega meu rosto com as duas mãos agora. — Você é forte, Ava. Você não pode pensar isso, mas você sobreviveu por tudo isso e você se saiu melhor. Você sabe que você passou por isso, e ninguém pode tirar isso de você. Estas cicatrizes não são fraqueza, Ava, elas são o poder. Elas mostram que você tem a coragem de ir em frente. Você ainda está aqui, e você sabe o quê? Só vai ficar melhor a partir de agora. Confie em mim. ~ 212 ~


Eu sorrio para ele, um pouco perturbada, então eu aceno. — Bom. Mantenha isso em sua cabeça, sim? Concordo com a cabeça novamente. Ele inclina a cabeça. — Inversão de posição. Eu mudo de posição e sinto ele jogar um líquido sobre minhas costas. A esponja toca suavemente minhas costas, e ele me acaricia cuidadosamente movendo-se sobre mim em cada um de minhas cicatrizes, quase como se as delineasse. — Como você conseguiu suas cicatrizes? — Ele pergunta depois de um tempo. — Chicotadas. Muitas delas. Ele aperta a esponja por cima do meu ombro e continua a me massagear. — Eu acho que eles são bonitas. Você sabe por quê? — Não. — eu respondo, sentindo o calor do seu toque. — Porque eles fazem você quem você é. E eu gosto de você... do jeito que você é. Eu olho por cima do ombro, uma súbita onda de calor sobe em minhas bochechas. Ele sorri, e naquele momento, sinto as borboletas inundar meu estômago. — Obrigada... — murmuro. Ele coloca a esponja na lateral da banheira e, em seguida, envolve seus braços em volta dos meus ombros, o queixo apoiado em mim. — Você sabe... Eu não fiz exatamente toda a merda que você... Quero dizer que foi incrível, mas eu não fiz nada por causa disso. Eu gosto de você... por causa de quem você é. Eu gosto de você mais do que apenas... um servo — ele sussurra em meu ouvido. Eu tomo uma respiração profunda quando ele abre os lábios e coloca um beijo debaixo da minha orelha. De repente parece tão quente e úmido aqui, eu me esqueço de como respirar por um segundo. — Eu gosto de você, Ava. Só de você.

~ 213 ~


Ele planta outro beijo bem no meu pescoço. É tão bom... mas um pecado, ao mesmo tempo. Nós não deveríamos fazer isso. Mestre Marcus não está aqui. Ele não nos deu permissão. No entanto, eu quero que ele continue. Por um momento, eu até gostaria que ele me levasse para longe para que eu não tivesse escolha. Então eu não tenho que dar uma desculpa a respeito do porque eu não deveria fazê-lo... seria tão simples não ter qualquer responsabilidade por minhas ações. Mas eu sei que não é assim que as coisas funcionam. — Daniel... — murmuro. — Shh... — ele sussurra em meu ouvido, criando arrepios por todo o meu corpo. — Está tudo bem. — Não está. — eu sussurro. — Mestre não está aqui. — Exatamente. Ele continua a me beijar de qualquer maneira, e eu não posso evitar, só fecho os olhos, inclino a cabeça para trás, porque ele precisa de mais. Eu preciso de mais. Preciso de tudo. E isso me apavora ao ponto de tremer. Suas mãos deslizam para baixo para os meus seios, e eles endurecem em antecipação de seu polegar, que derrapa em meu mamilo. Eu gemo baixinho, e eu sinto seu corpo pressionando contra o meu, e o endurecimento do seu pau contra a mim. — Você está com frio? — Ele murmura. Ele aperta meu mamilo e beija o meu pescoço até que eu choramingo. Estou tendo dificuldades para encontrar palavras. — Não... isso é simplesmente errado. Ele assobia. — Só porque Mestre Marcus não está aqui não significa que não estamos autorizados a nos beijar.

~ 214 ~


— Mas é porque ele nunca disse que podíamos. — Isso não precisa de permissão. Ele não é o nosso chefe. Eu suspiro, meus olhos piscando abertos. — Por que você diz isso? Você sabe que ele é o nosso dono. — Ele é agora... mas eu espero que isso não dure para sempre. Meu corpo repentinamente lança-se no ar como se tivesse sido sugado por uma voz mágica me dizendo para ficar de pé. Estou nua, água e umidade pingando de mim por estar diante de Daniel. Eu fecho a mão em punho, batendo na minha boca fechada, quando ele me dá um olhar perplexo lá de baixo. — Onde você está indo? — Ele pergunta. — Eu estou limpa. — eu digo, e eu passo para fora da banheira, sem pensar duas vezes. Eu não sei o que me move, mas é como se uma força invisível me puxasse para longe de Daniel. Algo apertando meu coração, mas eu ignoro. Em vez disso, eu pego duas toalhas e coloco uma do seu lado. Ele ainda olha para mim como se eu tivesse perdido minha cabeça. Talvez eu tenha. Talvez eu esteja errada por não deixá-lo me seduzir, mas parece que eu estou traindo Mestre Marcus se eu deixar. Mas uma parte de mim quer chorar quando eu olho para a toalha, desejando que eu tivesse ficado na banheira... pensando que é isso que eu preciso. E eu sei exatamente o porquê. O que meu coração realmente deseja é Daniel... E isso me assusta pra caralho porque eu só tenho que querer o meu Mestre. Então eu me seco sem dizer outra palavra e saio.

***

DANIEL Depois que Ava saiu da banheira tão rapidamente, eu não tentei beijá-la ou até mesmo tocá-la novamente. Eu sei que ultrapassei os seus limites... Eu fiz isso porque eu achava que ela precisava de um

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empurrãozinho, mas acontece que eu não sou capaz de ajudá-la apesar de tudo. Talvez só ela possa ajudar a si mesma contra essa culpa auto imposta. Eu sei que ela sente... no fundo de seu coração... a culpa a corrói, ela demonstra isso em seu rosto. Ela quer que eu a ame, mas ela não vai permitir-se amar. E isso me irrita. Mas eu não vou forçar a barra. Em vez disso, vou me concentrar em lavar os pratos e ter certeza que a cozinha fique nova em folha. Ela estava espanando e passando o aspirador ao redor da casa, quase que fazendo tudo no automático apenas para que ela não tenha que ter uma conversa estranha comigo. Marcus nos deixou sozinhos na casa, nos informando que ele tinha que ir falar com um cara chamado Viktor. Não sei o que isso significa. Eu não sei qual é o seu negócio, mas eu não estou muito interessado em saber também. Algo me diz que Marcus é tão nefasto quanto a minha senhora é, e eu deveria ficar em guarda. Ele nos deixou com as atribuições incomuns. Em vez de me pedir para treiná-la, que seria suposto fazermos. Ele nos deu livros para ler, filmes para assistir, e sites para visitar. Eu nunca tinha sido autorizado a usar um computador, então quando eu pego o mouse e o teclado, Ava para suas tarefas e me ajuda. Eu acho que ela não poderia continuar a me evitar depois de tudo. Ela ri quando me olha clicar em algo que me deixa nervoso, mas eu também sorrio quando ela está por perto. Eu não posso evitar. É tão estranho de certa forma, como nos comunicamos. Como se nó fossemos ‘apenas amigos’, mas eu já a peguei despreparada. Mas eu sei que agora não é mais só isso entre nós. Às vezes, ela só olha para mim e, em seguida, fica completamente vermelha, desviando os olhos quando eu a pego no flagra. Eu tento não fazer uma confusão com isso, mas às vezes, eu não posso evitar e abafo uma risada. Seus olhos brilham de uma maneira que me faz querer agarrá-la e puxá-la para um beijo.

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Às vezes, tento fazer exatamente isso... chegar centímetros mais perto, ela se afasta.

mas quando eu tento

É quase como se houvesse essa voz interior dizendo a ela não prosseguir sem a permissão do seu Mestre. Como se ela não se permitisse a liberdade que ele está tentando dar a ela. Ela não pode ver que suas regras de dominação a impedem de aprender a andar por sua própria vontade? Sim, ele pode ensinar-lhe todas as coisas básicas, e por sua vez, ela pode me ensinar... mas ele nunca vai ser capaz de mostrar-lhe o que a liberdade verdadeira significa. Isso não pode vir de alguém que ela sempre vai considerar acima dela, alguém que ela coloca em um pedestal. Tem que ser alguém de seu nível. Alguém que a entenda. Alguém que possa se relacionar com seus problemas. Alguém como eu. E quanto mais tempo eu passo com ela, mais nos conhecemos. Nós rimos, nós choramos, nós fazemos piadas e comentários estúpidos. Aprendemos o que é ser normal, mas apenas na segurança de sua casa. Ela só se sentiria confortável o suficiente em sair se tiver a sua aprovação. É tão errado... e eu não acho que isso vai mudar. Ele pode ter boas intenções, mas não vai funcionar a menos que, um dia, ele se afaste e deixa-a ir. Mas duvido que vá acontecer. Eu tenho esse sentimento no fundo do meu estômago, algo me corrói... algo me diz que ele não é confiável. Especificamente, a parte que ele de repente ficou doente e nunca nos disse por quê. Uma úlcera de estômago, diz ele, e ele finge que está melhor, mas ainda vejo as olheiras sob seus olhos. Apenas algumas horas atrás, eu o vi esfregar sua têmpora. Eu não acho que seja só isso. Eu posso ver que ele quer ser forte por ela, mas, na realidade, ele está fraco... Eu não sei o que eu faria se um dia visse que ele não está mais forte o suficiente. Se eu vou ficar com ela ou correr. Eu fiz isso uma vez, porque eu não tinha certeza se eu poderia deixá-la. Eu já estava muito ligado a ela para deixá-la para trás. ~ 217 ~


Mas agora... eu percebo que se eu acabar fugindo, eu provavelmente vou levá-la comigo, mesmo que seja contra a sua própria vontade. Ela não vai gostar, mas é a única decisão certa. Eu respiro fundo, profundamente e pisco um par de vezes, tentando empurrar os pensamentos da minha cabeça, mas simplesmente não vai funcionar. Estou deitado em seu colo com um livro na mão, enquanto ela lê uma revista quando meus olhos deixam as páginas e olham para ela. — Ava. O que você acha que está errado com o nosso Mestre? — Hmm? Por que você pergunta? Eu fecho o meu livro e o coloco sobre a mesa. — Bem, ele parecia bastante doente no outro dia, e agora, ele está agindo como se nada tivesse acontecido. — Bem, foi apenas uma úlcera. — diz ela. — Isso é o que ele te disse. Ela abaixa a revista e olha para mim. — O que isso deveria significar? — Você não acha que ele ainda parece doente? Eu acho que algo está errado, e ele não vai nos dizer. — É claro que ele diria. — diz ela. — Mestre Marcus não mente. — E se ele estiver mentindo? Ela franze a testa. — Ele não faria isso. Eu não acredito nisso. — Ele não fez isso antes? Lembre-se da festa? — Eu digo. Ela olha para o lado. — Isso foi por um bom motivo. Ele sabia que eu ia entrar em pânico se ele tivesse me dito antecipadamente o que estava prestes a acontecer. Além disso, era para salvá-lo. — Ok, mas ele não tinha feito isso antes? Algum tempo antes de me conhecer? Ela abre os lábios como se ela fosse interpor antes que ela tivesse uma resposta, mas, em seguida, ela fecha a boca novamente e diz. — Bem... houve uma vez... — Viu? Ele mente para você.

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— Não. — Ela joga a revista sobre o sofá. — Por que você está fazendo-o parecer como o cara mau aqui? Sento-me em sua frente e viro na direção dela. — Todas as pessoas mentem, Ava. É o que nossa espécie faz. E não é uma coisa ruim. É uma estratégia de sobrevivência. — Estratégia de sobrevivência? Por que ele precisa disso? Ele é mais forte do que qualquer um que eu já conheci. Ele matou por mim. As palavras vêm de sua boca como se ela estivesse realmente orgulhosa dele, embora eu ache que é desprezível que ele fosse longe a ponto de tirar uma outra vida sem lamentar. Eu me arrependi de cada ferida que eu já infligi a uma pessoa... mas, novamente, eu não sou um Mestre. Eu não sei como é viver em seu mundo, mas eu suspeito que não seja tão bom quanto ela pensa que é. — Você está mesmo ouvindo a si mesma? Ele matou por você. Isso significa que ele é um assassino. — Ele matou um homem que não merecia viver. — Ela começa a levantar a voz. — Quem decide quem merece viver e morrer? Marcus? — Ele é o nosso Mestre. Ele decide tudo. — Errado. Ele é um ser humano e nós também. Então, podemos decidir quem matamos e deixamos viver também? Ela se levanta e rosna em voz alta como um animal enfurecido, e, em seguida, começa a pisar em torno do quarto. — Por que você está me dizendo todas essas coisas? Você está apenas tentando me deixar com raiva? Porque está funcionando. O que você pretende com isso? — Eu estou tentando mostrar que ele não é o que você pensa que é. Ele não é perfeito, Ava. Na verdade, ele nem sequer é bom para você. — Não diga isso. — Lágrimas correm pelo seu rosto enquanto ela aponta para mim, a raiva subindo em seus olhos. — Nunca diga isso. — Se ele é tão bom para você, então por que ele não te libertou ainda? Não é este o ponto de todo esse aprendizado? — Eu pego o livro e o jogo para baixo novamente para fazer um ponto. — Estas coisas, que ele nos dá, vamos aprender a ser seres humanos normais novamente, mas ele ainda nos mantém presos aqui. — Não. — Ela grita, colocando as mãos nos ouvidos. ~ 219 ~


Eu me levanto e caminho para ela. — Você não vê? Nós somos como animais em uma gaiola. Ele está nos mantendo como animais de estimação para sua própria diversão. Ele é como todos os outros Mestres. — Cale-se! Cale a boca! — Ela continua a repetir, tentando me bloquear, mas isso não vai funcionar. Eu vou continuar gritando até que ela me ouça. Até que finalmente ela entenda que ele não é um deus. — Ele é um ser humano, como nós. Somos importantes também. Ele não está acima de nós, mas ele nos trata como se ele estivesse. Lágrimas mancham seu rosto enquanto ela começa a cantar para si mesma para fazer mais barulho, então eu agarro os seus braços e os afasto de seus ouvidos. — Ele não é um Deus. Ele não é seu Mestre. Ele é um homem. Como eu. Um homem que pode sangrar, assim como eu. — Pare com isso. — diz ela. — Pare com isso. Eu não quero ouvir isso. Eu a puxo para perto de mim, você precisa ouvir. É para o seu próprio bem.

sibilando.

Mas

— Por quê? — Ela murmura, chorando. — Por que você faz isso? Rangendo os dentes, eu digo: — Porque eu te amo. Seus olhos se ampliam em choque, e ela congela em meus braços. Então, do nada, ela me dá um tapa. Certeiro, na cara. Eu continuo tranquilo, e ela também, e por um minuto, tudo o que fazemos é olhar um para o outro. Eu não posso acreditar que ela acabou de fazer isso. Ela nunca me bateu antes. Eu me pergunto se ela já fez isso. Ela nunca teria feito isso com Marcus. Mas ela fez isso comigo... Eu procuro seus olhos, mas tudo que eu acho é medo e arrependimento. E depois há outra coisa. Dor. Dor indizível. Ela bateu em mim... mas não era para me fazer parar de falar sobre Marcus. Era para me impedir de amá-la.

~ 220 ~


Ela não iria bater em qualquer um. Não aqueles que ela pensa que estão mais acima na escada. E ela considera que todos sejam maiores do que ela. Ela coloca todos em um pedestal, se achando menor que todos eles. No entanto, ela ainda me bateu. O que me faz perceber... que ela poderia finalmente pensar em si mesma como mais do que apenas um servo. Ela me vê como um igual. E a partir do seu olhar, eu posso dizer que ela me despreza por eu dizer que eu a amo. É porque eu a amo... e porque ela não pode lidar com a verdade. A verdade onde nós dois sabemos que ela me ama também. A verdade que ela tem medo de admitir. E eu a empurrei em sua defesa final. Seu único meio de pôr fim ao que está acontecendo. Eu fiz, e ela me bateu. As lágrimas que fluem de seus olhos e seu rosto suavizam. Fazem-me lamentar o quão longe eu fui para que ela acreditasse em mim. Para dar a ela a verdadeira liberdade. Não valia a pena sacrificar seu coração. — Eu... eu sinto muito... — Eu digo, deixando escapar um suspiro. — Eu realmente sinto muito, Ava. Eu não deveria ter forçado a barra desse jeito. Ela lambe os lábios, sugando as lágrimas quando elas rolam para baixo. — Como você pode me obrigar a ouvir tudo isso e quer que eu ache tudo certo? Eu não posso... — Novas lágrimas se formam em seus olhos, mas ela limpa. — Eu não posso voltar. — ela pronuncia. — Você me disse coisas que eu nunca deveria ter que ouvir, e agora, eu não posso voltar. Eu não posso voltar... — Ela agarra-se, envolvendo os braços em torno de seu corpo, como se isso fosse dar estabilidade. Então eu faço a única coisa que eu posso pensar e a puxo para mim, envolvendo meus braços em torno dela. Ela desmorona em meus braços, segurando a minha camisa como se fosse a última coisa que ela pudesse segurar, enterrando a cabeça na minha camisa. — Como você pôde fazer isso... como... eu não posso voltar. Eu não posso esquecer. Não depois disso. — ela repete.

~ 221 ~


— Shh... — Corro os dedos pelos cabelos e a acaricio suas costas. — Vai ficar tudo bem. — Não diga isso, porque não vai. Não seja um mentiroso. Não seja como... Eu não quero que ela tenha que dizer isso, ter que admitir para si mesma que seu Mestre não é perfeito, porque eu não quero que ela tenha que passar por essa dor. Então eu a interrompo e digo: — Eu não vou mentir para você. Nunca. — Prometa? — Diz ela, quando ela olha para mim com os olhos vermelhos. — Prometo. — eu digo, sorrindo um pouco. Ela solta outro suspiro. — Bom. Mas não pense que eu não estou com raiva porque eu estou. — Ela franze a testa. Eu sorrio. — Eu mereço isso, então se você quer me bater, vá em frente. Eu não vou lutar. Ela morde o lábio e contempla por um segundo, e então ela balança a cabeça. — Eu não vou descer a esse nível novamente. — Ela engole. — Eu não deveria ter batido em você. — Eu não culpo você. Eu fui muito duro com você. Mas eu só faço isso porque eu me importo tanto com você. — Mas por que? Somos apenas... servos. Por que você se importa tanto com o que eu penso? — Ela olha para mim com aqueles olhos que me desvendam. — Porque sim. Eu não posso explicar. Eu apenas sinto. — Meu aperto em seu corpo cresce, mas o mesmo acontece com outra coisa. Eu não posso evitar. Segurá-la apenas faz meu sangue correr. Mas eu quero mostrar a ela que eu estou aqui por mais do que apenas sexo. — Eu não quero vê-la ferida, Ava. — eu sussurro quando nossas testas estão se apoiando. — Seu sorriso... é a única coisa neste lugar que me faz sentir bem. — Meu sorriso? — Ela cora. — Mas é apenas um sorriso. — Não é apenas um sorriso. Significa que você está feliz, e eu gosto de ver você feliz. Talvez isso me faça um egoísta, mas eu faria quase qualquer coisa para ver o seu sorriso.

~ 222 ~


Minhas palavras a fazem sorrir tão brilhantemente, e rasga meu coração. O instinto me deixa mais perto dela, e parece que algo está nos puxando juntos. Seus lábios são como ímãs, puxando-me cada vez mais perto até que eu posso sentir sua respiração na minha pele. Ela hesita, congelando no ar como se ela não fosse me permitir largá-la. Mas eu não posso me conter mais... não depois de já beijá-la uma vez. Eu provei seu gosto antes... e agora, eu quero tudo. Eu não me importo se é errado. Tudo o que importa é ter os seus lábios nos meus. Então, agarrando-lhe o rosto, eu estalo um beijo. Meus lábios batem nos dela, beijando-a profundamente quando eu quero até a última gota sua nestes poucos segundos que tenho antes que ela provavelmente se afaste. Só que ela não o faz. Ela só fica em meus braços, aceitando o meu beijo quando ele chega ao ponto de dizer que não. Eu posso sentir isso do jeito que ela abre os lábios e me permite entrar. Ela não pode negar a nossa atração por mais tempo. É a única razão pela qual ela ficou tão brava comigo... porque ela se preocupa demais. E eu vou provar a ela que sua necessidade por mim é real. Não me importa o quanto for preciso, mas vou ouvi-la dizer as palavras para mim, mesmo que isso vá contra tudo o que foi ensinado. Nossa química é inegável, e eu serei amaldiçoado se eu deixar que algo fique no caminho. Então, eu a beijo tão duro quanto eu posso, colocando tudo o que tenho para isso em um único beijo de tirar o fôlego. Mas, em seguida, a porta abre, e seus lábios imediatamente separam dos meus. Meu coração vira pedra, o calor que eu senti há apenas alguns segundos atrás congela em uma realização frígida. Mestre Marcus entrou sua casa... e ele nos pegou bem no ato.

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Capítulo vinte e dois MARCUS Meu casaco cai no chão quando eu estava prestes a tirá-lo quando eu vejo os dois se beijando. Eles ainda estão se abraçando, mas ambos estão de boca aberta para mim. O olhar em seus rostos me diz que eles iam realmente até o fim, assim como suas bochechas coradas e as calças armadas. Um sorriso aparece em meus lábios. — Bem, bem... — Eu murmuro, franzindo a testa. Eu não estava esperando que isso acontecesse tão cedo, mas eu acho que as coisas estão indo um pouco mais rápido sem mim lá, observando-os. — Eu... eu... — gagueja Ava. Ela se afasta de seu abraço e corre para mim. Na frente dos meus pés, ela cai no chão. — Perdoe-me, Mestre. Um olhar nos olhos furiosos de Daniel diz-me que isso não está certo. Curvo-me e agarro o queixo dela, forçando-a olhar pra mim. — Você esqueceu o que eu pedi explicitamente de você? — Sinto muito, Mestre. Eu apenas pensei que você estaria tão irritado quando viu... me desculpe, eu realmente, eu não quero te machucar. Ainda segurando seu rosto, eu abaixo a minha cabeça. — Pare. Eu sei por que você esta ajoelhada e implorando o meu perdão, mas eu nunca disse uma palavra. — Eu estou...

~ 224 ~


Eu coloco um dedo sobre os seus lábios. — Shh. Não diga outra palavra. Eu sei que você quer se desculpar, mas não é necessário. Eu lhe disse isso antes. Você se lembra? Ela balança a cabeça lentamente, então eu levo o meu dedo para longe novamente. — Bom, porque eu não nunca quero que você me implore a menos que seja pelo meu pau. Você entende? Ela engasga um pouco. — Sim Mestre. Eu olho para Daniel, que ainda está rígido e congelado no lugar, os nós dos dedos claramente visíveis. — Não fique chateado. Eu sei o que você está pensando, mas não é necessário ficar zangado com ela ou comigo. Está tudo bem. — O quê? — Ela murmura. Eu estreito meus olhos para ela. — Eu sei o que está acontecendo entre vocês dois, e está tudo bem. Eu não estou com raiva. — Eu coloco a mão na parte inferior das costas dela. — Na verdade, eu acho que é ótimo. Com as sobrancelhas franzidas, Daniel diz: — Por quê? Nós estávamos nos beijando. Você não deveria me odiar por isso? Eu sorrio. — Absurdo. Estou realmente muito feliz por vocês dois estarem se dando tão bem. Pena que eu estraguei tudo. — Não é culpa sua, Mestre. — Ava diz quando eu me dirijo a Daniel. — É minha culpa interrompê-los. Então, para me desculpar, eu quero que você o beije novamente. — O quê? — Seus olhos se arregalam, e os olhos de Daniel piscam para os meus. — Você me ouviu. — eu digo, empurrando-a em seus braços. — Beije-o. Eles se abraçam sem jeito, como se eles não soubessem o que fazer. Eles com certeza sabiam como isso funcionava apenas um minuto atrás. — Bem, vá em frente. — eu digo, encolhendo os ombros. — O que está impedindo você?

~ 225 ~


— Tem certeza que isso está certo? — Ava me pergunta, virando a cabeça. — Você deve perguntar isso a ele. — Aponto para Daniel. — Ele é o único que está com raiva de você. Ela imediatamente vira a cabeça para trás para Daniel. — Você está? — Você pediu-lhe perdão depois de me beijar. Como eu poderia não estar louco? Você ainda está se sentindo culpada por nós. Eu envolvo minha mão ao redor da cintura dela. — Não se sinta culpada, Ava. Beijar e fazer sexo é normal. Sentir coisas é bom. Não se sinta mal por querê-lo. É natural. — Mas eu sou sua... — diz ela. — Você é dele também. — eu sussurro em seu ouvido. — E ele quer que você precise dele também. — Eu preciso... — diz ela, sugando uma respiração como se ela admitisse ter cometido um pecado. — Em seguida, mostre a ele que você não queria se desculpar por beijá-lo enquanto eu estava fora. Beije-o como se sua vida dependesse disso. — eu sussurro em sua outra orelha. Eles só têm olhos um para o outro agora quando ela envolve seus braços em volta dele e se inclina. — Sinto muito. Você me beijou, mas eu me afastei no momento que nosso Mestre chegou em casa. Daniel acena quando suas testas se tocam, e ele lambe os lábios em antecipação. — Eu não me importo se ele está assistindo. Eu nunca vou me arrepender de te beijar. — Posso te beijar de novo? — Ela pergunta. Eu círculo eles, observando todos os seus movimentos e me deleito com o momento. — Sim. — diz ele, fechando os olhos. Foi quando ela o beijou. Bem ali, naquele exato momento, mágico. Poderoso.

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Isso significa que ela está finalmente cedendo a seus impulsos... seus instintos... Aqueles que nunca poderiam ser tirados dela, e essas coisas vão puxá-la de volta ao mundo real. O amor vai ensiná-la a tornar-se mais do que uma serva. O beijo é intenso, profundo, como amantes se beijam, e eu não posso deixar de sentir um pouco de inveja. Ela nunca me beijou desse jeito, mas, novamente... Eu não sou igual a ela, e eu provavelmente nunca serei. Mas eu posso apreciar de longe... Eu posso vê-los desenvolver algo belo, algo que vale a pena lutar. Algo que pode até matar. Ela abre a boca e sua língua mergulha para fora, e eles lambem um ao outro, ignorando completamente o fato de que eu estou aqui. Eles desapareceram no seu pequeno mundo, e eu sou o espectador ansioso, ansiando por mais. Quando eles se beijam, suas mãos estão em movimento, com Daniel apertando sua bunda e Ava entrelaçando os dedos pelo cabelo dele. Ouço seu gemido quando eles chegam mais perto, quase como eles quisessem se fundir, e isso me dá um tesão do caralho. No momento em que ele está agarrando seus seios e ela está puxando o zíper dele, meu pau já está duro. Minha mão chega até minhas calças e grudam no meu pau, meu pau pulsa em minhas mãos. Talvez eu seja um bastardo sujo por me tocar, mas eu não me importo. Eu quero ser capaz de ter algo disso, mesmo que eu não esteja beijando ninguém neste momento. Lenta mas seguramente, eles se movem para o sofá, tirando suas roupas. Em primeiro lugar, sua camisa, em seguida, a dela, calças caindo quando eles tropeçam para trás, beijando-se loucamente. Eles riem quando ela tropeça em suas próprias calças e cai no sofá com ele em cima. Como um espectador silencioso, eu os assisto de fora enquanto eles continuam a se beijar. Ele a toca com igual fervor, a mão mergulhando para baixo em sua calcinha. Seus gemidos são tão altos, que me fazem morder o lábio, e eu não posso evitar, mas eu chego um pouco mais perto. Eles nem sequer parecem me notar quando eles se tocam, corpo a corpo, tão desesperadamente para ficar mais perto um do outro. A cueca voa em algum momento, seu pau saltando livre quando ela agarra a base e acaricia-o. Eu tomo a decisão consciente de abaixar o

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zíper e tirar meu pau também, acariciando-o enquanto ela o acaricia, imaginando que ela está tocando meu pau. Seu rosto está brilhando quando Daniel a beija do pescoço e para baixo todo o caminho até a calcinha, puxando-as para baixo com os dentes. Em seguida, ele volta-se e mergulha para fora sua língua, lambendo sua vagina. — Deus, você tem um gosto celestial. — ele murmura em sua boceta, enterrando sua boca contra ela. Ela engasga. — Oh Deus… Seus gemidos fazem meu pau bombar. Eu o pego com firmeza e me masturbo, mas não é o mesmo. Deus, eu desejo que eu pudesse ter um gosto disso. Não importa quão grande o desejo torna-se, não devo intervir. Por eles. Mas, em seguida, seus olhos piscam e se encontram com os meus em um frenesi. Um olhar suplicante me puxa para ela. — Por favor... — ela implora. Daniel olha cima ainda saboreando-a, e depois me nota de pé ao seu lado. — Ignore-me. — eu digo, soltando meu pau duro como uma rocha. Eu tomo uma respiração profunda, endireito os ombros, e tento ficar de pé. Mas sua mão se lança para fora do nada e agarra minha camisa. — Não, Mestre, por favor. — ela diz. — Não vá. Seus olhos... Deus, eles me desfazem. Implorando-me para ficar. Faz-me querer amá-la também. Mas eu nunca vou ser capaz de amá-la da mesma maneira que ele, porque ela não me vê como igual. Daniel e eu trocamos olhares, mas ele não diz nada. Ele não tem coragem de ir contra mim.

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Para ir de encontro aos desejos de Ava. E seus desejos são muito, muito claros. — Eu quero você também, Mestre. Por favor, fique. Ela me viu me masturbo na frente dela, e ela ainda me quer? — Não faça nada por conta própria. Vamos fazê-lo juntos. Todos nós. — ela geme. Eu não posso resistir. Como eu poderia? Ela está entregando-se a mim em uma bandeja. Um olhar para Daniel me faz perceber que eu não posso dizer não... Ele não irá recusar por causa dela. Ele quer que ela seja feliz, e ele vai fazer qualquer coisa para isso, mesmo que isso signifique compartilhá-la comigo. Nós dois queremos a mesma coisa. Então eu aceno para Daniel e ele acena com a cabeça para mim quando eu coloco meu pau na frente de seu rosto, a cabeça inclinada sobre o braço da poltrona, e eu retiro meu pau novamente. — Você quer isso? — Eu rosno. — Sim, Mestre. — diz ela, engolindo o meu pau duro. Apenas o olhar em seu rosto me faz querer transar com sua pequena boca. Então, isso é o que eu vou fazer.

***

AVA Como uma boa menina, eu abro a minha boca para permitir que o meu Mestre entre. O desejo me enche quando ele aproxima seu pau saltando para cima e para baixo, o pré-gozo brilhando na ponta. Estou com fome dele, carente de mais. Daniel me lambendo não é suficiente. Apesar do fato

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de que eu gosto muito mais do que eu poderia imaginar, eu não posso lidar com não ter o meu Mestre comigo também. Eu quero os dois. É tão errado assim? É tão errado da minha parte desejar dois homens ao mesmo tempo? Se assim for, sou uma pecadora porque eu não vou negar qualquer um deles. Eu preciso deles, e eles precisam de mim. Nós todos precisamos uns dos outros, e eu não me importo com o que é certo ou errado. Tudo que eu quero é agradar a estes dois homens para que eles me adorem. Daniel brinca com meu clitóris, fazendo-me ofegar enquanto o pau do meu Mestre entra na minha boca. O sabor salgado do seu prégozos obre minha língua e suas bolas, cobrem meu rosto, dando-me um delicioso lembrete de a quem eu pertenço. Eu amo esta posição e como eu sou tomada de ambos os lados. Com uma perna pendurada para fora do sofá e a outra apoiada no ombro de Daniel, eu deito de braços abertos no sofá, e minha boceta está pulsando contra a língua de Daniel. Ele está me lambendo como se sua vida dependesse disso, e isso me faz sentir especial, como se ele quisesse provar para mim o quanto ele realmente me quer. É difícil me concentrar em qualquer um dos homens quando eu estou perdida entre a vibração do meu clitóris e um pau no fundo da minha garganta. Mestre Marcus fode a minha boca, e ele agarra um dos meus seios e aperta com força. Por sua vez, Daniel aperta meu outro mamilo, e os dois oferecem tantas sensações que eu sinto que eu poderia explodir. — Foda-se, sua garganta é tão boa, tão profunda. Deixe-me te foder duro, Ava. Deixe-me dar-lhe o que você precisa. — eu pisco em afirmação. Ele empurra dentro e fora de minha garganta, suas bolas batendo no meu rosto enquanto minha saliva cobre seu comprimento, mas isso só me deixa mais delirante. Especialmente com Daniel dirigindo sua língua na minha boceta. — Oh, Deus. — murmuro entre as respirações quando o Mestre Marcus tira o seu pau por um segundo.

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— Você vai gozar? — Pergunta Mestre Marcus. Concordo com a cabeça rapidamente e, em seguida olho para Daniel, que me olha com os olhos melados. — Pergunte se ele aprova. — diz Mestre Marcus. — Daniel, por favor... — Enquanto ele suga no meu clitóris. — Eu posso gozar? A onda de prazer é muito para tomar, mas eu a seguro por causa dele. Eu quero que ele veja o quanto eu gosto dele, o quão grata e humilde me sinto sendo tomada por estes dois homens que significam tudo para mim. Ele mordisca no meu clitóris, puxando um pouco antes de soltálo. — Você pode... — Ele olha para Marcus como se estivessem trocando palavras silenciosas. — Mas só se ele gozar. Um sorriso diabólico aparece no rosto de Mestre Marcus, e tenho a sensação de que ele não quer abandonar completamente seu controle. Com uma voz escura, tentadora, ele diz, — Abra a boca, em seguida, e eu gozarei em sua garganta. Eu sorrio para Daniel e, em seguida, me deito novamente, abrindo minha boca alegremente. Meu Mestre empurra imediatamente, não me dando qualquer momento para ajustar quando ele fode minha boca. Uma e outra vez, eu o senti batendo no fundo da minha garganta. Lágrimas escapam dos meus olhos, mas eu adoro isso. Seus músculos ficam tensos enquanto eu me esforço para respirar. — Vai ser uma boa menina? — Daniel cantarola contra o meu clitóris. — Você vai gozar para nós? — Sim! — Eu grito quando Mestre Marcus pega seu pau para me deixar respirar por um segundo. — Aqui vem. — ele rosna, mergulhando novamente. — Enrole a língua em volta do meu pau e sinta a minha porra na sua garganta. No momento em que eu chupo, ele geme em voz alta, e Daniel me lambe com tanta força que ambos gozamos. Logo em seguida, Mestre Marcus empurra na medida em que ele pode, e eu sinto sua semente encher minha garganta.

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— Sim, engula tudo! Minha boceta se contorce do orgasmo e o desejo cresce quando ele jorra na minha boca, rosnando como um animal no cio. Eu nunca me senti tão bem antes, tão amada e tão saciada. Meu corpo está completamente descarregado, mas não tenho tempo para recuperar minha energia, quando Daniel imediatamente me desliza para baixo para ele. — Minha. — ele diz sua voz possessiva criando arrepios em meu corpo. Seu pênis está totalmente ereto enquanto ele mergulha-me do nada, fazendo-me gemer em voz alta. Ele nem sequer pede permissão do nosso Mestre, ele apenas mergulha em mim. — Foda-me! — Eu grito e mordo o lábio de dor e excitação. Mestre Marcus está atrás de mim ainda, seu pau ainda não amoleceu, quando ele se inclina sobre mim e começa a brincar com meus mamilos. — Se você for uma boa menina, talvez você tenha mais. — ele sussurra em meu ouvido. — Meu pau está duro para parar. Meus olhos parcialmente perto do êxtase enquanto Daniel fode minha boceta. Eu brevemente olho para o meu Mestre, buscando sua permissão, mas quando eu o observo lambendo os lábios com a visão de nós, eu sei que está tudo bem. — Daniel, deite-se no sofá. Deixe-a montar você. — diz ele. Daniel aperta os olhos para ele, mas, em seguida, faz o que ele diz, deita debaixo de mim e eu me empoleiro no topo de seu pênis. Eu me abaixo em cima dele e ele me penetra com facilidade. Eu coloco minhas mãos em seu peito e salto para cima e para baixo, espalhando minha umidade sobre seu pênis. Ele suga a respiração, gemendo, e aperta meus seios, brincando com meus mamilos. Eu estou tão excitada agora, que eu poderia entrar em transe. Quando eu me inclino para trás, percebo que Mestre Marcus se arrastou atrás de nós. — Deite-se em cima dele. — ele instrui, e eu faço. De alguma forma, ele tem nas mãos o lubrificante e esguicha tudo sobre seu pênis. Só então eu percebo que ele já está duro. Meus olhos se arregalam, e quando percebo ele me olhando, ele sorri.

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— Você é muito sexy, Ava. Eu quero tomar o seu traseiro agora, enquanto ele toma a sua boceta. Você acha que pode fazer ambos gozarem ao mesmo tempo? — Sim, Mestre. — eu digo, tremendo com a visão de sua imensidão. Será que ele cabe? — Boa menina. Você pode nos levar. — diz ele, quase como se pudesse ver o medo correndo em minhas veias. Quando seu pau se dirige para a minha bunda, empurrando, eu prendo a respiração e tento relaxar. Suas mãos seguraram minha cintura apertada e ele empurra mais e mais, enquanto o pau de Daniel ainda está dentro de mim, pulsando com a necessidade. A plenitude de ambos é indescritível quando Mestre Marcus empurra para dentro de mim até a base, e eu gemo em voz alta, tanto de dor quanto de emoção. É demais para suportar, muito pau, muita excitação, e eu quase explodo ali mesmo. — Não goze ainda. — rosna Mestre Marcus. — Eu vou te dizer quando você pode gozar. — Sim, Mestre. — Eu ofego, segurando os ombros de Daniel. — Foda-se, é tão apertada. — Daniel rosna quando ele se move. Eu os sinto escorregar e deslizar dentro de mim, umidade combinando com dureza, dois paus alternando golpes dentro e fora de ambos os meus buracos, é insano e me estimula, eu mal posso respirar. Um em cima de mim, cavando seus dedos no meu lado, e um abaixo, brincando com meus mamilos até eu gritar de prazer. — Por favor, me foda! — Eu peço a ele. Estou delirante, consumida por luxúria, sentindo prazer em ambos. Daniel agarra meu rosto para beijar-me nos lábios, o seu desejo de tomar o controle dele enquanto ele mordisca meus lábios e minha língua como se não houvesse amanhã. Nós somos um pacote de sexo, suor, saliva, desejo e gozo, e eu adoro cada segundo disso. — Pronto para a minha carga na sua bunda? — Rosna Mestre Marcus. — Sim, por favor, eu quero tudo. — Eu imploro.

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— Porra, eu vou gozar também. — geme Daniel. — Por favor... Eu posso também? — Eu imploro. — Sim, vamos, Ava. — Mestre Marcus rosna. E fazemos tudo ao mesmo tempo. Uivamos quando seus pênis liberam seu sêmen dentro de mim, me enchendo até a borda. Com um sorriso no meu rosto e dois paus dentro de mim, eu me sinto completa. Não há palavras. Felicidade apenas. Tão bom. — Foda-se isso foi incrível... — Daniel diz. — Eu... eu... — Eu murmuro quando Mestre Marcus abraça minhas costas, respirando com dificuldade. Eu não sei o que dizer, então eu me viro para ele. — Tanto... Eu amo tanto vocês. Nenhuma resposta. Apenas olhares. Dois desajeitadamente longos olhares quando eu olho para os dois, olhando de um para o outro. Mas só Daniel finalmente sorri.

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Capítulo vinte e três DANIEL Alguns dias depois Ela se inclina para trás contra o meu peito enquanto eu massageio seus ombros, suspiros curtos e suaves gemidos deixando sua boca. Eu sorrio, sabendo que eu posso fazê-la relaxar e esquecer tudo, mesmo que apenas por um curto tempo. Seu corpo é muito menos frágil do que antes, e ela está fortalecida nas últimas semanas. Se eu não soubesse, eu quase poderia dizer que ela se parece com uma garota normal agora. Toda vez que eu toco sua pele, um choque de eletricidade dispara através de minhas veias, lembrando-me o quanto eu amo estar perto dela. Ela irradia como o sol, seu sorriso é capaz de iluminar o mundo. Pelo menos, para mim. Para mim... ela é tudo. Eu não sei como cheguei a estimá-la tanto, mas eu faço. Ela é a única coisa nesta vida que importa para mim, ela é a única coisa em que me agarro nessa vida. Não em meu Mestre, a ela. Ela é o Mestre do meu coração. Mas ela pode amassá-lo em suas mãos. Quando ela disse que nos amava, eu não poderia estar mais feliz. Tudo o que eu queria fazer era agarrá-la e segurá-la ainda mais apertado do que já estava. Eu não poderia estar perto o suficiente. Eu queria que ela soubesse que eu estava lá para ela, e eu sempre estarei. Ela significa o mundo para mim, e, pela primeira vez, eu finalmente senti como se ela pudesse estar sentindo a mesma coisa por mim. Eu não posso olhar para dentro de sua mente, mas eu sei que ela tem que sentir isso. Ela sempre quer fazer as coisas junto de mim, como limpar e cozinhar. Ela me faz sorrir, e nós sempre acabamos nos

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abraçando e beijando. Mesmo em frente do nosso Mestre, ela ainda mostra seu carinho por mim. Ela finalmente não se importa mais que ele esteja nos observando. O único problema para mim é que ela o ama também. Eu sei que ele nos não quero compartilhá-la.

possui,

e

é

seu

direito,

mas

eu

No entanto, eu sei que não tenho outra escolha, porque ela o ama, e eu quero que ela seja feliz. Então, eu aceito. Eu aceito seu amor por ele e sua necessidade de cuidar dela. O que quer que seja que isso signifique. Ele não quer amá-la em troca. Ele continua dizendo que ele não pode. Quando ela nos disse que nos amava, logo depois de fodermos, ele imediatamente saiu e se trancou em seu quarto. Ele não voltou para fora até mais tarde naquela noite e disse-lhe para nunca dizer essas palavras para ele novamente. Eu vi os olhos dela cheios de lágrimas, mas optei por não reagir. Eu não queria causar uma confusão. Quando a noite chegou, ela dormia no meu quarto, na minha cama, em meus braços. Mas a única coisa que ela queria falar, não era sobre nós... era sobre ele e sua incapacidade de aceitar o seu amor. Eu lhe acalmei e disse que estava tudo bem, e que ele só precisava de tempo, mas eu sei melhor do que isso. Ele não é confiável, mas não vou incomodá-la com o meu julgamento, quando isso só vai machucá-la mais. A única coisa que eu podia fazer era abraçá-la e dar-lhe alguns chocolates que Marcus tinha escondido em um dos armários. Ela comeu avidamente, com as lágrimas ainda manchando suas bochechas, e até deu um pedaço para mim. Quando eu comi, eu acidentalmente lambi os dedos, e ela riu. Pelo menos, eu poderia fazê-la rir. Depois que a noite terminou, ambos continuaram com suas vidas normais, fingindo que nada tinha acontecido. Eu não sei como eles fazem isso, mas está acontecendo bem na frente dos meus olhos.

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Ela habitualmente fica alegre com ele, e ele sempre sorridente e muito falador. É agravante, confuso, mas, acima de tudo, bom. Bom porque ela está feliz, mesmo se tudo seja uma mentira. — Ái. — ela geme. Eu tiro minhas mãos de seus ombros. — Opa, desculpe. Fiquei um pouco entusiasmado demais. — Está tudo bem. — Ela pega a minha mão e aperta. — Sinto-me bem. Meus músculos estão muito menos tensos agora. Obrigada. Eu sorrio para ela. — Não tem problema. — Eu me inclino para beijá-la na testa. A televisão está alta, e ela continua assistindo. Admiro sua capacidade de absorver tanto conteúdo e informação. Fico cansado após um dia desses, mas ela pode absorver mais coisas em qualquer dia da semana. Ela adora aprender, ama tudo sobre este mundo. É como se ela nunca se cansasse. Para mim, isso só reforça a ideia de que ela deve ser livre. Um dia… — Merda. — ela diz de repente, e salta para cima do sofá e corre para o banheiro. Franzindo a testa, eu ando atrás dela e a encontro vomitando no vaso sanitário. — Oh, não. — Eu vou para ela e agarro seu cabelo, segurando-o para que ele não fique sujo. Eu não me importo que ela esteja vomitando. Eu não me importo com qualquer sujeira. Eu só me preocupo com ela e seu bem-estar. Quando ela acaba, ela pega o papel higiênico e esfrega a boca com ele. Eu pego uma toalha e entrego a ela. — Obrigada. — diz ela. — Como você está se sentindo? — Doente. Eu mordo meu lábio. — Você acha que é... nah. Eu não quero fazê-la se preocupar, mas eu acho que é tarde demais agora, vendo como ela se virou e me olhando com olhos peculiares. — O que? ~ 237 ~


— Bem... a doença do Mestre... Seus olhos se alargam. — Você acha que eu tenho o mesmo? — Eu não sei. Eu estou apenas considerando como uma opção. Eu a ajudo a levantar-se, e ela esfrega sua testa, enxugando o suor. — Não, não, isso não é possível. Ele tinha uma úlcera no estômago. Isso não é contagioso. — A menos que ele estivesse mentindo. Ela faz uma careta para mim e empurra o braço de distância. — Eu só tenho uma gripe. Isso é tudo. Ela vira a cabeça e se afasta de mim, de volta para a sala, mas não posso evitar o medo correndo em minhas veias. Ela pode estar bem com isso, mas eu não estou. Eu não vou deixá-la ficar doente. Eu tenho que saber a verdade. Então eu marcho para o seu quarto e bato na porta.

***

MARCUS Quando ouço o bater na porta aberta, eu tento não me mover, mesmo que seja difícil. Se eu fizer isso, eu poderia ter o desejo de vomitar novamente. — Não admira que você não tenha vindo tomar café da manhã com a gente esta manhã. Quando eu bati na sua porta, esta manhã, você me disse que não tinha dormido e precisava de algum descanso extra, me dizendo que viria mais tarde. Agora, eu estou começando a pensar que era tudo mentira também. — O quê? — Eu murmuro, meus olhos se abrem. É Daniel, e ele parece furioso. — Você está mentindo sobre tudo isso, não é? — Diz ele com os dentes cerrados. — Do que você está falando? — Eu digo com uma voz rouca.

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— Você disse que tinha uma úlcera no estômago, mas é outra coisa, não é? Você está doente. Mais uma vez. Franzindo a testa, eu tiro o pano da minha testa e me sento um pouco. Tudo dói. Eu sinto como se tivesse sido atropelado por um caminhão, e meu estômago quase vira de cabeça para baixo, mas eu tento gerir e me segurar. Quando eu olho para mim mesmo no espelho, vejo o meu rosto pálido como a neve. Eu estou muito doente para me levantar agora. No entanto, devo falar com Daniel. — O que te faz pensar isso? — As úlceras do estômago não retornam. Você não pode simplesmente ficar doente uma e outra vez. — ele se endireita, fazendo um punho. — Sim, elas voltam. — eu digo. É tudo o que posso dizer. — Você a deixou doente também. Meu rosto permanece rígido quando eu viro minha cabeça, e fecho meu olho. — Feche a porta, por favor. A princípio, parece que ele quer gritar e negar o meu pedido, mas, em seguida, ele provavelmente percebe que não vai conseguir as respostas que procura. Rangendo os dentes, ele pisa mais para dentro e fecha a porta atrás de si. — Ela está doente. Ela vomitou. Você não pode me dizer que é normal. — Não é, mas eu não passei nada a ela. É verdade. — Então você admite que você não uma úlcera no estômago? — Ele cospe. — Eu nunca disse isso. — eu digo, tirando os lençóis encharcados de suor para que eu possa encará-lo. — Então como é que você sabe que você não passou nada para ela? — Ele pergunta. Eu suspiro, olhando para o tapete antes de tentar me levantar. Minhas pernas estão trêmulas e meus pés mal são capazes de me apoiar.

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Daniel passa à frente. — Eu não sei o que você está tentando fazer, mas se você estiver tentando fugir de mim, não vai funcionar. Eu paro e rio. — Sério? Ele faz uma careta. — Eu não estou brincando. Eu vou lutar com você se você tentar. — Não, obrigado. Eu vi o treinamento. Você tem habilidade. E no caso de você não notar, eu não estou muito equipado para lutar agora. — Eu aponto para as minhas pernas bambas. — Então o que você está tentando fazer? Eu não vou a lugar nenhum até que me diga a verdade. — Isso eu percebi também. — eu digo. — O quê? — Diz ele, parecendo confuso. Eu levanto uma sobrancelha para ele. — Você me ouviu. — Você só vai me dizer a verdade agora? Bem, desse jeito? — Bem, já que você perguntou... — Eu sibilo. Ele aperta os olhos para mim, que eu tomo como um agradecimento em vez de um rosnado. Segurando o criado-mudo, eu pego a chave que está ao redor do meu pescoço e empurro na trava da gaveta. Torcendo, eu ouço um clique. Daniel me olha quando eu abro a gaveta e tiro alguns papéis. — Eu não queria fazer isso, mas você não me deixa escolha. — eu digo. Eu tiro para fora para ele ver. Ele olha para mim, dizendo: — O que é que eu vou fazer com isso? — Leia-o. Com as sobrancelhas franzidas, ele dirige sua atenção para o papel, os olhos deslizando pelas linhas, com a boca aberta, repetindo as palavras sem fazer um som. Lenta, mas seguramente, suas pupilas começam a dilatar e o papel começa a tremer em suas mãos. Quando ele chegou ao fim, ele entrega de volta para mim, fazendo uma careta. — O que é isso?

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— A verdade. — Não. Não pode ser. — Você queria a verdade? Aqui está. — Eu coloquei o papel de volta onde ele pertence. — Oh Deus...

— Ele coloca os dedos em seu cabelo. — Isso é

real? — Tão real quanto poderia ser. — Eu me sento na minha cama. — Há quanto tempo você guarda esse segredo? — Muito tempo. — Eu dou de ombros. — Isso faz de mim um monstro? — Não. Sim. Não... — Ele faz um barulho. — Você deveria ter dito a ela! — Não. — eu cuspi. — Absolutamente não. Ele dá um passo para frente, apontando para a porta. — Ela merece saber. Vá lá fora e diga-lhe a verdade. Você mentiu na sua cara. Levanto-me, mais uma vez, determinado a deixar que ele saiba como me sinto. — Eu menti para protegê-la. Nós dois estamos respirando pesadamente na cara um do outro, nenhum de nós recuando. — Eu não me importo com o que você pensa de mim. Mas não contar a ela, essa foi a forma de mantê-la feliz. Segura. — Ela vai te odiar se descobrir. — diz ele com os dentes cerrados. — Que assim seja. — Talvez eu devesse dizer a ela. — diz ele. — E então o quê? O que você espera disso? O que você acha que vai acontecer? — Eu não sei, mas é melhor do que mentir! — Às vezes, a mentira é a única coisa boa que se pode fazer! — Eu agarro seus braços. — Prometa que não vai contar a ela. Prometa que vai manter isso entre nós dois. Ele faz uma cara. — Eu não posso.

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Eu o chacoalho com o último pedaço de força que tenho. — Sim você pode. Faça isso por ela. Faça porque você a ama. Ele dá uma bronca em mim. — Não me fale de amor. O que você já fez por ela? Eu me inclino e sussurro. — Eu matei por ela. — Eu posso ver o medo paralisante nele. — Eu fiz o que ninguém jamais deveria fazer, e eu tenho feito isso há muito tempo. Eu duvido que você já fez algo parecido . — Mas... — Ela não pode saber. — repito, com uma voz baixa. — Por causa dela. — Eu prometi a ela que não iria mentir para ela. — diz ele, engolindo. — Ela não vai saber se você não disser uma palavra. Você tem que fazê-lo... por ela. Você entende? Depois de um tempo, ele acena com a cabeça, então eu o deixo ir e caio de volta na cama. — Prometa-me... — eu sussurro, e eu pego a chave do meu pescoço e a seguro para ele. Eu olho para ele diretamente nos olhos quando eu empurro a chave em suas mãos e fecho os dedos em torno dele. — Pegue. Com um olhar preocupado sobre o seu rosto, ele coloca a chave na fechadura e gira, protegendo os documentos no lugar. Dói-me que eu tenha que mostrar a ele, mas era a última coisa que eu poderia fazer para impedi-lo de empurrá-la além de seu ponto de ruptura. Ela não precisa saber. — Eu... — ele gagueja. Eu deito novamente. — Volte para ela. Faça-a se sentir bem. Ela está doente, certo? Então, vá ajudá-la. — Sim... — ele diz, caminhando para fora do meu quarto completamente perturbado. Engolindo, eu coloco o pano molhado na minha testa, percebendo muito bem o que eu acabei de desencadear. Eu sabia que era só uma questão de tempo.

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É melhor assim. Agora, ela não terá que me amar mais.

~ 243 ~


Capítulo vinte e quatro DANIEL Esta no meio da noite, mas meus olhos ainda estão bem abertos. Eu não consigo dormir. Meu coração bate, perguntas flutuam na minha cabeça, e uma escolha impossível que eu não poderia fazer. A única coisa que me mantém amarrado à cama é ela. Ava está em meus braços, me dando sua presença quente, acalmando a tempestade na minha cabeça. Ela está dormindo na minha cama desde que eu disse a ela que a amava. Ela não voltou para sua própria cama, mas ela não visitou Mestre Marcus também. É como se ela não quisesse reconhecer, muito menos ver, quanto ele está doente. Como se ele fosse magicamente desaparecer se ela parasse de pensar nisso. E ele nunca disse a ela que a amava também. Desde aquele dia, tudo o que ela fez foi inclinar-se sobre mim. Literal e figurativamente. Ela fala só comigo agora, e eu encontro conforto no fato de que ela me escolheu em vez dele. Embora isso me faça pensar se ele não está de todo chateado com ela por minha causa. Mas ele nunca mencionou, muito menos falou qualquer coisa sobre um de nós. Ele raramente sai de sua cama. Às vezes, tenho a sensação de que ela finalmente percebe que seu amor por ele é diferente do meu. O meu é incondicional. Enche de riso, divertimento, felicidade. O seu é nutrir, cuidar, elogiar.

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Só espero que ela tenha me escolhido porque ela sentiu que era melhor para ela. E como ela se encontra aqui em meus braços, eu não posso evitar, mas me perguntar se ela irá sempre me escolher de agora em diante. Se vamos ficar juntos. Eu vou fazer tudo ao meu alcance para que isso aconteça. Eu me inclino contra ela e cheiro seu cabelo. Ele me acalma um pouco por saber que ela está ao meu lado. O mundo pode manter seu caminho, mas sem ela, ele iria parar. Eu envolvo meu braço em torno dela e a puxo para mais perto, enterrando minha cabeça no canto de seu pescoço. — Não consegue dormir? — Ela de repente, sussurra. Eu não tinha notado que seus olhos estavam abertos. — Coruja. — eu digo. Eu não quero deixá-la preocupada, então eu a acaricio na parte de trás e digo: — Volte a dormir. — Impossível. — ouço o ronco do seu estômago e ela cobre a barriga com a mão. — Com fome? — Pergunto, sorrindo. Ela balança a cabeça. Eu puxo o cobertor de cima de mim e levanto da cama. — Eu vou fazer algo para você. — Você não tem que fazer isso. — diz ela, sentando-se em linha reta. Eu olho por cima do ombro para ela quando eu saio. — Não, mas eu quero. Volto logo. Eu vou para a cozinha e pego um prato, uma faca, um pouco de pão, e um pote de manteiga de amendoim e geleia, e começo a fazer um sanduíche. Logo em seguida, ouço alguém vomitando no banheiro. Eu abaixo a faca e ouço os sons. É Marcus e ele parece bastante doente. Depois da descarga no vaso sanitário, ele liga o chuveiro e ouço os passos. Isso significa que ele está fora de seu quarto. Longe da mesa com a gaveta fechada.

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A gaveta que agora eu tenho a chave. Uma voz na minha cabeça me diz que eu não deveria sequer estar pensando nisso. Só vai causar mais ódio e discussão, e ela só vai me odiar por isso. Mas eu não posso deixar passar esta oportunidade. Eu preciso saber o que mais ele está escondendo. Eu já descobri uma mentira, mas eu duvido que seja a única. Então eu rapidamente corto o sanduíche pela metade e pego o prato. Quando eu faço o meu caminho através da sala, eu observo com as mãos abrindo a porta para o meu quarto, com os olhos semi-abertos que espreita para fora. — O que está acontecendo? Ouço um chuveiro. É meio da noite. — Mestre doente. — eu digo, andando em direção a ela. — Oh não, talvez eu devesse ver como ele está. — Ela tenta sair, mas eu a impeço, segurando a porta. — Ele está bem. Ele só precisa de algum tempo para ficar melhor. Acho que ele está melhor sozinho agora. — Mas talvez ele precise de ajuda. — diz ela. — Se ele precisar de ajuda, ele vai chamar por nós. Eu acho que ele só quer um pouco de tempo para se acalmar. O chuveiro provavelmente ajuda. — Talvez... — Ela franze as sobrancelhas, e então ela olha para o sanduíche, seu estômago ronca novamente. — Se você está tão preocupada, eu vou está. OK? Basta ficar aqui. — Eu entrego-lhe o prato.

ver

como

ele

Ela balança a cabeça. — Obrigada. — Volte para a cama. Coma lá. — Sim, senhor. — ela comenta em tom de brincadeira. Eu gostaria que às vezes não fosse uma piada quando ela fala assim dele. Suspirando, eu fecho a porta atrás dela e faço o meu caminho para o quarto. ~ 246 ~


Eu sinto uma pontada no meu estômago, mas eu ignoro, sabendo muito bem que não estou fazendo o que eu disse a ela que eu faria. Eu faço o meu caminho para o quarto e rapidamente tiro a chave. Eu a mantenho em um fio em volta do meu pescoço e a coloco na fechadura. Quando a gaveta é aberta, eu levo tudo, incluindo o papel que ele me deixou ler e uma arma. Eu não hesito em colocá-la em minhas calças. Eu, olho o fundo da gaveta. Quando não há mais nada, eu mesmo tiro a gaveta e vasculho em uma tentativa desesperada para encontrar um compartimento escondido. O suor escorre em minha testa enquanto eu ergo a madeira. Eu tenho que ser rápido porque ele pode estar de volta a qualquer momento e eu prefiro não ser pego no ato. Depois de chacoalhar com cuidado algumas das curvas de madeira e eu ouço um som de clique. Com o coração batendo na garganta, eu arranco a camada de fundo da gaveta e passo o dedo por dentro. Eu sinto alguma coisa e tiro. Outra chave. Franzindo a testa, eu a seguro. É diferente da que eu tenho em mãos. Pergunto-me de onde essa chave é. Eu freneticamente procuro em torno de seu quarto, algo para usar, mas não vejo nada. Não há outro buraco de fechadura neste quarto que eu posso colocá-la... e eu percebo que há um lugar que eu não fui antes. Um quarto que não estamos autorizados a entrar. Corro pelo corredor quando noto o chuveiro sendo desligado. Eu só tenho mais alguns minutos antes que ele saia então eu tenho que fazê-lo rápido. Quando eu estou na frente da porta e coloco a chave na fechadura, eu fecho os olhos rezando. Surpreendentemente, ela se encaixa no lugar. Sugando uma respiração, eu abro a porta e caminho pra dentro. Nada além de caixas estão dentro do quarto. Caixas de sapatos cobertas de pó, para ser preciso. Ninguém tem estado aqui há um longo tempo. Confuso, eu pego uma e abro.

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No interior são papéis e fotografias de um homem que eu não conheço, mas são todas fotos pessoais dele com seus filhos e sua esposa, fazendo coisas todos os dias como grelhar na churrasqueira, brincar no quintal, e passear com o cão. Os documentos contêm informação, do seu paradeiro, do trabalho, de tudo. Como um perfil. Por que ele tem isso? Eu abro outra caixa e encontro exatamente a mesma coisa, só que de outro homem e sua família. Alguns são sobre as mulheres, alguns são sobre pessoas idosas. E então alguns focam apenas nas crianças. Eu não entendo... Por que alguém iria manter essas recordações privadas de outra pessoa? A menos que… Eu confiro os papéis novamente quando eu percebo que eles não são perfis. Eles são alvos. E então tudo faz sentido. Marcus não é apenas um cara rico. Não é apenas coincidência ele ser afiliado com essas pessoas que nos possui. Ele é exatamente como eles. Um assassino. Eles matam, eles vendem, eles fazem qualquer coisa para colocar suas garras em algum dinheiro. Dinheiro sujo. E Marcus é um deles. Estes papéis provam isso. Se era no passado ou ainda é, ele está morto. Ele me disse isso de si mesmo, mas eu não acho que foi tão longe. Estes papéis provam isso. Quantos ele matou? E ele mantém esses papéis e fotos como troféus? Quando eu abaixo o papel com as mãos trêmulas, noto uma caixa debaixo de um pequeno armário. Eu estendo a mão debaixo dela e agarro a caixa que eu sinto que ele tentou esconder de vista. Lentamente, eu a abro, com muito medo de descobrir o que está dentro, mas estou curioso demais para parar. Eu até esqueço o fato de que Marcus poderia vir a esta sala a qualquer momento. A única coisa

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que importa é o que está dentro desta caixa que eu tenho em minhas mãos. Mas eu não estou preparado. São imagens do interior de uma casa. Um homem deitado na porta da frente, com um tiro. Uma mulher, deitada na cama, completamente encharcada de sangue. Uma menina, chorando com seus olhos saltados quando ela está sendo tirada de sua família. Tremendo e com os olhos cheios de lágrimas, eu pego o que está em cima. Uma boneca com um lenço roxo e um vestido rosa. Coberta de respingos vermelhos. Meus lábios tremem, meu rosto se transformando em um monstro. Ruge o trovão. Eu estalo. Mas quando eu me viro, querendo correr para fora e confrontá-lo, uma silhueta aparece na porta. — Você acha que eu sou um monstro? — Você... — Eu assobio. — Eu não culpo você, se você achar. Eu acho a mesma coisa sempre que eu abro a porta desta sala e olho dentro das caixas. Elas me lembram do que eu fiz. — Com apenas uma toalha em torno de sua cintura, ele caminha para dentro. — Tudo o que fazem é sussurrar as mentiras que eu disse. — as fotografias rangem debaixo de seus pés. — Gritam comigo por toda a dor que eu causei. — Ele pega uma das fotos e olha para ela sem vacilar. — Imploram-me para acabar com tudo. — Você fez isso... — Eu cuspi, virando para mostrar-lhe a boneca. — Esta é a dela. Esta é Ava, não é? Por que você tem isso? A ponta de arrependimento pisca em seus olhos quando ele me evita, mas nem mesmo sua culpa será suficiente para acabar com a raiva crescendo dentro de mim. — CONTE-ME! Ele pega outra caixa, que eu ainda não toquei, e abre a tampa, pegando uma foto que ele me mostra. — Reconhece isso? — Diz ele. Meus olhos se arregalaram com a visão do menino na imagem, carregando uma sacola cheia de livros quando ele faz o seu caminho ~ 249 ~


para a escola. Eu não reconheço o nome sob ela... Maurice... mas eu reconheço o rosto na imagem imediatamente. O menino sou eu.

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Capítulo vinte e cinco AVA O grito me faz saltar da cama. Corro pelos corredores em direção ao som que veio de um dos quartos. É o quarto que não deveríamos entrar, e Marcus está pairando sobre Daniel, que está sentado no chão com uma caixa nas mãos. Terror e fúria estão cravados no seu rosto quando ele tira de seu bolso a arma do Mestre Marcus. Então, ele aponta para ele. Meus olhos se arregalaram e eu grito: — Não! Eu tento entrar no quarto, mas Mestre Marcus se vira para mim e diz: — Ava. Pare. — Não lhe diga o que fazer porra! Você não tem direito. Não está certo! — Daniel grita, levantando-se para colocar a arma ao nível dos olhos. — Pare. — Eu grito para ele. — Não atire nele! — Você não sabe o que ele fez. — diz Daniel. — Olhe para a caixa, Ava. Olhe isso. Meus olhos instintivamente voam para a caixa que ele estava segurando, mas o que eu vejo dentro faz meu coração parar. Eu seguro no batente da porta mais próxima quando o chão parece que está sendo arrancado de debaixo dos meus pés. A boneca que me foi dada no Natal está na minha frente. — O que... O que ela está fazendo aqui? — Murmuro. Então eu olho para Mestre Marcus, que está dividido entre Daniel e eu. — Por que você tem isso? — Ava... — Ele tenta dar um passo em minha direção.

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— Não se mova, porra! — Daniel aponta a arma para ele, e Mestre Marcus congela imediatamente. Então Daniel concentra sua atenção em mim. — Não vá para perto dele. Ele é um mentiroso. Ele não é quem você pensa que é. — Por quê? O que está acontecendo? Diga-me o que está acontecendo. — eu digo, lágrimas enchendo meus olhos enquanto eu vejo o meu passado na minha frente. Imagens de pessoas se espalham pelo chão, caixas cheias de suas informações, e a minha encontra-se entre elas como um troféu entre muitos. — Daniel. — Mestre Marcus diz quando Daniel desliza para o meu lado. — Não faça isso. Você não quer isso. — Sim eu quero. Você nunca colocou os meus interesses em primeiro lugar, nem o dela. Isso foi tudo sobre você, não foi? — Ele grita, segurando a boneca como prova. — Você manteve isso como troféu? — Não é o que você pensa. — diz Mestre Marcus. — Por favor, me diga que não é verdade. — murmuro, dando um passo mais perto. — Não! Não vá para ele. Você não pode confiar nele, Ava. Ele está mentindo para você desde que você chegou aqui. Não importa o quanto Daniel peça a mim para ficar longe, eu quero tocá-lo, então eu agarro o seu braço e aperto, tentando me agarrar a algo que eu acreditava que fosse verdade. — Você me ama. Você me prometeu que não iria mentir. Mas o olhar de Mestre Marcus não é doce ou amargo. É pedra fria dura... e vazio. Quando sua voz quebra o silêncio, assim faz meu coração. — Eu sou um monstro, Ava. Meus dedos tremem quando eles escorregam do seu braço. — É verdade. — Não... — Eu balanço minha cabeça, tropeçando para trás. — Sim. Eu sou o único que tirou essa boneca de sua casa. Eu guardo todas as memórias aqui, então eles me lembram de todos os pecados que cometi. Mas o pior de todos os pecados era você.

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Quero tampar meus ouvidos, mas eu sei que nunca vai apagar as coisas que ouvi nesta sala. — Não pode ser verdade... Você me acolheu. Você cuidou de mim. Você ainda me trouxe Daniel. Você nos tratou como... iguais. — Porque você é. — Ele olha para nós dois. — Vocês são seres humanos. Vocês são pessoas. Vocês não são servos. Não mais. E agora, você sabe a verdade. — Ele abaixa a cabeça e franze a testa. — Eu sou o homem que tirou você da sua casa. Eu engulo enquanto as lágrimas escorrem pelo meu rosto. Isso não pode estar acontecendo. Crack. Isso não pode ser real. Crack. Isto é um pesadelo. Crack. Um pesadelo. Meu coração está quebrando a cada segundo como a encarnação viva da vida terrível que tive de aguentar e está em pé bem na minha frente. Daniel agarra meu braço, eu me esforço para permanecer firme, o balanço do corpo me faz vacilar enquanto me esforço para respirar. — Você vê agora por que eu lhe disse para não me amar? Você entende por que eu nunca poderia aceitar plenamente você? Por que não poderia permitir que você visse como realmente sou? — Rosna Mestre Marcus. — Você é um monstro... — Daniel sibila por entre os dentes. — Eu não nego isso. Eu não nego ter matando todas as pessoas. — Ele aponta para todas as imagens. — Ele. E ela. E ela. E esse cara. Todos eles. Eu assassinei a sangue frio. — Por quê?

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— Porque me disseram para fazê-lo. — diz ele, suspirando. — Porque eu sou um produto de um sistema que ninguém pode escapar. Era isso ou morrer. Você se sacrificaria pela vida do outro? — Eu nunca iria matar alguém, mesmo que isso me custasse a minha própria vida. — Daniel rosna. — E é aí que discordamos. — diz Mestre Marcus. — Eu sou um assassino, e eu levei vocês para longe de suas casas. — Não... eu não acredito nisso. — eu digo. — Diga-me que é uma mentira. — Eu já disse muitas mentiras, muitas, e agora, é hora de parar. Eu não esperava que isso acabasse tão cedo... mas eu acho que amor dele por você é muito forte. — Mestre Marcus diz enquanto olha para Daniel. — Impossível. O homem que me levou era careca. — murmuro. Mestre Marcus chega perto de uma gaveta e a arma de Daniel o segue a cada movimento quando ele tira os óculos de sol e os coloca, e traz as mãos à cabeça. Mas então algo estranho acontece. Ele desliza o cabelo para trás até que ele sai completamente, eu mal posso reconhecê-lo como Mestre Marcus. Mas eu o reconheço como o homem que me tirou da minha casa. Minhas pupilas se dilatam, os meus lábios se abrem, mas tudo o que sai é um grito. — Foi você que me levou também... — Daniel rosna. Eu afundo no chão, choramingando, agarrando meu peito quando a dor física é demais. O homem que eu amei uma vez. O homem que matou por mim. O homem por quem eu pensei que iria morrer. É o mesmo homem que levou tudo de mim. Minha vida. Arruinou minha vida, me transformando em uma serva. É tudo obra dele.

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— Sim. Fui eu. Sempre fui eu. — Por quê? — Eu engasgo. É a única palavra que eu sou capaz de pronunciar. Ele olha para mim com os olhos torturados. — Porque eu não tinha outra escolha. — Besteira! — Daniel cospe. — Se há algo verdadeiro sobre as minhas palavras, é isso. — Eu menti para você. Eu a protegi. Eu amava você do jeito que eu não podia, mas ela precisava de você. Como você pôde fazer isso com ela? — Eu não posso desfazer o que eu fiz. — diz Mestre Marcus. — Ela estava tão quebrada quando eu finalmente a comprei. Eu só poderia ser seu Mestre. — Você não é um Mestre. — eu digo. Eu não sei o que me obriga a dizer isso, mas a única coisa que eu sinto agora é a traição que me incomoda demais para ser ignorada. — Eu tentei ser o que você precisava Ava. Eu tentei... mas nunca foi o suficiente. — Isso mesmo, não foi. Eu não me importo se você nos comprou ou se nós devemos obedecê-lo. Nós não somos mais seus. — Bom. — diz ele, balançando a cabeça. — Eu esperava que chegasse a isso. — Você está louco? — Daniel grita. — Não, eu só sabia que isso iria acontecer. Algum dia. É o que eu esperava. — Não me fale de esperanças e sonhos quando você não se preocupa comigo ou com dela. Quando você não se importou de lhe contar a verdade. Você não a ama. Você nem sequer se preocupava com a gente. — Eu me preocupo. — diz ele, e com lágrimas nos olhos, ele olha para mim. — Eu te amei, Ava. Com todo meu coração. Doeu muito para lhe dizer para não me amar, mas eu fiz isso por você. — Como você pode dizer essas coisas? — Diz Daniel.

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— Porque eu sou um bastardo. Eu sei que eu sou egoísta. Alguém que não merece viver. E eu não vou pedir-lhe que me perdoe. — Ele amplia sua posição e abre seus braços. — Atire em mim. — O quê? — Eu grito. Daniel levanta o braço. — Não! Eu tento pegar a arma dele, quando a arma dispara. Balas ricocheteiam na parede, e eu luto com ele para ter o controle. Pela primeira vez, estou usando as lições que Daniel me ensinou, mas eu estou usando-as contra ele, quando eu o empurro para o chão e tiro a arma dele. — Não! Eu tenho que matá-lo. Nós nunca seremos livres se eu não fizer isso. — Daniel grita. Ele me agarra e me leva para o chão, e eu bato em seu peito para tirá-lo de cima de mim. Nós nos empurramos e puxamos, tentando desesperadamente tirar a arma do outro, lutando sobre a vida e a morte. Mas não importa o quanto eu odeio Marcus por fazer isso para nós, eu não posso deixar Daniel matá-lo. — Não! Não — Eu grito. — Você nunca vai perdoar a si mesmo. — Sim, eu vou. Ele é um bastardo que merece o que está vindo para ele. — Não, não está certo, — eu digo, socando-o de modo que ele me solta. — Por que você o está defendendo? Ele destruiu sua vida. — Eu não me importo. Eu não posso deixar você fazer isso. Ele vai arruiná-lo. — Eu me esforço para sair debaixo dele e arranco a arma de sua mão. — Eu não me importo! — Ele tenta me derrubar, mas eu escapo do seu alcance. Viro-me para enfrentar Marcus. Logo em seguida, ele vem de repente na minha frente e agarra a minha mão. A arma está em seu peito. Meu dedo está no gatilho. Ele puxa. Bang.

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Capítulo vinte e seis AVA O silêncio que segue é esmagador quando Marcus tropeça para trás. O sangue jorra de seu peito. Eu suspiro e cubro a boca com a mão, mas não evito o grito de sair. — Agora, nenhum de vocês vai ter que viver com a culpa de ter me matado. — Ele cai no chão, sangue escorrendo de seu ferimento. — Não! — Corro em direção a ele e jogo a arma fora, usando a toalha para tentar parar o sangramento, mas não vai funcionar. — Não morra. — Deus, isso dói... — Ele geme. — Sinto muito. — eu digo. — Eu não tive a intenção de atirar em você... . — digo. — Você não atirou. Eu atirei. Eu puxei o gatilho. Você nunca se sinta culpada. Foi a minha vez. — Com a pouca força que lhe resta, ele agarra meu pulso apertado e sussurra: — Eu ia morrer de qualquer maneira. Foi melhor assim. Pelo menos, agora eu não tenho que murchar como uma planta. Meu lábio treme quando eu olho para ele, quando Daniel reaparece atrás de mim. — É verdade. — diz Daniel. — Ele ia morrer. Agora ou mais tarde, não fazer a diferença. — O que? — Eu gaguejo. — Como? — Ele me pediu para mentir por ele, me pediu para não dizer-lhe que ele tem um tumor no cérebro, e está se espalhando rapidamente. As palavras não podem descrever a dor que eu sinto.

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É pior do que todos os castigos que eu sofri ao longo destes anos. No entanto, isso finalmente faz sentido agora. Suas dores de cabeça. O vomito. A apatia e suas constantes mudanças de humor. Tudo isso, de repente se encaixa em um quebracabeça estranho. Marcus tosse e se inclina para mim, tanto quanto ele pode. — Fuja com ele, Ava. — O que, por quê? Não — eu digo. Ele, já tonto, põe um dedo nos meus lábios, sangue escorrendo para fora dele. — Shh... Está tudo bem. Apenas vá. Eu balanço minha cabeça. — Eu não posso. Por que você não me contou? Ele tosse novamente, o sangue que derrama para fora de sua boca. — Porque eu não queria que você se preocupasse comigo. — diz ele, cobrindo meu rosto, acariciando minha bochecha com um dedo ensanguentado. Eu me inclino na sua mão, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, que ele acaricia a distância. — Vá com Daniel. Eu ia morrer de qualquer jeito, aqui ou não. Era apenas uma questão de tempo. Eu tenho estado doente há um longo tempo. — Mas eu mal notei... — Eu sou bom em esconder as coisas. — diz ele, sorrindo como se fosse engraçado. — Por que você iria esconder isso de mim? Estava com medo que pudesse usar contra você? Que eu fugiria se soubesse? Que íamos atacá-lo? Ele inclina a cabeça, a tristeza aparecendo nas profundezas de seus olhos. — Não, Ava... Eu não lhe disse por que eu te amo. Porque eu não queria que você soubesse que eu tinha apenas pouco tempo de vida. — Não... — Eu balancei minha cabeça. — Como você pode me amar quando você me tirou da minha casa? — Eu fiz muitas coisas ruins na minha vida, Ava, todas imperdoáveis. Mas eu tentei. Eu tentei me redimir dos meus

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pecados. Lamento tudo isso, exceto uma coisa... — Ele olha profundamente nos meus olhos. — Ter resgatado você, foi a melhor e a única coisa certa que eu já fiz. Sua mão cai e ele solta, o sangue derramando. — Ava... — Daniel coloca a mão no meu ombro. — Não... . — digo. — Vá com ele, Ava. — diz Marcus. — Isto é o que você queria. O que eu queria para você também. O que você merece. Liberdade. — Você está nos deixando... ir? — Meu aperto na toalha em torno de sua barriga está desaparecendo. — Sim. — diz ele. — Viva a sua vida, Ava. Viva ao máximo, veja o mundo, desfrute de tudo o que puder enquanto ela durar. — Ele olha para Daniel por um segundo. — Com ele. — Ele tentou atirar em você. — eu digo. — Porque ele estava irritado e chateado, e com razão. Você deve ser muito importante para ele. Eu te enganei desde o início. Eu deveria ser punido pelo que fiz. — Não é assim. — eu digo, engolindo as lágrimas. — Exatamente assim... — diz ele. — Esta é a maneira como tudo termina. — Como você pode dizer isso? — Eu o agarro. — Não desista agora. Eu posso chamar Amelia e pedir-lhe para ligar para 911. — Não. — diz Daniel. — Eles nunca vão chegar aqui a tempo. — E eu não os quero aqui. — Marcus agarra meu braço mais uma vez. — Se eles verem vocês, eles vão levá-los embora. Eles vão colocá-los no sistema e você nunca será livre. Você tem que ir antes que alguém me encontre aqui. — Mas eu não posso simplesmente deixá-lo... — Sim, você pode! — Ele grita com o seu último suspiro. — Você tem que ir. Ele te ama, Ava, e eu sei que você o ama também. Ele fará qualquer coisa por você, até mesmo me matar porque eu fiz o imperdoável, sabendo que o odiaria por isso. Não o odeie, Ava. Por favor... Perdoe-o por tentar protegê-la. Eu quero que vocês dois sejam felizes. ~ 259 ~


Eu olho para Daniel sobre meu ombro e depois de volta para Marcus. — Mas eu não posso... Marcus tosse novamente. — Você pode viver sem mim. Você não precisa mais de mim. Eu dei-lhe todas as ferramentas necessárias para ser capaz de sobreviver fora desta casa. Agora vá. Vá com ele e viva a vida que foi tirada de você. — Mas eu também te amo... Mesmo que eu odeie o homem que me levou, como eu poderia não amar o homem que me salvou? — Não. Me odeie, Ava. Me odeie por ter mentido para você. Odeieme por tirar sua vida de você. Odeie-me por ajudar meu cúmplice a matar seus pais. Me odeie por tudo o que fiz. A culpa é toda minha. Você foi vendida, comprada, usada. É tudo por causa de mim. É minha culpa. — Seus olhos estão em chamas enquanto ele me dá suas últimas palavras. Ele olha para Daniel. — Há um compartimento debaixo da minha cama. Abra. Leve tudo com você. Você vai precisar dele. Daniel não responde, mas o olhar preocupado em seu rosto me diz que ele vai fazê-lo, mesmo que apenas por causa de sua necessidade de terminar o que começou. — Eu... eu... — Eu não posso encontrar as palavras. — Você não precisa dizer nada... — ele me garante. — Está tudo bem. Eu já sabia que esta era a forma como seria. Este é o meu destino. Meu fim pelo pecado final. Eu enxugo algumas lágrimas restantes quando olho para o homem de duas caras na minha frente. — Obrigada. — eu digo. — Não... obrigado, por me deixar fazer isso. Por ser quem você é e não desistir. Agora, eu posso finalmente descansar em paz. Eu pergunto. — Dói? — Eu não posso senti-lo. Na verdade... Eu não sinto muito em tudo. — Cada palavra que sai de sua boca soa mais suave e mais suave até que elas estejam quase inaudíveis. — Eu sei que você não é um homem mau... mesmo que você tenha feito um monte de coisas ruins. — eu digo. — Mas você tentou se redimir. Você tentou... — Eu suspiro e Daniel aperta meus ombros,

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inclinando-se para me abraçar por trás. Sento-me lá, chorando, com Daniel me escorando. Em seus braços, eu encontro o conforto Eu preciso deixar Marcus, o homem que me ensinou a viver de novo. — Eu ainda espero, e acredito, que você vai para um bom lugar. — eu digo. Eu olho para o homem na minha frente, cujos lábios ainda dão um puxão em um sorriso gentil. O homem de duas caras que eu ainda adoro. Uma delas era uma máscara que ele usava, a outra era o seu verdadeiro eu. Mas qual deles era o mentiroso? Quando seus olhos se fecham e ele respira seu último suspiro, eu me inclino e sussurrar em seu ouvido: — Eu nunca vou parar de amar o homem que você se tornou por mim. A última coisa que ouvi antes de eu chegar até ele são seus suaves sussurros, desaparecendo no ar assim como sua alma. — Eu te amo.

***

Minutos depois Cada um segurando um lado, nós cobrimos seu corpo com um lençol, e eu o arrumo por que parece que ele está dormindo um sono eterno. Algumas lágrimas finais são eliminadas antes de eu ir embora. De mãos dadas, abrimos a porta com o cartão e fazemos o nosso caminho para fora. Na minha outra mão, eu seguro uma caixa que encontramos em um armário debaixo da cama. Não abrimos ainda, mas eu prometi fazer assim que eu estiver pronta. Lá fora, o helicóptero aparentemente já está à espera de nós. Daniel mantém-me nas suas costas, querendo me proteger quando ele sobe para o homem por trás dos controles. — Marcus disse que vocês viriam sozinhos. Ele me ligou há alguns minutos. — diz o homem. — Vamos lá. Vou levá-los para onde vocês quiserem ir. ~ 261 ~


Marcus o chamou antes que ele entrasse no chuveiro? Estou surpreso, mas também não estou. Ele realmente cuidou de tudo. Até mesmo da nossa fuga. Ele deve pressentido o que aconteceria. Daniel agarra a minha mão. — Está pronta? Eu aceno para ele, limpando meu rosto para me livrar das lágrimas salgadas do meu rosto. Ele me guia para o helicóptero, minhas pernas se movendo junto com a atração quando elas não querem mais andar por conta própria. Daniel levanta-me para o helicóptero e sobe também, e nos sentamos. Automaticamente me faz colocar o meu cinto de segurança, mas minha mente está completamente em branco. Me sinto vazia. Vazia de qualquer emoção. Sem dor. Nenhuma felicidade. Nada. Tudo o que posso fazer é olhar no exterior do mundo verdejante abaixo de nós quando as lâminas de helicóptero começam a girar e partimos. Daniel segura minha mão, apertada como se ele quisesse me lembrar que ele está aqui, e que, se ele precisar, vai me arrastar por isso. Eu sorrio para agradecê-lo, mas rapidamente me afasto mais, querendo algum tempo sozinha para fechar as coisas para mim. Meus olhos estão praticamente colados à janela como sei que esta é provavelmente a última vez que vou ver este lugar novamente. E este helicóptero, no qual eu já viajei com Marcus. Tudo isso está agora chegando ao fim. Mas por alguma razão, não se parece o fim. Quando a casa desaparece de vista e tudo o que resta são intermináveis trechos de grama, árvores e rios, minha respiração finalmente normaliza e eu percebo que este é apenas o começo. O começo de algo novo. Algo indefinido, mas tão precioso. Algo que tenho o controle completo e nunca tive antes.

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A escolha de decidir o nosso destino.

***

Quando chegamos ao nosso destino, o mesmo aeroporto que saí da primeira vez, vamos quase para um mundo totalmente novo, que eu não tenho certeza se estou pronta para explorar. Agradecemos ao homem por nos trazer aqui e fazemos o nosso caminho para a entrada principal. Existem alguns bancos fora em um pequeno parque, e nós escolhemos um para nos sentar para que possamos decidir o que fazer. E coloco a caixa ao meu lado quando me sento. Fecho os olhos e aproveito os raios do sol que irradiam na minha pele, aquecendo meu coração partido. — É bonito aqui. — diz Daniel. — Mmmhmm... — Aposto que é bonito em todos os lugares. — ele brinca, olhando para mim de lado. — Nós já vimos isso em todos esses vídeos e naquelas revistas. Nós devíamos visitar todos esses lugares, você sabe. — Sério? — Eu digo, franzindo as sobrancelhas para ele. Ele sorri. — Eu não estou brincando. — Ele agarra minha mão novamente e entrelaça seus dedos nos meus. — Vamos fazê-lo. — O que? — Ver o mundo. Juntos. Um sorriso puxa meus lábios e leva um tempo para eu responder. — Eu gostaria disso. — Nós vamos descobrir mais tarde como. — diz ele, respirando fundo. — Tudo o que importa é que somos livres agora. — Livres... cabeça.

— Repito, deixando a palavra ressoar na minha

— Parece bom, não é? — Ele brinca. — Sim... Quase bom demais.

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— Completamente livres para fazer o que bem entender. — diz ele, e se inclina para mim. — E o que eu realmente quero fazer agora é isso. — Ele coloca um beijo no meu rosto, me surpreendendo. Ele ainda me faz corar. — Eu ainda te amo, você sabe. Eu sempre amarei. — Ele aperta minha mão. — Não importa o que aconteça, eu estarei aqui com você. Eu não vou deixar você cair. Se precisar de mim, eu vou estar lá para apoiá-la por todo o caminho. Sempre. Eu aceno e inclino minha testa contra a dele. — Sempre. Nós ficamos lá por alguns minutos, apenas um com o outro, e eu não penso em nada. Mas eu sei que vamos ter de passar algum tempo. Nós não temos o dinheiro para pagar por qualquer coisa, e agora, eu estou começando a me perguntar como vamos fazer qualquer coisa. — Ei, o que você acha que está dentro da caixa? — Daniel de repente pergunta. Eu olho para ele e, em seguida, para a caixa ao meu lado. Eu tinha quase esquecido. — Eu não sei. — Abra. — diz ele, sorrindo para mim. Hesitante, eu a pego e coloco no meu colo, encarando-a como se pudesse conter uma aranha. Estou com medo, apavorada, talvez, que ela contenha algo que vai me lembrar... Mas, em seguida, Daniel aperta meus dedos novamente. — Não pense. Apenas faça. Eu concordo. — Certo. Lentamente, eu levanto a tampa da caixa. Mordendo meu lábio, eu olho para o conteúdo. Há uma grande pilha de dinheiro em cima, e eu a tiro apenas para revelar dois cartões de identificação, completos com passaportes e outros documentos, todos com nossas fotos. Um novo nome. Ava Wood e Daniel Pace. — Caramba... verdadeiro nome?

— ele murmura, tirando uma identidade. — Um

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Franzindo a testa, eu pego outro documento, que afirma claramente a nossa data de nascimento, algo que eu não me lembrava. É um registro novo que parece legítimo. Será que Marcus organizou tudo isso? Quando eu cavo mais, há ainda documentos de contas bancárias, juntamente com cartões de acesso a elas. Tudo está dentro desta pequena pasta. Tudo o que preciso para começar uma nova vida. É como se ele pensasse em tudo. Então, no fundo, eu acho um envelope preso a um caderno de anotação. Sugando uma respiração, eu tiro do caderno. — O que é isso? — Daniel pergunta. Na frente, diz que — ‘Para Ava’ e na parte traseira, diz — ‘Para Marcus’. O envelope treme na minha mão quando eu tiro um pedaço de papel. Ele está selado, e ele diz que — Leia isto quando estiver pronta. Mas eu não estou. Eu não sei se eu vou estar um dia. — Eu não posso... — Eu digo, e eu abaixo o envelope imediatamente, mantendo meus lábios fechados, porque eu posso sentir a tristeza me enchendo novamente. Daniel envolve seus braços em volta do meu ombro. — Está bem. Você não tem que lê-lo agora. Não há pressa. — Isso é bom? — Murmuro. — É o que estamos fazendo é certo? — Sim. — Daniel afirma, esfregando meu braço enquanto ele me puxa para perto. — Ele nos disse que queria que nós fugíssemos. — Nós o deixamos lá... — Amelia vai encontrá-lo, não se preocupe com isso. Eu abaixo a cabeça e suspiro. — Isto não é como deveria ser. — Talvez sim. Talvez não. Quem sabe? Você nunca pode dizer o que vai acontecer no futuro. Mas eu acho que Marcus sabia que algum

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dia alguma coisa iria acontecer. Eu nunca realmente gostei dele do jeito que você gostava, mas sei que ele tinha suas razões para fazer o que ele fez. Quero dizer, olhe todas essas coisas que ele nos deu. Ele tinha tudo na mão e pronto para nossa fuga. Ele sabia que um dia seríamos livres. Eu só sei isso. — Você acha? — Eu olho para ele para tentar encontrar as respostas em seus olhos. Ele levanta a mão e acaricia meu rosto. — Estou certo disso. Ele queria que fôssemos normais novamente. Para sermos livre. Esta caixa é a prova. Concordo com a cabeça e a deixo cair, lembrando que eu não posso fazer nada, a não ser avançar a partir deste ponto. — Ele quer que você viva. — diz Daniel. — Ele quer que você seja feliz. Para desfrutar do mundo. Para explorá-lo. — Daniel dá um beijo na minha cabeça. — Não há pressa. Podemos fazer no nosso tempo. Vamos apenas encontrar um lugar para dormir, ok? — Sim... — Eu pego todo o dinheiro que Marcus deixou para nós. — Isso é demais. — eu digo, olhando para a quantidade. Deve ser mais de cem mil dólares. — Eu acho que ele só queria ter certeza de que ia pousar em nossos pés corretamente. — Daniel sorri e acaricia minhas costas. — Vamos lá. Vamos. Eu coloco tudo de volta dentro da caixa e fecho a tampa, deixando minhas memórias lá dentro também, para mantê-las segura.

***

DANIEL Horas mais tarde Quando é de manhã, vamos para o hotel mais próximo e reservamos um quarto. Eu uso todas as coisas que eu aprendi com os programas de TV que eu assisti, enquanto morava com Marcus quando eu falei com a recepcionista, mas eu acho que fui bem. Houve alguns olhares desajeitados e risos aqui e ali, mas eu tenho certeza que vou pegar o jeito depois de já ter feito o suficiente, assim como Ava. ~ 266 ~


Ela tem estado muito tranquila desde a nossa viagem, mas, pelo menos, ela não está aleatoriamente olhando para fora na frente dela. Ela parece muito obcecada com o envelope. De vez em quando, eu a pego abrindo a tampa para olhar o envelope, às vezes dando uma olhada no bilhete, mas em seguida, rapidamente empurrando-o de volta. Faz-me rir um pouco, mas eu tento não deixar que ela perceba. Eu não quero que ela se sinta autoconsciente. Ela já teve uma vida dura o suficiente. Mas eu desfruto de cada segundo que posso com ela. Agora que estamos livres, teremos tantos mais. Eu quase não posso esperar. Nós vamos para o nosso quarto e ela salta imediatamente na cama, testando os travesseiros. Então ela foge para o chuveiro, ligandoo e saindo novamente, então se senta no vaso sanitário e finge ler um livro que ela encontrou atrás da pia. Eu sorrio quando eu a vejo, e então eu percebi... por que diabos não? Tem que aproveitar cada pequeno detalhe. Então eu ligo o chuveiro e salto para abaixo com minhas roupas. Ela grita. — O que você está fazendo? — Apreciando a água. — Eu abro meus braços e abro a boca, deixando-a encher. — Vamos lá, venha. — O que? Você é louco. — diz ela, fechando o livro e colocando na pia. — Assim como você. — eu digo e eu pego sua mão e a puxo para baixo do chuveiro comigo. Ela grita de novo, sua camisa completamente encharcada, e ela me dá um soco no ombro. — Deus, eu não posso acreditar que você realmente fez isso. — Você só vive uma vez, certo? — Eu rio em voz alta. — no entanto é uma sensação boa. — Hmm... eu aposto. — Ela espirra um pouco da água na minha cara, então eu respingo de volta, e de alguma forma, acabamos brigando no chuveiro, jogando água um no outro quando tentamos fazer com que o outro fique ainda mais molhado. Nós rimos e saltamos ao redor, todo o banheiro fica cheio de água e vapor, mas nenhum de nós se importa. Estamos no momento, vivendo, amando. Depois de um tempo, ela diz. — Trégua! ~ 267 ~


Eu envolvo meu braço em torno dela e digo. — Você desistiu? — Eu me rendo. — ela murmura, respirando em voz alta. Eu fico de costas na parede. — Boa decisão. — Deus... O que estávamos pensando? — Ela comenta. — Nada, mas foi divertido. E... eu ganhei. — Eu levanto minhas sobrancelhas para ela, e, em troca, ela me dá um soco no estômago novamente. — Ai... — Isso é vingança por me molhar. — Não é a primeira vez que aconteceu. Seu queixo cai. — Daniel! — E ela puxa o chuveirinho fora da parede para jogar na minha boca. — Hah, coma isso! — Pare, pare! — Rogo, cobrindo minha boca. — Ok, você ganhou! — Melhor assim. — ela diz, virando o chuveiro novamente. — Chega de água. Não temos nenhuma roupa para vestir. Eu coloco meu braço em volta da cintura dela e a puxo para perto. — Não precisamos delas. Ela revira os olhos. — Não. Realmente? — Ela franze a testa quando eu dou de ombros. — Não. Ela se vira e espreme a água fora de seu cabelo e roupas. — Valeu a pena tentar. Seu cabelo balança para trás batendo na minha cara. — Eu acho que eu li sobre isso uma vez em uma dessas revistas. Meninos babando em cima meninas quando pensam com seu pau. — O meu não. Ele só fica um pouco animado quando vê você. — eu rio, espremendo para fora minhas roupas. — Mantenha essa coisa em suas calças, senhor. — ela rosna. — Eu gosto quando você me chama de senhor. — eu digo, balançando as sobrancelhas. — Significa que você me vê como algo mais do que apenas um ninguém.

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— Você não é um ninguém. — diz ela, mordendo o lábio. — Não para mim. Eu sorrio, o que a faz corar. — Fico feliz em ouvir isso. Ela tenta esconder seu corar por trás de sua camisa, mas não adianta. — Vamos secar as nossas roupas. Nós vamos precisar delas quando saímos para comer. — Hmm... Você percebe que se vamos esperar secar nossas roupas, isso significa que eu ainda serei capaz de vê-la nua? Ela encolhe os ombros, enquanto ela tira sua camisa e coloca no aquecedor. — Assim? Não é como se você ainda não tivesse visto tudo isso antes. Eu a abraço por trás, o que parece surpreendê-la quando ela congela. — Isso não faz de você menos atraente. Eu ainda fico em êxtase cada vez que eu a vejo. Eu deixo a minha cabeça se inclinar contra as costas dela, e ela agarra a minha mão. — Obrigada. É legal. — Apenas legal? — Murmuro. — Muito bom. — diz ela, sua pele aquecendo. — Eu também gosto de você. — Bom. — eu digo, e ela ri do que eu digo em seguida. — Porque você vai ficar presa comigo por um tempo. — Eu sei. E isso é bom. Eu gosto de ter você perto de mim. — diz ela, enquanto estamos de pé nos abraçando. Ela então se vira e envolve seus braços em volta de mim também. — Não vá a lugar nenhum sem mim, ok? — Eu não vou. — eu digo. — Eu prometo. — Eu a beijo na cabeça e a acaricio suavemente. — Eu te amo. — diz ela. — Mas… — Está tudo bem se você não pode me amar agora. Eu sei que você sente isso, mas você não tem que dizer isso. Não enquanto você se sentir desconfortável. Ela balança a cabeça. — Eu não vou pedir-lhe que me perdoe por expor isso. Tudo que eu peço é que você me dê uma chance. ~ 269 ~


— Eu vou. — diz ela. — Mas eu não posso nunca me esquecer dele. Ele sempre terá um lugar no meu coração. — Eu não estou pedindo que você se esqueça dele, e eu nunca vou pedir. — Eu olho para ela e empurro seu queixo um pouco para cima. — Ele é tão parte de você como eu sou. Você é você por causa de tudo o que você experimentou, incluindo o seu tempo com ele. E cada parte de você e suas memórias merecem ser mantidas vivas. Mantenha com você. — Eu coloco a mão em seu peito. — Aqui. Ela balança a cabeça e cobre minha mão com a dela. — Vou mantê-lo trancado aqui, onde ninguém nunca irá encontrá-lo. Eu sorrio para ela. — Então você nunca estará sozinha. Assim como deve ser. Eu me inclino e descanso minha testa nela. Por um tempo, tudo o que fazemos é olhar um para o outro, sentimos um ao outro, realmente notando pela primeira vez como somos sem ele. Então eu a beijo. Lentamente, suavemente, com tanto amor quanto eu posso dar a ela. E ela me permite.

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Capítulo vinte e sete DANIEL Nosso beijo é curto, mas doce, nossos lábios persistem em ficar próximos. Eu me pergunto se não há mais do que apenas amar, se ela está buscando a minha atenção porque ela não tem mais ninguém lá fora, ou se ela realmente quer apenas eu. Eu sorrio para ela. — Podemos ir com calma. Não há pressa. Ela morde o lábio e depois balança a cabeça, mas ela treme também. — Tão frio. — Vamos te tirar dessas roupas molhadas. — Eu abaixo seu zíper e tiro suas calças. Ela desfaz o sutiã quando eu abaixo as alças, e seus seios ficam livres. Por um segundo, ela observa a minha reação, mas eu tento me conter. Agora não é o momento. Em vez disso, eu a ajudo a tirar sua roupa de baixo até que ela esteja completamente nua, e então tiro a roupa. Eu sinto seu toque na minha pele gelada, e isso faz meu pau se contrair, mas eu me contenho. À medida que ficamos nus na frente do outro, nós sorrimos. Ela é tão perfeita. Perfeita em todos os sentidos. Ela vira a cabeça e olha para si mesma no espelho grande anexado ao armário, e chama a atenção tanto que ela caminha em direção a ele. Seu corpo nu, molhado brilha à luz do sol quando ela está na frente do espelho e olha para si mesma. Admirando sua beleza, eu sigo atrás dela, perguntando o que ela está pensando quando ela toca seu próprio corpo, traçando suas cicatrizes. Ela abraça-se apertado quando eu me aproximo atrás dela e coloco a mão em seu ombro. — Você é linda. — E muito marcada. — murmura. — Elas são tanto uma parte de você como eu sou. — Como Marcus era.

~ 271 ~


Eu respiro fundo e suspiro. — Como ele era. Tudo e todos que passaram em sua vida fizeram você quem você é. Fez-lhe uma pessoa boa, honesta, uma pessoa amorosa. — Sério? Porque quando eu olho para o meu corpo nu, tudo o que vejo é a menina... aquela menina que deixou o Mestre morrer. — Olhe para mim. — eu digo, e ela olha para mim através do espelho. — Você não é a razão pela qual ele morreu. Ela balança a cabeça algumas vezes, a cabeça delicadamente inclinando para baixo. — Mas ele se foi. Ele não é uma parte de mim. — Ele sempre estará com você. Dentro de você. Como uma parte do que você se tornou. Lágrimas rolam pelo seu rosto e eu envolvo meus braços em torno dela quando nós dois olhamos para ela. — Você está livre agora. Ele queria que você fosse livre. — Livre... sem ele. Eu a viro em torno de meus braços e a abraço apertado. Ela começa a chorar novamente, desta vez sem se conter. Ela tinha estado tranquila até agora, se esquivando sempre que ela se lembrava dele. É a primeira vez desde a sua morte que eu realmente a ouço chorar. Uivos emanam de seu corpo, e ela agarra-me como se eu fosse a última coisa que ela pudesse segurar. Corta-me o coração ouvi-la gritar, e parece que eu estou sangrando por dentro, mas agora, eu devo ser forte. Para ela, eu vou ser uma pedra. — Eu sinto muito… — Está tudo bem. — eu digo. — Chore tanto quanto você precisar. Estou aqui. Eu vou abraçá-la durante o tempo que ela precisar, durante o tempo que ela levar para conseguir tirar tudo isso fora de seu sistema. Não há problema em sentir a necessidade de chorar. Afinal de contas, ela perdeu alguém querido. Isso não deve ser fácil. Não importa quem ele fosse. — Eu não posso parar.

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Ela não precisa parar. Chorar não é ruim. Chorar permite que ela se acalme e tente esquecer. — Eu sei. Basta deixar rolar. — eu digo, e eu cuidadosamente ando para trás com ela até cair sobre a cama. Lá, eu pego os lençóis e nos cubro. Ela abraça-me apertado, a umidade de seus olhos picando em minha pele, mas não me incomoda. Eu dou conta disso. Eu posso tomar a sua raiva, seu medo, sua tristeza. Eu posso ter tudo isso porque é isso que as pessoas fazem quando se amam. Elas não dizem para parar ou pensar em algo melhor. Elas ficam juntas durante o tempo que eles precisarem. Eles estão lá um para o outro. Como deveria ser. Porque o luto finalmente começou.

***

Depois de algumas horas, as lágrimas pararam, e tudo o que resta é seu rosto salgado de lágrimas e olhos vermelhos. Ela encontrase em meu peito, sua respiração vindo em baforadas curtas. Eu continuo sorrindo para ela, deixando-a saber que está tudo bem, mas não há mais lágrimas. Em vez disso, ela apenas me abraça apertado e diz: — Obrigada. — Não há necessidade de me agradecer. — eu digo. — É o que bons namorados devem fazer. Ela se inclina-se em seu cotovelo. — Namorado? — Sim... Achei éramos, já que gostamos um do outro. Suas sobrancelhas se juntam e ela faz um som tsk, antes de puxar o meu travesseiro para fora debaixo de mim e me batendo com ele. — Não seja tão arrogante. Eu pego o travesseiro e jogo fora. — Bem, do que mais você poderia chamar nossa relação? Temos fodido. Nós nos beijamos. Temos praticamente feito tudo que amantes normais fazem. — Mas nós não somos normais. ~ 273 ~


— Somos agora. Ninguém pode nos dizer o que fazer. E eu acho que nós podemos ser ainda mais normais por apenas admitir que estamos juntos. Pelo menos, não há nenhuma dúvida sobre isso. — Por que alguém iria questionar? — Ela levanta a sobrancelha. Sento-me. — Eu não sei. Mas se eu não sou seu namorado, alguém pode vir e reivindicá-la como sua. — Por que diabos alguém iria me querer? — Porque você é bonita... e boa... — Vá em frente... — Ela ergue a cabeça. — Por que você... — eu começo a fazer cócegas nela e ouvir a risada dela e é tão bom, eu continuo até que ela me peça para parar. — Oh, Deus, seu bastardo sujo. — diz ela. — Mas você me ama, — eu digo. — Admita. Um sorriso aparece em seu rosto enquanto ela estreita os olhos. — Você só está com medo... — Com medo de quê? — De achar que você pode não ser capaz ficar comigo. — Não, eu não estou. — Eu franzo a testa. — O que lhe deu essa ideia? Ela pega seu próprio travesseiro e esmaga em meu rosto. — Idiota. Você acabou de dizer que pensou que alguém iria me reivindicar. Como se eu fosse algum tipo de propriedade. — Não, claro que não. — eu digo, me defendendo. — Oh, esqueça. — Eu arranco seu travesseiro também e jogo outro nela. — Ha, eu ganhei. — diz ela, rindo. — Bom para você. — eu digo, limpando a garganta. — Ei... mas eu te amo, você sabe. — diz ela casualmente. Eu levanto uma sobrancelha. — Okay, certo. — Não... eu quero dizer isso. — Ela sorri. — Eu te amo. Eu só não posso...

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— Oh, eu sei. — Dou-lhe um polegar para cima. — Sem pressa. Eu só queria ter certeza. Ela revira os olhos novamente. — Daniel, você é o único, e eu não acho que ninguém nunca vai se comparar. Feliz? Eu sorrio. — Feliz. Seu estômago ronca, e ela segura a barriga como se ela estivesse com dor. — Deus, eu estou com fome. — Vamos descer para o bar, então. — Você acha que eles têm comida lá? — Ela puxa os lençóis de cima dela. Eu salto para fora da cama para alcançar a caixa, tirando algumas notas. — Claro. Achei que você tivesse assistido todos os DVD’s enquanto morávamos com Marcos? Ela encolhe os ombros. — Eh, eu poderia ter caído no sono em algumas. Balanço a cabeça e a chamo. — Vamos. — Hum... você não está esquecendo de algo? — Diz ela, apontando para mim. Eu olho para baixo e só então eu noto que eu ainda estou nu, e ela também. Ela ri quando eu vou em direção ao armário e pego dois roupões de banho. — Não. — Eu lanço um para ela e coloco o outro. Ele mal consegue cobrir minha bunda, mas ainda assim eu digo: — Feito. Ela ri novamente. — Você realmente parece... — O quê? — Eu digo, estreitando os olhos para ela. — Vamos lá. Diga. Eu posso aguentar. Ela segura a mão na frente da boca, claramente tentando não gargalhar. — Perfeito. — Isso foi o que eu pensei. — eu digo enquanto eu marcho em direção à porta. — Vamos.

***

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A primeira coisa que faremos é comprar algumas roupas em uma loja no aeroporto. Em todos os lugares que fomos, fomos recebidos com olhares estranhos, então pensamos que seria melhor se nós comprássemos algumas roupas adequadas em primeiro lugar. O caixa não parece ter quaisquer problemas em nos ver de roupão enquanto comprávamos, visto que viemos aqui apenas de roupão de banho para cobrir nossos traseiros nus, o que é bom. Depois que comprei tudo o que precisamos, vamos a um restaurante nas proximidades e pedimos uma mesa para dois. Está tranquilo, apenas um bom lugar para começar, especialmente para Ava. Ela está calma e um pouco tímida no início, mas quando o menu chega, ela acende-se completamente. — Oh, wow... tantas coisas para comer! — Diz ela, lambendo os lábios. — Eu posso pedir? Eu rio. — Qualquer coisa que você quiser. Nós somos livres para fazer o que quisermos. Ela esfrega os lábios, sua testa vincando enquanto ela se concentra no menu. — Mas eu não consigo escolher... todos eles parecem deliciosos. Eu quero provar todos eles. Eu dou de ombros. — Então prove todos. Seu queixo cai, mas seus olhos estão em chamas também. Ela olha para o garçom. — Todos eles! Ele faz uma cara. — O que? Você quer tudo? — Sim, por favor. — ela murmura, corando. — Se isso não for possível, eu entendo. — Oh, não, isso é possível. Acho que podemos fazer isso. — Ele limpa a garganta. — Todos os itens no menu para a senhora. E o que você gostaria de pedir, senhor? — Oh, eu vou comer junto com ela. — medito, cruzando as mãos atrás da cabeça. O garçom enfia a caneta de volta certo. Obrigado. — E ele vai embora novamente.

no

bolso. —

Tudo

Eu não posso deixar de sorrir brilhantemente para ela quando, ela começa a reorganizar seu garfo e faca até que eles estão

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perfeitamente alinhados com seu prato. Quando ela percebe o meu sorriso, ela diz. — O que? Então eu digo: — Nada. Seus olhos estreitos. — Você está olhando para mim engraçado. — Eu só estou espantado. — eu digo. — O que? Você disse que eu poderia pedir a todos. — diz ela. — Eu sei. — eu digo. — Eu só estou espantado em como algo tão simples só pode me fazer te amar mais. Seu rosto fica completamente vermelho e ela desvia os olhos. — Hmm... — Bem... — Eu murmuro depois de alguns segundos de silêncio. — Vamos pedir algumas bebidas também. Eu aceno para o garçom, e ambos pedimos bebidas. Quando a comida chega, ela parece muito feliz, seu rosto está radiante quando ela pega um pouco de cada prato. Nós devoramos a comida como se não houvesse amanhã. É tão bom. Nós rimos, fizemos piadas, nos divertimos... e honestamente, é quase como se nós fossemos um casal normal. Como nós finalmente pertencêssemos a algum lugar. Como se tudo estivesse se encaixando. Pela primeira vez em muito tempo que me lembro, eu posso honestamente dizer que ela parece feliz. Muito feliz. Como alguém que é livre, sem ônus, sem medo. Seu sorriso me diz que vamos ficar bem. Eu só sei isso. Com as barrigas cheias e novos sabores explorados, voltamos para o nosso quarto de hotel. Ela ainda está falando sobre como boa a comida estava e quão ela queria comer tudo, apesar de ter sido muita comida para apenas nós dois. Isso me faz sorrir só de pensar em todas as coisas que ainda vai experimentar. Exceto, quando entramos o quarto de hotel, ela diz. — Eu acho que eu me sinto doente.

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Eu esfrego sua barriga. — Aww, não? Você comeu um humano inteiro. Ela ri, mas depois se encolhe. — Rir dói. — Ela arrota. — Deus, eu nunca soube que comer tanto me fizesse querer vomitar. — Isso é o que você ganha por pedir tudo. — medito. — Mas foi tão bom... — Ela diz. — Eu pensei que eu pudesse aguentar, mas de repente eu me sinto tão... Eu acho que vou vomitar. — Ela imediatamente corre para o banheiro e joga metade da comida fora. Eu suspiro e esfrego as costas até que ela se levanta, entregandolhe uma toalha. — Bem, lá se vai o fabuloso jantar. — ela murmura depois de um tempo. — Está bem. Você apenas tem que aprender a fazer isso devagar. — eu digo. — Temos muito mais tempo para comer toda a comida que quisermos. — Eu sei. Eu só não sei por que eu me sinto tão doente de repente. Eu a levo de volta para o quarto e nos sentamos na cama. — Quer deitar um pouco? — Pergunto. — Não... eu me sinto bem agora. Eu franzo a testa. — Sério? Porque você parecia muito doente apenas um minuto atrás. — Sim... eu não sei o que é, mas agora que eu vomitei, eu me sinto muito melhor. — Ela suspira. — Então o que fazemos agora? — Tudo o que nós quisermos. — Eu dou de ombros. — Para onde Ficamos? Partimos?

vamos

a

partir

daqui?

Diz

ela. —

— Bem... eu poderia jurar que vi algo escondido no fundo da caixa. Espere um pouco. — Eu sorrio para ela e, em seguida, me curvo para pegar a caixa debaixo da cama. — Havia um monte de papéis na mesma, mas havia algo que chamou minha atenção. — Eu abro a tampa e peneiro os papéis até que eu encontro o que estou procurando. — Veja.

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Eu seguro o papel, mostrando-lhe os detalhes de uma casa em algum lugar em Oregon. É uma certidão e junto a ela uma pequena nota. Esta casa é sua. Já está paga completamente. Eu usei os fundos não rastreáveis, de modo que ninguém da Aliança sabe sobre ela. Assim como suas identidades e contas, tudo foi feito em segredo para que você possa encontrar a paz que você merece, sem que ninguém a cace. Espero que gostem do local e sua liberdade recém-descoberta. Era o mínimo que eu podia fazer. — Uma casa... — murmura Ava. — Ele nos deu uma casa? — Parece. — eu digo. Ela sorri brilhantemente, em seguida, me abraça apertado. — Eu não posso acreditar. Isso é maravilhoso! — Sim, é algo, bom. — Eu respiro fundo e suspiro. — Talvez ele não fosse tão ruim, afinal. — Talvez ele não fosse. Ele não era. — ela repete, lambendo os lábios. — Vamos lá. — Agora? — Sim, por que não? — Ela encolhe os ombros, e sorrimos um para o outro. Eu acho que não há nenhuma razão para não aceitarmos. Eu sorrio. — Tudo bem, vamos lá.

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Capítulo vinte e oito AVA Eu não posso acreditar que estamos saindo para o mundo real agora. Não apenas para o aeroporto, mas para uma cidade. Sozinhos. Sem nenhum Mestre para nos acompanhar. Ninguém para nos dizer o que fazer. Parece bom demais para ser verdade, mas eu não consigo afastar a picada familiar no meu peito. Sinto falta dele, eu sinceramente sinto, e eu acho que esse sentimento nunca irá embora. Marcus... o homem que eu conhecia como meu Mestre foi também o homem que arruinou a minha vida. É difícil vê-lo como uma mesma pessoa. Para mim, eles vão sempre ser duas pessoas distintas... mas eu acho que é simplesmente ignorar a verdade. Então, ao invés disso, eu me concentro nas coisas boas acontecendo no momento. Estamos dirigindo na estrada, no caminho para a nossa nova casa. Daniel comprou um carro barato em um revendedor de segunda mão. No início, eu estava confusa a respeito de como ele poderia dirigir, mas, em seguida, ele explicou que sua senhora queria apenas que seus guardas pessoais a levassem porque ela não confiava em ninguém, então uma licença para dirigir faz sentido. Nós paramos de vez em quando para nos alimentarmos e usarmos o banheiro, e desta vez, é a minha vez de comprar alguns doces e bebidas. Quando eu entro na loja, meu estômago não pode deixar de rosnar para cada barra de chocolate e sanduíche que eu vejo. Eu sinto que eu poderia comer um cavalo ou mais, o que é estranho, porque eu nunca comi tanto. Eu também nunca me sentia mal também, mas meu

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corpo ainda deve estar em estado de choque ou algo assim. Eu posso vomitar do nada e, em seguida, também sentir fome novamente em algum momento. Faz-me perguntar se há algo de errado comigo. E mesmo que Marcus dissesse claramente que o seu tumor não era contagioso, eu ainda não posso afastar a sensação de que eu tenha mudado. Quando eu passeio pelos corredores procurando as barras de Mounds, que sei que Daniel ama, algo no canto chama a minha atenção. Uma seção com os itens que vi na televisão e todas as revistas que eu li... artigos femininos. De alguma forma, eu estou atraída por eles porque eu nunca os vi pendurado na loja. Quando eu ainda estava com o meu velho Mestre, era proibido mostrar que nós estávamos no período menstrual. A maioria de nós era muito frágil, muito doente e magra, mas às vezes, nós menstruávamos. Se fosse esse o caso, alguma outra empregada nos entregava um absorvente, como se fosse algum tipo de segredo apenas entre as mulheres. Era como um pecado falar sobre isso. No entanto, tudo está em exibição aqui como se fosse a coisa mais normal do mundo. Provavelmente é. Deve ser, para mim também. Isso é o que Marcus me disse, de qualquer maneira. A última vez que eu tive o meu período foi quando eu vivia com ele, e foi assustador para dizer o mínimo, especialmente quando ele descobriu. Mas ele me disse para não me preocupar com isso; ele disse que era a coisa mais normal do mundo. Ele até me deu alguns absorventes, algo que eu nunca pensei que fosse acontecer. Marcus não queria que eu me sentisse envergonhada. Ele queria que eu me orgulhasse, mesmo de algo assim. Ser uma mulher não é nada para se envergonhar, ele diria. E assim, eu fico na frente do rack, perguntando se eu deveria simplesmente pegar algo para o bem disso. Por uma questão de ser orgulhoso. Por uma questão de ser mulher e estar bem com isso. Mas então eu noto alguns outros produtos pendurados nas prateleiras, e meus olhos são imediatamente atraídos para a embalagem. Eu quero agarrar tudo, curiosa para experimentar, então eu faço. Eu carrego o meu carrinho com um de cada e, em seguida, pego mais um pouco de comida antes de correr para o balcão.

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O caixa olha para mim como se eu tivesse perdido a cabeça por querer comprar tanta coisa, mas para mim, é inestimável. Eu acho que ela não seria capaz de entender. Ela coloca tudo em um saco e eu levo de volta para o carro. — Jesus, isso é um monte de coisas. — Daniel diz, rindo. — Sim, então? — O que tem í? — Ele olha para o saco. Eu dou de ombros. — Apenas algumas coisas que eu queria experimentar. — Tudo bem... — Ele dá de ombros. — Bem, é quase noite, então eu sugiro que nós encontremos um hotel. Eu não acho que nós vamos chegar em casa hoje. — Está bem. Eu não me importo. — eu digo, alegremente olhando para a bolsa no banco de trás. — Eu quero experimentar as coisas que eu comprei de qualquer maneira. Daniel abafa outra risada e continua a dirigir. — Qualquer coisa que te faça feliz. Eu sorrio, sabendo que ele não está brincando. Ele está sério quando diz que quer que eu seja feliz. E eu gosto disso. Eu gosto de sua honestidade. Sua sinceridade. Ele realmente me ama. Eu sorrio todo o caminho até o hotel onde nós reservamos um quarto para dois. Quando estamos no quarto, eu imediatamente abro o saco e jogo para ele seu Mounds. — Aqui. — Yum. — diz ele, rasgando o pacote, dando uma mordida. — Eu nunca vou ter o suficiente disso. — Eu sou assim, mas com Snickers. — Eu gemo quando eu dou a primeira mordida. Nós olhamos e rimos porque é engraçado que podemos ficar tão bobos por causa de doces. É como um pequeno tesouro para nós. Algo que nunca tive, mas somos capazes de experimentar livremente agora. Depois que eu acabo,

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eu digo: — Vou experimentar algumas das outras coisas que eu comprei no banheiro. — Vá em frente. — diz Daniel, e ele cai em cima da cama para testá-lo. — Eu vou ficar aqui deitado relaxando. Concordo com a cabeça e pego o saco, alegremente correndo para o banheiro por algum tempo particular. Eu pego a Gilette e puxo da embalagem, leio o que diz na parte traseira. Então eu coloco na água e deixo encher a banheira quando eu derramo alguns óleos. O cheiro é maravilhoso quando eu afundo e uso a Gilette nas minhas pernas, assim como descrito na embalagem. Depois que eu acabo, minhas pernas parecem tão suaves. Assim como eles disseram que seria. Eu me sinto tão mimada. Se isto é o que as pessoas normais fazem, eu poderia me acostumar com isso. Depois de um tempo, eu saio do banho e agarro uma das toalhas ultra macias para me secar. Foi quando outro dos produtos me chama a atenção. Eu pego e leio o texto na parte traseira. Ele fala sobre os sintomas... exatamente o mesmo que eu tenho experimentado nos últimos tempos. Então eu sigo as instruções. Leva um pouco de tempo, mas eu consigo. Mas então alguém bate na minha porta, e eu quase deixo cair no vaso sanitário. — Você está bem aí? — Daniel pergunta. — Sim eu... Eu fico olhando para o pequeno bastão na minha mão. O círculo lentamente se transforma de um risco para dois riscos. — Oh, Deus... — murmuro. — Qual o problema? — Diz Daniel. Segurando o bastão em minhas mãos trêmulas, eu abro a porta e deixo Daniel entrar. — Estou grávida.

***

~ 283 ~


DANIEL Meu queixo cai. — O que? Você tem certeza? Ela mostra o bastão. — Eu fiz xixi nele, e de acordo com a caixa, eu estou. Corro os dedos pelo meu cabelo. — Mas como… — Eu não sei. — diz ela, baixando os olhos. — Eu só vi isso na loja, e batia com os meus sintomas, então eu pensei em comprar. — Oh Deus... tudo faz sentido agora. — Eu coloco minha mão na frente da minha boca. — Você estava comendo muito e sentindo doente o tempo todo. E você dormiu como uma louca. — Sim... é por isso que eu... É quase inacreditável. — Mas como é que é mesmo possível? Eu pensei que você não podia... Ela engole enquanto olha para mim. — Eu achei isso também. Não é para meninas como eu. Eu raramente tenho o meu período. — Mas você teve um com Mestre Marcus... — murmuro. — Sim. — diz ela, sugando uma respiração. — E nós fizemos sexo. Muitas vezes. Sem proteção... Achei que isso não importava, as meninas que eu conheço nunca engravidaram. — Ela suga a respiração. — Oh Deus... Eu estou grávida? Suas mãos instintivamente chegam até sua barriga, e ela se vira e olha para si mesma no espelho. — Eu estou carregando um bebê. Eu estou atrás dela e olhando-a através do espelho. — Se é realmente a verdade... você se sente como se fosse uma coisa boa? Ela morde o lábio, pensando nisso por um segundo, e então diz: — Sim... parece... bom. — Ela me olha por cima do ombro. — Como você se sente com isso? Eu franzo a testa, surpresa com a pergunta. Por que o que eu penso importa? Mas então eu percebo que ela está me perguntando por que ela realmente se preocupa com a minha opinião... porque ela me ama também.

~ 284 ~


Eu sorrio e envolvo meus braços em torno dela. — Eu quero o que você quer, e se você acha que ter o bebê é bom... então eu acho que é bom também. — Mas pode não ser seu. — Diz ela. A súbita percepção de que este poderia ser o caso não me perturba. — Não importa. Ela olha para mim através do espelho. — Sério? — Sério. Ele é parte de você. Eu te amo, então eu o amo também. — Talvez seja ela... — diz ela, rindo. — Eu vou amá-la da mesma forma. — eu digo, beijando Ava na cabeça. — Você está realmente bem com isso? Eu acho... Eu acho que eu quero mantê-lo. — Ela pega a minha mão e a coloca em sua barriga. — Com você. Eu quero criá-lo com você. — Você quer criar um filho... comigo? — Eu não sei se nós podemos... mas eu quero tentar. — diz ela. Apenas a ideia me assusta, mas eu sei que não posso dizer não a isso. Não a algo que está crescendo dentro dela, que tem seus próprios genes. Eu amo tudo sobre Ava, incluindo o que está dentro dela. E por ela sugerir que podemos criá-lo... isso só enche meu coração com o calor. — Eu gostaria sim... — murmuro, descansando meu queixo no ombro dela. — Mesmo se ele acabe sendo de Marcus? — Mesmo assim... — digo. — Eu amo você, Ava. Nada vai mudar isso, e eu amarei o bebê, mesmo que não seja meu. Porque se você ficar comigo e eu ficar com você, nós podemos criar este bebê juntos. Ele não conhecerá nada diferente. Eu serei seu pai e você vai ser sua mãe. — Mãe... Eu gosto do som disso. — Ela se vira em meus braços. — Pai... Eu vou ser pai. — Você pode imaginar? — Ela comenta com uma risada suave vindo de sua boca.

~ 285 ~


— Não, e eu com certeza não estou preparado para isso. Temos um monte de coisas a fazer e muito a estudar. — Sim, mas eu sei que nós vamos fazer isso. Nós temos que fazer. Porque agora não estamos mais sozinhos. — diz ela. — Nós vamos ter um bebê. — Um bebê... uau... — Eu mal posso compreender, mas só de pensar nisso me faz sorrir de orelha a orelha. — Você acha que pode fazer isso? — Ela pergunta depois de um tempo. — Claro que podemos. Estamos livres agora, livres para fazer o que quisermos e como quisermos. — eu digo, e eu a beijo na bochecha. — Nós podemos fazer qualquer coisa que vier a cabeça, contanto que nós acreditemos.

~ 286 ~


Capítulo vinte e nove DANIEL Semanas depois A nossa casa é tudo o que imaginei que fosse. Madeira, com uma cerca branca, e um belo jardim na frente. Vivemos em uma rua na periferia da cidade. Ocupada, mas não muito ocupada... perfeita para nós. Ava escolheu as cores que pintamos o interior da casa, uma mistura de azul claro e branco, um tema marinho, preenchido com imagens de natureza e culturas de todo o mundo. Ela tem muito bom gosto, e eu amo isso aqui. Estamos vivendo a vida dos nossos sonhos, e é tudo graças a Marcus. Eu odeio dizer isso, mas é verdade... Eu devo ao homem, e eu sou grato por ele ter nos dado esta oportunidade. Mesmo ele sendo o responsável por arruinar nossas vidas, ele não tinha obrigação de corrigir isso ou... mas ele fez de qualquer maneira. Ele fez o seu melhor para nos dar tudo o que precisávamos para tornar nossas vidas melhor, então tenho a sensação de que ele não é de todo ruim. Ava estava certa. Havia mais neste homem que apenas aparentava. Talvez ele realmente a amasse. Talvez ele realmente se importasse com nós dois. A prova está na casa... o que eu sou grato por cada dia que eu acordo. Com ela do meu lado, eu poderia dizer que sou o mais feliz homem livre na Terra. Depois de viver aqui por uma semana, eu consegui um emprego em um supermercado. Nós não precisamos do dinheiro, mas eu quero fazer algo significativo, algo para me manter ocupado durante o dia diferente de tarefas domésticas.

~ 287 ~


Mas hoje, eu tenho um dia de folga, o que significa ficar na cama por muito tempo e desfrutar de um café da manhã tardio. Ava e eu fomos ao médico no outro dia e ele nos disse que está tudo bem, contanto que ela não abuse. Mas ela está realmente grávida. Eu ainda estou me acostumando com a ideia, mas quando eu penso sobre o fato de que é uma parte dela, sinto uma felicidade única. Segurando uma xícara de café fumegante, eu olho para a minha menina, que finalmente concordou em realmente — ser minha garota de verdade. — há algumas semanas. Eu ainda não sei como eu consegui levá-la a concordar, mas incluiu alguma persuasão física. Ei, só porque ela está grávida não significa que eu tenho que deixar minhas mãos longe dela. Pelo contrário, o fato de ela carregar um bebê aparentemente só aumentou sua luxúria, mas eu não tenho queixas. Eu sorrio pensando em seu corpo doce quando eu a vejo pegar a roupa e colocá-la na cesta. Ela se debruça para pegar algumas peças que caíram, então eu salto para pegar coisas para ela. — Oh, você não tem que ajudar. — Ela agarra sua barriga como se ela precisasse protegê-la. — Mas eu quero. — eu digo, e eu encho a máquina de roupas. — Obrigada. — diz ela. — O bebê está ficando tão pesado recentemente. Às vezes, eu me pergunto se há dois, em vez de apenas um. Eu dou de ombros. — Quem sabe? Ela franze considerando...

a

testa. —

O

que? Você

não

está

realmente

Eu faço uma careta e seguro minhas mãos, realmente sem ter uma resposta. Seus olhos de repente, alargam e seu queixo cai. — Oh, meu Deus... é isso. — O que eu digo. — Deve haver dois. — Não... dois bebês?

~ 288 ~


Ela pega a minha mão. — De que outra forma você explicaria esses dois chutes? Estou sentindo isso na minha barriga quando eu a toco? Você sentiu isso também. — Sim, mas isso poderia ser apenas porque ele está espalhando seus pés. — Não, são como... quatro mãos. Eu pensei que ele poderia ter se mexido muito rápido, mas pode ser realmente dois? Eu coloco minha mão na minha testa. — Oh Deus… — O que? Não é bom?— Diz ela, sorrindo. — Eu pensei que eu mal conseguia segurar um bebê, muito menos dois. Ela aperta minha mão e me beija na bochecha. — Você vai fazer bem. Você é um ótimo namorado. Você vai ser um grande pai também. — Namorado? — Eu levanto minha sobrancelha. — Então você está finalmente admitindo que eu sou o seu namorado? Ela revira os olhos. — Nós não somos desde a última semana? — Sim, mas eu nunca me canso. Na verdade... quanto mais você diz, mais eu vou ser capaz de lidar com tudo isso. Ela suspira. — Sim, você é meu namorado, Daniel, e você vai ser um bom pai. — Você acha que eu sou bom? — Eu a agarro e puxo em meus braços. — Muito bom. Minha testa se inclina contra a dela quando eu rosno sedutoramente. — Eu gosto do som disso. Por uma questão de fato, eu acho que devemos testar se eu ainda sou tão bom quanto você pensa que eu sou. Pressiono um beijo quente e delicioso em seus lábios, e ela sorri, suprimindo uma risada. — Eu não acho que vou me acostumar com isso. — É melhor, porque eu não vou a lugar nenhum. — Nem mesmo se forem dois bebês?

~ 289 ~


— Droga, nem mesmo se fosse cinco deles você seria capaz de me afastar. Ela ri, e então eu esmago meus lábios de volta nos dela, sem a intenção de largá-la novamente. Eu preciso dela e ela precisa de mim, e isso nunca vai mudar. Agora não. Nunca.

***

AVA Meses depois Acontece que meu palpite estava certo. Quando eu dei à luz no hospital local, a dor era imensa, mas nada se compara à alegria que sinto no momento em que vejo o rosto de meu bebê pela primeira vez. E não um... mas dois sorrisos pequenos me cumprimentam de volta o que eu digo oi com os olhos marejados. Eu não posso acreditar... Eu sou mãe. Quando eu os seguro, tudo ao meu redor deixa de existir. Tudo o que posso pensar são nesses dois seres pequenos preciosos... uma menina, um menino. Perfeitos em todos os sentidos. Vou amá-los até o dia que eu morrer. Percebo então que eu nunca estive mais viva, não até que eu conhecesse estes dois anjos. Vê-los em meus braços, finalmente me faz sentir como se eu fosse quem eu deveria ser. Eu não estou viva por mim, mas para eles. Por toda a alegria que eles me fazem sentir e vão sentir. Por todas as memórias horríveis que eles nunca, nunca terão. Eu pensei que eu tinha perdido o meu propósito, mas agora, eu achei neles. Minha vida tem sentido... porque eles existem por causa de mim, e eu vou protegê-los com todo o meu coração e orientá-los, assim como fui guiada para viver esta vida com amor.

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E quando eu olho para a menina e vejo o cabelo vermelho de Daniel, eu sorrio e olho para seu pai. — É você. — eu digo. — Ela é sua. Daniel afasta uma lágrima em seus olhos. — Ela é minha... Eu sou pai. — Você é pai agora. Um pai de verdade. — Eu entrego a pequena para ele, e ele segura-a perto de seu peito, apoiando a sua pequena cabeça como se fosse natural para ele. Posso dizer pelo jeito que ele olha a menina que ele vai amá-la tanto quanto eu. — Eu não me importo. — diz Daniel. — Se você leva meus genes ou não, não importa. Eu vou te amar. E eu vou amá-la. — Ele olha para o menino e sorri, e você também. — Eles são tão bonitos. — eu digo, olhando para ele. E quando ele abre os olhos escuros, castanhos e olha de volta para mim, vejo um rosto familiar olhando para mim. — Ele é dele. — eu sussurro, dando um beijo na testa. Daniel olha para mim enquanto silencia o bebê em seus braços. — E ele é perfeito. Ambos são. E sabe de uma coisa? Agora, você sempre terá Marcus com você... dentro dele. Eu olho para o menino, e ele envolve sua mão pequena em torno de meu dedo. — Eu pensei que tinha perdido ele, mas você está aqui agora... você está aqui, e assim ele também. Olhando para ele, percebo que Marcus me deu a mais bela bênção que existe. Este menino aqui é a prova de seu amor por mim. Eu não o perdi. Eu nunca perco. Ele vive dentro dele. E ele vive dentro do meu coração.

***

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DANIEL Um ano depois Eu coloco a nossa menina de volta na cama e canto uma canção para ela até que seus olhos se fecham. Desligo a luz, eu fecho a porta, em seguida, eu faço o meu caminho para o quarto. Ava está sentada na cama, cantando uma canção de ninar para o nosso filho, que parece cansado e pronto para dormir. Eles parecem tão angelicais juntos. Nunca imaginei, quando eu conheci Ava, que gostaria de ter um bebê com ela e que estaríamos vivendo juntos como pessoas normais. Mas agora que é a minha realidade, eu não quero mais nada. Na verdade, eu não posso imaginar uma vida sem qualquer um dos três mais. Nós pertencemos um ao outro, e eu me sinto mais em casa aqui do que eu já senti antes. Nosso passado está atrás de nós... tudo lá e olhar é para frente agora, é o nosso futuro. E eu suspeito que eu vou carregar esse bebê para sua cama em um futuro muito próximo, o que significa agora. — Devo colocá-lo em sua cama também? — Eu pergunto, sorrindo para Ava. Ela lhe entrega para mim. — Não o acorde. — Eu não vou. — eu digo, e eu o pego com todo cuidado. Eu beijo ambos, lembrando-me quão bom está agora que tudo está se encaixando. Minha vida finalmente faz sentido novamente, e tudo graças a Ava. Ou graças a Marcus, porque, em última análise, ele é o único que nos deu de volta a nossa liberdade. E eu não posso odiá-lo por isso. Eu realmente não posso segurar minha raiva mais... tudo o que sinto é gratidão, sabendo o que ele sacrificou para nos dar a nossa liberdade de volta. Eu faço o meu caminho de volta Ava, que ainda está sentada na cama. Sento-me ao lado dela e agarro a sua mão. — Você sabe... quando você está sentada aí cansada, olhando para mim assim... isso realmente me faz querer beijar você.

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Um sorriso aparece em seus lábios. — O que está te impedindo? Eu sorrio, e eu me inclino, agarrando seu rosto, e pressiono meus lábios nos dela. Céu. Essa é a única coisa que vem à mente quando eu sinto seu gosto. E eu estou vivendo aqui na Terra com ela. Quando eu afasto meus lábios dos dela, ela lambe os lábios e diz: — Eu nunca vou ter o suficiente. — Nem eu... — murmuro, e eu inclino minha testa contra a dela. Ela sorri para mim e, em seguida, olha para fora na frente dela para a caixa sobre a mesa ao lado da porta. Seus olhos nunca deixam a caixa, então depois de um tempo, eu me levanto e pego para ela. — Isto é o que você quer, certo? — Eu pergunto, colocando-a em suas mãos. Ela olha para a caixa, seus dedos roçando a tampa. — Eu acho... Eu acho que estou preparada agora. Eu aceno enquanto ela olha para mim com olhos curiosos, e então ela abre a caixa. Suspirando, ela pega o envelope e tira a folha para fora. Eu seguro a mão dela apertado enquanto ela toma uma respiração profunda e começa a ler.

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Capítulo trinta AVA Ava, No momento em que você ler isso, eu já terei desaparecido da sua vida, quer seja devido a você sair ou minha morte. Eu queria deixar isso para você como um presente final. Até agora, você deve saber que o meu tumor cerebral é incurável. Eu nunca te contei sobre minha doença, e foi por isso, eu sinto muito. Nunca foi minha intenção magoar você. Eu simplesmente queria salvá-la da dor que você teve que passar por saber que eu não estaria sempre lá para você. Pelo menos, não fisicamente. Mas eu quero que você saiba que, não importa onde você esteja eu vou sempre estar lá olhando para você, mesmo depois que eu estiver muito longe. Eu prendo minha respiração enquanto eu leio as palavras. Eu quero que você viva uma vida longa e feliz. É tudo que eu sempre quis. Tudo o que eu tentei alcançar. Você era meu objeto de afeto, mas também o meu objetivo na vida... Eu fiz muitas coisas erradas na minha vida, mas eu jurei que iria fazer as coisas direito. Eu não sei se eu consegui, ou se ainda irei, mas saiba que eu tentei com mais força do que eu pensei que eu fosse capaz. Eu sabia que despejar minha alma para ajudar você e Daniel significava que você seria um dia livre. No entanto, eu nunca achei que você ia se apaixonar por mim. E não importa o quanto eu tentei resistir, eu me apaixonei por você também. Amor. Ele me amou. Ele realmente me amava. Nunca planejei, mas aconteceu... e eu sabia que isso iria nos arruinar.

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Isso significava que, um dia, você teria que descobrir o que eu tinha feito para você. E isso iria quebrar você além do reparo. Tudo o que eu tentava alcançar, corrigir o que eu tinha quebrado, consertar seus ferimentos, seria por nada se você simplesmente desistisse por minha causa. Então, foi por isso que eu te escrevi esta carta. Para te tornar livre, eu precisava mostrar-lhe o mundo e, ao fazê-lo, mostrei a mim mesmo. Mas eu não quero que você perca a fé na humanidade. Há tantas pessoas maravilhosas lá fora, todas elas têm a sua própria história para contar, mas nenhuma delas nunca vai ser tão cruel quanto eu fui para você. Eu espero que você aceite o meu último presente. Em anexo a esta carta está o meu caderno de anotação pessoal. Eu não estava planejando entregá-lo, mas talvez ele vá ajudar você a superar sua dor e raiva ao descobrir o meu segredo. Eu pego o caderno e olho para frente e para trás, me perguntando o que há ali dentro. Lamento ter causado tanta dor. Eu sei que nunca poderei ser perdoado, mas, pelo menos, encontre em seu coração força para seguir em frente. Daniel vai estar lá para você, eu sei que ele vai, e você deve contar com ele para apoiá-la. Eu vi o quão bem vocês dois se dão. Há algo entre vocês que você tem que agarrar. Eu sei que vocês dois pertencem um ao outro. Eu olho para Daniel, que está corando quando ele percebe o que lê. Eu sorrio para ele, sabendo que temos a bênção de Marcus. Mesmo que não seja necessário, porque ele não está mais aqui... ainda é uma sensação boa. É engraçado como as coisas acontecem. Eu nunca quis que vocês dois se interessassem um pelo outro, mas vocês fizeram. Ele acabou proporcionando uma grande fuga para ambos. Algo que vale a pena explorar... vale a pena lutar. Estime isso. Adoreo. Viva. Não se prenda ao passado. Concentre-se no futuro. É o que eu quero para você.

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Por favor, leia o caderno. Vai dar-lhe uma visão sobre por que eu fiz o que fiz, e pode aliviá-la de alguma miséria, mesmo que seja só um pouquinho... qualquer coisa vale a pena tentar. Porque para mim, você é a menina de ouro. Uma menina pela qual vale a pena lutar com cada última gota do meu sangue. Eu não sabia disso quando comprei você, mas eu sei agora. Você é outra coisa, Ava. Alguém que merece muito mais, mas nunca foi lhe dada uma chance. Então, aqui está sua chance. Pegue. Pegue tudo e torne sua vida exatamente do jeito que você quer que seja. Com amor, Mestre Marcus PS Vire a nota. Quando eu viro a nota, eu descubro que há uma foto minha sendo abraçada pela minha mãe e meu pai. Ela parece antiga e desgastada, e eu imagino que isso seja algo que Marcus teria guardado em uma caixa de sapatos todo esse tempo. Com lágrimas nos meus olhos, eu solto a fita, liberando a foto. Na parte de trás, ele diz: — Nós te amamos, Ava! Mamãe e papai. Ava. Ava é meu nome real. O nome que eu recebi quando nasci. Algo tão pequeno quanto uma foto com os rostos daqueles que amei pode de repente fazer você lembrar de algo que você pensou que havia há muito esquecido. Meu nome é realmente Ava. Marcus já sabia. Ele sempre soube. Eu só não me lembrava... mas eu me lembro agora.

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Mordendo meu lábio, eu olho para as últimas frases por um tempo, ouço a sua voz na minha cabeça. Eu mordo as lágrimas. — Ava... isso significa que o seu verdadeiro nome é Ava também? — Daniel murmura. — Sim... — murmuro, piscando as lágrimas. — Meu verdadeiro nome é Maurice, eu acho... . — diz ele. Eu olho para ele. — Como você sabe? — Uma das primeiras caixas que eu encontrei. — Ele franze a testa. — Eu não sabia no momento, mas o nome que estava escrito sob a imagem era o meu nome real, mas quanto mais eu pensava sobre isso, mais familiar parecia. — Foi quando eu te dei o nome de Daniel. — eu digo. Ele sorri para mim. — Eu gosto de Daniel, mais, na verdade. — Sério? — Sim. — Ele balança a cabeça. — Você o escolheu. — Como Ava. Marcus escolheu Ava... ele sempre pareceu real, mesmo se eu não soubesse. — Ele realmente amou você, não foi? — Daniel diz, esfregando minhas costas. — Eu acho que ele amou, sim... — Eu digo, farejando. — Mas é bom, sabe? É bom. Daniel concorda e aponta para o caderno. — Quer ler o que tem dentro? — Sim, porque não. Talvez possa ajudar-nos a compreender. Eu coloco a pequena nota no envelope e coloco de volta na caixa como um artigo precioso que nunca pode ser perturbado. Então eu abro o caderno e começo a ler em voz alta.

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Diário de Marcus Knight Entrada 1 Hoje, o médico me disse que eu tinha um tumor na minha cabeça. Honestamente, eu não sei o que fazer. Eu estive pensando o dia todo, imaginando como diabos eu vou viver com isso. Não tenho dinheiro. Nenhum trabalho. Felizmente, nenhuma mulher e as crianças também, mas eu não posso pagar as contas médicas que vêm como tratamento de um tumor do caralho. Mas eu sou muito jovem para morrer. Dezoito... Eu tenho apenas dezoito anos. Foda-se, eu não vou. Eu não vou desistir. Eu vou encontrar o que eu possa fazer e coisas para corrigir isso. É a minha única chance de sobrevivência, mas eu não estou pronto para morrer ainda. Eu vou passar por isso.

Entrada 2 Eu encontrei um novo emprego no negócio subterrâneo. Começarei o trabalho com um amigo, mas eu não estou muito certo sobre isso. Tudo parece um pouco violento demais para mim. Nós pressionamos clientes para que eles paguem o dinheiro que devem. É um trabalho sujo, mas eu acho que alguém tem que fazê-lo. Toda vez que eu bato em alguém, digo a mim mesmo que estou fazendo isso por uma boa razão. É a única maneira de vencer este tumor e a pena é para quem fica no meu caminho para alcançar meu objetivo. Eu acho que é comer ou ser comido neste mundo. Mas vai ter um custo, disso eu tenho certeza.

Entrada 3 Eu sou careca. Literalmente, careca como uma águia. Os remédios estão funcionando, mas eu não sei por quanto tempo. Eu me sinto tão doente o tempo todo. Eu mal posso fazer o meu trabalho. Eu acho que meu chefe ameaçou me demitir cerca de dez vezes agora, mas ele não quer me deixar ir ou porque eu sou muito bom no que faço. Ou porque não tem ninguém que aceite um serviço desses. ~ 298 ~


Eu tentei sair, mas eles não me deixaram. Ameaçaram me matar se eu tentasse. Eu deveria ter visto isso chegando. Com todo esse dinheiro que está sendo jogado em mim por espancar pessoas, isso me obrigava a ficar. É como uma maldição. Quanto mais você fizer isso, mais você quer. Quanto mais você depender deles, mais eles precisam de você. É um ciclo interminável de destruição. Uma ciclo que eu agora faço parte... e não posso sair mais. Esta empresa está doente, assim como eu. E isso não é certo. Não é certo que existam essas empresas. Que existamos. Que temos tanto controle e podemos causar muito dano em um mundo tão pequeno. Nós nunca devíamos ser permitidos existir... ainda que existamos. Eu desprezo isso, e eu espero que um dia, de alguma forma, toda esta empresa desapareça para sempre.

Entrada 4 Hoje eu fui longe demais. Uma porra de tempo, isso é tudo o que é preciso para mexer com a minha cabeça. Não foi pedido apenas para eu matar alguém. Foi-me pedido para assassinar uma família inteira. O homem da casa pertencia à mesma empresa que eu, mas uma divisão diferente. Ele é um assassino, e como membro do Tribunal, parece que é o meu trabalho colocar os outros em seu lugar. Mas eu simplesmente não podia fazê-lo. Não com aqueles pequenos olhos olhando para mim. Naqueles olhos, eu me vi... o reflexo de um monstro. O que eu me tornei? Para curar-me, eu arruíno a vida dos outros... Agora, eu sei o que é preciso para ser um deles... estar vivo. Eu tiro vidas para viver. No entanto, eu não poderia fazê-lo. Eles sabem que eu não teria a coragem de fazer isso, para eles mas essa é minha obrigação. Ele me obriga a fazer isso, ele me diz que ~ 299 ~


não posso voltar para o chefe assim, ou ele vai matar nós dois. Ele me fez ir até o fim. Ele me fez trazer esse menino para a divisão de Vladim. Esse monstro que vende crianças como se eles fossem mercadorias negociáveis. Porque eu sou um covarde, eu não pude poupar o menino... em vez disso, eu vendi sua vida. Eu sou a porra de um monstro. E eu só sei que, algum dia, alguém vai fazer muito pior para mim. Eu só sei que vou ser punido por isso.

Entrada 5 Os remédios que eu estou tomando são comprados com sangue. Só de pensar nisso me faz querer vomitar. Faz-me detestar o que me tornei. Apenas para permanecer vivo, eu sacrifiquei e vendi minha alma ao diabo. Não uma, mas duas vezes... Foi-me dado exatamente a mesma atribuição. Matar uma família inteira. Só que este não era sequer relacionado com a empresa. Eles só deviam algum dinheiro. E eu precisava fazê-lo. No dia de Natal, eu apareci e coloquei uma bala em sua cabeça. Eu ouvi o grito da mãe, e ela correu para o seu quarto. Meu cúmplice e eu fomos atrás dela, apenas para descobrir que ela tinha uma criança. Uma menina, de fato. Nós só descobrimos isso depois do meu parceiro já ter atirado em seu alvo. A pobre menina estava com tanto medo de mim.

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Eu me pergunto o que ela viu quando olhou para o homem doente, calvo com os óculos de sol. Se ela podia ver a dor que ele sentiu quando foi forçado a matar toda a sua família. Espero que ela tenha visto. Espero que ela pudesse sentir sua raiva, sua raiva, quando ele foi forçado a matá-la também ou trazê-la para Vladim. Eu escolhi o impossível. Eu escolhi fazê-la viver, porque quem poderia matar uma menina inocente? Então fiz o que eu jurei nunca fazer novamente. Eu vendi a menina para Vladim. A cada segundo que passava, eu me odiava mais do que antes. Eu fiz o impensável. Cometi o pecado final. Troquei uma vida por minha própria, não uma, mas duas vezes, condenando-os a viver um inferno eterno. Que vida eu estava comprando para mim? Nenhuma onde eu me sentia vivo, isso é certo. Foi mais como uma vida no inferno. Eu acho que é o que você pede um desejo que você não merece. Como se costuma dizer, a verdade é uma cadela.

Entrada 6 Ontem, o meu médico me disse que eu estava limpo. Livre do câncer que se espalhou no meu cérebro. Eu estava livre. Livre da dor. Livre da pena de prisão perpétua. Mas nunca livre da culpa. Hoje, eu disse a mim mesmo que eu nunca iria vender outra alma. Não a ninguém. Nem mesmo para salvar a mim mesmo. Jurei desfazer o que eu tinha feito. Para consertar o que não poderia ser corrigido. Eu não poderia trazer de volta os mortos, e nem me foi planejando. Mas eu dei aquelas duas pequenas almas uma sentença de que nenhum deles deveria passar. Eu precisava fazer as coisas direito. Não apenas para mim... mas para eles.

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Por que mais eu ainda estar vivo, se não fosse por eles? Eu devia a minha maldita alma para eles, e eu daria qualquer coisa para pagar essa dívida. Então eu fiz. Eu criei um plano. Eu iria trabalhar para estes homens até meus dedos sangrarem. Eu mataria e puniria até que eu subisse de posição na organização e ficasse acima deles. Neste mundo imundo, no subsolo, não há nenhuma maneira de você resgatar a si mesmo sem ser morto. As regras nos impediam de fazer a coisa certa. Não... Se eu quisesse bater o sistema, eu teria que fazer parte do sistema. Eu faria o meu caminho até que eu me tornasse seu líder. Oh, sim, eu vou trabalhar para que isso aconteça. E quando eu chegar lá... nada vai me impedir de trazer esta empresa inteira para o chão.

Entrada 7 Duas tatuagens. Isso é o que eu tenho hoje. Duas estrelas, uma de cada em de meus ombros. Toda vez que eu me dispo, vou me forçar a olhar para elas, para me lembrar do que eu fiz. Duas estrelas, duas pequenas almas que eu esmaguei com as minhas próprias mãos. Elas se tornariam as estrelas que me mantinham acordado durante a noite. Elas me fariam pensar em todos os dias que passaram nas garras daquele monstro, os dias em que passariam no inferno graças a mim. Estrelas, porque elas brilham forte na distância, mas quando a sua luz atingir o mundo, eles desapareceram. Ninguém podia vê-los brilhar. Duas estrelas que jurei resgatar e libertar. Mesmo que isso me custasse a vida.

Entrada 8 Eu pensei que estava livre, mas eu não estou.

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Anos se passaram, e eu sinceramente pensei que eu poderia sobreviver. Hoje meu médico me disse que o tumor pode estar de volta. Estou além de devastado... se for verdade, então tudo o que fiz foi para nada. Todos que matei, todos os trabalhos horríveis. Foi tudo por nada. Eu vou morrer de qualquer maneira. Não há como escapar disso. Se este tumor cresceu de novo, é isso, minha vida e as de todas as pessoas que eu arruinei terá sido por nada. Eu não posso deixar isso acontecer. Eu não posso deixar o seu sacrifício, e meu, seja para nada. Eu tenho que fazer alguma coisa.

Entrada 9 Eu já consegui. Me tornei a mão direita do líder do Tribunal, e hoje, ele faleceu. Finalmente, eu sou o único que dá as ordens... a decidir as regras. E as regras estão prestes a mudar. Primeiro, eu rastreei para onde a menina foi enviada. Eu não achei muito, além de que ela foi vendida para DeLuca após sete anos de formação na divisão de Vladim. Então eu tomei a decisão de comprá-la de DeLuca, a qualquer custo. Levou um tempo para convencê-lo, mas eu consegui. O menino viria mais tarde, porque eu precisava ver primeiro se isso iria funcionar ou não. Mas eu não vou deixá-lo para trás. Eu vou ter certeza de resgatar ambos da posse desses monstros e dar-lhes de volta o que por direito lhes pertence, a vida deles. Não importa o quão trabalhoso vai ser, ou quanto tempo, vou darlhes de volta o que eu levei deles. Vou expiar meus pecados.

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Entrada 10 Ela entrou em minha casa com relutância, com tanto medo. Deus, eu gostaria de poder dizer-lhe a verdade, mas sabendo que eu sou seu Mestre agora torna isso ainda mais difícil. Se o fizesse, ela estaria arruinada. Eu não posso deixá-la saber a verdade. Devo manter as aparências e dar-lhe tudo o que necessita para corrigir o que eu quebrei. Mesmo que isso signifique sacrificar meu próprio coração... vou fazê-lo. Mas foda-me, é difícil resistir. Ela não é mais jovem. Ela é magra, sim, mas madura. Eu nunca esperava que ela fosse dessa idade já. Ela parece ter vinte... talvez um ou dois anos a mais, mas perto o suficiente. A idade perfeita... e um pecado em minha mente. Ela é como um sonho tornado realidade. Uma menina, tão inocente, tão disposta a fazer o que eu quiser... Eles a treinaram bem. Bem demais. É revoltante, como eles podem transformar uma menina em um servo obediente, para fazer o que seu Mestre quer. Tudo o que tenho a fazer é estalar os dedos e ela estaria de joelhos. Eu poderia fazer o que quiser com ela... que é exatamente o que eu não vou fazer. Isto não é sobre mim. É sobre ela e fazer as coisas bem novamente. Meu pecado é imperdoável, mas espero que, com o tempo, ela vá aprender a confiar em mim de novo... para que eu possa finalmente conceder-lhe a liberdade que tomei dela há muito tempo.

Entrada 11 Eu estive bebendo para lidar com a notícia do tumor... e como tê-la em minha casa.

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É quase impossível ignorar sua crescente afeição por mim. Eu até a beijei. Maldição, eu a beijei, e eu porra, amei cada segundo. No meu estado semi bêbado, eu a desejava mais do que eu desejava redenção, e isso simplesmente não está certo. Eu me preocupo, que eu possa não ser capaz de lutar por mais tempo... Eu quero dizer não, para impedi-la, mas eu sinto que ela precisa de mim e do meu amor, a fim de se curar. Eu não posso dar isso a ela sem sucumbir a ela, que é exatamente o problema. Se eu a amar como ela precisa de mim, ela vai me amar de volta. Ela nunca poderá me amar. Não é certo. Não depois do que eu fiz para ela. No entanto, já posso vê-la caindo... pouco a pouco.

Entrada 12 Eu falhei. Eu não poderia resistir por mais tempo quando ela se jogou em mim novamente e novamente. Eu a peguei. E eu me odeio por isso, porque eu sei que ela vai descobrir quem eu sou um dia. E isso vai quebrá-la. Ela não pode me amar, então eu jurei que se eu ficar com ela, só será luxúria física, sem sentimentos. Mas eu só estou mentindo quando eu lhe digo isso porque eu sei que no fundo eu já estou me apaixonando por ela... muito. Ela é irresistível. Muito pura. Muito doce e os meus inegavelmente não se enganam. A corça caindo pelo monstro... Que mundo cruel é esse.

Entrada 13 Hoje, nós encontramos meu ex-parceiro, e ela o reconheceu.

~ 305 ~


E o pior de tudo... quando chegamos em casa, ela me disse o que ele tinha feito. Depois de levá-la de sua casa e matar seus pais, que já era ruim o suficiente, nós a levamos para um hotel... e quando eu saí por alguns minutos, ele a tocou. Ele colocou as mãos sujas sobre ela... como eu poderia não ter visto? Como eu poderia não ter estado lá para pará-lo? Na minha raiva, eu imediatamente decidi ir para a casa dele e matá-lo. Não foi rápido, e foi certamente doloroso. Minha primeira morte em anos... e ainda assim eu não me arrependo de nada. Estou contente pelo filho da puta estar morto. Eu arranquei seu coração fora do peito, mas ele merecia muito, muito pior.

Entrada 14 Em um esforço para impedi-la de se apaixonar por mim, eu continuei adiante com o plano. Eu comprei o menino da Senhora e o levei para a nossa casa. Infelizmente, o preço era alto, e eu tive que usá-la para isso. Eu odiei ter que traí-la, mas eu não tinha outra escolha. Ele é parte dela tanto quanto ela é... dois lados da mesma moeda... duas estrelas nas minhas costas... duas estrelas violentadas no céu da noite, constantemente me lembrando do que eu fiz. Sua existência só prova o quão ruim eu sou. Eu acho que o tumor voltar foi apenas uma maneira para o universo me dizer exatamente isso. Karma é uma cadela. Eu mereço tudo isso.

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Entrada 15 O menino foi treinado para servir sua amante como um guardacostas, e eu sei exatamente o que fazer com ele. Eu quero que ele treine a menina para que ela aprenda a estar em seus próprios pés. Eu disse a eles que era porque eu tenho muitos inimigos, mas eu duvido que eles venham atrás dos dois. Se há alguém que eles querem morto, sou eu, não eles. Mas eu não quero que Ava e Daniel pensem que é tudo por nada. O treinamento a ajudará a se sentir mais confiante em sua própria pele, eu posso ver como ela brilha quando ele a ensina. Eles parecem gostar um do outro, e eu não posso deixar de sentir ciúmes. Eu não deveria, mas eu sinto. De alguma forma, no processo de tentar levá-los a se acostumar com o mundo real novamente, eu tenho começado a amá-la muito, e eu sei que vai ser o meu fim. Eu me pergunto se eles vão acabar juntos. Provavelmente. Já estou vendo o seu afeto em crescimento, está acontecendo bem na minha frente. É lindo, imbatível, e assustador ao mesmo tempo, porque eu sei que o menino não é como ela. Ele me desafia, constantemente, e ele sente a necessidade de provar a si mesmo para ela. Um dia, ele vai provar que eu sou um mentiroso. Eu só disso. E quando esse dia chegar... Eu espero que eu esteja pronto.

Entrada 16 Eu a amo. Eu sempre amei. A partir do momento em que ela entrou na minha porta, eu sabia que ela ia me amar também. E eu sabia que ela seria a minha morte. Eu acho que é justo. Depois do que eu fiz para os dois, eu não espero qualquer outra coisa em troca. Eu sei que eles vão me odiar pelo o que eu fiz. Eu não os culpo também. Era apenas o destino. Minha única esperança é que, uma vez que eu for embora, eles vão cuidar um do outro. Que eles se amem tanto quanto eu a amava, e que eles vão trabalhar um para o outro, assim como eu trabalhei para eles. Eu dei ao menino a chave para os meus segredos esta noite.

~ 307 ~


Ela ainda não sabe que estou doente, porque eu não quero que ela se sinta mal... mas ela vai saber agora. Eu sei que ele vai dizer a ela e, em seguida, ela virá a minha procura querendo saber mais. Mas eu estou pronto. As entradas terminam. — Ele parou? — Daniel murmura. Eu aceno, mas não estou triste. Tudo isso... ele estava certo, explica tudo. E agora, eu finalmente sei o que essas tatuagens significavam. Quando eu tento fechar o livro, algo em forma de um quadrado pequeno cai fora. Uma nota dobrada. Eu pego e abro. Estou pronto. Eu não temo mais a morte, graças a vocês. Eu senti o seu amor, e eu espero que você sinta o meu. Não apenas Ava, mas Daniel também. Na minha própria maneira, eu tenho carinho por ambos. E eu não culpo vocês. Não se sinta culpada por me odiar. Não fique com raiva de mim por ter morrido. Por favor, esqueça o homem que te tomou... lembre-se do homem que te salvou. Esse homem é o verdadeiro eu. Aquele homem que sorri para você quando você ri, aquele homem que gostava de ver você cozinhar e limpar, secretamente esperando que um dia fosse amálo, não como um servo, mas como um igual. Esse mesmo homem que prometeu libertá-la, mesmo que fosse de encontro a seus próprios desejos. Espero que, onde quer que esteja agora, você se sinta livre. Eu sempre estarei aqui, assistindo, desejando-lhe viver uma vida longa e feliz. Amem um ao outro como eu amava a vida. Essa é a única coisa que importa. Amém.

~ 308 ~


Beijos, Marcus

Uma lágrima escorre pelo meu rosto enquanto eu me inclino para Daniel. Ele envolve o braço em volta de mim e me abraça forte quando eu dobro a nota novamente. — Ele nos amou tanto. E eu sei agora... ele não era aquele homem que nos levou de nossas casas. Não era ele. Era seu trabalho que o fez fazer isso, mas por baixo de todas as atitudes más... ele era um bom ser humano. — Sim... e ele nos salvou. — diz Daniel. — Ele nos salvou e nos deu uma vida melhor. Enfiando a pequena nota de volta no caderno, eu enxugo minhas lágrimas e sussurro. — Obrigada. Obrigada por tudo. Obrigada por me libertar. Mas acima de tudo... obrigada por me amar.

~ 309 ~


Epílogo AVA Dois anos depois Júnior corre em torno de nosso quarto com seus braços abertos, fingindo que ele é um avião. Eu rio quando ele cai na cama e cai de bruços, fazendo um som de salpicos. — Você com certeza ama os aviões, não é? — Amo! Eu honestamente não sei de onde ele tira sua energia, mas não foi de mim. Ainda assim, faz-me sorrir, sabendo que seu pai ainda está muito presente nele, mesmo que ele não esteja aqui. É por isso que Daniel e eu colocamos o nome de Júnior, abreviação de Marcus Jr. Para lembrar o homem que o trouxe a este mundo. Sabemos com certeza que Marcus é o seu pai agora, já que tivemos ambos testados. Eu pensei que Daniel ficaria louco quando descobrisse, mas ele não ficou. Na verdade, ele parecia satisfeito, foi um alívio. — Eu ganhei outro avião do papai hoje! — Diz Marcus Jr. — Quer ver? — Claro! Vou descer em um minuto e olhar, querido está bem? — Digo. — Ok, eu estarei esperando lá embaixo. — Marcus Jr. diz, e ele corre para a porta e bate atrás dele antes de sair correndo pelas escadas. Eu rio novamente. — O que é tão engraçado, mamãe? — Isabel me pergunta.

~ 310 ~


— Oh, apenas seu irmão, ele sempre fica tão animado. Eu não posso esperar até que ele descubra que vamos para o museu do avião neste fim de semana. — Sério? — Diz ela, virando a cabeça. — Sim, mas fique parada! — Eu digo, empurrando a cabeça para trás. — Caso contrário, você vai estragar o seu cabelo. — Desculpe. — ela murmura. — Não diga isso. Lembre-se, nós só pedimos desculpas se for algo realmente importante, e isso não é. — Eu prendo a mechas de seu cabelo encaracolado, vermelho em pequenas tranças. — Ok... — Ela solta uma risada curta. — Mamãe, por que eu tenho cabelo vermelho, enquanto Júnior tem cabelo castanho? Eu paro de trançar por um segundo. — Bem, às vezes acontece que duas pessoas são muito diferentes, mesmo que tenham a mesma mãe. — Muito diferente... por que temos um pai diferente? Já lhes disse isso há muito tempo. Eu não queria guardar segredos, e eu não acreditei que fosse necessário. Marcus não é algo que eu me envergonhe e nem eles. — Sim... mas isso é mais especial. — eu sussurro em seu ouvido. — Porque você tem dois pais que te amam muito. — Mas apenas um está aqui. — Exatamente. Mas só porque o seu outro pai não está aqui não significa que ele não te ame. Além disso, ele realmente não foi embora. — Eu termino a trança com uma faixa elástica no cabelo. Ela me olha por cima do ombro. — Onde ele está, então? Eu sorrio para ela e depois picar o peito, onde seu coração está. — Bem aqui. — Dentro de mim? — Ela suspira. — Ambos os pais estão dentro de você... Mas eles também estão em sua mente. Você só precisa pensar neles, e então eles vão estar com você. — Sério?

~ 311 ~


— Realmente. — eu digo, e eu a tiro do meu colo. — Agora, vai brincar com o seu irmão. Ela foge tão rapidamente quanto veio, e eu deixo escapar um suspiro. Surpreende-me o quanto eles cresceram. Quanto eu me adaptei ao mundo. Nossa vida está finalmente começando a fazer sentido. E tenho certeza que Marcus estaria muito orgulhoso de todos nós. Mas depois da nossa conversa, eu não posso evitar, mas me pergunto se Marcus realmente está nos observando lá de cima. Se ele está, acho que ele ama estas crianças. Eu só queria que ele estivesse aqui para vê-los crescer. As cicatrizes em meu corpo e coração se curaram, embora elas ainda sejam visíveis. Às vezes, meus filhos perguntam sobre elas, mas talvez um dia, quando eles estiverem todos crescidos, eu vou dizer-lhes sobre a origem das minhas cicatrizes... e sobre o homem corajoso que as curou. A mágoa e a tristeza foram embora, mas eu nunca esqueci a perda, e isso é bom. Nós aprendemos a viver sem nossos entes queridos. Aprendemos a seguir em frente. E com o tempo, a gente até aprender a sorrir quando pensa sobre eles. Algo irritante na parte de trás da minha mente me faz me inclinar e retirar a caixa debaixo da cama. Eu não via isso há tanto tempo que a poeira grossa está na tampa. Eu assopro e abro. Não tem quase nada dentro. Nós tiramos todo o dinheiro e os papéis até que apenas o caderno e a carta foram deixados, que eu guardo com carinho desde então. Eles são meus tesouros secretos. Eu tiro para fora e olho para ele, e então eu seguro perto do meu coração. Ele ainda me enche de calor, mesmo depois de todos estes anos. No meu tempo como uma serva, eu vivi por outro. Agora, eu vivo para mim... e para os amores da minha vida. Minha menina, um quebrei todas as regras.

menino,

~ 312 ~

e

Daniel...

por

eles,

eu


E não me arrependo disso nem mesmo um único segundo. Coloco a caixa na cama, mas, aparentemente, não firme o bastante, porque ela cai no chão. É então que eu ouço algo, como uma pilha de papéis caindo. Franzindo a testa, eu pego a caixa e verifico o interior. Não há nada para ver, mas um pequeno pedaço de papelão solto me chama a atenção. Eu puxo para fora, e na parte inferior da caixa que está solta. Em estado de choque e com os lábios entreabertos, eu puxo fora a parte inferior apenas para revelar mais papéis escondidos. O que é isso? Eu tiro e os leio. Números após números no final, páginas cheias de informações sobre diferentes empresas, incluindo fotos e descrições elaboradas de sua localização e das pessoas que trabalham lá, incluindo todos os trabalhos que já cumpridos. As empresas exatas que Marcus trabalhou antes de falecer. É isso... o que eu penso que é? Há outra nota anexa, que eu arranco e leio. Para Ava, Esta é toda a informação que você necessitará sobre as empresas com quem trabalhei. Todos os arquivos de cada divisão foram compilados nestes papéis, e agora, eu quero dar-lhes. Eles arruinaram a minha vida, e por sua vez, eu arruinei a sua. Eu queria esmagá-los, mas sabia que não iria sobreviver para ver isso acontecer. Mas você pode. Você pode dobrar esses papéis e colocar de volta na caixa e fingir que nunca existiram. Ou você pode ir para a mídia e a polícia e expor a verdade... a escolha é sua. Você faz o que achar que é melhor. Afinal, esta é a sua vida, e eu quero que você a viva do jeito que você sente que é certo.

~ 313 ~


Amor, Marcus Um arrepio percorre minha espinha enquanto eu abaixo os papéis e olho em frente. A escolha é minha. Mas eu não tenho que pensar sobre isso. No momento que eu coloquei meus olhos sobre eles e percebi a informação que continha, eu já sabia da minha própria escolha. Eu sorrio quando ouço passos subindo as escadas e cabelos cor de laranja aparecem na porta. Eu olho em seus olhos azuis. Um sorriso muito familiar encontra o meu. Eu sei exatamente o que eu tenho que fazer.

~ 314 ~


Ultimate Sin (Livro Único) - Clarissa Wild  

*Regra #1: Nunca desobedeça as ordens do mestre. Regra #2: Sempre se esforce para agradar o seu mestre. Regra #3: Não mate o seu mestre. Que...

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