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Equipe de tradução: Envio: Soryu Tradução: Dani C., Pietra, Maisa, Sara Avelar Revisão Inicial: Mayara e Ariana B. Revisão Final: Carla C. Dias Leitura e Formatação: Bec B. North


"Todo o mundo ĂŠ um palco, E todos os homens e mulheres meros atores." ~ Shakespeare, Do jeito que vocĂŞ gosta


CAPÍTULO UM River — Você está brincando comigo? —Minha voz soou muito fina, até mesmo para os meus ouvidos. Este som agudo e estranho não era nada parecido comigo. Queria estrangular dona dessa voz. Parecia mal intencionada, desesperada. Isso não era eu. Esta não era a pessoa que me tornei. — River! — disse. Ele sequer tentou tirar seu pau da boca da menina. Merda, ela sequer parou de chupá-lo. Não podia ver o seu rosto. Seu cabelo loiro caído pelos ombros e costas. Ela era magra sob o pequeno vestido que usava, aquele que deveria abraçar as suas curvas. Era o meu vestido que usava. Podia ver sua coluna no meio das costas. Ela era magra demais. Disse a ela um milhão de vezes que precisava comer mais. Mas ela sempre se privou de comer. Dizia que seu metabolismo era rápido, mas substituía refeições por biscoitos de água e sal e refrigerante diet. Isto a mataria, eventualmente.


Minha irmã nunca me escutava. Ela era modelo, desde que tinha quinze anos. Primeiro foram catálogos; depois conseguiu sua primeira sessão fotográfica numa revista; agora fazia passarela. Ela era famosa. Éramos famosas. Eu seria mais famosa – a realização atingiu-me, enquanto estava em pé ali. Seria famosa por isto. Nada mais. Isto. Estaria nos tablóides amanhã. Os tablóides adoravam histórias picantes, famílias desfeitas pelo drama. E isto certamente era picante. Era como se tudo estivesse paralisado, como se alguém simplesmente tivesse apertado o botão de pausa na minha vida, enquanto olhava para trás e para frente, dela para ele, a minha mente completamente dormente. Era como se assistisse pela televisão. Quase ri. Havia uma parte de mim que queria rir. Podia sentir isso, borbulhando dentro de mim, ameaçando transbordar. Muito em breve todo mundo assistiria na televisão. A equipe de filmagem estava atrás de mim, em silêncio, os que me filmavam para esta peça, parte de um especial ao vivo para esta noite. Eles esperavam por minha reação. Assim, poderiam capturá-la, bem no momento. Uma mulher devastada. Queria cortar seu pênis. Queria dar uma de Lorena Bobbitt1 e cortá-lo totalmente.

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Lorena Bobbitt fez manchetes em 1993, quando a cortou o pênis de seu marido com uma faca. Lorena foi até a cozinha, pegou uma faca e voltou para o quarto para cortar o pênis de seu marido dormindo. Em seguida, entrou no carro e começou a dirigir. Em algum lugar ao longo da estrada escura, abriu a janela e atirou o pênis no acostamento da estrada. Horas mais tarde, uma equipe de busca encontrou o pênis cortado, e os cirurgiões foram capazes de recolocá-lo.


Vi seu rosto, suas mãos no cabelo dela, forçando-a para baixo sobre ele, enfiando ainda mais em sua garganta. Conhecia aquela expressão em seu rosto. Estava apenas ali como uma espécie de idiota, observando-o. Havia um grupo de operadores de câmera atrás de mim e o imbecil sequer se preocupou em abrandar. Sequer diminuiu o seu ritmo. Jesus, ele vai gozar, pensei. Ela vai chupá-lo, em frente às câmeras, bem na minha frente e ele vai gozar. E estará tudo na televisão. Sequer olhei para ele enquanto passava pelos dois. Traidores. Não sabia se a equipe de filmagem estava atrás de mim ou focada no boquete. Que escolha para eles. Ambos dariam boas matérias. Eu me senti estranhamente calma enquanto caminhava pela casa, o barulho dos meus saltos ecoando nos pisos de mármore, pelo corredor. Passei por todas as nossas fotos na parede, as fotos emolduradas de viagens de esqui, Paris e Bora Bora e da turnê com a banda. Entrei em seu quarto, aquele onde mantinha as coisas que amava, as bolas de beisebol e cartões antigos. As paredes estavam cobertas com memórias do rock, o disco de ouro e as guitarras que colecionava. Prateleiras de material assinados por seus amigos, mentores, os seus ídolos. Peguei um bastão, essa coisa colecionável que era seu orgulho e alegria. Fiquei lá, segurando-o. Os objetos aqui eram inestimáveis. Principalmente insubstituíveis. Foi o suficiente para me dar uma


pausa por um momento. Não aceito coisas como esta facilmente – apenas não era de destruir objetos preciosos. Mas levei o bastão até o meu ombro. Balanço, bater, bater. E começaria quebrar. Eu os ouvi atrás de mim. Ouvi-os correndo, os seus passos, sua voz indignada, a dela estridente. A equipe de filmagem dizia alguma coisa. Mas ninguém me tocou. Ainda não. Tenho certeza de que alguém chamará a segurança. Eles deviam. Acho que os produtores têm segurança. Todo mundo me odiaria. Ninguém esperava este tipo de reação de minha parte. Já podia ouvir a desaprovação na voz da minha mãe na minha mente. Este tipo de comportamento é inaceitável em público. Não importa o que aconteça, sorria para a câmera e se comporte com graciosidade. Isto definitivamente não era gracioso. Mas quem me culparia? Em exatamente três horas e meia, me casaria com aquele homem ao vivo na televisão, aquele cujo pênis estava enfiado na garganta da minha irmã, no meio da sala da nossa casa. Quando entrei no carro, esperei até que estivesse na estrada para tirar o cartão SIM do telefone e atirá-lo pela janela, observando-o quebrar em pedaços pela estrada. Os fragmentos da minha vida. Então por que me sinto tão aliviada?


Elias — Merda — disse Adam, me batendo forte nas costas. — Se anima, caralho. É a porra da sua festa de aposentadoria. — Sim, cara — disse. — Só um pouco distraído, isso é tudo. — Porra sim, você está! — tomou um longo gole de cerveja. — Todos esses peitos, deveria estar distraído para caralho. Estávamos em uma suíte em um quarto de hotel em Las Vegas, festejando. Pelo menos os meus amigos estavam, todo o grupo de rapazes que conheci nos últimos anos, vivendo em San Diego. Éramos principalmente caras da Marinha, alguns dos meus amigos Fuzileiros. Eu? Eu estava distraído na minha festa de aposentadoria. Uma aposentadoria do caralho. Não escolhi deixar a UDOE. A Unidade de Desativação de Objetos Explosivos, que era o meu trabalho. Foi o que fiz durante os últimos cinco anos. Não era muito tempo para a maioria das pessoas, mas para mim foi uma vida. Juntei-me à Marinha aos dezessete anos. UDOE era tudo para mim. Era tudo que sabia e não queria deixá-la. Quando os caras disseram que teria uma festa de despedida, não falavam sobre toda a coisa que era fazer vinte anos ou a besteira de


receber um relógio de ouro. Eles falavam sobre ficar medicamente aposentando. Isso era uma coisa completamente diferente. Isso não era uma maldita aposentadoria. Não depois de cinco anos. Não nos meus termos, de qualquer maneira. Isso era sofrer eutanásia, ser sacrificado como um cão de merda só porque perdi a minha perna. — Homem, toma uma bebida e se anime. —Adam me entregou uma cerveja. — Sei que você sentirá a minha faltar para caralho e tudo mais, mas é um maldito viado. Temos bebidas, garotas e uma suíte em Las Vegas. Não se tem tudo isso em West Bend. — Saudades suas, rá. Vá se foder, cara. — Mas peguei a cerveja de qualquer maneira. Não era culpa dele que agia como um idiota. Não era um bebedor, não gostava de estar fora de controle. Não conseguia me lembrar da última vez que bebi uma cerveja. Fazia anos. Mas esta parecia ser aquele tipo de ocasião. O fim de uma era. Isso parecia terrivelmente melodramático. E eu não era um homem do tipo emocional demais. Mas porra, eu era um cara UDOE. Sempre fui, sempre seria. Não sabia o que fazer fora da Marinha. É tudo que conheço desde que tinha dezessete anos. Minha mãe estava toda muito feliz em assinar a papelada que me deixaria ir para o campo de treino mais cedo. E tudo que queria era ficar bem longe de West Bend e as merdas com que cresci. Para ficar bem longe do imbecil. O meu pai.


Agora, aqui estava eu, voltando para essa merda. Para o buraco de merda de terra onde fui criado. Voltar para ser a porra de um pária por causa do meu irmão. Mas não de volta para o meu pai. Ele morreu na semana passada. Não disse a uma única maldita pessoa que ele está morto. E não derramei uma lágrima de merda por ele. — Aqui — disse Chase, entregando-me um copo de plástico vermelho, mesmo que já segurasse uma cerveja. — Consegui um uísque bom para porra também. Somos grandes jogadores hoje à noite, idiota. Beba. Assim que terminarmos de olhar para os peitos, iremos para o cassino. Tomei um gole do copo, sentindo a queimação do álcool, quando deslizou na minha garganta. Que merda? Você só vive uma vez, certo?


Capítulo Dois

Capítulo Dois River Digiria a toda velocidade pela estrada no crepúsculo do início da noite. Podia ver as luzes de Vegas à frente. Não sabia para onde ia quando saí de Hollywood, mas de alguma forma acabei aqui. Dirigia em uma nevoa. Ainda estava atordoada, minha cabeça confusa e enevoada. Deveria sentir algo, pensei. Mais do que apenas esse vazio. Viper – sim, este definitivamente não era o seu nome real – seu nome verdadeiro era David – era o meu tudo. Era. Era tão difícil dizer onde ele terminava e eu começava, depois de um tempo. Havia tantas outras pessoas envolvidas: o seu agente, meu agente, nossos gerentes, nossas famílias. Nossos fãs. Eu não tinha ideia do que estava fazendo neste momento. A única coisa que eu sabia era que eu tinha que sair. Quando cheguei ao hotel, meu cabelo estava escondido, debaixo do meu boné de beisebol. Não tirei os óculos escuros, embora soubesse que me fazia ridiculamente pretensiosa. Sempre odiei esse tipo de coisa, as estrelas que usavam os seus óculos escuros dentro dos lugares, só porque se achavam melhores que os outros.


Mostrei ao funcionário a minha identidade falsa, dei-lhe o meu cartão de crédito falso, o material que usava quando não podia arriscar ser encontrada pelos paparazzi. Usava-os agora por esse motivo. Os funcionários do hotel eram conhecidos por deixar fotógrafos saberem onde estava – pelo menos era a minha vasta experiência. Por vasta, queria dizer desde que fui reconhecida. Não era sempre mansões e carros quentes e festas com os meninos e meninas do momento. Antes de tudo isso, eu era tão lixo quanto possível, vivendo em um trailer com a minha mãe e irmã, mal conseguindo sobreviver com vales refeição. Bem, para ser mais precisa, era a minha mãe, minha irmã e o rolo de namorados de merda que a minha mãe desfilava pelo trailer, aqueles que bateram nela, bateram em nós. Alguns deles fizeram mais do que apenas bater em nós. Não que ela fosse melhor. Ela era pior do que qualquer um deles, pelo menos para mim. Eu era o bode expiatório. E ela ainda era parte da minha vida, em Malibu, vivendo em um lugar que eu pago. O destino é cruel às vezes, mas não para as pessoas que deveria ser. Tudo mudou quando fui descoberta, sentada em uma calçada com o meu vestido de verão esfarrapado, com meus joelhos esfolados e braços machucados, os meus membros bronzeados com uma mistura de sol e sujeira. Estava com os pés descalços não porque era verão, mas porque alguém roubou os meus sapatos na escola e não


conseguíamos pagar outro par. Minha irmã e eu tínhamos ido à procura de algum troco perdido na calçada, vasculhando ao redor para ver se arranjávamos o suficiente para um refrigerante depois da escola, mas realmente estávamos apenas tomando um tempo longe do reboque porque a minha mãe estava lá dentro com um de seus namorados e não era seguro ir para casa.

Ele parou perto do meio-fio, em um carro preto brilhante que parecia que pertencia a um milionário. Ele saiu, e quando ele fez uma pausa quando ele passou por mim, me olhando sobre a borda de seus óculos de sol, eu pensei que eu estava olhando para um príncipe ou um rei ou algo assim. Este homem era alguém importante, alguém especial. E, como se viu , não era um príncipe ou um rei. Mas era alguém especial. Ele olhou para mim por um longo tempo, meu rosto corando sob seu olhar, então se agachou para me olhar nos olhos. — Esta é sua irmã? — me perguntou. Balancei a cabeça, tímida demais para falar. — Você terá que dizer alguma coisa — disse ele. — Qual o seu nome? — River — disse.


Ele sorriu e balançou a cabeça. — É perfeito — disse e se levantou. — Você é perfeita. Absolutamente perfeita. Onde estão seus pais? — Minha mãe está em casa — disse. — O namorado dela está lá. Ele apenas acenou com a cabeça, não disse uma palavra por um minuto e me sentei lá no meio-fio, rolando uma pedra ao redor, debaixo do meu pé. Em seguida, ele limpou a garganta. — Quando foi a última vez que comeram, crianças? — perguntou. Dei de ombros. Estava acostumada a estar com fome. Será que tomei o café? Não conseguia lembrar. — Na noite passada? — perguntei. — Onde as pessoas comem por aqui? — ele perguntou.

O resto é história. O homem era um grande produtor de Hollywood e limpa, me tornei a queridinha de um de seus filmes. O primeiro de muitos filmes. E a minha vida tornou-se uma história de Cinderela cuidadosamente elaborada, que escondeu os detalhes mais sórdidos da minha infância, pelo menos nas revistas mais conceituadas. De vez em quando, os tablóides tentaram desenterrar detalhes do passado – entrevistando um dos antigos namorados da minha mãe ou falando com alguém da minha cidade natal. Mas,


principalmente, me deixaram fazer o papel de princesa de conto de fadas, a menina que foi arrancada da obscuridade e arrastada para o glamour de Hollywood. Era suposto ser tudo cor de rosa e brilho, sapatos de grife e champanhe caro para o resto da minha vida. Essa era a fantasia. Isso era o que as pessoas queriam quando eles olhavam para mim – Eles queriam acreditar no poder do destino, na sugestão de possibilidades – que também seriam levados para longe das suas vidas para um castelo para viver com um príncipe. Era a razão pelo qual meu casamento seria transmitido ao vivo para milhões de telespectadores, era um negócio tão grande. Cresci na frente das câmeras – e agora me casaria na frente delas também. Dentro do quarto de hotel, abri uma caixa de tinta para o cabelo, castanho escuro, que comprei na farmácia onde fiz uma pequena parada para comprar pijama e produtos de higiene pessoal, os meus dedos agarraram a caixa de fúcsia que considerei brevemente, todo o meu corpo com desejo de uma mudança. Queria ser outra coisa, alguém que não era a pessoa que me tornei. Mas no final escolhi algo que não chamaria a atenção para mim. Ainda não sabia o que fazia aqui em um hotel, tingindo o meu cabelo como se fosse algum tipo de fugitiva. Precisava me virar e encarar as coisas. Precisava voltar para casa. Só não tinha certeza de onde a casa era mais. Depois que terminei de pintar, cortei as longas tranças, agora castanhas ao invés de loiras, uma enorme parte da minha identidade.


Minha imagem era polida, clássica – nos últimos anos, fui comparada com Grace Kelly. A coisa era, sempre simpatizei mais com a Marilyn Monroe. Ela foi trágica, seus demônios eram tanto uma parte dela que eventualmente a destruíram. Isso era algo que entendia. Os pedaços caíram na pia, enrolando nas extremidades, espalhando sobre a superfície plana da bancada. Cortei até que parecia com algo que esperava que fosse mais pixie-punk do que cortado pela máquina de relva. Quando terminei, examinei meu trabalho no espelho. A menina que me olhava, com grandes olhos e maçãs do rosto proeminentes, não se parecida em nada com o “eu” que conhecia. Num relance, era totalmente diferente. Pensei que seria capaz de passar despercebida em um lugar público. Peguei uma mini-garrafa de vodca do frigorífico, ouvindo a voz de bronca da minha mãe em minha cabeça. Escolha sempre vodca, dizia, fazendo um som de cacarejar e balançando a cabeça. É a mais magra. Ela saberia, pois suas refeições eram principalmente das pílulas dietéticas e bebidas. Coloquei a vodca novamente na geladeira e escolhi outra coisa. Rum. A minha mão foi automaticamente para a coca cola diet e, em seguida, escolhi a normal, aquela com todas as calorias. Foi só depois que finalmente me sentei na cama que me permiti chorar. Respirei profundamente e comecei a soluçar, o som alto no silêncio do quarto de hotel.


Era egoísta, sentindo pena de mim mesma. Vivi uma vida encantada. Casaria-me com uma das estrelas do rock mais quentes do planeta. Fiz uma quantidade incrível de dinheiro atuando em filmes. Um pouco de traição vem com tudo isso, certo? Então, e daí se Viper enfiava o seu pau na garganta da minha irmã? Ele era um rock star e eu, uma vedete. Era de se esperar. Não é que fosse ingrata pela minha vida. Exatamente o oposto. Sabia o que era estar com fome. Sabia o que era levar porrada e pior, agora sabia o que era ter tudo que poderia querer e mais. Sabia o que era ter a adoração de milhões de fãs. E ainda, também sabia o que era ser tão incrivelmente solitária, sofrer por alguma coisa – qualquer coisa – que com que se sentisse como outra pessoa qualquer. Alguém amado. Alguém familiar.


Capítulo Três Elias — Merda, cara, não se acovardará, não é? — Adam virou e perguntou. Ele foi o último no grupo a descer para o cassino e ao clube para beber e pegar garotas. Revirei os olhos. — Dá o fora caralho, — eu disse. Meus pensamentos estavam nebulosos. Sabia que estava bêbado. — Eu vou dar uma cagada. Isso está bem pra você, mãe? Te encontro lá embaixo. — Foda-se, não preciso saber isso, seu estúpido idiota — disse e ouvi a porta bater. Não fui ao banheiro. Ao invés disso, sentei-me na cama, inclinei minha cabeça na cabeceira. Minha perna doía e só queria tirar a porra dessa prótese e esticar, ir dormir. Posso me animar, disse a mim mesmo. Outra bebida me animará. Os caras estão certos. Deveria festejar agora, conseguir algum lap dance. Transar. Não há nada esperando por mim em West Bend. Nada dessa merda, de qualquer maneira. Pensei que estava fora do lugar e agora aqui estava eu, voltando. Deveria ficar bom e bêbado. Depois de tudo o que aconteceu, por que não?


Me sentei. Meu corpo parecia que era feito de chumbo, pesado, amarrado à cama. De repente me lembrei o porquê não bebia, o sentimento de ser medicado uma lembrança dolorosa do ocorrido. Voltar ao hospital. Era como se fosse imediatamente transportado novamente para lá, o cheiro de desinfetante e o cheiro de hospital envelhecido, que de repente invadiu minhas narinas. Podia sentir os lençóis, ásperos e desgastados sob meus dedos, a sensação de morfina correndo em minhas veias, fazendo-me tonto e enjoado, tudo ao mesmo tempo. E a percepção de que minha perna tinha ido embora. Parecia que alguém tinha me dado um soco no estômago. E então pisquei, respirei fundo e passou. Eu estou aqui, me lembrei, em uma merda de um quarto de hotel em Las Vegas. Fodido sortudo era o que era. Afortunado. Não como alguns dos caras com que fui implantado, aqueles que não tiveram tanta sorte. Eu não tinha motivo para sentir pena de mim, e eu não o faria. Levantei-me, trêmulo por um momento coloquei minha mão sobre o colchão. Então, foda-se. Desceria e sairia com os caras, minha família improvisada, e agradecer ao homem ou à mulher lá em cima no céu que estava em casa, quase completo. Seria roubado e festejaria, como uma pessoa normal de 23 anos de idade, como alguém que não tem todas as preocupações e pensamentos sombrios que simplesmente não conseguia afastar. Seria feliz pra caramba. Coloquei o licor em um copo de plástico, seguido de refrigerante.


Onde está o gelo? Olhei para dentro do balde de gelo para uma poça de líquido. Não importa. Pegaria um pouco no caminho para o cassino. Andei pelo corredor, apertando os olhos, procurando uma máquina de gelo. Onde está o gelo neste lugar? Uma menina andava pelo corredor à minha frente, de costas para mim, usando calça de pijama com personagens de desenho animado, segurando um balde de gelo. — Ei! — gritei e ela virou ligeiramente para mim, em seguida, virou-se tão rapidamente, andando mais rápido na direção oposta. Porra. Sério? O que, me olhou e decidiu que era algum tipo de ameaça? Ou talvez ela simplesmente não gostasse de foder mancos como eu. — Ei! — gritei, desta vez mais alto. Agia de maneira detestável. Não me importava. — É rude pra caralho ir embora quando alguém fala com você. Ela parou e me vi de repente alguns metros atrás dela. Ela virou, e estava cara a cara com a menina mais gostosa que já vi em minha vida. Ela também estava chateada. E tudo que conseguia pensar era agarrá-la e pressioná-la em uma parede para que pudesse fodê-la pra caralho. Ela olhou para mim com os lábios ligeiramente entreabertos, sua respiração curta, e fogo em seus olhos. — Você sabe o que é rude? — perguntou, sua voz mais alta do que precisava para o quão perto


estávamos. — É rude perseguir uma menina no corredor de um hotel. Talvez ela não queira ser perseguida por algum estranho. Estava muito distraído com seus lábios até mesmo registrar o que dizia. Sua língua sacudiu sobre o lábio inferior e num instante estava duro. Merda. Nunca quis tanto pressionar meus lábios com força nos lábios de outra pessoa tanto quanto naquele momento. Porra, queria tanto essa garota que poderia prová-lo. Foi instantâneo, algum tipo de coisa primitiva, como se eu fosse um maldito homem das cavernas. Precisei afastar a imagem que passou pela minha cabeça, a de jogá-la por cima do meu ombro e levá-la para o meu quarto. — Bem? — ela perguntou. Uma mão estava em seu quadril e a outra segurando o balde de gelo. — Você dirá algo ou só ficará olhando para mim? Talvez queira uma merda de foto? Ou o meu autógrafo? O que você quer? Ela parecia familiar, mas não conseguia me lembrar. Suas bochechas estavam coradas e ela cambaleava. Ela estava tão bêbada quanto eu, percebi. Limpei a garganta. — O gelo — disse. — Onde está a máquina de gelo? Ficou boquiaberta, como se não esperasse que fizesse uma pergunta simples como essa. Queria saber no que pensou quando gritei. Em seguida, ela riu. — É isso que quer? — Por que iria querer a porra do seu autógrafo? — perguntei. — Só queria saber onde encheu o balde de gelo.


Ela riu, desta vez mais alto, o som melódico. Soou quente, de alguma forma, mesmo que não conseguisse descobrir se estava com raiva, cheia de si mesma ou apenas sendo uma cadela. Ela balançou a cabeça, em seguida, passou a mão pelos cabelos, fios apontando para cima bagunçado em todas as direções, e olhou para a sua mão, coberta de pequenos pedaços de cabelo. Ela pegou o olhar que lhe dei e deu de ombros. — Simplesmente cortei — disse, limpando a mão em seu pijama. — Você mesma? —perguntei. Sequer me importo. Só quero uma desculpa para continuar a falar com ela, não importa o que seu cabelo parecia. Mesmo que parecesse como se alguém o tivesse cortado com uma tesoura de jardim. Ela deu de ombros novamente. — Precisava de uma mudança. — Combina com você — disse. Como sabia o que combinava com ela? Ela sorriu. Seu sorriso era radiante. Era um clichê completo, mas podia iluminar uma sala. Poderia iluminar um quarto. Ela tinha esse tipo de presença. Mesmo em um corredor do hotel, bêbada e vestindo pijama. — Combina — disse ela, sua mão foi até seu cabelo novamente, o movimento autoconsciente — Acho que combina. — parecia surpresa. Estendeu o balde de gelo. — Para sua bebida? Peguei alguns cubos de gelo e os coloquei em meu copo. — Obrigado — disse. Em seguida, houve vozes no corredor e um grupo de estudantes universitários, bêbados e antipáticos, se aproximou. Um olhar fugaz de pânico atravessou o rosto da garota e ela agarrou


meu braço, me puxou em sua direção, com as costas contra a parede, com o rosto perto do meu. Ela ainda segurava o balde de gelo em uma mão. Eu tinha a minha bebida na minha mão, minha outra palma na parede, centímetros de sua cabeça. Ouvi os estudantes universitários em algum lugar atrás de nós, gritando enquanto eles passavam. — Sim — gritou um. — Pegue-a, cara! Meus lábios quase tocavam os dela, um milímetro de distância. Não conseguia pensar em nada, exceto como seria o seu gosto. Eu a queria. Nunca estive tão rapidamente certo de algo. Pressionei meus lábios nos dela, levemente por um segundo e ela respondeu, sua boca abriu-se e a ouvi gemer, apenas um pouco. O som era tão suave que não tinha certeza se era ela, mas ela arqueou o corpo para mim e senti sua língua na minha. Mudei a minha mão para longe da parede, segurando a parte de trás da sua cabeça na base do pescoço, a puxando para mim enquanto a beijava. Beijo era a o eufemismo do ano. Não a beijei apenas. Fodi sua boca com a minha língua, minhas estocadas insistentes. Queria rasgar a roupa dela aqui no corredor e pressioná-la na parede. Ela fez esse pequeno gemido novamente, esse som que pensei que me deixaria louco. E então ela se afastou, colocou uma mão no meu peito e me empurrou para trás. — Eu... — começou. — Eu preciso ir.


Ela colocou a mão na boca. Seus lábios estavam vermelhos, inchados onde beijei. Queria beijá-la novamente, deixar hematomas em seus lábios, seu pescoço. Em seus seios. Antes que pudesse responder, ela se afastou e começou a andar pelo corredor. — Ei! — gritei. — Nem sei o seu nome. Ela virou novamente e me deu um sorriso. — Não — disse. — Você não sabe. Em seguida, se afastou.


Capítulo Quatro River Merda. Virei e passei a mão em meu rosto, em seguida, pelo meu cabelo. Por um segundo, quando passei minha mão para trás me perguntava onde o resto do meu cabelo estava. Então me lembrei que o cortei na noite passada. Noite passada. Passei os dedos em meus lábios onde ele me beijou, o cara do corredor, aquele com o copo de plástico vermelho em sua mão. A pessoa que era tão quente. Meu coração disparou só de pensar em seus lábios pressionados nos meus, sua língua na minha. Queria sentir suas mãos no meu corpo, me tocando. Deus, ele era sexy. Seu cabelo era loiro, cortado perto de seu couro cabeludo, dando-lhe uma aparência de militar e seu rosto bronzeado do sol. Ele se parecia com uma deliciosa combinação entre um fuzileiro naval e um surfista. Fechei os olhos, imaginando-o em minha mente – alto e magro, mas seus ombros eram largos, e quando empurrei seu peito, pude sentir seus músculos, firmes ao toque, sob meus dedos.


Queria passar os dedos por baixo da camisa, abrir as calças... Calor fluiu do meu núcleo e entre as minhas pernas, só de pensar nele. Estive com Viper nos últimos anos – Fui fiel a ele durante os últimos anos, mesmo quando o sexo esfriou no ano passado, mesmo quando diminuiu para absolutamente nada três meses atrás, mas nunca tive o tipo de resposta física automática a qualquer pessoa como tive com o cara no corredor. Mesmo com Viper, a porra do meu noivo. Pensei que era eu, que era algum tipo de aberração, que meu passado me fez sempre desligar com desse tipo de coisa, desde o tipo de paixão que vê nos filmes, que você lê nos romances. Sequer sei o nome dele. Enfiei minha mão por baixo pelo estômago e entre as minhas pernas, ao mesmo tempo refletindo sobre aquele beijo, o que deixou minhas pernas fracas. O pulsar entre as minhas pernas, só de pensar nele, ameaçou apagar todo o resto... especialmente as preocupações sobre o que aconteceria com a minha vida. Movi o meu dedo sobre o meu clitóris devagar, deleitando-me com o calor que correu pelo meu corpo. Deslizando uma das mãos debaixo da minha parte superior do top, passei minha mão sobre meu seio, meu polegar persistente no meu mamilo, que endureceu instantaneamente ao meu toque. Minha respiração ficou presa em minha garganta enquanto me tocava, meus movimentos mais e mais rápidos até que eu estava na beira do abismo. No fundo da minha mente, o imaginei, beijando o lado do meu pescoço, a minha clavícula, em seguida, os meus seios. Imaginava sua boca me envolvendo, sua língua passando rapidamente


sobre o meu mamilo, sugando-me até que estava perto do orgasmo. Imaginei-o empurrando-me contra a parede, empurrando seu pênis dentro de mim, seus movimentos insistentes como sua língua estava na minha boca. Estava no limite e, quando gozei, foi o seu rosto que vi. Não o de Viper.

Andei pela entrada do hotel, minha bolsa pendurada no meu ombro, as poucas coisas que tinha comigo enfiadas dentro da mala improvisada. Entre o novo cabelo e os óculos de sol, esperava evitar ser reconhecida. Não vi televisão. Pelo que sabia, minha mãe chamou a polícia, relatando o meu seqüestro ou algo assim. Isso seria algo que faria. Isso seria algo que a minha gerente seria mais do que feliz em fazer, encobrir a verdadeira história, o fato de que tudo não era realmente um conto de fadas sobre a ‘menina pobre que virou estrela de cinema’ e o roqueiro que tinha tudo. Essa era a coisa mais importante. Proteger a minha marca, dizia a minha gerente. Você deve proteger sua marca. Sempre. Controle de danos, minha gerente me aconselharia, mesmo agora. Podia ouvir suas palavras, sem ter que aguçar minha imaginação. Existem outras meninas? Ela perguntaria. Claro que havia outras garotas. Havia sempre outras meninas.


Nunca minha irmã, no entanto. A minha empresária suspiraria. Nesse caso, Viper irá para a reabilitação para viciados em sexo. Você ficará ao lado dele, e fará um discurso com lágrimas nos olhos sobre o quanto foi ferida por seu mau comportamento. Você terá um papel primordial – algo elegante, não lixo, agora, dadas as circunstâncias – Pensei em algo sobre uma mulher forte e perseverante, apesar de seu homem nada bom. Cedo demais? Não importa. Você fará algo grande, enquanto ele está afastado em reabilitação. Algo significativo. É hora do Oscar para você. A reviravolta. Era sempre sobre a reviravolta. Às vezes era cansativo. Pobre menina rica. É como minha mãe se referia a mim agora. Era privilegiada, sabia disso. Mas por dentro, ainda era River Gilstead, a menina do parque de trailer. Não conseguia afastar a sensação. Sempre me senti perdida. Fiz checkout na recepção do hotel, observando o recepcionista por detrás dos meus óculos de sol, roubando olhares para as outras pessoas na entrada, da minha visão periférica. Meu coração disparou, embora não houvesse nada de errado. Só queria escapar daqui despercebida. Não tinha um plano real, no entanto. Entrar no carro e dirigir. Poderia ficar longe, em algum lugar privado. Poderia continuar indo para o leste... uma pequena cidade ou algo assim, alugar um apartamento, descobrir o que faria agora.


Talvez vá para o exterior. Poderia sair na obscuridade, saborear um cocktail na praia em algum lugar. Pobre menina rica. Descobrirei isso hoje à noite, prometi a mim mesma. Hoje à noite, farei um plano elaborado. Fora do hotel, entreguei ao manobrista o meu ticket. E então o vi, vindo para mim – um homem com uma câmera. — River! — gritou. — River Andrews! Segurei minha bolsa para cobrir o lado do meu rosto, mas ele tirava fotos. Ele foi o único, mas sabia que haveria mais. Recuei no interior da porta do hotel. Este lugar não tem segurança? As pessoas olhavam e senti um rubor de vergonha. Todo mundo sabe, percebi. Eles têm que saber. Estará por toda a TV. Engoli a bile que senti em minha garganta. O fotógrafo me seguiu, persistente e cobria o meu rosto dele. Então ouvi alguém gritar, uma voz feminina. — Essa é River Andrews! Merda. Virei. Voltarei pelo caminho que vim, em direção aos elevadores, disse a mim mesma, pegue um dos funcionários da recepção para fazer algo. Mas em vez disso, corri para ele. Minhas mãos bateram em seu peito e o senti agarrar meus cotovelos. Sabia que o fotógrafo tirava fotos de nós, algo que acabaria estampado em todas as revistas, algo que as mulheres poderiam apontar e dizer, vê? Ela se traía Viper, afinal. Aquela vadia metida mereceu tudo o que teve.


Sabia de tudo isso, no fundo da minha mente. Mas ali, no momento, com as mãos dele sobre mim, tudo parou. Todas as outras coisas desapareceram, instantaneamente, no fundo, esta mancha de ruído branco. Ele olhou para mim, com rugas entre as sobrancelhas. Não poderia dizer se era um sinal de que estava preocupado ou irritado. — Você está bem? — perguntou. Balancei minha cabeça. — Não — murmurei. — Preciso sair daqui. A câmera... apenas... não posso. Ele não disse nada. Ele me soltou, deu um passo adiante, e arrancou a câmera das mãos do fotógrafo. — Você se arrependerá disso! — o fotógrafo gritou. — Te processarei por me agredir! Isso é uma câmera de mil dólares! O fotógrafo avançou em nossa direção. Antes que piscasse, ele – o meu salvador — socou o fotógrafo no rosto. Só fiquei ali olhando, paralisada. Tive que forçar minha boca a ficar fechada. Os seus amigos se moveram entre nós e o fotógrafo e senti a sua mão no meu braço e o ouvi falar. — Meu carro deve estar à frente — disse ele. Não sabia exatamente por que fiz isso, mas andei com ele para o lado de fora do hotel. Podia sentir os olhos em nós enquanto saíamos, e vi alguém com um telefone celular, gravando, um movimento muito descarado, considerando que este cara só deu um soco na cara de alguém por tirar fotos minhas. O manobrista não estava de volta com o meu carro e senti a mão de meu salvador no meio das minhas costas, me guiando para frente. Ele apontou. — Bem aqui — disse ele,


abrindo a porta e me protegendo dos olhares de curiosos enquanto entrei em seu carro. Não deveria fazer isso, pensei. É estúpido. Sequer sei o nome dele. É incrível e tediosamente idiota. Ele poderia ser qualquer coisa, este homem. A porra de um perseguidor. Um serial killer. E, no entanto, enquanto me sentei no banco traseiro do passageiro, uma sensação de calma tomou conta de mim.


Capítulo Cinco Elias O que fazia? Dirigia meu Mustang conversível GT 1969 para casa para West Bend – isso era o que fazia. Era a porra do meu bebê, a coisa na vida que era mais importante do que qualquer coisa no mundo para mim. E ela estava nele, esta menina, cujo nome eu nem sequer sei. Saía de Las Vegas, como se esta fosse uma porra de viagem de estrada normal. Exceto que acabei de roubar a câmera de um fotógrafo, socá-lo no rosto do caralho e tinha uma menina no banco do passageiro que era a coisa mais impressionante que já vi na minha vida. Assim, apesar de tudo, foi um dia normal na vida. Merda. Obviamente, era alguém importante, algum tipo de estrela, filha de político ou alguém no centro das atenções. Não tinha nenhuma ideia de quem era. Ela devia pensar que era um idiota. Comecei mentalmente para listar os filmes que vi, tentei me lembrar a última coisa que vi. Ela era uma estrela de cinema? Talvez


estivesse na TV. Não conseguia me lembrar da última vez que realmente assisti a um filme. Estive focado em outra merda. Como a minha perna. Correr novamente, treinar. Conseguir minha merda junta. Olhei em sua direção. Seu rosto estava para frente, seu cabelo bagunçado, os fios soprados pelo vento, quase verticalmente. Eu me perguntava por que ela o cortou todo. Não conseguia parar de pensar no beijo. Estava de ressaca, minha mente lenta, pesada pela bebida da noite passada. Mas não conseguia pensar em nada a não ser a minha pele contra a dela. Ela se virou e virei a minha cabeça, meus olhos na estrada, casual como se fizesse isso todos os malditos dias, levando uma garota para longe no meu conversível, quando era agredida pelos paparazzi. Quem quer que fosse, estava fora da minha liga. Liga, merda. Não estávamos na mesma droga de planeta, eu e ela. A deixaria em algum lugar, provavelmente onde sua limusine fosse buscá-la e estaria feito com ela. Então iria para casa, em West Bend e lidaria com toda a minha merda. Ela não pertencia ao meu carro. E com certeza não pertencia ao meu mundo. Estávamos em uma estrada, uma estrada menor na saída da cidade, onde o vento não era tão ruim, quando olhou para mim. — O quê? — ela gritou, sobre o ruído do ar soprando pelos nossos rostos.


— O quê? — repeti a sua pergunta novamente. O vento soprava por mim, as minhas palavras, provavelmente, presas nele. — Você está me olhando fixamente — disse. — Desculpe. — Mas a olhei mais uma vez de qualquer maneira, em seguida, com a mesma rapidez, novamente para a estrada. Eu não disse nada até que estávamos fora da cidade. Eu tinha vindo olhando no meu espelho retrovisor, para ver se estávamos sendo seguidos, mas parecia que o fotógrafo era o único interessado nela, e eu tinha a certeza que os meus amigos cuidaram dele. Não do tipo dormir com os peixinhos, apenas no sentido de o desviar significativamente. Eu parei no estacionamento de um restaurante fora da cidade, e eu finalmente virei-me para ela. — Quer que a leve em outro lugar? Você tem um carro no hotel? Ela ficou em silêncio, olhando para frente. Quando finalmente falou, sua voz era suave. — Não tenho nada para voltar — disse — Não agora, de qualquer maneira. Por que estava tão feliz em ouvir isso? Isto praticamente aqueceu a porra do meu coração. Balancei a cabeça. — Bem, não sei qual é a sua história, mas acho que foge de alguma coisa. Ela sorriu. — Você não sabe quem sou? Realmente? Seus olhos eram de cor avelã com manchas douradas ou algo neles, quase como um gato. Senti que deveria saber quem ela era, a garota com olhos dourados, essa garota que beijei, que me deixou tão excitado que não conseguia pensar direito.


— Não tenho ideia, — eu disse, e encolhi os ombros, o gesto mais indiferente

do

que

eu

realmente

sentia.

Ela

fazia

sentir

autoconsciente, e não ficava autoconsciente. Mesmo com a porra da minha perna. Eu só não era esse tipo de cara. Mas essa garota estava me deixando impaciente. Ela riu. — River — disse. Como se devesse ter algum significado para mim. Que raio de nome era River, de qualquer maneira? — Desculpe — disse, dando-lhe um olhar vazio. — Realmente não me faz lembrar de ninguém. Eu não poderia dizer se ela estava ofendida ou satisfeita. — Eu sou uma atriz. — É? — disse — Nunca imaginaria, com o fotógrafo te perseguindo. — Ei, você é o único que não sabe quem sou. — Convencida? — perguntei. — O quê, você é como uma Kardashian ou algo assim? Porque se for, terei que colocá-la para fora do carro imediatamente. River deu de ombros. — Não — disse. — Mas as conheço. Revirei os olhos. — Perto o suficiente. Saia do carro. — Elas são realmente muito boas — disse, sorrindo. — Não estou brincando em tudo — disse. — Pode sair e esperar ao lado da estrada até que algum bom caminhoneiro chamado Bubba te pegue. — Poderia — disse — Pode ser mais seguro do que estar aqui. Como sei que não é realmente um serial killer ou algo assim?


— Você não sabe — disse — Mas continue falando sobre as Kardashians e descobrirá. — Porta-malas cheio com fita adesiva, corda e lona? —perguntou. — Parece como um monte de diversão bizarra — disse — Mas, infelizmente, não. Desculpe desapontá-la. Não penso em cortá-la em pedaços. É claro que, se pensasse, provavelmente não lhe contaria. — Bem. — parou por um longo momento, me perguntando mais uma vez — Então, realmente não sabe quem sou? — Não. — ela parecia surpresa pelo fato de que não era tão curioso, mas acho que não daria à mínima se fosse famosa. Tudo bem, estava curioso. Quer dizer, quantas vezes em minha vida fui beijado por uma estrela de cinema? A resposta seria zero. Não deixaria que visse que estava curioso. Ela não precisa saber disso. Quero dizer, merda, por tudo que sabia, poderia ser beijado por atrizes o tempo todo. — Tudo bem — disse — Qual é o seu nome, então? — Elias Saint. — Fiz uma pausa. — Só para saber, paparazzis me seguem o tempo todo também. — Ah é? — perguntou, com sarcasmo. — Você deve ser totalmente famoso. Abaixei minha cabeça e olhei para ela sobre a borda dos meus óculos de sol. — Bem, não queria dizer nada, já que agia toda prepotente e merda, mas sou do tipo importante. — Oh, bem, obviamente — disse — Posso ver.


Coloquei novamente os óculos. — É a boa aparência devastadora, certo? — Entregue facilmente. — sorriu. — As meninas me adoram — disse, encolhendo os ombros. — O que posso dizer? — Não duvido — disse ela. O jeito como disse, não saberia dizer se falava sério ou ainda brincava. A intensidade em seu olhar me fez pensar naquele beijo. Porra. Aquele beijo. Virei, olhei para frente, com medo de que fosse capaz de ler o desejo por ela que estava gravado no meu rosto agora. — Elias — disse ela. — O quê? — Seu nome. Gosto disso. É uma espécie de velha escola. Bíblico. — Tudo bem, River sem ter para onde ir — disse, mudando de assunto abruptamente. A última coisa que queria fazer agora era contar a uma estrela de cinema sobre as origens complicadas do meu nome. — Onde quer que a leve? — Em qualquer lugar que desejar. — Virei para olhá-la quando disse isso, com a voz rouca. Ela está dando em cima de mim? Suas bochechas estavam avermelhadas e percebi que estava envergonhada. Não podia deixar de provocá-la agora que sabia o que a envergonhava. — Guardarei isso para mais tarde — disse. — A menos que queira que te leve aqui, agora. — Vi como o rubor ficou mais profundo e ela se mexeu desconfortavelmente em seu assento. Escondi um sorriso,


observando-a se contorcer. Ela não disse nada e limpei minha garganta. — Vou para casa. Quando ela respondeu, sua voz estava rouca, e um vermelhão ainda era evidente em seu rosto. — Onde é sua casa? — West Bend, Colorado — lhe disse. O último lugar na terra que alguma atriz estaria interessada em ir. O fato de que ainda estava sentada no meu carro não fez nenhuma porra de sentido. — Ok — disse ela. — Ok, o que? — Ok, irei com você. — Ela disse isso realmente. — Para a porra da minha casa? — perguntei. — Claro. — Será que lhe pedi para vir para casa comigo? — disse. Esta menina estava louca? Trazer alguém como ela para West Bend? Para minha casa? De maneira alguma a deixaria perto da minha família. — Oh — disse. Ela pareceu desapontada e fiquei preocupado. Porra. — Não, quero dizer, apenas assumi que me oferecia uma carona ou algo assim. Sim, pensei. Ou algo assim, definitivamente. Meu pau pensava por mim. Quando falei, as palavras soavam estranhas para meus ouvidos. — Quer vir comigo para West Bend? — perguntei. — Claro — ela disse, sorrindo maliciosamente. — Quer dizer, já que está pedindo e tudo mais. Merda. Meu pau estava definitivamente pensando aqui.


Capítulo Seis River Minha cabeça estava novamente no encosto do banco, os olhos fechados e ouvia o barulho do carro enquanto dirigimos ao longo da rodovia. Estava naquele espaço entre dormindo e acordando, tentando ignorar os pensamentos em minha cabeça. Quatro dias atrás, isso parecia uma ideia perfeitamente razoável, dirigir com um cara que acabei de conhecer, o mesmo cara que enfiou a língua na minha garganta em um corredor do hotel. Sua língua. Ainda sentir o seu gosto em meus lábios. Ele tinha gosto de uísque e sexo. No que pensava, entrando no carro de um cara e indo com ele para sua cidade natal? Apenas sabia o seu nome. Não sabia nada sobre ele. Não tínhamos nada em comum, tinha certeza disso. Dois mundos diferentes e tudo mais. Esta é a ideia mais estúpida, River. E fiz alguma merda, isso era certo. Viper não era um santo, mas eu também não era um anjo. Fui para a reabilitação uma vez, depois de uma série de festas que deram mal antes de ainda ter dezoito anos. Tive sorte com a agente que era boa com esse tipo de merda, contratou um desses reabilitadores que


podem gerenciar qualquer coisa. Ela me tirou desse atolamento. Ela provavelmente estava ocupada cuidando disto já. Eu me perguntei o que fazia. Fugindo no meio de uma filmagem? Engatando um passeio para o Colorado com um cara que acabei de conhecer? Este não era o meu melhor momento de sempre. Mas essa provavelmente não seria a última decisão estúpida e impulsiva que já tomei. Na verdade, enquanto olhava para Elias, seu olhar fixo em frente, pensei, ele pode ser a próxima coisa estúpida impulsiva que farei. O pensamento enviou um calor imediato irradiando para o meu núcleo. E tão rapidamente, lembrei que apenas deixei meu noivo. Meu namorado de três anos. Em Hollywood, essa era a porra de uma vida inteira. Claro, ele era o único com o seu pau na garganta da minha irmã. E passou meses desde que fizemos sexo, uma vez que me trocou de qualquer maneira. Não por minha escolha. Ele culpou a sua “arte”, este novo álbum que fazia, onde queria “canalizar sua energia”. Quando o carro parou novamente, fui tirada dos meus pensamentos. — Parada — disse Elias. — A fita adesiva e corda? — perguntei sorrindo. — Como sabe? — perguntou. — Era para ser surpresa. — Saiu do carro e quando abriu a porta, soltou o cinto. Ele pegou minha mão enquanto saía do banco.


— Vamos, agora — disse — Não me diga que aqueles meninos de Hollywood não abriam a porta do carro para você. — Na verdade, não. — Que pena — disse. Caminhou rapidamente e encontrei-me um passo atrás dele no caminho em direção à loja, distraída, olhando para sua bunda. Então notei que seus passos eram um pouco instáveis, mas antes que pensasse no que isso significava, ele virou a cabeça. — Olhando alguma coisa? — perguntou. Sua voz tinha o mesmo tom bem-humorado de antes, mas havia algo neste momento. Sua bunda. Era o que queria dizer. Estava na ponta da minha língua, mas não abri minha boca. Balancei a cabeça, de repente muda. Um olhar escuro atravessou seu rosto. — Minha perna? — perguntou. — O quê? — estava confusa com o que falava. Ele puxou a perna da calça um pouco. — Aí está — disse e me senti envergonhada, mas não por causa de sua perna. Fiquei envergonhada porque me pegou olhando para a sua bunda e agora pensou que era uma idiota, olhando para a prótese. Sabia que meu rosto estava vermelho. Podia sentir o calor no meu rosto. Estive no centro das atenções por tanto tempo, que agora não me envergonhava com facilidade. No entanto, esse cara, cujo nome acabo de descobrir, tinha um jeito de me fazer ficar envergonhada. Em mais de um sentido. — Isso não é o que... — comecei a dizer, depois parei, porque já caminhava em direção à loja. Precisei correr para alcançá-lo e quando o fiz, coloquei minha mão em seu braço. — Elias.


— O quê? — fez uma pausa e lançou-me um olhar. Seus olhos eram um azul cobalto, tão brilhantes que não pareciam naturais. Ele realmente devia ser um modelo ou algo assim, pensei. Meu empresário babaria em cima dele. Eu me perguntei onde esteve toda a sua vida, que não foi descoberto — Não é nenhuma grande coisa. É uma prótese — disse ele. — Eu não estava olhando para a perna — disse. — Sequer notei, até que me mostrou há pouco. — Sério — falou, seu tom paternalista. — Deixa para lá. Não é uma grande coisa, mas você estava fazendo isso. Você olhava, as pessoas fazem isso o tempo todo. — Não estava. — disse, desta vez com mais ênfase. — Não sou uma idiota. —Por que estou preocupada em me defender? Quem se importa com o que pensa? — Não — disse. — Mas a maioria das pessoas gosta de espetáculos de aberrações. Não é a base para uma televisão mais realista? Senti o calor em meu peito, irradiando para meus braços. Podia sentir isso na minha pele. Sempre tenho esta erupção, quando fico chateada. Minha mãe costumava dizer que era porque sou alérgica à emoção. Não era uma boa qualidade em uma atriz, mas quase ninguém sabia sobre isso, pelo menos quando estava no set. — Você sabe quem sou — disse. — Do que fala? — ele parecia genuinamente confuso.


— Reality show? — perguntei. Percebi que estava mais perto dele agora, apontando o dedo para o peito. — Isso é algum tipo de comentário sarcástico sobre o meu casamento? — Casamento? —perguntou Elias. Ele fez um barulho e não sabia se era uma tosse ou um riso. — O que você é, algum tipo de noiva em fuga? — Não. — fiz uma pausa, esquecendo-me por um minuto que estava com raiva. Eu acho que sou, não sou?— Meio que. — Então, você é o que, algum tipo de estrela de reality que se vai casar? — perguntou. Seus lábios se contraíram e ele cruzou os braços sobre o peito. Ele sorria para mim. O presunçoso idiota. Não sabia por que estava tão chateada. Era algo sobre aquele sorriso arrogante no rosto, como se fosse muito melhor do que eu. Ele não sabe nada sobre mim. — Foda-se — disse, virando e caminhando para a loja. Dentro do banheiro, joguei água em meu rosto. Olhei para o meu reflexo no espelho, no rubor que cobria meu rosto e as manchas rosa em meu peito. Coloquei minhas mãos na pia e respirei profundamente algumas vezes. Foi a sua atitude o que me pegou, o ‘eu sou melhor que você’ que me cortou como uma faca. Deixei o meu passado para trás. Não era aquela garota mais. A escuridão do meu passado foi arquivada, embalada, como a merda que a minha mãe guardava como lembretes, como o urso de pelúcia esfarrapado, com o qual costumava chorar até dormir.


Era engraçado como a vida funcionava... você fez tudo o que podia para mudar quem você era, para se tornar a pessoa que você queria ser, a pessoa que você pensou que era. E então ela só trazia um comentário de alguém para fazer você se sentir como aquela menina estúpida novamente. Sempre agindo como se você fosse melhor do que o resto de nós, River. Você é minha filha, você me entendeu? Você nunca vai ser melhor do que eu. Não importa onde você vá, quanto dinheiro você faça, quantos fãs você tenha, você sempre será minha filha. O que ela disse não era para ser reconfortante. Não era verdade, eu disse a mim mesma. Mas meu coração ainda estava acelerado. Eu alcancei dentro da minha bolsa e tirei a pequena caixa. Assim que meus dedos tocaram a caixa de couro, senti uma onda de calor inundar meu corpo. Minha freqüência cardíaca começou a cair. Apenas olhando, disse a mim mesma. Faz seis meses que eu não faço isso. Eu nem sequer fiz depois que peguei Viper e minha irmã. Corri meus dedos sobre o couro da caixa, mas eu não a abri. Em vez disso, eu deslizei o kit contendo minha lâmina de barbear de volta na minha bolsa. Fechei os punhos, cavando minhas unhas na palma da mão. A dor era uma distração, nem mesmo perto da dor comoa do corte. Mas eu me concentrei nela em vez disso. Eu tomei uma respiração profunda, e saí pela porta. E para Elias.


Ele estava em pé na frente da porta do banheiro, nem se preocupando em ser educado sobre isso, com as mãos em ambos os lados da moldura da porta. Como o dono do espaço. O jeito como me olhava, me fez estremecer.

Elias A forma como esta garota me olhava, seus lábios entreabertos, este rubor nas faces que deixava tudo rosado, como se acabasse de correr ou algo assim... Não conseguia pensar em mais nada, além estar dentro dela. Não me movi de onde estava de pé no batente da porta, para não tocá-la. Mas a senti ficar mais perto de mim. — Me seguindo? — perguntou. Sua voz era suave. — Quero saber o que realmente olhava no estacionamento — disse. — Se não era a minha perna, o que era? Ela exalou com força e não sabia se estava chateada ou não. Até que respondeu. — Sua bunda. — O quê? — A ouvi, mas queria ouvi-la dizer isso novamente. Senti essa emoção fluir de mim e juro por Deus, todo o sangue no meu corpo foi direto para o meu pau.


— Sua. — respirou fundo, pontuando a palavra. — Bunda. Olhava para sua bunda enquanto andava na minha frente. Senti-me sorrir. Não poderia evitar. — O quê? — perguntou. Seus lábios eram tão carnudos que não conseguia pensar direito. — Então você é algum tipo de estrela de reality ou o quê? — abri minha boca e foi o que saiu. Não era a o que queria perguntar. A única coisa que queria saber era se ela se casaria. River suspirou alto desta vez. — Não — disse — Mas meu casamento seria televisionado. Ao vivo. Na noite passada. Com Viper Gabriel. — Merda. — Viper Gabriel. — Você namora com Viper Gabriel? —Agora a reconheci. A vi na capa de revistas. Porra. Ela não era apenas um pouco famosa. Ela era realmente muito famosa. E disse que olhava a minha bunda. — Estava — disse. — Estava o que? — estava confuso. Estava preocupado com o fato de que não conseguia fazer o sangue fluir na direção certa – para o meu cérebro. — Estava para me casar — explicou. — Passado. Até que o peguei com a minha irmã. — Merda — disse, balançando a cabeça. Não podia imaginar por que um cara que estava com ela, colocaria seu pênis em qualquer outro lugar, além de dentro dela.


River deu de ombros. — Então agora sabe por que estou aqui — disse. — Então, por que você está aqui? Não sei por que fiz isso. Não quis ninguém em um longo tempo, muito menos alguém assim, alguém fora do meu alcance. Eu a beijei. Forte. Seus lábios se separaram com a minha boca pressionada na dela e sua língua encontrou a minha. Beijá-la acendeu algum tipo de fogo dentro de mim. Eu a empurrei na parede mais próxima, forte demais, pensei. Precisei dizer a mim mesmo para ir com calma, mas River gemeu e isso me deixou louco. Peguei um punhado de cabelo na base do seu pescoço e puxei-a para mim. — Lembra quando costumava me beijar desse jeito? River saltou e virou a cabeça ao som da voz que cortava o momento entre nós. O casal mais velho olhando para nós tinha que estar em seus oitenta. O homem olhou para nós e piscou antes de falar. — Costumava? — perguntou. — Beijei você assim esta manhã. — Oh, sei que sim, querido — disse, acariciando o braço de seu marido. — Estou falando em uma parede assim e não a parede de casa. — abaixou a voz, adotou um tom conspiratório. — Ele costumava ser muito mais selvagem. Um exibicionista. — Posso mudar isso se trouxe minhas pílulas com você — disse. River reprimiu uma risada e limpei minha garganta. — Desculpem-nos — disse River, tomando minha mão na dela e me puxando para fora da loja e novamente para o carro. Quando chegamos, ela parou, apoiada na porta do lado do passageiro, com as


mãos em minha cintura. Ela riu quando me tocou, as palmas das mãos no meu peito, alisando o tecido da minha camisa. O gesto parecia familiar e desconhecido, tudo ao mesmo tempo. Era uma estranha mistura. — Não sabia que tinha um público lá — disse. Beijei-a novamente, precisando senti-la contra mim. Assim que a toquei, estava duro novamente e, por um minuto, estava convencido de que pensaria que era algum tipo de pervertido sexual obcecado. Mas ela arqueou as costas e podia senti-la se pressionando em minha dureza, em vez de se afastar. Eu não posso acreditar que alguém como ela me quer. Em seguida, se afastou. Podia sentir seus lábios nos meus, mesmo depois dela se afastar. — Provavelmente deveríamos sair daqui antes que tenhamos um público ainda maior — sussurrou. Limpei a garganta novamente, alcançando a maçaneta da porta do carro, propositadamente não me afastando dela. Minha mão estava em sua bunda e o movimento puxou-a para mim. — Ainda certa de que quer vir comigo? — perguntei. A questão imediatamente me fez pensar em sexo e só poderia pensar em estar dentro dela. Venha comigo. Quando respondeu, sua voz estava ofegante. — Sim.


Capítulo Sete River Elias colocou a capota de volta no conversível. Deixando mais aconchegante do que antes, quando estávamos dirigindo com a capota baixa e o vento soprando. Era mais íntimo, de alguma forma. Havia menos espaço entre nós, e era tranqüilo. Ainda assim, por pouco tempo, nenhum de nós fez qualquer tentativa de conversa fiada. Parecia bobo, mas eu ainda estava sofrendo com aquele beijo. Tudo o que eu conseguia pensar era a maneira como me senti quando ele me beijou, meu coração disparado, meu corpo no limite. Eu sabia que deveria estar triste sobre o meu relacionamento. Eu deveria estar triste que eu não estava me casando. Exceto que em vez disso, sentia essa enorme sensação de alívio, o peso de um fardo tirado dos meus ombros. Eu me senti positivamente vertiginosa. Ri, o som eclodindo do nada, esta estranha liberação da tensão e estresse das últimas vinte e quatro horas. Elias deveria pensar que eu era louca. — O quê? — perguntou. — É aquele casal? Eles foram uma maldita viagem, hein? Acha que foram transar no banheiro? Deixei escapar uma risada mais alta, cobrindo minha boca. Acalme-se, River. — Sim — balancei a cabeça. — Definitivamente.


— Ainda serei assim quando tiver oitenta — disse Elias. — Com uma fodida ereção pela minha velha senhora. Ri de sua franqueza. Elias apenas parecia não ter problema em dizer o que vem à cabeça. Ele foi a primeira pessoa com quem saí em anos que não parecia ter uma agenda, não tentava conseguir alguma coisa de mim. — É engraçado? — perguntou. — Não — disse. — É bonitinho como eles estavam apaixonados. Espero que ainda tenha tesão por alguém quando estiver mais velha. — Você será uma sexy senhora — disse ele. — Sem dúvida. — Bem, em termos de Hollywood, isso está a 10 anos de distância. — Não entendo essa besteira — disse Elias. — Qual parte? — perguntei. — A obsessão em permanecer jovem? — Toda essa merda em geral — disse ele — Parece que iria foder com sua cabeça. Quero dizer, sem ofensa, você parece muito normal e tudo. Para uma atriz, quero dizer. Eu ri. — Dê um tempo — disse. — Vou impressioná-lo com a minha marca de loucura. — Rá. — Ele fez uma pausa, batendo com os dedos no volante enquanto dirigia. — Vá em frente. — Vá em frente para o que? — Me impressione — disse ele. — Qual é a sua marca de loucura? Fiquei em silêncio por um minuto. Minha loucura era demais para alguém como Elias - alguém que parecia um cara normal, se


houvesse tal coisa – lidar com ela. — Bem, eu não posso entregar todos os meus segredos, — eu disse. — Mas já está, provavelmente, na internet de qualquer maneira, então eu poderia muito bem dizê-lo aqui. Eu quebrei com um taco de beisebol todas as merdas do Viper, todas as suas recordações e outras coisas. — Sério? — perguntou. — Então você quebrou a merda de um bando de suas coleções, porque transava com sua irmã? Isso não é nada. — Era um material realmente inestimável — disse, timidamente. — Como um Troféu Heisman que adquiriu. E o taco foi de Mickey Mantle. — O idiota merecia isso, não? — perguntou. — Ele tem sorte que não enfiou o bastão em sua bunda. Só estou um pouco impressionado com o fato de que destruiu a sua pequena coleção. — Pequena?— perguntei. — Não tenho certeza se deveria estar decepcionada ou com medo de que não ache que isso é loucura. — É — disse ele. — Não diria que é uma loucura. Mais como justiça caipira. — Justiça caipira, hein? — perguntei, meu rosto ficando vermelho. Todo esse tempo e esforço para fugir do meu passado e meu comportamento sempre me trai. Elias olhou para mim e piscou. — Não se preocupe, querida — disse ele. — É um elogio, não um insulto. De onde venho isso significa que você tem algumas bolas. Senti as lágrimas começarem a brotar nos meus olhos e me virei para olhar pela janela, tentando furiosamente afastá-las. Agora não.


Não aqui, na frente dele, desse cara que acabei de conhecer. Não choraria. Sequer sei por que estava chateada. — Merda — disse Elias. — Não quis dizer nada com isso. Não sabia por que chorava, só que me sentia como se tivesse com a adrenalina alta pelas últimas vinte e quatro horas e agora estava no pico. Enxuguei uma lágrima do meu rosto. Elias estendeu a mão e me tocou. Sua mão em minha perna estava quente, o calor irradiando através de meu corpo. Mesmo através da névoa de lágrimas, seu toque era elétrico. — Não disse que é louca ou qualquer coisa — disse Elias, parecendo confuso. — Não sou uma chorona — disse, fungando. — Realmente não sou. Não sei qual o meu problema. — Está tudo bem — disse — Tenho esse efeito nas mulheres. — Fazê-las chorar? — perguntei. Não pude deixar de sorrir. — Bem, às vezes é difícil estar na presença de alguém que tenha tão boa aparência — disse, apontando para si mesmo. Não pude deixar de rir. — Sim, posso ver como isso as faria chorar. — Ei — disse. — Sabe do que precisa? — O quê? — Limpei o canto do meu olho. Pelo menos não achava que era um bebê total. Ou foi educado o suficiente para não dizer isso na minha cara, de qualquer maneira. — Você gosta de drive-in?


Elias Merda. Lancei-lhe um olhar. Pelo menos não chorava mais. Não posso evitar, mas fico um pouco em pânico com a visão de uma menina chorando. Qual cara não se sentiria assim? Mas acho que acabou de terminar com seu noivo e essas merdas. A maioria das meninas chafurdaria em um litro de Ben e Jerry e ouvindo música sentimental – que é como fazem nos filmes, certo? Pelo menos essa garota não era como as outras garotas e merda, ela quebrou os colecionáveis de seu noivo em pedaços com um taco de beisebol. Isso era legal pra caralho. Podia respeitar uma merda assim, mesmo que fosse louca. Então, se chorava no carro agora, quem era eu para julgar? — Se gosto de drive-in? — perguntou. — Isso é meio aleatório. Mas tudo bem. Quer dizer, como uma sala de cinema? — Não — disse. — Como um restaurante. Estou faminto. — Oh —disse. — Você quer dizer um Sonic. Revirei os olhos. — Enquanto aprecio o fato de que você sabe mesmo o que é um Sonic, sendo uma grande estrela de cinema e tudo, não. Não é uma cadeia. É um lugar antigo. Ele está aqui desde os anos


cinqüenta. — Olhava, prestando atenção para que pudesse entrar em vista. — Pelo menos, costumava estar aqui. Tem sido alguns anos. — Desde quando esteve em casa? — Sim. — Por que? — perguntou. — Você é horrivelmente intrometida — disse. Olhava quando o Linda’s Drive In apareceu. — Como é West Bend, afinal? — perguntou, quando entramos no estacionamento. Dei de ombros. — Não sei. Como qualquer outra cidade pequena. Como explico West Bend para uma estranha? Muito bonita por fora, mas podre até o caroço dentro? Talvez fosse apenas eu e meus irmãos que éramos dessa maneira, apenas aparência, mas nenhuma substância. É o que o meu pai costumava dizer. Deus tenha sua alma, minha mãe disse quando me ligou para dar a notícia. Ri amargamente. Não se pode descansar o que não tem, disse a ela. — Todas as cidades pequenas são iguais? — perguntou. Formularia uma resposta espertinha, mas apenas grunhi, já que entrávamos no estacionamento. E então River praticamente pulou por cima de mim para olhar o menu. — Com licença — disse, quando colocou a mão em minha coxa. — Não reclamou quando estava tão perto de você assim mais cedo. — disse ela.


Verdade. Podia ver por dentro de sua camisa, de modo que foi um bônus. Senti a familiar agitação entre as minhas pernas e ela olhou para baixo, então para mim. Dei de ombros. — Não coloque sua mão ai, se não quer que ele fique duro. Ela abriu a boca para dizer algo, mas fomos interrompidos pela atendente na janela. Enquanto a menina anotava nossos pedidos, encontrei-me realmente querendo saber o que River estava prestes a dizer. Comemos em silêncio por um tempo, até River falar. — Então — disse ela. — Você cresceu em West Bend? — Sim. — Coloquei uma batata frita na minha boca e não dei mais detalhes. Ela deixou o silêncio durar um minuto antes de quebrá-lo. — Alguém já lhe disse que é incrível com conversa fiada? Olhei pra ela. — Pensei assim — ela disse, sua voz leve. — Bem, há essa coisa chamada conversa, onde uma pessoa faz uma pergunta e outra responde, mas diz mais algumas coisas em resposta. Dei de ombros. — Não sou muito de falar de onde cresci. — Sai de West Bend logo que pude e só voltei uma vez. Não estava exatamente ansioso para voltar agora. Especialmente considerando o fato de que agora tinha que pensar no que faria com uma estrela de cinema no reboque. Claro que não poderia levá-la para minha casa. Uma garota como ela correria gritando quando visse de onde vim. Mão a boca é provavelmente a melhor maneira de descrever a situação da minha


família enquanto crescia – nós tivemos quatro paredes e um pedaço de terra, mas não muito mais que isso. Meu pai – o idiota, como meus irmãos e eu o chamávamos – fez uma pequena mineração em nossa terra e trouxe uma pequena renda, até que foi a merda quando eu estava no colégio. Não traria uma garota como ela para casa comigo, para ver o casebre de madeira da minha família, isso com certeza, mesmo que o idiota não estivesse mais lá. — Bem, quanto tempo mais até chegarmos a West Bend? — perguntou. — Cerca de uma hora mais ou menos — disse. — Então tem cerca de uma hora ou assim de um público cativo aqui — disse ela. — Considerando que teve sua língua na minha garganta mais cedo, diria que estamos familiarizados o suficiente para conversa fiada. — piscou para mim e isso me fez rir. — Tudo bem — disse. — O que quer saber? — Quem disse que quero saber algo sobre você? — perguntou. — Sou uma estrela de cinema do caralho e você não quer me perguntar nada? As mesmas palavras malditas saídas da boca de outra pessoa e teria soado preso e mal-intencionado e simplesmente brega. Mas havia esta... leveza sobre tudo o que dizia, esta brincadeira sobre ela. Eu ri. — Você é mesmo convencida, não é? — Basta dirigir — disse ela. — Não vejo nenhum ponto em fazer rodeios sobre isso. Há, obviamente, algo que te preocupa em voltar


para casa, e é claramente homem o suficiente para me dizer se não quiser discutir o assunto. — Não quero discutir isso — disse. — Viu como foi fácil? — Tudo bem, princesa — disse. — Onde cresceu? Hollywood? Acha que será capaz de se adaptar na América rural? Ela olhou para baixo por um minuto e esperava que não começasse a chorar novamente. Mas ela não o fez, apenas mordeu uma batata frita. — Golden Willow, Geórgia — disse. — Conheço cidades pequenas. Acho que vou me virar muito bem. — Certo. — Não esperava isso. — Surpreso? — perguntou, seu sorriso aumentando. — Não esperava que fosse uma menina do interior — disse. — Nem todas nós, estrelas de cinema, crescemos ricas, você sabia? — disse ela. — Não fui sempre uma princesa. — Você não é realmente o que esperava de uma atriz. — Ainda bem que não sou decepcionante — disse ela, mastigando o resto de uma batata. — Odiaria ser um clichê. Vi quando deu uma mordida em seu hambúrguer e virou para mim, seus olhos castanhos brilhantes, cabelo bagunçado — Você é definitivamente diferente, River Andrews — disse. — Isso tenho certeza absoluta.


Capítulo Oito Elias — Você tem certeza de que este lugar é discreto? — perguntou River. — Se trata de alguém que conhece há bastante tempo? — Parece que vai visitar um bordel ou algo assim — disse. — É uma pousada. Deliberadamente deixei de mencionar que não era amigo dos proprietários e que as pessoas de West Bend podem não ser estar particularmente felizes por ver um dos irmãos Saint, arrastando com ele uma estrela de cinema exigindo permanecer incógnita. Esse não é o tipo de problema que apenas joga sobre as pessoas que achavam que você era a escória da terra. Não que conhecesse as pessoas gerenciando a pousada de qualquer maneira. Não pessoalmente. Isso para não dizer que não temos história, uma história sórdida. Mas não sabia mais o que fazer com River. Tudo o que conseguia pensar era no olhar que inevitavelmente cruzaria seu rosto quando a trouxesse para a minha casa. Não, obrigado. Não sou um masoquista. E tenho certeza que não a levaria para casa comigo. Não para a minha casa. Não para a minha mãe. Não para o meu irmão.


— Tem certeza que não deveria ligar antes? — perguntou, me dando um olhar estranho. — Tenho certeza que está tudo bem. — disse. Eu não tinha. River me encontrou no meu lado do veículo. Sua mão foi até a gola da minha camisa, seus dedos demorando em minha linha do pescoço. O jeito que fez isso, o jeito que parou lá, me fez lembrar de uma cena de um filme antigo, a forma como uma mulher ajusta a gravata de um homem. — Bem — disse — Suponho que isso é um adeus. — Nas pontas dos pés, tocou seus lábios suavemente na lateral do meu rosto. — A levarei para dentro — disse. — Jesus, sou um cavalheiro. Ela riu, este obsceno som, sem pretensão alguma. Seu dedo arrastou em meu peito e ela mordeu a parte inferior de seu lábio. Podia vê-la passar a língua ao longo da borda do lábio e isso me fez querer ser o único a morder. — De alguma forma duvido disso — ela disse. — Que sou um cavalheiro? — perguntei, com a testa franzida. De repente, estava ofendido que não pensasse em mim dessa forma. Queria saber o que precisaria fazer para provar que era, de fato, um cavalheiro. River assentiu com a cabeça, um sorriso brincando nos cantos de sua boca. — Elias Saint, duvido que seja um cavalheiro. Ela virou e caminhou em direção à casa do rancho branco, deixando-me perguntando se que era um insulto ou um elogio. E me deixando em seu rastro. Me ocorreu que não era o primeiro homem a se sentir assim.


Na porta da frente da casa da fazenda, River bateu. Estava atrás dela, me sentindo como se estivesse no ensino médio novamente, o filho sujo de um mineiro de carvão, um garoto ruim de minha casa ruim. Sabia que June Barton possuía este lugar agora e que a família de June não era assim. Não a conhecia, mas disso eu sabia. Ela não me conhecia, tampouco. Não pessoalmente. Isso é com o que contava. A última coisa que queria, com River aqui, era que June percebesse quem era. Uma mulher veio até a porta, com um avental sobre sua camiseta e jeans. O avental não fez muito para esconder sua gravidez; na verdade, parecia acentuar sua barriga. — Olá — disse ela. — Sou June. Vocês são os Robinsons? Não esperava vocês – Achei que tivessem cancelado a reserva. — olhou para River e eu. — Não — disse River e olhou para mim por um momento e pensei que viraria e fugiria. O que fazia aqui em West Bend, afinal? Mas, em seguida, respondeu. — Não somos os Robinsons. Na verdade, só queria ver se tinha qualquer disponibilidade. June olhou entre nós dois novamente. Parou por um momento, apertando os olhos, e por um segundo fiquei com um medo irracional de que me reconhecesse.


Mas o momento passou, June abriu a porta de tela, convidandonos para dentro. No interior, a casa da fazenda foi pintada de branco e azul, os pisos de madeira reluzente. Era um lugar agradável e eu estava feliz que era o lugar onde June vivia agora. Estava feliz que minha família não era responsável pela destruição de toda a sua vida. Estava feliz que tinha isso, embora não a conhecesse. Era muito jovem naquela época, quando tudo aconteceu. Uma criança, não tinha certeza de quantos anos, talvez uns dois anos, veio cambaleando pela sala e June pegou-o nos braços. — O que faz, pequeno Stan? — perguntou. — Será que o seu pai perdeu o controle de você? — Não, estou bem atrás dele — uma voz gritou e um homem apareceu, vestido com calça jeans desbotada e uma camiseta, os braços cobertos de tatuagens. Reconheci imediatamente uma das tatuagens como a identificação de um franco-atirador da Marinha. Tinha certeza que era Cade. Era jovem quando toda a merda aconteceu, apenas uma criança, mas conhecia Cade, mais tarde, por reputação. Sabia que foi ferido na Marinha e conseguiu uma Estrela de Prata. Esperava que não soubesse quem era. — Tarde — disse Cade. — Visitando West Bend? — Estou — disse River. — Ele veio p... Eu a interrompi. — Apenas visitando. River me deu um olhar estranho. — Sabe, você parece tão familiar — disse June. — Aposto que você escuta isso o tempo todo, mas parece com essa menina dos


filmes, aquela em todas essas comédias românticas, sabe de quem estou falando, Cade? Cade revirou os olhos. — Sim — disse ele. — Sou realmente fã de comédias românticas. — Ela está casada com uma estrela rock, Viper Gabriel. Ou se casando ou algo assim — disse June. — River – é isso. River Algo. Está na ponta da minha língua. A gravidez está me fazendo estúpida ultimamente, não me lembro de nada. River riu. — Você pode guardar um segredo? — perguntou. June inclinou-se para frente. — Claro. — A vi uma vez — disse ela. — Sério? — perguntou June — Você é da Califórnia ou algo assim? River balançou a cabeça. — Não — disse. — Mas viajei pra lá. — entregou a June, um cartão de crédito e RG. Eu me perguntei se tinham o seu nome verdadeiro ou se eram falsos. June pegou o cartão para seu laptop, falando o tempo todo. — Ela era legal? Ela parece que ela seria legal. River sorriu. — Acho que ela foi legal — disse ela. — Embora algumas pessoas pareçam ter sentimentos mistos sobre ela. Limpei minha garganta para cobrir o meu riso e River olhou para mim. June não parecia notar. — Tenho camas king size e um quarto menor com apenas camas simples — disse June. — A king size está bem? — Se estiver disponível, gostaria de alugar a casa.


June fez uma pausa, o cartão de River em sua mão, no meio do movimento. — Toda a casa? — Se tiver outros convidados, é claro que entendo — disse River. — Não quero que mexa em nada. Mas se não, gostaria de apenas alugar todos os quartos para que fiquem vazios. A testa de June franziu e podia sentir os olhos de Cade fitando na parte de trás da minha cabeça. Eles achavam que roubamos um cartão de crédito ou algo assim. June olhou River por um longo minuto. — São cinco quartos — disse. River assentiu com a cabeça, parecendo completamente à vontade sob o escrutínio. — Isso está perfeito — disse. June finalmente quebrou seu olhar e assentiu. — Acho que a próxima semana inteira estava livre, exceto para o Robinson — disse ela. — Temporada turística é no inverno aqui, então as coisas estão lentas agora. Quanto tempo ficará? — Provavelmente ficarei aqui por alguns dias, dependendo de algumas coisas. June clicou algumas coisas em seu laptop, e, em seguida, olhou para nós. — Acho que toda a casa seria bom, então. — Bom — disse River. — Está resolvido. Tem algum lugar que possa alugar um carro? — Será que vocês dois não chegaram dirigindo? — June perguntou, depois parou, distraída. — Esqueci de perguntar seu nome.


A boca de River abriu e respondi antes que dissesse qualquer coisa. — E — disse. — Os amigos me chamam de E. Não era verdade. Ninguém nunca me chamou de E. — Bem, deixe-me fazer um tour do lugar e Cade pode ajudá-los com suas malas, se precisarem — disse June. — Não há malas — disse River. June foi à frente e a seguimos pelo corredor. Após June fazer o tour e nos deixar em um dos maiores quartos, River virou para mim. — Bem, E... — disse, sorrindo, — obrigada pela carona. Ela ficou ali, centímetros longe de mim e fiz o possível para não beijá-la. Disse a mim mesmo que era uma complicação que não precisava. Sua situação não era simples e nem a minha. Tive complicações suficientes para lidar – complicações que enfrentaria. Então virei para o outro lado, longe daqueles olhos brilhantes e lábios maravilhosos. — Te vejo por aí, River. — Olhei por cima do meu ombro enquanto saí e sorria para mim. Ela piscou. — Te vejo por aí, Elias.


River — Sinta-se livre para passear — disse June. — Você monta? Balancei a cabeça. — Um pouco. — Tive que aprender a andar, apenas o material básico, para um papel que tive, mas não queria explicar isso a June. — É legal, não é? — perguntou June, observando-me saborear o meu chá na varanda da frente. Concordei. Legal não era mesmo a palavra certa para ela. A coisa toda – a pousada, a casa ao lado, o celeiro para os cavalos que parecia ao mesmo tempo novo e rústico – e tudo isso cercado por prados e colinas cobertas de artemisias e árvores de álamo. Era tudo como algo saído de um livro. Quando crescíamos, nós vivíamos no interior, mas não esse tipo de interior, o tipo onde a paisagem se espalha por colinas, prados e picos de montanha na distância. Nosso tipo de interior envolvia trailers e pickups agrupados, crianças correndo nuas no jardim da frente e os velhos olhando de soslaio para você enquanto você passa, sentados do lado de fora bebendo de garrafas embrulhadas em sacos de papel marrom. Era quase tão longe deste tipo de interior quanto se poderia ser. Este tipo de interior, eu só queria respirar. Aqui fora, cercado por isso, eu não poderia evitar, mas sentir-me calma. Pacífica. — Estar aqui no interior cresce em você — disse June. — Especialmente quando se tem coisas das quais se está fugindo.


Olhei-a, mas ela apenas piscou inocentemente e tomou outro gole de sua xícara de café. Mudei de assunto. — Há quanto tempo mora aqui? — perguntei. — Oh, cresci aqui — disse — Fui embora quando tinha dezessete anos, mas não conseguiu abandonar este lugar. Voltamos aqui depois que saí da Marinha. Há apenas alguns lugares que ficam com você, sabe? Lugares que têm uma maneira de incorporar-se profundamente em a sua alma. — Acho que nunca tive realmente um lugar que senti assim. — eu disse. Isso não era verdade exatamente. Golden Willow ficou em mim, tomado sua residência em minha alma, mas não da maneira que ela estava falando. Era como uma espécie de parasita que não iria me deixar, afastando qualquer felicidade que me atrevi a ter. — Acho que este lugar foi o meu primeiro amor — disse June. — E então, quando Cade voltou aqui também, eu acho que só estava destinado a ser. Como se na sugestão, o marido se juntou a nós na varanda. Ele caminhou atrás dela, deslizou seus braços ao redor da barriga, e beijou-a na lateral de suastêmporas. June fechou os olhos e recostouse contra ele. Era um gesto tão íntimo, eu me senti quase como se eu estivesse me intrometendo em um momento privado. — Ei, baby — disse Cade. — Vou até a loja por um tempo. Pequeno Stan dorme em um dos quartos de hóspedes. — Tudo bem — disse June. — Te vejo mais tarde. — Minha loja é na cidade — disse — Se precisar de algo, posso trazer.


— Obrigada — disse. — Acho que precisarei alugar um carro ou algo assim, mas isso pode esperar até amanhã. — Tudo bem — disse — Mas se precisar de algo, não hesite. — Obrigada. Desviei os olhos, dando ao casal um momento de privacidade quando ele se inclinou para beijar June nos lábios. — Não chegarei muito tarde, June — disse. Ela riu. — Fique o tempo que quiser — disse — Stan tem sido bonzinho para dormir nos últimos dias e dormirei em uma hora. — Tentarei não ficar lá a noite inteira. — sorriu. — Até logo. Vi quando cruzou o prado para a outra casa e subiu em uma motocicleta, o cromo brilhando, mesmo à luz do crepúsculo. O ronco do motor cortou a quietude do ar e meus olhos seguiram-no quando foi embora. Senti uma onda de medo olhando para ele, ouvindo o ronco do motor da moto. Trouxe algumas lembranças de volta, de viver no Golden Sunset Mobile Home Park, na pequena cidade do sul que não tinha nada, exceto a fábrica de papel e dois clubes de strip. Os motoqueiros passavam pela cidade, enchendo o único hotel nas proximidades, um lugar decadente com uma placa néon pendurada à beira da estrada, que faltavam duas letras: CIDADE M – T - L. A luz ligada de forma intermitente, zumbindo ligado e desligado e dando ao lugar uma aparência ainda mais vergonhosa. Odiava aqueles tempos, quando os motociclistas desfilavam pela cidade. Sempre era más notícias para a minha irmã e eu. Motoqueiros significavam que minha mãe sumiria por dias enquanto ficaríamos


por nós mesmas, voltando apenas para desmaiar no quarto até ficar sóbria novamente. — Cade tem uma loja na cidade — disse June, sua voz cortando meus pensamentos. — Acabou de abrir não muito tempo atrás. Faz trabalhos de pintura personalizada em motos. — É bom ter algo parecido com isso — disse. — Sempre pensei que seria bom ser capaz de criar algo a partir do nada, sabe? — Admiro isso nas pessoas criativas — disse June. Olhou para mim, sua expressão me analisando, mas não disse mais nada. — Ficamos naquela casa ali. Se não precisa de mais nada esta noite, irei embora com o pequeno Stan. Voltarei na parte da manhã, bem cedo. Costumo trazer o café da manhã por volta das nove, apenas muffins e coisas assim, mas se quiser algo mais tarde do que isso, apenas me avise. A cozinha está toda equipada, então ficará bem. — Nove horas parece bom — disse. — E, June? — Sim? — perguntou, virando e parando antes voltar. — Obrigada — disse. — Tudo isso é maravilhoso. — Você é mais do que bem-vinda para ficar o tempo que quiser. Este é o tipo de lugar onde pode ficar incógnita. — fez uma pausa. — A propósito, adoro comédias românticas. Ela sabia quem eu era. Se alguém tivesse dito algo assim, me sentiria ameaçada, em perigo. Mas quando June disse, parecia reconfortante, como uma promessa de que este era um lugar seguro. Essa era uma sensação estranha.


Capítulo Nove Elias Dirigi pela cidade a caminho da minha casa, ao longo da rua principal, passando pelas pequenas cafeterias e sorveteria, e as lojas que vendiam todo tipo de bugigangas do interior. West Bend era o tipo de cidade pequena que você vê nos filmes, com um centro que parecia que tinha sido transplantado diretamente dos anos cinqüenta. Ao que tudo indica, era um pequeno local pitoresco, o tipo de lugar onde nada de ruim acontece. Se estava apenas visitando West Bend, um dos turistas que vêm durante o inverno na temporada de esqui, essa é definitivamente a impressão que teria. Isso é o que River pensou, sabia. Podia ver a expressão em seu rosto dela, quando nós estávamos dirigindo até aqui, e, em seguida, parando na pousada. Claro que um visitante não conhecia West Bend como eu. Um visitante não teve nenhuma história aqui, o tipo de história de crescer em um lugar onde o seu irmão fez o que o meu fez. Um lugar onde seus pais eram o que os meus eram. Um lugar onde você era a porra de um pária. Memórias que nunca se desvanecem, não em uma cidade pequena como esta. Seus pecados só se tornam mais amplificados, contos de advertência passados de geração em geração.


Nós vivíamos na periferia da cidade, em um par de acres que meu pai tinha comprado antes da cidade ser do tamanho que era agora. Do tamanho que é agora foi realmente um exagero. Havia talvez umas duas mil pessoas em West Bend. Mas quando eu era mais jovem, era ainda menor. Ainda mais fechadas e mais mente fechada, atrasada. Havia mais algumas lojas e as pessoas mais ricas com segundas residências aqui, e mais os turistas que vêm para cá durante a temporada de esqui, mas a cidade não tinha mudado tanto assim. Pelo menos não onde a casa da minha família ficava. Lá fora, nas margens da cidade, ainda existia gente sofrendo em qualquer tipo de existência que podiam. Lá fora, onde ficavam pessoas como o meu pai, que era dono de um pequeno pedaço de terra e trabalhavam a terra com o que quer que pudessem obter. Do jeito que ele tinha feito com a mina de carvão em nossa propriedade. As pessoas pensam em minas de carvão como grandes lugares explorados por empresas de mineração. Mas a verdade é que há pessoas que, pelo menos quando eu era criança, faziam a mineração em sua própria propriedade. Era uma espécie de contrabando, exceto que era legal. Meu pai tinha a autorização que ele precisava quando éramos crianças, e não era uma operação complicada. Era bastante simples - ele colocava detonadores na lateral da montanha em nossa propriedade, atirando um pouco de cada vez. Ele vendia carvão da maneira que as pessoas vendem lenha, esse negócio que nos forneceu apenas o suficiente para riscar uma existência.


E então ele bebia a maior parte do que ele ganhou, chegava em casa com raiva, pronto para descontar em quem cruzasse com ele. Em seguida, a merda aconteceu com Silas - o problema com os explosivos, quando ele os colocou sem permissão e meu pai perdeu licença de mineração - e não havia mais mineração. Meu pai se tornou um faxineiro em nossa escola. Em seguida, nós fomos os filhos do zelador bêbado do ensino médio. Dizer que fiquei feliz em deixar West Bend era a porra de um eufemismo. Fugi de West Bend, logo que pude ir embora. É engraçado como a vida funciona. As coisas vêm sempre em um círculo completo quando você menos espera. Jurei por tudo o que acreditava que nunca voltaria aqui novamente. A única vez que voltei, para ter certeza que meu irmão Silas não estava morto, apenas confirmou que precisava ficar bem longe deste lugar. À minha frente, a casa estava em forte contraste com as casas que passei no caminho para fora da cidade. Meus pais não mantiveram os reparos, poderia dizer isso, embora adivinhasse os reparos teria sido mais do que a casa valia a pena. Não era um bom lugar quando crescia e era ainda menos ainda agora. Um cão apareceu correndo até o carro. Não tinha certeza se era um vira-lata ou não. A porta da casa abriu e uma figura estava no batente, sombreado pelo beiral da porta à luz no meio da tarde. Ela protegeu os olhos do sol, mas eu podia vê-la apertando os olhos para mim. Ela saiu,


vestindo um roupão de banho e chinelos de cetim de salto alto, bobs no cabelo, acenando para o cão. — Afaste-se do carro e deixe-o em paz, seu vira-lata sarnento. Abri a porta e sai e o cão foi para longe no quintal. — Oi, mãe — disse.

— É ele? — perguntei. Minha mãe acendeu um cigarro, soprou a fumaça através da cozinha antes de responder. Ela brincava com a caixa de fósforos na mesa da cozinha, em seguida, puxou o robe de cetim apertado em redor dela antes de responder. —É ele — disse ela. — Não sabia o que fazer, então o deixei lá. — Jogar na privada funcionaria — disse. Não gosto da ideia de ele estar lá em uma urna sobre o manto, como se olhasse por nós ou algo assim. Como se fosse uma espécie de amada figura paterna. — Elias, você não quer dizer isso — disse. Ela cruzou os pés, balançou o chinelo de gatinho peludo com o pom-pom em cima na ponta do dedo do pé. Minha mãe estava presa em algum lugar na década de cinqüenta, de muitas maneiras, de todos os problemas, o menor dos quais envolvia seu guarda-roupa. — É anticristão falar dos mortos desse jeito.


Não fui capaz de abafar o riso, o som amargo. — Bem, foi anticristão ele ser um bêbado inútil e espancador de criança. — Seu pai tinha seus próprios demônios, Elias — disse — Um dia entenderá. — Duvido. — Isso era verdade. Nunca entendi por que meu pai era quem era, frio e insensível quando não estava bêbado, pior do que quando estava. E nunca entenderia por que minha mãe ficou, tão embrulhada em um cobertor de negação que raramente era consciente dos horrores sob seu próprio nariz. Ela fumava, mas não bebia ou usava drogas; pelo menos não isso. O vicio de minha mãe era a religião. Agarrou-se a isto como uma droga. Antes de nos ter, foi uma criança rebelde, em festas e fora de controle, pelo menos de acordo com as histórias que nos contou. Foi quando teve o meu irmão mais velho, aquele quem causou todos os problemas, que mudou o curso das nossas vidas nesta cidade. Ela tinha dezesseis anos quando ele nasceu. Tornou-se firmemente religiosa, mas nenhum tipo de religião específica. Incorporou pedaços de coisas com as quais se deparou, em seguida, com veemência as reclamou como seu – católicos, protestantes, judeus, budistas, isso não importa. Meus três irmãos e eu viemos muito mais tarde, depois que se casou com o nosso pai. Abraham Saint.


Quando crescíamos, nos disse que soube que era seu destino quando o conheceu, que seu nome era um sinal. Era um sinal de Deus, que tinha se deparar com este homem com o nome religioso. A verdade era exatamente o oposto. Ele não era um presente de Deus. Ele era uma maldição. Mas ela persistiu, continuou acreditando. Ela nos deu os nomes de santos, com alguma noção equivocada de que nos nomeando em homenagem a santos, de alguma forma nos protegeria. Minha mãe era perpetuamente ingênua. O rufar de suas unhas na mesa tirou-me dos meus pensamentos. — Elias — disse ela, cobrindo minha mão com a dela. Sorriu tristemente, o rosto pálido, mesmo por baixo da maquiagem cuidadosamente aplicada. Sempre foi uma mulher bonita e ainda era agora, mesmo depois dos anos de merda com meu pai. — Você ficará? A casa está tão vazia desde que ele se foi. Minha mãe nunca foi boa em ficar por conta própria. Era uma daquelas pessoas que eram apenas pessoas na presença de outros, que de alguma forma deixam de existir quando estavam por conta própria. Sua expressão era infantil em sua intensidade, e eu não podia evitar, mas senti pena dela. — Por um tempo, mãe. A verdade era que não tinha certeza de quanto tempo ficaria em West Bend ou o que faria. Estava fugindo, mas não sabia para onde. Ela assentiu com a cabeça. — Um pouco é bom — disse ela. Ela ficou em silêncio por um momento antes de finalmente falar. — Sua perna, como está?


Está

tudo

bem,

mãe

disse.

Era

uma

pergunta

estranhamente direta, vindo de minha mãe. Ela soube de minha lesão apenas uma vez, após o ocorrido, ao telefone. Ela não veio me ver no hospital, mas também não esperava isso. — Dói? — Agora? — balancei minha cabeça. — Às vezes. É como uma dor fantasma. — Mas parece, você sabe, normal agora. Balancei a cabeça. — A prótese é boa — disse. — Esta é bastante realista. Tenho outra para corrida. — Iria visitá-lo. — Minha mãe se inclinou para trás em sua cadeira, seus olhos focados na parede atrás de mim. Acendeu outro cigarro, com as mãos tremendo enquanto se atrapalhou com o isqueiro. Quando falou, sua voz falhou. — Não podia... Eu só não queria ver você assim. — Está tudo bem, mãe — disse. Para todas as suas insuficiências, tive um tempo difícil ficar com raiva dela. Era como estar irritado com uma criança. — Você já viu Silas? — perguntou. — Não — Não vi meu irmão gêmeo há três anos, desde que voltei para West Bend para visitar, pensando que as coisas pudessem ter mudado, que, após dois anos fora, as pessoas poderiam, estar diferentes. Mas as pessoas não mudam. E família? Eles mudam menos que todos.


— Não sei o que aconteceu com vocês dois — disse ela. — Mas você precisa vê-lo, Elias. As coisas não estavam bem com ele antes, mas ele está em um mau caminho agora, desde que veio de Vegas. Era como ouvir a minha mãe falar em uma língua estrangeira, o jeito que reconhecia que o meu irmão estava em algum tipo de problema. Isto – de ser direta, honesta – não era algo que fazia. Talvez a morte de meu pai abalou algo dentro dela. — Prometa-me que irá vê-lo, Elias — disse, com voz suplicante. — Sim, mãe — disse. — Irei vê-lo. — Mas isso não quer dizer nada. Essa coisa que sangue é mais grosso do que água? Isso era um monte de besteira, pensei. Silas e eu, fomos próximos, mas isso foi há muito tempo atrás.


Capítulo Dez River O tic-tac do relógio antigo no criado mudo começando a me irritar. Virei de lado para olhar para o relógio. Merda. Era só 7:30. Teria a noite inteira em uma casa vazia. June e seu menino voltaram para a casa da fazenda, no lado oposto do prado, deixando-me sozinha. Deveria estar feliz com isso, disse a mim mesma. Tranqüilidade era algo que deveria gostar. Era algo que nunca tive. Durante muito tempo, era algo que desejava, cercada pelo barulho de Hollywood e toda a loucura da minha vida. Agora, presa aqui nesta casa sozinha com minhas memórias, era sufocante. Essa é a coisa sobre o fugir do passado. Quando você para, mesmo que por apenas um momento, tentando recuperar o fôlego, é quando está mais vulnerável. É quando o passado vem a tona e permite que saiba que é tolo por pensar que pode ficar longe dele para sempre. Ao invés disso, está sempre preso a ele.


Saí do carro. O motorista da limusine desviou os olhos, rapidamente voltando ao seu posto e acelerando para longe, deixando-me para entrar no lobby do prédio sozinha. O porteiro me pegou pelo cotovelo enquanto tropecei na porta. — Srta. Andrews, você está bem? Balancei

a

cabeça,

murmuro

uma

resposta

quase

incompreensível. — Estou bem. Não estava bem. Tinha quinze anos, retornando da casa do meu colega coadjuvante de 24 anos de idade, às quatro da manhã, mal conseguindo andar. O porteiro apontou para um dos carregadores para me levar para o meu apartamento. Ele ficou em silêncio, olhando para frente durante a viagem de elevador. A manter um ar de profissionalismo. Mas sabia que realmente queria tirar uma foto minha e vender para os tablóides. Na porta do nosso apartamento – meu apartamento, que paguei, onde abriguei minhas irmãs e minha desculpa de merda para uma mãe, fez uma pausa. — Sua mãe está em casa? — perguntou, tentando a maçaneta. Eu ri, mas não havia nenhuma alegria nisso. — Quem sabe? Então me inclinei e vomitei na urna decorativa perto da porta. Em algum momento, minha mãe abriu a porta da frente e enxotou o carregador para longe, assobiando uma ameaça de demiti-lo se contasse a alguém o que viu. Ela me olhou, seus olhos arrastando-se no comprimento do meu corpo, verificando minha camisa rasgada, minha maquiagem


borrada e meu cabelo despenteado. Seus olhos se estreitaram. — O que aconteceu com você? — Estava na casa de Jason. — Passo por ela para o corredor, tirando meus saltos. Só queria ir para a cama. Ficaria doente de novo, sabia disso. Não queria fazer isso na frente dela. Não quero dar-lhe a satisfação de me ver chorar. Mas ela me seguiu, entrando no meu quarto, sua bateria de acusações mascaradas como perguntas entre nós. — Masterson? Seu coadjuvante? — Existe algum outro? — Não havia. Somente ele. Esse filme seria minha grande chance. Era um daqueles papéis que você pega, que causa aquele frio na barriga de emoção, mesmo sendo uma adolescente, porque entende o significado do que está prestes a fazer. O que tinha feito até então não era nada. Era isso. Era a minha grande chance. Jason Masterson era o homem do momento. Ele era quente – não apenas fisicamente, mas na indústria. E tinha conseguido esse papel, apesar da minha idade e o fato de que, mesmo dois anos depois de ser descoberta, ainda era uma nova atriz quando fui chamada. Assim, quando meu coadjuvante me convidou para uma festa em sua casa, recusar seria um erro enorme. Mesmo quando descobri que a única pessoa que foi convidada para a pequena festa era eu. E depois que bebi algumas cervejas para me livrar da inibição, tomado algumas tragadas, ele me deu algo mais. Disse que era ecstasy. Nunca experimentei ecstasy, mas sabia que era importante ser amigável com Jason. E queria


pertencer. Ele pertencia aqui em Hollywood e era a nova garota no pedaço. Não queria voltar a viver no estacionamento de trailer. Então peguei o que ofereceu. Não foi ecstasy. — O que fez? — perguntou minha mãe. Virei. — O que fiz? — praticamente cuspi as palavras. — Fui para casa de Jason, mãe. O que acha que fiz? Ela virou, andando em direção à sala de estar. — Você cheira a merda — disse ela. Observei-a acender um cigarro e soprar a fumaça pela sala e senti meu rosto ficar vermelho, meu sangue ferver. Ando até ela, o tiro de seus dedos e o apago na lateral de sua nova bolsa Chanel. A que eu paguei. — Continuo te dizendo — falei. — Pare de fumar no apartamento. Não me importo se quer se matar, mas Brenna? Ela não precisa ser fumante passiva. Olhou para mim, os olhos cheios de ódio. Pensei que me bateria por arruinar sua bolsa, mas não o fez. Uma das minhas primeiras lembranças era do rosto de minha mãe, centímetros do meu, nesta máscara de raiva. Lembro-me de pensar, mesmo então, que me odiava. Agora que era mais velha, sabia que era verdade. Ela odiava Brenna e eu. Não foi feita para ser mãe. — Espero que faça isso valer a pena — disse — Embora não saiba o motivo de um homem gostoso como ele esteja interessado em alguém como você. Ele é o próximo Brad Pitt. E você é River


Gilstead, lembre-se que pode ter um novo sobrenome, mas sempre será uma Gilstead. Você abriria as pernas para qualquer favelado de merda que pedisse. — Valeu seu tempo? — disse, o calor no meu rosto quase insuportável. — ele me deu algo e me fodeu, enquanto estava desmaiada. Acordei com minha calcinha no chão de sua sala de estar. Então mandou seu motorista me levar para casa. Então, se é isso o que quer dizer com valer o meu tempo, então, acho que provavelmente valeu. Ela olhou para mim, em silêncio, e por um momento quase esperei que expressasse um pouco de ternura por mim, como estender a mão e me abraçar apertado, falar comigo da maneira que uma mãe faria, me dizer que tudo ficaria bem. Ela saberia o que fazer. Ela me tiraria dessa, longe da pressão implacável e as responsabilidades esmagadoras. Longe dos homens que olhavam para mim como se fosse uma adulta. Então ela agarrou meu pulso, trouxe seu rosto perto do meu, e olhou para mim da mesma maneira que olhava quando era uma criança. Com uma mistura de desprezo e inveja. — Você não estragará tudo para nós — sussurrou. — Você me ouviu, River Gilstead? É melhor não ter nenhuma brilhante ideia sobre o que fará sobre isso. Puxei meu braço de seu aperto. — Arruinar tudo para nós? — perguntei. — Você quer dizer estragar tudo para você. Não há nós. Nunca houve.


Ela deu um passo para trás, me olhou de cima e para baixo. — Você está bêbada — disse ela, seu olhar significativo. — Nada aconteceu esta noite. Você me ouviu? Nada. Você entrará no seu quarto e dormirá e então acordará na segunda-feira e chegará ao set e fará a maldição do seu trabalho Não sabia o que esperava. Realmente fui tão ingênua ao pensar que reagiria por mim como uma mãe normal faria? Que me confortaria? — Não se preocupe — disse. — Seu salário está seguro. Voltei para o meu quarto e fiz exatamente o que disse. Calei a boca, do jeito que sempre fiz antes. E na segunda-feira de manhã, voltei a trabalhar com o meu coadjuvante. Olhei-o nos olhos todos os dias pelo próximo mês, engolindo o sentimento de repulsa e desempenhei o papel era para desempenhar. Era o papel que me tornaria uma estrela. E foi manchado para sempre por aquela noite. Tudo o que viria depois seria tingido um cinza sujo. Era uma grande estrela. Mas não era diferente do que fui antes. Nunca seria. Lá dentro, sempre seria River Gilstead, a menina com os pés descalços e nariz sujo, ainda pairando ao redor do trailer, à espera de alguém para salvá-la do inferno.


Minhas mãos tremiam enquanto abria o zíper da caixinha de couro, olhando para os implementos dentro. Meu coração disparou e senti o tipo de nervosismo que não sentia há muito tempo, a sensação de estar sobrecarregada misturada com uma sensação de antecipação. Minha respiração ficou presa na minha garganta, meu peito subindo e descendo rapidamente enquanto tentava firmar minha respiração e os meus pensamentos. Eles giravam ao meu redor, mais e mais rápido e senti como se afundasse. Não conseguia respirar. Não conseguia respirar e não podia lidar com as memórias do meu passado. Vim até aqui, mas não foi longe o suficiente. Não foi o suficiente para me livrar da menina que uma vez eu fui. Algumas coisas nunca mudam. Essa era a verdade disso tudo. Agarrei o aço frio da lâmina entre os meus dedos e quase imediatamente comecei a sentir a minha freqüência cardíaca diminuir. Precisava disso. Era a única coisa que podia fazer para controlar a dor. Encontrei um lugar no interior da minha coxa, entre as linhas tênues que atravessavam a minha carne, as linhas que serviram como marcadores, uma linha do tempo da minha vida, de todas as coisas


ruins que aconteceram. Eram fracas agora, pouco visíveis a olho nu e só se soubesse o que procura, seu desvanecimento resultado do trabalho com o cirurgião plástico que se especializou em acabar com cicatrizes. Mas ainda podia tocar meus dedos sobre o lugar onde ficavam e me lembrar de cada cicatriz. Algumas pessoas imortalizam as coisas boas da vida, as coisas que não queriam se esquecer, a forma como queriam que suas vidas fossem. Eu imortalizei as coisas que eu não poderia esquecer. Passei a lâmina em toda a minha carne, sentindo-me estranhamente fora da coisa toda, como assistisse isso acontecer com outra pessoa. A dor aguda ameaçou me trazer de volta para o presente, prometeu me trazer de volta para o presente, mas apenas superficialmente. Assisti quando o sangue vermelho escuro manchou a superfície ao longo da linha do corte, pequenas gotas que brotavam. Fiquei sentada, minha mente de repente focada na dor, a sensação de ardor com a qual poderia contar para me distrair de todo o resto. As pessoas pensam que o corte é sobre desfrutar dor. Viper pensou que isso me tornou uma masoquista, alguém que gostava de ser ferida, não só fisicamente, mas emocionalmente. Ele gostava de me machucar, gozava com isso. Acho que por isso que escolheu minha irmã. Mas o corte não era sobre isso, pelo menos não para mim. Para mim, era sobre memórias, sobre me distanciar do passado e focar no presente.


Às vezes, a única maneira de fazer isso, a única maneira de livrar-me do passado, de ser sugada e me afogar pela intensidade, era para sair do passado por sentir dor no presente. Iludi-me ao pensar que poderia parar de fazer isso. Era quem era. Não dá pra mudar isso. De qualquer forma, fiz progressos. Não era mais a adolescente que tentou overdose quando tinha dezesseis anos. Pelo menos não era uma suicida, mesmo que não tinha certeza exatamente pelo que vivia. Mas tão rapidamente quanto me senti oprimida, a sensação se dissipou e uma sensação de calma tomou conta de mim, essa onda de quietude e paz.


Capítulo Onze Elias Sentei-me no carro do lado de fora do ‘The Thirsty Frog’ por pelo menos 15 minutos antes de finalmente decidir entrar, apenas observando as coisas. Era um novo bar, mas sabia que, se Silas estivesse em um lugar ruim como a minha mãe disse, não estaria em qualquer tipo de estabelecimento confiável. Silas estava na porta da frente. Podia vê-lo de pé, braços cruzados, ao lado da porta da frente, ocasionalmente, verificando um RG, mas principalmente deixando para o outro segurança fazer as verificações de identidade, enquanto examinava a multidão. Ele ficou maior, maior do que quando o vi pela última vez e me perguntei se minha mãe quis dizer que usava anabolizantes. Conhecendo Silas, se estava no mesmo caminho que estava quando saí, seriam mais do que apenas anabolizantes. Pensei que tivesse mudado, mas talvez não. Saí do carro e caminhei em direção ao bar. Silas não me viu, mas ouvi sua voz, alto mesmo acima do barulho das pessoas na fila. O perfil de um dos outros seguranças na porta do bar, empurrando um cara para fora da porta da frente, onde Silas o pegou pela parte de trás do pescoço e o arrastou para fora em direção à rua. O rosto de Silas estava contorcido em vermelho de raiva. Merda. Três anos mais tarde e nada havia mudado.


Ele me viu de pé ali e parou, empurrando o garoto para frente, sem quebrar o contato visual comigo. — Hoje é o seu dia de sorte, seu saco de bosta — disse ele. O garoto choramingou, tropeçando para frente para o estacionamento e fugindo. — Veio se juntar ao resto de nós, meros mortais? — perguntou Silas. — Ou voltou para West Bend para me dar outra palestra? — Foda-se, Silas. — cuspi as palavras, já chateado com a sua atitude de merda antes mesmo que tivéssemos a chance de dizer mais de duas frases para o outro. Ele não foi sempre assim. Podia me lembrar de uma época em que era meu melhor amigo no mundo. Podia me lembrar de uma época em que levaria um tiro por ele e ele faria o mesmo por mim. Sua expressão se suavizou por um momento, obscurecida por outra coisa. Arrependimento? Eu me perguntava. Era provavelmente demais esperar isso de Silas, mas senti meus punhos abrirem de qualquer maneira. — Eles já cremaram o idiota, sabe — disse ele. — Eu vi — disse. — Ela o tem sobre o manto. Silas cuspiu no chão. — Porra — disse — Em exibição, como se fosse algum tipo de santo maldito. Dei de ombros. — Você esperava algo diferente? — Não dela — disse, com a voz amarga. Silas e eu sempre tivemos diferentes expectativas quando se tratava de nossa mãe. Acho que sempre entendi que era incapaz de ser quem queríamos que fosse. Silas estava perpetuamente decepcionado com ela, zangado por não ser quem achava que deveria ser. Zangado com o mundo, pelas mesmas razões.


— Ela disse que estava em Las Vegas — disse, deixando de fora o restante, a parte não dita. Vegas era a duas horas de San Diego, não exatamente do outro lado do mundo. A porra do meu gêmeo não foi me ver depois que a porra da minha perna explodiu. Nem hospital e nem depois. Silas ficou envergonhado, passou a bota no chão. — Sim — disse ele. — Estava no circuito de luta por um tempo. — Legal? — perguntei. Silas sempre foi um lutador, boxe, MMA, você escolhe. Mesmo quando era criança, brigando depois da escola, batendo em valentões, crianças que costumavam falar merda sobre a nossa família. Era como se não tivesse medo, nenhum senso de autopreservação. — Principalmente — disse ele. — Até que rasguei a minha ACL. — Não sabia. Ele deu de ombros. — Ouvi sobre a explosão que aconteceu, estava indo vê-lo, mas... — sua voz sumiu. — Sim, bem, merdas acontecem. Sua expressão parecia de dor e abriu a boca, depois fechou novamente. — Você ouviu falar de Luke ou Killian? — perguntei. Não estava nas saídas com eles, não como estive com Silas, mas meus irmãos mais velhos estavam incomunicáveis uma grande parte do tempo, na estrada. Silas balançou a cabeça. — Não em um longo tempo — disse, a implicação óbvia. Silas se firmou como a ovelha negra quando se tratava de nós quatro. — Você está se estabelecendo por aqui?


Não tinha certeza se era esperança ou medo em sua voz. — Não tenho certeza — disse. — Bem, West Bend não é o lugar que costumava ser — disse Silas. — O que isso significa? Ele deu de ombros, e chutou o chão. — Tenho que ficar esperto por aqui — disse, sem se preocupar em elaborar. Um grito de um dos outros seguranças nos interrompeu. — Pare de socializar e volte para cá. Silas voltou em direção do som. — Foda-se — gritou de volta. — Já volto. — Ficar esperto como? — perguntei. Silas abriu a boca, depois fechou novamente. — Não quis dizer nada com isso — disse Silas. Chutou o chão com a ponta da bota. — Falarei com você mais tarde. Sinto muito mesmo que não fui te ver quando estava no hospital. Tenho um monte de arrependimentos e esse é provavelmente o maior. Balancei a cabeça, calma do lado de fora, mas poderia muito bem ter me nocauteado com um taco de beisebol, desculpando-se assim. Silas não era de se desculpar, nem mesmo quando éramos próximos. — Está tudo bem. — Não — disse ele. — Não está, realmente. Fui um idiota. Não quero acumular ainda mais quaisquer arrependimentos, sabe? Karma ruim. — Porra, Silas — o segurança gritou. — Volte para cá.


— O dever chama — disse, com um sorriso irônico no rosto. — Eu tenho que ir. Dirigi para longe do bar, a minha mente correndo. Silas pedindo desculpas era a última coisa no mundo que esperava quando vim para cá. Ele tinha me jogado um laço. A estrada se esticava à minha frente e o pensamento de ir para casa, de volta para a casa onde cresci, era sombrio. Não sabia o que fazer, mas não queria ir para casa. Então, virei o carro.


Parte Dois Amor consola como a luz do sol após a chuva. ~ Shakespeare, Vênus e Adônis


Capítulo Doze River Eram onze horas, mas ainda não estava dormindo. Depois do que aconteceu mais cedo, depois de cortar a mim mesma, devo ter desmaiado ao alcançar o pico de adrenalina, um ponto que normalmente resolve as coisas, me dá alívio. Só que desta vez, estava deitada na cama, olhando para o teto na escuridão. Não aumentou a adrenalina, nenhum desmaio. Ainda éramos apenas eu e os meus pensamentos. Quando uma luz branca cintilou pela janela, não prestei atenção. Até que aconteceu um minuto depois e uma terceira vez. Com o coração acelerado, saí da cama e fiquei ao lado da janela, tentando olhar para fora, sem colocar todo o meu rosto na vidraça da janela. Tem que ser um paparazzi, pensei, lamentando a minha escolha de lugar para ficar. Mal podia ver alguma coisa. Então a luz me atingiu diretamente nos olhos. — Porra. — Pulei para o lado, a raiva inundando minhas veias. — Filho da puta. — Virei o trinco e puxei o vidro da janela. — Seja quem for, pode dar o fora daqui.


O flash da câmera que esperava não veio. Em vez disso, ouvi a voz de Elias. — Merda — disse — Não queria assustá-la. — Que faz? — gritei, então imediatamente abaixei minha voz, consciente da casa de June do outro lado do prado. Meu coração batia forte no meu peito. — Está drogado ou algo assim? Ou quer me dar a porra de um ataque cardíaco? Elias baixou a lanterna para o chão. — Venha para baixo e me deixe entrar. Exalei e amaldiçoei sob a minha respiração, descendo as escadas e saí para a varanda da frente. Abri a porta e Elias estava na porta, sorrindo para mim. — Que porra faz aqui às onze horas da noite? — Queria te ver — disse ele. — Não conseguia parar de pensar em você. Olhei para ele. — Está bêbado? Você cheira como cerveja velha e fumaça de cigarro. — O quê? — perguntou. — Não, quer dizer, posso ter pisado em um pouco de cerveja no bar. — Você aparece aqui depois de estar em um bar a noite inteira? — Cruzei os braços sobre o peito. — Acha que sou tão fácil ou apenas estúpida? Elias olhou para o chão, esfregando a ponta da bota para o vestíbulo. Quando ele olhou para cima, ele tinha uma expressão tímida no rosto. — Porra — disse — Foi um erro vir aqui. — virou e começou a ir embora. Merda. Não podia acreditar que faria isso.


— Espere — chamei e ele virou para me olhar por cima do ombro. — Volte. Quando voltou, o olhei sob a luz da varanda. — Realmente não está bêbado? — perguntei. — Pareço bêbado? — perguntou. — Realmente. Não estou. Minha mãe fuma. Meu irmão trabalha em um bar. Não pensava em vir aqui. — Você apenas tomou um rumo errado ou o quê? — ainda não me movi de onde estava. Não tinha certeza se queria deixá-lo entrar ou dizer-lhe para ir para casa. Meu coração disparou, pensando sobre o que poderia acontecer se o deixasse entrar, o que poderia querer que acontecesse com ele. Quando pensei sobre isso, ainda sentia seus lábios nos meus, suas mãos na parte inferior das minhas costas. Um choque de excitação percorreu meu corpo com o pensamento de seu toque. Ele balançou a cabeça. — Não sei — disse — Simplesmente não podia ir para casa. Havia algo na maneira como disse, ali com as mãos nos bolsos, que o fazia parecer vulnerável. Foi apenas um flash, uma fenda em sua armadura e depois desapareceu. Mas isso me fez pensar que havia mais dele do que vi. — Então prefere passar a noite com uma estranha do que com pessoas que conhece? — perguntei, com a voz suave. Estava perto dele, o olhando na luz fraca da varanda. Ele deu de ombros. — Às vezes, as pessoas que conhece são os maiores de todos os estranhos.


— Não tenho certeza se quero deixá-lo entrar, Elias — disse, suavemente. Simplesmente não conseguia parar de pensar naquele maldito beijo. — Pode me dizer para sair — disse — Se quiser que eu vá, basta dizer que vou embora. Mal podia ouvir suas palavras, não conseguia me concentrar em nada, exceto em seus lábios enquanto falava. Queria sentir sua respiração em minha pele. — Vai — percebi o seu blefe. — Não. — Você disse que iria. — Só se não me quiser — disse ele. — Mas você quer. — Você não sabe absolutamente nada sobre o que quero. — As palavras saíram da minha boca, penduradas no espaço entre nós. Eles soaram falsas mesmo para os meus ouvidos. Ele não recuou. Ao invés disso, estendeu a mão e traçou o seu dedo no meu peito, para meu decote. — É por isso que as suas pupilas estão dilatadas. E por que a sua respiração está ofegante — disse ele. — Porque você não me quer. — Minha respiração está ofegante, porque desci correndo — disse. — Depois que algum idiota com uma lanterna brilhou pela janela no meio da noite. — Você dormia? — perguntou, com a voz rouca. Estendeu a mão e me puxou contra ele, mas não protestei.


— Não — não contaria sobre a minha noite. Já podia sentir a vergonha, ameaçando me dominar novamente. Não queria que Elias visse que me cortei e ele veria. — Vá para casa, Elias. — Você quer dizer isso? Claro que não. Gritei as palavras, dentro da minha cabeça. Não saia. — Sim — disse. Antes que dissesse qualquer outra coisa, sua boca beijou a minha e deixei escapar um gemido involuntário quando sua língua encontrou a minha. Quando me beijou, podia senti-lo em todo o meu corpo. Ele se afastou de mim e engasguei. — Ainda não me quer? — perguntou. Não respondi e quando deu um passo para trás alguns passos, fiquei desapontada. — Você está indo? — Caralho, não, não irei. Vou ficar. Não se mexa. Já volto. — voltou com um saco em sua mão. — É essa a sua mala? Isso não é presunçoso em tudo — disse. — Esta fica no carro. Nunca a desfaço. Pensei que poderia querer uma muda de roupa, também, desde que não trouxe nada. Percebi que não foi para fora da cidade, para a loja. — Poderia usar algumas roupas — disse. — Posso pegar um pouco na cidade amanhã — disse ele. — Embora, como um aviso justo, podem não ser exatamente o que alguém como você está acostumada. — colocou sua bolsa no chão e caminhou pela sala. — Este lugar é bom. Você realmente alugou tudo?


— Sim — disse, meus olhos persistentes em sua bunda novamente quando virou para olhar para algumas fotos sobre a lareira. — O que quer dizer com, alguém como eu? — West Bend não tem um Rodeo Drive ou merdas como essa, você sabe. — Pareço como se precisasse de roupas de grife? — perguntei, com a voz indignada. — Acho que quando me beijou, usava pijama, se é que se lembra corretamente. Mas podia vê-lo sorrindo, mesmo com a cabeça meio virada. Ele colocou as mãos para cima. — Só estou dizendo que, sendo uma grande estrela e tudo, pode não querer as merdas que vendem em West Bend. — Tenho certeza que ficarei bem. — Vai me mostrar o quarto? — perguntou, virando o rosto para mim quando se inclinou na lareira. Eu ri. — Essa foi direta. Ele deu de ombros. — Quer que faça rodeios? Ri com a frase e ele sorriu maliciosamente. — Uh — Não se preocupe, querida — disse — chegarei nessa parte. — Elias deu-me um olhar duro e então, sem falar, se aproximou de mim e me colocou por cima do ombro como se fosse uma boneca de pano. Gritei quando me colocou sobre seu ombro. — Elias — protestei, mais surpresa do que qualquer outra coisa — Você não pode me levar lá em cima. Sua perna. Coloque-me no chão. Mas ele me levou para cima como se eu fosse nada. — Você não sabe nada sobre o que posso ou não fazer — disse, girando quando


ficou de frente para um dos quartos. — Há bombeiros que transportam pessoas mais pesadas do que você com próteses como a minha. É este o quarto que está hospedada? — Sim. Vai me abaixar? — Pensando se quero ou não — disse, acariciando minha bunda com a mão. — Podia mantê-la aqui por mais algum tempo. — Abaixe-me, idiota — disse, mas minha voz ficava cada menos insistente, quanto mais me tocava. Quando me colocou no chão, uma mão em minha cintura e outra em minha bunda, fez com que deslizasse por todo o seu corpo e fiquei firmemente pressionada nele quando meus pés tocaram o chão. Não protestaria, especialmente quando senti sua dureza em mim. — Me levar em cima do ombro o deixou assim tão quente e excitado? — Porra, sim me deixou — Elias sussurrou em meu ouvido, sua boca perto de mim. — Não consigo pensar em nada que me deixe mais excitado do que fazer este caminho como homem das cavernas com uma garota como você. Eu não me movi, deleitando-me com a sensação dele tão perto de mim. — Uma garota como eu? — Sim — disse — No caso de não ter percebido, você é muito gostosa. Eu ri. —Você tem um jeito com as palavras. Ele se afastou de mim, só um pouco e sorriu. — Sou melhor com a minha boca — disse ele. Senti uma onda de excitação ao ouvir suas palavras. — Deus, você é imundo.


Ele piscou. — Você não tem ideia — disse ele. Balancei minha cabeça. — O quê? — perguntou, as mãos nos meus braços. — Não sei o que pensar sobre você — disse. — Sou a porra de um enigma. Eu ri. — Essa é uma grande palavra para um... não sei mesmo o que faz. Um olhar escuro atravessou seu rosto brevemente, rapidamente apagado pelo seu modo brincalhão novamente. — Precisa saber? — Seria bom saber com quem durmo — admiti. Ele se aproximou de mim ou me aproximei dele, não tenho certeza. Mas estava tão perto que se ficasse nas pontas dos pés um pouco mais, seria capaz de alcançar seus lábios. Observava eles se moverem quando falou, incapaz de pensar em mais nada diferente do que, eu queria eles em mim. — Dormir não é algo que tenha em mente — disse Elias. — Oh? — perguntei. — O que tinha em mente? — Vou arruiná-la para os outros homens, River Andrews — disse ele. — Essa é uma porra de promessa. Senti uma onda de emoção através de mim com suas palavras, meu rosto quente de rubor sob o seu olhar. Elias levantou a ponta da minha camiseta, brincou com ela por um momento, como se tentasse tomar uma decisão. Então puxou o tecido por cima da minha cabeça, seu olhar me levando. Ele me puxou contra ele, seus dedos correndo levemente até o comprimento das minhas costas, e o senti inspirar profundamente, seu peito subindo.


Não sabia o que pensar sobre esse cara. Definitivamente não era como os caras que estava acostumada em Hollywood, com seus produtos de cabelo e delineador e sensibilidade de merda. Elias era mandão, loquaz e apenas sujo. Mas me senti relaxar contra ele enquanto seus braços me envolviam. Ele ficou em silêncio por um minuto, antes de colocar os dedos embaixo do meu queixo e inclinou a cabeça para encontrá-lo. Apertou seus lábios nos meus, mais forte quando respondi a seu beijo. Ele sondou minha boca com a língua, praticamente me fodendo e desejo percorreu meu corpo quando sua língua encontrou a minha e o beijei de volta, faminta por ele, pelo seu toque. Queria suas mãos em mim. Eu o queria dentro de mim. Alcancei sua camiseta e empurrou minhas mãos. — O quê? — perguntei. — É... não — fez uma pausa. — Não é... bonito. Só um aviso. — O que não é?— Estava confusa por um minuto, minha cabeça nublada com luxúria. Levantei sua camiseta um pouco, minhas mãos correndo sobre a superfície do seu peito e ele balançou a cabeça quando a tirou. — Disse a você — disse ele, em pé perfeitamente imóvel, como se estivesse com medo que fugisse, gritando de horror. Tracei meus dedos sobre o labirinto de cicatrizes que cruzavam seu peito e ombros, a pele ondulada, suas tatuagens desarticuladas como se fossem pinturas de arte moderna ou algo assim, onde as cicatrizes as interromperam. Olhei para ele.


— Estilhaços — disse — Da explosão. E enxertos de pele por causa das queimaduras. — Foi assim que perdeu sua perna? Elias balançou a cabeça, sem falar. Beijei seu peito, onde as cicatrizes estavam, passei minhas mãos sobre sua pele. Seus olhos estavam em mim, podia senti-lo e, quando o olhei, tinha uma expressão estranha em seu rosto, de prazer acompanhado de dor, pensei. — Disse que não era bonito. — Você não me parece o tipo de cara que tenta ser bonito de qualquer maneira — disse. Um sorriso lento rastejou sobre o rosto de Elias. — Você está certa, River Andrews — disse ele. — Para uma atriz. — passou o dedo pelo lado do meu rosto e virei o rosto para o calor de sua palma. — É Gilstead. — falei. Por que disse isso? — Como? — O meu nome. Não é Andrews. É Gilstead. — Não sei por que senti que precisava dizer-lhe. Elias assentiu. — River Gilstead — disse ele. — OK. — passou a mão sobre o meu cabelo, em seguida, até a minha nuca. — Pensei que deveria saber o meu nome verdadeiro desde que dormirei com você — disse. Balbuciava, nervosa demais. E saiu um som desajeitado. Eu me senti tão incrivelmente autoconsciente. Ele colocou os dedos pelo cabelo na base do meu pescoço, apertando-o com força e puxando para trás, dobrando o meu rosto para o dele. Senti minha respiração falhar. Sua outra mão viajou para baixo do cós da minha calça e segurou minha bunda em sua mão, me


puxando em sua dureza. — Já te disse — falou — Não dormiremos. Assim que tiver o meu pau em você, não terá nenhum sono. Ele deslizou a mão para frente dos meus quadris, entre as minhas pernas. — Sem calcinha — disse. Mordi o lábio e balancei a cabeça. — Preciso ir às compras. Soltou um som que soou como um grunhido baixo e tocou seus dedos no meu clitóris. Arqueei para ele, querendo seus lábios nos meus, querendo tudo dele. Não fui tocada há tanto tempo. — Oh, meu Deus — sussurrei. Sua mão ainda estava na base do meu pescoço, agarrando o meu cabelo com força enquanto segurava minha cabeça no lugar, garantindo que não quebrasse o contato visual com ele. A maneira como me observava enquanto me tocava, seu olhar intenso enquanto seus dedos tocavam o meu clitóris, me fez querer gozar imediatamente. — Quero você dentro de mim. — Quer que te foda? — disse, os dedos dançando sobre o meu clitóris. Eu gemia. — Tenho que implorar? Ele se afastou de mim, começou a desabotoar as calças e sorriu. — Você definitivamente implorará. — Você é arrogante — disse. Mas o pulsar entre minhas pernas apenas intensificou. Estava perto de implorar agora. Fiz uma pausa. — Não tenho preservativos. Ele não respondeu. — Você? — perguntei. Ele me deu uma olhada. — Não pensava em vir para cá — disse — Estou limpo. Realmente não precisamos deles.


— Não tomo pílula. — Me senti estúpida, dizendo isso e dei-lhe um olhar envergonhado. — Parei de tomar... não tenho nada. — como poderia explicar, não precisava disso, porque o meu noivo não me fodia mais? Foi embaraçoso. Ele não se moveu, apenas ficou lá, olhando para mim. Então, acenou com a cabeça e se aproximou de mim, seus dedos voltaram onde estavam antes, me acariciando. Senti uma onda de desejo inundar meu corpo. — Ok, então — sussurrou. — Sem foder. Hoje à noite, de qualquer maneira. Amanhã é outra história. — me acariciava com os dedos, seus movimentos lentos e lânguidos. — Na verdade — disse ele. — Talvez apenas passe um tempo com você. Meus pensamentos estavam nublados com luxúria. Elias passar um tempo comigo era a última coisa que queria ouvir. Queria senti-lo dentro de mim. Queria que me fodesse, forte e rápido, minhas pernas ao redor de seus quadris, contra a parede no quarto. Queria gritar, enterrar meu rosto em seu ombro, cavar minhas unhas em suas costas quando gozasse. O que fazia agora com a mão era incrível... e agonizante. — Elias — sussurrei, incapaz de pensar em mais nada a dizer, exceto seu nome. Imaginei-me gritar quando entrasse em mim. Ele puxou os dedos por entre minhas pernas e me ouvi gemer. Elias veio por trás de mim, tirou meu sutiã e deslizou as alças pelos meus braços. — Oh, merda — disse, seus olhos nos meus seios. — O quê? — perguntei, minha respiração curta. Estendi a mão para o cós de sua calça, desabotoei e comecei a deslizar de seu corpo, quando segurou minhas mãos.


— Você é linda pra caralho. — Elias segurou meus pulsos contra os lados de seus quadris. Sabia que estava duro. Queria inclinar-me e me esfregar em sua dureza. — Quero provar você. Quero explorar cada centímetro. — colocou a boca perto do meu ouvido. — Quero que me queira tanto que o pensamento do meu pau dentro de você te faça gozar. — Estou próxima a este ponto agora — disse, ofegante. — Você sequer chegou perto desse ponto ainda — disse, ficando de joelhos no chão, entre as pernas. Começou abaixar minha calça antes mesmo de perceber o que fazia Seu dedo roçou o curativo que cobria o local na minha perna onde me cortei e dei um suspiro de alívio que o cobri. — Acidente ao se depilar? — perguntou, com a voz baixa. — Sim — disse. — Me cortei com uma navalha. Ele olhou para mim, então beijou minha coxa, seu polegar acariciando levemente sobre o lugar onde minhas cicatrizes costumavam ficar, o local onde tinham principalmente desaparecido. Quando parou, pairando sobre o local, tinha certeza que percebeu o meu segredo. Prendi a respiração, sentindo meu corpo tenso. Então começou a beijar minhas coxas, movendo-se entre as minhas pernas. Exalei, mais por alívio que passou o corte mais fresco. Até que se moveu para cima, entre minhas pernas e me cobrindo com a boca. Ele me trabalhou mais com a língua até que estava à beira e agarrei seu cabelo pela raiz, afastando-o de mim, apenas recuperando o fôlego. Então colocou seus dedos dentro de mim novamente, sua


boca focada em meu clitóris, chupando tão forte que não conseguia pensar em mais nada. Seus dedos se moviam, me acariciando até que minha respiração estava áspera com o desejo. Com a outra mão, apertou meu peito, seu polegar acariciando meu mamilo ereto. — Elias — Minha voz estava rouca. — Oh Deus, Elias, vou gozar. Ele gemeu, o som abafado entre as minhas pernas. Então tirou os dedos de mim e quase chorei no vazio. — Quero sentir você gozando — disse, em seguida, substituiu seus dedos pelo calor de sua boca. Ele me penetrou com a língua, com as mãos na minha bunda, me puxando para ele e gozei com força. Ele ficou assim por um tempo, até que meu orgasmo acalmou, então afastou sua cabeça de entre as minhas pernas. Olhou para mim, sua expressão nublada com luxúria e se levantou, me puxando para ele. Podia sentir sua ereção através de seu jeans e senti uma onda de desejo por ele. Ele beijou-me e podia me provar nos seus lábios. Era algo que nunca deixei que ninguém fizesse antes, beijar-me depois me fazer oral, mas com Elias, tive esse estranho desejo de fazer o que queria. Tudo o que fizesse, todos os sentidos que me tocou, era sexy. Arranhou meu pescoço com seus lábios, mãos vagando sobre o meu corpo, através de meus seios. Eu me atrapalhei com o zíper da calça. Eu as queria fora. Queria vê-lo nu em minha frente. Puxei com força, abaixando-a em suas pernas e me curvei para tirá-la. Elias segurou meus braços, tentando me levantar. — Não — disse, mas empurrei suas mãos para longe.


Segurei suas coxas com as minhas mãos, meus olhos demorando em sua prótese, e quando o olhei, deu um passo atrás. — O quê? — fiquei de pé, confusa. — O que está errado? Elias balançou a cabeça. — Nada — disse — Eu apenas... Pressionei meu corpo no dele, envolvendo minha mão ao redor da base de seu pênis. — Para um cara tão arrogante, você é terrivelmente autoconsciente — disse, minha mão correndo pelo seu comprimento. Ele gemeu, um som gutural do fundo de sua garganta. — Continue fazendo isso e não serei. — Beijou-me enquanto o acariciava, o tempo todo pensando em como preferia ter o seu pênis entre as pernas do que na minha mão. Corri meus lábios sobre o peito, observando a cabeça inclinar para trás quando fiz isso. Então fiquei de joelhos na sua frente, correndo minha língua pelo seu comprimento, levando-o em minha boca, saboreando-o. Levei-o para o limite, até que agarrou meu cabelo, me avisou. — River, vou gozar — disse. Chupei-o em minha boca mais fundo e olhei para ele. — Merda — disse, agarrando o meu cabelo. Chupei-o mais forte, e empurrou dentro de mim, rosnando o meu nome quando gozou.


Capítulo Treze Elias Assim que terminou comigo, vi que estava excitada novamente. Eu a levei mais uma vez ao orgasmo, desta vez com a minha mão, e me contive, apesar dela ter choramingado pouco antes de gozar em meus dedos, pedindo o meu pau. Queria fodê-la bem forte, enchê-la até ao limite com o meu pau, e senti-la gozar comigo dentro dela. Mas, porra, tentava mostrar alguma contenção. Também porque a última coisa que precisava agora era engravidá-la. Também por que havia algo sobre ela, algo vulnerável, que me fazia sentir protetor e cuidadoso. Parecia que nada a perturbava, que estava tudo bem, mas ela fugia do seu namorado de merda. Ela tinha que estar fragilizada, perturbada. Porra, não gostava da ideia de me aproveitar dessa merda. Pelo menos, não até que estivesse com as ideias em ordem, mais tranqüila. Ela me beijou levemente nos lábios. — Junte-se a mim na cama — sussurrou. Beijei-a na testa. — Volto em um segundo — disse, me virando para procurar uma escova de dente em minha bolsa. — Só preciso de um pouco de tempo.


Tive de desviar o olhar de River, que estava estendida na cama de bruços, a bunda no ar, por que a ideia de tomá-la por trás, deslizando o meu pau dentro dela, queimava em minha mente. — Tempo? — perguntou, olhando por cima do ombro para mim. — Tenho de ir ao banheiro — disse. — Lembrando do tempo em que estava na Marinha. — Ah. Quando saí do banheiro, River ainda estava na mesma posição, com o cabelo todo despenteado, espetado em todas as direções. Por causa de mim, que passei as minhas mãos através dele, agarrando-o. A imagem dela de joelhos passou pela minha mente. — Você tira a sua prótese quando dorme? — perguntou. — Sim — disse. — Você vai tirá-la? — perguntou. — Por quê? — Imediatamente, senti que me examinava, mesmo que não olhasse para mim, a cabeça apoiada em seus braços, olhando em frente. Ela rolou para o lado e se apoiou em seu cotovelo. — Porque quero que se sinta confortável — disse ela. — Pensei que como já colocou os seus dedos em minha boceta, pode se sentir confortável tirando a sua prótese na minha frente. — Porra — disse. — Nunca pensei que ouviria essa palavra saindo da boca da menina que faz filmes como Meu Primeiro Amor. — Boceta? — perguntou. — Poderia ter dito xoxota. Seria melhor? — Merda. — ri. — O envergonhei? Você está com vergonha?


— Porra, não — disse. — Estou rindo de você. Você é direta, te darei isso. — Bem, tire a sua prótese e entre na cama comigo — disse — Acha que fui direta o suficiente? Sentei-me ao lado da cama e abaixei a meia que cobria a parte externa do dispositivo. Sentia seus olhos em mim. — Ei, não disse que não viu nenhum dos meus filmes? Suspirei, enquanto pressionava o pino na parte inferior da prótese e a puxei. — Você me pegou — disse. — Você é um fã secreto de River Andrews? — perguntou. — Consigo imaginar isso. — se moveu e virou, ficando de lado e com a cabeça apoiada em seu braço, me observando. Tirei a meia que estava sobre a minha pele e o forro, deitei na cama, ficando ao lado dela, de lado e de frente para ela. — Me tornei um fã de River Andrews agora — disse, alcançando entre as suas pernas. Ela riu e bateu na minha mão. — Você é incorrigível. — Palavra difícil. Não sei o que significa — menti, sorrindo. — Se isso significa duro, então sim, estou. — Segurei a palma da sua mão em meu pau. Sua mão viajou para baixo no comprimento do meu pau, segurou as minhas bolas. — Não está decepcionado por que não transamos? — Porra, sim, estou desapontado — disse — Amanhã, logo cedo, entrarei na primeira loja que encontrar e comprarei a maior caixa de camisinhas que tiverem. Foda-se. Comprarei tudo o que tiverem em


estoque. Depois, voltarei e te foderei tantas vezes que não será capaz de andar por uma semana. River riu. — Isso é uma promessa? Beijei-a lentamente, mordendo o seu lábio inferior e o puxando, enquanto colocava um dedo dentro dela. Então, soltei o seu lábio. — Essa é uma porra de promessa. Ela ficou em silêncio por um minuto, sua atenção totalmente focada no que minha mão fazia entre as suas pernas e no que fazia com meu pau. — Espere. Então, assistiu a meus filmes hoje à tarde ou o quê? — perguntou, sua voz ficando mais rouca e ofegante, enquanto mexia os dedos dentro dela. — Depois de sair daqui, procurei sobre você na internet em meu celular — admiti. Ela fez uma pausa. — E? — perguntou. — Será que descobriu todos os meus segredos? — Seu tom era leve, mas a maneira como olhou para mim não era. — Não — disse. — Segredos devem ficar escondidos, não acha? Só queria ver em que filmes atuou para não me sentir como um idiota por não saber quem era. Ela me olhou por um longo momento e então se inclinou para perto de mim, me beijando nos lábios. Era macio, suave desta vez. — Você é um bom homem, Elias — disse ela. Não lhe respondi, não lhe expliquei que era um dos irmãos Saints, que, aos olhos dos moradores de West Bend, definitivamente não éramos bons homens. Sabia o que era ter segredos que não quer revelar.


Eu a deixei continuar fazendo o que fazia com a mão em meu pau, enquanto lhe dava um novo orgasmo. Depois disso, desceu em meu corpo, me tomou em sua boca, suas mãos em minhas coxas. Mais tarde, deitou com a cabeça em meu peito e acariciei os seus cabelos distraidamente, olhando para um dos retratos na parede. A fotografia em preto e branco das montanhas fora da cidade era uma área que reconheci de anos atrás. Podia ouvir a sua respiração lenta e profunda, mas, de vez em quando, sentia seus cílios roçarem a minha pele, e soube que não dormia. Ela estava tranqüila e parecia contente por estar deitada comigo. Eu me senti bastante contente também, o que era a porra de um sentimento estranho para mim. — Não fiz nada igual a isto desde, oh cacete, não me lembro quanto tempo passou — River disse, finalmente quebrando o silêncio — Como o quê? — perguntei meio distraído. — Ficar com um homem, sem ter relações sexuais. Passei a minha mão para cima e para baixo no meio das suas costas. — É mesmo? — perguntei. — Como é não ter relações sexuais? Ela riu. — Muito bom — disse ela. — Claro, estou há um bom tempo ser fazer sexo. — O que quer dizer? — perguntei. — Você tinha um noivo. — não queria falar sobre a porra do seu noivo, e, de repente, falava nele. Eu não sabia o que fazia, sondando o passado de River. — Sim — disse — Não transávamos. Não por um bom tempo. — Oh — disse. Não sabia por que fiquei tão contente em ouvi-la dizer isso. Não é como se a sua vida sexual fosse da minha conta. Só


não gostava da ideia de algum outro cara a tocar. Senti-me estranhamente possessivo com ela. Era estranho. — Eu também. — Você também o quê? Exalei alto. — Sexo, também estou sem transar. Há um longo tempo — disse, com a intenção de deixar por isso mesmo. Mas a porra da minha boca apenas continuou falando, como se por vontade própria. — Não desde a explosão. Porra, não sabia qual era o meu problema – não era autoconsciente sobre a prótese quando se tratava de qualquer outra coisa. Todo o resto em minha rotina voltou ao normal. Exceto quando se tratava de mulheres. Não deixei mais ninguém chegar tão perto assim de mim. Não me quero tentar explicar-lhes esta besteira. Acho que me entendia. River não se moveu, mas senti a sua palma da mão, quente em meu peito. — Estou contente que é você, sabe — disse. Não perguntei o que queria dizer, apenas a puxei mais apertado contra mim e fechei os olhos.


Capítulo Catorze River O sol da manhã entrava pelas janelas, iluminando tudo com o seu brilho gelado. Corri meus dedos levemente no peito de Elias, vendo-o subir e descer enquanto respirava profundamente, morto para o mundo. Olhei para o relógio na mesa – sete da manhã. Não conseguia me lembrar da última vez que acordei tão cedo quando não estava numa festa que durava toda a noite ou em uma turnê com a banda do Viper, há dois anos atrás. Saí da cama e caminhei em silêncio em direção ao banheiro, tentando ser o mais silenciosa possível quando abri a água para escovar os dentes. Quando saí, Elias estava acordado. — Desculpe — disse, de repente sentindo-me autoconsciente, nua na frente dele. — Tentei ser silenciosa. Não queria te acordar. — Está tudo bem — disse — Na verdade, normalmente não durmo muito. — Observei-o colocar a sua prótese e se erguer, ouvindo-a dar um clique quando se encaixou. Passou por mim para ir ao banheiro, seu pau duro e me deu um tapa de leve na bunda quando passou por mim. — Mas vê-la nua me acordou. Quando saiu do banheiro, tirou a prótese e deitou-se ao meu lado na cama, puxando a minha cabeça em seu peito. Ele não disse nada,


mas podia ouvir seu coração batendo rápido, debaixo de minha orelha. — Como a perdeu? — perguntei. — DEI — Dispositivo Explosivo Improvisado — disse — Sou – quer dizer, era da UDOE. — fez uma pausa, olhou para mim antes de explicar. — Unidade de Desativação de Objetos Explosivos. Eliminamos bombas. Eliminava, quero dizer. Costumava desativar, eliminar bombas. Obviamente, desativei uma com a minha perna. Não é assim que deveria fazer isso. — riu, então limpou a garganta. — Desculpe. Humor de exército. Virei de lado, descansei a minha mão levemente contra o peito dele. — Onde estava? — Afeganistão — disse — Você não está mais na UDOE? — perguntei. Para alguém que não estava no exército, ele, com certeza, parecia militar. Pensei isso quando o vi pela primeira vez, com o corte de cabelo curto, as tatuagens e seu comportamento. Ele balançou a cabeça. — Aposentado por razões médicas — disse ele. Suas palavras tinham um tom de desgosto. — Você não quer estar aposentado? — perguntei. — Claro que não — disse ele. — Poderia fazer o meu trabalho muito bem com a perna que tenho. Queria ser implantado novamente. — Então o que aconteceu? Elias revirou os olhos. — Aposentado por causa de PTSD2, o que é besteira — disse 2

Post Traumatic Stress Disorder - Transtorno de estresse pós-traumático é uma perturbação psicológica que ocorre em resposta a uma situação ou evento estressante/marcante.


— Por que, não tem isso? — Claro que não, não tenho — disse. — Era como chamavam a isso. Preferiram me aposentar por razões médicas em vez de ficar administrativamente fora do exército por um padrão repetido de insubordinação. — enfatizou a última frase e revirou os olhos, mas continuou a falar. — Estava de serviço limitado por causa da minha perna. Não conseguia lidar com todos os idiotas que tive de ficar perto por causa do meu serviço reduzido, eram uns babacas. Porra, isso causou mais problemas do que quando estava na UDOE. Acabou me metendo numa fria com o meu tenente, esse babaca que nunca foi colocado no exterior, fora do arame. — Fora do arame? — Você fica em uma base ou em um acampamento quando está colocado, não é? — perguntou. — O perímetro é o arame. Fobbits3 como ele ficam dentro do arame durante o serviço militar. Não entendem como o mundo real funciona. — Você foi expulso porque brigou com o seu tenente? — perguntei. — Isso parece muito injusto. Elias deu de ombros. — Acho que foi um pouco mais do que apenas brigar com ele. Dei um soco no cara. Fui ver o capitão por causa dele. — Deve ter visto o olhar confuso na minha feição, porque explicou. — Isso é quando precisa ver o comandante oficial e ele decide sua punição, tira-lhe o seu posto no exército e esse tipo de merda.

3

É uma gíria militar pejorativa para não combatentes, para equipes e outras unidades de retaguarda que não entram em cenários de guerra ou conflito, só dão apoio.


— Então, ele o expulsou — disse. Elias balançou a cabeça. — Não — disse. — Isso tem que passar por um processo legal. Ele tirou-me o meu posto e tive que perder o meu salário, mas não fui acusado de agressão. Deveria ter sido acusado, mas me deram uma oportunidade ou qualquer coisa parecida com isso. O capitão disse que pensava que precisava ver um psiquiatra ou algo assim. — Será que isso ajudou? — perguntei. — Não estou destruído — disse — Só porque perdi a minha perna não significa que não posso cuidar da minha própria merda. — Obviamente — disse. Isso soou mais sarcástico do que pretendia. — O que isso significa? Dei de ombros. — Nada — disse. — Você apenas parece o tipo de cara que não depende de ninguém. Ele estreitou os olhos, mas não disse nada. Deliberadamente deixei de fora o que diria, que controlar a raiva não parecia ser a pior ideia do mundo para alguém que ficava tão facilmente irritado. — Não é realmente a minha coisa, não faz parte de mim, confiar nas pessoas — disse ele. — Não brinca. Ele ficou quieto por um tempo, mas podia ver que seu cérebro trabalhava. — Fico irritado — disse — No estacionamento da loja, não tive a intenção de chateá-la por olhar para a minha perna. — Não se preocupe — disse. — Acho que é um ponto sensível.


— Não é, no entanto — disse. — Não realmente. Não me incomoda, quero dizer. Tenho mais sorte do que um monte de outros caras. É apenas uma perna, de qualquer maneira. Sou um biônico de merda agora. Passei a minha mão pelo seu abdômen musculoso, depois mais abaixo, observando o seu pênis responder ao meu toque. — Você pode muito bem ser biônico aqui, também — disse, minha tentativa de aliviar o clima. Ele sorriu, a lateral de seus olhos azuis enrugando. Não sabia exatamente o que carregava com ele, mas parecia que o peso do mundo estava em seus ombros – até que sorriu. Então era como se tudo se isso se dissipasse. — Quer que te mostre o biônico? — perguntou, com a voz baixa. Fechei minha mão ao redor da base de seu pênis, senti-o endurecer com o meu toque. — Isso é uma promessa? — perguntei. Passei a mão levemente para cima e para baixo, esfreguei o polegar sobre o pré-sêmen já brilhando na cabeça. — Venha aqui e lhe mostrarei — disse. Ele me puxou contra ele, sua dureza pressionada em mim e me beijou. Quando enfiou a mão entre minhas pernas, fez-me ofegar. — Acho que gosta do biônico. — Só um pouco — disse. Começava a pensar que gostava muito mais do que apenas um pouco.


Depois, os seus dedos traçaram um caminho preguiçosamente pelo meu braço. — Provavelmente precisa de ajuda para arranjar um carro alugado — disse — Certo? — Isso seria ótimo — disse, limpando a garganta. — Se quiser. Provavelmente, há uma loja aberta agora. — Porra, sim — disse — Fiz uma promessa na noite passada. Senti meu rosto ficar vermelho e quente com o pensamento do que queria que me fizesse. — Sabe quanto tempo ficará? — Não pensei nisso — disse. Era verdade. Nada disto foi planejado. Não tinha ideia do que fazia aqui, em West Bend ou com ele. Tudo isto é insano. Era uma loucura pensar em ficar aqui por alguns dias. Devia voltar para a minha vida. Precisava voltar para a minha vida. Fugir de um set de filmagem foi uma loucura. Não era algo que fizesse. Não podia imaginar a tempestade de merda que aconteceria. Senti sua mão sobre o meu peito. — Seu coração está acelerado — disse com a voz suave. — E você está toda tensa. — Não sei o que farei — disse. — Quanto tempo ficarei. — Isso não é verdade. Sabia que não podia ficar muito tempo. — E é por isso que você está tensa?


— Não — admiti. — É o pensamento do que espera por mim quando voltar as perguntas, as decisões que preciso tomar... — Sobre Viper — disse. — Sobre tudo. — Já sabia o que queria fazer com Viper. Isso nem mesmo era uma decisão. Queria que ele saísse da minha vida completamente. Era com todo o resto que não sabia como lidar – minha família, minha carreira – essas eram as grandes questões. Essas eram as coisas que não conseguia explicar – não queria explicar a um estranho. Como podia explicar como tudo era fodido, o fato de que minha mãe era quem era, que continuei a apoiá-la depois de tudo o que fez e que ainda me fazia? Era esse disfuncional e estranho relacionamento com a minha família que não podia explicar. Era embaraçoso. Não podia explicar isso a um estranho. Ele não me pediu para explicar. — Você está com fome? — perguntou. — Estou com fome. Estava grata por mudar de assunto. — Absolutamente.

— Tem certeza que quer comer do lado de fora? — perguntou June. — Só tenho esta pequena mesa aqui fora, então terá alguma dificuldade com os pratos, especialmente com estas cadeiras de balanço.


— Acho que estamos bem — disse. — É tão lindo aqui fora. Não tenho a chance de fazer esse tipo de coisa com muita freqüência. — Sentada na varanda da frente, desfrutando o ar fresco de Colorado, longe da poluição atmosférica que infesta o ar de Los Angeles, quase me fez sentir como uma pessoa normal. O cão border collie de June, Bailey, enrolou-se a poucos metros de distância, aquecendo-se ao sol. June olhou para mim e Elias. — Espero que tenha tido uma boa noite de sono — disse ela, quando se curvou para baixo para colocar uma cesta de muffins e uma tigela de frutas sobre a mesa pequena entre as nossas cadeiras. Quando se levantou, a sua expressão parecia inocente, mas seus olhos brilharam. — Ótima noite de sono — disse Elias. — Melhor noite de sono que já tive, na verdade. Cade atravessou o prado entre as casas, Stan empoleirado em seu quadril. Ele o abaixou e Stan vagou pela varanda da frente, explorando. — Ei, baby. — Cade beijou June na bochecha. — Bom Dia. — Ele é tão bonito — disse, quando Stan colocou seus braços em volta de Bailey e Bailey suspirou. — Muito bonito — disse Cade. — Desde que começou a andar, está em movimento o tempo todo. Vim ver se precisamos de algo da cidade, baby. — Entrarei e pegarei a minha lista para você — disse June. — Fica de olho em Stan por um minuto? — Você precisa do carro de aluguel? — Cade virou para mim. — Vou levá-la até a cidade para consegui-lo. — Elias falou rapidamente. — Se quiser, quero dizer.


Balancei a cabeça. — Isso seria legal. June saiu e colocou seus braços ao redor de Cade. Ele pegou o papel da mão dela. — Não estarei em casa até o almoço — disse — Eu tenho uma peça em que trabalho para Randall Edwards e então pegarei as coisas que precisa da loja. June balançou a cabeça. — Não gosto desse cara — disse — Ele não é bom para esta cidade. Cade deu de ombros. — Não posso escolher os clientes — disse ele. Beijou-a na bochecha, então caminhou até ao pequeno Stan, beijou-o na testa. — Vejo você mais tarde, amigo. A expressão de June era sombria, enquanto observava Cade voltar para a casa e montar a sua motocicleta. Elias tinha um olhar engraçado em sua face. — Problemas em West Bend? — perguntou. June não olhou para ele quando respondeu. Balançou a cabeça. — Apenas política de cidade pequena — disse — Provavelmente pareceria bobagem para você, sendo da cidade grande e tudo. Cade faz um trabalho encomendado por esse cara, que trabalha com esta empresa, ele quer abrir uma loja em West Bend. — Não me parece que ache isso uma boa ideia — disse Elias. Queria saber por que estava interessado em políticas de cidade pequena em uma cidade que parecia não o interessar. Mas acho que provavelmente ainda estava ligado à sua cidade natal. Eu não tinha o mesmo interesse pela minha cidade. Minha cidade natal poderia queimar, de tanto que me importava com ela.


June exalou. — Um monte de pessoas está nisso — disse — Esta empresa, significaria empregos para muitas pessoas daqui. Alguns dos moradores locais são a favor dela. Eu não sou uma fã dela. Não gosto da ideia de uma empresa vir aqui e perfurar em West Bend. — Uma empresa de petróleo? — perguntei. — Será que procuram petróleo no Colorado? June abanou a cabeça. — Minerais — disse ela. — Mineração. Um monte de pessoas aqui recebeu ofertas por suas terras. Elias limpou a garganta e June olhou para Stan. — Desculpe-me eu vou pegar o meu filho, antes que coma a ração do Bailey. Vamos deixá-los sozinhos agora e dar-lhes algum espaço. Só queria deixar o café da manhã, certificar-me que não precisa de nada. — Obrigada, June — disse. Depois de June sair, Elias pareceu mergulhado em seus pensamentos. Não tinha certeza do que se tratava, mas algo que June disse o incomodava. Não perguntei o quê. — Bem — disse, mudando de assunto — você quer se limpar e me levar para a cidade? Elias sorriu, mas ainda olhava para o horizonte quando respondeu e podia dizer que os seus pensamentos estavam em outro lugar. — Depende — disse. — De quê? — Perguntei. — Sobre se quer ficar suja comigo mais tarde. — Há uma loja de conveniência na cidade, certo? — perguntei, pensando nas camisinhas.


Elias assentiu. — Claro que sim. — Definitivamente gostaria de ficar suja com você — disse, meu coração acelerado com esse pensamento. Na verdade, era a única coisa que conseguia pensar.


Capítulo Quinze Elias River colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, alisando-a, mas ela saiu novamente, apontando para cima em um ângulo, sem vontade de ser contida. Escondi um sorriso. Quando a vi na internet ontem, vi todas as suas fotos em eventos com longos cabelos loiros, mostrando grandes sorrisos e posando para as câmeras. Ela parecia melhor com o cabelo mais curto. Convinha-lhe de alguma maneira – confuso e indisciplinado, recusando-se a ser domado. Ela bateu a ponta do seu dedo sobre o balcão do escritório de aluguel de automóveis, um hábito nervoso, percebi. — Alguém já lhe disse que parece com uma atriz? — o agente da locação lhe perguntou, virando a licença de River em sua mão. Sabia que era uma licença falsa e me perguntei se era bem feita. Não que o cara parecesse um tipo de especialista em verificar licenças falsas, não em um lugar que alugava carros na parte traseira de uma loja de equipamento de pesca. River assentiu com a cabeça e revirou os olhos. — Ouço muito isso — disse. — Chato. Ouvi dizer que é uma verdadeira cadela. Tossi, cobrindo a minha risada.


River assinou a papelada e pegou as chaves. — Muito obrigada — disse. — De nada — disse o agente, apenas metade prestando atenção a ela, seu olhar focado mais em mim. — Reconheci você quando entrou aqui. — Oh, não sou ela — River começou, mas o agente continuou, olhando para mim. — Ouvi sobre o seu pai — disse ele. Suspirei. Porra, a última coisa que queria era falar com alguém que conhecia o meu pai. Não precisava ouvir sobre o grande cara que era de um dos alcoólatras com quem costumava beber no bar ou algo assim. — Sim, bem, é a vida. Obrigado pelo aluguel. Virei para ir embora, minha mão na parte inferior das costas de River enquanto a levava à minha frente. Queria sair de lá antes de ser arrastado para alguma conversa de merda sobre o meu odioso pai. Ele era a última pessoa nesta terra em quem queria pensar. O agente nos chamou. — Pelo menos, a sua mãe pode obter essa propriedade negociada agora — disse ele. Não virei para ouvir mais e o que ele disse nem mesmo ficou registrado em meu cérebro até que estávamos fora de lá, depois de andar dez metros pela calçada. Sua mãe pode obter essa propriedade negociada agora. Do que falava? A voz de River cortou os meus pensamentos. — O que ele quis dizer, ouviu falar sobre o seu pai? — Nada — disse, minha voz dura e fria. — Não é da sua conta.


Merda. Assim que as palavras saíram da minha boca, me arrependi. River parecia magoada e então apertou sua mandíbula, uma expressão fria sobre ela. — River — comecei, mas ela ergueu a mão. — Você está certo — disse — Nada disso interessa. Abri a minha boca para me desculpar, mas antes que pudesse, ouvi uma voz do passado ao meu lado. Agora não. Esta é a última coisa que preciso. — Bem, o que temos aqui? — a voz perguntou, seu tom menos que amigável. — Elias Saint. E quem é você? River estreitou os olhos para o homem que estava diante de nós em um uniforme policial. — Beth Winters — mentiu, cruzando os braços sobre o peito. — Quem é você? Ele a olhou por um longo tempo, seus olhos demorando em seu rosto e tive um sentimento súbito de raiva que me forcei a sufocar. O jeito que olhava para ela... se seus olhos tivessem pousado em qualquer outro lugar para além do rosto dela, teria que bater em sua bunda ali mesmo na rua, policial ou não. — Jed Easton — disse — Xerife Easton. A boca de River apertou e a vi tocando o seu lado com os dedos, enfiados por debaixo de seus braços cruzados. Estava irritada, podia perceber. Não tinha certeza se era comigo ou Jed, ou talvez com Jed por chegar no momento em que estava prestes a dizer-me para me foder. Deveria estar grato pela chegada oportuna de Jed. Só que não estava.


Não apenas porque Jed era um babaca, mas porque parte de mim queria que River me mandasse foder. É o que merecia. — O que a traz a West Bend? — perguntou, com os olhos ainda em River. — Férias — disse — Ver paisagens, você sabe. As cidades pequenas como esta são minha paixão. — E este menino Saint — disse Jed. — Ele é um conhecido seu? Meu sangue ferveu e cerrei meus punhos. Acabaria com este idiota por me chamar de menino. River arregalou os olhos e olhou para mim. — Não o chamaria de menino — disse ela, sorrindo. — É grande como um cavalo. Diria que provavelmente tem mais uns centímetros que você. — Inclinou-se para Jed e ergueu as sobrancelhas. — Sabe como usá-los muito bem, também. Tive que manter a minha expressão séria, ouvindo a conversa de River. Nenhuma garota me defendeu assim. Merda, nunca ninguém na minha vida me defendeu assim. Se há uma coisa que estava acostumado, era lutar as minhas próprias batalhas. Não sabia o que pensar sobre essa garota. O rosto de Jed estava vermelho quando se afastou dela e me encarou. — Tome cuidado. — disse — Essa cidade não precisa de seu tipo aqui causando problemas. Não você ou seus irmãos. — Foda-se, Jed — cuspi.


Ele sorriu e balançou a cabeça, em seguida, saiu. O vi com os olhos apertados quando fez uma pausa, então virou novamente. — Ah. Mais uma coisa. Dê a sua mãe lembranças de meu pai — disse. Meu coração acelerou, o sangue bombeando alto em meus ouvidos, mal registrei a mão de River no meu braço. — Porra! — disse em voz alta, o suficiente para que um casal que passava na calçada parasse e olhasse. Porra, Jed. — River, eu... — comecei, mas me interrompeu, levantando a mão. — Seja o que for — disse — Não quero saber. Não é da minha conta. — River, não queria Ela balançou a cabeça. — Só porque o defendi, não significa que estou bem por ser um idiota — disse — Apenas não gosto de intimidações e esse cara me parece um valentão. — Um dos piores tipos — concordei. — Obrigada pela carona, Elias — disse ela, as chaves do carro em seus dedos. Ela se virou para sair. Fiquei ali e a vi partir. Jesus Cristo. Não estava acostumado a ter que prestar atenção à minha atitude, certificar-me de não gritar com as pessoas. Estava acostumado a lidar com os subordinados, pessoas de quem era encarregado na Marinha. Porra, a maioria deles saia do meu caminho. Senti uma pontada de arrependimento. Merda.


Isto não é como planejei passar o resto do dia, lidando com besteira da família. Planejei passá-lo fodendo forte com River, mas fodi essa parte. Precisava consertar isto, pensei. Mais tarde. Consertaria as coisas com ela. Todo o resto foi eclipsado pelo pensamento do que Jed disse. E o que o gerente de locação mencionou. Minha mãe tinha algumas perguntas que precisava responder. Seja lá o que aprontou e a porcaria enigmática de Silas, haviam muitos malditos segredos.

River Não é da sua conta. As palavras de Elias ecoaram em minha cabeça quando fechei a porta do carro e voltei para a cama e para o pequeno-almoço. Depois que o deixei na cidade, esperei e o vi caminhar a passos largos de volta para seu carro como um homem em uma missão. Zangado com o mundo, disse a mim mesma. E ele sequer percebeu isso, porra.


Porque me importo, de qualquer maneira? Ele estava certo, não era da minha conta, cacete. Só porque dormia com ele, não, nada disso, uma vez que ainda não tinha transado com ele, não significava que precisava saber quem era. Passava algum tempo aqui em West Bend, apenas alguns dias e isso era tudo. Esta era apenas uma pausa da minha vida normal. Precisava me lembrar disso. Alguns dias fora da caixa e voltaria para ela. Precisava voltar. Segunda-feira, se não aparecesse nas filmagens, o estúdio ficaria chateado para cacete. Estávamos perto do final do filme e eles, provavelmente, pensariam que cheguei ao fundo do poço ou algo assim, fiquei louca, com tudo o que aconteceu com Viper. Entretanto, filmariam sem mim, mas alguém me procuraria. Em breve. Andei pela cidade, olhei algumas das vitrines das lojas, os espaços decorados com bugigangas, roupas de cowboy e botas. Estar aqui era como voltar no tempo. Era quase o suficiente para esquecer tudo o que aconteceu no mundo real. Em Hollywood. Não que Hollywood fosse parecida com o mundo real. Não delirava o suficiente para pensar isso. Mas era a minha realidade. Só não sabia se queria que fosse o meu futuro. Quando voltei para a pousada, Cade e June estavam na varanda da frente e June tinha uma cesta de piquenique em sua mão. Ergueu-a quando saí do carro.


— Fazíamos um lanche — disse — Então achei melhor trazer-lhe algumas coisa, no caso de estar com fome e não se sentir com vontade de cozinhar. Cade faz uma salada de frango deliciosa. Cade estava ao seu lado, com um sanduíche meio comido na mão. — O ingrediente secreto é curry — disse — June come como uma caminhoneira desde que ficou grávida. — O garoto odiará salada de frango — disse June. — Bem, com um elogio como esse, como poderia não provar? — Abri a porta da frente. — Existe suficiente aí para todos nós? Será que ficariam e almoçariam comigo? — Claro — disse June. Então, para Stan — Baby, venha aqui. — Ele tirava as pétalas fora das flores em um vaso perto da porta. — Não as coma. Dentro, June colocou os pratos e Cade sentou-se com Stan em seu colo. — É bom — disse enquanto mordia o meu sanduíche. — Muito bom. Cade sorriu. — Ele é um grande cozinheiro — disse June. — Melhor do que eu em um monte de receitas. Os muffins desta manhã? Sua receita. — Você é como um pau para toda obra — disse. — Trata dos cavalos e de tudo aqui também? Cade assentiu. — Faz parte de tomar conta de um rancho — disse — No entanto, tenho algumas mãos ajudando no rancho por que agora estou mais na loja.


— Vi sua loja hoje quando aluguei um carro — disse. — Fechado para almoço – obviamente estava aqui. Comemos por alguns minutos em silêncio, mas não era o tipo de silêncio constrangedor que geralmente sentia perto das pessoas. June e Cade eram fáceis e descomplicados. Então fiz a pergunta que esteve em minha mente desde que tinha deixei a cidade. — Você sabe alguma coisa sobre os irmãos Saint? Era como se todo o ar fosse sugado para fora da sala. — Onde ouviu esse nome? — perguntou June. — Elias Saint. — Soltei as palavras antes que pensasse em me parar. — Ele é o cara que estava aqui comigo. Um olhar escuro atravessou o rosto de Cade e olhou para June significativamente. — Você o conhece há muito tempo? — ele perguntou. — Não muito, na verdade — admiti. — Ele me ajudou a sair de uma enrascada. — Não entrei em detalhes, sentindo-me subitamente desconfortável com o fato de que toquei no assunto, uma vez que ambos conheciam claramente o seu nome. — Ele não é alguém com quem deva gastar tempo — disse Cade, ríspido. — Cade, você não sabe — disse June, subindo o tom de sua voz. Ela deu-lhe um olhar. — Um leopardo não muda as suas manchas — disse Cade. — Não é justo — disse June — que ele pague pelos pecados de seu irmão. Ele era um garoto, naquele tempo.


Cade grunhiu e afastou-se da mesa, beijando a testa de sua esposa antes que saísse pela a porta. — Preciso voltar para a loja — disse, entregando-lhe Stan. — Xau-xau — Stan balbuciou. Cade beijou sua cabeça. — Xau-xau, baby — disse. Então olhou para June e para mim. — Essa família não é boa, todos eles. Depois que Cade partiu, June virou para mim. — Não ligue para ele — disse — Ele não tem a mente fechada pra muitas coisas, mas quando se trata de mim, sim. — Não entendo — disse. Não sabia o que Elias ou a sua família fizeram, mas esta cidade parecia estar atenta a ele. — O que ele disse não é verdade — disse June. — sobre a sua família. Nem todos eles são maus. O pai, Abraão Saint, era um pedaço de merda, como lembro, bebia muito. Acham que batia nas crianças, mas está morto agora, acabou de morrer, há uma semana? Talvez duas semanas? Não consigo acompanhar as coisas ultimamente. Uma ou duas semanas. Tinha que ser por isso que Elias voltou para cá. Ele não disse nada. Mas então, por que se meteu em um caso casual? — Não entendo — disse. — Então, são todos maus por causa do pai de Elias? — Cresci em uma cidade pequena e entendia como a vida podia ser mesquinha e complicada em uma pequena cidade, mas isto parecia demais, até mesmo para mim. June abanou a cabeça. Ela colocou Stan no chão, depois se levantou e abriu um armário, tirando alguns brinquedos e os colocou


no meio do chão. — Não acho que Elias é ruim, querida — disse — Ele parece um cara legal. Parece gostar muito de você, também. Não sei se ele gosta muito de mim, pensei. — Então, o que é? — perguntei. — A que coisa Cade se referia? — Cade apenas é super protetor por vezes, é tudo — disse — Tudo o que aconteceu foi há muito tempo atrás, quando estava no colégio. Você tem o quê, vinte e poucos anos? — não esperou pela minha resposta, apenas continuou. — Elias tem a sua idade. Devia ser uma criança quando aconteceu, imagino. Não conhecia os Saints naquela época. Havia um irmão mais velho – Mason – mais velho que eu alguns anos, trabalhou como rancheiro para o pai do Cade. Escutei atentamente, o tempo todo pensando em como esta cidade era especial, pois todos, de alguma forma, estavam ligados. Acho que isso podia ser reconfortante ou assustador, dependendo de como se relacionava com as pessoas na cidade. Senti uma pontada momentânea de empatia por Elias. — Mason e minha irmã tinham alguma coisa — disse June. — Mesmo que fosse alguns anos mais velho. Todos diziam que ele era uma má influência para ela e que isso poderia ter causado as coisas, mas a minha irmã era uma criança selvagem naquela época também. Eles estavam em uma festa, Mason e minha irmã e foi aí que aconteceu. — O que aconteceu? — Mason e ela voltavam de carro da festa — disse June. — Ele estava bêbado. Meus pais procuravam pela minha irmã. Houve um acidente, colisão frontal e os meus pais morreram. Mason, também.


Minha irmã cometeu suicídio depois disso, não podia suportar viver com a culpa. Coloquei minha mão na boca. — Oh, meu Deus, June — disse — Sinto muito. Não fazia idéia. — Obrigada por isso — disse — Mas isso foi há muito tempo atrás. Uma vida inteira. Um monte de pessoas carregou um monte de culpa pelo que aconteceu, mesmo que não houvesse nada que pudessem fazer sobre isso, inclusive Cade. Não havia necessidade disso, não se podia fazer nada. — É a isso que Cade se referia, sobre a família de Saint? — Sim — disse June. — Parti logo depois que aconteceu, mas ouvi que a família sofreu muito com isto tudo. Para começar, o pai não tinha uma boa reputação, mas depois disto, não tenho certeza. Eu imagino que não foi fácil para eles aqui. Podia imaginar o que Elias passou nesta pequena cidade, sendo de uma família com esta reputação. Gold Willow, na Geórgia, não era exatamente como West Bend, não era tão pequena que você conhecia todo mundo e sabia tudo o que acontecia, mas era o tipo de lugar onde a reputação da minha mãe nos seguia. Não ajudava o fato de atrairmos atenção – olhares de desgosto ou piedade, dependendo de quem via a minha irmã e eu – caminhando com os pés descalços e com roupas de segunda mão esfarrapadas. Se havia uma coisa na vida que entendia, era sobre ser um pária, um indesejado.


Também sabia que a sensação de ser um indesejado nunca te deixa. Fica gravado em sua alma, na essência de quem é. Não importa quantos fãs tenha ou quanto dinheiro ganhe, ela estará sempre lá. Eu me perguntava se Elias se sentia da mesma maneira. Disse a mim mesma que não importava. Não preciso saber a história de Elias. Ele pode ter todos os tipos de razões para estar como estava e poderia ter todo o tipo de química com ele, mas isso não importava. Estava aqui por alguns dias, aguardando o meu tempo... e Elias tinha mais problemas do que precisava, com feridas que não desaparecem simplesmente. Já tinha complicações suficientes na minha vida. Não precisava de mais nada.


Capítulo Dezesseis Elias — Mãe? — chamei. Fiquei perto da porta por um momento, não querendo entrar, quase como se ficasse aqui, não seria sugado para qualquer que fosse o drama que acontecia. Por mais que tivesse regressado pra casa porque estava perdido, sabia que não queria ficar enraizado aqui permanentemente. Não queria tomar conta dela para sempre. Parece insensível, sei que sim. Honre seus pais e tudo isso. E minha mãe não era má, não do jeito que o meu pai era. Ela era apenas... incapaz. Nunca foi forte. Era uma das razões pelas quais voltei, para me certificar que estava bem. Só não queria ficar preso aqui em West Bend. Não queria acabar como ela. Ela fez sinal para entrar, um cigarro aceso pendurado na extremidade de seus dedos. — Pensava em comprar uma daquelas boquilhas para segurar o cigarro, sabe? — perguntou, apontando para o final apagado do cigarro. — A forma como as atrizes costumavam fumar com elas era especial. Parece elegante. Mantém os dedos sem manchas de nicotina. Exalei alto. — Talvez devesse parar de fumar, mãe — disse. — Não é bom para sua saúde, você sabe. Câncer e tudo isso.


Ela olhou atrás de mim, para o aparelho de televisão, sem som, mas sintonizado numa novela. — Seu pai costumava reclamar sobre isso o tempo todo, também — disse ela. — Essa era a única coisa na vida em que concordamos — disse. Só que o idiota não se importava se a sua saúde era ótima. Foda-se, não dava a mínima se vivia ou morria. Porra, só se preocupava com não ter que comprar cigarros para a minha mãe, em poupar dinheiro. Quando éramos crianças, pegávamos dinheiro trocado para ela, ou pedir às pessoas uma moeda, para que ela pudesse comprá-los quando meu pai se recusava. Entre os dois, a sua bebida e os seus cigarros, era um milagre que eu e meus irmãos tivéssemos comida. — Seu pai odiava isso — disse — Ele se importava comigo. Não me incomodei em corrigi-la. — Mãe — comecei, então me coloquei em sua frente para bloquear a sua visão da televisão. — Preciso falar com você sobre algo. — Sim, baby — disse. Inclinou a cabeça para tentar ver a novela diurna. — Mais tarde, está bem? Esta é a reprise de um dos meus episódios favoritos. O irmão desse cara morreu em um acidente de paraquedismo trágico, vê? Só que ele não está realmente morto. Ele voltou e dorme com a esposa desse cara. — Não — disse, caminhando até a televisão, desligando-a. — Por que fez isso? — parecia indignada, mas colocou o cigarro na sua boca casualmente. — Porque isto é importante — disse — Na cidade, alguém disse algo sobre a propriedade, sobre cuidar da propriedade. O que acontece?


Ela me afastou com um gesto de desprezo. — É aquele empresário — disse — Quer comprar a nossa propriedade. — Fizeram uma oferta? — perguntei. — É um preço justo? Virou e atravessou a sala, seu roupão de banho esvoaçante atrás dela. — Não quero pensar nisso — disse — Simplesmente não posso lidar – a papelada e tudo isso – depois do que aconteceu com o seu pai. Senti uma onda de raiva por sua causa. A minha mãe ignorava todas as coisas ruins na vida e isso tinha nos mantido com o meu pai. Ela viveu neste lugar, na sua mente, onde o meu pai não era um idiota, onde não voltava para casa bêbado nas noites de sexta-feira depois de gastar o pouco dinheiro que tínhamos, com o cinto na mão, procurando alguém para punir. E agora, depois de morto, agir como se devesse lamentar, era uma loucura. Devia estar aliviada por que se foi. — Precisa pensar nisso, mãe — disse. — Se oferecem um preço justo, precisa considerar. Começou a remexer nos armários, puxando uma tigela e utensílios de cozinha. — Tenho bananas — disse — Farei o pão de banana que sempre gostaram. Silas veio aqui ontem. — Sim? Ela estava de costas para mim enquanto pegava uma caixa de ovos da geladeira. — Fez perguntas sobre essas coisas — disse — Sobre o acidente com o seu pai, como morreu. Vocês sabem que isso me estressa mais do que posso suportar e depois fico com dores de cabeça.


— Tudo bem, mãe — disse. Fiz uma nota mental para perguntar a Silas sobre isso. Ela pode nunca ter sido uma grande mãe, mas não merecia definhar nesta casa de merda, não se um grande empresário oferecia algo por ela. — Falou com Silas, então? — perguntou — Sim, falei com ele. — Não gosto que briguem — disse. — São gêmeos. Devem ser unidos. Todos deveriam – Killian e Luke, também. Talvez se nossa infância tivesse sido normal, seríamos todos amigos. Isso é o que queria dizer, mas não o fiz. Ao invés disso, perguntei — Já falou com Luke e Killian? Ela virou, com as costas no balcão, seu tom era defensivo. — Luke vem até aqui de vez em quando — disse — Bombeiros paraquedistas viajam muito, você sabe. Ele gostaria de estar aqui mais vezes, mas não pode. Envia-me cartões postais. Tinha certeza de que o trabalho de Luke não era a única coisa que o mantinha longe de West Bend. — E Killian — disse — está viajando, também. Para as plataformas de petróleo. Não sei muito sobre ele, me dá notícias a cada poucos meses. Claro, isso é porque está fora de contato por longos períodos de tempo. Mas diz que gosta. — Olha, mãe — disse. — Quero que fique bem, que tenha dinheiro. Quero ver o que eles oferecem. Ela virou em direção ao balcão, me afastou com a mão. — Mais tarde, Elias — disse — Não agora. Já sinto uma dor de cabeça se aproximando.


Suspirei. Não conseguiria que falasse, não sobre este tema. Veria o que Silas tinha a dizer sobre isso. Se tivesse alguma coisa a dizer. — Só mais uma coisa, mãe — disse. — Encontrei Jed Easton na cidade hoje. Ela parou o que fazia, a colher de mistura em sua mão, mas não se virou. — É? — Ele disse que deveria dar-lhe um oi da parte de seu pai — disse. — Do que falava? Ela ficou em silêncio, por um momento. — Não tenho ideia — disse, com a voz tensa. — Não tem ideia do por que o pai de Jed, o prefeito da cidade, lhe mandou um oi? — perguntei. — Não sabe o que quer com você? Ela balançou a cabeça. — Precisa ficar fora das coisas que não lhe dizem respeito, Elias — disse, com a voz sombria. Era a primeira vez que ouvi a minha mãe falar diretamente sobre algo assim na minha vida. Ela não era assim. Agora estava interessado. Também sabia quando deixar as coisas em paz. Então, por agora, não a pressionaria. Então, me surpreendeu novamente. — Acho que deveria sair agora — disse.


River Andei para longe da estalagem e da casa da fazenda, deixando a égua guiar-me mais do que a guiava. Percebi que conhecia este lugar melhor do que eu, conhecia as colinas e os prados aqui, os bosques de árvores de álamo que pareciam pequenos oásis no deserto. Só que isto aqui era o oposto do deserto, tudo exuberante e verde, mesmo no final do verão. Era o mais longe possível de Hollywood, longe da fumaça e da poeira de Los Angeles. Montando aqui assim, não conseguia entender por que Elias odiaria voltar aqui. Mas acho que ele tem o mesmo tipo de relacionamento que tenho com minha cidade natal. Aqui sozinha, podia ver por que alguém poderia nunca querer partir. Como June e seu marido. Era idílico. Este era o tipo de lugar em que podia sentir-me como se estivesse em casa. Sentir-me em casa não era algo que senti em um longo tempo, talvez nunca. Puxei a sela e os cobertores na parte de trás da égua e a escovei. Quando saí do celeiro, Cade andava em minha direção. — Como foi o passeio a cavalo? — perguntou. — Ótimo — disse. — Nunca montei em qualquer lugar como este. Cade assentiu. — Sim. West Bend não é como qualquer outro lugar. — Não — concordei. — Posso ver porque é especial, com certeza. É lindo aqui fora.


— O que disse anteriormente, sobre os irmãos Saint — Cade começou. — Está tudo bem — disse. — June explicou. É complicado. — Não — disse — Não é tão complicado. Fui intenso demais. June brigou comigo sobre isso, disse que era muito protetor. Não lhe diga que disse que estava certa, mas estava. Tudo isso aconteceu há muito tempo atrás e os outros irmãos, eram apenas crianças. Não devia ter falado, não sei nada sobre Elias. — June é a sua família — disse — Faz sentido protegê-la desse jeito. Cade apontou para a casa da fazenda. — June colocou o pequeno Stan para dormir — disse — Quer tomar uma cerveja? Sei que ela adoraria vê-la novamente. — Claro — disse. — Apenas me deixe ficar limpa e irei logo. Depois que tomar banho e me trocar, fui até a casa de Cade e June. O sol estava baixo no horizonte no momento em que caminhava na direção da casa deles, o céu todo iluminado, como uma pintura em aquarela, todo rosa, roxo e vermelho. Respirei profundamente, o cheiro do ar da noite como um bálsamo. — June não dirá isso, ma é a sua maior fã — disse Cade. — Ela está muito excitada e contente por estar aqui. Quer dizer, não assisti seus filmes – sem ofensa. Ri. — Sem problemas — disse. — Não fiz nada além de comédias românticas, filmes para mulheres mesmo. — Fiz uma pausa por um momento, tentando pensar como deveria dizer o que queria. — Estou aqui escondida, entende isso, certo?


Cade abriu a porta da frente da casa e me fez sinal para dentro. — Sim, deduzi isso — disse — Você não é a primeira pessoa que escondo em West Bend. Abriu a geladeira e tirou uma cerveja, tirou a tampa e a passou para mim. — Bebida local — disse ele. Tomei um gole. — É legal. Então escondeu outras celebridades aqui? Você e June fazem parte de algum programa de proteção de celebridades? Cade sorriu, mas a sua expressão estava séria. — Isso seria demais, hein? Não, só tenho alguma experiência em ajudar as pessoas a ficarem fora da vista, isso é tudo. — Aprecio isso — disse. — Não ficarei aqui por muito tempo, de qualquer maneira. Imagino que não demorará muito tempo até alguém descobrir que estou aqui, por conta própria. Cade assentiu, dando um gole em sua cerveja. — Verificou a internet ou qualquer coisa? — perguntou. Balancei minha cabeça. — Estou evitando. Por quê? — June disse que está na web. — revirou os olhos. — Não presto atenção a toda essa merda de fofocas, mas ela checou hoje, disse que queria ter a certeza de que ninguém sabia que estava aqui. Disse que estava em uma situação complicada. Ri. — Sim, essa é uma maneira de dizer. Peguei o meu noivo e a minha irmã transando. — Posso acabar com ele se quiser — disse Cade. Ele fez uma pausa. — Brincadeira. Piada de franco-atirador, me desculpe. — Você era um franco-atirador?


— Marinha, sim — disse — Muito tempo atrás. — Elias estava nos Fuzileiros — disse. Cade assentiu. — Explica a perna — disse. Essa foi a extensão do que disse em voz alta, mas podia dizer que sua mente trabalhava. Estava escrito por todo o rosto. Queria saber o que pensava sobre Elias, mas não perguntei. — Você sabe, realmente não estou brava com isso — disse, inclinando-me no balcão da cozinha. — Sobre o quê? — Viper e a minha irmã — disse. — Estava brava quando isso aconteceu, mas realmente não estou preocupada com isso agora. Isso é estranho? — Merda — disse Cade. — Eles que se fodam. Mas sou a última pessoa a dizer-lhe o que é comportamento normal. — Que história é essa de comportamento? — perguntou June, colocando os braços ao redor do peito de Cade, tanto quanto poderia com sua barriga entre eles. — Como foi o passeio, River? — Foi ótimo — disse. — Não montava um cavalo há muito tempo. — Apenas dizia a River que não sou a pessoa certa a perguntar sobre comportamento normal — disse Cade. June riu. — Ele realmente não é — disse — Tem sorvete no congelador? — Trouxe-o para casa — disse Cade, revirando os olhos. — Falando de comportamento normal. Você é como uma página de um manual de gravidez.


— Eu sei — disse June, colocando uma colher no pote de sorvete e levando à boca. Então parou, com os olhos arregalados. — Oh. Alguém mais quer? Eu ri. — Estou bem com a cerveja. — Esta é a minha substituição da cerveja — disse — Quer levar isso para a varanda? Se acordarmos o pequeno Stan, demorará uma eternidade para dormir e acho que não consigo lidar com outra rodada de adormecer a criança. — Se há alguma dúvida de quem comanda nesta família, é Stan — disse Cade. — Ele é como um mini-ditador. Lá fora, nos sentamos no ar fresco da noite. — Dizia a River que você praticamente a persegue — disse Cade, sorrindo para June. — O quê? — June se inclinou em sua cadeira de balanço e deu um tapa na perna. — Você não disse isso. Não te persigo! Eu ri. — Está tudo bem — disse. — Contanto que não ferva um coelho ou algo assim e o deixe em meu fogão. — Não lhe disse que a perseguia — disse Cade, virando e murmurando drasticamente — completamente — enquanto June lhe bateu novamente no braço. — Pare — disse — Ela acreditará nisso. Ele me massacra porque vi um dos sites de fofocas e realmente me senti mal com isso. Mas, em minha defesa, só queria ver se alguém falava sobre onde estava. — olhou para Cade. — Apenas para fins de investigação. É isso aí. — Alguém falava sobre isso? — perguntei. De repente, estava nervosa.


— Bem, falam sobre isso agora — disse June. — June — a voz de Cade soou como um aviso. — Não — disse. — Quero ouvir, seja o que for. — É tudo conversa — disse June. — Coisas estúpidas. — Eles viram Elias — disse. — Há um vídeo de você com ele em um hotel em Las Vegas — disse June. — Partindo em seu carro. Meu coração afundou. Basicamente apertei um botão gigante de pausa na minha vida, fugi para cá e não estava pronta para começar novamente. Não queria que a realidade se intrometesse. Ainda não, de qualquer maneira. Não tinha certeza exatamente do por que. Mas sabia que havia algo sobre estar aqui, neste lugar, que me fez querer ficar apenas por mais um tempo. Mesmo que soubesse que era irreal. — Então, aparecerão algumas pessoas por aqui — disse Cade. — Provavelmente, em breve. — Quando foi o vídeo postado? — perguntei. — Parece que esta manhã — disse June. — Tudo bem — disse. — Sabia que isso aconteceria. — Um grupo de repórteres de tablóides e besteira — disse Cade. — Qualquer pessoa que apareça, podemos mantê-los longe da casa. Suspirei. — Obrigada pela oferta — disse. — Mas eles podem ser realmente desagradáveis. E você tem uma criança. Cade pigarreou. — Quando disse que poderia mantê-los longe, não era uma sugestão. Isso é o que acontecerá. Isto aqui não é propriedade pública.


June encolheu os ombros. — Ele é mesmo teimoso, River. Balancei a cabeça. — Ok, então. — Há mais uma coisa... — A voz de June sumiu. Cade revirou os olhos. — June querida — disse ele. — Ela não precisa ver essa merda. — Gostaria de ver — disse June. — Se fosse comigo. Só dessa forma é que eu tenho todas as informações para ter de tomar algumas decisões. — Acho que não é uma boa ideia — disse Cade. — Basta pegar o laptop — disse June. Depois que entrou, virou para mim. — Há algo que deve ver. Quando procurei hoje por você na internet, estava em todo o lugar. Cade colocou o notebook aberto em suas mãos e o deu a June. Ele balançou a cabeça. — Acho que pode ser complicado. June mexia em algo na tela, e então virou a tela para mim. — Aqui — disse ela. Vi Viper na tela, sentado em um sofá em nossa casa. Minha excasa. Ele tinha uma nova guitarra em seu colo. Destruí sua antiga guitarra. — Essa música é dedicada a minha noiva, River. Sei que está aí fora, ouvindo e só quero dizer... — o encarei, dormente, enquanto ouvia ele tocar a música. — Baby, estou tão perdido sem você aqui... Quando seu pedido de desculpas musical terminou, desliguei o computador e o entreguei a June antes de sentar. — Hum — disse. June e Cade trocaram um olhar e depois ficaram olhando o piso da varanda.


— Bem, isso foi interessante — mal consegui dizer as palavras antes de ter um ataque de risos. Cade e June não disseram nada, apenas me olharam e fiz uma pausa longa o suficiente para dizer— Não posso acreditar que me casaria com esse babaca. Cade sorriu. — Viu, June querida? — perguntou. — Sabia que não cairia nessa besteira. É uma música estúpida, também. Merda, aquela parte sobre o buraco em seu coração? — fez uma careta de desgosto. — Sequer tenho palavras para isso. — Ela ainda precisava ver o vídeo — disse June, sorrindo. — Foi muito ruim. A parte em que disse que podia ver em sua alma e sabia que a sua alma queria estar com a dele? Eu chorava de tanto rir. — Isso é embaraçoso. — Para ele — disse June. — Para mim, também. No que pensava? — perguntei, mais para mim do que para eles. — Realmente me casaria com aquele cara. Cade fez uma careta. — Trepando com a sua irmã — disse ele, balançando a cabeça. — Qualquer cara que escreve uma canção tão ruim deve ser eliminado a tiro. — Ele é uma grande estrela — disse, com a voz suave. Eu me senti entorpecida, desprendida de tudo. Balancei a minha cabeça. — Não sei porque não vi que era um babaca. Nada mudou. Ele sempre foi assim. — Às vezes, é difícil ver o que está bem na frente de seu nariz — disse Cade. Estendeu a mão e segurou a de June e ela deu um tapinha nela, sorrindo enquanto olhava para ele.


O som de um motor de carro e a trituração de cascalho cortou o ar noturno e vi um carro entrar na garagem do hotel. Podia ser de noite, mas ainda conseguia ver de quem era o carro, sem problemas. E quem saía do carro. Ouvi a voz de June, suave, como se falasse apenas para Cade. — Falando em ver o que está debaixo do seu nariz...

Fui até ao hotel. Elias esteve por um minuto na varanda da frente, provavelmente pensando que ainda estava chateada com ele e simplesmente não respondia ao seu toque, antes de me ver chegando pelo gramado. — Ei — ele disse. — Não esperava vê-lo aqui — disse. Cruzei os braços sobre o peito. Mesmo estando sexy, usando um jeans rasgado e esta camiseta que fazia os seus olhos azuis parecerem ainda mais azuis, ele tinha foi um idiota mais cedo. — Fodi tudo — disse — Fui agressivo com você, dizendo que não era da sua conta. Fui um idiota. — Não brinca — disse, mas senti a minha determinação enfraquecer. Especialmente agora que sabia por que era tão sensível sobre o seu passado. Conseguia entender esse tipo de coisa. — Você quer entrar?


— Não — disse, cruzando os braços sobre o peito. — Tudo bem, então — disse, surpresa. Parece que continuava um idiota. — Vim ver se poderia convidá-la pra sair. — Como em um encontro? — Sim — disse. — Não sei. — Estava preocupada, pensando na possibilidade de ser reconhecida fora da cidade. — Acho que não é uma boa ideia. Os tablóides, postaram um vídeo de nós dois no hotel em Vegas. Tenho certeza que tentam me rastrear, até mesmo enquanto falamos. Elias assentiu. — Já pensei nisso — disse. — Venha comigo. Quero lhe mostrar uma coisa.


Capítulo Dezessete Elias — Vai me dizer para onde vamos? — perguntou River. — Não — disse. — Verá em apenas um minuto. — Mais à frente tinha aquele desvio na estrada, um pequeno recuo no acostamento da estrada, onde só cabem dois carros de cada vez. Estávamos sós, porque ainda era cedo, era o entardecer. Ninguém mais estaria aqui hoje. Estive aqui no início desta tarde. Desliguei o motor e River me olhou com cautela, saindo do carro. Quando abri o porta-malas do carro, riu nervosamente. — Suponho que me diria se a mala do carro estivesse cheia de lona e fita adesiva, não é? — perguntou. — Parar aqui me faz parecer um assassino em série, não é? — disse. — Isso não foi realmente uma resposta. — Sim — disse. — Eu e minha perna cortada da merda, somos uma boa equipe de assassinato. — Na minha cabeça soou como uma piada, mas saiu mais amargo do que pretendia. River estreitou os olhos quando me olhou. — As pessoas sentem pena de você quando fala assim? — perguntou. — Para mim, parece que se vira bem com essa perna. — estava de costas para mim, enquanto olhava ao redor. A vi respirar profundamente, os ombros


subindo e descendo. — Além disso, não era Ted Bundy que tinha um pé de cabra dentro do molde de gesso de seu braço? Atraindo as suas vítimas com a sua lesão e a sua boa aparência. — Está dizendo que sou bonito? — peguei uma lanterna e a entreguei. — É brega fazer elogios que já sabe que são verdadeiros. — acendeu em suas mãos. — Coloque a lanterna — disse, deslizando a banda da minha sobre a minha cabeça. — Que sexy. — Quer cair ou o quê? — Você me levará para uma caminhada? — perguntou. — pensava em jantar, um bom copo de vinho, mas tudo bem. — Bem, não posso exatamente me livrar de um corpo em um restaurante, posso? — perguntei. — Tem que ser na floresta. River estreitou os olhos e me olhou — Ha, ha, ha. Peguei a cesta de piquenique do carro. — Isso é uma cesta de piquenique? — perguntou. — Você tem uma cesta de piquenique? Você não parece o tipo. — Que tipo? — perguntei. — Uma menina. — mostrou a língua para mim. Foi um gesto infantil, mas que imediatamente me fez sorrir. — Talvez tenha um pé de cabra na cesta — disse. — Nunca pensou nisso? — Verdade — disse — Quer que leve alguma coisa? — Não. Tudo o resto está tratado.


Caminhamos ao longo da trilha de terra e ela apertou minha mão algumas vezes quando derrapou em seixos. Não tinha certeza se isto era algo que gostava ou não. Alguém como ela provavelmente não fazia merda como esta, pensei. — Esta caminhada — disse ela. — Está tudo bem com a sua perna? Sua mão estava na minha, desde que derrapou um minuto atrás, e não a soltei. — Sim — disse. — Não sou um inválido. — Não acho que seja — disse — Apenas pergunto se tem uma prótese especial para treinar e outras coisas. — Oh — disse. Cristo, ficava nervoso quando estava perto dela. Ou talvez ficasse nervoso no geral, não tinha certeza. — Sim. Tenho uma para correr. Está no porta-malas do carro, na verdade. — Parei por um momento. — Com o pé de cabra, você sabe. Ela riu. — Bem, acho que se alguém me levará para um passeio romântico nos bosques, fico feliz por ser você. Cristo, assim que pronunciou as palavras ‘me levará’, fiquei duro. Pousei a cesta, parei e a puxei contra mim, as suas costas pressionadas em mim. Passei as minhas mãos por seus braços, segurando-as e senti sua rigidez em minha dureza. Arrepios pontilharam os seus braços, e o fato de que teve uma resposta dessa ao meu desejo me deixou louco. Ela fez um som, algo entre um gemido e um suspiro e isso me enlouqueceu. Meu rosto estava perto de seu pescoço e inalei o seu cheiro, a absorvi. Ela virou a cabeça para o lado e quando rocei o seu pescoço com meus lábios, senti os seus joelhos cederem.


Pelo menos, tinha certeza de que ela estava tão excitada por mim quanto estava por ela. Mas parei. — Por que parou? — perguntou, com a voz entrecortada. — Vamos. — Minha mão na parte baixa das costas, a guiei para frente. — Há um lugar aqui, perto da curva. Quero te mostrar. — Ou podemos ficar aqui um pouco. — esfregou a sua bunda em minha dureza e gemeu um pouco. Era tudo o que podia fazer para não rasgar a sua roupa ali mesmo. Mas tinha outros planos para ela. — Cale a boca e continue andando — disse. River riu. — Percebi — disse — Então, brincamos de seqüestrador, é isso? — Depende — disse — Você gosta desse tipo de coisa? — Balancei a cabeça em direção à clareira, logo depois desta curva do caminho. Era um local longe da trilha, perto de um pequeno riacho, as árvores de álamo fazendo um teto sobre a clareira. Mesmo coberta pelos ramos entrecruzados e as folhas, você ainda via o céu à noite e as estrelas. River estava de costas para mim, enquanto olhava ao redor. — Você fez tudo isso para mim? — Imaginei que não gostaria de ir a algum lugar público — disse. Além disso, queria mostrar-lhe que não sou um idiota total. Estava a poucos passos, por trás dela. Ela ainda não tinha se virado. Era, provavelmente, demais – provavelmente pensou que era algum fã assustador, muito intenso. Caras provavelmente faziam esse tipo de besteira o tempo todo.


Não eu, no entanto. Nunca fiz algo assim antes. Esta era a primeira vez. Vim aqui, hoje à tarde, espalhei o cobertor, deixei algumas lanternas a pilhas ao redor da clareira para termos luz. Eu mesmo encontrei umas lâmpadas em um fio e o coloquei nos ramos das árvores. As luzes banharam tudo neste brilho suave e tirei a minha lanterna da cabeça e a coloquei no chão, e em seguida, comecei a desembalar a cesta. Coloquei o vinho em copos, mas fiquei ali, com os copos nas minhas mãos. Ela ainda não disse nada. Merda, sequer se virou. Tomei um gole do vinho. — Ninguém nunca fez nada assim para mim — disse. Merda. Sabia que era demais. Ela pensaria que era algum tipo de fã perseguidor obsessivo ou alguma merda. Então se virou, com a mão na boca. — Não sei o que dizer, Elias.

River Não podia acreditar que fez tudo isso pra mim. As luzes penduradas nas árvores, o vinho... até mesmo arrumou um iPod e alto-falantes... Ouvi Into the Mystic, de Van Morrison, tocando


suavemente ao fundo. — Ninguém nunca se deu a este trabalho todo por mim — disse. — Isso é uma coisa boa? — Que ninguém nunca fez isso para mim? Ele inclinou a cabeça para o lado. — Você sabe o que quero dizer. — Merda, Elias — disse. — Tudo isto... mais do que bom. Ele balançou a cabeça e me entregou um copo de vinho. — Ok, então. Ok, então. Começava a perceber que Elias era o tipo de cara que tinha muito mais acontecendo sob a superfície do que pensava. Águas profundas e misteriosas, pensei. — Então — disse, bebendo do meu copo de vinho. — Por que realmente me trouxe aqui? Elias deu de ombros. — Queria vê-la nua. — Você já me viu nua, acho que se lembra — disse, com a voz suave. Eu, definitivamente, lembrava. Não conseguia parar de pensar em suas mãos em mim. — O que há de tão especial sobre este lugar? Elias olhou para longe. — costumava vir muito aqui — disse — Quando era criança. Era o meu lugar, quando tinha que me afastar. A minha fuga. Minha casa é alguns quilômetros daqui. Havia muito não dito no que disse, uma grande quantidade de espaços em branco, que preenchi com base no que June disse sobre os Saints. Assumi que Elias tinha que fugir muito naquela época. Não sabia o que dizer, exceto que parecia importante que compartilhasse este lugar comigo. Então, disse apenas — É bonito.


Elias não disse nada, apenas deu um passo à frente e me beijou forte nos lábios. Sua língua encontrou a minha e derreti nele, meu corpo colado ao dele enquanto me beijava avidamente. Quando se afastou de mim, o jeito que me olhou, com luxúria em seus olhos, me fez estremecer. — Tire as suas roupas — disse ele. — O quê? — Quero vê-la — disse ele. — Pensei que me trouxe aqui para comer — provoquei. Estive com ele na noite passada, mas, de repente, me senti nervosa. — Sim — disse ele, piscando. Ri. — Pervertido. Ele balançou a cabeça. — Ainda não — disse ele. — Mas em breve serei. Suas palavras provocaram uma onda de excitação com a expectativa de estar com ele. — Você primeiro — disse. — O quê? — Tire as suas roupas — disse. — Você primeiro. Ele sorriu. — Achei que nunca pediria. — vi quando tirou a camisa sobre a cabeça, em seguida, jogou-a para o lado na grama. Quando terminou de se despir, estava ali, completamente nu, com as mãos nos quadris, sorrindo. Orgulhosamente exibindo sua ereção. — Agora você — disse. — Tire tudo. Quero vê-la completamente nua. Ri de sua crueza. Parecia fora de lugar depois de ter feito algo tão doce. Agarrando a borda da minha camisa, levantei-a sobre a minha


cabeça. Joguei minha camisa no chão e alcancei minhas costas para abrir o sutiã. Todo o tempo, olhava para Elias. Não é como se já não tivesse me despido assim antes para ele. Mas havia alguma coisa na maneira como Elias me olhava que me deixou nervosa, autoconsciente, descarada e desafiadora, tudo isso ao mesmo tempo. Ele me fez querer jogar a precaução ao vento. Cacete, ele me fazia jogar a precaução ao vento. Não tinha certeza se isso me aterrorizava ou me emocionava. Mas fiquei lá, meu peito nu, olhando em seus olhos azuis, enquanto a brisa levemente acariciava minha pele, da mesma forma que um amante faria. Não desviei o olhar enquanto desabotoei a minha calça e a tirei, deixando toda a minha roupa no chão. — Jesus — disse ele. Sua voz estava rouca e olhou para mim, com uma expressão nublada de desejo. — O quê? — Você é gostosa pra caralho — disse. — Elegante. — fui sarcástica, mas, na verdade, as suas palavras bruscas me excitaram. Gostei do jeito que era rude com as palavras. — Vire — disse — Quero ver você toda. Uma brisa agitava as árvores e os meus mamilos endureceram no frescor do ar. Senti como se estivesse sob algum tipo de holofote. Mesmo depois que virei, sentia seus olhos em mim. Não o ouvi se mover, mas senti seu toque, sua palma em meu ombro. Tremi involuntariamente, uma resposta reflexiva. — E? — perguntei. — Gosta do que vê?


Não disse nada. Mas senti suas mãos na minha cintura, e então uma mão em minha coxa, afastando minhas pernas. E então estava ajoelhado aos meus pés atrás de mim, com a cabeça entre as minhas pernas, sua boca em mim. Sua língua se moveu em mim e quase perdi o equilíbrio quando passou a língua por toda a extensão da minha boceta. — Merda — disse, pouco mais que um sussurro. Ele afastou seu rosto de minha boceta e senti a sua respiração quente em mim, me provocando, me insultando com cada palavra. — definitivamente gosto do que vejo por esse ângulo — disse, me sondando com os dedos. — E definitivamente gosto do seu gosto. Meus músculos apertaram ao redor dele, como se tivessem uma mente própria. Meu corpo definitivamente parecia que tinha uma mente própria quando estava perto de Elias. Ou, talvez isso fosse por transar com um cara para esquecer outro. De qualquer forma, não me importei. Não quando Elias fazia o que fazia. Ele me deixava tão desesperada, carente por ele, que faria tudo o que quisesse. Não estava acostumada a me sentir assim, meu corpo dolorido, ansiando por ser preenchido. Ele me levou até ao limite, minha respiração ofegante enquanto me sondava incansavelmente com os dedos. Então parou e se levantou. A sensação palpitante entre as minhas pernas era tudo que pensava. Queria que continuasse a fazer o que fazia. Fiquei na frente dele, os meus dedos vagando sobre o seu peito, em seguida, em seu abdômen e sobre a sua bunda. Sua boca desceu sobre mim, forte e me beijou com avidez, sua língua encontrando a


minha, me sondando. Agarrei-o e passei a mão sobre o comprimento de seu pênis. Quando soltou a minha boca, olhou para mim com expectativa. — Bem? — perguntou. — E você? Gosta daquilo que sente? — Querendo elogios novamente? — o provocava. Ele, com certeza, não precisava que dissesse que o seu pau é enorme como o de um cavalo. Porra, com o que estava entre suas pernas, deveria andar por aí como se fosse dono do mundo. Elias alcançou entre as minhas pernas e passou os dedos para trás, molhados com minha umidade. — Não — disse ele. — Você obviamente gosta do que sente. Fiquei de joelhos, a grama fresca debaixo de mim, meus olhos seguindo toda a sua extensão enquanto o ajudava a sair da calça jeans. Senti seu olhar em mim, quando passei a mão por cima do lado da prótese. Mantive o meu contato visual com ele, de alguma forma, estava ciente que importava que entendesse que não sentia repulsa por qualquer parte dele. Passei as minhas mãos sobre a parte externa das coxas, sentindo seus músculos poderosos flexionarem sob o meu toque e depois abri minha boca para levá-lo. — Merda. — Elias passou as mãos pelo meu cabelo, agarrando na raiz quando eu o cobri com a minha boca. — Sua boca é tão gostosa. Ele que era gostoso, pensei, olhando-o enquanto o tinha em minha boca. Gostei disto, levando-o em minha boca, completamente no controle de seu prazer. Quando agarrou o meu cabelo, me puxando de seu pênis para levantar e olhá-lo, a sua expressão estava nublada com luxúria. — Se


continuar, gozarei — disse — E não quero isso. Ainda não. — Ele me beijou com força na boca e, em seguida, ao longo da minha clavícula e do lado do meu pescoço. Então, me virou para beijar a minha nuca. Senti que inspirou, e a dureza de seu pênis pressionou em minha bunda. Arqueei contra ele quando passou os braços ao meu redor, com as mãos apertando os meus seios. — Por favor — sussurrei. Praticamente implorava. Eu era devassa, carente por ele. Elias me empurrou para frente alguns passos, em direção a uma árvore e ri com a ideia de estar aqui, nua, onde qualquer um poderia encontrar-nos. Nunca ousei fazer qualquer coisa como isto, não como River Andrews. Senti-me ridícula, boba, perigosa... e

com uma sensação de

liberdade. — O quê? — perguntou Elias. Balancei a minha cabeça. — Apenas pensando em nós, aqui fora, nus. Ele deslizou suas mãos sobre meus braços, orientando-os para tocar neste ramo que saia da árvore e tocava no chão. Era pitoresco, este lugar e imaginava que era um desses lugares onde as pessoas vinham para piquenique, quando o leito do rio tinha água. — Isso é engraçado, não é? — perguntou. — Nós, aqui, nus? — mergulhou seus dedos dentro de mim e engasguei. — Não... agora, não é.


Prazer me atravessou e ouvi o som de algo rasgando. Por cima do meu ombro, o vi rasgando o pacote da camisinha com os dentes. Eu nunca estive tão pronta para qualquer um. Quando entrou em mim, foi sem hesitação. Em um impulso rápido, estava dentro de mim. Arqueei minhas costas, pressionando minha bunda nele e suas mãos agarraram meus peitos, me puxando para ele. Apertei as minhas mãos no galho da árvore, a casca áspera cortando as minhas mãos, mas não me importei. Tudo o que podia sentir era ele. — Você é tão apertada — disse e senti uma onda de umidade em resposta a suas palavras. Nunca fui fã de linguagem suja, mas algo sobre como este homem falava me deixava quente e incomodada antes e agora me deixava louca. — Sim — engasguei. — Mais forte. Senti sua boca perto da minha orelha enquanto falava, pontuando cada palavra com outro impulso dentro de mim. — Cuidado com o que deseja, querida — disse. Beliscou meus mamilos e um choque de dor me atingiu. — Oh, meu Deus. — Estava tão perto. — Espere — rosnou, perto do meu ouvido. — Espere até que diga que pode gozar. Podia ouvir-me gemer, de algum lugar fora do meu corpo, mas não havia mais nada a não ser ele e eu. Não queria qualquer outra coisa. Seu toque apagou tudo naquele momento, tornou impossível pensar em qualquer coisa, exceto o que fazia com o meu corpo. Tudo que podia imaginar era ele – suas mãos sobre meus seios, sua


respiração em meu ouvido, seus lábios em meu pescoço e seu pênis, me enchendo. Foi êxtase, puro e simples. — Agora — disse e no instante em que falou a palavra, gozei, gritando quando entrou em mim. O calor de meu orgasmo eclipsou tudo mais. Depois disso, estava ali, completamente imóvel enquanto o pulsar entre as minhas pernas diminuiu e a névoa na minha cabeça diminuía. Movi as minhas mãos e estremeci. Minhas mãos estavam doridas de ter agarrado a casca áspera da árvore. Elias respirava pesado contra o meu pescoço. — Merda — disse. Concordo, pensei. Merda era a única coisa que havia para dizer.


CAPÍTULO DEZOITO Depois disso, me sentei, meus braços ao redor de River, suas as costas pressionadas em meu peito. — Obrigada. — sussurrou. — Pelo quê? — Senti seu peito subir e descer debaixo dos meus braços enquanto respirava lentamente. — Tudo isso — disse ela. — Ninguém nunca fez nada assim para mim antes. — Ninguém nunca transou com você assim? — brincava com ela. — Cale a boca — disse — Você sabe o que quero dizer. Ninguém nunca fez algo assim, o que fez por mim hoje à noite, aqui fora. — Você quer dizer que nenhum desses garotos de Hollywood não fizeram nada parecido por você? — perguntei. — Acho difícil de acreditar. River riu, mas soou amarga. — Você está brincando, certo? Meninos é exatamente o que são. E não, quis dizer o que disse. Não podia evitar, mas estava satisfeito comigo mesmo, por fazer algo por ela, diferente de todos os outros caras que a perseguiram. Especialmente o namorado músico babaca dela. Viper. Que porra de nome.


— Bem, também quis dizer o que disse anteriormente, antes de me distrair — disse, levantando-a. — Pegarei algo para comer. River dobrou os joelhos até o peito e colocou os braços ao redor deles, vendo-me abrir a cesta de piquenique. — Portanto, isso é um encontro adequado agora? — Sempre foi — disse. — Está com frio? — Sim. — Peguei um cobertor extra e joguei para ela, então me juntei a ela em baixo dele assim que deixei de lado a comida que trouxe. — Você teve bastante trabalho — disse. Dei de ombros. — Apenas fui até a loja — disse. — não é como se eu tivesse cozinhado, ou algo assim. — Foi um elogio — disse — Devia aprender a aceitar um às vezes. — Menos conversa e mais comida — disse e peguei um biscoito que untei com um pouco de queijo gourmet ou alguma merda que comprei na loja, a senhora no supermercado disse que era importado ou algo parecido. River riu e deu uma mordida. — Que chique — disse. Ela inclinou-se ao meu lado e, por mais que nunca fui muito dado para as besteiras de abraçar outras meninas, com River decidi que estava tudo bem. Na verdade, pareceu bem legal, da mesma forma que tinha sido com ela ontem à noite. — O que aconteceu na cidade hoje — River começou. — Realmente sinto muito sobre ter sido rude com você — disse. — Oh, não, não falei sobre isso — disse — June me contou sobre seu pai.


— Oh. Isso. — fiquei tenso automaticamente pela menção. — Sim, isso. — Ele morreu — disse. — Não me importo nem um pouco. Ele não era uma boa pessoa. River não disse nada no começo. Apenas balançou a cabeça. — Não sei quem é o meu — disse — Quero dizer, meu pai. — Foda-se a família — disse. — Todo sangue ruim é igual água com bosta de cavalo. — Tem irmãos, então? — perguntou, com a voz suave. — Quatro — disse. — Só tenho uma irmã — disse — Quer dizer, obviamente, minha irmã é a que transou com Viper. Como são os seus irmãos? — Costumávamos ser próximos — disse. — não tanto mais. — Esse era o eufemismo maldito do ano. — Quantos estão vivos? — Mason era o mais velho, morreu quando era criança. River ficou em silêncio e continuei o dilúvio de palavras, sem parar. Não falava muito sobre meus irmãos ou sobre a minha família. Mesmo para os caras da minha unidade. Eles sabiam que ia para casa em West Bend, mas não muito mais do que isso. Dizer a alguém sobre a minha família me fazia sentir um estrangeiro. — Minha mãe se casou com o idiota — limpei minha garganta. — meu pai, quero dizer, quando era adolescente teve Mason, depois disso o resto de nós, eu, Silas, Luke e Killian. Somos em quatro. — Eles estão em West Bend? — Silas está — disse. — Ele trabalha em um grande bar, acho.


— Vocês são próximos? — É complicado. — Parece uma pergunta bastante simples. — Você é insistente, não é? — perguntei. River não parecia incomodada com a minha língua ou minha irritação. Apenas deu de ombros e sorriu. — Já ouvi coisa pior — disse ela. — Costumávamos ser próximos — disse. Não tenho que falar com ela sobre a porra da minha família, me lembrei. Poderia apenas lhe dizer para se foder e cuidar da própria vida. Só que não queria. Não realmente. Por alguma razão, queria contar a River coisas que não falava com outras pessoas. E isso é o que me assustava. — E então o que aconteceu? — Não sei — disse. — A vida, acho. As pessoas mudam. — Você é tão cheio de merda, Elias Saint — disse River. Mas não me pressionou sobre isso. O que me fez gostar ainda mais dela. — June e Cade me contaram o que aconteceu com Mason. — O quê? — me afastei dela, irritado que sondou meu passado. River pôs a mão em meu peito, calma no meio da minha fúria. — Perguntei o que sabiam sobre Elias Saint. Você. Depois do que aconteceu na cidade, com o xerife, queria saber. — Por quê? River se afastou e virou para mim, ainda sob o cobertor. Podia sentir seus joelhos dobrados protetoramente contra o peito. Olhou para baixo. — Queria saber se estava errada sobre você.


— Errada sobre o quê? — Sobre quem é você. — Quem acha que sou? — meu peito estava apertado, como se existisse um laço em meu coração. Porra, não queria ouvir o que pensava sobre mim desde o princípio, o que achava que era. — Achei que era um cara bom — disse — Protetor. Leal. Com princípios. Ri. — Princípios — disse, balançando a cabeça. — Nunca, nunca fui tachado assim antes. River me ignorou. — June me disse como todos na cidade eram com sua família. — Sabe de toda a maldita história, então — disse. — Sei o que June me disse — disse River. — De alguma forma, duvido que essa é a história toda. Dei de ombros. — Não há muito mais do que ela lhe disse, provavelmente. Mason. Não me lembro muito dele, não realmente – Killian e Luke se lembram mais, mas isso é o que contaram. Fugiu de nossa casa, trabalhou como um rancheiro na fazenda do pai de June. Ele e a irmã de June namoravam. De qualquer forma, ele matou os pais de June dirigindo alcoolizado e morreu no acidente. A irmã de June se matou. — Isso aconteceu há muito tempo — disse River, mais como uma pergunta, do que uma declaração. — Nem me lembro dela. Era muito jovem — disse. — Apenas uma conseqüência. Mamãe já ficou marcada desde o início, aparecendo na cidade, grávida e fugindo de sua casa. Pra completar,


juntou-se com meu pai, a porra do bêbado da cidade, um filho da puta e... então o acidente aconteceu depois disso. — Ficaram como parias, então. — Merdas de cidade pequena. — Crescer como um paria... te marca para sempre — disse River. — Faz com que seja mais difícil confiar nas pessoas. Que porra saberia River Andrews sobre viver como um paria? Milhões de fãs, um trabalho que a maioria das pessoas sonham... ela agia como se soubesse alguma coisa sobre este tipo de família? Olhei em seus olhos, na sinceridade gravada em suas feições. Ok, certo. Ela não sabia sobre esse tipo de coisa. Ela era uma atriz. — Merda! Porque falamos sobre isso mesmo? — perguntei, puxando-a para mim. — Que tal menos de conversa e muito mais transa? River mordeu o lábio inferior, mas não conseguia esconder seu sorriso. — Mostre-me o que tem, então.


River Desmoronei nele, minha respiração ainda irregular, mesmo no brilho do pós-sexo, puxei o cobertor mais forte sobre nós, buscando seu calor, mas ainda tremendo. — Você está tremendo — disse Elias. — Porra! Acho que terei de aquecê-la novamente, hein? Ri. Mas a verdade era meu corpo doía por Elias, mesmo depois de tê-lo dentro de mim. Nunca vivi isso com qualquer outro homem – só podia ser algum tipo de coisa primitiva evoluída, do jeito que me detonou. — Talvez de volta para a casa — disse. — Não quer ficar aqui fora? — perguntou Elias. — Você está brincando, certo? — Não — disse. — Pensei que seria romântico, aqui fora sob as estrelas. Houve apenas algumas aparições de ursos nos últimos anos, acho e os coiotes não costumam atacar seres humanos. — Divertidíssimo — disse. — Esquece que não sou exatamente uma completa espertalhona da cidade. — Vamos voltar para a casa. Não posso prometer que manterei minhas mãos longe de você no caminho de volta ou que não passemos por um desvio, no entanto. Suas palavras provocaram uma onda de excitação em mim. — Espero que seja uma promessa — disse. Ele manteve a sua palavra.


Não estávamos a poucos quilômetros na estrada, quando estendeu a mão e a colocou entre minhas pernas. Deixei escapar um suspiro involuntário. — Desabotoe suas calças — disse, com a voz rouca. — Por que? — perguntei, mais um reflexo como resposta, do que qualquer outra coisa. Nenhum homem dava ordens da maneira que Elias fazia. Não sabia se gostava ou odiava. Claro, ninguém me deixava molhada instantaneamente como fazia, também. Isto não era muito quem era, do jeito que estava com ele, praticamente ofegante, implorando por sexo. — Porque... — disse — eu pedi. Foi uma não-resposta e não fazia sentido, por que apenas fiz o que disse. Levantei do assento do carro e abaixei meu jeans em meus quadris, meus polegares enganchados em minha calcinha, antes de sentar minha bunda no assento de couro frio. Meu coração acelerou com a antecipação de me tocar. Mas não foi o que fez. — Quero que se toque — disse. — O quê? — não conseguia acreditar que era tão atrevido, independente de tudo o que ouvi sair de sua boca até o momento. — Você me escutou — disse — Quero que coloque as mãos entre as pernas e se toque. Quero que goze para mim. — Por que apenas não coloca sua mão aqui? — perguntei, mas já estava acariciando meu clitóris, meu dedo se movendo distraidamente enquanto esperava sua resposta. Senti como se estivesse em exibição. Isso é o que ele quer, pensei.


— Porque quero vê-la fazer isso — disse. Queria que ele colocasse os dedos dentro de mim. Queria sentir os calos ásperos nas pontas dos seus dedos enquanto acariciava meu clitóris inchado. Queria perguntar-lhe o que eram aqueles calos. Em vez disso, sussurrei. — Então me diga o que mais quer fazer comigo. Ele ergueu as sobrancelhas e me olhou rapidamente. — Não direi o que quero fazer. Direi o que farei com você em... aproximadamente quinze minutos. — fez uma pausa e fiz círculos ao redor do meu clitóris enquanto esperava que falasse mais. — Ok, então — disse. Meus dedos ainda se movendo. — O que fará comigo? — Colocarei minha boca em seus seios, os sugarei até que seus mamilos fiquem duros como uma rocha. Fez uma pausa e tudo que podia ouvir no carro era o som da minha respiração ficando mais rasa, o ruído brando do carro que viaja na estrada e sua voz ecoando em minha mente. — Continue — disse — Você está molhada? — Sim — sussurrei. Movendo mais rápido os meus dedos. — Quão molhada? — perguntou. Agora, era o único a se contorcer no banco e observei enquanto tentava ajustar a protuberância que era evidente em seus jeans. — Realmente molhada. — era verdade. Estava incrivelmente excitada. Meu corpo apenas reagiu a ele, completamente fora do meu controle.


— Bom — disse — Lamberei de uma ponta à outra, clitóris a fenda. Foderei sua boceta com a minha língua até que implore pelo meu pau. Elias colocou a mão entre as minhas pernas, tocou em minha umidade e gemeu, virando em direção ao acostamento da estrada e, em seguida, rapidamente corrigindo. Estava incrivelmente satisfeita que tinha esse tipo de efeito sobre ele. E também muito satisfeita para o meu próprio bem. Ele tirou a mão e suspirei, mas estava muito longe de ser autoconsciente, sobre como fazer isso na sua frente. Ele falou comigo, disse-me o que planejava fazer comigo quando chegasse onde pretendia me levar e me senti arremessada em direção a um clímax quando me contou como seu pênis estaria quando entrasse em mim. Quando terminei, olhei para ele, com os olhos arregalados. Não podia acreditar que fiz isso na frente dele. Ele riu e balançou a cabeça. — Você não tem ideia do que faz comigo agora — disse. Estava completamente consciente. Elias me olhou e me senti liberada novamente. Então seus olhos voltaram para a estrada. — Não mesmo — disse. — O quê? — perguntei. Subi meu jeans, completamente envergonhada que apenas me permiti ficar totalmente bêbada com luxúria, fazendo o que fiz. — Posso ver em seu rosto — disse — Está envergonhada. — Não estou — protestei, mas minha voz soava fraca. — Você está vermelha — disse — Espero que não esteja envergonhada, porque tenho certeza de que eu não estou. Na verdade,


em cinco minutos, vou te colocar de quatro e apenas mostrar-lhe como não estou envergonhado. Ri de sua franqueza. Não podia me segurar. — Sempre fala assim? — Assim como? — perguntou com tom brincalhão. Mas sorriu quando me olhou, esse sorriso que era algo entre a inocência infantil e a coisa mais perversa que já vi. — Assim — disse. — Falando às meninas o que fará com elas. — Bem, em primeiro lugar — disse — Você não é nenhuma menina. Você é uma mulher crescida. Se nenhum homem jamais lhe disse o que quer fazer com você, então sinto pena de você. Nenhum homem jamais me disse o que queria fazer comigo. Não assim. Não da maneira que me fez querer deixá-lo fazer o que quisesse fazer comigo. — Tudo bem — disse. — Vamos fazer, então. — Fazer o quê? — O que pretende fazer comigo, exatamente. Ele sorriu. — Estaremos lá em dois minutos. Fiquei desapontada quando não foi explícito, do jeito que foi há um minuto. — Uh-huh. Não fique impaciente — disse — Estamos quase chegando. Assim que passarmos pela porta daquela casa, abaixarei seu jeans. Então enterrarei meu pau dentro de você. — Oh — disse.


Estava naquele estado “pós-orgasmo”, onde me senti relaxada e sonolenta, tanto que por um segundo nem percebi que estacionava o carro. — É melhor colocar a bunda novamente em seu jeans — disse, entrando no estacionamento. — Não quero que ninguém mais veja o que é meu. Coloquei minha calça jeans e abotoei. Já estava do lado de fora do carro e abrindo a porta antes que registrasse o que disse. — O que é seu? — perguntei. — O que te faz pensar que minha bunda é sua? Ele me apoiou na lateral do carro, com os olhos cheios de luxúria. — Está dizendo que não é? — moveu seus dedos para o cós da minha calça jeans e respirei fundo, meu coração batendo forte. — Apenas transamos — disse. — Está me reivindicando agora? Ele me virou de costas para a casa de June e Cade, seu corpo protegendo o meu, então abriu o botão da minha calça jeans e colocou a mão entre minhas pernas. Colocou seus dedos dentro de mim, então se inclinou — Acho que quer ser reivindicada — sussurrou. — Estou errado? — me acariciava com os dedos. Ele não estava errado, pensei. Mas não respondi. Não lhe diria que já deixou sua marca em mim. Então me levou para dentro e me reivindicou novamente. Mais tarde naquela noite, deitada em seus braços, quase dormindo, mas não completamente, tive a vaga sensação de estar em paz.


Uma buzina soou pelo ar, acordando-me. — Que porra é essa? — a voz de Elias era ríspida, mas ainda sonolenta quando me puxou contra ele, sua ereção pressionando em minhas costas. Então ouvi o baixo murmúrio de vozes do lado de fora. — Elias — sussurrei. — O quê? — Seus olhos estavam fechados e ele me segurou firme contra ele. — Apenas mais cinco minutos de sono. — Deixe-me ir por um segundo. Preciso ver que barulho é esse. — Enrolada no lençol fui para a janela e olhei para fora. — Maldição. — O que há de errado? — Elias murmurou ainda grogue. Ele virou de bruços e colocou o rosto em seu travesseiro. — Volte para a cama. — Não. Porra. Você não entende — disse, lutando para encontrar as minhas roupas. — Eles estão aqui. — Hum? — perguntou Elias. — Quem está aqui? — Os fotógrafos. Onde está minha blusa? — Olhei ao redor da sala para as roupas espalhadas por toda parte, as embalagens de preservativos no chão. — Porra. Agora Elias estava acordado, tentando alcançar sua prótese ao lado da cama e colocando-a no lugar. Senti-me irritada por não se


apressar, mesmo pensando que não era culpa dele. Irritada com os fotógrafos. Irritada com tudo o que isso significava, fui encontrada. Irritada que isso significava que teria que sair. E comigo mesma por não ter dito tudo a Elias. Não fui honesta com ele. Não lhe disse que precisaria voltar. Elias foi até a janela, nu e olhou para fora. — São apenas fotógrafos — disse ele. — E apenas alguns. Estão na garagem. Não é como se estivessem dentro da casa. — Afaste-se da janela! — disse. Minha voz saiu alto, mais alto do que pretendia. — Eles têm lentes de aumento. Quer ficar nu, em todos os tablóides? Elias virou e sorriu. — Ei — disse ele. — Realmente quer saber a resposta a essa pergunta? — Não estou brincando — disse. — Coloque algumas roupas. — Por que age de maneira tão louca sobre isso? — perguntou. — São apenas alguns fotógrafos. Não é o fim do mundo. — atravessou a sala, passou os braços em volta da minha cintura. — Poderíamos simplesmente voltar para a cama e ignorá-los. Eu o empurrei. — Fácil falar. — Ah, sério? — Elias passou por mim enquanto caminhava para o banheiro. — De repente, se importa com o que a mídia acha? Não parecia dar a mínima antes. — a porta fechou atrás dele. Quando saiu, estava com o rosto impassível, pegando suas roupas. — Se está com vergonha de que alguém descubra que está transando comigo, diga logo. Caso contrário, não vejo qual o problema de ter fotógrafos do lado de fora da casa.


— Este não é um filme ou algo assim — disse, jogando-lhe a camisa. — Esta é a porra da minha vida. Você terá uma foto nos tablóides e será felicitado e cumprimentado por todos os caras na porra da América por transar comigo. As revistas escreverão artigos sobre como vim para o Colorado depois que fugi da porra do meu casamento. Elias abriu a boca para responder, mas um estalo alto ecoou pelo ar.


CAPÍTULO DEZENOVE Elias Era o som inconfundível de uma espingarda sendo disparada. — Merda. — estendi a mão para a minha arma em minha mochila e fui direto para a porta, olhando por cima do meu ombro. — Fique aqui. Não se mova. — Você tem uma arma? — ouvi River dizer, mas ignorei. Desci correndo as escadas, abri a porta da frente. Não tinha ideia de como esses repórteres eram psicóticos, mas merda, quem disparou levaria um tiro. Quando saí, Cade estava parado no prado entre as casas, a espingarda na mão. June estava a alguns passos atrás dele, segurando uma arma em uma mão e um monitor de bebê na outra. Cade caminhou em direção à calçada em passos largos. — Esse foi o único tiro de aviso que darei — disse, apontando para o fotógrafo que foi descarado o suficiente para segurar seu telefone celular para capturar a cena em vídeo. — Grave tudo o que quiser. Compartilhe-o com os seus amigos. Poste na internet. Mas porra, isso é uma propriedade privada e nenhum de vocês é bem-vindo aqui. Então agradeço-lhe gentilmente que saiam da minha terra. Saí atrás dele e Cade sorriu. — Trouxe a sua, hein?


— Merda cara — disse. — Pensei que alguém aqui fora levou um tiro. Cade riu, apontando para os repórteres que voltavam para a estrada principal. — Não — disse. — Só dando a esses bastardos um pouco de medo, é tudo. — Acha que alguns deles borraram as calças? — perguntei. Cade riu. — Espero que sim. — olhou para cima e me virei para ver River nos degraus da frente. — O quê? — perguntou com sua boca aberta. Cade virou. — Temos que voltar para casa — disse. — Antes que Stan acorde. Não acho que incomodarão por algum tempo, pelo menos. Entrei e tranquei a porta. River olhou de mim para a arma. — Veio armado para cá? — Tenho uma licença para isso — disse. Ela balançou a cabeça. — Não sei o que pensar de você. — É o Colorado — disse, tirando o carregador e colocando a arma em uma prateleira na sala de estar. — É comum entre os rancheiros daqui. Todos carregam uma. — Esses repórteres provavelmente o processarão ou algo assim — disse. — Cade é louco? — Disparar um tiro de advertência como esse? — perguntei. — O que têm para processar? Ninguém se machucou. Ele apenas protegeu o que é seu. — E você? — disse River. — Já deu um soco no repórter em Las Vegas.


— Então? — Então, não faz nada civilizado? Debrucei-me contra a parede e levantei minhas sobrancelhas. — Reclamou por Cade perseguir as mesmas pessoas que a apavoraram há apenas dez minutos? — Não, tentando descobrir se é um psicopata total, que ameaça quem se atreve a chegar perto de mim. Andei até ela, puxei-a para mim e a senti inalar bruscamente. — Prometo que farei mais do que apenas ameaçar qualquer um que te magoar. — Não pode fazer isso, Elias — disse, ofegante e com os olhos arregalados. — Por quê? — perguntei. — Porque não é civilizado? — Não é... — A sua voz sumiu. — Bem, tenho notícias para você — disse. — Não sou civilizado. Cade protege o que é seu e farei a mesma coisa. — Acha que sou sua? — perguntou. — Você é minha e se não sabia disso, agora está sabendo — disse, interrompendo-a quando abriu a boca para protestar. — Não diga nada. Sei que não sou seu dono. Não sou um homem das cavernas. Mas ninguém se mete com você. Você é minha e não pedirei desculpas por isso, então lide com isso. River abriu a boca novamente, mas não disse nada. Então a beijei, forçando na boca e senti seu derretimento contra mim. — Agora — disse. — Antes que fossemos tão rudemente interrompidos esta manhã, tive um pequeno sonho sobre você.


— Sobre o que exatamente? — perguntou. Ela passou a língua ao longo da parte superior do lábio, e isso me deixou instantaneamente duro. — Vamos lá em cima e lhe mostrarei — disse.

River deitou na cama ao meu lado. — Não sei por que olha para aquela janela toda furtiva e merda — disse. — Só queria ver se foram embora. — Eu tinha acabado de assumir que não. Ela escorregou na cama ao meu lado. — É frustrante. — Acho que sim — disse. — Mas talvez pare de levar isso tão sério. Virou de lado, apoiou a cabeça na mão. — Isso é sério. — Não — disse. — Não é. Ser baleado é sério. Ser explodido, isso é sério. Perder os primeiros passos do seu bebê porque está fazendo um implante, isso é sério. Fotógrafos seguindo você, porque querem falar sobre sua separação? Não é sério. River exalou, desviando os olhos. — Porra — disse — Sou uma daquelas crianças mimadas de Hollywood, algo que nunca pensei que eu seria. Sou assim, uma idiota total.


— Não — disse. — Você não é uma idiota total. Mais como meio idiota. — Sou muito egoísta — disse. Coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Acontece com as melhores pessoas. Ela ficou quieta, a testa enrugada. — É estranho, tudo isso, sabe? A coisa com a fama toda. Nunca pensei que seria famosa. Simplesmente aconteceu. Foi incrível, naquela época, sabe? Ir de não saber quando seria minha próxima refeição a ter mais dinheiro do que saber com o que gastar. Ela franziu a testa, ficou em silêncio por um minuto. — Mas então, na verdade não muda nada, com a minha mãe e minha irmã, sabe? Como, não mudar quem minha mãe era, o tipo de pessoa que era. A fama apenas me deu mais estabilidade financeira. Não disse nada, apenas esperei River. — As revistas, vendem essa história sobre mim, é a versão do meu conto de fadas, você sabe, de trapos à riqueza, que vende, mas deixa de fora todas as partes de merda, as partes sobre como era crescer em uma cidade caipira? Como ter uma mãe que traz para casa praticamente qualquer pessoa, que não dá à mínima quando os caras imbecis chegam perto de suas filhas. Percebi as implicações do que River dizia, o tipo de inferno que foi criada e senti uma onda de empatia por ela. Só não sabia o que dizer, especialmente depois que basicamente a chamei de mimada. — Então, em algum lugar ao longo da linha, a coisa da fama só ficou fora de controle — disse. — Deixei de ser apenas mais uma atriz


com um monte de dinheiro para ser uma marca, sabe? Foi tudo de repente. Você se torna esta mercadoria, que as pessoas empurram e puxam em diferentes direções, calculando o quanto tudo que você faz vale a pena. Toda decisão que toma é baseada no patrimônio líquido de sua próxima jogada. E todo mundo assiste. — É apenas um trabalho — disse. — Não é quem é. Isso não tem que defini-la. — Será que se sente assim sobre o seu trabalho? Exalei. — Não — admiti. — Ser um UDOE é quem era. Entrei quando tinha dezessete anos. Trabalhei com explosivos até mesmo antes disso. — Por quê? — Meu pai — disse. — Extraiu do lado da montanha atrás da minha casa durante anos, quando éramos crianças. O maldito foi afastado daquela merda pouco a pouco. — Então entrou em desarmar bombas — disse. Balancei a cabeça. — Sabia como fazer. Estava confortável com isso. — Já se arrependeu? — UDOE? — perguntei. — Porra, não. — Mas perdeu sua perna fazendo isso. — E dai? — disse. — Disse a verdade antes. É apenas uma maldita perna. Não é o fim do mundo. A maioria dos caras lá fora, os novatos, descobrirão se algo acontecer. É melhor perder um membro do que morrer, mão é?


— Já desejou fazer algo diferente? Seguir outro caminho — perguntou. — Arrependimento é uma perda de tempo — disse. — Seu caminho é o seu caminho, para o bem ou para o mal. É o que é. Você não sabe o que acontecerá na vida. O que você tem agora é isso. Não posso mudar o passado, não posso prever o futuro. — fiz uma pausa, percebendo como parecia um asno pomposo. — Esses são os meus dois centavos de valor por filosofar. Isso tudo vale a pena, de qualquer maneira. River passou o dedo em meu peito. — Alguém já te disse que é um homem sábio, Elias Saint? Ri. — Nem uma vez — disse. — Lamenta onde está agora? — Aqui, com você? — perguntou. — Não. Em Hollywood? Não sei. — Quando foi a última vez que esteve realmente feliz? — perguntei. — Aqui, agora — respondeu, sem hesitação. — E antes disso? River ficou pensativa. — Não sei — disse — Talvez... quando era criança, várias vezes levava minha irmã até o riacho perto de nossa casa e vagávamos pela beira, pulávamos rochas, procurávamos sapos. Era bom. Ficávamos longe de casa durante horas, principalmente quando não era seguro estar lá. — Quantos anos tinha? — perguntei. — Oh Deus, não sei — disse — Talvez oito. — E essa é a última vez que lembra de se sentir realmente feliz?


Ela encolheu os ombros. — Acho que sim... Isso é meio patético, né? — Sim, basicamente — disse. — Talvez devesse fazer algo sobre isso. — Acha que posso? — perguntou. — Fazer a sua própria felicidade, você quer dizer? Dei de ombros. — Não sei — disse. Essa era a porra da pergunta de um milhão de dólares. — O que faria, se pudesse? — Se pudesse fazer a minha própria felicidade? — perguntei. — Se soubesse, engarrafaria essa merda e venderia. River revirou os olhos. — Quero dizer, o que te faria feliz? O que faria se pudesse fazer alguma coisa? — Não ria — disse. — Ok. — Soldo coisas — disse. — Metal? — Sim — disse. — Comecei na Marinha. É um hobby. Não sei o que poderia fazer com isso, mas se pudesse ser pago para fazê-lo, é o que faria. — O que você solda? — Fiz todos os tipos de merda — disse. — Alguns, enquanto era implantado. Peças de sucata e material, mobiliário, coisas estúpidas, para tornar a vida mais confortável. — Então, poderia fazer móveis, se pudesse fazer qualquer coisa no mundo?


— Sim — disse. — Quer dizer, há essa outra ideia que tenho, mas é estúpida... — Conte-me. De repente, me senti vulnerável, como se estivesse revelando alguma grande parte de mim. — Essas próteses realmente ajudam vidas, sabe — disse. — O que é legal e tudo mais. Mas quero fazer diferente. Acho que poderiam parecer mais como peças de arte ou algo assim. — Como a arte industrial — disse, balançando a cabeça. — Sim. Tenho alguns esboços. — Posso ver? — River sentou. Inclinei a cabeça em direção à minha bolsa. — Há um caderno lá dentro — disse. — Se quiser dar uma olhada. Quer dizer, não é grande coisa. Nem sei se é algo que pode ser feito, de qualquer maneira. Apenas algumas coisas que passaram pela minha cabeça. River tirou o caderno da minha mochila e se juntou a mim, deitando-se contra mim. Ela abriu o caderno, e prendi a respiração, esperando a sua reação. Ela virou as páginas, olhando meus desenhos. Finalmente, me olhou. — Elias, são realmente bons. Esta é uma ideia muito legal — disse. — Na verdade, tenho uma amiga artista, Abby, em Los Angeles. Ela conhece pessoas que fazem o corte a laser, como o tipo de coisas que você desenha. — É apenas algo que pensei, de qualquer maneira — disse. — Um sonho. O que você faria, se não fosse atriz? — Quando era criança, queria ser professora.


— Que tipo? — Ensino Fundamental — disse River. — Gosto de crianças. E me sentiria como se fizesse algo importante. — Como comédia romântica? River suspirou. — Eu sei, é estúpido. — Por que é estúpido? — Porque é ridículo. Tenho esta oportunidade incrível que milhões de pessoas gostariam de ter e sou tão ingrata por querer apenas jogá-la fora para fazer outra coisa. É detestável. — A vida é muito curta para fazer algo que não queira fazer. Uma batida na porta nos interrompeu. Sentei na cama e peguei minha prótese, enquanto River saiu da cama e vestiu uma camiseta e calça de pijama. — Fotógrafos novamente? — perguntei, quando River olhou pela janela. — Um policial — disse, olhando para mim. — Provavelmente por causa do tiro disparado mais cedo. Já estava colocando meu jeans. — Não me olhe — disse. — Isso foi Cade. — Até parece que não faria a mesma coisa — disse River. — Definitivamente faria a mesma coisa — disse. — Mas esse tiro foi Cade quem deu. Lá embaixo, Jed esperou na varanda da frente. No momento em que abri a porta, Cade e June já atravessavam o prado em direção a casa.


— River Andrews — disse Jed. — Não acho que o nome de Beth Winters se adequasse a você. River cruzou os braços sobre o peito, sua mandíbula apertada. — Podemos ajudá-lo, Xerife Easton? — perguntei com minhas palavras mais educadas do que o meu tom. — Bem, agora, não sei — disse Jed. — Recebemos um relatório de uma arma sendo descarregada aqui na propriedade e pensei em me certificar de que ninguém está sendo prejudicado, especialmente porque temos uma celebridade na cidade. Obviamente com um gosto duvidoso em homens. — Você está brincando comigo? — River disse. — Você foi convidado, Jed? — Cade estava atrás dele. — Não me lembro de alguma vez dizer que tem um convite para voltar em minha propriedade. Jed virou para Cade, sua expressão cheia de irritação, seguida por algo que parecia embaraço quando viu a abordagem de June. — Houve relato de um tiro disparado — disse. — Não ouvi nenhum tiro disparado — disse Cade. — Vocês ouviram? Balancei minha cabeça. — Não. — Você tem um mandado, Jed? — Cade parou por um minuto. — Acho que não. Saia da minha propriedade. Você tem dez segundos antes que pegue minha arma. Um sorriso apareceu no rosto de Jed. — Deveria levá-lo por ameaçar um oficial da lei, Cade. — cuspiu no chão ao seu lado. — Mas atribuirei aquele desabafo de sua culpa pela morte de Stan.


Cade cerrou os punhos e se June não tivesse entrado em cena, um de nós bateria em Jed, tenho certeza. Não sabia o que queria dizer quando falou de Stan, mas a maneira como o imbecil olhou para River antes e do jeito que falou merda, imaginei que seria válida a acusação de agressão. — Cade — disse June, com a mão em seu braço. — Não. Não vale a pena. Mas Jed recuava. Aparentemente, o cara tinha um senso de autopreservação. — Meu pai, Jediah Easton Sênior, gostaria de prestar seus respeitos, Srta. Andrews, como o prefeito desta cidade, e recebê-la em West Bend. — Jed estava quase no carro antes de virar. — Acredito que sua visita será curta. Foi até a calçada, parando para dizer algo para os paparazzi que se reuniram no final antes de dirigir na estrada. Eu podia ver alguns deles tirando fotos de nós quatro do lado de fora e fiz sinal Cade e June entrarem. Dentro da casa, June abaixou Stan, que imediatamente andou para River. Abaixou-se para pegá-lo. — Como está, lindo? — Que idiota — disse, cortando minha respiração. — Você não tem ideia — disse June. — O que ele quis dizer sobre Stan? A expressão de Cade escureceu. — Stan era meu pai. Eu responsabilizo Jed por sua morte. — Jesus Cristo! — Ele terá o que merece — disse June, os olhos brilhando de raiva. — Eventualmente. Sabe o que dizem sobre karma.


Stan andou vacilante até Cade e o pegou. — Você não terá mais problemas com os repórteres, pelo menos na propriedade e também com pelo Xerife estar aqui. Por agora, de qualquer maneira.


CAPÍTULO VINTE River — Venha aqui — disse Elias. Pegou minha mão na sua e me levou para a cama, me pegou e me sentou na beirada do colchão. Ele estava tão perto de mim, sua ereção praticamente implorando pela minha atenção. Eu lhe acariciava suavemente e ele gemeu um som quase inaudível, exceto para mim. Encontrou um preservativo e o colocou, enquanto observava, admirando a maneira como fez parecer sexy. Apreciei todos os movimentos desse cara. Nunca me senti assim com ninguém antes. Não era estúpida o suficiente para pensar que era qualquer coisa além de luxúria. Mas, não tive muitas experiências assim e não esperava ter muitas, não com toda a bagagem que carregava. Mas Elias começava a desafiar os pressupostos que fiz sobre muitas coisas. Entrou em mim, uma mão sobre minha bunda e a outra acariciando meu seio, enquanto seus movimentos ficavam mais rápidos. — Porra, você me faz sentir tão bem, River — gemeu. Perdi a noção de tudo, não havia mais nada mais importante do que me foder. Não havia nenhum repórter do lado de fora, não me preocupava com o que faria ou aconteceria depois disso, não tinha nenhum medo sobre quando voltasse para Hollywood.


Ele colocou a mão em meu rosto e passou a ponta do polegar em minha boca e a palma da mão em minha bochecha. Chupava o seu dedo, o tempo todo pensando em ter seu pênis em minha boca. — Merda — disse — A maneira como chupa meu dedo... Ouvi-lo dizer isso me empurrou sobre a borda. Avisei-o, minha voz pouco mais que um gemido. — Vou gozar. — O orgasmo me ultrapassou, não me dando uma chance de esperá-lo e gozei forte, gritando. Ele me seguiu, entrando em mim uma última vez antes de gritar. Depois, Elias se inclinou para mim, a cabeça perto do meu ombro. — Essa foi a primeira rodada — disse — Descanse, porque tenho mais planejado para você.

Elias acariciou minha testa, afastando meu cabelo do meu rosto. — Você me dirá como conseguiu o corte em sua perna? — perguntou, abruptamente. Meu coração disparou. — Isso foi do nada — disse. — Não é de barbear — disse ele. — Notei antes e não disse nada. — Não fiz isso por um longo tempo — disse. — Fez isso por causa do Viper? Ri. — Não —disse. — Só quando me sinto... oprimida, eu acho. — Não gosto disso — disse — A ideia de se machucar.


Ele não disse mais nada, deixando todo o resto não dito. Estava contra seu peito, respirando profundamente, algo sobre a maneira como tornou isso reconfortante para mim. — Você parece tão... certo... sobre isso — disse. Elias acariciou meu braço, passando os dedos levemente pelo comprimento. — Não é possível deixar de estar certo sobre algumas coisas na vida — disse. Sabia que era louco, como me sentia. Mal conhecia Elias, mas começava a me sentir certa quando estava com ele. E não sabia o que pensar sobre isso.

Deitada na cama, peguei um preservativo no criado mudo e o senti atrás de mim, tirando-o de minhas mãos. Ele me puxou para baixo ao lado dele e ouvi o rasgar a embalagem. — Venha aqui — disse, guiando meus quadris em uma posição de conchinha. Ele entrou facilmente em mim e sua palma cobriu meu seio, seu polegar sobre meu mamilo, quando começou a me foder lentamente. Sua respiração estava quente em minha nuca e levou-me ao clímax rapidamente, com uma rapidez surpreendente. — Nunca gostei de estar dentro de qualquer uma tanto quanto gosto de estar em você — disse, enquanto seus movimentos se tornaram mais urgentes.


— Oh, meu Deus. — engasguei com as palavras, apenas consciente de nada, exceto como se sentia dentro de mim. — Porra — disse em meu ouvido, com a voz rouca. — Quero senti-la gozar em meu pau agora. Assim que disse, gozei. Mal tinha consciência de qualquer outra coisa, mesmo seu toque, as mãos sobre meus seios, me puxando com força contra ele quando gozou dentro de mim como uma vingança. Quando o meu orgasmo diminuiu, senti sua boca em meu pescoço, beijando-me. Ele murmurou baixinho perto da minha orelha. — Realmente não me canso de você. Você se encaixa como uma luva. Corei com as suas palavras quentes. Não sabia por que, só que meu corpo ansiava por seu toque, nunca era suficiente. — O sentimento é mútuo — disse. Ficamos na cama da pousada na semana seguinte, com June e Cade, que apareciam várias vezes. Estava contente, feliz por brincar de casinha, fingindo, ou seja lá o que fazíamos. Não tinha certeza do que se tratava, mas apenas que estava feliz. Mas sabia que não poderia durar. E teria que dizê-lo que iria embora partir do momento, que alguém aparecesse, exigindo por mim. Tentei muitas vezes dizer, mas nunca parecia ser o momento certo. Ao invés disso, evitamos a internet, fingimos que não existia o mundo exterior e passamos todo o nosso tempo conversando, rindo e transando. Foi perfeito. Mas esse é o problema com perfeito. Nunca dura.


CAPÍTULO VINTE UM River — O que é isso? — perguntei. Sentei-me no sofá da sala na frente da mesa e o café da manhã, de pernas cruzadas, folheando um livro que peguei emprestado de June. — Ei. Preciso sair por alguns minutos — disse Elias, olhando para o seu telefone celular. Sua voz era calma, constante, mas podia dizer o que seus pensamentos produziam. — Preciso cuidar de algo. — Algo sério? — perguntei. Elias balançou a cabeça. — Provavelmente nada — disse — Realmente não sei. Ele estava mentindo. Percebi, logo que as palavras saíram de sua boca. Sua voz soou tensa quando mentiu para mim. Eu me perguntava o que faria, porque precisava esconder onde iria. — Ok — disse com meu tom cortante. — Ficará fora muito tempo? — Não — disse, quando viu minha expressão. — Não há nada para se preocupar. Juro. Não sairei para ficar com uma garota ou algo assim. Te enviarei uma mensagem e o endereço no caso de haver uma emergência. Explicarei mais tarde. Você tem o novo telefone celular, certo?


Dei de ombros, tentando parecer mais desinteressada do que me sentia. — Ok, Sr. Misterioso — disse. — Fará o que tem para fazer, resgatar um gato em uma árvore ou o que quer que seja. Tenho o telefone celular. E tenho o meu livro aqui, de qualquer maneira. É até que bom ser capaz de relaxar. Elias me beijou na testa. — Vejo você daqui a pouco. Cinco minutos depois que ele saiu, ouviu passos na varanda. Abri a porta antes de June bater. Tanto quanto gostava do meu livro, a perspectiva de sair com June e o pequeno Stan era melhor do que o meu romance. — Onde está o pequeno Stan? — Cade está cuidando dele agora — disse. Sua expressão parecia aflita. — O que está errado? — perguntei. — Você não tem entrado on-line, não é? — segurou seu notebook em sua mão. Gemi. — Não — disse, quando ela me seguiu para dentro. — Estive em um apagão de mídia. Sério, não quero saber o que é. Será que Viper escreveu outra canção terrível novamente? Deixe-me adivinhar. Chama-se Quero ter o seu bebê? Ela balançou a cabeça. — Não é isso. — O que é então? Se for alguma fofoca, não querer saber. Não tenho prestado atenção a qualquer uma dessas porcarias. Até mesmo os repórteres do lado de fora da casa pareciam entediados com a falta de movimento. Depois que Elias e eu decidimos que não daríamos abertura durante toda a semana, eles


desapareceram, um por um. Ouvi que um deles ainda estava na cidade, mas, pelo menos, todos deixaram o gramado da frente, correndo atrás de outra pessoa do momento. — Bem — disse June. — Você verá eventualmente. E provavelmente é melhor vê-lo agora, antes de ser pega de surpresa. Ela entrou em um dos sites de fofocas, a manchete estampada na tela: Viper Gabriel faz pedido à modelo Brenna Andrews em um clube de Hollywood. River Andrews devastada! Olhei o artigo, boquiaberta. — Tenho certeza que não é verdade — disse. Minha voz soou hesitante. Senti-me tonta. — Há um vídeo, River — disse June. — É o pedido. Talvez seja falso. Podem fingir essas coisas, não podem? Quer dizer, obviamente, não completamente verdade, eles não têm acesso à você, então não sabem a sua reação. Parecia que tentava me consolar. Talvez parecesse devastada. Deveria me sentir devastada? Apenas me senti entorpecida. — Quer dizer, acho que se estão felizes — disse, balançando a cabeça. — Por que faria essa canção estúpida pedir desculpas para mim? Eca. Quer dizer, eu sei o porquê. Isso é típico de Viper, querer capitalizar sobre algo assim, o frenesi da mídia é uma merda. — Você está chateada? — perguntou June. Dei de ombros. — Eles se merecem — disse. — Viper pode tê-la, se é isso que querem fazer, é bom para mim. Mas ainda sentia tonturas. Estendi as mãos dormentes para a parte de trás da cadeira e sentei-me, ainda olhando para a tela. — Quer uma xícara de chá? — perguntou June.


Balancei a cabeça. — Seria ótimo. Obrigada. Cliquei em seu laptop, olhando mais algumas páginas que mostravam os detalhes exclusivos da relação entre Viper e Brenna. Diziam que isso acontecia há um ano. Um ano! Não se pode acreditar no que lê nos tablóides, lembrei-me. June colocou uma caneca de chá sobre a mesa. — Você está bem? Balancei a cabeça. — Não dou a mínima para Viper ficar noivo — disse. — Apenas... minha irmã, sabe? Que traidora de merda. Os dois. E minha mãe... ela e minha irmã estavam próximas. Ela sabia. — Elias parece ser um bom rapaz — disse. Apenas meio que escutei, minha mente preocupada com pensamentos sobre a minha mãe. Ela sabia, tinha certeza disso. Depois de toda a merda que me fez passar, essa foi a gota d'água. Deixe minha irmã sustentá-la. — Preciso fazer uma ligação — disse preocupada com o que precisava fazer. June tinha um olhar engraçado em seu rosto, mas não queria pensar no que significava. — Claro — disse — Avise-me se precisar de alguma coisa, ok? Depois que saiu, fiz uma busca rápida e liguei para o meu contador. Cortei a pensão de minha mãe.


A batida na porta me assustou. Acabava de desligar o telefone. Quando olhei pela cortina, suspirei. — Realmente? — abri a porta e minha empresária entrou. — Este pequeno truque não poderia ter sido melhor publicidade para Amor de Cidade Pequena — disse — Quer dizer, a cidade é a porra de perfeição, não é? O filme poderia ter sido gravado aqui. Não tinha visto o homem de terno ao seu lado, segurando uma mala, mas soube imediatamente que era do estúdio. Resmungou alguma coisa em resposta, sua expressão carrancuda, quando olhou ao redor da sala com desgosto óbvio. — Meu ponto é River — disse ela. — Você fez uma saída dramática para o campo, temos que virar a história. Você não fugiu. A posição oficial do estúdio é que viajou para pesquisar o seu papel como uma garota de cidade pequena para o filme. — Durante as filmagens? — perguntei, balançando a cabeça. — É inacreditável. — Sim — disse — É. É incrível que alguém do seu calibre faria algo tão ridículo como isto. Quer dizer, espera-se isso de alguma atriz que não sabe de nada. Mas você é River Andrews. Você está em alta. Você entende as coisas. Você. Não. Pode. Sumir. No. Meio. Da.


Filmagem. — pontuou cada palavra da última frase, como uma metralhadora. — Não irei com você — disse irritada com o fato de que me seguiu até aqui, para me levar de volta à força. Não era completamente irresponsável. Nunca fiz nada parecido antes. Sabia das consequências de fugir durante o meio das filmagens. Sabia que precisava voltar. Só... queria fingir com ele um pouco mais. — River — disse. — Não está iludida o suficiente para pensar que ficará aqui. — observou meu rosto por um momento. — Cristo, realmente? É isso? O cara que com quem está transando, um aleijado? Seu pênis é assim mágico que o seu cérebro de repente vazou? Senti o sangue bombear alto em meus ouvidos. — Ele é um veterano — disse, de repente, irritada. Sabia que precisava voltar, mas ela me lembrava exatamente por que não queria voltar para Hollywood. — Foda-se. Ela riu. — Apenas para refrescar sua memória — disse — Você tem um contrato com o estúdio, que o Sr. Ellis está mais do que feliz em relembrá-la. Como se na sugestão, o homem de terno pegou sua pasta e retirou um monte de papel. — Depois de amanhã — disse — Se não voltar, violará a cláusula e o estúdio não hesitará em impor o nosso contrato. A posição do estúdio é que foi enviada para cá para fazer uma pesquisa mais aprofundada do seu papel. Você não fugiu do filme definido. Cruzei os braços sobre o peito. — Foda-se tudo.


— Infelizmente, River — minha empresária disse — você é a pessoa que será fodida, se não aparecer para a filmagem. Não se esqueça, estou bem ciente que não tem os recursos financeiros para pagar uma enorme ação judicial. Ajeitou o colarinho de sua camisa, seu rosto embriagado em desgosto quando virou para sair. — Espero que ele seja digno de se tornar uma falida novamente. A porta fechou e a casa ficou em silêncio. Minha cabeça girava. Vale a pena arriscar tudo por ele? Ele é apenas uma aventura. Você não sabe nada sobre ele. Isto não vale a pena. É isso? Peguei meu celular e vi a última mensagem de Elias, com o endereço do bar onde aparentemente desapareceu. Eu sabia o que precisava fazer.


CAPÍTULO VINTE E DOIS Elias — Olha, sei que parece loucura — disse Silas. — Sim Silas, parece — disse. — você está drogado ou algo assim? — Silas tinha um histórico de problemas com drogas e sabia que fez a sua parte justa de bebedeira e droga. Era uma das razões que perdeu sua maldita bolsa na faculdade. Pensei que parte dessas coisas ficaram no passado, que estava longe dessas merdas. Mas, merda, nunca o vi paranóico, delirante como uma pessoa louca com teorias da conspiração de merda. — Só estou dizendo, fiquei curioso, é tudo — disse — Simplesmente não faz nenhum sentido, ele explodiria na colina novamente. Essa mina não foi utilizada nos últimos anos. Por que a explodiria? Suspirei. — Quem se importa, Silas? Quem sabe o que o idiota fazia? — estava disposto a dar uma chance a Silas, mas essa besteira sobre a morte do nosso pai de não ter sido um acidente foi a gota d’água. — Você fará alguma coisa ou apenas ficará aí? — O chefe de Silas, Roger, gritou do outro lado da sala.


— O que quer de mim, Roger? — Silas gritou, deixando escapar um suspiro pesado. — Sou um segurança, não um de seus bartenders. — Cristo, dê-me uma folga com a boca — disse Roger, jogando um pedaço de pano. — Apenas faça algo, caralho, enquanto está ao redor. Estou sem pessoal e abriremos em algumas horas. A menos que seu irmão aí seja bom demais para essa merda, fodendo uma estrela de cinema e tudo. Lancei-lhe um olhar e ele virou, rindo. — Sim, sim — disse Roger, pegando um balde. — Cuidarei da minha vida. Preciso buscar gelo. Silas virou-se para mim. — Olha, simplesmente não faz qualquer sentido. Isso é tudo que digo. — O que isso é relevante para a minha vida? — perguntei. — Não dou a mínima de como ele morreu, se foi morto acidentalmente por um patamar de rocha em sua cabeça, porque pensou que seria divertido decolar do lado da colina. Não dou à mínima se morreu porque a porra de um UFO sobrevoava e acertou-lhe no crânio. Fico feliz que esteja morto. — Tenho certeza de que mamãe também — disse Silas. — O que isso significa? — Significa que talvez ela tenha feito algo — disse. Dei de ombros. — Como acertar-lhe cabeça com uma pedra? — perguntei. — Realmente pode vê-la fazer algo assim? Nossa mãe, a mesma que tem dores de cabeça pela menor menção de algo que pode elevar sua pressão arterial. Praticamente tem desmaios, Silas. Mal consegue lidar com a vida. Se acha que ela matou nosso pai, talvez seja o único delirante.


— Ela poderia — disse — por que o velho Easton vai visitá-la? — Não sei, porra! — disse. — Por que nada nesta cidade acontece? O que, acha que o prefeito maldito matou nosso pai agora? Silas balançou a cabeça. — Não. Talvez. Não sei qual é a porra do ponto. Apenas que a forma como supostamente aconteceu não faz qualquer sentido. Não quando olha para a cena. — Sim — disse. — Você é um investigador de cena de crime ou alguma merda agora, hein? — Porra — disse — Sabia que não levaria isso a sério. — Não, não levarei a sério sobre ele ser assassinado. Alguém poderia ter batido seu crânio com uma pedra. Merda, espero que tenha sido nossa mãe que finalmente acordou e o espancou até a morte. Pelo menos uma vez teria um pouco de respeito por ela. Isso nos mostraria que ela tem um pouco de força de caráter lá dentro. Mas ele está morto. É tudo o que importa. — Mas não quer saber por que alguém estaria interessado em que estivesse fora de cena? — os olhos azuis de Silas estavam arregalados. Eu o vi delirante sobre sua maldita teoria, meio pensando que poderia realmente estar drogado ou algo assim. — Porra Silas, não falarei mais sobre isso — disse. — Preciso mijar. — Vou sair para fumar — disse Silas. — Pensei que ia parar com essa merda — disse, por cima do meu ombro. — Ei, me dê um desses! — O chefe de Silas gritou do outro lado da sala, enquanto caminhava saía com ele.


Foda-se Silas e suas teorias malucas. Por que alguém assassinaria o meu pai? Claro, muita gente odiava o idiota. Não conseguia pensar em uma única pessoa que não fosse a minha mãe lunática e seus amigos bêbados no bar que gostavam dele. Mas as pessoas que o odiavam chamariam a policia. Ele sempre escondia alguma coisa implícita, havia sempre algo para encobrir. Meu pai não tinha nada que valesse a pena matá-lo. Por outro lado, qual é a da minha mãe e do prefeito... Ela foi cautelosa quando perguntei sobre isso.

River Minha cabeça girava. Teria que ser franca com Elias sobre o filme. Precisava dizer-lhe. Ele entenderia. Estava contratualmente obrigada. Teria que voltar para Hollywood. Não seria tanto tempo. Era a única coisa razoável, disse a mim mesma enquanto dirigia para o endereço que me deu. Precisava fazer o que era prático.


O que realmente sei sobre mim e Elias, de qualquer maneira? Sabia como me senti quando me tocou, quando me segurou. Mas isso não dizia nada sobre nós, certo? Isso não era o suficiente para tomar uma decisão sobre alguém, não é? Conhecer uma pessoa em duas semanas não conta para nada. Não quer dizer que isso era algo. Poderia facilmente ser nada. Uma aventura. A parte razoável de mim dizia que era uma aventura. Por definição, que era um ressalto. Não tome decisões que alterem a vida no meio de uma situação estressante, meu terapeuta me aconselhou. Escolher alguém e decidir que era um relacionamento quando fugia de seu casamento... era provavelmente uma daquelas coisas que não deveria fazer. Não era saudável. O que Elias e eu tínhamos... não era real, então. A única coisa inteligente a fazer seria voltar para Hollywood, sozinha e terminar o meu filme. Por outro lado... Elias poderia vir comigo. Poderia pedir-lhe para vir. Poderia dizer-lhe como me sentia em estar com ele aqui. Poderia dizer-lhe que queria mais. Poderia correr o risco, dizer-lhe como era louca, que nunca me senti assim com ninguém antes, que o pensamento de sair daqui sem ele era apenas... desolador. Quando vi o seu Mustang no estacionamento do bar, meu coração acelerou. Eu me preparei, respirando fundo.


Finalmente falaria. Ele poderia rir completamente de mim, dizer que era louca. Ajeitei meu cabelo, me perguntando por que não fiz um corte de cabelo adequado enquanto estava aqui, ao invés dessa porcaria. Minhas mãos tremiam. Caminhei pela calçada em direção à entrada e quase virei...até que vi Elias conversando com um cara na esquina. Eles estavam... fumando. Elias não fumava. Ou não me disse que ele fumava. Parei meio movimento em um aceno e soltei minha mão. Eles riam e brincavam, não tinham me visto e estava de pé, fora da vista, mas ao alcance da voz, paralisada quando ouvi meu nome e estrela de cinema. O cara que estava com ele perguntava sobre mim. — Apenas uma maldita aventura — ouvi Elias dizer. — Uma garota como essa, está brincando? Merda, tem uma data de validade escrito sobre tudo isso. O outro cara riu. — Sim cara — disse, balançando a cabeça. — De maneira nenhuma. Podia sentir o sangue ferver do meu rosto, minhas mãos de repente ficaram frias. Recuei alguns passos, em seguida, virei e corri novamente para o carro, afastando-me o mais rápido que pude, antes de sentir lágrimas nos meus olhos. Apenas uma maldita aventura. Data de validade escrita tudo sobre isso.


Voltei para a pousada, sobre o limite de velocidade, voando ao redor das curvas da estrada, apenas tentando ficar o mais longe de lá o mais rápido possível. Tentando ficar longe dele. Limpei as lágrimas do meu rosto. O que havia de errado comigo? Primeiro Viper e agora Elias? Tinha que haver alguma coisa sobre mim, algo fundamentalmente fodido. Achou que havia algo em você que não fosse um rolo rápido no feno? Achou que fosse algo especial? Podia ouvir as palavras na minha cabeça. Você sempre será River Gilstead, não importa o quão longe vá. Sempre será minha filha. Lixo, abrindo as pernas para qualquer um que possa tê-la. Não, não, não. Precisava dar o fora daqui. De volta para a pousada, liguei para meu gerente de viagens e reservei o próximo vôo de volta para Los Angeles. — Não — disse. — Não por West Bend. Por Denver ou algo assim. Sei que são quatro horas de distância. Vou dirigir. Só quero dar o fora dessa cidade. Ao mesmo tempo, coloquei as poucas coisas que queria manter a minha bolsa, deixando a June um monte de coisas que comprei aqui. Não levaria nada comigo, exceto o que estava na minha bolsa. Não queria qualquer lembrança deste lugar. Ou de Elias.


Deixei

um

bilhete

para

June,

agradecendo-lhe

a

sua

hospitalidade. Caneta na mão, pairava sobre o pedaço de papel, tentando descobrir o que queria dizer a Elias. Esse era o problema, não havia muita coisa que queria dizer. Foda-se, pensei. Eu diria o que queria dizer. Fechei a porta, fechando este capítulo da minha vida. Este foi apenas um pontinho, pensei. No grande esquema das coisas, não significava nada.

Elias — Do que os dois idiotas estão rindo? — perguntei, afastando a fumaça no ar que flutuava entre ele e Roger. — Você — disse Silas. — O que quer dizer, porra? Silas balançou a cabeça. — Você e uma garota como River Andrews — disse — Não é possível acreditar nessa merda. Você a deixou na casa de June? Por que não a trouxe aqui? — Foda-se, homem — disse. — E sim, ela está com June.


— É melhor voltar para ela, então — disse Silas. — Antes que caia em si e perceba que perdeu tempo com você. Com uma garota como ela é apenas uma questão de tempo antes que perceba que não quer um caso com um dos irmãos Saint. — Fale por você — disse. — Eu sou o bonito. — Somos gêmeos, imbecil. — Não quer dizer que não seja o mais bonito de nós dois. — Virei para sair. Ele tinha um ponto sobre River, no entanto. No que ela pensava? Teremos que resolver o que ficou em aberto, o que será de nós ou algo assim. Alguém como ela não ficaria em West Bend indefinidamente. Tratei disto como se estivesse em algum lugar, passando tempo e conversando com ela como se fosse minha namorada ou algo assim. Porra, queria que ela ficasse indefinidamente.


Capítulo Vinte e Três Elias — River — chamei. Seu carro não estava na calçada e o lugar estava vazio. Peguei meu celular e liguei, mas só tocou. Provavelmente foi até a cidade para algo, pensei. Talvez pegar algo para o jantar ou alguma merda. Isso é o que pensei até que andei até o quarto e olhei para as roupas empilhadas ordenadamente em cima da mesa, com um bilhete para June. Todas as minhas coisas estavam intocadas, atiradas a esmo ao redor do quarto onde foram descartadas quando nos despimos, muito consumidos pelo desejo para nos preocuparmos sobre tudo que estava sendo limpo. Fiquei parado em descrença. Ela não tinha ido embora. Ela não fez. Ela não teria. Sequer deixou a porra de um bilhete. Apenas um para June. Então vi o pedaço de papel em cima da cama, dobrado ao meio, o meu nome escrito em um lado. Abri-o, sentindo-se entorpecido. Elias, Foi divertido enquanto durou, mas uma aventura é apenas uma aventura, certo? Tudo tem uma data de validade. Cuide-se. Beijos, River


Amassei o bilhete, apertando-o em meu punho e atirei-o pelo quarto. Que porra é essa? Uma aventura é apenas uma aventura? Tudo tem uma data de validade? Era como se o bilhete fosse escrito por outra pessoa. — Porra! — gritei no quarto vazio. — Merda, foda-se, filha da puta maldita. — Olá? — ouvi a voz de June no piso térreo. — Elias, é você? Desci as escadas, tão chateado que mal podia ver direito. June ficou na entrada da casa, com a mão enrolada ao redor do pequeno Stan. — Ei, Elias — disse ela. — River está aqui? Queria ver se ela não se importaria de me fazer um favor. Deixei escapar minha respiração. — Não, acho que ela lhe disse também — disse com minha voz amarga. — Dizer o que? — Ela por... — parei, consciente do pequeno Stan ao lado de June. — Ela se foi. — O que quer dizer, foi? — Foi, foi — disse. — Arrumou suas coisas e saiu daqui. — Ah, merda — disse June, com a mão sobre sua boca. — Oh, não. É minha culpa. — O que você quer dizer? — Mama — disse Stan, gesticulando em direção a boca dele. — Aqui, querido. — June entregou-lhe um copo com canudinho.


— Oh Deus — disse ela. — Não deveria ter lhe mostrado o artigo on-line. — Que artigo? — Está em todos os jornais — disse. — Pensei que ela iria querer saber, não estava surpresa por ele. — Que artigo, June? — Seu noivo. Ex-noivo, quero dizer. Ele está noivo de sua irmã. Eu me sinto doente. — Não entendo — disse. — Ela não se importa com o que aconteceu com Viper. Ou pensei que não se importava. Por que ela simplesmente levantou e saiu? June abanou a cabeça, a testa amassado. — Não faz sentido — disse. — Ela estava chateada, apesar de tudo. Ela me mandou embora, disse que precisava fazer uma ligação. Oh, meu Deus, provavelmente queria reservar um vôo ou alguma coisa, certo? — Eu… acho. — ainda me recuperava. A River que conhecia não iria embora, sair disso tudo como se fosse nada. Será que realmente a conhecia? Não foi nada. Uma aventura. Com uma atriz famosa. Alguém famoso. Não havia nenhuma maneira que River Andrews estar apaixonada por você. Um antigo UDOE cara. Um show de horrores do caralho. Sim, River Andrews e um amputado. Esqueça sobre ela. — Ela deixou um bilhete? — perguntou June.


— Não um que importa — disse. June ficou em silêncio. — Que favor que você precisa? — perguntei. Ela balançou a cabeça. — É Cade — disse ela. — Ele tem que sair por um tempo. Queria ver se River me ajudaria com Stan enquanto vou a consulta amanhã do meu médico. — Está tudo bem? — perguntei mentalmente preocupado com River, até que vi as lágrimas acumularem nos olhos de June. Ela não parece ser de tipo a ser uma chorona. — Tem a ver com o seu clube — disse. — Seu clube? — Ele costumava ser um membro de um clube de moto em Los Angeles — disse ela. — Alguém – um de seus irmãos – Crunch. Ele... teve um tempo difícil. — Sua voz falhou. — Ele... algumas coisas ruins aconteceram, Crunch está em apuros agora e Cade faria qualquer coisa por ele. Cade vai para Los Angeles esta noite... — fez uma pausa, piscando. — Sinto muito. Não sou uma espécie de menininha derretida. A gravidez, está me deixando emotiva. Vai dar tudo certo. — Cade parece ser o tipo de cara que pode cuidar de si mesmo — disse. — Ele pode — disse. — Mas a última vez que se envolveu em negócios do clube, quase o destruiu. — Bem, não sei sobre clubes de motociclistas — disse — Mas sei um pouco sobre a fraternidade. E lealdade. — Você está perto de seus irmãos — disse June.


Eu ri o som amargo. — Falava sobre minha unidade — disse. — UDOE, Eliminação — Sei o que é — disse. — Eliminação de Explosivo. Você estava na Marinha. — Sim. — Estava também, uma vez — disse. — Cade esteve nos Fuzileiros. — fez uma pausa. — Engraçado como as pessoas que não são nem mesmo seu sangue tornam-se família, hein? E como as pessoas que deveriam ser o mais próximo do mundo para você, eram os mais distantes, pensei. — Você irá atrás dela? — perguntou June. Levei um minuto para para registrar que falava de River. — Por que deveria? — perguntei. — Ela deixou claro o que pensava de mim em seu bilhete. — Pensei que disse que o bilhete não era nada importante — disse June. — Nada que importa — disse. — Disse o que pensava. Disse que havia uma data de validade para nós. June ficou pensativa. — Hum — disse — Ela parecia tão sincera. — Acho que é uma ótima atriz — disse.


River — Champanhe? — A aeromoça parou na minha cadeira. — Por favor — resmunguei com a voz rouca. Quando voltou, peguei o copo, com a mão trêmula e bebi em um só gole. A aeromoça fez uma pausa. — Outro? — perguntou e assenti. — Srta. Andrews? — Sim? — sussurrei. Olhei-a de debaixo dos meus óculos de sol. Sabia que parecia pretensioso, mas estava além de me importar agora. Minha cabeça latejava. — Avise-me se há alguma coisa que precisa — disse — Minha filha é sua maior fã. Ela ficará feliz em saber que estava no meu vôo. Forcei um sorriso. — Será que ela gostaria de um autógrafo? A aeromoça sorriu. — Seria maravilhoso — disse. — Vou pegar uma caneta. Flutuava através do resto do vôo, pensando em Elias. Senti como se alguém me deu um soco no estômago, enjoada com a ideia de voltar para minha antiga vida. Era cruel a forma como a vida era, às vezes, mostrando como as coisas poderiam ser, dando-nos um vislumbre momentâneo de felicidade... e, em seguida, afastando-as, uma vez que provou. Não sei como voltaria para minha antiga vida. Não sabia por que queria voltar.


Parte III “Atreva-se a viver a vida que você sonhou para si mesmo. Vá em frente e faça seus sonhos se tornarem realidade.”

Ralph Waldo Emerson


Capítulo Vinte e Quatro Elias — Você ficou se lastimando aqui pelas últimas duas semanas — disse Silas. — Aparecendo no bar. Porra, você nem bebe nada, apenas assusta as pessoas com essa depressão filha da puta. — Foda-se — disse. — Você é um merda de um segurança. Assustar as pessoas é uma boa coisa. — Vai me contar o que ela disse? — perguntou. — Está tão misterioso sobre isso. Não me contou nada. Preciso procurar em um desses sites de fofocas onde contou a sua história. — Não há nada a dizer — disse. — Aconteceu como disse que aconteceria. — Bem, então foda-se essa cadela — disse Silas. — Quer dizer, não gostaria de olhar para a sua cara feia, mas foda-se mesmo assim. — Porra, não quero mais falar sobre isso — disse. — Você visitou sua mãe ultimamente? Tem mais teorias da conspiração sobre o que acontece nesta cidade? — Ainda não acredito que essa merda foi um acidente — disse Silas. — Mas deixarei isso pra lá. Se a mãe bateu com uma pedra na cabeça do idiota, bom pra ela. Ele mereceu. — Fico feliz em ouvir que está finalmente sendo razoável — disse. — Agora, se apenas tente convencer a mãe a ser razoável também.


— Sobre o que? — Não sei — disse. — Ela tem algum tipo de oferta sobre a terra. Ela não me mostrará a papelada. Disse-lhe que precisava mostrá-la a um advogado, ver se é um negócio justo. — Isto é sobre o que falo — disse Silas. — Ele morre e ela recebe uma oferta sobre a propriedade? Suspirei. — Isso não está relacionados, seu idiota — disse. — Esse empresário quer comprar lotes de propriedade por aqui, para uma empresa de mineração ou alguma merda parecida. Você não viu os anúncios que colocaram na mídia? — Porra, não. — Quer ir ver a mãe neste fim de semana? — perguntei. — Ver se talvez dê algum sentido para ela, fazê-la pelo menos considerar o que oferecem pela propriedade. Estou preocupado que perderá a oportunidade e se enterrará em um buraco para recomeçar e então, não terá mais nada. Tenho certeza que não tem nada. Uma expressão estranha atravessou o rosto de Silas. — Nesse fim de semana não será possível — disse. — O que, tem alguma merda melhor pra fazer? — perguntei. — Não adianta me enrolar, já perguntei a Roger e ele disse que não está de segurança neste fim de semana. — Simplesmente não posso — disse Silas. — Cuide da sua maldita vida, tudo bem? — Tudo bem — disse, levantando-me para sair. — Mas veja se você pode dar algum sentido pra ela também. Irei vê-la essa tarde. Você é seu favorito. Sou o mau policial. Você joga de bom policial.


— Falarei quando voltar — disse Silas. —Bom. Não sabia o que acontecia com o Silas, mas o que quer que fosse, não poderia ser bom. Estava com olheiras e parecia que não dormiu uma semana. É melhor que não sejam as suas teorias da conspiração que o mantêm acordado, pensei. Claro, duvidava que parecesse muito melhor. Olhar para ele era como olhar no espelho. Ao invés de dormir, fiquei de olho em River como uma espécie de perseguidor de celebridade. No começo, tentei ignorar tudo o que aconteceu entre nós, fingir que nunca aconteceu. Mas então fui para minha nova casa, o lugar que aluguei e toda a porra do silêncio me pegou. Deveria ter ficado com a minha mãe, mas pensar em voltar a esse inferno era muito deprimente, então aluguei um lugar. E então, com muito tempo em minhas mãos, não parava de pensar em River, pensando no que fazia agora, o que usava, como cheirava... o seu gosto quando coloquei minha boca entre suas pernas. Não conseguia tirá-la de minha mente. Ela tinha a sua residência lá e não ia embora. Ela estava em um set de filmagem, alguma comédia romântica sobre uma garota de cidade pequena e um cara famoso. Irônico isso. Amor de Cidade Pequena era o nome dele. Seu estúdio de cinema emitiu uma declaração, que estava aqui em West Bend fazendo pesquisa para seu filme.


Gostaria de saber se isso foi realmente o que aconteceu, entre ela e eu. Pesquisa. Os sites de fofocas disseram que conseguiu um lugar novo, cortou sua mãe financeiramente. Estava chateado com ela por ter partido como fez, mas não podia evitar de me sentir secretamente orgulhoso por ter removido a sua tóxica mãe da sua vida. E depois havia a especulação sobre a co-estrela, recémdivorciado, aparentemente, um dos solteiros mais cobiçados de Hollywood. Foram fotografados fora do set, ela com a mão em seu braço. Se algum dia conhecesse o cara pessoalmente, o estrangularia. Ela não emitiu uma declaração sobre qualquer coisa. Queria saber o que diria.

River Brandon pegou minha mão, cobrindo-a com as suas. — Por que não vem esta noite? — disse — Você pode chorar no meu ombro. Puxei minha mão como se tivesse sido eletrocutada. — Realmente não procuro por algo mais do que amizade — disse. Brandon, parecia bom o suficiente no início, todo simpático depois de ter voltado de West Bend e chateada por ter que estar no set. Sem


ofensa, ele disse sorrindo, quando lhe contei que simplesmente não estava bem por estar aqui. Ele havia se divorciado recentemente e disse que entendia o sentimento. Sentada em seu trailer, agora, porém, definitivamente notei uma vibe estranha vinda dele. Lamentava-me de ir a seu trailer repassar o texto e falar com ele sobre Elias. Brandon riu. — Não sugeri que fôssemos mais do que amigos — disse — Mas amigos podem transar, não podem? — Obrigada, mas não — disse, virando-me para sair. — Estou bem com minhas falas, na verdade. Podemos ler no set. Ele sorriu. — O que, agora só tem tesão com caras com uma perna? — disse, segurando meu pulso. Tentei me soltar, mas ele apertou com força. — Solte o meu pulso. — Vamos River — disse — Não seja uma vadia. Viper estava certo. Ele disse que era frígida. — Não fale merda sobre mim. — lhe dei um tapa no rosto com a mão livre e vi sua expressão mudar para raiva. Ele me empurrou contra a parede e a única coisa que podia ouvir era o bombeamento de sangue em meus ouvidos, minha respiração curta. — Foda-se, Brandon. — gritei — Saia de perto de mim. Brandon passou a mão sobre meu peito e tentei afastá-lo, mas prendeu meus braços acima da minha cabeça. — Talvez o problema seja que precisa de um homem de verdade para aquecê-la — disse, alcançando entre as minhas pernas.


Lutei, tentando tirar a sua mão com a minha perna, mas ele colocou os dedos em minha calcinha. — Definitivamente frígida — disse — Mas posso deixá-la molhada. Lágrimas rolaram de meus olhos e gritei, mas ele cobriu minha boca com a dele, forçando sua língua na minha. — Você gosta um pouco rude também — sussurrou. — Isso é o que Viper disse. Houve uma batida na porta e ela se abriu. — Roger disse que River estava aqui lendo o texto com — parou recuando. — Oh, desculpe interromper! Gritei, desta vez o mais alto que pude e Brandon parecia atordoado por um momento, afastando-se de mim. Alguém que não conhecia, ficou ali, olhando, imóvel. Mas sua presença era suficiente. Dei um chute nas bolas de Brandon tão forte quanto podia. Então peguei a coisa mais próxima a mim, um vaso de flores sobre uma mesa e atirei em sua cabeça. — Sua puta — gritou e se inclinou quando se lançou para mim, ainda segurando suas bolas. A pessoa estava parada com os olhos arregalados, mas pegou minha mão e me puxou para fora do trailer. — Ele me agrediu. — Minhas palavras vieram em suspiros, minha respiração curta. Não conseguir respirar. Segurei o seu braço, sentindo-me tonta. — Não quero estar aqui — disse, antes de desabar na calçada.


Capítulo Vinte e Cinco Elias Trabalhava com uma peça na garagem, coloquei a música tão alto que mal podia pensar. Essa era uma das vantagens deste lugar que aluguei. Tinha uma garagem onde podia trabalhar e passei todo momento, desde que River me deixou, transformando este lugar em uma oficina. Ocupei a minha mente. O problema era que, mesmo com o trabalho, era muito tranqüilo. Apenas eu e meus pensamentos. Tinha muito tempo. E não era bom. Eu e os meus pensamentos... Sozinho... Não era uma boa combinação. Pelo menos não pensava sobre o Afeganistão. River substitui esses sonhos que estavam em minha mente, ocupando o meu cérebro, sua imagem se repetindo. Não tinha certeza se era uma coisa boa. Estava tão distraído pensando nela que não ouvi o carro parar ou percebi quando Silas abriu a porta. Não até que gritou, que levei um susto. — Merda, Silas!


Desliguei a música e apaguei a tocha de acetileno trabalhava, tirei meus óculos de solda. — Que porra é essa, cara? — disse. — Você é um fantasma ou algo assim? Por que não telefonou antes? — Elias — disse. Seu rosto estava pálido. — É a mãe. — A vi ontem — disse. — O que está errado? — Telefonei sem parar pela última hora — disse. — Você precisa entrar no carro. — O que aconteceu? — Rápido — disse, com a voz entrecortada. — Sim, deixe-me colocar algo limpo — disse. Balançou a cabeça. — Apenas entre no carro, Elias. — O que está acontecendo, Silas? — Mamãe está no hospital — disse — Fui vê-la, encontrei-a no quarto. Ela tentou se matar. — Não — disse, seguindo-o para o carro. — Vamos lá — disse. — Ela está no hospital. Liguei para Luke. Eles mandaram uma mensagem da Cruz Vermelha para Killian. — Ela estava bem ontem. — não conseguia raciocinar O rosto de Silas parecia sombrio.


River — Não terminarei o resto do filme com aquele idiota. — me ouvi gritar, as palavras parecendo um guincho. — Não me importo sobre a merda do meu contrato. Prestarei queixa de assedio. Não há nenhuma maneira que o estúdio obrigar-me terminar o filme com ele no set. — Ninguém os forçará a trabalharem juntos. — um dos funcionários da equipe que o estúdio enviou para me apaziguar, falou. — Seus sentimentos são justificados. Todos queremos colocar um ponto final nisso. — Mas o que? — perguntei. — Há sempre um ‘mas’. — Não confiava no estúdio, qualquer que fosse a besteira que tentariam vender-me. — A última coisa que o estúdio quer é publicidade negativa para o filme — disse — E não acho que queira, neste momento, toda a atenção da mídia focada no que aconteceu com você recentemente. — Isso é uma ameaça? — perguntei. — Soa como uma ameaça. — Esse mesmo sentimento familiar de pânico voltou. Ele acenou com desdém. — Claro que não, River — disse, sua voz suave, paternalista. — Mas o filme está quase completo. Suas cenas estão essencialmente terminadas. As cenas que faltam para concluírem são menores e podem ser feitas com uma atriz substituta. É possível que o filme seja concluído, mesmo que não esteja no set. — Você quer dizer que poderia ser feito. — disse. — Terminado — disse.


— Qual é o ‘mas’ ? — perguntei. — Nenhum ‘mas’ — disse — Você está livre e liberada. Está feito. Há um bônus adicional para a conclusão mais cedo. — Suborno? — disse. Ele fez um som de desdém pra mim. — Essa não é uma boa forma de ver isso — disse — É simplesmente um bônus por ser tão flexível e disposta a completar o filme antes do previsto... E por sua compreensão da importância de não chamar a atenção negativa para o filme. Era suborno. Minha cabeça girava. E estava terminado. Estava livre e liberada. Poderia ir para outro lugar. Fazer outra coisa. Tirar férias. Viajar pelo mundo. Seja qual for a merda que queria. O problema era que a pessoa que realmente queria ver não queria me ver. — Onde assino? — perguntei.


Capítulo Vinte e Seis Elias — Eles nos dirão alguma coisa? Silas balançou a cabeça. — Eles não dizem nada. É por isso que vim buscá-lo. Ele deixou o resto não dito. O que realmente quis dizer é que ele foi e me pegou no caso dela morrer. — Não entendo — disse. — Ela estava bem ontem quando conversamos. — Sobre o que conversaram? — O rosto de Silas estava branco. — Nada — disse. — Juro por Deus, nada. Sequer a pressionei sobre a venda da propriedade. Nada estressante. — Você deve ter dito alguma coisa — disse Silas. — Está dizendo que é minha culpa? Que eu causei isso? Silas balançou a cabeça. — Desculpe. Não. Não disse. É só que... não é algo que ela faria. Não faz qualquer sentido. — Conversamos sobre os programas que assistia — disse. — Assim como o tempo antes disso. Os romances que leu. Sua amiga Rhonda. Fofoca. Não sei. Foi tudo. Nada fora do comum. Sabe como ela é. — Ela não estava deprimida? — Não — disse, virando a cabeça para qualquer sinal de que algo estivesse diferente. Mais do que o habitual. — Quer dizer, ela disse


que papai a amava, não como da última vez, quando a vi antes – ela parecia... melancólica, como se relembrasse. — Jesus Cristo — disse Silas. — Não acha que ela se matou por causa da morte do idiota não é? — Não — disse, mas não estava tão certo. — Não sei. Essa era a verdade. Eu não sabia de mais nada.

River — Hoje temos uma entrevista exclusiva com Donna Gilstead, mãe de River Andrews, que nos falará sobre seu próximo livro, Vivendo com River. — a jornalista deu um sorriso brilhante para a câmera, em seguida, virou em direção ao seu co-anfitrião, igualmente perfeito. — Promete ser uma entrevista muito interessante, não é mesmo, Dave? — Promete, Samantha — disse — Particularmente desde que River Andrews deixou de falar para ficar em silêncio desde sua separação de Viper Gabriel. — Fique atento — disse Samantha. — Donna Gilstead é a próxima na Entertainment News Lately.


— Porra. — desliguei o controle remoto em meu novo apartamento, que aluguei quando voltei para cá, um sem vínculos com o meu passado, sem Viper e, de repente, estava em silêncio. Tudo estava muito tranquilo. De todas as coisas que minha mãe podia fazer, esta era uma das piores. Um livro? Não a subestimei muito, mas lucrar com minha infelicidade era demais. Sentei-me ali, no vazio do meu novo lugar, com os pensamentos revoltos. E minha mente foi para o corte. Pensei no frio da lâmina de aço em minha pele, a onda de alívio que traria. Sentei lá, paralisada, meus braços apoiados na poltrona, paralisados pela indecisão, ponderando sobre as possibilidades em minha mente. Mas não me cortei. Em vez disso, liguei para minha empresária. — É River — disse. — Quero que marque uma entrevista com Deborah Ames. Estou pronta para ir a público.


Capítulo Vinte e Sete Elias — O que aconteceu? — Killian explodiu na área de espera como se possuísse o maldito lugar. Estava com barba por fazer, botas sujas de graxa e poeira, jeans rasgado, usando uma jaqueta de couro e ainda segurando seu capacete. Duas das outras pessoas a espera foram para o outro lado da sala e Killian lançou-lhes um olhar duro. Então, se levantaram e saíram. Se as circunstâncias fossem diferentes, isso teria sido engraçado. Inferno, ele estava vestido engraçado. Killian não era exatamente um cara pequeno – era um jagunço e intimidante pra caralho para a maioria das pessoas. Claro, nós quatro juntos provavelmente éramos bastante intimidantes. — Fico feliz que esteja aqui cara — disse Silas, cumprimentando Killian. — Não gosto disso, mas ainda assim, é bom te ver. — Você também, cabeça de merda — disse — Acabou de pegar um vôo para cá? — perguntou a Luke. Luke assentiu, com sua mandíbula apertada. Luke tinha uma paz interior, não deixava muito da merda dominá-lo, era viciado em adrenalina, mas quando não pulava de aviões ou embarcava para o lado de uma montanha, era bastante calmo. No entanto, sempre sabíamos quando estava chateado. Ele apertou a mandíbula e rangeu


os dentes. Quando éramos crianças, rachou um deles, rangendo muito à noite. Nosso pai descobriu e disse que estava quebraria os seus dentes para que não precisasse que um dentista o removesse e minha mãe se jogou na frente de Luke, levado a surra por ele. — Sim, ela está aqui desde ontem à noite — disse Luke. — Bem, então me dê os detalhes — disse Killian. — Estes médicos não disseram tudo o que aconteceu? — Ela ainda está na UTI — disse. — Overdose. Com Tylenol e bebida. — Ela nem bebe. — disse Killian. Balancei minha cabeça. — não acham que foi muita bebida alcoólica. — Não faz sentido — disse Silas. — Toda essa merda não faz nenhum sentido. — O que quer dizer? — perguntou Killian. Suspirei. — Silas tem uma teoria de que tem algo acontecendo aqui, que o idiota foi assassinado ou alguma merda — disse. — Ele lhe contará tudo, se escutar. Killian virou para Silas e ele levantou as mãos — Não sou louco — disse — Tem algo acontecendo e agora isso. Não faz qualquer sentido ela se matar e não com o idiota morto. Ele foi seu problema por anos. Ela ficaria feliz que ele se foi. — Ou... — disse. — Seriam como prisioneiros, sabe? — Prisioneiros, o que quer dizer? — perguntou Luke.


— Você sabe, como quando os prisioneiros são libertados depois de anos de prisão — disse. — Matam-se quando finalmente saem. Não conseguem lidar com isso. — Onde ouviu sobre isso? — perguntou Luke. — Foi nesse filme, o de uma prisão — Sonho de Liberdade — disse Killian. — Exatamente. Silas revirou os olhos. — ele dirá que as minhas teorias são loucas, mas usa as teorias filmes. Merda. — fez uma pausa, olhando para a televisão, no outro lado da sala. — Essa não é – a tela diz River Andrews. – a sua garota? Olhei para a TV e vi seu rosto. River Andrews, sentada em frente a uma dessas apresentadoras de talk show cujo nome não conseguia me lembrar, uma daquelas mulheres famosas que fazem celebridades chorar, falando verdadeiras besteiras de coração para coração. — Ei — Silas se aproximou de uma das enfermeiras na área da recepção. — Tem um controle remoto para a TV? Ela o olhou, depois para a televisão e ergueu as sobrancelhas. — Oh, sim — disse, ao clicar com o controle remoto. — Essa é aquela garota que estava aqui em West Bend, não é? Ouvi a entrevista, a voz de River mais alta no quarto e, apesar de tudo em mim dizer para virar, não prestar atenção na tv, que não queria ouvir o que saía de sua boca, fui até a televisão e escutei. Todo o resto, o ruído hospital, meus irmãos falando, se desvaneceu ao fundo.


— River Andrews — a anfitriã sorriu, sua expressão acolhedora, desarmando-a. Como a avó de alguém. Ela se inclinou para frente. — Você deve estar em uma montanha-russa de emoções ao longo do mês passado, traída por seu noivo, fugindo para o Colorado... — a sua voz sumiu. River assentiu. — Bem, Deborah — disse — Foi um momento de mudar a vida, pegar Viper com minha irmã. Eu me sinto doente. Queria me afastar, parar de ouvi-la falar sobre como foi destruída pelo engano de seu noivo. Não precisava escutar sobre essa merda. Por que me torturar? Ouvi River falar novamente, uma resposta a uma pergunta que perdi. — Tinha que ser esmagador — disse Deborah. — pegar os dois, juntos e então descobrir sobre o noivado deles. Descobrir que Viper era infiel há algum tempo. River balançou a cabeça. — Desejo-lhes tudo de melhor no mundo — disse — Realmente espero que sejam felizes juntos. A anfitriã balançou a cabeça e fez uma careta. — Você parece muito calma agora, River — disse atraindo-a. — Sua mãe tem planos de lançar um conto de sua infância, da sua vida. River exalou e agora vi a dor em seus olhos. — Esse será o conto de minha mãe, não meu — disse — Nada disso é meu. Senti uma pontada de empatia por ela, sabendo sobre seu relacionamento com sua mãe. Sabia que descobrir que sua mãe escrevia um livro sobre ela a machucaria.


— Mas certamente deve ter algum tipo de sentimento sobre tudo isso, River — disse — Ninguém tem essa calma toda com tudo isso. — Merda — disse Silas. — Ela estava no bar naquele dia. — Do que está falando? — perguntei. — Calem a boca. Estou tentando ouvir. River sorriu. — Um bom amigo me disse uma vez que nenhumas dessas coisas são as mais importantes na vida. Essas são as de menor importância. Ela falava de mim. Era eu o amigo. Não tinha certeza se estava satisfeito que o que disse importava ou desapontado que me chamou de amigo. — Como o que, por exemplo? — perguntou Deborah. — Muitas coisas — disse River — Família. Amizade. Amor. Deborah era mais astuta do que aparentava. Seus olhos se iluminaram e ela se aproximou. Para matá-la, pensei. — Estava ligada a alguém quando esteve no Colorado? — perguntou. River franziu os lábios. Não sabia no que pensava, mas senti-me pendurado sobre o que estava prestes a dizer. — Estava — disse. — Um veterano militar — disse Deborah, olhando para um bloco. — Eliminação Bombas. Ferido no Iraque. — Afeganistão — River corrigiu. — Ferido no Afeganistão. — Ela se lembra muito de você — disse Silas, ao meu lado. — Cala a boca. — Não conseguia tirar os olhos da tela. — E? — Perguntou Deborah. — Você e... — Elias. — disse River.


— Elias. — Deborah disse. — Bem, deixe-me fazer a pergunta que cada homem na América quer saber. Você ainda está em contato com Elias? Era real ou apenas uma aventura? River olhou para o seu colo, em seguida de volta para Deborah. A câmera focou em seus olhos. Ela olhou diretamente para a câmera. Ela olhava diretamente para mim. Engoli em seco. Tudo desapareceu no fundo e esperei que respondesse. — Pensei que era um negócio real — disse — Ele não se sentia da mesma maneira. Estava errada. Ao meu lado, ouvi Silas murmurar sob sua respiração. — Merda. Pensei que era uma coisa real. Estava errada. Não sabia o que dizer. Não sabia o que pensar. — Merda cara — disse Silas. Ainda assistia River na televisão, mas só via seus os lábios movimento. — Cara — disse, irritado. — Estou tentando ouvir essa porra. — Eu sei — disse Silas. — Mas acho que sei por que ela o deixou. — Do que está falando? — Eu a reconheço — disse — Quer dizer, já a vi antes. — Todo mundo a viu antes — disse. — Ela é uma maldita estrela de cinema. — Não, o que quero dizer, é que naquele dia que estávamos no bar, você foi ao banheiro e Roger e eu conversávamos. Ela estava ali de pé por um minuto, em seguida saiu. Não sabia quem era. Ela não


parece como nas fotos, todas aquelas imagens nas revistas e outras coisas. Ela era loira. Pensei que era uma cliente. — E? — perguntei, olhando River na tela. — Quem se importa cara? Acabou. — Não — disse Silas. — Você não ouviu o que disse. — Sem brincadeira, Sherlock. — Roger e eu — disse — Falávamos sobre River. Lentamente me virei para ele. — O que fez? Escutei a sua explicação, sua teoria do que River ouviu falar e interpretado mal toda a situação. Afundei na cadeira. O bilhete de River. Ela pensou que eu era a pessoa que considerou isto uma aventura. Ela deixou a cidade por minha causa. Não porque estava me deixando e voltando correndo para Hollywood. Silas sentou ao meu lado. — Bem — disse — Você tem que ir atrás dela. — Este não é um maldito filme, Silas — disse. — Mamãe está na UTI. Deixa isso pra lá. E, em seguida, um dos médicos saiu do quarto e balançou a cabeça. — Temo que tenha más notícias — disse


River Dobrei a roupa com cuidado, colocando as peças em minhas malas. Minha melhor amiga, Abby, sentou na poltrona em meu quarto, bebendo um cocktail. — Você tem certeza que quer fazer isso? — Preciso de uma mudança — disse. — Terminei com o filme. Não tenho obrigações por aqui. Por que não iria? Abby encolheu os ombros. — Se está dizendo... — disse — Você poderia, não sei, ir para o Colorado ao invés disso. — Olha — disse. — Fiz a entrevista. Disse o que tinha a dizer. É isso. Acabou. Ele não era nem mesmo nada, para começar. Pensou que eu era uma aventura e isso é o que eu era. Nada mais do que isso. Foi menos de duas semanas. Ninguém se apaixona em duas semanas. — Acontece em seus filmes. — disse Abby. Suspirei. — Todo mundo pensa que a vida real é como nos filmes, mas não é. Era estúpida por pensar de outra forma. Abby bufou. — Ainda acho que é uma idiota. — Você está com ciúmes — disse, enrolando uma camisa e atirando-a nela. Ela gritou, afastando a taça da direção do projétil. — Ciúmes de quê? — perguntou. — Seu namorado? Não penso assim. Sabe que fico tão longe de pau quanto possível. — Marrocos — disse. — Está com ciúmes porque não vai. Você devia vir.


— Você sabe que iria. — disse — Mas tenho um se aproximando. Além disso, não tento cometer suicídio de carreira aqui. Terei a minha grande chance logo. — Terá. — disse. — Você é uma artista talentosa. — De qualquer forma — disse, bebericando sua bebida. — Doulhe seis meses para que esteja aqui, fazendo outro filme. Não que não esteja feliz por você, mas bem, o que fará sem premiações e... merda... sapatos? Ri. — Existem sapatos no Marrocos, você sabe, cadela. — Mas sério. — Abby terminou sua bebida, em seguida atravessou a sala, atirando-se dramaticamente em minha cama. — Você e Elias... era como nos filmes, certo? — Não sei. Estava apaixonada. Nunca tive esse tipo de sexo com ninguém antes. Esse tipo de luxúria. — dei de ombros. — Mas isso é tudo o que era, sabe? Luxuria. Se fosse algo mais... — Deixei-o não dito. Se tivesse sido algo mais, teria telefonado. Não teria dito o que disse. Estaríamos juntos agora. — Provavelmente sequer assistiu a entrevista. — disse. — Você ainda tem o seu celular, certo? Olhei para minha gaveta da cômoda, no lugar onde guardava o meu material e o verifiquei obsessivamente desde que retornei, fantasiando que Elias ligaria. Mas isso era apenas uma fantasia. Nada mais.


Ele não dava à mínima. E precisava deixar ir. Não era saudável definhar por alguém que sequer gostava de mim. — Você tem, não é? — perguntou. — Você o guardou. Ligue para ele. — Não. — disse. — Não ligarei. Se estivesse interessado, me ligaria. Não me jogarei para ele. Abby suspirou. — O que aconteceria se tudo fosse apenas algum tipo de mal-entendido? Será que realmente ficaria bem estando perto e não sabendo? Balancei minha cabeça. — Não é um mal-entendido. — disse. — É claro para mim. Pensou que seria fantástico transar com uma atriz e fui estúpida em pensar que era mais que isso. É isso. Além... A campainha tocou e olhei para minha bolsa. — Pizza minha cara. Timing perfeito, porque cansei de falar sobre o Elias. Quando voltar, conversaremos novamente sobre isso.


Capítulo Vinte e Oito Elias — Ela tentou, acho — disse Luke. — Quer dizer, ela era apenas fraca. Não era como o idiota. Todos nós assentimos, sentados ao redor da mesa na casa onde crescemos. A enterramos duas horas atrás, apenas nós quatro ao redor do seu túmulo. Comprei o lote com as minhas economias, algo para me certificar de que não estaria em uma sepultura do estado, da mesma forma como o idiota foi enterrado. Não queria que fosse enterrada junto com ele. Não importa que tenha sido um tipo inadequado de mãe, havia algo que não parecia certo sobre isso. Pelo menos, pensava assim. Seus sentimentos sobre ela eram tão mistos quanto os meus, tinha certeza. O que realmente dizer sobre uma mulher que ficou com um homem como nosso pai, alguém que batia na esposa, batia seus filhos durante sua vida? Ela tentou, pelo menos. Mas deveria ter tentado mais, disse Killian. Éramos crianças, então ela deveria ter tentado mais. Acho que era verdade. Não estava feliz porque ela morreu, não como me sentia sobre o idiota – mas a dor não era devastadora também. Era o que era. Apenas a maneira como a vida segue.


Killian levantou um copo de uísque. — Para nossa mãe. Que ela finalmente tenha um pouco de paz. Balancei a cabeça. — Para nossa mãe. Bebemos o uísque, de uma forma silenciosa. Era uma coisa estranha, todos nós juntos, pela primeira vez em anos. Isso não parecia bem, de alguma forma, o fato de que estávamos juntos apenas porque ela morreu. Irmãos devem ser mais íntimos do que isso, pensei. Meu celular tocou em meu bolso, quebrando o silêncio e o peguei, olhando para o número. Olhei para Silas. — O que é? — perguntou, seu rosto apreensivo. — O que aconteceu agora? Reconheci o número imediatamente. Era o número que decorei, o que fiquei me dizendo que deveria ligar. Isso simplesmente não parece certo, estar preocupado com o que aconteceu com uma garota, quando minha mãe tinha acabado de morrer. — É o número de River — disse, ouvindo o celular zumbindo mais e mais. — Seu celular. O que compramos para ela aqui. — Bem, porra, cara — disse Killian. — Uma estrela de cinema está ligando para você. Atenda o maldito celular. O zumbido parou e encolhi os ombros, colocando o aparelho na mesa. — Não é nada. — disse, olhando para seus rostos. — Está falando sério? — Silas disse. — Ela saiu porque achava que você era um babaca de merda que disse coisas sobre ela. Então,


ela disse e repito – você era o negócio real na porra TV e agora ela liga para você? O que há de errado com você? Porque não atende o telefone? Agora age como um babaca. Killian e Luke olharam para mim, balançando a cabeça. — Babaca. — Luke entrou na conversa. — Você é um imbecil. — disse Killian. O telefone tocou novamente, e abri a tela para ler a mensagem. — Não é dela. — disse, lendo com o coração acelerado. — De quem é? — perguntou Silas. — O que diz? — Porra — disse, percebendo o que precisava fazer. — Tenho que ir para Los Angeles. Agora. E como você fodeu tudo, Silas, então irá comigo.

— É isso. — disse. — Este é o endereço. Silas assoviou. — Chique. — Bem, o que achou que seria? — perguntei. — Ela é uma estrela. Merda, homem, ela está fora da minha liga. Não deveria estar aqui. — Bem, agora está. — disse. — Tarde demais para mudar de ideia. O que diria agora que cheguei aqui? — Não sei nem se ela está aqui.


— Sua amiga, a garota que mandou uma mensagem, disse que ela não partirá até amanhã. — disse Silas. — Entre e vá vê-la, caralho. No interior, o guarda de segurança me parou. — Residente? — Visita. — disse. Olhou para mim com a testa enrugada. — Sim. — disse, seu tom nasal. — Visitando quem precisamente? — River Andrews. Ele sorriu. — Boa tentativa. — disse — Mas não há ninguém com esse nome vivendo aqui. — Número 1279 — disse. — Este é o endereço que me enviou. Ele deu de ombros. — Como disse, ninguém com esse nome. — Merda, cara — disse Silas. — Está falando sério? Porra. Quebrei a cabeça. Qual era o nome falso que deu a Jed? Brenda? Bailey? Beth. — Beth Winters. Ele balançou a cabeça, seus olhos se estreitaram. — Merda, cara, vamos lá— disse. — Espere um segundo. Você é aquele cara. — disse ele. — O cara bomba. O que ela foi ver. — Ele olhou para trás e para frente entre mim e Silas. — Há dois de você. — Jesus Cristo. — disse Silas. — Dê a este homem uma medalha. Parabéns. Somos gêmeos. — Porra — disse. — Sim, sou eu. Não sou um assediador psicopata ou algo assim. Eu a conheço. — Ex-Marinha, certo? — Sim. — Não queria conversar. Agora, queria matar esse cara por ficar entre eu e ela.


— Meu filho pensa em se juntar a Marinha. — disse. — Isso é bom. — Olhei para o elevador. O guarda caminhou lentamente em direção à mesa. — Esteve nas notícias, sabe. — disse — Uma das revistas. Tinha a sua imagem nele, com River. Li a sua história. O artigo disse que acionou uma bomba no Afeganistão, à frente de um comboio que nunca teria visto isso chegando. Você é um herói. — Sim. — disse, exalando. — Sou eu. Herói. Ele tirou um cartão e tentei pegá-lo, mas não o entregou, ainda falando. — Você não irá lá para quebrar o coração da garota, não é? — Não. — disse, pegando o cartão da sua mão. — Porra. Não. — Para o elevador. Precisa dele para chegar aos andares superiores. — Obrigado. No caminho até o elevador, o meu coração batia acelerado. Pensei no que diria. — O que dirá a ela? — perguntou Silas. — Cale a boca, cara.

A porta abriu e uma garota, que não era River, usando um top, com os braços cobertos de tatuagens, um piercing em seu nariz, ficou


na frente de nós, um olhar confuso em seu rosto. Então sorriu. — Há dois de você. — Quem é você? Ela colocou a mão em seu quadril. — Sou Abby. Quem são vocês? Silas sorriu. — Silas e Elias. Ela nos olhou de cima a baixo. — Gêmeos — disse — Entendi. — River está aqui? — Então você é o Elias, hein? — perguntou com seu olhar duro. Ela exalou. — Acho que posso entender o porquê. — O porquê de que? — Você é quente, acho, de um tipo robusto. — disse. — Quer dizer, prefiro boceta, mas entendo o que ela viu. — Ela está aqui? — perguntei. — Ei, River — chamou. — O cara da pizza está aqui. — Não pedi qualquer... Lá estava ela, de pé na porta. Olhando para mim. — Elias — disse, com os olhos focados nos meus. E então olhou para Silas. — Vocês são gêmeos. Dei de ombros, envergonhado. — Não mencionei que era meu irmão gêmeo — disse. — Não pensei, e... — Acho que ouviu alguma coisa no bar... — Silas começou. — Sim, ouvi o que disse. Data de validade. Apenas um caso. Olhei para Silas. — Não, eu — disse. — Este filho da puta disse isso. Silas levantou as mãos — Culpado. — disse — Era eu. Em minha defesa, realmente disse que havia uma data de validade nisso porque


alguém como você de nenhuma maneira realmente namoraria este idiota. Porque está perdendo tempo. Atrás dela, Abby gritou. — Ah-rá. — disse. — Não disse que havia uma explicação? — passou por River e fez sinal para Silas. — Acho que devemos dar-lhes alguma privacidade. — disse, dando um passo para trás. Os dois pararam a alguns metros de distância. — Posso vê-los — gritei. — Perdi uma perna, não sou cego. Ouvi a gargalhada de Abby. — Pensei que era você. — disse River. — Dizendo aquelas coisas. Pensei que era você. Balancei a cabeça. — Eu sei. — Você não me disse que tinha um irmão gêmeo. — Não sei o que dizer sobre isso. Foi um descuido infeliz. — Percebi. Por que veio aqui, Elias? — virou rosto em minha direção, os lábios entreabertos. Queria a minha boca sobre a dela. — Sem flores ou qualquer coisa? — a voz de Abby quebrou o silêncio. — Abby. — River advertiu. virou para mim. — Não há flores ou qualquer coisa? — Não. — disse. — Sem flores. Apenas meu coração. Silas deu uma gargalhada. — Isso foi brega pra caralho. — Saia. — River gritou e voltaram para o apartamento, o som do riso se tornando abafado. Ela virou para mim. — Seu coração, hein? Dei de ombros. — Não tenho mais nada para oferecer a você. — disse. — É isso. É tudo que tenho. Não sei o que acontecerá no futuro.


Não sei o que acontecerá amanhã. Mas quero estar com você. Quero você. É isso. Tudo que sei é que te quero. River me olhou, antes de finalmente falar. — Elias, eu... A voz de Abby soou alto da sala de estar. — Beije-o agora! River virou. — Sério gente, se eu ouvir mais uma coisa, eu juro que vou matá-los com as minhas próprias mãos! Ela saiu e fechou a porta atrás de si, sacudindo a cabeça. — Então. — disse. — Você dizia? — Aqui está a coisa. — disse. — Pode me mandar ir para o inferno, me chamar de louco ou qualquer merda. Não a conheço o suficiente e estou perfeitamente ciente de que isso é um fato. Mas estive perto de morrer e vi morte o suficiente em minha vida para saber que quando alguém te toca, porque é tão diferente de qualquer outra pessoa que já conheci, que... bem, é apenas realmente muito importante. As palavras simplesmente saíram de minha boca, de maneira implacável. — Então, quero estar com você. Eu te amo. Isso é tudo que tenho. Você pode me dizer para ir para o inferno ou o que quiser. Mas disse o que precisava. — Tudo bem. — disse. — Tudo bem? Ela assentiu com a cabeça. — Tudo bem, a tudo isso. Quero você também, Elias. Puxei River para mim, minha boca beijando a dela. Com seus lábios pressionados nos meus, o mundo estava correto novamente.


Epílogo River — Você tem certeza que tudo isso caberá? — estava com as mãos nos quadris, examinando o apartamento, minhas caixas empilhadas ordenadamente no meio da sala. Doei a maioria das coisas de Viper em antecipação à mudança para West Bend. — Você viu a casa — disse Elias. — Se encaixará. Tem certeza de que quer se mudar para uma fazenda em West Bend? Não é exatamente Hollywood. Coloquei meus braços ao redor de sua cintura e o olhei, o homem que me faz tão feliz. — Isso é completamente louco. — disse. — Não gosto de Hollywood. Estou totalmente, cem por cento, sobre a minha decisão. — Acha que será feliz lá comigo? — perguntou Elias. — Pode ser muito tranqüilo para você, afinal é uma estrela de cinema e tudo. Ri. — Tranqüilo é bom. — disse. — E não serei uma estrela de cinema em West Bend, de qualquer maneira, serei apenas uma estudante universitária normal, com aulas para me tornar uma professora. Além disso, não pode controlar todos os lugares. Elias me deu um forte tapa na bunda. — Não se esqueça disso também. — disse, circulando ao meu redor, sua respiração em meu ouvido. — Se precisar de um lembrete antes de sair, embora... — Ele


apertou sua dureza em minha bunda. — Posso levá-la para outra sala e... Um dos homens da mudança entrou. — Acho que temos tudo inventariado. Elias gemeu. — Timing perfeito, obrigado. Mais tarde, entrei novamente no carro e vi pelo espelho lateral Hollywood ficando para trás. Deixei para trás a vida que conhecia para iniciar uma nova com este homem. Elias batia os dedos no volante enquanto dirigia e me inclinei n o assento. Eu me sentia calma, totalmente em paz.

Elias — Onde ele está? — perguntei. — Deveria ser deixado Silas levar o meu Mustang, para que ficasse com você na Califórnia. River passou as mãos sobre o peito. — Ah, mas então não teria todo esse tempo sozinho comigo nas últimas semanas. — disse. Beijei-a, deixando minhas mãos vaguear pelos seus quadris, apertando sua bunda. — Você está certa. — disse. — Talvez me lembre de por que fiquei sozinho com você.


River gemeu. — Com prazer. — disse, pegando em minha mão. — Sem mobília ainda. Então acho que não importa qual quarto batizar primeiro, certo? Além disso, tenho certeza que Silas foi apenas levar um recado ou algo assim. — Sim. — Isso provavelmente era ele. Mas River não sabia tudo, os desaparecimentos de Silas, seu comportamento errático. Uma motocicleta rugiu, cada vez mais alto quando se aproximava e River e eu fomos para a porta. Killian saiu da motocicleta. — River, este é Killian, um dos meus irmãos. Killian estendeu a mão e sorriu. — Prazer em conhecê-la. — Tenha classe, cara. — Preciso falar rapidinho com você, Elias. — Killian me deu uma olhada e River me beijou na bochecha. — Só farei alguma coisa útil aqui dentro. — disse. — Olha só — disse Killian. — Pensei sobre isso e acho que Silas está certo. Gemi. — Jesus, você também não. Vamos lá, sabe que Silas é inteligente pra caramba, mas às vezes é um inteligente louco. E dê ênfase na loucura. Killian balançou a cabeça. — Não. Acho que há algo realmente acontecendo nesta cidade, mais do que apenas um empresário chegando à cidade. Acho que está certo sobre o que aconteceu. Não acho que a morte do idiota foi um acidente. E não acho que a mãe teve uma overdose.


River olhou para cima enquanto tirou duas bolsa da mala e sorriu para mim. — Tudo certo? — perguntou, enquanto passava por mim. — Sim. — disse. — Está tudo bem. River e eu ficaríamos muito bem, sabia disso. Mais do que bem. Antes dela, fui um grande cínico, convencido de que não havia o tal felizes para sempre, nenhum final feliz de filme para mim. O universo teve um grande senso irônico, dando-me uma estrela de cinema, que estrelou em comédias românticas e me apaixonei por ela. As coisas aconteceram com um propósito e começava a acreditar nisso. Então, talvez a morte de nossos pais era a maneira do universo trazer meus irmãos e eu para perto um dos outros, unindo-nos para um propósito comum. Mesmo se não tivesse ideia agora do que esse efeito era. Iria descobrir. Não agora, no entanto. Agora, iria sentar, tomar uma cerveja com Killian e River e brindar o fato de que nós começávamos uma nova vida aqui em West Bend. Todo o resto, o que acontecia, podia esperar. Agora, estava feliz.

Fim


Série West Bend Saints #1 Elias - Sabrina Paige  

*River Andrews-Podem me chamar de Cinderela.Sou a história da pobreza à riqueza–a menina que se torna estrela de Hollywood.Estou prestes a t...

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