Issuu on Google+


Envio: Soryu Tradução: Juliana G., Doracy, Helena M., Camila A. Revisão Inicial: Chayra Moom Revisão Final: Mari S. Leitura Final: Suélem Formatação: Lola


Kai Não há nada que me interesse. Nenhum vínculo. Sem conexões. Exteriormente, eu sou um perfeito cavalheiro até a minha faca ver o meu alvo. Eu não temo nada, nem mesmo a morte. No meu mundo, a morte é considerada um privilégio. Mas minha vida ficou com cordas cruéis e inquebráveis quando eu a conheci, eu deveria ter me afastado. Eu não me afastei. Eu era muito egoísta. E selei o seu destino. Porque, uma semana em minhas mãos a levou à ruína.


London

Nós todos temos camadas únicas que compõe quem somos. O que nos torna vulneráveis ou fortes. O que tememos e o que nos emociona. Mas se descascar as camadas, você será deixado nu e exposto. Eles fizeram isso para mim. Cada peça foi lentamente arrancada, depois queimada. Eu simplesmente existia. Mas havia uma camada que eles negligenciaram. A mais importante de todas, a ligação com um homem. O homem responsável por eu ser dessa maneira. O homem que me encontrou. E o assassino que faria qualquer coisa para me proteger.


Perfect Ruín é a história de Kai e London. O seu início. E a continuação da história de Vault. Deve ser lido em ordem: Perfect Chaos (Unyielding 01) Deck e Georgie Perfect Ruin (Unyielding 02) Kai e London Perfect Rage (Unyielding 03) Connor e Catalina

Esse livro contém linguagem ofensiva e conteúdo sexual. 18+


Obrigada aos leitores, por me darem o meu sonho e por mantê-lo vivo. E agora conheça Kai se você se atrever e sua Coração Valente, London.


Dias de hoje França

— Olá, Mãe. — Eu entrei na sala. As duas velas brancas empoleiradas em pedestais em ambos os lados da porta piscaram enquanto eu passava, causando um vislumbre de sombras dançantes nas paredes de pedra. — Querido. — ela balbuciou, como se tivesse prazer ao me ver. Mas nós dois sabíamos a verdade. Ela me odiava, porém, o sentimento era mútuo. A cadela me manteve esperando durante três semanas na França antes de me dar uma audiência. Finalmente, fui convocado como um 'animal de estimação’ pela porra do seu mestre, através de um de seus asseclas. A espera foi uma estratagema para me irritar.


Infelizmente para ela, isso falhou. A paciência vinha fácil para mim, pois passei a vida tendo que viver de acordo com as ordens. Quando criança, fui mantido esperando por alimentos, esperando para dormir, esperando para que a dor acabasse. Eu aprendi que o tempo seria melhor se fosse inexistente. Que era melhor nunca esperar que algo acontecesse, mas em vez disso, me assegurar de que eu conseguisse qualquer coisa que desejasse, não importando o tempo de espera. Houve uma falha nessa maneira de pensar — London. O tempo de repente importava e fodeu comigo. Ela não se incomodou em levantar de trás de sua grande mesa de mogno, com vidro colorido, de frente para a janela ornamentada. Apenas levantou o queixo em um ângulo para cima, para olhar por cima do ombro para mim. Seus dedos esbeltos foram para o colar de pérolas em torno de sua garganta para acariciar as contas. — Uma pena que eu tenha perdido você na minha última visita a Toronto. Brice me disse que estava em Nova York, verificando Dr. Westbrook. Espero que tudo tenha corrido bem. Isto era uma besteira completa. — Sim, claro. — Não tinha. Estive em Nova York, mas estive procurando por London, não verificando sobre seu pai, Dr. Westbrook. London esteve em sua casa, uma casa que


ninguém sabia que existia; pelo menos, eu pensava que fosse este o caso. Agora, eu sabia que não era. — Como você está? Você vai ficar na cidade? Seu interrogatório lento era para parecer como uma conversa casual, mas sempre havia um propósito para cada palavra que saía de sua boca. Para uma pessoa de fora, ela iria parecer com uma mãe amorosa. Para qualquer um que a conhecesse, saberia que era uma forma de manipulação para tentar obter informações sem parecer que estivesse fazendo nada além, apenas conversando. Cheguei à mesa e me inclinei para beijar a bochecha que ela ofereceu. Meus lábios mal tocaram sua pele fria antes de me endireitar. Eu despreocupadamente encostei-me à mesa ao lado dela e cruzei os braços. — Eu estou bem, Mãe. — Eu não tinha a intenção de oferecer qualquer outra coisa. Fiquei em uma pousada tranquila, perto de Paris, onde as cabras baliam1 durante todo o dia e as roupas e os lençóis cheiravam como se tivessem sido mergulhados em lavanda. Na verdade, toda a casa cheirava, mas era o último lugar que a Mãe esperaria que eu ficasse e o bônus era o proprietário cozinhar refeições maravilhosas. Eu paguei por um quarto em um hotel cinco estrelas na cidade e tive todas as minhas mensagens enviadas para lá.

-

1

Balir:Grito de ovelha ou de cordeiro.


Eu faria maravilhas durante o tempo que levassem para descobrirem que não estive hospedado lá. — Seu voo foi bom? — Ela levantou as sobrancelhas que estavam começando a afinar com a idade. Os vincos ao redor de sua boca e os cantos de seus olhos estavam mais profundos desde a última vez que a vi. Mas, em vez de fazê-la parecer frágil, como fazia com a maioria das pessoas, as rugas endureciam a sua aparência. Eu ri. — Sim, há três semanas, quando eu cheguei. Ela sorriu, não afetada pelo meu ligeiro comentário. — Peço desculpas. Eu tinha algumas questões delicadas para lidar. — Qualquer coisa que eu possa fazer para ajudar? — Eu olhei para a tela de seu computador e para a câmara de segurança da entrada da porta da frente na imagem. Ela estava assistindo a minha chegada. — Não. Não. Um mero incômodo que eu já tratei. — Ela clicou no botão ESC no canto superior esquerdo do teclado e a tela ficou preta. — Como está Georgie? Como ela está passando? Chaos? Uma vergonha sobre a situação de Tanner. Ele era um grande trunfo. O seu comentário era como uma rebarba contra a minha pele. Uma pequena pontada de aviso para ser cuidadoso sobre o que eu dissesse. Mas então, sempre tive cuidado em


torno da cadela. O melhor era seguir o que era esperado de você, quando você estava planejando o inesperado. — Tanner ficou muito apegado a ela e a eliminação foi necessária. O garoto, Tanner, foi designado a fazer amizade com Georgie e seu irmão, Connor, mais de uma década atrás. Foi antes de Connor ser pego pelo Vault. Ele agora era um de nós, com um pouco de coerção, é claro. Nunca pensei que eu fosse dar uma porra para quem Vault torturou, manipulou ou condicionou, porque eu fui um deles. Mas London mudou isso. Ela mudou tudo. A Mãe balançou a cabeça e um fio de cabelo louro, com listras cinzas, saiu do seu coque bem feito que ela empurrouo para trás da orelha. — Sim. Você nos avisou que ele poderia se tornar um problema. Mas ele teve sua utilidade. — Ela fez uma pausa, com seus olhos me perfurando. — E Deck? Lá estava. O que ela realmente queria saber. Eu mantive meus olhos sobre ela, firme sob o frio olhar severo. — Aplacado e mais focado em Georgie do que em encontrar Connor. A nota foi um toque agradável. — Uma nota escrita com o sangue de Connor avisou Deck para parar de procurar por ele ou ele iria atrás de Georgie. Ela desviou o olhar quando embaralhou os papéis brancos austeros na frente de suas longas unhas vermelhas,


como punhais. Punhais que perfurariam seu coração se ela estivesse com vontade de infligir dor. — Bom. Foi no tempo certo. Com a ameaça de Deck e Connor perto dela, sua intromissão no paradeiro de Connor pode ser desencorajada agora. — Seus movimentos eram precisos e delicados, como se ela estivesse manipulando valiosos documentos. Mas pelo meu olhar rápido quando beijei seu rosto, os papéis eram nada mais do que relatórios de despesas. — A menos que você ache que ele é um risco? Ela estava falando sobre matar Deck. Eu respondi lentamente; uma resposta apressada seria tomada como suspeita. — Não. Eu acho que seria tolice quando nós poderíamos ser capazes de usá-lo, ainda. Ela franziu juntos os lábios vermelhos. — Sim. Verdade. Eu odeio eliminar potenciais agentes. Uma vez que a droga estiver estável, então poderemos reconsiderar nossas opções. Connor se tornou muito... cooperativo e precisamos de mais como ele. Eu ri para mim mesmo. Cooperativo? Era uma maneira amável de dizer assassino. — E sobre a fazenda? — O local onde eu cresci. Onde as crianças eram condicionadas a ser como eu — assassinos frios. Precisávamos da porra do local. Nós nem sequer sabemos em que país se encontrava.


Eu

esperei,

permanecer

enquanto

quieta.

A

ela

cadela

brincava gostava

comigo de

por

testar-me

constantemente, mas os manipuladores na fazenda me treinaram para ser paciente, sem emoção, uma máquina que não tinha vínculos e sentimentos. Os poços eram o pior. Jogado em um buraco profundo no chão durante dias, sem comida ou água, congelando durante a noite, transpirando durante o dia, sem nunca saber quanto tempo você ficaria lá. Eu aprendi a fugir em minha mente e não retornar até subir a pequena escada e ser levado para fora. O ‘fosso’ era pior do que qualquer tortura física e quanto mais rápido você passasse no teste, menos tempo você passava lá. — A fazenda não é sua preocupação. Mas era. Ela só não sabia disso. Apenas

três

membros

da

diretoria

sabiam

sua

localização: a Mãe, um magnata de hotéis em Las Vegas chamado Peter Dorsey e outra pessoa que eu não conhecia. Ela permanecia anônima e eu estava apostando que esta pessoa era responsável pela supervisão da fazenda. O homem esteve na tortura pública da minha irmã, alguns anos antes, quando ela tentou desaparecer depois de uma missão. Ele se manteve nas sombras com um chapéu baixo sobre o rosto, mas reconheci os dois colares de ouro que ele usava. Um tinha uma cruz sobre ele e o outro uma grande esmeralda. Eu vi um homem usando exatamente os


mesmos colares quando tinha oito ou nove anos, enquanto vivia na fazenda. Ele olhava para a cova, com o chapéu baixo para proteger sua identidade. Lembro-me de sua mão ao lado, o dedo indicador e o polegar se esfregando o tempo todo e sua visão em mim. Lembro também dos colares balançando de um lado para o outro quando ele se debruçou sobre o poço. Eu estive muito delirante depois de três dias no poço, quente pra caralho, então mal conseguia ficar de pé. Mas, quando vi os mesmos colares anos mais tarde, sabia que era ele. — Não vamos precisar da fazenda, se tivermos a droga. — eu disse. — Vamos utilizar ambos. — Porra. — As crianças são fáceis para ele adquirir e as usa para outra finalidade. O sistema funciona bem. A fazenda permanecerá. — E quem ele é, Mãe? Você não acha que já é hora para eu saber quem são todos os membros do conselho? Ela lambeu os lábios, os olhos apertados enquanto olhava para baixo. — Isso não é minha decisão. É dele. — Então, ele dá as ordens. Não você. — Suas costas se endireitaram. Eu sabia que ela não ia gostar disso. A Mãe sempre quis ser a mais poderosa. — Claro que não. Mas ele dirige a fazenda e outras atividades bastante delicadas. É melhor ele permanecer


anônimo para todos. Nós preferimos não ter que mudar a fazenda novamente, após a última violação. Tristan foi a violação. O garoto de quinze anos de idade escapou da fazenda e agora era o multibilionário proprietário da Mason Developments, que trabalhou a vida inteira para chegar a este ponto e destruir Vault. Era o seu jato que me esperava no aeroporto da França, com pilotos em modo de espera para nos levar de volta para Toronto, assim que eu terminasse aqui. Eu não podia pressionar a questão. Precisava de algo mais importante dela. Ela afastou a cadeira de madeira com o apoio de veludo azul, e em um deslizamento lento, elegante, cruzou as pernas. Já havia aprendido os seus movimentos e eu era muito parecido com ela, jogando friamente com a pessoa afetada, com charme genuíno. Exceto que, eu tinha charme. Ela era apenas uma cadela fazendo o papel. Finalmente, ela disse: — Você está aqui por causa da menina. Era uma afirmação e uma correta. Eu estava aqui por causa de London. Eu nunca vinha ver a minha mãe de bom grado, a menos que tivesse uma razão e ela sabia disso. Eu ainda seria o assassino insensível e sem emoção que a fazenda me fez se eu não tivesse conhecido London. Minha mãe pensava que nós éramos mais perigosos se não


tivéssemos vínculos, se não houvesse sentimentos em relação a algo ou alguém. Ela estava errada. Eu era muito mais perigoso agora, porque tinha algo a perder. — Sim. É hora de colocar isto para fora, Mãe. — Porque pode ser a nossa última oportunidade. — Eu lembro claramente de dizer há alguns anos atrás que eu ia cuidar da situação e cuidei. Ela não ia para a polícia. Mas você teve que ir pelas costas e torná-la seu problema. Eu dei ao pai dois meses. — Ele sabia o fim do prazo e estava atrasando. E Kai, foi há anos atrás. Não importa mais. Oh, isso importava pra caralho. — Precisávamos da droga. Ele precisava de mais dois meses. Você concordou em dar-lhe isso. — Ela não disse nada. — Então, depois de uma semana, você levou sua filha e enviou-a para Raul. Dentro da porra do México. Dr. Westbrook estava sob controle. Os cantos de seus lábios curvaram para cima e apesar da vontade de bater no rosto dela, eu conhecia aquele sorriso que era parecido com o meu próprio. — Eu não sabia que você tinha conhecimento do local para onde nós a enviamos. Interessante. — Ela sorriu, exibindo seus dentes brancos que combinavam com seu colar. — Você quis ir vê-la, Kai? Comê-la como uma escrava?


Eu fui para o México e tentei tirá-la, mas a merda deu errado e a perdi, então, passei os próximos dois anos procurando por ela novamente. — Claro, Vault não sabia disso. — Nós não lidamos com homens como Raul. E você não interfira no meu trabalho. — Você transou com ela, Kai. — Eu comi muitas mulheres. Sou um homem. — eu disse. — Por uma semana. Eu dei de ombros. — Ela era boa. — Eu suspeito que foram meus voos frequentes de Toronto para Nova Iorque que a denunciaram. Mesmo que eu fosse designado para vigiar o pai de London, Dr. Westbrook, eu fui para lá mais frequentemente do que o necessário. — Está melhor agora, eu imagino. Ou pelo menos obediente. Cadela fodida. Eu resisti pegar a minha faca e eviscerala. Em vez disso, ri, mas foi mais duro do que eu queria e suspeitei que ela soubesse que isso chegou a mim. — Por que você fez isso? Mas eu adivinhei a resposta. Porque eu estive com London e não acabei de pegá-la. Eu estive com ela por uma semana e a Mãe descobriu e não gostou. Então, ela queria


destruir London e conseguiu. Ela tirou sua dignidade e a deixou quebrada, a concha de uma menina com nada restante da mulher com quem eu estive. A Mãe pensou que era o fim de tudo. Outra garota perdida no mundo doentio do tráfico de sexo. Vault era raramente envolvido nesse tipo de atividade criminal, exceto para tirar os indivíduos que se tornavam um problema. Eu me ofereci para aqueles trabalhos. Eu nunca comi uma garota que não fosse treinada para me agradar e eu certamente não a forçaria a descer para chupar o meu pau. Eu saía com uma menina que imploraria por ele com o desejo latente em seus olhos. A Mãe bateu o dedo no topo da pilha de papéis. — Você é muito parecido com seu pai. Inteligente e arrogante. As mulheres são atraídas por você... como essa garota. — London. — Ela realmente tinha um problema com London. Ela encolheu os ombros delgados envoltos por um paletó preto. — O nome dela não é mais significativo. Porra. Eles

iam matá-la. Eu mantive

meu rosto

impassível, do jeito que pratiquei no espelho um milhão de vezes antes quando era criança.


Um galho bateu contra o vitral a direita e senti a brisa leve quando o ar entrou através da abertura da janela. Ainda encostado na mesa, cruzei meus tornozelos e abaixei a cabeça, parecendo não me importar com o que ela acabava de revelar, mas por dentro eu estava com um fogo crepitante. A raiva estava testando todo meu controle, mas se reagisse, eu iria destruir minhas chances de conseguir o que preciso dela. — Ela deve ter sido boa na cama para você vir aqui e implorar por sua vida. Eu zombei, sacudindo a cabeça com um meio sorriso. — Eu não imploro. Eu a conhecia muito bem. A maneira endureceu sua espinha, indiscernível para a maioria, mas estava tudo lá. Porra, eu estive estudando seus gestos em todas as oportunidades desde o dia em que ela brutalmente matou meu pai na frente dos membros do conselho de Vault, minha irmã e eu. Foi naquele dia que eu percebi que ela estava vazia e era a pior mãe, sem amor. Ela era pura maldade. Ela enfiou a faca entre as suas costelas e o assistiu morrer. E o tempo todo seu rosto permaneceu o mesmo — inexpressivo. Mas havia uma coisa que lhe denunciava... o tremor de sua perna direita. Ela fazia isso quando estava chateada. Não triste. A Mãe era incapaz de ter tristeza; não, ela esteve decepcionada com meu pai. — Você tem certeza disso? Parece que você pode... cuidar dela.


Ela estava desconfiada, mas eu esperava isso. — Ela era uma merda excepcional. Isso estilhaçou sua expressão de pedra e ela sorriu. — Eu preferia que meu filho não acabasse como o seu pai, por causa de uma mulher. E lá estava, o porquê ela me odiar. Eu tinha partes de mim que a lembrava dele. Meu pai se apaixonou por outra mulher, mas não foi a única razão para a minha mãe matálo. Foi apenas sua desculpa para matá-lo. Ela prosperou no poder e controle quando o matou, tomando seu lugar no conselho de Vault. Depois disso, tudo mudou. Não existiam mais nove membros do conselho, mas apenas cinco. Dois dos quais ela quem trouxe para a organização: Peter Dorsey e o homem cuja identidade eu ainda tinha que descobrir. — Diga-me, Kai, o que faz um assassino como você comer uma mulher fraca como ela? London era tudo menos fraca; pelo menos ela não era até os homens violentos e cruéis e Jacob Alfonzo, destruí-la. Estava na hora de acabar com essa besteira. Eu teria uma chance se o destino de London já não estiver selado. — A sua crueldade não conhece limites, Mãe. E você foi estúpida por arruinar uma vantagem potencial. Eu disse que


ela era valiosa e que era para deixá-la em paz, mas você não pôde confiar em mim. Ela se levantou e perdeu a compostura. — Como você se atreve! — Seu rosto se contorceu na cadela zombeteira que sempre ficava escondida. Eu encontrei os seus olhos, firme e calmo. — Me atrevo porque você está ficando velha. E você tomou decisões baseadas em suposições. — Seu rosto estava vermelho e mostrava uma máscara de fúria, mas era exatamente o que eu queria, virar a mesa. — Ela é jovem e inteligente. Uma cientista cujo pai desenvolveu uma droga que você quer muito. Desculpe, você precisa muito. Nós concordamos com isso depois que ela foi trazida dessa merda que

você

a

colocou,

completamente.

Nós

íamos

tê-la

assumindo para seu pai. — Essa foi a minha única maneira de ter certeza que London ficaria segura. Fazer ela ter valor para Vault. — Ela ficou inútil depois de sua... experiência. — Eu queria rasgar seu coração frio de seu peito com a minha mão. London foi destruída e arruinada após dois anos perdida nesse mundo cruel. — E eu lembro de dizer-lhe para trazê-la, mas em vez disso, você a escondeu em uma casa que eu não tinha conhecimento. Eu sorri, porque se não o fizesse, eu ia matá-la antes que tivesse a chance de fazer o que vim aqui para fazer. Era hora do meu trunfo.


— O Dr. Westbrook está morrendo de câncer. — Isso chamou sua atenção. — Os médicos lhe deram seis meses. Desde a minha última visita, eu diria mais perto de três. — Ela começou a acalmar quando seus olhos se afastaram dos meus. — Outro cientista pode facilmente assumir o seu trabalho. — Nós poderíamos tê-la usado. — eu disse. — Por que você acha que eu a peguei por uma semana, em vez de torturá-la como você sugeriu? Porque você acha que eu sugeri à você a usá-la? Você concordou. Era simples assim mas você estragou tudo duas vezes. — Eu bati meu punho em sua mesa. — Eu precisava dela para terminar a pesquisa. Eu precisava de sua sanidade. Precisávamos dela. — Eu abaixei minha voz, me afastando da mesa e me aproximando de sua cadeira. — Mas você sempre precisa destruir e estragar qualquer coisa que nós nos aproximamos por um momento, em que precisamos de tempo para cultivar. — Nós vamos... Eu levantei a minha voz. — Eu a tive, Mãe! — Eu respirei fundo e me virei para olhar para a lareira, sentindo como se as chamas estivessem lentamente corroendo minha pele. — Ela confiava em mim. Ela teria feito qualquer coisa que eu pedisse e você destruiu completamente isso. E para quê? Por que você estava com medo que eu estivesse ficando muito perto dela?


— Você estava. E você ficou. — ela respondeu, sua voz era calma. — Eu estava transando com ela. Ela era uma aquisição. A tortura não é a única maneira de fazer as pessoas fazerem o que você quer. Ela ficou em silêncio enquanto considerava tudo o que eu disse a ela. Se deveria acreditar em mim ou me mandar embora. Talvez até mesmo me bater até que eu rompesse, mas não havia nada em mim para destruir e ela sabia disso. Eles já tinham feito o seu dano. Levou tudo que eu tinha para permanecer em pé onde estava, quando tudo o que eu mais queria era pegar o fio em meu bolso e envolvê-lo em torno de sua garganta; e assistir seus olhos pularem da cabeça enquanto ela se debatia em lutar por ar. Eu não conseguia decidir se isso ou mergulhar minha faca sob suas costelas como ela fez com meu pai me daria mais satisfação. A fazenda me fez insensível a tudo, inclusive a minha irmã. O ódio que eu nutria pela minha mãe ficou dormente por anos, até que comecei a sentir novamente. Até que a morte, de repente, importava. Até que uma menina teceu seu caminho em meu coração e o fez bater novamente. Fui até a lareira, onde partículas cintilantes de luz brilhavam sobre o tapete branco felpudo que ficava diante dela. Quando eu era criança, antes de ser enviado para a fazenda, antes de meu pai ser morto, antes de Vault ir por


este caminho, costumava dormir ao lado do fogo e ouvi-lo crepitar enquanto meu pai lia para mim. Agora, eu odiava o fogo. Odiava o que tinha quase me matado. Casualmente me sentava na cadeira de veludo roxo antigo, cruzando a perna dobrada sobre a outra e inclinandome para trás. Descansava minhas mãos sobre os braços acolchoados que tinha estampados neles cabeças de leões na base. Meu pai costumava relaxar em uma cadeira como esta à noite, embora fosse na Inglaterra, onde nós crescemos antes de minha mãe assumir o conselho do Vault. Seus óculos pousavam na ponte de seu nariz e ele tinha de manter arrumando-o enquanto lia. Ele poderia ser mortal, mas também tinha uma leveza que fez a minha infância um pouco mais fácil. Ele tinha muitas vezes me sentado no colo e conversado sobre Vault e como tudo começou. Um governo secreto que não seguia as leis, mas tinham leis próprias. O seu objetivo foi retirar indivíduos que os governos não poderiam, devido às leis, política ou recursos. Mas isso mudou quando minha mãe assumiu. Ela nunca iria admitir a falta dele, mas eu sabia que partes dela sentia. Ela sentia, porque cometeu um erro fatal no dia que ela o matou — ela o matou. Em vez de anos de tortura, ela deu-lhe misericórdia. Ele também sabia disso. Essas foram as últimas palavras que


seus lábios sussurraram. Não podia ouvi-lo, mas eu sabia o que ele disse: — Obrigado. Mas nada disso importava mais. Tudo isso estava terminando. Eu fecharia a fundação Vault e isso incluía a minha mãe. — Eu não gosto dela. Suspirei. — Você não gosta de ninguém. E você está tornando isso pessoal. Ela se virou e seus saltos clicaram uniformemente na pedra enquanto ela caminhava até a janela. — Mas já é tarde. Eu disse a Brice para se livrar dela. A bile subiu na minha garganta e meu coração bateu contra a minha caixa torácica. Porra. Porra. Porra. Eu vi Brice na casa de Toronto do Vault e ele é um filho da puta frio. — Uma vergonha. — Eu vou destruir você. Levantei e me dirigi para a porta como se não desse a mínima. Como se eu não estivesse sendo dilacerado por dentro, com uma lâmina enferrujada. — Você realmente não se importa com ela? Você estava usando-a para Vault?


Fechei os meus olhos brevemente antes de me virar e enfrentá-la. — Não, não me importo. Você me ensinou muito bem. Mas, como já lhe disse antes, eu teria utilizado a inteligência dela. Era como se algo brilhasse em seus olhos, uma gota gananciosa de esperança pela utilização de uma outra pessoa para benefício próprio. — E você acredita que ela pode assumir o trabalho de seu pai? A garota ficou bastante lamentável e não terminou a sua faculdade. E de quem foi a culpa? Eu não tinha ideia se London poderia, mas isso não importava, nada disso importava. Eu vim aqui para tirar minha irmã Chess da prisão, para convencer a minha mãe que London era valiosa o suficiente para ficar em qualquer cela, botar London em segurança em Toronto e depois descobrir o que pudesse da fazenda, bem como detalhes sobre o membro anônimo do conselho. Não parecia que eu ficaria perto da fazenda, ou o membro do conselho, mas havia outras maneiras. — Sim. Ela começou a trabalhar ao lado do pai desde que era capaz de segurar um tubo de ensaio. Eu não teria tanta dificuldade por uma boceta, não importa quão boa ela fosse. Isso foi um mero bônus. — Foi a minha melhor mentira e ainda não havia sequer um lampejo de desconfiança na


expressão de minha mãe. — Mas você a fez sua prisioneira e a torturou de uma maneira que destruiu sua mente. — Kai, você conhece o protocolo. Não é tortura. Meramente métodos para persuadir, que tem sido usado por séculos. — Tortura. Eu sabia quais eram, porque eu as experimentei. — E você precisava convencê-la que o seu plano era matá-la? Ela riu, um som leve com babados que não combinava com a atitude dela. — Eu estou certa que você está ciente que a sua lealdade não está clara. Nós exigimos um teste. Eu sabia disso. — E se eu passar? — Não sem esforços, filho. — Eu não conseguia parar o tique na minha mandíbula quando ela me chamava assim. Eu não era o filho dela; eu era um produto do Vault. — Independentemente disso, a menina não foi tocada em semanas. Ela foi bastante resoluta até que você a visse. O que você disse a ela? E claro que minha mãe olhou para a câmera de segurança do dia em que fui à casa de Toronto para apagar o e-mail enviado por Tanner. Eu estava andando pelo corredor frio para porão escuro quando a ouvi — London. E continuei andando, mesmo chegando à porta, antes de me virar para


trás. Eu tinha que a ver, embora soubesse que não poderia tirá-la de lá. Aquele dia me destruiu. O que eu tinha para dizer a ela era pior. Felizmente, eu estava em um ângulo onde a alimentação da câmera de segurança não iria pegar minha expressão, porque se ela tivesse visto o olhar nos meus olhos, London estaria morta agora. — Exatamente o que ela precisava ouvir. — Disse para London aceitar sua finalidade, porque eu não tinha ideia de quando seria capaz de resgatá-la e, London... ela tinha esperança. Espero que tenha sido esmagada. — É melhor você estar certo sobre ela, Kai. Os outros membros do conselho podem não ser tão indulgentes como eu sou. — Eu ri porque ela nem sabia o que a palavra indulgente significava. — Ela confia em você. Podemos usar isso. — Confiava. Passado. Ela me odeia agora. Mas posso ser muito persuasivo... — O amor e ódio eram opostos completos; e ainda assim eles se cruzavam com tanta frequência, mudando os caminhos, muitas vezes, até que colidiam e faziam uma grande confusão quando se tornavam paralelos e encontravam a paz interior. Com London, o meu caminho nunca teve desvio, mas o dela foi testado novamente e novamente. Ela caminhou até a mesa e sentou-se.


— Eu vou informar Brice da mudança no plano. Eu quero ambos aqui na França. Tenho as cópias da fórmula de seu pai e ela pode começar a trabalhar na droga uma vez que aqui tenho um laboratório montado. Quando eu souber que ela pode fazer o que precisamos, então vou decidir se ela é valiosa o suficiente para se manter. Eu escutei, mas permaneci impassível. Ela digitou em seu teclado e com cada toque de seus dedos longos e finos, selou seu destino. — Vou aumentar a segurança em sua cela. Cadela. Mas era exatamente o que eu precisava saber e o propósito para a minha visita. Se eu tivesse tentado utilizar a minha impressão digital na cela de London semanas atrás, o lugar já teria sido bloqueado e um alerta teria sido enviado. O teste era uma das razões que tive que vir para a França em primeiro lugar. Mas cada peça estava caindo no lugar. — Então, há desconfiança. Eu fui leal a minha vida inteira. Ela não conseguiu olhar para cima enquanto continuava a escrever. — Sim. Mas as mulheres são a fraqueza de um homem. Como o meu pai. — E você teria enviado alguém para tentar me matar se eu falhasse no pequeno teste?


— Não, Kai. Eu teria torturado a garota e lhe feito ver. Então, eu a teria matado. E você viveria o resto de seus dias com aquela imagem na sua cabeça. ‘Má’ era uma palavra muito mansa para chamá-la. — Eu não tenho uma fraqueza. Você teve certeza disso. — Eu mantive minha voz neutra enquanto colocava em marcha o plano final. — Vou voar de volta esta tarde. — Você vai visitar sua irmã antes de sair? Tenho certeza que ela ficaria contente em vê-lo. — Eu estava fazendo muito mais do que uma visita. — Já permiti a ela um pouco de liberdade e acho que em poucos anos, talvez ela possa ser novamente utilizada. Claro, os fazendeiros teriam de tomar a decisão final. Escondi a ira girando com uma risada suave enquanto caminhava de volta para ela e em seguida, beijei a sua bochecha, com meus olhos brevemente indo para a tela de seu computador. Quase lá. — Mãe, você sabe que não dou a mínima para aquela vadia traidora. — As palavras eram atadas com uma zombaria, mas uma mentira. Se ela soubesse que eu me importava bastante com minha irmã, ela seria usada contra mim. Eu fazia questão de nunca perguntar sobre minha irmã e nunca tentei vê-la. Ela estalou a língua, mas pela forma como seus olhos azuis brilhavam, ela estava orgulhosa de minhas palavras.


Ela bateu em ‘Enviar’ o e-mail e fechou a tampa do seu laptop. — Eu removi a segurança em sua cela e Brice está esperando por você. Isso era tudo que eu precisava. Estava feito. Ela se aproximou e colocou a mão delgada no meu braço. Era como se um tubarão me mordesse. Meu estômago revirou de desgosto. Em uma suave carícia lenta, ela passou a mão até meu ombro e de volta mais uma vez. — E você está certo. Eu cansei. Sou dura com você porque tenho que ser. Eu quero que você esteja preparado para qualquer coisa. Eu estava. Sem emoção. Dividido. Eu cortei as gargantas de homens que tinham famílias. Destruí vidas. Eu fui preparado para a ruína e não importava como fizesse o trabalho, desde que fosse feito. Mas o que minha mãe não sabia ou entendia, era que nunca se roubava ou prejudicava a menina que pertencesse a um assassino cruel e frio.


Pedaços do que eles me fizeram começaram a lascar no dia em que eu conheci London e o filtro dentro de mim era um veneno de ação lenta. Um que comia a dormência, trazendo a luz, quando tudo que eu via era escuridão. Inclinei mais perto dela, minha mão na parte de trás de seu pescoço enquanto sussurrava em seu ouvido: — Talvez eu seja como meu pai. Porque sou um homem que fará qualquer coisa pela mulher que quero. — Ela ficou tensa e os vincos ao redor de sua boca acentuaram quando ela franziu a testa. — Eu gostaria de ter mais tempo para fazer justiça. Eu tinha a minha mão no bolso e a corda de piano em torno de sua garganta antes que ela tivesse a chance de tomar um fôlego final. Ela parecia um peixe fora d'água, batendo contra mim enquanto lutava para respirar. Eu segurei o fio apertado, sem perdão, sem sentimento pelo que estava fazendo. Suas unhas rasgaram sua própria pele frágil quando ela tentou afrouxar o fio. Suas pernas cederam. Sua selvageria e olhos horrorizados estavam mortos. Seu corpo caiu, flácido. Deixei-a no chão e coloquei o fio de volta no bolso. Então, agachei ao lado do corpo sem vida.


— London é minha e você fodeu com isso. Vault vai pagar por aquilo que tem feito.


Quatro anos, sete meses antes

O cabo de vassoura cavou em minhas costas e o cheiro de água sanitária queimou minhas narinas. Eu derrubei o frasco de desinfetante quando ouvi as vozes e o líquido vazou pungente do bico sobre o chão azulejado. A porta do armário de armazenamento no laboratório de meu pai estava entreaberta. Eu não liguei a luz quando vim pegar um rolo de papel toalha, então estava parcialmente escondida na escuridão. Fiquei fora da linha direta de visão do estranho. Concentrei-me em meus batimentos cardíacos e na minha respiração irregular sufocando, minhas mãos não afastaram quando eu o assisti deslizar o dedo sobre a superfície brilhante de sua faca. E não era uma faca de


manteiga. Era uma lâmina de seis polegadas com uma borda serrilhada

e

contrariando

completamente

o

olhar,

um

empresário a segurava em sua mão, na frente dele. O estranho caminhou casualmente mais perto do armário, depois parou a centímetros de distância. Quando inalei, o aroma de sua cara colônia encheu meus pulmões e eu engasguei. Puta merda. A familiaridade enviou uma onda reconfortante de calor através de mim. Eu conhecia o cheiro. Eu nunca o esqueci, mas era óbvio que este homem não era reconfortante ou seguro. Ele usava um terno preto impecável, camisa listrada que tinha os dois primeiros botões abertos, sem gravata e por algum motivo me pareceu apropriado, como se uma gravata fosse muito restritiva. Ele parecia estar nos seus trinta anos e, provavelmente, tinha mais de um metro e oitenta e três. Pela maneira como se portava, não havia uma polegada dele que não tivesse músculos, embora fosse mais endurecido do que volumoso. Independentemente da ameaça que transmitia, ele parecia completamente relaxado, como se estivesse acariciando um gatinho e não uma arma mortal. Eu esperava que ele me visse. Me ouvisse. Que decidisse jogar a faca, furando meu peito para silenciar meu coração acelerado. Mas o que eu estava mais preocupada era com o meu pai que estava no laboratório com esse cara. Deus, Pai, o que está acontecendo? Quem é ele?


Desde que comecei a andar, costumava ajudar meu pai no laboratório. Apesar de que, nessa idade, eu não ajudasse muito, mas meu pai nunca parecia entender. Eu sabia a tabela periódica antes de saber a tabuada e conduzi experimentos durante o ensino médio em vez de aderir a todas as atividades da turma. A ciência era minha paixão e não havia nada que me agradasse mais do que experimentar diferentes compostos e pesquisar os efeitos. Quando comecei a faculdade, minha carga de trabalho tornou-se muito pesada e eu passava menos tempo no laboratório do meu pai e mais tempo no laboratório da escola com a minha cabeça em meus livros. Mas, ultimamente, notei que meu pai parecia agitado e cansado. Eu decidi ir para o seu laboratório e depois levá-lo para jantar no domingo. Ele estava pálido, com olheiras sob seus olhos e perdeu um monte de peso. Quando eu perguntei se estava se sentindo bem, ele disse: “É claro”, então ele mal tocou em seu prato. — Eles ficaram bastante... desagradados com seu último e-mail. — A voz rouca do estranho desencadeava arrepios pela minha espinha e os meus dedos enrolaram em meus tênis de corrida. Seu tom era calmo, com uma sugestão britânica acentuada, soando quase entediado. Mas por baixo, ela passava o perigo. Mordi o lábio inferior tão forte que provei sangue. Ele inclinou a cabeça na minha direção e eu prendi a respiração. Esperei por ele chutar a porta e me arrastar para


fora. Rezei para que as sombras que me mantivessem escondida o suficiente, mas se ele virasse a cabeça um pouco mais… Ele não o fez. Em vez disso, ele inclinou a cabeça para baixo, para a ponta em sua faca, fazendo com que alguns fios de seu escuro cabelo castanho-avermelhado caíssem para a frente e tocasse as maçãs do seu rosto definido. Não havia dúvida de que ele era atraente, mas se alguma vez houve um momento para usar a expressão idiomática 'as aparências enganam', era agora. — Isso é delicado e os recursos são difíceis... — A voz do meu pai cortou quando o homem abruptamente interrompeu. — Desculpas não são uma opção. Eu tinha o desejo de sair do armário com a vassoura e esmagar a cabeça do cara. Mas nunca fui uma lutadora e eu, com certeza, não poderia ganhar de um cara como este. Mas não importa o quão sem sentido fosse tentar pegar uma faca de um homem mortal que, obviamente, a tratava como se fosse uma parte dele, eu não ia ficar aqui sem fazer nada se ele atacasse o meu pai. Eu olhei para o meu telefone que estava ao lado do computador do outro lado da sala. Mesmo que o tivesse comigo, ele veria a luz na tela no momento que eu pressionasse um botão. Ele abaixou a faca para o lado, em seguida, virou lentamente a cabeça e seus penetrantes olhos verdes para o


armário. Rapidamente fechei os meus olhos, com medo que ele fosse ver o branco deles em chamas na escuridão. Meus músculos estavam tensos e tremiam, aproveitando cada nervo do meu corpo. Oh, Deus, não me veja. Não me veja. Eu olhava para espiá-lo e fui recebida por uma contração leve no canto de sua boca como se... como se ele soubesse que eu estava aqui. Mas ele não me arrastou para fora; em vez disso, ouvi uma risada suave enquanto ele se afastava. Abri os olhos e inspirei silenciosamente. O tremor no meu corpo era tão forte que a vassoura pressionada em minhas costas vibrou. Eu rapidamente me afastei e minhas pernas fraquejaram. Coloquei minha mão sobre a parede de suporte, enquanto eu olhava para a prateleira à minha frente, em busca de qualquer coisa que eu pudesse ser capaz de usar como arma se precisasse. Prateleiras de toalhas de papel. Recipientes de sabonete. Garrafas de desinfetantes. Onde estavam os martelos e pistolas de pregos quando você precisava deles? Merda, eu teria que recorrer ao uso da vassoura se necessário, e, sem dúvida, rir e depois morrer. Dei alguns passos para frente para espiar a porta e o vi encostado ao balcão onde haviam vários computadores. Ele cruzou os tornozelos e os braços, a faca se foi, pelo menos


escondida da minha linha de visão. Meu olhar bateu no saco de couro roxo ao lado dele. Minha bolsa. Merda. Ok, ela poderia pertencer a alguém. Exceto que o meu pai sabia que era minha. Se ele tivesse visto isso? Será que ele sabia que eu estava aqui? — Kai, por favor. Preciso de mais tempo para chegar ao resultado. Kai? Eu nunca ouvi meu pai mencionar o nome e com certeza nunca ouvi meu pai com a voz trêmula antes. Ele sempre foi tranquilo, estável e sólido. Minha mãe foi a instável e extravagante desde que eu me lembrava dela. Ela morreu em um incêndio quando eu tinha quatorze anos de idade. Sua vasta riqueza foi deixada para o meu pai e ele a usou para iniciar o seu próprio laboratório. Mas ele nunca foi o mesmo depois que ela morreu, foi ficando cada vez mais recluso passando a maior parte de seu tempo no laboratório enquanto uma babá cuidava de mim. — Eles estão cansados de esperar. Você sabia o fim do prazo. — Por favor. — A voz do meu pai levantou, com pânico. — Preciso de mais dois meses. — Você teve anos. Seu tempo acabou. O quê? Meu pai estava trabalhando em algo para este homem durante anos? Quantos anos? Por quê? No que ele


estava trabalhando? Tinha que ser uma droga, mas que tipo de droga? Kai enfiou a mão no paletó e tirou a faca. Meu coração disparou e eu queria desviar o olhar, mas não consegui. Com a ponta de sua lâmina, ele a colocou sob uma das alças da minha bolsa e com um leve empurrão para cima, ele cortou o couro. Oh, merda. Ele

levantou

o

queixo

e

olhou

para

o

armário,

levantando as sobrancelhas com um leve sorriso. Eu ouvi meu pai suspirar sobre o teste, mas as palavras foram perdidas pelo medo que senti. Minhas unhas cavaram o gesso quando seu olhar permaneceu fixo no armário. Impressionante foi a palavra que me veio à mente quando eu olhei para ele. A segunda palavra era letal. Intenso, mandíbula esculpida e combinando com as maçãs do rosto — cinzeladas e impecáveis, assim como o seu terno caro. Havia um olhar do velho mundo nele, que combinava com sua expressão confiante. Não, era mais do que confiante. Ele era destemido, como se não tivesse nada a perder, como se nada pudesse tocá-lo. E mesmo se eu pudesse por algum milagre alcançar o meu telefone e chamar a polícia, eu suspeitava

que

ele

simplesmente

fosse

rir

com

a

inconveniência de ter que levar seu terno para lavandeira depois de matar qualquer um que tentasse detê-lo.


Mas foram seus olhos que me cativaram e não me deixaram ir. O jade profundo que enchia de diversão, misturado com um brilho perigoso, um contradizendo completamente o outro. E apenas quando eu pensei que ele fosse vir e me arrastar chutando e gritando do armário, ele colocou a faca longe e dirigiu seus olhos em meu pai, que eu não podia ver. — Você tem uma semana. Meu pai cuspiu: — Kai, isso é impossível. Por favor, você tem que dizerlhes que eu não posso terminar nesse prazo. Faça-os compreender. Kai riu e o som era magnético, como se sua voz sozinha pudesse raptar você e obrigá-la a fazer qualquer coisa que ele mandasse. — Seu equívoco da situação é bastante divertido, Dr. Westbrook. — Ele se afastou do balcão. — Tenha um carregamento da droga pronta dentro de uma semana. Engoli em seco quando seu olhar se voltou para o armário novamente e inclinei-me mais para trás para as sombras, só fui capaz de pegar um vislumbre de um lado de seu rosto. Meu coração bateu tão alto que eu jurava que ele poderia ouvi-lo. — Caminhe comigo, doutor. — Ele se moveu para fora de vista e eu quase caí no chão quando todos os meus


músculos relaxaram e o tremor acalmou. Ok, ele não iria prejudicar meu pai, pelo menos por agora e nós poderíamos chamar a polícia e eles lidariam com ele. — Você tem uma linda filha. Minha cabeça se chocou contra a parede. Oh, Deus, ele me viu. Mas como ele sabia que eu era a filha do Dr. Westbrook? — Não se atreva a tocar nela! — meu pai gritou. Meu pai nunca levantou a voz com raiva, ele raramente ficava irritado. Ele afirmava que a emoção enfraquecia e não conseguia nada mais do que fazê-lo agir irracionalmente. A voz de Kai se reduziu. — Se isso der errado, não vai ser eu a tocá-la... infelizmente. Minha respiração engatou. Eu ouvi a porta automática deslizar à frente com um assobio e em seguida, fechar novamente. Eu desmoronei contra a parede, deslizando lentamente para baixo até a minha bunda bater no duro piso de linóleo. Suas palavras repetiram várias vezes na minha cabeça. “Não vai ser eu a tocá-la... infelizmente.” Esperei cinco minutos para o meu pai voltar, mas como ele não voltou, peguei meu celular e minha bolsa com a alça cortada e deixei o laboratório.


Quando passei pelos rostos familiares no edifício, eu perguntei se alguém viu o meu pai. Ninguém o vira e meu medo se intensificava a cada passo apressado para o meu carro. Eu procurei no estacionamento por sua Mercedes prata, mas não estava no lugar de sempre. Será que ele foi para casa? Por favor, faça-o ter ido para casa. Eu corri o resto do caminho para o meu carro, discando para o celular do meu pai pela quinta vez, que se manteve caindo direto no correio de voz. Pai, vamos lá, atenda. Mas era habitual para ele não ter seu telefone. Era por isso que se precisasse dele, eu vinha direto para seu laboratório porque ele sempre estaria aqui. Baixei meu telefone e desbloqueei as portas do meu carro. Olhei para a minha mão e vi o tremor. Eu era normalmente firme e calma, como o meu pai, mas não havia nada disso em mim naquele momento. Eu me senti como se um fogo de artifício queimasse lentamente, pronto para estourar em faíscas de emoções. Pulei no carro e fechei a porta, jogando minha bolsa e celular no banco do passageiro e inclinei minha testa contra o volante enquanto tentava recuperar um pouco da calma que foi sufocada pela imagem do homem que me assombrava. Eu era boa em descobrir as coisas, conectando peças do quebra-cabeças, mas nada disso fazia sentido. Como poderia meu pai estar trabalhando em algo durante anos e nunca ter


me contado nada? Por que ele iria trabalhar com um homem como Kai? Eu fiquei rígida e congelei quando os cabelos na parte de trás do meu pescoço se levantaram como pequenos soldados em alerta e meu coração parou momentaneamente. Oh Deus. Aquele cheiro. Ele estava no meu carro. Ele. Eu lentamente avancei a minha mão para a maçaneta da porta. — Não é uma boa ideia, — ele murmurou. — E eu sei que você é uma garota inteligente, London. Parti para ação, mergulhando para a porta com as duas mãos, mas a faca estava sob meu queixo antes de destrancála. O grito emergente trancou em minha garganta, enquanto eu me

acalmava,

ofegante, peito

subindo e descendo

rapidamente, esperando a lâmina fatiar toda a minha jugular. —

Ligue

o

carro

e

saia

tranquilamente

do

estacionamento. A faca deixou minha garganta e eu olhei no espelho retrovisor quando ele se inclinou para trás contra o assento, como se estivesse indo para um passeio ao supermercado. Ele não parecia com raiva, apenas irritado com este inconveniente, pressionados.

suas

sobrancelhas

e

lábios

levemente


Liguei o carro e o deixei parado por um segundo enquanto o meu cérebro calculava minhas opções. — Cinto de segurança, minha querida. — disse ele. ‘Nunca deixe que eles a levem para um segundo local’ repetia na minha cabeça. Estendi a mão para o meu ombro e puxei o cinto em todo o meu corpo. Fingi que me atrapalhava com o clipe e inclinei a cabeça um pouco para ver se ele estava me observando. O bastardo estava enviando mensagens de texto. Mensagens. Como se ele fosse fazer arranjos para o jantar ou conversar com um amigo sobre um jogo de futebol. Soltei o cinto e vi que ele ainda não se moveu do lugar antes que eu tivesse a minha porta aberta e um pé fora do carro. Ele estava a meio caminho sobre o assento quando seu braço enganchou meu pescoço. Seu aperto não estava me estrangulando, mas era firme então fui forçada a voltar para o carro. Suas palavras geladas me atingiram quando sussurrou em meu ouvido. — Você quer que seu pai viva? Engoli em seco e assenti. Ele deslizou o lado liso de sua faca por cima do meu queixo. — Bom. Eu também.


Engoli em seco e a pressão da faca aumentou enquanto acariciava minha garganta com ela. Eu vi como cortou facilmente a alça da minha bolsa. Eu sabia que com pouco esforço ele teria cortado minha pele delicada. Ele me soltou e o assento de couro rangeu quando ele voltou a se sentar. — Feche a porta e comece a dirigir. — O que você quer? — Oh, haverá muito tempo para perguntas, London. A forma como a sua voz, com sotaque arrastado, falou meu nome era como se eu já o tivesse escutado dizer isso antes. Mas não era o meu nome; isso só pode ser outra coisa. Mas isso era impossível. Eu nunca conheci esse cara antes, pois ele não era alguém que você facilmente esqueceria. — Onde está o meu pai? – Será que ele o machucou? Talvez fosse por isso que ele não tivesse voltado para o laboratório. Meu aperto no volante aumentou e meu peito doeu com o pensamento. — Eu suspeito que a caminho de casa para se servir de uma bebida. — Meu pai não bebe. — eu soltei. Ele não tocou em álcool desde a morte da minha mãe. Eu acho que ele se sentia responsável pela morte dela de alguma forma, embora ele não fosse. Minha mãe era uma alcoólatra e uma fumante descuidada. De acordo com os bombeiros, o descuido a


matou. Mas o meu pai levou a responsabilidade em seus ombros, por tudo. Olhei pelo espelho retrovisor e ele encontrou meus olhos como se esperasse que eu olhasse para ele. Os cantos de sua boca se curvaram. — Um homem inteligente. Mas eu já sabia disso. — Ele se inclinou mais perto, com os cotovelos descansando na parte de trás da minha cadeira, lábios a polegadas do meu ouvido enquanto ele sussurrava, — Dirija, minha pequena e brava cientista. Como ele sabia que eu era uma cientista? Ou melhor, estudava para ser uma? Botei a alavanca do câmbio na primeira marcha e, lentamente, saí do estacionamento. O braço do portão automático levantou para nos deixar passar e eu desejei que houvesse os antigos guardas de segurança em vez do controle no meu painel de controle. Tantos pensamentos giravam na minha cabeça... Eu poderia bater em uma árvore e esperar escapar. Isso seria uma possibilidade, se não me matasse. Ou se eu fosse até o limite de velocidade, talvez nós passássemos por um policial e fossemos parados. Ou eu poderia… — Você é linda. — Sua voz profunda fez com que eu saltasse e o carro desse uma guinada para frente. — Mas quando você está contemplando fugir, é bastante... adorável.


Adorável? Eu nem sequer pensei que a palavra estivesse em seu vocabulário. — O que você quer com o meu pai? — Você não está preocupada com o que eu quero com você? — Não. — Estava, mas ele era tão arrogante que eu não tinha a intenção de dar-lhe a satisfação de saber que estava completamente aterrorizada exatamente com ele. Eu peguei o seu reflexo no espelho e ele sorriu. Por um breve segundo, um lampejo de alívio me aqueceu, porque seu sorriso

era

hipnotizante.

Não

era

mau

ou

malicioso,

simplesmente tinha um olhar envolvente. E isso era porque ele parecia mais perigoso — porque ele estava enganando. — E você já ouviu o suficiente para saber o que eu quero. Você é inteligente, London. Talvez até muito inteligente para o seu próprio bem. E, eu entendo que você está prestes a se formar com todas as honras em farmacologia e toxicologia. Impressionante. Seguindo os passos de seu pai. Eu aconselho a não seguir muito longe. Seja lá o que porra isso significasse. Olhei para o meu velocímetro, pressionando lentamente o acelerador que agora já estava indo vinte acima do limite de velocidade. Necessitava mantê-lo falando para que ele não percebesse o quão rápido estávamos indo. — Eu vou me atrasar para a aula.


— As suas aulas são durante o dia. Eu endureci. Como ele sabe disso? — É uma aula de ioga. Ele riu. — Você não faz ioga. Porra. Quem era esse cara? — Bem, eu não fazia, mas agora eu faço. — Claro que isso era uma mentira, porque eu mal podia tocar os dedos dos pés sem ter a mente se transformando em um pretzel. — Mmm, eu acredito que você está mentindo, mas vou deixar passar... por agora. — Ele se moveu e foi rápido, ágil como uma pantera elegante. Mortal. Ele tinha as mãos sobre os meus ombros, apertando, mas não era doloroso. — Devagar, diminua e tome a estrada de terra lá na frente à sua direita. Estrada? Não era uma estrada, mais como uma divisão de árvores que levava para a floresta. Tudo o que eu podia imaginar era o meu corpo sendo encontrado no meio do nada, dilacerado por animais selvagens. Eu não estava pronta para morrer. Não iria. Posso não ser uma lutadora, mas com certeza vou lutar com tudo que eu tenho para sobreviver. — Você que vai me matar? Ele suspirou.


— Você está deixando sua imaginação brincar com você. Eu não tenho nenhuma intenção de ferir você — a menos que você me machuque em primeiro lugar. Eu interiormente bufei com o pensamento. Não poderia imaginar alguém sendo capaz de ferir este homem. Fiz como que ele instruiu e o carro saltou quando se arrastou pelo trajeto arborizado até que eu vi outro carro estacionado em frente. — Estacione atrás dele, em seguida, me dê as chaves. Assim que estacionei, ele saiu do banco de trás, mas não fechou a porta e eu sabia o porquê, então não o olhei. Não que isso fosse detê-lo por muito tempo já que ele tinha as chaves. Porém, eu tinha meu celular. Rapidamente o procurei quando ele educadamente abriu a minha porta como se fosse meu encontro. — Fora. — Ele estendeu a mão para ajudar, mas ignorei. Ele pegou minha mão de qualquer maneira, seus dedos envolvendo o meu pulso. Quando me levantei, quase entrei em colapso, porque minhas pernas tremiam muito. Ele deve ter notado, porque ele inclinou-me contra o carro. — Jogue o celular de volta para o carro.


Eu cerrei os dentes, fiz o que ele ordenou e ele fechou a porta. — Não se mova, — disse ele. Ele caminhou até seu carro, seu terno caro fazendo-o parecer completamente fora de lugar no meio do bosque. Olhei para a rua e me perguntei se poderia correr antes que ele me pegasse. Ele estava usando sapatos sociais e eu estava com meus tênis de corrida. Eu poderia correr. — Minha faca é mais rápida do que você, — disse ele, sem sequer olhar para mim por cima do ombro. Merda. Ele abriu a porta do carro, inclinou-se e colocou a mão dentro. Eu esperava que ele puxasse uma arma, mas em vez disso, ele pegou outro telefone celular. Ele tinha um no bolso que esteve enviando mensagens no meu carro. Tocou a tela E colocou-o ao ouvido. — Ele quer dois meses. — E caminhou lentamente em minha direção. A cada passo mais perto, meu coração batia mais rápido. — Sei o que tenho que fazer. — Ele parou na minha frente e isso fez a minha respiração acelerar enquanto eu olhava para ele. Deus, não houve um lampejo de incerteza nele. Era como se o mundo funcionasse à sua vontade. Ele o possuía.


Possuía-me.

Possuía

meu

pai.

Possuía

o

chão

ensanguentado. Ele ficou a centímetros de distância, seus olhos presos nos meus enquanto ouvia quem estava do outro lado. Eu não podia ouvir o que estava sendo dito e sua expressão indiferente não conseguia demonstrar se ele estava satisfeito ou chateado com as suas palavras. — Eu a tenho, — disse ele em um tom abrupto, seus olhos escurecendo. — Eu vou lidar com a situação como sempre faço. — Ele endureceu e sua mandíbula apertou. Lambi meus lábios secos, recusando-me a olhar, mas os nervos do meu corpo provocaram uma antecipação. Do que, eu não tinha certeza, ainda. E acho que era essa a sua intenção. Ele estendeu a mão e antes que eu pudesse me mover, a mão curvou em torno da parte de trás do meu pescoço, me arrastando para mais perto. Fiquei tensa quando as faíscas de alerta se transformaram em labaredas de emergência e meu peito subia e descia de forma irregular. Ele, então, zombou ao telefone dizendo: — Ele vai receber a mensagem. Seus dedos apertaram quando tentei voltar e estremeci sob a pressão. O olhar em seus olhos mudou para diversão novamente, quando seu duro e musculoso corpo fechou o espaço entre nós.


Ele me irritou e eu não me importo se ele tentar me matar, eu ia correr. Levantei meu cotovelo e bati com o braço tão forte quanto podia, desalojando seu aperto no meu pescoço. Abaixei e mergulhei por debaixo do seu braço. Ele me seguiu, seus dedos agarrando a manga da minha camisa. O material cedeu com a pressão e rasgou, mas eu estava livre. Corri em direção à estrada. Meu coração disparou no peito e tropecei em meus pés trêmulos. Eu não era uma corredora, mas a minha vida agora dependia disso. O som de seus passos me perseguindo era algo que eu nunca esqueceria. A minha vida foi passando diante de mim. A chocante realidade de que ele iria me machucar me sufocava. Que eu poderia morrer. Esperei a dor de sua faca me derrubar. Esperei por seu corpo me prender no chão. Eu me recusei a esperar e virar mais uma estatística. Uma garota que não correu, que não lutou. Ele estava bem atrás de mim. Oh Deus. Seus passos estavam mais perto e eu podia ouvir a sua respiração. Mais próximo.


Sufoquei um grito quando seu braço enganchou na minha cintura. — Não. Deixe-me ir! — gritei quando minhas pernas continuaram a se mover, mesmo depois dele facilmente me arrancar do chão. Seu braço apertava enquanto seus lábios encontraram meu ouvido: — Agora, eu respeito você. O quê? Esse cara era fodido? Eu chutei para trás e pela primeira vez, desejei estar em saltos altos quando meu tênis bateu em seu joelho durante a minha corrida. Ele não recuou, mas me fez deslizar pelo seu corpo até que eu fosse capaz de ficar de pé novamente. — Eu não dou a mínima, idiota. — Pisei no pé dele tão forte quanto podia, então, empurrei meu cotovelo novamente nas suas costelas, mas ele me abraçou tão forte que não tive qualquer chance de me mexer. — Eu gosto de você. Mas então, eu já sabia disso. — Bem, eu não gosto de você. Ele riu. — Não quero que você goste. Isso seria perigoso para nós

dois.

Além

disso,

minha

ligeiramente se você gostasse. Ele era um bastardo.

vantagem

iria

diminuir


Com o peito duro pressionado contra mim, me guiou para o carro. Ele foi gentil quando me empurrou para o lado dele, e então inclinou-se para pegar o telefone que tinha, obviamente, caído quando eu corri. A água pingava do dispositivo e mordi o lábio quando vi a poça rasa por onde passamos. Ele o limpou nas calças, brincando um segundo, depois suspirou. Abriu o apoio e pegou o cartão SIM, deixou cair o telefone no chão e esmagou-o com o calcanhar. O plástico rachou com a força. Olhei para o lado. Talvez pudesse fugir pela floresta. Eu era menor e... — Fuja novamente e respeitando ou não, a minha faca vai ser a única a persegui-la da próxima vez. — Ele chutou o telefone para o mato. — E nunca perco o meu alvo. Eu levantei meu queixo e cruzei os braços sobre o peito. — O que você quer comigo? — Eu hesitei, em seguida, acrescentei, — Kai. Ele sorriu quando eu disse o seu nome. Era um sorriso formado lento, como se estivesse satisfeito comigo. — Eu não quero nada de você. — Ele parou como se esperasse que eu fizesse alguma coisa. Eu não fiz. — Se você cooperar, é claro.


— Por que você está fazendo isso? Por que você está ameaçando meu pai? — Quanto menos você souber, melhor. Mantenha-se viva. — Juro que meu coração foi para a boca do meu estômago. — E eu prefiro você viva. — Por que? Você, obviamente, me trouxe aqui por uma razão. — Eu trouxe. — Você vai me dizer? —O medo catapultou para outro nível enquanto esperava que ele me dissesse, ou não. De qualquer maneira, não era bom. — Eu fui colocado em uma posição difícil. — Será que me importo? Bem, eu me importava se isso significasse que ele tinha que me matar. — Eu queria mantê-la longe disso, é claro, mas seu pai tornou isso impossível. — Se ele diz que precisa de mais tempo para o que ele está fazendo para você, então precisa. Meu pai não mente. — Nunca disse que ele estava mentindo. — Então, por que não lhe dá mais tempo? Ele deu de ombros. — Não sou eu que decido. — Então, como se algo viesse a ele, um flash de diversão atingiu os seus olhos. — Talvez, você possa ajudá-lo.


— Eu? — Provavelmente sabia o suficiente, mas não tinha a intenção de ajudar em qualquer droga ilegal que meu pai estivesse fazendo. E estava, maldição, bastante certa de que era ilegal e era por isso que ele nunca mencionou isso para mim — por anos. — Não sou experiente o suficiente. — Oh, eu acho que você é, London. — Minha respiração engatou quando ele se aproximou, para ficar muito próximo de mim. Deus, ele parecia tão confiante. O que mais me irritou era que ele estava certo. Eu faria qualquer coisa para ajudar o meu pai. — E se ele não tiver algo pronto para nós em uma semana, haverá consequências. Eu endureci. — Que tipo de consequências? — Se eu lhe dissesse, então só teria tempo para se preparar, para consequências... desagradáveis. Puta merda. Que porra é essa? Quem era esse cara? — Você vai matá-lo? — Meu estômago embrulhou quando eu disse as palavras. Ele me olhou por um segundo, não dizendo nada e prendi a respiração à espera de sua resposta. — Essa decisão não é minha. Eu não tinha tanta certeza sobre isso. Kai parecia ser o tipo de cara que fazia tudo o que queria.


Eu ligaria para a polícia no segundo que ele me deixasse. Eu não me importava com o que ele me ameaçava. Ele não poderia ir longe com isso. Quem quer que fosse para quem ele trabalhava, a polícia poderia lidar com isso e meu pai e eu poderíamos ir para custódia protetora ou algo assim. A brisa quente tocava seus escuros e grossos cabelos fazendo os fios caírem na frente de seu olho direito. Ele não se incomodou em afastá-los quando seus olhos se focaram em mim. — Eu posso ver sua mente brilhante trabalhando para tentar chegar a algo, mas não há nada que você possa fazer aqui. Se você decidir que ir para as autoridades, é uma sábia escolha, ou, por todos os outros meios. Exceto que sei que isso tudo vai evoluir para algo que você e seu pai não vão gostar. Consequências, London... E não há nenhum lugar que você possa se esconder onde você não possa ser encontrada. — Ele suspirou. — Eu prefiro que isto termine muito bem para você. Minhas unhas se enrolaram em minha blusa tão forte que senti uma lágrima. Acreditei nele. Acreditei em cada aterrorizante palavra da sua boca. Mas eu tinha que ajudar meu pai. Ele era tudo o que eu tinha. Nenhum outro parente. Não tinha amigos próximos, desde que tudo o que fiz foi focar na escola. Tive a minha babá, Lila, que viveu com a gente depois que minha mãe morreu até que eu fiz dezoito anos. Lila não fui muito comunicativa com seu inglês pobre. Mas ela adorava cozinhar e me deixava fazer o que eu quisesse,


que era passar o tempo com minha cabeça enterrada em meus

livros.

Quando

fiz

dezoito

anos

e

comecei

a

universidade, ela voltou para sua casa na Suécia e eu nunca mais ouvi falar dela. — O que você vai querer para ajudá-lo? — O homem tinha que querer algo mais. — Nada. — Por que merda você me sequestrou? Só para me dizer que não posso fazer nada? Por que me trazer no meio do nada? — Eu sabia que a polícia teria sido a segunda ligação que você faria depois de seu pai. Como disse, você não está fazendo uma boa escolha e precisava ser avisada disso. Além disso, isto não é um sequestro, apenas uma reunião de negócios. Eu bufei. Ele riu, o verde em seus olhos parecia com uma iluminação suave quando rugas apareceram ao redor deles. Eu estava apostando que ele seria um daqueles caras que se tornam mais atraentes com a idade, se isso fosse possível; ele já estava muito atraente, infelizmente. Todo riso deixou seu rosto. — Tenha cuidado, London. Você é um peão em um jogo perigoso e pode acabar ferida. E quando digo ferida, é além de qualquer coisa que você jamais imaginou.


— Então, por que não me mata agora? — Eu gritei. — Eu disse a você, eu prefiro que você viva. — O que eu devo fazer, porra? — Nada. Você não precisa fazer nada, London. Essa é a questão. Você não fala disso para ninguém, incluindo seu pai, ou isso não vai acabar bem. Preciso que você fique o mais longe que você puder. — Ele jogou as chaves do meu carro para mim e disse: — Não posso protegê-la se você não seguir as regras. Me proteger? Do que ele estava falando? E por que merda ele iria querer me proteger? Ele virou, caminhou até seu carro e entrou. Em nenhum momento olhou para trás. Eu poderia ter uma arma em meu carro—coisa que nunca teria, por ser altamente ilegal — e atirado nele pelas costas. Era como se ele não se importasse. Independentemente disso, eu não era uma assassina. Nunca segurei uma arma, nunca ameacei ninguém e nunca o faria. Minha vida toda foi sobre o estudo da ciência, a fim de ajudar as pessoas. Para salvar vidas. Oferecia-me como voluntária em um dos abrigos, pelo menos uma vez por semana. Eu mesma comecei a conhecer alguns dos menos afortunados, aqueles que, como Ernie, via todos os dias perto do meu prédio. Tinha que haver algo que eu pudesse fazer para ajudar meu pai. Eles que temiam que ele não fosse terminar o que


quer que estivesse trabalhando? Por que não lhe dar os dois meses que necessitava? E o que aconteceria quando ele terminasse? Será que eles o matariam, porque já tinham o que queriam? Seu carro ligou e eu tive segundos para decidir se o que eu estava pensando era uma boa ideia. Mas era tudo que eu tinha. Deus, sabia que nada de bom poderia vir do que estava prestes a fazer, mas a vida do meu pai estava em jogo e eu faria qualquer coisa para ajudá-lo. E, apesar do que Kai disse, acho que ele poderia tomar decisões, se assim decidisse. O carro começou a vir em minha direção e eu pisei na frente dele. Eu quase pulei para fora do caminho quando ele não parou em primeiro lugar e, no último segundo, pisou no freio. O para-choque levemente bateu em minhas coxas me fazendo recuar um passo. O para-brisa dianteiro refletia a sombra das árvores frondosas, mas peguei um vislumbre do estreitar de seus penetrantes olhos verdes. Dei um passo para trás quando ele saiu do carro e fechou a porta — com força. Dei um passo para trás, de novo, enquanto ele caminhava em minha direção até que estivesse a centímetros de mim. Ele não estava me tocando, mas, com certeza, senti como se estivesse. Recuei um pouco mais quando ele disse:


— Você quer ser corajosa e então, seja corajosa. Não apenas me irrite. Jesus. Um calor inundou meu rosto com suas palavras duras. Engoli em seco, minha garganta apertou enquanto tentava chegar às próximas palavras. — Eu acho que você pode tomar a decisão de lhe dar mais tempo. Ele não disse nada. Eu engoli o caroço na minha garganta. — Se você está preocupado que ele não vá terminar o que está fazendo para você ou que vá fugir, então me leve. Me prenda até que ele termine, então você nos deixará. Arregalando os olhos e levantando as sobrancelhas, ele pareceu surpreso e não importava o que eu tivesse acabado de negociar, isso me agradou. Então, qualquer quantidade de confiança que eu tivesse foi lavada quando ele riu. Sua cabeça inclinou para trás e o som rouco ecoou na floresta isolada. Pássaros fugiram da copa das árvores e não os culpei. Eu gostaria de voar para longe. — O que faz você pensar que quero lhe comer? Ou que você valha a pena. Era como se ele me batesse no estômago com um taco de beisebol.


— Deus, isso... não é isso que eu quis dizer... apenas significava manter-me... até que ele termine. — Eu sei exatamente o que você quis dizer, — ele falou com um sorriso brincalhão. A raiva cobriu qualquer sensibilidade que poderia ter quando levantei minha mão e lhe dei um tapa. Ele não revidou. Nem mesmo um movimento da cabeça com o impacto. Mas seus olhos se estreitaram e os lábios se apertaram. — Você é um idiota. Você gosta de assustar as mulheres? Trazê-las para a floresta pensando que elas vão ser estupradas e assassinadas? Você é nojento. — Levantei meu braço para bater novo e ele agarrou meu pulso antes que fizesse contato. — Pare de fingir ser corajosa, London. Deixarei você ir, com o aviso de que meus colegas querem algo muito diferente. Não me faça me arrepender da minha decisão. Meu sangue disparou por minhas veias quando os nossos olhares se encontraram. — Então, você pode dar-lhe mais tempo se você quiser? Ele não disse nada, olhando diretamente para mim. Eu estava tentando ser corajosa. Deus, eu nunca fui mais corajosa do que era naquele momento, mas ainda estava apavorada.


— Não machuque o meu pai. Por favor. Você pode terme...— Rapidamente fechei meus olhos enquanto continuava, — da maneira que você quiser. Seu aperto afrouxou no meu pulso, mas ele não me soltou. — Não como mulheres relutantes. Eu endureci. — Eu estaria disposta. Eu estou disposta. Ele se moveu rápido quando me agarrou pelos ombros, me girando e empurrou para trás alguns passos até minhas pernas atingirem o para-choque. Caí para trás deitada sobre o capô do carro. Eu apoiei-me nos cotovelos para levantar, mas quando consegui, ele se inclinou sobre mim, com as mãos em ambos os lados da minha cabeça. — Você está? Porque eu acho que você poderia dizer ou fazer qualquer coisa para protegê-lo. Isso não é estar disposta. Isso é simplesmente estúpido. Fiquei espantada com as suas palavras porque vi sua expressão — desejo. Minha palma pinicava pra caralho, do tapa e ainda assim eu queria machucá-lo novamente. Mas duvidava que esse homem jamais pudesse ser ferido. — Se você me der tempo, posso conseguir dinheiro, ao invés. — Eu tinha um fundo fiduciário, da minha mãe, mas


precisaria de alguns dias para obter acesso à quantidade de dinheiro que ele iria querer. — Não precisamos de dinheiro. — O que você precisa, então? Tem de haver alguma coisa. Eu o ouvi xingar baixinho e o som frustrado não combinava com ele. Ele mudou seu peso para um braço, então, levantou o outro e sua mão veio para o meu rosto. Eu fiquei tensa, mas não me movi. Ele acariciou um dedo lentamente sobre os meus lábios entreabertos. — Estar comigo... você não sabe o que está negociando. Não sabia, mas dormir com este homem era um sacrifício que eu estava disposta a fazer. —

Estou

plenamente

consciente

do

que

estou

barganhando. Ele fez uma pausa, me olhando para avaliar. — Vou considerar a sua proposta. Eu respirava freneticamente quando a realidade do que eu estava fazendo me atingiu. Era como se não pudesse encontrar ar suficiente. — E então você não vai machucá-lo? Mesmo depois que ele lhe der o que você quer?


— Não. Eu só vou machucar você, London. — Seu tom estava atado com diversão, como se ele estivesse brincando, mas havia verdade no que disse. Porque o que eu ofereci iria me machucar. Mas eu me recuperaria. Iria esquecer. O que eu nunca perdoaria seria ir embora e não fazer nada. — Você pode se afastar agora? Ele

não

se

moveu.

Desci

meus

cotovelos

para

permanecer deitada sobre o capô do carro, coloquei minhas mãos em seu peito e empurrei ao mesmo tempo que levantei meu joelho e tentei pegá-lo nas bolas. Falhei. — Eu não posso respirar, droga. Sai fora. — Você correu de mim, me deu um tapa e tentou me dar uma joelhada nas bolas. Matei por muito menos. Eu não sou um bom homem, London. É melhor para você entender isso agora. Eu não tinha dúvida de que ele era implacável. — Me machuque se é isso que você quer. Ele riu e eu senti o estrondo de seu peito contra o meu. — Você é extraordinária. E não, eu nunca vou querer lhe machucar... — Ele fez uma pausa, como se tivesse todo o tempo do mundo. — London. Novamente, a maneira como ele disse meu nome causou uma onda de familiaridade em mim e não era medo que senti, mas proteção. Como isso era possível?


Minhas mãos pressionavam sua camisa e eu senti os contornos rígidos de seus músculos por baixo do material. Mas havia muito mais do que seus músculos rígidos sob meu toque. Havia linhas em relevo, como equimoses ou talvez cicatrizes. — Nunca vou mentir para você, London. E não quero que você me tema. — Seu aperto diminuiu quando parei de empurrar seu peito, mas em vez de mover a mão, seu polegar acariciou casualmente sobre a fissura no meu queixo. Eu não o entendo. Por que ele se importa? Ele fala como se me conhecesse intimamente... Por que eu sinto como se tudo o que ele dissesse fosse verdade? — Bem, você está fazendo um mau trabalho de me convencer disso. Ele suspirou. — Talvez seja melhor assim. — Ele acariciou com um dedo a minha bochecha. Fechei os olhos, incapaz de assistir a satisfação em seus olhos quando disse as palavras para tentar negociar. — Uma noite e você lhe dará os dois meses que ele precisa e prometerá que não vai machucá-lo. — Dificilmente parece ser um acordo justo, — disse ele. Eu olhei para ele e encontrei seus olhos que riam com um clarão.


— Eu valho a pena. Ele sorriu. — Eu decido isso. Jesus. No que merda eu estava pensando? Ele estava brincando comigo e não ia aceitar qualquer acordo. — Me solta. — Lutei quando ele segurou meu queixo, com seus dedos. — Shh, estou apenas brincando. — Seu aperto diminuiu quando me acalmei, mas suas sobrancelhas arquearam sobre seus olhos, toda a diversão havia ido. — Uma semana. E ele vai ter os seus dois meses. — E você não vai machucá-lo. — Ele não vai ser prejudicado. — Ele fez uma pausa, franzindo a testa. — Mas vamos ser claros aqui. A decisão é sua. Oh, Deus. Como eu poderia estar com este homem quando ele estava ameaçando meu pai? Talvez devesse tê-lo deixado no carro. Como é que eu iria saber se o que ele disse era verdade? Eu não tinha nada, exceto a sua palavra. Mas havia algo mais em Kai. Eu não poderia ver, mas era a mesma sensação que tive quando cheirei a primeira vez a colônia dele enquanto estava no armário. — Como vou saber que você está dizendo a verdade e não nos matará?


Ele se inclinou para frente até que sua boca estivesse tão perto da minha que eu poderia provar o cheiro dele na ponta da minha língua. Um perfume que reconheci de uma noite que eu tinha quase morrido. — Sempre virei para você, Coração Valente. — ele sussurrou. Engoli em seco, arregalando os olhos, apertando os dedos em sua camisa, com o coração acelerado. Meu Deus. Meu Deus. Era ele. Ele me chamava assim. Era como se minha mente estivesse em retrocesso e a memória veio girando. Eu estava deitada na fria e úmida grama, tossindo e sugando golfadas de ar fresco. Minha mente estava nevoada, a visão ainda embaçada, enquanto lutava para respirar. A sombra de um homem se inclinou sobre mim quando ele tirou meu cabelo do meu rosto com a ponta de seu dedo. Meus olhos esvoaçavam abertos por um breve segundo, mas tudo estava nebuloso e escuro. Era ele. Olhei para Kai, com a minha boca aberta. — Era você. — Ele fez uma careta e começou a recuar, mas os meus dedos seguraram sua camisa. — Foi você naquela noite. Você me tirou do fogo. Ele agarrou meus pulsos e apertou, com tanta força que fui forçada a soltar sua camisa. Ele se afastou de mim. Apressei-me a ficar em pé.


— Você me chamou de Coração Valente. Eu me lembro. — O cheiro de sua colônia. O som de sua voz. Mas ele me chamar de Coração Valente desencadeou a conexão. —Você disse… Meu Deus, você disse que sempre viria por mim. — O que ele quis dizer? Vinha para mim quando? Por quê? Minha mente se descontrolou quando a memória continuou a se repetir. O fogo estava por toda casa que compartilhei com os outros cinco estudantes durante meu segundo ano de universidade. Foi considerado um acidente, fiação

com

defeitos

em

uma

casa

velha.

Todos

nós

escapamos, exceto que eu deveria estar morta. Eu desmaiei com toda fumaça em meu quarto no andar de cima. Tudo que lembro foi acordar na grama do vizinho com um homem de joelhos ao meu lado. Estava escuro como breu e eu não podia ver seu rosto, mas lembrei-me do cheiro de seu perfume misturado com a fumaça. E das suas palavras quando disse: — Eu sempre virei para você, Coração Valente. Achei que tivesse imaginado. O cheiro. Aquelas palavras. Sonhei com essas palavras durante meses. Sonhei com este homem — Kai. Santo Jesus. Olhei para ele com meu coração disparado, as emoções faiscando em

todas

as direções. Ele me

aterrorizava,

ameaçando meu pai e ainda não era um bom homem... ele era. Ele salvou minha vida. Por que ele faria isso? Por que ele me ajudou? — Eu não entendo.


— Não há nada para entender. Vá para casa, London. — O ar em torno dele era perigoso, como se no momento em que eu me aproximasse não haveria o suficiente para escapar dele e do que ele quisesse. Ele caminhou de volta para a porta do motorista e abriu-a, em sua forma elegante e à vontade, novamente. Casualmente, tirou o paletó e o jogou dentro de seu carro. — Aconselho manter o nosso pequeno acordo de seu pai e da polícia. Entrarei em contato. — Nosso... o nosso acordo? Ele não se virou quando ele disse: — Qualquer coisa para você, Coração Valente. — Ele inclinou seu corpo para dentro do carro de luxo e fechou a porta indo embora, enquanto eu ficava ao lado do caminho. Assisti até o carro virar para a estrada e desaparecer antes de eu entrar no meu carro e encontrar o meu celular entre o console e o banco. Digitei minha senha e liguei para a polícia, com o número de sua placa gravado na minha cabeça. — Nove, um, um. Qual é a sua emergência? Olá? Merda. — Desculpe, bati o botão de emergência por engano. E desliguei.


London Levantei-me, um lençol verde pálido caiu sobre meus ombros e o enrolei na minha cintura. Meu coração acelerou e minha pele estava vermelha, vívida do sonho — com ele. Kai. Três noites. Três noites assombradas por sonhos com ele. Às vezes, ele estava me segurando, gentil e doce e outras vezes, era aterrorizante,

enquanto

segurava

uma

faca

na

minha

garganta. Havia partes de mim que acreditava que Kai me salvou do fogo porque havia algo de bom nele. Que ele não iria prejudicar meu pai ou a mim. Que talvez Kai não fosse tão mau como eu pensava. — Jesus. Estou enlouquecendo. — O que eu estava pensando? Ele tinha uma faca, a segurou na minha garganta. Ele trabalhava para pessoas que eram obviamente perigosas. E ele não entrou em contato por três dias. Eu estava preocupada que ele decidisse cancelar o acordo. O que então? O que aconteceria com o meu pai?


Liguei para o meu pai várias vezes ao dia, tentando parecer normal, mas por dentro eu estava apavorava. Kai deu a ele uma semana, como se ele tivesse decidido não aceitar minha proposta. Isso significava que meu pai estaria seguro por mais quatro dias. Mas isso não impedia a minha ansiedade. Em todos os lugares que eu ia, sempre olhava por cima do ombro, me perguntando se Kai estava atrás de mim ao virar da esquina ou se estava me observando. Deus, eu estava ficando louca. Lá fora estava escuro, mas a luz da lua filtrava através das cortinas brancas do meu loft. Era um apartamento com conceito aberto, com pé direito de quinze metros, colunas expostas, paredes de tijolos e sem repartições, exceto para o banheiro. Meu pai insistiu que eu morasse em um prédio seguro, mais novo, depois do incêndio, assim, comprei o loft, que era a uma curta distância da escola. Um investimento, ele disse. Tinha discutido que era demais mesmo que ele tivesse o dinheiro. Ele destacou o fato de que eu tinha uma bolsa por todo meu trabalho árduo na escola e ele não havia pago pela minha universidade. E eu amava o meu loft. Ele era próximo à escola, de seis andares, um edifício pequeno, com guardas de segurança e tranquilo, para que eu pudesse estudar. Não querendo voltar a dormir e escorregar em outro sonho com Kai, deslizei minhas pernas para o lado da cama querendo me levantar mas foi quando me bateu. Sua colônia. O cheiro que eu nunca esqueceria. Nunca. Ele vivia no meu


interior, se eu quisesse ou não. Agora que ele estava ligado a Kai, tornou-se muito mais poderoso. E pairava no ar. Eu rapidamente acendi a luz de cabeceira e me levantei, deixando os lençóis caírem. Vestia meu bermudão habitual e uma camiseta rosa de alcinhas, mas de repente me senti... exposta. Numerosas emoções me inundaram, todas de uma vez. O medo tomou a liderança, em segundo estava o fato de que meu corpo estava muito consciente dele. Depois de três noites de sonhos com ele, pensando nele, a conscientização amplificou. Saí do deck de onde minha cama ficava empoleirada e a madeira rangeu sob os meus pés descalços. O som ecoou no silêncio e tremi quando meus olhos percorreram meu loft. Ele esteve aqui e saído? Mas como ele poderia entrar no meu apartamento? Escutei o movimento enquanto meu olhar procurava nas sombras. Meu pulso acelerou sob a fina camada de pele em meus pulsos e garganta, enquanto eu esperava o momento em que o visse. Mas não havia sinal dele e o único som era o bonde guinchando sobre as ruas lá fora, vindo da minha janela aberta.


Entrei na cozinha e meu coração finalmente voltou a um ritmo calmo. Enfiei a mão no armário, tirei um copo, e coloquei-o sobre o balcão. Talvez o stress estivesse me fazendo imaginar coisas. Eu estava no sexto andar e tínhamos segurança. Não havia nenhuma chance de que ele pudesse entrar no meu prédio sem me conhecer. Ri para mim mesma, abri a geladeira e a luz estridente piscou uma vez antes de ser ligada. Inclinei-me e arrastei os recipientes para o lado até que encontrei o suco de laranja. Peguei-o, dei um passo atrás e fui fechar a geladeira com o meu pé quando mãos se estabeleceram em meus quadris. Gritei, a caixa de suco deslizou da minha mão e caiu no chão. O líquido laranja salpicou a geladeira de aço inoxidável e caiu aos meus pés. Meu pulso e meus nervos aceleraram. Seu aroma se ampliou cem vezes mais quando ele ficou diretamente atrás de mim. A respiração dele era uma carícia quente contra a parte de trás do meu pescoço. Meu corpo se arrepiou. — Kai. — Mmm, — ele murmurou junto ao meu ouvido. — Você estava esperando outra pessoa? A geladeira fechou, apagando a luz. — Não. — É bom ouvir isso. — Seu aperto aumentou em meus quadris e minha respiração engatou quando um de seus


dedos deslizou sob o elástico da minha boxers e fez contato com minha pele. Puta merda. Parei de respirar. Por que sinto alguma coisa? Não, não era apenas algo. Era o meu corpo reagindo ao seu toque, gostando de seu toque. Engoli em seco. — Meu pai? Você vai dar-lhe o tempo que ele precisa? — Sim. — E você não vai machucá-lo, mesmo depois de ele entregar no que está trabalhando para você? — Ele não vai ser prejudicado. — Como sei que você está dizendo a verdade? — Porque a realidade era, Kai poderia me dizer qualquer coisa que ele quisesse e tudo poderia ser uma mentira. — Eu disse a você que nunca mentiria. Pelo menos não para você. — Seu dedo acariciou e foi para trás sobre a pequena polegada de pele que estava exposta ao seu toque. — Acho que você dirá tudo o que precisar para conseguir o que quer. Seu peito vibrou contra minhas costas quando ele riu e o som escorria através de mim como uma cachoeira aquecida.


— Verdade. Mas com você... apenas a verdade. — Sua voz baixou. — Infelizmente, nem sempre você vai gostar do que ouvirá, Coração Valente. Eu fiquei tensa, a cachoeira aquecida se foi. — E por que tenho a sorte de ser agraciada com a sua honestidade? Você não me conhece. — Mas talvez ele conhecesse? Eu não tinha ideia do quanto Kai sabia sobre mim e ele salvou a minha vida. Ele esteve na minha casa naquela noite. De alguma maneira, entrou pelo segundo andar de uma casa em chamas e me fez sair. Não importa o quão perigoso fosse, esse homem arriscou a própria vida para salvar a minha. E isso me fez sentir... segura em seus braços. Me fez sentir protegida. Era uma contradição. Ele era uma contradição. Ele me empurrou para frente e as minhas palmas das mãos foram para a porta fria e lisa da geladeira, que zumbia. O suco de laranja gelado envolveu os meus dedos dos pés e havia uma viscosidade leve nas minhas pernas, que tremiam. — Oh, mas eu a conheço. — Você falou comigo uma vez. — Possivelmente. No entanto, eu a conheço há anos. Tentei virar, mas suas mãos seguravam fortemente no meu quadril, ele usou a geladeira e seu corpo para me impedir de mover.


— Kai? — Minha voz tremeu quando disse o nome dele e sabia que ele tinha que ter ouvido. — Shh. — Ele passou as mãos pelos meus braços nus até que suas mãos enrolaram em torno de meus pulsos. Então, ele deslizou meus braços para os lados e, acima de minha cabeça. — Kai... Ele pressionou seu corpo no meu, então eu estava entre a geladeira fria e cantarolando o calor de seu corpo. Isso era uma sensação estranha, da geladeira vibrando contra minha frente e seu corpo cheio de desejo atrás de mim. Puta merda. Mal podia respirar e cada vez que eu o fazia, meus seios pressionavam dolorosamente na fria superfície. Minha cabeça foi para o lado, a bochecha contra a geladeira e tudo que vi dele era a manga da camisa branca que ele vestia, o punho da manga estava desabotoado e enrolado uma vez. — Você quer isso? — Ele perguntou. Não, gritava minha mente e ainda assim, meu corpo gritava algo completamente diferente. — Você quer? — Ele repetiu. — Eu... eu não sei. — Estava confusa com a reação do meu corpo à ele. O medo persistia, mas o fogo estava interligado com outras emoções.


— Se não houvesse o acordo, você iria me querer? Você me quer? — Ele perguntou lentamente. Será que sim? Sim. Queria o homem que me segurava nos braços. Queria o homem que me disse sempre viria para mim. Eu o queria. Sempre o quis. — Sim. — sussurrei. — Bom. Então este é o dia. — ele murmurou contra a minha nuca, quando seus lábios fizeram contato. — Por favor. Diga-me... preciso de algo para fazer isso... ok. — Nada disso estava bem. Eu sabia disso. Este era um negócio e eu estava negociando meu corpo pela segurança do meu pai, com um homem que era, obviamente, perigoso. Era apenas sexo. Isso era tudo. Mas não importava o que dissesse a mim mesma, eu sabia que o sexo com Kai era mais do que um ato físico. Senti isso no momento que meu corpo reagiu e minha mente lutou contra ele. Ele sugou o lóbulo da minha orelha e o desejo se espalhou como fogo. — Você estará segura comigo. Sempre. — E se eu não acreditar em você? — Mas a parte fodida era que acreditava nele.


Ele se afastou um pouco, apenas o suficiente para que eu não tivesse mais o calor de seu corpo contra mim, mas ainda estava sentindo sua proximidade. — Isso, você decide. Mas o seu corpo confia em mim e se há uma coisa na vida em que você deve confiar, é no seu corpo. Kai soltou um dos meus pulsos e empurrando meu cabelo para o lado do meu pescoço, substituiu o toque de seu dedo pela boca. Seus lábios se arrastaram em beijos suaves, leves e quentes sobre a minha pele e um pouco da tensão deixou meu corpo. — E se o meu corpo estiver errado? — Eu fechei meus olhos e fechei as minhas mãos, incapaz de me mover. Com medo disso. Querendo isso. — Seu corpo não sabe como ser errado. As únicas mentiras são aquelas que sua mente alimenta. — Estou com medo. — admiti. — Eu vou fazer isso acabar, baby. — Ele se inclinou sobre mim e com ele veio o calor reconfortante. — Você está molhada para mim, London? — Ele sussurrou. — Sim. — Era humilhante. Degradante. Porque eu estava molhada e era para um homem que estava ameaçando meu pai. Eu me odiava, mas ele estava certo, meu corpo dizia a verdade.


— Então você não tem nada a temer. — Ele passou a mão

pelo

meu

lado,

enquanto

continuava

a

beijar

suavemente a base do meu pescoço. — Eu não posso esperar para prová-la. A sua umidade sedosa na ponta da minha língua, o seu doce aroma quando eu lamber sua boceta. — Jesus. — Eu não queria dizer isso em voz alta, mas era erótico. Nunca tive alguém falando assim comigo. Minha barriga embrulhou e o aperto entre as minhas coxas doía por causa de suas palavras. Ele brincou com a parte superior da minha orelha, em seguida, beijou o local, sua língua circulando antes dos dentes beliscarem, só para aliviar a dor com a língua novamente. Ele se moveu para o outro ombro e fez a mesma coisa. A outra mão estava espalmada sobre o meu abdômen, o desejo passou por mim e tive que resistir de ofegar e arquear em sua direção. — Não se esconda de mim. Mostre-me o que você está sentindo. Eu não podia. Era uma traição de quem eu era. Estava errado. Eu não deveria desfrutar de qualquer parte disso. Sua mão deslizou por debaixo da minha camisa e hesitou apenas abaixo do meu peito, movendo o dedo em um caminho sob o vinco. Meus mamilos doíam. Eles queimavam por seu toque. Eu estava queimado por seu toque.


Mas ele não o faria. Ele se moveu para o outro seio e continuou a trilhar caminhos de calor apenas abaixo do meu seio. Eu não tinha controle quando me curvei para ele, minha cabeça caindo para trás sobre seu ombro. — Oh, Deus, Kai. — Apenas saiu, mas não pude me conter. Eu precisava dele para acabar com essa tortura. Com a vibração da geladeira e ele atrás de mim, seu pau pressionado em mim, suas provocações... O meu corpo ganhou a batalha. — Sim. — ele sussurrou. Sua mão segurou meu peito, estalando os dedos sobre o meu mamilo ereto causando em meu corpo um estremecer. — É isso aí. Deixe-me ter tudo de você, London. Eu fiquei tensa, sacudindo a cabeça e ele imediatamente beliscou meu mamilo até que gritei. — Vamos lá. — ele ordenou. A pressão sobre o meu mamilo aumentou o prazer, doce prazer, quando ele aliviou a dor com o circular suave. — Eu preciso de você agora. Preciso afundar meu pau dentro de você. — Sua mão foi para o elástico da minha boxer. — E esta é a última noite que você vai vestir roupas para dormir. — Ele se afastou por um segundo enquanto puxava minha boxer para baixo. — Levante. — Eu levantei um pé, depois o outro. Ele foi embora e eu comecei a me virar, quando ele disse: — Não se mova.


Ele disse isso com um ar causal, outra ordem, ainda não havia gentileza em seu tom. Independentemente de como dissesse isso, eu não iria me mover. Olhei por cima do ombro e o vi abrir o armário abaixo da pia e atirar minha boxer no lixo. Ele arqueou as sobrancelhas quando encontrou meus olhos, como que perguntando se me atreveria a reclamar. Eu não reclamei. Notei que ele estava vestindo calça jeans com sua camisa de botão e isso quase lhe dava um apelo mais sexy. O terno foi sexy, também, mas isso fez dele mais... acessível, se isso fosse possível. Sua mão foi para o botão da calça jeans e ouvi o pop quando ele o desfez. Vi quando ele abriu o zíper e depois o material se separou fazendo um V. Merda. Um homem, um sexy homem, com jeans justos desbotado, bem abaixo dos quadris, era saboroso. Mas adicionar jeans aberto, era sexy pra caralho e superava todos os outros níveis de gostosura. Eu tinha minhas mãos ainda acima da minha cabeça na geladeira, minha bunda seminua, meu corpo formigando com antecipação por um sexy e ainda muito assustador homem, tão perto de mim. Um homem que eu sabia que era perigoso. Um homem que poderia ferir meu pai. Um homem que eu não tinha equívocos que havia matado outro ser humano, em algum ponto de sua vida. Mas ele também era o homem que me


salvou. Que eu sonhei em me segurar em seus braços. Que me segurou em seus braços. — Pare de pensar. Sei que é difícil para uma mente brilhante como a sua. — Ele sorriu e não pude evitar admirar a beleza dele quando sorria. Mas eu, definitivamente, não sentia qualquer brilhantismo da minha parte em jogo quando se tratava deste homem. A cada passo em minha direção, seu jeans abria um pouco mais e peguei um vislumbre da trilha de pelos que iam até seu pênis. Quando chegou desta vez, ele não pressionou contra mim. Em vez disso, ele passou as mãos para baixo, de volta para minha bunda onde apertou. — Mmm... Perfeita, — ele murmurou. Eu estive com alguns homens, mas nada foi assim. Deus, antes só tive relações sexuais no chão e na cama. Kai deslizou seu dedo para baixo e eu endureci. — A bunda é virgem. — Foi uma declaração e uma correta. Seu dedo circulou minha carne enrugada e sensível. Eu estava prestes a me mexer, mas ele deve ter sentido meu desconforto porque ele curvou o braço em volta da minha cintura, ainda me mantendo. — Shh, relaxe. Não farei isso até que você esteja pronta. E você não está pronta. — Ele continuou a acariciar a área até que lentamente descontraí. — É isso aí. — Ele arrastou


seu dedo para baixo ainda mais para a umidade e, em seguida, voltou novamente. Eu gemia. Eu não poderia fazer nada, enquanto ele brincava comigo, meu corpo precisando de mais, dolorido por ele. Descansei minha testa contra a geladeira quando um tremor passou por mim. Respirei com a necessidade de tê-lo dentro de mim. Eu me odiava por isso, mas não havia como voltar atrás. Precisava dele, desesperadamente. De repente, ele agarrou meus quadris, me virou para encarar a ilha de granito em frente à geladeira e me empurrou contra isso. — Curve-se. Mãos acima da cabeça. Ele colocou a sua mão atrás do meu pescoço, como se para se certificar de que seguiria as suas ordens, mas eu não precisava de orientação quando estava sobre o balcão, minhas mãos simplesmente chegaram ao lado oposto e enrolaram sobre a borda. — Você tem que usar... — Eu parei quando ouvi o barulho de plástico sendo rasgado. Olhei por cima do meu ombro e vi que ele botava um preservativo. Ele olhou para mim, com as sobrancelhas levantadas. — Eu sempre farei o que for do seu melhor interesse, London.


Ele se moveu e eu engasguei quando seu pênis deslizou para frente e para trás na minha umidade. Ele manteve uma mão no meu pescoço, um aperto firme com os meus cabelos enrolados em sua mão. — Eu vou comer você. E quero ouvi-la gritar quando gozar e eu não vou parar até você fazê-lo. — Ele se inclinou sobre mim. Eu não podia ver seu rosto, mas senti sua respiração em meu ouvido quando ele disse, — e eu posso come-la por um tempo muito longo. O peso de seu corpo me deixou, mas não seus quadris quando ele colocou seu pênis na minha entrada. Eu esperava que ele empurrasse com força dentro de mim, mas foi dolorosamente lento, palmo a palmo, como se quisesse saborear a primeira vez que seu pênis deslizava dentro de mim. Meu aperto no balcão intensificou e mordi meu lábio inferior tão forte que senti o gosto de sangue. Era frustrante a maneira como ele fazia isso tão lentamente e ainda assim era muito sensual. Sua mão esquerda estava no meu pescoço e deslizando pelas minhas costas, de frente para meu quadril onde ele apertava seus braços. Ele estava dentro de mim e não se movia. Deu-me um minuto para me ajustar ao seu tamanho e ainda, ao mesmo tempo, eu estava acendendo com a necessidade. Uma necessidade tão intensa que empurrei de volta contra ele.


— Ainda não. — Ele apertou os quadris contra mim em um

movimento

circular,

com

seu

pau

enterrado

profundamente. — Ainda sim. — eu disse. Ele riu e colocou a outra mão no meu quadril. Seus dedos cavaram em minha carne dolorosamente, talvez um alerta para o que estava por vir. E era. Ele retirou-se, em seguida, empurrou de volta em mim, forte. Uma vez. Ele parou e eu esperei que fizesse novamente, mas em vez disso, ele girou seus quadris enquanto afundava profundamente, as mãos me mantendo no lugar. — Porra, você é tão boa. — Ele deslizou para fora, em seguida, empurrou para dentro novamente. Meus dedos se enroscaram em torno da borda da ilha, me mantendo no lugar enquanto ele empurrava. Dentro. Fora. Forte. Lento. Suave. Nunca sabendo o que viria em seguida, até que meu corpo gritava para ele apenas me comer. Eu latejava. Pulsava. Mas quando gemi, ele puxou a mão entre mim e o balcão e brincou com meu clitóris. — Oh, Deus, — eu ofegava. — Kai. Ele

gemeu

e empurrou

mais rápido, mais

forte,

combinando com o dedo se movendo para trás e para frente. Meu corpo tremia e sacudia até que atingiu o auge.


Então, meu corpo ficou tenso. Se apertou. Tremeu. E eu gritei quando ele me fez gozar, sentindo as ondas de prazer. Eu liberei a borda do balcão e esfreguei o meu corpo para trás sobre a superfície lisa e dura quando ele continuou a pressão dentro do meu corpo saciado até que ele gemeu, empurrando forte para mim uma última vez. Ele parou. Tudo parou. Eu estava em silêncio e imóvel, suas mãos já não seguravam os meus quadris, apenas sua pélvis contra minha bunda e seu pênis sacudiu algumas vezes, uma vez que pulsava dentro de mim. Ele puxou para fora e ouvi o rolar do preservativo enquanto ele tirava. Então ouvi seus passos diante do armário abrindo a tampa da lixeira e depois fechando. Eu me endireitei e fui pegar minha boxer, mas lembrei que ele jogou fora. Queria correr para o banheiro, mas o orgulho não me deixou. Eu não estava fugindo de minhas próprias escolhas. Nunca fiz isso e não iria começar agora. Eu transei com ele.


Foi parte do acordo. Eu fiz essa escolha. — Vá para o chuveiro, London. — Ele se inclinou contra o balcão, com a calça jeans no lugar, mas o botão de cima desfeito. Sua camisa estava enrugada, mas ele ainda parecia poder sair pela porta e assistir a uma ópera. Estendi a mão para o pano de prato que pairava sobre a torneira para limpar o suco de laranja, mas sua mão fechou no meu pulso. — Faça o que eu digo. Minha coluna endureceu e estava prestes a dizer-lhe para ir se foder quando ele gentilmente retirou o pano de prato da minha mão. — Você vai estar aqui... depois? Seus olhos prenderam os meus e eles eram frios, diferente de tudo que eu vi nele antes. Arrepiei-me e meu estômago embrulhou. O medo que foi extinto pela luxúria reviveu. Aqueles olhos verdes penetrantes eram os mesmos que as suas vítimas testemunharam antes de ele as matar...? Torturar? Eu não sabia. Talvez ambos. Provavelmente, ambos. Jesus, eu tive relações sexuais com um assassino.


Ele

arqueou

as

sobrancelhas

como

se

soubesse

exatamente o que estava correndo pela minha mente. Eu estava ficando doente. Virei-me, corri para o banheiro e bati a porta.


Ele foi embora no momento em que eu saí do chuveiro. O suco de laranja foi limpo e minha máquina de lavar roupa estava ligada. Fui até o armário onde ficava a máquina e abri as portas. Os lençóis verdes da minha cama estavam cobertos de espuma, balançando para frente e para trás na janela redonda da máquina. Por que ele iria lavar meus lençóis? Olhei por cima do meu ombro para minha cama e vi o lençol branco de reposição agora perfeitamente encaixado sobre o colchão. Ele tinha mesmo cuidadosamente dobrado o edredom no lado da cama que eu sempre dormia. Eu podia entender porque ele ia colocar os lençóis para lavar se tivéssemos tido relações sexuais na cama, mas nós não tivemos. Ele obviamente vasculhou as minhas coisas para encontrar os extras, em seguida, levou o seu tempo afofando acima dos travesseiros e aconchegando-os nos lençóis.


Notei que o ruído das ruas da cidade foi embora e percebi que ele fechou a janela do meu quarto. Eu sempre dormia com ela aberta, fazia isso desde o incêndio. Lembrei-me do pânico de tentar sair pela janela naquela noite e ela não se mover. Lutei e lutei, até que desabei de joelhos, quando a falta de oxigênio se tornou sufocante. Com o corredor envolto em chamas, não havia nenhuma outra maneira para sair. Eu rastejei pelo chão até a minha cadeira que pensei em poder usar para quebrar o vidro. Eu nunca fiz isso. Eu deveria ter morrido. Desde aquela noite, eu dormia com a janela aberta. Nunca ficaria presa novamente. Fui até a janela para abri-la e um pequeno pedaço de papel que havia sido firmado entre a janela e o peitoril escorregou. Inclinei-me e o peguei.


Minha respiração parou enquanto eu olhava para a letra bonita. Kai. Olhei pela janela então me virei e procurei nas sombras do loft por qualquer sinal dele. Mas senti o vazio. A presença de Kai enchia uma sala e esse sentimento se foi, assim como ele. Alívio e decepção invadiram minha mente. Logicamente, eu estava feliz que a noite tivesse acabado, mas o lado ilógico, que era o meu corpo, estava decepcionado que a noite tivesse acabado. Amassei a nota e a joguei no lixo, caminhei até minha cama, coloquei um joelho no meu colchão prestes a rastejar na cama depois hesitei. Meu olhar caiu sobre os lençóis brancos. Marcas de que ele passou suas mãos, enquanto suavizava as rugas. Marcas de suas mãos fortes, que puxaram suavemente antes que ele enfiasse o excesso de material para debaixo do colchão. Marcas de suas mãos que acariciaram assim como ele acariciou o meu corpo. Droga. Eu me afastei da cama, peguei um cobertor jogado na cadeira no canto, caminhei até o sofá na sala de estar e liguei a TV. Enrolei-me em uma bola e vi um velho filme em preto e branco até que finalmente caí no sono.


Acordei com o pescoço dolorido e o cheiro sedutor de café. Café? Joguei o cobertor e me sentei. Meu nariz guiou os meus olhos para o saco de papel marrom e a fumegante xícara de café que estava à direita na ilha de granito onde eu fiquei horas atrás, enquanto Kai empurrava dentro de mim. Eu me levantei e caminhei até o balcão. Sem nota. Mas sabia que era dele, embora como ele conseguiu entrar no meu loft, já por duas vezes, era preocupante. Teria que falar com a segurança. Abri o saco e o aroma de um croissant de canela recém assado flutuou no ar. Era o meu favorito, da padaria a um quarteirão de distância. Como ele sabia que era o meu favorito? Como ele sabia, que era onde eu ia todas as manhãs antes das aulas e pegava meu café e um croissant? Mas começou a fazer sentido. Kai me conhecia porque ele esteve me observando. Tremi, esfregando os braços nus. Por que ele faria isso? Eu poderia entender meu pai, mas por que eu? Amassei o saco e empurrei-o para longe.


Eu não gosto disso. Não gostava nada disso. Mas na noite passada... eu gostei. Na noite passada, ele desfez as minhas defesas. Na noite passada, ele fez o meu corpo ser dele. Meu olhar pegou o amarelo gritante no micro-ondas. Merda, já eram nove horas e eu tinha laboratório em quinze minutos. Rapidamente escovei meus dentes e cabelo, vesti minha calça jeans e uma camiseta e estava pronta em cinco minutos. Agarrei o café e saco de papel marrom, meu laptop e corri para fora. Quando passei pela segurança, pelo guarda, Derek, eu disse: — Eu preciso falar com você mais tarde. — Claro que sim, senhorita Westbrook. Corri para fora do prédio, pela calçada por um quarteirão. Parei na esquina onde um mendigo estava sentado com a taça vazia pedindo dinheiro. Ele estava falando para si mesmo, como de costume e sem olhar para cima, ele estendeu o copo de papel. — Trocado para um...? — Ele inclinou a cabeça e seus olhos encontraram os meus. Ele sorriu. Ele tinha dentes brancos e perfeitos, o que era incomum para muitos dos semteto nas ruas. — Bom dia, beleza. — Eu disse a ele meu nome várias vezes, mas ele nunca o usou.


Eu estendi o saco de papel com o croissant e café fumegante. — Bom dia, Ernie. — Eu comprava-lhe um café da padaria todas as manhãs, desde que me mudei para cá depois do incêndio. Suas

grisalhas

sobrancelhas

cheias

e

espessas

reduziram quando ele me deu um confuso olhar. Ele pousou o copo vazio e tomou o saco de café e papel de mim. — Eu estava bem aqui. Sabe que não esqueceria de você passando por aqui mais cedo. Eu ri. — Não se preocupe. Você não esqueceu. Alguém comprou estes para mim. — eu expliquei. Ele balançou a cabeça com os lábios franzidos, como se estivesse pensando em alguma coisa. Ernie era um homem atraente, talvez nos seus quarenta e tantos, mas era difícil dizer, com a camada de sujeira em seu rosto e moletom com capuz que ele usava. O estranho era que suas unhas estavam sempre limpas, exceto, eu notei, que suas mãos estavam calejadas como se tudo o que ele fizesse para ganhar a vida fosse duro para elas. O homem muito raramente falava com alguém, exceto a mesma frase uma e outra vez, “Um trocado para um café”. Ele me encarou antes de dizer:


— Tenha cuidado, bonita. E foi isso. Ele voltou a balançar e estender a taça para outros que passaram e me ignorou. Eu me perguntei o que ele queria dizer, mas Ernie poderia ser enigmático com suas palavras. Uma vez ele me disse para 'Ficar longe.' Eu não sabia o que ele queria dizer, mas no dia seguinte ele estava do outro lado da rua e quando eu comecei a ir em sua direta, ele começou o discurso retórico e delirante sobre um diabo segui-lo. — Eu irei. Vejo você amanhã, —disse, em seguida, corri em frente ao hotel antes que a luz mudasse, não me preocupando em ir à padaria e conseguir algo para mim.

O dia todo. O dia todo fiquei distraída pensando em Kai. Nunca o vi me observando, mas talvez ele estivesse. Talvez eu estivesse tão alheia ao meu redor que Kai me seguiu por anos? Tive a esperança que ele tivesse me visto dar o café e o croissant esta manhã. Era a minha afirmação de que eu não queria nada, apenas cumprir a minha parte do acordo. Foi uma pequena vitória interior da minha parte, mas mesmo que ele tivesse visto, eu tinha certeza que ele não estava nem aí.


Quando

cheguei

em

casa,

depois

da

aula,

os

pensamentos em Kai ampliaram. Caminhando pelo meu loft, vi massas intocadas no balcão da cozinha, garrafa de vinho tinto quase vazia. O sono me iludiu, enquanto meu corpo me traiu e minha mente despertou com todos os tipos de pensamentos irracionais sobre ele. Percebi que qualquer controle que pensei que tinha sobre esta situação era falso. Kai controlava. Cada som fazia o meu coração saltar, enquanto eu esperava por ele. Estava curiosa para saber como ele entrou na noite passada e novamente esta manhã. E o segurança Derek não estava na recepção quando cheguei em casa da escola, então não fui capaz de lhe perguntar se ele deixou Kai entrar. Kai iria bater na porta se ele soubesse que eu estava acordada? Não, não poderia imaginar Kai pedindo permissão para fazer qualquer coisa. Eram duas da manhã quando percebi que ele não viria. Nós tínhamos feito um acordo de uma semana, mas nunca tínhamos discutido se seriam os sete dias consecutivos. Deus, ele poderia arrastar isso por meses? Deslizando para o meu loft uma vez por semana... sem que eu nunca soubesse quando. Minha respiração engatou com o pensamento. Porque não importava o que minha mente tentasse lutar, ele estava certo. Meu corpo sabia a verdade e ansiava por seu toque.


Subi na cama, embriagada de vinho, porque raramente bebia. Soquei meu travesseiro, enrolei minhas mãos sob minha bochecha e finalmente caí no sono. Eu gemi, separando minhas pernas ainda mais quando o

seu

pênis

pressionava

em

mim,

lento

e

suave,

agonizantemente lento. Arqueei minhas costas, inclinando meus quadris para encontrá-lo. Seu perfume encheu meus pulmões com cada respiração irregular. — Kai, — eu sussurrei. — Mmm. Meus olhos se abriram para o som profundo, a rouquidão de sua voz ao meu lado e conectei com os penetrantes olhos verdes de Kai. Ele estava completamente vestido, deitado de lado com um lençol puxado para trás e seu dedo levemente acariciando o ponto logo acima dos meus seios. Fiquei tão chocada, congelei por um segundo, meu coração disparou para coincidir com a minha respiração. — O que você está fazendo? — Esperando você acordar. Meu Deus. Por quanto tempo ele estava aqui? E eu estava sonhando com ele. Um calor queimou meu rosto com o pensamento sobre o que eu estava sonhando.


Ele se moveu, rápido e ágil quando montou em mim, as mãos agarrando meus pulsos e puxando meus braços acima da minha cabeça, os prendendo para baixo. Ele inclinou a cabeça em minha direção e seus lábios beijaram suavemente onde seus dedos estiveram momentos antes. Suas coxas duras apertaram meus quadris e com o seu peso, não havia uma chance de tirá-lo de cima de mim se eu quisesse. — Kai, por favor. Eu não gosto disso. — Era assustador acordar com ele na minha cama. Eu não tinha tempo para ficar pronta para ele e não era um 'colocar a maquiagem e ter uma boa aparência' pronta, era como preparar a minha mente, então teria algum controle sobre o que estava acontecendo. Em vez disso, minha mente ainda estava grogue de sono e do meu sonho erótico. Ele afrouxou o aperto em meus pulsos, mas não me liberou. — Você vai, baby. Eu prometo. — Ele se curvou e lambeu meu mamilo através da minha camiseta. - Eu quero você nua quando eu vier para a sua cama. — Eu não posso. Não consigo dormir nua. — Eu odiava. Após o incêndio, eu queria estar pronta. Estar preparada para escapar se precisasse. Ele levantou a cabeça e olhou para mim. A luz da lua revelou o lado esquerdo de seu rosto com a barba por fazer por uns dois dias e as sobrancelhas contemplativas sobre


seus olhos. Mas tinha a intensidade de um fogo flamejante de desejo nas pupilas vidradas olhando para mim. Ele me incendiou com esse olhar e meu corpo relaxou encostado ao dele. Ele deve ter notado, porque ele soltou os meus

pulsos,

pegou

a

bainha

da minha

camiseta e

lentamente puxou-a sobre a minha cabeça e jogou-a no chão. — Não há nenhuma discussão aqui, London. Até que estejamos terminados, você estará nua quando deslizar por baixo dos lençóis. — Ele segurou meu queixo, então fui forçada a olhar os seus penetrantes olhos verdes. — E se você doar de novo as coisas que eu lhe compro, não vou lhe machucar, mas vou com toda a certeza machucá-los. Engoli em seco, com os olhos arregalados, com o medo que cintilava em mim. — Você não faria isso... — Oh, Deus. Ernie. — Por favor, não o machuque. — Isso foi apenas um aviso. Ele não disse mais nada e em vez disso, pegou meu mamilo em sua boca novamente. Não consegui reagir. Estava apavorada, assustada sobre o que conseguiu me envolver. Assustada por ele ser capaz de ferir um homem indefeso, só porque eu dei a ele o meu café e croissant. Eu ainda estava ali enquanto ele beijava meu outro seio. Meu corpo reagiu aos seus beijos, ao seu toque, mas a minha mente estava em outro lugar.


— Porra. — Ele se afastou de mim e desceu da cama. Jogou o lençol de lado para que ele subisse no ar como um paraquedas travado no ar e caísse em cima de mim como se o ar tivesse sufocado por baixo. Fiquei onde estava, sem olhar para ele, mas ouvi passos através do quarto, em seguida, a luz do banheiro acendeu e ligou a torneira por um minuto, em seguida, desligou. Sentei-me quando a luz desligou novamente e os pés descalços voltaram para cama. Mordi o lábio inferior quando vi seus olhos estreitos e sobrancelhas franzidas. Com raiva. E ele tinha, obviamente, lavado o rosto, porque havia umidade na sua pele. A água em alguns fios de cabelo, perto de sua testa, escorria em sua camisa. — Levante-se. Estremeci com sua voz áspera. Agarrei o lençol e segurei comigo, como se fosse um escudo contra sua raiva. — Você quer saber como eu sou, quando estou realmente puto? Eu não queria. Realmente não queria, mas tudo em mim rejeitava a ideia de receber ordens. Meu pai pensava que minha teimosia era bonita. Mas, neste momento, a minha teimosia estava para me machucar ou pior, me matar. Não, isso não era verdade. Não importa o quão perigoso Kai fosse, ou o que isso fosse, mas, eu sabia que ele tinha algo bom. Kai não faria mal a mim... pelo menos não fisicamente. Emocionalmente, eu não estava tão confiante.


Engoli meu orgulho e me levantei, levando o lençol comigo. — Deixe o lençol. Eu apertei meus dentes de raiva e deixei o lençol cair. Estava seminua na frente dele. Levantei meu queixo e me recusei a cobrir meus seios com as mãos quando o enfrentei. Os olhos dele caíram sobre meu peito por um segundo antes de estender a mão. Quando eu

não

a

agarrei,

imediatamente

suas

sobrancelhas

levantaram em aviso. Coloquei minha mão na sua e ele me levou para a sala de estar. Ele deitou no sofá, de costas contra o apoio de braço, então me pediu para abaixar, me sentando entre as suas pernas. Ele colocou a outra perna em cima do sofá, então eu fiquei presa entre as coxas. — Encoste-se. Meu coração bateu forte em minhas costelas quando me inclinei contra ele, o calor de seu peito instantaneamente aqueceu as minhas costas. — Erga sua perna. — Eu obedeci e ele moveu-se para que descansasse sobre a dele e mesmo que eu usasse as boxers, senti-me totalmente exposta.


— Não vou comer uma garota que não quer ser comida. Então, nós não faremos isso. — Ele se inclinou, agarrou o controle remoto e ligou a televisão, passando os canais até encontrar um filme tarde da noite, um erótico de cinema. Jesus. Ele jogou o controle no chão e eu esperava que ele me tocasse. Ele não o fez. Ele não fez nada. Eu estava com as pernas ligeiramente abertas e os seios nus enquanto ele assistia ao filme. Ele tinha um braço em torno do meu abdômen, enquanto uma mão repousava sobre minha coxa, sem fazer nada. Nem mesmo um dedo se contorcendo. Nada. Eu estava rígida em seus braços, senti seu coração batendo firme contra as minhas costas e escutei a sua calma, seu fôlego e na ocasião, a risada suave quando algo engraçado acontecia no filme. E o engraçado era alguma má atuação ridícula. Mas ouvi os gemidos. O tapa de corpos nus. Os gritos de prazer. Eu

me

mexi

desconfortavelmente

quando

o

formigamento leve entre as minhas pernas se tornou intenso. Seu abraço apertou. — Fique quieta. Eu fiquei. — Relaxe e assista o filme.


Como eu poderia? Sentei no meu sofá com as pernas separadas, suas mãos a polegadas longe do meu latejante sexo, enquanto observávamos um filme pornô. Estava tensa, confusa e o desejo pulsava por todo o meu corpo. Eu me mantive pensando sobre ele me segurando em seus braços após o incêndio e como ele foi gentil, atencioso. Protetor. Ele continuou a me ignorar. Depois de um tempo o meu corpo ficou cansado da constante tensão, lentamente me descontraí e parei de resistir a enxurrada de sensações. Foi quando os créditos apareceram que suas mãos se moveram e foi para o topo, entre as minhas pernas. No segundo que ele o fez, eu gemi. A barreira da minha boxer não fez nada para parar o prazer intenso. Eu estava molhada, latejante. E não precisava perguntar se eu queria que ele me comesse. Eu estava completamente disposta e o queria. Ele descansou a mão em mim por um longo tempo. Não houve palavras. Nada. Respirei irregularmente. Ele não fez nada. Mas senti seu pênis ereto pressionado nas minhas costas, então ele também estava excitado. Apenas o toque de sua mão ia me fazer gozar. Fui colocada sentada com ele, seu cheiro cada vez mais familiar em cada respiração que eu tomava e o medo que senti se dissipando e mudando para necessidade.


— Baby. — ele sussurrou e eu sacudi com prazer ao ouvir o som de sua voz contra a minha orelha. Sua mão escorregou dentro da minha boxer e engasguei quando ele passou o dedo através da umidade. Ele então a retirou e trouxe-a para a minha boca. Eu olhei para a ponta de seu dedo brilhante. — Prove o quão incrível você é. Eu nunca me provei. Nunca sequer considerei, mas com Kai, era tão excitante que minhas entranhas se apertaram. Ele colocou o dedo no meu lábio inferior e passou por toda a superfície sensível. Ele repetiu o processo com o meu lábio superior. Inclinei a cabeça para olhar para ele e meus lábios se separaram. Mas ele não colocou o dedo na minha boca; em vez disso, ele enfiou-o na sua. Jesus. Meu corpo ficou tenso quando eu o assisti chupar o dedo, lentamente. Um brilho encantador de diversão iluminou seus olhos, em seguida, uma ligeira contração tocou no canto dos seus lábios. Ele retirou seu dedo. — Sabia que você ia ter um gosto incrível, Coração Valente. Sua mão deslizou pela minha frente, entre os meus seios, sobre a minha caixa torácica para meu abdômen, em seguida, sob o cós da minha boxer. Seu dedo tocou o meu clitóris e meus quadris subiram para o seu toque.


Ele começou a circular, lento e suave no início, enquanto a outra mão brincava com meus mamilos. Meu corpo

aqueceu,

superaqueceu.

Eu

ansiava

por

mais.

Precisava de mais. Não demorou muito tempo, pois o meu corpo esteve antecipando o seu toque por uma hora. — Kai, — eu gemi quando seus dedos aceleraram para frente e para trás. — Oh, Deus. — Eu estava no limite, pronta para cair quando tudo parou. Suas mãos foram para os meus quadris e ele me arrancou de seu colo e me pôs no sofá longe dele. Ele se levantou e se elevou sobre mim e eu vi o vulto de seu pênis contra sua calça jeans, mas não encontrei o olhar em seus olhos. — Você quer transar, ótimo. Mas baby, se você não quiser... seria muito melhor você, caralho, me avisar. Nunca se deite sem dizer nada, como você fez esta noite lá na cama. Meu queixo caiu. Eu pulsava. Latejava. Eu sofria para ele acabar com isso, mas não havia dúvidas, ele não tinha intenção de fazêlo. Pelo seu tom de voz e olhos brilhando de raiva, Kai estava seriamente chateado. Ele entrou no quarto e agarrou o paletó da cadeira. Quando ele se virou e voltou para mim, eu vi o coldre de


couro pendurado em sua mão com a faca familiar e um rolo que parecia fios de arame que espreitava do bolso da calça. Eu endureci, ficando pronta para ser morta, mas ele não parou de andar, nem olhou para mim quando abriu a porta e saiu. Jesus Cristo!! Onde eu me meti?


Deitei

na

cama

sentindo-me

estúpida,

fraca

e

completamente vulnerável. Fui incapaz de me concentrar na aula. Eu não conseguia parar de pensar nele. E por duas noites... nada. Não desde que ele me deixou lá no sofá. Ele havia desaparecido e isso aumentou a minha inquietação, porque Kai não parecia ser um cara que voltasse atrás em um acordo. Eu deveria estar feliz por ele ter anulado dois dos nossos dias, porque se eu o visse, deixaria isso claro de uma vez por todas. Uma semana significava sete dias em sucessão, não sete dias, sempre que lhe apetecia. Se ele queria perder suas noites o problema era dele. Enquanto meu pai tivesse seus dois meses, eu não me importaria se não visse Kai novamente. Foi sobre isso que tentei me convencer.


Desliguei a luz e enrolei-me na cadeira de couro ao lado do sofá. Eu não podia sentar-me no sofá ou dormir na cama, porque tudo o que eu pensava era nele. Mesmo olhando para a ilha na cozinha me fazia imaginá-lo me levando para lá. Naquele dia na faculdade, eu quebrei três tubos de ensaio, derramei meu almoço na frente do meu jaleco e mal passei no meu teste em microbiologia porque estava tão absorta com o que estava acontecendo com Kai. Ele era um vírus. Uma praga. E eu tinha que encontrar uma vacina para impedi-lo de controlar mais o meu pensamento. Eu, com certeza, não estava seguindo sua regra estúpida de dormir nua e desde que eu não estava na cama, então não estava realmente quebrando sua regra. E por que deveria seguir sua regra? Isso não fazia parte do acordo. O som distinto da fechadura clicando me fez levantar, com meu coração disparando no peito. Ele tinha uma chave? Oh, meu Deus, ele tinha uma chave. Merda, é claro que ele tinha. Ele provavelmente roubou a minha chave na primeira noite e fez uma cópia, em seguida, ele retornou na manhã seguinte, quando me trouxe o café e croissant. Por ser uma estudante nota A por toda a minha vida, eu estava bem aquém. Tinha minhas pernas aninhadas embaixo de mim, na cadeira e o cobertor de lã em torno dos meus ombros. A porta


abriu e por um segundo, antes de ele entrar e fechá-la, vi seu rosto bonito sob a luz do corredor acima de minha porta. Ele podia ser um homem perigoso, mas não havia dúvida de que ele era lindo. Ele poderia usar os trapos de Ernie e ainda ser o homem mais carismático em uma sala. Ele era dono de si mesmo, o que o fazia ainda mais ameaçador, porque eu tinha uma sensação de que ele arriscaria tudo para conseguir o que queria. A porta se fechou atrás dele. Ele ficou me observando e, de repente, desejei que eu estivesse nua. Que eu tivesse seguido sua ordem. Mas então ele fez algo que não combinava com ele. Ele passou a mão pelo cabelo como se agitado. Kai exalava firmeza e paciência e o gesto era contrário a ele. Deus, eu estava pensando como se o conhecesse. Uma completamente falsa percepção, porque duvidava que alguém o conhecesse. Suas

próximas

palavras

sopraram

chamas

sobre

qualquer pensamento de ele estar agitado. — Tire suas roupas e venha aqui. Borboletas levantaram e esvoaçaram ao som de sua voz, pousaram pesado na boca do meu estômago. Incerta. Confusa. Caos completo de emoções. — Como você sabia que eu não estava nua?


Ele arqueou as sobrancelhas. — Porque você é obstinada e rebelde. Embora, seja de uma forma bastante passiva. Era enervante ele me ler tão bem. Quando criança, eu nunca tinha exteriormente gritado ou feito uma birra; em vez disso, ficava tranquila e sutil sobre tudo. O tratamento do silêncio era uma ocorrência normal na minha adolescência. — Você não está com raiva? Um sorriso ligeiramente divertido e as borboletas levantaram novamente, em perfeita formação. — Não. — ele falou lento. — Por que não? — Você quer que eu esteja? — Bem, não. É só que eu pensei que você estaria. — E, no entanto, você ainda se recusou a seguir a regra. — Ele acenou para mim. — Roupas. Vamos tentar viver de acordo com seu apelido, Coração Valente. Pensei em recusar por cerca de um segundo. Mas eu fiz este acordo, não ele. Desenrolei minhas pernas e me levantei. O cobertor caiu para o chão. Cruzei os braços, agarrei a borda inferior da minha camiseta e puxei-a sobre a minha cabeça. Meus mamilos já estavam eretos e doloridos, meu sexo pulsava.


Seus olhos viajaram do meu pescoço para os meus seios, hesitante e depois foi para minha boxer de grandes dimensões. Ele suspirou, mas ele tinha um sorriso leve no rosto. — Uma linda mulher nunca deve usar qualquer coisa pouco lisonjeira como isso. Sugiro que você se livre delas. Talvez eu tivesse usado propositadamente minhas boxers mais sem atrativos, que deveriam ter sido queimadas anos atrás. Isso era uma rebelião quieta, mas eu nunca aceitei qualquer um facilmente. O que surpreendente era que ele obviamente tinha um senso de humor, embora eu estivesse apropriadamente ciente de que este homem poderia se tornar um adversário mortal em um flash. Entrei na cozinha, tirei minha boxer, em seguida, abri o armário e a joguei no lixo. Quando virei, ele estava encostado na porta com os braços cruzados. Casual. Paciente. Deus, era como se ele possuísse a minha casa, fosse o proprietário de tudo aqui, inclusive de mim. Talvez ele fosse... pelo menos por mais três noites. Caminhei lentamente descalça pelo chão de madeira até que eu estivesse perto dele. — Dispa-me. — disse ele.


Meus olhos se estreitaram por um segundo enquanto considerava sua ordem. E era uma ordem. A incerteza era o que aconteceria se eu recusasse. Mas não importa como isso começou e como iria acabar, eu o queria. Estava excitada pela maneira como ele era. Gostava que ele estivesse tão confiante de que nada poderia tocá-lo. Gostava de como às vezes seus olhos se iluminavam com diversão. Gostei de como senti suas mãos em mim e de como ele fazia meu corpo submeter-se ao seu. E acima de tudo, eu gostava quando respirava o seu perfume, ele me confortava. Não tinha ilusões sobre isto e uma vez que eu cumprisse a minha obrigação, Kai desapareceria e eu seguiria em frente com minha vida, sem ele invadindo cada pensamento meu. Levemente coloquei minhas mãos em seu peito, desfiz os minúsculos botões de sua camisa de risca de giz. Quando cheguei ao fundo, tive que tirar o cinto de um dispositivo de couro ligado a ele, para a sua faca. Eu o soltei e ele caiu de sua cintura, o peso pendurado na minha mão. Nunca segurei uma arma antes. Senti-me poderosa, magnética e assustadora para caralho, por saber que em minha mão, segurava algo que tinha mais do que provavelmente algumas mortes. Ou talvez não. Talvez fosse tudo um jogo. Não importa o que era, eu não gostava da faca e então joguei-a no chão. Ela fez um baque alto quando caiu.


Tirei a camisa da calça alinhada e desfiz os três últimos botões para que o material se separasse. Minha respiração parou quando meu olhar atingiu seu peito e seu nome caiu de meus lábios entreabertos em um suspiro sem fôlego. — Kai. Irritadas e cruéis cicatrizes atravessavam a sua pele. Algumas eram linhas brancas em relevo, outras fracas, mas quando meus olhos se arrastaram de uma para a outra e eu não conseguia parar as lágrimas satisfatoriamente. O que fizeram com ele? Quem fez isto? Por quê? Lentamente

passei

minhas

mãos

sobre

a

pele

manchada, tocando o horror do que parecia... isso foi tortura! Tinha de ser. Não havia outra explicação para isso. Estremeci com o pensamento quando tracei uma linha após a outra com as pontas dos dedos. Quando finalmente olhei para ele, percebi que me observava, com a expressão firme e inflexível. Eu não entendia o que aconteceu. Era o confronto do meu medo, desejo e compaixão colidindo. — Kai... o que... quem fez isso? Ele não disse nada. — Por quê? Como alguém poderia fazer isso com você? — Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e seus lábios


franziram, os olhos escureceram enquanto seu olhar seguia até que ele levantou a mão e delicadamente limpou-a com a ponta do polegar. — Kai? Por favor, diga-me que isso não vai acontecer com o meu pai. Ele não disse nada por um minuto e minha preocupação escalou com o pensamento do perigo em que meu pai estava. — Ninguém vai tocá-lo. Ou em você. Ele disse isso com tanta certeza que acreditei nele. Ele manteve sua palavra até agora e não havia nenhuma razão para isso. Ele, obviamente, trabalhava para algumas pessoas poderosas que não tinham escrúpulos em ferir ou matar ninguém. Mas Kai estava me protegendo. Eu sabia com cada parte de mim. — Termine o que começou, London. Lentamente passei minhas mãos pelo seu peito até os ombros e tirei sua camisa. Virei-me para colocá-la no encosto da cadeira e seu braço curvou em torno da minha cintura. Ele me deu a volta e as minhas costas ficaram contra a porta e a camisa caiu de meus dedos, esquecida, quando seu corpo pressionou no meu. Era isso. Todo o controle vacilou para nós, eu me atrapalhei com o botão em suas calças enquanto suas mãos estavam sobre mim, ardentes, fortes e implacáveis. Abri o zíper de sua calça


e ela caiu no chão. Ele saiu dela e chutou para longe, enquanto beijava meu pescoço. — Porra. — Ele respirou em mim. — Preciso provar você, London. Não consigo parar de pensar em degustá-la. Então ele fez o que era totalmente inesperado e caiu de joelhos. Pegou minha perna direita, colocou-a sobre seu ombro e baixou a boca em mim. Minha cabeça empurrou para trás, com força, contra a porta, minhas mãos tecendo em seu cabelo enquanto eu gemia. — Puta merda. Ele abriu meus lábios vaginais com os dedos, passou a língua sobre mim, sugou e provou cada polegada. Não houve misericórdia quando ele movimentou e brincou. Quando ele foi muito áspero, aliviou o desconforto com gentileza até que eu arqueei com a intensa necessidade. Eu nunca me senti tão fora de controle. Meu corpo era dele. Eu não tinha nenhum recurso, a não ser me soltar, dando isso a ele. Meu corpo se apertou quando cheguei à beira do êxtase. Havia um medo leve que ele fosse parar novamente. Se ele me deixasse, mesmo se eu quisesse, não conseguiria controlar a


queimação aumentando dentro de mim enquanto sua língua me levava ao pico. Meus dedos cravaram em seus ombros enquanto meu corpo se apertou. — Oh Deus. Oh, Deus. — Eu não deslizei. Pulei e ele estava lá para me pegar, segurando meus quadris estáveis, enquanto sua língua preguiçosamente me trazia de volta das ondas trêmulas de prazer. Caí contra a porta quando ele retirou minha perna de seu ombro e agarrou suas calças do chão, enquanto se levantava. Ele enfiou a mão no bolso, tirou um pacote dourado quadrado e segurou-o em direção a minha boca. Eu mantive meus olhos fixos nos dele enquanto segurava o canto dele com os dentes e o abri. Ele puxou a camisinha da embalagem, arrancou sua cueca boxer e colocou-a. Então, suas mãos ficaram sob a minha bunda e ele me puxou para o chão. — Ponha-me dentro de você. — ele ordenou. Liguei meus tornozelos em torno de seus quadris, em seguida, segurei seu pênis entre nós. Ele pulsava na minha mão, com as veias expandidas pela pressão sanguínea. Eu o apertei, observando seu rosto e a cintilação de satisfação quando

seus

semiabertos.

olhos

brevemente

fecharam,

com

lábios


Era bom dar-me esse olhar. Para ter algum controle sobre a expressão dele porque eu duvidava que ele permitisse que qualquer um tivesse qualquer poder sobre ele. Passei a mão para baixo o comprimento dele, o polegar acariciando a cabeça. Passei meus dedos, fechando novamente e empurrei na base e ele resmungou. — Pare de brincar. Coloque-me dentro. Agora. — ele rosnou. Sim, ele definitivamente não gostava que ninguém tivesse o controle. Fechei os olhos e guiei seu pênis na minha entrada. Eu não tive tempo para mover a minha mão antes que ele empurrasse dentro de mim. Minha coluna pressionou duramente na porta e quando ele puxou de volta, mudei o meu braço que estava entre nós e segurei a parte de trás do seu pescoço. Ele

arqueou

seus quadris, empurrou

para frente

novamente e meu corpo bateu na porta. De novo e de novo. — Vizinhos. — eu ofegava. — Eu não dou a mínima. — Ele bateu em mim. Pensei que fosse me quebrar, mas ao mesmo tempo quis mais

forte.

Eu,

nunca

antes,

experimentei

tal

sexo

desenfreado. Era sem limites com ele grunhindo e batendo em mim, as mãos segurando minha bunda tão forte que eu sabia que teria contusões.


Eu não me importava. Estava catapultando com ele. Seus

grunhidos

necessidade

e

meus

selvagem

gemidos que

nós

desencadeando dois

uma

ansiávamos.

Procurávamos. — Porra, London. Porra. — Seu corpo ficou tenso ao mesmo tempo em que o meu. Apertei em torno de seu pênis pulsando enquanto explodia em um frenesi de faíscas e gozei forte. Um tremor intenso me atingiu, poucos segundos antes de meu tremor final e eu cair em seus braços. Kai empurrou uma vez, duas vezes mais, então parou. Fechei os olhos e descansei minha testa no seu peito, ouvindo os batimentos cardíacos que ritmavam ao meu ouvido. Ficamos assim por alguns minutos, não falamos. Imóveis. Tirei minhas pernas e ele lentamente baixou-me até que eu estivesse em pé. — Perigoso. — ele murmurou. Não tinha ideia do que ele quis dizer com isso e eu não tive tempo para contemplar ou perguntar porque uma batida soou na minha porta. — Você está bem, senhorita Westbrook? Minha cabeça se ergueu. Merda. Mais batidas.


— Senhorita Westbrook, tentei ligar, mas não houve resposta. O telefone tocou? — Nós tivemos uma reclamação sobre batidas. Minha boca abriu e meus olhos arregalaram quando olhei para Kai. Ele sorriu lentamente. Eu não respondi. Apertei os lábios juntos, então tentei colocar as minhas roupas. — Sim. É... um... Sim... está tudo bem, Derek. Obrigada. — Merda, onde estava minha boxer? Droga, no lixo. — Você se importa de abrir? Eu tenho que verificar. Alguém informou gritos, também. Jesus Cristo. Moro aqui há quase dois anos, era quieta como um rato e, de repente, eu tinha uma reclamação sobre gritos e batidas. Peguei minha camiseta no chão e puxei-a sobre a minha cabeça enquanto corria para o quarto e pegava uma calça de yoga da cômoda. — Sim claro. Eu só estava... Ouvi o clique e a tranca da porta abrir. Kai já tinha sua camisa e calças. — Ela está bem.


Olhei para o chão algumas polegadas da porta onde a faca estava. Se Derek olhasse para baixo, ele a veria. Merda. Corri para a porta, chutando a faca para o lado enquanto o cumprimentava. — Desculpa. Eu não percebi que era tão tarde. Estávamos pendurando... — Ah sim... um quadro. Seu namorado disse. — Derek riu e piscou para mim. Oh. Meu. Deus. Meu rosto parecia que estava pegando fogo. — Ei, você assistiu ao jogo de ontem? — Ele perguntou a Kai. Namorado? O jogo? — Não, infelizmente eu tinha negócios a tratar. — Oh, homem, você perdeu um muito bom. Os Raptors massacraram os... — Olhei de um para o outro enquanto conversavam sobre o jogo de basquete. Kai colocou o braço em volta dos meus ombros e me arrastou para o seu lado. — Certo, docinho? — Huh? — Eu estava ainda me recuperando do fato que um dos seguranças falava com Kai como se fossem amigos. Um homem que eu estava dormindo a fim de cumprir um acordo. — Bem, mantenha o ah... martelo baixo? — Derek balançou as sobrancelhas para mim.


Jesus. Fui de nerd tranquila do loft 607 e para uma... Deus, nem quero saber o que o segurança iria falar agora. Nunca seria capaz de olhar nos olhos dele novamente. Eu teria que correr para o elevador ou melhor ainda, entrar pela garagem e evitá-lo completamente. Kai fechou a porta. Saí do seu abraço acolhedor e entrei na cozinha. Peguei uma garrafa de água na geladeira, quebrei o lacre e bebi. No momento em que a coloquei no balcão, Kai ficou ao meu lado, com os olhos brilhando. — Namorado? Ele não disse nada. — Jogo? Novamente, ele não disse nada. — O que você está fazendo? Você tem mais duas noites, então acabou. — Quatro. Eu olhei. — Não. Duas. Você não apareceu nas últimas duas noites. Isso não é minha culpa. Ele gentilmente pegou a água da minha mão e tomou um gole antes de responder.


— Quatro, London. Na realidade, cinco, porque esta noite não acabou. — Esse não era o acordo. Era uma semana. — Sim. Sete dias. Eu não estava desistindo disso. Não podia deixá-lo vencer. Ele estava levando vantagem e eu não podia fazer mais quatro noites. Estava... me desequilibrando. Perdi o controle e não gostei disso. Não gostei de nada disso porque a verdade era que eu não gostava disso e era errado. Marchei para o banheiro e olhei por cima do meu ombro para ele. — Mais duas noites e então nosso acordo estará terminado. — Bati a porta. Debrucei-me sobre a pia e joguei água fria no meu rosto aquecido, escovei os dentes e esperei que, pelo tempo em que terminasse, ele tivesse ido embora. Ele não foi. Ele estava deitado nu na minha cama. Cruzei os braços. — O que você está fazendo? — Se você insistir em duas noites, eu pretendo fazê-las durar.


— Você não pode ficar por toda noite. — Merda, estava frustrada. Esperava que ele me fodesse e saísse, não que ficasse ao meu lado a noite toda. Uma perna estava dobrada e o lençol caiu de seus quadris, mergulhando onde havia um rastro de luz escasso nos cabelos escuros. Ele estava meio-erguido por dois travesseiros sob os ombros e eu odiava que ele parecesse sexy em minha cama, relaxado, como se pertencesse a ela. — Você vai me expulsar, London? Cruzei os braços sobre o peito e olhei para ele. — Eu não vou dormir nua. — resmunguei enquanto caminhava para a cama e subia com minhas calças de ioga e camisa. — Vamos ver. — disse e puxou o lençol sobre mim. Sua coxa caiu em cima das minhas coxas. Seu braço veio ao redor dos meus ombros e ele me puxou de volta contra seu peito. Eu estava irritada. Porque gostava dele por perto. Gostava de estar com ele. Gostava dele na cama comigo. E nunca me senti tão protegida na minha vida. A ironia era que eu tinha a sensação de que Kai poderia muito bem me destruir.


Mais duas noites. Andei para trás e para frente. Hoje à noite fui jantar na casa do meu pai e odiei não ter sido capaz de dizer qualquer coisa para ele. Mas o que fez tudo isto valer a pena foi o fato de que a fadiga, a carranca preocupada que ele tinha durante meses, tinha aliviado, embora ainda estivesse pálido e parecesse cansado. Mesmo que quisesse perguntar-lhe sobre Kai e que tipo de droga ele estava trabalhando agora, eu não podia. Não importava quantos anos eu tivesse, eu seria sempre a sua filhinha pequena que ele gostava de proteger. Descobrir que Kai e eu estávamos transando seria catastrófico. Kai era alguém de quem meu pai não poderia me proteger. Embora, a cada encontro, eu sentisse mais e mais como se Kai fosse um protetor e não uma ameaça. Cerca de uma hora da manhã, ele ainda não tinha chegado, mas não era nada incomum. Percebi que era como ele

gostava

de

jogar.

Manter-me

esperando

para

me


confundir. Servi-me um copo de vinho e tentei estudar, mas li o último parágrafo quatro vezes e ainda não entendia o que estava lendo. Prestava atenção no trinco da chave e na fechadura e cada vez que ouvia o ding do elevador, meu coração disparava. Era fim de semana e não tive aulas, mas ainda assim, ficar acordada a noite toda esperando por um cara, não era algo que fizesse. Eu ri de mim mesma porque este não era só um cara ou uma noite de costume. Fiquei em pé, abri as cortinas e olhei para o beco. Eu não tinha ideia do porquê. Não era como se ele estivesse lá embaixo. Não podia imaginar Kai, em pé, em um beco. Ele não iria esgueirar-se, iria aonde quisesse. Meu telefone tocou e eu quase derrubei meu copo de vinho com o som. Corri até a mesa, coloquei o meu vinho nela e olhei para a tela, número desconhecido. Normalmente evitava atender ligações como esta, mas no meu interior eu sabia que era ele. Quem mais poderia ligar no momento? — Olá? — London. — Kai. — Baby, eu preciso que você faça algo para mim. Fiquei quieta. Não gostei do som disso. Ele continuou:


— Perderei uma noite se você fizer o que eu pedir. Ele estava disposto a desistir de uma noite? Uma pitada de decepção me bateu. O que quer que fosse, eu queria ter relações sexuais com ele e tinha que aceitar isso. Mas ele não precisava saber. — Combinado? Meu estômago embrulhou e arrepios apareceram pela minha pele. Eu não gostava de concordar com algo que não sabia o que estava concordando. — Será que isso envolve ferir alguém? Ele riu. — Não, querida. Esse é meu trabalho, não seu. Também estava incerta de como eu me sentia a respeito dele me chamando de baby. Era diferente do apelido que me deu. Era pessoal e familiar, como se fosse algo mais do que profissional. — Uma noite a menos. E ninguém se machuca. — Sim. — ele demorou. — Bem. — Boa menina. Vá para o freezer. — Eu fiz uma careta, segurando

o

telefone

na

minha

orelha

enquanto

eu


caminhava para a cozinha e abri a porta do congelador. — Na prateleira inferior. Recipiente de metal. Meus olhos percorreram sobre o milho congelado, o sorvete Häagen-Dazs e parou lá. Engoli em seco quando retirei lentamente o recipiente de metal e olhei pela pequena brecha na tampa. Ele tinha um vibrador azul com um redemoinho em torno dele. — Pegou? Eu balancei a cabeça. — London? — Sim. — Tire da caixa. — Eu tirei. — Agora, vá para a cama. E tire suas roupas. Merda, ele sabia que eu tinha quebrado a regra mais uma vez e estava de pijama. Uma vez no meu quarto, escorreguei e rastejei sobre minha cama. — Deite-se e dobre os joelhos. — ele instruiu. Oh, Jesus, sabia exatamente o que eu deveria fazer com isso. A maior experiência que tive com brinquedos sexuais foi um pequeno estimulador de clitóris. — Preciso que você fale comigo, London. — Sim. Ok, mas...


— Pernas dobradas. — Eu engoli. — Abertas. — ele rosnou no telefone. Para minha mortificação, arrepios irromperam entre as minhas pernas. Um homem, no telefone, estava me dizendo o que fazer com um vibrador que ele colocou no congelador. — Agora, esfregue-o entre as pernas. — Eu olhei para o brinquedo na mão e pensei sobre isso. Estava frio. Muito frio. Eu não gostava de pular em uma piscina abaixo de vinte e seis graus. Eu era uma daquelas pessoas que cautelosamente colocava centímetro por centímetro do corpo e se ela estivesse muito fria, eu nem sequer me incomodava. Eu poderia fingir fazer o que ele disse e não fazer? — Nunca hesite, London. Hesitar vai lhe machucar. — disse ele. Era como se ele estivesse me avisando, não porque estivesse com raiva, mas para o meu próprio bem. Troquei as mãos do telefone com a do vibrador, uma vez que já estava ficando muito frio na minha mão. Então, fechei meus olhos e o coloquei entre as minhas pernas. Minha respiração engatou quando o frio se encontrou com a minha pele macia e quente. — Deslize para cima e para baixo em sua boceta. Deixea molhada, baby. — ele ordenou. O telefone crepitava com a respiração pesada quando a dor do frio me atingia.


— É muito frio. — Eu falei. — Essa é a intenção. Seu corpo vai aquecê-lo o suficiente para colocar dentro de você. Não queria. Não gostava de sentir frio e não gostei de fazer isso. Eu me senti estranha e boba. Joguei o vibrador de lado e puxei o lençol sobre mim. — Eu não vou fazer isso. Encerrei a ligação, desligando meu telefone. Sentei-me contra a cabeceira da cama, com meus joelhos no peito e os braços ao redor deles. Meu pulso disparou quando perguntei que merda eu estava pensando, considerando empurrar um vibrador frio dentro de mim. Passaram apenas cinco minutos antes de ouvir o clique no trinco e a porta abrir. Kai estava ali, parecendo maior do que a vida. Ele era maior do que a vida — pelo menos na arrogância. — Kai... — respirei enquanto ele andava para mim, com o celular ainda em sua mão. — Eu pensei... — Apertei minha boca quando ele jogou o telefone na mesa de cabeceira, pegou o lençol e puxou-o para longe, para o chão. Seu olhar esquadrinhou a cama depois parou no vibrador, onde o joguei. Deu dois passos para a direita, inclinou-se e o pegou. Só então ele olhou para mim.


Eu estava aterrorizada com o que ia ver, mas ele não parecia com raiva. Mas não estava feliz, também. Não poderia dizer o que ele estava sentindo e o que me incomodou mais do que qualquer coisa foi porque eu não tinha ideia do que ele faria em seguida. — Nunca desligue na minha cara. Sim, Kai não apreciou isso. Segurei minhas pernas mais perto de meu peito me protegendo. Apesar da minha aparência fechada e blindada, encontrei seus olhos e me recusei a recuar ou desviar o olhar. — Você não quer fazer alguma coisa, fale. Mas nunca desligue na minha cara. — Ele agarrou meu tornozelo e um pequeno grito escapou quando ele puxou e eu caí de costas. — Você não pode me dizer o que fazer. Ele ignorou completamente o que eu disse, deixou cair o vibrador entre as minhas pernas que saltou de uma vez no colchão. Ele soltou o cinto de sua elegante calça cinza escura e puxou-o através do gancho. Segurou a fivela e envolveu o couro em torno de sua mão duas vezes, em seguida, deixou o resto pendurado. Meus olhos se arregalaram quando olhei para o cinto, em seguida, de volta para ele. — Você não pode. — eu gaguejei. Ele arqueou as sobrancelhas.


— Não? Puta merda. Ele ia me espancar por mentir para ele? Merda. Fui para o lado da cama. — Você está louco! — eu gritei quando me levantei e corri até a porta. Ouvi ele vindo atrás de mim, mas no tempo dele e eu percebi o porquê. Eu estava nua. Era por isso que eu dormia de roupa. Tipo isso. Uma emergência como esta. Ok, não como esta, mas uma emergência e esta era uma emergência e agora eu estava nua, porque ele me disse para estar. Eu

tinha

perguntando

se

a

minha deveria

mão

na

gritar,

maçaneta

assassinato

da

porta

sangrento,

correndo nua pelo corredor e depois ter que sair do edifício ou... ou o quê? Eu me virei e ele estava parado, me observando enquanto se encostava na grande viga de madeira, entre a minha sala de estar e meu quarto. Ele ainda tinha o cinto na mão, com o braço abaixado ao seu lado. — O que você vai fazer, London? — Não gosto desse tipo de coisa, se é isso que você está pensando em fazer. Não gosto disso. — Você tentou?


— Não preciso provar algo para saber. Meu corpo sabe, — Joguei de volta nele. Ele deu um meio sorriso. — O que eu lhe disse? Freneticamente procurei meu cérebro para o que ele estava se referindo. — Não desligar na sua cara. — Sim. — falou lentamente. — O que mais? — Ficar nua na cama e eu estava. — Sim, mas você não estava até que eu disse para você no telefone. Engoli em seco, alcançando minha mão atrás de mim para desfazer a trava da porta. O som era um clique como se um elefante irrompesse pela porta. — O que mais? Ele estava muito calmo, o que era de enlouquecer. Eu apostava

que

sua

frequência

cardíaca

era

inexistente

enquanto a minha corria uma maratona e eu odiava correr. Eu era uma leitora ávida, não uma pessoa de esportes. — Você vai me espancar? — Deus, isso soou... patético. — London. — Ele balançou a cabeça para trás e deslizou o couro em toda a palma da sua outra mão.


Meus olhos continuaram nele. — Baby, o que mais? Ele dizendo baby, me fez acalmar um pouco. — Eu... você disse... — O couro escorregou de sua mão quando ele baixou o braço. Olhei de volta para ele. — Você disse para dizer-lhe se eu não quisesse fazer alguma coisa. Ele deu um aceno sutil. — Eu não quero que você me espanque. — eu disse. — Não gosto dessas coisas. Ele jogou seu cinto no sofá. — Boa menina. Tranque a porta novamente. — Então, ele voltou para o quarto e despiu-se. Levei alguns minutos antes de ser capaz de atravessar a minha sala para a cama. Minhas pernas ainda estavam tremendo e meu coração abrandou a um ritmo mais ou menos decente. Nu, Kai estava sentado de costas contra a cabeceira, com o vibrador ao seu lado. Antes de me juntar a ele, perguntei: — Onde você estava quando ligou? Ele respondeu imediatamente: — No hall de entrada. — No lobby? No meu saguão?


— Sim. — Por que você me ligou do lobby? — Fiz uma careta. Por que ele estaria no lobby me ligando? — Eu queria ver se você faria o que pedi. Apertei os olhos para ele, minhas costas enrijecendo. — O quê? Por que merda você faria isso? — Um teste. Para ver o quão longe você iria sem mim. E porque eu quero que você saiba que se você não quiser fazer algo, só precisa me dizer. Já são duas vezes agora. — Deus, você é um idiota. — Este foi um acordo de sete dias de duração, não um relacionamento e ainda assim eu não podia evitar, sentia como se fosse mais. — Isso não é um jogo. Não preciso de testes e com certeza não preciso de você me dizendo o que fazer. Ele riu. O som vibrou através do loft, um som profundo e grave que causou arrepios em minha pele. — Amo a sua coragem, querida. Eu tive algumas... — ele fez uma pausa, — ... não. Eu nunca tive uma mulher que falasse comigo como você. — Ele deu um tapinha no colchão. — Deite. Quero tentar isso em você. — Ele pegou o vibrador. — Só pode está de brincadeira comigo. Mas a partir de sua expressão relaxada e dar de ombros, ele não estava.


Quando ele apenas passou o dedo pelo comprimento do brinquedo, franzi o nariz para combinar com minha carranca. — Eu não quero fazer isso. — Agora, você está mentindo, — ele respondeu. Ele colocou o dedo na boca, molhou-o e, em seguida, ele passou no eixo de vidro. — Você não queria fazer isso, porque estava sozinha. Agora, você não está. Eu me mexi, colocando a mão no meu quadril e desejando novamente que tivesse roupas. Meu sexo pulsava quando eu o assisti. — Vou fazer um acordo, — disse ele. — Acho que um acordo com você é o suficiente. Ele arqueou um meio sorriso e baixou o vibrador para o colchão. — Se você estiver molhada, eu começo a usar o brinquedo. E se você não estiver, vou deixar você molhada e depois comê-la com meu pau. Jesus. Era como se ele não tivesse filtro, o que me deixava muito ligada. — Eu sei que você está molhada, London. Posso ver sua boceta inchada e brilhante daqui. — Deus, eu não tinha mesmo pegado ele olhando para o meu sexo. — Nunca iria fazer com você qualquer coisa que não quisesse.


Pensei sobre isso por um segundo. Era um vibrador e, provavelmente, não estava mais frio. Eu não era muito puritana, era? — Certo. — Bom. — Ele acenou para o colchão e ajoelhei-me sobre ele. Um pouco autoconsciente, fiquei sem saber o que fazer. — Pensei que poderia ter acabado. — disse ele, balançando a cabeça enquanto me assistia com os olhos verdes penetrantes intensos. — Eu não posso. Não tive certeza do que ele quis dizer, mas quando abri minha boca para perguntar, ele disse: — Deite-se. Faça exatamente como lhe disse no telefone. — Ele estendeu o vibrador para mim. — O quê? — Tentei sentar, mas ele colocou a mão no meu pescoço e me manteve deitada. — Kai. Pensei que você iria fazê-lo. — Assim seria muito fácil. Vamos ver quão corajosa você é. — Ele foi para a ponta da cama e ficou em pé, caminhou até a cômoda e inclinou-se contra ela. Eu mal podia vê-lo nas sombras, mas o que era claramente visível, eram seus olhos verdes e eles estavam focados em mim. Era desconcertante tê-lo me assistindo, porque, querendo ou não, eu queria que ele visse que eu era corajosa. — Pegue-o, London.


Olhei para o vibrador, caído entre as minhas pernas. Corajosa. Eu era corajosa. Não tinha medo de tentar novos alimentos. Saltei de bungee jumping com um grupo de amigos da escola, da minha aula de química, há alguns anos. Quando estava sendo atormentada por um valentão na oitava série, eu dei um soco nele. Eu era uma nerd, mas isso não significava que não tivesse garra. Merda. Peguei o vibrador, dobrei meus joelhos, ampliei minhas pernas e empurrei-o dentro de mim. Minha

respiração

bloqueou

na

minha

garganta

enquanto o frio conhecia a umidade aquecida e fechei os olhos com a estranha sensação. Merda. Senti-me... bem. Deslizei para fora, em seguida, empurrei-o novamente. Um arrepio de excitação disparou através de mim não só pelo o que estava fazendo, mas porque seus olhos estavam em mim. Na verdade, isso era o que mais me excitava, gostava de ver seus olhos em mim. Separei minhas pernas ainda mais, arqueei as costas e gemi quando empurrei e tirei. Meu sexo mexia com precisão, abaixei minha outra mão e circulei meu clitóris enquanto continuava a empurrar o vibrador dentro e fora. — Porra.


Ele saiu das sombras e estava na cama dentro de segundos. Pegou o brinquedo e atirou-o pelo quarto com tanta força que fez uma marca na parede. Ele já estava usando uma camisinha quando deslizou seu pênis para cima e para baixo entre as minhas pernas uma vez para deixá-lo molhado, antes de empurrar dentro de mim, forte. Mas eu estava pronta para ele quando impiedosamente me levou. Suas mãos agarraram meus pulsos e os prendeu para baixo no colchão em ambos os lados da minha cabeça. Havia um olhar selvagem em seus olhos enquanto ele pairava acima de mim empurrando com seus quadris. Seus lábios franzidos, sobrancelhas baixas como se estivesse com raiva. — Cristo. — ele rosnou. Eu já estava perto de gozar antes que ele entrasse em mim e não demorei muito antes de ficar em êxtase e gozar violentamente nele. — Kai. — Engoli em seco quando tremores começaram. — London. — gritou enquanto bombeava forte e mais rápido algumas vezes, antes de gemer baixo e gozar também. Foram vários minutos com ele em cima de mim, imóvel, os olhos fechados e as mãos ainda fechadas em torno dos meus pulsos. Ele finalmente rolou para o lado, me liberando. Nós dois estávamos respirando de forma irregular com o cheiro de sexo e suor no ar.


Desenfreado. Isso era o que foi. Eu não fingi saber sobre este homem, mas suspeitava que ele raramente perdia o controle, até que eu apareci. Vi isso em sua expressão, a testa franzida, o olhar inquieto e em seus olhos perfurantes. Eu

me

elevei

sob

meu

cotovelo,

minha

cabeça

descansando na palma da minha mão quando o enfrentei. Estendi a mão e arrastei um dedo em seu peito. Seu braço estava jogado sobre o rosto cobrindo os olhos e um joelho estava dobrado quando ele estava deitado de costas ao meu lado. — Kai? — Tracei uma das cicatrizes que iam de seu peitoral para baixo em seu abdômen. — Quem fez isso com você? Ele moveu o braço de seu rosto e inclinou a cabeça para me olhar. Quando eu vi a escuridão na profundidade de seus olhos, meu coração saltou com uma pontinha de medo. — A gente fode, London. Não compartilhamos contos de fadas do nosso passado. Puxei minha mão e apesar de suas palavras me fazerem sentir como se tivesse levado um tapa no rosto, ele estava certo. Pelo olhar em seus olhos e a profundidade de suas cicatrizes, seu passado não foi nenhum conto de fadas. Por que eu me importava, de qualquer maneira? Porque me importava. Eu me preocupava com todos. Ele era o tipo de pessoa que eu não poderia ajudar. Eu via o lado


bom das pessoas, mesmo quando a maioria não via nada. Não tinha dúvida que as cicatrizes contribuíram para o que Kai se tornou e entristeci ao pensar que alguém o machucou tanto, que isso o tinha moldado em um homem perigoso. Queria saber mais. Queria entender por que Kai não era de todo ruim. Se ele fosse, eu estaria morta ou ele teria me batido na floresta, como um aviso. Mas ele estava certo. Nada disso importava e quanto menos eu soubesse sobre Kai, melhor. Mais uma noite e ele desapareceria da minha vida. Colocaria minha cabeça em meus estudos e fingiria que isso nunca aconteceu. Mas eu sabia que fingir nunca ter conhecido Kai, nunca ter tido ele dentro de mim e que ele nunca tenha existido, não iria acontecer. Virei para o meu lado e fechei os olhos. Em algum momento, ele enrolou o braço em volta de mim, me puxou de volta contra o seu peito e beijou delicadamente meu pescoço.


London Ele estava adiantado. Horas adiantado. Era cedo de forma que ainda tinha luz do dia e eu apenas estava entrando pela porta, voltando da escola. — O que você está fazendo aqui? Kai estava diferente. Ele não estava vestindo um terno ou mesmo uma camisa. Ele estava em uma camiseta preta e calça jeans, calça jeans confortável que pendiam abaixo em seus quadris e o fazia parecer mais gostoso do que o habitual, o que era seriamente difícil de conseguir. Eu o vi entrar na cozinha colocando uma garrafa de água da geladeira. Havia outra coisa que estava diferente. Ele mal olhou para mim. Normalmente, ele me encarava no momento em que entrava no meu loft. Mas hoje... ele me ignorou.


Estava tenso, nervoso. Kai tinha algo nele, como se estivesse no limite ameaçador, mas sem estar lá. Era como se estivesse desconfortável por estar aqui. — O que há de errado? — Perguntei. Ele não disse nada, apenas encostou-se ao balcão da cozinha e bebeu a água. E era tão sexy apenas fazendo isso. Merda. Terminou a água e jogou a garrafa na lixeira sob o balcão. Se ele não quisesse falar, estava bom para mim. Não era como se tivéssemos algo para falar, de qualquer maneira. Joguei minha bolsa na mesa de café e entrei no quarto, vasculhei meu armário por uma roupa, entrei no banheiro e fechei a porta. Tinha acabado de entrar no chuveiro quando a porta do banheiro se abriu. E fechou. Nossos olhos se encontraram através do vidro embaçado e meu pulso disparou como uma bala. O pulverizador bateu no meu peito, água quente caindo na minha frente, enquanto eu estava imóvel. Ele manteve os olhos no meu rosto, não oscilando uma vez para o meu corpo nu, embora eu amasse quando seus olhos percorriam meu corpo como se fosse algo para ser devorado. Falcões barriga.

mergulharam,

bombardeando

em

minha


Então eu vi quando começou a se despir lentamente, seus movimentos sem pressa e suave, assim como ele. Ele dobrou cada peça de roupa quando as tirava e colocou sobre o balcão ao lado da pia. Quis olhar para longe, mas não podia. A realidade era que Kai me cativava. Lembre-se de quem ele é, London. Olhei para a faca na bainha ao lado de suas roupas. Será que ele ia a qualquer lugar sem aquela coisa? Estremeci com o pensamento de sangue sendo limpo de sua lâmina. Será que ele matou? Quantas pessoas? Elas eram boas pessoas, como o meu pai? A bile subiu na minha garganta. Eu estava fazendo sexo com esse cara. Eu o deixei usar o meu corpo e gostei. Fiquei excitada por ele. Isso fazia-me tão repugnante e vil como ele. A porta do box abriu e eu recuei. Ele fez uma careta, quando procurei por uma fuga, mas ele bloqueou a única saída e por sua expressão inflexível, eu não ia ter nenhuma. — O que mudou? — Ele perguntou quando entrou debaixo do chuveiro e eu apoiei contra a parede de azulejos. — Vejo em seu rosto, London. O que mudou? Ele continuou se aproximando até que seu corpo ficou contra o meu. Sua mão em concha na parte de trás do meu pescoço enquanto a sua outra curvava ao redor da parte


inferior das minhas costas. Com um puxão áspero, ele me tinha pressionada contra ele. — Responda-me! — ele gritou. Era a primeira vez que levantava a voz e percebi que ele não estava mais na posição netflix and chill

2

e sim de

caçador. — A faca. Seus dedos apertaram no meu pescoço. — O que tem ela? Seu pênis foi pressionado em meu abdômen. — Você... matou pessoas com ela? Não houve nenhuma hesitação quando ele disse: — Sim. — Boas pessoas? — Isso importa? Importava? Matar não era certo, não importa quem era, não importa o motivo. Eu queria salvar vidas e Kai as matava. Mas sim, isso ainda me importava. — Sim.

2

Uma maneira de convidar alguém a ir à casa de outro alguém e terem relações sexuais.


Tentei olhar para baixo, mas ele não me deixou. Seus dedos

agarraram

os

fios

do

meu

cabelo

e

puxaram

firmemente minha cabeça para trás. — Eu nunca fingi ser outra pessoa, London. — É verdade, isso era tudo sobre mim. Eu o via como o homem que me salvou. Eu me convenci de que Kai era bom. — Será que todas as pessoas que eu matei mereciam? Provavelmente não. — Engoli em seco. — Eram cidadãos corretos? Não. Mas não vou pedir desculpas por quem eu sou. Não para você e não para qualquer outra pessoa. — Eu não gosto de você. Não gosto disso. — Baby, se você gostasse de mim, teríamos um problema. Mas não se engane, você gosta disso. — Com a boca ao meu ouvido, ele disse, — Nada errado com isso, London. Você não pode controlá-lo, por isso aceite o que sente por mais uma noite. Esqueça que sou um assassino e vou tentar esquecer que você é uma cientista. Eu bufei. Ele sorriu e seu aperto afrouxou no meu cabelo, enquanto a outra mão vinha para o meu queixo, com o polegar acariciando para frente e para trás. — A regra entra em jogo a qualquer momento, London. Sempre. Eu fiz uma careta, sem saber do que ele estava falando.


— O que você está dizen...? — Então lembrei. Sua ordem. Se eu não quisesse fazer algo, tudo o que tinha que fazer era dizer-lhe. — Mas o acordo... — Sempre. — Seu polegar brincava com meu lábio inferior e a ação não combinava com o olhar sério em seus olhos. Era a mesma palavra que ele escreveu na nota. A mesma palavra que ele disse para mim depois do incêndio. Ele sempre viria para mim, mesmo que eu não soubesse o que significava isso. Eu não o entendia. Mas suspeitava que ele gostaria que fosse assim. Mais uma noite. Teríamos mais uma noite e, então, ele iria embora e sempre não importaria mais. Eu prendi o polegar com os dentes e lentamente, arrastei-o em minha boca. Seus olhos brilhavam de desejo e eu gostei que pudesse fazer isso com ele. Ele me soltou, foi para o canto dos azulejos e pegou o frasco de sabão. Em seguida, passou para mim. — Lave-me. Engoli em seco, olhando para ele enquanto pegava o frasco. Ele ficou parado como uma estátua de pedra na chuva, a água gotejando sobre os ombros e pelo seu corpo, como uma trilha de vapor. Kai era magro e não havia um pingo de suavidade sobre ele. Ágil como uma pantera negra mortal.


Não, ele era mais raro do que isso, um leopardo Amur solitário. — A água esfriará em breve. — Sua voz quebrou meus pensamentos e eu notei que a leveza de seu tom havia retornado e um pouco da minha incerteza dissipou. Eu apertei o sabão em minhas mãos. — Umm, seria melhor você ficar fora do spray. Ele balançou a cabeça, suspirando. — Não diga umm, London. Não parece você. Eu ia retrucar, mas fechei minha boca e mordi o interior de minhas bochechas. Ele queria que eu reagisse. O que me irritou foi que ele estava certo. Eu nunca dizia umm. Era um som de encher o vazio com palavras, feio. Se não pudesse encontrar palavras, geralmente, não enchia o silêncio com umm. Passei

o

sabão

pela

sua pele

lisa,

seus

braços

musculosos, a tatuagem em seu ombro direito brilhava em preto sob a umidade. Então, fui para o peito e minhas mãos percorriam a história de seu passado. A faca. Era por isso que ele carregava uma, porque uma faca causou estragos em seu corpo? Mas algumas cicatrizes pareciam de queimaduras e outras eram mais amplas do que


as de uma faca. Tortura. Era impossível todas as cicatrizes serem de um acidente. Deus, quem iria machucá-lo assim? Quando terminei a parte superior do corpo, hesitei, cheguei a pélvis e ao seu pênis. Estava ereto e como o resto do corpo, no comando. Olhei para ele. Ele arqueou uma sobrancelha e pegou o frasco de mim espremendo para mais sabão. Coloquei minha mão para pegá-lo e o gel espesso e branco, de repente, não parecia sabão mais. — Você pode limpá-lo com a boca se você preferir. Meu coração pulou e eu engoli, meus olhos indo de volta para seu pênis saliente. Segurei a base e ouvi-o inspirar. Sorri internamente. Em seguida, com o sabonete, acariciei a superfície dura para cima e para baixo, enquanto bombeava um Kai coberto de sabão e agora respirando com dificuldade. Usei uma das mãos para lavar suas bolas e gentilmente, rolei-as como joias delicadas na palma da mão antes de deslizar o dedo entre as pernas ao longo do vinco de sua bunda. Sua mão fechou em meu cabelo, e então ele me empurrou para o fora do chuveiro e ficou sob o spray para lavar o sabão. Depois se virou para mim novamente. — Eu quero lhe provar... — eu disse.


Seus olhos brilhavam com desejo, aumentando de calor que rugia em mim. Caí de joelhos e ele bloqueou o spray com as costas, mas a água escorria sobre seus ombros, em seu peito. O piso feria meus joelhos, mas quando envolvi minha boca em torno dele, esqueci tudo sobre contusões e dor. Experimentá-lo com água e sabão e... ele. Era do cheiro dele que eu nunca esqueceria. Não poderia ser lavado ou esquecido. Estava nele. E estava em mim. Kai gemeu quando empurrou seus quadris para frente, com a mão na parte de trás de minha cabeça para me manter no lugar. Engasguei quando ele foi longe demais na minha garganta, mas não parei ou me afastei. Chupei-o mais forte, tendo tudo dele e passei a minha língua de volta circulando a ponta. — É isso aí, Coração Valente. — ele disse, aprumou sua postura e firmou seu aperto no meu cabelo. — Porra. Sim. Ele começou a empurrar os quadris para frente novamente. — Tome tudo de mim. Tentei relaxar minha garganta quando ele se retirou e empurrou para o fundo da minha garganta novamente. Chupei ao mesmo tempo, amando o gosto dele. Seu pênis se sacudiu e sua mão apertou no meu cabelo. Em seguida, seu corpo tencionou.


Ele gemeu quando gozou na minha garganta. — Porra, baby. Engoli e delicadamente lambi os restos da ponta. Ele me ajudou a me levantar e alisou os fios molhados do meu rosto. — Melhor do que eu alguma vez imaginei. Mordi o lábio, gostando da ideia de que ele tinha me imaginado chupando-o. Passaram mais dez minutos antes de sairmos do chuveiro, porque ele lavou cada polegada de mim com especial atenção entre as minhas pernas, que acabou por terme tremendo e gritando seu nome. O olhar que ele tinha anteriormente o deixou e ele era o homem que eu estava começando a entender... bem, compreender pequenos pedaços. Ele tinha uma bondade dentro dele que eu não esperava ver quando o vi pela fresta no armário, pela primeira vez. Mas estava lá, adormecido no tempo, vi quando ele me lavou e depois me enxugou, com tanta delicadeza e cuidado. Então peguei o reflexo da faca no espelho e me perguntei se talvez fosse um ato de bondade o que ele mostrou ao meu corpo.


Talvez, eu estivesse enganando a mim mesma, ao pensar que conhecia um pedaço desse homem. Será que isso importava? Afinal, era a última vez que eu iria vê-lo. Então, meus pensamentos foram rapidamente postos de lado quando ele me fodeu no balcão do banheiro e novamente na cozinha, por trás, como fez na primeira noite, há uma semana atrás. Mas percebi que ele nunca me beijou na boca. Nem uma vez. Eu me perguntava por que ele não o fez, mas talvez fosse melhor assim. Menos... pessoal. Quando ele sugeriu pedir algo para comer, achei estranho e... bem, normal. Ele vestiu-se, mas insistiu para que eu permanecesse apenas de calcinha e camisola. Argumentei no início, mas depois parei porque percebi que era excitante estar seminua com ele vestido. Pedi comida tailandesa e quando perguntei o que ele queria para comer, ele me disse que gostaria do que eu pedisse. Foi doce e gostei disso. Enquanto esperamos pela comida chegar, ele estava em seu telefone. Manteve sua voz calma, mas eu o ouvi dizer o nome Chaos algumas vezes como se fosse uma pessoa. Quem era Chaos? Ou talvez ele tivesse se referindo a uma situação? Mas parecia que ele estava dizendo um nome. Coloquei os pratos na pequena mesa redonda, de vidro, com guardanapos brancos. Usaria pauzinhos, mas não tinha certeza se Kai usaria, então pus os talheres, também. Depois coloquei as duas velas em castiçais de prata que eu guardava


para ocasiões especiais, no centro. Quando dei um passo para trás e olhei para a mesa posta para dois, meu coração acelerou. O que estávamos fazendo? O que eu estava fazendo? Então, eu entendi. Oh, Deus, gostava dele aqui. Gostava que ele estivesse na minha sala de estar. Gostava do seu cheiro espalhado em toda parte e da sensação do meu corpo junto ao dele e como ele

me

ensinou

a

perder

quaisquer

inibições

sexuais

sufocadas que eu tivesse. Gostava de como ele era tão confiante e que ele me pressionasse. Me desafiasse. Jesus, eu gostava de Kai. E isso me aterrorizou. Olhei para ele e nossos olhos se encontraram. Ele já não estava falando ao telefone, mas estava me assistindo. Nada mais existia, exceto nós. Minha respiração parou. Ele deve ter visto isso. Visto a realização. Visto algo nos meus olhos, porque ele fez o que nós dois sabíamos que era a única opção. Ele foi embora.


Porra, apenas três semanas. Três semanas desde que eu saí do seu loft, tomando o primeiro voo de Nova York para Toronto. Tinha me reunido com Chaos e falamos sobre uma nova atribuição, fui à casa de Vault em Toronto e vi Brice e Glen, passei um e-mail para Mãe, porque não me importava em ouvir a voz dela, além de que, era mais fácil mentir por um e-mail. Mas eu estava distraído. Inquieto. A calma estável que normalmente eu tinha, reduziu drasticamente e, eu estava no limite, com uma sensação de lixa sendo constantemente esfregada contra a minha pele. Incapaz de dormir, fiquei acordado e lendo sobre a ‘fodida’ química. Química. Eu não tinha interesse em química, mas me ligava a ela. A London. Segui meu instinto porque ele sempre estava certo. A maioria das pessoas ignorava, mas acabava se tornando um hábito que a pessoa fosse lentamente tornando-se insensível ao que seus instintos estavam lhes dizendo.


Eu não. Escutava cada um deles. Talvez porque eu não tivesse nada a perder tendo uma chance ou porque nunca tivesse dado a mínima se eu morresse. Mas, naquele momento, minhas entranhas estavam falando alto e claro. Alguma coisa estava errada, mas eu não sabia o que era. Foi assim desde que saí da porta de London depois de ver seu rosto. Porra, eu lhe disse que era melhor ela não gostar de mim. Tive que sair e nunca voltar, mais por causa dela do que por minha causa. Já tinha arriscado muito por estar com ela. Egoísta. Isso era o que eu fui. Mas não fui capaz de resistir a ela depois de senti-la debaixo de mim, no capô do meu carro, depois de finalmente tocá-la. Senti pura luxúria quando vi a foto dela pela primeira vez, dois anos atrás, quando fui atribuído ao pai dela. Ela tinha uma inocência, uma quietude que aparecia em seu rosto, mas havia também uma peculiaridade teimosa, que jazia sob a sua beleza natural. Era bonita e refrescante. Eu nunca fui atraído pelas mulheres tranquilas, as inocentes teriam medo de mim. Eu pegava mulheres que queriam o que eu fazia... sem compromisso. Quando a vi pessoalmente que tudo foi à merda. Eu tinha voado para Nova York para checar seu pai e fui para a casa que ela dividia com alguns outros alunos. Estava sentado do lado de fora, em uma lanchonete, tomando um café expresso quando ela saiu de sua casa para


a rua com uma de suas companheiras de quarto. Sabia que a outra garota era uma companheira de quarto porque eu verifiquei todos em torno de London e de seu pai. A cabeça de London estava inclinada para trás quando ela riu de algo que sua amiga disse, o pescoço exposto, os olhos brilhantes e cheia de leveza. A leveza que eu queria agarrar e segurar. Ela gentilmente colocou a mão no braço da sua amiga e aquele gesto doce foi como se tivesse me envolvido no seu calor. Enquanto caminhava em minha direção,

balançava

seus

quadris,

não

provocativa,

naturalmente. Seu sorriso era genuíno e filtrado para os transeuntes como se fossem infecciosos. Encontrei-me sorrindo muito quando sentei na minha cadeira, pernas, tornozelos cruzados enquanto a observava. Então, a vi parar e agachar-se na frente de uma mulher idosa sentada em uma grade do metrô, com bolsas ao redor dela e um carrinho de compras cheio de lixo. Bem, o que eu considerava lixo, mas estava certo de que para a senhora desabrigada não era assim. London abriu a sua mochila e tirou o que parecia ser um sanduíche e passou para ela. A velha, que esteve gemendo e franzindo a testa, olhou para London e sorriu revelando seus dentes apodrecidos. London sorriu de volta, colocou a mão no braço da mulher e disse algo para ela. E ainda neste dia, eu queria saber o que ela disse. Não que as


palavras

fossem

importantes.

Mas

porque

esse

único

momento mudou o curso da minha vida. Eu nunca dei a mínima para os desabrigados. Nunca pensei sobre eles, até aquele momento. Eu não conhecia esse gesto simples e tranquilo. Sua suavidade. Sua inquietação. Era algo que, em mim, faltava completamente e a compaixão de London me alimentou com leveza e encheu a fenda escura dentro de mim. Comecei com uma necessidade de observá-la. Fingi que era para ter certeza de que ela não se tornou um subproduto das necessidades do Vault e era, parcialmente isso mas era muito mais. Eu estava viciado nela. Encontrei-me vindo para Nova York mais do que precisava, apenas para que pudesse sentir aquela leveza novamente. Mas London brincava com meu controle, embora ela não soubesse. Eu estava com uma corda em torno do pescoço, me apertando, esperando por se partir. E porra, se partiu no momento que eu finalmente tive a chance de tê-la. Prová-la. E, pela primeira vez na minha vida, eu não tinha certeza se teria feito isso se ela tivesse dito não na primeira vez, quando a segurei contra a geladeira. Eu sou um bastardo por aceitar seu acordo ridículo. Mas pensei que se a tivesse, provado dela, comido ela, então a minha necessidade constante por ela finalmente seria saciada e eu poderia esquecê-la.


Mas

não

aconteceu.

Minha

necessidade

reforçou.

Insaciável. E isso era perigoso. Ler as pessoas fazia parte da minha formação, os movimentos dos olhos, gestos, a menor mudança no peso. E London era um livro aberto, com as páginas cheias, com uma grande escrita em negrito. O último dia em que eu estive com ela... ela em pé ao lado da mesa em seu loft e eu parado do outro lado da sala tendo acabado de desligar o telefone com Chaos-Georgie. Vi a realização em seus olhos, que este era mais do que algum tipo de acordo. Era o fim, para o que nunca teve a chance de começar. Mas porra, por uma fração de segundo, eu queria abraçá-la e ficar. Mas ficar nunca fora uma opção. Eu já tinha quebrado a regra fundamental e me tornado íntimo demais. Eu me inclinei para frente, o sofá de couro preto enrugou, descansei os cotovelos nas coxas e coloquei a minha cabeça em minhas mãos, agarrando o meu cabelo. — Merda. — Não era para ter ido por esse caminho. A Mãe queria London 'ferida' como um aviso para Dr. Westbrook. Eu disse que ia cuidar da situação e fiz isso, não apenas como ela teria gostado ou esperado. Não planejei o que aconteceu entre nós. Simplesmente iria assustá-la e


permaneceria em

silêncio

porque

não

havia

nenhuma

maneira do caralho de eu fazer o que a Mãe queria. Os laços que me cercavam eram cruéis e inquebráveis e o destino de London já estava balançando em uma corda bamba, porque meu instinto me dizia que a Mãe sabia o que eu fiz. Fiquei em pé e andei pelo meu escritório. A sirene de alerta soou na minha cabeça ficando cada vez mais alta a cada dia que eu ficava longe. Era a mesma sensação que tive quando o fogo desceu na casa de merda em que London vivia com seus amigos. Voltei para o aeroporto depois de verificar o progresso do Dr. Westbrook sobre a droga e passei algumas horas assistindo London estudar na biblioteca. Eu a segui até sua casa e esperei até que vi a luz desligar em seu quarto antes de ir embora. Talvez fosse puramente instinto, talvez minha obsessão tenha ficado mais forte. Seja lá o que fosse, virei o carro cerca de 20 minutos mais tarde e voltei. No caminho inteiro eu estava convencido de que seria a última vez. Eu diria adeus e pararia de vir vê-la. Mas quando estava a poucas milhas de distância e vi a fumaça, eu soube. Pelo meu instinto do caralho, eu sabia que era a casa dela e pela primeira vez desde que eu era criança, meu coração acelerou tão rápido que doía. Dirigi como um louco. Xinguei e amaldiçoei.


E não parei até que cheguei à casa. Dirigi direto através do muro de trás, onde usei o capô do meu carro para alcançar a beirada da sua janela e me puxar até onde seu quarto estava localizado. Ouvi os caminhões dos bombeiros gritando enquanto eles se aproximavam, mas o crepitar do fogo rugia na minha cabeça, muito mais alto. Enrolei minha mão na camisa e quebrei sua janela com meu punho direito. Escalei para dentro, com pedaços irregulares de vidro cortando meus braços, peito e coxas. Por um minuto, não podia ver nada enquanto estava sendo envolvido pela fumaça e calor. Mas eu não tive que ir tão longe, quando meu pé bateu em um corpo e me agachei. A fumaça não era tão grossa na parte de baixo e foi quando eu a vi. Essa era a porra da primeira vez que eu me importava se alguém iria viver ou morrer. Foi a primeira vez que senti como se tivesse um coração, porque ele parou. Ele parou até que pressionei a palma da minha mão em seu peito e senti que ainda havia um batimento cardíaco. Peguei-a e saí do jeito que entrei. Levei-a para o quintal do vizinho e delicadamente a deitei na grama. Seus olhos se abriram brevemente e se eu não tivesse em meus joelhos, teria sido trazido para eles, apenas por vê-la olhar para mim. Segurei-a por um minuto, meu dedo retirou o cabelo do seu rosto. Ela tossiu e tossiu e eu a segurei, esfregando suas costas, enquanto ela inspirava o ar fresco. Quando finalmente


recuperou o fôlego, inclinou a cabeça e nossos olhos se encontraram. Foi quando eu disse: — Eu sempre vou vir para você, Coração Valente. Suas sobrancelhas baixaram e ela tentou dizer alguma coisa antes que tossisse de novo e fechasse os olhos, mantendo-se mole em meus braços. Notei um bombeiro olhando em minha direção, então a deixei ir, corri de volta para o meu carro e saí. Foi então que eu contratei Ernie para vigiá-la. Claro, a única maneira de aparecer como se não estivesse olhando para ela era estar disfarçado como um mendigo. Meu celular vibrou na mesa de café, sacudindo algumas polegadas em toda a superfície lisa e dura. Encarei a tela piscando, incapaz de ver o número, mas não era preciso. Era o telefone celular que eu tinha e que apenas uma pessoa tinha o número. Cheguei para frente, peguei-o e, em seguida, pressionei o círculo verde na tela antes de colocá-lo para a minha orelha. — Ernie. — Bom show, esta manhã, chefe. A tempestade empurrou para dentro de mim e minha mão apertou o telefone. Se eu fosse forçado a confiar em alguém, seria Ernie. Ele não fazia parte do Vault, mas sabia sobre eles. Como um ex-SEAL da Marinha, ele sabia tudo


sobre lealdade. Além disso, eu pagava-lhe uma porrada de dinheiro. Minha mandíbula apertou. — Ela está doente? Ernie hesitou; ele era um cara direto, de modo que isto cimentou o fato de que o que eu estava prestes a ouvir não seria bom. — Tenho esse sentimento. Nenhum movimento em suas janelas durante toda a manhã. Cheguei aqui por volta das seis e deixei ontem à noite depois das oito. Chefe, a janela está fechada. Porra. Eu fiquei em pé. — Entre lá. Não importa como você vai fazê-lo. — Eu saí da sala de estar e no meu quarto joguei minha mala na cama. — Estou indo no próximo voo. Eu desliguei. Nunca senti medo antes. Nada tinha a temer desde que fui espancado e torturado, quando ainda era um garoto. Mas, de repente, fui varrido do chão porque eu tinha necessidade de tomar um voo para Nova York a fim de verificar o que estava acontecendo com London. Eu sabia. Eu cometi um erro fatal. Passei uma semana com London e a Mãe descobriu sobre ela. Nenhum vínculo.


A Mãe estava certificando-se de que, agora, London estava pagando o preço.


— Vai se foder! — Eu gritei. Seu braço musculoso levantou e, em seguida, sua mão me deu um tapa no rosto com tanta força que caí de joelhos. Coloquei a palma da minha mão na bochecha latejante, o impacto foi como se tivesse sido atingida com uma pá de madeira. Eu nunca iria submeter-me a estes idiotas. Eles podiam me bater até o meu último suspiro. Eu não estava dando a eles. — Não. Você é a única que vai ser fodida. — Ele riu e o som parecia unhas arranhando um quadro-negro. Eu queria arrancar todas as unhas da mão dele e empurrá-las em seus globos oculares. Não tinha ideia de onde isso vinha, porque eu não era assim. Sempre tentei encontrar o lado bom das pessoas mas este homem sorria e olhava como uma pessoa


instável quando infligia dor. Ele gostava de ferir os outros, era mau e cruel. Não

sabia

quanto

tempo

passou

desde

que

fui

sequestrada. Mas fui levada uma semana depois de Kai sair e eu sabia porquê, não conseguiria parar de pensar nele. Contava os dias, esperando que fosse ficar mais fácil a cada manhã quando acordava. Mas não ficava. Tentei voltar para minha rotina, mas estive em transe, incapaz de dormir ou estudar. Mesmo Ernie notou uma mudança em mim e perguntou se eu estava bem. Eu lhe disse que estava estressada com a escola, mas era uma mentira e acho que ele sabia, pela maneira como sacudia a cabeça e franzia a testa como se decepcionado com alguma coisa. Eu me odiava por pensar sobre Kai e ainda não importava o que eu fizesse, ele estava lá, em meus pensamentos. Talvez fosse por isso que eles me sequestraram tão facilmente. Abri a porta para o que eu pensei que fosse a minha

comida

tailandesa

e

no

momento

seguinte,

a

negritude. Não tive tempo de gritar. E desde então, fui drogada com algum tipo de sedativo, transportada em uma van sem janelas. Troquei de veículos várias vezes, mas não poderia dizer quem me transportava ou como alguém se parecia porque minha visão estava toda fodida. Fui vigorosamente alimentada e tive que fazer xixi no lado da estrada antes de ser jogada na van novamente.


Finalmente, eles pararam de me drogar e eu comecei a processar a realidade da situação. E foi tão aterrorizante que quis as drogas de volta. Eu queria ficar no nevoeiro e não acordar novamente até que estivesse de volta em casa. Chorei por horas na van, em silêncio para que não me ouvissem, mas eram choros sufocados, com soluços de medo. O desconhecido agarrou meu peito com tanta força que hiperventilei. Uma vez que as lágrimas foram embora, a raiva aumentou e era onde eu estava emocionalmente afetada, quando a van parou. Estava com raiva deles, raiva de mim mesma por chorar. Irritada com a abertura da porta do meu loft. Irritada por sentir-me impotente. Fui arrastada da van e levada para dentro de uma casa enorme. Só tive um segundo para processá-la, mas o lugar obviamente pertencia a alguém excepcionalmente rico, pelo elaborado hall de entrada, que tinha belas pinturas nas paredes cor de pêssego. Ouvi vozes se aproximando e eles não estavam falando inglês. Parecia espanhol. O aperto nos hematomas no meu braço doeu quando ele me puxou para frente e eu tropecei. — Mova-se. Ele me puxou para um corredor, abriu uma porta e fui arrastada para baixo, num tipo de escada. Um pouco mais de passos e outra porta, que ele abriu e me empurrou para dentro. Ele estava na porta quando fiz uma rápida inspeção


do cômodo com paredes de cimento e sem janelas. A raiva me invadiu, mas o medo estava lutando pela primeira posição porque ser trancada aqui... era o meu pior pesadelo. Engoli a bile quando enfrentei o homem. — O que quer que você planeje... será pela força porque eu não vou fazê-lo de outra maneira. Ele sorriu. Era um sorriso maliciosamente cruel que revelou um dente inferior torto, na frente. Apesar do calor sufocante, me arrepiei e cruzei meus braços em uma tentativa de controlar a minha agitação. — Vamos ver. — Ele bateu a porta e a fechadura clicou. Oh Deus. Mesmo sabendo que a porta estivesse trancada, ainda tentei. Eu até tentei desfazer os parafusos da maçaneta com minhas unhas, mas quebrei todas elas no processo. Não que eu fosse capaz de escapar uma vez que estivesse fora desta cela, mas tentar seria muito melhor do que sentar aqui e não fazer nada, enquanto esperava que alguém viesse me encontrar. Alguém. Mas depois de dias, minha esperança de ser encontrada deixou-me. Deram água e comida para as minhas cólicas de estômago. Minha garganta estava tão seca que eu já não podia engolir e meus lábios estavam rachados e sangrando. Mas o pior era estar presa, sem janelas, abaixo do solo e me sentindo como nunca tivesse oxigênio o suficiente.


Eu estava sentada no chão, quando a fechadura finalmente estalou e a porta se abriu. Fiquei em pé, com a coluna contra a parede. Meu plano era saltar em quem entrasse. Esse plano lentamente diminuiu ao longo dos dias, enquanto eu ficava mais fraca. Sem dúvida, esse era o plano. Fazer-me cada vez mais fraca, sem fazer nada, apenas me fechando em um quarto por dias, até que tudo que eu conseguisse pensar fosse implorar para alguém me ajudar. Implorar a eles por ajuda. Mas eu não faria. Eu não podia fazer isso. O homem na porta não era a mesma pessoa que me trouxe para essa cela, mas eu peguei vislumbres dele na van, através da minha neblina drogada. Nunca o ouvi falar, sorrir ou fazer qualquer coisa. Sua expressão era fria e vazia. Não sorria. Sem carranca, apenas vazia e ilegível. O desconhecido. Ele era alto e volumoso, com músculos enormes, o cabelo quase preto e a pele bronzeada naturalmente pelo sol. Seus redondos olhos castanhos eram o mais assustador, porque olhavam para mim como se eu não fosse nada mais que uma inconveniência, um pedaço de lixo que ele tinha de lidar. — O que você quer? Quem é você? Por que estou aqui? — No fundo da minha mente, eu não pude deixar de pensar em Kai e as cicatrizes no seu peito. Eram estes os responsáveis por isso? Era para eles que ele trabalhava? Seria eu, de alguma forma, o seguro para eles? Será que eles tinham o meu pai, também? — Meu pai? Onde ele está?


— Em casa, eu imagino. — Suspirei de alívio. Ok, meu pai estava bem. O

homem

ergueu

as

sobrancelhas

enquanto

ele

examinava todas as marcas de arranhões na maçaneta da porta, em seguida, olhou para mim e fez um gesto com o queixo para a cama. — Deite. Meu coração batia descontroladamente. — Não. — retruquei. De jeito nenhum me deitaria na cama. Apenas um pensamento veio a mim do porquê ele queria isso. Não. Eu não faria isso. — Você tem certeza que quer tomar essa atitude? — Ele deu um passo para dentro do quarto e meus olhos estreitaram quando eu o assisti. Ele era confiante e deveria ser. O idiota tinha todo o poder contra uma mulher indefesa. —

Você

tem

certeza

que

quer?

Respondi

estupidamente. Ele deixou a porta entreaberta e eu estava pensando em escapar e não no que estava dizendo. Nunca vi acontecer, como poderia? Sua arma estava na parte de trás da calça. Ele puxou-a para fora e me deu um tiro na coxa. Caí no chão segurando minha perna, com o sangue escorrendo entre os meus dedos. A dor aguda preencheu meu corpo e eu rolei no chão tentando me impedir de gritar e darlhe a satisfação.


— Para cama. — Você atirou em mim! — Fui baleada. Oh, Deus, eu não quero morrer. Não importa onde estivesse ou o que eles fariam para mim, eu queria viver. Ele levantou a arma. — E vou novamente se você não fizer o que digo. Eu não tinha dúvida de que ele faria. Também não tinha dúvida de que a situação em que estava poderia ser a última. Pressionei a palma na minha perna e me arrastei para levantar. Então saí mancando para a cama. Ele, obviamente, não queria me matar; poderia ter feito isso, dias atrás. — Mãos acima de sua cabeça. Merda. Eu não queria fazer, especialmente depois de ver a corda em suas mãos. Mas não lhe daria a satisfação de me ter implorando. Nunca. Talvez eu tenha sido uma nerd tranquila na escola, mas também era teimosa e determinada. Só não era estúpida e tinha que ser cuidadosa com o que eu dissesse na próxima vez. Gritei quando a arma disparou novamente. Desta vez, ela bateu na cama e os estofamentos levantaram para o ar ao lado da minha perna esquerda. Oh Deus. Ajude-me. Rangi os dentes contra o pulsar de dor na minha coxa e ergui os braços acima da minha cabeça, com os dedos


enrolados em torno da barra de metal. Ele se aproximou, com passos calmos e lentos, o oposto do que estava acontecendo dentro de mim. Ele parou ao lado da minha cama e olhei para ele, recusando-me a recuar sob seu olhar. — Tenho a sensação que nós vamos estar aqui por um tempo. — O que você vai fazer? Por que você está fazendo isso? Ele se inclinou sobre mim, enrolou a corda grossa em torno de meus pulsos e prendeu na grade da cama. Os minúsculos pelos do material cortaram minha pele e acentuadamente inalei quando ele puxou a corda e apertou. Seus olhos viajaram pelo meu corpo, hesitaram na minha coxa como se avaliando se eu estaria sangrando até a morte ou não. Agachou-se, com os cotovelos casualmente descansando na cama, ao meu lado. Desta vez, eu vacilei quando ele estendeu a mão e empurrou meu cabelo para trás do meu rosto. Em seguida, ele disse em uma voz baixa e calma: — Meu nome é Jacob e eu sou seu pior pesadelo.


Poeira. Isso era o que eu havia me tornado. Um grão de poeira, flutuante, caindo, desaparecendo. Algo a ser apagado com o toque de um dedo, desaparecendo. Fisicamente eu existia, mas os restos do que eu fui foram apagados. A luta para agarrar quem fui, escapuliu. Essa menina de cinco anos de idade, que disse a professora que estaria trabalhando para evitar que pessoas em todo o mundo ficassem doentes, havia desaparecido. Dia após dia, uma camada de mim foi desfeita e eu fui deixada vulnerável e exposta. Nunca pensei que escolheria morrer. Mas escolhi. Implorei pela morte. Não para eles, eu não iria dar-lhes isso, mas sim quando estava sozinha na escuridão. Mas não morri. Então, eu só existia. Sobrevivi. E dentro da partícula de poeira, eu tinha um pingo de esperança. Talvez fosse por isso que eu tenha sobrevivo. Porque sem esperança não havia nada. Sentei no canto do meu quarto, minhas pernas juntas ao meu peito, minha palma no chão enquanto meus dedos riscavam lenta e metodicamente para trás sobre o cimento. Eu já não tinha uma cama, apenas um áspero e fino colchão no chão. Eles tiraram depois que eu usei isso para tentar sair da minha cela.


A porta se abriu e não olhei para cima, simplesmente continuei meu movimento rítmico. — Levante-se. — Alfonzo ordenou. Depois de dois meses de estar aqui, eu descobri o nome dele. Ele era o que ficou comigo, quando fui sequestrada e me trouxe para cá. Ele também era o segundo pior, ao lado de Jacob. Alfonzo gostava de sexo. Jacob gostava de dor. Eu estava em pé e mantive meus olhos no chão, seguiuo para fora. Ele não tinha a certeza se eu estava atrás dele. Mas ele não tinha que me domesticar, nem fazer mais nada porque eu não iria desobedecê-lo. Não mais. Alfonzo foi meu treinador por assim dizer. Jacob me machucava, me aterrorizava, ele me fez ser submissa as suas ordens. Mas Alfonzo... me humilhou. Ele me tratou como um objeto e depois de um tempo, me tornei um objeto. Eu não era nada mais do que um item dispensável para dar prazer a ele e usava um colar em volta do meu pescoço para provar isso. Nós caminhamos no andar de cima, através da sala de jantar para o terraço no lado de fora. Eu não estive fora em semanas. Fazia bem para a minha pele aquele calor, mesmo com os vergões gravados na parte de trás das minhas coxas, de uns dias anteriores.


Pisei em uma pedra afiada que penetrou na sola do meu pé, mas a dor era mínima para o que eu estava acostumada. Fiz o meu melhor para manter os meus passos ainda tranquilos como fui ensinada — obediente e invisível. Parei quando Alfonzo parou, mantendo meus olhos para baixo. — Deixe-nos. — uma voz ordenou. Alfonzo me empurrou e fui deixada em pé, sobre as pedras quentes do pátio, com as solas dos meus pés em chamas. Fechei os olhos e cerrei os dentes tentando entorpecer a dor. Eu era boa em entorpecer a dor. Reconheci a voz de Raul. Ele era quem comandava tudo e eu era dele. Eu o vi uma série de vezes nas refeições, quando estava na sala de refeições, mas não para comer e sim para ser a diversão. — Aproxime-se. Dei vários passos para frente até que cheguei sob o dossel sombreado e me ajoelhei. Nunca estive com Raul antes. O medo se arrastou em toda a minha pele enquanto eu me perguntava o que ele queria comigo. Era insano me sentir desse jeito, mas o conforto vinha com a rotina, com o saber. E isso era incomum. — Esta é a garota. Raven. Claro que esse não é o seu nome real. Alfonzo a nomeou. Disse que ela o lembrava de um corvo porque é muito inteligente. Uma solucionadora de


problemas. — Ele riu. — Ela empurrou a grade da cama contra a parede, em seguida, subiu para que pudesse alcançar o teto. E então, usou o lençol em torno de sua mão para cavar através do gesso entre a parede e o teto. Inteligente. Ela sabia quando poderia fazê-lo e quando os meus homens estariam visitando-a em sua cela, mesmo sem uma janela para contar o tempo. — Todo dia eu cavava um pouco mais até que Alfonzo entrou inesperadamente e me viu. Isso foi quando eles levaram a grade da minha cama. — Raven é a filha de um cientista conhecido. Eu respirei fundo para tentar acalmar meus nervos e foi quando seu cheiro me bateu. Um leve gemido me escapou e comecei a olhar para cima, mas me contive. Não conseguia respirar porque eu conhecia o cheiro. Nunca o esqueci. Meu coração bateu forte e faíscas dispararam sobre a minha pele. Eu quis cair no chão e soluçar, mas tinha muito medo de fazer qualquer coisa, então, mantive minha cabeça para baixo e permaneci imóvel, o máximo que pude aguentar. Tantas emoções caminhavam em cima e através de mim. Era como se estivesse afogada em minha adrenalina e agora estava sendo extraída das profundezas do oceano, para a vida, novamente. Kai.


Talvez eu estivesse errada ao supor que ele estava aqui para

me

salvar.

Talvez

tenha

sido

o

mais

estúpido

pensamento que eu já tive. Mas era tudo que eu tinha. — Obediente. Agora, porque Alfonzo e Jacob levaram semanas para destruí-la. — Raul riu e fez um barulho como se fumasse muito. — Ela é um risco. — disse Kai. Engasguei com o soluço quando sua voz me abraçou. Enfiei as unhas rachadas em minhas coxas nuas, para evitar olhar, para ver por mim mesma que era realmente ele. — Possivelmente. Mas, pelo que entendi, você gosta de risco, Kai. — disse Raul. Ouvi o clique de um isqueiro e, em seguida, o cheiro de fumaça de charuto saltou no ar. — Uma garota desaparecida de alto perfil é uma responsabilidade. — A voz de Kai estava controlada e casual. O que ele estava dizendo? Parecia que... não. Não. Não era verdade. — Não importa quão bonita. Raul riu. — É verdade, mas você não teria vindo se você não a quisesse. Apertei e fechei os meus olhos, para impedir as lágrimas de se formarem. Emoções corriam desenfreadas como se eu estivesse sendo atirada e transformada em uma onda. Não


sabia o que estava acontecendo. Ele disse que eu estava aqui? Raul disse a ele? Kai conhecia Raul? — Ela está magra demais e estou apostando que se ela olhasse para mim agora, seus olhos estariam mortos. Seus homens já a quebraram. Prefiro fazer a minha própria quebra, para fazer uma escrava fiel. Lágrimas encheram meus olhos enquanto ouvia suas palavras. Era a última camada de mim sendo lentamente afastada, mas não jogada fora. Não podia acreditar nisso. Eu vi algo em Kai. Eu o senti. E se existia ainda qualquer parte da garota que eu fui um dia, dentro de mim, então acreditava que Kai estava aqui para me ajudar, não para me destruir. Eu vi e senti o bem nele. Não estava errada sobre ele. — Raven. — Endureci quando Raul falou comigo. — Levante-se. Levantei-me e ele agarrou meu pulso, puxando-me para perto. Minha coxa bateu em seu joelho e eu quase cai em seu colo. Meu coração batia desordenadamente quando eu senti os olhos de Kai em mim. Gostava de seus olhos me observando quando éramos um casal, meses antes. Olhos verdes que me cativaram. Olhos que sonhei até que a memória fosse arrancada de mim. Raul soltou meu pulso e os dedos ásperos cavaram em meu queixo quando ele levantou minha cabeça.


— Ela é impressionante, não? — Raul forçou a cabeça para o lado para que meu rosto estivesse direcionado a Kai. Lentamente levantei os olhos para Kai e tudo parou quando nossos olhares se encontraram. Foi quando eu o vi pela última vez no meu loft, quando nada mais existia, exceto nós. Nenhum passado. Sem dor. Estava sabendo que apesar de nosso início, não havia mais do que a luxúria. Mais do que um acordo. Era a razão pela qual ele se afastou. E olhando para ele agora, eu sabia que era também a razão pela qual ele estava aqui. Suas palavras ressoaram, 'eu vou sempre vir para você'. Oh, Deus, Kai. Queria cair de joelhos e gritar. Queria que ele me pegasse em seus braços e me levasse para longe deste lugar, como me levou do fogo. Queria que Kai me salvasse, porque eu não podia me salvar sozinha. Nada disso. — Sim. — ele demorou. Ele se sentou com as pernas estendidas, uma mão enrolando em torno de um vidro fosco que ele casualmente virou no copo, quando o gelo tilintou contra os lados. Meus olhos dispararam para ele e eu engoli. Nunca me foi dada qualquer coisa fria para beber. Eu tinha água natural e nas refeições, Alfonzo me oferecia, de vez em quando, um gole de vinho, se eu fosse boa. Eu faria qualquer coisa para escorregar um cubo de gelo na minha boca. Para tê-lo tilintando contra meus dentes


enquanto derretia lentamente na minha língua, a umidade doce chuviscando na minha garganta seca. Eu teria implorado por isso, se pudesse. Deus, como eu afundei tanto? Como eu me tornei uma garota patética, que havia perdido toda a dignidade? Mas meu conto de fadas terminou. Como um livro jogado no incinerador, as páginas da minha vida foram queimadas em cinzas, em seguida, reescritas para uma menina chamada, Raven. A mão de Raul caiu de meu queixo. — Vá para ele. — ele ordenou. Eu hesitei, incapaz de tirar meus olhos de Kai. Não querendo cair de joelhos na frente dele, mas sabendo que eu não tinha escolha. Então, percebi o que me incomodou mais sobre isso. Eu não queria que Kai me visse desta maneira. Dei um passo em direção a Kai e comecei a me ajoelhar a seus pés quando seu braço serpenteou e trancou meu pulso. Ele puxou e eu quase caí em seu colo, palmas das minhas mãos pousando em seu peito. Seu coração batia firme e lento sob o meu toque e eu me perguntava como podia estar tão calmo, tão controlado. Mas este era Kai. Ele era destemido, mesmo estando no mesmo local de algum criminoso, que eu suspeitava ser mais poderoso do que o Governo.


E talvez isso era o porquê os amigos de Kai serem como Raul. Talvez Raul fosse um amigo. Kai me virou, então minhas costas ficaram contra seu peito e seu braço se estabeleceu no meu abdômen. Seu hálito quente varreu a parte de trás do meu pescoço e eu apertei as mãos no meu colo enquanto as lágrimas se formavam de novo. A voz de Raul rompeu o silêncio momentâneo. — Ela vai ter que ser mantida escondida, mas é sempre revigorante ter algo que todo mundo está procurando. Sim? — Mmm, talvez. Eu endureci quando sua mão deslizou por cima das minhas que estavam atualmente entrelaçadas tão apertadas que os nós dos meus dedos estavam brancos. Ele pressionou suavemente, a mão inteira as englobando. Abaixei minha cabeça para frente, deixando o pequeno conforto de sua mão se contentar em cima de mim e, pela primeira vez em meses, me senti segura. Os dois homens falaram sobre a próxima luta entre um cara chamado Sculpt e outro homem. A partir do que eu peguei, foi por isso que Kai estava aqui. Raul o havia convidado para a luta e isso significava que se conheciam. Suspeitava que os círculos que Kai frequentava eram perigosos e talvez eu estivesse enganando a mim mesma por


acreditar que Kai tinha bondade nele, mas Raul... ele era malicioso e cruel. — Toque-a. — disse Raul. — Eu não provei dela, mas Alfonzo diz que ela é apertada. A mão reconfortante de Kai deixou as minhas e se arrastaram lentamente entre minhas pernas. Eu conhecia o seu toque. Seus dedos longos e familiares que acariciaram cada polegada de mim e me deixavam com dor, por implorar e estremecer com a liberação. — Abra para mim, Coração Valente. — Sua boca estava em meu ouvido quando ele sussurrou as palavras. Minha coluna endireitou e por acaso olhei para Raul, me perguntando se ele ouviu o que Kai disse e não entendi porque Kai daria a chance dele ouvir. Mas, talvez Raul soubesse que Kai e eu estivemos juntos. Não, ele me apresentou como se fosse a primeira vez e Kai nunca tivesse me visto. Eu abri minhas pernas sabendo que não podia recusar com Raul assistindo. Fechei os olhos enquanto seus dedos me tocaram. — Linda, sim? Alfonzo tem me dito que ela é uma das suas melhores. Suspeitei que ele iria mantê-la se pudesse. — Decepcionante. — Você não gosta dela? — A voz de Raul foi abrupta.


Eu fiquei tensa com seu tom. Oh, Deus, não Kai. O que ele estava fazendo? Raul me bateria se eu não agradasse a Kai. — Pelo contrário. Ela é notável; no entanto, estou desapontado que ela não está molhada. Raul riu, batendo no joelho. — Você exige muito. As escravas que se molham são difíceis. O dedo de Kai não foi para dentro de mim. Em vez disso, ele simplesmente me segurou. — Você gosta que eu toque em você? — Kai disse, desta vez não era um sussurro e eu sabia que Raul ouviu. Eu fui treinada para dar a resposta certa, mesmo que fosse uma mentira. — Sim, mestre. Eu o ouvi xingar baixo e seu corpo enrijeceu. Sua respiração soprou em meu ouvido quando sussurrou tão baixo que mal ouvi as palavras. — Porra, London. Acentuadamente inalei ao som de meu nome. Fazia meses desde que fui chamada assim. Eu era Raven agora, mas meu nome verdadeiro passando por seus lábios foi como se ele tivesse me dado um pedaço do meu lar.


Lágrimas brotaram e desta vez, não consegui parar de deslizar pela minha bochecha. Rapidamente inclinei meu queixo ainda mais para baixo, assim Raul não veria. Eu a vi cair sobre o braço de Kai, encharcando sua camisa branca e deixando uma marca molhada e redonda. Kai retirou a mão de mim e pegou sua bebida. Eu tinha o desejo de agarrar o copo e beber de volta o líquido frio, mas o braço em volta da minha cintura sacudiu em alerta, como se soubesse exatamente o que eu considerei. Tirei meus olhos do vidro fosco, mas o ouvi engolir o líquido. Um pouco depois ele o colocou em frente à minha boca, então separei meus lábios e ele derrubou o copo com gim tônica frio e bateu na minha boca tostada. Era como ser entregue ao céu e não importava que eu odiasse gim e sua amargura. Era a melhor coisa que eu já tinha provado. Ele casualmente o colocou de volta na mesa do pátio. — Como você adquiriu esta, Raul? — Eu fui pago, uma grande quantidade de dinheiro, para levá-la e tê-la treinada. Aconselharam a livrar-me dela tão rapidamente quanto possível. — Já se passaram dois meses. — Ela tem sido difícil. Kai riu e senti o gim voltar. Rapidamente engoli várias vezes.


— Mas elas são, geralmente, as que valem mais. Raul riu. — Verdade. Mas tenho problemas em potencial com o meu filho e a sua escrava. Eu prefiro limpa e arrumada. — E ainda assim você sequestrou uma menina de alto nível. — Fui pago com quatro vezes o seu valor ou a de qualquer outra escrava, para levá-la. — E você não achou isso peculiar, Raul? Pagar para sequestrar essa menina? Raul riu. — O dinheiro me mantém seguro e meu negócio prosperando. E ambos sabemos quem queria que ela desaparecesse e poderia tê-la matado, mas pagaram uma grande quantidade de dinheiro para mantê-la viva. Eles queriam que ela sofresse. — E você soube que eu estava procurando adquirir uma escrava e pensou que eu poderia ficar satisfeito. — Endureci. Kai esteve à procura de uma escrava? Não, isso não fazia sentido. Kai nunca estaria com uma mulher que fosse forçada. — Sim. — Vamos ser honestos aqui, Raul. Você usou-a como uma isca para me levar para a sua luta.


— Você tem muitos amigos, Kai. — Eu não os chamaria de amigos. — Kai respondeu. Raul riu. — Você é um homem fascinante. Talvez considerasse ficar alguns dias? — Não. Sou um homem muito ocupado. — Ele me tirou delicadamente de seu colo e me ajoelhou no cimento implacável aos seus pés. — Uma vergonha. Talvez outra hora. Kai acariciou meu cabelo. — Mmm, sim. Uma vergonha. — Havia algo sobre a maneira como ele falou que me fez pensar que ele estava com raiva. Não, não com raiva. Furioso. Mas Kai era um enigma e mesmo depois de passar várias noites com ele, eu não sabia quais eram suas verdadeiras emoções exceto, talvez, quando ele me desejava. Sua mão parou na minha cabeça. — Essa garota... Raven, quem você pagou para pegá-la? A fumaça foi em meu rosto enquanto Raul segurava o charuto entre os dedos em seu colo. — Anônimo. Mas nada para se preocupar, a transação foi limpa. Sem vínculos. A menina pertence a mim. Você terá um sabor dela hoje à noite após a luta. — Eu não provo, Raul. Eu fodo. E fodo meninas que pertencem a mim e não faço publicamente.


Raul riu e bateu com a mão na mesa. Eu pulei na batida de seu copo, quando este foi sobre a mesa. — Então, ela pertence a você agora. E espero que isso vá fortalecer nosso relacionamento. Talvez nós possamos fazer negócios no futuro. A voz de Kai estalou: — Eu não acredito que as nossas empresas têm os mesmos interesses. Mas, claro, aprecio o presente e este não será esquecido. Eu mal ouvia enquanto observava o deslizamento do líquido frio sobre a beirada da mesa e o gotejar para as pedras do pátio. Pensei em lamber o cimento, onde o líquido caiu na minha frente. Eu até usei a chance de me deslocar ligeiramente para frente, de joelhos, até o pé de Kai entrar na minha frente, bloqueando o meu caminho. Ele descansou o calcanhar na poça e eu ousei um olhar para ele. Ele já estava olhando para mim e as sobrancelhas escuras estavam apertadas sobre os olhos semicerrados, em advertência. Eu lancei meus olhos para baixo novamente, meus ombros caíram para frente, em derrota. A cadeira de Kai abruptamente empurrou para trás e ele parou. — Vou sair diretamente após a luta. A tenha pronta.


— Não. Não. Você vai ficar para o jantar mais tarde e conhecer Sculpt. — O tom de Raul endureceu. — Eu insisto. A menina vai ser trazida à sua mesa. — Tudo bem. — disse Kai e depois se afastou.


Eu estava vestida com um sutiã vermelho, bem pequeno e fino, com brilhos dourados interligados com correntes douradas, penduradas na parte de baixo. Não cobria meus mamilos e sua finalidade era exclusivamente para empurrar os meus seios para cima. Eu não tinha muito, mas vestindo isto parecia que tinha mais. Eu usava uma calcinha combinando que só não tinha as correntes pendentes. Meu desconforto em dormir sem roupas fui obliterado no primeiro mês do meu cativeiro. Ou melhor, a minha capacidade de ser constrangida foi obliterada. Estava entorpecida de tudo. Exceto Kai. Ele despertou a esperança de que eu iria fugir dessa porra. Alfonzo me trouxe para o salão de jantar uma hora atrás e eu estava ajoelhada no chão ao lado de uma mesa antes de Kai entrar na sala. Mesmo com os olhos no chão, soube que ele andou na minha direção, porque como sempre, quando Kai entrava em uma sala, ele possuía o lugar, mesmo sendo cheio de criminosos poderosos.


Ele se sentou na cadeira ao meu lado enquanto conversava com Jacob que o acompanhou. Ele ainda não tinha me tocado ou reconhecido que eu estava lá e por um momento uma onda de dúvida me inundou. Talvez ele não fosse me tirar daqui. Talvez ele tivesse mudado de ideia. Talvez eu tivesse perdido a leitura dos sinais que ele me deu esta manhã. Como se sentisse a minha inquietação, sua mão baixou na parte de trás do meu pescoço e ele pressionou suavemente antes de se afastar. Fechei os olhos e deixei meus ombros caírem. — Raven! Eu estremeci quando voz áspera de Jacob gritou meu nome. Oh, Deus, eu não escutei. Não tinha ideia se ele me pediu para fazer alguma coisa. O medo desceu em mim e eu tremia,

com

dedos

cavando

em

minhas

coxas,

fiquei

congelada, sem saber o que fazer. Eu sabia melhor. Fui ensinada melhor. Sempre ouvir. — Faça o que disse a você e agrade o seu novo mestre. A mão de Kai pressionou com força sobre meu ombro, me forçando a ficar no lugar. — Como eu disse, Raul, não terei sexo publicamente. Isso inclui ter meu pau na boca de uma menina. Houve um momento de silêncio antes de Jacob dizer:


— Se ela lhe der problemas, me informe. Nós vamos trocá-la por outra. Desfrute da sua noite. — Eu peguei um vislumbre dos sapatos brancos de Jacob quando ele se virou e foi embora. Inalei um profundo suspiro de alívio. Jacob me disse a verdade. Ele era o meu pior pesadelo e não havia ninguém que eu temesse mais. O homem era psicótico e adorava ver dor e sofrimento. A mão de Kai segurou meu queixo e ele inclinou a cabeça para que eu encontrasse seus olhos. Eles estavam suaves e abaixo ainda havia raiva, mas eu sabia que não era dirigida a mim. — Lembra-se do que eu disse? Minha mente girava quando pensei no nosso tempo juntos, antes de tudo isso. Parecia muito tempo atrás, quase como se não tivesse acontecido. Como se minha vida não tivesse acontecido antes deste lugar. Seu polegar me acariciou. — Só disposta, Coração Valente. Não há outro jeito. Eu não tinha resposta e sabia que ele não esperava uma. Ele me soltou quando uma garota foi empurrada para baixo ao meu lado. Eu mantive meus olhos no chão, mas tive um vislumbre dela com o canto do meu olho. Senti seu olhar em mim. Estúpida. Você será espancada se você se atrever a


olhar para qualquer coisa, exceto o chão, a menos que fosse dito para você fazê-lo. Eu a vi no dia que chegou. Ela pertencia ao lutador, Sculpt e não esteve aqui muito tempo. Tinha também ouvido seus gritos na sala ao lado da minha depois que ela tolamente cuspiu no rosto de Raul e chamou-o de parasita nojento. Alfonzo estava tonto de excitação para que a menina fosse levada para Jacob. Ninguém queria passar mais tempo com Jacob. — Sculpt. Boa luta. — O tom de Kai era controlado e frio. A diversão leve, muitas vezes ligada a ele, foi embora. — Kai. — disse Sculpt. A perna de Kai escovava contra mim quando ele se inclinava para a direita. — Não tenho nenhum interesse no circuito de luta, mas fiquei bastante impressionado com a sua capacidade. E eu perdi um monte de dinheiro hoje à noite. — Raul mencionou seu nome de passagem. — Sculpt respondeu. — Estou curioso, por que é que você veio para uma luta que você não está interessado? Kai virou em minha direção e agarrou meu queixo, levantando minha cabeça. — Ela. Fiquei curioso quando Raul enviou-me o convite para a luta. Eu não aceitei, no entanto. Raul deve ter sabido o que eu queria e ele é inteligente. Ele também sabia que se


eu me recusasse a vir, muitos outros de meus conhecidos não viriam, então, ele me ofereceu-a. A mais recente de Alfonzo. Pelo canto do meu olho, notei a escrava de Sculpt colocar a mão sobre sua boca e seus olhos se arregalarem. Permaneci impassível. Nada me incomodava mais, a reação dela ou o que iria acontecer com ela esta noite. Toda emoção foi arrancada de mim, exceto uma... centelhas de esperança que foram provocadas no momento em que Kai apareceu. Sculpt cutucou sua menina com sua perna e ela baixou a mão da boca. — Ele a está dando para você? Raul não gosta de dar nada. Kai riu. — Não, mas eu precisava de uma nova garota e Raul sabia disso. Quando vi a foto dela, decidi que tinha que tê-la. Kai me agarrou pela coleira e puxou para cima. Com olhar agressivo, mas a outra mão escorregou para baixo em meu quadril, assim a pressão no meu pescoço foi mínima. Ele me puxou para o seu colo, minhas costas em seu peito e, em seguida, sua mão alcançou meu mamilo, beliscando e circulando forte, então suave. — Ele sabe o meu tipo e esta é... é especial.


Eu permaneci em seu colo enquanto ele conversava sobre a luta, mas, apesar de parecer relaxado, sentia a tensão nele. Ele me alimentou com partes de sua refeição e deixoume saborear o seu vinho e água gelada. Os sons habituais na sala de jantar eram os mesmos de cada noite, exceto mais alto e cheio de entusiasmo sobre a luta. Kai beijou minha orelha e parecia como se estivesse se divertindo, mas havia tensão pulsando em cada músculo de seu corpo. — Baby. — ele sussurrou. Sua voz era tão baixa que eu tive dificuldade de ouvi-lo. — Raul está nos observando. Abaixei meu queixo com um aceno sutil para ele saber que eu o ouvi. — Ela é impressionante. — Kai acenou para a garota do Sculpt. Sua mão repousava entre as minhas pernas, sem fazer nada, apenas se colocando lá, como ele já fez antes naquela noite no meu sofá. — Hmm. — Parece que o jantar e pelo que entendi, Raul gosta de brincar depois. Se importa de entrar no jogo? Era sobre isso que as festas de Raul eram e mesmo que eu só tivesse estado em algumas, eu era experiente o suficiente para saber que a melhor chance de sobrevivência do que estava por vir era ser obediente e ficar quieta.


— Na verdade não. O dedo de Kai contraiu. — Então, por que se preocupar com ela? Minha sugestão é tranquila, nada para assustar a sua pequena escrava. Ela parece como se quisesse ser engolida pelo chão. — Kai estendeu a mão e acariciou o lado do rosto da menina. — Olhe para mim. — Eu não compartilho. — disse Sculpt abruptamente. — Nem eu, — disse Kai e sua mão caiu de seu rosto para acariciar minha coxa. — Mas assistir duas mulheres juntas. Duas belezas... agora, eu iria gostar. Eu sabia exatamente o que Kai estava fazendo. Ele nunca iria me foder. Agora não. Não quando eu estava sendo forçada. Mas tinha que haver um show para Raul e ele estava usando a menina de Sculpt como bode expiatório. — Não. — Sculpt ergueu a voz. — Não, o que, senhores? — Eu endureci com o som da voz de Raul e não podia deixar de me inclinar ainda mais no abraço de Kai. Ele

estava

certo,

Raul

estava,

obviamente,

nos

observando. Kai falou: — Sugeri um pouco de diversão entre as mulheres. Mas Sculpt recusou.


— Eu nunca disse isso. — Eu tinha outra coisa em mente para esta noite. — disse Kai. Ele colocou as mãos em meus quadris e empurrou-me para fora de seu colo. Eu caí com força no chão e rapidamente me corrigi e me ajoelhei ao lado Kai. Eu não tinha qualquer dúvida sobre o que ele estava fazendo. Nós estávamos saindo deste lugar e Kai estava fazendo tudo certo, para que isso acontecesse. Ele faria o que fosse preciso e assim, eu também. Uma mão feminina estendeu para mim e meu coração saltou, meus olhos se arregalaram. Garota estúpida. Ela iria levar a nós duas a apanhar de Raul, com ele vendo isso. Aproximei-me da perna de Kai como fui ensinada a fazer e virei-me para longe dela. — Eu estaria interessado em ouvir isso. — disse Raul. — Kai, Sculpt tem escondido esta joia afastada por mais de uma semana agora. Eu estava começando a pensar que ela tinha escapado dele. — Kai riu. — Ela era um pouco... desobediente quando chegou. Eu já estava falando com Alfonzo para treiná-la, como ele fez a sua nova escrava. Mas, ela acabou se controlando. E depois de estar longe de nós por tanto tempo, eu estava começando a pensar que Sculpt tornou-se sensível. — Então, o que você tem em mente para esta parte da noite, Sculpt? — Perguntou Kai.


Isso foi quando eu bloqueei as suas palavras. Bloqueei tudo. Tornei-me insensível, fria e orei para a noite acabar e Kai me tirar daqui. Silenciosamente cantei para mim mesmo e as vozes se tornaram um borrão de sons ásperos. Kai se abaixou e colocou a mão na parte de trás do meu pescoço, acariciando lentamente com o dedo para trás e para frente. Era reconfortante. Reconfortante. Em seguida, ele se abaixou, os lábios perto do meu ouvido enquanto ele sussurrava: — Sempre, baby. As palavras foram ditas tão baixo que mal as ouvi. Mas eu ouvi e as emoções avassaladoras caíram em cima de mim. Foi apenas a sua mão reconfortante que me impediu de entrar em colapso no chão em um amontoando confusão de soluços. Sempre. Sempre. Ele sempre viria para mim. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e pingou sobre a palma da minha mão. Em seguida, outra. Oh Deus, eu não podia deixar Raul ver isso. Eu não podia vacilar agora. Sculpt disse alguma coisa, mas eu estava tão focada em Kai que não prestei atenção, mas vi Sculpt levantar-se e sair com sua namorada a tiracolo.


— Como eu lhe disse, — Raul disse, — ele é muito apegado a sua escrava. Vou ter de colocar um fim a isso. Kai riu, mas foi atado com um tom ralado. — Ela tem espírito. Algo que eu admiro. Mas sim, vínculos são perigosos. Melhor matá-la ou vendê-la. — Matá-la é perder dinheiro. Talvez você estivesse interessado em adquirir ela também? — Talvez. — Kai respondeu. Eu fiquei a seus pés enquanto ele conversava com os outros para o que pareceram horas. Mantive uma parte de mim tocando-o em todos os momentos ou melhor, ele fez, eu não tinha certeza disso. — Olhe para mim... — Ele hesitou, em seguida, sussurrou: — London. Levantei meu queixo e lentamente o brilho de vida tinha queimado minha pele, pela primeira vez em meses. Minha garganta apertou quando nossos olhos se encontraram. Era como se um olhar dele me envolvesse em um cobertor quente e me mantivesse assim. Me protegia. Bang. Bang. Bang.


Eu puxei meus olhos para o terraço que dava para os jardins. Kai levantou-se da cadeira e inclinou para trás. Vários outros tiros soaram. Ele puxou a faca, agarrou meu braço e me empurrou para debaixo da mesa. — Fique aí. Homens de Raul percorreram o salão de jantar gritando enquanto alguns visitantes chegavam a porta e os outros correram em direção aos tiros com armas em punho. Foi um caos completo, com os homens em pânico, porque com certeza, este lugar estava preenchido de substâncias ilegais, atividades e mais do que provável, homens procurados. Kai pegou seu celular, discou algumas vezes, em seguida, o colocou em seu ouvido e começou a gritar com alguém sobre pegar o Jeep. Ele enfiou o telefone no bolso, em seguida se agachou na minha frente, sua faca na mão entre nós. — Mantenha-se abaixada e fora de vista. Meu coração disparou e meu estômago apertou com o medo. — Não me deixe. Ele estendeu a mão e acariciou o lado do meu rosto com os nós dos dedos.


— Baby, eu já volto. Preciso ver que merda está acontecendo. — Ele se levantou, acenou uma vez, em seguida, correu na direção dos tiros. Quando ele desapareceu na esquina, calafrios me percorreram e meu estômago virou. Gritei o nome dele, porque eu sabia, sabia que ele não ia voltar. Era o sentimento de medo, como se eu estivesse presa a um cubo de gelo, incapaz de escapar do frio que se afundou em cada parte minha. Ele não ia voltar. Não. Não. Não. Eu me arrastei para fora de debaixo da mesa e corri. Eu dei dez passos antes de uma mão implacável trancar meu braço e me puxar para uma parada. — Onde você acha que está indo? — Jacob disse, então bloqueou seu braço em volta do meu peito e começou a me levar para o porão. — Parece que ele não quer você. Acho que você vai ficar com a gente. Eu me debati. Eu lutei.


Eu gritei para Kai. Mas não havia nada que eu pudesse fazer para parar Jacob quando ele me arrastou lá para baixo e me jogou na minha cela. Eu caí de joelhos. A porta bateu e, em seguida, a fechadura clicou. Eu desmaiei. Eu soluçava. E eu implorei por Kai voltar. Mas hora após hora, dia após dia, a salvação escorregou mais e mais longe, até que qualquer esperança de Kai retornasse foi finalmente extinta. Meu fim começou. Tornei-me Raven.


Kai Dezessete meses, uma semana e cinco dias. Isso foi o tempo que foi, desde que eu tinha deixado ela embaixo da mesa de Raul, no México, quando os fogos de artifício das armas

dispararam.

Conhecidos

dos

negócios

de

Raul

atiraram em qualquer coisa que se movesse pensando que o complexo estava sendo invadido. A maioria deles estavam na lista de procurados e não estariam sendo pegos sem uma briga. E essa era a razão pela qual eu odiava armas. Merdas assim. Levar um tiro por nenhuma razão porque alguns idiotas estavam cagando nas calças de medo e atirando nas sombras. Eu tinha visto Sculpt, o lutador, atirando em homens de Raul. Não sabia que merda estava acontecendo e não me importava, exceto ter certeza de que eu tinha London.


Mas nunca voltei, nem nos degraus da frente, quando uma dor agonizante atingiu meu peito. Lembrei-me de uma só coisa quando caí — London. Apenas ela. Só ela. A agonia do tiro não era nada comparada à agonia do que eu sabia que ia acontecer. Eu pensei que a ouvi gritar meu nome antes de eu atingir o chão e tudo ficar escuro. Então, nada, em quinze dias. Quinze dias do caralho. Eu acabei em algum hospital mexicano, com Ernie sentado em minha cama, olhando tão abatido como eu me sentia. Em seguida, minutos mais tarde, descobri por que ele estava tão abatido quando ele me contou a merda que aconteceu em Raul. Não foi o FBI ou DEA ou qualquer outra pessoa, era Sculpt causando uma distração. Por um breve minuto, eu estava aliviado porque isso significava que London ainda estaria lá. Mas Ernie não tinha terminado a história ainda. Descobri, que enquanto estava deitado em uma porra de cama de hospital, Deck e seus homens invadiram o lugar e tiraram todos que precisavam ser tirados. Em seguida, explodiu tudo. Mas Raul fugiu, junto com Alfonzo e Jacob. Eu não tenho que dizer o nome dela. Ernie sabia o que eu gostaria de saber. London.


Os olhos semicerrados e a expressão séria de Ernie dizia tudo. Isso foi quando eu me apavorei. Nunca antes me apavorei.

Nunca

me

importei

o

suficiente

para

dar

importância, sobre qualquer coisa e perder o controle como eu fiz naquele dia. Eu arranquei o soro do meu braço e puxei os monitores cardíacos de meu peito, antes de bater na máquina que gritava um alto sinal de alerta. Levei três tentativas para conseguir que minhas pernas se movimentassem, ao lado da cama e eu estava tão frustrado que joguei o suporte do soro pelo quarto, fazendo-o colidir com a televisão. Nada importava, exceto receber alta e encontrá-la. Minha cabeça estava tão drogada de analgésicos que eu nem sequer vi ou ouvi Ernie enquanto ele tentava me manter na cama. Tudo o que eu via era London ajoelhada. London submetendo-se a esses bastardos repugnantes. London. London. London. Finalmente consegui me estabilizar e descobri o motivo. Ernie já não estava me segurando. Ele estava na porta com uma seringa na mão. Uma enfermeira estava ao lado dele, com os olhos arregalados e aterrorizados. Ele veio para mim. Eu dei um passo da cama antes que ele me colocasse no chão e empurrasse a agulha em meu braço. Por mais uma semana eu fui mantido sedado, incapaz de fazer mais do que maldiçoar Ernie quando abri meus olhos


brevemente, antes de desmaiar novamente. Eles foram provavelmente inteligentes por me manter assim até que eu sarasse, porque se eu não estivesse assim, nunca teria ficado na cama. Teria fugido, fazendo o que eu estava fazendo agora, buscando London. Em outra porra de leilão. Desta vez, na Alemanha. Estive em pelo menos uma dúzia deles, sem nenhum sinal dela e eu estava começando a me perguntar se ela um dia apareceria, mas eu não tinha mais o que fazer e eu me recusava a acreditar que ela estava morta. Eu saberia se ela estivesse. Meu instinto me disse que ela estava viva e eu não ia desistir até que a encontrasse. Eu tinha usado contatos que não eram associados com o Vault para manter o que estava fazendo em silêncio e havia apenas duas pessoas que sabiam que eu estava procurando por ela, Ernie e o pai de London. Eu fui vê-lo, mas não por escolha. Desde que estive fora da comissão por semanas, Vault, ou seja, a Mãe, esteve me observando. Eu ficava fora da rede, muitas vezes quando estava

em

missões,

por

isso,

não

era

incomum

eu

desaparecer por um mês, mas ela queria que Dr. Westbrook fosse checado. Ameaçado era o que realmente ela queria, porque a droga que ele tinha dado a ela estava causando um estado zumbi em sua cobaia, Connor, e ela estava chateada. Eu tinha voado para Nova York e deixado Ernie no México à procura de qualquer informação sobre onde Alfonzo


e Jacob poderiam ter ido, porque eles eram a minha única pista para o que aconteceu com London. Quando eu vi seu pai, disse-lhe o que aconteceu com ela. Eu tinha visto homens chorarem antes, implorar para parar a tortura. Eu os tinha visto babar e gaguejar, embaixo da minha faca, mas nunca tinha visto um homem cair de joelhos tremendo de tantos soluços de dor. Levantei-me e assisti, sem emoção. Frio. Não permiti nada do que eu estava sentindo sobre London sair. Porque se eu fizesse isso, ficaria louco de raiva. Mas dei a seu pai uma coisa, antes de deixá-lo em seu laboratório, no chão, uma promessa de encontrá-la e trazê-la de volta. Agora, enquanto eu estava em uma sala privada na Alemanha assistindo a uma tela de televisão quando menina após menina era trazida na câmera, eu hesitei. Meu personagem

ocasional

maleável

estava

rachando

pelos

cantos, porque eu estava rachando. Já fazia muito tempo. Tinha lidado com a escória mais baixa de toda terra em minha vida toda e ainda assim, esses homens conseguiam ser piores. Mesmo Vault ficava claro deste lado do submundo, porque como eu, eles não tinham nenhum respeito por homens como este. Eles não eram fortes. Eles eram fracos e usavam escravos para se sentir poderosos. Eu mal assistia a tela. Isso era doente. Os cães eram tratados melhor do que essas meninas. Fechei os olhos e


tomei algumas respirações profundas, enquanto eu tentava controlar o pulsar da raiva. Então, aconteceu. Eu não tive que abrir os olhos ou olhar para a tela. Eu só sabia que era ela. Arrepios apareceram ao longo da minha pele e meu estômago embrulhou. Tudo dentro de mim acalmou. Acalmou e então isso começou a emergir, em direção a ela. Pura necessidade. Levantei minha cabeça lentamente e, finalmente, olhei para a tela. Com todos os músculos tensos, meus dedos se fecharam em punhos e pela primeira vez em quase dois anos, deixei-me sentir. — Porra, chefe. — Era Ernie que estava de pé ao lado da porta, fazendo o que eu estava fazendo, assistindo. Ela estava quase irreconhecível no palco, seu cabelo solto e sem brilho sobre os ombros. Ombros desengonçados, finos; os entalhes dos ossos proeminentes. Apertei minha mandíbula, a raiva subindo quando meus olhos percorreram seu corpo machucado, mal vestido. Sua cabeça estava abaixada, olhos baixos, assim como qualquer outra garota trazida diante da câmera. Submissão, eu

imaginava

algo

assim,

mas

imaginar

e

ver

eram

completamente diferentes e eu não estava preparado para vêla tão destruída.


Minha cientista corajosa estava arruinada. Eles a arruinaram. Ela era perfeita. Ela era corajosa e bonita, carinhosa e perfeita para caralho e eles tinham arruinado tudo o que ela era. Eu enlouqueci. Ernie viu acontecendo e era culpa minha, mas já era tarde demais. Meu punho passou pela tela e, em seguida, ele estava me puxando para trás. — Chefe, vamos embora. Ela tem que estar em um dos quartos. London. Porra, ela estava aqui. Tão perto que podia senti-la. O sangue escorria de minha mão que agora continha minha faca. — Já faz um tempo. — Eu ficava pensando nela nessa tela, uma menina que eu não reconhecia. — Já faz um tempo muito longo. — Chefe. — Ernie tinha a porta aberta, a arma dele, mas ele não estava olhando para mim. Ele estava olhando para o corredor. — Porra. Deck. Corri para a porta e assim quando me inclinei ao virar na esquina, vi o olhar de Deck por cima do ombro, diretamente para mim. Que porra é essa? Por que ela estava...?


Mas então eu soube. Um de seus homens, Vic, saiu de uma sala para a direita com um corpo sobre o ombro. Uma menina. Minha menina. Deck e os seus homens estavam aqui para resgatar a porra da minha menina. Eu comecei indo na direção deles, o sangue pingando do meu dedo deixando um rastro. Ernie estava bem atrás de mim e eu o ouvi engatilhar sua arma. Parei a dez centímetros de distância de Deck. Ele estava vestido com uniforme de combate, como seus homens. Eu os conhecia,

Vic, Tyler,

Josh, porque

conhecia todos os

associados de Deck. Deck colocou sua mão em sua arma na cintura, mas ele não tinha a retirado — ainda. Meus olhos foram para Vic que estava com o corpo mole de London por cima do ombro, imóvel. Não lutando. Eu endureci. — Jacob e Alfonzo a tinham? — Sim. — respondeu ele. Deck disse algo a Vic que se virou e correu pelo corredor, em seguida, desapareceu na esquina. Com London. E, no entanto, eu não me mexi.


— Chefe? — Ernie questionou. Mas eu não podia fazer isso. Deck não era como eu. Ele tinha moral. Ele era bom e ele estava aqui para levar London para fora daqui, provavelmente, porque Sculpt ou sua garota lhe tinham falado sobre ela. Ele foi tirá-la de lá. Meu vício por London era cruel e eu tinha que romper com isso. Tinha que fazê-la ser valiosa para Mãe e Vault e em seguida, ficar bem longe dela. Era o único caminho para ela seguir, segura e viva. Eu tive que deixá-la ir. Balancei a cabeça para Deck, em seguida, virei-me e fui embora.


França

— Como é que a filha de Dr.Westbrook está em Toronto, mãe? Isto era como eu tinha que jogar. Como se eu não tivesse encontrado London na Alemanha e visto Deck tirá-la de lá. Qualquer suspeita de eu ter me vinculado a London tinha que terminar hoje. No segundo que Deck levasse London de volta para Nova York, a Mãe ficaria sabendo sobre isso, porque eu teria que dizer a ela. Era muito mais produtivo, dizer a ela antes do fato. — Ela está? — Ela se endireitou, com uma tesoura em uma mão e três rosas na outra. Eu a tinha encontrado fora, em seu jardim, uma área de terra que tinha mais do que arbustos e flores reais. A Mãe olhou surpresa e isso me deu uma vantagem.


— Sim. Chaos me ligou. — E tinha ligado mesmo. Disseme que Deck tinha uma menina, Raven, ficando com ele. — Disse que seu nome era Raven, mas eu verifiquei e é London Westbrook. — As mentiras foram se tornando mais fáceis. As sobrancelhas finas da mãe levantaram. — Deck é cheio de recursos, não é? — Deck é bom no que faz e um dia nós poderemos ser capazes de usá-lo. — Ela assentiu com uma ligeira mudança no peso. Ela gostou da ideia, assim como eu tive que fazê-la gostar, com minha próxima ideia. — E nós podemos usá-la. Seus olhos se estreitaram e qualquer sugestão de um sorriso desapareceu. — Eu não vejo como. Ela é uma fraca, patética... — Cientista, — interrompi. — Ela é brilhante e sabe como seu pai trabalha. — Tudo isso era verdade, mas o rosto da Mãe estava tenso e eu sabia que ela ainda não estava convencida, então joguei em cima, — Nós podemos mandá-la para a fazenda até precisarmos dela. — De jeito nenhum eu ia deixar que isso acontecesse, mas a Mãe não sabia disso. Ela voltou para a roseira e cortou outro botão. Uma gota de sangue escorreu da ponta do dedo, da furada de um espinho, mas ela ainda não tinha se encolhido com a picada. Ela vasculhou as flores, ignorando os riscos para suas mãos enquanto cortava mais e mais. Ela nem sequer iria recolhê-


las agora. Em vez disso, simplesmente cortava as flores vermelhas e as deixava cair no chão. Matando-as sem nenhum motivo. Ela continuou me ignorando, até que a roseira ficou nua de flores, então ela escorregou a tesoura no bolso da calça. — O Dr. Westbrook entendeu a mensagem. — A mensagem de ter sua filha desaparecida por dois fodidos anos. — Talvez ele seja mais produtivo se permitirmos que a sua filha volte. Os medicamentos necessitam de alguns ajustes. Eu fiquei completamente imóvel, nem mesmo uma contração muscular facial. — Como é que a droga está se saindo? — Está sendo útil. Tem sido um pouco... difícil de encontrar um componente do medicamento. — Ela acenou com a mão como se para fechar a conversa. — Você vai continuar acompanhando Dr. Westbrook. Vou considerar sobre sua filha. Por enquanto, ela não vai a lugar nenhum. Eu suspeito que ela está em uma condição bastante delicada... de qualquer maneira. Arruinada, mãe. Você acabou com ela. Eu balancei a cabeça, em seguida, mudei e beijei sua bochecha. — É bom ver você de novo, Mãe.


— Filho. — ela respondeu ela e voltou para a roseira. Eu tinha mais uma coisa a fazer antes de apagar London da minha vida. Caçar os bastardos que destruíram a menina que eu conheci uma vez. Porque a garota que eu vi na câmera no leilão, não era London. Ela era um fantasma da garota com quem eu estive. E Jacob e Alfonzo eram os responsáveis. E não havia nada que eu não faria para matá-los pelo o que fizeram com ela. Nenhuma coisa.


Toronto

Se eu acreditasse em destino, ele estaria seriamente desfrutando de foder comigo. Apesar de tentar manter distância de London, fui jogado de volta em seu caminho dentro de duas semanas. Mas, desta vez, não foi perseguindo ou procurando por ela, foi porque que Deck ainda tinha que levá-la de volta para Nova York e ela ainda estava em Toronto. E também em Toronto estava o bastardo, Alfonzo. E eu sabia disso porque eu estava caçando Alfonzo e Jacob. Nada que me ligasse a Jacob, mas tinha rastreado Alfonzo aqui. No meu fodido território. Pensei que ele estivesse em Toronto por causa de London. Como se viu, ele não estava atrás dela. Ele estava


usando London para chegar a Emily, a garota do Sculpt. Sculpt e Emily estiveram com Deck quando eles acabaram com Raul e agora Alfonzo queria vingança. Bem, eu também. E eu estava usando qualquer um a fim de obtê-la. Alfonzo era um homem morto, mas primeiro precisava dele para me levar ao bastardo indescritível Jacob e para fazer isso, eu tinha que usar Chaos. Andei até o portão do quintal de Chaos, onde concordei em me encontrar com Alfonzo. Tanto quanto ele sabia, eu vim para comprar Raven desde que ele alegava que ainda pertencia a ele. Claro, era tudo besteira. O que eu não esperava era Chaos e Alfonzo rolando no chão, brigando por uma arma. Porra. Esta situação já era volátil e Chaos era um fio desencapado. — Jesus. — eu murmurei, mergulhando para Chaos antes dela tomar um tiro e a tirei de cima de Alfonzo. Eu não fui bonzinho com isso também. Alfonso teria que ser enganado. Ele já estava inquieto sobre me encontrar, mas a palavra era que ele também era um merda ganancioso. Mas que porra Chaos estava fazendo? Isto tinha que ser do meu jeito ou Jacob iria escapar com o que ele e Alfonzo tinham feito com London durante anos. Alfonzo ficou em pé e foi para socar a cara de Chaos quando eu peguei seu punho na palma da minha mão e


empurrei para trás. O que eu queria fazer era levar a minha faca e cortá-lo como um peixe, mas tinha de esperar. Ouvi a comoção vindo de dentro e a empurrei para frente em Alfonzo. — Machuque ela e eu o machucarei. — Então caminhei para dentro da casa e vi a garota, Emily, em cima de London e uma arma, a centímetros de distância de ambas as mãos. Eu não tinha ideia da merda que estava acontecendo, exceto que Alfonzo tinha perdido o controle da situação e eu tinha que recuperá-lo para que isso fosse de acordo com os meus planos. Peguei Emily e arrastei de cima de London. — Pare. — eu pedi enquanto ela lutava contra mim. A respiração de London parou e seus olhos voaram para os meus. Então, como se ela estivesse aterrorizada por olhar para mim, baixou o olhar para o chão. — Raven! — Eu usei o nome que Alfonzo a chamou porque eu não deveria saber seu nome verdadeiro. Alfonzo veio de volta para dentro com Chaos e Raven rapidamente se ajoelhou, com cabeça baixa e veio para o meu lado. Jesus. Que porra é essa? Vendo isso, vendo London de joelhos, tão submissa e com medo de fazer qualquer coisa exceto o que foi espancada para fazer, era como se tivesse jogado fogo no meu interior.


— Onde está o transportador? — Eu coloquei para fora. Jacob, eu queria Jacob. O bastardo que estava no comando. Alfonzo chutou Chaos na parte de trás das pernas e ela caiu de joelhos. Apertei minha mandíbula, mas não fiz ou disse qualquer coisa. Precisava estar sem emoção. Precisava de tudo o que eu fui ensinado, porque se escorregasse, então Jacob desapareceria e minha chance iria embora. Eu sabia que no segundo em que fizesse uma ligação para Deck sobre o que estava acontecendo, o cara estaria enfurecido. Chaos e Deck tinham história e era a história que nos ligava, a todos nós, embora Deck não fizesse ideia. Alfonzo amarrou os pulsos de Chaos para trás e a vi estremecer. Esta merda nunca tinha me incomodado antes. Eu não tinha nenhuma conexão com Chaos, mesmo que tivesse sido atribuído a ela desde que ela tinha dezesseis anos. Nenhuma conexão. Simples assim. Eu a mantive dessa forma, mas não havia nada simples sobre isso agora. Alfonzo pegou a arma do chão. — Eu prometi-lhe Raven. Você vai tê-la. Esse é o nosso acordo. — Nosso acordo mudou. — eu disse. Não importava o que, Alfonzo iria morrer hoje, mesmo que se recusasse a me levar até Jacob. Eu me destaquei em ‘homens convincentes’ para fazer o que queria e, se necessário, essa seria a minha


próxima opção. — O que você está fazendo com essa daí? — Eu apontei com cabeça para Chaos. — Ela está vindo com a gente. E essa cadela, — ele acenou para Emily — escapou de Raul. Ninguém escapa de Raul e fica vivo. — Raul morreu. — Idiota patético. Alfonzo chutou Chaos na parte inferior das costas e ela grunhiu caindo para frente. Tive a mão na minha faca pronta para cortá-lo e aparafusar o plano. Levou tudo que eu tinha para manter-me calmo e estável. — Uma vez que eu termine com a sua formação, elas vão a leilão e nunca serão encontradas novamente. Isto é, se elas viverem até o leilão. Olhei para Chaos. Foda-se, ela estava chateada e eu sabia o que ela ia fazer, antes mesmo que fizesse isso. Ela bateu a cabeça para trás, para o joelho de Alfonzo. Ouvi o som de seu crânio bater na rótula do joelho; Alfonzo e gritar em agonia. Jesus Cristo. — Não! — Emily gritou enquanto Alfonzo levantava a arma para Chaos. — Matá-la é um desperdício, — eu disse, tomando cuidado para manter minha voz calma. — Leve-me para o transportador. Eu preciso vê-lo.


Alfonzo tinha sua arma na cabeça de Chaos, seus dedos agarravam o seu cabelo. — Eu não posso fazer isso. Isso não foi o acordo. Raven e o dinheiro. É isso aí. — É nosso acordo agora. — eu disse. O rosto de Alfonzo ficou vermelho. — Eu estou vendendo-lhe a menina por metade do seu preço. — Poderia ter facilmente encontrado Raven por mim mesmo.

Encontrei

você,

não

foi?

O

que

quero

é

o

transportador. — Ninguém consegue encontrá-lo. Ele não se encontra com ninguém. Nunca. Eu dei de ombros. — Ele vai se reunir comigo. Ligue para ele. Alfonzo empalideceu. — Você simplesmente não liga para ele. Um acordo já feito antes... — Raul está morto. Isso significa que você e seu transportador já não têm uma fonte principal. Ligue para ele. Agora. Ou eu irei matá-lo e tomar todas as três meninas, para mim mesmo.


— Porra. — Os dedos gordos de Alfonzo se contraíram sobre a arma e seus olhos mudavam de um lado a outro. Alfonzo levantou a arma e bateu na cabeça de Chaos quando ela tentou se levantar. — Georgie! — Emily gritou e tentou se afastar de mim. —Por favor, não a machuque. Apertei minhas mãos no braço de Emily e disse em voz baixa e quase inaudível: — É melhor do meu jeito. E era. Eu tinha lidado com o tipo de Alfonzo. Se Chaos continuasse o atingindo dessa forma, ele ia colocar uma bala em sua cabeça. Claro, eu não deixaria que isso acontecesse, mas protegê-la iria estragar o meu disfarce. Fui forçado a aprender muito na fazenda. Uma dessas coisas era não reagir, mesmo quando a merda acontecesse. Alfonzo amarrou uma tira de pano em torno do braço de Chaos e tirou uma seringa. Eu sabia o que era e ele iria mantê-la viva porque Chaos sendo drogada significava cessar a luta até que eu chegasse a Jacob. Emily lutava contra o meu agarre. — Por favor, não faça. Georgie. — Pare. — Puxei o braço para o lado e ela gritou de dor. Alfonzo olhou para mim e sorriu. Eu estava seriamente pensando sobre enfiar minha faca em seus olhos, em


seguida, cortar o seu pau, enquanto dei meio sorriso de volta. Ele deslizou a agulha na sua veia e em poucos segundos, o corpo de Chaos relaxou e seus olhos fecharam. Alfonzo pegou seu telefone, discou algumas vezes e depois o colocou no ouvido. Ele manteve sua voz baixa enquanto murmurava meu nome e algo sobre um armazém e reunião. Ele desligou e acenou para mim. Finalmente. Jacob. — Vamos. — eu disse. Guiei Emily para fora antes de mim. Alfonzo pendurou Chaos por cima do ombro e ouvi ele pedir a Raven para segui-lo. Como uma porra de um cão. E o pior de tudo, ela o seguiu. Meu estômago embrulhou. Essa merda estava terminando.

Encostei-me em um pedaço grande de máquinas com London ajoelhada ao meu lado, com as mãos no colo e de cabeça baixa.


Chaos ainda estava drogada e Alfonzo estava em um ritmo ansioso. Seus olhos se mantiveram fixos entre a porta do armazém e no seu telefone. Era óbvio que o cara estava nervoso e, a partir de quando eu tinha conhecido Jacob, no México, ele tinha todo o direito de estar. Isso me deixou enjoado, pensar que London tinha passado dois anos com estes homens. Não me admirava ela não ser mais a garota que eu tinha conhecido. Finalmente, a porta de metal deslizou em seus trilhos e abriu. Jacob. Não houve hesitação enquanto avançava em direção a mim.

Nenhuma

Desfrutaria

arma

assistir

o

à

vista.

brilho

de

Arrogante vida

em

e

confiante.

seus

olhos

desaparecer no nada quando eu cortasse sua garganta. Ele parou na minha frente, mas quando falou, foi com Alfonzo que tinha seguido ao seu lado, como um cachorrinho. — Eu não gosto de mudar os planos, — disse Jacob para Alfonzo. — É algo que provoca erros. Mantive meus olhos em Jacob quando eu disse: — O braço direito de Raul. Pensei que você estivesse morto. — eu menti. — O mesmo acontece com todo mundo. — Jacob acenou para Raven. — Você viajou uma grande distância por uma menina. Ela não vale a pena.


— Onde estão as outras meninas? — Perguntei. Não havia nenhuma maneira que ele viesse a Toronto por simplesmente uma menina. Mesmo duas. Ele tinha que ter mais e arrisquei perguntando, mas precisava que ele achasse que eu queria ir fazer negócio com ele, mas o que eu estava fazendo era atrasar. Estava esperando por Deck, ao qual chamei do meu carro, no caminho para o local. Não poderia dar isso a ele antes de nós termos chegado, então ele estava tentando chegar aqui — rápido. Deck já estava à procura de Emily, mas quando eu mencionei Georgie, ele ficou petrificado, em silêncio. O que foi um 'estar lá em dez,' mudou para 'estar lá em cinco'. — Aqui. Aguardando embarque. — ele respondeu. Eu fiquei tenso. Isso era o que eu precisava saber. Os ombros de Jacob endureceram e eu coloquei minha mão sobre a minha faca. Ele puxou sua arma, virou-se e disparou em Alfonzo na cabeça. Alfonso caiu para o chão. Eu não vacilei. Permaneci encostado na máquina, minha mão na cabeça de London, certificando-me de que ela não se mexesse. — Eu disse a ele, não atendo os clientes. Ele não deu ouvidos. — disse Jacob. — Então isso fez de mim uma exceção.


— Sua oferta despertou meu interesse. — Jacob fez uma pausa. — Exijo uma base para trazer as meninas antes do leilão. Você pode fornecer-me isso. Minha mão parou no cabelo de London quando ouvi um passo. Deck. Tempo para terminar isso. — Quem é o fornecedor desde a morte de Raul? Jacob enfiou a arma de volta no cinto. — Ninguém. Este é o nosso primeiro embarque em mais de um ano. Aquele cara, Deck, e os seus homens ficaram em cima de nós e agora o burro do Alfonzo tomou essa. — Ele acenou para Chaos. — Eu não cometo erros, Kai. Sou cuidadoso. Alfonzo não era. — Ah, mas você cometeu um erro, Jacob. — Eu sorri. Jacob foi rápido. Antes mesmo de eu terminar a frase, ele mergulhou rolando e minha faca perdeu sua garganta por pouca coisa. Porra! — Raven. Vá para as meninas! — eu pedi. Não esperei para ver se ela fez, porque sabia que ela faria qualquer coisa que eu dissesse. Eu me mantive abaixado, quando saí do armazém, parando atrás de uma corrente de transportadora. Balancei a cabeça para Deck que estava se aproximando dos fundos do armazém. Jacob desapareceu atrás das prateleiras que iam do chão ao teto, mas vi seus pés enquanto ele circulava. E eu


sabia exatamente o que estava fazendo e para onde estava indo. Merda. Mantendo-me abaixado e com cuidado, segui de volta para as meninas e sai para a clareira, logo que Jacob agarrou London puxando-a contra seu peito. Eu vim à sua esquerda, a minha faca ao meu lado. — Deixe-a ir. — Meu olhar perfurou Jacob e os meus dedos estavam apertados ao redor do punho da minha faca. Eu tinha bastante certeza que poderia matá-lo antes de seu dedo apertar o gatilho. London choramingou com o aperto de Jacob. — Em questão de segundos, eu posso atirar na mulher de Sculpt e agarrar o pescoço da sua escrava. — Então faça isso. — eu disse. Nunca levei bem as ameaças e estava apostando que ele não iria matar as duas meninas. E se fizesse, ele estaria morto. Deck estava agachado atrás de uma pilha de barris no lado direito de Jacob. Nossos olhos se encontraram e ele ergueu o queixo. Joguei a faca ao mesmo tempo que Sculpt mergulhou para fora, atrás dos barris e levou Emily para baixo, protegendo-a com seu corpo. Minha faca cortou no ar em direção ao pescoço de Jacob, tão perto do ouvido de London que vi um pontinho de sangue na ponta exterior do seu lóbulo. A arma de Jacob disparou, mas foi uma reação instintiva para o seu corpo que balançou. London saiu de seu


agarre e caiu em suas mãos e joelhos, o sangue respingado em seu rosto e peito. A mão de Jacob ainda segurava a arma quando a outra foi para o seu pescoço, com sangue escorrendo entre os dedos e ele tentou parar o fluxo em torno da faca. Jacob era um homem morto a qualquer momento, mas eu sabia apenas porque Deck se aproximou, levantou a arma e atirou no seu peito várias vezes. Era necessário colocar balas no cara que machucou sua menina. Jacob caiu para trás. A arma escorregou de sua mão e caiu no chão. Andei a passos largos, puxei a faca em seu pescoço, limpei o sangue do corpo de Jacob e a coloquei na bainha na minha cintura. Então, eu fui para London. Ela ainda estava no chão quando agachei ao lado dela. Porra, eu queria tanto puxá-la em meus braços, dizer-lhe que acabou. Que os homens que a machucaram jamais iriam tocá-la novamente. Mas para ela, não terminou. Era só o começo para encontrar um caminho de volta, para o antes do que fizeram para ela. — Baby. — eu murmurei. Ela fechou os olhos, mas manteve a cabeça baixa.


Gentilmente coloquei meu braço em torno dela e amaldiçoei com a quantidade de peso que ela perdeu. Eu senti o olhar letal de Deck quando ele estava de joelhos ao lado Chaos. Voltei-me para London. — London. — Ela não respondeu e fechei meus olhos enquanto uma onda de dor passou por mim. Porra. Porra. Porra. Ela passou anos com Jacob e Alfonzo e aquilo doía. Não, porra, aquilo me matou. Tortura não era nada comparando com isso. A beleza que London tinha e a leveza que sempre me deu se foi e isso me destruiu. Eu a ajudei a levantar, a guiei até Deck e os outros. Eu vi Deck passar o dedo sobre a marca de agulha no braço de Georgie. — Heroína. — eu disse. Eu tinha o meu braço em volta da cintura de London e sua cabeça estava escondida em meu peito. Porra. Eu não queria deixá-la ir, mas não tinha escolha. Havia uma chance para ela sem mim. A chance de trazer a leveza de volta, o riso, a doçura. Eu era a sua destruição e continuaria caindo, falhando e sufocando-a em as minhas trevas.


Deck assentiu. — Provavelmente foi melhor. Georgie teria conseguido se matar com aquela sua boca. Deck ficou lá. — A polícia vai estar aqui em breve. É melhor você ir. Eu me afastei de London. Não tinha a intenção de olhar para ela de novo. Deveria ter ido embora, mas em vez disso, tive que olhar para ela, mais uma vez e meu coração parou. Dilacerou. A mulher brilhante cheia de compaixão, com obstinada determinação, já não existia. Jesus, baby. Você precisa encontrar seu caminho de volta. Você não pode fazer isso comigo. Eu tinha que sair daqui. — Você precisa ficar com eles. Deck irá levá-la para casa. Seus olhos se arregalaram e seu rosto empalideceu. Então, ela fez o que eu nunca esperava. Ela caiu de joelhos em frente a mim e agarrou a minha perna. — Por favor. Por favor, me leve com você. — Eu permanecia imóvel. Porra, London. Nunca me importei antes. Para importar com algo, você tinha que sentir. Eu nunca senti. Agora, sentia e foi pior do


que qualquer dor física. Era ácido corroendo meu interior e sentindo como se não houvesse caminho de volta da porra em que eu vivia. Eu pertencia a escuridão e London pertencia à luz. Suspirei e, em seguida, acenei para Deck. Ele se levantou, deu dois passos, em seguida, agarrou o braço de London e a puxou de mim. Lágrimas escorriam pelo seu rosto, mas ela não fez nenhum som. Então corri para longe e não olhei para trás.


Apagado. A palavra ficou na minha cabeça. Eu me tornei um fantasma após o término de toda a comunicação com London. Ela estava melhor sem mim. Ela estava mais segura. Passou um ano e sete meses desde que eu a vi no armazém de joelhos implorando para levá-la. Fingi que era negócio como de costume, mas não foi. O que eu fiz não tinha nada a ver com negócio. Era pessoal e eu me tornei um assassino silencioso. Eu matei em vez de satisfazer todas as necessidades sexuais. Matei para parar o pesadelo de vê-la ajoelhada. E matei para aliviar essa dor. Tecendo dentro e fora de indústrias do tráfico sexual, eu matei aqueles que mereciam. Foi a minha saída.


Minha ligação para manter minha sanidade. Ernie ainda a observava, mas eu insistia em não ouvir atualizações. Ele ignorou a ordem e me enviou e-mails de qualquer maneira, os quais, durante as primeiras duas semanas, meu dedo pairava sobre o botão ‘delete’ sem abrir o arquivo. Mas no final, eu sempre os lia. A merda mudou mesmo há um ano, quando ela fugiu. Meu primeiro pensamento foi de que Vault a tinha e depois de ter passado o sentimento, eu sabia que eles não a tinham. Pelo o que Ernie viu, London simplesmente partiu sem nada. E uma vez que ela não tinha nada, não existia qualquer pista. Nenhum rastro e isso significava que estava tornando um trabalho impossível para Ernie encontrá-la. A única boa notícia com isso era que se eu não pudesse encontrá-la, Vault não poderia também e eles estiveram olhando por isso, porque um par de meses antes, minha mãe me pediu para trazer London. E pela primeira vez, eu não menti quando disse a ela que não podia encontrá-la. Eu tinha uma suspeita de que eles achavam que eu estava escondendo-a. Claro, eu não estava. E mesmo se estivesse, nunca a traria. Eu era parte de Vault, mas não me submeteria a eles, embora eles pensassem de forma diferente. Eu só sabia como jogar o seu jogo e mentir muito bem. Eu sabia porque London fugiu. Ela estava fugindo de si mesma, ou melhor dizendo, de Raven. E eu odiava Raven, porra!


Minha brava London tinha se submetido e o que me irritava mais do que qualquer outra coisa na vida era que eles a destruíram tanto, que ela não tinha escolha a não ser continuar assim e se render. Ela se tornou Raven e Raven não era uma cientista. Ela não era forte ou teimosa ou uma garota inteligente que faria qualquer coisa para salvar seu pai, que se preocupava com os outros e queria salvar vidas. Ela havia se tornado um nada. Sua liberdade não lhe trouxe libertação. Ela a prendeu em um mundo que já não sabia como sobreviver e por isso fugiu. Meu telefone descartável vibrou e eu o tirei do bolso do paletó inclinando-o para a palma da mão contra o vidro da janela enquanto olhava para a cidade. — Eu disse que não quero saber. — Problema teu. — disse ele. Esse filho da puta me mantinha atualizado sobre sua busca por London, mesmo se eu quisesse ouvir ou não. — Abrigo Christie. Descobri que muitas vezes vai para lá. Embora, sejam todas mulheres e por isso não posso entrar. Durante os últimos seis meses, Ernie incorporou-se nas ruas e vivia como um sem-teto.


London sempre o ajudou e não importa quem ela era agora, Ernie e eu pensávamos que ela poderia gravitar por eles, o que significa, viver nas ruas. Mas

os

sem-teto

não

gostavam

de

compartilhar

informações ou estavam muito drogados para compartilhar. E os

abrigos

para

sem-teto,

definitivamente,

não

compartilhavam. Não quando um cara, homem, como Ernie, estava procurando uma menina, que estava completamente trancada dentro de si mesma. A situação gritava, foi abusada. — O velho, chamado Donald, diz que a vê muitas vezes em um beco atrás da Dark Horse. É um bar perto do abrigo. Donald diz que o segurança mantém um olho nela. A ajuda. Entrega sua comida. — Ernie fez uma pausa e eu sabia o porquê. Seu instinto dizia que iriam encontrá-la esta noite e isso significava que ele me queria lá. — Você precisa lidar com isso, chefe. Já faz muito tempo e ela não está pior, ou melhor. Vale a pena o risco. Enrolei minha mão em torno do telefone. Porra. — Chefe. Porra, London, que merda você está fazendo? Eu descansei minha testa contra o vidro da janela e fechei os olhos. — No caminho. — Eu encerrei a ligação.


Puxei meu telefone e liguei para Ernie enquanto dirigia para a Dark Horse. — Dois minutos. — Bouncer diz que ela está no beco. Você não vai gostar, chefe. Sabia que eu não ia gostar do que veria. Não gostei do que vi no México, na Alemanha, na porra de Toronto com Alfonzo. — Mantenha o segurança dentro. Não precisamos de testemunhas. — Entendi. Abrandei quando vi o sinal para a Dark Horse, um bar decadente que tinha uma garota seminua na frente e um malandro, provavelmente vendendo drogas ou talvez fosse o cafetão da menina, até mesmo seu cliente em potencial. Segui no primeiro beco passando pelo bar, parei o carro, inclinei-me, alcançando minha bolsa e tirei uma das seringas. Não queria correr nenhum risco e não precisava de algum exagerado valentão vindo para resgatá-la e chamar atenção.


A cidade estava cheia de sons, buzinas, ônibus, risos e gritos e mesmo assim, foram os meus passos no pavimento que estavam mais altos, como o suspense antes do clímax de um filme. Tudo o que restou se tornou insignificante exceto o momento. Eu era como um viciado, que se aproxima do que lhe foi negado por anos. A necessidade me reivindicava. Ela me reivindicou. Parei quando eu a vi encolhida no chão para dormir, com cascas de laranja jogadas na calçada ao lado dela e lixo espalhados ao seu redor. — Jesus. — Tomei alguns passos finais até ela, então me agachei. Empurrei o flácido cabelo de seu rosto. — Baby. — Ela tinha manchas escuras de sujeira em suas bochechas e na testa. Tinha que fazer uma escolha. Ernie estava certo, isso não poderia continuar. Matá-la iria tirá-la de sua miséria. Cortar sua garganta enquanto ela dormia e esquecer que já a conheci. Que a queria. Que já transei com ela. Salvá-la do sofrimento. Salvá-la de mim era o que eu teria que fazer, a fim de parar com tudo isso. Mas eu não podia.


Eu deixaria os monstros me invadirem. As emoções pulsavam e London era minha. Tirei minha faca de debaixo da minha calça em uma das pernas e descansei a lâmina afiada contra sua clavícula. Seria tão simples. Acabar com isso. Acabar com o que havia se tornado minha obsessão. Deitei a lâmina plana e dura na superfície de sua pele e inclinei ligeiramente a ponta, a pressão mal estava lá, mas seria o suficiente. Com o menor movimento, minha lâmina a pegaria e eu assistiria uma pérola de sangue subir à superfície, hesitando, trilhando um caminho de vermelho em seu suéter preto rasgado. Seus olhos se abririam por um momento e encontrariam os meus, mas eles não me veriam. Estariam mortos. Ela os fecharia. — Porra, Coração Valente. — Mas uma gota de sangue era a minha resposta para o caminho que eu estava prestes a tomar. — Você vai precisar fazer jus a esse nome agora. Eu não posso fazer isso de outra maneira. Porque eu não estava indo embora de novo. E as consequências poderiam levá-la a morte. Mas ela estava desaparecendo no nada de toda forma. Ela já acreditava que não era nada e London era muito mais. Estava perdida e


havia apenas uma maneira de recuperá-la. Eu teria que destruir a garota que estava fugindo de si mesma. Matar Raven na esperança de encontrar a menina debaixo, London. Suas escolhas foram tiradas. Ela foi treinada para obedecer. Sua sobrevivência dependia de estar trancada dentro de si mesma mas não precisaria mais fazer isso. Ela estava presa, incapaz de escapar do ciclo, com medo de sair das sombras. De acordo com Ernie, ela estava vendo terapeutas,

médicos

que

lhes

deram

medicação

após

medicação, mas Ernie pensava que tudo que eles fizeram foi torná-la mais isolada. Porra de Ernie. Bastardo, sabia que eu nunca iria deixála se a visse novamente. Era por isso que ele me queria aqui. Agora, havia uma opção para mim... para ela. Eu estava para tirá-la do caixão e das sombras e destruir cada pedaço de Raven. Guardei minha faca, tirei a seringa e removi a tampa. Baixei suavemente sua camisa de seu ombro direito, a almofada do meu dedo acariciou a sua pele. A agulha perfurou sua pele e ela se encolheu, mas não abriu os olhos. — Sem mais fugir. Você vai ter que ser minha Coração Valente, a fim de sobreviver a mim.


Depois de alguns minutos, eu vi a tensão em torno de seus olhos acalmar e sabia que o sedativo entrou em vigor. A porta do clube se abriu e Ernie ficou lá. Eu balancei a cabeça para ele e tudo o que ele disse foi: — Finalmente. Isso merece uma porra de scotch. — Em seguida, ele bateu a porta e voltou para dentro. Eu bufei e peguei-a nos meus braços, antes de caminhar de volta para o meu carro. Eu a coloquei no banco da frente, apertei o cinto de segurança, entrei e comecei a longa viagem até a minha casa. Estava levando-a para casa, para um lugar que ninguém conhecia, exceto Ernie. Eu iria encontrar London e a traria de volta para mim.


Regras

Sentei-me com um pé torto sobre o outro, com meu cotovelo no descanso de braço, polegar levemente acariciando meu lábio inferior. Do outro lado da sala, eu a assistia. Fazia horas. Já estava escuro, mas agora que ela estava aqui, o tempo não tinha significado nenhum. Era sobre o presente. A respiração de London gradualmente acelerou e ela virou-se. Então enrolou-se em uma bola, o fôlego preso em sua garganta antes de alterar para profundas inalações esfarrapadas, como se estivesse presa em um pesadelo. Eu não me incomodei em acordá-la. Em vez disso, fiz o que eu era bom em fazer. Assistir. Avaliar. Planejar.


Oito horas se passaram enquanto eu dirigia para minha casa. Uma casa que Vault não sabia que existia. Se eles descobrissem, minha lealdade estaria comprometida e eles encontrariam este lugar. Mas, por agora, era o lugar mais seguro que eu sabia que poderia trazê-la. Teria que verificar com Brice, na cidade, em algum momento, mas Tanner tinha os olhos em Chaos. O dia do aniversário

de

morte

do

irmão

de

Chaos

estava

se

aproximando e eu teria que encontrá-la na cabana. Eu fiz isso. Cortei Chaos. E eu odiava, mas era algo que ela pensou que precisasse. Recusei-me da primeira vez, quando ela me pediu, mas aí ela foi atrás de Tanner. Quando eu vi o que ele fez com as costas dela, eu o espanquei, tive a minha lâmina em sua garganta pronta para matá-lo. Mas ele pertencia ao Vault e matá-lo por ter machucado Chaos iria dizer muito sobre mim. Dizer o que tinha de ser enterrado. London chutou o lençol branco e se torceu em uma pilha, no final da cama. Meus olhos se arrastaram ao contorno de seu corpo e tudo o que eu sentia era desgosto. Esta não era a garota que eu perseguia há anos. Esta não era a garota que fiz um acordo e tinha as pernas sedosas em torno de mim. Não era nem mesmo a garota que eu tinha deixado no México. Esta era Raven. Uma menina treinada para o prazer dos homens. Irônico, era que eu fui treinado também, mas de uma forma


muito diferente. Vault não usava o sexo para destruir você. As

crianças

eram

moldadas,

esculpidas

em

pedra.

Condicionadas. E agora, com a droga, o pai de London deu-lhes mais poder. Um medicamento para ajudá-los a moldar os homens. Os homens que já eram assassinos treinados como Connor. Não havia margem de erro permitida. Não há espaço para erros e ainda, eu cometi muitos erros nos últimos anos. As coisas não eram mais tão simples. London fez isso complicado. Seu corpo ficou tenso e dedos se enroscaram ao redor do travesseiro de pelúcia sob sua bochecha. Ela estava finalmente acordando e o que eu tinha que fazer com ela iria começar. Ela correu na posição vertical, com os olhos arregalados e frenéticos. Esperei enquanto ela olhava o quarto, tentando descobrir onde estava e o que aconteceu. Seu olhar me atingiu e eu levantei minhas sobrancelhas, os cantos dos meus lábios curvando-se para cima quando sua mente apanhou o que seus olhos estavam vendo. — Kai. — Ela abruptamente falou, os olhos rapidamente fazendo a varredura do quarto como se procurasse outro alguém. Eu vi a confusão, o conflito sobre a possibilidade de confiar no que ela pensou quem eu era, ou proteger a si mesma e ser quem ela foi treinada para ser, qual ela


considerava ser a opção segura. Bem, essa opção segura ia ser arrancada dela. Franziu as sobrancelhas juntas, lábios entreabertos com um leve tremor e seus olhos... assombrados e incertos. Em seguida, ela escolheu. Ela se arrastou para fora da cama e caiu de joelhos. A posição de uma submissa. London nunca faria isso, mas Raven sim. Ela tinha que fazer. Essa foi sua sobrevivência. Eu sempre viria para ela, mas sempre fui embora também. Seu loft. México. O leilão. E então, no armazém quando matei Jacob e ela me implorou para não a deixar. Eu a deixei, sem nada para confiar em mim. Suspirei, descruzando as pernas. Porra, isso ia ser uma merda para nós dois. — Venha aqui. Ela ficou de pé para fazer o que eu disse e andou na minha direção e ajoelhou-se. Mas ela não parou por aí. As mãos dela foram para a minha virilha. Porra. Agarrei-lhe o pulso e eu não fui gentil sobre isso quando puxei a mão, com desgosto me rasgando. Torci um pouco para que ela fosse forçada a embaralhar de volta para aliviar


a pressão e só então a deixei ir. Não sabia nada sobre a terapia,

falando

besteira

em

um

quarto

com

artes

penduradas nas paredes que deveria ter algum significado subjacente diferente de bolhas de cores. O que eu sabia era como matar. Parar. Destruir. E fazêlo com um sorriso. Isso era o que eu ia fazer para Raven. Matá-la. E ela iria resistir, iria me odiar por tirar sua segurança. Ela correu de casa porque era incapaz de viver nesse mundo novo. Sabia como ser uma escrava, como ser Raven e sendo Raven lhe permitia evitar enfrentar o que aconteceu. — Nunca mais faça isso. Tenho regras e se você quebrar qualquer uma delas, vou fazer você se deitar em uma banheira de gelo até que você esteja tão fria que mal consiga respirar. — A ameaça tinha de ser real. Algo que poderia fazer se ela fizesse isso de novo, porque não iria mentir para ela. Ela tinha que entender que cada palavra que saía da minha boca era verdade. London... não, Raven, ela não era London ainda, sentouse sobre os calcanhares, mas uma nova lágrima escapou de seu olho direito e escorreu pelo seu rosto. Um caminho, porque ela estava imunda, cheirava como lixo e necessitava de um monte de sabão. Eu me inclinei na minha cadeira.


— Você é boa em seguir regras. — Bem, ela agora era. Ela não costumava ser. Ela se recusou a dormir nua. — Você acabou de ouvir a primeira. Repita isso para mim. — Não tocar em você? — Sua voz tremeu e se eu tivesse sido cego e não saberia que era London que estava ajoelhada na minha frente, não a teria reconhecido. — Bom. Segunda regra, quando eu lhe perguntar uma coisa, quero uma resposta. Ela assentiu com a cabeça. — Não, repita o que eu disse. Eu não quero nenhum mal-entendido aqui. — Responder a você. Bom o bastante. O couro rangeu quando me inclinei para frente e apoiei os cotovelos sobre os joelhos. — E você nunca mais se ajoelhe ou evite olhar para mim de novo. Sua respiração se acelerou e as mãos deitadas em suas coxas se contraíram. Ela estava debatendo sobre o que fazer. Se levantava agora ou esperava até que eu a mandasse fazer. Eu precisava dela para pensar por si mesma. Ela não era mais uma escrava para fazer o que lhe era dito. Ela tinha que tomar suas próprias decisões, mesmo se achasse que as consequências seriam ruins.


Eventualmente, ela aprenderia que as consequências nunca seriam ruins, a menos que ela fosse Raven. Isso era o que ela entenderia com as regras. E eu as usaria para encontrar London enterrada debaixo de Raven. Seus lábios tremiam e as sobrancelhas se encolheram enquanto contemplava. Esperei. Paciente. Em seguida, ela colocou as mãos no chão e se levantou. Levou

mais

tempo

para

o

queixo

subir

e

os

olhos

encontrarem os meus. Mas ela fez isso e no segundo em que ela fez, eu vi o flash de medo sobre o que aconteceria por ela ter feito contato com os olhos. Em seguida, seus olhos estavam mortos. Balancei a cabeça em aprovação. Raven repetiu as minhas palavras, seus olhos olhando para mim, mas ela não estava vendo. Não realmente. Era uma máscara. Eu fiz isso quando eu tive que tirar meu pensamento da dor que foi infligida a mim, na fazenda. — O banheiro é ali. — Fiz um gesto com a minha mão para a esquerda e ela se encolheu. Jesus, isso me irritava. Quantas vezes Alfonzo ou Jacob levantaram a mão para bater nela? — Vá para o chuveiro. Há roupas ao lado da pia. Venha para a cozinha quando você terminar e coma alguma coisa. Não esperei por uma resposta. Ela faria tudo o que eu dissesse a ela. Eu me levantei, esbarrei nela e sai do quarto.


Foram apenas oito minutos desde que eu a deixei, antes que ela aparecesse andando, com os pés descalços pelo meu piso de madeira até a cozinha. Eu estava de frente para o fogão, mexendo a sopa de vegetais com carne na panela de ferro fundido, o vapor e aroma subiam na minha frente. Recusei-me a dirigi-la sobre o que fazer. Isso, era de aprendizado para mim também. Eu tinha bastante certeza que

sua

normalidade

seria

se

ajoelhar

no

chão,

provavelmente perto da porta. Mas a minha regra estava tocando em sua cabeça. Juro que ouvi seu coração batendo forte contra o peito, há alguma distancia atrás de mim, enquanto ela novamente decidia qual o próximo passo a ser tomado. Pelo que eu sabia, ela ficaria lá até que me dirigisse a ela, mas ela teria que esperar uma porra de muito tempo. Porque eu a faria ficar lá a noite toda se tivesse que fazer. Com uma concha, coloquei a sopa em duas tigelas, em seguida, levei-as para os bancos de bar na ilha, que era a uma mera polegada de onde ela estava. O aroma de coco e manga do shampoo misturados com a sopa. Peguei os dois bancos e sentei-me. Pergunte-me, London. Porra. Era um teste simples. Eu sabia que ela estava me observando e com o canto do meu olho, a vi morder o lábio


inferior e os olhos vacilarem para o banco, para a tigela de sopa e de volta para mim. Assuma um risco, caramba. Seja a porra da menina corajosa, baby. Dez minutos. Dez fodidos minutos. Eu estava no meu segundo prato de sopa e o dela não estava mais fumegante. — Posso comer, mestre? — Sim. Você pode comer qualquer coisa que quiser, a qualquer momento. — E eu não gostava dela me chamando da porra de mestre. — Você sabe o meu nome, use-o. Ela sentou-se calmamente na ilha e comeu a sopa fria. Eu me contive de requentar, mas a culpa era dela que levou tanto tempo do caralho assim. Eu nunca disse que eu era bom. Ela foi cautelosa enquanto comia e eu não podia deixar de imaginar-nos em sua cozinha juntos. Acordo diferente. Uma garota completamente diferente. Olhei para Raven. Eu nunca transaria com ela. Empurrei de volta o meu banquinho, levantei-me e lavei a minha tigela na pia; coloquei o restante da sopa em um recipiente e o coloquei na geladeira. Lavei a panela, em seguida, me virei e ela ainda estava sentada lá, colher descansando contra a borda da tigela e sua cabeça para baixo.


— Vá dormir quando você tiver terminado, bab... Raven. — Saí da cozinha mas como o local era aberto, então, eu ainda estava, tecnicamente na cozinha e sentei-me no sofá. Coloquei minha faca no vidro da mesa de café, juntamente com o meu fio enrolado. Cliquei no aparelho de som para algum jazz, coloquei os pés para cima e esperei. Tinha a minha cabeça para trás e os olhos fechados quando ouvi sua abordagem. E isso foi quando ela fodeu com a minha cabeça, porque eu queria olhar para ela, estender minha mão e arrastá-la em cima de mim, então despi-la e provar a doçura que eu ansiava por anos. Anos. Jesus. Mas não queria a submissa, a obediente robô. Eu queria London. — Kai. — sua voz tremia e eu endureci. Demorei para olhar para ela, em pé ao lado do sofá, braços em seus lados, os dedos agarrando sua camisa. Um coelho um pouco assustado que queria engatinhar no seu buraco. Mas eu era o lobo e estava assentado sobre ele, bloqueando seu escape. — Sim? — Eu sabia exatamente porque estava ali. Ela não tinha ideia de onde deveria dormir. Tenho quase certeza de que Alfonzo foi o único que manteve London para si mesmo. Ele poderia tê-la mantido em um porão, no chão de um quarto, merda, em um armário ou


até gaiola, pelo que eu sabia. Teria gostado de nada mais do que envolver minha corda de piano em volta do pescoço e assistir os olhos dele pularem para fora, enquanto lutava para respirar. E só por divertimento, eu o deixaria respirar, em seguida, faria uma e outra vez. — Onde você quer que eu durma? — Você pode dormir na minha cama por enquanto. O quarto de visitas não está ajeitado ainda. Quando estiver, poderá dormir lá. A escolha será sua. Ela

hesitou,

mordendo

o

lábio

inferior

como

se

contemplando. Mas isso não era sobre mim. Isto era sobre ela e ela tinha que aprender a fazer suas próprias escolhas. — Você tem algum problema com isso? Diga-me. Isso fez alguma coisa dentro dela. Uma partícula de luz atingiu seus olhos e endureceu sua espinha, não o suficiente para a maioria das pessoas notarem, mas eu não era a maioria das pessoas. O que eu precisava era da rebelião silenciosa. Porra, eu tomaria qualquer direito sobre a rebeldia nesse momento. Não estava recebendo isso agora, mas acabaria fazendo, mesmo se tivesse que rasgar Raven no meio, para chegar a London. — Vá para a cama. Ela afundou para longe e eu inclinei minha cabeça para trás novamente e fechei os olhos.


Eu daria a ela uma semana. Estava sendo generoso, afinal, ser bom era contra a minha natureza. Em seguida, ela iria lutar, por London.


Água gelada

Levou cinco dias antes dela quebrar uma regra. Esperava mais cedo, mas ela foi meticulosa e eu podia ver sua mente trabalhando em decidir o que fazer antes de fazer. A cientista nela trabalhava duro. Exceto, que era o tipo errado de trabalho de merda. Mas quando um copo que estava colocado no topo do armário escorregou de sua mão e caiu no chão quebrando, ela congelou por uma fração de segundos e caiu de joelhos. Qualquer simpatia por Raven foi deixada de lado. Minhas regras eram justas e elas foram criadas para romper


o que ela sofreu. Eu vi as marcas na parte de trás das coxas. Sabia o que eram e a mimando não estaria tornando melhor. Ela teve meses em terapia, medicação e tudo mais o que existia que o pai e os profissionais médicos fizeram para tentar ajudá-la. Em vez disso, ela fugiu. Agora faríamos do meu jeito e essa era a maneira que London necessitava. Eu sabia disso porque estive no inferno. Talvez um tipo diferente, mas ainda assim era o inferno. Enchi a banheira com água fria, fui para o freezer e peguei um pequeno saco de gelo. Não importava quão diligente uma pessoa era, sempre caía de volta para o que tinha se tornado seu lugar seguro... isso era da natureza humana. Meu lugar seguro era não me importar. Não sentir emoção e ignorar o que eu havia me tornado. O lugar seguro de Raven era de joelhos. Agora, eu iria reescrever isso. Ela me observava. Sentada na beira da cama, com as mãos juntas, torcendo. Era muito melhor quando interrogava alguém, enquanto viam seus instrumentos de tortura. Deixando o medo passear enquanto minha mão pairava sobre cada

um

desses

instrumentos,

ouvir

as

respirações

acelerando, esperavam para ver qual deles eu escolheria em primeiro lugar. Claro, isso não era sobre a tortura. Mas era a mesma ideia, tinha que destruí-la com outras técnicas, onde ela seria punida por ser Raven.


Poderia mimá-la, envolvê-la em meus braços e esperar que ela fosse encontrar seu caminho de volta, mas não a mimaria e London era uma lutadora. Eu só tinha que encontrar o gatilho para fazê-la lutar. Resumindo, eu precisava que ela ficasse chateada. Joguei o saco de gelo na banheira e os cubos tilintaram contra a porcelana. Enfiei a mão dentro — sim, um frio fodido. Mas estive em piores. Estive perseguindo um carro quando ele derrapou caindo de uma ponte, em um lago e ultrapassou o gelo. Precisei ir atrás do motorista. Não para salvá-lo... bem, eu o salvei. Mas depois de obter a informação que eu precisava, o matei. O bastardo era sujo demais e ele era o tipo de homem que eu sentia grande alegria em acabar com sua vida. — Venha aqui. — eu disse, sem olhar para ela. Ela ficou ao meu lado e senti uma pontada de culpa quando começou a tremer. — Você sabe por quê? Ela assentiu com a cabeça. — Eu quebrei uma regra. — Sim. E por que você acha que tenho essa regra? — Essa seria difícil para ela resolver na sua cabeça. Ela provavelmente não tinha ideia do porquê, mas eu esperava uma resposta e queria ouvir o que viria dela.


Eu a vi engolir. Juro que pude ouvir sua frequência cardíaca acelerar. Boa. Uma reação. — Você não gosta de me ver de joelhos? — Verdade. Por que outra razão? Seus olhos corriam para mim, amplos e com medo. Vamos, London. Me desafie. Diga-o. Mas quando os ombros dela cederam, eu sabia que não estava recebendo a resposta que eu queria. — Eu não sei por quê. Eu agarrei o queixo e a forcei olhar para mim, os dedos cavando duramente em sua pele. — Porque você nunca se submeteu a ninguém. Nunca. Você pode brincar. Fingir com alguém em quem confia, mas você não confia em mim e nós não estamos brincando. Será que você confiava neles? Era tudo um jogo com Alfonzo e Jacob? Seus olhos se arregalaram com horror. — Não. Eu... eu tive que... Ela teve. Eu sabia que ela teve obrigação de fazer coisas. Ela provavelmente lutou, para caralho em primeiro lugar, a teimosia causando muito mais dor do que a maioria dessas garotas iria aguentar. — Sim. Mas você também se entregou a tudo. — Aliviei minha espera e acariciei meu polegar para trás e para frente


sobre a pele avermelhada. — Submeta seu corpo quando você não tiver escolha, mas proteja sua mente, London. Nunca os deixe tê-la e, agora, eles a têm. Lágrimas encheram os seus olhos, mas eu não queria as lágrimas. Queria o flash de raiva. — Bem. — Balancei a cabeça para a banheira. Ela hesitou e eu a deixei. Porra, eu queria que ela hesitasse. Estaria em êxtase se ela me dissesse para ir me foder e me bater. Ela não o fez e eu suspirei enquanto se despia e entrava na banheira. Ouvi seu suspiro e seu olhar foi minado quando recostei no balcão do banheiro e assisti. Na esperança. Falsa esperança. Algo que eu sabia que não devia ter. Ela estava muito magra. Eu podia ver os ossos do quadril e as costelas; seus seios estavam menores. Quando meus olhos terminaram de percorrer pelo seu corpo e se reuniu com os dela novamente, eu quase... quase disse a ela para sair. Mas era a decisão dela. Ela poderia saber pouco sobre mim, mas esteve intimamente comigo. Ela sabia o suficiente que tudo o que tinha que fazer era me dizer. Ensinei-lhe essa lição e eu queria que ela procurasse em sua mente e se lembrasse. Encontrasse essas palavras e me dissesse que não queria fazer isso.


Isso era tudo que precisava. Seus lábios se separaram e ela inalou. Eu jurei que ia dizer as palavras, mas em vez disso, ela abaixou na água gelada. Abaixei minha cabeça para frente e fechei os olhos. Porra. Ela

começou

a

hiperventilar, respiração

rápida e

incontrolável. A reação de choque do corpo para o súbito frio. Antecipei esse fato em poucos minutos, isso iria embora e ela seria capaz de suportar a temperatura de dez a vinte minutos antes

da

hipotermia

chegar.

Quando

seus

músculos

enfraquecessem, seria quando eu teria que tirá-la de lá. Mas o que eu queria era que ela relutasse antes. Minha pele se arrepiou e a tensão no meu peito era tão apertada que a respiração tornou-se dolorosa. Porque olhar para ela era doloroso. Ouvir o tilintar do gelo contra os lados da banheira era doloroso. Nunca tive esta reação antes. Era imune a ouvir os gritos, testemunhando tortura, morte, sangue. Mas levou tudo que tinha para permanecer onde estava e não arrastá-la para fora de lá. Ela tinha as pernas amassadas contra o peito, os braços envolvidos em torno delas, com o queixo apoiado nos joelhos que estavam acima do nível da água. Seus mamilos estavam eretos, ou pelo menos o que eu podia ver quando a água


espirrou ligeiramente contra seus seios, já que só enchi a banheira até a metade. Seus dentes batiam e ela tentou parar o tremor, mas não podia, o que fazia a água chapinhar para frente e para trás. — O que eles fizeram para você, Raven? — Eu não precisava saber, mas ela precisava me dizer. Ela levantou a cabeça e olhou para mim. — Tudo. Sim, eu tinha uma boa ideia. — Especifique, por favor. Oh, ela não gostou, pela forma como endureceu e eu interiormente sorri. — Alfonzo gostava de sexo. Eu fiquei tenso, sabendo o que ouviria, me preparando para isso. Pelo menos, pensei que eu estava. — Você gostou? Ela suspirou e franziu os lábios. — Não. — Mas você o deixou de qualquer maneira. — Eu cruzei os braços e levantei as sobrancelhas. — Você não tinha escolha?


— Não. — ela respondeu. — Por quê? — Eu estava amarrada. Isso era informação que eu usaria mais tarde. — Você está amarrada agora? — Umm. — Fiz uma careta para a palavra e houve um lampejo de algo em seus olhos. Lembrou-se. Eu sabia que ela lembrava. Naquele dia, eu disse a ela que umm não combinava com ela. — Não. — Então, você está desfrutando da água fria? Isso a irritou, quando sua espinha se endireitou e apesar de seus dentes batendo, ela levantou a voz. — Você me disse para entrar na banheira. Eu dei de ombros. — Verdade. Eu disse. Mas se você lembrar, uma vez eu disse para você me dizer se não quisesse fazer alguma coisa. Sua expressão mudou de raiva à contemplação. Bom, eu queria que ela pensasse sobre as coisas. Ela esteve no piloto automático durante anos. Ela tinha que virar a chave e assumir o controle. — Eu posso... sair?


Finalmente. Isso levou cerca de três minutos, não era mau. Peguei uma toalha do cabide. Ela se levantou e oscilou um pouco. Rapidamente me aproximei dela, coloquei minhas mãos sob as suas axilas, em seguida, levantei-a para fora da banheira. Envolvi a toalha confortável em torno de seu corpo trêmulo. Depois de esfregá-la vigorosamente, passei-lhe outra toalha e coloquei-a em torno dela. — Se vista e vá para a sala de estar. — Comecei a sair do banheiro, quando sua voz suave me parou. — Eu lembro. Coloquei minha mão na madeira da porta, os dedos perfurando a madeira quando minha maneira casual de ser foi dissipada. Precisava dizer foda-se para tudo e segurá-la em meus braços e dizer a ela que tudo estaria bem. Mas eu não podia. Passei minha mão pela superfície lisa do batente da porta, uma que eu mesmo coloquei. Cada polegada deste lugar foi feito com minhas próprias mãos. Me levou dez anos. Georgie e Tanner achavam que eu estava em missões quando desaparecia e eu estava, mas também estava aqui. Eu tinha dormido em um galpão nos fundos, nos primeiros cinco anos enquanto construía. A terra legalmente pertencia a Ernie quando a coloquei em seu nome e uma vez que havia mais de cem acres, ofereci um pedaço para ele. Ele


se recusou, disse que preferia ouvir os sons da cidade do que o chilrear dos pรกssaros do campo. Independentemente de quรฃo cuidadoso tivesse sido, nada fica escondido por muito tempo e eu estava pisando em รกguas perigosas com London estando comigo.


Mãos e joelhos

Três semanas e estávamos fazendo progressos a ritmo de tartaruga. Raven, ela ainda estava na porra da Raven, seguia as regras tão bem que me deixava puto porque eu queria que ela quebrasse. O pior era que ela dormia ao meu lado e quando ela se batia por qualquer coisa que fodesse com a cabeça dela, eu tinha que segurá-la e segurando, ela me fazia pensar em London. Estava certo de que ela teria me deixado afundar dentro dela, mas eu nunca o faria por causa dessa palavra, deixar. Ela deixaria. Queria mais do que deixar e não estava levandoa até que ela me desse mais do que isso.


Eu poderia ser um bastardo e cruel quando se tratava de conseguir o que queria de meus alvos, mas não fodia ninguém que espalhasse as pernas porque eram forçadas. Um homem que forçava uma mulher era fraco e patético. Eu não era. Eu também me recusava a foder com garotas que eram pagas para isso, mesmo sendo sua escolha ou não. Ficava excitado em ver o desejo nos olhos de uma mulher,

sentindo

sua

boceta

apertar,

ouvindo

as

necessidades com seus gritos, sua respiração ofegante. Queria que elas me pedissem para dar isso a elas. Minha vida estava cheia de dor e engano, mas com o sexo, eu exigia a realidade. Eu raramente dormia depois que ela se acalmava de um pesadelo e naquela noite não foi diferente. Passei o resto do amanhecer lixando o piso de madeira no quarto de hóspedes. Foi ali que ela me encontrou na manhã seguinte. Irônico que eu era o único ajoelhado. Joguei a lixa de lado. O olhar em seu rosto era de choque quando ela me viu e foi bastante divertido. Puxei para baixo a máscara azul clara que cobria minha boca e nariz, sentei-me, dobrei meus joelhos e descansei os braços sobre eles, enquanto olhava para ela em pé na soleira da porta. Partículas de poeira caíram das costas do meu cabelo e cobriram minha calça jeans. Gotas de suor desciam pelo lado do meu rosto e em


toda a minha testa. Corria pela parte de trás do meu braço e na minha testa. — Você precisa de alguma coisa? Ela balançou a cabeça e seus olhos percorriam a superfície recém-lixada. Eu encontrei um bar velho e abandonado e arranquei as tábuas de madeira dele e os trouxe para aqui. Elas precisavam de um monte de trabalho, mas não havia nada como madeira centenária. Eu não fazia nada falso, quando se tratava de sexo ou na construção da minha casa. Ela mordeu o lábio e, em seguida, para minha surpresa, ela perguntou: — Posso ajudar? Interessante. — Já comeu? — Não. — Vá comer, então, sim, você pode me ajudar. Lá. Direto lá. A contração no canto de sua boca. Ela provavelmente nem sequer percebeu que fez isso. Ela assentiu com a cabeça e se foi, então, voltei a trabalhar. Ela estava de volta em dez minutos e eu tinha uma lixa pronta para ela. Segurei-a e ela caminhou e pegou.


— Você pode trabalhar nessa aqui. — Eu toquei minha mão numa peça grande. — Já lixou antes? — Não. Eu sorri. — Eu achava que não. Mas você é uma cientista, então é precisa e calculada. Isso é o que preciso aqui. Se lixar muito no mesmo ponto, teremos um furo na madeira. Vem cá, vou lhe mostrar. — Pedi a ela para ajoelhar-se ao meu lado e quando ela hesitou, percebi o porquê. Porra, certo. — Você pode se ajoelhar, London. — Talvez ela devesse ter descoberto isso por si mesma agora, mas eu estava me sentindo generoso. Ela se ajoelhou ao meu lado e eu enrolei meus dedos em torno de seu pulso; coloquei sua mão sobre o pedaço de piso de madeira que eu tinha acabado de terminar. — Isto é o que você quer. — Arrastei lentamente a palma da mão, para trás sobre a superfície lisa, meu braço pairando sobre o dela, corpos em movimento juntos em um ritmo perfeito. — Você sente como está lisa? Até um pouco suave. — Ok. Eu soltei a mão dela e bati na parte que ela iria trabalhar. Ela se arrastou e começou a lixar. Observei-a por alguns minutos, seu cabelo caindo para a frente e roçando o chão enquanto trabalhava. Ela o colocou de volta e a poeira fina


aumentou ao seu redor. Levantei, tirei minha máscara e caminhei até ela. Ela parou, olhando para mim. — Estou fazendo isso errado? Eu sorri. — Não. Você é boa com as mãos. Mas eu já sabia disso. — É claro que tinha duplo significado. Ela entendeu também, o que significava que estava deixando as lembranças de London, voltarem. Agachei-me ao lado dela, deslizei minha máscara sobre sua cabeça e a coloquei sobre sua boca e seu nariz. Dobrei as cordas elásticas para trás das orelhas e ri quando me sentei para trás e olhei para ela. — Bonitinha. — E apesar de não ser capaz de ver seu sorriso, eu vi nela aquele brilho fugaz. Passei a mão sobre a cabeça dela, hesitando ao chegar na nuca. — É bom ter um pedaço de você de volta. Levantei-me e fui para o outro lado do quarto, peguei minha lixa e voltei a trabalhar. As horas voaram, suor escorrendo da testa para o piso, deixando

uma

mancha

escura

antes

de

desaparecer

novamente. Eu estava sempre ciente de tudo em torno de mim, mas não precisava olhar para London para saber que ela era intensa no seu trabalho, ouvi o lixamento rítmico para frente e para trás.


— Vamos pegar um sanduíche. — Joguei minha lixadeira para a caixa de ferramentas, em seguida, levantei minha camisa e limpei minha testa. Quando abaixei a blusa no lugar, ela estava olhando para mim, para o meu abdômen. Seu olhar se encontrou com o meu e um leve rubor penetrou em suas bochechas. — Nem pense em olhar para o chão. Sua respiração engatou e seu olhar fixou no meu. Ela ainda estava usando a máscara, mas London tinha tudo certo bem em frente, com ardência nos olhos. Aproximei-me e ela se levantou, deixando a lixa no chão. Quando cheguei até ela, puxei a máscara para que ficasse pendurada em seu pescoço. Seu cabelo virou uma luz loira, com todas as manchas de poeira. Ela mudou seu peso para trás e dei um passo à frente, para pisar em seu espaço. Ela teria que ficar nas pontas dos pés e eu teria que dobrar o pescoço, a fim de beijá-la. Era algo que nunca fiz. Eu nunca a beijei. — Você fez bem, London. — Eu não a estava chamando mais de Raven. Ela estava pronta e hoje à noite, eu a pressionaria. — Vamos acabar com isso amanhã. Ela assentiu com a cabeça, em seguida, disse: — Podemos fazer isso de novo? — Sim, baby. — Eu não tinha a intenção de chamá-la de baby, mas vi um pedaço da garota que conhecia e isso me fez escorregar.


— Essa tarde? Fofa. Ela queria lixar o chão comigo. Mas eu tinha que falar com Tanner e ver o progresso que Chaos fez com o cara que Vault solicitou para chegar perto de Tristan-Mason. Eu ainda não tinha certeza porque eles queriam os olhos nele, já que Tristan era o proprietário de Mason Developments. Rico. Limpo. Sem laços políticos. Ele nunca esteve no radar antes. — Tenho negócios para lidar esta tarde. — Ok. — Em seguida, ela inclinou a cabeça um pouco e perguntou: — Por que a mão? Eles têm máquinas para lixar. E esse foi o maior número de palavras que eu a ouvi falar de uma só vez desde que a trouxe para casa. A brecha no meu peito começou a se encher de luz. Jesus, luz. Anos de escuridão, morte, sangue, destruição e agora a luz estava começando a surgir novamente. Eu dei de ombros. — Nenhuma razão. — Você não quer me dizer? Era como uma lavagem fresca derramada sobre mim. Refrescante e energizante. London. London não aceitaria a minha merda de resposta e eu sorri porque tinha saudades dela.


— Gosto de andar pela minha casa e saber que cada polegada dela respira por minha causa. Gosto do controle sobre construí-la e gostei que, quando precisei limpar a minha cabeça, podia vir aqui e trabalhar nessa casa. — Passei a mão sobre minha cabeça e manchas de poeira subiram no ar. — Preciso tomar banho e você também. Vá utilizar o nosso quarto. Vou usar o de hóspede. — Eu a deixei em pé no meio do quarto, em seguida, fui para o banho. Saí para a cozinha meia hora depois, vestindo uma camisa branca, com as mangas dobradas duas vezes e uma calça jeans. Tinha se tornado uma rotina, na parte da tarde eu trabalhava no meu escritório e ela lia enrolada no sofá, o que podia ver da minha mesa, porque eu sempre deixava a porta aberta. Ela lia tranquilamente com a quietude de um louva-deus, enquanto

se

misturava

em

seu ambiente.

Provavelmente, aprendeu com Jacob e Alfonzo. Se esconder da vista. Parei na curva para a cozinha quando a vi, ela estendendo a mão no armário e puxando dois copos. Seu cabelo estava úmido do chuveiro e gotas encharcaram a parte de trás da camisa. Ela estava usando uma de minhas camisas porque eu só tinha parado brevemente na loja a caminho

daqui

para

conseguir

alguns

mantimentos

fundamentais. Do meio da coxa para baixo suas pernas estavam nuas e até mesmo a partir dali eu podia ver a umidade ainda agarrada a sua pele. Me lembrei de quando passava minhas mãos por suas pernas, sentindo a sua...


— Você está bem? — Ela perguntou, olhando para mim enquanto servia dois copos de água. Porra, esta era a mulher que fez a morte ser importante para mim. — Sim. — Eu me afastei da arcada e passei para dentro cozinha. — Queijo grelhado parece bom? Abri a geladeira e peguei uma bandeja de queijo e um tomate. Ela veio ao meu lado e colocou a tábua de corte sobre o balcão. Peguei uma faca do bloco de madeira e cortei enquanto ela tirava a frigideira e a colocava no fogo. Ela trabalhava ao meu lado preparando o pão com manteiga. Parei de cortar e levantei minhas sobrancelhas para isso. A mão dela parou com um cubo de manteiga no final da faca. — Ambos os lados? Um lampejo de dor atravessou seu rosto. — Meu pai me ensinou. — Levou um minuto antes de ela continuar. — Ele dizia que se você está para comer um sanduíche com queijo derretido, então, você tem que fazer direito. Eu ri quando cortei o tomate, os sucos agrupando em cima da tábua de corte. — Um pedaço de colesterol entre dois pedaços de pão.


Eu peguei seu sorriso sutil quando ela voltou para manteiga. — Meu pai? Sabe... como ele está? — Ele está seguro, London. Ela baixou os olhos dos meus. — Eu não consegui dizer adeus. De acordo com Ernie, ela fugiu durante uma de suas sessões de terapia. Ela entrou e nunca saiu. Ernie perguntou a recepcionista e ela disse que London correu para fora, no meio da sessão, pela saída de emergência. — Eu disse a ele que você está aqui comigo. Sua cabeça se levantou. — Você disse? Disse e ele sabia que, se ele dissesse alguma coisa para alguém, estava selando o destino de sua filha. E não seria um bom destino. Os cantos de minha boca se curvaram quando eu disse: — Preciso de alguns pontos com seu pai. Sua boca ficou aberta e seus olhos se arregalaram. Em seguida, ela combinou o meu sorriso com um de seus próprios e quase cortei meu próprio dedo, porque estava olhando para ela em vez de ver a lâmina. Eu nunca fui descuidado com uma faca. Nunca.


Jesus Cristo. Que porra é essa que estávamos fazendo? Estava cansado de dançar sapateado em torno de seu problema. Estava sendo um santo. Um santo da porra. Este não era eu. E isso com certeza não era ela. Lancei a faca que atravessou a sala e cravou no armário em cima do forno. Ouvi seu suspiro e houve um súbito silêncio entre nós dois. Já era tempo. Não essa noite. Não amanhã. Não na próxima semana... Na porra do agora. — Acabamos com a merda. Ela permaneceu em silêncio, os olhos a deriva para a faca, a que ela tinha na mão, a faca de manteiga e em seguida, ela olhou de volta para mim. — Você vai tentar me matar com isso? — Ela balançou a cabeça. — Que pena. Eu ia adorar uma briga. E se eu tirasse o meu cinto? Você iria brigar comigo, então? A cor sumiu de seu rosto. E então ela se afastou. Eu desfiz minha fivela e lentamente deslizei dos passadores do meu jeans. — O que você vai fazer desta vez? Ajoelhar-se e receber seja lá o que eu for fazer? Deixará bater em você?


Andei em direção a ela enquanto ela continuou a se afastar com aquela ridícula faca de manteiga na mão, junto ao pedaço de manteiga, quase escorrendo pelo meu chão. — Kai... por favor. Eu serei boa. Eu sorri. — Agora, essa não é a resposta que estava esperando. — Seu queixo caiu e parei-a antes de ela se curvar e cair em seus joelhos. — Você não ouse, caralho, fazer isso. Seus olhos estavam selvagens e incertos, confusos. Lutando contra o que ela foi condicionada a fazer, a fim de evitar os abusos. Era o mesmo olhar de um homem se debatendo a me dar as informações que eu queria ou suportar a tortura infligida. Ou eu quebrava-os ou eles morriam. — Deite-se sobre o encosto do sofá. — Suas mãos tremiam e a faca de manteiga caiu no chão, mas ela fez exatamente o que eu disse a ela. Suas mãos estavam no banco, bunda no ar e o cabelo cobrindo o rosto, mas vi o tremor. Senti seu medo no ar, como fumaça espessa. Eu me aproximei. Seu corpo ficou tenso, mas ela permaneceu na posição. Coloquei minha mão em suas costas e pressionei, não havia nenhuma resistência. — Foi isso que eles fizeram com você, London? Será que eles bateram em você? — Sua cabeça balançava, mas isso


não era o que eu estava procurando. Puxei sua camisa para cima. — Me responda. — Sim. — Será que Alfonzo a fodeu? — Sim. — Você gostou? — Não. — Sua voz estava fortalecida. — Você tem certeza disso? — Eu bati o cinto sobre o sofá ao lado dela e ela estremeceu. — O que mais que ele fez para você? O que mais lhe deu prazer? — Nenhuma coisa. Eu acariciava minha mão sobre sua bunda. — Nenhuma coisa? Eles não fizeram mais nada para você? — Não. Isso não foi o que eu quis dizer. Ele me fez... fazer as coisas. Eu odiei isso. Eu o odiava e... Eu queria morrer. Minha mão parou de acariciar sua bunda e meu coração disparou com um frio correndo direto da minha cabeça por todo meu corpo. — Por quê? — Ela não respondeu. — Por quê? Caralho, London, por quê?


Aconteceu mais rápido do que eu esperava. Pensei que teria que pressionar mais, mas algo estalou e ela empurrou para trás batendo em mim quando se levantou. Com uma das mãos, ela puxou para baixo sua camisa e com a outra ela balançou seu punho no meu rosto. Eu levei o soco. E porra, ela tinha um punho forte quando

se

chocou

contra

minha

bochecha.

Lágrimas

escorriam pelo seu rosto, mas a fúria que ardia nos olhos dela não combinava quando veio para mim, com tudo o que tinha. Cambaleei para trás quando ela me empurrou no peito com ambas as mãos, usando o pé no fundo do sofá para se alavancar. — Você me deixou. — Ela se lançou de novo e me abaixei enquanto me afastava. Mas os punhos se mantiveram vindo, acertando meu abdômen, meu peito, meus ombros, em qualquer lugar que ela podia acertar. — Você me deixou! — sua voz foi subindo, — Você me deu esperança e, em seguida, rasgou-a, se afastando outra vez. Isso foi pior do que morrer. Agarrei-a pelos ombros e ela chutou e tentou se livrar, seu ódio raivoso atravessou cada parte de seu corpo. Mas não era só para mim. Foi porque tinha feito isso com ela. Foi o ódio por quem ela era. E não havia dúvida de que ela me odiava muito agora. — Deixe-me ir, seu bastardo. Eu quero sair daqui. Quero ir para casa.


— Não, você não quer. Você fugiu. Você não aguenta ficar em casa. — É melhor do que estar aqui com você. Eu ri. — Não minta para mim, London. Seus olhos brilharam, peito arfante. — Vai se foder. Você não sabe o que eu quero. Eu levantei minhas sobrancelhas com diversão. — Certamente sei melhor do que você. Ela se tornou um gato selvagem se debatendo contra mim e tive que tirar as pernas dela com uma rasteira do piso. Com meu braço travado em torno de sua cintura, baixei-a para o chão comigo e fiquei em cima dela. — O que você vai fazer, me estuprar? — Sua risada soava cruel e histérica. — Porque não é nada novo. Nada mais pode me machucar. Não dor física de qualquer maneira. Essa fase tinha passado, mas ela tinha que aprender a lidar com a dor emocional. Tive os pulsos presos em minhas mãos em cada lado de sua cabeça, enquanto a montei. — Você está muito errada, Coração Valente. Ela cuspiu na minha cara e o líquido quente escorria pelo meu rosto.


— Eu o odeio. Eu sorri. — Sim, suspeito que você me odeia agora, mas não tanto quanto você odeia a si mesma. Isso a irritou e suas lutas começaram de novo, mas eu tinha toda a vantagem e não havia nada que ela poderia fazer para me deslocar. — Eu o odeio. Eu o odeio. Eu o odeio. Eu suavizei meu aperto e suspirei. — Não. Você odeia o que fizeram de você. Os seus olhos estavam vermelhos de lágrimas e raiva. — Eu o odeio mais. Então concordei com ela, porque ela precisava. — Ok, você me odeia mais. Ela apertou os lábios e fez sua cara pensativa, com a forma em que seus olhos iam de lado a lado e se paravam. — Por que você está fazendo isso? Apenas deixe-me ir para casa. — Assim, você pode desaparecer em seus pesadelos? Essa opção não está mais disponível para você. — Eu me inclinei mais perto colocando meus lábios perto dos dela e sua respiração quente escovando meu rosto. — E eu odeio a


Raven. Eu quero a London. Quero a garota corajosa que não iria recuar de um bastardo como eu. A que luta contra mim agora. — Por que você estava lá? — Sua voz tremeu. — Por que você foi para o México se iria me abandonar outra vez? — Você sabe por que. Por você. A

tensão

acelerou

em

seu

corpo

enquanto

ela

sussurrava: — Mas você me deixou. Deixei seus pulsos e saí de cima dela para me sentar encostado na parede, dobrando os joelhos para descansar meus braços sobre eles. — Sim. Foi bem ruim. — Você me deixou. Você me deixou, Kai. Você me deixou lá. — Seu corpo ficou tenso. — Eu não pensei que você fosse um covarde. Normalmente, eu mataria alguém por dizer algo assim para mim, mas em vez disso, suspirei. — Você acha que eu sou um covarde, London? Ela se sentou, seu cabelo era uma bagunça de nossa briga, mas fez bem para ela. Eu a pressionei, ela confiava em mim o suficiente para que se eu a ameaçasse, a verdade iria sair e eu estava certo.


— Não. — Ela ergueu o queixo. — Eu acho que você é calculista, frio, arrogante e acredita que ninguém pode ferir você. Eu acalmei. — Você está mais do que certa, exceto a última. Eu tenho alguém que pode me machucar. Você. Sua respiração engatou e lábios se entreabriram. — Baby, eu não a deixei. Não por escolha. Levei um tiro e o cara que foi comigo me levou para o hospital. — Ernie salvou a porra da minha vida. — No momento em que me recuperei, o local já tinha sido queimado e você tinha desaparecido. — Você não fugiu. — Foi dito num sussurro mais para si mesma, do que para mim. Balancei a cabeça quando ela olhou para mim, com lágrimas ainda vazando de seus olhos. — Não, querida. De repente, um cheiro de queimado pairou no ar e pulei para os meus pés, correndo para a cozinha. — Merda. Puxei a frigideira queimada do fogão e a despejei na pia. London estava bem atrás de mim. Ela pegou um pano de prato, ficou na ponta dos pés e abanou no ar por baixo do alarme de fumaça.


O alarme parou. Andei em direção a ela e foi bom porque London manteve os olhos fixos em mim. Não vacilou, sem tensão e ela ainda levantou o queixo um pouco. E isso me excitou. Porque ninguém fazia por mim mais do que London. A menina que tinha compaixão o suficiente por nós dois. A garota que foi corajosa em sua própria maneira tranquila. — O cinto. Você fez isso de propósito. — disse ela. Dei de ombros e continuei chegando até que estava a polegadas de distância e ela teve que levantar seu pescoço a fim de manter o contato visual. — Você nunca iria me bater? Eu sorri. — Você estava pronta. Então, sim, eu teria me recusado a voltar atrás. Ela olhou. Eu cresci mais com seu olhar porque era bom. Gritante, significava que ela tinha uma espinha dorsal. — E se eu nunca lutasse? — Então você teria uma bunda dolorida agora. Sua boca estava aberta, então ela fechou. — Não teria chegado a tanto, embora. Você estava pronta para brigar comigo. Você estava apenas procurando uma maneira de fazê-lo. E eu dei isso a você.


Observei-a pensar sobre isso. London fez os cálculos. Ela queria todas as soluções possíveis, deliberadas, antes de agir ou falar, exceto quando tinha raiva. Aí, ela era um míssil. Mas eu fazia a mesma coisa. Morreria se não fizesse porque nos meus negócios, raramente a coisa saía da maneira que você esperava. E os resultados eram sempre variáveis. Nosso resultado era uma grande variável porque ela não poderia ficar aqui para sempre e, pela primeira vez, eu estava começando a contemplar a possibilidade de acabar com Vault. Como tirar minha irmã de lá? Como destruir a fazenda e matar os membros do conselho? Porque fazer tudo isso manteria London segura. Nos fazia ficar seguros. — E agora? Aproximei-me e puxei a faca que estava encravada no armário. — Nós começaremos de novo. Agarre o pão, baby. Então fizemos grelhados queijos.


Lençóis amarelos

Com os braços e tornozelos cruzados, me encostei no batente da porta observando-a. Um sorriso sutil brincava nos cantos da minha boca. Eu a estive observando a cada porra de chance que tive. Já faziam duas semanas desde nossa briga na cozinha e a cada dia ela estava ficando mais forte, não no sentido físico, mas emocionalmente. Ela não se movia mais timidamente e com cautela. Em vez disso, reergueu seus ombros e seus quadris tinham um balanço natural e delicado novamente. A atração magnética


da minha pequena cientista valente era irresistível. London era a mulher que testou todo o meu controle. Ela também era a única que poderia me machucar, que seria usada contra mim se tivessem a chance. Nunca poderia deixar isso acontecer de novo. Mas pela primeira vez na minha vida, eu não tinha um plano, exceto mantê-la aqui escondida até que eu tivesse um plano de fato. — Você vai ficar aí ou vai me ajudar? — Ela disse. Interiormente sorri antes de me afastar do batente da porta e espreitar na direção dela. E estava a espreitando porque, pela

primeira vez em anos, eu

iria prová-la

novamente. Ela poderia não saber a minha intenção, por enquanto, mas saberia em breve. Eu não a trouxe para minha casa por um capricho. Havia sempre um propósito e meu objetivo era ter London novamente em todos os sentidos. Para fazê-la completamente minha. Com a London, eu não tinha necessidade de esconder quem eu era. Ela era a leveza. Era o calor que se construiu dentro de mim que foi destruído pela fazenda. Eu sempre teria partes do que eles me fizeram, assim como London teria do que aconteceu com ela, mas nós dois estávamos encontrando uma maneira de viver com o que foi feito para nós. Ela se esgueirou passando por mim, me ignorando completamente, focada em seu projeto que era dar um jeito


no quarto de hóspedes. Nós tínhamos terminado os pisos, lixado, pintado e passado três camadas de verniz. Eu montei o estrado da cama e coloquei o colchão de volta e agora London estava cobrindo a cama com lençóis limpos. Eu passei para o lado oposto da cama, agarrei a borda do lençol para prendê-lo em um dos cantos, enquanto ela puxava apertado e prendia-o no outro. —

Ficaria

muito

melhor

com

lençóis

amarelos.

Iluminaria o quarto. — Ela passou a mão sobre a superfície branca, suavizando as rugas e, em seguida, jogou um dos travesseiros na cabeceira da cama. — Você ilumina o espaço o suficiente. Não precisa da porra de lençóis amarelos. Seu olhar levantou do travesseiro que estava segurando e me encarou. — Por que você fez isso? Colocou um lençol novo em minha cama naquela primeira noite? Inclinei-me, peguei uma fronha e um travesseiro e, em seguida, puxei-a sobre o travesseiro. — Por que você me fez dormir no sofá? Ela jogou o travesseiro para a cabeceira da cama e deu de ombros, dizendo: — Um bom filme estava passando. Eu ri.


Levou um segundo e ela fez o mesmo. Ela já sabia a resposta e foi por isso que ela tinha evitado a cama. Eu fiz isso pela mesma razão pela qual dormi no sofá. Eu queria que ela pensasse em mim quando se deitasse sobre os lençóis. — Kai. — Sua voz era um sussurro sem fôlego. — Eu odiava a Raven também. — Eu sei. — Eu nunca mais quero me sentir tão impotente de novo. — Você não vai. — Ela não me perguntou como eu sabia ou argumentou. Ela aceitou o que eu disse a ela. — Eu quero… — Eu sei exatamente o que você quer. — Seu corpo se contorceu como se eu tivesse riscado um fósforo e ateado fogo. — Tire sua roupa, baby. — Um rubor subiu em suas bochechas e era bonito que ela corasse com isso. Depois de tudo pelo que ela passou, a simples capacidade de fazê-la corar mexeu comigo profundamente. Nada sobre nós poderia acabar bem, mas o tempo nunca tinha importado antes e agora havia uma razão... porque o que eu tinha com a London era atemporal. Não tinha fim. Seus braços estavam cruzados, dedos enrolados na barra de sua camisa, que era minha. Com um lento deslizar


sexy, ela puxou-a sobre sua cabeça, seu cabelo levantando e caindo pelas costas. Deus, como eu senti saudades dela. Precisava de minhas mãos em seu cabelo novamente, meus lábios sobre sua pele, seu corpo nu se contorcendo embaixo de mim enquanto ela gritasse de prazer. Levantei minhas sobrancelhas quando ela parou e vi aquele olhar desafiante no rosto, que fez meu pau empurrar contra minha calça. Sim, ela era minha garota de coração valente novamente. — É justo. — Ela assentiu com a cabeça para o meu peito. Eu sorri. — Então venha me despir, baby. Lembrei-me de como seus dedos brincavam com os botões, empurrando-os através das casas antes deles saírem naquela noite em seu loft. A forma como as suas mãos tinham deslizado pelo meu peito, sobre minhas cicatrizes, sem hesitação. Como sua cabeça caiu para trás contra a porta, pescoço exposto enquanto ela gemia quando eu a chupei, lambi e provei cada polegada de sua boceta. — London. Agora. — Rosnei. Ela rastejou pela cama em minha direção, ajoelhando-se na borda e estendeu a mão para o botão inferior da minha camisa. Eu não conseguiria me parar de tocá-la por mais


tempo. No início, ela foi fácil de resistir por ser Raven, mas, ao longo das últimas semanas, na medida em que pedaços brilhantes da London apareciam, foi uma merda. E agora, vendo o desejo latente em seus olhos, levou tudo o que eu tinha

para

não

a

derrubar

e

afundar

dentro

dela

imediatamente. Enfiei minha mão de sua clavícula para baixo de seu cabelo, enrolando meus dedos em torno das costas de seu pescoço. Era uma posição de poder segurando-a assim e eu queria ver a reação dela. Mas não havia medo ou submissão enquanto seus olhos brilhavam de necessidade. Seus dedos roçaram o meu peito na medida em que a minha camisa se separava e a minha pele formigava. — Porra, eu senti sua falta. Sua respiração ficou imóvel junto com suas mãos e nossos olhos se encontraram. Era o mesmo olhar como o que me fez deixá-la em seu loft. Sob o calor estava a necessidade inconfundível por outra coisa. Eu abruptamente agarrei seu pulso e o coloquei no bolso de trás da minha calça jeans. — Você sente isso? — Era a corda de piano em meu bolso. Ela assentiu com a cabeça, com os olhos arregalados, mas ainda ardendo de desejo. — Eu ainda sou uma parte disso.


Ela retirou a mão e eu a deixei. — Mas se você saiu... Eu ri, mas não havia nenhuma diversão nisso. Ela ia dizer que eu deixei as pessoas para as quais trabalhei. — Você não sai. Se você fizer isso, é em um saco de cadáver. Embora isso seja muito educado. — Tive que ser cruel para fazê-la entender o meu ponto de vista. — Isso é, depois deles terem lhe cortado e lhe feito implorar para a dor parar. Surpreendentemente, ela recebeu o que eu disse bem, mas vi o leve tremor. London tinha visto e experimentado a dor e sabia que este mundo não era preenchido com fadas e cavalos brancos voadores. Seus dedos voltaram a desfazer os meus botões até a minha camisa se abrir e ela deslizá-la dos meus ombros. — Você... gosta do que você faz? Hmmm, se eu gostava disso? Será que gostava de matar pessoas? Era uma pergunta em que nunca me importei em pensar antes. Nunca me importei o suficiente sobre qualquer coisa ou qualquer pessoa para considerá-la. — Sim. — respondi e a fiz voltar a endurecer e as mãos pausaram. — E não. Gostei de matar Jacob. Curti assistir Alfonzo morrer e desejei que eu fosse o único a matá-lo. Ela abaixou a cabeça.


— Kai, por que estamos aqui? O que acontece agora? Deslizei minhas mãos por suas costas para o fecho de seu sutiã e o abri. O sutiã branco escorregou para frente e caiu entre nós. — Eu vou foder você e fazer você tremer debaixo de mim. Algumas vezes. ��� Eu a peguei por baixo dos braços e a joguei sobre a cama. — Sem mais perguntas, baby. Agora não. — Tudo bem. — disse ela. — Mas você vai me dizer sobre eles. Sobre o que está acontecendo com o meu pai? — Sim. London. Vou lhe dar tudo. Talvez eu não pretendesse, mas dizer aquelas palavras tinha mais significado do que eu pretendia. Não tinha volta. Trazê-la aqui... Nunca a deixaria partir. E quando eu lhe desse tudo, ela também saberia isso. Abri minhas calças jeans, arrastei-as pelas minhas pernas e as chutei de lado. Eu estava nu por baixo e meu pênis estava ereto e pronto... mais do que pronto. Ajoelhei-me na cama e a montei com as minhas coxas de ambos os lados de seus quadris. Sua respiração engatou quando eu passei um dedo em seu abdômen até o seio; segurei-o, movimentei o polegar sobre a superfície sensível de seu mamilo. Uma vez. Duas vezes. Então o belisquei antes de fazer o mesmo com o outro.


Havia uma sugestão de medo nela e era algo que eu ia lutar para tirar. Rapidamente deslizei da cama. Lentamente, arrastei a calcinha pelas pernas e joguei-a no chão. — Abra suas pernas. Preciso provar você novamente. — Ela o fez. — Mais. — Segurei seus tornozelos, empurrei-os para abrir ainda mais e então abaixei a cabeça. O primeiro sabor dela na minha língua era como afundar em uma piscina aquecida de conforto. Porra. Eu tinha sentido falta do seu gosto, do cheiro dela. Nunca tinha esquecido o jeito que ela fazia minhas entranhas apertarem com uma necessidade intensa, uma necessidade que se tornou uma obsessão. Foda-se, quem eu estava enganando? Ela era minha obsessão antes mesmo de eu a foder. Abri os lábios com os meus dedos e chupei seu clitóris enquanto brincava com a entrada dela, não entrando... não ainda. Ela levantou os quadris. — Kai. — Espere. Hoje à noite nós vamos devagar. Lento e preciso, Coração Valente. Assim como seus experimentos. — Ela endureceu debaixo de mim e eu não teria nada disso. Chupei mais forte e deslizei meu dedo na sua umidade antes de circular lentamente o seu ponto doce. Seu corpo se contorceu, seus olhos estavam fechados, lábios entreabertos, quando eu incansavelmente brincava,


provava e a fazia esquecer tudo, exceto o que estava fazendo para seu corpo. — Kai. — ela sussurrou. Suas costas arquearam, pescoço exposto, respiração irregular enquanto ela ofegava. Apressei meus movimentos quando as pernas dela tremeram e se fecharam ao redor dos meus ombros. — Goze, baby. — Minha voz vibrou em seu sexo a enviando ao êxtase. — Oh, Deus. Kai. Kai... Seu corpo ficou tenso, seus quadris se levantaram da cama, as coxas tremeram violentamente quando ela gozou na minha boca. Empurrei dois dedos dentro e ela gritou de prazer quando gozou. Ela pulsava em torno de meus dedos. Bombeou-os e eu lentamente a trouxe de volta com um movimento da minha língua. Ergui a cabeça e olhei para seu rosto. — Bela. Bela. Eu tinha sonhado em vê-la assim, saciada, com uma expressão relaxada em seu rosto novamente. Não podia apagar o que aconteceu com ela e não iria me aprofundar sobre o que foi feito ao seu corpo. Os homens que tinham lhe tocado estavam mortos agora.


Sua mão escorregou pelo meu cabelo e subi de volta na cama para colocar o meu pênis entre suas pernas. Ela franziu a testa quando eu o peguei e deslizei-o para cima e para baixo na sua umidade. — Preservativo, Kai. Eu me acalmei. — Você foi examinada e seus resultados deram tudo negativo, você está limpa. — Isso aprofundou seu cenho franzido. Ergui as sobrancelhas e dei um meio sorriso. — London, você acha que eu não iria te examinar uma vez que Deck a pegou no leilão? Que você nunca contatou seus amigos quando chegou em casa ou voltou para a escola? Que se recusou a visitar o seu pai no laboratório ou a estar perto de homens? Que foi para a terapia e fazia uso de medicação que fez você passar dias na cama? Eu sei tudo sobre você. — Como? Porque eu tinha Ernie vigiando-a o tempo todo. Porque eu não podia não saber. Apesar de ter de ficar longe dela, nunca a deixei ir. Ela era parte de mim, quer qualquer um de nós quisesse ou não. Mas, naquele momento, não queria contar a ela sobre Ernie. E eu não iria mentir, então permaneci quieto. — Kai? Como você sabia?


Sua voz suave me atraiu para longe dos meus pensamentos e até mesmo meu pau não estava pulsando mais. Rolei para o lado e olhei para o teto. — Eu vi o relatório do médico. Exames de sangue. — Mas como... isso é confidencial. — Deus, ela realmente não tinha ideia do que eu era capaz. Quando virei minha cabeça para olhar para ela, eu levantei minhas sobrancelhas. — Oh. — Sim, ela era esperta. Nada iria me impedir de encontrar informações que eu quisesse ou precisasse quando se referia a London. Mas havia informações que eu queria, de fato, saber sobre Vault e estava começando a verificar silenciosamente. Localização da fazenda, o membro anônimo do Vault e que porra estava na droga que o pai de London desenvolveu. Essas três respostas tinham poder e eu as queria. — Nós ainda precisamos do preservativo. — disse ela. — Não estive com ninguém desde que fiz a última verificação. — Duas vezes por ano, exame físico obrigatório com Vault, mas essa não era a única razão. Eu não estive com uma mulher desde London. Não havia mais ninguém. Até sabendo que talvez nunca a veria novamente, não houve um único momento que considerei ter relações sexuais com qualquer outra mulher. Estendi a mão e puxei-a para cima de mim.


— Não há nenhuma possibilidade de gravidez. Nunca. Todos os agentes de Vault eram esterilizados desde que a Mãe assumiu e a fazenda veio à existência, uma maneira de ter certeza que nenhuma criança as quais nós servíssemos como pai ou mãe, se tornasse mais importante do que eles. Quando ela montou em mim, sua boca a centímetros de distância, eu quis beijá-la desesperadamente. Nunca tinha provado seus lábios antes. Nunca experimentei os de qualquer mulher. Era muito pessoal. Mas tudo sobre nós era muito pessoal. — Isso não é sempre cem por cento, Kai. Verdade. Especialmente desde que o médico que eles usaram para fazer o procedimento esteve relutante e sob extrema coação. — Nada de preservativos. — Ela sorriu. — Sem mais conversa, baby porque agora eu quero ouvir você gemer. — alcancei entre nós e coloquei meu pênis em sua entrada, então lentamente inclinei meus quadris enquanto empurrava para dentro dela. Era angustiante, porque o meu corpo queria meter forte, enquanto minha mente queria saborear. Minha mente ganhou. Ela estava apertada pra caralho e eu nunca me senti melhor. Era como se cada polegada do meu corpo lembrasse o que senti quando estive profundamente dentro dela e estivesse gritando "sim!".


Ela se mexeu um pouco e afundei ainda mais. Agarrei seus quadris e ela se posicionou sobre meus braços e começou a se movimentar. — Kai. Por que é tão bom? Eu sabia a resposta, mas não diria isso. Não em voz alta. Nunca. — Mais forte. Kai. — Eu a ajudei a subir e descer sobre meu pau, enquanto assistia a sua cabeça inclinar para trás, olhos fechados. Não demorou muito para eu perceber que não poderia adiar por mais tempo e isso era quase decepcionante. Mas imaginando esse momento e tendo passado tanto tempo desde que a tive, o controle não estava do meu lado. O doce rubor nas suas faces, a forma como os seus lábios estavam ligeiramente entreabertos enquanto ela ofegava, me desfez. — Porra, London. Não posso esperar. — Eu a virei de costas, ainda preso dentro dela. Então, movimentei forte e rápido com seus tornozelos presos nas minhas costas. — Sim. — Gemi quando ela encontrou o meu ritmo, nossos corpos batendo um contra o outro. — Oh, Deus, Kai. E aquela voz rouca dizendo meu nome me fez gozar rapidamente, como um maremoto desabando sobre mim e quebrando o meu controle em pedaços.


Empurrei mais algumas vezes, seu aperto em torno de mim, as mãos no meu peito, suas pernas agora relaxadas em meus lados. Jesus. Estar dentro dela era como voltar para casa. Sua mão se levantou e passou pelo meu cabelo. — Você manteve sua promessa. Inclinei-me mais perto, meu pau ainda afundado dentro dela e beijei o lado de seu pescoço, em seguida, segui até sua orelha. — Que promessa é essa? — Sempre. — Sim. — Obrigada por não desistir de mim. Eu

não

respondi,

porque

não

havia

nada

para

agradecer. — Kai? — Sim? — Eu puxei para fora e deitei de costas. Ela se sentou, segurando o lençol contra o peito. Eu gostava que ela ainda tivesse essa timidez com sua nudez, apesar do que foi exposta. — A droga na qual meu pai estava trabalhando, para que ela é?


— Controle. — Sobre? — As pessoas, London. Controle sobre as pessoas. — Só que não eram apenas pessoas. Eram homens perigosos como Connor. Joguei minhas pernas para o lado da cama, inclineime, peguei o meu jeans e coloquei-os enquanto levantava. Ouvi-a se aproximar de mim. — Por quê? Ignorei a pergunta, porque havia muito o que dizer a ela e eu não queria entrar nisso agora. — Você não pode fugir daqui. — Eu não acho que ela iria, mas tinha que dizer isso. Ela ficou em silêncio durante vários segundos antes dizer: — Eu não podia ficar lá... em casa. A maneira que todos olhavam para mim. Meu pai... todo mundo sabia. — Não. Você sabia. Só sentia desse jeito. — Eu não conseguia trabalhar. Estava sufocando. Meu pai não me deixava voltar para o meu loft e a medicação estava mexendo comigo. Tudo o que eu queria fazer era morrer. E o médico... ele queria que eu falasse sobre isso e eu não podia. — Porque você não queria encará-lo.


Uma lágrima deslizou por sua bochecha. — Eu… Ela não podia dizer isso, então eu ajudei. — Era mais fácil ser Raven do que lutar para voltar a ser normal. — Ela assentiu com a cabeça, deixando cair o queixo. — Sim. — Sem vergonha nisso, London. Você fez o que fazia você se sentir segura. Ser Raven era quem ela se tornou e viver como London, cercada por aqueles que a amavam, era sufocante. Sua mente foi treinada para se submeter e, de repente, ela não tinha nada para submeter-se. Estava perdida e com medo de enfrentar o que aconteceu, então fugiu. — Sem mais fugas, baby. — Kai? — Sim? — Obrigada. Pelo que você tem feito. Por tudo. — Seus dedos apertaram ao redor do lençol e apertaram contra o peito e, quando seus olhos encontraram os meus, vi calor e leveza nas profundezas. — Sei que não pensa assim, mas você tem um lado bom em você. Eu não respondi a isso. Não podia porque minha garganta estava apertada e não tinha palavras para lhe dar.


— O que acontece agora? — Eu não sei, London. — E não sabia. Nada era certo, mas eu faria o que fosse preciso para mantê-la segura. Se isso significasse que ela ficaria aqui por anos, então isso era o que iria acontecer. Joguei minha perna por cima dela, montando-a com o lençol como em escudo entre seu corpo nu e eu, mas isso não duraria muito. — Terei que sair em breve, baby e não sei quanto tempo vou demorar. — Abaixei minha voz. — Você precisa saber que sair daqui não é uma opção para você. Suas sobrancelhas subiram. — Você está dizendo que sou uma prisioneira? Eu sorri. — Você pode encarar da qualquer maneira que você quiser. — Eu a puxei mais perto. — Mas se você fizer isso, não há qualquer lugar em que eu não vá lhe encontrar de novo. — Apertei minhas coxas em torno de seus quadris. — Eu a encontrei em um submundo onde as meninas estão perdidas para sempre. — Deck me encontrou, — disse ela, tentando esconder o sorriso. — Mmm, sim. Mas eu lhe permiti. Sua respiração engatou e seus olhos se arregalaram.


— Você estava lá? Por que, então... por que você não me levou com você? — Não foi possível fazê-lo, baby. Não naquele momento. — E agora que é ... mais conveniente para você? Meu lábio contraiu. — Sim. — Por que? — Ela perguntou, suas sobrancelhas franzidas e seu corpo flexível tenso embaixo de mim. Porra, ela era perfeita. Agarrei-lhe os pulsos, prendi-os juntos em uma das mãos acima da cabeça dela e sorri. — Queria terminar de decorar meu quarto. Acabei demorando um tempo. Ela bufou. Eu ri. Ela lutou contra mim, mas não por muito tempo. Logo, meu jeans estava de volta no chão e ela foi se submetendo a mim e não porque eu a obriguei. London pertencia a mim porque ela queria. E isso era o controle final de uma mulher.


Limite Rígido

— Querida, você sabe que adoro um desafio e se você decidir fazer uma aposta, — eu atravessava a sala em direção a ela, — saiba que nunca perdi uma. — Eu não perdi nenhuma. Era um fato. Perder era uma palavra com a qual eu não tinha experiência, porque não sabia desistir. Suas sobrancelhas se abaixaram e o nariz se contraiu antes dela colocar o cabelo atrás da orelha. Eu adorava que ela estivesse um pouco incerta de mim, em guarda e, ainda assim, seu sangue corria por suas veias com raiva. Essa era a


London que eu estava tentando trazer de volta, a menina que enfrentaria um assassino, a menina que me desafiou. Meu pênis esticou contra meu jeans e gostei do desconforto. Esperei. Ansioso para ver o que ela faria — se ela iria correr, lutar ou se submeter. Eu queria todos os três nessa ordem. Sorri quando estava a poucos passos dela, braços cruzados, completamente relaxado, pelo menos na aparência e ainda assim meus músculos vibravam, prontos para reagir. — Eu não entendo você. — Não estou destinado a ser entendido, apenas... satisfeito. — Tentei isso. Você não gostou, — ela respondeu e eu amei essa atitude dela. O que não gostei era o que significava: tempo de eu voltar a Toronto e lidar com a merda. Todas as noites na última semana eu ia para a cama jurando que sairia na manhã seguinte, porém a cada manhã acordava com ela nua em meus braços e eu dizia: 'Amanhã'. Eu ri. — Absolutamente certo. Mas ter uma mulher me chupando porque foi treinada para isso não me agrada. O que me agrada é se ela se molha apenas pensando em envolver os lábios em volta do meu pau. Isso, minha querida, me agrada. — E se ela não quiser?


Meus olhos percorriam seu corpo, vendo a ligeira contração, os minúsculos arrepios em sua pele aquecida. Não havia dúvida de que ela me queria. A questão era se ela forçaria isso. — Você está me dizendo que não gostaria de fazer isso se eu lhe pedisse agora? Ela hesitou. Sem dúvida, contemplando se mentiria para mim ou não. — Não. — respondeu ela. Boa menina. — Mas por que você quer fazer isso? Me amarrar. Eu dei de ombros. — Te pressionar. E porque acho que você precisa disso. — Eu não gosto disso. Eu ri. — Eu sei. Mas você vai. — Você vai me forçar? — Coração Valente, eu não tenho que forçá-la a fazer qualquer coisa. Você vai fazer voluntariamente porque confia em mim. — Fiz uma pausa, sorrindo. — E porque você está apaixonada por mim. — Oh, ela não gostava disso, mas a verdade brilhava nas profundezas de seus olhos. — Venha aqui. Ou corra. De qualquer maneira está bom para mim. Seu dedo batia na coxa enquanto decidia.


— Você é muito, muito confiante em fazer essa ridícula suposição. — Ela sorriu e me imitou, cruzando os braços, em seguida, inclinou seu quadril. Ah, querida, você não tem ideia de com quem você está lidando. — Sou? — Tirei a faca do coldre e arrastei-a pela palma da minha mão. Ela

apertou

os

lábios,

estreitando

os

olhos,

a

sobrancelhas baixas. Estava contemplando, do mesmo jeito esteve no carro, quando eu a fiz dirigir para a floresta. — Tudo bem. Eu vou fazer isso. — E acrescentou:— Mas não é porque eu esteja apaixonada por você. Eu dei de ombros. Seria melhor se ela acreditasse nisso, mas ela não faria se não confiasse em mim completamente. Amor? Era uma emoção que eu não tinha nenhuma experiência e eu disse apenas para ver o que ela diria. Eu estava encostado na parede, esperando, dando-lhe o tempo para aceitar o que estava pedindo. Este era mais do que um desafio. Estava reescrevendo o trauma e meu pequeno coração valente estava vivendo seu apelido. Ela inspirou de forma demorada e profunda, expandindo o seu peito e fazendo com que seus mamilos empurrassem os botões da camisa que usava. Minha camisa de botão. Isso poderia ser um desafio para ela, mas era para mim também, porque eu queria arrancar a minha camisa dela, puxar seus


mamilos em minha boca, até que ela arqueasse e implorasse para eu me afundar dentro dela. Ela caminhou até a cama. O colchão rangeu quando se ajoelhou sobre ela. Rastejando para o centro, seus olhos se fecharam brevemente e arrepios apareceram em suas coxas nuas. Isto estava além da sua zona de conforto e eu estava pressionando ela. Ela se deitou. Quando

ela

abriu

os

olhos

e

olhou

para

mim,

determinação se instalou dentro de suas profundezas. Em seguida, ela levantou os braços acima da cabeça e cruzou os pulsos. Minha menina, tão corajosa. Contenção. Desamparo. Vulnerabilidade. Ela passou anos contida como um cão, um objeto, algo a ser abusado, para que se sentisse impotente e sem valor. Eu tinha que mudar isso. Ela não era mais uma vítima e o medo que estava escondido atrás da teimosia ainda estava presente, prolongando-se, como uma sanguessuga na sua pele, sugando o prazer. Eu queria que o medo desaparecesse. Eu precisava que ele desaparecesse.


Mas acima de tudo, ela precisava que ele desaparecesse. Enfiei a mão no bolso de trás e tirei o meu fio de piano. Algo que eu tinha usado várias vezes para envolver em torno de uma garganta e terminar o pulso batendo freneticamente, pulmões gritando pelo oxigênio que eu os privei. Meus olhos percorriam a garganta dela, a curva bonita, tão delicada e exposta. Era facilmente capaz de acabar com sua vida e era por isso que estávamos aqui agora. Eu precisava que ela confiasse em mim completamente e a coloquei em uma posição que a fazia indefesa. Quando me aproximei da cama, sua respiração se acelerou e ela ficou tensa. Ela não se moveu, mesmo que fosse uma luta contra si mesma. Porque era isso. Não era a mim que ela temia. Era as memórias que a assombravam. Debrucei-me sobre a cama, minhas mãos lentamente enrolando o fio fino e liso em torno de seus pulsos várias vezes, prendendo-os. Eu atei as extremidades em torno do pilar da cabeceira da cama, não apertado, mas o suficiente para que ela fosse incapaz de se mover mais do que algumas polegadas sem o fio cortar seus pulsos. Sua

respiração

veio

em

suspiros

curtos

e

ela

empalideceu. Eu não gostava disso. Passei meus dedos para baixo dos seus braços até os ombros, em seguida, sobre a sua garganta, sentindo-a engolir abaixo do meu toque.


— Você pode fazer isso, London. Ela não respondeu. Sentado na beira da cama, eu continuei a traçar caminhos suaves pelo seu pescoço e clavícula. — Você é mais forte do que aquilo que foi feito para você. Não deixe que ele a tenha. — ‘Ele’ era genérico, porque eu não sabia e nunca quis saber, com quantos ‘eles’ ela esteve. — Estou com medo. — Eu sei. Mas nós vamos mudar isso. — Segurei seu queixo e esperei até que os olhos se estabilizassem nos meus. — Nenhum outro homem entra em você, a não ser eu. Mente ou o corpo. — Eu toquei meu polegar nos seus lábios. Lábios que irei finalmente saborear em breve. — Eu preciso que você se dê completamente para mim, não porque foi forçada, London, mas porque confia em mim para apenas dar-lhe prazer. Ela puxou um pouco o fio e seus olhos se arregalaram com pânico. — Kai. Eu não gosto disso. Achatei a palma da minha mão em seu peito, logo acima dos seios e senti seu coração bater de forma irregular. — Mantenha seus olhos em mim. Preciso que você me veja. Saiba que sou eu. Somente eu. Sempre.


Levantei-me e, lentamente, despi-me. Vagarosamente, saí das minhas calças jeans e dobrei-as. Fui até a cadeira e a coloquei no acento. Eu sabia o que ela estava fazendo antes de me virar. Lutando contra o fio. Podia ouvir o ranger da cama, o farfalhar dos lençóis embaixo dela. — Oh, Deus, Kai. Eu a libertaria se ela realmente quisesse, mas eu tinha certeza de que era forte o suficiente para derrotar o pânico. — Se eu desamarrar você, eles ganham. Você quer isso? — Ela mordeu o seu lábio inferior e eu podia ver a marca deixada por seus dentes quando ela os soltou. — Você quer viver com eles persistindo, sugando a sua vida de você? — Aproximei-me do final da cama e parei. — Quero tudo para você, London. Cada pedaço de você e quero que você se dê para mim. — Ajoelhei-me na cama e fui em sua direção até que montei seu corpo. Eu me inclinei sobre ela, minhas mãos deslizando por cima dos braços, até descansar em cima dos pulsos amarrados. — Você precisa decidir se você quer lutar por mim, London. — Lutar por você? — Sua voz tremeu e enrolei minhas mãos em torno dela e apertei. — Sim, —sussurrei, inclinando-me mais perto para minha respiração tocar sua bochecha. — Você pode fazer isso?


Pela primeira vez eu estava um pouco incerto sobre o que ia acontecer. Eu estava bastante confiante de um resultado antes que tomasse um caminho, e, se o caminho mudasse, estava pronto para isso. Mas com London, havia risco, porque se ela insistisse que a desamarrasse, eu não teria escolha a não ser fazê-lo. Sempre siga com o que você diz. Eu estava confiante de que

ela

nunca

se

afastaria

de

mim,

mas

a

estava

pressionando. Estava tomando seu medo e colocando-o na vanguarda de sua mente. Então eu era arrogante o suficiente para dizer: — Diga-me que você quer ser livre. Diga-me, London e vou deixar você ir. Mas se eu deixá-la ir, não é apenas do fio, é de mim. Ela se acalmou assim como eu e esperei sua resposta. Então ela disse: — Eu quero ser livre. — Seus olhos se fecharam e ela repetiu. — Eu quero ser livre


Meu tudo

— Eu quero ser livre. — Engoli. Sabia com tudo dentro de mim que no segundo que dissesse as palavras, não haveria como voltar atrás. Não com Kai. Ele podia exalar charme fácil, mas não havia nada nele que cederia. Eu nunca seria capaz de afastar-me dele até que ele me deixasse. Ele possuía cada pedaço de mim. Mas ele fez disso a minha escolha e isso o fazia ainda mais poderoso. E ele sabia disso. Respirei fundo e disse: — Eu quero ser livre deles.


Ele sorriu e lentamente a tensão saltou do meu corpo. Os meus dedos desenrolaram do dorso das mãos dele. — Meu Coração Valente. — ele respirou. Ele nunca me beijou antes e eu sabia que ele finalmente iria, enquanto pairava sobre mim, seus lábios a uma polegada de distância dos meus. Estava desesperada, faminta para prová-lo, pela primeira vez. — Você quer que eu a beije, London? Balancei

a

cabeça,

lambendo

meus

lábios

com

antecipação. O fio, a incapacidade de fugir, o medo associado com desamparo, tudo esquecido. Ele beijou o canto da minha boca, a minha orelha e chupou o lóbulo. — Se eu beijar você, não há caminho de volta. Sem mudança de ideia. — Ele se mexeu e eu podia sentir seu pau duro contra o interior da minha coxa. — Você nunca vai ser capaz de me deixar, London. Sem fôlego, eu disse: — Isso é uma ameaça? Ele riu. O som de cascalho afundou em mim e arrepios surgiram. — Não preciso de ameaças. Somente verdades.


Sua mão se moveu no meu cabelo na parte de trás do meu pescoço. — Mas comigo, você vai ter que ser mais forte do que nunca. Vou fazer coisas que você não vai gostar e pedir coisas que você não entende, mas precisa confiar em cada palavra que sai dos meus lábios. Eu poderia fazer isso? Poderia confiar em Kai tão implicitamente? Ele nunca mentiu para mim. Ele sempre me disse o tipo de homem que era, desde o início. Tinha me dado escolhas. Tinha me devolvido a coisa mais importante — eu. Mas eu sabia a resposta. Sabia, sem dúvida, que estar com Kai era perigoso, mas também era o lugar mais seguro que eu poderia estar. E o único lugar em que eu queria estar. Eu arqueei em direção a ele. — Beije-me, Kai. Ele apertou meu cabelo mais forte e então gemeu antes que sua boca descesse sobre a minha. Foi possessivo. Foi um julgamento. Foi o nó final, nos unindo. Nossas

bocas

fundidas

tornaram-se

uma corrente

permanente que nenhum de nós poderia quebrar.


— Porra, London. — Ele se afastou por um segundo para olhar para mim, como se certificando que era real e então nossas bocas se chocaram de novo, sua língua acariciando, degustando, tomando. Encontrei sua urgência como a minha própria, puxando o fio que me impedia de envolver meus braços em torno dele e trazê-lo mais perto. Não houve doçura quando ele me beijou, mas foi lento e determinado, como se ele estivesse tendo certeza de que eu entendia o que tudo isso significava. Meu corpo doía e subia, tremia de desejo enquanto me esquecia sobre o fio em torno de meus pulsos e me dava para ele. Me entreguei para o que eu precisava de Kai. Tudo. Ele se afastou enquanto seus dedos foram para os botões da minha camisa. Eu queria que ele a rasgasse, ver os botões sendo arrancados e depois ter as mãos dele sobre meus seios, mas Kai não faria isso. Apesar do fogo queimando em seus olhos, ele seguiu cautelosamente e meticulosamente desfez cada pequeno botão branco. Seus dedos seguiram para baixo entre meus seios enquanto fazia isso. Ele sorriu e fez uma pausa.


— O que você sente, London? — Seus dedos se afastaram da minha pele e ele apenas segurou o próximo botão entre os dedos, não o abrindo. — Desejo. — eu sussurrei, sem fôlego. — Especifique, por favor. Jesus. Puxei novamente o fio, um lembrete de que era impotente, mas ele também era um lembrete de que não era. Eu tinha escolhido isso. Eu tinha dado a ele tudo de mim. — Calor. Sinto o calor por todo o meu corpo. — Mmm. O que mais? — Um aperto no meu peito como... como se eu não pudesse respirar, a menos que você me toque de novo. — Ele ainda se recusou a me tocar então continuei: — E o formigando entre as minhas pernas... uma vibração de energia elétrica. E molhada. Sinto-me molhada. Ele sorriu. — Oh, não há dúvida de que você está molhada, baby. — Ele desabotoou outro botão, mas desta vez, evitou tocar minha pele antes de afastar o material do meu corpo. — E um pouco assustada. — Ele balançou a cabeça como se isso fosse o que estivesse esperando ouvir. — Por quê?


Pensei sobre isso. Estava amarrada em uma cama com um homem em cima de mim e estava completamente indefesa, como eu estive por anos, mas era um tipo diferente de medo. — Porque eu confio em você. É assustador. Ele soltou a minha camisa e baixou seu corpo até que seus lábios levemente tocaram contra os meus. — Eu nunca vou lhe machucar. Mas, baby, você já sabe isso. Sua boca baixou para a minha e ele me beijou novamente. Era urgente. Machucava. Forte. Uma de suas mãos

puxou

meu

cabelo,

enquanto

a

outra

deslizou

lentamente pelo meu corpo até chegar entre as minhas pernas. —

Oh,

Deus.

Arqueando

minhas

costas,

eu

interrompi o beijo, quando a palma quente da sua mão em concha me aqueceu. Ele não moveu sua mão, apenas a descansou lá. Clamando. Possuindo. — Por favor... — eu implorei. Ele fez uma trilha de beijos do meu pescoço para o vinco entre os meus seios, de modo lento e casual, com seu hálito quente e lábios úmidos provando e explorando, até que ele finalmente chegou ao meu mamilo e puxou-o na boca. Ele foi gentil no início, a superfície de veludo de sua língua brincando com ele para trás e para frente. Eu mexi


minha pelve, tentando fazê-lo mover a mão que ainda me segurava. Mas sua paciência era resistente, deixando a mão no meu sexo com a menor pressão, fazendo com que a antecipação se construísse. Meu mamilo escorregou de sua boca. Ele sentou e traçou a superfície vermelha com o dedo, enquanto a outra mão dentro da minha calcinha se contraiu e enviou uma onda de desejo por mim. — Kai. Por favor. Ele me desvendou. Tudo o que ele tinha feito ao me trazer aqui, a água gelada, o cinto, até mesmo me amarrar, era para me trazer a este ponto. Não havia como voltar atrás para mim agora. Eu queria só ele. — Puxe o fio, London. — Huh? Ele saiu de cima de mim e estava deitado de lado ao meu lado. — Eu quero que você sinta as restrições. — Eu sinto. Eu o sinto. — Preciso saber que ele está fora de você. O que ele estava perguntando... Fiz tudo o que ele me pediu, mas o que eu passei nunca realmente morreria. Era parte de mim e com a ajuda de Kai, lutei para deixar para


trás. Agora, ele queria que eu sentisse o que senti muitas vezes antes, durante esses anos com Alfonzo e Jacob? — Lute, London. — Kai. Por quê? Eu não entendo. — Por que ele estava me obrigando a fazer isso? — Você disse que confiava em mim. — Eu assenti. — Então preciso que você lute. Se sinta impotente e vulnerável e com medo. —

Eu

não

quero.

Não

queria

aquele

pânico

esmagador que sufocava meus pulmões e apertava meu peito com tanta força que me sentia como se um torno estivesse sendo apertado em volta de mim. — Claro que não. Mas você precisa. — Ele se inclinou sobre mim, brevemente beijou meus lábios trêmulos, e, em seguida, levantou-se da cama. Meu coração tamborilou contra minhas costelas quando eu o assisti caminhar para o outro lado do quarto completamente nu. Seu pênis duro e ereto contra o seu abdômen musculoso. Ele se sentou na cadeira, inclinou-se para trás, suas coxas se separaram e seus olhos escuros e intensos, enquanto esperava eu decidir o que fazer. Kai era um enigma, mas se havia uma característica que eu sabia ao certo sobre ele, era que ele nunca desistia. Nunca desistia quando queria alguma coisa. Deus, ele procurou-me


por dois anos e eu estava apostando que ele teria feito por mais vinte se fosse preciso. Esse era o tipo de homem que ele era e eu confiava nele. Então eu lutei. Eu puxei o fio e estremeci quando ele cortou meus pulsos. Torci e virei-me, o lençol debaixo de mim agora envolvido em torno de minhas pernas enquanto eu lutava contra as amarras, o medo rastejando em mim com a memória de estar na cama, com Alfonzo em cima de mim, meus pulsos amarrados apenas como estavam, mas com o peso de frias algemas. O pânico aumentou na medida em que a memória ficou mais forte e eu me debatia na cama. Kai sentado na cadeira foi esquecido enquanto eu lutava para me libertar. Eu não conseguia me soltar. Presa. Ele ia me deixar aqui por dias. Não. Não. Gritei enquanto puxava o fio e as memórias me invadiram como um nevoeiro preto asfixiante. — Não. Não. Com tudo o que eu tinha, puxei o fio.


O nó que tinha amarrado no fio se desfez e meus braços dispararam para frente a partir do momento que fiquei livre. Eu me deitei estática por um segundo, minha respiração irregular, meus pulsos ainda amarrados juntos, mas livres da cabeceira da cama. Livre. Uma onda de alívio frio derramou sobre mim quando o pânico foi lavado. Estava pesada, sugando o ar pela minha luta, mas o terror foi embora. Era como se a súbita liberação tivesse reescrito a memória. Eu escapei. Escapei quando há anos eu não conseguia. — Sim. — A voz de Kai era um som ressonante profundo que era como um cobertor de calor. — Você amarrou apenas o suficiente para se desfazer se eu lutasse bravamente? Você queria me libertar? — Sim. — Você queria que eu sentisse o medo e escapasse. — Não era uma pergunta, porque isso era exatamente o que ele queria. — Você não vai ser sempre capaz de se libertar, London. Essa é a realidade. Mas se você não puder, saiba que vou sempre estar para você. Nunca se esqueça disso. Você precisa saber disso.


Minha respiração me deixou enquanto eu olhava para ele, absorvendo o que ele disse. — Eu sei. — Não tive dúvida de que Kai andaria a pé através do inferno, a fim de chegar a mim. Deus, ele iria. — Mas você não é Deus, Kai. Mesmo que você pense que é. Ele ergueu as sobrancelhas. — Verdade. Mas sou o mais próximo que você obterá do grande homem. — Sorriu e disse:— Venha aqui. Com minhas pernas ainda tremendo, eu me arrastei da cama e caminhei até ele. Ele estendeu a mão e desfez o fio que ainda estava em torno de meus pulsos. Linhas vermelhas estavam embutidas na minha pele e ele trouxe meu pulso à boca, beijando a pele inflamada então repetiu com a outra. Meus olhos foram para o seu pênis que ainda estava duro e eu quis me ajoelhar e levá-lo em minha boca. Nunca pensei que iria de bom grado querer fazer isso de novo, mas a necessidade de prová-lo na ponta da minha língua, envolver meus lábios ao redor da superfície de veludo duro, para darlhe prazer, pulsou em mim. Decidi então quebrar uma de suas regras e fui sem medo. Sem incerteza. Fiquei de joelhos no chão, entre as pernas com minhas mãos em suas musculosas coxas nuas. Sua voz era um rosnado baixo quando ele asperamente agarrou meu queixo me forçando a olhar para ele.


— Eu nunca quero você de joelhos novamente. Reconheci sua carranca feroz, mas foi a sugestão de medo em seus olhos que suavizaram minha réplica inicial. — Você quer me dar escolhas? — Sim. — Então essa é a minha escolha. Quero o seu pênis na minha boca. Quero ouvir você gemer de prazer. — Então nós vamos passar para a cama. Eu não quero você de joelhos no chão. Foi então que percebi que talvez isto não fosse apenas sobre mim. Isto era sobre ele. Ele não podia lidar vendo-me de joelhos. Eu não tinha certeza se era um lembrete do México ou outra coisa, mas o que quer que fosse, ele estava lutando contra isso a cada segundo em que eu ficava de joelhos. — Talvez seja a hora de reescrever sua memória, também, Kai? — Seus olhos se arregalaram quando um lampejo de surpresa bateu em seu rosto. — E você não vai sempre conseguir o que deseja. Pelo menos comigo. Ele sacudiu a cabeça para trás e para a frente quando um sorriso se formou e soltava os meus braços. — Mmm, talvez. Mas eu certamente tentarei.


Então, ele me pegou, me levando para a cama e me jogou. Veio por trás de mim e se estabeleceu contra a cabeceira da cama. Arrastei-me entre as pernas dele e deslizei as mãos sobre os joelhos, suas coxas e seus quadris. Assisti sua expressão quando minha mão foi para seu pênis, envolvendo a base do mesmo. Ele parou de respirar. Parei minha língua sobre a ponta e seus olhos se deslocaram desde os meus até a minha boca e seu pau na minha mão. Apertei mais forte e antes que abaixasse minha boca para ele, eu disse: — Você é o meu tudo.


A esperança destrói

Deitei na cama com London enrolada em mim, seu rosto descansando em meu peito, a palma no meu abdômen cobrindo uma das minhas cicatrizes. A mais recente, no México, onde fui baleado, mudando o curso da vida de London. Uma bala perdida que lhe custou mais do que a mim. “Você é meu tudo”. Suas palavras de ontem à noite não foram perdidas, mas no momento, elas tinham sido deixadas de lado quando


ela chupou meu pau até que tive que virá-la e empurrar para dentro dela. Tínhamos que conversar. Ela tinha que saber o que estávamos enfrentando, porque eu não tinha um plano. Eu não sabia o resultado do que iria acontecer conosco. Sua mão deslizou sobre o meu abdômen para uma cicatriz irregular deixada por uma barra de ferro, uma barra de ferro em brasa. Ela traçou-a com seu dedo e senti a umidade de uma lágrima atingir minha pele enquanto sua bochecha descansava no meu peito. — O que aconteceu, Kai? Já era hora. Ela precisava saber de tudo antes que eu fosse embora. — Isso foi uma barra de ferro quando eu tinha doze anos. — Sua mão congelou em cima da cicatriz e ouvi sua inspiração afiada. — Minha mãe mandou-nos para um lugar quando nós éramos jovens, depois que meu pai morreu. Ela chamou-lhe ‘a fazenda’. — Um lugar onde você é ensinado a sobreviver e se falhar, morre. Diferentes idades, homens, mulheres, isso não importa. Nós estávamos lá para aprender a matar. Mas também tínhamos que aprender a escrever e falar de forma eficaz. Aprendemos os caminhos do mundo. Embora, a ideia deles de caminhos do mundo era um pouco distorcida. — Fiz uma pausa. — Se você chegasse até os dezoito anos, era enviado em missões. — Quantos anos você tinha quando foi para lá, Kai?


— Eu tinha sete anos, minha irmã cinco. Ela engasgou, em seguida, depois de um minuto, disse: — Você tem uma irmã? Fiquei rígido quando uma onda de dor tomou conta de mim. Eu a bloquei por tanto tempo, a fazenda fez isso, mas ao longo dos últimos anos, com as emoções rastejando de volta, o mesmo aconteceu com a minha irmã, Chess. — Ela está na França. Mãe a aprisionou. — Mas por que sua mãe faz isso? Por que ela iria enviar seus filhos para um lugar como esse e por que aprisionar sua irmã? Enrolei meus dedos em torno dos dela descansando em meu peito. — Minha mãe é uma puta e queria ter o controle de Vault. — Expliquei-lhe sobre Vault, os membros do conselho, o que eles fizeram, o que eles representavam, naquele tempo e agora. — Onde estão as crianças agora? — Algumas se tornaram agentes, outras foram mortas. Alguns

nunca

conseguiram

sair

da

fazenda.

Crianças

desapareciam no meio da noite pelo surgimento de novas o tempo todo. Você nunca dormia bem, temendo que fosse o próximo. Desaparecer nunca foi bom, porque sabíamos que


os desaparecidos não voltavam e estavam provavelmente mortos. “Encarregados cuidavam de nós. Nos condicionavam, eu acho que você poderia dizer. A dor era um ritual diário. Enquanto você crescia, se acostumava com isso. Tornava-se imune. Entorpecido. É o medo que corrói você e eles eram bons em fazer você temê-los”. Descansando minha mão na parte inferior das costas, eu suavemente desenhei indo a lugar nenhum, caminhos sem sentido. — Mas não era medo por mim. Era o medo por minha irmã. — Ela endureceu. — Eles sabiam disso também e o usaram contra nós. Foi quando eu soube que o que queriam era me quebrar até o ponto onde eu não me importasse com ninguém. Ela

permaneceu

em

silêncio,

mas

suas

lágrimas

disseram tudo. Eu não estava contando a ela para que tivesse pena de mim. Essa era a última coisa que queria. Eu precisava que ela soubesse porque alguma vez Vault a pegasse, ela iria entender o tipo de pessoas que eram. — É por isso que eles nos iniciam tão jovens, com menos ligações, mais fáceis de quebrar e condicionar-nos. Mas minha irmã... ela continuou quebrando as regras. Continuou tentando ajudar outras crianças. Quando ela tinha uns catorze anos, ajudou uma criança a escapar. Eu não sei como ela fez isso, mas foi tirada e nenhum de nós a


viu por um longo tempo. Foi quando fomos transferidos para outro lugar. Acho que eles estavam com medo que o garoto que fugiu contasse às autoridades. — Oh, Deus, Kai. — Quando ela voltou... Eu não sei por que, mas ela parecia bem e a começou a aprender a lutar como o resto de nós. Era dócil. Mas, alguns anos atrás, foi em uma missão e não voltou. — Suspirei, fechando os olhos por um segundo enquanto

pensava

sobre

ela.

Eles

a

encontraram.

Trouxeram-na de volta e ela tem estado presa desde então. “Você não foge, London. Você faz o que tem que fazer, a fim de sobreviver. Aprende a jogar o seu jogo por suas regras”. — Como agora. — Sim, querida. Como agora. Você é uma ligação e eles iriam acabar com ela se soubessem que está comigo. — Eu segurei seu queixo e inclinei o rosto dela para olhar para mim. — Se eles chegarem até você... — Foda. Eu não sabia se seria capaz de salvá-la. Talvez tivesse mentido para ela, porque Vault era o único lugar do qual poderia ser incapaz de salvá-la. — Como…? Deus, Kai, como sua mãe poderia fazer isso? — Posso ter seu sangue contaminado correndo em mim, mas ela não é uma mãe. Chamo-lhe assim porque é meu


jogo. Minha carta para jogar, então ela sente conforto em pensar que sou seu filho leal. — Você é? Leal? — Ela perguntou em voz baixa. — Tenho uma casa sobre a qual eles não sabem e a filha do homem que lhes fornece uma droga escondida nela. Passei minha mão pela sua coluna até que ela descansou em sua bunda. — London, a esperança é perigosa lá. Eles sabem como apagar cada parte de você, até que você não seja nada. E agora... a droga que seu pai fez para eles só vai torná-lo mais fácil, porque eles vão usar homens já treinados para matar. — Fiz uma pausa. — Como o irmão de Georgie. Ela franziu a testa. — Georgie? Deck e Georgie. Que Georgie? Eu não entendo. Eu a trouxe para mais perto e disse-lhe tudo. Como Georgie virou Chaos, Tanner aproximando-se de Connor para que ele e Georgie confiassem em Tanner. Revelei a ela mais do que tinha a qualquer pessoa. Não fiz isso para assustá-la. Foi pela razão oposta, porque o medo vem do desconhecido. Fiz isso para que ela pudesse estar preparada para qualquer coisa. Para dar-lhe poder. E para dar a ela o que nunca tinha dado a qualquer pessoa, nem mesmo Ernie – minha total confiança.


— Connor foi o primeiro a ser testado com a droga. Não sei as indicações, assim como qualquer coisa que envolva Connor foi mantida em sigilo, mas ele estava em uma força tarefa de elite-JTF2 quando foi levado. Ele tinha todas as habilidades necessárias, sem os anos de formação desde criança. Mas a diferença entre convencer crianças para fazer o que você quer e alguém como Connor: ele não vai moldar facilmente. E alguns homens nunca irão quebrar. — A droga. — Assenti. — Mas meu pai... por que ele faria isso? — Seu pai faria qualquer coisa para protegê-la. — Não havia nenhuma maneira fácil de dizer a ela o que viria adiante, mas era importante que ela soubesse que seu pai fez o que tinha que fazer. — O incêndio em que você esteve... Eu suspeito que foi Vault. Ela engasgou. — Mas você é de Vault. Você começou o incêndio? — Porra, não. Mas Vault sabia que sua mãe morreu em um incêndio acidental e que você quase morresse em um... Eu não acredito em coincidências, London. — Mas se eles queriam me matar, por que não lhe disseram? Você me salvou do fogo. — Eu não mato crianças. — Eu tinha dezoito anos.


— É verdade baby, você era tão bonita. — Eu me inclinei e beijei sua testa, lábios, me demorando quando fechei os olhos, querendo tirar a dor, mas sabendo que ela precisava ouvir isso. — Seu pai estava atrasando. Ele não queria continuar a fazer a droga, mas, com o incêndio... ele não tinha escolha, London. Dei-lhe um tempo para aceitar o que eu disse a ela. Para tentar dar sentido a ela. Sua mão acariciou para trás e para frente distraidamente por cima do meu abdômen. Ela não chorou ou quebrou, mas em silêncio, tomou o que eu disse. Seu rosto deslizou contra o meu peito quando ela olhou para mim. — No México eram eles, não era? Mais uma ameaça para o meu pai? — Sim. E não. — Eu acariciava seu lábio inferior com o polegar, ainda inchado dos meus beijos. — Eles tinham raptado você e levado para o México e isso foi uma ameaça para o seu pai. Mas foi concebido para ser mais uma ameaça para mim. Ela sentou-se, seu corpo meio inclinado sobre mim. — O que? — Passei várias noites com você, mas não da maneira que eles queriam. Ela estendeu a mão e segurou o lado do meu rosto quando caí em silêncio.


— Oh, meu Deus, você deveria me machucar. — Sim. Sua mão se encolheu no meu abdômen. — E, em vez disso, você fugiu. Deixou-me ir. — Sim. — Mas meu pai... — Teria conseguido o tempo extra que precisava de qualquer maneira. — Mas você me deixou fazer o negócio? Eu levantei minhas sobrancelhas. — Era um negócio que não pude recusar. Fui um bastardo por fazê-lo, mas não me arrependo, baby. Nunca vou me arrepender de um segundo que tenha passado com você. Seus olhos se estreitaram e os lábios franziram antes que ela batesse no meu peito. — Então, eu não tinha que dormir com você? — Eu lembro de você estar muito disposta. — Mas eu pensei... — Ela parou, pensando sobre o que dizer e eu a deixei. Finalmente, ela disse: — Por quê? Eu a virei de costas e deitei em cima dela, agarrando-lhe os pulsos para prende-los no colchão em ambos os lados de


sua cabeça. Seu peito subia e descia rapidamente, seus olhos fixos em mim. Seu coração disparou em meu peito enquanto me movi para mais perto. — Coração Valente, eu quis você por anos. Sabia que era impossível e que seria mais seguro se ficasse longe, mas quando a vi no closet e soube que você me viu... Tinha que avisá-la. Assustá-la o suficiente para não fazer nada sobre o que viu. Mas então, você veio com esse negócio. — Toquei meus lábios nos dela e fiquei decepcionado que eles estavam imóveis sob os meus. — Sabia que era a única chance que eu teria com você. — Estava errado. — disse ela. — Sim. — Eu saí de cima dela, balancei as minhas pernas para o lado da cama, então inclinei-me e agarrei minhas calças do chão. Porra, nunca me importei com certo ou errado. Fazia o que tinha que fazer, mas isso importava. Foi errado porque minha decisão lhe custou caro. — Eu tenho que sair hoje. Ela sentou-se, tendo o lençol com ela. — Oh. Eu estava de pé, puxei minhas calças, então, peguei minha camisa. — Não tenho certeza em quanto tempo estarei de volta.


— Querido... — ela sussurrou e era como se me entregasse o mundo com essa única palavra. — Quando você vai deixar alguém lhe salvar? Porra. Eu ainda estava de costas para ela quando fechei os botões da minha camisa. Meus dedos se acalmaram e minhas costas endureceram. Será que ela não sabia? Eu estava além de qualquer salvação, tinha as marcas para provar isso e a história para confirmá-lo. — Não preciso ser salvo, London. Quando ela suspirou, olhei por cima do meu ombro para ela. Tudo dentro de mim lutou contra deixá-la, mas sabia que não havia outra escolha. Ela se sentou na beirada da cama, seu cabelo em completa desordem e porra, ela era linda. — Você estava certo. — disse ela quando nossos olhos se encontraram. Fiz uma careta, sem saber ao que ela estava se referindo. O lençol caiu e meu pau estremeceu. Foi por isso que eu a tinha protegido. Por que eu me importava. Estava bem na minha frente. A força de London desafiava a minha própria. Apenas disse a ela o pior tipo de merda possível e ela estava olhando para mim com nada mais...


— Eu amo você, Kai. Porra. Fechei os olhos no segundo em que suas palavras afundaram em mim. Amor. Eu nunca fui amado. Nunca quis ser. Era indigno de amor. Ouvi os pés descalços atravessarem o chão de madeira e, em seguida, ela estava desfazendo minha camisa de novo. — Kai, você tem um lado bom em você. Eu não poderia lhe amar, a menos que você tivesse. — Suas mãos deslizaram pelo meu peito quando minha camisa se abriu e minha respiração parou enquanto eu observava seu beijo em uma cicatriz após a outra. Eu a deixei. Eu a deixei beijar cada uma antes de segurar seus ombros e afastá-la de mim. Mas o que eu vi nos olhos dela era mais poderoso do que qualquer coisa que Vault já tinha feito para mim. Isso me prendeu. Não sabia o que era o amor, mas o que eu sentia por ela era indescritível com uma única palavra. Isso era mais poderoso. Era tudo o que consumia. — London, o que somos não pode ser explicado com uma palavra, uma única experiência. Então eu mostrei a ela.


— Será que eles sabem que você foi para o México? — Não. Estava vestido e arrumado para sair. London se mexia enquanto pegava sua torrada e a soltava novamente. Ela espalhou geleia sobre ela duas vezes e tentou colocar a tampa de manteiga de amendoim no frasco. Cruzou as pernas e descruzou quando mudou de posição no banco do bar pelos últimos dez minutos. — Você vai ter cuidado? — Sempre sou cuidadoso, baby. — Ela fechou os olhos, os lábios fechados. Joguei minha torrada para baixo. — London, alguém está sempre atrás de mim. Como eu disse, não tenho amigos e fiz um monte de inimigos, mas tenho cuidado e sei o que estou fazendo. — Então suavizei a minha voz e disse:— Você está preocupada. — Sim. Porra, eu gostei disso. — E quanto a Deck? — Ela perguntou. Sim, o que aconteceu com ele. Não havia confiança entre nós, mais como um entendimento mútuo, até que ele descobrisse o meu pequeno segredo com sua namorada, Georgie. Então, todo a merda seria jogada no ventilador. Eu


esperava que não fosse acontecer, porque poderia me forçar a jogar minha mão. Georgie pensou que eu fosse matá-lo, mas não faria isso a menos que ele tentasse me matar primeiro, que era uma boa possibilidade se descobrisse tudo. — Ele não vai lhe machucar. — Estava certo. Deck era um assassino também, mas tinha a moral e os valores que rivalizavam com os meus próprios. — Mas ele não é um amigo, London. — Kai, eu quero ligar para o meu pai. Nós

tínhamos

discutido

sobre

isso.

Bem,

ela

argumentou. Eu simplesmente disse que não. Era muito arriscado para ela fazer qualquer contato com ele. — Não. Mas quando eu voltar, vamos conversar sobre isso e vou lhe ensinar como lidar com uma faca. Pelo brilho nos olhos, eu soube que ela gostou muito dessa ideia. — Ok. Mas talvez seja mais seguro se eu for com você? Olhei para ela um segundo. Depois de tudo o que eu disse a ela, esta manhã, ela ainda me queria e eu estava ainda... com medo de que ela fosse embora. Ela precisava entender porque não podia sair e porque não poderia ir comigo. Agarrei-a pela cintura, puxei-a fora de seu banquinho, então coloquei a minha faca em sua garganta dentro de segundos. Seus olhos se arregalaram e sua respiração parou.


— Você sente o tremor nos membros, London? O sangue correndo em suas veias? O aperto no peito quando a borda de minha lâmina repousa contra sua garganta? — Ela não podia responder porque com o seu aceno a faca a cortaria. — Isso é medo. E isso é perigoso. — Eu acariciava meu dedo por sua bochecha. — Você não está pronta para ir a qualquer lugar comigo. — E eu não sabia se ela em algum momento estaria. Mas não podia pensar nisso. — Preciso que você faça o que digo. Fique aqui, coma uma torrada e quando eu voltar, terei algumas coxas reais para agarrar. Eu sorri. Ela não. — Então tenho que esperar por você voltar ou não voltar porque está morto? — Eu não vou morrer. Ela trancou meu pulso segurando a faca, seu aperto era severo. Ela estava chateada — bom. Ela tinha que ficar por conta própria e lutar por aquilo que queria... exceto que nunca me venceria. — Você não é invencível, Kai. Não, eu não era, mas me destacava em manter-me vivo. — Discutível. — Eu levei a minha faca para longe de sua garganta e a puxei em torno para que ela montasse em meu colo. Quando vi o olhar e o teimoso queixo levantado, não pude evitar. Ri, o que fez com que ela perfurasse meu peito.


— Isso não é engraçado. — Se eu morrer, Coração Valente, ainda assim não irei deixar você. — E se eu morresse, Ernie teria instruções quanto ao que fazer sobre London — Deck. Ele seria informado sobre tudo o que era para ser dito e London entregue a ele. — A morte é uma bonita maldição final. Eu não vejo você acreditando em vida após a morte. Eu belisquei o lóbulo sensível de sua orelha. — Hmm, talvez não. — Eu afastei seu cabelo de seu pescoço com a ponta da minha faca e passei minha língua pela sua garganta esbelta. Sua respiração engatou e sua espinha arqueou. Algo sobre a pressa do perigo enviou toda a adrenalina direito para meu pau. Eu me afastei para que pudesse ver o desejo em seus olhos flamejantes. Segurei a gola de sua camisa, que era uma das minhas e cortei-a no centro com a minha faca. Ela engasgou. — Se eu morrer, —lentamente acariciei seu mamilo exposto, não com o meu dedo, mas com a minha faca, — um pedaço de você morrerá comigo. — Coloquei a palma da minha faca contra o peito e apertei. — E você nunca irá reparar essa parte de você. Mas ela vai nos dois sentidos, Coração Valente.


Ela se aproximou de mim, de modo que o plano da lâmina foi empurrada mais forte em seu peito. Ela estendeu a mão e segurou a parte de trás do meu pescoço. — Eu gostaria de ficar inteira, então prefiro que você vivo. Coloquei minha faca em cima do balcão, em seguida, desfiz minhas calças jeans e puxei meu pau latejante. Alcancei ela e a peguei pela bunda. Ela enrolou as pernas em torno de meus quadris, braços enganchando meu pescoço. — Você vai dormir nua quando eu for embora para que eu possa imaginar você na nossa cama, brincando com você mesma? — Puxei de lado sua calcinha e esfreguei o meu pau em sua boceta molhada. Seus lábios se separaram enquanto ela ofegava. — Sim. Empurrei meus quadris para frente e gemi quando meu pau afundou em seu calor apertado. Ela gritou com a minha entrada brusca, apertando as mãos nos fios de cabelo da parte de trás do meu pescoço. Enterrei minha cabeça em seu ombro enquanto sussurrei. — Nunca deixe de acreditar em mim. Porque eu não sabia o que faria se ela deixasse.


Três dias. Ele me deixou sem telefone, sem acesso a computador e nenhum carro. Ele sabia que ligaria para o meu pai ou mandaria um e-mail, apesar de dizer que não o faria. Então, eu estava sozinha no meio do nada, sem nada para fazer a não ser comer e assistir a filmes e dormir todas as noites no sofá. Nunca fui de sentar e não fazer nada; até mesmo quando era uma criança eu estava sempre experimentando diferentes coisas para descobrir o que iria acontecer. Foi meu pai quem insistiu para que eu aprendesse a andar de bicicleta quando tinha seis anos, quando todas as crianças do bairro já estavam em duas rodas.


Eu me considerava fisicamente desafiada por não ter jogado nenhum esporte. Fui forçada a jogar baseball quando era uma caloura no ginásio e depois do meu primeiro lance, o que era desleal e patético, estava na reserva a maior parte do tempo. Agora, eu gostaria de ter tido algum tipo de talento natural em jogar, mas por horas, tinha tentado golpear minha marca com a faca. Esperava impressionar Kai praticando antes que ele voltasse e estando metade decente. Do jeito que estava indo, não haveria qualquer coisa impressionante. Ele disse que poderia levar algumas semanas, então eu estava esperando que eu conseguisse pelo menos atingir o tronco da árvore estúpida. Levantei meu braço e joguei a faca novamente. Ela saltou longe da superfície da árvore e caiu na grama. — Dane-se tudo, porra. — Marchei pelo campo na parte de trás da casa, farfalhando a grama quando a brisa úmida me arrepiou. Inclinei-me e peguei a faca, em seguida, esfaqueei a casca. — Aqui. Estava frustrada, meus músculos do braço feridos e eu sentia falta dele. Eu dormia no sofá, porque a cama lembrava-me dele, os lençóis cheirando como ele; e eu ainda levava o seu travesseiro e me enrolava com ele no sofá vestindo uma de suas camisas.


Estava preocupada. Eu não gostava de esperar. Eu me senti impotente e fraca por anos e odiava cada segundo disto. Mas Kai me trouxe aqui e não só tinha me libertado da concha que estava me escondendo, ele me fez mais forte. Eu nunca queria ser indefesa novamente. Queria ser como Kai — destemida, sem a constante avalanche de emoções me atingindo. Não fria, mas controlada. Voltei para a clareira de grama pisada a vinte metros de distância, levantei meu braço novamente e chicoteei a lâmina e arqueando através do ar em uma direção precisa. — Sim! — Gritei quando ela perfurou a árvore e balançou um pouco antes de cair. Bati palmas e saltei. — Impressionante. Virei-me tão rápido que tropecei na grama longa. Meus olhos bateram o homem que falava. Ele ficou com os braços cruzados, encostado na porta dos fundos. Tudo dentro de mim ficou imóvel por um segundo e, em seguida, a mesma razão que eu estava aqui e não com Kai me atingiu. Medo. A expressão do homem estava morta, não sorria, sem carranca —sem expressão. Os traços rígidos de seu rosto o faziam parecer irregular e duro. Olhos de um azul brilhante, afiados e frios que deixavam suposições quanto ao que este homem era capaz.


Ele não escondeu o fato de que tinha armas presas ao cinto, embora nenhuma estivesse em sua mão, mas eu apostava que ele teria uma em mão antes que eu desse um passo. — Quem é você? — Eu ia perguntar se ele era amigo de Kai, mas me lembrei do que Kai disse para mim — ele não tinha amigos e eu nunca deveria acreditar se alguém dissesse que era. — Eu estou aqui para levá-la para casa. Fiquei tensa com o tom profundo e grave em sua voz. Uma voz que fez o medo aumentar, porque não havia dúvida de quem quer que fosse, ele era tão perigoso quanto Kai, mas Kai não me machucaria, este homem, sim. Meus dedos se enroscaram em punhos em meus lados. — Estou perfeitamente bem onde estou. — Avancei um passo para trás e ele não se mexeu. Dei mais um passo para trás. Eu poderia correr mais que ele? Será que ele atiraria em mim pelas costas? — Eu vejo isso. — Ele se afastou da porta e meu coração sentiu como se estivesse na minha garganta. Deus, os seus braços eram enormes e se ele se apoderasse de mim, nunca teria como me libertar. Eu não era uma corredora, mas eu era pequena e...


— Por favor. Corra, pequeno coelho. — Minha respiração engatou e eu congelei. — Tenho ordens para levá-la para casa viva, mas as feridas são opcionais. — Eu não vou a lugar nenhum sem Kai. — Ah, sim, Kai. O Fiel Kai que se esconde com uma garota que ele deveria trazer para Vault. — Ele deveria? — Dentro de uma casa que não conhecia. — Quem é você? — Isso importa? Eu olhei. — Sim. Eu gostaria de saber o nome do meu carrasco. Ele arqueou as sobrancelhas para isso. — Eu disse que não vou lhe matar. Eu sorri. — Bem, você terá. Porque a única maneira que você estará me levando daqui será o meu corpo em um saco plástico. — Assim que as palavras saíram da minha boca, eu pensei no que disse Kai. Um saco de corpo era educado demais. Ele me cortaria em primeiro lugar. Uma brisa suave arrepiou os topos da longa grama que me cercava e frágeis hastes oscilaram para frente e para traz. Endireitei minhas costas, levantando meu queixo em desafio.


Estive com medo da morte por tantos anos, mas agora... não estava com medo dele. Estava com medo de nunca mais ver Kai novamente. Nunca provar seus lábios. Nunca sentir seus braços em volta de mim. Mas acima de tudo, estava com medo dele se machucar. Era uma espécie de estupidez talvez, considerando quem ele era e do que era capaz, mas a confiança de Kai me irritava porque ele era tão casual sobre isso, como se sua vida ser tomada não tivesse qualquer significado. Mas tinha significado. Tinha para mim. Ele veio na minha direção, os braços caindo para os lados, perto de sua faca de um lado e sua arma no outro. Eu teria que correr. E pelo seu encolher de ombros suave e sobrancelhas levantadas, ele sabia disso também. Eu me mandei, correndo para a direita e fui em direção ao

lado

da

casa.

Meus

pés

bateram

enquanto

eu

ziguezagueava em todo o quintal. Não podia ouvi-lo atrás de mim e não ousava olhar. Corri para a frente da casa. A minha única chance era a estrada e esperar que alguém me visse. Hesitei

um

segundo

quando

vi

seu

SUV

preto

estacionado na garagem. Pensei sobre verificar as chaves, mas ele não parecia estúpido. Merda, tudo nele era o oposto. Frio. Calculista. Insensível. Uma máquina.


Meus pés derraparam no cascalho quando bati na calçada e por acaso olhei atrás de mim, mas ele não estava lá. Ele não tinha sequer me perseguido. Que merda? Onde ele estava? Corri o mais rápido que pude, a estrada apenas cem metros de distância agora. Eu conseguiria. O impacto da bala me atingiu no ombro e me derrubou. Caí de cara no cascalho. A dor excruciante atravessou meu corpo enquanto eu lutava para levantar de novo, minha mão segurando meu ombro enquanto o sangue escorria por entre meus dedos. Meu olhar foi para a calçada quando ouvi o barulho de pneus. Não a partir da estrada à frente, mas a partir de atrás de mim. Gemia quando a dor sacudiu meu ombro. Saí da garagem para a estrada, mas caí quando meu tornozelo virou na vala escondida. Eu gritava em agonia quando meu ombro levou o peso do impacto. Minha visão ficou turva e balancei minha cabeça tentando limpar a nebulosidade. Levei a minha mão no ombro e me arrastei, mas cada movimento era tão doloroso que eu estava com medo de desmaiar. Soaram passos atrás de mim. O estalo de galhos estalando sob o seu peso. Tentei ficar de pé, mas perdi o equilíbrio e cai novamente.


— Você terminou? Soltei respirações enquanto estava deitada de lado. A agradável camisa branca e cara de Kai estava encharcada de sangue. Ele tinha tantas delas e eu não a tinha tirado. Usava uma a cada dia apenas para que, quando respirasse, fosse ele quem preenchesse meus pulmões. — Eu nunca vou terminar. — retruquei. Eles podiam ser capazes de tomar o meu corpo, mas como Kai disse, nunca deixaria alguém tirar a minha mente. Ele inclinou-se, agarrou o braço baleado e levantou-me. Eu cerrei os dentes para tentar parar o grito emergente, mas saiu como um gemido. — Você está pronta para ir para casa agora, London? Ou você prefere ser chamada de Raven? Eu olhei para ele e cuspi em seu rosto. A bola de saliva atingiu seu rosto, deslizou pela superfície da sua pele e caiu no queixo, imergindo em sua camiseta preta. — Vai se foder. Ele puxou meu braço e eu não tive escolha a não ser tropeçar depois dele ter deslocado meu braço. Percebi que não fui muito longe da calçada; embora no momento, sentia como se eu tivesse corrido para sempre. Ele abriu a porta do passageiro. — Entre.


— Para onde você está me levando? Nem mesmo um lampejo de uma expressão. Deus, ele era uma máquina. — Para a nova casa. Uma que você vai apreciar... em tempo. — Vault. Houve uma leve redução de suas sobrancelhas antes que ele se inclinasse sobre mim e colocasse o cinto de segurança.

Então,

antes

de

eu

saber

o

que

estava

acontecendo, ele tinha meu pulso em uma algema. Ele puxou meu braço para cima e ligou a outra alça da algema na alça do teto. Não me incomodei puxando-o, porque era o meu ombro ferido e não havia motivo, exceto para me causar dor. — Vou sangrar até a morte. — Duvido. Nós veremos. Ele bateu a porta e eu o assisti caminhar ao redor da frente do SUV. Ele era aterrorizante. Eu não gostava de Kai quando o conheci; mas este cara era diferente, porque era como se eu estivesse falando com uma parede de escuridão. Sem alma. Ele cruzou e afivelou o cinto de segurança antes de ligar o motor. Então, olhou para mim, seus olhos me encarando de cima abaixo, antes de se estabelecer em minha ferida.


— Coloque pressão sobre isso. Eu olhei e apesar de não querer fazer o que ele disse, eu queria viver e por isso, apesar da agonia, apliquei pressão. — Kai vai ficar puto. Ele virá atrás de mim. Ele deu um aceno abrupto. — Sim. Mas suspeito que ele vai passar meses procurando por você, pensando que você fugiu — novamente. — Não. Kai não acreditaria, ou sim? Ele saberia que eu não o deixei de bom grado. — E quando ele descobrir, vamos então saber onde se encontra sua lealdade. Engoli em seco. Este era um teste. Um teste de lealdade de Kai para Vault. Oh Deus. Ele engatou a marcha do carro e começou a descer a calçada. — E o meu nome é Connor.


No momento em que abri a porta para a casa, eu soube. O sorriso na minha boca que esteve lá uma vez que o avião aterrissou desapareceu e meu estômago caiu. Eu não precisava olhar ao redor ou chamar o nome dela, porque sabia que London não estava aqui. Frieza me envolveu e a fenda se abriu de novo, enchendo com piche preto e me sufocando. Eu verifiquei cômodo por cômodo, lentamente, mão na minha faca, mas a precaução era desnecessária porque eu sabia que não havia ninguém por aqui. E não tinha há algum tempo. Ela não estava.


— PORRA! — Gritei e bati meu punho na parede deixando uma grande marca. O espelho pendurado acima da mesa do corredor caiu no chão e quebrou. A raiva era uma emoção que tinha jogado comigo, provocado ao longo dos últimos anos, quando as emoções rastejaram de volta para mim. Eu mantinha controlada. Eu mantinha coberta, porque tinha visto o que ela fez com outros homens, eles cometeram erros. Fui capaz de sorrir por causa da ira com a minha ocasional calma, porque nunca dei a mínima. Agora eu dava. Agora eu dava, porra. E agora não poderia sorrir por causa da ira pulsando pelo meu sangue. Ela tinha o controle de mim quando caminhei pela casa, uma casa que passei anos construindo. Uma casa que significava algo para mim, porque vivia e respirava London agora. Eu não sei porque me incomodaria em procurar por ela. Talvez estivesse esperando que por uma vez o meu instinto estivesse errado e ela estivesse deitada na nossa cama nua, esperando

por

mim.

Esperança.

Porra.

Nunca

tenha

esperança, porra. Eu sabia. Chutei a porta do quarto e os olhos grudados na cama vazia.


Os lençóis estavam dobrados no colchão. London não dobrava os lençóis. Quando íamos para a cama, ela sempre os tirava de debaixo do colchão por isso, se ela fizesse a cama, não dobrava. Eu fazia. Significava que ela não dormiu na cama desde que eu a deixei, treze dias atrás. Estive em Toronto encontrando informações sobre a nova atribuição de Chaos, Lionel. O e-mail do Vault afirmava que Chaos iria conseguir os arquivos em seu computador, o que significa que ela tinha que receber um convite de volta para o seu lugar e uma vez que ela gostava de sair no Avalanche, um bar que Chaos conhecia bem, ela estava indo para chamar sua atenção e conseguir que a convidasse. Também procurei mais sobre Tristan Mason, porque não me caiu bem ele começar aparecendo na cafeteria de Chaos, justo quando Vault pediu para tê-lo analisado. Eu odiava coincidências. Foda-se, treze dias. Treze dias que fui embora e sem contato com London. Há quanto tempo ela tinha ido? Mas a grande questão era, ela tinha fugido? Será que ela regrediu? E se eu a tivesse deixado cedo demais? Ou ela foi para casa para ver seu pai? Eu sabia que ela estava preocupada com ele, mas eu disse a ela sobre Vault. Ela sabia quão perigosos eles eram. Meu olhar deslizou para a cadeira. Sentei no dia em que tinha trazido de London aqui e esperado por ela acordar.


Depois para o banheiro, onde eu a vi sentada com a escova de dentes nova no balcão. Atravessei a sala, para o banheiro, em seguida, passei o polegar sobre as cerdas secas. A ideia de que Vault tinha encontrado a minha casa, encontrado London... Bati com meu braço por cima do balcão superior enviando tudo voando na parede e caindo no chão. Saí do banheiro, peguei o celular do meu bolso de trás e digitei a senha, em seguida, contatos e depois o número do Dr. Westbrook. Parei. Erros. Isso era exatamente o que a raiva fazia. Reagir sem pensar. Isso era o que eu quase tinha feito. Ligar para o seu pai era um erro. Vault conhecia cada número de entrada e de saída em cada número de seu telefone. — Porra, London. Onde você está? Troquei os telefones, apertando e depois segurei contra o ouvido. Ele atendeu no primeiro toque. Interrompi seu ‘tudo bem’ com ‘ela se foi. Preciso de olhos na rua’. — Ok. Quanto tempo? — Perguntou Ernie. Entrei na cozinha, abri a geladeira e peguei o leite e li a data estampada no topo. Expirado há seis dias. Joguei-o na pia. — Saí há treze dias atrás. Poderia ter ido desde então.


— Ela tem carro? — Não. — Levarei cinco horas para chegar até aí. Eu fiz uma careta. — Onde você está? — Desde que London estava comigo, eu não falei com Ernie. Ele disse que estava tirando algum tempo, o que significava que estava em algum lugar quente para deitar na praia, dizendo para todos se foderem, exceto as mulheres. — Basta chegar aqui. Estou ligando para Deck sobre isso. Desliguei. Deck suspeitava que Connor estivesse vivo. Deck, por quem Chaos pra apaixonada. Deck, que foi uma grande perturbação. Mas Deck tinha habilidades e eu as usaria. Usaria qualquer um e qualquer coisa para recuperá-la. Entrei na sala de estar, empurrei o sofá de lado e me agachei. Minhas mãos deslizavam sobre o piso de madeira até que senti o ligeiro travessão. Tirei minha faca, esfaqueei entre os dois pedaços de madeira que mergulhou no chão e puxei uma das placas. Alcancei dentro e tirei a mochila de couro onde estavam guardados meus inúmeros passaportes falsos e toda a papelada que escondi de Vault, incluindo a escritura da casa.


Peguei a mochila maior que tinha, algumas das minhas facas e dinheiro. Não era todo meu dinheiro, porque eu não gosto de deixar em um único lugar, mas era o suficiente. Então, ergui a última bolsa. Uma bolsa que eu nunca quis usar, mas a realidade era que London poderia não ter fugido ou ido ver o pai. Havia uma terceira possibilidade. Apesar de não haver indicação de uma luta, Vault poderia ter encontrado a minha casa. A encontrado. Abri o último saco e tirei cuidadosamente o dispositivo. Sem nenhuma ligação. Sem vínculos com qualquer coisa. Mas já era tarde demais para isso. Talvez alguns meses atrás, isto teria sido fácil, mas quando eu configurei o dispositivo e o coloquei na mesa de café, um aperto agarrou meu peito. Ela permaneceu aqui e parte de mim não queria destruir isso. Não, não é parte de mim — tudo de mim. Eu fiquei de pé, agarrei as duas bolsas, a pesada pendurada no meu ombro e comecei a ir até a porta. Tique-taque. Tique-taque. Tique-taque. Eu abri a porta e saí.


O som dos meus passos sobre as pedras do pátio estavam firmes e casuais, correspondentes a batida do meu coração. Isto é o que eu precisava fazer. Entrei no meu carro, girei a chave e o motor ganhou vida. Então, lentamente fui para a entrada de automóveis. Olhei uma vez no espelho retrovisor, quando o chão tremeu embaixo do carro e houve um grande estrondo. Pedaços da casa levantados no ar com as chamas. A fumaça preta no céu. Parei na estrada e vi pelo espelho quando a casa queimou. Era a destruição da raiva. Destruição do que uma menina me fez sentir pela primeira vez na minha vida. Tive que queimar as emoções e encontrar a calma novamente. Porque se eu não o fizesse, a rachadura se dividiria e não sobraria nada de mim. A escuridão teria consumido a todos com leveza e mesmo London não seria capaz de me trazer de volta.


Dia de hoje França

Mãe estava morta. Eu a matei e tudo o que sentia era alívio e satisfação. Morta. Talvez eu tenha sido tão ruim quanto ela porque gostei de assistir seu olhar enquanto ela lutava para respirar com o apertado fio em torno de sua delicada garganta. Gostei de como as unhas escavaram as costas das minhas mãos quando ela arranhou e passou de mim, para o fio, em seu pescoço, seus olhos implorando.


Eu implorei uma vez, também. Quando criança, implorei para que a dor parasse. Pedi-lhe para não matar meu pai. Implorei noite após noite para minha irmã ser salva da fazenda. Implorar não fez porra nenhuma. Mãe destruiu uma criança que nasceu com inocência. O poder da cadela faminta virou Vault em uma organização sobre a supremacia e controle, utilizando todos os meios para obtê-lo e, no processo, mudou as crenças em que fui criado. Sua visão corrompeu o seu caminho e eu fui uma parte disso. Caminhei

pelo

corredor

escuro.

Meus

sapatos

tamborilando no chão de cimento como a música antes de uma cena de morte em um filme. Ecoando. Alto. Solitário. Lembrou-me do dia em que eu caminhava pelo corredor na casa de Vault em Toronto, após Deck, seus homens e Georgie me resgatarem de Tanner, no galpão. No dia em que a vi na cela. Quando ouvi os gritos de London. Solto.

O

estalo

demarcando

e

minhas

emoções

libertaram no momento em que a vi naquela cela. O cabelo emaranhado, sangue seco em seu rosto, olhos mortos. E foi então, nesse momento, quando todo o meu treinamento para ser sem emoção teve um propósito: ser capaz de afastar-me dela para que eu pudesse ficar vivo e resgatá-la um dia. Eu olhava para ela, trancando as emoções que lutavam para subir à superfície e dei-lhe as palavras que ela necessitava ouvir. Então, saí. Deixei meu disfarce de


paciência fragmentando e minhas entranhas catapultaram para uma zona de guerra de raiva. Os 'peões' estavam certos, afinal. As emoções eram os monstros e eu me tornei um. London era minha. Ela nunca lhes pertenceria. Eles nunca deveriam tê-la tocado, para começar. Nunca a arruinado. Não, tentaram arruiná-la. Passei os dedos pela lâmina de minha faca, observando qualquer sinal de que alguém houvesse descoberto que eu matei a mãe, parecendo ainda como se eu estivesse fora em um corredor escuro, numa masmorra mofada. A casa da mãe era um velho castelo que tinha paredes de pedra e arandelas com velas para iluminar os corredores, mas eles só eram utilizados para efeito visual. Eu provavelmente tinha de doze a vinte e quatro horas antes que alguém descobrisse que mãe estava morta. Não era muito para voar de volta para Toronto e chegar a London, mas o suficiente. Deck e os seus homens estavam esperando e Tristan tinha seu jato particular à espera no aeroporto para nos tirar daqui rápido. Eu levei o celular da mãe, assim eu saberia se alguém estivesse procurando por ela e seu laptop, para tentar cortar o encontro da localização da exploração, a fórmula de drogas e o membro anônimo do conselho. Minhas habilidades não eram tão boas como as de Chaos e eu sabia que o homem do Deck, Tyler, era especializado nesta merda.


Parei na última pesada porta de madeira à direita, com grandes pregos de ferro preto pelos cantos. Ao contrário da casa de Toronto, aqui nada tinha scanners de olho nem acesso por impressão digital. Havia apenas uma chave única e velhas fechaduras para acesso, que eu também peguei da mãe. Do outro lado da porta, ouvi passos leves da minha irmã. Havia um sutil coxear por causa de um tiro que levou na coxa quando ela tentou fugir. As memórias de Chess foram filtradas recentemente. Eu até disse a London sobre ela quando eu nunca disse a ninguém. Era como se eu estivesse descongelando, o gelo congelado em torno de minhas emoções derretendo um pouco a cada dia. O condicionamento constante para me tornar sem emoção e indiferente desde que eu tinha sete anos de idade funcionou — até London. Guardei minha faca, inseri a chave, virei-a e abri a porta. Minha irmã não estaria disposta a partir comigo porque ela não confiava em mim. E por que deveria? — Francesca. — Ela estava do outro lado da sala, postura ampla, braços ao seu lado, dedos enroscados em punhos. Ela nunca foi uma lutadora e ainda assim se destacava nisso.


Ela era um livro aberto com suas emoções, as quais nunca foram capazes de eliminar. Não importa o que eles fizeram a ela, Chess permaneceu compassiva, mas estava com uma vantagem. Ela riu, mas o som não chegou aos seus duros olhos safira que outrora foram suaves e gentis. — O mais caro irmão. Você está aqui para finalmente me levar a morte? Será que Helena enviou-lhe para fazer as honras? Ela chamava a nossa mãe pelo nome, recusando a associação. Chess já deveria ter sido morta. Por ser a filha de um dos membros do conselho, foi dado o privilégio de permanecer viva após sua tentativa de escapar. Eles a pegaram. Atiraram na perna e torturaram antes que ela estivesse para ser executada. Mas fundamentei com a mãe que a execução era um mau exemplo para os outros. Chess merecia sofrer pela infidelidade, ela mostrou a Vault e Mãe. A morte era demasiado simples. Demasiado e permanente. Lembro-me de Chess olhando para mim, seu ódio ardente porque queria morrer. Mas eu precisava que ela me odiasse, então Mãe iria acreditar em mim. Era sempre sobre minha mãe acreditar em mim. Percebi que nunca esqueci nossa conexão com ela e até mesmo anestesiada e nos confins da minha mente, o instinto ainda era para protegê-la.


Este era o mesmo olhar que ela tinha quando nós enfrentamos um ao outro. Sua mão foi para seu bolso de trás e antes que ela tivesse uma chance de puxar qualquer arma que tivesse, joguei minha faca e cortei o braço de sua camiseta e embuti na parede atrás dela. Abaixei e rolei no último segundo quando seu pico de madeira improvisado bateu em meu ombro. Ele bateu na cornija de pedra e caiu no chão. Mas ela não parou enquanto jogava outro. Enfiei a mão na bainha e mergulhei por trás da cama quando joguei minha adaga, minha mira era para a direita

como

eu

queria.

Ela

sabia

que

tinha

errado

propositadamente. Todo mundo sabia que eu nunca errava o alvo. Ela parou, aliviando a tensão do rosto. — Kai? — É hora, Chess. Mantive

meus

olhos

sobre

ela.

Apesar

de

sua

circunstância, ela ainda tinha esta qualidade magnética, com seus traços suaves e olhos calorosos quando não estava puta com você. Seu cabelo era irregular, fios pretos até os ombros, que contradiziam sua aparência facial. Ela tinha quadris largos e mesmo vestindo calças, eu poderia dizer que ela esteve malhando com as suas coxas musculosas. Eu suspeitava que fosse para fortalecer sua perna ruim. Ela caminhou para o outro lado da sala, onde havia uma prateleira segurando uma parede de livros. Minha irmã


sempre foi uma leitora voraz. Contos de fadas, romance de ficção e talvez a razão porque ela era louca o suficiente para tentar escapar de Vault, pensando que era possível fazer o impossível. Embora, estivéssemos mudando essa falácia. Permaneci na porta, tentando ouvir quaisquer passos vindo pelo corredor, mas quando chequei às câmeras de segurança no computador de Mãe, um capanga estava na porta da frente e o outro estava no jardim rondando os muros. Havia também uma cozinheira e duas empregadas, mas era altamente improvável que elas viessem aqui embaixo. Sua cabeça caiu para frente e seus ombros caíram. — Eu não entendo. — Chess, Mãe está morta. Eu a matei dez minutos atrás. Sua cabeça disparou e ela virou-se com a boca escancarada. — O quê? — Está na hora. — eu repeti. Ela sabia exatamente o que quis dizer. Como as crianças na fazenda, o tempo não tinha significado. Não havia relógios, e, muitas vezes, eram mantidos em salas sem janelas, para que nunca vissem o sol ou a lua. Horas, minutos, dias, eles se misturavam na negritude.


Depois que meu pai foi executado, fomos levados para a fazenda e imediatamente separados. Quando eu a vi, não fomos capazes de falar com os encarregados sempre nos observando. Eles não queriam que nós formássemos qualquer tipo de amizade, de modo que separar um irmão e uma irmã era essencial. Mas um dia, fui deixado em um corredor enquanto meu encarregado da fazenda foi ao banheiro. Ela estava saindo de uma sala de aula com um menino em torno de sua idade e parecia que estava falando com ele em voz baixa, quebrando as regras. Eles não tinham um encarregado com eles, provavelmente porque estavam complacentes, ao contrário de mim, que lutei com eles por anos. No começo eu não a reconheci. Ela aparecia mais forte, a suavidade de bebê desaparecera de suas bochechas e estava muito mais alta. Ela parecia ter sete ou oito anos então. Mas os seus olhos permaneceram os mesmos, com uma doçura persistente nas profundezas, enquanto falava com o menino ao lado dela. Aproveitei a oportunidade, sabendo que iria sofrer mais do que pudesse imaginar. Corri pelo corredor até a sala de aula e

ambos

pararam,

com os olhos

arregalados e

temerosos. Então, Chess me reconheceu e jogou os braços ao meu redor quando balancei a cabeça rapidamente. Eu tinha segundos.


— Eu vou matá-la, Chess. Um dia, eu vou matar a Mãe. Não desista de mim. Não importa o quê. Haverá um momento, Chess. A hora de acabar com isso. Foram segundos, mas não importando o tempo em que fiz, porque fui pego. O encarregado veio ao virar da esquina e me viu com ela e o menino e fui levado para a cova. Eu não lutei. Ouvi os soluços engasgados da minha irmã, então saí com minha cabeça erguida. Até olhei por cima do ombro e pisquei para ela. — Você a matou. — Foi uma declaração e que era como se ela não acreditasse nas palavras. — E sobre a fazenda? — Nós vamos encontrá-la. Seus olhos se estreitaram e ela enrijeceu. — Você não a encontrou, então. — Ainda não. Ela estendeu a mão para a estante e à luz das velas pegou a ponta do queixo, onde um hematoma roxo brilhava. Vault não marcou seu rosto e eles deixaram Chess em paz há anos. — Quem bateu em você? — Connor. — Ela caminhou até sua cama, a mão sob seu colchão e tirou o que parecia um colar. Ela o torceu em sua mão e colocou em seu bolso antes que eu visse direito. — Não é culpa dele. A droga é instável e Mãe sabe disso. Ou ela


sabia, é por isso que eles não estão usando-a em qualquer outro ainda. Foi por isso que Mãe concordou em deixar London viver depois que Deck a salvou do leilão. — Ele não pode controlar a raiva. É como se ela bombeasse uma coisa e ele não tem para onde ir, então se perde. Nem todo o tempo, é esporádico e, Kai, ele não tem ideia do que está fazendo. Suas memórias estão todas bagunçadas. — Quando foi a última vez o viu? — Há alguns dias atrás. Ouvi os guardas citarem que Connor estava indo para Toronto. Porra. Tínhamos de chegar a London. — Precisamos ir, Chess. Ninguém vai saber da morte da Mãe até amanhã. Se tivermos sorte, no dia seguinte. — Eu deixei cair meu saco preto no chão. — Tenho seu laptop e nós podemos encontrar o que precisamos nele. — Isto é, se você conseguir acessá-lo. É verdade, mas era tudo o que tínhamos. — Nosso voo sai em uma hora. Embale o que você precisa. Ela se sentou na ponta da cama, sua mão em seu bolso.


Fiquei em silêncio, também. Não havia desculpa para como eu vivi minha vida. Eu aceitei as minhas decisões e fiz o que pensei que tinha que fazer. E agora, eu estava fazendo o que tinha que fazer. Chess estava viva. Minha irmã vivia, respirava, estava na minha frente e eu não estava saindo sem ela. — Fiz o que tinha que ser feito, Chess. Não há nenhuma outra razão para isso. Seus olhos se suavizaram. — Eu sei, Kai. Nunca lhe pedi para me salvar. Não, ela não pediu. — Você precisa de alguém dentro. Fiquei tenso e uma onda de frio me alcançou. — Com a Mãe morta, os conselheiros irão se encontrar aqui. Há uma chance de que eu pudesse... — Não. — Peguei minha mala novamente e joguei por cima do meu ombro. Teríamos até de manhã, antes que alguém notasse que Chess foi embora e, mesmo assim, se o capanga que entregou o seu café da manhã não prestasse atenção, nós teríamos mais. — Coloque seus travesseiros sob seus lençóis assim, se verificarem você, eles vão pensar que você está dormindo. — Kai, ele estará aqui. Sei que ele estará. Sei que ele é o único que tinha a fazenda quando foi movida. — Eu sabia


exatamente a quem ela estava se referindo — à um membro do conselho que manteve o rosto escondido. — Talvez eu possa olhar bem para ele e desenhá-lo. Então, vou ser capaz de enviá-lo para... — ela parou. — Tristan? — Eu disse, sobrancelhas subindo. — Você conhece ele? — Você que o alimenta com informações desde que você teve seus ‘privilégios’. É como ele sabia sobre Georgie-Chaos. Você é o seu contato no interior. Ela sussurrou: — Ele prometeu. Eu não sabia o que ele prometeu, mas as peças foram se encaixando. Chess se importava com ele. Isto era tudo sobre ela pela forma como seus ombros caíram, a cabeça pendendo para frente, o cabelo curto de um lado de seu rosto. Mas o mais revelador foi a mão no bolso mexendo em torno do colar. Tristan era o menino que ela falou nesse dia que saiu da sala de aula. — Como é que ele escapou da fazenda, Chess? Queria ajudá-la? Você tinha que ter apenas o que...? Ela encolheu os ombros. — Eu não sei, quatorze, talvez. Era a única maneira. — Jesus, Chess. Você não saiu e ele conseguiu.


Ela olhou para mim. — Precisávamos de uma distração. — Porra. Foi por isso que Tristan passou sua vida para chegar a este ponto. — Era impossível para nós dois sairmos. — Ele não sabia, embora, não é? Ele pensou que estava indo com ele. Ela assentiu com a cabeça. — Porra. Eles a colocaram na solitária. — Isso valeu a pena. Eu faria isso de novo. E isso era Chess. Onde eu não tinha coração, Chess tinha dois deles. Ela suspirou, abaixando a cabeça. — Aquele olhar em seu rosto... ele estava se levantando, pronto

para

ser

executado

para

ajudar-me.

Mas

nós

tínhamos um pacto. Eu sabia exatamente o que o pacto era. Em vez de nunca deixar um homem para trás, era o oposto. — Eu nunca pensei em ir com ele. — É por isso que tentou fugir alguns anos atrás? Ele estava ajudando você? — Não. Ele não sabia sobre isso.


— Eu não entendo, Chess. Por que então? Por que você tentou deixar Vault? Ela ergueu o queixo, olhos duros. — Eu não sou como você, Kai. Não posso fazer o que eles querem. Minha irmã era mais forte do que eu esperava, mas eu a entendia. Eu não teria anos atrás, mas agora... Sabia o que era se preocupar com alguém. Sacrificar voluntariamente tudo por eles. Talvez ela nunca pudesse ser quebrada, porque já tinha se importado. Amado. Seus sentimentos por Tristan se recusavam a serem enterrados. Eu entendi agora. — Kai, saia daqui. Eles vão encontrar o corpo da Mãe e os membros do conselho vão me questionar. Devo ser capaz de encontrar algo para sair. Se eu fizer, tenho uma maneira de enviar e-mail a Tristan. — E eles poderiam simplesmente matá-la. — Estou disposta a correr esse risco. — Não. — Kai. — Não. — Esta não é uma decisão sua. — disse ela.


— Tudo bem, não é, mas tenho um pressentimento que Tristan acha que é dele e ele não vai permitir que você fique mais um segundo aqui. — Balancei a cabeça para o corredor. — Ou vêm por bem, ou vou fazer valer a minha reputação e fazer você escolher. Ela se levantou, os olhos cerrados. — Ele está aqui, não é? Eu sorri. — Na estrada. Esperando. Impaciente. Suspeito que se demorar muito mais tempo, ele vai tentar invadir este lugar por si mesmo e você sabe como isso vai acabar. Isso foi suficiente. — Temos até o meio da manhã antes que eles notem que fui embora. Tenho permissão para vagar pela propriedade por algumas horas. Eu balancei a cabeça. — Espero que você tenha um jeito de sair daqui. Eu sorri. — Porta da frente. — E você espera sair daqui comigo? — Não. Você vai tomar uma rota um pouco diferente. — Ela franziu o cenho e tinha todo o direito do porque ela não iria gostar. — Cozinha. Há um caminhão de peixes que


espera na parte trás. Ele acaba de fazer uma entrega e está à espera de uma carga extra. — Você está me enfiando em um caminhão de peixe? Eu dei de ombros. — Ele é um bastardo ganancioso. E você pode querer um suéter. — Porque ela ia ter que se esconder em um contêiner refrigerado cheio com peixe cru frio. O cara de peixe também era o homem que removia cadáveres para a Mãe quando necessário; só que desta vez, ele estava removendo um vivo. — Eu realmente espero que você saiba o que está fazendo, Kai. Porque você começou uma guerra. — Não, eu estou acabando com a guerra. Ela esquadrinhou o quarto como se procurasse o que levar com ela. Mas ela não tomou uma única coisa exceto o colar que ela ainda tinha na mão, passou por mim e se dirigiu para o corredor.


Pneus esmagaram o cascalho na estrada de terra e minha cabeça ergueu. Eu me afastei da árvore que estive encostado pelas últimas duas horas e pulei do outro lado da vala para ficar escondido. Estive calmo, firme, determinado e confiante desde que tinha quinze anos e não trouxe Chess comigo. Tinha escapado da fazenda quando menino, mas vê-la arrastada e sabendo que se sacrificou por mim... fez de mim um homem. A idade não teve nenhum fator. Eu sabia o que tinha que fazer e apesar do meu mundo ter explodido, faria qualquer coisa para chegar lá. E eu tinha. Aquele dia finalmente chegou. Meus nervos despertaram, os nervos que estiveram mortos por anos. Meu coração martelava e minhas mãos nos


meus lados em punhos, quando eu vi a nuvem de poeira a distância. Chess. O caminhão de peixe apareceu ao virar da esquina e parou a uns cem metros longe do meu carro. Kai passou por mim e estacionou em um ângulo na frente dele, em seguida, saiu. Ele falou algumas palavras para o condutor, em seguida, passou-lhe um envelope, que eu sabia que continha uma porrada de dinheiro. Kai desapareceu na parte de trás do caminhão e tudo dentro de mim que esteve mexendo acalmou — o fogo. A calma antes da tempestade. Chess. Minha melhor amiga, a garota que decidiu salvar um menino. Quem me salvou, porra. Finalmente chegou a minha vez. Esperei por este momento. Sonhava com isso. Orei por ele. Jesus. Nenhum dinheiro importava. Nenhuma das casas ou carros ou viagens. Foi tudo para chegar aqui. Debaixo do caminhão, vi seus pés quando ela saiu da parte de trás. As portas se fecharam e travaram, seguido por uma batida dupla alta na parte de trás e o caminhão retumbou, se afastando, deixando um rastro de poeira por trás dele. Eu estava esperando a poeira assentar. Esperando para ver com meus próprios olhos que ela estava viva. Nossos e-


mails esporádicos foram curtos, formais e não me davam nada de quem ela era agora. E nada poderia ter me preparado para isso. Éramos como um iceberg que rachou e se separou, flutuando em diferentes correntes até que anos depois, as duas partes finalmente se uniram e selaram perfeitamente. Isso era nós. Chess e eu. Eu a imaginei. Cada dia eu a imaginava, pensava nela. Ela era o que me levou a ter sucesso quando todas as probabilidades estavam contra um menino sem-teto com nada mais que um punhado de trocados e uma fossa cheia de pesadelos. Durante anos eu nem sabia se ela estava viva e não havia nenhuma maneira de saber se eles a mataram ou a deixado viver. Mas isso não me parou. Eu sabia sobre seu irmão, Kai, a partir daquele dia na fazenda quando ele se aproximou de nós. Levei anos para rastreá-lo antes de finalmente o encontrar em Toronto. Eu me estabeleci na mesma cidade. Assisti-o. Fiz o meu dinheiro. Trilhei meu caminho no mundo sabendo que um dia, eu estaria aqui, em pé, olhando para a garota que arriscou tudo por mim. Andei em direção a ela e foi a caminhada mais longa da minha vida. Ela ficou parada, os olhos apertados, os braços cruzados e seu corpo vibrando do frio do caminhão.


— Você quebrou o pacto. — ela deixou escapar, os lábios trêmulos. Deus, o som de sua voz era como inspirar oxigênio fresco. Todos esses anos eu estive sufocado sob uma nuvem escura, respirando o ar sujo. Mas Chess em pé a dez centímetros de distância, dura, fria e tentando ser estoica e valente, era como ser acordado de um pesadelo. Era alívio. Era conforto. Ela estava encontrando cores em um mundo cinza. — Chess. Suas costas se endireitaram. — Eu estava melhor lá dentro. Agora, não temos ninguém. — Chess. — eu repeti. Eu me aproximei, então estava a centímetros longe. Sua respiração era forte e irregular quando ela olhou para mim. Ela estava se esforçando para ser a única resistente, assim como quando esteve na fazenda. Sempre cuidando das crianças mais jovens, tomando a culpa pela merda que deu errado. — Não mais, Francesca. — Eu usei seu nome completo, porque estava deixando claro, ela não precisava mais fazer isso.


— Droga Tristan e sobre a fazenda? O Kai não sabe de nada ainda e ele matou a Mãe e o Conselho vai... — Não! Ela endureceu e eu levantei minhas sobrancelhas, desafiando-a a continuar com essa linha de pensamento. — Você não está sendo o cordeiro sacrifical, Chess. Não mais. Agora eu tenho algo a dizer sobre isso. — Mas... Eu andei para ela e segurei seu queixo. — Não. — Ela fechou a boca. — Nós vamos encontrá-los. Mas não com você em risco. Está decidido. — Se as crianças forem mortas por causa disso... — Se eles matassem você por causa disso, como você acha que teria acabado comigo? Por uma vez, pare de pensar sobre a fazenda e pense sobre si mesma. — Eu não posso. — ela sussurrou. Porra. — Eu sei, querida. — Ela não podia, porque tinha medo que, se o fizesse, iria desmoronar. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto e contradisse sua postura tensa.


— Porra, Chess. — Fui puxá-la para mim quando ela tentou escapar. Peguei seu antebraço e empurrei-a contra o lado do carro de Kai. Ela olhou para mim, os fios de cabelo se encontravam em seu rosto, seus olhos brilhando com determinação. Eu fechei meus olhos quando a onda de alívio me atingiu com força total. — Chess. — eu sussurrei. — Deus, Chess. Eu não sabia se iria lhe ver de novo. Fomos ligados pela circunstância que me levou ao Vault quando eu tinha oito anos, arrancado de minha família, assustado e sozinho. E Chess... ela me ensinou como sobreviver na fazenda. Ela tinha sete anos e eu tinha aterrorizados oito anos de idade, gritando e chorando por sua mãe, pai e irmã. — É hora de acabar com isso. Ela olhou para seus pés e disse calmamente: — Como podemos acabar com isso, Tristan? Como é que isso pode acabar? Deslizei minhas mãos sobre seus ombros, braços e para baixo,

gentilmente

desdobrando-os,

nossos

dedos

entrelaçados. Seus olhos se fecharam e ela respirou fundo. — Porque preciso que acabe. Porque preciso de você de volta e vou fazer qualquer coisa para ter você.


Sua respiração engatou pouco antes de minha boca encontrar a dela. Eu nunca a tinha beijado antes, mas foi como se encontrasse meu lar. Ela nunca foi um lugar; lar era um sentimento. Era alguém que você segurava em seus braços. E, para mim, era Chess. Seus lábios trêmulos estavam frios, mas em poucos segundos, eles estavam aquecidos pelos meus próprios quando a beijei. Senti o momento em que ela se deu para mim, quando sua boca se abriu e me permitiu entrar quando provei a sua doçura. Era duro e inflexível, em seguida, suave e gentil. Foi uma descoberta e um anseio por mais. Eu sempre a amei, mas o físico não estava lá para qualquer um de nós. Talvez fôssemos muito jovens. Talvez por causa da situação que estivemos. Mas quando o caminhão de peixe se afastou e os meus olhos se fixaram nela, eu a conheci. Ela foi a minha melhor amiga por sete anos e era como se não tivéssemos sido separados, nunca. Eu me afastei e segurei seu rosto, agora corado, meu polegar acariciando a sua pele. — Você cheira a peixe, baby. Ela fez uma meia careta e inclinou-se para mim e foi a melhor sensação de todos os tempos. Chess cedeu para mim.


— Eu senti falta de você. — ela sussurrou em minha camisa. Então, ela enfiou a mão no bolso e tirou o colar que eu tinha feito para ela quando eu tinha doze anos. Levou meses para encontrar as pedras certas e eu roubei fio de pesca da sala de armazenamento. A parte mais difícil foi encontrar uma pedra de corte afiado o suficiente para esculpir. Ela colocou-o na palma de sua mão e olhei para ele. Eu tinha esculpido uma pedra em uma peça para Chess, uma pedra, porque Chess era tão protetora com todos. O outro era um coração. Eu disse a ela, que não importava o que acontecesse para nós, meu coração estaria sempre dentro dela batendo. — Você estava comigo, Tristan. Foi o que me manteve forte. Passei meus dedos sobre ele. Ela o manteve. De alguma forma ela conseguiu mantê-lo todos esses anos. A voz de Kai foi abrupta e fria quando disse: — Se nós perdermos este voo, London estará morta. Você decide o que vou fazer se isso acontecer. — Ele dobrou no assento do motorista e bateu a porta. Eu sabia exatamente o que ele faria, porque faria a mesma coisa. — Quem é London? — Ela perguntou.


Eu enrolei a minha mão em torno do colar. — A menina de Kai. — Meu irmão tem uma garota? — O canto de seu lábio transformou-se e seus olhos provocaram. — Esta menina está de bom grado o seu lado? Porque eu não posso vê-la com meu irmão de outra maneira. Eu beijei sua testa. — Porra, eu a amo, Chess.


Toronto

Balancei a cabeça para Deck e Vic que estavam ao lado da porta e olhei por cima do meu ombro em direção a Josh, que estava no telhado de uma casa vizinha com seu rifle engatilhado. Tyler estava dentro da SUV com o seu computador, vasculhando pelas as câmeras de segurança em torno do perímetro. Desde que o alarme de incêndio não havia tocado, ele foi bem-sucedido — até agora. Ou acreditávamos nisso. De qualquer maneira, nós estávamos entrando e saindo com London.


Dei um passo para a varanda e levei meu olho até o scanner de reconhecimento. A porta abriu e eu a empurrei com a ponta da minha bota. Eu tinha a minha mão perto da minha faca enquanto caminhava para o interior. Com os dois pés no saguão, olhei para a câmera no alto, no canto direito, então me agachei para amarrar minha bota. Que era um sinal para Tyler apagar no intervalo de cinco segundo de diferença as telas no saguão. Se ele apagasse todas de uma vez, com certeza bloqueariam o porão e nós nunca chegaríamos até lá ao menos que explodisse o lugar, o que não aconteceria com London dentro. Deck estava logo atrás de mim, junto com Vic e nós andamos em harmonia pelos pisos de mármore até a pintura a óleo. Cutuquei a moldura da pintura com a palma da mão e a armação se abriu. Então, digitei o código da porta do porão. Esta era a nossa única chance de tirá-la. Uma vez que o corpo da Mãe fosse encontrado, a segurança seria quase impossível de ser rompida e eles levariam London, mais provavelmente, para o único lugar que eu ainda não tinha localizado — a fazenda. Então tinha que ser feito desta forma. Abri a porta e comecei a descer as escadas com as costas contra a parede. Cheguei até a lâmpada pendurada na escada. Estava quente pra caralho, chamuscando a minha pele quando a desliguei, mascarando-nos nas sombras.


Os sons de passos vieram da direção das escadas e eu levantei a minha mão para que Deck e Vic parassem e então, desci os últimos degraus. Brice apareceu na esquina, com a sua arma na mão. Ele sorriu quando me reconheceu então vacilou quando seu olhar bateu na mão que carregava a faca. Ele apontou sua arma para mim, mas era tarde demais. Minha lâmina cortou o ar como uma bala. Brice não teve nem mesmo tempo para puxar o gatilho antes que a minha faca cravasse em seu pescoço. Ele caiu no chão, o sangue escorrendo entre seus dedos que estavam entrelaçados em torno do punho da faca. Em poucos segundos, ele ficou mole, com a pele do seu pescoço manchada de vermelho, espirrado o sangue no cimento bruto do andar. Andei até ele, peguei a faca e limpei o sangue em sua camisa. Eu não tinha remorso sobre matar Brice, porque ele era responsável por eu estar nesse lugar. E isso significava que ele machucou London. Aproximei-me da porta dentro da prisão, fiz uma nova verificação ocular e a fechadura se abriu. — Me dê cinco. Corri pelo frio e estéril corredor, em direção a cela que eu tinha visto London há mais de um mês atrás. Porra. Parecia mais como se fossem dois anos sem ela. Só que desta vez, eu sabia onde ela estava. Eu simplesmente não conseguia chegar até ela. Isso era muito pior, porque tive que


resistir a vontade de dizer um ‘vai se foder’ e vir aqui buscála. Teria matado a ambos no segundo que usasse as minhas impressões digitais da Mãe como código de segurança extra. Coloquei meu dedo contra o leitor e esperei o distinto clique. Minha respiração parou na minha garganta enquanto eu esperava, rezando para que a Mãe tivesse realmente codificado a senha de bloqueio da cela de London. Clique. Fodido, Cristo. Eu chutei a porta e parei, meu olhar passando pela a cela mofada de London. Havia uma cama nua, sem lençóis, sem travesseiro, um banheiro e grandes anéis de metal na parede de cimento úmido com correntes penduradas nelas. Bile subiu na minha garganta quando me lembrei da minha infância, porque eu sabia o que era para London estar aqui. Sabia como era o frio em seus ossos se recusando a ir embora. Parecia que minutos se passaram diante dos meus olhos, quando, finalmente, bloquearam na bola enrolada no canto da cela. — Porra. — eu praguejei. Eu sabia o que ia ver; fui preparado para isso. Testemunhei tortura suficiente e desespero em minha vida que estava imune. Torturei homens para obter respostas. Matado. Mutilado. Mas a memória do assombro de ver


London nesta cela foi a minha própria tortura. Eu estaria sendo torturado fisicamente com aquelas constantes imagens desde aquele dia e o som dos meus passos ecoando enquanto me afastava, sabendo que tinha que deixá-la aqui. Saber o que eles fariam com ela. Aproximei-me da forma amontoada no chão. Ela estava imunda,

um

plástico

marrom

acinzentado

cobrindo

escassamente o corpo. Seus longos cabelos pendurados em fios oleosos em todo o rosto e sobre os ombros como se fossem seu cobertor do ar frio. Agachei-me ao lado dela e estava prestes a tirar o cabelo de seu rosto quando vi o flash prata em sua mão. — Lon... Seus olhos se abriram ao mesmo tempo que seu punho foi para a minha garganta com o pequeno pedaço de metal. A arma enferrujada e oxidada raspou toda a minha pele e eu senti o rastro de sangue quente no meu pescoço. — London! — Rolei para o lado quando ela pulou em cima de mim, com olhar sólido, mas vidrados. Segurei o seu pulso com o metal e apertei tão forte que ela gritou, soltou a arma e caiu no chão. — London. Pare. Ela continuou a resistir a mim, seu cabelo protegendo o rosto enquanto se contorcia para trás. Tentei ser suave, não querendo machucá-la, mas não tive escolha a não ser a jogar


de lado e a montar antes que ela tivesse a chance de se levantar. Levei um segundo para bloquear os seus braços agitados quando ela tentou me dar um soco. Consegui agarrar seus pulsos e usei o meu peso para mantê-los acima de sua cabeça. — London! — eu gritei. — Sou eu. Kai. Ela se acalmou, o olhar selvagem em seus olhos se estabeleceu como se ela se concentrasse em mim. Em seguida, seu corpo ficou mole. — Kai? — Sim. — Soltei os seus pulsos e acariciei o seu cabelo, levando-o longe de seu rosto. Ela olhou para mim por um segundo e eu pude ver os olhos tentando compreender se o que ela estava vendo era real e não sua mente pregando peças. Ela estendeu a mão, sua mão trêmula quando ela colocou os dedos no meu lábio inferior. Seu peito começou a subir e descer rapidamente e seus olhos se arregalaram quando ela finalmente percebeu que eu era real. — Kai. Deus, ela era a mais bela vista que eu já vi. O jeito que ela olhou para mim... Porra, se eu morresse naquele momento, tudo valeria a pena por ver aquele olhar em seus olhos. Eu era a razão de ela estar aqui, a razão de toda a sua


dor e ainda assim, eu era egoísta por continuar desejando-a. Necessitando ela. — Temos companhia. — disse Deck, aparecendo na porta. — Três homens entraram nas instalações pela porta dos fundos. Merda. Claro, isso não seria simples. London olhou para ele. — Deck? Havia um olhar confuso em seu rosto e eu sabia que ela não entendia porque Deck estava aqui comigo. Ela não tinha ideia de que isso era apenas o começo do que estávamos enfrentando com a nossa luta para derrubar Vault. — Braços. — insisti. Ela enganchou-os em torno de mim, então eu a levantei do chão úmido. Sua testa descansou contra o meu peito e meu coração bombeava sangue em mim quando a segurei apertado. Estive lutando para que esse dia chegasse e, finalmente, a sensação era como se a interminável tortura tivesse acabado. Ela inclinou a cabeça até encontrar meus olhos. — Sempre. — ela sussurrou. — Sim, baby, sempre. Deus, eu senti sua falta. Ela ficou na ponta dos pés.


— Então me beije. Eu gemi, em seguida, abaixei minha boca na dela, meu aperto em seu aperto quando provei seus lábios trêmulos. — Gostaria de sair daqui vivo! — Deck gritou ao virar da esquina. Eu me afastei com um meio sorriso, em seguida, agarrei a mão dela e nós corremos para a escada. — Dois SUVs se aproximando, — disse Deck, segurando a porta aberta. Ele estava usando um fone de ouvido para comunicar-se com seus homens. — Josh conta cinco em cada um. — Dê-me uma arma. — London disse, sua voz estava rouca. Tomei as escadas de dois em dois logo atrás de Deck e Vic. — Eu posso ajudar. — disse ela. — Nós temos tudo sob controle. — argumentei. — Apenas fique atrás de mim. — Kai. — Ela empurrou de volta em sua mão, mas eu me recusei a deixar ir. —- Me dê uma faca... alguma coisa. Deck parou no topo da escada e olhou por cima do ombro para nós.


— Josh contou dez na porta da frente. Tyler está chegando na parte de trás. — Estilhaços de vidro. — Ele os levará para fora quando tiver o caminho livre. Houve uma debandada de passos apressados. A frieza martelava em mim como se me esmurrasse em ondas. Isto era um rugido de necessidade de destruir, para proteger o que era meu, após semanas e semanas tentando manter minhas emoções bloqueadas. De fingir que a merda estava bem quando estava sentido falta de London. Ter que lidar com Tanner, Georgie, contando a Deck sobre mim, Georgie pirando achando que eu mataria Deck... Quem sabe em outro período da minha vida talvez eu tivesse feito isso, mas eu precisava dele para acabar com Vault e ter London de volta. Algo mudou em mim. Mesmo quando Deck apontou uma arma para mim em seu apartamento, eu não o teria matado. Entretanto teria o prazer de perfurá-lo. Caímos na piscina derrotados, mas dar alguns poucos socos era melhor do que atirar algumas balas. London era a razão para tudo isso. Ela era a razão pela qual eu tinha essa ‘semiconfiança’ em Deck. Ela foi a mudança dentro de mim. Olhei para London, pálida e suja e ainda assim com a mesma determinação em seus olhos que eu testemunhei no primeiro dia em que a conheci. O dia na floresta, quando as nossas vidas mudaram. Não havia nada de bom sobre o que eu fiz, trazendo-a para o meu mundo cruel. Mas London tinha sobrevivido. E ela ainda sobreviveria a isso.


— Kai. Agora! — Deck rosnou. — Dê-me uma arma, Kai. Vic puxou uma arma debaixo de seu colete, entregou a ela, me ignorando e depois foi para o lado de Deck passado a porta para a sala de estar. — Sabe usar? — Eu perguntei a ela. Ela olhou para mim e passei as duas mãos ao redor da arma. — Coloque-a aqui. Mire e puxe o gatilho. Eu não acho que seria possível depois do que ela passou, mas os cantos de sua boca curvaram para cima. — E você sabe como lidar com uma arma? Inacreditável. A última vez que a vi, ela parecia derrotada, seus olhos mortos. Mas agora, ela estava lutando. E, o seu ataque dirigido a mim no quarto, foi planejado para qualquer um que entrasse em sua cela. Que seria — Brice. — Baby, eu posso lidar com qual... — Vamos fazer isso. — Deck interrompeu. Eu concordei, me afastei dela e puxei uma faca. Vic deu um aceno abrupto para Deck e para mim, depois virou a maçaneta da porta e abriu-a com o pé. Três homens que estavam

se

apontaram.

aproximando

da

porta

pararam

e

então


Eu agarrei a mão de London e mergulhei a esquerda, enquanto Vic e Deck foram para a direita, atirando nos homens. Joguei uma faca e atingi um cara no peito. Ele caiu com força. Deck correu de volta para nós e Vic decolou em direção a cozinha, onde estava Tyler. — Vic, entrada. — Deck disse no fone de ouvido. — Cinco segundos. Entrada dianteira está comprometida. Estamos indo em sua direção. Eu não podia ouvir sua resposta, mas Deck balançou a cabeça e apontou para a porta da frente. — Josh já começou a contagem de cinco segundos. Mas eles estão nas janelas. E o plano de Josh foi comprometido. — Leve-a. — eu disse a Deck. Mesmo que eu tivesse lhes dado o layout, eu conhecia esta casa com os olhos vendados. Tinha a certeza que conhecia. Precisaria assumir a liderança e eu não queria London perto de mim. — Você está bem? — Perguntei. Ela assentiu com a cabeça. — Ok, vamos dar o fora daqui. Dê-me dez segundos. — Sem esperar por uma resposta, mergulhei do outro lado do corredor e balas perfuraram o ar quando Deck revidou cobrindo-me.


Peguei um vislumbre de um indivíduo com sua atenção em Deck, disparando. Rastejei ao redor da sala, subi por trás dele e cortei a sua garganta com a faca. Ele caiu no chão. Coloquei minhas costas contra a parede, em seguida, olhei em torno do canto para o saguão. Havia um cara que estava na porta da frente bloqueando nossa rota de fuga. Eu ouvi mais tiros de volta para a cozinha, onde Vic e Tyler estavam. Saí para vista e disparei a minha faca no cara. Ele gritou mas saiu borbulhando quando a minha lâmina perfurou seu peito. Seus olhos se arregalaram e sangue pingou de sua boca antes que seus olhos estivessem mortos e seu corpo caísse no chão. Corri, peguei minha arma e segui de volta para Deck e London. Minha cabeça chicoteou a direita sobre o meu ombro quando algo chamou minha atenção pela janela leste. Virei ao mesmo tempo que um corpo voou através do vidro e bateu em mim. O forte impacto fez com que nós dois batêssemos na mesa de café de vidro. Ergui a faca para esfaqueá-lo mas senti uma dor agonizante no ombro causada por punho que bateu com tanta força que o senti deslocar.


Cerrei os dentes e empurrei ele tão forte quanto podia. Nós rolamos e lutamos no chão, a faca caiu da minha mão com o braço inútil. Levantei meu cotovelo esquerdo e bati em seu rosto. Ele caiu ao meu lado e ouvi o estalo do osso. Estendi a mão para a minha faca na bota ao mesmo tempo em que ele chutou a estante. Isto desabou e eu fiquei atordoado por um segundo, quando centenas de livros caíram em mim. Foram segundos e eu não vi ele pairar sobre mim, com uma arma para a minha têmpora. Afastei alguns livros e levantei as sobrancelhas para ele. — Se não é o pequeno animal de estimação, Connor. A arma foi engatilhada. — Connor. Não! — Deck gritou. Houve um lampejo de reconhecimento em seus olhos ao som da voz de Deck, mas após anos sendo drogado e condicionado nas mãos de Vault não iriam impedi-lo. Mas as balas de Vic pararam. Connor foi para baixo quando uma delas atingiu sua coxa e outra no ombro. Empurrei o resto dos livros e a prateleira de cima de mim, então peguei minha faca na bota e fui para Connor.


Deck estava em mim, sua arma encostada no meu pescoço. — Não. — Ele não é mais o Connor. Você viu isso. Acabe com ele. Connor gemeu e se moveu para se levantar. Vic veio por trás dele e agarrou os braços de Connor, colocando-o em pé. Deck acenou para Vic, que colocou a mão na parte de trás do pescoço e, em seguida, Connor ficou mole e caiu contra o Vic. Deck virou-se para mim, seus olhos eram assassinos. — Se você tentar matá-lo uma vez, só mais uma vez, nossa frágil trégua estará acabada. Eu balancei minha cabeça. — Ele não é mais o seu amigo. — Sim, bem, nem você e ainda assim, eu o deixei vivo. Eu bufei. Ele tomou o inconsciente Connor de Vic e atirou-o por cima do ombro. — Josh. Na saída da frente. — disse ele. Agarrei a mão de London, me abaixei para pegar a minha faca e o segui.


Tyler tinha o SUV estacionado na varanda. Deck colocou Connor nos fundos e ouvi o clique de algemas. Pelo menos ele teve o bom senso de perceber que ele era perigoso e não era mais o seu amigo. Nós três entramos no banco de trás e saímos em disparada, parando por um segundo para que Josh pudesse entrar na frente. Puxei London para mim, minha mão em sua cabeça, acariciando. A arma estava em seu colo, sua mão ainda grudada nela. Notei Tyler olhando para Deck no espelho retrovisor, sua expressão sepultada, mandíbula apertada. — Chefe. Esse é o Connor? Deck assentiu. — Não está bem? — Não. — disse Deck. Eu encontrei os olhos de Tyler no espelho. — Ele estaria melhor morto. — Nós não matamos nossos homens. Nunca. — afirmou Deck. — Ele não é mais seu homem. Ele é um deles. — Ele permanece vivo. — Deck bateu com o punho na janela.


— Eu me pergunto se você ainda vai dizer isso no dia em que ele tentar matar Georgie, — eu disse. — Ele não vai chegar perto dela. — Vic respondeu antes que Deck pudesse. Eu permaneci quieto porque sabia que a lealdade entre estes homens era inquebrável. Mas esse cordão que os amarrava se quebraria se Connor tentasse ferir Georgie. Ele era uma máquina, os elementos a que ele foi exposto o reduziram a nada mais do que uma névoa fina. E agora, ele vivia como um animal preso, acorrentado ao que se tornou. Eu também conhecia Chaos e não havia chance de eles a impedirem de ver seu irmão. Tyler saiu da estrada em um estacionamento uma hora mais tarde e desligou o motor. Tristan e Chess estavam esperando por nós, inclinando-se contra o meu carro que não era registrado, por isso era melhor do que os veículos chamativos de Tristan. Eu saí, estremecendo com o movimento. — Você necessita cuidar disso. — disse Vic, acenando para o meu ombro deslocado. Deck veio para ficar ao lado dele. — Eu vou colocá-lo no lugar. Eu ri. — Em seus sonhos, Deck.


Vic sorriu. Provavelmente, a única vez que eu vi o sorriso do cara. — Você prefere que eu o segure? London saiu do carro e eu senti o toque suave de sua mão nas minhas costas. — Não precisa que ninguém me segure. Basta fazê-lo. — pedi a Vic, então Deck pousou os olhos indo para qualquer lugar perto de mim. Ele riu e se afastou. Doeu demais. Mas Vic foi rápido, forte e sabia o que estava fazendo. Quando terminou, ele bateu no meu ombro — forte.

Desgraçado.

Eu

ainda

consegui

oferecer

um

agradecimento. Minha mão estava trancada com as de London e eu caminhei em direção Tristan e Chess. — Este dispositivo precisa melhorar. Tristan

levantou

uma

sobrancelha

e

pegou

uma

pequena caixa preta retangular sentada no capô do SUV. —

Tenho

desenvolvido

durante

meses.

Isso

vai

funcionar. Eu dei de ombros. — Não será meu problema se Deck matar você, se o seu dispositivo falhar e explodir seu amigo. Tristan deu um sorriso arrogante.


— Você acha que eu ia arriscar usá-lo em Chess? Eu sei que merda estou fazendo. Depois de passar algum tempo com Tristan, odiei o bastardo arrogante no início, mas agora após o tempo, percebi que ele tinha o direito de ser arrogante. O cara saiu da fazenda, ficou longe de sua família, mesmo depois que escapou, passou a vida reunindo recursos para tirar Chess das garras de Vault. Eu daria a ele uma margem de erro, mesmo se o dispositivo matasse Connor. — Eu posso deixá-lo viver afinal, Tristan. Ele bufou. Minha irmã fez uma careta para mim antes de olhar para London. Ela deu um passo para frente, estendeu a mão e se apresentou. — Então, você é a razão de finalmente crescerem algumas bolas em meu irmão. — Zombou. — Prazer em conhecê-la. Eu sou Francesca, Chess, irmã de Kai. E este é Tristan. Eu vou deixar Kai falar sobre ele. London balançou ambas as mãos. Era estranho fazer algo tão normal quando não havia nada normal de qualquer um de nós ou o que estava acontecendo. — Tristan. — Tyler chamou. — Precisamos fazer isso agora. Ele está acordando. Chess e Tristan foram para a parte traseira do SUV e eu coloquei minhas mãos nos quadris de London.


— Eu preciso saber, baby. Você fugiu de mim? Você deixou a casa e encontraram você? — Você sabe a resposta para isso, Kai. — Ela estendeu a mão e segurou meu rosto. — Você não confia em ninguém e eu entendo isso, mas você precisa aprender a confiar no que seu corpo está lhe dizendo. Comecei a rir por ela usar minhas próprias palavras. Palavras que eu disse a ela na primeira noite juntos. Ela parecia cansada, machucada e magra, mas sorriu. Rosnei antes de colocá-la em cima do capô do meu carro onde havíamos começado há quatro anos. — Você pertence a mim, Coração Valente. Isso é o que meu corpo está me dizendo. — O meu também. Agarrei em ambos os lados da sua cabeça e a beijei.


Seu beijo foi lento e suave, como se estivesse com medo de me quebrar, mas, seu controle vacilou e ele beijou-me como eu queria que fizesse. Possuído e poderoso, como se nada fosse capaz de nos separar. Suas mãos estavam em cima de mim quando me pressionou até que eu estava deitada no capô do carro, o seu peso em cima de mim, sua boca esmagando a minha. Com minhas mãos nos seus quadris, puxei para mais perto, embora ele não pudesse ficar mais perto. Eu só precisava de cada polegada dele me tocando, tornando isso real. Ele se afastou, as mãos em ambos os meus lados, descansando no carro. Meu peito subia e descia com


esfarrapadas respirações e provocou formigamentos pelo meu corpo. Ele ergueu a mão e acariciou o lado do meu rosto com os nós dos dedos. — Um monte aconteceu na minha casa desde que... — Ele hesitou e era tão diferente dele. — London, naquele dia eu vi você na cela... eu não podia tirá-la. Esse momento brincou na minha mente uma e outra vez. Antes que eu visse seu rosto através das barras da minha cela, sabia que era ele. O cheiro dele era para mim como uma brisa de esperança. E então foi como levar um soco no estômago quando encontrei seus olhos duros e frios. Eu sabia que ele não estava lá para me salvar. — Eu sei. — eu murmurei. — E o que eu disse. — Uma mão de Kai descansou no meu quadril, a outra segurou meu rosto. — Porra, eu precisava que você vivesse e a melhor maneira era dar você a eles. Eu não sabia como... ou se poderia chegar até você. Kai nunca experimentou amor ou a confiança, mas eu sim. Não importava o que ele tinha fito para mim naquele dia, não importava quão esmagada de raiva eu estava quando ele foi embora, eu sabia o porquê dele dizer isso. Eu estava morta por dentro, mas confiava que ele voltaria. Dei a eles o que precisavam ver, uma menina


perdida e destruída, sem esperança e calmamente fiquei mais forte. — Você nunca desistiu. Ele disse, como se ainda não pudesse acreditar que eu estava na frente dele. — Eu nunca desisti de nós. Vi o conflito em seu rosto quando ele olhou para a minha mão descansando em seu peito. Seu batimento cardíaco estava constante e rítmico como sempre foi. Era o conforto que eu precisava, porque não importava como eu me sentia sobre Kai, ele sempre carregava uma escuridão que me assustava. Mas quando toquei nele e senti seu coração bater, me lembrou que era real, que este homem, se eu quisesse ou não, estava dentro de mim. Era uma parte de mim. Nós estávamos amarrados. Ouvi um miado alto vir da parte de trás do SUV e ele se levantou, me trazendo com ele. Nós dois olhamos e vimos o lado do veículo dar guinada para o outro. Tyler passou voando e pousou em sua bunda na terra vários pés da parte de trás. Através dos vidros esfumaçados, vi Deck no interior do veículo ajoelhado no banco de trás, o braço curvado no pescoço de Connor quando ele continuou se debatendo tentando se libertar. Ele era irmão de Georgie, o homem em que eles estavam testando a droga do meu pai, o homem que me tirou da casa de Kai.


— O que eles estão fazendo com ele? — Eles começaram a colocar um chip GPS em recrutas, cooperadores, em quem quer que eles queiram controlar ou ter certeza que nunca escapassem. Quando Chess foi capaz de entrar em contato com Tristan, ela disse a ele sobre isso e as

suas

vulnerabilidades.

Tristan

tinha

alguém

desenvolvendo um dispositivo para indicar a sua localização no corpo. — Há muitas máquinas que fazem isso, não existem? — Sim. Mas não aquelas para retirá-las. — O que você quer dizer? Ele me beijou de leve na boca. Meus lábios estavam secos e rachados e a carne sensível doía ainda que com sua gentileza. — Eu prometo que você vai ficar bem. — Ele vai me escanear? Tristan caminhou em direção a nós, seus passos largos moendo o chão. Ele acenou para Kai. — Achei. Vou começar pelo seu pé. — Ele segurou uma pequena caixa preta em sua mão com uma luz verde piscando na borda frontal. — Pronto? Kai balançou a cabeça e moveu-se para o lado.


— Só vou passar este dispositivo sobre seu corpo, ok? — Eu não vou explodir? — Tristan riu. Kai não. — Vá em frente. — eu disse. Tristan agachou-se e começou com os meus pés, em seguida, para cima e para baixo da minha perna e na outra. A máquina começou buzinando e piscando em vermelho quando chegou ao lado direito da minha pélvis. Tristan colocou a máquina no capô do carro e estendeu a mão para a minha camisa puxando-a para cima. A mão de Kai trancou seu pulso. — Eu vou fazer isso. Tristan balançou a cabeça, um leve tremor no canto de sua boca. Ele me soltou e jogou um maço de gaze, um rolo de fita adesiva médica e uma garrafa de desinfetante sobre o capô ao meu lado. — Danifique-o enquanto removo e ambos vão explodir em um milhão de pequenos pedaços. — Porra. — Eu parei de respirar. Kai me ignorou e tirou a faca. — Então vamos, porque nós explodiremos. Ninguém vai tocar nela com uma fodida lâmina, exceto eu. — Kai? — O medo me atingiu. Eu tinha uma bombarelógio sob a minha pele?


Tristan deu os ombros e foi embora. — Não se mova. — Kai ordenou quando me pressionou sobre o capô do carro. — Eu gostaria de ter uma chance de me enterrar entre suas coxas novamente, Coração Valente. — Jesus, Kai. E então, eu vi seu maleável sorriso e uma onda de conforto infiltrou em mim. Kai derramou o desinfetante sobre a lâmina da faca, em seguida, eu me inclinei sobre o capô e ele levantou minha camisa. Seus dedos apalparam o lado direito da minha pélvis. Eu nunca tinha notado nada, mas, novamente, estava mais preocupada com o meu próximo gole de água do que qualquer pequena protuberância incomum que eu pudesse ter. — Aqui. — Ele apertou minha pele uma polegada de distância do meu osso do quadril. Ele levantou a cabeça e olhou para mim. — Tente não se mover ou matará nós dois. Eu levantei minhas sobrancelhas. — Talvez você devesse perguntar a alguém que saiba como lidar com uma faca. Ele riu e eu suspirei quando o som familiar tomou conta de mim. Ele baixou a lâmina e cortou em minha pele. Mordi o interior da minha bochecha enquanto Kai cuidadosamente esticava minha pele com os dedos e a ponta de sua faca afundando em minha carne.


Eu não assisti, mas senti um leve pop quando o microchip saiu. — Achei. — Ele ergueu a lâmina, o pequeno dispositivo sentado na ponta plana da mesma. Empurrei a minha camisa e sentei-me. — O que agora? — Tyler e Josh irão fazer um pequeno passeio com ele. Isso deve manter quaisquer agentes Vault ocupados por alguns dias. Então, eles vão destruí-los. Deck se aproximou de nós e acenou para mim. — É bom ver que você está bem, London. — Eu duvidava disso. No nosso último encontro, eu era Raven e eu tinha segurado uma arma para a amiga de Georgie, Emily. Ele pegou o microchip de Kai e caminhou de volta para o SUV. Kai usou o material de curativo e a fita que Tristan deixou e gentilmente levantou minha camisa para cobrir a ferida. Quando terminou, a minha mão caiu sobre seu calor queimando dentro da minha barriga. — O que está acontecendo, Kai? Sua irmã está livre. Você está aqui com o Deck e seus homens. Quem é Tristan? Eu não entendo. Ele acariciou o lado do meu rosto.


— Eu matei a minha mãe. — Eu engasguei. — Ela era uma verdadeira cadela. — Kai... — Eu não sabia o que dizer, então não disse nada. — Estive vivendo em um mundo em preto e branco. Não me importava com nada. Morte. Tortura. Dor. Nada disso importava. — Ele se moveu para mais perto e enrolou seu braço em mim me puxando para mais perto. — Então eu a conheci, Coração Valente. — Ele abaixou a cabeça e me beijou. Era firme, mas lento como seus lábios se moviam sobre os meus em uma carícia profunda. — Nós estamos terminando isto, baby. Nós vamos derrubar Vault. Eu fiquei tensa. Puta merda. Era por isso que Deck e os seus homens estavam com Kai. Ele sempre disse que não tinha amigos e que não confiava em ninguém, mas estava colocando uma enorme quantidade de fé em Deck. — Isso é possível? Ele deslizou a mão pelo meu braço até que seus dedos ligaram com os meus e me ajudou a sair do capô do carro. — Eu estou fazendo o possível. — Que tal... bem, o meu pai? — Ainda não sei. Uma onda de medo bateu em mim.


— Nós temos que ajudá-lo, Kai. Eles vão atrás dele, certo? Eles vão matá-lo ou escondê-lo ou... Kai, nós temos que ajudá-lo. Ele segurou a parte de trás da minha cabeça, seus dedos deformando meu cabelo. — Nós vamos. Agarrei a frente de sua camisa. — Oh Deus. Kai, ele é tudo que me resta. Ele olhou para mim, dedos firmes e olhos preocupados, apertando o meu cabelo. — Sim. Havia algo em seus olhos, mas eu não tinha visto isso antes. Pensei que era preocupação, mas era mais do que isso. Preocupação? Mas Kai nunca parecia preocupado com nada. Kai agarrou-me e uniu a boca na minha e disse: — Você sempre me terá. Ele me beijou novamente. Não foi gentil e doce. Era uma promessa.


Adormeci no carro e quando acordei, estava em um sofá com a cabeça no colo de Kai. Sua mão lentamente acariciava meu cabelo. — Não. Esqueça isso. — Eu ouvi Deck dizer. — Não me pressione, Georgie. Georgie? Ela estava aqui? É claro que ela estava. Kai disse-me no carro antes de eu adormecer, que ela estava com Deck agora. Então, ele me contou sobre Tristan e Chess. Sua história era esmagadora e bonita ao mesmo tempo. — Vic. Por favor, fale com ele. — disse Georgie. — Não preciso de Vic falando comigo, Georgie. Eu disse que não. — Deck disse em um tom atormentado. Eu abri meus olhos e Kai deve ter percebido que eu estava acordada quando a mão dele parou. — Kai? — Disse Georgie. — Diga à ele. Eu posso alcançá-lo. Eu posso ajudar. — Jesus Cristo, Georgie, não. Não vai acontecer. — disse Deck. — Eu não quero que você o veja assim. — Ele não é quem você pensa que é, — afirmou Vic. — Eu não dou a mínima! — ela gritou, com sua voz trêmula e à beira das lágrimas. — Eu quero vê-lo. Sentei-me e Kai me passou uma garrafa de água, com a tampa já ausente. Eu tomei, o líquido correu na minha


garganta como seda. O plástico estalou quando terminei e coloquei sobre a mesa de café. — Georgie. Pare. Agora. — Deck disse e seu tom era seriamente chateado. Olhei por cima do meu ombro, enquanto Georgie agarrou a maçaneta da porta do outro lado da cozinha. Deck saiu do banco do bar e foi atrás dela antes que a porta estivesse totalmente aberta. Ele segurou seu braço, arrastou-a de volta, então a dobrou e de uma só vez teve Georgie por cima do ombro. Ele fez isso tão fluidamente que era como se fosse uma ocorrência habitual. — Ele é meu irmão. Ele é meu maldito irmão! — ela gritou. — Eu sei. E é por isso que não posso deixá-la. — Ele levou-a chutando e gritando em outra sala, em seguida, a porta fechou. Houve um baque alto, um tapa e algumas palavras curtas e abruptas de Deck antes do silêncio. Kai levantou-se e estendeu a mão. — Você precisa de um banho, baby. Eu precisava. Desesperadamente. — Como está seu ombro? Ele não respondeu; em vez disso, me levantou do sofá e me pôs de pé. Eu estava adivinhando que estava bem então.


— Onde estamos? — Uma das casas seguras de Deck. Embora, eu não sei se diria que é seguro depois de ver o porão. Ele não me deixou pensar muito sobre isso quando me pediu para ir em frente, passando por Vic que estava agitando algo que cheirava a molho de tomate e manjericão no fogão. Ele balançou a cabeça para mim e eu dei um meio sorriso. Vic era muito assustador e eu não tinha certeza sobre ele, mesmo que tenha me ajudado a escapar de Alfonzo e Jacob. Nós entramos em um quarto no final do corredor e Kai fechou a porta. A casa não era decorada e parecia bastante média, uma que você encontraria em uma subdivisão recémconstruída. Não havia toques pessoais; nada nas paredes e móveis básicos. Kai entrou no banheiro adjacente. Ouvi a cortina do chuveiro puxada de lado sobre os anéis de metal e a água ligada. Andei para me juntar a ele que já estava debruçado sobre a banheira, testando a temperatura da água com mão. — Feche a porta. Eu fechei. Em poucos segundos, o banheiro começou a embaçar e fechei os olhos, respirando a umidade aquecida. Estive com frio e úmida durante tanto tempo que temia que a sensação de estar com frio nunca iria embora.


Debrucei-me contra a porta do banheiro e suspirei. Era como se eu estivesse sendo vestida com um manto de calor aquecendo meu sangue. Senti o momento em que Kai veio para mim e abri meus olhos. As mãos dele foram para o fundo da minha longa camisa. Ele então levantou lentamente, as pontas dos seus dedos arrastando pelos meus lados. Levantei meus braços e ele puxou a camisa e jogou-a no chão. Eu estava nua por baixo e meus mamilos estavam eretos, apesar do ar quente e úmido. Arrepios espalharam sobre a minha pele. Deus, eu iria sucumbir. Queria que ele cuidasse de mim. Queria ser aquecida e eu... queria sentir-me amada. As mãos de Kai deslizaram pelo meu corpo até a borda da minha calcinha. Seu hálito quente percorreu minha pele enquanto ele abaixava lentamente para baixo em minhas pernas. Agarrei-me aos seus ombros e levantei l cada pé para sair dela. As palmas das mãos quentes deslizaram até as minhas pernas, sobre minhas coxas para os meus quadris quando ele ficou em pé mais uma vez. Eu estava nua na frente dele, mas seus olhos não estavam no meu corpo. Ele estava observando minha expressão. Meu peito subia e descia mais rápido enquanto eu antecipava o seu toque. Ele fez uma careta. Eu estava esperando por esse encantador sorriso divertido em seu lugar. Suas mãos foram para a atadura no meu quadril.


— Nós vamos enfaixar novamente após seu banho. — Ele retirou a fita e a gaze, jogou-as no lixo e estendeu a mão para pegar a minha. Ele parou. Então seus olhos escureceram quando desembarcaram na cicatriz no meu ombro. — Isso é a porra de uma bala. — Seus olhos corriam para os meus. — Eles atiraram em você? — Foi de raspão. — Connor tinha razão. Eu não sangrei até a morte, mas desmaie no carro e quando acordei, meu ombro estava enfaixado. — Quem? O homem atualmente estava no porão. O homem que Kai não teria nenhum problema em matar. E o homem que Deck e seus homens fariam qualquer coisa para proteger. Ele também era o irmão de Georgie. Passei meus dedos no seu pulso e puxei sua mão longe da cicatriz. — Não importa. Seus olhos se estreitaram e ele abriu a boca para perguntar novamente, mas eu olhei para baixo e vi o momento em que ele deu para mim. Acho que ele sabia que tinha que sido Connor, mas se eu dissesse, nós dois sabíamos o que aconteceria. — Ok, London. Vou lhe dar isso.


Revirei os olhos. Ele enfiou a mão na minha e me guiou até a banheira. — Não se preocupe, a água está morna. Eu bufei para sua referência à água gelada que ele me fez sentar. — Isso foi cruel. — E necessário. — Necessário em sua maneira de pensar. — Mas foi. Ele estava tentando encontrar uma maneira de me romper, sem me machucar. Sua mão alisou meu cabelo e ele ficou em silêncio. Apesar de sua provocação sobre a água, havia uma seriedade em Kai que não esteve lá antes de eu ser pega por Vault. Kai me conhecia melhor do que ninguém. Ele estava em mim. Eu não sabia quando isso aconteceu mas talvez com o tempo ou talvez na noite em que ele me salvou do fogo. Talvez nossas noites juntos em meu loft. Mas não importava quando, ou como, ou por quê. Ele só era ele e não importava quem Kai foi e quem ele era agora porque eu me apaixonei por todas as partes dele. Peguei a mão dele antes dele se virar para sair. — Não vá.


Ele olhou para mim por um segundo, em seguida, seus olhos percorreram meu corpo e minha barriga embrulhou. — Eu não posso ficar sem ter você. — Então, me tenha. Eles não me estupraram, Kai. Eu não sou a frágil Raven. Nunca vou ser assim de novo. Sua testa franziu. — London. Porra. E então, algo nele quebrou. Era como um galho de árvore sob tanta pressão que não poderia mais resistir e estalou caindo no chão. Ele agarrou a minha cintura e me puxou para seus braços, sua mão na parte de trás da minha cabeça, pressionando-me tão perto que eu mal podia respirar. Não havia nada de firme e calmo em Kai agora quando sua boca tomou a minha em um descontrolado frenesi. Era tão diferente dele, uma necessidade feroz quando ele forçou a boca aberta antes que eu tivesse a chance de reagir a ele. Ele me girou e empurrou-me contra a pia e sem um segundo de hesitação, levantou-me até pousar no lábio dele. — Pernas. — ele rosnou. Coloquei minhas pernas em volta dele. Suas mãos deslizaram pela minha espinha na parte inferior das costas, dedo acariciando o vinco na minha bunda. Eu coloquei minha cabeça para trás, os olhos fechados, gemendo quando ele abaixou a cabeça e pegou meu


mamilo em sua boca. Ele foi suave e doce, lambendo, sugando. Em seguida, os dentes o roçaram e eu engasguei com a sensação. Fogo selvagem. Dor e prazer. A pérola do êxtase. Meu mamilo escorregou de sua boca e a sua mão deslizou do meu corpo para o meu pescoço, onde seus dedos se enroscaram em torno dele, não apertando, mas firme. — Ninguém a tira de mim e fica vivo. Algo que eu não reconheci permanecia em seus olhos, uma raiva ou talvez fosse uma pitada de medo. Eu me inclinei para frente e beijei o canto da sua boca, em seguida, fiz o mesmo do outro lado. Seu aperto no meu pescoço ficou firme quando ele me beijou novamente, desta vez suave e acariciando como uma pluma de seda acariciando meus lábios machucados. — Eu quero você dentro de mim. — murmurei. Ele gemeu e me pegou pela bunda. Prendi meus braços ao redor de seu pescoço enquanto ele me levava para a banheira. — Em breve, baby. — Ele me colocou em pé na banheira. Eu estava confusa porque alguma coisa mudou nele. Ele estava duro quando retirou meus braços de seu pescoço.


— O que está errado? Ele se inclinou para a direita e pegou uma toalha de rosto e passou para mim. — Não gosto disso em você. — Então ele saiu. Fiquei em pé na água quente, olhando para a porta fechada. Kai tinha o controle de toda a sua vida. Ele possuía. Era confiante em tudo o que fazia porque não tinha nada a perder. Mas eu senti a sua perda de controle com a forma como ele me beijou, com a forma como ele me tocou. Ele arriscou tudo para me libertar do Vault. Libertar sua irmã. Ele estava tentando confiar em Deck e seus homens, quando passou a vida não confiando em ninguém. Ele tinha a sua irmã de volta, matou sua mãe e depois estava indo a fazenda. Um lugar onde ele esteve a maior parte de sua vida. Kai

estava

em

uma

espiral,

em

um

território

desconhecido. Ele se importava. Ele confiava. A realidade era que Kai foi sempre o leopardo de Amur, o caçador solitário e agora ele não era e tinha uma vulnerabilidade — eu.


Ficamos na cozinha discutindo sobre uma possível queda, sendo uma delas o envolvimento da polícia como informante. Deck já havia colocado uma chamada para o chefe de polícia e alguns amigos que conhecia dentro dos diferentes distritos. — Nós acabamos com os seus pontos fortes. — eu disse. — A fazenda e a droga. Infelizmente, eu não tenho nenhuma ideia de onde está a fazenda ou quem a supervisiona, mas pode haver alguém que saiba. Um membro do Conselho. — Quem? — Perguntou Deck. — Peter Dorsey. — Merda. — disse Vic, balançando a cabeça.


— Não vai ser fácil chegar perto dele, — disse Deck. — Precisaremos de tempo. Nós não tínhamos tempo. Dorsey possuía dois hotéis em Las Vegas, um em Nova York e vários mais em todos os Estados. Ele não fez sua fortuna confiando em alguém e era um bastardo com uma mão suja. Eu o vi algumas vezes, até mesmo feito alguns trabalhos para ele alguns anos atrás. Ele também sabia que eu tinha virado. — Seus pontos fracos... ganância e poder. Ele quer tudo e praticamente tem, exceto por uma coisa: ele não chamaria Vault para a guerra. Mãe controla a droga e um outro homem dirige a fazenda. É um assecla de Dorsey e se ele tiver a oportunidade de mudar isso, ele vai. A mãe está morta. Ele vai querer o controle da droga. — E sobre os outros membros? — Perguntou Deck. Dei a eles tudo o que tinha sobre aquelas pessoas. Haviam dois outros, mas eles eram membros fundadores como o meu pai e eu suspeitava que não estavam totalmente à bordo com a direção que minha mãe tinha tomado ao lado de Vault. Mas era o outro membro que permanecia no anonimato que ia ser o problema. Nossa ligação com ele era Dorsey. A fim de proporcionar a Dorsey algo que queria, precisávamos de algo para atraí-lo para nós. — Então, nós precisamos da droga, — disse Deck.


Eu balancei a cabeça. — Tenho os arquivos da minha mãe. Ela alegou que tinha uma única cópia da fórmula. Conhecendo-a, ela tinha. Mãe não queria que ninguém mais tivesse o poder sobre ela. Vic disse: — E Dorsey vai querer o controle da droga, agora que sua mãe está morta. — Sim. — E a fazenda? Eu odeio perguntar, o que é isso? — Disse Deck. — É onde Chess e eu crescemos. — Tanto Vic como Deck endureceram. — As crianças, como Tristan e Tanner, foram sequestradas de suas casas e... condicionadas a fazer o trabalho sujo de Vault. — Jesus Cristo. — Deck passou a mão para trás e para frente sobre o topo de sua cabeça. — E você não tem ideia de onde ela fica? — Perguntou Vic. — Não. Uma vez que se completa dezoito anos, você é retirado da fazenda e nunca mais volta. O único que escapou foi Tristan. — Se ele escapou, então sabe onde ela está. — disse Deck.


— Infelizmente não. Ele fugiu ao ser transferido. Nós estávamos com os olhos vendados e drogados, por isso não posso ter certeza de onde nós fomos levados. A nossa única vantagem é o terceiro membro, que é desconhecido. Eu acho que iria reconhecê-lo, porque ele esteve em ambos os locais, mas com muito mais frequência quando eu tinha dezesseis anos, na época que fui transferido para esse novo local. É por isso que suspeito que era ele quem supervisionava. Eu olhei de Vic para Deck. — Nós encontraremos a fazenda, vamos encontrá-la. Mas primeiro precisamos chegar a Nova York. Deck assentiu. — O pai de London. O som de seus pés foi amortecido por meias macias andando pelo corredor em direção à cozinha e fizeram o meu ritmo cardíaco acelerar. Ela apareceu no canto, parando onde o azulejo da cozinha encontrava com o piso de madeira do corredor. Vestida apenas com calça de yoga preta e uma camiseta que Georgie tinha trazido para ela, porra, estava sexy pra caralho com aquele cabelo molhado e desarrumado, após o banho quente. Os caras estavam discutindo agora o que fazer com Connor. Eu não dava a mínima para ele, mas havia uma


vantagem em ter ele do nosso lado. Isso era, se pudéssemos entrar em sua cabeça confusa. Meu lábio tremeu quando ela pegou o meu olhar sobre ela e eu estendi minha mão. Ela caminhou em minha direção e assim que ela estava perto o suficiente, eu a puxei para mim. Sua bunda prensou meu pau e eu fiz um grunhido baixo, em seguida, beijei abaixo da sua orelha. — Melhor... — eu sussurrei, respirando o aroma fresco de sabão e... London. — Obrigada pelas roupas. — Georgie as trouxe. — Onde está sua irmã e Tristan? — Adormeceram. A Chess está no fuso horário da Europa Central e por isso está exausta. Tristan não vai deixála dar cinco passos sem ele. Nunca teria suspeitado que o Playboy arrogante e CEO da Mason Developments seria assim possessivo sobre uma menina. Ela colocou a mão sobre a minha. — Estou feliz que sua irmã esteja a salvo. Vic ergueu a voz tirando minha atenção de London. — Ele vai matar qualquer um de nós na primeira chance que tiver. Ele é um maníaco.


— Então precisamos descobrir tudo o que pudermos sobre esta droga. — disse Deck. Deck olhou para mim. — Não sei sobre você. Mas isso foi mantido em sigilo. Connor era a sua cobaia, mas a minha mãe disse que estava quase estável. Chess diz que não estava. — Não me parece que essa raiva de Connor fosse de uma droga ‘quase estável'. — disse Deck. Vic jogou a garrafa de água na pia. — Então, ele ficará desse jeito? Acorrentado a uma parede em um porão até que morra? É melhor morto. London mexeu nos meus braços. — Pode ser uma crise de abstinência. — Soltei a mão dela e deslizei minha palma para baixo até que ela descansou em seu quadril. — O seu corpo precisa da droga, como um viciado, então pode ser por isso que ele esteja fora de controle. Quando ele... — Ela fez uma pausa e olhou para mim antes de continuar. — Foi Connor que me sequestrou da casa de Kai. — Foda. Ele foi a razão da minha menina ter sofrido nas mãos de Vault. — Ele estava calmo. Controlado. Quase muito controlado. Lembro-me de pensar que ele era uma máquina. Deck cruzou os braços sobre o peito largo.


— Ok, ele está em uma crise de abstinência. Onde é que isso nos deixa? — Se eu puder olhar a fórmula da droga, talvez possa ajudar. — disse ela. — Ou não. É possível que ele precise da droga ou... Deck grunhiu e bateu com o punho na geladeira. Ela não tinha que dizer isso. Se Connor não consumisse a droga, era possível que ele morresse. — O laboratório. — afirmou Vic. — Eles não estão esperando uma invasão ao laboratório agora. — eu disse. — Do pai de London. — Mas nós precisamos chegar ao meu pai. — disse London, olhando para mim. Porra, eu tinha que dizer a ela. Em breve. Ela tinha que saber que seu pai estava morrendo de câncer, mas ela já tinha passado por tanta coisa, dizer isso agora não era hora. Eu não sabia se algum dia seria. — Precisamos da droga por duas razões. — disse eu. — Dorsey vai querer a fórmula. Nós temos algo que ele quer, então ele pode nos dar o que queremos em troca. E se London estiver certa, pode ser a única coisa que mantenha Connor vivo. Precisamos do plano para invadir o laboratório. — Eu posso usar os velhos túneis. — disse London. — Eles eram usados para ir de um prédio a outro nos meses de


inverno, mas eles começaram a entrar em colapso e assim, foram considerados inseguros e fechados uma década atrás. — Como assim fechados? —Eu perguntei. — Eles vedaram as portas para as escadas, eu não sei mais o que eles fizeram ou se há outra coisa. Eu sequer sei se eles são mesmo transitáveis agora, podem ter desmoronado. Mas se eles estiverem de pé, eu posso entrar no laboratório do meu pai sem que ninguém me veja. Se a droga está lá, posso encontrá-la. Só preciso que um de vocês venha comigo para que possamos invadir seu computador e obter os arquivos da fórmula. — Ela fez uma pausa. — E o meu pai. E se ele estiver lá, podemos resgatá-lo. Esta era a minha London. Ela tinha morado no inferno e ainda estava se oferecendo como voluntária para ir atrás de uma situação potencialmente perigosa. Mas ela não sabia a primeira coisa sobre o combate. Ela era uma cientista boa e eu queria que ficasse desse jeito para que ela não se tornasse o que eu era. — Você não vai. Ela ficou tensa em meus braços. — Eu sou a única que pode entrar no laboratório. Tenho acesso com a impressão digital. — Não. — Sim. E você não tem nenhuma palavra que possa intervir na minha decisão.


Vic limpou a garganta e do canto do meu olho, vi o lábio se contorcer. — Oh, baby, você está enganada se você acha isso. — Ela tentou sair do meu colo, mas eu a segurei. — Se Vault já está vigiando o lugar, o que suspeito que eles estejam, eles não hesitarão em matar você. — eu atirei. Vic disse: — Ela não irá sozinha. Tyler pode ir com ela. Ele é especialista em sistema de computação. — Tyler e Josh vão ficar fora por dias. — disse Deck. — Pela aparência de Connor, ele não tem dias. Não havia chance de eu deixá-la ir sem mim e eu era bom com computadores, mas sabia de uma pessoa que era melhor. — Chaos. Todos os olhos se voltaram para Deck. O homem esteve protegendo Georgie toda a sua vida e ele não gostou dessa ideia. Mas Connor era o seu melhor amigo e irmão de Georgie. Deck balançou a cabeça. — Isso não é uma opção. — E isso não é a sua decisão. Você esqueceu que sou eu que está executando esta operação. — eu disse.


— E você esquece que está em desvantagem. — Deck retorquiu. Eu sorri. — Verdade. Mas a diferença entre você e eu é que não dou a mínima se Connor morrer. Então, que se você quer que ele viva, sugiro que Chaos faça parte disso. Mas ao mesmo tempo me senti desconfortável comigo mesmo porque eu sabia que Chaos seria destruída de novo se seu irmão morresse. Vi a sua devastação quando tinha dezesseis anos; embora no momento, eu não me importasse. — Nós temos a droga, os arquivos e então temos algo que Dorsey quer. London endureceu. — E o meu pai? Deck encontrou meus olhos. Não havia nenhum antigo afeto entre nós, mas andamos o mesmo caminho agora, apesar de que estaríamos sempre em lados opostos da cerca. — Ele precisa de tratamento. — disse ele. Eu sabia do que ele estava falando e era irônico que ele fosse o único que estava sendo frio sobre a vida do seu pai. Eu não deveria me importar, mas me importei porque London nunca me perdoaria se eu o matasse. A realidade era, seu pai era um passivo, porque ele conhecia a droga, o que significava que poderia mais do que provável reproduzi-la


sem os arquivos, mas Westbrook também estava com tempo esgotando. — Eu sei. — Mas assim que eu disse as palavras, eles se sentiram mal. Pela primeira vez na minha vida, eu não estava disposto a tirar uma responsabilidade e não iria permitir que Deck ou seus homens assumissem. — O quê? — Perguntou London. Deck foi rápido a responder. — A situação. Connor está em má forma. Vamos deixar assim quando Tristan tiver seus pilotos aqui. Poucas horas talvez... O rugido de Connor levou Deck e Vic correndo para a porta do porão. Em seguida, Connor gritou mais e parecia que um corpo batia contra as escadas de madeira. — Nós precisamos obter a droga, Kai. — Ela ainda estava olhando para onde Vic e Deck desapareceram. Connor a havia sequestrado, mais que provavelmente era a pessoa que atirou nela e a colocou no inferno e ela ainda se importava. Ela se importava com o que acontecia com ele. Eu não sabia como um homem como eu, que nunca se importou com nada, tinha a sorte de ter alguém tão especial como London. Eu queria esquecer tudo e estar dentro dela novamente. Queria que nós encontrássemos leveza em toda essa escuridão.


— Eu vou lhe comer agora. Você está bem com isso? — Eu não esperei por uma resposta enquanto a estava levando comigo.


Kai fechou a porta com um chute e antes que eu pudesse respirar, ele me tinha contra ela e sua boca em mim. Eu tremia sob seus lábios e minha barriga girou quando ele me beijou. Ele trancou meus pulsos acima minha cabeça contra a porta, enquanto sua coxa empurrou minhas pernas apertando o meu sexo, precisando me dar o controle. Eu nunca pensei que estaria fazendo isso. Beijar um homem tão perigoso quanto Kai. Nunca pensei que eu o amaria tão ferozmente a ponto de me arruinar. Porque não importava como eu olhava para ele, era o que ele fazia para mim. Kai me arruinou. Para outros homens e para uma vida sem ele. Eu o odiava.


O temia. Desejava ele. Precisava dele. E o amava. Eu tinha me apaixonado por ele antes de ser Raven, que não amava. Vi algo nele e era algo bom. A necessidade de proteger. O desejo de cuidar e ainda assim ele não podia. Estar com ele era como respirar muito rápido e ter vertigens. Não haviam restrições a respeito de quem eu era. Kai deixava-me ser eu e ele sabia exatamente quem eu era. Às vezes, acho que ele me conhecia melhor do que eu mesma. Talvez ele conhecesse, porque me puxou de um lugar dentro de mim onde eu estava morrendo lentamente. Gemi quando seus lábios deixaram os meus e depois sorri, enquanto eu passava meus dedos pelos seus cabelos. — Kai. — Sussurrei seu nome como tinha feito por incontáveis semanas após vê-lo pelas barras da cela. Fiquei com raiva, indefesa, exposta, mas nunca sem esperança. Nunca. E Kai não permitiria isso. Ele me deu as palavras para me agarrar, as palavras cruéis para me lembrar de nunca deixar Vault ver a esperança. Mate isso. Destrua e sobreviva. Isso foi quando eu desliguei, não para morrer, mas para sobreviver.


— Eu o amo. — eu disse. Ele inclinou a cabeça para me beijar de novo, exceto que desta vez foi uma carícia suave. Um toque aveludado dos seus lábios, atingindo profundamente dentro de mim e tomando o que eu já tinha dado a ele livremente. Ele rosnou, me pegou e me jogou na cama, em seguida, pairava sobre mim, um predador prestes a devorar sua presa e eu queria ser devorada. Kai tinha me encontrado três vezes. Ele me encontrou e me trouxe de volta a cada vez. Ele sempre viria para mim e eu queria ser forte o suficiente para estar lá para ele. O colchão cedeu sob seu peso quando ele se ajoelhou, então montou em mim. Suspirei quando arrastou beijos no meu pescoço e brincou com meus mamilos através da minha camisa. Eu peguei seu pescoço e o puxei para mais perto. — Mostre-me o que você não pode dizer. — eu sussurrei. Kai não podia me dizer que me amava e eu aceitava isso. Eu

não precisava

de palavras.

precisava que ele

continuasse a ser o homem que ele era comigo. Ele endureceu, estreitando os olhos quando se sentou em cima de mim. Em seguida, o canto de sua boca se contraiu e uma luz brincalhona atingiu seus olhos.


— Você é corajosa o suficiente, baby? Eu alcancei entre nós e acariciei seu pênis através de suas calças. — Sempre. Ele riu e me mostrou o quanto ele me amava.

Acordei dolorida, mas saciada entre as minhas pernas. Eu fui valente, mas não havia necessidade de ser porque Kai foi gentil quando fez amor comigo várias vezes nas últimas horas. Se eu tivesse uma dúvida de que Kai me amava tanto quanto ele poderia amar alguém, esta foi apagada na noite passada. Ele tinha me dado as partes dele e eu imaginei se alguém já tinha visto alguma parte mole e vulnerável de Kai. Foi por isso que ele me encontrou. Porque ele arriscou tudo para eu ficar longe de Vault. Porque ele confiava em Deck e nos seus homens e Tristan, quando não confiava em ninguém. Estendi a mão para beijá-lo, mas o colchão frio onde ele havia se deitado comigo e me enrolado em seus braços estava vazio. Sentei e agarrei o lençol no meu peito quando a porta do quarto se abriu. Meu coração pulou quando o meu olhar se fixou nele. Deus, ele sempre parecia tão grande quando entrava em um cômodo.


— Tristan disse que o avião está quase no aeroporto Pearson e Connor não está bem. Ele vai se matar com todo o dano que ele está causando a si mesmo. Eu levantei e rapidamente peguei minhas roupas cuidadosamente dobradas na cadeira. Kai tinha, obviamente, as pegado, porque ontem à noite foram espalhadas por todo o quarto. — Eu pensei que você não se importasse com o que acontecesse com ele. Ele deu de ombros. — Ele estaria melhor com uma bala em sua cabeça, mas... — ele caminhou lentamente em minha direção e quando me alcançou, deslizou a mão no meu cabelo e curvou seu aperto em meu pescoço— ele é irmão de Georgie. Fiz

uma

careta

enquanto

observava

as

emoções

conflitantes em seus olhos. Ele nunca a chamou Georgie. Sempre disse Chaos e acho que era para distanciar-se dela. Mas tudo estava mudando. — Porra, se eu pudesse voltar atrás e mudar a forma como a merda aconteceu... eu a vi chorar sua morte sabendo que Vault o escondeu. Permaneci quieta porque isso não era sobre mim ou Georgie ou qualquer outra pessoa. Isso era sobre Kai tentar chegar a um acordo com o que ele tinha feito para Vault. Compelido. Treinado. Condicionado. O que quer que tenha


sido, Kai estava lutando contra o que tinha feito. Mas não havia como voltar atrás. Ele abaixou a cabeça e pressionou seus lábios nos meus, seus dedos apertando meu pescoço antes de ele me puxar de costas. — Eu sei porque Vault nos quer como máquinas, London. É por causa disso. O que eu sinto por você. O que eu faria por você. — Ele suspirou e sussurrou:— Qualquer coisa. E ele tinha. Kai se abstivera de carinho mas de repente, estava cercado por pessoas que se importavam uns com os outros e foi percebendo que isso resultava mais do que apenas na minha proteção. Era sobre a sua libertação de Vault e a entrada daquilo que eles tentaram erradicar dele. Ele se afastou e deslizou a mão pelo meu braço até que nossos dedos se uniram. — Vai pegar algo para comer. Tenho que ajudar Connor. Balancei a cabeça, observando como ele agarrou sua bolsa e saiu do quarto. Eu coloquei o resto da minha roupa, fui ao banheiro e escovei os dentes. Quando saí do quarto, Georgie saiu do dela, com os fios cor de rosa selvagens cobrindo metade do seu rosto, mas eu ainda via os olhos vermelhos. Ela olhou rapidamente para mim, virou-se e correu para a porta do porão. — Georgie. — Merda. Isso não ia ser bom.


Andei pelo quarto onde Deck me mandou ficar. Eu não era muito boa em seguir ordens, mas ele usou aquele tom. O que me fez pensar duas vezes sobre desobedecê-lo, não porque ele já me machucou, mas porque ele estaria desapontado comigo, o que era pior. Eu vivi durante anos o decepcionando, fingindo não me importar, mas já não tinha que fazê-lo. Ele era meu. Deck. O melhor amigo do meu irmão. Meu irmão, que eu pensei que estivesse morto, então descobri que ele estava vivo mas não era o irmão que ele costumava ser. O irmão que me provocou sobre como era perfeito o modo que eu costumava me vestir e quão puro eu mantinha meu quarto. O irmão que fez uma sepultura quando meu hamster morreu. O irmão que me protegeu na escola contra os valentões que zombavam de


como eu me vestia e comportava. Eu era tão diferente, mas agora, ele também era. E Deck não iria me deixar vê-lo. Eu sabia que ele estava tentando me proteger, mas meu irmão e eu sempre fomos próximos. Ele foi o meu melhor amigo. Deus, eu ainda tinha o coelho de pelúcia que ele me deu quando eu era criança. E eu tinha o seu diário. Um jornal que o Deck me deu. Na época, eu não li isso. Nunca planejei isso, nem queria, até que eu descobri que Connor estava vivo. Até que a merda aconteceu com Tanner. Até Kai dizer-nos sobre Vault. Então eu li com Deck. E chorei. E isso quase me destruiu porque dentro das páginas estava meu irmão. Um que eu tinha perdido e não tinha certeza de que voltaria. Empurrei quando ouvi um rugido ensurdecedor e, em seguida, várias maldições altas surgiram do porão. — Connor. — Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e eu a limpei com as costas da minha mão. A dor dilacerava a minha alma ao ouvir sua voz de novo e ainda, não era sua voz. Ele estava atado com raiva e furioso, algo que Connor nunca foi. Ele era calmo e descontraído, paquerava com todas as meninas, um arrogante playboy que não demorava a rir e dificilmente demonstrava raiva. — Cristo. Connor. Porra. — Eu ouvi Deck dizer.


Era seu tom áspero como se Deck estivesse prestes a surtar, que me fez correr do quarto e seguir para o porão. — Georgie, — ouvi London chamar. Eu não parei quando abri a porta do porão e desci os degraus de madeira em direção ao meu irmão. Meu irmão. Connor. — Georgie, não! — gritou Deck. — Porra. Segurem-na. — Jesus — disse Tristan. Desci o último degrau quando Kai deu um passo em minha frente, agarrando meus ombros. — Chaos. Era como um filme em câmera lenta quando me virei e olhei por cima do corrimão, meus olhos bateram no meu irmão. Ou um que se parecia com ele. Meu coração parou e a bile subiu na minha garganta. Tive o desejo de correr de volta até as escadas o mais rápido que pudesse, mas estava congelada olhando para... eu não sabia o que estava vendo. Minha mente girava com as memórias de quem ele foi e para o que eu estava olhando, incapaz de decifrar que ele era a mesma coisa. — Connor. Não. — As palavras rasgando da minha garganta em um sussurro áspero de devastação.


Ele estava acorrentado à parede de blocos de cimento áspera, braços para os lados, os pés ligeiramente separados, algemas em torno de cada membro. Havia cortes em seus pulsos e tornozelos, o sangue espirrava de sua pele como uma névoa fina e vermelha. Sua coxa e ombro estavam enfaixados, mas eu não sabia porquê. Seu peito arfava e havia um olhar selvagem em seus olhos, a expressão se contorcendo como se os homens o estivessem torturando. Mas foi a ausência de bondade em seus olhos que me destruiu. Foi por isso que ele se juntou ao JTF2, uma unidade de elite antiterrorismo. Porque ele era o irmão mais incrível que visitava escolas e orfanatos quando ele estava em suas missões. Porque ele era Connor. Ele podia ter sido arrogante e ego inflado, mas seu coração era cheio de compaixão e amor, ajudando crianças como Tanner, que não tinham nada. Tanner que o traiu. Traído a nós dois. Não havia nada de Connor. Havia fisicamente pedaços identificáveis dele, mas no conjunto, meu irmão havia desaparecido. Meu olhar se lançou para Kai. — Tire as mãos de mim! — eu gritei. — Isso é culpa sua. — Eu não reconheci a minha própria voz agonizante enquanto tentava empurrar e passar por Kai, mas seu aperto em mim ficou mais forte.


Nunca pensei que eu iria fazê-lo, porque apesar de conhecer Kai por anos, ele ainda me assustava. Mas tanta raiva veio à tona que eu não pude controlá-la. Eu movi e lhe dei um soco na cara. Eu sabia que ele viu isto pela forma como ele se esticou um pouco antes de meu punho fazer contato com sua mandíbula. Também sabia que poderia ter evitado isso, mas ele me deixou bater nele. — Você fez isso com ele. Isso é culpa sua, seu filho da puta. Você o destruiu. — Bati em seu peito, enquanto Kai ficava imóvel. — Ele era bom, caramba. Ele era bom. Ele era bom. — E agora se foi. Minha visão estava borrada pelas lágrimas e eu não sabia mais quem eu estava socando e tentando machucar, até que as palavras de Deck foram sussurradas contra meu ouvido e seus braços em volta de mim. — Baby. Shh, vamos trazê-lo de volta. Balancei a cabeça para trás e para frente contra o seu peito. — Ele nunca mais vai ser o mesmo. — Não. Ele não vai. Mas ele ainda é seu irmão. E está vivo e isso significa que há uma chance. Deck nunca mentiu para mim. Não importava se machucasse, ele era honesto e me deu um raio de esperança, porque acreditava que iria encontrar Connor dentro desse monstro frio, devastado e acorrentado à parede.


— Kai. — disse Deck. — Dê a ele o sedativo. Nós estamos saindo. — Ele me pegou em seus braços. Fechei os olhos, minha cabeça contra seu peito e ele me levou de volta, para as escadas. Sem parar, nós fomos para o carro.


Nós usamos dois veículos para o aeroporto, embarcamos no jato de Tristan e voamos para Nova York. Deck falara tranquilamente com três agentes aduaneiros e uma vez que ele balançou as mãos e deu um tapinha nas costas, eu estava adivinhando que ele sabia deles. O avião particular de Tristan tinha bancos de couro largos que giravam, um bar e uma televisão de tela plana. Sentei ao lado de Kai. Vic sentou de frente para mim com Deck ao lado dele, duas mesas redondas nos separavam. Vic já tinha levado Connor sedado para o avião e Georgie ficou com ele. Chess estava prestes a sentar-se atrás de mim no corredor, mas Tristan terminou de falar com o piloto e caminhou em sua direção sem parar e agarrou a mão dela.


— Nós vamos estar na sala. — disse Tristan. — Não nos perturbe, mesmo se o avião cair. — Tristan o que você está...? — Começou Chess. Ele se inclinou para ela e sussurrou algo. Eu não podia ver o rosto de Chess, mas vi o cotovelo dela em seu intestino. Ele não pareceu notar e se manteve conduzindo-a para a parte de trás do avião. — Se eu os ouvir gemendo, nós vamos ter um problema. — disse Kai. Eu sorri. Era estranho ver Kai com uma irmã, mas depois era estranho vê-lo com Deck e seus homens, também. Vic, que nunca sorria e era construído como um tronco de árvore de esteroides, teve seus olhos em mim e me desloquei desconfortavelmente no meu lugar. Finalmente, ele disse: — Você está diferente. Melhor. Sim, porque ele só tinha me visto como Raven, uma menina quebrada e dormente. De certa forma, fui como Connor: a máquina que fazia o que era suposto, exceto por não ser induzida por drogas, no meu caso foi uma forma de proteger a minha mente de tudo o que sofri. Uma vez que estávamos no ar, eram todos profissionais.


Deck colocou o que parecia ser um diário em cima da mesa e acenou para Kai, que o pegou e mergulhou nas páginas. — O que é isso? — Perguntou Kai. — O diário de Connor. Há páginas arrancadas. Parece que cinco delas. Ele escreveu nele esporadicamente, de modo que não existe padrão. Mas de acordo com Georgie, os dias que faltam eram antes de conhecerem Tanner. Preciso de você para confirmar isso. Kai abriu o diário e virou para o local onde estavam as páginas óbvias que foram arrancadas. — Aspecto razoável. Fui designado para Georgie após Connor ser levado, mas Tanner foi mais cedo para conhecêlos. — Por que Connor? Kai disse: — Nada com Connor era confidencial. Eu mantive os olhos em Georgie e Tanner. O queixo Deck apontou para o diário. — Temos lido ele várias vezes e não encontramos nada útil ou incomum. Você leu isso. Pode nos dar uma nova perspectiva, pegar algo que não pude. Ele fala sobre merdas comuns. Saudades de casa. A família dele. Georgie. As condições

deploráveis

que

crianças

viviam,

nós

o


encontramos em nossas missões. Já olhei para todos os lugares que Connor foi durante os prazos onde as páginas foram arrancadas, — afirmou Deck e eu estava achando que Deck era o tipo de cara que não deixaria pedra sobre pedra. — A maioria estava no exterior. — Talvez você esteja procurando no lugar errado. Páginas

rasgadas

em

um

diário

não

significam

necessariamente nada. — Kai deu de ombros, em seguida, enfiou o pequeno livro encadernado em couro no bolso de trás. — Vou olhar. — E talvez você não tenha nos dito tudo o que precisamos saber. — Deck olhou para Kai que apenas se recostou

na cadeira,

tornozelos.

Manter

afastou

as

segredos

pernas e

e

mentiras

cruzou os são

sua

especialidade. — As mentiras mantiveram sua garota longe do Vault. Como você acha que ela estaria se tivesse com ele? — Disse Kai. Mordi o lábio inferior nervosamente. Deck parecia que ia pular do seu assento e jogar Kai fora do avião, mas Kai ainda permanecia relaxado. Kai continuou: — Você pode buscar em cada polegada deste planeta, usar todos os meios possíveis e talvez até mesmo recorrer à tortura de pessoas inocentes. — As sobrancelhas de Deck rebaixaram e Kai sorriu. — Não finja que você não iria deixar


de lado a sua moral, a fim de encontrar sua garota. — Ele se inclinou para frente, os cotovelos descansando em seus joelhos e abaixou sua voz. — Eu acho que mentir algumas vezes para manter Georgie segura foi a melhor opção. — Acho que matá-lo teria sido a melhor opção, — afirmou Deck. Kai foi para trás, rindo. — Provavelmente você está certo. Endureci vendo o rosto chateado de Deck. Não gostava da direção que isso ia. Kai deve ter notado meu desconforto, porque estendeu a mão e pegou a minha. Houve um silêncio antes de Vic tirar seu laptop e trazer a planta do laboratório do meu pai. Em seguida, eles eram todos profissionais novamente. Mostrei-lhes o túnel e onde tínhamos que ir. A tensão diminuiu quando eles calmamente discutiram as estratégias. Foi o único momento em que pareceram agradáveis uns com os outros. Após uma hora de voo, sentei perto de Georgie na parte de trás do avião. Connor estava respirando pesadamente, os olhos fechados enquanto dormia, provavelmente devido a tudo o que tinham dado a ele. Não disse nada no começo, porque não sabia o que dizer. Ela foi um peão nisto. Kai me disse tudo, incluindo o corte no galpão. Partes de mim entendiam porque Georgie


precisava da dor física, a fim de tentar aliviar a dor emocional. Eu não poderia lidar com estar perto de pessoas que queriam me mimar quando eu finalmente voltasse para casa. Eu queria ficar sozinha. E fazer tudo para esquecer. De tudo o que me preocupava. Até de mim mesma. Mas como as cicatrizes de Georgie, minha fuga não ajudou. Kai fez isso. — Me desculpe. Sobre Connor. — Ele estava dessa maneira por causa do meu pai. Ela levantou a cabeça, a mão de Connor na dela, as lágrimas escorrendo em seu rosto e manchas debaixo de seus olhos. — Ele era um grande irmão. — Georgie recostou a cabeça contra o assento, olhando para frente. — Eu não queria nada mais na minha vida do que tê-lo de volta. — Ela fez uma pausa e repetiu: — Nada. E agora... ele está aqui, mas ele não é ele. Eu não respondi, o meu coração rasgando com o vínculo quebrado entre irmão e irmã. — Eu nunca quis que ele se juntasse ao Exército. Pedilhe que não fosse, mas Connor... me disse que era o que ele estava destinado a fazer. Era quem ele era. — Ela fungou e esfregou o nariz com as costas da mão. — Cada vez que ele


voltava de uma missão, ele passava pela porta e apesar do inferno em que esteve, o que tinha visto ou feito, ainda sorria. Olhei para seu irmão, que não tinha nada além de dor devastadora em seu rosto. Eu sabia só de olhar, porque tinha sofrido também e isso me mudou. Você não esquecia. Você acabava por aprender a adaptar-se ao horror e sobreviver nas sombras negras. Eu me inclinei e olhei para frente. Kai estava me observando, sem sorriso e sem raiva, apenas observando com interesse. Houve um ligeiro aceno de cabeça e, em seguida, ele voltou a ouvir o que quer que os homens estivessem falando. — Então, você e Kai? — Disse Georgie. Eu balancei a cabeça. — Eu o conheço desde que eu era criança. Ele me ensinou muito, e, à sua maneira, me protegeu. Bem, sei disso agora, mas porra, ele me aterrorizava também. Nunca conheci um homem tão destemido quanto ele e eu estive em torno de Deck e os seus homens toda a minha vida. Ele o escondeu bem. O desgraçado é tão casual quanto eles vêm. — Ela abaixou a voz. — Mas quando você desapareceu e ele chamou o seu rival, Deck, para tentar encontrá-la... Kai não usou de artimanhas. Não precisava disso. E ele, com certeza, nunca foi um admirador de Deck. Merda, Deck ainda não confia nele. — Você?


Georgie deu de ombros. — Pergunta difícil de responder. Não realmente e sim, mais ou menos. — Ela bufou. — Eu odeio o bastardo, às vezes. Por tudo isto, mas uma parte de mim sabe que isso não provém dele. Ele é um produto do que foi feito. Eu confiava em Kai, mas tinha certeza de que ele iria conseguir exatamente o que queria, mesmo que significasse ferir ou matar alguém neste avião. Georgie deu um meio sorriso. — Querida, pela maneira que o homem a olha, ele está cem por cento com você. Não é algo para ser subestimado. — Eu o amo. — Suas sobrancelhas subiram. — Mas às vezes... o jeito que ele é, sua moral, o quão perigoso ele pode ser, é um pouco assustador. — Deck tem alguns monstros enormes pendurados em seu armário também e eu não vou nem entrar no que penso que acontece na cabeça do delicioso Vic, mas você encontrou o lado bom e você tem que se agarrar a isso, porque é o que vai lhe segurar de entrar no inferno. Acho que Kai quer ser tirado desse lugar, London. Acho que ele tem estado tentando conseguir

sair

durante

anos

e

aqueles

bastardos

o

mantinham arrastando de volta para dentro do lodo. Mas você e ele... — ela acenou para Kai — você tem a corda. Basta não deixar que isso se rompa, porque pelo meu palpite, se o fizer, esse cara estará voltando para a escuridão novamente.


Olhei para Kai novamente quando ele se inclinou para frente e disse algo para Vic, aquele sorriso sutilmente maldoso era visível quando Vic olhou para ele e eu sabia que ele tinha dito algo para irritá-lo. Sim, ele definitivamente não tinha medo. — Preparem-se para o pouso. — o piloto anunciou e as luzes de cinto de segurança acenderam. — Georgie, o que aconteceu com Alfonzo e sua família? — Não pergunte. Não é sua culpa. Alfonzo foi a mais baixa escória e não havia nada que você poderia ter feito. Kai lidou com ele e você precisava fazer exatamente o que fez. — Só que eu deveria ter virado a arma para ele. — eu respondi. Ela bufou. — Sim, e, em seguida, todas aquelas meninas em um contêiner de transporte estariam mortas agora ou pior, Jacob as teria enviado para Deus sabe onde. — Ela empurrou para atrás da orelha seus fios cor de rosa. — Além disso, não havia nenhuma maneira que você teria puxado o gatilho. — Ela sorriu. — Embora você agora fizesse. — London. — Kai andou pelo corredor em direção a mim. Georgie sorriu e se inclinou para sussurrar:


— Você vê... o homem está caidinho por você. Ele ainda a quer para segurar sua mão durante o pouso. Você acha que ele está com medo? Eu ri, olhando para Kai quando ele se aproximou. Não, ele não parecia assustado ou irritado. Ele só estava delicioso. Eu levantei. — Eu não acho que Kai tenha essa emoção nele. Georgie ficou séria. — Sim. Eu também não achava, até – você.


Os túneis estavam úmidos e frios com paredes de cimento rachadas e eu podia ouvir o barulho ocasional de camundongos, ratos ou qualquer coisa pior, mas tentei não pensar nisso quando segui Kai de perto. Nós corremos a maior parte do caminho com mão de Kai na minha, a outra segurando uma lanterna fina que exalava um tom azulado. Deck pegou a traseira com Georgie atrás de mim. Eu estava completamente fora do meu elemento, carregando uma arma e vestindo um colete à prova de balas que Kai insistiu que eu colocasse. Georgie e Deck também tinham, mas Kai não. Ele disse que nunca usou um e não estaria começando agora. Conseguiu me deixar nervosa porque apesar de Kai ser tão experiente como era, eu ainda me perguntava se ele não temia a morte, já que não parecia se importar de morrer.


E isso era o mais assustador de tudo, porque eu me importava. Eu o amava e não podia suportar a ideia de sermos separados novamente. A lanterna de Kai bateu na porta de aço e a corrida parou. Eu respirava pesadamente da caminhada, mas era a única. Neste momento eu me chutava não praticar algum tipo de esporte ou um programa de exercícios. Mas há alguns anos atrás, nunca pensei que estaria segurando mais do que um tubo de ensaio, sentada em um banquinho giratório, rolando

nos

pisos

de

linóleo

quando

conduzisse

os

experimentos. — Você está bem? — Perguntou Kai. — Sim. — Estava tão bem quanto poderia estar, estando em um laboratório que passei mais tempo crescendo do que em minha própria casa. Um laboratório que tinha homens perigosos vigiando. Um laboratório que tinha desenvolvido uma droga que não sabíamos nada, mas meu pai sim. — Meu pai... — Seu carro estava no estacionamento e passava de onze da noite. Eu estava com medo de que talvez eles já tivessem chegado a ele. Se o seu carro estava aqui, ele estaria... eu não podia dizer isso. — Ele está aqui. Vamos tirá-lo. — disse Kai, sabendo exatamente o que eu estava pensando. Balancei a cabeça e fiz um gesto para a porta. — Há uma outra porta à frente e esta abre para um corredor onde existem dois laboratórios.


— Deck. — Kai deu um passo atrás pegando a minha mão e instigando Georgie a voltar também. Deck aproximou da porta e atirou no cadeado, então retirou a corrente da barra de metal e abriu-a com sua arma ainda engatilhada. — Limpo. Corremos até as escadas e Deck já estava agachado e brincando com a fechadura da porta. — Precisa de mim para fazer isso? — Perguntei a Deck. Ele bufou e me atirou uma carranca. Eu poderia facilmente pegar a fechadura em sua cobertura. Deck também. — Estamos fazendo isso em cinco minutos. — Deck olhou para mim e em seguida para Georgie. — Você me entendeu, Georgie? Sem distrações. Se o pai de London não estiver lá, você começa no computador, encontre o que precisamos, copia, exclui e depois saímos. Georgie aproximou-se dele. — Eu entendo, querido. Uma rapidinha. Dentro e fora. Você é bom nisso. Deck bufou e balançou a cabeça. Georgie riu. Mordi o lábio para não sorrir porque Deck não estava rindo e nem Kai. Ele entregou-me um jaleco branco de sua bolsa que coloquei por cima do meu colete e Georgie fez o mesmo.


Kai colocou a mão no meu quadril e puxou-me para ele, em

seguida,

olhou

para

baixo,

com

as

sobrancelhas

levantadas. — Pistola, London. Merda. — Certo. — Eu coloquei-a no bolso do jaleco. Embora, se alguém olhasse de perto o suficiente, veria ela. Com o peso dela, meu casaco estava ligeiramente distorcido, mas tudo isso não me preocupava. Meu foco estava na possibilidade de ver o meu pai. Vic estava no telhado de um edifício adjacente com um rifle procurando alguém que pudesse estar com Vault. Desde que era tão tarde, haviam poucas pessoas ainda nos edifícios, além da segurança. Tristan e Chess tinham ficado em sua casa para vigiar Connor. Josh e Tyler estavam voando na manhã seguinte, o que significava que os microchips tinham sido destruídos e qualquer um que estivessem monitorando-os sabia que tinham uma pista falsa. — Pronta? — Perguntou Deck. Eu balancei a cabeça, quando Kai o fez e Deck abriu a porta. Havia um guarda de segurança passando conferindo o laboratório do meu pai. Kai disse que tinha 'um trato’ com ele. Eu não sabia exatamente o que ele quis dizer, mas pessoas inocentes machucadas era algo que eu não estava


disposta a sacrificar. A maioria das pessoas neste edifício eu tinha conhecido desde que era criança. Nós decidimos pelo meu plano ao invés, de modo que Deck e Kai usavam terno e gravata, junto com Kai carregando seu saco preto, que não estava segurando qualquer tipo de material relacionado com o negócio, mas a segurança não saberia disso. Nós andamos pelo corredor com Kai ao meu lado, Deck e Georgie atrás de nós. Quando viramos a esquina, a poucos passos de distância do laboratório de meu pai, um guarda de segurança nos parou. Kai enrijeceu ao meu lado e vi o leve movimento de elevação em seu blazer quando sua mão foi para a sua faca. Dei um passo à frente, sorrindo. — Daniel, oi. É bom lhe ver. Sua carranca escorregou quando ele me reconheceu. — Senhorita Westbrook? Bom lhe ver. Tem sido... —

Anos...

terminei,

tocando

seu

braço

carinhosamente. Ele havia sido empregado no laboratório desde que eu tinha dez anos de idade e ainda assim ele ainda se recusava a me chamar de London. — A escola tem sido cansativa e me mantém ocupada. — eu menti. — Como está a sua mulher? Ouvi Kai maldizer baixinho.


— Ótima. Ainda não sabe cozinhar e ainda é um pé no saco, mas a melhor e o mais bonito pé no saco que um velho como eu poderia ter. — Ele acenou para Kai, então seus olhos se deslocaram para Georgie e Deck antes de voltar para mim. — Seu pai acabou de nos dizer a má notícia. Desculpe por ouvir. Eu hesitei. — Umm, sim. — Más notícias? Do que ele estava falando? — Como ele está se sentindo? Ele parecia muito cansado ao longo dos últimos meses, mas seu pai não deixa saber quando vai para casa. — Ele riu, sacudindo a cabeça. — Um homem que só trabalha é o homem que ele é. Estou pensando que a sua filha vai seguir os seus passos. Será que ele a encontrará no laboratório? Eu o vi ir lá para cima. Pensei que ele estava saindo. — Bem eu acho... Kai deu um passo adiante. — Nós temos um compromisso para chegar em uma hora, senhorita Westbrook. Você se importa? — Seus dedos enrolaram em torno do meu braço e eu olhei para ele com confusão. — Dra. Westbrook. — Kai disse abruptamente. Balancei a cabeça. — Certo. Sim. Daniel, diga oi para Marcy por mim. Eu falo com você mais tarde.


— Vou fazê-lo. — Ele se moveu para o lado para nos deixar passar para a porta deslizante de vidro do laboratório de meu pai. Digitei o código e rezei para que ele não tivesse mudado isso enquanto eu esperava a luz piscando em vermelho mudar para verde. Se isso não acontecesse, então Deck e Kai estariam tomando outra abordagem e Daniel ia se machucar. Senti os três segundos como vinte anos quando as portas finalmente se abriram. Acenei para Daniel, afastei-me para o lado e deixei Kai, Deck e Georgie entrarem. Pouco antes das portas se fecharam, vi Daniel pegar o seu telefone celular. Merda. Não disse nada para Kai, porque eu sabia que ele iria lidar com o problema em potencial e não era uma questão — ainda. Talvez ele estivesse ligando para Marcy, para deixá-la saber que me viu? Eu não queria que ele fosse morto porque o vi com o seu celular. Rapidamente mostrei a Georgie o computador principal e ela passou a trabalhar nele, enquanto Deck e eu digitalizamos todas as prateleiras e refrigeradores onde estava a droga para Connor. Se meu pai continuava a fornecê-la, teria um lote que estivesse trabalhando no momento. Kai vigiava, mas o vi caminhar até o armário de armazenamento e abrir a porta. Nossos olhos se encontraram e os cantos dos lábios se curvaram. Tanta coisa aconteceu desde que ele me viu escondida no armário. Eu estive assustada e confusa, mas seu cheiro tinha acendido algo familiar e reconfortante sobre ele. Agora eu sabia porquê.


Encontrei duas garrafas de pílulas na geladeira com um rótulo que não tinha código do lote. Todas as drogas tinham códigos do lote e eram coordenadas com os arquivos. Mas as garrafas tinham etiquetas alaranjadas simples, com o nome de CONNOR. Puxei os frascos de comprimidos para fora e levei-os para Deck que assentiu com a cabeça, em seguida, os colocou em sua bolsa. Então, caminhei até Kai e coloquei minha mão em seu peito. — Você sabe alguma coisa sobre o meu pai? Por que Daniel diria isso? — Sim. — Ele manteve os olhos em mim, enquanto uma onda de medo me atingia. Meus joelhos enfraqueceram e fiquei tonta. Não era bom. Oh, Deus, havia algo errado com meu pai. — Kai... — London, não sou eu que devo contar. É o seu pai. Se precisar, eu vou, mas agora... — ele segurou a parte de trás do meu pescoço e apertou — Preciso de você aqui, comigo. Ok? Ele estava certo. Se a notícia era ruim, agora não era o momento para isso. — meu olho foi para a luz vermelha piscando na caixa de código ao lado da porta. — Kai! A porta. — Ele se virou para onde eu estava olhando.


— Deck. — disse Kai quando agarrou minha mão e se dirigiu para a porta. Isso era tudo que ele tinha a dizer e Deck foi para Georgie. — Baby. Precisamos ir. Digitei o código na porta, mas ela tocou e não abriu. — Está trancada. A segurança pode bloquear as portas se houver uma violação. — Oh, Deus, tínhamos de encontrar meu pai e sair daqui. Ouvi Deck discutindo com Georgie enquanto digitava furiosamente no computador; Kai tirou a faca e enfiou-o no topo da caixa de código preto, quebrando-a para abrir. A tampa caiu no chão e ele puxou um monte de fios para fora peneirando através deles. — Georgie. Agora! — Deck ordenou. — Deixa comigo. Merda, eu preciso excluir... feito. — Deck puxou-a para fora do computador quando Kai cortou dois fios e as portas se abriram. Mas não porque Kai cortou os fios certos e sim porque meu pai a abriu. — Pai? — London. — Ele se adiantou para me abraçar quando Kai o bloqueou, movendo para a frente, a mão no meu pulso e eu não podia chegar perto dele. — Não vou machucá-la.


— Kai? — Tentei passar por ele, mas ele inclinou a cabeça para olhar para mim, os olhos brilhando em advertência, um aviso que eu não podia ignorar. Olhei dele para o meu pai e sabia que algo estava errado e não apenas a preocupação estampada em seu rosto pálido, mas era como se ele estivesse doente. Linhas pretas pesadas estavam sob seus olhos e ele parecia dez anos mais velho do que da última vez que eu o vi. Ele estava doente. E ele estava falando sério. Minha garganta apertou quando as lágrimas brotaram e uma dor esmagadora fechou no meu peito, fazendo meu estômago dar uma guinada. — Oh, Deus, pai... — eu me engasguei. — Kai, por favor. — implorou meu pai. — Eu nunca iria machucá-la. — Você entende porque eu não confio na sua palavra. — Kai respondeu. — Pense melhor. Meu pai olhou para o corredor, os pés inquietos e ansiosos. — Daniel me ligou. Eu estava saindo com o carro, mas... quando ele disse que ela estava aqui... eu tinha que vê-la novamente. — Ele olhou para mim. — Querida, oh, Deus, eu sinto muito. Eu não sabia mais o que fazer. Seus olhos se encheram de lágrimas e a angústia torceu seu rosto cansado.


— Eu sei, pai. — Eu sabia. Isto não era falha dele. Ele teria feito qualquer coisa para tentar me proteger. — Recusei-me a continuar a fazer a droga para eles, mas depois do fogo... — Sua cabeça caiu para frente. Virei-me para Kai, com minha mão em seu braço. Ele balançou a cabeça e me deixou ir. Eu corri para os braços de meu pai e o segurei apertado. — Não culpo você, pai. Eu nunca vi meu pai chorar, mesmo depois que minha mãe morreu. Suspeitava que ele chorou, mas ele nunca me deixou vê-lo se destruir como agora e isso partiu meu coração. Por quê? Ele era um homem bom e brilhante. Porque eles tinham que buscá-lo? Mas se não ele, então poderia ter sido algum outro cientista com uma família. Ouvi Deck e Kai calmamente falando, mas não prestei atenção no que estava sendo dito. Apertei o meu pai para mim, querendo tirar toda a culpa que ele carregava com ele. — Precisamos ir, London. — Kai gentilmente colocou a mão no meu ombro, em seguida, me puxou de volta contra o seu peito, a palma da mão deslizou por cima do meu quadril para colocar o plano em minha parte inferior das costas. — E você precisa vir conosco. — ele disse para o meu pai. — Eles vão mandar alguém atrás de mim se eu for com vocês. — argumentou. — É melhor eu ficar. — Pai. Não.


Kai balançou a cabeça. — Você vem junto. — Ele agarrou o braço do meu pai e começamos a descer o corredor. Ouvi Deck no fone de ouvido com Vic e Kai estava fazendo perguntas para o meu pai sobre a droga quando correu para a porta que dava para os túneis. — Dei-lhes um lote de comprimidos três meses atrás, mas isso é tudo que eu tinha. Um componente é difícil conseguir... — Para quem? — Perguntou Kai. — Eu não sei. Só um cara. — Então ele perguntou:— O cara que eles estão dando a droga... você já o viu? Sabe como ele está? — Nós o temos. — disse Kai. — Ele é meu irmão. — disse Georgie. Os olhos de meu pai se arregalaram. — Ele é perigoso. A droga obscurece as suas memórias e ele não sabe o que faz. Ele provavelmente não vai saber quem você é e vai fazer o que quiserem. Foi aplicado um esteroide que aumenta... — Invencibilidade. Sim, nós descobrimos isso. — afirmou Deck. Meu pai continuou:


— Quanto tempo desde a sua última pílula? Se ela for retirada do nada pode ser pior. Alguns dos ratos... bem, eles morreram quando eu parei a droga. Olhei para Georgie, que empalideceu e pegou a mão de Deck. Meu

pai

olhou

para

mim,

a

expressão

tensa

desaparecendo à medida que as rugas cederam. — London, você sabe como isso funciona. Ele não pode ficar sem a droga. Não sem efeitos colaterais graves e talvez até mesmo a morte. A voz de Deck estava rouca e abrupta. — Algo mais? — Eu não sei. Os ratos, eles entraram em um frenesi, uma raiva e depois de alguns dias, começaram a ter câimbras, tiveram convulsões até que... bem, até que eles morreram. — Merda. — Deck bateu com o punho na parede. Meu pai rapidamente continuou: — Mas ele pode se desintoxicar. Com uma retirada lenta e você... — Quieto. — Kai interrompeu quando ele abriu a porta para dentro do túnel. — Espere aqui.


Eu vi quando ele desapareceu na escuridão, com o tom de azul da luz bruxuleante por um breve segundo antes de desaparecer também. Deck estava na frente, mas calmo, com Georgie abrigada por seu corpo e a arma na mão. Isto foi apenas alguns segundos antes Kai correr de volta até as escadas e agarrar minha mão e me puxar para longe. — Não se movam. Não sei quantos, mas eles estão vindo para cá. Deck já estava se movendo pelo corredor em direção à escada norte. Um celular tocou e o único a ter um celular tocando seria o meu pai. Todos os nossos estavam no silencioso. Ele rapidamente olhou para a tela, em seguida, parou, com o rosto pálido. — Pai? Deck e Kai se entreolharam, então Deck correu pelo corredor um pouco mais e espiou ao virar da esquina. — É o meu contato para a droga. — disse meu pai. — Atenda-o. — Kai ordenou. Coloquei minha mão sobre o braço do meu pai e apertei. Ele parecia assustado com os olhos arregalados e mãos trêmulas quando apertou seu telefone e o colocou no ouvido. — Olá? — Ele escutou por dez segundos depois desligou e virou-se para Kai. — Eles sabem que você está aqui.


Kai meio que sorriu. — Então eles devem estar preocupados. — Ele levantou o queixo para Deck. — Evacuação? — Escadas Norte para o porão. Vic nos cobrirá na porta de emergência. Nós estávamos nos movendo rápido quando Deck tomou a liderança, Georgie atrás, meu pai e eu com Kai assumindo a retaguarda. Deck parou, estendendo a mão quando os elevadores a cinquenta metros de distância soaram. — Merda. Voltem. — ele ordenou. — Vic. Precisamos de uma outra saída. Saída norte e túneis comprometidos. Meu pai correu à frente. — Oeste. Existe uma... Tiros ecoaram pelo corredor e Kai me agarrou, me empurrando na frente dele e para uma alcova. — Pai? — Bem aqui, querida. — disse ele. Deck e Georgie estavam em uma alcova em frente ao hall. — Pode nos levar a este laboratório? — Kai perguntou ao meu pai. — Sim, mas não há nenhuma maneira de sair.


— Faça. Meu pai digitou um código e a porta apitou, mas não abriu. — Eu não posso substituir a fechadura. — Ele digitou o código de novo e ela apitou, mas permaneceu trancada. Enfiei a mão no bolso e tirei minha arma. Kai me viu fazê-lo e acenou com a cabeça uma vez. Ouvi passos e, em seguida, tiros, mas eles estavam com Deck. Quando Deck revidou, Kai olhou em torno do canto e o gesso estilhaçou ao lado a sua cabeça. Engoli em seco. Oh, Deus, eles estavam atirando para matar. Eles estavam vindo para nos matar. Kai afastou-se da porta e chutou. Ela não se moveu. — Porra. — Ele agarrou meu pulso e me empurrou de volta contra ela. — Atire em qualquer um que chegar perto de você. Entendeu? — Balancei a cabeça, mas eu estava pirando em silêncio. Já tinha visto pessoas baleadas, assassinadas, espancadas, mas era quando eu não me importava com nada. Agora, eu tinha o meu pai, Kai, Deck e Georgie. Kai olhou para o meu pai. — Eles estão vindo de ambos os lados. Nós podemos sentar aqui e ser alvos fáceis ou revidar para sair. Eu não vou ficar aqui esperando ou me render, o que significa que você ficará com ela.


— O quê? Kai? — O que ele estava pensando em fazer? Estendi a mão, mas ele me empurrou de volta com a sua palma no meu peito. — Você precisa ficar ali. Eu sinalizei mais tiros. Deck estava atirando ao lado de Georgie, mas não por muito tempo quando Deck agarrou e empurrou-a de volta para fora do caminho do tiroteio. Deck olhou através do corredor para Kai e ergueu a mão, indicando cinco para a direita e para a esquerda, três. Kai balançou a cabeça e apontou para si mesmo, Deck e depois à direita. Kai assentiu. Oh, meu Deus, eles estavam indo para o campo aberto. — Não. Kai. — Meu coração batia descontroladamente e eu balancei tão forte, que fiquei com medo que a arma atirasse acidentalmente. — Não existe escolha aqui, baby. — Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, Kai acenou uma vez para Deck e ambos rolaram para o corredor. Dei um passo para frente, minha respiração trancada no meu peito enquanto eu ouvia tiros de ambos os sentidos. Deck e Kai estavam fora da minha linha de visão. Ouvi gemidos e corpos batendo no chão, mas não conseguia ver nada. Georgie estava espiando o canto e atirando. Mudei-me para frente, mas meu pai me bloqueou com seu corpo.


— Não. — Pai, eu posso atirar. — Não podia, mas eu tinha que fazer alguma coisa. — Não. — ele repetiu, a voz firme. — Você precisa fazer o que Kai... Um homem cambaleou no corredor, o sangue cobrindo a frente da camisa com uma faca mergulhada em seu peito. — London! — Eu ouvi Kai. Houve mais alguns tiros, mas tudo foi em câmera lenta, enquanto o homem ergueu a arma e apontou-a para mim. — Deck! — Kai gritou. Eu levantei minha arma, também. O que aconteceu foi em milésimos de segundos. Meu pai mergulhou de encontro ao indivíduo, ao mesmo tempo que as duas armas dispararam. O homem caiu para trás com meu pai em cima dele. Tudo mudou. — Pai! Eu fui até ele, deixando cair a arma e caindo de joelhos ao lado dele. — Pai. Papai. — Tentei rolá-lo de cima do outro cara. — Pai! — eu soluçava.


De repente, eu estava sendo puxada e tinha braços em volta de mim. — Baby, dê um segundo para Deck ajudá-lo. Foi então que notei Deck de joelhos ao lado de meu pai, Georgie em pé contra a parede com sua mão na boca. Deck tinha o meu pai nas costas e havia sangue por todo o peito. — Kai, deixe-me vê-lo. Deixe-me ir. — Empurrei em seus braços e ele finalmente me liberou. Caí de joelhos ao lado de Deck que estava pondo pressão sobre o peito do meu pai, mas havia muito sangue. Eu não sabia se era apenas do meu pai ou do outro cara, mas quando vi o rosto de meu pai, eu sabia. — Não. Deus, não. Pai. Não. Por favor. — Oh, Deus, eu estava tão perto de consegui-lo de volta. Depois de todo esse tempo, tive uma boa chance, mas o estava perdendo. — London... — ele conseguiu chamar mas em seguida, jorrou sangue, tossindo. As lágrimas nublaram a minha visão quando vi meu pai lutar para respirar. Ele me olhou e eu senti Kai atrás de mim, em seguida, sua mão estava no meu ombro. — Devo a você. Por... encontrá-la... escondendo-a... deles. — Ele tossiu de novo e usei minha manga para limpar a sua boca. — A proteja... quando eu não fiz.


E então, Kai fez algo que eu nunca pensei que ele faria. Agachou-se, pôs a mão no ombro do meu pai e apertou. Então, meu pai estava olhando para mim e eu levei a sua mão e segurei-a na minha. — Pai. Podemos tirá-lo. Apenas espere. — Mas eu sabia que não era verdade. Ele deu um meio sorriso. — Não. Não... precisa esperar... mais. Apenas esperei para lhe ver... de novo. Amor... — Seus olhos estavam vidrados e o sangue escorria pelo canto da sua boca. — Não, pai. Não! — eu gritei. — Oh, Deus, Pai. — Eu caí sobre seu pescoço. — Pai! Eu não tinha ideia de quanto tempo chorei, mas foi provavelmente apenas alguns segundos antes de ouvir Deck. — Precisamos sair. Agora. — Deck ordenou. Mãos me levaram para longe de meu pai e eu sabia que era Kai. — Pai... — Baby, nós temos que ir. Eu sabia, logicamente, mas tudo dentro de mim queria ficar com meu pai. — Eu... Kai... nós não chegamos a tempo. Ele enxugou as lágrimas com o polegar.


— Baby, seu pai estava morrendo de câncer. Ele a teria deixado em meses. Talvez nem isso. Ele sabia disso. Ele só estava esperando para vê-la novamente. Engoli em seco. — Câncer? Ele assentiu. Kai me levou gentilmente mais longe de meu pai, a dor era esmagadora e debilitante. — Ele era um bom homem. — Kai beijou o topo da minha cabeça. — Eu gostava dele. Georgie jogou os braços em volta de mim. — Querida, eu estou tão triste... Deck colocou as mãos em seus ombros, em seguida, puxou-a para trás. — Não agora, arco-íris. Vamos lá. Em seguida, fomos correndo para a escada. Deck a limpou primeiro e depois, subiu um lance de escadas antes de Deck levantar a mão para pararmos. — Vic, estamos em posição. Kai entregou a minha arma. — Baby, aqui e agora. Ok?


Lágrimas se mantinham correndo pelo meu rosto, mas eu assenti. Com a minha mão trêmula enrolada em volta do metal duro, ouvi os tiros no corredor. — Vic. Ele está vindo para nos ajudar. — disse Kai. Eu ainda estava pensando sobre o meu pai, o rosto, o modo como seus olhos vazios olharam para mim. Deus, ele esteve doente. E agora ele se foi e... as mãos de Kai seguraram minha cabeça para que eu fosse forçada a olhar para ele. — Eu sei você não está bem. Mas preciso que você se concentre. Eu balancei a cabeça. Seus polegares acariciaram delicadamente sobre minhas têmporas, seu corpo duro contra o meu, tenso e pronto para reagir a qualquer momento. — Responda-me, baby. — Ok. — Eu inspirei de forma trêmula. — Ok. Olhei para Deck e assenti. Em seguida, a porta da escada abriu e nós corremos pelo corredor. Nós não estávamos muito longe antes de dois homens correrem ao virar a esquina e começarem a atirar. Kai me agarrou, me puxando ao virar da esquina e jogando contra a parede, seu corpo me protegendo enquanto Deck fazia o mesmo com Georgie.


Os tiros pararam e Deck gesticulou para Kai antes que ambos saíssem, enquanto Deck atirava e Kai corria e rolava pelo corredor para o outro. Eu não podia vê-los mais, apenas ouvia os tiros. O meu domínio sobre a arma era tão apertado que o metal moldava a minha mão. Georgie tinha uma arma também, mas quando olhei, ela me pareceu bastante estável e deu um meio sorriso para mim, com confiança. Ela tinha total confiança em seu homem, que iríamos sair daqui. Eu não podia sorrir de volta porque meu medo aumentou quando ouvi passos se aproximando. Oh, Deus, por favor, tenha cuidado, Kai. Mas isso era o que Kai fazia. Ele me salvou da prisão de Vault depois de matar a sua própria mãe. Ele sabia o que estava fazendo. Ouvi duas batidas fortes e um meio grito antes que o som borbulhasse a nada. — Tudo limpo. Era Kai. Saímos do canto e vi dois corpos no chão, o acúmulo de sangue em torno de suas cabeças dos cortes em toda as suas gargantas. Kai tinha suas facas na mão, o sangue escorrendo das lâminas. Um alarme soou através do prédio e Deck disse:


— Vic. — E, em seguida, Vic estava correndo em nossa direção com uma arma pendurada no ombro e outra nas mãos. — Saída de emergência limpa. Carro esperando. — disse Vic. Deck lhe deu um tapa nas costas e eles partiram para a porta. — London. — Kai deu um passo para perto de mim e abaixou a minha arma. Ele deslizou suas facas no coldre e pegou minha mão na sua. — É apenas uma palavra e eu sinto muito mais do posso expressar em palavras. Mas você precisa ouvir isso de mim agora, então, eu estou dando a você. Eu a amo, London. Ele não me deu tempo para responder e eu não acho que poderia, mesmo que tivesse. Ele uniu nossas mãos e correu para a porta de emergência.


Por cinco dias ficamos ociosos na casa de Tristan, depois de voar de volta para Toronto. Esta estava localizada na periferia da cidade e tinha um elaborado sistema de segurança protegendo o que parecia ser uma extensa coleção de arte pendurada nas paredes. Como ninguém de Vault sabia de seu envolvimento ainda, era seguro o suficiente — por enquanto. Mas quando você era a caça, ficar parado em um lugar só nunca era uma boa ideia. London estava sendo minha Coração Valente, insistindo em ler os arquivos de seu pai para que pudesse descobrir mais sobre a droga e ajudar Connor. Mas à noite, quando eu a segurava em meus braços, suas lágrimas embebiam em minha pele e seu corpo tremia enquanto ela soluçava.


Não havia nada a dizer e eu sinceramente não sabia como ela se sentia, porque nunca experimentei uma perda assim. Eu era muito jovem quando meu pai morreu e nós fomos abandonados, em modo de sobrevivência, na fazenda. Lembrei-me de estar triste e sentindo falta dele, mas não durou muito tempo. Quando tive idade suficiente para compreender porque ele morreu e o que aconteceu, não sofri. Eu o culpei. Ele sabia que a minha mãe era uma puta com fome de poder e de controle. Ele tinha que ter visto o que estava por vir. Ele teve um caso e minha mãe teve uma desculpa para fazer seu movimento. Não demorou muito antes de eu parar de culpálo, porque não me importava, de uma forma ou de outra. Eu não me importava com nada. No meio da tarde que eu vim verificar London, mas ela estava no chuveiro, então fui para o andar de baixo buscar algo para ela comer. Se ela tivesse comido qualquer coisa nos últimos

cinco

dias,

não

seria

suficiente

e eu

estava

preocupado. Porra, eu estava preocupado. Isso era o que era se importar com alguém, você se preocupa com eles. Chess veio intrometendo-se na cozinha, com as mãos nos quadris e as bochechas vermelhas. Parecia que ela esteve brigando. Provavelmente com Tristan. — Por que não estamos fazendo nada? Eles vão mudar a fazenda de lugar, Kai. — Tristan apareceu, inclinando-se contra o arco para a cozinha, ergueu as sobrancelhas e sorriu


para mim. Obviamente, ele já ouviu isto de Chess. — Eles podem já tê-lo feito. Abri a geladeira, peguei o pedaço restante de salmão grelhado que Deck fez na noite anterior e coloquei sobre o prato. — Nós não temos uma localização, Chess. — Coloquei duas fatias de pão na torradeira. — Não é possível seguir em frente sem um local. Ela se moveu na minha frente, enquanto fui para a geladeira novamente. Ela olhou. Isso não me incomodava. Eu só estava feliz que ela estivesse em pé diante de mim e não em alguma prisão. — E se eles matarem as crianças? O que então? Você vai ser capaz de viver com você mesmo, Kai? — Ela bufou. — Sim, você provavelmente poderá. — Isso me incomodou, mas ela estava certa de pensar isso. Eu merecia. — Mas eu não posso. Deveríamos estar lá fora, procurando, não sentados aqui, esperando algum idiota ligar. Estávamos esperando Dorsey me ligar. Tínhamos a droga e os arquivos e Connor, que estava muito mais calmo após ter sido dado a droga. Mas era o quinto dia desde que tinha dado a ele um comprimido misturado na água e ele já estava começando a mostrar sinais de raiva novamente. Deck estava esperando que pudéssemos estender o período de tempo a cada semana, adicionar alguns dias até que eventualmente Connor estivesse limpo da droga.


Tristan afastou-se da parede e foi até ela. Eu me movi de volta para a torradeira e passei manteiga na torrada. Olhei por cima do meu ombro, para eles. Ele foi gentil quando veio por trás dela e colocou as mãos sobre seus quadris. Eu a vi empurrá-lo para se afastar, mas ele apenas moveu-se para mais perto e apertou seus braços. — Dorsey pode ter a localização da exploração. — disse Tristan, com sua boca perto de seu ouvido. — E se ele não ligar? — Ela refutou. — Nós lhe daremos mais dois dias — eu disse. — Se ele não ligar, vamos até ele. Eu tenho alguém em cima, se ele decidir fazer um movimento em algum lugar. — Era sempre melhor ter alguém entrando em contato do que abordar, mas Chess estava certa. Se eles sentissem que a fazenda estava ameaçada, eles a mudariam. Coloquei o salmão na torrada, polvilhado um pouco de sal marinho e pimenta, em seguida, coloquei algum tomate fatiado e alface, antes de colocar a torrada por cima. Peguei o prato para levá-lo para London quando meu celular tocou. Era o descartável de Ernie. Pousei o prato, encostei-me ao balcão e respondi. — Sim? Você tem alguma coisa? — Ernie era o cara que eu tinha em Vegas mantendo um olho em Dorsey. Se ele estivesse indo fazer uma abordagem, já teria feito após o que rolou no laboratório.


— Seu homem é um pouco teimoso. — uma voz forte e profunda respondeu. Era como se ele fumasse demais e seus pulmões estivessem cobertos por uma camada de piche preto. Eu sabia exatamente quem era. — Dorsey. — A respiração de Chess engatou. — Este não é um bom momento. Estou prestes a comer. Eu não tinha que olhar para minha irmã para saber que ela estava furiosa com a minha indiferença. Tristan, sem dúvida, estava impedindo-a de pular no meu rosto. — Ah, bem, meus tubarões estão prestes também. Eles têm um frenesi, uma vez por semana. Hoje à noite eles vão ter algo de especial. — Fiquei tenso, porque eu sabia exatamente onde ele estava indo com isso. — A menos que, claro, você prefira tê-lo de volta em uma única peça? Olhei para cima quando Deck e Vic entraram na cozinha, dando-me espaço, mas escutando. — O que prefiro é que você diga o que quer. Ele riu. — Sempre respeitei você, Kai. Mesmo agora, depois de matar sua própria mãe. Ela era uma cadela de coração frio. Fiquei quieto e ele continuou: — O Dr. Westbrook está morto e seus arquivos desaparecidos. Você roubou os arquivos da sua mãe sobre a


droga, você tem a filha do Dr. Westbrook e eu assumo, a famosa cobaia, Connor, já que ele desapareceu. Mais uma vez fiquei em silêncio. Inútil negar, ele estava certo em todos os aspectos. — Eu tenho um trabalho para você. Foi a minha vez de rir. — Já não estou fazendo trabalhos para Vault, como eu tenho certeza que você está ciente. Ele estalou a língua e eu queria alcançar através do telefone e rasgar a sua garganta. — Mas você vai fazer este trabalho para mim, porque eu sei que você se interesseira. — E o que é isso? — O outro membro do conselho. — Ele fez uma pausa. — Você, Kai, matou sua mãe. Você salvou a sua irmã e a filha do Dr. Westbrook, London. Você está certificando-se de que tenha todo mundo fora antes de ir atrás do resto de nós. — Ele fez uma pausa. — Ou devo chamar essa menina de Raven? — Jesus Cristo. — Uma pena eu não ter tido o prazer de degustá-la enquanto ela estava na... indústria. Se recomponha, Kai. Normalmente não deixaria que as palavras me incomodassem. Elas eram sem sentido, mas ele falando sobre London era como uma faca na barriga.


Deck se moveu ao meu lado e eu inclinei o celular para que ele pudesse ouvir. — Vamos esclarecer uma coisa, Dorsey. — Qualquer diversão deixou meu tom. — Você toca na minha garota e não haverá nada neste mundo que vá me impedir de chegar a você. E quando eu chegar, não vai ser uma morte rápida. Porque, como diz Vault, a morte é um privilégio. Dorsey fez uma pausa e por um segundo eu pensei que ele tinha desligado, exceto por sua respiração crepitando. — Alimente o tubarão com seu dedo. — disse ele, mas não era para mim; era para alguém que estava com ele. Não havia nada que eu pudesse fazer. Conhecia o seu jogo e ceder a ele só iria piorar as coisas. Deck baixou a cabeça e a vibração de raiva emanava de cima dele, mas ele também sabia disso. Ele sabia que não podia ceder a Dorsey. O destino de Ernie não parecia bom. Porra. Eu deveria ter ido. — Vou fazer um acordo. Dê-me a droga, os arquivos e a garota e você pode ter seu homem de volta inteiro. Bem, menos um dedo. — Ele riu. — Que tal isso? Eu o encontro e em seguida, agradável e lentamente, lhe cortarei com a minha faca. Farei isso por semanas, para que o seu tubarão tenha refeições por um tempo. E quando você me implorar por misericórdia, merda, eu não terei misericórdia. A fazenda teve certeza disso.


Ele não riu desta vez; em vez disso, ouvi Deck e, em seguida, suas palavras foram abafadas quando ele colocou a mão sobre o receptor e falou com alguém. — Você acabou de matar seu amigo. — Eu não tenho amigos. — eu respondi calmamente. Mas eu tinha. Eu tinha amigos. Tinha Ernie. Tinha. Porra, Ernie. Isso o fez parar e talvez ele estivesse começando a entender que eu não daria nada do que ele pediu. Mas poderia ter sido o sacrifício da vida de Ernie. Eu queria perder minha merda. Queria atirar meu telefone através da janela e destruir tudo à vista. A raiva queimando através de mim estava me colocando à beira de fazer algo estúpido e mandar tudo à merda. — Tudo bem. — disse Dorsey e foi cedendo. — Você quer ir a Vault, eu posso fazer isso acontecer. Eu ri. — Eu não preciso de você para fazer isso acontecer. Posso fazer isso eu mesmo. Mas isso não é o que quero. — Você já estaria aqui por si mesmo se você me quisesse, por isso o meu palpite anterior está correto. E eu quero a mesma coisa, então acredito que podemos chegar a algum tipo de acordo. — Estou ouvindo.


— Não por telefone. — disse Dorsey. — Encontre-me. Em Vegas. Sem o cara ex-JTF2. — Estou vivo hoje porque não me encontrei com meus inimigos onde eles escolheram. — Quem disse que nós somos inimigos, Kai? Estamos apenas negociando pelo que nós dois queremos. E eu quero os arquivos da droga. — Ok. — Dou-lhe a informação que você precisa e você me dá os arquivos do Dr. Westbrook. — Eu esperava que ele incluísse London, mas não o fez. — Posso encontrar outro cientista, embora a menina teria feito as coisas mais fáceis. Mas eu sei que você não vai desistir dela. Não depois do que fez para libertá-la. Mas quero Connor e os comprimidos que você roubou do laboratório. Olhei para Deck, cuja carranca era feroz, as linhas em torno de sua boca apertadas. — Nada de Connor. E não em Vegas. Vou encontrá-lo esta noite. Onze. Deve dar-lhe tempo suficiente para voar para Toronto. Vinte e quatro horas, jantar no Spadina em Niagara. Traga Ernie ou nada disso acontece. — Desliguei, abri o telefone na palma da minha mão, tirei o cartão SIM e o esmaguei no balcão. — Você confia nele? — Perguntou Deck.


— Porra, não. — Mas Dorsey era tudo sobre poder e dinheiro, o que significava que ele provavelmente estaria disposto a desistir do membro do conselho que, obviamente, tinha mais poder do que ele. — Mas ele quer a droga. Se ele a controlar, não precisará da fazenda. Ele vai fazer o que foi feito para Connor: usá-lo em homens que já são assassinos, Transformá-los em máquinas. Não tenho certeza sobre o condicionamento, embora. Essa era a experiência da Mãe. — É ainda mais razão para não dar a ele. Eu sorri. — Minha moral é mais flexível do que a sua, Deck. Eu não tenho escrúpulos em fazer um negócio e depois renegar. O lábio de Deck contraiu. — Eu quero ir com você. — disse Chess. Tristan riu, ao qual ela deu um tapa no braço. Ele apenas riu mais. — Não vai acontecer, querida. — Eu tenho que fazer alguma coisa, porra. — Enquanto eu tinha paciência, estava aprendendo que Chess não tinha. — Sim, você pode cuidar de mim. — Tristan dobrou o ombro em sua barriga, em seguida, a tinha por cima do ombro dentro de segundos. Ela gritou. Ele a ignorou e eles foram embora. — Como ela está? — Perguntou Deck.


Ele estava se referindo a London. Vic serviu-se de um café, mas eu poderia dizer que ele estava ouvindo, pela forma como sua cabeça ligeiramente inclinou em nossa direção. — Fingindo estar bem. Ela precisa estar longe disso. Deck assentiu. — Georgie também. Precisamos fazer acontecer a ideia de Tristan. — Uma ideia estava por vir na jogada, se tudo corresse como esperado com Dorsey. — As meninas não vão gostar, mas se nós tivermos o que precisamos de Dorsey, então teremos que agir e elas não podem fazer parte disso. Deck e eu tivemos nossas diferenças, mas tínhamos uma coisa em comum agora: manter as meninas seguras. Eu sorri. — Tristan está em uma guerra. Deck riu, um som raro vindo dele. — Tive um tempo com a minha. Ela sabe quando lutar e quando não há chance do caralho e estou dando isso a ela. London escolhia suas batalhas, mas eu não acho que isso era uma que ela discutiria. Ela não era uma lutadora, apesar das batalhas fodidas que teve para sobreviver. Ela se mantinha firme quando preciso e quando acreditava em alguma

coisa.

Mas

sua

suavidade

e

compaixão


transpareciam. Eu vi a forma como tratou o sem-teto, a forma como se movia, o calor tranquilo que emanava dela. Meu pau empurrou e eu grunhi, pegando o prato com o sanduíche de salmão. — Dê-me uma hora. — eu disse a Deck e Vic. — Então nós falaremos sobre o que precisará acontecer hoje à noite. Deck assentiu. Vic não fez nada, mas continuou segurando firme seu copo de suco de laranja, enquanto se inclinava contra o balcão de mármore. Saí da cozinha e segui pela sala quando ouvi a água correndo pelos tubos acima. London ainda estava no chuveiro? Era uma porra de um longo tempo para estar no banho. Caminhei pela sala, subi as escadas, dois degraus de cada vez, fui para o quarto de hóspedes, coloquei o prato sobre a cômoda e continuei até o banheiro adjacente. O ar era um escudo de neblina e ele girava em torno de mim quando o ar mais frio do quarto se misturou com o vapor úmido. Eu fechei a porta. Eu não podia vê-la, mas a ouvi. Os soluços suaves de um lugar a direita e não no chuveiro. Andei pelo banheiro e a encontrei sentada no chão, encostado na parede no canto. Foda.


Agachei-me na frente dela e minhas mãos pousaram em seus joelhos que estavam dobrados e puxados perto de seu corpo. Seu cabelo estava molhado e pingava sobre os ombros nus, deslizando por sua pele para mergulhar na toalha de algodão azul que usava. — Eu nunca deveria ter fugido... — Ela parou e eu sabia porque, porque não teria mudado o resultado. Como Raven, ela não poderia ter feito nada para ajudar seu pai. Não poderia nem mesmo se ajudar. — Por que ele fez isso? Por que ele levou o tiro? — Mais uma vez, não havia necessidade de responder e não acho que ela quisesse. Estas eram perguntas que ela sabia as respostas. Ele estava morrendo e queria fazer algo que fosse incapaz de fazer, quando se envolveu com Vault... salvar a sua filha. Meu polegar acariciou seu joelho, enquanto estendi a outra mão e enxuguei as lágrimas em seu rosto com meus dedos. Ela finalmente olhou para mim com os olhos avermelhados e meu coração, que pensei que estava tão poluído e manchado que já não batia, estava machucado. Era como se alguém estivesse o apertando com tanta força que ele estava em agonia. Ela abaixou a cabeça, o cabelo cobrindo o seu rosto. — Ele morreu sabendo que você é uma mulher forte, bonita. Você deu-lhe isso. Seu desejo final.


Ela ficou em silêncio por um longo tempo antes de levantar a cabeça e dizer: — Obrigada. Eu cheguei para frente, enfiei alguns fios molhados atrás da orelha e segurei-lhe o rosto, o polegar acariciando em um vai e vem. — Pelo quê? — Por se importar. Sobre ele e eu. — Ela descansou a mão sobre a minha em sua bochecha, deslizou-as para sua boca e beijou minha mão. — Eles tentaram tirar isso de você, mas eles não conseguiram. Eles conseguiram. Levaram partes de mim que nunca iriam voltar, mas ela me deu o maior presente: o de se importar com alguém tão profundamente que essa pessoa vivia e respirava dentro de você. Isso era muito mais poderoso do que qualquer dor ou condicionamento que Vault tinha feito para nós. Ela me consumiu e talvez fosse um sentimento muito perigoso por uma mulher, mas já era tarde demais. Sempre foi tarde demais para parar. — Eu quero que você tire a dor. — ela sussurrou. — Por um tempo, me faça esquecer. Quando eu não consegui me mover, ela se levantou com sua mão na minha. Levantei-me e ela me guiou de volta para o quarto, onde deixou cair a toalha e se deitou.


Olhei para ela por alguns segundos, para esta mulher notável, pela qual eu iria até os confins da terra, por quem mataria se alguém tentasse machucá-la. Eu era sempre confiante, nunca pensava duas vezes antes de fazer o que quisesse, mas vê-la deitada nua na cama, com o cabelo molhado espalhado sobre o travesseiro e lábios ainda tremendo de tanto chorar, vacilei. Eu não tive certeza porque não queria machucá-la e não sabia se isso era o que ela precisava agora. — Kai. Tire a sua calça. — disse ela. Levantei minhas sobrancelhas, com uma contração suave no canto da minha boca. — E se eu não achar que isso seja uma boa ideia? Ela se apoiou em seus cotovelos, empurrando os seios e meus olhos se viraram para eles por um segundo antes de voltar ao meu rosto. Porra, ela sabia o que fazia para mim. Eu estava dormindo com ela há cinco dias. A segurava. Meu pau ficava duro feito pedra, mas não fazia nada sobre isso, porque ela não precisava dessa parte de mim. Ela precisava de uma parte que não sabia se eu tinha. A que a abraçou e acalmou enquanto ela soluçava até dormir. — Você acha. — London... Ela interrompeu e ela nunca me interrompia.


— Se eu te tocar agora e você estiver duro, então sei que você me quer e assim eu conseguirei que me coma. Se você não estiver duro, então podemos ficar aqui até que eu o faça ficar duro e então, você poderá me comer. Sorri, balançando a cabeça e ela também, mas eu ainda via a dor persistente em seus olhos. E eu queria tirar isso. Eu queria aliviar sua dor. — Não há necessidade de me tocar para saber. Minhas mãos foram para o meu cinto e o soltei, caindo para o chão. Minha calça foi logo em seguida e levantei minha camiseta sobre a cabeça e, em poucos segundos, fiquei nu ao lado da cama. Seus olhos percorreram o meu comprimento, hesitando no meu pau latejante, então abaixei minhas mãos e o peguei. Seu olhar subiu para o meu rosto. — Fico duro só de pensar em você, Coração Valente. — Eu me ajoelhei na cama e montei seu corpo. — Essa palavra de quatro letras não é suficiente para mim. — Por quê? — Ela perguntou, sem fôlego, quando me estabeleci entre suas pernas que rapidamente envolveram em torno dos meus quadris. Inclinei-me como se eu estivesse prestes a beijá-la, em seguida, sussurrei: — Porque você é meu tudo.


Então, minha boca encontrou a dela.

Provei cada polegada dela, senti seu corpo tremer em torno de mim, a ouvi gemer e meu nome. E eu o fiz duas vezes antes de ter que me levantar e atender Deck e os caras. Debrucei-me sobre ela e lhe dei um beijo luxurioso, minha mão lentamente deslizando por seu lado, até o quadril, e até a bunda onde eu apertei. Ela gemeu e me beijou, lenta e preguiçosamente. Sua mão moveu-se no meu braço, sobre meu ombro para a parte de trás do meu pescoço, onde ela tomou um punhado de cabelo e aproximou-me mais. Foi a minha vez de gemer antes de me afastar, trazendoa comigo para uma posição sentada. — Eu preciso fazer algo. — Pensei que você estivesse fazendo. Eu ri. — Mmm, eu estava, mas não a coisa que preciso fazer. Ela torceu o nariz e seu rosto caiu quando a realidade bateu. Vi a devastação bater nela novamente quando fechou os olhos com um suspiro irregular.


Ela demoraria um pouco antes de aceitar o que havia acontecido com seu pai. Ela não iria esquecer, mas aprenderia a viver com sua perda. Beijei-a novamente, levantei-me, inclinei, peguei a minha calça jeans do chão e minha camiseta. — Estarei com Dorsey numa reunião. — Ela balançou as pernas para o lado da cama, o lençol levantou para cobrir os seios. — Ele nos dirá a localização da fazenda se entregarmos a fórmula de seu pai e a droga confiscada do laboratório. — Entrei no banheiro e joguei minhas roupas no balcão, em seguida, disse:— Ele vai morrer em três horas. — Umm, Kai... — Eu levantei minhas sobrancelhas para o umm e ela deu um meio sorriso, revirando os olhos. — Estive olhando para a fórmula nas notas do meu pai e há algumas drogas poderosas lá. Acho que sei porque Connor fazia tudo o que eles queriam e provavelmente nem sabe disso. Inclinei meu ombro contra a porta do banheiro e cruzei os braços. — A escopolamina. É feita a partir das sementes de uma planta na Colômbia. — Jesus Cristo. Respiração do Diabo. — Uma droga perigosa,

que

pode

ser

administrada

praticamente

de

qualquer forma. Mas a forma mais fodida é pela respiração das sementes tratadas quimicamente, que são moídas em


Série Unyielding #2 Perfect Ruin (Parte1/2) - Nashoda Rose