Issuu on Google+


Envio: Soryu Tradução: Niquevenen

Revisão Inicial: Lucca Revisão

Final:

Michele

Gutierrez,

Erica

Janaine, Arih Brandão, Ana Ferraz, Aline Alves, Patikw Leitura Final: Lola e Paixão Formatação: Lola Verificação: Anna Azulzinha


Quando Val Jensen foi abandonada por

decidir

permanecer virgem até o casamento, a desagradável ruptura foi viral no YouTube, a transformando na última sensação da Internet. Depois de dias de piadas de seus colegas, Val inicia uma campanha em toda a escola para conseguir apoio para sua causa. Sua intenção era deixar claro sua opinião, mas nunca imaginou que toda a nação estaria presa na controvérsia. Como se ser reconhecida nacionalmente como” Virgem Val” não fosse o suficiente, a já agitada vida de Val fica fora de controle quando o bad boy Kyle Hamilton, vocalista da bem-sucedida banda de rock Tralse, decide tomar seu desafio como uma provocação pessoal. Como pode uma garota permanecer fiel a si mesma quando o Homem Mais Sexy do ano está fazendo todo o possível para conquistá-la?


A conversa Sabia o que estava por vir. Quando Zach me disse que seus pais sairiam da cidade por todo o fim de semana e me perguntou se eu queria ver um filme ou algo assim, sabia o que ele estava pensando. Sou virgem, não estúpida. Ele estava definitivamente tentando algo. Isso não me incomoda. Quero dizer, ele é um saudável menino de dezessete anos e estamos saindo há três meses. Entendo como funciona o mundo. Só pensei que algo de minha compreensão poderia ter sido trocada. Estava equivocada. Suponho que é tanto sua culpa como a minha. Deveria ter sido honesta com ele desde o começo, mas... Você pode me culpar por adiar a cada vez que ia falar? Dizer a alguém que é virgem não é fácil a princípio, mas dizer que planeja permanecer dessa maneira é mais difícil. Zach planejou tudo também. Quando cheguei a sua casa ele esperava com comida caseira, velas acesas, a fina porcelana de sua mãe, e a coleção do Tchaikovsky de seu pai tocando ao fundo. Foi o melhor frango à parmegiana que eu já comi, embora estivesse um pouco cozido demais.


Depois do jantar ele se sentou no sofá e me entregou uma caixa pequena com uma fita solitária. — O que é isso? — perguntei surpresa. Não é que Zach fosse insensível ou sem consideração, mas o romance não era seu forte, e esta noite tudo estava impressionante. —Bom, sei o quanto você gosta de joias, pensei que ficaria bem com seu cordão. Minha mão direita automaticamente encontrou seu caminho até o brilhante ouro branco com forma de V que estava pendurado em meu pescoço. O V de Valerie. O cordão da minha mãe biológica. Só tinha dezessete anos quando me teve, e me entregou para adoção imediatamente depois. Além da vida, este cordão foi a única coisa que me deu. Mas estava agradecida de ter pelo menos isso. Meus olhos perderam o foco antes de chegar à fita para abrir a caixa. Os brincos que se encontravam no interior eram tão belos que a neblina se transformou em lágrimas de verdade, escorrendo a máscara de cílios pelo meu rosto. Zach ficou pálido quando se deu conta de que eu estava chorando — Isso significa que você gostou ou que me enganei? —Zach — sussurrei — São perfeitos. Foi quando ele começou a me beijar.


Nos beijamos... E beijamos... E beijamos até que minha boca estava seca, meus lábios doíam e minha cabeça estava nas nuvens. Quando paramos para recuperar o fôlego, Zach pegou minhas mãos e disse a frase que eu estava temendo a noite toda. — Vamos para o meu quarto. Meu coração começou a pulsar rapidamente em meu peito. Como eu disse, sabia que isso ia acontecer, mas não quer dizer que estava preparada. —Não acho que isso seja uma boa ideia — disse suspirando um pouco. —Por que não? Estamos sozinhos aqui, tivemos uma grande noite e estamos juntos há três meses. Não queria ferir seus sentimentos. Procurava as palavras certas para explicar, mas enquanto tentava pensar, Zach pressionou seus lábios nos meus de novo... E isso só fazia que fosse mais difícil pensar! —Não sabe o quanto quero estar com você Valerie? — Seus lábios se moviam dos meus lábios para a minha mandíbula e logo desceram pelo meu pescoço. — Não esperamos suficiente? Estremeci sob o hálito quente de Zach. Parte de mim realmente, realmente queria ceder, mas escorreguei para longe dele, determinada.


—Desculpe Zach, mas... —Hesitei, e então soltei o resto de minha condenação. — Não vou fazer sexo com você. Sabia que não ia ficar muito animado com esta confissão, mas fiquei surpresa com a expressão em seu rosto, raiva misturada com dor. —Por quê? — perguntou, irritado. — Fiz alguma coisa estranha quando te beijei ou algo assim? —Não é o beijo — assegurei. — Amo os beijos. Beijar você é muito bom. Bom demais! Estremeci ao me lembrar de como me senti há poucos minutos atrás. — Então o que é? — Bom, um... — Engoli. — É só que... — Por que era tão difícil de dizer? — Eu sou...sou virgem. — Oh. — Pareceu agradavelmente surpreso por isso. — Sério? Quando assenti, seu rosto se suavizou de novo em um sorriso sincero. Deixei escapar a respiração que estava segurando sem perceber. Era bom finalmente dizer. — Baby, por que não me disse antes? — perguntou Zach, pegando minha mão de novo.


— Não tem que ficar assustada. Podemos ir com calma. Ou, se você não estiver preparada, tem outras coisas que podemos fazer primeiro. Podemos fazer devagar. — Não Zach, entenda. Não é isso. Bem, sim é isso, o que quero dizer é que não estou pronta para fazer sexo, mas não é porque estou assustada. Estou esperando. —Esperando? —Ele não tinha ideia do que eu queria dizer. —Sabe... esperar até o casamento. —Está o quê? —Desta vez entendeu, só não podia acreditar. — Você não pode estar falando sério. —Estou falando muito sério. —Val, ninguém espera até o casamento. Algo em seu tom de voz me feriu. Foi tão condescendente que me senti como uma menina pequena. —Não é uma coisa ruim, você sabe — disse, embora estivesse tão nervosa que estou certa de que não parecia convincente. —Mas por quê? Qual é o propósito? Minha mão acariciou o cordão em meu pescoço. — Não quero terminar como minha mãe. Zach sabia a respeito da minha mãe biológica. Inclusive viu a carta que veio com o cordão, então pensei que entenderia um pouco mais minha decisão.


—Vamos Val, não seja estúpida. Existe uma coisa chamada controle da natalidade. —Não sou estúpida! — rebati — Sei que existe controle de natalidade, mas é mais que isso. Minha mãe biológica nem sabia quem era meu pai. Não sabe como é sentir isso. Prometi a mim mesma que nunca seria como ela. Minha primeira vez significará algo. Será especial. Não me dei conta de como isso soava até que vi a dor que atravessou o rosto de Zach. — E se nós fizermos não significaria nada? — perguntou — Não sou especial o suficiente para você? — Não! — ofeguei — É claro que você é especial! Não quis dizer da forma que disse. Zach, eu te amo, só... Quero que minha primeira vez seja com meu marido. Zach estava furioso, o que fez mais difícil pensar. Eventualmente entrei em pânico e deixei de tentar explicar como me sentia. — Sinto muito — disse — Não estou explicando bem, mas isto é importante para mim. Não penso em mudar de opinião. Não pode ao menos ser um pouco mais compreensivo? — Estamos juntos há três meses! — gritou Zach. Suponho que essa era minha resposta. — Não acha que deveria ter mencionado isto antes? — Teria feito alguma diferença?


— Minha namorada me dizer que nunca vamos ter relações sexuais? Sim, eu diria que faz uma grande diferença. Poderíamos ter resolvido este problema desde o começo. Meu coração caiu para meu estomago. Imaginei que isso não seria fácil, mas nunca sonhei que ele reagiria assim. — Está terminando comigo? — Bom, não tem muito sentido estarmos juntos, certo? Zach murmurou algo a respeito de uma perda de tempo, perceber que o garoto que eu gostava só queria entrar em minhas calças, fez o término ficar mais fácil. — Tem razão — concordei. — Isso foi uma grande perda de tempo. Poderia ter me dito

desde

o

começo

que

isto

era

algo

completamente

superficial. Tenha uma boa vida. Terminamos. Não espere que eu chore por você. Fechei a porta ao sair. Essa última linha foi só para salvar minha cara, é obvio. Comecei a chorar logo que sua casa estava fora de vista, e chorei todo o caminho para casa. Disse a mim mesma que choraria meu coração quebrado todo o fim de semana, mas na segunda-feira pela manhã, prometi que não deixaria que ninguém me visse chorar. Chorar diante das pessoas teria sido muito mais fácil de conduzir do que terminei fazendo em seu lugar. Portanto, muito mais fácil.


O degelo Zach foi iniciado como titular para a equipe de basquete e para

corrida

de

obstáculos

da

equipe

de

atletismo

da

temporada. Eu era uma rebatedora fraca na equipe de voleibol das garotas e a vice-presidente sênior da classe. Nós dois estávamos

realmente

muito

ocupados,

e

cada

um

era

socialmente muito popular, assim, éramos o casal ideal. Não que fôssemos “O casal” nem nada, mas não fazíamos feio no departamento de popularidade a ninguém, pelo menos até que os rumores de nossa separação se espalharam pelos corredores da Escola Huntington como pólvora. Não é que ninguém diria nada na minha cara, mas os sussurros e olhares sugeriam que havia uma dúzia de histórias diferentes chegando ao redor de como tudo acabou. Da minha parte, não estava interessada em escutar qualquer uma das histórias mais do que esperava todos os abraços de lastima que vem junto com ser chutada. Por sorte, minha melhor amiga Cara está na maioria de minhas aulas e não tem um osso simpático em seu corpo. Não tinha nenhuma dúvida de que ela me ajudaria.


Como suspeitei, quando Cara caiu junto a mim na sala de aula, ao invés de um sorriso triste, me cumprimentou com uma careta. — Estão, estamos lutando agora. Graças às estrelas pelos melhores amigos. — O que eu fiz agora? — perguntei. — Teve “A conversa” sem me consultar! — Então os rumores estão muito perto da verdade? — Oh, não — Cara riu — Nem de longe. Mas conheço você. Disse pra que não tivesse a conversa até que tivéssemos planejado corretamente. — Tive que fazer. Seus pais estavam fora da cidade. Era ter a conversa ou ter... Algo mais. Cara me olhou com ceticismo por um minuto. Pude ver o momento exato em que me perdoou porque um cenho novo substituiu o velho. — Você deveria ter me chamado. —

Sinto

muito,

estava

um pouco

ocupada sendo

destroçada. — Minha melhor amiga é chutada, toda escola já está sabendo e eu soube pelo meu irmão da oitava série? —Seu irmão sabe? — Olá! Escutou o que acabo de dizer? A escola toda sabia antes de mim! Vê como isso é um problema? — Sinto muito, Cara — eu disse, tentando não deixar que um sorriso rompesse minha simpatia fingida


— Deve ter sido tão terrível para você. Cara ainda parecia séria. — Foi. Estendi meus braços, deixei Cara cair neles e dei o maior abraço de piedade. — Você deve ter tido um dia muito ruim — brinquei. — O pior — soluçou Cara. Mencionei que é a estrela do clube de drama? No momento que soube, havia lágrimas em meus olhos e o abraço de falsa piedade, se tornou um verdadeiro abraço com nada lamentável a respeito. — Obrigada, Cara. —Você é minha garota, V. Poderia mover montanhas por você. — Sim? — Bem não, acredito que não. Mas definitivamente vou participar dos planos de vingança que você tenha, legais ou ilegais. Já tenho um par de boas ideias. Não pude deixar de sorrir. — Faremos o tema principal na reunião de conselho de hoje — ofereci. — Do que falaremos no conselho? — perguntou uma voz atrás de nós. Cara e eu nos encolhemos com o chiado agudo de Olivia Lewis. Na verdade, pode ter mais a ver com o fato de que ela é a pessoa mais horrível do planeta, mais até que o som real de sua


voz. Mas mesmo assim. Quando Olivia fala, é como unhas arrastando num quadro negro. — Oh, nada Olivia — eu disse incapaz de reunir um sorriso. — Só brincávamos. — Eu não brincava. Vamos apagar o incêndio. — insistiu Cara, ignorando Olivia. Cara é uma das poucas pessoas na escola valente o suficiente para fazer isso. Ninguém gosta de Olivia, mas todos têm falsa simpatia por ela, inclusive eu, porque é bonita, rica, popular e o mais importante, uma mega bruxa. Estamos falando do feto de Satanás. Ninguém quer ver seu lado mau. — Oh, é isso! — Olivia me envolveu em meu primeiro abraço de pena oficial. — Escutei sobre seu término na sexta-feira à noite. — Sexta-feira à noite? — Isso foi algo chocante, considerando que não fui chutada até sexta à noite. —Zach disse a todos na festa da Voluntad o que aconteceu — explicou Olivia quando viu a expressão em minha cara. — Zach foi a Voluntad na sexta-feira à noite? — Oh, isso está bom — cuspiu Cara. — Ele te chutou e saiu correndo para a festa enquanto você estava em casa chorando?


Dei uma cotovelada nas costelas de Cara. Forte. Não que não ame como ela é leal, mas tinha que dizer a Olivia que eu estava em casa chorando? Tem que usar a palavra chutar? De qualquer forma, Olivia espumava pela boca por me dizer as fofocas na minha cara. Não precisava ter mais prazer que minha dor. — Não tem que estar envergonhada por chorar, Val. — A voz asquerosamente doce de Olivia me dá náuseas. — Ele deveria ter sido mais sensível a respeito. Sim, ser péssima na cama é grave, mas te deixar justo depois de fazer amor porque não estava satisfeito? Isso é o que digo. Parada cardíaca. Estou bastante segura de que é o que aconteceu ao meu coração neste momento. Isso, e você sabe ser arrancado e pisoteado pela Olivia Lewis e seus saltos agulha da Prada. Bom, o que restou dele, depois de que Zach o chutou.

Cara estava pronta para apunhalar Olivia com seus saltos de luxo, e foi seu impulso que me trouxe de volta ao presente. Agarrei o braço de Cara antes que pudesse fazer algum dano e encontrei minha voz: — O que foi exatamente que o Zach te disse? — Não é tão ruim — prometeu Olivia.


— Pelo menos você já sabe. E talvez, se puder encontrar alguém disposto a sair com você ainda, possa aprender algumas coisas. Então, você fará melhor. Na verdade, talvez você devesse agradecer ao Zach. Meus olhos se encheram de lágrimas, que, aparentemente era o que Olivia esperava, porque acariciou meu braço e se afastou. Mas não antes de me dar um último conselho. — Deveria ler Cosmo, Val. É como a Bíblia do sexo. — Me pergunto se ela vai usá-lo como seu pressuposto Anuário — murmurou Cara quando Olivia se foi. — Já sabe, um dia destes vou pegar um desses sapatos caros e enfiar na cara dela. — Cara. — Só estou dizendo... Cara me deu mais um abraço e em seguida a classe começou a chegar, assim começava o pior dia que já tive. Sabe aquele ditado que diz: paus e pedras poderão romper seus ossos, mas as palavras jamais me farão mal? Que absurdo! Com muito gosto teria tomado uma surra sobre todas as palavras que me foram jogadas neste dia. As pessoas riam. Apontavam e sussurravam, alguns não se incomodavam em sussurrar, e acredito que recebi abraços de lástima de cada garota na classe sênior. Isso foi só a primeira metade do dia. A tarde foi pior. Muito pior.


Tive que ver Zach na hora do almoço. Pensei que fosse forte o suficiente para lidar com isso, mas quando entrei no refeitório e a sala toda ficou em silêncio, congelei. —Vamos V — sussurrou Cara, me dando um suave empurrão para a fila do almoço. — Não desiste agora. Não na frente de todos. Sabe que é isso que estão esperando. Olhei no mar de rostos e percebi que o refeitório era inclusive mais movimentado que de costume. Inclusive os geeks da banda e os novatos do coro que sempre comeram o almoço no salão de música se encontravam amontoados em um canto me olhando. Cara tinha razão. Todos esperavam que eu quebrasse. Fui até a fila do almoço antes de dar a todos exatamente o que queriam. Com minha bandeja de comida na mão, virei na direção da mesa em que estava acostumada a me sentar, e então o vi. Zach, justo na frente de todos, recebia um banho de língua completo de Olivia Lewis. Olivia parou para tomar ar quando me escutou ofegar e deu seu melhor sorriso de desculpa. — Sinto muito, Val — disse — Sabe que não é nada pessoal, certo? O namoro de vocês acabou, e um bom partido como Zach está condenado a ser roubado logo. Estou um pouco surpresa de que ele tenha me escolhido.


A esta altura todos os meninos no refeitório se reuniram atrás de nós, todos tentando conseguir a melhor vista. Isto foi maior que um final de temporada de "Gossip Girl". Mas Sabem o que? Não me importava mais. Ser forte na frente de seus companheiros foi superestimado. — É obvio que ele escolheu você, Olivia — eu disse docemente. — É a maior cadela no Condado de Orange, e tudo que Zach se preocupa é que esteja disposta. É um partido caído do céu. Suspiros surpreendidos varreram o refeitório. Tenho que admitir que ser o centro do confronto me deu bastante adrenalina. Esta doce virgem inocente desfrutava bem mais, do que dando a cara à tapa. Olhei ao redor da multidão e então subi na mesa de almoço só para me assegurar de que inclusive os meninos na parte traseira tinham uma visão boa. — Vamos deixar algo claro agora, gente! — gritei — Zach não me deixou porque sou ruim de cama! Me deixou porque nunca saberá de uma maneira ou de outra. Não poderia dormir com ele, então só terminou. Os sussurros começaram a se espalhar em voz baixa, então levantei minha voz para falar sobre o ruído. — Isso mesmo! Sou Virgem! — Tudo estava calmo novamente.


— Nunca fiz sexo! E sabem o que? Estou orgulhosa disso! — Desapareceu a ira em minha voz e minha mão se desviou para meu colar. — Riam o tanto que quiserem. Não me importa. Estou esperando até que me case, e ninguém vai fazer me sentir mal por isso. Baixei o olhar para Zach, que ficou pálido em algum momento da minha fala, e minha determinação se solidificou. Pode ser que eu tenha sido a pequena inocente pouco conflituosa Valerie esta manhã, mas não teria medo de me defender nunca mais. Desci do centro das atenções e voltei a sorrir para Olivia. — É todo seu querida, espero que desfrute até o fim. A única coisa que faltava fazer era uma saída espetacular com minha cabeça erguida, então, foi isso mesmo que fiz. Ninguém disse uma palavra em enquanto eu saia. A realização do que eu fiz não me golpeou até que a porta do refeitório se fechou fortemente atrás de mim. O pânico com que vinha lutando toda a manhã me superou finalmente. Neguei com tanta força que não podia sentir nenhuma diferença quando Cara começou a me sacudir de emoção. — Nunca estive tão orgulhosa de te chamar de minha melhor amiga! — exclamou. — Isso foi uma loucura! Chamar Olivia de cadela diante de todos! V é totalmente minha heroína para sempre!


Ignorei a minha melhor amiga ridícula e continuei enlouquecida. — Não posso acreditar no que acabei de fazer! Cometi suicídio social! — Deixa de ser tão dramática, sabe que esse é o meu trabalho. — Cara, eu só anunciei minha virgindade a toda a escola! Cara franziu a testa por um momento, mas depois encolheu os ombros. — Pelo menos agora nunca terá que ter “a conversa” de novo. — Sim, porque nunca ninguém vai querer sair comigo de novo. Vou ser o fenômeno marcado para o resto de minha carreira escolar secundária. Vou ter que ir à Universidade do Alaska. — Bom, eu amo esquiar. — Poderia deixar de ser tão otimista e me deixar ter minha crise? — Muito bem — soprou Cara. — Eu acho que você ganhou. Este pequeno episódio logo vai entrar para a história da Escola Huntington. Gemi, repentinamente sentindo náuseas. — C, me deixe sair daqui. Vamos pular o sétimo e o oitavo horário e vamos ver um filme.


— E arruinar seu recorde de público perfeito, pondo em risco seu status de possível Valedictorian1? Não pode ir Val, você tem que aguentar. Além disso, não vai perder a reunião de conselho de hoje. Estamos repartindo tarefas para o Festival de outono e não quero ficar presa na Comissão de venda de pasteis. Suspirei minha derrota inevitável e desabei para baixo contra uma fileira de armários. — Ser chutada fede. Cara se uniu a mim no chão e lançou seu braço ao redor do meu ombro. — Pelo menos o pior já passou. Abri minha boca para argumentar justo quando um grupo de garotas entrou pelas portas do refeitório. Reduziram o passo, incapazes de evitar me olhar fixamente. Uma delas deixou escapar uma risada e outra sussurrou não baixo o suficiente: — Uau olha a destruída. —Sim — ri amargamente para Cara — o pior já passou. —DESAPAREÇAM, estudantes de primeiro ano estúpidas! — espetou Cara às garotas com cara de Pit Bull feroz. — Bem — se rendeu Cara. — Vai ser ruim por uns dias. Mas depois da atuação que deu lá, é obrigatório que você mantenha uma cara de brava na 1

É um título acadêmico do sucesso usado nos Estados Unidos, no Canadá, na América Central, e nas Filipinas para o estudante em uma cerimônia de graduação (chamada um valedictory). O valedictorian escolhido é frequentemente o estudante com a classificação mais elevada entre sua classe de graduação.


escola. E enlouqueça tudo que quiser em sua casa, mas estamos falando de sua dignidade aqui, sua reputação, sua vida como você sabe. Seja forte V. — É isso mesmo — soprei a franja rebelde fora de meus olhos, — ser forte. Isso foi o que fiz o resto do dia. Não sei o que teria feito se Cara não estivesse ao meu lado esse dia, porque se eu pensava que as olhadas fixas, sussurros e as risadas eram ruins antes do almoço, estava muito equivocada. Fui crucificada. Oficialmente eu entrei na lista negra de Olivia Lewis, sem falar na de Zach, e os dois, francamente induziram as pessoas a fazer algo para me ridicularizar. Nunca mais seria simplesmente a velha Valerie. Serei apelidada agora e sempre de a Virgem Val do V que pendurava em meu pescoço como minha própria letra escarlate pessoal. Mas, não tirarei. Em algum lugar houve uma mulher que me amou o suficiente para fazer o correto e renunciar apesar de rasgar seu coração. Devia a ela fazer o correto também. Eu fiz uma promessa a mim mesma e a ela, e vou mantê-la custe o que custar.


O vídeo Não estava com humor para discutir os detalhes do Festival de Outono do Huntington High. Minha vida acabava de ser destroçada. O que importava se íamos esbanjar o dinheiro para os banheiros químicos com as pias neles ou não? —Valerie...? Val...? Percebi que Eric Kwan, meu bom amigo e presidente da minha vice-presidência, falava comigo. — E? —Alguma preferência? — perguntou. —Quem se importa? Os banheiros químicos vão estar sujos de dez maneiras diferentes, não importa o modelo deles. —Hum, Val? Me senti mal quando percebi o quão nervoso Eric estava junto com o resto do conselho. — Sinto muito, Eric. Sério, concordo com o que quiserem. —Bom, na realidade Val, decidimos o banheiro faz vinte minutos. Agora estamos falando das tarefas do comitê. O que você quer?


Uau. Perdi tudo isso? A reunião estava quase terminando. Como aconteceu isso? — Não me importa — suspirei e então gritei: — Ai! — Quando fui rudemente cotovelada na lateral. — Música! — sussurrou Cara em meu ouvido. — Música — repeti. — De maneira nenhuma! — argumentou Olivia, sua voz soava mais aguda que o normal quando gritou em protesto. Me lançava adagas com o olhar. — Já me nomeei para o comitê de música! Estou segura que Cara iniciaria uma briga, mas eu estava além de ter energia para me preocupar. Cara lançou um braço possessivo sobre meu ombro. — Hum, olá? Vice-presidente? Ser um oficial me dava o direito de ter a primeira escolha, mas Olivia seguiu discutindo de todos os modos. — Mas ela nem gosta de música! Isso não era inteiramente verdade. Eu gostava bastante de música. Simplesmente não me obcecava com isso como algumas pessoas que conheço — Cara. Não poderia me importar menos em procurar uma banda para tocar no festival, mas sou uma boa melhor amiga. — Quero a música — disse a Eric de novo, me mantendo firme.


—É sua — disse Eric. Não posso ter certeza, mas me pareceu que havia a sugestão de um sorriso em seu rosto. Ele convidou Olivia para sair no ano passado e ela o rejeitou totalmente — Bem Olivia, eu acho que lhe restam, os artesanatos para crianças, a venda de bolos ou a limpeza. Oh sim, ele sem dúvida desfrutava. Pelo menos eu ainda tinha um aliado que não era a Cara. —Você não vai se arrepender disso — sussurrou Cara quando o resto das tarefas foram distribuídas. — Tenho uma ideia brilhante! —De nada. —Obrigada! —Está bem, então — disse Eric, levando minha atenção de novo à reunião. — Acredito que é tudo. Nos vemos na quinta-feira, e não esqueçam, nós só temos um mês até o festival para garantir que tudo esteja pronto. Cara começou a puxar meu braço enquanto eu recolhia minhas coisas. —Bem — disse — Portanto, esta é minha ideia, está pronta para isso? Quando Cara se empolgava por algo, não havia nada que a calasse. Mas não estava de humor para sentir sua emoção, então me senti aliviada quando Eric se interpôs entre nós duas. — Como você está?


Não me incomodei em responder a sua pergunta. Meu estado de ânimo era bastante óbvio. — Desculpe por descontar em você, Eric. —Ei, não se preocupe. — Eric abriu um amplo sorriso. — A maior cadela no Condado do Orange? —Estou totalmente começando um fã clube da Valerie — interrompeu Cara — Quer entrar? —Conta comigo — riu Eric e logo agarrou sua bolsa. — Oh, ei Val? Sei que você se inscreveu para um stand no festival, mas se não se sentir bem com isso, eu vou entender. — Oh não, está tudo bem. Isso me dará algo para limpar meus pensamentos, sabe? —Está bem então, me deixe saber se precisar de alguma coisa. O sorriso de Eric começava a se transformar em uma risada de compaixão, então assenti com a cabeça e saí dali rapidamente. Cara, sendo a amiga fiel que era, decidiu me distrair no segundo em que saímos pela porta. — Está bem, eu estava pensando, Kyle Hamilton é ex-aluno do Huntington High, não? Então eu apostaria que poderíamos conseguir... —Está bem, vou te parar por ai, Cara.


Kyle Hamilton era o vocalista de uma banda chamada Tralse — uma banda que foi a maior obsessão de Cara nos últimos três anos. Era uma viciada em todas as músicas, mas Tralse encabeçava o topo da lista porque ela estava convencida de que algum dia iria ter bebês do guitarrista. — Em primeiro lugar — eu disse — tem que ser formado para ser ex-aluno. Kyle Hamilton abandonou em seu último ano. — Porque sua banda conseguiu um contrato de gravação! —E, em segundo lugar, nunca conseguirá que Tralse toque no Festival de Outono. —Ah, mas eu farei. Tenho um plano. —Oh, um plano. De todos os modos, me ilumine Obi-Wan Kenobi2. — Eles estão tocando esta noite no Roxy. Jase vai nos levar para os bastidores. Gemi por dentro. Esta não era a primeira vez que Cara me arrastava em alguma aventura entre os bastidores em Los Angeles. Seu irmão mais velho, Jase, é um coordenador de eventos para alguns dos maiores clubes em Los Angeles. Desde que Cara e eu fizemos 18 anos, esteve nos fazendo entrar em lugares que tecnicamente não deveríamos entrar. Não é minha cena favorita, mas está no sangue de Cara.

2

Obi-Wan Kenobi, é um personagem fictício da saga a Guerra das Galáxias.


Era, entretanto, a primeira vez que íamos conhecer o Tralse, o que me pareceu um pouco emocionante. Lembrava um pouco de Kyle Hamilton. Era um sênior quando Cara e eu éramos estudantes do primeiro ano. Magnífico não era a palavra adequada para ele. Kyle era muito quente, mas era mais que isso. Era carismático. Tinha uma maneira de forçar os olhos a segui-lo pelo corredor. Não me surpreendeu quando sua banda estourou. Embora nunca, admitiria isso a Cara nem em um milhão de anos. Não necessita esse tipo de estímulo. Quando digo que Cara estava obcecada, me refiro ao tipo de obcecada que espreita seu apartamento, rouba sua correspondência e revira seu lixo. —Está bem, então vamos conhecer o Tralse — eu disse. — Suponho que pode fazer isso sem perder o controle, e depois? Cara encolheu os ombros. —Tenho meus métodos de persuasão. —Você vai desabotoar seu top e se oferecer para ter bebês de Shane? —Cale-se! É obvio que não! — disse com um grande sorriso tolo. — Se sugerisse que nos beijássemos... Eu ri apesar de meu estado de ânimo mal-humorado. — É uma groupie. —Então você vem?


—Isso nunca vai funcionar. —Mas você vem? — Se tenho que ir. —Deve ir. Precisa de uma noite de garotas de qualquer maneira. Não podia discutir isso. Precisava desafogar. Talvez um pouco de música ao vivo me faria bem. Talvez conhecer o Kyle seria divertido. — Está bem. Mas eu visto a Sassy. Sassy. Também conhecida como uma minissaia Gucci que Cara e eu encontramos em uma de nossas aventuras às lojas de segunda mão. Normalmente, tanto Cara como eu ficamos com a moda vintage, mas quando encontramos Sassy simplesmente tivemos que comprar. Honestamente, Quem doa uma saia de desenhista a uma loja de roupas de segunda mão? Cara e eu gostamos de acreditar que era algum pai super protetor, porque a saia realmente faz você parecer muito bem. Cara e eu somos tamanho seis apesar de ter quase em um metro e oitenta e ela está mais perto de um metro e sessenta e cinco. A diferença está nas curvas. Cara tem e eu não. Cara é como uma exótica princesa egípcia com o cabelo negro brilhante e uma pele azeitonada que é de morrer. Eu, entretanto, sou mais do que poderíamos chamar de Toda Garota da Casa ao Lado. Tenho o cabelo loiro escuro, comprido, ao qual certamente tenho que acrescentar toques de


luz só para que pareça medianamente decente, e os olhos castanhos mais genéricos. Adicione o fato de que meus seios são muito pequenos e não tenho muito a meu favor. O que realmente tenho são as pernas. Longas. Graças a todo o voleibol que joguei, permanecem bastante torneadas. Isso faz a Sassy minha melhor amiga, quando preciso de um impulso de autoestima. Funcionou. Me senti um pouco melhor a respeito de mim mesma quando vi as cabeças girando quando entrei no clube essa noite. Vesti meu sutiã maravilhoso da Vitória Secret, que aliás, funciona muito bem, e um par de botas altas de couro até o joelho. Não estou acostumada a me vestir assim, mas ser chutada e me converter em uma pária social fez estragos em mim. Estava decidida a fazer valer o que investi nessa garota hoje à noite. Como Cara prometeu, tínhamos pulseiras de passe livre aos bastidores e nos levaram a seção VIP. Fui direto para uma das mesas vazias, mas antes que pudesse me sentar, Cara agarrou meu braço e me deu um puxão na direção de uma porta marcada como privada. — Parece que estão prestes a começar — eu disse — não deveríamos esperar até depois do show? Cara jogou uma olhada ao cenário e sacudiu a cabeça. — Isso é só o show de abertura. —Mas a banda do Kyle não está se preparando neste momento?


— Confie em mim, eles não podem fazer nada até depois que estes meninos terminem. — Apontou para o grupo de rapazes tocando no palco com a equipe. — Agora é o momento perfeito porque todos estão sentados lá atrás totalmente entediados. Temos que pegá-los enquanto estão se preparando para o show, e não depois, quando estão esgotados. Com isto, Cara agitou nossas pulseiras a um guarda e me levou para os bastidores. Os bastidores estavam mal iluminados e lotados com todos os tipos de equipamentos, o que parecia uma confusão absoluta. Em meio a muitos acordes elétricos, havia um par de sofás. Havia três estrelas de rock que olhavam os meninos jogando pôquer em torno de uma mesa de café, e um quarto sentado em um canto puxando cordas de um violão elétrico desligado. Havia provavelmente um quinto membro da banda por baixo de uma aspirante a modelo da Playboy no outro sofá. É difícil dizer com certeza porque eu não podia ver, mas tenho certeza de que essa garota não estava apenas beijando. Cara respirou fundo, endireitou os ombros, ajeitou seu sutiã e logo gritou de emoção, alertando a todos, exceto ao rei e a rainha beijoqueiros, de nossa presença. O

guitarrista

nos

olhou

e

em

seguida

retornou

diretamente a suas cordas, mas os outros três caras baixaram suas espinhas. Um deles deu um assobio. — Quem pediu pernas?


Meus olhos se alargaram pela forma em que o olhar de Kyle Hamilton percorreu meu corpo de cima a baixo. O sorriso em seu rosto fez algo à boca do meu estômago. Sabia que a saia parecia bem, mas ainda não podia acreditar que um cara como ele estava me olhando dessa maneira. Nossos

olhos

se

encontraram

e

seu

sorriso

ficou

arrogante quando ele registrou minha incredulidade. —Olá linda. Meu coração se agitou. Antes que eu pudesse responder Cara gritou de novo. — V! — sussurrou — Kyle Hamilton acaba de te chamar de linda! Oh, Meu Deus! Pode acreditar isto? Conhecemos o Tralse! Olhe! Shane está bem aí! Oh Meu Deus V, está me olhando! Está olhando para mim! Ela ia hiperventilar. Tentando muito não rir de Cara, a impulsionei a respirar profundamente pelo nariz. — Lembra o que falamos C. Está sendo uma dessas garotas. Tenha mais dignidade que isto. Mantenha o controle. Isso provocou a risada da banda. — Grandes fãs? — perguntou Shane. Me agarrei a Cara em caso de que seus joelhos decidissem ceder. — Ela é uma grande fã — eu disse. — Só ela? — Kyle sorriu quando não acreditou em mim.


Não quis ser rude, mas estive tanto à defensiva o dia todo, que automaticamente respondi ao desafio em sua voz. — Foi o que acabei de dizer, não foi? — Pernas com atitude. — O tom de Kyle ficou quente com aprovação. — Por que não traz essas belezas aqui? Tenho um lugar preparado para elas. Ele e todos seus amigos riram quando deu uns tapinhas em seu colo. Não estava exatamente impressionada. — Acredito que essas pernas estão bem onde estão, muito obrigada. Kyle não desanimou com minha rejeição. — Não esperava que pernas como essas fossem tão tímidas. —Não são tímidas — eu informei — Só esperam uma oferta melhor. Seus amigos uivaram para o insulto, enquanto Kyle e eu continuamos analisando o um ao outro. Caímos em uma competência de olhares tão intenso que me sobressaltei quando uma voz profunda debaixo da branca loira disse: — Amigos, o que acontece com todo esse barulho? Estão matando meu momento. —Não acredito que quarenta e cinco minutos contem como um momento, Reid — se queixou Shane e atirou um travesseiro no feliz casal. — Sente-se amigo. Não vê que temos companhia?


Perguntou a Cara — Qual é seu nome, deusa? Cara tomou um minuto para encontrar sua voz. — Cara. —Cara — sorriu. — É um prazer te conhecer. Por que não vem você e sua amiga e se sentam? Suspirei pela forma em que todo o rosto de Cara se iluminou, e logo passou por cima do Turner e Hoochie para sentar no sofá. Os meninos obviamente deixaram um lugar para mim, ao lado de Kyle, mas optei por me sentar entre Cara e a garota loira, porque Kyle era muito tentador. Ele era alto, 1,90 ou algo assim, com inquietantes olhos verdes que pareciam arder apesar de seu sorriso preguiçoso. Seus olhos eram de um grande contraste com seu cabelo grosso, brilhante e escuro. E não é que eu nunca tivesse o visto pessoalmente, mas a julgar pela forma em que sua camiseta se apertava a seu torso, tinha um corpo que completava o pacote de total atrativo. Era como uma estrela de rock. Era encantador, divertido e seguro. Era praticamente irresistível. Seu único defeito era que sabia de tudo isso. Desde sua grande oportunidade, Kyle se tornou o grande bad boy de Hollywood, galã aonde quer que fosse. A julgar pela forma que falava sobre minhas pernas, só podia confirmar que a reputação era correta. Não meu tipo favorito de pessoa tendo em conta que fui deixada só por não querer ir mais longe.


Percebi que estava olhando fixamente outra vez quando Kyle me tirou de meus pensamentos. Só esperava que estivesse escuro o suficiente para que não pudesse ver meu rubor. — Então o que tem você, Pernas? — perguntou. — Tem um nome? —Pernas? — zombei. — Lindo. Acha que vai me intimidar? O sorriso em resposta de Kyle iluminou toda a sala. — Está se intimidando por dentro. Disse a mim mesma que mordi a isca, mas nunca fui boa em dar para trás diante de um desafio. — Em seus sonhos. —Promete? Tive que morder o interior de minha bochecha para evitar esboçar um sorriso. —Será melhor que me diga seu nome — disse Kyle — ou “Pernas” vão pegar permanentemente, e não vai ser minha culpa. Tem razão. — É Valerie — admiti relutantemente a contra gosto para que Kyle não risse de mim. Quase esqueci de que havia outras pessoas na sala, mas nesse momento uma mão bem cuidada baixou sobre meu braço. — Mas é claro! — gritou a garota loira. Literalmente gritou. Inclusive quando estava só a alguns centímetros de mim.


— Sabia que parecia familiar! —Te conheço? — perguntei, surpresa. —Não posso acreditar nisso! Você é tipo, muito famosa! Famosa? Eu? Não acredito. —Você é Val a Virgem! Oh. Não tenho certeza se alguém tinha apertado o botão de pausa na sala inteira, ou se isso é o que se sente quando o contínuo

tempo

e

espaço

se

desmoronam.

Estava

completamente em silencio durante um momento, e logo depois lentamente certos sons começaram a desaparecer para dentro. Meu ritmo cardíaco, pulsando quatro vezes sua velocidade normal. Minha respiração, tão superficial, que não recebia nenhum oxigênio em meus pulmões. Cara engasgou atordoada. E então... —Val a Virgem? — De repente sentia falta de ser chamada de Pernas. Era Kyle quem disse. Ignorei e olhei à garota. Como me...? —É virgem? — disse Kyle mais uma vez. —Diz como se fosse algo ruim. — Não podia evitar espetálo. —Estaria mais que feliz de ajudar a solucionar esse problema. —Aposto que sim. Para a loira eu disse: — Você é da minha escola?


— Meu primo vai ao Huntington. Ele postou o link do You Tube em seu Facebook. Cara assumiu a conversa logo em seguida, porque eu estava muito chocada para falar mais. — O link do You Tube? —Oh sim. Já tem mais de 20.000 visualizações. Eu mesma já vi umas cinco vezes. Enterrei meu rosto em minhas mãos fazendo todo o possível para não ter uma completa crise nervosa diante destas pessoas. O braço de Cara rodeou meu ombro pela enésima vez esse dia. — Então alguém tinha um telefone com câmera — disse — não é o fim do mundo. Todos já viram isso acontecer de qualquer maneira. —Eu não vi. O entusiasmo na voz do Kyle fez a meu estômago enrolar. Estive agradecida quando Cara o ignorou. — Quem se importa se alguma garota qualquer de Los Angeles viu? — Olhou à garota e adicionou: — Sem ofensa. A garota riu. — Não tem problema. Sou Nikki, por sinal. Pensei que o que fez foi muito bom. Se tivessem pegado meu namorado assim, teria matado alguém.


— Espera um minuto. — Alguém que não era Kyle interrompeu. Era Shane. — Que vídeo? O que aconteceu? E é sério que você é virgem? O cara do canto deixou seu violão e se aproximou de nós. — Quem é virgem? — Pernas aqui é virgem — explicou Kyle em um tom metade orgulhoso, metade zombador. — Tem um vídeo um pouco escandaloso publicado na Internet. — Ooh, pornô virgem — se animou o guitarrista, e logo se esmagou no sofá ao lado de Kyle. — Estou dentro! —Não, não é assim — explicou Nikki. — Aqui. Ainda tenho o link em minha página do Facebook. Meu estômago se embrulhou outra vez enquanto tirava seu iPhone de seu bolso. Dei a Cara outro olhar fulminante e ela deu uns tapinhas em meu braço. Não queria olhar, mas não pude evitar quando Nikki colocou o vídeo. Acontece que Cara tinha razão a respeito de que as pessoas esperavam por meu colapso. Quem quer que tenha gravado isto, começou a filmar inclusive antes que eu visse Olivia e Zach. Nikki entregou seu telefone a Kyle, e o resto da banda ficou em volta para ver o vídeo. No momento em que escutei a miserável voz da Olivia dizer quanto lamentava estar beijando o


meu namorado, afundei mais fundo em meu assento, desejando que o sofá simplesmente me tragasse inteira. “É claro que escolheu você, Olivia.” — Escutei uma versão distorcida de minha voz dizer. — “É a maior cadela no Condado de Orange...”. Os meninos estalaram em gargalhadas. Podia sentir o olhar de Kyle queimando sobre mim, mas não levantei a vista para me encontrar com eles. — Tem coragem — disse. — Estou impressionado. — Sua voz soava como se eu devesse estar fazendo cambalhotas pelo corredor porque Kyle Hamilton estava impressionado comigo. Logo, quando me escutei anunciar publicamente minha virgindade no vídeo, houve uma rodada de gritos de assombro, e logo risos e risadas finalmente mais desagradáveis. —Cara, podemos ir agora, por favor? —Não podemos — sussurrou. — Não pedimos ainda. —Nos pedir o que? — perguntou Shane através de sua risada. —Nada — disse e logo olhei a Cara. — Podemos encontrar outra pessoa. Tenho que sair daqui. Por favor? Cara fechou a cara, mas podia ver em meus olhos como estava desesperada.


— Bem — suspirou e começou a nos puxar para fora do sofá. —Espera. — Shane pôs uma mão em seu braço, e ela voltou a sentar. — Nos pedir o que? É obvio, Shane ganhou a batalha. O rosto de Cara se iluminou quando virou para ele e mais uma vez, tivemos toda a atenção da banda. — Bom — começou ela. — Estamos no conselho de estudantes da Escola secundária do Huntington. V é a vice-presidente. —Ei, eu fui para a Huntington. — Kyle. De novo com a interrupção. — Sabemos disso — eu disse. — Isso é um pouco do porquê estamos aqui. Estamos esperando que seja sentimental. Kyle franziu a testa, e Cara deu um deslumbrante sorriso em resposta. — Queremos que vocês toquem no Festival Anual do Huntington High. Os cinco meninos se olharam e logo estalaram em uma nova rodada de risadas selvagens. O baixista da banda caiu da cama e rolou pelo chão para um efeito mais dramático. —Vê? — disse a Cara. — Eu disse que nunca fariam. Sinto muito C. Vamos sair daqui.


Cara não estava disposta a se dar por vencida ainda. — Mas é por uma boa causa! E já que é sua cidade natal, tenho certeza de que atrairiam a uma grande multidão. Têm toneladas de fã no Huntington High. Vocês podem nos ajudar a arrecadar muito dinheiro. —Sinto muito, amiga de Pernas — riu Kyle. — Estamos além de fazer coisas como seu trabalho de escola secundária. — Ele fez uma pausa por um momento e logo soprou. — Caridade. Isso é lindo. Mas a menos que vocês tenham algo melhor para oferecer... — Me olhou mais fixamente. — Temos um verdadeiro show para fazer. — Oh, por favor — murmurei entre dentes. Pensei que havia dito muito baixo para que alguém o ouvisse, mas Kyle perguntou: — Tem algo a dizer, Pernas? — Sua voz soava divertida. Suas brincadeiras foram simpáticas até que insultou a minha amiga. Foi um longo dia e estava cansada de ser intimidada, por isso, assim como no refeitório naquela tarde, disse exatamente o que estava pensando. — Seu ego está dez passos a frente de vocês. Tiveram uma música que tocou na rádio durante cinco minutos faz três anos. Não são mais do que um grupo de desistentes do ensino médio que não conseguiram um segundo contrato com a gravadora. Quando seus quinze minutos passarem, que, a julgar pelo tamanho da multidão aí fora, provavelmente será


breve, seus selecionados shows vão deixar de funcionar. Vão estar completamente esquecidos quando tiverem trinta, então não menosprezem minha melhor amiga por estar tentando fazer a diferença no mundo. Depois disso, chegou o momento da minha segunda saída dramática do dia, então eu e minhas pernas saímos dali triunfantes, arrastando Cara com a gente.


Os comentários Cara estava tão chateada pelo fato de ter deixado o clube humilhada por sua banda favorita, que continuou se queixando disso até o dia seguinte. Inclusive me acompanhou ao trabalho porque ainda não tinha tirado tudo de seu sistema durante as horas escolares. Trabalho

em

uma

joalheria

do

centro

comercial.

Certamente que não somos uma dessas lojas de renome, é bastante tranquila. O que era uma sorte para Cara, porque assim podia seguir chorando por seu precioso Shane, e eu não teria nenhuma razão para ignorá-la. —Tirei o pôster — disse tristemente quando apareceu. Não

podia

compartilhar

sua

depressão,

entretanto,

porque me trouxe uma vitamina da praça de alimentação. — Vai pendurar de novo no final desta semana. Sabe que fará. — Não. Eu queimei. Quero dizer, que tipo de nome é Tralse para uma banda, de todos os modos? Verdadeiro e falso


ao mesmo tempo? Não posso acreditar que pensava que era inteligente. — Cara tomou um grande gole de sua própria vitamina. — Pensei que estávamos tão bem. Shane era tão doce, e logo estavam você e Kyle! Podemos dizer muita química? —Química? —Nem tente negar, Val. Praticamente tinham jogos sexuais com palavras. —Está doente. Não fazíamos isso. —Faziam. Estavam a ponto de se queimar com insultos. Eu ri. — Não acredito. — Até que o arruinou, estava sim — insistiu Cara. Logo ficou com raiva outra vez. — Poderia ter dito que não. Por que teve que ser tão esnobe sobre isso? Ugh, agora nunca terei outra oportunidade com Shane. —Isso é o melhor de qualquer maneira, Cara. É muito pouco saudável sair com estrelas de rock. —Tem toda a razão, V. Renunciarei as minhas formas de groupie e encontrarei um bom menino normal para me apaixonar. Simplesmente sorri para minha melhor amiga e continuei bebendo minha vitamina. Parte de mim desejava que Cara fosse séria, mas outra grande parte sabia que nunca deixaria de ser uma groupie. É o que é, e acredite ou não, é uma das coisas que mais amo nela.


— Falo sério — disse Cara. — Sabe o que precisamos fazer? Uma lista de candidatos a namorado ideal, e logo criar um plano para fisgá-los na próxima semana. —Fico feliz que você esteja virando esta página C, mas esqueceu de que arruinei qualquer oportunidade de conseguir que alguém saia comigo? Pária social lembra? —Meu

Deus,

Valerie

interrompeu

minha

chefa

Margaret. — Isso é exatamente uma coisa péssima para dizer sobre si mesma. Margaret está em seus sessenta. Tem este corte padrão, cabelo de anciã de uma gigante bola de algodão cobrindo a cabeça como um casco e continua falando como se vivesse em uma comédia da década de sessenta, mas é genial. Seu marido morreu faz uns anos; e desde que estou trabalhando para ela durante tanto tempo, me adotou mais ou menos como sua única família. É algo assim como ter uma avó extra. — É verdade — eu disse. — Tenho 64.328 visitas no You Tube que demonstram. —O que é um You Tube, querida? —Não importa — suspirei. Tentar explicar a tecnologia a Margaret era tão inútil como tentar encontrar a uma virgem confessa um namorado. — O que sobre o Eric Kwan? — perguntou Cara, me tirando da minha festa de compaixão interna.


— O que sobre ele? — Bom, ele não acredita que seja uma pária social. Além disso, é algo lindo e é o presidente da classe sênior, assim é bastante popular. Eu ri. — Não posso sair com o Eric. Somos companheiros de candidatura. Imagine como seria estranho se John McCain e Sarah Palin tivessem um relacionamento? Além disso, de certa forma Eric é como meu chefe. —E? Isso é completamente escandaloso. Se você e Eric saíssem juntos dariam à escola algo novo para falar. Melhor que isso da Virgem Val. Além disso, poria ao Zach insanamente ciumento. —Eric e eu só somos amigos, certo? — Que seja. — Cara fez uma careta. Odiava quando rejeitava alguma de suas sugestões. — Mas tenho que ser honesta com você V, agora mesmo não há mais alguém na escola disposto a sair com você. “Cagaste” magnificamente esta vez. — Bem isso é genial! — soltei de repente muito, muito chateada. — Não quero sair com alguém que só esteja em um relacionamento para conseguir algo de todas as formas. —Isso garota, fique com raiva. O aborrecimento é bom. Podemos usá-lo.


— Estou com raiva! Há mais em um relacionamento que apenas sexo. Por que isso tem que ser o fator de êxito ou de fracasso? — Um. Meninos de escola? — Cara riu. — Preciso dizer mais? —Bem. Então estamos melhor solteiras. —Isso! Estamos totalmente melhor, espera, estamos? Oh, não, não, não, V. Eu te amo muito, mas eu não estou melhor solteira. Se Shane não for minha alma gêmea, então terei que trabalhar em descobrir quem é. — Já sabe, talvez possamos conseguir que Science Of Sydney atuem no Festival de Outono. É esta doce banda local. Aposto que não ligam em fazer shows de caridade, e seu vocalista está além de sexy. — C — suspirei, finalmente podendo esboçar um sorriso de novo. — Não renunciamos a nossas formas de groupie? — Sim — disse Cara com uma careta. Ri quando começou a sacudir a cabeça. — Não sei quão bem funcionará. Você me conhece. —Sim eu conheço — concordei. Nós rimos juntas até que alguns clientes entraram na loja. Meu bom humor se foi em um instante. — Sabe o que é uma merda sobre estar solteira e trabalhar em uma loja de joias? — perguntei.


—O que? — perguntou Cara, mas logo seguiu meu olhar para o feliz casal dando um ao outro olhares apaixonados enquanto folheavam anéis de compromisso. — Oh — disse. — Sim, isso é nojento. — Ela bateu no meu ombro antes de ir e me deixar ganhar o meu salário mínimo. — Se anime V. Pelo menos não está recebendo algum. —Obrigada Cara — disse sarcasticamente, mas sorria de novo apesar de mim mesma. Tem que amar a Cara.

O resto do dia foi surpreendentemente bem, e inclusive me atrevi a esperar que o resto da semana na escola fosse igualmente bem também. Já que eu tinha dado a todo Huntington High o que eles queriam, e tiveram a oportunidade de zombar de mim sobre isso. Como volúveis estudantes do ensino médio que eram, imaginei que seria uma notícia velha no dia seguinte, mas suponho que eram maus tempos para o drama em minha escola porque continuei sendo um tema quente toda a semana. Deveria saber que Olivia se juntaria à população estudantil. Não é como se todos os dias alguém fosse à frente, e fizesse tudo o


que estivesse ao seu alcance para assegurar de que as pessoas vissem o que aconteceria se o fizessem. Onde quer que olhasse alguém ria de mim ou fazia gestos obscenos. Assinalavam meu pingente e perguntavam: — O que representa o V? Virgem? — Então começavam a rir como se fossem a única pessoa no mundo inteligente o suficiente para fazer essa piada. — É tão estúpido! — falei a Cara durante o horário de computação na sexta-feira depois da minha semana de tortura. — Não é como se fosse à única virgem nesta escola. Aposto que a metade das pessoas que riem de mim são virgens também. — Há! — Cara riu. — Vinte dólares que Zach segue sendo virgem. Quero dizer, por que mais estaria tão zangado com você? Deveria totalmente começar esse boato. —Deveria — concordei. — Mas por que isso importa mesmo? Então eu não tenho relações sexuais. E o que? Por que todo mundo me odeia por isso? — A gente não te odeia Val — disse a garota sentada no computador do lado. Cara e eu nos surpreendemos pela interrupção e nos viramos para ver Robin Daniels negando com a cabeça o fato com toda naturalidade. É obvio que era Robin Daniels. Era muito conhecida por toda a escola por ser um mórmon. Não só


não tinham sexo, não bebiam, ou fumavam ou amaldiçoavam também. Não acredito sequer que pudessem usar camisetas de alças. — As pessoas podem estar rindo — disse ela — porque subir na mesa do almoço foi um pouco divertido, mas não odeiam você. Muita gente está realmente orgulhosa de você. Eu estou. Acho que é genial que esteja esperando até o casamento e que não esteja com medo de admitir. — Oh, genial. Todo mundo na escola pensa que sou uma piada exceto os mórmons. Estremeci porque não quis dizer isso em voz alta, mas Robin não pareceu se ofender. — Não são apenas os mórmons — disse com um indício de sorriso. —Certo — argumentei. — É por isso que Brad Casey me disse que alguém escreveu: “Para um bom momento NÃO chame Val Jensen”, na parede do banheiro dos meninos. — Dei uma cotovelada em Cara quando ela soltou uma risada e continuei me queixando. — Estou provavelmente perto das 75.000 visualizações no You Tube agora. As pessoas me publicam em suas páginas do Facebook e isso significa que estão orgulhosos de mim? —Não tem lido alguns dos comentários? — perguntou Robin. Encontrei a ideia dos comentários um pouco mais que perturbadora.


—Que comentários? —No vídeo — disse Robin. Ela deu uma olhada na sala de informática, mas o professor estava em seu escritório com a cabeça enterrada no último livro de Dan Brown. — Vou te mostrar. Robin pôs o vídeo, que tinha agora 75.002 visualizações, muito obrigada, e mudou a tela para a seção de comentários abaixo. Não podia acreditar que houvesse mais de trezentas respostas. Claro, havia uma parte justa de comentários “que esquisita” e um monte de meninos se oferecendo para tirar a minha virgindade, mas havia outros também. Muitos “Vamos lá, garota!” e “Bom para você”. — Oh, eu gosto deste! — disse Cara apontado para um comentário publicado por um tal de luvs2ski. Dizia: "Tem razão. Olivia é uma puta total". Os três comentários seguintes concordavam. —É incrível o que as pessoas admitem quando são anônimos — disse Cara, e então começou a acrescentar um comentário próprio. Não privado de qualquer tipo de crédito, assinou com seu nome. Os

olhos

do

Robin

aumentaram

enquanto

lia

o

comentário de Cara, mas eu estava muito ocupada lendo a lista de comentários logo abaixo do dela para me dar conta do que escreveu.


Stargazing: Eu gostaria de ter sido corajosa. Estava com muito medo de contar a minha melhor amiga que não estava preparada para o sexo. Agora sempre serei a garota que a perdeu no banco traseiro de um Honda Accord. Chocoholic: Sinto sua dor. Me deixaram o ano passado pela mesma razão. TheNewJamesDean: Esta garota não é sexy o suficiente para seguir com ela se não haver um porquê. Eu também teria chutado seu traseiro psicótico virgem. Annie327: Porco! São caras como você que fazem que as garotas tenham medo de admitir que são virgens. Cherrychapstick:

Sim,

Senhor-Mais-Quisera-Você-Ser-

James-Dean. Duvido seriamente que esteja fazendo algum sexo. Não lhe dê ouvidos, garota! Você fez a coisa certa. Precisamos de mais pessoas como você por aqui. Então, possivelmente não seria tão difícil para nós. Lacrosse4life: Você acha que para as garotas é difícil? Estou esperando também porque o sexo deveria ser com alguém que você ama. Sou um garoto e virgem ainda. Tenho que mentir todo o tempo para que as pessoas não me acusem de ser gay. Hugsnkisses23: Ah, Lacrosse, isso é fofo. Queria que você estivesse aqui no Kansas. Eu sairia com você. Os comentários seguiam e seguiam assim. Passei o resto da hora me deslocando através deles, começando pelos primeiros, os quais eram obviamente da maioria de meus companheiros, e até a pequena e colorida obra de Cara.


Além dos vinte e seis meninos e dezoito garotas que compartilhavam a atitude do James Dean, os resultados das respostas eram muito interessantes. Resultou que trinta e sete garotas que foram deixadas por não ter sexo. Outras cinquenta e sete admitiram fazer antes de estarem preparadas. Duas garotas afirmaram que tiveram sexo porque estavam muito assustadas para dizer não e que acabaram grávidas por não estarem preparadas. Senti realmente pelo pobre Lacrosse4life. Inclusive anonimamente foi o único menino que admitiu continuar sendo virgem. Mas meu coração foi especialmente a essas duas garotas que admitiram ficar grávidas. Uma tinha dado em adoção seu bebê e a outra teve um aborto. De repente, não me importava mais que minha virgindade autoproclamada foi publicada para que o mundo visse. Não me importavam essas pessoas que riam de mim. Nem sequer me importava que meu nome estivesse pintado em uma parede no banheiro dos meninos. Alguém tinha que defender estas pobres garotas, e a qualquer uma que tivesse medo de dizer não ao sexo. Medo de ser a boba. Medo de ser deixada. Se essa pessoa tinha que ser eu, então que assim fosse. Não acredito que pudesse fazer muito para mudar as coisas no mundo inteiro, mas talvez pudesse

fazer

um

pouco

melhor

para

a

sexualmente

questionada população do Huntington High. Então, de repente, tive a ideia perfeita de como fazê-lo.


A campanha Na segunda-feira depois da escola entrei no teatro, com os braços cheios de coisas que mal podia ver o chão diante de mim. Cara estava em meio de um monólogo, e quando inicia um desses não se sabe quando vai terminar. Coloquei minhas coisas no chão e esperei pacientemente que chegasse ao clímax dramático de seu discurso. Quando terminou, assobiei, aplaudi e aclamei desagradavelmente. Cara respondeu com uma reverência sarcástica em minha direção. — Ouça rainha do drama — gritei até o cenário. — Esse ensaio está terminado? Eu preciso de você. Antes que Cara pudesse me responder, a senhora Feeney, a Professora de drama disse: — Pelo contrário, senhorita Jensen. Somos nós que precisamos de você. —Desculpe? —Parece que tem bastante talento para o drama. Notei no refeitório na semana passada que não parece se importar em ser o centro das atenções. Certamente poderia ser utilizado no teatro.


Há! Sim claro. — Oh, obrigada senhora Feeney — disse— mas como a senhora já disse, tenho um dom para o drama. Não deveria piorar as coisas, sabe? —Uma pena — suspirou a senhora Feeney então acenou sua mão para Cara. — Impressionante rendimento Cara. Suponho que é tudo por hoje. Cara chegou justo no momento em que tinha todas minhas coisas de volta a meus braços. — Onde esteve todo o fim de semana? — disse ela, se dando conta da carga que eu fazia malabarismos. — E o que é todo este lixo? —Estava ocupada — respondi — encontrando todo este lixo. —Por que...? —É para nosso novo projeto. —Que novo projeto? —Nosso estande no festival. —Não temos um estande no festival — disse Cara. — Você tem um estande no festival. Já tenho um projeto e é um desastre total. —O que, a respeito de sua banda local com o bombom? —Science of Sydney? Sim, eles se separaram. —Não os convenceu a fazer uma apresentação na reunião?


Cara suspirou uma réplica perfeita de um suspiro dramático que a Sra. Feeney me deu só uns minutos antes. —Meu bombom, ao que parece se mudou para Seattle. Estou de volta ao começo. Nenhuma banda para o festival. Nenhum bombom para fazer amor comigo. —Homem, sua vida é difícil — brinquei. — Eu sei. No lado positivo, faz que seja uma boa experiência. Minha atuação só vai melhorar. —Bom,

não

quero

estragar

sua

experiência

de

aprendizagem, mas sei o que te animará e fará você esquecer tudo a respeito de seu bombom com destino a Seattle. Não dei oportunidade de responder por que disse: — Me ajudar com meu projeto! — E a arrastei para fora do auditório. Fomos para a sala de aula da Senhora Sutter. É nossa assessora de classe sênior e sempre nos encontramos em sua sala para as reuniões de conselho. É também professora de biologia, que funcionou perfeitamente hoje porque essas grandes mesas negras de laboratório eram exatamente o que eu precisava. —O que é tudo isso? — perguntou Cara impressionada com o bota de cano longo que tirei de minhas malas. — Colares — expliquei. — Entre outras coisas. Passei o fim de semana indo às lojas de bijuterias e lojas de artesanato para conseguir coisas para doar para a minha causa.


—Que Greenpeace é! Hum que causa? —Esta causa. Eu dei um par de papéis que imprimi da Internet para Cara. — “Nem todos estão fazendo” — dizia ela, e logo enrugou o nariz. — O que é isso? —É uma organização sem fins lucrativos que encontrei que promove a abstinência. Vão a diferentes escolas de ensino médio para educar as pessoas sobre os benefícios de esperar para fazer sexo. As estatísticas de adolescentes que não são sexualmente ativos são surpreendentemente maiores do que se poderia pensar. Tomei o papel dela e entreguei meu bloco de papel de desenho. Enquanto olhava aos esboços que desenhei de diferentes brincos, colares e braceletes, todos eles contêm a letra V, de algum jeito, continuei explicando: — Vou doar os recursos do meu posto no festival para eles. Cara passou a página e viu o desenho da bandeira que queria fazer para meu estande. —V é para Virgem? — perguntou. Minha mão automaticamente foi a meu colar. —Isso é o que as pessoas estavam dizendo toda a semana. Eu acho que se você não puder vencê-los, então se junte a eles. Se quiserem uma virgem, vão conseguir uma.


—É genial. Tem coragem V. —Não se trata de ter coragem. Já viu o que dizem as pessoas no You Tube. Não devemos ter vergonha ou medo de dizer não ao sexo. Ser sexualmente ativa é uma decisão muito importante. Não é que deveríamos deixar que o mundo ou inclusive nossos próprios namorados façam isso por nós. A ideia é que as garotas comprem estas joias e que as usem para mostrar que elas também estão esperando. Quanto mais gente puder ver que elas não são as únicas virgens no mundo, mais fácil será para que outras garotas queiram esperar. —Faz sentido — disse Cara. — Espero que consiga fazer que as pessoas os usem. Não vai ser muito fácil levando em conta que todos nesta escola viram o que aconteceu com você semana passada. Acredita que as pessoas vão participar do seu clube? Ouch. Não pensei nisso. — Vou tentar. Cara deu de ombros. —Pelo menos ainda vou ajudar você a fazer todos estes estúpidos colares, apesar de que totalmente deveria estar procurando uma banda neste momento. Cara agarrou um dos cabos que sustentavam um broche e começou a trespassar cordões nele. Nós trabalhamos em silencio durante um momento enquanto eu atormentava meu cérebro em busca de respostas para problema que Cara criou.


—O que preciso é de algumas pessoas dispostas a usá-los antes do festival. —Que pobre tolo vai estar de acordo com isso? — ri Cara. Inclinei minha cabeça para um lado, levantando a sobrancelha para minha melhor amiga. — V — revirou seus olhos para mim — É verdade que me resgatou dos bastidores no Warped Tour no ano passado, tão rápido que minha virgindade segue intacta, mas... —Mas nada. Segue sendo uma. —É obvio que o sou — suspirou Cara. — Sabe que já estava pensando nisso. Só digo que se eu usar um não vai fazer diferença. Você e eu somos um mesmo pacote. O que uma de nós faz a outra também faz. A ninguém importará. Precisamos de uma pessoa de fora pra participar da festa. —Acredito que sei quem deve ser nossa primeira vítima — eu disse levantando nosso primeiro colar terminado, seu pequeno V pendurado com orgulho no centro. —Bom o que estamos esperando então? — Cara riu e me puxou em pé.


Encontramos Robin sentada no mesmo computador que estava quando nos mostrou os comentários do YouTube. Não é uma nerd nem nada, mas faz o desenho para o periódico da escola por isso sempre está no laboratório de informática. —Isso é tão genial! — Foi o que disse depois que expliquei o plano e dei o colar. — Ficaria feliz em usá-lo. Aposto que posso conseguir que alguns meninos da minha classe de seminário os usem também, se você acha que poderia ajudar. —Duvido — disse Cara. — Sem ofensa com as pessoas religiosas nem nada, mas que você é virgem não é uma grande surpresa. O que precisamos é de alguém com muita influência neste lugar, que ser virgem seja o mais improvável. Precisamos do fator surpresa. — Assim como Isaac Warren? — sugeriu Robin. — Mentira! — gritou Cara enquanto me surpreendeu muito para dizer nada. — Isaac Warren é virgem? Isaac Warren não era só um dos meninos mais populares na escola. Era alto, moreno e perigosamente bonito. Manteve seu cabelo castanho curto o suficiente que não precisa penteálo, o que só fez o fato de que era um dos poucos na escola capaz de deixar crescer uma sombra de barba mais notável, e tinha os mais formosos olhos cor avelã que se iluminavam quando sorria. Jogava na equipe de beisebol e montava uma motocicleta


para ir à escola. Todas as garotas no Condado do Orange se apaixonaram por ele. — Como você sabe isso? Isaac Warren vai ao estudo da Bíblia? — eu perguntei. Não podia imaginar. —É um tipo realmente bom — disse Robin, assentindo com entusiasmo. — Achou o que você fez bem impressionante. Aposto que ele ajudaria você. — Isaac Warren falou de mim? — Fiquei surpresa e meu coração se agitou. —Sim, todos nós conversamos sobre o que aconteceu antes de nossa classe o outro dia. Isaac disse que odiava a forma que alguns de seus amigos estiveram te tratando. Senti uma mão cair sobre meu braço, e logo, as unhas de Cara se cravavam em minha pele, embora não se desse conta. — Esqueça Eric Kwan — suspirou ela. — Vá buscar Isaac, garota. —Vou falar com ele — disse Robin. Tenho que admitir que não acreditava que realmente faria, ou que ele a escutaria de todos os modos. Por isso me surpreendi quando uns dias mais tarde enquanto estava sentada na sala da senhora Sutter outra vez, terminando um par de brincos, desta vez sozinha porque Cara estava fora "investigando" mais bandas, e Isaac Warren bateu na porta aberta.


—Como

está

indo

tudo?

perguntou

enquanto

caminhava sempre com tanta indiferença para a mesa em que trabalhava. — Bem. — Tentei parecer segura. Era uma nova Val, forte e a nova Val não se rebaixaria porque Isaac Warren falava com ela. —Vi o colar que você fez para Robin — disse ao pegar meu bloco de papel de desenho. Passou as páginas, estudou meus desenhos e logo disse: — Estes são bons. Desenha joias ou algo assim? —Oh, isso é só um passatempo. —Sim? —Bom, quero dizer por agora. Eu gostaria de fazer de verdade algum dia. Meu coração pulsava a mil por hora quando Isaac deixou meus desenhos e agarrou um dos colares que fiz. Me senti muito desconfortável porque Isaac era ultra genial e eu não estava no seu grupo, mas ele falava comigo como se fosse. Puxou uma cadeira e se sentou ainda brincando com o colar que pegou. —Me fale de tudo isso — disse, assinalando com a cabeça para meu monte sem fim de bijuterias. Assim que disse. Falei de todos os comentários no You Tube, e que meu V é para a campanha de Virgindade. Ele escutou educadamente, e até parecia ler os papéis que mostrei sobre a Fundação “Nem Todos Estão Fazendo”.


Com o tempo cheguei ao problema que Cara mencionou a respeito das pessoas terem medo de ser um dos primeiros a começar a nova tendência. Quando terminei, Isaac assentiu pensativo, brincando com o pequeno V em um bracelete que agora terminava. — Então você acha que vai ajudar a sua causa se eu começar a usar as pulseiras? — perguntou. Seu tom era grave. Ruborizei de uma profunda cor vermelha que estava em perigo de se tornar azul, mas quando levantei a vista eu sorri totalmente me dando um momento difícil. —Vou fazer chaveiros também, esses pequenos que penduram no zíper da mochila — expliquei a ele, aliviada que meu rosto começou a voltar para sua cor natural. —E se eu começar a usar um, então as pessoas não terão medo de fazer? Encolhi os ombros. —Há algumas pessoas por aí que podem fazer algo pela moda. Inclusive pela virgindade. —Você acha que eu poderia ser uma dessas pessoas? —Não. Você é essa pessoa. Isaac não disse nada durante um longo minuto depois disso. Ficou sentado ali me olhando nos olhos. Podia vê-lo contemplando as possíveis repercussões do que pedia que fizesse. Depois do que pareceu uma eternidade, se inclinou para mim, completamente intenso, e me perguntou:


— E se eu não for virgem? Isso me pegou de surpresa. — Quer dizer que não é? Os cantos da boca de Isaac tremeram como se estivesse lutando contra um sorriso, e não respondeu a minha pergunta. Ao invés disso, disse: — É uma boa ideia, mas é um pouco parcial você não acha? A gente não pode fazer nada se já perdeu a virgindade. O que acontece com todas essas garotas que me contou que se sentiram mal por ter relações sexuais, pois não estavam preparadas? Como funciona sua campanha para ajudá-las? Então Isaac estava de acordo? Era um dos que fizeram antes de tempo? Se arrependia de ter feito? Ele tinha razão, entretanto. O que fazia não ajudava a essas pessoas. Tinha que haver uma maneira. Apesar de ainda não saber o que era eu gostaria de descobrir porque queria ajudar a essa gente. Queria ajudá-los muito, muito desesperadamente. Pensei por um minuto, e logo devolvi o olhar desafiante que dava com cada parte da confiança que tinha. — Só te peço que passe por meu estande no festival — eu disse. Depois de um momento, o olhar intenso de Isaac se transformou em um pequeno sorriso. — Eu vou — disse, e em seguida saiu da sala.


O desafio Levou menos de vinte e quatro horas para eu descobrir, e eu devo isso a uma menina com o apelido de NYCgirl861. Fui para casa da escola esse dia e entrei diretamente no link do You Tube como fazia desde que Robin me mostrou os comentários. Todos os dias havia mais. Hoje foi este que me chamou a atenção: NYCgirl861: O sexo é superestimado de todos os modos. Desde que meu namorado e eu decidimos ter uma vida sexual ativa, é TUDO o que ele quer fazer. Só sexo, sexo, sexo. Talvez deveria me desfazer dele e encontrar a alguém que realmente me leve a encontros de vez em quando. Foi por esse comentário que fui no laboratório de informática depois da escola no dia seguinte. — Olá! — saudou Robin alegremente quando entrei. — Então pelo menos Isaac te encontrou? —Sim, fez. É meio por isso que estou aqui. —Vai ser sua cobaia?


Pensei em dizer que não podia ser porque não era virgem como ela pensava, mas por alguma razão sentia como se devesse guardar seu segredo. — Não, escolheu outro caminho — eu disse. — Mas trouxe para a causa um ponto interessante. —Ah? —Me perguntou como minha campanha ajuda às pessoas que já perderam sua virgindade. — Bom ponto — disse Robin, franzindo a testa. — Suponho que não achou ainda. —Ainda não. —Tem alguma ideia? Peguei o colar e os brincos que levei comigo. Robin franziu a testa de novo quando os viu. Ambos tinham pequenos Ás. — Pensei que deveriam ter V neles. — Os Vs são de virgens, mas nem todo mundo é virgem, então fiz isto. — Olhei para o pequeno e brilhante A e sorri. — A é para abstinência. —Abstinência? —Só porque alguém teve relações sexuais, não quer dizer que seja muito tarde para dizer que não. Se não estiver preparado para isso, então não tem que continuar fazendo. — Ótimo. Problema resolvido. Então, o que te traz para meu rincão do bosque? — Bom — sorri contente por revelar meu plano


— O quanto você sabe sobre sites? —Você está pensando em levar o V de Virgem para internet? — Oh, sim — disse. — Vamos precisar de um lugar para que as pessoas possam relatar seu progresso. — Progresso? — No Desafio da abstinência — eu disse, dando a Robin um modelo de folheto que criei ontem à noite, quando não conseguia dormir. Senti a necessidade de me explicar enquanto Robin lia sobre os detalhes deste desafio. — Há mais na vida que só ter sexo e deve haver mais em uma relação do que isso também. O sexo é tão estressante. Deve fazer? Não deve fazer? Vai ficar grávida? Vai ter uma doença? As pessoas vão rir de você se você não fizer? Vão chamar vocês de nomes sujos se fizer? Nunca termina. — Estamos na escola! Temos muitas outras coisas para nos preocupar, por isso sugiro que as pessoas tentem renunciar ao sexo. Só por enquanto. Unicamente para ver o que acontece quando não tem que se preocupar sobre isso todo o tempo. Teremos gente se inscrevendo para o desafio na Web, todos anônimos, é claro, e logo deixamos que descrevam sua experiência online. É como um experimento. As pessoas podem ficar dois dias, ou dois anos, e pode ser a melhor coisa que já


fez, ou a pior. De qualquer maneira os fará pensar sobre o sexo, e se estão ou não realmente preparados para ter. —Você acha que as pessoas vão fazer isso? —Honestamente? — Encolhi os ombros. — Duvido. Mas definitivamente não daremos a opção. Além disso, o site pode ser um lugar para que a gente fale de tudo como o que estão fazendo no You Tube. Olhe a grande resposta que um estúpido vídeo tem. Talvez isso pudesse ser algo mais do que apenas na escola. Talvez pudéssemos animar outras pessoas em outras escolas a fazer o que estamos fazendo. Não tinha a intenção de me deixar levar em meu discurso, mas quanto mais pensava nisso, mais emocionada estava. Claro, eu fiz algumas coisas interessantes com o conselho de estudantes, mas nunca tentei fazer algo que me parecesse tão importante. Estava determinada de uma maneira que eu nunca estive antes. —Então, você acha que poderia me ajudar a fazer uma página na Web? — perguntei, e logo prendi a respiração pela resposta. Robin olhou o desenho inacabado do periódico da escola atrás dela e em seguida o papel que eu dei a ela. Esboçou um sorriso e disse: — Vamos estar funcionando antes que termine a semana. —Fantástico!


—Fantástico

é

correto!

grunhiu

Cara

enquanto

dançava no laboratório de informática. Não acredito que pudesse ser mais sarcástica. —Está bem — suspirei. — Baixa o drama. Durante os anos "Baixa o drama" se tornou um slogan para Cara e para mim. Isto se deve a que tudo no mundo de Cara de algum jeito sempre termina sendo um drama. É obvio, gosta dessa maneira, porque sempre tem uma desculpa para atuar como se o mundo estivesse chegando a seu fim. Ou ganhará um Oscar um dia ou terminará em uma telenovela. Poderia acontecer algo assim. —Então, Nate Cooper perguntou se sua banda poderia tocar no Festival de Outono, certo? Então eu disse que tinha que escutá-los tocar primeiro. Bom, Dustin Marshall se inteirou de que estava deixando Nate fazer uma audição e quer fazer uma também. —Dustin Marshall está em uma banda? — Robin e eu perguntamos ao mesmo tempo. —Não acredito — zombou Cara. — Meu cão poderia tocar instrumentos melhor que qualquer um deles. Conhece o som que as unhas fazem quando se arranham um quadro negro? Estremeci com o pensamento. Cara assentiu com minha reação. — Sim.


— Está bem — eu disse. — E a banda do Nate Cooper? —Bom, é melhor que a banda do Dustin — admitiu com relutância. — Mas não são nem de longe o bons o suficiente para tocar no Festival de Outono. — Charlatão. — Isso nem é a pior parte. Disse que faria audições. — Isto deveria ser algo bom, não? — perguntou Robin e eu assenti porque pensava o mesmo. —Sim — disse. — Quero dizer, ainda precisa uma banda. —Escutei quatorze aspirantes a bandas de garagem esta semana e todos fedem. Juro que Kyle Hamilton deve ter sido o único talento que saiu de nossa escola. Neste ritmo vou ter que reservar o maldito clube glee. Não há esperança! — Há esperança — eu ri... — Quem é a maior raridade de música no sul da Califórnia? Cara ofegou, mas disse: — Eu. — Correto. Encontrará uma grande banda. Sei que fará. Uma voz profunda interrompeu nossa conversa dizendo: — Vocês ainda estão falando desse trabalho de caridade? Virei e pude vê-lo ali de pé, mas era tão incrível que eu não estava acreditando nisso até que Robin disse:


— Ei, eu te conheço! É esse cara da banda, que cantou aquela música! — Nossa! — riu Cara. — Esse cara da banda que cantou aquela música. Agora se isso é ser famoso para você. Sim, vocês conseguiram. Kyle sorriu na direção de Cara. — Eu me lembro de algo sobre você ser nossa maior fã. Antes que Cara pudesse entrar em uma guerra de insultos, o que podia fazer o dia todo. Me coloquei entre eles e perguntei a Kyle: — O que você está fazendo aqui? Kyle parecia mais que feliz por ter minha atenção. Ele deu um sorriso do tamanho do Texas e disse: — Não ficou para o show a semana passada. —Não me diga? — perguntei secamente. —E não retornou para o show deste fim de semana no Clube Key também. Eu sei. Eu procurei por essas pernas. — Seu ponto? — Você não veio até mim, então eu tive que vir até você. — Por quê? Por acaso os meninos e você tiveram uma mudança de coração? — Mais ou menos. — Kyle riu. Não comprava o que estava tentando me vender, mas Cara, desesperada para encontrar uma banda, e em negação sobre sua obsessão por Shane ficou sem fôlego. — Quer dizer que fará o show?


—É claro. — Kyle ficou ao meu lado e jogou o braço por cima de meu ombro. — Se Pernas aqui sair comigo. Eu ri ruidosamente, uma risada desavergonhada e quase reconsiderei aceitar a oferta da Sra. Feeney para me unir ao clube de teatro. — Isso é genial — eu disse. — Muito gracioso. Mas estamos procurando uma banda, não um comediante. Cara interrompeu meu bom humor quando concordou com seus termos. — Ela vai aceitar. —Cara. — Uma vez que peguei minha mandíbula do chão, neguei com a cabeça. — Não, eu não vou. —Val — se queixou Cara. — É só um encontro ruim. — Quem disse algo a respeito de ruim? — perguntou Kyle, ofendido. — O cara me chama de “Pernas” — disse a Cara. — Isso é totalmente um progresso com respeito a Virgem Val e você sabe disso. —Me trairia assim? A mim? É minha melhor amiga? —Bom, por que não? Poderia ser bom para você. Zach é história. Deve se recuperar já. —E sugere que faça com ele?


—Lembra o que dissemos a respeito de vocês tendo química? Kyle ficou boquiaberto, gratamente surpreso. — Você disse que temos química? Apontei para a Cara. —

Ela

disse

que

temos

química.

Eu

neguei.

Enfaticamente. — Então você está em negação sobre nós? — perguntou Kyle. — Sim, Eu... O que? Não! Não estou em negação a respeito de nós! Kyle sorriu. — Então você admite que temos química. — Não! — Estava tão nervosa que senti minhas bochechas ruborizarem. — Quero dizer que não posso estar em negação a respeito de nós, porque não há um nós! Não vou sair com você. Os olhos de Kyle brilharam com diversão de maneira exasperante. — Então não vou fazer um show para você — disse a Cara. —Vamos V — declarou Cara. —Sim, vamos V. — Ecoou Kyle. Ele se inclinou e colocou seus lábios contra meu ouvido. — Tem medo que eu abale seu mundo e faça de você uma mentirosa com todo o assunto de espera pelo casamento?


Ignorei os arrepios que corriam pelas minhas costas e dei a Cara um olhar seco, mas estava determinada. — Precisamos disso — disse ela. —Vamos encontrar alguém. —Mas eles são uma banda real. Vão trazer uma grande multidão. Pense na quantidade de dinheiro que poderia ganhar só nas vendas de ingressos. Provavelmente mais do que fez em todo o festival o ano passado. Bom eu amo Cara, e a apoiei com toda esta coisa de banda, eu fiz, mas começava a perder a paciência. — Não posso acreditar que está tentando fazer isto agora mesmo. — E eu não posso acreditar que você não faria isto por mim. É só um dia! —Você percebe que se eu sair com ele para que possamos ganhar mais dinheiro no festival, isso me faz uma puta. Uma prostituta de verdade. Kyle começou a rir, e já que ainda tinha seu braço sobre meu ombro, eu dei uma cotovelada nas suas costelas. — Não vai acontecer — disse aos dois, e logo me afastei de Kyle. Cara apertou suas mãos em punhos e pisoteou o chão. Logo voltou toda sua fúria sobre Kyle. — Não pode fazer de todos os modos? —Nãaaaaaao. — Kyle desfrutava muito. —Por favor?


—É pegar ou largar, bebê. Você quer algo e eu quero algo. — Mas seria uma boa publicidade para vocês — disse Cara. — A KTLA News sempre envia uma equipe para cobrir o festival. Fazer um show para a caridade em sua antiga escola? Essa história daria a maior audiência. — Estive ali, já fiz isso — disse Kyle, e então me olhou outra vez. Apertei os olhos e disse: — Terminamos aqui. Pode ir agora. — Então isso é um "não"? — perguntou Kyle, quase sem poder conter a risada. —Fora! Esse é o momento em que Olivia entra na sala dizendo: — O que é todo esse barulho aqui? Olivia Lewis era a última coisa que precisava nesse momento, mas se esqueceu de me enfrentar no momento que reconheceu quem estava ali. — Kyle Hamilton? — ofegou com aquela voz estridente de Barbie. — O que você está fazendo aqui? —Nada — disse. — Aparentemente terminei aqui. —Vai tão cedo? — perguntou Olivia.


Oh, fez soar tão arrogante. Foi patético. Kyle a olhou de cima a abaixo, e como Olivia não é nenhuma aparência a desprezar, deu um ligeiro assentimento de cabeça e disse: — Me acompanha? —Oh, claro! — exclamou Olivia. — Estava prestes a sair. Kyle riu e logo me olhou. — Você que perde Pernas. —Tenho certeza que vou superar. Kyle passou o braço ao redor da cintura da Olivia e perguntou seu nome, enquanto caminhava diante de mim para a saída. —Sou Olivia, e sou sua maior admiradora. Sério, eu te amo tanto! Sei todas as letras de cada uma de suas músicas! Juro que vi Kyle tremer. Deu mais dois passos, parou e soltou um suspiro de frustração. Deu à volta e olhou para Cara. — Muito bem! Tem a banda. Não

sei

quem

estava

mais

atordoada,

mas

Cara

conseguiu se recompor muito antes que eu. — Sério? — gritou. Kyle soava aborrecido consigo mesmo quando se queixou: — Sim, de verdade. Cara chiou e se lançou para Kyle, que foi forçado a soltar Olivia para pegá-la. Cara saltou em seus braços, rodeou suas pernas ao redor de sua cintura e deu um grande beijo úmido em sua boca.


— Obrigada! Obrigada! Obrigada! Kyle parecia ter a mesma fraqueza por Cara que eu, tive que deixar de fulminá-lo com o olhar e rir dela. A expressão em seu rosto quando perdeu a compostura era absolutamente adorável. — De nada — disse entre risadas. Desviou o olhar por cima do ombro de Cara e me olhou. — Agora sairia comigo? Por favor? Quase digo que sim. Depois do que fez por Cara, de certo modo eu queria, mas algo me parou. — Realmente faria um show completo e gratuito só para ir a um encontro comigo? —É o que parece, certo? —Por quê? — eu perguntei. Os olhos do Kyle caíram brevemente no V que pendurado no meu pescoço e deu um sorriso arrogante. — Não posso resistir a uma boa provocação. Isso é o que eu pensava. — Bom, eu temo que tenha um problema então, Kyle. —O que quer dizer? —Nunca desisto diante de um desafio também. — Apontei para os jeans que usava. — Este é um par de calças que nunca conseguirá entrar. —Ah, mas ainda tem um armário cheio de outros, e pelo menos uma saia muito sexy, não?


—Nenhum sobre os quais conseguirá pôr suas mãos também. Kyle cruzou os braços sobre o peito, me estudando com um brilho em seus olhos. — Então, é assim que isso vai ser? Igualei com sua postura, e em seguida, lancei suas próprias palavras para ele. — É o que parece, certo? Kyle olhou por um momento a mais e logo veio para mim com um sorriso predador. Vê-lo vir lentamente para mim, era como estar presa em um desses espetáculos da natureza no Discovery Channel. Meu pulso pulsava no peito com cada passo que dava, e comecei a recuar até que me choquei contra a parede. De repente nos encontrávamos cara a cara. Seu corpo ocupou tanto espaço ao redor que era difícil respirar. Podia sentir seu calor e ainda não nos tocávamos. O que aconteceu? Kyle viu o olhar em meus olhos e sorriu com satisfação. Levou sua boca até a minha e roçou os lábios com um toque tão leve como uma pluma que me deixou sem fôlego. Meu corpo reagiu antes que minha cabeça pudesse. Caí nele como se de algum jeito fosse meu novo centro de gravidade. Meus olhos se fecharam, e esperei um beijo que nunca chegou. Seus lábios ainda estavam lá, roçando para trás e adiante sobre os meus, me enganando cruelmente até que doía com um desejo tão intenso que comecei a tremer.


Kyle riu sombriamente. — É muito para você me entender, Virgem Val. Estava tão bom. Era como se me tivesse sob um feitiço. Fiquei chocada com o quanto isso me afetou, e acho que ele nem se esforçou. Não podia perder essa batalha, não importa o quanto meu corpo

o

queira

nesse

momento.

Com

cada

grama

de

determinação que tinha, o empurrei para longe dizendo: — Então você sabe como deixar uma garota nervosa. Isso não é surpreendente quando está com uma diferente cada fim de semana. — Tentei parecer irritada tentando esconder que ele me afetou. — Mas apesar de sua experiência, ainda há uma coisa que não sabe e vou te ensinar. Minha ameaça o divertia. — E o que seria isso? —Rejeição. Kyle começou a rir, tão seguro de si. — Caso não tenha notado, aqui mesmo não estava me rejeitando. — Não voltará a acontecer — eu prometi. Possivelmente mais para meu próprio benefício que o seu. — Já mostrou suas intenções, Kyle. Agora que sei o que enfrento, você nunca será capaz de me pegar de surpresa outra vez.


—Vamos ver. — Kyle franziu os lábios em um beijo e foi até a porta. Pouco antes de desaparecer, voltou e me deu um sorriso torto. — Vista algo sexy no festival para mim. Por um momento, estávamos todos boquiabertos ante a porta vazia. Então Olivia me olhou e em seguida, foi embora, com a esperança de pegar Kyle antes que ele saísse do edifício. —Pelo amor de todas as coisas pecaminosas — gritou Cara depois que ambos se foram. — Isso foi mais do que QUENTE! — Deixou escapar um longo suspiro. — Garota, você está em um grande problema. —Posso lidar com isso. —Não, não pode. — Sim — eu disse, irritada. — Eu posso. Cara negou com a cabeça. — Diga Robin. Robin, que não tinha dito nenhuma palavra desde que Kyle chegou, fez uma careta. — Isso foi... Hum... — Ela se abanou. — Sim, boa sorte com ele. —Temos que fazer um plano de jogo — disse Cara. — Eu tenho um plano de jogo. "Só Dizer Não" É um clássico.


— Isso não será bom o suficiente. Vai ter que ganhar em seu próprio jogo. Temos trabalho a fazer. Precisamos pelo menos começar a fazer compras de seu vestido para o festival. —Começando murmurou Robin.

com

um

cinturão

de

castidade


A carta — Então, combinei todos os detalhes com o empresário de Kyle — eu disse, sentando na cadeira ao lado de Cara. — Acontece que ele falava sério. Farão o show. — Sabe Val, você poderia jogar um osso ao garoto e sair com ele depois disso. É quase patético, dando o que diz que não queria. É como se ele não pudesse evitar. — Foi doce — admiti. — Até que me lançou o desafio de me jogar na cama. Viu o que aconteceu! Não posso sair com ele. Mas você pareceu tão adorável ontem quando saltou nele. Talvez devesse sair com ele. Cara moveu sua mão como se estivesse sendo ridícula. — Por favor. Sabe como sou quando estou emocionada. Não beijarei ninguém. —E você acha que sou uma puta? — zombou Olivia enquanto se sentava ao meu lado. Estava um pouco surpresa quando me cumprimentou com um sorriso enorme. Esperei por algum tipo de insulto, mas estava feliz em me ver.


— Como você está Val? Não sabia muito bem como responder. — Hum... Bem e você? — Fantástica — suspirou um pouco doente de amor, e então compreendi. — Então, se encontrou com o Kyle ontem? Não me preocupei com Olivia, mas tinha curiosidade. Possivelmente se Kyle se distraísse com Olivia, não estaria decidido a tomar minha virgindade. O sorriso da Olivia se iluminou. — Fomos tomar café e conversamos. —Conversaram? — soprou Cara. — Certo. —Só conversamos — zombou Olivia. — Você é a que não beijará ninguém, lembra? — Sério? — perguntei. Não era minha intenção insultar Olivia com minha incredulidade, mas não podia acreditar. — Só conversaram? Você e Kyle? — Ele não estava com humor para sair ontem. Ele estava chateado com você Val. — Olivia tirou seu compacto e se reaplicou brilho labial antes de seguir nos contando as notícias. Com o último golpe em seus lábios, deixou o espelho e disse: — Mas ele fez planos comigo depois do festival este fim de semana. — Não teria ilusões se fosse você. — Não pude deixar de advertir.


— Tenho a sensação de que Kyle Hamilton tem uma coisa com pernas. — Muito ciumenta? — disse Olivia com petulância. Decidi ignorá-la. Se Olivia queria ser das que chamam de "Quase Famosa", que seja. Não pode dizer que não avisei. Encolhi os ombros e ela passou a dizer a todos no conselho com quem tomou café ontem, antes que Eric ordenasse as coisas. Esta era a última reunião do conselho antes do festival, então

verificamos

alguns

detalhes

inacabados.

Quando

chegamos ao comitê da música, Eric se virou com um grande sorriso. — Então, como está com a busca da banda Val? Sorri para Cara. — Tralse disse que tocaria no show. —Tralse! — repetiu Eric, surpreso e impressionado. — Nossa isso é impressionante! Bom trabalho, Val. — Cara fez tudo. Usou as conexões de seu irmão para entrar nos bastidores de um de seus shows. — Oh, por favor — disse Cara, piscando pra mim. —

Disseram

que

não,

mas

Kyle

está

seriamente

enganchado com nossa garota V. Simplesmente não podia recusar. Olivia bufou. — É verdade — disse sem expressão. — Ele me deseja. — Disse Olivia.


Encolhi os ombros com toda a simpatia falsa que pude reunir. — Algo sobre pernas, lembra? — Então, porque não pude resistir eu disse: — Só saiu com você porque eu disse que não. — Huh — disse Cara imediatamente. — Algo parecido com Zach. Isto causou reações em todos os presente. Eric se viu obrigado a intervir apesar de que ria tão forte como qualquer outra pessoa. Por sorte, Bethany, a editora de nosso periódico escolar, ajudou a interromper nossa reunião. — Hey! Parece uma festa isso aqui — disse enquanto caminhava. —Sempre é uma festa aqui. Deveria pensar em sair dessa sala e se unir às pessoas que movem a mudança na escola — disse Eric. Por alguma razão, sempre houve um pouco de rivalidade entre o departamento de jornalismo da escola e o conselho estudantil. —Diferente de vocês os políticos, nós os jornalistas levamos a sério nosso trabalho. — Correto — riu Eric. — O que te traz para o covil do inimigo? —Bem surpreendentemente, atualmente está fazendo algo de interessante pela primeira vez. Bom, um de vocês. Bethany subiu os óculos um pouco e sorriu. —Quer escrever uma história sobre mim?


—Está brincando? É o tema mais quente que esta escola teve durante todo o ano. Sabe que não me rebaixaria informando intrigas, mas agora com toda a coisa de V de Virgem é uma história legítima. Antes que tivesse a oportunidade de responder, Craig Sánchez riu. — V de Virgem? O conselho estudantil todo riu, e eu gemi em voz baixa. — Aqui vamos. Ao mesmo tempo Cara bateu sobre o balcão. —Robin! — Só que não se incomodou em dizer em voz baixa. — Essa pequena enganosa... Vê? Não se pode confiar em ninguém no departamento de jornalismo para guardar um segredo. Nem na garota desenhista! Dava a Bethany um sorriso de desculpa. Cara é uma garota muito agradável, mas se não a conhece bem, é fácil se sentir 90% ofendido pelas coisas que diz. —Não estamos tentando manter em segredo — disse a Cara. — Lembra? Ser aberto, sobre isso é o ponto. —Bom, então por todos os meios — riu Jesse Andrews. — Nos explique isso Virgem Val. Jesse bateu as mãos no ar com o Craig e Olivia nunca pareceu mais satisfeita em sua vida.


Levei bastante surra verbal no conselho estudantil essa tarde. Eu merecia isso, eu acho. Sabia que as pessoas ririam da ideia e me importunariam a respeito. Oh claro, pelo menos, segundo meus companheiros do conselho, a brincadeira era "tudo por diversão", mas era suficiente para me convencer de que perderia tempo. Estava claro que todos pensavam que estava louca. Possivelmente estava. Quero dizer, a quem eu queria

enganar?

Meus

companheiros

de

classe

nunca

aceitariam usar Vs de Virgem ou participar de qualquer desafio de abstinência. Eu dei uma entrevista para Bethany, mas estava claro que

ela

estava

interessada

na

história

porque

era

controversa, e era uma forma de escrever sobre sexo no periódico da escola. Na verdade não se preocupava com minha causa. Fui para casa tarde me sentindo bem desanimada. Este projeto estava mais perto de meu coração que algo que já fiz. Me sentia como se todos rissem da minha ideia, ou zombava de mim, de algum jeito atacavam a minha mãe biológica e isso doía. Quando cheguei em casa, peguei a carta que mantinha guardada em minha caixa de joias. Apesar de ter lido milhares de vezes, me sentei na cama e sussurrei as palavras memorizadas em voz alta. Querida bebê,


Apenas completei dezesseis e estou a ponto de ter um bebê. Fiz um montão de más escolhas, mas a pior foi ir a uma festa, me embebedar e acordar grávida. Nem sei com quem foi. Não me arrependo de trazer você para este mundo. Lamento de ter feito muito cedo. Acredite em mim, se houvesse alguma maneira de cuidar de você, eu faria. Vai me matar ter que dizer adeus, mas não deveria sofrer por meus erros. Escolhi às melhores pessoas que pude encontrar para ser sua mamãe e seu papai. Sei que te amam tanto como eu amo. Sei que não mereço isso, mas se alguma vez quiser fazer algo por sua mamãe, aprenda com meus erros. Faça as coisas da maneira correta. Não arruíne sua vida como eu fiz. Espero que algum dia me perdoe. Pensarei em você todos os dias pelo resto de minha vida. Te amo para sempre, Mamãe V. Não sabia que estava chorando até que ouvi minha mãe chamar. —Valerie? — chamou através da porta. — Está tudo bem ai dentro? Posso entrar? —Sim mamãe, entra — eu disse enquanto rapidamente limpava as lágrimas de minhas bochechas. — Estou bem. Minha mãe se sentou na cama. Reconheceu a carta imediatamente. Não era a primeira vez que me via chorando por ela.


— Era uma grande garota — disse minha mãe, da forma em que sempre fazia quando perguntava sobre minha mãe biológica. Suspirou e me deu um lenço de papel. — Parecia com você. —É mesmo? Minha mãe assentiu com a cabeça e logo ficamos em silêncio. Minha mãe é muito boa para estar aqui comigo sem pressionar.

Sempre

parece entender magicamente

o que

necessito, e hoje não é a exceção. Esperou que começasse a falar e logo, como sempre, tinha as respostas corretas. — Por que me deu esta carta? — perguntei. — Nem tinha que me dizer que era adotada. Nunca notaria a diferença. Minha mamãe ficou calada por um minuto enquanto pensava cuidadosamente como me responder. — Lembra o dia que seu pai e eu demos seu colar? Pensei em minha vida, mas não pude encontrar um só momento onde não tivesse com meu colar. Quando neguei com a cabeça, minha mamãe suspirou. — Quando tinha três anos te levei ao aquário de Long Beach com um grupo de jogo que você e eu assistimos. Tinha que falar com outras mães e não me dei conta quando se arrumou e saiu do carro. Foi por uma questão de minutos, mas estava tão ocupada esse dia, não te encontrava em nenhuma parte.


Minha mamãe tomou um segundo para estabilizar sua voz antes de continuar com sua história. Estava surpresa porque nunca ouvi antes, mas ao mesmo tempo minha mãe parecia tão envergonhada de si mesmo que podia entender por que nunca me disse. — Esteve perdida durante meia hora. Foram os piores trinta minutos de toda minha vida. Vim abaixo. Apenas respirava de tão louca que estava de preocupação. Quando finalmente te encontraram, fez exatamente o que te disse antes de chegar. Foi aonde o guarda de segurança estava e disse que não podia encontrar a sua mamãe. Não entrou em pânico. Nem chorou. Foi muito valente. Foi a primeira vez que olhei seu rosto e vi sua mãe biológica. Engoli seco. Não podia evitar. Suas palavras enviaram uma estranha classe de dor agridoce através de meu coração. As lágrimas voltaram para meus olhos, e minha mãe pegou minha mão. Deixei que me apertasse tão forte como conseguia. — Só vi sua mãe biológica duas vezes, mas sabia desde o segundo que a vi, que ela era forte e muito valente. Sabia que depois de ver a grande parte de sua mãe que havia em você, era importante que soubesse a verdade. Te dei o colar esse dia e te disse que foi adotada. Era muito pequena para entender o que significava nesse momento, então esperei para te dar a carta até a primeira vez que me perguntou por seus verdadeiros pais. Esse dia eu lembrava. Estava em meu primeiro grau e minha professora nos leu uma história sobre adoção. Conhecia


o término e quando informei com orgulho a meus companheiros de classe que era adotada, Tommy Fisher me perguntou por que meus pais quereriam me dar de presente. Minha mãe e meu pai sempre tinham me amado tanto que nem pensei nisso antes, mas isso me fez sentir tão chateada que minha professora me enviou a secretaria e minha mãe veio e me levou para casa. —Você acha que estou louca por querer cumprir uma promessa a uma mulher que nunca conheci? As pessoas na escola zombam tanto de mim por isto de “V de Virgem” que não tenho certeza se funciona. Sinto que se falho, estou falhando com ela também. —Valerie — disse minha mãe com firmeza, — Não tem que provar nada a ninguém. Revirei os olhos antes que pudesse me deter, o que a minha mãe não gostava. — Acredita que o que está fazendo é importante? — perguntou. Franzi a testa, mas pensei em minha mãe biológica, chorando enquanto escrevia um adeus ao bebê que amava. Pensei em todas essas garotas, toda essa gente no You Tube que admitiu ter dificuldades. Logo pensei no que senti quando Zach me deixou, doída e zangada. Sabia a resposta para a pergunta da minha mãe. — Sim. —Então precisa fazer sem se importar. Suspirei. — Sei.


E sabia. Sabia que ia levar isso até o final. Só que não tinha nem ideia, nesse momento, do quão longe tudo chegaria.


O festival Estava pondo algumas caixas vazias debaixo da mesa do stand quando escutei: — Uau, realmente você fez. Escutei o rumor sobre que faria um stand no festival, mas não pensei que fosse verdade. Bom para você, Valerie. Me encontrei olhando para uma garota magra, vestida totalmente de preto, desde sua cabeça até suas botas de combate Doc Marten, assim como suas unhas pintadas. —Eu conheço você? — perguntei, embora soubesse que nunca a vi antes. —Cindy Lewkowski — informou ela. — Estou no segundo ano. —Não acha que estou louca? Cindy não parecia do tipo das que sorriam, mas parecia interessada o suficiente. —Penso que tem coragem — respondeu. Segurei um pingente com um A negro e um bracelete negro com uma V e os agitei. —Então o que parece, quer ter coragem também?


—Tô dentro — disse, me dando uma doação de cinco dólares. Eu ofereci uma joia negra, mas ela alcançou um bracelete vermelho brilhante com uma V bastante grande. —Eu não gostaria de misturar — disse enquanto a espremia no meio de milhares de pulseiras pretas que enchiam seu braço. —Obrigada! — gritei enquanto se afastava, então voltei meu sorriso abismado a minha melhor amiga. — Dá para acreditar? — perguntei a Cara e dei os cinco dólares. A coloquei no comando do dinheiro. —Honestamente? Sigo emperrada em Lacy e Devon cantando pelo desafio da abstinência. — Eu vi, verdade? — Me virei para pegar alguns panfletos “Nem todo mundo está fazendo” e uma pulseira para substituir a que Cindy comprou. — Pensei que possivelmente venderia um ou dois, mas... Ai! Eu me virei para ver porque Cara tinha me dado uma cotovelada, e me encontrei encantada com o sorriso de Isaac Warren. —Como está indo, Virgem Val? Levei um momento para poder desembaraçar minha língua e mesmo assim só pude soltar uma palavra. —Genial! —Sucesso então?


— Oh. — Ruborizei. — Bom, saber. Tivemos três meninos rindo de nós com as pessoas comprando algo. Mesmo assim, não posso acreditar que existem pessoas que as querem de qualquer maneira. — Por que não? — Porque as pessoas ficam tirando sarro de mim sem parar desde que o assunto de Virgem Val começou. Não pensei que alguém me escutasse ou ao menos me apoiasse. Há pessoas no You tube, mas esses são anônimos. Isaac encolheu os ombros. —Sim, mas é diferente já que não só deixa que as brincadeiras influenciem, mas também está fazendo algo a respeito. É como disse, alguém tinha que dar o exemplo. Está fazendo as pessoas corajosas. —Obrigada — eu disse timidamente. — Não esperava ter nenhum tipo de resposta verdadeira hoje. Honestamente pensei que seria capaz de contar em uma mão o número de peças que fosse vender, mas já vendi perto de quarenta até o momento. —Tantas! — Isaac olhou espantado com o número, mas se recuperou e rapidamente começou a rir. — Não diria que havia tantos virgens em nossa escola. — Provavelmente não há — eu ri, passando a Isaac um panfleto que divulgava o desafio de abstinência. — Vendemos tantas peças de Ás como de Vs.


— O desafio de abstinência? — perguntou Isaac com um sorriso que me fez avermelhar outra vez. Graças a Deus não se deu conta já que estava na verdade lendo o desafio. Não podia esconder a vergonha em meu tom quando respondi. — Expôs um argumento muito válido aquele dia. Não podia simplesmente deixar toda a diversão às virgens depois disso, não é? Em vez de devolver o panfleto para o monte, Isaac o dobrou e colocou em seu bolso traseiro, levando tanto a atenção de Cara como a minha ao seu jeans e a maneira adequada em que ele usava para dirigir sua moto. Quando consegui arrastar meus olhos de volta para seu rosto, me olhava com esse intenso olhar que tinha me dado antes. —Muito bem feito — ele disse, — Um desafio de abstinência é uma ideia genial. — Sim é — disse Cara. Estava surpresa de que não nos tivesse interrompido antes. — E Lacy e Devon assinaram! Cara simplesmente não podia superar isso. O sorriso de Isaac se tornou especial enquanto dizia: — Fizeram? Cara deve ter percebido o rosto do Isaac também, porque então disse: — Ouça, espere um momento. Devon não está na equipe de beisebol com você?


Isaac piscou um olho e estou bastante segura de que conseguiu me dar um enfarto. —Então, com o que o subornou? — brinquei quando Isaac voltou a me olhar. —Nunca disse nenhuma palavra ao Devon — replicou inocentemente. Muito inocentemente. — Devem ter sido suas excelentes habilidades de persuasão. Me obriguei a agir normalmente e com uma profunda respiração disse: — Tenho excelentes habilidades de persuasão, não? — Recolhi uma joia com um A que de alguma forma fiz só para ele. — Então são minhas habilidades de persuasão que estão te convencendo a levar algo original da Virgem Val? — Isaac tentou pensar sobre isso por um momento, mas as curvas dos extremos de sua boca se curvaram em um sorriso. — Não. — disse atirando uma nota de vinte na caixa de doações que Cara segurava. — É todo seu charme natural que está conseguindo. Ignorou o pingente em minha mão e em troca, pegou um pingente de couro com um pequeno V de prata que era similar ao que eu usava ao redor de meu pescoço. Não podia acreditar. Ele realmente era virgem. Só havia me dado um mau momento naquele dia. Sorriu da minha confusão e então me enviou uma piscada de enfartar enquanto se afastava.


Quando ele já tinha ido, cambaleei para trás parando em uma cadeira dobradiça. Cara me deu um minuto antes de começar e então me perguntou... Não, mais como me intimou: — Desde quando você se tornou uma puta? — O quê? — Garota, foi tão sutil como o artigo de “Dez-ManeirasDe-Fazer-Que-Ele-Se-Apaixone-Por-Você!” —Você acha? — Uma pequena onda de alívio me percorreu

porque

seus

exageros

normalmente

estavam

baseados em alguma forma de verdade. — Porque me pareceu que agia como uma completa débil mental. — Definitivamente não V. Acredito que você tem uma queda. — Eu? Uma queda por Isaac Warren? Cara e eu fomos surpreendidas em nossa conversa por uma voz dolorosamente familiar. — Por esse o saco de carne que estava aqui? — perguntou Kyle.

Não

parecia

exatamente

ciumento,

mas

como

completamente não impressionado por isso — Está me ignorando por esse cara? —Ele não é a razão pela qual estou te ignorando — eu disse indignada, depois que o sonhador, suave sentimento que estava experimentando foi substituído por uma enorme dor em você sabe onde.


— Bom, é um alívio porque poderia fazer muito melhor que... — Não me interprete mal — interrompi — te deixaria por ele em um suspiro, mas já me deu um milhão de outras razões para fazer. — Diga uma! Não sabia nem por onde começar, por isso perguntei: — O que está fazendo aqui? —Tenho um show para fazer, lembra? Me implorou que tocasse para você. — Eu não implorei — corrigi apontando com um dedo acusador para Cara. Ela começou a protestar, mas finalmente franziu a testa porque não podia negar. — Quero dizer, o que está fazendo aqui. — Segurei um pingente com um grande “A” vermelho nele. — Você veio para assinar o desafio de apoiar a abstinência? Sabe, se comprometer sua abstinência até o casamento, posso considerar em sair com você. Kyle riu tanto com isto, que no momento em que conseguiu se controlar, esqueceu sobre o que falávamos. —Vão fechar a loja quando estivermos tocando, certo? Tenho dois lugares na primeira fila para você e a Deusa aqui a seu lado — disse a Cara. — Shane esteve perguntando por você. Abri minha boca para falar, mas Cara agarrou as insígnias da mão de Kyle antes que eu pudesse recusar.


—É claro que vamos ver o show — disse ela. Consegui me entreter com meu posto para assim poder ignorar Kyle. Aparentemente, não gostou deste fato já que agarrou meu braço. —Isso significa que você também vem, não é? — perguntou não convencido de que estivesse incluída na promessa de Cara para vê-los. Olhei para baixo onde me tocava, advertindo que me soltasse, mas ao invés de me soltar, agarrou minha mão. Tentei me soltar, mas foi muito rápido. — Sabe que só estou fazendo este show esta noite por você Pernas. — Levou minha mão a seus lábios. — Será melhor eu ver esse seu rosto bonito sorrindo pra mim quando cantar. — Tudo bem, que seja — grunhi, puxando minha mão. Era uma mentira, é obvio. Não ia me tornar uma de suas pequenas groupies na primeira fila. — Bem, Será que você pode fazer uma pausa? Chocada, Cara olhou de um lado a outro entre Kyle e eu e negou com sua cabeça. — V me mataria. — Acabo de deixar Shane na fila de espera para a pizza. Com certeza ele está se sentindo muito só neste momento. Os olhos de Cara se abriram como pratos. — Não me deixe! — assobiei.


— Sinto muito V, o menino joga sujo. Dez minutos, prometo! — Traidora! — gritei enquanto ela se afastava e me deixava a sós com Kyle. Ela me lançou um beijo. —Vou trazer um pedaço de pizza Quando me virei, Kyle estava na minha posição sentado em uma cadeira como se fosse o dono do lugar. —Esse lugar é meu. Kyle bateu em seu colo. —Não estou impedindo você de sentar. Revirei os olhos e me sentei na cadeira de Cara. — Palavras tão melosas não te levarão a nenhum lugar comigo, mas, mesmo assim continua dizendo. É muito mais fácil de ignorar quando você está atuando como um idiota. — Esse não sou eu tentando ser um idiota. Sou eu sendo encantador. — Ótimo. Isso significa que este jogo que está tentando comigo será muito fácil para mim. Kyle agitou sua cabeça negando. — Admita, me encontraria embora seja pouco encantador. — Costumava pensar que era encantador — admiti. — Costumava?


— Antes quando você estava em Huntington. — Kyle estava tão surpreso que pela primeira vez não tinha uma resposta sarcástica. — Era uma caloura no seu último ano — expliquei. Lembrando. —De verdade? Eu não me lembro de você. — Não lembraria — ri. — Não saí do desajeitado estado típico adolescente até meu penúltimo ano. Quando íamos à escola juntos era muito mais baixa, com muito menos reflexos no cabelo, e com aparelho nos dentes. Kyle se encolheu. — Não estou surpreso. Parece que você bloqueou minha memória de propósito. Surpreendi a ambos quando ri com ele disso. —Nos conhecemos alguma vez? — perguntou Kyle com curiosidade. —Tecnicamente não. Segurou uma porta para mim uma vez quando tinha minhas mãos ocupadas. — Que cavalheiresco de minha parte. — Foi. Você me viu carregando um montão de livros então você saltou na minha frente, abriu a porta e disse: — depois de você, com um grande floreio de inclinação. —Você faz soar como se eu tivesse sido um imbecil. —Está brincando? Desmaiava ainda um ano depois disso.


— É sério, isso fez suas pernas bambearem? Se isso for tudo o que preciso, por que ainda está sentada aqui? Vamos procurar uma porta agora mesmo. Eu ri novamente e então me amaldiçoei por isso. Por que ele era alguém com quem era tão fácil falar? — Então você foi alguém encantador e atencioso. — E o que eu sou agora? — perguntou Kyle. Ele ainda tinha aquele tom curioso. Encolhi os ombros. — Arrogante e mulherengo. Pensei que Kyle se sentiria ofendido, mas começou a rir. — Ok, vou te conceder isso. Mas sigo sendo encantador e atencioso. —Você não é encantador. —Me diga isso sem sorrir. Tentei apagar o sorriso do meu rosto sem êxito. — Bem. Tem seus momentos. Estranhamente. Mas atencioso? Isso é um exagero. — Estou fazendo um show esta noite para a caridade. — Por favor! — Eu ri. — Tem motivos escondidos. — Ok, tem razão. Aceitar tocar esta noite foi egoísta, mas causei a fuga no sistema de caçadores para meu Grammy na semana passada. Tem que admitir que sou atencioso. — Me deu um olhar esperançoso. — E um pouco sexy.


Uma imagem de Kyle sem camisa, sujo e suado, usando uma pá, tudo para ajudar no seu Grammy entrou em minha cabeça. Era atencioso. E sexy. —Está sorrindo outra vez — disse Kyle, o que, para minha eterna moléstia, só conseguiu que meu sorriso crescesse mais. — Bem — concedi. — É mais como, dois por cento encantador e atencioso, e noventa e oito por cento arrogante e mulherengo. Não são as melhores percentagens, Kyle. —Se apaixonará por mim em uma semana. Revirei meus olhos. —Está bem, minha vez — disse Kyle. — Sabe o que você é? —Uma virgem? — adivinhei secamente. Kyle riu. — Isso também, mas ia dizer teimosa e franca. O que em seu caso, acho extremamente sexy. Uma das mãos de Kyle de repente foi descansar sobre minha coxa, enquanto a outra tirava a franja dos meus olhos. — Sai comigo depois do Show. O corpo do Kyle fazia essa coisa que empurrava a gravidade outra vez. Saltei do meu lugar, lutando contra uma onda de calafrios, e fui arrumar uma pilha de panfletos. — Não posso, sinto muito. — Tentei parecer indiferente ante sua oferta.


— Tenho que ficar até o final do festival e então tenho que me ocupar do trabalho de limpeza. Senti um dedo que percorria para baixo em minhas costas, e a respiração de Kyle em meu pescoço. Saltei quando notei seus lábios em minha pele. —Vamos sair depois disso, então — disse baixando a voz. Virei, mas ele não recuou. Plantou suas mãos em cada um dos meus lados, me prendendo contra ele. Tive que me afastar para que seus lábios não me tocassem que quase perdi meu equilíbrio. Me apressei a romper o momento porque o olhar de Kyle conseguia fazer coisas divertidas em meu interior. Minha mão agarrou a uma pulseira e coloquei contra seu rosto. Era uma simples correia de couro com um pequeno brilhante A pendurando. Perfeito. —Aqui. Por que não a tem, Kyle? Não precisa de nenhuma doação. Confie em mim, você precisa. Kyle pegou a pulseira e a examinou por um momento enquanto, de alguma forma, continuava me espremendo contra o balcão. — Bonito — disse depois de acariciar o colar que eu usava. — Mas quero este. Sabia que se referia a minha virgindade e não realmente ao pingente, mas não pude evitar o modo que respondi. — Bem Kyle. — Engoli a seco.


— É divertido e tudo, mas acredito que a hora do jogo terminou. Acho que você deve sair. — E eu acho que quer me beijar. Tentei esconder o fato que meu pulso se acelerou. Odiava como meu corpo queria coisas que minha mente não. Odiava como inclusive meu cérebro estava começando a esquecer do que queria. Rezei para que ele não pudesse ler a verdade em minha cara. — Isso é porque é um arrogante — eu disse. Os lábios de Kyle se curvaram para formar um meio sorriso. — Não esqueça mulherengo. Como se o título fosse correto, moveu suas mãos do balcão para meus quadris. Dei um grito abafado quando uma de suas mãos agarrou minha bunda e então penetrou no bolso traseiro de meu jeans. Golpeei seu peito com força e o empurrei de novo até que se afastou. —Relaxe, Virgem Val. — riu e agitou meu telefone em minha cara. Tinha pego de meu bolso. Eu bati nele para ter certeza. — Você é um idiota! Kyle me ignorou e programou seu número em meu telefone. — Me ligue quando terminar esta noite. —Ah! Não acredito.


—Bem, te ligarei então. — Utilizou meu telefone para ligar para si mesmo, efetivamente roubando meu número. —Não atenderei. —Sorria bonita — disse e tirou uma foto minha com seu telefone. Tenho certeza que a cara que agora sairia no telefone do Kyle quando ligasse, embora nunca fosse ligar, não era nenhum sorriso, nem bonita. — Olá meninos — Cara agora estava de volta com Shane, e ambos nos observavam. — Já vejo a que você se refere — disse Shane a Cara. Nem queria saber. — Como vai tudo por aqui? — perguntou Cara, rindo. — Fantástico — disse Kyle. — Val e eu temos um encontro quente esta noite. — Não, ele praticamente abusou de mim! Kyle zombou. — Seria sábio para você ir agora, Romeo — disse Cara, me segurando como se estivesse preocupada que eu fosse bater nele. Desde que isso era exatamente o que eu pensava fazer. — Em frente ao centro esta noite — exigiu enquanto se afastava. — Estarei esperando por você.


A canção Duas horas mais tarde, quando a banda estava a ponto de começar, Cara ainda tentava me convencer a ir ao show. — Por favor! — reclamou uma e outra vez. — Poderia vir e mostrar seu dedo médio ou algo assim. —Ele tomaria como um convite. —Então vem e finja dormir durante o show. Isso o aborreceria. Era tentador, mas aborreceria mais se não aparecesse. —Vai você. Tenha um montão de diversão flertando com Shane. Vou estar bem aqui. —Não quero ir sozinha. —Não vai estar sozinha. Seu namorado vai estar no palco a poucos metros de você. Revirou os olhos, mas não conseguia conter o sorriso torto. —Alguém tem que ficar aqui e cuidar da barraca de todos os modos — continuei. Franziu a testa. Todas as barracas foram abandonadas há um tempo. Todo mundo estava no campo de futebol


esperando o show começar. Foi então quando a multidão rugiu e ouvimos Kyle começar seu falso discurso sobre se sentir grato por estar de volta a sua antiga escola fazendo um show por uma boa causa. —Muito bem! — espetou Cara e logo marchou sem mim. —Wow, ela está realmente infeliz com alguma coisa — riu uma voz atrás de mim. Eu me virei para ver Lacy e Devon e um montão dos meninos mais populares da escola, incluindo o Isaac. — Meninos, estão atrasados para o show — disse surpresa de vê-los. — As garotas e o banheiro — se queixou Devon. — Disse que não deveríamos ter esperado por elas. — Nem estão tocando ainda — replicou Olivia. Mas justo quando disse isso, a música atravessou o ar. Me surpreendi ao escutá-los começar com sua canção mais popular, a que tocaram na rádio. Teria pensado que a economizariam para o final. — Oh, eu adoro esta música! — disse Lacy arrastando Devon a toda velocidade. — Vamos meninos, vamos! Val, você não vai vir? Quer se sentar com a gente? Fiquei aniquilada pelo convite. O círculo de amigos de Isaac estava um passo ou dois acima de mim no status social. Estavam um passo acima de todos. A ideia de ver o show com o Isaac era quase tentadora o suficiente para ir, mas Cara teria


me matado se fosse com alguém depois de negar em ir com ela, por isso disse: — Oh não, obrigada. Se apressem ou perderão tudo. Agitaram um adeus e logo saíram correndo. Comecei a empacotar minhas coisas outra vez e não me dei conta de que Isaac não foi com seus amigos até que disse: — Não vai? —Não. —Não é uma fã do Tralse? —Não sou fã do Kyle Hamilton. —Sério? — Isaac não pôde esconder sua surpresa. — O vi falando com você antes. Parecia que se conheciam bem. — Ele queria — grunhi e o aborrecimento apareceu de novo em minha voz. Isaac começou a rir e logo se meteu em minha cabine e se sentou na cadeira de Cara. —Vai perder o show. — Não pude evitar gaguejar. —Posso ouvir muito bem daqui. — Isaac olhou para mim. — A menos que você queira que eu vá. —Não, pode ficar. Posso não ser uma fã de Kyle, mas definitivamente sou uma fã de companhia. —Genial. Genial. Isso era um eufemismo. Isaac Warren abandonou seus amigos e perdeu o show do Tralse para me fazer companhia.


Conversamos por todo o show e era tão perfeito como sua reputação. Era quase suficiente para perdoar ao Zach por me deixar. De fato, era o céu na terra até que a multidão se calou, e a voz do Kyle soou alta e clara por toda área. —Pensei em terminar o show dessa noite com uma nova canção, já que é inspirada em uma de vocês. Eu a chamo de Verdadeira Lástima. — Um momento em silêncio e logo, em uma risada quase com raiva gritou: — Segura esta Virgem Val! Um! Dois! Três! Quatro! A banda gemeu uma breve introdução e logo Kyle começou a cantar. Ela está fumando corações com chamas ardentes Tem um lado selvagem sem nome E quando está irritada, é uma Verdadeira Lástima Sim! Sim! Sim! Eu entendi errado Sim! Sim! Sim! Estou ficando louco Porque em sua cabeça já está claro Não vá à cama sem lutar Pensa que é sábia, pensa que o demonstra Assim se mostrar para mim, sábia sem essa roupa Isaac levantou uma sobrancelha para mim, mas não podia nem dar de ombros. Estava congelada. Meu coração parou. Tudo parou.


Está jogando duro, e não é nada novo Saias curtas para desfrutar da vista É uma completa provocadora de sangue-frio, baby Sim! Sim! Sim! Eu entendi errado Sim! Sim! Sim! Estou ficando louco Porque em sua cabeça já está claro Não vá à cama sem lutar Pensa que é sábia, pensa que o demonstra Assim se mostrar para mim, sábia sem essa roupa Vamos Pernas não desprezes Eu poderia ser sua única graça salvadora Coloque os costumes em segundo plano Algo me diz que você é uma rápida, rápida aprendiz. Enquanto escutava o coro me provocar uma e outra vez até que a música chegou a um final climático, de algum jeito me lembrei de respirar. Cara diz que não sou fã de música como ela, porque nunca tive uma música verdadeiramente balançando meu mundo. Diz que as músicas são como almas gêmeas. Que há muitas por aí que pode pensar que você ama, mas então ouve uma música que está querendo saber cada vez mais. A música


que rompe qualquer noção anterior que tinha sobre o seu favorito e você muda sua forma de ver a música. Bom, sem dúvida a música de Kyle balançou meu mundo interno. E mais que definitivamente mudou minha forma de ver a música. Mas essa eufórica felicidade que Cara diz que é suposto sentir quando você muda com uma música? Sim... Nem tanto. A música de Kyle era justamente o contrário da felicidade eufórica. E Kyle, eu tenho certeza, era o oposto da minha alma gêmea. Estava equivocada a respeito de que Olivia ser a reencarnação do mal. Kyle era muito mais maldito. A multidão seguia animada após o fim da música. — Oi, você está bem? —Oh! — Saí de meu torpor. Tinha me esquecido de Isaac. — Estou bem, só vou matá-lo. —Ei, não deixe que te afete. —É fácil para você dizer. Não foi você que foi insultada. Isaac começou a rir, mas não teve a oportunidade de responder por que seus amigos retornaram. — Aí está! — disse Stephanie DeWitt. Stephanie é bonita, é obvio. E boa. Seria minha principal concorrente se estivesse realmente na corrida pelo afeto de Isaac, não que fosse uma grande concorrência. Meu coração afundou quando ela deu a mão a ele e permitiu levantá-lo. — Pode acreditar Valerie? Kyle Hamilton escreveu uma música para você! Isso é incrível!


— Incrível — concordei pela metade. Era mais fácil que explicar como me sentia. —Wou, você tem muita sorte — disse com uma espécie de suspiro. — Você vai sair com ele? — Assim posso me mostrar sábia sem minha roupa? — eu ri. — Eu passo. Além disso, se bem me lembro, ele vai sair com Olivia esta noite. Todo mundo olhou para Olivia, que estava de pé na parte traseira do grupo, claramente decepcionada pela nova música de Kyle. Sorri com tanta falsa sinceridade como pude e disse: — Não queria pegar seu homem. Parece um pouco perfeito para você. Fazia pouco do meu sarcasmo porque seu rosto se animou como se estivesse tocada por minha preocupação. — Obrigada Val — disse em seu gemido asquerosamente doce. — Tinha medo que estivesse irritada quando me convidou para sair esta noite no seu lugar. Voltei a pensar em um par de horas antes, quando me pediu para sair esta noite. Tinha a sensação de que Olivia ia continuar de pé. Era tão difícil não rir em sua cara, sobre tudo quando vi a forma em que Isaac reprimia um sorriso também. — Oh, não. — disse.


— É obvio que não estou irritada por isso. Kyle e eu nunca iríamos funcionar. Quero dizer, poderia ver o menino mau, estrela de rock saindo com a Virgem Val? — Oh! Isso me lembra — disse Stephanie interrompendo a conversa. — Não tive a oportunidade de passar por sua barraca antes. É muito tarde? — Quer comprar algo? — perguntei tão surpresa como estive cada vez que alguém comprava algo. —Sim! O colar do Lacy é tão lindo e acredito que o que está fazendo é muito grande. — Sério? — É claro! As garotas precisam se defender com mais frequência. Estou um pouco no feminismo, sabe? Vou me especializar em artes liberais. —Isso é bom. —Então é isso. O que está fazendo realmente poderia ajudar o movimento feminista, Val. Estava um pouco afligida pela energia de Stephanie. Tropecei com minhas palavras, enquanto perguntei: — Há um movimento feminista? —Oh, sim! Pertenço à Organização Nacional para a Mulher. Essa é a organização que estamos apoiando na barraca das animadoras. Deveria vir comigo na próxima reunião. Seria perfeita para ela. Precisamos de pessoas proativas. —Organizações feministas? — riu Mason Hewlett.


— É uma estranha, Steph. Mason era um dos maiores culpados por toda perseguição que recebi no último mês. — Cala a boca Mason — brincou Stephanie de novo. — Como se não fosse um estranho com suas vitaminas de proteína de amendoim e sanduiches de manteiga de banana todos os dias no almoço. —Sim, mas incentivar as pessoas a não ter relações sexuais? — argumentou Jeff McCormick. Estava na equipe de futebol. — Pelo menos Mason não está fazendo mal a ninguém com seus sanduiches ruins. —Com exceção das pessoas que têm que cheirar seu hálito — brincou Devon, fazendo que todo o grupo risse do pobre Mason. A única resposta de Mason foi um gesto muito grosseiro dirigido a Devon. Não fiz caso da guerra de insultos sem sentido e comecei a mostrar uns colares mais para Stephanie. — Então precisa de um colar de abstinência ou um colar virgem? — Oh. — Stephanie levantou a mão como se estivesse fazendo um juramento em um estrado. — Ainda sou virgem. Pelo menos até que encontre a pessoa correta. — Posso resolver isso para ti, Steph — ofereceu Mason.


Por que essa é sempre a primeira resposta dos meninos quando se descobrem que uma garota é virgem? Gostei de Stephanie um pouco mais depois de sua resposta, entretanto. — Continue sonhando — riu. Talvez eu não fosse uma pária social tão grande como pensava. — Oh, este é tão lindo! — disse Stephanie e entregou um pouco de dinheiro. Virou para Jeff e pediu que prendesse para ela. — Não vou tocar essa coisa! — gritou ele e saltou para trás. — Esta coisa de não sexo parece ser contagiosa. — Assinalou com um dedo acusador. — É possível que tenha feito de Isaac um coroinha Virgem Val — disse. — Mas não vai me pegar! Não vou terminar como Devon e me deixar apanhar por algum desafio de abstinência de merda. Mason riu e deu uma cotovelada Devon. — É tão dominado amigo — disse fazendo Devon o golpear. —Podemos ir agora? — falou Jeff. —Sim, sim — disse Stephanie depois de que Lacy terminou de colocar seu colar para ela. — Obrigada Val! E bom, digo sério a respeito da Organização de Mulheres. Se alguma vez quiser ir, me chame. —Farei — prometi.


Ainda não podia acreditar no que aconteceu. Foi como se me tivessem jogado da lista B para lista A. Para demonstrá-lo, antes que se afastassem Lacy disse: — Ouça Val, estamos indo ao Ruby's on the Pier3. Quer vir? — O resto do grupo, interveio a animando. —Sim — disse Isaac. Estava tão calado durante a conversa que quase me esqueci dele. — Deveria sair daqui antes que Kyle te pergunte o que pensa de sua música. Estava tão surpresa pela oferta que não fui capaz de formar qualquer tipo de resposta. — Vamos, te comprarei uma vitamina — disse Isaac e me estendeu a mão. Onde estava Cara quando precisava? Isaac Warren estava basicamente me pedindo um encontro! Não só precisava que minha melhor amiga me beliscasse. Precisava que ficasse na barraca para poder aceitar a oferta. Mas se conhecia Cara, não ia voltar para mim esta noite. Não só estava chateada porque não fui sentar na primeira fila com ela, como também o homem de seus sonhos esteve perguntando por ela. Provavelmente estava caminho a Las Vegas para se casar neste momento. —Eu gostaria — disse. — Mas tenho que ficar até o final da noite. Tenho que manter a difusão da enfermidade virgem — brinquei com Jeff. 3

Restaurante familiar em Huntington Beach.


— Que pena — disse Stephanie, e parecia decepcionada. — Da próxima vez — disse Isaac com uma inclinação de cabeça. — Nos vemos logo Val. Quem

teria

imaginado

que

os

meninos

populares

poderiam ser tão exaustivos? Tive que voltar a me sentar de novo depois de que se foram, mas não tive a oportunidade de descansar por muito tempo, porque a música de Kyle me deixou meio conhecida. As pessoas vinham me cumprimentar, e me perguntavam como conhecia Kyle. Perguntavam se fomos namorados. Muitas dessas

pessoas

compraram

joias,

embora

não

sei

se

planejassem usar ou não. Terminei vendendo tudo essa noite, e consegui quase mil dólares para a Fundação — Nem Todos Estão Fazendo—. Sim, estava chateada pela música, mas tinha que admitir que tive vantagem com a fama que Kyle depositou em mim. Pelo menos podia desfrutar da ironia no fato de que ao final da noite Kyle foi indiretamente, o maior defensor da minha causa. Teria que agradecer se alguma vez o visse de novo.


Novas notícias Depois do Festival de Outono, Eric e eu não estávamos prontos para ir para casa, então fomos a uma cafeteria local. —Pelo muito bem-sucedido Festival de Outono — brindou enquanto sustentava no alto seu chocolate quente. Tralse, foi no Festival de Outono o mais bem-sucedido na história da Preparatória Huntington. Sendo o presidente e a vice-presidente do conselho estudantil, Eric e eu fomos os primeiros a chegar às oito da manhã nesse dia, e os últimos a sair às onze da noite. Depois de quatorze horas e meia, decidimos ir ao Starbucks para relaxar. Depois de organizar, desabamos em um acolhedor sofá e estava certa de que não seria capaz de me mover outra vez. — Por ter terminado — eu disse apenas capaz de sustentar minha cidra de maçã caramelada.


—Amém por isso. A parte positiva, o resto do ano deve ser um pouco menos estressante. —Não esqueça que ainda temos que nos preocupar com o baile de graduação do último ano. Eric resmungou muito cansado para pensar nisso. —Não podemos delegar isso a Olivia e a Cara? —Claro, se quisermos um assassinato em nossas mãos. —Sei — suspirou. — Suponho que é por isso que as pessoas nos escolheram. —Sim — suspirei também. — Fazemos uma boa equipe. —Mas bem à frente graças a você. Este festival foi todo seu Val. —Do que você está falando? Fez o dobro de trabalho que eu fiz. —Sim, mas entre sua barraca e conseguir que Tralse tocasse, a maior parte do dinheiro que ganhamos, devemos a você. —Oh não, lavo minha mãos com o do Tralse, isso foi coisa de Cara. —Isso não foi o que escutei. Grunhi para o tom brincalhão na voz de Eric. Sabia aonde queria chegar e mesmo assim não perguntei o que ouviu, mas de todos os modos ainda me disse.


— Cara disse que foi a única razão pela qual a banda aceitou fazer o show — sondou. Segui sem dizer nada, então continuou: — Os conheci depois e tinha um vocalista bastante infeliz. Seguia balbuciando a respeito de ser um esforço em vão. —Bem. —Não é seu tipo então? Respondi a sua pergunta com um olhar e riu de mim. —Era uma música pegajosa — disse. Esfreguei os olhos e me afundei no sofá. —Este foi o mês mais comprido da minha vida. —Bom — disse Eric, tomando seu chocolate de novo — é como disse, já acabou. Oh, olhe! Tirei as mãos dos olhos para ver do que falava e percebi a televisão no canto da sala. Eram onze em ponto e a KTLA falava sobre o festival. —Podemos aumentar o volume? — perguntou Eric e depois de que disseram que sim, levantou e começou a mexer no volume.


Observei as imagens de rostos familiares na tela enquanto a repórter fazia pergunta a distintos encarregados das barracas; a equipe de televisão passou por mim nesse dia. Cara tinha se apresentado com todo o porte e graça de uma verdadeira diva de Hollywood quando nos entrevistaram, enquanto isso, eu me ruborizava uma e outra vez enquanto titubeava em minha explicação sobre o desafio de abstinência. —Mas a verdadeira história desta noite — dizia a voz na televisão quando Eric finalmente encontrou o botão do volume — é a do vocalista da banda Tralse. Cortaram a um fragmento de Kyle soltando mentiras sobre estar feliz por estar em casa e de poder ajudar em tão boa causa. —Tralse, cujo álbum de estreia recebeu status de platina graças a seu Hit “Broken Passion”4, surpreendeu à multidão com seu primeiro tema em três anos. A música causou comoção quando Kyle admitiu que compôs para uma das estudantes daqui. — Oh não — Eric murmurou, se unindo a mim no sofá. — Isto não pode ser bom. Era certa, uma imagem de Kyle gritando “Segura essa Virgem Val” encheu a tela.

4

Broken Passion: Discussão dos Anjos


Caí em transe, concentrada por completo na televisão enquanto olhava o que antes só tinha escutado. A música era pior quando estava emparelhada com a linguagem corporal e as expressões faciais de Kyle. Voltei para a realidade com um sobressalto quando Eric chiou: —Ai, Ai! Val! Suas unhas! —Sinto muito! — gemi enquanto devolvia sua mão. Não me dei conta que a agarrei, muito menos que cravei minhas unhas. —Não é tão ruim — disse Eric, se referindo à reportagem, tentando me dar coragem. Me olhou de lado, porque no momento em que disse, o rosto do Kyle foi substituído pelo meu, e a voz da repórter começou de novo: —A Vice-presidente da escola Huntington, Valerie Jensen, conhecida entre seus amigos como Virgem Val, não só capturou a atenção do Kyle Hamilton, mas sim também arrecadou perto de mil dólares com sua controvérsia joalheria. A tela fez um corte para mim segurando duas pulseiras: —O V é para Virgem, o A de Abstinência — expliquei à câmera.


Na televisão estava sorrindo, mas a única coisa que podia fazer agora era esconder o rosto entre as mãos. —Segundo um amigo próximo — continuou a repórter brutalmente

o

namorado

de

Valerie

terminou

seu

relacionamento pela decisão dela de permanecer virgem até o casamento. Como resultado, isto a levou a tomar uma atitude contra adolescentes fazendo sexo. —Há muita pressão nos adolescentes para se tornarem pessoas sexualmente ativas — me escutei dizer. — Não digo que todo mundo precisa seguir meu exemplo e esperar até o casamento; só digo que não deveriam se envergonhar

ou

ter

medo

de

admitir

que

não

estejam

preparadas para o sexo. As pessoas precisam saber que nem todo mundo está fazendo. Olhei às escondidas bem a tempo de ver o sorriso da repórter enchendo a tela. — “Nem todo mundo está fazendo”, é correto. Na verdade, esse é o nome da fundação que Valerie está doando todos os seus lucros. Se quiser saber mais sobre a busca de Valerie por uma América com adolescentes orgulhosos-de-ser-livres-desexo, o site na Web é veparavirgem.com; e se perdeu a música inspirada por ela, não se preocupe, tenho o pressentimento de que a escutaremos muito frequentemente a partir de agora.


Por sorte a cena retornou aos comentaristas do estúdio e passou uma história sobre um tiroteio em Echo Park. Fiquei ali sentada, contemplando a cidra de maçã em minha

mão,

incapaz

de

bebê-la.

Era

um

sentimento

entristecedor que minha vida sexual fosse tema do noticiário das onze. Agora já não era só a Virgem Val para os meninos da escola; graças a essa repórter, eu era a Virgem Val de toda a Área Metropolitana de Los Angeles e provavelmente de todo o sul da Califórnia. Quando pude superar o choque e encontrar o olhar de Eric, ele já sorria. —Parece que o departamento de jornalismo perdeu essa. —Seu sorriso se tornou malvado. — Bethany ficará muito zangada. Não queria sorrir, não estava de humor, mas não pude evitar. Eric era capaz de me animar e me fazer rir sobre toda esta situação. Não era novidade para ninguém na escola, e agora Los Angeles viu a história? Um tiroteio em Echo Park era mais excitante que eu, assim provavelmente já estava esquecida. Ao menos isso foi o que eu disse a Eric antes de me deixar em casa essa noite, e admito, fui para cama acreditando que tinha razão.


Meus quinze minutos de fama aconteceram e realmente não foram tão ruins assim. Exceto que meus quinze minutos eram só o começo. Começou com correio eletrônico. Meu e-mail foi inundado da noite para o dia com notas de todos aqueles que conheciam e que tinham meu endereço, me dizendo que viram as notícias e que amaram a música e que eu era ótima e afortunada. A coisa do e-mail não me surpreendeu, mas nesse dia mais tarde, Robin me seguiu até o trabalho com notícias que me deixaram sem resposta. Estava sentada atrás do balcão com Margaret, esboçando alguns desenhos para a linha de joalheria da V é para virgem, não por que tivesse planos de me colocar no negócio, era outro dia incrivelmente lento na loja. —Esse é lindo — disse Margaret com entusiasmo. — É tão simples e ao mesmo tempo elegante. Você tem talento para estas coisas. —Seria divertido ter minha própria linha de joias algum dia. —Não tenho dúvidas de que algum dia terá. Fugirá para Nova York e se tornará uma importante designer e se esquecerá da velha Margaret.


—Nunca! — ofeguei. — Venderei exclusivamente através de sua loja e te farei famosa junto comigo. Deixaremos a Tiffany's fora do negócio. —Querida, é um acordo. Mostrava outros esboços a Margaret e tentava explicar toda a coisa da V é para Virgem; Margaret, como a maioria das pessoas mais velhas, janta às 16h30 e vai para a cama as 19h00, então perdeu minha estreia na televisão; quando Robin chegou com um laptop. —Olá! — eu disse, animada pela companhia. — Como soube que trabalho aqui? —Falei com sua mãe. — Deu uma olhada a Margaret enquanto colocava o computador sobre o balcão. — Tudo bem que eu tenha vindo? —Cara faz isso todo o tempo — sorri e adicionei: — da próxima vez me traga uma vitamina. —Hmm. — Robin parecia pensar sem interesse na coisa da vitamina. — Bom, talvez possamos ir comprar uma quando terminar de trabalhar. Espero que hoje não tenha planos porque temos um montão de coisas para fazer.


—Do que você está falando? —Aqui têm wi-fi? — perguntou Robin, ligando a máquina. —Uh, acredito que todo o centro comercial tenha. —Ótimo, estamos conectados. — Logo que podia conter seu entusiasmo empurrou o laptop para mim. — Olhe isto! Não tinha ideia do que via. —Hum... ótimo? Robin apontou para o gráfico em frente a mim e disse: — Oito mil visitas desde que ficou online! Isso tem que ser algum recorde! —Está falando do nosso site na Web? — perguntei. — veparavirgem.com? Robin assentiu. —Sim, entre as notícias de ontem à noite e as fãs do Tralse, V para Virgem foi lançado para às ligas maiores da noite para o dia! —As fãs do Tralse? — perguntei. Estava irritada só com a menção do nome da banda.


—Sim. Tralse postou vídeos de ontem à noite em seu site. As fãs estão loucas com a nova música. É obvio que estão falando da garota para a quem foi escrita. —Está bem, essa música não foi escrita para mim, foi sobre mim. —De qualquer maneira, é notícia na terra das fãs de Kyle Hamilton. —Genial — grunhi. — Só posso imaginar que tipo de coisas dizem sobre a Virgem Val essas garotas obcecadas com Kyle. Robin fez uma careta. —Oh sim, essa é outra coisa que teremos que fazer hoje. —O que? —Vamos ter que trocar o formato do site porque a seção que criamos para que as pessoas falem de suas experiências está cheio de comentários deixados por fãs ciumentas. Estou pensando que a maneira mais fácil seria criar algum tipo de fórum para que possamos manter todo o bate-papo separado das respostas e do desafio de abstinência. Oh! E teremos que pôr algum filtro de palavrões o quanto antes possível! —Filtro de palavrões? — repeti em choque.


—As fãs podem ser bastante vulgares — disse Robin de maneira prática. — Estive apagando mensagens de manhã, mas não há nenhuma maneira de que você possa manter. —Por que eles estão interessados? Não é como se Kyle e eu estejamos saindo nem nada. —Está brincando? — Robin riu. Não queria parecer estúpida com todas essas perguntas, mas estava difícil compreender tudo. Quando Robin se encolheu de novo, tentei me preparar para o que a fez empalidecer, porque não podia ser boa notícia. —Não viu o site Web do Tralse hoje — disse como uma declaração, não uma pergunta. Sem adicionar uma palavra a mais, aparentemente não havia nada que explicasse o horror a seguir, Robin navegou pelo site do Tralse. Além dos vídeos do show de ontem à noite, Kyle havia postado um novo blog. — “Dez razões pelas quais Virgem Val é irritante” — chiei. Um casal que passava em frente à loja olhou surpreso e mordi a língua para evitar soltar mais palavrões. Cliquei no blog. Não havia como não entrar.


“As Dez Razões Por que Virgem Val é irritante” 10. Me chamou de homem-de-um-só-sucesso. 9. Não aprecia o encantador apelido que lhe dei. 8. Me faz escrever em blogs estúpidos sobre ela às quatro da manhã. 7. Encoraja às pessoas a não fazer sexo. 6. Me expulsou quando a convidei para sair. 5. Está apaixonada por um idiota. 4. Não responde nenhuma de minhas ligações. 3. Gosta de flertar com essa política de olhe-mas-não-metoque. 2. Toquei um maldito show só para ela e nem veio quando disse que faria. (É uma mentirosa!). E a razão #1 de por que Virgem Val é uma irritante? Porque a desejo de todos os modos. Um minuto de silêncio completo passou enquanto eu ficava olhando fixamente a tela, piscando uma e outra vez esperando que a próxima vez que abrisse os olhos, o blog desaparecesse.


—De fato é bastante doce... — disse Robin. — Se você pensar. Meu

queixo,

completamente

solto,

bateu

no

chão

enquanto abria. —Doce? — Engasguei-me com a palavra. — VOU MATÁ-LO! Tirei meu telefone e com brutalidade digitei para Cara: Onde você está? Precisamos conversar AGORA! Não sabia nada dela desde o show de ontem, o qual me preocupava, mas é uma garota grande e não sou sua babá. —VOU MATÁ-LO! — chiei de novo. Surpreendi a Robin e a Margaret com essa segunda explosão, mas não pude evitar, nunca estive com tanta raiva em minha vida. Devia parecer que estava na beira do abismo como me sentia, porque Margaret deu uma tapinha em meu ombro e disse: — Valerie, querida, por que não faz um descanso por quinze minutos ou algo assim? Precisa tomar ar. —Sinto muito Margaret — suspirei, tentando recuperar as rédeas do meu temperamento. Não devia preocupá-la muito, é propensa a ataque cardíaco.


— Estou bem. —Tolice. Vai com sua amiga e relaxe um pouco. — Deu uma olhada à loja vazia e sorriu. — Estou certa de que posso arrumar isso sozinha até que você retorne. —Obrigada Margaret. Arrastei Robin para a cafeteria e ela continuou me atualizando de tudo enquanto eu pedia minha acostumada vitamina de laranja e junto, iogurte gelado. Estava com sorte, este menino, Reggie, estava trabalhando e com sua grande e pateta queda por mim, sempre põe um pouco de iogurte gelado de chocolate em minha vitamina quando seu chefe não está olhando. —Olá Valerie! — cantarolou enquanto entregava meu copo. Robin enrugou o nariz quando se deu conta do que via. —Isso é asqueroso. —Não critique até que tenha provado — disse. — Se não fosse bom, não fariam essas laranjas de chocolates no Natal.


Robin continuou franzindo a testa enquanto Reggie me devolvia o copo. Então ele assinalou à corda que pendurava orgulhosamente em seu avental. —Vê? — perguntou. — Por isso precisava de uma pulseira. Ontem Reggie passou por minha cabine durante o festival e comprou uma pulseira branca. Tinha perguntado sobre sua escolha e havia me dito que fosse vê-lo no trabalho. Tinha a pulseira ao redor de uma das tiras do avental. As contas brancas contrastavam perfeitamente contra o material negro. Todos na cafeteria podiam ver que ele ainda era virgem, embora não estivessem surpresos com isso. —Estive explicando às pessoas o dia todo! —Isso é ótimo Reggie. Comecei a ir embora, conseguir chocolate grátis para minha vitamina é uma coisa, mas não preciso que pense que me levará ao baile de graduação, então me chamou de novo. —Valerie, se tiver mais cópias dos folhetos de ontem, pode deixá-los no balcão. Ficaria feliz em distribuir. —Isso é realmente doce, obrigada, mas acabaram. Tenho que retornar ao trabalho agora. Até mais.


—Parece que alguém tem um fã-clube— disse Robin enquanto retornávamos à loja. —Sim, esse é Reggie. Me sinto um pouco mal por utilizar o pobre menino para iogurte grátis, mas não é que esteja sendo extra amável nem nada, ele simplesmente me oferece isso. —Não estou falando do menino do iogurte — disse, assinalando para o interior da loja. À primeira vista tudo o que via era um grupo de pessoas, e me senti mal por deixar Margaret sozinha. Não é que não soubesse como fazer seu trabalho, mas sim porque me paga mesmo que não precise de ajuda, ao menos deveria fazer o trabalho. Quando há. As pessoas na loja não estavam ali para comprar ouro. Quando me aproximei, pude ver a equipe e as câmeras a seus pés. Também localizavam grandes luzes e um desses microfones que sustentam sobre a cabeça. Tudo dizia KTLA Eyewitness news. —Eu me pergunto por que estão de volta — sussurrou Robin quando entramos, não tive tempo de imitar sua pergunta. —Oh, aqui está! — aclamou Margaret. Sorria tão orgulhosa como se tratasse de sua própria neta.


— Valerie! Estas agradáveis pessoas querem fazer uma história sobre você.


A entrevista Olá, Valerie! —Hum, olá? —Você vai ter que falar quando a câmera estiver rodando, querida. Com confiança e de pé com as costas reta. O traje está bom, mas temos que fazer algo com esse cabelo. —O que tem o meu cabelo? — Não estava apreciando a atitude desta mulher. —Está bem — me assegurou a repórter. — Mas a câmera não será amável com seu rosto se você mantiver seu cabelo emoldurado dessa maneira, confie em mim. Você vai olhar tão redonda como um botão. Tem uma presilha? Precisamos ver as maçãs do seu rosto. Margaret tirava um joalheiro repleto de presilhas para o cabelo antes que tivesse tempo de responder.


—Tem um pouco de maquiagem em sua bolsa? Você pode ter que fazer um retoque — continuou a repórter. —Uh... Talvez? —Tente não usar as palavras "uh" e "hum" quando estivermos gravando. A mulher estendeu a mão para endireitar a gola da minha camisa e finalmente explodi. —Por que não sai do meu espaço pessoal e me dá uma pausa de cinco minutos? — espetei. A mulher parecia totalmente desconcertada. Jornalistas. Se Eric estivesse aqui estaria revirando os olhos comigo. Robin, entretanto, estava muito emocionada com tudo. —Agora, vamos tentar de novo — eu disse. — Quer me entrevistar? A mulher assentiu. Ainda parecia um pouco confusa pela forma que executava a conversa. —Está bem. Então por que não pergunta se quero? Se certifique de dizer, por favor. Então, talvez eu aceite. A mulher parecia ainda mais surpresa, mas seu cenho se transformou em um sorriso agradecido.


—Eu gosto de seu estilo — disse e logo estendeu sua mão para mim. —Destiny Williams. Do KTLA notícias da testemunha presencial. Eu gostaria muito de fazer uma entrevista com você, Valerie. Levantei minha sobrancelha para ela. —Por favor? — perguntou com um sorriso. —E qual seria o tema desta entrevista? Minha pergunta a confundiu. — Você, é obvio. —Quer dizer minha campanha V para Virgem? —Sim, e as joias, e o site... A forma como sua voz foi sumindo me fez suspeitar. —E Kyle Hamilton e sua nova música sobre mim? Destiny ruborizou. Estava tão apanhada. —Não tenho nenhum comentário — eu disse e fui para trás do balcão. —Está bem, está bem, nenhum Kyle Hamilton.


Olhei fixamente. — Ou algo a ver com o Tralse. — Ou algo a ver com o Tralse — repetiu, embora claramente não parecesse contente com isso. — Prometo isso. Olhei para cima a Robin, que assentiu com entusiasmo. Quinze minutos depois, Destiny da KTLA News manteve sua palavra e não mencionou uma palavra sobre o Tralse ou sua nova música estúpida ou Kyle e seu impressionante blog. Aposto que ela não sabia de nada ou não teria prometido. Ugh queria matá-lo por isso. Não falaria do Kyle, mas disse a respeito do Zach quando perguntou. —Não foi inteiramente sua culpa — expliquei. Surpreendi a mim mesma quando o defendi. — Nunca menti para ele, mas não foi fácil. O peguei de surpresa

e

acredito

que

realmente

machuquei

seus

sentimentos. É que sempre estive muito assustada para dizer a verdade. Se soubesse desde o começo que não ia ter relações sexuais, talvez as coisas tivessem sido diferentes.


Parecia otimista, mas como Zach se conectou com Olivia Lewis cerca de cinco segundos depois de me deixar, tinha minhas dúvidas. —Mas esse é meu motivo inteiro — eu disse. — Se eu não tivesse estado tão segura da minha decisão durante tanto tempo, poderia ter dado o que queria só porque estava muito assustada para dizer a verdade. Acontece com as pessoas todo o tempo. Aí foi quando eu disse sobre o vídeo do You Tube e todos os comentários. Foram os comentários que me inspiraram de todo modo, não Zach. Então expliquei o meu posto no festival e como as pessoas realmente pareciam responder. Inclusive falei de Reggie que destacava usando uma pulseira de virgem, e disse que devia entrevistá-lo já que parecia tão emocionado que queria gritar aos quatro ventos. A entrevista foi mais ou menos como a festa exceto que era mais em profundidade. Então, no final me perguntou como me sentia pelo dinheiro que ganhei e toda a atenção da mídia que recebia. —Estou surpresa — eu disse.


— Tudo isto é muito grande. Só queria provar um ponto aos meninos da escola que estiveram rindo de mim. Tinha a esperança de poder tornar mais fácil para qualquer pessoa que pudesse estar em minha posição. Nunca imaginei que iria além das paredes da escola Huntington. Podia fazer sem as entrevistas de televisão, mas acredito que é importante, e me alegro de que tantas pessoas se interessaram. À medida que Destiny concluía sua entrevista me fez uma última pergunta. Uma que definitivamente não estava esperando. — Então, onde se pode conseguir mais de suas joias V para Virgem? — perguntou ela, apontando para o colar. —O que quer dizer? —Depois de nossa transmissão de ontem à noite, nossa estação foi um fervedouro de chamadas telefônicas e e-mails dos espectadores que querem saber onde podem conseguir seu próprio colar V para Virgem. —Sério? Tinha me tornado em uma idiota gaga de novo porque simplesmente

não podia acreditar. As pessoas nem me

conhecem, não sabem o que aconteceu, e não tinham ideia de quão genial era Isaac Warren ou Devon e Lacy que tentavam o desafio de abstinência e ainda queriam as joias? —Aceita Virgem Val, você é um grande sucesso!


Esse comentário foi se aproximando perigosamente do tema de Kyle. Destiny compreendeu o olhar gelado que dava. Suspirou e continuou com um tema seguro. —Então, como é? Onde podem conseguir a pulseira de V para Virgem? Neguei com a cabeça, a ponto de dizer que não tinha mais, que esgotaram no festival, mas Margaret interveio e pôs seu braço ao redor de mim. —Estamos trabalhando nisso — disse à jornalista. Olhei para ela e me deu uma piscada rápida. — Valerie sempre quis iniciar sua própria linha de joias. Tem um montão de esboços já formados. Logo que as joias estiverem prontas, vai estar à venda aqui na loja. —Através da página na Web! — Robin seguiu jogando. — Neste momento estamos redesenhando o site para lidar com a quantidade inesperada de tráfego que recebemos. O novo site estará disponível em uns dias e terão mais informação sobre a linha de joias de V para Virgem. Olhei para trás e para frente entre o Margaret e Robin e logo depois voltei de novo a Destiny, que parecia estar esperando que eu dissesse algo. Encolhi os ombros com impotência. —O que elas disseram. —Ótimo! Assim que a equipe da KTLA News empacotou suas coisas e se foram, voltei para a Margaret.


—Do que você está falando? Não estamos começando uma linha de joias. —Bom, por que não querida? Parece que você já tem um mercado preparado e esperando para comprar. Vou fazer uma chamada a alguns de meus fornecedores no micro centro do distrito de joias. Estou certa de que alguém estará disposto a fazer pelo menos um lote de amostra. —Isto é tão emocionante! — gritou Robin. — Val, temos tanta coisa para fazer! —Mas não podemos fazer isto. Não é de verdade. Quero dizer que não se pode começar a vender coisas online. Existem leis. Tem que começar seu próprio negócio e essas coisas. —Podemos solucionar tudo querida — insistiu Margaret. — Já tenho um negócio. Não pode ser tão difícil configurá-lo para que você possa vender coisas online. —Mas... —Val — disse Robin outra vez. — Com toda esta publicidade gratuita? Você não pode deixar passar uma oportunidade como esta. Poderia ser uma designer de joias reais. Disse que queria fazer uma mudança. Pensa em quanto você poderia fazer. Os meninos de todo o país estariam levando as joias. Inclusive poderia ainda doar uma


porcentagem grande dos lucros para a Fundação nem todos estão fazendo. Tanto Robin como Margaret me olhavam com olhos suplicantes. Como eu poderia recusar? Não

é

que

eu

não

quisesse

fazer,

parecia

muito

emocionante, mas estava tudo simplesmente acontecendo muito rápido. Senti como se minha cabeça rodopiasse. Sabia que se fizesse de algum jeito minha vida ia mudar, mas claro, já não tinha mudado? Entrevistas de televisão de noticiários, cantores de rock escrevendo músicas sobre mim... Isaac Warren se oferecendo para comprar vitaminas! Embora fizesse V para Virgem como agora, as coisas seriam bem diferentes. Também posso conseguir minha própria linha de joias a partir daí. —De verdade acredita que podemos conseguir alguém para fazer meus projetos? — perguntei a Margaret. —Será melhor — disse olhando ao redor de sua loja vazia. — Do contrário, como vamos tirar a Tiffany´s do negócio? —Está bem — cedi. — Vamos fazer uma tentativa.


Começamos a trabalhar imediatamente. Margaret deixou Robin ter sua cadeira atrás do balcão e foi para seu escritório na parte de trás para começar a fazer chamadas telefônicas a todas suas conexões de joias. Sentei com Robin repassando os detalhes de nosso site, de vez em quando me levantava para ajudar a qualquer comprador que entrasse na loja com um presente de aniversário. Robin me falou a respeito de todos os comentários dos fãs ciumentos do Tralse, assim não foi uma surpresa, mas não me disse sobre o resto. —O que é isto? — perguntei pela enésima vez essa tarde. —Lembra que colocamos "nos contate" na parte inferior da página? —Sim? —Bom, são todas as pessoas que sentiram a necessidade de se comunicar com a gente. —Mas esta caixa está cheia. —Eu sei! Tentei dar uma olhada antes, mas não cheguei muito longe. Parece que em sua maioria são e-mails de pessoas que querem comprar as joias, misturados com os fãs raivosos que querem ser seu novo melhor amigo. Inclusive havia um tipo que queria nos enviar seu CD de demonstração para dar a Kyle.


—Eu vou matá-lo — queixei para mim mesma. — Ouça — argumentou Robin, — tem um tipo de dívida com ele. Se não tivesse escrito essa canção, não teria saído no noticiário das onze na noite passada e Devon e Lacy seguiriam sendo as únicas pessoas que se inscreveram no desafio de abstinência. Encolhi os ombros. Relutante. — Acredito que vou ter que agradecer a ele e logo depois matá-lo. — Algo me ocorreu então. — Havia dito que alguém mais junto a Devon e Lacy assinou o desafio de abstinência? Robin sorriu para mim, e em seguida clicou na página do desafio. —Treze pessoas a menos estão tendo sexo no mundo hoje. Quatro dos quais dizem ser homens. —Oscar: O abstinente Resmungão? — Ri quando li a lista de nomes da tela. —Leia sua primeira entrada — riu Robin. — Não está muito feliz, mas sua namorada se registrou, por isso disse, já que não está fazendo nada de todos os modos, pode também assinar para que possa reclamar para o público.


—Pelo menos não a deixou. — Marque um ponto para ele. Passei por muitos mais comentários e Robin tinha razão. Noventa por cento eram comentários a respeito de que eu não mereço alguém como Kyle Hamilton. Ao que parece, quebrei seu coração e isso me faz a maior... Bom, eu tenho certeza que você pode imaginar. O que naturalmente, é claro, é ridículo porque Kyle Hamilton não parece ter um coração. Só hormônios. —Oh, olhe — eu disse notando um comentário em particular. —É Lacrosse4life. Lacrosse4life: Isto é ótimo de você Val. Eu gostaria de ter seu tipo de coragem. Esperemos que algum dia seja capaz de sair do armário da minha virgindade. Um virgem no armário. Bonito. Pobre menino. Tem razão, nós garotas podemos ter em campo aberto, mas ele deve ter sido mil vezes pior. —Deveríamos ter uma seção especial do fórum só para meninos — eu disse. — Parece que você precisa de um grupo de apoio.


—Essa é uma boa ideia, mas esse pobre provavelmente continuará sendo um exército de um. —Sim — suspirei. — Triste. —Falando de acrescentar coisas ao site, o que acha de fazer uma seção de "como tudo começou". Eu gostaria de adicionar o link do vídeo do You Tube a nossa página. —Quer pôr essa monstruosidade na página? —Ouça — disse Robin, contendo a risada. — Foi um espetáculo muito impressionante, Val. — Então, mais a sério, disse: — Esse vídeo é o que desencadeia toda a conversa. As pessoas gostam de ver que literalmente se levantou por si mesma. Se levantar da mesa assim... É como a Joana d’Arc das virgens. Além disso, eu gosto da ideia de milhares de pessoas vendo Olivia Lewis humilhada publicamente. Tinha razão. Isso valia a pena. Robin e eu rimos histericamente. Continuamos passando um bom tempo planejando o novo desenho do site até que Margaret saiu do escritório.


—Tem uma semana para conseguir todos seus esboços perfeitos, senhorita Valerie. Temos três diferentes reuniões reservadas no sábado. —Sério? Meu coração saltou dentro do peito, mas não podia decidir o que o fez cambalear. Foi emoção ou medo? Sabia que Margaret falava a sério a respeito de fazer chamadas, e que esteve na indústria durante tanto tempo que conhecia todos os fabricantes de joias na zona metropolitana de Los Angeles, mas nunca imaginei que levaria a sério. —Mas sou apenas uma garota. Não sou uma designer de verdade. —O que posso dizer? Tudo é fácil quando se é uma celebridade. —Celebridade? Margaret encolheu os ombros. — Os três que querem se reunir conosco viram sua entrevista ontem à noite. —Bem, obrigada Kyle Hamilton. — Não pude deixar de murmurar.


O encontro Não vi nem ouvi de Cara até que cheguei à aula na segunda-feira. Esse não foi o período mais longo sem falar uma com a outra, mas foram os dias mais agitados da minha vida e ao que parece os seus também. Nenhuma força no universo poderia nos ter trancado na sala de aula essa manhã. Uma vez que terminamos brigando, é obvio. —Onde você esteve? — perguntei depois que tropeçou na sala de aula. Quando digo tropeçar, quero dizer que literalmente tropeçou com os pés. Parecia como se ela não tivesse dormido desde que me deixou no festival.


Quando me viu, seu rosto se iluminou. A princípio não foi mais que um grito vertiginoso. Quando por fim pôde falar soou algo como: — Santa merda Valerie, acredita nisto! É uma boa coisa para falar com Cara. — Me deixe dar um palpite selvagem — disse. — Saiu com Shane depois do show e ficou fora toda a noite dançando no clube. Em seguida, passaram toda a manhã seguinte

mandando

mensagens um para outro

até que

finalmente paralisaram. Despertou umas horas mais tarde, foram almoçar juntos onde decidiram que são almas gêmeas e que agora oficialmente são um casal. — Ri quando Cara franziu a testa. — Deixei algo de fora? —No caminho para roubar todo meu trono, V. —Sinto muito. Mas você merecia por não me chamar de volta. Eu liguei e deixei mensagens um milhão de vezes! —Estava um pouco ocupada. —Estava ocupada — repeti — sua melhor amiga tem uma música escrita sobre ela, é convidada pelo Isaac Warren, termina nas notícias de máxima audiência, fica totalmente


ridicularizada em um blog escrito pelo melhor amigo de seu novo namorado, que gera centenas de comentários de ódio de zangadas meninas fanáticas de todo o mundo e tem três entrevistas para iniciar sua própria linha de joias, mas não pode parar cinco segundos para me responder? —Ouça! Isso não é justo! Sabe o que Shane é... Espera O que? —Deveria ter me ligado de volta — disse e então me virei em minha cadeira como se fosse prestar atenção na aula pela primeira vez. No momento que dava as costas para Cara, Olivia Lewis estava ali e parecia muito determinada de uma forma irritante. Me perguntei o que fiz para merecer a ira de Olivia desta vez, mas, surpreendentemente, não estava lá para ser mal educada comigo. Estava lá para se desculpar. — Sinto muito, Val — disse. — Tinha tanta razão sobre Kyle. —V! — sussurrou Cara, empurrando meu ombro. — V! — Estou conversando! — rebati.


Ignorar a Cara por Olivia era um pouco duro, mas me incomodou bastante que não devolvesse nenhuma de minhas chamadas. Nem um texto. Só saiu do show e chegou esta manhã pensando que tinha toda minha atenção. —O que aconteceu, Olivia? Pensei que iriam sair no sábado. —V! — assobiou Cara de novo, esta vez com um pouco mais de atitude. Ignorei. —Me deixou plantada — disse Olivia incrédula — A mim! Poderia ter imaginado que faria, considerando que estava provavelmente muito ocupado escrevendo em seu blog o quanto eu o irrito. Mesmo assim, exclamei fingindo surpresa. — Como alguém pode deixar você plantada? Como sempre, Olivia estava muito envolvida consigo mesma para notar meu sarcasmo. — Eu sei — disse. — Sim, ele é um cantor famoso e tudo, mas não é tão famoso.


—Sinto muito, Olivia. Estava realmente apostando em vocês.

Estava

realmente

sentindo.

Se

Olivia

e

Kyle

engatassem, poderia ter me libertado de ambos. —VALERIE JENSEN! — explodiu Cara — Pare de me ignorar agora mesmo! Sinto muito, ok? Sabe que tenho uma obsessão! Não pude evitar! Esqueci de Olivia. — Não é desculpa! — gritei de volta para Cara. — Você não tem permissão para jogar fora a sua melhor amiga por um namorado, nunca. É a regra número um. E eu deveria saber por que você fez isso! Cara e eu olhamos uma para outra até que cedeu sua irritação. Já que brigamos tanto como nos damos bem, ambas sabíamos o momento em que a tinha perdoado. — Se bem me lembro — brincou quando era seguro fazer — a regra que fiz era que você nunca podia ignorar a sua melhor amiga por um namorado. Não tinha nada que ver comigo. — Só porque não tinha um namorado na época. —E? Tecnicamente, não quebrei nenhuma regra. Não tem permissão para estar irritada comigo.


—Bem, mas a partir de agora, a regra número um se aplica a você também e dado que seu namorado é sua obsessão de toda a vida, vale dobrado. —Nunca mais, eu prometo. Olhei-a. —Juro pela minha vida. Permito que termine, por mim, com Shane se acontecer outra vez. —Não pense que não farei — avisei, mas estava rindo agora. O sino tocou nos liberando da classe, mas nos enviando a uma classe onde não seríamos capazes de conversar. Cara me olhou com pânico total e disse: — Fala rápido e ande devagar. Nós nos damos tão bem. — Bem, então por onde quer que eu comece? Cara abriu a boca para dizer algo, mas antes que pudesse Stephanie, Lacy e algumas das outras animadoras me olharam. —Olá, Val — chamou Lacy. Ela e Stephanie tinham postos seus colares virgens. Conseguiram combinar suas roupas com eles. Cara se surpreendeu pela saudação de Lacy, mas entrou em choque total quando iniciei uma conversa com ela.


— Olá garotas — eu disse. — Como foi no Rubi’s? —Oh. Deveria ter vindo! Devin pagou ao Jeff cinco dólares para que tentasse conseguir o número da garçonete que tinha uns quarenta. Foi muito engraçado. —Da próxima vez — disse, repetindo as palavras que Isaac disse antes. —Definitivamente — concordou Stephanie. — Então Como foi o resto do festival? Vendeu mais depois de que saímos? —Absolutamente, tudo esgotado. —Tudo esgotado? — ofegou Cara. Ao mesmo tempo Stephanie disse: — Uau, isso é ótimo! —Aparentemente a música de Kyle fez com que as pessoas quisessem — disse em resposta a ambas. Chegamos ao final do corredor, então Stephanie e Lacy tomaram a direção oposta. Cara esperou até que estivessem fora do alcance do ouvido e logo me agarrou pela manga da camisa.


— O que foi tudo isso? —Oh, por falar nisso, acho que posso estar na Lista A agora. —Não é possível — argumentou Cara. —Por que não? Não é como se eu fosse anormal nem nada. Já era semipopular. —Sim,

mas

não

estava

na

Lista

A.

Ninguém

é

simplesmente adotado no círculo de Stephanie DeWitt. Tem que nascer nele. Tentei não me ofender muito com os comentários de Cara, mas seguia soando na defensiva quando disse: — Bom, me colocaram. Nem penso que tenha nada a ver com a música e as notícias, porque falou comigo antes do show. Isaac inclusive abandonou o show para me fazer companhia. — Ele não fez! — Sim. Esteve comigo todo o show e depois se ofereceu para me comprar uma vitamina do Ruby’s. —V! Isso é basicamente um encontro! Espera, Isaac Warren te convidou e você não foi? —Eu teria gostado. Salvo que alguém nunca retornou à barraca depois do show, então tive que ficar.


—Sou a pior melhor amiga da história — repreendeu Cara a si mesma enquanto se deixava cair em seu lugar. —Você não poderia saber — disse com simpatia. — Entretanto, se tivesse sido por alguém mais que Shane... —Então me perdoa? — perguntou Cara. Fingi pensar nisso. — Eu te perdoo. A

aula

começou

e

logo

Cara

e

eu

não

tivemos

oportunidade de falar em todo o dia de novo. Bom, não da maneira que queríamos de todos os modos porque sempre havia gente ao redor de nós. No momento em que a escola terminou decidimos que tínhamos que ir a algum lugar para ter uma grande e ininterrupta festa de fofocas. Começamos olhando vidraças no centro do Huntington Beach. Depois de permanecer na porta de uma loja durante tanto tempo que nos pediram para sair, porque estávamos tão presas em nossa conversa para notar que encontrávamos na entrada, terminamos sentadas no banco mais próximo. Cara foi bem ignorando as constantes mensagens de texto que recebia de Shane. Tinha que dar um pouco de crédito


porque Shane era para ela como Tom Cruise era para minha mãe e posso dizer que a matava não poder responder. Finalmente, ignorou suas mensagens o suficiente para que ele ligasse. Me olhou com seus grandes e desesperados olhos de cachorrinho e cedi. — Oh, está bem. Responda. Irei pegar um pouco de CocaCola. Minha voz está seca por falar de qualquer maneira. —Diet para mim — disse-me em voz alta. Embora soubesse que Shane era seu namorado agora, ainda parecia estranho escutá-la dizer: — Sinto querido, só estou passando um tempo com minha garota, V. — Enquanto me afastava. Quando voltei estava surpresa de encontrá-la desligando o telefone. — Uau pensei que teria que escutar dez minutos de “não, eu te amo mais” antes que desligasse — brinquei e então me dei conta de seu olhar culpado. — Não! — acusei, já adivinhando o que fez.


—Tinha que convidá-lo. Já estava quase aqui. Dirigiu todo o caminho até Los Angeles com a esperança de me levar para jantar. —Tudo bem — suspirei. — Se desfez de mim. Mais uma vez. —Não, V. Vem com a gente. —Não vou me sentar e ser a vela do casal de dois dias de idade. Insensível. —Não vai ser assim, eu prometo. —Sim, será. —V — queixou-se — tem que vir. Quero que o conheça. —Eu o conheci. Lembra? —Como por dois segundos. Estava muito ocupada flertando com Kyle para notar sua presença. É um cara doce, V. você vai adorar. Não é como uma estrela de rock em tudo. —É uma estrela de rock. —Sei como se sente sobre as estrelas de rock Val e sobre mim tendo encontros com eles.


—Porque eu sei como você é ao seu redor. Tem algum tipo de reação química estranha que evita que seu cérebro possa ter qualquer pensamento lógico em tudo. Você se torna louca. Não se pode confiar neles pelos cães que sempre são. —Olhe — disse Cara com raiva — sei que teríamos que ter esta conversa ao menos uma vez, mas não quero continuar. Essa é a razão pela qual tem que vir e jantar com a gente. Tem razão, sou totalmente parcial, mas sei esta vez, Val. Eu sei. Shane pode ser uma estrela de rock, mas não é como uma estrela de rock. Sei que nunca vai acreditar na minha palavra, então você tem que ver por si mesma. É realmente um bom cara. Tinha razão. Precisava conhecê-lo um pouco, então poderia ver por mim mesma o quanto de lixo podia ser e esperar parar ou pelo menos diminuir, a decepção inevitável de Cara. — Está bem, mas se vocês ficarem todos com cara de novo-casal-amoroso-beijos perto de mim estou fora. — Vou estar em meu melhor comportamento. Eu juro. Tive dez minutos mais de tempo de melhores amigas e depois Shane apareceu. Com Kyle.


—Bem, bem, bem, se esse não for meu par favorito de pernas. Não é isto uma surpresa? Obviamente estava sendo sarcástico, então respondi: — Em realidade, é. — E olhei maliciosamente para Cara quando pude. —Val — sussurrou — juro que não sabia. Se não fosse pelo fato de que Cara estava cem por cento séria, sem um pingo de desafio, diversão ou sarcasmo em sua voz, teria a matado. Não posso ficar zangada com ela. Ainda não estava muito feliz. — Falo com você mais tarde — reclamei uma vez e Cara não discutiu. Uma mão disparou na minha frente, bloqueando minha passagem. — Vai para algum lugar? — perguntou Kyle. —O que você acha? —Você não vai me deixar só com eles. — Kyle apontou com seu polegar para Cara e Shane, que se beijavam com suas doces saudações em um tipo extremo de expressão no rosto de novo-casal-amoroso-beijos.


—Tive que passar um tempo com eles toda a noite de sábado porque você me deixou plantado. Você me deve isso agora. —Não deixei ninguém plantado. Seus planos eram com Olivia no sábado à noite. —Quem? —A garota que você convidou para sair? Alta, loira falsa da minha escola — o lembrei. — Grande cadela do Condado de Orange? O reconhecimento brilhou em seus olhos. — Oh, Sim — disse com uma espécie de careta. — Ops! — se sentiu mal por seu lapso de memória por meio segundo. Então encolheu os ombros e negou com sua cabeça para mim. — Tanto faz. Sabe que eu tinha grandes planos para você no sábado de noite. —Quer dizer comigo? Kyle tentou engolir um sorriso. — Sim.


Nem me incomodei em responder. O empurrei do meu caminho, mas só dei dois passos antes que ele saltasse na minha frente de novo — Relaxe, pernas — riu. — Só estou brincando com você. —Você escreveu no blog sobre o quanto eu te irrito. —Irrita — argumentou. — Disse que iria me ver cantar. —Menti para que fosse embora. —Por isso escrevi no blog. — Bom, tem razão. Irrito. Então, por que está aqui? Kyle deu de ombros. — Emoção da caçada? —Isso significa que se neste momento eu aceitar um encontro com você me deixaria em paz no futuro? —É muito possível — cogita Kyle — é o que normalmente acontece. Não teria aceitado a isto, exceto que Kyle parecia completamente sério e segundo as probabilidades, uma vez que


deixasse de ser difícil era possível que fosse perder o interesse rapidamente. — Está bem. Você ganhou. Eu fico. O que você quer que eu faça? — Kyle começou a sorrir, então me apressei a acrescentar: — Qualquer coisa fora de mim. E assim foi como terminei em um encontro com Kyle Hamilton. Uma hora mais tarde eu não conseguia comer meu almoço em um restaurante mexicano bastante deserto enquanto observava Shane e Cara rirem e sussurrarem palavras de amor um para outro. Foi francamente repugnante. A única coisa surpreendente da situação era o fato de que Cara tinha razão a respeito de Shane. Se eu já não soubesse que Shane estava em uma banda, nunca teria acreditado nisso. Parecia um cara bastante agradável e Cara o envolveu ao redor do seu dedo. Já estava muito amarrado para ser, bom... como Kyle. Depois de ver Cara e Shane se beijar de novo, Kyle finalmente se cansou do meu silêncio. — Está de poucas palavras hoje, Pernas — disse, deixando cair seu braço sobre meu ombro.


Tirei os ombros debaixo dele. —Não sabia que te interessava falar. —Isso depende se a conversa for estimulante ou não. —E, o que você considera “conversa estimulante?”. —Bom quase qualquer coisa que sai da sua boca me estimula em múltiplos níveis. Ele colocou seu braço ao redor de mim outra vez e outra vez eu tirei de cima. — Por que tudo é sempre sexual com você? —Não é. Por exemplo, isso — apontou para Cara e Shane — não está fazendo nada para mim. Temos que ir. Sua oferta era uma total tentação. A ideia de se afastar dos pombinhos era mais que atrativa, mas valia a pena ter que estar a sós com Kyle? —Nem se darão conta — disse Kyle, entendendo minha hesitação. Olhei para Cara de novo e decidi correr o risco. Provavelmente cometia um grande engano, mas me senti um pouco melhor quando Kyle ficou realmente surpreso quando me levantei. —Sério? — perguntou quando pendurei a bolsa no ombro.


—Você quer ficar? Kyle saiu rapidamente da cabine. — Não. Simplesmente não acreditei que teria coragem para sair sem sua amiga. —Bom,

não

está

sendo

de

muita

utilidade

neste

momento, certo? Kyle levantou as mãos na defensiva. — Ouça, não estou reclamando. Abriu a porta para mim quando saímos do restaurante. Ele me deu um olhar interrogativo enquanto eu andava na frente dele e riu. —Você se esqueceu da grande reverencia. —Não

está

desmaiando

então?

perguntou,

me

alcançando com decepção. —Nem perto. Começamos a passear pela rua e viramos para a praia. Fazia um pouco de frio, mas decidimos ser corajosos e caminhamos ao longo do cais tranquilo. Coloquei minhas mãos nos bolsos da minha jaqueta e caímos em um silêncio confortável.


—Então, Virgem Val — disse Kyle depois de alguns minutos. Parecia tão relaxado como me sentia. — O que faz você desmaiar? Sorri. — Essa é a informação que um cara deve descobrir por conta própria. —Igual a uma mulher — Kyle suspirou. — Então me dê algo que eu não tenha que descobrir. —Está bem. Um, bom, jogo voleibol. —De praia ou regular? —Ambos. —Muito quente. Isso explica as pernas. Revirei os olhos e me movi ao longo da conversa. — Eu também gosto de ler e desenhar. Trabalho em uma loja de joias no centro comercial, estou no conselho estudantil e passo a maior parte de meu tempo livre estudando. Espero que me aceitem na Universidade do Stanford. Minha conselheira acha que tenho uma boa oportunidade. —E isso explica o estado de virgem. Mistério resolvido.


—Oh, cale a boca. —Só

estou

brincando.

Acabo

de

cavar

na

garota

inteligente. Os cérebros são quentes. —O que tem você? Alguma vez já pensou em voltar para a escola? Kyle encolheu os ombros. — Na verdade não. Já fiz o que eu gosto, assim não vejo o ponto de um título universitário. —Mas o que aconteceu com a escola secundária? Não te incomoda que a tenha abandonado? —Pode guardar um segredo? — perguntou Kyle me dando um olhar malicioso. Quando assenti, sorriu. — Não a abandonei. Quando a banda chegou ao contrato discográfico transferi a uma escola secundária online para que pudesse terminar meus estudos enquanto viajava. Inclusive tive alguns cursos universitários aleatórios como contabilidade e entretenimento básico de lei material que ajudou a me manter em dia com os negócios do meu setor. Parei para olhar Kyle com espanto. Ele riu do meu choque, então uniu seu braço com o meu e começou a me puxar para frente.


— A ignorância é perigosa na minha linha de trabalho — explicou. — Então por que dizer às pessoas que é um desertor da escola secundária? Realmente é tão importante ter a imagem do menino mau, rebelde, estrela do rock? Kyle suspirou. — A imagem é quase tão importante quanto o talento, infelizmente. Quando “Paixões quebradas” saiu na rádio parecia que Tralse tinha uma oportunidade real de se tornar bem sucedido, meus gerentes sugeriram a desativação. Eles me fizeram terminar com minha namorada também. —Sério? Kyle deu ombros como se não fosse coisa grande. —Isso é terrível. —Essa é a fama. Você tem que ser sexy. Três de seis pontos em GPA5 e um fiel e devotado namorado não é exatamente um encanto de sexy estrela do rock. —Bom isso explica o estado de homem galinha. — Só meio que brincava.

5

Média de notas.


— Há piores papéis para desempenhar, Virgem Val. Além disso, não é como se estivesse fazendo nada ruim. Garotas bonitas se jogam sobre mim todos os dias. Me querem. Anseiam por isso. Ambos chegamos a ter um pouco de diversão, ninguém sai ferido e vendo mais discos. É um ganhar e ganhar. Tentei olhar as coisas de sua perspectiva. Honestamente, como se supõe que um indivíduo resista a esse tipo de tentação quando isso era o que as pessoas esperavam dele? —Se estiver de acordo vivendo esse estilo de vida, então esse é seu privilégio — disse. — Entendo mas que não é atraente para mim. E definitivamente não tenho nenhum desejo de ser a próxima escultura no poste de sua cama. — Quem disse que isso é tudo o que você seria? — Oh, não sei. As oitenta mil garotas que vieram antes de mim? Kyle riu entre dentes. — Oitenta mil? —Mais ou menos umas quantas. — Eu consegui uma cara séria durante três segundos e logo nós rimos. Chegamos ao final do cais e me apoiei no corrimão, desfrutando da vista do pôr-do-sol. Fechei os olhos e respirei o


aroma do mar, amando o vento fresco que soprava que sobrava no meu rosto. Fiquei ali um momento e em seguida Kyle tirou o gorro da cabeça e o colocou na minha. — Você parece estar com frio — disse, sorrindo enquanto colocava meu cabelo sob o chapéu. — Seu nariz está completamente rosa. Fiquei comovida com o gesto. — Obrigada. —De nada. — Kyle descansou seus antebraços no corrimão junto a mim e deu uma cotovelada no meu braço. — Obrigado por não tomar o dia livre. —Foi difícil — brinquei. — Mas parece que vou sobreviver. —Sobreviver? Você gosta de mim setenta e cinco por cento agora. —Vinte seria muito. Ri, mas logo inclinei minha cabeça em seu ombro enquanto olhava o sol cair por debaixo do horizonte. Kyle


passou seu braço ao redor de mim e me acomodou a seu lado. Pela primeira vez, o gesto parecia natural e não impulsionado pela luxúria. Ficamos em um silêncio pacífico até que depois de uns relaxantes minutos, Kyle disse: — Quanto você gosta da música? Não tinha certeza de como responder. Fazia a pergunta como se pensasse que a música era uma boa coisa. —Muito chiclete — eu disse, não guardando o incomodo em meu tom. Estava um pouco decepcionada que o estado de ânimo da luz tinha ido embora. — Estou certa de que será um sucesso. Kyle me soltou para que pudesse me olhar no rosto. Franziu a testa. — Isso não é o que quero dizer. Escrevi para você. —Sim — disse sarcasticamente — eu percebi. Kyle parecia surpreso por minha reação. — Você não gostou? — perguntou, confusão e decepção se arrastavam em sua voz. Eu estava em uma confusão total. — Eu deveria gostar? — perguntei.


— Pensei que escreveu porque estava com raiva de mim por não ter ido com você. Pensei que era uma espécie de vingança retorcida. Kyle se inclinou para trás. Ele ficou surpreso. — Por que pensa isso? —Você já ouviu? É uma música de raiva. —É uma música de amor. —É uma música de amor enfurecido. Estava obviamente com raiva quando a escreveu. —Não, eu não estava! Sexualmente frustrado e um pouco desesperado por sua atenção, talvez, mas isso é o que você faz comigo. Escrevi o que sentia. —Essa música é a respeito de você me querer em sua cama! —Exatamente. — Kyle parecia confuso outra vez. — Isso é ruim? —Dizer que estou perdendo porque não tive relações sexuais e que pensa que comprometer meus valores pessoais me salvaria?


Kyle virou para a água e reclamou: — Só chamava como eu vejo. —Não pode pensar que isso é verdade? —O que? Isso de que uma transa te faria algo bom? — Kyle estava tão irritado como eu agora. — Acredito absolutamente. Você está muito tensa. É uma pessoa apaixonada, Val, mas está desviando totalmente essa paixão a uma causa inútil. É uma verdadeira vergonha. Está perdendo alguns dos grandes momentos da vida porque tem medo da intimidade. Poderia te salvar. Você poderia acordar. Como encontrará alguma vez o amor sendo um peixe tão frio todo o tempo? —Isso é o que você pensa de mim? Isto realmente se trata apenas da conquista para você, não? Porque se não, por que estar absolutamente atraído por um peixe frio? Pisoteei dando as costas para a doca. Depois de um minuto, Kyle veio correndo atrás de mim. — Só acredito que é fria no exterior. Sei que não é por dentro. Girei sobre ele para que pudesse gritar na cara dele. — E acha que a única maneira de chegar à menina no interior é através de seu pênis?


—Eu acho que ser virgem esconde o que você realmente é — gritou Kyle nas minhas costas. — Eu acho que utiliza como escudo porque tem medo de ser machucada! —Errado! Não esconde, é parte do que sou. Você simplesmente não pode aceitar. Não sou um peixe frio! Só estou desanimada com você porque eu não gosto de seus métodos de me conhecer. —Você é incrível. —Eu? — Estava com tanta raiva que fisicamente tremia. Neguei com a cabeça e deixei escapar um suspiro irritado. — Você não me respeita! Não respeita a escolha que eu fiz! —Porque acredito que você está fazendo uma escolha estúpida! Suspirei. Não vale a pena o argumento. — São pessoas como você que fazem que V para Virgem e o desafio de abstinência seja necessário. Sabe o que é uma verdadeira pena, Kyle? Existe um cara incrível dentro de você em algum lugar, mas está tão pendurado no sexo que nem pode entender o que é a verdadeira intimidade.


— Aonde você vai? — perguntou quando comecei a caminhar de novo. —Pra casa. Sinto muito, Kyle. Estou citando diferenças irreconciliáveis neste caso. Você e eu nunca vamos funcionar. O rosto do Kyle corou em um vermelho furioso. — Tão teimosa — murmurou com raiva e em seguida foi na direção oposta. Assim como em primeiros encontros, eu tinha tido melhores.


A oferta Antes que eu me desse conta eu era Valerie Jensen, a designer de joias. O sábado chegou tão rápido e com ele as reuniões com os fornecedores locais. Era a minha reunião com Lance Cartwright e Maxwell Jackson do C&J Jewels e eu estava atordoada. Sua companhia era a líder em fornecimentos de joias em Los Anjos e eles amaram os meus esboços. —Não posso acreditar que isto vai realmente acontecer — disse a Margaret enquanto conduzíamos de volta ao Huntington Beach. —Estou muito orgulhosa de você, Valerie. Você fez uma apresentação tão minuciosa que, como eu poderiam recusar? —E tão rápido — continuei ainda um pouco em estado de choque.


— Serei capaz de começar a vender os produtos em somente duas semanas? —Bom isso é realmente inédito, mas têm que começar a agir o mais rápido possível, assim poderá aproveitar o frenesi da mídia. Além disso, é só o que vocês já combinaram. Os senhores Cartwright e Jackson escutaram Margaret e a minha apresentação e observaram todos os meus projetos. No final da reunião entramos em acordo em mostrar o meu projeto mais rentável. Era o conjunto de um colar, uma pulseira e um chaveiro, cada um na linha de virgindade e abstinência. Eram peças muito simples que podiam ser facilmente produzidas em massa. Mas eram meus. Meus projetos. Minha linha de joias. E se vendessem bem, disseram que poderíamos olhar para expandir essa linha. —Mesmo assim... Não posso acreditar que disseram que sim. Segui balbuciando isso toda a viagem para casa e mais ou menos durante o resto do fim de semana enquanto transmitia as notícias aos meus pais, Cara e Robin. Na segunda-feira depois da escola repassei todas as coisas legais com Margaret, seu contador, seu advogado e meus pais. Então, logo que o sinal tocou na terça-feira, fui diretamente ao laboratório de informática.


—Val! — Cara teve que gritar já que eu deixei minha última classe com tanta pressa. —Caminhe comigo se quiser conversar. Estou com pressa. —O que é tão urgente? —Tenho que tentar fazer algumas coisas com Robin. Cara ouviu o nome Robin e suspirou dramaticamente. — Mais desse estúpido site? Quando vão terminar com isso? A observação de “estúpido” me picou um pouco. — É um projeto em andamento, Cara. Sabe disso. Prometo que não será tão ruim uma vez que o novo site esteja instalado e funcionando. —Quando será isso? Estou cansada de que Robin me roube todo meu “tempo de Valerie”. —Robin não está roubando seu “tempo de Valerie”. Muito. — Cara franziu a testa, então acrescentei: — A página da Web deverá estar em funcionamento em alguns dias, e a partir daí não consumirá tanto tempo. Além disso, você terá que passar o resto do dia comigo.


—Então virá comigo? — ofegou Cara. Parecia tão feliz que poderia explodir, mas seu sorriso desapareceu tão rápido como chegou. — Espera, ainda não te contei sobre a festa. —Festa? — perguntei. — Que festa? Disse que me levaria de carro a Pasadena hoje. Tenho que me reunir com o pessoal de “Nem Todo mundo está Fazendo”. —Oh sim, esqueci completamente, mas isso ainda está de pé. Ainda podemos fazer. Só iremos lá primeiro e então vamos à festa depois. —Que festa? — perguntei outra vez. —É o aniversário do Reid. Os caras estão fazendo esta enorme festa para ele no Viper Room e nós temos status VIP esta noite. —Quem é Reid? Cara grunhiu com desgosto. —Tralse? Bateria? —Oh, certo. Humm. Vou passar, obrigada. —Passar? Não pode passar.


—Bem. Que tal recusar respeitosamente? —Vamos. Será divertido. —É verdade. Igual foi divertido estar com você e Shane da última vez. —Você nos abandonou. —Me pergunto por quê? — Cara e eu de repente nos olhávamos ferozmente uma para outra. — Você prometeu que se comportaria e ao invés disso fiquei presa com Kyle enquanto você e Shane tinham uma festa para dois do outro lado da mesa. —Já me desculpei por isso — disse Cara. — É só que era tudo tão novo. Passou mais de uma semana agora. Farei melhor. Acreditava nela, mas mesmo assim. — Mesmo se eu puder, estarei realmente desconfortável tendo que sair com Kyle. —Sabe que Kyle já superou. Além disso, lá estará cheio de vadias cabeças oca para mantê-lo ocupado. —Uau, esta festa só continua parecendo cada vez melhor. — Oh, sim, sarcasmo do duro aí.


—V, você tem que fazer! Se formos até a Pasadena não terei tempo de te levar até sua casa e voltar a Hollywood. —Está bem — suspirei. — Você vai à festa. Estou segura de que Robin não se importará de me levar. Os olhos de Cara se estreitaram. — Bem. Ligarei para Shane. Não deveria estar fora tão tarde em uma noite de escola de qualquer maneira. Vamos fazer algo diferente este fim de semana. —Cara — suspirei outra vez — Vá esta noite. É uma grande festa. É VIP. Quero que se divirta com seus amigos. —Mas... —Só vá. Farei com que minha mãe me leve. Não irá se importar. Nesse momento uma voz profunda nos interrompeu. — Precisa de uma carona para algum lugar, Val? —Sim — eu disse tentando manter a calma apesar de que o sorriso de Isaac fazia a meu coração. — Um dos contratempos de não ter meu próprio carro.


—Posso te levar aonde você precise ir. Uma das vantagens de ter uma melhor amiga como Cara é que apesar de que a telepatia não existe entre nós, as palavras não são sempre necessárias para se comunicar. Cara e eu olhamos uma para outra e foi claro, não gostou da ideia de que Robin me levasse, mas queria e muito, que eu fosse com Isaac. Dava ao Isaac o meu melhor sorriso porque não queria que pensasse que eu estava rejeitando a ele quando rejeitasse sua oferta. — Oh, isso seria bom, Isaac. Obrigada, mas... —Não é nenhum problema — insistiu. — Se você estiver nervosa pela coisa da moto, minha casa está a poucos quarteirões daqui. Podemos caminhar até lá e pegar o carro do meu pai. —Não, não é isso. É só que tenho que ir até Pasadena. Não te pediria que me levasse tão longe. —O que tem em Pasadena? —A Fundação “Nem Todo mundo Está Fazendo”. Tenho que entregar o cheque do dinheiro que produzi e conseguir que me assinem alguns papéis.


Isaac assentiu com a cabeça e em seguida olhou para mim um pouco mais. Seus olhos pareciam estar procurando algo nos meus. Fez parecer intenso, da forma que foi desde a primeira vez que falamos, mas não tão intenso de uma forma assustadora. Bom, possivelmente era medo o que fez meu interior se sentir como se estive prestes a explodir de emoção. Justo quando pensava que eu realmente podia explodir, Isaac encolheu os ombros. — Estou no clima para uma viagem — disse. — Mas deveríamos pegar o carro do meu pai de qualquer maneira. Eu não gosto de andar a dois em minha moto pela estrada. Pisquei duas vezes. Não que eu queria discutir sobre isso, mas não conseguia parar e pensar antes de dizer. — Você vai me levar até Pasadena? É quase uma hora de distância. Para não mencionar que ficaremos presos no tráfego na volta para casa. Sério. Não tem que fazer isso. —Vivemos no sul da Califórnia. O tráfego é um fato. — Isaac balançou os ombros outra vez, como se não fosse uma grande coisa em absoluto, só um passeio de carro. — Não tenho nada mais que fazer hoje e estou curioso sobre esta fundação. Seria bom dar uma olhada.


—Está bem então! — saltou Cara emocionada. — Isso é incrível de sua parte, Isaac! — Ela se virou para mim e me disse: — A menos que você queira que eu te leve. Falto a festa por algum tempo de Cara e Val, se quiser. Curiosamente, foi o fato de que Cara estava disposta a ficar longe de seu namorado e de uma noite cheia de estrelas, sendo uma VIP que me fez sentir completamente relaxada para aceitar a proposta de Isaac. —Se estiver absolutamente certo — disse a Isaac. Ele sorriu e senti meus joelhos começarem a tremer em resposta. Tive que desviar o olhar. Graças a Deus Cara estava ainda ali. — Depois teremos mais tempo de Cara e Val — disse. — Divirta-se muito esta noite. Se certifique de não acabar em um tabloide em algum lugar. Diga ao Reid feliz aniversário de minha parte, e diga ao Shane que sinto não poder ir. Cara rompeu em um sorriso atordoado e sussurrou em meu ouvido: — Quero todos os detalhes amanhã. — Enquanto me dava um abraço de despedida. Saiu dançando pela porta, nos deixando em pé sozinhos na porta do laboratório de informática.


Por uma fração de segundo foi muito desconfortável para dizer qualquer coisa, então Isaac apontou com a cabeça para a saída. —Vamos? —Só tenho que repassar algumas coisas com Robin antes de sairmos. Deverá levar só dez minutos. Está bem? —É claro. Vou levar minha moto para casa e te encontro lá fora. Rapidamente dava a Robin uma visão geral da minha reunião de ontem com o advogado e o contador, e repassamos a pequena

lista

que

eu

tinha

feito

com

as

coisas

que

precisávamos ter em nosso site. Uma parte de mim tinha pressa para sair dali enquanto que outra parte continuava com nossa conversa. Não sabia o que era que me dava mais medo. Que sairia e Isaac tivesse ido, depois de ter feito uma brincadeira muito cruel ou que estaria ali, esperando pacientemente por mim. Estava esperando, é claro, exatamente onde disse que faria, no Range Rover de seu pai. Olhava para baixo e não me viu quando saí. Isso foi bom porque me deu um momento para acalmar meus nervos. Respirei fundo, engoli a seco e reuni cada grama da coragem que Virgem Val tinha para me oferecer, então abri a porta do passageiro.


—Isso foi rápido — disse a Isaac alegremente enquanto terminava de escrever uma mensagem para alguém. Olhei o relógio de seu painel. Passaram mais de quinze minutos dos dez que eu disse que levaria. Travei o cinto de segurança, incapaz de aliviar o sentimento de autoconsciência. —De verdade Isaac, obrigada outra vez por fazer isto. Muito obrigada. — Já sabe o que dizem “quando estão a serviço de seus semelhantes, só estão ao serviço de seu Deus”. Não se preocupe. Estou feliz de ajudar. —Eu... — parei perplexa pelo que acabava de ouvir. A cara de Isaac ficou à espera que eu dissesse algo. Tomou um minuto para chegar a uma resposta porque era tão surpreendente escutar a um menino tão normal, tão popular citando as Escrituras. —Vá! — ri. — Realmente estuda a Bíblia, não é? Esboçou um sorriso quando brincava com ele. — Isso te incomoda? — perguntou. Tirava sarro também, mas me dava conta de que tinha curiosidade.


Imaginei que Isaac era o tipo de cara que valorizava a honestidade, assim eu lhe dei meu próprio olhar escrutínio e pensei muito a sério antes de responder. — É um pouco estranho — admiti. — Mas parece cair bem em você. Além disso, Como posso falar? Sou a garota que ficou de pé sobre uma mesa no refeitório e professou sua virgindade às massas. Ele olhou para mim outra vez, o canto de sua boca elevando-se. — Você está certa, Val. Você está certa, Val. Bem? Não estava certa. Estava tendo um ataque cardíaco! Estava errado que uma simples declaração produzia tanto prazer em mim que sentia que poderia vomitar? Uma vez mais me encontrei sem palavras, mas Isaac veio em meu resgate me perguntando a respeito do meu gosto pelo voleibol. Trocou de tema com tanta facilidade que me atrevi a acreditar que entendia o efeito que tinha sobre garotas e se tornou um profissional em nos ajudar a superá-lo. Era impossível não relaxar com ele, e quando paramos em frente do pequeno escritório deteriorado do centro comercial, mal podia acreditar que já estivéssemos lá. Era um pouco decepcionante ter que descer do carro.


Não dissemos nada enquanto entramos. Isaac retrocedeu uns passos, me deixando fazer o meu. Ele se aproximou de uma pequena mesa cheia e começou dar uma olhada nos panfletos enquanto eu me dirigia para o balcão. Havia uma moça sentada em uma mesa que parecia estar em meados dos vinte. Ofegou quando me viu. — Virgem Val! — exclamou e então gritou por atrás dela: — Darla, é ela! Está aqui! Enquanto a mulher se aproximava de mim correndo, uma mulher muito mais velha saiu da sala de trás e se uniu em sua excitação. — Esperávamos que viesse — disse a mulher mais velha. — Nós não podemos agradecer isso o suficiente! Sou Darla Majors, a chefe da organização, e esta é Christina. É um prazer te conhecer, Valerie! Toda

sua

exuberância

me

fez

sentir

um

pouco

desconfortável. Dei um passo para trás e tirei um envelope da minha mochila. —Suponho que tenham ouvido. —Querida, seria impossível não fazer. Nossos telefones estiveram tocando sem parar desde que sua entrevista foi ao ar.


Recebemos mais doações esta semana do que tínhamos feito nos últimos seis meses! —De verdade? —Bom, não foi tão difícil de fazer. Não é fácil para um grupo como o nosso conseguir muita exposição. Normalmente temos que pedir nossos recursos e, infelizmente, conseguimos que riam um pouco. —Conheço o sentimento — eu disse. —Bom você está sendo levada a sério agora. — Christina riu. — Qual é seu segredo? Comecei a corar outra vez, então entreguei o envelope da minha mão. — Vim aqui para dar isto. É o dinheiro que ganhei no festival. Novecentos e oitenta e três dólares. —Não é nada menos que um milagre — disse Darla. As duas mulheres de pé na minha frente pareciam tão constrangidas pela situação como eu. Os olhos de Darla inclusive se embaçaram um pouco. Quase não queria admitir a outra razão pela que fui. — Hum — eu disse, me movendo inquieta.


— Na verdade, há mais. —Mais? — ofegaram de uma vez. Tirei o conjunto de documentos que meus advogados tinham preparado. — C&J Jewels acordou em produzir alguns de meus projetos de joias. Chamarão a linha Virgem. —Você realmente fez — disse Isaac, deixando o papel que lia e se unindo a nós no balcão. — Val, isso é ótimo! —É incrível — concordou Darla. Todo mundo me olhou com admiração, inclusive Isaac. Corei mais profundamente do que jamais tinha corado em minha vida, e rapidamente tentei conseguir voltar para a conversa. — O que acontece é que eu não sei se venderão ou não, por isso não pode ser muito, mas C&J acordou em doar dez por cento de todos os lucros das joias para a Fundação “Nem Todo mundo Está Fazendo”. Só preciso de sua assinatura em alguns papéis. Darla começou a chorar.


Depois que a senhora se acalmou o suficiente para assinar o acordo e fez todas as suas perguntas, eu vi minha oportunidade para sair dali. — Bom. — Me levantei às pressas. — Isto foi muito agradável, mas devemos ir agora. Temos um longo caminho até Huntington Beach a esta hora do dia e ainda temos muitas tarefas. —Oh, não! Espera — Darla saltou de seu assento antes que pudesse sair pela porta. — Você não pode ir agora! Ainda temos algo que nós gostaríamos de te pedir. Isaac e eu nos olhamos, e me forcei a sorrir para a mulher, me sentando de novo. Darla e Christina brilhavam quando Christina empurrou um envelope para mim. Enquanto eu o abria e explorava seu conteúdo, Darla disse: — Nós gostaríamos que se unisse a nós, e se tornasse o rosto da Fundação “Nem Todo mundo Está Fazendo”. —Oi? —Queremos que você seja nossa porta-voz — disse Christina. —Usaríamos seu rosto em todos nossos panfletos e, é obvio, promoveríamos que V é para Virgem. Só seria um


trabalho seu até quanto você queira que seja. Poderia decidir ser só o nosso rosto, ou poderia ser uma oradora habitual. Poderia aparecer em algum de nossos eventos principais. Ou, se desejar, nós adoraríamos que realizasse visitas nas escolas. Visitaria todas as escolas secundárias do sul de Califórnia conversando com os meninos a respeito de sua história e suas experiências e de sua decisão de esperar. Estava tão atordoada, que fiquei sem palavras. Não podia nem olhar às duas mulheres nos olhos. Continuei dando uma olhada entre os diversos panfletos e folhetos que tinham me dado, tentando imaginar o meu rosto neles. —Alguém como você poderia realmente fazer a diferença — sussurrou Darla me olhando. Eu? Não podia acreditar que quisessem que eu os representasse. Eu! Ser a que levasse em frente de centenas de pessoas. Eu, ser o rosto de toda sua empresa. Era esmagador. E aterrorizante. — Hum — eu disse, porque ainda esperavam uma resposta. — Posso pensar sobre isso? — É claro.


—Ok. — Uma de onda de alívio tomou conta de mim. Reuni todos os papéis e os coloquei de novo no envelope e fiquei de pé outra vez. — Eu vou pensar sobre isso um pouco e gostaria de falar com meus pais, mas entrarei em contato com vocês. Obrigada. É uma oferta muito lisonjeira. —Tudo que possamos fazer para te manter — disse Darla com uma piscadela. — Você é uma jovem muito especial, Val. Me olhava com tanta admiração que saí dali o mais rápido possível. Não me dei conta de que Isaac testemunhou tudo isso até que estava de volta no Range Rover. Era dolorosamente tranquilo. Eu arrisquei um olhar e me olhava com esse aspecto fresco, intenso em seus olhos. Que nunca poderia descobrir o que significava. Engoli a seco de novo e brinquei com o grande envelope em cima do meu colo, mas não tinha nem ideia do que dizer. Olhei o relógio do painel. Eram cinco e meia. O pior momento do dia para tentar cruzar a maior área de Los Angeles. Esta ia ser a viagem mais longa que eu já fiz. Isaac seguiu meu olhar e então quebrou o silêncio. —Não faz sentido que tentemos voltar agora — disse me dando o mais formoso sorriso que eu já vi.


— Estaria tudo bem se eu te levasse para um jantar de comemoração em vez disso? Não sei por que o convite foi um choque. Já tinha me pedido para sair uma vez antes e me trouxe aqui só para ser agradável. Mas, mesmo assim, Isaac Warren me pedindo para sair e jantar era surpreendente. Em uma forma “um sonho virando realidade”, é claro. —Hum — eu disse, corando pela milionésima vez hoje. — Eu realmente adoraria.


Os elogios Se tivesse me perguntado um mês atrás se alguma vez eu pensaria que estaria em um encontro com Isaac Warren, eu teria dito que era mais provável que fosse abduzida por extraterrestres. Inclusive agora, ele me levou a um passeio e sugeriu um jantar ao invés de sentarmos no estacionamento da autoestrada 605, mas à medida que caminhávamos pelas ruas do Old Town Pasadena, ainda não tinha certeza se Isaac e eu estávamos em um encontro. Comecei a repensar minhas dúvidas quando sugeriu um jantar em um bonito e pequeno lugar italiano em vez de um lugar como Loiro's ou Califórnia Pizza Kitchen. O restaurante era um desses pequenos lugares que poderiam ser descritos como sendo ambiente de encontro. Estava escuro e tinha velas em todas as mesas. Inclusive havia alguém tocando piano no canto. Fiquei surpresa que não precisamos de nenhuma reserva, mas era um pouco cedo para a hora do jantar.


Reserva ou não, o lugar gritava encontro. Estava em um encontro com o Isaac Warren! Estava tão nervosa que mal podia parar de tremer. Depois que o garçom nos trouxe palitos de pão e levou nossos pedidos de bebida mergulhei em meu cardápio, era mais fácil que olhar Isaac do outro lado da mesa. Depois de uma olhada em sua direção, me dei conta de que não abriu seu cardápio. Ele olhou para minha expressão curiosa e sorriu. —Sempre julgo um lugar italiano com base em sua lasanha — disse. — Se for melhor que a da minha tia Ani, saberei que encontrei um ganhador. Esse comentário foi tão lindo que me fez rir e como por arte da magia, a tensão entre nós foi se quebrando. —Quantas vezes isso aconteceu? — perguntei. —Nunca — admitiu. — Minha tia Ani faz a melhor lasanha do mundo. É proprietária de um restaurante em Sacramento, eu ajudo durante o verão. — Riu com a lembrança e balançou a cabeça.


— Sempre me faz servir as mesas e deixa meu primo Paul lavando os pratos para evitar que ele fique flertando com as clientes. A conversa foi casual durante o jantar enquanto Isaac me fazia todo tipo de perguntas e me contava histórias sobre todas as brincadeiras que teve com o seu desesperado primo Paul enquanto cresciam. No momento em que terminamos nosso jantar, sentia como se conhecesse Isaac durante toda a minha vida. —Então qual é o veredicto? — perguntei quando terminou sua lasanha. — Pode competir com a da tia Ani? Isaac ficou olhando o prato vazio com esse olhar de busca que às vezes me dá, depois sorriu. —Não. Mas mesmo assim era boa. Como foi o seu? Eu pedi rigatoni. —Excelente — disse com sinceridade. — Comi demais. Justo quando confessei meu excesso, a garçonete voltou e perguntou se nós gostaríamos de alguma sobremesa. —Oh — eu disse, alcançando meu estômago cheio.


— Não acredito que eu possa... —Vamos, Val — interrompeu Isaac. — Onde está seu senso de aventura? Supostamente essa é uma comemoração depois de tudo. Contive um gemido. —Bem, vamos compartilhar, mas você tem que comer a maior parte. Isaac começou a rir. — Trato feito. Quando a garçonete voltou com um tiramisú e dois garfos, Isaac o empurrou para mim. — Primeiro as damas. Enquanto dei uma mordida, ele finalmente levou a conversa para os acontecimentos do dia. —Parabéns pela sua linha de joias, Val. É realmente ótimo. Empurrei a sobremesa para ele e pegou seu garfo. — Obrigada — eu disse, fazendo meu maior esforço para não corar.


— É bastante surpreendente. Fiquei tão surpresa quando essas pessoas quiseram uma reunião. Ainda não posso acreditar que aceitaram minha proposta. Na verdade, não posso acreditar que nada disto tenha ocorrido, a campanha, a página, as entrevistas... —A música? — brincou Isaac. — Não esqueça a música. —Ha! Confie em mim, eu não me esqueci da música. —Eu gosto. É pegajosa. Quando olhei para cima, Isaac lutava com um sorriso, estava brincando. Revirei meus olhos e decidi não entrar nessa conversa. Ao invés disso disse: — E depois esta coisa de porta-voz. Tudo é uma loucura. —Sim, é ótimo. —Ótimo? — Sacudi minha cabeça, incrédula. —Não posso acreditar que me querem como o rosto da sua fundação. —Eu sim. Isaac não sorria mais. Ele me olhava, cem por cento sério e tinha de novo essa intensidade em seus olhos. Alcancei minha água gelada e comecei a engolir.


—Há algo em você, Val. É uma líder nata. Acredito que é essa sua atitude sem medo. —Sem medo? — Ele estava falando sério? —Quando você estava de pé sobre a mesa no refeitório? — Rio de novo. — Foi feroz. —Isso — argumentei tentando não rir — foi um momento de loucura temporária. Depois de tudo o que Zach fez, fui levada ao limite. —Mas não pulou. Lutou através da multidão para um terreno mais alto. Obrigou às pessoas a olharem através da sua perspectiva, e a te respeitarem. Praticamente iniciou uma revolução. —Oh, sim, estou escolhendo permanecer virgem até que me case. Sou uma rebelde real. Rimos muito sobre isso, mas quando estávamos de volta no automóvel, Isaac ficou sério. —Você disse que há certas pessoas no mundo que podem fazer qualquer coisa genial. —De verdade vai discutir isso? — perguntei. — Você precisa se lembrar de que convenceu Devon e Lacy a fazerem o desafio de abstinência?


Isaac sorriu, mas não perdeu a concentração. —Não, eu tenho certeza que isso é verdade, mas fazer coisas geniais é uma coisa. Você é o tipo de pessoa que pode fazer coisas importantes. O elogio me deixou sem fala. Ficamos em silencio por um minuto, e estou bastante certa que foi intencional da parte de Isaac. Eu acho que ele queria que o que disse se assentasse antes de continuar falando. —Eu acho que você deve fazer — disse finalmente. — Ser o rosto da Fundação “Nem Todo mundo Está Fazendo”. Pessoas te escutarão. Você realmente pode fazer a diferença. Mais uma vez, fui arrastada pelo silêncio, afligida por suas palavras. Será que Isaac realmente acha tudo isso sobre mim? Olhei para o papel sobre a mesa e tentei imaginar meu rosto nos folhetos. Tentei imaginar a mim mesma indo de escola em escola e contando aos meninos sobre minha escolha, contando sobre minha mãe biológica e o que acontece se você não pensa no que faz. Parte de mim queria fazer, mas uma parte de mim estava apavorada com a ideia só de pensar. —Não sei se posso — admiti. — As joias no festival, em frente de nossos próprios colegas era uma coisa, mas isto é diferente. Ser o centro das


atenções? Ser um modelo a seguir? Isso assusta mais que um pouquinho. —Valerie, se há uma coisa que eu aprendi sobre você no último mês, é que não te falta coragem. É por isso que eu gosto tanto de você. Ver pelo que você passou me faz desejar que eu não tivesse medo de ser eu mesmo. Olhei para cima e me surpreendi de ver um pequeno toque cor de rosa nas bochechas de Isaac. Ele deu de ombros e em seguida se obrigou a dizer: — Quando estou perto de você, sinto que posso fazer isso. Esse foi o elogio mais sincero que já recebi, estava mais atônita que lisonjeada no momento. —É Isaac Warren — eu disse quando pude falar. — O menino mais popular em toda a classe do último ano. Se procurássemos a palavra “genial” na Wikipédia haveria uma foto sua. Seu nome está escrito no caderno de quase todas as garotas da escola com pequenos corações ao redor. Como pode ter medo de ser você mesmo? —Val — disse Isaac em um tom que sugeria que eu estava sendo ridícula — Sou um homem virgem de dezoito anos de idade, que vai à igreja todos os domingos, e não vê filmes de classificação R. Não sou exatamente a alma da festa. —Mas... —Você acha que pode citar as escrituras em torno de qualquer um? Se eu fizesse isso na mesa do almoço, meus


amigos ririam ao sair da escola. Mas é diferente com você. É diferente. — Isaac olhou para o envelope em cima da mesa. — Deveria fazer. Ele me deu muito no que pensar. Todos seus elogios eram mais profundos do que só tentar ser amigável. Tentava me fazer ver a situação e a mim mesma de uma forma que não tinha antes. Não sabia o que fazer com isso. Com nada disso. Não sabia o que pensar sobre Isaac. Era tão intenso. Sabia que ele pensava todas as coisas que dizia, mas não sabia se eu era a pessoa que ele parecia pensar que eu era. Não sei se poderia ser. Estava bastante tranquila a maior parte do caminho para casa e Isaac parecia entender que precisava de um pouco de espaço. Precisava de tempo para processar tudo, mas depois de uns vinte minutos de silêncio percebi seu olhar para os lados de vez em quando. —Sinto muito — eu disse com um suspiro. — Não sou a companhia mais interessante neste momento. É muita coisa para pensar. —Está bem — disse Isaac. — Estou feliz que você esteja levando isso a sério. É uma grande decisão. Suspirei de novo. —Não sei o que fazer. Sei que você diz que deveria e é provavelmente o adequado, mas não sei se posso. É muita pressão. —Hesitei por um minuto e então admiti:


— Assusta. Para minha surpresa, Isaac disse: — Sei exatamente como se sente. —Sério? Isaac concentrou seu olhar na estrada à sua frente. —Meus pais querem que eu vá a uma missão. —Uma missão? — perguntei confusa. —Para minha igreja — explicou Isaac. — Ser um missionário. —Quer dizer, essas pessoas que batem na sua porta vestindo ternos e crachás de identificação para distribuir bíblias e essas coisas? Isaac começou rir. —Exatamente. —Está bem, me alegro de não ser você. Isso dá medo. —Muito medo — concordou Isaac. — E igual a você, sei que poderia ser o correto, mas não estou seguro se quero fazer. Essa é a razão pela qual eu gosto de sua campanha de V é para Virgem. Não se trata de ter sexo. Se trata de tomar decisões por si mesmo. Toda minha vida meus pais falaram a respeito de eu indo à missão. Meu pai foi. Meu avô foi. Meu irmão mais velho foi. Inclusive minha irmã mais velha foi. Todos esperam que eu vá também, mas ninguém


me perguntou se eu quero. Talvez eu queira, não sei, mas eu quero que seja porque quero fazer, não porque meus pais querem que eu vá, ou porque tenho medo do que as pessoas dirão se eu não for. E pensei que tinha que lidar com a pressão. Não tinha ideia do que dizer e acabei soltando um profundo suspiro. —Sinto muito — disse Isaac. — Não tinha a intenção de desabafar com você dessa maneira. É que, é lindo ter alguém que entenda. —Sim — eu disse. — É muito bom. Obrigada. Isaac olhou para a estrada novamente e pegou minha mão, dando um aperto. Quando não a deixou coloquei toda minha vontade para não tremer. Eu estava de mãos dadas com Isaac Warren! Quando chegamos a minha casa, Isaac me acompanhou até a porta, mas não tentou me dar um beijo, ou mesmo um abraço de boa noite. —Foi realmente agradável te conhecer melhor, Val — disse, dando a minha mão outro aperto antes de se afastar. — Se não te assustei completamente esta noite, temos que sair de novo algum dia.


Não sabia o que dizer, então só concordei. —Obrigada de novo, Isaac. Pelo passeio, pelo jantar, por escutar... Tudo. Ele sorriu um leve e simples sorriso. —Boa noite, Val. Vejo você amanhã na escola.


A lista A

Isaac Warren me deixava louca, e não tinha a ver se eu gostava ou não. Não podia acreditar nas coisas que disse sobre mim, sobre ser um bom modelo a seguir. Li toda a informação que as pessoas de “Nem Todo mundo Está Fazendo” me deram, quando estava ocupada não dormindo ontem à noite, e ainda não me encontrava perto de tomar uma decisão. Desde que já estava acordada, decidi ir à escola cedo. Parei no laboratório de informática para ver se alguma das respostas do desafio de abstinência me ajudava a descobrir alguma coisa. Eles sempre pareciam ser de grande ajuda, e mesmo se não fossem, bom, ao menos me mantinham entretida. Entretanto, hoje foi um pouco surpreendente.


OscarElAbstinenteGruñón: A abstinência te suga. Diabo_disfrazado: Acredito que o ponto é que não te suga JAJAJA. ElNuevoJamesDean: Não, essa é sua namorada! Vocês são patéticos. Sem-Sexo-Nate: Isso. Sem sexo Nate. Assim é como os meninos me chamam na escola, agora. Muito obrigado, Virgem Val. Sem-Sexo-Kitten: Aw, mas você está falando disso como um campeão, bebê! Obrigada por fazer isto comigo. Te amo! Sem-Sexo-Nate: Também te amo, KittyKat! FanáticaDeLaPlaya57: Este foi nosso primeiro fim de semana tentando o desafio de abstinência. Foi mais difícil do que pensei que seria. Não é que façamos todo o tempo, mas tivemos minha casa para nós sozinhos a noite da sexta-feira e quase não o conseguimos. Terminamos jogando monopólio. De fato, tivemos um montão de diversão, mas meu namorado é um trapaceiro. JAJAJA. BarbieYKen: Nós duramos 4 dias. A abstinência FALHOU jaja. Suponho que não há nenhuma dúvida de que estávamos preparados para o sexo.


OscarElAbstinenteGruñón: Que sorte tem. Não tive sexo em 11 dias!!!! Se me der um caso permanente de bolas azuis vou processar. Lacrosse4vida: Eu não me preocuparia muito. Não tive sexo há 17 anos e estou bem. ChicaBailarina: Parece que estou tendo o pior momento com isto com meu namorado. Não sei como me sentir a respeito disso. ElNuevoJamesDean: Ele provavelmente está obtendo de outro lado. Eu faria. Encabronado: Ouça, Virgem Val. Você #$!@ Estúpida @%!$&6!!! ChicaNYC861: Cale a boca Derek! Sei que é você! Não preste atenção Val. Ele só está irritado porque terminei com ele. Eu já disse isso, sexo, sexo, sexo! Este desafio foi a melhor coisa que eu fiz! —Olá, Val. Está aqui cedo. Sobressaltada, levantei o olhar enquanto Robin baixava os livros a meu lado. —Você já leu isso? — perguntei. Robin assentiu. 6

Palavrões


—Pobre Sem-Sexo-Nate. Isso é pior que “Virgem Val”. — Consegui um sorriso e em seguida Robin disse: — Eu disse que íamos precisar desse filtro de palavrões. Pelo menos nem todos são maus. Esse casal que jogou Monopólio parece ter se divertido. —Sim, mas totalmente fiz que ChicaNYC terminasse com seu namorado. Sou uma destruidora de relações. —Me

parece

que

os

ajudou.

Essa

relação

estava

condenada ao fracasso e ChicaNYC não se incomodou. —Eu acho. Olhei a tela do meu computador de novo, não tinha certeza do que sentia a respeito das respostas de hoje. E as pessoas querem que eu seja um modelo a seguir? Não podia deixar de ser cética a respeito. —Está bem, não procuro mudar por completo o assunto, mas — disse Robin, sua voz cheia de emoção inexplicável — estou morrendo de vontade de saber! —Saber o quê? —Ouvi o Isaac dizer a alguém por telefone esta manhã que foi jantar com você ontem. Tive que rir da imprudência de Robin. Isso me lembrou muito a Cara.


—E então? — perguntou Robin. — Não me deixe em suspense. Encolhi os ombros e fiz o melhor que pude para não corar. — Ele me deu uma carona ao escritório de “Nem Todos Estão Fazendo” ontem e já que havia muito tráfego para conduzir de volta, me levou para jantar. —Um instante, então foi um encontro ou não? —Hum, bom, acredito que acabou sendo um encontro. Possivelmente. Ele disse que deveríamos ir de novo algum dia. Robin se engasgou com um grito. — E você vai certo? —Não sei. O rosto do Robin se esticou. Estava confusa, mas não decepcionada ou indignada com minha resposta da maneira que Cara ficaria. Ela sorriu para mim com preocupação. —Por quê? Acredito que vocês seriam adoráveis juntos. Você não gosta? —Sim, acho que sim. Eu gosto de passar o tempo e falar com ele. É muito fácil, mas ele é tão...


—Intimidante? — sugeriu Robin com curiosidade. Pensei nisso e embora eu acreditasse que era um pouco intimidante, essa não era exatamente a palavra que procurava. Não tinha medo de Isaac. Me impressionava. —É profundo, sabe? Sério. Temos conversas reais. É um pouco intenso. Zach era justamente o contrário... Só diversão, nada profundo. —Mmm. Bom, e que tal se não fosse sozinha ao seu primeiro encontro real? Poderíamos duplicar e então poderia se sentir confortável. Alan Russell me deve um jantar já que levei sua história até a segunda página na semana passada. — A boca de Robin se fechou como se estivesse envergonhada de sua sugestão. Suas bochechas se tornaram cor de rosa. — Se quiser é claro — adicionou rapidamente. — Entenda. Isaac e você são tão populares que é provável que haja uma centena de pessoas com que poderiam sair em um encontro duplo. Fiquei espantada pela autoconsciência de Robin. Isaac, sim, podia entender, sinto o mesmo por ele, mas ela me incluía em sua popularidade quando eu sempre considerei Robin dentro do meu mesmo grupo social. Eu me senti mal que ela não pensasse o mesmo. Em algum lugar no último mês, se tornou minha amiga.


—Eu acho que um encontro duplo parece uma grande ideia — disse. — É claro, eu poderia ser demitida como vice-presidente dos últimos anos por sair com pessoas do departamento de jornalismo. Depois de uma boa risada, Robin e eu concordamos em ver se na sexta-feira estava bem para nossos respectivos encontros. Estava tão curvada com os nervos de ter que pedir ao Isaac que não me dava conta que Cara não estava na escola até que o primeiro período terminou e Stephanie me encontrou na sala de aula. —Olá Val. Sem Cara hoje? —Olá Stephanie — eu disse, olhando um pouco surpresa ao me dar conta que de fato, Cara não estava de pé junto a mim. — Suponho que não. — Pensei nisso e então eu ri. — É provável que esteja em casa dormindo logo depois de uma longa noite. —Parece que alguém teve muito mais diversão que eu — disse Stephanie. Assenti com a cabeça.


— Tenho medo de perguntar que tanta diversão teve ontem à noite. —Bom, já que ela não está aqui, quer comer com a gente hoje? —Um. — Estava chocada pelo convite. — É claro. —Ótimo! Sua próxima aula é por este corredor? — Stephanie apontou a direção em que eu andava. Quando assenti, seu rosto se iluminou. — Bem. A minha também. Caminhe comigo. Antes que pudesse responder, Stephanie enlaçou seu braço com o meu e começou lentamente a andar para sua próxima aula. — Quero escutar sobre suas joias. Isaac me disse que chegou a desenhar algumas coisas. Isso é incrível. Parabéns. Stephanie é incrível. É uma dessas garotas que são tão populares que você tem medo de falar com ela, mas quando chega a conhecê-la, é muito agradável. Nada como o estereótipo da lista A, Olivia Lewis. Olivia é popular porque decidiu

que

fosse

assim.

Stephanie é popular porque todo mundo realmente gosta dela.


Quando Stephanie me parabenizou, eu percebi que estava sendo sincera. E quando sorriu para mim e sussurrou: — Também me disse que vocês foram a um encontro ontem à noite. — Percebi que estava honestamente feliz. Era difícil não se sentir confortável com ela. —Me deixe adivinhar — brinquei. — Quer ouvir os detalhes. Stephanie parecia incrivelmente aliviada que eu estivesse sendo brincalhona com ela. Percebi que mencionou meu encontro

timidamente,

como

se

estivesse

medindo

possibilidades de amizade e estava nervosa de que eu não a deixasse entrar. Quando fiz, esboçou um sorriso dolorosamente bonito e fiquei tonta. —Oh, sim, sim, por favor! Isaac não me disse nada! Corei. — Não há muito para dizer. Foi um impulso do momento e realmente esperávamos não pegar o tráfego. Nem tenho certeza se foi um encontro. Stephanie assentiu gravemente dizendo: — Isaac chamou de encontro. — Meu coração se agitou com o entusiasmo de saber que confirmava.


— Mas Isaac é muito reservado. Na realidade, é bastante tímido, sabe? Não é dos que beijam e contam. Ele disse que saíram, mas isso é tudo que consegui saber. Não posso dizer o quão emocionada estava. Ele não sai com muita frequência. Fiquei surpresa pela confissão de Stephanie. Isaac tímido? Isaac não sai muito? Quanto mais pensava nisso, mais me dava conta de que era verdade. Era popular, e saía com os meninos mais populares da escola, mas não me lembrava de têlo visto com uma namorada e quando estava com seus amigos, sempre estava em silêncio. Isso era parte de seu mistério. É o que o faz tão ultra legal. Também o fato de que me convidou ontem foi ainda mais intrigante. Não entendia o que estava acontecendo aqui. Isaac Warren me convidando para sair? Robin tendo medo de que eu seja muito popular para sair com ela? Stephanie nervosa por ser minha amiga? Era como se tivesse entrado em uma realidade alternativa onde eu era alguém muito, muito popular. Não, importante. Não era essa a palavra que Isaac usou? Não podia deixar de sentir que não merecia a atenção. Era a mesma sensação que tive quando as senhoras de “Nem todo mundo está fazendo” pediram para que fosse sua porta-voz.


Eu estava me afogando na pressão de tudo. Não poderia ser esta pessoa que todo mundo parecia pensar que eu era. Ou sim? —Aqui é a minha — disse Stephanie, parando na porta da sala de aula. — Vejo você no almoço? —Sim. — Afastei meus pensamentos e sorri. — Vejo você depois então.

Minhas próximas aulas passaram em um borrão e de repente, era a hora do almoço. Sabia que era ridículo, mas eu estava um pouco nervosa de me juntar a Stephanie e todos os seus amigos para o almoço. Sobre tudo quando não falei com Cara, meu pilar de força, ao longo de todo o dia. Me

afundei

contra

meu

armário

e

tentei

enviar

mensagens de texto para Cara uma outra vez antes de ir ao refeitório. Deixei escapar um profundo suspiro enquanto esperava para ver se conseguia uma resposta esta vez. Surpreendentemente, consegui. Quatro delas seguidas. Sinto muito!


Não estou ignorando você. Não tinha telefone. Estarei ai em breve. Tenho tanto para te dizer! —Tudo bem, Val? — Levantei o olhar para ver Isaac me estudando. Seu rosto não parecia nada longe do que ele estava pensando. — Você está estressada. —Um pouco — admiti. Isaac apontou para o lugar vazio ao meu lado. — Posso? Quando assenti, se juntou a mim, no chão do corredor, que estava cada vez mais deserto enquanto as pessoas iam para o refeitório. Isaac pegou minha mão outra vez, como fez na noite anterior e em seguida me olhou como se perguntasse: "Está tudo bem?" Mal tive tempo para sorrir antes de alguém chamar pelo meu nome. Zach me olhava com os olhos tão grandes como pratos. —Vai sair com ele? — perguntou com incredulidade. Por uma fração de segundo Zach parecia ferido, mas rapidamente


substituiu esse olhar por um olhar de nojo? Isso agora é uma provocação idiota e superficial? —Vamos cara, isso não é bom — disse Isaac. — Deixe ela. Apreciava, mas Isaac não tinha por que sair em minha defesa. — Não com a esperança de que ele me ajude a superar você.

Zach

ficou

surpreso

pelo

meu

comentário.

Provavelmente deveria tê-lo deixado lá, mas eu estava irritada e ainda muito afetada pelo que me fez. — Eu gosto de Isaac porque é gentil e atencioso. Sabe o que é isso? É quando você realmente pensa sobre os sentimentos das pessoas e se preocupa a respeito de não pisar em ninguém. Deveria tentar alguma vez. —Eu? — disse Zach com uma risada irritada. — Se você tivesse preocupada com meus sentimentos absolutamente... —Você. Quebrou. Meu. Coração! — gritei, surpreendendo a nós três. Comecei a tremer de ira e Isaac apertou minha mão. Era tão bom tê-lo ao meu lado naquele momento. — Pensei que te amava — disse a um Zach atônito.


— Pensei que podia ser honesta com você. Pensei que pelo menos me escutaria se te dissesse como me sentia e em vez disso me deixou antes que eu pudesse piscar. Então, se envolveu com a Olivia Lewis no dia seguinte. Na frente de todo mundo! Tudo o que tenho feito desde que nos separamos foi para que talvez, algum dia, os caras como você não sejam capazes de fazer mal às pessoas da forma que você me machucou. Zach não teve uma resposta. Observou boquiaberto por mais um minuto e saiu correndo. —Sinto muito — disse em voz muito baixa para Isaac, que ainda estava sentado lá. — Não era minha intenção fazer isso em sua frente. Ele me deixou tão irritada. — Olhei para Isaac, que não tinha ideia do que fazer ou dizer no momento e sorri. — Obrigada de novo por ontem à noite — disse. — Obrigada por me entender. Um sentimento de gratidão tomou conta de mim nesse momento com tanta força que me inclinei e beijei Isaac sem pensar. Podia sentir como estava surpreso, mas rapidamente superou e me devolveu o beijo como se estivesse mais que feliz em fazer.


Quando me afastei, Isaac me observou com uma dessas olhadas dele que pareciam penetrar até o final da minha alma. O que viu ali deve ter sido bom, porque disse: — Eu queria fazer isso ontem à noite, mas não tinha certeza se você queria que eu fizesse. —Eu não tinha certeza de que você quisesse — admiti. — Seja qual for a relação que temos, amizade ou algo mais, é mais intensa do que estou acostumada. — Corei e acrescentei: — É um pouco assustador. Um breve sorriso iluminou o rosto de Isaac como se soubesse exatamente o que queria dizer e me disse: — Então... Estava deixando que a decisão de "nós" dependesse de mim, mas ainda não estava muito segura do que queria. —Então... —disse. — E se simplesmente saímos por um tempo e vemos o que acontece? Robin Daniels e eu estávamos falando de ir a um encontro duplo esta sexta-feira. Quer vir comigo? O rosto de Isaac se iluminou.


—Eu adoraria. — levantou e estendeu uma mão para mim. — Agora acredito que é hora de ir almoçar antes que a comida acabe. —Boa ideia — disse. — Ouvi dizer que há lasanha hoje. Nunca se sabe. Poderia ser melhor que a da tia Ani. Cruzar a cafeteria de mãos dadas com Isaac causou um pouco de agitação. Não foi um desses momentos que detêm o tempo, que alteram a vida, mas todo mundo nos olhava pela extremidade de seus olhos e depois sussurravam com a pessoa a seu lado. Isaac parecia não perceber, mas Isaac é Isaac. Estava muito acostumado para perceber. Ele me arrastou até sua mesa e nenhum de seus amigos ficou surpreso. Stephanie e Lacy guardaram um lugar entre elas, mas ao ver minha mão na do Isaac, Stephanie deslizou para que eu pudesse me sentar junto a ele e foi isso. Era o de sempre na mesa da lista A. Só que agora me incluíram.


A briga

— Está viva! — brinquei quando finalmente Cara me ligou. — Pensei que o lado escuro do mundo do rock n'roll VIP poderia haver te sugado de verdade esta vez. —Poderia passar — disse Cara. — Onde você está? —Na escola. Onde você está? —Na escola. Onde você está mais especificamente? —No refeitório. Já é hora do intervalo, caso não se deu conta. —Estou no refeitório e não está... Oh. — Desligou.


—Era Cara? — perguntou Stephanie. —Sim, acredito que está se recuperando de sua noite selvagem. Deveria ir encontrá-la. —Val, não tem que ir a nenhum lugar. —Sim — disse Lacy — Ela pode se juntar a nós se quiser. —Ugh, tem que fazer? — choramingou Olivia. — É tão horrível. Sem ofender Val, mas como você pode suportá-la? —Falam dessa garota drama? — perguntou Devon. — Isso me assusta. —A mim também — admitiu Mason. —Acho que é sexy — disse Jeff. — Ouça Val, quer convidar sua amiga? —Sim, claro Jeff — disse Mason. — Essa garota é muito para você. Te comeria no café da manhã.


Todos soltaram uma boa gargalhada. Eu adoro que as pessoas tenham medo da Cara. Tenho certeza que ela também gosta. —Não tenha pressa para vir me encontrar nem nada — disse Cara aparecendo por cima do meu ombro. —Estava a caminho — eu disse, ainda rindo um pouco. Toquei o lugar junto a mim de onde Stephanie se afastou. — Sente. Quando não se sentou olhei para trás de mim. Observava meu novo grupo de amigos e por uma vez não mostrava nenhum tipo de emoção nesse seu rosto tão dramático dela. — Ou posso ir com você — sugeri. Stephanie e Isaac tentaram dizer a Cara que era bemvinda para ficar, mas estava certa de que ela queria me perguntar sobre minha escolha de hoje e não podia fazer exatamente na frente de todos. — Está bem — eu disse ficando de pé. — Temos muitas coisas para conversar. Vejo vocês mais tarde, meninos. Antes que eu pudesse ir, Isaac pegou minha mão. — Posso te levar para casa hoje?


—Na moto? — Meu coração saltou em meu peito com a ideia de ir atrás dele e me abraçar fortemente todo o caminho para casa. Isaac riu e disse: — Seja mais aventureira, Val. Você é boa nisso. —Bom, quando você coloca dessa maneira. —Vejo você em seu armário. —Está bem. Cara teve a decência de esperar até que estivéssemos fora do refeitório antes de parar abruptamente. — Está bem, solta o drama. Estou morrendo. Quase não pude desfrutar da festa ontem à noite porque fiquei pensando em você. O que aconteceu? Obviamente as coisas foram bem. Mas, quão bem? Vocês estão juntos ou o que? Não podia saber. Mas vai totalmente encaminhado a isso, verdade? Demônios garota, eu não posso acreditar que esteja almoçando com Stephanie DeWitt e irá para casa na moto de Isaac Warren! Não pude evitar e estalei em risadas. Não sei como conseguiu se controlar. — Não, você primeiro — insisti quando minha risada se acalmou.


— Me sinto mal por não ter ido com você e Shane. Quero dizer, sabe que não me importa a cena da festa e especialmente com Kyle e tudo, mas ainda assim, Shane é importante para você. Eu deveria ter ido ontem à noite, portanto, sinto muito e agora quero saber tudo sobre ela. Houve pessoas famosas lá? Quantos encontros Kyle levou? O rosto de Cara se iluminou e ela exclamou: — Essa é a V que conheço e amo! Certo, em primeiro lugar, Jimmy Eat World estava lá, que é mais impressionante do que eu posso dizer e em segundo lugar Kyle não levou nenhum encontro. —Sério? — Odiava que esta notícia me interessasse e odiava a forma em que Cara levantou uma sobrancelha quando fiz. —Não, não levou ninguém — disse. — O que foi algo bom porque dançou e beijou quase todas as garotas lá e em seguida levou para casa a namorada de algum outro cara. —Genial. —Não se preocupe V. Ele perguntou por você. —Ah, sim? O que disse?


Cara pareceu preocupada por um segundo, ou talvez culpada e em seguida mudou de assunto. O que Kyle disse a respeito de mim não era exatamente um elogio. Oh, bom. Foi provavelmente o melhor. —Não importa o que Kyle disse. Lembra que você disse que foi uma péssima melhor amiga ultimamente, e que me deve uma por não vir comigo à festa de ontem à noite? —Não é exatamente o que eu disse, mas sim? — perguntei com receio. —Bom... — Cara se contorceu. Fosse o que fosse, ia ser ruim. —Cospe já. —Tralse está filmando um vídeo musical na sexta-feira para “Verdadeira Pena”. Queria te perguntar se você gostaria de estar nele. —Oi? —Val, é sua música. Kyle a escreveu para você. Agora que você estava nas notícias, pensaram que seria ótimo que a Virgem Val de verdade estivesse no vídeo. Inclusive seu empresário acha que seria uma boa ideia. —Definitivamente não é uma boa ideia.


—Pense na publicidade que conseguirá. Você está a ponto de lançar sua linha de joias e querem que use seu colar no vídeo. —Provavelmente só meu colar. Cara essa música é a respeito dele querendo que eu dê minha virgindade a ele. —Já sei! É perfeito. O mulherengo desejando à virgem. É delicioso. —Também é algo que não vai acontecer. —Mas V... —Nada de mas. Minha resposta é não. Não só não, absolutamente não. De jeito nenhum, seria como deixar que Kyle ganhasse. Cara suspirou e esperava que lutasse mais, mas em troca sorriu. — Eu disse a eles que você nunca aceitaria. Prometi que perguntaria, mas disse que não faria. —E por isso que te amo, C. —Ainda não me ame. —Isto não pode ser bom. —Bem, disse que você nunca aceitaria em um milhão de anos, Shane disse que se você não for então eu deveria fazer.


Esta manhã fui conhecer o cara que está dirigindo o vídeo e fiz uma audição para ele. Disse que o papel é meu se eu quiser, mas disse que tinha que consultá-la primeiro. Cara tentava manter uma expressão impassível, mas prendia sua respiração: rezando para que eu não me irritasse. Não estava. Apesar de que era para o vídeo musical de Kyle, não estava nada mais que emocionada. — C, isso é ótimo! —Sério? —É claro! Tudo o que você sempre quis é ser atriz. Estar em um vídeo musical tem que ser um passo na direção correta, não é assim? —Exatamente! — Lançou um sopro gigante de alívio. — Poderia dar um passo na porta para outras audições. Talvez até me ajude a conseguir um agente — controlou a si mesmo e disse: — Então, não se importa se eu fizer? —É claro que não. Fico feliz por você. Além disso, se você fizer então eu não tenho que fazer certo? —Certo. Então você quer nos ver filmar na sexta-feira? Será até as 16h00min p.m. por isso nem tem que faltar à escola.


Agora é minha vez de duvidar. — Hum — eu disse, me encolhendo. — Sabe que eu gostaria Cara. —Mas? —Como que já tenho feito planos. —Que planos? Fez planos sem mim? —Sinto muito. Só que aconteceu. Estava dizendo a Robin esta manhã sobre como Isaac queria sair, mas estava um pouco nervosa de ir, assim Robin sugeriu um encontro duplo. Sabia que Cara estava ciumenta de quanto tempo estava passando com Robin ultimamente, mas sinceramente não esperava que estivesse tão ferida como estava. Nem se zangou. Não disse algo cáustico ou gritou nem nada. Seu rosto simplesmente baixou um pouco e perguntou: — Contou seu drama com Isaac para Robin? Nunca vi Cara responder a algo com calma. Me senti terrível, mas não podia voltar atrás e me desculpar por não fazer nada de errado, Robin era minha amiga agora, e Stephanie. Cara ia ter que aprender a compartilhar. —Não estava aqui e não atendia o telefone. Robin perguntou, Então eu disse — expliquei com um encolhimento


de ombros. Então tentei mudar de assunto o mais rápido possível: — Se isso te faz sentir melhor, insultei Zach e beijei Isaac. —Sério? Sorriu brilhantemente. Acredito que era a primeira vez que tentava utilizar suas habilidades de atuação para enganar a mim. É boa, mas não o suficiente. O sorriso era falso. —Ainda vem comigo ao lançamento no sábado? — perguntei. Meio esperando que arrumasse uma desculpa para se livrar de mim. —É claro que vou estar lá. Tenho que ir a secretaria agora. Minha mãe me escreveu uma nota para faltar amanhã à escola. —Tudo bem. Então nos vemos na sétima hora. Cara se foi e arrastei meus pés até minha seguinte classe. As coisas estavam estranhas entre nós. Brigamos e nos reconciliamos como qualquer outro dia, mas esta vez foi diferente. Estávamos brigando, mas não estávamos. Cara era minha melhor amiga sempre. Odiava estar em desacordo com ela, mas o problema era que nem estava segura de por que brigamos neste momento, ou como corrigir.


Sábado à noite e o lançamento das joias Virgem chegou muito rápido. Havia um milhão de coisas que tinha que fazer e de repente, me encontrava de algum jeito no escritório de trás da joalheria de Margaret, esperando pela multidão reunida fora na parte da frente. O termo "escritório" era generoso. Era mais como um armário de fornecimentos com uma mesa, mas era tranquilo e estava vazio de todas as pessoas exceto Margaret e eu, por isso era um santuário no momento. —Acredito que nunca estive mais nervosa em minha vida — murmurei. — Há tanta gente aqui. Todo mundo apareceu. Os senhores Cartwirght e Jackson do C&J Jóias, Christina e Darla da Fundação “Nem Todos Estão Fazendo”, meus pais, todo o corpo estudantil da Escola Huntington, uma grande quantidade de repórteres que foram convidados por alguma equipe contratada de publicidade do C&J Jóias, e finalmente Tralse estava aqui. Tralse estava programado para ser o entretenimento da noite sem importar o quanto eu protestei contra a ideia. Tanto as pessoas do C&J Joias assim como as pessoas do Tralse


disseram que seria uma boa ideia. Devem ter tido razão, porque inclusive CNN estava aqui. Íamos fazer notícia esta noite. —Tudo isto por uma humilde estudante de preparatória, uma causa e um colar, uma pulseira e um par de brincos. —Vamos querida, é emocionante — disse Margaret. — Todos amam ver jovens fazendo coisas extraordinárias. —Mas não fiz nada extraordinário. É só uma corrente com um V nela. Só consegui o acordo porque Kyle Hamilton escreveu uma odiosa música. —Bobagem! Você mesma é extraordinária. Toda essa gente aí fora está aqui para te apoiar porque podem ver o quanto é especial para defender algo que acredita. —Mas Margaret, não sou especial. Estou apavorada. Não quis que nada disso acontecesse. Não acredito que possa fazer. Não posso ir lá fora. —Estarei lá com você, também seus pais e todos seus amigos. De fato, acredito que vi um jovem muito bonito te esperando lá fora. Margaret arqueou uma sobrancelha para mim, fazendo com que minhas bochechas ficassem rosa brilhante. — E então? — perguntou.


Sorri com a ideia de Margaret querendo fofocar sobre “o bonito jovem” comigo. Era uma distração bem-vinda, assim que disse sobre Isaac e a respeito do nosso encontro de ontem à noite. A noite foi bem e estava bastante segura que Isaac e eu fomos oficialmente notícia agora. Falar com Margaret não era tão bom como deixar cair os detalhes para Cara, mas as coisas ainda estavam estranhas entre nós e estávamos tão ocupadas, ela com a filmagem do vídeo e eu com o lançamento, que ainda não nos falamos. Prometeu que viria esta noite com Shane, mas ainda não a vi. Desconfortável ou não, tinha a esperança de que estivesse aí me esperando. Não acreditava que pudesse passar esta noite sem ela. Depois de uns minutos, alguém bateu na porta do escritório, e Margaret me conduziu para fora. Deixei escapar um enorme suspiro de alívio quando Isaac estava lá me esperando. Parecia tão incrível com o traje que usava para a noite que, brevemente, cogitei a ideia de assistir à escola dominical com ele. Apertei sua mão que me esperava, e quando sentiu que tremia, me puxou em seus braços. —Você está bem? — perguntou. —Só nervosa. Olhou nos meus olhos.


— Ficará tudo bem — disse, e logo me deu um beijo rápido. Supus que então já era oficial. Se Isaac me beijava na frente de todos, incluindo meus pais, isso tinha que significar que era meu namorado. Pensei rapidamente e decidi que estava bem com isso. Quando ele se afastou e sorriu timidamente, sorri e peguei sua mão. Não tinha a intenção de deixá-lo ir toda a noite. — Está bem — eu disse, deixando escapar um profundo suspiro. — Vamos fazer. Com um sorriso, Isaac me levou para a multidão. O evento foi na área principal do centro comercial que geralmente era reservado para a Caça de talentos e a chegada de Papai Noel. Esta noite, foi criado um palco para que Tralse tocasse e trouxeram segurança extra para controlar a multidão. O centro comercial estava aberto ao público, mas devia ter um passe especial para ser admitida na joalheria Margaret, a qual era uma espécie de base de operações para a noite. A primeira parte foi só conhecer e saudar. Enquanto Tralse tocava ao fundo, as pessoas se misturavam e me fizeram todo tipo de perguntas. Não conseguia entender, mas parecia


que todos queriam conhecer a Virgem Val. Inclusive o prefeito estava lá e me disse que fui nomeada para algum prêmio adolescente "Faz o Melhor". Foi alucinante. Então, chegou o momento da inauguração da nova linha de joias Virgem. Toda a imprensa se reuniu para escutar os discursos; o meu, o do senhor Cartwirght e o senhor Jackson e, apesar de já ter dado o dinheiro que ganhei no festival para Darla, alguém tinha um desses gigantes cheques impressos e fizeram um espetáculo de mim entregando para Darla. Depois disso, foi à conferência de imprensa. Essa foi a parte que mais temia, mas não foi tão ruim. Mais câmeras, mais pessoas me olhando, mas a maioria das perguntas já tinha respondido desde que esta loucura começou. Tudo ia bem até que uma repórter de uma revista de fofocas sobre celebridades trouxe a tona o assunto inevitável de Kyle Hamilton. —Percebi que Tralse está aqui esta noite — disse, com um sorriso ridiculamente presunçoso. — Isso significa que os rumores de sua inimizade com Kyle Hamilton são exagerados? —Inimizade? — repeti um pouco incrédula. Não pude deixar de olhar para Kyle. Encontrou meus olhos e sorriu com um sorriso dez vezes mais presunçoso do


que tinha a repórter. Queria tirá-lo do seu rosto. Veríamos o quanto arrogante se sentiria em um minuto. —Não estou muito certa do que está falando — eu disse, retornando minha atenção à repórter. — Estou muito agradecida a Kyle. Ninguém ajudou a difundir a palavra sobre V para Virgem e o desafio da abstinência mais do que ele quando escreveu essa música. Sem isso, nenhum de nós estaria aqui esta noite. Agora, Tralse estará apresentando o colar Virgem em seu próximo vídeo. Será uma maravilhosa publicidade. De fato, pode-se dizer que Kyle Hamilton é o maior defensor de V é para Virgem. — Então, fiz questão de virar para Kyle, com um sorriso tão angelical que estava à beira da maldade. — De verdade, não posso te agradecer o suficiente. Cada olho na sala agora estava em Kyle. Seu sorriso nunca vacilou, mas pude ver algo em seus olhos quando me olhou fixamente. Surpresa, irritação, diversão, não podia dizer, mas definitivamente algo havia lá. Algo que me fez pensar se cometi um enorme engano ao incitá-lo dessa forma. Kyle olhou em volta do mar de curiosos espectadores e então, sem nenhuma palavra, foi até o pódio onde estava parada. Meu coração se acelerou enquanto se aproximava. Tinha esse brilho nos olhos de novo o animal que me encurralou na escola algumas semanas atrás.


Ele parou a centímetros de mim, irradiando suficiente testosterona para que as pessoas, nos observando, pudessem vê-la rodando em ondas fora dele. Eu me preparei, tentando corresponder a sua confiança. Ele passou seus dedos sobre meu colar. O calor se apoderou de mim quando seus dedos entraram em contato com a minha pele. — É uma vergonha terrível — disse, ganhando algumas risadas da audiência. Olhou à multidão de pessoas tomando nossa imagem e logo esboçou um sorriso malicioso. — Na verdade, há uma maneira que você poderia me agradecer — disse alto e claro no microfone. Não tive a chance de replicar. Puxou meu rosto para o seu e me beijou na frente de todo o mundo, desde meu namorado até o CNN. Esqueci as câmeras. Esqueci meus pais. Esqueci minha campanha. Esqueci que era um modelo a seguir. Nesse momento, o único que eu podia pensar era em Kyle. E no muito que queria matá-lo. O empurrei para longe de mim e dei uma tapa tão forte que minha mão doeu. Sua bochecha ficou marcada quase imediatamente. Fiquei feliz de ver isso.


— Não volte a fazer isso — assobiei entre dentes, tremendo de fúria. Kyle sorriu mais do que feliz em quebrar meu controle. — Sabe por que está tão irritada justo agora? — perguntou com risada em sua voz. — Porque você gostou. Me quer. Você vai cansar dessa bobagem de cruzada sem sentido de nada de sexo, Virgem Val. Você vai desistir e eu vou rir quando fizer. —Você é um porco! — gritei. —Você é uma hipócrita! — disparou Kyle de volta. —Não vou desistir — eu disse, baixando minha voz, mas ainda grunhindo. Nesse momento, tomei a decisão que me perseguia por dias: — Eu vou me juntar à Fundação “Nem Todos Estão Fazendo” como sua nova porta-voz, vou fazer tudo o que puder para que cada garota nesta cidade se junte à abstinência, todas as garotas no mundo, não por outra razão que seja para me certificar que você nunca faça sexo outra vez. Me olhou com um duro e irritado sorriso. — Boa sorte com isso — disse, e depois partiu pelo mar de gente, ignorando todas as perguntas que lançavam a ele enquanto ia.


O desdobramento publicitário Eu consegui não só notícias nacionais. Com a nossa incrível apresentação, Kyle e eu nos tornamos algo global. De algum jeito, da noite para o dia me tornei mais popular que as Kardashians7. Logo depois que Kyle saiu do show desta noite, os senhores Catwright e Jackson fecharam a conferência de imprensa enquanto Darla e Margaret me levavam de volta para a loja de joias onde me tranquei no escritório de Margaret até que meus pais pudessem me levar para casa.

7

Kardashians: Se refere às filhas da família do reality show “Keeping Up With The Kardashians”.


Não falei com ninguém, ou chequei meu e-mail, ou meu telefone e me neguei a deixar que meus pais ligassem a televisão pelo resto do fim de semana. Fiquei em isolamento total. Inclusive cheguei ao ponto de colocar uma manta enorme sobre a janela do meu quarto apesar das cortinas, já que os paparazzi acamparam em meu quintal da frente com suas lentes. Cara foi a primeira a penetrar na minha fortaleza de solidão, na manhã da segunda-feira antes da escola. Fiquei surpresa que demorou tanto tempo. — Bom, não teria demorado — disse enquanto subíamos as escadas para meu quarto. — Exceto que seus pais estavam bastante determinados. Disseram que precisava de pelo menos um dia. —Não fez falta, mas fico feliz que esteja aqui agora. —Suponho que está evitando as notícias. —As notícias, sim. Kyle, nem tanto. Cara jogou um olhar interrogativo, mas só sacudiu sua cabeça como dizendo “Só espera”. Lancei minha porta para trás para que Cara pudesse ver a monstruosidade dentro. Teria notado, mas não havia forma de que pudesse prepará-la para isso. Cara entrou no meu quarto e ofegou.


— Santo Deus! Deve haver quinze dúzias! Estava perto. Havia vinte dúzias. Vinte dúzias das rosas mais bonitas que foram ocupando cada espaço disponível da mesa/penteadeira/estante/mesa de cabeceira no meio quarto. Duzentos e quarenta flores no total. Meu quarto se tornou em uma floricultura. Zach me deu uma dúzia de rosas de caule comprido em meu

aniversário

antes

que

terminássemos.

Essas

fora

impressionantes. Isto era... Era... —Louco. — Cara suspirou reverentemente enquanto completava meu pensamento. —Acredito que deixou vazia cada loja de flores no Huntington Beach. Cara afastou seu nariz de uma flor. — São todas de Kyle? Suspirei quando o rosto de Cara se iluminou. Sabia o que pensava. — V! — gritou. — Isto é tão incrivelmente romântico! Como pode ainda estar irritada com ele?


Entreguei o cartão que chegou com o carregamento de rosas. Ela leu em voz alta. — Shane disse que devia me desculpar, então aqui vai... Lamento que você esteja irritada comigo. Com amor, Kyle. PS: Não se preocupe, não direi a ninguém que me devolveu o beijo. —Você fez? — perguntou Cara automaticamente. —Fiz o que? —Devolveu o beijo. —Não — eu disse. Cara cruzou seus braços sobre seu peito e esperou pela verdade. —Não! — insisti. Mesmo assim elevou uma sobrancelha. — Não sei, ok? Talvez. Fui emboscada! Foi um reflexo! — Claro — disse Cara com um sorriso ardiloso que não apreciava. — Só me diga uma coisa. Foi tão quente como pareceu? —Alcançou um montão de tabloides de sua mochila. — Porque parecia como se vocês estivessem pegando fogo. Talvez. Mas mesmo se estivéssemos, nunca ia admitir. Nem a mim mesma. Nem a Cara. E definitivamente, nem a Kyle.


Abati através do montão de revistas em minha mão. Todas tinham minha história na capa. A maioria mostrava Kyle me beijando, mas uma tinha uma foto de eu dando um tapa nele. Era uma boa tomada, muito humilhante para Kyle. Meus lábios se curvaram, e Cara riu. — Essa é a minha favorita, também. —Acho que farei uma moldura. Cara quebrou meu humor escuro e passamos o momento seguinte lendo tabloides e revistas. Quando tivemos que ir à escola, ainda havia um punhado de paparazzi em meu jardim da frente. Começaram a filmar e tirar fotos no segundo que sai, gritando perguntas que me recusei a responder. Cara parou seu carro perto de mim e me forçou a enfrentar meu público. Bloqueavam seu caminho da entrada da garagem. — Apenas sorria — sussurrou. Forcei um sorriso por seu bem, e gritou: — De acordo. Tirem suas estúpidas fotos e saiam do nosso caminho. Não tenho nenhum escrúpulo em passar por cima de alguém que nos faça chegar tarde à escola. Não vou receber castigo por causa de vocês. Os repórteres riram e continuaram tirando suas fotos, mas contornaram o carro para que pudéssemos sair.


—Eu já disse que te amo muito? — perguntei enquanto nos afastávamos. — Muito obrigada por ser minha melhor amiga. De verdade não sobreviveria a isto sem você. Tentava romper a tensão entre nós que minha amizade com Robin causou. Cara percebeu e embora não tivesse me perdoado de tudo, me deu um sorriso relutante e disse: — Você é minha garota, V. Sabe. Eu sabia. Estava tão agradecida por isso que ela jamais saberia enquanto cumpria o papel de meu cão de guarda a semana toda. Não sabia quem me incomodava mais, os paparazzi ou os estudantes da Secundária Huntington. Tudo o que queria era um momento de paz e nunca parecia conseguir. Inclusive os professores me chamavam de lado para conversar quando me viam nos corredores. Professores que nunca foram meus professores. Na sexta-feira as coisas começaram a se acalmar. Cai em uma pequena rotina com minha nova vida que constava de novos amigos, novo namorado e meu próprio irritante bando de groupies. Cara continuava me levando para escola, mas Robin começou a me levar para casa porque tínhamos que passar um


pouco de tempo juntas todas as tardes para tentar recuperar o atraso com as coisas do site. Cara rejeitou minha proposta de ficar e trabalhar com a gente, mas pelo menos eu consegui convencê-la a se juntar à mesa da Lista A no almoço. Ainda queria continuar sentando da mesma forma, só nós duas como sempre fizemos, mas ambas nos demos conta de que era melhor sentar com Stephanie e seu grupo. A escola parecia aceitar minha mudança de popularidade e desde que os integrantes da Lista A eram mais intocáveis que nunca, quando me sentava com eles, groupies tinham muito medo para se aproximar. Além disso, Jeff e Mason nos entretêm o suficiente para eu não ser o tema principal entre eles. Eram simplesmente meus amigos agora. Como era Robin, e como Cara foi sempre. O almoço começou a ser o único momento do dia que me sentia normal. Se tornou o meu santuário. Imaginei que Kyle Hamilton escolheria esse momento para aparecer e fazer estragos em minha vida de novo. Sabia que era ele quando a cafeteria estalou em um coro de gritos e chiados. Levou um pouco de tempo para abrir caminho entre a multidão de garotas do ensino médio babando, mas quando as pessoas se deram conta de que estava vindo em


minha direção todos abriram caminho como o Mar Vermelho, desesperados para ver que drama criaria agora Kyle e eu. Isaac colocou um braço de apoio ao redor de mim, mas Cara me abandonou no meu momento de necessidade porque Shane seguia Kyle e ela não o viu a semana toda. — Querido! —choramingou e saltou para ele como um cão saudoso. — O que você está fazendo aqui? — se beijavam antes que ele pudesse responder. Kyle pegou o lugar de Cara do meu lado como se ali fosse onde almoçasse todos os dias. Sentou de costas para mesa, apoiando seus cotovelos sobre ela e estirando suas longas pernas no corredor em frente a ele. Sorriu para a minha surpresa. — Sentiu saudades? Uma vez que me recuperei do meu estado de choque, franzi a testa. — Se você veio para pedir desculpas pessoalmente, posso te assegurar que era completamente desnecessário. Recebi suas mensagens. Às duzentas e quarenta. Meu quarto tem mais


rosas que a cerimônia de eliminação do The Bachelorette8 agora. O sorriso de Kyle passou de presunçoso para arrogante. — Você colocou todas aquelas flores em seu quarto? Corei. Coloquei todas em meu quarto. Por mais que odiasse admitir, amava as flores. Era lisonjeiro ser a vítima de tão exagerado gesto. Kyle riu entre dentes e passou seus dedos por minhas bochechas queimando. — Adoro quando você cora, Val. Atordoada por seu toque, bati em seus dedos para longe de mim, me inclinei para Isaac em um óbvio movimento de “Estou com ele”, e soltei: — O que você faz aqui? Kyle sorriu e colocou um papel em cima da mesa na minha frente. Era uma lista de algum tipo e “Verdadeira Pena” estava na parte superior disso. — Só pensei que você gostaria de saber que já não sou uma maravilha de um só hit. Então, a música chegou ao topo das paradas. Não estava surpresa. 8

The Bachelorette: Como em The Bachelor, é um jogo de encontros em que o competidor deve escolher um único de um grupo de 25 para começar um romance.


— Bom para você. —Também... — Ele jogou outro papel em cima mesa. Este parecia ser algum tipo de contrato. — Acabamos de assinar um novo contrato discográfico. — Era tão presunçoso. — Parece que vai conseguir esse álbum pelo que está ansiando, depois de tudo. —Por favor, me diga que este inclui uma extensa turnê mundial que vai exigir que esteja fora por vários meses. O sorriso de Kyle desapareceu. Aparentemente, sabia como fazê-lo reagir. —Vamos chamá-lo “Desflore de uma Virgem, um tributo a Val” De maneira nenhuma chamariam assim o seu próximo álbum. Só estava tentando me irritar, mas prometi a mim mesma logo depois do lançamento, jamais deixaria que me irritasse de novo. — “Desflore de uma Virgem” — eu disse como provando para ver como soaria o nome. Então, desenhei um brilhante e alegre sorriso. — Eu gosto. Muito criativo. Seria divertido ter um tributo dedicado a mim. Obrigada, Kyle. Me sinto lisonjeada.


Todo mundo estava nos olhando em silêncio até esse momento, mas Stephanie e Lacy, ambos riram entre dentes. Kyle os olhou e logo se levantou da mesa murmurando maldições enquanto lançava um DVD sobre a pilha de papéis. — Trouxe uma cópia do vídeo musical, também — disse, e logo resmungou em voz baixa: — Não sei por que me incomodei. Parecia irritado. Se não soubesse que ele veio até o Huntington Beach para pessoalmente me esfregar seu sucesso no rosto, teria me sentido mal por ter sido tão rude com ele. Mesmo assim, sua aparência ferida me impediu de dizer algo mais doloroso. —Obrigada, Kyle. Não tinha que fazer, mas obrigada. Sei que minha mãe estará ansiosa para ver. Perguntou sobre isso outro dia. —Sua mãe? — perguntou Kyle irritado. —Você não está animada para ver? É sua música. Escrevi para você. Em alguma parte, atrás de nós, mais do que uma garota suspirou. —Honestamente? — perguntei.


— Não estou muito animada para ver o vídeo. A música é degradante o suficiente sem as imagens, muito obrigada. —Degradante? —Estou animada para ver — disse Cara alegremente quando viu o quanto irritado Kyle se tornou. —Eu também! — interveio Olivia. — Val, deveríamos nos juntar esta noite para ver. Quer dizer, é a grande estreia de Cara depois de tudo. Merece uma festa. Meus pais me permitirão isso. Kyle, você e Shane podem vir também! Cabeças se balançaram de cima abaixo ao meu redor, inclusive a de Kyle. Mas festejando com Olivia Lewis e Kyle Hamilton, celebrando uma música que Kyle escreveu sobre querer me colocar em sua cama não era como queria passar minha sexta-feira noite. — Desculpe Olivia — eu disse rapidamente. — Isaac e eu temos planos para esta noite. —E nós vamos com eles — disse Cara a Olivia, se referindo a ela e Shane. — No entanto, ao contrário de Val, não sinto em perder uma festa em que você estará.


Enquanto Olivia amaldiçoava Cara em voz baixa, Kyle se virou para Shane. — É sério que você sair com Val e o idiota esta noite? Eu me irritei. — O idiota? Está sentado aqui mesmo, seu idiota! Comecei a me levantar, mas Isaac me apertou forte. — Val, está tudo bem. Apenas ignore. Shane deu de ombros para seu companheiro de banda. — É a melhor amiga da minha garota. Devo manter a mulher feliz. O rosto de Cara se iluminou. — Sim, deve fazer — murmurou ela e beijou Shane de novo. — Não se preocupe. Você gostará de Isaac. É um fofo total, como você. Kyle estava segurando um último papel em sua mão, mas o que quer que fosse amassou quando suas mãos se fecharam em punhos. Em seguida, jogou no lixo enquanto saía da cafeteria.


Toda a escola o viu partir, as garotas com olhadas mistas entre

adoração

por

Kyle

e

incredulidade

para

mim.

Aparentemente, nenhuma garota no mundo podia entender como eu podia continuar desprezando Kyle. Atrás de mim, Shane suspirou. — Parece que estou em controle de danos. Vejo você esta noite, querida — soltou Cara e assentiu para Isaac e eu. — Mel's on Sunset? Olhei para Isaac e ele assentiu. — Estaremos lá às seis.

No momento em que a escola terminou, a notícia da visita de Kyle estava em todos os meios de comunicação e os paparazzi estavam de volta. Meus colegas de classe felizes com câmeras em seus telefones não tiveram remorso moral ao me vender para mídia. As coisas enlouqueceram tanto que tivemos que trocar nossos planos porque se espalhou o rumor de que estaríamos no Mel's, e uma multidão de ambos, paparazzi e fãs do Trasle se reuniram fora esperando para pegar o próximo episódio de Kyle


Hamilton e Val a Virgem. Terminamos no Jerry's Deli, mas mesmo assim o rumor voltou a se espalhar e um pequeno grupo começou a se reunir fora da janela em que nos encontrávamos sentados. De vez em quando alguém gritava um “te amo, Shane!” e ele respondia educadamente com um aceno. Então, como se lembrando a seus fãs que estava ocupado, se aproximava de Cara e a beijava em alguma parte de seu corpo. Por muito que odeie dizer algo bom de um músico, era doce que Shane se assegurasse de que Cara soubesse que ela era mais importante que seus fãs para ele. Os fãs do Shane amavam Cara também. Cada vez que ele a tocava, havia mais chiados e gritos de “Tão lindos juntos!” e “Casal perfeito!” Notava que isso fazia Cara feliz. Se nenhuma outra coisa boa podia sair desta confusão com o Trasle, ao menos minha melhor amiga encontrou o amor. Franzi a testa para alguma fã entusiasmada e suspirei em direção a Cara. — Querem ter seus bebês — eu disse, apontando para Shane. —Mas ele só tem olhos para você e mesmo assim elas te amam por isso. Como funciona isso? Shane riu. — Elas me amam porque eu a amo.


Isto me fez franzir ainda mais minha testa. — Então me odeiam porque Kyle me odeia? —Kyle não te odeia. Shane disse com tanta simplicidade que era difícil não acreditar. Quando levantou o olhar e me viu esperando uma explicação, deixou seu garfo e me observou fixamente. — Kyle não te odeia — insistiu. — Sente por você o oposto do ódio. É por isso que seus fãs estão irritados com você. —Não estou acompanhando. —Como Cara e eu, os fãs de Kyle querem que seja feliz e tudo o que faz é deixá-lo louco. —Bom, se isso for tudo o que faço, possivelmente deveria pegar a dica e ir encontrar uma garota que o faça feliz. —Ah — suspirou Shane. — Vê? Esse é o problema. Ele já encontrou a garota que o faz feliz. Esperei, e então pisquei quando percebi o que ele quis dizer. — Eu? — perguntei com incredulidade.


— Isso é impossível. Mal me conhece. Os lábios de Shane se alargaram em um sorriso zombador. — Causou certa impressão a primeira vez que se conheceram. Ao meu lado, Isaac riu. Ele não era tão a favor de demonstração pública de afeto como Shane e Cara, então me surpreendi quando me trouxe com segurança para ele e me emocionei quando me deu um pequeno beijo em meus lábios. — Você realmente causa primeiras impressões — brincou. Shane assentiu. — Kyle pode não conhecer seus gostos ou o que você não gosta e essas coisas, mas é fácil de ver o tipo de pessoa que você é e por isso que Kyle se sente atraído. Vocês se parecem muito, sabe? —Quem? — perguntou Cara. —Val e Kyle. —Desculpa. Não sou um mulherengo egoísta. —Mas é segura de si mesma e centrada. Quando foram ao clube, não só o encarou, disse coisas que precisava ouvir faz muito tempo. Conversávamos sobre fazer um segundo álbum há


um ano, mas sempre eram apenas conversa porque Kyle não estava interessado. Kyle não é simplesmente o escritor do grupo, é a alma por trás do Trasle. Sempre foi. Todo mundo nos disse que não seríamos nada como uma banda, então Kyle fez que fosse realidade para provar que estavam errados. Uma vez que tivemos um sucesso com status de platina todo o resto nos veio facilmente, Kyle deixou de tentar. Já não tinha nada que provar para ninguém. Não até que uma garota virgem de dezoito anos invadiu o seu show e disse que nunca seria mais que uma maravilha chata, sem educação, sem garotas e de um só sucesso. Minhas bochechas arderam quando Isaac se girou para me olhar com uma sobrancelha arqueada mais elevada que a outra. — Está fazendo soar muito mais horrível do que foi — eu disse. Cara riu. — Não, não está fazendo. —Não estou fazendo — concordou Shane. — Se não tivesse sido tão horrível, não teria afetado tanto Kyle. Não escrevia uma música em dois anos, mas desde a noite em que te conheceu tem escrito o suficiente para três álbuns. Como se uma música sobre mim não fosse suficiente? — Três álbuns?


—Pelo menos — disse Cara. — Escutei algumas. São boas. Tentei não suspirar. — Estou certa de que são. Não se pode negar que Kyle tem talento. Mas por que deve ser eu quem acende sua criatividade? —Todo artista precisa de uma musa — disse Shane. — Hoje dirigiu até sua escola animado para te mostrar tudo o que conseguiu graças a você. Soprei. —Veio até aqui para me esfregar isso na cara. —Mesmo assim queria que você soubesse — disse Shane com um encolhimento de ombros. — Kyle Hamilton não faz nada para impressionar as garotas, não tem que fazer, mas conduziu diretamente para você

logo

depois

de

nossa

reunião

com

a

companhia

discográfica porque queria que estivesse orgulhosa dele. Minha mandíbula caiu. Senti uma pequena agitação no estômago e tentei ignorar. Me sentia horrível pela forma em que eu o tratei.


— Todo o contrato discográfico é graças a você — continuou Shane. — Logo depois daquele teu lançamento na outra noite, Kyle foi até o escritório da nossa gravadora e exigiu gravar um segundo álbum. Continuava murmurando coisas sobre você, dizendo que ia gravar um álbum tão quente que tentar resistir a ele se tornaria em algo doloroso para você. Quase me engasguei com a comida em minha boca. — Ele, o que? Shane sorriu entre dentes. —Você o enfrenta, Virgem Val, inspira o homem. Isaac me apertou orgulhoso de novo. — Vê? Se pôde inspirar a Kyle Hamilton, então pode inspirar o mundo todo. Vai ser uma incrível porta-voz. Sorri por isso. Amanhã faria minha sessão de fotos para a fundação “Nem Todo mundo Está Fazendo”, e em seguida, na semana seguinte, estava programado para ter minha primeira aparição em classes como porta-voz. Eu estava me sentindo mal por meu discurso durante dias, e Isaac foi o sistema de suporte mais incrível de todos. —Entretanto — disse Isaac a Shane logo depois de ter me dado um pequeno beijo na bochecha.


— Eu gostaria que pudesse inspirar a seu parceiro sobre deixar a minha namorada em paz. Namorada. Não disse a palavra antes. Fiquei sentindo todo tipo de coisas quentes dentro de mim. Sabia que isso era o que era agora, mas mesmo assim era emocionante escutar sair dos lábios do Isaac. —Sim, lamento sobre

isso, amigo

disse Shane

timidamente. — Sei que eu não gostaria de estar sentado durante todo o jantar escutando sobre a paixão de outro cara pela minha namorada, mas Kyle é meu amigo. Prometi falar bem dele esta noite. Estava tão nervosa que acreditei que morreria graças a isso. — Ok — disse. — Você já fez mais que o suficiente com seu trabalho de casamenteiro, então por favor, podemos falar de outra coisa agora? Só então houve outro casual grito e um flash de uma câmera do outro lado da janela. —Na verdade, podemos ir agora? Vamos ver um filme ou algum lugar onde seja agradável e escuro, e as pessoas não possam nos ver.


Shane olhou pela janela e riu. — Não se preocupe Val. O desdobramento publicitário se desgastará logo. Dê outra semana e então haverá alguma celebridade da Lista A com uma desordem alimentícia ou um escandaloso divórcio. Sua vida sexual será notícia velha. De verdade, realmente esperava que tivesse razão.


A ruptura

As semanas passaram, e se tornaram meses, mas a predição de Shane de que o desdobramento publicitário se desvaneceria nunca se tornou realidade. Tudo foi culpa de Kyle. Basicamente, Kyle estava obcecado com nossa pequena “rixa” e soltou sua voz sobre mim cada vez que teve a oportunidade. E, devido à loucura ocorrida no segundo álbum do Tralse, isso foi todo o tempo. Originalmente, as coisas se acalmaram por um tempo. Depois que o álbum saiu e Kyle deu uma entrevista na madrugada de um show de televisão, anunciando ao mundo que dedicou o álbum a mim (e minhas pernas) porque escreveu cada música do mesmo pensando em mim. Isto provocou uma grande quantidade de fofocas nos tabloides, devido a que no álbum havia algumas músicas seriamente sujas e outras


realmente

irritadas,

e

inclusive

algumas

músicas

completamente românticas. Aparentemente o que eu inspirava em Kyle Hamilton era um transtorno múltiplo de personalidades. Kyle tinha razão, no entanto, seu álbum era quente. Se eu não soubesse quem o escreveu, ou de quem se tratava, teria me feito desmaiar igual fez todas as garotas no mundo. Se chamava “S é para Sexo”. Isto era, é obvio, muito melhor que a original ameaça de Kyle de Desflorar à Virgem. Mas mesmo assim era uma indireta pessoal para mim. Não faz falta dizer que os meios de comunicação fizeram um dia de campo com isso. Os Paparazzi me seguiram por toda parte, sempre querendo um comentário sobre algo que Kyle disse. Tentei o meu melhor para não cair em seu anzol, mas ao ver que minha melhor amiga estava presa ao quadril do melhor amigo de Kyle, e ele estava decidido a garantir que nos encontrássemos um ao outro, eu não era muito boa em não jogar lenha na fogueira. Ninguém sabia como apertar meu botão mais que ele. Cada vez que estivemos juntos na mesma sala, eu consegui perder minha sanidade e nossas brigas eram sempre capturadas em vídeos. A metade do tempo, devido a me recusar a ler os tabloides, eu era a última, a saber, de todo o drama em minha


vida de telenovela. O dia que a acusação de Zach golpeou os padrões foi uma dessas vezes. Acabava de sair de uma reunião no escritório de administração da escola e tentava ir almoçar enquanto ainda tinha tempo para comer, quando fui encurralada por um grupo de garotas jovens que conhecia vagamente da equipe de torcida JV. — Ali está! — sussurrou uma delas e logo todas foram ficando no meu espaço pessoal. —É uma puta — gritou uma garota. — Como você pôde fazer isso a Sophia? Elevei meus olhos para o céu e suspirei. — Não tenho tempo para isto hoje. — Esfreguei a dor em minhas têmporas e me concentrei na garota que aparentemente era a líder. — Não tenho ideia de quem é Sophia, e o que Kyle afirma que fiz desta vez, é uma mentira está bem? Tudo está resolvido? Sinto muito. Eu adoraria ficar e conversar, mas estou com pressa. —Não acredito nisso, garota — Uma menina realmente alta de aparência amazônica deu um passo à frente do grupo, não escondendo o fato de que queria me moer a golpes no chão.


— Sophia é minha melhor amiga e isto não é uma mentira! Empurrou

uma

revista

em

minha

cara,

e

instantaneamente me esqueci sobre tudo o que devia estar fazendo nesse momento. Aprendi como manter a mim mesma de derramar lágrimas, mas de maneira nenhuma poderia esconder minha reação quando vi a imagem na capa da revista. Era uma foto que Cara tirou faz uns anos, de uma viagem de acampamento, que fomos com Zach e alguns de seus amigos. O título dizia: “Dormi com a Virgem Val: O ex-namorado confessou sobre seu embaçado escapamento secreto com a notória boa garota.” Um título pequeno debaixo da leitura dizia: “O deus do Rock, Kyle Hamilton, reagiu às chocantes notícias” e mostrou uma foto, aparentemente, do coração quebrado de Kyle. Conhecia bem a foto. Eu a amava, inclusive. Até agora. Zach e eu tínhamos nadado e estávamos curvados para nos secar, mas estávamos com frio então nos cobrimos com um cobertor. Zach fazia um comentário brega sobre a necessidade de calor do corpo para não morrer de hipotermia e me puxou em cima dele. Eu estava rindo enquanto ele me beijava quando Cara tirou a foto. Isso se tornou em uma notória imagem entre nosso pequeno grupo de amigos porque o traje de banho que tinha


utilizando era um Top sem alças e com o cobertor e o ângulo da foto, só poderia ver a parte pequena do meu traje de banho. Basicamente parecia como se Zach e eu estivéssemos nus debaixo do cobertor. Não estávamos. Além disso, nunca fomos mais longe do que um único beijo em toda a viagem. Inclusive dormimos em tendas separadas. —Isto foi tirado faz um ano — eu disse atordoada. — Nós vestíamos roupas de banho. —Sim, certo mentirosa! —É uma fraude! —Falsa! —Cadela! —Puta! —Ladra de namorados! As garotas do JV começaram a soltar gritos de animação bastante vulgares que inventaram só para mim enquanto me afastava, mas não me importei. Não as conhecia e obviamente não me conheciam. Seus insultos não foram os que me machucaram. Estava chateada porque só três pessoas tinham


cópias dessa foto e a fim de que os tabloides o tivessem, Zach poderia ter dado a sua. Por que Cara e eu nos asseguramos de não dar nenhuma das nossas. Respirei fundo antes de entrar no refeitório. Havia me recusado a deixar que Zach me machucasse de novo, mas desde que o plano falhou disse a mim mesma que, pelo menos, não ia ter outra ruptura pública por que ele quebrou meu coração. Entrei na sala esperando que as coisas ficassem em silencio com minha chegada, mas parecia que a nota deste escândalo não tinha saído ainda. Era o de sempre no refeitório da secundária Huntington. Vi meus amigos rindo de algo que Mason dizia e quase deixei escapar uma lágrima. Esses meninos nessa mesa eram meu refúgio. Era minha fundação em toda esta loucura. A única coisa estável com a que sempre podia contar. Precisava deles neste momento. Especialmente a Cara. Ela poderia rir sobre a foto apertada em minha mão e me dizer que não era grande coisa e que tudo voaria antes que percebesse, e poderia acreditar. Precisava acreditar. Mas precisava de algo mais primeiro. Olhei para o mar de estudantes e me preparei quando meus olhos caíram em meu objetivo. Tentei não chamar a atenção enquanto me aproximava de Zach. Não queria fazer


uma grande cena, mas precisava dizer algo. Não podia só ignorá-lo. Fui atrás de Zach e, um por um, de seus amigos se deram conta de mim e ficaram em silêncio. Ele foi o último a olhar para cima. — Val? — perguntou surpreso. — O que aconteceu? A mandíbula do Zach caiu aberta quando deixei cair a revista na frente dele. —Sabia? — perguntei. Eu queria me dá tapinhas nas costas por parecer tão tranquila. — Acho que ninguém poderia inclusive quebrar meu coração pior do que você fez. É um pouco irônico que a pessoa que finalmente voltou a fazer, seja a mesma. —Val... —Em todas as entrevistas que dei, sempre te defendi. Eu pedi desculpa publicamente e compartilhei a culpa por nosso rompimento. Eu disse ao mundo que não era um cara mau, apesar de ter me machucado gravemente. Tive que respirar fundo. Minha voz começou a tremer.


— Isto poderia ter arruinado tudo pelo que trabalhei tão duro este ano. Nunca pensei que isso mancharia minha reputação além da reparação. O que quer que seja que fiz para merecer isto, só quero que saiba que você fez isso. Dói mais do que você provavelmente vai entender. Espero que valha a pena. Todos na mesa de Zach congelaram em choque. Todos se abriram para mim enquanto meus olhos se encheram. Disse a mim mesma que não ia chorar, mas algumas lágrimas caíram apesar de meus melhores esforços. Tentei enxugar com graça e então dei as costas para meu público. Consegui me afastar alguns passos antes que Zach me chamasse. Inclusive disse, por favor, quando me pediu que fosse falar com ele. Parte de mim queria. Parte de mim queria saber por que me faria algo como isso. Mas não podia falar com ele nesse momento. Não poderia fazer isso sem quebrar, e não faria isso. Ignorei Zach e forcei um brilhante e alegre sorriso no meu rosto enquanto me reunia com meus amigos. Zach parou quando Isaac me puxou perto e me deu um beijo. — Minha vida — eu disse pegando meu almoço da minha mochila — é oficialmente uma loucura. —Onde você esteve? — perguntou Stephanie, enquanto Isaac cheirava uma bolacha de manteiga de amendoim que minha mãe colocou em meu almoço especialmente para ele.


— Não esteve na sala recentemente. Ia perguntar se poderia me emprestar suas notas de história. Eric disse que vai ter um exame surpresa. —Só tratando com a loucura em que se tornou minha vida. — Escavei através da minha mochila por minhas anotações. Encontrei um frasco de Excedrin e rapidamente tomei dois comprimidos para minha crescente dor de cabeça, em seguida dei a Stephanie meu caderno de história. — Ooh, obrigada! Quer uma revisão rápida antes da aula? — Não posso — repliquei enquanto escarpava do meu almoço tão rápido quanto podia. — Tenho um convite para falar em uma escola no Whittier esta tarde. Tenho que sair em quinze... — Olhei meu relógio e me corrigi: —... Dez minutos antes de eu sair. —Amiga — disse Mason com uma careta — tenho que encontrar uma razão que me tire da escola tanto quanto você. —Acredite em mim, isso é um saco mais do que possa imaginar. Ainda tenho que fazer todo o trabalho. E só posso em meu tempo livre. É como ter toneladas e toneladas de tarefa extra. —Isso é uma merda.


—Então, poderá voltar depois da escola? — perguntou Cara. —Tenho uma audição esta noite e minha mãe está indo na manicure e pedicura. Deveria vir. Precisa de um tempo de tranquilidade. — Gostaria que pudesse — eu disse. — Tenho uma reunião depois da escola com a Margaret e o pessoal da joalheria do C&J. Minha linha Virgem está vendendo tão bem, que a joalheria C&J me ofereceu ampliar a coleção. Chegou a tentar algumas peças originais de joias que não estão relacionadas com a coisa Virgem. Depois de um coro de felicitações de meus amigos, Isaac passou seu braço ao redor de mim e me deu um beijo no pescoço. — Vai estar pronta a tempo para vir a minha festa hoje à noite? Me encolhi. — Sinto muito. Sabe que tento nunca perder seus jogos, mas tenho que ir com o comitê de festa para ver um par de possíveis lugares. Vou estar no próximo. Juro minha vida nisso. —Ei! — protestou Cara. — Não sabia que hoje escolhíamos os lugares!


—Isso é porque você perdeu as últimas duas reuniões do conselho — disse Olivia alegremente. — Já formamos o comitê de graduação. —Não é muito tarde para se unir— eu disse rapidamente quando a mandíbula de Cara caiu. —Sim — disse ela — mas quem foi eleito presidente do comitê? Se Cara não podia adivinhar pela expressão da minha cara, o sorriso satisfeito de Olivia o confirmou. — Deixou o destino de nosso baile de graduação nas mãos da Olivia Lewis? — gritou Cara. —Não só eu — disse na defensiva. — Todo o conselho votou o mesmo. Honestamente, Cara, Olivia está fazendo um grande trabalho. Já teve algumas grandes ideias e precisamos de alguém de confiança que possa se colocar em horas necessárias desde que Eric e eu, já estamos muito ocupados com outras coisas. Cara me olhou como se tivesse a traído. Depois que o choque passou, se chateou. Não tinha vontade de brigar sobre isto, assim mudei de assunto. — Então, de todas as formas, Querem escutar notícias mais loucas ainda?


—Há mais? — perguntaram Lancy e Stephanie ao mesmo tempo. Assenti. — Vim tarde para o almoço porque estava no escritório do diretor. Algumas pessoas do cinema vieram falar sobre opções dos direitos cinematográficos para minha história. Esta foi à única vez que eles e meus pais puderam se reunir. Houve um suspiro coletivo, alguém se engasgou com a comida e então todo mundo em minha mesa enlouqueceu. —Direitos cinematográficos? — perguntou Isaac com um pouco menos de entusiasmo que outros presentes. Assenti. — Parece que V é para Virgem, o filme poderia estar chegando a uma sala de segunda categoria perto de você. Todo mundo, exceto Isaac, riu e me felicitou outra vez. Ele ainda franzia a testa. — Realmente quer esse tipo de atenção? Sua vida está agitada o suficiente. Sua preocupação era tão adorável. — Sei — disse com um suspiro. — Não me sinto muito contente, mas...


—Mas disse que sim, verdade? — interrompeu Cara. Havia algo em seu tom de voz; uma urgência que a denunciou. — Já sabia sobre isto — eu disse. —Ontem à noite os meninos falavam disto — admitiu com embaraço. Apertei os dentes a sua referência aos meninos. Cara e Shane ainda estavam asquerosamente apaixonados e desde que ele estava sempre com Trasle, ela sempre andava com eles também. Eles eram praticamente uma família agora. Se não estivesse tão ocupada com minhas próprias coisas, me sentiria insultada de que minha melhor amiga passasse mais tempo com meu inimigo do que comigo. —Como Tralse sabe? —Os mesmos caras que chamaram você, fizeram com eles. Queriam ter certeza de que se você dissesse que sim, podiam usar o nome do Tralse e cantar “Verdadeira Pena” no filme. —Não posso acreditar que sabia disto antes que eu. Cara só encolheu os ombros. —Sobre esta coisa do filme, Val — começou Isaac timidamente — Está certa de que é realmente o que quer?


Revirei meus olhos. — Não especialmente. —Mas você vai fazer certo? — disse Cara outra vez. — Val, tem que fazer. Isto será enorme para os meninos. —Não tem que fazer nada — murmurou Isaac. — O que é bom para Kyle Hamilton não necessariamente é bom para Val. —É bom para Val! — disse Cara arrogantemente. — Merece isto. Trabalhou seu traseiro durante todo o ano. Inclusive tem outros grupos envolvidos com V é para Virgem, além da Fundação “Nem Todos Estão Fazendo”. Grupos religiosos, grupos de conscientização da AIDS... Todo tipo de pessoas participam agora. Já não é só uma campanha. É praticamente um movimento. —Sei — grunhiu Isaac. — Então, por que ela precisa de um filme que vai fazer que sua fama seja um problema... —Sua fama não é um problema. —... E que seu problema com Kyle seja muito pior? —O Problema com Kyle! — zombou Cara. — O que há de errado Isaac? Está com ciúmes?


—Ciúmes? — repetiu Isaac consternado. — De Kyle Hamilton? —Sim! De Kyle Hamilton! Ou da fama de Val. Ela te ofuscou Sr. Grande Homem Do Campus. Supere! —Gente, isso é o suficiente — suspirei. Ultimamente Cara e Isaac tinham cada vez mais e mais desacordos entre eles, porque ela sempre defendia Kyle e não havia uma pessoa que Isaac odiasse mais em todo o planeta que Kyle. —Cara, deixa Isaac em paz. Só está preocupado comigo. Kyle é um problema e ter um filme sobre nós apenas o animará. — Virei para o Isaac e dei meu sorriso mais sincero. — Mas Cara também tem razão. Um filme seria uma grande exposição. Percorremos um longo caminho, mas nem todo mundo é um fã do Tralse e eu ainda não alcancei um grande número de pessoas além de seus fãs. Você sabe quantas mulheres em seus trinta e quarenta anos assistem filmes bregas na

televisão?

Poderia

estar

alcançando

um

novo

grupo

demográfico. Um importante porque são as mães de todas as pessoas que estou tratando chegar. —Isto poderia não valer a pena, Val. Tem limites. O que acontece se chegar a ser muito para você? —Só porque você não consegue lidar com isso, não significa que V não possa — espetou Cara.


—Cara! — gritei. — Cala a boca! — Ignorei o olhar que consegui de Cara por isso e apertei a mão de Isaac. — Está tudo bem. Cara tem razão. Não estou desejando que chegue, mas posso lidar com isso. Isto fará muito pela causa. —Certeza? — Isaac não parecia feliz, mas parecia conformado. —Tenho certeza — disse. — Está bem. Além disso — disse brincando e cutucando a minha muito louca melhor amiga — posso escrever no contrato que ninguém mais que Cara pode interpretar a si mesmo. Cara queria permanecer irritada, mas não pôde. — O papel secundário? Por favor. É o papel da Virgem Val ou nada. Olivia bufou alto, me lembrando de que havia um refeitório cheio de outras pessoas escutando nossa conversa. — O que é tão divertido? — assobiou Cara. —A ideia de você interpretando à fervorosa virgem. — Olivia encolheu os ombros. — Irônico.


Voltei a olhar a minha melhor amiga enquanto retornava o insulto a Olivia dez vezes. Uma vez que terminou, me olhou. Não podia acreditar que nunca notei a verdade. Parecia tão óbvio, olhando fixamente para esse momento. —Não usa sua pulseira — apontei, sem ter nem ideia do que mais dizer. Infelizmente, isso foi a coisa errada. O rosto de Cara se avermelhou com raiva. — Não tenho usado durante meses, Val. A palavra meses me fez sentir como um tapa na cara. Cara fez o ato. Renunciou seu cartão V. Teve relações sexuais. Minha melhor amiga realizou uma das maiores decisões de sua vida. Faz meses. E nunca me disse. — Como você pôde? — perguntei tão chateada que minha voz se quebrou. — Oh, não — Cara disse com uma risada dura e irritada. — Sabia que isto ia acontecer. Desça de seu pedestal, V. — Que desça do me... — A princípio não entendi a que se referia. — Cara, fez sexo!


Não quis gritar, mas tinha tido uns muito maus quinze minutos e estava tão chateada em tantos níveis, que agora não saberia dizer de qual problema minhas emoções vieram. —Sim, Val. Tenho 18 anos, estou apaixonada pelo meu namorado, estivemos juntos durante quase sete meses agora e fizemos sexo. Escandalosas notícias! —Sim, mas eu não posso acreditar que você... —Sabe o que? Nem todo mundo tem que acreditar em sua estúpida e pequena cruzada. Só porque você quer ser a inútil mártir, não significa que o resto de nós tenha que viver a vida puritana. —Inútil? — ofeguei. — Estúpida e pequena cruzada? — Estava tão surpresa por toda a ira reprimida que Cara desatava que podia sentir a dor. — Durante todo este tempo, é assim que você se sentiu? Cara deu de ombro desafiante. —Então você me apoiou por que... Por quê? — perguntei. — Assim conseguiria um namorado estrela do rock? Um papel em um vídeo musical? Um agente? Oh, vamos incentivar à Virgem Val em sua inútil e pequena cruzada porque cada vez que Kyle Hamilton a insulta, o álbum do meu namorado vai à


platina novamente e eu fico mais famosa? Muito obrigada, C! Pensei que fosse minha amiga. Pensei que sempre poderia confiar em você para ser honesta comigo, não importa o que acontecer. Eu aposto que você e Kyle estiveram rindo pelas minhas costas durante meses. —Sabe o que, V? Às vezes eu rio! Porque sua estúpida inimizade com Kyle é divertida. Todo mundo ri do quanto inútil é sua luta, porque a tensão sexual entre vocês dois é coisa de louco! Não sei por que se esforça tanto para negar! Você e Kyle derramam mais paixão em dez minutos do que você com Isaac em todo o tempo que estiveram juntos! —Deixa minhas relações pessoais fora disto! Isto é entre você e eu! —Por quê? Porque fiz sexo? — Cara ladrou uma risada incrédula. — Sabe quem escolheu o título para o álbum dos meninos? Eu! ? S é para sexo? Foi ideia minha! E tenho outro para você. H é para hipócrita! Prega tudo a respeito de tomar decisões por si mesmo, mas o que realmente está dizendo é “Faça o que estou fazendo. Faça minha escolha!”. —Isso não é o que eu faço! —Sim, é o que você faz! Está irritada comigo porque escolhi fazer sexo!


Parei e respirei. Era minha vez de ser incrédula. — Você acha que é por isso que estou chateada? É como se nem me conhecesse. Talvez nunca me conhecesse. Não estou irritada porque fez sexo com o cara que ama. Estou machucada porque tomou uma decisão tão grande e nem me contou sobre isso! Minha melhor amiga tomou uma decisão que muda a vida e tive que ouvir na mesa do almoço pela Olivia Lewis! —Melhores amigas? — zombou Cara amargamente. —Talvez isso tenha sido no começo do ano — disse. — Não fomos amigas durante meses. Apenas temos sido somente amigas. Kyle Hamilton é mais um amigo para mim agora, do que você é. Me encolhi. Suas palavras me machucaram. As lágrimas picavam em meus olhos e me retratei em mim mesma. — Como você pode dizer isso? — perguntei. Minha voz era fraca e frágil. —As melhores amigas falam entre si. Passam tempo juntas. —Como podemos passar tempo juntas Cara? Sempre está com o Tralse! Escolheu o seu namorado e sua estúpida banda ao invés de mim!


Cara cruzou os braços sobre seu peito. Já não gritava, mas toda sua irritação continuava ali. — Não mais do que você escolheu V é para Virgem sobre mim? Escolhe sua causa sobre todos nós, Val. Não só eu, mas também todas as pessoas que afirma que são seus amigos. — Cara olhou ao redor da mesa e disse: — Levantem a mão se vocês foram ignorados por Val na última semana. Demônios, se não tem sido ignorados hoje. Ninguém disse nada. Não queriam se envolver nesta briga, mas seus rostos eram sombrios. —Ignora a todos. Todo o tempo. Aposto que você se esqueceu de amanhã à noite, certo? Pensei nisso muito duro, e odiava que ela tivesse razão. Não tinha nem ideia do que estava para acontecer amanhã. —Sabia — cuspiu Cara. — O show inaugural do Tralse pelo “S é para Sexo Tour” Consegui todos os incríveis assentos e passes VIP. Contei isso a você faz meses. Escrevi em sua agenda para você. —E te disse faz meses que não ia. Se Kyle Hamilton ia estar lá, eu não ia. Essa era minha nova regra. Disse isso para você! —Pensei que estava brincando!


—Eu não estava. Cada vez que cedi e sai com você e com eles, terminei em apuros e odeio isso. Cada. Único. Momento. Sinto muito Cara, mas não vou ao show. Kyle Hamilton provavelmente só me quer lá para assim poder fazer um grande show e me humilhar diante de todo mundo com o fim de vender discos. —Não fará. Prometo isso. Não é esse tipo de pessoa. Se deixasse de julgá-lo por cinco segundos veria que é realmente muito doce e que vocês têm uma tonelada de coisas em comum. Os caras sabem que devem a você muito por seu sucesso e só querem te dizer obrigado compartilhando sua grande noite com você. Estão tendo uma grande festa depois do show para dar início à turnê e você deve ser a convidada de honra. Convidei todos seus amigos para que se sinta mais confortável. Inclusive convidei a Olivia e sabe que acho que é repugnante! Por favor, V? Em meio de tudo isto pensava que Cara estava tão cega pelo seu relacionamento com o Shane que nunca via o que acontecia ao seu redor. Estava em negação a respeito do tipo de pessoa que era Kyle e a relação que ele e eu compartilhávamos. De maneira nenhuma Kyle me deixaria aparecer em seu show e ir a sua festa e não fazer algo para que nós chegássemos aos tabloides de novo. —Esses caras são meus amigos — disse Cara.


— Shane é meu namorado. Esta é uma grande noite para eles. É importante para eles, por isso é importante para mim. Se eu realmente fosse importante, você viria. Queria apoiar Cara, mas não podia lidar com mais drama. Especialmente agora, quando toda essa acusação de Zach estava no centro e na frente de cada banca de revistas por todo o país. Me perguntei se Cara já tinha visto. Me perguntei se a ela se importava. —Sinto muito, Cara. Simplesmente não posso. E se você se preocupasse realmente comigo, não me pediria que fosse. —Bem. — Seu rosto se tornou em pedra fria. — Então acredito que já não somos amigas. Esta ruptura com Cara era pior do que alguma vez foi minha ruptura com Zach. Não soube como pôde superá-lo sem chorar. Estou segura que eu não poderia. — Suponho que não — eu disse, sufocando um soluço. Senti os braços de Isaac me rodear e não pude me conter de chorar. O olhar em seu rosto era de partir o coração. Ele sofria porque eu estava fazendo e não tinha nem ideia do que fazer ou dizer para me fazer sentir melhor. —Está tudo bem — sussurrei e beijei sua bochecha.


— Ficarei bem. — Fiquei de pé e forcei um sorriso para todos meus atordoados amigos, fazendo meu melhor para ignorar seus olhares de dor. Não ajudava que eu não pudesse deixar de chorar. — Sinto muito, meninos. Tenho que ir. Tenho que estar no Whittier em meia hora. Ninguém disse nada quando me levantei com exceção de Cara. — Ouça Val? — Agora pude ouvir sua voz tremendo assim que me virei para olhá-la. Seus olhos pareciam brilhantes. Nunca antes vi Cara chorar. Não lágrimas reais. Isso fez o momento imensamente pior. —Sabe por que eu nunca disse a você sobre isso? — perguntou. — Porque esperava um momento quando só fôssemos você e eu. Não queria falar com a Virgem Val tão especial. Queria contar a Valerie Jensen, minha melhor amiga. Com o tempo parei de prender a respiração. Meu coração se quebrou pela segunda vez nesse dia. — Sinto muito — sussurrei. Não era suficiente, mas era tudo que eu consegui pensar para dizer.


A fuga

—Por favor, deem boas-vindas a nossa fundadora de “Nem Todo mundo Está Fazendo”, Virgem Val! Essa era a típica introdução dada pela diretora da escola. Esperava isso, mas o que não imaginava era a resposta dos estudantes esperando por minha apresentação. Geralmente era recebida com aplausos educados, leves risadas, o ocasional assobio e os inevitáveis gritos de: “AMO KYLE!.” Hoje fui bombardeada com vaias e insultos profanos. Os estudantes do ensino médio do Whittier eram obviamente mais rápidos com suas fofocas de famosos que meus próprios amigos.


A diretora parecia mortificada e fez seu melhor para acalmar a multidão com ameaças de detenção e quando isso não funcionou, de suspensão. Queria me colocar debaixo do pódio na minha frente e me esconder lá, até que o pesadelo terminasse, mas sabia que não podia fugir deste problema. Era muito grande. Ia me seguir para todos os lados, possivelmente pelo resto da minha vida e evitá-lo não ia fazer que desaparecesse. Então, embora fosse à última coisa que eu queria fazer, sorri à diretora e falei tão claramente como pude com minha voz trêmula pelo microfone. — Suponho que vocês viram os jornais de hoje. Esperei até que terminasse outra rodada de vaias. Havia muitos gritos, tanto curiosos como irritados, sendo lançados para mim e conseguiram me deixar vermelha de vergonha. A diretora tentou me levar para fora do palco, mas duas simples palavras chamaram minha atenção. Alguém na plateia gritou: — É verdade? —É claro que não é verdade — murmurei atordoada. — Essa foto foi tirada faz um ano e usávamos roupas de banho nela. Posso provar se quiser. A data está impressa na


parte de atrás e havia outras seis pessoas de pé ao redor quando foi tirada e podem responder por mim. Na minha cópia da foto, podem ver parte de minha roupa de banho, por isso os tabloides tiveram que alterar. Estou segura de que meus advogados irão apresentar minha declaração junto com a foto real amanhã, mas isso não importa. As pessoas irão acreditar no que quiserem, de toda forma. Eu sei a verdade e isso é o que me importa. Virei para ir, mas então alguém gritou outra série de perguntas que não pude evitar responder. — Foi seu ex-namorado que vendeu? Por que acha que fez? Estive me fazendo a mesma pergunta. — Não sei por que fez — murmurei. Não conseguia conter as lágrimas que caiam pelo meu rosto, então deixei meu público para ir chorar em privado. Olhei à diretora enquanto saia do palco. — Sinto muito — sussurrei. — Não posso fazer isto hoje. Poderia reagendar? A diretora parecia surpresa que eu quisesse reagendar. Colocou um braço ao redor de meus ombros e me conduziu para fora do palco, murmurando a seu assistente principal que


nenhum dos alunos no auditório deveria sair até o final do dia, seria uma detenção automática para todos eles. Darla e Cristina ficaram para falar com a diretora, mas eu precisava sair desse edifício. As paredes se fechavam sobre mim. Depois de assegurar para todo mundo que ficaria bem, fui para o ‘santuário’ que era o carro de Darla. —Não acho que você queira fazer isso — disse uma voz baixinha enquanto colocava minha mão sobre a porta da frente, pronta para escapar para o estacionamento. Dei a volta, surpresa ao ver a alta e magra figura apoiada contra a parede, justo à esquerda da porta. Tinha um chapéu e óculos de sol e algum tipo horrível de barba falsa cobrindo seu rosto até o ponto de ficar irreconhecível, mas eu conhecia essa voz. —Kyle! — ofeguei. — O que você está fazendo aqui? —Te resgatando. — Kyle se separou da parede e pegou minha mão afastando da barra da porta. — Seu site publicou o programa de conferências. Todos os paparazzi dentro de um intervalo de seis horas estarão esperando por você lá fora.


As paredes deixaram de derrubar e começaram a girar. Agradeci minha briga com Cara por impedir de eu comer o almoço porque do contrário haveria uma poça a meus pés. —Wow — disse Kyle e me agarrou rapidamente quando fiquei tonta. —Vamos. Me deixe tirar você daqui. Não discuti. Me apoiei em Kyle e deixei que me arrastasse pelos corredores vazios da escola. Parou junto a uma série de portas do lado oposto do edifício e tirou de seu bolso um boné de beisebol muito gasto. Depois de colocar em minha cabeça, também segurou um grande par de óculos escuros e colocou em meu rosto. —Só mantenha a cabeça baixa e ande em um ritmo normal. Assenti e em seguida peguei o braço que ele me ofereceu. Me acompanhou rapidamente através do estacionamento de estudantes e em seguida ao longo do campo de futebol onde seu carro estava estacionado atrás da escola. Enquanto subia no assento do acompanhante, consegui ver o circo da mídia que estava esperando para me emboscar na frente da escola. Sua magnitude era algo surpreendente. —Bom trabalho — disse a Kyle reconhecendo meu suspiro.


— Causei um ou dois ápices em minha vida, mas nunca grande o suficiente para justificar a polícia. Efetivamente, havia luzes vermelhas e azuis brilhando no caos. Assumi que foram chamados para controlar a multidão e para manter os repórteres fora da escola. Teria que enviar uma carta de desculpas à diretora. Logo que estávamos fora de vista, e certos de que não fomos seguidos, liguei para Darla e disse que encontrei um amigo para me levar e que não se preocupasse. Logo, voltei a olhar Kyle. — Bem, não é que eu não esteja agradecida, mas não te entendo. Normalmente você me jogaria aos lobos e não me ajudaria a fugir deles. — Há um tempo e um momento para ser o centro das atenções, Val. Esse, aí atrás, não era. Embora, se eu tivesse sido o cara que te derrubou na terra nessa foto, bom, então essa seria uma história diferente — brincou Kyle, mas havia um toque de tristeza atrás da brincadeira. —Não fiz! — soltei de repente e desesperada para que ele soubesse a verdade. — Essa foto não é o que parece! Tínhamos roupas de banho e nossos amigos estavam lá. Zach e eu não... Nós nunca...


—Eu sei, Val — disse Kyle com um ligeiro sorriso em sua voz. —Você sabe? Falou com a Cara ou algo assim? —Não tive que falar — disse Kyle. — Além do fato de que gasta uma ridícula quantidade de esforço te assegurando que todos no planeta saibam que é virgem, sei por experiência pessoal que se estiver na capa de um tabloide, é pura ficção. —De verdade? — perguntei. —Sempre. Estava

feliz

de

que

entendesse

sem

ter

que

dar

explicações. O alívio que me invadiu foi suficiente para levantar o peso invisível que estava em meu peito desde a primeira vez que descobri a história. —Espera — eu disse enquanto algo me ocorreu. — Então isso é a respeito de você e o elenco completo de certo programa de televisão sobre garotas universitárias em férias da primavera, foi completamente fabricado? Acho que acabo de perder um pouco de respeito por sua reputação. —Está bem, principalmente ficção — emendou Kyle com outra gargalhada.


— Mas falando sério, se o boneco que você chama de seu namorado não pode conseguir que faça com ele, e eu não posso conseguir que faça comigo, embora eu escreva músicas para você, te envie flores e seja literalmente O Homem Vivo Mais Sexy deste ano, então não há nenhuma maneira de que faça com um idiota que te deixou pela Maior Cadela do Condado de Orange. —Muito certo — eu disse, surpresa com o quão fácil era para ele me fazer rir, apesar de todas as coisas horríveis que aconteceram hoje. Me senti incrivelmente relaxada. Era tão agradável ser capaz de só relaxar confortavelmente contra meu assento e fechar meus olhos. — Então — eu disse com um longo suspiro de satisfação. — O Homem Vivo Mais Sexy do ano, é? Conseguiu uma placa por isso? Kyle riu. — Tristemente, não. Mas sim consegui quatro páginas estendidas. Não me diga que perdeu isso. —Sinto

muito.

Tento

evitar

todas

as

revistas

de

celebridades como uma praga. Especialmente aquelas com seu adorável rosto na capa desde que essas quase sempre me envolvem de algum jeito. — Meus olhos continuavam fechados,


mas soube que Kyle tinha a testa franzida. Podia sentir. Sorri para mim mesma e bati em seu ombro. — Não se preocupe estou certa de que era muito sexy. —Muito. —Pegou minha mão. — Mas a versão ao vivo é muito melhor. Por que não vem para casa comigo e te mostro exatamente o quanto? —Kyle, Kyle, Kyle — eu disse, suspirando enquanto negava com a cabeça. — Você estava indo tão bem hoje. Eu gosto de você pelo menos uns oitenta e cinco por cento neste momento. Por favor, não arruíne isso. Realmente prefiro a paz. A exagerada respiração que Kyle liberou era em parte brincalhona e em parte frustrada. — Bem — cedeu. — Não na minha casa. Então para onde? —Se você só pudesse me levar para minha casa, eu... — Que chato — interrompeu Kyle. —Não está me expulsando para ir para casa ficar de mau humor. Tente de novo. Suspirei.


— Não tentava te expulsar, só não tenho tempo para mais nada. Minha chefe estará me pegando em minha casa às três. Temos uma reunião com o pessoal de C&J Joias às quatro. —Onde é essa reunião? —No centro de Los Angeles. —Vou te levar à sua reunião. Estamos mesmo perto do centro. Ligue para sua chefe e diga que se encontrará com ela lá. Olhei o relógio no painel. Só era uma e meia. — Estamos a vinte minutos do centro. Chegaremos duas horas mais cedo. Kyle sorriu. — Eu sei. —Vamos — insistiu quando duvidei. — De a si mesma algumas horas para relaxar. Conheço um lugar mágico onde podemos relaxar durante duas horas e absolutamente ninguém nos reconhecerá. Isso soava como o céu para mim. — Ninguém? — perguntei. Kyle sorriu de novo.


— Eu garanto.

Kyle me levou ao restaurante Coco's mais próximo, e logo riu histericamente da minha expressão quando me dava conta que falava sério. —Este

é

seu

lugar

mágico

no

que

ninguém nos

reconhecerá? —Confie em mim — disse Kyle, sem deixar de rir. — Primeiro, estamos em Downey, não em Malibu. Quantas pessoas acha que estão à caça de celebridades em Downey? Segundo, em um respeitável estabelecimento como este, em que os funcionários estão passando dos setenta. Não é exatamente nosso público. Sua lógica soava bem, então eu o segui para dentro. —Bom — disse depois de ver Kyle liberar o mundo de todas suas torradas francesas. — Pode ser uma estrela de rock, mas ninguém poderia te acusar de ser um almofadinha.


—Para o grande desgosto de meus pais — murmurou com um suspiro. Quando dei um olhar interrogativo, Kyle encolheu os ombros. — Não venho exatamente do lado mau das ruas — disse. — Meus pais são membros de Clubes Campestres. Isso não é surpreendente. Huntington Beach está muito longe de ser um gueto. —Investiram anos tentando me tornar um violinista, dançarino de salão, usuário de camisa polo, menino de coral, mas isso só não era para mim. Inclusive agora a ideia de ir a um restaurante onde servem a mesa com mais de um garfo, me dá pesadelos. Tentei imaginar Kyle comendo caviar e bebendo vinho tinto com um colete. A imagem da Julia Roberts em “Uma Linda Mulher” veio a minha mente. — Então está dizendo que a fama e a fortuna são desperdiçadas em você? — Oh, não — Kyle brincou. — A fama me serviu de outras maneiras. Ri.


— Acredite, eu sei. —Você zomba, mas veremos como Jenny-do-bloco estará depois de alguns anos nisto. Ante a lembrança do por que estava me escondendo no Coco's às três e meia da tarde, me afundei em minha cadeira e suspirei. Kyle pareceu entender que nosso pequeno descanso da realidade tinha terminado, assim pagou a conta e me levou para minha reunião. — Alguma vez se arrependeu de se tornar famoso? — perguntei enquanto saíamos da autoestrada para o centro. Kyle ficou calado por um minuto como se estivesse pensando muito a respeito de sua resposta. Gostei que levasse minha pergunta a sério. — Tudo tem seus altos e baixos — disse finalmente. — A fama é muito mais difícil do que eu esperava que fosse, mas esse é o preço que tenho que pagar por fazer o que é importante para mim. Nem sempre eu gosto, mas não me arrependo disso. Suspirei de novo. — Ficará bem, Val. Isto será esquecido mais rápido do que pensa. —Fiquei surpresa quando se estirou até o centro do console, pegando minha mão.


— Você também não está sozinha nessa, certo? Em qualquer momento que precise escapar por um momento, tem meu número. Tive que engolir de volta o nó em minha garganta, e consegui murmurar: — Obrigada. Kyle só respondeu com um sorriso. Nenhum dos dois disse outra palavra até que paramos em frente à loja C&J Joias. Fiquei olhando a porta principal tão relutante em sair do carro, como ele estava para me deixar ir. Kyle apertou minha mão, chamando minha atenção para ele. Estava surpresa pela preocupação que encontrei em seus olhos. — Vai ficar bem? — perguntou. Assenti, mas fui superada por tanta gratidão que minhas lágrimas voltaram. — Kyle, o que você fez hoje... — Minha voz se quebrou com emoção, me deixando incapaz de finalizar a frase. Ainda bem. Não conseguia pensar em palavras adequadas o suficiente. Kyle deu de ombros como se tirasse a importância da magnitude do que fez por mim.


— Não se preocupe por isso. Sei como se sente ao ser emboscado pelos paparazzi. Isso não parecia suficiente. Coloquei minha mão sobre seu antebraço e sussurrei com uma voz quase suplicante: — Falo sério, Kyle. Obrigada. Olhou fixamente minha mão agarrando seu braço por um momento. Quando encontrou os meus olhos, o olhar que passou entre nós foi tão intenso que minha mão começou a tremer. —Por nada — disse se inclinando para mim tão lentamente que não notei até que estivéssemos a poucos centímetros um do outro. Seus olhos pousaram em meus lábios enquanto limpava as lágrimas do meu rosto com seu polegar e então inclinou meu rosto para o seu. Quase deixo que me beije. Quase esqueci tudo sobre meu namorado e deixei que Kyle Hamilton me beijasse. Seria um beijo chocante, também. O momento misturado com todo tipo de emoções que nunca estiveram entre Kyle e eu antes, algo muito além da luxúria pedia para ser reconhecido. Nunca desejei nada em minha vida tanto quanto queria sentir essa conexão com ele, nesse momento.


Kyle viu o conflito em meus olhos e moveu minha franja detrás minha orelha. —Vá em frente — me apressou sua voz baixa e grossa. — Vamos ver aonde nos leva. —Tenho

um

namorado

sussurrei.

Mas

não

fiz

nenhuma tentativa para me afastar dele. —E? — disse. — Se você realmente o amasse, não estaríamos aqui agora mesmo. Não se sentiria assim. Contive o fôlego, lutando contra as pulsações em meu peito, e conseguindo me sentar. — Quer que eu o engane? Ele se inclinou um pouco para trás, mas seus olhos nunca deixaram os meus. — Quero que seja honesta com você mesma — disse. — Você e eu temos algo, e você sabe. — Pegou minha mão e entrelaçou seus dedos com meus. — Eu te quero Val. — Roçou com sua outra mão meu colar e disse:


Muito

mais

que

apenas

isso.

Quero

um

relacionamento. Deixe esse fantoche e sai comigo. —Kyle... —Poderíamos ser algo épico. Realmente poderíamos. Estava disposta a admitir isso. Ou, mais provavelmente, poderíamos ser um fracasso épico. Abri a porta do carro. —Me prometa que ao menos pensará nisso — disse enquanto colocava um pé para fora do carro. Soube que seria incapaz de pensar em nada mais, mas me surpreendi quando assenti com seriedade, e sussurrei: — Pensarei nisso. Kyle sorriu e beijou minha mão. — Te vejo amanhã depois do show. Vou cruzar meus dedos para que decida aparecer como meu encontro, em vez de em um encontro. Revirei meus olhos enquanto tirei minha mão da dele e fechei a porta do carro entre nós, mas eu apenas me senti confiante.


O show Não fui à escola no dia seguinte. Fingi uma enxaqueca. Ou possivelmente não fingi. Depois de ser vendida aos tabloides por Zach, minha ruptura com Cara e o quase beijo com Kyle, meu coração doía tanto que pude ter tido uma dor de cabeça também e simplesmente não soube. De qualquer maneira, meu dia de enfermidade se sentia justificado. Meus pais nem me questionaram. Fiquei no meu quarto com as persianas baixas o dia todo, exceto pelas duas horas nas quais me afundei em um agradável banho quente de espuma. Tentei me manter ocupada. Tinha um montão de trabalho da escola para fazer já que perdi a metade de minhas aulas no dia anterior, mas não importava o quanto me esforçava, não podia deixar de acessar a Internet.


Houve uma pesquisa que se tornou viral no Facebook. Sessenta e quatro por cento dos eleitores acreditavam que eu dizia a verdade, trinta e dois por cento acreditavam que eu era uma mentirosa, e quatro por cento pensavam que essa pesquisa era a coisa mais estúpida que postaram no Facebook. Havia mais de trezentos eleitores até o momento. Me tornei uma deles. Votei pela opção três. Logo, porque aparentemente eu gosto de me torturar, conectei ao VeParaVirgem.com. O fórum estava desativado no momento, substituído com uma nota de Robin. Que dizia o seguinte: VeParaVirgem.com pretende apoiar um ambiente livre de julgamentos. Está aqui para ajudar às pessoas, não para feri-los. Devido à quantidade de reações inapropriadas, profanas e nocivas para as graves acusações feitas nos tabloides de ontem, o fórum de discussão está desativado até novo aviso. Pedimos desculpas a todos nossos membros atuais e esperamos ser capazes de arrumar o problema em breve. Logo ela vinculou o site do meu advogado, onde minha declaração oficial estava publicada junto com a notícia de que um processo estava sendo apresentado contra os tabloides que publicaram a história e a “pessoa” que vendeu a informação falsa.


Fiquei olhando o site, estupefata, até que minha mãe teve a coragem de entrar no meu quarto. — Não está prestando atenção a aquelas pessoas, está? — perguntou, preocupada. Suspirei, desliguei o computador, e então me sentei em minha cama. Minha mãe rapidamente se juntou. —Aparentemente era tão ruim que Robin não quis que eu visse. Desabilitou o fórum e estou certa que foi para a escola horas antes para apagar a diversão. Minha mãe forçou um sorriso. — É uma boa amiga. — Depois de um longo e cansado suspiro de sua parte, me puxou para ela em um forte abraço. — Sei que deveria te dizer que ignore e que não deixarei que te façam mal, mas sendo que eu não posso seguir esse conselho eu mesma, não posso ver como dá-lo. Isso começou a me partir mais uma vez, o que provocou as lágrimas da minha mãe. Sentamos e choramos juntas até que eu consegui parar. — Estou fazendo o correto com tudo isto, mãe? — perguntei quando estava pronta para enfrentar a situação. —Oh, Val — disse minha mãe.


— Está fazendo uma coisa maravilhosa, mas não sei se realmente existe certo ou errado aqui. —Todo mundo está tão irritado comigo. Nunca tenho tempo para meus amigos, agora Cara me odeia, e Zach... — Minha voz se rompeu. — Mãe não quero desistir, mas algumas vezes não sei nem por que estou fazendo isto. —Está fazendo por pessoas como eu. Ela e eu saltamos com a intrusão. — Seu pai me deixou entrar — explicou Olivia, entrando em meu quarto sem esperar convite algum. — Acho que você exagerou um pouco na minha reputação naquele dia no refeitório — disse. — Mas entendo por que estava chateada. Sabia que sair com Zach poderia te ferir, mas não me importou porque me sentia bem por ser a pessoa pela qual ele te deixou. Não estava segura de como responder a isso. Pensava que isso era o mais próximo de um pedido de desculpa que nunca conseguiria de Olivia, mas até mesmo isso era sem precedentes. Não podia acreditar que estava sendo sincera a respeito de algo pela primeira vez.


Olivia não era a pessoa horrível que eu pensava que era. A julguei um pouco duramente. Passamos mais tempo juntas desde que ela se tornou presidente do comitê do baile de graduação e consegui ver que debaixo da maldade exterior, havia um ser humano decente. Só estava enterrado muito, muito profundamente sob a superfície. Olivia tirou a pulseira de abstinência que estava tinha ao redor de seu pulso pelas últimas semanas. — Fiz coisas com caras que não me amavam porque me faziam sentir bonita e especial. Pensava que precisava disso para ser digna de algo — disse com um desconfortável encolhimento de ombros. Alisou a saia. — Estava errada, entretanto. Já não preciso que os caras me digam que sou bonita para saber. Sou especial. Tenho um grande senso da moda e um talento para fazer coisas bonitas. É como o comitê do baile de graduação; estou fazendo um grande trabalho. —Esta — concordei honestamente. —Vamos ter o baile de graduação mais incrível de todos os tempos e sou parte disso. E fico bem com isso. Você me mostrou, Val. Você e sua louca campanha V é para Virgem e suas rejeições constantes a Kyle Hamilton mostraram que ser físico com alguém não é a única maneira de se sentir bem consigo mesmo. Te devo isso.


Eu estava completamente surpresa. —Por isso — continuou Olivia, pondo fim à estranha visão de seu lado mais suave — apesar de sua melhor amiga estar completamente obcecada consigo mesma, não vou deixar que estrague seu relacionamento com ela. —Você o que? — perguntei. A conversa mudou tão abruptamente que falhei em acompanhá-la. Olivia revirou seus olhos. — Estou aqui para te levar para o show esta noite. Vou fazer você parecer fabulosa, e então vou colocá-la na frente de todos esses idiotas que estão comemorando sua queda. Fui salva de ter que responder por Isaac que bateu na minha porta aberta. — Olá. —Olá — eu disse aproximando minha mão a ele. Sentou na cama perto de mim e sorri pela primeira vez desde que Kyle me deixou no dia anterior. — O que está fazendo aqui? —Estávamos preocupados com você — disse e então olhou para a porta onde Stephanie e Robin o seguiu para participar da festa não planejada.


— Zach me procurou na escola hoje. Falou a respeito da foto. Estava surpresa, Zack tinha me incomodado. — Falou com você? —Não — explicou Isaac. — Terminou com sua namorada na semana passada e acredito que estava realmente irritado por isso. Roubou sua foto. Ele queria se desculpar, mas você não estava na escola então ele me procurou. —Oh. — Não sabia mais o que dizer, mas compreender o que aconteceu me fez sentir um pouco melhor. —Você sabe que nenhuma vez pensei que tinham feito certo? — perguntou Isaac, me olhando realmente irritado. — Sabia que havia algum tipo de mal-entendido. Sabia que não poderia me enganar mais do que eu acreditava que vocês fizeram como os jornais declararam. —Obrigada. — Embora de repente sentisse culpa por todo o tempo que passei com Kyle ontem, quando ainda não tinha chamado Isaac. —Lamento não ter chamado você — eu disse afastando Kyle dos meus pensamentos.


— Eu só estava... —Se escondendo? — perguntou Olivia sem rodeios. Robin deu um olhar duro, mas assenti. — Me escondendo — concordei. —Bem, é hora de parar — disse Stephanie forçando um sorriso em seu rosto. — Viemos para levar você para o show. Meu estômago se sacudiu. Ir ao show era uma das últimas coisas que queria fazer. Não apenas por que seria como a conferência de ontem um milhão de vezes pior, mas também por que Kyle estaria lá e não seria capaz de encará-lo. Poderia ter dito não a Olivia, mas cancelar o plano de Steph e Robin? Fiquei aliviada ao escutar o suspiro do Isaac. — Steph — disse cautelosamente. —Não, Isaac. Ela precisa ir. — Stephanie se virou para mim com um sorriso triste. — Sabemos o quanto Cara significa para você. Odiaria a si mesma se deixar que um show arruíne sua amizade. —E não estará sozinha, de acordo? — acrescentou Robin rapidamente.


— Estaremos com você o tempo todo, não importa o que acontecer. —Todos nós — concordou Stephanie. — Lacy, Dev, Mason e Jeff estão lá abaixo nos esperando. Robin assentiu. — Você pode fazer isso, Val. Olhei para Isaac. Parecia relutante, mas encolheu os ombros. — Não acredito que seja uma boa ideia, Val. Você sabe como Kyle é. Não consegue resistir a um espetáculo. Se você se mostrar esta noite, ele só vai piorar as coisas para você. Sabia que Isaac tinha razão. Apesar de Kyle ter ajudado ontem, de maneira nenhuma seria capaz de resistir ao último confronto de Kyle Hamilton/Virgem Val em seu primeiro show “S é para sexo” em frente a milhares de seus fãs. —Mas Cara prometeu que ele não faria nada se ela fosse — disse Robin. — Escutei Cara prometer isso antes — respondeu Isaac. — Não pode controlá-lo. Estou de acordo com Isaac. Não confiava na promessa de Cara. Mas também nunca a vi tão irritada antes. Era possível


que nunca pudesse me perdoar. Se não fosse esta noite, poderia perder a minha melhor amiga. Não sabia o que fazer. —É um show estúpido, Val — disse Isaac, frustrado. —Vai acontecer se você estiver lá ou não. Talvez seja importante para Cara, mas o que é para você? Não é importante para ela? Por que sempre é você que dá o passo nessa amizade? Você é também sua melhor amiga. Deveria te apoiar de vez em quando. Está sendo muito egoísta esta vez. Minha mãe apertou minha mão. — Talvez Isaac tenha razão, Val. Talvez esta vez devesse passar despercebida até que a acusação de Zach desapareça. Os fãs do Tralse estão fora de controle. Cara te ama. Entenderá. Não estava certa a respeito disso, mas Isaac tinha razão. Cara deveria ser um pouco mais compressiva desta vez. —Está sendo realmente egoísta — admiti. Olivia interrompeu com um duro gemido. — Cara sempre é egoísta! Isto não é a respeito dela. —É obvio que é — disse sem entender a que se referia. —Não, não é. Isto é a respeito de você. É a Virgem Val! Deve atuar como tal. Deixa de se esconder. É patético. Vá a esse show. E mostre ao mundo que esta história não te decompôs e


que não está assustada pelo que as pessoas pensam de você. Se não fizer, Vai deixar que um montão de gente te derrube. —Ela não é uma máquina, Olivia — espetou Isaac. Olivia deu de ombro indiferente. —É um modelo a seguir. Suas ações têm consequências agora. Olivia tinha razão, e sua atitude não-sem sentido era exatamente o que precisava. Era justo como Cara. Todo mundo pensa que sou tão forte, mas não é assim. Sempre me apoiei na força de Cara e agora que ela não estava aqui, eu ia me apoiar na da Olivia. Isaac viu a determinação entrando sigilosamente em meus olhos e suspirou. — Sinto muito — disse para ele. — Por favor, não fique com raiva. —Não estou chateado. Estou preocupado. Alguém tem que cuidar de você. Dei outro sorriso genuíno. — E eu adoro que você faça. Mas Olivia tem razão. Preciso ir. Isaac se rendeu.


— Está bem — disse sem poder fazer nada. — Quer vir comigo esta vez? Realmente preferiria não enfrentar o mundo sem você. Isaac voltou a suspirar. Ele não queria ir. Odiava a atenção da mídia e como o namorado da Virgem Val, teve sua parte justa. Sabia que toda a loucura da minha vida o fazia sentir desconfortável e eu normalmente não teria pedido para que viesse, mas não era capaz de fazer sem ele desta vez. Deve ter compreendido isso porque aceitou ir, e inclusive tentou parecer entusiasmado. — Obrigada — disse e então me forcei a levantar. Stephanie e Robin se equilibraram sobre mim e me puxaram para um feroz abraço de grupo. Então Olivia assumiu, pediu a todos que deixassem meu quarto, inclusive minha mãe, e transformou a antiga Valerie Jensen na Virgem Val, fora dos limites do sensacional.

—V! — gritou Cara quando a encontrei na seção de cadeiras que foram reservados para nosso pequeno grupo de amigos. Embora estivessem na segunda fila do centro, ainda estava surpresa de vê-la nas cadeiras.


— Pensei que estaria nos bastidores — disse segurando o superexcitado abraço que me deu. Queria fazer melhor as coisas, mas ainda estava irritada, e não ajudou que ela agisse como se nada tivesse acontecido. —É obvio que não! — disse, ainda gritando. — Sabia que viria! Sabia que não me deixaria plantada. Estou tão contente que você esteja aqui! Os meninos estarão contentes também. Não te viram em muito tempo. —Kyle tem que se comportar melhor — advertiu Isaac. — Val teve realmente uma semana ruim e não precisa de nenhuma de suas cenas esta noite. Cara revirou os olhos. — Você é um Isaac angustiante. Os meninos sabem tudo sobre o pequeno escândalo sexual de Val. Eu expliquei tudo. —Kyle

vai

me

deixar

em

paz

esta

noite,

certo?

Honestamente não posso lidar com ele agora. —V. — O tom de Cara foi quase condescendente. — Relaxe. Eu contei para ele que estava superchateada pela coisa do Zach. Sabe o tipo de coisas horríveis que às pessoas estão dizendo sobre você neste momento. Confie em mim. Tudo vai ficar bem.


—Promete? — perguntei. Cara revirou seus olhos de novo, mas sorriu. — Serei seu respaldo, V. Eu juro. — Me abraçou novamente. — Obrigada por vir esta noite. Unicamente só consegui fazer uma careta em resposta, mas a abracei de volta. O show não foi tão ruim. As músicas do álbum eram realmente boas e Tralse definitivamente deu um bom show. Meus amigos deixaram que Isaac e eu nos sentássemos no meio de nosso grupo para nos manter o mais escondido possível, mas, honestamente, os fãs raivosos do Tralse estavam muito focados no palco para notar que eu estava ali. Eventualmente eu consegui relaxar e desfrutar por estar com meus amigos. Inclusive Isaac foi capaz de esquecer que era Kyle e passar um bom momento. Não ocorreu até o final do show. A banda chegou ao final, mas eu sabia que ainda não tinham terminado. Havia uma música que não cantaram ainda. Embora, de acordo com Kyle, cada música no álbum “S é para Sexo” era a respeito de mim, “Verdadeira Pena” seguia sendo minha música. Também era a favorita do público. Não havia como fazerem um show e não tocarem essa música.


Na verdade, depois que as luzes se acenderam os gritos dos fãs se tornaram em um coro. — Verdadeira Pena! Verdadeira Pena! Verdadeira Pena! A banda deixou o palco, mas depois de um minuto o barulho se tornou tão forte que Kyle voltou para centro do palco. — O que é isso? — ele perguntou à multidão. O sorriso malicioso em seu rosto fez com que minha pressão arterial disparasse. — Vocês querem escutar a canção da Val? A multidão foi à loucura e o estádio inteiro se sacudiu. Kyle riu e logo fez um gesto para que todos se calassem. — Todos vocês viram os tabloides ontem? O público estalou em um coro de vaias. — Isto não pode ser bom — murmurei. — Quer ir? — perguntou Isaac. — Definitivamente. — Procurei minha bolsa, mas Isaac já a tinha em suas mãos. —Não! — ofegou Cara quando comecei a empurrá-la para passar.


— Val, não vai — suplicou. — Vai ficar tudo bem. — Cara. — Meu argumento foi afogado quando Kyle começou a falar de novo. —Tem algo que quero dizer a respeito. Chegou ao meu conhecimento

que

meus

fãs

estiveram

me

defendendo

vigorosamente online. Ouvi que sobrecarregaram o Twitter por várias horas em meu nome. Com isso, a multidão foi à loucura outra vez e Kyle teve que acalmá-los uma vez mais. — Estou lisonjeado que meus fãs se preocupem muito a respeito de meus sentimentos, vou pedir que, por favor, deixem de assediar a minha virgem favorita. O estádio explodiu em uma rodada de odiosas vaias enquanto que os fãs de Kyle expressavam seu desgosto com o pedido. —Agora, agora — disse Kyle, condescendente a sua audiência

a

foto

foi

manipulada.

Tenho

a

história

diretamente da fonte e Val se mantém, de fato, se guardando para mim, então acham que podem parar com os insultos e as mensagens de ódio? Por favor? Por mim?


Esticou seus lábios em um sorriso sexy e piscou. Acredito que algumas garotas realmente desmaiaram. A resposta do público foi um entusiasmado sim. Fez que o rosto inteiro do Kyle se iluminasse. — Fico feliz em ouvir isso — disse. — Mas sabem? Acho que talvez todos nós devemos um pedido de desculpa. Um passarinho me disse que ela está aqui esta noite. O que acham? Se vier aqui poderiam dizer que sentem muito? Não me dava conta do rugido da multidão. Estava muito ocupada abrindo minha boca para minha melhor amiga. — Contou a ele que eu estava aqui? Prometeu que nada de Kyle esta noite! Me senti tão traída que meus olhos se tornaram brilhantes enquanto lutava contra o impulso de chorar. Cara revirou seus olhos. — V, ele só está se desculpando. Isto ajudará a reparar sua reputação. Fará que as pessoas se desculpem. Pensei que queria isso. Antes que pudesse responder, as luzes se apagaram e um foco de luz se acendeu, me cegando. É obvio que eles sabiam onde estava sentada. Eles deram os ingressos. Tudo nesta noite


foi planejado com antecedência. Fui enganada por minha melhor amiga. —Ali está minha garota! — Escutei Kyle dizer. Ignorei. Sabia que meu rosto estava na tela gigante e que estava sendo observada por todo o estádio, mas só podia olhar para Cara. —Se sentiu mal a respeito de seus fãs te destroçando — disse Cara. — Está tentando fazer a coisa certa. Somente quer cantar para você uma música. —Vem, Val! — gritou Kyle do palco. — Não seja tímida. Venha aqui e deixe que todo mundo te peça desculpas. Fulminei com o olhar Kyle e depois me girei para Cara. — Suponho que havia uma boa razão a respeito de vir esta noite depois de tudo. — Minha voz tremeu com dor e fúria. — Ao menos agora não tenho absolutamente nenhuma dúvida de que não fui eu quem arruinou nossa amizade. A boca de Cara se abriu. — O que isso quer dizer? — perguntou. Nunca a vi com olhos tão abertos ou com o rosto tão pálido.


Movi a cabeça em sinal de desaprovação. Ela foi muito longe desta vez. — Admita que me fez vir esta noite para que seus amigos pudessem me explorar! Mentiu para mim! Prometeu que Kyle não faria nada, e depois o ajudou a me enganar! —Parece que precisa de um pouco de persuasão — burlou Kyle no palco. —V — sussurrou Cara. Parecia que por fim se sentia mal, como se finalmente entendesse como me sentia. Era muito tarde. — Não — eu disse. — Vou sentir saudades, mas me cansei de tentar ser sua amiga. Já não vale a pena. Virei para o Isaac, que olhava como se não estivesse seguro em quem queria bater mais — Cara ou Kyle. —Me leva para casa? — perguntei. Isaac deixou escapar um suspiro de alívio e envolveu seus protetores braços ao redor de mim. —Val, não pode — sussurrou Stephanie.


Levantei a vista e Stephanie, Robin e Olivia sorriam como se desculpando comigo. — Escuta eles — disse Olivia, apontando para à multidão. Foi

quando

me

dava

conta

que

a

multidão

me

incentivava. Não sabia quando começaram, mas o estádio inteiro chamava por meu nome em perfeita sincronia. — Vir-gem Val! Vir-gem Val! Vir-gem Val! —Tem que ir lá — disse Robin. —Mas... —Só aguente a música, e então deixe que Isaac te leve para casa — disse Stephanie. O braço de Isaac se apertou ao meu ao redor. — Não tem que fazer isto, Val. Mas eu fiz. Que tipo de pessoa seria se não aceitasse a desculpa de Kyle? Odiava a atenção, mas não era uma presunçosa completa. Não ia ser ingrata, ele estava fazendo um esforço. Especialmente quando não devia por já ter me salvado ontem. Senti Isaac se dar por vencido e deixar escapar um suspiro de frustração.


— Me encontra nos bastidores depois? — perguntei e então me dirigi para o palco e a qualquer plano estúpido de Kyle que me esperasse ali.


A trégua

Me encontrei no corredor com dois enormes seguranças abrindo caminho para o palco, então peguei as mãos de Kyle. Quando Kyle me pôs de pé seus olhos viajaram ao longo do meu corpo. —Ah, Sassy — disse com nostalgia. — Minha velha amiga! É obvio, quando Olivia saqueou o meu armário e encontrou a minha minissaia Gucci, não me permitiu usar outra coisa. Admito que me alegrei que Olivia tivesse me obrigado a usá-la esta noite, mas me incomodou que Kyle soubesse o nome de minha saia. Como se a traição de Cara não machucasse o suficiente, ao que parece ela compartilhou todos nossos segredos também.


Kyle levantou meu braço e me obrigou a dar voltas ao público que esperava. —Não está quente esta noite? — perguntou. — E se perguntam por que a chamo pernas. Enquanto as pessoas riam e se animavam, resmunguei com os dentes apertados: — Podemos, por favor, simplesmente acabar com isto? —Tempo e lugar, Val. — Kyle sorriu e depois colocou seu braço sobre meu ombro como se fôssemos melhores amigos. Levou o microfone a sua boca antes que eu pudesse protestar. —Val, os fãs do Tralse querem dizer que sentimos muito. —Olhou à multidão com um grande sorriso. — Sentimos muito Virgem Val no três. Preparados? Um... Dois... Três! — Sentimos muito VIRGEM VAL! O estádio inteiro de vozes gritou em uníssono. Nunca ouvi nada parecido. Kyle sorriu e sustentou seu microfone no meu rosto. — Hum, obrigada? — Não tinha ideia do que deveria dizer. Olhei para Kyle e lhe disse:


— Isso foi muito doce e tal, mas posso ir agora? Tenho certeza de que seus fãs preferem ver você cantar a falar comigo. Virei para as pessoas que sabia que estavam ali, mas realmente não podia ver além das luzes ofuscantes no meu rosto. Não era de se admirar que os artistas não tivessem medo do palco. De todos os modos não podem ver além da primeira fila de pessoas. — Certo? — perguntei à multidão. — Querem escutar a banda mais uma vez, certo? A multidão foi à loucura. Kyle se inclinou muito perto do meu ouvido para que eu ouvisse por cima do ruído. —É natural, Val. Te amam. Antes que pudesse responder se dirigiu de novo ao público. — Oh, não sei, Val — disse de brincadeira. — Vamos tocar a música em um minuto, mas acredito que há algo mais que gostariam de ver primeiro. Tinha medo de perguntar, mas tinha que seguir o jogo. — E isso seria? O brilho nos olhos do Kyle me colocou nervosa. Seja qual fosse o seu grande plano desta vez, queria aproveitar.


— Querem que a gente se beije e se reconcilie, é obvio. Deram um grito tão forte que estalou em um grande muro de ruído que me fez tropeçar para trás. Kyle parecia mais do que feliz de ter que me estabilizar. — O que? — perguntei incrédula. Não poderia significar isso literalmente. —Esta briga entre nós está ficando velha, não é? Não tinha a menor ideia. —Não vejo o ponto de brigar sempre com você já que nunca teremos qualquer sexo quente de reconciliação. E ali estava o Kyle que eu conhecia e detestava. Sorriu quando se deu conta da irritação em meu rosto. Que mentiroso era! Adora brigar comigo. Esse era o motivo. —Proponho uma trégua — me disse. —Talvez eu não tenha tratado essa coisa entre nós como um cavalheiro. Senti que minhas sobrancelhas queriam chegar ao teto. Realmente admitiu isso? —Talvez? — disse inexpressiva. O público começou a rir.


Em um movimento surpresa, Kyle pegou minha mão e caiu ao chão diante de mim. — Sinto muito Valerie — disse baixo e sincero no microfone enquanto me olhava. —Me perdoa? Eu imploro. Eu estava completamente chocada. Ele estava falando sério. É possível que tenha estado em seu modo de estrela de rock, se desculpando, como parte de seu programa, mas isso não queria dizer que não estava falando sério. Ele quis dizer isso. Podia ver em seus olhos. Podia sentir pela forma em que se agarrou a minha mão. Queria meu assentimento, minha aceitação. Meu perdão. Estava desesperado por isso. Suponho que não se deu conta de que já tinha ganho. Mesmo assim, não podia dizer que sim. Tomei o microfone e disse ao público: — Há! Kyle Hamilton de joelhos suplicando meu perdão. O que acreditam que isso significa? — Esperei através dos gritos que sabia que iria chegar e logo perguntei: — Acreditam que eu deveria perdoá-lo? A multidão aplaudiu tão forte que comecei a rir. —Não sei — brinquei.


— Acredito que não ouvi um, por favor, aqui. Essa é uma maneira fraca de suplicar, se você me pergunta. Acredito que poderia fazer melhor, não? Voltei a olhar para Kyle, cujos olhos brilhavam de uma maneira que nunca vi. Estava encantado de que eu seguisse com o jogo. — Por favor? — suplicou juntando suas mãos diante dele. —Com uma cereja no topo? — perguntei. Kyle levantou uma sobrancelha. O sorriso que ele me deu foi positivamente perverso. — Cerejas — concordou. — E chantilly e calda de chocolate, e qualquer outra coisa que você queira lamber em mim. Bem. Fui direto para isso. Gemi, mas apesar de todos os meus esforços, eu sorri. Um real. Kyle se deu conta e me deu um grande sorriso, bobo. — Trégua? — persuadiu novamente. Fingi pensar nisso, e depois suspirei como se isto fosse a decisão mais inconveniente que tive que tomar. — Está bem, está bem — eu disse soando exasperada. — Te perdoo. — Estendi a mão para Kyle.


—Trégua. Em vez de me dar a mão, pegou entre as suas e a segurou. Começou a roçar seu polegar para trás e para frente através de meus dedos. Eu estremeci, mas não foi seu toque o que fez que meu interior se sentisse estranho. Era o olhar em seus olhos. Paixão. Paixão por mim. Paixão pelo momento. Paixão por sua música. Paixão pela vida. Só paixão. Era como se todo Kyle Hamilton fosse feito de paixão e enviava essa paixão para mim. Era esmagador. —Nós nos beijamos? — perguntou, rompendo meu transe. O estrondo que provocou a declaração à multidão me lembrou de que Kyle e eu encontrávamos parados em frente de milhares de pessoas. Não podia acreditar que por um momento eu tivesse esquecido. Kyle ficou em pé, sem soltar minha mão e me desafiou com o olhar a terminar o que tinha começado ontem. Não tinha nada a ver com o papel que estava jogando para o público. Ele só queria esse beijo mais que nada. Me senti muito mal quando neguei com a cabeça. — Sinto muito. Tenho um namorado.


A esperança desapareceu do rosto de Kyle, mas encontrou seu sorriso antes que alguém que não fosse eu visse sua decepção. — O corno — disse. — Sei. Não se preocupe. Ele entenderá. —Eu não vou pedir que entenda porque não vou te dar um beijo — disse. —E se toda esta coisa da trégua vai funcionar, não é permitido fazer referência ao meu namorado como “corno” nunca mais. Ele tem um nome. Kyle suspirou. — Estou certo de que Isaac é um cara maravilhoso. Me perdoe se o meu orgulho tiver dificuldades em reconhecer. Me surpreendeu que Kyle soubesse o nome de Isaac, embora suponha que não deveria ter feito. Quero dizer, sabia o nome da minha saia, Pelo amor de Deus! Enquanto continuava ali, sem saber o que fazer a seguir, e me perguntava quanto tempo ia passar, a multidão começou a cantar de novo: — Beijo! Beijo! Beijo! Beijo!


Escutei o pedido por um momento e em seguida olhei para Kyle. — Estes fiéis fãs que tem — eu disse secamente. Um lado de sua boca se curvou para cima. — O melhor para se apaixonar. Vamos, Val, um beijo. Um beijo pequeno e nunca vou incomodar você e seu namorado de novo. Trégua para sempre solidificada. A oferta era boa demais para deixar passar. — Está bem. De acordo. Eu gostei do olhar de surpresa no rosto do Kyle enquanto me aproximei dele. Então me inclinei e pressionei meus lábios contra sua bochecha. Kyle tomou um fôlego rápido quando meus lábios tocaram sua pele, mas logo franziu a testa. — Não é exatamente o tipo de beijo que eu quis dizer. —Não é minha culpa que não especificou — brinquei. — Temos um trato. Tem seu beijo, agora tem que deixar o meu namorado e eu sozinhos. Kyle sorriu de orelha a orelha.


— Mas como é que eu vou te deixar nas mãos de outro cara quando você zomba de mim dessa maneira, Pernas? Ele me guiou para trás a um passo até que caí em um banquinho que foi de algum jeito colocado no palco atrás de mim. Toda a banda também se achava misteriosamente em seu lugar, os instrumentos em suas mãos. Não os vi se juntar a nós. —Já deveria saber por agora, Val, que eu não vou desistir — disse Kyle, assinalando para sua banda. — Quando se trata de você, eu entendo errado. Ele piscou para mim, e então, sem aviso Reid bateu suas baquetas e gritou: — Um! Dois! Um! Dois! Três! Quatro! A melodia familiar da minha música rasgou pelo ar e Kyle deu a atuação mais enérgica de sua vida, na forma de minha própria serenata pessoal.

Ela está fumando corações com chamas ardentes Tem um lado selvagem sem nome E quando está irritada, é uma Verdadeira Pena Sim! Sim! Sim! Eu entendi errado Sim! Sim! Sim! Eu estou ficando louco...


Uma vez que tudo terminou, corri para fora do palco. Não foi tão ruim como previ, mas estava mais do que pronta para fazer essa aparição pública. A banda estava bem atrás de mim e antes que soubesse o que me golpeou, Kyle me tinha em seus braços e estava me girando ao redor com entusiasmo. — Foi ótima! — exclamou sorridente como um jardim de crianças que montaram uma bicicleta pela primeira vez. — Esse foi o melhor final para um show que tivemos! Te amam! A banda te ama! Eu te amo! Você tem que ir a uma turnê com a gente. Você poderia ser o nosso pequeno mascote virgem! Ainda estava me girando ao redor, pega no momento e em alta adrenalina. —Kyle, por favor, me coloque no chão. Meu pedido não matou o estado de ânimo de Kyle. Me colocou sobre meus pés deixando suas mãos sobre meus ombros, sorria com os olhos exagerados. Atrás de nós, os fãs seguiam animando ao Tralse como loucos. —Está com pressa, não? — perguntou. Deu a meus ombros um apertão emocionado.


— Não vá a lugar nenhum! Os meninos e eu vamos estar prontos para ir à festa em uns dez ou quinze minutos. — Mas vim aqui com... — Seus amigos nos encontrarão. Todos estão na lista. Cara vai garantir que entrem sem nenhum problema, mas estaria mais confortável se você vier com a gente esta noite. Levaremos guarda-costas neste momento. Ao menos até que entremos. — Guarda-costas — ofeguei. — Não está em perigo, nem nada — prometeu Kyle rapidamente. — As multidões só saem um pouco de controle às vezes e a de hoje está bastante emocionada. Haverá um montão de gente fora do clube também. Só é melhor usar por precaução. — Mas não vou — comecei a discutir de novo, mas Kyle me cortou. — Não se mova deste lugar. Preciso de um banho rápido e logo estarei de volta — ele se inclinou e me deu um beijo rápido na testa. — Dez minutos. Eu prometo. Antes que pudesse fazer ou dizer algo, Kyle deu a volta e desapareceu por um corredor.


Levei um minuto para entender o que aconteceu, mas então olhei em volta e descobri Isaac esperando pacientemente em uma fila de cadeiras de plástico rígido ao lado do palco. Quando nossos olhos se encontraram, se levantou e me joguei em seus braços, suspirando com alívio. — Estou muito feliz de que acabou! — gemi. —Está bem? — perguntou Isaac. —Estou bem — disse. — Não foi tão ruim como pensei que seria. —Certeza? —Sim, está tudo bem. Não quero voltar a fazer de novo, mas pelo menos os fãs do Tralse deixarão de me atacar agora. Robin será capaz de arrumar nosso site. Além disso, acredito que Kyle está mal. Acredito que realmente me deixará em paz. —Ele poderia deixar de perseguir publicamente

concordou Isaac. — Mas esse cara não vai te deixar em paz. Está completamente balançado por você. Revirei meus olhos, mas Isaac não brincava. Sua expressão caiu e se deixou cair de novo à cadeira em que estava sentado.


—Val, não posso continuar com isso. —O que? Isaac passou uma mão nervosa por seu cabelo e logo me olhou com olhos tristes. — Acredito que já é hora. Meu coração caiu em meu estômago. Sabia o que queria dizer e embora não estivesse tão surpresa, não estava preparada para isso. Tinha que ser forte, entretanto. Não quero que isto seja pior para Isaac do que já era. Merecia muito mais. —Sabíamos que íamos ter que acabar com isto desde que decidi que ia a uma missão — disse Isaac. Sabia, mas não estava disposta a deixá-lo ir ainda. Não depois da semana que tive. Não depois de Zach e Cara e Kyle. Isaac era a única coisa em minha vida que era constante. Era minha rocha. Era meu seguro. Sentei a seu lado e peguei sua mão. — Mas você não irá dentro de seis meses. Ainda temos tempo. —Sinto muito, Val. — Sua voz, era apenas um sussurro, nublada pela emoção.


—Se é Kyle eu sinto muito. Tive que seguir o fluxo, mas quero estar com você. Era a verdade também. Pensei muito no que queria nas últimas vinte e quatro horas. Kyle tinha razão sobre a tensão sexual entre nós. Não podia negar. Mas isso não fazia a escolha correta. —É, e não é ele — disse Isaac. Mas não parecia irritado com tudo. —Não entendo. —A forma com que vocês se olharam esta noite, Val, você e eu não nos olhamos assim. Corei

furiosamente.

Teria

negado

se

não

estivesse

inundada pela culpa. — Sinto muito — sussurrei. Queria ser forte, mas meus olhos se encheram de lágrimas de qualquer maneira. —Está tudo bem, Val. Não estou com raiva. Sei que você não se apaixonou por ele de propósito. Nem acredito que percebeu que aconteceu. —Mas não quero estar com ele — disse. — Não posso. Kyle não me compreende como você, Isaac. Não me apoiaria como você.


—Ainda estarei ali para você, Val. Sempre te apoiarei. Somos grandes amigos, não somos? Assenti tristemente. — É obvio que sim, mas... —Me importo muito com você — prometeu Isaac. — Sei que se preocupa comigo também, mas não nos amamos. Não podia discutir com isso. Ele tinha razão. Nos gostamos

muito,

mas

não

estávamos

apaixonados.

Não

estávamos loucos um pelo outro da maneira que Cara e Shane estavam. Estivemos juntos durante vários meses e nenhum dos dois disse as palavras: “Te amo”. —O fato de que não estamos apaixonados, não significa que o que temos não é uma coisa boa — argumentei de todos os modos. — Isto não significa que queira renunciar a isso. Eu adoro estar em um relacionamento com você. Por que não desfrutar disso até que tenha que ir? Isaac voltou a suspirar. Percebi pelo olhar em seu rosto que não ia ganhar este argumento. Já tinha tomado a decisão. —A verdade é que estou cansado, Val. Isto? Coisas como esta noite? Toda a fama? É muito para mim. É forte o suficiente


para lidar com tudo isso, mas eu não sou. Não quero mais. Não posso continuar com você. Finalmente perdi o suficiente para que as lágrimas rolassem por minhas bochechas. — Sinto muito. Isaac me deu um forte abraço. —Não se desculpe — disse. — Não temos nada que lamentar. Estou tão orgulhoso de você. Só precisamos de coisas diferentes. Não podia culpá-lo por não ser capaz de lidar com minha louca vida. Nem eu podia lidar a metade do tempo. De verdade, de verdade, não queria que terminássemos, mas Isaac foi um grande apoio, e paciente, e surpreendente por tanto tempo, como não ia dar o que precisa? —Está bem — eu disse. Solucei uma vez mais, mas consegui conter as lágrimas. —Sinto muito, Valerie. Balancei a cabeça. — Se eu não estou autorizada a me lamentar então você muito menos. Não fui capaz de ser a namorada que você merece. Sei. Mas eu faria de novo. Me suportou todo este ano.


Isaac sorriu. — Isso é justo tendo em conta que eu fui um dos que te falei para que fizesse em primeiro lugar. —Estou feliz por ter feito. —Eu também — admitiu Isaac. Me deu um beijo de despedida. Foi agridoce, mas precisava desesperadamente. —Vai encontrar algum dia — disse Isaac. Passou os dedos por meu colar. — O cara que fará que tudo isto valha a pena. Olhei o palco atrás de mim, lembrando tudo o que acabava de acontecer, e uma pequena risada me escapou. — Teria que ser o Super-Homem para fazer tudo isso valer a pena. Isaac começou rir. —Será. —E você vai encontrar a mais linda mulher que vá à igreja todos os domingos com você, que te dará doces bebês e que faça pão caseiro com você. Isaac começou a rir de verdade esta vez. — Agora você está fazendo estereótipos.


Nos dois rimos, mas rapidamente se tornou em um suspiro mútuo. — Quer que eu te leve para casa? — perguntou Isaac. Sorriu, mas eu podia sentir a tristeza por trás dele. — Isso é bom. Kyle mencionou algo sobre precisar de guarda-costas esta noite, então eu ia chamar a meus pais de qualquer maneira. Vi a cara de preocupação de Isaac. Parecia como se realmente queria assumir e ter certeza de que chegasse em casa a salvo, mas manteve a boca fechada, aparentemente, decidiu que não tinha o direito de se preocupar dois segundos depois de terminar comigo. Teria deixado que me levasse para casa se tivesse persistido, mas também me senti um pouco agradecida quando não fez. Assentiu com a cabeça, ficou de pé, e depois estendeu a mão para mim. Deixei que me ajudasse a levantar. — Ainda amigos? — perguntou. —É claro. —Suponho que verei você na segunda-feira na escola então. Dei a ele um abraço.


— Na segunda-feira — concordei e o beijei na bochecha. — Adeus Isaac. —Se mantenha segura esta noite — respondeu. —Farei.


O ponto

Esperei até que Isaac desapareceu de vista antes de me afundar na cadeira de plástico duro e enterrar meu rosto entre minhas mãos. —Esta ruptura foi tão amigável que foi asquerosa. Vocês dois eram tão chatos? Estava a ponto de chorar de verdade, mas o som da voz de Kyle secou toda minha tristeza e me deixou sentindo nada mais que cansada. — Por favor, não comece comigo — adverti. — Realmente não preciso de sua merda agora. Kyle se sentou na cadeira junto a mim e deixou cair seu braço ao redor de meus ombros.


— Na verdade, Pernas. Acredito que minha merda é exatamente o que precisa neste momento. —Meu nome não é Pernas! — gritei, tirando seus braços de cima de mim. Para meu horror, isso era tudo o que precisava para abrir as comportas das minhas emoções e me quebrar. Os braços de Kyle imediatamente vieram ao redor de mim. — Ouça — disse em uma voz irritantemente suave — Não faça isso. Não chore por esse cara. — O que te importa? — espetei. Mas respirei fundo e recuperei o controle de mim mesma. Odiava que Kyle visse minha fraqueza. — Não deveria estar feliz porque terminamos? — Estou eufórico por isso — admitiu sem um pingo de vergonha. — Isso não quer dizer que me alegro de ver você ferida. Esperava que visse quão errado ele era para você e que o deixasse você mesma. —Como sabe que éramos errados um para o outro? Kyle me lançou um olhar desafiante e perguntou: — Está negando isso?


Suspirei, derrotada. —Se anime! No lado positivo, agora você pode passar para alguém que é certo para você. —Oh, e suponho que refere a você. —Bem. — Kyle sorriu. — Não ia trazer o assunto, mas já que o mencionou, estou cem por cento certo que você e eu seríamos bons um para o outro. —Exceto pela parte em que eu não vou dormir com você. —Pode mudar de opinião sobre isso uma vez que chegue a me conhecer. Não sou um idiota total, Val. Poderia esperar até que você estivesse pronta se só me desse uma oportunidade. —Poderia esperar até o casamento? — perguntei. A pergunta era mais um desafio do que uma curiosidade real, embora tenha que admitir que prendi a respiração esperando um sincero sim. É obvio, não consegui um. Kyle começou a rir, porque a ideia de esperar até o casamento era um conceito estranho para ele. — Primeiro de tudo — disse — se alguma vez tomar o passo para o casamento, e esse é um se muito grande, não seria por anos e anos. E em segundo lugar, não vou me comprometer pelo resto da minha vida com alguém com quem não dormi. E


se não fôssemos compatíveis dessa maneira, e então fico preso com ela? Teríamos que nos divorciar em uma semana. Tomou tudo o que tinha de mim para não zombar dele. — Vê Kyle? — eu disse, me levantando. — Você e eu nunca funcionaríamos. Não digo isto para ser grosseira neste momento, é só um fato. Precisa encontrar outra garota para torturar. —Torturar? — riu Kyle. — Você desfruta de nossos pequenos momentos tanto quanto eu. Um longo suspiro cansado me escapou. — Mas são sem sentido, Kyle. Nunca nos deixam nada se não indiferença. Comecei a me afastar, mas Kyle ficou em pé e bloqueou meu caminho. — Aonde você vai? —Perdi a minha melhor amiga e o meu namorado esta noite. Tenho uma dor de cabeça, estou esgotada e também estou um pouco perto de ter um total colapso emocional. Vou para casa para me enroscar com um romance brega e para comer meu peso em chocolate.


Kyle olhou horrorizado para minha confissão, como se eu acabasse de entrar em detalhes sobre meu momento do mês ou algo assim. — Tenho uma ideia melhor — disse olhando tão assustado para mim, isso era cômico. — Vamos pular o livro brega romântico e vamos jantar. Não sei você, mas sempre estou morrendo de fome depois de um show. Quando Kyle não morria de fome? Entretanto, estava surpresa pelo convite. — Pensei que tinha que estar em alguma estúpida festa de inauguração da turnê que é tão importante que minha melhor amiga me ameaçou nunca voltar a falar comigo outra vez se eu não fosse. —Vou embora da cidade amanhã para ir a uma turnê terrivelmente ocupada. Quero passar minhas últimas horas de liberdade com você, e você não está, obviamente, de humor para ir a uma festa. Meu coração acelerou contra minha vontade. Gritei mentalmente por isso. — Mesmo lisonjeada de que troque sua grande noite por mim, não estou exatamente de humor para ir a um encontro com você também.


—Não é um encontro, então. Só passando o momento com um amigo que está em grave necessidade de alimento. Suspirei de novo, mas a verdade era que eu poderia usar um amigo neste momento, e Kyle tinha uma maneira de me fazer sentir melhor. — Bem, Que tal um compromisso, então? — sugeri. — Me leva para casa e podemos passar por um serviço de fast food no caminho. Não comi muito desde que a história de Zach saiu nos jornais. Poderia ir por um animal tipo Dobro Dobro9 agora mesmo. Kyle arqueou uma sobrancelha para mim. — Está sugerindo que a nossa noite juntos antes de eu ir, é jantar no In-N-Out Burger? —Serviço de comida rápida — esclareci. — Não estou de humor para lidar com seu estúpido público. —Jantar no In-N-Out Burger serviço de comida rápida. — Kyle começou rir. — Se você está tentando de me convencer que não é perfeita para mim, está fazendo um péssimo trabalho. 9

Dobro Dobro: faz referência a uma especialidade no restaurante “In-N-Out Burger” que consta de dobro de refresco e dobro de hambúrguer com carne em dobro


Kyle me moveu para frente, empurrando meu ombro. — Observação? Eles também são seu público. Meus fãs também são seus fãs. Sabe. —Oh sim, eu notei quando sujaram meu site com comentários tão desagradáveis que Robin faltou à escola para desabilitar o chat do fórum antes que eu tivesse a oportunidade de ler o que diziam. Ela tinha medo que ficasse emocionalmente assustada por toda vida. —Não sabe nada sobre groupies, Val? Só estavam loucas porque querem que esteja comigo. —Se isso for certo, então eu temo que uma decepção as espera — resmunguei. Kyle riu e me levou a um ritmo mais rápido. — Vamos, estou certo de que será mais otimista uma vez que tenha um pouco de comida em você.

Kyle e eu pegamos um táxi de volta para minha casa. Foi uma luta. Ele tinha a um de seus encarregados de equipe que era da mesma estatura e compleição que ele conduzindo seu carro, que seus fãs reconheciam, é obvio, para o clube, e um personagem na entrada traseira para que visse como se Kyle


estivesse na festa e não levando a Virgem Val para casa. Só podia imaginar os rumores que se estenderiam se as pessoas descobrissem que nós faltamos à festa juntos. O mais provável é que o taxista nos venderia pela manhã, mas no momento, em que consegui voltar para Huntington Beach e através do mais próximo serviço de comida rápida In-NOut sem ser pego. O taxista tinha uma coisa sobre comida em seu carro, assim Kyle deu uma gorjeta enorme, nós prometemos que esperaríamos para comer uma vez que chegássemos a minha casa. Meus

pais

ainda

estavam

acordados

e

foram

surpreendidos ao me ver em casa antes da meia noite, arrastando meu arqui-inimigo comigo. — Onde está Isaac? E Stephanie e Robin? — perguntou minha mãe depois de uma muito torpe apresentação. —Acredito que Stephanie e Robin estão com todos os outros na festa. Isaac provavelmente em casa. Ele e eu terminamos. Não, está tudo bem — insisti quando minha mãe engasgou. — É o que ele precisava. Os olhos de minha mãe se desviaram desconfiados para Kyle de novo e eu ri.


— Não foi sua culpa. Bom, não totalmente. Vou contar isso para você mais tarde, De acordo? —Está bem — aceitou com cautela. Me deu um grande abraço e sussurrou: — Está tudo bem? —Sim e não — admiti. — Acredito que Cara e eu não somos amigas. Kyle e eu só vamos comer nosso jantar e depois ele irá. Podemos conversar depois? —É obvio. Seu pai e eu estaremos na outra sala. Me chame se precisar de alguma coisa — vacilou enviando outro olhar suspeito em direção ao Kyle antes de se arrastar da cozinha. —Não acredito que ela goste muito de mim — murmurou Kyle enquanto nos sentamos na mesa da cozinha. Soprei. —Por que na terra acha que gostaria? Eu inclusive, não gosto a metade do tempo. Kyle olhou ofendido, mas não pude evitar rir. — Pense nisso. Para minha mãe, é a estrela de rock vicioso quem publicamente anunciou que não quer nada mais


que pôr em perigo a virtude de sua filha. Também é o cara que me beijou na televisão em rede nacional, sem minha permissão, quando eu tinha um namorado, o que provocou meio que um circo tão grande que precisei da Polícia de Huntington Beach para defender minha casa dos repórteres. Também escutou todas as músicas do álbum “S é para Sexo?”, a qual está literalmente dedicada a mim. Músicas como, “Não seja tão egocêntrica e se coloque debaixo de mim” e “Esquenta pênis” não foram exatamente grandes sucessos nesta casa. Desfrutei da careta do Kyle um pouco demais. — Nossa, quando coloca assim me faz parecer um idiota. Dei o meu melhor olhar “Duh!”. —Eu

disse que sinto muito?

—perguntou Kyle

timidamente. —Sim — eu disse, o levando para a mesa de jantar e entregando o seu hambúrguer. — Em parte pelo seu show na frente de milhares de pessoas, de maneira que os noticiários teriam outro fiasco para informar sobre Kyle Hamilton/Val Virgem, e pudesse vender mais discos. Você percebe que eu estou totalmente a ponto de explodir esta noite, certo? O que eu disse era certo, mas Kyle sabia que eu estava zombando dele.


—Explodir? — riu — Val estou ferido. Essa foi uma desculpa muito sincera. —Não poderia ter pedido desculpas em particular? —Tive que fazer dessa maneira, então meus fãs deixariam de te atacar. Olhei para ele com ceticismo. — Talvez. —Talvez não. Eles não teriam parado. Não é que possa culpá-los depois de ver essa foto. Claro que parecia uma tórrida queda no bosque. Suspirei e Kyle acabou com suas batatas fritas em silêncio. Quando terminou, sentou em sua cadeira me olhando com curiosidade. Cruzou seus braços sobre seu peito e disse: — Há uma pergunta nessa foto que pede uma resposta. Esperei, sabendo que ele pensou se me perguntava ou não. —Qual foi o mais longe que foi com um cara? Supus que esta pergunta era inevitável. — Se eu digo isso a você, vai anunciar ao mundo inteiro? Não é que eu esteja envergonhada, mas é meu assunto privado. —Não direi a ninguém. Juro pela alma da minha mãe. —A sua mãe está morta? —Não. — Kyle sorriu.


— Mas eu prometo. Nenhuma palavra a ninguém, nunca. Só estou com curiosidade mórbida. Suspirei. — Meu ex Zach, chegou à segunda base duas vezes antes que me deixasse. A mandíbula do Kyle caiu. — Isso é tudo? — ofegou. — Seu namorado aceitou um toque uma ou duas vezes? Estive mais longe que isso com estranhas ao acaso na pista de dança! —Que romântico. E se pergunta por que não desmaio com suas insinuações. Kyle também parecia desconcertado para manter a conversa. Terminamos nossa comida em silêncio e Kyle ficou me olhando todo o tempo como se eu fosse um quebra-cabeça muito complexo que tentava resolver. Depois que terminamos, Kyle tirou uma caixa de pastilhas de hortelã do bolso e lançou um par em sua boca. Quando me ofereceu isso, olhei com desconfiança.


— Hábito — insistiu, rindo da minha desconfiança para ele. Como parece mais com o território de ter um rosto público. Faço lançar as coisas como pílulas. Aceitei a menta e me levantei para tirar nosso lixo. Depois de pressionar o botão no compactador de lixo me virei e Kyle estava ali. Não me deu a oportunidade de dizer algo ou empurrá-lo para longe. Só pegou meu rosto entre suas mãos e me beijou sem aviso prévio. Um segundo limpava o jantar e no seguinte estava sendo devorada como se eu fosse a sobremesa. Aqui está a coisa, não havia ira neste beijo como na vez que me beijou no lançamento das joias. Esta vez só houve desejo e certo tipo de doçura que me dava a sensação de sonho. Cedi completamente. Por uma vez em minha vida não resisti absolutamente a Kyle. Bom, acabava de abandonar tudo em primeiro lugar. Me senti um pouco vulnerável. Não me importava o quão amável era, ser destroçada nunca faz bem. Precisava me sentir desejada e ninguém tem me feito sentir mais desejada do que Kyle. Essa é a outra coisa. Kyle não faz nada tímido e essa coisa em particular ele sempre quis fazer. Parecia que estava pondo todo seu coração e alma neste beijo. Estava indefesa contra ele e no momento não queria ser outra coisa. Suspirei na boca de Kyle e me fundi contra seu corpo.


No instante em que respondi o respeito se tornou paixão e Kyle me beijou como nunca haviam me beijado antes. Me beijou até que meu fôlego se foi, minha cabeça nadava e meus joelhos se entregaram. Os braços de Kyle deslizaram ao meu redor e sustentou meu corpo suave de perto com o dele. — Olhe quem desmaiou — sussurrou contra meus lábios em voz baixa. O som disso me fez tremer. —Fez uma armadilha — ofeguei. Nem podia abrir os olhos. Kyle roçou seus lábios contra meus uma vez mais e depois se mudou para o meu ouvido. Nesse mesmo sussurro perigoso, disse: — Tem alguma ideia de quanto tempo eu quis fazer isso? —Desde o dia que nos conhecemos? — adivinhei sem fôlego, enquanto sua boca encontrou o ponto fraco atrás da minha orelha e foi trabalhar levantando arrepios por todo meu corpo. —Do primeiro momento em que me insultou — concordou entre beijos celestes e tortuosos. As mãos de Kyle começaram a vagar e comecei a voltar para a realidade.


— Bom Kyle, isso é o suficiente. Tem seu beijo, agora tem que parar — adverti. — Mas não fiz nenhuma tentativa de me mover. — Inclusive eu sabia que parecia como se não dissesse a sério. —Por quê? — perguntou Kyle, continuando seu ataque a meu pescoço. Entrelaçou suas mãos por meu cabelo e inclinou minha cabeça para trás para poder chegar a minha garganta. Revirei meus olhos. — Porque — engasguei — você está tornando muito difícil ser boa. Sou virgem, não uma Santa. Kyle riu profundo e gutural. Seu fôlego me fazia cócegas na pele. — Não — concordou. — E não é nenhum peixe frio, também, certo? —Nunca disse que era. As mãos de Kyle encontraram seu lugar sob a barra da minha camisa e por fim pude chegar a meus sentidos. Agarrei seus dedos e brandamente os tirei de mim. — Acredito que deveria ir agora. —Por quê?


—Porque é tarde, e é provável que tenha uma grande quantidade de bagagem para fazer, e eu estou cansada e meus pais estão na outra sala e porque não quero ir lá. Kyle conseguiu se separar de mim e passou a mão pelo cabelo. —Val, por que faz isto? Por que se detém? Qual é o ponto? Suspirei. Não queria ter este mesmo velho argumento outra vez. —Entendo por que começou V é para Virgem — disse Kyle. — A luta tem sentido para mim. Mas por que optar por esperar em primeiro lugar? Que bem te faz esperar até que se case? —De verdade quer saber? —Sim. Realmente quero saber, porque se não pode me dar uma boa resposta, não vou ser capaz de me afastar de você hoje a noite. Minha mão instintivamente pegou meu colar. — Sabe que sou adotada, certo? Estou certa de que tem lido muito nos jornais, que minha mãe biológica ficou grávida de mim quando tinha quinze anos.


—Sim, ouvi isso. Mas há controle de natalidade. Não tem que terminar assim. Não tenho nenhum pequeno Júnior Kyle brincando de correr por aí. —Você acha — brinquei. —De maneira nenhuma. Me certifico que estou certo. Se trouxer uma criança a este mundo, quero fazer as coisas certas, cuidar do pequeno e tudo isso. Não posso fazer isso se estiver de turnê e indo a festas e clubes todo o tempo. Bom. Ao menos tinha muito fundamento moral. —O sexo não tem por que dar lugar a crianças e sabe então qual é a verdadeira razão para não fazê-lo? —Alguma vez você já fez uma promessa a si mesmo? — perguntei. — Uma que seja importante para você? Que não quebraria, não importando o quanto às pessoas pensassem que era estúpido ou dissessem que não poderia fazer? Sabia que tinha. Shane me disse uma vez que Kyle foi determinado para fazer de sua banda um sucesso quando todo mundo disse que não podia. Kyle assentiu lentamente, sumido em seus pensamentos.


— Então fez uma promessa a si mesma e não quer quebrá-la. Bom, posso entender isso também. Mas por que essa promessa? Quero saber por que é tão importante para você. Não podia acreditar que tinha esta conversa com Kyle Hamilton, de todas as pessoas, mas enquanto me sentei ali pensando em minha resposta, me dava conta de quão importante era sua pergunta. Por que estava tão decidida em manter esta promessa? Ele tinha razão sobre o controle da natalidade, não tinha que terminar como minha mãe biológica. Mas havia muito mais que isso. Também me dava conta exatamente nesse momento o muito que queria que Kyle entendesse meu raciocínio. Kyle especificamente. Queria que ele soubesse por que era tão importante para mim. Curiosamente, apesar de seus defeitos, queria que me entendesse. Queria seu respeito. —Espera um minuto — eu disse. O acompanhei até a sala e o fiz sentar no sofá. —Volto logo. Tenho algo que quero te mostrar. Voltei minutos mais tarde com a carta da minha mãe biológica. Entreguei o papel envelhecido e disse: — Minha mãe biológica escolheu os meus pais adotivos. Se reuniram duas vezes. Uma vez para ser entrevistados e uma vez quando nasci. Deu esta carta e meu colar.


Kyle leu a carta e esperou que eu falasse de novo. Tomei um minuto antes que pudesse fazê-lo sem chorar. — Minha mãe biológica não podia lembrar sua primeira vez. Nem podia lembrar com quem dormiu. Tive que viver minha vida com este conhecimento pendurando sobre minha cabeça. Prometi que esperaria porque não quero que minha primeira vez seja nada nem perto disso. Quero que seja justamente o contrário. Quero que seja o momento mais especial da minha vida. Kyle ficou em silêncio um momento e logo disse: — Não posso culpar você por querer isso, mas o que isso tem a ver com casamento? —Me deixe perguntar algo para você — disse. — Por que a ideia de estar comigo é tão atraente para você? Kyle começou a rir, trazendo a tensão à atmosfera. — Quer que enumere todas as razões pelas quais eu me sinto atraído por você? Vou começar com suas pernas. —Não, só me refiro à coisa de virgem — disse para coincidir com seu sorriso. —Por que a ideia de estar com uma virgem é tão atraente?


—Território inexplorado. —Estou falando sério. —Eu também — insistiu Kyle. — A ideia de estar com alguém que nunca esteve com alguém é mais quente. Chegar a ser a primeira pessoa em fazer a uma garota se sentir como uma mulher? Para estar no controle e observar a experiência de novas sensações pela primeira vez? Ensinar coisas? Os dedos de Kyle roçaram o comprido da minha coxa. Ele viu como me estremeci. — Não tem nem ideia do que poderia fazer por você, Val. Como poderia fazer você sentir. Agarrei a mão muita curiosa e entrelacei os dedos juntos, para que não pudessem continuar o que faziam. — Fisicamente — concordei. — Estou segura. Não duvido que saiba sua maneira ao redor da cama. Mas quero que o sexo seja mais que isso. Meu corpo, minha virgindade, é uma parte de mim que ninguém no mundo conhece. É algo que uma vez que eu der nunca poderei ter de volta. Não vou entregar a alguém por uns momentos de prazer físico. Quero que a pessoa com que finalmente compartilhe todo meu ser seja alguém em quem confio por


completo. Alguém que me entenda e me ame e que eu ame de igual maneira. —Sim, mas por que o casamento? Não acha que possa encontrar alguém que te ame sem estar casado com ele? —Acredito que se realmente encontrasse alguém que me ame assim, ele estaria disposto a se casar comigo. Estaria disposto a esperar por mim. Se quem quer que seja não está disposto a dedicar sua vida a mim, então não merece compartilhar essa experiência comigo. Os olhos de Kyle se estreitaram como se houvesse dito que ele, pessoalmente, não me merecia. Embora, suponho que de certo modo foi como se nós dois soubéssemos que ele não estava disposto a esperar. —Quero que minha virgindade signifique algo para mim e para o homem que compartilharei minha vida. Pense nisso. Como você se sentiria se eu decidisse deixar você ser a única pessoa que me conheça tão intimamente? Como se sentiria ao saber que ninguém mais está autorizado a me tocar? Que ninguém mais me terá? Só você. O sorriso de Kyle me disparou perigo. —Por que não se entrega para mim e saberei isso? Gemi.


— Por que me incomodo em falar com você? Peguei minha mão, e fiquei de pé e me dirigi para a porta da frente. Kyle seguiu rapidamente atrás de mim, rindo. — Está bem, está bem, sinto muito. Não pude resistir a isso. Mas tenho seu ponto, isso já é bastante surpreendente. Sobre tudo sendo você, já que é tão exigente e tudo. Deixei tudo e o olhei diretamente nos olhos. — E isso, Kyle, é exatamente o ponto. É por isso que estou esperando. De verdade me julga por querer ter esse tipo de relação com alguém? Kyle me olhou fixamente durante o que pareceu uma eternidade enquanto contemplava o que acabava de dizer. Por um momento pensei que poderia ter chegado a ele. Não que eu alguma vez pensasse por um segundo que havia convertido a multidão de abstinência, mas realmente pensei que fiz ver meu ponto de vista. —É uma ideia romântica, com certeza — disse. — Pena que seja delirante. —Perdão? —Está fazendo a coisa de garotas. Você evocou esta fantasia de um homem perfeito. Está se guardando para alguém


que não existe. E se, em sua busca para encontrar o Sr. Perfeito, deixar passar a oportunidade de algo grande? O subtexto estava ali, nas palavras de Kyle. Podia ouvir o que não dizia. Implorava que não o deixasse ir. O mais triste de tudo isto era que não queria renunciar a ele. — Diga Kyle — supliquei desesperadamente. — Me diga que vai esperar até se casar comigo e eu sou sua. Kyle me olhou com uma expressão verdadeiramente torturado. — E se eu te dissesse que te amo? — perguntou rápido. — E se eu prometer ficar com você e só com você? Senti lágrimas ardendo meus olhos. — Não seria o suficiente — admiti com tristeza. — Se cedesse a você, odiaria a mim mesma por isso. Estaria ressentida com você. Sempre me sentiria como se não me amasse o suficiente para me dar a única coisa que eu peço. —A falta de amor não é o problema. Não pode ver isso? Isso fez. Meus olhos se encheram de lágrimas e as lágrimas se derramaram sobre minhas bochechas.


—Então, qual é o problema? — perguntei. — O sexo é realmente tão vital? Na verdade não valho a pena para esperar? Kyle engoliu a seco. — Se eu fosse uma garota Val, seria você, mas não posso prometer isso. Não tem nem ideia do que é minha vida. Sempre há mulheres bonitas e dispostas a mais. Há muita tentação. Muita expectativa. Se não conseguir com você provavelmente me afastarei. Sei o que parece, mas estou sendo honesto. Sou apenas humano, Val. A uma fraqueza a que fui agradado muito tempo. Não posso te dar o que pede porque tenho medo de quebrar seu coração. Se ele soubesse o muito que sua confissão já quebrou. Quase me convenceu. Quase me entreguei a ele, queria me entregar. Mas quanto mais entendia seu medo, e inclusive respeitava sua sinceridade, a verdade só reforçou minha determinação. —Nossas mãos estão atadas então, Kyle, porque pedir que mude o que sou, tudo o que trabalhei tão duro e tudo o que acredito me partiria o coração também. Sinto muito. Kyle sorriu com tristeza. Por fim tínhamos deixado de dar voltas em círculos e nos chocamos contra um muro. Esta foi à última vez que teríamos esta conversa e ambos sabíamos.


— Eu também sinto — disse e logo me puxou em seus braços para um último abraço. Foi um abraço que recordaria pelo resto de minha vida. — Se alguma vez decidir baixar suas expectativas, se assegure de me chamar primeiro — disse enquanto me apertou firmemente. Ri, mas havia um pequeno soluço nele. — E se alguma vez se der conta de que vale realmente a pena a espera, tem minha permissão para me chamar. Kyle finalmente conseguiu abrir a porta e sair ao alpendre. — Se cuide, Virgem Val. Realmente espero que encontre o que está procurando. —Sério? — Não pude evitar perguntar. — É claro. — Forçou um sorriso em seu rosto e inclusive obteve uma piscada. — Meu sorriso de resposta foi genuíno, embora triste. — Adeus, Kyle. —Adeus.


O fim

— Valerie! — O rosto de Reggie se iluminou quando pegou minha vitamina de iogurte e começou a derramar chocolate. — Quase nunca vem me ver. —Quase nunca venho trabalhar. O suspiro que seguiu a minha declaração fez que o sorriso do Reggie desaparecesse. —Tudo está bem? — perguntou. — Sim — disse, bocejando tão amplamente que meus olhos começaram a lacrimejar. Estava cansada de ter estado com minha mãe durante horas ontem à noite. Mas também estava cansada em geral. — Estou bem. Simplesmente estive muito ocupada.


—Está bem — disse Reggie com incerteza. —Bom, foi genial ver você de novo. Se certifique de conseguir algumas horas a mais de sono esta noite. Parece um pouco cansada. Na verdade, me deixe te dar um refrigerante. —Isso provavelmente seria sábio — disse, tentando alcançar minha carteira. Reggie balançou a cabeça. — Este eu pago — insistiu. — É claramente uma emergência. —Obrigada, Reggie. Suspirei no caminho de volta à joalheria. Estava bastante mal se o menino do iogurte estava me obrigando a beber CocaCola diet. Voltei para a loja e tomei tanto refrigerante quanto pude enquanto tentava pôr em dia a minha tarefa de história AP. Graças a Deus que ainda podia contar com meu trabalho para ter um pouco de tempo de inatividade. As vendas da Margaret aumentaram graças aos links do meu site, assim como as joias Virgem, mas a loja em si conseguiu se manter tão tranquila como sempre foi. Acredito que Margaret estava tão aliviada quanto eu.


Começava a adormecer quando senti que alguém estava de pé ao outro lado do balcão. Olhei os olhos preocupados do meu ex-namorado. —Zach? — perguntei. —Olá. — Apontou através do balcão e disse: — Posso? Estava um pouco confusa, mas o deixei entrar atrás do balcão. Tomou seu antigo lugar na cadeira de Margaret como estava acostumado a fazer quando estávamos juntos. —O que está fazendo aqui? — perguntei. —Pedir desculpas — disse. Parecia destroçado. Sabia que a imagem não era sua culpa, mas não me dava conta de que o destroçava tanto. — Espero que você acredite em mim que não tinha nem ideia de que Sophia roubou essa foto. É uma espécie instável. Assustadoramente pegajosa sabe? Por isso terminei com ela. Sabia que estava louca, mas te juro que nunca pensei que fosse fazer... O que fez. Não era minha intenção, sinto muito. —Está bem. Não culpo você. Não foi sua culpa. Zach me deu um sorriso triste e disse:


— Sinto por tudo, Val. Não só a foto, mas também por tudo. Ele parecia tão derrotado que eu só queria dar um grande abraço nele e dizer que tudo ia ficar bem, apesar de que eu merecia sua desculpa. O observei durante um minuto e logo fiz exatamente isso. —Está tudo bem — disse em voz baixa enquanto ele se agarrava a mim. — Não estou com raiva. Não estive por meses. Quando Zach me soltou peguei sua mão e dei um apertão. — Também sinto. Não te culpo pelo que aconteceu entre nós. Bom, não só culpo você. Eu errei também. Nós dois erramos. Zach tentou sorrir outra vez, mas não pôde conseguir. —Inclusive agora, é muito boa Val. Fui um idiota. — Comecei a discutir, mas Zach negou com a cabeça. — Não. Eu Fui. Levou um tempo para compreender, mas joguei fora algo especial porque estava irritado. Trabalhei tão duro para fazer a noite perfeita. Queria estar com você tão desesperadamente. Fui paciente e então deixou cair a bomba. Doeu.


—Eu sei — sussurrei. — E eu sinto muito por isso. —Estava ferido e irritado, mas mesmo assim não devia simplesmente tê-la deixado sair. Nem tentei falar com você. Depois me enganchar dessa maneira com Olivia? Não me preocupo com ela. Nem gosto dela. Só fiz isso para te machucar. —Isso realmente me faz sentir melhor — disse, dando uma cotovelada no ombro. — A ideia de que tivesse me deixado porque você gostava mais de Olivia do que de mim era uma merda. O fantasma de um sorriso apareceu no rosto de Zach. — Nunca gostei de ninguém mais que você, Val. Eu te amava. Senti que minha respiração pegava em meus pulmões. Zach não me olhava. Ele olhava para baixo o balcão de joias. Fiquei feliz pela distração porque as lágrimas cravavam meus olhos e não queria que Zach visse o tipo de efeito que ainda podia ter sobre mim. —Sei que nunca disse quando fomos namorados — continuou Zach sucessivamente. — Não me dei conta até que era muito tarde.


Sentamos em silêncio outra vez e então Zach olhou nos meus olhos. — É muito tarde, certo? Não podia acreditar que ele me pediu que o aceite de volta. Não podia acreditar que Zach ainda se preocupasse comigo. Ainda me queria. —Sinto

saudades

— disse Zach. Pegou

a mão e

entrelaçou nossos dedos juntos. — Estávamos muito bem juntos. Passamos bem. Nos preocupávamos um com o outro. Lamento a coisa do sexo. Não percebi o quanto era importante para você. Estou disposto a tentar, entretanto. Prefiro te ter sem as coisas físicas que ver você se conformar com um cara como Isaac Warren. — No último momento, disse: — Sinto muito que vocês terminaram. Espero que ele não tenha te machucado também. Estava surpresa que Zach soubesse que Isaac e eu terminamos. Mas, de novo, os detalhes íntimos de minha vida pessoal tinham uma forma de ser de conhecimento público. — Não fez — disse. — Foi mútuo. Não éramos um para o outro. Não como você e eu fomos.


Zach me olhou, seus olhos suplicantes. — Poderíamos ser um para o outro de novo. Neguei com a cabeça. — Não. Tem razão. É muito tarde para nós. Escutei Zach respirar fundo. — Você tem certeza? Pouco a pouco, assenti. —

Sinto

muito, Zach.

Estou

certa.

Honestamente,

acredito que só tenho que estar sozinha nestes momentos. Não fui a melhor namorada do mundo para Isaac, e não vejo nenhuma mudança em curto prazo. Tenho muito que fazer em minha vida. Zach franziu a testa. — Estou preocupado com você, Val — disse. — Não foi você mesma durante muito tempo. —Estou bem. —Não, não está. Pode ser que não saiamos mais, mas ainda conheço você. Sei que está tendo um momento difícil. Posso dizer que precisa de alguém com quem falar neste momento, então fala comigo.


Suspirei. — Isso é doce, mas não quero simplesmente descarregar todos os meus problemas em você. —Sou um bom ouvinte — insistiu. Eu dei um olhar incrédulo e ele riu. — Posso ser se eu tentar — disse. — Além disso, te devo uma. E então, de repente, comecei a falar. As palavras fluíram de minha boca com uma força “imparável”. Disse ao Zach a respeito de tudo. A respeito de Isaac de Cara e Kyle. Falei a respeito das conferências de “Nem Todo mundo Está Fazendo”, e a linha de joias e que o negócio do filme está pendente. Debati a respeito de mim tentando me manter em dia com meus cursos de honra, enquanto que faltava tanto à escola. Não sei quanto tempo passou quando terminei de me descarregar em Zach, mas era muito e nunca se inquietou nem olhou seu relógio. Fez o que prometeu e ficou ali escutando como se realmente se preocupasse com tudo. —É só que... — eu disse, quando eu consegui reduzir a velocidade. — Faço todas estas coisas e todas são importantes para mim, e desfruto de todas elas, sobre tudo. Entretanto, apesar de


que tenho todos estes planos feitos para o futuro ainda me sinto perdida. Sei exatamente quem sou e, entretanto não me conheço absolutamente. Não tem sentido. Zach encolheu os ombros. — Tem sentido para mim. Está sobrecarregada de trabalho. Tem muito em seu prato. Acredito que começou, ou seja, que queria, mas te deram muito mais do que procurava e te consome. Virgem Val assumiu a sua vida e agora está afogando Valerie. Depois de todo esse bate-papo foi esta última declaração o que finalmente me trouxe lágrimas a meus olhos. — É exatamente isso! Estou me afogando. Sinto como se não

pudesse

respirar,

como

se

estivesse

lutando

constantemente através da minha vida tentando encontrar a superfície. —Então deixe isso antes que ele mate. —Deixar? — A palavra soava impossível para mim. Falei com minha mãe durante horas depois que Kyle saiu da minha casa ontem à noite, mas o tema de deixar nunca me ocorreu. Simplesmente não parecia possível. —Sim, você sabe, não é tudo, é possível que deseje terminar a escola, mas pode deixar de lado algo disso. Já deixa que Robin lide com a maioria das coisas do site. Diga não aos


caras da joalheria por agora. Marque de novo as conferências de “Nem Todo mundo Está Fazendo”. Delegue as coisas do conselho estudantil. Deixe o trabalho. Se estiver realmente conseguindo um trato para um filme de sua universidade. Margaret entenderia se tirasse um tempo livre até a graduação. —Mas não posso abandonar tudo o que comecei. —Não seria abandonar nada. V é para Virgem ainda estaria ali. Ainda

seria um excelente

modelo a seguir.

Simplesmente não seria tão ativa. Estou seguro de que há outros que poderiam tomar seu lugar. Há muitas pessoas que acreditam no que você tem feito e que estariam encantadas em ajudar você. Talvez você precise que façam. Basta dar uma pausa de tudo por um tempo. Com o Tralse fora por este verão, os paparazzi provavelmente irão deixar de te perseguir. Poderia ser o momento perfeito para que tire férias. Ninguém pode ir a toda velocidade para sempre. Ele tinha razão. Não podia seguir assim para sempre. Já estava me desintegrando. —Ninguém te culparia nem um pouco se tirasse um tempo livre para você mesma. Descobrir o que deseja. Fixar os relacionamentos em sua vida. Vá ao baile comigo. Assentia em acordo até que percebi tudo o que Zach acabava de dizer. Começou a rir ao ver a expressão surpresa em minha cara.


—Sinto muito — brincou. — Essa última só escapou. Eu estava sorrindo. A ideia de ter uma noite livre de estresse, dançar e me divertir, parecia como a medicina perfeita para meu coração desgastado. Isso era o que sempre quis, mais a respeito de Zach. Ele era muito divertido. Sabia como esquecer tudo e desfrutar do momento. — Na realidade eu gostaria disso. Se pudéssemos ir como amigos. —É obvio — disse Zach. Ficou em pé e se espreguiçou. — Suponho que deveria deixar que você voltasse a estudar. Prometa que vai ficar bem. —Talvez tenha razão — cedi. — Talvez seja tempo de recolher meus quinze minutos. Só dizer isso em voz alta me fez sentir mais leve. Minha decisão estava tomada. Tive um ano incrível, mas todas as coisas boas deviam chegar a seu fim. Chegou o momento de descansar. Inclusive meu adeus com Kyle ontem à noite me fez sentir como um fechamento no que fosse o que tínhamos.


Caminhei com Zach até a entrada da loja e logo o surpreendi com outro abraço. — Obrigada, Zach. —Em qualquer momento. Cuide de si mesma Val. —Farei — prometi. E dizia sério. Virgem Val não tinha que desaparecer por completo, mas Valerie Jensen ia recuperar sua vida.


A sequela — Então — disse a Stephanie quando a deixei na casa de seus pais. — Está pronta para isto? Stephanie olhou a pedra brilhante em seu dedo com brilhante adoração. — Vão estar emocionados. Realmente gostam de Austin. —Sim, eu também. Eu não gosto que ele esteja roubando a minha companheira, uma de suas damas de honra, mas está perdoado. —Não é só uma dama de honra — disse Stephanie. — Vai ser minha madrinha, não é assim? Sorri. Stephanie era quase uma irmã para mim. — Suponho que poderia estar de acordo com isso, sempre e melhor Austin escolher um padrinho super quente para estar ao meu lado nas fotos.


—Inclusive nos asseguremos de que seja solteiro — prometeu Stephanie. — Falávamos outro dia sobre a necessidade de encontrar um homem para você. Ri, mas logo suspirei e peguei a mão de Stephanie para admirar seu anel pela milionésima vez. — Um homem estaria bom — admiti. — Sobre tudo um tão perfeito como o seu. Meu “perfeito” comentário fez que Stephanie ficasse toda pegajosa. Estava tão apaixonada que estava doente. — Fora! — Ri. — Vai dar a notícia a seus pais. —Tem planos para o almoço? Você poderia se juntar a nós. Neguei com a cabeça. — Na verdade, vou encontrar Cara para o almoço. Stephanie fez uma careta. — Bom para você. Acha que estará bem? —Estou segura de que vai estar tudo bem. Nunca mais fomos as mesmas, mas as coisas foram melhores desde que


começamos a nos falar de novo. Precisa que eu venha te buscar? —Não. Eu encontro você lá. —Está bem. — Quando Stephanie saiu do carro gritou pela janela. — Divirta-se! Me deseje sorte! —Não precisa. Vejo vocês no show! Vinte minutos mais tarde, me encontrei com Cara pela primeira vez em quatro anos. —Faz muito que não te vejo — zombei nervosamente enquanto me sentava. —Sim. — Cara sorriu, mas parecia tão desconfortável quanto eu. — Fico feliz de que ligou. —Eu também. Caímos em um silêncio desconfortável. — Então, vi os “Prêmios Day time Soap” — disse depois que o garçom pegou nossos pedidos. — Parabéns.


Cara deu de ombros. Acredito que foi a primeira vez que a vi atuar com modéstia. — É só um papel secundário. —Sim, mas se Collette realmente matou a Rico então, como a mãe de seu bebê, terá que procurar vingança. Isso poderia ser divertido, verdade? Cara sorriu. — Vê o programa? —Desde que você se uniu ao elenco. Stephanie e eu somos viciadas desde então. É nosso mais profundo, mais escuro segredo. —Obrigada. Não quero ficar como uma atriz de dia para sempre, mas é um bom dinheiro. —Além disso, já sabe este Rico. Cara sorriu e se abanou. —Sem dúvida Rico. —É realmente tão delicioso na vida real como é na série? —Mais — admitiu Cara. —Como Shane não sente ciúmes de você trabalhando com ele e se beijando no programa todo o tempo?


—Fácil. Sabe que o amo. Além disso, dei a ele um tabuleiro de dardos com a cara de Rico durante o Natal do ano passado. Nós rimos e me sentia quase como nos velhos tempos. —Eu devo a você um pedido de desculpa, já sabe — eu disse. — Nunca pensei que você e Shane conseguiriam. Tive que pagar cinquenta dólares a Stephanie quando casou. Cara fingiu estar ofendida. — Apostou contra mim? —Não pude evitar. Sabe que tenho um preconceito ridículo contra as estrelas de rock. Se te faz sentir melhor, me alegro que você me mostre que estou equivocava. Tem o seu homem ideal. Me dá esperança. —Então não está vendo ninguém? —Não neste momento. Houve um ou dois, mas nada sério. —Ele está aí fora em alguma parte, Val. Suspirei. — Estou segura de que está.


Comemos nosso almoço e depois de um momento não pude conter a pergunta que me deixava louca. — Então, hum, tem falado com Kyle? Cara elevou uma sobrancelha, mas não me perguntou por meu interesse mal mascarado. — Não muito desde que a banda se separou. A morte de Reid atingiu muito duro os meninos e todos praticamente foram por caminhos diferentes. Como é doloroso para eles estarem juntos agora. Assenti, sem saber o que mais dizer. A causa oficial da morte foi insuficiência cardíaca. O relatório não oficial era que uma boa dose de heroína foi a causa da insuficiência cardíaca. Não queria perguntar se os rumores eram certos. —E o que traz você de volta para Los Angeles? — perguntou Cara, rapidamente. Estava agradecida pelo silêncio quebrado. —De fato — eu disse — vou ser entrevistada no “Show do Connie Parker”. É uma espécie de tudo-o-que-aconteceu. Estava muito surpresa quando recebi o convite. Não tenho feito uma aparição Virgem Val em mais de dois anos. Desde que o filme saiu ao ar. — “O Show Connie Parker”, né? Isso é grande.


Comecei a rir. — Provavelmente só querem ter certeza de que ainda sou virgem. Tem tempo hoje? Quer vir? —Eu adoraria. — Cara hesitou por um momento e logo sorriu. — Sabe que sempre será minha garota, V.

Stephanie e meus pais já esperavam ali quando Cara e eu chegamos ao estúdio. —Sorte que te encontrei! — gritou Stephanie quando me viu. —Robin! —Val! Agarrei a minha amiga em um forte abraço. — Passou muito tempo! —Oito meses pelo menos! —Sei — eu disse observando o ventre inchado de Robin. —Faltam seis semanas — disse com orgulho.


— Outro menino. —Parabéns! Como vai o trabalho da fundação? —Igual como sempre. Deveria ir lá antes de retornar para casa. Christina se foi, mas Darla continua e ainda se gaba de você a cada um que entra. —Vou ter que passar por lá. —Oh ouça, ouviu as notícias a respeito de Isaac? Casou! Sorri. — Recebi o convite. Ela é muito linda. Uma total fabrica potencial de bebês. —Ouvi que fazem pão caseiro — brincou Robin. —Assim, Isaac ganhou seu passe né? — perguntou Stephanie. — Pensei que jogava beisebol na universidade de Utah ou algo assim. —Faz — disse Robin. — É por isso que demorou tanto tempo para encontrar uma esposa depois de chegar em casa de sua missão. —Tanto tempo? — Ri. — Só se foi de casa por dois anos.


—Ouça, isso é muito tempo no mundo Mórmon. Era certo. Robin se casou quando tinha dezenove anos e trabalhava no bebê número dois já. Eu teria sorte se pudesse encontrar um namorado estável antes que batesse os trinta. Depois de uns minutos chegou o momento do show. Engoli meus nervos, me dirigindo para o sofá de convidados e me obriguei a enfrentar o público. Passou muito tempo desde que tive que ser a Virgem Val, mas ali na primeira fila estavam meus pais, Stephanie, Robin e Cara todos sorrindo com orgulho para mim, então tive a oportunidade de relaxar. —Bem-vindos! — disse a anfitriã Connie Parker, se acomodando em uma cadeira junto ao sofá que me sentei. Havia uma mesa de café em frente de nós com um par de taças fumegantes nela. Começou a entrevista resumindo rapidamente minha história. Uma vez que a audiência estivesse apanhada ela sorriu e disse: — Bom, realmente tem que ver o vídeo para apreciar tudo o que Valerie criou. Gemi interiormente, mas sorri com bom humor enquanto uma grande tela descia atrás de nós e reproduziu o vídeo com o que começou tudo. Passaram anos, mas aí estava eu em toda


minha glória virgem de pé sobre uma mesa do almoço. Depois que o público riu e aplaudiu Connie me olhou e me disse: — Bem essa foi a grande exibição. —Certamente mudou minha vida. —Pode nos falar sobre o começo de V é para Virgem? Fiz. Connie assentiu ao longo da história e depois começou alguns feitos que queria compartilhar. — Desde que a Valerie começou V é para Virgem o número de gravidez de adolescentes nos Estados Unidos diminuiu mais de doze por cento. Nos últimos cinco anos, a campanha doou mais de dois milhões de dólares à Fundação “Nem Todos Estão Fazendo” e outras filiações. Valerie também começou uma nova organização sem fins lucrativos, uma agência de adoção chamada F é para Famílias que ajuda a adolescentes grávidas a pôr seus bebês em um bom lar. Colocaram quarenta e sete meninos até agora. Isso deu lugar à discussão inteira sobre minha própria adoção. Expliquei a origem de meu famoso colar V e meu nome. Inclusive compartilhei a carta de minha mãe biológica. Sabia que isto viria então trouxe comigo.


— Fiz a promessa a mim mesma de que eu gostaria de esperar até o casamento porque estava orgulhosa da decisão de minha própria mãe de me deixar. Foi valente da parte dela e estou muito agradecida de que me amasse o suficiente para fazer o correto e me dar às pessoas que podiam cuidar de mim. —Alguma vez quis conhecer sua mãe biológica? — perguntou Connie. —Pensei nisso antes, mas nunca tentei procurá-la. Tenho os melhores pais do mundo. —Quer? —Quero o que? — perguntei. — Conhecer minha mãe biológica? Suponho. Se ela quiser me conhecer. Seria bastante agradável ser capaz de mostrar tudo o que consegui e fazer ela saber que estou agradecida pelo que fez por mim. —Bom

Valerie,

temos

uma

surpresa

para

você.

Encontramos a sua mãe biológica. Está aqui e gostaria muito de conhecer você. Ofeguei. Minha cabeça girou tão rápido que estava bastante segura de que sentiria uma chicotada cervical mais tarde. Meus olhos posaram em uma mulher alta, loira magra, que tinha lágrimas nos olhos e um sorriso idêntico ao meu.


Olhei para meus pais. Os dois sorriam e minha mãe chorava. Pareciam bem com isto, assim que me levantei e me reuni com a mulher de pé diante de mim. —Valerie Jensen — disse Connie. — Conheça a Valerie Rogers, sua mãe biológica. —Olá — disse Valerie. Sua voz e suas mãos tremeram. —Olá — ofeguei. Então, como se estivesse ligada por algo de dentro, eu caí para frente e atirei meus braços para ela. Me devolveu o abraço, e juntas soluçamos em televisão nacional. Uma vez que pudemos limpar nossos rostos e caímos no sofá ainda segurando as mãos. —Valerie — perguntou Connie a minha mãe biológica. — Ouviu falar de V é para Virgem antes que entrássemos em contato com você? Valerie teve que limpar mais lágrimas. —Tive algo como um ataque do coração quando vi o filme. —Então sabia que era eu? —perguntei. —Tinha a esperança — disse. — Não havia nenhuma carta mencionada no filme, mas seu nome era Valerie e a coisa do colar em V era muito mais


que uma coincidência. Depois de ver o filme te procurei na internet e soube com certeza. — Colocou a mão no pescoço de sua blusa e tirou uma corrente de prata com um V de ouro branco pendurando nela. — Seu colar era uma metade de um conjunto — disse. — O levo sempre. Nunca me esqueci de você. Comecei a chorar de novo. —Estou tão orgulhosa de você — sussurrou Valerie, perdendo tudo de novo também. Connie tinha que tentar nos manter de volta sob controle e o fez dizendo: — Então Val, recentemente se graduou em Stanford com uma dupla licenciatura em economia e ciências políticas, não é assim? —Sim. —Parabéns! Isso é toda uma conquista em si mesmo. —Obrigada. Embora seja só um descanso. Começo meu programa de mestrado em outono. —Estudando? —Continuando em ciências políticas.


—Então estou vendo o congresso em seu futuro? — brincou Connie. Sorri de volta. — Congresso, senado... — disse pensativamente. — Não estou segura ainda. Quem sabe, talvez alguns dias vão ter que começar um P é para Presidente de Campanha. O público aplaudiu com força e fez a todos nós quebrar em risada. —Eu te colocaria mais à frente, Virgem Val, para ser a primeira mulher presidente — riu Connie. —Tem um som agradável, Não é assim? — brincou. —Está bem, Val. Eu odeio ter que perguntar, mas sabe que tenho que, é virgem ainda? Comecei a rir. — Fico surpresa que demorou tanto tempo. Está bem. Sim, Connie. Ainda sou virgem. —Nenhum cara especial em sua vida? —Não no momento. Estive muito ocupada com a escola e começando F é para Família que não tive muito tempo para namorar.


—Isso é uma pena. O que aconteceu com aquele cara? Qual era seu nome? Kyle algo? Um rugido de aplausos rolou em minha direção. Gemi para a multidão, mas internamente meu coração se retorceu sobre si mesmo. —Suponho que não pode entrevistar a Virgem Val sem trazer de novo até Kyle Hamilton. —Suponho que não — brincou Connie. — É uma boa perdedora, Val. Assim, os dois se mantêm em contato? Neguei com minha cabeça. — Ele foi para a turnê” S é para sexo” e eu fui para Stanford muito antes que ele voltasse para casa. Tivemos uma trégua antes que ele se fosse, mas nunca voltamos a conversar. Estou segura de que esqueceu tudo sobre mim. —Ouvi que foi bastante sério com alguém por um tempo. Inclusive se comprometeu. Outra torcedura a meu coração. —Também escutei isso. —Então escutou que foi um rompimento ruim? Rompeu o coração, ela o fez.


Encolhi os ombros, desconfortável. — Ouvi sobre isso, mas desde minha experiência, nunca há muita verdade nessas histórias sensacionalistas, então quem sabe? Ele e eu fomos um pouco conhecidos por não nos darmos bem, mas espero que ele não esteja tão ruim como pensa. Espero que esteja bem onde quer que esteja. —É gracioso que diga isso — disse Connie com um sorriso ardiloso. — E se te dissesse que onde quer que esteja, fica atrás dos bastidores? Meu coração explodiu a toda marcha tão repentinamente que tinha medo de que pudesse estalar, mas de algum jeito consegui um suspiro brincalhão. — Então teria que te dizer que realmente não estou tão surpresa. Exceto que estaria mentindo. Não sei por que a ideia delas perguntando por Kyle no programa nunca me ocorreu. Suponho que porque passou muito tempo, sempre imaginei que nunca voltaria a vê-lo. Connie começou a rir e logo gritou: — Vem aqui, Kyle!


Não me dava conta que continha a respiração até que minha mãe biológica apertou minha mão. Era estranho, mas apesar de não a conhecer, a ter ali me apoiando enquanto enfrentava Kyle de novo fez eu me sentir bem. Kyle apareceu com a mesma arrogância mortal que eu lembrava anos atrás, lançou beijos às mulheres na plateia que foram passando da loucura à surpresa. Então, todos esses sentimentos que senti na noite que nos despedimos estavam de volta. Não sabia se ria ou chorava. Kyle se aproximou e apertou a mão de Connie e então me puxou dentro de um enorme abraço. A resposta foi chorar. Me derreti no abraço de Kyle e tive que morder dentro de minha bochecha com o fim de manter as lágrimas. Depois de deixar ir Kyle apertou a mão da minha mãe biológica. — É uma honra conhecê-la — disse. —Tenho que agradecer por trazer minha virgem favorita ao mundo.


Minha mãe biológica começou a chorar de novo. Fique feliz. Isso me fez sentir como menos de um caso mental para minhas próprias lágrimas. —Não sei se te agradeço por sua parte em trazer minha filha de volta em minha vida ou se te dou um tapa pela forma que a tratou. Kyle riu. — Bom, se me der uma opção, prefiro o agradecimento. Recebi um tapa em rede nacional antes e não foi tão divertido. Todo mundo riu é obvio, tendo em conta que foi eu que o bati. Minha mãe e eu deslizamos no sofá para que Kyle pudesse sentar mais perto de Connie. Quando sentou pôs seu braço ao redor de mim e me colocou do seu lado como se fosse a coisa mais natural do mundo. Como se fôssemos melhores amigos e os últimos quatro anos tivessem sido só quatro dias. Meu estômago se agitou. Nervosa. Fiz o melhor que pude para esmagá-los, não estava segura, depois de tantos anos, como no mundo isto estava acontecendo e a última coisa que queria era ficar apanhada no turbilhão que era Kyle Hamilton de novo. Kyle me sentiu endurecer e plantou um beijo rápido em um lado de minha cabeça.


— Passou muito tempo, Val — sussurrou em meu ouvido. Meu estômago se agitou de novo. Passou muito tempo. Neguei a sensação de distância. Só porque ele era mais bonito agora do que era a quatro anos atrás, não significava que mudou. Ele ainda era ele e eu seguia sendo eu. Connie observou nós dois sentados um ao lado do outro. Sorriu com orgulho ao ser a que nos reuniu. — Então Kyle, Val nos contava que estava segura de que se esqueceu por completo dela, é isso certo? —Connie, há algumas pessoas que nunca podem ser esquecidas. —Tenho que estar de acordo — riu Connie. — Nos conte o que você esteve fazendo. —Bom, tenho um álbum solo que sairá logo, mas, além disso, estou tranquilo. Esperando pela mulher correta para vir e me fazer um homem de bem. Kyle me apertou sugestivamente. Connie sorriu. A plateia desmaiou. Corei.


—Parece que está querendo sossegar então, verdade? — perguntou Connie, seus olhos brilhando desviando em minha direção. Podia sentir os olhos de Kyle em mim enquanto replicou: — Algo como isso. — Kyle repentinamente se inclinou sobre seu colo com sua mão livre e agarrou minha mão. Olhei incrédula, enquanto entrelaçava seus dedos através dos meus. Comecei a me afastar, mas então algo me chamou a atenção e engasguei. Amarrado ao redor de seu pulso estava uma pulseira de couro desgastada. Me dava conta disso quando ele saiu, nunca o vi usar nada de joia antes, mas não tinha me dado conta do pequeno A pendurando. —O que é isto? — perguntei, tocando a pulseira com incredulidade. —Não reconhece? — perguntou Kyle. Podia escutar a risada em sua voz. — Me deu isso uma vez, faz muito tempo. Não podia acreditar. Era a pulseira que empurrei para ele no festival anos atrás. Nem sabia que guardou naquele dia. —Sim, reconheço — eu disse, olhando para Kyle. A forma em que sorriu me desarmou. Perdi o fio de meus pensamentos. Kyle sorriu.


— Oito meses, agora. No começo não sabia o que ele queria dizer. — Oito meses, o que? Kyle arqueou uma de suas sobrancelhas. — Não ouviu? A é para abstinência. E então o tive. — Você? — engoli a seco. Kyle riu da minha surpresa e depois encolheu os ombros. — Foi em meu relacionamento com Adriana. A amava, sabe? Quando terminamos me dei conta de que não estive com ninguém desde que a conheci e que não queria estar com ninguém mais. A mulher me arruinou porque agora não quero dormir com ninguém que não esteja apaixonado. E acredite eu tentei. Quando me enganou queria dormir com um milhão de garotas só para me vingar dela, mas não consegui. Se

mexeu

em

seu

assento

como

se

estivesse

desconfortável. Se foi porque falava sobre sua ex-noiva ou porque falava de seus sentimentos, não estava certa. De qualquer forma estava surpresa. —Pensei que já que não estava fazendo de todos os modos, poderia bem usar a pulseira.


Olhei para Kyle com orgulho a contra gosto. — Bom para você, Kyle. Kyle me apertou mais forte e aproximou seus lábios do meu ouvido outra vez. — Posso imaginar Val. Queria perguntar o que, exatamente, imaginou, mas Connie já falava de novo. —Vai tocar algo para nós hoje? —Uh, sim. — Kyle sentou para frente e esfregou suas mãos com antecipação. Foi ao outro lado da sala onde havia um palco montado. Sua banda de apoio estava pronta e esperando por ele. Enquanto ele ajustava o microfone, disse: — Vou cantar o primeiro single do meu novo álbum e na grande tradição de Kyle Hamilton, escrevi para uma pessoa especial que não conseguia tirar da cabeça. Riu pela expressão em meu rosto e logo deu uma piscada. — Se chama “Vale a pena esperar”.


Continua em....



Série V is for Virgen #1 - Kelly Oram