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By Carian Cole SÉRIE LIVRO 04


Equipe PÊgasus Lançamentos:

Patycris Gi Vagliengo Grasiele Santos Katerina Petrova Kateria Petrova Mari

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DESCREVA O SEU PARCEIRO IDEAL:

Cuidadoso. Trabalhador. Um homem de família dedicado, que adora crianças. Simpático, engraçado, inteligente, tranquilo, mas extrovertido. ~ Asia Jenson DESCREVA A SUA PARCEIRA IDEAL:

Independente. Alta, loura, sexy. Extrovertida. Inteligente, pura. Agradável. Confiante. Gosta de viajar. Comprometida. ~ Talon Valentine UM EXPERIMENTO SOCIAL.

O conceito era assustador, mas excitante... Casar com um total estranho. Viver juntos por seis meses. Registrar tudo. (Sentimentos. Brigas. Tudo isso.) Após seis meses, cada um de nós receberá 50 mil em troca de nossos registros, se permanecermos casado ou não. Mas o objetivo é se comprometer com a experiência e ver se os especialistas em relacionamento poderiam unir pares perfeitos. Nunca tive sorte no amor. Essa foi a minha chance de encontrar minha alma gêmea. Não podia esperar para conhecer o homem que os especialistas sentiam que era perfeito para mim. Minhas esperanças foram imediatamente frustradas quando vi ele no altar. Merda. Me casei com o meu pior pesadelo. Certo?!

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— Mais rápido... Rápido... — ela geme, se arqueando debaixo de mim, suas unhas falsas cavando na minha bunda. Fecha os olhos e sua boca cai aberta enquanto bombeio em seu interior mais forte. Ela tem tanta maquiagem, que parece estar enfiada em um saco de Skittles1. — Oh, meu Deus... Sim... Mais fundo... — Ela implora, mas não posso ir mais rápido ou mais fundo, mesmo com meus notórios 27,5cm. Já estourei o meu nível de dureza e profundidade. — Mais rápido... — Ela diz enquanto puxo para fora e rolo para longe

dela,

tirando

o

preservativo

fora

antes

de

jogá-lo

descuidadamente sobre o tapete desbotado. — Que caralho? Por que você parou? — Ela se vira para olhar para mim — Não gozei ainda. Bocejo, cruzo os braços sob a cabeça e fecho os olhos. — Bem, eu acabei. — Sério, não consigo olhar seu rosto agora. Simplesmente não posso comer o rosto de Skittles. — Você nem mesmo gozou. Não me incomodo de abrir os olhos. — Você me ouviu dizer mais molhado? Mais gostoso? Não. Fui tão fundo e rápido quanto consegui. E então, vi seu rosto. Desculpa. Abro um olho quando ouço ela remexendo o quarto de motel barato procurando suas roupas. — É um idiota! É só conversa suja. Realmente não queria isso.

1 Os nossos M&M’S e suas variações de nome

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Ótimo, me encontrar com uma groupie arco-íris-ofendida. Bem o que eu queria. Não. Ela parecia muito mais gostosa nos bastidores. Agora... nem tanto. — Isso não funciona para mim. — Dou de ombros casualmente. Ela coloca a roupa num acesso de raiva, pega sua bolsa e botas de couro de salto alto, mas não se preocupa em colocá-las enquanto se dirige como uma tempestade em direção à porta com os pés descalços. — Ei... — Digo, impedindo ela. — Você quer comer, talvez? — Sério? Não. Vim aqui para sexo, não para jantar. Que porra de estrela idiota você é! Perdedor! — Ela bate a porta com tanta força que a pintura feia em cima da cama inclina. Porra. Eu estava esperando que fosse cair da parede e caísse terra sobre a cabeça, me livrando da minha miséria. Não tive essa sorte. Rolando, fecho meus olhos, ansioso para dormir e fazer sumir a dor surda na minha cabeça da festa após o show mais cedo. No entanto, a cama com cheiro estranho e os lençóis são ásperos contra a minha pele. De alguma forma, me transformei em uma pessoa que só pode dormir em lençóis de algodão egípcio. Não tenho certeza se isso me faz um pirralho mimado ou apenas um cara que aprecia as coisas mais finas que o dinheiro pode comprar. Desde que não vou conseguir dormir nesse lugar, me visto, amarro meu cabelo comprido, pego minha carteira, celular e cigarros, enquanto rio da ironia de tudo isso. Quando eu era mais jovem, acreditava que se alguma vez alcançasse o status de estrela do rock, eu seria tão feliz como um porco na lama. Mas aqui estou eu, meta alcançada e a única coisa que realmente me faz feliz é limpeza, lençóis macios que cheiram como lavanda. E ainda por cima, os meus anos de escapadas sexuais me deram a hashtag de #PauFabuloso nas

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redes sociais. Eu meio que queria que minhas habilidades na guitarra fossem mais notรกveis do que as habilidades do meu pau. Lamentรกvel.

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Assim que ele entra no café, sei que é alto, cabelos escuros, corpo atlético e um sorriso lindo. Meu coração para quando ele olha pelo salão, finalmente, pousando em mim. Sorrindo, dou um pequeno aceno tímido enquanto atravessa a área de jantar e assume a cadeira em minha frente. — Asia? — Ele pergunta. — Essa sou eu. — Meu coração dispara quando peço a cada deus e deusa que eu não pareça tão nervosa como me sinto. Ele ainda é mais bonito pessoalmente do que na foto. Ele é na verdade, literalmente bonito. Totalmente fora do meu alcance. — Você está esperando há muito tempo? — Não. — Balanço minha cabeça — Cerca de dez minutos, isso é tudo. Cheguei propositadamente alguns minutos mais cedo, porque sabia, de falar com ele nas últimas quatro semanas, que se as pessoas aparecessem tarde irritavam ele. Ele é um modelo e personal trainer, então atraso descontrola sua agenda lotada. Seus brilhantes olhos azuis se concentram em mim, sem piscar, por uma quantidade desconfortável de tempo. — A garçonete deve estar aqui daqui a pouco. — Digo, quebrando o silêncio — Avisei que estava à espera de alguém antes de pedir.

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Ele olha ao redor do salão, inquieto, em seguida, se inclina do outro lado da mesa pequena. — Veja. Só vou direto ao assunto aqui. Você parece muito boa, mas você não é realmente o que eu estava esperando. Sinto muito. A pontada no estômago é instantânea e não é totalmente desconhecida, mas forço o sorriso a permanecer no meu rosto. — Como? — Realmente odeio isso. Não sou um cara mau. De verdade. Só estava esperando você ser um pouco mais... descolada? Talvez essa seja a escolha errada de palavras. — Descolada? O que isso significa? Como se estivesse lendo meus pensamentos, ele continua — Mais moda... na moda. Sou modelo, você sabe. Não sou superficial, mas, sim... Visual é importante para mim. Você sabe o que quero dizer? Estudando ele, me pergunto como alguém de tão boa aparência, com esses belos olhos e um sorriso amigável, pode ser um idiota tão grande. Os povos médios deveriam parecer médios, como uma etiqueta de advertência. Ele não tem o direito de ser um presente gostoso e ser um idiota. — Você é bonita, no entanto. — Acrescenta ele, como se isso diminuísse o golpe. — Não é apenas o meu tipo. Sinto muito. Agarrando minha pequena bolsa e forçando uma risada falsa, me levanto e empurro minha cadeira para trás, com a necessidade de fugir. — De verdade, está tudo bem. Essas coisas acontecem. Já vou. Obrigada por ter tempo para me conhecer, de qualquer maneira. Ando para fora do pequeno café rapidamente, não lhe dando uma chance de dizer nada mais ou ver as lágrimas arrastando pelo meu rosto. Estúpida. Estúpida. Estúpida.

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O que eu estava pensando de qualquer maneira, me inscrevendo em um site de namoro online gratuito? E me fez pensar seriamente que um modelo de boa aparência que vive em um belo apartamento no décimo andar no centro e dirige um brilhante carro esporte amarelo ia estar interessado em mim? Nem sequer tenho um carro. Puxando um lenço de papel da minha bolsa, enxugo meus olhos enquanto caminho 8 km de volta para o meu minúsculo apartamento de um quarto. 3,5km e meus pés estão gritando de dor, os sapatos novos que comprei apenas para esse encontro e vou levar uma semana para ser capaz de suportar o atrito dos meus dedos e calcanhares. E, no entanto, ainda parecia descolado. Essas palavras nunca iam deixar meu cérebro. Eu poderia apenas tatua-la também em minha testa. O triste é que, nos demos tão bem em nossos e-mails, chats e dois curtos telefonemas. Realmente gostava dele e achava que ele gostava de mim, também. Apaguei pelo menos dez outros caras, que responderam ao meu anúncio porque pensei que Drew seria o único... ou

pelo

menos,

levaria

a

algo

mais.

Aqueles

outros

caras

provavelmente teriam se transformado em psicopatas ou idiotas superficiais,

também,

como

parece

ser

o

padrão

para

mim

ultimamente. É nove e meia pelo tempo que subo as escadas em ruínas ao meu apartamento, que não está no melhor dos bairros. Nem tenho certeza de como pensei que ia chegar em casa se o encontro tivesse corrido bem, porque de jeito nenhum eu teria deixado ele me trazer aqui. Aparentemente, deveria estar alegre que não funcionou ou teria andando para casa à meia-noite, ou mais tarde, lidando com Deus sabe que tipo de anormais saindo dos cantos escuros do meu bairro.

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Uma vez dentro, não posso tirar meus sapatos rápidos o suficiente para aliviar os pés doloridos que agora têm nojentas bolhas dolorosas. Droga. Olho para meu reflexo no espelho de corpo inteiro no corredor fora do meu quarto e me estudo, tentando ver o que ele viu. O que todo mundo vê... ou não vê. O que há de errado comigo? Não sou feia. Sou? Meu corpo magro é ligeiramente curvilíneo, equilibrando bem com a minha altura de 1,53m. Os jeans abraçando meus quadris não são de marca, mas eles se encaixam em mim perfeitamente, sustentado por um cinto de couro marrom tecido com uma fivela de latão martelado em forma de coração. A blusa com um anjo de asas pretas com os respingos de tinta coloridas é uma das minhas favoritas. Além dos jeans e sapatos, fiz tudo sozinha. Boho é como o meu estilo seria descrito, a mistura de hippie e boêmio que é confortável, mas muito legal, da terra e atemporal. Aparentemente, o modelo não aprovou. Não descolada. Horas do meu tempo foram gastas criando o cinto, fivela e tingindo a blusa para conseguir os respingos apenas para a direita. Horas de montagem com minhas próprias mãos usando o pouco dinheiro que eu poderia guardar. Idiota. Tirando minhas roupas enquanto ando para o meu quarto, as jogo no cesto com minha roupa para o fim de semana, puxo uma velha camiseta de grandes dimensões e, em seguida, subo em minha cama, levando meu celular comigo para que eu possa ligar para minha amiga Katrina.

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— Conta tudo! — Ela grita quando atende. — Foi uma droga. — Como? Por quê? Suspirando, puxo o edredom fino para meu queixo. — Ele entrou, fez um inventário visível de mim, então disse que eu não parecia descolada e não era o tipo dele, então, eu educadamente me virei e fui embora. — Não era descolada? — Ela repete — O que diabos isso significa? — Não tenho certeza. Pensei que significava desleixada, talvez? — Que diabos, Asia? Você é linda. Você faz suas malditas roupas e elas são bonitas. Ele pode ir comer um pau! — Ele era muito gostoso, apesar de tudo. — Ele ainda pode comer um pau! Ele perdeu, querida. — Ele e qualquer outro cara nessa cidade, pelo que parece. Eu deveria desistir e me tornar uma freira. — Asia, pare com isso. Você é linda e doce. Vou encontrar o cara certo. Fique fora desses malditos sites de namoro e deixe isso para mim. Oh Deus. Nada de bom vem de seus planos. Especialmente quando ela está tentando me “consertar”. — Realmente, Kat, está tudo bem. Estou bem. — Tento mascarar o medo na minha voz não pensando em seus planos. — Você mal pode encontrar seus óculos em sua própria cabeça às vezes. Por favor, não tente encontrar um homem para mim. — Eu encontrei Rob, não foi? — Você colidiu em sua traseira em um sinal vermelho enquanto você estava escrevendo e dirigindo. Ele teve sorte de você não o machucar. — Lembro a ela.

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— Foi o destino. Nós fomos feitos um para o outro. E agora vou ajudá-la a encontrar o cara certo. — Estou bem, de verdade. — O clique frenético de um teclado ecoa através do telefone. — Tenho tudo sob controle, menina. — Ela diz. — Tenha fé em mim. — Não, Kat, por favor, não consiga nada para mim. Lembra quando você pintou a minha sala para mim? O clique do teclado continua. — Então, esqueci a escada. Ninguém nunca disse que a nova cor da pintura tinha que ir até o teto, você sabe. Eu totalmente revitalizei suas paredes. Rindo da memória de voltar para casa para encontrar um desastre de pintura, rolo para o meu lado. — Eu vou indo, Kat. Estou exausta de toda a caminhada. — Te ligo amanhã. Esqueça o imbecil. Você é muita areia para a caminhonete dele. Você é meu brilho brilhante. Não se esqueça disso. Pressionando encerrar, gostaria de saber se nunca vou encontrar um cara que realmente goste de mim e não esteja interessado apenas na aparência, dinheiro e sexo.

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— Estou feliz que você está aqui, tenho algo interessante para discutir com você. Minha mãe gesticula para eu sentar na cadeira do outro lado da enorme mesa de madeira de cerejeira da qual ela praticamente vive atrás. Revirando os olhos, me jogo na cadeira de veludo vermelho e coloco minhas botas de trabalho na frente da mesa. — Talon. Tire. — Ela olha longe de sua tela do portátil por um segundo para olhar para mim e depois volta para a digitação, suas unhas vermelhas voando pelo teclado. De pé, ando em volta de seu escritório, enquanto ela termina tudo o que está fazendo. Centenas de livros se alinham nas prateleiras de seu escritório. Alguns escritos por ela, alguns por outros autores. Tenho a sorte de ter um músico famoso como pai e uma autora de romances bestsellers de mãe. Tecnicamente, isso deveria ter me feito um músico gênio romântico, mas pareço ter só herdado o gene da música, juntamente com um apetite monstruoso para o sexo. O clique de fechar a tampa do laptop diz que ela terminou e está pronta para conversar. — Querido, volte aqui e sente. Pare de andar. — Você nunca fica sem ideias para esse material de escrita? — Pergunto, cruzando o espaço para sentar na cadeira de veludo

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novamente, flashbacks de sentar nessa exata cadeira quando eu era mais jovem e sendo repreendido por ter feito uma coisa ruim vem na minha cabeça. Suas sobrancelhas perfeitas sobem. — Como posso ficar sem ideias quando o amor está envolvido? As possibilidades de encontrar um amor são infinitas. — Bem, não o encontrei ainda, então você pode estar errada. Tive um encontro interessante com uma ruiva na noite passada, no entanto... — Isso é o que eu queria falar com você. — A ruiva gostosa? Balançando a cabeça, ela toma um gole de água com limão de seu característico copo de cristal. — Não, o amor é claro. Lembra de alguns meses atrás quando você me disse que estava cansado de todos os encontros de uma noite e sexo sem sentido? Meu cabelo comprido cai no meu rosto enquanto balanço minha cabeça e o empurro de volta com a minha mão. — Eu disse isso? O amor simplesmente não está nas cartas para mim, mãe. Sou muito inquieto e adoro sexo demais. As mulheres querem isso de mim, não o amor. Estou acostumado a isso agora. Quando comecei a ter sentimentos por uma mulher, a encontrei chupando outro alguém. Apenas não sou o tipo do amor. Abrindo uma gaveta em sua mesa, ela pega uma pasta roxa brilhante e coloca-a em frente a ela. — Eu não acredito por um minuto, Talon. Todos os meus meninos têm corações de ouro. — Eu não.

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— Você simplesmente pode não ter encontrado a garota certa ainda. Você já viu isso acontecer com Asher e Storm. Sua garota está lá fora. — Bem, se ela está, então eu provavelmente já a desossei e ela pensa que sou um idiota agora. Ela acena com a mão para mim. — Calma com isso. Recentemente me juntei a uma equipe para um incrível projeto e acho que você é perfeito para ele. Acendendo um cigarro, me inclino para trás na cadeira, derrubando as pernas da frente da mesa e dou uma longa tragada. — Mãe, para onde estamos indo com isso? Ela desliza um cinzeiro de mármore preto em minha direção. Esse é o único lugar na casa que estou permitido fumar, mesmo que a mamãe tecnicamente parou de fumar anos atrás, de vez em quando, quando ela está realmente estressada ou animada sobre um livro, ela fuma. — Estou participando disso. Uma boa amiga minha é diretora de um site de relacionamentos e ela escreveu inúmeros livros sobre a dinâmica de relacionamentos bem-sucedidos. Agora, ela e uma equipe de

psicólogos

e

uma

terapeuta

sexual

estão

realizando

um

experimento social e eles me pediram para participar e escrever um livro com eles com base nos resultados. Faço um anel perfeito de fumaça no ar entre nós. — E como isso tem a ver comigo, exatamente? Seu olhar segue o anel enquanto ele flutua e se dissipa. — Pensei que você iria querer participar da experiência. Estreitando meus olhos, lanço minhas cinzas no cinzeiro.

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— Participar? O que isso envolve? Posso dizer pelo olhar em seu rosto que há uma tonelada de merda que você não está me dizendo. Desembucha, Mamãe. Sorrindo, ela balança a cabeça com entusiasmo. — Eu estava começando a dar detalhes. Você faria par com uma total estranha que o grupo de pesquisa combinasse com você com base em perguntas que lhe fizessem. Você tem de se comprometer cem por cento com o casamento em todos os sentidos por seis meses e manter um diário de todos os seus sentimentos e experiências. Ao final do prazo de seis meses, você dará seus diários para o grupo e pode permanecer casado se a relação for um sucesso ou se separar. A cada participante também serão dados cinquenta mil dólares, mas honestamente, não se trata de dinheiro. Se trata de se comprometer com alguém e não desistir. É sobre encontrar a pessoa que, em teoria, deve ser boa para você. E se você pode se apaixonar depois do casamento, em vez de apenas antes. Suas palavras giram ao redor do meu cérebro como um ciclone. — Você está brincando? Casamento é uma coisa séria. Não é um jogo, porra. Um sorriso deslumbrante se espalha por seu rosto e ela balança a cabeça lentamente. — Exatamente. Vê? Você compreende já. Pode dois estranhos se comprometer com um relacionamento, tendo fé que um grupo de especialistas vá combina-los com o caminho certo? Acho que é fascinante. — Sim, vou concordar com isso. Mas e se isso não funcionar? E se quisermos matar um ao outro? Nós conseguiremos um divórcio e iremos embora com um prêmio de consolação em dinheiro? — Suponho que sim.

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— E como é que vamos saber se a outra pessoa está nisso para encontrar a pessoa certa ou apenas por dinheiro? As pessoas são gananciosas pra caralho. Não preciso de outra garimpeira na porra da minha vida. Lembra, já consegui essa camiseta. Abrindo a pasta roxa misteriosa, ela percorre as páginas antes de olhar para mim. — Concordo, querido. É por isso que cada candidato tem de passar por um rigoroso questionamento, para esperançosamente eliminar pessoas que não estão fazendo isso pelas razões certas. — E você quer que eu faça isso? — Sim, mas apenas se for algo que você acha que pode se comprometer seriamente e ter mente aberta sobre isso. Acho que, por dentro, você quer compromisso, mas você esconde com a sua atitude de “Sou apenas um cara de uma noite”. — Talvez isso seja tudo no que eu sou bom, uma só noite. — Isso é uma porcaria total. Vi a maneira que olha quando Storm e Evie estão por perto. Acho que você quer a proximidade com alguém, mesmo que você seja muito teimoso para admitir. Posso ver isso em seus olhos, apesar de tudo. Inclinando para frente, esmago o cigarro no cinzeiro. — Nunca estive apaixonado. Não quero machucar uma garota que está começando a ter a esperança de encontrar um cavaleiro de armadura brilhante. As chances de me lançar em um relacionamento, ou elas quererem ficar comigo, são bastante reduzidas. — Discordo. — E se eles me colocarem com alguém totalmente feio ou demente? — Eles não vão. Eles vão combiná-lo com quem acham que é certo para você com base nas entrevistas com você.

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Pondero essa loucura em minha cabeça por alguns minutos. Se alguém pudesse colocar a garota perfeita em meu colo, você não iria me ouvir reclamar. — Você conhece antes as pretendentes? Ou, pelo menos, vê suas fotos? Você pode me escolher uma boa? — Eu poderia. — Diz ela vagamente — Então, o que você acha? — Acho que você está me usando como cobaia. O paizinho sabe que você está fazendo isso? — Sim, é claro. Ele acha que é uma ótima ideia. E não, não estou usando você. Só quero ver todos os meus filhos felizes no amor e acho que isso pode te dar a ajuda extra que você precisa. — Vou receber para foder? — Talon! — Ela exclama. — Pelo amor de Deus, olhe a boca! — Bem, não é? — Claro. É um casamento de verdade. Haverá um casamento, com votos de verdade. Vocês vão dormir juntos, viver juntos, tudo. Prefiro que você diga fazer amor, apesar de tudo. Balançando a cabeça, rio dela. — Diz à mulher que acabou de escrever um best-seller erótico. — Provoco ela. — Mãe, falando sério, essa é a coisa mais confusa que você já fez com um de nós e isso é dizer muito. Sei que você nos usa em seus livros, mas isso realmente leva o bolo. Se recostando na cadeira e cruzando suas longas pernas, ela sorri conscientemente para mim. — Conheço você, Talon. Você é o meu filho mais novo. Passei mais tempo com você do que com qualquer um dos seus irmãos e você era um menino tão doce. Você foi feito para ser carinhoso. Sei que você deve estar um pouco intrigado com isso, certo?

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Na verdade, estou, mas não tenho ideia do porquê, porque isso tem que ser desastre escrito. — Sim, estou, eu acho. Se funcionar, seria realmente muito legal. Estou cansado da besteira que vem com o namoro e lidar com prostitutas e mulheres que só querem estar comigo porque estou em uma banda. — Vê? Essa menina não terá ideia de quem você é. Não haverá um indício. — Gosto muito dessa ideia. — Se você for aceito no programa, você tem de se comprometer seriamente com isso em todos os sentidos. — Eu iria. — E você não pode enganá-la. Não vou tolerar infidelidade nessa família. — Ela adverte. — Se você não estiver satisfeito com ela, esperará até os seis meses então, se separará antes de tocar em outra mulher. Isso inclui groupies, fãs e ex-psicóticas. Está claro? — Uau. Obrigado pelo voto de confiança. Ela inclina a cabeça para o lado. — Você esquece que me casei com um músico. Sei o que acontece, acredite em mim. — Meu pai nunca iria trair você. Ele te ama descontroladamente. — Isso é verdade, mas outras mulheres nunca pararam de tentarem atraí-lo. Minha decisão vem rápida. — Se o seu grupo puder encontrar a mulher dos meus sonhos, acredite em mim, não vou traí-la. — Esse é o objetivo, Talon. Você apenas tem que ter a mente e o coração abertos.

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Espremendo a bola anti-stress em forma de coração em sua mesa, sorrio para ela. — Tudo bem, Mamãe. Você ganhou. Desafio aceito. Vamos ver se você pode encontrar a garota perfeita para mim.

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Estou usando minha máquina de costura arcaica tentando juntar o que supostamente deveria ser um vestido quando Kat vem voando em meu apartamento. — Suas preocupações terminaram, minha cara amiga. Encontrei a solução mais épica para o seu problema e literalmente caiu bem na minha mesa. — Ela vai direto para a geladeira e derrama do jarro a água com infusão de frutas num copo de que fiz no dia anterior. — Que problema poderia ser? Ela pega um pedaço enrugado de papel de sua bolsa que tem rabiscos e marcador amarelo por toda parte. — Seu problema com homem. — Diz ela. — Kat... Não. Estou bem. — Você não está. Você não conseguiu um namorado em três anos, menina. Você tem vinte e cinco anos. Tal como sua melhor amiga, não posso deixar sua gina sofrer por mais um ano. Carrancuda, olho para ela em desgosto, puxo o vestido da máquina. — Minha gina está bem, muito obrigada. — Esse material é fabuloso! — Ela exclama, dedilhando o vestido suave, modelado. — Você vai ter que me fazer alguma coisa com isso e sua gina não está bem. É um buraco negro desolado gritando para o amor bater.

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— Tenho certeza que não. — É. Posso ouvi ela. Mas isso... — ela segura o papel — Vai mudar aquilo. E muito mais. Esfregando minha cabeça quando ela começa a latejar, aperto os olhos para o papel. — O que é isso? — Esse é o experimento social mais legal que já ouvi falar. Qualquer coisa com a palavra “experimento” não pode ser bom. — Já estou com medo, mas vá em frente. — Bem, a Dra. Hollister está dirigindo esse projeto. Fiz a digitação de todas as notas para ela e fiquei tão animada, porque essa é a melhor coisa. Se eu já não tivesse uma cara metade, eu estaria pedindo para me deixarem participar disso. — A Dra. Hollister, sua chefe? A perita em relacionamento? — Kat é basicamente uma secretária e assistente de pesquisa. — Ela prefere treinadora de relacionamentos, mas sim. Então, o que eles estão fazendo é um encontro com um grupo de pessoas solteiras como você e colocam esse grupo nesse louco processo de entrevista e então, vão combiná-la com o parceiro perfeito. Daí, vocês vão se casar e viver juntos em um casamento legítimo por seis meses. Olho para ela com horror, completamente sem palavras pela mera ideia disso, mas ela ignora minha expressão e continua. — Durante esse tempo, você tem que manter um diário detalhado de tudo o que acontece até mesmo o material suculento. No final de seis meses, você pode ficar com o cara, se as coisas estiverem funcionando bem, ou você pode se divorciar. E, você está pronta para isso? — Ela dá um passo mais perto de mim — Você será paga com cinquenta mil dólares. Asia, isso poderia mudar sua vida. Você

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poderia achar um marido incrível e você vai finalmente ser capaz de sair dessa porra de gueto! De qualquer jeito, é uma vitória total. Encolhendo com o comentário dela sobre gueto, me levanto e levo meu vestido para a mesa de trabalho no canto. — Ou eu poderia acabar com o coração partido. Ou grávida. Ou com um total babaca. Ou assassinada e colocada em um freezer em algum lugar. Sério, é uma ideia louca. Ela revira os olhos para mim. — Por favor. Isso é feito por uma equipe de psicólogos e especialistas. Todos serão avaliados antes de serem escolhidos. A Dra. Hollister é muito séria sobre seu trabalho. Ela não vai deixar um bando de malucos participarem disso e fazer algo constrangedor. Cinquenta mil dólares. Esse tipo de dinheiro é o equivalente a vida em Marte para mim. É sério, nunca vai acontecer. Mas e se isso acontecesse? Caramba, não posso sequer imaginar o quão diferente minha vida poderia ser, ter alguma estabilidade financeira. Viver em algum lugar seguro. Não me preocupar sobre como eu e meu gato vamos nos alimentar. Mas mais ainda e se eles realmente pudessem me encontrar o marido perfeito? Alguém que me amasse e se importasse comigo e me deixasse me preocupar e ama-lo. Alguém para envelhecer. É possível, com a ajuda de algum tipo de treinador do amor, que eu pudesse encontra e realmente me casar com um cara que seria perfeito para mim? E, espero, para quem eu fosse perfeita? Isso é mesmo possível? Kat fica lá com um sorriso enquanto pondero tudo isso em minha cabeça.

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— Te vejo pensando nisso, Asia. E sim, é uma ideia bastante selvagem, não é? — Ok, um pouco... Mas é assustadora também. Me casar com um estranho? Você tem alguma ideia de quão desajeitado seria? Ela pega no meu braço, excitada. — Mas não é como esse incrível amor à primeira vista? O que poderia ser mais frio? Balançando a cabeça descontroladamente, dobro o vestido para que possa voltar a ele mais tarde, quando ela for embora. — Não, não é natural e perigoso. — Os casamentos arranjados costumavam ser muito populares. — Costumavam sendo a parte importante dessa frase. Cruzando os braços, ela bate o pé contra o meu piso de cerâmica lascada. — Asia, quero que pense sobre isso. Falei com a Dra. Hollister sobre você e ela pensa que você seria perfeita, mas ela gostaria de conhecê-la para uma entrevista preliminar. Ela disse que você é exatamente o tipo de mulher que ela queria para isso. O que diabos isso significa? — Hum? Que tipo de mulher eu sou? — Aquela que é muito doce, inteligente, bonita, normal, mas apenas não pode achar o cara certo. O único problema é a sua situação financeira. Eles precisam ter certeza que os concorrentes não estão nisso apenas pelo dinheiro. Olho para ela, irritada com sua incessante escavação do meu infeliz estilo de vida. Nem todos têm a sorte de nascer em uma grande família que não abandona você aos dezessete anos, sem dinheiro ou lugar para viver. O fato de que eu não estou morta, trabalhando nas

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ruas, ou fazendo truques nos faróis, é algo que estou realmente orgulhosa. — Bem, peço desculpas por ter que viver assim, Kat, mas é o que é. Não posso esconder. E se eles estão tão preocupados com pessoas se envolverem na experiência apenas por causa dos cinquenta mil, por que eles estão até mesmo oferecendo? Ela encolhe os ombros e coloca o pedaço de papel com as anotações em minha mesa bamba da cozinha. — Compensação, eu acho. — Casar com uma ótima pessoa deve ser compensação suficiente. — Bem, lá vai você. Você é perfeita para isso, assim como eu sabia que seria. Jogo uma echarpe infinita nela que fiz a partir do tecido que ela estava apenas dizendo que amou. — Fiz isso para você mais cedo. Por favor, não me faça enforca-la com ele. — Provoco. Ela grita sobre ele e me abraça. — Você é a melhor amiga! Eu te amo!

Mais tarde naquela noite, enquanto estou imersa na minha banheira lendo um livro que já li dez vezes, minha mente continua vagando de volta à ideia insana de Kat sobre eu me envolver nesse experimento de casamento. Tão assustador quanto parecia, se ele realmente trabalhasse e eles realmente me encontrassem o homem certo, seria incrível. Sem encontros ruins mais. Não iria ficar me perguntando se vou encontrar o cara certo. Não ia mais gastar cada noite sozinha. Não ia mais ver outras pessoas noivar, casarem e terem

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filhos, enquanto ainda estou sozinha. Não ia mais não ter ninguém para me aconchegar. Mas se isso não funcionar, pode ser devastador. E se eu me apaixonar por ele, mas ele não se apaixonar por mim? Ser rejeitada por um cara que supostamente é para ser o meu par perfeito vai doer de maneira pior do que alguma rejeição de encontros à cega. Onde eu posso ir com uma falha de um especialista? Acho que naquele momento eu teria que jogar a toalha e admitir que não sou apenas material de relacionamento para qualquer um. Não tenho certeza que estou pronta para esse tipo de dose de realidade. Uma velha canção favorita vem do pequeno rádio no canto do banheiro. É um processo lento, uma balada rock sexy e o guitarrista toca com tanta emoção que cada vez que ouço ela, me dá arrepios e tenho que fechar meus olhos e deixá-lo assumir meus sentidos. Quero um homem que possa me fazer sentir como essa canção faz, alguém que me faça perder o caminho, que possa me fazer sentir. Fechando meus olhos e afundando cada vez mais em meu banho, me pergunto se posso colocar isso na minha

entrevista para

o

experimento de casamento. Me dê um homem que me faça sentir como o solo de guitarra da “Hope Dies Last”.

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— Asia, é a Dra. Hollister. Você tem alguns minutos para falar? Embalando o telefone contra a minha orelha com meu ombro, eu passo minhas mãos sob a torneira da cozinha rapidamente para enxaguar os óleos que estava usando para fazer sabonetes. — Sim, claro. — Pego uma toalha e seco as mãos. — Como vai? — Muito bem! Tenho boas notícias para você. — Diz ela e meu coração imediatamente começa a bater mais rápido com antecipação. — Nós encontramos um par para você, se você ainda estiver interessada e disponível para participar da experiência de casamento. —

Oh

wow.

Sim!

Digo

um

pouco

excitada.

Eu

definitivamente ainda quero. Estava com medo de que já que algum tempo passou, talvez não fosse acontecer. — Nem um pouco, estávamos combinando nossos melhores esforços para juntar os casais que pareciam que estariam mais bem juntos. — Estou tão animada que sinto tonturas. Então, o que acontece agora? — Um pouco abalada, caio sobre meu velho sofá irregular e meu gato salta imediatamente ao meu lado, esfregando a testa para cima e para baixo no meu braço. — Acabei de falar com o seu par e ele também está de acordo. Nós gostaríamos de definir a data do casamento em três meses a partir de agora. Isso vai dar a todos tempo suficiente para planejar e

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fazer as coisas juntos. Kimberly estará em contato com você para não passar por cima de todos os detalhes; ela vai ser a ligação entre você e seu noivo. Você não será capaz de falar diretamente com ele de qualquer maneira, por isso, seu trabalho é para trocar as informações entre ambos, tal como a lista de convidados, opções de menu, o bolo, tudo. — Não posso acreditar que isso está realmente acontecendo. — Isso está realmente acontecendo. — Ela cantarola. — A equipe e eu estamos tão animados por você e os outros participantes. Você tem sido tão paciente e tão incrivelmente honesta. Você tem sido inestimável. — Bem, obrigada. O fato de que você pode ter encontrado o homem dos meus sonhos é apenas alucinante. — Não, agradecimento não é necessário. Como discutimos, todas as despesas serão pagas ou foram doadas pelos vários patrocinadores que têm sido tão graciosos ao trabalhar conosco. Apenas um lembrete, pedimos para que todas as recepções sejam pequenas, com apenas 40 convidados. Após o casamento, é claro, todas as despesas são por conta própria. Kimberly vai fornecer uma folha de orientação do que esperar de cada casal, como se mover em conjunto, os chats de vídeo obrigatórios e seus diários escritos. Tenho algum documento legal, preciso que assine. Você pode passar no meu escritório ou posso enviá-lo pelo correio para que assine e envie de volta. — Papelada legal? —

Sim,

é,

essencialmente,

estipulando

que

não

somos

responsáveis por quaisquer despesas após o casamento, taxas legais, se você decidir pelo divórcio, contas médicas se você ficar grávida e nós não podemos garantir que o seu casamento vá durar para sempre, esse tipo de coisa. Será mais do que bem-vinda para lê-lo

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com seu próprio advogado. Nós queremos que se sinta cem por cento confiante e segura. — Tenho certeza de que não será necessário. — Como se eu pudesse pagar um advogado. — Além disso, todos os participantes foram escolhidos através de vigorosas verificações de antecedentes e com o melhor de nosso conhecimento e descobertas, não há bandeiras vermelhas. Se qualquer participante se sentir ameaçado ou inseguro, eles podem chamar um de nós imediatamente. — Ok. — E, finalmente, nós pedimos que os participantes não tenham outros encontros durante os próximos três meses, enquanto estamos nos preparando para seu casamento. A última coisa que queremos é que um dos candidatos acabe em um relacionamento antes de seu 32

casamento, deixando seu par sem um parceiro. — Oh, isso seria terrível! — De fato. Sei que isso é um monte para engolir e sinto muito que

esteja

falando

muito

rápido.

Estou

chamando

todos

os

candidatos de hoje, por isso tem sido um dia louco. Tudo será detalhado na papelada e Kim terá discussões com você e seu parceiro à medida que avançamos. Você pode entrar em contato com ela ou comigo a qualquer momento se surgirem perguntas. Ela deve estar entrando em contato com você até o final da semana. Engulo em seco sobre a excitação crescendo dentro de mim. — Isso parece muito bom. Obrigada, Dra. Hollister. Estou muito animada com isso. — Estamos também. Tenha um ótimo dia, Asia. Falaremos em breve.


Desligo a chamada em transe e pego Pixie, plantando um beijo em sua pequena cabeça peluda. — Eu vou me casar! Você vai ter um paizinho! Em três meses. Com um estranho.

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— Você está linda. Como uma princesa! — Kat me segura, com lágrimas nos olhos. — Não tenho certeza. — Digo, nervosa. — Todos esses botões? É muito vitoriano? Talvez eu devesse ter comprado o outro vestido, mais simples. Ou apenas fazer o meu próprio. — Me encaro no espelho de corpo inteiro no quarto privativo do hotel que me designaram para me aprontar. A cerimônia de casamento e recepção serão nesse hotel, aparentemente tanto eu como o meu futuro marido optamos por não ter uma cerimônia na igreja. Temos algo em comum até agora. Em menos de uma hora, estarei casada. Não sei o seu nome. Não sei o que ele faz para ganhar a vida. Não sei como ele é ou qual sua idade. Só sei que ele é supostamente perfeito para mim. — Não! — Kat grita, interrompendo meu devaneio do homem mais bonito que já viu me esperando no altar. — O vestido é lindo e ele ficará selvagem quando ele o ver em você. Isso é o que estamos procurando. — Espero que sim. Acho que vou passar mal. E se isso acontecer? Ou vomitar? Ela acena com a mão para mim como se eu fosse uma mosca.

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— São todos os tremores normais de um casamento! Você quer um Valium? Eu tenho algum Xanax, também. Deixe isso para Kat em ser uma farmácia ambulante. — Acho que vou passar, mas obrigada. Pode ser melhor se eu ficar coerente para isso. Concordando com a cabeça, ela retoca o batom e passa as mãos pelos cabelos dela no espelho ao meu lado. — É melhor eu ir lá. — Diz ela ao meu reflexo. — Tenho certeza que eles vão bater na porta em breve para você andar até o altar. Caminhar até o altar. Para um estranho! De repente, me sentindo tonta, agarro seu braço para me equilibrar. — Kat, não tenho certeza de que posso fazer isso. O que eu estou fazendo? Por que você está me deixando fazer isso? Ela coloca o braço em volta de mim e me leva a uma grande cadeira no canto. — Asia, querida. Você consegue fazer isso. Você passou meses com a Dra. Hollister e por isso tem a sua cara metade. Ela está convencida de que sua equipe encontrou as combinações perfeitas para os cinco casais envolvidos. Me abanando com uma revista, lhe faço uma pergunta que fiz, pelo menos, uma centena de vezes, esperando que pudesse obter uma resposta diferente dessa vez. — Você não viu nada sobre ele no trabalho? Você digita todas as suas anotações. Certamente ela deve ter mencionado alguma coisa? Ela balança a cabeça com veemência. — Não, todo mundo foi nomeado com um número, até você. A coisa toda é muito confidencial; te disse isso. — Ela reclama com o meu cabelo. — Você vai encontrá-lo em menos de meia hora, então,

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tente fazer algumas respirações profundas. Hiperventilação não é uma boa primeira impressão. — Você acha que isso é errado? Sério. Eu sou louca? Um sorriso doce passa por seus lábios. — Asia, acho que às vezes temos que pegar as loucas chances da vida. Te amo como uma irmã. Porra, eu te amo mais do que minha irmã. Se eu não achasse que isso fosse uma coisa boa para você fazer, eu estaria arrastando sua bunda para fora daqui. Confie em mim. — Estou com medo. Nunca sequer vivi com um cara antes. — Tudo ficará bem. Você está passando por isso com ele. Essa é a ideia. Ele está provavelmente tão assustado e nervoso como você está. Ótimo. Ela gentilmente me puxa de volta de pé. — Tenho que ir desde que tenho que estar fora lá como sua incrível dama de honra. — Não é justo que você o veja primeiro. — Muito ruim. Agora se lembre, Rob, Dra. Hollister e a equipe de pesquisa estarão sentados ao seu lado na cerimônia. À sua esquerda quando você vier até o altar. Extraordinária seleção. Namorado da minha melhor amiga e a equipe do experimento serão os únicos sentados do meu lado. Meu futuro marido vai pensar que sou uma perdedora quando ele vir que não tenho família e apenas um amigo. Kat gentilmente me abraça dando adeus antes de desaparecer para tomar seu lugar no altar na sala de cerimônia, me deixando sozinha, com o olho na janela, como uma rota de fuga. Estou dentro do primeiro andar do hotel, então eu poderia facilmente saltar e fugir dessa loucura e me esconder. Ser sozinha não é realmente tão ruim assim. Já fiz isso todo esse tempo; posso fazê-lo por mais tempo.

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Há uma batida suave na porta e Kimberly, uma das assistentes de equipe que é supostamente para nos manter na linha, enfia a cabeça para dentro. — Você está fazendo tudo certo aqui? Vim ver você. — Não vá embora. Vou escapar e me tornar uma senhora com um gato velho. Rapidamente entrando, ela fecha a porta atrás dela e me dá um sorriso grande e brilhante. Ela está linda hoje com seu cabelo marrom escuro em ondas soltas em seus ombros, em vez do rabo de cavalo apertado. Nunca viu ele solto nas poucas vezes que a encontrei. Aceno e devolvo o sorriso, embora provavelmente não tão brilhante. — Você está bonita, Kim. — Ei, eu tenho que dizer isso para você. Esse vestido é lindo em você. — Obrigada. Me sinto muito agasalhada e meio falsa. — Aliso o vestido branco de cetim, que parece mais pesado a cada minuto. — Todas as noivas se sentem assim. Os vestidos de casamento parecem muito apertados ou muito esvoaçantes e muito longos. Eu não podia esperar para tirar o meu quando me casei. Encontrando seus olhos, tomo um fôlego. — Acho que é a minha vez? — Sim é. — Será que os outros casais já se casaram? — Pergunto, querendo saber se eles estavam satisfeitos com seus pares. — Eles se casaram durante as últimas duas semanas e eu fiz check-in com cada um mais cedo hoje. Eles estão todos indo muito bem. Você vai, também, eu prometo. — Ela sorri para mim. — Todo mundo está pronto, a música vai começar em cerca de cinco a dez

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minutos, cumprimente-o ao entrar na sala de cerimônia e caminhe até o altar. Ok? — Entendi. — Minha boca está seca e áspera. — Você é uma garota de muita sorte. — Suspirando, sonhadora, ela chega até a porta e sai da sala. Espero que o comentário “garota de sorte” signifique que o meu marido é um grande cara. Deve ser, uma vez que não há realmente nenhuma outra razão para ela fazer uma declaração como essa com um sorriso bobo no rosto. Me verificando mais uma vez no espelho, sorrio fracamente para minha aparência. — Ok, hora de ir para ser a Sra. Alguém. — Sussurro para mim e parto para o corredor para parar a poucos passos de distância da porta fechada da sala de cerimônia de espera para o casamento e a 38

marcha nupcial começar. Quando olho para a porta, meu coração acelera e as palmas das mãos começam a suar. Aperto meu buquê de rosas mais. Corra! Há uma porta ali mesmo! Há um grande sinal de saída sobre ela! Fique. O homem dos seus sonhos está esperando apenas do outro lado desta porta! Corra sua idiota! Esta é a coisa mais estúpida que você já fez! —

Nervosa?

Uma

voz

masculina

profunda

me

bate

abruptamente para fora da minha cabeça louca. — Huh? Sim. Eu estou. — Limpo minha garganta e me viro para ver, um rapaz de ombros largos, alto com um rabo de cavalo escuro, olhos castanhos profundos e uma sombra de cinco horas. Ele tem uma aura sedutora sobre ele que eu não consigo decifrar, mas tenho que me forçar a quebrar o contato visual.


— Isso é normal. — Diz ele. — É um grande passo. — Isso é. — Me viro para a porta. — Você não está pensando em ir andando para baixo sozinha naquele corredor está? O queixo mói involuntariamente. — Sim eu estou. — Vá embora. — Você poderia me permitir à honra, então? — Ele estende o braço para mim com um sorriso e lhe dou um olhar como se ele tivesse enlouquecido. — Oh... Hm... Não posso deixar você fazer isso. Não te conheço. Ele pisca para mim. — Asher Valentine, seu futuro cunhado. Puta merda. O irmão dele. O irmão do meu marido. — Oh, sinto muito. Prazer em conhecê-lo. Sou Asia. Asia Jenson. Ele segura o braço para mim novamente e eu nervosamente engancho o meu através dele, fazendo-o sorrir. — Não posso deixar a futura esposa do meu irmãozinho ir sozinha até ele, agora, eu posso? Por que não posso ter um pai para fazer isso comigo? Ou um irmão mais velho doce como esse cara? Lágrimas vêm aos meus olhos quando penso em meus pais, que nunca foram pais de verdade e um irmão que me usou. Asher se inclina para perto de mim e sussurra em meu ouvido. — Não se preocupe, Asia. Terá a família que você sempre quis. Antes que eu possa responder, a música começa, as portas são abertas e derivo para o corredor como se estivesse em um sonho. Me sinto como se estivesse fora do meu corpo, me observando, desconectada. Todo mundo se vira para nos ver andar até o altar. No

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lado esquerdo, ao meu lado, alguns casais que não reconheço estão sentados com o namorado de Kat e da equipe. Mas meu lado não está vazio como pensei que estaria. Como deveria estar. E no lado direito, o lado dele, está repleto de rostos sorridentes. Levo um minuto para perceber o que é tão estranho sobre o que estou vendo em torno de mim. A maioria das pessoas do sexo masculino tem um cabelo muito longo. E piercings. E tatuagens. Puta merda, estou entrando em um show de rock? O que diabos está acontecendo? Quando nos aproximamos do altar, meus olhos pousam em Kat primeiro, que me dá um excessivo polegares positivos animada, que parece realmente inapropriado para mim em um momento como esse. Este é um casamento. Acho que é. Asher desengata o braço do meu, beija minha bochecha, em seguida, se volta para seu irmão e lhe dá um abraço rápido antes de se retirar para seu próprio assento atrás de nós. — Posso lhe apresentar? — A oficiante mulher pede, a voz alegre. — Asia Jenson, conheça Talon Valentine. Eu gostaria que vocês juntassem as mãos. Não me lembro das minhas mãos se movendo, mas logo elas são engolidas em grandes e quentes mãos com os dedos calejados. A voz da oficiante soa um milhão de milhas de distância quando eu lentamente olho para cima para encontrar que os olhos do meu futuro do marido são do mesmo profundo e rico marrom que seu irmão, unicamente com um brilho malicioso, sexy. Oh Deus. Este não é meu homem ideal.

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Isso é como o Tarzan rock star hippie. Seu cabelo louro é longo, quase tão longo como o meu, que desce sobre o seu ombro e peito. Ele não está usando uma gravata e a camisa sob seu smoking esta desabotoada no topo, expondo tatuagens em seu peito. Isso não é o que eu descrevi em meu aplicativo. Seus lábios estão se movendo, mas não posso ouvi-lo pelos gritos em minha cabeça. Logo, um anel desliza para o meu dedo trêmulo. Digo que aceito? A oficiante me pede para repetir os votos e repito em minha voz robótica. O que eu estou fazendo? Kat me entrega o anel de platina e eu o insiro no seu dedo, percebendo a tatuagem projetar no topo da sua mão quando eu o faço, um crânio com rosas escuras em torno dele. Esse garoto não trabalha em um escritório corporativo, como sempre imaginei que meu marido faria. — ... Você pode beijar a noiva! Espere. O que? Ele se inclina para mim e no último segundo, surto e viro a cara e seus lábios pousam na minha bochecha. Os convidados todos começam a rir e aplaudir. Rebobine. Por favor, rebobine. Volte meses atrás, quando concordei com essa bagunça e desfaça isso. — Ela é muito tímida no início. — Kat faz piadas para os convidados, com a mão nas minhas costas. — Beije-o! — Ela sussurra em meu ouvido. Não posso.

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Ele pega a minha mão e me leva para longe do altar, para o corredor passando todos os convidados que estão torcendo e batendolhe nas costas e sorrindo para nós. Preciso sair daqui. Kimberly nos encontra na porta. — Vem comigo. — Ela sussurra e nos leva de volta a pequena sala onde eu estava pronta mais cedo. Essa deve ser a parte em que ela nos diz que houve um erro terrível. Obrigada Deus. — Ok, então sei que vocês dois estão animados e nervosos e todos os tipos de outros sentimentos assustadores, mas com certeza, isso é tudo completamente normal. — Ela sorri para nós. — Os convidados estão indo para a sala de recepção para bebidas e aperitivos. Vocês dois terão cerca de meia hora sozinhos aqui para se conhecerem um pouco, e, em seguida, o fotógrafo virá aqui para pegar vocês. Ele vai tirar algumas fotos e, em seguida, vocês se juntarão a todos na sala de recepção para o jantar. — Ela aperta as mãos. — Vocês formam o melhor casal. Estou tão animada por vocês! Sou uma grande fã, Talon! Fã? — Obrigado, gata. — Ele responde casualmente. Gata? Ele acabou de chamá-la de gata? — Você pode trazer Kat aqui? — Pergunto, mexendo com o anel na minha mão. — Eu realmente preciso falar com ela. Kimberly balança a cabeça. — Não, sinto muito, Asia. A Dra. Hollister insiste em que a noiva e o noivo fiquem sozinhos nesse tempo. Porém, você será capaz de falar com ela em breve. Irei e direi que você quer vê-la assim que você for capaz.

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Que droga? Quero a minha melhor amiga. Agora. Kimberly nos deixa e fico olhando para a porta como se fosse um portal. — Preciso de uma maldita bebida. — Talon diz, se dirigindo para o pequeno bar na esquina. — Você quer uma bebida, Amber? — É Asia. — Eu estava perto. O que vai ser? — Só água, por favor. — Água? Essa é a primeira vez. Meu vestido parece como se tivesse ganhado cinquenta quilos desde os nossos votos, como se fosse me arrastar dos meus próprios pés. Lentamente me sento no sofá e olho para ele nervosamente enquanto ele se serve de uma bebida e, em seguida, me traz uma garrafa de água. — Obrigada. — Digo educadamente. Ele se inclina contra a parede, lentamente bebendo sua bebida, me olhando atentamente e eu fazendo o mesmo de volta. Ele tem olhos escuros incrivelmente sexyies e mesmo com um smoking, eu posso ver que ele tem um corpo musculoso. — Bem, isso é mais fodido do que pensava que seria. — Ele finalmente diz, sorrindo. Concordo com a cabeça. — Sim. — Não tenho a menor ideia do que dizer. — Você sabe quem eu sou? Balanço minha cabeça. — Não, não sei. Deveria? Seus lábios carnudos se curvam em um sorriso sexy, embora sarcástico. — A maioria das pessoas sabe.

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— Você é um ator? — Não, mas você está chegando perto, querida. — Ele termina sua bebida e anda para trás para o bar para se servir de outra. Cristo. Espero que ele não seja um alcoólatra. Eu especificamente requisitei um não bebedor e deixei claro nas entrevistas que era muito importante para mim não ser casada com qualquer tipo de abusador. Saboreio um pouco da minha água. — Olha, não podemos jogar. Isso é desesperador o suficiente. E eu meio que não gosto de estar com alguém que bebe. — Digo cautelosamente. — Coloquei isso no meu questionário. Ele para e me olha. — Você está de brincadeira? — Não, é sério. — Posso perguntar o por quê? Tomo um fôlego, não esperava estar falando sobre nada disso agora. — Meu pai era um alcoólatra. Ele costumava ficar bêbado e batia na minha mãe e em mim. O mero cheiro de álcool me deixa enjoada. Ele fecha os olhos por alguns instantes e, em seguida, coloca a garrafa de volta no bar. — Tudo bem. — Ele cede. — Não posso discutir com isso, especialmente depois que concordei com amor, honra e obediência. Acho que vou beber água, também. — Obrigada. — Respondo suavemente. — Então, quem é você? Ele vira as costas e passeia para o outro lado da sala com um sorriso malicioso em sua cara. Ele definitivamente sabe que tem boa aparência e é óbvio que ele a usa para ter atenção. — Talon Valentine. — Diz ele. Asia Valentine. Testo na minha cabeça. Meu novo nome.

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— Bem, gosto do meu novo último nome. É muito bonito. — Você realmente não reconhece o meu nome? — Ele pergunta, incrédulo. — Ou eu? Vamos lá. Ah. Um ego está surgindo, parece. — Não, me desculpe. — E sério, não reconheço esse cara mesmo. Ele não é de qualquer forma o tipo de homem que eu normalmente estaria atraída. Ele é muito selvagem e tem dificuldade carimbada em cima dele. Sorrindo, ele balança a cabeça. — Bem, eles certamente fizeram o seu trabalho no sentido de assegurar que a menina não soubesse quem eu era. Pelo menos eles têm esse ponto. — Uh-oh. Soa como se eu não fosse o que ele pediu no menu também — Sou o guitarrista do Ashes&Embers. Engasgo com a minha água e cuspo pelo meu nariz. — Oh meu Deus, o quê? Limpo meu rosto molhado com a mão, me sentindo como uma total idiota. Olho em volta por uma caixa de lenço ou algo assim, mas não há. — Aqui. — Ele me entrega um guardanapo do bar. — A banda de Rock? — Pergunto, incrédula, enxugando meu rosto e esperando que eu não tenha arruinado a maquiagem que Kat passou quase uma hora fazendo. — Sim. Não, não, não. Isso não pode estar acontecendo. Eu queria tranquilidade. Normalidade. Homem de família. Terno e gravata. Alguém estável e não alguém louco e selvagem. Não uma estrela do rock, idiotas! Fecho meus olhos e abano a cabeça, esperando que talvez isso tudo vá embora.

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— Por que você iria querer fazer isso? Você é tipo, praticamente famoso. Esse cara não parece ser do tipo que iria querer uma esposa, ou ter qualquer dificuldade em encontrar uma, se ele assim quisesse. Isso tem que ser algum tipo de golpe de relações públicas. Vou exigir falar com a Dra. Hollister. Talvez até conseguir um advogado e processar. Suportei entrevistas detalhadas, questionários, reuniões com psicólogos e terapeutas sexuais por quase metade de um ano para isso. Meses da minha vida, acabados. E agora estou legalmente casada com alguém que provavelmente fez isso por publicidade e não para encontrar um parceiro de vida. — Por quê? — Ele repete, tirando um isqueiro zippo aberto e acendendo um cigarro pendurado em sua boca — Sinceramente? Porque eu queria estar com alguém que não estivesse apenas interessada no meu pau. Bem, sim. Nenhum problema com isso, amigo. Você pode manter o seu pau aí.

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Em primeiro lugar, um beijo fodido. E agora, não posso beber. Então, ela está me dizendo que não posso fumar no quarto. Estive com essa garota por menos de meia hora e ela já está acabando com meu encanto. Estou olhando para ela do outro lado da sala de recepção onde parece estar se escondendo com sua amiga e tendo um colapso, suas mãos voando enquanto ela fala, balançando a cabeça, enquanto sua amiga balança a cabeça repetidamente. — Ei, cara, ela é linda. — Meu irmão Storm aparece ao meu lado, sorrindo de orelha a orelha. — Que porra é essa? Aquela garota não é o que eu pedi. — Saboreio a minha água com desagrado. — Ela já bateu os pés contra eu beber e fumar. — Bem, isso é uma coisa boa, na verdade. Você bebe um pouco demais, então vou agradecê-la por isso. Dou um olhar de lado a ele. — Ela não é nada o que eu pedi. Vou romper isso. Ele sorri e encolhe os ombros. — Não sei. Ela meio que me lembra de Evie. Ela tem esse olhar que está constantemente perdida. Ela é meio adorável. Quase cuspi minha água fora.

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— Adorável? Eu não gosto de adorável. Gosto de modelos. Gosto de atrizes. Gosto de pernas longas e sexy e grandes seios. Gosto de mulheres que imploram por mim. — Gesticulo na direção da pequena criança abandonada outro lado da sala que se recusa a olhar para mim. — Não gosto disso. O olhar de Storm segue o meu até ela. — E onde tudo isso te levou? Hmm? É hora de mudança, mano. — Ele coloca a mão no meu ombro. — Você acha que Evie foi por quem pensei que me apaixonaria? Eu era como você, perseguindo as modelos, fazendo a coisa de amigos com benefícios e tudo o que é merda. Mas então, ela veio e bam, acabou para mim. Dê uma chance a Asia. — Ele aperta meu ombro — Ela é sua esposa agora. Merda. Porra. Bebo minha estúpida água e faço a varredura do quarto para minha mãe ou Dra. Hollister ou Kim ou alguém da equipe, mas é claro, nenhum deles está em volta. Quão conveniente. Tenho certeza que esses filhos da puta configuraram isso de propósito, sabendo que essa menina não era de forma alguma o meu tipo, só para me irritar e ver como tudo se desenrola. Ando através da sala, parando algumas vezes para uma breve conversa com um convidado e finalmente confrontar a minha nova parceira. — Você vai se esconder toda a noite? Ela olha para mim com seus grandes olhos cor de lavanda. Sim, lavanda. Não azul, não verde, mas uma sombra estranha de luz azulada roxo acinzentada. Eles se parecem com jujubas na cabeça dela. — Não estou me escondendo... Só estou falando com minha amiga Kat.

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Sua amiga salta entre nós. — Amo sua música. Fui para, tipo, toneladas dos seus shows. — Obrigado, querida. — Só estive em um. — Asia fala. — Foi há dois anos, no entanto. — Ela não gosta de multidões. — Sua amiga diz se desculpando. — Isso vai ser uma mudança. — Digo, olhando para Asia, que agora parece estar tentando e querendo desaparecer. Agarro o braço dela.

Vamos,

jujuba,

vamos

ter

uma

dança

lenta.

Delicadamente, puxo ela para a pista de dança para que eu possa verificar se ela fica bem perto sem a amiga fã em cima de mim. — Jujuba? — Ela repete quando eu a puxo contra mim. — Sim. Seus olhos são da cor de doces. São reais? — Coloco meu braço em volta de sua cintura minúscula, notando que sua cabeça mal chega a meu ombro. Ela ri para mim. Risos, caralho. — Sim, é claro que eles são. — Eles parecem falsos. Pensei que tinha lentes de contato coloridas. Ela descansa a mão no meu ombro sem jeito e meu olhar cai para o peito, seguindo o colar de pérolas balançando lá. Tudo sobre ela é tão... Pequeno. — Não... eles são reais. Ela tem belos olhos, então vou lhe dar um ponto por isso. — Quantos anos você tem? — Pergunto, pensando que ela parece ter cerca de dezenove ou vinte anos, a mesma idade que a minha irmãzinha. — Tenho vinte e cinco e você? — Vinte e seis. Somos interrompidos pelo fotógrafo.

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— O sol está se pondo, pessoal. Eu gostaria de começar com vocês lá fora naquele pequeno lago e tirar algumas fotos com o pôr do sol atrás de vocês. Acho que nós já tiramos algumas milhares de fotos, mas marchamos para fora de qualquer maneira para deixar esse cara fazer o seu trabalho. Assim como as poses que fizemos anteriormente, Asia está rígida, não relaxa contra mim e se afasta de todas as fotos sugeridas do fotógrafo de nós nos beijando ou de qualquer forma chegando muito perto. Sim, é estranho posar para uma foto de casamento com um total estranho, mas ela não está nem tentando. Ela poderia, pelo menos, falsificá-lo de modo que essas imagens não acabassem parecendo que nos odiamos. Com fé, faço cócegas nela e ela pega as minhas mãos, rindo e eu roubo um beijo nos lábios dela, assim que o fotógrafo tira a foto. — Perfeito! — Ele grita. — A melhor imagem da noite. — Já era tempo. — Murmuro recuperando o fôlego. — Isso não foi justo. — Diz ela, finalmente sorrindo. — Você me pegou totalmente desprevenida. — Se acostume com isso, querida. — Sorrio para ela e agarro sua mão. — Vamos. Acho que estamos na parte onde conseguimos enfiar bolo na cara um do outro.

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Nossa suíte no hotel é absolutamente bonita e, obviamente, foi preparada para nós com a esperança de romance e momentos sensuais.

Uma

garrafa

de

champanhe

chilling

no

gelo

está

posicionada ao lado de trufas de chocolate e frutas frescas e um rastro de pétalas de rosas vermelhas leva em toda a sala de estar para o quarto adjacente. Há uma cama king-size aguardando, com uma banheira de hidromassagem no canto cercada por dispersas velas esperando para ser acesa, a ansiedade se arrasta sobre mim como uma nuvem escura. Não consigo dormir com ele. Não essa noite. Meus nervos estão exageradamente agitados, meu coração exageradamente pesado, minha mente muito assustada com a realidade da situação que eu só me comprometi. Tento não olhar como ele dobra as mangas da camisa para cima e desabotoa a frente de sua camisa, expondo seu peito e abdômen completamente coberto de tatuagens, assim como seus braços. E embora ele tenha definitivamente boa aparência em sua própria maneira, ele simplesmente não é o meu tipo. Nunca fui atraída por homens com cabelos longos ou arte corporal. Tenho uma tatoo muito pequena, mas tem apenas cerca de três centímetros e tem um significado especial para mim. No que diz respeito a homens, eu sempre fui atraída por homens com cabelo curto, finos, corpos

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atléticos e carreiras estáveis. Acho que sempre quis o oposto do meu pai, que bebeu, festejou, infringiu a lei e trabalhou na construção civil. Ele sempre parecia sujo para mim, mesmo quando estava limpo. O exterior áspero do meu pai era um espelho do seu interior. Ele foi uma má notícia. Mesmo que meu marido não seja um criminoso, ele é muito cru e fora de minha zona de conforto, de aparência selvagem. Mais uma vez, gostaria de saber se a equipe cometeu um erro e me colocou com o cara errado, um acidente. Essa é a única explicação que faz sentido para mim, porque ele é o completo oposto do que eu descrevi em todos os formulários que eles nos fizeram preencher. Lentamente sento na cadeira solitária no quarto dele, alcanço para baixo e puxo os meus sapatos enquanto ele pega um envelope de onde ele está descansando em cima de um dos armários. — Isso está dirigido a nós. — Ele levanta o cartão creme com escrita em relevo. — Quer que eu leia? — Certo. Abrindo o cartão, ele o lê. — Caros Talon e Asia, parabéns pelo seu dia do casamento! Esse é o primeiro passo para o que esperamos ser o seu para sempre como um casal feliz. — Ele franze a testa para mim. — Vocês têm a opção de deixar sua lua de mel amanhã para passar duas semanas em um refúgio romântico, ou, se vocês sentirem que precisam de mais tempo para ficar e conhecer um ao outro, vocês podem adiar a lua de mel por até dois meses. Se vocês optarem por adiar, então o próximo passo no processo consiste em morar juntos o mais rapidamente possível. Entre em contato conosco se precisarem de conselho e se lembrem de seus diários e chats de vídeo. Além disso, consultem as orientações fornecidas. Acima de tudo, se divirtam e se abram a amar!

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Ele joga a parte de trás do cartão sobre a cômoda com um rolar de olhos. — Não sei sobre a escapadela romântica, mas eu poderia usar um período de férias, em algum lugar exótico. — Diz ele. — O que você pensa em fazer? Não para tudo isso. — Hm, se está tudo bem com você, eu gostaria de esperar. — Sério? Você não quer saltar em um avião amanhã e ir para outro lugar emocionante? Balançando a cabeça, sei que já estou decepcionando ele. — Não acho que estou pronta para isso ainda. E tenho medo de aviões. Nunca estive em um avião antes. Sua expressão é uma mistura de choque e humor. — O quê? Você está brincando? — Não, eu nunca viajei. Ele senta na cama e tira seus sapatos. — Isso vai ter que mudar. Viajo muito com a banda e queria uma esposa para vir comigo, às vezes, ou pelo menos ir de férias comigo quando não estou em turnê. Engulo em seco quando meu estômago gira. — Com que frequência você viaja? — Depende. Nós não viajamos muito como a maioria das bandas fazem, só duas ou três vezes por anos, por vezes mais, e, geralmente, não mais do que algumas semanas de cada vez. O meu irmão mais velho que está na banda tem obrigações familiares, então ele não pode ficar afastado por muitos períodos de tempo. — Então, o que acontece durante a turnê? Onde é que vamos ficar se eu fosse? E o que acontece se eu ficar em casa? Ele dá de ombros.

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— Se você for, então ficamos no ônibus, em motéis. Tudo depende. Se você não for, ficará em casa onde quer que estejamos vivendo. Isso parece horrível para mim, viver como um cigano. Exatamente o que eu não queria, não ter uma casa fixa. — Isso não é realmente o que eu queria. Gosto de estar em casa e não

queria

estar

sozinha

todo

tempo.

Eu

estava

esperando

estabilidade. — Minha voz falha quando percebo que todas as razões pelas quais queria me casar estão lentamente indo pelo ralo. — Você vai ter isso. Apenas diferente do que você pensou. — Ele avalia meus olhos por um momento e sua voz amolece um pouco. — Hei, nós não temos que falar sobre tudo isso agora, certo. Tem sido um longo dia; nós dois estamos cansados dessa coisa toda. Vamos apenas descansar um pouco e amanhã vamos descobrir onde vamos morar e tudo o mais. Se você quer esperar para a lua de mel, tudo bem. Não vou forçá-la a fazer qualquer coisa. Sorrio fracamente. — Obrigada. Isso é apenas mais difícil do que eu estava esperando, acho. — Concordo. Vou tomar um banho rápido. — Ele vasculha em uma de suas mochilas que a equipe do hotel trouxe até aqui enquanto estávamos na recepção e, em seguida, desaparece no banheiro. Soltando uma respiração profunda, fecho meus olhos por alguns momentos e tento me acalmar. Tudo vai dar certo. Eles nos colocaram juntos. Eles sabem o que estão fazendo. Certo, agora não posso imaginar o que temos em comum, ou nunca compartilharei qualquer tipo de proximidade com esse cara, mas os peritos devem ter visto algo nele que eu não posso ver ainda.

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Ficando de pé para tirar a roupa, percebo que não posso tirar o vestido de casamento sozinha. Merda. Tem botões demais e minúsculos que não posso alcançar e de jeito nenhum que vou conseguir tirá-lo da minha cabeça. Eu sabia que nunca deveria ter deixado Kat me convencer a comprar esse vestido. Tarzan mal olhou para mim, de qualquer maneira. Eu poderia ter escolhido algo muito mais simples e mais fácil de sair e ele nunca teria notado qualquer coisa diferente. — Por que você ainda está sentada aí? — Ele passeia fora do banheiro vestindo nada além de shorts preto, seu longo cabelo úmido, pende para o meio das costas e no peito, pequenas gotas de água escorrem sobre seu musculoso torso nu. E uau, esse cara é todo torneado, músculos definidos. Nunca vi tanta massa muscular em um homem na vida real. Apesar do cabelo e tatuagens, apenas vendo seu corpo seminu e a maneira como ele flexiona com cada movimento tem meu interior tremendo. Não posso sequer imaginar nunca tocar um corpo assim ou ter alguém como ele interessado ou atraído por mim de qualquer forma, em qualquer reino da realidade. Desvio meus olhos longe do V muscular que desaparece sob o cós de seus shorts, digo que não posso tirar o vestido. — Então eu acho que vou despir você? — Ele dá aquele sorriso notoriamente diabólico para mim e joga a toalha no chão. — Isso seria ótimo... se você não se importa. Ele atravessa o quarto rapidamente e uma vez que está de pé ao meu lado, percebo que ele é um pouco mais alto que eu. — Não me importo. — Ele responde, ainda sorrindo — Vire. Viro as costas para ele e tomo fôlego. Ele está tão perto de mim, seu peito nu quase tocando as minhas costas. Quase. Posso sentir o calor úmido que vem de seu corpo, me envolvendo em seu calor. Suas

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mãos tocam suavemente meus ombros enquanto ele se inclina para baixo, seus lábios mal roçando contra a minha orelha, enviando um arrepio na espinha. — Devo desfazer cada botão ou apenas rasgá-lo de você? — Sua voz está brincando, mas atada com sensualidade. Ele quer jogar e acho que ele gosta de perseguição, mas não estou pronta para ser capturada. — Prefiro não destruir o vestido... É tão bonito. — Respondo inocentemente. Tenho planos para o vestido e suas rendas, botões e seda, minha mente já delineando como posso redireciona-lo em pelo menos dez roupas e acessórios diferentes. — Boa escolha. — Ele concorda. — Há muito a desabotoar... É como desembrulhar um presente. — Não acho que sou um presente. Os dedos desfazem os botões e ilhoses, roçando minha carne com cada um que se desfaz. — Vou ser o juiz quando esse vestido estiver fora de você e eu recebê-la na cama. — Oh... — Minha voz para na minha garganta enquanto meu coração salta e irradia calor molhado inesperadamente entre as minhas coxas. — Não sei se estou pronta para isso ainda. — Você só se casou comigo, boneca. Isso é quase tão pronta como se pode conseguir. — Outro botão aberto. — Eu sei... eu só... isso é muito mais assustador do que pensei que ia ser. Não estava pensando em você me despir. Ou ir para a cama juntos. Tão cedo. Suas mãos deslizam um pouco mais para baixo na minha espinha.

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— Sim. Mas aqui estamos nós, sozinhos em um hotel na nossa noite de núpcias e você tem um vestido com um quilometro de merda de minúsculos botões de pérola e estou tirando de você. Então, sim, estamos um pouco ligados e pensei que era o próximo passo. Concordo com a cabeça lentamente. Ele me pegou. A menos que eu chame a recepção para arranjar uma empregada doméstica para me ajudar, minha única opção será cortar esse lindo vestido, ou deixá-lo

tirá-lo

de

mim.

Meu

marido.

Meu

corpo

estremece

involuntariamente. — Sou tão ruim assim? — Ele pergunta. — Não, só... não é o que eu estava esperando. — Você não é o que eu estava esperando também. Seus dedos lentamente trabalham no vestido mais para baixo, passando pelo meio da minha espinha e tento me forçar a relaxar. A equipe escolheu ele para mim. Eles não me colocariam com alguém que poderia me machucar ou me forçar. Eles confiavam nele, então não há nenhuma razão que eu não deva. Ele desabrocha mais alguns botões e o tecido se separa na parte inferior das costas. — Agora, isso é exatamente o que eu gosto. — Ele sussurra. — Uma lenta, tentadora revelação... Como uma surpresa. Cristo. Não sei se deveria me sentir assustada ou valorizada no momento. Suas mãos são quentes contra a minha pele exposta quando a parte final do cetim de segurança é desfeita na base da minha espinha e entro em pânico, me sentindo exposta demais e vulnerável. Não estou pronta para estar despida na frente dele, especialmente sabendo que não sou o que ele queria.

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Segurando o vestido na frente, passo longe dele e me volto para encontrar seus olhos ardentes. — Qual o problema? — Ele pergunta. — Eu apenas não estou pronta para isso... Seus olhos piscam mais escuros quando ele pisa mais perto de mim e agarra o material do meu vestido. — Quero ver você. Pare de se esconder. — Não. — Não? — Não. — Você tem alguma coisa sob esse vestido? — Sim, claro. — O calor sobe para minhas bochechas. — Então, o que você está escondendo? Me deixe ver. — Ele tenta puxar o vestido de mim novamente, mas o seguro com minha vida. Balançando a cabeça, frustrada, tento me afastar dele, mas em vez disso, viajo sobre todo o tecido branco sem fim reunido em meus pés. Ele me pega sem esforço e me segura contra seu peito nu. — Muito habilidoso. — Digo, tentando me afastar dele, mas seu braço serpenteia em volta da minha cintura e não me deixar ir. — Eu sou muito. — Seus olhos vagueiam pelo meu corpo e apreciam o que tenho por baixo do vestido — Puta merda, você está vestindo uma cinta de jardineiro e a porra de um scarlett. — Ele solta um assobio. — Muito agradável. — É uma cinta-liga, na verdade. — Isso é o que eu disse. E por que você usaria todas essas coisas sexy se não me quer tocando em você? Não me diga que esses idiotas fizeram isso como uma provocação.

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— Não sou uma provocação! A garota da loja de noivas me falou de tudo isso. Ela disse que é o que as mulheres usam sob vestidos de casamento. Como eu saberia? Nunca fiz isso antes. — Exatamente! Você deveria estar usando isso para mim. É a nossa noite de núpcias. Nós temos que consumar. Abafo uma risadinha. — Consumar. E, desculpe pela decepção, mas não estamos. — O que isso significa? — Sinto muito. — Tento me contorcer longe dele, mas ele não se mexe. — Apenas não estou pronta para isso. Isso é muito rápido para fazer com um estranho. Casada ou não. Eu apenas não pulo na cama das pessoas. Preciso de algum tempo para me acostumar com você e te conhecer... estar atraída por você. — Com isso, ele deixa cair o seu poder sobre mim como se eu o tivesse queimando e quase caio. — Espere um minuto. — Diz ele. — Não está atraída por mim? — Você não é realmente o meu tipo ou o que eu imaginava. Ele zomba e sacode o cabelo molhado, lançando gotas de água sobre mim. — Todas as mulheres são atraídas por mim, querida. Nunca conheci uma que não estivesse. — Surpresa. — Deixei escapar uma risadinha. — Você só se casou com uma, infelizmente. Não gosto do tipo cabelo comprido e tatuagens. Ele cruza os braços sobre o peito com tinta. — Isso é uma grande porra. Não estou prestes a pegar um ralador de queijo e raspar toda a minha tinta, docinho. Então, você vai ter que começar a estar afim disso. — Não seja ridículo. — Cuidadosamente saindo do vestido aos meus pés, vou para armário perto da porta, sentindo seus olhos em

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mim a cada passo do caminho. Arranco uma das vestes de seu gancho e rapidamente puxo-a. — Eu definitivamente vejo implantes no nosso futuro, então acho que estamos quites. — Implantes? — Repito confusa. — Do que você está falando? — Sou um homem de fartura. E você está definitivamente em falta nesse departamento. Minha boca cai aberta. — Oh, porra não. Não vou alterar o meu corpo para você. Se jogando no sofá, ele passa as mãos pelo seu longo cabelo molhado. — Deixe-me ver se entendi. Você odeia viajar, quase não tem peitos, é baixa, odeia cabelos compridos e tatuagens, provavelmente odeia a minha música e não está atraída por mim. Isso é tudo. — Sim. Isso resume. Na verdade, gosto de sua música, pelo que me lembro. — Para que porra foi essa que respondemos a todas aquelas perguntas? Pedi uma gostosa, alta, sexy loira com grandes peitos que gostasse de viajar. — Ele aponta para mim — Em vez disso, recebo uma anã que mal pode me olhar nos olhos, não quer que eu a toque e não vai pegar um avião. Luto contra as lágrimas queimando meus olhos. — Sim e pedi um bem arrumado, boa aparência, doce, inteligente, um homem de família e trabalhador. Em vez disso, me deram um Tarzan. — Estamos fodidos. E muito. — Você acha que eles cometeram um erro? — Sugiro. — Talvez nos colocassem com o parceiro errado? Há outros casais no projeto.

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Ele pensa sobre isso por alguns momentos durante a mastigação de seu lábio. — Não sei. Nossos nomes estão no cartão. Seria difícil de nos confundir com outras pessoas; nós temos nomes muito originais. Parece que a única coisa maldita que temos em comum. Sentada ao lado dele no sofá, puxo minhas pernas para cima e abraço meus joelhos contra meu peito. — Não entendo nada disso. O que eles estavam pensando? — Não tenho o caralho da ideia, mas vou descobrir. — Como exatamente você fará isso? É depois da meia-noite. Agarrando seu telefone celular, ele aperta um botão. — Minha mãe faz parte da equipe do projeto. Vou arrancar algumas respostas dela. — O quê?! Sua mãe? Como sua mãe está envolvida? Não é um conflito de interesse de alguma forma? Quando ele caminha no chão esperando a ligação iniciar, silenciosamente rezo para que tudo isso seja um erro e meu marido real esteja em algum lugar nas proximidades e venha me salvar. Então esperançosamente, Talon terá sua mulher correta e todos nós podemos fugir desse infeliz acidente.

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— Querido, é melhor ter uma boa razão para me ligar em sua noite de núpcias. Você não deveria estar ocupado agora? — Que porra é essa, mãe? Isso é algum tipo de piada? — Talon, abaixe sua voz. Qual o problema? — Você é o problema. Isso. Toda essa confusão. — Fervo, exasperado. — Nós não temos nada em comum. Zero. Nada. Ela me odeia. Ela odeia o jeito que me pareço. E ela não é o que eu queria também. Eu queria uma mulher alta, o tipo de modelo loira. Ela também é... fofa para mim. Ela é baixa. E ela odeia viajar. E ela não tem, tipo, não tem peitos. Asia estremece quando recito minha lista. Minha mãe suspira ao telefone. — Querido, se acalme. Há mais maneiras de encarar isso do que o que vocês dois estão vendo na superfície. Agora, você está apenas focando na aparência e coisas triviais. E isso é de se esperar. Nós conversamos sobre isso nas sessões, lembra? Que iria demorar um pouco para se acostumar com a outra pessoa. — Eu sei, mas vamos lá! Nós não começamos nada aqui! — Talon, se controle. — Meu pai tomou o telefone da minha mãe. Porcaria. — Você não fala sobre as mulheres assim, especialmente sua esposa. Ambos concordaram com isso e vocês estão juntos há menos

de

seis

horas.

Se

controlem

e

deem

um

tempo.

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Relacionamentos

tem

que

ser

trabalhado.

Você

não

pode

simplesmente adicionar água e mexer. — Pai… — Saia do telefone e vá ser um adulto com sua esposa. Tente falar com ela e esqueça sobre seus peitos. Estamos desligando agora. Clique. — Isso foi bem. — Asia comentou de seu poleiro no sofá. — Foi um caralho de ótimo. — Jogando meu telefone de volta para o armário, olho o espaço por algo para beber que não seja alcoólico, porque se eu começar a beber, não vou parar. — Portanto, não é um erro? Tomando um refrigerante do pequeno frigorífico no canto do quarto, viro minha cabeça para ela. — Aparentemente não. — Bebo metade da garrafa. — Por qualquer razão fodida, eles nos colocaram juntos. Provavelmente para ver o quão rápido um de nós corre para a porta. — Soda é ruim para você. Especialmente engolindo assim. Você deveria beber água. Olho para ela antes de tomar outro gole grande do refrigerante, porque sou um rebelde. — Não mesmo. — Adverti. — Se você me disser que você é uma daquelas veganas, sem glúten, sem açúcar, não come carne, pintinhos triturados, vou perder a cabeça aqui. Seus olhos se alargam. — Ok, então... Ela parece perdida, encolhida no sofá com esse enorme roupão, se abraçando, os olhos vermelhos e inchados. Ela está chateada. Não tenho que conhecê-la, ou mesmo gostar dela, para ver escrito por todo o rosto.

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— Sinto muito. — Digo de forma pouco convincente. — Não quero ser um idiota. — Está tudo bem... eu não deveria ter dito nada. Ela olha para o chão, onde seu vestido de noiva está em uma pilha. Merda. Não era para ser assim. — Não, não está tudo bem. — Disse ao invés de dizer realmente as coisas para ela. Isso era exatamente o que eu não queria mais, mais brigas estúpidas com mulheres que não se preocupavam comigo e que eu com toda certeza não me preocupava também. Queria mais do que isso e tenho certeza que Asia queria também. Mas uma pequena ampola se apagou no meu cérebro. Me importo nesse momento. Apenas um pouquinho, mas lá está. Meu peito dói de uma forma engraçada ao vê-la chateada, sabendo que feri seus sentimentos e que ela está com medo de tudo isso. E isso é uma primeira vez para mim. Talvez isso signifique alguma coisa. Ou talvez eu só tivesse bebido muito refrigerante. Me sento no sofá ao lado dela e tomo sua mão esquerda sem jeito na minha, esfregando o polegar sobre o anel de platina que deslizei sobre seu pequeno dedo apenas algumas horas atrás. Ela é minha. Eu não sei por que, mas é minha agora. Minha parceira nessa bagunça. — Nós estamos juntos nisso? — Pergunto, suavizando minha voz. — Sim. — Ela funga e aperta minha mão. — Não sei sobre você, mas não respondi a milhares de perguntas sobre o que eu queria em uma esposa simplesmente para desistir. Ela me dá um sorriso fraco. — Nem eu. — Então... aqui está o que vamos fazer. Você vai dormir na cama, vou dormir nesse sofá e nós vamos descansar um pouco. Na parte da

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manhã, vamos encomendar tudo no menu de café da manhã e, em seguida, descobriremos onde estamos indo viver. Vamos começar de novo e esquecer o cabelo longo, os seios e tatuagens. Ok, Jujuba? Mordendo o lábio inferior, ela assente. — Ok. Eu posso fazer isso. Libero a sua mão e ela fica de pé, a separação do roupão fica o suficiente para me dar uma perfeita vista de seu sutiã de renda branca, calcinha, meias e cinta. E maldição, ela é realmente uma coisinha gostosa. Mordo minha língua para me impedir de fazer um sarcástico comentário sobre sexo, o que é muito difícil para mim. Muito difícil. Ela rapidamente puxa o manto fechado e se vira para mim antes de sair. — Você pode ficar com a cama; você é maior do que eu. Posso dormir aqui fora. — De jeito nenhum. Você ocupa a cama. Há sempre travesseiros e cobertores extras no armário que posso usar. Estou bem. Dormi de forma pior do que isso. Ela caminha até o armário e pega dois travesseiros e um cobertor, depois volta e entrega para mim com um sorriso tímido. — Obrigado. — Boa noite, Talon. Ela segue o caminho esquecido e solitário de pétalas de rosa murchas para o quarto da nossa suíte de lua de mel e desaparece quando ela fecha a porta suavemente atrás dela. — Boa noite, Asia. — Sussurro atrás dela, juntando o travesseiro sob a cabeça e puxando o cobertor fino sobre mim.

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Então aqui estou, casado supostamente com a mulher dos meus sonhos e ainda estou dormindo em um sofá em um quarto de hotel. Sozinho. Sem o meu lençol de algodão egípcio. Ou minha esposa. De alguma forma, a equipe conseguiu encontrar a única mulher na Costa Leste que não quer me foder. Ou fazer qualquer outra coisa comigo, nessa matéria. Jogaram bem, os especialistas de romance. Jogaram muito bem.

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A luz fraca me acorda, irradiando através da fenda entre as cortinas fechadas. Levo alguns momentos apertados para me lembrar de onde estou. A suíte de lua de mel. Seguro minha mão esquerda e olho para o anel, em seguida, lentamente retiro ele para ler a inscrição dentro. Na loucura de ontem, esqueci que algumas semanas antes do casamento, fomos convidados a ter algumas palavras inscritas de nosso futuro cônjuge, para nos dar algo para olhar para trás mais tarde, quando esperarmos que nossos casamentos tenham sido bem-sucedidos. Pedi para ter a frase “Ria comigo, ame comigo” inscrita na dele. Na minha era “sem começo nem fim, apenas o agora”. Hmm. Gosto muito disso, mas estou curiosa sobre o que significa, exatamente. Talvez algo sobre viver o momento, esse tipo de coisa? Estou apenas grata que não tenha colocado algo como “isso é rock!”. Deslizando o anel de volta para o meu dedo, bocejo e me estico na enorme cama. Sinto pena que ele dormiu no sofá enquanto eu dormia nessa cama que poderia caber dez pessoas. Seu gesto de dormir no sofá e me deixar ter o quarto foi muito cavalheiresco, embora, eu tenha apreciado. Ele está, obviamente, tendo um lado atencioso sob seu exterior selvagem. Rastejo para fora da cama e puxo o manto branco macio sobre minha calcinha. Não tirei o sutiã e a cinta liga antes de adormecer, me sentindo boba por usar para começar. E não posso culpá-lo pelo

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comentário provocante. Eu não deveria ter usado algo sexy se não estava realmente pronta para ter relações sexuais. Mas... se ele tivesse sido mais do que imaginei na minha mente, a noite teria terminado de forma diferente? Eu teria dormido com ele se ele tivesse cabelo curto, sem tatuagens, trabalhasse em um escritório e não fosse uma estrela do rock? Talvez. Me pergunto o que isso diz sobre mim. Silenciosamente, abro a porta do quarto e passo para a área da sala de estar e imediatamente noto que o sofá está vazio, o cobertor dobrado ordenadamente e colocado no topo dos travesseiros. — Talon? — Chamo e espreito no banheiro, mas ele não está lá, ou na varanda. Assumindo que ele desceu para o lobby para conseguir café, pego algumas roupas da minha mala e vou para o banheiro para tomar um banho quente. Olho a bagunça que está a minha maquiagem ainda de ontem à noite e meu cabelo está todo duro da quantidade de gel e spray de cabelo que Kat usou para fazê-lo ficar onde ela queria. Tomo uma ducha extralonga, aproveitando a pressão da água e do fato de que não ficarei sem água quente em cinco minutos, como no meu apartamento. Então me seco e visto meus jeans e uma camiseta com o decote em v roxa que coloquei um pouco de strass há algumas semanas. Seco o meu cabelo mais liso como posso, me irrito que tenha esquecido minha chapinha e abro a porta do banheiro, esperando que de alguma forma essa figura que casei esteja lá fora. Mas ele não está aqui. Olhando para as horas no meu celular, percebo que fiquei no banheiro por pelo menos quarenta e cinco minutos. Não levaria muito tempo para conseguir um café. Seu telefone celular, isqueiro zippo e cigarros não estão sobre a cômoda onde ele jogou ontem à noite.

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Sua bolsa ainda está aqui, mas provavelmente não há nada lá que não possa viver sem e não se importaria apenas em sair para fazer uma fuga rápida. Ele se foi. Piscando as lágrimas dos meus olhos, olho ao redor da sala, na esperança de, pelo menos, encontrar uma nota, mas não há nada. Obviamente

nossa

declaração

“estamos

juntos

nisso”

não

significou nada. Lágrimas de raiva e decepção queimam meu rosto enquanto rapidamente enfio minhas roupas em meu pequeno saco e enrolo o vestido de casamento em uma grande bola. Vou ligar para Kat do lobby e pedir para vir me buscar e me levar para casa. Eu nem sequer quero falar com a Dra. Hollister ou Kim agora. Não há nada que elas possam dizer ou fazer para tornar isso melhor. Nem mesmo uma equipe de especialistas poderia escolher um cara que esteja disposto a ficar comigo mais de uma noite. Convento, aqui vou eu. Assim quando estou prestes a abrir a porta, os bipes da chave eletrônica são audíveis e Talon entra, quase me derrubando. Olhando para mim com desconfiança, ele coloca seu telefone e cigarros na mesinha ao lado da porta. — Você está saindo? — Ele pergunta, incrédulo. — Você estava apenas me abandonando aqui? Largo a minha bolsa e o enorme vestido aos meus pés. — Pensei que você tivesse me deixado. — Limpo meus olhos, com vergonha de chorar na frente dele. — Acordei e você não estava. E foi mais de uma hora. Todas as suas coisas se foram. Ele aponta para a mochila no chão. — Minha mochila está logo ali.

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— Eu quis dizer o seu telefone e seus cigarros. Estendendo a mão, ele levanta suavemente meu queixo e olha nos meus olhos. — Você está chorando? Tento me afastar dele, mas ele segura meu rosto. — Você está? — Ele repete, seus olhos castanhos se ligam nos meus. — Um pouco. — Eu admito. Seu polegar traça lentamente minha mandíbula. — Por quê? — Pensei que você já tinha me deixado. Ele se inclina e beija meus lábios suavemente. Desta vez, eu deixo. — Ainda estou aqui. — Diz ele, não se afastando muito longe. — Só fui até o ginásio me exercitar. — Seus lábios encontram os meus mais uma vez e uma louca sensação formiga abaixo de minha espinha e explode em meu estômago como pequenos vagalumes. — Tento treinar todas as manhãs. E seus lábios tem um sabor gostoso. — Acrescenta. — Oh... — Acho que o bálsamo labial de baunilha que tento manter usando é finalmente perfeito. Deixando de lado o meu rosto, ele pega as minhas coisas e as leva de volta para a sala casualmente, como se aquele beijo não tivesse acontecido por acaso. — Podemos concordar com não aleatoriamente abandonar um ao outro? — Pergunta ele, se voltando para mim. Ainda estou colada no meu lugar no pequeno corredor.

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— Eu gostaria disso. — Toco meus lábios suavemente com o meu dedo, ainda um pouco hipnotizada por seu beijo, que enfraqueceu meus joelhos mais do que eu quero admitir. Ele passa a mão pelo cabelo ondulado. — Você realmente achou que eu fui embora enquanto você estava dormindo? Que porra é essa? Dou de ombros um pouco, me sentindo boba por ter exagerado. — Não tenho certeza... não conheço você e não sabia o que faria. Ele balança a cabeça. — É justo. Para seu registro, não sou um babaca, Asia. Se tenho um problema, vou te dizer. Não vou simplesmente desaparecer. — Me desculpe, tirei conclusões precipitadas. Não sei o que estava pensando. — Não gostei que você estivesse indo embora, apesar de tudo. Nós estamos nesta porra juntos, ou não estamos. Tem de haver um pouco de confiança aqui. — Você está totalmente certo. — Digo, caminhando lentamente de volta para a sala principal. — Isso é apenas difícil. E para ser honesta, estou meio assustada. As pessoas têm o hábito de me deixar. Admitir meus medos para ele é difícil para mim, mas a Dra. Hollister insistiu durante as muitas reuniões que sermos honestas sobre os nossos medos é importante. Ele aperta os olhos castanhos para mim. — Não vou embora. — Ele pega o menu, se aproxima do telefone e se senta na cama antes de voltar sua atenção para mim. — Fizemos um compromisso. E apesar de tudo parecer muito confuso agora, acho que nós precisamos dar uma chance.

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— Você está certo. Isso é o que toda essa coisa supostamente deveria ser. — Atravesso o quarto e sento na cama ao lado dele. — Ter fé em alguém, certo? — E em nós mesmos. — Acrescenta. Isso é verdade. Isso é tanto sobre confiar em nós mesmos, quanto confiar na outra pessoa, além de confiar nas pessoas que nos juntaram. — E se isso te faz sentir melhor, garotas me deixam, também, uma vez que recebem suas fodas. Isso parece ser tudo o que sou bom em fazer. Caramba. — Bem, isso realmente não me faz sentir melhor, mas tenho certeza que você é bom em muito mais do que isso. — Espero. Ele sorri para mim. — Desde que você não está interessada em eu te comer, acho que nós vamos descobrir, não vamos? De repente tenho um momento e toco seu braço. — Talon, acho que você acabou de descobrir a primeira razão pela qual eles nos colocaram juntos. Ele olha para mim, aqueles olhos escuros sensuais para dentro de mim. — Você pode estar certa, Jujuba. Acho que tenho que conquistála com meu charme espirituoso e não o meu pau. Não posso deixar de rir. Estou meio que começando a gostar de seu lado sarcástico. — Isso iria ser um bom começo. Ele deixa escapar um grande suspiro. — Não sei quanto a você, mas quero a porra de umas panquecas.

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Talon

não

estava

brincando

quando

disse

que

estaria

encomendando tudo no cardápio do café da manhã. Precisou de dois garçons para entregar a nossa comida e espalhá-la toda na mesa redonda no canto da nossa sala de estar. Estou um pouco intimidada quando ele deu a cada um uma nota de 50 e ambos saem, se oferecendo para trazer qualquer outra coisa que ele precise. Nós sentamos à mesa e ele começa a mergulhar em panquecas, bacon e linguiça, enquanto pego as frutas frescas e iogurte. Ele segura um pedaço de bacon para mim. — Bacon? — Não... eu não como carne. Ele morde e mastiga devagar, me observando com uma faísca travessa em seus olhos. — Oh, você vai comer carne, baby. Reviro os olhos para ele e engulo minha fruta antes de responder. — É esse o seu encanto espirituoso que sai de novo? — Ei, eu estou tentando. Despejo um pouco de suco de laranja no meu copo. — Então, eu estava pensando que devemos fazer algo parecido com uma conversa em um encontro rápido para tentar chegar a nos conhecer. Ele balança a cabeça animadamente enquanto encharca suas panquecas em mais xarope. — Estou no jogo. Isso poderia ser divertido. Nós só atiramos perguntas um para o outro? — Sim. Ele bebe seu café e pensa por um momento.

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— Ok, vou primeiro. Cor favorita? Rio e balanço a cabeça em diversão. — Essa é a primeira coisa que você quer conhecer? — Sim. — Roxo. E a sua? — Vou de preto. — Ele começa a cavar em seguinte os waffles. — Você trabalha? Nossa. Ele vai de cores para a carreira em dois segundos. — Trabalho em casa. Faço roupas e acessórios, cintos, lenços e outros enfeites e algumas joias. Eu também faço sabonetes caseiros e produtos de banho como esfoliação corporal, loções e hidratantes labiais. Ele levanta as sobrancelhas em surpresa e aprovação. — Isso é muito selvagem. Será que foi você quem colocou essas pequenas coisas preciosas em sua camiseta? — Ele aponta seu garfo para mim. — Fui eu. — Eu gosto disso. Cavo coisas criativas. E gosto que esteja em casa. Não teria que me preocupar com você. — Você faz qualquer outra coisa para o trabalho? — Pergunto. — Ou apenas a banda? Ele olha ofendido e se inclina um pouco para trás em sua cadeira. — Sério? Isso não é o suficiente? — Não quis dizer isso. Só queria saber se você estava envolvido em alguma outra coisa. — Já fiz alguns trabalhos como modelo. — Está vendo? Isso conta. Enquanto passa manteiga, ele dispara sua próxima pergunta para mim.

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— Reparei que o meu irmão a acompanhou pelo corredor. Onde está sua família? Respirando fundo, eu tento encontrar as melhores palavras para explicar a minha família e decido apenas cuspir a verdade. — Meu pai e irmão estão na prisão e minha mãe foi embora quando eu tinha dezessete anos com um cara que ela conheceu. Só ouvi falar dela uma, duas vezes, quando ela estava esperando conseguir algum dinheiro de mim que eu não tenho. — Levanto meu olhar para encontrar o dele, esperando que ele não esteja desgostoso por mim e seus olhos amolecem quando ele acena com a cabeça um pouco para eu continuar. — Tive que abandonar a escola no meu último ano, então eu poderia tentar trabalhar e cuidar de mim. Eu nunca fui para a faculdade ou algo parecido com aquilo. Ele coloca o garfo para baixo e passa a mão pelo cabelo, prendendo-o atrás de sua orelha. — Se você foi para a faculdade não importa para mim. Isso é uma coisa de merda para quem tem que passar por isso, porém, especialmente tão jovem. Como você viu no casamento, tenho uma grande família e todos nós estamos muito perto. — Você tem muita sorte de tê-los. Estou invejosa, na verdade. Embora eu os conhecesse brevemente no turbilhão de loucura ontem, eles pareciam extremamente agradáveis e acolhedores. E eu poderia dizer que eles realmente se importavam uns com os outros, ao contrário da minha própria família. — Você os terá também. Minha família é a sua família agora. Olho para o meu prato e empurro a minha fruta de volta. — Isso é muito doce. Mas, nós nem sequer sabemos se isso vai funcionar. Prefiro não levantar minhas esperanças sobre ter uma boa família.

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— Asia, não vou me divorciar. E você? Levanto minha cabeça para cima com desafio. — Não. Isso é a última coisa que eu quero. — Bom, porque eu não sei como, mas vamos fazer essa porra de coisa dar certo. Meu interior treme diante da possibilidade do que ele está dizendo. Talvez isso realmente possa ser trabalhado. Talvez, de alguma forma, eu realmente vou passar os próximos seis meses e acabar com um marido e uma grande família. — É o seu nome verdadeiro? — Ele pergunta de repente. — Asia? — É. E o seu é Talon? — Sim. Todos nós temos nomes exclusivos na minha família. Isso é o que você ganha quando a sua mãe é uma autora de romance e seu pai é um músico. — Eu realmente gosto de todos os nomes. — Admito. — Eu sempre pensei que eles eram nomes artísticos. Ele pega um cigarro de seu maço e começa a acendê-lo. — Não. Eles estão em nossas certidões de nascimento dessa forma. — Será que você pôde fumar enquanto estava lá embaixo? — Provoco, apontando para o cigarro eletrônico. Soltando uma gargalhada, ele empurra o prato vazio algumas polegadas de distância. — Não, eu só não quis disparar um alarme de incêndio. Eu estou tentando parar de fumar, apesar de tudo. O meu irmão costumava usar esses, então estou lhe dando uma chance. — Ele sopra vapor para a esquerda e, em seguida, fixa os olhos em mim atentamente. — Então, a pergunta de um milhão de dólares. Sexo. Você deixou claro que não é uma vagabunda e eu gosto disso, na verdade.

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Meu estômago faz um pequeno flip e uma onda de calor toma conta de mim. — Eu queria poder dizer o mesmo sobre você. Parece que você tem uma boa reputação. Ele sorri. — Culpado, Jujuba. Desculpe. Me preparo para fazer a minha próxima pergunta. — Você é capaz de ser fiel? A ponta de seu cigarro brilha em azul, enquanto ele dá uma longa tragada. — Acho que sim. — Finalmente diz, com uma pitada de incerteza. — Você acha? — Repito. — Você tem que ter certeza. Não posso ser casada com um trapaceiro. — É trapaça se não estamos fazendo sexo? — Ele brinca, inclinando a cabeça para o lado. Olho para ele e empurro o meu próprio prato para o lado, meu apetite de repente desapareceu. — Sim, Talon. É. — Calma, estou brincando. Tenho certeza que não vou trair você. Eu fiquei um mês sem isso até agora, o que é um recorde para mim. Sinto como se suas palavras fosse um tapa. — Um mês? — Repito. — Você fez sexo um mês atrás? Ele dá de ombros sem noção. — Em torno desse tempo. Uma semana mais, uma semana menos. Balançando a cabeça, levanto e caminho para longe da mesa. Não posso acreditar que ele dormia com outra garota apenas algumas semanas atrás. Parte do processo foi que supostamente estávamos parando as relações sexuais com outras pessoas quando descobrimos

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nosso parceiro e uma data definitiva para o casamento foi definida. Sabíamos já há três meses. Ele se levanta e me segue para onde estou de pé na janela. — Qual o problema agora? Continuo a olhar pela janela no lago, onde tivemos as nossas fotos tiradas na noite passada. O primeiro lugar em que nos beijamos. — Você sabia sobre mim então. Você sabia que tinha uma data do casamento já. — Bem, sim, mas eu não sabia que era você. Só sabia que ia acontecer. Finalmente me volto para olhar para ele. — E isso não era o suficiente? Ele joga as mãos para cima. — Eu não sei, nem sequer pensei nisso dessa forma. Eu estava apenas fazendo minhas coisas de costume. — Isso é ótimo. — Zombo. — Era apenas sexo com algumas groupies. Não quis dizer nada. Nunca significou qualquer coisa. Fazemos sexo e elas se vão. É isso. — Diz ele defensivamente. — Isso é horrível! — Ele disse groupies. Isso é várias meninas. Ando longe dele e sento no sofá, cruzando os braços sobre mim. Me sinto mal do estômago de pensar nele fazendo sexo com todos os tipos de mulheres, enquanto nós deveríamos estar pensando em nos casar e nos comprometer a esse processo de toda forma. Fiquei tão animada quando descobri que eles encontraram o meu par e eu estava tecnicamente engajada. Tudo o que eu conseguia pensar era em finalmente conhecê-lo. Sonhava constantemente sobre como ele seria, como ele agiria, se nós iríamos nos apaixonar à primeira vista.

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Enquanto isso, ele estava trepando com groupies sem pensar ou se preocupar comigo. — Bem, desculpe, baby, mas é assim que sempre foi para mim. — Pare de me chamar de baby! Você chama todas assim. — Desculpa. — Ele se ajoelha no chão na minha frente, mas eu me recuso a olhar para ele. — Você é ciumenta? — Não! — Talvez um pouco. — Só estava esperando que o meu futuro marido fosse mostrar alguma contenção e se comprometer a tudo, como nós deveríamos. — Ok, transei um pouco. Não farei isso de novo. Eu prometo. — A Dra. Hollister sabe sobre isso? Ele dá de ombros novamente. — Não sei. Não contei a ela. — Ela provavelmente teria te expulsado do experimento se ela soubesse. — Agora é tarde demais. Aqui estamos. Quero chutá-lo. — Aqui estamos? — Repito. — E os testes? Como faço para saber se você está limpo agora? Sua voz se eleva na defensiva. — Não tenho quaisquer doenças. Fui testado há duas semanas. Mais uma vez. E sempre usei proteção. Giro meu dedo no ar. — Oh, viva! — Digo sarcasticamente. — Então, quando foi à última vez que você fez, Senhorita Perfeição? — Fez o que? — Teve relações sexuais com alguém.

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Merda. Eu não quero dizer a ele a verdade sobre isso agora, ou ele vai pensar que sou uma aberração com certeza. — Isso não é da sua conta, mas não foi definitivamente há um mês. Segui todas as regras. Ele gira o dedo no ar, zombando de mim. — Viva para você. Então me diga quando. — Não. Seus lábios se curvam em um sorriso um pouco mal escondido. — Me diga ou farei cócegas em você. Balanço minha cabeça. — Não. É mais do que três meses, isto é tudo que você precisa saber. Antes que eu possa me mover, ele se atira contra mim e começa a fazer cócegas em mim me dando um ataque de risos. Estou perversamente atacada com cócegas. Não posso acreditar que ele descobriu em menos de um dia e usou isso já por duas vezes para me quebrar. Pego em suas mãos. — Pare, por favor! — Imploro, rindo incontrolavelmente. Ele me domina completamente com seu tamanho e músculo e me puxa para o chão, de joelhos em cima de mim, segurando minhas mãos nas suas nos meus lados. — Você não pode me fazer cócegas cada vez que você quer algo! — Exclamo, tentando recuperar o fôlego. Seu cabelo cai sobre seu rosto quando ele sorri para mim. — Sim eu posso. — Embora ele esteja me segurando, não passa despercebido que ele é cuidadoso em não me esmagar. Também não passa despercebido suas coxas musculosas ao redor do meu corpo me colocando em uma posição onde não posso ignorar o grosso vulto evidente abaixo da fina calça jeans. Cacete.

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— Me diga. — Ele estimula novamente, ainda segurando minhas mãos. — Tem sido um longo tempo. — Desvio meu olhar de seu pacote e olho para cima enfrentando seu olhar. — Quanto tempo? Suspirando, mudo a minha atenção na direção das janelas. — Três anos. — Três anos de merda? — Ele repete em voz alta em descrença. — Como você mesmo está viva? — Ha-ha. — Digo, me contorcendo. — Me deixe ir, por favor. — Ainda não. Primeiro, me diga por que tanto tempo? Olho para ele. — Você realmente tem que me envergonhar com isso? — Não estou tentando envergonhá-la. Estou apenas tentando chegar a conhecê-la e entender você. — Não tive um relacionamento em um longo tempo e tive realmente má sorte com namoros recentemente. Te disse, não vou para a cama com homens apenas por sexo, então... já faz três anos. Feliz agora? Se ajoelhando sobre mim e trazendo nossas mãos por cima da minha cabeça no chão, seu rosto está a polegadas do meu, seu cabelo longo e solto fazendo cócegas no meu rosto. — Posso consertar isso para você. — Ele oferece, pressionando seu pau duro entre minhas coxas as separando. Meu pulso acelera enquanto minha boceta treme, há muito esquecida, com apenas uma ligeira pressão contra mim. — Pensei que não era o que você queria. — Minha voz racha, traindo meus esforços para esconder o fato de que ele está começando a me afetar.

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— Também achei. — Ele solta uma das minhas mãos e desliza a mão livre para baixo do meu braço, em seguida, sobre as minhas costelas, toca ligeiramente curva do meu quadril, e, finalmente, agarra a minha parte externa da coxa, puxando-me contra ele. — Mas meu corpo aparentemente quer você... E acho que você me quer também. Um pequeno suspiro escapa da minha garganta. — Quero mais do que isso. — Respiro, querendo muito mais agora. Ele afunda seu rosto no meu pescoço, seus dentes gentilmente me beliscando e eu luto contra a vontade de colocar minhas pernas em volta dele. — São 27,5 cm, baby. Quanto mais você quer? — Urgh! — Empurro de cima de mim e ele rola no chão de costas, rindo. — Não é engraçado. — Digo, batendo em seu braço. — Estou apenas brincando. — Como você sabe que são 27,5 cm, afinal? — Eu medi. Podemos fazer uma recontagem, se quiser. Ligue para a recepção e peça uma régua. Balanço a cabeça e reprimo minha risada. — Você pode tentar ser sério por um minuto? Ele se senta e se inclina contra o sofá, tentando se forçar a parar de rir. — Tudo bem. Vou falar sério. — Diz ele, franzindo os lábios e parecendo muito ridículo. Seu cabelo está todo amarrotado, então eu hesitantemente chego e penteio-o para baixo com os meus dedos. — Eu estive pensando sobre isso. — Começo. — E nós somos, obviamente, extremos opostos no quesito sexo. Você disse que todas

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as mulheres querem você e para você, é só sexo. Mas, para mim, é o oposto. Não posso ter relações sexuais sem que emoções estejam lá. Acho que isso é parte do nosso desafio aqui: você não ter sexo até que hajam alguns sentimentos reais envolvidos e para mim te mostrar que você é mais do que apenas um bom assento. Ele pisca timidamente. — Você acha? — Sim. — Isso parece um monte de trabalho e que poderia totalmente sair pela culatra. Por que fariam isso conosco? — Talvez por isso, aprender a apreciar um ao outro? — Mas e se os sentimentos nunca acontecerem, para qualquer um de nós? Isso é exatamente com o que eu estou preocupada, porque eu simplesmente não posso nos ver nos apaixonando. Ser amigos e se divertir, talvez. Mas paixão? Não posso imaginar isso — Então isto não está destinado a ser. — Murmuro com tristeza. — Então, nada de sexo? Em jeito de brincadeira bato nele novamente. — Exatamente. Nada de sexo. — Nunca? — Ele pergunta, incrédulo. Me levanto e endireito as minhas roupas. — Não vamos pensar sobre isso. Acho que devemos nos concentrar em nossa primeira tarefa de descobrir onde estamos indo morar.

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— Isso é seu? — Ela pergunta, incrédula quando eu a levo para a minha caminhonete no estacionamento do hotel. — Sim. — Meu mais recente brinquedo é minha caminhonete preta Picape Ford F-150, com um kit elevador de trinta e cinco centímetros, pneus de cem centímetros e os crânios retocados de cada lado. — Uma caminhonete monstro? Isso é legal para estar na rua? — Ela espia em cima da caminhonete, a cabeça quase atingindo a porta. Pego a bolsa de sua mão e jogo ela na parte de trás da caminhonete. Pedimos a camareira para ter o vestido de casamento embalado e enviado para o meu apartamento, porque é muito grande. — Claro que é. — Respondo, abrindo a porta do passageiro para ela. — Entre, milady. Ela olha para o interior da caminhonete e, em seguida, volta para mim. — Talon. Não posso nem colocar minha perna lá em cima. Como eu deveria entrar? Bem, merda, ela está certa. Suas pernas são muito curtas para alcançar o batente da porta. Envolvo minhas mãos em torno de sua cintura fina e levanto-a para o banco sem esforço. — Vou instalar os estribos, baby. Simples correção. Corro em torno da frente da caminhonete e subo ao volante.

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— Ou vou conduzir apenas o Beemer quando você estiver comigo. Nada demais. — Você tem um BMW também? Aceno e acendo um cigarro, ligo a caminhonete e saio do estacionamento. — Sim. É muito mais baixo. Ela olha para fora do para-brisa, com os olhos arregalados para o tráfego em torno de nós, se agarrando ao apoio de braço na porta. — Puta merda. Estamos tão alto. Você pode totalmente passar sobre os outros carros. — Se quiséssemos sim, porra, eu podia. Ela ri. — Não vamos fazer isso. — A equipe nos deu uma folha de orientação que é supostamente para ser seguida e a primeira ordem do negócio é ir morar juntos, se mudar para uma das nossas próprias casas juntos, ou conseguir inteiramente um novo lugar para morar. A última é a minha preferência desde que vivo em um condomínio com meu irmão e nós com certeza não teríamos qualquer privacidade como um casal vivendo com ele. Então, devemos verificar locais antes de decidirmos, porém, paramos na minha casa em primeiro lugar. — Isso é muito bom. — Ela comenta quando nós dirigimos até a passagem à minha porta da frente. — Sim, é. — Respondo, abrindo a porta. — Moro aqui há cerca de três anos. Uma vez lá dentro, ela varre o apartamento com uma pequena careta, provavelmente porque está uma confusão. Mas hei, dois homens solteiros vivem aqui e Mikah é uma espécie de preguiça e apenas joga as coisas em qualquer lugar e em toda parte.

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— Desculpe pela confusão... Tínhamos uma empregada, mas ela estava roubando nossas coisas para vender no eBay. — Oh, wow. Isso é terrível. — Sim, algumas pessoas compram de tudo. Como minhas meias sujas. Você acredita nisso? Seu rosto faz careta. — Isso é muito grave. — É. — Concordo. — Então, eu e meu irmão Mikah moramos aqui. Ele é o baterista da banda. Não tenho certeza se você se lembra dele do casamento. — Ela balança a cabeça. — Mas não acho que esse seria um bom lugar para nós morarmos por razões óbvias. — Por que não? Eu sou um grande companheiro de quarto, porra. — Nós dois nos viramos para ver Mikah descendo as escadas do segundo andar, onde estão os quatro quartos. Seu longo escuro cabelo é um esfregão emaranhado na cabeça, os olhos injetados e inchados, com olheiras sombreadas. Ele parece completamente de ressaca. — Cara, você ficou bêbado no meu casamento na noite passada? Você é uma porra de bagunça. Ele abre a geladeira e pega um refrigerante. — Sim, fiquei. — Ele restringe os seus meio-abertos olhos em nós — Que porra vocês dois estão fazendo aqui? Você não deveria estar em sua lua de mel? Ou isso é jogo acabado já? — Não é um jogo. — Asia diz a ele com uma pitada de atitude defensiva em sua voz e isso me deixa orgulhoso dela. Gosto de uma garota que não aceite porcarias das pessoas. — Nós iremos para a lua de mel mais tarde. — Digo. — Primeiro, temos de passar um tempo juntos.

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Ele toma um pouco de seu refrigerante. — Não aqui, espero? — Não. Nós vamos ter uma casa. Ele balança a cabeça e se arrasta em direção à escada. — Boa ideia. Você provavelmente vai querer conseguir um novo jogo de quarto. — Ele se concentra em Asia e sorri. — Sua cama tem visto uma tonelada de bocetas. Eu não gostaria de estar dormindo com isso. Ela visivelmente se encolhe, as bochechas se avermelham enquanto seus olhos encontram os meus desajeitadamente através do cômodo. — É bom saber. — Diz ela, com a voz tensa. Enfio o meu irmão idiota contra a parede e Asia recua longe de nos. — Qual é o seu problema? — Fervo, meu rosto a polegadas do dele. — Essa é minha esposa agora, não alguma puta de banda. Ele me empurra para trás. — Qual é o seu problema, Tal? — Ela não precisa ouvir essa merda. — O empurro novamente e, em seguida, me afasto dele. — É melhor ela se acostumar com isso, porra. Nós fodemos groupies. Isso é o que as estrelas do rock fazem. O som da porta da frente batendo nos faz virar. Ela acabou de sair. — Muito obrigado, idiota. — Rosno. — Você acabou de dizer isso, porra? — Qual é o problema? — Eu estou tentando ganhar a confiança dela, Mikah. Isso não é exatamente fácil para ela.

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Ele sorri. — Bem, talvez ela devesse se divorciar de você agora, se ela não pode lidar com quem você é. Passo a mão pelo meu cabelo, esperando que Asia não esteja fugindo agora. — Tanto faz, irmão. — Eu jogo de volta quando eu corro para a porta da frente para pegá-la. Felizmente, eu a encontro sentado na calçada em frente, girando um dente de leão em seus dedos. — Hei, sinto muito. — Digo quando eu a alcanço. — Ele é um babaca sarcástico. — Acho que não vou morar aqui. — Ela murmura, em seguida, fecha os olhos e assopra o dente de leão, os abre novamente para assistir suas pequenas sementes flutuarem na brisa com uma expressão melancólica no rosto. Acho que ela quer flutuar também. Longe de mim. Seguro minha mão para ela e puxo-a para cima quando ela coloca sua pequena mão na minha. — Definitivamente não, querida. Vamos visitar sua casa. — Podemos simplesmente ignorar isso? Não há realmente nenhuma razão para ir para minha casa. Você não vai querer morar lá. — Não, quero ver onde você mora. E está nas orientações. Nós deveríamos visitar a casa um do outro. Ela sopra um suspiro de frustração. — Não entendo por que temos que fazer isso. É uma perda de tempo. — Ela argumenta, enquanto caminhamos de volta para a caminhonete. — Não podemos apenas procurar nossa própria casa? Levanto ela para o banco do passageiro novamente. — Você não quer que eu veja a sua casa?

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Seus olhos desviam longe de mim nervosamente. — É um apartamento. — Casa, apartamento, qualquer coisa. Você não me quer lá. Por que não? — Eu nunca disse isso. — Você não tem que dizer. Você é transparente pra caralho. Está escrito em todo o seu rosto. Seus olhos atiram punhais quando eu me inclino contra a porta da caminhonete, não me mexendo. — Vamos embora, então. — Ela cede. — E vamos acabar com isso. Quando ela me dá indicações para seu apartamento, enquanto eu dirijo, suas razões para não me querer lá se tornam claras. Ela vive no gueto. Como eu costumava comprar drogas aqui quando eu era mais jovem, é o tipo de bairro de merda. Olho para ela quando estaciono em frente do prédio degradado. Ela está apenas olhando para fora da janela, os dedos fazendo círculos em seus jeans. — Você está bem? — Pergunto a ela. — Sim, eu estou bem. Embora ela não pareça bem. Ela parece distante. — Asia, está tudo bem. Não é grande coisa. — Você não pertence aqui. — Nem você. Não mais. Seus olhos deslocam para o chão. — Sim, eu pertenço. Casar com você não muda quem eu sou. — Não, mas muda quem somos juntos. — Pego sua mão para parar os dedos que estão nervosamente circulando em sua perna. — Juntos, devemos ser melhores.

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Que porra acabou de sair da minha boca? Sua mão aperta a minha. — Isso é muito doce. Obrigada por dizer isso. Uau. Na verdade, eu disse alguma coisa certa, mesmo que estivesse momentaneamente possuído por Hallmark quando eu disse isso. Ponto. Por sorte, o elevador está quebrado, por isso temos de caminhar até os três lances de escadas infestados de lixo para o apartamento dela. O corredor cheira a boca do inferno. Não acredito que a equipe me colocou com alguém que vive assim. Nós não poderíamos ser mais diferentes de todas as maneiras possíveis. Enquanto ela escava as chaves de sua bolsa e desbloqueia as três fechaduras da porta, me preocupo com a minha caminhonete estacionada na rua nesse bairro. Se alguém quebrar minhas janelas ou pichar ela com tinta spray, eu ficarei puto. Uma pontada inesperada me bate quando finalmente caminho dentro. Seu apartamento é incrivelmente pequeno. Tão pequeno que sinto que tenho que ir para fora só para mudar de ideia. E de repente é dolorosamente claro para mim, minha nova esposa não tem muita coisa. Me sinto mal agora por levá-la para o meu enorme apartamento em um condomínio fechado e me lamentar sobre a desordem em 2.500 metros quadrados de espaço que Mikah e em parte eu, principalmente, destruímos. Não posso evitar, mas pergunto se uma das razões que nos colocou juntos é porque tenho dinheiro e posso tirá-la daqui. E eu também me pergunto se ela fez isso pelo dinheiro que vai receber e não para encontrar um parceiro de vida. Ela não parece ser desse tipo, mas caramba, cinquenta mil tem que ser tentador para ela. Se isso for verdade, isso seria minha herança multimilionária e meu royalty de música. Felizmente, assinamos um

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pré-nupcial, por isso os meus bens estão seguros se ela acabar por ser uma caçadora de ouro. Mas uma parte de mim estava realmente esperando que isso iria se transformar em um casamento real, como meus pais têm. Não quero estar aqui como um idiota por seis meses, observando ela ir embora com um cheque gordo e me lançando o pássaro. Porra. Se isso acontecer, aconteceu. Vou levar meus próprios cinquenta mil e fazer festa pra caramba com cada loira com grandes tetas que puder encontrar. De alguma forma, ela conseguiu transformar esse pequeno espaço, tornando ele aconchegante que parece com ela. É colorido. Tem cheiro de doces. É limpo e organizado. Acima de tudo isso, ele reflete sua criatividade única e capacidade de transformar algo simples, quebrado e velho em algo muito legal dando-lhe nova vida com seu toque. A pouca mobília que ela tem é pintada à mão e envernizada para fazê-la parecer antiga. Nem sequer tenho que perguntar a ela; já sei que ela pintou tudo sozinha. Em vez de cortinas típicas, tecido de gaze em um arco-íris de cores abrange as janelas, pendurados em ramos de bétula. As bétulas metálicas ou plásticas têm ramos com hastes brancas e posso imaginá-la andando pela floresta olhando para o perfeito pequeno ramo. As caixas plásticas coloridas, que devem manter os suprimentos que ela usa para fazer as roupas e sabonetes que ela mencionou, estão empilhadas em uma escada simulada levando ao teto. Assim, quando olho em volta para todos os pequenos detalhes que ela adicionou ao seu apartamento, o meu interesse por ela avança. Ela definitivamente não é preguiçosa ou uma cabeça oca. Ela é organizada e talentosa e completamente autossustentável.

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— Você tornou esse lugar muito legal, Asia. — Digo, caminhando lentamente em torno do pequeno espaço. — Obrigada... eu realmente sou meio de artesanato. — Dá para ver. Você tem um dom. — Volto já. — Ela desaparece por um curto corredor que eu assumo que seja seu quarto e volta alguns minutos depois segurando duas coisas. Uma delas é o menor gato que eu já vi na minha vida, que também está usando uma tiara brilhante em sua cabeça e o outro é um lenço preto com X branco tingido aleatoriamente sobre ele. — Ninguém disse que um gato fazia parte do negócio. — Estou apenas, parcialmente, brincando. Ela segura a pequena criatura cinza com enormes olhos verdes contra o peito. — Bem, ela é. Eu a tenho já faz três anos. Não estou prestes a me livrar dela. Eu a amo. — Três anos? Isso é um gato adulto? — Juro que esse gato se encaixaria em uma das minhas mãos. — Sim. Ela tem uma forma de nanismo. Ela não cresceu mais desde que tinha oito semanas. — Merda. Por que é que veste uma tiara? — O nome dela é Princesa Pixie. A visto e posto fotos dela nos sites de rede social. Ela tem uma enorme popularidade, mais de oitenta mil curtidas e seguidores. Esse gato tem mais fãs do que minha página pessoal. — Você está de brincadeira comigo? — Não. Ela ainda tem patrocinadores de produtos. Eles me enviam alimentos, roupas e brinquedos para ela e então, nós revemos e postamos sobre eles.

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Porra. Apenas quando pensei que as coisas estavam descobertas, agora tenho uma gata anão diva com fãs para lidar com eles. — Bem, é melhor que ela não apareça no blog da minha banda. — É tudo o que posso murmurar enquanto gentilmente coloca o gato em miniatura no chão. — Kat está tomando conta dela durante os últimos dois dias, mas se estamos indo morar juntos, ela está vindo. — Ótimo. Basta mantê-la longe das minhas coisas e não a deixe arranhar os móveis. — Ela tem protetores de unhas em cinco cores. Ela não vai arranhar qualquer coisa. — Ela está na minha frente e hesitante coloca o lenço em volta do meu pescoço, afofando meu cabelo sobre, então sorri para mim com aprovação. — Pronto. — Você fez isso? — Pergunto, tocando o tecido fino. — Sim. Ele fica bem em você. — Tudo fica bem em mim. — Brinco. — Curto isso, porém. Eu vou usá-lo no palco. — Oh, legal. Isso seria fantástico. Puxo o lenço e rapidamente jogo-o sobre ela, capturando sua cintura fina com ele e puxando-a contra mim, apreciando o olhar assustado no rosto. — Ou... posso amarrá-la com ele e fazer o que quiser com você. — Suas mãos instintivamente pressionam contra o meu peito e ela olha para mim debaixo dos seus cílios escuros. — Você poderia. — Ela engole nervosamente e lambe os lábios. — Mas, não seria mais divertido se eu fosse um participante voluntário? — Eu gostaria de descobrir. Por um breve momento, com os olhos um pouco vidrados, eu acho que ela vai me beijar, mas em vez disso, ela puxa o lenço das

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minhas mãos e coloca-o de volta ao redor do meu pescoço com um sorriso brincalhão. — Até então, eu gosto de você. Porra, ela vai ser um osso duro de roer. Nunca tive uma garota ignorando os meus flertes antes e isso só está me fazendo querer provar para nós dois que ela me quer. Ela pode não ser o meu tipo e eu posso não ser o dela, mas há definitivamente uma pequena faísca de química de partida para queimar entre nós que eu pretendo tirar o máximo de vantagem. Admiro sua bunda quando ela se inclina para pegar o gato. Ela não sabe o que é ser do contra. Vou levá-la a me quer. Vou fazê-la implorar por mim. Voltando rapidamente, ela me olha com um brilho malicioso. — Eu sei o que você está pensando, Tarzan. E boa sorte. Que o jogo comece, Jujuba. Depois de caminhar pelo resto do seu apartamento, pego o meu telefone para olhar as informações de contato de um corretor de imóveis que alguns dos rapazes usaram. — De maneira nenhuma podemos viver aqui, Asia. Meu pau mal se encaixa nesse lugar. Vou encontrar uma casa para nós. Ela balança a cabeça com um pequeno olhar de desdém. — Você parece ter uma fixação sobre o tamanho das coisas. Caminhonetes grandes, peitos grandes, pênis grandes, grande lugar para morar... Hmm. Ela tem um ponto. — Essa é uma grande observação. Além disso, tenho muito material caro para se viver no gueto. — Imaginei. Graças a Deus tudo o que possuo é inútil.

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Suspirando, ignoro o comentário sarcástico e digito um texto rápido para Sandra, a Corretora de imóveis. — Só estou contatando uma corretora de imóveis que conheço. — Digo a ela. — Precisamos de uma saída rápido. Enquanto isso, por que não ficamos na casa de hóspedes da minha avó? — Sua avó tem uma casa de hóspedes? — Sim, é uma casa de dois quartos em sua propriedade que ela tem para parentes ficarem quando a visitam. Na semana passada, quando falei com ela sobre tudo isso, ela a ofereceu a nós, até que tenhamos a nossa. Ela mastiga o lábio inferior e me olha com ceticismo. — Não sei, Talon. Odeio me impor a pessoas que nem sequer conheço. Não quero a sua família pensando mal de mim e até agora, parece que eles não têm uma boa opinião de mim. Primeiro você ligou para sua mãe e disse a ela que praticamente desistia, então o seu irmão está falando... — Asia, vamos lá. Minha mãe entende a nossa luta. Ela escreve a porra de romances. Na verdade, tenho certeza que ela ajudou a nos definir apenas para que ela possa ter alguns bons materiais de nós. E meu irmão é apenas um idiota insensível. Vovó é a mais doce pessoa que conhecerá; ela quer ajudar. Faz ela se sentir bem. E ela vai nos alimentar. Ela sorri e seus ombros relaxam um pouco. — Tudo bem, isso é muito doce dela. E Pixie pode vir? O blog do gato anão cheio de fãs vai ser problema, posso sentir isso. — Sim, mas não usando essa coisa em sua cabeça. — Tudo bem.

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— Empacote tudo o que você precise por alguns dias e vamos voltar para pegar o resto de suas coisas quando encontramos a nossa própria casa. — Ok, só preciso de alguns minutos. Sigo ela pelo estreito corredor, indo para seu quarto. — Será que o seu carro ficará bem aqui por alguns dias? Ou devemos trazê-lo para Vovó? Você poderia me seguir. — Hum... não tenho um carro. — Diz ela do armário. — Oh. Será que alguém já o roubou? — Brinco, estudando a cama, que é apenas um colchão no chão sem mola, nem caixa e sem cabeceira. Ela tem uma cortina roxa escura que paira sobre a parede e está contra como uma janela falsa, que é realmente muito legal. Gosto de como ela coloca algo onde não havia nada e cria sua própria visão. — Muito engraçado. — Ela sai do armário com algumas roupas e coloca-as em uma mala. — Talvez eu deva ficar aqui e você ir para sua casa até que possamos morar juntos? Talvez precisamos desestressar um pouco e deixar isso tudo assentar. Encosto no batente da porta e balanço a cabeça para ela. — Sim, eu gostaria de estar longe de você também, docinho, mas nós devemos ficar juntos. Essa é a ideia. Franzindo a testa, ela vai para um pequeno armário e tira algumas calcinhas que meus olhos pegam, mas ela rapidamente as empurra para uma mala. — Isso só parece assim... — Estranho? — Eu ofereço. — Sim. — Fodido? — Sim, isso também.

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— Desajeitado? — Sim. — Ela fecha a mala. — Falso? — Eu adiciono. — Sim… — Como um sonho? Ela inclina a cabeça e depois assente. — Sim. — Bem, é claro. Você está casada com uma estrela do rock, baby. É o sonho de cada menina. Ela suspira pesadamente. — Você não pode estar falando sério? — Eu sou sério. — Ok, não era meu sonho ser casada com uma estrela do rock. Está fora do meu alcance. Eu queria alguém normal. — Isso é uma porra de chatice. — Zombo, levando a mala dela. — Pense nisso como uma aventura. É isso que estou fazendo. — Meio que parece que você sabe o final da história. — Diz ela, se movendo em direção na porta. — Não há aventura em estar comigo. Eu a bloqueio de sair do quarto. — Não me importaria de ter o fim do negócio, baby. Na verdade, isso estaria totalmente compensando toda a merda que a equipe tem bagunçado. Eu estaria disposto a me esquecer de todas as outras coisas que pedi se eu pudesse começar a transar em você, todas as manhãs e todas noites. Essa é uma aventura que você pode me dar. Ela me dá um soco no estômago. — Você é um porco. — Diz ela, passando por mim. Aperto meu estômago e vejo-a a pé, sorrindo para mim. Eu merecia isso. E eu meio que gosto que ela me coloque no meu lugar.

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Minha menina não é uma covarde. Ela é um pouco tímida, talvez. Um pouco protegida. Mas ela tem algum brilho nela. Você sabe o que isso significa? Nós vamos ter algum dia uma incrível luta de sexo do caralho. Eu mal posso esperar. Dou a ela alguns minutos para se acalmar e, em seguida, passeio de volta para a cozinha onde ela está agora colocando o material do gato junto em uma caixa. — Você acha que pode conseguir uma casa rapidamente? Pensei que levasse semanas ou meses? — Ela pergunta de repente. — Nós estaremos em nossa própria casa dentro de alguns dias, mesmo que tenhamos de alugá-la por algumas semanas em primeiro lugar. Não se preocupe. Ela pisca para mim enquanto absorve o que estou dizendo. — Então, você está pensando em realmente comprar uma casa para nós morarmos? — Sim. Você não quer a nossa própria casa? — Claro... Mas não tenho dinheiro para contribuir com a compra. Ou uma hipoteca, realmente não faço muito com as minhas vendas. As roupas e os sabonetes que faço não estão em todas as lojas ou qualquer coisa. Faço apenas o suficiente para pagar as minhas contas. — Você não tem um site? Para vender e anunciar on-line? Ela balança a cabeça. — Não, não posso pagar isso. Só uso sites de redes sociais e boca a boca. — Vou ter o nosso cara da web te construindo um site de matar. Ela coloca as mãos na frente dela como se estivesse parando o tráfego.

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— Whoa. Talon, não posso deixar você fazer tudo isso. E vou deixar meu apartamento permanentemente? E se as coisas não derem certo? Posso não ser capaz de encontrar um lugar que eu possa pagar novamente. Sei que esse lugar não é muito, mas é tudo o que posso pagar e o proprietário não tem aumentado meu aluguel em mais de três anos. Uma veia em sua têmpora está latejando e seus olhos estão ficando ainda maiores quando seu nível de estresse sobe. Eu realmente não estava esperando ser o único calmo, racional nessa parceria, mas parece que, por enquanto, esse papel é meu, eu querendo ou não. — Asia, tome um fôlego. Em primeiro lugar, você precisa de um bom site se quiser vender os seus produtos. O cara que faz nosso site da banda é ótimo. Em segundo lugar, não podemos entrar em cada decisão dizendo: “E se isso não funcionar?” Você não ouviu nada durante qualquer uma das sessões com a Dra. Hollister? Temos que tratar isso como um casamento real. — Claro que ouvi, mas... — Toco seus lábios com o meu dedo. — Sem, mas. Estou tão nervoso quanto você, confie em mim. Faz tempo que tenho vontade de comprar uma casa, então agora é o momento perfeito. Não espero que você pague metade ou nada disso. Ela olha para o teto e pisca para trás o que parece ser o início de lágrimas. — Isso não é justo para você. Não me sinto bem com isso também. Cruzando os braços e me inclinando para trás contra o seu balcão da cozinha, a fuzilo com os olhos. — Olha, isso não é motivo de debate. Se tivéssemos nos apaixonado e casado da maneira usual, eu estaria pagando por tudo.

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Talvez eu seja antiquado, mas quero cuidar da minha esposa e filhos. Amo que você tenha seu próprio negócio, mas não quero de forma alguma esperar que você gaste nada ou pague a metade da hipoteca ou as contas. Essa merda não vai funcionar comigo. — Não quero tudo de mão beijada. É por isso que eu queria estar com alguém normal e não famoso. — Por quê? Então, vocês poderiam lutar financeiramente juntos? Isso teria feito você mais feliz? Ela solta uma risada tensa. — Sim, acho que, de certa forma, teria. — Bem, em vez disso, você tem alguém com uma merda de uma tonelada de dinheiro que está disposto a dar tudo o que você quiser, desde que você não o foda. Ela balança a cabeça e me olha bem nos olhos. — Eu nunca faria algo como isso. Não uso as pessoas. — Venha aqui. — O que? — O lábio inferior treme nervosamente. — Venha aqui. Você está muito longe. Ela atravessa a sala timidamente e para algumas polegadas na minha frente. Franzindo a testa, agarro sua cintura e puxo ela para mais perto, para que seus quadris estejam descansando contra mim. — Assim é melhor. — Capturo seu olhar com o meu e mantenho as minhas mãos em sua cintura. — Sei que esse negócio de dinheiro vai ser um obstáculo para você, mas você tem que deixar para lá. Vou tentar confiar em você aqui e ser honesto, ok? — Ela balança a cabeça lentamente, com as mãos no meu bíceps, gentilmente me apertando. — Obviamente, tenho dinheiro. Mas é mais do que apenas a banda. Alguns anos

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atrás, quando meu avô faleceu, herdei cinco milhões de dólares. Eu realmente não gastei nada disso, exceto com carros e guitarras e material estúpido. Está tudo no banco, alguns dos quais investi. Podemos ter um futuro estável, assim como você queria. Ela toma um rápido fôlego, surpresa. — Isso é um monte de zeros. — Ela sussurra suavemente. — Sim, porra é. Posso me dar ao luxo de comprar um lugar agradável para viver e pagar tudo, incluindo um site para você. Não tenho problema de compartilhar meus zeros com você, contanto que você seja boa para mim. Vamos levar as coisas devagar e descobrir qual parte não funciona. Mas não me preocupo ou quero que você se preocupe com tentar encontrar um lugar para morar um dia. Se as coisas não funcionarem, vou ter certeza que você tenha um lugar agradável para viver. Nunca vou deixar você morar em um lugar como esse novamente, não importa o quê. Você tem a minha palavra. Simplesmente não posso lidar com isso e se alguma merda acontecer cada vez que fizermos uma jogada. Nós não podemos controlar a velocidade ou os solavancos em cada turno. Isso não é o meu estilo. Se eu quiser fazer algo, eu faço. Seus dedos cavam meu bíceps, seus braços tremem. — Não sei o que dizer. — Sua voz treme de emoção e eu não gosto de como ouvi-la faz meu estômago se sentir engraçado. — Obrigada não parece ser o suficiente. — Bem... ainda estou aberto a pagamentos sexuais. — Aperto sua cintura mais forte. Sorrindo, ela se inclina um pouco para trás para olhar para o meu rosto. — Você sempre vai arruinar cada movimento decente que você faz com uma frase sarcástica?

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— Provavelmente. Seu riso enche a sala. — O atraso de toda essa situação vai levar tempo para eu me acostumar. — Diz ela. — Toda essa carroça antes do cavalo é muito mais difícil do que eu pensava que seria. — Esperemos que as coisas fiquem mais fácil quando se sentir mais confortável comigo. — Espero que sim. Eu também.

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Meu cérebro está girando enquanto me sento calmamente no banco do passageiro da caminhonete monstro saltitante com o transportador de Pixie no meu colo. Talon ouve música enquanto dirige e parece perdido em seus próprios pensamentos, pois ele está estranhamente quieto. Muita coisa está acontecendo em um curto espaço de tempo. Deixar meu apartamento para ficar na casa de hóspedes da família, ter minha própria casa no futuro próximo e o fato de que eu só sou casada com uma estrela do rock milionária, está me deixando um pouco chocada e abalada. Talon me confunde. Ele está em todo o lugar com a maneira como ele age comigo. Um minuto ele está agindo como se não gostasse de mim, então no próximo, ele está vindo em minha direção. E então me diz que vai ter certeza de que eu nunca viverei em um gueto de novo, que é a coisa mais doce, mais generosa que alguém já disse para mim na minha vida inteira. — Estamos quase lá. — Diz ele, quebrando o silêncio. Conduzimos pelo caminho até as montanhas brancas de New Hampshire, que é uma área linda que só estive algumas vezes, embora viva em Nova Hampshire desde que nasci. — Estamos perto das cachoeiras? — Pergunto, sem nunca ter estado lá, mas sempre quis ir.

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— Sim, isso não é muito longe daqui. — Diz ele, virando a caminhonete por uma rua arborizada — Você gosta das cascatas? — Sempre quis ir, mas nunca tive a chance. — Era difícil ir a qualquer lugar sem um carro. — Então iremos algum dia. No outono seria melhor, quando as folhas ficam de uma cor linda... — Eu adoraria isso. Nunca me canso da cor das folhas. — Vamos levar minha câmera e tirar algumas boas fotos para emoldurar e pendurar na casa. Sorrio para ele, amando essa ideia. — Oh, isso seria legal. — Pensei assim, dadas as suas habilidades de decoração, que são muito melhores do que as minhas. Acho que você vai decorá-la. — Não, vamos fazer juntos. Ele balança a cabeça enquanto estaciona em uma entrada de automóveis e para a caminhonete. — Ok, juntos, mas vou deixar a direção criativa para você. E nós chegamos. Uau. O estabelecimento é lindo, com paisagismo perfeito, com uma enorme árvore salgueiro no gramado cercado por lindas flores e arbustos. A pousada é muito grande já julgando pelo lado de fora e a casa principal é além de enorme, se alastrando em um rancho de tijolo em forma de L. — Se segure e vou buscá-la. — Diz ele, saltando da caminhonete e dando a volta para abrir minha porta. Eu entrego Pixie em seu transportador e, em seguida, ele segura minha mão quando salto. Sair é muito mais fácil do que entrar. — Nós realmente devemos mudar os carros para que você não precise me colocar e me tirar de dentro do carro. — Digo, pegando o

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portador do gato dele. Embora, eu meio que gosto dele me levantando na caminhonete e ser capaz de assistir seus músculos do braço flexionar. — Vamos levar o seu material para dentro e alojar a criatura, então vamos procurar a Vovó e dizer olá. — Não a chame de “criatura”. Você deve se dirigir a ela como Princesa Pixie ou ela ficará muito louca. — Brinco, olhando para ela na pequena transportadora. Ela não parece muito feliz com toda essa atividade perturbando suas sonecas diárias habituais. Ele me olha com um dos seus sorrisos enquanto ele pega algumas das minhas coisas da traseira da caminhonete. — Nunca vou me referir a ela como princesa nem nada. Meio que gosto da ideia de você me chamando de Senhor e Mestre, no entanto. Rindo, o sigo até a casa de hóspedes e coloco a caixa de areia, alimentos, água e cama para o gato enquanto ele traz o resto das minhas malas. Não trouxe muito exatamente o que pensei que seria necessário para cerca de uma semana, como ele sugeriu. Tenho alguns pedidos de sabonetes para entregar e eu tinha que trazer algumas dessas fontes, então eu não perderia nenhum cliente. Nesse momento, a maioria dos meus clientes são de boca em boca e referências, então a última coisa que quero é que alguém fique frustrado com um pedido não entregue. — Ela nunca vai para fora. — Aconselho enquanto Princesa Pixie timidamente explora seus novos arredores — Então, por favor, quando abrir faça com muito cuidado e feche a porta. Não quero qualquer coisa acontecendo com ela. — No lado de fora. Cuidado com as portas. Entendi. — Diz ele — Vamos procurar vovó. Estou morrendo de fome.

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Seguimos um caminho de pedra delineado com flores coloridas, levando a casa. Num impulso, deslizo minha mão na sua mais ou menos na metade do caminho, esperando que isso não convide a mais uma de suas insinuações sexuais, mas ele me surpreende olhando de relance para mim, piscando e apertando minha mão carinhosamente. A porta da frente se abre quando nos aproximamos e sua avó sai, toda sorridente. Me lembro dela do casamento, porque ela me abraçou com tanta força e segurou minha mão entre as suas, enquanto conversava comigo. Ela é o tipo de avó que todos nós sonhamos, doce e adorável. — Aí está você! — Ela exclama. Talon se inclina e lhe dá um longo abraço, meu coração praticamente explode com a visão de um cara alto, de cabelos compridos coberto de tatuagens que abraça esta pequena mulher idosa. Quando ele a deixa ir, entro e lhe dou um abraço também. — Entre, entre! Tenho o almoço pronto para vocês. — Graças a Deus. — Diz Talon quando nós vamos para dentro. — Estou morrendo de fome, Vovó. A Asia não vai me alimentar. Abro a boca para protestar, mas ela se adianta. — Tally, você não comece a ser difícil já ou vai assustá-la. — Felizmente não me assusto facilmente. — Sorrio para os dois. — Esse é o pirralho da família. — Vovó diz enquanto ela nos leva para a mesa da cozinha. — Sentem e eu vou pegar tudo. — Posso ajudar? — Ofereço, não querendo que sua avó se sinta escravizada por nós. — Não! — Ela protesta — Apenas se sente e me deixe servir. Talon puxa uma cadeira para mim.

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— Ela gosta de esperar as pessoas. — Diz ele. — E eu não sou um pirralho. — Ele senta na cadeira ao meu lado e estica suas pernas longas sob a mesa de madeira. — Ele é o filho mais novo e foi muito mimado. — Vovó explica quando ela retorna da geladeira com um pequeno prato de sanduíches variados e então, ela volta para pegar uma grande salada fresca. — Ele me disse que você não come carne, então espero que essa salada e legumes estejam bem? — Está perfeito. Você não tinha que fazer tudo isso! — Exclamo, não acostumada com esse tipo de tratamento da família. — Muito obrigada e desculpe todo esse transtorno. Ela acena com a mão para mim enquanto se senta lentamente em uma das cadeiras em frente a nós. — Gosto de alimentar as pessoas. Se sirva. Talon faz exatamente isso, empilhando vários sanduíches em seu prato. — Não sei como você pode estar com fome depois do enorme café da manhã que você comeu. — Digo de brincadeira. — Ele come sem parar. Ele sempre tem fome. — Diz Vovó. — Tenho um apetite voraz por alimentos. E outras coisas. — Ele sugere, me dando um olhar de lado. — Talon! — Não posso acreditar que ele iria sugerir sexo bem na frente de sua avó. Posso sentir meu rosto queimar de vergonha. Vovó cruza as mãos sobre a mesa em frente a nós. — Falando nisso, vejo que você decidiu adiar sua lua de mel. Vocês dois estão bem? Quase sufoco com meu sanduíche. Será que estamos realmente aqui sentados discutindo a nossa vida não sexual com sua avó?

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— Vovó, essa é a situação mais fodida em que estive. Não tenho a menor ideia de por que eles nos colocaram juntos. Não temos nenhuma merda em comum e não estamos sequer atraídos um pelo outro. Olha para ela. Será que ela parece com o meu tipo para você? — Ele dá uma mordida de seu sanduíche. — E não sou o tipo dela também. — Acrescenta ele com a boca cheia. Ela nos estuda por alguns momentos. — Sabem o que, queridos? Às vezes o que nós pensamos e o que nós queremos não são de todo o que realmente precisamos. Talon geme com seu sanduíche na boca. — Vovó, preciso de peitos, e, aparentemente, ela precisa de cabelo curto e sem tatuagem. Quero morrer aqui mesmo, em cima da mesa. — Oh, isso é ridículo. Sorrio fracamente para ela. — Não preciso dessas coisas. — Explico. — Só não estava esperando um homem como ele. — Acho que, uma vez que os dois pararem de pensar sobre o que vocês estavam esperando, vão ver que o que lhes foi dado é ainda melhor. Ah. Eu poderia facilmente amar essa mulher. — Agora, eu gostei. Espero que você esteja certa, porque quero que nós sejamos felizes juntos. — Ela tem um gato que usa uma tiara. — Anuncia Talon. — Eu não estava esperando ou querendo isso. Vovó dá uma pequena mordida em seu sanduíche com seus olhos iluminados.

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— Agora, isso é fascinante! Amo gatos. Sempre tive gatos, mas meu último morreu há dois anos aos vinte anos de idade e eu sou muito velha para ter outro. — Bem, está na pousada se você quiser vê-lo. — Talon oferece. — Você pode pegar o gato e sentar enquanto nós caçamos casas. Ela sorri calorosamente para mim. — Eu gostaria de ir amanhã e visitar o seu gato. — Ela vai te amar, ela é muito carinhosa e obrigada por nos deixar ficar na sua bela pousada. É muito generoso de sua parte. — Você pode ficar o tempo que você precisar. Todos os meus netos praticamente vivem aqui. Eu adoraria se você viesse para jantar enquanto você estiver aqui. Talon olha para cima. — Nós definitivamente vamos levar isso em consideração. Não tive a chance de testar os dotes culinários da minha da esposa, mas eu tenho certeza que ela vai tentar me envenenar com tofu. — Ele dobra o guardanapo e o coloca sobre a mesa. — Tenho alguma roupa extra em um dos quartos aqui. Vou pegar um pouco para que eu não tenha que voltar para o condomínio hoje e lidar com a idiotice e embriaguez do Mikah. Assim que ele está fora do alcance da voz, sua avó sorri amplamente para mim. — Você está preocupada que você cometeu o maior erro da sua vida? — Ela pergunta. — Está tudo bem, você pode ser honesta. — Não tenho certeza do que pensar ainda. — Respondo com sinceridade. — Nós não parecemos estar muito bem acompanhados. — Dê um tempo. Sei que ele pode ser um punhado, mas por trás de seu estilo pateta e sarcástico é na verdade um jovem muito profundo, apaixonado. Ele apenas esconde bem.

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— Bem, nós dois estamos comprometidos com o processo de tentar fazer isso dar certo, de modo que isso é um começo. Estou esperando que depois de passar mais tempo juntos, vamos começar a ter sentimentos um pelo outro. — Querida, sou positiva sobre você. Praticamente criei todas essas crianças, sei que todos seus corações são como o meu. Isso definitivamente parece como um pequeno vislumbre de esperança no final desse estranho túnel.

Depois de nossa visita a vovó, caminhamos de volta para a casa de hóspedes para que possamos fazer o nosso primeiro vídeo chat com a Dra. Hollister, que tivemos de concordar, a fim de sermos selecionados para o experimento, além de manter as nossas publicações escritas. Uma vez por semana, temos que atender através de vídeo on-line separadamente, e, ocasionalmente, juntos, para discutir como as coisas estão progredindo. Após o primeiro mês, os chats são espaçados a cada outra semana. — Há um laptop aqui para que possamos usar no quarto de hóspedes. — Talon sugere. — Isso vai nos dar um pouco de privacidade para o bate-papo de vídeo. — Isso parece bom. — Concordo. — Você quer ir primeiro? Ele balança a cabeça enquanto retira o laptop de uma gaveta da mesa e pega o cabo de energia para ele. — Não, vou configurá-lo, mas você começa em primeiro lugar. Ótimo. Me fecho no quarto de hóspedes com o laptop e me conecto ao vídeo cinco minutos mais tarde do que o tempo programado. De repente, estou olhando para o rosto da Dra. Hollister na tela.

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— Asia! Prazer em vê-la. Como estão as coisas? Me sinto estranha falando com uma tela de computador. Parece que eu estou falando com uma televisão. — Tem sido interessante. — Interessante? — Repete, anotando algo em um bloco de notas que ela está segurando. — Você pode me dizer o que você quer dizer com isso? — Bem... nós dois estamos um pouco confusos, porque nenhum de nós parece ter as qualidades, ou até mesmo os atributos físicos que descrevemos nos questionários e nas reuniões. — Sei. Como discutimos durante as entrevistas, fizemos um grande esforço para combinarem os parceiros, sentimos que se complementam e se conectam em um nível profundo. — Ele é uma estrela de rock milionário que está coberto de tatuagens. Seu cabelo é maior do que o meu. Ele bebe álcool, come carne, fuma, bebe refrigerante e parece estar preocupado com o sexo e tudo grande. Dito isso, ele admitiu que não está atraído por mim e ele estava desossando todos os tipos de mulheres até cerca de quatro semanas antes do casamento. Você me encontrou o par certo? Nada disso é o que eu queria em um marido. Não sei exatamente se estou feliz sobre nada disso. Isso é pior do que os namoros desastrosos que já experimentei. A Dra. Hollister está escrevendo como uma louca em seu caderno. — E como você sente sobre ele? — Pensei sobre isso. Ele não é nada parecido com o que eu esperava ou queria e ele se sente da mesma forma em relação a mim. Ela me olha por cima dos óculos através do laptop.

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— Ouvi tudo isso, mas o que quero saber, apesar de tudo isso, é se você gosta dele? Você está atraída por ele? Qualquer tipo de sentimentos acontecendo? — Meio que gosto dele. Ele é engraçado. E ele tem momentos de extrema doçura que são rápidos, mas notáveis. Ele parece muito generoso e gosto disso. Ele me deixou ter a cama na noite passada e ele dormiu no sofá. — Então vocês não dormiram juntos? É seguro supor que vocês não tiveram relações sexuais? Jesus.

Por

que

concordei

com

isso?

Essa

sondagem

é

embaraçosa, antinatural e tão estranha. — Não, não me sinto confortável em ter relações sexuais com ele ainda. Preciso que haja alguns sentimentos em primeiro lugar. Pensei que teria, mas não estão lá agora. — Compreensível. E você optou por adiar a lua de mel? — Sim. — Não pode dormirem mais separados. Vocês são casados, não companheiros de quarto. Você pode esperar para ter relações sexuais, mas vou insistir que você durma na mesma cama. Isso ajuda a construir um vínculo. — Você está falando sério? Isso vai ser muito difícil. — Protesto. — Eu entendo, mas isso é parte da experiência. — Tudo bem. Vou falar com ele sobre isso hoje à noite. Ela olha suas notas e, em seguida, de volta para a câmera. — E quanto ao resto dos arranjos? — Nesse momento estamos ficando na casa de hóspedes de sua avó. Ele contatou um corretor de imóveis. Ele quer realmente comprar uma casa.

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— Esse é um passo positivo e isso mostra que ele está levando isso a sério. Posso dizer que você está estressada, Asia. Apenas tente relaxar e deixar as coisas acontecerem, ok? Isso tudo é parte do processo.

Nós

realmente

não

esperávamos

que

os

casais

se

apaixonassem à primeira vista. Soltando uma respiração profunda, eu aceno. — Você está certa. É apenas mais difícil do que nós pensamos. — Seja positiva e de mente aberta. Se lembre de escrever em seu diário e vamos conversar na próxima semana. Se você está se sentindo estressada, pode me enviar um texto ou me ligar a qualquer momento. Não quero que você se sinta sozinha ou demasiadamente sobrecarregada, mas eu também quero que você fale com ele sobre os seus sentimentos, tanto quanto possível. — Ok, farei o meu melhor. Devo mandá-lo entrar? — Sim.

Deixo o quarto de hóspedes para encontrá-lo sentado no sofá com um olhar na Princesa Pixie, que está empoleirada no braço do sofá, segurando seu próprio olhar. — Você não pode vencer. — Digo a ele. — Apenas desista agora. — Vou quebrar esse gato. Sou o rei do castelo agora. Isso me faz superior a ela. — Diga o que você quer, oh grande. A Dra. Hollister está pronta para você. Quebrando seu olhar do gato, ele se vira para mim. — Como foi? — Bem, eu acho. Ela não falou muito. Ela está insistindo que durmamos juntos imediatamente.

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Ele bate as mãos juntas. — Woo-hoo. Vá colocar algo sexy então. — Dormir, Talon. Tipo, na mesma cama. Não o sexo. Ele levanta e fecha a cara para mim. — Que porra é essa? Não me provoque assim, baby. Meu pau não pode aguentar essa merda. — Faz apenas dois dias. O seu pau ficará bem. É melhor você ir antes que ela desconecte. Tenho um momento de debate interno enquanto ele desaparece no final do corredor e fecha a porta e a boa Asia perde. Ando na ponta dos pés pelo corredor e pressiono o ouvido contra a porta. Então, isso é muito errado. —... Que porra vocês idiotas estavam pensando. Não sei como você nos fez esperar para ter essa coisa a sério quando você propositadamente nos juntou para falhar. Não posso ouvir a Dra. Hollister, mas sua voz é muito alta e clara. —... Bem, sim, eu entendo isso. Mas ela simplesmente não é meu tipo. Ela é muito bonitinha. É como a merda de um filhote de cachorro. Meu coração cai praticamente para os meus pés. Como um filhote de cachorro? É assim que ele pensa de mim? Nem que seja um enorme insulto, mas é bem torcido. Sua voz continua. —... Ok, não como um cachorro, mas você sabe o que estou dizendo. Ela não tem o fator bang ao qual estou acostumado. O fator Bang? —... Ela é levemente doce e gosto de quão criativa que é. Você nos juntou porque tenho dinheiro? Não me importo de tirá-la do gueto,

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mas estou me sentindo um pouco como se essa fosse à razão para ter nos juntado. Queria uma esposa, não um caso de caridade. Vou para longe da porta, lentamente e silenciosamente sigo de volta para a sala, meus olhos e peito ardendo a partir desse golpe inesperado. Um caso de caridade. Isso é ainda pior do que o comentário de cachorro. Poderia ser verdade? É essa a única razão que nos colocou juntos? Me pergunto se Kat de alguma forma teve algo a ver com isso e convenceu Dra. Hollister para me colocar com o cara mais rico do programa. A Dra. Hollister é sua chefe, depois de tudo. Tenho certeza que ela poderia ter lançado a sua opinião sobre isso. E, do ponto de vista experimental, interessante seria ver o resultado, a pobre rapariga compensada com a sexy e quente, estrela do rock mega rico? Embalando Pixie, ando para o alpendre e me sento em uma das cadeiras azuis forradas. Isso tudo parece tão errado. Toda a minha razão para participar dessa experiência louca era encontrar alguém que me amasse, alguém que não me faria mal. Encontrar alguém para compartilhar o resto de minha vida com ele. Nunca esperava ser insultada e ter minha alma dilacerada, ou ter meu estilo de vida fatiado, picado e julgado por alguém que nasceu em uma família famosa e tem grande quantidade de talento. — Aí está você. — Suas botas aparecem no chão na minha frente, mas não posso olhar para ele, porque não quero que ele veja quanta dor me causou. — O que aconteceu? — Ele pergunta. — Oh, nada demais. Estou apenas sentada aqui apenas como um caso de caridade como um filhote de cachorro. Sarcasmo sempre foi algo que pareço não ter nenhum controle e hoje não é nenhuma exceção. Quando estou ferida, é a minha primeira escolha como uma arma de autodefesa.

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Merda. — Você estava ouvindo a minha conversa? — Exijo, mantendo minha voz baixa para vovó não me ouvir. A última coisa que preciso é ela aqui jogando de árbitro ou chamando Asher ou minha mãe para nos aconselhar. — Sim. — Ela inclina o queixo contra a parte superior da cabeça da gata e a gata por sua vez, se esfrega contra o seu pescoço. — Sei que não deveria ter feito isso e foi realmente imaturo da minha parte. Mas eu queria ouvir o que você disse sobre mim. Só não estava esperando ouvir tudo isso. A cabeça dela finalmente se levanta e estou olhando para lacrimejantes olhos roxos que, literalmente, param meu coração por alguns segundos. Nunca fiz mal a ninguém antes, ou fiz uma garota chorar. Bem, não desde a terceira série quando me recusei a sentar ao lado de Jenny Mallow no ônibus escolar. Mas, desde então, não. Nunca estive em uma separação suja ou quebrei o coração de uma menina, porque nunca estive com uma garota que se importava com nada além de dormir com um rapaz de uma banda. Mas apenas um dia depois do meu casamento, já fiz minha esposa chorar. O casamento não é fácil.

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É um monte de merda. É a porra de um caldeirão de emoções. E uma tonelada de controle de danos. Como as pessoas fazem isso por vinte e cinco anos ou mais? — Eu não quis dizer isso. — Sim, você quis. — Eu não quis. — Você quis. — Não, eu não quis. — Esse diálogo lembra muito quando brigo com a minha irmã mais nova e parece que não pode ser bom em qualquer nível. — Você quis. Seja honesto. — Diz ela. Me ajoelho no chão em frente a sua cadeira para que eu não esteja me elevando sobre ela. — Ok, meio que quis dizer isso, mas não tão ruim quanto pareceu. Eu realmente acho que você é bonita. Sou sarcástico. É como me expresso. — Entendo isso. Não estou atrás do seu dinheiro, Talon. Eu estava indo muito bem. Se eles nos colocaram juntos porque você tem dinheiro, então me desculpe, mas não quero estar com alguém que sente pena de mim. — Não sinto pena de você, Aze. Mas me sinto mal que eu, obviamente, prejudico os seus sentimentos, o que nunca quis fazer. Os olhos dela desviam de mim para olhar para o quintal. — É culpa minha por espionar. Desculpe por fazer isso; estava errada. — Não se desculpe. Sou o idiota aqui, não você. Ela passa o dedo debaixo de seu olho, manchando seu delineador no processo.

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Você

não

é

um

idiota.

Tem

direito

a

seus

próprios

pensamentos. Desculpe por não ter o fator bang, ou o que você chamou. — Vamos lá... Isso é apenas merda que caras dizem quando falamos de mulheres. — De qualquer maneira, estou bastante certa de que nunca vou viver de acordo com isso. Então, não tenho certeza onde isso me deixa. — Bem... — Começo, lutando por algum tipo de palavras certas. — Talvez seja uma boa coisa. O fator bang é apenas como wham-bam. — Me aproximo e acaricio Pixie, os meus dedos tocando levemente sobre a mão de Asia, que está descansando em volta da gata. — Algo me diz que você tem muito mais a oferecer do que apenas arrebentar a noz. Seus olhos se arregalam e seu lábio se enrola um pouco. — Arrebentar a noz? — As palavras soam tão pior quando sai de sua boca. — Acho que eu não estou fazendo isso melhor, estou? — Posso ver que você está tentando, pelo menos o esforço está lá, mas sua escolha de palavras deixa um pouco a desejar. — Eu estava tentando dizer que acho que você seria mais do que apenas uma foda rápida. Quando ela balança a cabeça lentamente de um lado para o outro, um sorriso estranho se arrasta no rosto dela. — Vamos sair enquanto estamos na frente. Acho que sei o que você está tentando dizer. — Boa ideia. Então, a Dra. Hollister me disse sobre o caso da cama, também.

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— Bem, acho que é uma coisa boa que eu não tenha o fator bang, então. Me faz sentir mais segura em dormir na mesma cama com você e não ter que me preocupar em acordar com seu pau me cutucando. Maldição. Seu comentário sarcástico literalmente me deu uma ereção. É a primeira vez que me acontece. — Não posso prometer nada sobre isso. — Admito, piscando para ela. — Às vezes ele tem mente própria. Com um pouco de beicinho, ela cutuca minha perna com o pé. — Você é o tipo difícil de ficar brava, sabe. — Ouço muito isso, na verdade. — Você não pode continuar usando isso para ganhar cada briga. — Nem você pode. Esses olhos realmente me distraem. — Sério? — Ela bate os cílios para mim. — Eu não sabia disso. — Agora já sabe. Então, pare com isso. Meu telefone vibra e o retiro do bolso para ver que tenho um email da corretora de imóveis. Vendo rapidamente, li que ela tem cinco casas para nós vermos amanhã. — Boas notícias. A corretora de imóveis tem um monte de casas para nós checarmos amanhã. — Uau... Tão cedo? É tipo... Amanhã. — Sim, estou feliz. — Digito uma resposta a Sandra para dizer a ela que vamos encontrá-la as oito. — Nós vamos encontrá-la na parte da manhã, mas primeiro vamos parar no meu condomínio e pegar meu outro carro. Acho que já andou o bastante na caminhonete. — Tudo bem. Isso parece bom. As casas são perto de onde qualquer um de nós moramos? — Não muito longe. — Respondo, navegando através das listas. — Algumas são meio perto da cidade e o resto está em cidades menores, no bosque. Eu meio que quero me afastar da cidade. E você?

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Ela balança a cabeça lentamente. — Eu realmente nunca pensei muito sobre isso, mas eu realmente gostaria de viver em uma dessas pequenas e pitorescas cidades da Nova Inglaterra. Bosque, como você disse. Algo com uma varanda agradável seria incrível. — Uma varanda, hein? — Vejo duas das casas que estaremos verificando amanhã que têm varandas. Ufa. Deveria ter perguntado a Asia que tipo de casa ela gostaria antes de contatar Sandra essa manhã. Vai ser difícil lembrar que tenho alguém a considerar agora, já que estou acostumado a fazer todas as decisões apenas pensando em mim e no que eu quero. — Sempre quis uma varanda com um balanço. — Acrescenta ela. — Uma varanda e um balanço? — Suspiro pesadamente, fingindo estar irritado. — Acho que nós podemos fazer isso acontecer. — Sério? Isso iria me deixar feliz demais. Levanto e sorrio para ela, enquanto coloco meu celular de volta no bolso. — Eu poderia conseguir balanços, então, jujuba. — Estendo minha mão para ela. — Podemos ser amigos de novo? Eu não gosto de você e a princesa sentada aqui tramando contra mim. Ela pega a minha mão e a levanto. — Acho que se você me der à varanda e o balanço, posso perdoar. Coloco meus braços em torno dela antes que ela possa ir embora novamente. — Você é meio birrenta e sarcástica, não é? O constrangimento aquece seu rosto e ela olha para seus pés. — Às vezes. — Acho que essa pode ser a terceira vez e nós estamos juntos a menos de dois dias. Eu vejo um padrão.

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— Sinto muito... não lido bem às vezes. — A gata salta de seus braços, pois estava esmagada entre nós e Asia rapidamente tenta se esquivar também, mas aperto meu abraço, para que ela não possa. — Não tão rápido. A gata pode ir, mas não você. Ela me espia com aqueles olhos grandes, pastel. — Não é justo que você seja muito mais forte e maior, você sabe. — Vou me abster de fazer um comentário sexual pela primeira vez. — Impressionante. — Estou tentando ser sério. Não é isso que você pediu? — Sim… — Então, pare com isso. — Nossa. — Shh. — Droga, às vezes, ela não cala a boca. — Você não pode simplesmente fazer uma birra e fazer beicinho cada vez que você ficar chateada. Ok? Fale comigo quando algo estiver incomodando. — O que eu deveria dizer? Ei, Talon, escutei você dizer que eu não era muito bonita para foder? — Sim, isso funciona. Não basta se esconder e, em seguida, eu tenho que vir encontrá-la. Ou descobrir que você se foi, como tentou fazer no hotel. Não gosto disso. — Sinto muito. Acho que não percebi que eu estava fazendo muito isso. Levanto minha mão e empurro seu longo cabelo de seu rosto para que eu possa vê-la melhor. — Estou um pouco preocupado que, se eu for em turnê, você terá algum tipo de bug, ou vai se mudar para fora da casa enquanto eu estiver fora, ou não atender o telefone quando eu ligar... Coisas

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assim. Isso vai me deixar seriamente louco. Prefiro que você acabe me confrontando com o que está te incomodando. Ela inclina a cabeça contra o meu peito por um momento e, em seguida, olha para cima novamente. — Ok, você está certo. Vou tentar não fazer isso. Definitivamente não vou sair, posso prometer a você. Isso é apenas difícil, sabe? Dói ouvir que você não gosta de mim desse jeito. Isso não é exatamente o que eu estava esperando em um marido. — Você acha que gostei de ouvir que você não gosta do jeito que sou? Tenho sentimentos também. Posso brincar e ser muito sarcástico, mas eu ainda estava esperando que com quem acabasse não sentiria repulsa por mim. Suas mãos agarram o lenço que ainda está em torno do meu pescoço. — Sinto muito. — A voz dela é suave, quase inaudível. — E eu não sinto repulsa por você. — Você poderia provar, me dando um beijo. Talvez. — Movo minha mão para seu queixo e delicadamente levanto sua cabeça para cima. — Você pode realmente gostar disso. — Feche os olhos. — Diz ela. — Não posso fazer isso se você estiver olhando para mim assim. — Tem doze anos? Pare de enrolar e coloque os lábios em mim como se me possuísse. Fecho os olhos e espero. Alguns segundos passam e a sinto ficar nas pontas dos pés. Seus lábios tocam os meus rapidamente, então eles se vão. Meus olhos se abrem. — Que raio foi isso? — Um beijo.

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Ri na cara dela. — Isso não foi um beijo. — Sim, foi. Não ria de mim. — Isso era para me provar que você não sente repulsa por mim? Se isso prova alguma coisa é que você sente repulsa. — Talon, eu não sinto. Não. Sou apenas um pouco... tímida, eu acho. E não costumo beijar por demanda. — Os olhos dela novamente abaixam, como se ela estivesse com medo de fazer contato visual comigo por muito tempo. E então algo me bate. Não é que ela não esteja atraída por mim. É que ela está muito atraída por mim e isso está pirando ela. Ela é uma bagunça nervosa perdo de mim. Isso muda tudo. Isso, eu posso fazer ficar ainda mais divertido. 123

— Então, o que você quer fazer agora? — Pergunto quando estamos passeando de volta para a casa de hóspedes depois de jantar com Vovó. — Hmmm... — Ela pondera. — Qualquer coisa? — Claro. Se você quiser ir a algum lugar, vou levá-la. — Você promete não rir de mim? — Não, eu provavelmente vou rir de você, mas ainda farei o que você quer fazer. — É justo. Quero abraçar você no sofá, assistir a um filme e comer pipoca. Paro de andar. — Isso é o que você quer fazer?


Encolhendo os ombros um pouco, ela agarra a minha mão e me puxa para continuar caminhando. — Sim. É na verdade algo que venho querendo fazer a muito tempo, mas é chato assistir filmes, sozinha. — Você sabe o quê? Isso é algo que não tenho feito desde que eu estava na escola. — Você está brincando comigo? Abro a porta da frente da casa de hóspedes e deixo ela entrar antes de mim. — Não, posso dizer honestamente que não me sentei em um sofá e assisti um filme com uma garota desde que tinha uns dezesseis anos. — Uau. O que você fazia com suas ex, então? Os últimos dez anos passam pelo meu cérebro e nada disso parece como algo que eu devesse partilhar com a minha nova esposa, se eu pretendo mantê-la. — Você realmente não quer ouvir tudo isso, querida. — Sim, não. Não quero ouvir detalhes sórdidos, mas estou muito curiosa. Como você gastava seu tempo? Dirijo para a cozinha para ver se posso encontrar um pouco de pipoca de micro-ondas. Vovó mantém esse lugar muito abastecido, pois geralmente há alguém ficando aqui vários dias. — Uma... Bebida, às vezes, algumas drogas recreativas, fui a alguns clubes e sexo. É isso. Ela abre um armário e pega uma caixa. — Olhe! Pipoca! — Impressionante. — É as coisas que realmente não parecem muito divertidas. Sem ofensa.

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— Eram no momento, mas acho que ficaram ultrapassadas e comecei a querer mais. Qual é, por isso que me inscrevi para fazer isso. — Isso comigo? — Isso, que acabou sendo com você. — Foi decepcionante? Até agora? — Ela pergunta, abrindo o saco de pipoca. — Decepcionante não é a palavra que eu usaria. Você sim? — Não exatamente. Ela aquece a pipoca no micro-ondas enquanto procuro uma tigela. — Porém, acho que a minha avó está certa. Devemos parar de nos concentrar sobre o que esperávamos e não conseguimos e nos concentrar apenas em nós. — Você está certo. Ela está certa. Se continuarmos pensando nisso, nós vamos jogar no lixo o tempo que temos juntos causando danos e não nos conhecendo. O micro-ondas apita, tiro o saco inchado e despejo na tigela, com medo de que ela possa se queimar se ela fizer isso. Ela pega a tigela e salta para a sala de estar com a gata atrás dela. — Vamos! Temos de encontrar um filme antes que esfrie! Sigo ela até o sofá, gostando de ver esse lado mais feliz dela. Acho que vou ter a certeza de lhe dar pipoca mais frequentemente, se esse é o efeito que tem sobre ela. — Aqui. — Ela me dá o controle remoto. — Eu não sou boa com todos esses botões, assim você pode encontrar um filme. Me inclino para trás e abro o guia de filme na TV. — Sem pornografia, certo? — Pergunto casualmente. Ela lança uma pipoca para mim e eu o pego na minha boca.

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— Sem pornografia, senhor. — Obrigado. Tenho muitos talentos orais para mostrar a você. — Vou manter isso em mente. Que tal uma boa comédia ou um mistério? Escolho um filme do serviço on demand e dou ok, então tiro meus sapatos para me sentir confortável enquanto ela está sentada na outra extremidade do sofá em forma de L, com um cobertor sobre ela. — O que? — Ela pergunta, me pegando olhar para ela. — Pipoca? — Ela segura a tigela para mim. — Não, você disse que queria abraçar no sofá. — Eu disse. E estou. — Você não pode se abraçar. Ela pisca para mim, meio que mastigando. — Venha aqui, então. — Estalo os dedos e movimento para que ela se aproxime. — O que? — Venha aqui e faça direito. Ela se aproxima mais até que está a cerca de um metro longe de mim. — Melhor? — Ela pergunta. Puxo ela para mais perto. — Pare de agir como se eu fosse contagioso ou algo assim. — Desculpe. Não sabia se você me queria em cima de você. Levantando uma sobrancelha para ela, chego dentro da tigela e pego um punhado de pipoca. — Mal posso esperar para você chegar em cima de mim, baby. Sempre que você estiver pronta, basta avisar. — Tudo com você se volta para o sexo. Você é como aquele filme, o jogo com Kevin Bacon.

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— Não faço ideia do que é isso, querida. Estou apenas tentando desfrutar de um filme devidamente com uma garota. Um sorriso ilumina seu rosto. — Sou realmente seu primeiro encontro real para assistir um filme? — Você é. Você é minha primeira esposa também. Agora vejo por que você queria pular a parte do namoro. Você não é muito boa nisso pelo que eu posso ver. — Olha quem está falando. Coloco a tigela de pipoca na mesa de café e estico as pernas pelo sofá, puxando-a de modo que ela está meio deitada em cima de mim. Ela descansa a cabeça no meu peito e se move de modo que ela ainda pode assistir ao filme e depois de alguns minutos, a mão lentamente arrasta-se do meu pulso até meu bíceps. — Acho que essas não podem ser retiradas? — Ela reflete, traçando minhas tatuagens. — Não. — Elas são meio que legais de perto. Há muito mais detalhes do que notei antes. — Sua mão alcança uma distância maior, empurrando o tecido da minha camiseta para que ela possa inspecionar o meu ombro e gosto de como isso me faz sentir em tê-la me tocando tão suavemente, suas pontas dos dedos delicadamente deslizando sobre os desenhos. — Obrigado. Vi que você tem algo em seu ombro. O que é, uma vírgula? — É um ponto e vírgula. — É fofo. Sua mão para de se mover. — Não é supostamente para ser bonito.

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— Ok, desculpe. Seu corpo fica tenso e uma tranquilidade triste toma conta dela que é grossa como nevoeiro. Os olhos dela permanecem na TV, mas posso dizer que ela não está realmente vendo e está em outro lugar em sua mente. Estou assumindo que tem algo a ver com essa pequena marca enfeitando-a no ombro. Posso respeitar plenamente, apesar de tudo. Lotes de tinta tem um significado especial para pessoas que também podem ser associadas às não tão boas lembranças, como a que eu tenho em minha perna de um pequeno urso de pelúcia em memória a minha sobrinha que faleceu, aos cinco anos de idade. Sei que está lá, mas não quero dizer às pessoas o que significa para mim, porque traz muitas lembranças tristes. Relaxo no sofá e envolvo meu braço em torno dela, lentamente esfregando suas costas enquanto assistimos ao filme. Ela se aconchega mais perto em mim, puxando o cobertor sobre nós, enquanto a gata dorme no topo do sofá acima de nossas cabeças. O sentimento de proximidade é tão estranho para mim, ter um corpo de mulher entrelaçada com o meu, tocando, mas não se tocando, totalmente vestido, mas ainda tão quente e confortável. É uma sensação agradável e sei que ela não está esperando que eu comece a fazer uma performance sexual com base nos rumores que ela ouviu falar sobre mim. Posso apenas relaxar e tocá-la, com ou sem expectativas. É igualmente bom que ela parece satisfeita apenas deitada em meus braços e não pareça que tenha que provar alguma coisa para mim por não estar devorando o meu pau. Eu poderia gostar disso.

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— Ei... — Sua voz me desperta e pisco, ouvindo o bater de seu coração sob minha cabeça descansando contra seu peito musculoso. Quando me sento, a mão lentamente desliza para baixo na parte inferior das minhas costas e descansa lá. — Você meio que fez toda a coisa do filme errado. — Ele brinca. — Ajudaria se os seus olhos continuassem abertos. Eek. Tão constrangedor. — Sinto muito, eu adormeci. — Está tudo bem. Posso ter cochilado um pouco também. — Não tenho dormido bem nas últimas semanas. Preocupada e animada com o casamento e tudo mais. Ele boceja e estica os braços. — Acho que devemos ir para a cama. Disse à corretora que vamos encontrá-la às oito. — Caramba. Não sou boa de manhã. — Sim, nem eu. Vamos tomar um café. Você toma café? — Sim. Com soja. — Hmm. Vou deixar você encomendar o seu. Enquanto ele leva a tigela da pipoca para a cozinha, dobro o cobertor, a apreensão se movimenta em mim em ir para a cama com ele. Deitada com ele no sofá durante o filme foi muito bom, mas me movendo em uma cama de verdade está me assustando um pouco.

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— Você vem? — Ele pergunta da porta. Engulo em seco. — Sim, estarei aí em um minuto. Só tenho que escovar os dentes. — Tudo bem. Se você precisar de alguma coisa, basta procurar no banheiro ou gritar, se você não conseguir encontrar. Não serei de muita ajuda, mas grite de qualquer maneira. Aceno e desligo a televisão. — Ok. Obrigada. Quando olho para o meu reflexo no espelho enquanto escovo os dentes, o comentário sobre foder um filhote de cachorro flutua na minha cabeça. Uh controle-se. Cachorro de foda. Caso de caridade. Vou levar paus e pedras qualquer dia sobre essas palavras. Palavras ferem. Elas ecoam em sua mente, então saltam de seu cérebro antes de cair no buraco do seu coração a vazar lentamente em seu intestino, comendo você lentamente ao longo do tempo. Bicho olhudo. Menina do gueto. Lixo do reboque. Esses nomes de infância tem um corte profundo e essas novas não são muito melhores. Meu brilho brilhante. Tento me concentrar no apelido que Kat deu para mim, que é o único apelido bom e carinhoso que já tive. — Você está bem aí dentro, jujuba? — Seu dedo bate na porta. Um pequeno sorriso toca meus lábios. Bem, até ontem. Agora tenho um novo apelido e eu meio que gosto dele.

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— Estou bem. — Digo com pasta de dente na boca ainda. Enxaguo e cuspo em seguida, escovando meu cabelo. O que eu devo vestir? Que merda você veste na cama com seu novo marido estranho quando você quer que ele esteja atraído por você, mas você não quer levar até o fim? Saio no corredor e na ponta dos pés vou até o quarto de hóspedes, onde minha mala está. — Quarto errado! — Ele grita do quarto principal. — Eu estarei aí! — Grito para trás, rindo. Cavo a minha mala e puxo uma blusa rosa e algum calções preto. Esses devem bastar. Confortável e bonito com uma pitada sexy... Mas não sacana. Acho que basta. — Cristo, é quase de manhã. O que você tem feito? — Ele geme quando entro no quarto escuro. Há uma luz noturna no canto, lançando um brilho azulado sobre a cama, na qual ele já está com o lençol e edredom puxado até a cintura. Tudo o que posso ver é músculo e tinta em sua parte superior do tronco contra os lençóis brancos. — Asia. — Hmm? — Mastigo meu lábio enquanto vou para o lado da cama. Droga Dra. Hollister! Isto é tão estranho. — Entre aqui. — Você está nu? — Posso estar. — Talon! Não. — Estou de boxer. Jesus, o que há de errado com você? — Isso é apenas desconfortável. Ele suspira.

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— Você tem que superar isso. Vou tentar não me mexer, ok? Estou bastante cansado. Estou exausto de meu primeiro encontro de filme. Lentamente rastejo na cama ao lado dele e puxo o lençol sobre meu peito. — Uau, quando você diz isso tão romanticamente assim, eu mal posso esperar até que aconteça. Ele rola para o lado, então ele está de frente para mim. — Vou balançar o seu mundo em algum dia em breve, baby. Não se preocupe. — Como um cachorro? — Você nunca vai esquecer isso, não é? — Provavelmente não. — Não disse aquilo para te machucar. Apenas acabou saindo. E eu quis dizer isso tipo, você é realmente fofa. — Isso realmente não está ajudando a me sentir melhor. De repente, ele trava. — Você sentiu isso? — Ele sussurra em voz alta. — O que? — Algo saltou sobre a cama. É a porra da gata na minha cama? Sento também e Princesa Pixie se enrola ao pé da cama. — Sim. Ela dorme comigo todas as noites. — De jeito nenhum. Vamos desenhar uma linha aqui. Uma linha? — Que linha? — Não posso ter uma gata na cama. — Ela não está na cama, ela está aos pés da cama. Ela pesa dois quilos. Como ela pode estar te incomodando?

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— Não quero que ela olhe para mim ou salte em mim quando começarmos a chegar a aquilo. Encaro ele sob a luz fraca. — Chegarmos? A quê, exatamente? — Você sabe, quando começamos a ter relações sexuais. Eu deito de volta no meu travesseiro. — A gata fica. Ela não vai nos incomodar quando chegarmos a aquilo. Você provavelmente vai assustá-la de qualquer maneira. Ele deita também. — Não sabia que me inscrevi para ter uma gata no quarto. — Você vai aprender a amá-la. Podemos dormir agora? Mais uma vez ele se vira para o lado para me encarar. — O que aconteceu com o último cara? — Ele deixa escapar. — O último cara? — O último cara com quem você teve relações sexuais. Quanto tempo vocês ficaram juntos? Cerro meus olhos, não querendo pensar sobre Danny. — Nós ficamos juntos por dois anos. Nós terminamos porque ele teve uma oferta de trabalho em outro estado. — Ele era um cara legal? — Sim. — Até ele me deixar. — Será que você amava ele? — Sua voz é mais suave agora, com uma pitada de curiosidade. — Sim. — Você ainda ama? Viro a cabeça para ele. — Não. Foi há muito tempo. — Por que ele não a levou com ele? Boa pergunta.

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— Ele pensou que era melhor se nós apenas nos separássemos. Ele não estava pronto para ter um compromisso como esse, eu acho. — Isso foi péssimo. — Sim, foi. — Vou levá-la a todos os lugares comigo. Rio e viro para a parede. — Isso soa seriamente assustador. Ele inclina seu queixo no meu ombro, seu cabelo caindo sobre meu braço. — Você acha que não vai querer ir a todos os lugares comigo? Quando eu estiver aqui e não em turnê? — Ele pergunta, soando um pouco preocupado que eu não queira. — Você está falando sério ou brincando comigo de novo? Seus lábios pressionam contra o meu ombro, enviando um 134

arrepio quente por todo o meu corpo. — Estou falando totalmente a sério. Quero o que os meus avós tinham e os meus pais têm. E meu irmão Storm e Evie. Eles fazem tudo juntos. Isso é o que eu sempre quis. Só que só vi esse tipo de relacionamento dentro

de

programas

de televisão.

Talon

está

realmente decidido a isso. Ele parece ser muito ligado a sua família. Talvez esteja em seu sangue. Será que vamos finalmente encontrar algo que nós dois queríamos? União. Uma parceria de vida. Viro, assim estou deitada de costas novamente e embora eu não possa vê-lo no escuro, seu rosto está a meras polegadas do meu, seu cabelo agora fazendo cócegas no meu rosto. Me estico e empurro seu


cabelo suavemente atrás da orelha. Um gesto que nunca pensei que estaria fazendo com um homem. — Você realmente quer dizer isso? — Peço suavemente. — Isso é o que você realmente quer? — Sim. É. Não é mentira. Quero tanto acreditar nisso e não tenho nenhuma razão para não fazer, além do fato que ele nunca teve um relacionamento de verdade antes. Mas mesmo uma estrela do rock pode se aquietar, certo? A equipe deve tê-lo interrogado sobre isso, assim como eles me questionaram. — O que você está pensando, Asia? Você ficou quieta. — Estou pensando que quero te beijar por conta própria agora. — Pela primeira vez a minha voz sai como se pertencesse a uma mulher sensual,

sem

rachaduras

ou

tremores

ou

riso

nervoso.

Ele

rapidamente inspira surpreso e toca minha bochecha. — Bem, você me tem, baby. Sou todo seu. — Ele sussurra, seus lábios levemente tocam os meu. Minhas mãos agarram a parte traseira de seu pescoço enquanto seguro sua boca na minha. Ele não se move, mas ele me deixa beijá-lo suavemente, provando ele. Seus lábios se abrem ligeiramente e sua língua lambe os lábios, persuadindo-me a beijá-lo mais profundo. Meus dedos enrolam em seu cabelo e solto um pequeno gemido quando nossas línguas, finalmente se tocam, nossos lábios se esmagam avidamente. Não estava esperando que meu coração batesse assim apenas por beijá-lo, mas porra, ele está batendo em dobro como um tambor, minha respiração altera. Sua mão desliza suavemente sobre meu estômago e agarra meu quadril enquanto ele puxa a cabeça para trás algumas polegadas, os lábios deixando os meus, sua respiração saindo

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irregular. Puxo ele de volta para a minha boca esperando, sabendo o que ele quer e sentindo desejo por ele. — Você está pronta para mim agora? — Ele sussurra entre as respirações, movendo os lábios para a minha bochecha. Sim. Não. — Ainda não. — Sussurro, virando a cabeça para encontrar seus lábios novamente. — Droga. — Ele geme, me beijando mais profundo, sua língua dançando com a minha. — Você está me matando. — Sinto muito. A boca dele se afasta, mas sua mão aperta meu quadril. — Está tudo bem. Vamos parar agora, antes que eu não possa. — Obrigada, — Sussurro, nossos lábios vagando de volta para o outro por um momento. — Por ser paciente comigo. — Obrigado por me mostrar o que posso esperar. — Ele me beija mais uma vez em seguida, se afasta e rola para o lado da cama. — Agora vá dormir. Dormir? Como posso possivelmente dormir agora quando meu coração está acelerado e minhas coxas estão queimando e eu tenho uma dor vazia súbita dentro de mim e ele está acordado? Na escuridão, o seu enorme pé se esfrega contra o meu debaixo das cobertas e, em seguida, permanece lá, aninhado no meu. É uma sensação agradável e

estranhamente

silenciosa. Os pés do marido estrela do Rock. Meu coração desmaia.

carinhosa.

Uma

conexão

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Sou acordada pelo som de um gemido de mulher em êxtase, como se fosse o mais épico orgasmo de sua vida. Rolo e tudo o que posso ver é um emaranhado de cabelos longos, louro no travesseiro ao meu lado. Mas o som está vindo do seu lado da cama e por um momento em minha névoa sonolento, me pergunto se ele tem alguém na cama com a gente. A mulher continua a gemer e gritar, seu braço se estende para a cabeceira, tateando em busca de seu telefone celular. Ele desliza o seu dedo na tela sem levantar a cabeça para cima e os uivantes orgasmos param. — Esse é o seu tom de alarme? — Pergunto incrédula. — Não vou acordar com isso todo dia. Rolando de costas, ele me olha sonolentos, enquanto seus impertinentes lábios se curvam forçadamente. — Isso poderia ser você, baby. — Eu nunca fiz sons assim. Ela soou como um gato sendo torturado. — Aposto que posso fazer você gemer e gritar como ela. — Em terror, talvez. Por favor, me diga que não é uma menina de verdade que você transou. Se for, eu vou vomitar na minha própria boca.

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— Não, tola. É uma coisa que Mikah colocou no meu telefone como uma piada. Eu vou mudar isso. —

Obrigada.

Prefiro acordar

com

algo um

pouco menos

dramático. Ele senta e se alonga, me dando uma visão perfeita da sua largura, esculpida, que está coberto em ainda mais tatuagens. — Devemos começar a nos aprontar para que não seja tarde. — Ele olha para mim. — Estou te pegando desejando minhas costas? — Não... — Digo, olhando para longe. — Sim, eu te peguei. — Eu estava olhando para suas tatuagens. Não sabia que elas estavam por toda parte. — Não em todos os lugares, ainda. Mas tenho muito mais que eu quero fazer. — Por quê? Você está muito bonito já coberto com todas essas. Ele encolhe os ombros e coloca seu cigarro na boca. — Gosto delas. E gosto de fazê-las, é meio terapêutico. — Você poderia começar a fazer acupuntura se você gosta da sensação de coisas pontiagudas em você. Tem um monte de benefícios para a saúde. Princesa Pixie se levanta do seu lugar no final da cama e caminha lentamente até a perna de Talon, parando para olhar para cima na nuvem de vapor que ele simplesmente explodiu em direção ao teto. Ele esfrega sua pequena cabeça. — Você tem sorte que é bonita, coisa. Ou você estaria fora agora mesmo. — Ela é irresistivelmente bonita. — Acrescento. — Como sua dona? — Eu sou? — Pergunto, querendo saber se isso é bom ou ruim.

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Ele pega a gata e suavemente a coloca em cima de mim antes que ele sai da cama. — Vocês estão definitivamente subindo no meu conceito. — Tento não ficar de boca aberta enquanto ele fica ao lado da cama com nada além de boxer preta. Holy Moly, ele tem um corpo bonito. Eu gostaria de poder roubar uma foto e mostrar a Kat. Ou talvez não. Tipo, não quero partilhar a sua gostosura. — Vamos, jujuba. Temos que ir encontrar a nossa casa dos sonhos.

A caminho de encontrar o corretor de imóveis, paramos no condomínio de Talon para que possamos mudar de sua caminhonete para o seu BMW. Espero no carro enquanto ele vai lá dentro para pegar algumas coisas e sinto como se estivesse sentada na cabine do piloto de uma nave espacial. Nunca vi tantos botões ou uma tela minúscula em um carro antes. Estou querendo saber o que exatamente a tela é quando ele entra no carro. Ele prossegue para digitar o endereço nessa pequena na tela e um mapa aparece. — Isso é tão legal. — Digo. — O quê? O GPS? — Ele pergunta, saindo de sua garagem. O carro, então, diz a ele qual caminho percorrer e tento esconder a minha surpresa. Seriamente preciso sair mais. — Sim. — Então... você não tem um carro? — Ele pergunta casualmente. — Não, não tive um em cerca de dois anos. — O que? — Ele exclama, desviando o carro de forma irregular quando ele se vira para mim — Dois anos? Isso é quase tão ruim

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quanto não ter relações sexuais durante três anos. Por que você não tem um carro? — O que eu tinha meio que morreu e não podia me dar ao luxo de consertá-lo ou comprar outro. — Então, como você chegava a algum lugar? — Caminho ou pego o ônibus, ou Kat me leva, se ela puder. Ele dá uma longa e brilhante tragada em seu cigarro eletrônico, em seguida, abaixa o volume um pouco do rádio e GPS. — Asia, de jeito nenhum que eu vá deixar você continuar assim. Amanhã nós estamos comprando um carro. Um novo. Imediatamente começo a protestar. — Tal... — Não. — Ele diz em voz alta. — Sem debate sobre esse assunto. Não vou deixar minha esposa andar por aí a pé. Porra. — Não posso pagar um carro novo. — Não podemos passar por cima disso? Estou te dando um carro. Você quer um presente? Você pode ter e vou comprar um novo. — Não quero isso. É como um UFO2 aqui. Balançando a cabeça, ele segue para a estrada. — Como alguém não tem um carro? Não posso nem começar a pensar nisso. — Porque você nunca foi pobre. — Murmuro. — Não, eu não fui. Amanhã, teremos um novo SUV. Algo com quatro rodas para dirigir. E algo baixo para que não precise de escada para subir nele. Olho para fora da janela, dividida por meus sentimentos. Parte de mim está animada sobre ter um carro e parte de mim está brava com

2 unidentified flying object, ou objeto voador não identificado

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ele por arremessar seu dinheiro em mim como se não fosse nada. Não quero ser comprada. — Eu nem sequer vou a qualquer lugar. — Digo, ainda olhando para fora da janela. — Não me importo, você é adulta. Você deve ter um carro. Não é seguro não ter. — Tudo bem. Mas se nós nos separarmos, não ficarei com ele. As juntas de suas mãos ficam brancas ao volante. — Juro por Deus que se você disser isso novamente, eu vou espancar você. Nós não falamos pelo resto do caminho e tenho que praticamente morder a língua quando estamos na entrada de uma casa de tijolo enorme, de dois andares. Sandra, a Corretora de imóveis, já está lá e vem ao nosso encontro quando nos aproximamos da porta da frente. Não digo muito, porque estou simplesmente tremendo quando ela nos entrega um pedaço de papel para cada, detalhando a casa e, em seguida, nos dá um tour. Cinco banheiros, seis quartos e uma enorme piscina são alguns dos destaques que saltam em mim. Eu nem sequer sei nadar. — Seis quartos? — Pergunto. — Será que vamos convidar pessoas para vir morar com a gente? Talon e Sandra riem. — Oh, Talon, ela é adorável! —- Sandra diz, como se eu fosse uma criança. — Querida, você nunca pode ter quartos suficientes! — Hum, sim, você pode. Há apenas dois de nós. E uma pequena gata. Talon coloca o braço em volta de mim. — Pense no futuro, querida. Crianças, quartos para a família. Tenho uma grande família.

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— Crianças? — Repito. Quantas crianças ele está pensando que estarei tendo? — Sim. Estava pensando em dois. Então, cada um teria o seu próprio quarto, além de nosso quarto, que são três quartos bem ali. — E, em seguida, mais três extras? — Nos desculpe por um segundo. — Diz a Sandra e gentilmente me puxa para o lado. — Baby, está tudo bem se você não gostar dela. — Ele sussurra, virando-me para encará-lo, com as mãos sobre os meus ombros. — Esse lugar é como um hotel. É muito grande. — Então você não gosta? Balanço minha cabeça. — Não. Ela não se parece como um lar ou aconchegante. É tão grande e... Sombria. Ele olha em volta para todos os pisos, azulejos e paredes fortemente-brancas. — Ela é meio fria e contemporânea demais, né? — Sim. Ela parece mais como um hospital ou um prédio comercial para mim. — Você está certa. Mesmo suas habilidades de decoração não conseguiriam deixar esse lugar parecendo um lar. Ele me guia de volta para Sandra. — Nós não gostamos. — Diz ele. — Não tem nenhuma personalidade. Queremos algo mais aconchegante. E mais na floresta. — Gosto de árvores. — Acrescento eu, feliz que Talon está de acordo com onde quero viver. Se eu tivesse que viver em um lugar como esse, nunca sentiria que pertencia aqui. — Oh e precisamos de uma varanda com um balanço. — Aconselha. — Ou uma varanda grande o suficiente para um balanço.

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— Ele pega a minha mão enquanto Sandra procura através de sua pasta. — Bem, tudo bem então. Mas essa casa está em um local maravilhoso. Eu realmente pensei que seria perfeita para você. — Não, deve ser para nós. — Diz ele. — Vamos passar para a próxima. Nós. O que é nós? A próxima casa é quase tão ruim e estou começando a sentir como se todo esse dia será gasto vendo mansão após mansão fria, até que seguimos Sandra por uma entrada de automóveis longa, rodeada por árvores. Não podemos nem mesmo ver a casa da rua, mas quando finalmente estacionamos na frente dela, meu coração pula. — Oh, Uau! Olhe para isso! — Exclamo. Não posso sair do carro rápido o suficiente para ver a casa de perto. É simplesmente mágica, com um grande carvalho e varanda com corrimão branco, a frente da casa é cercada por muitas flores toda em tons de rosa e roxo, um jardim de rocha com uma pequena ponte e umas bacias de pássaros de pedra que tenho certeza que Pixie gostaria de assistir. A casa em si é verde com toda guarnição branca e a vista da varanda é incrível. A casa está tão longe na colina que podemos ver as copas das árvores abaixo de nós e as montanhas não muito longe. É de tirar o fôlego. Pego a mão de Talon animadamente. — Olhe essa vista! É linda! — Amo como é silencioso. Sem tráfego e sem vizinhos loucos para nos incomodar. — Essa casa é a menor em nossa lista. — Diz Sandra, destravando a porta da frente.

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— Ela só tem quatro quartos, mas há um porão que seria ótimo para um convidado ou espaço de lazer extra. Assim que caminho dentro, me apaixono mais ainda com a sua luz, paredes pintadas de tom terra, tetos abobadados, muitas janelas para Pixie, outra varanda na parte de trás da casa e uma pequena varanda fora do quarto principal. É lindo, mas confortável e não gritante, não parecia gritar “Ei, eu sou rico e desagradável” como as outras casas pareciam. — Amo isso! — Sussurro animadamente para Talon quando fomos ver alguns dos quartos. — Eu também. Sem balanço... mas podemos conseguir. — A visão compensa a falta de balanço. — Você pode nos dar um segundo as sós? — Talon pede a Sandra. — Claro! Eu vou esperar lá embaixo. Leve o seu tempo. Assim que ela está fora do alcance da voz, ele me puxa para seus braços. — Estou supondo que você pode decorar este lugar e deixa-lo muito legal, né? — Ele brinca. — Eu poderia. Eu amo as cores e realmente como é ampla. — E esse sótão seria um grande espaço para você trabalhar e ter todos os seus materiais. — Sério? O meu próprio quarto? — Essa sala é quase maior do que todo o meu apartamento e tem prateleiras e gavetas embutidas. É perfeito. — Para trabalhar. Não para dormir. Ordens do médico, lembra? — É claro. — Rio, apertando seu braço. — Eu realmente amei essa casa. E você?

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— Sim. É perfeita. Não muito longe da minha família também. A casa de Asher está apenas a cerca de vinte minutos de distância e a de Lukas está cerca de quinze minutos. Todas as demais, menos de quarenta minutos. — Melhor ainda. — Não tenho ideia do quão longe ela está do meu apartamento e não me preocupo. Esse é o tipo de casa que eu sempre fantasiei viver. — Você a quer? — Ele pergunta baixinho. — Você poderia ser feliz aqui? Pulo um pouco de emoção. — Talon! Claro que quero. Isso é como um sonho. É muito dinheiro? Ele balança a cabeça. — Não, na verdade, é a mais barata na lista. E pare de se preocupar com dinheiro. Vamos dizer a Sandra que ficamos com ela. — Meu Deus! — Grito. — Não posso acreditar nisso! — Abraço ele com força e ele me levanta por um segundo. — Muito obrigada, — Digo em seu pescoço. — Você não tem ideia de quanto isso significa para mim. Encontramos Sandra esperando por nós na cozinha, onde ela está olhando sua pasta de papéis e procurando outras listas. — Nós gostaríamos de fazer uma oferta. Ela olha para nós surpresa. — Nós temos mais para ver. Você não quer ver a outras em primeiro lugar? Esta é a menor e não tem uma piscina. As duas seguintes têm mais metragem quadrada, piscinas e estão mais perto da cidade.

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— Essa é a que minha garota quer, então não há necessidade de ver as outras. — Meu coração salta uma batida quando ele diz a minha garota. Às vezes, ele realmente pode dizer coisas encantadoras. Sandra fecha sua pasta com um grande sorriso. — Ok, então. É uma bela casa, eu concordo. Os proprietários não estão atualmente morando aqui. Tinham construído ela como uma casa de férias, mas raramente tinham tempo para ficar, por isso eles estão abertos para você alugá-lo até o fim da reforma concluída, o que poderia acontecer muito rapidamente. Eles também estão incluindo todas as janela e tratamentos de piso. Se você quiser, podemos voltar ao meu escritório agora e elaborar toda a papelada e contatar o seu agente. Se tudo correr bem, você pode se mudar muito rapidamente. — Perfeito. — Diz Talon. — Nós vamos segui-la até o seu escritório, então. À medida que sai da garagem, olho para trás para a casa melancolicamente, desejando que pudesse ficar aqui agora, me sentar no alpendre e olhar a vista para sempre. Minha mão aperta a de Talon com força durante a viagem ao escritório do corretor de imóveis, com medo de que, se eu deixá-lo ir, tudo vai desaparecer. Tudo o que está acontecendo é esmagador e não quero confundir essas coisas materiais com sentimentos reais. Claro que a casa me deixou incrivelmente feliz, mas quero que tenhamos esses mesmos sentimentos de excitação um pelo outro, porque isso é o que importa para mim. Não quero ser pega na síndrome de Cinderela.

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Atravesso a próxima semana em uma espécie de torpor surreal. Agora estou vivendo em uma bela casa que meu novo marido comprou para nós, que custa trezentos mil dólares. Então, ele gastou mais centenas de milhares de dólares em equipamento de trabalho para que ele pudesse transformar parte do porão em uma academia. Parado em nosso caminho está a sua caminhonete monstro e na garagem para três carros está um BMW, um novíssimo BMW SUV que ele comprou para mim e suas duas motos. Seus irmãos, primos, suas respectivas namoradas e seus pais, todos nos ajudaram a mudar e desfazer as malas e nos trouxeram comida e presentes para aquecer a casa. Storm e sua noiva, Evie, vieram com materiais preenchidos com vários tamanhos de árvores de gatos e casinhas, colocaram uma em cada cômodo da casa para Princesa Pixie, em seguida, verificaram cada tela da janela na casa para se certificar que não havia nenhuma maneira que Pixie acidentalmente pudesse sair da casa. Seus cuidados com a minha gatinha significaram mais para mim do que eu poderia expressar em palavras, então eu apenas fiquei abraçando eles aleatoriamente. Duas semanas atrás, eu estava vivendo no gueto, sem carro e com dez dólares em minha conta bancária. Não tinha família e apenas uma amiga para falar que realmente se importava comigo.

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E agora, estou vivendo uma vida que ousei apenas sonhar. — Não gosto da maneira que a porra do amigo do meu primo olha para você. — Talon diz depois que seu primo e seu amigo saem. Eles vieram aqui mais cedo para ajudar a mover alguns dos nossos móveis novos por aí. E depois há isso. O homem que me deu tudo que eu sempre quis. O homem que acreditei que, à sua maneira, realmente não se preocupava comigo, embora ele tenha uma maneira muito estranha de demonstrar. Lentamente, ainda estamos tentando descobrir como nos encaixamos. — Da próxima vez que eu ver ele admirando a sua bunda, vou socá-lo na garganta. — Ele continua, invadindo a geladeira. — De quem você está falando? — Finn do caralho. — O amigo do Lukas? — Pego algumas uvas do cesto de frutas que alguém deixou para nós. — Ele veio para nos ajudar a nos mudar. Ele parece ser um cara legal. Ele fecha a porta da geladeira e se mexe para ficar de frente para mim na ilha da cozinha. — Ele está sempre olhando para você como se você fosse o almoço e ele está prestes a ter a sua última refeição. Ele olha para minha irmã da mesma maneira. Encontro o seu lado ciumento e protetor cativante; pelo menos isso mostra que ele se importa. Evie me avisou que todos os caras são ferozmente protetores com suas mulheres como homens das cavernas e ela não estava brincando. — Bem, é bom saber que há um cara lá fora que está atraído por mim. — Provoco, o que eu provavelmente não deveria fazer, mas

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minhas emoções ainda estão marcadas de onde ele pisou durante nossos primeiros dias juntos. Ele suspira e eu quase posso ver vapor saindo de suas orelhas. — Tenho que me desculpar por isso. Eu fiz tudo o que pude para fazer isso para você. Tudo, exceto mostrar que está atraído por mim. Sim, seus sensuais e sarcásticos comentários estão lá e eles me fazem rir. Mas além de alguns beijos rápidos e picantes, não tem havido nada físico entre nós. Isso é uma mentira. Todas as noites, há os aconchegos de pé. Que eu amo e choraria completamente e faria uma birra se ele parasse, mas eu gostaria de um pouco mais de indícios de que ele realmente me quer. Não sei se estou exatamente pronta para ter relações sexuais ainda, uma vez que ainda estamos nessa nova fase, mas algo seria bom. — Então, sexta-feira à noite, nós estamos nos apresentando na grande abertura de um clube em Boston. É uma apresentação curta, tipo três canções uma vez que existem algumas outras bandas tocando nessa noite também. — Oh. — Não me lembro de ele mencionar isso antes. — Há uma festa VIP depois. — Ok. Acho que você está indo? — Nós vamos, Asia. Você e eu. Meu estômago dá uma guinada com o pensamento de um novo clube na cidade, uma festa VIP, o ruído e as expectativas sociais misturadas com minha timidez. — Isso foi um aviso meio curto, não é? — Pergunto, nada sabendo sobre como essas coisas funcionam. — Sabia disso durante meses.

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— Oh. — Aquele momento estranho quando você conhece o seu marido há menos de um mês. Ele pega a carteira e me entrega o seu cartão de crédito. — Quero que você se divirta. Consiga algumas roupas sexy, ou algo que você precise fazer, alguma coisa que você prefira fazer e faça o seu cabelo e unhas. Mime-se um pouco, Ok? — Não costumo fazer esse tipo de coisa... Sua mão toca meu cabelo suavemente. — Sabe o que pareceria ótimo em você? Tinja seu cabelo apenas um pouco mais escuro, quase preto, com uma tonalidade púrpura escura nele. Isso fará seus olhos parecerem incríveis pra caralho. — Você acha? Nunca pintei meu cabelo. — Isso vai parecer de matar. — Seus olhos permanecem em mim um pouco mais do que de costume, como se ele estivesse imaginando como eu pareceria com o cabelo roxo-escuro. Ter um cara interessado em minha cor de cabelo é definitivamente uma nova experiência para mim. Enfio o cartão de crédito na minha bolsa. — Realmente não preciso de tudo isso, Talon. Ninguém vai olhar para mim, por isso é estúpido gastar todo esse dinheiro no cabelo e unhas. Especialmente quando você acabou de comprar tudo isso para nós. — Eu vou olhar para você. É uma noite especial. E vai ser a nossa primeira vez saindo em algum lugar juntos. As outras meninas provavelmente vão estar lá. — Devo ligar para Evie e perguntar o que devo vestir? — Seria legal. Faço uma nota no meu aplicativo de calendário no meu telefone para ligar para Evie amanhã para descobrir o que se passa nesses

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tipos de apresentações, o que devo vestir e perguntar onde por aqui posso ajeitar o meu cabelo. — Vou tomar um banho antes de irmos para a cama. Sinto que tenho pó por todo o corpo das caixas que abrimos. — Ele beija minha bochecha e desaparece no andar de cima. Fico olhando através da grande cozinha e lentamente mastigo uma uva, ainda um pouco impressionada que eu realmente vivamore aqui. Durante a minha última conversa com a Dra. Hollister, ela mencionou que agora que temos a nossa própria casa, Talon e eu, vamos ficar em uma rotina e vou começar a sentir como se esse fosse o meu lar. Realmente espero que ela esteja certa, porque o prazo de seis meses parece que está escoando rápido e nossa relação não parece estar progredindo para “Sim, quero estar com essa pessoa para sempre”. Pelo menos, ainda não. Verifico se as portas estão trancadas, desligo as luzes e sigo até a ampla escadaria foyer para me aprontar para a cama. Nossa suíte master é enorme, com uma nova cama king, uma pequena área de estar à direita com uma lareira elétrica construída na parede com pedra em torno dela, uma namoradeira de couro chocolate escura e portas francesas que dão para a varanda. É o tipo de quarto que eu só vi em revistas e eu absolutamente amo, mesmo que ele ainda esteja um pouco desconfortável por estar compartilhando um quarto com um estranho. Do lado há o banheiro, o chuveiro ainda está ligado, a porta um pouco aberta com vapor derivando para fora. Atiço minha mente, pensando se posso pegar minha escova de dente e escovar os dentes no lavabo no corredor, uma vez que não estamos no ponto onde nós dividimos o banheiro ao mesmo tempo e congelo, meus olhos bloqueados no reflexo das portas de vidro do chuveiro no espelho.

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Eu deveria virar e sair, mas não posso. Não posso nem tirar os meus olhos, muito menos lembrar de como mover meus pés. As portas de vidro são ligeiramente foscas, mas posso ver sua forma turva, a água pulverizando sobre ele, com a cabeça inclinada para baixo em direção à ereção massiva se projetando tão longe de seu corpo, que quase parece impossível de ser real, com a mão se acariciando lentamente. Engulo em seco, completamente hipnotizada enquanto o vejo acariciar seu magnífico pênis. Sua mão bombeia mais rápida e ele se inclina para trás contra a parede de azulejo, inclinando a cabeça para trás, sua boca ligeiramente aberta, quando um fluxo de gozo explode na pulverização de água. A mão dele retarda, deslizando para cima e para baixo do seu comprido eixo, se deleitando com o seu próprio êxtase enquanto ele geme e, em seguida, solta um suspiro profundo. Reunindo meu juízo, rapidamente me viro antes que ele me pegue. Santo, tudo isso é obsceno e forte. Nunca vi um cara se masturbar antes. E estou pensando que precisamos de uma recontagem, porque isso pareceu muito mais do que 27,5 cm para mim. Mas que droga, isso foi à coisa mais excitante que já testemunhei em minha vida e tem todas as minhas partes íntimas trêmulas. Para não mencionar, minha calcinha embebida e meu coração batendo forte e rápido no meu peito como um pássaro que tenta sair de uma gaiola. Rapidamente vou na ponta dos pés pelo quarto, coloco minhas roupas de dormir e deito na cama, não querendo que ele saiba que eu o assisti se dar prazer. O som da água sendo desligada e então, ouço o som revelador do esfregar da toalha sobre seu longo cabelo molhado. A imagem de seu pênis enorme, como sua mão em concha viajando por seu comprimento estará para sempre incorporada no

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meu cérebro e meus próprios espasmos estão com ciúmes de sua mão. Gostaria de saber se ele estava pensando em mim ou em alguma garota com peitos grandes. O simples pensamento dele fantasiar sobre outra mulher traz sentimentos inesperados de ciúme. Ele entra no quarto escuro e para ao lado da cama, mas posso sentir seus olhos em mim. Uh-oh. — Aze? — Sua voz soa mais sexy agora que eu já ouvi em toda a sua glória em massa, quase como seu pênis agora tivesse uma voz. — Sim? — Minha voz soa pequena. E muito culpada. — Você está no meu lado da cama. Caramba! Na pressa de me esconder, subi no lado errado. — Oh... — Me arrasto para o meu lado. — Desculpa. Em vez de ir para a cama, porém, ele anda em torno dela até que ele está de pé ao meu lado. — Não se desculpe. — Sua voz assumiu tom de provocação e posso sentir que ele está tramando algo, que não pode ser bom. O som de seu isqueiro perfura o silêncio e ele acende uma vela na mesa de cabeceira. Com o brilho âmbar saltando da chama ao lado da cama, posso ver que ele está vestindo apenas uma toalha enrolada na cintura. — Você gostou? — Ele pergunta casualmente. Banco a burra. — Do quê? Sua risada suave é ao mesmo tempo sexy e assustadora. — Asia, não faça joguinhos. Prometo que posso jogar muito melhor do que você. — Não sei o que você está falando.

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A toalha cai no chão e ele está de pé totalmente nu ao lado da cama, não longe da minha cabeça. E da minha boca. Doce Jesus. — Você quer me tocar? — Ele pergunta, com a voz baixa e gotejando sensualidade. Sim! — Não. — Você só gosta de assistir, baby? Então vou te dar algo para assistir. Vou amarrar o seu rabo na cama e fazer você me assistir durante horas. Você vai implorar para me tocar pelo tempo que eu acabar. — Bom. — Digo. — Espero que você tenha uma cãibra no pulso. Ele ri. — Você é uma coisinha tão sarcástica. É uma das coisas que mais gosto sobre você. — Ao contrário da minha fofura e pouco peito. — Sério? — Ele geme. — Está jogando isso na minha cara de novo? Meu corpo ainda está coberto daquelas tatuagens que você odeia. Mas eu continuo jogando isso na sua cara? — Gosto de suas tatuagens agora. Admito. Você pode, por favor, parar de ficar nu? — Não posso nem pensar direito com seu pau balançando polegadas do meu rosto. — É isso mesmo que você quer? — Sim. Ele se inclina para baixo e apaga a vela, pega a toalha e vai para a sua cômoda para colocar a boxer. — Então você gosta da tinta agora? — Ele pergunta enquanto se veste. — Gosto mais agora do que antes. Ele atravessa o quarto escuro e sobe na cama ao meu lado.

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— Bem eu acho que isso é um começo. — Isso é. — Gostaria de saber se ele está com raiva de mim por observá-lo e por não o tocar. — Você está começando a ficar cansado de mim? — Pergunto. — Cansado de você? Estamos juntos há menos de um mês. Se eu já estiver cansado de você, então vamos ter sérios problemas. — Então, isso é um não? — Então, isso é um não. Não estou cansado de você. Desejo ser entendido, mas não estou cansado de você. — Sinto muito. Sei que pode ser difícil. Ele suspira. — Está tudo bem. Não sou nenhum passeio no parque também. Te disse que seria paciente com você, então estou tentando ser. — Obrigada. Mentimos na escuridão, ouvindo um a respiração do outro. Essa é a nossa terceira noite dormindo em nossa nova casa juntos e eu ainda não estou muito acostumada com isso. Isso ainda tem sensação de hotel para mim. Espero por seu pé tocar o meu, como ele faz todas as noites quando ele está pronto para cair adormecido. Mas ele não enrola o pé no meu, no entanto, o que significa que ele ainda está pensando, assim como eu estou. Viro de lado para encará-lo. Mesmo que a cama seja enorme, eu estou contente que dormimos mais para o meio e não as beradas distantes, longe um do outro. — Você está acordado? — Sussurro. — Não.

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— Em quem você estava pensando? — Sei que não é da minha conta, mas não posso tirar esta pergunta da minha cabeça agora. Sei que ele vai me dizer a verdade, porque isso é apenas como ele é. — Em quem? Quando? — No banho. Ele gira de lado para olhar para mim e estou feliz que a única luz no quarto é o luar azulado que escoa pela cortina, impedindo-o de ver a expressão do meu rosto. — Você quer saber o que eu estava pensando quando estava me masturbando? — Ele faz a pergunta suavemente e sério, sem nenhum traço de sua provocação ou sarcasmo habitual. — Sim. — E você tem certeza que você realmente quer saber? Olá, meu nome é Asia e eu gosto de me torturar. Também gosto de sondar fantasias sexuais de outras pessoas e longas caminhadas na praia. — Sim. — Digo, com a voz trêmula. — Você não vai gostar. — Ok... — Se forma um nó na garganta quando uma visão dele com uma loira luxuriosa se contorcendo em torno dele se infiltra em minha mente. — Você. — Eu? — Chio. Ele acabou de dizer eu? Como eu? — Você. — Eu? Sério? — Sim. Eu estava te guiando em minha cabeça. — O que? — Minha voz se lança para cima — Me guiando? Ele ri e põe a mão na minha cintura. — Sim.

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— Não tenho ideia do que dizer. — Você não quer saber como você estava? Na minha cabeça? Deus, esse homem vai me levar até a parede e no teto. Ele sabe exatamente como chegar

sob

a

minha

pele e me incendiar

fisicamente, bem como emocionalmente. — Bem... Sim. Acho que sim. — Respondo, afofando meu travesseiro sob a cabeça e fingindo não me importar como foi me guiar. — Você era pura perfeição. — Diz ele melancolicamente. Concordo com a cabeça um pouco. — Sim. Nós não estamos em uma base do primeiro nome, mas nós já nos conhecemos. — Cale a boca, espertinha. — Ele aperta minha cintura um pouco mais. — Eu tinha você inclinada, porque mal posso esperar para tê-la dessa forma, com o seu pequeno traseiro sexy apontado para mim enquanto eu batia em você e eu podia agarrar seu cabelo e fazê-la olhar para mim no espelho para que eu pudesse ver os loucos lindos olhos, enquanto eu a comia até que você nunca iria se sentir novamente assim a menos que eu estivesse em você. Uau. Cara. Nível dez de loucura, alucinante, encharcamento, declaração de proporções sexuais de parar o coração. — Um... — Não há outras palavras que saem da minha boca. — Quanto mais você vai esperar, jujuba, quanto mais tempo você vai me deixar sonhar com as coisas que quero fazer com você? — Ele levanta a mão da minha cintura e toca em toda a minha bochecha. — Você está bem aí? — Mm... hmm.

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— Tem certeza? — Ele desliza o polegar sobre meu lábio inferior, em seguida, lentamente empurra-o entre meus lábios, para o calor da minha boca. Como se estivesse em transe, chupo seu dedo em minha boca e gentilmente mordo-o, a sensação de sua carne entre os dentes apenas inflama ainda mais a tempestade de paixão já se formando dentro de mim. Ele beija meus lábios com o polegar ainda em minha boca e isso parece tão incrivelmente erótico para mim, seus lábios nos meus e também sobre seu próprio dedo. — Gosto da forma que sinto isso. — Ele respira. — Algum dia quero seus lábios no meu pau assim. Tranco meus olhos sobre os seus enquanto chupo o polegar e mordo um pouco mais forte, imaginando se ele ainda pensa que eu sou bonitinha demais para foder e talvez seja por isso que ele quer me ter por trás, de modo que ele não tenha que ver o meu rosto. — Vai lá, baby. Me morde, me sugue, me beije, me arranhe. Tudo o que você tem que fazer é dizer sim e estou no jogo. Eu gostaria de poder nos levar bem na minha cabeça, mas seus sinais mistos estão me dando chicotadas no cérebro. Seus insultos sobre minha aparência quebraram meu ego já inexistente e seus atos aleatórios de doçura e sensualidade adicionam a minha confusão. Tiro minha boca de seu polegar antes de devorá-lo e passar para outra parte do corpo, o que provavelmente não seria bom agora. — Gostaria que você deixasse acontecer. — Diz ele, balançando a cabeça. — Você deve sentir a química entre nós, certo? Ou é só eu? — Eu sinto. Só não confio nela ainda. Ele encontra a minha mão no escuro, debaixo das cobertas e coloca a palma da mão em seu peito nu direito sobre o coração. — Você sente isso, Asia? Meu coração batendo?

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— Sim. — Isso é real. A ereção é uma coisa, mas ter meu coração praticamente pulando da porra do meu peito, é totalmente novo para mim. Não sei se eu deveria estar chamando o 9-1-1, abraçando você, ou tentando transar com você. — Talon... — Minha cabeça está meio que confusa com tudo isso, também. — Posso ver isso. — Pressiono minha bochecha contra seu peito, em seguida, toco neus lábios em sua carne com tinta. — Nós vamos ficar bem. — Digo, envolvendo meu braço em volta de sua cintura. Ele me puxa para mais perto dele e circula seu braço em volta de mim. — Não tenho me masturbado há anos. — Ele murmura. — Bem, acho que é como andar de bicicleta. Você parecia estar indo bem com isso. — Muito engraçado. — Eu só estou tentando fazer você sorrir. Não gosto de vê-lo tão rasgado e confuso. Seus lábios pressionam contra o topo da minha cabeça. — Não gosto de ver você triste e com muros erguidos. — Eu gosto quando você me abraça assim. — Digo suavemente. — Eu também. Só quero sentir como se você fosse minha, sabe? Não é como se eu estivesse alugando você por alguns meses. — Isso me assusta demais que, no final disso, você vai sair. — Asia, olha em volta. Comprei essa bela casa para nós, tenho um carro, não estou bebendo, deixei sua gata na cama e estou fazendo sexo com a minha mão. Estou fazendo tudo que posso para mostrar que estou falando sério sobre isso.

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— Sei disso e aprecio cada coisa. Quero realmente acreditar. Estou falando sério sobre isso também. Não posso comprar coisas caras, mas estou completamente comprometida com você e nós e fazer funcionar. Só preciso de um pouco de tempo para me sentir confortável com a parte do sexo, porque é grande para mim. Para mim, não é apenas físico; estarei dando uma enorme parte de mim, acho que sou um pouco cuidadosa por causa de seu passado e das coisas que você disse para mim. — Entendo. De verdade. Como eu disse, quando estiver pronta, você me avise. Não vou parar de tentar, apesar de tudo. Caso você não tenha notado, gosto bastante. — Percebi. E gosto bastante. Hoje à noite, dormimos nos braços um do outro, como um casal de verdade, não uma experiência. 160


Eu não sabia que ser casado e compartilhar meu espaço com alguém iria mudar tanto grande parte da minha vida, de maneira que eu nunca sequer pensei quando me inscrevi para isso. Realmente não é uma grande surpresa que tantos casais acabem se divorciado, porque é realmente difícil descobrir como você deveria agir, o que é certo, o que é errado, como você pode acabar na casa do cachorro e o que você faz que o torna o Príncipe Encantado. Deveria ser dado aos casais um manual do usuário quando eles se uniam, ou devia haver algum tipo de aula tipo, ter que estudar na escola ou faculdade. Com certeza não estou sempre usando Álgebra, mas eu definitivamente poderia usar Esposa 101. — Aonde você vai? — Essa é uma questão muito importante quando você é casado, pelo visto. E a resposta, aprendi, é ainda mais importante. Quase tão importante como saber quando você está voltando. Aprendi isso da maneira mais difícil depois de apenas dois dias de vida com a minha nova esposa, então agora eu sei melhor. Para o registro “fora” e “eu não sei” não são as qualificadas respostas aceitáveis. — Vou para a loja do Lukas para a minha sessão de tatuagem semanal.

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Ela está sentada na copa tomando café, com um monte de tecido swatches espalhados em frente a ela enquanto a gata continua deitada de cabeça para baixo, tentando chamar sua atenção. — Oh. Legal. — Ela responde, distraída. — Você quer vir comigo? — Estou um pouco preocupado que ela quase nunca sai de casa. Ela parece contente, mas eu nunca conheci uma garota que não gostasse de sair e fazer compras ou comer ou sair com os amigos ou ficar em um local público enviando mensagens de texto. Ela olha para mim, os olhos arregalados de surpresa e vejo que ela tem o cabelo em um rabo de cavalo bagunçado e está usando óculos roxos de aros que fazem seu olhar adorável, nerd e sexy, tudo ao mesmo tempo. Isso realmente me apavora, travando uma batalha interior entre querer tanto abraçá-la e dobrá-la sobre a mesa. — Oh... não, obrigada. Vou te fazer uma camiseta para seu show na sexta-feira. Notei quando olhei na internet que, em todas as suas fotos de show, você não tem uma camiseta. — Seus dedos tocam os tecidos novamente. Seguro uma risada. — Não, querida. Sou o único que não usa uma camiseta. — Hã? — Ela olha de volta para mim e enruga seu nariz. — Não visto uma camiseta no palco. É tipo uma coisa minha. As garotas piram. — Então, você é o idiota fabuloso sem camisa? Sorrio para ela. — Sim. — Não mais. Aqui é aonde esse manual viria a calhar. Concordo com ela, ou me lanço em uma briga para manter a minha frieza?

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— Asia... baby. Querida. Docinho. Não posso mudar o meu personagem. Quer que os fãs pensem que fui domado por uma boceta? Ela encolhe os ombros com indiferença. — Não me importo se eles acharem isso. E você? Quer dizer, você é um músico, não um stripper. — Seu sorriso poderia derreter pedra. E aqueles olhos... Alerta, pergunta carregando. Alerta, pergunta carregando. Prossiga com cuidado. — Você sabe o quê? Você está certa. Não preciso ter os meus abdominais por todo o palco agora, não é? — Me curvo e beijo sua testa. — Além disso, tenho uma esposa agora que vai arrastar sua língua em cima de mim de qualquer maneira. Certo? — Esse é o plano. Amo quando nos provocamos mutuamente, não que eu queira que ela saiba ainda. Nunca ficarei entediado com essa garota. Ela sempre mantém minha mente trabalhando, se perguntando o que ela está pensando, lançando regressos espirituosos para mim e me fazendo ricochetear alguns de volta para ela. E amo como ela pode rir de si mesma. Ainda ontem, ela tropeçou no único degrau que leva para a varanda para a porta de trás e praticamente caiu de rosto e riu de si mesma por cerca de dez minutos. A maioria das mulheres que conheço teria sentado e gritado ou tentado me culpar de alguma forma por terem caído. Ela estava totalmente sóbria quando ela fez isso também, o que é ainda melhor. — Mal posso esperar para ver a camiseta que você fará, na verdade. — Esfrego a cabeça de Pixie um pouco e pego minhas chaves

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da mesa ao lado da porta. — Vou voltar para o jantar. Não precisa de nada enquanto eu estou lá fora no mundo grande? — Não, eu estou bem. Estou fazendo cozido de frango e arroz para o jantar. O fato de um vegetariano fazer carne para o jantar deve significar que ela se preocupa comigo, certo?

Quando chego ao estúdio de tatuagem do meu primo Lukas, ele está terminando a tatuagem de Finn. Finn parece estar se tornando um elemento permanente em nosso círculo, não só porque ele cresceu com Lukas, mas ele também está em uma banda chamada Lust que faz as aberturas para o Ashes&Embers às vezes. Nunca diria a Finn, mas a sua banda é realmente muito boa e eles estão ficando cada vez mais populares. — O que há, Tally Ho? — Finn incentiva. — Você não tem uma casa? — Digo a ele. — Toda vez que venho aqui, você está. — Não deveria estar na área de Lukas quando ele está trabalhando com um cliente, mas desde que ele é meu primo e Finn é seu amigo, ele quebra as regras. — Falando de casa, como está sua mulher? — Ele devolve. — Ela estava parecendo muito gostosa no outro dia quando eu estava lá. — Não fale sobre a minha esposa, Finn. E fique longe da minha irmã também. — Viro para Lukas. — Onde está Rayne, afinal? Ela não estava na recepção quando eu entrei. Minha irmã trabalha aqui como recepcionista, o que não me deixa bastante satisfeito, porque acho que idiotas como Finn vem aqui por causa dela durante todo o dia. Sei que Lukas é tão protetor com ela

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como eu sou, mas eu ainda queria que ela conseguisse um emprego em um escritório ou em um café. — Ela correu para cima bem rápido para ajudar Ivy a fazer alguma coisa. — Diz Lukas, revirando os olhos e se afastando de Finn. — Ok, cara, você está pronto. Espero enquanto Lukas termina com Finn e limpa a sua área de trabalho, então sento em sua cadeira. Ele me olha enquanto apronta o seu equipamento. — O que? — Pergunto. — Por que você está me olhando assim? Ele sorri. — Você parece diferente. — Diferente como? — Você parece mais feliz. Menos nervoso. Reviro meus olhos para ele. — Vamos… Ele arrasta seu banco para mais perto e agarra meu braço, inspecionando o trabalho que ele fez na última semana. — Estou falando sério, cara. — Feliz e frustrado como a porra é mais parecido com isso. Acenando e sorrindo, ele começa a trabalhar no interior do meu braço. Felizmente, ele vai acabar minha manga hoje para que possamos seguir em frente aos meus projetos da perna. — Então, como vão as coisas? — Ele pergunta. — Você pode falar agora que Finn se foi. — Ok, eu acho. É difícil. — Sim, é. — Iniciamos isso como cão e gato, mas agora as coisas estão ficando um pouco melhor.

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— Isso é bom. Não posso nem imaginar o quão difícil isso é, se casar com alguém que nem mesmo conhece. — Você não tem ideia do caralho. — Bem, é legal você ficar com ela. — Sim. — Viro meu braço para ele; — Nosso maior problema é o sexo. — Sexo ruim? Cara, isso é uma merda. — Não, não é sexo ruim, apenas nada de sexo. Há definitivamente algo lá, mas ela me bloqueia constantemente. Ela continua dizendo que tem que ter sentimentos em primeiro lugar. E quer que eu também tenha sentimentos. — Isso é compreensível. — Sim, mas não sei como fazer essa merda. Como é que você faz isso com Ivy? — Você tem sentimentos por ela? — Sim. Eu gosto dela. Está ficando mais forte. — Diga a ela. Mostre isso. Traga flores, faça coisas com ela, fale com ela. Faça-a se sentir especial. — Não faço essas coisas, cara. Nunca fiz. — Como você conseguiu passar nos testes para chegar a essa coisa? Você tem que se abrir com ela e fazê-la sentir que seu coração estará seguro com você. — Porra. Comprei um carro e uma casa. Isso não conta? — Claro, mas estou falando de algo mais, as coisas mais pessoais. Pondero ideias na minha cabeça. — Como aquele colar que você fez para Ivy? Ele balança a cabeça. — Exatamente.

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Dou um sopro. — Ok. Acho que posso tentar isso. Só não estou acostumado a todo esse material. — Porque você quer usar o sexo para conquista-la e agora que você não pode, você está bagunçando tudo. — Não sei como fazer isso, homem. Ivy tem estado louca por você desde o primeiro dia do caralho. As garotas agradáveis sempre perseguiram você e as sacanas eu. O que há com isso? — Talvez seja porque você sempre agiu como se quisesse isso? — Sim. Acho que sim. — Ela vai com você para o clube na sexta à noite, certo? — Sim. Estou tentando convencê-la a arrumar seu cabelo e comprar algumas roupas. Ela tem medo de gastar dinheiro. Tenho que forçar o meu cartão de ouro em sua mão o tempo todo. Ela parece meio nervosa sobre ir ao clube, apesar de tudo. Ela é como um eremita. — Dou uma tragada no meu cigarro eletrônico — Ah e ela está me fazendo vestir uma camiseta do caralho no palco. Eu provavelmente vou ser vaiado. Lukas ri de mim. — Logo você, hein? Falou como um verdadeiro marido. — Nem me fale. Enquanto observo o trabalho de Lukas no meu antebraço, noto uma pequena tatuagem em seu dedo polegar que nunca tinha percebido antes. É exatamente o mesmo símbolo que Asia tem em seu ombro. — O que é isso? — Pergunto, apontando para ele. Ele olha para mim como se eu fosse louco. — Uh, é a máquina de tatuagem. A mesma que eu uso sempre. Carrancudo, eu toco o polegar.

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— Não, em sua mão. Essa coisa de vírgula no seu polegar. — É um ponto e vírgula, tenho há anos, é uma das primeiras tatuagens que eu fiz. Franzo a testa para ele, confuso. — A Asia tem o mesmo em seu ombro. Ele se inclina para cima e rola o banco para trocar a agulha em sua pistola. — Sério? — Ele pergunta. — Sabe o que significa? — Não, eu não tive essa merda na escola. — É o símbolo do Projeto ponto e vírgula. — Não tenho ideia o que é isso, cara. Ele coloca a máquina no balcão e se vira para mim. — Um ponto e vírgula é usado como uma pausa numa frase, em vez de usar um ponto. Um ponto significa que acabou. Um ponto e vírgula não acabou; há mais por vir. — Tudo bem... — Digo, sem entender por que estou recebendo esta palestra súbita sobre pontuação. — Então... O ponto e vírgula se tornou um símbolo para esse movimento sem fins lucrativos que é dedicado a apoiar pessoas que lidam com depressão, suicídio, doença mental, todo esse tipo de coisas. Vestir o símbolo significa que decidimos que não vamos parar mais, escolhemos continuar. Ele também pode mostrar que perdemos alguém próximo de nós por suicídio ou conhecemos alguém que lida com qualquer uma dessas coisas que eu mencionei. É um símbolo de esperança. Sei que meu primo teve uma vida difícil devido ao seu pai que é um imbecil. Lukas não foi levado para nossa família, mas foi escondido e criado por seus avós. Sei que ele lutou contra a depressão, quando ele era muito jovem e tentou se matar. Mas

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olhando para ele agora, com a sua grande atitude, tendo seu próprio negócio, produzindo sua música incrível, envolvido com uma mulher fantástica, você nunca saberia disso. Ele voltou à sua vida. Mas sabendo que esse mesmo símbolo está marcado em minha esposa afunda meu estômago. — Merda, eu não sabia de tudo isso, homem. — Digo, inquieto. — Sinto muito. — Está tudo bem. Não tenho vergonha do meu passado e do que passei. Isso fez quem eu sou hoje. Você tem alguma ideia de por que Asia tem o símbolo? Ela falou sobre qualquer coisa como o que eu disse? Balanço a cabeça e começo a me sentir um pouco doente. — Não, não. Ela só mencionou que seu pai era um alcoólatra e costumava bater nela e em sua mãe. Ele está na cadeia, por isso seu irmão e sua mãe a abandonaram quando ela tinha apenas dezessete anos. Ela não tem família. Apenas uma melhor amiga. — E você. — Ele me lembra, pegando a máquina novamente. — Sim, e eu. Estou meio preocupado agora. Eu disse algumas coisas significantes para ela. Sua cabeça se encaixa. — Que tipo de coisas significantes? Me movo desconfortavelmente na cadeira. — Na nossa noite de núpcias, fiz algumas observações sobre ela ter peitos pequenos e lhe disse que eu não estava atraído por ela. E ela me ouviu dizendo a Dra. Hollister que eu achava que ela era bem bonitinha para foder e pensei que só nos colocaram juntos porque ela não tinha dinheiro e vivia no gueto. Ela estava realmente chateada. Lukas olha para mim como se quisesse me dar um soco, o que é raro, porque Lukas nunca fica chateado.

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— Qual a droga do seu problema, Tal? Por que você iria dizer essa merda? — Tudo apenas meio que saiu. Fomos tão forçados na noite do casamento. Ela também não gostou da maneira que eu parecia. — Cara, você é uma porra de bagunça. — Eu sei. As coisas estão um pouco melhores agora, mas ela é muito desconfiada de mim. — Pode alguém culpá-la? Estou muito decepcionado com você, cara. Ela é uma garota doce e ela é linda. Ela se parece com Lana Del Rey. Você é a porra de um cego? Esfrego meu rosto em frustração. — Sou um idiota. Eu sei. Apenas digo merda. Você sabe como eu sou. — Eu realmente não posso argumentar contra isso. Você tem que corrigir isso com ela. Se ela sofre de depressão, ou sofreu no passado, você poderia fazer algum dano maior a ela. — Ele diz. — Porra, mesmo se ela fosse a pessoa mais feliz do mundo, isso é apenas desagradável para dizer a alguém. Especialmente uma mulher. Ele tem razão. Tenho sido um idiota total com ela e ela não merece isso. Nesse momento, ela está realmente tentando fazer uma camiseta e está cozinhando uma carne para mim, mesmo que ela não possa suportar a ideia de comer um animal. — Não é exatamente um grande começo para o nosso casamento. — Murmuro. — Isso é um eufemismo. Você tem que ter um filtro, cara. Não pode simplesmente deixar escapar comentários desagradáveis. — Você está certo. É por isso que todo mundo gosta de você. Você não é um canalha como eu.

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— Então pare de ser um. — Ele se afasta, colocando sua máquina sobre a mesa e tirando as luvas de látex. — Realmente não posso fazer mais nenhum trabalho em você agora porque quero machucar você. Você vai ter que voltar na próxima semana. Sinto muito, cara, mas você tem que corrigir isso para ontem. Você esqueceu que seu casamento tem uma data de validade? Ela provavelmente está contando os dias. — Você acha? — Merda. — Sim. — Ele se levanta e coloca um pouco de gaze e plástico sobre a minha tatuagem. — Você ainda quer que ela fique? — Sim, eu quero. Eu gosto dela. — Se eu fosse você, chegaria em casa e começaria a fazer algum controle de danos, então. — Ótimo. Mais potencial para eu estragar tudo. Obrigado pelos conselhos. Ele ri e balanço a cabeça. — Boa sorte. Talvez eu te veja sexta-feira e espero que ela ainda esteja com você. No caminho de volta para casa, paro no florista e lhe compro um buquê de rosas lavanda. Nem sabia que tal coisa existia até que entrei lá e disse a senhora que eu queria algo roxo para coincidir com os olhos da minha menina. Mesmo que eu não seja burro o suficiente para pensar que um ramo de flores vai apagar meus comentários rudes, espero que ela aceite como uma oferta de paz.

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Quando chego em casa, encontro ela em sua sala de artesanato na máquina de costura e o cheiro de frango está flutuando do forno. Ela olha para mim com surpresa, em seguida, olha para o relógio. — Você está bem? — Ela pergunta. — Achei que chegaria em casa mais tarde do que isso. Inclino o meu quadril contra sua mesa de costura. — Sim. Te trouxe isso. — Entrego o buquê e ela o tira de mim lentamente. — Uau... Talon... elas são tão bonitas. — Ela as levanta para o nariz, os olhos caindo fechados enquanto ela as cheira. — Elas têm cheiro agradável também. Obrigada. Ela se levanta e me abraça, mas quando tenta se afastar, a abraço apertado. — Elas combinam com seus olhos. A florista disse que a cor é mágica e pensei que combinavam. — Você fez alguma coisa? — Ela pergunta, seu rosto contra o meu peito. — Flores e abraços? Três semanas e minha esposa pensa que flores e abraços são uma culpa para encobrir algo. Sim, vou muito bem aqui. — Foi um erro. — Respondo e ela rapidamente se afasta para olhar para mim. — O que foi? — Me casar com você. Vejo como as palavras que nunca quis dizer fazem seu sorriso morrer. — O que? — Não quis dizer isso, Asia. Isso saiu errado. — Fecho meus olhos e abano a cabeça, me batendo mentalmente. Por que não posso fazer isso certo?

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Ela empurra as flores de encontro ao meu peito e se afasta de mim, com os braços indo em volta de seu estômago, como se estivesse abraçando-se de dor. — Como isso poderia dar certo? — Ela pergunta. — O que você quer dizer? Na mesa ao lado dela está uma pilha de tecido junto com algumas páginas arrancadas de uma revista com fotos de camisetas, a maioria dos exemplos prováveis do que ela estava fazendo para mim para que eu não esteja no palco seminu com mulheres gritando comentários sexuais e se oferecendo para mim. Sou um imbecil. — Diga algo. — Sua voz oscila de emoção. — Eu queria pedir desculpas e saiu errado, como de costume. — Pedir desculpas pelo erro de se casar comigo? Obrigada. Pressiono meus dedos em minhas têmporas, minha cabeça de repente dói. Como é possível que eu possa ter um pai que escreveu centenas de canções de amor e uma mãe que escreveu páginas e páginas de puro amor e romance e eu não possa formar uma frase que não me faça parecer como um imbecil? Não posso ter um gene que me dê o dom de dizer algo certo? Estou começando a pensar que fui adotado. Me sinto derrotado agora e não posso nem mesmo juntar a minha habitual arrogante atitude e ousadia para tentar corrigir essa nova confusão. — Não. — Respondo. — Queria pedir desculpas por ferir seus sentimentos. — Qual momento? Touché. — Todos eles. — Será que Lukas está no meio disso?

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— Não. Ela levanta as sobrancelhas para mim com desconfiança. — Sou um burro, não estou arrependido de ter me casado com você; sinto muito pelo meu desagradável e estúpido comentário. Não sei por que eles a colocaram com alguém como eu. Você merece algo melhor do que eu. — Entrego as flores para ela novamente. — Por favor, aceite elas. Nunca comprei flores para qualquer uma antes. Ela pega o buquê de mim outra vez, os olhos molhados de lágrimas. — Nunca tinha ganhado flores antes. — Diz ela em voz baixa. — E não quero alguém melhor que você. Vou admitir, você pode ser um idiota de verdade às vezes e quero te bater nas bolas. Mas quando você está bem? — Sua voz está cheia de emoção. — Não posso imaginar nada melhor e essa é a verdade. A honestidade crua em sua voz traz uma intensa necessidade em mim de estar tão perto dela quanto possível. Estar dentro dela, cercado por esse incrível sentimento de proximidade que ela me faz sentir e querer mais. Ela é como uma droga secreta que está lentamente me intoxicando, pouco a pouco me atraindo em vício e que parece muito perigoso para mim. Uma vez que receber um gosto dela, acho que nunca vou ser capaz de parar. — Por que você está me olhando assim? — Ela rompe a fantasia que está na minha cabeça. — Você mesmo ouviu o que eu disse há alguns segundos? — Sim. Eu quero ser bom para você. Agarro a parte de trás do seu pescoço e puxo seus lábios nos meus, o som de espanto que ela faz alimentando o meu desejo por ela ainda mais. Tiro as flores dela e as coloco para o lado, meus lábios

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não deixando os dela e eu levanto-a, envolvendo suas pernas em volta da minha cintura e colocando-a em cima da mesa. Ela circunda os braços em volta do meu pescoço e se agarra a mim. — O que você está fazendo? — Ela sussurra. — Sendo bom. Meus lábios pousam sobre o dela novamente, os fechando antes que ela possa protestar. Tudo que quero são alguns minutos ininterruptos apenas beijando ela e me perdendo nela. Parece que a cada vez que nossos sentimentos começam a assumir temos que parar ou ter uma briga de algum tipo ou eu só estou tentando provocá-la para que me queira. Dessa vez, não vou deixar isso acontecer. Beijo ela mais profundamente, pressionando meu corpo contra o dela até que sinto ela relaxar e se dar, suas mãos delicadamente puxando meu cabelo, suas coxas apertando ao redor da minha cintura. Os lábios dela são tão incrivelmente suaves e ela sempre tem um gosto tão doce que é como beijar doces. Movo meus lábios para baixo para sugar a carne delicada de sua garganta, enrolo o seu cabelo e puxo a cabeça para trás para que eu possa passar a minha língua em seu pescoço, de volta aos lábios, depois, lentamente, mordiscando até o ombro. Seu corpo inteiro praticamente fica mole em meus braços e tudo o que estou fazendo é beijar seus lábios e pescoço. Se ela apenas deixasse suas paredes cairem, sei que poderia fazê-la se sentir tão bem e deixa-la selvagem para mim. Movo os meus lábios até mais longe, investigando a gola V de sua camiseta, enquanto

lentamente

deslizo

minhas

mãos

até

seus

seios.

Instantaneamente suas mãos agarram as minhas, puxando elas de lá.

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— Qual o problema? — Tento beijar sua boca, mas ela se afasta e imediatamente, não sei qual é o problema. Meus comentários sobre seu corpo a fizeram completamente insegura comigo tocando ela. Acho que nem ela percebeu que agarrou minhas mãos e as puxou para longe; parecia uma reação involuntária que surpreendeu até ela, o que é um sinal muito ruim. Lukas estava certo. Fiz alguns grandes danos aqui. Resgato ela do silêncio desconfortável que é grosso o suficiente para sufocar e agarro o buquê fora da mesa. — Vamos colocá-las em um vaso e jantar. Está cheirando muito bem. Ela balança a cabeça e pula da mesa, seus olhos se reúnem com os meus por um breve momento. É apenas o tempo suficiente para eu ver a gratidão em seu olhar por deixá-la ir. Não posso afastar a sensação de que essa é uma premonição de que um dia, a melhor coisa que vou ser capaz de fazer para essa menina é deixá-la ir.

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Sra. Valentine A esposa experimental de uma estrela do rock olha para mim, assim como eu olho para ela. Ela passou o dia em um spa recomendado por Evie, teve as unhas feitas por uma manicure francesa com um tom lavanda para coincidir com os olhos, que estão perfeitamente com delineador esfumaçado e emoldurados com cílios pretos espessos. Seu longo cabelo preto flui em suas costas e sobre os ombros, brilhando como seda líquida, a luz pegando o tom ametista e combinando raias roxas aleatórias. A maquiagem dela é impecável, os lábios orvalhados com um fosco cereja sugerido pela moça no spa, que lhe entregou um pequeno e bonito saco preto cheio com todos os produtos que ela necessitaria para replicar esse olhar. Ela está vestindo jeans apertado com um encaixe perfeito sobre as coxas, uma blusa de seda branca e ankle boots pretas com correntes de metal pequenas pairando sobre elas. Uma pilha de pulseiras de prata misturadas com cascatas de cordão de couro preto em cada braço. Essa menina parece confiante, moderna e bonita, a parceira perfeita para estar nos braços de uma estrela do rock sexy. Eu não sabia que essa menina estava em mim. — Whoa. — Ele diz quando volto para casa. Ele se levanta do sofá e apenas olha para mim por um momento, sorrindo como um bobo,

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em seguida, fecha o espaço entre nós e coloca minhas mãos na dele — Você parece incrível, Aze. Me olho, ainda me sentindo um pouco estranha e não muito acostumada com as horas apenas gastas com alguém passando por cima de praticamente cada polegada do meu corpo com tesoura, cremes, ceras e vernizes. Me sinto totalmente nova. —

Obrigada.

Respondo,

engolindo

nervosamente.

Eu

realmente, realmente quero que ele me veja tão sexy e não apenas como o filhote de cachorro pequeno e bonitinho. A julgar por sua reação e a expressão em seu rosto, todo este esforço valeu a pena. Ele me gira em um círculo completo, me analisando em todos os ângulos. — Sabia que o seu cabelo ficaria um estrondo com essa cor. — Ele toca suavemente sobre o meu ombro. — Amo isso. — Eu também. Obrigada por me deixar fazer tudo isso. — Não me agradeça, baby. Você pode ir ao salão de beleza a qualquer momento que você quiser. Toda semana, cada mês, vá e enfeite-se sempre que quiser. Você não vai me ouvir discutir sobre isso. — Vamos ver. — Respondo, sorrindo. Seus braços vão ao redor da minha cintura. — Não tenho certeza se posso manter minhas mãos longe de você. — Bem, você vai ter, se pretende tocar essa noite. Mal posso esperar para ver você e os caras no palco. — Que se foda. Meio que quero ficar aqui e apenas mantê-la só para mim. — Isso é muito doce de uma forma perseguidora. — Sorrio para ele.

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— É verdade. — Ele olha para baixo em meu rosto. — Seus olhos parecem ainda mais surpreendentes. Juro que você poderia me hipnotizar. — Você está ficando sonolento... — Provoco, me balançando para trás e para frente na frente dele, alargando meus olhos. — Sonolento definitivamente não é o que estou ficando. — Seu rosto se inclina em direção ao meu e para a uma polegada de distância dos meus lábios. — Posso te beijar? Ou você ficará brava se eu destruir seu batom? — Beije. Vou retocar depois. — Pego a parte de trás do seu pescoço e puxo seus lábios para os meus e ele me beija lento e de forma macia, enquanto sua mão se move lentamente para baixo para dar ao meu bumbum um pequeno aperto. Ele tem estado diferente nos últimos dias, me beijando mais, por mais vezes, mais suave e agora quando vamos dormir, ele puxa minha cabeça em seu peito e envolve seus braços em volta de mim. O que se tornou a minha parte favorita do dia apenas estar em seus braços durante a noite em nossa cama. Ele ainda é difícil de ler e me penduro sobre cada momento doce, cada gesto carinhoso e palavra, repetindo-o em minha mente quando estou sozinha e esperando que isso signifique que ele está começando a ter sentimentos reais por mim, como estou começando a ter por ele. Afastando-se lentamente, ele sorri para mim e rio do batom que está agora em seus lábios. — Você parece bem de cereja. — Digo, passando meu dedo em seus lábios. — Não tão bem quanto em você. É melhor eu ir ficar pronto. A limusine estará aqui em breve para nos levar para o clube. — Ok.

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Logo antes de chegar à escada, ele se vira. — Não fuja e encontre um marido melhor, enquanto eu estou lá em cima. — Diz ele, dando alguns passos para trás. — Não é nem uma opção, Tarzan. Mantenha suas mãos longe de si mesmo, enquanto estiver lá dentro. Nós não queremos chegar tarde. — Brinco de volta. — Muito bem! — Ele fala enquanto corre até as escadas.

Enquanto ele está lá em cima, corrijo minha maquiagem e cabelo, o nervosismo sobre essa noite começando picar em mim. Tantas novas experiências aconteceram hoje. Irei dirigir meu carro pela primeira vez para chegar ao salão, o que foi um pouco assustador depois de não dirigir por tanto tempo. Mas não me perdi, bati em alguma coisa, ou consegui uma multa por excesso de velocidade, então tudo correu bem e estou orgulhosa de mim mesma. Indo para o clube hoje à noite para a grande abertura VIP parece emocionante, mas também esmagadora. Evie disse que celebridades e outras bandas famosas vão estar lá e para me preparar para fotos que serão tiradas e que vão aparecer nas redes sociais e no site da banda, me avisando que as pessoas podem deixar comentários desagradáveis sobre mim e eu devo ignorá-los. Sério, as pessoas sentam atrás de um computador ou em um celular e fazem comentários desagradáveis sobre os outros que não sabem nada? Por quê? Isso definitivamente não é algo que vou lidar muito bem e já estou tendo um surto interior. Meus pensamentos são interrompidos pela Princesa Pixie se esfregando em meus tornozelos e puxando as pequenas correntes nas minhas botas novas.

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— Vamos, Pixie, vamos verificar o seu prato de comida antes de deixar a mamãe. — Pixie é um desses gatos que fazem uma pequena birra se o seu prato de comida não for preenchido até a borda em todos os momentos. Meio cheio não é aceitável. Com certeza, quando verifico o seu prato na cozinha, ele não está cheio até o topo. Pego sua comida do armário e preencho o seu prato, em seguida, dou-lhe água fresca. Rio quando ela prontamente se afasta, ela teve sua missão cumprida. Olho para cima para ver Talon entrando na cozinha e minha atração por ele se ultrapassa. Ele parece extremamente gostoso, o cabelo seco e ondulado e vejo um leve rastro de luz, um delineador sob seus olhos, o que realmente o faz parecer sexy. Sou casada com um homem que usa maquiagem. Sorrindo, ele estende os braços. — Baby, essas roupas são épicas. Não posso acreditar que você fez tudo isso. Aceito seu elogio e caminho para verificar sua roupa mais de perto, o prazer de ver que tudo se encaixa perfeitamente. — Pareço sexy ou o quê? — Ele pergunta. — Você parece. Você alcançou um nível de gostosura que eu não achava que era possível. — Porra, sim, eu alcancei. Ele está usando um velho par de calças jeans que eu costurei com um monte de couro, com remendos de camurça aleatórios por ele todo e eu desfiei as bainhas da perna, fiapos pairam sobre suas botas pretas. Também desgastei na cintura, porque pensei que isso ficaria sexy contra seu abdômen e, senhor, ficou. E fiz dele um preto e envelhecido cinto de couro no qual bordei grandes, tortos Xs brancos porque ele gosta deles. A camisa eu fiz preta sem mangas que eu

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rasguei em locais e, em seguida, costurei de volta em conjunto com o mesmo fio branco e espesso do cinto e eu também costurei algumas peças aleatórias como rebites e ilhoses. Cortei a frente da camisa como um V invertido para mostrar apenas uma sugestão de seu abdômen. Ele também está usando o lenço que dei no primeiro dia que passamos juntos, assim como ele disse que faria. — Essas roupas estão incríveis, baby. Nós vamos falar sobre mais disso no final de semana. Levanto minhas sobrancelhas para ele. — Mais disso? — Claro que sim, mais roupas. Muito mais. Quem diria que casei com uma garota que pudesse me fazer roupas impressionantes para o palco? Os caras vão ficar loucos. — Sua mão agarra minha cintura em emoção. — Me dê um beijo. Estou totalmente feliz com isso. O sorriso no meu rosto é tão grande que bato os dentes quando ele me beija, fazendo-o rir. — Esse foi o pior beijo de todos, querida. Mas vou aceitar. Ele me liberta repentinamente para pegar o telefone do bolso de trás. — A limo está aqui. O motorista só me mandou uma mensagem. Está pronta? Respiro fundo para me acalmar. — Acho que sim. Você precisa trazer a sua guitarra ou alguma coisa? — Não, a equipe traz essas coisas para nós. — Oh. — Não tinha ideia de que havia uma “equipe”. Ele segura a mão para mim. — Vamos, bonita. Você vai ter uma explosão, confie em mim.

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À medida que saímos de casa e caminhamos até a passarela, vejo que o motorista está esperando por nós, vestido com um smoking, ao lado da longa limusine preta. Ele é mais velho do que eu esperava que um motorista fosse, provavelmente na casa dos sessenta. Quando nos aproximamos, ele abre a porta e nos cumprimenta formalmente. — Sr. e Sra. Valentine... é um prazer conduzi-los essa noite. — Obrigado, Max. — Talon diz, um punho batendo quando subimos na traseira do carro. — Uau. — Exclamo em reverência quando o motorista fecha a porta atrás de nós. — Nunca estive em uma limusine. — Olho ao redor do interior quando nos sentamos no assento longo de couro que envolve um bar com iluminação de fundo azul. — Acho que você vai ter muitas estreias comigo, Aze. — Parece que sim. Quando nós descemos na calçada, ele coloca o braço em volta dos meus ombros. — Poderíamos ter relações sexuais nela. — Na verdade, não poderíamos, porque isso exigiria que eu concordasse com isso e não estou concordando. Rindo, ele me puxa para mais perto e beija o topo da minha cabeça. — Eu tinha que tentar, baby... é meio difícil de resistir quando você parece tão linda. — Da mesma forma. — Será que se eu disser que amo as roupas que você me fez resolve? — Sim e eu as amo em você.

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— Significa muito que você fez isso, sabe. Mesmo se você não as tivesse feito, então eu não ficaria sexy e sem camisa, ainda é bastante selvagem ter alguém personalizando minhas roupas para mim. — Gosto de fazer as coisas. Foi divertido para mim. E eu meio que quero seus abdomens só para mim. Direitos de esposa, sabe. Se esticando, ele pega uma garrafa de água do bar e abre, me oferecendo antes de tomar um gole. Balanço minha cabeça que não e olho para fora das janelas escuras. Não fui para Boston desde que eu era uma menina e minha família ainda se assemelhava a uma família. Pelo menos do lado de fora. No interior, o funcionamento defeituoso já estava se formando.

Quando chegamos ao clube, sinto que sou sugada por um turbilhão de emoção e ansiedade. O lugar está lotado com pessoas, diversos bares, uma enorme pista de dança e o palco na parte traseira. Há um nível superior que parece que tem outro bar e algumas áreas de salão. A música está tocando tão alto que mal posso ouvir meus pensamentos na cabeça, o que é provavelmente uma boa coisa agora porque sinto que gostaria de sair correndo pela a porta. Definitivamente não sou um tipo de menina do clube. Seguro a mão de Talon quando caminhamos entre a multidão, mas a cada alguns passos alguém está parando ele para dizer olá e conversar. Esses são obviamente pessoas com quem ele está familiarizado e não fãs. Estou supondo que porque essa é a grande abertura, todo mundo aqui recebeu convites exclusivos e não são fãs loucos de fora da rua. Tenho que dizer, cada polegada do meu corpo formiga enquanto ele continua a me apresentar como sua esposa, especialmente quando um fotógrafo nos para querendo tirar foto

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nossa. Talon coloca o braço em volta de mim e beija minha bochecha quando o fotógrafo tira nossas fotos e, em seguida, nos faz algumas perguntas sobre quando nos casamos, meu nome e o que eu faço. Fiquei um pouco surpresa ao ter qualquer pergunta sobre mim, mas lhes respondi com um sorriso e não me transformei em um trapalhão, ou fiz uma confusão embaraçosa, felizmente. Finalmente, acabamos em uma sala onde o resto da banda já está se preparando para o show. — Cara, de onde diabos você tirou estes jeans? — Storm pergunta a ele assim que entra. Amo como Talon se parece muito com seus irmãos, todos abençoados com belos olhos e cabelo ondulado longo de seda.

Cada

um

deles

também

é

coberto

de

tatuagens,

que

curiosamente, agora estou encontrando mais e mais atraente. Talon se destaca um pouco deles com seu cabelo loiro em relação ao seu marrom escuro, mas você pode definitivamente dizer que eles são todos irmãos. Depois, há o seu primo, Vandal, que é apenas... Escuro. Pele morena esticada sobre músculos enormes, olhos escuros, longos cabelos pretos. E quieto. Ele apenas acena para nós a partir de seu assento no extremo fundo da sala. — Asia fez para mim. A camisa e o lenço também. — Talon continua o frenesi sobre as roupas. Todos os olhos se voltam para mim e meio que quero me afundar no piso. Asher toca a camisa de Talon, verificando os enfeites que adicionei. — Isso é muito legal. — Diz ele. — Você pode fazer mais? Talon joga as mãos para cima. — Calma. Não sei se eu quero que todos vocês pareçam tão legais como eu.

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Rio e posso sentir meu rosto ficando quente. — Gostaria muito de desenhar roupas para qualquer um de vocês. — Bem, eu ia perguntar se ela poderia fazer roupas de palco para todos nós, mas eu queria verificar com vocês em primeiro lugar. — Cara, não há dúvida. — Storm diz, então se vira para mim. — Nós

definitivamente

precisamos

falar

sobre

isso.

Os

trajes

personalizados estão entrando na demanda. Ter alguém na nossa família para fazê-los para nós é o máximo. Descubra alguns preços e nos deixe saber o que você precisa. — Tudo bem... — Digo timidamente, completamente sem esperar essa atenção súbita. Fazer roupa para uma banda de rock famosa? É irreal. Fiz roupas para mim por anos e tenho algumas lojas locais que comercializam algumas. E, claro, Kat compra algumas roupas e acessórios de mim, mas ter meus designs usados por músicos? O simples pensamento disso está me deixando tonta. Talon me puxa para um beijo e, em seguida, se volta para seus irmãos e primos. — Estão com ciúmes, cadelas. Me dei bem. Storm lhe dá um soco no braço carinhosamente. — É questão de tempo. Todos nós teremos suas roupas. — Não tenho uma roupa boa e não quero uma. Vou usar a ruim e suja em qualquer dia. — Mikah anuncia a partir do fundo da sala, mas ele pisca para mim quando olho para ele. Acho que todos esses caras são grandes caras por dentro, mesmo que eles sejam ásperos nas bordas. Meu marido gentilmente me puxa para um canto sossegado, longe do resto da banda. — Você está bem, querida? Sei que você não gosta de multidões.

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Aceno, sorrindo docemente para ele. — Sim. Eu estou bem. — Você fará roupas para todos nós? — Definitivamente. Você sabe quão impressionante isso seria para mim? Não posso nem imaginar isso. — Bem, agarre-o, baby. Parece que você acabou de arranjar uma carreira permanente. Eu meio que preciso ir e me preparar para toda essa merda, assim você pode ficar com Evie, tudo bem? — Ok, mal posso esperar para te ver tocar. Ele planta um rápido beijo nos meus lábios. — Felizmente, não irei decepcionar.

Asher passeia com o microfone no centro do palco e dá a multidão um sorriso que me lembra muito o do seu irmão: uma mistura do sexy com juvenil. Parece que a idade não se apresenta para ele, quando esse belo estranho me acompanhou pelo corredor quando, na verdade, foi há apenas algumas semanas. — Em primeiro lugar, quero agradecer a todos por comemorar a abertura desse fantástico clube, The Knife Rusty! Como alguns de vocês sabem, esse foi o primeiro local que tocamos, muitas luas atrás, quando era o Mouse Hole. — Ele pega o microfone fora do tripé e começa a andar na frente do palco, esperando que a multidão pare de gritar. — Então, antes de começarmos, tenho alguns anúncios para compartilhar. — Ele aponta para Storm, que se curva diante de brincadeira. — Meu irmão Storm vai se casar em breve com a menina que a maioria de nós conhece como a Garota da Nevasca. — A multidão grita um pouco mais e Evie, que está sentada ao meu lado, sorri. Eu realmente gosto de Evie. Ela está perto da minha idade e é

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muito doce e amigável. Ela e Storm formam um grande casal que percebi nas poucas vezes em que estive com eles. Asher se aproxima de Vandal, que não sorri. — Vandal também não está mais aceitando pedidos! — Isso arranca um pequeno sorriso de Vandal quando as meninas fazem boo na multidão. — E Vandal e tão pouco Lukas, também meu primo, que não pôde estar aqui essa noite, também não está. — Mais vaias entram em erupção a partir da porção feminina da multidão. Asher atravessa o palco e para ao lado de Talon. Ele olha de cima a baixo sorrindo, antes de voltar para a multidão com um olhar malicioso. — Como vocês podem ver meu irmãozinho, que tocou sem a camisa desde o dia em que tocou pela primeira vez na banda, agora está usando uma camisa de arrebentar. E vou apostar que é porque ele acabou de se casar e seus abdomens estão oficialmente fora do mercado! Os rugidos da multidão e sorrisos de Talon que joga seus braços acima no ar fazem meu estômago dar uma pequena torção quando vejo que ele tem a sua aliança de casamento. — Desculpe dizer, senhoras, isso só deixa um membro do Ashes&Embers disponível, meu irmão Mikah na bateria! — Mikah joga as baquetas no ar, as pega e bate um solo de bateria rápido, enquanto a multidão grita e salta para cima e para baixo. — Chega dessa merda! — Asher grita no microfone. — Vamos ao rock and roll! As luzes se apagam e holofotes coloridos brilham aleatoriamente em cada um dos caras quando eles iniciam uma música de hard rock. — É incrível ver o seu cara no palco, né? — Evie diz, cutucando o meu ombro de brincadeira enquanto os observamos do lado do palco

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— Tremi a primeira vez que vi Storm e ainda desmaio quando o vejo tocar. Acho que o sentimento nunca vai embora. Desvio meus olhos de Talon por alguns momentos para responder a ela. — Então é verdade. Não posso acreditar que sou casada com esse cara. — Vocês fazem um casal muito bonito. — Diz ela. — Obrigada. Então, os outros caras têm esposas ou namoradas? Ela balança a cabeça e se inclina mais perto de mim. —

Asher

está

casado,

mas

nunca

a

conheci.

Algo está

acontecendo lá, mas ninguém fala sobre isso e não pergunto. Vandal e sua namorada, Tabi, estão tendo um momento difícil agora, mas falo muito com ela e eles estão provavelmente trabalhando com isso. Lukas está com uma menina mais velha, ela é doze anos mais velha do que ele, mas ela é uma querida. Acho que você a conheceu no casamento. Vocês provavelmente sabem disso, mas Talon e Lukas são como melhores amigos. O Vandal não fala muito, mas não leve para o lado pessoal. Ele teve uma vida muito difícil e sua filha faleceu recentemente. — Meu Deus! — Exclamo. — Sinto muito. Não tinha ideia. — Foi um momento difícil para todos eles. Vou lhe contar mais sobre isso quando estivermos sozinhas. — Que devastador. Talon não mencionou isso para mim, mas nós realmente não temos conversado muito sobre as coisas da família. — Acho que ainda é difícil para todos eles falarem disso. Eles são todos bons rapazes, realmente. Acho que se você apenas der tempo às coisas, você vai ser realmente feliz. É um estilo de vida diferente, isso é certo, mas definitivamente vale a pena estar com eles. — Ela sorri docemente para mim.

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— Estou esperando que possamos chegar perto disso. Vai ser bom ter outra menina na família que esteja passando pelas mesmas coisas, como quando eles estiverem em turnê e tudo mais. — Realmente gostaria disso, Evie. — Dou um abraço nela e depois volto para assistir meu marido realizar o seu solo de guitarra. Estou rapidamente me tornando uma grande fã de seu estilo rockstar e isso é algo que eu nunca pensei que sentiria quando o conheci. Ele parece tão incrivelmente sexy e poderoso naquele palco, seus dedos voando sobre as cordas, o cabelo caindo no rosto. Toda a banda é incrível ao vivo. Eles são definitivamente uma daquelas bandas que são tão bons ao vivo quanto em um estúdio; mesmo os vocais de Asher são perfeitos. Nada me prepara para sua última música do set, que Evie me informa ser uma nova balada e essa é sua primeira vez que a tocam ao vivo. No início da canção, Talon deixa sua guitarra e começa a tocar piano. Eu não tinha ideia de que ele poderia tocar piano e estou absolutamente encantada de ver como a bela melodia permeia o clube. A voz de Asher é igualmente profunda e assombrosa, cantando sobre memórias perdidas no tempo. É tão fácil ficar atraída pela aura mágica desses homens e eu, sem nenhuma dúvida, não vou combatê-la.

Estou tomada pela emoção quando vejo Talon nos bastidores e jogo meus braços em torno dele como se eu não o visse meses. — Você foi incrível! E o piano? Você nunca me disse que poderia tocar isso também. Eu amei.

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Há flashes de surpresa em seu rosto, mas ele se recupera rapidamente e me cumprimenta com um beijo longo e ofegante. —

Finalmente

fiz

algo

que

você

gostou?

Ele

brinca,

empurrando seu cabelo fora de sua testa suada. — Sim. — Parecia estranho com uma camisa. — Tenho certeza que pareceu. Ouvi algumas meninas no meio da multidão se queixando sobre isso. — Elas vão superar isso, querida. Há cerca de um milhão de fotos do meu abdômen online para elas babarem. Ele me leva para cima para uma das áreas de salão na qual nos sentamos com o resto da banda, seus amigos e suas meninas enquanto ouvimos a outras bandas tocarem. Quando as bandas ao vivo finalizam, a atmosfera de clube assume e as pessoas começam a dançar. Talon pede licença para usar o banheiro dos homens, enquanto Evie e eu somos envolvidas em uma intensa discussão sobre gatos e o abrigo de animais local no qual ela é voluntária. É quando vejo que Talon está na pista de dança, com uma bebida na mão e uma loira tentando se moer nele. — Odeio aquela prostituta. Ela segue a banda em todo o lugar. — Evie diz, seguindo meu olhar. — Quem é ela? — Sinto meu estômago doente ao observá-los. Ele não está tocando ela nem nada, mas não gosto de ver outra mulher tão perto dele. Especialmente com aquele olhar oferecendo tudo o que ele estava esperando: alta, loira e peitos grandes. E uau, ele pode dançar. Nunca teria imaginado que ele realmente teria alguns movimentos de dança quentes nele. — Não me lembro do nome dela. Ela é uma atriz. — Ótimo. — Murmuro.

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Evie descansa a mão no meu braço. — Olha, Asia. Sei que isso é uma porcaria e é realmente difícil de acostumar. Mulheres vão flertar com nossos caras o tempo todo. Odeio isso, também. Você tem que confiar nele. Storm e eu temos essas mesmas questões e tudo se mantém com a confiança. Concordo com a cabeça, sem tirar os olhos da loira, que agora tem a mão no peito do meu marido e ele está rindo de tudo o que ela está dizendo e dando longos goles de sua bebida. — Nós estamos em uma fase estranha em nosso relacionamento, Evie. Não tenho certeza se posso confiar nele quando ela é exatamente o que ele quer e ele deixou claro que eu não sou. Ela olha para mim com simpatia. — Não acredito nisso. Acho que está apenas levando algum tempo para se acostumarem. É uma situação estranha na qual estão, mas parece que você está fazendo um bom trabalho até agora. Posso te dar um conselho. — Ela olha por cima para Storm, que está falando com Asher no sofá em frente a nós. — Esses rapazes? Eles precisam se sentir queridos e amados. Todos eles crescem com isso. Todos eles têm um profundo lado possessivo e acho que é seguro dizer que Talon é da mesma forma. Balanço a cabeça, em dúvida. — Não sei. Quer dizer, sei que ele está tentando, mas caramba, não posso competir com ela. — Não é uma competição, mas eu diria que você tem que mostrar como você se sente e colocar o pé no chão que esse tipo de comportamento é inaceitável. Tive que me levantar com algumas dessas meninas para fazê-las recuar e confie em mim, eles não são como todos. Os caras estão tão acostumados a deixar as mulheres flertarem com eles que nem sempre percebem que isso vai nos

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chatear. Eles meio que foram treinados. Isso não significa que eles iriam trair, porque nenhum desses caras é trapaceiro, mas eles precisam ser empurrados às vezes para ver que a paquera fará deixar meninas como nós loucas da vida. — Ela está totalmente querendo dar para ele. — Digo, o ciúme fervendo em mim. Quero ir e arrancar os olhos dela fora. — Então vá e corte o mal pela raiz. Faça sua reivindicação. Ele é seu marido. — Tenho uma ideia melhor. — Digo, me levantando. — Vou dar a ele um gosto de seu próprio remédio. Espio Finn na pista de dança e aceno de cabeça para ele. — Asia... Eu não tomaria esse caminho... — Evie fala atrás de mim, mas é tarde demais. Já estou determinada a mostrar a Talon que dois podem jogar esse jogo. Certo ou errado. — Bem, bem, olhe para você. — Finn diz quando ando até ele na pista de dança. — Você está parecendo incrivelmente sexy esta noite, Asia. — Obrigada. — Digo, deixando meu corpo balançar com o seu. — Você está tentando fazer ciúme para Talon, não é? — Ele adivinha, pondo a mão abaixo na minha cintura. — Sim. Ele sorri. — Vou te dar cobertura, querida. Não me importo de ser usado. O menino poderia usar uma dose de medo para afastá-la um pouco, certo? — Certo. Sei que não deveria estar propositadamente tentando fazê-lo ficar com ciúmes, mas porra, como ele pode dançar com aquela garota bem

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na minha frente? E ele está bebendo, algo que ele me prometeu que não faria mais. Finn me vira então, as minhas costas estão em seu peito musculoso e se inclinai para baixo para sussurrar no meu ouvido. — Isso pode fazer com que ele me dê um soco, você sabe, mas vale a pena vê-lo chateado. — Por que ele não gosta de você? — Porque eu flerto com sua irmã. Ele acha que vou pisar na bola. — Você vai? — Vou te contar um segredo. — Diz ele, me virando de volta — Eu só finjo ser um. Sorrio para ele, bem quando Talon vem a nós e sim, ele está chateado, seus olhos duros e apertados em nós. — Que porra você está fazendo? — Ele exige, encarando Finn para baixo. — A mesma coisa que você estava fazendo. — Finn zomba, sorrindo. Talon agarra minha mão e me puxa para fora como uma criança em um prato de doces. — Fique longe dela. Não quero você perto de minha esposa. — E da sua irmã, certo? Mais alguém? Posso tocar apenas a loira que estava com você? — Vai se foder. Arranco a mão de Talon e dou a Finn um olhar simpático. Não quero que ele tome um soco no rosto só por minha causa. — Talon, vamos lá. Deixe-o sozinho. Ele não estava fazendo nada. Estávamos conversando. Ele quase me arrasta para fora da pista para um canto mais escuro.

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— Que droga foi isso? — Ele ferve, seus olhos selvagens com raiva — Você tem uma coisa com ele, agora? — Dificilmente. O que há entre você e a loira rastejando em cima de você? — Ela é apenas uma velha amiga. — Ela tinha as mãos em você. — Então? Foi bom ter uma garota realmente me tocando. Eu não estava transando com ela. — Ainda não. — Não gosto de você ficando tão perto de outros homens. Especialmente ele. — Agora você sabe como me sinto. — Você estava propositadamente me fazendo ciúme, Asia. — Sua mandíbula aperta quando ele me empurra acima contra a parede. — Você estava? Em resposta, os lábios descem nos meus e sua mão agarra a parte de trás da minha cabeça, me segurando a ele. No começo eu resisto, mas logo desisto e deslizo lentamente as minhas mãos para cima dos braços até os ombros. Odeio a maneira que ele me toca e me beija que me faz submeter a ele, mesmo quando não quero. Ele puxa a boca longe e inclina a cabeça contra a minha. — Por que você está jogando comigo? — Pergunta ele, respirando pesadamente. — Não gosto de sentir ciúmes. Não estou acostumado. — Sinto muito. É só... ela é o que você quer. Como você espera que eu me sinta? Seus olhos escuros me olham por um longo momento e ele me puxa para perto dele. — Ela era o que eu queria. Você é quem eu quero. Engulo de volta o caroço se formando na minha garganta.

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— Sério? Você quer dizer isso? — Sim. — Ela é loira... — Não me importo. Amo o seu cabelo. Ela é chata. — Ela tem seios grandes... — Não percebi. Estou muito ocupado tentando descobrir como os seus parecem. Uma risada inegável borbulha em mim. — Você é impossível. — Sussurro para ele. — Talvez. — Ele fuça em meu pescoço, me beijando abaixo da minha orelha, me fazendo arrepiar. — Você sabe que odeio você bebendo. — Protesto, odiando o cheiro dele em seu hálito, mas amando a sensação de seus lábios em mim. — Sinto muito. Sempre tomo algumas bebidas depois de tocar. — Seus lábios voltam aos meus. — Você está tão bonita. Não quero brigar, ok? Entrelaço meus dedos atrás do pescoço. — Não quero, também. Eu estava desfrutando de tudo até que vi aquela garota em você. — Vamos voltar e aproveitar a noite, tudo bem? Se ficarmos nesse canto, vou continuar a te apalpar.

Nós passamos as próximas horas juntos e falando com seus irmãos e alguns amigos. De alguma forma, a gente acabou se separando quando Evie me pediu para ir ao banheiro com ela e um cara de outra banda pediu a Talon para irem para fora em uma parte diferente do clube para algum tipo de coisa de “retalhamento”. Estou

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sentada com estranhos após Storm vir e levar Evie. Olhando para o meu celular, percebo que são três horas e estou tendo dificuldade em manter os olhos abertos. Ando em torno do clube e, finalmente, encontro Talon cerca de quinze minutos depois, sentado em uma sala de estar enfumaçada com um bando de caras que não reconheço e algumas meninas. Felizmente, nenhuma delas está pendurada nele. No entanto, meus olhos aprimoram em algumas articulações e um pouco de cocaína na mesa. Merda. — Hei. — Ele diz quando me aproximo. — Onde você estava? — Procurando você. — Eu estive aqui. — Seus olhos tem um olhar vítreo para mim e eu não gosto. Eu acabo com as más lembranças do abuso de álcool e drogas, testemunhei isso enquanto crescia. Talon não é um viciado, isso eu sei, mas aparentemente ele gosta de festa, o que é algo que eu definitivamente não quero ter que lidar. — Estou ficando muito cansada... Você acha que poderíamos ir? — Pergunto baixinho, não querendo incomodá-lo na frente de seus amigos, que parecem estar tendo um bom tempo arrepiante aqui. Acho que isso é normal para esse tipo de evento, mas não estou acostumada a ficar fora até tão tarde. Ele agarra meu braço. — Não, querida... não ainda. Venha comigo. Quer um pouco de maconha? É uma coisa boa. Ugh. — Não, eu não. O cara sentado ao lado dele brinca com ele sobre algo que não posso ouvir e ambos começam a rir. Ele parece me esquecer

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completamente e estou sentada lá. Estou aborrecida e magoada, me levanto e saio, esperando que ele me siga, mas ele não faz. Não quero mais ficar aqui e eu certamente não quero estar ao redor dele quando ele está chapado. Caminho através do mar de pessoas na entrada do clube e encontro a nossa limo ainda no estacionamento. Atravesso o estacionamento escuro e bato levemente na janela do lado do motorista da limusine. Max baixa a janela e olha para mim interrogativamente. — Está tudo bem, Sra. Valentine? — Sim... você tem permissão para me levar para casa? — Claro. — Ele sai da limusine e abre a porta de trás para mim — Será que o Sr. Valentine se juntará a nós? — Não, você pode voltar por ele. Gostaria de ir para casa agora, se você não se importa de me levar? — Não há problema, Sra. Valentine. É para isso que estou aqui. — Muito obrigada, e, por favor, me chame de Asia. — Me sinto boba sendo chamada de Sra. Valentine.

Adormeço na limusine, quando chegamos em casa sou acordada quando Max abre a porta para mim. Saio com minhas pernas bambas de usar saltos durante toda a noite e Max pega a minha mão. — Vou levá-la à sua porta da frente. É muito escuro aqui na floresta, mesmo que seja bela. — Isso é muito doce, muito obrigada. — Digo e o deixo me acompanhar até a porta. Graça a Deus tenho a minha chave comigo e o código para o sistema de segurança ou eu estaria dormindo no alpendre. — Max, por favor, aceite minhas desculpas, mas não tenho

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nenhum dinheiro comigo... Não sei como isso funciona para o pagamento. Um sorriso morno toca seu rosto. — Está tudo cuidado, Asia. Não se preocupe com isso. Tenha uma boa noite. Tenho certeza que vou vê-la novamente. Geralmente sou o motorista das apresentações de Talon. — Oh, isso é muito bom. Obrigada novamente por me trazer para casa. Sinto muito por fazer você ter uma viagem extra. Ele espera por mim para entrar na casa e fechar a porta atrás de mim antes que ele saia, o que é um gesto simpático. Tenho certeza de que é parte de seu trabalho. Chuto as minhas botas o mais rapidamente quando entro no foyer e Pixie vem correndo, seu pequeno sino tilintando. Pego ela e a seguro contra mim e beijando sua pele macia. — Eu também senti sua falta, querida. — Sussurro e levo-a até o quarto comigo. Quando tiro a roupa, checo meu telefone celular, esperando que Talon tenha enviado uma mensagem ou ligado para mim, mas ele não faz. Será que ele percebeu que fui embora? E agora que estou em casa, estou um pouco louca comigo mesma por deixá-lo lá, chapado, bêbado e rodeado de mulheres sensuais. Acabei de, inadvertidamente, lhe dando uma oportunidade de passar a noite com outra mulher? O quão estúpida sou eu? Não. Ele não faria isso. Ele quer que o nosso casamento dê certo. Essa casa tem um sistema high-tech de alarme instalado, mas ainda sinto medo sozinha aqui, pela primeira vez na floresta, então ligo a luz do corredor antes de rastejar para a cama, que parece incrivelmente vazia sem ele ao meu lado.

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Mesmo que eu esteja tão brava com ele, as lágrimas derramam pelo meu rosto e para o travesseiro, sinto muita falta dele, meu coração dói.

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O toque do meu celular me acorda e o encontro ao meu lado na cama, a tela piscando o nome de Kat. Ignoro, não querendo falar com ela no momento. Agora, estou muito distraída com o lado vago da cama onde meu marido deveria estar, mas não está. Ele não voltou para casa. Verificando meu telefone, fico chocada ao ver que não há mensagens, telefonemas. Nada. Será que ele se importa onde eu estou? Ele sabe que eu estou em casa ok? Onde ele está? E onde ele dormiu? Uma náusea induzida pelo estresse toma conta de mim enquanto minha mente luta contra todos os tipos de cenários sórdidos, estrelado com uma orgia, ou estar em um acidente de carro e servir os papéis do divórcio. Qualquer uma dessas coisas parece realista para mim agora. Mordendo meu lábio, ligo para o seu celular e vai direto para o correio de voz, o que significa que sua bateria está provavelmente morta. Ou talvez ele rejeitou minha chamada para evitar falar comigo. Digito uma mensagem, apenas por precaução.

Eu: Onde você está?

Fico olhando para a pequena tela brilhante, esperando que ela me diga que ele leu a mensagem e esperando por uma resposta.

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Nada. Ah! Talvez ele realmente voltou para casa e dormiu no sofá no andar de baixo para que ele não me acordasse. Salto da cama e como um dardo desço as escadas, rezando para que ele esteja aqui, mas meu coração afunda ainda mais quando vejo que o sofá está vazio. Ele não está em nenhum lugar nessa casa. O pânico me bate de novo e ando a esmo pela sala como um rato em um labirinto. Não tenho ideia do que pensar ou fazer. Isso é inteiramente novo para mim, ser colocada com um parceiro ausente. Debato

entre

chamar

a

Dra.

Hollister

ou

Kim,

mas

estou

envergonhada e não quero que pareça que estou bisbilhotando sobre ele em algum caminho bizarro. Talvez ele tenha uma razão muito válida para não estar em casa, como um acidente de carro. Oh meu Deus. E se ele estiver ferido? Alguém me chamou? 202

Ando ao redor da casa, como se de alguma forma ele fosse aparecer. Ele não aparece. Tomo um banho longo e lavo toda a maquiagem, a tristeza me enchendo, mesmo embora eu tenha gasto todo esse tempo e dinheiro para ficar bonita para ele, no final, o que isso importou? Outra coisa, obviamente, chamou sua atenção. Provavelmente algo loiro com grandes infláveis, seios gigantes. Um flash de medo parafusa em mim quando vejo a água escura escorrendo e por um breve momento acho que é sangue, mas então eu percebo que é a tintura de cabelo. Jesus. Minha mente está enlouquecendo. Lavo meu cabelo o melhor que posso e, em seguida, passo a minha rotina de secar meu cabelo, escovar os dentes e me vestir,


esperando que se eu apenas agir normalmente, ele vai aparecer. Ele não aparece. Percebendo que agora é meio-dia, racionalizo que deveria ligar para alguém, no caso de algo ter acontecido com ele. Não posso simplesmente sentar aqui e ignorá-lo, então ligo para o celular de Evie. — Olá? — Oi, Evie... é Asia. Sinto muito incomodá-la. — Está tudo bem, você pode me ligar a qualquer momento. O que há? — Hm... Estou um pouco preocupada. Talon não voltou para casa ontem à noite e tentei o seu celular, mas não houve nenhuma resposta e... Ela me corta. — Asia, ele está aqui com a gente. Ele está bem. Meu coração pula. — Ele está aí? — Pensei que você soubesse, sinto muito. — O tom da voz dela me diz que ela está sendo verdadeira. — Não, não tinha ideia. Estive em pânico toda a manhã. — Oh, Asia, me desculpe. Honestamente pensei que você sabia que ele chegou em casa com a gente, ou então eu teria mandado uma mensagem ontem à noite para que você soubesse. — Por que ele não veio para casa? Fui embora perto das três. Ele estava chapado e eu não podia obriga-lo a sair e não sabia o que fazer. Só queria voltar para casa e ir para a cama e pensei que vocês já tinham saído. Ela suspira ao telefone.

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— Não, Storm teve essa brilhante ideia de brincadeiras no telhado. Nem pergunte. De qualquer forma, quando finalmente estavam se preparando para sair, nós encontramos Talon e ele estava meio que perdido, mas disse que ia para casa. Nós não queríamos deixá-lo assim, por isso, o trouxemos para casa com a gente e ele dormiu no sofá. — Ele estava com alguém? Por favor, me diga. — Me preparo para a sua resposta. — Não, ele estava muito chapado e acho que tinha bebido um pouco demais para isso. Juro para você, não o vi com outra garota. Ele estava saindo com dois caras quando nós o encontramos. Uma pequena quantidade de alívio me preenche e eu suspiro. — Não gosto disto, voltar para casa sozinha e acordar sem saber onde ele está. Eu fiquei destruída. — Bem, sim, eu ficaria também. Aqui, Storm quer falar com você... — A ouço passar o telefone para ele. — Hei, Asia. — A voz de Storm vem através do telefone e ele realmente soa muito como Talon. — Oi… — Olha, sei que você está chateada e essa merda não é legal. Vou ter uma conversa com ele, ok? Vou colocar sua bunda na linha e que ele não pode fazer essa merda agora que ele está casado. — Bem, ele é adulto, então não posso lhe dizer o que fazer. Mas, honestamente, isso não é algo que quero lidar e ele sabe disso. — Confie em mim, ele precisa de um chute na bunda, ele já festejou o suficiente. É hora de crescer. Te deixar sair do clube no meio da noite é uma merda. Ele só vai conseguir uma bronca.

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— Sim, isso foi ruim. Estive em pânico toda a manhã. Pensei que algo terrível tivesse acontecido com ele ou que ele foi para casa com outra pessoa. — Não, ele só estava estupidamente chapado e bêbado. — Ótimo. — Você quer vir buscá-lo? Ele está dormindo no sofá. Ou eu o levo para casa. Respirando fundo, mudo o telefone para o meu outro ouvido. — Quer saber? Se você não se importa, você pode trazê-lo de casa. Não acho que quero estar em um carro com ele quando eu ainda estou tão brava. — Boa ideia, querida. Não se preocupe, ok? Ele realmente se importa com você. Isso foi apenas um solavanco na estrada. — Espero que você esteja certo. — Estou sempre certo. — Ele brinca. — Vou deixa-lo em casa logo. — Obrigada, Storm, por cuidar dele. — Claro, ele é meu irmão menor. Passei a maior parte da minha vida cuidando dele. Te vejo em breve. Termino a ligação e passo a mão pelo meu cabelo, alívio e frustração correndo em mim. Realmente espero que esse não seja um sinal de hábitos por vir, porque não quero ser uma daquelas mulheres que está constantemente se preocupando onde seu homem está ou o que ele está fazendo. Esse tipo de estresse vai me comer viva e eu nunca teria me casado com alguém que eu sabia que bebia, usava drogas e não volta para casa. Mais uma vez, quero ter um épico piti pela equipe ter me colocado com ele. Por que fariam isso? Meus sentimentos por ele estão, definitivamente, aumentando, mas só torna isso ainda mais difícil. Não quero me apaixonar por

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alguém que vai eventualmente me machucar ou tem um problema com abuso de drogas. Assisti esse tipo de comportamento destruir minha família, minha infância e quase minha própria vida se eu tivesse deixado. Precisando manter minha mente ocupada, me tranco no meu quarto de trabalho e faço uma lista dos pedidos de sabonetes que tenho que fazer na próxima semana. Então, me sento no chão e classifico todos os tecidos aleatórias que tenho, tentando descobrir o que posso usar para fazer um pouco mais de roupas de palco legal para os caras. Estou perdida em meus pensamentos quando ouço a porta da frente abrir e fechar e pesados passos vindo pelo corredor, parando na frente da minha porta fechada. — Asia? — Ele bate suavemente na porta. — Você está aí? — Sim. — Posso entrar? — É a sua casa. Ele entra e hesita ao lado da porta, ainda usando as mesmas roupas, mas parecendo muito despenteado. — É a nossa casa. — Ele resmunga, com voz áspera. — Tanto faz. — Começo a jogar os tecidos de volta para as caixas de armazenamento de plástico. — Odeio essas palavras. Minhas mãos param por um momento. — Não vamos começar a dizer o que cada um de nós odeia, Talon. Tenho certeza que minha lista é mais longa do que a sua agora. — Sem dúvida. — Ele atravessa o quarto e senta na cadeira a alguns metros longe de mim. — Você está fazendo as malas? — Ele pergunta.

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— Eu deveria estar? — Não. Balançando a cabeça, fecho as tampas nas caixas um pouco brusco demais. — Não, não farei as malas. Eu estava vendo os tecidos que eu tinha no caso de você ou alguém de sua banda realmente quiser que eu faça algumas roupas. — Claro que sim — Ótimo. — De pé, me viro para sair do quarto, mas ele agarra minha mão. — Asia, por favor, fale comigo. Puxando a minha mão da dele, cruzo meus braços e olho pela janela, pensando o quanto é chato ficar tão feliz em ver alguém, mas também tão chateada com ele ao mesmo tempo. A luta é real. — O que você quer que eu diga? Obrigada por me deixar vir sozinha para casa? Obrigada por me sentar aqui e me preocupar com você? Obrigada por fazer todas as coisas que trabalhei com muito esforço para tirar da minha vida? — Sinto muito. — Odeio essas palavras. — Jogo de volta para ele. Ele balança a cabeça lentamente, sua cabeça pendurada. — Você tem todo o direito de ficar louca, baby. — Não me chame de baby agora. — Ok. Sei que fodi tudo e sinto muito. A última coisa que quero fazer é ferir você ou deixa-la com raiva de mim. Você sabe disso, certo? — Acho que sim. — Não ache, saiba disso. — Então mostre.

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Ele lentamente levanta a cabeça para encontrar os meus olhos e ele honestamente se parece como merda. Olhos vermelhos, cabelo bagunçado, olheiras sob seus olhos. Rapidamente desvio o olhar, não querendo vê-lo dessa forma. — Não posso nem olhar para você. — Pronuncio em voz baixa. — Você parece terrível. — Me sinto terrível, mas principalmente sobre a porra das coisas entre nós. Não tinha planos de que isso acontecesse. Foi só o que sempre fiz por muito tempo, sabe? Nós tocamos, então nós festejamos depois. Nunca tive uma razão para não fazer, mas agora eu tenho. — E ainda assim você fez isso. — Você está certa e sei que estou errado. E sei que desculpas não desfazem essa merda agora, mas sinto muito. Entendo que as drogas e o álcool são algo que tenho que desistir para fazer dar certo com você e para eu ser bem-sucedido em qualquer coisa, realmente. Storm está certo. É hora de eu crescer e ficar longe dessa merda. Sei que não sou perfeito ou de qualquer jeito não estou nem mesmo perto, mas me importo e estou tentando. — Sei que está, Tal. Vejo isso. Só não posso ter alguém que usa drogas e álcool na minha vida. Odeio dizer isso, mas se é algo que você vai continuar, então isso entre nós tem que acabar. — Eu sei e eu a respeito por isso. Respiro fundo e expiro, meu corpo estremecendo. Não quero que isso acabe já, não quando apenas começou e têm de ir tão longe. Vou em direção à janela e olho para o nosso belo quintal onde um esquilo está saltando entre os arbustos. — Sinto que cada vez que fazemos alguns progressos, voltamos um passo. Ele se levanta e se move para ficar atrás de mim.

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— Isso não é normal? — Sim, suponho que é. Continuo esquecendo que só estamos juntos a cerca de um mês. Parece mais do que isso, de alguma forma estranha. Seus braços vêm em volta de mim por trás e ele me segura contra seu amplo peito. — Sim, parece. — Ele pressiona seus lábios contra meu ouvido. — Sinto muito. Vou ser melhor, prometo. — Ele sussurra. Fecho os olhos e tento deixar suas palavras se infiltrarem em mim, para me convencer de que elas são de verdade. Apertando as mãos sobre os braços, afundo de volta nele e viro a cabeça em seu peito. — Espero que sim. Preciso de você para ser quem eu posso confiar, não importa o que. — Digo suavemente e depois me afasto lentamente dele. — Você deveria ir tomar banho. Vou terminar isso. Ele dá alguns passos em direção à porta e, em seguida, faz uma pausa. — Valeu a pena eu ter você lá na noite passada. Nunca tive alguém que era meu lá para me ver tocar. E você estava linda, Aze. Mesmo agora, de pé aí em apenas uma camiseta e sem maquiagem, você é a mulher mais linda que já vi. Sim, ainda acho que você é bonitinha, mas você é linda também, o que é realmente uma grande combinação. E ainda mais do que qualquer um, você é incrível por dentro e isso é algo que nunca tive. Se isso faz algum sentido, porra. Com essa confissão dolorosamente honesta, ele sai da sala.

Mais tarde, quando verifico meu e-mail e as redes sociais, sou bombardeada com mais de uma centena de novos seguidores na

209


minha página em que fabrico sabonetes, mais de duzentos novos acessos na minha página de roupas e oitenta e nove pedidos de amigos novos no meu perfil pessoal. — O que…? — Digo para mim mesma, tentando processar o porquê

de

repente

esse

interesse

monstruoso

em

meus

empreendimentos. Então, percebo que as fotos de Talon e eu do show da noite passada foram publicadas nas páginas do Ashes&Embers e também com etiquetas na página dos fãs de Talon. Além disso, o cara que me fez as perguntas digitou um breve artigo sobre o nosso recente casamento, meu nome e o que faço. Parece como se os fãs da banda tivessem saltado sobre a minha página e, puta merda... eles estão mandando mensagens para mim com encomendas de sabão e roupas. Meu Deus. Eu nunca tive tantas encomendas. Nunca. Não consigo responder os e-mails e mensagens privadas rápido o suficiente, a maioria deles delirantes sobre o quanto amaram as roupas de Talon e verificaram as minhas fotos e desenhos antigos e querem pedir algo semelhante ou inteiramente novo. Navego na página de Talon e clico sobre a foto de nós juntos, primeiro salvando ela no meu laptop, porque é realmente uma ótima foto e depois de ler os comentários, que são principalmente doces e de apoio, nos parabenizando. Assim como Evie tinha avisado, há também alguns comentários desagradáveis, a maioria das mulheres dizendo que sou uma escavadora de ouro, que sou feia, que ele pode ter coisa melhor, que isso não vai durar, que estou estragando ele, oferecendo favores sexuais. Terrível. Não tenho nenhuma ideia de como vou passar por todos esses emails e mensagens e muito menos processar todos esses pedidos.

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Uma mistura de medo e excitação toma conta de mim enquanto eu leio algumas das mensagens, chocada que eles realmente parecem gostar dos meus desenhos. Isso é como outro sonho para mim. As pessoas realmente querem comprar os meus desenhos de moda e usá-los. E os meus produtos de banho! Pixie pula em cima de minha mesa e se esfrega no meu braço, me lembrando de verificar a página do blog dela e estou surpresa novamente. Há ainda mais comentários e o pessoal gosta dela! Pego ela e beijo-a na cabeça. — Pixie, você é ainda mais famosa! Levando a gata, vou lá para cima para encontrar Talon sentado na namoradeira no quarto, escrevendo em seu diário. — Tal, tenho um zilhão de novos acessos em minhas páginas e mais encomendas do que posso contar. Ele olha para mim, com o cabelo molhado que paira sobre o seu rosto, com confusão em seus olhos. — Hã? — Aquele fotógrafo do clube na noite passada postou nossa foto e minhas informações e agora tenho mais de cem novos acessos e solicitações de amigos e um monte de novas encomendas para roupas e produtos de banho. — Baby, isso é ótimo. — A gata tem ainda mais seguidores! Ele sorri, mas revira os olhos. — Nem sequer me fale sobre a gata ter mais fãs. Sento na namoradeira ao lado dele e Pixie rasteja em seu colo, empurrando o diário de seu caminho como os gatos fazem.

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— Porém, meio que me fazem sentir estranha que essas pessoas só estão pedindo meus projetos por causa de você. Ele coloca a tampa na sua caneta e fecha seu diário, colocando-o na ponta da mesa ao lado da namoradeira. — Aqui está à coisa, Aze... — Ele toma uma baforada de seu cigarro eletrônico. — A maioria dos fãs de música são realmente leais e solidários. Eles tentam chegar ao maior número de programas que podem, eles comentam sobre todas as nossas mensagens on-line, eles nos enviam e-mails de verdade, compram todas as nossas músicas e todas as nossas coisas, como nossas camisetas da banda. Uma enorme porcentagem deles, especialmente as meninas, também vão se tornar fãs das namoradas e esposas de qualquer membro em qualquer banda. Não estou falando apenas do Ashes&Embers. Estou falando em geral, de todas as bandas. — Ele esfrega a cabeça de Pixie distraidamente, enquanto fala. — Muitos deles se tornarão fascinados com você também e vão querer apoiá-la ou segui-la online. Isso os faz se sentirem perto de nós. Evie passou por isso também. Ela começou a ter uma tonelada de e-mails e seu próprio pequeno fã clube quando ela e Storm vieram a público. — Isso é legal, mas não quero que as pessoas só gostem de meus projetos porque eles são seus fãs, — digo. — Quero que eles realmente gostem de mim e dos meus produtos. — Primeiro de tudo, as pessoas não vão gastar dinheiro comprando seu material a menos que elas realmente gostem dele. A maioria das pessoas não tem dinheiro para gastar. Então, quando você começar a ver os compradores repetirem, você vai ver por si mesma, é o seu material que eles querem. Saber que eles estão apoiando a esposa de um dos seus membros banda preferida é uma pequena vantagem adicional para eles.

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Aceno devagar, tentando processar esse novo mundo, ainda estou impressionada. — Sim, acho que é verdade. — Realmente nunca pensei sobre tudo isso antes, ou mesmo remotamente considerei. — É. Olha, talvez por isso essa seja uma espécie de salto inicial para o seu negócio e sei que provavelmente não é como você queria ser conhecida, mas aprecie isso. Seus projetos são ótimos. As pessoas vão amá-los e pagar por eles. Se eles encontraram através de mim e da banda, quem se importa? Toneladas de pessoas ficaram populares e bem-sucedidas devido a ligações. Não há nada de ruim sobre isso. Tenha fé em seus projetos. Confie em mim, eles vão vender por si mesmos. Sorrio para ele por me fazer sentir melhor. — Espero que sim. E se nós projetarmos juntos, os fãs realmente vão ficar loucos, você não acha? Ele balança a cabeça e sopra uma nuvem de vapor no ar. — Eu, querida. Acho que vai ser grande para nós dois. Gosto da ideia de termos um pouco de negócio paralelo juntos. Muitos músicos têm. Você tem um nome comercial ou qualquer coisa assim? Balançando a cabeça, mordo meus lábios, sentindo um pouco envergonhada que eu não tenha. — Não, apenas usei o meu nome. — Devemos chegar a um nome da empresa, um logotipo, algumas embalagens, um site como já mencionei... — Talon, realmente? Você acha que eu preciso de tudo isso? — Claro que sim, querida. Me deixe dar alguns telefonemas durante a semana e vamos ter tudo isso resolvido. Você pode ver um monte de dinheiro começar a rolar a partir disso. Santo wow.

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— Obrigada. Aprecio toda a sua ajuda com isso. Algumas das pessoas on-line me chamaram de escavadora de ouro e só quero que você saiba que eu nunca, nunca quis nada disso. Eu não estou tentando tirar alguma coisa de você ou de seus fãs. — Que se foda aqueles idiotas. Você, uma escavadora de ouro? Tenho que forçá-la a gastar dinheiro. Você iria se sentar em casa e comer maçãs, tofu e cortar o cabelo com uma faca de carne se eu deixasse. Não dê ouvidos a essa merda, ok? Eles estão apenas ciumentos. Infelizmente, isso vem com o negócio. — Ele me puxa contra seu peito e coloca o braço em volta mim. — Senti sua falta na noite passada. — Acrescenta suavemente. — Realmente me senti como uma merda quando acordei essa manhã e percebi o quanto fodi isso. Descanso minha cabeça em seu ombro, resolvendo perdoá-lo. Pessoas cometem erros. — Estava muito brava e chateada, Talon. E com medo. Pensei que algo tinha acontecido com você. — Sinto muito. Storm e Evie caíram em cima de mim. Tipo, ambos ao mesmo tempo. Pensei que minha cabeça ia explodir. Ri um pouco. — Muito nom. Você meio que merece. — Sim. — Ele se inclina seu queixo contra a minha cabeça. — Pelo menos Storm não me encheu de porrada como ele costumava fazer quando éramos mais jovens. Ele foi muito mais suave, mas mais alto em sua abordagem agora. — Estava com medo que você tivesse ido para casa com aquela loira. — Admito, brincando nervosamente com os botões de sua camisa.

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— O quê? Não é um acaso. E estou feliz que você não foi para casa com Finn. — Ele escava volta. Levanto a minha cabeça para fazer uma careta. — Sério? Isso não é nem mesmo engraçado. — Não, não é, mas sei que ele está atraído por você e eu não iria deixá-lo fazer um movimento em você. — Ele não é tão idiota como você pensa que é, Talon. Sua mandíbula aperta. — Não me diga que você gosta dele. — Eu gosto dele. Ele balança a cabeça em frustração. — Nós vamos ter que concordar em discordar sobre isso. Mas se eu ver ele com as mãos em você de novo, vou bater na sua bunda. Me levanto e pego Pixie de seu colo. — O mesmo vale para a loira. Só porque sou baixa e tímida não significa que sou covarde. Cresci no gueto e meu irmão me ensinou como lutar sujo. Vou chutá-la, naquela bunda branca e seios falsos na semana que vem. Um enorme sorriso se espalha por seu rosto. — Isso meio que me excitou. Meio ciumenta, você me quer. — Você está enganado. Vou alimentar a gata e fazer o jantar. Você pode participar se você quiser. Sinceramente estou muito animada sobre todos os meus novos pedidos para continuar a insistir sobre alguma garota desagradável investindo nele. Só vou ter que confiar nele e tentar me acostumar com todas essas novas experiências, como fãs e vadias.

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Dois meses sem sexo. Em primeiro lugar, as semanas antes do casamento e agora a semanas desde o casamento. Estou perdendo a porra da minha mente com meu pau nessa prisão de compromisso com uma garota que ditou uma sentença de vida, com a possibilidade de liberdade condicional por bom comportamento. Amor. É o que ela quer e necessita. É o que eu não acho que precisava na vida. Eu poderia amá-la? Ela poderia me amar? Ela é irritante. Ela fica sob a minha pele. Ela é boa pra caralho. Ela discute sobre tudo. Mas sim, quero seu pequeno traseiro. E aqueles olhos cor de lavanda poderiam muito bem me fazer implorar se ela soubesse como usá-los. Ela me faz rir. Nunca conheci uma garota como ela antes e pouco mais de um mês de nosso casamento, estou começando a pensar que não quero viver sem ela. Ficar sem sexo é uma porcaria, mas ainda não posso manter minhas mãos longe dela, sempre querendo tocá-la, segurando a mão dela, tê-la tão perto de mim como posso ter. Quando ela me abraça e adormece contra mim, tudo só parece bem. Nunca fui carinhoso ou desejei proximidade com alguém antes que ela aparecesse e agora, me pego realmente sonhando com ela

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quando estou no estúdio praticando ou quando estou dirigindo. Na verdade, tive algum idiota gritando para mim, porque eu estava sentado na luz vermelha que ficou verde durante dois segundos enquanto eu estava longe pensando em como ela sorriu para mim na noite anterior. Nunca pensei que isso aconteceria. Escrevo tudo isso no meu diário, mas não o divulgo para a Dra. Hollister durante o nosso vídeo chat, porque não estou pronto para verbalizar como me sinto, mesmo para Asia. Passou alguns dias desde o desastre do clube e ela ainda não está certa comigo. Sei que é minha própria estúpida maldita culpa. Ela não sabe disso, mas a observo algumas vezes no sistema de vigilância, que posso acessar do meu telefone celular quando não estou em casa. Só a assisto em sua sala de artesanato e adoro vê-la tão focada em seu trabalho, sentada na máquina de costura, colocando roupas no manequim que ela tem, falando com a gata e às vezes ouvindo música e sai cantando e dançando ao redor da sala. Ela realmente está em seu próprio mundo e quero ficar lá com ela. Fechando a revista, assisto o pôr do sol a partir da rocha enorme que estou no quintal. Então volto para dentro da casa onde ela está na cozinha fazendo algum tipo de sobremesa que cheira delicioso, então caminho direto para lá e encontro um prato de biscoitos sobre o balcão. Ela está de costas para mim enxaguando alguns pratos, então caio sobre um e dou uma grande mordida. E gag. Ela gira. — Talon! Não! — Ela se atira contra mim e realmente coloca a mão na minha boca como se eu fosse um cachorro fazendo arte. —

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Isso é uma bomba de banho! — Ela grita. — Vá lavar a boca com água. Ainda engasgando, corro para a pia e coloco minha boca sob a torneira e lavo com muita água, cuspindo o sabor estranho. — Por que droga você está fazendo sabão que se parece com comida? — Exijo, limpando minha boca com as costas da minha mão. — Pessoas gostam dele! É bonito. — É nojento! — Bem, você não deveria comê-lo. Você apenas vai e coloca tudo o que parece ser bom em sua boca? — Sim. Normalmente. Ela começa a rir. — Você é louco. Olhando para o prato de bolinhos falso, não posso acreditar que não é comida verdadeira. Ainda quero um. — Eles parecem tão realistas — digo a ela. — Realmente fez isso? — Sim. Faço barras de sabão e também esfoliantes e loções. É tudo feito com óleos essenciais de cremes naturais e aromas. Não tinha ideia de que era esse o tipo de material de banho que ela fazia. — Wow. Eles cheiram muito bem. É por isso que a sua pele é sempre tão suave? Por causa desse material? Suas bochechas ficam rosa e sua cabeça se inclina. — Sim... provavelmente. Espere um segundo. — Ela desaparece no final do corredor, no quarto de artesanato e volta com uma caixa de presente — essa é uma barra de sabonete de lavanda e baunilha. Use quando você tomar banho essa noite e me diga o que acha. — Só não devo comer, certo?

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— Não, por favor, não. — Ela brinca de pé com as mãos atrás dela, sorrindo para mim e parecendo adorável. — O que mais você faz? — Hm... Às vezes, velas e protetor labial também. — Aha! É por isso que seus lábios sempre tem um gosto tão bom. — Dou um olhar de lado e sorrio, lutando contra o desejo de saborear seus lábios no momento. — Agora sei seus segredos. — Estou feliz que você gosta. Nem achava que você tinha percebido esse tipo de coisa. — Oh, acredite em mim, baby, observo você e gosto. — Abrindo a pequena caixa, pisco para ela e cheiro o sabão. — Nós temos que dizer a Evie, mamãe e Rayne sobre isso também. Elas provavelmente vão adorar. E as meninas do Sugar Kiss. — Sugar Kiss, a banda? — Ela repete com os olhos arregalados como pires. — Sim, somos amigos delas. Elas totalmente vão adorar tudo isso. Oh e as roupas. Aposto que elas gostariam de algumas roupas. Vou ligar para Sydney e falar com ela sobre isso. — Talon... Você realmente acha que todas essas pessoas vão comprar minhas coisas? Os que me contataram on-line também? — Ela pergunta, incrédula. — Caralho, sim, baby. Tenho muitas ideias selvagens sobre a roupa para mostrar a você. Nós vamos balançar seus mundos. Todo seu rosto se ilumina com as minhas palavras. — Eu absolutamente amaria isso. Você realmente vai trabalhar na concepção e fabricação comigo? Preciso bastante de sua ajuda para fazer isso direito. Você viu mais desse tipo de roupa que tenho. — Claro que vou. Eu não disse que iria? Só não me deixe perto dessa máquina de costura. Parece perigoso.

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Ter algumas atividades em conjunto é algo que a Dra. Hollister mencionou que seria útil, talvez por isso a parceria com Asia de desenhar roupas nos aproximará e nos dar alguns pontos em comum para nos sustentar.

Várias vezes por semana, Asia toma um longo banho na banheira enorme, em nosso banheiro master. Ela acende velas, toca música suave no leitor de MP3 e agora sei que ela está absorvendo essas saborosas coisas de banho que ela faz. Ela sempre fecha a porta quando toma banho e isso conduz a pensar em nós, deitado na cama enquanto sei que ela está a poucos passos de distância, atrás daquela porta, nua. Sempre respeitei sua privacidade, compreendendo que ela merece tempo para relaxar e descontrair como todos os outros fazem, especialmente depois de me aturar durante todo o dia. Mas desde que ela me pegou me masturbando no chuveiro, me pergunto se ela pensa de mim e se toca quando ela está tomando banho. A possibilidade tem alimentado uma faísca que está aumentando dentro de mim por dias agora. Hoje à noite, algo me deixa de bom humor e eu não aguento mais, então espero cerca de dez minutos depois de ela se fechar no banheiro e empurro lentamente a porta e invado seu pequeno spa pessoal. No início, ela ainda não sabe que estou lá e tenho o prazer de vêla deitada de costas, com os olhos fechados, uma perna dobrada que espreita para fora das bolhas. E malditas bolhas, elas estão cobrindo todo o resto. O universo está fazendo tudo que pode para me impedir de ver minha esposa nua. Eu riria desse fato se ele não me insultasse pra caramba. Tenho certeza que o karma está me batendo na cara por

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insultá-lo tantas vezes e karma é uma cadela que não fode nem sai de cima. Seus olhos de repente se abrem e ela salta quando me vê, salpicando água ao redor dela. — Tally, você me assustou para caralho. Por que você está andando por aí? — Ela cruza os braços sobre o peito e algumas bolhas flutuam no ar. Amo que o meu apelido de infância apenas escorregou de sua boca sem que ela sequer percebesse. Isso soou tão íntimo em seus lábios que quero ouvi-la dizer novamente e novamente. — Não estava rastejando, só entrei. Devo usar um sino ao redor do meu pescoço como a Princesa? — Me inclino contra o batente da porta e olho para ela à luz das velas, a pele orvalhada do calor úmido e não consigo entender por que ela não me quer aqui na banheira com ela. — O que você está fazendo aqui? Atravesso o banheiro e me ajoelho ao lado da banheira, elevando no caminho os olhos para o meu peito nu. — Queria ver a sua bomba de banho em ação. — Meus olhos viajam languidamente abaixo de sua perna na banheira e vislumbro a água rosa sob as bolhas. — Essa é realmente uma bomba bolha. Vê as bolhas? — Ela levanta a mão e sopra bolhas por cima da minha cabeça. Pego a mão dela e trago-a para os meus lábios. — Vejo isso. Água rosa, também. Muito bonito. — Fecho meus olhos quando beijo sua mão, provando a água doce nela. — Que sabor você tem essa noite? É gostoso. Ela engole e posso sentir a mão trêmula na minha. — Esse é de algodão doce.

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Aceno a minha aprovação. — Gosto muito. Ela se desloca na água, baixando uma perna e elevando a outra, me dando um rápido vislumbre de sua coxa enquanto ela faz isso. — Você pensa em mim quando você está aqui? — Pergunto, soltando a mão para que eu possa mergulhar os dedos na água morna. — Penso em você o tempo todo. Meu coração dá uma guinada engraçada e tenho certeza de que ele nunca fez isso antes. — Bem, isso é apenas a melhor coisa que já ouvi. Deixo minha mão deslizar mais para dentro da água até que ela desliza sobre sua coxa sob as bolhas. — A água parece escorregadia. — Comento. — O mesmo acontece com a sua pele. — É por causa dos óleos. Esticando meu outro braço ao longo da borda da banheira, me inclino para o rosto dela. — E amo a forma como isso parece. Eu deveria estar aí com você, todo escorregadio e molhado. — Você é muito grande. — Ela murmura, fechando os olhos para os meus. Rindo, beijo seus lábios com sabor de baunilha. — Vou ignorar este comentário sobre ser grande, baby. Ela sorri contra a minha boca. — Você é tão mau. — Eu sei... então, vou ter que fazer isso da maneira mais difícil, já que não posso entrar com você. — Deslizo minha mão mais para

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baixo de sua perna, do seu joelho para sua panturrilha, apertando suavemente. — Fazer o que? — Te dar o seu primeiro orgasmo. Um pequeno suspiro de surpresa sai dela e um pequeno sorriso sedutor enfeita seus lábios. — Desculpe desapontá-lo, mas tive orgasmos antes. — Não de mim. — Esfrego meu nariz nela, sentindo sua respiração contra o meu rosto. — E isso vai mudar agora, Sra. Valentine. Seguro a parte de trás de sua cabeça com uma mão e pressiono a minha boca na dela, lambendo os lábios, enquanto lentamente arrasto minha outra mão até o interior de sua perna por baixo da água, finalmente, deslizo os dedos suavemente sobre os lábios inferiores. Silenciosamente amaldiçoo a água por não me deixar sentir sua umidade. Sua boca se abre para a minha e mergulho minha língua dentro, saboreando o calor de sua respiração e pegando o gemido doce que ela solta quando empurro o meu dedo em seu calor. Suas coxas se abrem e sua mão surge para fora da água para acariciar minha bochecha enquanto deixo minha mão tomar conta dela, meu polegar esfrega seu clitóris pulsando enquanto deslizo meus dedos dentro e fora dela. Meu pau palpita como louco em meus shorts, implorando para entrar dentro dela. Puta merda, ela é gostosa. Três anos sem sexo é muito, muito bom. Suas coxas apertam a minha mão e ela agarra o lado do meu pescoço, sua respiração ofegante contra a minha boca e sei que ela já está lá. Realmente quero arrastá-la para fora, provocá-la e deixá-la louca, mas parece cruel agora, quando ela está contorcendo seu

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pequeno núcleo quente em toda a minha mão e devorando meus lábios. Gosto do tesão de Asia. Muito. Quero puxá-la para fora da banheira e levá-la aqui mesmo no chão, acabando com essa loucura, mas tenho que me controlar e cumprir minha promessa, mesmo que o meu pau me odeie por isso. Suas paredes apertam e banham em torno de meus dedos rodando dentro dela, enquanto o resto do seu corpo arqueia para cima,

pressionando

contra

mim,

seus

músculos

apertando

e

tremendo. Beijo ela suavemente enquanto ela se recupera da primeira de muitas escapadas sexuais que tenho planejadas para ela agora que as portas foram abertas, por assim dizer. — Quem é a minha garota? — Sussurro contra seu ouvido, movendo minha mão para acariciá-la no estômago. — Eu. — Ela responde sem fôlego. — Está certo. Minha garota. A última coisa que pensei que iria querer e agora, tudo o que eu poderia sempre querer.

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Em pé lentamente, ele agarra minha toalha do rack e coloca-a sobre a borda da banheira para mim, sorrindo o tempo todo aquele sorriso adorável, ainda perigosamente sexy. — Vou deixar você terminar o seu banho agora. Sem dizer nada, assisto sua forma muscular sair do banheiro, fechando a porta atrás dele. Respiro fundo e expiro. Meu Deus. Não estava esperando nada disso. O jeito que ele me persegue como um tigre para me beijar e me tocar é tão incrivelmente sensual. Não tinha ideia que os homens poderiam ser assim, mas cada vez que ele faz isso, quero apenas rolar e ronronar como um gatinho e deixá-lo fazer o que quiser. Puxando o plugue da banheira, assisto o redemoinho de águarosa desaparecer enquanto coloco uma camiseta e calcinha, ainda sentindo a pós-tontura de seu toque. A última vez que tive um orgasmo é uma memória não-muito-memorável, muito distante, mas eu definitivamente lembro. Não me lembro de me sentir tão surpreendente como o que ele acabou de me fazer sentir. Não posso deixar de sorrir, meu coração fazendo um flip-flop, quando saio para o nosso quarto e encontro ele deitado na cama com Pixie plantada diretamente em seu peito nu, olhando em seus olhos. — Ela está começando a te amar. — Comento, ficando sob os lençóis, próxima a ele.

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Ele esfrega a cabeça minúscula carinhosamente na palma da mão. — Ela é muito mais fácil de ganhar do que a mãe. Deitada de barriga, inclino em meus cotovelos para olhar para ele. — Não tenho certeza sobre isso. — Brinco. — Parece que você tem dedos mágicos. Ele vira a cabeça para sorrir alegremente para mim. —

Tenho algumas

outras peças mágicas

se você

estiver

interessada. Apenas dizendo. Pressiono meus lábios sorridentes contra seu ombro. — Tenho certeza que sim. Gentilmente pego minha gata e a coloco ao pé da cama, ele se vira de lado e se apoia sobre o cotovelo, com o rosto apenas a alguns centímetros do meu, alguns fios de seu cabelo caindo sobre os olhos. — Eu estava pensando... — Ele move sua mão lentamente para trás e para frente em toda a minha parte inferior das costas. — Talvez nós devêssemos apenas deixar as coisas acontecerem. — O que você quer dizer? — Em vez de esperar que todos esses sentimentos aconteçam antes que você esteja pronta para ter sexo, talvez nós devêssemos apenas viver o momento e deixar que isso aconteça. Se outros sentimentos vierem à tona, ótimo. O amor nem sempre tem que vir em primeiro lugar. Talvez para nós, isso é o que vai acontecer. Estamos fazendo todo o resto certo. — Oh... — Mal posso ver seus olhos na escuridão do quarto, mas o conheço bem o suficiente para dizer pelo tom suave e profundo de sua voz e a suave carícia de sua mão nas minhas costas que ele está falando sério, o que é raro para ele. Eu só desejaria que suas palavras

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não fizessem meu coração doer tanto, especialmente quando o que ele está dizendo é sincero. Essas não são as palavras que eu queria ouvir. Embora a culpa seja minha e não dele. Eu não podia esperar que ele sentisse algo só porque eu estava esperando que ele sentisse, para realizar o pequeno sonho em minha própria cabeça e coração. Ele tem seus próprios sonhos e desejos e se apaixonar por mim provavelmente não é um deles. Sua mão se move mais acima em minhas costas, debaixo da minha camiseta, o calor de seu toque é reconfortante, mas também eletrizante. — Você sabe o que estou dizendo, certo? — Sim, eu aceito. O pequeno vacilar na minha voz trai minhas tentativas de parecer feliz e estar bem com ele. Apenas cinco minutos atrás, eu estava em êxtase orgástico com ele, derretendo sua mão, me deleitando com a paixão de seus beijos e toque, estupidamente pensando que seu toque significou muito mais do que ele fez. Agora parece que tudo foi por água abaixo com a minha água rosa de algodão doce. Ele levanta a mão debaixo de minha camisa e passa os dedos pelo meu cabelo longo. — Aze? — Ele questiona. — Por que você está chateada? — Não estou. — Minto. Meu corpo formiga enquanto seus dedos passam levemente por cima do meu couro cabeludo. — Você está; não diga que você não está. Eu posso dizer. — Eu estou bem. Realmente. — Bem, não é como se você estivesse apaixonada por mim ou qualquer coisa, também. Nós deveríamos ir para nossa lua de mel em

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breve e desde que só penso em me casar uma vez, seria agradável nos divertirmos. Você não concorda? Não apaixonado por mim, também. Isso é tudo o que posso ouvir, ecoando na minha cabeça. O meu pobre

coração,

se

apaixonando

cautelosamente,

abre

um

paraquedas rasgado e se prepara para uma bagunçada e terrível aterrissagem. — Claro que quero me divertir. — Forço a saída, perguntando se ele pretendia se casar sem amor. Ser apenas amigos e ter relações sexuais, o que, eu acho, não é a pior coisa no mundo. Só esperava mais. Queria o amor de uma vida. Queria estar segurando sua mão quando ficarmos velhos e grisalhos e ainda ver o homem que roubou o meu coração e faz com que pareça sempre como se não houvesse tempo suficiente para compartilhar com ele. Rolo e me volto para a parede, em vez de abraçar seu peito como temos dormido ultimamente e seu suspiro permeia o quarto silencioso. — Pensei que o que aconteceu anteriormente fosse bom. Por que você está se distanciando de mim? — Eu não estou. Só vou dormir. — Você não gostou? Fecho os olhos e conto até cinco. — É claro que eu gostei. Seu braço musculoso vem em torno de mim e puxa minhas costas contra o seu peito, moldando seu corpo ao meu, e, claro, eu posso sentir cada polegada dele. — O que há sobre você que eu não posso ter o suficiente? — Ele sussurra, enterrando seu rosto no meu cabelo. — Não sei se é porque você sempre cheira bem, ou o que.

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Ou talvez você me ame, seu idiota. Será que ele simplesmente não sabe como o amor é? Claro, seria a minha sorte. Me dar a esse cara loucamente sexy que eu não queria para começar, fazer me apaixonar, apenas para descobrir que ele não sabe como dizer se ele está apaixonado ou não. — Aze? — Hmmm? — Você pode fazer biscoitos de verdade? Algum que eu possa comer? — Você está seriamente falando de comida agora? — Sim. Cheirar aqueles sabonetes me deu desejo de doces agora. Poderia pedir a Vovó para me fazer algum se você não quiser. Como posso ficar brava quando ele está pedindo cupcakes? — Não, farei a você doces amanhã, se você dormir. — Combinado. — Ele aperta o pé contra o meu, a sua assinatura — estou fechando meus olhos agora. — Diz se movendo. Totalmente alheio à minha mágoa, ele pede cupcakes. Isso só poderia acontecer comigo.

— Asia, como vão as coisas agora? — Dra. Hollister pergunta da tela do laptop. — Feliz aniversário de dois meses! — Obrigada... — Não sabia que esta semana já completava dois meses. Parei de contar os dias e agora apenas vivo cada momento em que compartilhamos. Que ironia, assim como as palavras que ele escreveu na minha aliança de casamento: sem começo nem fim, apenas o agora. — Como vocês dois estão indo? — Ela repete.

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Dou de ombros um pouco e brinco com meu brinco. — Nós estamos indo bem. — Isso parece com pouco entusiasmo. Diga

o que está

acontecendo e vamos ver o que podemos fazer. —

Para

ser

honesta,

não

sei

nem

como

explicar.

Nós

principalmente nos damos muito bem. Nos divertimos muito juntos. Ele sempre me faz rir. Às vezes ele faz algo que me deixa com raiva, mas nunca é intencional, é mais a aprendizagem que outra coisa. A caneta voa sobre seu bloco de notas. — Isso tudo parece muito bom. Meus dedos puxam um fio solto sobre o joelho do meu jeans. — Meus sentimentos mudaram muito desde o início. Eu realmente me preocupo com ele agora e acho que estou sinceramente apaixonada por ele. Há algo realmente único e encantador nele. Muito chato... mas sinto essa atração por ele, por falta de uma palavra melhor. — Excelente. — Sim, só que não acho que ele se sinta da mesma maneira. Ele é carinhoso e muito dado, mas não acho que ele realmente se apaixonaria por mim. Acho que ele quer se divertir bastante e ter relações sexuais e, basicamente, ter uma amizade física. Ele nunca fala sobre nada a não ser que ele quer que isso funcione, mas eu gostaria de sentimentos e ouvir mais sobre como ele se sente sobre mim. — Encontro seus olhos na tela. — Ele disse que sente alguma coisa para você? — Asia, querida, você sabe que não estou autorizada a dizer qualquer coisa que ele diz. — Nem mesmo uma dica? — Tento fazer olhos do filhote de cachorro triste.

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Ela balança a cabeça com uma expressão simpática. — Sinto muito, essas são as regras que montamos. Os bate-papos e entrevistas tem que ser confidencial. Olho feio para ela. — Bem, isso é uma merda. — Por que você não pergunta a ele? A comunicação é muito importante, Asia. — Não vou perguntar se ele me ama. Se ele disser que não, eu vou morrer. Não posso ouvir isso. — E se ele disser que sim? — Eu realmente duvido, Dra. H. Ela examina suas notas, virando as páginas de volta. — Vocês dois tiveram relações sexuais? — Não. — Isso é porque não há nenhuma atração, ou porque você ainda está esperando uma garantia de que vocês dois se apaixonarão? — Há definitivamente atração do meu lado agora. Não tenho certeza sobre ele. Ele deixou claro que eu não era o seu tipo no início, mas ele está constantemente me tocando, me beijando, me agarrando e tentando que eu durma com ele. Ele envia um monte de sinais misturados. Mas sim, acho que a única coisa real que me impede de fazer sexo com ele é isso. — Você é tão física com ele como você acabou de me descrever que ele é com você? A Dra. Hollister é tão má, fazendo essas perguntas pessoais. As entrevistas iniciais não eram tão estranhas e constrangedoras. — Não, não mesmo. — Você quer compartilhar comigo por que isso acontece?

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— Bem, não quero levar adiante, obviamente. Não quero ser uma provocação. Ela tira os óculos e os coloca na parte superior do seu cabelo castanho. — Tem um monte de coisas que você poderia estar fazendo, intimamente, sem ter relação sexual real, Asia. Talvez seja isso que ele precisa. Ele poderia, apenas talvez, estar assumindo que você não tem sentimentos por ele porque você não está lhe dando o tipo de atenção que ele requer. Assim, como você sente que ele não está dando o que você precisa. — Ela me pisca um sorrisinho e, em seguida, olha para baixo em suas notas novamente. Ela acabou de me jogar um osso? Concordo com a cabeça lentamente. — Sim. Você poderia estar certa. — Isso é o que eu faço, depois de tudo... — Eu acho que você precisa se dar um pouco, deixe suas paredes caírem. Você está casada, afinal de contas e intimidade é muito importante em um casamento. Enquanto respeito completamente você tentar proteger o seu coração e corpo, tenho a sensação de que fazer amor com ele só vai aproximá-los mais. E, nesse momento, parece que, se você dormir com ele ou não, se as coisas não funcionarem como temos esperança, você ainda estará indo embora de coração partido. No entanto, seria uma pena se você tivesse que se questionar depois que talvez as coisas não foram tão bem como deveriam ter ido, porque ambos deixaram essa enorme e importante parte fora de seu casamento. A ideia dessa experiência é se colocar nisso cem por cento. Aceno com relutância.

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— Sim, você está certa sobre isso. Se as coisas acabassem amanhã, iria sentir falta dele e sentiria uma enorme perda. A última coisa que quero é afastá-lo de mim ou colocar uma barreira entre nós. — Então, acho que você precisa tentar apimentar as coisas um pouco, ver como ele reage. Tente lembrar que ambos responderam a um monte de perguntas pessoais e íntimas em sua entrevista escrita e tivemos as nossas razões quando os colocamos juntos. Sei que pode não parecer óbvio para você agora, mas tente confiar em nós, ok? — Eu vou. Sinto muito se temos sido difíceis para você. Ela me acena com a mão. — Não se atreva a pedir desculpas. Isso é tudo sobre vocês. Vocês dois são nosso casal mais original na experiência e ambos têm sido incrivelmente honestos em suas conversas. Então, muito obrigada por isso. Sei que é desconfortável para vocês às vezes. — Bem, obrigada por ser tão compreensiva e por nos ajudar. — Digo. — Espero que da próxima vez que você e eu conversarmos, você tenha a melhor notícia para relatar. Após o bate-papo, corro para o andar de baixo para mudar a roupa e no meu caminho para a lavanderia, passo pela sala de trabalho de Talon. No banco está seu diário, aberto. Rastejo lentamente para dentro da sala, mordendo meu lábio enquanto debato sobre o que estou prestes a fazer. Faça. Não faça. Faça! Não faça isso! Faça! Só uma espiada… Pego o diário de couro macio, com um sorriso que passa sobre os lábios que ambos escolhemos escrever à mão nossos diários em vez de digitá-los em um aplicativo. Os nossos diários são muito semelhantes em textura e estilo, mesmo tendo comprado antes do casamento.

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Respirando fundo, decido que só vou ler a página mais recente. É isso aí.

Não sei como quebrar as paredes que ela ergueu. Sei que ela está com medo. Sei que pisei na bola. Mas tentei compensar a merda que fiz. Não sou bom em falar sobre meus sentimentos. Tento mostra-los a ela, mas não tenho certeza se está funcionando. Como ela não me dá pistas sobre o quanto eu já significo para ela, eu gostaria que ela fizesse algo, qualquer coisa, para me mostrar que ela me quer. Eu fiz isso para me sentir querido e amado por quem sou e o que posso dar, mas porra, eu estou perdido. Eu sei que ela se preocupa comigo, mas estou lutando para conseguir chegar mais perto dela. Eu nunca fui do tipo meloso, mas de alguma forma ela me pegou fazendo essas coisas. Mas eu quero mais. Talvez eu seja um imbecil, mas o sexo é importante para mim. É apenas importante de uma maneira diferente

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com ela. Eu não tenho ideia mesmo do que estou dizendo mais. Temo que se isso continuar, nós nunca vamos ser mais do que colegas de quarto que se provocam mutuamente às vezes. Não tenho a certeza onde minha esposa está em tudo isso ou como fazê-la sair. Meus olhos são um borrão de lágrimas ao olhar para as suas palavras em sua letra única. Com a mão trêmula, coloco o diário de volta exatamente onde o achei e rapidamente saio da sala. Não tinha ideia de que ele se sentia assim. E aqui pensei que ele era um amigo me zoando a maior parte do tempo. Isso realmente comprova tanto para mim que temos um longo caminho a percorrer em nosso casamento. Nós dois estamos tão confusos e, obviamente, temos um problema de comunicação enorme. Agora estou em uma missão, só tenho que encontrar uma maneira de realizá-la da maneira certa. O que posso fazer para mostrar a ele que eu o quero? E provar a ele que não sou um cachorrinho de foda? Teria de ser algo especial. Algo com um pouco de fator de choque. Como um fator de estrondo. Apenas um pouco menos estrondoso.

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Sempre acreditei que as coisas mágicas acontecem no meio da noite, enquanto estamos dormindo. Atribuo isso ao fato de que quando éramos crianças, vovó nos cobria e nos dizia para ir dormir para que as coisas que viviam no escuro saíssem e jogassem, sussurrando sonhos em nossos ouvidos enquanto dormíamos. Hoje à noite, acordo às três da manhã com o calor suave mais incrível envolvendo meu pau. Só sei as horas porque o relógio sobre a cabeceira mostrava números digitais roxos no teto do quarto. No início, achei que estava sonhando, mas quando olho para baixo da cama, a vejo, ajoelhada entre minhas pernas, seu longo cabelo sedoso fluindo sobre as minhas coxas, os lábios depositando os mais suaves dos beijos para cima e para baixo do meu eixo. Meu segundo pensamento é que ela deve estar sonhando e ela está me sugando no sono e acho que talvez eu devesse acordá-la. Mas o que dizem sobre não despertar uma pessoa que sofre de sonambulismo? Toco o lado de sua cabeça muito suavemente e sussurro. — Baby... Um gemido sexy vibra no meu pau em resposta e minha cabeça cai para trás contra o meu travesseiro. Oh Deus, ela está realmente acordada.

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Minha mente corre de volta aos momentos antes de adormecer. O que eu fiz ou disse para atraí-la a finalmente me tocar por vontade própria? Minha mente fica em branco. Não me importo. Tudo o que sei é que sua língua é como veludo molhado rodando a ponta do meu pau, enquanto suas pequenas unhas cavam em minhas coxas. Quanto mais ela lambe e me suga, uma cascata de formigamento sobre meu eixo que é tanto quente e fria, amplia o êxtase de sua boca. Porra, ela tem algum tipo de bruxaria em seus lábios que está deixando meu pau selvagem. Enrolando um punhado de seu cabelo, levanto-o longe de seu rosto para que eu possa vê-la quando ela vai para baixo em mim, fico hipnotizado pela visão das primeiras polegadas de meu pau desaparecendo em sua doce boca. Ela me suga como ela faz todo o resto, suave e doce no início, com momentos de provocação. Quando ela me leva mais profundo, seus dentes pastam levemente dos lados, me atormentando. Sorrio para ela, impressionado que ela se lembrou de que disse a ela que é o que eu gosto. Percebendo que não há como ela levar tudo de mim em sua boca, ela agarra a base do meu pau, envolvendo sua mão pequena em torno de mim e movendo para cima e para baixo em uníssono perfeito com sua boca, criando um túnel longo e molhado para eu deslizar para dentro e fora. Normalmente, eu poderia ficar na boca de uma garota por horas, mas sua boca é a porra de um banquete perfeito em mim, misturado com aquela sensação louca gelada e quente que faz com os lábios e eu já estou pronto para explodir. Minha outra mão voa para prender o outro lado da sua cabeça enquanto explodo em sua boca sem muito aviso. Silenciosamente rezo para que ela não engasgue, mas ela engole tudo e continua a chupar

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e dar voltas no meu pau enquanto as ondas de prazer lentamente diminuíam e a neblina erótica saía do meu cérebro. Me inclinando para cima, agarro ela e a puxo para cima do meu peito, devorando sua boca, degustando seus lábios com sabor de menta misturado com o meu gosto. — Puta merda, baby, se já não fosse casada, eu casaria com você agora mesmo. — Beijo ela mais profundamente, minhas mãos deslizando pelo corpo dela para o topo de sua bunda na pequena calcinha que ela veste. — Isso foi incrível. — Respiro contra sua bochecha. — Que porra está nos seus lábios? Parece uma loucura. Ela sorri timidamente, apertando as mãos com força por trás do meu pescoço. — Apenas um bálsamo especial para lábios que eu fiz. — Eu amo isso. — Minha boca captura a dela novamente e minhas mãos estão coçando para arrancar sua camiseta e suas calcinhas e fodê-la de sete maneiras, mas eu paro, não querendo fazer nada para estragar esse momento, como pareço fazer toda vez. Ela acabou de dar um enorme salto para fora de sua zona de conforto para me dar o melhor boquete da minha vida, então não vou arriscar a minha sorte. Em vez disso, a abraço e beijo, deixando minhas mãos lentamente vaguearem sobre seu corpo, aprendendo as curvas de sua figura petite que ela está escondendo de mim por muito tempo. — Você é a melhor surpresa que já tive. — Sussurro, acariciando do outro lado de sua bochecha com os meus dedos. Ela olha para mim com aqueles olhos enormes e místicos e começa a chorar, as mãos dela segurando os meus ombros. — Baby, o que está errado? — Beijo as lágrimas do seu rosto. — Não chore. Não tenho coragem de ver você triste. Ela encosta a testa contra a minha.

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— Não estou triste, Tally. Só quero que sejamos assim sempre. Com um movimento rápido, a rolo de modo que ela está abaixo de mim e descanso meus braços em ambos os lados de sua cabeça, meu rosto a polegadas do dela. — Nós nunca vamos ser perfeitos, baby, mas vamos ser sempre assim. O que quer que esteja entre nós, sempre estará aqui. Prometo. — Como você sabe disso? — Sinto em meus ossos. Isso somos nós. Suas pernas se abrem, permitindo que o meu corpo se estabeleça entre elas, meu pau pressionando contra seu calor através do material fino de sua calcinha. Não posso acreditar que estive com ela por dois meses e essa é a primeira vez que fui capaz de estar totalmente em cima dela. As mãos dela vão ao redor minhas costas, deslizando lentamente pela minha espinha enquanto beijo o seu pescoço,

gentilmente

sugando,

a

necessidade

de

devorá-la

e

preencher cada parte dela fervendo apenas sob a superfície da minha sanidade. — É tão bom ter você me tocando. — Murmuro enquanto envolve uma perna em torno de mim e esfrega seu pé preguiçosamente para cima e para baixo na minha panturrilha. — Você não tem ideia de quanto tenho vontade de sentir o seu toque. — É bom estar tocando você. — Ela sussurra. — Você quase não parecia real. Suas mãos deslizam sobre minhas costelas, em torno de meus ombros, então para baixo pelos braços e voltam para cima novamente, repetindo o mesmo caminho até a base da minha espinha. A suavidade de seu toque atinge muito além de músculos, tinta, pele e osso e toca minha alma. Agora sei porque Asher, Lukas, Storm

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e Vandal enlouqueceram com suas garotas. Não há nada no universo que se aproxima ao que estou sentindo. — Você está tremendo? — Ela pergunta, beijando meu peito e olhando para o meu rosto. — Sim, acho que eu estou. — Por quê? Você está bem? — Quero ser tudo que você precisa que eu seja. Só não sei como. Estou constantemente fodendo as coisas. — Talon, não, você não está. Você está muito bem, você não sabe mesmo. Ela puxa minha cabeça para me beijar e se move ligeiramente abaixo de mim, se esfregando contra o meu pau nu, que está ficando mais duro a cada minuto. Meus quadris moem lentamente, em um círculo sedutor contra ela enquanto passo minha mão para baixo pelo seu corpo, enganchando o meu dedo na borda de sua calcinha e puxando-as para baixo algumas polegadas. — Asia... — Respiro, minha voz desesperada por ela, meus lábios persistentes nos dela. Quero ela pra caralho. — Sim. Eu quero você. — Diz ela, sem fôlego, a mão empurrando o outro lado sua calcinha e, juntos tiramos, nossos corpos pressionando em um frenesi no momento em que o tecido de seda vermelha está fora do caminho. Pressiono meu pau contra as dobras quentes dela e beijo os seus lábios avidamente. — Você tem certeza? — Sussurro entre beijos. — Por favor, certifique-se... Ela se abaixa entre os nossos corpos e espalma meu pau, esfregando a cabeça contra sua entrada molhada. Pego a mão dela e a fixo em cima da cabeça, entrelaçando os dedos com os meus. Minha boca toma a dela novamente enquanto lentamente empurro o meu

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pau dentro dela, fazendo-a ofegar contra os meus lábios. Seu corpo treme enquanto vou tão lento e suave quanto posso com ela, frustrado com a realidade dura que não há nada que eu possa fazer nessa vida que não vai lhe causar dor, de alguma forma, física ou emocionalmente. Ela sempre vai carregar a cruz que eu sou. Entro

e

saio

dela

com

golpes

sonolentos,

nossos

lábios

descansando uns contra os outros enquanto ela respira trêmula contra mim, uma mistura de dor e prazer para ela. Isso não é como eu fantasiava que estar com ela seria. Imaginava tomando cada polegada de seu corpo com a minha boca e as mãos, deixando-a louca e forçando-a de todos os ângulos em cada peça de mobiliário que eu poderia levá-la, em seguida, fazê-lo mais uma vez. Mas isso... isso não tem nada a ver com sexo e tudo a ver com finalmente se conectar em todos os sentidos e se tornar um com ela. Uma trégua de tipos, de ceder, de jogar nossos corações no ar e esperar que o outro não o perca e não deixe cair respingos no chão. Afasto seu cabelo do rosto e toco seu rosto com a mão, me afundando um pouco mais. Suas coxas se espalham mais para mim e ela levanta uma perna enfraquecida para embrulhar ao redor da minha cintura, hesitante me levando ainda mais longe dentro dela. Ela parece como o céu ao meu redor. Meu pau pulsa enquanto ela se move devagar comigo, suas mãos flexionando em meus quadris enquanto pequenos gemidos e suspiros fluem de seus lábios. Deixo ela ditar o ritmo e profundidade e continuo a beijá-la, persuadindo-a a encontrar esse ponto doce e se deixar ir. E quando ela faz, suas paredes contraem fortemente em volta de mim e ela me abraça mais apertado, sussurrando o meu nome enquanto gozo com ela.

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Nossas línguas estão emaranhadas em um beijo lento, sonhador, enquanto nossas respirações se acalmam e se estabilizam e não quero deixá-la fora dos meus braços e da minha vista para qualquer coisa. Não tenho certeza como, mas essa menina está se infiltrando em meu coração. Nós rolamos para o lado, mantenho os meus braços em torno dela e coloco chuva beijos suaves sobre ela, bochechas, pálpebras, pescoço, com a necessidade de fazê-la se sentir valorizada, tudo que me importa agora é a esperança de que ela não se arrependa de me deixar passar por essa barricada que ela tinha em torno de si mesma. Sou culpado de nunca ter sido um amante suave ou doce, mas ela me faz querer ser um agora para ela. Ficamos em silêncio, não falando ou provocando um ao outro como costumamos fazer. Mas suas mãos se movem lentamente pelo meu corpo enquanto eu a beijo tentado dizer muito mais do que as palavras jamais poderiam. Ela enfia a cabeça no meu peito, debaixo do meu queixo e envolve os seus braços firmemente em torno de mim como se ela estivesse com medo que eu fosse desaparecer uma vez que ela cair adormecida. Sem chance. Espero até que sua respiração se suavize e só então me deixo cair no sono, como tenho feito todas as noites durante as últimas semanas. Lentamente, tudo na minha vida está se transformando em colocá-la em primeiro lugar e não vou resistir a isso.

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— Essa e esse. E isso. E essa merda também. Balanço a cabeça em diversão enquanto Talon enche o carrinho de compras com vários rolos de tecidos com cada textura e cor possível. — Nós temos que cortá-lo no comprimento que queremos. — Digo. — Não, vamos apenas comprar a coisa toda em rolo. Gosto dessas coisas. Nós definitivamente vamos usá-los. — Ok… Nós vamos para cima e para baixo de cada corredor de artesanato e de tecidos da loja, comprando mais coisas do que comprei em todos os cinco anos que tenho feito roupas. Ele acumula o carrinho com fios, rendas, corantes, tintas, cola, finos fios dourados e tudo o que ele está conseguindo pegar. — Talon, isso vai custar uma pequena fortuna. — Sussurro, a menina dentro de mim que nunca teve dinheiro vindo à tona até quando ele faz coisas como essa. — Baby, não se preocupe. — Ele se abaixa rapidamente e beija minha bochecha, fazendo com que o meu coração vibre. Toda vez que ele me toca agora, me lembro da nossa noite juntos quatro dias atrás, quando o acordei com o batom de bálsamo e depois fizemos sexo.

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Sonhando com a maneira como ele me tocou e me beijou, a expressão em seus olhos quando ele deslizou dentro de mim, pela primeira vez e como ele me segurou depois, faz meu interior tremer e se voltar como geleia. Nunca esperava que ele fosse tão suave e lento e certamente me empurrou ainda mais para a ladeira do amor na qual já estou deslizando. Embora, nós não transamos novamente e tenha certeza que parte disso é porque eu me retraí em minha timidez com ele, porque tenho me

consumido

com

preocupação

que

ele

possa

ter

ficado

decepcionado. Ele nem sequer tira a minha camiseta de noite na cama e talvez eu esteja sendo tola, mas não sei se é porque as coisas aconteceram muito rapidamente ou porque o meu corpo não o agrada para estar nu. As palavras que ele me disse quando nos conhecemos ainda estão ricocheteando na minha cabeça, especialmente agora. Talon saca seu cartão ouro e tento não desmaiar com a quantidade de dinheiro que ele apenas gastou. Mas me lembro de que a

maioria

desses

equipamentos

será

comprada

por

seus

companheiros de banda, as meninas do Sugar Kiss e as encomendas online que fui atendendo quase diariamente. Quando estamos caminhando pelo estacionamento para o nosso carro, uma menina loira e jovem vem voando até nós aparentemente do nada, quando estamos chegando ao nosso carro. — Talon! Hei! — Ela joga os braços em volta dele e ele a abraça de volta com um sorriso grande e assustado em seu rosto. Ela é absolutamente linda com o cabelo loiro longo, lábios carnudos, olhos verdes, e, um corpo petite perfeito. — Ei, amada, o que você está fazendo aqui? — Amada? Ele nem sequer me chama de amada. Eles se afastam e ela sorri para ele.

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— Nós paramos para um café na loja ao lado. — Ela faz um gesto para um cara olhando em uma moto no estacionamento a poucos metros de distância de nós, que tem enormes braços musculosos cobertos de tatuagens pretas e um curto rabo de cavalo na base do pescoço. Uau. Acho que as pessoas de boa aparência tendem a andar em rebanhos. Todos que Talon conhece ou é uma menina linda ou um incrivelmente gostoso, indivíduo musculoso. Talon levanta a mão ao cara e ele acena de volta. — Você está aqui com Toren? — Ele pergunta. — Sim... — Ela responde um pouco casualmente de uma maneira que eu instantaneamente aprimoro. — Ele me pegou na escola para me dar uma carona para casa. Eu só queria um café com leite em primeiro lugar. — Você sabe que posso te dar uma carona se eu não estiver ocupado. Basta me telefonar ou me mandar uma mensagem. Olho essa menina, sem tentar me fazer óbvia. Não tenho a menor ideia de quem ela possa ser. Amiga? Ex-namorada? Uma fã, talvez? E ela disse escola? Como ensino médio? — Está tudo bem, tio Talon. — Ela se vira para mim, sorrindo docemente. — Então, essa é a sua mulher? — Oh meu Deus, ela é, na verdade, sobrinha dele. Tenho tido todos os ciúmes loucos dela nos últimos cinco minutos? Claro, agora posso realmente ver uma semelhança entre eles. Talon vira a cabeça. — Merda, onde diabos estão minhas boas maneiras? Asia, essa é a minha sobrinha, Kenzi. Kenzi, essa é Asia. Estendo minha mão para ela. — É tão bom te conhecer.

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— Sinto muito que tenha perdido seu casamento. Eu estava fora da cidade em alguma estúpida viagem. — Entendo. Estou contente que nós nos encontramos agora. — Vocês estão, tipo, fazendo compras? — Sim, nós estamos, tipo fazendo compras. — Graceja Talon. — Asia faz roupas fantásticas, então estamos criando alguns figurinos de palco juntos. — Ooh, isso é radical! Preciso ver essas coisas. Você pode me fazer roupas de frio também? Aceno em sua excitação. — Claro. Você pode vir a qualquer hora que quiser e me mostre o que você gosta e farei o meu melhor para fazer isso por você. Seus olhos se alargam e ela dá um pequeno salto. — Isso seria incrível! É melhor eu ir. Tor está esperando. Ela dá a cada um de nós um abraço e depois salta através do estacionamento para o amigo. — Não tinha ideia que tinha uma sobrinha. — Comento quando colocamos as malas no banco traseiro e subimos. — Sim, é filha do Asher. — Oh! Quantos anos ela tem? — Ela tem dezessete anos. Assisto eles no espelho retrovisor enquanto montam na moto. — Ele parece meio velho para ela. — Digo. Talon zomba enquanto ele sai com o carro. — Eles não estão namorando, Aze. Ela o conhece desde que nasceu; ele é como uma família. Ele e Asher tem sido melhores amigos desde que eram crianças. Franzo a testa.

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— Hmm, ele tinha a mão em sua coxa quando saiu do estacionamento. — Você está louca, meu bem. Ele estava provavelmente apenas se certificando de que ela estava segurando. Ela é meio hiperativa. Não estou emocionado por ela estar em uma moto na idade dela, mas prefiro que esteja com um moto como Tor do que ela realmente conduzir um carro. Sua família possui a loja de motos na cidade. — Ok, foi apenas um sentimento que tive ao conseguir vê-los. — Ei, não é o meu circo, não são os meus macacos. — Ele aparece com o cigarro na boca. — Entre ela e minha irmã mais nova, que é praticamente da mesma idade, eu perderia a cabeça se tentasse me envolver em todas as coisas que elas fazem. Vou me resguardar do estresse da paternidade até eu ter meus próprios filhos. Não tiro a ideia da cabeça de que Toren tocando ela parecia um pouco íntimo, mas se ele é um amigo da família, então tenho certeza que está tudo bem e estou exagerando. — Boa ideia. — Concordo. — Quantos filhos você quer, afinal? — Dois seria bom. E você? Concordo com a cabeça enquanto olho para fora da janela, tentando me imaginar estar grávida e ter bebês com ele. Acho que ele daria um bom pai, uma vez que ele crescesse um pouco. A visão dele sem camisa segurando um bebê contra o peito tatuado passa pela minha mente. Droga, isso seria tão sexy. — Acho que dois é bom, um para cada. Seria perfeito. — Você está em qualquer controle de natalidade agora? — É um pouco tarde para perguntar isso, não é? Ele ri um pouco. — Sim, acho que é. Percebi que você teria me parado se você não estivesse. Não estava tentando ser irresponsável. Isso me passou pela

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cabeça rapidamente, mas eu estava um pouco distraído. — Ele pega a minha mão sobre o banco. Dou a sua mão um aperto de volta. — Está tudo bem. Estou tomando pílula, mas tenho sentido fortes dores de cabeça, por isso estou pensando em tomar a injeção. — Isso é seguro? Você não ficará doente ou algo assim? — Não penso assim. Eu teria que falar com o meu médico sobre isso. Não tenho um seguro de saúde, então não fui capaz de ir. Estou tomando pílula há três meses, quando descobrimos que estávamos nos casando. Kat teve que me emprestar o dinheiro para ir ao médico. Ele se vira para mim e então rapidamente desvia os olhos de volta para a estrada. — Baby... Merda. Tenho um seguro de saúde privado e nunca sequer pensei em te perguntar sobre isso. Vou chamar o meu agente e ver sobre colocar você no meu plano ou conseguir o seu próprio. Tanto faz se você precisa ou não, nós vamos fazer. — Talon, você não tem que fazer isso. Nunca tive um seguro de saúde. Ele aperta minha mão com mais força. — Asia, tenho que cuidar de você. Sou um idiota por não ter pensado essas coisas mais cedo. Eu sinto muito. — Você não tem que se desculpar. — Bem, estamos colocando isso em ordem. Se você quiser ver o seu médico antes disso, quero que você vá. Basta usar o cartão de crédito que lhe dei. — Isso pode esperar, querido. Realmente. Avise quando estiver tudo certo e então eu irei. Algumas enxaquecas não vão me matar. — Eu sei, mas não gosto da ideia de você se sentir mal se eu estou em turnê. Você estará em casa sozinha e com enxaquecas

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desagradáveis. Asher e Storm têm isso às vezes. Dado quanto a minha cabeça dói quando meu piercing de orelha incomoda, só posso imaginar a sua dor com a enxaqueca. Não quero minha esposa se sentindo doente enquanto ela está sozinha. — Estive sozinha por um longo tempo, farei dar tudo certo. — Falo para tranquilizá-lo. — Entendo isso, mas eu ainda quero fazer o que puder para você. Então, sem mais discussão. Me inclino em todo o carro e beijo sua bochecha. — Você é um homem muito doce. — Esfrego meu nariz contra sua bochecha e me afasto, minhas entranhas fazendo pequenas ondas de explosões felizes. Nunca tive ninguém me cuidando como ele faz e o fato de que ele é novo nisso me faz sentir especial. Assim que chegamos em casa, ele carrega todos os nossos novos suprimentos para o meu quarto de artesanato enquanto vou para a cozinha para nos fazer um suco de fruta.

— Vamos, Pixie. Talvez eu desenhe algumas roupas de arrasar para gatos. — Diz ele quando Pixie persegue-o pelo corredor. Ultimamente, ela tem estado montando em seu ombro, o que acho a coisa mais adorável e sexy que já vi. Postei uma foto nas mídias sociais e se tornou viral em uma hora. Aparentemente, estrelas do rock e gatinhos fazem meninas irem à loucura. Quando vou para a sala de artesanato, ele está sentado no chão com todos os suprimentos na frente dele, seus tênis Converse vermelho fora e jogados para o lado. E lá, no meio de tudo, está Pixie

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rolando. Ele a pego e roda-a para o outro lado, pela segunda vez desde que entrou na sala. — Como droga você faz qualquer coisa com esse gata? Eu nem mesmo posso lidar com ela. Entregando-lhe sua bebida, vou para a minha mesa e retiro um brinquedo de gato de uma das gavetas e lanço-o no chão para ela. Talon observa com interesse enquanto Pixie persegue o brinquedo e, em seguida, rola ao redor do chão com ele. — Aha. Então você tem armas secretas. Vou me lembrar disso. — Costumo trabalhar em cima da mesa, mas se ela começa a ficar chata, tenho que coloca-la para fora do quarto. Não podemos ter pelo de gato na roupa. Costumo rolar tudo com um rolo de pano antes de enviá-lo para um cliente ou dar a alguém. Ele sorri e se levanta. — Vamos comprar rolos de algodão, então. Ok, então me descreva seu processo aqui. Você vai esboça-lo primeiro e, em seguida, projetálo? Saboreio a minha bebida e aceno. — Normalmente, sim. Então, tento achar o melhor tecido para o design. Você vai começar a ver que alguns tecidos funcionam melhor para determinados estilos que outros. Nós passamos as próximas horas à mesa falando sobre diferentes modelos e tecidos e estou encantada ao ver que ele realmente pode desenhar como um artista. Os seus esboços são surpreendentes. — Talon, sério, há algo que você não possa fazer? — Não posso tirar os olhos de seus esboços e quão detalhados eles são. Estou ainda mais animada agora para realmente começar a fazer essas peças de vestuário com ele. Fechando o caderno de esboços, o coloco para o lado da mesa.

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— Amanhã devemos iniciar esses. — Digo com entusiasmo. Ele fecha as caixas que nós organizamos os suprimentos e as empilha no canto onde eu as mantenho. — Assim que eu chegar em casa do estúdio podemos começar. Vou tentar voltar mais cedo do que o habitual. — Isso seria ótimo. Vou ligar para Kat. Não falo com ela faz dias e ela continua enviando mensagens para ver se estou viva. — Legal. Estarei na varanda tocando algumas músicas. Venha me encontrar quando estiver pronta e vamos assistir a um filme mais tarde, se você quiser. Meu marido estrela do rock agora tem noites de cinema comigo cerca de três vezes por semana, se aninha em nosso sofá enorme e envolvente na sala de estar, geralmente com as janelas abertas, para que possamos ouvir os grilos cantando e os sinos de vento soprando com a brisa. Essas são as minhas noites favoritas, porque eles são o mais próximo do normal que estamos começando e é quase fácil esquecer que éramos estranhos quando nos casamos. Às vezes eu realmente acho que a falta de um período de namoro no nosso relacionamento foi a pior parte desse experimento. Nós perdemos a maior parte das coisas que as pessoas que estão namorando fazem, como ligar um para o outro, ter encontros reais, descobrir o que a outra pessoa gosta e não gosta, e, finalmente, decidir se gosta da pessoa o suficiente para manter o relacionamento. Tenho a sensação de que se Talon e eu tivéssemos nos reunido por vontade própria, provavelmente não teríamos passado do primeiro encontro. Disco o número do celular de Kat, mas ela não atende, então envio uma reveladora mensagem rápida e vou ligar para ela amanhã. Estive pensando sobre sugerir um encontro duplo para jantar com ela e Rob, porque nós quatro não tivemos agendas compatíveis para nos

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encontrar depois que nos mudamos. Infelizmente, tudo era tão caótico que mal tivemos a chance de nos falar. Me aventuro fora da grande varanda da frente para encontrá-lo sentado no chão, com os pés descalços com as pernas esticadas na frente dele, tocando seu violão e cantando suavemente. Meu coração quase para quando percebo a música que ele está tocando é “Dies Hope Last” e sua voz é linda, cheia de tanta emoção que ele soa ainda melhor do que o vocalista de verdade que canta. Me ajoelho no chão ao lado dele, meus sentimentos estampados ao ouvir o meu marido cantando uma canção que eu amei por anos. Essa música sempre pareceu tocar durante um tempo em minha vida quando eu precisava ouvi-la, como um sinal para não desistir da esperança. — Uau. — Disse quando ele está acabando. — Essa é a minha música favorita no mundo todo. Toda vez que a ouço, juro que me leva a um lugar diferente. Você cantou melhor do que o vocalista original. Eu nem sabia que você podia cantar. Ele olha para cima e pisca para mim. — Eu a escrevi quando tinha dezoito anos, acredite ou não. Ela sempre foi a minha favorita também. — Espere... Essa é uma música do Ashes&Embers? — Não tinha ideia de que ele tinha escrito e tocado esse comovente solo de guitarra que me levou às lágrimas mais vezes que posso contar, ou que Asher era o cantor. Só assim, sinto meu coração e alma saltando e caindo e sei que nunca serei a mesma. Estou me apaixonando por ele. Não sei mais se posso negar isso para mim. Ele sorri suavemente. — Com certeza é uma de nossas músicas, jujuba. Parte da letra é o que eu coloquei na sua aliança de casamento.

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— Puta merda, eu não tinha ideia. — Meu Deus. Nada poderia significar mais para mim. Como ele sabia? É como destino. — Sempre amei essa música. Você a canta ainda melhor do que Asher. Por que ele não deixa que você a cante? Carrancudo, ele balança a cabeça e solta uma risada sarcástica. — É difícil brilhar quando você está cercado por estrelas, baby. Não sou muito notado. Eles apenas usam o que eu escrevo. — Então, não seja uma estrela, Talon. Seja a lua. Brilhe acima de todos eles. — É injusto que seus irmãos não deixem que todos os seus talentos sejam utilizados na banda. Ele tem uma voz incrível. Por que eles não querem deixá-lo cantar? Especialmente uma música que ele escreveu? Ele

dedilha

alguns

acordes,

olhando

para

as

montanhas

melancolicamente. — Você é muito boa para a minha alma, Asia. Você sabe disso? Ajoelhando mais perto dele, me inclino para frente e planto um beijo suave na bochecha. Seus olhos se iluminam com surpresa e um sorriso adorável se espalha por seus lábios. — Para que isso? — Apenas um impulso. — Tem mais? Quando me inclino novamente para beijar sua bochecha, ele se vira e pega meus lábios com os seus. Não me afasto dessa vez como eu fiz muitas vezes no passado. Nós nos beijamos suavemente e ele coloca a guitarra para o lado para me puxar delicadamente em seu colo assim, estou montando ele. Olhando para mim, ele toma meu rosto em suas mãos, me segurando enquanto ele me beija mais profundamente, se certificando

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de que não posso escapar dele. Um pequeno gemido escapa dos meus lábios e decido que não quero esperar mais para lhe dar cem por cento de mim mesma. Seus lábios se movem através da minha bochecha, em seguida, ao meu ouvido, seu hálito quente contra mim. — Quero você. — Só de ouvir essas palavras sussurradas me provoca uma onda de calor e um milhão de vibrações em cascata na minha espinha e se estabelecem entre as minhas coxas. — Quero você também. — Minha voz é quase inaudível, quando puxo sua camisa para cima e ele levanta os braços rapidamente para me deixar tira-la. — Você me quer? — Ele puxa meu agasalho leve por cima da minha cabeça e passa as mãos sobre as minhas costas nuas, a brisa fresca enviando arrepios sobre a minha carne. — Sim... — Curvo a cabeça para beijar seu pescoço, o rosto sob seu cabelo longo e ondulado enquanto seus dedos rapidamente abrem o fecho do meu sutiã. — Quanto? — Sua voz é suave e profunda quando ele joga o sutiã para o lado para a crescente pilha de roupas, enquanto corro minhas mãos pelo seu cabelo e seguro sua cabeça para beijar os lábios, abrindo meus olhos para encontrar os seus que estão escuros, me queimando. — Mais do que eu já quis qualquer coisa. Seus olhos se fecham e ele toma um profundo fôlego enquanto suas mãos vão para cima de meus quadris para meus seios, os polegares esfregando suavemente sobre meus mamilos tensos antes que ele abaixe seus lábios para um. Ele suga-o na boca como se fosse uma sobremesa antes de arrastar sua língua em meu peito para cercar o outro com a boca. Minha cabeça cai para trás e meu corpo

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arqueia para ele enquanto sua língua dança sobre os meus seios, me excita tanto que tenho certeza que ele pode sentir a umidade através de minhas calças de yoga onde minhas coxas estão espalhadas por seu pau duro como rocha empurrando contra seu jeans. — Porra... você está tão linda, querida. Retiro cada porra do que eu disse... Juro, estava demente quando eu disse aquela merda. — Ele beija e lambe meus seios entre as palavras ofegantes, me tocando com as mãos. — Olha como perfeita pra caralho você é... Agarrando a parte de trás do meu pescoço, ele me puxa para baixo para beijar meus lábios avidamente. — Posso levá-la para dentro? Antes que eu coma você aqui na varanda? — Sim… — Não se atreva a me soltar. — Ele me beija novamente, seus olhos brilhando de desejo enquanto ele se levanta, com as minhas pernas ainda enroladas na cintura e me leva para dentro da casa, até as escadas para o nosso quarto, como se eu pesasse absolutamente nada. Beijo seu pescoço e ombro durante o passeio que ele me dá, me deleitando com a força que ele tem. Ele me coloca na cama e meus olhos não saem dele enquanto ele tira os meus sapatos, então minhas calças e calcinhas. Ele é tão sexy, como um viking que está sobre mim, todo músculos e tinta com seu cabelo longo e loiro fluindo no peito e sobre os ombros. Como é que eu já achei que ele não era o homem mais bonito no planeta? O que droga tinha de errado com nós dois quando nos conhecemos? Minha respiração acelera quando o vejo tirar suas calças jeans e seu enorme pênis salta para fora, fazendo com que meu estômago faça acrobacias pré-orgásmicas.

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Escalando a cama, ele rasteja até que ele está ajoelhado em cima de mim. — Você deveria ver seu rosto, baby. Seus olhos estão enormes para caralho. Deixei escapar um suspiro. — Desculpe. Seu corpo é apenas... Ele atinge entre minhas pernas e acaricia meus lábios molhados com os dedos. — Somente o quê? — Ele provoca, com a boca persistente sobre a minha quando meu corpo praticamente se funde com a mão dele. Kat estava certa, minha vagina estava totalmente morrendo de solidão. Serpenteando os meus braços em torno de seu pescoço, tento não me deixar cair de volta para a zona de timidez com ele. — Apenas tão bonito. — Eu não sou bonito, Aze. Mas você definitivamente é. Ele se abaixa em mim e continua devorando meus seios com os lábios e língua, enquanto seus dedos deslizam lentamente para dentro e para fora da minha umidade. Alcançando ele, tento puxá-lo até a minha boca, mas ele balança a cabeça. — Você vai ter que esperar por beijos, jujuba, porque vou te penetrar com a minha língua em primeiro lugar. Ok, então. Ele arrasta a língua na minha barriga, circulando o meu umbigo, então se move para baixo para beijar meu osso do quadril, mordiscando minha pele enquanto seus dedos continuam um ritmo lento dentro de mim. Ele beija as minhas coxas, se ajoelhando e virando seu corpo para que ele possa trilhar beijos até os meus pés, sua língua me fazendo cócegas. Toco em qualquer parte dele que posso alcançar, esfregando as costas e as pernas enquanto seus

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lábios exploram o meu corpo, até que ele se vira e começa a mesma viagem lambendo para cima, parando para espalhar minhas pernas mais além, sua língua se aprofundando em mim enquanto ele puxa a mão. Ele agarra as minhas coxas em suas mãos quentes e suga meu clitóris suavemente em sua boca, sacudindo sua língua sobre mim, me fazendo ofegar e me contorcer debaixo dele. De repente, ele para e passa sua língua até o meu estômago, entre os meus seios, sobre a minha garganta para finalmente parar na minha boca, me beijando profundamente, tocando a língua na minha. — Cada parte de você tem um gosto delicioso. — Ele geme. — Quero fazer sexo comendo-a viva. — Mmmm... Sexy com um lado de serial killer... — Provoco. — Cala a boca pequena e vire. — Diz ele contra os meus lábios. — Não acabei contigo. Obedecendo, viro de bruços, enquanto ele paira acima de mim e sinto os seus olhos em mim por alguns instantes antes de sentir suas mãos em mim. Sinto os pequenos calos nos seus dedos bem de leve arranhando a minha carne, uma pequena lembrança de quem ele é quando ele passa as mãos pelas minhas costas, por cima do meu traseiro e para baixo nas costas das minhas pernas, acariciando cada parte de mim. Seu joelho cutuca minhas pernas enquanto ele agarra uma das almofadas da cama e enfia sob meus quadris, forçando a minha bunda para cima. Ele coloca seu poderoso corpo em cima do meu, me cobrindo quase completamente com o seu tamanho e reúne meu cabelo, puxando tudo para um lado para expor o lado do meu pescoço. — Você é tão pequena. — Diz ele de cima de mim, passando a mão contra minha bochecha. — Estou com medo que quebrar você. — Não vou quebrar, Tally.

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Sinto seus quentes e molhados lábios na parte de trás do meu pescoço. — Deus, amo quando você me chama assim. Me transforma em mingau. — Ele gentilmente suga e morde meu pescoço e viro minha cabeça mais para o lado, meu rosto pressionado contra a cama quando me arrepio inteira. Amo quando ele é sensual, ele me faz sentir tão incrivelmente acarinhada. Só queria saber como ele se sentia sobre mim. Será que ele está apaixonado por mim como estou por ele? Ou estamos apenas lidando com a química entre nós? Ele leva minhas duas mãos na sua, as estendendo acima da minha cabeça na cama e entrelaçando os dedos, quando ele lentamente empurra seu pênis em minha boceta por trás, o tempo todo beijando e chupando o meu pescoço e clavícula, me embalando em

um

êxtase

sonolento.

Sendo

esticada

enquanto

ele

está

completamente em cima de mim, me penetrando tão profundamente é a sensação mais erótica que já experimentei. Sinto como se ele fosse meu dono. De alguma forma ele está conseguindo equilibrar seu peso para que ele não esteja me esmagando enquanto ele empurra em mim com movimentos longos, lentos e ele é tão malditamente grosso e duro e tão incrivelmente gostoso dentro de mim. Minha necessidade de tocá-lo está me deixando louca, mas ele me tem tão presa que tudo o que posso fazer é arquear minhas costas e empurro a minha bunda para cima para encontrar seus quadris. — Porra, sim, baby... faça isso. — Ele rosna contra a minha orelha. Viro a cabeça na direção dele e nossos lábios se encontram desesperadamente, com sede um do outro enquanto ele me penetra mais profundo, me enchendo até que eu não tenho certeza se posso tomar mais dele. Respirando fortemente contra mim, ele vai mais

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fundo e mais rápido, minha boceta tremendo em torno dele enquanto ele me envia em euforia feliz. Uma série de gemidos misturados com seu nome escapa da minha garganta quando eu gozo, meus dedos apertando ao redor dele, o metal dos nossos anéis de casamento raspando um contra o outro. Seus lábios deixam os meus enquanto ele se ajoelha um pouco para conduzir seu pênis ainda mais dentro de mim e sinto que ele vai me rasgar se continuar assim, mas posso sentir o quanto ele me quer. Espalhando as minhas pernas um pouco, rodo meus quadris para cima para tirar mais dele, querendo cada polegada dele sendo meu, não satisfeita até que sinto suas bolas batendo contra minha boceta encharcada. — Asia... — Meu nome é um gemido de prazer em seus lábios quando o sinto gozando em mim, suas mãos liberando as minhas para agarrar minha garganta, puxando minha cabeça para trás, enquanto sua outra mão está enterrada no meu quadril, me puxando forte nele. Sinto que estou flutuando em algum lugar acima de nós, vendo meu marido assumir a minha mente e corpo, me fazendo sentir coisas que nunca sequer sabia que podia sentir. A mão dele acondicionada em torno de minha garganta é tão primitivo, mas tão incrivelmente íntimo que me faz tremer, querendo saber se tropecei em algo que não é nem amor, nem química, mas algo muito além de ambas as coisas. Ainda se movendo preguiçosamente dentro e fora de mim, ele desliza a mão pelo meu pescoço, seu dedo pastando sobre a minha boca. Separando meus lábios, chupo o dedo na minha boca e rodo minha língua em torno dele, satisfeita com o gemido baixo que eu o ouço dar atrás de mim, amando que eu possa afetá-lo como ele me

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afeta. Se abaixando, ele nos roda em nossos lados, seu pau ainda enterrado em mim e seu dedo ainda na minha boca. Não faço ideia como ele ainda está tão duro depois de ter gozado, mas ele ainda está como uma rocha enquanto ele puxa o seu dedo da minha boca, desliza a mão na frente do meu corpo e esfrega o dedo em círculos lentos sobre o meu clitóris. Suspirando, me inclino para trás contra o peito e torço minha cabeça para beijá-lo. — Você é incrível. — Ele sussurra contra os meus lábios — Eu não posso parar. — Não quero que você pare. Sua mão se move para a minha coxa e puxa a perna para trás, por cima da sua, me espalhando para me abrir sobre ele. — Nunca? — Ele pergunta. — Nunca. Suspirando, ele me puxa mais apertado contra ele por isso não há espaço entre nós. — Obrigado, querida. — Por? Seus lábios permanecem no meu ombro antes que ele responda. — Por ser tudo o que eu desejava. Ainda estou perdida em suas palavras quando ele começa a se mover mais profundo e mais rápido em mim. — Quero que você goze comigo e adormeça comigo... Assim. — Sua voz é selvagem e bruta. — Quero que esse momento dure enquanto for possível porra. Fechando os olhos, me fundo contra ele e lhe dou exatamente o que ele pede, porque eu quero isso também. Ficar o mais próxima possível, ligada a ele, em seus braços, para sempre.

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Acordei mais feliz e mais completo do que me lembro de estar em um longo tempo. Gosto desse sentimento. Muito. Asia está enrolada ao meu lado debaixo das cobertas, ainda completamente nua. Removo o cabelo do rosto dela e beijo sua bochecha, esperando que seus olhos se agitem abertos. E quando o fazem, um sorriso lento se espalha por seu rosto. Finalmente, tenho uma garota que ainda está feliz em me ver de manhã e não está correndo para a porta. — Bom dia. — Ela se estica sonolenta, esfregando sua mão em meu peito. — É. Eu gostaria de torná-lo ainda melhor, mas tenho que correr para o estúdio para o ensaio. — Ela faz beicinho e eu beijo o seu nariz. — Vou tentar voltar o mais cedo que puder, ok? Vamos trabalhar em alguns projetos e então, farei as coisas com você. Ela ri. — Mal posso esperar. Graças a Deus ela adora sexo também. Todo esse tempo tenho ficado um pouco preocupado que talvez ela estivesse me afastando porque ela fosse uma daquelas garotas que não gostam de sexo, mas agora sei que estava errado. Ela só queria que fosse certo. E para mim, isso não poderia ser mais certo.

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Me arrastando para longe dela, tomo uma rápida chuveirada quente, visto algumas roupas e a encontro na cozinha enquanto procuro minhas chaves. Ela me dá uma caneca de viagem e mantém minhas chaves em sua outra mão. — Você as deixa por toda a casa. — Ela sobe nas pontas dos pés e beija minha bochecha. — Você levantou para me fazer café? — Sim. — Isso é muito doce. Obrigado, querida. Você deve voltar a dormir por um tempo, relaxe hoje. — Não posso. Tenho tanta coisa para fazer e pensar em todos esses pedidos. Estou animada. — Tudo bem, apenas não fique estressada, ok? Quero que você faça isso porque gosta, não porque você tem que fazer. Ela me acompanha até a porta e me abraça mais tempo do que o habitual. — Divirta-se no ensaio. Diga aos caras que eu disse olá. — Vou dizer. Quando saio da garagem, aceno para ela ainda de pé na porta da frente, agora acariciando Pixie. Porra, ela parece adorável. Minha esposa. As palavras continuam brincando na minha cabeça enquanto dirijo até a estrada da montanha em direção à cidade. Hoje é realmente o primeiro dia desde que nos casamos que eu realmente sinto que ela é minha esposa. Sei que o sexo não é uma bala mágica, mas está definitivamente quebrando uma barreira entre nós. Sentado no quarto farol vermelho até agora no caminho para o estúdio, sonho como ela chupou meu dedo e bateu seu pequeno rabo contra mim na noite passada, querendo mais de mim e como nós

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dormimos enroscados. O meu pau endurece em meu jeans apenas pensando sobre como foi, como ela estava, como eu a provei. Porra. Olhando em meu espelho retrovisor, giro o carro em torno e dou meia-volta no meio do cruzamento e volto diretamente para casa. Porra, o ensaio. Nem sequer me preocupo em estacionar o meu carro na garagem. Ela não está lá embaixo, então corro para cima e a pego quando ela está saindo do banheiro vestindo apenas uma toalha, seu cabelo está úmido e suas bochechas estão rosadas de seu banho. Ela pula quando me vê e se afasta um pouco, segurando a toalha. — Talon! Você me assustou pra caralho. Qual o problema? — Nada. — Fechando o espaço entre nós, eu a apoio contra a parede do quarto e cubro seus lábios com os meus. — Eu não conseguia parar de pensar em você. — Eu estava pensando em você, também. Beijando-a mais profundamente, desato a toalha e deixo cair no chão, coloco minhas mãos em seus os seios que agora eu não posso deixar de segurar. Seus mamilos são rosados e inclinados para cima, implorando por meus lábios. — Diga que você me quer tanto quanto quero você. — Arranco minha camisa e jogo-a. As mãos dela vão para a minha cintura, os dedos desabotoando minha calça jeans e abaixando o zíper. — Acho que te quero mais. Á pontapés saio de minhas calças e passo minha mão em seu estômago, entre as coxas e sorrio contra seus lábios com a forma de seda molhada que ela está para mim. — Você me quer. — Brinco, deslizando um dedo dentro dela.

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Suas mãos puxam meu cabelo, seus quadris empurram contra mim. — Então, me dê você. Porra, ela vai me enlouquecer. Ela é a única que já teve a capacidade de deixar meus pulmões sem ar com apenas palavras ou um olhar. Agarrando suas coxas, eu a levanto e suas pernas vão ao redor da minha cintura enquanto meu pau empurra dentro dela. Com um grito e um gemido, ela agarra os meus ombros, suas unhas cavando em mim enquanto a fodo com força contra a parede. Minha capacidade de ser gentil foi jogada pela janela agora, depois de meses sem sexo e a cobiçando por semanas. Inclinando meus braços contra a parede em ambos os lados de sua cabeça, deixo seu corpo deslizar para baixo e apoio na parede alguns centímetros para que eu possa come-la novamente. Não posso tirar os olhos dela, alimentado pela forma em que seus olhos se mantém tremulando fechados e sua boca se abre com cada impulso duro. — Tal... — ela choraminga, envolvendo os braços em volta do meu pescoço. Beijo ela mais profundamente e a como com mais força, querendo

consumir

cada

parte

dela,

roubando

o

fôlego,

os

pensamentos dela, tudo, então tudo o que ela quer e precisa é de mim. Sua boceta aperta meu pau e seu corpo começa a tremer, enquanto eu atinjo esse mesmo êxtase com ela. Nunca fui capaz de gozar tão rápido antes; geralmente, leva muito tempo para chegar a esse ponto, mas com ela eu mal posso me segurar dez minutos antes de perder todo o controle. — Santo Deus. — Ela deita a cabeça no meu ombro e beija o meu pescoço enquanto ofega por ar. — Acho que vou desmaiar.

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Levo ela para a cama e a deito antes de ir para o banheiro para pegar um copo de água fria. Ela o tira de mim com um sorriso e toma alguns goles, em seguida, coloca-o na mesa de cabeceira. — Você está bem? — Pergunto, me estendendo ao lado dela e puxando-a para mais perto de mim. Ela balança a cabeça, ainda tentando recuperar o fôlego. — Sim. Apenas nunca fui comida contra uma parede antes. Acho que você quebrou minha pélvis. — Sua pélvis está perfeita, baby. — Deslizo minha mão pelo corpo dela e acaricio-a na barriga, minha mão grande quase a englobando toda. Porra, ela é tão pequena, não posso nem pensar, mas me pergunto onde meu pau foi. — Machuquei você? — Um pouco... mas é uma dor boa. O bem supera o mal. Um sentimento que não estou acostumado a se arrastar sobre mim se fixa em meu peito. — Aze, não quero machucar você. Você é muito menor do que as outras garotas com quem estive. — Bem, você é muito maior do que os caras com quem estive. Ugh. Não quero pensar sobre ela com outros caras, paus menores ou não. — Ok, não quero comparar as notas. Só não quero te machucar. Serei mais suave Virando a cabeça para mim, ela beija meu pescoço. — Não quero que você seja mais suave. Quero que a gente aja como nos sentimos e não nos seguremos. — O que aconteceu com esperar por todos os sentimentos para processar adequadamente e ter aprovação em primeiro lugar? — Provoco, fazendo cócegas em sua cintura um pouco.

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Lamento imediatamente minhas palavras quando ela se vira, seu sorriso desaparecendo. O seu rosto é comovente e vira o rosto de volta para mim. — Não. — Beijo seus lábios suavemente. — Nenhuma briga hoje. Ok? Estamos juntos. Somos felizes. Estamos progredindo. Deixe as rodas continuarem girando. — Ok. — Ela sussurra. Em algum lugar no chão, meu telefone toca. — Merda. — Murmuro, me levantando para encontrá-lo enterrado no meu jeans com o nome de Mikah piscando na tela. — Sim? Sua voz é alta no meu ouvido. — Onde está você, cara de merda? Todo mundo está no ensaio, mas você não. Olho a minha mulher nua na cama, enrolada contra um travesseiro, um raio de sol entrando pela janela, iluminando seu rosto e fazendo brilhar o roxo no cabelo dela. Ela está linda. — Estou ocupado. — Ninguém se importa. Asher quer você aqui. — Eu nunca perdi um ensaio; seus babacas, sempre estou aí. — Sim, mas você é o único que escreveu a maioria das canções de merda, por isso precisamos de você aqui. Dou um suspiro frustrado. — Talvez vocês devam começar a fazer parte do trabalhar, também. — Vamos, Tal. Não vamos começar essa merda de novo. Apenas traga seu traseiro aqui antes que Asher pire. — Eu te disse, estou ocupado. — Quero passar o dia na cama com minha esposa e recuperar os dois meses que não nos tocamos.

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— Babaca, você esqueceu que vamos sair em turnê em duas semanas? Precisamos ter essas novas músicas ensaiadas. Pare de fazer a porra que esteja fazendo e venha aqui. — Ele encerra a ligação tão rápido que os olhos de Asia encontram os meus. Merda. Esqueci sobre a turnê. — Você tem que ir, querido? — Seus lábios fazem um beicinho, me fazendo querer senti-los em mim. Resistindo a sua boca, visto meus jeans e tênis. — Sinto muito, querida. Gostaria muito e preferia ficar aqui com você. — Está tudo bem. Foi uma surpresa agradável que você voltou. Pendurando meu cigarro eletrônico na minha boca, sorrio para ela. — Foi uma porra de impressionante surpresa. — Ando até a cama, colocando a minha camisa. — Estarei de volta em breve. Ela envolve os braços no meu pescoço quando me curvo para um beijo. — Estarei pensando em você. Aperto as costas e relutantemente me afasto. — É melhor você pensar mesmo. — Pisco e a deixo antes que eu mude de ideia e mergulhe de volta na cama com ela. A última coisa que preciso é Asher puto comigo. Ouço no meu rádio algum Sixx: A.M. no meu caminho para o estúdio, tentando lembrar se houve um momento antes que eu não queria praticar e não estava animado sobre ir em turnê. Não. Nunca houve.

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— Bom você aparecer. — Asher cospe na minha cara assim que chego ao estúdio, que é na sua mini mansão. Jogo minhas coisas no chão com aborrecimento. — Que porra, não posso perder uma porra de dia? Estou aqui todos os dias, às vezes por todas as horas da noite, normalmente por mim mesmo, escrevendo música. Para nós. — Ninguém nunca fez você fazer isso. Não fique bravo conosco pelas suas escolhas. — Mikah diz. — Tal tem direito. — Storm diz, pegando sua guitarra. — Ele fez muito mais do que qualquer um de nós o ano passado. Todos nós já estivemos preocupados com nossas coisas pessoais. Lukas pegou folga também. Ele e Talon escreveram todas as canções desse álbum e metade delas no último. Nós devemos trabalhar juntos. Mikah faz uma carranca. — Luke nem é mesmo um verdadeiro membro da banda. Vandal olha para ele do outro lado da sala. — Sério? Desde quando? A última vez que verifiquei, seu solo de violino e efeitos sonoros especiais estão em todos os nossos CDs. E ele não fez o solo de bateria em algumas cortes, também, quando você fodeu todos? Ele não tem de estar em todos os ensaios e em cada show ao vivo para fazer parte da banda, cara. Que porra é essa que você faz, de qualquer maneira? Você só está transando com o ruído de fundo. — Ok, chega! — Asher grita. — Vocês são como um bando de meninas, porra. Temos que trabalhar juntos. Estamos partindo em duas semanas. Estou farto de discussões e de ser babá de vocês idiotas. Tenho merda suficiente para me preocupar. Todos os assuntos da banda. Mas Tal e Storm estão certos. Todos nós temos que colocar algum esforço em criar, ou podemos apenas sair.

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Storm sacode a cabeça. — Nenhum de nós quer isso. Vejo meu irmão mais velho espremer as têmporas e me pergunto se toda a merda que ele está tratando está finalmente quebrando-o. — Ash, não me importo de fazer o trabalho, mas eu gostaria de ser apreciado um pouco. Vocês tomam tudo o que escrevo e, em seguida, mudam no último minuto, sem sequer me incluir. Não sou a porra de um garoto mais. Isso me suga quando coloco todo esse tempo e esforço para escrever e depois vocês pegam o que fiz e fodem tudo. Mikah atira uma baqueta no ar e a pega. — Nós gostamos de suas coisas, nós só queremos que seja mais ousado. Grande coisa, mudar a sua merda. — É uma grande coisa para mim. Pensei que queria mostrar alguma diversidade, cada canção não soa da mesma porra de forma. — Estou ficando cada vez mais frustrado e gostaria de ter ficado na cama com minha esposa ao invés de lidar com isso. — Estou com Talon sobre isso. Gosto da diversidade com a qual ele escreve. — Diz Storm. — Nem tudo tem que ser hard rock ou metal. Amo o toque blues que ele está colocando nas músicas e realmente gosto das canções rock românticas de estilo antigo. — Concordo. — Vandal acrescenta. Asher parece derrotado. — Se mudar muito, vamos perder alguns fãs. Eles esperam certo estilo de música de nós. — Então, nós perderemos alguns fãs e vamos ganhar novos. Isso acontece com todas as bandas. — Vandal diz, se inclinando para trás na cadeira. — Não quero ficar estagnado, porra.

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— Como você pode ser estagnado quando esteve em uma porra de um hiato e tivemos que ter uma garota preenchendo para você? — Mikah joga para ele. — Vou te matar se você trouxer isso à tona novamente. — Vandal ferve e não posso culpa-lo. Apenas Mikah seria mala o suficiente para lembrar Vandal que ele teve que fazer uma pausa da banda, enquanto ele estava sofrendo por sua filha. Asher se levanta. — Mikah, para com essa a merda. Você está sendo idiota mais do que o habitual ultimamente e todo mundo está cansado disso. — Ele se vira para mim. — Nós vamos começar a colaborar mais na música. Vou tentar estar aqui mais durante o dia quando você estiver aqui. Todos devemos. E já que estamos todos aqui e em tal grande humor hoje, queria falar sobre a turnê. Desde que vocês estão todos envolvidos com as garotas agora, com exceção do idiota ali, — ele acena com a cabeça em direção a Mikah. — Acho que precisamos concordar que as garotas não devem sair em turnê com a gente. Minha cabeça se encaixa. — Por que não? — Elas vão me deixar muito louco no ônibus da turnê. Não posso nem imaginar o drama que poderia começar com brigas, ciúmes, TPM, querendo tempo sozinha, não recebendo o suficiente de sono, nenhuma privacidade, Starbucks a cada dez quilometros e a lista continua. Não é um lugar para uma mulher estar. Não me importo se elas voarem ou dirigirem até onde estamos e ficarem por algumas noites, mas não acho que elas deveriam estar viajando com a gente na turnê. Esse é o nosso trabalho e não um período de férias e nós não o fazemos tanto quanto a maioria das bandas, de qualquer maneira. As garotas vão ficar bem por algumas semanas.

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Storm acena com relutância. — Odeio estar longe de Evie, mas tenho que concordar. É o melhor. Ela não quer estar ao redor de todos os shows de qualquer maneira. Ela tem o seu próprio emprego e é voluntaria no abrigo animal de estimação para mantê-la ocupada. — Ele olha para mim. — E você, Talon? Como é que a Asia se sente sobre isso? — Ele está casado há dois malditos minutos com alguém que ele nem conhece. Quem se importa com o que ela pensa? — Mikah interrompe. — Vocês estão nessa de dominados pela boceta já? É lamentável. — Falou o comedor. — Diz Vandal. Ignoro Mikah. — Asia não gosta de viajar, por isso ela não queria ir de qualquer maneira. Sei que é algo que ela temia quando eu disse a ela que a queria comigo. E agora ela tem toneladas de encomendas de roupas de palco e esse material para os sabonetes. Então, pelo menos ela tem algo para mantê-la ocupada. — Está vendo? Ela ficará bem. — Asher me assegura. — Às vezes um pouco de espaço é bom. — Você sabe o que é ótimo sobre isso? — Diz Mikah. — Agora, quando estivermos em turnê, vou ser o único a me dar bem enquanto vocês fodem seus próprios pintos se masturbando. Todas do The Hot Chick serão minhas. — Ele entra em um ataque de riso histérico. Asher balança a cabeça. — Você é um idiota, cara. Mas enquanto estamos no assunto, se eu pegar qualquer um de vocês traindo suas garotas, nós vamos ter alguns graves problemas. Sei que é duro com as fãs e as groupies se atirando para nós às vezes, mas confiem em mim, não vale a pena. O

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que você tem em casa vale a pena esperar, assim valorizem elas e apreciem, não importa o quê. — Yoda falou mais uma vez. — Mikah, cale a boca! — Storm grita. — Porra. Você nunca para. — Não tenho nenhum problema em mata-lo agora. Ou cortar a língua. Basta dizer a palavra. — Vandal diz com um sorriso maligno. Não tenho nenhuma dúvida de que ele iria prejudicar Mikah em um instante. Suspiro e sopro meu cigarro eletrônico, preocupado em deixar Asia sozinha tão cedo e me pergunto como ela vai reagir quando descobrir que eu estou deixando-a em duas semanas. Agarrando minha guitarra, silenciosamente oro para que isso não nos faça regredir novamente. 272 É uma sensação muito legal ser capaz de olhar para alguém e saber que o sorriso que está usando é por sua causa. É um sentimento igualmente de merda saber que você é a razão pela qual seu sorriso desapareceu. — O que e quando? — Ela pisca para mim como se eu estivesse falando uma língua estrangeira. — Em duas semanas. — Você nunca disse que tinha que sair tão cedo. Pensei que haveria meses de distância. Você não sabia sobre isso antes? — Sabia... Só esqueci com tudo que estava acontecendo. — Como você se esqueceu de que você está indo em turnê por quase três semanas? Não é uma grande coisa? Dou de ombros, realmente não sei como esqueci.


— Não sei. Estive preocupado com a gente e a casa, eu acho. Nunca realmente coloquei um grama de pensamento em estar em turnê; eu só ia. Nunca tive planos antes ou fiz qualquer coisa diferente de tocar, por isso não importava se eu estava indo. — Bem, não importa agora. — Ela sai como uma tempestade da porta de trás e vai para o canto do quintal ajardinado, onde ele se transforma em floresta. A vejo da janela, com medo que ela possa vagar por entre as árvores, mas em vez disso, ela se senta no chão. Respirando fundo, vou atrás dela, caminhando lentamente pelo quintal e me sento sem palavras ao lado dela. Ela está segurando um dente de leão, soprando as pequenas sementes, como ela fez no nosso primeiro dia juntos. Eu a vi fazendo isso algumas vezes desde que se mudou para cá. Sempre depois de uma briga. — Por que você está sempre soprando dentes de leão? — Pergunto, a curiosidade obtendo o melhor de mim. — Acredito neles. — Você acredita nessas coisas de desejo? — Não é para desejos. Dizem que as sementes carregam pensamentos e afetos a um amado. Concordo com a cabeça lentamente enquanto assisto as sementes serem levadas pelo vento e flutuar para as madeiras. — E todas as vezes que você soprou um, a quem você estava enviando? — Para você, Talon. Só você. De pé, ando através das ervas daninhas no canto da floresta, pego as sementes minúsculas que ela simplesmente libertou e gentilmente as coloco no bolso. Pelo menos as que pude achar. — O que você está fazendo? — Ela pergunta quando sento ao lado dela.

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— Você acha que quero o seu amor no chão? Ela balança a cabeça, os olhos escuros. — É apenas um mito estúpido. Nunca disse que amava você. — Ela se levanta e volta para a casa, obviamente não querendo estar perto mim. — Sim, eu sei. — Respondo suavemente, mas estou muito longe, ela já está muito longe. Pela primeira vez, me pergunto se sua relutância em dormir comigo não foi apenas pelo medo de não a amar, mas também dela não me amar. Mais uma vez, apressei as coisas. Essa manhã, tudo foi perfeito. Como a porra de um sonho. E agora ela nem mesmo vai me deixar sentar ao lado dela. Isso é muito mais trabalho do que eu jamais pensei que seria. Nunca esperei ir tão alto em um minuto e tão baixo no próximo. Nem sei se isso é normal para uma relação. Poderia ligar para a Dra. Hollister, mas estou um pouco preocupado que, se isso não for normal, a equipe possa dizer que eles cometeram um erro e nos dizer para nos divorciar ou algo assim. Não estou pronto para ouvir isso. Ao invés disso, ligo para Lukas, porque ele é meu melhor amigo e sei que posso falar com ele sem ele rir de mim. — Hei. — Diz ele, quando ele atende. — É normal ter altos e baixos? — Cara, vou precisar de um pouco mais de informações sobre o que você está falando antes de tentar responder a isso. — Merda. Sim. Quero dizer, em um relacionamento. — Defina altos e baixos. — Quando estamos felizes, então algo acontece e temos um pouco de briga e as coisas vão para baixo novamente. Em seguida, se

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ajeitam e é melhor, mas só para começa tudo de novo. Como uma porra de ioiô. Ele suspira ao telefone. — Sim e não. Nenhum relacionamento é perfeito, mano. Há sempre pequenas coisas que você tem que superar e trabalhar. Vovó me disse que ser casado é o trabalho mais difícil que alguma vez terá. É preciso um esforço constante de ambas as pessoas para fazer funcionar e eu acho que isso é verdade. Porra. Isso parece difícil. — Isso faz sentido. — Você parece meio confuso. Vocês tiveram uma briga? — Mais ou menos, não uma má. Essa manhã, tudo foi perfeito. Quero dizer e como foi, caralho. Então, quando cheguei em casa, eu disse a ela que esqueci sobre a turnê e agora ela está louca. — Você esqueceu? — Sim. Apenas esqueci. Você sabe como eu fico. Não tenho, tipo, nenhum senso de tempo. — Bem, isso é verdade. É claro que ela está chateada. Ela provavelmente não quer que você vá e parece que você a surpreendeu. — É assim que caiu, praticamente. Mas como se esse tipo de merda continuasse acontecendo. É como se sempre houvesse algo nos fazendo recuar. Ele fica quieto por alguns momentos antes de começar a falar novamente. — Não vamos nos esquecer de que vocês estão em uma situação estranha. Vocês ainda estão começando a conhecer um ao outro e se entenderem. Isso vai ter mais curvas para você do que um casamento regular. Vocês estão, tipo, namorando, mas casados. — Sim. É como um encontro às cegas sem fim.

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— Provavelmente não é tão ruim, mas está perto. — Então, o que faço? Você acha que nós estamos apenas ferrados? — Empurro uma pedra com meu sapato, tentando imaginar voltar para minha vida do jeito que era antes. E não posso. — Não, você só tem que dar um tempo a ela, ser paciente um com o outro. E você precisa mimá-la um pouco, como eu te disse. Sem comentários de merda mais. — Não tenho feito isso. — Como você se sente? Como ela se sente? — Não sei. Gosto muito dela. Nunca me senti assim antes. E acho que ela meio que sente isso também. Sei que ela quer, mas então, ela parece com medo disso, também. Como sei se estou apaixonado ou não? — Sabe o que acho? Acho que vocês dois estão se apaixonando e vocês estão assustados pra caralho. — Sim... Pode ser. Acho que não estávamos esperando por isso. — Bem, você deveria ter esperado. Você se inscreveu para se casar. O que você acha que ia acontecer? O que estava esperando? Rio ao telefone. — Não tenho a mínima ideia. Só queria ser feliz com alguém que não fosse uma cadela ou me usasse para algo. No início, estávamos esperando por um tipo diferente de pessoa. Mas agora a gente meio que parece perfeito um para o outro. Não entendo essa merda de altos e baixos. Quero que isso pare e fiquemos apenas em altos. — Boa sorte, cara. Isso não vai acontecer. Felizmente, haverá menos baixos, mas isso sempre vai acontecer. Vocês vão ter um pouco de trabalho para atravessar juntos. Não se deixem arrastar, não gritem com o outro, não digam coisas desagradáveis. Apenas falem sobre isso. Esse é o melhor conselho que posso dar se você

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quiser que isso funcione. Que ambos têm de colocar o esforço em fazer funcionar e não deixar nada atrapalhar o seu caminho. E depois disso, se ainda não estiver funcionando e as lutas forem constantes, então você pode ter que jogar a toalha. Sei que é uma porcaria, mas você não pode viver na miséria. Fico olhando para todos os dentes de leão que crescem na borda do quintal. Nós ainda temos muito mais a percorrer antes que todos eles se vão. — Sim, você está certo. Acho que nós dois estamos confusos. Espero que possamos descobrir essa merda juntos. Estamos juntos há pouco mais de dois meses já. — Não pense sobre isso. Basta dar a cada dia um passo de cada vez. Não pense nesse prazo de merda de seis meses. Você realmente acha que quer se divorciar dela? — Não. — Respondo sem nenhuma hesitação. — E o que acontece com ela? — Não acho que ela queira. Quer dizer, qualquer coisa pode acontecer, mas eu realmente não acho que ela pense assim. Ela quer que isso funcione. — Desejaria me sentir tão confiante como estou, porque, honestamente, não sei se ela ficará comigo se as coisas continuarem como estão. Ela poderia dizer que se foda e ficar com os cinquenta mil. Não quero dizer isso a Lukas, ninguém na família sabe sobre a parte do dinheiro, exceto a minha mamãe. — Então, nem sequer pense nisso. Apenas não olhe para essa parte de como sair dessa experiência e não fale mais com essa terapeuta sobre todos os seus problemas. Isso é tudo o que vai mudar. Ok, amigo? Pare de se preocupar. — Tudo bem, cara. Obrigado por estar aí para mim. — A qualquer hora. Você sabe que cubro suas costas, cuz.

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Termino a chamada e volto para dentro para encontrar Asia. Lukas está certo, não podemos deixar essa merda ficar entre nós, então vou enfrentá-lo de cabeça erguida. Procuro pela casa, pirando quando não a encontro nos locais habituais. Talvez ela me deixou? Mas ela odeia dirigir. Ela só iria pegar no carro se tivesse absolutamente chateada e acho que ela não ficou tão chateada a ponto de se sujeitar aos males da condução. Finalmente, a encontro embaixo na lavanderia, dobrando roupas. — Pensei que você tivesse ido embora. — Digo a ela. — Não desapareça assim. — Eu não desapareci. Só vim para dentro. — Ok, então não se levante e vá embora. Odeio isso. — Tudo bem. Odeio tudo bem também. Me encosto no batente da porta e cruzo os braços. — Olha, sei que está com raiva que eu esqueci e sinto muito. — Não estou com raiva, Talon. Estou chateada. — De qualquer maneira, sinto muito. — Então e sobre a nossa lua de mel? Oops. — Eu não sei. Não acho que... — Você se esqueceu de que nós devemos ir a uma lua de mel? — Na verdade, não me esqueci, mas meio que não queria pensar muito sobre isso. Você apenas me deixou te comer, tipo, há dois segundos. Ela olha para mim com a boca aberta. — Deixei você me comer? Bem, agora ela está chateada e com raiva.

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— Eu não quis dizer isso. É assim que eu falo e você sabe disso. Não escolho as coisas apenas para fazer essa pior. — Não sei. Mas deveríamos supostamente ir a uma lua de mel. — Sei disso, mas esse é o meu trabalho, Aze. Não vou à porra da Disney World para sair com o Mickey. — Não é possível que você, tipo, remarque ou algo assim? — Ela pergunta, se curvando para tirar mais roupa da secadora e meu pau imediatamente acorda

quando

olho para

sua

perfeita

bunda,

imaginando ela curvada e nua para mim. — Não. Você está louca? Não é como se milhares e milhares de dólares

não

tivessem

sido

investidos.

Toneladas

de

pessoas

compraram ingressos. Os shows estão esgotados. Nós não podemos apenas adiar uma turnê de vinte dias em toda a Costa Leste, baby. — Bem, não sei como isso funciona. — Eu sei disso. E você está fora da viagem, os caras decidiram sem namoradas ou esposas na turnê com a gente. Ela para de dobrar e se vira para mim. — Então, não vou te ver durante vinte dias? — Não, a menos que você dirija ou voe para onde estou por um ou dois dias para estar comigo. — Por favor, faça isso, meu coração e pau imploram. Ela

engole

em

seco,

com

espasmos

em

sua

mandíbula,

claramente não estando de acordo com essa ideia. Balanço minha cabeça com decepção. — Sim, eu percebi que não. Ela desconta sua raiva na camisola que ela está segurando e dobrando em uma desequilibrada bagunça.

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— Talvez a sua velha amiga modelo sexy esteja lá para mantê-lo ocupado desde que sua esposa está com muito medo de dirigir até onde você está. — Sim, talvez ela vá. — Dou alguns passos em direção a ela e fico atrás, colocando meus braços de cada lado dela e descansando minhas mãos no topo da secadora, prendendo-a. Inclino a minha cabeça para baixo e pressiono os meus lábios contra sua orelha. — Talvez você esqueceu que só quero você. — Você deixou ela te tocar bem na minha frente. Estou com medo de pensar o que vai deixar ela fazer se eu não estiver lá. — Seu tom sarcástico está atado com ciúme e medo. Pressiono meu pau duro como pedra contra a sua bunda. — Não é uma coisa do caralho. Obviamente, não tenho feito um bom trabalho de lhe mostrar que cada polegada de mim pertence a você agora. — Deslizo minha mão na frente de suas calças de ioga, meus dedos pastando sobre os lábios, acolhido por uma inundação de umidade. — Acho que vou ter que continuar lembrando até que você convença essa sua cabeça teimosa. — Beijo o seu pescoço enquanto empurro suas calças e calcinhas para baixo e, em seguida, desabotoo rapidamente meu jeans e puxo meu pau latejante para fora. — Curvese e afaste as pernas para que eu possa te mostrar tudo o que é seu. Apenas seu. — Curvar e espalhar... muito romântico. — Ela provoca, mas faz rapidamente, o que só me diz que ela quer tanto quanto eu. Empurro meu dedo dentro e fora dela enquanto chupo seu pescoço. — Nunca disse que seria a porra do Romeu, baby. — Deslizo meu pau em sua entrada lentamente no início, em seguida, empurro meu

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total comprimento dentro dela, fazendo-a gemer e gritar enquanto eu a estico para me levar. Segurando em seus quadris, me movimento por alguns minutos antes de chegar em volta e esfregar seu clitóris com a mão. — Você está me deixando louca. — Ela segura a borda da secadora, com os nódulos dos dedos brancos. — Bom. Agora você sabe o que se sente. — Você não pode me agradar e comer cada vez que temos uma briga. Puxando para a ponta, empurro em sua profundidade, fazendo-a subir na ponta dos pés. — Eu posso e vou. — Meu olhar desvia para baixo entre nós para assistir o meu pau mergulhando dentro e fora do dela. — Você é tão boa pra caralho, baby. Você está louca se acha que vou tocar outra mulher. — É melhor não, ou vou castra-lo. Só ela poderia me fazer rachar de rir durante o sexo. Me inclino sobre ela e descanso minha cabeça contra a sua parte de trás, sorrindo como um idiota. — Cale-se e se movimente, sua pequena psicótica. Paro de me mover e ela assume, bombeando sua boceta para cima e para baixo em mim, me deixando com desejo selvagem por ela. Porra, amo o quanto ela quer de mim, mesmo embora ela lutasse tanto por tanto tempo. Valeu a pena a espera torturante para agora vê-la assim, empurrando o corpo para trás e para frente para mim, ouvir seus suspiros e senti-la apertada e molhada. — Tally... — Ouvindo ela gemer e suspirar meu nome me atira no meio do clímax com ela e nós colapsamos contra a secadora de roupas em conjunto, pegajosos com suor e com a respiração ofegante.

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Ela lentamente se afasta e se vira, os olhos vidrados e coloca os braços em volta do meu pescoço, puxando-me para beijá-la. — Você está me transformando em uma ninfomaníaca. — Ela ri. Sorrindo, removo meu cabelo do meu rosto e puxo meu jeans para cima. — Nenhuma reclamação. Seus olhos piscam para mim, seu cabelo despenteado, as bochechas coradas, um sorriso torto nos lábios dela. — Não sabia que eu gostava tanto de sexo. — Ela puxa para cima suas calças e se inclina contra a secadora. — Ei, é melhor que seja apenas comigo, Sra. Valentine. Não faça eu me preocupar com sua pequena ninfa enquanto estou em turnê. Ela bate em meus braços de brincadeira. — Claro, só você. — O sorriso desaparece lentamente de seu rosto e ela esfrega a mão para cima e para baixo no meu braço. — Eu realmente gostaria que você não tivesse que ir. — Confie em mim, não estou ansioso para isso também. O momento é muito ruim. — Será que vou ser capaz de falar com você? — Sua voz oscila como se ela estivesse prestes a explodir em lágrimas a qualquer momento. Puxo ela em meus braços. — Baby, é claro. Não vou para a prisão. Podemos nos enviar mensagens e vou ligar para você. Ela se agarra a mim. — Tenho medo que você vai se esquecer de mim. Acaricio seu cabelo e mantenho ela perto de mim. — Não vou te esquecer. No entanto, estou meio com medo que você vá gostar de ficar aqui sem mim.

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Seus braços me apertam. — De jeito nenhum. Vou sentir sua falta como uma louca. Levanto o queixo e beijo seus lábios. — Não quero brigar por qualquer merda. A última noite e essa manhã foram surpreendentes. E agora, embora isso também foi rápido. Quero que sejamos felizes. — A beijo novamente, um pouco mais. — Quero passar a maior parte das duas semanas que temos com você antes de eu ter que sair. Não quero perder mais tempo. — Quero isso também. Movo as minhas mãos para baixo para apertar sua bunda. Amo que ela use calças de ioga quando ela está em casa, porque eles são suaves, mostram o seu traseiro e posso retirá-las rapidamente. Meio que quero retirá-las novamente agora. — E eu quis dizer o que disse. Não quero qualquer outra garota. — Você tem certeza? Olho direto em seus olhos pastel bonitos. — Sim, estou totalmente certo. Você é minha esposa. Sei que errei em beber e ficar chapado, mas nunca vou trair você. Não quero você aqui sentada sozinha pensando coisas como essa enquanto eu estiver fora, ok? — Eu vou tentar não fazer isso. — Não tente. Agora, não vamos projetar alguma porra épica de roupas? É melhor entrar naquele estúdio, tipo, agora por que teremos algumas prontas para a turnê.

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Acordo dolorida, mais cansada do que quando adormeci, com uma dor na boca do meu estômago e meu peito. Talon sairá para sua turnê hoje e enquanto sei que é egoísta da minha parte, não quero que ele vá. Não é que eu não entenda que essa é a sua carreira, ou que não sei que guitarrista incrível ele é e quanto trabalho ele colocou em suas músicas, ou que eu não esteja incrivelmente orgulhosa dele. Só não quero ficar longe dele por muito tempo, especialmente quando as coisas finalmente estão indo tão bem entre nós. Não posso sequer pensar em não ser capaz de abraçá-lo, beijá-lo, ver o seu sorriso sexy e adormecer enrolada nele durante vinte dias. Vinte dias. Quatrocentos e oitenta horas. Pegar ou largar. Seu lado da cama está vago, mas uma checagem rápida no nosso quarto o revela se destacando na sacada do quarto, vestindo apenas calções. Encaro-o por alguns segundos, pensando em como sou sortuda de ter esse lindo, sensual, doce e engraçado homem na minha vida. Então pego meu celular da minha mesa de cabeceira e tiro uma foto dele, então depois poderei ficar de boca aberta por ele e ver o seu musculoso torso tatuado, a maneira como seu cabelo flui em seus ombros e as belas paisagens de montanha para as quais ele está olhando. Embora ele pareça calmo, sei que por dentro ele não está.

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Ontem à noite, quando fizemos sexo, houve um desespero subjacente na maneira como ele me tocou e empurrou dentro de mim, como se estivesse com medo de não estar perto o suficiente, não ser profundo o suficiente, não estar lá o suficiente. Enquanto nós geralmente temos longas sessões de fazer amor à noite, com algumas rapidinhas durante o dia, a noite passada fizemos amor praticamente toda a noite. Tentamos cochilar por alguns minutos e então, ele me beijava novamente, me despertando para embarcar no sexo mais sonolento. Certamente não estou reclamando, mas estou aprendendo lentamente a compreender e aceitar que fazer amor é como Talon comunica seus sentimentos para mim. No início, isso me assustou, porque pensei que era apenas superficial para ele, uma maneira de sair, experimentar novas posições e apenas se divertir. Pensei que ele me considerava seu brinquedo sexual pessoal. Mas então, comecei a ver mais fundo dentro dele e pude sentir suas emoções que vêm através da maneira que ele me toca, como ele me beija, na paixão que vi em seus olhos e as palavras que ele admite quando está enterrado dentro de mim. Ter relações sexuais sem dúvida reforça nossa conexão e cimentou um vínculo profundo entre nós. A Dra. H estava certa; ter intimidade física era uma peça que faltava no grande quebra-cabeça do nosso casamento. Essas três pequenas palavras nunca foram ditas por nenhum de nós, mas eu já não esperava por elas ou esperava que ele as dissesse. Entretanto, tenho certeza que as sinto. E isso é bom o suficiente. Talvez melhor do que bom o suficiente. Enquanto quero dizer essas palavras para ele, continuo a morder a língua, porque não quero que ele sinta como se tivesse que retribuir. Ouvi-las dessa forma seria muito pior do que não as ouvir nunca.

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Tirando os lençóis, me levanto e vou até ele, abraçando-o por trás e inclinando minha bochecha contra sua coluna vertebral. Suas mãos cobrem as minhas sobre o seu peito. — Você não está tornando isso mais fácil. — Diz ele em voz baixa. — Sinto muito. Ele se vira e coloca os braços em volta da minha cintura. — Nem cheguei a te mostrar a nova tatuagem que fiz ontem. — Isso é porque assim que entrou pela porta, você me arrastou para o quarto e fizemos sexo selvagem e cochilos desde então. — Eu tinha que compensar todos os dias que não estarei aqui. — Acho que você compensou. — Brinco. — Olha, Jujuba. — Meu coração cai quando ele segura a mão para cima e tira a aliança de casamento da platina, até que meus olhos se concentram no que está agora sob ela. 286

Asia. O meu nome, tatuado em seu dedo. Em seu dedo anelar. Guinchando,

pego sua

mão e inspeciono mais de perto,

esfregando com o meu dedo. — É verdade, querida. Não é uma marca mágica. Não vai sair esfregando. Estou sem palavras quando vejo ele deslizar sua aliança de casamento novamente. — Uau. Estou... chocada. — É tudo que eu consigo dizer. — Por quê? — É tão... permanente. Isso é para sempre. — Eu sei. Tenho um monte, lembra? — Ele me mostra seu bonito sorriso mau, obviamente muito satisfeito com a sua nova tatuagem minúscula.


— Sim, mas... é em seu dedo anelar. Como o dedo do anel de casamento. — Esse é o ponto, Aze. Meu coração palpita. — Mas e se... — Ele pressiona o dedo sobre meus lábios. — Não se atreva a dizer isso. Nunca. E não especialmente hoje. Pego a mão de meus lábios e vinculo os meus dedos nos seus. — Estou surpresa, isso é tudo. — Por quê? Você é minha esposa. Quero o seu nome em mim para sempre. E queria que você soubesse que seu nome está lá, como uma marca em mim, se eu tiver o anel ou não. O qual sempre tenho, mas só estou dizendo. Provavelmente vou ter seu nome em algum lugar maior ou outra coisa em mim, eventualmente, porque o anel está cobrindo esse. Sei que é apenas uma pequena tatuagem, mas é grande. Quer dizer, para um cara tatuar o nome da mulher em seu dedo anelar é um compromisso. É tudo. Com um grande sorriso, jogo meus braços em torno dele e esmago meus lábios contra os dele. — Você é o melhor. Quero o seu nome em mim também, agora. Seus lábios cheios voltam para os meus antes que ele responda. — Ok, mas não em seu dedo. Suas mãos são muito pequenas e isso só vai parecer como uma bolha. Quando eu voltar, vou levá-la no Lukas. — Eu adoraria isso. Sempre quis fazer outra, na verdade. Só queria que significasse alguma coisa. Ele lambe os lábios e passa as mãos pelos meus braços. — Na verdade... tenho vontade de te perguntar sobre a que tem. Não. Por que ele iria perguntar sobre isso agora?

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Me afastando dele, passo para o outro lado da pequena varanda e olho para fora nas brilhantes vermelha, laranja e amarelas folhas das árvores circundantes. Todo ano estou ansiosa pelas cores, porque sinto como se estivesse vivendo em uma pintura. Acho que nunca poderia viver em qualquer outro lugar no mundo, porque eu iria perder as folhas da Nova Inglaterra. — Aze? — Sua voz está cheia de perguntas. Não tem como eu conseguir olhar para os seus olhos e me arriscar a ver uma mudança neles quando disser a ele o que a pequena tatuagem no meu ombro significa. Balançando a cabeça, não posso acreditar que ele fosse trazer esse assunto logo hoje, quando já estou chateada e preocupada com ele indo embora. — Talon, eu não quero falar sobre isso. — Eu quero. Me viro e encosto contra o parapeito da varanda para finalmente enfrentá-lo. — Por quê? É apenas um símbolo. Não é nada. Ele aperta os olhos escuros para mim, sua testa vincando. — Por que você não quer dizer para mim? Lukas tem o mesmo símbolo e ele me disse o que isso significa. Quero que você me diga o que isso significa para você. Sorrio fracamente, esperando que possa convencê-lo a desistir de toda essa conversa. — Por que você quer falar sobre isso agora? Você está indo embora em poucas horas. Vamos apenas ser felizes. Ele suspira e inclina a cabeça, seu cabelo ondulado caindo sobre metade de seu rosto.

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— Porque me preocupo com você e quero saber. Tem estado em minha mente por um tempo. — Seus olhos seguram os meus, implacáveis — Quero que você me deixe entrar. Meus ombros caem com a derrota. — Se você falou com Lukas, então você já sabe o que representa. É o símbolo do Projeto Ponto e vírgula. — Eu sei. Quero saber por que você o tem. — Chegando mais perto de mim, ele pega a minha mão na dele. — Aconteceu alguma coisa com você? Tanto. Mais do que alguma vez vou dizer. Tomando fôlego, olho para baixo, para os nossos pés descalços. — Muita coisa aconteceu comigo, Tal. Eu tinha uma família de merda. Você sabe disso. — Você estava deprimida? — Sim. — Alguma vez tentou se suicidar? Me recuso a olhar para ele e mantenho os olhos enraizados no chão. — Não sei se o suicídio é exatamente preciso. Eu não queria me matar, mas não queria estar viva. Cada dia era uma luta desgastante e eu queria uma maneira de sair. Queria fugir, mas para mim, era mais o imenso sentimento de ser abandonada por todos, indesejada. Mal-amada. — Baby... — Ele tenta me abraçar, mas eu o afasto. — Talon, não. Não quero que você sinta pena de mim. É tarde demais para me fazer sentir melhor sobre o que aconteceu. — Estou tentando fazer você se sentir melhor agora. — Eu sei. E isso é muito legal da sua parte. Apenas esqueça isso, ok?

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Como sempre, ele é muito teimoso para deixar algo de lado. Ele é como um cachorro, uma vez que se concentra em um osso, não pode esquecer até que ele tenha seus dentes nele. — Por favor, me diga. Quero saber tudo sobre você. Bom ou ruim, quero ouvir tudo. Puxo minha mão da dele, precisando de espaço para lidar com isso. — Tudo bem, Talon. Vou tentar te dar a versão curta e poupar os detalhes repugnantes. Nós éramos pobres. Na maioria das vezes, nós nem sequer tínhamos comida. E como nós fazíamos? Meus pais davam o pouco que tinham para o meu irmão e muito pouco para mim. Nós não tínhamos telefone ou uma televisão. Eu tinha dois brinquedos velhos para brincar quando era pequena. Meu pai costumava gastar qualquer dinheiro que ele ganhava para comprar álcool e drogas e ele batia em mim e na minha mãe e abusava verbalmente de nós praticamente sem parar. Minha mãe raramente me comprava roupas, então às vezes, os vizinhos davam as roupas que seus filhos deixavam de usar. Havia uma velha senhora que morava no mesmo andar do nosso apartamento e ela dava para mim ajustando elas para se adequar. Ela foi quem me ensinou a costurar e fazer roupas. Ele balança a

cabeça,

seus olhos castanhos escurecendo

enquanto eu continuava a falar. — Meu irmão era quatro anos mais velho que eu e uma vez que ele se tornou um adolescente, ele começou a usar drogas, beber e seus amigos vinham e ficavam drogados e bebiam com ele. — Tomo fôlego e me recuso a olhar para ele. — Ele me usava para deixar seus amigos, me tocarem. Era um jogo para eles.

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— Eles estupraram você? — As palavras explodiram dele como cacos de vidro. — Não, graças a Deus ele nunca os deixaria fazer isso. Acho que ele me amava de sua própria maneira doente. Eles tiravam minha roupa, me apalpavam, me faziam dançar ou me curvar, algumas merdas doentes assim. Se ele precisava de alguma erva e não tinha dinheiro, ele os deixava me ter por algumas horas. Seu assim chamado melhor amigo era um traficante e se eu me sentava nua enquanto ele se masturbava, ele dava mais ao meu irmão. Se eu tentava resistir a isso, meu irmão me ameaçava dizendo que iria deixar os caras irem mais longe. — A bile sobe para minha boca enquanto as memórias borbulham até a superfície novamente. — Que porra... — Legal, né? Então, meu pai foi para a prisão, seguido por meu irmão. Pensei, sendo deixada com a minha mãe, que as coisas finalmente iriam ficar melhores, mas não ficaram. Nós tínhamos ainda menos dinheiro. Nós não tínhamos comida. Eu costumava caminhar até o supermercado e pegar comida do lixo. E então, um dia, ela disse que tinha conhecido um homem, que estava indo embora com ele e que não havia nenhum lugar para mim. Ela se foi, bem desse jeito. Eu não tinha ninguém. Fiquei no nosso antigo apartamento de merda enquanto eu pude, sem calor, sem eletricidade e sem comida, até que finalmente o senhorio me expulsou. Talon está olhando para mim, balançando a cabeça, os olhos lacrimejantes, seu músculo da mandíbula apertando. Exatamente o que eu não queria. — Então, sim, eu estava deprimida. E com medo da minha mente. Tive que dormir em becos ou em um velho carro no ferrovelho.

Tinha

acabado

de

fazer

dezessete

anos

e

me

senti

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completamente dominada, sem esperança e sem valor. Parei de ir à escola e me sentava no parque todos os dias e às vezes, as pessoas me davam alguns dólares. Então conheci Kat. Nós realmente frequentamos a escola juntas quando éramos mais jovens e ela sentiu pena de mim e quis me ajudar, então seus pais me deixam viver em sua garagem até que eu pude encontrar um emprego e conseguir um lugar próprio. Eles nem mesmo me quiseram em sua casa. Eles pensaram que eu era uma porca ou uma criminosa. Sabe como é. — Asia… — Desculpa seria dizer que eu tinha um monte de problemas com depressão, abandono e ansiedade. Eu me odiava. Pensei que eu era feia e sem valor. Costumava esconder a comida quando eu tinha, com medo do dia em que eu não teria nada de novo. Depois de um tempo, em vez de tentar comer, decidi morrer de fome e me tornei anoréxica. Kat me colocou em um grupo de apoio e eles me ajudaram. Eles me convenceram a me dar tempo, as coisas iriam ficar melhores. E, lentamente, as coisas ficaram um pouco melhor. Consegui um emprego de garçonete, tinha o meu próprio lugar e então, comecei a desenhar roupas e fazer sabonetes. Então conheci Danny, me apaixonei por ele e ele também simplesmente me deixou, sem nem pensar.

Eu não era nada. Admito que entrei em depressão

novamente, mas eu saí dela. É por isso que tenho a tatuagem, como um lembrete de que minha vida e minha história ainda não acabaram. Isso é o que eu tenho que manter dizendo a mim mesma. Ele toca minha bochecha, procurando os meus olhos. — Nós temos uma história agora, Asia. Estou com pena de tudo o que aconteceu com você. E sinto muito, eu a feri quando nos conhecemos. Me odeio ainda mais agora por fazer isso. — Seus lábios

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tocam os meus como um sussurro. — Tudo o que quero fazer agora é passar o resto da minha vida tomando conta de você. Meu coração bate mais rápido tentando absorver suas palavras porque ainda é difícil para mim acreditar que ele ficará para sempre. Todos os dias, uma parte de mim espera que ele saia. — Talon... Você não tem que fazer isso. Tento não pensar sobre o passado mais e acredite, isso é muito difícil. Estou bem agora. Quer dizer, ser casada com você é incrível, assim como viver nessa casa, ter coisas boas. Mas, mesmo vivendo em meu pequeno apartamento antes disso, eu estava bem. Só queria um relacionamento e, finalmente, a minha própria família. — As pessoas que não vão embora. Seus dedos deslizam pelo meu cabelo, afastando do meu rosto. — Vou te dar isso. Eu quero isso também. — Ele aperta os lábios quentes na minha testa. — Porra, eu gostaria de não ter que sair hoje. Você ficará bem? — Ergo meu pescoço para olhar para ele. — Sim. Kat ficará amanhã à noite e tenho tantas encomendas para entregar. Estarei louca e ocupada. Além disso, tenho uma foto sua que vou colocar no teto para que eu possa olhar toda a noite. Pixie vaga para a varanda e esfrega nossos tornozelos, miando para nós com pequenos sons estridentes. Talon a pega e prende-a contra seu peito, beijando as orelhas. — Vou sentir sua falta também, pequeno tapete de rato. — Nós duas sentiremos sua falta. — Digo a ele. — Mas não se preocupe com a gente. Sem falar mais, ok? Apenas se concentre na banda e mantenha sua camiseta. Ele sorri para mim. — Certo. Não mostrar o meu abdominal incrível no palco.

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Oh, e que abdominal é. Tiro meus olhos de sua barriga para ouvir o que ele está dizendo. — Dois dos nossos shows vão ser transmitidos ao vivo on-line essa semana. E em seguida, um na noite de Halloween. Todos os shows, exceto o primeiro vão ser épicos, porque o palco vai ser como um cemitério com névoa e lápides e uma artista de maquiagem está vindo para nos fazer parecer assustadores do caralho. Decidimos fazer esta mini-tour temática do Dia das Bruxas para torná-lo um pouco divertido para outubro. — Ele gentilmente coloca Pixie no chão. — Vou enviar os links para você e as informações de login para que você possa assistir daqui. Você gostaria disso? Concordo com a cabeça animadamente. — Eu adoraria. Essa configuração de Halloween parece incrível. — É o meu feriado favorito. Estou empolgado com isso. — Eu não sabia disso. — Também percebo que não sei quando é seu aniversário, por isso pergunto. — É em 24 de janeiro. Não acredito que nunca falamos sobre isso. Quando é o seu? Vou me sentir como merda se eu perdi. — Não... é 30 de maio. — Uau. Tenho tempo para comprar um presente, então. Fevereiro vai marcar o nosso aniversário de seis meses e é quando teremos a nossa reunião final com a Dra. Hollister para darlhe as nossas decisões individuais sobre se nós queremos ficar casados ou nos divorciar. Gostaria de saber como os outros casais do projeto estão se saindo e acho que teria sido bom se fôssemos todos capazes de falar uns com os outros e nos apoiar mutuamente pelosse processo louco. Só alguém nesse cenário seria realmente capaz de entender como nos sentimos. Gostaria de saber se as outras garotas

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se preocupam que elas possam querer continuar casadas, mas seu cônjuge possa querer um divórcio. Ou vice-versa. Talon passa sua mão na frente do meu rosto enquanto eu deliro. — Aze... pare. Sei que Maio é depois de fevereiro. E sim, eu estarei aqui. Você estará muito melhor. — Sim. — Digo com confiança. — Nós três vamos estar aqui.

Depois que ele nos faz um café da manhã que poderia alimentar cinco pessoas, eu o ajudo a fazer as malas. Rio com a forma como ele amassa as roupas e as empurra em sua mala, mas sou capaz de convencê-lo a me deixar dobrar suas novas roupas de palco ordenadamente para que não as mutile. Tenho certeza que elas vão encontrar um destino diferente uma vez que ele sair de casa, mas pelo menos eu sei que elas estarão em boa forma. — É melhor você me mandar mensagens de texto e fotos de você em suas roupas novas. Eu quero ver. Ele fecha sua mala e coloca-a fora da porta do quarto. — Eu vou. Vou te mandar imagens dos caras vestindo suas coisas também. Grito e salto para cima e para baixo com entusiasmo. — Não posso acreditar que vocês estarão vestindo as roupas que projetamos! — Quero me beliscar, então sei que isso está realmente acontecendo. Estrelas do rock famosas estão realmente usando meus projetos! Coisas que eu costurei aqui com minhas próprias mãos. É uma sensação incrível. Ele eleva as sobrancelhas para mim sugestivamente. — Continue pulando e saltando assim e nós vamos acabar de volta na cama.

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Sorrindo, salto para cima e para baixo mais algumas vezes antes que ele me agarre pela cintura e me puxe contra seu peito sólido. — Você não pode conseguir o suficiente de mim, não é? — Ele pergunta, apertando minha bunda. — Ou eu sou realmente bom e você quer mais? — Eu definitivamente quero mais, mas acho que não aguento mais após a última noite, querido. Estou bastante dolorida. — Minhas entranhas se sentem remexidas de todo o sexo que fizemos ontem à noite, então acho que preciso dar um descanso. — Te machuquei? — O sorriso desaparece do rosto e é substituído por uma carranca. — Não, querido, está tudo bem. Foi apenas um monte de... bater. Eu amei cada minuto disso. — Baby, você sabe, quando eu te bato é porque eu sou louco por você, certo? Eu não estou tentando feri-la ou desrespeitá-la. — Me bater? — Repito, enrugando o meu nariz. Sei o que ele está tentando dizer, embora e acho que é doce. Me sinto da mesma maneira quando fazemos sexo; quero ser devorada por ele. Mesmo que doa quando ele me bate, amo a maneira como ele transforma isso em tremores de todo o meu corpo. — Eu legitimamente não posso pensar em uma palavra melhor. Não sou uma enciclopédia, Aze. Escrevo canções de rock. E você disse batendo, o que é quase pior do que espancar. Passo minhas mãos em seu peito e me inclino na ponta dos pés para alcançar seus lábios. — Amo quando você faz as duas coisas. — Vamos lá embaixo, tenho algo para você. — Ele pega a minha mão e me leva das escadas para a sala de estar, onde ele tem uma pasta na gaveta na mesa de café.

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— Fiz esse papel como lembrete para você. — Ele me entrega um pedaço de papel laminado e olho para ele interrogativamente, não estou completamente certa do que é. Ele aponta para o papel. — Aqui tem o código de alarme e os números de celulares e da casa de Lukas, Evie, minha mãe, vovó, Rayne, Storm, Asher e nosso gerente. Então, se você precisar me encontrar e, por alguma razão eu não atender o meu celular, você pode ligar para um dos rapazes ou meu empresário. Ou se precisar de alguma coisa aqui, você pode ligar para Lukas ou qualquer um da minha família. Embora Lukas seja o mais próximo. E eu coloquei o número de Toren aqui, por isso, se você não puder entrar em contato com qualquer pessoa e precisar de alguma ajuda com alguma coisa, você pode ligar para ele. Ele é como uma família. Também coloquei o número e endereço do veterinário de emergência no caso, Deus nos livre, se algo acontecer com Pixie. E eu tenho uma coisa pequena da Mace para o seu chaveiro. Tomo a pequena lata da Mace que ele está segurando para mim quando ele continua. — Também deixei ambos os carros com o tanque cheio e deixei cinco mil dólares em dinheiro em sua mesa de cabeceira. Oh, e eu meio que peguei o telefone e programei todos esses números nele. Pisco para ele e para o papel que estou segurando e a pequena lata da Mace. — Você fez tudo isso? — Pergunto, surpresa. Nunca teria atrelado a ele este tipo de planejamento para emergências. — E cinco mil dólares? O que eu faria com isso? Ele dá de ombros. — Não sei, apenas no caso de você precisar. Quero que você se sinta segura enquanto estou fora. Você pode gastar o dinheiro, ir ao

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spa, comprar algumas roupas, conseguir alguns brinquedos de gato, levar Kat para jantar fora, o que quiser. Só quero que você se sinta segura e feliz. — Tal, você não tem que me dar dinheiro. — Pare com isso. Quero que você me prometa que vai fechar as portas o tempo todo, não vai passear pelos bosques à procura de dentes de leão e você tem que ligar o alarme toda noite. — Eu prometo. Agarrando minhas chaves da mesa no hall de entrada, ele conecta a pequena lata da Mace 3 a ele. Me sinto estranha em ter uma pequena arma ligada a minhas chaves, mas na realidade, eu deveria ter tido uma quando vivia no gueto. — Talon? — Sim, baby? — Você promete não ficar bêbado ou drogado? — Peço com cautela. — Sei que é o que você está acostumado a fazer, mas estou um pouco nervosa sobre surtar com o que você está fazendo e, em seguida, todas as garotas gostosas e com tesão tentando ver o seu abdome e... — Asia, — ele interrompe. — Fique aí e pare de falar por um segundo. Já volto. Ele corre para cima e volta alguns minutos depois carregando suas duas malas, que ele coloca na porta da frente. Tento não olhar para elas, porque significam que Max vai chegar a qualquer momento

3 Marca de uma lata de spray no formato de uma arma para a autodefesa.

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para levá-lo — Você quer que eu tenha seu nome tatuado no meu abdome? Porque farei isso se isso fará você se sentir melhor. — Não... não acho que as garotas que quiserem colocar as patas em você vão se importar que você esteja casado ou não. Ele inclina a cabeça e acena com a cabeça. — Isso é verdade. Elas provavelmente querem que você participe. Sentada no braço do sofá, cruzo os braços e faço beicinho. — Isso não está fazendo eu me sentir melhor de jeito nenhum. Ele espreita do outro lado da sala e desce em mim, me empurrando para trás para o sofá e caindo em cima de mim, seus lábios devorando os meus, seu cabelo longo fazendo cócegas no meu rosto e pescoço. Meus braços instantaneamente vão ao redor dele, apertando os seus ombros através da camisa térmica cinza que acentua cada músculo de seu tronco. Se afastando um pouco, ele olha para baixo em meu rosto, seus olhos dançam. — Adivinha o que? — O que? — Ainda só quero você. E posso ter uma ou duas cervejas após o show, mas isso é tudo. Não ficarei perdido ou chapado. Eu prometo. Storm também disse para te dizer que ele vai socar a minha cara se eu sequer tentar. Seu telefone vibra e emite um sinal sonoro no bolso e ele o retira, gemendo quando olha para a tela. — Max está aqui. Ele lentamente se levanta e estende a mão para mim, me puxando para cima de pé. Droga, não quero que ele vá embora. Meu coração está pesado no meu peito enquanto caminhamos para frente da porta juntos. Como chegamos a isso? Algumas semanas atrás, eu

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não tinha certeza se gostávamos um do outro e agora... nem tenho certeza o que isso é agora. Um silêncio constrangedor se instala sobre nós na porta quando ele hesita para sair e me contenho de me atirar em torno de suas pernas como uma criança fazendo birra. Não quero arrastá-lo para um dramático adeus comigo chorando como uma idiota, então forço um sorriso. — Bem, se divirta. — Digo estupidamente. — Hm, você também. — Ele pega suas malas e abro a porta para ele. — Me liga ou me envie uma mensagem quando você puder? — Sim, uma vez que estivermos na estrada, vou te dar um toque. Lembre-se de sua lista. E compre alguma coisa. — Eu vou. — Beijo ele rapidamente nos lábios, sentindo uma forma de nó na garganta. Não chore. Ele vai pensar que você é uma aberração. Da porta, vejo ele caminhar para baixo na ardósia, o caminho forrado de flor em direção a Max, que acena para mim e encontra Talon no meio do caminho para levar as malas dele. Assim quando ele está prestes a entrar no banco traseiro escuro, eu surto. — Talon! — Grito, correndo pela passarela, mas não vou muito longe, porque, dentro de segundos, ele me pega em seus braços, me beijando descontroladamente. De repente, nós nos transformamos em loucos, fazendo uma elegante cena de um filme de romance, mas essa é muito melhor porque é real. Somos nós. — Sinto muito. — Digo através de uma pulverização caótica de beijos. — Eu não queria ser a esposa lunática que enlouquece quando você sai.

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Suas mãos afunilam em cada lado do meu pescoço enquanto ele me beija tão profundamente que o sinto rastejar dentro de mim, se pudesse e de bom grado o tragaria. — Seja a esposa lunática, baby. Abraço ele com força, tentando transmitir meus sentimentos para ele. — É melhor você ir. Só... — Tomo um profundo fôlego, perdendo as palavras certas. — Apenas volte, ok? Balançando a cabeça lentamente, seus olhos refletem exatamente o que estou sentindo e ele aperta tanto as minhas mãos. — Não vou deixar nada mudar, Aze. Nossas rodas estão se movendo para frente, certo? No minuto em que voltar para casa, vamos pegar exatamente de onde estávamos essa manhã. Então, eu espero que você esteja adequadamente lambuzada com loção de corpo e esse material que formiga em seus lábios. Você entendeu? — Deixa comigo. Ele dá um tapa brincalhão na minha bunda. — Agora volte para aquela casa e tire uma bonita selfie com Pixie para mim. A risada de Max pode ser ouvida atrás de nós quando nós nos beijamos mais uma vez antes de Talon correr de volta para a limo, desaparecendo por trás do vidro escurecido. — Não se preocupe com ele, Sra. Valentine. — Max chama por mim. — Vamos vê-la em breve. Aceno até a limusine não poder mais ser vista e, em seguida, volto para dentro da casa, que já se parece ter o dobro do tamanho e estranhamente calma, sem ele. Esses vão ser uns longos vinte dias.

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Algumas horas mais tarde, o toque do meu celular soa e quase o derrubo na minha emoção ao ver se é uma mensagem de Talon. Talon: Sentindo falta ainda? ;) Eu: Quem é? Talon: Ha. Muito engraçado. Não quebre meu coração, baby. Eu: Nunca. Talon: Só queria dizer oi. Eu: Sinto muito sua falta. Eu poderia dormir no sofá. Talon: Não, quero que você durma na nossa cama. Eu: É muito grande e vazia sem você :( Talon: Na cama, mulher. E ligue o alarme da casa. Me: Ele já está ligado Talon: Bom. Quero que durma na cama. Vou ligar na parte da manhã. Eu: Ok, boa noite. Talon: Boa noite, querida. Beije o tapete de rato por mim;)

Levando Pixie, ando por todos os cômodos da casa, embora não tenha exatamente certeza do que estou procurando, além de me certificar de que todas as janelas e portas estão trancadas e ninguém está escondido em qualquer lugar se preparando para me atacar uma vez que eu for dormir. Depois que escrevo no meu diário, decido ignorar meu banho de todas as noites e apenas subir direto na cama, ligando a televisão com o controle remoto, na esperança de que o brilho e suave ruído vão me ajudar a sentir menos sozinha. Quando tento ficar confortável sem o meu marido para cuidar de mim, noto que meu travesseiro parece estranho e irregular. Me sento para tentar afofa-lo e encontro sua camiseta preta desbotada favorita, um post-it e, um gatinho de pelúcia branco de brinquedo debaixo do meu travesseiro. Sorrindo, agarro a nota pequena e ligo a lâmpada de cabeceira para que eu possa lê-lo.

Durma com minha camisa para que sinta como se eu estivesse abraçando você. Roubei suas calcinhas :p

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Durma bem, urso de geleia. PS: Você é a melhor esposa que já tive Xo, Talon Oh meu Deus. Ele pode ser estupidamente adorável e doce às vezes, faz meu coração querer estourar. Tirando a parte superior que estou vestindo, eu a substituo com a sua camiseta, o tecido fino com alguns buracos, oh tão suave e retendo traços de seu perfume. Pego Pixie do pé da cama, mantenho-a contra minha bochecha e foco a nossa imagem, me certificando de que ele possa ver que eu estou vestindo a camiseta e escrevo um texto. Eu: Obrigada por isso. Que saudades de você. Você é o melhor marido que eu já tive. Xoxo

Depois de desligar a lâmpada, resolvo voltar na cama, confortada por sua camisa, com Pixie e o pequeno brinquedo de pelúcia ao meu lado.

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— Sério, Asia, amo a sua casa. Eu totalmente quero apenas me mudar. Quantos quartos você tem? — Kat anda em torno da cozinha, abrindo e fechando as gavetas. — Essas gavetas nem sequer batem. É incrível. Que vida é essa? Mastigo meu muffin, observando ela com diversão. — Eles têm tipo um deslizar macio ou alguma coisa. Elas vieram com a casa. — Lembra quando seus armários mal abriam ou caiam das dobradiças? Meus dentes rangem. — Sim, Kat, lembro. Nunca vou esquecer essas coisas. E sabe o que? Se eu tivesse que viver assim novamente, não poderia me importar menos com os armários da cozinha, — bebendo meu café, o engulo, esperando que meu aborrecimento desça com ele. — O que importa para mim é o homem que providenciou tudo isso para mim. Ela se inclina contra a ilha da cozinha onde estou sentada no meu banco habitual e me estuda. — Então, como vão as coisas? Diga a verdade, porque estive um pouco preocupada. — Honestamente, ela não é uma amiga ruim. Ela está apenas facilmente distraída pelos objetos brilhantes e não tem muito filtro quando se trata de apontar o óbvio sobre a situação de alguém. Especialmente a minha.

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— Será que estão autorizados a falar sobre os detalhes? Acenando com a mão, ela se empoleira no banquinho em minha frente. — Não tenha medo da Dra. H por agora, Asia. Você é minha melhor amiga, então você pode me dizer o que quiser. Ela sabia que você era minha amiga quando você entrou nessa, então é claro, ela sabia que iria falar. Apenas não posso dizer qualquer coisa que aprendi em seu consultório. — Ok, então. As coisas estão muito melhor. — Você finalmente deu para ele, não foi? — Ela grita, apontando para mim. — Finalmente! Eu sabia, você parecia diferente quando cheguei aqui hoje. Sua vag está agradecendo aos céus e espalhando suco brilhante em suas veias. — Suco brilhante? Você é uma aberração de tesão torcida, Kat. — Eu sei. Balançando a cabeça, termino meu café. — Ótimo. De qualquer forma, sim, nós finalmente dormimos juntos e parece que isso nos aproximou mais. Nós dois estamos muito felizes agora. Pelo menos eu acho que ele está. — Mastigo meu lábio. — Tenho certeza de que ele está. — Tenho certeza que ele está. — Ela confirma. — Não posso acreditar que você o torturou durante dois meses sem sexo. Nossa. Espero que Talon não tenha se sentido como se eu estivesse torturando ele o tempo todo. — Eu não o torturei... Seus olhos se alargam em mim. — Hm, sim, você o torturou. Você se casar com uma estrela do rock muito gostosa e o fez celibatário. O que foi um enorme movimento, arriscado, mas sei que usou suas armas. Você é

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totalmente meu ídolo. Nunca poderia conseguir ficar com um cara sem dar para ele no terceiro encontro. — Isso realmente não foi assim. Ele entendeu as minhas reservas. Ele é realmente um cara doce. — Meus lábios se curvam em um sorriso só de pensar nele. — Então, é verdade? — O que é verdade? — Você sabe... — Um sorriso malicioso toca os lábios. —... sobre os 27,5 cm. Minha boca cai aberta. — Kat! Não posso acreditar que você me perguntou isso! — Minhas bochechas queimam e não posso nem olhar nos olhos dela. Será que toda a população feminina sabe sobre o pau do meu marido? Isso é algo que nunca pensei que teria que me preocupar. 306

— Bem, ele é meio conhecido por isso no Google. — Não. Isso é nojento. Ele estava certo... Mulheres só queriam usá-lo. Ele é mais do que um pedaço de carne. Ela tenta se impedir de rir, mas não está fazendo um bom trabalho. — Você deve ver quão vermelha você está. Você está tão bonita, Asia. E estou com muita inveja do que você conseguiu. — Cale a boca, puta. — Brinco. — O tamanho do seu pau era a coisa mais distante na minha cabeça, acredite em mim. — Ele está bem? Me lembro de você me dizendo que Danny era um, dois minutos de maravilha. Faço uma careta com o pensamento. —

Ugh.

Não

me

lembre.

Se

você

quer

saber,

Talon

é

surpreendente. As palavras não podem descrever o mesmo e eu não vou mesmo nem tentar porque é muito pessoal. Nunca pensei que


poderia ser assim. Ele é sensual. — Um formigueiro de sensações ondula na minha pélvis quando flashbacks dele vem em minha mente. Ela faz beicinho. — Droga. Amo Rob, mas ele é tipo apenas missionário. Estou com inveja. Você o ama, não é? — Definitivamente estou chegando lá. Tem sido uma viagem muito difícil para chegar onde estamos agora. Mas, sim. — Sorrimos uma para a outra e rimos quando o fizemos como quando éramos mais jovens. — Tenho certeza que estou me apaixonando por ele. — Estou tão feliz por você, querida. Isso é exatamente o que eu queria para você. Nunca vi você parecer melhor ou mais feliz. — Ela se inclina para frente um pouco. — Então você sabe que eu escrevo as notas para todos os chats e outras coisas para a Dra. H, mas todo mundo é identificado com um número e não sei quem são. Embora, estou bastante confiante de que descobri os seus números e eu não posso dizer muito, mas... A Dra. H. pensa que vocês dois têm a melhor chance de todos os casais de ficarem juntos. — Fale! — Grito. — Você realmente acha que ela pensa isso? Ela balança a cabeça, excitada. — Estou tão certa quanto posso estar sobre a observação de vocês dois e sinto muito se isso é estranho, mas você sabe que te amo, certo? Sei que posso ser uma puta louca, mas eu te amo. — Eu sei disso, Kat. Confio em você e eu te amo. Nunca teria conseguido se não fosse por você. — Bem, os outros casais têm tido alguns problemas graves. Um foi infiel, uma já está grávida e os outros dois apenas não conseguem ficar juntos. É muito louco.

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— Oh Uau! Que vergonha. — Me sinto muito mal pelos outros casais, porque esta, realmente, não é uma situação fácil de passar. — Bem, não quero que você se sinta como se vocês dois fossem os únicos que tiveram problemas. Não tem sido tudo unicórnios e arcoíris para os outros também. Embora eles estão todos tentando fazer dar certo. Mas, a Dra. H mencionou em suas notas que esses dois certos números... — Ela olha para os lados com um pequeno sorriso —... São os mais dedicados de todos outros e muito mais “sérios sobre serem casados do que os outros”. E tenho certeza que são vocês dois. Respirando fundo, sinto como se um novo senso de confiança viesse em cima de mim. Estamos indo bem. E de acordo com o que Kat disse e com o que as notas da Dra. H indicam, somos os mais devotados dos casais. Nós. Isso significa que ele, também, o que significa que ele deve estar lhe dizendo coisas boas. — Kat, obrigada por me contar isso. Faz eu me sentir muito melhor. Mas não me diga qualquer outra coisa. Não quero nada estragando isso para nós. — Ok, eu entendo. Levo nossas xícaras de café até a pia antes de colocá-las na lavalouças. — Você e Rob não escolheram a data do casamento ainda? — Ainda não, mas estamos trabalhando nisso. Ele tem que coordenar com o seu trabalho e tudo isso. Felizmente, a Dra. H. será flexível comigo, para que eu possa tirar sempre a folga que eu quiser. Apenas

tenho

que

mantê-la

atualizada

quando

finalmente

escolhermos a data. — É melhor para você. Estou animada para começar a planejar com você. — Eu gostaria que pudéssemos ter planejado meu casamento um pouco mais, pessoalmente, ao invés de ter que acompanhar todas as regras da equipe do projeto. Eu teria preferido

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me casar ao ar livre, perto de um lago, talvez, ou até em uma pequena praia. E se eu tivesse conhecido Talon antes do nosso casamento, uau, isso parece loucura, acho que eu teria gostado dele vestir algo mais a seu estilo, em vez de um smoking. A única coisa que eu lamento a maioria das vezes, porém, não ter sido capaz de ter recebido uma proposta de casamento. Em vez de uma noite romântica com a minha cara metade se ajoelhando e deslizando um símbolo escolhido a dedo de seu amor na minha mão como Kat era capaz de experimentar e ter memórias para sempre, eu recebi um telefonema da Dra. Hollister. — Você tem que me mostrar às novas roupas que você está fazendo! — Kat implora. — Não posso acreditar que você está projetando a roupa para o Ashes&Embers e enlouqueço em pensar que para a Sugar Kiss também. É muito incrível colocar em palavras. — Não é louco? Ainda realmente não posso acreditar. Talon vai tirar fotos dos rapazes vestindo alguns deles na turnê. Mal posso esperar para ver. Ela me segue até a minha sala de artesanato para ver alguns dos projetos nos quais estou trabalhando e ela realmente enlouquece quando ela toca todas as roupas e olha para os esboços que Tal e eu fizemos e estão pregados no painel. — Asia... Estou tão orgulhosa de você. — Ela me puxa para um abraço. — Eu não poderia estar mais feliz por você. Em apenas alguns meses, toda a sua vida deu uma volta. Sempre soube que grandes coisas iriam acontecer para você. Espremendo-a de volta, sei que devo tudo a ela. — Eu não teria nada disso se você não tivesse me ajudado tantas vezes ou não tivesse fé em mim. Nem sequer sei como dizer obrigada. Ela se afasta e passa o dedo em seu olho. — Isso é besteira. Você teria sido incrível, não importa o quê. Apenas tentei te dar pequenos empurrões. Agora, você pode me

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agradecer me levando para o spa. É sobre ter tempo para nós, eu acho? Olhando para o meu relógio, eu aceno. — É. Vamos nos mimar. Nunca pensei que eu fosse capaz de levar a minha melhor amiga para um dia no spa para relaxar. Isso ainda parece surreal para mim, ou talvez como um sonho e me preocupo que eu vá acordar a qualquer minuto e estar de volta no meu pequeno apartamento, perguntando se vou ter dinheiro o suficiente para comer na próxima semana.

Do carro, envio uma mensagem para Talon enquanto Kat nos impulsiona para o spa. Eu: A caminho para o spa com Kat. Obrigada por fazer isso por nós. Xo

Cinco minutos depois, ele responde. Talon: Não por isso, baby. Tenha um ótimo dia. Amei sua foto na noite passada. Tire uma essa noite. Eu: :-) Irei. Envie-me uma de vocês também Talon: Ok. Estamos apenas começando alguma merda de ensaio agora. Gosto de você com minha camiseta favorita. Vou te comer nela quando eu chegar em casa

Uau! Minhas coxas queimam e apertam, quando eu olho para a tela. Eu: Vou ter certeza de usa-la, então. Talon: Essa é minha garota. Xo Eu: Eu realmente sinto falta de você :( Talon: Tem certeza? Eu: Absolutamente Talon: Sinto falta de você também. Envie uma mensagem quando chegar em casa, bonita.

— Vocês estão trocando mensagens? Nunca vi você sorrir assim. E você está corando! — Kat exclama. — Vocês são adoráveis. — Ele é ao mesmo tempo doce e sexy em suas mensagens. Ela balança a cabeça de um lado para o outro e deixa escapar um pequeno suspiro. — Vocês dois tem timing. Eu amo isso.

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Amo isso, tambĂŠm.

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O show dessa noite arrebentou e foi nosso maior público, completamente esgotado. Tocamos mais tenso do que fizemos em muito tempo e os fãs foram à loucura com o novo material. Foi foda demais ver que todo meu trabalho sendo apreciado, mesmo os caras tendo feito algumas mudanças que eu não faria. Estamos hospedados em um hotel essa noite e cairemos na estrada novamente amanhã à tarde, então abandono o local após o show e tenho um dos roadies me levando para o hotel. Estou na banda desde que eu tinha dezoito anos e essa é a primeira vez que eu disse não para a festa, as drogas, o álcool e as mulheres. Por quê? Porque mal posso esperar para chegar ao meu quarto de hotel para ficar sozinho e ligar para Asia. Meu cérebro está fodido, meu coração está doendo e meu pau está chateado por estar frio. Me dispo rapidamente, mas com cuidado, realmente dobrando minhas roupas de palco, porque ela as fez. Suas mãos costuraram todas essas manchas tingidas no tecido e as colocou todas juntas. Para mim. E isso ainda afeta minha mente maldita. Antes de me jogar na cama, pego um refrigerante da geladeira e teclo o número de Asia na tela do meu celular. — Oi! — Ela responde alegremente em sua pequena voz de elfo, me derretendo instantaneamente.

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— Olá baby. — Como foi essa noite? — Foi totalmente épico. Não caralho, foi mais que isso, tudo foi perfeito e os fãs adoraram as novas músicas. — Claro que sim. Você as escreveu, certo? — A maioria delas. — Então, elas só podem ser surpreendentes. Amanhã à noite é o show que posso assistir ao vivo, certo? — Sim. E então, o próximo ao vivo é na noite de Halloween. — E então você chega em casa? Depois do Halloween? O refrigerante é bem-vindo na minha garganta, que está seca por causa do canto misturado com a respiração da névoa teatral no palco. Isso só vai ser pior no show de Halloween. Minha garganta estará destruída até então. — Sim. Então, voltar para casa. — E então, há outra pequena turnê, você disse? — Sim, acho que é na primeira semana de janeiro. — Ok. — A apreensão assola sua voz. — É uma curta. Um pouco mais de uma semana. — Não tenho certeza se estou tentando assegurá-la ou a mim de que uma semana sem nos vermos outra vez não vai ser tão ruim. — Ok, não quero pensar sobre isso agora. — Nem eu. Eu sinto sua falta pra caralho. — Talon, amei encontrar a nota e os presentes. Isso foi incrivelmente doce. — Esse sou eu. Doce. — Você pode ser. — Não diga a ninguém, ou eu vou ter que bater em você. Sua risadinha irradia pelo telefone.

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— Eu poderia gostar disso. Gemo, ajustando meu pau que saltou. Não vou conseguir tirar a imagem de espancar sua bunda doce da minha cabeça agora. — Baby, não me faça isso quando não posso te tocar. — Tudo tem uma primeira vez. Isso me deixa selvagem sabendo que ela me quer, mas não posso estar querendo ela e não ser capaz de tê-la, então mudo de assunto para tentar acalmar a minha região inferior. — Como foi com Kat e o spa? — Foi bom. Ela me perguntou se os rumores eram verdadeiros. — Que rumores? — Sobre seus 27,5 cm. Engasgo com o vapor do meu cigarro eletrônico. — Você está brincando comigo? — Eu gostaria de estar. — Jesus. Espero que você tenha confirmado. — Disse a ela que os rumores eram falsos e na realidade 37,5 cm. Com um estalido, desligo a luz e coloco algumas almofadas por trás da minha cabeça. — Tenho certeza de que ele parece ter para você, pequena. — Na realidade, além de me perguntar sobre o tamanho da ferramenta do meu homem, ela me disse, tipo, o que a Dra. H pensa de todos os casais, nós somos os mais devotados um ao outro e levamos o nosso casamento mais sério. — Sério? Nós? — Isso é o que ela disse. Ela não deveria conversar com a gente sobre isso, mas ela estava me dizendo que os outros casais estão tendo uma tonelada de problemas. — Isso é péssimo. Acho que nós estamos indo bem agora.

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— Eu também. Dou uma tragada no meu cigarro eletrônico. — Você está feliz? Meus

nervos

estão

em

fogo

quando

ela

não

responde

imediatamente. — Aze? — Estou pensando, Tal. — Você tem que pensar sobre essa resposta? Isso não parece bom. — Não... Só estava pensando nas palavras certas. — Sim é uma palavra e ela soa bem... — Eu queria dizer mais. — Mais como sim, ou mais como não? — Mais como sim. — Ok. Quais são? Ela suspira e faz um pequeno grunhido que é meio sexy. — Você arruinou tudo agora. Portanto, é apenas sim. Porra. Eu quero saber o que ela ia dizer. — Me diga. — Te dizer o que? — Quero saber o que você ia dizer. Você não pode fazer essa merda para mim, baby. — Eu vou escrever isso para você. Me mandar uma mensagem de texto? — Que porra, você não pode falar comigo? — Você me faz ficar meio nervosa. Merda, se essa conversa se transformar em um passo para trás, vai destruir o meu bom humor. — Quão nervosa? Você pode me dizer qualquer coisa.

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— Estou mais feliz do que já estive. Você me dá borboletas o tempo todo e quero que você se sinta assim também. — Ela faz uma pausa. — Rapazes se enchem de borboletas? Ou isso é só uma coisa feminina? Borboletas. Estou muito além do caralho das borboletas com ela. Sinto que tenho pterodactilos4 fazendo residência dentro de mim. Rindo um pouco, lhe respondo honestamente. — Sim, temos borboletas. Mas só quando a garota é adorável e gostosa pra caralho. Gosto de você. Portanto, fique feliz, ok? — Te faço feliz? Não quero dizer apenas sexo, quero dizer, tipo, em tudo? — Sim. Em tudo. Você redefiniu feliz para mim. A isso se seguiu um silêncio ensurdecedor. — Asia? Você dormiu aí? — Não, bobo. Às vezes você me faz tão feliz que não posso nem pensar ou conversar. — Ótimo. Você me faz ter morte cerebral. — Faço uma piada. — Apenas o que eu sempre quis fazer. Sua risada me faz querer abraçá-la, puxar a roupa dela e beijar todos os seus lugares fazendo cócegas. A cama king-size na qual estou me escarnece com seu enorme espaço e a falta da minha mulher nua. — Eu deveria ir. — Ela finalmente diz. — Tenho um monte de pedidos de sabonete e loções para entregar amanhã. Você vai dormir agora? — Sim, já estou na cama. — Me ligue ou me mande uma mensagem amanhã? 4 Foi um réptil voador da ordem Pterosauria, que viveu na atual África e Europa durante o Jurássico Superior (há cerca de 150 milhões de anos). A referencia dele é porque ele seria maior que borboletas em seu estomago.

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— Eu vou, querida. Se lembre de ligar o alarme. Sinto a sua falta. Dois segundos depois que eu termino a ligação, há uma batida na minha porta do hotel. Merda. Espero que não seja uma das groupies com tesão que me seguem de show para show. Saio da cama e atravesso a sala para espiar pelo olho mágico na porta e fico surpreso ao ver Storm de pé ali. Abro a porta e olho para ele interrogativamente. — E aí? Ele me empurra passando e roda ao redor da sala, verificando até mesmo o banheiro, antes de seus olhos pousarem em mim. — Você está sozinho? — Ele pergunta. — Caralho, sim, estou sozinho. Só ia assistir a um filme e dormir. Ele balança a cabeça e sorri. — Bom. Só queria ter certeza de que você não estava fodendo tudo ou desperdiçando seu sono. Aceno minha mão para ele e sento na cama novamente. — Cara, eu estou bem. Não vou foder nada. Acabei de falar com ela, tudo está fantástico. Não vou estragar tudo. — Ele se joga na cama ao meu lado e rola de costas, olhando para o teto. — Sinto falta de Evie. Acabei de falar com ela, também. — Sinto falta da Asia também. Mais do que eu pensava. É meio fodido. — Sim, é. Nós costumávamos tocar, ir às festas e ficar com alguém. Agora tocamos e nos sentamos no telefone e perguntamos se elas estão sentindo nossa falta. — Isso praticamente resume tudo. — Me inclino para trás na minha pilha de travesseiros e alcanço o controle remoto. — Vale a pena, no entanto. Beber e todo o resto, ficou chato depois de um tempo, sabe?

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Aceno e escolho um filme de terror a partir do guia de filmes. — Sim, eu sei. Ele arranca as botas e fica confortável no outro lado da cama enquanto eu olho para ele. — O que você está fazendo? Tomando o controle remoto da minha mão, ele abaixa o volume um pouco e encolhe os ombros. — Ficarei aqui e assistirei a esse filme com você. Nós não temos feito isso há anos. Lembra que você costumava ir ao meu quarto quando éramos mais jovens e passávamos a noite toda assistindo Headbangers Ball? — Porra. Amei fazer isso. Na medida em que os irmãos mais velhos iam, você era muito legal. Ele chuta a perna. — Foram? Eu orientei totalmente a sua frieza. E estou ainda mais frio agora, cara. Balanço minha cabeça e rio dele. — Tanto faz. Se você ficará, você tem que ficar quieto. E ficar do seu lado. Ele inclina a cabeça contra a minha e tira uma foto rápida de nós com o seu telefone. — Vou enviar isso para as nossas garotas e dizer que estamos tendo uma festa do pijama. Elas vão amar pra caralho. Reviro meus olhos e tiro seu ombro de cima de mim, mas ele está certo. Asia vai amar ter uma imagem de Storm e eu, ela provavelmente vai dormir melhor sabendo que Storm está invadindo o meu quarto. Com certeza, pois alguns minutos mais tarde o meu telefone está zumbindo.

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Asia: OMG Storm está realmente ficando com você? RI MUITO. Eu: Sim. Ele está tentando reviver nossa infância eu acho. Asia: Awww :-) vocês são tão bonitos. Eu: Nós estamos assistindo a um filme. Durma um pouco, baby. Asia: Boa noite <3

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Lamento ter fodido nossa lua de mel. Vou concertar isso com você, urso de geleia. Vou concertar tudo em nossa casa, assim que eu chegar em casa. Que se foda o hotel e a praia. Preciso apenas de você. E seus olhos. E você nua. E seu cheiro gostoso. Limpe sua agenda para essa semana - você estará ocupada. Xoxo, Talon Essa nota estava escondida na minha sala de artesanato, com o meu material de fabricar sabão. Quando ele se esgueirou escondendo todas essas notas? Quero saquear a casa para ver se há mais, mas encontrá-las em momentos aleatórios quando menos espero é bastante

doce

para

destruir.

Então

canalizo

um

pouco

de

autocontrole que tenho e me proíbo de ir a uma farra de caça a nota. Passei as próximas horas fazendo sabonetes de todos os diferentes aromas e formas, o que está me fazendo sorrir, me lembrando de quando Talon tentou comer um. Também fiz alguns lotes de loções e protetor labial, colocando alguns de lado para mim desde que ele ama tanto.

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Enquanto janto, verifico minhas páginas de mídia social e e-mail e vejo que Talon me marcou em uma atualização de status. Realmente sinto falta da minha menina @asia_valentine e minha princesa @princess_pixie pequeno tapete de rato. #Amor #minhaesposa #gatosdoinstagram #família

Não leio mais as respostas à sua atualização porque, embora a maioria seja solidário, há sempre alguns que são desagradáveis. E, é claro, são os que mais chamam a atenção. Tento me concentrar na maior parte, por isso, peguei o conselho de Evie e não os leio e somente leio o que Talon digitou. E reli o que ele digitou cerca de vinte vezes, meu coração estoura no meu peito quando paro em uma palavra que de alguma forma não notei em primeiro lugar. #Amor Isso significa que ele me ama?! Eu envio um texto. Eu: Amei o seu status. Mal posso esperar para vê-lo ao vivo esta noite online! Que saudades de você. Xo

Um pouco antes das oito horas, pego Pixie e meu laptop na cama comigo e uso o login com as informações para acessar o site que vai transmitir o show. — Nós vamos ver o papai. — Digo enquanto Pixie se enrola ao meu lado, de frente para o laptop. A banda chamada Yet Lust toca primeiro e fico surpresa ao ver Finn tocando guitarra. Não me lembro de Talon me dizer que a banda de Finn faria a abertura e me pergunto se isso poderia ser parte da animosidade entre eles. O palco fica escuro por alguns minutos e depois vermelho e luzes brancas brilham de cima enquanto a névoa se infiltra lentamente e flutua pelo palco. Luzes brilham do chão, iluminando lápides espalhadas por todo o palco.

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Os caras estão todos de pé no palco, sem se mover, enquanto gritos misteriosos e explosões de portas batendo explodem nos altofalantes. Um por um, um foco de luz brilha para baixo em cada um deles e eles começam a tocar. Sua composição de Halloween é na mosca. O rosto, os braços e peito de Talon estão pintados como um esqueleto, todo branco e preto e sua maquiagem no rosto está seriamente assustadora. Mas também incrivelmente bonito de uma forma doente. Nem sequer me importo que ele não está usando uma camisa para esse show porque ele parece incrivelmente assustador e sexy. Ele tem um chapéu superior velho, esfarrapado em sua cabeça, seu cabelo que flui para fora de debaixo dele e meio que quero que ele o use enquanto nós fazermos sexo, porque alguma coisa está me excitando muito. Pego meu telefone e envio uma mensagem para que ele possa ver mais tarde. Eu: Puta merda, vocês parecem surpreendentes! A maquiagem é selvagem! E esse chapéu? Traga-o para casa. Eu gostei. Xo

Os outros caras parecem igualmente impressionantes. Asher tem maquiagem de tigre, Storm e Mikah estão compostos como zumbis e Vandal tem o que se parece ser cortes profundos e sangue com um machado saindo do lado da cabeça. Deve ter levado ao maquiador horas para fazer tudo isso e é provavelmente por isso que não ouvi Talon ainda hoje. Ele deve ter se preocupado com a configuração do palco e recebendo toda aquela maquiagem. Esse show é muito diferente do que o que eu fui em Boston, que foi menor, com menos pessoas. A arena na qual eles estão tocando no momento é enorme e o público está embalado. O palco é também o triplo do tamanho e há meninas vestindo sensuais trajes de gato preto dançando no palco. Não tenho certeza se as meninas estão

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sempre no palco com eles ou se são apenas extras para esse tema de Dia das Bruxas, mas tento não ter uma crise de ciúmes quando uma delas começa a tremer sua longa cauda distorcida e falsa junto à Talon e se dobra na frente dele. Quer dizer, que merda é essa? Se vestir como um gato não deve induzir a idiotice. Assisto Talon enquanto ele sorri e entra em um solo de guitarra incrível e ela se lança a distância, e, felizmente, ele não segue sua bunda para o outro lado do palco. Mesmo que eu não saiba todas as músicas da banda, posso distinguir todas as mais recentes no set, porque eles têm um som um pouco diferente. Elas são menos metal e mais rock misturado com blues e uma espécie de tom dos anos setenta em algumas e todas as letras

são

cativantes.

Não

tenho

certeza

de

como

pode

ser

categorizada, mas é original, legal e adoro isso. Talon trabalhou tanto para escrever essas canções e estou tão orgulhosa dele e o quão talentoso ele é. Assisto o concerto inteiro, dividida entre amar a música e ficar muito excitada assistindo meu marido se exibir por aí como um esqueleto sexy. Me pergunto se devo estar um pouco preocupada que as coisas mais estranhas sobre Talon me excitem. Coisas que nunca teria pensado fazem o meu coração acelerar, como seu cabelo, suas tatuagens, ele usando delineador, pisando em torno de um cemitério usando um chapéu. Há alguns meses atrás, eu nunca teria sido atraída por nada disso, mas agora... não posso ter o suficiente dele.

Após o show, termino a sessão e coloco o laptop na minha cabeceira, escrevo no meu diário e envio uma mensagem para Talon.

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Eu: O show foi incrível! Eu amei! Amei as novas canções também. E esse chapéu... não se esqueça de trazê-lo para casa. ;-) Me ligue quando você puder, sinto sua falta.

É quase meia-noite, então escovo os dentes, coloco um pouco de loção e vou para a acolhedora cama, ainda dormindo com a camisa de Tal. Checo meu telefone, mas não tenho nenhum texto ou ligação dele, o que é estranho, porque ele gosta de ligar todas as noites para dizer boa noite antes de irmos dormir. Não me lembro se ele está hospedado no hotel novamente hoje à noite ou se eles vão ficar no ônibus da turnê, mas eu diria que, se eles vão voltar para a estrada essa noite, logo ele estaria ocupado e pode não ter tempo para ligar. Ou enviar uma mensagem. Apesar de que só levaria cerca de quatro segundos para fazer.

Acordei na manhã seguinte com o meu telefone no meu peito, ainda desprovida de qualquer contato com Talon. Franzindo a testa, digito uma mensagem rápida para ele. Eu: Só quero ter a certeza que está bem. Envie uma mensagem para mim quando puder. Xo

Não vou pirar. Esse é o seu trabalho e como qualquer outro trabalho, às vezes ele pode estar muito ocupado para enviar uma mensagem ou chamar. Mesmo por todo o dia e noite. Mas não vou me preocupar ou ficar louca. Porque nós já passamos por isso. O café está chamando meu nome, então me visto e vou para a cozinha para fazer uma xícara, alimentar Pixie, depois vesti-la em uma de suas novas roupas e tirar uma foto dela para o blog. Enquanto estou no laptop na sala de artesanato, verifico a página de mídia social da banda e meu coração cai para os meus pés quando vejo imagens de Talon com uma das meninas e outra, de uma menina de cabelo escuro bonita. Passando através de todas as fotos do show

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da noite passada, vejo algumas de Mikah com a menina gato também, mas Talon é o único com a outra menina e ele tem o braço em volta dela. Não consigo parar de olhar para a foto, analisando cada pixel, procurando pistas escondidas. Sua mão não está tocando seu traseiro ou os seus seios, está apenas em sua cintura. Isso é bom. Ele está sorrindo, mas não é o sorriso de quero foder que eu conheço tão bem agora. Ugh. Odeio ser assim. Isso não é comigo. Bato a tampa do laptop para baixo. Não farei isso. Não tem nem uma semana ainda, não posso ter um colapso apenas alguns dias do nosso primeiro tempo separados. Tenho que confiar nele. Essa menina é linda e de aparência exótica, apesar de tudo. Alta, de pele escura, peitos empertigados, olhos amendoados, o mais negro dos cabelos sedosos. Porra, mesmo eu estou atraída por ela. Não, não vou deixar meu cérebro tomar esse rumo. Ele me disse que só me quer agora. Tenho que acreditar nele. E não posso esquecer a hashtag #amor! Isso deve significar alguma coisa.

Banho Pixie em um novo xampu que uma empresa de pet care holística envio para nossa avaliação e uma vez que ela está lavada e seca, ela realmente parece extra macia e até mais branca, com uma pitada de aroma de coco demorando em sua pele. Coloco ela em uma minúscula cadeira de couro preta que Talon comprou para ela na loja infantil para tirar algumas fotos e digitar uma rápida avaliação positiva para postar em seu blog. Desde que estou de volta no laptop, verifico a página de Talon e a página da banda novamente, mas eu

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não vejo nada de novo. Desejava que a menina na foto com Talon tivesse sido marcada para que eu pudesse segui-la. Nem tenho certeza de quem atualiza a página da banda, agora que eu estou pensando sobre isso. Evie! Lembro vagamente de Talon mencionar que não só Evie trabalhava diretamente para a sua mãe, mas ela também faz um monte das atualizações de marketing e mídia social para a banda. Então, se ela postou esta foto, ela deve saber quem essa garota é. Pego meu telefone do meu lado e debato se eu deveria ligar para ela e com indiferença tentar obter algumas informações sobre onde os caras estão e quem essa menina é. Ela disse que eu poderia ligar a qualquer momento, por isso... — Oi, Asia, o que está acontecendo? — Evie sempre soa doce no telefone, nunca ocupada, apressada, ou irritada como algumas pessoas fazem. — Oi, só liguei para dizer oi e ver como você está indo. — Estou bem, sinto falta de Storm, é claro. Mas ele me ligou esta manhã e nós conversamos por cerca de meia hora, de modo que me fez sentir melhor. Não é justo. Se Storm foi capaz de ligar para Evie, por que não poderia Talon me ligar? — Sim, sei o que quer dizer. Você assistiu o show ao vivo on-line na noite passada? Eles pareciam incríveis. — Oh meu Deus, eu assisti e a maquiagem de Halloween parecia ultrajante. Storm disse que levou muito tempo para colocar e para lavar. Eles estão fazendo isso para cada show, mas ele disse que falariam com o maquiador sobre tonificá-las um pouco para que não

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levasse tanto tempo. Você conhece os caras, eles não podem se sentar por um tempo muito longo. — Isso é a verdade. Então, quem está colocando toda aquela maquiagem sobre eles? — Há uma maquiadora que contrataram para fazer a turnê com eles. Ela é uma fã também, de modo que ela estava feliz de ir. Hm. Eu não sabia sobre isso. Onde diabos ela está dormindo? — Eu não sabia disso. Não posso imaginar Talon sentado por muito tempo. — Digo. — Ei, é você quem atualiza as páginas da banda online? — Sim, normalmente. Ou, às vezes Mikah o faz, mas geralmente sou eu. Eles me enviaram um e-mail com fotos e informações da estrada e eu carrego-as na página. — Isso é muito legal. Você que postou as fotos esta manhã? — Suave, eu não sou. — Postei um monte do show ontem à noite e tem uma agradável de Talon com a artista. — A artista? — Sim, a maquiadora. Pensei que ela gostaria de ver sua foto postada com a banda. Com meu marido. — Oh. — Asia, você está bem? Você parece estranha. Será que a foto te incomodou? — Não... — Hesito, não querendo que Evie pense que estou brava com ela, porque eu não estou. — Ok, um pouco. Só não sabia quem ela era quando eu vi isso e eu não tive notícias dele hoje ou ontem e agora eu estou ficando realmente preocupada. Quero dizer, ele nem sequer respondeu as minhas mensagens e não sei por que, porque

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tudo estava bem. Ele e Storm tiveram a festa do pijama e ele pensou que era realmente engraçado e ele me deixou essas pequenas notas escondidas por toda a casa e não entendo por que Storm ligou, mas Talon não. — Tenho que me forçar a parar de falar porque estou jogando verbalmente toda minha lamentação na pobre Evie. — Asia... Respire fundo. Respiro. — Primeiro, a maquiadora tem uma namorada. Uma namorada. Storm me disse que não está de qualquer forma flertando com qualquer um dos caras. Ela é uma maquiadora profissional que também acontece de ser uma fã. Ela está viajando sozinha e os encontra em cada local. Ela não ficará com eles. Então, por favor, não se preocupe com ela, Ok? Me sinto como uma idiota. — Sinto muito, Evie. Estou apenas preocupada. — Eu sou da mesma maneira, confie em mim. Provavelmente pior do que você, se isso faz você se sentir melhor. — E as meninas gato? Quem são elas? — Elas são apenas dançarinas de palco e às vezes elas fazem back vocal. Elas estão com a banda por um tempo e elas são ambas casadas. Então, não se preocupe com elas também. — Evie, obrigada. Não quero parecer tão paranoica e ciumenta. — Não. Você parece como uma mulher recém-casada que tem sido empurrada em um estilo de vida para a qual não estava preparada. Me sinto da mesma forma. Não tinha ideia de quem era Storm quando nos encontrarmos. Isso está me levando um tempo para se acostumar com tudo isso também. — Quando você falou com Storm, ele disse alguma coisa sobre Talon? Não tenho certeza porque eu não tenho notícias dele.

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— Ele não falou. Mas posso mandar uma mensagem e perguntar. Eu não me importo. — Não, não faça isso. Não quero que ele pense que estou perseguindo ele. — Embora eu até esteja. — Só estou um pouco preocupada. — Tenho certeza que está tudo bem. Ele estava coberto de maquiagem, de modo que provavelmente levou um tempo depois do show para lavar tudo. Então, ele provavelmente apenas adormeceu. E pelo que Storm disse, eles estavam viajando durante todo o dia de hoje e em um prazo muito apertado para chegar ao próximo local a tempo. Tente não se preocupar. Respiro fundo e tento me acalmar. — Estou tentando. — Você quer vir até aqui? Eu estou apenas fazendo algum trabalho. É bem-vinda para vir a qualquer hora. — Eu adoraria, mas eu tenho uma tonelada de trabalho para fazer. Eu realmente aprecio a oferta. — Ok, mas quero dizer isso. Você pode me ligar ou vir a qualquer momento. Mesmo no meio da noite. Se você estiver se sentindo preocupada e precisar conversar, você pode me ligar. — Obrigada. Você pode fazer o mesmo. Estou sempre aqui. Parece que você e Storm já superaram esse período de ciúme estranho e você não está tendo colapsos como eu estou. — Acho que estamos melhor agora, mas nós definitivamente não estávamos não muito tempo atrás. — Esperemos que eu vá superar isso em breve. Talvez se você ouvir algo de Storm, apenas se certifique que tudo está bem com o Talon e me envie uma mensagem? Só não torne óbvio que eu

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perguntei, se puder. Realmente não quero Talon pensando que não confio nele. — Não tem problema. Vou te enviar uma mensagem mais tarde para te tranquilizar. Depois de conversar com Evie me sinto um pouco melhor, pelo menos sobre as fotos de Talon com as meninas, mas ainda não entendo por que ele não entrou em contato comigo. Quão difícil é enviar uma mensagem rápida? Eu estava esperando que ele estivesse sentindo falta de mim tanto quanto sinto falta dele, mas talvez o seu interesse por mim realmente seja principalmente sexual e fiz uma leitura errada dele nas últimas semanas. Talvez o #amor não significava amor do tipo amar. Agarrando meu diário, o levo para a varanda da frente comigo para escrever sobre os altos e baixos dos últimos dias. Escrever é terapêutico para mim, mas sabendo que alguém vai ler e analisar isso em poucos meses me dá mais de uma sensação clínica que eu exatamente não desfruto. Tento ser o mais honesta que posso com o que eu escrevo, no entanto, porque esse era o ponto de todo esse projeto, pelo menos para a Dra. Hollister. Para mim, era encontrar um parceiro de vida. Apenas ainda não tenho certeza se isso é o que eu tenho.

Assim quando o sol está se pondo, meu telefone toca com o novo hit de Talon que adicionei aproximadamente uma hora atrás. Talon: Hey, baby. Eu: Oi. Talon: Desculpe-me, eu estou atrasado. Eu: Está tudo bem.

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Talon: Não, não está. Ontem à noite estava louco após o show. Tivemos uma sessão VIP, de modo que as pessoas pagaram extra para entrar nos bastidores para nos encontrar e conseguir autógrafos e toda a merda. Eu: Oh, isso parece legal. Talon: Então isso levou tipo uma hora para tomar banho e retirar toda aquela maquiagem. Você realmente gostou? Eu: Eu adorei. Você parecia realmente gostoso. Talon: E o chapéu? Você ficou com um pouco fetiche por ele? ;-) Eu: sim :-) Talon: Ok. Eu estou levando para casa. Talon: Você está brava? Eu: Não brava. Apenas chateada que eu não ouvi sobre você. Eu estava preocupada. Talon: Desculpe, querida. Esqueci de carregar o meu telefone por isso ficou desligado ontem à noite e essa manhã. Tem sido um dia louco e depois adormeci. Eu estava meio com um humor de merda. Eu: Está ok. Eu sinto muito. Você está bem? Talon: Eu estou bem. Apenas cansado às vezes, todos nós discutimos quando estamos juntos. É difícil para mim conseguir qualquer privacidade. É por isso que eu estou enviando mensagens de texto. Eu: Eu entendo. Eu senti sua falta todos os dias. Achei a sua nota no material de sabão. Muito doce. Talon: Eu quis dizer cada palavra. Fico mal-humorado às vezes quando estou na estrada. Por favor, não deixe isso chegar até você ou jogue de volta. Eu sei que isso é difícil para você. Eu: Eu estou bem, enquanto eu souber que estamos ok. Talon: Estamos mais do que ok. Eu não vou deixar você, querida. Eu estou sempre com você.

Lágrimas brotam em meus olhos e rolam pelo meu rosto. Às vezes, ele sabe exatamente o que eu preciso ouvir. Eu: É tão bom ter alguém que entenda tanto o meu coração. Talon: Eu sei;) Eu: Eu quero dizer isso. Você está se tornando o herói de meu coração. Talon: Foda, baby. Eu preciso ouvir a sua voz dizer isso um dia. Eu: Se você usar o chapéu, eu vou dizê-lo ;-) Talon: Feito. Eu sinto falta de você. Eu: Eu sinto falta de você também. Tanto. Talon: Você ainda está dormindo com a minha camiseta, certo? Eu: Cada noite

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Vinte dias. Atravesso o último dia na minha agenda com um grande e triunfante sorriso. Nós fizemos isso. Passamos por ele sem brigas, sem contratempos e nenhuma foto adicional de mulheres me levando a entrar em um épico ciúme enlouquecido. Estou orgulhosa de nós. Fecho minha agenda e coloco-a ao lado da ilha da cozinha e atravesso a sala para me servir de uma xícara de café. Quando vou para a geladeira para pegar creme, grito e pulo, meus braços agitando como um ninja. Ele está encostado na porta, seus braços musculosos cruzados debaixo de um apertado e reto Henley e o chapéu velho está situada no topo de sua cabeça. Debaixo de cada um dos seus olhos está uma ligeira

mancha

preta.

Ele

parece

exclusivamente

bizarro

e

incrivelmente sexy. — Puta merda! — Corro em direção a ele e jogo meus braços em torno dele. — Por que você não me disse que estaria aqui tão cedo? — Eu queria fazer uma surpresa. — Ele empurra o meu cabelo do meu rosto e acaricia minha bochecha. — Só quero olhar para você por um segundo. — Seus olhos escuros vagam pelo meu corpo e, em seguida, bloqueiam os meus. — O que foi que você deveria me dizer? — Ele pergunta, seu polegar acariciando meu lábio inferior. Deus, eu amo quando ele faz isso.

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Estou tão hipnotizada pelo fogo em seus olhos que mal consigo me lembrar do meu nome, muito menos algo com o qual eu concordei em dizer. Meu cérebro gira até que finalmente volta a mim. — Você é o herói do meu coração. — Digo suavemente e seus olhos se fecham por um momento antes de ele se inclinar para me beijar, seus lábios macios contra os meus e o sabor de chiclete e sua mão indo para a minha cintura e puxando meu corpo contra o dele. Suspiro contra seus lábios, absorvendo seu toque, seu gosto, seu cheiro. Todos meus sentidos ganham vida quando ele está perto e tudo parece bem. — Isso é definitivamente a melhor coisa que alguém já me disse. — Estou contente. Senti tanto sua falta. Isso foi os vinte dias mais difíceis da minha vida. — Precisamos ir lá para cima. Agora. Nós corremos para o quarto, onde ele me joga sobre a cama enquanto puxamos a roupa um do outro em um frenesi. Seus lábios devoram os meus possessivos e não me canso de tocá-lo, sentir sua carne quente sob meus dedos enquanto eles viajam sobre os ombros e para baixo de suas costas para apertar sua bunda musculosa. Esse homem deve fazer agachamento e deveria ter um pôster na pose de bebê, pois a bunda dele é apenas mais que perfeita. Sua boca deixa a minha e começa um caminho tentador no meu pescoço para os meus seios, seus dentes passam levemente sobre meus mamilos sensíveis. Ele se move de um para o outro, me chupando entre os lábios enquanto sua mão vai entre minhas pernas, empurrando minhas coxas. Um gemido escapa dos meus lábios, logo que ele me acaricia e desliza um dedo em mim, no local que ele sabe que me deixa selvagem. Espremendo minhas coxas, eu armo uma armadilha para sua mão e moo o meu sexo contra seus dedos.

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Depois de me provocar com os dedos e língua, ele nos vira então ele está deitado de costas, me puxando em cima dele. — Suba no meu pau, baby. Quero ver você. — Sua voz faz as coisas em mim que nunca pensei ser possível. Agarrando seu pau grosso na minha mão, o seguro contra os meus lábios e lentamente desço em sua palpitante ereção. Ele geme e agarra meus quadris, gentilmente me puxando para baixo mais para ele. — Realmente senti muito sua falta. — Ele geme, deslizando as mãos até meus seios. — Não vou bater em você, querida. Quero que você esteja no controle nesse momento. O que diabos eu sei sobre como controlar um pau? Nada. Percebendo minha hesitação, ele move as mãos de volta para minha cintura e gentilmente me levanta para cima e para baixo. — Relaxe seus músculos. Leve-o tão profundo como você desejar e se deixe ir. — Feche os olhos. — Jesus, Aze... — Apenas faça isso! — Não posso fazer isso com ele me olhando, sou muito autoconsciente sobre a quão estranha eu pareço. — Tudo bem. Apenas me foda antes que eu perca a cabeça. — Ele cede, fechando os olhos e fico feliz que ele não pode me ver sorrindo para ele. Ele realmente não tentou tanto assim. — Pare de rir ou vamos tentar um buraco diferente que não requer nenhum contato com os olhos. Caramba! Ele agarra minhas mãos nas suas, ainda com os olhos fechados e as prende firmemente enquanto subo e desço em seu comprimento.

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— Isso é perfeito... não pare. — Ele geme, sua respiração acelera enquanto me movo mais rapidamente e levo-o mais profundo, fazendo com que minhas entranhas doam. É tão bom, no entanto, tê-lo dentro de mim novamente, nada mudou. A proximidade que encontramos antes ainda está aqui. Seus olhos lentamente se abrem e ele me puxa para baixo sobre ele, os nossos lábios se encontram em um beijo molhado, as mãos se movendo para a minha bunda para me guiar sobre ele, meu clitóris esfregando deliciosamente contra o seu abdome. Ele enrola meu cabelo na mão e puxa minha cabeça para trás, expondo meu pescoço para ele beijar e lamber. Choramingo e moo mais nele enquanto seus lábios se movem para os meus seios, me chupando em sua boca. O movimento súbito de sua língua sobre meu mamilo envia pulsos elétricos através do meu corpo e perco o controle, girando meus quadris mais rápido e mais forte nele, sentindo seu pênis se empurrando em mim, no fundo do poço. Pegando minhas mãos de novo, ele me empurra para cima, me forçando nele. Seus olhos estão selvagens com luxúria enquanto permanece deitado e me assiste seguir em frente em cima dele, respirando profundamente. Quando começo a tremer, ele me puxa de volta para baixo em seu peito, envolvendo os braços em volta de mim, seus lábios encontrando os meus na bagunça embaraçada de nosso cabelo. — Não se esconda de mim, Aze. — Diz ele mais tarde, quando estamos aconchegados um contra o outro debaixo das cobertas. — Quero vê-la. Cada parte de você. — Sinto muito. Eu apenas me senti... estranha. Estando tão exposta, eu acho.

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— Isso é o que eu quero, apesar de eu amar o seu corpo, você não precisa se preocupar com isso. Ele ama meu corpo. Por que ele pode dizer isso, mas não diz que me ama? — Amo seu corpo, também. — E você sabe o quanto eu amo esses seus olhos. — Ele beija o topo da minha cabeça e apoia o queixo contra mim. — Senti falta de dormir com você. — Ele suspira profundamente. — Eu perdi a nossa cama. E esses lençóis. Odeio essa porra de ônibus. E agora ele ama meus olhos. Ele não pode apenas dar um passo adiante e me amar? — Você vai me fazer bolinhos amanhã? Amo seus cupcakes. Rangendo os dentes de frustração, aceno. — Claro. Pelo amor de Deus, por favor, pare de amar tudo sob o sol e me ame também, eu imploro silenciosamente. Mas ele não diz isso. Ele esfrega o pé contra o meu e adormece, me deixando rebobinar essa hashtag que ele postou, na esperança de que seja uma dica. #Amor

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— É tão grande. — Diz ela, com os olhos alargando enquanto ela se encolhe e se afasta. — Não é tão grande como parece. — Sim, é! É enorme. E pontudo. Não me lembro de ser assim da última vez que eu fiz isso em mim. — Tente relaxar. — Pego sua pequena mão e a aperto — Pense em alguma outra coisa e você não vai senti-lo entrar. — Você está de brincadeira? — Diz ela, incrédula. — Isso é impossível. Lukas

troca

um

olhar

provocante

comigo

enquanto

Asia

enlouquece na cadeira e me encosto na mesa, balançando a cabeça. Tinha uma sensação de que ela ia surtar sobre a agulha. — Asia, não farei isso se você está com medo. Isso não é como trabalho. Você tem que querer. — Diz Lukas gentilmente. — Se você está com medo, você vai mexer e poderia estragar tudo. Preciso de você calma e sem se mexer. — Não quero isso. É pontudo e barulhento. — Baby, confie em mim, não é tão ruim quanto parece. E só vai doer um pouco. — Rayne! — Lukas grita por cima do muro de seu cubículo. — Traga-me o remédio em gotas!

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Poucos minutos passam e minha irmã chega até nós com um copo de água e um pequeno frasco pouco âmbar na mão. — O que é isso? Você não vai drogar minha esposa. Rayne revira os olhos. — É um remédio calmante natural. Ele funciona a maior parte do tempo. Estreito meus olhos para ela. — É seguro? — Sim, Tal. É totalmente seguro. Nós não somos idiotas. — Ok, estou apenas verificando. Não quero minha esposa toda drogada sem seu consentimento. — Você é um porco. — Ela coloca algumas gotas da solução na água e entrega para Asia. — Beba isso. Vai deixa-la menos nervosa. — Ela olha para mim e depois de volta para Asia. — Espero que você não o leve na sala de parto, se você alguma vez tiver filhos. Asia ri enquanto bebe sua água. — Isso é definitivamente algo para se pensar. — Ei, se tiver filhos, estarei naquela sala me certificando de que ninguém faz a bruxa má com meu bebê. Essa merda acontece o tempo todo. — Talvez tenha um filhote de cachorro em primeiro lugar — aconselha Rayne. — Você sabe, e comece a praticar. — Nós temos uma gata que me chama de papai. Já estou praticando. Lukas se recosta na cadeira. — Então, você tem uma gata falando? Será que usa um chapéu? — Não, Asia fala por ela. E sim, não usa chapéus. Usa vestidos. Até minha irmã se racha de rir. — Eu realmente preciso ir até sua casa.

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— Rayne, você é bem-vinda a qualquer hora. Nós temos muito espaço, você poderia ficar conosco por alguns dias, se você quiser. — Diz Asia. — Posso pensar sobre isso. Estou vivendo com vovó agora e embora eu a ame, às vezes sinto que uma pequena pausa seria boa. Ela está constantemente me alimentando. Vou virar uma baleia em breve. Asia se encosta para trás e empurra seu jeans para baixo um pouco e Lukas começa seu trabalho cobrindo o meu nome em seu quadril. É uma coisa boa que eu confie no meu primo, porque fico morrendo de inveja assistindo outro cara tocar o corpo da minha esposa. — Basta ficar quieta, beber a água e deve relaxar um pouco. — Rayne diz, então nos deixa para voltar para sua área de recepção. 339

— Você está bem, Jujuba? — Eu pergunto. Ela estremece um pouco. — Sim, só queima. Sua irmã é linda, Tal. Talvez nós devêssemos tê-la modelando algumas das roupas para o meu site? Poderíamos pagar ela. Talvez Kenzi, também? Não vejo por que devemos caçar modelos quando você tem duas meninas bonitas diretamente de sua família que provavelmente gostariam de modelar para nós. — Ela está certa. — Diz Lukas. — Essa é uma ideia de arrebentar. — E vocês poderiam modelar para a roupa dos homens. — Asia acrescenta entusiasmada. — Nós? Sério? — Sim, vocês são gostosos. Quero dizer, nós poderíamos fazer algumas

poses,

obviamente,

precisaríamos

de

caras

não


compromissados para as outras. Mas, para as de palco, acho que você e Lukas seriam impressionantes. — Eu topo. — Diz Lukas. — Você acabou de chamar o meu primo de gostoso? Bem na minha frente? Suas bochechas ficam vermelho brilhante. — Sim, mas eu... Lukas olha para mim. — Não a deixe desconfortável, por favor. Me inclino e beijo sua testa. — Só estou provocando ela. Estou um pouco chocado que Asia, na verdade, concordou em fazer a tatuagem. Eu tinha certeza de que ela ia mudar de ideia no último minuto, porque ter o nome de um cara em seu corpo é um grande passo, especialmente para alguém como ela, que quer estar cem por cento certa sobre tudo. Então, isso deve significar que ela tem, tipo, 99% de certeza de que vamos ficar juntos. Acho que não sabia que eu também tinha algumas paredes eu mesmo, sempre tendo a irritante sensação na parte de trás da minha cabeça de que ela poderia apenas levar a gata no final de tudo isso ao invés de lidar comigo. Durante a turnê, houve momentos em que realmente comecei a me preocupar

que ela

não iria

querer

ficar

casada

comigo,

especialmente quando ela ficou tão chateada e paranoica nas poucas vezes em que fui incapaz de ligar ou enviar uma mensagem a ela. Odeio que ela teve que passar por crises de se sentir tão sozinha e no escuro, mas diferente de construir a confiança, não tenho ideia de como posso tornar a situação melhor para ela, para que ela se sinta contente quando não estou em casa. Isso torna mais difícil para mim

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também, sabendo que quando eu finalmente começar a ligar, vou ter que garantir que está tudo bem e que nada aconteceu. Não quero desperdiçar os primeiros quinze minutos de cada conversa fazendo o controle de danos. — Olá? Cara, você está ouvindo? — Lukas pergunta, chutando meu pé. — Que porra de lugar você está? — Desculpe, eu dei uma espaçada. Ele balança a cabeça enquanto ele muda a ponta de sua pistola. — Perguntei se você queria vir para minha casa para a ação de graças. Ivy e eu pensamos que apenas nós, as crianças e vocês caras seria bom, já que estamos todos indo para vovó para o Natal. Olho para Asia, que está sorrindo de orelha a orelha, acenando sim como uma cabeça de bolha. Lembro dela me dizendo que nunca teve uma boa festa de família de Ação de Graças ou Natal. Nunca. Ela 341

está em uma agora. — Nós adoraríamos. — Respondo. Asia me sopra um beijo, enquanto Lukas se retira e a porra do meu coração se derrete. Pela primeira vez em muito tempo, não passarei as férias desperdiçando

tempo

com

alguma

garota

e

ficando

chapado.

Enquanto Lukas termina a tatuagem dela, faço uma lista mental de tudo o que farei para tornar as férias especiais para ela. Uma árvore de natal. Lotes de luzes decorando a casa e o quintal. E toneladas de presentes para ela e a princesa. Oh, e visco em cada porra de lugar que eu possa pendurá-lo.


— Hm, tenho certeza que o visco significa dar um beijo, não um golpe de marketing. — Argumento, elevando as minhas sobrancelhas para ele. — Não, é um golpe de marketing. Papai mudou no ano passado. — Ele está em pé sobre uma cadeira no arco entre a sala de jantar e sala de estar, pendurando o que deve ser um de pelo menos dez decorações de visco. Nós também compramos várias coroas de flores e sortidas decorações do feriado, uma árvore de dez pés, cordas de luzes, velas e algumas renas animatrônicas e elfos para colocar para fora no gramado da frente. Após dois dias de decoração, a casa parece incrivelmente festiva. Pixie está situada debaixo da árvore, levemente arranhando um ornamento baixo, arrebatado por ela. — Ela vai derrubar aquela árvore quando não estivermos olhando, não é? Pego ela e sento sobre o travesseiro de veludo vermelho no sofá. — Não, ela é muito pequena para derrubá-la e ela não vai escalála. Ela só tem uma coisa com aquele ornamento. Talon desde já coloca alguns presentes sob a árvore, tudo lindamente embrulhado. Nunca fui animada sobre o Natal antes, desde que minha família nunca tem nada a comemorar, mas eu adorava andar pela Main Street, vendo todas as vitrines decoradas

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com luzes e árvores de Natal. Quando finalmente tive meu próprio apartamento com uma televisão, assisti a todos os desenhos animados do feriado e o filme que passava, completamente absorta no amor, alegria e tudo relacionado com férias. Meu marido tem, obviamente, desviado seu caminho para tornar o nosso primeiro Natal mágico em todos os sentidos. Se alguém tivesse me dito que ele seria assim quando o vi esperando no altar há alguns meses atrás, eu nunca teria acreditado. Não tenho certeza se ele sempre teve esse lado oculto nele, ou se ele se tornou assim para me fazer feliz, mas estou amando e apreciando cada momento disso. Ele salta da cadeira e a coloca de volta em seu lugar na mesa da sala de jantar, em seguida, está sob o visco, esperando. Sorrindo, eu atravesso a sala e fico na frente dele com as mãos cruzadas atrás das costas, me balançando inocentemente em frente a ele. — Acho que eu vou levar o beijo à moda antiga, por agora, já que temos que sair logo. — Ele levanta meu queixo com o dedo e me beija suavemente, movendo a mão para trás do meu pescoço. Ele lambe os lábios, persuadindo-os a abrirem, em seguida, desliza a língua na minha boca com um pequeno gemido. Levanto a bainha da camisa de flanela que ele está usando e passo meus dedos sobre seu abdômen esculpido, sentindo os músculos se contorcer sob meu toque. Seus lábios sorriem contra os meus. — Talvez devêssemos abandonar a ceia de Natal e ficar em casa. Tecnicamente, não tivemos ainda nossa lua de mel, certo? Balanço minha cabeça. — Nós não podemos fazer isso. Todo mundo está nos esperando. — Estávamos indo para sua avó para o jantar, que, pelo que eu ouvi, é um grande encontro de toda a família com quantidades infinitas de comida e sobremesa. Evie me disse que teve um maravilhoso tempo

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no ano passado quando Storm a levou como sua convidada, antes de estarem mesmo namorando. — Você está certa. Mas quero te dar um presente em primeiro lugar. — Ele vai para a árvore e agarra a caixa menor, embrulhada em papel vermelho brilhante com um arco de prata. — É muito bonito para abrir. — Protesto. — Porra. Apenas abra. Minhas mãos estão realmente tremendo enquanto lentamente abro, querendo saborear cada segundo do meu primeiro presente dele. Não posso imaginar o que ele pode ter me dado. O conhecimento de que ele e suas muitas facetas da personalidade podem ser qualquer coisa, desde um presente como uma mordaça sendo um brinquedo sexual para, até algo surpreendente. Abaixo do papel está uma pequena caixa de cetim preto. Espreito para ele rapidamente para vê-lo sorrindo como um gato Cheshire antes de eu levantar a tampa. E é incrível. Minha mão voa para cobrir minha boca quando eu olho para ele, um nó se formando em minha garganta. — Talon... Onde você encontrou isso? — Encomendei por uma garota no Etsy. Você gostou? Estou sem palavras como dedilho o pequeno colar de prata com uma cúpula de vidro pequeno cheio com três sementes de dente de leão suspensas. Como se elas estivessem sendo sopradas pelo vento, capturadas para sempre. — Uau, Talon, eu absolutamente amo isso. Não posso nem colocar em palavras o quanto adorei. Ele tira da caixa e coloca a corrente em volta do meu pescoço, apertando-a e afofando meu cabelo em volta dos meus ombros.

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— Gostei do que disse sobre as sementes enviando amor e carinho a alguém. Agora você tem isso de mim, o tempo todo. Mesmo quando eu não estiver aqui. Então, se eu perder uma chamadaligação ou uma mensagem, basta olhar para isso como uma declaração formal de que você está na minha mente toda a porra do tempo, mesmo quando estiver ocupado e mesmo quando eu for um idiota. Olho para a corrente descansando contra o meu peito. É o presente mais significativo que já recebi. Parte de mim quer ir escondê-lo no quarto, com medo de se usá-lo pode quebrar e esses três símbolos minúsculos que significam tudo para mim terão ido. — Amo isso. — Ato meus braços em volta do pescoço e beijo seus lábios, em seguida, descanso minha bochecha contra seu peito, abraçando-o com força. — Não sei o que eu faria sem você. — Digo suavemente. Ele acaricia meu cabelo enquanto eu o abraço. — Ei, isso era para fazer você feliz. Você não tem sequer que pensar em ser sem mim. Você está presa comigo. O abraço por mais alguns momentos antes de deixá-lo ir. — Você quer um de seus presentes agora? — Não, quero abri-los todos amanhã com você como uma criança. Nós devemos ir para a vovó ou ela ficará preocupada se nósnos atrasarmos. — Sigo ele até o armário foyer, onde ele tira o casaco e o segura para que eu deslize meus braços, então ele desliza para dentro de sua velha jaqueta de couro que eu amo. É usada e macia, surrada de anos de desgaste e o faz parecer mais durão. Ele pega as três sacolas de compras cheias de presentes para sua família. — Pronta, baby?

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Aceno, sorrindo, mas me sentindo um pouco nervosa por dentro sobre compartilhar o meu primeiro verdadeiro Natal em família com meu marido.

A casa deda vovó é decorada como uma cena de um filme de férias e é lotada com pessoas. Os pais de Talon, todos seus irmãos, Lukas, Ivy e as crianças, Vandal, Kenzi, Evie, Rayne, Storm e seu grande cachorro peludo estão todos aqui. Depois de dizer olá para Vovó e Aria, Talon me leva para a sala de estar, onde a maior parte de sua família está reunida para beber e comer aperitivos e ele se planta no chão em frente da lareira, me puxando

para

sentar

entre

as

suas

pernas,

minhas

costas

descansando contra seu peito. Amo que ele não tenha medo de ser carinhoso em público. Sua mãe também acena e sorri com indulgência do outro lado da porta. Tenho certeza de que no final do projeto ela vai ter acesso a ambos os nossos diários e espero que lendo o meu não vá de qualquer maneira mudar seus sentimentos em relação a mim, porque eu realmente quero que ela goste de mim. Felizmente, ela vai perceber que durante às vezes em que eu estava gritando, era apenas de pura frustração. O cachorro de Storm, Niko, senta ao nosso lado e acaricio seu longo pelo grosso, enquanto olho em volta da sala. Todo mundo parece tão feliz e é uma sensação incrível estar rodeado por pessoas que se amam e não estão gritando uns para os outros e tentando machucar um ao outro como a minha família disfuncional estaria.

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Minha atenção se desloca para Asher, que está sentado num canto sozinho, seu olhar tão feliz como todos os outros. Ele deve sentir meu olhar sobre ele, porque ele vira a cabeça e trava os olhos comigo por um momento antes de piscar para mim e os lábios se partirem em um sorriso. Sorrio de volta, meu coração um pouco acelerado. Há algo intensamente magnético sobre ele, como olhar no lago de água cintilante preto, não tendo certeza onde o fundo é se você mergulhar, mas sendo puxado além de seu controle de qualquer maneira. Quero saber por que sua esposa não está aqui e porque ninguém nunca parece menciona ela. Após o jantar, converso com Kenzi e Rayne sobre a modelagem de algumas das roupas que projetei e elas ficam totalmente selvagens sobre a ideia. Nós também concordamos que Lukas e Talon vão modelar a roupa dos homens. Rayne oferece para contatar alguns caras que ela pensa que podem representar alguns casais com ela e Kenzi, o que acho que seria legal ter no meu site também. Estou surpresa que as meninas estão sozinhas, porque ambas são absolutamente lindas e muito doce. — É hora de presentes! — Vovó de repente anuncia e eles embarcam em uma tradição familiar de todos dando uns aos outros os seus presentes, em seguida, se revezando enquanto cada pessoa abre todos os seus presentes na frente de todos e ao redor da sala e assim vai. É divertido ver todo mundo ganhar os seus presentes, alguns engraçados como a boneca inflável que Vandal deu a Mikah. Estou surpresa de receber presentes de todo mundo e tenho que lutar para me manter firme enquanto abro todos. Várias vezes Talon se inclina para beijar minha bochecha, me assegurando que ele entende o quanto fazer parte da família significa para mim.

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Quando Talon pede licença para usar o banheiro, sua mãe vem e senta-se próxima a mim. — Vocês dois parecem tão felizes, eu poderia simplesmente estourar! — Obrigada... Nósnós realmente estamos. — Você o ama. — Ela diz com conhecimento de causa+ — Posso ver por todo seu rosto. Você está positivamente brilhando. — Talvez ela esteja grávida. — Storm retumba acima da namoradeira a alguns passos de distância, levando um tapa de Evie, que pede desculpas para mim. Minha boca fica aberta. — Não estou grávida. Estou muito feliz. — Bem, um bebê seria bom, também! — Diz Aria. — Nós não estamos prontos para isso ainda. Mas, sim, eu estou me apaixonando por ele, -— eu admito. — Eu sabia! A Dra. Hollister ficará feliz! — Eu tenho certeza que ela sabe. — Quem sabe o que? — Talon voltou, retomando ao seu lugar atrás de mim contra a lareira de pedra. — Nada. — Digo rapidamente. — Mãe, é melhor você não bombeabombeá-la com informações sobre o projeto. Você disse que não era permitido. — Eu não estava! Eu estava apenas dizendo a ela o quão feliz você parece. Não posso estar animada que meu bebê está finalmente se estabelecendo? — Mãe, eu sou o bebê e não ele. — Rayne diz, revirando os olhos. — Sou como uma enteada ruiva nesta família. — Não, querida. Ele é meu menino. Você é a minha menina. Não seja tão dramática.

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— Seja como for. Podemos ter sobremesa agora? Aria se vira para mim. — Talvez não haja filhos. — Diz ela em tom de brincadeira+ — Ou só tenha um. — Mãe, passo longe. Você vai assustá-la.

— O que aconteceu com a sua lua de mel? — Storm pergunta quando Aria volta para a cozinha para ajudar Vovó. — A turnê aconteceu. — Responde Talon. — E agora nós estamos saindo novamente na próxima semana, de modo que acho que vamos ter que ignorá-la por enquanto e talvez tê-la na primavera, não é, querida? — Ele esfrega os meus braços. — Não preciso da porra da equipe para pagar por isso de qualquer maneira. Prefiro ir em nossa própria lua de mel e pagar por ela e não ter que escrever um relatório sobre o assunto. Isso é privado. Eles podem ir se foder com isso. Storm acena com a cabeça em concordância. — Sim, eu não gostaria de fazer isso. A coisa toda é meio que exaustiva. Funcionou muito bem, apesar de tudo. Pelo menos você não ficou preso com alguém que você não gosta durante seis meses. Isso teria sido uma épica festa de sugação. — Verdade. Estamos felizes, então não dou a mínima como chegamos até aqui. Só ficarei feliz quando não tiver que lhe dizer e documentar a porra da minha vida. — Parece que seu experimento do caralho funcionou, apesar de tudo. Vocês dois são perfeitos juntos. Como Evie e eu. Tivemos um

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começo difícil, também. Talvez seja isso que faz funcionar. Ser irresistível como eu, é um adicional, também. — Sou muito mais irresistível do que você, homem. Desculpe. Evie e eu compartilhamos um olhar e começamos a rir, embora ambas sabemos que é verdade. Eles são muito irresistíveis. Nenhuma de nós teve uma chance contra nos apaixonarmos por eles. Eles são como um feitiço com pinto.

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Minha cabeça parece nebulosa enquanto conduzo através da cidade e meu ouvido parece zumbir. Forço um bocejo, esperando que isso vá embora, mas isso não acontece. Só aumenta, olho para o meu relógio

do

painel,

percebendo

que

estou

atrasado

para

esse

compromisso e tenho que ter certeza que estarei de volta em casa para atender Max as três e sair por um curto período de dez dias de turnê. Embora o momento não seja bom, esse é um compromisso que me recuso a perder e reagendar. Encontro uma vaga de estacionamento e corro para a porta, onde pressiono a campainha e espero pelo som do clique da abertura das portas para me deixar entrar. — Sr. Valentine, é tão bom associar um rosto com a voz pelo telefone. — O dono me cumprimenta na porta e estende a mão para mim. — Da mesma forma. Desculpe o atraso, o tráfego está uma cadela. — Não tem nenhum problema. Por favor, venha ao meu escritório. Tenho tudo à sua espera. Eu entendo que você esteja em um calendário apertado hoje. Sigo o Sr. Malone para seu escritório, onde ele tem várias almofadas de veludo preto colocadas para fora, uma lupa, cerca de

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dez

configurações

de

platina

e

cinco

grandes,

pedras

soltas

espumantes sob as lâmpadas como pequenos refletores. Meu coração bate no meu peito enquanto sento na cadeira à sua frente. Pensei que escolher uma guitarra ou um carro fosse difícil. Mas essa porra é mais difícil. Tento me concentrar enquanto ele explica o corte, peso, a cor e a clareza de cada pedra, me deixando inspecioná-la antes de passar para a próxima. Não tenho certeza do que estou procurando exatamente; Só sei que quero que ela brilhe como seus olhos. Depois de olhar para elas por poucos minutos, pego a pedra que melhor se adapta a ela, uma pera de dois quilates que parece uma lágrima em gota. Por alguma razão, a forma me atrai. Ele passa uma vibração emocional crua. Como ela. Como nós. As configurações parecem basicamente a mesma para mim, com exceção de uma que se assemelha um pouco a uma tiara. A pedra parece um pouco e tem pequenos rolos do ouro amarelo segurando-a, com um pequeno coração do ouro na banda. Isso me lembra da tiara que Pixie estava usando no primeiro dia que a vi. — Será algo como isso. — Sr. Malone usa pinças para equilibrar a pedra na posição. — Isso é lindo. É exatamente o que eu quero. E quero que o interior seja gravado com o que disse a você no telefone. — Terei “Você é o meu desejo” inscrito. — Claro, Sr. Valentine. Nós podemos ter pronto em 2 semanas. — Vou precisar dele no final de fevereiro, mas virei buscá-lo assim que estiver pronto. Estarei fora da cidade por cerca de dez dias, por isso me deixe uma mensagem de voz se eu não responder. — Você fez uma excelente escolha, Sr. Valentine.

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Concordo. — Sim, eu fiz. — Em muitas maneiras. Pago ele com o depósito de cinco mil dólares e saio com um grande sorriso no meu rosto, apesar do toque irritante no meu ouvido que está de volta depois de me dar uma pausa por alguns dias. Vou propor a minha esposa como um homem real quando esta experiência terminar e levá-la a algum lugar isolado para ter a nossa própria cerimônia privada e lua de mel. O que Storm me disse na véspera de Natal ficou me incomodando sobre estar preso com alguém. Mesmo que eu esteja feliz que estejamos juntos, lentamente tenho odiado a maneira como Asia e eu nos encontramos. Tanto foi tirado de nós e tanta dúvida foi plantada. Quero que ela saiba, no final dessa experiência, que escolhi ela e não queria ficar preso com ela e apenas me contentar. Escolheria ela uma centena de vezes, em cem cenários diferentes. Minha escolha será sempre ela.

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Talon entra na casa como um furacão, correndo para a cozinha para pegar um refrigerante em seguida, voa para cima para terminar as malas. Sigo ele e fico na porta observando-o por alguns minutos antes de eu começar a falar, hesitante. — Recebi uma mensagem de Danny essa manhã. Ele está na cidade para visitar alguns parentes e ele quer tomar um café. Apenas para conversar. Se você estiver bem com isso, eu gostaria de ir, talvez amanhã. — Quem é Danny? — Ele pergunta distraidamente, empurrando o seu kit de barbear e escova de dente em sua mala. — O cara que eu namorei anos atrás. Ele bate a tampa da mala e fecha-a rapidamente, depois se vira para mim, vincando a testa. — O que a abandonou para se mudar? — Sim. — Por que você iria querer falar com ele? — Porque nós terminamos durante uma briga e nunca chegamos a realmente nos falar de novo. — Portanto, por que dar a mínima para isso? — Seus olhos andam pelo quarto, se certificando de que ele não está esquecendo nada em sua corrida para fazer as malas.

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Brinco com meu cabelo nervosamente, enrolando alguns cachos ao redor do meu dedo, surpreendida que ele de repente esteja tão irritado. — Bem, nunca recebi qualquer término ou respostas. Ele olha para mim com uma expressão estupefata. — Respostas para o que? Ele a deixou. Essa é a sua resposta. — Isso é muito duro, Tal. — Isso é realmente a verdade, querida. Ele sabe que você está casada agora? — Não mencionei isso em minhas mensagens para ele. — Mensagens? — Ele repete, com ênfase no s. — Então você esteve, tipo, conversando com esse cara já há um tempo? — Não, ele me enviou mensagens hoje pela primeira vez. Sentado na cama, ele rapidamente arranca seus tênis e veste suas botas, empurrando os laços dentro debaixo de seus pés em vez de amarrá-los. — Não sei o que diabos você espera que eu diga ou pense aqui, Asia. Estou saindo em dez minutos para ir a uma excursão, você não vai vir comigo mesmo que Asher dissesse que estaria tudo bem e agora você está me dizendo que quer ir a um encontro com seu ex? Por quem você esteve apaixonada? Porque você quer algum tipo de resposta? Quer dizer, que porra é essa? Ele está chateado e de repente percebo que ele tem todo o direito de estar. Não sei o que diabos está acontecendo através da minha própria cabeça e o porquê pensei que isso poderia ser aprovado em qualquer nível. Só queria uma chance de ouvir por que alguém quebrou meu coração tão facilmente. Quero saber por que eu não importava o suficiente. Quero saber por que as pessoas podem me

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deixar todo o tempo e, finalmente, tenho alguém que pode me dar uma resposta. Isso é tudo o que eu quero. Nada mais. — Não é um encontro. — Respondo na defensiva. O pensamento de ele estar considerando isso um encontro nunca sequer passou pela minha mente. Ele se levanta e pega sua mala e outra grande mochila. — Sério? É só que meio que soa dessa forma para mim. É por isso que você não quer vir comigo? Por causa dele? — Não! Disse que eu só ouvi falar dele hoje. —

Que

conveniente.

Ele

empurra

passando

por

mim

rudemente e desce as escadas comigo seguindo-o em confusão. Ele está um pouco agitado nos últimos dias, mas nada como isso. — Não quero que você fique com raiva de mim. — Pego seu ombro — Por favor? — Raiva nem sequer exprime o que eu estou sentindo agora. Você não tem ideia do caralho. Ele dá de ombros sob minha mão e nem sequer olha para mim. — Sinto muito. — Pela janela do hall de entrada, vejo a limo estacionar na frente da casa. Ele nota também e balança a cabeça em frustração. — Porra de hora perfeita. — Ele esfrega a mão contra o lado de sua cabeça. — Minha cabeça está me matando. — Me deixe pegar algo para ela... — Atravesso o vestíbulo e entro na cozinha, agarrando um ibuprofeno do armário e um copo que eu encho com água filtrada. — Você está tendo um monte de dores de cabeça ultimamente. — Comento, entregando o copo e as pílulas para ele. — Essa sua porcaria não está ajudando também. — Ele engole os comprimidos e a água e devolve o copo para mim, aparentemente

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alheio à forma como estremeço com a dureza inesperada de suas palavras. — E não tenho tempo para a confusão que esse ex de merda com você agora. Faça o que você tem que fazer, ok? Não possuo você. Se você tem problemas não resolvidos, resolva. Não sei mais o que dizer mesmo. Ele pega as malas novamente e abre a porta da frente, saindo sem dizer tchau. Vejo ele da soleira da porta, tentada a ir atrás dele. Eu deveria. Ao invés disso, vejo ele caminhar para a limusine, a cabeça inclinada estranhamente para o lado. Uma sensação fria de medo toma conta de mim e me enraízo na porta. Aceno para ele enquanto lágrimas caem pelo meu rosto enquanto a limusine vai saindo da garagem. Sigo os vidros fumês que não me deixam ver se ele acenou de volta. Quero me dar um tapa quando fecho a porta atrás de mim e fico parada no nosso belo hall de entrada com minhas costas encostada na porta de madeira pesada. O que diabos eu estava pensando? Por que isso parecia ser uma ideia totalmente aceitável até que eu realmente a verbalizei? De alguma forma eu tinha racionalizado e justificado essa ideia de confrontar

Danny

na

minha

cabeça

na

minha

necessidade

desesperada de responsabilizar alguém por me abandonar sem explicação. Ao invés disso, tudo o que fiz foi chatear meu marido e fazê-lo pensar que eu queria ir a um encontro com outro homem enquanto ele estava fora da cidade. Agarrando o telefone da casa, me enrolo no sofá e disco o número de Kat, esperando que ela esteja em casa. — Hei. — Ela responde. — Kat... — Minha voz racha. — Acho que eu errei. Parece ruim.

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— Uh-oh. Isso não parece bom. O que está acontecendo? — Sou uma idiota total. Danny me mandou uma mensagem essa manhã e perguntou se poderíamos nos encontrar e conversar... — Danny, O Idiota? — Ela interrompe. — Sim. — Que droga ele quer depois de todo esse tempo? — Exatamente. Isso é o que eu queria saber. Ele perguntou se eu poderia encontrá-lo para o café e eu meio que queria, apenas para conseguir algumas respostas dele. Quero dizer, ele saiu. Ele nunca realmente me deu uma razão por que ele quis acabar com as coisas. — Porque ele é um idiota, é por isso. Fim da história. — Bem, sim. Mas, uma única vez eu queria ouvir alguém me dizer por que me deixou. Isso é tudo, Kat. Só queria uma explicação, na minha cara, por que eu sou tão fácil de ser abandonada. — Oh, Asia. — Diz ela suavemente. — Sei que você se sente assim, mas honestamente, não é você. Você esteve cercada por idiotas toda a sua vida. Mas agora você tem a mim, Talon, sua família e todos nós realmente nos preocupamos com você. Engasgo enquanto começo a chorar. — Realmente chateei Talon, Kat. Ele foi para sua turnê sem mesmo dizer adeus. Nunca o vi tão furioso e chateado. — Merda, Asia. Você disse a ele que estava pensando em ir ver Danny? — Sim… — Por que você fez isso? Você está casada agora. É claro que ele está chateado. Ele ama você. — Ele nunca disse uma única vez que me ama, Kat. Nem uma vez.

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Ela suspira ao telefone e posso ouvi-la derramando o que é provavelmente vinho em um copo. — Confie em mim, garota. Esse homem te ama. Palavras não são necessárias. Pare de ser tão estúpida. — Cristo, Kat. Muito obrigada. — Desculpe, mas realmente. Vou ter que ficar do lado dele nesse momento e não é porque não te amo, porque eu amo. Mas você precisa de um tapa agora. Você o ama. Ele te ama. Não me importo que disse ou deixou de dizer. É óbvio para todos que vocês são loucos um pelo outro. Nunca diga a seu marido que vai ver seu ex. Nunca. Não posso acreditar que você iria sequer considerar isso. Isto é muito diferente de você. Você finalmente tem tudo o que sempre quis. Quem diabos se importa com o que Danny tem a dizer? Ele é um perdedor. — Eu não sei. Como eu disse, só queria uma resposta. Você não sabe o que sinto, Kat. Toda a minha família me deixou. E então Danny. Eu queria alguém que finalmente me desse uma razão. Não quero Danny de volta. Amo Talon mais do que penso ser possível. Ele me deixa louca, mas eu o amo. — Por favor, Asia. Deixe disso. Esqueça Danny e suas razões estúpidas. Não é importante. O que é importante é que você tem Talon em sua vida agora, independentemente de como ele chegou lá. E não acho que ele vá sair, mesmo se ele estiver chateado agora mesmo. Abra sua mente, vá tomar um bom banho, dê-lhe algum tempo para esfriar, em seguida, ligue e diga que está arrependida. Respiro fundo e limpo o meu rosto. — Vou. Odeio ter feito algo tão louco. As coisas estavam indo muito bem. Ele não estava se sentindo bem nos últimos dias e isso o deixa nervoso, mas fora isso, tem sido bom.

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— Você precisa falar com a Dra. H? Isso parece sério. Especialmente esse abandono que você sente. — Não, não quero envolve-la nisso. Ugh. Odeio essa parte do nosso relacionamento, tendo de dizer a alguém nossos problemas pessoais. Vou colocá-lo no meu diário, apesar de tudo. Felizmente, ele não vai falar isso para ela, também. — Em breve, essa parte acabará e você não estará sob mais um microscópio. Mas, é bom você ter alguém para ajudá-la quando precisar.

Talvez

todos

os

casamentos

devessem

vir

com

um

conselheiro para os primeiros seis meses. — Isso provavelmente não é uma má ideia, na verdade. Ela tem sido útil em alguns aspectos, sejamos honestas. Mas isso, não quero contar a ela. Sei que foi estúpido da minha parte e quero corrigi-lo com ele mesmo. — Quando ele voltará para casa? — Não em menos de dez dias. Vou sentir falta dele como uma louca. — Por que você não foi com ele? Pensei que você disse que ele perguntou se podia? — Bem, não posso deixar Pixie sozinha e odeio deixá-la com outras pessoas ou com uma babá de animais de estimação. Ela fica toda chateada e às vezes para de comer, como você sabe. Além disso, tenho muitos pedidos de sabonetes agora, além daqueles para roupas personalizadas. É como você não pode acreditar. As meninas do Sugar Kiss têm encomendado suas roupas agora. Eu não poderia atender aos pedidos se estiver em um ônibus com ele e não quero que todos esses projetos se acumulem e ficando para trás. Vou perder a credibilidade.

Pessoas famosas não são exatamente pacientes.

Embora ele tenha ficado chateado que eu disse que não iria.

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— Acho que tudo ficará bem depois de pedir desculpas. — Realmente espero que sim. Nunca tivemos uma briga como essa. — Rob e eu estamos escolhendo uma data. — Oh meu Deus, finalmente? — Sim. Provavelmente nos próximos seis meses. — Pensei que você disse que queria esperar até que tivesse trinta? — Eu queria... mas acho que ele é o único. Então, estamos falando sobre talvez nos casarmos no próximo verão. — Kat, estou tão incrivelmente feliz por você. Eu realmente gosto de Rob. Ele é perfeito para você. Gostei de Rob desde o primeiro dia que eu conheci. Ele é bonito, tem um grande trabalho, é um incrível pai para seu filho único de seis anos, do qual ele tem a custódia e trata Kat como uma rainha. Ele é definitivamente um dos mocinhos. — Acho que vocês dois vão ser realmente felizes juntos. E Mark te ama como se você fosse sua própria mãe. — Sim, eu estava um pouco preocupada sobre como me envolver com um pai e me tornar uma mãe instantânea, mas eu realmente amo os dois. Você vai ser minha dama de honra, então é melhor você ficar mentalmente preparada para isso. — Com prazer. Mal posso esperar. — É melhor eu correr. Vamos nos encontrar com seus pais para jantar, na verdade e ainda estou sentada aqui em calças de yoga. Você está bem? Você acha que pode suavizar isso com Talon? — Acho que sim. Vou ter que admitir a ele que estava sendo totalmente estúpida. — Se ele precisar de uma referência, ele pode me ligar. — Ha-ha. Tenha uma ótima noite.

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— Você também, querida. Mande uma mensagem mais tarde e me deixe saber se está tudo bem. Depois que termino a chamada com Kat, envio a Talon uma mensagem de texto. Eu: Eu sinto muito. Eu não vou vê-lo.

Cerca de dez minutos mais tarde, eu recebo uma resposta. Talon: Você pode fazer o que precisa fazer. Eu: Eu não quero vê-lo, eu só queria respostas. Percebo agora que não é importante. Eu não sei o que estava pensando. Talon: Nem eu. Eu: Não gosto de você estar com raiva de mim quando você vai embora. Talon: Por quê? Medo de que eu possa ver outras mulheres como você deseja ver outros homens?

Merda. Ele está completamente irritado. Eu: Sim. Isso e porque eu sinto sua falta e não quero que nos irritemos um com o outro. E eu não quero ver outros homens. Talon: Parece que você tem algumas reflexões a fazer. Eu fiz minha cabeça quando casei com você que não quero outras mulheres. Nem ver, nem foder, nem ir para a festa com elas. Desisti de tudo isso e eu nunca me arrependi. Mesmo quando elas se jogam para mim, eu nem sequer considero-as mais. Eu vou embora. Eu: Isso é totalmente diferente. Ele é alguém com quem eu tinha um relacionamento. Talon: Isso faz com que seja pior para mim. Você me disse que o amava. O que, por sinal, você nunca me disse.

Ah, porra. Não posso dizer a ele que o amo agora, não no meio dessa porcaria. Merda, ele vai achar que só estou dizendo para apaziguá-lo. Eu: Isso foi há muito tempo atrás. Eu só queria uma explicação de por que ele acabou me deixando. Eu não tenho sentimentos por ele. Isso é tudo.

Silêncio. Eu: Eu só quero você. Talon: Você já duvidou disso desde o nosso dia de casamento. Para mim parece que talvez você ainda duvida. Eu: Isso não é verdade. Eu não estava confiante no início, nós dois estávamos confusos, mas conseguimos passar por isso. Desde então, tenho querido só você de toda forma. Talon: Não posso fazer essa merda de mensagens de texto. Estou entrando no ônibus em cerca de vinte minutos. Acho que precisamos aproveitar este momento para pensar sobre as coisas. Vou entrar em contato com você mais tarde. Eu: O que significa isso?

Uma inundação de pânico e medo me agarra, o impacto quase sugando o ar de meus pulmões. Ele está realmente pensando em

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acabar com isso? Desse jeito? Por uma estúpida coisa que eu nem sequer realmente fiz? Você nunca deveria ter sequer pensado nisso. Talon: Significa exatamente o que eu disse. Eu: Você quer pensar em terminar tudo? Por causa disso? Talon: Não me pressione quando eu estou louco e perturbado. Nunca esperava isso de você. Senti como se me tivesse eviscerado, com uma porra de sentença. Não posso fazer isso com dúvidas em minha mente, ou me perguntando se você tem dúvida. Você tem a minha cabeça e meu coração todo fodido agora.

Porra, porra, porra. Eu: Eu odeio isso. As coisas estavam indo tão bem. Talon: Não brinca. Também achei. Eu estou totalmente destruído. Eu: Eu sinto muito. Será que podemos simplesmente esquecer isso? Talon: Sério, Asia? Você seria capaz se eu lhe disse que queria ver algumas garotas do meu passado? Estamos casados. Eu: Você pode, por favor, me ligar antes de entrar no ônibus? Eu estou assustada. Eu não quero perder você e você está me assustando. Talon: Não, eu não posso fazer isso. Tenho um show hoje à noite e meu cérebro parece que está saindo do meu crânio. Eu preciso me acalmar. Asher me deu um valium para a viagem de ônibus. Vou dormir por algumas horas. Eu: Valium? Por quê? Você nunca toma pílulas. Talon: Ele diz que eu pareço fodido e cheio de tiques e acho que ele está certo. Por favor, vamos parar isso por enquanto. Certifique-se de ligar o sistema de segurança. Eu estou desligando meu telefone agora. Eu: Por favor, não deixe simplesmente as coisas como estão.

Não recebo uma resposta e a tela indica que ele não leu. Minha mão treme enquanto continuo a olhar para a tela pequena, esperando que a minha vontade cause uma mudança de status para lido ou uma resposta venha. Dez minutos depois, nenhuma dessas coisas acontecem, então ele realmente deve ter desligado o telefone. Ele nunca faz isso porque sempre quer ter certeza de que eu possa entrar em contato com ele. Agora, com um movimento estúpido da minha parte, isso mudou. Não posso acreditar que ele esteja me tratando dessa forma, especialmente depois que eu o perdoei várias vezes quando ele fez coisas estúpidas. Por que ele não pode fazer o mesmo? Ele somente poderia tolerar quando eu estava fazendo tudo certo? Um movimento errado e eu sou excluída?

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Por que ele está sendo tão injusto? A raiva tenta assumir o meu medo e tristeza, mas perde. Não posso ficar com raiva dele. Meu coração desvia essa emoção quando se trata dele. Envio uma mensagem para Danny, pelo menos, terminando com alguma da culpa que eu sinto. Eu: Obrigada pelo convite, mas eu vou passar. Agradeço-lhe por estender a mão. Espero que esteja tudo bem.

Saio do sofá e me forço a fazer o que preciso com os meus pedidos de sabonete e loção, na esperança de manter minha mente ocupada. Caso contrário, vou sentar aqui e olhar para a parede e chorar durante todo o dia. Na hora do jantar, envio outro texto a Talon. Eu: Eu só quero que você saiba que eu estou pensando em você e eu sinto muito. Estou preocupada que você não se sinta bem. :(

Cinco minutos depois, recebo uma resposta. Talon: É provavelmente uma infecção sinusal ou ouvido. Eu os tenho às vezes. Peguei de Storm alguns antibióticos que ele me deu. Estou bem. Eu: Eu odeio que nós não tenhamos conseguimos dizer adeus. :( Talon: Eu também. Eu: Você pode me ligar? Acho que devemos conversar. Talon: Eu não estou pronto para conversar ainda. Ainda estou muito desapontado, magoado e chateado e não quero dizer coisas com raiva. Eu preciso pensar. Eu: Eu não estava querendo enganar você. Por que está agindo dessa maneira? Você praticamente deixou uma garota corcunda seca por você em Boston e eu o perdoei. Tudo o que eu queria fazer era ouvir o que ele tinha a dizer. Talon: Eu sei que estava errado e eu me desculpei. O que me incomoda é que você dá a mínima para o que aquele idiota tem a dizer. E se ele quiser você de volta? Eu: Ele não quer. Talon: Sério? Por que mais ele entraria em contato? Não seja ingênua. Eu: Eu não sou e eu só quero esquecer isso. Desculpe te machucar. Você me conhece, nunca faria nada para machucá-lo de propósito. Talon: Eu só preciso limpar a minha cabeça.

Toda vez que ele diz isso meu estômago afunda. O que isso significa? O que é que ele está pensando? Por que ele não pode deixar isso de lado? Eu: Eu pensei que nós dissemos para não dar mais passos para trás? Talon: Nós dissemos. Me dizendo que você quer ir ver o seu ex pelo qual você era apaixonada não é exatamente um passo para trás. Sinto que você me empurrou para um penhasco.

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Eu: Acho que você está levando tudo de forma errada. Entendo por que você está assim, mas eu acho que você está entendendo mal a coisa toda. Talon: Por favor, porra, pare. Não posso mais fazer isso. Porra. Por favor, minha cabeça dói.

Começo a chorar lendo suas palavras na tela. Não entendo por que ele está sendo tão difícil com isso. O que eu disse foi tão imperdoável? Não é como se eu fizesse alguma coisa atrás das suas costas, fui totalmente honesta e aberta com ele. Balanço a cabeça e enxugo os meus olhos, não sei o que dizer para não alimentar a sua ira ainda mais. Talon: Eu tenho que ir. Nós temos uma passagem de som. Vou entrar em contato amanhã.

Amanhã? Eu: Ok... tenha uma boa noite. Eu sinto sua falta, xo.

Ele não responde e fico completamente pasma. Meu instinto me diz que algo mais está acontecendo aqui e que ele não está me deixando entrar, porque esse comportamento é tão diferente dele. Ele odeia brigar. Ele odeia a distância entre nós, tanto quanto eu. Atormentei o meu cérebro, tentando me lembrar de tudo, desde os últimos dias, tentando chegar a uma pista de algum tipo, como o que tem lhe torcido tanto. Não fizemos amor em dois dias, o que também é incomum para ele. Ambas as noites ele me contou que sua cabeça parecia engraçada e ele se sentia muito cansado. E então, ele caiu no sono quase imediatamente, me abraçado. O que eu adoro, mas é estranho para ele. Ele também estava distraído. Várias vezes no mês passado, ele estava relapso durante uma conversa e eu tive de repetir. Talvez haja mais coisas acontecendo com a banda que ele não me quer dizer e ele está estressado com tudo isso. Preocupada, decido que a melhor coisa a fazer é dar o que ele continua pedindo, tempo para pensar. Por mais difícil que seja, me abstenho de enviar qualquer mensagem mais ou tentar ligar. Meus dedos chegam até tocar o colar contra o meu peito, lembrando as

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palavras dele, quando ele me deu na vĂŠspera de Natal. Estou sempre com vocĂŞ. Silenciosamente, rezo para que ainda seja verdade.

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Estou deitada na cama lendo, incapaz de dormir, quando meu celular toca na minha cabeceira. Não me importo mesmo que seja quase uma da manhã, estou apenas aliviada que ele finalmente esteja me ligando. Um dia inteiro se passou desde sua última mensagem, quando ele me disse que precisava pensar e tem sido uma tortura para mim esperar por ele para entrar em contato. Mas quando pego meu telefone, é o nome de Asher piscando na tela. — Olá? — Minhas entranhas congelam enquanto prendo a respiração, esperando que Talon esteja usando o telefone do seu irmão por qualquer motivo, como talvez a sua bateria estar descarregada. — Asia, é Ash. Lamento ligar tão tarde... — Merda. — Está tudo bem. Está tudo bem? — Sento na cama, meu livro caindo no chão. — Não, Talon caiu do palco essa noite. Nós estamos no hospital e eles estão fazendo alguns testes, mas acho que você deveria vir. Eu estou começando a sentir que alguma coisa séria está acontecendo. Um pequeno suspiro me escapa quando o meu coração salta uma batida. — Oh meu Deus, o que aconteceu? Ele está bem?

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— Não temos certeza. Ele pode ter apagado. Tudo aconteceu tão rápido. Um minuto ele estava à beira do palco tocando e no próximo, ele apenas caiu à direita. Ele está um pouco machucado e ele bateu a cabeça no chão. — Oh Deus... — Salto da cama e corro para o armário, freneticamente retirando as roupas aleatórias e jogando elas sobre a cama. — Ele tem estado bastante distraído nos últimos dias. Ele pensava que tinha uma infecção no ouvido. Se ele tinha, então ele definitivamente poderia ter ficado tonto e perdeu o equilíbrio. Acontece. — Isso é verdade. Ele está se queixando de dores de cabeça desde o Natal, também. — Certo. Uma ambulância o levou ao pronto-socorro e só falei brevemente com o médico até agora. Estou esperando para ouvir mais. Só acho que você deveria estar aqui. — Claro. — Verifiquei alguns voos para você. Há um voo às 05:30 de Manchester e você vai chegar aqui um pouco antes do meio-dia. Vou providenciar um motorista para buscá-la no aeroporto e trazê-la aqui e vou reservar um quarto de hotel para você. Vou mandar uma mensagem de texto lhe mandando toda a informação quando desligar. — Ok. Muito obrigada. Você ligou para seus pais? — Meio-dia é tão longe; isso é quase 12 horas antes que eu possa realmente vê-lo. — Sim, eles estão na Califórnia discutindo um contrato para filmar um dos livros da mamãe, mas eles vão tentar estar daqui amanhã à noite. — Ok. Vou arrumar algumas coisas, então vou. — Você ficará bem para chegar ao aeroporto?

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— Sim, definitivamente. — Vou dirigir a merda daquele carro para chegar ao meu marido e conseguir me colocar no avião. — Dirija com cuidado. Vou mandar as informações agora e eu vou te ver quando chegar aqui. Tente não se preocupar. — Obrigada por toda sua ajuda, Asher. Por favor, fique com ele. Termino a ligação e atiro o telefone em cima da cama, meu corpo todo está tremendo de medo e preocupação. Tento orientar os meus pensamentos até as palavras de Asher sobre Talon ter uma infecção no ouvido, ele pode ter ficado tonto e perdido o equilíbrio. Mas ele também disse que tinha a sensação de que algo sério estava acontecendo e essa é a parte que eu não consigo parar de ouvir uma e outra vez na minha cabeça. Puxo minha mala pequena, tiro ela do armário e começo a empilhar minhas roupas nela, quando Pixie pula na cama e dá alguns passos dentro da mala, circulando nas minhas roupas. Ah não! O que eu farei com ela se eu for embora? Recuperando o meu telefone, ligo para Kat, esperando que ela me atenda a essa hora da noite e ela atende, no quinto toque. — Asia? — Sua voz é rouca e abafada. — Kat, eu sinto muito por ligar tão tarde, mas preciso de um favor enorme. — Claro... Claro. Que horas são? Você está bem? — Sim. Não... Talon está no hospital na Flórida e preciso ir para lá imediatamente. Mas preciso que você fique com Pixie para mim. Você quer vir aqui e pegar ela para mim? — Oh, não! Ele está bem? O que aconteceu? — Não tenho certeza. — Levanto a gata para fora da minha mala e a fecho. — Asher me ligou e disse que Talon caiu do palco. — Puta merda. Ele estava chapado?

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— Kat! Não, ele não faz isso! Eles acham que ele pode ter uma infecção no ouvido, mas Asher parecia preocupado. Talon bateu com a cabeça quando ele caiu. Preciso chegar lá e meu voo sai às cinco da manhã. — O seu voo? Você está embarcando em um avião? — Ela nem sequer tenta esconder seu choque. — Tenho que estar. Preciso chegar até ele, Kat. Ele não esteve bem desde a briga que tivemos. Me sinto mal. Se alguma coisa acontecer com ele, eu nunca vou me perdoar. — Engasgo com a minhas palavras quando lágrimas surgem nos meus olhos. — Tudo bem... qualquer coisa que você precise, querida. Por favor, não chore. Devo ir agora? — Se você puder, isso seria ótimo. Sinto muito ter que pedir isso para você. — Pelo amor de Deus, Asia. Não se desculpe. Eu estarei aí em meia hora. — Obrigada! Você é uma boneca. Enquanto espero por Kat, rabisco uma lista para ela sobre o que e quando Pixie come e o código de alarme e deixo-lhe algumas centenas de dólares que sobraram do dinheiro que Talon deixou para mim, quando ele foi embora em outubro. Leio o texto que Asher me enviou, que tem detalhes de tudo o que preciso sobre o voo, o hospital e o hotel. Ele também observa no final que ele ainda não falou com o médico, mas ele vai me enviar uma mensagem se ouvir algo antes de eu chegar lá.

— Estou tão animada para ficar na mansão Valentine! — Kat exclama quando chega, jogando os braços em volta de mim no foyer.

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— Não se preocupe Asia. Ele ficará bem. Você está pálida como um fantasma. — Agradeço por ter vindo tão rápido. Não tenho certeza quando estarei de volta. Ela acena com a mão para mim. — Não se preocupe. Posso ficar o tempo que você precisar. Rob pode vir aqui se ele quiser sair à noite. Prometo que não vamos deixar a sua linda casa um lixo. — Eu sei, Kat. Há comida na geladeira, deixei dinheiro em caso de alguma necessidade com Pixie ou você mesma... O quarto está limpo, ninguém nunca dormiu lá. Sirva-se de qualquer coisa que você precisar. Deixei o código de alarme em uma nota na cozinha, também. Se você não configurá-lo antes da meia-noite e quando você sair de casa, ele irá enviar uma mensagem de texto. — Ostentoso. — E não dirija a caminhonete monstro. — Brinco. — Bem, agora você destruiu o meu dia. Eu estava planejando ir a um off-road5. Recolho Pixie do chão e dou-lhe um beijinho. — Seja boazinha para a sua titia. — Acaricio sua pequena cabeça e coloco-a de volta para baixo antes de voltar para Kat. — Não posso agradecer o suficiente. — Pare. Você sabe mesmo onde é o aeroporto? Eu poderia levá-la. — Na verdade, eu sei onde ele fica e isso é bom. Eu posso deixar o meu carro no estacionamento. — Você quer um sedativo para o voo? — Por que você sempre está me oferecendo comprimido? 5 Significa fora da estrada e é um termo inglês utilizado para designar atividades esportivas, praticadas em locais que não possuem estradas pavimentadas, calçadas ou qualquer estrutura urbana, ou caminho de fácil acesso

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— Porque você é uma pilha de nervos e nunca esteve em um avião. Suspirando, pego minha bolsa e minha mala. — Ficarei bem. Preciso de uma mente clara quando eu vê-lo. Ela me abraça antes de eu chegar à porta que dá para a garagem. — Ligue ou mande um texto para mim quando você chegar lá. E não se preocupe. O aeroporto fica a cerca de 40 minutos da nossa casa e eu o encontro com apenas um rumo errado, graças a um desses círculos de tráfego epicamente confusos. Sigo as indicações para a área de estacionamento de longa estadia e caminho para o terminal. Depois de recolher o meu bilhete, verifico minhas malas e passo pela segurança e depois espero até que eu possa finalmente embarcar no avião. O meu medo de voar é totalmente confirmado quando vejo como pequenos e próximos entre si os lugares são. É seriamente ridículo e assustador estar em um espaço tão apertado, com totais estranhos, felizmente não com muitos nesse voo. Estou realmente repensando minha decisão de não ter tomado o sedativo que Kat me ofereceu agora. Entre me preocupar com Talon e estar nesse espaço claustrofóbico, sinto que eu vou ter um colapso. Respire. Coloco o dedo no meu colar, que geralmente ajuda a me acalmar e ele o faz agora. Estou sempre com você. Fechando os olhos, digo uma oração silenciosa. Por favor, deixe ele ficar bem. Por favor, ajude ele a me perdoar por ser tão estúpida. Por favor, nos dê força para passar por isso.

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Como prometido, há um motorista esperando para me levar para o hospital quando saio do avião. Meia hora mais tarde, estou andando através do lobby, lendo as mensagens de Kat enquanto ando e eu literalmente corro para a direita na direção de Asher. — Chegou na hora. — Diz ele, beijando minha bochecha com um Olá. — Como ele está? Estive doente de preocupação. — Vamos sentar. — Ele faz um gesto para um sofá em uma sala de espera isolada fora do lobby, mas não quero me sentar. Quero ver o meu marido. Agora. Ele coloca o braço em torno de mim e me leva para o sofá, fazendo sinal para eu sentar. — Falei com os médicos a cerca de meia hora atrás. Eles fizeram um monte de exames e têm bastante certeza de que eles têm um diagnóstico. Um diagnóstico. Isso parece ruim para mim. — Hey, é apenas uma infecção no ouvido. — Mas é algo que tem um nome e foi preciso exames. E é, obviamente, algo que Asher quer falar comigo sozinha pela primeira vez. Engulo em seco e espero por ele para continuar, minhas pernas estão tremulas. Seus olhos amolecem e ele toca minha mão, assim como Talon faz. — Você parece petrificada. Ele ficará bem, Asia. — Sua voz é tão profunda e calma, isso me acalma instantaneamente como sedativo verbal, tendo o medo ido para o limite que tem estado correndo em minhas veias. — Então, o que há de errado com ele? — Eles têm bastante certeza de que é algo chamado doença de Ménière.

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Doença. Doença. Doença. — O que é isso? — Nunca ouvi falar do que ele acabou de dizer. O que provavelmente significa que é raro. — Não entendi todas as patranhas técnicas que o médico disse, mas pelo que entendi, é um tipo de distúrbio do ouvido interno. E isso faz com que episódios de tontura severa, zumbido nos ouvidos, cansaço, irritabilidade, um sentimento de pressão no ouvido, como quando você quer estalar sua orelha, sabe? — Aceno, na esperança de que seja o fim, mas não é. — O outro sintoma é a perda auditiva flutuante. Se tudo isso não fosse ruim o suficiente, ele provavelmente ficará completamente surdo de um ouvido. — Ele já tem perda auditiva parcial, de acordo com os testes. Pisco para ele, a tontura é a única coisa que absorvi dessa lista horrível de sintomas que meu marido vai experimentar. Talon ficará completamente insano se ele perder a sua audição; não há nenhuma dúvida em minha mente sobre isso. — Será que só acontece uma vez? Tipo, depois disso, acabou? — Pergunto esperançosamente. Ele balança a cabeça. — Infelizmente, não. Fiz uma rápida pesquisa na web, enquanto eu estava esperando por você e pelo que li, ele vai continuar a ter tonturas aleatórias. Algumas virão muitas de repente, como a que aconteceu ontem à noite no palco. Outras vezes, pode ter horas ou dias amenos. Há, normalmente, vômito causado pela vertigem, que ele teve durante toda a noite e essa manhã. — Ele está ficando doente? E ele vai ter isso pelo resto da sua vida? — Isso não pode ser. Ele estava totalmente bem poucos dias

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atrás. Sim, ele tem estado cansado e distraído e teve algumas dores de cabeça. Mas nada como isso. — Sim. O otorrinolaringologista disse que, depois de alguns anos, os sintomas vão diminuir, mas não há uma cura. Mas, ele disse que cada caso é diferente. Talon pode ter apenas alguns episódios por ano que podem durar algumas horas ou alguns dias e então ele não pode ter outro em anos. Ou, em casos graves, a pessoa tem episódios semanalmente ou mensalmente. É muito cedo para dizer. — Oh meu Deus, Asher. Isso não pode estar acontecendo com ele. Ele é uma pessoa feliz e ativa. Isso vai deixa-lo infeliz. Ele balança a cabeça lentamente. — Sei disso, confie em mim. Ele ficará bem. Temos de ser positivos e ajudá-lo a passar por isso. Deve ser por isso que ele estava tão invulgarmente duro comigo sobre o desastre de Danny. Ele deveria ter começado a se sentir doente. — Será que o médico falou com ele? — O médico falou com ele, então ele sabe o que está errado com ele agora. Tenho que avisar você, ele está muito chateado. Posso dizer que ele está com medo. Esfrego minha testa, sobrecarregada com todas as informações horríveis que Asher acabou de descrever. Como Talon vai passar por isso? Isso irá destruí-lo. — O que faremos a seguir? — Eles estão fazendo mais alguns exames, então eles vão começar com alguns remédios até que ele possa ver um otorrino quando voltar para casa. Ele bateu a cabeça na noite passada, então ele tem uma concussão. Eles acham que poderão liberá-lo em dois dias. Eles estão um pouco preocupados com a desidratação já que ele

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está vomitando muito, então ele tem um IV para fluidos. Ele não vai ser capaz de voar, a pressão da cabine será pior para ele, por isso estamos tentando encontrar uma maneira melhor de levá-lo para casa. — Meu Deus. — Meu corpo começa a tremer e a suar frio. — Me deixe pegar um pouco de água. Fique aí. Sento em transe balançando enquanto espero por Asher retornar. Como isso pode estar acontecendo? Talon é tão jovem, saudável e feliz. Ele trabalha todos os dias. Ele pratica sua música todos os dias. Ele escuta a música constantemente. Não posso sequer imaginar como isso vai afetar a sua música, ou sua vida. — Aqui vamos nós. — Asher me entrega um copo de plástico com água e senta ao meu lado novamente. — Asia, sei que é difícil, mas temos de olhar para o lado positivo. Ele está vivo, ele ficará bem e ele pode encontrar maneiras de lidar com isso. Sim, é chato, mas vocês dois podem passar por isso. Ele é um bom garoto e ele sempre foi muito impulsionado. Ele vai aprender a lidar com isso. — Ele não merece isso... — Não, ele não merece. Mas as coisas ruins acontecem a pessoas boas. É horrível, mas é a porra da verdade. Ninguém sabe disso melhor do que eu. É como escolhemos lidar com essa merda que importa. E ajuda ter alguém lutando com você e ele tem você. Quando você ama alguém, o que acontecer a ele, acontece com você. Você quer lutar junto com ele ou vai deixa isso rasgar você. Certo? Aceno entre lágrimas. — Isso é certo. Não vou deixar isso vencê-lo. Estarei lá a cada passo dessa porcaria. Ele pisca para mim.

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— Sei que você vai. Por que não vamos lá em cima agora? Acho que ele ficará feliz em vê-la. Deus, eu espero que sim.

Asher entra no quarto de Talon primeiro e informa que estou aqui, enquanto espero do lado de fora. Enquanto estávamos no elevador, Asher me disse que eles foram capazes de conseguir um quarto particular para Talon, quando houve um tumulto no show na noite passada e os adeptos da casa sabem que ele está aqui desde que alguns deles realmente seguiram a ambulância. Após alguns momentos, ouço sua voz. — Não, eu não quero que ela me veja assim. — Ela é sua esposa, Tal. — Não quero ela aqui, porra. — Suas palavras cortam meu coração como uma faca e eu honestamente não sei se aguento mais. Me sinto emocionalmente drenada de nossa briga, do voo e agora a terrível notícia de sua doença. — Não me faça lembrá-lo como você é sortudo de ter uma esposa que pode estar aqui, porra. Corte a merda ou vou colocar outro galo na sua cabeça. — A voz grave de Asher é uma força a ser reconhecida. — Apenas vá embora, porra. Por favor. — Nos meses que eu o conheci, nunca o ouvi falar e soar tão enojado e irritado. Ele soa como uma pessoa completamente diferente. Asher sai para o corredor e sorri para mim, completamente afetado. — Ele está um pouco irritado. Você pode entrar agora. Todos os caras estão no hotel, então vou para lá também para tomar um

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banho. Ligue para o meu celular se precisar de mim. Estarei de volta em poucas horas. — Obrigada, Ash. Entro no quarto devagar, não preparada para o quão terrível Talon parece. Ele está pálido e parece muito pequeno no vestido fino hospitalar verde pendurado no ombro. Ele está metade sentado e apoiado contra um travesseiro, com um penico de aço inoxidável em seu colo que, aparentemente, ele está vomitando e ele tem uma IV correndo em uma veia no seu braço. Seu cabelo está fibroso e se agarrando a sua testa úmida que tem uma bandagem atada em toda ela. — Talon... — Corro para o lado da cama, já com lágrimas caindo pelo meu rosto enquanto me inclino para beijar sua bochecha. Ele vira a cabeça longe de mim, não me deixando tocá-lo. — Você não deveria estar aqui. — Grunhe. — Sim, eu deveria. Não há outro lugar que eu deveria estar agora. — Sento na borda da cama e tomo sua mão na minha. — Como você chegou aqui? — Eu peguei um avião. Seus olhos se fecham por um longo momento. — Você tem medo de voar. — Você está certo. Mas estava mais com medo de não estar com você. Ele finalmente se vira para mim e seus olhos estão assustados, se movendo lado a lado e é uma das coisas mais assustadoras que eu já vi na minha vida. — Talon... Ele empurra o braço longe de mim enquanto se inclina para frente e vomita no pinico, em seguida, cai de volta no travesseiro,

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deixando escapar

um suspiro profundo e fechando os olhos

novamente, as mãos agarrando os lados da cama. — Estou tão tonto... — Ele engasga. — Isso não vai parar... Nunca tive ninguém para cuidar de mim quando eu estava doente. Literalmente rastejei pelo andar para o meu banheiro muitas vezes com a gripe, levantando sobre o vaso sanitário, ou fiquei deitada na cama por dias com febre, desejando somente morrer. Eu teria feito qualquer coisa para ter alguém cuidando de mim, mesmo um pouquinho. Levo o pinico para o banheiro adjacente e lavo-a, em seguida, trago-a de volta para ele. — Asia, por favor... — Só descansa. — Digo baixinho, voltando para o banheiro para recuperar uma toalha que eu molho em água fria. Volto para a beira da cama e gentilmente coloco o pano frio em cima de seus olhos. — Se sente um pouco melhor? — Eu pergunto. Ele balança a cabeça lentamente. — Sim... obrigado. — Eu volto já. Ando para o corredor para o posto de enfermagem e espero por um deles para olhar para mim. — Sim? — Olá. Sou a esposa de Talon. Fiquei me perguntando se ele poderia ter uma cerveja de gengibre, talvez? Estava esperando que isso fosse ajudá-lo a se sentir melhor e tirar o gosto desagradável de sua boca. — Ele pode sim, mas ele gritou comigo antes, quando eu tentei oferecer-lhe algo. Ele não é um bom paciente. — Sinto muito, ele não está acostumado a estar doente. Ela sorri.

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— A maioria dos homens são difíceis. Vou pegar uma lata e uma xícara com gelo para você. — Você pode levar alguns panos e travesseiros mais limpos também? — Talon tem essa coisa com lençóis macios e a quantidade certa de travesseiros. Não ficaria surpresa se os lençóis daqui o estivessem deixando mais furioso do que qualquer outra coisa. — Claro. Já volto. Espero na mesa enquanto ela se afasta, na esperança de que ele possa sair daqui em breve. Acho que estar em seu próprio ambiente ajudará a acalmá-lo. — Ele não deixou qualquer um de nós chegar perto dele nessa manhã. — Diz ela, quando retorna. — Então, boa sorte. — Está sendo dada a ele qualquer coisa para a vertigem e as náuseas? —

Ainda

não.

Mas

o

médico

deve

voltar

esta

tarde

e

provavelmente vai começar com os remédios, então. — Ok, obrigada por sua ajuda. — De nada. Estou aqui até as oito. Venha me procurar se precisar de alguma coisa. Meu nome é Lauren. Concordo com a cabeça e volto para o quarto de Talon, onde ainda está com o pano sobre os seus olhos. Coloquei os suprimentos na cadeira e cheguei perto da beira da cama novamente. — Tenho uma cerveja de gengibre. — Abro ela e a derramo sobre o gelo, adicionando gelo na xícara. Ele não se move e não tenho certeza se ele está me ignorando ou se não pode me ouvir, então eu lentamente tiro o pano do rosto e seguro o copo para cima. — Você deve tomar um pouco disso. Isso vai ajudar. — Pare de me mimar. Você deve ir para casa. Minha mãe estará aqui em breve.

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— Bom, então nós podemos cuidar de você, baby. — Por favor, apenas vá. Me recuso a deixar que ele me afaste, mesmo que doa tanto ouvilo falar comigo dessa maneira. Sei que ele está agindo assim por medo e não vou deixá-lo ganhar. Absolutamente me recuso. — Eu não vou sair, Talon. Nunca. Tome alguns goles disso, ok? — Tudo bem. — Ele murmura, pegando a xícara. — E não engula de uma vez. Apenas pequenos goles ou vai vomitar de novo. Ele me olha de cima da borda do copo enquanto toma alguns goles, em seguida, coloca-o na mesa ao lado da cama, antes de mais uma vez, se apoiar para trás e fechar os olhos. — Será que Asher te contou? — Ele pergunta. — Sobre tudo isso? — Sim, ele contou. Ele bufa. — Eu estou acabado. Me aproximo mais e gentilmente tiro seu cabelo do seu rosto. — Você não está acabado. Não diga isso. — É verdade. Estou surdo. Só não posso saber de qual ouvido. Sabia que algo estava fodido. As coisas têm estado abafadas por algumas semanas e eu tive, assim, um toque. Pensei que era apenas uma dor de ouvido. — Você ficará bem. E agora não é o momento para falar sobre isso. Temos que fazê-lo se sentir melhor e levá-lo de volta para casa. — Eu caí do maldito palco, Aze. — Eu sei, querido. Está tudo bem. Você está doente, as pessoas entendem. — Eu estou fora da turnê. Toda a porra de trabalho que eu fiz e agora eu estou fora.

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— A sua saúde é mais importante. Os fãs vão entender. — Repito, imaginando que tipo

de tempestade de

merda

poderia

estar

acontecendo na página de mídia social da banda. Eu provavelmente deveria postar alguma coisa na minha página para que eles saibam que ele está bem. — Eles têm que sair amanhã para o próximo show e estarei preso nessa porra de cama nesse quarto maldito, vomitando minhas tripas. — Tal, pare. — E adivinha quem vai tomar o meu lugar pelo resto da turnê? — Ele solta uma risada doente. — A porra do babaca Finn. — Finn? — Sim. Uma vez que ele é a porra do melhor amigo de Lukas, ele foi capaz de levá-lo a concordar com saltar em um avião para terminar a turnê. — Bem, isso não é bom para a banda, embora? Não seria ruim se eles tivessem que cancelar o restante dos shows? — Porra, sim. Mas eu odeio esse idiota. — Eu sei disso, mas se ele está ajudando a sua banda, não é tudo o que importa? — Ele não está ajudando, Aze. Ele está esfregando isso no meu rosto. Respiro fundo, percebendo que sua atitude, provavelmente não ficará melhor em breve. — Tenho certeza que ele não está. Tente descansar. Isso é o que é importante agora. — Que porra é essa de nunca. A esse ritmo, eu vou ser um inválido em uma semana. — Isso não é verdade. — Onde está a gata? — Ele pergunta de repente.

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— Em casa. — Sozinha? — Não. — Respondo. — Kat ficará em nossa casa até chegarmos. — Você deveria ir para casa agora. Não preciso de você aqui. — Não ligo. Não vou deixar você. — Esfrego meu polegar lentamente para trás e para frente em seu pulso, aplicando uma ligeira pressão lá, esperando que isso ajude a reduzir a náusea um pouco para ele. — Eu ficarei aqui, quer você goste ou não. — Isso é bom. — Diz ele melancolicamente depois de alguns minutos. — Senti sua falta. Meu coração incha, finalmente vendo um vislumbre de meu marido voltar. — Senti a sua falta, também. — Danny provavelmente parece uma boa opção agora, hein? Balanço a cabeça violentamente. — Não mesmo. Seus olhos começam a tremer novamente. — Acho que vou vomitar.

O resto do dia segue o mesmo padrão, ele fala um pouco, então fica tonto, vomita, fica louco, então começa tudo de novo. Me sinto horrível por ele e gostaria que houvesse algo que eu pudesse fazer para ele se sentir melhor. Nunca me senti tão impotente na minha vida inteira. O médico finalmente chega e, basicamente, reexplica tudo o que Asher me disse anteriormente em mais pormenores médicos. Eu assisto Talon enquanto escuta, notando a forma como sua mandíbula está moendo.

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— Nós vamos começar com alguns medicamentos para lhe dar algum alívio. Se tudo correr bem, nós poderemos liberar você depois de amanhã. Estou indicando-o para um médico em sua área que você precisa ver imediatamente para iniciar um plano de tratamento. — Ótimo. — Talon diz sarcasticamente, se afastando de nós. Sigo o médico para o corredor quando ele sai do quarto. — Existe alguma chance de sua audição retornar? — Pergunto, mantendo minha voz baixa. Fazendo uma carranca, o médico diz. — Temo que ele provavelmente irá piorar progressivamente. Isso é geralmente o caso com MD. Ele pode querer considerar um aparelho auditivo. Alguns dos pacientes têm bons resultados com eles. Meu coração afunda. Talon nunca vai usar um aparelho auditivo; ele é muito orgulhoso. — Ele é um músico. Ele tem de ser capaz de ouvir. — Entendo, Sra. Valentine. Infelizmente, não há muito que possa ser feito nesse cenário. Mil desculpas. Concordo com a cabeça lentamente, deixando a verdade se infiltrar. A vida do meu marido vai mudar drasticamente. Nos curtos cinco meses em que o conheço, nós tivemos tantos altos e baixos, mas esse golpe é inimaginável. Asher estava certo de que vamos precisar ser forte para passar por isso juntos e enquanto sei em meu coração que estou comprometida com ele, não importa o quê, não sei se tive tempo suficiente para provar a Talon que sou a mulher dele em todos os sentidos. Na saúde e na doença, através de bons e maus momentos. Isso não se trata de compromisso com uma experiência com a esperança de que funcione; isso é sobre compromisso para toda a vida.

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Mais tarde, Asher e Storm vêm visita-lo e nos dizem que seus pais vão chegar amanhã. Não tenho certeza se ter seus pais aqui vai fazêlo melhor ou pior, sendo honesta, nesse momento, parece que todos nós estamos fazendo nada, apenas agravando. — Parece que os remédios estão fazendo efeito e deixando-o cansado. — Diz Storm. — Nós devemos voltar para o hotel. — Vocês vão. Ficarei aqui um pouco mais. — Se certifique de dormir um pouco, também, — diz Asher, — Nós viremos amanhã antes de viajarmos. Storm se inclina mais perto de mim. — Evie disse para ligar, se você precisar conversar. Dou um sorriso agradecida. — Obrigada. Vou ligar amanhã. Depois que saem, limpo o quarto de Talon e levo um novo refrigerante e um copo de água, juntamente com um novo pano para o rosto, que ele parece gostar, sobre os olhos. Ele não tem vomitado desde que a enfermeira lhe deu a sua medicação, por isso espero que ele seja capaz de descansar um pouco agora. — Você deve ir. — Diz ele quando volto para a borda da cama, — Você deve estar cansada. Estou, mas não quero deixá-lo. Não posso suportar a ideia de ele passar mal no meio da noite, deitado aqui sozinho. Acaricio sua bochecha e me inclino para beijar suavemente seus lábios. — Não quero ir para o hotel. Eu poderia ficar com você... se você me quiser. Não acho que a enfermeira vai me fazer sair. Ele se anima um pouco, seus lábios se curvando em uma versão fraca de seu sorriso habitual. — Sério? Você faria isso? Cair feito um jato nessa cama comigo?

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— Claro que sim. Seus olhos escuros bloqueiam os meus por alguns momentos, como se ele estivesse lutando entre me deixar ficar ou me afastar. — Fique. — Ele finalmente diz. Rapidamente tiro os sapatos e desligo a luz, enquanto ele se encolhe mais, acumulando as almofadas extras contra a barra em seu lado da cama. Ele segura o braço para fora para mim enquanto subo e me enrolo ao seu lado e ele me puxa para perto. Abraço ele de volta com força, a minha cabeça apoiada no ombro dele, a minha perna por cima dele e o sinto exalar uma profunda, respiração exausta. — Estou com medo. — Ele sussurra no escuro, quebrando meu coração em dois. — Você ficará bem. — Digo com toda confiança que posso reunir. — Sua voz soa muito distante, não gosto disso. Esfrego minha mão suavemente sobre seu peito, tentando acalmá-lo. — Tudo ficará bem. Nós vamos passar por isso juntos, prometo. — Sempre amei ficar vulnerável a seu lado, mas não dormir de lado assim. O medo de perder a audição vinda desse poderoso e confiante homem é tão errado. O medo não pertence aqui, a ele. Me comprometo a fazer tudo que eu possa para deixar isso melhor para ele.

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Whoosh. Whoosh. Whoosh Eu adorava o som das ondas do mar, até que passou a residir no meu ouvido. O som aleatório e o apito que está perfurando meu cérebro começaram a cerca de dois meses atrás. Ignorei-o, pensando que eu estava sentado muito perto do amplificador ou talvez tivesse entrado água no meu ouvido durante o banho. Estupidamente ignorei até o cansaço pensando estar trabalhando muito e fazendo tanto sexo. Orgasmos me deixando sonolento pareciam um motivo legítimo. Eu estava bem com aquilo. — Quero ficar sozinho por um tempo. — Me inclino para trás contra os travesseiros apoiados contra a nossa cabeceira, feliz por, pelo menos, estar de volta na minha própria cama. — Desligue o ventilador de teto, por favor. Isso está me deixando tonto. Mantenho meus olhos fechados, tentando parar meu cérebro que está girando, girando com o ventilador. Girando e girando ele vai... — Desculpe. Não tinha pensado nisso... — Ela praticamente corre para o interruptor de parede para desligá-lo. — Posso pegar alguma coisa? Talvez alguma coisa para comer? Balanço a cabeça, sem abrir os olhos. Não quero vê-la. Não quero não ouvir metade do que ela está dizendo. Particularmente não quero ver a tristeza que tenho causado nos olhos mais bonitos que já vi.

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— Não. Apenas vá. Espero alguns segundos antes de abrir os olhos para ver se ela se foi. Sei que eu estou sendo um imbecil. Não quero ser e estou tentando não ser, mas preciso de algum espaço agora para processar o que foi desencadeado sobre minha vida em apenas alguns dias. Os meus pais, nunca criativos, alugaram um RV deluxe para levar Asia e eu para casa. Uma ótima ideia, em teoria. Ele tinha uma grande cama que eu poderia usar em toda a viagem e Asia poderia dormir comigo. Minha mãe achava que era perfeito. E, em alguns aspectos, era. Ainda queria minha mulher perto de mim, mas não a cada segundo das cinquenta horas que nos levou para chegar em casa. Não havia nenhuma maneira de eu me esconder da feiura que estava rastejando de mim. Parar a meio caminho em um congestionamento através da viagem e o pare-e-vá que a enorme RV fez por duas horas fez com que a vertigem subisse a rampa e vomitei o tempo todo. Estou preso em um pequeno espaço, onde a minha esposa e os meus pais foram forçados a me ouvir vomitar. E o cheiro? Não vamos lá. Meu pai acendeu um pouco de incenso Nag Champa e começou divagar sobre viagens por estrada nos anos setenta. Tudo girou, o teto, as janelas, os carros que passavam. Meu pai teve de me acompanhar até o pequeno banheiro e me segurar no chuveiro enquanto eu me agarrava à parede, convencido de que a RV iria tombar de lado. Anos atrás, costumava cair no ácido e isso é muito pior do que qualquer viagem psicodélica em que eu já estive. É engraçado como fazemos coisas para nos divertir. Se embriagar, ficar chapado, ficar fodido na maior parte do tempo. Eu costumava

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pagar milhares de dólares para ficar fodido. Mas quando está acontecendo com você e está fora de seu controle? Totalmente é uma história diferente. Isso não é legal ou divertido. Isso é o inferno. Essa manhã, os meus pais e Asia me levaram para ver o otorrino para discutir o meu caso. Sim. Agora eu sou um caso que precisa ser acompanhado por três pessoas. O pensamento de subir na minha caminhonete monstro faz o meu estômago dar uma guinada. Dirigir parece algo que eu nunca poderei fazer novamente. Agora estou de volta em casa com um diagnóstico confirmado de uma doença que não posso pronunciar, alguns remédios e um folheto descrevendo as mudanças de estilo de vida para ajudar a aperfeiçoar a minha experiência. Que. Se. Foda. Tudo. Isso. O desejo de ir para baixo na minha academia e depois ir ao estúdio é forte e difícil de ignorar. É o que tenho feito todos os dias durante anos. Mas agora, tentando descer as escadas sem cair de cara parece um feito que não posso realizar. E tentar escrever ou praticar com esse barulho louco na minha cabeça parece igualmente impossível. Isso deve diminuir, disse o médico. Dê o tempo para a medicação agir. Eu deveria estar me preparando para ir ao palco agora, para reproduzir músicas que passei meses compondo, na frente de milhares de pessoas. Meus fãs. Ao invés disso, Finn estará em pé no meu espaço, ao lado dos meus irmãos e primos, absorvendo o meu sucesso. A cada hora que passa, posso sentir a raiva e a depressão se infiltrando em todas as fendas da minha alma. Minha vida acabou.

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Asia entra no quarto parecendo adorável como sempre, vestindo uma camisa branca fluida que faz parecer como se ela tivesse pequenas asas e uma tiara de ouro fino em torno de sua cabeça segurando o cabelo para trás, o que faz os olhos parecerem ainda maiores e mais brilhantes. Ela estatela uma bandeja na cama com duas tigelas de sopa e torradas. — Pensei em fazermos um piquenique na cama! — Ela anuncia, sentando do outro lado da bandeja. — Não vou passar o resto da minha vida nesta cama, porra. Ela ignora o meu mau humor, uma habilidade que ela está rapidamente dominando e sorri. — Eu sei, bobo. O médico disse que o remédio deve fazer a vertigem e náuseas diminuírem em alguns dias. Não há nada de errado em tomar alguns dias para descansar. — Eu realmente não quero comer. Se eu comer, vou vomitar de novo. — São apenas legumes e sopa de arroz. É leve e fiz isso para você, acho que se comer lentamente e não olhar para cima e para baixo no prato enquanto você come, ficará bem. Ou eu poderia alimentá-lo. Não me importo. Empurro a tigela. — Você está falando sério? Isso é ridículo. Seu sorriso vacila por um segundo antes que ela me obriga a me encostar e a culpa me invade mais uma vez. Ela realmente me fez sopa caseira e aqui estou afastando-a. — Só estou tentando ajudar, Tal. — Eu sei. Sinto muito.

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Observo ela enquanto ela come, a forma como a colher entra na sua boca é tentadora para mim e combustíveis para minha crescente frustração.

Quando

tempo

sem

fazer

sexo?

Nem

sequer

sei.

Possivelmente mais de uma semana atrás e isso me deixa nervoso, especialmente sabendo que seu ex tentou entrar em contato com ela. Ainda estou bravo com isso, mesmo que eu estivesse sendo mais idiota do que eu deveria ter sido. Mas agora estou preocupado que se não estou fazendo ela feliz, alguém pode estar. E eu não culparia se ela quisesse alguém nesse ponto. — Você não pode continuar a tomar os comprimidos com o estômago vazio. Por favor, coma um pouco. — Ela faz uma cara triste — Por mim? — Como posso dizer não para você, jujuba? — Representar o homem que eu era antes desta confusão acontecer não é fácil, mas eu me forço, só para fazê-la sorrir, às vezes. Como toda a tigela de sopa e não só está delicioso, mas ela estava certa, não olhar para cima e para baixo na tigela tornou mais fácil para mim comer sem ficar tonto. Me pergunto se ela passou a tarde cozinhando para mim e pesquisando na web maneiras de me ajudar. Conhecendo-a, isso é exatamente o que ela fez. — Vou levar isso lá embaixo agora. — Ela se levanta e pega a bandeja. — Largue isso por um segundo e venha aqui. Sua testa vinca quando ela coloca a bandeja no chão e, em seguida, se senta na borda da cama ao meu lado. — Qual o problema? — Ela pergunta. Deslizo minha mão por trás do pescoço e puxo-a para baixo para mim, tocando meus lábios nos dela. — Eu só queria agradecer.

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— Você não tem que me agradecer. Quero que se sinta melhor. — Não quero que você se torne a minha enfermeira, Aze. — Eu poderia usar uma roupa sexy de enfermeira. — Ela brinca. — Isso é muito tentador, baby. Mas sério, não quero que isso se torne nossa vida. Nós ainda não tivemos a nossa lua de mel e... — Sua boca se encosta na minha, me fechando. — Pare de stress. — Ela move os lábios para a minha bochecha. — Você ficará melhor. E gosto de cuidar de você. Faz eu sentir desejada e necessária. — Você é muito desejada e necessária. — Puxo ela de volta para mim, o movimento causando uma inesperada onda de náusea e eu a deixo ir para pressionar os dedos contra a minha testa. — Porra! Minha cabeça só dói... desculpe... — Está bem. — Ela sorri como se não fosse nada. Mas, para mim, é tudo. Quero beijá-la, puxar a roupa dela e lhe lamber em todos os lugares, enquanto ela geme e suspira por mim. Será que eu vou ouvir os sons de novo? Ou será que seus pequenos sussurros que me deixam louco serão abafados? Tenho certeza que o mesmo pensamento cruzou sua mente quando ela faz uma saída abrupta. — Vou levar os pratos lá em baixo.

Nunca pensei que me sentiria orgulhoso de mim mesmo por tomar um banho sem ajuda, mas sim, eu sinto. Tive que parar duas vezes no caminho para o banheiro para me pendurar em um pedaço de móveis enquanto o quarto girava, mas eu fiz isso. Tive algumas visões de cair através das portas de vidro e cortar cada veia em meu

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corpo e morrer em uma poça de sangue, mas eu considerei minhas chances. Não vou deixar essa merda dominar a minha vida. Cada segundo que eu ceder a isso, isso estará ganhando e não posso deixar isso acontecer.

Agora estou sentado na cama, inalando o aroma de baunilha e lavanda à deriva no quarto vindo do banho de Asia. Ela sabe que é o meu favorito de todas as misturas dos seus banhos, então tomo isso como um sinal de que ela está sentindo falta de mim tanto quanto eu estou com falta dela. — Parece que você se sente melhor. — Comenta ela, quando sai do banheiro vestindo minha camiseta e calcinha de cetim rosa. — Um pouco menos tonto, um pouco mais cansado. — O meclizine parece estar ajudando um pouco com a vertigem e náuseas, mas está definitivamente me fazendo mais cansado do que quero estar. Assim que ela entra na cama ao meu lado, me aproximo dela. Ela vem imediatamente a mim, meio deitada em cima de mim. Nós nos beijamos profunda e lentamente, enquanto passo minha mão por todo o seu corpo, parando para acariciar a sua bunda. Ela está tão quente e macia e ela cheira a céu. Senti falta dela como um louco. Ela se inclina para cima e tira a fina camisa, em seguida, retorna para os meus lábios, sua respiração acelerando enquanto empurro a calcinha para baixo. Ela mexe as pernas rapidamente e não perco tempo deslizando minha mão entre as coxas dela, suspirando quando sou recebido por seus molhados lábios escorregadios. Ela ainda me quer.

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Ela atinge entre nós para empurrar minha boxer para baixo e ela agarra o meu já duro pênis, me acariciando das bolas até a ponta. Gemendo, a rolo de costas e ela espalha suas pernas largas para mim enquanto deslizo em sua boceta em espera. Meu coração bate e meu cérebro gira enquanto empurro dentro e fora dela. Isso é o que eu preciso para esquecer toda a merda que está acontecendo comigo. Ela esfrega meu peito suavemente. — Lento, Tally. — Sussurra. — Não posso. Sinto sua falta pra caralho, baby. — Também sinto sua falta. — Ela desliza as mãos até meus ombros e me puxa para baixo, respirando pesadamente contra os meus lábios enquanto eu a beijo. Suas coxas se alargam mais e ela levanta uma perna, dobrando-a em volta da minha cintura, me puxando mais profundo dentro dela. Eu a beijo no pescoço, beliscando o pulso minúsculo em sua garganta e movo os lábios para sugar

o

mamilo

em

minha

boca,

sacudindo

minha

língua

descontroladamente sobre sua pele. Ela arqueia para cima e corre as mãos pelas minhas costas, levemente me coçando, uma ação que ela sabe que eu amo. — Talon... — Ela abre a boca, mas não posso ouvi-la nesse momento, porque o whoosh está ficando mais alto. Suas mãos estão emaranhadas no meu cabelo agora, gentilmente me puxando para ela. Levanto minha cabeça e olho seus lábios e isso me bate como uma parede de tijolo, a gravidade se foi e eu estou caindo, agarrando os cobertores, lutando contra a náusea. Puxo para fora dela rápido e rolo para o lado da cama, com medo de vomitar sobre ela. — Talon? — Sua voz, um segundo atrás atada com a luxúria, está agora preenchida com preocupação e medo.

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— Merda. Tudo está girando... — Agarro minha cabeça, tentando fazê-la parar, mas tudo está girando em círculos, mesmo com os olhos fechados. Ela se levanta e puxa minha cabeça em seu colo, esfregando suavemente minhas têmporas. — Está tudo bem, querido. Basta tomar algumas respirações profundas. Não entre em pânico. Luto contra a náusea, me recusando a vomitar no nosso quarto. Meu pau encolhe enquanto cada parte de mim luta para parar a montanha-russa incontrolável no meu cérebro. Seus lábios tocam a minha testa. — Está tudo bem. — Ela sussurra, seus dedos levemente massageando meu couro cabeludo. Ela ajuda a me acalmar, me dando algo para me concentrar, sendo referência do local onde estou. Não sei quanto tempo passamos assim, mas a sensação de malestar, finalmente, desaparece. Ela me ajuda a voltar para o meu lugar sentado contra os travesseiros e coloca um copo de água entre os meus lábios no escuro. — Baby, estou tão arrependido. — Pego a mão dela e levo ela aos lábios, beijando-a nos dedos. — Está tudo bem. Acho que foi muito cedo. — Ela se aconchega contra o meu peito e puxa o cobertor sobre nós. Cedo demais para foder minha esposa. — Você quer dormir sentado? É melhor? — Sim. — Deitado faz a vertigem muito pior. O que eu realmente quero fazer é me enrolar com ela como sempre fazemos meu peito contra suas costas, meu braço em torno da cintura dela, a cabeça descansando ao lado da dela. Com a forma como me sinto agora, não

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há nenhuma maneira do caralho que eu possa dormir de lado dessa forma. Eu não posso ouvir. Eu não posso tocar. Eu não posso foder. Eu não consigo dormir. Eu não posso aconchegar na minha esposa. Ela se inclina para beijar minha bochecha, em seguida, toca os lábios contra o ouvido que mal posso ouvir antes de colocar a cabeça no meu ombro para dormir. Tenho certeza que ela disse alguma coisa, mas o barulho na minha cabeça levou embora, então digo a mim mesmo, ela sussurrou as palavras que estive esperando ouvir. A esperança parece ser tudo o que tenho para me pendurar agora. Espero realmente não morrer por último.

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Decidi que a maioria dos medicamentos é uma treta. Faz uma coisa se sentir um pouco melhor, mas em seguida, ele faz você se sentir como merda de dez outras maneiras. As pílulas que tenho que tomar diminui a vertigem, a náusea e as dores de cabeça um pouco, mas me deixam cansado para caralho e aumentam tanto a névoa do cérebro que mal posso colocar duas frases juntas. Que, combinado com a pressão na minha cabeça e o whoosh sem parar, me colocam em um humor perpetuamente ruim e me fazem ter explosões aleatórias de raiva, geralmente sobre coisas completamente ridículas. Passaram duas semanas desde que caí do palco e me sinto um pouco melhor. Assim estou sentado na sala de estar com meu laptop, respondendo e-mails e lidando com a porcaria de mídia social. Odeio ver as imagens dos últimos shows em nosso site com a porra do Finn no palco, tocando minhas músicas. O empresário da banda e publicitário decidiu que era melhor dizer que uma gripe causou o incidente, em vez de dizer que agora tenho uma doença crônica, pois pode levar as vendas a caírem se os fãs souberem que eu poderia ter problemas para tocar ao vivo novamente. Me tornei um pequeno segredo sujo. A nossa próxima mini turnê é em abril e estou esperando melhorar até então.

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Um movimento com o canto do meu olho me chama a atenção e olho para cima para ver Lukas de pé na minha frente. Nem sequer ouvi ele entrar, porque essa é a minha fodida vida agora. As pessoas podem se deslocar sobre mim. Coloco o laptop para o lado e lentamente me levanto. — Ei, cara, você parece melhor. — Ele me dá um abraço. Lukas é um cara amável, abraços dizem isso. — Obrigado. Está pronto para ir? — Sim. Nós dizemos um adeus rápido para Asia e vamos para a entrada de automóveis. Está mais frio lá fora do que eu esperava, mas é bom depois de estar em casa por quase duas semanas. — Obrigado por ter vindo me pegar. — Digo quando entramos em seu Corvette. — A qualquer hora, Cuz. Tudo o que você precisar. Aceno, me preparando para o passeio de carro. A estrada da montanha em que vivemos se tornou uma fonte de puro mal para mim agora. Se estou saindo de casa ou voltando, posso contar com alguns dos principais aspectos da doença, estrada sinuosa com milhas de comprimento. O som vagaroso de seu Corvette não ajuda em tudo. — Você está bem? — Lukas pergunta quando chegarmos à parte inferior do morro. — Isso é uma merda. — Alivio o meu aperto do braço da porta. — É como uma maldita montanha russa. — Então você quer ir para o joalheiro primeiro, depois para Asher? — Sim. — O que há no joalheiro?

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— Algumas semanas atrás, comprei um anel de noivado para Asia. Queria pedi-la em casamento no final desse experimento. — Aperto a pulseira que Asia me deu há alguns dias. Deveria reduzir o enjoo, mas não tenho certeza se está funcionando. — Essa é uma ideia legal. Ela vai adorar isso. — Sim... — Não tenho certeza sobre isso. — Vamos ver. As coisas estão diferentes agora. — Por quê? Porque você ficou doente? Isso não muda nada, cara. Você ainda é o mesmo. Balanço minha cabeça. — Não, eu não sou. Nem mesmo chego perto, porra. — Isso é besteira, Tal. Não deixe que isso afunde seus planos. Foram apenas algumas semanas. 399 Lukas espera no carro enquanto entro para pagar o saldo final e saio com um minúsculo saco preto brilhante contendo um anel de diamante que custa quase tanto como a minha moto. Ela vale cada centavo, só não acho que eu valho mais a pena. — Essa porra é linda. — Diz Lukas quando volto para o carro e mostro o anel. — É melhor dar a ela, ou vou chutar o seu traseiro. — Vou pensar sobre isso. Vamos embora.

Minha cabeça está latejando no momento em que chegamos ao estúdio de Asher, mas estou determinado a voltar a praticar todos os dias e escrever novas músicas.


— Ei, você está aqui. — Asher diz quando entramos. — Pegue uma guitarra e vamos começar. Nós estávamos prestes a começar com Links of Lies. Ah. Links of Lies é uma nova canção de rock que escrevi antes de sairmos para a turnê de Halloween. O plano era lançá-la no nosso próximo CD que sai na primavera desse ano. Ela começa com um solo de violino assassino que Lukas toca, em seguida, os tambores vêm seguidos pelo resto de nós. Vou muito bem até que a bateria começa e soa incrivelmente ruidosa ainda que amortecida ao mesmo tempo. Quando as outras partes entram e Asher começa a cantar, nada disso faz sentido na minha cabeça. É como se eu não estivesse ouvindo a música em qualquer nível. É uma bagunça terrível filtrando através de meus ouvidos e não consigo encontrar a batida. O barulho e o chiado são como demônios, não deixando entrar o som que quero ouvir. Tenho que passar para o lado em uma tentativa de fugir do resto da banda e tropeço no processo, em um fio que nem sequer vejo. — Ei, ei, ei... — Asher grita, correndo para mim. — Todo mundo para. Me inclino contra a parede e tento focar a minha visão, que vai para o sul às vezes, durante um episódio. Porra. Asher toca meu ombro. — Você está bem? Seus olhos estão se contraindo novamente. Dou de ombros para a mão de cima de mim. — Estou bem. Está apenas mais alto do que de costume. Seus olhos ficam nos meus.

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— Tal, me escute. Não está mais alto do que nunca quando nós praticamos. Você não está pronto para isso ainda. Eu disse que achava que era cedo demais. Storm aparece ao lado dele, olhando para mim enquanto eu ajoelho no chão para que não acabe caindo, porra. — Você deve descansar por mais algumas semanas. Se dê tempo para se ajustar. — Estou farto da porra de descanso. — Nós sabemos disso. Mas você tem que fazer. Você não pode simplesmente ignorar isso. Esfrego minha cabeça, desejando que o barulho pare. Se isso apenas parasse, porra, eu estaria ótimo. — Não posso ignorar isso se não tentar, porra, Ash. Está arruinando minha maldita vida. — Não está. — Ele olha por cima, para Lukas. — Você pode leválo de volta para casa? Me empurro ficando de pé. — Pare de me tratar como um bebê do caralho. Ele me orienta para longe do palco, o braço em volta dos meus ombros e odeio isso. Tenho que me inclinar sobre ele para andar em linha reta. — Ash, você não sabe o que isso parece... — Você está certo, não sei. Mas posso dizer que é horrível. Tome uma ou duas semanas, o que você precisar. Estamos todos preocupados com você e nós só queremos que você fique melhor. Isso me lembra muito quando Vandal estava fora de si com a tristeza e todos nós lhe pedimos que desse uma pausa da banda. Juro que estamos todos amaldiçoados.

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Quero dar um soco em algo ou bater a cabeça contra a parede, qualquer coisa para acabar com essa tortura que está vivendo no meu ouvido. — Vamos, Lukas vai levá-lo para casa. Continue tomando seus remédios. Você parou de fumar e beber, certo? — Sim, eu parei com ambos. Não sou estúpido. — Não disse que você era. Isso vai levar algum tempo. Mas nós vamos estar aqui quando você estiver pronto para voltar. Você é a pessoa que escreve as canções assassinas, homem. Nós precisamos de você. Pouco a pouco, estou sendo forçado a deixar ir cada pedaço da minha vida que faz de mim o que sou.

— Ficará melhor. — Diz Lukas depois de alguns minutos de condução em silêncio. Bem, silêncio para ele. Não tanto para mim quando parece que tenho um avião decolando na minha cabeça. — Vou perder tudo. — Você não vai. Você tentou apenas tocar acústico? Em casa? Balanço minha cabeça, um hábito que é difícil de quebrar, mas que brinca com o meu equilíbrio durante alguns segundos. — Não, não tentei. Por que isso importa? — Quero que você tente mais tarde. Veja como isso parece e os sons e, em seguida, me ligue. — Por quê? — Só faça isso. Pare de ser tão defensivo com todos nós. Estamos todos do seu lado aqui, Tal. Dê a Asia o anel, vá para sua lua de mel, talvez encontre um grupo de apoio para pessoas com essa mesma coisa.

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Viro a cabeça para rir dele tão rápido que quase vomito no banco da frente. — Um grupo de apoio, porra? E não posso pegar um avião, então, para onde iremos à lua de mel? Ela merece algo melhor do que essa merda. — Pode ter a lua de mel em uma tenda em sua própria porra de quintal, homem. Não se trata de onde e confie em mim, ela não se preocupa com nada disso. — Ela lhe disse isso? Quando foi que você falou com ela? — Se acalme. Ela me enviou algumas mensagens às vezes. Ela está preocupada com você. Ela diz que você está se distanciando dela. — Isso é ótimo. — Conheço Asia suficientemente bem para saber que isso é ruim. Ela nunca faria isso chegar a Lukas, a menos que ela estivesse incrivelmente infeliz. Ela usa Kat como sua ventilação. Se ela está escalando para Lukas, então ela está se sentindo muito pior sobre nós do que ela está me deixando ver. — Você não pode ficar bravo com ela, Tal. Ela se sente sozinha. Ela sente falta de você. Um relacionamento só pode ter um tanto de estresse, você sabe. — Me diga algo que não sei. — Murmuro. Meu casamento está desmoronando tão rápido quanto a minha carreira. Inclino a minha cabeça para trás contra o encosto do banco e fecho os olhos. Quero que tudo isso pare.

Escondo o anel no bolso do casaco para que ela não veja quando chego em casa e faço Lukas me deixar entrar sozinho ao invés de me acompanhar andando para dentro como se eu fosse algum tipo de idiota fraco.

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Encontro ela na sala de artesanato, vestindo uma roupa em uma de suas manequins. — Ei, você voltou cedo. — Ela beija minha bochecha. — Não consegui tocar... O barulho foi simplesmente demais. Eu não sei. Isso me fez sentir desorientado. Essa porra me sugou. Ela ergue a cabeça para mim e sorri com uma pitada de tristeza. — Talvez você deva experimentar o aparelho auditivo. — Não. De jeito nenhum. Não posso fazer isso. Para mim, isso é como jogar a toalha e desistir da vitória. Admitindo que isso está me paralisando. — Ok. É só uma sugestão, não quero brigar... Ela se vira totalmente para mim, esquecendo seu manequim assustador e agarra os lados da minha jaqueta, empurrando-a de cima de mim e deixando-a cair no chão. Ela chega para mim e passa as mãos por debaixo da camisa, os dedos deslizando sobre o meu estômago, em seguida, indo para zíper do meu jeans. Seus olhos bloqueiam sobre os meus com um incêndio desafiante que nunca viu nela antes. — O que você está fazendo? — Sussurro. — Tomando o que eu quero. Assobio enquanto ela puxa meu zíper para baixo e agarra o cós da minha calça de brim, abrindo o botão com os dedos e empurrandoos para baixo, ajoelhada na minha frente para retirá-los, juntamente com minhas botas. De pé, ela fecha o pequeno espaço entre nós e beija meus lábios, enquanto desabotoa a minha camisa de flanela. — Vou tomá-lo, mas não quero que você olhe para mim. — Tento conter minha raiva sobre isso, quando ela puxa minha camisa e beija meu peito antes de levantar a cabeça para olhar para mim, os olhos ainda dançando com sensualidade. Ela faz um esforço enorme para

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olhar diretamente para mim quando ela fala agora e a amo ainda mais por isso. — Agora, quero que você me foda em pé, porque eu estou ficando louca de querer você. E pronto. O brilho de sua voz doce falando sobre sexo instantaneamente me dá uma monstruosa ereção. Pego seu rosto em minhas mãos e beijo-a com vontade, invadindo sua boca com minha língua. Duas semanas praticamente sem ela me deixaram insano, mas a minha última tentativa fracassada foi demais para mim. Ela tateia entre nós e agarra meu pau, me acariciando lentamente para cima e para baixo, seus dedos enrolados em torno de mim. Gemo contra seus lábios e chupo sua língua na minha boca, fazendo ela me agarrar mais forte. — Você quer isso? — Pergunto, me perdendo na forma como sinto ela, gostos e sons. O barulho está mesmo desaparecendo. — Sim, por favor. Giro ela e arranco suas calças para baixo e ela se inclina sobre a mesa, ela tem uma bela bunda redonda esfregando contra meu pau. Empurro para dentro dela lentamente, gemendo ao mesmo tempo com o prazer de finalmente me conectar novamente. E minha garota, não é menos estonteante transando de pé. Aperto os quadris, balançando nela lentamente, com golpes suaves, com medo se eu passar muito ou for muito rápido, vou criar outro episódio. Me recuso a deixar minha esposa meio fodida novamente. Ambos gozamos rápido e forte, em uníssono. Depois de alguns momentos de controle de respiração, ela se vira e circula meu pescoço com os braços, plantando um suave e doce beijo em meus lábios. — Você é a melhor, você sabe disso? — Toco minha mão em sua bochecha.

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— Acho que se você parar de ser tão irritado com as coisas que você não pode fazer agora, você vai ver que há muitas outras que você pode fazer e trabalhar com disso. — Você está certa. Você continua encontrando maneiras de me ajudar. Não sei o que eu faria sem você. — Você faria sua comida e não me comeria. Não estou bem com qualquer uma dessas coisas. — Diz ela com um sorriso travesso, puxando para cima suas calças. — Agora, fique assim ainda, vou vesti-lo, também. Estou pendurado sobre a borda da mesa, enquanto ela se ajoelha em minha frente, me ajudando a entrar em minha calça jeans, em seguida, minhas botas e as amarrando para mim. Não tenho certeza se ver minha esposa de joelhos me vestir é sexy pra caralho ou totalmente patético. Ou talvez isso mostre o quanto ela me ama, mesmo se ela não disser isso. Eu posso me apegar a esse pensamento positivo, certo? Meus olhos passam sobre a minha jaqueta de couro, pensando no pequeno tesouro enterrado no meu bolso. Mesmo que já estejamos casados, propor me assusta. Ela nunca disse sim para mim. Ela disse sim para a ideia, com base em uma pilha de papéis com pequenas marcas de verificação nas caixas certas. Se ela soubesse no que estava se metendo, ela nunca teria se casado comigo? Especialmente com a merda que está acontecendo agora? Se eu soubesse, não teria casado com ela. Não porque não quero ela em todos os sentidos, mas porque odeio machucá-la e acho que ela merece coisa melhor. Por que eu não disse a ela que eu a amo? Porque eu nunca disse essas palavras para ninguém. As palavras me assustam para caralho. Já sei que ela disse isso à outra pessoa.

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Embora nunca para mim. Talvez eu tenha que dizê-las em primeiro lugar? Isso é provavelmente o protocolo não escrito no manual do amor que nenhum de nós tem acesso. Acho que tenho medo, se posso dizer isso, ela não pode dizer de volta. Ou ela pode dizer de volta só porque eu disse isso. E não sei quando dizer. Tenho medo de cuspir em algum momento realmente estúpido e soar como um idiota total. Como as pessoas lidam com isso? O apito começa a perfurar no meu ouvido novamente, o que parece acontecer quando estou pensando muito, como se ele quisesse toda a atenção. É tão alto às vezes que me pergunto se outras pessoas podem ouvi-lo também. Me pergunto se algum dia um bando de cachorros vai aparecer na porta6. — Acho que preciso ir me sentar por um momento. 407

6 Aqui é referência ao apito que só ele ouve e ao apito que existe pros cachorros e nós homens não podemos ouvir.


Depois do meu vídeo chat semanal com a Dra. Hollister, vou lá para cima para encontrar Talon. Ele está metido na cama, com Pixie enrolada no lado da sua cabeça. Agarro ela e afasto dele. — Sinto muito, não sei por que ela continua fazendo isso. — Toda vez que ele se deita, ela se enrola contra o seu ouvido prejudicado e não sai do lado dele. — Deixe-a. Ela ronrona contra a minha cabeça e isso ajuda a abafar o toque na minha orelha. Eu gosto disso. — Oh... — Não sabia disso. Coloco ela de volta na cama e ela imediatamente rasteja de volta em seu ombro, em seu cabelo. É tão cativante que quero tirar uma foto, mas agora não parece ser o momento para fotos. — Acabei de falar com a Dra. Hollister. Ela disse que perdeu as duas últimas reuniões de vídeo. — Que se foda ela. Estou farto de lhe dizer como me sinto. Engulo em seco. — É parte do projeto, Tal. Nós concordamos com isso. Você está escrevendo em seu diário? Ele revira os olhos. — Sim, estou escrevendo no meu diário. Você quer ler?

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Sim. Muito. Quero saber o que está acontecendo em sua cabeça. Quero saber como ele se sente sobre mim. — Não, é privado. Se você não seguir as regras com as quais concordamos, você não poderá receber o pagamento no final. Ele faz uma careta para mim. — Pareço me importar com isso? Ou você está com medo que você não possa receber a sua parte, porque não estou seguindo as regras? Não se preocupe, querida. Prometo te dar cinquenta mil em dinheiro se você quiser ir. Olho para ele desde o pé da cama. — Essa é a última coisa com a qual estou preocupada, Talon. Estou preocupada com você. Estou preocupada com a gente. Olhe para você. Você já está nessa cama há uma semana. O médico disse que você tem que se movimentar e aprender a resistir a vertigem. — Que se foda ele. Deixe ele andar e cair como merda e ainda ser acusado de estar desperdiçando todo o tempo. Terminei com ele. — E você está sempre de mau humor. Temos duas semanas para deixar esse experimento e estou com medo. Você vai me deixar? — Finalmente, cuspo meus medos. Ele sopra em seu cigarro eletrônico, que agora tem algum tipo de erva daninha líquida legal ou algo nele que é supostamente para acalmá-lo e me dá um olhar fixamente. — Você quer que eu te deixe? — Mesmo chateado e sendo desagradável, ele parece tão sexy e adorável deitado na cama com a gata enrolada contra sua cabeça. Sofro de ter ele me provocando de novo, brincando de gato e rato comigo novamente. Sinto falta de tê-lo me segurando toda a noite. — Como você pode até mesmo me perguntar isso? Você sabe que eu não quero isso.

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— Não, eu não sei. — Então você é estúpido! — Grito com ele saindo como uma tempestade para fora do quarto. Esse homem está me deixando louca. Desço para a cozinha, onde tenho massa caseira esperando para fazer seus biscoitos favoritos. Em um esforço para fazê-lo sorrir, até comprei suprimentos especiais e assisti a um vídeo tutorial sobre como fazer parecer crosta de gelo branca com uma pequena cabeça de gato esculpida, com os olhos doces, ouvidos, nariz e bigodes. Duas horas mais tarde, ele entra na cozinha, de peito nu, com jeans desbotados pendurado baixo em seus quadris, desabotoado. Minhas entranhas reviram só de olhar para ele, mesmo que ainda esteja chateada com ele. Ele olha para o prato de três camadas de biscoitos em formato de gato. — Você me fez cupcakes. — Diz ele, surpreso. — Ou são sabão? Viro para a pia para lavar as mãos. — Não, eles são cupcakes de verdade. — Eles são gatos. Como Pixie. — Sim. — Eles parecem adoráveis. Quase bom demais para comer. — Bem, é melhor comer. Levei horas para fazer para você. Ele vem em torno da ilha da cozinha para ficar mais perto de mim. — Você me fez Cupcakes? Quando eu fui um idiota? Por quê? Me viro para encará-lo, lutando contra as lágrimas, que tenho acumuladas desde a nossa briga. — Porque mesmo você sendo um idiota, quero que seja feliz. Quero ver você sorrir novamente. — Você me chamou de idiota. — Às vezes você é.

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Ele balança a cabeça e morde a cabeça de um cupcake. — Você está certa. — Ele engole, lambe um pouco de geleia sobre o lábio, me lembrando de como senti sua língua na minha pele quando ele usou para me lamber toda. — Esses estão fodas demais, baby. Sinto que estou comendo a cabeça da Pixie, no entanto. Rio um pouco. — Não pensei nisso quando fiz. Ele agarra meu queixo e me obriga a olhar para ele. — Você esteve chorando? Tento olhar para baixo, mas ele ainda me segura. — Sim, um pouco. — Não quero fazer você chorar, Aze. Estou só... — Eu te amo. — Interrompo. Seus olhos ficam enormes. — O que? Engulo em seco e digo novamente. — Eu te amo. E não sei por que você não me ama também. — Minha voz falha e uma lágrima desliza em minha bochecha, enquanto olho para o rosto dele. Ele roça o polegar na minha bochecha, enxugando as lágrimas. — É isso que você pensa? Concordo com a cabeça, incapaz de falar. Não deveria ter dito nada. — Então você sabe o quê? — Diz ele, respirando fundo — Você é mais estúpida do que eu. — Ele move a mão para a parte de trás do meu pescoço e me puxa com força contra seus lábios. — Eu te amo. Eu te amo mais do que alguém jamais te amou e nunca amei ninguém, ok? — Meus joelhos fraquejam enquanto ele me beija e tenho que me agarrar a seus ombros para me segurar.

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— Isso é muito. — Sussurro. — Porra, você está certa. Ele me ama. Ele me arrasta para cima e vai para a sala de estar, me jogando no sofá e caindo em cima de mim. — Tenho medo de deixá-la na mão se subir as escadas. — Ele diz, me beijando. — A cama é muito longe, de qualquer maneira. — Respondo quando nós rasgamos as roupas um do outro e arremessamos ao redor da sala. Ele beija meu pescoço, sugando com força suficiente que sei que vai deixar uma marca, mas eu não me importo. Só me importo que ele está de volta ao seu estado normal agora. E ele me ama! Seus lábios se movem para baixo do meu corpo, sua língua arrastando sobre os meus seios e provocando meus mamilos antes que ele continue no meu estômago, me fazendo tremer. Ele levanta as minhas pernas sobre seus ombros e abaixa a cabeça entre as minhas coxas, sua boca e dedos fazendo mágica em minha boceta enquanto ele lambe minhas dobras e lentamente desliza dois dedos dentro de mim. Chego para baixo e embaraço meus dedos em seus cabelos, me contorcendo debaixo dele, mas tentando não rolar meus quadris demais. Essa é uma das poucas vezes que ele foi capaz de não ficar tonto e não quero fazer qualquer coisa para trazer um episódio. Depois de alguns minutos de êxtase, eu o puxo para mim. — Quero você dentro de mim. — Digo, envolvendo minhas pernas em volta de sua cintura. — Primeiro diga. — Ele brinca comigo com a cabeça de seu pênis, esfregando para frente e para trás contra o meu clitóris.

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— Quero você dentro de mim. — Repito, apertando os ombros. Deus, eu amo quão musculoso e forte ele é. — Isso não… Gemo de frustração, não sei o que ele quer e me contorço contra ele. — Talon, por favor... — Diga e vou dar a você, baby. — Eu te amo? — É uma questão agora? — Ele sorri maliciosamente para mim e continua sua provocação, pressionando contra a minha abertura. — Não. Não há dúvida nisso. Eu te amo. — Puxo a cabeça dele para baixo e beijo seus lábios. — Amo você. — Beijo ele novamente e empurro meus quadris para ele — Te amo. Ele desliza seu eixo em mim lentamente, se certificando que eu sinta cada polegada dele, até que tenha tomado o seu corpo inteiro. — Uau, eu te amo. — Respiro contra ele, minhas mãos deslizando pelas costas. — Tanto. Olhando nos meus olhos, seu cabelo caindo sobre nós, posso ver sua expressão alterar. Seus olhos amolecem e seus lábios se curvam em um sorriso que sempre me derrete. Ele é como um pequeno filhote de cachorro feliz, abanando o rabo. Ele quer ser amado. Por que demoramos tanto tempo para chegarmos aqui? — Também te amo, jujuba. Com cada um dos meus batimentos cardíacos do caralho.

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Como de costume, Finn está na área de trabalho de Lukas quando chego à loja para a minha sessão. Perdi algumas das minhas sessões de tatuagem, porque não podia dirigir e não queria arrastar Asia aqui, mas desde que me sinto muito bem hoje, dirigi até aqui. Mais do que ficar na minha própria garagem, não foi tão ruim. — Ei, Tally-Ho, como está se sentindo? — Finn pergunta, mais alto e mais lento do que ele costuma. Odeio essa picada. — Ótimo. Obrigado por me substituir quando eu estava no hospital. Desculpe você ter que ler todos esses comentários on-line sobre como é seu toque comparado ao meu. Você tentou, no entanto. — Gente... — Adverte Lukas. — Essa é uma zona de não idiotice. Finn sorri. — É muito ruim que você não será mais capaz de ouvir a sua esposa gostosa gritar de prazer. Isso deve ser muito ruim. Cerro meus dentes. — Posso ouvi-la muito bem, homem. — Bem, parece que ela tem um reforço preparado para quando você estiver totalmente com o cérebro morto. Eu a vi com outro cara no meu caminho até aqui. Em um flash, empurro Lukas fora do caminho e surro Finn no rosto.

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— Não fala sobre a minha esposa. — Digo calmamente, limpando o sangue da minha mão. Lukas salta para cima. — Ok, isso é o suficiente. Não vou tolerar essa merda. — Ele olha Finn, enquanto ele definitivamente está contemplando em me socar de volta. E quero que ele revide. — Finn, eu te amo como um irmão, homem, mas você é um babaca. Estou mudando seus compromissos para que vocês não estejam mais aqui no mesmo dia. Pega suas coisas e vai embora. Te ligo quando encontrar um tempo para você. Rayne vem correndo para ver como Finn está e ela começa a ficar louca, tocando o seu rosto e surtando como se eu tivesse socado Jesus. — Meu Deus! — Ela se vira para mim. — O que diabos você fez com ele? Ele está sangrando. Dou de ombros. — Fiquei tonto e de alguma forma meu punho caiu sobre seu rosto. Ela balança a cabeça para mim como se eu fosse um louco e leva Finn para fora, segurando uma toalha sobre o seu rosto. Não gosto de quão amigável ela parece com ele. Se esse filho da puta está mexendo com a minha irmã, eu vou matá-lo. — Bem, Tal. — Lukas diz, pulverizando lixívia sobre a cadeira. — Você realmente tinha que fazer isso? — Sim. Ele está pedindo isso há meses. — Ele fez um favor a vocês te substituindo na turnê. E ele não é um guitarrista ruim. Você sabe disso. — Não me importo. Ele é um babaca e teve o que mereceu. Você viu como Rayne estava caindo em cima dele? Não gosto disso.

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— Eles são amigos, é isso. Nunca vi ele tocá-la. — É melhor que ele não toque, porra. Lukas afasta seu material de limpeza e reorganiza sua mesa enquanto fico confortável na cadeira, esfregando minha mão. — Você precisa acalmar sua ira. — Diz ele, em seguida, muda de assunto, porque Lukas é um pacificador. — Então, você chegou até aqui sem bater. Isso é bom. — Sim, me sinto muito bem hoje. Não estou tão tonto. Só a porra do ruído em minha cabeça que continua. — Você ainda está lutando para ensaiar, no entanto. Todos nós vemos. Dou uma tragada no meu cigarro eletrônico. — Tudo soa fodido para mim, mas estou tentando me acostumar com isso. Acho que no momento em que sair em turnê, vou ser capaz de conseguir lidar com isso. Ele vira seu banco para mim. — E se você não puder? Você tem que ser realista, cara. Meu humor está indo para o sul rápido novamente. — O que você está tentando dizer? — Não estou tentando dizer qualquer coisa diferente do que eu espero que as coisas funcionem... mas se não funcionar, tive uma ideia que fiquei brincando na minha cabeça e há algum tempo que eu tenho vontade de falar com você. — Ah, é? O que é? — A última vez que alguém sugeriu uma ideia para mim, terminei me casando com uma estranha. O que acabou tudo bem, então acho que estou aberto à outra. — Você sabe quando eu e você estávamos mexendo no material acústico no estúdio na última semana? — Sim…

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— Você tocou tão bem e você poderia tocar sentado. — Verdade. — Então, parece que as coisas com tom baixo e as peças acústicas são mais fáceis para vocês. Tipo, isso não está fodendo sua cabeça tanto. Acho que a sonoridade, os amplificadores e a vibração de todos os instrumentos ao mesmo tempo fazem piorar. Concordo. — Sim, essa é a realidade. — Tenho tocado um monte de acústico em casa agora. E ele está certo, é muito mais fácil para mim. — Eu estava pensando e se terminasse de escrever algumas dessas músicas que você e eu estávamos mexendo com tudo desligado. Posso tocar o violino ou bandolim em algumas e você poderia tocar violão e cantar, podemos tocar um pouco de piano e Rayne poderia cantar em algumas, também. Sua voz é tão melódica, cara. É assustador. Você poderia fazer alguns duetos muito legais, apenas despojados como algumas porras legais, balada com material popular. — Você quer começar uma banda? — Sim, só nós. E tocar em alguns shows locais, sem turnês. Não odeio tocar, homem, mas não posso sair da loja e não farei essa merda de turnê. Quero estar com Ivy e as crianças e não sobre a porra de um ônibus. Mas isso, nós poderíamos fazer. E você pode escrever o tipo de músicas que você quer em vez de ter a banda sempre fodendo com suas músicas. Você é diferente deles, você sabe. Você é mais como eu. Você toca com muito mais alma e emoção. Está em seus ossos de uma maneira diferente. Meu interesse é despertado. Lukas pode tocar praticamente todos os instrumentos solo. Não há dúvida de que poderíamos criar algumas canções surpreendentes. Estive em um cruzamento com a

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Ashes&Embers por um tempo. Lukas está certo, quero escrever e executar canções e letras mais profundas e não apenas rock no palco. Embora o A&E seja minha família. É o que o meu pai me condicionou a fazer desde que éramos cinco e tocar o violão e estar em uma banda com os meus irmãos. Por alguma razão, o meu interesse em cantar sempre foi ignorado. Mesmo que ela seja jovem, Rayne tem uma voz rouca única, mas ela odeia toda a cena de banda de rock. Meus pais propositadamente tentaram mantê-la longe disso, não querendo uma filha na indústria. Isso seria bom para ela também. Verdade seja

dita,

gosto de cantar.

Amo baladas.

E eu

absolutamente amo a ideia do som desligado. Assisto a agulha da pistola entrar e sair do meu braço. — Me deixe pensar sobre isso. — Sem pressão. Só acho que seria bom para todos nós e nós trabalhamos bem juntos. Concordo. — Seria difícil deixar a banda, mas talvez você tenha razão. Talvez seja hora de mudar. Tenho que tentar ir a essa próxima turnê em primeiro lugar e ver como isso vai ser. Estou tomando alguns novos remédios. — Isso é legal, cara. A oferta ficará de pé. Não farei isso com ninguém além de você. — Você definitivamente me pegou. Nunca considerei nada parecido com isso antes. Ele olha para mim e sorri. — Bem, agora você pode. Esfrego o lado da minha cabeça, tentando ignorar o zumbido. — Amanhã é o grande dia. O fim da experiência.

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— Puta merda, realmente? Isso voou. — De certa forma, sim. — Vocês vão ficar juntos, certo? — Porra, sim. — Tento parecer entusiasmado, mas tenho minhas dúvidas. Não tenho certeza mais de como ela se sente. Ou o que posso prometer a ela. Ele dá um tapa no meu braço. — Parabéns, cara. Vamos ter que comemorar. No meu caminho para fora da cidade, fico preso atrás de um ônibus escolar que está parando a cada três quarteirões e a familiar tontura começa. Merda. Bato no volante, esperando que possa chegar em casa sem ter que encostar e vomitar no lado da estrada. Disparo o meu cigarro na minha boca, ligo o ar condicionado em plena força, esperando que o ar frio me ajude a me sentir melhor e evite a náusea que geralmente não está muito atrás da vertigem. Enquanto espero o ônibus na minha frente se mover, olho para a minha direita e vejo uma menina que se parece com Asia em pé na frente da lanchonete, conversando com um cara que está sorrindo para ela. Pisco, tentando clarear minha cabeça e meu sangue se transforma em gelo quando eles se abraçam. Ela não só parece como minha esposa, é a minha esposa. O motorista atrás de mim se inclina em sua janela enquanto congelo no meio da estrada, rasgado entre me afastar e saltar para fora do carro para descobrir o que diabos ela está fazendo aqui com um cara que eu não reconheço. Quem porra está abraçando ela agora? Eles estão tão envolvidos em tudo o que estão falando que nem sequer olham para o cara estridente atrás de mim. Se ela olhasse, ela

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com certeza me veria. Mas ela não olha, porque ela está totalmente voltada para ele. O giro perfura no meu ouvido vários decibéis enquanto dirijo para casa em uma raiva, meu cérebro fritando, tentando descobrir uma explicação. Ela nunca sai de casa. Ela não conhecia ninguém. Ela estava em casa quando saí essa manhã, sentada no chão cortando tecido e me dizendo para ter cuidado. Ela me mandou um beijo e me disse que me amava. Quando finalmente chego em casa, espero ver seu carro na garagem. Esperava que a vertigem estivesse me fazendo alucinar a coisa toda, mas ela não está em casa. Entro na casa pela porta da garagem e me dirijo para a cozinha e há uma nota sobre o balcão.

Corri para a loja. Xo

O pânico sobe em mim. Talvez ela não estivesse com aquele cara por opção. Talvez ela tivesse ido até a loja e ele a levou, como um sequestro. Ela estava sorrindo, embora, não tentando fugir. Quem quer que seja, ela o conhece. Deixou que ele colocasse os braços em volta dela e ela tinha os braços ao redor dele. Meu sangue ferveu.

Whoosh. Sigo Pixie pelo corredor até a sala de artesanato e vejo o tecido ainda no chão, como se ela tivesse saído com pressa. Ela sempre limpa tudo quando ela termina. Ela fez a porra da volta de um parafuso na hora que eu desci do monte? Parei em Asher antes de ir

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para o estúdio de tatuagem, então ela teve algum tempo para fazer tudo o que está fazendo. Me viro para sair da sala e acho seu diário sobre a mesa ao lado de seu laptop, aberto com uma caneta na página. Nos seis meses que estamos fazendo isso, nunca toquei o seu diário. Mas hoje, o último dia desta experiência, o agarro e leio a mais recente página.

Esse processo tem me ensinado muito sobre mim mesma. Aprendi muito sobre o que eu quero, o que eu preciso e o que me faz feliz. Me dada à escolha, eu nunca teria me casado com ele. Ele quebrou meu coração mil vezes. Odeio o que está acontecendo com ele e como ele mudou. As coisas estavam tão boas por um tempo e em seguida, mudaram. E de todo esse tempo para “D” voltar para a minha vida. Eu ignorei seus textos por semanas, mas ele não vai deixar para lá. Não posso dizer a Talon. Ele nunca vai entender. Eu nem sequer compreendo. Sinto que não posso seguir em frente e não posso voltar até que tenha as respostas que eu preciso. Estou presa. Que porra isso significa? Ela nunca teria se casado comigo. Se dada à escolha. E ela está presa. Presa comigo, o perdedor que está ficando surdo. Ela apenas sente pena de mim agora? Presa com o fodido, se desintegrando com a estrela de rock que mal consegue agradá-la sem cair para fora da cama metade do tempo?

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E agora ela está com Danny. Claro, deve ter sido ele que eu vi, o Filho da puta. Whoosh Não achei que o som na minha cabeça pudesse ficar pior, mas porra, sim, ele está. Está como um trem passando em linha reta através da minha orelha. Na verdade, estou tremendo enquanto estou de pé aqui segurando seu diário. Deixo ele cair para trás em sua mesa como se ele estivesse pegando fogo e subo as escadas para pegar mais de meus comprimidos, olhando para o seu lado da cama enquanto espero por eles começarem a agir. Então pego meu próprio diário, juntamente com a papelada final, que deveríamos preencher e levar conosco para o nosso encontro com a Dra. Hollister amanhã. Eu rio da primeira pergunta: Você sente que essa experiência foi um sucesso? Porra, não.

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Porcaria. Talon chegou em casa antes de mim. Estaciono meu carro ao lado do dele na garagem e pego minhas coisas. Ver Damon foi muito melhor do que eu pensava que seria. Talvez as pessoas realmente possam mudar com a reabilitação e alguns anos atrás das grades para forçá-los a realmente pensar sobre o que fizeram e quem eles machucaram no processo. Eu certamente não estou pronta para perdoá-lo ainda pelas coisas horríveis que ele deixou e fez acontecer comigo, mas eu, pelo menos, o ouvi e apreciei o seu pedido de desculpas. Ele nem me pediu dinheiro, que é o primeiro sinal para mim que ele está tentando mudar. Subo as escadas para deixar Talon saber que estou em casa, mas ele está dormindo na cama, um novo curativo no braço onde a sua nova tatuagem está. Como sempre, Pixie está enrolada contra sua cabeça, ronronando. Calmamente tiro meu celular e tiro uma foto antes de delicadamente beijar seu rosto e voltar ao térreo. Na cozinha, eu me sirvo de um copo de suco e caminho pelo corredor até a sala de artesanato para terminar o meu diário e preencher a papelada enquanto Talon está dormindo. Lendo sobre o que eu escrevi ontem, percebo que me sinto de maneira diferente agora que eu, na verdade, vi meu irmão. Eu estava convencida de que ele estava tentando tirar dinheiro de mim, me

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ameaçar e fazer minha vida um inferno de novo, mas ele não fez isso. Talvez, apenas talvez, eu possa dizer a Talon que Damon pediu desculpas e quer conhecê-lo e podemos tentar colocar essa pequena parte da nossa família juntas novamente. Só não sei como Talon vai lidar com isso sabendo o que Damon fez para mim. O perdão não vai vir facilmente. Vou ter que fazer um monte de exame de consciência sobre essa situação antes de tomar qualquer decisão. Cruzo para fora a última parte do meu diário e reescrevo-a, acrescentando meus novos pensamentos. A Dra. Hollister mencionou no início que eu deveria escrever sobre tudo o que sinto durante esse tempo, incluindo experiências, pensamentos sobre meu passado e minha família, então isso é exatamente o que eu estava fazendo. Fecho o diário pela última vez, preencho o questionário e enfio tudo no envelope grande que tenho que levar amanhã. Estou tão feliz que essa parte terminou e podemos avançar como um casal normal agora, sem ter que fazer chats de vídeo e diário sobre todos os nossos sentimentos estranhos para analisar. — Tudo feito? — Salto ao ouvir o som de sua voz e solto o meu envelope. — Você me assustou pra caralho. Nem sabia que você estava aí. — Eu sei. — Ele responde. — O que você conseguiu na loja? Atravesso a sala e pego o saco de compras, puxando para fora o couro roxo e material de tigre-listra. — Precisava disso para a roupa de River. Tenho couro preto, mas eu não tinha nada roxo. Ele balança a cabeça lentamente. — Ela vai gostar disso. — O vejo atravessar a sala e pausar na estante onde guardo os meus suprimentos para pedidos de banho.

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Sua camisa está desabotoada e não posso tirar os olhos de seu abdômen, a forma como seus músculos com tinta acima flexionam quando ele se move é hipnotizante. Ele pega um dos pequenos tubos de batom e gira-o em seus dedos. — Você ama essas coisas, não é? — Provoco, chegando ao lado dele. — Sim. Mais do que você sabe. — Ele puxa a parte de cima do tubo e se vira para mim, a sua cabeça inclinada e suavemente desliza o bálsamo sobre meus lábios antes de se inclinar para me beijar. — Eu amo seus lábios. — Tampando o pequeno tubo, ele enfia-o no bolso. Sorrio para ele. — Meus lábios te amam. — Me mostre. Meu interior vira e cai como sempre fazem quando tem o humor ultra sexy acontecendo, que ele definitivamente tem agora. Caio de joelhos na frente dele e desabotoo seus jeans, puxando-os para baixo em seus tornozelos junto com sua boxer. Seu pênis já parece uma rocha, esperando por mim. Agarrando a base, passo a minha língua sobre a cabeça e ele toma fôlego e se inclina para trás contra a parede, fechando os olhos enquanto passo a minha língua para cima e para baixo em sua longa ereção antes de suga-lo lentamente na minha boca. Sua mão vai para a parte de trás do meu pescoço, apertando suave, mas sem pressão forçada. Olho para ele, amando a visão dele, a maneira como seu peito se move quando inspira e expira enquanto o prazer constrói. Seus dedos espremem um pouco mais forte a base do meu pescoço, dando a entender que ele quer mais rápido, mais profundo e faço o meu melhor para fazer, sem engasgar com ele. O bálsamo faz meus lábios formigarem, quase anestesiante

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enquanto movimento a minha boca em torno dele. Sua mão se move para a frente do meu pescoço e desliza para cima para agarrar seu pênis na mão, puxando-o para fora da minha boca. Meus olhos abertos encontram-no olhando para mim, os olhos vidrados enquanto ele esfrega a cabeça de seu pênis pelos meus lábios. Eu fico imóvel, os lábios entreabertos enquanto ele desliza-se sobre eles, na minha bochecha, depois de volta para os meus lábios. — Você é linda. — Ele sussurra e desliza para trás em minha boca esperando. Fecho meus lábios em torno dele enquanto ele empurra na minha boca e vem na parte de trás da minha garganta. Engulo e lambo-o até que ele se afasta de mim com relutância e puxa a calça jeans para cima, balançando um pouco. Levanto e agarro seu braço. — Você está tonto? — Só um pouco. Estou bem. Você pode parar de se preocupar comigo. Ele não me parece muito bem, apesar de tudo. Ele parece um pouco fora de si. — Você tem certeza que está bem? — Eu pergunto. — Positivo. Pensei em talvez termos um jantar, em seguida, assistir a um filme. Nós não temos feito isso há algum tempo. — Adoraria isso. Sinto saudades de nossos encontros de filmes. Acho que ainda tenho um pouco de pipoca. — Sinto falta disso também. Me desculpe, não tenho feito o suficiente com você. — Talon, não seja bobo. Você teve muita coisa acontecendo. Está tudo bem.

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Ele estende a mão para tocar meu rosto e noto que os nós dos dedos estão vermelhos e raspados. Agarro a sua mão, olhando mais de perto. — O que aconteceu? Você caiu? Ele deixa escapar uma risada sarcástica. — Sim, eu caí no rosto de Finn, na verdade. — O quê? O que você está falando? — Não se preocupe. Vou começar o jantar. — Ele se vira para ir embora, mas eu agarro o seu braço. — Diga o que aconteceu. Seus ombros caem quando ele suspira. — Eu dei um soco em Finn. — Por quê? — Porque ele disse algo sobre você que eu não gostei. E ele estava fazendo comentários sobre eu não ser capaz de ouvir. Então eu dei um soco. Fim da história. Ele puxa o braço longe do meu alcance e sai da sala, encerrando a conversa.

Após o jantar, nos aconchegamos no sofá e assistimos a um filme, emaranhados um no outro sob um cobertor aconchegante e macio na frente da lareira. É exatamente o tipo de noite que eu costumava sonhar em ter um dia. — Tal? — Hm? — Eu só quero que você saiba que você me fez mais feliz do que jamais pensei que poderia ser.

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— Me lembro de fazer você muito chateada e aborrecida, também. — Diz ele, esfregando minhas costas sob o cobertor. — Sim, algumas vezes. Mas valeu a pena ser tão feliz. Ele toma fôlego. — Me sinto da mesma maneira, baby. Tudo vale a pena, para sentir isso com você. — Seus lábios tocam o topo da minha cabeça. — Vamos para a cama. Amanhã temos que ter essa besteira de novo. Ele pega Pixie e transporta-a para cima com a gente, colocando-a no assento da namoradeira na lareira do quarto. Não posso deixar de sorrir pensando em quando ele odiava tê-la no quarto com a gente. — Vou tomar um banho rápido. — Diz ele, desaparecendo no banheiro. Me troco para dormir, desligo a luz e subo na cama para esperar ele. Estou ansiosa para acabar com a experiência amanhã e seguir em frente. Talvez agora que ele esteja começando a sentir um pouco melhor, podemos planejar nossa lua de mel. Já estou meio dormindo quando ele sai do chuveiro. Ouço o som de suas pílulas sendo sacudidas de seus frascos e eu o sinto deslizar sob os cobertores próximos a mim, levantando minha camisa para pressionar seu peito nu contra minhas costas. — Mmm... Você é agradável e acolhedor. — Murmuro, me recostando contra ele. Ele me empurra de volta para baixo, para o meu estômago, movendo o meu cabelo para o lado para beijar meu pescoço. Seu cabelo molhado escorre pelas minhas costas, me fazendo tremer. — Quero você assim. Sinto falta disso. — Sua mão mergulha entre nós e empurra a minha calcinha para baixo.

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— Tudo bem... e sobre... — Sexo parece trazer em sua vertigem, especialmente deitado. — Shhh... Ele coloca todo o comprimento do seu corpo duro em cima do meu e arqueio minhas costas enquanto ele desliza pelos meus lábios úmidos. Nossas mãos se fecham, acima de nossas cabeças e nos movemos juntos lentamente, ritmicamente. Amo essa posição, porque eu posso sentir todo ele em cima de mim. — Eu te amo, Aze. Você vai sempre ser minha. — Ele sussurra em meu ouvido, empurrando mais forte, me fazendo gemer de prazer misturado com reflexos de dor. Ele é mais áspero do que o habitual hoje à noite, se dirigindo mais profundo, mais rápido e mais forte do que ele fez antes, beijando e mordendo meu pescoço como um animal selvagem. Não estou completamente certa do que diz sobre mim que me excita ainda mais ao ser penetrada por ele assim e não me importo se isso me faz torcida. Só quero ele, de qualquer maneira que eu possa tê-lo, de qualquer forma que o faça feliz.

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Talon está estranhamente silencioso e subjugado na manhã seguinte à medida que se apronta para sair para a nossa reunião com a Dra. Hollister. Ele mal diz uma palavra para mim enquanto nós tomamos o café da manhã juntos, um momento em que normalmente falamos sobre nossos planos para o dia. — Você se sente bem? — Finalmente pergunto a ele. Ele limpa a boca com o guardanapo e coloca-o em seu prato. — Eu estou bem. Só queria acabar com isso. Levo os nossos pratos para a pia e lavo-os. — Eu também. Estou pronta para continuar com os próximos passos em nossas vidas. — Tenho certeza que você está. Pegamos o meu carro para o escritório da Dra. Hollister e eu dirijo. É estranho voltar para o seu escritório, não fui lá desde nossas reuniões de entrevista quando me encontrei com a equipe inteira. Isso parece há muito tempo agora. Talon segura à porta para mim quando nós entramos no lobby e estou surpresa de ver Kimberly esperando por nós com um sorriso. — É tão ótimo ver vocês dois de novo! — Ela dá um abraço em cada um e nos leva para sentarmos na sala de espera. — A Dra. Hollister estará aqui em poucos minutos. Ela vai falar com cada um de vocês separadamente e possivelmente em conjunto depois disso.

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Em primeiro lugar, vou levar seus diários e formulários. Há água e lanches em um canto. Apenas para nos ajudar. — Obrigada, Kim. — Nós entregamos nossos envelopes e ela se dirige para baixo em um longo corredor à esquerda. Esperamos, sem conversar. Me preocupo quando Talon pressiona o lado de sua cabeça e começa a soprar em seu cigarro eletrônico, algo que ele tenta não fazer em lugares públicos. Finalmente, a Dra. Hollister vem pelo corredor, seus saltos altos clicando, um sorriso brilhante em seu rosto. — Olha o meu casal favorito. — Diz ela, radiante. Nós nos levantamos para recebê-la e ela nos diz que vai levar Talon no seu escritório particular primeiro para falar com ele. Ele me dá um beijo rápido antes que ele a siga pelo corredor, se virando para olhar para trás, para mim antes que ele desapareça através de sua porta. Dou um pequeno aceno para ele e depois ele se vai. Espero por um longo tempo. Ansiosa, verifico minhas páginas de rede social do meu celular. Temos mais de dez pedidos de roupas e mais cinco pedidos de sabão. E o vídeo que postei na página de Talon com Pixie ensinando-a a dançar recebeu mais de cinco mil curtidas. Ele vai adorar isso, quando disser a ele. Duas horas depois, a porta da Dra. Hollister abre e eles saem, mas ele segue no corredor na outra direção, enquanto ela vem para mim. Franzindo a testa, acho que ele pode estar indo para o banheiro dos homens. — Sua vez. Você pode vir comigo agora, Asia. Sinto muito que você teve que esperar tanto tempo. — Está tudo bem. — Digo, esperando que não tenha que estar com ela por duas horas também. Quando entro em seu escritório,

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Kimberly está esperando lá dentro. Me sento na cadeira vazia ao lado da dela do outro lado da mesa da Dra. Hollister, onde ela tem nossos diários e formulários preenchidos na frente dela. — Li em seu formulário a sua decisão e a breve avaliação do seu relacionamento e experiência. Quero agradecer em nome da equipe por ser uma parte disto. Sua entrada e experiência são de valor inestimável para a minha pesquisa. — Eu deveria estar agradecendo a você. Foi realmente uma experiência que nunca vou esquecer, mas que se transformou em algo maravilhoso. Eu estava muito cética no início, mas você e a equipe fizeram um trabalho excepcional. O sorriso dela é tenso enquanto ela toca meu formulário. — Vejo aqui que você escolheu ficar casada. — Sim. Sei que nós perdemos nossa lua de mel e espero que esteja tudo bem. Com Talon em turnê e, em seguida, sua doença, nós simplesmente não conseguimos. Mas estamos planejando uma na primavera ou no início do verão. — Asia, eu sinto muito, — ela interrompe, sacudindo a cabeça lentamente —, mas Talon optou por sair. Ele não quer continuar o casamento. Um parafuso intenso de choque e medo treme através do meu corpo, me deixando tremendo toda em suas consequências. Eu largo minha bolsa e me agarro aos braços da cadeira. — Desculpa-me? — Pergunto, forçando um sorriso. — Isso é algum tipo de piada de mau gosto, certo? — Olho da Dra. Hollister para Kim, em seguida, de volta para a Dra. Hollister. Nenhuma delas está sorrindo. — Você não está falando sério?

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— Tenho medo que esteja. — Diz ela suavemente. — Não posso te dizer o quanto estou triste em ter que te dizer isso. Foi como um grande choque para nós. — Não. Deve haver algum engano. — Protesto, ainda tremendo. — Eu amo ele. Ele me ama. Ela balança a cabeça lentamente. — Sim, isso é verdade. Ele te ama. — Então, o que diabos está acontecendo? — Exijo, minha voz subindo. — Só posso dizer o que ele queria que lhe dissesse e isso é que ele sente nesse momento que é melhor para você. Ele não sente que seja capaz de estar em um casamento agora, dado tudo que ele está passando. Ele está lutando com uma série de questões que eu não acho que ele tem sido honesto com você sobre isso. Acredito que ele está sofrendo de severa depressão. Ele realmente deveria estar falando com um profissional sobre seus sentimentos, alguém com mais experiência do que eu, dadas as suas questões médicas, mas ele se recusa. — O que? — Engasgo com minhas próprias palavras e engulo ar enquanto as lágrimas começam a escorrer do meu rosto. — Que porra é essa? — Kim se aproxima de mim e coloca a mão na minha enquanto eu continuo a surtar. — Algo está realmente fodido aqui. Estamos felizes. Quero dizer, sim, tivemos alguns problemas. Mas nós estávamos trabalhando neles. — Sei o quão duro você tentou, Asia. Vocês dois foram e levaram um monte de golpes em um tempo muito curto. Muito mais do que os outros casais e estava muito orgulhosa de como você driblou todos. — Onde ele está? Quero que você o traga aqui. Algo está muito errado aqui. Deve haver algum tipo de mal-entendido.

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— Receio que ele se foi. Ele chamou seu motorista para vir buscálo. Pedi-lhe para ficar, para que todos nós pudéssemos conversar, tentar resolver isso e aconselhá-los juntos, mas ele foi inflexível. Ele tem tudo delineado. Meu coração bate no meu peito e um brilho fino de suor umedece meu corpo quando cada palavra que ela diz me atinge como um tijolo, dirigindo a verdade mais para dentro de mim. Ele se foi. Ele não me quer. Respiro fundo e coloco minhas mãos para cima. — Estou muito confusa. — Digo lentamente. — Ele nunca mencionou nenhuma vez que queria o divórcio. Muito pelo contrário, na verdade. Nós apenas fizemos amor na noite passada. Por duas vezes, na verdade. Eu não entendo. — Asia, sinto muito. Sei que isso veio como um choque para você. Por mais que vale a pena, ele também estava tendo um momento muito difícil com isso, é por isso que levamos tanto tempo conversando. Ele se sente terrível. — Então. por que diabos ele está fazendo isso? — Ele sente que é o melhor. Passo minhas mãos pelo meu cabelo. — Isso é loucura. Me recuso a aceitar isso até que eu fale com ele sozinha. Ele nunca faria isso para mim. A Dra. Hollister levanta um pedaço de papel com a letra de Talon nele. — Ele escreveu tudo aqui e ele está em contato com um advogado já para iniciar o processo de divórcio. O ar é sugado para fora dos meus pulmões em um suspiro rápido de descrença.

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— O que? — Grito, sentindo como se eu fosse perder o controle de mim mesma. — Quando ele escreveu isso? — Ontem. Ontem? Isso não faz sentido para mim. Ele ficou em silêncio ontem, mas estávamos bem. Nós ficamos abraçados no sofá. Brincamos com Pixie. Nós fizemos amor. Como ele poderia ter feito tudo isso quando sabia que hoje ele ia fazer isso comigo? — Isso não pode estar acontecendo. Acho que talvez ele tomou muitas pílulas ontem e não está em seu juízo perfeito. O médico continua lhe dando mais medicamentos e acho que está afetando ele. Eu o conheço. Ele nunca, nunca iria fazer isso comigo. — Você pode estar certa sobre a medicação, Asia. Ele pode fazer as pessoas se comportarem estranhamente. Mas ele parecia muito certo, enquanto estava aqui e o que ele escreveu está muito bem pensado e articulado. — O que ele escreveu? Ela coloca seus óculos. — Ele me pediu para ler para você. Primeiro, ele está deixando você ficar na casa por um mês para que você possa embalar e encontrar um lugar para viver. Ele gostaria que enviasse uma mensagem para seu primo Lukas quando você sair para que ele saiba quando pode voltar para casa. Oh meu Deus, eu estou perdendo minha casa também. Ele está realmente fazendo isso. — Onde ele está indo morar até lá? — Ele não diz. Ele gostaria de te dar quatro mil dólares por mês, se for agradável para você, que será depositado direto em sua conta no primeiro dia útil de cada mês. Ele está usando seus cinquenta mil

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desse projeto na criação de um fundo para Pixie, para qualquer cuidado que ela possa precisar. Ele também criou um plano de seguro de saúde para você e para a gata. Ele gostaria que você ficasse com o carro e você pode levar qualquer coisa da casa que você queira. Ele não quer os lucros da empresa de vestuário que ele ajudou a construir. Ele também terá duzentos e cinquenta mil dólares depositados em sua conta para que você não tenha que viver no gueto, novamente, como prometido. Essas são as palavras dele, não minhas. Há também um acordo de não divulgação de seu advogado, informando que você não pode divulgar nada sobre sua doença, em qualquer forma de rede social ou para a imprensa. Ele também solicitou que você mantenha o seu nome. — Você está brincando comigo? — Grito, me aproximando da histeria. A Dra. Hollister salta e deixa cair o papel. — Asia, sei que você está chateada e eu gostaria que houvesse algo que eu pudesse fazer para tornar isso melhor para você. Isso é tudo muito inesperado. Sei que você o ama e sei que ele também te ama. Eu não deveria dizer isso, mas sinceramente sinto que ele está em uma espiral de depressão e agindo muito auto destrutivamente. Eu não ficaria surpresa se, em alguns meses, vocês dois estivessem juntos novamente. De todos os casais, vocês dois foram os mais próximos, tinham uma ligação mais profunda, a mais forte química. Kim me entrega um lenço de papel e eu enxugo os olhos com ele. — Isso deveria fazer eu me sentir melhor? Quão bom é isso tudo? Ele se foi e não tenho nada, mas um enorme buraco no meu coração. — Eu gostaria de poder dizer mais, mas você sabe que estou sob obrigação de manter seu diário e os nossos bate-papos confidenciais. Só posso ajudá-lo se ele concordar em me deixar ajudá-lo como um casal.

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— Bem, não é tão ótimo! E eu deveria simplesmente sair daqui com um coração quebrado? E um monte de dinheiro que não quero? E é isso? Tivemos uma vida juntos. Isso não era um jogo para mim. Isso não era para acontecer! Ambas olham para mim com simpatia e sei que estou fazendo papel de boba. Endireito a minha blusa e mantenho a cabeça erguida. — Há mais alguma coisa? Eu gostaria de ir agora. Tenho muito que fazer agora que eu não estava esperando. — Sim. Você receberá um cheque de cinquenta mil pelo correio por sua participação no experimento e você vai receber os papéis de seu advogado em um dia ou dois. Vocês são bem-vindos para me ligar se tiverem quaisquer perguntas. Fico de pé. — Obrigada. Sinto muito por gritar e sinto muito que fomos um fracasso para sua experiência. De pé, ela dá a volta na mesa para me puxar para um abraço. — Estou muito desolada. Realmente estou. Realmente esperava que esse não fosse o fim para vocês dois. Giro e deixo a sala, explodindo em lágrimas no momento em que estou no estacionamento. Assim que entro no meu carro, ligo para seu celular. Ele toca quatro vezes e em seguida, vai para o seu correio de voz. Tento acalmar a minha respiração e choro enquanto espero sua mensagem de saudação ao fim. — Talon... Não tenho ideia do que aconteceu, mas estou muito confusa. Não sei se você está mais doente do que você me deixou saber ou se você está apenas deprimido... Mas qualquer que seja, podemos trabalhar com isso. Te amo e não quero perder você. Não importa o que está acontecendo, podemos torná-lo melhor. Por favor,

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só me ligue ou volte para casa. Não tem que ser assim. Por favor, fale comigo. Eu te amo. Dirijo para casa, tão perdida em meus pensamentos que dirijo para a direita através de uma luz vermelha, evitando uma colisão com outro carro por meras polegadas. Tremendo e chorando, dirijo vinte quilômetros por hora, o resto do caminho de volta para casa. Estou chocada ao ver que seu carro se foi quando estaciono na garagem, o que quer dizer que Max trouxe ele aqui para pegar o carro, enquanto eu estava tendo meu coração partido pela Dra. Hollister. Ligo para seu celular novamente quando entro na casa e mais uma vez, ele vai para o seu correio de voz. — Talon, sério, o que diabos está acontecendo? Por que você está fazendo isso comigo? — Engulo em seco. — Você sabe o quanto isso me dói, ter alguém me abandonando de novo, tal como a minha família fez. Você está me matando. Por favor, fale comigo, me diga o que eu fiz de errado. Me ajude a corrigir isso. Não quero perder você ou a nossa casa. Estou preocupada com você. Termino a ligação e espreito pela casa, tentando encontrar uma nota ou um sinal, qualquer coisa. Não encontro nada. A única coisa diferente é que seu travesseiro e seus frascos de medicação se foram do quarto. Rapidamente visto algo mais confortável e volto para o térreo em um estado de torpor. Isso não está acontecendo. Sento no sofá e corro minha mão sobre o tecido de couro macio no qual ele estava sentado com os braços em volta de mim na última noite. Foi dele a ideia de assistir um filme. Ele iniciou o sexo e ainda tenho as marcas vermelhas no meu pescoço de seu áspero chupão e mordida como prova. Porque ele fez

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isso? Pensando no que aconteceu, ele estava diferente da noite passada. Não com raiva em seu toque, mas quase desesperado. Você sempre será minha. Ele sussurrou antes de ele me levar. O que isso pode significar? O que o fez sair sem nenhuma explicação? Ele poderia ainda estar me punindo por considerar falar com Danny semanas atrás? Isso seria tão imaturo. Por que ele iria jogar fora tudo o que temos por algo tão ridículo? Isso não faz sentido. Olho para o meu telefone, desejando que toque ou receba uma mensagem de texto. Me pergunto se eu deveria ligar para Lukas e ver se ele sabe alguma coisa ou se ele poderia falar com Talon para mim, se certificando que ele está bem. Ele sempre foi tão bom para mim. Então, tem Storm e Evie. E Asher. Isso vai ser tão embaraçoso, porém, ligar para um deles e dizer que ele me deixou e se recusa a falar comigo. Eu nem sequer fiz nada, mas parece, pela forma como ele saiu, que eu devo ter feito. Só não sei o que é. Envio uma mensagem a ele. Eu: Olá? Será que você poderia falar comigo?

Sem resposta, mas mostra como lido. Eu: Talon, por favor. O que está acontecendo? Por que você está fazendo isso?

Sem resposta. Mas lido. Eu: Você é um covarde. Como você pôde fazer isso comigo? Sem sequer um adeus? Será que eu não signifiquei nada para você todo esse tempo? Você tem alguma ideia de como isso pareceu para mim sem você me dizer que queria o divórcio e você acabou saindo? Eu nunca vou perdoá-lo por isso.

Lido. Sem resposta. Eu: Sei que você está recebendo essas mensagens. Diga algo. Por favor. Talon: Tudo o que posso dizer é que sinto muito. Por favor, pare de enviar mensagens e de me ligar. Eu sinto muito.

É isso aí? Ele sente muito? Balanço minha cabeça, lágrimas caem no meu colo enquanto eu furiosamente escrevo outra mensagem. Eu: Por que você me comeu na noite passada? E me deixou pensar que estava tudo bem? Que tipo de jogo doentio foi isso para você?

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Talon: Não é um jogo. Por favor, pare. Eu: Você é um bastardo. Você acabou sendo como todo mundo. Você me esmagou completamente em cada maneira possível. Eu te odeio! Eu gostaria de nunca ter te conhecido, porra! Talon: Asia, pare. Eu: Qual o caralho do seu problema? Por que você disse que me ama? Por que me deixou ter seu estúpido nome tatuado em mim? E o meu em você? Por que você não é, pelo menos um homem e fala comigo? Talon: Eu só não posso. Eu estou fodido e eu sinto muito. Eu: Aconteceu alguma coisa? Algo que você não está me dizendo? Talon: Não. Apenas pare. Deixe estar. Encontre um lugar agradável para morar. Encontre um cara legal. Eu sinto muito ter machucado você. Eu: WTF!? Você conheceu alguém? Talon: Não. Agora, pare, minha cabeça dói. Eu não posso olhar para esta tela do telefone. Isso dói meus olhos. Eu: Então, venha para casa e entre em sua própria cama e me deixe esfregar sua cabeça para você. Eu acho que os comprimidos te deixaram louco. Nós vamos para o médico juntos e cuidaremos disso. Apenas venha para casa e podemos esquecer que isso aconteceu. Eu prometo que não está louco. Talon: Você acabou de me dizer que você me odiava. Eu: Só porque eu estou chateada! Estou fora de mim agora. Eu te amo, eu te quero de volta em casa. Onde está você? Eu vou buscá-lo. Não temos de falar. Vou trazê-lo para casa e você pode se deitar. Vou esfregar sua cabeça. Vou pegar o protetor labial. Farei cupcakes para você. O que você quiser. Vamos ver o médico. Tudo vai dar certo. Talon: Asia, não aja assim. Pare de ferrar com a minha cabeça. Acabou. Eu: Ferrar com a sua cabeça? O que isso significa? Talon: Não significa nada. Por favor, pare. Vou desligar o meu telefone. Se você continuar fazendo isso, eu vou mudar o meu número para que possamos parar com isso. Eu: Não tenho ideia de quem você é agora. Talon: Então somos dois. Eu estou virando isso.

Estou tão chateada que estou tremendo de novo, meus dentes realmente batendo uns contra os outros. Não entendo nada disso. É como se ele adormecesse como uma pessoa e acordasse como outra. Gostaria de saber se a doença causa danos cerebrais ou adiciona várias personalidades em desordem. Algo está muito errado.

Durmo no sofá, chorando incontrolavelmente até me esgotar, todos os dias durante sete dias. Só me levanto para cuidar de Pixie, tomar pequenos goles de suco e comer biscoitos. Ignoro todas as ligações e mensagem que recebo de Kat e Kimberly. Toda vez que meu

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telefone emite um som, eu salto, esperando que seja Talon, mas nunca é. No oitavo dia, os sinais sonoros das portas dianteiras significam que foram abertas e rodo no sofá, esperando e desejando que seja ele. — Kat... O que você está fazendo aqui? Ela fica em cima de mim, sacudindo a cabeça para trás e para frente, as mãos nos quadris finos. — Você se recusa a responder às minhas ligações. Obviamente, sei o que aconteceu e tentei te dar espaço, mas não posso deixar você fazer isso. Como seu anjo da guarda nomeado, estou obrigada a me certificar de que você não caia em uma depressão mais profunda ou murche por nada. — Ela agarra meu braço e me puxa para cima. — Olhe para você. Não faça isso, Asia. Suspiro, sem mais nenhuma lágrima. Cheguei ao ponto em que simplesmente não posso chorar mais. A dor fez um círculo completo absolutamente horrível totalmente entorpecente. — Ele não vai falar comigo. Não sei o que fiz de errado, Kat. — Asia, acho que o cara está fodido agora. E você não está muito atrás dele. Quero que você vá lá em cima agora mesmo e tome um banho enquanto encontro algo para comer. Não vou deixar você fazer isso para si mesma. Estava lá, lembra? — Eu não quero nada. — Isso não importa para mim. Tenho uma lista aqui de cinco casas da cidade que são bonitas não muito longe daqui. Nós vamos olhar elas amanhã. Você precisa sair dessa casa. Fico olhando para ela sem expressão. Não quero comer ou tomar banho ou deixar a nossa casa. Ou respirar ou viver. Tudo que eu quero é ele.

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;; Essa é apenas uma pausa. Ficarei bem. Hoje não. Talvez não amanhã. Mas ficarei. Algum dia. Não vai ser sempre assim tão ruim. Essa dor não é minha para sempre. Isso é apenas uma pausa. Há mais esperando por mim, em algum lugar, no caminho da minha vida.

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O número de Lukas está piscando na minha tela. Tirei a campainha no meu telefone porque o som me irrita. Agora, apenas pisca e vibra, o que também é irritante. Pego ele, atendo e o seguro junto ao ouvido, ainda posso ouvir de fora. — Sim? — Recebi uma mensagem da Asia. Meu coração dói só de ouvir seu nome. — E? — Ela saiu da casa. — Fecho meus olhos por um momento e deixo afundar. Minha esposa se foi. Às vezes, minha mente está tão confusa que acho que ela me deixou. É como se eu mentalmente houvesse bloqueado o fato de que de alguma forma o interruptor louco capotou dentro de mim e deixei ela ir. Toda vez que ouço suas mensagens de voz e mensagens de texto, o meu coração aperta. Passei horas no saco de pancadas, colocando para fora minhas agressões, fingindo que eu estava me perfurando. Que merda eu fiz? Por que a Dra. Hollister não trouxe algum sentido em mim? Ela não podia ver que eu estava insano? Por que eu apenas não me sentei com Asia e forcei ela a falar? — Bom. Morar na casa de hospedes da vovó está me fazendo engordar. Ela está me alimentando demais. — Não posso dizer a vovó,

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mas seus bolinhos não se comparam com os de Asia. Nem qualquer sabonete que eu uso. Ou qualquer loção. Ou qualquer batida. E eu não posso sequer olhar para outra mulher. Ou gatos. Odeio gatos agora. — Você precisa de uma carona para casa, ou você é capaz de conduzir? Como está a vertigem? — Acho que posso fazer isso. Ela disse para onde foi? — Pergunto casualmente. Não posso deixar de ficar sabendo onde ela está. Onde ela está dormindo. Onde Pixie está. Eu gostaria de poder fechar os meus olhos, abri-los e tê-las aqui comigo novamente. — Ela disse que encontrou uma casa na cidade. — Ela disse onde? — Tal? Se você se importa, por que não liga para ela e a deixa te dizer? Mastigo meu lábio. — Não. Ela está melhor desse jeito. — Você conhece os meus sentimentos sobre isso. E ela não parece melhor. Ela me perguntou se você estava bem. — O que você disse a ela? — Disse a ela que você é um fodido, uma confusão teimosa. — Se você fez isso, eu vou chutar o seu traseiro. — Eu disse a ela que você estava bem. Feliz agora? — Não, mas não quero que ela habite em mim. — Cara, acho que habitar em alguém e amar alguém são duas coisas diferentes. Vou para o quarto e pego minha bolsa para que possa começar a arrumar minhas coisas para voltar para casa hoje. — Não quero falar sobre isso, Lukas. Obrigado por me informar. Vou vê-lo em poucos dias para a minha sessão.

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Levo o triplo da quantidade de tempo para levar o carro das montanhas brancas de volta para a minha casa. O dia em que deixei Asia foi um show de horror, mas o caminho de volta pelas estradas sinuosas é ainda pior. A pressão no meu ouvido é incrível e a vertigem rompeu os remédios que eu tomei. Três vezes eu tive que encostar ao lado da estrada e vomitar. Literalmente queria beijar o chão quando finalmente parei o carro e estacionei em frente da garagem. Mas quando ando na passagem para a porta da frente, não tenho certeza porque quis voltar aqui. O interior da casa está escuro, apenas com a luz do foyer acesa e é estranhamente silenciosa. Mesmo com metade sendo surdo e tendo o whoosh constante em meu ouvido, o silêncio me segue como um fantasma. Lanço o meu saco no chão e ando lentamente pela casa, memórias de nós piscando na minha mente quando olho para cada cômodo. Cada esquina, cada pedaço de móveis, cada maldita coisa me faz lembrar dela. Posso ouvir as pequenas brigas e arrelia que tínhamos ecoando na minha mente. Ainda posso vê-la sentada na mesa

de

café

com

seus

estúpidos

olhos

roxos,

parecendo

adoravelmente transavel com Pixie empoleirada na mesa ao lado dela. Porra. Sinto falta delas. Arruinei nossa família. Deixei a doença vencer. Ando em seu quarto de artesanato e está completamente vazia. Esse era o seu cômodo favorito e passamos muito tempo aqui, desenhando roupas e fodendo na mesa. E no chão. E contra as prateleiras. Mesmo ao lado onde se encaixa o assustador manequim que eu odiava.

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Abro a geladeira e sinto como se tivesse levado um soco quando vejo que ela está abastecida com todas as minhas comidas favoritas, mesmo as coisas que ela usou para cozinhar para mim e todos os recipientes rotulados com nomes e datas com sua pequena escrita, perfeita. E, claro, tem cupcakes. Merda, jujuba. Por que você fez isso? Vou lá para cima para que possa completar o assalto emocional de não a ter aqui tudo de uma só vez. Nossa foto do casamento desapareceu de onde ficava pendurada na parede em nosso quarto. Esse era realmente o meu retrato favorito quando fiz cócegas para fazê-la rir e beijei ela antes que ela pudesse se afastar. Honestamente, não mereço ter isso e não preciso dele. Essa imagem está queimada no álbum de fotos da minha mente para sempre. Tudo está limpo e em seu lugar. Toda a minha roupa está posta de lado, o seu lado no armário que compartilhávamos está vazio. Ela aspirou tudo antes de sair, todos os vestígios dos pelos de Pixie se foram. Em seguida, passeio no banheiro e há uma pequena caixa com toda a minha coleção favorita de sabonetes e loções que ela usou por mim. Tudo cheira como ela, é por isso que eu amei. Não sei se ela deixou esse material aqui para me assombrar, ou se ela deixou aqui para me dar as coisas que ela sabia que amo apenas para me fazer feliz. Conheço ela, no entanto e tenho certeza que ela fez isso em uma tentativa de me receber em casa com as coisas que ela sabia que me fariam mais feliz. Porque ela me ama. Ou ela costumava. Ela deve me odiar agora, pelas coisas que fiz e disse.

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Não achei que ela iria se colocar em uma luta como essa no dia que saí. Pensei que ela ficaria aliviada ao se livrar de mim. Pensei que as primeiras mensagens e textos foram apenas de choque e raiva sobre o final abrupto da nossa relação. Mas quatro semanas e mais de duzentas mensagens mais tarde, se tornou bastante claro para mim que ela não saltou para Danny como eu achava que ela faria. Meu cérebro estava tão nublado com raiva naquele dia, eu sinceramente acreditava que ela queria. Agora, não sei o que aconteceu. Fodi tudo e dói pra caralho. Sento na cama, de repente me sentindo tonto e cansado e é aí que vejo a camiseta que deixei para ela dormir quando eu estava em turnê dobrada ordenadamente, com seu anel de casamento em cima dela. Que porra. Pego e rodo o pequeno elo entre os dedos, em seguida, solto o colar no meu pescoço e deslizo o anel na corrente, vendo como ele desliza para baixo, parando quando atinge o meu próprio anel de casamento, seu anel encaixa perfeitamente dentro do meu. Afasto a corrente do meu pescoço e fecho. Pelo menos nossos anéis estão juntos. Puxo o meu telefone do bolso e debato por alguns momentos antes de discar seu número e digito uma mensagem. Eu: Obrigado por me deixar a minha comida e sabonete favoritos. Asia: Então esse é o seu novo número de celular? Não se preocupe, não vou incomodá-lo. Eu entendi.

Mudei meu número quando não podia mais ver os textos dela, ou ouvir suas mensagens de voz que alternava entre chorar e implorar, me dizendo para ir tomar no cu. Me arrependi imediatamente depois, porque perdi de receber novas mensagens dela, sabendo que ela ainda estava pensando em mim, mesmo que estivesse em um mau caminho.

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— Ei! Ele está de volta! — Todo mundo grita quando entro no ônibus da turnê. Sento no meu lugar de costume e tomo algumas das novas pílulas que o médico me deu e retiro o meu e-reader para ler um livro. Em poucas horas de viagem, me sinto cansado e irritado, meu ouvido ainda abafado e apitando. Gostaria de ter ficado em casa. — Você está bem? — Asher senta no assento ao meu lado. — Você está um pouco verde. — É a minha cor normal agora. Ele balança a cabeça e sorri. — Eu vejo. Eu queria ter uma pequena conversa. — Ok, bate-papo, então. — Quero que você finalmente me diga o que aconteceu. — O que aconteceu com o quê? Ele inclina a cabeça para mim. — Sua esposa. Suspirando, chuto meus pés em cima da minha mala na minha frente. — Ainda não quero falar sobre ela, Ash. Sério. — Não perguntei se você queria. — É difícil de explicar. — Como posso explicar o que eu nem sequer entendo? — Acho que tenho a capacidade de compreender um pouco. Então, tente. — Bem, uma coisa, essa merda com meu ouvido me fodeu. Eu estava mal-humorado com ela o tempo todo e para ser honesto, eu a tratava como merda. Estava cansado o tempo todo. Ter relações

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sexuais era imprevisível, às vezes grande, às vezes eu ficava tonto e tinha que correr para o banheiro para vomitar ou me agarrar ao lado da cama. Era embaraçoso. Ele balança a cabeça, ouvindo atentamente. — Ok, posso entender que é difícil para você. O que mais? — E então, eu li seu diário no dia antes de nós tomarmos a nossa decisão. — Tal... não é uma boa jogada, mano. — Eu sei, confie em mim. Ela escreveu que nunca teria se casado comigo e quebrei seu coração, tipo, um milhão de vezes e quanto eu mudei desde que essa doença começou. Em seguida, ela mencionou um cara, nenhum nome, apenas uma inicial e sobre estar confusa sobre ele. Tenho certeza de que era seu ex que estava tentando recuperá-la. E nesse mesmo dia, a vi com outro cara. Ela não tem ideia, mas me detonou. Voei em uma raiva sobre a coisa toda. Não podia colocar minha cabeça fora desse lugar ruim. Não acho que teria funcionado, cara. Não sou o que ela queria e isso é tudo. — Isso não parece como qualquer coisa que ela iria dizer ou fazer, Tal. — Eu sei. É por isso que me fodi tanto. Ele olha para fora da janela por alguns minutos antes de responder. — O diário de Ember tem estado na sua mesa de cabeceira nos últimos cinco anos. Ela escreveu nele todos os dias. Ela tem vários, na verdade, porque ela começou a escrever quando tinha dezesseis anos e eu comecei a presenteá-la com eles todos os anos no seu aniversário, com uma verdadeira chave para bloquear e desbloquear eles. Ela amava.

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— Sim, me lembro disso. Foi legal. Tinha até papel de pergaminho. — Sim. Eu nunca, nem uma vez toquei nesses diários e acredite, Tal, eu quero. Você não tem ideia o tanto que eu quero. Mas eu não posso. Você quer saber por quê? Porque há coisas lá dentro que ela provavelmente não iria querer que eu lesse. Eu não entenderia os seus pensamentos. Pensamentos que ela pode ter sentido quando ela os escreveu, mas não os sentiu mais tarde. Se eu ler esse último, eu vou ter um monte de perguntas e ela não está aqui para me dar às respostas. Não posso fazer isso comigo. Se ela quisesse que eu soubesse tudo o que está lá dentro, ela teria me contado. Então, eu tenho que deixá-la sozinha e espero que um dia ela vá ser capaz de me dizer o que aconteceu. Não é justo comigo apenas assumir o que ela estava passando ou roubar seus pensamentos privados dela. — Ash, eu sinto muito. Mas isso é diferente... Ele balança a cabeça. — Não, não é. Acho que você tomou uma decisão com base em uma série de suposições fodidas e você agiu por raiva e nunca mais saiu desse caminho. Isso não é você. Estou preocupado com você. Dou de ombros. Estou preocupado comigo também. — Não sei. Sei o que li, porra e o que eu vi e vi ela com outro cara que ela encontrou nas minhas costas. Só não poderia passar por isso. — Não teria sido mais fácil simplesmente perguntar a ela? — Acho que não queria ouvir nenhuma mentira, ou ouvir que ela queria me deixar. Eu estava tão chateado com tudo e tão agravado e confuso que só queria acabar com tudo e ficar sozinho. — Talvez você deva tentar falar com ela? Ouça o que ela tem a dizer? Trabalhe com isso? Balanço minha cabeça.

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— Acho que esta além disso agora. Fiz muito dano. Me transformei em seu pior pesadelo. — Meu peito começa a doer de novo, como sempre acontece quando penso nela. — Ok. Foi apenas uma ideia. — Ele acaricia minhas costas — Acho que você está cometendo um grande erro. Ela realmente ama você. Não tenho dúvidas. — Já está feito. Cavei um buraco muito profundo. Ele balança a cabeça para mim novamente. — Nunca é tarde demais. E é melhor ficar longe da borda do palco. Vou colocar uma coleira em você se te ver perambular na borda, ok? — Tanto faz, homem. Não vou cair de novo. Tenho tudo sob controle.

Os dias se arrastam na turnê. Passo a maior parte do dia dormindo no ônibus ou vomitando e sentindo tonturas. Tenho dores de cabeça constantes e não quero comer qualquer coisa. Mesmo que ninguém diga nada, o meu jogo está desligado. Ash me mudou por todo o palco tentando me ajudar a encontrar um local que não vai me foder, mas nada faz isso melhor. Os caras estão todos sendo legais, mas posso dizer que eles não estão exatamente felizes com o meu não estar no ponto como eu costumava ser. As groupies amaram. A notícia de minha separação já vazou e agora todas elas parecem achar que têm a boceta de ouro que irá magicamente me fazer sentir melhor, se eu apenas lhes desse uma chance. E não sei. Tenho zero desejo por qualquer uma dessas groupies e não toquei em nenhuma. Na última noite da turnê, caio nos degraus do ônibus e vou de cabeça em uma poça, torço meu tornozelo e me dou outra concussão. O último show da turnê foi cancelado, milhares de fãs estão furiosos, uma imagem de mim deitado na água enlameada vaza por toda a

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internet e é bastante claro que meus dias de estrela do rock acabaram. Asher e Storm ficam até que sou liberado do hospital dois dias depois e alugam uma van para nos levar de volta para casa, se revezando para dirigir, argumentando e cantando músicas de seriados de TV, enquanto sento na parte de trás e luto contra náuseas por 500 quilômetros, perguntando o que diabos eu fiz para merecer o décimo círculo do inferno.

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Manter minha mente ocupada é a única coisa que posso fazer para me impedir de cair em uma depressão novamente. Durante semanas o meu humor passou de chorar e sentir a falta de Talon como uma louca para querer destruir tudo à vista quando a minha raiva por ele inflamou. Para me distrair, limpei cada polegada de minha nova casa na cidade, mesmo que ela não precisasse disso. Então, costurei cortinas persianas para decorá-la. Mergulhei em todos os pedidos de roupas, loção para corpo e banho que ainda se mantêm entrando. Tenho que admitir, estou surpresa que meu pequeno negócio não decaiu com o fim do meu casamento, mas parece que ainda mais pessoas estão requisitando desde que a nossa separação se tornou pública. Estou fazendo roupas de palco para três outras bandas agora e tenho um pequeno quiosque no shopping duas vezes por semana. Alguns dias, vendo as fontes de banho e nos outros dias, vendo os de costume, as roupas de pessoas e para pet que eu projeto e costuro a mão. Acho que, considerando todas as coisas, a minha vida poderia ser muito pior, como parece que a de Talon está. Quando Kat me enviou um texto ontem dizendo que soube que ele teve outro acidente, ignorei em um primeiro momento. Não quero saber. Saber sobre ele só me deixa triste e tenho tentado como louca não pensar sobre ele ou

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me deixar mais deprimida. Mas a curiosidade tem o melhor de mim e vou online para ler sobre o que aconteceu. Em questão de segundos, estou olhando para uma foto dele deitado no chão e sua cabeça dentro de uma poça, na chuva. O ROQUEIRO TALON VALENTINE FICA PERDIDO E CAI DE CARA NA POÇA! REABILITAÇÃO, ALGUÉM? Urgh, esse título. Quem escreve essa merda? Meu coração se parte quando olho para a foto e gentilmente passo o meu dedo sobre a tela, em cima dele. Meu belo homem, meu Viking, deitado no chão. Sendo feito de chacota. Ainda escondendo sua doença. Bato a tampa do meu laptop para baixo, lágrimas transbordando nos meus olhos. Gostaria de poder ir até ele e confortá-lo, mas ele tornou muito claro que não quer ter nada a ver comigo por razões que ainda não sei. Mas ele ouve Lukas, então decidida, lá vou eu tirar proveito disso e aceito a oferta de Lukas para ligar se eu precisar de alguma coisa. Agora preciso de alguma coisa, preciso ajudar Talon a colocar seus sintomas sob controle e tenho uma pilha de pesquisa recolhida que acho que pode ajudá-lo. Não tenho dúvidas de que posso conseguir que Lukas esteja a bordo ajudando ele e Talon nunca terá que saber que veio de mim. Toda a questão é que Talon fique melhor e fique fora desse caminho de destruição que ele teima em trilhar. Afinal de contas, ainda sou sua esposa. Ele ainda não assinou os papéis do divórcio e nem eu, por isso ainda estou comprometida com os votos de cuidar dele e amá-lo sem importar se o bobo quer ou não.

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O outro lado da cama afunda. Abro os olhos e pisco na parede, com medo de girar para ver quem está lá. Alguém está na minha cama. Então, ou é uma fã louca, ou um ladrão, ou talvez Asia voltou. Me preparando, lentamente giro. — Lukas? Que porra você está fazendo na minha cama? — Ouvi sobre seu tombo na poça. Vim ver se você quer aceitar minha oferta para começar a nossa própria banda. Esfrego a mão no meu rosto e olho para o teto, que está lentamente girando no sentido horário. — Sim, acho que posso estar chegando a isso. Ele se inclina sobre mim e olha para meu rosto. — Que droga você está fazendo? — Pergunto. — Me diga o que você vê. — Vejo você. Você está no meu rosto. — Não, antes disso. Diga o que você vê e sente. Estou falando sério. — É como se o quarto estivesse girando. Às vezes é lento, às vezes é tão rápido que juro que está realmente se movendo e não consigo encontrar o chão. Então sinto tonturas. Em cima disso, tenho esse toque constante e um som fazendo wooshing, como um motor no meu ouvido. Faz parecer que estou num abismo e tenho esse vento, como quando você vai até algo alto. Essa porra é uma porcaria, homem.

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— Não posso deixar você fazer uma banda comigo até ter isso sob controle. Já se passaram meses e os comprimidos que está tomando não estão ajudando. Ao invés disso, eles estão te transformando em um imbecil e sua unidade e criatividade estão indo embora. — Obrigado por apontar o óbvio. — De nada. — Ele salta da cama. — Levanta, tome um banho e vá para o andar de baixo. — Por quê? — Tenho algo para você. Apenas faça isso. Me sento e sopro meu cabelo para fora do rosto. — Tudo bem. Espere por mim lá embaixo. Faça um pouco de café. Meia hora mais tarde, desço para a sala de estar para ver Lukas sentado com uma mulher que não reconheço. Ela parece estar em seus quarenta anos, com cabelo castanho escuro pelos ombros, vestindo um terninho. Ela é bonita, mas não é meu tipo. — Você me trouxe uma mulher? — Digo para Lukas. — Obrigado, mas eu não estou interessado, baby. Estou fora de serviço. A mulher olha para Lukas e sorri. — Você estava certo, ele vai ser difícil. — Sinto muito, quem é você? — Pergunto. — E por que não posso sentir o cheiro de café? — Você precisa parar de beber café. — Diz ela com naturalidade. — Sério? E você é a polícia do café? — Tal, ela é médica. Sem brincadeiras mais. Dra. Gilmore, esse é meu primo, Talon. Tal, essa é a Dra. Gilmore. Ela é especialista em remédios alopáticos e ela teve um monte de sucesso com pessoas com a sua condição. Toda vez que alguém diz essa palavra, eu quero dar um soco.

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Ela estende a mão para mim. — É bom conhecê-lo, Sr. Valentine. Na verdade, sou uma fã de sua música. Fiquei muito surpresa ao ouvir de seu primo sobre a sua doença. — Prazer em conhecê-la, também. Então, você atende a domicílio? — Normalmente não, mas Lukas me disse que você pode ser um pouco difícil sobre a vinda ao meu consultório, por isso, decidi que viria

até

você.

Não

quero

emboscar

você,

então

se

estiver

desconfortável com a minha presença aqui, sairei. Acho que posso ajudar você, no entanto. Me inclino contra a parede e cruzo os braços. — Tenho que fazer outro raio-X da cabeça? — Não, você não precisa. Os remédios que provavelmente vai usar não são invasivos. Recomendo acupuntura, apesar de tudo. — Então, isso é como uma tatuagem sem a imagem? Lukas começa a rir. — Essa é a descrição mais épica da acupuntura que já ouvi. — Vou ter que concordar. — Diz a Dra. Gilmore, — Se pudéssemos sentar juntos, vou precisar de algumas horas de seu tempo. Dou de ombros, pensando que não tenho nada a perder aqui, exceto por algumas horas que eu teria passado na cama. Desperdicei tempo em coisas muito estúpidas. — Ok, você me tem.

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A Dra. Gilmore não estava mentindo quando disse que precisaria de algumas horas. Três horas mais tarde ela está finalmente pronta, arrumando suas notas e maleta. — Vou ter alguns itens entregues aqui na sua casa. Preciso que você me ligue quando chegarem para que eu possa lhe dar instruções detalhadas. Você tem que se lembrar de que deve seguir a dieta, exercício e o protocolo dos remédios para ver os resultados. O máximo disso está em suas mãos. Concordo com a cabeça e abro a porta da frente para ela. — Entendido. Obrigado por terem vindo. Apreciei e estou disposto a te dar uma chance. Estou um pouco cansado de cair de cabeça e não ser capaz de pensar corretamente. Quando ela se vai, me volto para Lukas antes de ele sair. — Você poderia ter me avisado, cara. — Você teria dito não. Eu realmente acho que ela pode ajudá-lo, sem o uso de todos aqueles comprimidos loucos. Estou convencido de que é o que está fazendo você piorar. Empurro meu cabelo para fora do meu rosto e distraidamente passo o dedo sobre os anéis de casamento em torno de meu pescoço. — Não sei, porra. Acho que vamos descobrir. Farei tudo o que ela mandar se ela puder me ajudar. — Então vamos ver o que acontece. E se isso funcionar, vamos ter uma conversa séria sobre a nossa banda e o que você quer fazer. Ao longo dos próximos dias, recebo caixas de suplementos pelo correio que a Dra. Gilmore pediu para mim. Ela também me colocou em uma dieta rigorosa e tem lentamente me desmamado dos comprimidos prescritos que eu estava tomando. Supostamente, alguns destes suplementos naturais vão fazer a mesma coisa, como reduzir a vertigem e as náuseas, só que sem os efeitos colaterais.

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Duas vezes por semana ela vem me fazer acupuntura, que é realmente muito relaxante e me falou para ver um hipnoterapeuta. Tenho que ser honesto, dar a alguém permissão para sugerir coisas em meu cérebro é difícil para mim de fazer, mas ela finalmente me convenceu.

No primeiro mês, me sinto como merda pura, enquanto meu corpo está se desintoxicando dos remédios e se ajustando à nova dieta e remédios que ela me prescreveu. Mas perto da sexta semana, acordo me sentindo quase normal novamente. Minha mente está clara. O swoosh no ouvido e a pressão estão muito reduzidas, assim como a vertigem e as náuseas. Começo a trabalhar todos os dias novamente e escrevo algumas músicas novas.

Dois meses depois do meu novo plano de tratamento, me sinto noventa por cento melhor. Ainda tenho alguns dias ruins, mas nada como o inferno que eu estava experimentando antes. — Me sinto ótimo, porra. — Digo a Lukas. — Sério, meu cérebro está claro, não me sinto mais assassino, os sintomas diminuíram drasticamente. — Fantástico. Sopro no meu novo cigarro eletrônico all-natural, porque ainda não posso deixar o hábito de ter alguma coisa na minha boca.

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— Queria te agradecer. Se não tivesse encontrado ela, eu ainda estaria uma bagunça. Ele hesita antes de responder. — Tenho que dizer a verdade, Tal. Não fui eu. Asia encontrou ela e foi até o seu caso com ela, enviou todos os seus registros. Ela me ligou e me disse o que estava fazendo e concordei em agendar a reunião. Embora isso tudo partiu dela. Me jogo no sofá, completamente surpreso. — Ela fez isso por mim? — Sim. Ela não queria que você soubesse, mas meio que pensei que você deveria. Ela ainda se preocupa com você. Meu peito aperta e faço o meu melhor para ignorá-lo. — Isso foi muito legal da parte dela. — Sopro. — Talvez você possa dizer a ela que está funcionando. — Ou você pode levantar a sua bunda e dizer você mesmo. — Não acho que estou pronto para isso. E não acho que ela iria falar comigo de qualquer maneira. — Mudo a conversa longe da Asia — Acho que estou pronto para deixar o A&E. Se você ainda quer tentar o que falamos. — Claro que sim, eu sei. Estou empolgado com isso. Desce amanhã ao meio-dia, vamos sentar e fazer um plano. Não me senti tão positivo sobre qualquer coisa em um longo tempo, mas me sinto bem sobre isso. Acho que é hora de perseguir meus próprios sonhos e parar de viver os sonhos que a minha família escolheu para mim. A última vez que falei com Asher, ele sabia muito bem que meu tempo na banda tinha acabado. E mesmo que agora me sinta melhor, sei que não posso lidar com a loucura dos concertos altos e todo o tempo necessário para viajar em ônibus e aviões. Apenas não é mais trabalho para mim. Envio uma mensagem para Asher. Eu: Posso ir na próxima semana para falar com você?

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Asher: A qualquer momento. Tenho uma coisa para você, mas eu acho que você deve tê-la agora. Eu: Ok, o que é? Devo ir agora? Asher: Não, estou te enviando uma foto

Espero que a imagem que ele enviou comece a carregar em minha tela. No início, não tenho certeza do que estou olhando, mas depois meu sangue gela quando tudo se torna visível. E dolorosamente claro.

Esse processo tem me ensinado muito sobre mim mesma. Aprendi muito sobre o que eu quero, o que eu preciso e o que me faz feliz. Me dada à escolha, eu nunca teria me casado com ele. Ele quebrou meu coração mil vezes. Odeio o que está acontecendo com ele e como ele mudou. As coisas estavam tão boas por um tempo e em seguida, mudaram. E de todo esse tempo para “D” voltar para a minha vida. Eu ignorei seus textos por semanas, mas ele não vai deixar para lá. Não posso dizer a Talon. Ele nunca vai entender. Eu nem sequer compreendo. Sinto que não posso seguir em frente e não posso voltar até que tenha as respostas que eu preciso. Estou presa. Embora os últimos seis meses tenham sido difíceis, não me arrependo de nenhum momento. Amo Talon mais do que jamais imaginei ser possível. Me dada à escolha, eu teria passado direto por ele e nunca teria sabido a incrível pessoa que ele é, quão apaixonado ele é, quão engraçado ele pode ser, ou o que o verdadeiro amor parece. Eu teria perdido o meu melhor amigo e o melhor marido para mim. De alguma forma, esse experimento funcionou. Você me encontrou a minha alma gêmea. Sim, tem sido difícil. Chorei um

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monte de lágrimas. Fiz um monte de birras. Mas ele vale tanto a pena. Tenho certeza de que não foi nenhum passeio no parque para ele também e espero que ele tenha aprendido a me amar a metade do tanto que eu o amo. Não posso imaginar minha vida sem ele. Meu foco agora é fazê-lo feliz e encontrar maneiras de ajudá-lo a lidar com sua doença para que ele possa desfrutar de sua vida e sua carreira tanto quanto ele puder. Sei que podemos passar por isso juntos e sairmos mais forte. Ele é meu tudo e estarei aqui para ele, cada passo do caminho, não importa o que. Muito obrigada por nos colocar juntos. Estou feliz em dizer, eu amo meu marido. Meus dedos tremem enquanto digito para o meu irmão. Eu: Onde você conseguiu isso? Asher: De mamãe. O cara é seu irmão, Damon. Ele tinha acabado de sair da prisão e ela foi vê-lo. Não há um ex. Ela tirou fora, mas ainda é legível. Eu: Quando eu li, terminava com a merda sobre o cara. Não havia essas outras coisas. Asher: Isso é o que eu quis dizer sobre a leitura de coisas que você não deve ter. Eu: Eu fodi tudo. Asher: Sim.

Não consigo parar de ler a página do diário escrita, por que ela não podia ter terminado antes que eu o achasse? Tudo o que esperei tanto tempo para ouvir dela está aqui mesmo nessa porra de parágrafo e nunca cheguei a ver. E como pude estar tão fodido que pude pensar que ela iria me trair? De alguma forma tenho que corrigir isso e fazer isso direito.

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— Esse material é comestível? Meu coração pula, em seguida, afunda ao som inesperado daquela voz. A voz que esteve me assombrando dia e noite, sem parar, desde que ele saiu da minha vida. Meus olhos se fecham por vontade própria, me puxando para as memórias anexadas a essa voz sexy, boba. As memórias não são um lugar que quero visitar agora. Ou talvez nunca. Me virando para ele, tomo cada pequeno pingo de coragem que tenho para enfrentá-lo e não desmoronar ou me jogar para ele, me enterrar em seu pescoço e apenas cheira-lo e nunca desistir novamente. Não vou chorar. — Você realmente não deveria comê-los. — Respondo com um sorriso forçado. — Porém, há comida na lanchonete lá em baixo à esquerda se você estiver com fome. Ele está segurando uma das minhas novas caixas de presentes de sabonetes e loção para o corpo sob o seu nariz. — Eu tinha esquecido como isso parecia. A forma como o sabão parece e cheira. — Mas a expressão de seus olhos está dizendo muito mais e sei que ele não está falando apenas do sabão. Pisco e engulo, dando alguns passos para mais perto dele e levantando a caixa das mãos dele.

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— Você realmente gostaria mais desse. — Entrego a de lavanda e baunilha no pacote de presente. — Esse é o que você sempre gostou. — Está vendo? Não sei mesmo o que eu gosto. — Confie em mim, eu sei. — As palavras escapam dos meus lábios antes que eu possa pará-las. Ele mastiga o interior de sua bochecha. — Você está ótima. E tudo isso... — Ele acena para meu quiosque — Tudo... parece fantástico e muito profissional. A nova embalagem é impressionante, porra e o logotipo é de arrebentar. Estou muito orgulhoso de você, Aze. Aze. Deus, sinto falta de ouvir a versão curta do meu já curto nome. — As coisas estão indo bem. — Respondo. — Vi no blog da Pixie que você está fazendo e vendendo algumas roupas de gato agora, também. — Você tem lido o meu blog? — Bem, sim, é claro. Ainda sou seu maior fã. — Isso é muito doce. Ele olha ao redor da loja enquanto ele está pensando, então vira seus olhos escuros de volta para mim. — Eu queria dizer que sinto muito. Eu fodi tudo. E eu queria te agradecer por encontrar o médico. Toda a dor que tentei ignorar durante meses corre de volta, mas me recuso a gritar com ele ou desmoronar e chorar. — Bem, obrigada por dizer isso. — É tudo o que consigo dizer. — Você quer talvez ir comer? Quando você terminar de trabalhar? Eu poderia voltar. Paro de respirar por um momento. Por que ele está fazendo isso? Ele é louco?

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— Não acho que seja uma boa ideia... — Minha voz treme e olho para longe dele, fingindo endireitar algumas caixas em exposição. — Só para me atualizar. Quero ouvir tudo o que está acontecendo com você. Sinto falta de falar com você. Você é a única que realmente falou comigo ou me ouviu. — Ele toca minha bochecha e vejo a pequena tatuagem em seu dedo anelar. O anel foi, mas eu ainda estou lá. — Talon... — Inclino meu rosto em sua mão, em seguida, capturo-a com a minha, apertando antes de tira-la. — Não posso. Eu sinto muito. Não é apenas um bom momento. — Quanto tempo leva para um coração quebrado se regenerar? Será que alguma vez ele junta

novamente?

Ou

está

apenas

para

sempre

danificado,

eternamente enfraquecido, tremendo no escuro entre nossos ossos? Seus olhos permanecem em mim, sem piscar e espera e me pergunto se minha voz foi muito suave e ele não me ouviu dizer não. Quase gostaria que ele não tivesse, para que eu pudesse voltar atrás. Finalmente, ele me mostra seu belo sorriso. — Ok, eu entendo. Nenhum dano, certo? Se você mudar de ideia, me envie uma mensagem de texto. A qualquer hora. — Parece boa ideia. — Digo casualmente, como se fôssemos apenas velhos amigos. Tirando a carteira, ele tenta me pagar os sabonetes, mas empurro a sua mão longe. — Basta levá-los. Um presente de agradecimento meu por me ajudar com tudo isso. Eu não poderia ter feito isso sem a sua ajuda e o dinheiro. Sem aviso, ele me puxa para um abraço e me abraça com força e acho que o abraço ainda mais apertado.

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— Você ainda é minha garota. — Ele suspira em meu pescoço, a proximidade dele sugando meu fôlego de dentro de mim como um vácuo. Sim eu sou. Eu sempre serei. — Ainda te amo. — Sussurro, meus lábios contra seu ouvido, a minha mão na parte de trás de seu pescoço, enredando em seu cabelo bagunçado de seda que eu perdi. Não quero deixa-lo ir. Ele não ouviu, é claro. Mas eu disse isso. Consegui e talvez isso seja o suficiente. Às vezes, talvez apenas ouvir palavras não é suficiente. Por vezes, têm de sentir para ser ouvido. Nós nos afastamos lentamente, como ímãs que continuam hesitantes, tentando se conectar novamente até que o espaço é longe demais e nos separamos. Não o vejo ir embora porque fiz isso uma vez já e não posso ver novamente. 466 Fecho o quiosque uma hora mais cedo, minha mente e corpo drenados e crus depois de vê-lo. Eu gostaria que ele não tivesse vindo e aberto todas essas feridas novamente. Ainda posso cheirar seu perfume nas minhas roupas de quando ele me abraçou e agora eu só quero me enterrar na minha blusa e inalar o cheiro dele. Eu gostaria de ter dito sim a ele. Fui uma covarde ao sussurrar sobre meu coração no seu ouvido surdo, pois eu sabia que era seguro. Me escondendo atrás de sua surdez... quão baixo eu poderia afundar? Mais tarde naquela noite, deito na cama e percorro as fotos no meu telefone até que encontro o que preciso ver novamente. A única dele dormindo com Pixie aninhada em seu pescoço, ronronando contra seu ouvido. Seu cabelo está bagunçado, meio cobrindo o rosto,


o resto no travesseiro em torno de sua cabeça. Um braço está levantado, uma mão enrolada e encostada em Pixie, a outra em seu peito nu. Amava tanto ele nesse dia. Pensei que o dia seguinte seria o início do nosso novo para sempre, livre de experiências. O dia em que escolheríamos um ao outro. Mas ao invés disso, foi o dia em que ele quebrou meu coração.

Eu estava indo tão bem até que ele parou naquele dia há cerca de um mês. Desde então, não posso parar de pensar nele, sonhando com ele e querendo ele. Pensei que talvez estivesse superando ele, ou pelo menos fazendo progressos, mas agora sei que não estou nem perto. E depois, eu recebo uma mensagem de Lukas. Lukas: Lembra quando eu te fiz esse favor? ;-) Eu: Sim... Lukas: Faça um para mim agora?

Não posso dizer não, porque, bem, é Lukas. Eu: ok :-) Lukas: Venha para o pequeno café na rua da minha loja hoje à noite por volta das 20:00 horas.

Eu franzo a testa para o meu telefone, confusa. Eu: Eu posso fazer isso. Você estará lá? Lukas: Estarei, tocarei algumas músicas que eu acho que você vai gostar. Eu: eu estarei lá.

Não tenho certeza do que ele está fazendo e eu estou com um pouco de medo de descobrir, mas não posso deixar de comparecer. Tomo banho e visto jeans skinny, botas pretas e uma blusa de seda roxa decotada. Coloquei meu colar de dente de leão, porque o uso todos os dias. Jogo um lenço preto esfarrapado que eu fiz sobre meu pescoço, beijo Pixie me despedindo e me dirijo a porta. Enquanto dirijo para o café, tenho certeza que vou me surpreender e não sei como me sinto sobre isso. Não posso me deixar

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pensar muito à frente. Vou só por ir, ver o que Lukas tem planejado e levar um momento de cada vez. Não fui ao café desde que Talon e eu tomamos lattes lá no dia que fiz a minha tatuagem com Lukas, mas agora é diferente. O espaço foi expandido para lado que costumava ser uma boutique. Todo o interior foi remodelado com pisos de madeira e instrumentos musicais clássicos pendurados nas paredes e há uma área do palco ocupando uma grande parte traseira para o que parece ser noite de microfone aberto. Está lotado, então não consigo ver muito quando entro, mas eu vejo o grande painel na parte superior do menu de ardósia na parede: Valentine Café & Chill. Valentine? Será que Lukas comprou esse lugar? Caminho para a parte traseira no meio da multidão, assim que a música começa e conheceria a voz que está cantando em qualquer lugar. Finalmente, os vejo sentados juntos no palco sob as luzes ofuscantes. Talon, sentado em um banquinho na frente, togando violão e cantando, Lukas atrás dele, tocando violino e Rayne ao lado, também cantando. Eles soam incríveis juntos, suas vozes tanto suave e rouca, mesmo sexy. Encontro uma pequena mesa vazia e sento, não sou capaz de tirar os olhos deles. Talon finalmente me nota e olha surpreendido por um momento, depois pisca para mim. A julgar pelo olhar em seu rosto, tenho certeza que ele não tinha ideia de que eu estava vindo. Tento não olhar para ele, mas ele parece ainda melhor do que parecia a última vez que o vi. Seu cabelo está um pouco mais longo, um tom mais escuro e ele tem uma sombra de barba que o faz parecer mais velho, um pouco menos bonito. Seus braços e ombros estão mais musculosos, lutando contra a camiseta

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preta com os crânios nela que eu projetei para ele no ano passado. Em volta do pescoço, vejo nossas alianças de casamento em uma corrente de prata. Capturo fôlego ao ver algo tão pessoal e inesperado. Estando tão perto dele, observando seus dedos dançarem sobre as cordas e ouço a sua voz rouca sexy desenterrar assim as muitas memórias e sentimentos que são quase esmagadoras. Ainda me sinto intensamente sendo puxada para ele, essa conexão elétrica oscilante que me faz querer ficar mais perto, abraçá-lo e nunca deixa-lo ir. Eles tocam por cerca de uma hora e meia e Lukas se aproxima de mim em primeiro lugar quando eles acabam. Ele se inclina e beija minha bochecha. — Você não ficou brava, ficou? — Ele pergunta. — Não mesmo. — Trabalhei duro para deixar ir a minha raiva. Se eu não tivesse, isto teria me comido viva. — Bom. O que você acha do novo café? É nosso, meu e de Talon. Minha boca cai aberta. — Uau! Lukas é incrível. Que ideia legal. — Nós pensamos que ter um café que servisse para músicos locais seria muito arrumado. Mantivemos o gerente e os funcionários da loja anterior, pois nós não sabemos nada sobre como fazer café. Rio quando Talon se aproxima da mesa, parecendo nervoso e um pouco tímido. — Fique à vontade. — Diz Lukas. — Vocês precisam se acertar. — Obrigada, Lukas. — Respondo. — Falaremos em breve. Talon paira pela mesa após Lukas sair. — Posso me sentar? Aceno e enrolo as mãos em volta da minha xícara de café. — Claro.

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Ele puxa a cadeira um pouco mais perto da minha e senta, sem tirar os olhos de mim. — Eu não tinha ideia de que você viria. Isso é coisa do Lukas. — Sei disso. — Sorrio fracamente. — Eu meio que lhe devia um favor. — Então, eu ouvi sobre isso. — Diz ele. — Sem trocadilhos. Não posso agradecer o suficiente o que você fez. Estou muito melhor agora. Ainda não consigo ouvir muito e tenho alguns problemas, mas não é nada como antes. Então, obrigado por fazer isso por mim. Eu nunca teria encontrado uma médica como aquela sozinho. — Você não tem que me agradecer, Tal. Estou feliz por você. E você possui esse café? Como isso aconteceu? Ele olha em volta, sorrindo com orgulho. — Foi ideia de Lukas e pensei que seria ótimo. Não sei se você ouviu, eu deixei o A&E. — Eu ouvi isso. Sinto muito. Tenho certeza de que foi difícil para você. — Foi, mas acho que isso foi melhor para mim. O nosso pequeno grupo, o nome é Be the Moon. Estamos lançando o nosso primeiro CD e estamos sendo um estouro. Amo a música que estamos tocando e compondo. Meu lado criativo está selvagem. Concordo com a cabeça animadamente com ele. — Vocês fazem um som excelente. — Você me deu a ideia para o nome, você sabe. Lembra do dia na varanda? Você me disse para ser a lua? — Lembro. — Memórias assaltam meu coração como punhais. — Foi o dia que descobri que você escreveu a minha música favorita. Ele balança a cabeça lentamente, mantendo meus olhos e tenho certeza que ele está lembrando o que mais aconteceu na varanda

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naquele dia, assim como eu estou. Sinto meu rosto ficando quente e meus olhos ardendo. Olho para o meu café, evitando a dor e pesar evidente em seus olhos e não querendo que ele veja nos meus. — Estou muito feliz que você veio. Mas sinto muito se Lukas te enganou para me ver. — Está tudo bem. Estou feliz por ter vindo também. — Como está Pixie? Sinto muita falta dela. Especialmente dormindo em minha cabeça. — Ela está bem. Tenho certeza que ela sente falta de você, também. Obrigada pela criação do seguro para ela; foi incrivelmente doce. Ele acena sua mão. — Não vamos falar sobre tudo isso. Eu só queria ter certeza de que ambas estariam cuidadas. Não sei o que dizer, quando ele foi o único que destruiu tudo o que tínhamos, então olho ao redor da sala. — Os instrumentos antigos são um toque legal. Ele segue o meu olhar. — Sim, a maioria deles pertence à Lukas. Ele coleciona coisas antigas desde que ele era uma criança. Falamos até meia-noite, evitando qualquer coisa demasiadamente pessoal ou sobre o passado, até a maioria dos convidados começarem a sair e os funcionários começarem a limpar. Eu deveria estar brava com ele. Deveria ter lhe dado um tapa e saído do café, mas ficar sentada lá falando com ele estava muito bom, muito reconfortante. Foi provavelmente o mais que já tínhamos falado, assim como amigos, conhecendo um ao outro. Ele é um grande ouvinte. É irônico que ele teria dado um ótimo namorado, em outro tempo, em circunstâncias diferentes. Esse teria sido o encontro às cegas perfeito.

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— Eu realmente deveria ir. — Finalmente digo, olhando para o relógio. — Posso levá-la para o seu carro? — Hm, claro. Ele não fala, enquanto me acompanha pela rua e estou confusa, não sei como dizer adeus a ele. Ele se inclina contra o meu carro e olha para o céu à noite por um momento, então olha para mim. — O que você fará amanhã à noite? — Não tenho planos. — Amanhã à noite ou em qualquer noite. — Quer jantar comigo? Lukas diz que tenho que sair e começar a namorar. Eu rio. — Oh, é? — Sim, mas não sei como. Nunca namorei ninguém. Deus, ele é tão bonito e sei o que ele está tentando fazer. Esse é um perigoso jogo que estamos jogando e não tenho certeza se posso fazer isso. — Eu não tenho certeza se é uma boa ideia. Ele faz beicinho. — Você vai me dar um fora na primeira vez que pergunto a uma mulher sobre um encontro? Isso poderia me marcar pela vida inteira. Olho para os meus pés, tentando reunir minha inteligência. Não posso negar que quero vê-lo novamente. — Não como carne. Não sou um bom encontro para um jantar. Um sorriso se arrasta em seu rosto. — Acho que posso encontrar um lugar por aqui que tem jantares vegetarianos. Me forço a respirar. — Ok, então. Acho que eu poderia jantar com você.

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— Eu poderia buscá-la às sete. — Isso funciona. Você precisa do meu endereço? Ele balança a cabeça suavemente de um lado para o outro e percebo que ele já descobriu onde eu moro agora. Eu deveria estar assustada, mas não estou. Eu estaria curiosa sobre onde ele estava vivendo também. — Asia? — Sim? — Estou feliz que você veio. Sinto sua falta. Sinto falta de tudo. — Seus olhos estão tão cheios de pesar e esperança que tenho que me conter para não jogar meus braços em torno dele e beijá-lo, só para fazê-lo se sentir melhor. — Eu também. — Digo. 473


Que se foda Lukas. Não sei se deveria bater nele ou te agradecer. Talvez ambos. Fui totalmente surpreendido ao ver Asia no café e parecia que ela se sentia da mesma maneira. E porra, ela parecia tão bonita e gostosa. Não ser capaz de tocá-la e beijá-la foi uma tortura. E agora estou deitado sozinho na cama, contemplando me masturbar apenas para obter o meu intenso desejo por ela fora do meu sistema. Urgh. Sou patético. Ao invés disso, pego meu telefone e envio uma mensagem a ela. Eu: Eu não lhe disse quão bonita você estava essa noite.

Poucos minutos passam antes de ela responde. Asia: Isso é bom. Eu: Você estava linda. Asia: Bem, obrigada. Você estava ótimo também. Eu: Será que minha mensagem te acordou? Só percebi agora que são 02:00. Asia: LOL sim. Eu: Desculpe. Asia: Não se preocupe. Eu: Ok. Volte a dormir :-) Asia: Você deve, também. Eu: Eu disse que estaria aí às 7h, certo? Asia: Não force, Tarzan. Vá dormir.

Sorrio para o meu telefone. Talvez ela possa me perdoar. Tudo que sei é que não vou desistir até tê-la de volta em meus braços. Terei a minha esposa e meu casamento de volta, não importa o tempo que leve. Ganhei ela uma vez e posso ganha-la novamente.

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Estaciono na frente de sua casa na cidade dez minutos mais cedo, aliviado ao ver que ela está vivendo em um bairro seguro. Mesmo que eu tivesse o endereço dela, nunca dirigi fisicamente perto. O que iria me colocar no nível de perseguidor e não estou tão louco ainda. Ela atende a porta com um sorriso tímido e me convida a entrar, onde Pixie vem imediatamente do outro lado da sala para me cumprimentar. A pego, não me importando se ficarei com pelo branco por toda a minha camisa preta e dou um beijo nela. Ela ronrona e se esfrega contra a minha bochecha. — Ok, já vi tudo. — Asia brinca. — A gata recebe toda a atenção? — Eu acho que ela se lembra de mim. — Parece que sim. Gentilmente coloco a gata para baixo. — Você pode se esfregar em cima de mim, também, baby. Ela joga punhais em mim. — Ou não. Você está ótima. — Obrigada por me dizer agora e não às duas da manhã. — Ela brinca. — Sinto muito por isso. Eu só estava pensando em você e percebi que não lhe disse quão bonita você parecia. Ela sorri, corando um pouco, gosto de como ainda posso afetá-la. — Isso foi muito doce. Então, tive uma ideia. — Diz ela. — Ao invés de sairmos, por que não ficamos aqui? Eu poderia cozinhar para nós. Se estiver tudo bem? — Sim, amo sua comida, você sabe disso. Prefiro ficar sozinho com você que em um restaurante de qualquer maneira.

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— Será que isso ainda conta como um encontro? — Ela pergunta. — Não quero que Lukas fique desapontado que você não está adequadamente namorando. Sorrio para ela. — Não me importo. Só queria uma desculpa para vê-la novamente. Eu a sigo até a pequena cozinha e ela começa a puxar alguns pratos fora de seus armários e organizá-los sobre a mesa. Quando coloco meus braços em torno dela por trás, ela congela e inclino minha cabeça contra a dela. — Não posso simplesmente sentar aqui e comer, Aze. — Digo suavemente, respirando o cheiro dela. Adorava adormecer com a minha cabeça apoiada contra a dela, nossos pés se tocando debaixo das cobertas. Essa era a melhor parte de cada dia para mim. Ela se contorce fora dos meus braços e se vira para mim. — Você não pode simplesmente colocar as mãos em mim, Talon. — Eu não posso me conter. — Nem tenho certeza por que está aqui, para ser honesta. — Para comer? Ela cruza os braços, fazendo sua expressão de chateada, o que eu realmente perdi de ver. — Acho que esse é apenas mais um dos nossos muitos erros que tomamos. Passo mais perto dela. — Não diga isso. Ela se afasta de mim. — Não estou realmente certa sobre o que dizer. Parte de mim quer dizer para se foder e ir embora. Aceno devagar, tomando esse, porque mereço.

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— E o que a outra parte quer? — Não vou te dizer. Me inclino para trás contra sua bancada de cozinha. — Você não está tornando isso fácil para mim, não é? — Não, não estou. Por que deveria? Você me deixou em um edifício com um pedaço de papel descrevendo o que você estava disposto a me dar enquanto você fugia. Em seguida, você se recusou a me dizer que merda fiz para merecer isso. Então, não, não vou tornar isso fácil para você, Tal. Droga, ainda tem fogo nela. É admirável, embora ela não deve deixar qualquer um andar em cima dela. Nem mesmo eu. — Você está certa. Eu fodi tudo. — Pelo menos estamos de acordo sobre isso. — Ela abre a geladeira. — Você ainda gosta de tempero italiano em sua salada? Pego o seu braço e puxo-a para fora da geladeira, deslizando minha mão por seu braço para segurar sua mão. — Vamos esquecer o jantar por enquanto, ok? — Disse que veio aqui para comer. — Diz ela defensivamente. Ela tenta puxar a mão da minha, mas eu a seguro. — Isso é papo-furado e nós dois sabemos disso. Estou aqui porque nós precisamos conversar. Seus olhos piscam com mais raiva ainda de mim. — Tentei falar com você, lembra? Você mudou o seu número. Pergunte como me senti. Não posso imaginar o quanto isso deve ter machucado ela. Se ela tivesse feito isso comigo e apenas me cortado assim, eu teria perdido tudo o que restava da minha sanidade. — Isso foi uma jogada idiota da minha parte. Todos os medicamentos mexeram realmente muito com o meu cérebro. Fiz e

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disse um monte de coisas que não eram eu. Você tinha que ver por você mesmo. — Você está certo. Eu podia ver você mudando e eu deveria ter tentado te ajudar mais cedo. — Não é culpa sua. E você conseguiu me ajudar. A médica que você encontrou me ajudou tremendamente. Olhe para mim agora. Estou muito melhor agora por causa de você. Obrigado por estar fazendo isso, especialmente quando eu não merecia isso. — Ninguém merece ficar doente, Tal. Só desejo que pudéssemos ter conseguido ajuda para você mais cedo, antes que o nosso casamento e sua carreira fossem destruídos. — Minha carreira está bem agora. Estou feliz com o que estou fazendo. É o nosso casamento que eu quero consertar. Ela olha para mim como se eu tivesse dez cabeças. — Como podemos resolver isso? Não vi você, ou ouvi de você em meses. Você me despejou, em seguida, desapareceu. Você tomou a única casa já tive na minha vida. Você rasgou o meu coração e o jogou fora. Você não pode consertar isso, Talon. Meu coração e ouvido começam a bater ao mesmo tempo, o som de whoosh aumentando com o meu estresse. Tomo fôlego, como o médico me ensinou. — Você poderia me deixar tentar corrigir isso, Asia. Nossa casa está esperando por você. Eu também. Sua mandíbula aperta e ela morde seu lábio inferior. — Me diga por que você fez isso. Diga por que você teve que se juntar ao resto dos idiotas na minha vida que me abandonaram. Travo os olhos com os dela, lembrando de quão irritado eu estava naquele dia.

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— Tudo bem. Vi você com outro cara. Assim como Finn. É por isso que eu bati nele. Pensei que ele estava sendo o idiota habitual, mas, em seguida, quando saí da loja, vi você com a porra dos meus próprios olhos e algo em minha cabeça apenas estalou. Ela puxa a mão da minha e gira em um círculo, segurando a cabeça. — O que, está falando sério? — Sim. Ele estava abraçando você. E quando cheguei em casa, vi seu diário em sua mesa de trabalho e você escreveu como você nunca teria se casado comigo se tivesse uma escolha. E o quanto eu mudei quando fiquei doente. E como Danny continuou a tentar consegui-la de volta. Estava tudo muito claro para mim, Asia e eu ainda não era o que você queria. Esse não era eu, Aze. Não sei se foi por causa da medicação, ou apenas o insano barulho na minha cabeça, mas não era eu. Saltei para conclusões loucas. Te deixei ir e porra, isso me matou. — Aquele era o meu irmão, Talon. — Sei disso agora. Minha mãe teve acesso aos nossos diários. E fez com que Asher pegasse o seu depois e me dissesse o que aconteceu e foi aí que ele percebeu que só li metade do que você tinha escrito

desse

dia.

Nunca

vi

o

resto

até

Asher

me

mostrar

recentemente. — Não estou acreditando nisso. — Diz ela, balançando a cabeça. — Todo esse tempo, fiquei tentando descobrir o que eu fiz de errado. E foi tudo por uma página estúpida em um diário e você me ver com outro cara? Por que não me perguntou quem ele era? Tudo dessa merda poderia ter sido evitada. Meus ombros caem com a culpa.

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— Não sei. Tinha isso na minha cabeça que você queria alguém. Eu estava com raiva. Novamente, eu não estava pensando direito. — Você pode dizer isso de novo. Estendo a mão para ela novamente e ela recua longe de mim. — Asia, eu sinto muito. Sei que isso pode nunca ser suficiente, mas sinto muito. Eu voltaria atrás e desfaria tudo isso se pudesse. Eu faria tudo para mudar esse dia e deixar essa porra de escritório com você, finalmente, indo para a nossa lua de mel, fazendo alguns bebês e envelhecendo juntos. Lágrimas começam a cair pelo seu rosto. — Esse era o plano, não era? Prendo ela contra o balcão e coloco meus braços de cada lado dela. Não posso suportar ela constantemente se afastando de mim. — Esse ainda é o meu plano. Com você. — Me curvo e beijo suas lágrimas de seu rosto. — Tal... — As mãos dela vão para o meu peito. — Não me afaste. — Digo suavemente. — Me deixe te confortar, por favor? Odeio que você esteja sofrendo. — Você é o único que me machucou. — Sei disso. Mas também sou o único que pode torná-lo melhor novamente. Ela engasga com as palavras, vira a cabeça e novas lágrimas estão caindo por suas bochechas. — Você quebrou o meu coração. — As palavras mal saem pelos seus soluços e rasgam o meu coração em pedaços. Me odeio por ter magoado ela. Envolvendo os meus braços em torno dela, a seguro contra meu peito. — Farei melhor. Eu prometo.

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Ela me deixa segurá-la, seu corpo hesitante relaxando contra o meu. — Não sei se poderei confiar em você de novo. Esfrego o meu polegar pela sua clavícula, observando o quanto mais magra ela está agora. — Então vou passar o resto da minha vida ganhando sua confiança de novo. Ela vira a cabeça e tocamos os lábios um do outro. Quando ela não se fasta, a beijo novamente, suavemente sem quase tocá-la, uma prece silenciosa por uma pequena quantidade de perdão. Movo minha mão lentamente até o pescoço para acariciar sua bochecha e os lábios se abrem um pouco enquanto suas mãos agarram meu ombro, me puxando para ela. O tempo parece parar em torno de nós enquanto nós nos beijamos, nos perdendo um no outro novamente, o nosso toque dizendo tudo o que não está sendo dito com palavras. Depois

de

alguns

minutos,

ela

se

afasta,

respirando

pesadamente. — Não posso fazer isso, Talon. Não estou pronta para isso. Encontro seus lábios novamente e descanso minha cabeça contra a dela. — Esperei uma vez antes. Farei isso de novo. Vou esperar para sempre. Sua mão se move para tocar meu peito descoberto pelo V da minha camisa. — Não posso esquecer tudo o que aconteceu entre nós. — Eu não esperava que você esquecesse. Estou apenas pedindo para ter uma chance. — Me curvo para beijá-la no pescoço, esfregando meu nariz pela sua orelha. — Você ainda cheira tão bem,

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como biscoitos. — Movo meus lábios de seu ouvido e ela treme. — Deus, sinto falta de você e seus cupcakes... Uma risada irrompe de sua garganta e ela se inclina contra o meu ombro. — Você e aqueles bolinhos malditos. Me afasto para olhar em seus olhos e ela ainda está sorrindo. — O quê? Eu amo os seus cupcakes. — Sabe que cada vez que eu estava esperando que você finalmente dissesse que me amava, você me pedia para fazer cupcakes? — Eu fiz isso? Ela balança a cabeça e mastiga o lábio. — Você fez. — Eu não sabia disso. Sinto muito. — Está tudo bem. Foi engraçado depois de um tempo. Beijo ela novamente. — Adoro ver você sorrir novamente. Perdi você pra caramba. Ela olha para cima em meus olhos e empurra meu cabelo atrás da minha orelha. — Também sinto sua falta. — Sinto mais sua falta. Todos os dias, todas as noites. Não importa o que eu estou fazendo, estou pensando em você. Seus dedos se movem para os anéis ao redor do meu pescoço, torcendo-os ao redor. — O que nós vamos fazer? Nós não podemos voltar atrás. Não podemos fingir que nada aconteceu. Não posso fazer isso. — Podemos começar de novo? Fazer um novo começo? Ontem à noite foi boa, só sendo nós mesmos. A dúvida sombreia seu rosto.

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— Isso é mesmo possível? Começar de novo? — Eu quero descobrir. E você? Ela está tranquila, ponderando em sua mente enquanto toca as nossas alianças de casamento e as coloca contra o meu coração. Por favor, diga sim. Ela funga e inclina a cabeça para cima. — Como vamos fazer isso? Começar de novo? — Acho que tenho algumas ideias. — Beijo a ponta de seu nariz. — Preciso que você confie em mim, apenas um pouco, para fazer esse trabalho. Vai ser divertido. Eu prometo. Ela hesita. — Eu não sei… — Confie em mim. Por favor. Vamos fazer as coisas direito dessa vez. Ela finalmente me dá um aceno. — Ok. Vou tentar. Mas não posso fazer nenhuma promessa, Talon. Você me machucou tanto. Não sei se posso passar por isso. Eu quero... mas eu simplesmente não sei. Eu levanto seu queixo e beijo seus lábios. — Eu te amo. — Digo, olhando para ela com aqueles olhos cor de lavanda. — Vou sair agora, mas vou te ver em breve. E se você pensa que estou agindo estranho, basta esperar, ok? Ela franze a testa. — O que você está falando? Você está sempre meio estranho. Pressiono o dedo sobre os lábios. — Shh. Confie em mim. Vou nos dar o começo que nós nunca tivemos. Odeio deixá-la, mas eu tenho um plano. Vou ter encontros com minha esposa.

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Dois dias depois de Talon sair da minha casa tão de repente, ele aparece no meu quiosque no shopping, me ignorando, enquanto estou verificando as bombas de banho. Ele pega algo e traz para onde estou sentada em um banquinho no balcão. — O que você está fazendo? — Pergunto, divertida. Atrás dele, eu posso ver três meninas adolescentes olhando para ele, provavelmente reconhecendo-o, debatendo se devem se aproximar dele. Elas me veem a observa-las e vão embora. — Apenas comprando algumas dessas coisas de banho. Ouvi dizer que é bom. O meu nome Talon, a propósito. Ele me entrega o seu cartão de crédito e lentamente pego, confusa. — Você bateu a cabeça de novo? Sorrindo, ele balança a cabeça. — Não. Embora você devesse me dizer o seu nome. Por um minuto, acho que ele está de volta com os remédios e perdeu a cabeça e então, percebo o que ele está fazendo. Rindo, passo o seu cartão da máquina. Não posso acreditar que ele está fazendo isso. — Meu nome é Asia. — Entrego-lhe o seu cartão de volta e os nossos dedos se tocam, enviando um formigamento familiar pelo meu corpo.

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— Tenho que dizer, você tem os olhos mais bonitos que já vi. Embora aposte que você ouve isso cerca de cem vezes por dia, né? — Na verdade, não. Você é o primeiro. Ele sorri e pega o saco de sabonetes de mim. — Tenho uma confissão. — Ok... E que é? — Eu realmente não tomo banhos relaxantes. Mas vi você quando eu estava lá comprando meus cigarros eletrônicos e pensei, tipo, “caramba, essa menina é bonita, tenho que ir falar com ela”. — Sério? Ele acena, seu longo cabelo caindo sobre os olhos. Quero chegar e empurrá-lo para trás, como se tivesse feito isso uma centena de vezes. — Você acha que desde que comprei uma centena de dólares em sabonetes, talvez eu pudesse conseguir o seu número de telefone? Mastigo meu lábio com ceticismo. — Não sei... você não é realmente o meu tipo. — Provoco. Ele geme e abana a cabeça, rindo. — Me dê uma chance, baby. Não mordo. Jogando junto, pego um dos meus cartões de visita e escrevo o número do meu celular nas costas. Ele o tira de mim com um grande sorriso, me derretendo. — Vou te dar um toque, talvez pudéssemos ir comer um lanche. — Claro. — Digo sem me comprometer. Espero que ele ligue, mas ele não liga. Quatro dias depois, um número desconhecido me liga tarde da noite e me deixo cair um pouco no plano de Talon. É realmente muito perfeito, porque perdemos a diversão e a excitação do namoro e lentamente começar a conhecer um ao outro de uma forma normal.

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Para o nosso primeiro encontro, ele me leva para um filme, então me leva para casa e me beija à minha porta. Ao longo dos próximos dias, ele me envia aleatórias mensagens de texto bonitas e tem flores entregues em minha casa. Ele me faz esperar alguns dias antes de ligar novamente. E me sento ao lado do telefone, perguntando se ele vai querer me ver novamente. Esperando que ele vá. E quando ele finalmente liga, meu coração pula de emoção e eu digo que estou ocupada e vou ligar em poucos dias. Não quero parecer muito fácil. Ele não está esperando isso, o que torna ainda mais divertido. E ele espera, esperando que eu vá ligar. E eu ligo. Nós vamos para passeios no parque e nos beijamos na grama. Ele me compra algodão doce e o esfrega no meu nariz. Nós nos sentamos no telefone por horas, falando sobre tudo e nada. Ele me conta como está aprendendo a fazer leitura labial e eu não sabia disso. Partilhamos as nossas memórias favoritas de infância e como fomos para o jardim de infância juntos, antes de sua família se mudar para uma cidade diferente nas proximidades. A ironia louca disso nos faz tanto rir e acende uma memória minuciosa na parte de trás da minha mente. Tenho uma caixa de coisas da minha infância. Ela mantém os dois brinquedos que tive quando menina, algumas fotos que foram deixadas depois que minha mãe foi embora, o futebol do meu irmão e um cartão de Dia dos Namorados, o primeiro que já recebi no jardim de infância. Eu estava alcançando a caixa que puxo do meu armário, encontrando o que estou procurando, o papel vermelho desbotado, laçado com bordas amareladas. Mas tem algo rabiscado nas palavras de menino:

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Seja minha. Amor, Tally xo Talon Valentine foi o meu primeiro namorado. Quando mostro a ele, sua boca cai aberta e ele segura o bilhete suavemente em suas mãos. — Uau. Me lembro de fazer isso agora. Minha mãe me disse como era importante dá-lo para a garota certa. Acho que ela estava certa. Acho que eu nem sabia o seu nome. — Nenhum outro menino me deu um e não posso acreditar que não me lembrei disso quando descobri o seu nome no dia do nosso casamento. — Digo, lembrando como cobicei o cartão e escondi-o dos meus pais. — Todas as outras meninas tiveram um monte deles, mas acabei de receber um presente e eu estava tão animada com isso.

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Ele me puxa para seus braços. — Acho que escreverei na parede, Asia. Nós pertencemos juntos. Nós sempre pertencemos.

Mais

tarde,

quando estamos deitados

no meu

sofá,

nos

enroscando como adolescentes, ele tira minha camisa, pela primeira vez desde que começamos esse cenário de namoro. Foi sua decisão dessa vez não ter relações sexuais até que o tempo estivesse certo. — Você ainda parece tão suave. — Ele sussurra. — Sinto tanta falta de tocar em você. — Você não tocou em ninguém? Enquanto estávamos separados? — Pergunto, não tendo certeza se quero ouvir a resposta. Fiquei


preocupada quando soube que ele estava em turnê, com medo que ele fosse começar a dormir com todas novamente. — Ninguém. Deixei escapar um suspiro de alívio. — Eu também. — Eu disse que só quero você. Eu ainda vou dizer isso. Ele inclina a cabeça para cima em minha direção e beija meus lábios suavemente e sua mão acaricia a minha bochecha. Me afasto um pouco para olhar em seus olhos; eles estão escuros e emocionais, procurando os meus. Sua mão se move por trás do meu pescoço e me puxa de volta para ele e as comportas são abertas. Meses de tristeza reprimida, raiva, desejo e amor explodem entre nós e estamos nos beijando avidamente, gemendo contra a boca um do outro, as nossas línguas lutando, tentando beijar mais profundo. Ele me puxa para o seu colo, colocando as minhas pernas sobre ele e passa as mãos para cima e para baixo em minhas costas nuas, me fazendo tremer sob seu toque. Posso senti-lo entre as nossas roupas, duro e quente e nublando meus pensamentos, o que torna difícil pensar direito e não apenas fazer. Não acho que posso esperar muito mais tempo para estar com ele em todos os sentidos novamente. Ele se afasta de mim e tem uma expressão séria no rosto. — Acho que temos nos dado tempo suficiente. Quero passar para a próxima etapa. — Ok… — Ouvi dizer que você nunca assinou seus papéis do divórcio de seu primeiro casamento. — Ele diz. — Oh. Acho que você não assinou o seu, também. — Bem, isso significa que nenhum de nós é tecnicamente solteiro. Concordo com a cabeça lentamente.

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— Isso é verdade. — Acho que pode ser um problema, na verdade. Meu coração dispara. — Por que é um problema? Ele enfia a mão no bolso e tira uma pequena caixa. — Não sei se eu deveria estar propondo a você se você já é casada. Acho que estou violando algum tipo de lei. Aperto minha mão sobre a boca. — Meu Deus… Ele abre a caixa e tira um anel de noivado bonito, juntamente com a minha aliança de casamento. — Eu nunca cheguei a te pedir para ser minha esposa. E preciso saber, antes de irmos além, se você diria sim para mim. Agora que você me conhece e sabe no que você está entrando. E se você disser sim, eu vou levar você e Pixie para casa e farei amor com você na nossa cama, na nossa casa que nós escolhemos juntos. Não quero que nos separemos mais e não quero jogar mais jogos, tão divertido como é e foi. Quero a minha esposa de volta. Meu coração parece que cresceu asas. — Sim. A minha resposta será sempre sim. Quero que você me leve para casa, onde nós pertencemos. Ele desliza os anéis no meu dedo, em seguida, puxa a sua própria aliança de casamento do seu bolso e estende a mão para mim. — Você quer colocar isso em mim de novo, baby? — Eu quero. E não quero que você nunca a tire novamente. — Deslizo a aliança em seu dedo, sobre a tatuagem do meu nome. — Posso beijar minha noiva sem ela se afastar de mim dessa vez? — Ele brinca. Eu o aproximo, trazendo meus lábios nos dele, beijando-o como eu deveria ter feito em nosso dia do casamento.

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— Eu te amo. — Eu sussurro. Ele roça o polegar sobre meu lábio, sorrindo quando eu levemente o mordo. — Vamos para casa planejar a nossa lua de mel. Não vou dormir no sofá durante mais tempo. E você estará vestindo o seu vestido novo para que eu possa arrancá-lo de você. E quero aquela cinta liga de novo e uma dessas coisas de rendas. E o bálsamo para lábios mágico. Quero tudo de bom dessa vez. Não consigo parar de rir enquanto diz sua lista. — O que você quer? — Ele pergunta. — Pétalas de rosa? Champanhe? Diga e será seu. — Só você e seu sorriso. Para sempre. Isso é tudo que eu quero. Ele sorri e beija meus lábios. — Considere seu, Jujuba. 490


Era uma vez, eu tinha um belo gato norueguês da floresta, chamado Talon. Chamava ele de Tally ou TallyHo e ele sempre vinha correndo quando chamei. Tally era um gatinho muito magnífico, com patas grandes e poderosas, longo pele fluindo e uma doce personalidade amorosa, uma vez que chegava a conhecê-lo. Quando ele estava de muito bom humor, ele ronronava para mim, como se estivesse cantando e foi um som bonito, original. Ele gostava de sentar na janela e ver as folhas caírem e também roubar as palhas do meu café gelado e escondê-los no porão. Tive que fingir que eu não sabia que ele ia fazer isso, porque não era divertido se eu deixasse ele fazer isso. :) Um dia, trouxe uma pequena gatinha branca, de olhos azuis da raça Birman para casa. Lhe dei o nome de Asia. Talon não estava todo feliz com isso, de primeira ele completamente ignorou. Ele levou todos os brinquedos de gatinho para longe dela e os escondeu no porão com o resto de seus tesouros. Mas a Asia estava encantada por Tally. Ela o seguiu por toda parte, perseguindo sua cauda, saltando de costas e esperou até que ele caiu no sono todas as noites para se enrolar em silêncio contra ele e afagá-lo. Logo, Talon não podia resistir a seus encantos mais e eles se tornaram melhores amigos. Ele compartilhou seus brinquedos com ela e eles dormiam aninhados todas as noites. Às vezes, eles tocaram as patas enquanto eles estavam sentados, olhando pela janela. Eles fizeram tudo junto. Eles observaram as folhas juntos, comiam juntos, eles fizeram seu próprio pequeno jogo de tag. Às vezes, eles tinham algumas brigas e Asia iria saia e ia fazer beicinho e Tally iria esperar algumas horas e depois ir se enrolar com ela, lambendo seu rosto. E tudo era perdoado. Durante dez anos, eles eram inseparáveis.

491


Eles tinham uma ligação que nunca vi em dois gatos antes. Eles eram como um pequeno casal. Eles ignoraram todos os outros gatos na casa somente querendo o outro. No ano passado, meu lindo Talon começou a ter dificuldade para respirar. Foi o que aconteceu muito de repente, aparentemente durante a noite. Asia se sentou perto dele, se recusando a dormir, com um olhar engraçado em sua cara e eu sabia que algo estava muito errado. Tally tinha um tumor no peito, pressionando contra o seu coração e pulmões.

Inoperável. Terminal.

7

O médico drenou fluidos de seu peito e Talon se sentiu um pouco melhor e levei ele para casa para lhe dar muito amor e frango. Asia o abraçou e esfregou o rosto contra o dele e se colou a ele ainda mais. Infelizmente, o tumor cresceu rapidamente e Tally começou a lutar para respirar. Não havia nada que pudéssemos fazer. No lado de fora, ele ainda era bonito, com sua bela cabeleira e olhos brilhantes. Quebrou meu coração ver esse incrivelmente, doce e lindo rapaz sofrendo. Ele tinha tanta vida e amor nele e fiquei arrasada com a injustiça de tudo. E ainda, tudo que ele queria era a sua Asia. Asia se recusou a deixar seu lado. Eu tinha que puxá-la para longe dele, para levá-lo para longe dela. Ela nos perseguiu até a porta e ela ainda estava lá quando voltamos, sem seu amado Tally. Pobre pequena Asia entrou em uma depressão grave. Ela andava pela casa chorando sem parar durante semanas. Ela se recusou a comer. Ela não nos deixou acariciá-la ou chegar perto dela. Ela se recusou a entrar em sua e de Tally pequenas camas de gato. Ela se escondeu no porão ao lado de sua pilha de brinquedo. Ela nunca foi a mesma. Agora, ela permanece em um quarto sozinha, olhando para fora da janela. Ela come e bebe, sesteia e volta para a janela. Nada mais. Sei que ela está esperando ele para voltar e nada é mais doloroso de ver. 7 Aqui repito a “letra” do Talon, pois no livro original a Carian Cole escreveu os bilhetes que ele deixou com a própria letra e eu queria explicar isso para quem está lendo o livro e aqui pareceu o melhor lugar para explicar e simular isso já que é ela contando a história.

492


O verdadeiro amor nunca morre. NĂŁo ĂŠ para qualquer um.

493


Caso tenha sentido que a TRAJETÓRIA Dos membros de ASHES&EMBERS NÃO Acabou aqui acertou, pois Carian cole PROMETE mais: SEQUENCIA DE Vandal

LIVRO 2,5

Loving Storm e Vandalized não possuem sinopse divulgada, assim como Vandalized não possui

ainda

capa

oficial

divulgada.

As

informações divulgadas sobre a série são que esse 1,5 e 2,5 vão contar um pouco mais a história

dos

casais

Storm&Evie

e

Vandal&Tabitha.

seQUENCIA DE Vandal

LIVRO 1,5

Outra informação confirmada pela autora, é que ela planeja lançar Asher no final de 2016, o que provavelmente faz dele o livro 05 da sequencia Ashes&Embers. d

Aguarde também as histórias de:

A ORDEM CRONOLOGICA DESSES LIVROS, ASSIM COMO CAPAS E SINOPSES NÃO FORAM DIVULGADAS oficialmente ATÉ A DISTRIBUIÇÃO DESsa história dE Talon.

494


495

Série Ashes & Embers #4 Talon - Carian Cole  

*DESCREVA O SEU PARCEIRO IDEAL: Cuidadoso. Trabalhador. Um homem de família dedicado, que adora crianças. Simpático, engraçado, inteligente...

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