Page 1


D i s p o n i b i l i z a ç ã o : T r a d u ç ã o :

E v a

J u l i a n a

R e v i s ã o

I n i c i a l :

R e v i s ã o

F i n a l :

F o r m a t a ç ã o :

B o l d

S i l v a

R e g i n a

E v a

B o l d

N a n n a

S á


Como a filha de um traficante de metanfetamina, Wavy não sabe confiar nas pessoas, nem mesmo em seus próprios pais. Lutando para criar seu irmãozinho, Wavy, de oito anos, é o únicoa "adulto responsável" ao redor. Ela encontra a paz no estrelado céu da meia -noite acima dos campos atrás de sua casa. Uma noite tudo muda quando ela testemunha um dos bandidos

de

seu

pai,

Kellen,

um

tatuado

ex -

condenado com um coração de ouro, destroi sua moto. O que se segue é uma história de amor poderosa e chocante entre duas pessoas improváveis que faz perguntas

difíceis,

nos

lembrando

de

todas

as

coisas feias e maravilhosas que a vida te m para oferecer.


Para minha avรณ delicada e confeiteira de biscoitos.


PARTE UM


1 AMY

Março 1975

Minha mãe sempre começava a história dizendo: "Bem, ela nasceu no banco de trás do carro de um estranho," como se isso explicasse por que Wavy não era normal. Pareceu-me que poderia acontecer a qualquer um. Talvez no caminho para o hospital, o carro respeitável, de classe média de seus pais quebrou. Isso não foi o que aconteceu com Wavy. Ela nasceu no banco de trás do carro de um estranho, porque o tio Liam e tia Val eram sem-tetos, viajando pelo Texas quando a van desgastada deles quebrou. Grávida de nove meses, tia Val foi de carona até a próxima cidade para conseguir ajuda. Se você já considerou ser um bom samaritano a uma mulher grávida, pense sobre desistir disso. Eu aprendi tudo isso das escutas no clube do livro da mamãe na terça-feira à noite. Às vezes elas falavam sobre livros, mas principalmente elas fofocavam. Foi aí que mamãe começou a abrilhantar a trágica e edificante história de Wavonna Quinn. Após Wavy nascer, mamãe não ouviu sobre tia Val por quase cinco anos. A primeira notícia que ela teve foi que o tio Liam tinha sido preso por tráfico de drogas, e tia Val precisava de dinheiro. Então tia Val foi presa por algo que mamãe não diria, não deixando ninguém para cuidar de Wavy.


Um dia depois daquele segundo telefonema, vovó nos visitou e discutiu com a mãe a portas fechadas sobre "colhendo o que plantou," e "o sangue é mais grosso do que a água." Vovó, minha doce vó gritou: "Ela é da família! Se você não vai pegá-la, eu vou!" Nós a pegamos. Mamãe prometeu para Leslie e eu novos brinquedos, mas estávamos tão animadas sobre o encontro com nossa prima que não nos importamos. Wavy era a nossa única prima, porque de acordo com a mamãe, o irmão do meu pai era gay. Leslie com nove e eu quase sete, inventávamos histórias sobre Wavy que eram puro Contos de Fadas dos Grimm. Faminta, mantida em uma gaiola, vivendo no deserto, com lobos. No dia que Wavy chegou o clima estava adequado para as nossas teorias sombrias: escuro e chuvoso, com rajadas de vento. Claro que teria sido mais adequado se Wavy chegasse em uma limusine preta ou uma carruagem puxada por cavalos, em vez do sedã bege da assistente social. Sue Enaldo era uma mulher gorda em um terninho azul, mas para mim ela era Papai Noel, trazendo-me um maravilhoso presente. Antes que Sue pudesse colocar um gorro de chuva sobre seu cabelo Dolly Parton1, Wavy pulou para fora, balançando uma sacola de supermercado de plástico na mão. Ela era delicada, e estava ensopada quando ela chegou à porta da frente. O rosto de Leslie mudou quando viu nossa prima, mas eu não fiquei desapontada. Assim que minha mãe abriu a porta, Wavy entrou e examinou sua nova casa com um olhar muito profundo que eu iria começar a amar, mas que acabaria deixando minha mãe desesperada. Seus olhos eram escuros, mas não marrom. Cinzento? Verde? Azul? Você não poderia realmente dizer. Apenas escuro e cheio de uma visão de longo prazo 1

Estilo volumoso e repicado no topo.


do mundo. Seus cílios e sobrancelhas eram translúcidos, para combinar com seu cabelo. Loiro prateado, que estava colado em sua cabeça e pingando água sobre seus ombros e caindo no azulejo da entrada. "Wavonna, querida, eu sou sua tia Brenda." Era uma mãe que eu não reconheci, do jeito que ela armou sua voz alta, falsamente brilhante, e deu a Sue um olhar ansioso. "Ela-ela está bem?" "Tão bem quanto ela já era. Ela não disse uma palavra para mim na viagem. A família adotiva que ela ficou esta semana, disse que ela estava quieta como um rato." "Ela foi ao médico?" "Ela foi, mas ela não deixou ninguém tocá-la. Ela chutou duas enfermeiras e socou o médico." Os olhos de minha mãe se arregalaram e Leslie deu um passo para trás. "Ok, então," Mamãe balbuciou. "Você tem algumas roupas em sua mala aí, Wavonna? Vamos deixá-la seca, ok?" Ela deve ter esperado que Wavy lutasse contra ela, mas quando ela pegou a sacola do supermercado, Wavy deixou. Minha mãe abriu-a e franziu a testa para o conteúdo. "Onde está o resto de suas roupas?" "Está tudo aí," disse Sue. "Ela veio até nós vestindo uma camiseta masculina. Essas são as roupas que a família adotiva deu pra ela." "Tenho certeza de que Amy tem algo que ela pode usar por agora." Colocando as mãos sobre os joelhos para chegar à altura de Wavy, Sue disse: "Wavonna, eu estou indo agora e você vai ficar aqui com sua tia. Você entende?" Os adultos falavam com Wavy como se ela fosse uma criança, mas aos cinco, ela fez um gesto muito adulto: um breve aceno de cabeça para descartar Sue.


Depois que Sue tinha ido embora, nós quatro ficamos na entrada, olhando. Mamãe, Leslie, e eu para Wavy. Wavy parecia ter visão de raio-x, olhando através da parede da sala de estar para a lamparina que pendia do outro lado. Como se ela soubesse que estava lá para olhar para ela? "Bem, por que não vamos lá para cima e conseguir algumas roupas secas para Wavonna," disse mamãe. No meu quarto, Wavy ficou entre as duas camas, pingando água no tapete. Mamãe parecia ansiosa, mas eu estava emocionada por ter minha prima de verdade no meu quarto. "Aqui, Amy, por que não a ajuda a desfazer as malas enquanto eu pego uma toalha?" Mamãe recuou, deixando-nos sozinhas. Eu abri uma gaveta vazia e "desfiz" a mala de Wavy: outro vestido de verão gasto, tão puído como aquele que ela estava vestindo, duas calcinhas, uma camiseta, uma camisola de flanela, e uma boneca nova, com cheiro de plástico fresco . "Este será o seu armário." Eu não quero soar como minha mãe, como um adulto. Eu queria que Wavy gostasse de mim. Depois que eu coloquei suas roupas na gaveta, eu levanto a boneca para ela. "Este é seu bebê?" Ela olhou para mim, realmente olhou para mim, e é assim que eu soube que seus olhos não eram castanhos. Sua cabeça moveu para a esquerda, direita, e de volta ao centro. Não. "Bem, nós podemos colocá-lo aqui, para mantê-lo seguro," eu disse. Mamãe voltou com uma toalha, que ela tentou colocar sobre os cabelos molhados de Wavy. Antes que mamãe a tocasse, Wavy pegou a toalha e secou o próprio cabelo.


Depois de um momento de silêncio, mamãe disse: "Vamos encontrar algo para você usar." Ela colocou a calcinha e uma camiseta na cama. Sem qualquer constrangimento, Wavy tirou o vestido de verão e jogou-o no chão, antes de sair de seus tênis. Ela era quase tão óssea como as crianças nos anúncios da UNICEF, suas costelas aparecendo através da camiseta de algodão seca que ela vestiu. Ofereci-lhe minhas calças de veludo e camisa xadrez favoritos, mas ela balançou a cabeça. Com o polegar e o primeiro dedo, ela acenou por uma saia invisível. Mãe olhou impotente. "Ela quer o vestido dela," eu disse. "Ela precisa de algo mais quente." Então eu fui para o meu armário e encontrei um vestido de festa de Natal que eu odiava e usei uma única vez. Era de veludo azul com uma gola de renda, que era muito grande para Wavy, mas lhe convinha. Com seu cabelo já seco em mechas loiras, ela parecia que tinha saído de uma foto antiga. No almoço, Wavy sentou-se à mesa, mas não comeu nada. A mesma coisa no jantar e no café da manhã seguinte. "Por favor, querida, apenas tente uma mordida." Mamãe parecia exausta e ela só tinha sido uma dona-de-casa tia por um dia. Eu amo minha mãe. Ela era uma boa mãe. Ela fazia artes e projetos de artesanato com a gente, assava com a gente, e nos levava para o parque. Até que éramos praticamente adolescentes, mãe nos colocou na cama todas as noites. Seja qual for a necessidade de Wavy, não era isso.


Na primeira noite, mãe colocou Wavy e eu na cama, eu com o meu ursinho Pooh, e Wavy com a boneca que ela disse que não era dela. Assim que a mãe saiu do quarto, Wavy levantou as cobertas e ouvi o baque da boneca batendo no chão. Se alguma coisa tivesse acontecido para fazer o quarto escurecer. Se Leslie tivesse feito uma brincadeira e a lâmpada tivesse queimado – eu teria gritado para mamãe, mas quando Wavy desligou meu abajur, eu tremia sob minhas cobertas, com medo, mas animada. Depois que ela deitou-se novamente, ela falou. Sua voz era baixa e tranquila, apenas o que você esperaria de uma pequena criança, loura elfa. "Cassiopeia. Cepheus. Ursa Menor. Cygnus. Perseu. Orion." Desde que ela finalmente falou, eu fiquei corajosa o suficiente para perguntar: "O que isso significa?" "Nomes de estrelas." Até então eu não sabia que as estrelas tinham nomes. Com o braço estendido, apontando o dedo, Wavy traçou formas acima da sua cabeça, como se estivesse guiando os movimentos das estrelas. Um maestro conduzindo uma sinfonia. Na noite seguinte, Wavy sorriu para mim enquanto mamãe engatinhava procurando a boneca indesejada. Um minuto depois, estávamos sob as cobertas, o bebê estava novamente entre os tufos de poeira sob a cama. Eventualmente, se tornou o nome da boneca: Tufo de Poeira. Se a mãe não conseguia encontrar a boneca na hora de dormir, eu dizia: "Oh, não. Acho que o Tufo de Poeira está desaparecida mais uma vez,” para fazer Wavy sorrir. Enquanto eu tinha uma crescente amizade com Wavy, minha mãe tinha apenas ansiedade.


No primeiro mês, mamãe levou Wavy ao médico três vezes, porque ela não estava comendo. Na primeira vez, que uma enfermeira tentou colocar um termômetro na boca de Wavy. Não terminou bem. As outras duas vezes, Wavy subiu na balança e o médico pronunciou: "Ela está abaixo do peso, mas não é tão preocupante. Ela deve estar comendo alguma coisa." Papai disse a mesma coisa e que tinha provas para comprovar isto. Uma noite, ele chegou em casa do trabalho depois que estávamos todos na cama, e nos acordou gritando: "Oh, caramba! O que você está fazendo? O que você está fazendo?" Wavy não estava em sua cama, então eu desci correndo as escadas sozinha. Eu encontrei meu pai na cozinha com a tampa da lata de lixo em uma mão e sua maleta na outra. Eu nunca tinha vindo para a cozinha tão tarde. De dia era um local quente e ensolarado, mas por trás de papai, a porta do porão estava aberta e escura, como a boca de um monstro. "Qual é o problema, papai?" "Não é nada. Volte para a cama." Ele colocou a tampa no lixo e colocou a pasta sobre a mesa. "O que está acontecendo, Bill?" Mamãe veio atrás de mim e colocou a mão no meu ombro. "Ela estava comendo do lixo." "O que? Amy, o que você está - " "Não Amy. Sua sobrinha." Mãe não levou Wavy ao médico novamente para reclamar sobre ela não comer. Depois de não conseguir resolver essa crise, mamãe ficou obcecada para costurar para Wavy. Os vestidos que você poderia ver pendurados sobre ela como sacos e tinham


muitos babados, que Wavy odiava. No primeiro dia que ela usou meu vestido de festa de Natal, ela arrancou a gola de renda fora. Então mamãe costurou dezenas de vestidos que Wavy desfazia as rendas, arrancando pelas costuras até que uma linha se soltasse. De lá, ela poderia desfazer a renda de um vestido em menos de uma semana. Mamãe refazia as costuras dos seus vestidos cada vez que vinham da lavagem. Isto diminuiu os estragos, o que era uma solução prática, mas minha mãe não queria uma solução, ela queria uma razão. Uma das senhoras do clube do livro disse: "Ela tem problemas para usar o banheiro?" Mãe franziu a testa, sacudiu a cabeça. "Não, não há nenhum problema assim. Ela vai fazer seis em julho." Wavy e eu escutávamos atrás da porta da cozinha. Todas as suas brincadeiras envolvia se esgueirar e descobrir segredos das pessoas, como os cigarros que meu pai escondia em uma lata de café na garagem. "Eu me pergunto se ela está agindo dessa maneira por algum contato inadequado," disse a senhora do clube do livro. "Você acha que ela poderia ter sido molestada?" Disse uma outra senhora, parecendo chocada, mas animada. Essa conversa levou a primeira visita de Wavy a um terapeuta. Ela parou de arrancar as rendas dos seus vestidos e mãe pareceu triunfante. Para o pai, ela disse: "Eu acho que nós tivemos um grande avanço." Em seguida, ela descobriu que Wavy arrancou a renda das cortinas no quarto de hóspedes, quando ela parou de fazer isto com suas roupas. Mamãe e papai gritavam um com o outro enquanto Wavy olhava para eles.


"Porque é que tem de haver algo de errado com ela?" Disse papai. "Talvez ela seja apenas estranha. Deus sabe que sua irmã é estranha o suficiente. Eu não tenho tempo para você ficar histérica sobre tudo o que ela faz. Temos que encerrar os livros no final do ano fiscal." "Estou preocupada com ela. Isto é tão horrível? Ela nunca fala. O que vai acontecer com ela?" "Ela também fala," disse Leslie. "Eu ouço ela falando à noite com Amy." Mamãe lentamente virou-se para todos nós, estreitou os olhos em mim. "Isso é verdade? Ela fala com você?" Ela olhou nos meus olhos, suplicando-me. Eu balancei a cabeça. "Bem, sobre o que ela fala?" "É um segredo." "Não pode haver segredos, Amy. Se ela lhe diz algo importante, você tem que me dizer. Você quer ajudar Vonnie, não é?" Mamãe ficou de joelhos na minha frente e eu vi como era. Ela me faria dizer o meu segredo. Comecei a chorar, sabendo que eu iria dizer e não iria ajudar a mãe ou Wavy. Seria apenas roubar-me algo precioso. Wavy me salvou. Com a mão sobre sua boca, ela disse: "Eu não quero falar sobre isso." Os olhos de minha mãe se arregalaram. "Eu-eu-eu." Ela não podia dizer uma palavra e até mesmo papai parecia aturdido. A menina fantasma silenciosa poderia falar frases completas. "Eu quero que você volte para o terapeuta," disse a mãe. "Não."


As coisas poderiam ter começado a ficar melhores depois disso, se não tivesse sido o outro segredo entre Wavy e eu. Ela gostava de fugir de casa à noite, e eu ia com ela. Descendo com cuidado as escadas com os pés descalços, nós calmamente abríamos a porta da cozinha e caminhávamos pelo bairro. Às vezes nós apenas olhávamos. Outras vezes, pegávamos as coisas. Na noite do sexto aniversário de Wavy, quando ela tinha deixado seu bolo intocado, ela usou um pé de cabra para abrir a porta de tela da Sra. Niblack. Nós rastejamos através da cozinha até a geladeira, onde Wavy pressionou seu dedo para a alavanca manter a luz no interior desligada. Na prateleira debaixo estava uma torta de limão meio comida que nós carregamos. Sentamos debaixo do salgueiro no quintal dos Goerings, Wavy arrancou um pedaço de torta com a mão e me deu o prato. Ela foi para o canto do galpão do jardim e quando ela voltou, seu pedaço de torta de limão tinha ido embora. Não, ela não estava morrendo de fome. Algumas noites nós juntávamos as coisas. Uma garrafa de vinho eliminada na rua. Um sapato de salto alto de mulher no canteiro da rodovia, onde não deveríamos ir. Um misturador manual velho abandonado do lado de fora da porta dos fundos da Igreja Metodista. Nós guardávamos nossos tesouros em uma caixa de metal roubada da garagem do vizinho, e escondemos ela perto da nossa cerca dos fundos, atrás dos arbustos lilases. Quando o outono chegou, os lilases perderam suas folhas, e meu pai encontrou a caixa do tesouro, incluindo o prato de torta de vidro pesado da Sra. Niblack, seu nome escrito na parte inferior em uma fita adesiva quadrada. Mãe devolveu para a Sra. Niblack, que deve ter dito a ela como o prato de torta desapareceu: furtado de sua


geladeira em uma noite quente de julho, um rastro de pegadas sujas e pequenas deixadas no linóleo. Ou talvez algo mais deixou mamãe desconfiada. Quando o clima ficou mais frio, eu queria ficar em casa na cama, mas quando Wavy levantava e se vestia eu fazia o mesmo. Se eu não fosse, ela iria sozinha. Metade do meu medo era de que algo pudesse acontecer com ela. A outra metade era um medo que ela teria aventuras sem mim. Então eu fui com ela, tremendo contra o frio, enquanto meu coração batia de excitação. Na biblioteca, Wavy subiu na ponta dos pés para esticar seu braço delgado para o livro devolvido. No dia, minha mãe teria nos levado para a biblioteca para pegar livros, mas livros roubados eram melhores. Wavy sorriu e retirou seu braço para revelar o tesouro. O livro era fino o suficiente para passar através do retorno de maneira errada, mas não era um livro infantil. Salomé estava escrito na coluna. Nós inclinamos nossas cabeças juntas para considerar a estranheza de um livro adulto com fotos. Imagens estranhas. A capa estava gasta e com camadas de fita adesiva transparente para protegê-la, e as páginas eram pesadas. Parecia especial. Quando alcancei para virar a página, faróis nos iluminaram onde nos abaixamos ao lado do depósito de livro. Wavy saiu correndo, mas eu congelei quando meu pai gritou: "Amy!" Como em um conto de fadas, onde saber o nome de alguém lhe dá poder, meu pai era capaz de me capturar. Minha mãe saiu do carro e correu pelo estacionamento da biblioteca. Ela parecia tão feroz, galopando em direção a mim em sua camisola e casaco, que eu esperei um golpe. Punição. Em vez disso, ela me puxou em seus braços e me apertou contra o peito.


Depois disso, eu tive que contar tudo. Sobre tarde da noite vagando. Não as estrelas. Que ainda era o meu segredo. Mãe gritou e papai gritou. "Eu sei muito bem o que você quer dizer, Brenda. Você quer ajudá-la. Entendi. Mas quando seu comportamento começa a pôr em perigo as nossas crianças, é hora de escolher. Não podemos mantê-la. Ela está fora de controle." A polícia veio para fazer um relatório, para conseguir uma imagem, para colocar em um boletim. Os vizinhos acabaram procurando por Wavy, mas ao amanhecer ela voltou sozinha. Acordei com a gritaria. Naquela tarde, a vovó veio para ficar com Wavy. "É uma ideia horrível. Uma ideia estúpida," disse mamãe. Fiquei maravilhada que ela pudesse falar com vovó assim. Não parecia possível conseguir dizer algo parecido com sua mãe. "Você não pode cuidar dela o tempo todo. Você não pode ficar acordada a noite toda." "Qual seria o ponto? Acho que ela vai caminhar por aí um pouco. Pelo que me lembro, você e Val saiam por aí vagando quando eram crianças." "Isso foi diferente. Éramos adolescentes e era um tempo mais seguro." "Pfft," disse vovó. "Pense na sua saúde, Helen," disse o pai. "Você não tem estado forte desde a quimio, mãe." Vovó soltou um grande sopro de ar, da mesma forma que ela fazia para exalar fumaça do cigarro, e sacudiu a cabeça. "Diga-me a sua solução. Orfanato? Mandá-la para viver com estranhos" "Nós vamos cuidar dela," disse minha mãe.


"Não, não vamos." Pai se levantou e bloqueou minha visão, então eu nunca vou saber qual olhar passou entre ele e minha mãe, mas quando ele foi até o balcão para servir-se de mais café, mamãe concordou. "Ela poderia muito bem vir para casa comigo hoje," disse vovó. Sentei-me na cama de Wavy, enquanto vovó arrumava a mala. Não havia muito para embalar. Uma dúzia de vestidos que haviam sobrevivido à Grande Desfeita de Renda. Algumas meias e calcinhas. A escova de cabelo que ela às vezes me deixava passar por seu cabelo sedoso e liso. A última coisa na mala era a Tufo de Poeira, a boneca. Vovó a colocou na mala. Wavya tirou fora. Mãe a colocou. Wavy a tirou para fora. Era o único brinquedo que Wavy tinha. "Nada pertence a você," ela me disse uma vez, quando Leslie e eu lutamos sobre uma Barbie favorita que depois desapareceu. Wavy pegou a boneca da mala e me entregou. Um presente? Depois foi a hora dela ir. Vovó abraçou a todos nós, enquanto Wavy estava perto da porta. Mamãe tentou abraçá-la, também, mas ela deslizou para longe, passando pela minha mãe para me abraçar. Não perto o suficiente para os nossos corpos tocarem, ela apoiou as mãos sobre os meus ombros, e cheirou meu cabelo. Quando ela me soltou, ela correu para fora pela porta da frente. "Você vê como é," disse minha mãe. "Ela é independente. Você foi, também." Vovó sorriu e pegou a bolsa de Wavy. Depois da Ação de Graças, eu encontrei o verdadeiro presente que Wavy tinha me deixado no armário sob as escadas. Quando mamãe puxou as caixas de decorações de natal, eu me arrastei para arrancar um enfeite solto e um quebrado. Escondido bem atrás estava o livro roubado: Salomé.


2 VOVÓ Outubro 1975

Irv e eu criamos uma filha que acabou bem. Brenda se casou com um homem bom, teve boas crianças, manteve uma casa limpa, e trabalhou duro. Valerie, a nossa mais jovem, eu não sei o que aconteceu. Acho que hoje em dia, ela iria ser diagnosticada com alguma coisa, mas na época, vivíamos com seu comportamento. Por exemplo, o problema dela com germes. Houve um tempo quando ela lavava as mãos uma centena de vezes por dia, até que a pele rachasse e sangrasse. Fiz luvas para ajudá-la a se sentir limpa. Duas dúzias de pares de luvas brancas que eu lavava e passava todos os dias. Em seguida, no seu primeiro ano no ensino médio, ela ficou grávida e fugiu com Liam Quinn. Nós não gostávamos dele, mas nunca tínhamos tentado mantê-la longe dele. Ele era um encrenqueiro e eu sinto que ele não tratou Valerie direito. O tipo de menino que pensa que é o centro do universo. Mais tarde eu descobri que ele era pior do que apenas um garoto egoísta. Eu descobri que ele tinha começado a envolvê-la com os tipos de coisas que a colocaram na prisão. Toda essa confusão cansou meu coração. Eu esperava que Brenda não me odiasse quando ela descobrisse o quanto da pensão de Irv eu retirei para pagar os advogados de


Valerie. Eu esperava fazer dinheiro para a faculdade de Amy e Leslie, mas não havia mais nada para isso. O primeiro dia que eu levei Wavonna para casa comigo, ela não falou. Para ser honesta, ela não falou durante semanas. Isso foi mais duro em seus nervos do que se poderia pensar, ter outra pessoa na sala que não vai falar. Isto me transformou em uma tagarela real. Eu narrava tudo o que fazia, do jeito que eu tinha feito para Irv quando ficou ruim no final. Na primeira noite, Wavonna não comeu o jantar. Na manhã seguinte, sem café da manhã. Na hora do almoço no dia seguinte, eu comecei a entender porque Brenda parecia tão chateada. Três dias de preocupação antes que eu tivesse o bom senso de contar as coisas na geladeira e armário para saber o que ela estava comendo. Na hora de dormir, eu tinha seis fatias de queijo em celofane, nove damascos crocantes, treze biscoitos salgados no pacote aberto. Na parte da manhã, apenas havia cinco fatias de queijo, sete damascos, dez biscoitos. Não o suficiente para manter um rato vivo, mas ela conseguia com isto. No segundo dia, eu coloquei alguns brinquedos novos que eu comprei para ela na mesa de café na sala. Havia um painel de pinho fora de moda e um tapete felpudo, mas nós tínhamos utilizado como nossa sala de família quando Irv estava vivo, por isso estava cheio de memórias em sua maioria felizes. Passei o dia montando uma colcha para arrecadar dinheiro para a igreja e assistindo à TV. Wavonna se sentou no sofá, olhando para a parede ou a TV ou nada. A menina tinha um olhar distante como Irv tinha quando ele voltou da guerra. Uma vez que ela se levantou, e eu pensei que, finalmente, ela está entediada. Ela vai fazer alguma coisa. Brincar com seus brinquedos.


Ela foi para o lavabo. A privada flui e a pia foi usada. Ela voltou para o sofá. A Barbie, o elefante de pelúcia, e o Lincoln Logs permaneceram em seus pacotes e, eventualmente, eles desapareceram. Depois de duas semanas, eu fiz o que deveria ter feito em primeiro lugar. Eu comprei alguns cartões de memória - letras, cores, formas, números - o tipo de coisa que eles usam nas aulas do jardim de infância. Na manhã seguinte, fiz-lhe uma boa tigela de mingau de aveia e sai da cozinha por uns bons quinze minutos. Passei o tempo ligando para as garotas do meu clube de bridge para lhes dizer que não viessem à tarde. Quando voltei para a cozinha, com certeza, havia menos mingau de aveia. Limpei a mesa e esparramei as cartas do alfabeto. "A é para Apple.2 " Eu sabia que ela não ia repetir o que eu disse, mas pelo menos ela estaria vendo e ouvindo. Eu passei por toda a plataforma dessa forma. Quando terminei, Wavonna caminhou até o balcão e pegou o bloco de supermercado. Uma armadilha que Irv construiu que segurava um rolo de Nota Fiscal e tinha um furo nele para um pequeno lápis. Wavonna rolou para fora um pouco de papel e começou a escrever o alfabeto. Fiquei extremamente surpresa. Estendi a mão e coloquei o dedo sobre o A. "Você sabe como dizer esse?" Wavonna considerou meu dedo por um segundo antes que ela disse: "A." "Que tal este?" "B." "Este." Ela suspirou e disse: "Abcdefghijklmnopqrstuvwxyz." Vovó estupida. 2

Apple: Maçã


Na segunda-feira, eu a matriculei na escola. No primeiro dia, depois que a deixei na escola, eu tirei uma soneca de duas horas. No segundo dia, eu fui para um embelezamento muito necessário. Mulheres idosas precisam se enfeitar e meus cabelos estavam começando a parecer sujo. O terceiro dia, eu não me lembro o que eu fiz, mas no quarto dia eu fui para o clube de bridge. Eu tive um Martini e um belo tempo estrondoso com as garotas. Elas estavam me esperando para contar-lhes tudo sobre Wavonna, e eu fingia ser a avó orgulhosa. Oh, ela tem o melhor cabelo loiro. Ela já conhece o ABC. Nada realmente sobre ela. Segurei Leslie em meus braços depois que ela nasceu. O mesmo com Amy. Eram minhas netas, meus bebês. Mostrava as fotos delas e me gabava em cada pequena realização. Já Wavonna, eu nunca a tinha visto até Brenda conseguir a guarda dela. Eu sei que você deveria amar os diferentes mais, mas a maioria do que eu senti foi pena. Seu cabelo ralo e seus ombros magros eram tão tristes, e então aquele olhar vazio. Deixando o clube de bridge, no entanto, eu senti que ia ficar bem. Gostaria de aprender a amar Wavonna do jeito que eu amei Leslie e Amy. Ela iria aprender a me amar. Quando cheguei à escola, Wavonna não saiu. Esperei por alguns minutos antes de ir para o escritório da frente, onde fui recebida pelo diretor da escola e Sra. Berry, professora de Wavonna. Eu tinha entregado Wavonna para ela no primeiro dia no escritório da escola. Ela era uma mulher simpática com um grande sorriso, mas naquele dia ela estava histérica e uma confusão de soluços. Wavonna tinha fugido da escola.


Eu chorei, mas tudo o que eu me lembro de pensar, Isto é como tudo começou com Valerie. Claro, faltando a escola não começou com Valerie, até que ela estava na escola, mas ao mesmo tempo eu tinha uma sensação de vazio que eu tinha falhado. Às oito horas, fui para casa e esperei notícias da polícia. Eu segurei o telefone no meu colo enquanto eu coloquei meus pés na agua. Eu andei não sei quantas quadras, batendo nas portas ao redor da escola. Eu precisava ligar para Brenda, mas eu não podia suportar a ideia de dizer: Você estava certa. Eu não posso lidar com ela. A campainha tocou e eu não sabia o que sentir. Esperança. Terror. Com meus pés molhados, eu fui para a porta. Wavonna estava na varanda sozinha, tremendo. Uma vez que ela estava em casa, eu tranquei a porta, como que se isto fosse impedi-la de fugir. "Você me assustou tanto! E se algo tivesse acontecido com você?" Eu sabia que gritar não era a melhor maneira de me comunicar com ela, mas eu não poderia evitar. "Nunca, nunca faça isso de novo! Você me entendeu?" Ela assentiu, mas eu conhecia aquele aceno de Valerie. Ele quis dizer: "Eu entendo você, mas isso não significa que eu vou fazer o que você diz." Depois liguei para a polícia para dizer-lhes que Wavonna estava em casa, eu fiz um pouco de sopa e contei uma pilha de biscoitos. Enquanto eu chorava no banheiro, ela comeu algumas colheradas e dois biscoitos. Eu não podia continuar assim, mas eu não podia deixá-la ir para um orfanato. Alguém mais iria verificar o nível da sopa na tigela tão cuidadosamente quanto eu fazia? Um estranho iria contar biscoitos para garantir que minha neta estava comendo? Limpei a mesa e preparei um descafeinado. Quando eu tive certeza que estava calma, eu disse: "Wavonna, por favor, venha para a cozinha e converse com a vovó?" Ela não se sentou, mas ela estava esperando por mim para conversar.


"Se você fugir da escola, eles vão levá-la para longe de mim e fazer você viver com estranhos. Eu não quero que isso aconteça. Eu quero que você fique aqui com a vovó." Ela não reagiu a isso, mas eu não esperava que fizesse. Eu poderia ter tido um poodle francês dançando tango com um macaco na minha cabeça e ela não teria reagido. "Você vai me dizer o que aconteceu na escola? Por que você fugiu? Se você me disser, vou tentar ter certeza de que isso não aconteça novamente." Era como o alfabeto. Ela teve que se preparar, mas depois de um momento, ela disse: "A senhora barulhenta tocou em mim." Meu estômago quase devolveu o café que eu tinha bebido. Aquela mulher doce? Eu não poderia imaginá-la fazendo algo parecido com uma criança. Na minha mente quão ruim tocar era. "Tocou você?" Ela estendeu os braços para mim, suas mãos se curvaram em garras ameaçadoras e, em seguida, trouxe de volta com força contra o peito. "Ela abraçou você?" Eu disse. Um aceno de cabeça. "E você não gosta disso?" Ela balançou a cabeça seriamente. Eu estava doente de alívio, e saber quão terrível o mundo parecia para Wavonna. Claro, ela nunca me abraçou, e sempre que eu a tocava, ela se afastava das minhas mãos. No dia seguinte, fomos para a escola, e eu fiz o que deveria ter feito no primeiro dia. Eu andei com ela diretamente para a aula, planejando explicar tudo para a senhora Berry. Tudo isto saiu pela janela quando cheguei à sala de aula.


No centro da sala, estavam três crianças em cadeiras de rodas. Eu não quero ser cruel, mas eles eram vegetais babando. Em um canto, uma criança se jogava sobre tapetes azuis de borracha. A escola poderia pintar as paredes de amarelo tão brilhante como eles queriam e desligar todos os celulares bonitos no mundo, mas era um lugar horrível. Eu não poderia imaginar Wavonna passar cinco minutos ali, muito menos os quatro dias que eu a deixei lá. Sra. Berry correu com um grande sorriso e disse: "Oh, senhora Morrison, que alívio! Wavonna, querida, você nos deixou tão preocupados." Esse foi o dia em que ganhei a confiança de Wavonna. Sra. Berry mergulhou em direção a nós, planejando claramente dar um enorme abraço sufocante. Eu abro meus pés e me posiciono para bloqueá-la. "Senhora Berry precisamos falar com alguém sobre a mudança de classes." Ela fez uma cara feia enquanto nós nos afastamos dela. Eu não tinha nada contra a mulher, mas eu estava muito velha para rodeios. Quando me sentei com a conselheira da escola, fiz a mesma abordagem. Olhei-a diretamente nos olhos e disse: "Minha neta não é retardada." "Senhora Morrison, não usamos mais palavras assim. Nossa preocupação é que seus problemas de fala são um sinal de atraso no desenvolvimento." "Eu não queria dizer isso para ofender, mas ela não é estúpida. Olhe aqui Wavonna." Ela não olhou para mim, mas eu sabia que ela estava ouvindo. "Dê-me papel e um lápis."


A conselheira deslizou uma folha de papel e uma caneta esferográfica do outro lado da mesa. Eu coloquei a cadeira de Wavonna mais perto e disse: "Vá em frente e mostre a ela. Caso contrário, você vai ter que ficar na classe com a senhora barulhenta." Assim que eu mencionei a professora de educação especial, Wavonna pegou a caneta e a colocou no papel. Em primeiro lugar, ela escreveu o nome dela, puro como pode ser. Abaixo disso, ela escreveu seu alfabeto: Aa Bb Cc, e sobre como esse. Sob isto ela colocou os números. Então ela fez algo que eu nem sabia que ela conhecia. Ela virou o papel e escreveu: Cassiopeia. Próximo a isto, ela desenhou cinco pontos e os conectou. Em seguida, mais sete pontos que ela rotulou de Cepheus. Ela encheu o papel dessa forma. Os únicos que eu reconheci foram os Big e Little Dippers. A forma como a mandíbula da conselheira caiu, me fez rir. Eu ri bem no rosto daquela pobre mulher. Ri até que eu chorei. Antes de Wavonna, eu estava me sentindo muito bem. Meu câncer estava em remissão, e eu mesmo tive uma boa aposentadoria programada, antes de Wavonna se mudar. Depois de tudo que eu tinha passado no último mês, eu precisava de uma boa risada. Eles a colocaram em uma sala de aula regular, mas eu disse-lhes logo no início: "Não dê a ela um professor muito simpático." Eu soletrei para eles. Ninguém podia tocála. Eles não podiam esperar que ela falasse, mas eles não devem assumir que ela não estava ouvindo e aprendendo. Eu não fiz pedidos e eu não pedi desculpas. As coisas não estavam perfeitas, depois disso, mas ficaram ainda melhor. Ela viveu comigo durante quase dois anos, e em todo esse tempo, ela me tocou duas vezes. Sobre o que teria sido o quadragésimo aniversário de Irv e eu, eu tive um pouco de vinho e fiquei piegas. Wavonna tocou minha mão, meu anel de casamento. Para me confortar, eu acho. A segunda vez foi logo antes de Valerie ficar em liberdade


condicional, e eu contratei um advogado para ajudá-la a conseguir a custódia de Wavonna e o bebê que ela teve enquanto estava na prisão. Nós dirigimos para Tulsa para o aniversário de Leslie e me diverti muito: cantando, usando chapéus de bobo, e torcendo enquanto Leslie rasgava os pacotes. Depois de toda a grande comoção, as três meninas se acomodaram na sala de estar para jogar, enquanto Brenda e eu limpamos. Eu não poderia manter mais segredos, então eu sentei-me à mesa da cozinha e disse: "Eu estive conversando com o advogado de Valerie sobre este programa de transição, ela pode entrar." "Eu não sabia que ela ainda tinha um advogado. Você está pagando por isso?" Eu não respondi. Eu queria que não fosse o seu negócio, mas talvez fosse. "Bem. Então, o advogado de Val acha que ela pode entrar em algum programa?" Brenda corta uma segunda fatia de bolo de aniversário. Seu peso a persegue durante anos, porque ela come quando ela fica chateada. "É para as mulheres com filhos, para ajudá-la a se manter sozinha então ela pode cuidar de Donal e Wavonna." Eu sabia que iria causar um tumulto e causou. "Você está falando sério, mãe? Você realmente acha que Val pode cuidar deles? Você sabe como Vonnie é. Isso são competências parentais de Val ali. Uma filha que não vai falar, não vai comer, e foge à noite." "Ela está melhorando." "Eu sei. Você está fazendo tudo por ela. Eu… " Brenda colocou a mão no meu braço, e eu pude ver que ela realmente estava arrependida que tinha perdido a paciência. "Quero que Wavonna fique com sua mãe." Eu queria dizer isso. Eu queria que as coisas fossem simples e elas nunca foram.


"Você realmente acha que essa é a melhor coisa para ela?" "Val tem recebido tratamento. Este programa vai colocá-la em um apartamento, onde ela vai ter um conselheiro. Eles vão ter certeza que ela tome seu remédio, e a ajudarão a cuidar das crianças." "Bem, o que você precisa fazer? Existe papelada?" "Eu preciso que você vá a sua audiência de condicional e a sua audiência de custódia. Você vai ter que fazer isso, Brenda." "Por quê?" "Metástase." Wavonna estava até então em silêncio e nenhum de nós notou até que ela falou. "O que ela quer dizer?" Disse Brenda. "Mamãe?" "Ela deve ter me ouvido falar no consultório do médico. O câncer está de volta. Está em meus pulmões e meu fígado. Três meses eles pensam, talvez menos." Agora que nós estávamos falando sobre coisas duras, Leslie e Amy pararam de brincar com as Barbies e vieram ficar na porta ao lado Wavonna. Minha vontade era que Brenda fosse forte, mas ela começou a tremer e a chorar. Amy e Leslie choraram também. Elas estavam todas chorando, exceto Wavonna. Ela atravessou a cozinha e estendeu a mão para mim. Por um segundo, ela colocou a mão no meu peito, tocou aqueles peitos falsos de espuma que eu usava no meu sutiã. Eu a amava, tão certo como eu estava me preparando para deixar ela.


3 WAVY Junho 1977

Tia Brenda não quer que eu fique com a vovó no final. "Vamos, Bill vai levá-la de volta para Tulsa. Minha amiga Sheila está ficando em casa para cuidar das meninas enquanto eu estou aqui," disse a tia Brenda. "Ela vai com você em breve. Deixe que ela fique comigo," disse Vovó.

Ela

estendeu a mão e eu fui para ela, mesmo que eu não fosse corajosa o suficiente para tocála com a tia Brenda lá para ver. "Eu te amo, docinho. Eu te amo. Muito em breve eu estou indo ficar com seu avô Irv, mas se Deus quiser, você vai me ver de novo, Wavonna. Não por muito tempo, mas algum dia," disse ela. Por um tempo, vovó dormia, e tia Brenda foi até a cozinha para fazer café, mas ela se sentou à mesa e colocou a cabeça para baixo em seus braços a chorou. Quando o grande relógio deveria soar três horas, isso não aconteceu, porque ninguém se lembrou de dar corda. Tia Brenda estava dormindo. "Eu queria não ter medo. Parece tão bobo ter medo, mas isto parece como dirigir para um lugar novo e não saber para onde estou indo," Vovó disse quando ela acordou. Estávamos sozinhas, então eu segurei sua mão.


Eu pensei sobre o Sr. Arsenikos, nosso vizinho, onde vivíamos antes que mamãe fosse presa. Quando mamãe e tio Sean costumavam brigar, o Sr. Arsenikos deixava eu me esconder em seu quintal. Ele me chamava de seu "gato de rua," e me dava sanduíches de bacon. Às vezes, eles eram apenas gordura de bacon no pão macio, branco, mas às vezes eles tinham pedaços inteiros de bacon sobre eles. Depois que eu comia, ele sentava no balanço da varanda e me dizia os nomes das estrelas. Ele usava sua bengala para desenhar na terra, para que eu pudesse aprender. Ele foi um marinheiro de um barco chamado USS San Diego, que também é uma cidade na Califórnia. O seu barco afundou na Grande Guerra, e ele sabia qual maneira de remar o barco salva-vidas em direção a terra, por causa das estrelas. Sobre a colcha de chenille que foi esticada sobre a barriga da vovó, eu desenhei a Ursa Menor, com sua cauda apontando para baixo. "Ursa Menor está ao norte esta noite. Little Dipper," eu disse, porque a avó chamava assim. Eu desenhei na palma da mão dela, para que ela pudesse se lembrar. Ela assentiu com a cabeça. No momento em que o sol apareceu, ela estava dormindo de novo, e ela não acordou. Sr. Arsenikos disse que se você soubesse as constelações você nunca iria se perder. Você pode sempre encontrar o seu caminho de casa.

***

No funeral da vovó, a única coisa real era vovó em uma caixa de fantasia. Todo o resto era fingimento. Tia Brenda fingiu que não estava com raiva de mamãe.


"Oh, Val, eu estou tão contente de vê-la," disse ela. Tio Bill fingiu também. Antes que mamãe viesse, ele disse: "Vamos acabar com isso e tirá-la de nossas vidas," mas então ele a abraçou e disse: "Você está ótima, Val. Você precisa nos visitar mais vezes." "Quero que se reúna conosco para o Natal. Nós não podemos apenas nos ver em funerais," disse a tia Brenda. "Eu sei! Temos de manter contato. Eu não posso acreditar que já faz tanto tempo desde que nos vimos. Eu senti tanto sua falta," disse mamãe. Em seguida, ela trouxe o novo bebê para mim. "Este é o seu irmão mais novo, Vonnie. Este é Donal. Dê-lhe um beijo." Eu não sei por que mamãe queria que eu o beijasse, quando ela era a pessoa que disse que a boca era um lugar sujo. No caso disto ser um truque, eu só fingi beijá-lo. Depois do funeral, mamãe e Donal e eu fomos para o Programa de Transição. "Tudo vai ser diferente desta vez," disse ela. As primeiras duas semanas no programa foram diferentes. Ela foi a boa mãe e seguiu as regras. Ela lavou as nossas roupas e as colocou em gavetas no novo apartamento. Ela cozinhou o jantar. Ela não se escondeu em seu quarto e fumou seu cachimbo como ela fazia antes de ser presa. Então um dia ela acordou uma mãe assustadora, em vez da boa mãe, e eu sabia que as coisas não iam ser diferentes. Eu nunca sabia qual mãe ela seria quando ela acordava. Eu li os livros que ela recebeu do Programa. Ela deveria se RECONECTAR COM SUA FAMÍLIA! Isso significava que deveríamos COMER O JANTAR COMO UMA FAMÍLIA, mas todas as noites, depois que a mãe assustadora preparava o jantar,


sentava-se na varanda de trás, fumando cigarros e gritando através da porta de tela para eu comer. Eu não estava gostando disso. Eu sabia o que poderia acontecer se ela me pegasse comendo. Mesmo a boa mãe poderia dizer de repente, "Não coma isso! Isso é sujo!" E colocar os dedos na minha boca para tirar a comida para fora. Mesmo a boa mãe poderia derramar Listerine3 ardido na minha língua para deixá-la limpa. Ela sempre dizia: "As coisas podem ficar em você dessa maneira." As coisas más poderiam entrar através da boca e deixá-la doente. Assim como meus germes poderiam ficar em outras coisas e torná-las sujas. Quando Megan a assistente social veio para nos verificar, mamãe sorriu com tanta força que fez o meu estômago doer. Ela não ia ser a boa mãe. "Então, o que temos para o jantar hoje à noite?" Disse Megan. "Oh, nós vamos ter espaguete." Isso é o que mamãe sempre fazia. Eu tinha o livro de receitas da vovó, mas mamãe não me deixava cozinhar. Ela não queria que eu fizesse bagunça. "Como está todo o resto?" Disse Megan. "Você perdeu uma das sessões de grupo esta semana." "Oh, está tudo super bem. Eu só tive um pouco de dor de cabeça, isso é tudo. Obrigado por nos verificar." Mamãe sorriu, mas logo que Megan saiu, ela disse, "intrometida do caralho! É como uma comédia com um vizinho intrometido sempre aparecendo. Só que você mataria seu vizinho se ela intrometesse pela maneira como eles fazem na TV. Mate ela! Deus, eu não quero estar neste programa de TV estúpido mais!"

3

Enxaguante bucal


Enquanto mamãe estava gritando, Donal pegou sua escova de cabelo de sua bolsa e a colocou na boca. Antes que eu pudesse tirá-la de longe dele, mamãe viu. Uma vez, quando eu era pequena, eu coloquei seu cachimbo na boca, só para ver como era, já que ela gostava tanto. Água fervente e água sanitária poderiam deixar a maioria das coisas limpas, mas não o cachimbo. Estava tão sujo depois que eu coloquei na minha boca que teve que ser jogado fora. Mamãe pegou a escova de cabelo da minha mão e a levou para a cozinha. Eu sabia que ela estava voltando com Listerine ou agua sanitária, então peguei Donal e levei-o para o quarto. Mamãe Assustadora me arrastou para fora do armário e me espancou até que a escova deixou manchas de sangue nas minhas pernas, mas eu a impedi de colocar Listerine na boca de Donal. Depois disso, eu cuidava de Donal. Eu o alimentava e dava banho, porque a mamãe assustadora, ela daria banhos tão quente que faziam bolhas na pele dele. O livro do Programa também dizia, SEJA COMPATÍVEL COM SEUS REMÉDIOS, mas mãe não era. "Como é que eu vou manter todas essas pílulas certinhas?" Ela disse, mas quando eu tentei ler os vidros, ela me deu um tapa. Quando ela parou de tomar suas pílulas e começou a trazer garrafas de uísque para casa, ela era a mamãe Assustadora o tempo todo. Uma noite, depois que o uísque tinha acabado, quando Donal e eu deveríamos estar dormindo, ouvi as chaves de mamãe balançar. A porta do apartamento abriu e fechou. Eu não estava com medo de ficar sozinha, mas Donal era pequeno demais para cuidar de si mesmo. Ele estava de pé em seu berço, choramingando. Nós dois estávamos com fome, porque mamãe tinha jogado o jantar na lata de lixo. Ela disse que o espaguete


estava sujo e o leite estava azedo. Mesmo a boa mãe jogaria o jantar fora, mas, por vezes, a mamãe assustadora fazia isso para ser mau. O espaguete estava pegajoso e ainda quente no meio, e era mais seguro comer do lixo do que ter mamãe me vendo comer. Depois que eu comi, eu peguei o jarro de leite do lixo e enchi uma mamadeira. Donal tomou tudo, e depois que a mamadeira estava vazia, eu a lavei e guardei então minha mãe não saberia. Eu nunca soube o que era mais sujo, a minha boca ou o que eu colocava nela. Liam era assim também. Ele era uma coisa ruim que pode entrar em você. Ele não deveria me tocar. Ele iria me deixar suja. Quando mamãe estava brava com ele, ela me dizia, "Você não o chame de pai. Ele não é seu pai. Ele não é confiável." Ela me fazia repetir: "Liam não é confiável." Quando ela estava com raiva de mim, ela dizia "Não toque nele. Nem sequer olhe para ele." Eu estava mais suja do que Liam, porque eu não deveria tocar em ninguém, exceto mamãe e Donal, e às vezes nem eles. Eu quebrei a regra quando eu toquei vovó e Amy. O dia depois que ela me deixou sozinha com Donal, mãe ligou para Dee e pediulhe para vir visitar. Às vezes mamãe dizia que Dee era sua melhor amiga. Às vezes, ela a chamava de prostituta suja. Elas deviam estar amigáveis naquela noite, porque Dee veio e trouxe para mamãe um novo cachimbo. Elas fumaram e beberam toda a noite, e falaram sobre Liam. "Ele está dentro de mim como uma infecção. Tudo o que tem a fazer é olhar para mim com aqueles olhos. Eu poderia apenas me afogar neles." Da maneira como mamãe


dizia isso, eu sabia que ela queria que ele entrasse dentro dela. Ela queria que ele a infectasse. "Ele tem belos olhos. Olhos do Frank Sinatra. Você realmente vai deixá-lo?" Disse Dee. "Eu não sei. O que devo fazer?" Mamãe estava tão bêbada e chapada que ela nem se importou que ela bebeu da garrafa de uísque depois que Dee bebeu. "Ele quer ver você. Você deve muito a ele." Na noite seguinte, depois que eu estava na cama, Liam veio. Foi fácil para mim ouvi-los falar, porque a minha cama era contra o outro lado da parede. "Eu não posso ficar com você," mamãe disse-lhe. "Eles não vão me deixar terminar o programa se eu estiver com você." "O programa? A porra de programa? O que eles vão fazer por você?" "Eu estou conseguindo o meu certificado de secretariado." "Você está brincando comigo? Querida, eu estou aqui para cuidar de você. Quando nos casamos, eu disse que ia cuidar de você. Arrume suas coisas e vamos embora." Quando mamãe entrou no nosso quarto, ela estava rindo. "Acordem, bebês. Nós vamos com o papai." A mão dela era suave e flutuante quando ela a colocou na minha cabeça. Ela nem percebeu que eu estava vestida sob as cobertas, pronta para fugir. Donal e eu estávamos no banco de trás, enquanto Liam nos levou para longe. Eu assisti as estrelas passarem pela janela de trás. Em primeiro lugar, fomos a um motel, e mamãe tomou as pílulas que Liam lhe deu. Por alguns dias, ela estava feliz e disse coisas agradáveis. Em seguida, Liam nos levou para a casa da fazenda, que estava no prado.


"Eu e Butch temos negócios para cuidar," disse ele. "Dirigir sua moto e trepar comigo? Esse tipo de negócio? Eu te odeio. E eu odeio essa porra de lugar," disse mamãe. Ela odiava os pisos entortados, as manchas de ferrugem na banheira, e a forma como as janelas chacoalhavam quando o vento soprava. "Querida, não seja assim." A voz calma de Liam significava que algo ruim poderia acontecer. "Você acha que pode me deixar aqui esperando por você? Você pode pensar de novo, porque eu… " Mamãe pareceu surpresa quando Liam bateu na boca dela, mas isto sempre acontecia. Enquanto ela estava chorando, ele se arrastava sobre ela, com a mão na parte de trás do pescoço dela, e dizia coisas suaves. Então ele saiu, e mamãe tirou o vestido bonito e se deitou na cama o dia todo. Mamãe Triste não se importou quando Donal gritou e chorou muito. "Eu estou tão sozinha," disse ela. Donal e eu não contávamos.


4 WAVY Julho 1977

No primeiro dia na fazenda, enquanto Liam e mamãe gritavam um com outro, Donal e eu nos escondemos no sótão. O segundo dia, quando Butch veio trazer pílulas para mamãe, Donal e eu nos escondemos no porão. No terceiro dia, eu andei através do prado para ver o moinho de vento. Eu pensei que era o dia do meu aniversário, mas eu não sabia, porque o calendário na fazenda era de 1964. Ninguém procurou por mim no prado. Nem Donal, que não tinha idade suficiente para andar. Nem mamãe, que dormia, enquanto Donal gritava. Nem Liam, que tinha negócios para cuidar. Ninguém procurou por mim até que o gigante chegou ao pôr do sol. Eu estava andando de volta para a casa da fazenda para alimentar Donal, quando um farol apareceu na estrada. Corri para onde o prado encontrava com a estrada e sai para ver a moto passar rugindo. O gigante virou a cabeça para olhar para mim e seu cabelo esvoaçava como asas de pássaros. Cascalho foi jogado das rodas e, em seguida, a moto derrapou e caiu. O gigante caiu fora e a moto deslizou no prado, ainda rugindo, seus pneus girando. Quando cheguei perto ele, o gigante estava deitado na estrada com seus braços e pernas espalhados. Eu não sei por que eu não estava com medo. Talvez porque ele era


tão grande. Maior do que todos os que me fizeram sentir pequena. Talvez porque o céu estava azul-púrpura-vermelho-laranja e a lua era uma pequena porção de unha. Agachei-me ao lado dele e toquei seu ombro, onde sua camiseta preta estava empoeirada. Três longos arranhões em seu braço esquerdo pingavam sangue na estrada. Ele abriu os olhos e sussurrou; "Doce Jesus. Você é real?" Eu balancei a cabeça. Era mais seguro do que falar. As palavras eram complicadas e você tinha que abrir a boca. As coisas poderiam ficar em você dessa maneira, também. O gigante sentou-se. Ele colocou a mão sob o cotovelo e fez uma careta. "De onde você vem?" Disse. Eu apontei para a casa da fazenda. "Você não é um anjo?" Eu balancei minha cabeça. Ele teve que soltar seu cotovelo para levantar-se sobre os joelhos. Ar escapou entre seus dentes e seu braço pendia mole. O gigante precisava de mim, da maneira que Donal precisava. Isso me fez valente o suficiente para não fugir quando ele colocou a mão na minha cabeça. "Você tem folhas em seu cabelo," disse ele. Ele as pegou com a mão grande, trêmula. Quando ele olhou para mim, eu olhei de volta. Seus olhos eram tão suaves, eu tinha certeza que ele não iria ficar dentro de mim como uma infecção. Não como Liam e seus duros olhos azuis. Bobagem pensar que eu poderia ajudar um gigante, mas eu coloquei meu braço em torno dele, e ele se inclinou para mim. Rápido, se não ele não me pegaria, eu senti o cheiro dele. Seu cabelo oleoso cheirava a hortelã, sujeira e sangue. Em seguida, ele ficou de pé, e eu coloquei meu rosto perto de sua camiseta para preencher o meu nariz com o


resto do cheiro do seu corpo. Suor e gasolina e algo delicioso: bacon. Juntos, nós andamos com dificuldade até a moto, porque seu tornozelo estava machucado também. "Você pode desligá-la, tirar a chave?" Disse o gigante. No final da corrente da chave girava um pequeno crânio de prata. Ele não tinha uma mão para pegá-la, então eu a enfiei no bolso do seu jeans. A fivela do cinto era grande e prata com três pedras nublado-vermelhas. Como o cinturão de Órion. Com a mão no meu ombro, nós caminhamos até a estrada para a casa. Ele falou durante todo o caminho. Avó falava demais, com medo da calma, mas ele não estava. A conversa foi para me fazer sentir segura. O gigante me contou sobre a moto. Uma Panhead. Setenta e quatro polegadas cúbicas. Pintura personalizada. Provavelmente toda a merda fodida. Ele disse que eu o surpreendi, de pé no prado com o meu cabelo esvoaçando. Como uma fada, ele disse. Quando toquei a grande tatuagem em seu braço, ele me contou sobre ela. Ferradura, trevo da sorte. "Eu digo a você, eu não estou me sentindo como um filho da puta de sorte hoje," disse ele. Ele me perguntou se eu tinha visto raposas no prado, mas perguntou apenas para deixar um espaço tranquilo para mim dizer alguma coisa, se eu quisesse. Nos degraus de pedra que iam da estrada para a casa, ele sentou-se, segurando o braço apertado e respirando com dificuldade. "Você pode ir chamar alguém para mim?" Ele disse. O telefone estava na parede da cozinha. Eu sabia como funcionava, mas eu nunca usei. Você não pode cheirar as pessoas do outro lado do telefone. E as orelhas são aberturas para as coisas conseguirem entrar em você.


O sangue escorria da cabeça do gigante e sua camiseta estava ensopada. Algo branco que eu pensei que era um osso apontava para fora do seu braço. Eu balancei a cabeça. Ele me disse os números. Em seguida, ele escreveu com o dedo no meu braço em listras de sangue. "Você conhece os números?" Ele pensou que eu não sabia ler, porque eu era pequena. Para mostrar a ele que eu entendi, eu coloquei minha mão na minha orelha para fingir usar o telefone. Então eu pensei em um problema. "Quem é você?" Eu disse. "Eu sou Kellen. Jesse Joe Kellen." Comecei a ir, mas ele disse: "Espere. Qual o seu nome?" Eu nunca disse isso antes. Eu tentei uma vez sem som para ver como parecia em minha boca. Em seguida, com a respiração: "Wavonna." "Você vai ligar pra mim, Way-vonna. Diga a eles o que aconteceu." Corri até a casa e disquei com um dedo trêmulo, girando o pequeno círculo e esperando por ele bater de volta depois de cada número. Toca, toca, em seguida, clica e alguém respirando. "Quem é?" Disse Liam. Um calafrio me percorreu. Liam não é confiável. "Quem diabos é?" Minha garganta estava tão apertada, eu não sabia como as palavras saíram. Eu sufocava, mais e mais, até que finalmente saíram. "Sua moto está destruída. Kellen." Disse o nome dele, eu sabia que o gigante valia a pena o risco de Liam falando no meu ouvido. "Vonnie? É você? Onde diabos está Val?"


"Dormindo. Kellen destruiu. Em sua moto." As palavras feriram minha garganta, como um biscoito descendo pelo caminho errado. "Pelo amor de Deus, eu estou voltando. Vou mandar alguém." "Rápido. Ele está sangrando." Eu desliguei, peguei o pano de prato, e corri de volta para o gigante. Kellen. O sol tinha sumido, enquanto eu estava lá dentro, então ele era uma sombra e meu vestido branco brilhou ao luar. "Você ligou?" Perguntou ele. Eu balancei a cabeça. Gentil como eu poderia ser, eu envolvi a toalha em torno de seu braço. O sangue encharcou a toalha e avançou na minha mão. Agachei-me na frente dele, observando seus olhos de longe. Ele estava se perdendo. "Kellen." Eu coloquei minha mão em seu rosto e trouxe-o de volta para mim. Quando eu apontei para o Norte, ele virou a cabeça para olhar. "Cassiopeia. Andrômeda. Perseu. Cepheus. Cygnus. Ursa Menor." Com o sol se pondo, nós poderíamos ver todas as estrelas e os planetas também. Mercúrio, Saturno, Júpiter, Vênus, Marte, como escadas da lua para o prado. Eu continuei nomeando-as até que ouvi um carro chegando pela estrada. Depois que Liam e Butch levaram Kellen embora, eu pensei sobre como ele deixou espaços para mim quando ele falou. Se eu o visse novamente, eu decidi que eu poderia colocar palavras nesses espaços.


5 KELLEN Agosto-outubro 1977

Eu teria ido no dia seguinte para ver a menina do prado, mas o acidente de moto comigo me transformou em hambúrguer. Acabei com uma concussão, um ombro deslocado, três costelas rebentadas, um tornozelo torcido, e meu braço quebrado em dois lugares com o osso exposto. Depois que eu passei uma semana no hospital, foi mais de dois meses antes que eu pudesse fazer qualquer trabalho para Liam. Dois meses esperando no Cutchein Small Engine. O velho era decente comigo e eu gostava do trabalho. Quando você passa o dia colocando motores, você vai para casa sentindo como você fez algo de valor. Uma vez que eu estava curado o suficiente para ser de qualquer uso em uma luta, eu fiz algumas corridas para Liam. Eu e Butch seguimos de Monte Carlo para Des Moines, porta-malas cheio de metanfetamina. Dinheiro bom. O verão estava perto de acabar quando eu voltei na casa da fazenda. Ninguém respondeu quando bati, mas a porta estava destrancada. Assim que entrei, o fedor de pratos sujos me bateu. A pia da cozinha estava cheia deles, com as moscas zumbindo na comida podre. Todas estas taças e copos com bolor crescendo no fundo. "Olá? É Kellen, lá do pé da colina. Alguém em casa?" Eu gritei.


Ninguém respondeu, mas no quarto longe do corredor de entrada, ouvi alguém roncando, apenas um pouco mais alto do que uma mosca zumbindo. Eu coloquei a minha cabeça pela moldura da porta e quem estava na cama rolou. Uma perna fina, branca e um pedaço de cabelo escuro apareceram para fora das cobertas. A esposa de Liam? Dei um passo para trás, então eu não podia vê-la. "Senhora Quinn? Eu estava procurando pela garota loura. Wavy?" Estava confuso como o inferno na minha cabeça. Mais do que um par de vezes no hospital, eu pensei que talvez eu tivesse sonhado. "Ela levou Donal em algum lugar." Eu não sabia quem era Donal, mas pelo menos a menina era provavelmente real, já que a esposa de Liam não disse, "Que diabos você está falando?" "Precisa de alguma coisa, Sra. Quinn? Você está bem?" "Quem é você?" Disse ela. "Jesse Joe Kellen. Uh, eu trabalho para Liam." "Idiota do caralho." "Eu estou indo. Desculpe-me por incomodá-la." Eu voltei pelo corredor, esperando que todo o negócio não voltasse para Liam. Estava com a minha mão na maçaneta da porta, no meu caminho para fora, quando a bagunça na cozinha me chamou atenção novamente. A garota estava vivendo ali naquela imundície?

***


Era o final de outubro, quando que eu fui à casa novamente. Meu braço doía, sempre que eu fazia qualquer trabalho na minha moto, eu pensei sobre a maneira como a garota colocou a mão no meu rosto e disse meu nome. Passei anos tentando conseguir que as pessoas parassem de me chamar de Junior, mas dane-se se essa não foi a primeira vez que eu realmente senti como Kellen fosse meu nome. Depois que eu peguei a moto de volta do concerto, o primeiro lugar que eu a levei foi para a estrada até a casa de Liam. O tanque de gasolina continuar sendo prateado me deixou cauteloso, acelerei calmo indo pelo caminho até a casa. A porta da cozinha estava aberta de novo, e quando eu a abri, a garota estava lá. Ela estava ao lado da mesa, com o cabelo penteado liso, sem folhas nele. Havia um bebê, também, agarrando-se a seu vestido, e foi assim que me lembrei da razão que eu tinha sido enviado para a casa na noite em que me acidentei. Um saco de mantimentos. Ricki tinha ido à loja, mas ela não podia levar a comida até a casa, ela sendo a namorada de Liam e sua esposa provavelmente não gostaria disso. Então Butch disse, "Corra com isso até lá, Kellen, antes que o leite estrague." Agora que eu podia ver que a menina era real, eu não sabia o que dizer. Talvez isso fosse tudo que eu precisava. Ela ficou ali, segurando o menino pelas alças do macacão e não disse uma palavra. "Ei, Wavy," eu disse. Eu pensei que era o nome dela e do jeito que ela olhou para mim, como se estivesse surpresa me lembrei; ele devia estar. Ela se endireitou e soltou o bebê. "Eu não matei você?" "Nem mesmo perto. Eu estou tão bom como novo. Não foi sua culpa de qualquer maneira." Eu disse isso bem rápido, não querendo que ela se sentisse mal, mas ela franziu a testa. "Só que eu não estava esperando vê-la lá fora. Quando eu bati naquele


cascalho e o pneu da frente derrapou, eu corrigi demais. Tombando a moto como um idiota. Não é sua culpa. Enfim, eu só queria dizer obrigado por me ajudar." Isso era o que eu queria enquanto ela estava olhando para mim, mas quando ela olhou por mim, o que eu mais queria era que ela olhasse para mim novamente. A maioria das pessoas olha para você como nada, mas a forma como ela olhou para mim ... foi como se estivéssemos no prado novamente. Como se eu fosse importante. As pessoas não costumam olhar para mim assim. "Este é Donal? Ele é seu irmão?" Ela inclinou a cabeça e franziu a testa. Lá na estrada, ouvi o som familiar que eu não pude identificar. Eu estava apenas olhando para seu rosto. Seu cabelo e seus olhos. Então olhei para ela toda. Ela estava usando um casaco, com uma mochila sobre os ombros. "Você vai a algum lugar?" Eu disse. "Escola." Assim que ela disse isso, eu me senti como uma droga. Esse era o ônibus que ela estava esperando e foi-se agora. "Posso te dar uma carona, tudo bem? Desde que fiz você perder o ônibus." Ela me olhou séria e assentiu. Você não pensaria que alguém tão pequeno como ela poderia pegar um bebê desse tamanho, mas Wavy o lançou sobre seu quadril. Ela era mais forte do que parecia. O bebê começou lamentar quando ela o levou, e ele ainda estava lamentando de algum lugar da casa, quando ela voltou para a cozinha. Esperei que ela dissesse alguma coisa, mas ela caminhou para fora da porta. Eu estava deixando ela atrasada para a escola.


Eu não tinha pensado em tudo sobre como ela iria montar na moto, mas eu fiz isso da única maneira que eu podia fazer. Eu coloquei minhas mãos em volta da sua cintura e a coloquei sobre o assento. Suas costas ficaram duras e seus olhos se arregalaram, então eu poderia dizer que eu errei. Eu a deixei como uma batata quente, e ela sentou-se na parte de trás da moto. "Segure-se firme, ok?" Eu disse depois que eu liguei o motor. Ela não respondeu e ela não me tocou. Eu me senti como um torrão de terra, como se eu tivesse perdido alguma coisa importante. "Você já montou em uma moto antes?" Eu olhei para ela no espelho retrovisor do lado. Ela franziu a testa e balançou a cabeça. Imagina isso, a filha de Liam e ela nunca tinha estado em uma moto. A maioria dos caras loucos por motos como ele, levam seus filhos para passear de moto. "Nós vamos ir muito rápido, então você precisa agarrar em mim. Eu não quero que você caia," eu disse. Não era como se ela pudesse colocar os braços envolta de mim, mas ela apertou de um lado do meu casaco, e segurou o cinto com a outra mão. Fora na rodovia, sua saia se agitou em torno de nós, então eu alcancei a costas e a enfiei entre nós. Fazendo isto, minha mão roçou seu joelho acidentalmente, e ela se afastou de mim. Ela sendo tão leve me deixou nervoso. Era como ter nada na parte de trás da moto. Bati o freio dianteiro deslizando ela para perto de mim, apenas para tranquilizar-me que ela estava lá. Assim que eu fiz, sua mão soltou-se onde ela estava segurando na minha jaqueta. Por alguns segundos ela não estava me tocando, meu coração parou. "Segure-se firme. Não se solte!" Eu gritei. Ela apertou de volta no meu cinto e minha jaqueta.


No sinal de trânsito na cidade, nós encontramos o ônibus e seguimos para a escola. Eu estacionei a moto na calçada da frente e, assim que paramos, Wavy deslizou da parte traseira. Por um segundo, ela balançou para frente e para trás, tentando fazer com que sua saia se ajeitasse. Eu estava preocupado que ela estava prestes a tombar, mas quando eu fui para agarrá-la, ela descansou a mão na minha coxa para se firmar. Então ela empurrou e correu até a calçada em frente das crianças que saiam do ônibus. Todos olharam para mim na minha moto no meio da calçada. "Ei, Wavy! A que horas?" Eu gritei. Ela virou-se para trás e olhou para mim. "Que horas eu preciso vir buscá-la?" Ela levantou três dedos. O monte de crianças saindo do ônibus a prenderam. Um deles bateu os ombros com ela, olhou para mim como se de propósito. Então ela abaixou sua mão e empurrou o seu caminho para dentro do prédio. Eu fui embora sentindo como se eu a tivesse entregue nas portas do inferno. Eu nunca gostei da escola, estava sempre à procura de desculpas para ficar longe, mas quando eu pensei sobre a bagunça na casa da fazenda, eu poderia ver porque Wavy queria ir. Tudo o que eu estava pensando quando eu voltei até lá, era que eu poderia tornar as coisas um pouco melhores para ela. Na casa de um estranho, era fácil ver o que precisava ser feito. Fui lá achando que tinha acabado de lavar os pratos, mas então eu não poderia deixar o bebê chorando em calças sujas. Não é minha coisa favorita, mas eu posso trocar uma fralda. Eu consegui limpar o garoto, e, em seguida, eu fervi uma panela de mingau de aveia, retirando os insetos quando eles flutuaram na superfície. Quando esfriou, eu mexi um pouco de mel cristalizado e alimentei a criança com isto. Ele parecia


gostar muito. Gostava de mim, também. Dando tapinhas em mim e sorrindo grande quando eu falei com ele. Até o velho Cutcheon me chamar para trabalhar na garagem, eu era um lavador de louça na parada de caminhões. Não é difícil, até mesmo agradável. Exigindo pouco esforço. Lavar e enxaguar. Algumas coisas foram longe demais - uma frigideira queimada e enferrujada, uma tigela de leite tão rançosa que eu quase sufoquei sobre ela. Joguei estes na lata de lixo atrás do celeiro. Isto me deixou um pouco chateado, vendo onde Wavy estava tentando fazer as coisas decentes. Havia mamadeiras limpas, e ela devia ser a pessoa que esfregou a banheira para deixa-la cinza. Eu a limpei de novo com agua sanitária e bórax, ficou quase branca. Me custou uma boa hora de joelhos, esfregando até que meu braço onde foi colocado os parafusos começou a doer. Para o almoço, eu encontrei uma lata de sopa de tomate com alguns biscoitos salgados obsoletos. Uma mordida para Donal, uma mordida para mim. Não era pior do que eu comi quando bebê. Não impediu meu crescimento. Nesse ponto eu estava lá há quase quatro horas, e eu não tinha ouvido um pio da Sra. Quinn. Isso me assustou, então eu fui até a porta do quarto e chamei seu nome. "Deixe-me em paz," disse ela. Os lençóis da cama estavam tão sujos que tinham ficado amarelos. Eu acho que ela deve ter se levantado em algum momento e levou Wavy para se inscrever na escola. A menos que Liam ou uma de suas namoradas fez isso. "Senhora. Quinn, está com fome?" Eu disse. "Vá embora."


Uma vez que eu deixei a cozinha e o banheiro limpos, e Donal estava cochilando, eu olhei ao redor do resto da casa. O quarto de Wavy era no sótão, pequeno, com uma longa janela em cada extremidade. A janela sobre a varanda da frente tinha uma treliça sob ela. Apenas videiras mortas no inverno, mas poderia ser madressilvas vindo com a primavera. Wavy não tinha arrumado sua cama, mas os lençóis pareciam limpos e tinha uma colcha na parte superior. Havia um conjunto de prateleiras com alguns livros e o tipo de porcaria que eu costumava recolher quando eu era criança. Uma velha garrafa roxa de vidro, um crânio de gato, uma rocha com um buraco no meio, um ornamento de capô, uma mão de um manequim. Apenas o material que chama por você. Nas vigas, um par de pregos que tinham vestidos pendurados. Eu levantei um, e sob ele estava uma camiseta e um par de calcinhas. Eu saí de lá, sentindo-me como um espião. Voltei para a escola, assim que os ônibus escolares vazios estacionavam na frente da escola. É por isso que Wavy me deu um olhar engraçado quando eu perguntei a ela que horas ela deixaria a escola. Ela tinha perdido o ônibus, mas ela podia pegar o ônibus de volta para casa. Exceto que eu disse que eu estava voltando para levar ela. Eu não gosto de dizer alguma coisa e não seguir adiante. Muitas pessoas fazem isso dessa maneira. Quando Wavy saiu, ela tinha um grupo de crianças seguindo-a. Ela desceu a calçada em direção a mim, sem olhar para a direita ou para a esquerda. Imaginei que as crianças deviam estar chateando ela, do jeito que ela olhou. Pequenos idiotas. "Ei, Wavy," eu disse quando ela chegou perto de mim. Ela subiu na moto, sem qualquer ajuda, pronta para sair de lá. Coloquei a moto em movimento e acelerei para


longe daquelas crianças olhando. Eu não tive que dizer para ela se segurar, tampouco. Ela agarrou meu casaco apertado e não soltou. Não havia muita comida na casa da fazenda, por isso fomos até o velho Biplane Drive-Thru para pegar hambúrgueres e batatas fritas. Eles estariam frios quando chegássemos de volta em casa, mas eles ainda estariam bons para comer. Quando chegamos à casa, Wavy parecia francamente assustada quando ela abriu a porta e viu a cozinha. Ela soltou a maçaneta da porta e deu um passo para trás distante o suficiente para esbarrar em mim. "Mamãe limpou?" Ela sussurrou. "Não, eu fiz isso. Eu não tinha mais nada para fazer hoje e eu percebi que você estava ocupada na escola. Você sabe que costumava ser o meu trabalho, lavar pratos. É um bom trabalho. Meio que permite que você desligue seu cérebro. Minha coisa favorita é apenas fazer círculos nos pratos e tigelas." Eu queria fazer algo bom, e ela parecia que ia chorar. Eu coloquei minha mão em seu ombro, ou seja, para abraçá-la, eu acho, mas ela colocou as mãos contra a minha barriga e me empurrou para longe. "Eu sinto muito. Eu não queria ... " Ela estremeceu seu corpo todo, antes que ela entrasse. Eu não tinha certeza se ela estava chateada, mas ela olhou para mim, então eu a segui. "Prataria você leva mais tempo para lavar," eu disse. "Por causa de como o alimento ficam presos nos garfos. Ovos especialmente são um pé no saco, uma vez que seca em algo." Era fácil falar com Wavy dessa forma. Ela não parecia se importar com o que eu dizia, mas seus ombros estavam relaxados.


"Cara, eu estou com fome. Espero que esses hambúrgueres não estejam muito frios." Preparei os pratos, um hambúrguer e batatas fritas em cada um. Ela me observou fazer isto e, quando eu coloquei os pratos em cima da mesa, ela alcançou a cadeira na minha frente. Eu me sentei nela, lutando com aqueles pequenos pacotes de plástico de ketchup. Ela abriu um, eu imaginei ser para ela, mas ela apertou-o no meu prato. Em seguida, outro. O tempo todo que eu comia, ela me observava, mas não fez mais do que tocar na sua comida. Depois que eu terminei, ela pegou o prato na frente dela e levou-o pelo corredor até o quarto da Sra. Quinn. Arrumei outro prato para Wavy, mas quando ela voltou, ela estava segurando Donal. "Aqui, por que não posso segurá-lo, enquanto você come o seu jantar?" Eu disse. Ela colocou o bebê no meu colo, mas ela não se sentou. Em vez disso, ela caminhou pela cozinha, uma pequena mão correndo ao longo da borda da pia, o fogão, a frente da geladeira, como se estivesse testando o quão limpo estavam. Quando ela chegou ao final da bancada, deu um passo atrás de mim. Eu me virei, mas depois percebi que ela estava me verificando, certificando-se de que podia confiar em mim. Meu pescoço eriçou-se dela me observando. "Dói?" Disse ela. Esfreguei os meus cortes com a palma da minha mão. Uma vez que meu cabelo crescesse, você não seria sequer capaz de ver a cicatriz que estava na parte de trás da minha cabeça. "Nah. Eu te disse, eu estou tão bom como novo. Não foi tão ruim, realmente."


Além do braço esfolado na estrada, eu acabei com essa cicatriz como uma centopeia, as marcas dos pontos saindo dela pareciam pernas. Ela deu mais um passo para a esquerda e olhou para ela. "Essa dói um pouco. Eles tiveram que me operar." Eu alcancei em volta de Donal para ergue minha manga e mostrar-lhe o tamanho que era a cicatriz, apenas aquela vontade de mostrar uma boa cicatriz. O jeito que ela franziu a testa, eu desejei que eu não tivesse mostrado. "Não foi culpa sua," eu disse. "Eu sei melhor do que chegar a esse caminho tão rápido. É uma sorte para mim que você estava lá. Se eu tivesse acidentado sem ninguém por perto, eu poderia ter morrido." Ela balançou a cabeça. Ela não estava aceitando isso.


6 SENHORITA DEGRASSI Setembro-Novembro 1977

Em seu primeiro ano de ensino, Lisa DeGrassi teve Wavonna Quinn em sua classe da terceira série. Um dos quatorze nomes da turma. Lisa viu todos eles como possibilidades. A maioria dos pais das crianças veio no primeiro dia para conhecer o professor, mas Wavonna chegou sozinha e entrou no escritório mais próximo da porta. "Oi! Eu sou a Sra. DeGrassi. Você está na minha classe?" A menina abriu a mochila e entregou a Lisa uma cópia de seu formulário de inscrição. Wavonna Quinn, oito anos de idade, os pais Valerie e Liam Quinn, um endereço de rota rural. A letra era dificilmente legível, e na parte inferior do formulário, onde havia um lugar para os pais escrever comentários-alergias, restrições por saúde alguém tinha rabiscado duas linhas curtas. A primeira era. "Ela não vai falar." A segunda parecia "Não tente ensiná-la." Isto perturbou Lisa. Os Quinn eram tipos antigovernamentais do interior? Contrapondo-se ao sistema de ensino público, mas legalmente obrigados a enviar o seu filho? Qual fosse a política de seus pais, Wavonna não protestou quando Lisa a levou a uma mesa mais central, e ela ansiosamente preencheu a planilha matemática que Lisa distribuiu após o almoço.


O problema veio quando era hora de passar as planilhas para frente, e o menino atrás de Wavonna bateu em seu ombro. Ela virou-se em sua mesa e lhe deu um soco no braço, espalhando as planilhas. "Wavonna!" Lisa estava em sua mesa, lutando por algo a dizer. "Não temos permissão para bater." Na mesa do castigo no fundo da sala, Wavonna parecia indiferente à punição. Sem nada para fazer, ela não se incomodou ou colocou a cabeça sobre a mesa. As planilhas dadas, ela as fez sem se queixar. Durante o período de planejamento, enquanto as crianças estavam em PE, Lisa reavaliou a nota rabiscada no formulário de inscrição de Wavonna: Não tente tocá-la. No final do dia, depois que as crianças saíram, Stacy, a outra professora da terceira série, veio para conversar. Ela era alguns anos mais velha que Lisa e a coisa mais próxima de uma amiga que Lisa tinha encontrado em Powell. "Você tem a garota Quinn em sua classe," disse Stacy. "Você a conhece?" "Não ela. Ela foi transferida para cá de outro estado. Sua mãe, sim. Eu estava na secretaria quando ela veio registrar a menina para a escola." Era uma história que Lisa iria ouvir várias vezes nas próximas semanas. Valerie estava bêbada ou drogada. Ela arrastava suas palavras e mal podia segurar a caneta para preencher a papelada de registro. Ela pagou com cem dólares – o custo do registro que eram apenas doze dólares para o ano - e saiu sem seu troco. Seu cabelo era um ninho de ratos enlouquecido de nós e ela estava usando o que uma pessoa descreveu como uma camisola. Com saltos pretos transparentes.


E ela fedia. O assistente principal acrescentou este detalhe: "Quero dizer, realmente fedia. Como se ela não tivesse tomado banho em semanas." Wavonna não fedia. A lição de casa, ocasionalmente, voltava com cheiro de cigarros, mas havia outras crianças na classe com menos cuidado em casa. Crianças que vieram com a mesma roupa três dias seguida com o sono visível em seus olhos e os dentes não escovados. Em seguida, houve a recusa de Wavonna para almoçar. No quarto dia de escola, ela não estava com o resto da classe quando Lisa foi escoltá-los do refeitório. Wavonna sentou-se à mesa do professor com uma bandeja na frente dela e Sra. Norton olhando para ela. "Existe um problema?" Disse Lisa. "Eu tenho uma regra para o almoço. Todo mundo tem que experimentar um pouco de tudo em uma refeição. Ela não vai." Lisa discordava com isso, mas em sua primeira semana de ensino, não havia maneira de discordar de uma veterana de trinta anos como a Sra. Norton. "Quando você vai mandá-la de volta para a aula?" Disse Lisa. "Depois que ela tiver experimentado de tudo." As 14h55, pouco antes do sino bater para ir embora, Wavonna voltou para a aula com uma nota da Sra. Norton. Em vez de tentar uma mordida de cada item, ela preferiu sentar-se no refeitório vazio enquanto o faxineiro limpava. PE também era um beco sem saída. Enquanto as outras crianças corriam, gritando e rindo, Wavonna sentava-se na arquibancada e lia. Se tirasse seu livro, ela se sentava na arquibancada olhando para o nada.


Ela era teimosa, mas pelo menos ela era inteligente. Sua leitura era acima do nível da turma e ela raramente marcou menos de 100 por cento em suas planilhas de matemática. Ela era uma estudante problemática, mas ela tinha menos problemas do que a maioria. Em seguida, o primeiro frio da temporada atravessou a escola, e Wavonna ficou doente. Três dias depois, ela voltou para a escola com uma mulher parecendo séria, que marchou para a sala de aula e disse: "Quem é a professora aqui?" "Eu sou a Sra. DeGrassi." "Eu sou Valerie Quinn." A mulher era alta e magra, com cabelos castanhos, mas esta senhora Quinn não fedia ou falava palavrões. Ela estava vestida com uma camiseta branca, calças brancas, sapatos vermelho, e ela usava o cabelo puxado para trás deixando seu rosto à mostra. "Quantas vezes você desinfeta as mesas?" Disse a Sra. Quinn. "Tenho certeza que o zelador faz isso regularmente." "Você tem certeza? Como você tem certeza? Você vê o zelador fazendo isto? Ou você simplesmente assume que ele faz isso?" Lisa começou a dizer, "Eu acredito que o zelador está fazendo o seu trabalho,", mas ela nunca chegou a terminar. Mais tarde, quando ela contou a história, ela descobriu que não havia maneira de exagerar para mais risos. "Tem que ser todos os dias. Todo dia. Diga comigo: as mesas têm de ser desinfetadas todos os dias. As crianças são germes. Eles estão cobertos de germes. Estes, estes, estes pequenos doce anjinhos…" Naquele ponto da história, Lisa protegeu seus alunos com seus braços um dedo apontado acusadoramente para eles, sempre consciente


de que ela nunca iria dominar o gesto de desprezo de Valerie Quinn. "…são fábricas repugnantes de doenças. Esses anjinhos vão ao banheiro e não lavam as mãos. Eles estão trazendo seus germes de volta a esta sala de aula está impregnada em cada superfície." A crítica severa durou até a senhora do refeitório enviar Sr. Bunder, o professor de educação física, para ver por que os estudantes de Lisa estavam atrasados para o almoço. Ele encontrou-os no encalço da implacável Sra. Quinn falando sobre as falhas deles de higiene. Sr. Bunder foi capaz de convencê-la a vir para a recepção, onde ela descarregou sobre o diretor e o zelador e a enfermeira da escola, também. Quando acabou, o Sr. Bunder sacrificou sua hora de planejamento para manter os alunos de Lisa no ginásio, enquanto Lisa voltou para sua sala para se recuperar. Sozinha, ela se sentou em sua mesa e chorou. Quando ela levantou a cabeça, ela encontrou Wavonna sentada no banco sob a chapeleira, lendo um livro. Ela tinha estado lá o tempo todo, enquanto sua mãe fazia tumulto. "Você está bem, querida?" Disse Lisa. Sem olhar para cima, Wavonna assentiu. Isto fez Lisa querer que houvesse algo que merecesse ligar para o Serviço de Proteção à Criança. Um hematoma suspeito, uma aparência de desnutrição, qualquer coisa para conseguir afastar a garota longe da sua mãe louca. Sr. Bunder assumiu que a situação era um pouco diferente. Depois de ter Wavy em suas aulas de educação física por dois meses, ele sugeriu que ter um filho como ela deixaria você maluco. "O que veio primeiro? O frango louco ou o ovo louco?" Disse. Em novembro, as coisas melhoraram. Talvez tenha sido a influência do pai de Wavonna, que começou a deixá-la e buscá-la quase todos os dias. Isso foi ao mesmo tempo em que ela começou a escrever Wavy em seus papéis em vez de Wavonna.


Quando a mãe louca e o pai Anjo do Inferno não apareceram para a reunião de pais e professores, Lisa enviou uma carta para casa. Então ela ligou, mas ninguém respondeu. Finalmente, ela fez o que ela tinha sido muito covarde para fazer em primeiro lugar. No final do dia, ela caminhou com Wavy para onde o Sr. Quinn esperava em sua moto, as mãos apoiadas no guidão. Com sua jaqueta de couro entreaberta, Lisa podia ver manchas de suor debaixo dos braços de sua camiseta gordurosa. Ele era enorme e sólido, e se Wavy não estivesse lá, Lisa poderia ter recuado de sua intenção de confrontá-lo. "Oi! Eu sou a Sra. DeGrassi. Eu sou a professora da Wavy." Ele assentiu. "Fiquei triste de não vê-lo e a Sra. Quinn na reunião de pais, mas eu gostaria de encontrar com você para falar sobre como Wavy está. Enviei uma carta sobre as reuniões. Talvez vocês não receberam?" "Uh, desculpe," disse ele. "Talvez você pudesse entrar agora? Levaria apenas alguns minutos." Ele olhou para Wavy, e Lisa teve a sensação mais estranha que ele estava esperando por instruções. Todas as luzes estavam acesas, mas ninguém estava em casa? Wavy assentiu. "Ok," disse ele. Em sua sala de aula, Lisa mantinha duas cadeiras de adulto para reuniões de pais, mas mesmo elas pareciam pequenas demais para ele. Tão grande como ele era, ele não parecia velho o suficiente para ter uma filha de oito anos de idade, mas Lisa tinha aprendido a lição sobre o assunto. Avós, que acabaram por ser pais. Uma mãe tão jovem


que Lisa confundiu com a irmã mais velha de um estudante. Sr. Quinn parecia jovem, sentado em frente a ela como uma criança que tinha sido chamado para a sala do diretor. "Wavonna-Wavy já passou os grandes obstáculos na terceira série: multiplicação e de aprendizagem para escrever." Lisa tinha mantido uma amostra da caligrafia de Wavy para mostrar a ele, um pequeno ensaio que ela tinha escrito sobre os foguetes Voyager 1 e 2. Ele olhou para aquilo tempo suficiente para lê-lo, mas não disse nada. "Mas ela ainda não está participando das aulas de educação física. Eu queria saber se poderíamos encontrar uma maneira de incentivá-la." Sr. Quinn mexeu-se na cadeira e disse: "O que é educação física?" "Aula de ginástica. Eles chamam isso de educação física agora. ED para simplificar." "Oh." "A outra coisa que me preocupa é a fala de Wavy. Você não tem que decidir hoje, mas eu quero que você pense sobre Wavy reunir-se com a fonoaudióloga da escola. Não vai custar nada. É parte dos serviços do distrito que são fornecidos para todos os estudantes e eu realmente pen… " "Eu não preciso de um terapeuta da fala," disse Wavy. Até então, Lisa tinha ouvido Wavy dizer exatamente três coisas: "Não", "Não", e "Idiota", que lhe rendeu uma viagem para a secretaria, onde o diretor ficou irritado com a indiferença dela à punição. "Oh," disse Lisa. Com um olhar de Wavy, Sr. Quinn levantou-se, sua corrente de carteira balançando contra sua perna.


"Só isso?" Disse ele. "Hum, obrigado por ter vindo." Depois disso, Lisa desistiu. Não é de admirar que Wavy não falasse. Seus modelos eram uma mulher louca que não iria calar a boca e um homem que mal falava. O que você poderia fazer com uma criança que tinha isso em casa?


7 KELLEN Novembro 1977

Na loja de motos em Garringer, Marilyn caminhou ao redor do balcão com um grande sorriso e disse: "Oh, meu Deus, de onde é que este anjo veio? Eu não sabia que você tinha uma garota." "Ela não é minha garota," eu disse. "Quem é ela então? Quem é você pequeno anjo? Este cabelo é muito delicado, não é?" Marilyn alcançou para tocar no cabelo de Wavy, então eu fiquei na frente dela para bloqueá-la. "Ela precisa de um capacete," eu disse. Sentado lá com aquela professora pensando que eu era Liam, eu percebi que era simplesmente imprudente deixar Wavy andar de moto sem capacete. Nunca importou para Liam, eu não seria capaz de me perdoar se eu acidentasse e deixasse a cabeça de Wavy quebrada. Marilyn trouxe três capacetes de criança. Um simples preto, um azul e branco listrado e um rosa. "Eu aposto que sei qual deles você gostaria," disse Marilyn.


Sim, como no inferno Wavy queria um capacete rosa. Ela apontou para o capacete preto, que era apenas uma pequena versão de um Daytona com uma viseira. Coube-lhe, de modo que estava decidido. Enquanto Marilyn registrou a venda do capacete, Wavy andou pelo corredor das botas, correndo a ponta do dedo entre os pares de botas. Suas botas velhas de neve pareciam baratas e desgastadas, então eu disse: "Viu qualquer uma que você gosta?" Ela assentiu. Marilyn veio para perto de nós, continuou tentando chegar perto de Wavy. A forma como Wavy parecia, toda doce e loira, as pessoas estavam, provavelmente, o tempo todo tentando acariciar ela. Muitas vezes eu quase tocava seu cabelo antes de me lembrar que não. A maneira que eu percebi isso, ela deixou-me saber quando estava bem. Para impedir Marilyn de tocá-la, tive que abaixar sobre um joelho para ajustar o tamanho do sapato no pé de Wavy. Ela sorriu para mim, o rosto um pouco rosado. Eu podia ver que ela estava pensando. "Eu não sou um vendedor de sapatos," eu disse. Isto fez seu sorriso maior, quase mostrou os dentes. "Então ela não é sua filha?" Disse Marilyn. "Não, ela não é minha filha." O que eu deveria dizer? Ela é minha cadela da moto? Nem tudo tem uma resposta simples. Eu disse: "Ela é uma amiga minha." Wavy escolheu um par de botas de bico quadrado de menino. Couro bom para durar por um tempo. Eles eram um pouco grande, mas observando-a caminhar pela loja, metade pomposa, metade desajeitada, eu poderia dizer que ela gostava deles.


"Você vai ter espaço para crescer," disse eu. Ela assentiu com a cabeça. Wavy usava suas botas novas ao sairmos da loja, deixando suas velhas lá. Ela parecia feliz. Na verdade esperou por mim para ajudá-la a subir na moto, mesmo que ela não precisasse disso. "Eu preciso colocar outro conjunto de suporte para os pés. Colocá-los alto o suficiente para você, para que você não tenha que colocar os pés no quadro da moto," eu disse. Ela parecia feliz antes, mas ela sorriu quando eu mencionei os suportes. Valia todos os olhares estranhos de Marilyn, conseguir não um ou dois sorrisos de Wavy, mas um sorriso que durou toda a viagem de volta a Garringer. Na fazenda, eu descobri que tínhamos leitura ou jogos até a hora do jantar, mas antes que eu desligasse a moto Val abriu a porta da cozinha. Isto me assustou. Eu só tinha visto Val fora da cama algumas vezes e lá estava ela com seu cabelo feito, usando roupas e sapatos. "Onde você esteve Vonnie? Você deveria estar em casa logo depois da escola," disse ela. Wavy estava no último degrau, mas ela não se moveu. Eu não sabia o que fazer. "Entre aqui antes de pegar um resfriado," disse Val. "Agora!" Finalmente, desci da moto e, em seguida Wavy começou a subir as escadas. Quando ela chegou à porta, Val disse: "Dê a Kellen seu capacete." Quando Wavy não deu, Val tomou dela. Até então, eu estava subindo os degraus e Val entregou para mim, batendo-o em minha mão com força suficiente para doer. "Ela deveria andar de ônibus, Kellen."


Se ela me desse alguns segundos, eu iria dizer: "O capacete ĂŠ dela," mas antes que eu pudesse, Val bateu a porta na minha cara.


8 WAVY Maio de 1978

Durante todo o inverno Kellen estava encarregado das compras de supermercado. Eu gostei daquela maneira, porque ele comprava exatamente o que eu escrevia. Se eu escrevesse "3 latas de feijão verde", ele trazia três latas de feijão verde. Nem uma, nem dez, não uma sacola cheia de coisas que Donal não iria comer. Isso era o que mamãe fazia: trazia para casa sopa cremosa de cogumelo quando eu escrevia "creme de aipo." O livro de receitas da avó não tinha nada que pedia creme de cogumelo. Não se podia confiar em mamãe e nem em Ricki. Ela sempre perdia a lista de supermercado e mamãe disse que ela era uma das prostitutas sujas de Liam. Quando Kellen me trouxe para casa da escola na quarta-feira, eu fiz uma lista de supermercado com os itens do livro da vovó. A receita tinha as impressões digitais da avó manchadas de sangue de hambúrguer. "Você está fazendo algo de bom, eu aposto. O que é isso?" Disse Kellen. Ele apoiou as mãos na mesa, lendo a lista. "Bolo de carne. Para você." "Oh, ei, eu não estava tentando ser convidado." "Para você," eu disse.


Em duas semanas, a escola estaria de pausa para o verão, e Kellen não teria uma razão para vir em casa, exceto que ele gostava de comer. Se eu cozinhava, ele poderia ficar, sentar-se à mesa comigo e me deixar vê-lo comer. Enquanto esperava por ele conseguir os mantimentos, limpei e coloquei a mesa. O livro de avó tinha fotos mostrando onde garfos e colheres ficavam. Copos de água, copo de vinho. É aí que a garrafa de cerveja de Kellen ia. Ele voltou cheirando como a estrada e suor. Eu queria enterrar meu rosto em sua camisa e sentir o cheiro dele, do jeito que eu fiz quando ele acidentou, mas eu não era corajosa o suficiente, e ele carregava sacolas de comida e notícias assustadoras. "Eu vi Liam na estrada. Ele queria saber o que eu estava comprando. Então eu disse a ele, e ele disse, 'Val está fazendo o bolo verde de oliva de sua mãe?'" Toda a felicidade amassou no meu peito como um chumaço de papel alumínio. Eu balancei minha cabeça. Não para Kellen, mas para não tornar isto verdade. "Eu sinto muito. Eu não sabia o que dizer a ele. Ele diz que vem para o jantar às seis." Eu coloquei as batatas em cima da mesa e apalpei-as como pequenos animais. Elas estavam sujas, mas eram boas batatas. Pequena o suficiente para eu mantê-las em minhas mãos para descascar. Kellen pensava nessas coisas. "O que você quer que eu faça?" Disse ele. "Fique." Indo para o quarto de mamãe, eu não queria tocá-la, mas ela já estava acordada. "O que é querida? Quem está aqui?" "Liam não é confiável," eu sussurrei. "Liam está aqui?" Mamãe sentou-se, com os cabelos cheios de nós e bagunçados.


"Vindo." "Ele está vindo aqui? Quando?" Mama olhou para o despertador, mas estava marcando um pouco depois das doze, porque ela nunca concertou ele depois das trovoadas. "Quanto tempo até ele chegar?" Eu levantei dois dedos. "Duas horas. Eu posso ficar pronta. Tem xampu? E não seja estranha quando ele estiver aqui. Chame-o de papai, ok. Basta dizer: 'Oi, papai" tudo bem querida? Você vai fazer isso por mamãe?" Chamá-lo de papai. Quando ela era a pessoa que disse que eu não deveria chamálo assim. Ela disse que ele não era confiável. De volta à cozinha, Kellen estava ao lado da mesa. Eu disse, "Fique," e ele ficou. Ele não alvoroçou como mamãe. Às vezes, ele me perguntou sobre o que eu estava fazendo, como porque eu coloquei o pão no fundo da assadeira. Eu gostava que ele perguntasse e não ficava chateado se eu não respondesse. Ele disse: "Posso fazer alguma coisa para ajudar?" E ele fez o que pedi. Ele alimentou Donal, manteve-o fora do caminho quando eu abria a porta do forno, e colocou-o em seu quarto antes do jantar. Assim, ele estaria seguro. Donal tinha dois anos, eu sabia disso, mas eu não sabia o seu aniversário. Nós nunca tivemos presentes ou bolo para ele, mas eu não me lembro de ter presentes ou bolo até que eu fui morar com a tia Brenda. Agora que Donal podia andar, era mais difícil mantê-lo seguro. Pelo menos logo ele seria grande o suficiente para cuidar de si mesmo. Próximo ano.


Uma vez que as batatas estavam cozidas, Kellen as amassou, e ele nunca se cansou e teve que descansar, como eu fiz. Todos os quatro quilos de purê de batatas de uma só vez. Enquanto Kellen amassava, rezei. Não deixe Liam vir. Faça Liam ficar longe. Ele sempre disse que iria fazer alguma coisa e depois nunca fazia. Quando eu era pequena, ele disse que iria me levar para o jardim zoológico. Ele nunca fez. Então deixe que ele fique longe. Bem longe. Kellen virou o bolo da assadeira no prato, e então ele entendeu para o que servia o pão. Ele absorve a gordura. Eu coloquei as cenouras em torno do bolo e Kellen colocou as batatas em uma tigela. A mesa parecia perfeita quando mamãe saiu do banheiro. Seu cabelo estava solto e brilhante sobre os ombros de seu robe de seda vermelha. Ela estava tão bonita, mas seu rosto apertou-se quando viu a comida e Kellen. "O que é isso?" Disse ela. "Wavy fez o jantar," disse Kellen. "Onde está Liam? Ela disse que ele estava chegando às seis." "São seis agora. Ela fez bolo de carne." Não importava o quanto eu orei por Liam ficar longe, se mamãe ia dizer seu nome sem a proteção. Ela fez ele vir, assobiando enquanto ele andava pela varanda. Sorrindo quando ele entrou sem bater. "Isto parece ser bom, Val. Quando Kellen disse que estava fazendo bolo especial da sua mãe, eu disse, 'eu tenho que pegar um pouco disso’." O tempo todo que Liam falou ele estava rastejando em mamãe, sua mão sorrateiramente em seu pescoço. Ela deu a ele seu sorriso especial, mais suave. A maneira como as velas são mais suaves do que lâmpadas.


Liam puxou a cadeira de mamãe para ela, e então ele olhou em volta da mesa. Contando. Quatro pratos. "Você vai ficar para o jantar, Kellen?" "Sim. Ela me convidou." Em seguida, Liam sorriu o sorriso que significava que ele não era confiável. "Oh, Kellen ajuda você com as coisas, não é mesmo, Val?" Mamãe fez beicinho. "Você nunca está por perto. Eu acho que preciso de alguém para cuidar das coisas, desde que você não pode ser incomodado." "Por que eu deveria ser incomodado quando você nem sequer lava o cabelo?" "Eu lavei meu cabelo." "Pela primeira vez em muito tempo maldito. Eu quase não reconheci você." Mamãe chorou enquanto Kellen serviu os pratos. Liam franziu a testa. Ele não gostava de assistir Kellen servir o jantar. Por mais que eu não gostasse de Liam comer o jantar que eu preparei. "Val faz para você um monte de refeições agradáveis enquanto eu estou fora cuidando do negócio que coloca comida na mesa?" Disse Liam. "Wavy me convidou." Kellen deu uma mordida no bolo. "Oh, Wavy convidou você?" Disse Liam. Kellen terminou de mastigar antes que ele disse: "Sim." Por um tempo, ninguém disse nada. Kellen continuou comendo. Batatas entravam em sua boca e o garfo saia brilhante. Eu amava a maneira que ele comia. Eu queria comer assim. "Isso é um monte de porcaria," disse Liam.


"Eu convidei Kellen." Eu pensei que as palavras poderiam queimar minha língua, mas vendo a boca estúpida de Liam cair aberta valeu a pena. Às vezes, ele se esquecia de que eu não falava. Não que eu não podia falar. Ele piscou e comeu um pouco de bolo. "Está realmente bom, Val. Você é tão boa cozinheira como sua mãe." Mamãe sorriu. Ela queria todas as palavras agradáveis, mesmo que ela não as merecia. "Nós praticamente temos tudo pronto para Myrtle Beach," disse Liam. "Você vai este ano?" Disse mamãe. "Sim, querida. Vamos levar as motos. Levar o produto para vender. Um pequeno negócio, um pouco de prazer." "Eu sei o seu tipo de negócio." Mamãe fez uma cara feia. Kellen engoliu rápido e disse: "Qual moto você dirige?" "Coma seu jantar, Vonnie," disse Liam. Mais segura para acenar, mesmo que fosse uma mentira. Eu deveria ter assentido, mas eu olhei para o meu prato. "Eu disse coma o seu jantar." Eu odiava ter medo, mas eu peguei meu garfo. Eu mexi uma mordida de purê de batatas longe da montanha. Kellen comprou manteiga de verdade, não margarina. Eu nunca poderia ter misturado tão bem, mas ele amassou o purê de batatas deixando cremoso e macio. Ele estava bonito. "Então, você está indo embora amanhã?" Kellen estava conversando com Liam, mas ele enviou uma mensagem para mim: Basta dar uma mordida. "Sim. Você está pronto para ir amanhã, certo?"


Tentei enviar a Kellen uma mensagem: Não vá. Eu acho que ele entendeu, porque ele entrecerrou os olhos com força. "Eu não sabia que eu estava indo," disse ele. "Merda, sim. Eu te disse, trabalhe duro no velho Cutcheon e você terá uma longa fila de caras que querem que você trabalhe em suas motos. Você e eu podemos fazer algum outro negócio desta maneira, também. Você não quer isso?" "Não, sim, eu quero. Eu só não sabia que você me queria para ir a Myrtle Beach." "Você tem outras obrigações?" Disse Liam. Eu. Kellen não disse isso e eu deixei ele ir, então ele iria parar de franzir a testa. Eu não quero que ele fique triste. Cortei minhas cenouras em círculos pequenos e organizados, como moedas. "Não, isso é ótimo. Só queria que você tivesse dito algo mais cedo." "Droga, Vonnie! Coma sua comida e pare de movê-la no seu prato." Liam bateu a mão na mesa ao lado do meu prato. Ele tinha o poder de afastar Kellen, mas ele não tem poder sobre mim. Eu coloquei o meu garfo em cima da mesa, mas assim que eu fiz isso, Liam pegou-o. "Não me desafie, sua puta." Ele ergueu um garfo cheio de batatas. Minha boca regou com o cheiro. Eu queria comer, mas eu não faria isso assim. Liam pressionou o garfo na minha boca, então eu virei minha cabeça para longe dele, senti as batatas encostarem na minha bochecha. Olhei para Kellen, a maneira como seus olhos foram para cima e para baixo, de seu prato para Liam e de volta para seu prato. Ele estava assustado. Liam segurou meu queixo, que é como ele era louco. Louco o suficiente para quebrar a regra de mamãe contra a me tocar. Ele empurrou minha cabeça ao redor, para


me impedir de olhar para Kellen, então eu fechei os olhos. Mordi meus lábios fechados para evitar as batatas, mas Liam não iria desistir. "Você vai fazer a porra do que eu digo!" O garfo esfaqueou meu lábio e bateu contra os meus dentes. Liam apertou meu rosto forte, tentando me fazer abrir a boca. E eu ia. Eu não era forte o suficiente. Em seguida, Liam me soltou. O garfo caiu no meu prato, um barulho alto no meio do vidro que se partiu. Abri os olhos e vi Kellen de pé, inclinando-se sobre a mesa. Ele tinha uma mão pressionada no centro do peito de Liam para empurrá-lo para trás em sua cadeira. Isso era tudo o que ele precisava para impedir Liam, que parecia pequeno sob a mão de Kellen. "Não faça isso," disse Kellen. Assim que ele o soltou, Liam se sentou. Todo seu pequeno tamanho drenou e raiva apareceu novamente. "Você está me dizendo como disciplinar a minha própria filha na minha casa?" Liam disse, mas sua camisa ainda estava amarrotada da mão de Kellen. "Não, mas você não precisa fazer com ela dessa maneira." Kellen sentou-se e alisou a toalha sobre a mesa. "Eu serei amaldiçoado se eu receber ordens de você, seu porco gordo," disse Liam. "Você quer que sua filha acabe como a porra de uma pateta gorda como eu? Basta continuar fazendo isso, forçando-a a comer. É o que meu pai fez. Fez-me limpar meu prato se eu quisesse ou não. Arrebentando meu queixo uma vez. Então, você sabe, pense sobre isso." Liam riu. Ele perdeu a luta, mas todos teriam de fingir que ele não tinha. Mamãe sabia como fingir isto.


"Bem, nossa, você é sensível, Kellen. Vou ter mais cuidado perto de você. Eu não quero ferir seus sentimentos." Kellen deu outra mordida no bolo. Parecia que era difícil para ele engolir, mas ele continuou comendo. Observei-o mastigar, desejando que eu pudesse comer. Algo pegajoso e quente escorreu pelo meu queixo. Sangue. Mama observava, mole demais para fazer qualquer coisa. Kellen me passou o lenço debaixo da mesa. Quando eu peguei, senti o quão forte sua mão era. Eu não entendia como podia ter medo de Liam, quando ele era muito maior. O lenço de Kellen estava gasto e macio de ser lavado, e eu não queria estragar isso, mas eu pressionei-o contra a minha boca. Quando eu o afastei, o meu sangue era brilhante no meio da brancura. Liam largou seu copo e disse: "Pegue outra cerveja pra mim, Val." Mamãe foi até a geladeira e pegou uma cerveja. Ela derramou tanto quanto o copo de Liam coube, e então ela completou o copo de Kellen, mesmo que ele não tenha bebido a sua. O gigante tinha parado um trem, acalmou um animal selvagem, e nem sequer derramou sua cerveja.


9

WAVY Mamãe era a Velha Val quando ela acordou na manhã seguinte. Ela raspou debaixo dos braços, entre as pernas, e tudo abaixo delas. Depois ela enrolou os cabelos, fez maquiagem e vestiu as roupas apertadas que Liam gostava. Sem café da manhã para ela, exceto para as pílulas que fazia seus olhos brilharem e as mãos flutuarem. Eu estava esperando por ela sair da sala para que eu pudesse comer a minha aveia antes que ficasse fria. "Vamos lá," disse mamãe. "Pegue seus sapatos." Sem aveia. Nenhuma escola. Eu calcei minhas botas, as boas que Kellen comprou. Espaço para crescer, disse ele. "Pelo menos o seu cabelo está penteado," disse mamãe. Não estava, mas a avó disse que eles eram nós tão finos que não podiam ficar do mesmo jeito. Tranças e rabos de cavalo escorriam das faixas de borracha como cobras. Mamãe estava na porta, pronta para ir. "Donal," eu disse. Eu acho que ela realmente esqueceu-se dele. "Merda. Eu devo estar perdendo a cabeça." Mamãe arrastou-o para fora do cercadinho como se isso fosse tudo o que tinha que fazer. Eu fui com uma sacola de supermercado recolhendo as coisas: fraldas, uma mamadeira, sapatos. Bebês de verdade são muito mais problemas do que os bebês de plástico.


No celeiro, o carro não ligava, então mamãe caminhou pela estrada de cascalho para os trailers, dizendo palavrões. "Kellen não é um maldito mecânico? Ele não pode ter certeza de que o carro vai funcionar, porra? Donal, você pesa uma tonelada, garoto. O que você anda comendo?" A Velha Val falou rápido e riu. No quintal do lado de fora do trailer de Dee, as pessoas estavam carregando as motos em reboques. Ouvi a voz de Kellen vindo da garagem, mas quando eu parei para olhar para ele, mamãe estalou os dedos no meu ouvido. "Vamos, sonhadora." Segui-a subindo os degraus de metal para o trailer, onde a TV estava ligada alta e algo cheirava doce e impregnado de canela. Fazendo o meu estômago roncar. Ricki e Dee estavam sentados na cozinha, comendo bolo de café e rindo. Dee falou com a boca cheia. Boca aberta por duas coisas perigosas. Duplo perigo. Ela disse: "De jeito nenhum." "Liam ainda estava rindo sobre isso. Ele disse: 'Eu acho que Kellen é um pouco sensível mesmo com aquele peso,’" disse Ricki. "Kellen não diria nada para Liam. Ele é um fraco." "Você não o viu apavorar aquele cara na Rusted Bucket. Eu acho que ele é assustador apesar do seu modo retardado e desajeitado." Ricki sempre dizia coisas sobre Kellen, mas ela era estúpida. Você teria que ser estúpido para gostar de Liam e não de Kellen. Dee riu até que ela viu mamãe ali de pé, olhando. Ódio ondulou de mamãe e vibrou contra minha pele. Fez o meu estômago doer.


"Levantem esses traseiros, prostitutas fodidas. E não fiquem na minha própria casa," disse mamãe. "Não é sua casa," disse Ricki. "O inferno que não é. Tudo o que é dele é meu. Sou a mulher dele. Se eu contar para ele, ele vai expulsá-las." Eu não tinha certeza se mamãe tinha esse tipo de poder sobre Liam, mas Ricki e Dee devem ter pensado assim, porque elas se levantaram. Mamãe colocou Donal no chão, sentou-se e acendeu um de seus cigarros. "Onde ele está?" Disse ela. "No laboratório." "Vá chamá-lo." Quando ele veio para o trailer, o sorriso de Liam não me tocou e apenas passou de relance por Donal, antes de perceber mamãe. "Deus, você está fantástica, querida," disse ele. Ela se levantou, toda brilhante, esperando que ele a beijasse. Ele se inclinou contra a borda da mesa, e sua mão encontrou o lugar especial entre as pernas dela. Não havia nenhuma regra contra ele tocar mamãe lá. Mama riu. "Estamos saindo para Myrtle Beach esta manhã?" "Você está vindo? E as crianças, Val?" "Eles podem ir para Brenda. Parece que você tem uma abundância de pessoas sentadas ao redor fazendo nada." Mamãe olhou para Ricki e Dee na porta. "Sim sim. Dee, por que você não pega a Charger, e os leva para a irmã dela?" Ele nem mesmo olhou para ela. Com mamãe lá, Dee era invisível como eu.


10 DEE Quando Dee saiu para levar as crianças, ela percebeu que não sabia para onde estava indo. Ela olhou no espelho retrovisor para a filha de Liam, que era bonita como poderia ser, mas assustadora. Mesmo se ela soubesse onde eles estavam indo, ela não diria uma palavra para Dee. Ela nunca disse. Deixando as crianças no carro, Dee voltou para a casa. Liam tinha Val em seu colo, sua mão debaixo da sua saia curta. "Para onde vou?" Disse Dee. "Para a irmã dela em Tulsa." Liam nem sequer se preocupou em mover sua mão. Ele era tão lindo, todo aquele cabelo loiro, e bronzeado de andar de moto. "Eu sei, mas qual é o endereço?" Com seu braço em volta do pescoço de Liam, Val piscou para Dee. "Um-quatrotrês-dois-dois Fawn Hill Circle. Você acha que você pode encontrar isso?" Elas tinham sido amigas uma vez, e Dee sentiu pena de Val. Ela estava seriamente confusa, e qualquer coisa estava errada com ela, que tinha criado uma oportunidade para Dee. Se Val estava bem, por que Liam perderia seu tempo com Dee? Ela dirigiu o Charger de Kellen, mais rápido do que deveria, e arriscou estacionar. Uma hora fora da cidade, o menino começou a lamentar-se e chorar. Fez Dee feliz que ela não tinha feito algo estúpido como conseguir engravidar. Claro, isso foi como Val conseguiu Liam, parindo bebês para ele. Parindo um filho... que não parava de chorar.


"Você não pode fazê-lo ficar quieto?" Disse Dee. O choro não parecia incomodar Wavy, mas confundiu os nervos de Dee tanto que ela teve o endereço girando em sua cabeça. Em 13422 Fawn Hill Circle, o homem que abriu a porta parecia confuso. "Val me pediu para deixar as crianças," disse Dee. "Eu acho que você está no endereço errado." Ela tentou os vizinhos e foi a mesma coisa. Cruzou a quadra, Dee sentiu-se impotente e entrou em pânico. Se ela não voltasse antes de escurecer, o resto dos caras já teriam ido embora e ela estaria presa no rancho, enquanto Liam divertia-se em Myrtle Beach. Com Val. Do banco de trás, Wavy disse: "Lá." Dee pisou no freio e, quando olhou para as casas, a filha de Liam abriu a porta e saiu do carro. Ela deixou a porta aberta quando ela atravessou a rua e começou a andar em direção de uma casa amarela organizada. Isto quase deixou Dee doente o quanto organizada ela era. Grama aparada, persianas brancas, uma van na frente. O tipo de coisa que Dee teria conseguido se tivesse escutado o conselho de sua mãe. Deixando o carro estacionado, Dee correu até a porta aberta para pegar Donal. Se ela pudesse entregá-los e pegar a estrada, estaria tudo bem. "Quem é você?" A irmã de Val desceu a calçada. "Val me pediu para deixar as crianças." "O que você quer dizer? Entregá-los? Por quanto tempo?" "Provavelmente apenas uma semana ou isso." Dee empurrou o bebê para a irmã de Val, que finalmente estendeu os braços e o pegou. Ela parecia atordoada, mas isto era o problema dela. Deixar ela atordoada.


Em seguida, Dee estava na interestadual, sentindo-se tonta e animada. Até que ela se lembrou que Val estava andando atrás de Liam com os braços ao redor dele. E o que Dee faria? A mesma coisa que Ricki faria. Procurar por perto por qualquer diversão que ela poderia conseguir sem que Liam descobrisse. Isso provavelmente significava estar com um dos caras. Alguém que tinha tanto a perder quanto ela se fossem pegos. Porque Liam ficava com ciúmes, a não ser que fosse ideia dele. Se ele dissesse: "Por que você não dá a Vic um bom tempo?" Então, isto estava bem. A menos que ele pensasse que tinha gostado muito e que iria voltar para mordê-la. Ainda estava claro quando Dee voltou para o rancho. No jardim da frente, quatro motos estavam prontas para ir, com mais quatro em um reboque atrás do caminhão. Kellen estava carregando um par de caixas de ferramentas. "Eu estou indo com você? Dê-me cinco minutos," Dee chamou quando ela saiu do Charger. Ela precisava de um banho, mas talvez ela fosse apenas pegar um pouco de maquiagem e roupas limpas assim ela não se parecia com um pedaço de merda ao lado de Val. Kellen deu de ombros. Ele não era retardado, mas ele era definitivamente lento. Dee pensou que era aquela coisa do efeito do álcool sobre o feto. É por isso que seus olhos eram na diagonal, também, ou isto era porque ele era um índio. Face plana, também. Tão caseiro como uma cerca de lama. Pelo menos ele esperou por ela. Quando ela saiu do trailer, ele era o único lá. Ele enfiou a mochila dela em seu alforje. Então ele passou a perna por cima da moto e ligou. O som de um motor grande ligando sempre deu algo a Dee diretamente em sua boceta e, montada atrás dele, quem se importava como Kellen parecia? Ela se inclinou para ele na estrada, alisou as mãos sobre a barriga dele, descendo para a fivela do cinto.


Eles pararam antes do amanhecer. Dois dos rapazes deitaram no caminhão, e Kellen pagou quartos de hotel para dois. Ninguém disse uma palavra sobre como dividilos, mas eram quatro pessoas, quatro camas. Butch e Liam estavam no modo velhos amigos e Terry tinham dentes podres. Isso deixou Kellen. Alicia, uma das meninas do verão passado, tinha transado com Kellen como um favor para Liam. Ela disse que ele foi um encontro. Educado, mas suado e estranho. Como ter sexo com uma morsa. "Você teve relações sexuais com uma morsa?" Ricki perguntou e todas elas morreram de rir, suas mentes drogadas. Pelo menos sexo com Kellen tiraria Liam da mente de Dee. Ou seria, se Kellen não fosse tão tímido. Sozinho com ela, ele não entendeu quando ela saiu do banheiro em uma muito pequena toalha do motel. Ele nem sequer olhou para ela, mesmo que ela estivesse entre ele e a TV. Quando ele finalmente olhou para cima, ela deixou cair a toalha. "Você está muito cansado?" Disse ela. "Não muito, eu acho." Eu acho. Deus, ela não pediu romance, mas ele poderia mostrar um pouco de entusiasmo? Não querendo a experiência morsa, ela empurrou-o de volta na cama e abriu sua braguilha. Como anunciado, ele tinha alguns equipamentos, o que você esperaria de um cara do tamanho dele. Além disso, ele não tentou beijá-la e ele durou o suficiente para ela gozar. Ela entrou no banheiro para limpar e quando ela saiu, Kellen estava tirando suas botas. "Obrigado," ele murmurou.


Ele a surpreendeu. Ela realmente não tinha pensado sobre o fato de que ela estava fazendo um favor a ele. Ela não tinha pensado sobre ele afinal. Puxando as cobertas na outra cama, ela se deitou, aliviada que ela não teria que dormir ao lado dele. "Aqui." Ele abriu a carteira e contou algum dinheiro. Dee nunca gostou de pegar dinheiro por isto, mas ela enfiou as notas em sua bolsa. Quando ela estava com Liam, o dinheiro não era um problema, mas quais eram as chances que ele mesmo iria notá-la com Val lá? Ela precisava do dinheiro. Kellen encontrou seu olhar por um segundo antes que ele desviou o olhar. "Eu não quero dizer – não é isto - Liam disse-me para lhe dar isso." "Oh, legal." Enrolando de lado para longe dele, Dee tentou pensar em algo agradável para dizer e não podia. Kellen era um péssimo mentiroso e ele roncava.


11 AMY Mamãe voltou para a cozinha com um menino chorando nos braços. Ela se sentou e chorou, também, balançando-o para trás e para frente em seu colo. Isso me assustou até que eu vi Wavy de pé na porta com hematomas no rosto e uma crosta sob o lábio inferior. Então tudo fez sentido. "Oh meu Deus," disse mamãe. "O que eu vou fazer?" No momento em que papai chegou do trabalho, as coisas estavam calmas. Donal estava cochilando. Mamãe estava cozinhando. Leslie, Wavy, e eu estávamos no andar de cima brincando com as barbies. Ou Leslie e eu estávamos brincando com as barbies. Wavy estava brincando com Ken. Nós nunca o usávamos, apenas se a Barbie se casasse, mas Wavy o despiu e trocou a roupa dele como uma Barbie. "Ele não pode usar isso," disse Leslie. Tudo tinha que ser apenas certo com ela. Ela e eu tínhamos quarto combinando, iguais do catálogo JCPenney. O dela rosa, o meu amarelo. Wavy em suas botas de couro preto não se encaixava no catálogo. Ela rasgou o catálogo e fez as coisas surpreendentes acontecerem. Como Ken em um vestido. Pai veio para cima e estava na porta com uma bebida na mão. Ele parecia cansado. Foi a primeira vez que ele esteve em casa antes da nossa hora de dormir durante toda a semana. Mamãe estava atrás dele segurando as mãos. "Oi, meninas," disse o pai. "Oi, papai," Leslie e eu falamos.


"Oi, Vonnie." "Não Vonnie," disse Wavy. "Me desculpe?" "Não Vonnie. Kellen me chama de Wavy." "Quem é Kellen?" Perguntou mamãe. "Jesse Joe Kellen." Todos nós ficamos sob a autoridade do desconhecido Jesse Joe Kellen, porque Wavy não responderia a qualquer outro nome. Após o jantar, apesar de ter sido uma noite de escola, Leslie e eu ficamos acordadas até tarde. Wavy nos ensinou a jogar pôquer com o dinheiro dos nossos cofrinhos. Tivemos que emprestar-lhe dinheiro, uma vez que ela não tinha nenhum. Ela nem sequer tinha pijama ou calcinhas limpas. Do fundo das escadas, pai gritou: "Vonnie! Venha até aqui." Wavy não se mexeu e depois de um minuto, a mãe chamou, "Wavy! Venha até aqui." Quando chegamos lá embaixo, o pai estava dizendo: "Pelo amor de Deus, Brenda, eu pensei que nós acabamos com isso." "O que eu deveria fazer? Uma completa estranha deixa a minha sobrinha e meu sobrinho. Eu deveria dizer, 'Oh, me desculpe, meu marido e eu decidimos que acabamos com isso'?" Pai se virou e olhou para nós três. "Vonnie-Wavy, você tem ido à escola este ano?" Wavy assentiu. "Em que série você está?" Ela levantou três dedos.


"Você vê como foi fácil, Brenda? Val a colocou na escola, então talvez você poderia parar com a histeria, ok?" "Meninas, voltem lá para cima," disse a mãe. "Wavy vai ficar?" Eu disse. Mãe olhou para o pai, que olhou para o teto. "Por um tempo," disse ela. "Agora, vão para a cama. Vocês têm escola amanhã." Wavy e Donal ficaram. Papai fez Wavy prometer que não iria fugir durante a noite, mas ainda foram duas semanas mágicas de jogos de Wavy e Leslie chorando em protesto cada vez que brincamos de alguma coisa. No último dia da escola, Wavy foi comigo, então todos veriam a minha prima estranha que não come ou fala, mas que não tinha medo de bombear um balanço tão alto quanto poderia ir e saltar fora. Naquele sábado, tia Val veio para pegá-los. "Ela se parece com uma prostituta barata," Pai murmurou quando ela subiu a calçada. Eu pensei que ela estava linda, em um vestido preto apertado que amarrava na frente e mostrava suas pernas, e sapatos pretos altos e as unhas dos pés pintadas de vermelho. Ela tinha tatuagens de flores em seus braços e ombros, e quando ela me abraçou, ela cheirava a perfume e cigarros. "Val, por que você não me disse que você precisava deixar as crianças com a gente?" Disse a mãe. "Eu sinto muito, Bren. Foi uma coisa de última hora." Para compensar, tia Val trazia presentes. Brincos para a mamãe, um clipe de dinheiro para o pai, colares para Leslie e eu, uma pulseira para Wavy, e um carro de


brinquedo para Donal. Quando ele se levantou de sua soneca, ela girou ele até que ele gritou. Depois disso, tivemos de olhar em volta e perceber que Wavy não estava lá. "Onde está Vonnie?" Quando ninguém respondeu, tia Val disse: "Oh, onde está Wavy? Kellen começou isso. Então, onde ela está?" "Amy, você vai lá para cima e chame sua prima?" Disse o pai. Encontrei-a no meu armário, lendo um dos meus livros da biblioteca. Eu esperava que ela não iria roubá-lo. "Sua mãe quer que você desça," eu disse. Com um suspiro profundo, Wavy se levantou e deslizou por mim, deixando o livro no chão do closet. Lá embaixo, ela escorregou entre o sofá e o abajur, de modo que ninguém pudesse tocá-la. "Ei, menina bonita. Como tem passado?" Disse tia Val. Wavy não olhou para ela. "Eu trouxe um presente." Tia Val estendeu uma caixa de joias, mas eu era a pessoa que entregou a Wavy. Ela nem sequer abriu a caixa para olhar. "Você vai ficar para o jantar, Val?" Papai olhou para o relógio. "Oh, não, Bill. Obrigada, mas é melhor pegar a estrada antes que escureça." "Bem, vamos arrumar as crianças," disse a mamãe. Eu ajudei a fazer a mala de roupas de segunda mão das senhoras na igreja. Na varanda da frente, mamãe e tia Val abraçaram-se "Nós não vemos você o suficiente," disse mamãe. "Eu sei. Continuamos dizendo que vamos ficar juntas, mas não funcionou."


"Que tal o Natal? Mesmo se você e Liam estiverem ocupados, talvez as crianças pudessem vir para o Natal." "Isso seria bom. Eu sei que Wavy gostaria disso," disse a tia Val. Eu não sabia se ela gostaria, porque quando eles saíram, ela caminhou até o carro carregando uma sacola de supermercado de roupas, e nem sequer olhou de volta para mim. Isto feriu meus sentimentos, mas quando eu fui para a cama naquela noite, encontrei a pulseira que a Tia Val tinha dado para Wavy debaixo do meu travesseiro. Talvez isso não significava nada para ela, mas isso significava algo para mim.


12 KELLEN Julho 1978

A maioria dos dias, depois da escola, eu levei Wavy para a loja, deixava-a lá enquanto eu trabalhava. Depois que o velho Cutcheon mostrou-lhe para o que era a máquina registradora, ela abriu a pasta de recibos e começou adicioná-los. Ela era boa em matemática, ao contrário de mim e Cutcheon. Seus depósitos e recebimentos sempre davam o mesmo resultado. A garagem era meio degradada e com cheiro de graxa, mas ela parecia gostar de estar lá, mesmo que ela não pertencesse ali completamente. Às vezes, eu entrava na loja e encontrava ela no balcão, caminhando como uma jovem impetuosa equilibrando as contas. Com a escola, eu não consegui vê-la tanto, mas naquela tarde, quando voltei do cemitério, ela estava no escritório. Ela estava ajoelhada na minha cadeira, olhando para o catálogo de peças. Vendo-me entrar com tanto calor, ela sorriu e virou o ventilador sobre a mesa em minha direção. O suor escorria do meu cabelo, e minha camisa estava tão molhada que ela ficou colada em mim então eu a tirei. Por alguns minutos, eu estava na frente do ventilador, tentando ficar seco o suficiente para colocar uma camisa limpa. No canto da mesa havia uma garrafa de guaraná. Apanhei-a, ainda fresca e meio cheia. Assim que eu inclinei a


garrafa na minha boca, Wavy saltou da cadeira com um grito. Assustou-me tanto que eu quase engasguei com a boca cheia de refrigerante. "Germes," disse ela. "Eu sinto muito. Eu nem estava pensando. Vou pegar um novo. Eu sei que você não quer beber depois de mim." Ela balançou a cabeça. "Meus germes. Em você." "Seus germes? Eu não tenho medo de seus germes." Eu pisquei para ela, me sentindo como um idiota por cometer o erro, e tomei outro gole do seu refrigerante. Ela franziu o cenho para mim tão forte que sua testa enrugou. Ofereci-lhe a garrafa. Eu não imaginei que ela iria tomar a bebida, mas ela a colocou em seu nariz e cheirou. Quando ela entregou-a de volta para mim, ela não tinha mais nada a dizer sobre germes. Em vez disso, ela pegou minha camisa suada e a colocou no cabide que eu tinha deixado sobre a mesa. "Eu saí para colocar flores no túmulo de minha mãe. Eu sou o único que sobrou para fazer isto. É estúpido, mas eu acho que eu sempre sinto como se eu devesse me vestir bem. Tentar parecer bom quando eu vou lá. Eu deveria ter ido mais cedo, antes que estivesse cem graus malditos." Peguei a camisa dela e fui pendurá-la no meu armário. Enquanto eu remexia procurando uma camisa seca, eu podia sentir ela me observando. Quando me virei, ela apontou para mim e desenhou um X no ar. Minha tatuagem. Lá estava eu sem camisa e deveria ser a primeira que ela tinha visto. "É um Calumet. Você sabe, um cachimbo da paz, e as três setas para os distritos tribais. Para os três chefes Choctaw: Apuckshunnubbee, Mushulatubbee e Pushmataha.


Tal como o meu cinto. Eu fiz depois que eu saí de casa. Fui viver com minha avó na reserva. Vagando por aí, pensando que eu ia ... ser um índio ou algo assim. Irritei minha avó. Ela queria que eu ficasse na escola." O fornilho do cachimbo estava sob a minha clavícula esquerda. As três setas aproximavam-se e tocavam na direita. Elas cruzavam sobre o meu peito, todo o caminho até a parte inferior das minhas costelas. Eu nunca pensei muito sobre isso, mas meio que me embaraçou. Não é a tatuagem, mas tentar explicá-la com Wavy me dando o olhar que significava que eu era importante. Eu comecei a corar com seu olhar fixo, me memorizando, então eu vesti a primeira camisa que eu consegui pegar. Uma camisa de uniforme velho de quatro anos atrás, quando comecei a trabalhar para Cutcheon primeiro, Jesse Joe estava bordado no bolso do peito e estava apertada nos ombros. Eu abotoei de qualquer maneira, porque eu achei estranho ficar sem camisa agora que Wavy tinha visto a minha tatuagem. Quando sentei-me à mesa, eu vi o que ela estava fazendo com o catálogo de peças. Ela tinha passado por todas as minhas anotações rabiscadas e preenchido o formulário de pedido. Eu bebi o resto do seu refrigerante e verifiquei. Ela não ficou irritada com isso. Como se ela percebesse que eu era o chefe então ela precisava conseguir minha aprovação. Inclinando-se sobre a mesa ao meu lado, Wavy passou o dedo pelo calendário de mata-borrão e trouxe-o para descansar no sétimo. Em algum momento, apenas rabiscando, eu tinha desenhado um coração em torno do número. "Sim, hoje é o aniversário da minha mãe. É por isso que eu levei flores." Wavy ainda tinha o dedo no dia, então eu sabia que ela estava à espera de mais. Eu tinha medo de dizer qualquer outra coisa, com medo que eu ia começar a chorar, quando eu tinha


conseguido o dia inteiro não fazer isso. "O nome dela era Adina. Ela morreu há quatro anos. No inverno, mas ela gostava mais do verão. É por isso que eu levo flores em seu aniversário." Limpei meus olhos rapidamente e Wavy foi educada o suficiente para não olhar para mim enquanto eu fiz isso. Ela moveu seu dedo para baixo no dia dezenove, e em seguida, tocou seu peito. "Esse é o seu aniversário? Dia dezenove?" Wavy assentiu. Isso era raro, ela me dizendo algo que eu não tinha sequer perguntado. Ela era geralmente mais interessada em descobrir coisas, como com a tatuagem. Quando peguei uma caneta, ela se inclinou sobre os cotovelos, esperando para ver o que eu ia fazer. Isto precisava ser grande, para que ela soubesse que eu achava que era importante. Em letras grandes o suficiente para encher todo o quadrado, escrevi ANIVERSÁRIO DA WAVY. Ela parecia tão feliz que eu voltei para a data e desenhei um coração em torno do dezenove. Quando eu coloquei a caneta para baixo, ela colocou a mão no meu braço, como se ela confiasse em mim. Em seguida, ela se colocou entre meus joelhos e deslizou a mão pelo meu braço até atrás do meu pescoço. Ela se inclinou tão perto, que seu rosto quase tocou o meu. Eu me mantive imóvel, como você faz quando um pequeno pássaro vem e pousa em seu dedo. Por meio minuto, eu nem sequer respirei. Não foi como quando eu tentei abraçá-la na varanda da fazenda. Ela tinha feito isso sozinha. Ela apertou o queixo no meu ombro, e depois, maldição, se ela não cheirou meu cabelo. Eu sabia que estava com mal cheiro, mas ela cheirou-me como se eu estivesse limpo como margaridas. Exalou no meu ouvido, e respirou fundo.


Para deixá-la com uma maneira de escapar, eu só coloquei um braço em torno dela. Ela tremia tanto, que eu imaginei que ela fosse fugir, então eu soltei meu braço para deixá-la, mas em vez disso ela colocou seu outro braço em volta do meu pescoço e pressionou seus ossos salientes contra a minha barriga. Ela era tão pequena que isto meio que me assustou. "Segure firme," disse ela, então eu coloquei os meus braços em torno dela e apertei. Virei a cabeça para cheirar seu cabelo do jeito que ela fez com o meu. Cheirava a madressilva e o que eu imaginei como oceano – azedo e salgado. Ela riu, e eu tive a mais estranha sensação de que ela estava prestes a dizer algo mais, mas alguém na loja chamou, "Kellen está por aqui?" Liam. Eu soltei Wavy, e assim que eu empurrei a cadeira para trás, ela ficou de joelhos e correu sob a mesa. Mal fez isto antes de Liam abrir a porta do escritório e falou sobre essa festa que ele estava dando no rancho. Antes da festa, ele queria que eu saísse pra beber com ele. Ele nunca estava feliz de ter apenas uma coisa acontecendo. "Há essa garota que eu quero que você conheça para sair no Rusted Bucket," disse ele. Isto era praticamente a última coisa que eu queria fazer, mas tudo que eu queria era conseguir tirar Liam de lá sem ver Wavy. Às vezes, quando eu olho para a cicatriz no seu lábio, eu penso em matá-lo. Logo em seguida, pensei no grande e velho revólver Colt que Cutcheon mantinha na gaveta da escrivaninha. Em vez disso, dei a volta na mesa em direção a porta, então Liam teve de recuar para a garagem.


"Bem, eu preciso de um banho primeiro. Eu estou sujo," eu disse, enquanto eu puxava a porta do escritório fechada atrás de mim. "Então vá tomar um banho e me encontre lá fora." "No Bucket?" "Sim. Nós vamos beber alguma coisa, e, em seguida, levar as garotas para o rancho." Garotas. Até o momento que eu apareci no bar, Liam tinha aquelas duas garotas em uma cabine com ele. Uma loira bonita com peitos de stripper e uma morena com uma tatuagem de cobra que ia da sua mão até seu ombro. Essa é quem Liam queria que eu conhecesse. Eu não era estúpido. Eu poderia entender a situação bastante fácil. Ambas as garotas estavam interessadas em Liam e ele queria mantê-las no gancho. Duas bebidas mais tarde e a garota cobra estava pelo menos, fingindo estar interessada em mim. O nome dela era muito confuso para lembrar: algo como MarieElena ou Maria-Lena. "Então, você é um mecânico? Liam disse que reconstruiu a Harley dele," disse ela. "Sim." "Isso é legal. Que tipo de moto você tem?" "Uma '56 Panhead." "Você vai me levar para um passeio nela ou o quê?" Ela sorriu, mas ela estava olhando por cima do meu ombro para Liam, olhando ele beijar a garota loira. "Sempre que você estiver pronta para ir." Eu estava muito além de pronto para sair. Eu mal podia manter uma conversa simples com uma garota para salvar a minha vida, mas ter Liam ali era dez vezes pior. Ele me deixava nervoso.


Enquanto estávamos na moto, Snake4 agiu como se ela estivesse feliz o suficiente por estar comigo. Manteve seus braços em volta de mim, colocou a cabeça no meu ombro. Uma vez que chegamos à fazenda, porém, ela voltou a olhar para Liam. O trailer estava cheio e o som era tão alto que fazia o chão tremer. Eu mal podia ouvir o que ela dizia. Inclinei-me para ela e disse: "Vamos lá fora, onde não está tão lotado." Ela não parou de olhar para Liam, mas ela balançou a cabeça e me seguiu para fora através da sala de estar para a varanda. Por alguns minutos nós nos sentamos no planador, não falando. Nem mesmo balançando. "Então o que você faz?" Eu disse. "Onde você trabalha?" "Nenhum lugar agora. Sandy disse que Liam pode estar procurando por algumas pessoas." "Quem é Sandy?" "Aquela cadela loira," disse ela. Cara, ela estava chateada com essa garota. "Você quer subir no prado? É lindo lá fora à noite com as estrelas e tudo." "Não, obrigado." Eu não conseguia pensar em mais nada para falar, mas quando eu coloquei meu braço em torno dela, ela me deixou. Ela até mesmo me deixou beijá-la por um minuto, antes que ela virasse a cabeça. Ela tinha gosto de cigarros, então eu realmente não me importei. Eu desisti, e, em seguida, ela se abaixou e soltou meu cinto. Eu estava pensando que deveríamos ir para algum lugar mais privado, mas ela começou a me desnudar ali. Não queria me beijar ou falar comigo e agora ela tinha a mão no meu pau? 4

Menção da garota com tatuagem de cobra no braço


Levou-me tempo suficiente para resolver o problema. Ela queria que eu fosse embora e foi assim que ela descobriu como fazê-lo. Eu ia dizer-lhe para parar, mas então eu decidi que coisa estupida? Sendo a recepção final daquele tipo de rejeitar alguém era uma sensação ruim, mas talvez não fosse pior do que ir para casa sozinho, sem um trabalho de mão. A cabeça da cobra na parte de trás de sua mão era estranha, mas eu inclinei minha cabeça para trás e fechei os olhos, eu poderia tipo esquecê-la. Acabou por ser tão excitante quanto fazê-lo eu mesmo e muito mais estranho. Quando acabou, ela se levantou e voltou para dentro. Eu fechei minha calça, pensando em ir para o prado sozinho. Em vez disso, voltei para dentro, onde a festa tinha mudado de marcha. As pessoas estavam transando por todo o lugar, e Liam e a loira tinham desaparecido. Sentei-me no final de um sofá e arrumei algumas carreiras sobre a mesa do café. Então eu cheirei mais do que algumas carreiras de pó. Dee sentou ao meu lado por um tempo, sacudindo seu pé até que isto fez todo o sofá balançar. Eu não tentei nada, porque provavelmente a viagem a Myrtle Beach foi uma coisa de uma vez. Além disso, ela não teria sequer me beijado. "Então, você perdeu a sua companhia?" Disse ela. "Ela só veio aqui por causa de Liam." O pé de Dee sacudiu mais rápido. "Desculpe," eu disse. Eu não acho que sua vida era toda diversão às vezes. Não que eu pudesse entender por que ela se prendeu a Liam. Ele era bonito, mas a forma como ele agia era desordenado. Dee encolheu os ombros e se levantou. "Eu sabia no que estava me metendo com ele. Pergunto-me se essa garota estupida sabe quem ele é."


Mais tarde, a mulher cobra entrou e se sentou no sofá ao meu lado como se fôssemos estranhos. Isso estava tudo bem comigo. Ela pegou o cachimbo e começou a fumar. Assim como eu fiz na varanda, eu inclinei minha cabeça para trás e fechei os olhos. Eu gostaria de poder ir para casa, mas eu estava muito fodido para dirigir. "De quem é essa menina?" Disse uma mulher com uma voz bêbada. Sentei-me e abri os olhos. Wavy estava na porta do trailer, vestindo camisola e parecendo perdida. Alto como uma porra de um papagaio, Dee foi direto para a porta, dizendo: "Wavy, querida, o que você está fazendo aqui?" Wavy desviou a mão de Dee e das pernas de Yvonne e Neil, fazendo o que eles estavam fazendo no outro sofá. Antes que eu pudesse ficar em pé, ela veio ao redor da mesa de café e se posicionou ao meu lado no sofá. "Ei, está tudo bem?" Wavy assentiu. "Ela está bem?" Disse Dee. "Sim, ela está bem." "Devo talvez levá-la de volta para casa e colocá-la na cama?" Wavy chegou mais perto de mim, descansando a mão sobre minha barriga para se firmar. Parecia um convite, então eu coloquei meu braço em torno dela. "Vou levá-la para casa," eu disse. A cobra, que estava deitada na outra extremidade do sofá, sentou-se e disse: "De onde ela vem?" "Ela é a filha de Liam," disse Dee. Wavy olhou para ela.


Pela primeira vez desde que Liam saiu da sala, a cobra parecia interessada em algo. Ela estendeu os braços e disse: "Ahhh, ela é tão bonita. Venha aqui, querida, você quer vir sentar no meu colo?" Wavy ignorou a cobra e passou o braço em volta do meu pescoço. Em seguida, ela deitou a cabeça no meu ombro. Seu cabelo estava molhado. "Ela não vai ir com você," disse Dee. "Ela não vai sentar-se no colo de ninguém, exceto de Kellen. Ele é seu namorado, não é, Wavy?" Wavy assentiu. Me surpreendendo. Então, eu era seu namorado? "Como seu cabelo ficou molhado?" Eu disse. Ela apertou sua bochecha contra a minha e sussurrou: "Nadando." "Você quer um lanche ou algo antes que Kellen leva você para casa? Temos brownies deliciosos," disse Dee. "Esses brownies têm fumo neles." Eu desejei que Dee calasse a boca e deixasse Wavy falar o que queria comigo. Sua vinda ali assim, era para falar comigo, ela queria dizer alguma coisa. Antes que qualquer outra pessoa poderia dizer algo estúpido, Wavy colocou os lábios ao meu ouvido e disse: "Venha para o prado." Isto fez a minha pele formigar toda. Eu queria sair para o prado antes, e eu tive que ficar preso naquela festa idiota. Eu fugi para frente na borda do sofá e disse: "Prepare-se." Ela colocou os braços em volta do meu pescoço e eu dei-lhe as minhas mãos para estribos. Como se eu fosse o seu cavalo, e ela era uma vaqueira tentando fazer uma fuga rápida de alguns índios hostis. Só que eu era o índio e nós dois tentávamos escapar de garotas hostis. Fazia mais sentido se eu não pensasse muito sobre isso, mas me fez rir.


No prado, o feno passava da minha cintura, pronto para o corte. Insetos faziam barulho, e ficavam em silêncio enquanto eu passava, e começavam novamente, uma vez que eu tinha passado. O ar era menos pesado no espaço aberto, não quente e pegajoso do jeito que estava perto dos trailers. Era bom estar fora, ficando mais longe das luzes no quintal, para que eu pudesse ver as estrelas acima. Continuei andando até que Wavy puxou as rédeas, puxando minha camiseta e empurrando os saltos de suas botas em minhas mãos. Eu fiquei de joelhos para deixá-la descer, e quando eu estava de pé de novo, ela pegou a minha mão. Ela me levou passando por uma parede de álamo que fizeram um quebra-vento para um tanque galvanizado de quinhentos litros. Havia brisa apenas o suficiente para fazer as lâminas do moinho rangerem, e fazer a agua pingar. O tanque parecia preto e sem fundo à noite. Eu não seria corajoso o suficiente para nadar, mas ela era. Acima dos alamos, havia um penhasco na colina. No meio, havia um remendo aberto de feno. A grama estava socada em um círculo apenas do tamanho dela. Era o que eu queria antes: alguém para deitar sob as estrelas comigo. Eu podia ver como nunca iria funcionar com a cobra. Ela só estava interessada em motos, ficar chapada, e Liam. Wavy, porém, ela sorriu para mim como se ela estivesse me convidando para sua casa. Eu aplainei um espaço maior de feno, suficiente para nós dois. Quando eu abro meus braços, ela se deitou ao meu lado e apoiou a cabeça no meu braço. Eu me senti tão estranho, como se as estrelas estavam me pressionando para baixo na terra, pressionando a cabeça de Wavy para baixo em mim. Parte disto era a maconha, eu sabia, mas eram as estrelas também. Toda aquela luz viajando de tão longe. Prendi a respiração, meio que esperando. Geralmente olhávamos para as estrelas depois do jantar, na frente da casa, jogando com Donal. Wavy começaria por apontar


algumas constelações, e então eu escolheria algumas que eu conhecia. Ou achava que sabia. "Ursa Maior," eu disse, tentando incentivá-la a começar. Eu poderia sempre escolher aquela. Ursa Maior. Só que eu não poderia encontrá-la. Ela limpou a garganta, como se ela estivesse me xingando, mas foi apenas para provocar. "Cassiopeia." Ela levantou a mão para cima, desenhando ela para mim. Cinco estrelas em ziguezague. "Cepheus." Quatro estrelas que fizeram um triângulo, além de uma quinta que caiu como uma cauda de uma pipa. Eu não poderia manter o controle, mas depois que ela terminou, eu tinha certeza que não era todas elas. "E sobre Orion? Qual deles é Orion?" Ela virou de lado, pôs a mão na minha barriga, e deslizou para baixo na minha fivela do cinto. Eu tive que cerrar os dentes para não me contorcer. Ela tinha um jeito de me fazer sentir cócegas. "Certo. Orion é um como no cinto, com as três estrelas, mas eu não vejo ele." "Outubro." "Sério? Não aparece até outubro? Nós vamos ter que voltar em outubro, então." Então eu vi uma estrela cadente. Eu estava tentando lembrar como deveria ser, desejar sobre isso, quando vi um outro e depois outro. Pensando que eu devia estar imaginando, eu disse: "Você viu aquela estrela cadente?" Certo quando eu vi outra que voou através do céu. "Perseida," disse Wavy.


"Persei - o quê?" "Chuva de meteoros Perseida." Outro lance passa Cassiopeia como uma flecha. "Uau." Ela assentiu com a cabeça contra o meu braço e, depois disso, nós ficamos quietos. Nós não precisávamos conversar. Nós apenas ficamos deitados lá assistindo estrelas cadentes que como um raio branco atravessavam através de toda aquela escuridão.


PARTE DOIS


1 KELLEN Dezembro 1979

No ensino médio em Oklahoma, havia essa garota que eu gostava, e uma noite depois que eu saí para beber, eu subi pela janela de seu quarto. Na cama, ela me deixou beijá-la e apalpá-la um pouco, mas, em seguida, ela me disse para dar o fora. Ela realmente só gostava da minha moto. De mim nem tanto. Escalar até a janela dela, porém, foi divertido. O que o velho Cutcheon chamava de "travessuras." Escalando as treliças debaixo da janela de Wavy pareceu como travessuras, mas assim que eu bati na faixa, eu percebi que estava muito bêbado e sendo estúpido. Eu não deveria estar dirigindo, muito menos subindo a sua janela. Eu teria voltado, mas Wavy abriu a janela antes que eu pudesse desistir. Eu acho que ela tinha ouvido a moto vindo pela estrada. Eu rastejei sobre o peitoril e consegui entrar em seu quarto sem rebentar a minha bunda. Ela fechou a janela e ficou ali como um fantasma na sua camisola. Esperando que eu dissesse alguma coisa. Bem, sim, desde que eu apenas me arrastei na janela de seu quarto no meio da noite. "Eu trouxe um presente," eu disse. "Não é natal ainda." "Não, não é de natal. É um-um presente de aniversário." "Julho."


"Eu sei que seu aniversário é em julho. Eu apenas – eu não - eu estou um pouco bêbado. Na verdade, é meu aniversário. Eu trouxe um presente para o meu aniversário." "Hoje?" "Sim, hoje é meu aniversário. Bem, ontem. Eu acho que é meia-noite já." Seus dentes brilharam no escuro e ela pegou minha mão, me puxou para a cama. Era o único lugar para me sentar, mas isto me assustou. Fez-me pensar em subir pela janela daquela outra garota para ficar na cama com ela. "Não, querida. Eu só vim aqui para lhe trazer um presente." Eu tinha levado ele dobrado na parte de trás da minha cintura, mas quando eu o puxei, eu o deixei cair no chão. Antes que eu pudesse pegá-lo, ela puxou-me mais um passo em direção à cama. "Frio," disse ela. "Sim, você precisa voltar para a cama. Eu deixei todo o frio entrar pela janela." "Você." Eu estava com frio. Quando Wavy segurou as cobertas para mim, sentei-me na beira da cama. Tirei minha jaqueta e minhas botas. Deixei minha calça jeans, cinto e camisa. Bêbado como eu estava, isto parecia bem. Ela estava de camisola, mas eu ainda estava vestido. Ficando sob as cobertas era bastante fácil. Eu afofei as colchas e coloquei em volta de nós dois, já que meus braços eram longos o suficiente para organizar tudo. Ela encolheu-se do meu lado, tremendo, e esfregou os pés contra a minha perna tentando se aquecer. Uma vez que eu tenho o meu braço em torno dela e ela deitou a cabeça no meu ombro, nós estávamos aconchegados e confortáveis, e prontos para ir dormir. E esse era


o problema maldito. Isto não era o mesmo que cair no sono ao lado de Wavy no prado. Eu estava na cama com ela. Se Val viesse no andar superior e me encontrasse lá, eu não poderia exatamente dizer: "Eu estava muito confortável para sair." "Wavy? É melhor eu ir." Ela balançou a cabeça. "Eu não posso ficar aqui." Ela pressionou seu queixo no meu braço. Um aceno de cabeça? "Sério, querida. Eu não posso." Sua resposta foi tão discreta, eu não tinha certeza de que ouvi direito. Eu não queria ter certeza, só que eu precisava ter certeza. Parecia que dois cães estavam brincando de cabo-de-guerra com o meu coração. Ela não diria isso de novo, e acabou que eu queria saber mais do que eu não queria saber. "Você me ama?" Eu disse. O queixo pressionou novamente. Duas vezes. Não havia muitas coisas que ela achava que valessem a pena acenar duas vezes. "Eu também te amo. Eu amo você." Eu disse duas vezes, para ter certeza que ela ouviu. Eu tremi, mas não de frio, mas sabendo que dizer isso em voz alta tornou real. Durante muito tempo esse sentimento estava esgueirando e procurei não ficar perto, mas agora eu tinha dito. Eu fiquei acordado por um tempo, sentindo sua respiração no meu braço, mas, finalmente, quente e confortável e bêbado me ganhou, e eu adormeci.

***


Acordei com a necessidade de urinar, com meu pau duro como uma rocha do jeito que é na parte da manhã, e lá estava eu na cama de Wavy, com ela enrolada do meu lado. Quando eu fui me levantar, ela segurou-me. "Presente?" Ela murmurou. "Sim. Aqui, deixe-me levantar. Você acha que sua mãe vai acordar se eu descer ao banheiro?" "Janela." "Claro, eu posso sair pelo mesmo caminho que entrei." "Eu não vou olhar." Seus olhos estavam bem fechados contra o sol nascendo, mas ela virou a cabeça, também. Foi a correção mais rápida, então eu levantei o caixilho da janela e desfiz meu zíper. O frio tomou conta do meu tesão bem rápido. Wavy riu ao som da projeção do mijo e congelamento no telhado de metal da varanda, mas ela manteve o rosto escondido até que eu fechei o zíper e depois a janela. "Presente". Ela deve ter se sentido corajosa. Por falar e do jeito que ela olhou para mim. Seu presente estava no chão, onde eu tinha deixado cair na noite anterior. Vendoo à luz do dia, eu tinha vergonha que era algo tão barato. Eu pensei que era mágico quando eu comprei e, quando ela tirou isso de mim, ainda era. Seu rosto se iluminou, então ela estava meio anjo e meio menina com rugas do sono no rosto. "Elas brilham?" Disse ela. "Sim, e você coloca-os no seu teto. Então você pode ter estrelas, mesmo quando está nublado como na noite passada. Assim você pode ver Orion durante todo o ano." "Maravilhoso." Ela disse isto tão suave que nem sequer era um sussurro.


"É melhor eu ir. Eu não acho que Val ficaria muito feliz sobre eu estar aqui em cima." Wavy deu de ombros. Eu calcei as minhas botas e vesti a jaqueta, antes de abrir a janela novamente. Olhando para as treliças, eu não podia acreditar que eu subi por ali no meio da noite. Estúpido como o inferno. Então as botas tinham que sair de novo, e eu na ponta dos pés desci as escadas atrás de Wavy. Na cozinha, eu coloquei minhas botas, enquanto Wavy esperou em seus pés descalços. Quando alcancei a maçaneta da porta da cozinha, ela colocou a mão no meu braço. "Nada para o seu aniversário," disse ela. "Não nada. Você me deu o melhor presente que eu tive em um longo tempo." Desde que ela não recuou de mim, eu peguei seu rosto em minhas mãos, e inclinei para mim, então eu poderia me abaixar e beijá-la. Na boca, mas nada sujo. O tipo de beijo que você dá a alguém que você ama. Ela sorriu para mim. Um sorriso verdadeiro, com dentes e covinhas e a coisa toda.


2 AMY Depois de Ação de Graças, mamãe começou a ligar para tia Val e dizendo: "Queremos que as crianças venham para o Natal. Se você me disser como encontrar sua casa, eu vou pegá-los," mas a tia Val não iria. Mamãe finalmente desistiu, mas quatro dias antes do natal, um careca apareceu para deixá-los. Ele nem sequer se preocupou em tirar o cigarro da boca para se apresentar para a mamãe. Seu nome era Butch, e ele era um "parceiro de negócios" do tio Liam, disse ele. Ele disse a mamãe que alguém viria buscar Wavy e Donal, mas ele não disse quem ou quando. Até então, todos eles eram nossos. Papai fez Wavy prometer que não fugiria, mas isso não a impediu de fazer outras coisas estranhas. No ensaio para o desfile de natal da igreja, Donal foi escalado como um pastor e o diretor do coro lançou Wavy como um anjo. "Isso provavelmente não é uma boa ideia," disse Leslie, que tinha representado a Virgem Maria todos os anos e por duas vezes o dono da pousada, o culpado que fez Jesus ter nascido em um celeiro. Agora que estava velha demais para estar no espetáculo, ela ajudou o maestro do coral com os anjos do curral. Ela não queria encurralar Wavy. "Por que não?" Disse o diretor. "Ela não vai falar. Ou cantar," eu disse. No meu último ano no espetáculo, eu era o terceiro homem sábio. Esse é o problema com a história do natal: a maior parte dos


papéis são para meninos. A única menina está lá porque os homens não podem ter filhos. "E ela faz coisas," disse Leslie, mas o diretor do coral não estava escutando. Wavy já usava um vestido branco, assim, para o ensaio tudo o que ela precisava era de um halo e um par de asas. Mesmo sem essas coisas, ela parecia um anjo. O ensaio foi bem até que nós fizemos uma pausa para o nosso lanche. Quando voltamos para o santuário, o Menino Jesus estava faltando. Como em um drama do crime, as únicas coisas deixadas para trás na palha eram seus panos. Os adultos procuravam através de pilhas de roupas e caixas de decorações. As senhoras da igreja acusaram mutuamente. "Eu coloquei na manjedoura. Eu sempre coloco isto na manjedoura," disse uma delas. "Ele!" Disse uma outra senhora. "Nosso Senhor Jesus não é um isto." O diretor do coral acusou a Virgem Maria, que chorava, e então a mãe da Virgem Maria gritou com o diretor do coral.. No meio do drama, Wavy inclinou-se para mim e sussurrou: "Tufo de Poeira." "Esta não é apenas uma boneca," eu disse. "Este Menino Jesus esteve no espetáculo de natal da igreja a cada ano por um longo tempo." Wavy me deu o pequeno sorriso, sorrateiro que eu conhecia tão bem. Ela tinha o menino Jesus Tufo de Poeira. "Vamos olhar sob os bancos," eu disse a Leslie. Então nos arrastamos através do santuário, procurando sob os bancos. As outras crianças começaram a procurar, também, e cinco minutos depois, o pastor disse: "Eu o encontrei!" Eu encurralei Wavy sobre os degraus para o coro e disse: "Por que você fez isso?"


"Caça ao ovo de Páscoa." Isso é o que a igreja era para Wavy: um conjunto de jogos que ela não entendia muito bem. Eu ri, Wavy riu, e o diretor do coro gritou: "Quem está rindo no sótão? E onde está o meu terceiro homem sábio? Por favor, podemos nos concentrar?"

***

Na Escola Dominical, nós deveríamos fazer cartões de natal para entregar aos membros da igreja que estavam muito doentes para ir à igreja. Wavy recortou os sábios e os animais, colorindo-os em tons de roxo e verde, e colou-os ao redor da borda do seu cartão. Ela deixou Maria, José e Jesus em uma pilha de papel cortado em cima da mesa. Dentro de seu cartão, onde deveríamos escrever versos da Bíblia, Wavy escreveu: "Querido Kellen." Eu não cheguei a ler o que ela escreveu depois disso e nem ninguém. Quando a professora deu a volta para olhar os nossos cartões, Wavy não iria deixá-la. "Por que não, querida? Apenas deixe-me ver." A professora deu um passo mais perto e Wavy correu. Pelo resto da Escola Dominical ela se escondeu, e para o espetáculo também. Assim, o diretor do coro não conseguiu seu anjo loiro perfeito para ficar na frente e no centro e que se recusava a cantar. Depois que o espetáculo acabou, quando mamãe estava prestes a entrar em pânico, Wavy saiu de trás do batistério. De volta para casa, papai sentou-se no sofá, lendo seus papéis de trabalho, enquanto Leslie, Donal, e eu abrimos os nossos presentes. Wavy tinha presentes, também, mas tudo o que queria para o natal era um envelope e um selo.


"Para quem é o cartão?" Disse a mãe. Uma vez que ele foi selado com segurança no envelope e endereçado, Wavy entregou-o a ela. "Jesse Joe Kellen? Este é o rapaz que te chama Wavy?" "Ele é seu namorado?" Leslie estava na oitava série esse ano e estava começando a se interessar pelos garotos, e a mãe do papai estava muito interessada. "De que cor são os olhos dele? Azul? Castanho?" Disse vovó Jane. Wavy balançou a cabeça e disse, "Castanho." "Os olhos castanhos são muito bonitos. Ele está em sua classe na escola?" Wavy sacudiu a cabeça. "Bem, ele é mais jovem do que você? Ou mais velho?" Disse vovó Jane. Mais velho. Eles continuaram a fazer perguntas sobre Kellen e, para minha surpresa, Wavy respondeu. Ele tinha um sorriso tímido e Wavy andava de moto com ele. "Mãe, pare, você está envergonhando ela," disse papai. "Ela gosta disso," disse vovó Jane. "Toda garota gosta de falar sobre o menino que ela gosta. E ele gosta de você, também, não é?" "Ele me ama." Wavy seguiu a confissão com um de seus raros sorrisos com covinhas. Mamãe pensou que era tão bonito que ela contou a história para seus amigos no clube do livro, quando eles vieram para o Ano Novo. Não era doce como sua trágica sobrinha de dez anos de idade, tinha um namorado que amava ela? Era doce até que mamãe encontrou Kellen. Estávamos na cozinha, nos preparando para sair para nossa aula de música, e minha mãe estava discutindo com Donal sobre seus brinquedos de natal.


"Donal, vamos voltar para a casa e levá-los, ok? Você não tem que levá-los todos com você. Wavy, você vai dizer a ele?" Wavy encolheu os ombros, talvez porque em sua experiência, você nem sempre terá que voltar para seus brinquedos. A campainha tocou e minha mãe me enviou para atender. Na varanda da frente estava um homem enorme em jeans e uma camisa ocidental. Ele disse: "Ei, eu sou Kellen. Estou aqui para pegar Wavy e Donal." Deixei-o na entrada e corri de volta para a cozinha. "Quem era?" Disse a mãe. "Kellen. Ele está aqui para pega-los." Donal baixou os brinquedos e correu para fora da cozinha, gritando: "Kellen!" Wavy foi atrás dele. Ainda em nossos casacos, nós rodamos para o corredor da frente, onde Kellen jogou Donal tão alto que quase bateu com a cabeça no teto. Wavy sorriu, enquanto Donal falava sem parar. Agora que ele estava falando, isso era tudo o que ele fazia. "E o menino Jesus estava faltando. E nós saímos procurando no chão para encontrá-lo. E eu usava uma toalha na minha cabeça. Eu era um pastor. Eles usavam toalhas sobre as suas cabeças. E Wavy era um anjo. Ela tinha um halo. E ... " "Quem é ele?" Mamãe sussurrou para mim. "Ele disse que seu nome era Kellen." "É o pai do Jesse Joe?" Mamãe abriu a bolsa, sacudindo as chaves para ter certeza que sua lata de gás lacrimogêneo estava lá. "Desculpe-me," disse ela. "Eu sou Brenda Newling."


Kellen colocou Donal para baixo e veio em direção a minha mãe com a mão. "Prazer em te conhecer. Eu sou Jesse Joe Kellen." Eu vi o rosto de minha mãe quando a realidade preteriu a história que ela tinha inventado. Ela tinha imaginado Jesse Joe como o tipo de jovem tímido que uma menina quieta, ferida como Wavy poderia fazer amizade. No conto de fadas da mamãe, eles deram as mãos e os segredos compartilhados e algum dia iriam para a faculdade e teriam uma boa vida, se devidamente incentivada por uma tia de apoio. Olhos castanhos e um sorriso tímido, Wavy tinha dito. Seus olhos eram quase sonolentos quando ele estendeu a mão para a minha mãe, e uma tampa de ouro grande cravejado no meio de seu sorriso tímido. Monstruoso foi a palavra que minha mãe costumava descrevê-lo aos seus amigos do clube do livro, e ele era enorme. Maior do que o Incrível Hulk na TV. Mesmo que ele não fosse verde, mamãe recuou da mão que ele ofereceu. As mangas da camisa dele estavam enroladas, revelando várias tatuagens, incluindo uma em forma de ferradura. No centro do que era um trevo de quatro folhas as palavras Sortudo filho da puta. Este era o "namoradinho de Wavy.” Minha mãe recuou e esbarrou em Leslie. Kellen ainda tinha a mão estendida, oferecendo para cumprimentar, mas a retirou e descansou no ombro de Wavy. Ela não cumprimentou ele, como ela faria com qualquer outra pessoa. "Bem, isso é muito inconveniente," Mãe desabafou. "Ninguém ligou para dizer que eles estavam saindo hoje. É insensato Val esperar ... " Kellen não estava escutando. Ele tinha se abaixado em um joelho então ele estava na linha de visão de Wavy. Enquanto ele olhava para ela, o resto de nós não existia.


Wavy sussurrou algo em seu ouvido e ele respondeu: "Eu recebi sua carta. Eu senti sua falta, também." Tudo isso era chocante o suficiente, mas então ela o beijou na bochecha. Do desconhecido. "Mãe, eu vou me atrasar para minha aula," disse Leslie. Só ela ficaria chateada com isso. Sonhei em ter razões para faltar às minhas aulas de violino. Minha mãe limpou a garganta e disse: "Sr. Kellen, nós temos um compromisso para ir. Talvez você pudesse voltar esta noite para discutir isso." "Eu acho que Val se esqueceu de ligar." Kellen finalmente tirou os olhos de Wavy e ficou de pé. "Eu acho. Se você nos der licença, temos de sair. Vamos, crianças." "Por que eu não posso ir com Kellen?" Disse Donal. "Porque eu não falei com sua mãe ainda." Minha mãe sacudiu as chaves do carro. "Agora, vamos lá. Por que vocês não levam o Sr. Kellen para fora, enquanto eu pego o carro? Não se esqueçam de trancar a porta da frente." Fiquei emocionada ao estar na entrada com Kellen. Ele havia alarmado minha mãe e recebeu um beijo de Wavy. Quando eles se separaram na varanda da frente, Kellen estendeu a mão e passou a mão pelo cabelo de Wavy. Ela se virou e sorriu para ele. Na escola de música, enquanto Leslie estava tendo sua lição, mamãe sentou ao lado de Wavy e sussurrou: "Quem é esse homem?" "Kellen." "Jesse Joe Kellen? A pessoa para quem você enviou o cartão de natal?" Wavy assentiu. "Quantos anos ele tem?"


Wavy deu de ombros. Quando meu pai chegou em casa do trabalho, ele e minha mãe foram para o escritório e argumentaram durante meia hora. Em seguida, mamãe saiu e ligou para tia Val. O telefone tocou por muito tempo, antes da tia Val atender. O rosto da mamãe estava sério e ela disse: "Um homem veio aqui hoje para pegar seus filhos. Ele disse que seu nome era Kellen. Fiquei com a impressão de que Jesse Joe Kellen era um homem muito jovem, uma vez que Wavy nos disse que ele era seu namorado." Houve uma longa pausa, enquanto minha mãe enrolava o fio de telefone ao redor de seu dedo e, em seguida, liberava. Seu rosto relaxou um pouco e ela riu. "Claro, eu sei que as meninas se apaixonam, mas não estou prestes a entregar seus filhos para um desconhecido que afirma que você enviou." "Sim, não é um estranho para ela, mas ela só tem dez anos. Ela não pode cuidar de si mesma. Não é…" Minha mãe ia ter a última palavra até que a campainha tocou. Papai atendeu e o som de Kellen apresentando-se terminou a conversa da mamãe com a tia Val. Donal estava brincando com seus carros no chão, mas ele estava em um instante, correndo para o corredor da frente. Quando Kellen entrou na sala, ele tinha Donal rindo pendurado no ombro. Papai deu de ombros para a mamãe e disse: "Crianças vocês estão prontas para ir?" Pela primeira vez, Wavy arrumou a mala. Enquanto mamãe observava da porta, Kellen segurar a bolsa para Wavy colocar as coisas de Donal. Ao lado de minha cama estava uma pilha de presentes de natal que tecnicamente pertenciam a Wavy, incluindo uma loira boneca Darci Cover Girl Model, dois Smurfs, e


uma lancheira Mork e Mindy. Ignorando tudo isso, Wavy puxou um livro sobre constelações fora da pilha. Ela entregou a Kellen com um sorriso e disse: "Para você." Mamãe era particularmente orgulhosa daquele livro. Algo que Wavy gostaria. Obviamente ela gostou dele, se ela estava dando a Kellen, mas minha mãe agiu como se Wavy tivesse cuspido na sua cara. Depois que eles foram embora, mamãe ligou para sua amiga Sheila e disse: "Eu só não sei o que fazer com a minha sobrinha." Eu acho que ela só disse isto por dizer, porque eu tinha ouvido o suficiente de suas brigas com papai para saber, haviam apenas três coisas que poderíamos fazer sobre Wavy. Nós poderíamos deixá-la e Donal vir morar conosco, nós poderíamos ligar para a assistência social, ou poderíamos "deixar ela em paz." Eu não sabia exatamente o que isso significava, mas era sempre a decisão da mamãe e papai.


3 KELLEN Agosto 1980

Tudo que Liam disse sobre o negócio em Nagadoches foi: "Seu trabalho é ser o maior filho da puta, mais assustador do que uma cadela no quarto." Eu deveria saber que não ia ser assim tão simples. O que era para levar dois dias levou quatro e quando acabou, eu tinha feito uma coisa maldita que eu sempre disse a Liam que eu não faria. Eu matei alguém. Dirigindo para casa, eu disse a mim mesmo que era diferente de Liam me mandar matar um cara de propósito. Eu não tinha ido para o Texas planejando matar dois mexicanos. Eles tentaram me matar primeiro. Isso era ruim o suficiente, mas, em seguida, o carro de Vic quebrou, e lá estávamos nós ao lado da estrada, com vinte quilos de cocaína no porta-malas. Além disso, o dinheiro para a compra. Vic dirigia um El Dorado Biarritz 74 branco com bancos de couro vermelho. O carro foi encerado e polido como um modelo de sala de exposições, mas sob o capô, isto era uma maldita bagunça. "Quanto tempo se passou desde que você trocou o óleo?" Eu disse. Estúpido bastardo deu de ombros. Eu estava tentando manter meu temperamento sob controle ultimamente, parar de brigar, mas eu não podia acreditar que ele era tão estúpido. Eu dei um soco.


"Que porra é essa?" Vic gritou, segurando o sangue de seu nariz antes que pudesse escorrer em sua camisa. "Você me diz que porra é essa, você dirigindo por aí um carro que não está funcionando. Você acha que nós apenas podemos acenar para as patrulhas rodoviárias e conseguir reboque?" Eu empurrei o carro fora da estrada principal, suando através do último par de roupas limpas que eu tinha. Então eu passei duas horas entalado sob o carro, tentando fazer com que funcionasse. Nós o limpamos na próxima cidade, mas não havia nenhuma maneira que o carro fosse chegar em Powell. Então eu liguei para Danny na loja e disse: "Traga o reboque." "Não seria mais fácil conseguir um reboque daí?" Danny era um bom garoto, mas ele fumava drogas demais. "Traga o caminhão de reboque. Diga a Liam que estamos atrasados.” Seis horas mais tarde, tínhamos o carro no reboque e voltamos para o rancho. Eu dirigi. Tão cansado como eu estava, eu estava muito chateado para voltar com Danny ou Vic dirigindo. As pessoas diziam que eu era estúpido, mas pelo menos eu poderia seguir algumas regras básicas. Como não ir em uma compra de drogas em um carro que poderia quebrar. Já passava das dez quando chegamos ao rancho, e Dee sorriu para mim enquanto Liam me repreendia. Como se fosse minha culpa que os mexicanos tentaram nos enganar. Como se fosse minha culpa que o carro de Vic quebrou. Pelo amor de Deus, eu estava cheio de Liam Quinn. Ou eu teria terminado com ele, se não fosse por Wavy. Saí do reboque e peguei minha Panhead para casa, apenas para conseguir ar fresco em mim. Na casa, eu estava na porta da frente, tirando minhas botas antes de


perceber que a luz da cozinha estava acesa. Pensando naqueles mexicanos mortos, minhas entranhas apertaram. Aqueles rapazes, provavelmente, tinham amigos que não pensariam muito de mim. Eu entrei na cozinha e apontei minha arma diretamente no rosto de Wavy. "O que você está fazendo?" Eu disse. A falta de sono e o funcionamento nos nervos me alcançou. Minhas mãos tremiam enquanto eu travei o clipe. Abrindo a gaveta da cozinha a enfiei ao fundo. Wavy parecia tão chocada quanto eu me sentia. Ela estava sentada à mesa, sobre duas lista telefônicas, sem suas botas, com os pés descalços pendurados. A luz do teto deixava seu cabelo dourado. "Vamos lá, arrume suas coisas. Vou te dar uma carona para casa." A parte de trás da minha camisa estava suja de deitar na estrada para arrumar o carro de Vic. Seu vestido branco ia acabar encostando nisto, mas isso era muito ruim. Eu fui caminhando de volta para a porta da frente para chegar em minhas botas, mas ela não veio. Quando voltei para a cozinha, ela ainda estava sentada à mesa, lendo uma revista. "Agora. Pelo amor de Deus agora. Eu não estou com disposição para isso." "Caminhando." Ela deslizou da cadeira e ficou em seus pés descalços. "Não, você não vai caminhando para casa." "Andei até aqui." "Sim, bem, não estava um breu quando você entrou aqui, também." Ela encolheu os ombros. "E como você entrou aqui?"


Ela tirou uma chave do bolso do vestido e colocou-a sobre a mesa. A chave reserva de debaixo do tapete na varanda dos fundos. Olhando para a chave, eu tive uma visão da revista que ela estava lendo. Uma revista de sexo da minha mesa de cabeceira. Ela tinha aberto em um par de coisas que eu não gostaria de pensar que ela tinha olhado. Um boquete em uma página e uma garota levando isto por trás na outra. "O que está fazendo olhando para esta merda? Você não pode estar olhando para este tipo de coisa. E onde diabos você conseguiu? Acabou de vir aqui e está tomando conta da casa? Esta é a minha casa." Peguei a revista da mesa e enrolei-a. Ela se encolheu, como se ela pensasse que eu ia bater nela com a revista. A maneira como você faria a um cão. Ao vê-la pronta para eu bater nela foi um balde de água fria em mim. Se eu não poderia ser melhor para ela do que isso, eu não tinha nenhum pensamento importante que estava ficando perto dela. "É minha casa, ok? Você não pode entrar aqui sem mim." Ela me deu o olhar do tipo que faz você querer enrolar-se e morrer. Só porque ela não tinha nenhuma revista de peitos para eu a olhar não significava que eu não tinha bisbilhotado em seu quarto. Eu caminhei ao redor da mesa, abri o armário da pia, e enfiei a revista no lixo. "Sinto muito, mas eu não dormi em dois dias. Eu estou muito sujo e suado e cansado e preciso de um chuveiro e algo para comer e não há sequer uma camisa limpa nesta casa maldita, porque eu tive que sair com pressa. Então, sinto muito, mas eu não tenho… " Eu cheguei perto para dizer, "eu não tenho tempo para você." Só que não foi apenas isso que quis dizer. Era uma mentira. Eu tinha todo o tempo do mundo para ela.


Eu queria que ela estivesse lá, mas eu estava tão infeliz, eu não conseguia nem falar com ela como eu normalmente faria. Eu não tinha nenhum negócio dizendo: Desculpe, eu estou em um humor de merda, mas eu acabei de matar dois caras. Ela saiu para o corredor aberto, então eu disse: "A moto está lá na frente, querida." Ela voltou com um pacote de pano em suas mãos. Ela estendeu-o para mim: uma camiseta, jeans, e uma toalha. Lavados, secos e dobrados. Ela lavou minhas roupas. "Obrigado. E eu sinto muito. Eu só estou cansado e eu tive dois dias ruins." Estendi a mão para pegar as roupas limpas, mas ela afastou-as e franziu a testa para mim. Minhas mãos estavam cobertas de graxa. Segui-a até o banheiro, onde ela colocou as roupas limpas na borda da pia e ligou o chuveiro. Ela saiu, fechando a porta atrás dela. No chuveiro, eu passei uns bons quinze minutos, deixando o peso da água quente em cima de mim, tentando esquecer os dois mexicanos mortos. Eu precisava parar de pensar sobre isso. Estava acabado. Quando saí do chuveiro, Wavy foi embora. Eu me preocupei que ela foi caminhando para casa, mas a mochila dela ainda estava na cozinha. Mais estranho, ela esvaziou minha carteira. Estava no centro da mesa com sua corrente enrolada ao lado dela. Dispostas ao lado dela, como um jogo de paciência, era todo o material que eu mantinha em minha carteira e bolsos. Uma embalagem de doce, minhas chaves, um frasco de colírio e cinco cápsulas em pé. Eu embolsei estas. Eu tinha limpado e jogado a arma, mas esqueci de abandonar as cápsulas. Eu acho que não era muito mais esperto do que Vic. Eu estava prestes a pôr minha carteira em ordem, quando Wavy entrou pela porta dos fundos carregando uma sacola de supermercado da loja do outro lado da estrada.


Ela arrastou uma cadeira até o balcão e esvaziou a sacola: um pacote de fígado, uma cebola, um pimentão verde, uma caixa de ovos, e uma caixa de sanduíches congelados. "Eu acho que já tem alguns sanduíches congelados." Ela balançou a cabeça. "Você comeu meus sanduíches congelados?" Um aceno embaraçado. "Tudo bem. Sinto muito sobre o que eu disse antes. Está tudo bem você vir aqui." Eu estava tão cansado, sentei-me à mesa e bebi uma cerveja, enquanto eu esperava. Em quinze minutos, eu tinha um prato fumegante de fígado com cebola e pimentas. Enquanto eu comia, ela colocou minhas coisas em pilhas e classificadas sobre a mesa. Ela cheirou os doces, e em seguida, traçou seu dedo em torno do local onde as cápsulas estavam. "Aquelas foram jogadas fora," eu disse. Ela passou por todas as cartas enquanto ela colocou de volta na minha carteira. Minha carteira de motorista, o meu cartão de biblioteca, meu cartão de doador de sangue. "O negativo," ela murmurou. Em seguida, ela bateu em um cartão que deixou seu rosto sério. Ela se esforçou com um grande fôlego e disse em voz alta: "Barfoot." "Eu costumava ter um nome diferente." Eu estendi minha mão e ela me deu meu velho cartão de identificação tribal com o nome de meu pai sobre ele. Eu era Júnior quando eu era uma criança, mas depois que ele


me chutou para fora, comecei a ir pelo nome de minha avó. Levantando da minha cadeira, eu lancei o cartão velho no lixo. Eu terminei o meu jantar, enquanto Wavy me observava. Eu nunca tinha certeza do que aquilo significava, ela me observando comer. Achei que ela devia gostar, ou ela não iria demorar em tanto trabalho para me alimentar. "Eu estou quase pronto, então é melhor eu te levar para casa antes de dormir," eu disse. "Mamãe." Isto fez minha pele arrepiar da maneira como ela disse. Como você diria, "Tornado," se um estava caindo sobre você. "O que tem a Val?" Wavy levou as mãos à cabeça e fez chifres como os seus dedos. Ou bate-boca? "Ela está agindo de forma estranha? Onde está Donal?" "Sandy." Wavy deu a volta na mesa atrás de mim e descansou as mãos nos meus ombros. "Posso ficar?" "Eu não sei, isso não é ..." Eu nem sequer me lembro o que eu ia dizer depois que ela apertou as mãos nos meus ombros. Ela apertou o local onde eu tinha conseguido amontoar todo o estresse. Quando eu me deitei no chão da cozinha, ela tirou suas botas e pisou em minhas costas. "O que aconteceu?" Disse ela. Eu sabia que se eu não respondesse, ela nunca iria perguntar novamente. Parte de mim queria fazer isso, mas eu não poderia esconder isto com ela esperando para me ouvir. Ela sabia como manter um segredo.


"Eu matei alguns caras. Este trabalho que Liam enviou-me no Texas. Ficou tudo fodido e eu atirei em dois caras." Ela parou com seus pés em cada lado da minha espinha. "Quem?" Disse ela. "Uma dupla de traficantes de drogas, por isso não são qualquer tipo de caras bons, mas eu acho que isto me faz igual. Nenhum cara bom." Não foi surpresa para mim quando ela saiu das minhas costas. Eu não a culpo se ela não quisesse ficar perto de mim. Eu pensei que eu poderia conversar sobre isto com Liam, para ficar perto de Wavy, mas talvez tudo o que eu estava fazendo estava me transformando em Liam. "Vou levá-la para casa," eu disse. "Não." Ela ficou de joelhos e atirou a perna por cima de mim. Lá estava eu pensando que ela queria sair, mas ela deitou-se em cima de mim, e pressionou sua bochecha contra a minha. Ela não precisa dizer nada, porque eu sabia o que isso significava. Ela ainda pensava que eu era um bom rapaz.

***

Eu cochilei por um segundo e acordei. A luz do dia estava entrando pela janela em cima da pia. Eu tinha adormecido no chão da cozinha e dormido a noite toda em um piscar de olhos. Quando eu era jovem, eu costumava ficar tão bêbado que eu desmaiava, mas eu não tinha feito isso há anos. Do outro lado da mesa, Wavy estava colocando suas botas.


"Ei," eu disse. Eu estava preocupado que iria assustá-la, mas ela sabia que eu estava acordado. Ela bateu os pés para acomodar as botas e puxou sua mochila. "Deixa eu me arrumar e eu vou levá-la para casa." Levantei-me, duro em lugares estranhos de dormir de bruços no chão, mas pelo menos as minhas costas não doíam mais. No meu quarto havia um ponto amassado na cama onde Wavy deveria ter dormido. Ainda quente quando eu coloquei minha mão sobre ele. No banheiro, uma segunda toalha úmida estava pendurada ao lado da minha. Então ela deve ter tomado banho também. Urinei, e em seguida, joguei água fria no meu rosto, tentando deixar as coisas em foco. Na cozinha, Wavy estava parada exatamente onde eu a deixei. Quando me sentei para calçar as botas, ela deslizou um pedaço de papel sobre a mesa para mim. Seu formulário de inscrição escolar. Ela preencheu tudo, mas ela precisava da assinatura de um pai e os doze dólares para registrar. Ninguém tinha registrado ela na escola, e naquela manhã foi o primeiro dia. Eu não poderia me passar como Val, mas eu estava ficando muito bom em fingir ser Liam.


4 WAVY

Sra. Norton disse: "Quero que cada um de vocês se levante e diga seu nome e uma coisa que vocês fizeram neste verão." Sussurros borbulharam por toda sala de aula como manteiga em uma frigideira antes de jogar os ovos. Ficamos em fileiras, seguindo o alfabeto, então eu estava perto do fim. Talvez algo iria acontecer antes que chegasse a minha vez. Talvez o alarme de incêndio fosse tocar. Ou talvez houvesse um furacão como na última primavera. Fomos todos para o corredor atrás do ginásio e muitas crianças choravam. Eu gostei da escuridão e à espera de um tornado para rasgar a escola longe. Nada disso aconteceu. Nunca acontecia quando você queria. A menina ao meu lado se levantou quando era a vez dela. Seu nome era Caroline Peters e durante o verão, ela visitou sua avó, na Califórnia, onde ela "foi para a Disneylândia e andou em montanhas-russas e viu Mickey Mouse e ..." "Isso é o suficiente, Caroline," disse a Sra. Norton. "Uma Coisa." Em seguida, era a minha vez. Eu tinha coisas para contar. Eu visitei os meus primos. Eu aprendi a substituir velas de ignição na Panhead. Eu observei estrelas com Kellen no prado. Eu ensinei Donal a nadar. Eu cuidei de Kellen quando estava cansado. Enquanto ele estava dormindo eu o beijei. Em primeiro lugar na sua bochecha, em


seguida, em suas costeletas espinhosas. Então, em sua boca, que não era espinhosa afinal. Mesmo que a boca fosse um lugar sujo, ele não tinha medo dos meus germes. "Vá em frente, querida. Levante-se e diga seu nome e uma coisa que você fez neste verão. Não seja tímida." Tímida. Isso era um truque. Como as crianças no campo de jogos desafiando uns aos outros, dizendo: "O que você é, galinha?" Meu coração estava batendo dentro de minhas orelhas tão alto, mas eu não era uma galinha. Eu só não era estúpida o suficiente para cair no truque da Sra. Norton. "Senhora Norton," disse Caroline Peters. "Você já teve sua vez, Caroline." "Essa é Wavy Quinn. Ela não pode falar." "Ela certamente pode falar. Ela escolhe não falar. E se ela persistir com este comportamento na sala de aula, ela vai ganhar uma marca no quadro." Sra. Norton caminhou para o quadro-negro e escreveu "Wavonna Quinn" no canto superior direito. Depois do recreio, ela escreveu "Jimmy Didier." Ele teve uma marca por falar demais. Só éramos autorizados a falar exatamente tanto quanto a Sra. Norton queria. Todos os dias eram assim. Meu nome não era sempre o primeiro no quadro, mas sempre estava lá. Se não estivesse no quadro antes do almoço, ia depois, porque a Sra. Norton disse que eu tinha que comer o almoço. Ela queria me ver comer o almoço. Um dia, eu escrevi o meu próprio nome no quadro depois do almoço. A forma como eu escrevi o meu W era mais bonito, com arcos em ambos os lados e uma laçada no meio. Vovó fazia os Ws assim.


Sra. Norton apertou os dentes e disse: "Você é uma jovem muito desrespeitosa." Em seguida, ela apagou o meu nome. Ela reescreveu-o com um W modesto e colocou uma marca ao lado dele. Não comer o almoço. Sendo desrespeitosa. Depois de nove semanas, meu boletim tinha uma lista de todos os dias que a Sra. Norton escreveu meu nome no quadro e por quê. Kellen me registrou para a escola, então lhe dei relatório das coisas ruins da Sra. Norton. Depois do jantar, ele estava sentado na mesa da cozinha com Donal no colo e leu a lista. Ele franziu a testa tão firme, enquanto ele estava assinando o nome de Liam que eu pensei que talvez ele estivesse com raiva de mim. Coloquei Donal na cama, e quando voltei, Kellen ainda estava franzindo o cenho para o meu cartão de relatório. "Venha aqui. Eu não estou bravo com você." Eu fui para a mesa e inclinei contra seu ombro para que ele pudesse colocar o braço em volta de mim. Por um tempo, nós olhamos fixamente em meu cartão de relatório. "Quando eu estava na escola, eles costumavam punir as crianças," disse Kellen. "Eu costumava ser enviado para o escritório do diretor o tempo todo. Entre ele e meu pai, eles costumavam gritar tanto comigo que eu não poderia sentar-me às vezes. Eles não punem ainda as crianças, não é?" Eu não sabia, mas eu balancei a cabeça, então ele iria parar de parecer preocupado. No dia seguinte, quando eu saí da escola, Kellen estava esperando por mim, mas ele colocou a Panhead em seu suporte. "Quero falar com aquela sua professora," disse ele.


Mamãe caminhar pelos corredores tinha sido assustador, seus saltos altos clicando sobre o azulejo, rápido, rápido, rápido, indo rasgar algum novo idiota. Kellen deu longos e lentos passos, que eu poderia acompanhar. Na sala de aula, a Sra. Norton se manteve escrevendo enquanto Kellen esperou, mas ela não podia enganá-lo para falar em primeiro lugar. Ele podia esperar o dia todo. "Posso ajudá-lo?" Disse ela. "Eu estou aqui para falar sobre o cartão de relatório de Wavy." "Eu conheço você." Sra. Norton apertou os olhos e fez a boca pequena. Kellen deu de ombros, mas ela balançou a cabeça. "Você é um daqueles meninos Barfoot." "E o que tem isso?" "Eu tive seu irmão na minha classe. O que você está fazendo aqui?" "Eu disse a você, eu vim falar com você sobre o cartão de relatório de Wavy," disse Kellen. "Eu não vejo como isso seja da sua conta. Se os Quinn estiverem preocupados, eles são certamente bem-vindos para vir me ver." "Eu sou responsável por Wavy, e eu quero saber o que significa esse cartão de relatório." A voz de Kellen ficou mais alta, e Sra. Norton deu-lhe o mais malvado olhar. Quando ela olhou para mim, assim, eu sabia que ela queria fazer muito pior do que escrever o meu nome no quadro. "Isso significa que temos um problema de comportamento sério com Wavy." "Eu não sei o que dizer quando você escreve sendo desrespeitosa. Ela não é burra." "Do que eu chamo quando ela me desobedece a cada dia? Eu sei o tipo de homem que você é. O tipo de menino que seu irmão era. Você acha que desafiar autoridade é


legal. Não vejo que isto vai muito longe. Eu sei que não levou seu irmão muito longe. Há quanto tempo ele está na prisão?" "Um tempo agora." A mandíbula de Kellen se aperta e ele não estava olhando para a Sra. Norton mais. Vendo como seus olhos queimavam quando ela olhou para sua tatuagem de sorte, eu coloquei minha mão em seu braço para encobrir tanto dele quanto eu poderia. Eu queria protegê-lo, mas ele franziu a testa. "Isso não tem nada a ver com o meu irmão," disse ele. "Isso não tem nada? Obviamente você nunca esteve na minha classe, Sr. Barfoot. Eu teria te curado deste lamentável jogo de palavras. De uma forma ou de outra." "Eu simplesmente não consigo ver por que você fez essa lista inteira. Você escreveu, não almoçou cinquenta vezes. Ela não está fazendo isso para desobedecê-la. Ela só não gosta de comer na frente das pessoas." "Ela não almoça porque ela está autorizada a fazer o que ela quiser. Ela tem onze anos de idade e, a partir de seu comportamento na minha classe, eu suspeito que é permitido a ela tomar as decisões. Alguém já disse não para ela?" "Como não comer o almoço pode ser classificado?" "Porque representa um problema comportamental grave que você está cedendo." A voz de Kellen estronda pela sala de aula. "Pelo amor de Deus, isto é uma besteira fodida." "Sr. Barfoot! Você tem o hábito de falar desse jeito na frente de Wavy?" "Não é como se ela fosse repeti-las." "Isso é exatamente o que quero dizer. Talvez ela não fale, porque você acha que é engraçado."


Kellen se ergueu e eu desejava que ele batesse na Sra. Norton, da maneira como ele uma vez bateu em Danny por fumar um baseado na garagem da loja. Kellen bateu no lado da cabeça dele, batendo o cigarro no chão. Então ele, triturou o cigarro no concreto gorduroso. Eu queria ver Sra. Norton triturada no concreto. "Não adianta falar com você. Você é como todo professor que já tive," disse Kellen. "Você acha que Wavy vai fazer alguma coisa sozinha se você plantar um ódio da escola nela?" "Ela não odeia escola. Ela só odeia você. Eu não a culpo." Sra. Norton demonstrou desapontamento para nós enquanto saímos. Lá fora, Kellen passou a perna por cima da moto e sentou-se com força. "Me desculpe, eu envergonhei você. Eu nem sequer pensei nessa tatuagem estúpida. Eu deveria ter coberto ela como eu fiz quando eu fui para o tribunal. Eu estava tentando deixar as coisas melhores e tudo que fiz foi torná-las piores." Dei de ombros. Se eu já estava fracassando na sexta série, isto não poderia ficar muito pior.


5 SENHORITA DEGRASSI Dezembro 1980

Lisa DeGrassi só foi para a festa porque John Lennon estava morto, e ela estava sem vinho. Powell County estava seca e não podia encarar a noite sóbria. A festa foi em um trailer duplo no interior, onde Punto de Stacy atingiu tantos buracos na estrada de terra que Lisa pensou que seus dentes cairiam. No interior, o trailer estava decorado como uma cobertura: sofás de couro, mesas de vidro e lustres. Um reboque com lustres. Caminhando para a festa, Lisa esperava o pior – música ruim e pessoa que ela conhecia. Os Rolling Stones tocavam em volume alto, enquanto as pessoas dançavam sem jeito. Stacy estava certa sobre a comida e bebida em oferta, embora. Havia um bar cheio de bebidas, livre, e uma mesa de café cheia de cachimbos e tubos e pílulas. O tipo de festa que Lisa nunca foi, porque ela estava sempre com medo de encontrar com os pais de um aluno. "Nem é mesmo em Powell County. É em Belton County," Stacy disse, como se isto fizesse toda a diferença no mundo. Ela veio de uma cidade vizinha ainda menor do que Powell. Lisa ficou no meio da música batendo, tragando bebidas gratuitas, e quando alguém lhe ofereceu um cigarro aceso, ela aceitou. Mais tarde, quando alguém lhe


ofereceu uma linha de coca para cheirar, ela pensou, Quem se importa se alguém me vê? Quem vai se importar? "Oops, cuidado com essa manga ou você vai fazer uma bagunça," disse o homem que fez as carreiras de coca. Ele se inclinou sobre ela, pegando a manga solta de sua blusa camponesa para não arrastá-la através da poeira fina e branca. Então ele disse: "Você tem que ir com calma. Isso é metanfetamina, não coca." Lisa hesitou, e em vez de cheirar a carreira, ela deixou o canudo feito de nota rolar de sua mão sobre a mesa do café. Ela se levantou, confusa, por encontrar o homem sorrindo para ela. Ele era loiro e bronzeado, com olhos azuis brilhantes e dentes brancos e perfeitos. Bo Duke de Powell County. Ou Belton County? "Oi," disse ela. "Oi. Eu não acho que eu já vi você por aqui antes." "Não, eu não saio muito." "Você deveria." Ele enfiou a mão dentro da sua manga para tocar seu braço nu. Seus dedos estavam quentes, traçando padrões hipnóticos. Ela sentiu tonturas e náuseas. A linha de baixo trovejou no fundo de seu estômago. "Desculpe-me, há - onde é o banheiro?" "Logo à direita naquele corredor, segunda porta à esquerda." "Obrigada." Lisa já estava se virando para ir, mas o homem se inclinou e beijou-lhe a mão com um sorriso. Embora ela nunca confiasse nesse tipo de homem, havia algo tentador sobre ele. Um belo estranho em uma noite solitária. Ele não estava usando um anel de casamento.


Oscilando em suas sandálias de tiras, Lisa fez seu caminho através da festa para o banheiro, onde ela começou a chorar novamente. Máscara dos cílios escorreu pelo seu rosto e deixou manchas cinzentas em sua blusa azul clara. Ela tinha que parar de pensar sobre John Lennon sangrando até a morte na calçada. Se ela tivesse estado em Hartford, ela poderia ter tomado o trem para Nova York e depositado flores em Dakota, ou ido para a vigília no Central Park. Ela poderia ter partilhado a sua dor, em vez de ficar irritada no banheiro de algum comerciante de drogas do interior. Quando alguém bateu na porta, Lisa arrancou papel higiênico e limpou sua máscara o melhor que podia. Depois de liberar o banheiro para uma mulher em uma camisa de vaqueira de franjas e uma máscara de guaxinim de maquiagem dos olhos, Lisa não poderia enfrentar a festa novamente. Ela fez seu caminho pelo corredor, usando a parede como apoio, e foi para a cozinha. No meio da sala, estava uma mulher loura vestindo shorts curtos e uma blusa. Ela parecia nada mais do que uma Marilyn Monroe caipira. Em suas mãos ela segurava um cubo mágico que ela estava torcendo furiosamente. Não tentando resolvê-lo, mas lutando com ele. Liam Quinn estava sentado à mesa da cozinha, dando um trago em um cigarro. Tanto para não encontrar com algum dos pais dos alunos. A situação é, ele estava maior, mais feio, e mais gordo do que era no dia que Lisa conheceu ele. "Ok, ok," disse a loira. Ela estendeu o cubo e o Sr. Quinn trocou o seu cigarro por ele. Como ele não tinha visto ela ainda, Lisa estava prestes a virar e ir embora, mas a loira segurou-a pelo braço e disse: "Você viu isso? Você tem que ver isso. É louco." O cubo mágico, Lisa assumiu.


"Meu irmão tem um," disse ela. "Ele teve que desmontá-lo e montá-lo de volta para resolvê-lo." "Não, não, olha. Ele pode totalmente fazer isto. Olhe!" A loira apontou animadamente. Lisa olhou. A primeira coisa que a atingiu foi como ridiculamente pequeno o cubo era nas mãos do Sr. Quinn. Então ela percebeu que ele estava realmente resolvendo a coisa estúpida. Ele tinha dois lados prontos e conseguindo um terceiro. Lisa e a loira se levantaram, com extrema atenção enquanto ele trabalhava com o cubo. Quando ele terminou, ele levantou a cabeça e corou. "Ei, senhorita DeGrassi," ele murmurou. "Oi." "Oh, vocês se conhecem?" Disse a loira. Lisa ainda esperava que ela pudesse escapar sem ser identificada, mas o Sr. Quinn disse: "Esta é a senhorita DeGrassi. Ela foi professora de Wavy na terceira série." "Você pode me chamar de Lisa. Uma vez que não estamos na escola." A loira riu e disse: "Oh que divertido! Estou feliz que você veio. Muito ruim que Wavy não está aqui." Apresentada com essa ideia terrível, Lisa olhou para a loira, tentando descobrir se ela deveria conhecê-la. Não havia nenhuma maneira que ela fosse a mãe de Wavy. Todo cabelo descolorido no mundo não pode fazer esse tipo de transformação. "Ok, ok, você tenta isto agora," disse a loira. Ela pegou o cubo da mão de Quinn e deu a Lisa. Por um momento, Lisa olhou para ele, sentindo-se estranhamente desconectada de suas próprias mãos. Isto foi a maconha? Porque a loira olhou para ela com


expectativa, Lisa virou os quadrados do cubo em ordem aleatória. Quando ela o tinha tão misturado quanto podia, ela colocou de volta nas mãos do Sr. Quinn. Não foi um golpe de sorte. Ele resolveu o quebra-cabeça novamente em apenas alguns minutos. "Oh meu Deus," disse a loira. "Eu não posso acreditar como você faz isso." Contra seus instintos naturais, Lisa ficou impressionada também. Ela passou horas com seu irmão no feriado de Ação de Graças e nunca conseguiu resolver mais de um lado de cada vez. Assim quando ela alcançou o cubo, querendo ver o Sr. Quinn resolvê-lo de novo, ela ouviu "Bungalow Bill" começar a tocar. Um segundo mais tarde ela estava chorando na cozinha de um estranho. Ela se virou para sair, mas esbarrou em alguém na porta. Quem quer que fosse ele a pegou pelos braços e disse: "Ei, você está bem?" "Eu só quero ir para casa. Eu quero ir para casa," disse ela. De repente, "Bungalow Bill" foi interrompida e substituída por "Another One Bites the Dust" no volume máximo, pela décima vez naquela noite. Ela mergulhou de volta na festa, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Se Stacy estava lá, Lisa não podia vê-la ou sua blusa de alças estampada de zebra. Parecia que todos tinham a mesma altura e cabelo embaçado. Lisa virou um círculo lento, percorrendo a sala, até que o Sr. Quinn tocou seu cotovelo e disse: "Eu vou te levar para casa." Ele segurou o braço dela todo o caminho através da entrada de cascalho. Duas horas antes, as sandálias de tiras de salto tinham acabado sendo modestas. Agora que Lisa estava bêbada, chapada, e chorando de novo, elas eram perigosas. O carro que ele a levou estava encaixado pelos outros carros. Ela apertou a ponta de seu nariz forte para cortar mais lágrimas.


"Droga. Eu só quero ir para casa," ela sussurrou. "Eu acho que vamos de moto, então." Ele a levou para fora do labirinto de carros para uma garagem de metal, onde meia dúzia de motos estavam estacionadas. Lisa hesitou. Ela tinha montado na parte de trás da moto Honda do seu irmão algumas vezes, mas isso era algo totalmente diferente. "Aqui." Sr. Quinn puxou uma jaqueta de couro na parte de trás da moto e estendeu-a para ela. "Se você realmente quer ir para casa, é isso." "Eu quero." Ela deixou-o ajudá-la com a jaqueta e fechá-la até o pescoço. Foi um ato inesperadamente íntimo de um desconhecido, e isto insinuou que poderia ser como colocar um casaco de pele de urso. Pesado, quente, e permeado por um selvagem cheiro almiscarado. O frio era brutal, mas divertido também. Ela juntou as mãos em torno de sua cintura e enrolou seus dedos contra o calor da barriga dele, que só estava protegida do frio por uma fina camada de algodão. "Onde eu estou levando você?" Ele disse por cima do ombro. "Eu estou na Grove com a Sexta em Powell." Depois disso, eles montaram em silêncio. Talvez isso fosse típico em uma moto, mas enervou Lisa. Ela tinha esquecido seu silêncio impenetrável. Ele e sua filha. Silêncio e o pior estava esperando por ela em casa. "Podemos parar e tomar uma bebida ou algo assim?" Ela disse, erguendo a voz para ter certeza de que ele pudesse ouvir. "Você não teve o suficiente?" "Não, eu sinto muito, Sr. Quinn. Apenas me leve para casa." "Você sabe, eu não sou realmente Liam Quinn."


Lisa olhou para as faixas na pista. Era uma piada? "Quem é você, se você não é Liam Quinn?" Ela gritou ao vento forte. "Eu sou Jesse Joe Kellen. Eu trabalho para Liam." "Espere. O que? O que isso significa?" "Eu faço algum trabalho para ele. Eu não sou ele. Você o viu lá. Ele é o cara loiro. Parecendo uma estrela de cinema. Usando botas de caubói de bico fino." O que beijou sua mão e tinha oferecido a Lisa uma carreira de metanfetamina para cheirar. "Você ainda quer outra bebida? Último, deste lado de Powell." Ele diminuiu a velocidade quando uma taberna apareceu na beira da estrada. "Sim," disse Lisa. Provavelmente nunca existiria bebida suficiente, mas ela estava disposta a tentar. O bar era a festa transferida. As mesmas pessoas, a mesma música. Quando eles entraram, o segurança na porta disse: "Ei, Junior. Eu não quero nenhum problema esta noite." "Aqui apenas para uma bebida," disse Quinn. Não Sr. Quinn. Lisa não sabia como chamá-lo. Eles se sentaram no bar e beberam um coquetel parecido com uísque e sem doce. Ela não se importava, desde que a mantivesse embriagada. "Então, Junior? Jesse Joe?" "Você pode me chamar de Kellen." "Ok, Kellen. Por que você finge ser o Sr. Quinn?" Pelo menos era algo para fazê-la esquecer de John.


"Alguém precisa. Não é como se Liam ou Val vão falar com a professora de Wavy." "Mas por que você?" Era, aparentemente, uma questão muito maior do que Lisa percebeu, porque ele teve que esvaziar sua bebida e pedir outra antes que ele pudesse responder. "Por que Wavy é minha responsabilidade. Eu cuido dela. Nós cuidamos um do outro." "Mesmo que você não esteja relacionado com ela?" Ele riu e bebeu sua bebida. "Nós somos amigos é tudo." Lisa olhou para ele mais de perto, apertando os olhos contra a nuvem de fumaça que pairava no bar. "Quantos anos você tem?" "Acabei de fazer vinte e quatro anos," disse ele. Ela olhou para ele, sentindo-se estúpida. Ele não tinha idade suficiente para ser o pai de Wavy. Ele era mais jovem do que Lisa. Como ela tinha confundido ele com um adulto? Beberam mais uma rodada sem falar. Ele gesticulou para o garçom continuar servindo. "O que você tem esta noite que está tão chateada?" Ele disse quando o próximo drinque veio. "John Lennon foi morto na segunda-feira. Eles atiraram na frente de seu apartamento." Lisa pensou que ela poderia finalmente ter bebido bastante, porque pela primeira vez em dias, pensando nisto não fez ela querer chorar. "Quem é este?"


"John Lennon? Os Beatles?" "Oh. Você o conhecia?" "Não, mas, bem, mais ou menos. Como uma fã. Eu…" Ele não entendeu, e Lisa estava bêbada demais para explicar como John tinha narrado toda a sua infância e maior parte de sua vida adulta até agora. Não importa onde ela estivesse, John tinha ido com ela, mesmo a esta pequena cidade horrível. Agora ele estava morto e ela estava sozinha. "Sinto muito," disse Kellen. À sua esquerda, um sujeito em um chapéu de caubói pôs a mão no ombro de Kellen e disse: "Posso me espremer aqui para um segundo, flecha?" Kellen bebeu o resto de sua bebida, colocou o copo no bar, e disse: "Você sabe o quê? Vendo como você não me conhece, por que você não me chama de senhor?" Até então, Lisa tinha apenas considerado ele uma curiosidade: alguma espécie previamente desconhecida do motoqueiro caipira nativo. Naquele momento, havia uma qualidade ameaçadora à maneira como ele disse, senhor, com o uísque ainda molhado em seu lábio inferior, que também a fez considerá-lo uma possível solução para uma noite de solidão. O caubói tirou o chapéu com um sorriso. "Qualquer coisa que você quiser, chefe." Kellen girou tão rápido que seu punho soprou ar ao lado da orelha de Lisa. Quando o golpe aterrissou no rosto do vaqueiro, era como uma bomba explodindo. Pessoas saltaram para a luta de todos os lados. Lisa estava atordoada demais para fazer qualquer coisa, mas colocou a cabeça sobre sua bebida e cobriu a parte de trás de sua cabeça com as mãos.


"Maldição! Parem com isso, seus babacas!" Alguém gritou, e, em seguida, desse mesmo canto do bar veio o som de um tiro de espingarda. A briga chegou a um fim imediato. Quando Lisa olhou para cima, viu meia dúzia de homens aglomerados em torno de Kellen. Eles estavam todos ensanguentados e a seus pés estava o vaqueiro, o chapéu pisado. O cabelo de Kellen estava despenteado e alguém tinha rasgado sua camisa e exposto sua barriga sólida e uma gigante tatuagem em seu peito. O homem com a espingarda entrou no meio da multidão. "Droga. Junior, o que eu te disse? Você vai conseguir ser proibido novamente." "Desculpe, Glen. Eu só estava tentando ensinar-lhe boas maneiras," disse Kellen, tirando sua camisa para cima. "Boas maneiras, minha bunda. Saia daqui antes que eu chame o xerife." "Eu vou." Kellen puxou um maço de notas do bolso e jogou uma nota de cem dólares no bar. Ele olhou para Lisa e disse: "Você está pronta para ir?" "Eu acho que sim." Ela nunca tinha presenciado uma briga de bar, e ela saiu no braço de Kellen incerta se ela tinha ainda. Ela não tinha visto nada além do primeiro soco, mas ela tinha certeza de que estava permanentemente impresso em seu cérebro. Powell em um instantâneo: caipiras bêbados batendo um no outro. Quando eles pararam em frente à casa de Lisa, Kellen desligou o motor. O pânico tomou conta dela. Ela não tinha, de fato, o convidado para passar a noite, mas ele estava descendo da moto e alcançando ela para ajudá-la a descer. "Eu estou bem daqui," disse ela. "Poderia ter me enganado. Você não podia andar sozinha para fora do bar. Você é livre para tentar, apesar de tudo."


Ela se inclinou sobre ele todo o caminho até a varanda da frente e, uma vez que a porta estava destrancada, ela se lembrou de quão vazia a casa estava. "Você quer entrar? Eu poderia fazer um pouco de café." "Se você não se importa," disse ele, pouco antes dela o beijar. Com todo o uísque, era difícil dizer onde sua boca terminou e a sua começou. Ele se afastou depois de apenas alguns segundos e disse: "Devemos ir para dentro." Claro, ele estava certo. Não tem sentido anunciar sua vergonha e desespero para toda a cidade. Ela deu um passo para trás, para a entrada escura e ele seguiu. "Deixe-me ir fazer um pouco de café." Voltando-se para a cozinha, ela quase caiu, o piso vindo de encontro do rosto dela. Ele a pegou por baixo dos braços e a colocou de pé. "Por que você não se senta e eu vou fazer o café." Era ridículo, mas ela balançou a cabeça. Ele conduziu-a para o sofá, e depois foi para a cozinha. Ela caiu ali, ouvindo-o mexer ao redor em gavetas e armários. Poucos minutos depois, o cheiro de café flutuava para a sala de estar. Ele veio da cozinha, carregando duas canecas e entregou-lhe uma delas. Em seguida, ele estava ali, tomando seu café, e olhou para os copos de vinho sujos, garrafas vazias, e álbuns gravados espalhados por todo o tapete. Ele testemunhando a bagunça de sua dor constrangeu Lisa, e parecia incomodá-lo, também. Ele parecia estar pensando em limpar até que ela colocou a caneca de café de lado e deu um tapinha no local no sofá ao lado dela. "Então, de onde você é?" Ele disse enquanto se sentava. "Connecticut. Eu fui à faculdade lá, também. Eu nunca tinha saído do Mississipi até que eu aceitei esse emprego. Há quanto tempo você vive em Powell?"


"Desde sempre. Eu nasci seis quarteirões ao norte daqui. Do outro lado dos elevadores de grãos." "Sem ofensa, mas eu odeio essa cidade." Sua única resposta foi um encolher de ombros. "Não tem nada para fazer. Eu não tenho nada em comum com ninguém. Stacy, a garota que eu fui para a festa, nós somos apenas amigas, porque toda a gente da nossa idade já é casado e tem filhos. E todo mundo sabe da vida de todos. Eu não posso nem ir a um encontro sem todo mundo saber sobre ele." Kellen se inclinou para frente para colocar sua caneca sobre a mesa de café. Lisa chegou mais perto, para que, quando ele se sentasse, seus braços se encostassem. Ela virou a cabeça para ele como uma sugestão, mas ele não a beijou. "Você aceitaria alguns conselhos se eu der a você?" Ele disse. Agora que sabia quantos anos ele tinha, seu tom de voz irritou. Mais paterna do que ele tinha o direito de agir. "Você precisa descobrir como viver aqui ou você precisa dar o fora. Seu eu fosse você, eu iria embora. Volte para Connecticut."

KELLEN

Senhorita DeGrassi me pediu para passar a noite, mas eu podia ver como ela se arrependeria tão rápido quando ela ficasse sóbria, e eu provavelmente iria me arrepender mais cedo do que isso. Depois que eu a deixei em sua casa, eu deveria ter ido para casa, tanto quanto eu tinha que bebido. Eu deveria ter aceitado o meu próprio conselho, e caído fora de Powell.


Exceto por Wavy. Ela me mantinha lá. Mais que isso. Ela me mantinha amarrado, não apenas em Powell, mas por estar vivo. Em todo o mundo, ela era a única pessoa que se importava se eu vivia ou morria. Se havia alguém em quem lembrei hoje à noite, este era ela. Quando eu alcancei a entrada da fazenda, havia uma luz acesa na cozinha. Eu esperava que não fosse Val, porque eu não tinha necessidade deste tipo de descontentamento. Eu estava fazendo o melhor que pude por Wavy, e Val sempre me tratou como lixo. Eu entrei pela porta, sem saber o que ia encontrar, mas lá estava Wavy lendo um livro. Em cima da mesa na frente dela estava um bolo de chocolate com velas preso nele. "Você me fez um bolo," eu disse. Ela colocou um dedo sobre os lábios, então eu calculei que Val e Donal deviam estar dormindo. Eu nem sabia que horas eram. Enquanto eu tirei meu casaco e puxei uma cadeira para sentar-me, Wavy foi buscar a caixa de fósforos no fogão. No caminho de volta para a mesa, ela parou na cadeira que eu coloquei o meu casaco por cima. Inclinando-se até que seu nariz estava quase tocando o colarinho, ela tomou um longo cheiro dele. Comecei a rir, até que eu descobri o que ela estava fazendo. Wavy não estava cheirando meu casaco, pois ele tinha o meu cheiro. Ele deveria estar cheirando a Sra. DeGrassi. "Eu estive na festa de Liam," disse eu. Ela assentiu e subiu na cadeira na minha frente. Depois que ela acendeu as velas, eu as deixei queimar por um tempo, só para olhar elas refletido nos olhos de Wavy. Quando a cera começou a escorrer para o bolo eu soprei as velas em um grande sopro. A faca estava lá para cortar o bolo, mas nenhum de nós a pegou.


"Você quer saber o que eu desejei?" "Não vai se tornar realidade se você disser," ela disse em uma voz rouca. "Eu não acredito nisso. Encosta aqui e eu vou sussurrar para você." Ela levantou-se de joelhos na cadeira e colocou as mãos sobre a mesa a inclinou-se transversalmente. Eu coloquei minhas mãos em ambos os lados do bolo e a encontrei na metade do caminho. Eu coloquei minha boca até sua orelha, como se eu fosse sussurrar alguma coisa, mas tudo que fiz foi soprar ar em seu cabelo como se fosse mais velas. Ela abaixou a cabeça contra meu peito e começou a rir, então eu beijei a única parte dela que eu pude alcançar: o topo de sua cabeça. "Já se tornou realidade. Você se lembrou do meu aniversário," eu disse. "E eu tenho bolo."


6 KELLEN Julho 1981

Wavy andou em torno da baía da garagem, olhando para si mesma no acabamento do Barracuda. Eu escolhi a coisa barata em um leilão de seguros e comprei uma nova traseira de um estaleiro de salvamento em Tulsa. Por uns bons seis meses, Wavy estava observando-me prepará-lo à noite. Eu estava o tempo todo brincando com ela sobre como eu ia pintar Moulin Rouge. "Isso é uma cor de fábrica," eu diria. Apenas para tê-la revirando os olhos, pensando em mim dirigindo um carro rosa. Eu acabei pintando de preto com listras cinza metálico. Eu tinha planejado vender o carro, mas a forma como ela olhou para ele, uma vez que estava pintado e pronto para andar, eu não tinha certeza. Ela pareceu impressionada. "Quer dar uma volta?" Eu disse. Ela assentiu com a cabeça e me deu aquele olhar dela que queria dizer: "Vamos mais rápido." Ela era comigo dessa forma, uma espécie de demônio da velocidade, e o Cuda foi construído para isto. Nós dirigimos calmamente em torno do lago, aproveitando a vista, mas a maldita coisa estava impaciente. Então eu o levei para a autoestrada 9 e acelerei.


Wavy recostou-se no banco, sorrindo, o vento bagunçando seu cabelo.

Eu

coloquei meu pé no acelerador, e fui até cerca de oitenta. Em seguida, veio uma colina, com um policial no acostamento. Segurei firme, conseguindo diminuir para sessenta, e passei tranquilo pelo policial. Prendi a respiração, mas um quilômetro depois, o policial não tinha vindo atrás de nós. Olhei para Wavy, que tinha sentado para ver por que diminuímos. "Você está cansada?" Eu disse. Ela balançou a cabeça. Ela era uma coruja da noite. "Parece como fazer alguma corrida apostada?" Claro que sim, ela fez. Levamos o Cuda em Garringer e nas planícies onde eles faziam corridas nos fins de semana. Não é legal, mas os policiais principalmente ignoravam de proposito, porque isto mantinhas as corridas fora das estradas principais. E se você está procurando vender um carro como o Cuda, este é o local onde você encontra compradores. O lugar era nada além de dunas de terra batida e velhas estradas de cascalho. Nenhuma árvore para cortar o vento e apenas feio. Quando chegamos, havia provavelmente trinta carros, caras falando besteira e verificando a competição. Eu estacionei e sai, dei a volta para abrir o capô. Deixar as pessoas saberem que eu estava pensando em vender. Atrás de mim, eu ouvi um cara dizer aos seus amigos, "Olha, é aquele grande maldito índio." Isso foi Billy, ainda vestindo uma jaqueta de futebol, de quando ele tinha saído da escola por mais tempo do que eu tinha. "O que você está dirigindo esta noite?" Disse ele. "Você está olhando para ele."


Eu não o conhecia de qualquer outro lugar, mas eu tinha visto ele lá muitas vezes quando eu tive meu 64 Polara. No verão antes de conhecer Wavy, eu estava lá quase todo fim de semana, correndo com aquele velho Dodge. Enquanto Billy e seus amigos verificavam o Cuda, Wavy veio e deslizou a mão na minha. Imediatamente, Billy ficou de olho nela. "Diga, o que a mãe desta menina vai fazer se você perdê-la em uma corrida?" "Eu não estou perdendo nada esta noite," eu disse. "Ela é um pouco jovem para o meu gosto," disse seu amigo "mas vai valer a pena correr por ela dentro de alguns anos. Eu gosto de loiras." Wavy olhou para eles, mesmo que fosse apenas uma brincadeira. Ninguém nunca ganhou a garota de outra pessoa. As corridas eram estritamente sobre o dinheiro e a conquista, mostrando que o seu carro era mais rápido. Quer dizer, eu tinha ganhado muitas corridas, e só já levei para casa duas garotas. Uma terminou comigo assim que ficou sóbria. A outra foi para casa com um cara diferente a cada semana. Billy queria colocar cinquenta dólares na nossa corrida, por isso, enquanto eu e ele fomos para pista, Wavy dirigiu-se para onde todos os espectadores estavam. A pista era em forma de um D. Um laço em torno do grande poço de cascalho, em seguida, uma reta de um quarto de milha. Era uma boa pista, exceto por este local apertado no início. Cerca de cem jardas, desde o início, a pista seguia para o lado de uma duna. Isso significava que você tinha que andar perto do outro carro até passar por ali. Quando parei na linha, eu olhei pelo canto do olho e vi Wavy olhando para as estrelas. Ela era a garota mais bonita lá tranquilamente, com seu cabelo esvoaçando como uma bandeira. Me surpreendeu o quão rápido ela estava crescendo. Ela estaria com doze em algumas semanas e ela ia ficar com pernas longas como Val. Toda vez que eu olhava


para ela, a diferença entre a parte inferior da saia e os topos de suas botas era maior. Assim quando eu pensei isto, eu tive que me preocupar com todos os outros caras lá olhando para ela e pensando a mesma coisa. Tivemos um minuto antes do bandeirinha enviar eu e Billy ao redor do circuito para linha reta, então eu chamei por ela. "Venha me dar um beijo de boa sorte," eu disse. Ela se aproximou e descansou o braço no painel da porta. Inclinando-se pela janela, ela apertou os lábios no canto da minha boca, realmente macio. O vento soprava seu cabelo para cima, e balançava tudo ao redor, roçando meu rosto e meu pescoço. Quando ela se endireitou, ela enfiou-o de volta para trás das orelhas. "Obrigado, querida." Então era hora de eu seguir para a linha de partida. Eu assisti no meu espelho retrovisor do lado enquanto ela caminhava de volta para os espectadores. Ela ainda estava sorrindo quando o bandeirinha me deu o aval. As corridas apostadas como essa não são para ganhar muito. Você quer sentir outro cara e ganhar apenas o suficiente. Você vai arruinar o primeiro par de caras com sua corrida e logo ninguém quer correr com você, e eles com certeza não querem colocar qualquer dinheiro nisto. Billy tinha um Trans Am, 73 eu acho, e para um automático, tinha alguma potência, mas quando saímos fora do aperto entre essas dunas, avancei com o Cuda e mantive um comprimento de carro à sua frente todo o caminho até a linha de chegada. Ele era um falastrão, mas ele era um bom perdedor. Pagou e disse: "Não muito desprezível considerando a quantidade de peso que ela está transportando." "Talvez da próxima vez," eu disse. Para lembrá-lo que ele quase sempre perdia para mim.


Corri com mais quatro caras depois disso. Derrotei um Camaro e um Charger do mesmo ano que o meu, e, em seguida, fui derrotado por garoto mexicano magro em um Corvette com 427 sob o capô. Eu sabia que não ia derrotar ele, que foi por isso que eu só coloquei vinte dólares mas eu não estava pensando em arruinar tantos assim. Eu só corri com ele de modo que quando eu estava pagando-o eu poderia dar-lhe o número da loja. "Você pode levá-lo e eu vou te fazer um bom negócio. Fazê-lo parecer tão bom quanto ele corre," eu disse. "Ainda vou te derrotar, cara." Ele me deu este olhar com o queixo para cima, como se estivéssemos indo a isso de novo. "Sim, bem, você venceria melhor com um novo trabalho de pintura." Depois daquela corrida, Wavy e eu fizemos uma pausa por um tempo. Sentei-me no capô observando as outras corridas, e ela sentou-se no para-choque, enquanto eu trancei seu cabelo. Ela nunca mantinha tranças nele, mas minha irmã me ensinou como fazê-las de duas maneiras diferentes. Apenas algo para fazer com as minhas mãos. "O que é isso, um salão de cabeleireiro?" Disse esse cara quando se aproximou. Dei de ombros para ele, mas alguns minutos depois, ele estava de volta. "Você está correndo esta noite?", Disse. "Sim, eu o levei algumas vezes. Você quer ir?" Ele não disse nada, mas ele caminhou ao redor do Cuda, olhando-o. Quando ele voltou para o capô, ele estava sorrindo. "Parece que o ditado está errado. Eu acho que você pode polir uma bosta." "A questão é se você pode vencê-lo," eu disse. "Cem dólares."


Agora eu não tenho ideia do que ele estava dirigindo, mas eu não me importei. Alguém quer caminhar até mim e falar esse tipo de merda, eu vou dar-lhe uma chance. Eu cutuquei Wavy e ela pulou do para-choque, para que eu pudesse me levantar. "Cem dólares." Eu estendi a mão e nós apertamos. "Vejo você na linha de partida, Chefe." "Idiota," disse Wavy, não realmente sob sua respiração. "Alguém deveria lavar sua boca, menina," disse ele. "Você quer ir comigo enquanto eu venço esse cara?" Eu disse. Wavy assentiu. Íamos mostrar para aquele idiota uma coisa ou duas. Nós paramos ao lado dele e eu não sabia o que pensar. Eu me inclinei para fora da janela e gritei: "Que diabos é isso?" "Mazda RX-7!" O cara gritou de volta. Poderia muito bem ter dito: "Axila de Marciano fede." Algum tipo de carro melhorado. Ele parecia novo, mas novidade não conta para nada. Meu velho Polara era prova disso. De qualquer forma, eu percebi que se seu carro tivesse algum movimento, seria no início, e eu estava certo. Quando saiu da linha, ele estava na liderança. Eu fiz como sempre, fiquei para trás um pouco para ver o que ele tinha. No lugar apertado, eu estava na metade do comprimento do carro dele, mas eu avancei completamente, e saindo do outro lado para a pista aberta, eu afundei meu pé no chão. Aquele Barracuda maldito chegou perto da linha vermelha dos rpms, a agulha do velocímetro espremendo-se ao passar 105. Wavy estava rindo alto, quando chegamos ao fim. O cara em seu carro melhorado comeu a nossa poeira.


Nós viramos e circulamos para pegar nossos ganhos. Eu estacionei no final da fila de carros e desliguei o motor. Antes que voltamos para a estrada, eu queria ter certeza de que eu não tinha nada solto. Assim que eu ergui o capô, alguns caras vieram olhar. Eles não conseguiam acreditar que tinha atingido 105 no quarto de milha. O cara em sua Mazda veio rapidamente enquanto estávamos lá. Ele parou no estacionamento e saltou fora do carro. Nem sequer se preocupou em fechar a porta. "Você bateu em mim, idiota!" Ele agarrou meu braço para me virar, então eu coloquei minha mão em seu peito para fazê-lo recuar. "Eu não bati em você," eu disse. "Você me bateu no local apertado!" "Mostre-me. Me mostre onde eu bati em você, porque eu quero ver." O cara passou por mim e começou a olhar nos lados do Cuda. Agora eu deveria ter tentado estrangulá-lo de volta, mas eu fui e disse a ele: "Carro novo. Talvez você não tem o jeito dele ainda." "Você me bateu, porra, idiota!" Nesse ponto nós tínhamos uma audiência. Alguns deles começaram a olhar por cima dos carros, também, mas não havia uma marca no Cuda. Porque eu não tinha batido nele. Ele provavelmente bateu naquela duna. "Não vejo nada," disse Billy. "Filho da puta!" O cara chutou a lateral do capô no Cuda. Ele não estava usando botas, apenas tênis, então eu percebi pior que ele tinha feito era me dar um arranhão, mas isso era besteira. Eu fui agarrá-lo, mas ele recuou, diretamente sobre Wavy. Ela empurrou-o de volta, e ele bateu nela.


Eu agarrei a frente de sua jaqueta e o empurrei ao lado do Cuda. Se alguém ia colocar um amassado nele, seria eu. Eu dei um soco na cara dele até que eu era a única coisa segurando-o de pé. Então eu o derrubei no chão e chutei-o algumas vezes para uma boa medida. A próxima coisa que eu sabia, era que eu tinha Billy em um braço e Wavy do outro lado, me puxando para trás. "É melhor você ficar no chão, cara," Billy gritou para o cara do Mazda. "Ele é capaz de matar você. Eu o vi fazer isso." Antes que eu pudesse, dois rapazes que conheciam o idiota do Mazda, vieram e o pegaram pelos braços. Eles caminharam com ele e o sentaram no para-choque de um Charger de alguém. Virei-me e consegui clarear minha mente o suficiente para ver Wavy ali com uma marca vermelha grande em sua bochecha. Ninguém me parou quando eu andei atrás do carro daquele imbecil e plantei minha bota na porta. Chutei meia dúzia de vezes, estufando aquele filho da puta. Se ele ainda puder dirigir para casa, ele ia ter que entrar do lado do passageiro.

WAVY

Fui atingida mais forte. O cara nem sequer me derrubou, mas Kellen enlouqueceu. Depois que ele chutou a porta do carro, ele voltou para mim com um olhar sombrio no rosto. Ele inclinou-se para olhar para o meu rosto, perto o suficiente que eu podia ver pequenas salpicos de sangue em seu rosto. Não seu sangue. "Droga," disse ele. "Sinto muito, querida. Eu sinto muito." Ele inclinou minha cabeça para cima e passou o polegar sobre meu rosto.


"Nós precisamos de um pouco de gelo nisto, antes do seu olho inchar." As pessoas sussurravam quando ele abriu a porta do carro para eu entrar. O cara do Mazda estava sentado no para-choque de um outro carro. Seu rosto e seu casaco azul de cetim estavam cobertos de sangue. "Você ainda me deve cem dólares," disse Kellen para ele. Então ele deslizou para o banco da frente ao meu lado e ligou o carro. Sentei-me no meio e Kellen manteve o braço em volta de mim enquanto ele dirigia. Sua respiração estava quente e com raiva em cima da minha cabeça. "Sinto muito, Wavy." Ele pediu desculpas, até que eu tive que dizer alguma coisa. "Não é sua culpa." Ele beijou o topo da minha cabeça cinco, dez, quinze vezes. No posto de gasolina, enquanto Kellen abastecia, eu cruzei os braços no parapeito da janela e observei-o. Ele estava mais calmo, mas ainda estava sob sua nuvem negra. Ele se inclinou para me beijar de novo, e eu queria ser beijada, mas em vez disso ele entrou para pagar a gasolina e pegar um pouco de gelo para mim. Enquanto ele estava lá dentro, dois carros de polícia entraram no posto de gasolina. Um xerife, um policial rodoviário. Os policiais saíram e caminharam até o carro, olhando para as placas. Eu sabia o que poderia acontecer quando uma nuvem escura e os policiais vieram juntos, então eu abri a porta e sai do carro. Dessa forma, quando Kellen saísse do posto de gasolina e visse os policiais, eu estava lá para pegar sua mão, onde seus dedos estavam sangrando. Mesmo que eu sabia que ia machucá-lo, eu apertei sua mão com força, para segurá-lo.


"Noite policiais." Kellen apertou minha mão de volta, então eu sabia que ele me entendeu. "Este é seu carro, senhor?" "Sim." "Tivemos uma denúncia que estava causando problemas no deserto do sul Garringer. Isso é verdade?" "Não, eu não diria que eu estava causando problemas." "Nós tivemos uma denúncia que agrediu alguém e vandalizou seu veículo." "Eu fui provocado," disse Kellen. "Provocado como?" "Aquele filho da puta do Mazda bateu ... nela." A hesitação era porque ele não sabia o que me chamar. Uma mentira? Filha, irmã, sobrinha? Ou a verdade? "Isso é verdade mocinha?" Afastei-me de Kellen, mais perto dos policiais e suas lanternas. Eu empurrei meu cabelo para trás para mostrar-lhes o meu rosto. Eu esperava que parecesse tão mau como parecia. Da maneira como o policial fez uma careta, devia ser. "O que eu deveria fazer?" Disse Kellen. "Eu deveria suportar um idiota machucando ela?" "E quem exatamente é ela? Ela parece um pouco jovem para estar fora tão tarde," disse o xerife. "Vou levá-la para casa agora." O policial quase riu, mas o xerife franziu a testa. "Vamos ver as ID," disse ele. Kellen pegou a dele, mas eu não tinha nenhuma.


"E quem é a garota?" "Wavy Quinn." Eu gostei do meu nome na boca de Kellen. "Será que sua mãe sabe que você está com esse cara?" Disse o xerife. "Sim, os pais dela sabem que ela está comigo." Os dois policiais recuaram e sussurraram um para o outro por alguns minutos. Depois existia tanto argumento que doía a cabeça. O xerife disse que eu não poderia ir com Kellen. Ele disse: "Temos de falar com a sua mãe," e "Nós vamos ter que registrar você de qualquer maneira, então por que não podemos simplesmente ir até a delegacia?" "Você vai de verdade me prender por acertar aquele idiota? Porque olha para ela, você pode ver que ele bateu nela. Eu tenho testemunhas. Então, por que você está me perseguindo? Por que não o prende?" "Não se preocupe, senhor, nós estamos cuidando dele," disse o policial. "Como é isso? Eu não vejo você cuidando dele. Eu vejo você me incomodando." "Nós apenas queremos falar com os pais dela, ok?" "Certo, tudo bem. Eles vão dizer o que eu estou dizendo a você." Na delegacia, quando o xerife ligou para a casa da fazenda, ninguém atendeu. Mamãe provavelmente tinha desligado o toque. Então ele ligou no trailer de Sandy e ninguém respondeu lá. Sentei-me em uma cadeira no escritório vazio do xerife enquanto o policial levou Kellen para acusá-lo por agredir o cara do Mazda. Foi apenas uma contravenção, então Kellen teve que pagar fiança ali, mas ele ainda tinha que ter a sua foto e suas impressões digitais tiradas. Ele voltou, limpando a tinta de suas mãos e discutindo com o policial. Seu nome no crachá era Vogel.


"Eu vou ter que ligar para o Serviço de Proteção Infantil," disse o policial Vogel. "Para que?" A nuvem negra de Kellen estava de volta. Maior. "Porque nós temos um menor aqui e não sabemos quem ela é, eu não posso deixála ir com você." "Que tal agora? Por que eu não vou buscar sua mãe? Eu gasto uma hora para chegar lá e uma hora para voltar. Pense que você pode esperar para ligar para alguém de lá?" "Eu não poderia conseguir o serviço social aqui antes, então de qualquer maneira. Eu só não quero liberá-la a alguém que não tem qualquer ligação com ela." A boca de Kellen se aperta, mas ele não diz nada a isso. Ele passou a mão sobre o meu cabelo e disse: "Eu vou estar de volta, Wavy." Ele olhou para o policial. "E você pode conseguir um pouco de gelo para seu olho?" Depois que Kellen saiu, o policial Vogel me trouxe uma garrafa de refrigerante e um bloco de gelo, mas eu não toquei neles. Estar no escritório do xerife foi muito parecido quando mamãe foi presa, mas pelo menos eu estava vestida com minhas botas. Quando eles prenderam mamãe, eu tive que sentar na delegacia durante horas, só na minha camisola, enquanto estranhos entravam e saíam e falavam comigo. E tentavam me tocar. O policial não tentou me tocar, mas ele se sentou na mesa do xerife, a me fez perguntas. "Então, como você conhece o Sr. Kellen? Ou o Sr. Barfoot? Esse é o seu nome legal." Olhei através dele. "Onde vocês se conheceram?"


Cruzei os braços sobre o peito para permitir que o policial Vogel saber que ele estava perdendo tempo. "Não na escola, eu estou supondo." Ha ha ha. "Você sabe que esta não é sua primeira acusação de agressão?" Disse ele. Eu sabia. Kellen não conseguiu aquelas cicatrizes em suas juntas de jogar pôquer ou concertar motos. Conseguiu-as socando caras na cara. "Ele tem uma ficha criminal. Não dificilmente parece o tipo de cara que uma menina doce como você deve ficar a toa." Eu era tão doce. Como uma gota de limão. Eu olhei através do policial até que ele teve que se levantar e caminhar ao redor da mesa para ficar longe de mim. Era quase cinco horas da manhã, quando Kellen voltou. Eu reconheci o som de suas botas sobre o piso do escritório do xerife, mas não era mamãe com ele. Saltos clicando, mas muito lento. Eu me virei e olhei para fora das cortinas da janela. Sandy. Ela parecia cansada, mas bonita. Um tipo diferente de bonito do que mamãe, que era sombria. O sol estava sempre brilhando sobre Sandy. Seu cabelo era tão loiro como o meu, comprido e volumoso. Ela usava muita maquiagem e jeans apertados e uma camiseta apertada sem sutiã. "Olá, minha senhora," disse o policial. Ele pareceu surpreso, e eu poderia dizer que ele pensou que Sandy era sexy. Ele ficou olhando e olhando para ela. Isso me fez desejar ser mais velha. Se eu parecesse mais como Sandy, os policiais não iriam pensar que eu era jovem demais para estar andando com Kellen. "Olá, querida," disse Sandy para mim. "Você está pronta para ir para casa?"


Eu balancei a cabeça. "Uau, esse cara realmente fez um número em você." "Você é a mãe dela?" Disse o policial. "Sim eu sou. Eu sou Valerie Quinn. Eu não tenho certeza por que eu tive que sair da cama no meio da noite para vir dizer-lhe isso, mas aqui estou." Sandy não era como eu. Ela sempre soou doce, mesmo quando ela estava louca. "Sinto muito, senhora Quinn, mas você pode ver porque estávamos preocupados com ela saindo tão tarde com ele." "Não, eu acho que eu não vejo." "Eu não tinha certeza que seus pais sabiam onde ela estava." "Bem, é claro, eu sabia que ela estava com ele. Você não acha que eu estaria fora, procurando por ela se eu não soubesse onde ela estava?" "Eu só queria ter certeza," disse o policial. "Isso é tudo? Estamos livres para ir?" "Sim, senhora, mas posso apenas dizer? Você deve manter um olho em sua garota. Você não deveria deixá-la sair com um homem como…" "Agradecemos muito pelo conselho. Vamos ir agora, se estiver tudo bem?" Levantei-me quando Sandy fez, mas antes que pudéssemos sair, o policial inclinou por cima da mesa e me entregou um pedaço de papel. "Se você precisar de alguma coisa, Wavy Quinn, me liga," disse ele. Isso é o que estava escrito no papel, o seu nome – Policial Leon Vogel – e seu número de telefone. Eu coloquei no meu bolso e segui Kellen para o carro.


Sandy deitou-se no banco de trás e dormiu todo o caminho para o rancho, roncando um pouco. Eu me enrolei ao lado de Kellen e descansei minha cabeça em sua perna. Mesmo que nós não falamos, eu fiquei acordada para lhe fazer companhia. Quando entramos no quintal na frente do trailer de Sandy, Liam estava em pé na varanda, bebendo uma cerveja. Kellen saiu do carro e dobrou o assento para Sandy poder sair da parte de trás. Liam desceu as escadas, com os olhos vermelhos. Se você pudesse vê-lo, ver o que ele era, seus olhos sempre seriam vermelhos. O sol estava nascendo quando ele atravessou a calçada e pegou Sandy pelo braço. "Que diabos está acontecendo? Onde você esteve?" "Entrei em uma briga em Garringer. Eu e Wavy saímos para as corridas, entrei em uma briga, e um policial em Belton County me deu uma palestra de merda sobre Wavy estar fora de casa tão tarde. Ele queria que os pais dela fossem buscá-la." Kellen estava falando rápido, então eu sabia que ele estava nervoso. Eu deslizei sobre o assento e balancei as pernas para fora do carro. Assim, ele não estaria sozinho. "E o que diabos Sandy estava fazendo na corrida?" "Eu não fui, Liam. Eu fui pegar Wavy," ela disse em uma suave voz. "O que diabos isso significa?" "Bem, Val não poderia ir. Sabe, ela não poderia ir. Então eu fui, para pegar Wavy. Eu só disse a eles que era Val e- " "Oh, eu entendi," disse Liam. "Você foi e fingiu ser a mãe dela?" "Sim eu…" "Você foi e fingiu ser Val? Minha esposa?" Sandy estava torcendo as mãos, não como mamãe, que sempre arrumava a postura quando Liam se preparava para bater nela.


"Foi apenas para pegar Wavy. Não para…" Pow! Liam bateu diretamente na boca dela. Kellen poderia ser rápido quando ele queria. Ele afastou Liam de Sandy com tanta força que a garrafa de cerveja voou da mão de Liam e caiu no cascalho. "Você quer bater em alguém, bate em mim. É minha culpa. Sandy não fez nada de errado," disse Kellen. O punho de Liam acertou a mandíbula de Kellen, forte o suficiente para fazer sua cabeça foi para trás. "Eu não gosto de pessoas fazendo coisas escondidas de mim," disse Liam. "Você sabe disto Sandy." "Nós não estávamos fazendo nada escondido," ela sussurrou. "Não foi escondido." Kellen tinha sua boca apertada pois sua mandíbula doía. "Eu não vi nenhuma razão para acordá-lo. Sandy estava acordada de qualquer maneira, então… " "E o que você estava fazendo acordada?" Isso era tudo que Liam preocupava, onde Sandy estava. "Eu não posso dormir quando você não está aqui," disse ela. "Eu estava ao lado. Você sabe disso." "Bem, nós não queríamos acordá-lo," disse Kellen. "Sandy disse que ela iria. E os policiais estavam bem. Eles não a incomodaram. De qualquer forma, eu sinto muito. Os policiais estavam apenas… " "Porcos do caralho. Qual é o negócio deles? Como se tivessem qualquer negócio me dizendo o que fazer." "Eu sei." Kellen, finalmente, colocou a mão no seu queixo.


"Você levou isso para as corridas? Eu não sabia que você tinha terminado ainda," disse Liam. Ele se inclinou para olhar o polimento sobre o capô do Barracuda. "Eu terminei ontem. É por isso que nós saímos." "Como ele é?" "É muito rápido," disse Kellen. Ele sabia como fazer Liam olhar na outra direção. "Eu acho que vai vencer quase tudo lá fora. Bem, nenhum Corvette, mas muito perto de qualquer outra coisa. Nós derrotamos um modificado, que é como eu consegui uma briga." Liam riu e olhou para sua mão vazia. Ele estendeu a mão e deu um tapa na perna de Sandy. "Vá para casa, querida, e pega para mim e Kellen uma cerveja." "Ok." Ela se apressou a subir os degraus e entrou. "Quão rápido?" Disse Liam. "Eu bati um-zero-cinco no quarto de milha. Acho que ela faria cento e quarenta nas salinas." Sandy voltou com as cervejas, já aberta. Kellen pegou a sua e bebeu. "Devemos aproveitá-lo," disse Liam. "Sim, há um pouco de dinheiro a ser feito. A abundância de caras com os carros mais novos pensam que podem vencer um animal antigo como este." Toquei a perna de Kellen e ele trocou a cerveja para a outra mão. Quando ele abaixou a mão para o lado dele, eu coloquei a minha na dele. "Você tem que ficar fora de problemas, Kellen. Tenho trabalho para você fazer. não pode estar tendo os porcos incomodando você com acusação de merda," disse Liam. "Não, você está certo." Por alguns minutos, eles ficaram quietos, bebendo suas cervejas.


"Bem," disse Kellen. "Está tarde. Eu acho que é melhor eu levar Wavy para cama." "Fique fora de problemas." "Eu vou." Eu fugi de volta para o carro e Kellen ficou atrás do volante, com a garrafa de cerveja entre as pernas. Na fazenda, ele não desligou o motor, e ele estava calmo, preocupante. Virei-me no banco, coloquei o braço em volta do pescoço dele e coloquei minha cabeça em seu ombro. Ele suspirou. Depois de alguns minutos, ele colocou o braço em volta de mim e beijou meu cabelo novamente. "Eu me diverti," eu disse. Ele riu. "Você levou um soco e foi presa, e você se divertiu?" Eu balancei a cabeça, tomando cuidado para não bater minha cabeça contra sua mandíbula. Ele me abraçou apertado, quase tão apertado quanto eu precisava. Apertado o suficiente para me deixar saber que ele não estava com muito medo de Liam. Apertado o suficiente para me dizer que eu era importante para ele. Um pouco mais apertado e eu sabia que eu era mais importante do que qualquer outra coisa. Isso era o que eu queria.


7 WAVY Março 1982

Quando Donal e eu chegamos da escola, um Corvette vermelho brilhante estava estacionado na garagem. Tio Sean estava de pé na sala da frente, sorrindo e passando as mãos pelo cabelo. Louro, como Liam. Mamãe estava vestida e bonita e sorrindo para ele. "Você se lembra de seu tio, querida?" Disse ela. Lembrei-me dele. Ele veio ficar com a gente depois que Liam foi preso. Antes de mamãe ser presa. Tio Sean era alto, como Liam, e sorrateiro. Ele tinha truques para fazer você sorrir quando você não queria. Para alertar Donal para ter cuidado, belisquei ele, mas ele disse: "Ow, Wavy, não," e foi direto para o Tio Sean. Rindo com a boca aberta, ele deixou Tio Sean rolar em torno dele no tapete e fazer-lhe cócegas. Perigoso. Em seguida, Liam veio, e ele e tio Sean bateram um nas costas do outro. Tapas batendo altos que fizeram meus ombros se apertarem. Eu não queria ficar lá, mas eu não queria deixar Donal sozinho com eles. Ele ainda era pequeno. Tio Sean tentou levantar Donal da mesma forma que Kellen fez e disse: "Deus, ele é grande! Você está falando sério ele tem apenas seis?" "Ele acabou de fazer seis em janeiro," disse mamãe. "Eu pensei que ele nasceu em março."


"Janeiro," disse mamãe. "E ele é grande para sua idade." Liam pegou Donal, também, e disse: "Ele vai ser um gigante." "Como Kellen!" Donal gritou. Mamãe franziu a testa quando ele disse isso, mas eu esperava que ele estivesse certo. "Vamos fazer o jantar," disse ela. Ela pegou o livro de receitas da avó e folheou-o. Nada lhe pertence. Não importava que vovó deu o livro de receitas para mim. Tudo que mamãe tinha que fazer era segurar isto em suas mãos e isto era dela. "Oh, por favor, o bom bolo de carne," disse Sean. "Sim, querida," disse Liam. Donal, também: "Bolo de carne!" "Tudo bem, tudo bem!" Isto fez mamãe sorrir, todos pedindo a ela para alimentálos. Tio Sean foi comprar mantimentos com a lista que mamãe fez, e ele disse: "Você quer vir comigo, Don? Andar no Corvette?" Eu queria abraçar Donal antes dele sair, porque se o tio Sean não o trouxesse de volta? Mas ele correu para o carro antes que eu pudesse. Eles voltaram rindo e fizeram uma bagunça. Sangue de hambúrguer escorria do balcão para o chão, e mamãe e Liam cheiravam metanfetamina na mesa da cozinha, onde isto deixou poeira sob a borda de metal que foi tão difícil de manter limpa. Eles fizeram muito barulho. Um prato quebrado, Liam rindo, Donal guinchando. Então tio Sean ligou o rádio e dançou com mamãe ao redor, enquanto as batatas queimavam. "Porra, você é linda. Por que você não deixa este idiota e foge comigo?"


Mamãe riu, mas seus olhos pareciam quentes e assustadores. "Aqui, agora, você está tentando dar em cima da minha esposa bem debaixo do meu nariz?" Disse Liam. Tio Sean riu e girou mamãe ao redor, enquanto Liam arrumou a mesa. "Oh, Liam, coloque um prato na mesa para ela de qualquer maneira," disse mamãe. Seus olhos eram tão suaves quando ela olhou para mim de pé no corredor, mas eu sabia que não eram confiáveis aqueles olhos. "Eu não vou sentar aqui com ela observando-nos comer," disse Liam. "Mas sua mãe fez o bom bolo de carne. Você não quer?" Tio Sean veio em minha direção com uma azeitona verde em sua mão, mas quando eu abaixei minha cabeça, ele riu e colocou a azeitona em sua própria boca. Puxando as cadeiras da mesa, ninguém percebeu o barulho da Panhead chegando na garagem. Eles estavam muito ocupados colocando comida em seus pratos: purê de batatas queimado e bolo de carne gorduroso, porque mamãe esqueceu de colocar o pão no fundo da forma. "Porra, você sentiu o cheiro do bolo descendo a colina?" Liam disse, quando Kellen entrou. "Este filho da puta pode comer, no caso de você não poder dizer." Tio Sean riu e levantou-se para apertar as mãos. "Vamos lá, puxe uma cadeira." "Obrigado, mas eu só vim aqui para pegar Wavy." Kellen olhou para mim por um segundo, não tempo suficiente. Liam me fez invisível. Eu precisava de Kellen para me ver. "Pegar Wavy para o quê?" Disse mamãe. "Para dar um passeio."


"Uh-oh, Wavy, Donal vai comer o seu bolo de carne se não o fizer." Tio Sean estendeu a mão com outra azeitona verde roubada do bolo. Donal abriu a boca e pegou. Isso me assustou. Se não fosse perigoso para Donal ficar com Liam e Sean, porque ele era um deles? "Não seja ridículo," disse mamãe. "É hora do jantar, Kellen, e nós temos companhia. Ela vai ficar aqui com seu tio." "Desculpe, eu não sabia. Talvez amanhã, Wavy." Kellen saiu e fechou a porta. Suas botas batendo os degraus da varanda, mas eu não ouvi sua moto ligar. Ele estava do lado de fora esperando por mim. "Faça-a ir para o quarto," disse Liam para mamãe. Pensei em ir depois de Kellen. A única questão era deixar Donal. Eu escorreguei meus dedos entre as ripas de sua cadeira e belisquei seu lado com força. "Ai!" Ele se virou e olhou para mim com olhos quase chorando confuso. "Wavy, o que você fez com o seu irmão?" Disse mamãe. "Nada," disse Donal. Ele não era um deles.

***

Eu pressionei minha orelha no chão do meu quarto, mas tudo que eu podia ouvir eram risos e conversas. Mais tarde, alguém subiu as escadas, lento como Kellen, mas não tão grande. Donal. "Mamãe diz para eu dormir aqui, por isso tio Sean pode ter minha cama," disse ele.


Adormeci ao lado de Donal e acordei por algo que não eram risos. "Sim, bem, eu sou seu irmão, então eu acho que torna a situação especial." Era Liam ou tio Sean? Pelo chão era difícil dizer. "Esta é toda a razão que você veio aqui? Agir como o grande irmão?" Liam. "Querido, por que não podemos?" Mamãe. "Fique fora dessa porra, Val. Não é o seu dinheiro, então cale sua matraca." "É apenas um empréstimo. Eu pensei que importava que eu cuidei de Val depois que você foi preso," disse Sean. "Não jogue isso na minha cara," disse Liam. Então tudo se tornou gritos e o som de coisa quebrando e alguém sendo atingindo. Eu não poderia dizer quem era quem, até que mamãe gritou. Então foi Liam que disse: "Sua puta," e mamãe que disse: "Não faça isso. Não. Por favor, Liam." Policial Vogel me disse para ligar se eu precisasse de algo. É o que eles ensinaram na escola, também. Eles disseram que a polícia estava lá para ajudá-lo, mas eu não acho que eles sabiam o que acontecia quando a polícia chegava à sua casa. Policiais estragam tudo. Eles chutam a porta da frente, jogar as pessoas no chão e as algemam. Eles quebram coisas e roubam coisas. Eles trancam você em um carro de patrulha, fazem você gastar toda a noite na delegacia vestindo seu pijama, e depois enviam você para casa com estranhos. É por isso que eu nunca iria ligar para policial Vogel, não importa o quanto mamãe e Liam brigassem. Eu tinha jogado fora o papel com o número dele assim que ele deu para mim, porque me lembrei do que aconteceu da última vez que a polícia veio à nossa casa. Eventualmente, eles pararam de brigar e desmaiaram. Eles sempre dormiam. Após todos estarem quietos, eu abri a janela e olhei para a treliça que Kellen subiu em


seu aniversário. A porta da escada estava trancada, e eu tinha a única chave, para que ninguém pudesse subir enquanto eu estava fora. Donal estava seguro. A treliça era como descer uma escada, e então eu estava livre. Eu cortei pelos campos para o norte, para uma casa que eu nunca tinha visitado. Como o rancho de Liam, não era uma verdadeira fazenda. Não há galinhas no quintal e apenas um carro no celeiro. Todas as janelas estavam abertas. Eu continuei, puxando a beirada das telas até encontrar uma onde o gancho havia se soltado. Sempre verifico o frigorífico primeiro. Os melhores alimentos são mantidos lá. Coisas caseiras. Também maçãs. E picles. Abro o frasco, pego dois, enfio um depois o outro em minha boca. Picante e doce na minha língua. Frango frito, salgado e firme. Mordisco a asa até o osso e o coloco no bolso para jogar fora depois. Algo suave em uma tigela, mas difícil dizer sem luz. Mergulho um dedo dentro e experimento. Pudim de Baunilha. Chocolate era melhor, mas baunilha está bom. Comer era mais importante, mas uma vez que estava acabado, eu olhei para as coisas que as pessoas pensam deles próprios. Eu não peguei coisas muito frequentemente, mas eu gostava de movê-los. Chaves do carro, bolsas, óculos, um pé de sapato de um par. A sala cheirava a flores e pó. Havia um piano com imagens na parte superior, e um prato de doces sobre a mesa de café. Eu levantei a tampa e tirei um pedaço. Alcaçuz. Eu coloquei de volta e baixei a tampa. Isto fez um pequeno barulho, mas nada pior. "Lolene? É você?" Eu afastei minha mão do prato de doces e dei dois passos rápidos para trás. Nas sombras, uma mulher estava sentada em uma cadeira. Ela tinha cabelos brancos, como a vovó.


"Você quer doces? Mamãe não está aqui para nos pegar. Podemos comer todos os doces que quisermos." Dei mais um passo para trás. "Por que você não fala comigo, Lolene?" Outro passo e meu ombro bateu contra o piano. Uma foto caiu. "Você quer que eu toque piano? Mamãe diz que eu toco quase tão bem quanto você. Quase." Corri, através da cozinha diretamente para a porta dos fundos. Atrás de mim, a mulher chamou, "Lolene! Volte!" Quando cheguei em casa, encontrei Cassiopeia e Cepheus e Ursa Maior desenhadas no cascalho no fundo da garagem, onde Kellen tinha esperado por mim. Ele tentou desenhar Orion, também, mas esqueceu duas estrelas. Arrastei-me de volta até a treliça para o meu quarto, onde Donal estava dormindo. Seguro. Na parte da manhã, quando eu fui lá embaixo para pegar café da manhã para ele, mamãe e Liam estavam na cama nus. Tio Sean estava no sofá com uma agulha no chão ao lado dele. Apanhei-a e a coloquei na mesa do café. Seguro.


8 BUTCH Abril 1982

Se alguém quisesse saber por que aquela criança nunca falou, eu poderia ter dito. Isso é o que acontece quando a sua mãe agarra você pelo cabelo, prende a mão sobre sua boca, e dá-lhe uma boa sacudida, enquanto grita na sua cara, "Você nunca fala com as pessoas! Você não fala com ninguém!" Isso é o que Val fez para Wavy quando ela tinha cerca de três anos de idade. Eu não sei o que ela pensou que uma criança de três anos de idade poderia contar a alguém, mas acho que Wavy brincou na caixa de areia com as crianças do vizinho, e o vizinho disse algo que deixou Liam nervoso. O mais provável é que o vizinho percebeu as pessoas entrando e saindo da casa todas as horas do dia e da noite. Nem todo mundo é tão estúpido como Liam acha que são. Liam e eu voltamos, e eu devia a ele por manter meu nome fora disto quando ele foi preso, mas observando Val chacoalhar aquela criança me deixou fora de mim. Não importa quanto tempo estávamos no mesmo negócio, eu estava pronto para bater nessa cadela louca. Eu não precisei, porque Liam agarrou o braço de Val e disse: "Isso é o suficiente, querida." Eu nunca ouvi outro ruído dessa menina. Anos mais tarde, ela se apegou a Jesse Joe Kellen. Ele era um dos caipiras locais que contratamos quando mudamos a operação


para Powell. Não muito mais do que uma criança quando Liam contratou, ele era um grande bandido com um rosto como uma prancha. Sempre parecia meio chapado, mesmo que ele não estivesse, quase não abria a boca quando ele falava. Às vezes, Kellen trazia Wavy em torno do quartel de laboratório quando ele jogava pôquer ou dominó com a gente. Ela ficava perto assistindo o jogo, e nos trazia cervejas. Como uma pequena garçonete. Kellen e ela eram fofos juntos. Ela se apoiava em seu ombro, olhando para sua mão, contando suas fichas. Por ele ser muito maior, era engraçado como ele agia com ela. Ele falava com ela como se fosse uma adulta. Ela sempre sussurrou em seu ouvido, então você tinha a ideia que eles estavam tendo uma conversa. Eu não sei mesmo o que ela dizia para ele. Uma noite, Kellen levantou-se no meio de uma mão e disse: "Eu vou ir até a casa pegar uma cerveja." "Vamos terminar esta mão," disse Vic. "Ela vai jogar para mim." Kellen deu suas cartas para Wavy e começou a subir a colina em direção aos reboques. Nós rimos, mas ela sentou-se na cadeira dele, pegou sua próxima carta, e dobrou. Scott ganhou a mão e quando ele foi para distribuir as cartas, ele pulou Wavy. "O que, Scott, você não gosta de tirar dinheiro de crianças?" Eu disse. Então ele deu cartas a ela. Ela perdeu cinquenta dólares nessa mão, mas ela ganhou a próxima. Kellen tinha perdido quase duzentos dólares, mas agora ele recuperou. As próximas mãos, ela ganhou mais do que perdeu. Sua distribuição de cartas deixou muito a desejar desde que ela tinha dificuldade em baralhar, mas pelo menos você sabia que ela não estava trapaceando.


Kellen voltou com a cerveja quando Scott e Vic decidiram mostrar a ela como os meninos grandes jogavam. Irritou-os que ela tivesse conseguido ganhar algum dinheiro, então eles subiram as apostas. Mesmo que fosse o seu dinheiro, Kellen ficou para trás e observou seu jogo. Não lhe disse o que fazer. Um par de mãos, Wavy, aparentemente, tinha algumas cartas que ela gostava, porque ela continuou aumentando. A próxima coisa que você sabe, havia quase cinco mil dólares sobre a mesa, e que era muito para Vic. Vendo que ela levantou quase tudo o que tinha na frente dela, Kellen colocou a mão no bolso e entregou-lhe um maço de notas. Grande o suficiente que ela mal conseguia fechar a mão em torno dele. Com a postura de negócios, Wavy tirou a liga de borracha fora e começou a contar notas de cem dólares. "Você entende que é dinheiro real, garota? Isto não é o Monopólio." Scott sorriu e levantou outros duzentos. Wavy deslizou a última das suas fichas para ele ver e, em seguida, a pilha de dinheiro que ela tinha feito: mil dólares. Despertou ele. Scott olhou para as fichas que lhe restavam e o maço de notas que ela tinha. Levou um bom minuto antes dele dobrar. A garota tinha acabado de nos tirar mais de mil dólares. Ela foi lançar suas cartas, mas Scott bateu com a mão sobre elas. "Ei, você não pagou para ver," disse Kellen. "Vamos lá, isso não é Vegas. Apenas um jogo de pôquer amigável, certo?" Eu estava curioso. Kellen olhou para Wavy e ela deu de ombros. Scott virou suas cartas. Par de quatros.


Nós explodimos em risos, Vic apertou os lados e soluçando, "Você entende que é dinheiro real, garota?" Kellen riu tanto que deitou no chão ao lado da cadeira de Wavy e chorou. Scott, ele chorou de verdade. Wavy observou-nos com este pequeno sorriso no rosto. Ela tinha um inferno de uma expressão impassível. Deitado ali, como uma baleia encalhada, tão fraco de rir ele não podia levantar-se, Kellen disse: "Wavy, amanhã nós vamos para a cidade e comprar tudo o que você quiser. Qualquer coisa mesmo." Rindo atrás de sua mão, pôs seu pé sobre seu peito e o cutucou. Ele segurou sua perna e disse: "A primeira coisa, que eu estou comprando-lhe são botas novas. Você tem buracos nesta de tanto andar." Exatamente até aquele momento era doce e engraçado. Estranho casal que eles eram, eles tinham uma conexão real. Então, ele tirou sua bota e beijou a parte inferior do seu pé descalço. Eu podia vê-lo fazendo esse tipo de coisa para seu próprio filho, mas ela não era. Ela era a garota de outra pessoa.


9 WAVY Julho 1982

Esperei pela varanda do trailer de Sandy, onde o velho gato cinzento vivia. À noite, a luz amarela grande em cima da garagem lançou sombras em meu esconderijo. Pessoas passavam e nem sequer me notaram agachada lá. Dee e Lance saíram, provavelmente, para o alojamento para foder. Sandy sentouse na varanda fumando e chorando, falando para si mesma: "Eu não sei por que eu continuo com isto." Quando Butch veio, ela foi para dentro com ele. Danny saiu no Charger e trouxe cerveja. Enquanto ele carregava uma caixa para o laboratório do alojamento, eu escapei do meu esconderijo e roubei duas latas. Quando Danny voltou, ele olhou para a caixa aberta no porta malas e gritou: "Isso não é engraçado, seus idiotas! Não seja um ladrão de cerveja." Comecei a pensar que Kellen não viria, ou que ele não estaria sozinho. Uma noite, ele trouxe a menina da tatuagem de cobra em sua moto, eu fiz algo imprudente. Eu fui para o trailer para pegá-lo. Depois disso, ele veio até mim por conta própria, por isso tinha valido a pena o risco. Sentei-me em um bloco de concreto e tirei minha bota para enterrar os dedos dos pés na lama gelada sob a varanda. Escutei a Panhead, mas ela nunca veio. Finalmente, o caminhão do velho Cutcheon parou no quintal, gemendo quando Kellen saiu.


Ele tilintou suas chaves, enquanto caminhava pelo quintal, nuvens de poeira levantando ao redor de suas botas. Só quando ele colocou o pé no primeiro degrau eu escalei sobre os trilhos. Saí mais cedo e alguém poderia me ver. Kellen atravessou a varanda, fazendo barulho no assoalho. De dentro, Butch chamou, "Fee fi fo fum5!" Sandy riu. Com cuidado para ficar ao lado da janela da frente, eu sai das sombras. Às vezes Kellen tinha negócios e não poderia vir comigo, mas esta noite ele estava esperando por mim dar uma passo para a luz. "Aí está você. Eu estava na casa procurando por você, mas o Corvette estava lá, então eu não entrei," disse ele. Tio Sean estava lá o tempo todo. "Fee fi fo no?" Butch chamou de dentro do trailer. Ouvindo isso, eu corri de volta para o meu esconderijo. Kellen desceu as escadas enquanto eu coloquei minhas botas. Quando ele caminhou ao redor da varanda, eu peguei a colcha e as latas de cerveja, e o segui através do pátio, indo para longe do som de Butch e Sandy. "É Kellen?" Disse Sandy. "Eu pensei que sim, mas não há ninguém aqui fora." No prado, tive Kellen só para mim. Ele cheirava bem. Suor e moto e gualtéria. Não fumaça fedorenta de maconha. Sem perfume. Sem tristeza. Ele cheirava como o amor. Entre os choupos e a ribanceira, eu espalhei a colcha e ofereci-lhe as latas de cerveja.

5

Frase sem sentido, em tom de brincadeira.


"Droga, você mesmo me trouxe cerveja. Nós precisamos de um sistema melhor. Alguma maneira para você me deixar saber onde você está." Eu gostava que ele quisesse saber, mas eu também gostava dele não saber. Às vezes, esperar e ficar decepcionada era bom, para me lembrar que ele não pertence a mim. Nada me pertencia. Dei de ombros e me deitei sobre a colcha, que não cheirava a casa da avó mais, a menos que eu fechasse os olhos e me concentrasse. "Como essas botas novas estão tratando você?" Disse ele, quando ele as tirou. Ele me comprava novas a cada ano para começar a escola. Este foi o sexto par, para me preparar para o ensino médio em agosto. Sétima série foi na antiga escola secundária, o último ano antes deles fecharem. Para oitava série, eu estaria indo para a nova escola secundária em Belton County, que era uma hora de ida e uma de volta de ônibus. "Você não vai andar duas horas de ônibus. Vou levá-la," disse Kellen. Ele não se importava que fosse mais longe. As botas para a oitava série tiveram que de ser compradas mais cedo, porque eu não só desgastei as antigas, mas elas não me serviam mais. Eu balancei a cabeça, mas não abri meus olhos, para testar uma ideia. Se eu mantivesse meus olhos fechados, seria mais fácil enviar a Kellen uma mensagem? Eu esperei, mas não aconteceu nada, exceto que ele continuou a falar enquanto ele tirava as botas. "Você sabe, eu ainda tenho muito dinheiro do pôquer queimando um buraco no meu bolso." "Seu." Eu olhei de soslaio, fazendo as estrelas brilharem dentro de minhas pálpebras.


"Só com o que eu comecei é meu. Você ganhou o resto. Merda, Scott não vai viver com isso por um longo tempo." Sorrindo tornou mais difícil enviar a minha mensagem, mas eu gostava de ganhar e ter Kellen beijando meu pé. Arrastei meus dedos dos pés em toda a colcha para encontrar os pés de Kellen, que eram duros como cascos. Ficava sem meias, quando eu esquecia de lavar as roupas, mas ele não possuía quaisquer meias. Ainda assim, eu gostava de acariciar seus pés com os meus. Tocar suas mãos com as minhas. Esfregar minha bochecha contra a dele. Eu gostei de como éramos diferentes, mas ao mesmo tempo iguais. Deitada de lado, ele espalhou o braço para me fazer um travesseiro. "Você não nadou esta noite?", Disse ele. "Mais cedo. Com Donal." "Isso é bom. Ele está na cama agora?" Eu balancei a cabeça e fui mais perto para que eu pudesse pressionar o meu rosto em sua axila. Suada mas limpa. "Você precisa parar de se contorcer e ficar imóvel," disse ele. Ele era cosquento. Engoli uma risadinha e fiquei onde estava para provocá-lo. Ele sempre quis me dizer as estrelas, e se eu não fizesse logo, ele ficava impaciente. "Ursa Mai…" Eu enfiei um dedo em seu lado para impedi-lo e ele riu. "O que? Não é Ursa Maior?" Esperamos, tentando enganar o outro. O tipo de truque que eu gostava. "Orion?" Disse. "Nããão."


"Não? Ah, certo, não vamos vê-lo até outubro. Acho que isso significa que eu posso continuar usando o cinto então." Eu coloquei minha mão sobre sua boca para fazê-lo ficar quieto. A mensagem que eu estava tentando enviar era: "Beije-me." Ele beijou minha mão antes que eu afastasse, mas não era isso que eu queria. "Eu prometo que vou ser bom," disse ele. Balançando ao redor para se sentir confortável, eu coloquei minha cabeça para trás em seu braço. Então olhei para o céu e encontrei o meu lugar. Olhando para as estrelas era como abrir um livro familiar. Fiz-lhe esperar um pouco mais, uma vez que ele não prestou atenção a minha mensagem. Ele deve ter entendido tarde, porque depois de um minuto, ele beijou meu cabelo. Quando eu virei o rosto para ele, ele beijou meus lábios também. "Cassiopeia," eu disse.


10 KELLEN Acordar no prado era a coisa favorita de Wavy. Ela era mais propensa a falar a primeira coisa na parte da manhã, também. Eu poderia ter uma dúzia de palavras dela antes de o sol nascer. Eu poderia até ter as três que eu mais gostava. Eu, eu amei adormecer no prado. O farfalhar do feno em torno de nós, as estrelas em cima, corujas dos choupos. Wavy enrolada ao meu lado, então éramos como dois animais deitados na grama. Naquela noite, eu estava feliz por ignorar as cervejas. Lembrava-me das coisas melhor quando eu estava sóbrio. Como a bochecha de Wavy presa ao meu braço com suor, e o vento despenteando seu cabelo contra o meu pescoço. Beijei sua mão e pressionei por cima do meu coração. "Hmmm," disse ela, já meio adormecida. Um carro dirigia pela estrada para o sul, indo rápido demais. Depois que ele passou, grilos encheram o silêncio. Um pouco mais tarde, um outro carro desceu a estrada, espalhando cascalho. Eu estava prestes a dormir quando um baque alto me fez acordar. Sentei-me e Wavy acordou com um gemido, agarrando-se a mim. O motor do carro bateu e morreu. "Alguém acabou de acidentar na estrada. Eu vou até lá para verificar," eu disse. Eu queria que Wavy ficasse lá, mas quando eu calcei minhas botas, ela fez o mesmo. Nós caminhamos através do prado em direção à estrada e, quando veio a


subida, eu podia ver os faróis desligados para o sudoeste. A estrada fazia uma curva lá, com uma bifurcação para o norte para uma estrada de serviço para o tanque de estoque e moinho de vento. Havia um guarda de gado do outro lado da vala entre os postos de portão de ferro. O carro deve ter feito a curva rápido demais. Quando Wavy começou a correr, eu sabia que ela tinha pensando nisto, o mesmo que eu. Dois carros de condução longe da fazenda no meio da noite? Um deles era provavelmente Val. Cortando o feno, Wavy me deixou para trás. Quando cheguei à vala, o farol dianteiro do lado do passageiro me cegou, inclinando-me no ângulo errado. Eu tropecei em alguma coisa e cai, cascalho ralando em meu cotovelo. Eu me levantei e corri como eu não tinha feito desde que eu jogava futebol na escola. Um dos postes do portão tinha afundado o capô do carro, rompido o radiador, e acertou diretamente no banco da frente. Havia anticongelante e gasolina derramando na estrada, virando lama. O lado do motorista estava na vala, e com o motor no caminho, eu não podia ver nenhuma maneira de chegar a Val. Ela estava presa ao volante e coberta de sangue. Morta pelo que eu sabia. Por tudo o que importava realmente, só que eu não queria Wavy vendo isso. Wavy abriu a porta do passageiro traseiro, ficando pronta para rastejar no banco de trás antes que eu a pegasse. Ela tentou tirar minha mão de seu braço, então eu a agarrei pela cintura e joguei por cima do meu ombro. Mesmo com ela chutando e batendo em mim, não me atrevi a soltá-la. Seguimos a estrada em direção ao rancho, com os faróis nas minhas costas, eu vi no que eu tropecei saindo do prado. Donal, deitado de bruços na vala. Eu coloquei Wavy


no chão, mas quando ela viu seu irmão, ela foi à loucura tentando chegar até ele, então eu tive que arrastá-la de volta. "Não, Wavy, não! Você não pode movê-lo. Você não pode." Ela cravou as unhas no meu braço onde eu tinha segurado ela pela cintura, mas ela parou de lutar. "Se ele está ferido, suas costas ou seu pescoço, você não pode movê-lo, ok? Promete?" Ela assentiu com a cabeça e quando eu a soltei, ela se arrastou até Donal e tocou sua mão. Eu iria verificar o pulso, mas isso não importava. Se Donal estava vivo, nós precisávamos conseguir ajuda. Se Donal estava morto, nós precisávamos conseguir ajuda. "Você é mais rápida do que eu, Wavy. Você tem que correr e pedir ajuda." Ela levantou-se e olhou a oeste pela estrada, em seguida, a leste. Tentando decidir o que era mais perto. "Vá até a fazenda e diga a eles o que aconteceu. Corra o mais rápido que puder," disse eu. Eu queria que isso fosse a coisa certa. Ela correu a oeste, em direção à fazenda. Ela ia ligar para o 911. No dia que me acidentei, mandei-a ligar para Liam, porque você não liga para o 911 se você acidenta-se com sua moto a um quilômetro de um celeiro de metal de mil e duzentos metros quadrados cheio de equipamentos de fabricação de metanfetamina. Mas quando seu irmão mais novo estava jogado em uma vala, talvez com o pescoço quebrado, coisas assim, não importam.


Fiquei de joelhos e mãos na estrada ao lado de Donal. Eu coloquei meu ouvido tão perto de seu rosto o quanto pude e prendi a respiração. Tão suave que eu quase não podia ouvi-lo sobre o vento no feno, Donal respirava. Dentro e fora. O que aconteceu, de Wavy ter feito a escolha certa.


11 DEE

"Graças a Deus não estavam preparando hoje à noite," disse Dee. Os policiais estiveram a menos de um quilômetro do celeiro. Se Butch estivesse preparando, a polícia teria sentindo o cheiro, mas não o fizeram. E ninguém estava morto. Os policiais disseram que ser jogado para fora do carro, provavelmente salvou a vida de Donal. Tudo o que ele conseguiu foi uma concussão e um braço quebrado. Se ele tivesse com o cinto de segurança, o motor teria esmagado ele. A outra coisa boa foi que, quando a ambulância chegou, a única pessoa com quem a polícia falou foi com Kellen. Ele manteve-os longe dos reboques. Liam se assustou de qualquer maneira. Claro, ele amava Val - ela era sua esposa mas ouvi-lo chorar e continuar chateado deixou Dee desligada. "Ela vai ficar bem," Dee disse enquanto se dirigiam para o hospital em Garringer. Ela fumou muito cristal tentando ficar acordada. Então teve Liam, porque ele não conseguia parar de falar. "Todo este negócio é minha culpa. Se eu estivesse vivendo na fazenda, cuidando dela como eu prometi, isso não teria acontecido. Eu tenho que corrigir isso. Eu tenho que fazer isso direito." "Vai ficar tudo bem, querido." Dee continuou dizendo isto, porque se algo tivesse conserto, isto poderia tirá-la para fora do cenário.


No hospital, não havia esforços suficiente no mundo para fazer Val parecer bem. Eles a viram através de uma janela, deitada em uma cama com tubos entrando e saindo. "Eu sou seu marido," disse Liam, então eles o deixaram entrar no quarto por um minuto. Dee entrou com uma mentira: "Eu sou sua irmã." Val estava fodida. Um monstro de Frankenstein com pontos pela testa. Liam chorou por uns bons dez minutos depois que viu Val. Dee segurou-o, aliviada. Sim, ele amava Val, e ele tinha tesão por Sandy, mas Dee estava lá para ele quando havia um problema. Ele precisava dela. As pessoas iam e vinham todo dia: Sandy, Scott, Vic, Butch, Lance, Ricki. À noite, enquanto Liam estava no banheiro se recompondo, Kellen apareceu com Wavy. Eles pareciam desleixados, mas pelo menos eles não estiveram no hospital durante todo o dia, ao contrário de Dee, que se sentia como se alguém tivesse irritado muito ela. Quando Liam viu Kellen falando com Butch, ele foi direto para eles e chamou a atenção de Kellen. "O que diabos aconteceu?" Disse Liam. "Como eu estava dizendo ao Butch, eu estava no prado e ouvi o acidente. Eu não sei o que aconteceu, exceto que Val saiu da estrada e bateu no portão do gado. Lamento a polícia ter vindo, mas parecia muito ruim. É por isso que liguei para o 911. E os policiais não chegaram perto do rancho." "Quero dizer, o que aconteceu? Por que Val estava dirigindo?" "Eu não sei," disse Kellen. "Como você pode não saber? Você estava na casa, não estava?" "Não. Eu estava no prado."


"Não minta para mim, seu filho da puta." Liam apontou o dedo no peito de Kellen. Dee ficava assustada quando Liam ficava de olhos arregalados assim. Tão grande quanto Kellen era, Liam iria levá-lo quando ele ficava nesse estado. "Eu não estava na casa." A voz de Kellen estava suave para Liam ouvir quando ele ficou louco. "Eu acho que Sean…" "Você acha que eu não sei como você está sempre por perto, tentando insinuar-se em sua cama?" "Não é desse jeito. Eu nunca..." "Você acha que ela já tem um uso para algum vagabundo como você? O que? Você acha que ela vai se divorciar de mim e casar com você?" "O que você está falando?" Disse Kellen. "Liam, não." Butch colocou a mão em seu braço, mas Liam afastou. "Eu deveria te matar por estar perto da minha esposa até mesmo pensando este tipo de merda." Dee prendeu a respiração, esperando que tudo fosse explodir. Kellen deu um passo para trás e ergueu as mãos, pronto para dar um soco. A enfermeira de plantão da noite levantou-se e pegou o telefone. Deus, se ela chamasse o segurança, eles teriam um problema. Liam não podia recuar de uma luta, quando ele estava alterado, especialmente se os policiais estavam envolvidos. "Olha," disse Butch. "Eu não sei o que está acontecendo em sua cabeça, Liam, mas você precisa parar e olhar ao redor. Kellen não está aqui para alguns…" "Você não sabe, homem. Esse babaca está ficando em torno de minha casa todos os malditos dias, agindo como se vivesse lá."


"Ele trouxe Wavy para ver sua mãe e seu irmão mais novo. É por isso que ele está aqui." Butch colocou a mão no braço de Liam novamente e virou-o em direção a Wavy, que ficou olhando dessa forma estranha que ela tinha. Como as meninas de The Shining. "Eu só trouxe Wavy para visitar. Eu não queria causar problemas," disse Kellen. "Você não causou. Está tudo bem," disse Butch. "Certo, Liam? Está bem?" "Está bem. Sim. Sinto muito, Kellen. Eu estou apenas todo virado do avesso." "Está tudo bem. Vou levar Wavy para casa agora." "Dee, é melhor você ir passar a noite com ela," disse Butch. Dee olhou para ele. Como diabos ela estava passando a noite em uma casa vazia com a menina assustadora, enquanto Liam estava com Val. "Wavy nem sequer fala com Dee. Vou dormir no sofá," disse Kellen. Butch parecia que ele poderia continuar a discutir, mas Kellen já estava se afastando. Quando ele estendeu a mão para Wavy, ela aceitou.

KELLEN

Descendo no elevador para a garagem, Wavy encostou-se à parede oposta, olhando para o nada. Quando as portas se abriram no estacionamento de segundo nível, ela caminhou na minha frente para onde o caminhão estava estacionado. "Onde você quer ir?" Eu disse. "Você quer ficar no rancho com Sandy?" Wavy virou-se e deu alguns passos para trás para que pudéssemos olhar um para o outro. Ela apontou para mim. "Você quer ficar comigo? Ou você quer que eu fique com você?"


Ela assentiu com a cabeça. Eu sabia que ela ia dizer isso. E eu sabia que não iria dormir no sofá. Ao contrário de todos os outros, eu e Wavy já tínhamos ido à casa da fazenda e vimos o que Val tinha feito antes que batesse o carro. Quebrou pratos e espalhou alimentos em todo o chão da cozinha. Na sala de estar, mesa de café foi dividida em duas como se alguém tivesse saltado sobre ela. Uma das pernas do sofá estava solta e as almofadas foram cortadas. Largada no meio daquela bagunça estava uma seringa usada e um par de calcinhas rendadas. Val foi até mesmo nos quartos de Donal e Wavy, rasgou os lençóis das camas, quebrou brinquedos e rasgou livros da biblioteca. No caminho para a casa da fazenda, nós não falamos sobre o que fazer. Eu estacionei a caminhonete na garagem e fomos para o prado. A colcha estava bem onde deixamos, apesar de ter passado o dia no campo de feno. As duas latas de cerveja estavam quentes, mas eu abri uma e bebi. Wavy disse todas as estrelas, mas não conseguimos fazer um jogo disto. Depois que ela adormeceu, eu ainda estava acordado, ouvindo o silêncio, pensando sobre o que teria que fazer na parte da manhã. Enquanto Wavy varreu e esfregou, eu percebi que eu lancei as coisas que Val tinha destruído para a lata de lixo e as queimei. Fiquei pensando isto, imaginando o que precisava ser feito, porque isso foi tão longe como eu poderia pensar. Depois que limpamos a casa, eu não sabia o que faríamos em seguida.


12 DONAL Agosto 1982

Eu não me lembro de mamãe e eu acidentarmos, mas lembrei-me da briga da mamãe e tio Sean. Assim como ela fazia com o papai. Gritando e batendo e quebrando coisas. "Eu te odeio!" Mamãe continuou dizendo. "Cadê? Onde diabos está isso?" Tio Sean gritou. Ele caminhou nervosamente pela casa, arrancando as coisas, ainda pior do que mamãe fazia quando ela estava louca. Depois que ele saiu, mamãe disse: "Vou mostrar a ele." Eu estava escondido debaixo da cama, mas ela veio e me arrastou para fora e disse: "Coloque seus sapatos malditos. Nós estamos saindo." Então eu acho que nós fomos para um passeio e tivemos o nosso acidente, mas eu não me lembro disso. Eu tenho um gesso legal no meu braço e todos assinaram. Durante algum tempo, era apenas Wavy e Kellen e eu na fazenda, e eu gostei disso. Wavy estava mais feliz, e quando Kellen e eu fizemos piadas no jantar, ela riu em voz alta. Eu queria que todos nós dormíssemos juntos, mas Kellen era muito grande, então ele dormia na cama de Wavy e ela dormia comigo. Na maioria das vezes.


Então mamãe teve que deixar o hospital, e papai disse: "Eu quero que você venha morar comigo." Eu pensei que seria legal porque havia motos, cachorros e foguetes nos reboques. Talvez eu pudesse ter uma moto, também. Além disso, Wavy me fazia coisas boas. Aveia e feijão verde. Na casa de papai, Sandy me deixa comer Pop-Tarts e pizzas congeladas. Além disso, mamãe me assustou. Ela era uma pessoa diferente. "Espere," disse Wavy. Sua regra era Não fale com mamãe até que ela fale com você. Espere até saber que mamãe ela vai ser. Se mamãe dissesse: "Oh Deus, eu estou tão sozinha," era bom para mim abraçá-la. Se mamãe disse: "filho da puta sem valor. Eu vou mostrar a ele," é melhor você tomar cuidado. Mesmo Kellen não gostava de vir na casa quando ela estava assim, e ele era muito maior do que papai. Antes de mamãe vir para casa do hospital, Sandy me ajudou a arrumar minhas coisas. Nós embalamos roupas de Wavy, também, enquanto ela se sentou na cama, tocando sua colcha. "Podemos levar a colcha com a gente, querida." Sandy estendeu a mão, ficando pronta para fazer algo estúpido. Apenas Kellen e eu conseguíamos tocar em Wavy. E ela poderia bater forte. Rapaz, eu não queria ver isso. "Não toque nela," eu disse. "O que?" Sandy estava meio chapada então ela estava sendo boba. Wavy levantou-se e Sandy começou a dobrar sua colcha. "Não," disse Wavy. Quando Sandy não parou, Wavy disse alto: "NÃO." "Você não quer levar sua colcha?"


"Não é a colcha dela,", eu disse. Vovó, de quem eu não me lembro, fez a colcha para Wavy, mas eu sabia a regra. Nada lhe pertence. Eu conhecia a regra, mas eu não gostava dela. Minhas coisas eram minhas, como o canivete que o tio Sean me deu. Se alguém tentasse pegá-lo, eu iria socar. Sandy colocou a colcha de volta na cama e levou as outras coisas para o carro. Primeira coisa, quando chegamos, descendo a colina, eu mostrei a Wavy os filhotes na garagem. Estava tudo bem animais tocá-la. Ela os acariciou e os deixou rastejar no seu colo. Eu queria bombinhas, mas estava ficando quente lá fora, então eu disse: "Vamos ver televisão." Isso era outra coisa que não tínhamos na fazenda. Wavy tinha sua pequena TV com orelhas de coelho, que o trailer de Sandy tinha por satélite. Só que quando fomos para dentro, papai e Kellen e Butch estavam lá. "Ei, venha aqui, garoto," disse papai. Então ele viu Wavy. Ele gritou: "Sandy! Sandy!" Até que ela veio. Ela devia estar no chuveiro, porque ela tinha uma toalha em sua cabeça. "Que porra ela está fazendo aqui?" Às vezes eu pensava que papai não podia ver Wavy, mas ele apontou para ela. "Mas você disse que queria as crianças mudando para cá. Você…" "Eu disse, 'O garoto.' Donal. Não ela." "O que você quer que eu faça?" Disse Sandy. "Tire-a aqui. Leve ela de volta para a casa da fazenda." "Vou levá-la," disse Kellen. Após Wavy sair, eu não queria que fosse divertido viver no papai. Não era justo se eu me divertir e ela não. Mas havia cachorros, e, em seguida, papai me comprou uma


moto e me ensinou a dirigir. De qualquer forma, Wavy realmente não queria viver lá, e eu ainda consigo vê-la. Às vezes, ela vinha com Kellen, e às vezes ela esgueirou-se para me ver. Algumas manhãs, antes de qualquer outra pessoa acordar, ia através do prado para a casa da fazenda. Isto era o melhor.


13 KELLEN

Muitas vezes eu queria bater em Liam, mas nunca tão mau como eu quis quando ele disse para Wavy sair. Todo o rosto dela ficou branco, e ficou assim até nós sairmos para a garagem da frente. Ela fez uma careta quando viu a Willys. "A moto está na loja," eu disse. "Eu cansei dela sendo golpeada. Nós vamos ter que andar na caminhonete por um tempo." Wavy arrastou os pés, mas ela deixou-me pegar sua mão e ajudá-la a subir na caminhonete. "Você sabe, esta é a caminhonete do velho Cutcheon. Boa caminhonete. Além disso, tinha a mesma idade de seu filho. Ele acha que é boa sorte. Ele vendeu-me isto há alguns anos atrás, quando seu filho nasceu, e comprou para ele aquele Ford novo. Ele ainda é orgulhoso deste Willys, embora. Diz que nunca quebrou com ele." Ela sabia tudo sobre a caminhonete; Eu só estava tentando preencher o silêncio. "Você não gostaria de viver nos reboques de qualquer maneira. É barulhento e eles fumam. Deixa o lugar fedendo. Você não gostaria disso." Quando me virei para ir até a estrada da fazenda, ela disse: "Não." Eu não podia culpá-la por não querer ir até lá. Val deitada na cama, com uma enfermeira lá – era algo estranho. Virei e dirigi pelo caminho que pegávamos ao redor do lago com a moto, mas não era o mesmo na caminhonete. Eu fiquei triste que eu tinha


vendido o Barracuda, embora eu fiz bom dinheiro com isso. Insatisfatório momento da minha parte. Uma vez que atingimos os limites da cidade de Powell, havia apenas duas opções: a minha casa ou a loja. "Existe algum lugar que você queira ir, Wavy?" Depois de um segundo, ela apontou para mim. "Sim, nós podemos ir para minha casa." "Morar com você," disse ela. "Você não pode morar comigo." Ela praticamente tinha enquanto Val estava no hospital. Isso tinha que acabar agora. Eu não sei mais o que dizer, então eu dirigi para minha casa e entrei na garagem. Wavy caiu para trás em seu assento, olhando para fora do para-brisa no tapume de amianto na garagem. Ela parecia tão pequena e cansada, como minha mãe antes de morrer. "Não sou eu, Wavy. Outras pessoas não gostariam que você morasse comigo, desde que eu não sou sua família. Talvez você pudesse ir viver com sua tia. Eles são sua família." Isso fazia um bom sentido, mas era a última coisa que eu queria. Tulsa era longe, e a forma como sua tia olhou para mim, não era como se eu fosse capaz de visitar Wavy lá. Mas talvez as coisas fossem melhores para ela sem mim. Talvez ela pudesse ter uma vida regular com pessoas boas. "Bem, se nós..." Quebrei a cabeça tentando descobrir alguma coisa. Havia o quarto de hóspedes. Eu poderia colocar o banco de peso na garagem. Colocar uma cama lá dentro. Só que não corrigia o problema real. Sua vida comigo.


"Casar," disse ela. Se ela tivesse ouvido o que Liam disse no hospital? Cara, eu esperava que ela não acreditasse nesta porcaria sobre mim brincando com Val. "Se quem casar?" Eu disse. Ela apontou para mim e, dessa forma lenta que ela tinha, trouxe seu dedo de volta para seu peito. Eu não poderia evitar. Eu ri. Não porque eu pensei que fosse engraçado, mas porque eu estava chocado. Ela olhou através de mim, como se eu não estivesse lá. Ela não estava brincando, e eu gostaria de poder retirar isto. "Eu não estou rindo de você, querida. Você me surpreendeu é tudo. Eu não esperava você dizer isso." Ela não fez um som. Ela ia me fazer responder a ela. "Você sabe que não pode se casar." "Por quê?" "Eu não acho que Liam gostaria disso." Ela encolheu os ombros, porque era um motivo estúpido. Liam tinha expulsado ela. "Eu seria uma boa esposa," disse ela. "Eu sei que você seria uma boa esposa. Eu gosto de sua comida e você limpa a casa e você sabe como manter os livros. Quer dizer, se fosse apenas sobre isso, ou sobre mim querer estar com você, com certeza, mas você é muito jovem para se casar." Ficar na casa da fazenda com Wavy e Donal foi algo perto de brincar de casinha, exceto que Wavy não brincava com as coisas. "Aqui está a coisa: em algumas semanas você começa a escola, certo? Deixe a casa pelas sete, quando Val ainda está dormindo. Depois da escola, você pode ir para a minha


casa ou para a loja. Fique lá até a hora de fechar. Então podemos jantar, você pode fazer sua lição de casa, assistir TV, e eu vou levá-la até a casa da fazenda antes de dormir." Wavy não respondeu. Sem aceno, sem encolher de ombros, nada. "Ei," eu disse. "Ei." Pela primeira vez, eu estendi a mão e toquei seu cabelo sem esperar por algum tipo de convite. Mesmo isto não me deu uma reação. Ela não inclinou para mim e ela não me afastou. Tinha que haver alguma coisa para fazer minha oferta ser aceita e sentado lá olhando para a porta dos fundos da minha casa, eu pensei nisso. Liguei a caminhonete e segui para a loja de ferragens. Chegamos lá um pouco antes de ser fechada. Eu dei a volta na caminhonete para o lado de Wavy e quase a derrubei na calçada por causa da forma como ela estava encostada na porta. "Vamos, temos que conseguir algumas coisas," eu disse. Ela veio atrás de mim, arrastando os saltos de suas botas novas. Enquanto eu fui à procura de um funcionário, ela estava no corredor principal da loja, olhando através de um expositor de cera de carro. Quando voltei, ela ainda estava fazendo isso. Eu tinha a sensação de novo, que eu atacaria como um animal selvagem. Só que em vez de uma jovem corça, ela era como uma raposinha que eu vi uma vez, atingida no lado da estrada. Morrendo, mas ainda de pé. A chave na minha mão estava quente fora do moedor, cheirava a grafite. "Isto é para você. Então você pode ir para a minha casa qualquer hora que quiser, se eu estiver lá ou não. Apenas outra pessoa tem uma chave da minha casa é o velho Cutcheon, mas isso é assim, você sabe, se algo me acontecer."


Eu segurei a chave para Wavy, mas ela apenas olhou para ela. Se ela não iria pega-la, achei que isso significava que ela tinha terminado comigo. Eu não estava pronto para chegar a esse ponto, e assim eu continuei falando. "Eu comprei essa casa há três anos. Sr. Cutcheon me avalizou para um empréstimo. Se eu puder fazer mais alguns negócios como com o Barracuda, e com o dinheiro extra vindo de Liam, eu acho que vai ser paga em dois anos. Não é nada extravagante, mas é a minha casa. Onde eu não tenho que aturar tretas de ninguém. É por isso que eu estou te dando isso. Por isso, pode ser a sua casa, também. Então você pode ter um lugar para ir. Mesmo que você não possa viver comigo, este outro quarto é para você. Vou limpá-lo, por isso vai ser a sua casa." Finalmente, ela pegou a chave, apertou-a firmemente em seu punho, e depois deixou-a cair dentro da sua bota. Deixando a loja de ferragens, perguntei-lhe onde ela queria ir. "Casa," disse ela. Eu queria que não fosse a casa da fazenda, mas foi. Quando chegamos lá, um carro estranho estava estacionado na garagem. Uma van Buick 72. A enfermeira. Eu desliguei o motor, mas antes que eu pudesse abrir a porta, Wavy puxou as chaves da minha mão e colocou-as de volta na ignição. "Você não quer que eu entre?" Eu disse. Ela balançou a cabeça. "Eu sei que você está chateada, mas você pelo menos me dá um beijo?" Eu disse. Ela abriu a porta, saiu, e subiu os degraus da varanda, sem olhar para trás. Sentado ali, tentando decidir o que fazer, eu vi sua resposta. Ela tinha escrito MENTIROSO na poeira no painel Willys.


Eu senti como se tivesse levado um chute no estĂ´mago. NĂŁo como ela me chutou, mas como a vida tinha me chutado. Chutou ela, tambĂŠm, enquanto estava com isto.


PARTE TRÊS


1 PATTY Setembro 1982

Houve várias atribuições de enfermagem residencial, onde Patty sentiu que era um membro da família, mas os Quinn foram o primeiro trabalho que a fez se sentir como um paciente no hospício. Quando ela chegou à casa, a única pessoa lá além da paciente era Casey, a enfermeira do dia. "Ninguém estava aqui. Quando a ambulância e eu chegamos com a senhora Quinn, a porta dos fundos estava destrancada," disse Casey. Ela era uma daquelas pessoas alegres, e ativas que acompanhavam pacientes feridos fora da cama e na fisioterapia deles. A casa era mais limpa do que Patty tinha esperado. O exterior não foi pintado em anos, mas os pisos foram esfregados e o banheiro cheirava a agua sanitária. Havia lençóis sobre a cama e pratos limpos no armário. Ela sabia que havia crianças - um menino que foi ferido no acidente e uma garota mais velha - mas não havia nenhum sinal deles. O quarto da Sra. Quinn era o da frente, saía para a sala de estar. O outro quarto saía para a sala de jantar. Havia uma cama de tamanho normal lá. Nada de brinquedos ou roupas infantis, apenas algumas marcas de lápis na parede atrás da cama.


Depois que ela deu a Sra. Quinn sua próxima dose de medicação para a dor, Patty aventurou a subir as escadas estreitas para o sótão. Lá, ela encontrou uma cama com uma colcha artesanal nela. Apenas a luz emitida pelas estrelas no teto sugeriu que era um quarto de criança. Já estava escuro quando um veículo parou em frente. Depois de alguns minutos a porta traseira se abriu, e Patty chegou à cozinha apenas quando uma menina loira entrou e bateu a porta. "Oi. Eu sou Patty. Eu sou a enfermeira da noite que está aqui para cuidar de sua mãe. Qual o seu nome?" A menina deu dois passos cautelosos para a cozinha. "Está tudo bem, querida. Será que o seu pai lhe disse que uma enfermeira estava vindo? Estou aqui para ter certeza que ela tome sua medicação e fique melhor." A menina se moveu para o outro lado da mesa, e ocorreu a Patty que ela estava planejando sair correndo dela. A porta traseira se abriu novamente e um homem grande, com cabelo preto gorduroso entrou. Ele olhou para Patty por um instante antes de seu olhar seguir para a menina, que se virou e subiu as escadas correndo. "Wavy. Droga, Wavy!" O homem foi atrás dela, gritando: "Você não pode simplesmente dizer algo assim. Sobre o que eu menti para você?" Ele subiu as escadas rapidamente, e Patty ouviu seus passos e sua voz sobressair, mas nada da garota. Eles estavam lá por quase duas horas, muito além do que deveria ser a hora de dormir da menina. Várias vezes, Patty considerou subir para verificá-los, mas cada vez, ela se convenceu que era melhor esperar. Eventualmente, o homem desceu as escadas lentamente. Ele parecia assustado por encontrar Patty sentada na mesa da cozinha com uma xícara de café na frente dela. Ela


não deixou que isso a incomodasse. Às vezes, ela tinha que cuidar de si mesma. Levantando-se, ela estendeu a mão. "Olá. Eu sou Patty Bruce, a enfermeira da noite que o Sr. Quinn contratou para cuidar de sua esposa." "Desculpe sobre o tumulto. Eu espero que nós não acordamos ela." Ele apertou a mão dela. "Eu sou Jesse Joe Kellen. Eu sou um amigo da família." "É a filha da Sra. Quinn?" "Sim, aquela é Wavy. Ela está um pouco chateada." "Não é incomum. Tendo uma mãe gravemente ferida pode ser muito preocupante para as crianças. Eles não estão acostumados a ver seus pais indefesos." Ele balançou a cabeça e distraidamente levou uma mão para alisar o cabelo que estava preso em um rabo de cavalo. "Eu realmente sinto muito por me intrometer aqui. Existe alguma coisa que você precisa? Eu estarei de volta na parte da manhã para pegar Wavy, então eu posso lhe trazer qualquer mantimento que você precisar. E Wavy lavou a roupa, então há toalhas limpas." "Sabe quando o Sr. Quinn está vindo?" "Bem, ele… ele não vive aqui realmente. Ele vive descendo a colina. Você sabe onde você passa aquela outra estrada, onde há alguns trailers?" "Devo entender que Wavy estará aqui sozinha esta noite?" "Não, se você está aqui," disse ele. "Eu não digo isto para ser rude, mas meus deveres não incluem cuidados infantis." Sr. Kellen riu.


"Wavy não precisa de uma babá. Ela vai sozinha para cama, faz seu próprio café da manhã. Seria melhor se você não a incomodasse." "Incomodá-la?" "Basta fingir que ela não está aqui. Se você ouvi-la levantar-se no meio da noite, não venha verifica-la. Ela gosta de ser deixada sozinha." Patty estava tão confusa, ela não conseguia pensar em nada para dizer. Ela empurrou os óculos no alto da cabeça e esfregou os olhos, sentindo uma dor de cabeça chegando. Enquanto fazia isso, Sr. Kellen saiu pela porta da cozinha. Pensou em ir atrás dele, mas parecia inútil. Depois que ela verificou a Sra. Quinn à meia-noite, Patty entrou na sala e deitouse sobre o que parecia ser um sofá novo. Ela deve ter cochilado, porque ela acordou com o som de alguém na cozinha. Olhando para o quarto da Sra. Quinn, Patty encontrou-a ainda dormindo, ou o mais próximo de dormir com a medicação para a dor que ela trouxe. Por um momento, uma luz brilhou na cozinha, a geladeira sendo aberta e fechada, mas caso contrário, era tudo escuridão. Em seguida, um armário se abriu e um prato tilintou suavemente sobre a bancada. Era a garota comendo? A essa hora? No escuro? Ou ela era sonambula? Do outro lado da porta havia um vai e vem, Patty estava prestes a chamar o nome da garota, quando ela se lembrou do aviso secreto do Sr. Kellen: se você ouvi-la levantarse no meio da noite, não venha verifica-la. Não havia um conto de fadas com um aviso assim? Bela e a Fera? Barba Negra? Depois de alguns minutos, a garota voltou a subir as escadas e resolveu o dilema de Patty.


Na parte da manhã, quando Casey estava chegando, a garota desceu já vestida. Casey disse: "Então, esta deve ser Wavy. Se conheceram na noite passada?" "De uma certa forma nós fizemos," disse Patty. De fora veio o som de uma buzina de carro. Mais uma vez, Wavy deslizou ao redor da mesa, manobrando sua fuga, e Casey e Patty seguiram ela até a porta da cozinha. Uma caminhonete velha estava na garagem. Sr. Kellen abriu a janela e gritou: "Sinto muito! A moto vai demorar um pouco, ok?" Wavy desceu rapidamente as escadas e entrou no caminhão. "Menina estranha," disse Casey. "Você não tem ideia." Patty contou-lhe tudo, mesmo que isto a fez ultrapassar uma hora do seu turno. Ela precisava comparar as notas com alguém, e conversando com Casey todos os dias, pelo menos, a convenceu de que ela não era a única pessoa que pensou que a família era estranha. De acordo com Casey, não havia muito para saber sobre o turno do dia. Sra. Quinn dormiu a maior parte das duas primeiras semanas, e nunca disse nada, exceto para reclamar sobre a dor que ela sentia. E para perguntar onde seu marido e seus filhos estavam. "O que eu devo dizer a ela? Eu não vi o marido desde que ele me contratou, eu nunca vi seu filho e sua filha chega em casa tarde todas as noites com um gigante motoqueiro." "E ela não passa a noite toda aqui, também," Patty ofereceu. "Você está falando sério?" "Tenho certeza que ela foge à noite."


"Quanto anos ela tem? Treze? E ela foge à noite?" Disse Casey. "Algumas vezes ela não voltou para casa também." "Você contou para alguém?" "Bem, eu disse à senhora Quinn. Ela disse: 'Ela está provavelmente com Kellen.' Acho que isso é bom o suficiente para ela." "Santo Deus. Você já pensou em falar com Marjory?" Marjory era o supervisor delas, e a sugestão irritou Patty. Casey estava ansiosa para Patty ir até Marjory com isto, mas Casey não faria. Dessa forma, se os Quinn dissessem: "Como você se atreve acusar nosso querido amigo da família," Patty seria a única que tinha feito a acusação. Se Patty não denunciasse isto, e algo impróprio estava acontecendo, Casey poderia sempre dizer: "Por que não disse a alguém?" "Então, o que mais você já reparou?" Disse Casey. "Wavy foge para a cozinha à noite e come, mas honestamente, eu fui conhecida por fazer isso." Casey riu, e Patty estava feliz que ela não tinha dito a outra coisa que ela não conseguia parar de pensar. A noite Kellen tinha ido até o quarto de Wavy e discutiu com ela, havia uma frase que ela tinha ouvido. "Eu te amo," ele disse, sua voz retumbante através do chão. "Eu te amo completamente." Não é o tipo de coisa que um amigo da família, diz a uma garota de treze anos de idade. Agora já era tarde demais para dizer a Casey, quem iria querer saber por que Patty não tinha mencionado isto imediatamente.


2 WAVY

A moto era bonita, as estrelas espalhadas sobre os para-lamas e contornando ao redor do tanque de combustível em um campo de azul brilhante profundo, como de agosto, quando a lua estava escura. Não importa o quanto ele me provocou, Kellen colocou as estrelas no caminho que elas deveriam ser. Cassiopeia e Cepheus no centro e o resto delas caindo pelas laterais. Espremida sob a coxa de Kellen enquanto ele andava estava Orion, as três estrelas do seu cinto brilhando. Cada estrela era um pequeno pedaço de folha de prata selado para o tanque de combustível sob o esmalte claro. Olhando para isto, meu coração doía tanto que eu quase não conseguia respirar. Não porque a moto era bonita, mas esperando que fosse para mim e sabendo que poderia não ser. Nada pertencia a mim, mas a regra não me mantinha de querer Kellen ser apenas para mim. Eu coloquei minha mão sobre o tanque e tentei sorrir, mas havia muitas coisas quentes presas em minha boca. Kellen cheirava a loja, então eu sabia que ele tinha acabado de terminar a moto. Ele tinha vindo direto para a escola para mostrar isso para mim logo que estava pronto, e esperou no estacionamento até que eu saí. "Você gostou?" Disse ele. Eu balancei a cabeça uma vez, para dizer: "Sim, é linda."


Pela maneira como ele trocou de pé, querendo tocar o meu cabelo, mas não fez, eu sabia que ele achava que minha resposta foi pouca. "Eu usei aquele livro que você me deu para me certificar de colocá-las no lado direito. Elas estão certas?" Eu balancei a cabeça novamente. "Então, você gosta dela, mas você ainda está com raiva de mim?" Descansando a mão no assento, ele se inclinou e soprou sobre mim. Eu amei isso. Sua respiração estava quente e com cheiro de menta. Ele precisava que eu falasse, porque seu coração estava ferido, também. Eu não queria ser má, mas, às vezes, era perigoso abrir minha boca e deixar as palavras saírem. Outras vezes, minha garganta fechava-se tão apertado que as palavras não poderiam sair. Olhando para a Panhead, em todo o trabalho que ele fez, as palavras presas na minha garganta não eram agradáveis. Eram palavras para dizer, eu não gosto disso, se você vai deixar garotas com tatuagens de cobra andar nela. Eu sabia que estava quebrando a regra, mas eu coloquei minha mão sobre o assento ao lado da dele. Era um novo assento, alto atrás no lugar do passageiro. "Meu," eu disse. "Sim, esse é o seu lugar, Wavy. Eu amo quando você anda comigo. Lamento que demorou tanto tempo para pintar, mas isso é ... Eu nem sei quantas camadas de esmalte. E eu queria que fosse uma surpresa, mas conseguir todas essas pequenas estrelas no lugar certo foi uma cadela sem você para me dizer onde elas ficavam." "Só minha." Eu não me importava se era contra as regras. "Só você?" Ele se endireitou e a luz do sol caiu sobre o meu cabelo, onde ele tinha me protegido. "Oh. Oh. Vamos lá, coloque o seu capacete e vamos andar nessa coisa."


Isso era outra coisa que eu amava, a maneira como ele passava a perna por cima da moto, ligava com um chute sólido, e estabelecia seu peso sobre ela. Mas a moto não era para mim. Haveria outras garotas. Garotas com tatuagem de cobra. Garotas perfumadas que ele emprestava sua jaqueta. Eu queria que a moto não fosse tão bela. Eu desejei que ainda fosse cinza ou chamas verdes e amarelas como o dia em que ele acidentou. Eu desejei não me sentir tão bem em andar atrás dele com meus braços em torno dele. Eu não queria aproveitar o caminho que o vento fazia em torno de mim e puxava meu vestido. Isso me acalmou e eu não queria ficar aliviada.


3 SENHORITA HUMPHRIES

Isso já havia acontecido com bastante frequência nos últimos quarenta anos que a senhorita Humphries tivera uma resposta ensaiada. Devido à proximidade da loja para o tribunal do condado, uma ou duas vezes por mês, um homem desalinhado entrava e dizia: "Eu preciso comprar um anel de casamento." Este padrão seguiu: um grande homem de calça jeans manchados de graxa e botas de engenheiro, antebraços tamanho presunto coberto de tatuagens. Ele parecia nervoso, não fazia muito contato visual. Às vezes, como neste caso, o homem tinha uma filha com ele. Talvez uma futura enteada. Ela era muito velha e muito loira para ser filha dele. Antes que eles pudessem dar mais do que alguns passos para dentro da loja, senhorita Humphries oferecia seu sorriso mais afetuoso, que se destina a tranquilizar. Então ela disse: "Você sabe, há uma pequena farmácia na Décima Quarta com a Mohawk. Eles vendem anéis simples de bandas a um preço muito razoável." Ela nunca foi rude, mas ela considerou uma bondade dissuadir as pessoas de envergonhar-se. "Não é uma banda," disse o homem. "Um anel de verdade. Um anel de diamante." "Bem, nós temos uma variedade de anéis de noivado. Neste caso, eu tenho alguns anéis simples e elegantes, começando de meio quilates ao diamante." "Venha ver, querida. Eu quero que você escolha."


A garota se aproximou do visor e nas luzes brilhantes destinadas a fazer as pedras brilharem, ela não era o que a senhorita Humphries esperava. Não uma garota suja, do tipo que geralmente acompanham os homens desalinhados. Suas bochechas estavam rosadas e seu cabelo se agarrou a seu couro cabeludo não porque ele precisava de ser lavado, mas porque era muito liso. Ela usava um vestido azul pálido com alfinetes pregados na frente e botas de motoqueira. Senhorita Humphries odiava limpar as impressões digitais do lado de fora dos expositores de vidro, mas a garota não tocou no armário de exposição. Ela estava com as mãos na cintura e olhou para dentro. "Ou se você está procurando algo incomum, meu irmão, ocasionalmente adquirimos joia de herança. Temos alguns belos anéis antigos neste caso." Afastando do balcão, a garota olhou para aquele expositor. Seu padrasto seguiu, olhando para ela, mas não interferindo. Os homens desalinhados normalmente ficavam desconfortáveis até então, tendo vislumbrado o preço ocasional, mas ele parecia mais à vontade agora. Senhorita Humphries aceitou a sugestão dele e não disse nada, mas ela reconheceu o momento em que a garota encontrou algo que ela gostou. Seu olhar aguçado e ela se inclinou para frente. Talvez todas as mulheres nasceram com aquela atração para anéis de diamante. Um instinto natural. "Qual deles você gosta?" Disse senhorita Humphries. Havia alguns anéis de preços mais baixos no estojo de herança. Lascas de diamante em delicados arranjos vitorianos de dez quilates. Mais do que um anel de banda de ouro de vinte dólares da farmácia, mas sob duas centenas de dólares. O pai da garota inclinou a cabeça para olhar no estojo.


"Eu vejo qualquer um. Como são chamados, aqueles que se parecem com estrelas?" Disse ele. "Safira estrela." Ela conhecia o anel e isto quebrou seu coração que a garota tinha escolhido um anel tão lindo para sua mãe. Algo que seu futuro pai não seria capaz de pagar. Normalmente, nesse ponto, a senhorita Humphries indicava o preço antes de abrir o estojo. Aquilo livrava os mais persistentes, que diziam: "Isso é um pouco mais do que eu estava procurando gastar." A garota estava respeitosa e à tarde foi tranquila, portanto senhorita Humphries pegou as chaves de seu pulso e abriu o expositor. "É vitoriano, final do século XIX. O diamante é natural, um pouco mais de um quilate, E na cor, sem inclusões visíveis a olho nu, rodeado por cinco safiras naturais, cada um décimo de quilate." Ela disse tudo isso pelo prazer de dizer, consciente que nenhum deles entendeu o que isso significava. Quando ela colocou o anel no tapete de veludo, ela teve o cuidado de virar a etiqueta de preço com seu mindinho, para que ele ficasse exposto. A garota levantou-se na ponta dos pés para olhar o anel. Depois de um momento, ela olhou para o homem. "Este?" Disse ele. Ela assentiu com a cabeça. "Isso é o que nós queremos então. Você pode ajustá-lo, certo?" "Sim, é claro que pode ser dimensionado. Sabe qual é o tamanho que você precisa?" "Seja qual for o tamanho que ela use. Eu não sei como você mede isso." Somente quando a garota estendeu a mão fez senhorita Humphries entender que o anel era para ela. Para ocultar sua surpresa, senhorita Humphries virou-se e apanhou os anéis de dimensionamento. Ela se atrapalhou com eles, não tendo certeza por onde


começar. Normalmente, ela começava com o tamanho seis. A mulher média estava em algum lugar perto disso, mas para uma criança? Ela estendeu o tamanho quatro, mas engoliu o dedo da menina. O tamanho três ainda estava solto. O dois, o um, e o de três quartos permaneceram, mas eles eram problemáticos. "O dilema aqui,” disse senhorita Humphries, "é a largura da definição. Vou verificar com o meu irmão, mas eu me preocupo que qualquer coisa menor que três exigiria a definição de ser curvada para caber no anel. Claro, ela vai crescer e o ajuste teria que ser refeito para permitir o anel ser redimensionado. Suponho que, se nós colocarmos o quatro, e colocar um calibrador de plástico isto pode funcionar. Em seguida, o calibrador de plástico poderia sair quando ela estiver um pouco maior. Depois este anel terá de ser redimensionado novamente." Ela estava conversando e ela não podia parar. O dilema, ela queria dizer, é que as pessoas não compram anéis de noivado para as crianças. "Qualquer coisa que vai funcionar," disse o homem. "Quanto tempo vai demorar?" "Oh, eu acho que poderia estar pronto até sexta-feira." Ele e a garota pareciam desapontados, mas ele balançou a cabeça. Senhorita Humphries escreveu o bilhete em uma mão anormalmente torta para ela, olhando para eles enquanto ela fazia isso. Eles não se tocaram, mesmo por acidente. A garota estava de pé com as mãos atrás dela. Ele manteve um polegar enganchado em um passador do cinto e a outra mão no bolso. Quando a senhorita Humphries colocou o bilhete no balcão, ele tirou a mão do bolso, retirando um maço de notas presas com um elástico. Ele tirou a faixa de borracha e começou a contar as notas de cem dólares. Ela sentiu a correção por ter assumido que ele não poderia pagar o anel.


"A taxa de redimensionamento será ajustado, pois o excesso de ouro será removido. Depois que for pesado, vamos reembolsar essa quantia." Ela viu as notas se acumularem, e quando ele terminou, ela colocou-as na gaveta de dinheiro. "Você me deu a mais." "Isso é para você, por ser tão boa," disse ele. "Eu, bem, isso não é…" "Ele estará pronto na sexta-feira?" "Sim." "Obrigado." Um momento depois, eles estavam do lado de fora, deixando-a olhar para a nota de cem dólares. Em mais de quarenta anos atrás do balcão de joias, ela nunca antes tinha recebido gorjeta.

***

Quando o homem e a menina voltaram na sexta-feira, Clifford estava no balcão. Ele estava prestes a fazer seu próprio discurso de desânimo menos diplomático, mas a senhorita Humphries interveio. "Ah, você está aqui," disse ela com a mesma voz brilhante que ela tinha usado antes para tentar mandá-los embora. "Clifford, eles estão aqui para o anel redimensionado com as safiras." Seu irmão levantou a sobrancelha, mas levantou-se rigidamente e foi para o quarto dos fundos. Ele havia dito mais do que algumas palavras de escolha sobre o redimensionamento do anel de noivado de um adulto para caber numa criança.


Quando ele voltou com o bilhete e caixa de apresentação de veludo, ele ainda tinha sua sobrancelha para cima. Pior, ele ficou de pé e cotovelou a senhorita Humphries enquanto ela contou o reembolso pelo ouro retirado do anel. Isso a fez feliz que ela não tinha mencionado o dinheiro extra que tinha ido discretamente para sua bolsa em vez do caixa. "Bem, nós devemos nos certificar de que ele se encaixa?" Ela disse depois que ela fechou a gaveta de dinheiro. Agora que chegou o momento de abrir a caixa, senhorita Humphries não sabia como proceder. Normalmente, quando era um anel regular, ela colocava-o sobre o tapete de veludo para o cliente experimentar. Quando era um anel de noivado, o homem normalmente abria a caixa, e às vezes eles tinham um pouco de improviso pré-casamento ali mesmo na loja. Senhorita Humphries adorava aqueles momentos, quando a mulher tem um olhar sonhador e o homem parecia emocionado e ligeiramente apavorado. Foi o mais próximo que ela já chegou ao romance fora de uma sala de cinema. Ela passou a caixa para o homem e, depois de uma hesitação momentânea, ele abriu-a e tirou o anel. Parecia ridiculamente pequeno comprimido entre o polegar e o dedo indicador dele. A garota não hesitou. Ela estendeu a mão e ele colocou o anel em seu dedo estreito. O cenário era muito grande para a mão, mas o calibrador de plástico tinha feito o truque para o anel. Isto acabou por ser um daqueles momentos que a senhorita Humphries amou. A garota olhou para o anel em seu dedo e para o homem com os olhos cintilantes. Ele parecia nervoso, mas feliz. Eles não eram pai e filha. Romance. Por bem ou por mal.


Quando o homem se inclinou sobre a garota, senhorita Humphries pensou que ele iria beijá-la. Em vez disso, ele disse: "Agora você sabe, está bem? De agora em diante, só você. Eu prometo." A menina assentiu. Seu olhar foi para senhorita Humphries e ele corou. "Obrigado." "Obrigado. Espero que ela goste do anel. Não se esqueça de sua caixa, querida, e estou enviando-lhe um produto para limpar joias, também." Num impulso ela alcançou debaixo do balcão para isto. "As safiras são delicadas e precisam ser devidamente limpas." Depois que eles foram embora, Clifford disse: "Há algo de muito errado aí. Eu gostaria que você tivesse falado comigo antes que você vendesse o anel para eles." "E o que você teria feito? Ele pagou em dinheiro." Indo para a janela da frente, senhorita Humphries olhou para fora. Do outro lado da rua, os dois estavam ao lado de uma moto, a garota sorrindo enquanto ela colocava seu capacete. Depois que ela subiu na moto, o homem abaixou a cabeça e, em seguida, então ele a beijou.


4 CUTCHEON

Jesse Joe voltou para a loja com Wavy, ela parecendo feliz por uma mudança. A garota naquela idade não deve ter tantos problemas, mas ela tinha. Olhando para isto dessa forma, eles dois foram feitos um para o outro. Ele tinha sofrido seus momentos de dor. Naquele dia, ambos estavam sorrindo. "Bem, você está com certeza em um ótimo humor," eu disse. Achei que ela faria o que ela sempre fez. Dar-me aquele sorriso tímido e afastar como um gato assustado. Mas não, ela valsou ali mesmo e estendeu a mão como se ela fosse a rainha da Inglaterra. Em seu dedo estava um anel de diamante. Maior do que o que minha Paola usou durante quarenta anos. "Isso é um anel de verdade. Onde você conseguiu isso?" Dane-se se ela não abriu a boca e disse.: "Kellen e eu vamos nos casar." Ele tinha aquele olhar inquieto sobre o rosto e disse: "Eu não sei se é melhor você dizer às pessoas isto, Wavy." Ela franziu o cenho para ele, então eu sabia que eles iam ter uma conversa quando estivessem sozinhos. Em vez de irem para o escritório, no entanto, ele mudou de ideia e eles voltaram para a moto e foram embora.


Ele voltou uma hora mais tarde sozinho e entrou no escritório. Segui-o, apenas querendo falar com ele sobre o cortador de grama do Lewiston, mas Jesse Joe fechou a porta, então Roger não iria nos ouvir. Então ele sentou-se na cadeira e me deu um olhar duro. Eu não sabia como me sentir sobre isso, porque eu não acho que parceiros de negócios deveriam dar um ao outro olhares daquele tipo. "Antes de começar, meu velho, eu não vou casar com ela." "Bem, ela pensa que você vai. Não sei se você notou isto." "Não é o que parece. Eu não sou esse tipo de cara." "Eu não disse uma palavra." "Não, você acabou de vir aqui e me dar aquele olhar," disse ele. "Agora, veja aqui, eu não lhe dei nenhum olhar. Seu negócio é o seu negócio." Eu podia ver que ia ser um tempo antes que nós conseguíssemos falar sobre o cortador de grama, então eu estacionei meus velhos ossos na outra cadeira. Jesse Joe alcançou a caixa de gelo e tirou duas cocas, deslizou uma para o outro lado da mesa para mim. Sua maneira de se desculpar. "Você sabe," eu disse. "Eu casei com Paola quando ela tinha quatorze anos. E eu tinha vinte e seis. Seus pais tiveram onze filhos e eles estavam contentes por ela ter conseguido se estabelecer." "Aqueles foram dias diferentes, Sr. Cutcheon. Eu não suponho que você poderia casar com uma garota de quatorze anos de idade nos dias de hoje." "Isso pode ser. A única coisa é, por que você comprou a ela um anel se você não está pensando em se casar com ela? Você fazendo desse jeito vai quebrar o coração dela." Agora eu não tentei fazer ele se sentir culpado, mas as mulheres são sensíveis sobre essas coisas. Especialmente as mulheres de treze anos de idade. Senhor, minha


filha mais velha, quando ela tinha dez anos você não poderia dificilmente provocá-la sobre nada antes dela gritar e dizer: "Pare de me tratar como uma criança!" "Eu a amo," disse ele em voz baixa. "Eu quero cuidar dela." "Eu posso ver como ela confia em você. E isso não é uma coisa pequena para uma garota como ela." A verdade era que ela cuidava dele tanto quanto ele cuidou dela. Houve algumas vezes quando era mais jovem que eu pensei para mim mesmo, um destes dias, ele não vai aparecer para trabalhar, porque ele vai estar em casa com uma arma em sua boca. Eu tinha um tio que fez isso. Jesse Joe era um homem com um traço profundo de solidão, até que Wavy apareceu. "Ninguém mais cuida dela," disse ele. "Sua gente são ..." Os pais dela eram problemas. Nunca vi nada para corrigir isto em minha mente como certo, mas eu tinha uma suspeita que Liam Quinn estava em alguns negócios ruins. "Isso é como foi para Paola. Seus pais não poderiam alimentá-los, e com o Exército mandando para casa, eu não podia deixá-la na Itália passando fome. Eram dias escuros após o Armistício6. É por isso que você precisa prestar atenção a si mesmo. Se não há mais ninguém cuidando daquela garota, ela deve ser capaz de contar com você." Parecia um velho homem dando conselho que ele não esteve pedindo. "Ela pode contar comigo," disse Jesse Joe. "Então você não pode estar fazendo promessas a ela se você não pretende manter. Se você não pretende se casar, por que você disse a ela que você estava?" "Porque eu a amo e eu quero que ela saiba que eu quis dizer isso. E eu sei, que dizendo que eu a amo, isto é uma coisa, e o anel é todo uma outra coisa, mas isso é o que 6

Trégua entre as partes durante uma guerra.


ela queria. É um grande negócio para ela. Para mim também. É por isso que eu compreilhe um anel bonito. Não alguma peça barata de merda." "Quanto você gastou, se você não se importa que eu pergunte?" Eu pensei que tinha ultrapassado, mas era difícil dizer com ele. Ele era o tipo do homem que vêm trabalhar no dia do funeral de sua mãe e nunca disse uma palavra. Ele levantou, fez-me pensar que eu tinha ido longe demais, porque ele era um grande homem. Ele não mudou aquela magnitude menos que ele tinha que fazer. Era como assistir a um urso levantar-se sobre as patas traseiras, um homem inteligente pensaria em fazer-se escasso. Tudo que Jesse Joe fez foi retirar sua carteira, atirar um recibo sobre a mesa, e sentar de novo. Inclinei-me e dei uma olhada. Mais do que dois mil dólares. "Bem, eu não acredito que eu fiz isso justo quando eu disse que era um lindo anel." "O mesmo que eu paguei por minha Panhead." "É uma boa moto." Ele riu, me imaginando um velho homem supersticioso, mas era boa sorte, ele ter uma moto com a mesma idade que ele. "Pagar pelo anel parece não ter te deixando tão feliz quanto isso a deixou," disse ele. "Iria fazer você feliz, também, se você deixar. Não há nada de errado com o pensamento de você se casar com ela um dia. Eu sabia que ia casar com Paola na primeira vez que eu a conheci, e ela tinha apenas treze anos. Eu não toquei nela até que estávamos casados, mas eu sabia.” A verdade era que brincamos um pouco, mas não muito, porque Paola era uma boa católica.


"Eu só quero que Wavy entenda que eu vou estar lá para ela. Eu não acho que ela vai crescer e querer casar comigo. Por que ela iria?" "Ela poderia fazer muito pior do que você." "Tanto quanto eu posso dizer, eu não sou nem mesmo o tipo de cara que as garotas levam para casa como última oportunidade, não importa o cara que elas se casam." "Essas são duas coisas completamente diferentes, filho. Falando de última oportunidade, você tem mais daquele bourbon na gaveta?" Aleluia, ele tinha. Não é que eu tenho costume de beber no meio do dia, mas eu poderia beber uma gota se íamos continuar falando de coisas sérias. Jesse Joe me dá a garrafa e eu servi um pouco na minha coca. Ele não quis, apesar de tudo. Sua mãe e pai ambos foram bêbados. Eles dizem que é o sangue de índio que tem uma fraqueza por bebida. Bebida e tristeza mataram sua mãe. "De qualquer forma, isso é tudo," disse ele. "Eu não comprei-lhe o anel planejando fica por perto como um cão. Quando ela crescer e encontrar um cara legal, contanto que ele seja bom para ela, eu vou ficar feliz. " "E se ela crescer e querer casar com você?" Jesse Joe riu e dane-se se ele não pegou o bourbon novamente e adicionou um pouco em nossas cocas. "Isso não é nenhuma maneira de executar um negócio, servindo-me bebidas, enquanto eu estou no horário de serviço. Eu ainda não peguei uma chave para concertar o cortador do Lewiston." "É quase hora de descansar, velho. Beba." Eu podia ver o que ele pretendia fazer, então eu disse: "Bem? E se?"


Ele esvaziou aquele bourbon e coca em três grandes goles, e sacudiu a cabeça. "Inferno, se ela crescer e por algum motivo louco ela ainda querer casar comigo, tudo bem. Esse anel é uma promessa sincera. Se ela quiser se casar, nós iríamos para o tribunal e fazer isto. Você sabe que eu não sou muito de ir à igreja, mas se ela quiser um casamento na igreja, teríamos um casamento na igreja, vestido branco, todo o negócio." "E botas novas para ir com isto." Eu disse isto para fazê-lo rir, porque eu podia ver isso perturbando ele. Ou pensar sobre ela querer se casar com ele, ou, mais provavelmente pensando em seu crescimento e não querer casar com ele. O garoto tinha conseguido sozinho entrar em um inferno de um lugar. Talvez ela iria superar a ideia e ele ainda estaria apaixonado por ela. Eu só esperava que eu estivesse com a minha Paola antes que ele colocasse a arma em sua boca.


5 WAVY Outubro 1982

Mamãe mantinha sua maquiagem e comprimidos em uma gaveta, como segredos. Sandy espalha a dela sobre uma penteadeira em seu quarto. Ela tinha muita maquiagem, também, e uma caixa de plástico redonda com uma etiqueta de farmácia nela. Pílulas de verdade de um médico. Isso é o que eu estava procurando quando Sandy entrou e acendeu a luz. "Oh, merda, oh, porra. Você me assustou, Wavy. O que você está fazendo?" Nunca ser pega era a regra, mas às vezes eu era descuidada nos trailers. Tudo o que eu realmente tinha medo era de Liam me pegar, então eu na maior parte apenas ouvi a voz dele. "Você está roubando coisas de mim? Ou apenas bisbilhotando, então você pode apresentar um relatório a sua mamãe?" Disse Sandy. Eu balancei a cabeça e mostrei-lhe minhas mãos vazias. Só assim, ela parou de olhar para mim e sorriu. "Sinto muito, querida," disse ela. "Você não estava pegando coisas estava? Você estava apenas olhando. Deus, você é sorrateira. Eu nem sequer a ouvi entrar. Você gosta de colocar maquiagem?"


Às vezes, Sandy falava comigo como uma criança ou como se eu fosse estúpida. Um monte de gente fazia isto. Scott costumava dizer, "Ela é tímida, não é?" Antes de eu vencê-lo no pôquer. Pessoas pensando que eu era estúpida não era tão ruim. Às vezes, eles me contavam segredos porque eles sabiam que eu não iria repeti-los. "Você quer experimentar um pouco da minha maquiagem? Vá em frente e sentese," disse Sandy. Dei um passo em direção à porta, mas ela estava no caminho. "Não, não vá, querida. Me desculpe, eu gritei com você. Você só me surpreendeu. Não vá." Sandy não era como Dee, que só falava bem comigo quando outras pessoas estavam ao redor. Além disso, ela tinha vindo com Kellen para mim no escritório do xerife, embora Liam bateu nela por isso. Ela caminhou até a mesa de maquiagem, longe da porta. Ela não ia me fazer ficar. "Você precisa de algo pálido. Rosa, porque você é muito clara. Esta é uma boa cor, esse batom. É chamado beijo de Querubim. Você gosta deste?" Ela disse isto tão animada, era tão bom, assim como a maneira que ela falava com o gato que vivia sob a varanda. Kitty-kitty, você quer um pouco do meu sanduíche de atum? Eu coloquei meu dedo na caixa de quadrados azuis e verdes brilhantes de sombra para os olhos. Era como um conjunto de aquarelas, mas mais bonito. "Essa é a sombra de olho. Você tem que ter cuidado, porque você é muito clara. Dee usa muita maquiagem no olho, porque as sobrancelhas e os cílios dela são pálidos, mas isso não é certo. Você é uma beleza natural, então você não precisa de muita maquiagem. Mas quando você for mais velha você vai ter que ficar fora do sol ou você vai enrugar."


Nós sentamo-nos à mesa comigo tocando as coisas e Sandy me dizendo o que era: rímel, delineador, delineador de lábios, blush, modelador de cílios. Eu gostei de como ela explicou tudo. Mamãe nunca explicou nada. Ela apenas fez regras e isto era tudo. Eu coloquei meu dedo na caixa de plástico da farmácia. "Oh, isso não é maquiagem, querida. Isso são minhas pílulas. Tem a idade suficiente para saber de onde vêm os bebês?" Eu balancei a cabeça. O livro da aula de saúde chamou isto de relação sexual, mas os desenhos do livro não se pareciam com nada real. "Bem, essas são as pílulas que eu tomo então eu não engravido. Porque um monte de caras não gostam de usar preservativos. Seu pai com certeza não. De qualquer forma, para isso que são essas pílulas. Agora, vamos colocar um pouco de maquiagem em você. Tudo bem? Se eu tocar em você?" Eu balancei minha cabeça. Eu não queria ser má, mas havia regras. Liam tocou Sandy, e se ela me tocasse, ela poderia ser a mesma coisa que Liam me tocando. "Bem, talvez eu possa mostrar-lhe e você possa colocar em você mesma." Sandy me mostrou como usar a varinha para borrar sombra no olho. Ela me deu o batom, também, mas eu não gostei da ideia de tocar o tubo na minha boca. "Bem, você pode esfregar o dedo sobre ele e colocá-lo em seus lábios," disse ela. Eu fiz isso dessa forma, usando o meu dedo mindinho para suavizar a cor de rosa em meus lábios. "Você não parece linda? Ah, e seu anel! De onde veio isso? Você-você deveria estar usando isso?" Sandy fez uma careta. "Kellen." Foi a única palavra que sempre foi seguro dizer. "Kellen te deu isso?"


A regra era que apenas as pessoas que Kellen conhecia poderiam saber sobre o anel. Isso significava que Sandy estava a salvo. "Vamos nos casar," eu disse. Sandy riu e colocou a mão sobre sua boca. "Você está brincando comigo? Porque essa é a única coisa que você já disse para mim, além de não." Para mostrar a ela, eu fiz o que Kellen fez: beijei o anel. Meus lábios deixaram para trás uma pequena mancha de rosa sobre o diamante. "Uau. É lindo. Esse é o seu anel de noivado? Ele deve realmente amar você, se ele comprou-lhe isso. Então você-você o ama, também?" Eu balancei a cabeça. Sandy parecia que ia chorar, mas ela esfregou o nariz e riu. "Isso é muito doce. Você é sortuda. Ele deve te amar muito." Eu fui descuidada, ouvindo-a e não prestando atenção a qualquer outra coisa. "Sandy?" Liam chamou no corredor. Eu balancei a cabeça para avisá-la, mas ela respondeu: "Sim, querido?" Ele estava quase na porta, dizendo: "Onde você esteve? Eu tenho que pegar a estrada." A única opção era o armário. Dei um passo para ele, mas ele estava tão cheio que eu só pude me contorcer nas roupas cheirando a perfume e fumaça. Eu nem sequer tive tempo para fechar a porta. Agachei-me, prendendo a respiração, e observei a porta do quarto abrir. Sob a borda da roupa de Sandy, eu vi as pernas de Liam. Ele usava jeans com pregas na frente, e camisa vermelha brilhante, botas de vaqueiro de bico fino. "Eu tenho que ir. Kellen está esperando por mim," disse ele.


"Onde você está indo?" Disse Sandy. "Eu te disse. O negócio." "Sim, mas o negócio ou o negócio?" "Não fique esperta comigo." Liam empurrou Sandy na beira da cama. Era o que acontecia, se você fosse esperta com ele. "Uau," disse ela. "Eu não preciso de Kellen para me ajudar a cuidar dos negócios." "Idiota." Liam agarrou seu cabelo e puxou. Ele gostava de puxar o cabelo, tanto quanto Kellen gostava de acariciá-lo. "Vem cá, querida. Não seja assim. Por que não faz algo para mim antes de eu ir?" "Talvez eu não queira." Ele soltou seu cabelo e colocou as mãos em seu cinto. "Você não quer ou não vai? Porque talvez Dee vai." Sandy ficou lá, apertando as mãos no colo. Então ela deslizou da cama de joelhos. "É isso mesmo, Sandy, querida. Por que você não chupa do jeito que eu gosto?" Eu sabia o que era boquete. Eu tinha visto isso antes. Nas revistas de Kellen. Numa festa. Uma vez eu vi mamãe fazer com um homem que eu não conhecia. Isto deixou meu estômago nervoso, porque a boca era um lugar sujo. Um lugar perigoso. Uma maneira para as pessoas entrarem em você. Não é seguro, e Liam não era bom. Ele fez Sandy sufocar e dizer: "Ai, não, Liam. Eu estou fazendo isso da maneira que você quer." Depois que ele fez ela chorar, Liam disse coisas agradáveis. Ele disse a Sandy como ela era bonita e quanto ele a amava. Isso é o que sempre fazia depois que ele


machucava você. Então ele puxou as calças e saiu. Ouvi o som da porta se fechando, para ele ir para o corredor. Ouvi o Kellen, também, mas ele devia estar lá fora. Quando eu me arrastei para fora do armário, Sandy estava sentada na cama, enxugando os olhos. Ela olhou para cima e disse: "Oh, Jesus, querida. Esqueci que estava aqui. Você-você viu isso?" Dei de ombros. Sandy fungou. "Eu acho que você está recebendo a sua educação hoje à noite. Nem sempre é assim. Ele é bom para mim, mas ele está nesse humor." Eu sabia sobre o humor de Liam. "Oh, caramba. O estúpido ejaculou na minha camisa." Sandy tirou sua camisa e debaixo dela ela usava um sutiã com estampa de leopardo. Ela tinha grandes seios. Maior do que de mamãe e Dee juntos. Olhando-me no espelho, eu coloquei minhas mãos em meu peito. Eu estava começando a crescer lá, mas meu vestido era muito solto para ver alguma coisa. "É preciso tempo, querida. Eles não crescem durante a noite.” Sandy colocou as mãos sobre seu sutiã. "Eu nem sempre tive esses. Eu tive que comprar estes. Então eu sei alguns truques de como fazer com que pareça que você tem mais do que você tem. Um monte de meninas cometem o erro de conseguir um grande sutiã e enchimento, mas o que você precisa fazer é mostrar o que você tem. Fique aqui, apenas um segundo." Sandy era como Donal. Quando ele se machucou ele só chorou um pouco e então ele estava feliz novamente. Ela saiu do quarto e voltou com uma camiseta azul que parecia ser de Donal. Do armário, ela tirou uma saia azul esvoaçante. "Aqui, tire seu vestido. Sua calcinha, também."


Eu normalmente só tirava minhas roupas para lavar ou nadar. Agora que eu estava crescendo, havia mais de mim para ver nua, mas Sandy estava sorrindo, então eu sabia que era seguro, como brincar de vestir com Leslie e Amy quando eu era pequena. Vesti a camiseta que era muito apertada e a saia que estava muito solta até que Sandy apertou ela em torno de meus quadris. Eu estava me virando para olhar no espelho, mas Sandy disse: "Não, não, tire a camisa." Pegando um par de tesouras, ela cortou a gola da camisa de Donal e fez uma gola em V. quando eu coloquei novamente, ainda estava apertada, mas não parecia como se estava me sufocando. Em seguida, Sandy me deixou olhar no espelho. "Está vendo?" Disse ela. "Você tem seios lindos. E deste modo os caras podem dizer que você tem seios. Aposto que Kellen gostaria se você usasse isso para ele." Exceto pelo meu cabelo, eu não me reconheci. Meus olhos pareciam estranhos com a maquiagem, maiores. Eu parecia mais velha. Eu sabia que Kellen me amava. Ele me comprou um anel, e sua moto era apenas para mim, mas Sandy estava certa. As mulheres nas revistas dele tinha seios grandes como ela, e não era apenas nas revistas. Eu vi como ele olhava para Sandy em seus shorts apertados e Dee quando ela estava ao redor da casa de calcinha. Ele poderia olhar para mim assim se eu usasse isso. "Deus, eu não sei sobre você, mas eu preciso de uma dose," disse Sandy. Pelo menos ela não fez uma bagunça com o cristal como mamãe. Ela tinha uma pequena colher que entrou na garrafa e no nariz. "Não, é melhor não. Você não tem definitivamente idade suficiente para isso."


6 KELLEN

Eu sabia que deveria sair. Durante duas horas, eu estava deitado na cama de Wavy, assistindo TV com ela. As antenas só poderia pegar PBS, por isso vimos esse filme Jimmy Stewart com o coelho invisível. Em seguida, foi para algo com canto e dança. Talvez o The Lawrence Welk Show, mas era difícil dizer através do borrão. Não importava. A TV era apenas para dizer: "Nós estamos assistindo TV," quando tudo o que estávamos fazendo era deitar ao lado um do outro. Às vezes, falando, a maioria não. Havia um nevoeiro naquela noite, não frio ainda, mas nós tínhamos visto o último de setembro. Eu realmente queria outra noite no prado, mas as únicas estrelas estavam no teto de Wavy. No térreo, a enfermeira da noite estava assistindo TV, também, e provavelmente se perguntando quando eu estava indo para casa. Eu tentei cerca de meia hora antes e isto foi quando Wavy mostrou-me uma nota amassada de um menino em sua aula de álgebra. Dizia: Querida Wavy, Eu gosto muito de você. Você vai ir ao baile da 8ª série comigo? Você não tem que falar comigo, se você não quiser. Você gosta de mim mesmo um pouco? Jimmy Didier


Ela respondeu-lhe em sua própria nota, com sua escrita extravagante: Jimmy, Nem um pouco. E eu acho que o meu noivo ficaria muito irritado ao descobrir que você está escrevendo bilhetes como este. Por favor, não faça novamente. Senhorita Wavonna Quinn Foi triste, mas engraçado. Triste que o menino teve seu coração partido, amassou o bilhete e jogou-o de volta para ela. Engraçado como Wavy respondeu a ele. Mais engraçado como ela mostrou para mim, não se gabando, mas envergonhada. "Eu quebrei a regra," disse ela. "Você sabe, se havia um menino que você gostava, você poderia ir ao baile com ele. Eu não ficaria chateado." Eu me forcei a dizer isto com um sorriso. Para ser justo com ela, eu não tinha nenhum negócio impedindo-a deste tipo de coisa. A resposta dela foi me dar um soco no peito, forte o suficiente que doeu. Então ela deu um tapinha no lugar que ela deu um soco. Eu era o garoto que ela gostava. Quando ela estendeu a mão, beijei o anel para me desculpar. Ela usava-o em todos os lugares, incluindo a escola, mesmo que ainda estávamos decidindo quem poderia saber. Professores, de jeito nenhum. Cutcheon e Roger, sim. Donal, Dee, e Sandy, e isso significava que Liam sabia. Eu estava preocupado no início, mas então eu percebi que se Liam não gostava disto, ele poderia sair e dizer algo em vez de fingir que Wavy não existia. Val? Quem poderia dizer o que Val sabia? O único problema que tive foi no alojamento do laboratório uma noite, quando Butch disse: "Tudo o que vou dizer sobre este negócio de anel de casamento é que há um lugar especial no inferno para pessoas que ferem as crianças."


"Você não tem que me dizer isso." Eu estava pensando muito mais em Liam, mas eu sabia o que Butch queria dizer. "Você sabe o que eu ouvi?" Disse Neil. "Eu ouvi que se você conseguir uma garota jovem o suficiente, se você for o primeiro cara a transar com ela, isto vai fazer a boceta dela tão…" Nós nunca chegamos a descobrir o que ele ouviu, porque eu avancei sobre aquela mesa de pôquer e agarrei o filho da puta pelo pescoço. Então eu apertei sua traqueia forte o suficiente para lhe dar um gostinho de como seria ficar sem ar para o resto de sua curta vida. Butch, que normalmente era pacifico, não disse besteiras. Gostava de ver o anel no dedo de Wavy. Ele me dava uma desculpa para beijar sua mão e quando o fazia, ela sempre sorria. Isso é o que eu estava fazendo enquanto assistíamos TV, beijando-lhe a mão e acariciando o cabelo dela do jeito que ela gostava, quando ouvi passos subindo as escadas. Meu primeiro pensamento foi sair da cama e rápido, antes que a enfermeira chegasse ao topo das escadas. Só que eu não estava fazendo nada de errado. Nós só estávamos assistindo TV. Se Patty queria nos espionar, é o que ela veria. Era apenas Donal, chegando orgulhoso sobre o quão bom ele era em se esgueirar agora que ele tinha tirado o gesso do braço. "Eu vim pelo prado em todo o nevoeiro e sorrateiramente aqui. A enfermeira nem sequer me ouviu." "Você continua falando assim e ela vai," eu disse. "Você não me ouviu também, subindo as escadas." "Ouvi," disse Wavy.


"O que vocês estão olhando?" Donal inclinou sobre o pé da cama, olhando para a TV de cabeça para baixo. "Lawrence Welk," eu disse. "Vamos nadar." Wavy sentou e balançou a cabeça. Donal e ela desceram em primeiro lugar, tão silencioso quanto podiam. Eu segui atrás deles, gritando: "Val, Patty, estou indo. Tenha uma boa noite.” Em seguida, todos nos três fomos para fora da porta, do outro lado da varanda e no prado. Mesmo com a lanterna de Donal, que dificilmente poderia ver através da névoa. O moinho de vento esgueirou para cima de nós: uma torre enferrujada rangendo saindo de uma parede branca. Donal tirou a roupa e entrou no tanque de água, gritando, "Está frio!" "O que você esperava?" "Entre, Kellen!" "Não, eu não trouxe shorts para nadar." Ao meu lado no nevoeiro, Wavy estava tirando suas botas e vestido. "Eu não trouxe nenhum short também!" Donal era tão barulhento quanto Wavy era quieta. Ele espirrou até a borda do tanque e disse: "Eu estou totalmente nu." "Bem, eu não estou ficando totalmente nu." "Por que não?" "Porque Wavy não é minha irmã," eu disse. "Ela não se importa." "Eu não." Wavy jogou o vestido por cima do meu ombro e deu um passo em meus braços.


"Eu me importo." "Levanta," disse ela. Eu coloquei minhas mãos em sua cintura e a levantei na borda do tanque, onde ela equilibrou sobre as solas dos seus pés como um equilibrista. Segurando em sua mão, eu a levei ao redor da borda do tanque. Então ela soltou a minha mão e caiu para trás, para dentro do tanque com um esguicho que fez Donal gargalhar. "Eu também quero!" Então eu o equilibrei na borda do tanque e deixei-o cair. Eles tinham tanta diversão, às vezes eu desejei que eu não estivesse com medo da água. De qualquer forma, era o meu trabalho manter o controle do vestido de Wavy e a lanterna de Donal, então eu me inclinei contra o tanque e observei eles rirem e brincarem em volta. Depois de um tempo, Wavy circulou de volta para mim e estendeu a mão. Levei-a, pensando que ela queria minha ajuda, mas ela atirou seu outro braço em volta do meu pescoço e tentou me puxar para dentro. Não havia nenhuma maneira que ela poderia fazê-lo, e depois de um segundo, ela soltou e caiu novamente. Ela arrastou-se até a metade para fora da água, seus quadris contra a borda do tanque. "Que diabos foi isso?" Eu disse. Maldição, ela me dominou, pensando que ela poderia me erguer. "Sereia." "Eu não sabia que sereias atacavam pessoas e tentavam afogá-los. Você é como algo saído daquele filme Sexta-Feira 13." Ela sorriu, e antes que ela afundasse na água, vi algo que eu desejei não ver. Com sua camiseta colada nela, não havia maneira de evitar sabendo que ela tinha peitos


agora. Eu me senti como um idiota por estar chocado, porque ela estava crescendo e não apenas no tamanho. Pensei em dizer a uma das garotas de Liam para levar Wavy para comprar sutiãs. Exceto que se eu fizesse, iria Dee ou Sandy pensar que eu era um pervertido por perceber? De qualquer forma, eu fiquei mais incomodado por comprar absorventes para Val. Por tudo que eu sabia, estava comprando para Wavy, também. Quando ela fez a lista de compras, eu não perguntei para quem eram. Não podia ser tão difícil levá-la em uma loja e dizer: "Ela precisa de um sutiã." Exceto que Wavy poderia pensar que eu era um pervertido por perceber. Eu ainda estava preocupado sobre isso na minha cabeça, quando ela nadou de volta até a borda e estendeu as mãos. "Você pode ficar fora. Eu não vou cair nessa merda de sereia de novo," eu disse. Eu acho que eu parecia mais chateado do que preocupado, porque ela me deu um olhar triste e cruzou sobre seu coração. Desenhou um X sobre seu pequeno peito, onde o mamilo se destacou duro sob a camiseta molhada. Não ia ser capaz de esquecer isto também. "Sim, sim, você promete." Quando eu virei de costas para ela, ela tocou no meu braço. "Eu sinto muito." Não era culpa dela que eu me senti estranho, então eu puxei ela nas minhas costas, pingando água. Tentei colocar ela no chão, mas ela me abraçou apertado ao redor dos meus ombros e beijou o lado do meu pescoço. Com seus dentes batendo no meu ouvido, ela sussurrou: "Eu te amo." Isso era tudo o que me importava.


7 WAVY

"Wavy? Sua mãe está um pouco chateada. Você poderia descer e falar com ela?" disse Patty. Eu gostava de Patty. Ela era melhor do que Casey a enfermeira, que tinha uma grande voz sorridente. Era trabalho de Patty estar lá durante a noite e ouvir mamãe chorar e dizer coisas terríveis. Ela parecia assustada. Eu estava me preparando para ir passear de moto com Kellen, mas eu fui lá embaixo. Pelo menos, os enfermeiros não deixavam mamãe ficar deitada na cama o dia todo e sem banho. Eu estava aprendendo seus truques. Como dizer: "Vamos levantar e escovar os dentes. Pequenos passos. Sente-se primeiro e depois vamos tentar levantarse." Na primeira, mamãe estava horrível de se olhar. Preto e roxo, e, em seguida, verde e amarelo, mas agora ela era apenas mamãe. Chorando e gritando, "Me deixe em paz!" Fui para o quarto e fechei a porta, tentando não ficar com raiva que ela estava roubando o tempo de Kellen. Eu estava ao lado da cama, mas eu não toquei nela. Tudo que mamãe queria era alguém para ouvir.


Primeiro foi a vovó. Vovó sempre gostou mais da tia Brenda. Vovó nunca gostou de Liam. Ela nunca veio visitar quando Donal e eu nascemos. Mas como poderia Vovó vir visitar se mamãe nunca disse a ela onde estávamos? Em seguida, Liam. Liam e suas prostitutas sujas. Liam sempre pensando com seu pau. Liam Liam Liam. Eu era velha o suficiente para saber que não havia qualquer mágica de verdade nas palavras não ser confiável, mas isso fez minha cabeça doer, como mamãe diria seu nome uma e outra vez sem essa proteção. Como se ela quisesse que ele viesse e a machucasse. "Você não pode confiar neles, querida. Assim que eles conseguirem sua vagina, eles querem a vagina de alguma outra menina. Liam, isso é tudo o que ele quer, entalhes em seu cinto. Sean também. É tudo o que sempre fui. Um ponto. E não pense que o anel de diamante significa alguma coisa." Mamãe agarrou a minha mão e olhou para o meu anel. "Kellen comprou isto para você, não foi? Liam diz: 'Inferno, em alguns países eu teria que pagar a ele por tirá-la das minhas mãos.’ Ele acha que é engraçado. E você é tão estúpida se você acha que é romântico. Deixe-me lhe contar um segredo, este anel não significa nada." Eu puxei minha mão e escondi atrás das costas. "Kellen é como qualquer outro homem. Tudo o que ele está pensando é conseguir te foder. Isso é tudo sobre o que eles pensam. Eu pensei quando Liam colocou um anel no meu dedo, que ele me amaria para sempre, mas era uma mentira. Você quer este anel, também? Eu com certeza não preciso dele."


Mamãe tentou alcançar na gaveta do criado mudo, mas seu ombro ainda dói. Ela se jogou de costas na cama e gemeu. Lágrimas apareceram, tanta água que era como uma inundação que eu absorvia com o canto do lençol. "Está tudo bem?" Patty disse do lado de fora. "Querida," mamãe gemeu. O significado saiu de seus olhos e eles estavam apenas triste. "Seja cuidadosa. Não faça o que eu fiz e consiga uma gravidez, porque então você vai estar presa. Querida, você está ouvindo?" Eu não queria ouvir, mas mamãe acariciou meu braço. Tão suave. Quase como Kellen quando ele tocou meu cabelo. Eu esperava que não fosse um truque. "Faça-o dar a você as pílulas, ok? Ou se ele não vai fazer isto, Dee precisa ajudar você. Você vai fazer isso?" Havia tantas pílulas. As pílulas que Sandy tomou então ela não iria engravidar. As pílulas que ela tomou para fazê-la feliz. As pílulas que mamãe tomou. Eu não queria nenhuma pílula. "Você não pode confiar nele, querida. Ele vai entrar em você. Você não pode ficar limpa quando isso acontece. E então ele vai quebrar o seu coração, como Liam fez comigo. Mas você é especial. Ninguém pode tocar em você, ok? Promete?" Mamãe cravou as unhas no meu braço. "Prometa-me, querida." Era uma brincadeira. Ela estava me fazendo prometer algo e eu não sabia nem o que era para eu prometer. Não confiar em Kellen? Não deixálo rastejar dentro de mim? Tomar comprimidos? Que ninguém iria me tocar? Mamãe estava tentando arruinar Kellen. Para fazê-lo ruim como Liam.


Eu afastei meu braço. Eu nem sequer me importei se ele a machucou. Se ninguém podia me tocar, ela também não. Quando abri a porta, Patty estava de pé do lado de fora com seus olhos arregalados. Desviei dela e corri.


8 DONAL

Wavy tinha sorte. Ela não tinha que andar de ônibus para a escola, porque Kellen a levava. Eu desejava que ele pudesse me levar, também, mas só havia espaço para Wavy em sua moto. Outras vezes, não para a escola, ele me deixou andar, mas só porque eu era um menino. Ricki ficou realmente louca uma noite, porque o papai levou Dee para andar de moto, e deixou ela e Sandy em casa. Então Ricki pediu a Kellen para levá-la, mas ele disse: "Desculpe. Wavy é a única garota que consegue um passeio." "O que diabos isso significa?" "Isso significa que Wavy é uma amante muito ciumenta," disse Sandy. Ela queria ir no passeio também, mas ela não estava chateada, porque ela tomou aquelas pílulas especiais. Eu desejei que mamãe tomasse algumas dessas. "Você realmente comprou a ela o anel de diamante? Há algo seriamente esquisito sobre isso," disse Ricki. "Não seja tão mesquinha," disse Sandy. "Eles estão apaixonados. É doce." "Não, isto é assustador. Quanto anos ela tem, dez?" "Wavy tem treze anos," eu disse. Ricki era ruim em matemática. "Não há nada de errado eu comprar-lhe um anel. Ela é a minha garota," disse Kellen.


"Sim, exceto na parte em que você é um pedófilo." Ricki torceu o nariz. "Isso não é a única coisa que o amor significa. Você tem só merda na sua cabeça. Vamos, Donal, vamos andar de moto." Naquela noite, eu era o único que consegui o que queria, mas eu nunca consegui uma viagem para a escola. Eu tinha que ir no ônibus, porque ninguém nunca levantou cedo o suficiente para me levar. Se eu pedisse, Sandy iria ligar para a escola para dizer que eu estava doente, mas se eu ficasse afastado muitos dias, Wavy iria descer até o rancho e me fazer levantar. Então eu estava em apuros. Nos fins de semana, era fácil levantar cedo, mesmo mais cedo do que eu me levantava para pegar o ônibus, porque eu poderia ir até a casa da fazenda e ver Wavy. Se eu tivesse sorte, ela me deixava ficar na cama com ela, e ela iria falar comigo. Antes do Natal algo engraçado aconteceu. Eu não consegui ver Wavy por três semanas inteiras, porque eu tive catapora e fiquei muito doente. Quando eu voltei para a escola, eu não consegui falar com ela durante toda a semana, porque ela estava na nova escola, e, em seguida, sexta-feira à noite foi o aniversário de Kellen. Então eu me levantei cedo, na manhã de sábado, e eu coloquei meu traje de Superman de Halloween desde que ela nunca chegou a vê-lo. Então eu fui pelo prado até a casa da fazenda. Quando eu entrei, Kellen estava descendo as escadas com seus pés descalços, carregando suas botas. Ele deve ter entrado em uma briga no seu aniversário porque alguém lhe deu um olho roxo. Ele fez uma cara engraçada quando ele me viu, eu acho que por causa da minha fantasia. "Ei, Superman. Quer uma carona para casa?” Disse ele. "Eu acabei de subir a colina. Para ver Wavy." "Eu acho que ela ainda está dormindo."


Mas por que ele estava lá em cima, se ela ainda estava dormindo? Aqui está o que eu acho que aconteceu: Kellen foi mais cedo do que eu e entrou na cama com Wavy. O que me deixou louco é que ele roubou todas as palavras delas e não deixou nenhuma para mim, porque ela não queria falar. Ela me deixou ficar na cama e ela me abraçou, mas ela não disse nada. E ela estava nua debaixo das cobertas. Senti seus peitos contra o meu braço. "Que nojo. Onde está sua camiseta?" Eu disse. Ela levantou as mãos sobre a cabeça. Eu queria que ela falasse comigo, mas ela estava olhando para seu anel. A regra era nada pertence a você, mas eu acho que ela estava quebrando a regra. Se alguém tentasse pegar o anel, ela iria socá-los. Era seu anel. Kellen comprou para ela então ele poderia se casar com ela. Se não fosse Wavy, eu não sei como ele poderia gostar tanto de uma garota. Elas eram nojentas. Ela deixa o sol brilhar no anel, por isso, fez pequenos arco-íris nas paredes e em mim. Eu gostei disto quase tanto quanto eu gostava dela falar.


9 CASEY Dezembro 1982

Na última sexta-feira do compromisso de Casey, Wavy voltou para casa à tarde e tomou um banho. Isso era estranho o suficiente, mas então ela subiu e desceu as escadas algumas vezes entre o quarto e o banheiro. Casey ouvia tudo com curiosidade, enquanto ela persuadia Val a fazer alguns exercícios. A fadiga de Val desgastou Casey, então elas estavam assistindo TV quando Wavy desceu as escadas. Em vez de seu suéter de costume, ela usava em um vestido verde pálido com um corpete ajustado e alças delicadas nos ombros. Ela estava começando a se desenvolver, e o vestido mostrou isto, encaixando ao redor de seus pequenos seios e quadris estreitos. A roupa parecia cara, mas é claro, que ela usava grandes botas pesadas com ele. Em uma das mãos, ela carregava um casaco combinando e uma câmera. Sob seu outro braço, ela tinha um pacote embrulhado. Ela colocou a caixa e a câmera na mesa de café e sentou-se na cadeira de balanço ao lado do sofá, com cuidado, como se ela estivesse preocupada em amassar seu vestido. "Você está muito bonita. Você está indo para uma festa de aniversário?" Disse Casey. Wavy assentiu e estendeu a mão para ajustar seu cabelo.


Ela puxou-o para cima em um coque, mas já estava desmanchando. Fios delicados de loiro caíram em torno de suas orelhas, e parecia que ela tinha furtivamente usado a maquiagem de sua mãe. Treze parecia muito jovem para estar usando maquiagem, mas Casey não era sua mãe, era quem estava sentada ali no sofá. Se ela pensou que Wavy parecia muito adulta, ela não disse nada sobre isso. Tudo que Val disse foi: "O que está no pacote?" Wavy não respondeu. "Kellen está vindo pegá-la para levá-la a festa?" Disse Casey. Ele a levou para a escola todas as manhãs, e ele era o único que a trouxe para casa tarde ou não, de acordo com Patty. Quanto ao Sr. Quinn, Casey tinha visto talvez meia dúzia de vezes nos quatro meses em que ela trabalhou para ele. Na primeira vez ele foi atencioso e gentil com Val, mas a última vez que ele veio, eles discutiram. O tipo de discussão que Casey tinha ouvido muitas vezes. Ele dizendo: "Você não está tentando. Você não quer mesmo ficar melhor e estar comigo." Ela dizendo: "Por que eu deveria tentar? Dee ainda está no rancho? Sandy está? Aquela puta da Ricki ainda está no rancho? Eu gostaria que você tivesse me deixado lá para morrer na beira da estrada." "Bem, você sabe o que querida? Eu não fui a pessoa que ligou para o 911. Kellen fez isso." Depois disso, o Sr. Quinn continuou pagando Casey e Patty, mas ele não voltou. Seu irmão, Sean, visitou-a ocasionalmente o que parecia fazer mais bem a Val do que visitas de seu marido. Ele conseguiu fazê-la falar, fez ela rir.


No último dia de uma atribuição, Casey gostava de "embrulhar as coisas" oferecendo conselhos de última hora e encorajamento. Com Val, parecia desperdício de esforços. Em vez de falar, sentaram-se na frente da TV, enquanto a hora de Casey terminava. Às seis horas, ela iria para casa para o fim de semana, e na segunda-feira, ela iria começar uma nova atribuição. Normalmente, Wavy corria para fora logo que ouvia a moto de Kellen, mas naquela noite ela ficou na cadeira de balanço, alisando seu vestido como se ela estivesse nervosa. O motor foi desligado e por vários minutos, houve silêncio, exceto pelo programa de TV de Val. Então o som de botas na varanda da frente. Casey nunca tinha visto a porta da frente ser usada, mas naquela noite, Kellen mesmo tocou a campainha. Wavy levantou-se e abriu a porta para ele. Ele entrou, parecendo nervoso, e franziu a testa em confusão quando Wavy entregou o pacote para ele. Casey deslizou para a frente em seu assento, curiosa apesar do fato de que ela nunca poderia chegar a dizer a Patty sobre isso. "Isto é para mim?" Disse ele. "Você não precisa me dar nada." A cadeira de balanço gemeu sob seu peso quando ele se sentou. Depois que ele rasgou o papel de embrulho, ele olhou para dentro da caixa com um olhar vazio em seu rosto. Em seguida, ele levantou o que parecia uma panela de ferro fundido. Não, um capacete de moto. Ele virou-o na mão, forçando um sorriso. "Eu realmente aprecio isso, querida, mas você sabe que eu nunca uso um capacete." Franzindo a testa, Wavy deslizou sua mão ao redor da parte de trás do seu pescoço e em seu cabelo. Kellen assentiu.


"Sim você está certa. Se eu estivesse usando um capacete naquele dia, eu não teria conseguido minha cabeça tão dolorida. Ok. Ok. Você está pronta para ir? Você está muito bonita, mas está frio lá fora. Você vai ficar quente o suficiente nisso?" Do armário, ela tirou uma jaqueta de couro forrada de lã e a colocou em cima do casaco que combinava com seu vestido. Em seguida, a câmera foi lembrada e a jaqueta largada. Casey não esperou pelo pedido. Ela pegou a câmera e tirou uma foto de Wavy e Kellen, lado a lado. Devido à diferença de tamanho, a câmara teve de ser alterada para encaixar os dois no quadro. Nenhum deles sorriu para a imagem, tão estranho como encontros de baile do ensino médio.


10 KELLEN

Durante muito tempo, eu estava tentando dar a Wavy seus ganhos no pôquer, mas ela não parava de dizer não. Quando ela finalmente pediu algum dinheiro, foi para me levar para sair no meu aniversário, para esta churrascaria realmente muito boa em Garringer. Eu tinha estado lá uma vez antes com Liam e alguns de seus amigos, mas todos eles estavam provocando e fazendo muito barulho neste lugar. Era tranquilo com tapete agradável e cabines de couro e lustres. Eu não queria o garçom torcendo o nariz para Wavy, então eu cortei o cabelo, e usava um novo par de jeans, sem manchas de óleo, com a única camisa que eu tinha – a que eu usei no funeral da minha mãe. Ela foi tão usada quanto eu pude. Eu não estava muito certo sobre mim, mas Wavy parecia que pertencia lá. Ela foi flutuando através sala de jantar atrás da anfitriã, com aquele vestido de festa balançando, e seu pescoço todo de fora. Conseguimos uma mesa de canto com velas na mesa que fez o cabelo de Wavy parecer como um halo em volta do rosto. "Você está tão bonita," eu disse depois que a anfitriã se foi. Eu já tinha dito isto a Wavy muitas vezes, mas ela parecia gostar. E ela estava linda. Imaginei que ela vestindose assim era parte do meu presente de aniversário, então eu deveria deixá-la saber que eu apreciei.


Eu pedi para nós dois, eu disse ser o que um cavalheiro deveria fazer. Então, eu pedi um bourbon e coca, que provavelmente não era a bebida de um cavalheiro. Após as saladas serem entregues, o garçom nos deixou sozinhos. "Você sabe, essa é a primeira vez que uma garota me levou em um encontro," eu disse. Isso fez Wavy sorrir. Ela apertou os lábios e prendeu a respiração. "Feliz aniversário," disse ela. "Obrigado. Você não está feliz que eu não apareci em sua casa bêbado no meio da noite este ano?" "Eu gostei daquele aniversário." Ela exalou muito rápido, terminou não respirando o suficiente no final da frase, então a última parte não fez qualquer barulho. Quando ela estendeu a mão sobre a mesa, peguei a mão dela e virei-a de modo que o anel brilhou com as luz das velas. "Eu também gostei. Eu me senti como um idiota acordando você, mas depois você estava tão bem, como se estivesse feliz em me ver." Wavy estava talvez se preparando para dizer algo mais, mas o garçom veio antes que ela pudesse. Ele olhou para as nossas mãos sobre a mesa, mas eu não afastei a minha. Não era da sua conta. "Vocês terminaram a salada?" Eu sim. Wavy não tinha tocado a dela, mas o garçom levou as duas para longe quando ela concordou. Após o nosso jantar ser servido, ela empurrou o prato para o lado para me ver comer. Quando o garçom voltou com a minha terceira bebida, ele disse: "Há um problema? A entrada dela não está do gosto dela?" "Não, está bem. Ela vai precisar de uma caixa."


Nós conseguimos rir depois que o garçom se foi. Wavy pegou o garfo e moveu o alimento ao redor do seu prato, e eu comi algumas mordidas para torná-lo melhor. Depois que eu terminei o meu bife, ela correu ao redor da cabine para se sentar ao meu lado. A alça do seu vestido estava escorregando então eu levantei de volta no lugar. Eu não podia acreditar o quão suave a parte de trás do pescoço dela era, onde seu cabelo estava escapando do prendendor. Eu nunca tinha visto seus cabelo assim. "Este é realmente um bom presente de aniversário. Você planejando isto para mim. Ninguém nunca fez isso por mim." Ela beijou meu rosto, e foi quando o garçom voltou com a conta. Eu não disse uma palavra quando Wavy adicionou a gorjeta e contou seu dinheiro dentro da pasta de couro. Eu queria deixar ela me dar alguma coisa. Era importante para ela. Ela escolheu o filme. Não Annie, que era um filme de criança, ou Porky, que parecia sujo. Poltergeist. Eu era o único que saltei no meu assento nas partes assustadoras. Ela riu e apertou minha mão. Depois do filme, nós fomos tomar sorvete. Ela pagou por isso, também. Em casa, eu me fiz outra bebida e, embora eu soubesse que ela não iria comer, eu peguei duas taças de sorvete. Ela levou a dela para a sala de estar, segurou com as duas mãos, como um prêmio. Liguei a TV em algum filme antigo na PBS, e sentei na minha poltrona. Wavy estava ali, à espera de um convite. "Bem, vamos lá." Eu bati no meu joelho. Como eu imaginei, ela não ia comer seu sorvete. Ela o colocou na mesa de café antes de se sentar no meu colo. Em algum lugar nos últimos cinco anos, ela devia estar comendo alguma coisa, porque ela tinha crescido. Houve um tempo em que ela se encaixava no meu colo, mas agora suas pernas eram longas e sua cabeça alcançou meu


ombro. A maneira como ela se inclinou para mim era a mesma, embora. Ela confiava em mim. Quando eu empurrei a alça do seu vestido para cima, ela estremeceu, mas, em seguida, porque minhas mãos estavam frias do sorvete. O filme era apenas o ruído de fundo, enquanto Wavy me observava comer meu sorvete. Chocolate com menta, que era o que ela escolheu. Depois que eu coloquei a tigela vazia na mesa de café, ela me entregou a minha bebida e subiu um pouco mais em minhas pernas. Ela se inclinou para mim e era muito bom, passou o braço em volta do meu pescoço e colocou seu rosto contra o meu. Aquele momento foi um bom presente de aniversário, por si só, apenas me sentar com ela e sermos felizes juntos. Durante o filme, seu cabelo tinha saído dos grampos, então eu alisei por cima do seu ombro e cheirei-o. Quando tive a primeira erupção quente na minha virilha, achei que era a bebida. Eu não deveria ter tomado outra bebida. Estava tão bom sentado lá com Wavy, sua mão acariciando minha nuca, mas não parecia certo também. Mesmo que fosse apenas o bourbon, eu não tinha nada que deixá-la sentar no meu colo quando eu estava excitado. "Deixe-me, querida. Eu tenho que levantar," eu disse. Ela fez aquele som irritado, mas ela se levantou. No banheiro, eu espirrei um pouco de água no meu rosto e mijei. Isso me colocou de volta no lugar. Assim que me sentei, ela veio de volta para o meu colo. Com o problema resolvido, eu a queria lá. Ela esfregou sua bochecha contra a minha e, em seguida, ela me deu um pequeno beijo frio perto da minha boca. Menta. "Você finalmente comeu um pouco do seu sorvete?" Ela assentiu com a cabeça.


"Por que você não vai comê-lo comigo aqui?" Eu não esperava uma resposta, porque eu tinha perguntado antes e nunca tive. "Sem olhar," disse ela. "Então, se eu fechar meus olhos, você vai comer seu sorvete antes que derreta?" Ela pensou muito sobre isto, passando seus dedos ao longo da nervura na minha camisa. Quando ela chegou ao meu braço nu, ela passou o dedo sobre a cicatriz do meu acidente, olhando para seu sorvete o tempo todo. "Cubra-os," disse ela. Uma vez que eu coloquei minhas mãos sobre meus olhos, ela pegou sua tigela. Como se eu fosse sua cadeira favorita, ela esticou para trás contra mim e descansou a cabeça no triângulo que meu cotovelo fez. Eu não enganei, não estava sequer tentado a olhar, mas eu sabia que ela estava comendo. Primeiro veio o barulho da colher pegando sorvete. Então o som sorrateiro da colher indo em sua boca e saindo limpa. Depois de algumas mordidas, ela colocou a taça de volta na mesa de café. "Você terminou? Posso abrir meus olhos?" Eu disse. "Não." Ela se mexeu no meu colo para montar em mim, ficando de joelhos entres as minhas pernas e os lados da cadeira. Em seguida, ela descansou a cabeça no meu ombro e disse: "Encoste." Eu tirei minhas mãos dos meus olhos, mas não abri. Eu inclinei a cadeira de volta, e ela se estabeleceu em mim com um suspiro. Quando ela colocou sua bochecha contra novamente, eu virei minha cabeça, esperando talvez mais um beijo. Ela me deu, frio e suave. O próximo beijo ainda estava frio, mas ficando mais quente. Cada um depois deste foi mais quente e mais suave, como


sorvete derretendo, até que ela me deu um beijo que não era apenas um beijo na boca. Seus lábios estavam quentes, mas sua língua ainda estava fria. "Ei," eu disse. Eu não queria assustá-la. "Ei." Essa palavra desperdiçada me surpreendeu, então eu abri meus olhos. Ela estava olhando para mim. Eu não podia adivinhar o que ela estava pensando, mas no fundo eu sabia o que aconteceria se eu fechasse os olhos. Eu fiz desta maneira. Eu fechei e esperei por ela me beijar. Tudo começou com nós tímidos, mas não muito tempo depois, sua boca estava cheia da minha, e, em seguida, sua língua deslizou por meus dentes para a minha língua. Todo o tempo seus braços ficaram mais apertados em volta do meu pescoço. Depois disso, havia apenas um beijo que manteve em curso, que era o que eu gostava. Ela me deixou brincar com seu cabelo, e depois de um tempo, eu acariciei seus ombros nus. Eu me perguntei como era sentir minhas mãos tão ásperas sobre sua pele tão macia. Para mim, era como se toda a pele em minhas palmas acordou depois de estarem adormecidas. Mesma maneira que eu senti deitando sob o céu à noite. As estrelas esfregando através de mim, fazendo a eletricidade estática. Até que ela engasgou na minha boca, eu nem sabia o que eu tinha feito, deslizei minha mão para baixo de seu ombro para envolver seu pequeno seio na minha mão. Ela se inclinou para mim e seu vestido escorregou, deixando-a nua na minha mão. Seu mamilo ficou duro na curva do meu polegar, e ela estremeceu. Me fez tremer também. Eu tentei puxar minha mão de volta, mas ela pressionou a dela sobre a minha para segurá-la lá. "Orion," disse ela.


Ela correu os dedos descendo minha barriga para minha fivela do cinto e desafivelou. Eu afastei sua mão, e eu ia reapertar a fivela, exceto se sentasse e fizesse isso, eu percebi que seria o fim dela me beijar. Então eu empurrei a mão dela e beijei-a um pouco mais. Sua mão foi diretamente de volta para a minha cintura, como uma mosca que não para de zunir ao redor. Ela desafivelou o cinto e abriu o botão da minha calça jeans. Eu tive que pará-la. Abri os olhos e me sentei, mas isso só piorou as coisas. Seus olhos estavam escuros, seus lábios estavam vermelhos de beijar, e eu tinha virado seu cabelo em uma confusão. Ela estava montando meu colo com sua saia subindo. Segurando-a pelos quadris, meus antebraços esfregaram contra suas coxas nuas. Pouco antes de soltar ela e ela cair no chão, eu não sabia o que fazer. O zíper da minha calça jeans desceu com a ajuda dela, mas principalmente a partir da pressão de um tesão que tinha crescido em mim como um medidor de temperatura entra no vermelho. "Wavy, você não pode…" "Eu quero," disse ela. Ela me beijou até que meu sangue martelava em meus ouvidos, como se estivesse se preparando para ter um ataque cardíaco. Ela segurou a parte de trás do meu pescoço com uma mão e, com a outra, acariciava meu pau como se fosse um animal selvagem. Realmente suave no início. Então ela fechou os dedos em torno de mim tanto quanto eles conseguiriam, e maldição, quando ela apertou um pouco mais forte, foi longe o suficiente. "Wavy." Isso foi eu implorando, e não para ela parar.


Por mais que eu sempre queria que ela me beijasse, eu não tinha ideia de como eu estava desesperado para que ela me tocasse assim. Eu não conseguia nem lembrar quanto tempo foi desde que alguém além de mim tinha. E Wavy. Wavy. A mão dela era tão suave, nenhum calo sobre ela. Levou menos de um minuto para gozar. Assim que gozei, eu sabia o que eu tinha feito. Meu estômago virou e, por um segundo, eu pensei que eu ia vomitar. "Oh, Jesus, Wavy. Jesus fodido Cristo. O que estamos fazendo? Levante-se. Levante-se." Ela fez o que eu disse, deslizou do meu colo desajeitada, e cambaleou um passo para trás. Ficando de pé lá com a TV brilhando em seu rosto, ela parecia que estava preocupada comigo. Uma série de esperma escorria em sua mão e ela limpou na frente de sua saia. Levantei-me, tentando fechar minhas calças, mas eu estava todo desajeitado, e meu pau ainda estava meio duro. A maldição do cinto abriu fácil o suficiente em suas mãos e eu mal podia fechá-lo. "Eu fiz isso errado?" Disse ela. "Não… é…oh, Deus, Wavy." "Você gostou com a garota na festa." "O que… que festa? Que garota?" Com a mão que ela tinha limpado em seu vestido, Wavy desenhou uma linha escorregadia por seu braço. Ela tinha visto a garota com a tatuagem de cobra me masturbando? Essa foi a última vez que alguém tinha me tocado. "Exceto você, Wavy. Não está tudo bem você fazer isso." Eu não conseguia recuperar o fôlego e minha voz não iria parar de tremer. "Por quê?" Disse ela.


"Porque não é. Você… é … é sujo você fazer isso." Ela se encolheu como se eu tivesse esbofeteado ela. De pé, nenhum de nós falou, eu vi a coisa que eu deveria ter olhado primeiro - o anel em seu dedo. Foi minha culpa que ela não entendia. Quando eu disse que ela era muito jovem para se casar, eu imaginei que ela sabia que eu estava falando sobre sexo. Mas eu comprei um anel de casamento. Eu prometi que não ia haver outras garotas, e não tinha havido. Eu nem sequer olhei para outras mulheres mais. Talvez eu fosse o único que não entendeu. "Wavy…" Tão ruim como isto estava, eu não estava me preparando para me desculpar. Eu estava tão envergonhado de mim mesmo, eu ia dizer, "Você não pode contar a ninguém sobre isso." Antes que eu pudesse, ela apertou as mãos sobre a boca e disse: "Mamãe estava certa. Estou suja." Ela se foi como um raio, deixando a porta da cozinha bater no umbral. Eu estava no meio da sala, chocado como o inferno, perguntando onde ela aprendeu tudo isso. Os beijos, as outras coisas? Será que as garotas de Liam falam sobre sexo com ela? Não, isso foi minha culpa também. Exceto pela revista pornográfica que eu joguei fora, eu não tinha feito nada com as outras revistas da minha mesa de cabeceira. Quantas vezes ela tinha estado lá sem mim e olhou as fotos? Onde quer que ela conseguido essas ideias, ela tinha apenas treze anos. Todas as vezes que eu disse: "Eu não sou este tipo de cara," talvez eu era este tipo de cara. O que aconteceu não tinha acontecido. Houve aquela meia hora inteira de nós nos beijando antes que ela abrisse minhas calças. Eu tinha muito tempo para colocar um fim nisso, e


eu não coloquei. Porque eu gostava de beijá-la. Eu gostava de tudo isso, não importa o quão confuso isto era. Meu pai era um louco, bêbado que bateu em minha mãe e em nós crianças. Álcool fez isso. Ele não fez você fazer o que eu tinha acabado de fazer. Por mais que eu quisesse, eu não poderia culpar a bebida. Eu não acho que eu já estive tão sóbrio como eu estava naquele momento.


11 KELLEN

Eu andava para cima e para baixo, até que a TV tocou o hino nacional e foi para a tela de teste. Ficando de pé lá, no silêncio, eu sabia o quão ruim eu tinha fodido. Não apenas isso de brincar com Wavy era ilegal - considerando todas as outras leis que eu tinha quebrado - eu não me importei com isso, mas isso se até lá, eu nunca tivesse traído alguém que eu amava. Wavy confiava em mim, e me aproveitei dela. Eu peguei minha arma da gaveta ao lado da pia e empurrei o clipe. Quando eu era mais jovem, eu pensei sobre isso muitas vezes. Basta colocar o cano na minha boca, puxar o gatilho, e pintar o teto com o meu cérebro. Eu costumava pensar sobre isso quando eu estava sozinho e triste, mas agora parecia como algo que eu merecia. Exceto que Wavy tinha dito, "Eu estou suja," e eu não poderia deixar ela pensar que fez algo errado. Eu não queria que ela passasse a vida pensando que ela estava tão suja que eu tive que me matar depois que ela me tocou. O que quer que eu merecia, ela não merecia isso. O medidor de temperatura na janela da cozinha mostrou quarenta e dois graus. Eu deixei ela correr para a noite, vestindo aquele vestido pequeno sem casaco, sabendo que ela teria que atravessar duas estradas e o prado para chegar em casa.


Eu afastei a arma e lavei as mãos. Então eu coloquei o casaco e suéter no alforje, e dirigi. Procurei no acostamento a frente por ela enquanto fui, mas eu tinha esperado muito tempo. Na casa da fazenda, a luz da varanda estava acesa, mas o resto da casa estava escuro. Eu não era corajoso o suficiente para chamar o nome dela, então fiquei na cozinha e ouvi até que peguei dois sons claros. Jatos de água e um soluço abafado. Bati na porta do banheiro, e houve um soluço seguido de silêncio. Não havia nenhuma trava da porta e, quando eu abri, ela bateu contra algo. As botas de Wavy. O ar queimava quando eu inspirei em meus pulmões. Água Sanitária. Eu caí de joelhos e me arrastei para a banheira, dizendo: "Sinto muito, Wavy. Sinto muito por deixar isso acontecer. Isso foi tudo minha culpa e eu sinto muito." Eu coloquei minha mão para baixo e encontrei seu vestido amassado. Eu não podia ver uma coisa, então eu estendi para ela, mas ela bateu na minha mão. "Ninguém me toca. Estou suja. Eu vou deixar você sujo," disse ela. "Você não está suja." "Prostituta suja." "Você não é suja e você não é uma prostituta." Eu não poderia tomar a lavagem, o som de sua sensação sujo. Mesmo sabendo que ela não iria gostar, eu estendi a mão para impedi-la. Ela gritou e tentou me afastar, mas eu segurei suas mãos, e peguei a barra de sabão e a esponja longe dela. Seus braços estavam escorregadios, muito difíceis de segurar. Ela soltou um braço e conseguiu me dar um soco bem no olho esquerdo. Iluminou todo o interior do meu crânio. Eu estive em brigas de bar onde eu não fui golpeado tão forte, mas uma vez que eu a tinha presa debaixo do braço, ela não era


grande o suficiente para ter uma briga real contra mim. A água escorrendo dela ensopou meu jeans e deixou o piso escorregadio. Ela estava se lavando em água fria e água sanitária. Quando alcancei a toalha que eu sabia que estava pendurada atrás da porta algo pontudo – o joelho de Wavy - me acertou no rim, quase me dobrando, e eu deslizei na parede com um baque. "Crianças parem de fazer tanto barulho," Val gritou de seu quarto. Esperei Val abrir a porta, acender a luz, e me encontrar lutando com sua filha nua, mas Val não se levantou. Ela nem sequer gritou novamente. Ferveu meu sangue, porra. "Sua cadela estúpida! Eu poderia estar aqui para estuprá-la! E você não pode mesmo levantar sua bunda da cama para vir ver sobre o que ela está gritando? Que diabos está errado com você?" Sem resposta para isso. Enquanto eu estava gritando com Val, Wavy finalmente parou de lutar contra mim, e eu consegui enrolar a toalha nela o melhor que pude. No escuro, eu a levei até as escadas, esperando mais escuridão, mas a lua iluminou todo seu quarto. Lua cheia. Será que isso explicou o que eu tinha feito? Depois que eu coloquei Wavy debaixo das cobertas eu peguei a toalha e sequei seu cabelo. Ela deitou lá tremendo e me deixou. "Você tem que falar comigo," eu disse. Nós não íamos resolver isso com fingimento. "Você não é suja. Por que Val disse isso?" "Liam não é confiável." Ela sempre disse isto desta maneira, como se isto fosse o nome dele.


"O que tem ele?" "Sentei em seu colo." "Quando?" Ajoelhei-me ao lado da cama, com as cobertas puxadas apertadas sobre Wavy, mas ela enfiou a mão para fora dos lençóis e tocou meu braço. Então ela encontrou minha mão e apertou-a. Apertei de volta. "Antes que eu pudesse ler," disse ela. "E mamãe disse: ‘Não toque nela. Isso é sujo! Se você tocá-la você vai para o inferno! Ninguém toca nela!'" "Liam fez alguma coisa para você?" Depois do que eu tinha feito, eu sabia que não tinha nenhum sentimento moralista, mas esta coisa quente brotou em mim. Se Liam tinha mexido com ela, vou matá-lo. Sufocar a porra do pescoço dele com as minhas próprias mãos. "O que ele fez com você?" "Nada." "O que ele estava fazendo quando Val lhe disse isso?" "Lendo para mim." Tentei imaginar Liam com Wavy em seu colo, lendo uma história para ela. Eu não podia controlar isto até que eu lembrei que mesmo o meu pai fez algumas coisas boas. Levou-me para alguns jogos de bola. Se Jesse Joe Barfoot teve alguns dias em que ele era um pai decente, talvez Liam teve alguns, também. E Val era louca como o inferno. O tipo de pessoa que podia ver a filha no colo de seu marido e imaginar o pior. Poderia explicar por que Liam nunca esteve perto de Wavy. Se sua esposa o acusou de fazer algo desagradável para sua filha bebê, você pode pensar duas vezes antes de tocá-la novamente.


"Ele não tocou em você? Não…" Com ela segurando a minha mão como se ela ainda confiasse em mim, minha garganta se fechou quando tentei perguntar. "Não no seu lugar privado?" "Não. Ela disse que ele iria, mas ele não fez. Ela disse que todos os homens iriam." "Wavy, me desculpe eu…" "Agora você vai para o inferno e isto é minha culpa, porque eu sou suja." "Se eu for para o inferno, não será por causa de você." Eu definitivamente estava indo para o inferno, mas isto não era culpa dela. "E você não está suja." "Você disse." "Eu disse que isto era sujo, não que você era suja. Você é uma boa garota." Meus joelhos estavam me matando, então eu sentei com as pernas cruzadas ao lado da cama, mantendo sua mão na minha. "Por que é sujo? Você gostou," disse ela. "Porque você tem treze anos." Havia um monte de outras razões que eu não deveria ter brincado com ela, mas isto foi um dos grandes. "Você não é velha o suficiente." "Eu sou velha o suficiente para gostar." Ela puxou mais meu braço sob a borda do lençol e pressionou seu seio nu e frio na minha mão. Eu afastei sem sequer pensar. Por um tempo, ela deitou lá quieta. Em seguida, ela serpenteou seu braço para fora das cobertas e deixou cair algo que bateu ao lado do meu joelho. Apalpei no chão e encontrei seu anel. Eu estava tão atormentado contra qualquer um tornando isto em algo desagradável, e, em seguida, isto é o que eu fiz. "Wavy, isto é seu. Eu te dei isso porque eu te amo."


Ela se virou, longe de mim, e suspirou pesado. Ela tinha usado todas as suas palavras. Talvez por meses. Eu nunca a ouvi dizer tanto. Segurando o anel na minha mão, eu percebi três coisas que eu poderia fazer. Uma delas era realmente ruim. Uma delas era horrível demais para sequer pensar. Isso me deixou apenas uma opção. O aquecedor sacudiu e isto me colocou em movimento. Eu lancei a toalha molhada em cima dele e sentei na cama. Eu segurei o anel na ponta do meu dedo mindinho para segurá-lo enquanto eu tirei minhas botas e jaqueta. Empurrei Wavy para a parede e levantei apenas a colcha, mantendo o lençol entre nós. Ela estava enrolada quando eu coloquei meu braço em torno dela, sua coluna vertebral dura contra o meu peito. "Eu te amo, Wavy. Eu te amo." Eu disse isto até que ela relaxou. "Agora coloque o seu anel de volta." Ela não se moveu, mas quando eu me inclinei no meu cotovelo e peguei a mão dela, ela não se afastou. Quando eu puxei seu braço para virá-la na minha direção, eu deixei o lençol cair então seus seios estavam nus ao luar. Eles eram lindos, e ela confiava em mim o suficiente que ela me permitiria tocá-los. Ela olhou para as estrelas no teto enquanto eu coloquei o anel em seu dedo. "Não é sujo," eu disse. "Eu fui estúpido em dizer isso. Não é sujo se você me ama tanto quanto eu te amo. E eu te amo completamente. Mas temos que ir devagar. Fomos muito rápido hoje à noite." Ela mexeu o anel em seu dedo, e me preocupei que ela ia tirá-lo novamente. "Naquela noite que eu vi você pela primeira vez, eu estava indo rápido demais. Lá estava eu curioso para ver você e abandonei a moto. Me acidentei. Eu não quero nos machucar assim. Eu não quero que você se machuque."


Ela afastou a mรฃo do meu braรงo para tocar a cicatriz. O anel ainda estava em seu dedo e ela olhou para mim, olhou-me nos olhos. Bem devagar, como um striptease indo em sentido inverso, ela puxou o lenรงol para se cobrir e assentiu.


12 WAVY Março-Junho 1983

Kellen estava infeliz. Eu podia sentir o cheiro dele. Fui com ele quando ele teve o seu corte de cabelo, e o barbeiro disse: "Ei, essa não é sua filha, é, Junior?" "Não." Kellen engoliu em seco e disse: "Esta é a minha namorada." Fiquei feliz em ouvir que eu era alguma coisa sua, mas o anel estava pesado no meu dedo e eu desejei que ele tivesse dito, "Esta é a minha noiva." O barbeiro olhou para mim enquanto ele cortava o cabelo de Kellen. Da maneira que Kellen olhava para os motores, para descobrir o que estava errado com eles. Para ver o que o barbeiro viu, me olhei no espelho atrás das cadeiras de barbeiro. Muito jovem. Eu tentei ser mais parecida com Sandy, mas ainda parecia uma menina. Abrindo o meu casaco, eu empurrei meus ombros para trás contra a cadeira e deslizei meus quadris para a frente. Cruzei uma perna sobre a outra, assim meu pé balançava. Então eu descansei meus braços na cadeira e deixe minhas mãos penduradas nos pulsos. Lentamente, eu inclinei minha cabeça para trás e deixei meu olhar suave. O olhar que mamãe usava para fazer Liam vir até ela depois que brigavam. Os membros soltos que convidavam, os olhos suaves que prometiam coisas.


O barbeiro teria vindo para mim, se o convite fosse para ele, mas Kellen corou e desviou o olhar. Eu não sabia o que fazer, porque as coisas que mamãe e Sandy faziam quando Liam estava chateado, eu não tinha permissão para fazer essas coisas com Kellen. Noite após noite, ele sentou ao meu lado no sofá, assistindo TV. Nunca na minha cama ou na poltrona. Ele segurou minha mão, mas ele não colocou o braço em volta de mim ou tocou meu cabelo ou me beijou. Se ele não queria me tocar, eu poderia aceitar isso, mas eu queria tocá-lo. Isso nunca foi contra as regras antes, mas isto era agora. Por todo dezembro, ele não me deixou tocá-lo, e então eu passei as férias de inverno na casa da tia Brenda sem ele. Agora janeiro e fevereiro foram embora, e eu ainda não tinha permissão para tocá-lo. Mesmo que ele não diria isso, eu sabia o que ele sentia. Eu senti isto o suficiente para saber. Sujo. Muito sujo ao toque. Muito sujo para ser tocado. Se ele não me tocava, isto era suportável, mas tê-lo olhando para longe de mim não era. Eu precisava dele para me ver. No sofá naquela noite, após o corte de cabelo, ele pegou minha mão. Olhei para seus jeans, as que ele usava no seu aniversário que foi arruinada por agua sanitária. Manchas brancas brilhantes já se esfarrapando. Por minha causa. Eu puxei minha mão e disse: "Eu sou muito suja para tocar." Ele saltou como se uma abelha lhe tivesse picado e inclinou-se para colocar os cotovelos sobre os joelhos. "Não, querida. Eu te disse. Você não é. Você é linda. Eu te amo, mas você tem apenas treze anos. Portanto, não podemos estar brincando."


Ele não olhou para mim quando ele disse: "Você é linda," então ele poderia muito bem ter dito: "Você é invisível." "Me desculpe, eu te deixo sujo." Dizendo as palavras senti como engolir cigarros acesos, mas eu tinha que dizer-lhes. "Você não me deixou sujo. Você não poderia, porque você não é suja, ok?" "Então você não está sujo." "Ok, eu não estou," disse ele. Enfiei minha mão ao longo de sua barriga em direção a fivela, mas ele empurrou minha mão na minha perna e pressionou-a para ficar imóvel. "Não, Wavy." As minhas palavras foram suficientemente quentes para queimar minha língua, mas eu não podia engoli-las, também. Elas ficaram na minha garganta, de modo que eu quase não conseguia respirar. Levantei-me e fui para a cozinha, porque eu não ia chorar na frente dele novamente. O mais silenciosamente que pude, eu puxei meu casaco e sai pela porta dos fundos. Orion estava no céu, mas as nuvens o esconderam, por isso, não havia sentido passar através dos bosques, onde estaria escuro. Segui a regra segura – caminhe de frente para o tráfego – e fiz isto tão longe quanto o segundo semáforo antes da Panhead retumbar atrás de mim. Kellen passou na minha frente e virou-se para estacionar na minha frente. "Suba. Vou levá-la para casa se isto é onde você quer ir," disse ele. Eu abaixei minha cabeça e continuei andando. Depois que passei por ele, ele virou a moto e parou ao meu lado, indo pelo caminho contrário da estrada, arrastando as botas no chão do acostamento. Seus braços estavam nus, músculos tensos enquanto ele freou e


acelerou. Ele saiu de camiseta atrás de mim, então eu era culpada por duas vezes. Fiz ele infeliz e ele estava com frio, mas andar era a única coisa que me impediu de chorar. "Por favor, Wavy. Você está quebrando meu coração e eu não sei o que fazer." Ele estava infeliz quando eu estava lá, ele estava infeliz se eu fosse embora, e eu estava muito infeliz. Agora eu entendia o que aqueles olhos quentes e assustadores de mamãe quis dizer quando ela dançou com o tio Sean. Eles significavam que tudo foi quebrado. "Eu quebrei tudo o que me fez feliz," tentei dizer, mas eu tive que pressionar minhas mãos contra meus olhos para parar o dilúvio. Kellen agarrou meu pulso e colocou meus dedos frios na sua boca quente. Depois ele beijou o anel, a pior das palavras deslizou na minha garganta. Ele me levantou para o tanque de gasolina na frente dele e quando eu beijei seu pescoço, ele não me impediu. Depois que eu beijei seu pescoço, eu beijei sua bochecha. Depois de sua bochecha, os lábios, e então ele me beijou de volta. Ele me amava. Se a boca era um lugar sujo e ele não tinha medo de beijar a minha, eu não estava muito suja. Um carro buzinou e Kellen disse, "Suba na moto, querida. Está frio aqui fora e nós estamos dando a todos um show." Depois disso nós só fingíamos assistir TV. Era um jogo. Enquanto Kellen comia os jantares eu cozinhava para ele, eu passava minhas mãos ao longo de seus ombros até que ele tirou a camisa para ter suas costas massageadas. Uma vez que eu esfreguei suas costas, eu poderia tocar seu peito nu e sua barriga. Quase até a fivela do cinto. Ainda mais do que eu queria comida, eu queria sua carne. Eu queria tocar os lugares onde ele era duro, e os lugares onde ele era suave. Ele não gostava de seus lugares suaves, mas eu queria da maneira que eu queria purê de batatas feito com


manteiga de verdade. Eu não tinha nada no meu corpo como o vinco úmido quente entre seu peito e sua barriga. Nada como os músculos que inchavam em seus braços quando ele usava a roldana no teto da loja para içar motores de carros. A brincadeira lenta com Kellen era diferente, como a insistência para um coelho selvagem pegar um pedaço de cenoura da minha mão. Se eu inclinasse minha cabeça de uma certa maneira, quando ele beijou minha boca, ele podia beijar minha garganta também. Se eu envolvesse meus braços ao redor de seu pescoço, suas mãos iriam deslizar para minha cintura, em busca de pele para tocar no espaço entre a minha camiseta e saia. Eu tive que convidá-lo, como nas histórias onde você tem que convidar o vampiro. Sandy disse: "A roupa certa vai fazer ou quebrar um encontro." Kellen nunca iria tirar o meu vestido, mas ele iria deixar minha camiseta subir. Sandy estava certa sobre isso também. As camisas apertadas me fazem parecer mais velha. Elas fizeram Kellen querer tocar mais do que meu cabelo, e ele não se importava quão pequeno meus seios eram. Se eu era lenta o suficiente, eu tinha permissão para tocá-lo quase em toda parte. Quase. Ele disse: "Devagar," tantas vezes que, mesmo quando ele me deixou ir mais rápido, eu fui lenta para provocá-lo. Um jogo diferente. Para fazê-lo dizer: "Mais rápido." Uma noite no prado, nos beijamos até que nossos lábios estavam em carne viva, e minha camiseta estava fora e minha calcinha estava molhada debaixo da minha saia de esfregar contra sua coxa. Ele iria passar a mão pelas minhas pernas, mas ele estava muito nervoso para me tocar lá. Finalmente, ele me deixou desatar seu cinto e pegá-lo na minha mão. Fui lenta, tão lenta, até que ele estava respirando com dificuldade e sua voz estava profunda em sua garganta quando ele disse: "Wavy, você está me deixando louco."


"Você disse lento," eu sussurrei em seu ouvido. Rindo, ele apertou meu braço com força suficiente para machucar, e disse: "Porra, eu sei que eu disse lento, mas não é isso que eu quis dizer. Você vai me matar se você continuar fazendo isso dessa maneira." Eu não o matei, mas eu fiz ele implorar, suado e ofegante. Ele nem sequer pediu qualquer coisa. Ele estava apenas implorando, com o meu nome no meio. "Por favor, Wavy, por favor," até que seus quadris arquearam e ele gozou. Uma palavra estranha para isto, como se ele estivesse deixando em outro lugar e chegando no prado comigo. No verão brincamos também. Isto mudou o tempo, mudou rápido e lento. Secretamente, eu sabia, Kellen queria ir mais rápido. Ele disse: "Não, não. Não podemos, querida.” Sozinho comigo, ele virou as costas enquanto eu fui nadar, a menos que eu mantive minha camiseta e calcinha. Quando Donal veio nadar sob a lua cheia, embora, tirei todas as minhas roupas para nadar, e Kellen me observava. Eu vim para fora do tanque nua e fui para ele, arrastando a água através da grama. Quando eu coloquei meus braços em torno dele e marquei minha forma molhada em sua camiseta, ele não disse: "Não, não." Ele disse: "Oh, Wavy," em sua voz implorando. Ele passou as mãos pelos meus lados escorregadios para meus quadris e me beijou até que Donal disse: "Eca, nojento! Sem chupar a cara dela! " Verão tinha tantos truques. As noites duravam mais tempo do que os dias, mesmo que o ângulo do eixo da Terra significava que era impossível. A noite não poderia ser mais longa, mas o verão fez parecer assim. Verão roubou tempo para mim, tendo um minuto de fevereiro, três minutos da aula de Inglês em março, dez minutos inteiros de uma quinta-feira chata em abril. Verão roubou tempo para me dar mais uma hora sob as estrelas com Kellen.


A única vez que o verão abrandou foram as duas semanas na casa da tia Brenda. Tempo roubado de mim, em vez de dar para mim. A noite antes de tia Brenda nos pegar foi o quatro de julho. Kellen comprou fogos de artifício: foguetes para Donal e velas estrelas para Sandy e eu. Em seguida, levamos a moto ao redor do lago e de volta para a casa de Kellen. Ele me deixou deitar em cima dele no sofá e ele me beijou por muito tempo. Nada mais do que isso, embora seu coração batesse na minha mão. "É melhor eu te levar para casa logo assim você estará pronta quando a sua tia chegar pela manhã," disse ele. "Ainda não." "Sim, querida, é melhor." Eu pressionei minha perna entre as dele, onde o cinturão de Orion o manteve fechado em seus jeans. Eu amava como o beijo me deixava suave entre as minhas pernas, mas isso deixava ele duro ao mesmo tempo. Era magicamente maravilhoso. Kellen gemeu e disse: "Você precisa dormir. Eu preciso dormir. Eu tenho que ir pegar aquela Knucklehead estragada amanhã." Eu fui, mas não antes de deixar-lhe uma mensagem. Uma vez que ele ligou a moto, eu corri de volta para seu quarto. Descendo de joelhos sobre o chão de linóleo muito parecido com uma sala de aula – eu enfiei a mão no criado-mudo e encontrei a revista. Eu olhei para isso tantas vezes, que abriu na página que eu queria. O prazer que eu queria. Eu a coloquei em sua cama e corri de volta para a moto. Será que ele entenderia a mensagem? Será que ele pensaria que era sujo? Não. Ele disse que, se você me ama tanto quanto eu te amo, não é sujo. Eu o amava


completamente e isto significava que nada era sujo. Ele nĂŁo tinha medo dos meus germes. Ele nĂŁo estava com medo de me esconder dentro dele.


QUARTA PARTE


1 AMY Julho 1983

Tudo era diferente naquele verão. Antes, sempre que a mãe queria que Wavy e Donal viessem nos visitar, ela ligaria para tia Val, e Kellen iria entregá-los. Naquele verão, foi tia Val quem ligou e disse: "Por que Wavy e Donal não vão vê-los por algumas semanas?" Mamãe insistiu que ela iria buscá-los, e eu fui com ela. Depois que deixamos a rodovia, nós dirigimos por uma estrada de cascalho estreita, seguindo as instruções que Val tinha dado para mamãe. Quando chegamos lá, Wavy e Donal estavam sozinhos numa antiga casa de fazenda, rodeada por campos de feno. "Onde está sua mãe?" Perguntou mamãe. Wavy deu de ombros. "Nós temos que dizer a você que ela teve que ir ao médico," disse Donal. "Bem, ela sabe que estou aqui para pegar vocês hoje, certo?" Wavy apontou para as sacolas de supermercado na porta da cozinha. Sua bagagem. Ela parecia tão irritada que eu gostaria de ter ficado em casa. No carro, Wavy procurou na sua sacola e tirou um pacote de marcadores mágicos. Escolhendo um turquesa brilhante, ela se inclinou sobre o assento na minha direção. Logo abaixo da bainha do meu shorts, ela começou a desenhar o que se tornaria um pavão elaborado


durante a volta para casa. Eu sabia que minha mãe iria gritar sobre mesmo uma tatuagem falsa que cobria toda a minha coxa, mas eu não parei Wavy. Seu cabelo fazia cócegas onde encostava em mim, e cheirava a pólvora. Isso era o que eu amava nela. Você nunca sabia o que ela ia fazer. A primeira coisa que fez foi arruinar o verão de Leslie. Wavy nem sequer chegou até depois do quatro de julho, mas a ruína foi retroativa. Leslie tinha uma queda por um salva-vidas na piscina da cidade. Senhorita Goody-Goody7 ainda quebrou as regras e passou pela casa dele quando nós deveríamos ir à biblioteca. Em seguida, ela abandonou seu maiô e comprou um biquíni tão pequeno que ela teve que raspar a maioria de seus pêlos pubianos. O salva-vidas era um ano mais velho e mais popular do que Leslie, mas até julho, eu comecei a pensar que ela tinha uma chance com ele. Em suas pausas, ele a deixou subir a escada da cadeira para trazê-lo uma lata de refrigerante. Então Wavy veio. Wavy, com seus olhos que não eram qualquer cor em particular, exceto escuro. Mesmo depois que mamãe lhe disse para tirá-lo, ela usava sombra de olho que os faziam parecer esfumaçados. Ela não gostava de nadar com todas as pessoas, de modo que ela se sentou em uma cadeira do gramado, usando um chapéu de vaqueiro, uma saia leve, suas botas de motoqueiro, e uma camiseta branca apertada sem sutiã. Um ano antes, teria sido um traje para uma menina estranha, mas naquele verão parecia estranhamente sofisticado. Wavy estava relaxada na cadeira e cruzou as pernas, balançando seu pé.

7

Uma pessoa presunçosa ou intrusivamente virtuosa.


Quando o salva-vidas de Leslie foi para o intervalo, ele desceu e comprou duas latas de refrigerante. Ele andou até onde estava bronzeando em seu biquíni minúsculo, olhou por cima dela para Wavy e disse: "Quem é sua amiga?" "Ela é minha prima," disse Leslie. "Qual é o nome dela?" "Por que você não pergunta a ela?" Leslie deveria ter dito: "Ela tem apenas treze anos." Isso poderia ter funcionado para calar a boca dele. O que não funcionou foi ele perguntando a Wavy o nome dela, porque ela apenas balançou a cabeça. Um ano antes, isto poderia ter passado por timidez. Naquele verão foi um mistério sedutor. "Oh vamos lá. Você não vai mesmo dizer-me o seu nome?" Wavy olhou através dele. "Você quer uma coca?" Ele estendeu a lata para ela. Ela pegou e rolou a lata gelada suada sobre seus braços e em toda a parte de trás do seu pescoço. Em seguida, ela colocou a lata ao lado de sua cadeira. Acabou com a oferta dele. Acabou com ele. Ele se sentou na cadeira ao lado dela e para o resto de sua chance, ele falou docemente com ela. Em resposta, ele recebeu um grande e gordo nada. Tudo o que ele conseguiu fazer foi quebrar o coração de Leslie. Ele não foi o único pretendente de Wavy, tampouco. A maneira como ela passeou para cima e para baixo, sua saia balançando em torno de suas botas, seus quadris estreitos que balançavam, era como jogar isca em uma piscina de tubarões. Os caras velhos eram os piores. Caras que tinham vinte e cinco ou trinta anos. Eles eram mais persistentes, também, oferecendo seus cigarros e cervejas. "Ela pode falar, certo?" O salva-vidas de Leslie me perguntou um dia.


"Se ela quiser." "Como posso fazê-la querer falar comigo?" Até então, eu sabia a resposta: "Você precisa ser Jesse Joe Kellen" Além de ser uma das poucas pessoas que ela iria falar, Kellen era uma coisa que Wavy iria falar. Amiga de Leslie, Jana, veio a nossa casa com este livro, Forever. Ela conseguiu em um acampamento de verão e ela disse: "Oh meu Deus, você tem que lê-lo." Nós lemos. A irmã de Jana, Angela até mesmo leu as partes mais sujas em voz alta para nos fazer rir. Angela era bonita, com olhos cinzentos e uma covinha no queixo. Ela tinha um namorado, mas eu não acho que ela tinha feito nada, exceto segurar a mão dele. Quanto a mim, eu pensei, eu nunca vou fazer isso com um rapaz. Nunca. Wavy encontrou o livro no valor de três palavras: "Não gosto disso." "Oh, você acha que sabe tanto. Aposto que você nunca beijou um garoto," disse Leslie. Wavy deu-nos o olhar ardente que havia roubado o salva-vidas de Leslie e disse: "Um homem." "Que homem?" Disse Angela. "Kellen." "Você realmente beijou ele? Como um verdadeiro beijo francês com sua língua?" Disse Jana. "Mais." "Quanto mais?" Wavy sacudiu seu dedo contra o livro de Judy Blume. "Oh, besteira. Você está mentindo," disse Leslie. "Eu gostaria que vocês pudessem vê-lo. Ele é enorme."


Wavy agarrou sua virilha como um cara e deu a Leslie um sorriso indecente. "Ele é tão nojento. Sério, ele é gordo e ele tem todas aquelas tatuagens nojentas." Jana e Angela não estava ouvindo Leslie. Elas estavam olhando para Wavy. "Então, você realmente o tocou?" Disse Jana. "Você tocou seu… seu pênis? Como foi?" "Quente. Duro. Desesperado." Leslie fez uma careta, mas Jana, Angela, e eu terminamos rindo. A mente suja de Wavy era divertida, mas eu assumi que a maior parte disto foi um ato para perturbar Leslie. Algo como Ken em um vestido. "Você realmente foi até o fim com ele?" Disse Angela. Wavy assentiu, mas Leslie disse: "Não, ela não foi!" Eu não sei em quem acreditar. Eu era mais velha que Wavy, mas algo tinha acontecido com ela no último ano. Ela parecia muito mais crescida do que eu me sentia. Ela parecia mais como a tia Val, e não apenas suas roupas, mas a maneira como ela erguia a cabeça, a forma como ela andava. "Ela não tem nem mesmo catorze. Ela não quer ir até o fim," disse Leslie. Wavy deu de ombros e mostrou seu anel para nós. Eu pensei que era bijuteria, mas naquele dia ela deixou-nos olhar para ele de perto, para que pudéssemos ver que era um anel real. Não algum prêmio de chicletes que iria deixar seu dedo verde. "Você não faria isso! Ele é tão repugnante," disse Leslie. Qualquer outra pessoa poderia ter ficado ofendido, mas Wavy não estava. Ela abriu a mochila e tirou um álbum de fotos. Na frente estavam imagens de tia Val e Donal. Depois disso eram imagens de Kellen. Jogando cartas com alguns homens. Segurando Donal para alimentar uma girafa. De pé ao lado de Wavy, ela em um lindo


vestido verde. A última mostrava ele montado em uma moto em um dia ensolarado sem camisa, tatuagens por todo seu corpo. Ele sorria, seu dente de ouro brilhando. Jana estava fascinada. Ela voltou no dia seguinte e, em vez de sua irmã mais nova, ela trouxe uma amiga dela. Alguém que era muito mais popular do que Leslie. Isso foi prêmio de consolação de Leslie por perder o salva-vidas. Jana e sua amiga interrogaram Wavy sobre tudo, o que foi engraçado, porque ela quase não disse mais do que uma palavra de cada vez. Às vezes ela nem sequer precisa de uma palavra, como quando ela me usou para demonstrar alguma posição sexual que parecia completamente ridícula quando eu tinha quinze anos. Eu não poderia imaginar dois adultos fazendo isso com os rostos sérios, e quando eu comecei a rir, Wavy caiu em cima de mim, rindo. Elas ainda tiveram Donal envolvido. Atraíram ele lá em cima com biscoitos, Jana disse, "sua irmã realmente vai se casar?" "Kellen a ama. Quando vamos nadar totalmente nus, ele a beija e a deixa esfregar seus peitos em cima dele. É nojento. Ele diz, 'Oh, Wavy.'" Donal tentou fazer sua voz grossa e Wavy, que estava desenhando uma tatuagem de dinossauro em seu ombro, bateu-lhe na parte de trás de sua cabeça. "Você vai nadar nua com ele?" Disse Jana. Isso levantou Wavy ainda maior aos olhos de Jana, mas lembrou a Leslie de sua tragédia na piscina. Me deixou com lealdades divididas. Eu amava Wavy, mas Leslie era minha irmã. Eu estava triste e aliviada quando as duas semanas acabaram. Talvez Leslie pudesse conseguir o salva-vidas de volta, se ela ainda o quisesse. Mamãe tinha planejado a visita do jeito que ela queria, mas houve uma confusão sobre quando Wavy ia voltar. Wavy ficou furiosa quando descobriu que ela não estava


indo para casa até depois de seu aniversário. Agarrando o calendário na parede da cozinha, ela jogou-o em cima da mesa e começou contando os dias para indicar duas semanas. "Wavy, vamos voltar no dia vinte. Sua mãe e eu concordamos." "Você concordou. Não eu," disse Wavy. "Achei que você gostaria de passar o seu aniversário com a gente." Wavy bateu seu dedo sobre o dia catorze de novo e ela tinha um olhar assustador em seus olhos. Um olhar que disse que iria fazer o que ela queria. "Droga," Papai gritou do escritório, onde ele foi, provavelmente cansado de ouvir os argumentos em mimica de Wavy. "Por que não a leva de volta amanhã?" "Porque eu não recebo ordens dela." "Leve-a de volta esta noite por tudo que me importa. Cristo. Eu estou tentando trabalhar." Wavy bateu a mão na mesa para chamar a atenção da mamãe de volta para ela. "Você não age dessa forma comigo, mocinha." Por um minuto, ela e minha mãe olharam uma para a outra. Então Wavy se aproximou e pegou o telefone. Eu nunca tinha visto ela usar um antes, mas ela começou a discar. "Para quem você está ligando?" Disse a mãe. "Kellen." "Eu não penso assim. Você é uma convidada aqui e você vai voltar quando eu dizer sim."


Mamãe veio ao redor da mesa e desligou o telefone. Do olhar no rosto de Wavy, eu esperava a violência, mas ela ganhou o argumento com quatro palavras: "Convidada? Mais como prisioneira." Na parte da manhã, a mãe colocou todos no carro, mesmo Leslie, que reclamou sobre isto. "Por que eu tenho que ir?" Disse ela. "Estamos todos indo e vamos passar o aniversário de Wavy com sua tia Val. Não vai ser bom? Feliz aniversário, Wavy." Mamãe estava tão louca que ela parecia como se chamas fossem sair de sua cabeça. "Por que meu pai não tem que ir?" Disse Leslie. "Seu pai tem que trabalhar. Você tem um emprego? Não. Você passou todo o verão na piscina, flertando com o salva-vidas. Então cala a boca!" Wavy e Donal não pareciam perturbados por mamãe gritar, o que me fez pensar que eles estavam acostumados, que ele poderia continuar brincando feliz com seus carros no banco da frente, enquanto a mamãe ficava descontrolada. O creme chantilly sobre o sundae de merda da minha mãe era que Wavy a enganou. Quando nós dirigimos por Powell no nosso caminho para a fazenda, Wavy se inclinou para frente e apontou para uma curva. "Esse não é o caminho para a casa, não é?" Disse a mamãe. Wavy apontou para a curva novamente. Mãe a pegou e dirigiu pela rua até que Wavy disse: "Aqui." "Small Engine do Cutcheon? O que é isso?" "É onde Kellen trabalha." Donal começou a abrir a porta, mas Wavy o impediu.


"Agora, olhe," disse a mamãe. "Eu estou levando vocês dois para casa. Eu não vou deixar vocês aqui." Wavy deslizou a mão pelo meu braço e foi para fora do carro antes que mamãe poderia sair com o carro. "Wavy!" Mamãe gritou quando a porta bateu. Ela fez uma careta quando Wavy caminhou em direção à garagem, mas o que podia fazer? Correr atrás de Wavy e forçá-la a entrar no carro? Depois de um minuto, ela partiu. A cereja no sundae de merda da minha mãe foi quando chegamos à fazenda, ninguém estava lá. A porta dos fundos estava destrancada e pratos sujos estavam empilhados na pia. Garrafas de cerveja e um cinzeiro cheio estavam sobre a mesa de café na sala de estar, ao lado de um monte de pedaços queimados de uma folha alumínio. "Está tudo bem," disse Donal, quando viu o olhar no rosto de mamãe. "Você pode me levar para o rancho. É onde eu durmo de qualquer maneira." "Você não dorme aqui?" Donal deu o encolher de ombros de Wavy – Tipo isto é o que é. A fazenda parecia um composto armado que você pode ver no noticiário. Supremacistas brancos ou um culto religioso. Passando o portão ficava duas garagens de metal, e fora nas árvores um celeiro de metal grande. Agrupado perto da estrada haviam quatro trailers, um com uma varanda na frente. Sentada na varanda, fumando, estava uma boneca Barbie em tamanho natural. Donal saltou do carro e correu para abraçá-la. Então ele foi para as garagens. A boneca Barbie desceu da varanda, cigarro na mão e disse: "Ei, você é tia de Donal? E suas primas? Eu sou Sandy."


Esperamos por uma explicação de quem Sandy era, mas ela não ofereceu nenhuma. "Você quer entrar para tomar uma bebida ou algo assim?" "Você sabe onde Valerie está?" Disse a mãe. Sandy era a mais bonita mulher triste que eu já vi, e por um segundo, ela franziu a testa, mais triste do que bonita. "Não, mas ela estará de volta mais tarde, se você quiser esperar." "Não há problema em deixar Donal aqui, com você?" "Claro, querida. Vou levá-lo para um lanche daqui apouco. Wavy voltou com você? " Mamãe não respondeu, então eu disse: "Ela está no Kellen." Sandy era muito linda novamente, sorrindo. "Oh, ele ficará feliz em vê-la. Eles são tão doces um com o outro. Ontem ele pegou um grande refrigerador cheio de gelo e dirigiu para Garringer. Eles têm um Baskin Robbins lá, e ele comprou-lhe uma colher de cada sabor de sorvete que eles têm. Você sabe, para seu aniversário. Isso não é a coisa mais doce? Certeza que você não quer parar para uma bebida? Donal poderia mostrar-lhe sua pequena moto. Ele é tão bonito nela." "Não," disse mamãe. Ela nem sequer esperou para dizer adeus a Donal. Uma hora de viagem para casa e mamãe desligou o rádio que tínhamos ligado para evitar falar, e disse: "Como você acha que Wavy parecia?" Minha irmã olhou. Como a garota que roubou seu salva-vidas, é assim que ela parecia para Leslie. "Feliz," eu disse. "Ela não parecia hostil para você?"


"Só porque você queria que ela ficasse para seu aniversário." "Oh, doce Deus. Seria tão terrível passar seu aniversário com a gente?" "Ela queria passar seu aniversário com Kellen. Ele comprou-lhe um monte de sorvete." Eu ri com o pensamento dela comendo trinta e uma bolas de sorvete, mas ninguém mais riu. "Eu pensei que ela iria superar tendo uma queda por ele. Algum grande, motoqueiro estupido e desordeiro. E aquela tatuagem obscena em seu braço. Quero dizer, vocês meninas acham que ele é bonito?" "Me amordace com uma colher," disse Leslie. Eu fiz um encolher de ombros de Wavy, porque eu nem sequer pensei que o salva-vidas de Leslie fosse bonito. Eu ainda não tinha visto um menino que eu pensei que valia a pena ter uma queda. "Bem, ela sempre foi diferente," disse mamãe. "Aposto que ela está grávida até o final do ano escolar," disse Leslie. "O que isso deveria significar?" Eu queria dizer, "Isso significa que Leslie é uma cadela," mas eu mantive minha boca fechada. "Você sabe que ela está tendo relações sexuais com Kellen," disse Leslie. "Eu certamente não sei isso." Mamãe pisou nos freios e olhou para Leslie, que olhava para a frente. "Bem, ela está tendo relações sexuais com ele. Agora você sabe." "Você não sabe disso," eu disse. Eu ainda pensei que era um dos jogos estranhos de Wavy. "Ela disse que teve relações sexuais com ele," disse Leslie.


"Sim mas…" Mãe freou forte e duro e direcionou para o acostamento. "O que quer dizer ela disse que teve relações sexuais com ele?" Leslie suspirou como se estivesse entediada. "Perguntamos a ela sobre seu anel de casamento, e Jana disse, 'Você vai até o fim com ele?’ e Wavy disse: 'Sim.'" "Que anel de casamento?" As mãos da mamãe tremiam quando ela parou o carro. "Aquele anel que ela usava com o diamante." Leslie sorriu. "Oh meu Deus." Mamãe disse isto cerca de dez vezes e então ela disse: "Eu não posso acreditar que vocês duas têm mantido isso em segredo. Vocês deveriam se envergonhar. Que vergonha para as duas. Conte-me tudo. Agora mesmo." Nós contamos tudo. Não, não tudo. Nenhuma de nós teve a coragem de dizer: "Quente. Duro. Desesperado." Mamãe ligou o carro e virou. Nós estávamos voltando. Eu me senti como um traidora e eu estava feliz que o salva-vidas havia dispensando Leslie. Ela merecia perder o namorado por dedurar Wavy assim. Dirigindo, mamãe falou para si mesma, dizendo: "Oh, Deus, Val, como você pode deixar isso acontecer? Você deixou esse cara se aproximar e você nunca pensou que havia algo estranho acontecendo? Não parecia certo para mim. A maneira como ele a tocou." Eu não disse isto à minha mãe, mas isso foi o que me impressionou: Wavy deixou Kellen tocá-la.

***


Mamãe não voltou para a garagem. Ou ela não se lembrava de como chegar lá ou ela não estava pronta para confrontar Wavy. Na casa da fazenda, havia um carro na garagem. "Graças a Deus, ela está em casa," disse a mãe. Ela estacionou e abriu a porta, mas Leslie e eu ficamos onde estávamos. "Vamos lá, vocês duas. Vocês estão envolvidas neste processo." "Mãe!" O desejo de Leslie de vingança tinha ficado frio de medo. Mamãe ia nos fazer dizer tudo a tia Val. Eu marchei até as escadas atrás de Leslie e minha mãe, meu estômago em nós. A porta estava aberta alguns centímetros. Mamãe bateu no portal e chamou, "Val? Val? É Brenda." Ninguém respondeu, então a mamãe abriu a porta. Além de uma certa quantidade de sangue, sua mente congelou-se, como se houvesse um limite para a quantidade de sangue que pudesse absorver. Havia mais na cozinha. Por cima do ombro de mamãe, eu vi um corpo deitado na porta para o corredor. Um homem de calça jeans e botas de caubói deitado de bruços em uma poça de sangue. Mais sangue estava salpicado na porta. Na parede e banheiro. Leslie se inclinou e vomitou em seus próprios sapatos. Foi quando vi a mulher contorcida no chão da cozinha, com uma cadeira caída ao lado dela. Eu sabia que era a tia Val de seu cabelo longo, marrom embebido em sangue. Eu não sei o que outras pessoas teriam feito nessa situação, mas minha mãe caminhou ao redor da mesa, pegou o telefone e ligou para o 911. Enquanto esperava para ser atendida, "Consiga para sua irmã uma toalhinha molhada fresca."


Essa era a solução da mamãe quando alguém vomitava. Era para eu passar por cima do corpo da minha tia, ir para o banheiro, passando por cima de um outro corpo morto no caminho, e pegar uma toalha molhada para Leslie. Não ia acontecer. Mamãe estava no piloto automático, tentando seguir algumas orientações internas sobre o que fazer em uma crise. "Sim, meu nome é Brenda Newling e eu preciso relatar uma emergência. Minha irmã foi… eu acho que ela levou um tiro." Mamãe ficou toda séria, mas no final sua voz era instável. Enquanto o operador do 911 falava, mamãe pegou um pano de prato e ligou a torneira da cozinha. "É na County Road 7. Perto de Powell. Eu não sei. Eu não sei o nome da estrada." Tudo o que tínhamos eram uma série de marcos e mais voltas escritos no verso de um envelope. Talvez a estrada não tivesse sequer um nome. Mãe franziu a testa, seus lábios tremendo, enquanto ela torceu a toalha. Ela estendeu-a para mim, mas eu estava paralisada. "Deus, eu não sei! É a casa de Valerie e Liam Quinn. Você deixa a estrada depois da concessionária de tratores e vira à esquerda. Há um silo lá com uma árvore que cresce nele. Eu acho que fica a seis quilômetros, vindo de Powell. O que quer dizer do lado de Belton ou lado de Powell? Eu não sei em qual condado está! Amy, por favor." Ela estava esperando por mim para pegar a toalha. Me forcei a mover-me, seguindo a mesma rota que ela tinha feito, em torno da mesa no lado oposto da tia Val. A toalha pareceu bem na minha mão. Fresca. Fria. Não quente e pegajosa como o sangue que estava atraindo moscas.


Algumas gotas de água pingava da toalha, e minha mãe e eu observamos cair no chão. É por isso que vimos ao mesmo tempo: uma pegada de sangue. Uma pequeno, e depois outra, um rastro delas indo em direção à porta dos fundos. "Oh Deus, Donal." Mamãe colocou o telefone no balcão e seguiu as pegadas. Na sujeira no sopé dos degraus da varanda, não havia mais impressões. O sangue tinha secado ou embebido no chão. Mãe olhou para a estrada, o celeiro, o prado. "Wavy," eu disse, porque naquele momento, percebi que sua mãe estava morta. "Entra no carro," disse a mãe. Leslie e eu olhamos para ela. "Agora! Temos de dizer a alguém que pode ajudar. Alguém que possa dizer à polícia onde isto é." Mamãe dirigiu para o rancho sem nos fazer colocar nossos cintos de segurança. À medida que paramos na frente do trailer, Sandy desceu os degraus. Suas pernas bronzeadas pareciam ter um quilômetro de comprimento abaixo de seu short branco. Ela sorriu para nós. Bonita. Algo para olhar que não era sangue. "Ei, meninas." "Onde está Donal?" Mamãe abriu a porta do carro e saiu. "Oh, ele subiu a colina para ver Val. Ela está lá em cima agora, se você quiser vêla."


2 BUTCH

Eu não sei por que, mas Liam tinha um gosto para as mulheres loucas e mulheres mudas. Minha ex-mulher não era uma rainha da beleza, mas pelo menos ela teve a metade de um cérebro em sua cabeça. Não Sandy. Ela veio para o laboratório a todo vapor, correndo em saltos altos com seus seios saltando, nem sequer olhou para ver se era seguro. "É Val. Existe um problema," disse ela. Isso não era novidade. Tudo que Val fez foi causar problemas. "Você vai ter que cuidar disto, Sandy. Estamos ocupados aqui em baixo. Onde está Liam?" "Ele pegou a moto. É sério, Butch. Você tem que vir." Deixei Vic e Scott preparando, e segui Sandy fora. Quando cheguei ao trailer de Sandy, havia uma mulher na varanda. Uma versão mais antiga e certinha de Val com cabelo de dona de casa e um vestido rosa mostrando seus braços gordinhos. A irmã de Val, Brenda. Ela parecia instável e as duas meninas sentadas no carro pareciam apavoradas. Achei que era algum problema a toa, porque as pessoas como Brenda ficam chateadas fácil. Talvez elas tinham ido até a casa e pegaram Val e Liam em uma de suas brigas e humor fodido. Talvez Val estava chapada. Talvez Liam havia lhe dado um gosto


da parte de trás da sua mão. Se ela tivesse sido a minha esposa, eu teria conseguido isso mais vezes. "Ei, Brenda. Nós nos encontramos uma vez antes. Eu sou Butch." Eu estendi minha mão, mas Brenda apenas olhou para ela. "Val e Liam estão mortos. Eu acho que eles foram assassinados." Eu puxei minha mão de volta, eu estava tão chocado. Sandy começou a gritar. "Liam! Você não disse Liam! Você não disse! Meu Deus! Liam!" "Cale a boca, Sandy. Acalme-se e deixe-me pensar." Eu não era um idiota inexperiente, e a primeira coisa que pensei foi o laboratório. "O que aconteceu?" Eu disse. "Eu não sei. Eu acho que eles foram baleados. E Donal está perdido. Eu não sabia o endereço para dizer ao 911." Eu podia ver que se eu não fizesse as coisas certas, eu ia ter um monte de produtos em ruínas e os policiais farejando. O que eu precisava era ajuda. Kellen poderia dizer que ele não tinha estômago para o trabalho sujo, mas posso ter me enganado. Certa vez, fui cuidar de alguns ex-colegas de trabalho de Liam que tinham desacreditado nele. Kellen não iria puxar o gatilho, mas ele não piscou quando eu fiz. Isso é o que a situação exigia. Alguém que não iria piscar. Deixei Brenda e Sandy na varanda e entrei no trailer. Liguei para a loja e deixei chamar um dúzia de vezes. Ninguém respondeu na casa de Kellen, também, e quando eu tentei a loja de novo, eu consegui um sinal de ocupado. Brenda entrou e disse: "Você deu a eles o endereço?" Ela pensou que eu tinha ligado para a polícia.


"Sim, eles estão a caminho. Olha, nós vamos cuidar disso, tudo bem. Suas meninas estão muito chateadas, eu aposto." Ela assentiu e a primeira lágrima escapou. "Eu sei, Brenda. Eu sinto muito. Isso deve ser muito difícil para você. Aqui está o que vamos fazer. Sandy, entra aqui." Parecendo um guaxinim com a maquiagem correndo por todo o lugar, Sandy deu um soluço e disse: "Butch… ele… ele nem mesmo…" "Sandy, você tem que se recompor. Nós temos coisas para fazer. Eu vou levar a irmã de Val e suas meninas para a cidade. Você vai até o celeiro, e diga para Scott embrulhar as coisas lá em baixo. Você entende? E diga a Lance para ir até a casa da fazenda. Para atender a polícia." "E Donal?" Disse Brenda. "Não se preocupe. Eu não me esqueci sobre ele. Sandy, você e Dee sobem no prado. Quando você encontrá-lo, leve ele até a cidade para Kellen." "Eu deveria ir com elas," disse Brenda. "Não. Eu não quero que você se perca lá em cima e você tem suas meninas para cuidar. Então você vem para a cidade comigo." A última coisa que eu precisava era ela vagando por aí, enquanto eu tentava limpar o laboratório. Onde quer que Donal estivesse, ele sabia como chegar em casa. "Por que eu não a levo no seu carro, Brenda? Está tudo bem?" Eu disse. Dessa forma, eu estava no comando, isto deixava os caras e os veículos que precisavam para transportar o material longe. Meu plano era ir pela garagem e pegar uma chave para a casa de Kellen. Elas estariam fora do caminho lá, porque eu sabia que Kellen não mantinha qualquer produto em sua casa.


Depois que consegui resolver o problema de Brenda e as meninas, Kellen poderia vir até a fazenda e me ajudar a descobrir o que fazer. Nós teríamos que chamar a polícia, mas não até que nós limpássemos e tivéssemos uma história no lugar.


3 AMY

A garagem de Kellen era a mesma que qualquer outra oficina mecânica rápida que você vê em pequenas cidades. Dois compartimentos de garagem, ambas as portas estavam abertas. Cortadores de grama e motos em vários estados de desmontagem. Na parede do fundo estava uma janela e uma porta. Estacionado lá estava o que eu pensei que tinha que ser a moto de Kellen. Os para-lamas eram cromados e tudo isso estava coberto de estrelas. "Aposto que ele está no escritório," disse Butch, mas quando ele abriu a porta, ele disse: "Que porra é essa?" Pela porta aberta, vi o que toda mundo viu, eu suponho. Wavy sobre a mesa, inclinando-se para trás em suas mãos, completamente nua, descansando os pés descalços nas pernas de Kellen. Ele estava na cadeira, sem camisa e a calça aberta. Eu não notei nenhum sangue, embora mais tarde era sobre tudo que alguém falou - o sangue sobre o mata-borrão da mesa. Pequenas quantidades de sangue são quase invisíveis quando você tem uma poça de sangue queimando em suas retinas, como uma mancha solar. Eu vi o que todo mundo viu, a não ser que, no momento em que a porta se abriu, eu vi Wavy sorrindo antes de seus olhos se arregalarem.


Kellen se levantou e, enquanto prendia a braguilha, Butch se lançou para ele e preparou o soco. Butch deu um soco na cara dele e tudo que Kellen fez foi dizer: "Porra, Butch, deixe me vestir antes de vir aqui e tentar chutar a minha bunda." Ele não parecia como se tivesse levado um soco, até que viu a mamãe, Leslie, e eu. "Seu filho da puta," disse mamãe. "Há quanto tempo você vem fazendo isso? Quanto tempo?" "Ok, minha senhora, eu sei, eu sei como isto parece." Kellen ergueu as mãos para cima, como se estivesse se rendendo, ou se preparando para mamãe cair em cima dele como uma leoa faminta. "Mas eu a amo. Nós vamos nos casar." Kellen pegou um pedaço de papel de sua mesa e estendeu-a para ela. Ela o pegou e olhou seu rosto ficando mais vermelho. "Val e Liam sabem, ok? Comprei-lhe um anel e Liam assinou a papelada. Ele assinou hoje e o juiz diz…" "Liam não pode dar-lhe permissão para se casar com ela mais!" Mamãe torceu e rasgou o papel até que ele era apenas uma pilha de restos a seus pés. Então eu entendi que o homem morto no corredor da casa da fazenda era tio Liam. Enquanto tudo isso estava acontecendo, Wavy vestiu-se, puxando para cima a calcinha e puxando sua camiseta e saia. Quando ela calçou suas botas, mãe deu a volta em Butch e pegou o telefone que estava fora do gancho no armário. Enquanto ela ligava, ela olhou para o mata-borrão da mesa e disse: "Você vai queimar por isso, seu filho da puta." Eu nunca tinha ouvido ela usar a palavra com F antes. Mamãe colocou o receptor do ouvido dela e, pela segunda vez naquele dia, ligou para o 911. Quando a telefonista atendeu, ela disse: "Quero denunciar um estupro."


"Espere, Sra. Newling. Basta esperar." Butch, não Kellen, disse isto. "Qual é o endereço aqui?" Disse a mãe. Sentando-se na cadeira, com a mão na cabeça, Kellen deu à minha mãe o endereço e ela repetiu para o operador. "Meu nome é Brenda Newling. É a minha sobrinha. Sim, sim, eu fiz essa chamada anteriormente. Eu tive que sair de lá. Eu… não, isto não é uma brincadeira. Eu estava lá e eles foram… "A voz da minha mãe ficou mais alta e mais alta até que ela ficou em silêncio por um momento. "Estão lá? Você tem alguém na casa?" Até então, Butch esteve balançando a cabeça, mas ele deu a volta na mesa e empurrou o telefone longe. "Sua estupida. Você chamou a polícia para a casa? Você chamou a polícia?" Disse ele. "Valerie e Liam estão mortos! Alguém atirou neles! Sim, eu chamei a polícia!" "Porra! Foda-se!" Butch atirou o telefone sobre a mesa e correu para fora atravessando a garagem. Um momento depois ouvimos o carro ligar e ir embora. Ele tinha nos deixados lá. "Oh, querida, eu sinto muito," disse Kellen. Mamãe olhou para Wavy e percebeu o que tinha feito: anunciou isto sem nenhum aviso. Eu estou chamando a polícia para o seu noivo, e a propósito, seus pais estão mortos. Wavy começou a tremer. Kellen colocou as mãos nos quadris dela e a puxou para trás até que ela estava sentada em seu colo. Envolvendo um braço em volta dos seus ombros, ele colocou a cabeça dela sob o queixo. Ele beijou o cabelo dela e disse: "Eu estou aqui, Wavy. Estou aqui."


Parecia que seria o fim de tudo. Mamãe iria parar de gritar e dizer coisas terríveis, e Kellen iria cuidar de Wavy. Ele obviamente sabia como. Eles ainda estavam sentados assim cinco minutos depois quando um carro da polícia parou. Mamãe saiu e, quando voltou, dois policiais estavam com ela. "Por que suas garotas não saem?" o policial mais jovem disse, enquanto o mais velho foi para o escritório. "Vamos lá, Junior," disse ele. "Você vai ter que vir conosco." "Nos dê alguns minutos, ok?" Disse Kellen. "Não, você precisa soltar ela e levantar-se." "Jesus, Delbert, ela acabou

de descobrir que sua mãe morreu. Dê-nos dois

malditos minutos." O policial recuou e esperamos. Kellen colocou Wavy na borda da mesa e por um tempo eles se abraçaram. Ela sussurrou em seu ouvido, e então ela o beijou. Isso não ajudou a situação com os policiais, porque era um beijo de cinema, como quando o herói e a heroína estão dizendo adeus, e talvez eles nunca vão se ver outra vez. O policial mais velho disse: "Isso é o suficiente. Você precisa dar um passo para trás e colocar as mãos na cabeça, Junior." Antes que ele fizesse isso, Kellen enfiou a mão no bolso e jogou um punhado de coisas sobre a mesa: chaves, parafusos, uma faca de bolso e moedas soltas que sacudiu por cima da mesa e caíram no chão. Ele desabotoou sua carteira e atirou-a sobre a mesa, também. Eu poderia dizer que ele tinha feito isso antes, do modo como ele se virou e entrelaçou as mãos na parte de trás de sua cabeça. O policial o algemou, enquanto Wavy sentou-se na mesa, observando.


O policial virou-se para a mamãe e disse: "Normalmente, teríamos um outro carro de patrulha para levá-la ao hospital, mas as coisas estão um pouco loucas hoje. Nós temos uma situação real, na casa dos Quinn." "Eu sei. Esta é a filha deles. Já encontraram seu irmão?" "Caramba, senhora. Essa é a garota Quinn?" O policial piscou. "Eu não sei. Eu não sabia que ele estava desaparecido." "Eu disse ao 911." "Bem, um monte de coisa aconteceu desde então, então eu acho melhor passar um rádio para o xerife e deixá-lo saber." "Delbert!" O policial mais jovem gritou da garagem. "Há sangue por aqui. Muito sangue." "Senhora, eu preciso que você leve essas meninas para fora daqui.

Se você

pudesse levá-las para o carro então eu posso proteger este lugar." Mamãe abraçou Leslie e eu, mas quando ela tentou trazer Wavy em nossa aproximação, Wavy recusou. Ela colocou os braços ao redor de Kellen, onde ele estava ao lado da mesa. Mãe agarrou a parte de trás da camiseta de Wavy e tentou afastá-la. "Senhorita Quinn, você precisa se afastar," disse o policial. Wavy não se mexeu. "Wavy, está tudo bem." Kellen não poderia colocar os braços em volta dela, mas ele se inclinou e beijou-a. "Vá para fora com sua tia. Eu te amo. Vai ficar tudo bem, querida." Ela olhou para ele e balançou a cabeça, mas ela deixou a mamãe levá-la. Mesmo que Wavy não estivesse lutando mais, mamãe manteve sua camiseta apertada em sua mão enquanto nós caminhamos para fora através da garagem. Quando passamos pelo outro policial, vimos o que ele estava olhando. Havia dúzia de gotas de sangue no chão e


em uma bancada perto de uma poça grande como um prato de jantar. Uma hora antes, eu poderia ter pensado que era um monte de sangue, também. Enquanto estávamos fora no sol, ouvi o policial mais jovem dizer: "Jesus, Maria e José. Eu tenho uma arma aqui, Delbert. Há uma arma por aqui com sangue."


4 WAVY

Claro que Kellen disse: "Vai ficar tudo bem." Ele não quer que eu fique com medo, mas mamãe estava morta. Nenhuma mamãe triste, mamãe boa ou mamãe assustadora nunca mais. Apenas mamãe morta. E Donal estava perdido. E Kellen foi algemado. Os policiais nos levaram para o hospital, onde eu vi o Sr. Cutcheon no estacionamento. Ele acenou para mim, mas a tia Brenda não me deixou ir até ele. O hospital cheirava como desinfetante e tristeza, como quando mamãe e Donal tiveram o acidente. Em um quarto branco com um labirinto de cortinas azuis, uma enfermeira disse: "Como ela está? Nós vamos ter uma sala de exames privada para ela em poucos minutos. Você é a mãe dela?" "Eu sou a tia. Sua mãe…"Tia Brenda não poderia dizer isto. Mamãe morreu. Sempre. Era assim que a morte funcionava. Vovó morreu. Fechei os olhos e tentei lembrar o cheiro da casa da vovó. Eu queria cheirar algo agradável que não fosse tristeza. Eu puxei minha camisa por cima do meu nariz. Ela cheirava a suor de Kellen. Seguro. Tia Brenda arrastou-me para uma sala com uma mesa preta coberta com papel. "Por que eu não levo as outras meninas para o saguão de visitantes? As voluntárias têm revistas e outras coisas," disse a outra enfermeira. Leslie e Amy pareciam assustadas, e seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. Tia Val morta para sempre, também.


Então tia Brenda e a enfermeira e eu estávamos sozinhas na pequena sala. "Querida, por que você não deixa que a sua tia ajude você a trocar de roupa, ok?" Era uma daquelas coisas azuis hospitalares com cordas e não para trás. Tia Brenda puxou minha camiseta, tentando tirá-la, mas eu torci seu pulso até que ela soltou. "Minha senhora, ela entende? Você disse-lhe alguma coisa?" A enfermeira disse. "Eu não sabia o que dizer a ela. É como um exame pélvico?" "Sim, como quando você tem o seu exame de Papanicolau. Ela já teve um antes?" "Eu não penso assim. Ela tem apenas treze anos." "Oh, querida. Oh, eu sinto muito," disse a enfermeira. Odiava ouvi-los falar sobre mim como se eu estivesse machucada. Mamãe estava morta, mas eu estava bem. Eu sabia o que "estupro" significava e isto não era o que Kellen tinha feito. "Você sabe, senhora, nós podemos dar-lhe um sedativo. Para acalmá-la." "Essa é uma boa ideia. Ela é muito nervosa sobre as pessoas tocando nela," disse a tia Brenda. Eu não ia tomar qualquer sedativo. Sem pílulas. Sem agulhas. Eles não iam colocar qualquer coisa em mim. "Eu vou pegar isso e talvez enquanto eu for você possa ajudar a sua troca para o avental." A enfermeira abriu a porta, e isso era tudo que eu precisava. Desviei da tia Brenda, abaixei passando a enfermeira, e no corredor. Eu estava livre. Onde ir era a parte mais difícil. Não para a loja ou a casa de Kellen, onde a polícia poderia me pegar. Na Igreja Luterana, um parque de diversões tinha sido criado no


estacionamento, que estava lotado de pessoas. O ar cheirava a bolos confeitados, pesados e gordurosos. Ninguém sequer reparou em mim quando me sentei em uma das tendas, onde as pessoas estavam jogando bingo. Eu fiquei lá durante toda a tarde e à noite, indo de tenda em tenda. Quando começou a escurecer, uma mulher veio até mim e disse: "Seus pais estão aqui? Você precisa de uma carona para casa?" Eu balancei a cabeça e me forcei a sorrir e acenar enquanto me afastava. A polícia ainda estava na loja, mas na casa de Kellen, eles já tinham ido. A porta da frente e a porta traseira foram fechadas com fita amarela, mas a janela para a lavanderia estava aberta. Equilibrando em uma lata de lixo, eu arrebentei a tela, e me arrastei para dentro. Os policiais fizeram uma bagunça, jogando coisas fora de gavetas. Depois que eu coloquei tudo no lugar, eu tomei um banho. Todo o dia no calor me deixou suada, e eu me sentia pegajosa entre as minhas pernas. Envolvendo-me em uma toalha, eu levei minhas roupas sujas para a lavanderia e as coloquei no cesto. Na secadora estavam roupas limpas, minhas e de Kellen misturadas. Coloquei uma calcinha e uma de suas camisetas que eu gostava de dormir. Quando eu abri o refrigerador, eu estava esperando por sanduíches congelados, mas eu encontrei algo melhor. Trinta e um copos de sorvete. No topo de cada tampa de plástico, Kellen havia escrito uma letra de marcador preto. Colocando-os em cima da mesa, arrumei-os até que resolvi o quebra-cabeça: FELIZ ANIVERSÁRIO WAVY! EU TE AMO! Ele tinha desenhado corações tortos nos outros quatro copos. Eu abri o primeiro e dei uma mordida. Chocolate com cerejas nele.


5 AMY

Após Wavy fugir do hospital, nós caminhamos para a delegacia. Minha mãe perguntou a um dos policiais sobre o nosso carro, mas ele balançou a cabeça. "Eu não sei nada sobre isso, mas espero que o DEA vá apreender tudo na propriedade." "O DEA?" Disse a mãe. "Está uma loucura lá. Eu saí para ajudar com bloqueios na estrada e está até os joelhos com federais." "Por causa dos assassinatos?" "O que? Não. Sra. Newling… existe… seu cunhado tem um laboratório de metanfetamina lá do tamanho de um bairro…é grande." Mamãe fez todos os barulhos corretos de choque, mas eu não acho que isto a surpreendeu. Afinal de contas, ela sabia o que ele tinha feito no passado. Será que ela realmente achava que ele estava na pecuária? Tudo o que ela pensou, ela estava muito cansada para discutir. Leslie estava cansada demais para sequer lamentar. Nós três sentamos na delegacia de polícia, nossas costas ficando dormentes em cadeiras de plástico rígido, até que a esposa do xerife nos levou para um hotel. Ela era uma mulher miúda, o que eu imaginei como Wavy seria ao crescer. Fisicamente, de qualquer maneira, porque a esposa do xerife pausava muito ao falar.


Provavelmente ela tinha que fazer. Mãe, Leslie, e eu éramos como zumbis, caminhando para o quarto de hotel. "Não se preocupe, Sra. Newling. Vamos encontrar sua sobrinha e sobrinho." A esposa do xerife pôs a mão no ombro da mamãe, e isso foi quando ela se desfez. Na noite em que descobriu sobre o câncer da vovó foi a primeira vez que vi mamãe chorar, mas a noite do décimo quarto aniversário de Wavy foi pior. Mamãe deixou a esposa do xerife abraçá-la, e ela gritou tão forte que sacudiu a cama em que estavam sentadas. Leslie e eu só observamos. Nós estávamos chorando. Mais do que tudo, eu queria ir para casa, então eu fiquei aliviada quando a esposa do xerife disse: "Agora, você já teve a oportunidade de ligar para seu marido?" Quando o papai atendeu o telefone, a mãe ficou rígida e nem sequer disse olá. Ela disse: "Bill, eu preciso que você venha pegar as meninas. Algo aconteceu com Val." Ele deve ter dito muito mais do que olá, porque ela ouviu por alguns minutos. Ela se levantou e arrastou o telefone de volta para a outra cama para se sentar de costas para Leslie e eu. "Bill, eu preciso que você venha até Powell na parte da manhã e pegue as meninas. Estamos hospedadas no Blue Moon Motel que está na estrada para a cidade. Quarto 107. Bill, eu não quero falar sobre isso no telefone. Elas estão bem." Ela ficou em silêncio novamente, ouvindo, seus ombros rígidos. "Eu não me importo sobre a sua reunião estúpida! Venha pegar suas filhas e leválas para casa!” Quando ela olhou por cima do ombro para nós, eu podia ver que ela estava se preparando para chorar novamente. "Elas estão seguras, mas elas querem voltar para casa."


Mamãe veio ao redor da cama e estendeu o telefone. "Diga a seu pai que você está bem." Leslie pegou o telefone e disse: "Oi, papai." "Leslie, você está bem? Sua irmã está bem?" Eu ouvi meu pai dizer. "Estamos bem." "O que aconteceu? O que está acontecendo?" "Tia Val está morta. E tio… " Mãe puxou o telefone de Leslie. "Ai!" Leslie apertou a mão sobre sua orelha, e quando ela afastou havia sangue nela. Mamãe tinha arrancado seu brinco fora. Não forte o suficiente para rasgar o lóbulo, mas forte o suficiente para fazê-lo sangrar. "Não. Você não precisa vir esta noite. Seria depois da meia-noite quando você conseguisse chegar aqui," disse mamãe para o papai. Não era, o que significava que ele acelerou para chegar lá. Ele não nos acordou, porque não estávamos dormindo. Nós tínhamos vestido pijamas doados por senhoras da igreja, e amontoadas em uma cama que cheirava a agua sanitária e fumaça de cigarro. Deitadas no escuro, estávamos olhando para o teto quando ele bateu na porta. Ele tinha vindo direto do trabalho, amassado e cansado. Puxando nós três em seus braços, ele abraçou-nos forte. Normalmente eu odiava sua respiração rançosa de café, mas naquela noite era familiar e confortável. "Estou tão feliz que vocês estão seguras," ele continuou dizendo. Sentado na beira da cama, com Leslie debaixo de um braço e eu sob o outro, ele ouviu mamãe dizer o que tinha acontecido. Quando ela terminou, ele disse: "Vamos para casa."


Leslie e eu não tivemos que ser convidadas duas vezes. Estávamos prontas para deixar aquele quarto escuro com tapete pegajoso. Nós pegamos os sacos de plástico que levavam nossas roupas e os sapatos que Leslie vomitou em cima, prontas para sair para o carro do papai em nossos pijamas emprestados. Pensei em Wavy, indo de um lugar para outro, sem saber que roupa de estranho ela teria que vestir. Mamãe ficou sentada na beira da cama. "Vamos lá, Brenda. Todos nós já tivemos um longo dia. Você não quer ouvir isso, mas eu tenho que estar no trabalho na parte da manhã. Vamos." "Eu não posso ir." "Sim, você pode, Brenda. Não há nada que você possa fazer aqui. Nós podemos fazer os preparativos para o funeral de casa." "Wavy e Donal estão perdidos. Eu não posso ir. Eles precisam de mim." "Eu sinto muito sobre Val, mas suas filhas precisam de você, também." Papai tilintou as chaves do carro. "A polícia vai encontrar Wavy e Donal e cuidar deles." "O que eu deveria fazer? Eu não posso simplesmente ir embora," disse a mãe. "Isso é exatamente o que você pode fazer. Há um sistema no lugar para cuidar de crianças como Wavy e Donal. Há uma razão para eu pagar meus impostos, de modo que quando coisas como esta acontecem, não temos de interromper nossas vidas. Então, não temos de viver no caos que pessoas como Val criam. Nós continuamos andando, mas vamos deixar que o sistema trabalhe desta vez." "Você está falando sério? Se algo acontecer com a gente, é isso que você quer que aconteça com Leslie e Amy? " Mamãe levantou-se, não para vir com a gente, mas para brigar.


Eu estava de meias, na calçada entre o quarto e o carro, esperando para ver o que o papai faria. Ele saiu do quarto do motel e fechou a porta atrás de si, deixando mamãe sozinha. "Entrem no carro, meninas." Dormi durante o trajeto para casa, enrolada no banco da frente. Sonhei com sangue naquela noite, excesso de velocidade através da escuridão, com a mão do meu pai nas minhas costas. O crânio da tia Val rompido no chão da cozinha em um mar rastejante vermelho. Pegadas que fugiram. Um rastro de sangue sobre um piso de concreto. Um mata-borrão em uma mesa, com um coração desenhado em torno do dezenove, e uma mancha de sangue ao lado dele.


6 KELLEN

Eu sabia exatamente como o aniversário de Wavy seria. Iria fazê-la esperar à mesa com os olhos fechados, enquanto eu arrumava o sorvete para soletrar a mensagem que eu tinha escrito sobre as tampas. Então iria me sentar em frente a ela e dizer: "Ok, você pode olhar agora." Ela iria abrir os olhos e ver. Da mesma forma que a menina no local do sorvete olhou para mim quando eu pedi. Depois que ela superasse a surpresa, Wavy iria rir. Coisas assim faziam ela rir. Então nós iriamos comer o sorvete juntos, mesmo se eu tivesse que fechar os olhos. Depois disso, eu ia levá-la até a loja para ver seu verdadeiro presente de aniversário, a Triumph Terrier. Ainda não estava terminada, mas dessa forma ela poderia me dizer como ela queria a pintura. O cara que me vendeu planejou devolvê-la em perfeitas condições, mas eu tinha o meu olho mais para o tamanho, apenas 150 cc. Agora que ela tinha quatorze anos, ela poderia conseguir uma licença de aluno, e a moto iria onde ela queria, quando ela precisasse. Então, provavelmente haveria algumas brincadeiras. Ok, existiria definitivamente algumas brincadeiras depois de duas semanas de intervalo. Não muito rápido, mas talvez não tão lento. Eu não conseguia parar de pensar sobre a revista que ela deixou no meu travesseiro.


Eventualmente, eu imaginei que íamos acabar deitados sobre a colcha no prado e ela teria o nome de todas as estrelas para mim. Último de tudo, eu ia dizer: "Você realmente quer se casar comigo?" Se ela dissesse que sim, eu diria a ela sobre a conversa que tive com Liam. Nós estávamos chegando a um acordo, e eu esperei até que ele falou tudo sobre o acordo. "Então, o que você quer fazer sobre Wavy?" Eu escolhi essa pergunta porque se alguém me perguntasse isso, eu tinha uma resposta. "Fazer sobre ela? Há algum problema?" Disse Liam. "Não, mas eu estava pensando que talvez pudéssemos tornar as coisas oficiais." "Você não comprou-lhe um anel?" "Sim, mas eu falei com Lyle Broadus. Sabe, meu advogado naquela acusação de agressão em Garringer. Aquela briga que eu entrei na corrida?" "Sim, eu me lembro. Não acredito que ele conseguiu você em liberdade condicional por transformar aquele cara em hambúrguer." "Bem, foi justificado. De qualquer forma, Lyle diz, uma vez que Wavy fizer quatorze anos, podemos casar, se você nos der permissão. É apenas um pedaço de papel que você teria que assinar com um tabelião, isso é tudo." Liam riu e sacudiu a cabeça. Meu estômago foi para o sul e eu aliviei o acelerador. "Kellen, como um homem casado, deixe-me dizer-lhe, você não quer se apressar em nada. Quantos anos você tem? Vinte e cinco ou algo assim? Por que você está com tanta pressa para se amarrar? Pense sobre essa garota que conheceu em Myrtle Beach no ano passado. A ruiva. Aquela com a minúscula cintura e o pequeno vestido de couro preto?"


Eu não tenho ideia do que ele estava falando. Eu tinha um espaço na minha cabeça para cerca de cinco mulheres: minha mãe, Wavy, Val, e talvez duas das namoradas de Liam. Além disso, eu não poderia mantê-las em linha reta. Eu queria que Liam largasse a coca ou a metanfetamina, ou sela lá o que for que o faz falar tão rápido. "Então, isso estaria tudo bem? Se nos casarmos? Você não teria que fazer nada além de assinar esse formulário. Seria mais fácil para a escola, também. Se Wavy vivesse comigo, ela estaria mais perto da nova escola secundária em Belton County." "Ela ainda vai à escola? Você não terminou a escola, não é?" "Não, mas Wavy é muito mais esperta do que eu." "Sem ofensa, mas isso não quer dizer muito. Ela é um pouco lenta.” Liam riu. "Eu tentei ensiná-la a ler e nunca cheguei a lugar nenhum." "Você sabe que eu cuido bem dela. Você não teria que se preocupar com isso." Liam remexeu no bolso da camisa para a coca. "Não é possível falar com você sobre isso, posso? Você é como um - você sabe naqueles comerciais da Budweiser - você é como um grande cavalo com antolhos. Estou tentando expandir seus horizontes, apresentá-lo para as garotas, e você tem o seu olho nessa tampinha estranha. Ela mesmo fala com você? Sério, não minta, agora, seu triste saco de merda, ela fala com você?" "Sim, ela fala comigo." "Isso é alguma coisa." Liam deu um suspiro e, depois de guardar a coca, pôs a mão no meu ombro. "Parece que você tem tudo planejado. Arranja-me qualquer papel que eu tenho que assinar e nós vamos conseguir para você uma bola e uma corrente. Como você se sente sobre uma lua de mel no Colorado? Eu preciso de você para fazer uma corrida para mim na próxima semana."


Eu não ia contar a Wavy que Liam disse sobre ela ser estranha ou lenta. Eu tinha acabado de dizer: "Eu falei com Liam e ele assinou o formulário. Se você realmente quer se casar comigo, podemos dar entrada na papelada amanhã." Honestamente, eu imaginei sobre ela dizer sim. Não imaginei em passar seu aniversário na cadeia do condado. Quando eu era jovem, eu e o xerife tivemos alguns desentendimentos, mas não em um tempo. Se víssemos um ao outro na rua, eu diria, "Xerife Grant," e o xerife dizia, "Junior." Foi o que dissemos um ao outro quando ele entrou na sala de entrevista. Ele parecia tão confuso quanto eu me sentia, mas eu joguei pela regra de Wavy: esperar. O xerife sentou-se e acendeu um cigarro, ofereceu para mim. Eu balancei minha cabeça. "Junior, nós temos mesmos uma situação real. Eu não acho que eu tenho que lhe dizer isso, mas eu preciso saber que inferno aconteceu hoje." "Não muito até esta tarde. Roger estava afiando uma lâmina do cortador de grama e conseguiu cortar a ponta do seu dedo. Mr. Cutcheon o levou para o hospital do condado, e eu fiquei na loja. Depois que eles saíram, Wavy apareceu." "Essa é a garota Quinn?" "Sim. Sua tia a deixou, e algumas horas mais tarde, a tia voltou. Foi quando eu descobri que tinha acontecido alguma coisa na casa dos Quinn." "Junior, parece-me que você está deixando de fora um monte de coisas aí no meio. A tia disse ao meu policial que a menina estava nua em sua mesa." Eu queria não corar tanto, mas isto veio subindo pelo meu colarinho. "Sim, nós estávamos brincando. Mas ela é minha noiva. Comprei-lhe um anel, e seu pai me deu permissão para casar com ela. Recebi a carta do juiz, registrada em cartório e tudo."


"Não minta para mim, Junior. Você não quer ir por esse caminho. Mesmo se eu pudesse fazer cara ou coroa do que resta dessa carta, o fato é que a menina não é sua esposa. Idade de consentimento de dezesseis anos, e sua tia está realmente chateada, falando de queixa. Então, você precisa me dizer exatamente o que estava fazendo." "Foi um pouco mais do que deveria. Eu sei disso. Mas não aconteceu tudo. Eu não faria isso. Nós vamos nos casar." Eu me senti mal o suficiente quão longe isto foi, porque eu fui sincero sobre querer casar com ela primeiro. "Ok. Eu estou contente de ouvir isso, mas a situação com a garota Quinn é a menor das suas preocupações. Eu também tenho uma arma que o meu policial encontrou em sua loja. Agora, não sabemos ao certo ainda, mas a minha suspeita é que é a arma usada para matar Liam e Valerie Quinn. Então você me diz, Como a arma acabaria lá?" "Eu não sei." Eu sabia que a arma ia acabar na minha frente para explicar. "Depois de Roger e Cutcheon saírem, o telefone no escritório tocou. Entrei para atendê-lo, porque nós tínhamos deixado uma mensagem para a esposa de Roger, pensei que era ela. Enquanto eu estava no telefone, Wavy entrou. Ela fechou a porta do escritório e as cortinas da janela, mas as portas da garagem ficaram abertas. Qualquer um poderia ter entrado lá dentro." "Isso nos coloca em quase três horas entre quando sua tia diz que ela deixou a garota e quando ela fez a ligação para comunicar do seu escritório. Você não deixou a garagem em qualquer momento nessas três horas?" "Não, xerife. Eu nem sequer sai do escritório." "Três horas é uma enorme quantidade de brincadeira, mesmo para um jovem como você."


Meu rosto ficou mais quente e mais quente, e mesmo que tinha ar-condicionado lá, comecei a suar. O xerife esperou, olhando para mim. "Bem, nós conversamos um pouco, também," eu disse. "Então, essa é a sua história? Você e a menina conversaram. E você brincou por algumas horas, mas você não teve sexo com ela. E você não saiu do escritório em qualquer momento. E é isso que a menina Quinn vai dizer?" Eu balancei a cabeça, mas isso fez minhas entranhas apertadas, pensando na polícia questionando Wavy. "Qualquer coisa que você quer me dizer?" Disse o xerife. "Aquela amostra que eles levaram?" "Para o resíduo de pólvora?" "Isso poderia voltar positivo." "Droga, Junior. Qual é a história?” O xerife apagou o cigarro e se inclinou um pouco mais perto, franzindo a testa. "Havia uma raposa mexendo no meu lixo esta manhã e eu acertei um tiro nela." "Não suponho que você matou?" "Eu errei." "Isso faz sentido," disse o xerife. "É isso? Eu não vou encontrar suas impressões sobre essa arma? Aquele exame naquela garota Quinn não vai mostrar que houve mais do que algumas brincadeiras?" "Não, senhor, mas que tipo de exame?" "Eu acredito que eles vão fazer uma coleta para sémen e procurar, você sabe, se ela tem qualquer lesão. Assim." "Eles vão tocá-la?"


"Sim, acho que sim." "Eu gostaria que não. Ela não pode suportar a pessoas tocando nela." Isto me deixou enjoado. Eu não tinha tido autocontrole para dizer: "Não, Wavy." Ou o bom senso maldito para fechar a loja e levá-la para minha casa. Eu tive este grande plano e eu estraguei tudo com um simples descuido de idade. "Ela vai ficar bem," disse o xerife. "E então você vai, se você está me dizendo a verdade."


7 XERIFE GRANT

Os agentes federais rastejaram por todo o lugar dos Quinn. Eles faziam parte de uma força-tarefa antidrogas, e, aparentemente, isso significava que eles não poderiam ajudar a procurar por duas crianças desaparecidas. Perdemos a luz do dia antes de encontramos Wavy e Donal. Eu tive algumas noites sem dormir como xerife, mas esta foi uma das piores. Às quatro horas eu desisti de dormir e voltei para a estação. Os federais tinham feito cerca de uma dúzia de detenções, deixou-me para descobrir onde mantê-los durante a noite. Enviei as mulheres para Belton County, e coloquei Júnior Barfoot na antiga cela para bêbados no porão. Ela não tinha sido utilizado em vinte anos e ainda cheirava a urina. Lá em baixo, no escuro, ele era muito grande para a estreita cama beliche. "Você dorme, Junior?" "Não é provável." Ele sentou-se e deu um longo suspiro. "Eu pensei que você pudesse ter alguma ideia de onde aquelas crianças Quinn estão." "Wavy não está com sua tia?" "Não, sua garota fugiu do hospital ontem à tarde." "Só agora você decidiu me dizer isso?"


Ele era um homem de fala mansa, mas quando ele pegou as barras na minha frente, dei um passo para trás. Eu nunca tinha ficado com medo dele, mas naquele momento, eu estava feliz por ter aquelas barras entre nós. Eu tinha visto alguns homens que precisaram de um médico quando ele acabou com eles. "Você procurou no prado? Naqueles choupos? Pelo moinho de vento? E a minha casa?" Ele disse. "Podemos verificar novamente. E sua casa está trancada." "Ela tem uma chave." "Tudo bem, vamos começar por aí." "Deixe-me saber, você vai, xerife? Quando você encontrá-los." Eu prometi que faria, e fui até a mesa, onde Haskins estava de plantão. "Coloque Delbert para verificar a casa de Júnior procurando a garota. Vou até a casa dos Quinn," eu disse. "O Rotary está saindo para ser voluntário vindo de madrugada," disse Haskins. "Barfoot disse alguma coisa para você?" Disse o agente Cardoza. Eu não tinha notado ele sentado em uma das mesas na sala da equipe, e eu desejava que ele não tivesse me notado. Um hidrante de um homem com um bigode preto eriçado, ele parecia tão rude como eu me sentia. Mas ele era um agente federal, por isso mesmo às quatro da manhã, ele usava um terno e gravata. "Ele tem uma ideia sobre onde as crianças Quinn poderiam estar," eu disse. "Você se importa se eu for junto?" Eu me importava, mas dei de ombros. Cardoza parecia bastante decente, mas ele não estava perdendo o sono por aquelas crianças desaparecidas. O que o mantinha acordado era o fato de que sua grande carreira feita nas drogas tinha sido tempo perdido


e falhado. Com Liam Quinn morto, Cardoza e o resto daqueles federais estavam olhando em volta para ver o que poderiam salvar. Dirigindo para o rancho, ele disse: "Eu acho que Barfoot e responsável pelos assassinatos. Parece-me que tentou fazer com que pareça um assassinato-suicídio." "Se você está a procura de alguém capaz de planejar uma coisa como essa, ele não é o seu homem." "Em uma operação de drogas grande como esta, o assassinato é, por vezes, a melhor maneira de subir a escada." Cardoza poderia apontar Júnior para todos os assassinatos que ele quisesse, mas eu acreditaria nisto quando visse as provas. Eu conhecia Júnior Barfoot por toda a sua vida, embora não o conhecesse pelo nome até a noite que eu o levei para a sala de emergência em Garringer. Ele tinha talvez dez anos de idade e seu velho homem quebrou a mandíbula do garoto. Júnior nem sequer chorou quando amarraram sua boca fechada e arrancaram um dente para colocar um canudo. Vindo disto, eu imaginei que ele iria acabar no mesmo caminho como o resto de sua família. Ambos os pais dele estavam bêbados o tempo todo, um irmão mais velho foi preso por assalto à mão armada, a irmã mais velha entrava e saia da prisão, e outro irmão mais velho foi morto a tiros em uma briga de bar, antes que ele tivesse idade suficiente para beber. Quatro anos depois daquela viagem para a sala de emergência, quando Júnior tinha cerca de quatorze anos, nós tivemos nossa usual chamada por distúrbio doméstico em sua casa. Sra. Barfoot estava em pé no gramado da frente, seu vestido rasgado e seu nariz sangrando. No interior, eu esperava encontrar o velho avançando em Junior, mas pela primeira vez, foi o contrário. Júnior estava batendo nele e gritando: "Eu vou te


matar!" Isto me custou dois policiais e um bombeiro voluntário para tirar Júnior de cima do seu pai. Ele era um garoto grande. Após isso o Sr. Barfoot foi para o hospital, sua filha mais nova, que era retardada, foi colocada em uma casa do estado, e Junior foi ficar com a família da Sra. Barfoot em Oklahoma. Foi quando ele começou a usar Kellen, o nome dela de solteira. Ele voltou dois anos depois, e quase imediatamente começou a ter problemas. Nunca vi ninguém que poderia destruir um bar da maneira que ele podia. Móveis quebrados e homens adultos sangrando e chorando, parecendo como se tivesse sido atingido por um trem. Então eu poderia imaginar Júnior matando alguém, se ele ficasse com raiva o suficiente, mas ele não iria perder qualquer energia tentando planejar ou encobrir isto. "A acusação de estupro é um problema para nós, uma vez que a menina não está cooperando," disse Cardoza. "Preferimos deixar Barfoot sobre os assassinatos ou a produção de metanfetamina. Seu promotor da comarca não vai nos dar qualquer problema, não é?" "Meu promotor da comarca é susceptível de fazer o que quiser. Ele normalmente faz." Na casa da fazenda, eu fui para o moinho de vento, com Cardoza me seguindo. Eu girei minha lanterna em torno do tanque de gado, e lá estava um menino. Ele estava acordado, encolhido de cueca com uma pilha de roupas ensanguentadas próximos a ele, provavelmente esteve lá durante toda a noite. "Ei," eu disse. "Você é Donal?" Ele parecia assustado, mas ele balançou a cabeça e disse: "Wavy está bem?" "Por que você está preocupado com ela?" Disse Cardoza, tentando fazer com que uma pergunta significasse alguma coisa.


"Ela está bem, filho." Eu esperava que não fosse uma mentira. "Você quer que eu o leve para ela?" "Você vai me carregar nos ombros como Kellen faz?" O garoto estava desgastado, então eu envolvi ele no meu blusão e carreguei ele da colina para o carro. Deixando Cardoza para recolher as roupas ensanguentadas para provas. Dirigindo de volta para Powell, eu passei um rádio para a estação. "Eu já estava chamando por você," disse Haskins. "Delbert pegou a garota Quinn na casa de Júnior Barfoot. Parece que ela passou a noite lá." "Bem, leve ela até o motel para sua tia. Eu estou levando seu irmão." "Eu prefiro que nós não colocássemos eles juntos ainda," disse Cardoza. "Ele é a nossa única testemunha ocular." "Sua testemunha tem sete anos de idade. Ele esteve acordado a noite toda, e eu aposto que ele gostaria de ter certeza que sua irmã está bem." "Olha, eu tenho um garoto da idade de Donal. Eu só…" "Aposto que você não iria pensar muito de mim interrogando seu filho em um momento como este." O sol estava nascendo quando chegamos ao motel. A Sra. Newling já estava vestida, não parecia que tinha dormido muito. Eu carreguei Donal para o quarto e coloquei ele na cama. Quando eu estava saindo, Delbert chegou com Wavy Quinn. Ela saiu do carro patrulha, vestindo uma camiseta de um homem como um vestido, e um par de botas de motociclista. Ela passou por mim e foi direto para o irmão.


Dirigindo de volta para a estação, Cardoza disse: "Eu me pergunto o que ele viu ontem que ele estava tão preocupado com ela. Você acha que ele viu Barfoot matar seus pais?" "Você está latindo para a árvore errada aí." "Mas você tem que saber se Donal trouxe a arma para a garagem para apontar o dedo para Barfoot," disse Cardoza. "Ou talvez a garagem era um lugar familiar. E ele sabia que sua irmã estava lá." "Por que trazer a arma, embora? E por que ele foi embora se ele foi lá para a sua irmã?" "Tudo o que seu garoto faz tem sentido?" Eu tive o suficiente de Cardoza, mas não estava nem perto de calar ele. Os federais eram como uma praga de baratas, exceto que eles não se espalham quando você acende as luzes. Eles estavam convencidos de que alguém iria derrubar Junior, mas todos os interrogados disseram a mesma coisa: Junior não era o segundo no comando dos Quinn. Este personagem era Butch, e ele tinha fugido no carro de Brenda Newling. Junior era apenas o mecânico de Quinn, o que já era alguma coisa, já que ele tinha meiapropriedade na garagem de Cutcheon. Os federais reviraram o lugar, debruçaram-se sobre os livros, e não conseguiram nada. Nenhum traço de metanfetamina, nenhuma vírgula, que eu pudesse ter previsto. Dan Cutcheon não iria entrar em qualquer bobagem. Quanto aos assassinatos, a arma estar em sua propriedade era a única coisa para conectar Júnior a eles. Isso fazia de Cutcheon um suspeito, também.


No final, tudo se resumia às declarações das crianças. A menina não quis falar e eles tiveram que segurá-la para conseguir impressões digitais e uma amostra de sangue. Isso nos deixou com seu irmão. Contra o meu melhor julgamento, eu fui junto com a ideia de Cardoza para levar o menino em uma caminhada através daquele dia. As crianças são difíceis, mas Donal com certeza não queria voltar para aquela casa. Eu segurei sua mão indo até a garagem, com meia dúzia de agentes atrás de nós, incluindo Cardoza. Não importa que ele tenha um garoto da mesma idade, ele estava olhando para a sua carreira. "O que você estava fazendo antes de ir para dentro da casa?" Disse Cardoza. "Eu estava do lado de fora," disse Donal. "De onde você veio?" "Lado de fora. Na varanda." Eu sabia o que Cardoza estava tentando, mas a história do garoto começou com ele de pé na varanda. "Eu estava indo ver a mamãe. Porque Sandy e eu ouvimos o carro voltando." Abri a porta e, bravo como pode ser, Donal entrou. O local foi principalmente limpo, mas havia uma mancha marrom no chão da cozinha, onde o sangue havia manchado o linóleo. Mesmo no corredor. Donal nos acompanhou em torno da cena do crime. Aqui estava papai. Aqui estava mamãe. Ele apontou para onde a arma estava na mão da senhora Quinn, antes que ele pegasse. "Kellen diz que você não pode deixar uma arma jogada por aí." "Kellen disse isto no dia em que encontrou mamãe e papai?" Disse Cardoza.


"Não. Antes, quando ele me deixou e Wavy experimentar sua arma. Ele disse, 'Você tem que ter cuidado. Você não pode deixar uma arma jogada por aí." "Ele deixou você atirar com sua arma?" "Se nós fossemos cuidadosos e apenas apontamos para as latas de cerveja." "Kellen estava aqui para dizer-lhe para pegar a arma?" Eu não sei como Cardoza imaginou conseguir a verdade se ele ia continuar alimentando o pensamento de Donal. "Não, eu estava sozinho," disse Donal, da mesma maneira que ele disse: "Eu estava lá fora." Como se ele tivesse praticado. "Mas você pegou a arma?" "Porque não era seguro deixá-la jogada." Você não poderia culpar o garoto sobre sua lógica. Ou seus hábitos com armas. Quando o meu policial encontrou a pistola, estava travada. Depois da casa, Donal nos mostrou o caminho que ele pegou naquele dia, mais de oito quilômetros de campos de fenos e bosques até a garagem de Cutcheon. Durante a caminhada, Cardoza disse: "Ele está mentindo sobre o que aconteceu lá na casa." Como se ele fosse o único que podia ver. "Você acha que Barfoot o ameaçou?" "Não me parece que ele está com medo de Junior." "Isto só me mata. Eu continuo vendo meu filho, andando por todo esse caminho." Cardoza parecia sincero, mas ele continuou olhando para o relógio. Os federais estavam tentando provar que Júnior teve tempo para ir da garagem a casa da fazenda e voltar. Eles não têm quaisquer testemunhas para isto, além de um vizinho que pode ter ouvido uma moto, mas não tinha certeza de que horas.


Estava quente e úmido, como no dia em que os Quinn foram mortos, e pelo tempo que chegamos até a garagem, Cardoza e eu estávamos pingando suor. Júnior estaria em pior forma, pelo peso que ele estava carregando. Donal nos mostrou como ele entrou pela porta da garagem aberta e colocou a arma na bancada do Junior. Em vez de bater à porta do escritório, ele olhou através de uma abertura na parte inferior das cortinas. Nas pontas dos pés, descansando a mão no parapeito da janela. "Wavy diz que é bom observar. É assim que você aprende coisas." "Quem estava no escritório?" Disse Cardoza. "Wavy e Kellen." "O que eles estavam fazendo quando você olhou lá dentro?" "Fodendo. Como papai faz com Sandy na mesa da cozinha. Quando é que Sandy vai voltar? Eu sinto falta dela." "Eu não sei, filho." Eu duvidava que ela estivesse voltando. Os federais tinham acusado ela de posse de droga e intenção de distribuir. "Estou com sede. Podemos pegar um refrigerante na geladeira de Kellen?" "Você fez isso naquele dia?" Disse Cardoza. "Não. Eu não queria que Wavy me pegasse espionando." Estávamos todos sedentos da caminhada, por isso fomos para o escritório e pegamos algumas bebidas. Cardoza sentou Donal na cadeira, situando-se no canto da mesa, e disse: "O que você quer dizer com fodendo? O que Kellen estava fazendo com Wavy?" "Você sabe. Na mesa. Como cozinhar. Wavy diz que é como os bebês são feitos." "Talvez você poderia apenas me dizer o que você acha que isso significa."


Donal tomou um gole de seu refrigerante e deu a Cardoza um olhar desconfiado. Aparentemente, a acusação de estupro não era um problema para os federais mais. "Colocando sua coisa nela. Fazendo um bebê. Exceto que papai fode Sandy o tempo todo e nunca fazem um bebê. Mas talvez Wavy e Kellen poderiam fazer um." Teria sido engraçado, se não fosse tão confuso. Fez-me pensar um pouco mais sobre ele perguntando: "Wavy está bem?" Por causa do que ele tinha visto na garagem? Eu planejava perguntar a Júnior sobre isso. "Então o que você fez em seguida?" Disse Cardoza. "Deixei a arma aqui. Kellen saberia o que fazer com ela. Eu precisava contar a alguém sobre mamãe, então eu voltei para a casa para ver se ele… " O menino ficou pálido como cinzas e fechou a boca. Ele começou a tremer tanto que estendeu a mão para pegar a garrafa de refrigerante, antes que ele a deixasse cair. "Para ver se ele o quê?" Eu disse. Eu estava deixando Cardoza assumir a liderança, mas algo tinha acontecido. Donal passou a mão contra sua camisa. "Havia sujeira em mim. Eu queria ir nadar. Para lavar a sujeira," disse ele. Sangue, ele queria dizer, mas eu não poderia culpá-lo por não querer pensar sobre isso. Ele voltou para a casa da fazenda, mas quando ele chegou lá, meus policiais estavam lá. "Papai diz, fique longe dos porcos, então me escondi." Esse foi o fim da história do rapaz. Depois levamos Donal de volta para sua tia, Cardoza e eu fomos pegar um café. "Droga," disse Cardoza. "Ele quase escorregou e nos disse o que ele está tentando manter em segredo."


"Ele não vai cometer esse erro novamente. Agora que ele teve a oportunidade de praticar." "Aquele pobre garoto. Ele andou dezesseis quilômetros. Carregando a arma que matou seus pais, e de volta para o outro lado, sabendo que aquele imoral estava fodendo com sua irmã. Você ainda acha que Barfoot é inocente?"

***

Por um lado, eu tinha os federais tentando forçar acusações de homicídio na garganta de Júnior e do outro lado, eu tinha Brenda Newling, que estava muito ansiosa para vê-lo na cadeia. Eu não sou um homem de escrúpulos. Eu tenho sido xerife durante vinte e dois anos, e lidei com mais de algumas violações, mas eu não gostava de ter uma mulher sentada no meu escritório e dizendo a palavra "estupro" vinte vezes em dez minutos. Eu cometi o erro de sugerir que a menina estava disposta. "Ela tem apenas quatorze anos de idade e ele a estuprou," disse a Sra. Newling. "O problema é que não temos provas suficientes para uma acusação de estupro. Exposição indecente pode ficar, uma vez que nós temos você como testemunha." "O promotor diz que a evidência do escritório e roupas de Wavy é suficiente." Fazer o que se os federais, a Sra. Newling, e o promotor da comarca estavam respirando no meu pescoço, fazendo uma confusão de provas com as duas cenas. Na casa da fazenda: havia o sangue de Liam Quinn no corredor e banheiro. Quatro balas, duas no peito, enquanto ele estava no corredor, e duas pelas costas enquanto ele se arrastava para longe. O sangue de Valerie Quinn estava na cozinha. Uma


bala acima de sua orelha direita. Orifício de entrada com pó de contato queimado em torno dele. Ferida de saída do lado esquerdo de sua cabeça. O que parecia ser uma nota de suicídio estava na mesa da cozinha.

Liam, eu parei de permitir você me fazer infeliz. Espero que você esteja satisfeito com as suas prostitutas, mas você nunca vai me foder novamente. Val.

Na garagem: o sangue no chão e na bancada de trabalho pertencia a Roger Betsworth, de seu acidente. A mancha de sangue no peitoril da janela do escritório pertencia a Valerie Quinn. Seu filho transferiu da sua mão, deixou suas impressões digitais para trás. Deixou-as em toda a arma, também, que estava coberta de sangue de Valerie Quinn. Dentro do escritório: o sangue de Wavy Quinn no mata-borrão da mesa e sob as unhas de júnior em sua mão esquerda. Também no mata-borrão da mesa: sêmen. De Junior. Mais do mesmo nas calcinhas de Wavy Quinn, recuperadas de um cesto na casa de Junior. Na mão direita de Junior: resíduos de pólvora. Valerie Quinn tinha resíduo de pólvora em seu cotovelo e ombro, mas nenhum em suas mãos. Suas impressões digitais estavam na arma, mas assim estavam de Liam Quinn. As dele também estavam nas cinco cápsulas ejetadas da arma e nas nove balas deixadas no pente. Por outra rodada no pente: impressão digital do Junior.


Valerie Quinn não atirou em sua própria cabeça segurando a arma com o cotovelo, então alguma pessoa desconhecida encenou isto para parecer com um assassinato / suicídio. Quem era a pessoa desconhecida? Júnior? Havia sua impressão sobre aquela bala e resíduo de pólvora em sua mão. Ele tinha uma resposta para ambos. Ele e Quinn foram para o tiro ao alvo juntos e ambos tinham nove milímetros. Assumindo que a arma na garagem era de Quinn, a de Junior estava em sua gaveta da cozinha. Recentemente usada, segundo ele, em uma raposa. Duas das balas naquela arma tinham as impressões digitais de Liam Quinn sobre elas. A arma também tinha impressões digitais de Wavy e Donal Quinn sobre ela. Perto do final do verão, quando não tiveram chuva nas últimas semanas, um fazendeiro em Belton County encontrou a Harley Davidson de Liam Quinn submersa em um lago de irrigação. Ela provavelmente esteve lá desde o dia dos assassinatos, mas não foi até o nível da água cair que a moto se tornou visível. Se essa era a moto que o vizinho ouviu, quem estava dirigindo? Não Júnior, que estava brincando com a garota Quinn em seu escritório quando a moto foi jogada na agua. Eu coloquei isto para ele que ele poderia ter matado os Quinn e teve tempo para voltar para a garagem. "Isso nem sequer faz sentido," disse Junior. "Não é como se a tia de Wavy fosse deixar-nos casar." "Tudo o que tenho é sua palavra de que Valerie Quinn estava bem com você se casando com a garota. E eu tenho essas duas garotas, Ricki e Dee, dizendo que a Sra. Quinn não gostava de você. Os federais descobriram que o testemunho delas estabelece


motivo para você matá-la. E aquelas garotas estão realmente ansiosas para fazer um acordo." "Primeiro de tudo, Lyle Broadus diz que eu só precisava da assinatura de Liam. Eu não precisava de Val assinar nada. E segundo, Val não gostava de mim, mas ela não dava a mínima para Wavy, nenhum dos dois. Ela iria me deixar fazer o que eu quisesse." "Então, você estava tendo relações sexuais com ela, enquanto os Quinn foram assassinados?" "Não senhor. Eu não estava mentindo. Nós não tivemos relações sexuais." Isso foi o que disse Junior, mas ele cobriu o rosto com as mãos quando ele fez. "Eu estou olhando para o relatório, filho. Eu tenho sangue. Eu tenho sêmen. Na mesa. Na calcinha da garota. O procurador diz que é suficiente para provar a penetração vaginal e ejaculação. Parece que você teve relações sexuais para mim. E a garota não vai falar com a gente." "Você vai me deixar escrever-lhe uma carta? Deixar que ela saiba que está tudo bem lhe dizer o que aconteceu?" Eu percebi que não poderia doer, então eu peguei caneta e papel.

Querida Wavy, Eu realmente sinto muito sobre sua mãe. Eu sei que você deve estar muito triste, mas estou feliz em ouvir que eles encontraram Donal bem. Eu espero que vocês estejam cuidando um do outro. Lamento o seu aniversário não ter saído melhor. Você sabe que eu te amo, certo? Eu te amo completamente, então eu não quero que você tenha medo, de tudo o que você ouvir. Provavelmente eu vou estar na cadeia por um tempo, mas você não precisa se preocupar. Eu posso cuidar de mim mesmo.


Está tudo bem em você dizer aos policiais o que aconteceu no seu aniversário. Eu sei que não será fácil para você falar com eles, mas talvez você pudesse escrevê-lo. Você pode confiar no xerife Grant, ele é um cara bom. Vá em frente e conte-lhe o que aconteceu, responda às suas perguntas. Eu te amo e eu sinto muito sua falta.

Kellen

Foi uma bela carta. Você poderia dizer que ele estava preocupado com ela, e ele não estava treinando ela sobre o que dizer. Quando a Sra. Newling veio no dia seguinte, eu a deixei ler. "Eu não vou passar para ela cartas de amor deste pedófilo," disse ela. "Eu não vejo como isto seja uma carta de amor, só porque o homem diz a ela que a ama." "Ele a estuprou. Eu não vou dar a ela uma carta dele que diz: "eu te amo completamente." "Você pode não gostar, mas esta situação é diferente do que se ele fosse um estranho. Eu preciso que a garota me conte o que aconteceu e, se esta carta vai me ajudar a conseguir isso, eu quero que ela leia." "Não. Eu não vou deixar o homem que matou a minha irmã enviar cartas a sua filha." "Você não pode ter as duas coisas, senhora. Ele não pode estar na casa com uma arma, ao mesmo tempo que ele está brincando com sua sobrinha na garagem." Eu peguei a carta dela de volta, antes que ela pudesse rasgá-la.


"O FBI diz que ele teve tempo mais que suficiente para voltar para a garagem, com tempo de sobra para atacar a minha sobrinha." "É por isso que eu preciso dela para me dizer quanto tempo eles estavam na garagem brincando." "Pare de dizer isso! Eles não estavam brincando. Ele a estuprou." Sra. Newling era como um terrier. No meu escritório todos os dias até que eu perguntei-lhe quem no inferno estava cuidando de seus filhos. Foi como colocar um fosforo na gasolina. Ela bateu com o punho na minha mesa e gritou para mim. "Como se atreve a me acusar de negligenciar os meus filhos? Eu estou tentando ter certeza de que a minha sobrinha tenha justiça - que minha irmã tenha justiça!" "Então faça aquela garota falar. E, em seguida, tire ela desta bagunça. Quanto mais tempo você mantê-la aqui, mais provável que algum repórter irá colocá-la por toda primeira página. É isso que você quer?" Finalmente, eu tinha algo para fazer com que ela me escutasse. Até o final da semana, ela trouxe a menina para a delegacia para dar um depoimento. Em todos os meus anos como xerife, eu tive algumas ocasiões quando eu contornei um procedimento oficial da polícia. Uma dessas ocasiões foi o minuto que passei no meu escritório com a menina Quinn antes que ela desse seu depoimento. Pelo que eu sabia, ela iria ficar lá e não diria uma palavra, e eu não queria isso, então eu a levei para longe de sua tia e expliquei isto para ela. "Senhorita Quinn, este é o seu anel de noivado? Júnior Barfoot deu isso para você?" Ela assentiu, toda séria e desconfiada. Minha esposa disse quão bonita ela era, mas eu achava que ela era francamente assustadora. Ela tinha olhos maduros. Olhos


experientes. Não era difícil ver como Júnior tinha se colocado nesta situação. Ela parecia frágil como uma boneca, mas ela não era. "Agora, o promotor da comarca, o cara ruivo de terno? Ele gostaria de enviar Júnior para a prisão por um longo tempo. Eu não acho que você quer isso. A coisa é, você é o álibi dele. Você sabe o que isso significa?" Ela assentiu, mas ela não estava mais perto de confiar em mim. "Você é a única que sabe se Júnior saiu da garagem naquela tarde. Se ele estava com você durante toda a tarde, você precisa dizer ao procurador isto." Eu acabei meu tempo; sua tia estava vindo em direção ao meu escritório. Anos depois, eu não sei como me sentir sobre o que eu disse a ela. Eu não acredito que Junior tinha uma coisa a ver com os assassinatos, mas não tenho certeza qual o efeito que o meu conselho teve sobre a declaração da garota.


8 REPÓRTER TRIBUNAL

Gravei alguns depoimentos de estupro, mas Wavonna Lee Quinn era a mais estranha que eu já fiz. Ela foi uma testemunha álibi para um cara que era suspeito de assassinato, mas ele também foi acusado de estuprá-la. Ao mesmo tempo. Basicamente, sua história era esta, no momento do assassinato, ele estava tendo relações sexuais com ela, então ele não poderia ter cometido o crime. Quando eu descobri que ela tinha apenas catorze anos, achei que ia ser brutal. O tipo de negócio que iria me assombrar. Eu não estava muito errado, porque eu ainda não consigo tirar isso da minha cabeça. Ela entrou na sala e sentou-se, não nervosa. Uma menina magra, loira com olhos grandes, vestindo uma saia branca, uma camiseta verde e botas de motociclista pesadas. Se não fosse por seus seios, eu teria imaginado que ela era ainda mais jovem do que catorze anos, mas ela usava uma camisa apertada para mostrálos. Para depoimentos, a maioria das pessoas começam muito eficiente, mas se calam quando chegam às partes difíceis. Ela tinha que ser solicitada em primeiro lugar, para dar o nome dela e para dizer coisas como datas e horários e lugares. Havia um monte disto, porque ela estava fornecendo um álibi.


As vítimas de estupro geralmente apenas dizem ele, em vez do nome do suspeito. Ele fez isso. Então ele fez isso. Ela o chamou por um apelido, embora o promotor continuou a tentar levá-la a dizer seu nome legal. Finalmente, ela olhou para mim e disse: "Você pode colocar nisto Kellen é Jesse Joe Barfoot, Jr.?" Ela falou com uma voz baixa e suave, e ela tinha um jeito estranho de falar. Às vezes ela usou grandes palavras que não sabia como se pronunciava, e ela inspirou e expirou em lugares estranhos, não entre as frases, mas no meio das palavras. Ela não parecia chateada, mas mesmo nos casos legais, as garotas querem evitar detalhes. Ela estava feliz por dar-lhes. Inclinando-se para trás na cadeira, ela cruzou as pernas, balançou seu pé, e disse tudo ao tribunal. "Primeiro nós beijamos. Kellen tem gosto de gaultéria8. Ele beijou minha boca por um longo tempo e então ele beijou meu pescoço. Isto me arrepiou. Ele levantou a minha camiseta. Lento. Ele enfiou a mão por baixo e tocou meus seios. Segurou-os em suas mãos. Esfregou os dedos sobre os meus mamilos. Kellen tem belas mãos. Grandes e fortes. Ásperas de trabalhar na garagem." Foi perturbador ouvir uma menina dizendo coisas assim e ela gostava de descrevê-lo. Não ficou muito ruim até que ela começou com os detalhes gráficos. Em relatórios da polícia, muitas vezes as vítimas são solicitados a descrever os órgãos genitais de seu atacante e coisas assim, mas em depoimentos, há menos disto, a menos que a defesa ou acusação depende de alguma característica de identificação. Senhorita Quinn nem sequer esperou os advogados pedir-lhe por detalhes.

8


"Ele ainda tem seu prepúcio. Ele nasceu em casa e sua mãe não o circuncidou." Ela tropeçou na palavra, inalando no meio dela, e olhou para mim. "Isso está certo? Circuncidou?" Quando eu não respondi, ela continuou. "Minha mão não conseguia envolver todo seu pênis. A menos que eu aperte forte. Kellen gosta disso." Ela levou a mão para demonstrar, dedos demonstrando um semicírculo. A tutora da menina colocou a cabeça entre as mãos e chorou. Tranquilamente no início e depois mais alto. Quase em resposta, a menina deixou a mão que ela ergueu a deriva ao peito. Apenas por um momento, talvez nem mesmo consciente de que ela tinha feito isso. "Minha boceta estava muito molhada. Eu estava sentada em sua mesa, com as pernas abertas. Ele empurrou contra mim, não forte. Esfregando contra mim. Em seguida, ele deslizou seu pau em mim. Doeu um pouco, mas ele ia e voltava em mim. Cada estocada, seu pênis estava esfregando contra o meu clitóris." Ela lutou com a palavra, disse isto três vezes para conseguir falar direito. Ou ela disse isto três vezes para chocar as pessoas. "Isso não machucou. Era bom." Sua guardiã chorou tão alto que o promotor disse: "Senhorita Quinn, gostaria de fazer uma pausa?" "Não." Nesse momento não havia dúvida de que ela estava tentando provocar uma reação. Ela moveu a mão do braço da cadeira e apertou-a entre as coxas. "Eu envolvi minhas pernas em volta dele. Agarrada a ele. Ele se moveu mais rápido, entrando e saindo de mim. Seu pênis estava tão duro, inchado em mim. Eu senti o quão próximo ele estava ficando. Lembro-me de dizer seu nome. Kellen. Assim: "Mais forte, Kellen. Fodame com mais força, Kellen.'" Isso saiu em pequenos ofegos. "Ele fez. Exatamente quando minha boceta apertou envolta dele, ele explodiu."


Eu olhei para ela, mas eu era o único que fez. Os advogados tinham suas cabeças inclinadas sobre suas anotações, mas nenhum deles estava tomando notas. Por que se preocupar, quando eles poderiam conseguir uma transcrição disto de Letters Penthouse? A menina sentou-se para trás em sua cadeira, sorrindo como um anjo. "Senhorita Quinn, você iria por favor…" O promotor limpou a garganta. "Ele nunca me estuprou. Eu amo ele. Eu quero casar com ele." Hesitei com os dedos sobre as teclas. "Digite. Isso é parte da minha afirmação," disse ela. "Senhorita Quinn. Você entende que isto será incluído no registo de prova e juridicamente, a sua assinatura indica que você jura esse relato ser verdade?" Disse o promotor. "Eu entendo. Kellen vai vê-lo?" O promotor e o defensor público trocaram olhares nervosos. "Eu quero que ele veja isso," disse ela. Definitivamente um dos depoimentos mais perturbadores que já registrei, e eu não pensei por um minuto que o seu testemunho iria condená-lo. Toda a defesa precisava colocar esta garota na frente de um júri e deixá-la fazer sua pequena encenação.


9 AMY

Outono 1983

Quando minha mãe finalmente chegou em casa de Powell, ela trouxe Wavy e Donal. Durante o primeiro mês, eles dormiram juntos na outra cama de solteiro no meu quarto. Eles não tinham mais ninguém, além de nós, e eu não tinha certeza de como se sentiam sobre nós. Por um tempo, nós vivemos em um circo com mamãe como líder. No meio da noite, muitas vezes eu a ouvia no telefone com uma de suas amigas, ou brigando com papai. Uma vez eu acordei com minha mãe gritando: "A restituição é importante! Wavy merece algo pelo o que aconteceu." Todas as propriedades de Val e Liam estavam amarradas na confusão com a apreensão de drogas. A maior parte da propriedade não estava nem mesmo no nome deles, e o governo confiscou tudo. Mamãe queria processar Kellen, mas ele era indigente, sem dinheiro com um defensor público. O tempo todo mamãe tinha dito: "Se ele realmente se importava com ela, ele se declarava culpado, então ela não teria de testemunhar." Ele se declarou culpado de uma acusação de Penetração Sexual Criminal de um menor de dezesseis anos e foi condenado a dez anos. Mamãe ainda não estava satisfeita.


"O filho da puta que roubou sua inocência consegue sair em liberdade depois de dez anos," disse a seu clube do livro. Isto não era muito de um clube do livro até então, mais como grupo de apoio pessoal de mamãe. No dia em que recebeu a notícia de que Kellen tinha se declarado culpado, nós descobrimos o que aconteceu com seus bens. Não haveria qualquer restituição. "Faça aquele bastardo pagar." Kellen já havia assinado tudo para Wavy: sua casa, seu negócio, a sua conta bancária, além da meia dúzia de veículos, incluindo uma Harley-Davidson Panhead 1956. Isto ficou preso na garganta da minha mãe por um longo tempo. Ela queria vingança, mas ninguém teve que obrigá-lo a fazer. Eu acho que é por isso que ela continuou a tentar conseguir vingança contra Wavy. Mamãe insistia que tudo tinha de ser vendido e o dinheiro colocado em uma poupança para Wavy, que mamãe iria controlar. O sócio de Kellen comprou a parte dele, minha mãe encontrou um comprador para a casa e alguns dos veículos. Ela não iria mesmo deixar Wavy ir para a casa e recuperar qualquer coisa de Kellen. Wavy não discutiu. Nada pertence a você, ela sempre disse. Quando mamãe encontrou um comprador para as motos, porém, Wavy bateu o pé. No meio do nosso caminho, quando mãe tentou sair para o escritório do advogado para assinar a papelada. "Minha!" Wavy gritou isto até que minha mãe cedeu. Como ela poderia fazer qualquer outra coisa, com Wavy de pé na frente da nossa casa, gritando aquela palavra a plenos pulmões mais e mais, até que os vizinhos saíram e olharam? Wavy teve que manter a Panhead. Um mecânico da loja de moto em Garringer entregou ela e estacionou em um canto da garagem. Os capacetes de Wavy e Kellen estavam no alforje.


Observando-a passar a mão sobre o tanque de gasolina, o mecânico disse: "Talvez ela vá dirigir algum dia," mas seus pés nem sequer tocavam o chão de cada lado da moto. Eu sabia que ela iria deixar isto enferrujar e os pneus apodrecerem antes de deixar alguém além de Kellen subir nela. Ainda assim, ela manteve o cromo polido e trocou o óleo. De vez em quando, ouvíamos o som de seu motor, ligava e acelerava algumas vezes na garagem vazia antes que ela desligasse. Tomou todo o seu peso corporal para ligá-la, mas ela poderia fazer isto. Uma vez por ano, um mecânico da loja de motos local vinha para fazer uma revisão. Wavy não foi autorizada a pagar por isso com sua poupança, então ela tinha um trabalho depois da escola fazendo digitação. Porém, tudo isso veio depois que o pior do circo tinha terminado. O verdadeiro circo foi com os advogados e repórteres e totais estranhos invadindo nossa casa. Com a avó paterna de Wavy e Donal, que nunca se encontrou com eles, mas queria que eles fossem morar com ela na Carolina do Sul. Se meu pai decidisse, ele teria os deixado ir. Ele e minha mãe brigavam o tempo todo. Sobre o dinheiro gasto, sobre a obsessão de mamãe com a investigação sem saída sobre o assassinato de tia Val, e as intermináveis viagens para Powell. Sobre Wavy e seu comportamento. As fugas, não comer, não falar, e as surpresas estranhas que fizeram o seu caminho em nossa casa, como um guaxinim bebê vivendo na roupa suja de Wavy por um mês. Todas as coisas que tinham enviado Wavy para viver com vovó, em primeiro lugar, mas a vovó não era mais uma opção. A coisa toda perturbou a agenda de papai. Quando mamãe estava em Powell, ele era suposto a garantir nosso jantar e nossa ida para a escola. Para ele acabou por ser mais difícil do que parecia quando a mãe fazia isso, e nós principalmente cuidávamos de nós mesmos.


"Isto está destruindo nossa família," dizia papai uma vez por semana. A resposta de mamãe sempre foi: "Eles são parte da nossa família." "Olhe para o que isto está fazendo com suas filhas e me diga isso." Eu não tinha certeza exatamente do que estava fazendo para nós, mas minhas notas do primeiro trimestre de meu segundo ano foram terríveis. Leslie ainda conseguiu um C em Geometria naquele trimestre. Os primeiros meses foram tão estressantes, dividindo espaço com Donal, que estava em estado de choque, e Wavy, que era ativamente hostil. Na escola, todo mundo queria saber sobre a minha tia e meu tio. Eles eram realmente traficantes de drogas? Eles foram assassinados? Evitei a essas perguntas tanto quanto eu podia. Foi assim que fiz amizade com Angela, que parecia ter vindo para a nossa casa com sua irmã Jana há mil anos para ler Forever em voz alta. Ela não estava no meu círculo, era muito bonita e popular, mas no vestiário, trocando para a aula de educação física, quando as outras garotas me interrogavam, Angela disse: "Deixe-a em paz. Não é da sua conta." Quando ela me viu sozinha no refeitório, ela fez um gesto para eu me sentar com seus amigos. Seja o que fez com Leslie e eu, o circo deixou mamãe e papai distantes. Em nossa pequena rua suburbana, os meus pais foram os primeiros que eu conhecia que se divorciaram. A última coisa que meu pai nos disse como uma família era: "Eu não posso mais fazer isso." Ele deveria ter dito: "Eu não quero mais fazer isso," porque ele poderia ter evitado fazer isto. Leslie e eu fizemos. Não era como se ele se oferecesse para nos levar com ele quando saiu de casa. Ironicamente, ele nos deixou apenas quando o circo estava terminando.


Dois homens, um em um terno e um com uma grande bolsa de médico preta, apareceram com papéis legais para pegar uma amostra de sangue de Donal. Leslie e eu éramos adolescentes e indignadas falamos: "Eles não podem fazer isso, podem?" Descobriu-se que podiam, porque Sean Quinn tinha entrando com uma ação para a custódia, alegando que ele - não Liam - era o pai de Donal. A prova estava lá o tempo todo. Tia Val sempre disse que o aniversário de Donal era 21 de janeiro, mas sua certidão de nascimento, dizia 21 de março. Liam não poderia ser seu pai, porque ele estava na prisão quando a tia Val ficou grávida. Algum juiz que nunca nos viu decidiu que Donal devia estar com Sean. Na última noite do circo que era nossas vidas, um advogado veio para pegar Donal, porque Sean Quinn era um covarde. Ele não era corajoso o suficiente para enfrentar Wavy e assistir seu abraço de adeus em Donal. Ela tremeu, enquanto Donal gritou e tentou confortá-la. "Eu vou vir visitar. Você pode me enviar cartas. Eu virei para o verão. Tio Sean disse que sim. Que eu posso vir no verão." Quando comecei a me preocupar que o advogado teria de erguê-los, Wavy afastou suas mãos de Donal e deu um passo para trás com um olhar horrível, vazio no rosto. Enquanto o resto de nós fomos para a porta para ver Donal ir embora, ela se arrastou para dentro do armário sob as escadas. Ela parou de comer. Realmente parou. Ela ficou mais fina e mais pálida, andando para cima e para baixo em sua camisola. Mamãe ameaçou levá-la ao médico. Um dia no refeitório na escola, abri minha caixa de almoço para encontrar a metade do meu sanduíche. Sentada ao meu lado, Angela olhou para a metade do sanduíche com uma sobrancelha para cima.


"Está de dieta?" Disse ela. "Eu acho que talvez Wavy vá viver," eu disse. Wavy viveu. Ela continuou comendo, secretamente, e ela foi para a escola. Em seus desanimados vestidos brancos, ela parecia uma criança tisica9 do século XIX, transportados para os corredores estridentes de uma escola pública. Ela focou no trabalho do curso que ela tinha perdido e sobreviveu ao seu primeiro ano do ensino médio. Sobreviveu sendo observada e com comentários pelas costas. Toda semana ela escrevia duas cartas: uma para Donal e uma para Kellen. Às vezes, ela recebia uma nota curta ou um cartão postal de Donal, mas nada de Kellen. Eventualmente, mamãe sentou Wavy à mesa da cozinha e lhe entregou uma pilha de cartas. Cada carta que ela tinha enviado para Kellen, todas voltaram da prisão marcada como CORRESPONDÊNCIA NÃO AUTORIZADA. "O juiz diz que você não está autorizada a escrever para ele e ele não tem permissão para escrever para você. Ele vai ficar em apuros se ele se comunicar com você." Mamãe soava quase arrependida. Wavy recolheu as cartas e as levou para o quarto dela. Ela nunca disse uma palavra, e eu nunca mais a vi escrever para Kellen novamente. Ela geralmente escrevia para Donal depois que ela terminava sua lição de casa à noite, e ela sempre assinou as cartas: "Vejo você em breve. Amor, Wavy." Vejo você em breve. Vejo você em breve. Donal não veio para o verão daquele ano. Ou qualquer outro. No segundo ano de Wavy, sua última carta para ele voltou estampada: NÃO HÁ NINGUEM NESTE ENDEREÇO. NENHUMA ORDEM DE RECEBIMENTO.

9

Inicialmente atribuída à doença tuberculose, mas atualmente utilizada para pessoa que tem aparência de pouca saúde.


10 DONAL Abril 1984

Perdi muito tempo no balcão de sanduíche esperando por Sean sair do banheiro. O cara do balcão veio por duas vezes e disse: "Onde seu pai está?" "No banheiro." Isso é o que eu disse duas vezes. "Ele esteve por um tempo, não esteve?" Dei de ombros, como Wavy, porque o que eu deveria fazer? Sean sempre levou muito tempo no banheiro. Às vezes eu tinha que ir buscá-lo, e ele estaria dormindo no banheiro com a sua agulha em seu braço. Assim, para que o cara do balcão não me perguntasse de novo, me levantei e fui até o posto de gasolina. Foi quando eu vi os cartões postais. Corri para o carro e procurei por dinheiro. Nós não tínhamos o Corvette mais e o carro novo cheirava mal debaixo dos assentos, como gasolina e coisas podres. O tapete estava pegajoso de onde alguém derramou um refrigerante. Não eu. Eu achei o suficiente para o cartão, um bonito do Grand Canyon que Sean disse que não tivemos tempo para ver, mas eu não tinha dinheiro suficiente para o cartão e um selo. A senhora no caixa disse: "Tudo bem. Eu posso registrar por quatro centavos." Ela era boa. Eu estava feliz que eu não roubei o cartão.


Então pedi emprestado uma caneta, porque foi assim que a vida era com Sean. Eu gostava mais quando eu vivia com Sandy. Nem sempre eu tinha que implorar ou roubar coisas. Eu escrevi o mais rápido que pude, mas eu não queria que isto fosse confuso. Querida Wavy, tivemos que mudar e eu não sei para onde ainda. Vou escrever para você novamente quando eu souber onde. Vejo você em breve. Amor, Donal. "Para quem você está escrevendo, querido?" Disse a senhora do caixa. "Minha irmã." "Isso é bom." Eu queria que ela ficasse quieta, porque era difícil de lembrar o endereço da tia Brenda. Antes que eu pudesse escrever o código postal, Sean colocou a mão no meu ombro. "O que está fazendo, Don?" "Ele é um fofo. Ele está escrevendo para sua irmã um cartão postal." "Vamos lá, amigo. Você pode terminar isto no carro," disse ele. No estacionamento, ele tomou o cartão e jogou no lixo. Ele apertou meu ombro forte e disse: "Don, não vamos falar sobre como não é seguro você escrever a sua irmã?" "Eu não lhe disse onde estávamos," disse eu. "Eu não quero você se esgueirando nas minhas costas dessa forma novamente. Você entende?" Eu balancei a cabeça. Wavy estava certa. Às vezes você tem que acenar com a cabeça, mesmo que você não concorde. Ela estava certa sobre um monte de coisas.


11 WAVY

1986

Depois da CORRESPONDÊNCIA NÃO AUTORIZADA de Kellen NENHUMA ORDEM DE RECEBIMENTO de Donal, me senti morta. Eu acordei de manhã e fiquei surpresa que o meu coração ainda estivesse batendo. A comida que eu roubei à noite tinha gosto de nada. Eu roubei um bolo inteiro da Sra. Niblack que era para um leilão de caridade. Tinha gosto de terra. Isso era o que eu imaginava que era como estar morto. Sentindo-me vazia com o gosto de sujeira na boca. Seja qual for a coisa que Val sentia agora que ela estava morta, eu não poderia pensar nela como mãe mais. Eu queria levar flores para ela como Kellen havia feito por sua mãe, mas eu não poderia ficar de pé e ir vê-la agora que ela estava deitada ao lado de Liam. Sentindo-me morta era melhor do que quando meu coração foi ferido. Às vezes eu pensei que poderia queimar através de minhas costelas enquanto eu dormia, e arder nos lençóis até que toda a casa pegasse fogo. A única coisa que fez doer menos era mover minhas mãos. Como Kellen lavando pratos, deixando sua cabeça vazia. Cortei, tricotei, passei roupas, lixei, martelei, digitei, tentando deixar meu coração vazio. Aulas de


economia em casa. Aula de datilografia. Aula de carpintaria. Sala de aula, onde eu me ofereci para fazer decorações de danças. As perguntas nunca pararam, mas no ensino médio, eu aprendi uma nova maneira de lidar com eles. Não importa qual era a pergunta: Eu assentia. Seus pais foram realmente assassinados? Sim. Seu namorado matou seus pais? Sim. É verdade que você foi estuprada por alguns motoqueiros? Sim. Tia Brenda contou a história para seu clube do livro que disseram para outra pessoa, que disse a outra pessoa, e assim por diante, ficando menos verdade a cada vez que isto foi contado. Mesmo menos verdade do que a versão da tia Brenda. Eu, principalmente, gostei do ensino médio. Eu gostava de aprender coisas. Como os números trabalhavam em conjunto para explicar as estrelas. Como moléculas fizeram o mundo. Todas as feias e maravilhosas coisas que as pessoas tinham feito nos últimos dois mil anos. Eu também gostava de ver as pessoas. A menina que estava grávida mudou sua forma quando ela tentou esconder. O rapaz que olhava para as pessoas como se fossem bichos rabiscava coisas com raiva em seu caderno. Os professores se beijando desesperadamente na sala de armazenamento que não eram casados um com o outro. Amy ficou muito perto do professor de espanhol quando ela trabalhava no posto de concessão de futebol. Inclinando-se, ela deslizou seu braço ansiosamente contra o braço do Sr. Ramirez. Observando e fazendo as coisas suportáveis. Além disso, o tempo passou, mesmo enquanto eu dormia. Depois que eu completasse vinte e um, tia Brenda não seria capaz


de franzir a testa e dizer: "Eu não acho que isso é uma forma adequada de gastar a sua poupança." Mesmo antes disso, gostaria de ter dezoito anos. Eu poderia descobrir coisas que tia Brenda não queria que eu soubesse. Onde estava Donal? Quanto tempo até Kellen estar livre? Enquanto isso, as coisas que machucam outras pessoas me curaram. No final do meu primeiro ano, uma menina na minha classe foi estuprada. Pressionada e estuprada por dois rapazes em um campo de beisebol na cidade. O estupro deixou as outras garotas nervosas, mas isto me lembrou que Kellen me amava. Ele não tinha me estuprado. Eu escorreguei notas secretas no armário da garota. Notas para dizer: "Você é muito boa em matemática", e "Seu cabelo está lindo hoje." Durante meu primeiro ano, um menino na classe de Amy se matou. Ele tinha acnes terríveis, vergões roxos, como picadas de abelhas em todo o seu rosto, e ele foi para casa da escola e se enforcou. Eu poderia ter dito a ele que não havia sentido em apressarse em direção a morte. Isto iria encontrá-lo em breve, e antes disto chegar existiam prazeres para tornar o seu coração menos dolorido. Se eu ficasse imóvel na cama à noite, me lembrava de como a casa da vovó cheirava. O sabor de sorvete de menta na língua de Kellen. Donal pulando na cama para me acordar. Para todos os outros, o menino se matar foi assustador. Fez tia Brenda abraçar Amy mais forte e dizer a Leslie que estava tudo bem se ela quisesse se mudar de casa para o dormitório, onde ela ficaria sozinha, mesmo que a faculdade estivesse a apenas 32 quilômetros de distância. Isto as fez ir mais à igreja, esperando que Deus fosse consolálas.


Eu não acho que Deus poderia confortar ninguém, mas eu estava contente de ir e sentar no santuário. As pessoas olhavam para mim às vezes, mas eles tinham que seguir as regras e eu não. Deus fez toda a gente se levantar e cantar, sentar e orar, levantar, sentar, orar, cantar, orar. Deus não parecia se importar se eu lesse romances ou tricotava. O grupo de jovens era mais difícil de passar. Charlotte, a jovem pastora, era uma pessoa que gostava de abraçar. Ela era grande e loira, com uma enorme boca cheia de dentes para manter a sua grande voz sorridente. Uma vez, ela visitou nossa casa, então ela e tia Brenda poderiam discutir suas preocupações sobre eu não ser batizada. Nadando em um tanque de gado sob a lua cheia não contava. "Eu sei que você vai ser discreta," tia Brenda disse para Charlotte. "Então, eu só vou contar a você toda a história sórdida. Para ajudar você a entender. Assim, você pode ser sensível à situação de Wavy." Tia Brenda apenas não contou toda a história sórdida. Ela nunca disse a ninguém sobre o depoimento, mas não especialmente Charlotte. Tanto quanto Charlotte amava chorar e abraçar, ela gostava mais de falar sobre sexo. Ou ela gostava de falar sobre como você não deveria ter relações sexuais. "Deus fez seu corpo um templo para homenageá-lo e ele quer que você valorize esse dom. Ele não quer que você coloque drogas nele. Ele não quer que você se machuque dirigindo de forma imprudente. E Ele não quer que você compartilhe-se com qualquer um. O dom de seu templo é para você compartilhar com a pessoa especial que Deus escolheu para você." Charlotte sempre parecia tão feliz quando ela falava assim. Eufórica.


Deus também não quer que você "se contamine." Tocar-se por prazer não era para o que Deus projetou para o seu templo, de acordo com Charlotte. Ou Deus era estúpido ou Charlotte estava confusa, porque o meu templo foi claramente projetado para isso. "Quando você se casar, a pureza do seu templo será um presente que você dará não apenas para o seu cônjuge, mas a Deus. O dom de honrar os seus mandamentos." Charlotte não era casada e às vezes eu pegava ela olhando para o anel de Kellen no meu dedo. Eu me perguntava, como Charlotte protege sua boca grande para alguém? A menina na minha frente tinha uma pergunta melhor: "Mas o que acontece com pessoas que não são virgens quando se casam?" "Nosso Deus é um Deus misericordioso," disse Charlotte. "Se uma pessoa lamenta sinceramente o que eles têm feito…" "Mas se não é culpa deles?" "Sim, como se uma garota é estuprada?" Disse a melhor amiga de Amy, Angela. Ela parecia chateada. A boca de Charlotte fez uma grande O. "Isso não é a mesma coisa," disse Marcus. Ele tinha uma queda por Amy, mas ele poderia muito bem estar em casa poluindo seu templo enquanto senta lá pensando nela. "Marcus está certo, isso não é a mesma coisa." A voz de Charlotte entrou em seu tremor pré-grito. "Deus entende que coisas ruins podem acontecer a pessoas boas." "Mas ainda significa que você não é virgem," disse a menina na minha frente. "Deus pode fazer tudo certo, se nós confiarmos nele. Se oramos, Ele pode destruir o câncer. Ele pode trazer as pessoas de volta à vida." "Então Deus poderia torná-la uma virgem de novo?"


As pessoas riram da menina por perguntar isso, mas Charlotte disse: "Por que é tão engraçado? Deus dividiu o Mar Vermelho e Jesus ressuscitou Lázaro. Ele pode fazer qualquer coisa." Quando todo mundo partiu para o lanche, eu fiquei no meu canto da leitura. Às vezes, Amy e Angela sentavam comigo, mas Leslie estava lá naquela noite, querendo fugir da faculdade e esgueirar-se de volta em sua segura vida escolar. As três estavam na mesa de bebidas, quando Charlotte se aproximou de mim. "Podemos falar, Wavy?" Sem esperar por uma resposta Charlotte sentou-se e aproximou sua cadeira até o mais perto que pôde, para que ninguém mais pudesse ouvir. Como se eu quisesse ter um segredo com ela. "Eu quero que você saiba que acredito no que eu disse com todo o meu coração. O que aconteceu com você, Deus pode curá-la disso. Porque ele sabe que no seu coração, você ainda é pura." A mão de Charlotte veio em direção ao meu braço, mas não chegou a me tocar. "Você vai me deixar orar com você? Peça a Deus para curá-la? Para tirar o que foi feito para você e fazer você inteira?" "Eu não quero que seu deus me torne uma virgem," eu disse.


12 AMY 1986-1987

Wavy disse isso alto o suficiente para que todos no salão de jovens ouvissem. Em seguida, ela se aproximou de Leslie e estendeu a mão. "As chaves do carro?" "Wavy, ela está apenas tentando ajudar," disse Leslie. Charlotte correu até nós e suspirou, "Você vai pedir a Wavy para entrar no meu escritório para conversar, Leslie?" Wavy estalou os dedos com raiva para Leslie. Eu podia ver nos olhos de Wavy que ela tinha talvez apenas dez segundos de calma restantes. Angela viu, também, e disse: "Jesus, Les, dê as chaves a ela." "Elas estão na minha bolsa." "Oh, Wavy. Por favor, deixe-me ajudá-la." Charlotte se preparava para chorar. Wavy girou nos calcanhares, atravessou para onde a bolsa de Leslie estava pendurada no encosto da cadeira. Em um movimento rápido, ela esvaziou a bolsa de Leslie no banco e pegou as chaves. Cinco passos para a porta e ela se foi. "Ela não quer sua ajuda," disse Angela. "Deus quer curá-la, se ela apenas abrir o seu coração," disse Charlotte.


"Ela está bem." Apenas quando eu disse isso que eu percebi que era verdade. Considerando tudo o que ela passou, Wavy estava muito bem. "É melhor a gente ir," disse Leslie. Foi uma das raras ocasiões em que Leslie e eu concordamos. Ela colocou suas coisas de volta na bolsa e saímos. Atrás de nós, Charlotte fungou. Quando chegamos ao carro, Wavy estava enrolada no banco de trás. Eu fiquei ao lado dela enquanto Angela foi na frente com Leslie. "Aquela bruxa," disse Angela. "Ela não é, provavelmente ainda virgem. Não que eu posso imaginar alguém fazendo sexo com ela." "Não é verdade." A voz de Wavy estava estável. "Charlotte está certa. Eu sei que você não gosta dela, mas ela está certa. O que aconteceu com você não conta," disse Leslie. Eu não sabia se ela queria tranquilizar Wavy ou reafirmar a autoridade eclesiástica de Charlotte sobre a virgindade renovável. "Eu sou uma virgem." Leslie ligou o limpador de para-brisa. Ela não tinha coragem de perguntar, mas eu não podia ficar sem saber. "Mas e quanto…" eu hesitei, porque isto não era um nome a ser dito levemente em nossa família: "Kellen?" "Ele nunca me fodeu." "Wavy! Cuidado com a boca." Leslie era a personificação perfeita da mamãe. Eu a ignorei. "Mas o relatório da polícia. Seu depoimento…" "Seu álibi." Wavy abraçou os joelhos com mais força, sua saia subindo sobre as pernas com meias pretas. Essa foi a primeira vez que eu percebi isto, enquanto Leslie e


eu estávamos crescendo, Wavy estava parada no mesmo. Ficando com quatorze anos. Nem mesmo isso. Ficando com treze. Em três anos ela não tinha crescido muito. "Mas o seu sangue sobre o mata-borrão da mesa." Por que eu estava discutindo? Quer dizer, Não, você não pode ser uma virgem? O relatório da polícia disse que sim. Kellen se declarou culpado. "Ele rompeu meu hímen com os dedos," disse Wavy. "Veja? Realmente, você ainda é virgem." Angela inclinou-se para o banco de trás, tentando ajudar. "Eu gostaria que ele tivesse me fodido." "Você não quer dizer isso," disse Leslie, meio triste, meio desaprovando. "Ninguém pode tirar isso." Eu não culpo Wavy por se sentir daquela maneira. A moto e o anel, elas eram apenas coisas. Donal e Kellen eram tudo com o que ela se preocupava, e eles tinham sido tirados dela. Na cama, naquela noite, eu disse: "Como foi?" Isso me faz soar como uma vampira mórbida, mas por que mais Wavy tinha guardado esse segredo? Ela queria falar a alguém. "Maravilhoso. Suas mãos são grandes e ásperas. Ele deslizou seu dedo anelar em mim. Queimou. Havia sangue, mas eu queria tê-lo em mim. Ele não faria isso." "Mas o seu depoimento." Eu continuava voltando ao Evangelho. Wavy falou em Apocalipse. "Ele não faria isso. Ele estava com medo de me machucar e ele queria esperar até nos casarmos. Esfregando contra mim ele gozou. Na mesa. Entre as minhas pernas. Não em mim. Ele nunca me fodeu."


Eu não sabia o que dizer, então eu fiquei lá e ouvi o sussurro de cobertas movendo-se sobre sua camisola de flanela. Pequenas faíscas saltaram como um raio em uma placa de Petri. Wavy suspirou, tremeu e soluçou. Depois de partilhar o quarto com ela por três anos eu estava acostumada com o som de sua masturbação. Eu nunca me acostumei com o som de seu choro.

***

Perdi minha própria virgindade em uma festa quatro meses depois. Era um cara legal chamado Marcus, que achava que ele estava apaixonado por mim, e muito álcool. Eu me senti como uma covarde sobre isso. Em vez de ir para ele com os olhos abertos, eu menti para mim mesma. Eu pensei que se estivesse bêbada isto seria essa coisa mágica que simplesmente aconteceu. Eu tive uma grande briga com Angela, que estava indo para uma faculdade diferente para um curso com uma bolsa de estudos. Ela continuou dizendo, "Nós vamos nos visitar," mas depois descobri que ela estava voltando com seu ex-namorado, que estava indo para a mesma faculdade. Seu ex-namorado me odiava. Eu sabia que nunca iriamos nos visitar, se ela estava namorando ele. Quando eu disse que ela merecia mais, ela ficou louca. "Você não me possui," disse ela. Eu senti como se meu coração tivesse sido arrancado, e quando Wavy e eu chegamos na festa, Marcus estava lá. Eu queria que fosse maravilhoso, como Wavy disse, mas foi estranho e doloroso e constrangedor. Eu estava tão bêbada que depois que Wavy


e eu chegamos em casa, eu estava enjoada. Nós conseguimos nos esgueirar passando por mamãe e fomos para o banheiro, onde vomitei minhas entranhas e chorei. "Eu não o amo," eu soluçava. Eu gostava dele, mas eu não o amava. Eu nem estava atraída por ele além do fato de que ele tinha uma boa higiene. Eu pensei que significava algo que ele estava apaixonado por mim, mas isso só significa uma coisa se você ama a outra pessoa. E eu amava Angela. "Acabou," disse Wavy, enquanto eu estava deitada no chão com uma toalha fria na minha testa. Eu pensei que ela quis dizer o vomito, mas ela disse: "Nada mais a temer." Eu tinha medo de muitas coisas: sexo, graduação, faculdade, sair de casa, me apaixonar. Vida. Agora eu tinha me apaixonado, consegui ter meu coração partido, e tive sexo sem sentido. Essas coisas assustadoras tinham acabado. Em três meses eu iria embora para a faculdade. Haveriam outras coisas para ter medo mais tarde, mas ali, bêbada e toda ferida, eu não estava com medo. Eu me perguntava como era para Wavy. Ela se apaixonou, teve seu coração partido, quase fez sexo, e teve toda a sua família tirada. Será que ela ainda tem coisas para ter medo? O Kellen não iria amá-la por muito tempo. Os anos foram se somando. Mamãe pensou que Wavy iria acabar com isto, mas ela estava errada. Wavy ainda o amava, mas quando ele saísse da prisão, ele ainda a amaria? Wavy fez o seu caminho da melhor maneira possível, encontramos maneiras de nos encaixar nos seus termos. Por exemplo, ela não ir para seu baile de formatura, mas ela era a presidente da comissão de decoração. A temática do baile do dia dos namorados


foi: vermelho e rosa, com corações e centenas de rosas de papel crepom dobrado à mão com hastes verdes. Coisas assim sempre surgiam sem esforço nas mãos de Wavy. Ela amarrou grinaldas elaboradas ao longo das bordas das arquibancadas, e no canto, onde iriam usar para tirar fotos. As guirlandas eram rosas e vermelhas com pedaços de folhas douradas, alternando com corações invertidos. Todo mundo achou que eram corações, até que no meio do baile, um dos pais acompanhantes admirou a decoração no ângulo direito. Naquele ano, nenhuma das fotos do baile poderiam ser usadas no anuário. "Obsceno," a diretoria da escola chamou assim. Em vez de corações, Wavy tinha muito habilmente alternado entre pênis eretos e bundas curvilíneas que diminuíam para vaginas delicadas, mas bem definidas. O conselho escolar ameaçou impedi-la de se formar, mas no final, Wavy teve que atravessar o estrado em suas grandes botas. Ela aceitou seu diploma das mãos de má vontade estendidas do diretor, e foi até a outra extremidade do palco. Daqui de cima nas arquibancadas, no meu primeiro ano de faculdade, eu assisti seu beijo no anel de Kellen. Quatro anos em uma pena de prisão de dez anos, ele sente o mesmo?


13 KELLEN Junho1987

A sala de audiência era pequena, com o mesmo bloco de concreto cinza da minha cela. Havia uma mesa para o conselho de liberdade condicional, outra para mim e para o meu advogado, e algumas cadeiras dobráveis ao longo da parede para as testemunhas. Eu tinha que usar um ferro na perna, ligado a uma argola no chão, mas pelo menos eles não me algemaram. A sala estava muito quente, e era muito pequeno, perguntei-me se Wavy seria capaz de me cheirar agora. Eu tinha tomado banho como pude, aparei o cabelo, a barba, e coloquei minha camisa. Não para impressionar o conselho. Eu percebi que não havia muito que eu pudesse fazer para que gostassem de mim. Dirigimo-nos para o meu quinto ano, eu estava cansado. Eu passei quatro anos sentado ao redor, lendo, levantando pesos, e dormindo. Quatro anos pensando em Wavy, porque eu não tenho o suficiente para fazer com as mãos, especialmente na solitária. Era possível que ainda levasse mais um ano antes de minha próxima audiência. Mais um ano antes que eu pudesse ter uma chance de ver Wavy novamente. Depois do meu advogado, o conselho de liberdade condicional apareceu, em seguida, o velho Cutcheon, que eu não poderia acreditar que tinha vindo de tão longe para me ver depois do problema que eu tinha lhe causado. Em seguida, Brenda Newling entrou. Vendo sua aparência mais velha, eu me perguntava como Wavy parecia agora.


Brenda olhou para mim como se ela quisesse queimar um buraco em mim, mas isso não aconteceu. Wavy não tinha chegado, e se ela não estava lá, eu não ligo para o que aconteceu. Eu sabia que a briga ia chegar e essa foi a primeira coisa que o conselho de liberdade condicional mencionou. "Vejo que você teve uma briga com um companheiro preso há seis meses. Uma bastante grave. O homem acabou na enfermaria, e você já esteve em segregação administrativa desde então? Isso não exatamente sugere que você está pronto para a liberdade condicional. Você gostaria de nos dizer sobre isso?" Eu não queria, mas eu tinha que dizer alguma coisa. "Olha, por causa da minha condenação, há sempre um cara querendo se meter comigo. Ele veio para mim com um canivete." "Você teve algum problema pessoal com ele?" Disse a mulher do conselho. "Eu não o conhecia. É só por causa da minha condenação. Alguns caras, eles descobrem isso, eles fizeram isto em mim." Eu tinha cicatrizes para mostrar o que aconteceu nas duas vezes em que deixei minha guarda baixar. "Os presos que têm condenações sexuais que envolvam menores são muitas vezes alvo de outros detentos," disse o meu advogado. "Sr. Barfoot tem trabalhado duro para se reabilitar." "Pode dizer-nos o que você fez para se preparar para a liberdade condicional?" "Eu terminei o meu GED10." "O Sr. Barfoot também concluiu o programa do mandato judicial para criminosos sexuais," disse o meu advogado.

10

Desenvolvimento educacional geral


Eu não gosto de pensar sobre isso. Três meses passando todos os dias na mesma sala com molestadores de crianças e estupradores. A coisa toda fez um medo de mim mesmo rastejar em mim, mas eu não tive que mentir na entrevista de saída. Você ainda tem fantasias sexuais com as garotinhas? Eles perguntaram. Não, eu nunca tive. Eu pensei sobre Wavy uma centena de vezes por dia, mas Wavy era Wavy, não uma garotinha. Depois foi a vez do Sr. Cutcheon falar ao conselho. Isto me chocou então eu não pude olhar para ele. Por razões que ainda não entendi, ele deu uma chance para mim quando ninguém mais o faria. "Jesse Joe é um bom menino," ele disse ao conselho de liberdade condicional. Fiquei surpreendido que eles não riram dele. "Eu sei que ele está em algum problema com a lei, mas o fato é que ele amava aquela garota. Ele a tratava bem, tomou conta dela, fez com que ela fosse para a escola. Ele cuidou dela quando ninguém mais fez. Nem mesmo ela, sentada ali olhando para mim." Ele olhou para Brenda. "Ela não foi quem levava Wavy para a escola todos os dias, é o que eu digo." Eu percebi que tudo o que ele pretendia fazer era ser uma testemunha de caráter decente, mas então ele disse: "Ele vai ter um emprego se ele conseguir liberdade condicional. Eu vou contratá-lo de volta amanhã, se pudesse." Depois que ele terminou de falar, ele tentou vir e apertar a minha mão. Os guardas tiveram de explicar-lhe que ele não tinha permissão para fazer isso. "Obrigado, Sr. Cutcheon, eu realmente aprecio isso," eu disse. Ele assentiu e meio que acenou para mim. "Você tome cuidado. Nós vamos ver você em breve. Eu consegui aquele maldito Waverunner mal posso imaginar…"


"Sr. Cutcheon? "A cabeça do conselho de liberdade condicional, disse. "Desculpe, desculpe. Estou indo." Ele foi, e então era só eu e Brenda. Ela se levantou, e o cabeça da comissão de liberdade condicional, disse: "Você é Brenda Newling? A, uh, tia da vítima?" "Sim." "E você tem uma declaração?" Ela desdobrou um pedaço de papel que tinha apertado em seu punho. "Eu estou aqui hoje, porque Wavy estava muito perturbada para vir. Estou pedindo a comissão para recusar o seu pedido de liberdade condicional, porque o dano que ele fez não acabou. Minha sobrinha faz dezoito anos em julho e ela ainda não se recuperou. Ela era uma menina vulnerável, sem ninguém para protegê-la de suas depredações. Ele se apresentou como seu amigo e induziu ela por um relacionamento sexual. Ele a dobrou com presentes e a seduziu. Traiu sua confiança. Ela costumava acreditar que ela estava apaixonada por ele. Ela sentiu que era sua culpa que ele a agrediu. Que ela o levou a avançar. Ela tem quase dezoito anos de idade e ela nunca namorou. Ela não foi ao seu baile de formatura. Ela nunca teve qualquer tipo de relacionamento normal e saudável com alguém de sua idade e isto é culpa dele.” "Embora isso aconteceu em seu décimo quarto aniversário, eu gostaria de chamar a atenção para a comissão que ela nasceu em dezenove de julho às oito e meia da noite. Então, na verdade, quando ele a estuprou, tecnicamente, ela não tinha quatorze anos ainda. Ela tinha treze anos. E ele roubou sua virgindade em uma mesa em uma garagem suja. Ele roubou sua inocência e ela nunca vai ser capaz de conseguir isso de volta."


Brenda estava chorando no final. Então eu estava. Eu não ligo para o que Brenda disse, mas eu amava Wavy e eu a tinha perdido, e eu não tinha permissão para dizer isso. Quando o cabeça do conselho de liberdade condicional perguntou: "Sr. Barfoot, gostaria de responder a Sra. Newling?" Eu não poderia mesmo dizer, "Eu perdi a melhor coisa que já me aconteceu." Isso não era castigo suficiente? Eu disse: "Eu realmente sinto muito pelo que fiz. Eu sei que não muda isso, mas eu realmente sinto muito. Eu gostaria de poder desfazer isto." Alguns dias eu estava arrependido. Outros dias eu estava só lamentando que Liam estava morto. Mais alguns dias e Wavy teria sido a minha esposa. Antes da minha audiência de liberdade condicional as duas coisas eram mais ou menos iguais, o mesmo número de dias sentidos da mesma forma, mas quando a porta nunca se abriu e Wavy nunca entrou, a balança se inclinou. Se ela não viria me ver em um dia em que ela poderia ter, eu tinha feito uma coisa terrível.


QUINTA PARTE


1 RENEE Setembro 1987

Quando eu entrei no meu dormitório no segundo ano, havia uma criança de pé sobre uma das mesas, pregando estrelas escuras no teto. Seu cabelo era curto e espetado e usava botas de cano alto. Ela parecia ter doze ou treze anos. "Você é Wavy?" Eu disse, pensando, por favor não, por favor não. Ela assentiu com a cabeça. "Eu sou Renee." Ela acenou para mim e colocou outra estrela no teto. Não em padrões aleatórios, mas constelações reais. O alojamento estudantil realmente tinha me colocado com uma criança prodígio como companheira de quarto? Eu fui reclamar com o reitor, que disse: "Que criança?" Descobri que Wavy Quinn tinha dezoito anos. Ela não era uma criança; ela era apenas muito pequena. E tranquila. Oh meu deus ela era tranquila. Eu falo muito, então eu admito que foram vários dias antes de perceber que Wavy não tinha falado comigo. Nem uma palavra. Eu só percebi porque até o final da primeira semana ela ainda não tinha me perguntado sobre Jill Carmody.


É patético, mas foi por isso que eu estava ansiosa para conhecer uma nova companheira de quarto. Eu estava esperando o momento que ela iria perguntar sobre a imagem de Jill no meu quadro de avisos. "Então, você está com raiva de mim ou algo assim?" Eu disse. "Eu fiz alguma coisa para te chatear?" Wavy estava sentada em sua mesa estudando. Com quatro dias do semestre e ela estava estudando. Ela balançou a cabeça, sem sequer olhar para cima. "Eu acabei de perder minha melhor amiga. Na próxima semana é o aniversário de sua morte." Por um segundo, pensei mesmo que tinha falhado, mas Wavy fechou o livro, e olhou para o meu santuário para Jill. "Sinto muito," disse ela. Eu fiz o meu discurso. Jill era minha melhor amiga. Inteligente, bonita, prestigiada campeã de vôlei. Morta por um motorista bêbado em nosso último ano. Eu chorei. Tenho vergonha quando eu olho para trás, como eu joguei esse jogo, porque eu mal conhecia Jill. Uma vez tive uma aula de história com ela. Quando fui para a faculdade eu inventei essa história sobre minha melhor amiga a moribunda, porque me fez mais interessante. Minha companheira caloura de quarto e eu ficamos acordadas a noite toda falando sobre isto, eu chorando, ela me confortando. Tudo que Wavy fez foi me dar um olhar simpático e dizer: "Isso é triste." Isso me fez sentir como uma fingida. Quer dizer, eu era uma fingida, mas eu nunca me senti assim antes. Depois do final de semana dos pais, eu me senti ainda mais falsa. Até então eu estava acostumada para o que eu pensei ser a estranheza de Wavy. Eu nunca a vi comer, e em dois meses eu tinha ouvido falar apenas uma centena de palavras, principalmente


coisas como sim, não, lavanderia, biblioteca, e cale a boca, eu estou dormindo. Na sextafeira do final de semana dos pais, eu voltei para o nosso quarto depois da aula e a porta estava aberta. Ouvi alguém murmurar, "Sua filha da puta." Uau. Outra das cinco palavras de Wavy, uma delas um palavrão. Só que não era ela. Era uma mulher de meia-idade, com cabelos castanhos curtos, empurrando algo de volta para a gaveta da mesa de Wavy. "Oi. Você é a Sra. Quinn?" Eu disse. Toda a cor desapareceu de seu rosto quando ela fechou a gaveta da escrivaninha. "Você deve ser Renee. Eu sou Brenda Newling. Eu sou a tia de Wavy." "Oh, ela me contou tudo sobre você ... Isso é uma piada. Você sabe, porque ela não fala muito?" Sra. Newling não sorriu. "Como ela está? De verdade?" "Ela está bem," eu disse. "Eu gostaria de poder manter uma dieta da maneira que ela faz. Havia alguma coisa em particular que você estava procurando em sua mesa?" "Não. Eu só me preocupo com ela." Larguei minha mochila, querendo saber o que a tia de Wavy estava procurando. Preservativos? Drogas? Álcool? Como se nós não tivéssemos o bom senso de abandonar esse material antes de nossos pais visitarem. Com a minha mãe e meu pai chegando no sábado, não havia sequer aspirina na minha gaveta da mesa. Eu mesmo preguei a programação da capela do campus no meu quadro de avisos. "Wavy estuda muito," eu disse. "Ela sempre faz. Ela está fazendo amigos?"


"Amigos?" Isto soou mal-intencionado, mas essa mulher era de verdade? Sra. Newling sentou-se na beira da cama de Wavy com um olhar suplicante em seu rosto. Ah não. Eu não estava fazendo a rotina confidente para a mãe da companheira de quarto, então eu disse, "Ela é minha amiga. Isso conta?" Antes que Sra. Newling pudesse responder, Wavy voltou para o quarto com sua prima Amy. Após a três saírem, eu fui bisbilhotar também. No fundo da gaveta da escrivaninha de Wavy estava uma moldura de bronze. Eu posso ser egoísta, mas eu não sou distraída. Eu tinha perguntado sobre a foto que Wavy mantinha em seu quadro de avisos: seu irmão mais novo, sorrindo com seus dois dentes da frente para fora. Eu teria perguntado sobre esta foto, também, mas eu nunca tinha visto isso. A foto era de um grande cara sentado em uma moto na frente de uma porta da garagem aberta. Ele tinha cabelo escuro como a noite e era muito longo, e estava sem camisa, mostrando tatuagens em seus braços e peito. Ele era principalmente músculo, mas ele estava carregando um pouco de peso extra. Esse é o meu problema, também. Era um dia ensolarado e ele estava rindo, se divertindo com a pessoa por trás da câmera. Quem era ele? Logo em seguida, eu percebi que eu estava fazendo as coisas da maneira errada. Você faz as pessoas interessadas em você, mantendo segredos, não entregando eles como doces no Halloween.

***

Quando Wavy voltou do passeio com sua tia pelo campus, ela sentou-se para estudar. Em uma sexta-feira noite. Não havia outra maneira, então eu disse: "Quando


cheguei em casa, sua tia estava bisbilhotando na sua mesa. Existe alguma coisa aí dentro que você não gostaria que ela encontrasse?" Acertei em cheio. Wavy abriu a gaveta e pegou a foto. Com um olhar louco e irritado em seu rosto, ela poliu o vidro com a bainha de sua saia. Eu me aproximei, fingindo que estava vendo pela primeira vez. "Essa é uma moto legal. Quem é esse?" Considerando o quão ansiosa eu estava para deixar escapar minha falsa tragédia, eu não podia acreditar que Wavy não queria me dizer, mas ela me olhou, avaliando se eu poderia ser confiável. "Eu só queria saber, porque sua tia parecia bastante chateada sobre encontrar isto. Então, quem é ele?" "Kellen. Meu noivo." Ela estendeu a mão para que eu pudesse olhar para o anel em seu dedo. Eu tinha notado antes, mas não pensei nada sobre isso. "Você está noiva?" Ela assentiu com a cabeça. "Por que eu não o conheci? Onde ele está?" "Prisão." "Você está falando sério? Por quê? O que ele fez?" Eu disse. "Eu preciso estudar." Wavy colocou a imagem longe e sentou-se em sua mesa. Conversa acabada. Poof. Eu estava invisível. Ela não podia me ouvir. "Então, seus pais estão vindo visitar este fim de semana?" Aparentemente, ela podia ouvir-me perguntar isso, porque ela balançou a cabeça. "Por que não?"


"Eles estão mortos." "Oh meu Deus, isso é tão triste. O que aconteceu?" Isso era o que as pessoas sempre diziam quando eu disse a eles sobre Jill Carmody. "Eles foram assassinados," disse Wavy. Tão breve quanto as palavras saíram de sua boca, eu sabia que tinha que derrubar o meu falso santuário idiota para Jill. Você não pode fingir uma tragédia quando seu companheiro de quarto tem uma real. É muito patético. Eu disse a Sra. Newling que Wavy e eu éramos amigas, mas isto não era verdade. Nós éramos apenas colegas de quarto, mesmo depois que eu soube que seus pais tinham sido assassinados e seu noivo estava na prisão por estupro. Eu vi isso como uma excitante novela. Wavy e eu não nos tornamos amigas até o nosso segundo ano juntas no dormitório. Esse foi o ano que eu fiz algo tão estúpido que eu tinha vergonha de contar a alguém. Comigo, isso não é pouca coisa. Se isto vai fazer as pessoas prestarem atenção em mim, eu estou perfeitamente disposta a me humilhar. Eu dormi com meu professor de alemão, e não apenas uma vez, mas quase todo o segundo semestre. Não foi porque eu precisava de notas, porque eu era boa em alemão, mas eu estava tão lisonjeada que ele estava atraído por mim e toda a minha conversa desmiolada, e você sabe, gordura. Sua esposa, eventualmente, nos pegou e houve uma enorme cena, com o professor de alemão dizendo: "Foi um caso estúpido. Isso não significou nada." Isso foi para mim – a aventura estúpida que não significava nada. O idiota nem sequer me deu uma carona para casa. Chorei por todo o caminho, andando pelo campus de sua casa para o dormitório.


Eu estava destroçada, exausta, faminta. Sentei-me na minha mesa, soluçando e remexendo nas gavetas por qualquer coisa para comer para me fazer sentir melhor. Wavy saiu da cama de camisola, pegou sua carteira de estudante de sua mesa e fez sinal para eu segui-la. Ela poderia ser tão mandona. Lá embaixo, o corredor para o refeitório estava fechado durante a noite por uma porta de aço grande, que Wavy desbloqueou em dez segundos brincando com seu cartão de identificação. Ela abriu a porta para a cozinha da mesma forma. Dentro dela estava escuro, exceto pelos sinais de saída de emergência vermelho brilhante como o inferno, até Wavy abrir o refrigerador gigante. No halo da sua luz azul, enevoado, ela pegou comida para mim. Caixas de morangos. Uma bandeja de pudim de chocolate. Toda uma bandeja cheia de pequenos quadrados de bolo de limão. Um balde de cinco litros de sorvete e uma lata de creme chantilly. Essa é a minha ideia de uma amiga.


2 WAVY Novembro 1988

Renee gostava de fazer testes de revistas femininas. Eram bobagem, mas servia para a mesma coisa que o tricô. Os questionários ajudavam Renee esvaziar seu coração, e ela o enchia muito rapidamente com as coisas erradas, não era de admirar que ela precisava esvaziá-lo. Deitada em nossas camas nas noites de domingo, Renee lia os questionários em voz alta, e eu escrevia as nossas respostas. Qual é o seu estilo Romântico? O de Renee era Borboleta Borbulhante. Galanteadora mas inconstante, rápida para selar o negócio e seguir em frente. Minha pontuação não se encaixava em nenhuma das categorias, então Renee inventou uma nova: Solitária Ninfomaníaca. "Eu não entendo como você pode ficar noiva sem ter algum tipo de conversa. Ele apenas disse, 'Você quer se casar comigo?' e você concordou com a cabeça?" Eu concordei e Renee riu. Eu olhei para a foto de Kellen, que passava da minha mesa de cabeceira para a minha gaveta da mesa, dependendo do meu humor. Quando meu coração doía muito, eu escondia na gaveta. Eu saí da cama e peguei a foto, com a intenção de guardar. Renee parou de rir e tirou a foto da minha mão. "Esse é um homem robusto muito sério," ela disse para me provocar.


Eu bufei e deixei ela colocar a foto de volta na minha mesa de cabeceira. Em outra noite eu iria pegá-la. O que eu sentia mais falta de Kellen não era andar com ele na Panhead. Eu sentia falta de observá-lo comer. Renee comia lançando pequenas mordidas e sem mastigar o suficiente. Da mesma forma que ele enchia meu coração. Muito rapidamente, e com muita conversa e não sensação suficiente. No nosso segundo ano como colegas de quarto, fui para casa com Renee no feriado de Ação de Graças, e descobri por que ela comia dessa forma. Os Dales viviam em um bairro cheio de mansões com portões de ferro e gramados como parques públicos. Eles eram ricos, mas eles comiam tão desesperadamente, que eles poderiam muito bem ter roubado a comida do lixo de um estranho. Mesmo eu não comia mais assim. Sra. Dale serviu para todos pratos com peru, batatas, recheio e molho. Depois disso, torta e chantilly. Admirei a generosidade de todos com aquela comida. Eu consegui comer algumas mordidas de peru e alguns pedaços de manteiga durante o jantar com os Dales. Coisas pequenas e precisas que eu poderia colocar em minha boca com as pessoas assistindo. As batatas estavam amarelas com manteiga, mas elas eram muito complicadas. Eles me fizeram lembrar de regras que eu estava tentando esquecer. "Você não está com fome garota?" Disse o avô de Renee. "Está tudo bem, pai." Sra. Dale me deu um grande sorriso falso. Renee tinha avisado a ela sobre mim. "Então você ainda está namorando o rapaz que nos contou? Richard?" Disse Sr. Dale.


"Não. Não mais," Renee murmurou. Não havia nenhum garoto. Richard era o professor de alemão que quebrou o coração de Renee. "Por que você não me disse que terminou com ele, querida?" Sra. Dale colocou outra fatia de torta no prato de Renee e encheu de chantilly. Renee olhou para o bolo e empurrou uma mordida nervosa daquilo em sua boca, franzindo a testa enquanto mastigava. "Bem, o que aconteceu?" Disse a Sra. Dale. "Você sabe, Wavy está noiva," disse Renee. "Sério? O que o seu noivo faz? Ele é um estudante, também?" Sr. Dale levantou uma sobrancelha para sua esposa. "Ele está na prisão," disse Renee. Sr. Dale quase se engasgou com um pedaço de torta. No silêncio que veio depois, eu me preparei para acenar, fazer a resposta que sempre fiz. O que você quiser para ser verdade, é. Renee soltou uma risada nervosa e disse: "Deus, eu estou brincando. Estou brincando! Wavy não tem um noivo na prisão." "Oh, Renee! Você e suas piadas," disse a Sra. Dale. Todo mundo riu. "Então, você ainda está indo para a academia? Como sua dieta está indo?" O garfo caiu da mão de Renée e bateu no prato ao lado do bolo meio comido. Renee parecia que ia engasgar, mas ela engoliu. Eu senti tanta raiva que eu tive que enfiar minhas unhas em minhas mãos. Toda aquela deliciosa comida estragou no estômago de Renee. Sra. Dale era tão perigosa quanto Val. Ela poderia muito bem ter colocado os dedos na boca de Renee e puxado a torta fora. Ela poderia muito bem ter gritado: "Não coma isso! Isso é sujo! "


***

Para a carta de Natal de Kellen, dediquei um parágrafo para purê de batatas, e outro para a delícia confiável de pizza fria. Renee e eu sempre dividimos uma pizza nas noites de domingo, quando a cafeteria estava fechada. Ela comia sua metade quando chegava, quente o suficiente para queimar o céu de sua boca. Eu comia a minha depois que estava fria, enquanto Renee estava dormindo. Escrevi para Kellen sobre como eu queria cozinhar para ele e vê-lo comer. Ele se aproximava dos alimentos da mesma forma que ele se aproximava para beijar: devagar, completamente, e com concentração. Observá-lo mastigar e engolir era adorável. Músculos sólidos trabalhando, enviando alimento para abastecer ele inteiro. Desde que todas as minhas cartas voltaram não lidas, principalmente eu escrevia elas para mim. Pelo prazer da escrita, "Querido Kellen, Esta noite foi a primeira noite que eu pude ver Orion, e queria que você estivesse aqui, usando seu cinto. Se pudéssemos viajar para Alpha Centauri e olhar para as nossas estrelas, o Sol seria parte de Cassiopeia. Da terra eles parecem tão distantes, mas de Alpha Centauri, o nosso Sol é a sexta estrela, tão perto quanto os outros." Kellen e eu éramos assim. À noite eu pensava nele em sua cela, a trezentos e oitenta quilômetros de distância, de acordo com odômetro do meu carro. Visto de minha cama, ele era uma constelação distante. A partir de Alpha Centauri, éramos estrelas individuais, lado a lado.


3 RENEE Abril 1989

Wavy escreveu mais cartas do que alguém que eu conhecia. Toda semana ela escreveu para seus primos e sua tia. Duas vezes por mês para sua professora de espanhol da escola. Em espanhol. Ela também escreveu cartas para o advogado que supervisionava o seu fundo fiduciário. A máquina de escrever era elétrica, mas ela batia nela no modo manual quando escrevia para seu advogado, porque ela e sua tia estavam em guerra sobre o dinheiro de Kellen. Brenda usou a poupança para controlar Wavy, e isto incluiu forçando-a a viver no dormitório. Se quiséssemos conseguir um apartamento juntas, Wavy tinha que convencer o advogado da poupança a anular a tia. Aquelas cartas eram necessárias. Digitando até que eu pensei que meus ouvidos iriam sangrar com o som disto. A carta vencedora mencionou "Sra. Brenda Newling é insensível ao meu conforto pessoal." Foi assim que Wavy se referia a sua tia em cartas ao advogado. Como se ela fosse uma estranha cruel. Também fez referência a suas "necessidades dietéticas especiais e a dificuldade de satisfazê-las em um ambiente de vida comunal." Outra maneira de dizer que ela tinha um distúrbio alimentar. Na maior parte ela comia alimentos em segredo e escondia comida, mas quando ela estava realmente estressada, como durante a


fase final, ela comia do lixo. Como um guaxinim. Necessidades dietéticas especiais: descartados de pizza de outras pessoas. Wavy também escreveu cartas para alguém que ela pensou que poderia ajudar a localizar seu irmão. Ela tinha uma caixa de correspondência de antigos vizinhos, agente da condicional de seu tio, professores da última escola que Donal compareceu. Foram anos de trabalho, começando do momento em que ela o perdeu. Em seguida, havia cartas para Kellen. Ela passou dias escrevendo-as numa bela caligrafia em papel caro. Todas elas vieram de volta abertas, fechada de volta com uma fita, e carimbada CORRESPONDÊNCIA NÃO AUTORIZADA. Essas cartas pareciam tão maravilhosamente trágicas para mim. Cada mensagem que ele nunca iria receber. Uma nota em uma garrafa, balançando no mar. Perdida.


4 KELLEN Junho 1989

Minha segunda audiência de condicional foi quase exatamente como a primeira, exceto que o velho Cutcheon estava no hospital com um ataque cardíaco. A sala estava muito quente e Brenda Newling apareceu para ler uma declaração sobre como eu destruí a vida de Wavy. Eu quase me convenci que Brenda manteve Wavy longe da última audiência, mas agora ela estava com mais de dezoito anos. Se ela quisesse me ver, ela poderia ter vindo. Ela não o fez. Quando a carta chegou dizendo que eu tinha recebido liberdade condicional, eu mal podia acreditar, mas duas semanas depois eu estava livre. Ou tão livre como eu poderia estar em uma casa de recuperação com outros ex-presidiários, verificando meu agente da condicional a cada semana. Eu não tinha permissão para viver perto de uma escola ou uma creche, por isso, quando me mudei da casa de recuperação, foi difícil encontrar um lugar para viver. E eu tinha de apresentar o meu endereço com o registro de agressores sexuais. Conseguir um emprego não foi fácil, qualquer um. O velho Cutcheon acabou fechando a loja, e não era como se qualquer outra pessoa em Powell fosse me contratar, então eu tive liberdade condicional para Wellburg, que era maior do que Garringer, quase cem mil pessoas.


O lugar para troca rápida de lubrificantes ficava em uma pista pequena, no lado da cidade oposto ao meu apartamento, mas tinha uma coisa sobre ele: o gerente não se incomodou sobre a minha condenação. Gary tinha a minha idade, talvez um pouco mais velho e careca. Ele olhou para a minha ficha e disse: "O crime, eu tenho que perguntar." "Eu namorei uma garota que tinha quatorze anos. Sua tia nos pegou brincando. Eu me declarei culpado, então a garota não teria de testemunhar. Eu não tenho orgulho disso, mas eu não sou um molestador de criança. Foi uma coisa estúpida que eu fiz. Eu não bebo. Eu não uso drogas. Eu não vou roubar coisas. Vou mostrar-me com o tempo. Eu sou bom com qualquer coisa mecânica." Eu continuei falando, esperando o martelo cair, mas Gary coçou a cabeça e disse: "Puxa, uma acusação parece ser um negócio cru se a menina estava disposta." "Eu não a estuprei. Eu só errei." Eu consegui o emprego. Era mais como uma fábrica do que uma garagem, apenas trocar o óleo em um carro após o outro. Trabalho sem esforço, que era bom. Quatro meses depois da minha liberdade condicional, eu estava vivendo neste apartamento de porão úmido em uma pensão velha. O registro de agressores sexuais, era apenas supostamente para proteger as outras pessoas de mim. Enquanto eu estava vivendo naquele apartamento, eu tive os pneus do meu carro cortado e alguém pintou PEDÓFILO na minha porta. Eu mudei para um edifício diferente, mais longe da escola mais próxima, mas muito perto da linha de trem. Por algumas semanas, não houve problemas, mas então alguém colocou panfletos então as pessoas sabiam que um criminoso sexual estava vivendo no edifício. Algumas noites mais tarde, esses dois rapazes me pararam no beco.


"Se você aparecer morto, eu aposto que os policiais não se importariam," disse aquele que ficou para trás de seu amigo. Ele usava uma cruz de ouro em uma corrente. "Eles podem até nos dar uma medalha por cuidar de você, seu desprezível." O mais corajoso enfiou o dedo no meu peito. Não é grande coisa, mas eventualmente alguém ia tentar algo sério. Isso é o que estava pronto para acontecer na noite que conheci Beth. Fechei a loja algumas noites, o que me dava mais dinheiro, mas isso significava que eu não chegava em casa até depois de escurecer. Estar fora não era muito diferente de estar na prisão. Eu tinha que estar em guarda o tempo todo, especialmente porque alguém colocou aqueles folhetos sobre mim. Então, eu não fiquei surpreso quando esses dois babacas apareceram no beco. "Eu não acho que você entendeu a mensagem da última vez," disse aquele com o colar de cruz. "Nós não queremos o seu tipo por aqui," disse o valente. Eles deveriam ter imaginado que dois contra um lhes davam uma vantagem. Eles não sabiam que eu poderia acertar dois caras muito fortes quando eu estava sóbrio. Bêbado, eu poderia acertar dez. Quando eles avançaram, eu não bati neles como quando eu costumava entrar em brigas de bar. Eu poderia colocá-los no hospital, mas eu não queria acabar de volta na cadeia, por isso, aceitei um monte socos mais do que dei. "Ei! Para trás, seus babacas! Já liguei para a polícia!" Alguém gritou atrás de mim. Isso foi o suficiente para fazer aqueles dois babacas correrem. Quando eu estava encostado ao lado de uma caçamba de lixo, tentando recuperar o fôlego, esta mulher se aproximou de mim. Ela manteve uma mão em sua bolsa, eu estou supondo que em uma lata de spray de pimenta.


"Você está bem?" Disse ela. "Sim, obrigado. Você realmente chamou a polícia?" "Não, não de verdade." Achei que ela iria voltar da maneira que ela veio, mas ela ficou lá. "Tem certeza que está bem?" Disse ela. "Sim, obrigado. Tenha uma boa noite." Depois disso, decidi que quebrar a liberdade condicional era melhor do que apanhar de alguém. Assim, no dia seguinte, eu me comprei um taco de beisebol. Algumas semanas depois, saindo da minha caminhonete, passei pela mulher que salvou a minha bunda. Eu ia fingir que não a reconheci, mas ela me parou. "Hey, Babe Ruth11. Você teve mais problemas com aqueles caras?" Disse ela. "Ainda não." "Parece que você está pronto para eles, no entanto. Eu sou Beth." Ela estendeu a mão para eu apertar. Eu acho que ela não viu os folhetos. "Jesse Joe." "Você é um mecânico?" Ela olhou para a minha camisa de uniforme com meu nome bordado de um lado e o nome da loja do outro. "Você se importaria de me dar uma mão com o meu carro?" Eu fiz isso, mesmo que me deixou vinte minutos atrasado para o trabalho. Afinal, eu lhe devia uma. Essa foi a minha resposta quando ela se ofereceu para me preparar o jantar como forma de pagamento pelo conserto de seu carro. Nós estávamos quites. "Não, venha por volta das sete e eu vou alimentá-lo."

11

Famoso jogador profissional de beisebol.


Um mês depois daquele primeiro jantar, fui morar com Beth. Fez sentido para nós compartilharmos seu apartamento. Na noite em que me mudei foi a primeira vez que fizemos sexo. Ambos conseguimos ficar meio bêbados, ela me disse o que fazer, e eu fiz. Muito menos constrangedor do que eu tentando descobrir o que fazer. Acho que isto fez nós dois nos sentir menos solitários por um tempo. Beth era mais velha do que eu, talvez cinquenta. Idade suficiente, ela tinha um casal de netos e tingia o cabelo de vermelho para encobrir o cinza. Como minha mãe, ela tinha uma grande cicatriz na barriga de uma cesárea. A única vez que eu toquei ali, ela me deu um tapa. Eu sabia que tinha esperado muito tempo para contar a Beth sobre a minha condenação, porque quando eu finalmente contei, ela me deu um olhar sujo e disse: "O que está errado com os homens? Qual é a atração de uma garota de quatorze anos de idade? Elas são apenas mais fáceis de controlar, não é isso? Elas não discutem?" Isto era difícil de tirar de uma mulher que mandava em mim da mesma maneira que ela fazia com seus filhos. A mesma mulher que no meio do sexo uma vez me disse: "Porra, Jesse, você não usa desodorante? Você está fedendo. Fique longe de mim." "Eu a amei. Eu queria casar com ela," eu disse. "Huh, mas em vez disso você só teve relações sexuais com ela." "Você quer que eu vá embora?" Eu queria ir embora. Sentado no sofá com ela entortando seus lábios para mim foi tão ruim quanto uma audiência de condicional. "Eu não sei. Deixe-me pensar sobre isso," disse Beth. Eu dormi no sofá naquela noite, e na manhã seguinte, ela disse, "Foi apenas uma vez? Você não tem uma coisa por garotinhas?"


"Foi um erro estúpido. Ela é a única garota que eu já namorei que era menor de dezoito anos." Wavy era a única garota que eu já tinha realmente namorado. "Ok," disse Beth. Eu disse a ela o que eu tinha que dizer. O acordo judicial, a sentença, a ordem de nenhum contato, o registro de agressores sexuais. Sempre que os netos de Beth visitavam, eu fiquei em um motel. Fora isso, ela nunca tocou no assunto, mas eu sempre senti que ela estava olhando para mim e pensando: "O que está errado com os homens?" Estar com Beth foi principalmente melhor do que estar sozinho, enquanto eu fiquei bêbado antes que nós tivéssemos sexo. Ela não disse, "Você precisa perder algum peso ou você vai ter um ataque cardíaco," quando eu estava tentando aproveitar meu jantar. Outras vezes estar sozinho deveria ter sido melhor, especialmente à noite, quando eu estava deitado acordado ao lado de Beth. Ela nunca colocou a cabeça no meu ombro e definitivamente nunca pressionou o rosto no meu pescoço ou na minha axila e me cheirou. Ela não sabia os nomes de quaisquer constelações. Wavy tinha dito, "Fique," e eu fiquei. Ela disse: "Me abrace forte," e eu a abracei firme. Eu sabia que eu deveria deixa-la ir. Eu não podia.


5 RENEE Maio de 1990

No outono de 1989, Wavy e eu conseguimos nosso apartamento, este lugar desagradável com dois quartos, um banheiro gigante, e uma pequena sala de estar. Era parte de uma grande antiga casa, portanto haviam muitas coisas engraçadas sobre o assunto, como o par de torneiras no alto da parede da sala de estar exatamente sobre o sofá. Nós nunca descobrimos para o que elas eram. Passei a maior parte do primeiro ano no nosso apartamento tentando convencer Wavy que devíamos dar uma festa. Não era esse o ponto de ter nosso próprio apartamento, sermos capazes de fazer o que queríamos? Obviamente, Wavy não era uma grande fã de festas, mas ela finalmente concordou que deveríamos convidar algumas pessoas para comemorar o fim do semestre da primavera. Um pouco de diversão antes da semana de provas finais. Eu esperava que eu teria de convidar todos, mas Wavy convidou alguns colegas nerds da matemática, e alguns colegas de trabalho do hospital, onde ela fazia faturamento de seguros. Ela também preparou uma montanha de comida, e deu a volta pela festa incentivando as pessoas a comerem. Era assim que ela mostrava carinho. Quando eu passei por um rompimento de esmagar a alma, ela fez refeições elaboradas e sobremesas para mim.


Ela convidou um zelador do hospital, Darrin, que acabou por ser muito bom. Ele disse: "Eu estava preocupado em vir, porque ela nunca disse uma palavra para mim. Mas o convite disse que havia comida, então eu pensei por que não?" Gostaria de saber se Wavy gostava dele. Ele tinha um rosto de bebê e ele não estava nem perto do tamanho de Kellen, mas ele tinha ossos grandes, talvez por isso ela estava pensando em engordá-lo. Só que eu passei a noite toda conversando com Darrin e ela não pareceu se importar, mesmo quando fomos para a varanda do segundo andar para fumar um baseado e transar. A Borboleta Borbulhante ataca novamente. Quando eu voltei para dentro, Wavy estava conversando com Joshua da minha aula de filosofia. Eu o tinha convidado, porque ele tinha uma barba igual a do George Michael totalmente quente, mas lá estava eu flertando com Darrin, e ela estava flertando com o meu encontro. Ok, seria um exagero descrever o que Wavy estava fazendo como flertar. Ela estava sentada no sofá, quase perto o suficiente para tocar Joshua, com uma agradável expressão "Sim, eu estou ouvindo" em seu rosto. Eu tive esse sentimento de orgulho materno. Ela estava saindo de sua concha! Ela estava florescendo!

***

Alguns dias depois da festa, eu estava esparramada no sofá, meio que assistindo TV e meio que fazendo meu trabalho final da aula de Estudos Femininos. Era a última tarefa que eu tinha para finalizar o semestre.


Alguém bateu na porta da frente, e quando eu atendi, Joshua se destacou no corredor. O trabalho tinha me custado bastante sono e eu pensei que poderia ser uma alucinação. Barba perfeita. Olhos azuis sonhadores. Colônia. Camisa branca de botão. "Ei, Wavy está em casa?" Disse ele. Ele era real. Fiquei ali como uma idiota por um minuto, enquanto o meu cérebro tentou chegar a uma razão que Joshua estaria à nossa porta perguntando por Wavy. Como é que ele sabe mesmo o nome dela? Ela tinha realmente se apresentado a ele na festa? "Claro. Entre." Eu coloquei ele no sofá ao lado da minha bagunça, e fui buscar Wavy. Ela estava no quarto dela, digitando, com seu dicionário de espanhol aberto sobre a mesa. Eu acho que ela tinha um trabalho de Literatura Espanhola e algum tipo de Mecânica Quântica para entregar. "Joshua está aqui para vê-la," eu disse. Wavy sacudiu a cabeça e agitou as mãos para mim com horror perplexo. Sob estresse, ela ainda mantinha o silêncio. Enquanto eu esperei para ver o que ela faria, eu tive vários pensamentos maldosos. Se Joshua fosse atraído pela frágil e delicada Wavy, eu nunca teria uma chance com ele. As coisas mais legais que eu já fui chamada são exuberantes e de terra. Enfim, eu era a pessoa que o convidou para a festa. Onde é que ele conseguiu vir por aí para ver minha colega de quarto? "Não estou aqui," ela finalmente disse. "Muito tarde. Eu já lhe disse que você estava aqui." Fiquei ali, apreciando o olhar de pânico no seu rosto, até que eu realmente pensei sobre Wavy por um minuto. Kellen estava cumprindo uma sentença de dez anos. O que


ela ia fazer, esperar por ele? Ele iria ser muito velho para ela, e agora ele era um criminoso condenado. Ela precisava seguir em frente com sua vida. "O que poderia ferir falar com Joshua?" Eu disse. "Ele é legal. Ele é engraçado. Além disso, ele é lindo. Sério, você já olhou para ele? Ele é como um Adônis." Wavy fez a cara que queria dizer, "Você sabe como é estar comigo?" Sinceramente, não quero saber, porque ela era muito fodida. Eu gostava de jogar na tragédia, mas ela bebeu isto de sua mamadeira. "Basta ir falar com ele," eu disse. "Eu vou te salvar se ficar muito estranho." Wavy levantou-se, e eu pensei que ela estava indo para a sala de estar. Em vez disso, ela se aproximou e fechou a porta do quarto na minha cara.


6 WAVY

Fechei a porta, mas Renee a abriu de volta. Nós olhamos uma para a outra até que ela disse: "Você é uma covarde, Wavonna Lee Quinn." Eu não caí nesse truque na sexta série. Eu não ia cair agora. Virei Renee para fora e tentei fechar a porta, mas ela se manteve firme. "O sujo falando do mal lavado," eu disse. "Isso é besteira. Mostre-me uma vez que eu fui uma covarde." Renee pensou que imprudência era a mesma coisa que bravura. Eu passei por ela no corredor e caminhei em direção à cozinha. Ela veio atrás de mim. Na sala da frente, passamos por Joshua, que parecia confuso. Não uma confusão igual a de Kellen, onde ele sempre se preocupava se ele tinha entendido mal ou feito ou dito algo errado. Joshua pensou que alguém tinha cometido um erro. Parei na frente da geladeira e Renee estava tão rápida que ela esbarrou em minhas costas. Na festa, ela havia escrito o número de telefone de Darrin em um guardanapo e disse: "Sim, eu adoraria sair com você." O guardanapo ainda estava preso a geladeira. Ela não tinha ligado para ele. Ele não era o tipo dela. Não bonito o suficiente e, provavelmente, muito bom para quebrar o coração dela. "Você está seriamente esperando por um cara que você não viu desde que tinha quatorze anos? Como você sabe que ele mesmo ainda quer você?" Disse ela.


Eu peguei o número de Darrin da geladeira, o imã voando longe. Quando eu prendi o guardanapo no peito de Renee com o meu dedo indicador, ela fez um pequeno O de surpresa com a boca. "Covarde," eu disse. Ela sorriu. "Dizer o que. Vou ligar para ele depois que falar com Joshua. E você tem que tentar, Wavy. Você não pode sentar lá como uma pedra até que ele desista. Você tem que tentar ou não conta." Renee me conhecia. Quando eu soltei o guardanapo, ela o prendeu de volta na geladeira. Eu entrei na sala de estar, sentindo náuseas. Não porque eu estava nervosa em falar com Joshua, mas porque meu estômago estava cheio do veneno de Renee dizendo: "Como você sabe que ele mesmo ainda quer você?" Como é que eu sei? "Há algo errado?" Joshua levantou-se do sofá. "Não." Eu respirei fundo e sentei em uma extremidade do sofá. Joshua sentou-se no meio. Mais perto do que eu gostaria. "Eu estava na vizinhança e pensei em passar por aqui, desde que eu não tinha seu número de telefone," disse ele. "Ei, eu vou descer e pegar a correspondência," disse Renee. No seu caminho para a porta da frente, ela me deu um olhar de advertência. "Então, Wavy. Eu acho que o seu nome é tão legal. Tipo hippie, mas não de uma forma pateta. Não como piada," disse Joshua, uma vez que estávamos sozinhos. O que eu deveria dizer sobre isso? Estou feliz que você gosta do meu nome. O homem que eu amo me deu isso. Isso provavelmente não era o que Renee quis dizer quando ela disse que eu tinha que tentar. Isso era eu sendo impossível. Tia Brenda disse


isto sobre mim. Você é impossível! A maioria dos dias eu era impossível. Como um unicórnio. "Abreviação de Wavonna," eu disse. "Sério? Eu nunca conheci ninguém com qualquer um desses nomes. Então, isso é muito legal. Quer dizer, eu tenho um nome muito comum, por isso é legal conhecer pessoas que têm nomes incomuns." Os dentes de Joshua eram perfeitos. Ele deve ter tido aparelho. Renee falou sobre ele como se fosse uma estátua. David nu em um museu na Itália. Eu pensei que ele era mais como um manequim em uma loja de departamentos. Ele cheirava como um manequim, também. Sabonete, desodorante, água de colônia, antisséptico bucal. Como eu deveria dizer o que ele cheirava sob tudo isso? "Então, qual é seu curso?" Disse ele. "Astrofísica." Eu não queria que ele entrasse em pânico, mas logo que eu disse isso, seus olhos arregalaram. "Oh, um, uau. Então, uh, o que você faz com um diploma em astrofísica?" "Torna-se um astrofísico." Joshua olhou para mim. Eu estava sendo impossível de novo, dizendo coisas que ele não sabia como responder. Assassina de conversa, Renee me chamou. Quando ela voltou com as correspondências, eu esperava ela me dar um olhar acusador, já que Joshua e eu estávamos sentados em silêncio. Em vez disso, ela bateu a porta da frente e praticamente correu através da sala para a cozinha. "Wavy, você pode vir aqui?" Ela chamou.


7 RENEE Eu desci para pegar as correspondências para dar a Joshua e Wavy a oportunidade de conversarem sozinhos. Ela tinha necessidade de continuar com sua vida. Então eu vi o que estava na caixa de correio: um panfleto cupom de pizza e um desses familiares envelopes devastadores. Um envelope decorado, dirigido a Jesse Joe Barfoot, Jr. Presidiário #451197. Carimbada CORRESPONDÊNCIA NÃO AUTORIZADA em grandes letras vermelhas. Exceto que esta não estava. Este envelope tinha um selo vermelho grande que dizia LIBERADO. A pessoa menos romântica poderia ter tomado uma abordagem mais comedida. Eu, eu pensei, Porra ande logo. Isto é amor verdadeiro! Agarrando a correspondência em uma mão, e meus seios na outra, eu corri subindo dois lances de escadas. Eu coloquei o envelope no meio da mesa da cozinha, e quando Wavy entrou, eu estava olhando para ele, incrédula. Ela pegou a carta e suas mãos começaram a tremer. Eu só posso imaginar o que estava acontecendo dentro de sua cabeça, porque meu cérebro estava iluminado como um letreiro de Vegas. "Isso significa que ele está em liberdade condicional? Eles não precisam notificála? Se ele está fora, por que ele não veio vê-la?" Eu disse. Oh, certo. Se ele não tivesse recebido suas cartas, ele não saberia o nosso endereço. Não era como se ele pudesse passar na casa da sua tia e dizer: "Ei, onde está Wavy?" Como ele ia encontrá-la?


Ele não ia. Nós estávamos indo encontrá-lo. Enfim, eu não era apenas uma garota da faculdade gorda assistindo a uma novela. Eu fazia parte do drama. Eu ia reescrever o terceiro ato e alterá-lo da tragédia para o felizes para sempre. Enquanto Wavy sentou lá em estado de choque, o envelope pressionado entre as duas mãos, peguei o telefone e começou a fazer ligações, todos elas de longa distância e fora do estado. Eu me perguntava o que a Sra. Brenda Newling diria quando a conta de telefone de Wavy atingisse três dígitos. "Ei, o que foi?" Disse Joshua. Ele ficou na porta, parecendo incrivelmente sexy. "Dê-nos alguns minutos, ok?" Eu estava em espera com alguém no escritório onde eles mantinham os registros de criminosos sexuais do estado, uma coisa que eu nem sabia que existia até que alguém no Departamento de Correções me transferiu para lá. "Ela está bem?" Ele estava olhando para Wavy, que parecia um pouco instável. "Ela teve novas…" "Senhora?" Alguém voltou na outra extremidade da linha. "Você tem nome completo do ofensor?" "Jesse Joe Barfoot, Jr. Eu não sei qual é o processo…" "Um momento por favor." Wavy olhou para mim com expectativa. A mulher voltou na linha e me deu um endereço, número do apartamento, e da cidade. Wellburg, que estava do outro lado da linha do estado, a menos de três horas de distância. Escrevi na parte de trás do panfleto de pizza, e, logo que Wavy viu, ela saltou para cima da mesa e passou por Joshua na entrada. Eu sabia exatamente onde ela estava indo: ficar pronta para seu encontro com Kellen.


"Então, você acha que eu tenho uma chance com Wavy?" Joshua me lançou um sorriso de derreter calcinha. Por alguns segundos, todo um cenário apareceu em minha mente. Depois que eu lhe contasse a má notícia sobre o noivo de Wavy estar em liberdade condicional, eu iria leva-lo para o meu quarto. Wavy poderia dirigir-se a Wellburg. Enquanto isso, eu iria confortar Joshua, ouvindo com simpatia, enquanto eu me arranjo na minha cama em uma pose lisonjeira. Eu iria fazê-lo se sentir sexy, inteligente e engraçado. Isso é exatamente o que eu estava imaginando. Eu iria levá-lo para meu quarto e seduzi-lo, cumprindo, assim, todo o ponto de convidá-lo para a festa em primeiro lugar. Ele realmente era surpreendentemente de boa aparência. Não seria uma dificuldade cair na cama com ele, mas que tipo de mentiras eu teria que dizer a mim mesma para fingir que eu não era uma segunda escolha rebote? "A coisa é," eu disse. "Wavy tem um monte de bagagem. Como um conjunto de nove peças combinado de Samsonite12. A menina está tão… " Pela primeira vez na minha vida, eu parei. Não era a minha história para contar. "O que? Me ajuda aqui," disse Joshua. Mesmo que eu não estivesse indo para beijar sua ferida e torná-la melhor, eu puxei o Band-Aid fora. "Wavy está noiva. Ela está indo ver seu noivo, logo que ela sair do chuveiro."

***

12


Eu teria precisado de roupas novas e horas para ficar pronta. Wavy tomou banho, ajeitou os cabelos ralos, e colocou seu vestido favorito. Era cinza com listras brancas finas, desgastado pelo uso. Ela não o tinha visto em quase sete anos e isso é o que ela estava vestindo. No carro, fizemos um plano. Ou eu fiz um plano de qualquer maneira. Eu deixaria Wavy na casa de Kellen, e então eu iria para a biblioteca na faculdade de Wellburg e iria fazer meu trabalho da aula de Estudos Femininos. Dessa forma, a minha noite não seria um desperdício total e Wavy poderia me inspecionar antes que eu fosse para casa. No momento em que chegamos em Wellburg, era final da tarde e tinha começado a chover. Nós circulamos o endereço de Kellen e, em seguida, estacionamos meia quadra atrás, onde se pode ver a porta da frente do prédio, que era um cortiço de tijolo a vista. Ele ficava de frente para o que era basicamente um beco, com caçambas de lixo nas calçadas. Wavy iria querer viver com ele naquele lugar sombrio? Não me ocorreu que eu estava orquestrando o fim de sermos colegas de quarto. Eu estive pensando que eu era Shakespeare, mas eu tinha me colocado fora do jogo. Eu estava olhando para a chuva, sentindo pena de mim mesma, quando aquela grande caminhonete velha passou e estacionou no final da quadra. "1969 Ford F-250," disse Wavy. Ela era estranha assim. Ela sempre soube os anos dos carros. O homem que saiu da caminhonete usava calças de trabalho azul e uma camisa listrada azul e branco, como um uniforme. Alcançando a parte de trás da cabine da caminhonete, ele tirou um taco de beisebol. Ele abaixou a cabeça contra a chuva, mas


ele nĂŁo correu para se esconder. Caminhando pela quadra lentamente, ele olhou em volta, mas ele nĂŁo nos viu olhando para ele.


8 WAVY

Kellen tinha perdido peso. Claro, eles não haviam alimentado bem ele na prisão, mas eu poderia fazer todos os seus alimentos favoritos e corrigir isso. Ao vê-lo livre, meu coração pulou no meu peito. Não vazio, não queimando. Vivo. "Oh meu Deus, é ele? É ele" disse Renee. "O que você vai fazer?" Abri a porta do carro, mas ela agarrou a manga da minha capa de chuva. "Espere. Devo esperar por você? O que eu devo fazer?" "Eu não sei." Meu coração estava se movendo muito rápido para pensar sobre isso. "Bem, eu vou estar na biblioteca. Só me deixe saber que está tudo bem." Kellen já estava na porta do edifico do apartamento. Eu corri cruzando a rua, espirrando água através das poças, e minha mão tremia na maçaneta. Eu era todas as coisas que eu quase tinha esquecido como ser - nervosa, animada, feliz. Eu queria subir as escada correndo, mas minhas pernas não conseguiu melhor que um passo de cada vez. Não havia campainha, nem olho mágico. Bati e Kellen atendeu.


A água escorria de seu cabelo bagunçado. Bordado no bolso de sua camisa de uniforme molhada estava: Jesse Joe. Três botões abertos, mostrando as tatuagens em seu peito. "Wavy," disse ele. Eu não sabia o que dizer. Eu não tinha pensado sobre isso. Será que tenho que dizer alguma coisa? Eu nunca tive antes. Dei um passo para frente, querendo estar na mesma sala com ele. Respirar o seu ar. Seus olhos não estavam suaves. Eles estavam quente e assustados. Ele tinha medo de mim. Eu estava com medo de mim. A luz solar passou através das nuvens e a chuva parou de bater contra as janelas. A respiração de Kellen falhou. Qualquer coisa poderia acontecer. Tudo. Eu pressionei contra ele, sentindo o cheiro dele. Seu suor. "Wavy, você não pode estar aqui." Tentei querer que ele me beijasse, a forma como eu costumava fazer, mas ele franziu a testa para mim com a boca fechada. Eu virei de costas para ele, e uma coisa quente no meu peito disse, vai embora. Atrás de mim estava a mesa da cozinha. Agarrando a cadeira mais próxima, levei-a para Kellen e subi nela. Então eu era uma gigante, elevando-me sobre ele. Peguei seu rosto em minhas mãos a maneira como ele fez na manhã que eu sabia que ele me amava. Eu levantei sua boca para a minha. Ele iria resistir? Não. Ele abriu os lábios e eu sabia que Val tinha razão. As pessoas poderiam entrar em você desse jeito. Eu estava rastejando em Kellen. Ele me queria. Ele me beijou, mas ele não quis me tocar, então eu tirei a capa de chuva. Eu desabotoei meu vestido e ele caiu aos meus pés. O deslizar, da seda escorregadia, sussurrou em mim. As calcinhas, que eu


queria que ele gozasse em cima do jeito que ele tinha pela primeira vez. A última vez. Desta vez, as minhas mãos fizeram isto. Minhas mãos para suas mãos. Liberando sua boca por um momento, eu olhei em seus olhos, para ver se ele viria para mim. "Kellen," eu disse. "Você é real?" Eu balancei a cabeça. Suas mãos vieram descansar em meus quadris, e ele me levantou da cadeira. Eu envolvi minhas pernas em volta dele e ele me levou para o quarto. Eu sempre imaginei isto na mesa da cozinha ou na mesa na garagem, mas a cama estava bom, também. Tudo o que eu precisava estava lá. Sua camisa saiu rapidamente, com os braços molhados da chuva e seu peito pegajoso de suor. Corri minhas mãos sobre ele e encontrei uma cicatriz enrugada longa que dividiu a pele sobre suas costelas. Algo que tinham feito com ele na prisão. Eu estava ansiosa para esfregar meus seios contra o dele, para mostrar-lhe que estavam finalmente maiores. Suas mãos estavam em cima de mim. Minhas mãos qualquer outro lugar. Ele sorrindo, mesmo enquanto ele tentava beijar cada parte de mim. "Pelo amor de Deus, estas botas. Como você as tira?" Disse ele. "Lentamente." Ele desistiu de desamarrar quando eu deslizei meus pés sobre seus ombros. Sentir sua língua era bom, indo para onde eu já estava molhada para ele. Eu estive molhada lá para ele por sete anos. Sua língua era boa, mas não o suficiente. Puxando-o para mim, eu achei menos barriga para deslizar minha mão até chegar a seu cinto.


"Orion." O mesmo cinto, que eu sabia como abrir, e ele estava na minha mão. Poderíamos ir mais rápido agora. Ele abaixou as calças apenas na medida em que era necessário. Isso foi o quanto ele me queria, ele nem sequer vai tirar suas botas. Ele era tão pesado que minha respiração ficou presa no meu peito. Isso era prazer, sendo presa debaixo dele, onde o ar era pouco. Seu pênis estava tão quente como eu me lembrava pressionando entre minhas pernas. Poderíamos passar do tempo. Voltar para aquele dia. Desfazer sete anos. Abri os olhos, para deixá-lo entrar em mim em todos os lugares. Esse primeiro momento, quando ele empurrou contra mim, dureza contra suavidade, foi maravilhoso. No momento seguinte, quando ele empurrou para dentro de mim, pressão queimando e uma dor lacrimejante. Doeu mais do que eu pensava que seria. Kellen estava em mim em todos os lugares. Dentro dos meus nervos. Ele gemeu contra a minha orelha. "Oh, Wavy. Eu te amo completamente." Eu pressionei meu rosto em seu pescoço e segurei, sem respirar, pensando que a dor iria parar, a forma como tinha quando ele colocou os dedos dentro de mim. Eu esperei isto ir para o prazer, porque não podia continuar a ser insuportável. Mas aconteceu. A dor cauterizou minha garganta. Pensei que poderia sufocar até que a vedação se abriu, deixei escapar um soluço que eu estava segurando. Kellen parou. Eu sabia que ele estava olhando para mim, mas eu não podia olhar de volta. "Você está bem?" Ele disse. Eu balancei a cabeça, mas as lágrimas que eu estava segurando escaparam. Ele saiu de dentro de mim, tão doloroso como quando entrou.


"Oh, Jesus, Wavy. Você esperou por mim?" "Quem mais?" Eu disse. "Oh, merda, eu sinto muito. Eu não pensei que você esperaria por mim. Eu nunca pensei… depois de toda aquela confusão, eu nunca pensei que você iria me querer. Você não veio para minhas audiências de liberdade condicional, e eu percebi que tinha arruinado tudo." Ele estava se afastando de mim, mas eu segurei, minhas unhas em seus ombros, meus saltos em suas coxas. "Abrace forte. Não deixe ir." Eu aprendi isso com ele. "Eu estou te machucando, embora. E não deveria estar fazendo isso. Você não subestima…" "Sim." Eu o segurei mais apertado, alcancei entre nós, encontrei ele pegajoso e ainda duro. Ele gemeu quando eu o pressionei para mim. Eu só precisei guiá-lo lá e ele parou de discutir. Meu estômago se apertou e minhas pernas tremiam quando ele afundou em mim. Kellen parou novamente. Eu agarrei as suas costas. "Eu não quero machuca-la," disse ele. "Completamente." Ele começou de novo, lentamente, e, tanto quanto doía, eu podia ver como eventualmente isto iria parar de doer. A próxima vez e a hora depois. Dando tempo suficiente que haveria queima de prazer onde minha suavidade e sua dureza se encontravam. No final, ele estava batendo em mim, ofegante, dizendo meu nome. Eu estava deitada sobre os trilhos de um trem que eu estava apaixonada. Para não chorar, eu


afundei meus dentes em seu peito. Eu era um vampiro e ele tinha me convidado. Ele gemeu e por um momento todo seu peso estava em mim. Entre minhas pernas havia uma intensa dor, mas meus pulmões queimavam com prazer, respirando ele. Depois, seus olhos estavam cheios de mim. Eu imaginava que teria tantas coisas para dizer, mas ele só ficou ao meu lado e me olhou. Ele estava pensando em outras maneiras para eu ser dele. O anel estava no meu dedo, e eu esperei por ele vê-lo e lembrar-se da única maneira que eu já lhe pertencia. "Wavy, o que estamos fazendo? O que eu deveria fazer?" "Você me ama?" Ao ouvi-lo dizer isto foi como comida roubada, coisas na minha boca quando ninguém estava olhando. Se ele disse isto uma centena de vezes, eu iria pedir-lhe para dizê-lo novamente. "Eu te amo. Eu te amo com todo o meu coração." Ele pegou minha mão, apertou-a contra seu peito, e viu o anel. A porta da frente abriu-, em um sussurro - e encheu seus olhos com outras coisas . Ansiedade. Preocupação. Culpa. "Jesse? Você está c… "Uma voz de mulher, em seguida, um sopro de ar, surpresa. Eu não tinha acabado de invadir Kellen. Eu tinha invadido sua casa. Enquanto a mulher atravessou o chão da cozinha, ele se levantou e puxou as calças. Eu fiquei onde ele me deixou na cama. Estávamos assim, quando a mulher entrou. "Sinto muito, Beth." Kellen prende suas calças enquanto ela observava. Cinturão de Órion preso novamente. Sempre alguém nos interrompendo. "Você a ama?" Eu disse. Ele não me fez esperar pela resposta: "Não." A boca de Beth torceu, com raiva e mágoa, mas ela não disse, "Mentiroso."


Kellen me amava. Só eu. Levantei-me nua em minhas botas, algo quente escorrendo pelo lado de dentro da minha perna. Eu não estava envergonhada. Eu não ligo para o que alguém exceto Kellen pensava. "Quem diabos é você?" Disse Beth. "Wavy." Assim que eu disse isso, eu sabia que ele não tinha dito a mulher sobre mim. Ela nem sabia quem eu era.


9 KELLEN

A forma como seus ombros nus endureceram, eu sabia o que parecia. Lá estava eu vivendo com uma mulher que nem sequer sabia sobre Wavy. Tudo que eu queria fazer era protegê-la. Não parecia justo dizer seu nome para ninguém. "Seu pedófilo," disse Beth. "Você disse que foi um erro. Uma vez, seu pedaço de merda. Isso é o que você faz? Garotinhas? Eu devia chamar a polícia. Eu juro. Qual a idade dela?" "Vinte e um," disse Wavy. Em alguns meses ela teria, mas vê-la nua em plena luz do dia apenas pela segunda vez, eu não culpo Beth por pensar o pior. Wavy era quase tão pequena quanto ela foi aos treze anos. Ela era toda pernas longas e estreitas nos quadris. Os seios dela eram perfeitos, mas nem mesmo grandes o suficiente para encher a minha boca, e muito menos as minhas mãos. Ela não tinha quase crescido afinal. Isto me fazia um pervertido que eu ainda achava que ela era a coisa mais linda que eu já vi? Isto me fazia menos pervertido que vinte e treze pareciam o mesmo com ela? Quando eu a tive em meus braços, nada disso importava. "Como diabos você tem vinte e um," Beth zombou. "Deixe-me dar-lhe alguns conselhos, garotinha. Isto é a coisa dele. Tudo o que ele disse, ele não ama você. Ele só quer a sua bocetinha sem pêlos."


Wavy riu. Eu quase ri, também, exceto que Beth olhou duro o suficiente para me impedir. "Essa é ela. Wavy é a garota pela qual eu fui preso," eu disse. "Você pegou seis anos por ela? Deus, quantos anos ela tinha, você engatinhava? Ela não parece velha o suficiente para conseguir uma carteira de motorista agora. Você é assim tão estúpido, Jesse. Você quer arruinar a sua vida, vá em frente, mas não acho que eu vou mentir para o seu agente de condicional por você. Saia." Beth voltou para a cozinha e eu puxei minha mochila para fora do armário e enfiei roupas nela, com Wavy me observando. "Vista-se, querida," eu disse. "Sim, vista-se sua puta louca." Beth caminhou de volta para o quarto e jogou as roupas de Wavy na cama. "Porra, meus lençóis novos, também." Wavy começou a colocar suas roupas, mas ela fez isso como um show de strip ao contrário, sorrindo para mim enquanto ela puxou sua calcinha para cima. "Não há policiais desta vez," disse ela. Eu não poderia mesmo gerir um sorriso para responder a isso, porque talvez os policiais não iriam aparecer, mas Beth estava ali na porta, olhando para nós. "Saia. E eu quero sua chave," disse ela. Enquanto Wavy abotoou o vestido, tirei a chave do apartamento do meu chaveiro. Depois que eu dei a Beth, Wavy e eu descemos as escadas e saímos para a rua. "Onde o seu carro está estacionado?" Eu disse. "Minha colega de quarto me deixou." Sua voz quase me matou. Crescida, mas ainda tranquila. E feliz, do jeito que eu tinha sonhado.


Quando ela pegou a minha mão, eu deixei. Nós caminhamos até a quadra para a minha caminhonete, balançando nossas mãos entre nós. Ela sorriu para mim, com certeza que tudo ia ficar bem, quando eu sabia que não estava. Segurei a mão dela até que eu tive que soltar para lançar a minha mochila nas costas e abri a porta para ela. "1969," ela disse quando ela subiu no estribo. Eu não tenho segredos para ela. Ela sabia exatamente por isso que eu estava dirigindo a caminhonete. Por amor. Para a boa sorte. Porque esse foi o ano em que ela nasceu. Sentado no carro, segurando a mão dela de novo, pensei sobre todas as coisas que eu queria dizer a ela. Eu passei todos esses anos em uma cela pensando em falar com ela, mas agora só havia uma coisa que eu precisava dizer a ela. "Wavy, eu não posso vê-la. Estou quebrando as condições da minha liberdade condicional agora, apenas sentado ao seu lado, falando com você. Eu não posso ter qualquer contato com você." Ela me olhou duro, nem mesmo fazendo uma pergunta. Chateada e magoada, e eu não a culpava. Eu merecia esse olhar, mas ela poderia estar tão brava comigo quanto quisesse. Não mudava absolutamente nada. "Diga-me onde levá-la e vou deixá-la, tem que ser isso. Eu não posso vê-la novamente. Você entende?" Depois disso, ela não olhou para mim e eu não conseguia desviar o olhar. Provavelmente seria a última vez que eu conseguiria vê-la. Eu tinha pensado nisto antes, quando fui preso, então vê-la mais uma vez foi um presente. Eu iria contar a última hora como um presente, também, exceto que era assim que ia acabar. Isto devia ser nossa noite de núpcias, e em vez disso foi só adeus. Ela sentou-se em linha reta, os ombros elevados, olhando para o para-brisa. Seu cabelo foi cortado, com pequenos cachos


provocando em seu pescoço nu. Como naquela noite de aniversário, quando ela tinha usado ele para cima. "Meu depoimento," disse ela. "Sim, eu li seu depoimento. Você foi corajosa por fazer isso. Para evitar que eu fosse enquadrado por algo muito pior. Eles realmente queriam me culpar do assassinato de sua mãe." Às vezes eu me perguntava se poderia ter sido diferente. Talvez eu poderia ter pegado menos acusação, se ela tivesse dito a verdade. "Foi uma mensagem para dizer eu te amo." Ela olhou para mim e haviam lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Eu tive que desviar o olhar. "Minha liberdade condicional diz nenhum contato. Eu não posso vê-la, falar com você, te tocar. Eu não deveria estar dentro de trinta metros de você." "Você estava em mim." Eu estava derrapando no cascalho solto, a ponto de destruir a minha vida novamente. Destruir a dela novamente. "Wavy, você sabe que eu amo você… " "Beth". "Não. Beth não é ninguém para mim. Nós não podemos fazer isso. Eu não posso fazer isso. Eu sempre vou te amar, mas eles não vão me deixar ter contato com você, por causa do que eu fiz para você." Pela primeira vez eu disse todas as palavras e isto era assustador como o inferno. Wavy assentiu. Eu pensei que ela estava pronta para dizer algo, mas ela abriu a porta e saiu. Desci também e a parei antes que ela atravessasse a rua. "Deixe-me levá-la para casa," eu disse. Era perigoso, mas pensei que eu poderia saber onde ela vivia e ser forte o suficiente para não ir vê-la.


Ela pegou meu pulso e virou meu braço para onde havia espaço em branco no interior. Eu sempre planejei ter o nome dela tatuado lá depois que nos casássemos. Estando lá na rua com o tráfego passando, ela enfiou a mão na bolsa e tirou um marcador. Ela escreveu três números no meu braço, a primeira parte de um número de telefone. "Você se lembra disto, Wavy? Eu escrevendo em seu braço quando eu acidentei com a moto?" Coisa estúpida para perguntar. Depois de todo esse tempo, ela veio aqui e ainda me queria. Ela se lembrava de tudo. Antes que ela pudesse escrever o resto do número, eu me afastei dela. O marcador deixou uma tarja preta longa pelo meu braço. "Eu não posso," eu disse. "Você sabe que eu não posso. Minha liberdade condicional diz que não há contato." Ela me soltou e atravessou a rua. Nem sequer guardou seu marcador, apenas jogou-o no chão e continuou andando. Ela não parou quando eu chamei seu nome, então fui atrás dela e segurei-a pelo braço. "Não, você não pode andar por aqui. Não é seguro. Este bairro está cheio de expresidiários e criminosos sexuais. Criminosos piores do que eu." Ela puxou o braço para longe de mim, mas eu agarrei seu pulso firme o suficiente para ela não ficar solta. Por um minuto, olhamos um para o outro, ela tentando puxar seu braço para trás e eu apertando-o com força suficiente para sentir os ossos em seu pulso. "Eu não estou brincando, Wavy. Agora me diga onde levá-la." "A biblioteca da faculdade," disse ela.


Era uma viagem de quinze minutos até a universidade, mas nós não falamos uma palavra no caminho até lá. Assim que eu parei no estacionamento da biblioteca, Wavy abriu a porta e jogou as pernas para fora. "Espere. Espere," eu disse. Com um pé no chão, um pé no estribo, ela olhou para mim. "Eu sinto muito. Eu te amo…" Wavy bateu a porta bem no meio do que eu estava tentando dizer. Talvez eu não a tenha visto em sete anos, mas eu ainda compreendia. Ela poderia muito bem ter escrito MENTIROSO sobre o travessão da minha caminhonete. Vendo-a caminhar pelo estacionamento em direção a porta da frente da biblioteca, eu sabia que tinha que ser mais, mas eu não podia acreditar que era como isto terminou. Eu queria retirar tudo o que eu havia dito, mais do que eu queria algo mais. Estando com Wavy significaria voltar para a prisão, porque a tia dela iria descobrir eventualmente, mas eu me perguntava quanto tempo poderíamos ter juntos antes que eu fosse pego. Tempo suficiente para fazer mais quatro anos suportáveis? Ou apenas o tempo suficiente para atrapalhar a sua vida de novo?


10 RENEE

Eu fui para a biblioteca com as melhores intenções, mas pelo tempo que eu cheguei lá, a chuva tinha parado e o sol tinha saído. O sol e meia-dúzia de rapazes universitários sem camisa jogando Frisbee na grama perto da escada da biblioteca. Em vez de ir para dentro, eu sentei lá fora e li uma das minhas fontes para o meu trabalho. Isso é o que eu estava fazendo quando Wavy aproximou-se. Eu deixei o livro no meu colo cair fechado e perdi o meu lugar. "O que aconteceu?" Eu disse. "Ele finalmente me fodeu." Finalmente. Finalmente? Wavy a crônica masturbadora era virgem? O tempo todo eu assumi que eles tinham feito isso, talvez muito, antes que eles fossem pegos. Eu estava tão ansiosa para ver isto como um belo romance, que estava disposta a ignorar Kellen tendo relações sexuais com uma garota de treze anos de idade, Wavy, mas lá estava ela, recém deflorada e parecendo devastada. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, e ela estava segurando seu braço esquerdo contra seu corpo como se estivesse machucado. Seu pulso parecia inchado. "Bem, parece que ele fez um trabalho excelente," eu disse para fazê-la rir, mas seu rosto estava vazio. "Por que você está aqui? Onde está Kellen?"


"Foi-Se. Acabou." Ela usou as costas de sua mão direita para enxugar os olhos. Eu gostaria de poder colocar meu braço em volta dos seus ombros e fazê-la se sentir segura. Vê-la daquele jeito foi horrível. "Acabou? O que quer dizer com acabou? Eu sei que você o ama, mas que tipo de idiota transa e depois dispensa? Foda-se ele. Você não precisa dele." Enfiei meu livro na minha bolsa e me levantei para levar Wavy para o meu carro. Abri o lado do passageiro primeiramente assim Wavy poderia entrar, mas quando eu estava andando para o lado do motorista, a caminhonete de Kellen apareceu e parou atrás do meu carro e estacionou. Ele saiu da caminhonete e deu a volta. De perto, ele era muito maior do que eu esperava. Não como gordura, mas mais alto e mais musculoso. Construído como um trator. Em vez do cabelo desgrenhado e costeletas anos 70, ele tinha um corte militar. Aquela foto na cabeceira da Wavy tinha congelado ele em minha mente, na minha idade, mas ele tinha pelo menos trinta. Acabou, minha bunda. Wavy saltou do carro e correu para ele. Abraços e beijos começaram. Por mais que eu quisesse escutar, eu entrei no carro e me acomodei para observá-los no espelho retrovisor. Ao vê-los juntos enquanto o sol se punha e as estrelas apareceram, meu coração saltou de alegria. Eu queria um final de conto de fadas para Wavy, porque se ela pudesse encontrar a felicidade, haveria esperança para mim, também.


11 WAVY

As mãos de Kellen estavam tremendo, então eu apertei-as mais forte na minha, para lhe dizer que estava tudo bem. Nós não tínhamos dito nada, mas ele estava lá. "A estrela da noite." Essa foi a primeira coisa que ele disse. Eu olhei para ela, senti ele me observando. Não apenas me observando, mas se enchendo de mim. "Você me disse antes, mas eu esqueci. Não é realmente uma estrela, não é? É um dos planetas, certo?" "Vênus," eu disse. "Onde eu estou há muita luz da cidade para ver as estrelas. Eu quero ir para fora e olhar para as estrelas com você. Eu senti falta disso. Senti sua falta." Ele me beijou antes que eu pudesse dizer, "Cassiopeia." Quando ele me deixou respirar de novo, eu disse: "Venha para casa comigo. Renee e eu temos um apartamento. No centro de Norman." Ele fechou os olhos, apertou-os com força. "Eu não posso. Isto cruza a linha. Eu não posso deixar o estado sem o meu agente da condicional dizer… então." Beijei-o novamente, pensando que tínhamos tempo para resolver essas coisas. Tínhamos todo o tempo do mundo, agora que ele estava livre. Descobriu-se que tínhamos muito tempo. Apenas alguns segundos para levantar minha mão, desejando


lembrá-lo de beijar meu anel da maneira como ele costumava fazer. Alguns segundos mais para os olhos de Kellen ficarem molhados, para seu lábio tremer. Ele não beijou o anel. Ele me soltou e, da maneira como ele se encostou na lateral da caminhonete, eu sabia que ele estava tendo dificuldades para ficar de pé. Coloquei minha cabeça no peito dele e segurei. Segurei-o de pé. "Oh, caramba. Eu não posso estar com você. Se eu quebrar a liberdade condicional, eles vão me mandar de volta para cumprir o resto da minha sentença. Se eu pudesse estar com você depois, eu faria esses quatro anos num piscar de olhos. Mas se eu voltar, e eles não vão me dar condicional com as mesmas condições. "E não é apenas a minha liberdade condicional. Você sabe, eu arruinei a minha vida inteira. Eu vou estar no registro de agressores sexuais pelos próximos quinze anos. Tem que colocar a minha condenação em cada pedido de emprego que eu preencher. Tem que perguntar a cada proprietário quão longe é a escola mais próxima." "Fui egoísta por desejar você," eu disse. Tudo o que já pensei foi no quanto eu o queria. Precisava dele. Eu nunca pensei no que isso significaria para ele. "Você não é egoísta, mas você está melhor sem mim. Eu fiz nada além de problemas para você." Eu balancei a cabeça contra seu peito. "É verdade. Você era muito jovem e eu estraguei tudo para você. É como a sua tia disse, você não tinha completado quatorze realmente quando eu estuprei você." Eu alcancei e apertei minha mão sobre sua boca forte o suficiente para sentir seus dentes através de seus lábios. Não era bom, e eu não me importava. Eu queria enfiar aquelas palavras de volta pela sua garganta. Ele puxou minha mão, e seus olhos suaves disseram que estava tudo quebrado. Eu tinha quebrado ele.


"Você não me estuprou," eu disse. "Ok. Ok, mas me escute. Já arruinei minha vida. Eu não quero estragar a sua." "Não está arruinada." Eu queria que isso fosse verdade, mas eu não podia imaginar o que seis anos de prisão seria. Quatro anos eu tinha sido prisioneira de tia Brenda, mas mesmo quando eu prometi não fugir, eu fiz isto. É por isso que isto é chamado esgueirando. Kellen tinha passado seis anos em uma cela. Seis anos entre pessoas que o feriram. Seis anos sem as estrelas. Olhando em seus olhos, eu sabia que ele iria ficar comigo. Ele estava esperando por mim para dar-lhe o olhar que significava fique. Ele queria que eu dissesse, "Fique." Fazia tanto tempo desde que eu tive o anel redimensionado que eu tinha que cuspir no meu dedo para tirá-lo. Quando soltou, eu coloquei em sua mão. "Não há mais prisão. Você está livre," eu disse.


12 RENEE

Quando Wavy abriu a porta do passageiro, achei que ela estava vindo para me dizer o que ela e Kellen estavam fazendo. Em vez disso, ela entrou no carro e bateu a porta. "O que foi?" Eu disse. Ela não disse uma palavra, apenas ficou sentada lá no escuro. "Estamos indo embora?" "Sim." Sua voz estava rouca de chorar. Será que ele terminou com ela duas vezes em um dia? Eu liguei o carro e coloquei marcha ré, mas a caminhonete de Kellen ainda estava atrás de mim. Idiota. Esperei por ele se mover, mas ele não estava nem mesmo na cabine. Eu não podia vê-lo. "Você vai dizer a ele para mover sua caminhonete?" Eu disse. "Eu não posso." Primeira vez que ouvi Wavy admitir que ela não pudesse fazer alguma coisa. "Bem. Eu vou." Eu estacionei o carro e saí. Tudo o que eu pensei que ia encontrar quando andei ao redor da caminhonete, não era Kellen de joelhos. Eu não poderia dizer se ele estava chorando ou vomitando. Se ela tivesse conseguido sua vingança? Terminado com ele? Eu


sei que se eu estivesse no lugar de Wavy, eu teria sido a pessoa mais correta desse relacionamento. "Um, você pode mover-se para que eu possa sair?" Ele fez um barulho sufocado, mas apoiou uma mão contra a lateral de sua caminhonete e ficou de pé. Eu só podia imaginar o que ela disse a ele, porque ele parecia destruído. Levou um tempo, mas ele enxugou o rosto com a manga da camisa e meio que se recompôs. "Você é sua colega de quarto?" Disse ele. "Sim." Eu juro, por um segundo, eu pensei que ele queria apertar a minha mão, mas ele estava tentando me dar alguma coisa. Quando eu não aceitei, ele abriu a mão. Era o seu anel de noivado. Oh, sim, ela o abandonou. "Você pode dar-lhe isso?" Disse ele. "Sem ofensa, mas não. Você dá a ela se quiser." De jeito nenhum eu ficaria no meio disso. Ele balançou a cabeça e deu a volta para o lado do passageiro do meu carro. Wavy não aceitaria nada disso. Ele tentou abrir a porta, mas estava trancada. "Droga, Wavy. Por favor, você vai me ouvir?" Ele continuou a falar com uma voz baixa, implorando, mas a única palavra que eu poderia ouvir era o nome dela. Eu não poderia ouvir se ela lhe respondeu, mas se ela fez, não era bom. Ele veio caminhando apressado de volta para a caminhonete e abriu a porta do lado do motorista. Por cerca de dois segundos, eu estava aliviada, pensando que ele ia sair. Em seguida, ele bateu a porta fechada e chutou. A violência disto provocou um grito em mim.


Deu dois passos em minha direção e eu dei dois passos para trás. Eu estava prestes a entrar em pânico quando os caras do Frisbee vieram correndo em nossa direção. "Ei, está tudo bem?" Disse o mais alto. "Por favor, você pode apenas levar isto?" Disse Kellen. "Eu acho que ela não quer o que você quer dar a ela." "Por que você apenas não vai embora, amigo?" Disse outro cara do Frisbee. "Por que você não cai fora?" Disse Kellen. Os caras do Frisbee tiveram uma reunião, e um deles saiu correndo em direção à biblioteca. Quando Kellen deu um passo em direção a mim, o cara alto disse: "Cara, meu amigo está indo chamar o segurança do campus." "Eu só estou tentando dar-lhe isso." Kellen ergueu o anel para que os caras do Frisbee pudessem vê-lo. "Eu não me importo, cara. Você precisa ir." Houve gritaria nos degraus da biblioteca e, em seguida, várias pessoas começaram a atravessar o gramado em direção a nós. "Foda-se." Kellen virou e chutou a porta novamente, duas vezes, com força suficiente para deixar um amassado do tamanho de sua enorme bota. "Ok, olha," eu disse. Nesse ponto, eu estava disposta a pegar o anel, só para Kellen ir embora, porque ele estava me assustando. Antes que eu pudesse, Wavy saiu do meu carro e deu a volta na caminhonete para o lado de Kellen. "Ele está indo embora," Wavy disse para os caras do Frisbee.


"Eu não vou sair," disse Kellen. "Você não pode ser preso." Ela estendeu a mão, e ele colocou o anel nela, dobrando seus dedos sobre ele. Ele segurou a mão dela assim até que ela afastou. Kellen e eu parecíamos pensar que haveria algo mais, mas Wavy se afastou e voltou para o meu carro. O cara do Frisbee veio correndo e alguns passos atrás dele estava um policial do campus. "Senhor, por que você não entra em seu carro, e deixe esta senhora sair?" Disse o policial. Finalmente, Kellen fez. Metade do caminho para fora da cidade, estávamos atrás de sua caminhonete, mas quando me virei para a estrada, ele passou reto. Deixei escapar um longo suspiro. "Eu sei que você o ama, mas que psicopata," eu disse. "Será que ele costumava fazer esse tipo de coisa? Chutar a porta desse jeito?" "Às vezes," disse Wavy. Ela parecia exausta. "E seu pulso? Ele fazia isso, também? Maltratar você?" "Ele não queria." "Certo. Eles nunca querem, querem?" Eu disse. Passamos sob a última linha de postes antes que a estrada fosse para quatro pistas. Olhei para Wavy, que ainda segurava o anel. "A sério. Ele é um babaca louco." "Não, Renée." A primeira vez que ela disse meu nome. Porque ela não perguntou, eu não disse o resto do que eu pensava, mas meus óculos cor de rosa tinham sido quebrados. Kellen não era o amor de sua vida. Ele era um bruto idiota com as mãos gordurosas e um corte de cabelo barato. Um cara sem educação


e um temperamento ruim. Grande o suficiente para amassar um lado de sua caminhonete, e estúpido o suficiente para fazê-lo, também. Depois de quase uma hora de silêncio total, Wavy começou a fazer esses suaves barulhos de soluços que eu percebi que era seu choro. Ela estava com a cabeça inclinada contra a janela, mas ela lentamente curvou até que sua cabeça estava descansando em seus joelhos. O choro foi ficando cada vez mais alto, até que foi difícil de ouvir. Você pode procurar a palavra aguçado no dicionário, mas você não sabe o que significa isto até ouvir alguém ter seu coração arrancado. Isto continuou e continuou. Eu estava apavorada. Eu não acho que fosse possível chorar daquele jeito sem se machucar. Eu dirigi mais rápido, dez, então quinze quilômetros acima do limite de velocidade. Então eu fiz algo que nunca me imaginei fazendo: Eu estendi a mão e coloquei minha mão nas costas de Wavy. Eu queria confortá-la, e a mim mesma, mas sentindo todo o seu corpo tremer me fez sentir pior, então eu coloquei minha mão de volta no volante. Pelos últimos dez quilômetros, eu chorei também. Eu fui toda a porcaria do romance dramático, mas eu nunca tinha amado qualquer cara do jeito que ela o amava. Meus corações partidos duraram um mês. Eu iria comer muito e lastimar chorando, mas eu sempre achei um cara novo. Eu era tão inconstante como os questionários da Cosmo dizia que eu era. Eu não poderia imaginar estar com um cara como ela estava com ele. Eu não poderia imaginar como seria perder ele. Quando eu parei na entrada no nosso apartamento, eu estava quase histérica. Tentei tirá-la do carro, mas ela se enrolou em uma bola e me ignorou totalmente. Mesmo tão pequena como ela era, não havia nenhuma maneira que eu poderia levá-la até o nosso apartamento.


Por meio segundo, eu pensei sobre levar ela para casa de sua tia, mas apenas por meio segundo. Isso seria traição, levando-a para uma mulher que ela nem sequer confia para olhar uma foto de Kellen. Deixei Wavy no carro e corri até o apartamento, tentando pensar em quem eu poderia chamar para ajudar. Sua prima Amy, mas ela estava na Universidade de Nebraska. Mesmo que ela saísse agora, ela não chegaria aqui até de manhã, e era semana de provas finais. Eu estava em pé na cozinha, segurando o telefone e chorando, tentando pensar em quem chamar, quando eu vi o guardanapo com o número de telefone do Darrin. Eu disquei e ele respondeu. Eu não acho que eu fazia qualquer sentido, mas quando eu parei de chorar, ele disse, "Eu posso estar aí em dez minutos." Levou algo como cinco minutos para ele chegar no estacionamento em um jipe. Observando-o correr na minha direção, onde eu estava ao lado do meu carro, eu poderia dizer que tinha tirado ele da cama. Ele estava usando calças de moletom, uma camiseta do Corpo de Fuzileiros Navais, e tênis sem meias. Por um tempo, ficamos ali, olhando para Wavy enrolada no banco da frente. "Tem certeza de que ela não precisa ir para o hospital?" Disse. "Ela não está doente. Ela só está com seu coração partido." Wavy estava tão passada, que ela não se importou que Darrin pegou-a e levou-a para o nosso apartamento. Ele a deitou sobre sua virginal cama bem feita, e ela continuou chorando, aquele anel esquecido por Deus em sua mão. Nós a deixamos lá e fomos para a cozinha, onde Darrin nos preparou bebidas. Enquanto bebia, eu contei-lhe toda a coisa terrível, tanto quanto eu sabia. Principalmente porque eu não podia suportar ficar sozinha sabendo isto, mas também porque Darrin era um bom ouvinte. Tivemos outra bebida e depois outra, e falamos sobre tudo. O pesadelo


do meu ano em uma irmandade. Seus oito anos na Marinha. Como meu pai pensou que eu era muito estúpida para conseguir qualquer coisa exceto me casar. Como seu pai estava na prisão quando ele era criança. Foi por isso que Darrin se juntou a Marinha assim que saiu da escola. Quando fomos verificar Wavy depois, ela finalmente desgastou-se chorando. Ela estava dormindo com seu braço estendido, o anel ao lado de sua mão. Eu apaguei a luz e fechei a porta, mas, em seguida, Darrin e eu estávamos de pé no corredor de fora da minha porta do quarto aberta. "Você quer ficar?" Eu disse. "Eu poderia ficar no sofá, se você acha que vai precisar de mim." "Talvez eu precise de você aqui." Eu me senti tão estúpida, porque ele olhou para baixo, meio envergonhado. Será que eu interpretei mal o seu interesse por mim? "Não é que eu não queira, porque eu realmente gostaria, mas no meu vocabulário isso chama-se aproveitar," disse ele. Ele dormiu no sofá, no caso de eu precisar dele. Pensei em ir para a sala de estar, e seduzi-lo na segurança da escuridão. Tudo que fiz foi pensar sobre isso, porém, antes de adormecer. Acordei ao som de digitação. No começo eu achava que devia ser de manhã, pois que tipo de pessoa louca digita uma carta altas horas da madrugada, ainda estava escuro, só era quatro horas. Em circunstâncias normais, eu teria gritado com Wavy, mas considerando tudo o que aconteceu, eu deixei isto pra lá. Assim quando eu estava começando a me acostumar com o barulho de Wavy digitando, um enorme estrondo me fez levantar da cama de repente. "Wavy?" Eu gritei, mas ela não respondeu.


Eu ouvi a voz de um homem na sala de estar, então eu pulei da cama e saí correndo. Darrin estava em nossa porta da frente aberta com os pés descalços. Ele apontou para o corredor. "Wavy acabou, … uh…

ela passou por aqui carregando uma máquina de

escrever. Eu perguntei se ela estava… " Outro estrondo veio da escada. Nós corremos para o corredor, e eu gritei o nome de Wavy, mas ela não respondeu. A menos que o som da madeira se encontrando com metal que ecoou pelas escadas foi sua resposta. Desci correndo com Darrin bem atrás de mim. A máquina de escrever de Wavy estava jogada ao pé da escada, quebrada em pedaços. Ela estava sobre ela, e logo que cheguei, ela chutou e mandou o maior pedaço dela deslizando pelo chão. "Puta merda," eu disse. "Você está bem?" "Não." Sem dizer mais nada, ela correu para o próximo lance de escadas, e então ouvi a porta da frente bater aberta e fechada. Um dos inquilinos do segundo andar abriu a porta e olhou para mim. "Desculpe-me por isso. Eu vou limpar," eu disse. "Que diabos foi isso?" Disse Darrin. "Eu não sei." Ele e eu pegamos a maioria das peças da máquina de escrever e levamos para cima. Eu não sabia mais o que fazer com elas, portanto, levei para o quarto de Wavy, onde eu podia ver o que tinha feito o estrondo que me acordou. Wavy aparentemente tinha jogado a máquina de escrever na parede do quarto e feito um enorme estrago.


"Eu não acho que você vai conseguir seu depósito de volta." Darrin despejou uma pilha de escombros da máquina de escrever na mesa de Wavy e pegou as metades rasgadas de uma folha de papel. Deve ter sido a carta que Wavy estava digitando. O que a fez assassinar sua máquina de escrever. Era dirigida ao advogado que supervisionava sua poupança. Caro Sr. Osher: Estou escrevendo para solicitar que você elabore uma ordem de pagamento em meu nome para ser enviado do seu escritório para Jesse Joe Barfoot, Jr. Como as condições de sua liberdade condicional proíbe qualquer contato comigo, eu gostaria que você se comunicasse com ele a respeito de uma Harley-Davidson 1956, que esteve sob minha posse desde 1983. Ela está atualmente localizada na garagem da minha tutora, Sra. Brenda Newling. Gostaria que o Sr. Barfoot tomasse posse do veículo assim que for possível para ele. É meu desejo que a moto seja dada como um presente para ele, uma vez que pertence a mim, pessoalmente, e não está incluída na minha poupança. Como é pouco provável que o Sr. Barfoot seja capaz de pegar a moto diretamente da Sra. Brenda Newling, claro que vou pagar por qualquer despesa relacionada com a entrega do item em sua posse. Encerrando, por favor, encontre o nome de uma loja de motos em Garringer que possa providenciar transporte, bem como o título assinado e endereço atual do Sr. Barfoot. Sinceros cumprimentos, Senhorita Wavonna Quinn Eu nem sequer pensei em que horas eram. Para ser honesta, eu não me importava. Peguei a lista telefônica de Wavy de sua mesa e liguei para sua prima Amy. Ela atendeu, parecendo atordoada e agressiva, mas uma vez que me identifiquei, ela ficou quieta. "Está tudo-Wavy está bem?" Ela sussurrou.


"Não. Eu não diria que Wavy está bem." "O que aconteceu?" "O que aconteceu é que ela acabou de descobrir que Kellen foi colocado em liberdade condicional, e nas condições de sua liberdade condicional, ele não pode ter qualquer contato com ela," eu disse. "Eu sei. Ele não pode estar perto de trinta metros dela. Além disso, nenhum contato de telefone ou cartas. Ela sabe disso." "Ela não sabia disso! Você acha que ela teria ido vê-lo se soubesse que poderia jogá-lo de volta na cadeia?" Wavy mantinha um monte de segredos de mim, mas não havia nenhuma maneira que ela teria ido ver Kellen sabendo disto. Certamente explicava porque o reencontro feliz deles tinha falhado completamente. "Ela foi vê-lo? Por quê?" Disse Amy. "Por quê? Porque ela o ama! E como você sabia que ele estava em liberdade condicional quando nem Wavy sabia?" "Minha mãe me disse. Há um ano atrás, que ele estava em liberdade condicional." "Sua mãe? Como ela sabe? Ele ficou em liberdade condicional no ano passado? Wavy nem sabia que ele estava em liberdade condicional até ontem." Eu sabia que estava gritando, mas eu queria alcançar através do telefone e bater em Amy até que ela dissesse algo que fizesse sentido. Darrin se sentou no sofá ao meu lado com um olhar preocupado no rosto. Fiquei muito feliz que ele tenha ficado mesmo vendo-me gritar. "Como ela poderia não saber? Eles enviaram uma carta dizendo que ele estava em liberdade condicional. Oh, merda." Amy ficou totalmente silenciosa, então eu sabia que ela estava tentando descobrir o que eu acabei de perceber. "As cartas foram para a casa da minha mãe e ela nunca disse a Wavy."


"Mas você sabia! E você nunca pensou em mencionar isto, em qualquer uma das suas cartas?" Eu disse. Minha opinião sobre Kellen mudava a cada cinco minutos, mas Wavy o amava, e sua tia não tinha o direito de manter esse tipo de segredo dela. Nem Amy. "Nós não escrevemos esses tipos de cartas. Ela… ela me escreve sobre lançamentos da NASA e planejamento urbano medieval. Além disso, nós não falamos sobre Kellen na minha família. Nós apenas não falamos, ok? Você não sabe como foi quando tudo isso aconteceu." "Eu pensei que você estava do lado dela." "Eu estou. Mas minha mãe acha que ela está fazendo a coisa certa," disse Amy. "O que você faria se você pensasse que alguém molestou sua sobrinha de treze anos?" "Ela não tem treze anos mais, e você não sabe o que isso está fazendo com ela. Ela pensou que eles iam ficar juntos! Ela ainda o ama!" Normalmente, eu teria chorado nesse ponto, mas eu estava cheia de raiva, por isso, quando Amy começou a choramingar no telefone, eu não senti simpatia. "Ela está bem?" Disse Amy. "Não, ela passou cerca de cinco horas chorando, e então ela saiu correndo daqui às quatro da manhã, indo Deus sabe onde. Eu não sei onde ela está ou quando ela está voltando para casa. Eu acho que, se tiver notícias dela, me avise." Eu não esperei para ouvir o que Amy disse. Eu só desliguei. "Você quer que eu vá procurá-la?" Disse Darrin. Ele apertou minha mão, o que me surpreendeu, porque eu não tinha certeza em que momento nós tínhamos dado as mãos. "Não, ela é esperta, ela vai ficar bem. Você não acreditaria em algumas das loucuras que ela sobreviveu."


"Você quer que eu saia, para você dormir um pouco?" "Estou muito acordada para voltar a dormir," eu disse. O cabelo de Darrin estava despenteado de dormir no sofá, e naquele início da manhã, sua barba estava aparecendo. Eu pensei que ele tinha rosto de bebê quando o conheci, mas sem se barbear, ele parecia um pouco áspero. Quando cheguei mais perto, ele colocou o braço em volta de mim. "Sim, eu acho que não conseguiria dormir também," disse ele. Pensei sobre o quão perto eu tinha chegado em sacrificar a minha dignidade no altar de boa aparência de Joshua, dei uma contabilizada completa em Darrin. Ele era solteiro, estava na faculdade e tinha emprego remunerado. Ele tinha vindo para mim inesperadamente, e ele ainda estava lá. Se eu quisesse parar de ter meu coração partido, não era o suficiente deixar de ser egocêntrica. Eu precisava parar de perseguir caras tão egocêntricos como eu era. Inclinei-me então minha boca estava no alcance para beijá-lo. "Talvez nós dois dormiríamos um pouco se você ficar na cama comigo," eu disse. Se ele tivesse puxado o assunto sobre estar se aproveitando novamente, eu não acho que eu poderia perdoá-lo, mas para minha surpresa, ele me beijou.

***

Claro, nós não fomos dormir até o amanhecer. Eu tinha finalmente adormecido, com o braço de Darrin em torno de mim, quando ouvi a porta da frente abrir. Pensei em me levantar para ver o que Wavy estava fazendo, mas eu estava nua e confortável, então eu fiquei na cama. Em seguida, houve um som batendo, e a porta da frente abriu e fechou. Poucos minutos depois, a porta se abriu e lá estava mais estrondo.


Eu me vesti e fui para a sala de estar, onde uma pilha de grandes livros da biblioteca estava se formando ao lado da mesa de café. Peguei um volume azul, com capa de couro gravada "Código Penal, de 1981, atualizado Volume XXIV”. Na lateral havia uma etiqueta que dizia "Proibido a venda." Enquanto eu estava tentando decidir o que isso significava, Wavy entrou pela porta carregando mais livros, empilhados até quase o queixo. Ela deixou-os cair ao lado dos outros livros, e foi para seu quarto. "Estes são livros da biblioteca do curso de direito?" Eu gritei. "Não é permitido pegar eles, não é?" "O zelador fuma." "Você foi para a biblioteca de direito, sorrateiramente passou o zelador em sua pausa para fumar, e roubou livros?" Eu quase podia ouvi-la encolher de ombros. Ela voltou com um caderno espiral e uma caneta, pegou o livro do topo, e arrastou-o para a mesa da cozinha. De lá, parecia como qualquer outro trabalho de casa. Passando o dedo pelo índice, ela folheou o livro e começou a ler. De vez em quando, ela parava e copiava algo em seu caderno. Deixei ela com isto, e voltei para a cama. Quando Darrin e eu finalmente levantamos, ela ainda estava trabalhando. Estava na mesa da cozinha, então eu preparei o café da manhã ao redor dela. Eu estava preocupada que seria estranho, mas ela disse: "Oi," a Darrin, e mudou alguns dos livros, então havia um lugar para comer. Honestamente, eu era a única que parecia desconfortável, mas isso é porque eu estava tentando descobrir o que estava acontecendo com Wavy. Ela tinha ido de destrutiva para motivada durante a noite, mas motivada


para o quê? Ela não tinha colocado seu anel de volta, e havia uma lacuna de pele mais clara em seu dedo onde normalmente estava. Quando ela fez uma pausa para o banheiro, eu estendi a mão sobre a mesa e agarrei seu caderno. "Ordem de nenhum contato" era o cabeçalho na primeira página. Abaixo disso estava uma série de itens destacados. Expiração de ordens civis. NCO13 automático em casos de DV. Imposto pelo conselho de liberdade condicional. Imposto pelo conselho de liberdade condicional. Imposto por condenação do juiz. O cabeçalho da página seguinte era "Processo para a remoção de NCO imposta pelo conselho de liberdade condicional." As páginas seguintes tinham cabeçalhos para diferentes cenários, à espera das notas de Wavy.

13

No Contact Order – Ordem de nenhum contato.


13 WAVY Junho 1990

Alguns dias depois, eu poderia pressionar os meus dedos em mim mesma e encontrar o ponto esfolado que Kellen tinha deixado. O inchaço no meu pulso sumiu depois de alguns dias, e deixou um hematoma na forma de seus dedos. Em seguida, isto sumiu também. Guardei o anel na caixa de veludo que a senhora da loja de joias tinha me dado, porque eu não poderia usá-lo mais. Kellen me fez manter o anel, mas ele não tinha colocado novamente no meu dedo. Isso significava que não era o meu anel de casamento. Quando eu pressionei em minha boca era apenas uma pedra. A diferença entre um meteoro caindo através da atmosfera e um meteorito jogado no chão. Eu não me arrependo de chutar minha máquina de escrever elétrica pelas escadas. Tia Brenda tinha me dado ela pela minha formatura do ensino médio, e se ela pretendia ou não, presentes ocupam espaço em seu coração. Eu precisava de espaço agora. Eu terminei meu trabalho de espanhol em um computador no campus. Para as cartas que eu precisava escrever, eu tinha a Underwood manual em que vovó me ensinou a escrever. Era verde exército e pesava quase seis quilos. Funcionava muito bem, e vovó não ocupava mais espaço no meu coração do que o chão ocupa espaço em uma casa.


Quando Renee não estava reclamando sobre o som de mim digitando, ela estava pairando ansiosamente. Eu não sei o que ela pensou que eu faria se ela me deixasse sozinha por muito tempo. Ficar chapada com o líquido corretivo? Ou talvez ela pensou que eu faria o que fiz: escrever uma carta por dia para o agente da condicional de Kellen até que seu supervisor me escrevesse de volta. Cara Sra. Quinn, Peço desculpas pela demora em responder às suas cartas. Para responder às suas questões: as condições de liberdade condicional de Jesse Joe Barfoot não foram definidas por este escritório. Portanto, não somos capazes de alterar a ordem de nenhum contato. As condições de sua liberdade condicional foram definidas pelo juiz da sentença. Para tê-las alteradas, será necessário apresentar um apelo formal no tribunal distrital, onde ele foi condenado. Atenciosamente, James Teeter "O que acontece agora?" Disse Renee. "Apelo formal na corte de distrito." Abri a pasta de arquivo, coloquei a carta em uma divisória, e tirei o formulário J319-7. Modificação de Ordens de Proteção e Nenhum Contato. Eu coloquei perto da antiga Underwood e preparei para começar a digitar. "Uau, há um formulário para isso?" Disse Renee. Eu tinha pedido o formulário, mesmo antes de saber que iria precisar dele, assim como eu tinha pedido cópias do julgamento final de Kellen do tribunal distrital. Pegueias, também, para ter certeza que fiz tudo correto no formulário. Fiquei triste ao vê-lo listado lá pelo nome que ele nunca quis: Jesse Joe Barfoot, Jr. Eles tinham tirado sua identidade, pressionou-o de volta para o molde de seu pai. Kellen não foi o único que teve sua identidade arrancada nesses registros. Todo lugar que eu


apareci, eu era a vítima menor, identificada apenas como WLQ. Para proteger-me, é claro, mesmo que eu não queira ser protegida. Isso era o que eu coloquei no pequeno espaço fornecido no formulário para justificar o meu pedido de anulação da ordem de nenhum contato. Eu não gostaria de ser protegida por ordem do tribunal, já que o condenado não apresenta nenhum perigo para mim. "Você já pensou em se tornar uma advogada?" Disse Renee, enquanto eu digitava. "Nunca." Pensei em todos os advogados que tinham passado pela minha vida, e eu não invejo o papel que nenhum deles tinha desempenhado. Eu dirigi até Garringer para arquivar o formulário e pagar a taxa de depósito de cinquenta dólares. Depois disso, eu esperei. Assim como eu estava esperando há anos. Renee falou sobre como o correio eletrônico ia ser a próxima grande coisa, mas a caixa de correio amassada no corredor da frente de nosso prédio ainda era meu deus. Todo dia eu rezava para que entregassem uma carta de Donal ou de alguém que sabia onde ele estava. Orei para que isto me trouxesse uma resposta do tribunal distrital. Eu me perguntei se foi assim para Kellen, depois de ter escrito o número de telefone do Liam no meu braço. Quando ele estava sentado sozinho e sangrando, esperando por mim voltar, tinha parecido um mês para ele? Tinha parecido mais tempo? Tinha parecido sem esperança?


14 KELLEN Julho 1990

Durante a primeira semana, eu dormi no mesmo hotel sujo onde eu ficava quando os netos de Beth vieram visitar. A maior parte de junho, quando o tempo estava bom, eu fiquei em um acampamento em uma barraca que eu peguei de uma loja de materiais usados do Exército. Recordou-me de dormir no prado com Wavy, e foi essa memória, tanto quanto o calor do verão que me fez desistir. Depois de mais algumas noites em um motel, fui morar com Craig, um dos caras na loja. Ele e sua esposa estavam esperando um bebê, embora, e ela não gostava de eu estar lá quando ele estava fora. Em meados de agosto, eu estava de volta em outro motel de baixa qualidade, e trabalhava tantas horas como eu poderia, então eu não teria que estar no motel, exceto para dormir. Eu tinha minha cabeça sob o capô de um Toyota quando alguém disse: "Jesse," atrás de mim. Era Beth, com o cabelo tingido de vermelho escuro, segurando meu taco de beisebol. Não teria me surpreendido se ela tivesse balançado para mim, mas ela disse: "Você esqueceu isso. Pensei que você poderia querer ele. E o seu casaco de inverno." A sala dos funcionários era apenas um closet com armários e cadeiras, mas era um lugar privado, então eu a levei lá. Eu coloquei o bastão e o casaco no meu armário e contei trezentos dólares da minha carteira.


"Obrigado por trazer minhas coisas. Este aqui é para pagar a energia e o aluguel de maio," eu disse. "Você esteve lá apenas por uma semana." "Sim, bem, eu ainda lhe devo o aluguel." Ela pegou o dinheiro e colocou em sua bolsa. Em seguida, ela só olhou para mim, então eu sabia que ela estava esperando que eu dissesse alguma coisa. "Olha, eu sinto muito pelo que aconteceu. Eu sei que foi uma coisa ruim o que fiz com você. Se eu tivesse pensando…” "Está acabado? Você ainda está quebrando sua liberdade condicional?" Disse Beth. "Não. Eu não a vi novamente." "Se está acabado, você poderia voltar. Eu não vou aturar você quebrar sua liberdade condicional, mas se você prometer que acabou, nós poderíamos tentar de novo." Eu acho que eu não respondi rápido o suficiente, porque ela se levantou e colocou a bolsa no ombro. "Jesus Cristo. Eu não posso acreditar que eu vim aqui pensando que você poderia estar interessado em uma segunda chance." "Eu não posso voltar, porque eu não posso prometer nada. Se Wavy aparecesse amanhã, eu faria tudo novamente. Eu a amei na primeira vez que a vi e continuo amando. " "Amor à primeira vista, não é?" Beth bufou. "Quantos anos ela tinha?" "Oito." "Isso é assustador." Ela disse um monte de outras coisas, também. "Você deveria ter ficado na prisão, se é assim que você vai viver," e, "Nada como lavar o resto de sua vida no vaso sanitário para limpar-se de uma garota que nunca vai estar com você." Como se eu não desejasse


estar morto na maioria das vezes. Como se eu não tivesse passado algum tempo pensando sobre onde eu poderia comprar uma arma e resolver isto. Quase tanto tempo quanto eu passei pensando em quebrar minha condicional e ver Wavy. Depois que Beth desabafou, ela me pediu para voltar a morar com ela. Eu disse que sim, mas apenas como colegas de quarto. Ela precisava de ajuda com o aluguel, e eu precisava de um lugar para ficar que não ia me causar problemas com o meu agente da condicional. Deveria ser melhor viver sozinho, mas pelo menos agora Beth não poderia deitar lá à noite e me falar quase até a morte, quando eu queria um pouco de sossego. Ela não teria que reclamar sobre o meu desodorante ou o meu corte de cabelo ou minhas tatuagens. E se ela fizesse, eu não teria que prestar atenção. A verdadeira diferença era que Beth não poderia colocar a mão no meu pau e dizer: "Desligue a TV e vamos para o quarto," se eu quisesse ou não. Eu não acho poderia mais tolerar isso. Não quando eu tinha Wavy queimando em meu cérebro. Algumas noites, quando chegava em casa do trabalho e entrava na cozinha, tudo que eu conseguia pensar era o modo que ela estava na cadeira e tirou a suas botas. Como ela passou as mãos sobre mim. Nenhuma mulher jamais olhou para mim do jeito que ela olhou, ou me tocou daquela maneira. Como se ela me quisesse, como se eu valesse a pena querer. Na maioria das vezes tudo o que eu podia pensar era como ela tinha chegado ali e se entregado a mim. Eu nem sequer tive a decência de dizer a ela que não poderíamos ficar juntos até depois. Apenas desesperado para estar com ela. Eu ainda era o mesmo cara que deixou ela me masturbar quando ela era tinha treze.


15 RENEE Agosto 1990

Chegou ao ponto onde Wavy nem sequer me deixava verificar a caixa de correio. Se eu fosse pegar a correspondência, ela praticamente me abordava quando eu voltava, e puxava tudo das minhas mãos. "Ainda bem que eu não estou esperando quaisquer cartas de amor," eu disse, enquanto ela vasculhava os panfletos e contas. "Você não precisa de cartas de amor." Ela bateu a mão na mesa da cozinha meiadúzia de vezes para imitar o som da minha cabeceira batendo contra a parede do meu quarto, mas eu sabia que ela não invejava a diversão que eu tinha com Darrin. Três semanas mais tarde, a resposta de Wavy veio. Ou melhor, uma resposta. Era uma cópia do formulário que ela apresentou, com a metade inferior preenchido à mão. Onde estava escrito Este assunto não foi definido para audiência. Abaixo disso, onde o formulário dizia: "Após a revisão do arquivo e provas, o tribunal ordena que a proteção acima referenciada com Proteção ou Ordem de Nenhum Contato, entrado em 9 de Setembro de 1983 deve ser modificada da seguinte maneira," alguém tinha escrito NENHUMA modificação. Ordem continua em vigor. Essa mesma pessoa assinou o formulário. Juiz C.J. Maber. "O juiz disse que não? Ele disse não? Que babaca!" Eu estava tão chateada, eu não poderia imaginar o quão chateada Wavy devia estar. Não teria me surpreendido se ela


tivesse rasgado o formulário ou jogado a máquina de escrever pelas as escadas, mas não o fez. Passou talvez um minuto olhando para o formulário e rangendo os dentes. Depois sentou-se, enfiou um pedaço de papel na máquina de escrever e começou a digitar: Caro Juiz Maber. Contrariamente aos hábitos usuais de Wavy, ela foi objetiva e educada, com apenas um pedido para se encontrar com o juiz. Quando ela não conseguiu uma resposta, no entanto, as cartas multiplicaram-se exponencialmente. A grande quantidade delas começou a me preocupar, porque em algum ponto poderia tornar-se assédio enviar uma carta todos os dias a um juiz? Pelo menos se os policiais aparecerem, Wavy havia devolvido todos os livros de direito ilicitamente emprestados à biblioteca. Eu não estava em casa quando a carta chegou, mas eu sabia que algo grande tinha acontecido pela maneira que Wavy estava andando em torno do apartamento quando cheguei em casa da minha primeira aula do semestre. Ela tinha metade das roupas do seu armário espalhados no sofá, e logo que entrei, ela colocou a carta na minha mão. Não era mesmo do juiz. Era da sua secretária, e ela simplesmente dizia: Juiz Maber está disponível para se encontrar com você na quarta-feira, 15 ago às 8:00 da manhã. A sessão do tribunal do juiz começa às 9:00 da manhã, então por favor seja pontual. Tivemos menos de trinta e seis horas para conseguir deixar Wavy pronta para seu encontro com o juiz e a menina possuía um armário cheio de vestidos largos, quatro pares de sapatos, dois pares de botas, chinelos, e um par de tênis exigidos em suas aula de educação física que eu sei que ela comprou no departamento infantil. Se eu ia ajudar Wavy parecer com um adulto, nós tínhamos que começar do zero. Eu não sei se Wavy dormiu naquela noite, mas na manhã seguinte, fomos para a cidade cedo o suficiente para estar lá quando as lojas fossem abertas. Dentro de uma


hora, tivemos que desistir de um terno executivo. Eles não tinham do tamanho de Wavy. Nós decidimos por uma saia de uniforme escolar de lã azul, mas não havia mais nada na seção de meninas na Macy que não parecia que era para meninas. O caixa sugeriu que ela procurasse "lojas de senhoras de luxo" que oferecia tamanhos pequenos. O tipo de lugar elegante que minha mãe gostava de fazer compras. Wavy tinha feito vinte e um anos em julho, então ela podia assinar cheques da sua poupança sem obter permissão de ninguém. Caso contrário, eu poderia imaginar a reação de sua tia por Wavy gastar quase quatro centenas de dólares em uma blusa de seda extra-pequena, e um par de sapatos italianos de pele de cobra tamanho trinta e três. Minha mãe uma vez descreveu Wavy como "a dois passos do parque de trailers," então eu não podia esperar para contar a ela que elas tinham o mesmo gosto em sapatos. De volta ao apartamento, Wavy lavou o gel de seu cabelo e eu fiz ondas nele em vez do habitual espetado. Mostrei-lhe como depilar suas pernas, mesmo que ela não precisasse disso. Você não poderia mesmo ver os pelos nas suas pernas. "Em princípio," disse ela. Se os adultos raspavam suas pernas, Wavy iria raspar as dela. Em seguida, pegamos a única combinação experimental que conseguimos. Saia, blusa, sutiã, meia-calça e sapatos. Eu ensinei ela a andar nos saltos, e uma vez que ela pôde conseguir subir e descer as escadas e dar uma volta, eu oficialmente declarei ela uma adulta. Ainda de madrugada na quarta-feira, fizemos três tentativas para a maquiagem. A primeira vez, ela estava nervosa sobre eu tocar no seu rosto. A segunda falha foi o quão perturbadora Wavy pareceu quando terminei a maquiagem. Como uma criança prostituta. No final, nós fomos minimalistas: batom, sombra para os olhos. No momento


em que ela saiu para Garringer, o sol estava nascendo, e Wavy parecia, se nĂŁo exatamente uma adulta, entĂŁo quase igual a uma adulta.


16 JUIZA C.J. MABER

Lembrei-me do caso, embora nunca tenha ido a julgamento. Não doeu ter tido Barfoot na minha sala de audiências antes em duas acusações de agressão separadas. Ele deixou uma impressão. Um homem gigante com um temperamento vicioso, que ainda conseguiu parecer embaraçado no tribunal. Eu não me incomodei em puxar o arquivo antes de eu recusar a anular a ordem de nenhum contato. Quando as cartas começaram a chegar, eu olhei para o arquivo para refrescar minha memória. Eu ainda não estava inclinada a me encontrar com a senhorita Quinn, mas eu sabia de longa experiência que algumas pessoas não podem ser adiadas. Algumas persistem até eu concordar em me reunir com elas. Senhorita Quinn chegou ao meu gabinete na hora certa, e eu estava contente de ver que ela era uma jovem mulher séria. Eu não tinha paciência com as choronas e as gritonas. Aquele tipo de mulher me faz ter vergonha do meu próprio sexo. Senhorita Quinn estava pronta e bem-vestida, mas eu não poderia ter imaginado sua idade se eu já não tivesse conhecido ela. Como Barfoot se declarou culpado, eu nunca tinha posto os olhos sobre a garota, nunca vi o quão pequena e delicada ela era. Honestamente, se eu tivesse, teria condenado Barfoot a mais de dez anos. Ela pegou a cadeira que eu apontei e colocou uma pasta, que, invariavelmente, tinha um álbum de fotos, contendo fotos destinadas a me provocar compaixão.


"Senhorita Quinn, posso chamá-la de Wavonna?" "Wavy," disse ela. "Wavy, então. Posso fazer-lhe algumas perguntas?" Eu gostava de ficar com as coisas que elas não tinham pensado em me dizer. Acima de tudo, gostava de deixá-las saber que elas eram importantes para mim. Para que elas soubessem que elas tinham um valor que não estava ligado ao homem que amavam. Algumas delas ficavam impacientes, querendo chegar à questão real, mas para muitas delas, eu era possivelmente a primeira pessoa em posição de autoridade que tinha realmente já manifestado interesse nelas. Wavy não era nem impaciente nem carente de atenção. Perguntei-lhe se ela estava na faculdade ou empregada. Ambos. "Astrofísica," disse ela, quando eu perguntei o que ela estava estudando. Uma garota inteligente, então. "Eu sei que você veio aqui hoje para tentar convencer-me a anular a ordem de nenhum contato que eu coloquei em prática na sentença do Sr. Barfoot, mas sua presença aqui é uma prova para mim que foi a coisa certa, então, ainda é a coisa certa." "Não é justo." Ela não chegou a me interromper, mas ela escapou essas três palavras enquanto eu estava tomando um fôlego. "Mantê-lo longe de mim era para me proteger, mas eu não quero ser protegida. Eu o amo e estou sendo punida mesmo que eu não fiz nada de errado." Fiquei impressionada em silêncio por um momento, e não por suas palavras, que eu tinha ouvido centenas de vezes de centenas de outras mulheres, mas pela qualidade da sua voz. Rouca e incrivelmente tranquila, mas não tímida. Eu poderia tê-la cortado a qualquer momento, porque esse pequeno discurso levou dela meia dúzia de respirações.


Ela ficou em silêncio por um momento, descruzando as pernas e estendendo a mão para sua pasta. Como eu sabia que ela faria, ela saltou de seu álbum de fotografias de cortar o coração para mim. Ou, pelo menos, a foto de cortar o seu coração. Era uma foto do Sr. Barfoot, Wavy, e um menino louro pequeno de cinco ou seis anos. Todos os três estavam sorrindo. Sr. Barfoot tinha tirado a foto, segurando a câmera na frente deles. Eles pareciam felizes, é claro. Familiar. Esse foi o ponto dessas fotos. "Essa é minha família. Meu irmão mais novo, Donal. Kellen. Não Barfoot. Minha família real. Você pode ajudar a refazer isto," disse Wavy. "De alguma forma eu esperava mais de uma garota tão brilhante como você obviamente é." Seus olhos se estreitaram, de modo que eu pudesse ver que eu não tinha abalado tanto ela como eu tinha irritado. "Eu não posso nem começar a dizer quantas mulheres eu vejo como você, Wavy. As mulheres que se apaixonaram e pensam que dá ao homem o direito de fazer qualquer coisa com elas. A maioria delas são vítimas de violência doméstica, o que eu percebo que não foi o seu caso. O que o Sr. Barfoot fez com você, no entanto, foi igualmente prejudicial, se não mais. Essas mulheres vêm a mim, às vezes depois de esperar durante anos por seus maridos, namorados, noivos, ou os pais de seus filhos, saírem da prisão.” "Elas vêm para mim e me imploram para reuni-la com o homem que amam. Este homem que deu um tapa, socos e chutou e às vezes estuprou elas. Elas culpam a infância terrível deles, ou as drogas ou o álcool, ou outra mulher, ou a guerra. Elas vêm a mim com um álbum de fotos, assim como você veio, para me mostrar fotos de tempos mais felizes, e elas me pedem para reunir toda a sua família novamente. Eu estou lhe dizendo isso, porque eu quero que você entenda quantas vezes eu vejo isso, porque acho que você


é inteligente o suficiente para ver a lógica por trás da minha decisão. Para ver que fiz a coisa certa, protegendo-a. E não apenas quando você era uma criança, mas protegendo-a de cometer um erro agora." "Você estava lá quando meu pai fez isso?" Ela colocou o dedo em seu lábio inferior, onde ela tinha uma cicatriz branca. "Claro que não, eu não estava lá para protegê-la de eventuais lesões que seu pai poderia ter infligido em você. Isso não nega… " "Kellen me protegeu," disse ela. Elas sempre tinham uma história sobre alguma coisa amável ou generosa que eles tinha feito para elas. "Olhe para você. Você está em seu último ano de faculdade, com a oportunidade para uma boa e bem sucedida vida pela frente. Se você voltar para o Sr. Barfoot, que não só estava disposto a explorá-la como uma criança, mas que tem um elevado abandono escolar, com um registo criminal cheio de agressões, o que você acha que acontecerá com essa oportunidade?" "Ele me levou para a escola. Durante seis anos. Pagou minhas matrículas. Me levava. Me buscava. Seis anos. Ninguém mais se importava. Seu dinheiro paga a minha faculdade agora. Ele me deu esta oportunidade," disse ela. "Senhorita Quinn, eu preciso ficar pronta para o tribunal. Eu realmente desejo o melhor. Mesmo para o Sr. Barfoot. Mas vocês dois estariam melhores, concentrando-se em seus respectivos futuros, em vez de reviver o passado." Convencê-las a deixar sempre foi a parte mais difícil. Elas não querem desistir. Elas queriam lutar. Talvez elas pensassem que era o que eu queria ver: a prova do quanto elas amavam este homem que havia ferido elas. Wavy, porém, levantou-se e pegou sua pasta. Quando ela estava prestes a recuperar a foto que ela tinha colocado na minha mesa, ela hesitou.


"Sua família?" Disse ela. Antes que eu pudesse impedi-la, ela alcançou na minha mesa e pegou a foto emoldurada que eu sempre mantinha voltada para mim. Era uma foto antiga, de quando meus filhos eram pequenos, e meu marido e eu éramos magros e sem cabelo brancos. "Sim." Ela desviou o olhar da foto para mim. Eu estava desconcertada pela intensidade desse olhar, e vi isto pelo que era: uma acusação. "Sua família é real, mas a minha não é? Pessoas reais com sentimentos reais, mas a minha família não é… " Ela respirou. "…real para você. Você pensa. Eu sou um personagem. Uma história. Aquelas mulheres que você fala. Não pessoas reais para você. Mulheres estúpidas. Estúpidos álbuns de fotos. Mas você. Você é esperta. Você faz escolhas mais inteligentes. Para nós." Ela estava quase ofegante e, vendo a forma como a foto tremeu em sua mão, eu rolei a minha cadeira para trás da mesa. Apesar de ter havido alguns apelos próximos, eu nunca realmente tive uma altercação física com ninguém. Eu sempre mantinha a porta aberta para que se as coisas esquentassem os oficiais de justiça pudessem ouvir, mas a ira de Wavy estava tão abafada que ninguém tinha notado. "Por favor, não se chateie. Eu realmente tenho que ir ao tribunal." Levantei-me e caminhei ao redor da mesa. Embora ela ainda estivesse segurando a minha foto de família, ela não tentou me parar, então eu coloquei a minha cabeça para o corredor e fiz um gesto para o oficial de justiça. "Edward, você poderia acompanhar a senhorita Quinn para fora?" Ela colocou a moldura sobre a mesa e foi com Edward, mas quando ela se afastou, ela levantou a voz.


"Sou real. Eu sou tão real quanto você é. A minha família é real como a sua família," disse ela.


17 WAVY

Eu precisava voltar para Norman, a tempo para a minha aula da tarde, mas quando passei na saída para a antiga pedreira onde nós corremos com o Barracuda, a rotação da Terra parecia lenta. O sol pairava estático no céu, enquanto eu virei o carro e dirigi de volta através de Garringer. Eu costumava pensar nisso como uma cidade grande, mas agora isto se foi num piscar de olhos, e eu estava na estrada para Powell. Dirigindo pela rua principal, eu senti como se estivesse em uma história de fantasmas, mas eu não sabia quem era o fantasma – eu ou todos de Powell County. O centro não estava muito diferente do que eu lembrava talvez mais algumas lojas estavam vazias, mas a loja de ferragens tinha as mesmas ferramentas na janela, e ShopSalve tinha estragos no granizo do seu letreiro frontal. Saindo da Main Street, a Small Engine do Cutcheon tinha uma folha amarelada de papel de caderno pregada na janela. "Fechado até novo aviso," escrito com a letra do Sr. Cutcheon. A casa de Kellen foi ocupada, mas degradada. Ninguém tinha pintado desde que nós pintamos, e a garagem parecia que estava prestes a cair. Dois cães acorrentados no jardim da frente latiram para mim enquanto eu passava. No caminho para o prado, eu desliguei o ar-condicionado e abri as janelas. O calor e a poeira rolaram para dentro do carro, mas o vento no meu rosto era o mais próximo que eu poderia conseguir de andar em uma moto.


Havia um novo trailer estacionado onde o trailer de Sandy costumava estar, mas acho que as pessoas que vivem lá estavam realmente na agricultura, porque haviam tratores estacionados pelos celeiros. Gado pastava no prado, e eles viravam a cabeça e me olhavam com olhos castanhos enquanto passava. A entrada para a casa da fazenda estava tão ruim, que eu tive que estacionar na rodovia e caminhar até lá, estragando no cascalho meus sapatos extravagantes. As videiras da madressilva haviam subido ao longo da varanda da frente e caíam da treliça abaixo da janela do sótão. A porta de tela bateu com a brisa, e a porta da cozinha estava parcialmente aberta. Quando eu morava lá, nós nunca tivemos uma chave para a porta da cozinha, por isso, a polícia deve ter simplesmente fechado a porta. Qualquer um que quisesse entrar, poderia, inclusive eu. Eu não estive dentro de casa desde que Donal e eu saímos naquele julho para ir visitar a tia Brenda. Ela nunca nos permitiu voltar. O chão da cozinha estava manchado de marrom do sangue de Val, e acinzentado com a poeira de estranhos andando por ali. Vândalos deviam ter usado a mesa e cadeiras para fazer fogueira na lareira da sala da frente. Eles tinham deixado para trás garrafas de cerveja e pintaram as paredes da sala de jantar. No andar de cima no meu quarto, tia Brenda só pegou a colcha que vovó fez. Ela levou isso a Tulsa e embalou, porque era uma relíquia de família, muito valiosa para usar. Ela tinha deixado a pequena TV preto e branco, e alguém tinha quebrado a sua tela. Eu pude ver o saco de dormir sujo e as embalagens de preservativos que estranhos tinham usado na cama onde Kellen e eu passamos muitas noites deitados ao lado um do outro. Voltei para a cozinha e parei no local onde Val tinha morrido. Apenas alguns metros de distância de onde Kellen me beijou pela primeira vez. Eu puxei a porta da


cozinha fechando quando eu fui para fora, e o chão da varanda rangeu quando eu cruzei os degraus. Caminhando de volta para o meu carro, eu segui o caminho coberto com pedra calcária, onde Kellen haviam sentado depois de seu acidente. Eu estava errada sobre a desaceleração rotação da Terra. Ela continuou tão constante como sempre, e a tarde tinha ido embora. Para o oeste, Vênus e Júpiter chamaram minha atenção com o sol se pondo. Poucos dias antes, a sonda Magellan tinha alcançado Vênus, e começou a enviar as imagens. Abaixo do horizonte estava Orion, descansando até o outono, quando ele subiria sobre o prado com apenas as vacas para vê-lo. Pensei então em Voyager 1 e 2, tão longe. Elas foram lançadas no mesmo ano que eu conheci Kellen, e agora elas tinham chegado ao fim do nosso sistema solar. Embora seus programas estavam sendo desligados um a um, elas viajaram ligadas. A NASA disse que, em mais vinte e cinco anos, elas iriam sair da nossa heliosfera e atravessar o espaço interestelar. Em mais de trezentos mil anos, a Voyage 2 poderia chegar tão longe quanto a estrela Sirius, mas nunca voltaria para casa. Isso era como eu me sentia, enquanto andei até meu carro. Eu estava avançando para o espaço, mas eu nunca iria voltar para casa. Horas mais tarde, subindo as escadas para o apartamento, eu ainda me sentia como um satélite solto na gravidade. Acima de mim, Renee abriu a porta do apartamento. "Wavy! Oh meu deus, onde você esteve?" Ela gritou. Quando cheguei, ela era uma estrela, me puxando para sua órbita. "Juíza Maber ligou. Ela disse: 'Diga a senhorita Quinn que ela estava certa. Ela é tão real quanto eu.'"


18 KELLEN

Setembro 1990

Beth poderia reclamar comigo tudo o que ela queria sobre meu colesterol, mas eu voltei a comer bacon e ovos e panquecas com manteiga de verdade como Wavy usava para cozinhar. Isso é o que eu tinha para o café da manhã antes de minha reunião semanal com o meu agente da condicional. Beth estava no balcão embalando seu almoço enquanto eu comia, mas ela não parava de olhar por cima do ombro para mim. Me deixou realmente pouco à vontade. "O que?” Eu disse. "Você viu a correspondência ontem?" Disse ela. "Não." Eu imaginei que alguém tinha enfiado outro folheto sobre mim na caixa de correio. As pessoas ainda faziam isso, mesmo que eu tivesse cuidado. Eu nunca falei com as crianças, não sem um motivo. Tanto quanto eu estava preocupado, as crianças não existiam. O que me deixava com raiva toda vez que eu via algo preso na bicicleta de um garoto. Eu poderia concertar isto, mas as pessoas poderiam pensar a coisa errada. Beth escolheu uma carta em cima da mesa na minha frente. As únicas correspondências que recebi eram assuntos oficiais do Departamento de Correções, só que essa não era. Passaram-se anos desde que eu recebi uma carta naquela caligrafia,


mas eu conhecia isto de quando Wavy costumava me enviar cartões de Natal da casa de sua tia. "Eu não vou dizer mais uma vez," disse Beth. "Se você quebrar a sua condicional, você não pode viver aqui." Ela voltou para a arrumação de seu almoço, e eu tentei terminar o meu café da manhã, mas a carta tinha me perturbado seriamente. Em primeiro lugar, isso significava que Wavy sabia que eu estava vivendo com Beth novamente. Tudo o que ela tinha que fazer era ligar para o Departamento de Correções e eles lhe dariam meu endereço atual do registro de agressores sexuais. Eu tinha que descobrir se ela pensava o pior de mim, porque o que mais ela vai pensar? Eu a tinha feito manter o anel, e voltei a viver com Beth, como se o anel não significasse nada para mim. Em segundo lugar, isso significava que Wavy tinha algo a dizer para mim, mas o que? "Você vai para abri-la ou ler através do envelope?" Disse Beth. Era a mesma voz que ela costumava dizer todas as coisas ruins que ela disse quando voltei. "Nenhum dos dois. Basta jogá-la fora. Isso é o que você ia fazer de qualquer maneira, não é?" Ela nem esperou minhas palavras saírem da minha boca antes que ela a pegasse e jogasse na lata de lixo. Depois que eu não poderia engolir minha comida, e era hora de ir. Quando fui raspar o resto do meu prato no lixo, havia a letra olhando para mim. Joguei o que restava do meu café da manhã em cima dela. O meu agente da condicional era um bom rapaz, mas ocupado, então geralmente terminava em menos de dez minutos. Ele começou como todas as outras reuniões. Como


vai você? Como está o trabalho? Teve quaisquer problemas? Então, de repente, ele disse: "Você já esteve em contato com Wavonna Quinn?" "Não. Claro que não." Primeira mentira deslavada que eu já lhe disse. Eu comecei a suar frio e eu não conseguia descobrir o que me fez parecer mais culpado: olhando-o nos olhos ou olhando para longe. Dei-lhe um bom olhar longo e disse: "De jeito nenhum. Porque você pensaria isso?" "Só por curiosidade," disse ele. Só por curiosidade, minha bunda. Pensei sobre a carta e sobre como Beth ainda estava chateada comigo. Me fez pensar se ela não tinha ligado para ele. Ele não me pressionou sobre o assunto, e dois minutos mais tarde, eu estava fora de lá. Eu deveria ter ido para o trabalho, mas não o fiz. Fui para casa, entrei no apartamento, e a primeira coisa que fiz foi puxar a tampa da lata de lixo. Dentro havia um novo saco de lixo. Era meu trabalho levar o lixo para fora, mas Beth tinha feito isso, só assim ela poderia jogar a carta de Wavy fora. É assim que eu acabei no contentor de lixo, peneirando sacos de lixo. O dia estava se aquecendo e aquele contentor fedia como o inferno. Eu devo ter aberto uma dúzia de sacos antes de encontrar a carta de Wavy, pegajosa com calda. Eu me arrastei para fora da lixeira e sentei no meio-fio próximo a ele. Meu estômago estava bem debaixo da minha garganta, quando abri o envelope. Caro Kellen, Eu pensei que você viria para mim depois que você recebesse a carta do tribunal, mas você não veio. Eu posso imaginar um milhão de razões que você não viria e apenas uma razão que faria, mas eu esperava que isso seria suficiente. Eu não vou incomodá-lo novamente. Eu só estou escrevendo porque eu tenho algo que eu preciso devolver para você. Devido ao seu tamanho, seria


melhor se você pudesse vir buscá-la. Você vai me encontrar na casa da minha tia no fim de semana do Dia do Trabalho? Domingo às 4? Se você preferir não me ver, você pode vir depois de cinco horas. Eu terei ido até lá. Te vejo em breve. Amor, Wavy Eu nunca recebi qualquer carta do tribunal, mas houve algumas semanas quando eu estava me mudando tanto que eu não sabia onde iria dormir, muito menos onde dizer ao meu agente da condicional que eu estava vivendo. Então, novamente, talvez ela veio e Beth jogou fora. Não saber o que estava nessa carta perdida me assustou muito, porque eu não podia me dar ao luxo de levantar minhas esperanças. O que quer que estivesse nela, eu tinha duas escolhas. Ou eu tinha que jogar a carta de volta na lixeira e ir trabalhar, ou eu tinha que subir e arrumar minhas coisas. Não havia meio termo.


19 AMY

Eu não tinha planejado ir para casa no Dia do Trabalho, até que mamãe me disse que Wavy estava por vir. "Isso é o que a carta dizia. A primeira que eu tive dela em meses," disse mamãe. Wavy não tinha escrito para mim desde maio, também, e agora que ela tinha vinte e um anos, eu comecei a me perguntar se alguma vez iria vê-la novamente. Ao ouvir que ela pretendia visitar foi um alívio, até que eu considerei que ela poderia estar planejando um confronto com a minha mãe. A questão era se eu queria testemunhar isso. Mamãe fazia a mesma festa do Dia do Trabalho a cada ano: um almoço de domingo de coquetel e hambúrgueres no pátio dos fundos com alguns de seus amigos do clube do livro. Wavy não apareceu para o almoço, e lá pelas quatro horas, todos os outros tinham ido para casa. Mamãe e eu estávamos na sala de estar, quando Wavy entrou pela porta da frente, carregando alguns envelopes pardos. Ela parecia cansada. "Você está muito atrasada para o almoço, mas estou feliz que você veio!" Disse mamãe. Eu não sabia o que dizer. Desculpe-me era uma cúmplice involuntária da traição da minha mãe? "Você veio sozinha ou você trouxe Renee?" Eu estava esperando por alguém para ser um amortecedor entre Wavy e mamãe. "Conhecendo os pais do namorado," disse Wavy.


"Ah, então ela está ficando séria com um novo namorado?" Disse mamãe. Conseguimos manter uma conversa por vinte ou trinta minutos, mas apenas quando eu comecei a relaxar, a campainha tocou. Wavy olhou para o relógio e, por alguns segundos, o cansaço transformou-se em dor. Em seguida, ela se levantou e foi atender a porta. "O que está acontecendo?" Mamãe disse isto como se ela esperasse uma surpresa agradável. Quando ela e eu chegamos à porta, Wavy estava assinando algo em uma prancheta de um indivíduo magro em um boné de beisebol. Atrás dele, um caminhão ficou estacionado na rua. "Você teve problemas com o carro?" Eu disse. "Ou você finalmente decidiu vender aquela velha moto?" O olhar de triunfo da mamãe foi desperdiçado em Wavy, que já estava recuando através da casa para abrir a porta da garagem. A moto estava no canto com um lençol jogado sobre ela para manter a poeira, entre as visitas do mecânico. Quando Wavy puxou o lençol, os envelopes deslizaram de debaixo do braço. Inclinei-me para pegá-los e encontrei um dirigido a minha mãe e um dirigido a Kellen. Na dele continha algo pequeno e quadrado. A caixa do anel. Estendi-os para ela, mas ela tinha as mãos sobre os olhos. "Seu filho da puta!" Minha mãe gritou do quintal da frente. "Você acabou de quebrar as condições de sua liberdade condicional! Vou vê-lo de volta na cadeia!" Wavy pegou os envelopes da minha mão e corremos para fora da garagem. Kellen destacou-se na rua junto a uma antiga caminhonete amassada. Ele parecia aterrorizado, e quem poderia culpá-lo, com a minha mãe gritando assim? Corri em direção a mamãe, e eu esperava Wavy ir para Kellen, mas ela veio atrás de mim.


Nós corremos com mamãe na varanda da frente, enquanto ela estava abrindo a porta rapidamente, provavelmente, indo para dentro para chamar a polícia. Wavy a alcançou e bateu a porta fechada. "Você mentiu para o conselho de liberdade condicional e você mentiu para mim," Wavy disse entre dentes cerrados. Ela parecia com raiva e como se ela pudesse chorar. "Eu estava apenas tentando… " Antes que mamãe pudesse explicar-se, Wavy prendeu um dos envelopes pardos contra o peito de mamãe com a palma da mão aberta. "Isto é do juiz, para mudar a condicional de Kellen." Kellen olhou para a varanda, com nós três observando ele. Ocorreu-me que ele não sabia por que ele estava lá. Ele estava arriscando voltar para a prisão em nada mais do que a palavra de Wavy. Ele não sabia que era o dia mais feliz de sua vida. Compreendi então por que a reunião estava acontecendo lá em vez de algum outro lugar. Não para jogar na cara da minha mãe, mas porque a casa de mamãe era o lugar onde Wavy tinha traçado uma linha. O dia em que ela estava na nossa garagem e gritou, "meu!" Ela não estava falando sobre a moto. Quando mamãe abriu o envelope pardo, Wavy começou a descer para a calçada. Kellen atravessou a rua e entrou em nosso meio-fio. Eu esperava uma alegre, extravagante reunião de filme romântico, mas eles caminharam em direção um ao outro lentamente. Eles se encontraram na metade do caminho, e ela lhe entregou o outro envelope. Ele sentiu a parte inferior do mesmo, onde a caixa do anel estava, e sacudiu a cabeça. Foi fácil dizer a palavra não, mas eu não sei o que mais ele disse. Quando Wavy falava, eu podia adivinhar o que ela estava dizendo a ele. Sua resposta fez Wavy jogar a cabeça para trás e rir.


Kellen abriu o envelope e enfiou a mão. Ele tirou a caixa do anel, assim quando Wavy levantou-se e jogou os braços em volta do seu pescoço. A força disto fez ele dar um passo atrás, mas quando eles se beijaram, foi como um filme romântico. A sequência daquele adeus na loja de Kellen. Eu acho que eles teriam ficado se beijando por um longo tempo, mas minha mãe deu um passo para fora da varanda e gritou: "Saia da minha propriedade, seu bastardo, ou eu vou mandar prendê-lo por invasão!" Corando e franzindo a testa, Kellen colocou Wavy de pé. Ela pegou sua mão e levou-o para a garagem. "Se ele pisar na minha propriedade, eu vou chamar a polícia!" Mamãe sabia que Wavy não podia mover a moto sozinha, e o motorista do caminhão de reboque parecia levar as observações de transgressão a sério. Ele ficou ao lado da cabine de seu caminhão nos observando com cautela. "Eu vou ajudá-la," eu disse. Juntas, Wavy e eu empurramos a moto até a calçada. Algumas vezes eu pensei que íamos soltá-la, mas nós levamos para o meio-fio. Ignorando a ameaça no olhar com raiva da minha mãe, Kellen tirou de nós e rolou para a rua com um olhar atordoado no rosto. "Eu me pergunto se ela vai mesmo ligar," disse ele, quando ele passou a perna por cima da moto. Eu sabia que iria ligar da primeira vez e ligou. Quando ele torceu o acelerador, a rua inteira ecoou com o motor. Kellen sorriu para Wavy, e então ele pareceu se lembrar de alguma coisa. Ele levantou-se e puxou a caixa do anel de seu bolso. O anel não subiu


acima de seu dedo médio até que ele abaixou a cabeça e lambeu o dedo dela. Ele riu quando colocou o anel. "Temos que conseguir um redimensionamento," disse ele. Ele levantou a mão para a boca novamente e beijou o anel. Eu tinha dado alguns passos para trás, sentindo-me desconfortável em incomodar, mas Kellen olhou para mim e disse: "Você realmente acha que sua mãe vai chamar a polícia? Porque tecnicamente, eu estou quebrando a minha liberdade condicional. Eu não deveria cruzar linhas de estado sem a permissão do meu agente da condicional." "Eu não sei," eu disse. Nós todos nos viramos para olhar minha mãe, que vinha pelo gramado em direção a nós, carrancuda. "Mas agora pode ser um bom momento para sair." "Onde ele deve pegar a moto?" Wavy apontou para o motorista do caminhão de reboque. "Para o inferno com isso, querida," disse Kellen. "Suba e vamos montar essa coisa." "Dê-me suas chaves e vou levar seu carro para casa," eu disse. Praticamente brilhando, Wavy me entregou as chaves. Ela abraçou-me tão rápido e firme, eu nem sequer consegui abraçá-la de volta. Então, ela subiu a saia para cima e montou na parte de trás da moto. Encostando sua bochecha contra o ombro de Kellen, ela colocou os braços em torno dele enquanto eles andavam. Ele acelerou a moto e se afastaram, deixando mamãe, eu e um motorista de pé confuso na rua. "Eu quero aquela caminhonete rebocada," disse mamãe.


20 KELLEN Dezembro 1990

Ficamos em silêncio durante a maior parte da viagem, com Wavy olhando pela janela, mas quando vimos o primeiro sinal de Tulsa, seus ombros ficaram tensos. "Nós não temos que fazer isso," eu disse. Pela primeira vez em quase duas horas, Wavy olhou para mim. Olhou para mim. Em momentos como este eu estava feliz que ela não falava muito, porque esse olhar quente teria vindo com uma repreensão. "Eu apenas pensei que talvez você tivesse mudado de ideia." "Eu não." Ela voltou a olhar para fora da janela. Eu com certeza não tinha mudado de ideia. Eu não queria fazê-lo quando ela sugeriu pela primeira vez, e eu ainda não queria. Quanto mais perto chegávamos, mais nervoso eu ficava. "Eu te amo," eu disse. Nem sempre posso conseguir um passe livre com isso, mas ela pôs a mão na minha perna. Eu coloquei minha mão sobre a dela e mexi o diamante sob o meu polegar. Alguns quilômetros mais tarde, ela se inclinou e descansou a bochecha no meu braço. Seu estômago roncou.


"Você comeu alguma coisa?" Atualmente, ela poderia realmente sentar e comer à mesa, mas ontem à noite, ela não conseguiu jantar. Pelo que vi, estava também sem o café da manhã. "Muito nervosa," disse ela. Mas ela ainda queria fazê-lo. Por mais difícil que a coisa fosse, o mais provável é que ela seria capaz de fazê-lo. Eu não podia acreditar no que ela tinha feito para me levar de volta. Com ela segurando a minha mão, eu poderia ter dirigido para sempre, mas, em seguida, havia a saída. Mais um par de voltas, um minuto de espera no último semáforo, e estávamos lá a menos de três quadras. Depois que eu estacionei, peguei o frasco de uísque do porta-luvas e esvaziei. "Coragem líquida," eu disse. Eu esperava Wavy franzir a testa para mim, mas ela se inclinou e beijou meu rosto. Então ela alcançou no banco de trás e balançou Donal para acordar. Ele se sentou e esfregou os olhos, ainda meio dormindo e mal humorado. Senti pelo garoto. Ele queria estar lá tanto quanto eu queria. Seguindo Wavy até a calçada com as flores na minha mão direita e a garrafa de vinho na minha esquerda, eu me senti como um idiota fazendo ela ir primeiro. Ela tocou a campainha e ficou na minha frente como um escudo. Donal ficou atrás de nós como se ele nem sequer estivesse envolvido. Ele ainda estava trabalhando em como ele se encaixaria. Quando a porta se abriu, era alguém que eu não conhecia. Um rapaz com um rabo de cavalo e uma camisa polo rosa. Ele não nos conhecia, também, mas ele nos deixou entrar.


"Feliz Natal! Eu sou Brice Standish. Eu sou o marido de Leslie," disse ele. "Quem é, Bri -?" Leslie entrou no corredor e olhou. Eu não a tinha visto desde que era uma adolescente, ela estava com o rosto mais fino, mais como Val do que Brenda. "Ei, Leslie," eu disse. Em seguida, Amy entrou e disse: "Você veio." Ela foi direto para mim e eu pensei que ela estava indo só pegar o vinho, mas depois que ela o pegou de minhas mão, ela colocou os braços em volta de mim. Me surpreendendo. Eu sabia que Amy não me odiava da maneira que Brenda odiava, mas eu não tinha imaginado que qualquer um dos Newlings ficaria feliz em me ver. Wavy tinha seus dedos escondidos em meu cinto, e ela não soltou quando Amy a adicionou para o abraço, então nós três seguramos um ao outro, o que foi estranho, mas bom. É assim que estávamos quando a porta abriu atrás de nós. Com a minha mão nas costas de Amy, eu soube o segundo que ela viu Donal. Ela estremeceu e deu um passo afastando-se de mim e Wavy. Em seguida, uma de suas mãos ergueu sobre sua boca. "Donal," disse ela. "É tão bom ver você." "Donal." Isso era Leslie, e ela parecia que ia chorar. Amy tentou abraçá-lo, mas ele era um adolescente arisco, cruzando os braços sobre o peito e abaixando a cabeça. Ele nem sequer disse Olá. "Está tudo bem, Leslie?" Disse Brice. "Está bem. Estes são os meus primos, Wavy e Donal Quinn. E este é, uh ... " "Jesse Joe Kellen," eu disse. Ainda sorrindo, Brice estendeu a mão para mim. Mudei as flores e apertamos. "Não Barfoot?" Disse Leslie.


"Não. O juiz mudou. É Kellen. Agora, Brice, é melhor dar um passo atrás," eu disse, quando soltei sua mão. "Por que isso?" "Você não quer estar de pé muito perto de mim quando sua sogra perceber que eu estou aqui. Talvez ela apenas vá chamar a polícia, mas há uma boa chance de que ela vai tentar me matar. De qualquer maneira, você não quer ser pego no fogo cruzado." Como sempre, meus nervos me mantiveram falando. Brice riu como se fosse uma boa piada, mas Leslie me deu um sorriso nervoso. "As flores são lindas. Vamos colocá-las na sala de jantar nos bons vasos de cristal," disse ela. Vaso. Revelou-se que eram de vidro extravagante, e muito pequenos para as flores, então eu usei o meu canivete para cortar os caules. "São como arranjos florais dos Anjos do Inferno," disse Brice, olhando para as tatuagens em meus braços enquanto eu mexia com as flores. Um erro, vesti uma camiseta, exceto que Wavy gostava de ver seu nome no interior do meu antebraço em letras de oito centímetros. "Eu nem mesmo estive em uma gangue. Eu praticamente consegui entrar em apuros por minha conta," eu disse. "Quem estava na porta?" Brenda Newling entrou na sala de jantar, enxugando as mãos no avental. Atrás dela estava uma mulher ruiva alta que eu não conhecia. Bem quando eu precisava disso, o bourbon sumiu. "Ei, Brenda. Sendo Natal e tudo mais, você vai pelo menos me dar uma vantagem antes de chamar a polícia?"


21 AMY

Ele realmente chamou minha mãe de Brenda. Esperei pelo Armagedom, enquanto a mãe ficava boquiaberta com sua sobrinha pródiga e o tão caluniado e injuriado Jesse Joe Kellen. Um rubor subiu pelo rosto dele, enquanto dobrava seu canivete e colocava no bolso. Estávamos todos segurando a respiração, esperando uma cena, mas, em seguida, a mãe viu Donal. Eu simpatizei com o choque no rosto dela. Aos quatorze anos, ele era mais alto que Wavy e ainda mais magro. Tudo nele era defensivo, os ombros curvados para dentro de um moletom com capuz cinza, e as suas mãos enfiadas nos bolsos. Ele podia ter sido o filho de Sean, mas ele parecia tanto com Liam que eu senti como se tivesse levado um soco no estômago. Eu só posso imaginar o que Wavy sentiu quando ela olhou para ele. Era como ver um híbrido de alguém que você ama e alguém que você odeia. No silêncio constrangedor, eu podia ver mamãe tentando sentir um monte de coisas ao mesmo tempo, raiva, irritação, alívio, e, em seguida - quando ela olhou para Donal - amor e culpa. No entanto, ele tinha voltado para nós, éramos todos culpados pela forma como ele estava perdido. Mamãe veio ao redor da mesa e tentou abraçá-lo, mas ele recuou, franzindo o cenho. Eu acho que ele poderia ter escapado pela porta da frente, exceto que Kellen pôs a mão no ombro dele e manteve-o lá.


"Vocês chegaram na hora! O jantar está pronto!" Disse Trisha. Ela ficou ali parecendo linda e acolhedora. Eu estava tão feliz que eu a convidei. "Eu vou colocar mais lugares a mesa," disse Leslie. Ela acrescentou mais três lugares à mesa, enquanto Trisha e eu pegamos cadeiras da cozinha para compensar assentos suficientes na mesa da sala de jantar. Então nós começamos a transportar os alimentos. Quando eu trouxe o presunto, Trisha estava apertando a mão de Kellen. "Ei, Trisha. Bom conhecê-la," disse ele. "Eu sou colega de quarto de Amy," disse ela. Minha colega de quarto. Ouvindo isso me deixou imóvel, porque eu me lembrei daquela noite de bebedeira no colégio quando Wavy tinha tentado me confortar. "Nada mais a temer," ela disse. Mesmo que isso não fosse verdade, eu queria viver como se fosse. Eu desejei que eu tivesse apresentado Trisha adequadamente para mamãe e Leslie, mas tudo que eu podia fazer era corrigir o erro. "Na verdade," eu disse. "Trisha é minha namorada." A boca de Trisha caiu aberta por um segundo, e Leslie bruscamente virou a cabeça para olhar para mim. Como recompensa pela minha bravura, Wavy estendeu a mão e apertou a mão de Trisha. Em um ato de cautela diplomática, Leslie colocou a maior distância que pôde entre Kellen e mamãe, mas o resultado foi que eles se sentaram em lados opostos da mesa, de frente um para o outro. Ainda assim, isto provavelmente não era muito pior do que a maioria dos jantares de férias da família. Mamãe estava dividida entre encarar Kellen e sorrir tristemente para Donal, que se sentou ao lado dele. O resto de nós tentou


manter a conversa com tantos assuntos inofensivos como poderíamos reunir. Nós conversamos muito sobre o tempo, e a lua de mel de Leslie e Brice para Mazatlán. Wavy parecia diferente, mas eu não poderia dizer o porquê. Ela conseguiu comer metade de um rolo de pão e um pedaço de presunto que a levou quase cinco minutos para mastigar e engolir. Kellen comeu lento e metodicamente, limpando o prato, enquanto Donal escolheu sua comida. "Como vai você, Donal?" Mamãe perguntou durante a sobremesa. Ela tinha perguntado um par de maneiras diferentes durante o jantar, mas tudo o que conseguiu foram resmungos como respostas. "Onde você o encontrou?" Disse Leslie, como se fosse uma caça ao tesouro. Eu tentei "Como vocês se encontraram?" Porque essa era a pergunta incômoda para todos nós. Depois de sete anos, como Donal tinha vindo se sentar na nossa mesa para o jantar de Natal? "Meu agente de condicional conhecia um detetive particular," disse Kellen. "Consegui que ele procurasse através de registros juvenis em alguns estados. Ele encontrou Donal na Califórnia." "E quanto a Sean? Onde ele está?" Mamãe olhou para Wavy quando ela disse isto, embora a resposta provavelmente vai vir de Kellen. Com a menção de Sean, Donal levantou-se da mesa, deixando seu garfo e o guardanapo cair no chão. Ele empurrou sua cadeira para trás e foi para a porta da frente. Um momento depois, a porta da frente bateu. Kellen pegou o garfo e guardanapo, enquanto Wavy sussurrou algo para ele. Ele e minha mãe levantaram-se, ao mesmo tempo. Ele seguiu Donal para fora, enquanto ela se


dirigiu para as janelas da frente. Parte de mim queria dar-lhes um pouco de privacidade, mas não foi a parte mais forte. Olhei para fora da borda da cortina. Donal e Kellen estavam de pé na calçada da frente, apenas onde Wavy e Kellen tinham se encontrado no início do ano. Donal estava agachado contra o frio, enquanto Kellen se inclinou sobre ele, conversando. Donal assentiu. Kellen tirou a carteira e entregou a Donal algum dinheiro. Então ele tirou algo do bolso da frente e espalmou para Donal, dando-lhe um tapinha áspero no ombro. Quando Kellen voltou pela calçada até a casa, Donal entrou no carro dele, ligou, e foi embora. Eu fiquei tensa, esperando a explosão inevitável. Assim que Kellen entrou na sala de jantar, minha mãe disse: "O que você está pensando? Ele não tem idade suficiente para dirigir!" "Sim, bem, ele não é velho o suficiente para um monte de merda que ele passou," disse Kellen. "Você não pode estar falando sério. Você não pode estar falando sério," disse mamãe, embora ele obviamente estava. "E se ele se acidentar? E então?" "Ele não vai acidentar. Ele é um piloto decente, e com dólares para rosquinhas ele só vai ir até a estrada para o posto de gasolina e comprar um refrigerante ou algo assim." "Nós temos um pouco de refrigerante aqui," disse Leslie. "Ele não precisa de nada para beber. Ele precisa de um pouco de ar fresco." "Ele tem apenas quatorze anos!" Disse mamãe. Kellen apertou a mandíbula, e eu pude ver que em todas as suas piadas sobre a raiva da minha mãe, estava carregando um rancor. Imagino que seis anos de prisão iria fazer isso.


"O que você quer da criança? O que diabos você quer? Você acha que isso é fácil para ele? Voltar aqui depois de todos esses anos, e ver sua família e não saber o que dizer ou como agir. É difícil, ok? É difícil para ele." Isto calou mamãe por alguns minutos. Kellen caiu para trás em sua cadeira com um baque. Ele estalou o guardanapo no colo e pegou o garfo. Estávamos todos em silêncio enquanto ele mastigava uma enorme mordida de torta. "Então Donal está vivendo com você?" Eu disse. Wavy assentiu. "Desde novembro," disse Kellen. Me pareceu que isto não era fácil para ele, também. "O que aconteceu? Quero dizer com o tio dele… seu tio? Sean?" Toda a conversa era um campo minado. "Ele está morto," disse Wavy. Kellen olhou para ela e ela deu de ombros. "Ele morreu de uma overdose de heroína, mais de dois anos atrás. Donal foi para um orfanato depois disso e, em seguida, terminou no reformatório." "Reformatório?" Disse Leslie. "Como prisão?" Kellen suspirou e largou seu garfo. "Sim. Ele teve alguns problemas com invasão. Nada sério. O tipo do merda que crianças que entram nessa idade fazem. Nós contratamos um advogado para conseguir sua custódia através do tribunal de família. O bom rapaz fez tudo por nós. Você sabe, eu tinha que ter a minha liberdade condicional transferida para cá, e então eu não poderia viver com ninguém menor de dezesseis anos por causa da coisa de criminoso sexual. Mas o advogado conseguiu para nós uma exceção para Donal, desde que ele é meu cunhado."


"Uau," eu disse. Era como conseguir notícias importantes de um telegrama: Sean morreu, Donal na cadeia, Kellen e Wavy casados. Pare. "Isso é ótimo que ele pôde vir morar com você," disse Trisha. Ela e Brice estavam ambos tentando não parecer atordoados pelo curso intensivo na vida de Wavy. "Sim, é realmente ótimo." Leslie saltou no final, mas ela fez isto demorado acenando com a cabeça vigorosamente. "Então, como ele está?" "Ele está melhor. Mas como eu disse, é difícil para ele." Eu esperei mamãe dizer algo que iria mostrar que ela estava feliz, mas ela ficou lá parecendo como se tivesse levado um tapa. Apesar de todos os seus esforços para mantêlos separados, Wavy e Kellen estavam juntos. Senti pena de Wavy, porque éramos a única família que ela tinha. Kellen e Donal e nós. Ela não tinha vindo esfregá-lo no nariz da minha mãe. Ela tinha vindo fazer as pazes com mamãe. "Então, quando vocês se casaram?" Eu disse. "Ela não te disse?" O vinco pesado entre os olhos de Kellen suavizou e ele sorriu. "Eu pensei que você disse a ela, querida. No dia depois que pegamos a moto, fomos para Vegas e nos casamos. Sua companheira de quarto, Renee, e seu namorado nos seguiram de carro, no caso de ter quaisquer problemas com a moto, mas tudo foi muito bom." "O cartão postal. Eu não sabia que isso era…parabéns!" Eu tinha recebido um cartão postal da Strip de Las Vegas, mas tudo o que ela tinha escrito na parte de trás foi "Obrigado," assinado com um W e um coração. "Foi divertido?" Disse Leslie. "Foi um monte de barulho e pessoas, e estávamos cansados quando chegamos lá, mas você sabe, nós tivemos uma grande viagem, e nós não tivemos que esperar três dias para uma licença de casamento."


"Impaciente." Wavy deu a Kellen um olhar astuto que o fez sorrir. "O inferno, nós estávamos noivos por oito anos. Eu diria que fui muito paciente." Wavy riu. Mamãe fez uma careta para seu prato. "Nós conversamos sobre fugir, mas Leslie queria fazer a grande cerimônia," disse Brice. "Como foi? Você não teve um imitador de Elvis, não é?" Disse Leslie. Mamãe levantou-se, como você faria em uma recepção de casamento para fazer um brinde, e eu pensei que ela iria finalmente dizer alguma coisa para fazer Wavy se sentir bem-vinda. Tudo o que ela fez foi colocar os pratos de salada e sobremesa em cima de seu prato de jantar e reunir os talheres. "Você cozinhou, Brenda. Nós podemos limpar," disse Kellen. Ela deixou-o tirar os pratos de suas mãos. Enquanto ele carregava seus pratos para a cozinha, a conversa estava morta. Mamãe sentou-se, mas sem um prato para encarar, ela finalmente olhou para Wavy. Eu me perguntei se ela estava fazendo a mesma coisa que eu estava fazendo, tentando descobrir o que havia de diferente em Wavy. Havia algo diferente. Não apenas isto, quando Kellen voltou para a mesa e passou o dedo em seu prato de torta, Wavy abriu a boca e deixou ele enfiar o chantilly. Algo se passou entre eles e ele franziu a testa. "Oh, querida, você tem certeza que quer fazer isso agora?" Disse. "Antes de Donal voltar." "Justo." Wavy respirou fundo e disse: "Sean matou Val e Liam."


Tia Val estava morta há sete anos, mas descobrir quem a matou transformou-o em uma ferida fresca. Leslie chorava. Eu chorei. Mamãe se desfez. Todos os outros quietos, esperando por isto ser mais. Finalmente, Leslie enxugou os olhos e disse: "A polícia sabe?" Kellen pegou sua carteira, fazendo barulho na corrente, e tirou uma folha de papel dobrada de caderno. Com um olhar preocupado no rosto, ele alisou o papel sobre a mesa. "Não, nós não dissemos nada à polícia. Eu não acho que Donal está pronto para isso. Ele não está exatamente fazendo amizade com os policiais recentemente. Ele escreveu isso para Wavy, enquanto ele ainda estava no reformatório, logo após nós descobrirmos onde ele estava. Eles enviaram um monte de cartas, enquanto estávamos tentando conseguir material para a custódia. A primeira metade é sobre Sean, sobre a situação. Olha, eu não quero dizer nada rude. Eu não sei se eu… " "Basta dizer isso," disse mamãe. "A primeira parte é apenas sobre, você sabe, Sean sendo pai de Donal." Kellen não era um leitor rápido, e ele parecia preocupado em dizer a coisa errada. Pensei em oferecer para ler, mas era a carta de Wavy e ela tinha dado a ele. "Naquele dia, quando você deixou Donal no rancho, ele diz que foi até a casa da fazenda e a moto de Liam estava lá e o carro de Val. Donal diz: 'Eu podia ouvi-lo gritar.' Sean, dizia. ‘Você disse que me amava. Você prometeu, sua cadela.’ Desculpe." "Está tudo bem," eu disse. "'E mamãe estava gritando, Você o matou! Ela estava chorando e eu estava com muito medo de entrar, porque eles estavam gritando da maneira que Liam fazia. Você


sabe, como se ele fosse ficar louco. Eu queria fugir, mas eu estava com medo de deixar mamãe lá.'" Wavy olhou através da parede da sala de jantar, mas o resto de nós observou Kellen, que colocou sua mão sobre os olhos por um momento. Quando ele voltou para a leitura, sua voz estava emotiva. "'Mamãe estava dizendo, Não! Não! E então eu ouvi a arma. Depois disso, ficou em silêncio por um tempo. Então eu abri a porta e vi mamãe. Ela estava no chão, com a arma na mão, mas Sean estava de pé sobre ela. Ele me disse o que dizer para a polícia. Para dizer a eles que eu estava sozinho, que ninguém mais estava lá. Ele me fez dizer isto várias vezes, então eu não iria estragar tudo. Sean disse que se eu dissesse a alguém que ele estava lá, algo de ruim iria acontecer com você. É por isso que eu voltei para a casa depois que Sean saiu e peguei a arma. Eu fui…" Kellen parou. Mamãe estava chorando novamente. Wavy apertou o braço de Kellen e ele disse: "Eu não quero ler essa parte." "Sim", disse Wavy. "Não, querida, eu realmente não quero." "Por favor." Depois de quase todas as frases, pensei que Kellen iria chorar, mas ele chegou ao final da carta. "Donal diz: ‘Eu fui para a garagem e eu vi você e Kellen juntos. Sinto muito sobre espionar você, mas eu estava tão assustado. Eu precisava saber que você estava bem. Se você estava com Kellen, eu sabia que estava a salvo. Exceto que a polícia disse ... ele… ele estuprou você. Talvez tenha sido minha culpa, porque eu disse a polícia que eu vi você na mesa no escritório com ele. E, depois Kellen foi preso, isto não era seguro contar a


ninguém. Sean sempre disse que algo ruim poderia acontecer com você. Eu não sabia o que ele poderia fazer, se Kellen não estava lá para protegê-la. Agora que Sean morreu, eu acho que eu posso te dizer. Eu espero que você esteja realmente vindo me visitar, como a sua carta diz. Desde que você é minha irmã, eles dizem que eu posso ter uma visita de contato com você. Te vejo em breve. Amor, Donal.'" Kellen pegou o guardanapo e assoou o nariz. Ele estava sentado com a cabeça baixa, até Wavy ficar de pé e se inclinar sobre ele. Quando ele levantou a cabeça, ela segurou seu rosto entre as mãos e o beijou. Ela olhou para mamãe e, por um bom minuto, tudo que elas fizeram foi olhar uma para a outra. Mamãe tinha lágrimas escorrendo pelo seu rosto, mas Wavy estava sorrindo. "Você queria me proteger. Eu sei. Nós vamos ficar bem." "Estou contente," mamãe sussurrou. Ela realmente parecia que estava contente. A porta da frente se abriu e Donal entrou sorrateiramente na sala de jantar segurando um copo de isopor. Procurando em um de seus bolsos do moletom, tirou um punhado de notas amassadas e as chaves do carro. Quando ele pôs sobre a mesa junto ao prato de Kellen, algumas moedas rolaram e caíram no chão. "Oh caramba," disse ele, vendo todos nós chorando. "Está bem. Acho que terminamos de chorar," eu disse. Donal estendeu a mão e colocou a mão na parte de trás do pescoço de Wavy. "Patas geladas," disse ela e afastou ele para longe. Por um segundo, ele abriu um sorriso. Então ela pegou seu prato e levou-o para a cozinha. Kellen seguiu com o prato de presunto, e Donal foi atrás deles.


Quando eu levei o que restava da torta para a cozinha, os três estavam de pÊ na pia. Donal e Wavy estavam comendo do prato dela e Kellen estava lavando pratos. Vendo eles um do lado do outro, eu descobri o que estava diferente sobre Wavy. O topo da cabeça dela quase atingia a axila de Kellen. Ela tinha crescido.

FIM

All The Ugly And Wonderful Things (Livro Único) - Bryn Greenwood  

*Como filha de um traficante de metanfetamina, Wavy não sabe confiar nas pessoas, nem mesmo em seus próprios pais. Lutando para criar seu...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you