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PRÓLOGO Alejandra Eu estava confusa. Pelo menos, eu me lembro de ter estado confusa. Ser tirada da escola para me juntar ao meu pai no escritório não é uma coisa boa. O escritório é onde ele conduz seus negócios. Eu estive lá antes, mas não é lugar para uma garota como eu, ou assim ele diz. O corredor, de alguma forma, parece mais longo do que já vi antes. Eu ando, sem saber o que esperar, agarrando na minha mochila com força. Fiz algo errado? Por que ele pareceu tão tenso no telefone? Meus pés se atrapalham à frente. Eu engulo em seco, olhando para os meus sapatos. O meu cadarço está desfeito. Ele não vai gostar disso. Eu paro onde estou para garantir que minha aparência esteja quase perfeita, correndo os dedos pelo meu cabelo preto longo, reto e alisando com as mãos a saia do uniforme da escola particular. Eu me demoro, puxo minhas meias brancas até os joelhos, tomando cuidado para não marcá-los. Meu pai não cria um bando de animais. Ele cria damas, e, no caso do meu irmão, um cavalheiro. Meus irmãos e eu nos orgulhamos de ser tudo o que meu pai desejou. A única família da máfia com graça e humildade, tenho certeza. Aos dezoito anos, eu conheço meu lugar. Meu lugar é fazer o meu pai feliz. E eu faço.


Pelo menos, eu acho que faço. Até agora, não houve queixas. Eu estudo muito para manter uma média A. Eu me visto adequadamente, nunca mostrando muita pele, e eu cuido das minhas irmãs mais jovens com amor e carinho, moldando-as para as damas que devem ser. Até eu tenho que admitir que sou uma pessoa decente, e amo a minha família. Há seis de nós no total. Por ordem de idade, há Miguel, que tem vinte e quatro, eu, Veronica, com dezesseis anos, Carmen que tem quinze, Patricia, que tem treze anos, e Rosa, que tem apenas nove. Ela foi a última de nós, nasceu apenas um ano antes de Mama morrer. Eu sei que Rosa não se lembra dela. Eu também sei que isso a machuca. Ela tem fotos como o resto de nós, mas não é suficiente. O nome da minha mãe era Dorina, carinhosamente conhecida como Dori, por quem ela gostava. Ela conheceu meu pai, quando ambos eram apenas crianças, correndo, brincando na rua. Ele jogou sujeira em seu rosto. Em vez de chorar como as outras meninas teriam, ela simplesmente se levantou e sacudiu a sujeira de cima dela. Ela caminhou para casa naquele dia e contou para a sua mãe sobre o menino bobo que jogou sujeira nela. Sua mãe, minha avó, riu alegremente e abraçou sua menina. Ela explicou: — Oh, pequena, os rapazes são engraçados na maneira de fazer as coisas. E quanto pior eles tratam uma menina mais gostam delas, normalmente. Mama ouviu isso e estava determinada. Ela se casaria com aquele rapaz. Quatorze anos mais tarde, Mama tornou-se a Sra. Eduardo Castillo. Eles viveram felizes durante a vida da minha mãe. Ela era a única mulher no mundo que conseguia fazer o meu pai rir. Ele a amava tanto que quando ela morreu, ele chorou. E isso me assustou pra caramba.


Meu pai é um homem razoável, mas algo mudou durante o seu período de luto. Ele tornou-se mais frio, mais fechado. Ele começou a isolar-se de nós. A única pessoa capaz de fazê-lo ver a razão é o meu irmão, Miguel. Quando eu chego à porta do escritório, bato levemente com a mão trêmula. — Entre. — diz uma voz familiar. Meu irmão? Meu corpo se torna rígido. O que ele está fazendo aqui? Ele não deveria estar aqui. Empurro a porta, entro silenciosamente e fecho-a atrás de mim. Vou até a frente da mesa em que meu pai está sentado, mas olho para o meu irmão, que está de pé sem emoção atrás do meu pai. Eu não o vejo há um ano. Ele parece bem. Papa coloca uma mão na testa. Ele ainda tem que reconhecer a minha presença. Dou um sorriso doce para o meu irmão. Quando ele não devolve, meu peito dói e Miguel nota a minha dor. Seus olhos ficam suaves e se desculpam. Ele parece que está prestes a chorar. É aqui que eu gostaria de observar que os homens da minha família não choram. Quando meu pai levanta seu rosto, minha pele pinica com o olhar em seus olhos. Há algo que eu nunca vi antes. Algo calculista. Sei que o papai não é um bom homem, mas ele é bom para nós. Ele é um homem de família. Ele faria qualquer coisa por nós. Ele mataria por nós. Na verdade, eu sei que ele já matou. Pigarreio e pergunto gentilmente: — Papa? Está tudo bem?


Surpresa com a minha própria capacidade de esconder o tremor na minha voz, eu endireito a postura, fingindo minha calma. Meu pai me olha nos olhos. Eu não notei até agora o quanto ele envelheceu desde que Mama morreu. As linhas em seu rosto bronzeado aprofundaram tanto que ele parece dez anos mais velho que seus cinquenta anos. A pele escura sob seus olhos dá a impressão que ele não deve

dormir há

meses. Mas as linhas de riso ao redor dos olhos... elas se foram. Suponho que ele não as usa tanto quanto costumava. Com a minha mãe morta, ele não tem ninguém para fazê-lo rir. — Alejandra. — ele faz um gesto para a cadeira na frente dele. Sua voz rouca comanda: — Sente-se. Eu não quero sentar. Eu quero correr. Eu olho para o meu irmão para obter ajuda. Ele balança a cabeça, olhando para a cadeira. Eu engulo em seco, meu coração batendo no ritmo dos meus passos até que eu finalmente me sento. Papa suspira, então fica de pé. Ele anda. — Eu te chamei aqui hoje para discutir algo com você. Algo de importância. Eu temo que precisamos discutir isso muito rapidamente. Não há muito tempo. Os olhos castanhos quentes do meu irmão escurecem um tom. Eu o vejo morder o interior da bochecha. Seu rosto vira uma sombra profunda de vermelho e a veia na sua têmpora pulsa. Parece que ele está prestes a explodir. A visão faz um medo gelado enrolar no fundo da minha barriga. Miguel não perde a calma. Ele é um cavalheiro, paciente e controlado. Meu coração dispara. Algo está muito errado aqui. Não sei o que dizer, eu aceno uma vez para que ele saiba que estou ouvindo. Ele continua: — Estamos atravessando tempos difíceis. Não é


mais suficiente estar apenas com o seu próprio povo. Há segurança nos números. — ele faz uma pausa, colocando suas mãos espalmadas sobre a mesa, inclinando-se para mim. — Há um momento na vida de cada pessoa, onde sacrifícios devem ser feitos em prol de um bem maior. Compreende? Eu concordo. Eu entendo. Eu entendo que o meu pai passa muito tempo longe de casa para manter a boa vida que temos. Este é o seu sacrifício, e ele faz isso sem reclamar. Eu aprecio o que ele faz por nós, não que eu saiba ao certo o que ele faz. Não é da minha conta. Eu sou apenas uma mulher. Seus lábios se curvam no que eu tenho certeza que é a tentativa de um sorriso, mas sai como uma careta. Ele murmura baixinho: — Sempre uma boa menina. Eu tenho muita sorte de ter você. Meu coração irradia enquanto o calor se espalha, derretendo um pouco do medo congelado dentro de mim. Ele me aquece até os meus dedos. Mas o punho do meu irmão bate com tanta força que os nós dos dedos ficam brancos. Miguel sibila atrás do meu pai: — Diga a ela. O sorriso fraco do Papa diminui, parecendo levemente irritado com a interrupção. — Sim. É claro. — movendo-se da mesa, meu pai se senta na borda dela e pega a minha mão em uma das suas, acariciandoa suavemente com a outra. Quando menina, isso era o meu tudo. Olhar nos olhos sorridentes do meu pai, enquanto ele falava sobre isso e aquilo, nunca realmente importava sobre o que ele estava falando, mas apenas que a sua atenção era quente e inabalável. Mas então ele deixa cair uma bomba. — Você vai se casar com Dino, o filho de Vito Gambino. Ele diz isso sem sentimento, sem reação, sem emoção.


Meu aperto em sua mão enfraquece, mas ele a segura firme. Em apoio? Eu não sei. O sangue drena do meu rosto. Meus lábios partem e minha respiração fica superficial. Meu estômago está enrolado, mais apertado do que um nó. Eu sinto como se meu corpo tentasse se estrangular. Lambendo meus lábios secos, eu emito um trêmulo e baixo: — Por quê? Meu pai espera um momento, nunca deixando escapar minhas mãos, e ele pensa com cuidado sobre o que está prestes a dizer. — Os Gambino não são diferentes de nós. Os italianos são pessoas da família, mas eles têm algumas questões entre si. Não podem confiar uns nos outros. Cada família tem um motivo diferente. Vito veio a mim buscando a paz. E a sua oferta foi bem-vinda. Ele me tratou com respeito e faloume sobre onde ele vê nossas famílias em dez anos. E sua visão — ele aperta minha mão — é uma que eu compartilho. A ponta do meu nariz dói e meus olhos ardem. — Papai, eu tenho apenas dezoito anos... Eu estou me agarrando em palhas aqui. Esta afirmação não faz sentido, até mesmo para mim. Felizmente, meu irmão vem em meu auxílio. Miguel interrompe. — Raul tem cortejado Alejandra, desde que tinham dezesseis anos, Papa. Você deu a sua bênção. Isso é... — sua raiva leva a melhor sobre ele quando ele cospe. — Isso é uma loucura. Simplesmente não... simplesmente não se faz. Não nesta época e idade. Sim! Oh, Deus, sim! Nos cinco minutos em que eu estive aqui, esqueci o meu namorado. Ele vai me ajudar. Eu sei que ele vai.


Meu pai se levanta e vira, de frente para Miguel. Em uma calma mortal, ele pronuncia: — Você tem uma ideia melhor? Esta é uma aliança que precisamos, mi hijo. Alejandra entende. Sacrifícios devem ser feitos. Ela faz isso pela família. — ele se vira para mim, os olhos cheios de orgulho. — É uma honra. A primeira das minhas lágrimas cai. Com garganta espessa, eu sussurro: — Eu não quero me casar com Dino. Quero me casar com Raul. Meu pai se vira para mim, me encarando com olhos mortos. — Eu liguei para Raul nesta manhã. Prometendo a ele a mão de Veronica, ele vai desistir de você. As palavras são como um tapa na minha cara. Mais e mais, a dor me enche, me esmagando. Fechando os olhos, eu sequer tento ser graciosa. Ergo minhas mãos para cobrir o rosto enquanto o corpo cai em soluços fortes, pouco femininos. — C-c-como... ele pôde? Mas em vez de me confortar, meu pai apenas joga sal na fenda em que meu coração foi arrancado. — Não seja assim, Alejandra. Seu pai queria uma conexão com a nossa família. É um privilégio. — meu pai segura uma risada. — Você não achou que ele te amava, não é? Eu choro alto, incapaz de controlar minhas emoções. Soluços são arrancados da minha garganta. Minha vida está caindo aos pedaços em torno de mim. Miguel aparece aos meus pés, se ajoelhando, mas olhando para mim. Ele remove as minhas mãos do rosto coberto de lágrimas. — Se há uma maneira de sair dessa, eu juro para você, Ana, eu vou encontrála. Eu juro.


Papa revira os olhos para a determinação na voz de meu irmão. — É um casamento. Não assassinato. Temos motivos para se alegrar, não chorar. Agora, eu preferiria assassinato ao casamento. Eu não consigo respirar corretamente. Toda vez que eu tento sugar a respiração, meu peito convulsiona e outro soluço é arrancado de mim. Meu pai me olha com desdém antes de balançar a cabeça, informando-me: — Vito me prometeu que Dino é um bom menino e ele vai te tratar bem. Como uma princesa. E você vai ser uma princesa em sua família. Amada e respeitada por todos, assim como você é aqui. Agora pare com este absurdo. Está feito. — ele envia um olhar de advertência para Miguel. — Nada pode ser feito. Um acordo foi feito. Os Castillo e os Gambino unidos através do casamento. — meu pai ri. — Nós devíamos estar celebrando. — ele coloca os dedos debaixo do meu queixo, levantando-o a olhar para ele. — Não chorando, pequena. — ele enxuga minhas lágrimas, beijando minha bochecha. — Você vai me acompanhar para jantar hoje à noite. Nós nos encontraremos com Vito e Dino. Imediatamente, Miguel interrompe. — Eu também vou. Meu pai olha para o filho. Depois de algum tempo, ele concorda. — Sim. Você deve. Saber que Miguel vai estar lá alivia a tensão no meu corpo. Ele não vai deixar nada acontecer comigo. Ele não vai. No final da tarde, encontramos os Gambino em um de seus muitos restaurantes. Eu não os conhecia, mas sei quem são assim que os vejo. Homens como meu pai, e têm uma certa atmosfera sobre eles. O caráter deles


exige atenção. Eles são fascinantes. Os homens querem ser eles, e as mulheres desejam aquecer suas camas. Eu nunca entendi isso. Eles nunca me afetaram da maneira que afetam outras pessoas. O homem mais velho fica de pé um segundo antes que o jovem. Ambos sorriem para nós. A poucos passos de distância da mesa, Vito estende os braços para o meu pai. — Eduardo. Meu pai, vazio de expressão, anda até os braços de Vito, eles dão tapas nas costas um do outro em um abraço masculino confortável. — Vito. Obrigado por nos receber. Eu espio os homens. Ambos vestidos em trajes requintados e não posso deixar de notar o quanto o homem mais novo é atraente. Mesmo para um homem mais velho, Vito é bonito, com olhos sorridentes e cabelos grisalhos. Eu observo o jovem estender a mão e ajeitar o nó da gravata, soltando-o. O pequeno gesto me faz perceber que não estou sozinha nesta situação. Dino provavelmente está tão chateado com esse arranjo quanto eu. Saber isso me acalma um pouco. Vito caminha na minha direção, conduzindo seu filho para frente. — Esta deve ser Alejandra. — Vito estende a mão para pegar a minha vacilante, beijando o dorso dela. Ele olha para o filho. — Lei è così piccola1. Dino olha para mim, seus olhos cor de avelã dançando. Ele estende a mão, esperando pacientemente que eu coloque a minha na dele, ao contrário de seu pai, que tomou a liberdade por conta própria. Hesitante, eu coloco minha mão na dele, e seu sorriso se alarga,

1 Ela é tão jovem.


me deslumbrando. — Por favor, desculpe meu pai. Ele não quis ser rude. Ele estava simplesmente dizendo que você é tão pequena. Petite. Eu sei disso. Minhas irmãs e eu todas temos a cor e estatura da minha mãe. Sem ficar mais alta que 1,55 metros, cabelo preto grosso, reto até a cintura e olhos castanhos quentes, percebo que muitos me considerariam bonita. Minha mãe me dizia que a beleza era um presente e para nunca usar minha beleza para conseguir o que quero, que devo permanecer humilde. Quanto mais perto Dino chega, meu estômago se agita com mais força. Ele realmente é um homem bonito. Alto, com ombros largos e uma cintura estreita, maçãs do rosto salientes, um queixo forte, lábios carnudos e olhos sorridentes cor de avelã. Sua grande mão encasula a minha, os lábios descem, e quando eles tocam suavemente meus dedos, meu estômago vira um alvoroço. Quando ele me deixa para trás, ele murmura: — Posso ver por que seu pai a escondeu. As joias mais preciosas normalmente são mantidas trancadas em um lugar seguro. Eu quase posso ouvir Miguel zombar atrás de mim. Estendendo a mão, ele se apresenta. Olhando meu irmão, Dino sorri enquanto aperta a mão dele. — Você ama sua irmã. Uma afirmação. Miguel, não confirma, nem nega este fato, puxa sua mão. Dino ergue as mãos em um gesto apaziguador. — Entendi. Eu tenho dois irmãos. — Dino olha para mim. — Eu faria qualquer coisa para mantêlos seguros. — parando um momento, ele aproxima de Miguel e diz em voz baixa: — Sua irmã estará segura comigo. — ele me olha de lado, ele continua: — Inferno, talvez um dia ela até me ame. E quando nos casarmos, você e eu seremos irmãos. O que significa que você e suas


irmãs serão incluídas como tal e serão colocados sob minha proteção. Eu daria minha vida para mantê-los a salvo. No que se refere a ganhar a confiança de Miguel, acho que Dino ficou em primeiro lugar com seu argumento de abertura. Nós sentamos, e enquanto meu pai e Vito conversam, Miguel decidindo dar a Dino sua bênção - fala com ele sobre negócios. Eu vejo como Dino conduz a conversa e fico impressionada. Ele é tão sério, quanto espirituoso, pegando Miguel completamente desprevenido. Ver meu irmão rir com Dino é enervante. Isso está realmente acontecendo. Este é o homem - o estranho – com quem me casarei. Meu peito aperta. Eu não tenho certeza se estou pronta para isso, não que alguém dê a mínima. De pé, de repente, Dino se volta para nossos pais e anuncia: — Licença, senhores. Eu gostaria de um momento a sós com Alejandra. — ele se vira para mim, seus lábios se curvam. — Eu a negligenciei muito tempo esta noite. Miguel olha para mim e seus olhos gritam aprovação. Meu pai sorri para Dino quando Vito acena com a cabeça em concordância. — Claro. Mas tente não demorar muito. Nós ainda temos muito que discutir. Não restando muita escolha, eu levanto e aliso meu vestido preto. Tomando minha mão, Dino a coloca na dobra do cotovelo, levando-me embora. Andamos devagar, confortável em nosso silêncio, e fico surpresa ao

encontrar-me

sentindo completamente segura

caminhando ao lado deste homem, este homem perigoso. Quando ele abre a porta para mim, eu saio. Ele faz um gesto para eu sentar em uma das mesas externas, e eu faço o que ele diz.


Eu sempre faço o que me dizem. Dino senta e me observa de perto. — Você não disse uma palavra. Nenhuma. Eu dou de ombros. O que ele quer que eu diga? Seus olhos suavizam. — Eu sei que isso não é fácil. Acredite em mim, eu demorei a aceitar quando meu pai me disse o que ele queria que eu fizesse. — ele zomba. — Quero dizer, vamos lá, tenho apenas vinte e cinco. Eu não quero me casar. — isso faz meu peito apertar. — E por alguma razão, eu não acho que você queira isso também. Eu encontro a minha voz. — Eu não quero. Ele

sorri

calorosamente. —

Por

favor,

não

poupe

meus

sentimentos ou qualquer coisa. Eu não posso evitar. Abaixo o meu queixo para esconder o sorriso, mas ele percebe. — Você sabe disso?— ele ri antes de ficar sério. — Você é muito bonita, Alejandra. Deslumbrante, na verdade. Meu rosto aquece rapidamente enquanto meu coração bate mais rápido. Dino estende a mão na mesa, pegando a minha. Eu olho em seus olhos. Ele pergunta baixinho: — Você acha que você pode me dar uma chance? Eu gostaria de tentar. — ele faz uma pausa por um momento. — Nós temos que tentar. Ele tem razão. Nós temos. E poderia ser pior. Quero dizer, ele é atraente e charmoso e engraçado, e parece gostar de mim. Desviando meus olhos, eu emaranho meus dedos através dos dele e sussurro: — Sim. — eu engulo em seco. — E-eu quero tentar. Dino se levanta e envolve seus braços em mim, me segurando apertado. Minha surpresa súbita é deixada de lado quando eu percebo


que preciso do conforto tanto quanto ele. Gentilmente o abraço, descansando minha cabeça no peito dele, agarrando-o por apoio, encontrando segurança na batida suave do seu coração. Ele beija o topo da minha cabeça. — Eu sei que esta não é uma situação ideal, mas acho que podemos fazê-la funcionar. Nós sabemos como nossas famílias são. Nós sabemos o que eles esperam de nós. Eu gostaria de ser seu amigo. — ele recua. — Eu acho... — ele limpa a garganta. — Eu acho que poderia te amar. Acho que poderíamos chegar a amar um ao outro. Minha garganta engrossa. Eu tento falar, mas tudo o que sai é um grunhido de dor. Abaixando o rosto, a umidade trilha minhas bochechas. Eu estou assustada. Eu me odeio por chorar. Mas Dino não. Levantando o meu queixo, ele me cala, beijando minha bochecha. — Bella, não chore. Por favor, não chore. — antes que eu saiba o que está acontecendo, seus lábios cobrem os meus. Tão rapidamente quanto me beija, ele se afasta, segurando-me mais uma vez. Eu aperto a camisa dele, chorando. Ele murmura: — Não se preocupe, Alejandra. Eu vou mantê-la segura. Suas palavras me acalmam. Como eu disse... poderia ser muito pior. Avançando seis anos... Meu estômago pressiona o colchão. Dedos afundam nos meus quadris, me segurando. Eu respiro rapidamente pelo nariz, lutando contra a dor. Mordendo o travesseiro para me impedir de gritar, eu me lembro do conselho da minha avó enquanto meu marido se masturba no sofá, sorrindo para meu rosto coberto de lágrimas, enquanto observava seu irmão me estuprar.


Quanto pior eles tratam uma menina geralmente significa que mais eles gostam delas. Se for esse o caso, meu marido deve realmente me amar. Ele deve me amar atĂŠ a morte.


CAPÍTULO UM Julius Phoenix, Arizona. — Tudo o que estou dizendo é que estaríamos melhores fora. Olho para Ling do assento do motorista. Minha testa franze. — Que porra é essa de nós? Ela revira os olhos, e isso faz com que eu sorria relutante. É tão fácil de irritá-la. Um olhar aborrecido cruza seu rosto. — Somos parceiros, Jules. Meus lábios curvam. — Não me chame de Jules. É a vez de ela sorrir. — Mas combina tão bem com você. — eu olho para ela, e ela ri. — Está bem. Não vou mais chamá-lo de Jules. — Ou qualquer um dos seus apelidos estúpidos. Ela balança a cabeça, mas se vira para esconder seu sorriso sensual. — Ou qualquer um dos meus apelidos estúpidos. Nós dirigimos em silêncio um longo tempo antes de Ling falar no meio de um bocejo. Eu não a culpo. Estamos viajando há duas horas, depois de um voo de treze horas saindo de Sydney, Austrália. Estamos oficialmente dando um gás. Ela estende a mão para cobrir a boca ao bocejar. — Então, onde vamos ficar? Ling trabalha comigo há quatro anos agora. Perder Twitch foi duro para ela. Ela estava tão perdida de antemão que perdê-lo a enlouqueceu. Ela queria ficar o mais longe possível do


armazém, também tão longe quanto das lembranças de Twitch. Sem mencionar, que ela não encarou a Lexi exatamente. Dentro de um ano da morte de Twitch, Happy e eu fechamos o armazém. Não que tivéssemos uma escolha. Depois que o idiota nos deixou, o negócio começou a falhar. Os federais pegaram pesado conosco, nos observando e ouvindo, se escondendo atrás de cada esquina. A morte de Twitch trouxe atenção indesejada para o nosso lado. Simplesmente o risco não valia mais a pena. O imbecil. Ele fodeu tudo o que tínhamos trabalhado. Por sorte, o dinheiro que tínhamos escondido era mais do que suficiente. Porra. Era mais do que suficiente para sustentar os filhos dos filhos dos nossos filhos. Então Happy vendeu a mansão, e todos os vestígios de Twitch desapareceram. Todos os vestígios, isso é, exceto um. O pequeno AJ. Antonio Julius. Antonio Junior. Um sorriso se espalha lentamente pelo meu rosto ao pensar nele. Quando

descobrimos

que

Lexi

estava

grávida

ficamos

chocados. Twitch nunca foi tão descuidado, e embora nós gostássemos da Lexi, honestamente, eu nunca pensei que ela deixaria algo assim acontecer. Ela parecia tão controlada, nenhum pouco imprudente. Pode ser que Twitch tivesse uma maneira de desarmar até mesmo a mais composta das pessoas. Era o dom dele. Ling odiou Lexi por um longo tempo. Ela não precisava falar em alto e bom som, mas todos sabíamos que Ling queria o bebê, sentia que merecia aquele bebê. Três meses de gravidez, Lexi foi levada às pressas para o hospital. Imediatamente pensei o pior.


Happy me ligou e falou para levar minha bunda para lá. Foi o que fiz. Embarquei no próximo avião para Sydney, e quando cheguei, o que vi diante de mim vai me assombrar para o resto da minha vida. Lexi estava quase esquelética. Parecia que não comia há meses. Nikki se sentou ao lado da cama no hospital, segurando a mão dela e suplicando-lhe para comer alguma coisa, lágrimas fluindo por suas bochechas, petrificada pela sua amiga. Todos nós estávamos. Happy virou para mim na hora e sussurrou: — O bebê vai morrer. Uma afirmação. Sem questionamento. Suas palavras eram uma declaração. Tenho certeza que todos nós pensamos isso, mas ouvir em voz alta era diferente. Algo real. Fez alguma coisa comigo, impeliu-me. Eu não deixaria isso acontecer. Aquele bebê era o último vestígio do meu melhor amigo. Então eu fiquei. Fiquei sentado ao lado da cama de hospital por um mês inteiro, saindo apenas para tomar banho e trocar de roupa. Nesse tempo, eu falei de Twitch, e embora os olhos de Lexi permanecessem mortos, eu sabia que tinha sua atenção. Uma semana de enfermeiras ameaçando-a com um tubo de alimentação intravenosa e minha conversa fiada ininterrupta e Lexi começou a comer novamente. Na semana seguinte, Lexi falou. Ela se virou para mim, seu rosto magro causava quantidade imensurável de dor em minha alma. Sua voz rouca, ela colocou a mão em sua barriga, e perguntou: — Você ao menos conheceu a mãe dele? Eu balancei a cabeça. — Não, baby. Ela não era uma boa mãe. Estou feliz por nunca ter conhecido.


Sua garganta se movia enquanto ela piscava em meio a lágrimas. Ela se agarrou à barriga com mais força, os dedos enrolando o tecido da camisola. — Eu não sou uma boa mãe também. Vi as lágrimas descendo pelas bochechas com o coração pesado. — Você quer este bebê? Sua boca se abriu, mas nenhuma palavra formou-se. Depois de tentar de novo e de novo, ela finalmente conseguiu: — Eu não sei. Havia uma maneira que me certificaria se ela queria esse bebê. Era cruel, mas eu tinha que fazer isso. Eu tinha que saber. Suspirei calmamente. — Ok. Eu conheço um cara. Eu vou falar com ele. Lexi piscou. — O quê? Dei de ombros. — Eu não estou julgando, Lexi. Eu sei que você já passou da data de aborto recomendado, mas, como eu disse, eu conheço um cara. — eu toquei a mão dela. — Vai ser como se o bebê nunca tivesse existido. Ela afastou-se como se as minhas palavras a queimassem fisicamente. Seu peito arfou, o rosto furioso, olhos selvagens, e ela sussurrou em uma calma mortal. — Como se o bebê nunca tivesse existido? Eu podia ter sorrido na hora. Eu queria, mas não o fiz. Em vez disso, eu levantei uma sobrancelha. — Ou adoção. Tanto faz. Abraçando-se com força, ela soltou em voz rouca: — Não. — então mais alto: — Não! Este é o meu bebê. — em seguida, mais calma, e mil vezes mais magoada. — Este é o meu bebê. Nosso bebê. É tudo que me resta dele. Era o suficiente. Estendi a mão e levantei o seu queixo até que os olhos encontraram os meus. — Se você quer este bebê, prove. — o olhar dela se transformou, ficou mais suave e eu vi medo. Mas, pelo que sabia, medo era melhor do que resignação. Eu balancei o queixo levemente. —


Você tem que viver agora. Se não para si, então para o seu bebê. Este bebê é um presente, mas você tem que merecê-lo, Lex. Eu sei que Twitch não está por perto, mas seu bebê precisa de você. — à menção do meu melhor amigo, Lexi perdeu qualquer quantidade de força que ela ainda tinha. Soluçando em silêncio, o corpo dela ficou fraco sob o meu toque. Eu forcei mais. — Seu bebê não tem um pai. Ele precisa da mãe. — eu a soltei então, e ela caiu de volta para os travesseiros para a cama de hospital desconfortável e estéril. Seu choro suave era uma faca no o meu intestino, principalmente porque eu sabia que ela não tinha a energia para chorar mais. Segurei sua mão pequena e fria entre as minhas. Esfreguei-a, tentando desesperadamente esquentá-la. — Você pode fazer isso, Lex? Você pode cuidar de si mesma, certificar-se que o seu bebé vai ter alguém com quem contar? De repente, ela levantou o olhar para o meu, piscando lentamente, antes de perguntar em um tom abafado: — Você acha que é um menino?— sua mão livre começou a se mover sobre o bebê. — Eu acho que é um menino também. Desde que soube. Tomei isso como um bom sinal. Nenhuma mulher que quisesse abortar falaria sobre as coisas menos relevantes. Eu sorri suavemente, calorosamente. — Eu acho, baby. Eu acho que você tem um rapazinho aí dentro. — meu sorriso ficou largo. — E conhecendo Twitch e o seu jeito osso duro de roer, vai ser a cara dele. O pobre menino não terá escolha. Um fantasma de sorriso iluminou o rosto de Lexi. — E se for uma menina? Fiz um barulho com a língua. — Uma praga para você, mulher. Se você tiver uma menina aí dentro, pelo menos com metade da beleza da mãe... — eu inclinei na minha cadeira e soltei um longo suspiro, forte, enquanto balançava a cabeça. — Merda. É o suficiente para dar pesadelos a um homem. Sorte de Twitch que não estará por perto para testemunhar o primeiro encontro dela.


No segundo que essas palavras saíram da minha boca, eu quis levá-las de volta. Consumi-las enquanto ainda estavam no ar. Meu estômago apertou quando a ansiedade me preencheu. Eu me senti um idiota de primeira. Mas para minha surpresa, o meio sorriso de Lexi transformou-se em um sorriso completo, que eu não via desde antes do Twitch morrer. Ela riu e bufou pelo nariz um segundo antes de deixar escapar um suspiro. — É bom falar sobre ele. Todo mundo tem tanto medo de falar sobre ele. Às vezes eu acho que ele foi apenas uma invenção da minha imaginação. Cerrei os lábios. — Não há nada de errado em falar dos mortos. Ela estendeu a mão trêmula para mim. Eu a encontrei no meio do caminho,

pegando-a

ansiosamente,

relaxando

com

o

contato

repentino. Nós ficamos nessa posição por um tempo antes dos seus dedos apertarem os meus. — Julius? Minha voz estava rouca de exaustão, eu pisquei, então, perguntei: — O que foi, baby? Suas palavras sussurradas pareceram mais um apelo do que uma pergunta. — Você vai se certificar de que o bebê saiba sobre ele? As coisas boas? Esse foi o momento exato que eu soube que Lexi ficaria bem. Alívio me preencheu. — Sim, Lex. Eu posso fazer isso. — Terra para Julius. Uh, Olá? Alguém aí? — a voz de Ling me traz de volta ao presente. — O quê? Suas sobrancelhas em um arco perfeito. — Você está se sentindo bem? Talvez devêssemos encontrar um motel próximo para passar a noite.


Eu balanço a cabeça. — Não, eu estou bem. Apenas fui pego nas memórias. Sarcasmo envolve a sua voz. — Um lugar perigoso para se estar. Abafo uma risada. — Você não tem ideia, menina. Concentrar-se na estrada quando você está cansado é difícil. O que é mais difícil é concentrar-se sentindo unhas bem cuidadas trilhando subindo pela sua perna. Com a voz baixa, em advertência, eu rosno: — Ling. Ela responde com um beicinho rabugento: — Estou com fome. Pego a mão dela e coloco-a em sua própria perna e digo: — Não tem nada para comer onde você está procurando. Ouço seu sorriso quando ela fala baixo e abafado. — Não consigo pensar em algo que poderia me satisfazer. Minha única resposta é suspirar e balançar a cabeça, rezando para que ela não perceba a tensão por trás do zíper da minha calça jeans. Independentemente de eu gostar ou não, Ling é uma mulher bonita. Fodida como é, mas bonita. Suspirando ela olha pela janela, e se queixa em voz baixa, — Você nunca quer brincar comigo. Um riso assustado me escapa. — Quatro anos mais tarde e você ainda não descobriu isso. Eu não faço merda onde durmo, Ling Ling. — arrisco um olhar para ela. — Além disso, eu não jogo a sua variedade particular de jogos. Seus olhos castanhos amendoados encontram os meus, e embora ela não sorria, seus olhos sim. — O quê? Você nunca desejou colocar as mãos em uma mulher? Fazê-la sentir o quanto a deseja? E mesmo que ela não quisesse, você a pega à força?


Ao pararmos em um sinal vermelho, eu luto para não revirar os olhos

para

as

palavras

ingênuas

de

uma

mulher

igualmente

ingênua. Finjo que estou pensando muito. — Isso parece um pouco com... hmmm... qual é a palavra?— minha expressão fica sóbria quando complemento: — Ah, sim. Estupro. Ela acena com a mão para mim, seu cabelo preto na altura dos ombros balança com o gesto, e faz um barulho que sugere que estou sendo tolo. — Oh, por favor. É completamente consensual, e você sabe disso. O sinal fica verde, e nós prosseguimos mais uma vez. — O que a incomoda mais? Que não gosto disso, ou que não sou mau, como você acha que todos são? — Julius. — ela começa. — Não se trata de ser mau. — sua voz é suave. — Eu posso tornar qualquer cara bom e mau durante a noite. Não se trata de soberba, ou orgulho. Mais parece cansado e desgastado nos lábios de uma mulher perigosa. Uma predadora. E ela parece cansada de seu próprio jogo. Eu não sinto pena da Ling frequentemente, mas esse agora é um dos momentos. Nós dirigimos em silêncio, passamos em um posto de gasolina para as necessidades antes de chegar à nossa parada. O motel é calmo, como deveria quase 03:00 horas da manhã. Logo que entramos, um jovem aparece, por causa do sino anexado à porta. — Posso ajudá-los? Um sorriso ganancioso e lento espalha nos lábios de Ling, e seus olhos piscam animadamente. — Nossa, oh-meu. Eles com certeza têm os maiores por aqui. O jovem não tira os olhos de Ling, mas engole em seco, o pomo de Adão balançando embaraçosamente. Ela só piora ao fazer um show lambendo os lábios vermelhos. Pelo jeito que o menino-homem segue sua


língua, eu sei que ele está se perguntando se ela tem um gosto tão bom quanto parece. Ela tem. Ling e eu nunca chegamos ao quarto, mas já houve casos em que os seus lábios persuadiram os meus. Ela tem sabor de cereja. Eu posso confirmar. Jogo minha carteira no balcão e o rapaz salta para trás, olhando para mim em estado de choque. Eu passo um tempo olhando-o. Quase tão alto quanto eu, Ling estava certa. Ele é enorme. — Você tem vaga? O menino imediatamente sabe o seu lugar. — Sim, senhor. — mas ele não consegue resistir ao andado e fala da Afrodite ao meu lado. Ele dá uma olhada rápida na direção dela. — Um quarto? Na mesma hora que digo: — Sim. — responde Ling: — Não Faço uma pausa para olhar para ela. — Um quarto. Suas sobrancelhas sobem de forma a sugerir que não gosta do meu tom. Ela olha para o jovem e dá um sorriso muito acolhedor. — Dois quartos por favor, querido. Mas o menino se lembra de mim, se não um segundo mais tarde. — Senhor? Olho

para

Ling

mais

uma

vez. Seus

olhos

estreitam

perigosamente. Eu olho para ela por um momento antes de me virar para o funcionário. — Dois quartos. Mas certifique-se que fiquem próximos, filho. Ele engole novamente, fazendo o pomo de Adão pular. Sua voz guincha apenas um pouco. — Sim senhor. Como será o pagamento? — Dinheiro. — Eu preciso ver alguma identificação.


Eu concordo. — Claro que sim. — abro a minha carteira, mas em vez de pegar a carteira de motorista, puxo uma nota de cem e deslizo-a sobre o balcão. — Registre como Sr. e Sra. Sonny Jones. A razão pela qual vamos ficar em quartos separados é porque não estamos falando agora, por que minha esposa... — faço um gesto para Ling — Laura está puta comigo por encarar uma garçonete no restaurante local. — faço uma pausa para que ele acompanhe. — Entende? Sem perder o ritmo, ele embolsa o dinheiro, acena com a cabeça, e então responde: — Entendi. Pego a minha mala e alcanço a de Ling, mas ela tira a alça do meu alcance. Ela se vira para o funcionário. — Você pode me ajudar com a minha mala, uh...? Ele pega a isca. — Sim, eu posso. E eu sou Cory, mas você pode me chamar de Chip. A risada baixa de Ling ressoa. — Oh, é claro que você é, querido. Quantos anos você disse que tem? Eu ando na frente e abafo meu riso quando Chip responde: — Eu tenho dezoito, acabei de terminar o meu último ano. Ling caminha ao meu lado. — Bem, parabéns, Chip. Isso é maravilhoso. — sob a respiração, ela murmura. — Exatamente como gosto. Digo tranquilamente de lado. — Comporte-se. Ela bufa, antes de responder: — Agora, onde está a diversão nisso? Paramos nos quartos reservados, e entro apenas a tempo de ouvir Ling pedir ao Chip. — Você pode trazê-la para dentro, querido? Acabei de fazer as unhas. Eu odiaria estragá-la tão cedo. Sem perder tempo, tomo banho rápido antes de subir na cama com cheiro de velha.


Uma hora mais tarde estou ouvindo um concerto. Gritos de paixão e dor emanam do quarto ao lado do meu. Eu adormeço com os sons crus de sexo, enquanto Ling transforma Chip em mau durante a noite.


CAPÍTULO DOIS Alejandra Meu casamento não foi sempre assim. No começo, era tudo que eu poderia ter esperado. Na verdade, eu desejava secretamente um marido como Dino. Ele me sustentava. Era solidário, paciente e bondoso. Dino rapidamente se tornou a minha rocha. Nosso namoro durou seis meses, eu aprendi rapidamente que Dino Gambino era um homem doce e engraçado. Amava que ele fosse possessivo e me mantinha ao alcance do braço, sempre me tocando, em busca de conforto e aconchego. Era bom ser necessária para alguém pela primeira vez na vida. O que eu não esperava era o vínculo que se formou no pouco tempo que nos conhecíamos. Éramos nós contra o mundo. Camaradas. E em pouco tempo, ele se tornou meu melhor amigo, a pessoa que chamava quando só precisava desabafar sobre o meu pai ou ouvir uma voz familiar. Ele

sempre

me

fazia

sorrir

e

gargalhar. Sua

atitude

despreocupada era contagiante. Dino conseguia sempre afastar os meus humores sombrios. O dia em que casei, eu olhei nos olhos do meu melhor amigo e disse “eu aceito” sem hesitar. Eu me considerava sortuda. Quantas pessoas poderiam dizer que se casaram com o melhor amigo? Minhas irmãs nos assistiram com admiração, espantadas que duas pessoas em um casamento arranjado pudessem ser tão felizes. Isso nos dava esperança.


Quando a cerimônia acabou e nós compartilhamos nosso primeiro beijo como marido e mulher, Dino me inclinou, e me agarrei a ele e nós rimos na boca um do outro. Ambas as famílias entraram em erupção em um rugido de aplausos e vaias. Nós estávamos realmente unidos, agora, e para sempre. Até que a morte nos separasse. Naquela noite, Dino me levou para a nossa nova casa. Foi aí que ficou estranho, pelo menos para mim. Eu era virgem. Durante uma das nossas conversas tarde da noite, eu tinha confessado isso, meu rosto ficou vermelho. Eu bati a mão na minha testa no silêncio ensurdecedor que se seguiu. Duh! Eu era a filha de dezoito anos de um chefe da máfia. Claro que eu era virgem. Mas Dino apenas riu, e o som áspero tomou conta de mim como um cobertor de segurança. — Eu sei, Bella. Não se preocupe com isso agora. Vamos falar sobre isso quando precisarmos. Ele simplesmente tornava tão fácil para mim ser eu, e eu apreciava isso infinitamente. Independentemente de quão estranha eu era, Dino me tomou em seus braços e me beijou. Nós tínhamos compartilhado beijos antes, mas não eram nada como este. Este era mais lento, mais profundo, muito mais preciso, e eu senti uma agitação dentro de mim. Claro, Dino era meu amigo, mas ele também era meu marido, para não mencionar deslumbrante. Era o seu direito conjugal. Eu acreditava no casamento sendo vivido em todos os sentidos da palavra. Queria filhos e só havia uma maneira de atingir esse objetivo. Quando ele afastou seus lábios dos meus, eu senti uma perda de dentro de mim. Ele olhou nos meus olhos. — Está tudo bem?


Concordei imediatamente com entusiasmo, e ele deixou escapar uma risada antes que seus lábios estivessem nos meus mais uma vez. Ele me tocou em todos os lugares certos, e por um momento, fiquei chocada com a reação do meu corpo para ele. Foi só depois que Dino explicou que tudo o que estava acontecendo era uma coisa boa que eu comecei a relaxar. Sem mãe ou tias para me explicar o que esperar, tudo que eu podia fazer era contar com Dino e confiar nele. A quem mais eu poderia perguntar sobre sexo? Meu pai? Meu irmão? Acho que não. Ele me despiu com tanto cuidado e beijou-me em lugares que eu nunca tinha sido beijada antes. Eu estava perdida em mim. E de bom grado coloquei o meu corpo aos cuidados de Dino. Quando ele começou a se despir, eu assisti em silêncio. Quanto mais roupas ele removia, mais eu subia o lençol, me escondendo por trás dele. Quando a última peça de roupa foi removida para revelar o lado de um homem que eu nunca tinha visto antes, eu deixei cair o lençol, piscando em estado de choque. Era aquilo? Como diabos ia caber onde precisa se ajustar? Eu não era médica, mas rapidamente deduzi que a única maneira que se encaixaria dentro de mim era com uma grande cirurgia. Ele se aproximou de mim. E eu recuei. Percebendo minha hesitação, ele perguntou o que estava errado. Engoli e pisquei, sem fazer nenhum esforço para esconder a minha curiosidade. Depois de algum tempo, eu abri a boca, a voz um mero sussurro. — Vai doer.


O rosto sorridente de Dino esmoreceu, em seguida suavizou, e para minha surpresa e decepção a parte dele que eu estava interessada também. Eu estava muito interessada. Meu estômago se retorceu em um turbilhão de emoções conflitantes. Fiquei parte aliviada e parte triste. Ele subiu na cama e me puxou para o seu lado. Estava nu, mas não hesitei; abracei-o como se tivesse feito isso uma centena de vezes. Era meu marido e eu não teria vergonha na frente dele. Era óbvio que o pensamento de me machucar foi suficiente para mudar o humor. Tomei isso como um bom sinal. — Sim, vai doer. — quando o meu corpo ficou rígido em seus braços, ele gentilmente passou os dedos pelas minhas costas, me acalmando. — Mas não vai durar muito tempo. E é apenas na primeira vez. Eu prometo. É o preço que você paga pelo prazer final. Eu quase fiz beicinho. Quase. — Eu não vejo isso te machucando. Seu corpo tremeu debaixo de mim numa risada silenciosa. — Você me machuca, Alejandra. — eu senti seus lábios na minha testa. — Estou com dor constante há seis meses. Eu levantei o rosto para olhar em seus olhos. Eu estava confusa. — Por quê? Ele procurou meu rosto, em seguida, delicadamente segurou-o. — Tem sido difícil, baby. — ele enfatizou pressionando os quadris nos meus, o seu comprimento duro queimando quente no meu estômago. Meus olhos se arregalaram de surpresa. Tinha sido assim durante seis meses ? Pobre Dino. Eu não podia e não queria meu marido sofrendo mais um dia. Colando um sorriso, eu inclinei e dei um beijo suave nos seus lábios quentes. Eu

o

beijei

convidativamente. Precisando

de

mais


encorajamento, seus braços me envolveram, me puxando para mais perto. Passamos horas explorando-nos e eu fiquei chocada, mas agradavelmente surpresa com a experiência do meu primeiro orgasmo. Dino estava certo. Dói. Mas ele estava certo sobre a segunda vez. A dor passou. Quando Dino encontrou a sua libertação, eu estava em seus braços e encontrei-me perguntando quando ele iria querer fazer novamente. Entendi rapidamente que Dino queria fazer sempre que nossos horários permitissem, e às vezes, mesmo quando não permitiam. Eu não estava exatamente descontente com isso. Eu gostava de sexo. Mais importante, eu gostava de sexo com o meu marido. Durante cinco meses a nossa relação foi incrível. Então, uma noite, Dino confessou que estava apaixonado por mim. Dizer que fiquei atordoada foi o mínimo. Fiquei pasma. Dino era um homem inteligente. Nós sabíamos o que era este casamento. Eu estava feliz com a ideia de ter uma forte amizade com meu marido, e, é claro, eu tinha um profundo respeito por ele. Eu não queria vê-lo infeliz. Mas eu não o amava. E eu não conseguia entender por que ele queria complicar a nossa relação com emoções floridas. Eu respondi com: — Obrigada. Esta não foi a resposta que Dino esperava. Ele se afastou de mim. Eu assisti o sentimento rapidamente se transformar em raiva. Ele me perguntou se eu o amava também e eu fui honesta. Uma lição para o futuro: A honestidade não é a melhor política. Diante dos meus olhos, o homem com quem casei, meu melhor amigo, se transformou em algo escuro. Algo assustador.


Parte de mim sempre soube Dino era um homem perigoso, mas eu ainda não tinha visto esse lado dele. Então fiz uma coisa estúpida. Disse a Dino que me importava muito com ele, que ele era meu melhor amigo. Isso só aumentou sua ira. Dino me deixou naquela noite. Ele pegou as chaves dele, deixou a carteira e foi embora. Louca de preocupação, liguei para o celular e enviei inúmeras mensagens de textos pedindo para ele voltar para casa. Exausta e triste com o rumo dos acontecimentos, adormeci em nossa cama. Acordar no meio da noite e ouvir a voz de Dino fez alívio correr nas minhas veias. Vesti com um robe, desci, determinada a acabar com essa briga antes que piorasse. No que diz respeito a primeiras brigas , essa foi assustadora. Entrei na sala de estar, estendi a mão e acendi a luz. A imagem que me cumprimentou ficaria para sempre gravada na minha mente. Dino sentando no sofá - sofá que escolhemos juntos uma semana antes do nosso casamento - enquanto uma jovem mulher chupava seu pau com grande entusiasmo. Fiquei ali, colada ao local, observando. A cabeça da mulher balançava enquanto trabalhava no pau do meu marido. Em seguida, Dino abriu os olhos. Estavam vermelhos. Ele piscou lentamente, em seguida, seu olhar pousou em mim. E ele sorriu. Ele deu aquele sorriso deslumbrante que eu amava. Eu nunca seria afetada por aquele sorriso novamente. Aquele sorriso estava morto para mim. Inclinando-se, ele agarrou o cabelo loiro da mulher em punho e empurrou-a com mais força, obrigando-a a trabalhar mais. Ela fez, engasgando, mas gemendo o tempo todo.


Envergonhada. Esqueci estupidamente como as pessoas reagiam a homens como Dino. E, secretamente, em algum lugar lá no fundo, eu desejei ser afetada por ele da forma como esta mulher era. Mas eu não era. E agora, eu nunca seria. As palavras deles se arrastaram, ele disse em um tom frio: — Ei, baby. Quer se juntar a nós? A mulher se virou para mim, e eu levantei a mão para a boca. Ela não era mais velha do que eu. Com as sobrancelhas franzidas ela perguntou: — Quem é essa? Dino e eu respondemos em uníssono. — Minha esposa. — Esposa dele. Com o coração dolorido pela traição do meu marido e amigo, eu forcei um sorriso e consegui falar: — Divirtam-se. — antes de me virar e ir embora. Ouvi Dino gritar: — Sai daqui, porra. — seguido de um suspiro feminino e uma pancada, enquanto ele empurrava-a para o chão. Seria o primeiro de muitos incidentes idênticos. A porta da frente se abriu e fechou com a saída da mulher. Passos me seguiram pelo corredor. Quando o meu pé chegou no primeiro degrau, uma mão forte agarrou meu cotovelo e me puxou de volta duramente. Ele nunca havia me tratado assim, eu gritei indignada: — Ei! — então eu estava contra a parede com uma mão ameaçadora ao redor da minha garganta. A mão descansou em advertência e os olhos de Dino brilharam. — Com ciúmes? Com ciúmes? Não. Sentindo-me traída e com raiva? Sim. Engoli em seco ao ver o olhar dele e sussurrei: — Não.


O impacto da palma da mão na minha bochecha me fez soltar um grito de surpresa. Eu olhei para Dino Gambino e rapidamente percebi que estava em apuros, que não sabia tudo sobre o meu marido. Tentei de novo. — Dino, o que é isso? A mão no meu pescoço apertou ligeiramente. Inclinou-se para o meu rosto até que ficamos nariz com nariz e rosnou: — Você foi feita para me amar. — ele me beijou então. Ele tinha gosto de uísque e doce de limão. Antes desta noite, eu gostava desse sabor. Hoje, eu estava petrificada. Contra meus lábios, ele perguntou: — Você me ama? Eu não respondi, foi a minha resposta. A resposta não verbal de Dino foi um tapa no meu rosto, mais forte do que o último. Um suspiro surpreso me atravessou. Garganta apertada, eu pisquei através das minhas lágrimas e tentei desesperadamente compreender a situação que ia rapidamente em declínio. Lutando para respirar, meu peito arfava enquanto meu coração batia fora do meu peito. Eu estava em apuros, e ninguém ia me salvar. — Você me ama, Alejandra? Eu teria dito a ele que sim naquela época, se me tivesse sido dado tempo para responder. Abri a boca um segundo tarde demais, o impacto de um tipo diferente de golpe me sacudiu. Dino me deu um soco. Ele me deu um soco bem na boca. Eu nunca tinha apanhado antes daquela noite. A enorme quantidade de dor que irradiava do meu rosto latejante também era algo novo. Houveram brigas ocasionais e estranhas com as minhas irmãs quando eu era levada por um momento de raiva, mas sempre foram seguidas pelo remorso imediato da pessoa responsável. Eu nunca tinha experimentado uma raiva como esta. Fiquei visivelmente abalada. Eu não conseguia pensar em outra coisa senão, quem é esse homem?


Jogada no chão frio e duro, o gosto metálico do sangue inundou a minha boca. Meu lábio formigava e começou a inchar e meus dentes estavam soltos. Tentei engolir, mas sua mão apertou mais o meu pescoço, me levantando por ele. Estrelas explodiram diante dos meus olhos quando Dino bateu minha cabeça contra a parede. Não havia saída para isso. Eu tinha dado os meus votos. Esta seria a minha vida até que Dino decidisse tirar. A constatação de que somente eu poderia mudar a forma como isso afundaria me atingiu com uma força como nenhuma outra. Dino me perguntou uma terceira e última vez: — Você me ama, Bella? Desta vez, eu respondi sem nenhum indício de hesitação. Meu corpo tremia. Respirando rapidamente através do nariz sangrando, eu menti com um sussurro medroso: — Sim, Dino. Eu te amo. Fazendo uma pausa, ele riu então, um som frio. Afrouxou o aperto, mas sem soltar, eu ouvi um traço de alívio na sua voz. — Eu sabia que sim. — seus lábios desceram e ele beijou-me com força. Eu contive o estremecimento. Ainda estava aterrorizada com o Dino, mas alguma gentileza que eu conhecia tinha retornado. Ele mordiscou meu lábio sangrando, afastando-se para me olhar nos olhos. Ele olhou fixamente sem piscar antes de confessar desesperado: — Eu também te amo, baby. Sua mão roçou meu rosto machucado, e os nós dos dedos passaram por cima do meu lábio cortado, forçando que um assobio escapasse de mim. Parecendo um pouco preocupado, Dino colocou o braço em volta dos meus ombros e me levou lá em cima. Ele me levou para o banheiro e, mais suavemente possível, molhou um pano e me limpou. Entrelaçando os dedos nos meus, ele tentou me levar para a cama. Eu hesitei. Os olhos de Dino encontraram os meus, sobrancelhas levantada em questão.


Com o monstro interno momentaneamente controlado forcei um pequeno sorriso que não alcançou os olhos e olhei para o banheiro. Ele pegou a dica e, com um beijo rápido nos meus lábios inchados, deixou-me aliviar em paz. Quando fechei a porta do banheiro, as comportas se abriram. Eu me abracei com força, caindo no chão em soluços silenciosos. Não sei quanto tempo se passou antes de Dino bater na porta perguntando se estava tudo bem. Dei descarga no vaso sanitário, lavei o rosto manchado de lágrimas e saí para dormir na cama conjugal com um homem que tinha colocado as mãos sobre mim. Meu marido fez amor comigo naquela noite. Ele me amou tão doce e gentilmente que depois que ele adormeceu, eu chorei em silêncio no meu travesseiro. Ele me segurou durante toda a noite, os braços e seu corpo quente familiar. Quando acordei de manhã, eu vi Dino sentado ao pé da nossa cama, nu, segurando a cabeça entre as mãos. Meus movimentos o alertaram para o meu estado recém-acordado, ele olhou para mim. Ainda incerta, eu puxei o lençol até o queixo e tentei lamber meu lábio, mas quando minha língua passou sobre o machucado, eu estremeci. Eu não tinha visto o que ele viu no meu rosto até mais tarde naquele dia, mas a reação dele dizia tudo. Eu estava uma bagunça. E ele estava arrependido. Ele se levantou, olhando para o meu rosto, sem piscar. Suas mãos fechando nas laterais, sua mandíbula travada, eu vi muitas emoções passarem pelos seus olhos. Dor, simpatia, fúria, vergonha. Colocando as mãos nos quadris, ele abaixou o queixo e eu esperei. — Sinto muito. — ele sussurrou, a voz trêmula. Esperança se acendeu em algum lugar dentro de mim. Uma pequena chama que se espalhou furiosamente, desesperadamente, recusando-se a apagar. Escuridão não era uma opção.


Recusei-me

a

acreditar

que

tinha

me

casado

com

um

monstro. Tinha certeza que a noite anterior havia sido uma situação única. Eu estava errada.


CAPÍTULO TRÊS

Julius Cansado, frustrado e com fome, eu sento na beira da cama muito mole do motel, calço os sapatos e amarro-os. Eu digo a mim mesmo para ser legal, mas Ling e seu formando, me mantiveram acordado na noite passada. Não estou me sentindo muito indulgente. Juro por Deus, se eu ouvi-la murmurar uma palavra de reclamação sobre estar cansada hoje, vou chutar aquela bunda magrela dela coberta de Gucci. Vou para o banheiro, passo a mão no cabelo, escovo os dentes e lavo o rosto. As olheiras não estão boas de olhar, especialmente quando uma reunião estava agendada. Balançando a cabeça levemente para o meu reflexo, eu suspiro, então murmuro sob a minha respiração: — Foda-se a Ling. A mulher é um pé no saco. Corro as mãos pelo paletó, em seguida saio, pegando a mala no caminho. Coloco os óculos de sol e vou até a porta de Ling. Bato com força uma vez. Como ela não atende de imediato, eu mordo o interior da bochecha aborrecido. Quando levanto a mão para bater de novo, ela abre a porta. Meus olhos pairam sobre ela. Ela está vestida, composta, enfeitada e pronta para ir. Seu lábio vermelho cereja curva-se em um sorriso, e quando eu não vejo um único vislumbre de cansaço no rosto, a minha irritação multiplica por dez.


Mas então ela faz algo que me lembra do porquê a mantenho por perto. — Bom dia, luz do sol. — radiante, ela estende um saco de papel e um copo de café para viagem no maior tamanho disponível. Pontos extras para Ling quando eu noto manchas de gordura no saco. Com um grunhido, pego a embalagem e o café em uma mão, em seguida, estendo a mão para alcançar a mala da Ling e a minha com a outra. Indo para o carro, eu ouço sua suave risada atrás de mim. — O que está enfiado na sua bunda esta manhã?— ela me ultrapassa para ir para o lado do passageiro, seu sorriso se torna malicioso. — Se você perguntar com jeitinho, eu conto tudo o que enfiaram na minha na última noite. Meus lábios se curvam quando destranco o carro e entro, jogando nossas malas no banco de trás. Ouvir mais risos femininos apenas alimenta o meu mau humor. Tomo um gole muito necessário de café. Está morno, mas forte. Merda, ele poderia estar frio, e eu ainda o trataria como amante. Abrindo o saco, eu olho dentro, e meu estômago ronca alto. O que quer que esteja lá cheira bem. Enfio a mão e sem parar para inspecioná-lo, desembrulho metade do sanduíche e dou uma mordida monstruosa. O sabor me bate e eu gemo. Engolindo, dou outra mordida no hambúrguer de ovo e bacon e mal mastigo antes de dar outra mordida. Sinto os olhos dela em cima de mim. Ainda mastigando furiosamente, eu volto para Ling e paro de mastigar. De boca cheia, eu falo embaralhado: — O quê? Seus lábios torcem em repulsa e a testa sobe. — Eu nunca vou me acostumar com a maneira que você come. Você é um porco. — ela estremece. — Nojento. Jogando o último pedaço do hambúrguer na boca, eu falo ainda de boca cheia. — Velhos hábitos. — eu pego o café e saboreio. — Se for algum dia para a prisão você aprende.


Ling olha para mim, incrédula, antes de voltar a olhar pela janela. — Eu conheço muitas pessoas que estiveram na prisão. Fodi com eles também. — ela me alfineta com um olhar. — E elas não comem como porcos. Eu ligo o carro e respondo calmamente: — Claro que comem. Em particular. Na prisão, tudo o que tinha entre você e sua comida era a quantidade de tempo que você podia colocá-la na boca antes que alguém maior e mais forte viesse e decidisse que precisava mais dela do que você. Se você não comesse rápido, não comeria nada. Na minha primeira semana de reformatório eu tinha sorte quando conseguia comer metade das minhas refeições antes que fossem tiradas de mim. Passei a reconhecer a hierarquia rapidamente e não gostava disso. Então eu mudei. Uma tarde, um cara mais velho, maior, mais malvado deslizou a bandeja que estava comigo. A essa altura, eu já estava cansado. Já era frio e solitário no buraco de concreto que eu chamaria de casa pelos próximos anos, então se havia possibilidade de parar de sentir fome, eu pararia. Logo percebi que se eu quisesse comida, teria que lutar por ela. Reformatório é menos como uma prisão e mais como um zoológico. Mostre seu tamanho e dominação e os outros deixam-no em paz. Fome faz coisas com as pessoas. Alimenta a raiva e irritação. Logo a raiva e a irritação se tornam fúria crua, e antes que você perceba, está espetando um canivete improvisado no intestino de um cara com quem jogou basquete a semana anterior. Pode fazer até mesmo as pessoas mais agradáveis fazerem coisas que não tinham imaginado possíveis. Lembro-me de levantar uma bandeja sobre a cabeça e abaixá-la na cabeça do outro cara, o ataque desavisado deixou-o estendido no chão sujo. Lembro-me de levantar aquele pedaço de plástico pegajoso, espesso e retangular e jogá-lo para baixo, repetidas vezes e as sacudidas do corpo


dele me deram senso de satisfação. Lembro-me do barulho ensurdecedor de sangue correndo através de minhas orelhas e o outro cara sangrando no chão, imóvel. Lembro-me também de abaixar e pegar pedaços de comida do chão, conseguindo comer um pouco antes de eu ser levado pelos oficiais. Lembro-me do olhar na cara dos outros meninos quando eu fui escoltado para o buraco. Ninguém pegou minha comida de novo. Claro, eu não era o maior ou mais forte, mas eu impus a minha posição. Agora eles sabiam que haveriam consequências pelas suas ações quando fossem até mim. Não foi a minha última briga no reformatório, mas demorou muito para que eu brigasse novamente. A única coisa que me consolava era ser capaz de manter a calma durante mais tempo do que a maioria. Com o meu controle perto do inabalável, os meninos começaram a vir me pedir conselhos ou para serem ouvidos. Essa primeira briga cimentou a minha posição no reformatório. Eu a mereci, mesmo sem saber que estava lutando por ela. Eu era bom nisso, porém, e com o passar dos anos, um nível tácito de respeito entre os meus colegas foi ganho. Mais uma vez, eu não sabia que queria, mas tê-lo me deu uma quantidade de poder que nunca tive antes. Curiosamente, isso me levou à minha posição atual na vida. O gosto do poder é doce na língua. Tomando o último gole do meu café, jogo o copo vazio para dentro do saco de papel e entrego-o à Ling. Ela pega sem questionar e eu saio do estacionamento, dirigindo à oeste, tomando um caminho mais curto antes de abaixar o volume do rádio para perguntar: — Detalhes? Ling se remexe um momento antes de localizar seu compêndio Oroton. Ela abre na primeira página, e lê em voz alta: — Disputa entre as famílias Castillo e Gambino. Castillo tem as mãos em tudo. Armas, dinheiro sujo, mulheres. Gambino é um caso clássico. Drogas, proteção, suborno. O único filho de Castillo, Miguel, é o contato. Alguns anos atrás,


Castillo e Gambino fizeram uma trégua. O filho mais velho de Gambino, Dino, casou com a filha mais velha de Castillo, Alejandra. Sem um traço de emoção, murmuro um friamente: — Como é doce. Ling bufa uma risada. — De qualquer forma, você vai adorar isso. — Batendo na página com uma unha perfeitamente bem cuidada, ela anuncia com alegria. — Os Gambino... eles não sabem que estamos chegando. Bem, isso é elegante pra caralho. — Por favor, me diga que isso é uma disputa menor. — Claro. — eu posso praticamente ouvir seu sorriso. — Só um assassinato. Respirando fundo, eu murmuro um abafado: — Foda-se. Levantando as mãos a idiota faz de tudo para esconder o sorriso dela, mas não consegue. — O quê? Não é como se nós não tivéssemos feito isso antes. Meus olhos deslizam sobre ela, minha expressão prende em algum lugar entre você enlouqueceu e eu vou te encher de porrada, mulher. — Sim. Apenas aquelas outras vezes? Eu estava preparado, porra e eles também. Ela desliza para trás no assento, inclinando a cabeça e suspirando. De olhos fechados, ela murmura um distante: — Jesus, você é sexy quando está irritado. E tudo o que posso fazer é olhar para o céu e rezar. Caro Senhor Jesus, eu sou um homem paciente, mas não sou nenhum santo. Dando-me um momento para acalmar, eu dirijo em silêncio. Um pouco depois, Ling pergunta, —Quer transar? Às vezes eu me pergunto sobre esta mulher.


Girando lentamente, eu removo meus óculos de sol. Meu olhar grita que ela está forçando a sua sorte. Sua inocência praticada de olhos arregalados faz meu sangue coalhar. Eu continuo a encarar quando ela cai na gargalhada, em seguida, afirma: — Foi uma brincadeira! Eu olho para a estrada, e murmuro: — Ha-ha, filha da puta. Sua mão delicada invade o meu espaço. Ele esfrega meu ombro. — Oh,

vamos

lá. Foi

uma

brincadeira. Estou

brincando. Totalmente

brincando. — sua mão para e ela admite. — A menos que você esteja a fim. — a raiva borbulha no meu intestino, quando ela admite, rindo. — Brincando! Eu tenho que admitir. Eu gosto de Ling. Quando Twitch estava com ela, eu achava que ela era louca. Na verdade, mais de uma vez, eu disselhe para se livrar dela. Agora, não estou dizendo que ela não seja louca, mas ela não é uma pessoa má. Nos quatro anos que compartilhamos a amizade cresceu. Uma noite, depois de uma bebedeira, uma Ling bêbada admitiu que eu era o seu primeiro amigo, e ela não sabia o que fazer com isso. Minha falta de vontade de fazer sexo com ela de alguma forma ganhou o seu respeito. Saber que eu tinha trazido à tona uma parte dela que outras pessoas raramente viam... era agradável. Ninguém mais conseguia ver a Ling comediante ou a Ling carinhosa. Outras pessoas viam a Ling cadela e, mais frequentemente, Ling, a puta. Mas ela gosta desse jeito. Esse é a sua cobertura de proteção. Seu cobertor de segurança. Há muito mais em Ling do que aparenta. Quatro anos mais tarde, e eu ainda não a conheço. Ela tem camadas, e mesmo depois daquelas já descoladas, eu não estou nem perto do centro. Inferno, eu mal cheguei à superfície. — Por que você não quer me foder? Você sabe que não afetaria o nosso trabalho. Muitos homens me acham bonita. — embora a pergunta soe vazia, ela olha para mim, pensativa.


— Você é linda. — eu olho-a de relance. — Eu acho que as cobras são bonitas também. Não significa que eu quero uma chupando meu pau. Sua pequena mão batendo meu ombro me faz sorrir. — Você é um idiota. — mas eu ouço o sorriso na sua voz. — Você quer o resto do arquivo, ou só quer deixar rolar? — Dê isso para mim. Ela lê para si mesma, em seguida, murmura: — Oh, e a coisa se complica. Ótimo. Eu não me incomodo de suavizar minha frustração. — Você quer compartilhar? Talvez em algum momento deste ano? — O cara morto, Raul Mendoza, era namorado de escola de Alejandra Castillo. E veja isso... ele se casou com a irmã mais nova de Alejandra, Veronica. Dino Gambino é o acusado. Minhas sobrancelhas sobem. Que tipo de tempestade de merda estou entrando? — Alejandra e Raul estavam tendo um caso? Ling balança a cabeça. — Não de acordo com isso. Alejandra é a esposa modelo e é leal ao marido. Ela adora Dino. Eles são, de acordo com fontes, bem casados. Penso um pouco antes de perguntar-lhe: — E o que você acha? Sem hesitar, Ling responde: — Eu acho que o caminho para a verdade é através dessa mulher. Bingo. Eu sorrio para mim mesmo enquanto me pergunto como vou fazer essa esposa trair seu marido. Uma hora de condução e chegamos ao nosso destino. Paramos em frente à residência de Eduardo Castillo. Aproximo da portaria, pressiono o botão, e anuncio: — Julius Carter e Ling Nguyen, conforme solicitado por Miguel Castillo.


O barulho da campainha acaba antes dos grandes portões de ferro fundido abrir devagar. Lentamente, dirijo pelo caminho de cascalho, espionando cercas moldadas perfeitamente e as estátuas engenhosas que revestem a entrada. A mansão parece exatamente como eu imaginava. O exterior exige atenção, e sem sequer olhar para dentro, eu diria que o interior vai ser tão exigente quanto. Ao me aproximar da entrada um homem bem vestido usando óculos, fone de ouvido e paletó preto com uma letra dourada C no bolso avança para o carro. Abrindo a porta, ele estende a mão. Eu saio do veículo e entrego-lhe as chaves, e dando a volta no carro, abro a porta para Ling e a acompanho. Nós subimos os degraus para ser recebidos por um homem perto de minha idade. Seus traços são duros para a sua idade. Alto e construído, os olhos castanhos vagueiam sobre Ling. Seus olhos brilham. Ele corre a mão pelo cabelo bagunçado. Estendendo a mão, nós cumprimentamos enquanto ele se apresenta. — Sr. Carter. Eu sou Miguel Castillo. Obrigado por terem vindo. Eu não sabia que você traria uma... — os olhos dele descansam nos lábios carnudos de Ling — ... uma convidada. Ling sorri. — Olá, Sr. Castillo. Meu nome é Ling. Sou assistente pessoal do Sr. Carter. É um prazer conhecê-lo. Miguel se derrete imediatamente para ela. Tomando-lhe a mão, ele beija seus dedos. — Peço desculpas, Ling. Eu não tinha a intenção de ser rude. Por favor, você deve me chamar de Miguel. — quando ele olha para mim, perde o sorriso. — Venham. Eu vou dar todas as informações que precisam. Os Gambino estarão aqui em uma hora. Não temos tempo a perder. — Miguel nos guia para o corredor. — Peço desculpas antecipadamente, mas devo pedir que você remova quaisquer armas que tiver. Meu pai consideraria um insulto direto. A mensagem é clara. Não insulte Eduardo Castillo.


Com um aceno de cabeça, eu retiro o meu querido do coldre dentro da minha jaqueta. Uma pistola calibre 45 gravada e personalizada que Twitch me deu no meu trigésimo aniversário. O cara não tinha um osso sentimental no corpo, mas este presente é algo que vou guardar para sempre. Eu permito que Miguel coloque-o em um cofre sob a escada. Ling alcança dentro da jaqueta, tirando um punhal, um spray de pimenta e uma pequena pistola calibre.22. Miguel começa a pegá-los quando Ling tosse, recuperando sua atenção. Ela estende a mão até a bainha da saia, olhos treinados em Miguel, lentamente, elevando-a para o alto da sua coxa. De lugares que eu não quero nem pensar, ela puxa outra pistola calibre 22 e outra faca em ziguezague. Miguel e eu a observamos, e enquanto Miguel olha para ela com admiração, meus olhos sorriem para a minha víbora de estimação. Nosso momento de olhar acaba quando Ling encolhe os ombros lentamente, sedutoramente. — É isso aí. Miguel sorri então, surpreso, antes de se virar para mim. — Assistente pessoal, hein? Quanto me custaria ter uma assistente assim? Ling caminha ao meu lado, colocando delicadamente o braço na dobra do meu cotovelo. Um sorriso malicioso atravessa-a, fazendo-a parecer mais perigosa do que o habitual. — Sua vida. Fazendo Ling se adiantar, eu luto contra o meu sorriso quando ouço Miguel murmurar roucamente: — Definitivamente, preciso de uma dessas. Miguel nos leva a uma sala de conferências, e depois de ajudar Ling a sentar, eu me sento. A expressão de Miguel, de repente, fica preocupante. — Raul Mendoza era meu cunhado. Minha irmã Veronica casou com ele há três anos. Segunda-feira passada, Raul não voltou para casa. — Isso era incomum para ele? — pergunta Ling.


Miguel concorda. — Ah sim. Ele amava a minha irmã. Sempre voltava para casa no horário que dizia, e se ele ia chegar tarde, ele ligava. Mas ele simplesmente... desapareceu. Desapareceu? — Então como é que você sabe que ele foi assassinado? Um sorriso amargo aparece nos lábios de Miguel. — Porque alguém entregou Raul em casa. — ele me lança um olhar. — Mais precisamente, entregou o corpo de Raul em seu leito conjugal enquanto minha irmã dormia. Uma sobrancelha perfeitamente cuidada se eleva quando Ling questiona: — Veronica não acordou? Miguel balança a cabeça. — Ela acordou pela manhã ao lado do marido morto. Depois de gritar e chorar, ela tentou pegar o telefone e ligar para o nosso pai, mas ela se sentia fora de equilíbrio. Levou cinco minutos para discar o número. Sua visão estava embaçada. Ela sentiu-se grogue e passando mal do estômago. Jogo Sujo. — Alguém a drogou. Miguel estende os braços ao seu lado. — Possivelmente. Eu acho que esse é o momento. — E você acha que Dino Gambino fez isso. Por quê? Miguel recosta no assento, os olhos treinados sobre a mesa de mogno, pensando claramente, muito cuidadosamente sobre a sua resposta. — Eu vi coisas, ouvi coisas, sobre o meu cunhado Dino que me fizeram supor isso. É fundamental que eu tenha toda a informação que preciso aqui. — Mas sua irmã Alejandra é feliz no casamento, não é? Miguel levanta um ombro. — Eu não tenho certeza que você pode fingir felicidade daquele jeito. Se Alejandra está fingindo, ela merece um prêmio. — ele suspira. — Eu vejo como Dino olha para ela quando ele


pensa que ninguém está olhando. A maneira como segura o braço dela com força e os olhares silenciosos que eles trocam. Ling opina. — Todos os amantes têm brigas. Os

olhos

de

Miguel

queimam. —

Ele

é

um

homem

ciumento. Quando ele descobriu que Raul e Alejandra tinham namorado, ele levantou-se no meio de um jantar em família, pegou Alejandra pelo braço e saiu. Nem uma palavra foi dita. — seus olhos viraram gelo. — Ele desrespeitou meu pai, desrespeitou a minha família. — ele faz uma pausa por um momento. — Na semana seguinte, Raul estava morto. Eu posso ver que o homem sente muito sobre isso, mas para acusar um homem de homicídio em uma reunião de família com a informação que ele tem... — Não é o suficiente. Uma pequena parte do fogo de Miguel esvazia. — Eu sei. Com todo o respeito, eu pergunto: — O que quer que eu faça? Os olhos de Miguel ficam suplicantes. — Fale com Alejandra. Em particular. Pergunte-lhe onde Dino foi naquela noite. Se ele não estava em casa, então ele é culpado. Ele assassinou Raul. Eu sei . Sinto em meus ossos. — com a minha hesitação, ele fala mais baixo. — Por favor. Eu estou pagando para você julgar. Então julgue. Quatro anos atrás, eu teria saído com o meu dinheiro e nunca olhado para trás, mas as coisas mudaram. Viro-me para Ling. Seu aceno discreto é tudo que eu preciso. Com um aceno de cabeça firme, eu fico e endireito a minha jaqueta. — Ok. Vou falar com Alejandra.


CAPÍTULO QUATRO Twitch Uma semana antes… Enquanto ando através da rua da cidade com a minha cabeça abaixada, o capuz do moletom fazendo papel de camuflagem, eu suspiro com irritação. Cada segundo que passa me lembra que eu não estou em casa. Em vez disso, eu estou aqui. Em uma missão. Jesus Cristo, eu odeio essa cidade. Luzes brilhantes, buzinas, um cheiro distinto de morte no ar enquanto as pessoas andam por aí com telefones celulares grudados nas orelhas e varas enfiadas nas bundas. Ao me aproximar do edifício, vou até o beco. Eu tenho que esperar mais quinze minutos antes que possa entrar. Pego meu celular e escrevo um texto rápido. Eu: prestes a ter um encontro com o n º 1. Um minuto passa antes de chegar uma resposta. Happy: Faça-lhe uma visita curta. Eu preciso falar com você. Meu peito aperta. Antes que eu possa pensar, eu disco e coloco o telefone na orelha. No segundo que ele atende pergunto tenso: — O que há de errado? Happy abaixa o telefone um momento antes de eu ouvir passos. — Você está louco? Você não pode simplesmente ligar assim, imbecil. Temos um procedimento. — ele sibila baixo na linha. Foda-se essa merda. — Algo está errado. O que está errado?


Ele parece exasperado. — Nada está errado cara. Jesus, eu só... No fundo, eu ouço a voz de uma criança pequena. — Tio Happy, você quer sorvete? Merda. Porra. Minha respiração fica difícil; minha voz se torna rouca. — É ele, não é? Ignorando-me completamente, Happy responde ao meu filho, — Isso aí. Diga a sua mãe que eu quero um monte de calda de chocolate quente no meu. — meus olhos se fecham com a dor de ouvir mencionar Lexi. Então Happy volta com um suspiro. — Você não pode simplesmente ligar assim, T. Desprovido de emoção, eu respondo um sussurrado: — Eu sei. — Você vai foder tudo. — Eu sei. Um momento de silêncio, então Happy diz: — É o aniversário dele na próxima semana. Eu sei disso. Será que esse merda acha que eu esqueceria algo como o aniversário do meu próprio filho? A razão pela qual estou aqui é ele. Porque eu o amo, porra. Minha mandíbula cerra, e luto contra a vontade de moer os dentes, eu me acalmo. — Eu sei. Happy afirma: — Eu sei que você sabe, idiota. Eu queria falar com você, porque eu queria dar a ele algo seu, mas eu queria a sua contribuição. E assim, minha raiva esfria. — Isso é uh... — eu tusso — ... isso é muito legal. Obrigado, cara. — Sem problema. Eu estava pensando nas suas abotoaduras de crânio e ossos cruzados.


Eram as minhas abotoaduras favoritas. Eu sorrio. — Eu acho que é uma boa ideia. Eu ouço o sorriso em sua voz. — Tudo bem, então. — um momento de hesitação antes de ele perguntar: — Quanto tempo mais você vai ficar afastado, T? Ele tem quase quatro. Está crescendo sem você, cara. Sem clima para um sermão eu respondo com um áspero: — O tempo que for preciso. — então eu desligo. Eu vou ficar aqui para sempre se precisar. Vou fazer o que preciso para manter minha família segura. Colocando meu celular de volta no bolso, eu verifico a hora. 18h:59min. Saio do beco, eu prendo minha identidade falsa com um clipe e pressiono a campainha. — Sim? Murmuro um entediado: — Oi, eu tenho uma entrega urgente aqui para um Andrew Ivanon. O intercomunicador sibila. — Você quer dizer Andrei Ivanov? — Sim, claro. Ele. — Ok. Vou recebê-la. Solto uma respiração curta através dos lábios, em seguida, arranho meu queixo. — Uh, sim, não serve. Eu preciso da assinatura do próprio homem. Algo sobre documentos judiciais ou alguma porcaria. Uma pequena pausa, então. — Por favor, aguarde um momento. — fico ao lado da porta, assobiando mal. Quando o porteiro fala uma segunda vez, a voz instrui: — Vá para a entrada lateral. Vou levá-lo para cima. Nossa. Eles estão tornando isso muito fácil. Andrei deveria se indignar.


Dou a volta pelo beco e espero na porta de segurança. Quando se abre, dois oficiais de segurança armados me cumprimentam com o que eu tenho certeza que eles acham que são expressões intimidadoras. Em resposta, eu mostro minha credencial de entregador e levanto as sobrancelhas. — Qualquer dia, rapazes. Uma vez que eu entregar esta carta, estou de folga. O mais alto dos homens me entrega um livro, e eu assino sem nenhuma

hesitação. O

segundo

homem

me

acompanha

até

o

elevador. Quando ele entra comigo, eu luto para não fazer uma expressão ameaçadora. Ele coloca a chave para o terceiro andar e como planejei, o alarme do meu telefone começa a tocar. Fazendo um show para tirá-lo do bolso, eu suspiro. — Sinto muito por isso. — o alarme toca cada vez mais alto até que o elevador está cheio de sons de aves piando uma música de piano suave. Eu grito sobre o alarme: — Eu o defini para me lembrar de assistir Survivor. O alarme finalmente desliga, o guarda de segurança permite um momento de silêncio, antes de dizer: — Tenho certeza que Missy vai ganhar. Viro-me lentamente, parecendo afrontado. — Você está usando crack, cara. Natalie que vai. Missy vai ter sorte se sair com sua dignidade intacta. O guarda bufa uma risada. — De jeito nenhum. Missy quebrou a perna e ela chora muito. As pessoas adoram essa merda sentimental. Eu peço desculpa, mas não concordo. — Não é verdade. Nat é implacável, uma diaba dissimulada. — um sorriso malicioso inclina meus lábios. — Todo mundo adora um vilão. A porta do elevador soa, e quando saímos, discretamente pressiono o botão de ativar o aplicativo do meu telefone. O walkie-talkie do guarda de segurança balança. Parando no meio do percurso, ele levanta o


dispositivo ao ouvido e mantém o botão pressionado. — Sala de Rádio, copiar. Nada. — Sy? Está me ouvindo? Mais uma vez, silêncio. O guarda suspira, — Merda. — virando-se para mim, ele murmura, — Você tem que ser rápido. Eu preciso voltar para baixo. Então eu faço uma demonstração de malabarismo com o telefone, a bolsa e a carta. — Com certeza. Pressionando o segundo botão no aplicativo o walkie-talkie do guarda volta à vida, assobios e estalos, — Desça aqui, Johnson! Código vermelho no porão! Com outro clique o walkie-talkie morre mais uma vez. Johnson, agora em pânico, agita e bate o rádio. — Olá? Sy, descer? Merda. — ele olha para mim. — Eu tenho que ir lá embaixo. Você fica aqui até que eu venha te pegar. O guarda já está correndo na direção oposta quando eu grito: — Mas e o Survivor, cara! O elevador começa a fechar quando eu o vejo dar de ombros. Antes de a porta fechar, eu grito: — Então apresse seu traseiro! E com um simples apertar de botão, o aplicativo que eu tinha fez desligar a energia elétrica do edifício. Com um guarda preso no elevador e o outro perdido no porão, estou livre para fazer o que quiser. Estendendo a mão, coloco o capuz na cabeça e vou para o escritório no final do corredor, aquele de onde inúmeros palavrões russos estão vindo. Com apenas as luzes de segurança brilhando, eu bato na porta do escritório. Andrei grita: — Entre. — mas eu já estou dentro.


Andrei bate na lateral do computador, como se aquilo, de alguma forma, fosse fazê-lo funcionar novamente. Enquanto ele faz isso, eu ando para o lado do escritório para pegar a garrafa de cristal de vodca e dois copos. Ao abaixá-la e abrir, Andrei percebe que eu não sou um segurança. Um forte sotaque: — Quem é você? — sai da sua boca murcha. Eu sirvo em silêncio, colocando um copo cheio de vodca na frente dele. Pego meu telefone e, um momento depois, a sala é iluminada por luz branca forte. Ah, tecnologia. Abaixo meu capuz, querendo que minha revelação seja alvo de pesadelos. Quando Andrei percebe meu rosto, ele empalidece um único momento. Então ele inclina a cabeça para trás e sibila com o riso. Seus olhos dançam conforme ele balança a cabeça em descrença. — Homem morto andante. Inclinando minha cabeça, eu pego meu copo e bebo. A vodca é forte, mas suave, sem dúvida, algo caro. Andrei levanta seu copo e vira a coisa toda como se fosse água. Sendo um russo e com idade superior a cinquenta, gosto de pensar que ele lava o rosto com vodca de manhã. Andrei senta e gesticula para mim. — Por que um homem morto vem até mim? Eu olho nos olhos dele e depois tomo outro gole. Ele sabe por que estou aqui. Ele me observa de perto, pensando. Seu sorriso esmorece, em seguida, desaparece completamente. Depois de um momento, ele suspira. — Eu suponho que não há como parar você. — São apenas negócios, Andrei. — eu respondo, determinação de aço na minha voz.


Ele senta-se calmamente antes de se endireitar. Ele balança a cabeça. — Faça isso rápido. Eu alcanço minha bolsa, retiro meu calibre 36 e removo a trava de segurança. Eu levanto o braço e aponto a arma para a testa, depois a abaixo. É sua última noite vivo. Eu sei que não deveria me importar, mas me importo. — Que tal outra bebida? Andrei Ivanov sorri para mim, e não há nenhuma malícia nesse sorriso. Eu não entendo. — Por que você está sorrindo, Andrei? Em dois segundos, seu cérebro vai estar espalhado por todo o quadro branco. Seu ombro se sacode. — Estou cansado de viver meia vida, Twitch. Minha esposa me deixou. Meus filhos me odeiam. Meus parceiros de negócios querem meu dinheiro. Tudo pelo o que eu vivi agora quer me ver morto. E eu não tenho desejo de viver mais. — ele se levanta, enchendo os nossos copos. Levantando seu próprio, ele me saúda. — Na zdorov'ye. À sua saúde. Oh, que ironia. Minha mão levanta com rapidez, e um segundo depois, um flash brilhante acompanhado por um estrondo ecoa em todo o escritório, Andrei Ivanov cai para trás no chão em uma pilha sangrenta. E pela primeira vez na vida, eu realmente me sinto mal por ter que matar alguém. Balançando a cabeça, vou até a janela e abro-a. Escalando-a, desço pela escada de incêndio e digito um texto. Eu: Reunião com número 1 foi curta. Um momento depois, recebo uma resposta.


Happy: Fico feliz em ouvir isso. Não pense que você vai ter tanta sorte com o n ° 2. Obrigado, filho da puta. E eu não sei disso. Mas um homem tem que fazer o que é necessário.


CAPÍTULO CINCO Alejandra Ser a esposa de Dino Gambino me dá alguma indulgência. Consigo fazer coisas que outras mulheres não fazem. Mas, ao dizer isso, eu não tenho a mesma liberdade. Posso participar de reuniões familiares. Algo que nenhuma outra mulher está autorizada. Claro, eu sou uma princesa da máfia, casada com um príncipe e herdeiro da máfia, que se tornará rei do território quando seu pai morrer. Eu, no entanto, não posso fazer qualquer coisa por conta própria. Sempre que saio de casa, tenho alguém na minha cola. Essa pessoa está lá para me “proteger”, mas eu sei que é apenas outra maneira do Dino quebrar meu espírito. Eu entendo a mensagem que ele envia cada vez que eu estou vulnerável. Eu possuo você. Qualquer outra mulher na minha posição aproveitaria a maior parte de seus dias livres, indo a um café com amigas, fazendo as unhas ou o cabelo, ou apenas indo almoçar, e por um tempo, eu fiz essas coisas, mas minhas amigas ficaram de saco cheio dos cães na minha cola, e sem querer provocar qualquer dano, pararam de me procurar. Eu não deveria ter ficado chocada com isso, mas fiquei. Fiquei magoada e chateada. Eu não posso dizer que a culpa é delas. Dino fez o que se propôs. Ele me alienou dos meus amigos e parentes. Eu não tinha permissão para visitar as pessoas sem uma razão. Nem mesmo a minha família.


Eu sei o que você está pensando. Porque não fazer de qualquer maneira? A resposta é simples: Porque não vale o preço das costelas quebradas, ou estupro. Mais resposta complexa: Tenho medo do meu marido. E eu tenho medo que um dia, ele me mate sem querer. — Eu não entendo por que você ficou lá ontem o dia todo. — Dino diz e se concentra na estrada. Eu luto contra um suspiro ao tentar responder sem uma nota de sarcasmo. — Eu fiquei lá porque minha irmã acabou de perder seu marido, Dino. Veronica está inconsolável. Ela precisa de apoio. Ele bufa pelo nariz. — Ela tem outros irmãos e irmãs. Não precisa de você lá o dia todo. Eu cerro os dentes e tento novamente. — Sim, mas as minhas outras irmãs são jovens e não entendem o que seria perder um marido. Ela só precisa de alguém para conversar. Ele se vira para mim, procurando o meu rosto. — Você ficaria chateada se eu morresse? A pergunta faz uma centelha de emoção crescer dentro de mim. Eu quero cantar: — Porra nenhuma! — mas em vez disso, eu estendo a mão e pego a dele, franzindo a testa, tentando em vão ignorar o ritmo alucinado do meu coração batendo rapidamente. — Você sabe que sim. Nem brinque com isso. Seus olhos estreitam para mim, em busca de quaisquer sinais de falsidade, mas ele não encontra. Sua mão aperta a minha enquanto ele murmura um áspero: — Eu te amo, Ana.


Eu sorrio, mas é esticado, fino e liso como um balão furado. — Eu sei, baby. Passei uma hora cobrindo o hematoma da testa antes de sairmos. O irmão de Dino, o Gio, é áspero na cama e geralmente é usado como um castigo para mim quando faço ou digo algo Dino acha ofensivo. Gio é um homem grande, ainda maior do que o Dino; e eu sou uma mulher pequena. Gio também não tem emoção. Sem coração. Desnecessário dizer que a punição funciona, porque Gio gosta tanto que sempre vai longe demais. Toda vez que Dino convida Gio, eu sou deixada como uma concha quebrada de pessoa. Cada vez, um pedaço da concha desmorona. Fico preocupada que em breve não haverá mais concha e eu vou simplesmente ser, aberta e consensual, sem nenhuma parte de Alejandra dentro de mim. Depois que Gio me estupra, Dino me ajuda a tomar banho, me lavando com cuidado, beijando cada contusão, cada arranhão, normalmente termina fazendo amor comigo delicadamente enquanto eu choro, uma mulher quebrada. O tempo todo ele repete: — Vê como eu sou bom para você? Você pode ter isso o tempo todo, baby. — ele normalmente termina com um sussurro:— Tudo que você tem a fazer é me amar. Às vezes, os dias passam sem que eu veja o lado ruim do Dino. Às vezes, as coisas são tão boas que sou transportada para quando eu tinha dezoito anos, quando nós ríamos muito e conversávamos durante horas. Nesses momentos raros, eu me entrego de bom grado para o Dino, sabendo que não terei o meu melhor amigo de volta por muito tempo. E nunca dura. Muito pouco, só isso. Muitas vezes acordo no meio da noite e olho o meu marido. Meu peito dói com tristeza, porque eu sei que o homem angelical dormindo ao meu lado é nada além de um monstro maligno. E Lúcifer era conhecido por ser o mais belo anjo no céu.


Eu me tornei tão boa em fingir que, às vezes, eu me confundo. Às vezes, eu me perco no meu próprio ato, e por um mero momento, eu me delicio com a falsa felicidade. Então eu me lembro. E a minha alma desmorona lentamente, como se ondas de um oceano de infelicidade me lavassem. Levando minha mão à boca, Dino dá beijos suaves nos meus dedos. E meu estômago vibra. Não de prazer, mas de medo. Eu já vi isso muitas vezes antes. Esta é a calmaria antes da tempestade. A qualquer momento, Dino se perderá. E eu serei punida. Meu coração dispara e o meu corpo treme. O sangue drena para fora do meu rosto, e de repente, estou seca. Eu engulo, mas minha garganta espeta. Minha mão aperta a dele em uma tentativa de mascarar o medo. Os vidros escuros pretos do carro começam a subir, e a minha língua engrossa. Eu mordo o interior da minha boca. Determinação me preenche quando sinto a tempestade chegando mais cedo hoje. Isso é novo. Eu nunca apanhei em um carro. Meus olhos se fecham e eu os mantenho fechados, não importa o quanto minha mente me diga para implorar perdão por qualquer coisa que eu tenha feito. Minhas mãos começam a tremer fortemente enquanto espero o primeiro golpe. A primeira pancada é a mais dolorosa. — Está quente lá fora. Está com frio, Bella ? — eu ouço a confusão em sua voz. Viro-me para ele, a mandíbula cerrada e abro os olhos. Seus olhos, estranhamente quentes me procuram, à procura de sinais de problema.


E

bate-me

que

a

tempestade

não

chegou. Na

verdade,

provavelmente, fabriquei isso na minha cabeça. Lágrimas enchem meus olhos. Pisco rapidamente, contendoas. Com a voz rouca e cansada, eu respondo e sorrio, mas treme. — Eu não estou me sentindo bem hoje. Dor de estômago. Isso é minha vida. Esta sou eu. Vivendo com medo. Uma mulher fraca, patética com um marido violento e perigoso. Sua testa franze. — Quer que eu te leve para casa? Fungando, eu balanço a cabeça. — Não, está tudo bem. Vou deitar na casa. — eu viro para olhar pela janela. — Vai ser bom ver meu antigo quarto. Nós continuamos, um pouco antes de chegar à casa do meu pai, Dino comenta: — Você perdeu peso. — ele me olha de lado. — Eu não gosto disso. É difícil comer quando você não deseja mais viver. Eu pensei mais em suicídio no último mês do que em todos os seis anos de casamento. Quanto mais eu penso sobre o fim da minha vida, mais vantagens eu vejo na ação. Sem Dino. Sem preocupação. Só liberdade. Quem não quer liberdade? Desta vez, eu posso ouvir a preocupação em sua voz. Enche-me de alívio. Eu posso jogar com isso. — Eu só preciso descansar. Ele pressiona a mão na minha testa. — Você está pegajosa. Quanto tempo você está se sentindo assim? Eu respondo imediatamente. — Uma semana mais ou menos. Suas narinas se abrem em frustração quando ele repreende: — Por que você não disse nada? Pode ser sério. Eu reviro os olhos. — Não é grave, Dino. É um problema estomacal.


— Você não sabe. — ele faz uma pausa por um momento, antes de afirmar: — Vou ligar para a Dra. Rossi assim que chegar em casa. Vou pedi-la para ir amanhã. Oh, graças a Deus. Depois de tantos anos de imprevisibilidade, estou surpresa que ele caiu na minha tão facilmente. É exatamente isso que eu queria. Eu preciso falar com a Dra. Rossi em particular. Dra. Manda Rossi é a filha de um dos sócios de Vito Gambino. Ela sabe tudo sobre mim, todos os detalhes sangrentos. Em mais de uma ocasião, Manda tentou me convencer a escapar do Dino. Toda vez que ela é chamada à minha cabeceira enquanto estou deitada golpeada e ferida, incapaz de me mover, Manda chora por mim, comigo. Ela é uma das minhas amigas mais queridas. Talvez a minha única amiga. — Tenho certeza que não é nada, mas se vai fazer você se sentir melhor, bem. — eu digo submissamente. Dino segura a minha mão durante o resto do trajeto, me observando de perto, a preocupação em seus olhos, como se eu estivesse prestes a morrer. Se ao menos fosse possível.

Julius

Enquanto observo Miguel Castillo foder Ling com os olhos, que sedutoramente lambe os lábios para ele, eu me pergunto por que diabos eu estou sentado em uma sala de conferências vazia aguentando isso. Então eu me lembro. Dinheiro. Muito dinheiro.


Dinheiro não significa nada para mim. Sem dúvida, eu gosto de têlo, mas posso passar sem. O problema é que tenho pessoas que dependem de mim. Mais da metade da minha renda sai das minhas muitas contas bancárias antes de eu mesmo ter a oportunidade de gozar a minha riqueza indecorosa, apoiando a minha família. Minha

família

é

importante

para

mim. Eu

os

amo

incondicionalmente. E sendo o mais bem sucedido dos meus parentes sem educação, eu faço o que posso para atender qualquer necessidade deles. Normalmente, eles precisam de assistência financeira. E, graças a Deus, eu posso ajudar nisso. O telefone vibra no meu bolso. Eu pego e sorrio para a tela. Falando no diabo. Viro-me para Miguel. — Há algum lugar que eu possa falar em particular?— eu aceno para o telefone. — É importante. Miguel fica de pé, estende a mão para Ling. — Eu ficaria feliz de levar a Senhorita Ling para um passeio pela casa. — sorrindo como uma criança numa loja de doces, Ling pega a mão dele e se move para o lado dele. Miguel olha para mim. — A casa é grande. O passeio resumido vai demorar pelo menos quinze minutos. Eu aceno agradecido. — Perfeito. Uma vez que sou deixado sozinho, eu atendo. — Eu estava me perguntando quando você ligaria. A mulher irada na linha grita apressada: — Você está louco, Julius? É tão bom saber dela que nem me incomodo em chamar sua atenção por me xingar. Em vez disso, eu sorrio. — Acho que você recebeu a entrega. — A entrega?— eu ouço o espanto na sua voz. — A entrega ?— ela faz uma pausa por um momento antes de gritar: — Entrega é um buquê de flores ou-ou-ou um novo aparelho de DVD. Uma cesta de frutas é uma


entrega, Julius. Isso não é uma entrega. Isso era um frete. Carregado! Um maldito desembarque, Julius! Rindo pelo meu nariz, eu desvio a atenção para longe de mim. — Você vai gritar comigo o dia todo, ou vai me deixar falar com a minha sobrinha? — Um carro, Julius. Era um carro. Meu sorriso diminui. — Por que você está falando no passado?— depois de um momento de silêncio, eu fecho os olhos, e grito: — Tonya, me diga que você não devolveu. Um suspiro, em seguida, um sussurro derrotado: — Não, eu não devolvi. Mas deveria. E se ela não tivesse visto, iria. — minha irmã parece cansada ao tentar argumentar comigo. — Você não pode fazer coisas assim, Jules. Você não é responsável por nós. Você precisa parar de comprar coisas para nós, coisas que não precisamos, que não te dizem respeito, porque você se sente culpado. Culpa injustificada. — sua voz suaviza. — Você não é responsável, querido. Nunca foi. Meu peito aperta com as palavras suaves. — Está dizendo que ela não vai precisar de um carro?— silêncio. — Ela tem dezesseis anos agora. Qualquer dia a partir de agora, você vai levá-la para tirar a licença. E antes que você argumente, ela vai tirar a licença. Ela é inteligente. Igual à mãe. Ela rosna e eu sei que a ganhei. — Mas uma Mercedes? Para que uma menina de dezesseis anos precisa de uma Mercedes? Jovens de dezesseis anos precisam de uma bomba. Um balde de ferrugem. Não um carro de cinquenta e sete mil dólares. Eu sorrio. — Você foi na porcaria do site, não é? Provavelmente calculou quantas refeições poderia pagar com esse dinheiro. Ela não ri, mas eu ouço o sorriso em sua resposta sussurrada. — Nove mil, cento e vinte e cinco.


Rindo, eu balanço a cabeça. — Você não tem orçamento mais, Tonya. Você pode viver um pouco. Comprar roupas, visitar um SPA, arrumar o cabelo, ir ver um filme sem levar pipoca escondido. Fungadas. Em seguida, mais fungadas. — Eu te amo. Você sabe disso, não sabe? Fico sóbrio imediatamente. Se há uma coisa que eu nunca questionaria, é o amor da minha irmã por mim. — Eu sei. Eu sinto. E eu te amo mais, tater tot2. Agora deixe-me falar com ela. Tenho que desejar feliz aniversário para a minha menina. Uma confusão rápida do telefone soa pelo alto-falante antes da minha sobrinha, Keera, chegar na linha, gritando: — Oh, meu Deus! Oh, doce menino Jesus! SENHOR JESUS! Como, oh meu Deus! Eu não posso acreditar! É incrível! Eu não acredito! Oh, Senhor! Reprimo a risada e tento soar como a figura paterna deveria. — É melhor você parar de usar o nome do Senhor em vão, Keke. Aniversário ou não, pare agora. Com uma voz mais contida, ela ainda apressa palavras, mas com um tom mais suave. — O cara da entrega perguntou por mim. Pelo meu nome. E Miosha estava aqui no momento. Pelas estrelas, tio Jay, ela ficou verde de inveja. Tipo, muito verde. Antes de eu ao menos assinar o meu nome, toda a escola sabia sobre o meu novo carro. Pessoas populares com quem eu nunca tinha conversado na escola de repente começaram a dizer oi para mim. Os meninos estão tentando falar comigo, também. Você não tem ideia do que isso fez pela minha popularidade. — ela adiciona de uma forma sussurrada, estridente. — Épico. Meninos?

2

Bolinhos de batata, fritos em forma de cilindro; também pode designar uma pessoa incrível.


Minha testa transforma em uma careta. — Meninos? Você diga a esses meninos que o seu tio Julius conhece pessoas que vão colocá-los em uma lista negra eterna, menina. Ela ri baixinho. — Lembro-me das regras, tio Jay. Sem namoro até depois do ensino médio. E eu estou totalmente bem com isso. — eu ouço o sorriso na sua voz. — Mas é bom ter a atenção. Meu coração se enche de orgulho. Eu amo Keera como se ela fosse minha. E Tonya estava certa. Eu me

sinto

responsável

por

ambas,

mas

não

de

uma

forma

sobrecarregada. Eu dou a minha vida pelas duas. Keera é uma menina inteligente. Ela vai fazer coisas grandes na vida. Eu posso sentir isso. Agora, Tonya é inteligente também, mas Keera não foi planejada, e Tonya a teve quando ainda era jovem. Ficar com ela significava que não haveria tempo para estudar. Minha irmã foi empurrada para o trabalho com uma criança com a idade de dezesseis anos. Merda. Agora que eu penso sobre Keera com dezesseis, e vendo para o quão jovem ela é... Eu não sei como a minha irmã conseguiu. — Feliz aniversário, menina. Eu espero que você goste do seu presente. Eu sei que você vai ser responsável com ele, mas eu tenho que avisá-la que vem com condições. Keera suspira. — Sempre vem. Manda. — Número um: ouça a sua mãe. Quase posso ouvir o revirar dos seus olhos. — Eu sempre ouço. — Número dois: sem rapazes. — Eu pensei que tivéssemos acabado de passar por isso.


— Número três: seja inteligente, menina. Use sua cabeça. Confie no seu instinto. Um momento de pausa antes de uma resposta sussurrada. — Serei. Obrigada, Tio Julius. Você é o melhor. Eu te amo. Eu me inclino sobre a mesa, apertando a ponta do nariz. Murmuro um áspero: — Eu também te amo, Keke. Eu tenho que ir. Trabalho. Falo com você em breve. — Tchau, tio Jay. Quando a linha desconecta, eu olho para o nada, distraidamente tocando a mesa com o dedo. Eu não sei quanto tempo passa antes de Miguel entrar na sala parecendo tenso. — Eles estão aqui. Eu estou e antecedência. Hora do show.


CAPÍTULO SEIS Julius Ling e eu esperamos bem ao lado de fora da sala de conferências enquanto eu observo a troca entre Miguel e as pessoas que acabaram de chegar. Um homem entra primeiro e, ao ver Miguel, estende a mão para apertar a mão dele. Miguel hesita por um momento antes de tomá-la. Ele é um cara grande. Não tão alto quanto eu, mas alto o suficiente. Ele é musculoso também. Ao meu lado, Ling sussurra pelo canto da boca: — Miau. Esse homem é bom. Ignorando-a, eu vejo uma pequena mulher entrar atrás dele. Ela parece frágil e abatida. Ela segue bem atrás dele com um vestido preto de alta costura, saltos pretos e óculos grandes, mas assim que ela vê Miguel, seu rosto muda. Ela tira os óculos de sol e sorri. E aquele sorriso me hipnotiza. Prende Essa mulher é muito bonita. Não. Bonita é uma palavra fraca demais para ela. Ela é deslumbrante. Com cabelo preto preso em um coque muito elegante e uma única mecha solta ao lado do rosto. Eu não posso ver que cor são seus olhos de onde estou, mas o sorriso destinado ao seu irmão forma uma covinha na bochecha. Alejandra Gambino dá um passo adiante, abre seus braços muito finos e aguarda seu irmão para fazer o seu caminho até ela. Miguel sorri intensamente, dá um passo à frente e dá um abraço de urso em


Alejandra. Ele a envolve em um casulo, em um ninho de segurança, e ela cai dentro dele. O abraço é tão intenso que ela fica nas pontas dos pés, ela agarra seu irmão com força. Eles têm um monte de amor um pelo outro, isso é fácil de ver. Eu entendo. Eu tenho isso com a minha irmã. Assim que eles se separam, Dino avança e segura Alejandra, envolvendo firmemente um braço na cintura magra. Ela parece doente ao lado dele. Suas bochechas estão fundas e pálidas. A clavícula é muito pronunciada. Seus olhos parecem grandes demais para seu rosto; olheiras estão sob eles. Seus tornozelos são como varetas. E pelo modo que Miguel a olha com preocupação e em seguida coloca a mão em sua testa, eu posso ver que algo não está certo. Alejandra revira os olhos, pega a mão do irmão com a sua removendo-a da sua testa antes de apertá-la e sorrir para ele. Mas este sorriso é diferente do primeiro. É forçado. Mas então ela se vira para o marido, olha-o nos olhos e sorri para ele. Ele coloca a mão em seu rosto, passa os polegares sobre as maçãs do rosto dela, falando suavemente. Suas mãos cobrem a dele, e ela fecha os olhos, absorvendo as palavras. Inclinando-se, ele capta os lábios em um beijo suave, e ela levanta-se para ele. Fica claro que este é um casal apaixonado. E eu me sinto como se estivesse me intrometendo em um momento privado. Bem. Isso torna meu trabalho mais difícil. Como é que vou conseguir que essa mulher fale comigo?


Uma mulher leal pode ser inabalável. Se Dino Gambino é culpado de assassinato, duvido que Alejandra Gambino será a pessoa a confirmar. Mas eu tenho que tentar. Miguel olha para onde Ling e eu estamos, apontando para nós. Ling desliza seu braço no meu, e nós vamos até o acusado. Os olhos de Dino ficam focados em mim. Eu conheço este jogo. Eu inventei a porra deste jogo. Táticas de intimidação não funcionam comigo, rapaz. Eu o avalio com o olhar, fazendo a mesma manobra. O primeiro a desviar o olhar é um ovo podre. Meus lábios contraem em seu olhar, mas eu o sustento. Miguel pigarreia. — Dino. Alejandra. Estes são Julius Carter e Ling Nguyen. Eles são meus convidados. Eles vão se juntar à nossa reunião. Alejandra fala, mas eu mantenho meus olhos em Dino, que de repente parece confuso. — Prazer em conhecê-los. Ambos. O olhar de Dino desvia para Ling, pairando sobre seus lábios cheios, vermelhos. Ling sorri, revelando os dentes brancos. — Eu também, Sra. Gambino. — Ling bate os cílios, jogando o que parece ser um sorriso tímido para Dino, seus olhos estão fixados nele. Os lábios se levantam em um pequeno sorriso provocante. Ah, Merda. Eu luto para não revirar os olhos. Raios, Ling. Tenho certeza que Alejandra notou a forma como Ling e Dino estão olhando para o outro. Eu a espio e o que vejo faz meu corpo paralisar. Alejandra Gambino, filha do cruel Eduardo Castillo, esposa do assassino acusado Dino Gambino, olha para mim com os olhos arregalados, um blush rosa suave cobrindo seu rosto. Tudo o que posso


fazer é ver como seus lábios estão ligeiramente abertos. Piscando, seu rubor aguça enquanto seus olhos voam para o meu peito. — Desculpeme. Nós nos conhecemos? Essas palavras estouram a bolha de Dino e Ling. Dino fala furioso comigo. — Vocês dois já se conheciam? Castanhos. Seus olhos são castanho-claros. Olhos de corça. Faz sentido. Suaves, como o resto dela, a cadência da sua voz e seu cabelo brilhante. — Não. — dói-me fazer isso, mas eu desvio o meu olhar dela para fitar o seu marido. — Não nos conhecemos. A voz dela treme. — Você parece tão familiar. Meus olhos nunca deixam Dino, eu sorrio provocante. — Acho que sou um desses caras comuns. Há algo sobre um cara que se esforça tanto para ser uma ameaça que faz exatamente o oposto. Eu não temo homens como Dino. Coloco balas neles. Miguel me interrompe. — Nós ainda estamos à espera de Mendoza e Di Marco. Por favor, juntem-se a mim para uma bebida. — estendendo o braço,

Ling

pega-o

ansiosamente

enquanto

Alejandra

declina

educadamente. — Por favor, dê-me licença. Estou um pouco indisposta hoje. Eu acho que gostaria de descansar. — olhando para o marido, ela acrescenta. — Eu estarei no meu quarto se precisar de mim. A testa de Dino franze enquanto ele olha para sua esposa com preocupação óbvia. — Você quer que eu vá? Ela acena para ele. — Eu vou melhorar depois que dormir um pouco. — aproximando, ela fica na ponta dos pés e beija sua bochecha. — Não se preocupe. Estou bem.


Alejandra olha para Dino com tanto carinho que o meu peito dói, e tenho que lutar contra a vontade de chutá-lo nas bolas. Enquanto Alejandra vai até as escadas, Ling remove-se do braço de Miguel e envolve no do Dino. — Conte-me sobre você, Sr. Gambino. Esposa esquecida, Dino abaixa a voz e fala: — Eu estou mais interessado em você, Srta. Nguyen. — à medida que eles se movem em direção ao bar, Dino de repente percebe que nem Miguel, nem eu estamos seguindo. — Vocês não vêm? Miguel concorda. — Eu preciso falar com Julius em particular. — ele olha para a mulher ao lado de Dino. — Você se importaria de entreter Ling por alguns minutos? Um lento sorriso se espalha pelo rosto de Dino. — Sem problemas. Assim que eles estão fora de vista, Miguel se vira para mim e sussurra: — Agora é a sua única chance. Suba as escadas, terceira porta à direita. O quarto de Alejandra. Faça isso rápido. Dino vai verificá-la em breve. Olhando além de Miguel para onde Ling e Dino estão, noto que Ling descansa a mão no peito de Dino enquanto fala com ele. — Ling pode segurá-lo. Miguel volta-se para encará-los, franzindo o cenho, e murmura: — E eu que pensei que tínhamos algo especial. Eu gosto deste homem. Lutando contra o meu sorriso, eu lhe dou um tapa no ombro. — Não é nada pessoal, Miguel. Ling se aproxima de Dino. Permanecendo quase rente ao seu corpo, seus lábios se movem lentamente, sedutoramente, e Dino não pode tirar os olhos deles. Às vezes, eu me pergunto o que ela diz aos homens para levá-los a olhar desse jeito para ela, mas então eu acho que provavelmente é melhor não saber. Enquanto recuo em direção à escada, ouço Miguel suspirar. — Definitivamente preciso de um desses.


Subo as escadas de dois em dois degraus, encontro-me em pé na frente do quarto de infância de Alejandra Gambino. Antes que minha mente possa passear até lugares que não deveria, eu bato. Um barulho do outro lado da porta permite-me saber que ela está acordada. Abrindo a porta, ela murmura: — Dino, eu não posso descansar se você vier me checar a cada dois segundos. — um olhar de surpresa cruza seu rosto quando ela percebe que não sou de fato o idiota que ela chama de um marido. — Oh. Olá. Você está perdido? Agora o negócio fica sério. Cara de jogo. — Senhora Gambino, eu fui chamado aqui hoje por causa da morte de Raul Mendoza. A expressão reservada dela falha, e tristeza se infiltra mostrando compreensão imediata. — Claro. — ela encolhe os ombros levemente. — Mas como posso ajudá-lo? Acho melhor você falar com a minha irmã Verônica. Ela sorri pesarosamente enquanto tenta fechar a porta na minha cara. Mas eu sou mais rápido do que ela. Eu coloco meu pé na abertura e empurro para abri-la, entrando em seu quarto. Ela faz um barulho indignado antes de colocar as mãos nos quadris. — Eu vou ter que pedir para que saia agora, Sr. Carter. Eu já disse que não sei de nada. Eu opto por ignorar sua voz suave. Em vez disso, eu ando pelo comprimento do quarto, tocando as coisas por onde passo. Dos lençóis puros e brancos, agora um pouco amarrotados por ter deitado sobre eles, ao mobiliário branco e dourado envelhecido, tudo combina com ela. A estante alta está abastecida com bons livros clássicos. Eles foram bem lidos. Alguns

estão

tão

gastos

que

estão

quase

se

desintegrando. Curiosamente, alguns exemplares de bolso recentes dos mesmos títulos de capa dura estão apoiados em uma prateleira inferior. Viro-me para ela, apontando para os livros. — Por que você tem dois de cada?


Surpresa com a pergunta, ela responde calmamente: — Os originais eram da minha mãe. Herdei-os quando ela morreu. Ela os leu muito. Eu não queria me desfazer deles, então eu li as outras cópias. Faz sentido. Inteligente, menina sensata. A questão parece desarmar Alejandra. Seu corpo relaxa, e eu me cumprimento

interiormente. Esta

é

uma

tática

que

eu

uso

frequentemente. Conheça a pessoa que você está interrogando. — Sua mãe morreu quando você era jovem? Ela não se move. Piscando, seu rosto fica sombrio. Ela tenta responder, mas em vez disso apenas movimenta a boca. — Sim. Eu pego um dos livros mais antigos e gentilmente folheio, tomando todo o cuidado possível. — A minha também. — enquanto coloco o livro de volta, eu faço uma pergunta que ela não está esperando. — Você namorou Raul Mendoza na escola, certo? Suas sobrancelhas sobem. — Sim. Antes de conhecer Dino. Eu dou dois passos na direção dela e pego seu braço gentilmente. — Por favor, sente-se. Você parece exausta. Ela dá um passo em direção à cama antes de hesitar, atirando olhares arregalados para a porta. Afastando-se, ela abaixa a voz em pânico clara. — Você precisa sair, Sr. Carter. — Julius. — eu peço. — OK. Você precisa sair, Julius. Agora. — quando não faço nenhum movimento para sair, ela avança e tenta puxar-me para a porta. E eu sorrio. Este pequeno pardal acha que pode me mover? Ela puxa e puxa e... nada. Em seguida, ela tenta outra tática. Movendo-se atrás de mim, ela coloca as mãos pequenas na base das minhas costas e empurra com toda a força. Ofegante, ela sussurra


frenética. — Se Dino encontra você aqui, ele não vai ficar satisfeito. Ele vai causar problemas para mim. Entendo. Viro-me pegando as suas duas mãos na minha e olho para ela incisivamente. — Dino não vai vir aqui para cima. Não até que a minha Ling permita. Seu rosto fica com uma expressão vazia, a luta a deixou. Ela murmura cansada, resoluta: — É claro. — deixo-a ir, ela se move de volta para a cama e senta-se no meio dela, com as pernas cruzadas e puxa um ursinho macio para o colo. Acariciando a pele do urso, ela olha para ele e pergunta entediada. — O que você quer saber, Julius? Eu espero um momento, tentando encontrar as palavras, mas esta pequena mulher faz a minha mente vacilar. Ao encostar na parede decido por uma pergunta direta para conseguir uma resposta direta. —Dino assassinou Raul Mendoza? Sua mão para de acariciar o bicho de pelúcia. Lentamente, levanta o rosto para mim e fala chocada: — Como? Meus olhos se estreitam. Ela é boa. Não tão boa quanto eu, mas boa. — Eu perguntei-lhe se o seu marido matou Raul Mendoza. Sua voz se eleva pouco acima de um sussurro, ela empalidece. — Por que você está me perguntando isso? Eu me recuso a jogar este jogo. Eu prefiro ficar quieto e deixar sua mente oscilar. Após um momento de silêncio, suas sobrancelhas franzem. — É isso o que as pessoas pensam? Que Dino fez isso? — eu simplesmente cruzo os braços sobre o peito. Abraçando o urso, ela murmura. — Não. Não foi ele. Não pode ter sido. — Seu irmão parece pensar de outra forma. Com isso, ela olha para mim, os olhos arregalados como pires. — Miguel acha que Dino fez aquilo?


— Não é verdade que quando Dino descobriu sobre você ter namorado Raul ele fez uma cena em um jantar de família? — Bem, sim, mas... — E que ele começou a mostrar agressividade para com o Raul, um homem que ele gostava? — Sim, isso é verdade mas... — Onde estava o seu marido naquela noite, Alejandra? Sem palavras, ela balança a cabeça. — Não. Ele não fez isso. Raul era meu cunhado. Verônica e Raul se amavam muito. Não há nenhuma maneira de Dino tê-lo matado por uma razão tão fraca. — sua resposta é fraca e soa patética. — Eu lhe fiz uma pergunta, Alejandra. — seus olhos encontram os meus, e ela engole em seco. Eu tento de novo. — Onde estava Dino naquela noite? Puxando o urso sob o queixo, ela olha distraidamente para a parede. Ela parece tão infantil que tenho que me lembrar de não confortála. Nós permanecemos em silêncio na companhia um do outro até que ela pronuncia uma resposta instável. — Ele não fez aquilo. — então ela engole em seco e sussurra: — Mas o que aconteceria se ele tivesse feito? Progresso. Finalmente chegando a algum lugar. Eu solto uma respiração nervosa. — Não seria bonito, Alejandra. Eu não sou a polícia. Eu só investigo as leis do submundo. Se Dino fosse considerado culpado por assassinar um dos homens de seu pai sem razão, — eu olho para ela nos olhos e a golpeio: — Ele estaria morto. Um

ruído

deixa

a

sua

garganta,

parte

engasgo,

parte

soluço. Erguendo os dedos em agitação para os lábios, ela diz: — Olho por olho. — olhos brilhantes, ela olha para mim. — E se... se fosse eu... o que aconteceria se eu...?


Eu fixo-a com um olhar. Sem piscar, eu respondo: — Se você tivesse que mentir para ajudar o seu marido, eu descobriria. — Seu olhar fica mais intenso e eu adiciono em um tom frio. — Eu teria que matar a ambos. Mentiroso. Isso não é verdade. Porra nenhuma. Eu teria que pedir para Ling matá-la. Eu nunca poderia machucar uma mulher. Simplesmente não é a minha natureza. Um — Oh — sem fôlego escapa dela. Pupilas diminuídas e vejo seu medo enquanto gotas de suor se acumulam na sua testa. Mas eu vejo algo mais lá. Sua mente está trabalhando a mil por hora. Seus olhos caminham de um lado para outro enquanto ela agarra o urso incrivelmente apertado, algo vai sair. Finalmente, depois do que parece ser uma eternidade, ela me dá algo. Seu lábio treme quando ela diz algo que já ouvi de Miguel. — Dino é diferente. — e embora seus olhos se encham de lágrimas, ela continua com uma voz firme: — Ele me ama. Se eu tivesse dúvida sobre isso, a exibição no térreo teria me convencido. Ela olha para mim, sua expressão cansada. — Ele me ama. — só que desta vez, quando ela diz isso, o desespero transborda de sua voz. O jeito que ela diz é como se não fosse algo belo, mas miserável. Uma única lágrima trilha sua bochecha, mas ela não cede à emoção. Ela levanta a mão e a enxuga. E eu tenho que dizer que estou impressionado. Esta pequena mulher carrega uma força filha da puta dentro dela. Uma pessoa cega podia ver isso.


Sabendo que eu só tenho alguns momentos antes que Dino trate de ver como ela está, eu aproximo, mas ainda dando-lhe espaço, e pergunto mais uma vez: — Onde estava Dino naquela noite?

Alejandra Os deuses finalmente ouviram as minhas preces. Eu luto contra o impulso de rir histericamente e saltar na minha cama de alegria pura. As lágrimas que derramei são muito reais. Mas talvez não pela razão que Julius Carter acredita. Estou tão cansada desta vida. Jovens de vinte e quatro anos não são feitas para se sentirem dessa maneira. São destinadas a ser despreocupadas, felizes e até mesmo descuidadas. Oh, o que eu daria para ser uma dessas jovens normais de vinte e quatro anos. O que eu daria, de fato. Eu quero uma vida. Eu quero tanto que posso sentir a liberdade em minha língua no momento em que eu digo: — Foi o Dino. Julius me olha com descrença, mas eu não vacilo. Um pequeno passo mais próximo da liberdade. Seguro meu urso com mais força e sussurro. — Dino matou Raul. E que Deus tenha piedade da minha alma.


CAPÍTULO SETE Julius — Nós temos uma situação. Ling olha para mim do seu lugar ao lado de Dino, seu sorriso pegajoso morrendo lentamente. — Certo. — olhando de mim para Dino, ela coloca uma mão excessivamente familiar em seu antebraço. — Você me dá licença? Chamada de negócios. Seus olhos a devoram. — Você nem chegou a me falar por que está aqui. Ela sorri para ele enquanto se afasta. — Tudo ao seu tempo, Sr. Gambino. Ao se aproximar de mim, ela murmura: — Filho da puta viscoso. A declaração me pega de surpresa. Há poucos homens que Ling não gosta, por razões óbvias. A razão é que eles têm um pau. E Ling gosta de pau. Ling gosta muito de pau. Assim que entramos no escritório de Miguel, ele olha para cima da sua posição sentada. — Bem? Não há nenhuma maneira fácil de dizer isso. — Falei com sua irmã. Ela não está bem. Aquela mulher precisa de ajuda. Eu não sei o que aconteceu, mas algo está pesando sobre ela. O rosto de Miguel fica aflito apenas um momento antes que a raiva apareça. Ele se levanta e grita: — Eu sei disso. Porra, eu sei. — acalmandose com uma respiração profunda, ele pergunta através de um suspiro. — O que ela te disse?


Mais uma vez, nenhuma maneira fácil de dizer isso. — Disse que Dino matou Raul. Com isso, Miguel murcha, quase literalmente. Com o choque estampado em seu rosto, ele desliza para trás em sua cadeira e belisca a ponta do nariz apertado. — Foda-se. No bueno. — removendo a mão do nariz, seus olhos se arregalam antes que ele olhe para mim, mandíbula cerrada. Ele rosna em um tom venenoso — O que você fez ? Com isso, Ling dá um passo à frente e diz séria. — Eu não gosto do seu tom. Como isso virou para mim? Todo mundo precisa acalmar nessa porra. Eu coloco a mão no ombro de Ling e procuro os olhos de Miguel. — Eu não funciono assim. Nunca tive que forçar uma mulher na minha vida, e não vou começar hoje. — precisando que ele me entendesse, eu digolhe:— Tenho uma irmã, cara. Parece que ele quer acreditar em mim, mas não consegue. — Então, ela simplesmente saiu e disse que ele fez isso? Bem assim? Oh, eu sei o que ele quer dizer, e se eu fosse ele, questionaria também. Fiquei tão surpreso quanto ele. — Exatamente assim. Ling fala, parecendo mais razoável do que eu já a ouvi antes. — Uma mulher assim não fala isso do seu homem, um que ela obviamente ama, sem nenhum motivo. Há algo mais aqui. Algo vital que está faltando. — E seja o que for. — acrescento eu. — Ela não deixa ninguém entrar. Miguel levanta mais uma vez, andando em torno da mesa e saindo pela porta. — Me siga. Miguel nos leva pelas escadas, passando quarto de Alejandra, até o fim do corredor. Miguel bate uma vez, com firmeza. A voz profunda clama: — Adelante.


Ele abre a porta, levando-nos para dentro do que eu rapidamente percebo que é o quarto de estudo privado de Eduardo Castillo. Isso não é um escritório. Um escritório não é um refúgio pessoal ou fuga. Um escritório implica apenas o trabalho sendo feito lá, e com uma olhada nessa sala... isso está longe de um escritório. A mesa de mogno grande esculpida na parte de trás da sala grita riqueza, e o trono que funciona como uma cadeira grita poder. A sala tem um tema de cor óbvia, toda a Borgonha e herança fluindo dela. Eu diria que o tema da cor é realeza. Eu riria se não fosse um membro da realeza do submundo hospedando esse esquema. Depois de fazer uma chamada para Happy em uma parada, descobri algumas coisas sobre Eduardo Castillo. Ele vem de uma longa linhagem suja de filhos da puta. Tem a reputação de ser um homem justo, bom para sua família. E, finalmente, você não quer foder com ele ou com os seus. Happy me contou sobre os poucos que tinham. Nenhum deles foi visto desde então, mas coroas de flores foram enviadas para as famílias dos desaparecidos. Anonimamente, é claro, mas a mensagem não dita era suficiente. Essas pessoas não voltariam. Então, eu estou na cova do leão, trazendo uma tempestade de merda. Eduardo Castillo, sentado no sofá, jogando xadrez sozinho, olha para os seus convidados, antes de perguntar: — Problema? Miguel avança para falar com seu pai, deixando Ling e eu onde estamos. A primeira regra de respeito no submundo: não se sente a menos que seja convidado. Eduardo olha Miguel de perto enquanto ele fala espanhol rápido, parando apenas para olhar para Ling e eu antes de voltar para seu


filho. Um minuto depois da explicação de Miguel, ficamos envoltos em silêncio. Eduardo se levanta e, caminhando até mim, estende a mão. — Eduardo Castillo. — Julius Carter. — liberando sua mão, eu aponto para a mulher ao meu lado. — Ling Nguyen. — quando Eduardo pega a mão dela e se inclina para beijá-la, murmuro, — Cuidado. Ela morde. Eduardo dá um sorriso, embora seja pequeno, mas é um progresso. — Por favor sente-se. Ling e eu sentamos no sofá na frente de Miguel e Eduardo. Já lidei com pessoas como Eduardo centenas de vezes eu espero que ele fale primeiro. Com a voz, cansada e quebradiça, afirma um sotaque forte: — Então. Nós temos um problema. — ele aponta para mim. — E você vai me ajudar a corrigi-lo. Sem hesitação. — Vou. — Bom. — ele suspira pelo nariz, envelhecendo dez anos diante dos meus olhos. — Raul Mendoza era um bom homem, um soldado leal, e homem de confiança. Quando Vito Gambino me apresentou ao seu filho Dino, eu pensei que ele fosse igual ao Raul. Eu vi o jeito que ele tratou minha Alejandra, e foi um alívio para mim, saber que ele cuidaria dela e a trataria bem. Foi-me prometido a lealdade dos homens de Gambino. Raul considerava Dino um amigo, considerava-o parente. — ele abaixa o rosto e suspira antes de voltar o seu olhar para o meu. — Isso não se faz. Um exemplo deve ser dado. — seu rosto se transforma em fera quando ele finaliza. — Eu quero vê-lo morto. Hoje. Agora. Ling fala, mas ela soa baixo. — Eu gostaria que fosse assim tão simples, Sr. Castillo, mas a palavra de Alejandra não é suficiente. Odeio dizer isso, mas ela está certa.


Os olhos assassinos de Eduardo atiram para Ling. — Você acha que ela está mentindo? Ling percebe imediatamente que ela insultou um chefe da máfia e fica firme. — Absolutamente não. Acredito em Alejandra. Deus sabe, uma mulher que ama seu marido não o entregaria daquele jeito sem razão. — ela suaviza o tom e afirma:— Precisamos de mais informações. Se Dino insiste que é inocente, ele precisa de um álibi. Se ele não pode fornecer um, então vamos continuar. Eduardo olha para mim. — Você a deixou falar por você? Eu sei que ele falou isso como insulto, mas eu não mordo a isca. Eu simplesmente repeti: — Como eu disse... ela morde. Eduardo não sorriu, mas seus olhos sim. Minha vez. — Estou convencido de que Alejandra acredita que Dino fez isso. Eu a observei lutar consigo mesma, e eu vi o momento exato em que ela perdeu essa luta. Ela fez todas as perguntas certas, e vi as reações às respostas que recebeu. Ela estava aterrorizada por entregá-lo. — eu afirmo com confiança. — Eu acredito nela. Acredito que Dino fez isso. São todas as palavras que Eduardo precisa ouvir, ele destaca, endireitando a gravata. — Eu quero ver esse filho da puta enterrado. Nós descemos e entramos na sala principal. Há alguns rostos novos lá, e eu imagino que sejam homens de Gambino e seus filhos. No momento em que entramos, Eduardo caminha para o centro da sala e fica em silêncio na frente dos homens. Percebo que Alejandra está ausente, mas não vamos precisar dela agora. Menos de dez segundos de pé ali, Eduardo tem a atenção dos homens e silêncio completo. Ele olha para o chão antes de fitar os homens na sala. — Primeiro item da agenda. — seus olhos se voltam para Dino. — Você poderia por favor ficar de pé, Dino? Dino olha para o sogro e conhecendo seu lugar, levanta.


Eduardo olha para Miguel. Miguel vem para frente, olhando para Dino, e diz alto o suficiente para todos ouvirem: — Eu, Miguel Castillo, o acuso, Dino Gambino, de assassinar nosso irmão Raul Mendoza. E é quando todo o inferno começa.

Alejandra

— Oh, Deus. — eu sussurro ao lado da porta, ouvindo o coro de homens furiosos enquanto os móveis se arrastam de um lado para o outro. Merda. Estou em tantos problemas. Ah Merda. Não há nenhuma maneira que eles me permitam viver. Eu sou uma mulher morta andante.

Julius

— Eu não matei ninguém!— Dino grita, seu rosto agora vermelho e distorcido de raiva, enquanto ele chega ao Miguel. A expressão em seu rosto menos vamos nos abraçar e mais vou sangrá-lo até a morte. Movendo Miguel para as minhas costas, eu fico na frente dele. Nenhum filho da puta vai colocar a mão em mim. Seria o desrespeito final para Eduardo ver um convidado ser prejudicado em sua casa. Dino não me bateria.


Pelo menos, é isso que eu acho até que vejo Dino vindo para cima de mim, e eu rapidamente percebo que ele é simplesmente um estúpido fodido. Na distância do comprimento de um braço de mim, ele levanta o punho e eleva-o e recua, então... para de repente. Uma mão delicada e magra segurando um canivete aberto pressionado na jugular de Dino aparece, enquanto a outra acaricia seu rosto relaxado. Na sua voz sedutora normal e letal, Ling murmura clinicamente: — Você sabe que a jugular bombeia a maior quantidade de fluxo sanguíneo para o coração do que qualquer outra veia? Um furo provavelmente seria fatal. Digo provavelmente porque tudo está em como você perfura. Por exemplo... — ela muda a posição da lâmina, pressionando a ponta diretamente no pescoço, exatamente no ponto certo. Eu vejo o vacilo de Dino um momento antes de eu ver a pequena quantidade de sangue na ponta da lâmina. Eu luto contra a vontade de sorrir. A cadela selvagem o furou. Com os homens na sala acompanhando a víbora mortal trabalhando, ela continua: — Se você inserir a lâmina assim... — ela pressiona com mais força, fazendo um pequeno filete de sangue descer pela lateral do pescoço — ... seria preciso enfiar todo o comprimento... — ela faz um movimento circular com a lâmina — ... e torcer. A morte seria inevitável. Mas não viria rápido. Ah não. Você sangraria lentamente, ao longo de minutos. Sentiria o sangue deixar o seu corpo, a cada batida do seu coração, deixando-o frio e sem vida até que, finalmente, você respirasse pela última vez. Dino fica de pé com os braços estendidos, de alguma forma, sabendo que Ling não está blefando. Observando Miguel com um olhar de traição, ele solta: — eu não matei Raul. Mas Ling está concentrada em outras coisas. Na ponta dos pés, ela coloca seus lábios vermelho cereja ao lado da garganta de Dino perto da lâmina. Sua língua se lança e lambe o sangue no pescoço de Dino. E ela se


pergunta por que as pessoas pensam que ela é louca. Ela cimenta a opinião em cada mente aqui ao murmurar: — Não me provoque, querido. Você não tem noção do quanto a ideia de matar você me excita. Com isso, eu sorrio. Essa é a minha garota. Um homem mais velho dá um passo à frente. — Agora, não vamos fazer nada precipitado. — eu vejo a semelhança entre este homem mais velho e bonito e seu filho imediatamente. Este é Vito Gambino. As mãos levantadas em um gesto apaziguador, ele pergunta: — O que significa isso? Miguel dá um passo à frente e quase grita: — Este hijo de puta sucia matou meu amigo. O marido da minha irmã. Família. — e então ele grita:— Ele matou meu irmão! Dino range os dentes, as narinas dilatadas, e rosna: — Eu não fiz isso! Porra! Ignorando a teatralidade de seu filho, Vito olha para Eduardo. — Eu suponho que você não permitiria que isso fosse trazido à atenção sem prova. Eduardo permanece em silêncio. É Miguel quem fala. — Temos a palavra de alguém que confiamos. Vito pergunta: — De quem? Uma pequena voz ao lado da porta ganha atenção quando ecoa no silêncio. — Eu.

Alejandra

Isso não é uma boa ideia. Por que eu achei que isso seria uma boa ideia?


Meu corpo tremendo de medo, eu mantenho meus joelhos juntos, na esperança de Deus que ninguém os ouça batendo. — Eu. A sala inteira vira seu olhar para mim, incluindo o do meu marido, parecendo atordoado e enganado. Eu rapidamente evito os olhos, mas ouço-o implorar: — Ana. O que você está fazendo? Em vez de lhe responder, entro na sala para ficar ao lado de meu pai, dirijo-me a todos. — Eu, Alejandra Gambino, fico de pé diante de todos vocês hoje com o coração pesado. Meu marido, Dino, confessou-me que matou Raul Mendoza a sangue frio. — eu me viro para Vito e olho nos olhos dele. — O Dino que está diante de vocês não é o homem com quem casei. — eu olho para Dino. — Eu não conheço esse homem. Seu ciúme sobre o meu relacionamento anterior com Raul atingiu o ápice na noite do assassinato de Raul. Ele fez perguntas e, sem querer que houvessem segredos entre nós, eu respondi. Desnecessário dizer que Dino não gostou das respostas às perguntas que fez. A próxima coisa que vi foi Dino arremessando coisas com raiva antes de desaparecer. — eu olho para o pai de Raul, lágrimas nos meus olhos. — Ele não voltou até de manhã, e quando voltou, suas roupas estavam enrugadas e manchadas de sangue. Dino deixa escapar uma risada sem humor. — O quê?— ele olha em volta para os rostos que se fixavam nele. — Vocês não vão comprar essa merda, não é? Os olhares sombrios sobre os rostos dos homens dizem que sim. Olhando ao redor da sala, Dino se vira para mim, perdendo a força. Ele sussurra: — Por que você está fazendo isso? Desta vez, eu olho nos olhos dele e minto. — Eu o defenderia até a morte, Dino. Mas as coisas são diferentes agora. — eu levanto uma mão protetora para a minha barriga e digo baixo. — Eu tenho um filho a proteger. Seus olhos abaixam para a mão na minha barriga. — Você está grávida. — uma declaração cheia de reverência.


Abaixando os olhos em uma demonstração de rendição, eu sussurro: — Eu estou grávida. Eu vou para o inferno. Quando mantenho meu rosto abaixado, Dino fala: — Eu posso mudar. — ele diz isso como uma afirmação, mas sai como um apelo. Quando eu olho para ele, eu balanço a cabeça. — Não. Você não pode. Julius dá um passo. — Qualquer um aqui que possa garantir o paradeiro de Dino naquela noite? Neste ponto, o rosto de Dino se transforma em pânico. — Eu estava em casa, na cama com a minha esposa! — ele se vira para seus irmãos. Seu irmão mais novo, Luciano, olha para Dino com desgosto, enquanto Gio sorri, balançando a cabeça para mim. Dino implora: — Luc? Gio? Digam alguma coisa! Meu coração dispara. Eu não posso acreditar que não vão apoiálo. Eu esperava que este seria meu obstáculo. Dino pisca rapidamente, virando-se para Vito. — Pai. Por favor. Vito fala suavemente, mas o silêncio na sala garante que ele o ouviu. — Depois do funeral, você o chamou de feccia. — Vito olha para seu filho, decepção clara em seus olhos. — Você o chamou de escória. Um soluço audível vem do pai de Raul, e em uma demonstração de solidariedade, um dos homens de Gambino trata de ficar ao lado dele, segurando-o, enquanto um homem adulto chora por seu filho. A descrença no rosto de Dino me faria rir se não fosse tão trágico. Dino suplica. — Papa. Esse

é

o

momento

exato

em

que

Vito

Gambino

desmorona. Marchando para frente, ele fica face a face com Dino e,


levantando a mão, lhe dá o tapa mais forte possível, com tanta força, a cabeça de Dino vai para o lado. O insulto final. Inclinado para frente, Vito silva: — Você não é meu filho! Vito Gambino cresce, endireitando o paletó. Ele se move para ficar na minha frente, e segurando-me pelos ombros, beija minhas duas bochechas em um gesto paternal de apoio. Colocando levemente a mão protetora

na

minha

barriga,

ele

murmura

um

brusco.

Felicitazioni, bella. Vito se aproxima do meu pai e eles se abraçam, então ele lidera o caminho para fora, seguido por Luciano e Gio, enquanto Dino cai de joelhos e soluça. — Papai! Sem mais delongas, Julius diz: — Se alguém gostaria de falar em nome de Dino, agora seria a hora. Dino olha ao redor da sala, os olhos arregalados com esperança, olhando de joelhos para os homens desconfiados. Eu apostaria minha vida que ele desejou ter sido mais agradável para a maioria dos homens nesta sala. Como esperado, ninguém fala em nome de Dino. E nenhum segundo depois, Julius anuncia: — Dino Gambino, você é considerado culpado pelo assassinato de Raul Mendoza. Sua sentença é... — Julius murmura em tom frio. — Morte. Dino levanta-se de repente e tenta correr na minha direção. Eu fico lá olhando-o ascender, o lábio curvado, sua voz crua. — Sua puta! Eu vou te matar! Quando os braços alcançam o meu pescoço, o medo me imobiliza. Um estrondo soa e Dino paralisa.


Ele agarra o coração, olhando para mim com lágrimas nos olhos. Respirando pesadamente pelo nariz, ele cai em uma pilha aos meus pés, sangue escorrendo da mão sob o seu coração. Eu olho para Julius e encontro-o balançando a cabeça para a visão de um Dino caído, sem se mover. Meu olhar encontra o dele e a arma na mão, enquanto a pequena mulher asiática declara petulante: — Caso encerrado, filho da puta. Meus olhos encontram os de Dino. Ainda estranhamente abertos, eu olho profundamente em seus olhos e murmuro para mim mesmo: — Estou livre. Como se de repente percebesse meu marido morto deitado no chão, sangrando em meus Louboutins pretos, eu suspiro, colocando a mão na boca. Em poucos segundos, o meu pai e meu irmão estão ao meu lado. Meu pai afirma: — Está tudo bem, Alejandra. Eu tenho você. Miguel me abraça apertado, me afastando de Dino. Para longe da minha antiga vida. Ele beija a minha testa e murmura: — Eu sinto muito, Ana. Sinto muito. Quando chegamos à porta do meu quarto, eu digo: — Eu preciso de tempo. Por favor... me dê tempo. Miguel acena com a cabeça, fechando a porta atrás de mim. No meu próprio quarto e não tendo mais medo, pego minha bolsa e tomo o longo corredor até a cozinha. Eu saio pela porta de trás, fazendo o meu caminho para o carro e indo para casa. No momento que eu passo na porta, vou para o andar de cima. Uma vez dentro do meu quarto ando de um lado para outro. — Oh meu Deus. — eu sussurro. — Meu Deus. Oh meu Deus.


Reunindo algum sentido, eu fico de joelhos ao lado da cama e alcanço

a

mala

de

emergência

do

Dino. Abrindo-a,

verifico

o

conteúdo. Dinheiro, armas, passaportes falsos. Abro os passaportes e encontro um com a minha foto, mas um nome diferente. Perfeito. Levo a mala para outro lado da sala para o armário embutido, mexo nas roupas nos cabides para revelar o cofre. Eu o abro em tempo recorde e sem a menor cerimônia jogo pilhas de centenas de dólares dentro da mala. Rapidamente caminho para as gavetas, pego pilhas de roupas e jogo-as ao lado do dinheiro. É isso. Minha vida em uma mala. Triste. Isso é tão triste. Mas eu não vou me debruçar sobre o passado. Vou deixar o passado onde ele pertence. Atrás de mim. Sem olhar para trás, saio de casa, deixando a porta da frente aberta, e entro no meu carro. Uma vez que começo a dirigir, abro a janela e jogo o meu anel de casamento no tráfego. E quando faço isso, eu rio.


CAPÍTULO OITO Twitch Viver nas ruas poderia ser pior. Quando eu digo que poderia ser pior, eu quero dizer que eu poderia estar fazendo coisas piores do que compartilhar um baseado com um sem-teto, Joseph, no beco dele. E quando eu digo beco dele, falo sério, porra. Do sofá marrom rasgado descartado, ao pequeno baú de gavetas com suas poucas peças de roupas, esta é a sua casa. Aconteceu de conhecer Joseph quando um mendigo mais velho, Wilbur, gentilmente me mostrou um chapéu de lata que jorrava todos os tipos de merda sobre conspirações governamentais e microchips inseridos nos cérebros dos cidadãos desavisados. De acordo com Wilbur, se você quiser embaralhar o chip, tem que usar o chapéu. Joseph saiu do beco dele, usando um daqueles chapéus estúpidos e olhou para mim, sorrindo. — Me desculpe por isso. Wilbur. — ele olhou para o cara louco. — Venha aqui e me conte uma das suas histórias. Mas Wilbur tinha outras ideias. — Não. Eu estou fazendo um amigo, Joe. Joseph olhou para mim com pena e diversão. — Não há como escapar agora. Ele o reivindicou. Fazia muito tempo que não conversava com alguém. A companhia dessa vez era bem-vinda. Impedia-me de pensar sobre o que não deveria. — Sem problema. Não me pergunte como isso aconteceu, mas menos de cinco minutos depois eu estava no beco de Joseph, usando um chapéu de


alumínio e Wilbur nos contava sobre a vez que ganhou uma partida de cartas do Elvis. Depois que Wilbur falou sobre a época que namorou a Marilyn Monroe, ele foi embora e fiquei com Joseph. Percebi imediatamente que esse cara era um bom rapaz. Emanava uma vibração distinta que gritava segurança. Eu me apresentei, e ele apertou minha mão com firmeza. E eu não conseguia entender por que diabos esse cara era semteto. Questionei, mas tudo o que ele me disse foi: — Eu estou melhor aqui do que quando trabalhava. Curtimos a brisa por uma hora e fui embora. Joe ofereceu o sofá para passar a noite, caso eu não tivesse qualquer outro lugar para ficar, e embora eu não tivesse, eu dispensei. Agora, uma semana depois, aqui me encontro sentado no sofá com cheiro de mofo, fumando um baseado com o meu novo amigo. Confortáveis

no

silêncio

observamos

as

pessoas

passando

apressadas. Elas estão sempre com pressa. Cinco anos atrás, eu estava nessa corrida. Cinco anos atrás, eu era uma dessas pessoas. Agora, eu tenho todo o tempo do mundo. Olhando o céu sem estrelas, eu olho para a minha companhia — Você sente falta? Joseph não precisa que eu explique. Ele me responde. — Não. — Nem mesmo um pouco? — eu insisto. — Você não sente falta de ter um bom carro e um teto sobre sua cabeça? Das mulheres? — Ok, eu sinto falta das mulheres. — ele balança a cabeça exageradamente com tristeza e suspiros. — Nenhuma garota quer transar com um sem-teto. Não é sexy. Alto como a porra de uma pipa, eu rio. Eu rio porque é verdade. Eu rio e rio até a memória do rosto sorridente dela me atingir. Inalo a fumaça, depois expiro e admito em voz alta pela primeira vez. — Sinto


falta da minha mulher. E do meu filho. Eu daria qualquer coisa para estar com eles esta noite. Joe arranca o baseado dos meus dedos e inala. Quando ele solta a fumaça, ele provoca: — E isso não é uma opção? Balanço a cabeça, olhando para a rua. — Não até que eu cuide dos negócios. A mão pesada me dá um tapa na nuca. — Então, cuida dos negócios, mano. Recostando-me no sofá marrom rasgado, eu coloco minhas mãos atrás da cabeça, fecho os olhos e suspiro. — Sim. Estou trabalhando nisso. *** Eu não sabia que tinha adormecido até que acordei no sofá de Joe sem sinal dele. Eu me senti um idiota por ter tomado sua cama, forçandoo ir passar a noite em outro lugar. Na noite anterior, eu tinha falado demais. Não veria mais o Joseph. Quando levantei para espreguiçar, enfiei a mão no bolso do casaco, tirei um maço de notas e coloquei sob a lata de lixo, onde eu tinha visto Joe esconder o pouco dinheiro que tinha. Era o mínimo que eu poderia fazer para oferecer-lhe um pouco de conforto e saber que ele vai comer bem, mesmo que por algum tempo. Coloquei as mãos nos bolsos e saí do beco. Joe tinha coisas boas em seu caminho. Eu podia sentir isso. *** Não há muitas coisas que eu aprecio na vida. Estranho, eu sei, pela minha experiência. Acho que eu sempre senti que as coisas que eu gostava podiam sumir a qualquer momento. Sem apreço é igual a sem sentimento de perda quando essa coisa fosse embora. E agora, neste mundo que eu


criei em torno de mim, eu não tenho um monte de amigos, mas os amigos que tenho, eu agradeço. Subo os degraus da porta da frente da casa. Eu posso ouvir as vozes e risos vindos do interior. Nada chique. Cerca de piquete branca, SUV suja na garagem, um pequeno jardim cheio de flores brancas. É legal. Nada que eu escolheria para mim, mas agradável. Levanto uma mão e bato. Nem um minuto depois, uma mulher bonita, ruiva e magra atende a porta. Ela tem olhos verdes brilhantes e uma trilha de sardas no nariz. Seu sorriso esmorece quando ela observa minhas mãos tatuadas e pescoço exposto. Ela endireita a postura ao me perguntar cautelosamente: — Posso ajudar? Eu sorrio mentalmente. Ela não gosta de mim. — Eu estava na vizinhança. Estou à procura de Nox. Você deve ser Lily. Um olhar de confusão cruza seu rosto. — Isso mesmo. E você é? — Sou Twitch. Seu sorriso retorna com força total e, antes que eu perceba, ela se lança na minha direção. Ela me envolve com os braços e aperta. — Bem, por que não disse logo? Eu já ouvi muito sobre você. Prazer em conhecêlo! E eu só fico lá, corpo rígido, o rosto torcido em uma careta. Eu não sei o que fazer. Eu levanto minha mão para bater no seu ombro desajeitadamente. Quando ouço risadas da porta, vejo Nox encostado na moldura, sorrindo largamente. — Ela é uma abraçadora. Eu encaro. Jura, Capitão Óbvio.


Eu bato no seu ombro de novo. — Prazer em conhecê-la, Lily. — Por favor, me solte. Recuando, fico chocado com a transformação que um simples sorriso fez em seu rosto. Ela é linda. Não bonita como a Lexi, mas ainda assim. Colocando a mão na dobra do meu braço, ela me puxa para dentro da casa. — Não é sempre que eu encontro amigos de Nox. Você pode perceber que fico um pouco animada. — olhando Nox no rosto, ela zomba sussurrando pelo lado da boca para mim. — Eu preciso de munição. Se você tiver alguma história humilhante sobre meu marido, eu preciso conhecer, para ontem. Meus lábios se contorcem. — Verei o que posso fazer. Eu poderia ter uma ou duas guardadas. Nox balança a cabeça para a mulher ao meu lado. Ela praticamente me arrasta para a cozinha. — Eu vou pagar-lhe generosamente, é claro. Digamos, um bom jantar caseiro e sobremesa? Como um sinal, meu estômago ronca. Viro-me para Nox. — Ela sabe cozinhar? Nox acaricia seu estômago, obviamente, ainda radiante com a lembrança da sua última refeição caseira. — Ela sabe. Olho para Lily, perguntando o quanto posso conseguir nessa. — Você faz uma fornada de biscoitos caseiros, e nós temos um acordo. Seus olhos estreitam para mim um momento antes de ela assentir. — Creme de amendoim com chocolate serve? Viro-me para Nox. — Cara. Ele suspira sonhador, olhando para sua esposa com amor. — Eu sei. Lily puxa uma cadeira na mesa da cozinha e me leva para sentar. — O que você quer beber? Café, suco, refrigerante? — Um refrigerante seria ótimo, obrigado.


Nox fica de frente para mim. — Nunca pensei que o veria na minha vizinhança. Eu atiro-lhe um olhar. — Precisamos conversar. Seus olhos estreitam com o olhar no meu rosto. — Você andou todo o caminho desde a Austrália para conversar? Um telefonema teria sido uma conversa mais barata pra caralho, T. Meu olhar segue Lily. Volto para Nox e sussurro. — Preciso de ajuda. Nox esfrega o rosto com a mão. — Estou fora. Eu sou um homem de família agora. Eu sou um pai. Eu levo os meus filhos para a escola. Eu sou parte da Associação de Pais e Mestres. Porra, sou voluntário, Twitch. O que quer que precise não consigo ajudar você. Porra. Isso é uma merda. Não posso culpar o homem. Se eu estivesse no seu lugar, agiria exatamente como ele. Desfrutaria a minha família. Lily vem com copos de refrigerante na mão. — Então, você está na vizinhança. Onde você está ficando? Eu coço a testa. — Uh, ainda não cheguei tão longe. Lily olha para Nox. Eles têm uma conversa silenciosa. Ela olha de volta para mim e sorri. — Bem, isso encerra o assunto. Você vai ficar aqui com a gente. — eu abro a boca para protestar, mas ela me corta com um aceno de mão. — Não. Eu insisto. — levantando, ela caminha até a sala de estar, pega brinquedos e livros e sai. — Não é muito, mas temos um quarto vago com uma cama de solteiro. É isso ou colchonete. E você não vai querer o colchonete. — ela se vira para mim e faz uma careta. — Tem cheiro de leite azedo. Olho para Nox. — Cara.


Ele sacode a cabeça gentilmente, sorrindo para a expressão ridícula da esposa. — Eu sei. Embora eu tenha recusado mais vezes do que posso contar, Nox não aceitou. Então eu coloquei a minha mochila no quarto vago e prometi só passar a noite. Enquanto Lily começava o jantar, Nox e eu fomos para os fundos. Entregando-me uma cerveja, nós nos sentamos no deck, olhando para o quintal. Bebericando a cerveja, eu ouvi a cadeira dele ranger e ele se acomodar. Ele estava esfregando a coxa, com uma expressão de dor. Eu virei meu queixo na direção da sua perna. — Ainda dói? Massageando a coxa, enfiando os polegares profundamente na pele, ele responde: — Sim. Mas não é uma dor constante. É outra coisa. Às vezes eu ainda posso sentir a perna. — levantando a perna da calça, eu vejo a prótese de alumínio. Como os tempos mudaram. Eu sou um homem. E sendo homem, eu não me sinto confortável com as emoções. Então, eu faço o que qualquer outro homem faria. Eu mudo de assunto. — Então, você é um pai, hein? Nox sorri, estufando o peito. — Três vezes. Eu tenho um menino, Rocco. Ele tem seis. Então veio a primeira menina, Angie. Ela tem quatro. E, finalmente, a nossa segunda menina, Mia. Que tem três. Meu peito aperta. — Parabéns, cara. — eu saboreio minha cerveja e estreito os olhos ao fitar o céu e tento não demonstrar a dor na minha voz. — Tenho um menino. AJ. Ele faz quatro anos amanhã. — Eu sei. Minha cabeça vira de repente na sua direção. — Você mantém contato? Ele procura meu rosto e, ignorando a minha pergunta, questiona: — O que você está fazendo aqui, Twitch?


— Mantendo a minha família em segurança. Ele rebate imediatamente: — Trazendo um monte de merda para a minha porta? Esta foi uma má ideia. Eu movo-me para ficar de pé. — Obrigado pela cerveja. — Coloque o seu rabo na cadeira. Lily esta fazendo o jantar. Se você sair agora, vai ferir seus sentimentos. Eu olho para ele. Isso foi um golpe baixo. Depois de conhecer Lily, eu meio que gosto dela. Eu não quero aborrecê-la. O idiota apenas sorri. — Sente-se. Vamos conversar. É por isso que você veio aqui, afinal. Fale comigo. Seja direto. Eu não deveria sentar. Eu deveria sair. Em vez disso, eu cedo. — Eu tenho cinco casas na minha lista. Cada uma dessas casas tem um rei. — faço uma pausa antes de ressaltar: — É do meu interesse que esses reis se aposentem. Então é isso que estou fazendo. Forçando cada rei a uma aposentadoria

antecipada. —

levanto

o

queixo. — Aposentadoria

permanente. Nox não pisca. — Por quê? Eu sento. — Fiz negócios com estes homens. E esses negócios azedaram. Eu... — tusso... — Eu não os administrei bem. Tomei algumas decisões

ruins. Ficaram

cicatrizes. Happy

descobriu

algumas

coisas. Todos esses homens enviaram condolências à Lexi quando eu morri. — dou um olhar aguçado para ele. — Para a casa dela. Ele balança a cabeça. — Certo. — O que você acha que vai acontecer se eu decidir ir para casa? — Eles sabem onde ela mora. Ela e seu filho se tornarão alvos. Bingo.


De repente, ele acalma. — Você pensa em ir para casa?— eu não respondo, só dou um gole na cerveja. Ele continua: — Eu o ajudei a fingir sua morte, usei todos os meus contatos, todos os meus malditos devedores de favor, e agora você quer ir para casa? — seus olhos brilham. — Você está louco filho da puta? Os policiais estarão atrás de você antes que você possa dizer buu. — É por isso que estou aqui. Sua testa sobe ligeiramente. — O quê? Eu te disse, eu estou fora. Eu não faço mais essas merdas. Eu concordo. — Eu sei. — Então o que diabos que você quer, Twitch?— ele parece exausto. Corro os dedos para baixo pela condensação na minha garrafa de cerveja. Viro para o meu amigo, olho nos olhos dele quando eu retransmito o meu pedido. — Eu quero que você me entregue.


CAPÍTULO NOVE Julius Eu não acredito nisso. Nunca fiquei mais irritado ou envergonhado. Não é assim que faço o meu trabalho. Eu sou um profissional. Eu não faço merda. Eu nunca entendo errado. Eu não posso deixar isso vazar. Se acontecer, tudo pelo que trabalhei pode acabar. A minha carreira vai acabar. Vamos rebobinar. Uma hora após a morte prematura de Dino Gambino, um correio expresso veio até a porta para entregar um pacote para Eduardo Castillo. Deixando os homens para limpar a bagunça que era Dino, Eduardo pediu licença e se retirou para os seus aposentos privados. A limpeza nunca foi a minha praia. Eu não gostava muito do pensamento de sangue em minhas mãos. Eu decidi subir e verificar Alejandra. Miguel disse que ela precisava de um tempo sozinha, e, normalmente, não haveria nada de errado com isso, mas aqui era uma mulher grávida, no andar de cima, sozinha, pensando muito sobre as coisas. Sobre a morte do homem que amava. Eu nunca consegui ver uma mulher sofrer. Eu senti necessidade de oferecer-lhe as minhas condolências. Eu também senti necessidade de falar algumas palavras para ela, que ela tomou a decisão certa. A proteção da criança deve vir em primeiro lugar, agora e sempre. Ninguém usaria isso contra ela. Aproximei-me da porta com cautela, mas quando coloquei a mão na porta, com um leve ranger,


ela abriu; uma carranca marcou minha expressão. Abrindo toda a porta, olhei para o estado amarrotado da cama e procurei no quarto com a testa franzida. Onde ela estava? Não havia tempo para pensar sobre isso. Um segundo depois recuei para o corredor, um Eduardo pálido estava de pé à porta aberta de seus aposentos. Eu abri a boca para perguntar o que estava errado, mas ele me interrompeu: — Eu preciso que você encontre Miguel. Encontre-o e volte para mim. — ele piscou quando suor formou em sua testa. Ele falou em voz baixa. — Encontre-o. Agora. Querendo manter um ar de respeito por este homem, eu fiz como me foi dito. Eu achei Miguel e Ling na cozinha, e um minuto depois, fomos ao porto seguro de Eduardo Castillo, trancando a porta atrás de nós. Miguel foi o primeiro a perguntar: — Papa? O que está errado? Sem uma resposta, Eduardo fez sinal para nos sentarmos em seguida, mirou o controle remoto para a TV. Uma imagem silenciosa em preto e branco apareceu na tela grande. Nós assistimos em completo silêncio. Assistimos com os olhos arregalados. Eu assisti aparentemente em câmera lenta, cada batida do meu coração se transformando em um barulho fraco, uma batida monótona no peito. Nós estávamos com problemas. Quando o mafioso russo e psicopata conhecido como, Maxim Nikulin, perfurou o coração de Raul Mendoza, pela última vez, ele ajoelhou-se sobre seu corpo no estacionamento do bar, rindo. Dino Gambino não matou Raul. Maxim Nikulin matou Raul.


Não foi uma matança de ódio alimentada pelo ciúme. Foi uma perda menos complicada de um soldado em uma guerra de territórios. Vidas foram perdidas por menos. O que só queria dizer uma coisa. No meu estado atual, a raiva borbulhava de um lugar guardado bem dentro de mim, de um lugar que eu disse a mim mesmo que não existia. A verdade é que eu me orgulhava por ser frio, calmo e sereno, mas quando algo me partia, eu podia fazer danos. Sempre precisava de muito para me desestabilizar. E agora... eu estava desestabilizado. De pé, minhas mãos em punhos, virando o rosto para Miguel rugi: — Onde ela está? É hora de controlar os danos. Eu nunca tive necessidade de fazer isso antes. Você pode supor que estou um pouco irritado com isso. Miguel se vira para Eduardo, e diz: — E agora? Eduardo, esfregando as mãos no rosto, olha para o filho. — Chame o Vito, mostre-lhe o vídeo. — suspirando, ele ficou de pé, andando até sua mesa. — Mostre-lhe que seu filho está desculpado. Uma hora depois da sua morte. Tenho certeza de que Vito vai entender. — ele balança a cabeça, distraído. — Tenho certeza que ele vai entender que seu filho, seu primogênito, foi condenado à morte —sua voz subiu — por causa de uma acusação falsa. — com o rosto ficando vermelho, ele rosnou: — Apresentadas pelo meu filho e filha, a própria esposa do Dino! — batendo a mão sobre a mesa, com um golpe limpo, os papéis, ornamentos e materiais de escritório foram enviados cambaleando para o chão com um estrondo e barulho. Virando-se para nos enfrentar, ele explode com sarcasmo: — Sim. Tenho certeza que com uma explicação simples, tudo ficará bem. Ling recua, mas não diz nada.


Miguel empalidece. — Papai, eu tinha todos os motivos para acreditar que Dino fez isso. Se Alejandra não tivesse... Interrompendo-o no meio da frase, Eduardo levanta o queixo. — Este é o fim de uma aliança. Uma boa aliança. Uma grande aliança. E eu quero saber por quê. — fechando os olhos, ele diz asperamente. — Tragame Alejandra. — Suspirando pelas narinas, ele aperta a ponta do nariz. — Traga-me minha filha. Procurando por boa parte de uma hora chegou-se à conclusão de que Alejandra tinha fugido. Miguel tinha ligado em seu celular mais de vinte vezes, deixou inúmeras mensagens em seu correio de voz dizendolhe que ele não estava zangado com ela, que ele só queria saber por que ela fez isso e ele queria saber se ela estava bem. Foda-se. Eu estava com raiva. Eu exigia saber por que ela mentiu. E eu não dou a mínima sobre a fuga e seu bem-estar. Não agora, de qualquer maneira. Vito tinha chegado pouco depois com seus filhos. Seu rosto abaixado de vergonha, Miguel os mandou ao andar de cima. Eduardo fez um sinal para os homens se sentarem, e antes de começarem a prestar atenção, eu me encravei entre os Castillo e Gambino. Embora fosse justificada, a violência não iria resolver os problemas agora. O vídeo começou, e vi de perto quando Vito Gambino começou a chorar. O filho mais novo, Luc, colocou seu braço ao redor do pai e o consolou. A reação do filho do meio, Gio, agora o mais velho, suponho, tinha me intrigado. Ele observou Raul Mendoza ser abatido a sangue frio com um sorriso no rosto.


Vito Gambino estava com as mãos em punho. — Meu filho! — ele olhou Eduardo e Miguel, e rosnou: — Meu filho está morto, por causa dos seus vermes! Eu esperava Eduardo voltar atrás, e responder com atitude. Escondi a minha surpresa quando Eduardo se adiantou, parecendo apologético, colocando uma mão no ombro trêmulo de Vito. — Eu sei. — Vito mergulhou o queixo chorando, Eduardo abraçou-o como um irmão e segurou-o enquanto ele lamentou, oferecendo-lhe consolo e força em seu momento de necessidade. — Eu sei. E eu não posso expressar o quanto sinto, Vito. — batendo em suas costas, ele disse com firmeza: — Eu vou corrigir isso. Foi a minha vez de falar. — Não, você não vai. Naquele momento, todos os rostos na sala viraram para piscar para mim. Falei de novo: — Foi o meu trabalho julgar. Julguei errado. Eu vou corrigir isso. — eu adicionei um juramento baixo. — Eu vou encontrá-la. Vito balançou a cabeça, enxugando as lágrimas na manga. — Não. Eu não conheço você. E eu não confio em você. — ele se virou para seu filho mais novo. — Luc. Você vai encontrá-la. Antes que Luc pudesse responder, Gio estava lá. — Não, Papai. Deixe-me fazer isso. Deixe-me encontrá-la. Vito olhou para o filho, procurando seu rosto. — Você nunca gostou de Alejandra. Eu nunca poderia entender o porquê. Mas talvez você visse algo nela que eu não via. — um momento de pausa, em seguida, ele concordou: — Sim. Você vai encontrá-la. Gio respondeu: — Não é que eu não gostasse dela. — ele virou-se para Miguel e Eduardo, sorrindo, golpeando o local mais ferido. — Eu simplesmente não me importo com ela. Eduardo balançou a cabeça. — Quero que Julius encontre-a. Eu olhei para Gio. — Eu irei encontrá-la.


Gio olhou para mim, em seguida, me avaliou. Seus lábios se curvaram quando ele me fitou como se eu não passasse de um inseto. Um inseto que precisava ser pisoteado. — Bem, então. Eu acho que é uma questão de quem encontrar primeiro. Eduardo, claramente em pânico, murmurou: — Por favor. Eu quero que ela seja trazida para casa. A cabeça de Vito girou. — Quero que ela morra. Eduardo afirmou: — Ela está grávida. Ela segura o herdeiro dos nossos movimentos dentro dela. Vito levantou e bateu no peito com o punho fechado. — Então ela vai sofrer a perda de um filho como eu perdi! — com narinas dilatadas, ele prometeu: — Como você irá. Eduardo não disse uma palavra, mas eu vi sua mandíbula cerrar. Vito acalmou-se e, em seguida, ajeitou a gravata. — Se você quer esta aliança, eu quero a cabeça de Alejandra. Miguel assistiu com horror quando Eduardo relutantemente admitiu: — Concordo. E, enquanto isso estava acontecendo, Ling sussurrou e as mesmas palavras foram correndo pela minha mente. — Olho por olho deixa o mundo inteiro cego. Pelo brilho animado nos olhos de Gio, eu sabia uma coisa. Eu tinha que encontrar Alejandra primeiro.

Alejandra

Enquanto eu dirijo pelo que parecem horas, possivelmente porque faz horas, lembro de um documentário que eu vi na TV há alguns anos. O


documentário era sobre cientistas serem capazes de identificar um gene psicopata em pessoas. A maioria das pessoas com este gene é insensível e cínica. Não reagem à violência como os outros e não recuam diante de cenas horríveis. Elas se divertem. Por um breve momento eu me pergunto se tenho esse gene. Certamente, as pessoas não devem sorrir e cantar junto com o rádio e bater os pés apenas algumas horas após a morte de seu cônjuge. Talvez eu seja uma psicopata. Eu franzo a testa com o pensamento. Se eu sou psicopata, então Dino também era. Minha mente percorre uma distância dentro de si, caminhando em memórias que eu tinha há muito trancadas. A primeira vez que Dino me deu um soco que dividiu o meu lábio. A primeira vez que Dino me chutou tão forte que quebrou minhas costelas. A primeira vez que Dino me puxou pelos cabelos com tanta força que eu precisei cobrir minha careca durante seis meses até crescer de novo. Não. Eu não sou psicopata. Sou apenas uma mulher endurecida, cansada de ser um saco de pancadas de algum imbecil. Fico feliz que ele esteja morto. Fico feliz por ele ter morrido sentindo medo. Fico feliz que ele sentiu-se injustiçado. Ele merecia tudo isso e muito mais. Acho que estou aliviada demais para lamentar. Eu não sei onde estou, mas sei que estou com fome, o nó constante de medo com a mera presença de meu marido agora desaparecido. Um rápido olhar sobre o meu medidor de combustível me diz que eu preciso


abastecer, especialmente se vou dirigir durante a noite. Estaciono em uma lanchonete ao lado da estrada, saio e entrego as chaves ao jovem atendente. Jogo a bolsa sobre o ombro e entrego-lhe duzentos dólares. — Encha e limpe o para-brisa. Eu também apreciaria se você olhasse o fluido de óleo e radiador. O que sobrar você pode considerar gorjeta. O Sunnyside Up Diner parece um lugar decente para almoçar. Eu não tenho muito tempo sobrando. Eu me aproximo do balcão e sou recebida por uma garçonete madura, com um sorriso enrugado. — O que posso pegar para você, querida? — pergunta ela, com a voz rouca. — O que for mais rápido para viagem, por favor. A garçonete não perdeu um segundo. — Sanduíche de salada com ovo pra já. Vou até a geladeira, pego quatro garrafas de água e uma bebida esportiva. Coloco-as no balcão, em seguida, passo os lanches pela caixa registadora. Adiciono rapidamente dois pacotes de batatas fritas, chicletes sem açúcar e um punhado de Twizzlers 3. A garçonete vem da cozinha nem um minuto depois com um pacote marrom embrulhado e, olhando para todas as coisas que eu estava comprando, estende a mão para a exibição de assados e acrescenta um pequeno pacote de biscoitos às minhas coisas. Quando eu estou prestes a discutir, ela soma as coisas e murmura: — Eu que fiz aqueles, querida e estão prestes a vencer. Veja se come até amanhã, tá? Além disso, parece que você precisa de um pouco de carne nos ossos. Sorrindo para sua bondade, eu pago deixando mais uma gorjeta decente para a minha garçonete, embalo tudo em uma sacola e saio. Quando vejo o jovem atendente olhando por cima do meu carro e

3

Twizzlers é um dos doces mais populares nos Estados Unidos (antes chamado de "licorice candy"). É um produto da Y & S Candies, Inc., de Lancaster, Pensilvânia, agora uma filial da The Hershey Company.


conversando com um homem gordo na casa dos cinquenta, meu instinto entra em alerta. Eu grito: — Tudo bem? O homem mais velho olha na minha direção antes dos seus olhos me verificarem. — Quando foi a última vez que fez revisão? Eu olho para a minha Lexus. Meu carro é impecável. Eu não permito que as pessoas comam dentro por medo que migalhas entrem em lugares onde não devem. As únicas pessoas que permito olhar o motor são mecânicos especializados, e por algum tempo, eu não bebi nada nele. Nem mesmo água. Abrindo a porta do passageiro, eu alcanço o porta-luvas e retiro o diário de bordo. Eu entrego ao mecânico, e ele sorri. — Boa menina. Depois de folheá-lo com um cenho franzido, ele suspira e empurra a cabeça em um aceno decisivo. Devolvendo o livro, ele afirma: — O mecânico que você está usando está extorquindo-a. Sangrando-a. Eu tento não embasbacar. — O quê? Ele balança a cabeça. — Ele está acrescentando trabalho aqui e ali que ele não tem feito na verdade. Está em todo lugar. É um velho truque. Três meses seguidos ele trocou o limpador de para-brisa do seu Lexus chique, e por trocar quero dizer que ele anota o suficiente na sua fatura e esperando em Deus que você não note. — minha boca abre e ele dá um sorriso paternal. — O que acho que você não nota. — Você está falando sério?— eu xingo. — Eu levo-o desde que comprei o carro. — eu olho para o homem e adiciono em voz baixa, humilhada. — Há cinco anos. As sobrancelhas do homem sobem. — Ai. Sim. Ai. Suponho que o meu mecânico levou mais vantagem do nosso relacionamento do que eu. E quando eu digo mais, quero dizer dezenas de milhares.


Suspirando, eu inclino meu quadril no capô do carro e pergunto cansada: — O que há de errado com o carro? — Radiador rachado. Esfregando o pescoço distraidamente, eu digo: — Tudo bem. Se você puder consertar em uma hora, pago o dobro. — Não é tão simples, senhorita. Eu não tenho as peças que preciso. Eu preciso encomendá-las. Eu provavelmente poderia consertá-lo em cinco dias, o que seria o mais rápido. O pânico enche-me, e eu gaguejo: — Eu preciso sair daqui, senhor. Tem que haver uma maneira. Ele dá de ombros. — Eu posso arrumar, mas é apenas temporário. Não posso garantir que você chegue muito longe. Eu consigo um carro emprestado para você se tem lugares para ir. Raiva sobe, apertando meu interior. — Merda. Não, obrigada. Eu preciso ir, do tipo que não volto. — de repente, uma ideia me aparece. — Seu emprestado, onde está? O mecânico aponta para um Cadillac azul antigo, completo com pontos de ferrugem. Não parece muito, mas eu vejo muito mais. Um lento sorriso cruza o meu rosto. — Eu vou fazer uma proposta. Um negócio, mais precisamente. — suas sobrancelhas sobem para a linha do cabelo quando eu adiciono:— Meu carro pelo seu. Ele ri, mas não sem humor. Eu preciso sair daqui rápido, então eu decido usar meias-verdades. Perdendo meu sorriso, eu engulo em seco, e imploro: — Por favor, senhor. Eu preciso sair daqui o mais rápido possível. Meu último relacionamento está encerrado, e não terminou bem. Meu marido era possessivo e perigoso. Eu estou sendo seguida, e se ele me encontrar... — eu pisco. — Será problema para mim.


Ele não responde por um tempo, permitindo processar o que acabei de falar. Ele acena solenemente, empurrando o queixo em direção à minha testa. — Ele te deu essa contusão como presente de despedida? Parece que a minha maquiagem não cobriu tanto quanto eu esperava. Eu não respondi, apenas desviei os olhos. — Vou falar uma coisa, senhorita. Você pode ficar com o meu empréstimo. Não é muito, mas eu coloquei um monte de trabalho para ele. Ele ronrona como um gatinho. Mas não posso ficar com o seu carro. Eu não percebo que estou prendendo a respiração até que começo a respirar novamente. Eu balanço a cabeça. — Eu não quero isso, realmente. Os documentos estão no porta-luvas. Se fizermos isso, vai ser um negócio. Se você não quiser, sucate-o ou use as peças dele. Eu não me importo. Eu só não o quero de volta. Ele estende a mão. — Jimmy. Colocando minha pequena mão na sua, eu tremo. — Ana. Ele sorri grande. — Bem, então, deixe-me pegar as chaves, e você pode ir em frente e dirigir para o pôr do sol, senhorita Ana. Enquanto ele entra, um pensamento me faz tremer. Pessoas como eu não dirigem felizes para o pôr do sol. Nós andamos inclinados às margens de penhascos irregulares.


CAPÍTULO DEZ Alejandra Jimmy, o mecânico, recomendou um motel nas proximidades para passar a noite. Ele me disse para mencionar o seu nome, então quando eu chego e vou para a recepção, não fico surpresa ao encontrar um homem que se parece muito com Jimmy, só que mais velho, me esperando no balcão. Ignoro as paredes brancas descascadas e pisos laminados sujos. Eu também ignoro as manchas de água de aparência acastanhadas no teto e sorrio. — Olá. Antes de eu dizer outra palavra, o homem idoso responde: — Você é Ana? Ao som da sua voz alta, eu me sobressalto, colocando a mão sobre o peito. E ele dá uma risada rouca. — Desculpe, doçura. Perdi a maior parte da minha audição no Vietnã. Você é a menina que Jimmy estava falando? Eu simplesmente aceno enquanto tento acalmar meu coração acelerado. Engolindo em seco, eu começo: — Sim. Preciso de um quarto para a noite... — mas sou interrompida por uma ordem gritada. — Você vai ficar aqui dois dias, senhorita Ana, sem discussão. Você parece cansada pra caramba, e para sua sorte, qualquer amigo do meu filho recebe um especial de dois pelo preço de um, por isso hoje à noite é por conta da casa. Oh. Este deve ser o pai de Jimmy. Eu tento mais uma vez. — Muito obrigada, mas eu realmente só preciso de um...


Meu corpo salta novamente quando o homem grita: — Não! Bem, tudo bem então. Sabendo que não vou ganhar essa discussão, dou um pequeno sorriso. — Então serão duas noites. O homem sorri e isso transforma seu rosto. Sua expressão brusca amolece e ele pisca. — Sabia que você seria razoável. Além disso, meu Jimmy disse que precisava de um lugar para descansar. Então eu vou te registrar como Jane Smith. Ninguém nunca vai saber que você está aqui. — piscando surpresa com a bondade deste homem e seu filho, abaixo o meu queixo trêmulo e aceno, enxugando as lágrimas perdidas. O homem murmura, embora alto. — Ei, agora. — dando um passo à frente, ele pega a minha mão na sua e a acaricia suavemente. — Nada disso. Você está segura aqui. — ao olhar para cima, ele me prende com um olhar quase resplandecente. — Ninguém nunca mais vai te machucar. Parece muito com um voto e eu me encontro acreditando. Eu logo descubro que o nome do homem é Duane. Depois que ele me mostra o quarto, eu não posso deixa de me perguntar se ele me deu um quarto bom por generosidade ou se todos os outros quartos são tão bons quanto o meu. Claro, a área de recepção parecia um pouco pior por causa do desgaste, mas os quartos são bonitos. Um papel de parede estampado amarelo areia cobre as paredes, dando o efeito de luz quando não há nenhum. A cama queen-size tem um edredom de flores amarelas e brancas pálidas. O banheiro é de azulejos pintados em branco e limpo, com um forte traço de desinfetante no ar. E isso é bom. É fresco. Eu amo esse cheiro. Os tapetes escuros não têm manchas e são fofos debaixo dos meus pés descalços. Ao todo, o motel é mais do que eu esperava. Eu esperava baratas do tamanho de cães pequenos. Em vez disso, eu tenho um vaso cheio de flores de seda amarelas e brancas. O sol começa a se pôr e eu bocejo. Eu me levanto de onde estou sentada na cama e caminho até as cortinas amarelas vívidas. Dando uma espiada lá fora, eu vejo o mundo continuar a viver em torno de mim. Eu


fecho as cortinas, em seguida, vou até a minha sacola. Descarrego todas as garrafas de água e mastigo um Twizzler enquanto olho o resto. O sabor picante de framboesas e açúcar permanece na minha boca, e eu chupo o alcaçuz ao verificar o meu novo passaporte. Maria Gambirella. É quem eu sou a partir de agora. Conhecendo Dino e seus problemas de confiança, ninguém mais sabe sobre esse passaporte, sobre esse nome. Eu sou oficialmente uma nova pessoa. Eu verifico a arma, certificando-me que o pente está carregado e verifico a segurança. Eu, então, transfiro-a para a minha bolsa. É um pouco grande, mas tudo bem, eu realmente preciso disso pelo fato de ter medo. Eu nunca atiraria em uma pessoa, a não ser que a minha vida dependesse disso. E é melhor você acreditar que se eu tivesse que escolher entre mim e você, você perderia todos os dias da semana. Um sinal sonoro ecoa da minha bolsa. Minhas sobrancelhas contraem quando vou procurá-lo. Encontro rapidamente a fonte. Meu celular. E está com a bateria fraca. Merda. Encontrando um pedaço de papel e uma caneta, rapidamente anoto os poucos números de telefone que preciso saber, em seguida, saio do meu quarto. De pé perto do corrimão, eu me inclino para trás e jogo-o o mais forte que posso. Assisto meu celular voar por alguns segundos antes de atingir o chão com um impacto tão forte que pedaços de plástico e de metal ricocheteiam pra todo lado. Eu volto para dentro e me sento na beira da cama na cabeceira. Pego o pedaço de papel, eu o levanto e ligo do telefone no meu quarto. Ele toca quatro vezes antes da linha cair. — Você ligou para a Dra. Manda Rossi. No momento não estou disponível. Se é uma emergência médica e você não tem certeza do que fazer, por favor, visite o seu médico


de clínica geral ou o hospital local. Lembre-se, é melhor prevenir do que remediar. Deixe o seu nome e informações de contato, e eu retornarei a sua chamada logo que eu puder. — Bip. Eu seguro o telefone em minhas mãos tremendo, meu coração batendo no meu peito. Abro a boca para falar, mas depois fechoa. Balançando a cabeça, eu tento novamente. — Eu-uh. — nada. Eu não consigo pensar em nada para dizer. — Manda, é Ana. — o que posso dizer que ela já não saiba? Eu tento de qualquer maneira. — Neste momento você provavelmente sabe sobre Dino. — eu aperto o telefone. — Eu só liguei para que você saiba que estou bem. Eu estou segura. — eu pisco conforme o meu coração acelerado se acalma. — Eu estou finalmente livre, Manda. — eu solto uma risada. — Eu estou livre. E com isso, coloco gentilmente o fone no gancho, desligando a chamada. Eu me pergunto se essa vai ser a última vez Manda ouvirá a minha voz. De repente, eu gostaria de ter dito mais, algo significativo, algo sincero. Eu gostaria de ter dito o quanto a amizade dela significava para mim e que eu não teria sobrevivido por tanto tempo sem ela. Sento-me na beira da cama e reflito um pouco mais. Algo me diz que o preço da minha liberdade vai ser alto, e provavelmente vou pagar com a minha vida.

Julius Não é ruim ter amigos em lugares privilegiados. Eu lidei com um monte de gente na minha vida. Eu também ajudei muitas dessas pessoas. Você poderia dizer que sou um cara decente, ou se você me conhecesse melhor, você diria que eu sabia como me virar.


Faça um favor, tenha alguém que te deva um favor. É assim que as pessoas se viram no meu mundo. Então eu faço uma chamada para um velho amigo, um policial. Casper Quaid não fica surpreso por eu ligar. — Eu estava me perguntando quando você ligaria. Eu luto com um sorriso. — Não é tão ruim quanto você pensa. Casper zomba. — É algo que eu poderia perder meu trabalho de novo? Eu não respondo. Sendo essa a minha resposta. Casper suspira. — O que vou fazer, Julius? Eu respondo entediado. — Só localizar um telefone celular. Eu sabia que Casper pensava que seria pior. Eu sei disso, porque assim que eu digo-lhe o que eu preciso, ele concorda às pressas e me chama de volta dentro de meia hora. — O celular não está em movimento. O seu cara está em algum lugar nessas coordenadas. — ele recita as coordenadas e eu as anoto, entregando-as para Ling. Agradeçolhe, e Casper esclarece rapidamente. — É isso aí. Acabamos. Você não me ligue pedindo favor novamente, certo? Então, eu sorrio. — É isso aí, cara. Acabamos. Tenha uma ótima vida. Casper soa imediatamente aliviado. — O mesmo para você. Conforme nós dirigimos, procuramos por locais de interesse ao lado da estrada. A luz do sol está começando a desaparecer e, com ela, o nosso tempo. Eu esfrego a nuca enquanto dirijo. A tensão faz meu pescoço endurecer. Eu posso sentir os olhos de Ling em mim quando ela promete: — Ei. Nós vamos arrumar isso. Tudo vai ficar bem. OK? Eu esfrego meu pescoço mais forte e olho. — Sim. — minha resposta sai rouca, e nenhum de nós acredita que tudo vai ficar bem. Como


poderia? Temos um homem inocente morto e estão atualmente à caça de uma mulher que vai ter o mesmo destino. Não. Isso não é bom. Nem chega perto. Antes de sairmos, fiz Miguel imprimir duas fotografias recentes de Alejandra, uma sem maquiagem e sorrindo, a outra em que ela está usando óculos de grandes dimensões. Ling, olhando para o seu lado da estrada e diz: — Restaurante. Eu estaciono e saímos. Verificando meu bolso de trás, saio do carro e entramos. A garçonete gorducha sorri e nos cumprimenta: — Oi. Temos hambúrgueres no cardápio hoje à noite. Se vocês estiverem interessados peçam o especial da Deb. Aproximando-me do balcão, eu olho a mulher nos olhos e forço um sorriso. — Madame, eu sou detetive Jay. Eu esperava que você pudesse nos ajudar. Nós estamos procurando por essa mulher. Eu entrego as fotografias impressas de Alejandra à mulher e vejo o momento do reconhecimento quando seus olhos veem o rosto de Alejandra. Ela hesita. — Ela está em apuros? Eu balanço a cabeça. — Depende da sua versão de problema. Mas, para garantir a sua segurança, eu preciso chegar até ela o mais rápido possível. Seus olhos estreitam para mim. — Você tem alguma identificação que eu possa ver? Alcançando o meu bolso de trás, eu retiro meu distintivo policial falso imaculado e identidade e entrego para ela. Ela suspira. — Sim. Ela esteve aqui mais cedo hoje. Ling interrompe: — Há quanto tempo?


A garçonete dá de ombros. — Por volta de duas horas da tarde. Porra. São mais de quatro horas. Ela está muito longe agora. Ling sussurra: — Droga. A garçonete ilumina. — Vocês precisam falar com Jimmy. Eu acho que ela teve problemas com o carro, por isso ela deixou o carro com ele. Eu a vi tomar o dele emprestado. Rezando meu agradecimento ao Deus dos problemas de carro, eu pergunto pacientemente. — Empréstimo, hein? Que tipo de carro? — Um Cadillac azul. Um clássico. — olhando para fora sobre mim, ela aponta. — Lá está ele agora. Se você quiser pegá-lo, é melhor correr. Ele não vai voltar até de manhã. Um cara grande, corpulento, com uma barba e macacão coberto de graxa entra na sua caminhonete, pronto para sair. Grito para a garçonete. — Obrigado por sua ajuda. Muito obrigado. Ah, e se alguém vier à procura dela não dê qualquer informação. Pela segurança dela. Você entende. Eu acelero o passo assim que ele dá a partida no carro e saio em uma corrida louca. Direciono para a caminhonete, e assim que ele começa a sair, eu paro na frente dela. O freio grita e o carro sacoleja. Jimmy está fora do carro gritando em um segundo. — Você perdeu a porra da cabeça, filho, ou você só tem um desejo de morte? Respirando profundamente, eu balanço minha cabeça, levantando o distintivo da polícia e as fotos de Alejandra. — Você viu esta mulher? Mas Jimmy nem sequer olha para as fotos. Ele me encara, o lábio curvando. — Não. Oh sim. Jimmy realmente não gosta de mim. Levanto as fotos e tento mais uma vez. — Tem certeza? Ele não vacila. — Desculpa. Não posso ajudá-lo.


Meu queixo cerra. Estou prestes a colocar este homem no lugar dele quando uma voz suave, feminina soa ao meu lado. — Com licença, senhor. Qualquer informação que você tenha sobre o paradeiro de Alejandra Gambino seria muito apreciada. Sabemos que ela esteve aqui. Sabemos que ela teve problemas com o carro. Sabemos que ela falou com o senhor. Olho para Ling, chocado e surpreso que ela possa fingir tão bem ser doce, quando a acidez é sua especialidade. Jimmy olha para o rosto suave de Ling e murmura: — Ela teve problemas com o carro. Ela se foi. Ling dá um passo à frente. — Aonde? Para onde ela foi? Jimmy parece detonado. Eu o ajudo a tornar a sua decisão. — Há pessoas vindo procurá-la. Eles vão encontrá-la. Se a encontrarmos primeiro, temos chance de mantê-la em segurança. Jimmy morde o interior da bochecha, em guerra consigo mesmo. Ling coloca a mão em seu antebraço e implora: — Por favor. Ajude-nos a ajudá-la. Colocando as mãos sobre a cabeça, ele solta um suspiro, respondendo de uma vez só. — Ela está no Sunflower Inn, uma quadra daqui. É o lugar do meu pai. Ela está no quarto três, sob o nome de Jane Smith. Ela não vai tender qualquer pessoa que não saiba esse nome. Esse foi o acordo. Alívio. Alívio puro passa através de mim. Eu estendo minha mão para ele. — Obrigado, senhor. Jimmy aperta minha mão e me fixa com um olhar. — Mantenhamna segura. Ling sorri para Jimmy, antes de virar e ir para o carro. Ling já tem o endereço para o Sunflower Inn em seu telefone. — Sim. Apenas uma quadra de distância.


Um quarteirão de distância. Eu não sei se me sinto eufórico ou sombrio. Talvez eu me sinta um pouco de ambos.

Alejandra

A água quente desce sobre mim enquanto choro. Inclinando a cabeça no azulejo frio, eu soluço baixinho. O que eu vou fazer agora? Eu nunca tive que pensar sobre mim mesma. Alguém sempre fez isso por mim. Em primeiro lugar, a minha mãe, depois meu pai e por último, Dino. A única coisa que eu realmente precisava fazer era me certificar de que eu fosse bem comportada, uma boa filha, uma esposa humilde. Quem sou eu? Alejandra Castillo Gambino está morta. Não que ela tenha realmente vivido. Maria Gambirella. Quem é ela? Como ela é? Ela é engraçada e doce? Talvez ela seja inteligente e atrevida. Esta é a minha chance de ser outra pessoa, alguém que eu gostaria de ser. Eu fungo e levanto o meu rosto no chuveiro, lavando minha angústia pelo ralo junto com a água com sabão. Passo as mãos pelo rosto, desligo a água e torço meu cabelo, enrolando o longo comprimento em uma toalha e o seco. Eu me visto rapidamente no meu único sutiã, um branco, blusa de seda delicada, e calças preta de ioga. Na minha pressa para ficar longe de casa, eu realmente não verifiquei o que estava carregando. Eu realmente não tenho nada que


combine. Mas está tudo bem. Vou consertar isso amanhã com um maço de dinheiro da minha mala. Depois que o meu cabelo fica enrolado por um tempo eu o solto. Ele cai em longos fios bagunçados pelas minhas costas, a umidade faz cócegas na minha pele. Uma batida soa na porta. Meu corpo treme com medo repentino. Eu chamo hesitante: — Ssim? Uma voz feminina fala: — Chinelos e café para a Srta. Smith, cortesia da recepção. Meu corpo fica mole. Rindo para mim mesma, eu corro uma mão no meu rosto e vou até a porta. Abro a porta, e no segundo que eu viro a fechadura, sou jogada para trás. O golpe duro me faz cair de costas, dor correndo pelo meu tronco e inferior. Eu pisco, olho para cima. E paro de respirar. Julius e Ling estão ali, olhando para mim. Ling com a arma apontada para mim, e me afasto desajeitada de costas, ofegante. — Como vocês me acharam? Um Julius inexpressivo dá um passo à frente. Eu recuo até chegar à parede. Corpo

sacudindo,

eu

tremo

de

medo

quando

ele

se

aproxima. Ajoelhado ao meu lado, ele suspira alto antes de dizer: — Regra número um de uma fuga bem-sucedida. — ele estende a mão, os dedos delicadamente removendo fios molhados de cabelo da minha testa antes de fixar o olhar em mim mais uma vez. — Nunca deixe um rastro.


CAPÍTULO ONZE Julius Momentos como estes não fazem nada comigo. Eu não me sinto grande, ou forte, ou viril. Ver Alejandra esparramada no chão assim não me deixa feliz. Eu tenho que dizer, eu encontrei satisfação no olhar chocado em seu rosto quando ela se recuperou da queda, mas tê-la jogada ao redor assim, seu corpo pequeno, frágil, parecendo mais uma boneca de pano do que humana? Não. Eu não gosto disso. Gentilmente segurando-a pelo braço, eu a ajudo a sair do chão e fico surpreso quando ela me permite levá-la sem lutar. Eu levo-a para a cama, enquanto Ling fecha e tranca a porta. Assim que eu a sento, ela nos deixa de fora, mergulha o queixo, fingindo que não estamos lá. O movimento é tão infantil que meu comportamento geralmente calmo se extingue, e de repente, eu quero quebrar cabeças. Meu coração bate em um ritmo forte, rápido, quando minha raiva aumenta. Vou para frente dela. Demoro um longo tempo antes de dizer baixo e asperamente. — Estou realmente furioso com você, Alejandra. Sua resposta é imediata. — Foda-se. Fazendo uma pausa, volto-me para encará-la, meu queixo cerrado. Isso era desafio e desrespeito, puro e simplesmente. Minha raiva sobe para um nível superior, borbulhando como lava derretida profundamente em minhas veias. Murmuro em um sussurro mortal. — Fale comigo assim novamente e vamos ter problemas, chica.


Erguendo o rosto para o meu, ela levanta o queixo em insolência. — Você não é meu pai. — Não, só o homem que você tentou enquadrar a morte do seu marido. O mesmo marido que você acusou de assassinato. Não, eu não sou seu pai, mas se eu fosse... — eu balanço a cabeça levemente chocado — eu a teria deserdado por ser uma putinha. — boom. Surpresa com a minha declaração contundente, seus olhos se arregalam, e sua boca se abre antes que ela controle e a fecho com um estalo. Ela olha para o nada pelo meu cotovelo, perdendo o foco, e algo me diz que simplesmente a perdi dentro da sua própria cabeça. Ling, sentada em uma mesa pequena, balança a arma dela no ar para chamar sua atenção. — O que, a propósito, pesa sobre mim, considerando que eu sou a pessoa que atirou nele. — ela zomba. — Não que não tenha valido a pena. O cara era um idiota. — ela olha para Alejandra e encolhe os ombros. — Sem ofensa. Alejandra engole em seco, fecha os olhos, e então sussurra: — Por favor, pare de falar. Ling revira os olhos. Ela não gosta de drama. Eu consigo me calar um pouco antes de me juntar a Ling na mesa. Inclinando para frente, eu coloco minha boca em sua orelha, e sussurro: — O que você vê? Ling observa Alejandra de perto, avaliando-a cuidadosamente antes de responder bem baixinho. — Eu vejo uma menina com medo tentando ser forte. Eu também. Eu fico de pé e vou até a cama. Puxando Alejandra com força, eu pego a bolsa e jogo-a para Ling. Ela pega, abre e então sorri. — Alejandra, você me choca, sua cobra suja. Isso me chama a atenção. — O quê?


Ling tira maços de dinheiro da bolsa, e eu franzo a testa, em seguida olho para Alejandra, que se recusa a olhar para mim. — Exatamente há quanto tempo você vem planejando isso? — ela não responde, mas empalidece visivelmente. Eu achava que era um bom juiz de caráter. Fica óbvio para mim que não sou confiável em torno de mulheres bonitas. Elas claramente enchem minha cabeça com besteiras, e o que é pior é que... eu deixo. Meus lábios se enrolam em desgosto, e eu puxo Alejandra para frente com um pouco mais de força do que deveria. — Mova-se. Mas ela afunda os calcanhares, os olhos arregalados, recuando em pânico claro. — Para onde estamos indo? Para onde você vai me levar? Sem olhar para baixo, eu aperto o braço tão forte que eu sei que vai machucar. Arrastando-a até a porta, eu falo. — Eu te disse o que aconteceria se você mentisse para mim. Você está indo para casa. — eu olho para ela e sorrio bruscamente. — O que você achou? Que você escaparia dessa? — eu abaixo o meu rosto para o dela até ficarmos quase nariz com nariz. — Vito Gambino quer seu corpo em um saco. O que eu não acrescento é e ele vai receber o que deseja porque o seu pai é um maricas. Assustada Alejandra luta sem sucesso, de repente se transforma em uma Alejandra resignada. Ela para de hesitar e me permite levá-la. Sua submissão repentina deveria deixar-me nervoso, mas estou muito satisfeito com o fato de tê-la. No segundo que saímos, eu percebo o meu erro. Ouço-a inalar duramente e eu sei o que está vindo. A atrevida vai gritar. Eu faço a única coisa que posso pensar. Empurro-a contra a parede de

concreto

com

um

baque

duro,

aperto

sua

garganta

com

força. Rangendo os dentes, eu assobio. — Não faça isso, cadela fodida. Eu te apago aqui mesmo se for preciso.


Alejandra alcança e arranha a minha mão com a sua, enquanto balança-a em um punho e bate no meu braço. Os olhos arregalados, sua boca abre e fecha, um ruído borbulhante escapando dela. Eu deveria soltá-la. Eu deveria pedir desculpas. Mas não faço isso. Ela tem que entender que durante o tempo que estiver comigo, eu a possuo. Ling passa por nós parecendo mais do que entediada ao dizer: — Jesus, vamos lá! Você está fazendo uma cena. Eu permito a luta um pouco mais e faço sem vacilar. A dura realidade desta situação está afundando. Se precisar, eu mesmo vou matar Alejandra. Eu não vou gostar, mas vou fazê-lo. O medo nos olhos de Alejandra é muito real, e quando eles perfuram os meus, irradia dela para dentro de mim. Meus olhos estreitam para ela quando eu tento entendê-la. Qual diabos é o seu problema? Ela tem dinheiro da própria família. Ela não precisava de dinheiro. O curto período de tempo em que a vi com Dino, ela parecia feliz. Cansada,

mas

ainda

assim

feliz. Cada

pessoa

com

quem

conversamos, nos disse que Dino e Alejandra eram leais um ao outro e felizes em seu casamento. Por que este pequeno pedaço de uma mulher teria matado seu marido? Eu simplesmente não consigo ver sentido nisso. Um súbito pensamento passa pela minha cabeça. Dino Gambino estava traindo sua esposa? Outro pensamento. E se Alejandra estava traindo Dino e o bebê não é dele? Este último faz mais sentido para mim.


Minha voz baixa, eu me inclino para perto. — Eu vou soltá-la agora. E você não vai gritar, não é? Tentando desesperadamente recuperar o fôlego, com o rosto roxo, ela gorgoleja um pouco mais, sacudindo a cabeça vigorosamente. No segundo que relaxo a mão em sua garganta, as mãos trêmulas agarram as minhas na sua clavícula. Eu seguro-a, apoiando-a, enquanto ela tosse e arqueja, tomando um oxigênio muito necessário. A testa coberta de suor, ela fecha os olhos em alívio e a pequena ação me torna maligno. Agarrando sua clavícula, eu rosno. — Não me obrigue a fazer isso de novo. — seus olhos se abrem e piscam fracamente, seu lábio inferior tremendo. Meus olhos focados em seus lábios, eu completo: — Eu não gostei disso. — Foda-se, Julius. Mova o seu rabo. Precisamos sair daqui. — Ling chama, o clique de seus saltos ecoando por todo o estacionamento. Distraidamente esfregando o polegar na sua clavícula, eu olho para essa mulher assustada e ferida, e numa noite, tornou-me tudo que eu odeio em uma pessoa. Eu suavizo a minha expressão. — Não fuja de mim. — uma ordem. Em vez de responder, Alejandra fecha os olhos e inclina a cabeça para trás na parede de tijolo, ofegante. Quando seus ombros caem, um pouco do seu fogo se desvanece. Vou tomar isso como um ok. Agarro seu braço e levo-a para o carro. Ling abre a porta para mim, mas antes de eu colocá-la dentro, coloco a mão no meu bolso, virando-a para mim. Eu levanto suas mãos, coloco-as juntas e envolvo a braçadeira preta nos seus pulsos tão apertado quanto possível sem cortar a circulação. Ling passa à frente e junta suas mãos com fita adesiva. Quando caminho de volta para o lado do motorista, eu ouço Ling fechar a porta do passageiro de trás e se juntar a mim na frente. — E se o carro capotar?


Minha testa franze. Dou partida no carro e olho para minha convidada no espelho retrovisor com um olhar fixo avaliando. Ela levanta as mãos imobilizadas. — E se o carro capotar? Seus grandes olhos de corça não deixam os meus. Depois de algum tempo, eu aprofundo meu olhar de tédio e respondo calmamente. — Então você está bem e verdadeiramente fodida. Ela pisca para mim, sem mostrar qualquer emoção. Então ela me choca. Alejandra Gambino sorri. Um sorriso suave. Um sorriso secreto. E isso reflete diretamente no meu pau. Foda-se ela por ser tão bonita. Recostando-se no banco do passageiro, ela fecha os olhos, e dentro de meia hora de estrada, sua respiração estabiliza quando ela adormece. Sinto os olhos de Ling em mim. Eu me viro para olhar para ela antes de estreitar os olhos. — O quê? Sua pequena e bem cuidada mão se estende para apertar a minha coxa. — Eu disse que ficaria tudo bem. Lembro-me de fazer isso sozinho. Lembro-me de nunca precisar de alguém. Meu parceiro no crime era Twitch, e depois que ele morreu, eu não

queria

mais

ninguém. Perder

as

pessoas

dói,

no

corpo ou espírito. Mas eu sou grato por Ling. É bom compartilhar a carga. Dou-lhe um sorriso rápido. — Você falou, Ling Ling. Ela devolve o sorriso, e nós dirigimos em silêncio, a mão pousada na minha coxa. Quando meus olhos começam a cair, eu decido sobre uma mudança de planos. — Eu estou em má forma por aqui. Acho que não estamos muito longe do loft.


Piscando sonolenta, Ling verifica o GPS. — Cerca de cinquenta e cinco minutos. — ela se vira em seu assento, olhando para a Alejandra dormindo, antes de perguntar: — Você tem certeza que quer ela na sua casa? Minha casa é muito importante para mim. É o meu lugar seguro, longe de todos os fodidos do mundo. É o meu refúgio. Mas agora, eu não tenho escolha. Não posso dirigir por muito mais tempo. Se eu fosse um carro, estaria ficando sem gasolina. — Só uma noite. — eu dou de ombros levemente. — O que de pior poderia acontecer?

Alejandra Fingir dormir por tanto tempo é mais difícil do que parece. Porque você tem pouca coisa para fazer, você se encontra submerso no que as pessoas ao seu redor estão dizendo. Quando Julius perguntou para Ling que distância o loft estava, eu parei de respirar. Pessoas dormindo não param de respirar. Eu me corrigi no momento em que percebi. Tive sorte que ninguém notou. Sabendo que não vai demorar muito até eu fazer a minha fuga, eu luto com meu coração acelerado e continuo a respirar de forma constante. E vou continuar a fazer isso até que o carro pare. O carro finalmente começa a abrandar, os freios rangendo tranquilamente. Ling abre a porta do passageiro e sai. Depois de um breve momento, o carro move-se, diminui uma vez mais e, finalmente, o motor desliga.


Está quase na hora. Meu coração bate a ponto de causar um ataque cardíaco. Estou petrificada. A picada fria de lágrimas amargas formiga no interior dos meus olhos. Esta é a minha única esperança. A porta do meu lado se abre, e sem pensar eu me sento direito e bato a cabeça para frente em... merda. Em Ling. Ela tropeça e cai para trás, segurando seu nariz agora sangrando, e isso é tudo que eu preciso. Saindo, meus pés descalços batem no chão gelado, e mesmo sem saber para onde estou indo, eu corro. Eu ouço. — Porra! A raiva em sua voz me alimenta. Eu corro mais pelo lado do edifício, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Eu nem sabia que eu estava chorando até minha visão borrar. Tanto cansaço, dor irradia através do meu calcanhar quando eu piso em algo afiado. Eu grito quando perfura a pele. Eu sei que estou sangrando, mas não posso fazer nada sobre isso. Minhas mãos estão atadas. Eu me levanto e tropeço. Merda, isso dói. Eu tento mais uma vez, mas meu corpo se desintegra debaixo de mim. Maldição. Merda! Não. Eu não vou a lugar algum. Estou acabada. E, Deus, isso realmente é uma porcaria. Eu tinha um plano.


Você é fraca. Você é patética. Abrace a morte, sua imbecil. É o melhor que você vai conseguir. As lágrimas amargas caem livremente, e saúdam a libertação. Eu espero sentada. Passos soam atrás de mim, e, em um caso raro de modéstia, eu abaixo meu rosto nos joelhos para esconder a mancha de lágrimas e os olhos vermelhos. Sem uma palavra, seus braços me envolvem, em meus joelhos e nas minhas costas, e ele me leva de volta para o carro. — Você quebrou meu nariz, cadela. — diz Ling. Ela parece mais indignada do que com raiva ao murmurar: — Sabe quanto tempo vai demorar para curar? Vou ficar roxa por duas malditas semanas. Obrigada, a propósito. Julius me senta na porta do carro aberta e levanta o meu pé. Eu arrisco uma espiada para encontrá-lo olhando para mim. — Você pisou em um prego. — balançando a cabeça para mim, ele se abaixa, pega a extremidade do prego com os dedos e puxa. Eu grito e puxo para trás. Dor irradia através do meu pé, panturrilha e joelho trêmulo. Ele examina o prego. — Está enferrujado. Você fez reforço contra o tétano? Ling está atrás de Julius, lambendo sangue de seu lábio superior, sorrindo. — Dói pra caralho, não é? Dói. Dói de verdade. Julius se volta para Ling, e em um gesto de carinho, estende a mão para segurar seu rosto, correndo os dedos sobre ele. — Você está bem? Ling sorri com vontade. — Você sabe como eu gosto. — ela olha para mim antes de mandar-me um beijo. — Essas foram apenas preliminares. O fato de que esta mulher se excita com dor me faz mal. O fato de que Julius parece ser a pessoa que oferece essa dor, quebra meu


coração. Ele é, provavelmente, apenas como Dino, e se esse for o caso, eu não tenho nenhuma esperança de sobreviver. Ele libera seu rosto, em seguida, entrega a ela seu celular. — Ligue para Aida. Diga a ela que ela vai precisar de uma vacina antitetânica e antibióticos. Pergunte-lhe se há alguma coisa que ela pode fazer pelo seu nariz. Ling assente em seguida, move-se para a entrada do edifício, para longe do carro. Meu coração sobressalta. Ter Ling ao redor me faz sentir mais segura. E agora eu tenho um homem semelhante a um deus, com raiva, no meu centro... eu decido ser honesta. — Eles vão me matar. Ele não responde, só me observa. — Eu não quero morrer. Sua mandíbula bate, mas ele não diz nada. — Você é minha única esperança. É então que ele responde, uma curta sentença de honestidade. — Se eu sou sua única esperança, pequeno pardal, comece a rezar. É como se você já estivesse morta. A declaração faz o meu peito apertar conforme a ansiedade se acomoda. Meu peito se ergue com respirações instáveis. Eu não estou pronta para morrer. Eu nem sei como viver ainda. Parece injusto de alguma forma. Julius endireita-se e cruza os braços sobre o peito, parecendo um vingador. É uma visão tão intensa que calafrios percorrem a minha espinha. Enquanto ele me observa, Ling assoa sangue do nariz sem cerimônia na calçada. Ela não parece uma má pessoa. Também poderia ser minha única esperança de escapar. A vergonha me preenche. — Desculpe sobre o seu nariz. — sai mais como um sussurro.


Ling me olha de cima a baixo, estreitando os olhos para causar impressão. — Tudo é justo no amor e na guerra. Eu aceno, sabendo exatamente o que ela quer dizer. Eu não tenho certeza de quanto tempo passa antes de um SUV branco descer para a unidade, estacionando atrás do preto onde estou atualmente sentada, mas estou mais fria do que gelo. Eu não tenho certeza do que esperava quando Julius chamou uma enfermeira, mas não era isso. Uma mulher muito baixa, muito gorda, madura com um cigarro pendurado para fora da boca, aproxima-se. Seu cabelo roxo chocante e brilhante é curto e com estilo, e ela veste um jaleco azul com uma camisa floral cor-de-rosa. Ela se vira para nós. — Que tipo de merda você se meteu desta vez, Sr. Carter? Ele sorri para ela. E eu sinto tudo. Meu instinto se agita. Eu gostaria de ser o tipo de pessoa que tinha sorrisos como esse reservado. Ele beija a bochecha dela. — Eu senti sua falta, Aida. Tenho que inventar desculpas para vê-la, só isso. Ela bufa uma risada incrédula, cospe o cigarro, em seguida, passa por ele. Virando-se para mim, ela lança um olhar sobre meu calcanhar depois para Julius. — Isso precisa ser limpo. Preciso de sal e água, um pouco de cada. Você pode conseguir para mim, querido? Julius olha para mim. Seus olhos estreitam em advertência antes de ele acenar com a cabeça e entrar no prédio. Assim que ele está fora de vista, eu me inclino para frente e sussurro: — Por favor, eles vão me matar. Uma luz brilhante, de repente brilha, iluminando toda a frente do loft, e Aida me ignora. — O buraco é profundo. A água salgada vai doer


pra caramba, senhorita. Espero que você seja forte, porque eu não tolero besteiras. Especialmente da variedade autoinfligida. Com a voz rouca, eu digo: — Se eles não me matarem, ele vai. Por favor, me ajude. Tudo que eu preciso é que você encontre o meu irmão... Os olhos de Aida se tornam afiados quando ela me interrompe. — Se eu fosse você fecharia essa boca bonita, menina. — meu lábio treme e eu me afasto, lutando contra a dor que estou sentindo. Será que ninguém vai me ajudar? É quando Aida suspira. Ela inspeciona meu outro pé, e diz em voz baixa. — Você acha que alguém que planeja matá-la, chamaria uma enfermeira para se certificar de que você não morra de tétano? Isso… Minha testa franze com o pensamento. Esse é um ponto de vista muito bom. Abro a boca, mas ela levanta a palma da mão, me parando. — Se eu fosse você, eu me comportaria. Lidar com homens como o Sr. Carter pode ser prejudicial para a sua saúde. — ela olha para o meu templo machucado. — Mas algo me diz que você já sabe um pouco sobre isso. Julius sai do prédio carregando as coisas que Aida necessita. Eu não tenho muito tempo. Pergunto desesperadamente através de um sussurro. — O que você sugere que eu faça? Ela responde imediatamente, clinicamente. — Mantenha sua cabeça baixa e a boca fechada. Isso não é um jogo. Mas se fosse — seus olhos duros se encontram com os meus — Julius Carter venceria.


CAPÍTULO DOZE Alejandra Julius traz um balde de água e um recipiente de sal. Enquanto caminha, seus olhos encontram os meus e não os deixam. Seus olhos falam frases completas, ainda assim, não consigo entendê-las. Eu gostaria de saber o que elas dizem. Vai até Aida e coloca o balde ao lado dela. Sem sequer olhar para ele, ela estende a mão, e ele coloca o recipiente nela. Aida estende a mão para as minhas e remove a fita antes de cortar a braçadeira. Eu esfrego os pulsos doloridos enquanto ela murmura: — Você vai precisar dessas mãos em um minuto. A familiaridade entre eles não acalma meu coração acelerado. Na verdade, tem o efeito oposto. Meu coração bate mais forte, mais rápido. Eles já fizeram isso antes. Aida pega um pouco de sal na palma da mão e deixa cair na água. Puxando uma espátula de madeira, ela mexe um pouco antes de pegar o meu pé ferido e colocá-lo na água quente. Mas não estou pronta para isso. O sal na água faz a minha ferida aberta arder quase tanto quanto o calor da água. Ofego alto, seguro ao lado do assento do passageiro do carro e mordo meu lábio inferior e meu corpo inteiro treme. Aida olha para mim. — Talvez a dor seja uma lição para você. Eu mordo meu lábio com tanta força que tenho medo de perfurálo. E Julius... ele me observa. Seu olhar duro faz buracos em mim, eu fecho os olhos para me manter a salvo daqueles olhos azuis agressivos. Ling sorri com crueldade. — Vingança é uma puta, cadela.


Meu corpo treme e eu começo a suar. Eu sinto trilhar a minha têmpora, caindo no meu queixo. Umidade escorre pelo meu nariz, sobre meus lábios. A salinidade da transpiração é tão ácida que queima meus olhos. Eu tento piscar, embora sem sucesso. Então Aida coloca uma mão enluvada na água salgada e começa a me torturar sob a forma de uma limpeza profunda. Ela passa a mão por cima do meu calcanhar e dói tanto que minha boca se abre em um grito silencioso. Retirando um grande cotonete, ela levanta o meu pé para fora da água e olha de perto para o buraco no meu calcanhar. Espero que o cotonete passe levemente sobre a ferida, que não seja colocado diretamente e sem muita gentileza. É então que eu grito. Aida comenta: — Talvez devêssemos fazer isso lá dentro. Julius balança a cabeça. — Não quero que ela sangre na casa. Segurando a porta do carro, eu dou uma respiração instável e solto um gemido de dor. Aida continua a girar o cotonete bem dentro da ferida. Sou incapaz de respirar fundo. Minha cabeça cai de lado, e com o cabelo grudado no meu rosto suado, eu grito com a voz rouca, a saliva escorrendo pelo lado da boca e pelo queixo.. Resumindo, eu sou uma bagunça completa. O cotonete é removido da ferida e levantado na minha frente. Aida aponta as manchas. — Independentemente do que possa pensar, eu não estou fazendo isso por diversão. Vê essa mancha? É ferrugem. Eu preciso fazer isso mais uma vez, então prepare-se. Meu corpo treme violentamente, está no limite quando imploro: — Não, por favor, não. Não mais. Por favor, não. A enfermeira Aida ignora minhas súplicas. Ela pega mais um cotonete e repete o processo. O que quer que eu pareça agora, tremendo e gemendo, deve dá para perceber que não estou me divertindo muito,


porque nem Ling olha para mim, um lenço enrolado no nariz, demonstrando simpatia nas suas feições. Aida puxa o cotonete e o verifica. Parecendo satisfeita com a limpeza da ferida, ela gentilmente esfrega creme antisséptico antes de embalar o pequeno orifício com gaze. — Tire isso quando acordar amanhã e coloque mais um pouco deste creme antisséptico sobre ele. Depois de desembrulhar, não cubra novamente. Mantenha aberto e limpo. Lave duas vezes por dia com água salgada. Você deve estar bem dentro de uma semana, mas vai ficar dolorido por um tempo. — virando para Julius, ela ordena: — Ela não pode ficar de pé durante os próximos dias. Você vai ter que ajudá-la a limpar a ferida. Sua testa franze. — O que você está dizendo, uma semana? É um furo porra, não um ferimento de bala. Você está me dizendo que ela precisa de uma semana para essa besteira se curar? Aida olha para mim, e quando ela me olha nos olhos, vejo o pedido de desculpas. É então que percebo que a enfermeira Aida tinha tentado me ajudar dando-me mais tempo para curar do que o necessário. A mulher mais velha olha para Julius e responde calmamente: — Quatro dias no mínimo. Sem mais uma palavra, Aida começa a desabotoar a minha blusa. Dou um tapa em sua mão. — Ei! Ignorando a minha triste tentativa de manter algum resquício de dignidade, ela murmura de forma dura. — Você precisa de uma dose. Na verdade, você precisa de duas. — seus olhos encontram os meus. — A menos, claro, que você prefira uma mão no seu traseiro. — ela levanta as sobrancelhas. — Posso baixar suas calças tão rápido quanto as mangas da sua camisa. A luta me deixa. Eu não quero ter uma infecção. Eu não quero ficar doente. Eu permito que ela me apalpe.


Aida abaixo a manga para revelar meu braço. Ela pega duas doses já carregadas. Pegando um algodão embebido em álcool, ela limpa a pele do meu braço antes de administrar a primeiro dose. Queima como um filho da puta, mas eu mordo a língua. A segunda queima duas vezes mais que a primeira, e ela murmura: — O reforço tem uma liberação lenta, por isso funciona no lugar de um ciclo de dez dias de comprimido. Aida coloca uma bola de algodão no meu braço, corta um pedaço de fita adesiva médica e o prende lá. Ela explica: — Provavelmente haverá um caroço aí amanhã. Não toque, a não ser que você queira se machucar. Ling levanta. — Você pode consertar o meu nariz, Aida? Eu não quero que ele cure torto. Aida suspira e se levanta. — Ok, mas vamos para o banheiro. As chances são que enquanto faço isso sangre como uma torneira. O olhar de Ling se fixa em mim, a fúria evidente. Curvando o lábio, ela levanta o dedo do meio para mim. Afastando-se ela faz com a boca: — Foda-se. Aida anda trás de Ling, desaparecendo dentro da casa, deixandome com Julius. — Você precisa de ajuda para caminhar? Eu olho para ele. Minha mente está definida em coisas mais importantes. — Você vai me levar para casa? Ele vai. Eu vejo isso em seus olhos. Ele vai me levar para casa, para a minha morte, e depois sair como se eu nunca tivesse existido para ele. — Eu não posso ir para casa. — sai como um sussurro, e muito mais patético do que eu pretendia. Julius inclina a cabeça, me estudando. — Seu irmão. — O quê? Julius se endireita. — O seu irmão vai ajudá-la.


Eu forço uma risada fria. — Meu irmão é um soldado. Mesmo que ele queria me ajudar, ele não pode. E meu pai... — fecho meus olhos. Eu engulo em seco. — Meu pai vai fazer o que ele tem que fazer, a fim de manter a paz. Em termos leigos, eu já estou morta para ele. Piscando para afastar o ardor por trás das minhas pálpebras, declaro: — Eu não vou voltar pra lá. — com Deus como testemunha, falo sério pra caralho. Julius simplesmente murmura: — Você vai para onde eu te levar. Já sacudindo a cabeça, eu declaro: — Não, eu não vou. Em seguida, ele sorri. Um pequeno sorriso, mas um sorriso. — Você realmente acha isso, pequeno pardal? Eu olho fixo. — Eu sei que sim. Seu sorriso se intensifica, e se eu não estivesse nessa situação fodida, aproveitaria o momento para apreciar aquele sorriso. Um sorriso como o dele merece apreciação. É muito ruim que ele seja um idiota enviado para me matar. Ele não parece ser do tipo que se diverte no trabalho. Ele dá um passo para frente, os braços estendidos. — Relaxe, um pouco. Eu vou levar você para casa. Julius Carter pode ser um mestre do jogo, mas ele cometeu um erro sólido. Ele subestimou a minha vontade. No momento em que ele fica ao alcance do braço, estendo a minha perna, chutando-o nas bolas. Sua respiração o deixa em um assobio, mas ele estende a mão para me agarrar, os punhos agarram firmemente o meu cabelo comprido. Dor irradia no meu couro cabeludo e meus olhos lacrimejam, mas ele não puxa, apenas segura. Eu chuto novamente, desta


vez no joelho, e luto. Eu vejo como a tensão aumenta dentro dele. A veia em sua têmpora incha e ele relaxa o aperto. Sem tempo de sobra, eu balanço para tirar as mãos dele de cima de mim, rasgando a manga da minha blusa, e mancando o mais rápido que posso. Cerca de três segundos mais tarde, sou jogada para o cascalho, o impacto faz a respiração me deixar com um silvo. Fico sem fôlego. Lutamos. Eu bato e chuto, e até mesmo tento dar uma cabeçada nele. Minhas mãos fechadas em punhos, eu luto pela minha vida. Tentando desviar dos meus golpes, seus braços me agarram pelo meio. Eu estendo a mão para trás e tento prendê-lo. Qualquer coisa para ele me soltar. — Pare de me bater. — é um rosnado no meu ouvido. Mas eu não paro. Eu luto mais. Eu torço em seu aperto, chuto e bato onde quer que eu possa alcançar. Eu não paro para pensar sobre o fato de que eu estou me machucando no processo. Sua mão, uma vez mais agarra o meu cabelo e puxa para trás duramente. — Eu disse para parar de me bater! Em um murmuro, eu imploro: — Por favor, não me leve de volta. Julius para. Depois de um momento, ele murmura: — Eu não tenho escolha. — Todos nós temos escolha. A mão no meu cabelo solta. — A maioria de nós sim. Você perdeu esse direito quando armou para o seu marido e nos deixou matá-lo. Você tirou o meu direito de mim. — ele sussurra: — Eu não tenho uma escolha. Ofegante, seu corpo deixa o meu, e ele me levanta pela gola. Eu estou com as pernas tremendo e grito: — Porra! Apenas me deixe ir!


Suas narinas se inflamam, e ele mal contém sua raiva quando aponta a arma para o meu peito. — Entre. — Não. — Eu tenho uma arma apontada para você, cadela. Eu tenho a vantagem. Entre na maldita casa. Meus olhos lacrimejam mais de frustração do que de medo. — Eu não tenho medo de você ou da sua arma. Apenas me deixe ir. Eu não posso permitir que você me leve para casa. Eles vão me matar. Sua mandíbula cerra. — Eu não gosto de repetir, Alejandra. Se ele pretende me levar para casa, eu sinto que não tenho escolha. Eu manco para frente, chegando mais perto e mais perto da arma carregada até que eu fico a um fio de cabelo de distância. Estendendo a mão, eu tomo o cano na minha mão e puxo para a minha testa, ofegando asperamente. Eu murmuro: — Faça. Puxe o gatilho. Aqueles olhos azuis encaram dentro de mim. Meu estômago revira. Eu luto contra o efeito que eles têm sobre mim, apenas um pouco. — Não pense, basta fazer. Ele tenta abaixar a arma, e uma rápida sensação de pânico me preenche. Eu avanço com o meu calcanhar dolorido e levanto o cano nas minhas mãos, mais uma vez usando o pouco de força que me resta para levantar a arma para o meu rosto com as mãos trêmulas. Eu mantenho lá. Com a voz rouca, eu murmuro asperamente: — É como se eu já estivesse morta. Conceda-me esta gentileza. Me mate antes deles. — os meus olhos estão fechados e eu respiro profundamente. — Por favor. Me liberte. A arma é firmemente puxada da minha mão, e antes de deixar escapar o primeiro soluço, um braço me envolve, me guiando para a casa. Enquanto isso está acontecendo, tudo o que posso pensar é como colocar minhas mãos naquela arma.


Se Julius nĂŁo vai me matar e nĂŁo vai me deixar ir, eu vou ter que me matar.


CAPÍTULO TREZE Twitch — Ei. Viro-me para encarar Nox, atualmente no banco do motorista da sua caminhonete familiar. Ele olha-me pensativamente, com cuidado, antes de me lembrar: — É isso que você queria, T. Olhando pela janela do passageiro para o restaurante quase deserto, eu aceno em completo silêncio. Um pensamento me ocorre, e eu dou uma risada leve. Se você tivesse me perguntado há cinco anos se eu algum dia me entregaria à polícia voluntariamente, eu lhe diria que não era da minha natureza, que eu preferiria andar na corda bamba, lutar até o meu último suspiro ser retirado do corpo. Mas as coisas mudaram. Parte de mim deseja que Lexi pudesse me ver agora. Essa mesma parte de mim pensa que ela ficaria orgulhosa de mim. A outra parte sabe que ela está melhor sem mim e me pede para deixar de ser a porra de um meloso. Eu limpo minha garganta. — Você conhece esse cara? Nox suspira. — Sim. Contato antigo. Costumava ser um detetive de campo, mas ele fodeu tudo. Agora fica no balcão de serviço. — Acho que me pegar vai levá-lo de volta ao campo, sem precisar puxar saco. O Nox não nega. Em vez disso, ele sorri. — Esse é o plano.


Meu lábio contrai com um sorriso forçado, mas o esforço faz o meu estômago virar com o erro desta situação. Em um movimento repentino, para que eu não tenha um momento para repensar o que estou fazendo, estendo a mão e abro a porta. — Vamos fazer isso. Nox e eu entramos no restaurante e o cheiro de desinfetante bate nas minhas narinas. Uma garçonete solitária enxuga o chão e grita: — Quase fechando, rapazes. Um homem alto sentado em um banquinho, tomando café, grita de volta. — Está tudo bem, Sheila. — ele se vira para mim, e quando eu vejo seu rosto, paro de repente. Os olhos duros do homem lançam-me um olhar irritado e ele murmura: — Eles estão comigo. O homem fica de pé, saindo do banco, e leva seu café para uma cabine. As luzes desligam ao nosso redor, deixando apenas a luz da cozinha para iluminar o ambiente, e Nox desliza para dentro da cabine. Eu demoro um pouco e sento-me ao lado dele. Observo o homem, este policial, e eu não faço discretamente. O que posso dizer? Eu não me dou bem com autoridade. Ele olha para o meu flagrante de desrespeito e sorri. — Antonio Falco ressuscitou dentre os mortos, vivo e bem. — quando ele estende a mão, eu tento não desdenhar. — Casper Quaid. Tomo sua mão com firmeza e balanço uma vez antes de deixá-la cair. Nox cumprimenta seu velho amigo. — Cas, como você está? Casper suspira, passando a mão pelo cabelo loiro muito longo. — Excesso de trabalho e mal pago. A mesma merda, dia diferente. Como está a Lily? O rosto de Nox amolece com a menção da esposa. — Perguntando sobre você. Quer que você vá para jantar em breve.


Casper balança a cabeça lentamente, seus olhos azuis cheios de alegria. — Se não tomar cuidado, eu vou roubar sua menina. Nox faz barulho com a língua, recostando-se na cabine, sorrindo. — Com certeza você pode tentar. Conversa fiada. Conversa sem sentido. Isso me deixa doido. Uma parte do meu cérebro enerva e eu faço o meu melhor para não soltar: Ainda vamos falar de negócios ou o quê? Casper perde o sorriso e se vira para mim. — O que há para discutir? Você quer que eu leve-o, e por Nox ser um velho amigo, eu vou fazer isso de forma respeitosa, sem algemas. Você não vai receber isso de qualquer outra pessoa, Antonio. — Twitch. — minha mandíbula vira aço e a parte danificada da minha mente ataca. — É Twitch. — Ok, Twitch. — Casper, o cara legal, estende os braços. — Então, vamos fazer isso ou o quê? Eu olho para Nox, e ele me olha com cautela. Ele não acha que eu vou. Eu posso ver isso em seus olhos. Ele está olhando para mim como se eu fosse um animal selvagem. Colocando um braço em meus ombros, ele se inclina para perto de mim e murmura baixinho: — Mantenha o plano. O plano. Minha porra de plano. Estou correndo um grande risco aqui, e pela primeira vez na vida, estou ansioso com o pensamento de que as coisas podem não sair do meu jeito. É o suficiente para fazer meu estômago revirar, porque desta vez, eu realmente não estou pouco me fodendo. A incerteza me mata. Levanto e demoro um pouco pesando as minhas opções. Eu devo estar demorando, porque Nox pigarreia. Sem risco, sem ganho.


O pensamento acalma os meus nervos. Se isso continuar do meu jeito, eu tenho muito a me beneficiar. Além disso, você arriscaria tudo por eles. Respiro profundamente e solto lentamente, virando-me para o meu captor. — O que você está esperando, Detetive Quaid?— eu apoio meu quadril na cabine e cruzo os braços sobre o peito. — Vamos fazer essa merda. Esperamos no estacionamento perto do sedã branco padrão de Quaid, enquanto ele acorda o delegado do seu Distrito para discutir a rendição voluntária de um tal Antonio Falco. Quando Quaid retorna para nós, seus olhos brilham com entusiasmo, fixos em mim, olhos sobre o prêmio, e ele tenta manter a calma quando fala em voz baixa. — O chefe quer que eu o leve discretamente. — ele se vira para Nox, um olhar de espanto. — Você tem contatos em lugares profundos. Mais profundo do que algum dia mencionou. Nox abaixa o olhar para o chão coberto de cascalho. — É tudo sobre quem você conhece. — ele está se fechando, me evitando. Eu não gosto disso. Minha testa franze. — O quê? Casper me olha bem, pisca surpreso antes dos seus lábios curvarem e ele ri baixinho. — Ele não sabe, não é? Nox suspira, passando a mão pelo rosto, de repente envelhecendo dez anos, mas é Quaid que esclarece, com um sorriso malicioso no rosto. — De acordo com a Interpol, você está morto. — Sim, e? Casper sorri. — De acordo com o governo dos EUA, você está muito vivo, Sr. Falco, com um endereço residencial em Nevada.


Nox tenta pará-lo com: — Cas, você não sabe o que está falando. — mas Quaid continua: — A única coisa é que você, aparentemente, é um homem de sessenta e um anos de idade. — Cas. — Nox fala rangendo os dentes, chamando a atenção de nós dois. Seu olhar firmemente fixado em seu amigo, ele rosna lentamente: — Você não sabe o que você está falando. — ele faz uma pausa de um segundo antes de acrescentar: — Para. Com a voz mordaz, olho o meu amigo e pisco. — Você está escondendo merda de mim, irmão? O olhar que atravessa o rosto de Nox, acompanhado pela sinceridade séria da sua resposta, me diz que ele não está. — Nunca, irmão. — nada exceto honestidade. — Nunca. Meu coração desacelera por saber que Nox nunca me trairia. Ele não ousaria. Eu odiaria matar sua mulher. Eu gosto de Lily, mas Nox não é estúpido. Gostar de uma pessoa não tem nada a ver com a causa da morte da referida pessoa, e Nox... ele sabe que eu o faria. Esse é o preço que você paga por ter duas caras. Trocamos um olhar de compreensão antes de Nox se virar para Quaid e murmurar: — Cuide do meu garoto. — em seguida, empurra o queixo para mim, e diz baixinho: — Levante seu capuz. Eu ouço o meu amigo e alcanço o material frio do capuz com as duas mãos e lentamente puxo-a sobre meus olhos, deixando apenas o meu nariz e boca visíveis. Respiro longa e profundamente antes de soltar devagar pelo nariz. Nox empurra o queixo para mim, então se vira para sair. Minha mão se lança, e agarro seu antebraço com força. Ele se vira, um olhar de confusão vincando seus olhos. Eu falo baixo, apenas para seus ouvidos. — Devo a você.


Preciso de muito esforço para não franzir o cenho quando digo isso. Eu odeio ficar em dívida para com uma pessoa. Nox, me conhecendo bem, adivinha a minha luta interna e balança a cabeça. — Deixe a minha mulher cozinhar para você, ouça as minhas meninas lerem, ensine o meu filho a abrir um cadeado. — Suas sobrancelhas sobem e ele sorri para o último. — Não tenho certeza se Lily vai ficar excessivamente entusiasmada com este último. —seu sorriso amolece. — Mas nada de dever favor. Estamos bem. — ele dá um passo para

frente,

sua

mão

segurando

a

minha

nuca,

apertando

carinhosamente. — Cuide do seu temperamento. — ele me sacode pela nuca, em seguida, sussurra: — Cuide dos negócios, o homem. Prefiro morrer do que admitir isso, mas vou sentir falta do imbecil. Assistindo Nox sair, eu viro para Quaid, observando, esperando a mudança de caráter, esperando que ele me bata pra caralho e me algeme. Mas isso nunca acontece. Em vez disso, ele abre a porta do passageiro da frente e acena a mão para ele. — Sua carruagem espera, princesa. Filho da puta. Com um olhar furioso em silêncio, eu entro no sedã branco. O delegado baixo, robusto está esperando por nós lá na frente com um único policial uniformizado. Quaid estaciona em frente à estação, mas quando eu acho que ele vai se mover para sair, ele dá um aceno para o chefe de polícia gordo antes de falar baixo. — Eu vou sair do carro, dar a volta para o seu lado, e então você vai sair. Vou levá-lo pelo braço, conduzi-lo para dentro. Meus olhos caem sobre ele em um olhar irritado. Ele se vira para mim, percebendo meu olhar de desprezo e encolhe os ombros. — O melhor que posso fazer sem algemas.


— Eu não vou fugir, cara. — eu digo em voz baixa. — Não me toque. Quaid balança a cabeça sabendo. — Sei que você não vai correr, Twitch, mas eu tenho um trabalho para voltar. — ele deixa escapar um pequeno suspiro. — Me ajude. Minhas sobrancelhas sobem. — Eu não o conheço. — meus ombros tensos. — Não lhe devo porra nenhuma. — Não, você não. — ele admite. — Mas se isso der certo... — ele faz uma pausa por um momento antes de adicionar calmamente: — Eu vou dever a você. Ele ganha a minha atenção. Ter um policial devendo a um criminoso é nada desprezível. Claro, eu estou com o objetivo de sair dessa vida, mas ainda tenho umas merdas para cuidar. Deixo-o cozinhar por um minuto, em seguida, em perfeita calma, murmuro: — Eu estou pronto. Meus olhos se fecham por vontade própria quando Quaid sai do veículo e se move para o lado do passageiro. Ele abre a porta e, sem hesitação, eu reajusto o capuz que cobre a minha cabeça e saio. A sensação da sua mão segurando meu braço provoca uma reação instintiva de mim. Muito parecida com a de um cão raivoso, eu rosno. Seu aperto afrouxa um pouco, mas eu ainda não gosto. Eu quero jogá-lo no chão e chutar o detetive Quaid para caralho na frente do seu chefe. E ri enquanto faço isso. O fato de eu não ter feito isso me lembra que é apenas um elo em uma longa cadeia de eventos por vir, e que eu sou um homem mudado, sem pensar egoisticamente em mim.


À medida que subo os poucos degraus para ficar na frente do delegado, o homem mais velho dá uma olhada para mim e ri. Meus punhos apertam firmemente nas laterais com o riso zombeteiro. O chefe estende a mão e empurra o meu capuz para trás, piscando diante da minha aparência, antes de virar para Quaid e dizer friamente: — Isso é algum tipo de brincadeira? Quaid está orgulhoso, mostrando todo o respeito que um cara branco pode mostrar. — Não, senhor. O chefe me olha no olho, mas fala para Quaid. — Eu conheço Antonio Falco. — ele faz uma pausa, olhando irritado para mim. — Eu jantei com Tony Falco, joguei cartas com o cavalheiro, fui para sua casa e compartilhei uísque de quarenta anos com o homem. — seus olhos encontram os de Quaid. — Este não é ele. A mão de Quaid me aperta de uma forma que me diz que ele está chateado. — Senhor, eu... Não posso lidar com isso por mais tempo. Tiro meu braço do alcance de Quaid muito levemente e falo diretamente com o chefe. — Então você conhece um cara chamado Falco. Minha aposta é que há alguns de nós lá fora. Especialmente em Nova Jersey. Silêncio. Eu o pego aí. Ele sabe disso. Eu sei isso. Nós todos sabemos. O delegado pisca para mim, então pergunta: — Onde você nasceu, filho? — Hospital Metodista de Nova Iorque, em abril de 1975. Ele suga uma respiração sibilante pelos dentes, dá um passo para trás e pisca para mim com o que só pode ser chamado de confusão controlada.


Lambendo os lábios, ele demora um tempo para falar o que precisa. — Detetive Quaid, você não me trouxe Antonio Falco. Sinto Quaid em pânico ao meu lado quando ele começa: — Senhor, eu não se... Mas ele é interrompido quando o delegado acrescenta em uma calma mortal: — Você me trouxe o filho dele. Que porra ele disse? O chefe dá um passo em direção a mim, sem piscar, e diz as palavras que eu conheço que estão chegando, mas tenho pavor de ouvir. — Antonio Falco Junior. Merda. O filho da puta conhece o meu pai.


CAPÍTULO QUATORZE Alejandra É engraçado como alguns momentos podem mudar sua vida, moldá-la e transformá-la em algo estranho, para algum lugar incomum, e tudo que você pode fazer é aceitar o fato ou ser derrotado. Bem, eu não aceito. Nem serei antecipadamente derrotada. Meu pensamento agora? Fazer a porra acontecer. Estou cansada de ser a fraca, mandada para onde ir, o que fazer, como se vestir. Pela primeira vez, vou tomar controle da minha vida, e se isso significar sorrir durante o meu suicídio, então que assim seja. Julius entendeu errado. Eu não vou para casa. Não por vontade. Se ele realmente acredita que vai me levar de volta para lá, a única maneira que vou permitir é escoltar meu corpo frio, sem vida para a porta da frente do meu pai. Eu estava meio deitada no divã de couro marrom e Julius sentado perto da mesa de centro, de frente para mim, me olhando com aqueles olhos azuis frios, com os cotovelos apoiados nos joelhos, cobrindo a boca com as pontas dos dedos, o que calmamente me lembrou que esse homem é muito mais perigoso do que parece. Seu comportamento calmo faz a minha mente trabalhar a mil por hora e o alarme faz-me sussurrar em uma voz trêmula: — Quem diabos é você, Julius Carter?


Os olhos azul-claros se estreitam sobre mim, mas eu não recebo resposta. Da porta aberta, uma voz confiante ronrona: — Ele é o cara que você chama quando o melhor consegue foder as coisas. — Ling se adianta, sorrindo amplamente, e por um único momento, eu me pergunto como uma mulher com gazes enfiadas no nariz ainda pode parecer bonita. Ela senta no divã à minha frente, um pouco para a esquerda, de modo a me intimidar com o seu olhar depravado, feliz e cruel. Cruzando uma perna sobre o joelho, ela desamarrota o vestido preto com os dedos delicados, pintados de vermelho. — JC é juiz, júri e carrasco. — com a palidez do meu rosto, seus dentes brancos e brilhantes piscam. Ela ama o que está fazendo

comigo. —

Julius

não

faz

as

leis

de

nosso

mundo,

Alejandra. Ele é a lei. Minhas entranhas reviram dolorosamente. Bem. Isso certamente me faz sentir melhor. Obrigada, Ling. Em uma ação inconsciente, a minha mão aperta o material fino sobre o meu estômago, e eu luto para não fazer uma careta. Nervosismo sempre me detona. O olhar de Julius percorre meu corpo e a região exata onde minha mão está descansando. Lentamente, sentando-se em linha reta, ele enfia a mão no bolso e tira um tubo laranja de comprimidos. Em um movimento rápido, ele lança para mim, e eu pego facilmente. Minha testa franze em confusão quando olho para o rótulo branco e leio em voz alta. — Doxylamine. — eu abro a boca para perguntar o que é, mas não consigo encontrar as palavras. Estou tão cansada. Julius fala pela primeira vez desde a nossa luta rancorosa no jardim da frente. — Vai ajudar você a manter a comida no estômago. — Comida? — o quê?


O homem se se segura orgulhoso, a imagem da paciência. — A garota

do

meu

amigo

tinha

o

mesmo

problema. Tome

os

comprimidos. Você tem que comer. — e acrescenta: — Pelo bebê. O bebê? Oh Deus. Meu estômago em si funciona em um nó, e dói tanto que eu não me incomodo em lutar contra o contorcer do meu rosto naquele momento. — O bebê. — murmuro, agarrando o material na minha frente com uma mão enquanto seguro o tubo laranja com os comprimidos com a outra. Eu fico olhando para a parede sobre a cabeça de Ling. Minha lista curta de opções pesa sobre mim. Julius me olha solícito, mas Ling... ela me vê. Ela vê o que Julius não consegue. Que eu sou uma fraude. Desonesta. Se eu tivesse alguma chance de reparar o dano que já provoquei e fazer Julius me ver como uma pessoa, não um saco de merda, eu tenho que começar a ser honesta. Preciso que ele confie em mim o suficiente para baixar a guarda. Preciso que ele baixe a guarda para que eu possa me apossar da sua arma e acabar com isso nos meus termos. Antes do medo me imobilizar, eu jogo o tubo laranja de volta para Julius. Ele balança a cabeça e começa: — Não tenha vergonha de precis.. Minha voz me encontra, mas é fraca. — Não há nenhum bebê. — mais baixo ainda. — Eu menti. Ele pisca para mim, incredulidade fortemente definida em seu olhar vigilante. No momento em que seu corpo fica rígido e paralisado, meu coração acelera. Quando Julius fica de pé, alcança a beirada da mesa de centro, meu peito dói e meu corpo se torna frio como gelo. Eu me recosto


e coloco os joelhos para cima, e rapidamente tapo os ouvidos com os meus punhos fechados. Eu sei o que está por vir. Eu já vi essa expressão antes na cara do meu marido. É a calmaria antes da tempestade. A mesa de centro vira, colidindo com a parede com um boom ecoando, a força deixa um buraco no ponto de colisão. Julius grita: — Droga, Alejandra!— as veias do seu pescoço saltam com cada palavra. Ele começa a andar no espaço onde a mesa de centro estava. Abre a boca e solta uma corrente de xingamentos. — Filha da puta. Puta que pariu!! Foda-se! Eu não acredito nessa merda. — ele recomeça a andar, gritando um pouco mais, mas algo me puxa para a realidade. — Foi tudo uma mentira? Ele se vira para mim, mãos nos quadris, seu olhos azuis cor de céu em chamas. — Responda-me. — minha mente chama no meu subconsciente, erguendo um dedo, sussurrando: Vem comigo, e as linhas entre realidade e alucinação ficam borradas. Eu não posso mais ouvir a sua voz, mas eu vejo seus lábios se movendo. — Responda-me. A memória oculta ressurge do lugar escuro, sombreado que eu tinha enterrado há muito tempo. Uma viagem a Nova Iorque no seu vigésimo segundo aniversário pareceria um sonho. Claro, soa como uma maneira divertida de comemorar. Em teoria. Quando Dino se aproximou de mim na semana anterior, me dizendo que ele tinha negócios em Nova Iorque e provavelmente perderia meu aniversário, eu devo ter esquecido a minha cara de jogo, ficando toda feliz com o arranjo.


Com Dino fora, eu poderia passar tempo com a minha família, meu irmão e irmãs, e eu não tinha muito tempo com eles. Dino não gostava que eu passasse muito tempo na casa do meu pai. Eu era sua esposa. Meu lugar era com o meu marido, assim como minha lealdade. A paranoia do meu marido tinha chegado a um ponto em que nem seus amigos e familiares mais próximos eram autorizados a ficar sozinhos comigo. Claro, ele nunca disse em voz alta, mas sua confiança nos outros tinha diminuído consideravelmente. Na noite seguinte, Dino voltou de uma reunião familiar no restaurante da sua família e, me achando na cozinha, veio por trás para me abraçar. Eu estava perdida no meu próprio mundo e pulei quando seus braços me envolveram. Dino riu suavemente no meu rosto, mordendo minha orelha de brincadeira. — Gata medrosa. Ele estava de bom humor. Meu alívio era palpável e deixei escapar uma risada agradecida. — Eu não ouvi você entrar. Sorrindo, ele me virou para ele e se abaixou para pegar os meus lábios em um beijo firme. — Adivinha? Ele ficava tão bonito quando sorria com sinceridade. Minhas mãos subiram em um movimento familiar para descansar em seu peito. — O quê? — Você sabe que vou estar em Nova Iorque no seu aniversário-. — ele começou. Eu o interrompi, alisando a frente da sua jaqueta com mãos suaves. — Querido, está tudo bem. Eu entendi. São só negócios.


— Exatamente isso. — seu sorriso se intensificou. — Você vai comigo. — seu sorriso se transformou em uma gargalhada. — Nós vamos sair para jantar, talvez ver um show, ir a uma discoteca. Nós vamos fazer uma festa em Nova Iorque no seu aniversário, baby. Bem, merda. Minhas mãos pararam na frente da sua jaqueta, e meu rosto esmoreceu. Eu não estava passando muito tempo necessário com a minha família, afinal. Meu coração afundou, e eu senti a picada fria de lágrimas atrás de meus olhos. Eu as contive. A expressão de Dino ficou gelada, e eu soube o momento exato em que sua raiva começou a se agitar com a minha reação. Então eu fiz a única coisa que eu podia fazer, e fiz bem. Afinal de contas, eu tinha anos de prática. Eu fingi. Fungando

alto,

forçando

as

lágrimas

a

sair,

piscando

rapidamente e agarrei seus ombros. — Você faria isso? — eu deixei uma única lágrima cair e sussurrei de um jeito choroso: — Você faria isso por mim? Antes que ele pudesse avaliar a minha reação, eu joguei meus braços em torno dele e apertei com força, esperando a Deus que tivesse representando bem. Com minha voz ardente, suspirei em seu peito. — Eu não queria dizer nada, mas o pensamento de você estar longe para o meu aniversário... — eu recuei e dei um sorriso trêmulo para ele. — Obrigada, Dino. Vai ser ótimo. Quando seus braços duros afrouxaram, embalando-me, eu sabia que eu tinha conseguido. Ele olhou para mim, com a testa franzida, irritado. — Eu faria qualquer coisa por você, baby. — ele me puxou para perto e disse: — Eu te amo.


Assim Nova Iorque veio, e com o bom humor constante de Dino, no sábado à noite em um clube chamado The White Rabbit, eu cometi um erro fatal. Sorri para o barman quando ele entregou a minha bebida, inclinei a cabeça para trás e ri quando ele piscou para mim e disse para o Dino que ele era um homem de sorte. Dino

respondeu

gentilmente,

deixou

uma

gorjeta

desnecessariamente grande, pegou minha mão e me guiou até a beirada da pista de dança. Tomei um gole do coquetel, sorrindo para mim mesma com o quanto eu tinha temido esta viagem. Eu estava realmente me divertindo. Eu bocejei e Dino vendo isso chamou o motorista para nos encontrar lá na frente em breve. Quando saímos e entramos na parte de trás do carro, Dino me puxou para o seu colo, mordiscando meu pescoço. Embriagada e excessivamente feliz com o comportamento de Dino durante esta viagem, eu me inclinei em sua boca. Dino pediu ao motorista: — Privacidade. — E sem uma palavra, a janela de partição subiu. Dino beijou o meu pescoço, meu peito, e, em seguida, bateu a língua no vale entre meus seios. — Divertiu-se esta noite, baby? Agarrei sua cabeça e ele gemeu. — Oh sim, querido. Com um puxão rápido no decote do meu vestido preto simples, meus seios ficaram à mostra, e Dino deixou o bico do meu seio duro em sua boca, sugando com entusiasmo. Minhas costas se inclinaram com o intenso prazer que fluía através do meu corpo. — Quem é ele?— Dino perguntou em voz baixa, antes de mudar para o outro mamilo, lambendo-o com a língua. Ofegante, em uma névoa, eu respondi: — Quem?


Erguendo a cabeça, ele murmurou: — O barman. Quem é ele? Piscando lentamente, eu recuei para olhar para o meu marido. — Eu não sei. Eu nunca o vi antes. Ele sorriu antes de abaixar sua boca de volta para onde eu precisava. Eu suspirei de apreciação. A dor súbita, queimando irradiou pelo meu peito, e eu gritei, tentando me afastar. Mas os braços de Dino me apertaram. Um segundo grito foi tirado de mim quando a dor voltou como vingança. Assustada, eu empurrei nos ombros do meu marido. — Dino, pare. Mas ele me mordeu novamente. Com mais força. Rangendo os dentes, eu engoli um gemido de agonia, e disse com um sussurro quebrado: — Mas é meu aniversário! Com uma mão firme, ele me empurrou do seu colo para chão da limusine. Pousando no meu estômago e, com um chiado duro, a respiração foi tirada de mim. Eu ouvi o tilintar de seu cinto. A parte inferior do meu vestido foi duramente levantada sobre meus quadris, e minha calcinha puxada para baixo dos joelhos. Eu não estava pronta para ele quando ele entrou em mim por trás, murmurando: — Você está mentindo sua puta. A dor era insuportável. Cada impulso a seco feria-me, atormentava o meu estômago revirando, manchas brancas começaram a dançar na frente dos meus olhos. Eu ia desmaiar. Cada vez mais fundo ele foi, gemendo e murmurando o abuso no meu ouvido, até que, finalmente, felizmente a escuridão me abraçou. A única constatação de que Dino não está rasgando meu corpo agora vem na forma de um grito sufocado escapando quando eu escalo de


volta para o canto do sofá como um animal ferido. Minhas mãos trêmulas sobem até cobrir a boca aberta, e eu ofego suavemente para eles, um leve suor brilha na minha testa. Eu pisco através de lágrimas pungentes. Eu tento engolir pela minha garganta fechada. A minha declaração de medo soa na sala em silêncio. — Eu te odeio. Ling e Julius trocam um olhar curioso, mas franzem a testa. Ling dá de ombros discretamente, mas eu percebo, e, de repente, estou mortificada. Conforme minhas bochechas esquentam, meu subconsciente ri. Você está ficando louca. Com uma fraca tentativa de limpar a garganta, eu levanto o meu olhar para encontrar o de Julius. — Se você não planeja me matar hoje à noite, há algum lugar em que eu possa descansar um pouco? Ele demora um momento, mas fala suavemente. — Andar de cima. Segundo quarto à direita. Andar de cima. Meu pé dói pra caralho e ele me dá um quarto no andar de cima. Claro que sim. Punição. Estou sendo punida. Eu entendo a mensagem e vou aceitá-la com orgulho. Passo lentamente pelos dois, de pé, orgulhosa, embora cada segundo seja pura tortura por causa do meu pé machucado, cuidadosamente tomo as escadas, uma de cada vez, a minha dor no calcanhar aumenta a cada passo, mas eu não vou deixá-los perceber. Não me atrevo. Eu sou boa em esconder a dor. Viver com Dino me deixou boa nisso.


Eles podem tirar tudo de mim, mas eu nĂŁo vou permitir que eles tomem o meu orgulho. Eles podem arrancĂĄ-lo dos meus dedos frios e mortos.


CAPÍTULO QUINZE Julius Meus olhos seguem Alejandra enquanto ela e sua vontade de aço passam com a cabeça erguida. O aroma delicado de seu xampu fica para trás. Laranja e baunilha. Eu tento não respirá-lo, mas eu não posso evitar, e quando o sinto, respiro por todo o caminho até os meus pulmões, fechando os olhos em oração silenciosa. Eu não sei o que fazer com ela. Ela virou meu mundo de cabeça para baixo. A pequena mulher é desafiante, tem força de vontade, e boca grande. Nenhuma dessas características deve ser sensual, mas eu estaria mentindo se dissesse que o beicinho de raiva nos seus lábios não mexe comigo de uma maneira que não gostaria, de uma maneira que não consigo ignorar. O que aconteceu aqui um minuto atrás... eu não sei o que diabos foi, mas seria muito bom se não acontecesse novamente. Seu olhar vazio, sombrio, vai assombrar as minhas memórias. No momento em que voltou à Terra, ela reentrou na atmosfera com um estrondo. Qualquer que fosse a porra que foi que ela viu assustou-a quase até a morte. Em uma situação normal, eu diria que ela conheceu o terror e se liberou dele, mas algo sobre ela... algo está errado. Toda a situação está errada. Pela primeira vez, eu não entendo o motivo. E isso me corrói. Minha mente corre a mil por hora.


O que não estou vendo aqui? Se eu entendesse tudo, pegaria a minha pistola, seguiria para aquela sala, apontaria para a sua testa e disparava, enviaria seu corpo de volta para seu pai. Mas uma leve sensação de injustiça se inflama através de mim quando penso sobre este enigma. Sempre tento confiar no meu instinto, sou colocado para encontrar as peças que faltam. Encontro-me ficando empenhado e querendo saber tudo o que Alejandra Gambino sabe. Eu preciso descobrir onde eu fodi as coisas. Por que ela enquadrou o marido? — O que você está fazendo, Julius? Levantando a cabeça, pego Ling olhando para mim, as sobrancelhas perfeitas levantadas. Ela balança a cabeça levemente e pergunta baixinho: — O que você está fazendo? Minhas costas endireitam e eu me movo para sair da sala. As palavras seguintes de Ling me detêm em meu caminho. — Eu posso me esgueirar enquanto ela está dormindo. Boom. Ela não saberá o que

a

atingiu.

ela

acrescenta:

Ela

vai

morrer

rapidamente. Silenciosamente. Ela vai morrer rapidamente. Silenciosamente. A declaração é demais. — Você não está curiosa?— viro e olho-a com cuidado. — Você não quer saber por que ela fez aquilo? Ling permanece quieta um momento antes de falar através de um suspiro cansado. — Ela é uma mentirosa convincente. Você não consegue ser tão bom sem prática. Confie em mim, eu sei. — ela faz uma pausa de um segundo. — Faz você pensar. — depois de um longo momento de silêncio mútuo, Ling dá de ombros. — Ela poderia ser uma cadela egoísta


que queria o dinheiro de Dino para si. Talvez ela planeje isso desde o início. Talvez não esteja bem da cabeça. Faço uma pausa, e a prendo com o olhar solene. — Você não acredita nisso, não é? Minha parceira desliza para baixo para sentar-se no sofá com a expressão cautelosa. — Não. Eu não. Seu rosto é quase ilegível. Minhas sobrancelhas estreitam para ela. — O que você acha? Ling parece levemente desconfortável ao se remexer no lugar e limpa a garganta. — A coisa que aconteceu, quando ela viajou... — ela morde o lábio antes de falar suavemente. — Isso costumava me acontecer, Jay. Acontecia muito. — como o meu olhar interrogativo, Ling murmura. — Estresse pós-traumático. Meu

estômago

revira

e

passo

a

mão

pelo

meu

rosto

exaustivamente. Porra. A última coisa que preciso é de simpatizar com Alejandra Gambino. Eu preferia não ter sabido disso. Ling, mais uma vez usa sua expressão de jogo e revira os olhos. — E daí? Não importa. Merdas acontecem. Você veste roupa de gente grande e segue em frente. Não importa. Permaneço em silêncio, mas a minha seriedade persistente deixa Ling preocupada. Quando eu sinto a mão no meu braço, eu olho para baixo para encontrar seus lindos olhos amendoados piscando para mim em interrogação. — Eu posso fazer rápido. Ela só vai dormir e nunca mais acordar. Algumas pessoas dariam a mão esquerda para morrer assim. Não. Não deveria importar. Mas eu não posso deixar de sentir que há mais para saber dessa pequena mulher. Eu precisaria entrar na sua cabeça, precisaria chegar perto dela, levá-la parte por parte e abri-la.


Com a decisão tomada, eu balanço a cabeça, e Ling abaixa o queixo na derrota. Com um acesso de raiva, ela se move para se afastar de mim, mas eu pego seu pulso antes que ela possa escapar. — Quatro dias. Vou dar-lhe quatro dias. Se eu não conseguir nada que valha a pena até então, ela será liquidada. A expressão ansiosa de Ling suaviza. Ela levanta a mão e gentilmente pega o meu queixo, correndo o dedo sobre ele. — Julius, você é um dos únicos amigos que tenho, e eu faria quase qualquer coisa por você. — sua ênfase no quase é mais do que evidente. Tirando a mão da minha bochecha, ela dá um passo para trás, distanciando de mim. Seus olhos ficam frios, e sua boca define em uma linha sombria quando ela acrescenta ameaçadoramente: — Mas eu não vou morrer por você. Seus saltos clicam para longe, me deixando com meus próprios recursos, eu me abaixo para o sofá, enfiando os sulcos das mãos nos olhos. Ela vai morrer rapidamente. Tranquilamente... não importa No entanto, é importante para mim. Por que essa porra importa para mim? Minha expressão séria rapidamente se transforma em hostilidade, meus olhos ficam entreabertos conforme minha mandíbula cerra. Alejandra Gambino vai me dizer tudo o que eu preciso saber. Ela vai falar. Farei o que for preciso para que isso aconteça. Ling está certa. Eu não vou morrer por uma mulher debilitada e inútil.


CAPÍTULO DEZESSEIS Ling A jovem dormindo na cama sequer ouve-me entrar. Com a discrição de uma cobra e graciosidade de um felino, eu vou silenciosamente para o centro do cômodo. Entre o nosso círculo, eu ganhei alguns títulos nos meus anos com Julius. Viúva Negra. Último olhar. Cinderela chinesa. Eu ganhei esses nomes por ser essa cadela cruel. Eu posso ser pequena e sexy, mas não sou delicada. Posso ser indiscutivelmente a mulher mais perigosa do mundo. Por quê? Porque eu sou modesta. Nunca confunda minha feminilidade com fraqueza. Corto sua garganta fodida enquanto retoco o batom. Uma palavra para o sábio... não confie sempre no que você vê. Afinal, até o sal parece com açúcar. Cinderela Chinesa, zombo silenciosamente. Eu não posso te dizer quantas vezes quase esfolei algum idiota por me chamar de chinesa. Caipiras fodidos americanos e estúpidos dão uma olhada em mim e dizem: — Ah, ela é asiática. Ela deve ser chinesa. Sou uma maldita vietnamita, filhos da puta. Tome nota ou perca um membro.


Neste minuto de adiamento descontraído, eu observo Alejandra, minha expressão transforma-se em quase solidária com o pensamento do que ela deve ter experimentado para ter terrores noturnos quase tão ruins quanto os meus. Com as costas viradas para mim, meus olhos percorrem o comprimento dela. Pequena, muito magra, com cabelo longo, preto emaranhado. Suja, roupas rasgadas e um curativo desgastado no calcanhar. Rio mentalmente. Ela é patética. Eu não sei por que isso me deixa feliz, mas deixa. Eu nunca poderia ser amiga de meninas bonitas. Mas então eu lembro do quanto ela ficou aterrorizada... Meu rosto endurece e meus lábios torcem. É preciso toda a minha vontade para silenciar o rosnado maligno que ameaça escapar queimando minha garganta. Não chega nem perto de ser problema meu. O que ela sabe sobre dor? Não pode ser pior do que o que a minha família fez comigo. Afinal de contas, ninguém se importou quando o meu pai e irmãos... Não faça isso, menina. Não se atreva a ir lá. Minhas emoções em excesso, fecho meus olhos e inspiro profundamente, expirando lentamente, implorando para minha calma retornar. Precisa de um segundo para perceber que eu baixei a guarda. Então, sem se virar, ela fala em voz baixa. — Você vai me matar?


Sua voz mansa me assusta. A pistola calibre 22 na mão de repente parece mais pesada do que deveria. Eu seguro com mais força, e preciso de um tempo, mas finalmente respondo sem compaixão. — Sim. Seu

corpo

enrijece

um

momento

antes

de

ela

relaxar,

aconchegando-se no travesseiro. Sua voz carrega uma ponta de alívio quando ela sussurra: — Bom. Obrigada. A luta que eu tinha previsto - que ansiava - foi tirada de mim por aquelas duas suaves palavras sussurradas. O que diabos está errado com essa imagem? Suas palavras me surpreendem, e embora ela, sem saber, facilite muito isso para mim, eu adoro quando as pessoas imploram por suas vidas. Ajoelham-se, rastejam, eu particularmente gosto quando beijam meus sapatos de design antes de chutar forte nas suas bocas para que eles vejam estrelas. Matar alguém que quer morrer... onde está a diversão nisso? Eu levanto a arma e miro, mas enquanto meu dedo repousa sobre o gatilho, eu solto um suspiro, afrouxando o aperto, perdendo o foco e abaixando a pistola com lentidão precisa. Nunca fui alguém de respeitar o espaço de uma pessoa, eu movo-me para sentar na cama, ao lado de Alejandra. Ela meio que se vira para olhar para mim, piscando para conter as lágrimas, em silêncio, lamentando sua vida curta, e eu pergunto: — Você quer morrer? Em vez de me responder, ela olha para a minha cara inchada e murmura: — Eu realmente sinto muito sobre seu nariz. — vira as costas prontamente para mim mais uma vez. Ugh. Eu odeio uma cagona. — Eu lhe fiz uma pergunta. — eu não gosto de ser ignorada.


Quando o comprimento da sua pausa fica muito longo eu abro minha boca para despedaçá-la com uma série de insultos, ela suspira longamente e baixo. — Vito me quer morta. Seus filhos, Gio e Luc, me querem morta. Meu pai vai fazer o que Vito pedir, inclusive apresentar a cabeça de sua filha em uma bandeja de prata. Não há ninguém que possa me ajudar agora. Estou bem e verdadeiramente fodida. Perceptiva. Ela

está

muito

bem

e

verdadeiramente

fodida. Apropriadamente fodida. Lembro-me do que Julius disse anteriormente. — Seu irmão... Uma pequena quantidade de fogo arde nos olhos de Alejandra quando ela se vira para mim e me interrompe: — Meu irmão andaria através do fogo do inferno se eu pedisse para ele me ajudar. — ela balança a cabeça levemente. — Ele é um bom homem. Eu não vou fazer isso com ele. Eu não vou lhe custar a vida. Talvez Julius não estivesse completamente confuso quando sugeriu que Alejandra poderia ser valiosa. Ela conhece a vida. Sem dúvida, em sua posição do seu trono, ela viu e ouviu coisas que podem ser de grande importância para nós. Eu tento a minha sorte com uma declaração importante, mas a neutralizando dizendo com tédio completo. — Você está certa. Você está totalmente fodida. — eu dou de ombros fracamente. — Ou seja, a menos que naturalmente, você possa provar-se útil. Seu corpo fica rígido ao lado do meu. Ela pisca para mim com seus olhos castanhos suaves, se alargando com uma falsa inocência, longos cílios vibram em uma tentativa de fingir confusão. Mas aqueles olhos de corça dela... são fodidamente calculistas. — Útil? Útil como? Eu dou um sorriso por dentro. Oh minha, Alejandra. Que segredos você carrega na sua pequena e encantadora mente?


Eu puxo os lençóis e fico ao lado da cama. — Não importa. Como você disse... — eu viro para a porta, andando em direção a ela, sorrindo cruelmente. — Você já está morta. Quando eu chego à porta, eu ouço os lençóis se moverem e ela pergunta em pânico: — Espere! Você ainda vai me matar, certo? — Nah. — sobre o meu ombro, eu jogo um sorriso sádico. — Eu decidi jogá-la aos lobos. Um olhar de fúria intensa cruza seu rosto. Seu rosto ilumina, o peito arfa, as narinas dilatam e aqueles lindos olhos de corça queimam furiosamente enquanto ela range os dentes, alcança ao lado da cama, pega o vaso de cristal Swarovski de rosas brancas, ergue-o para trás e joga em mim com muita força, enquanto deixa escapar uma série de xingamentos hispânicos. Eu não pisco quando o vaso bate no batente da porta do lado esquerdo da minha cabeça, quebrando-se em pedaços minúsculos. Os xingamentos continuam e meus olhos vibram enquanto meu coração bate mais rápido. Momento inadequado, eu sei. Sentimentos de calor e luxúria misturam dentro de mim, e eu mordo o lábio para dominar a minha súbita excitação. Alejandra deve ver a mudança em mim, porque os lábios em seu rosto adorável e corado param de se mover e ela me observa de perto com perplexidade. Fazendo um show encarando seu corpo, pequeno, definido, as imagens deste pássaro ferido pressionando seus exuberantes lábios macios contra os meus repetem mais e mais dentro da minha cabeça, e eu aviso calmamente: — Nunca lute comigo. — suas sobrancelhas franzem, e para tornar as coisas claras, eu acrescento: — Nunca, a menos que você queira me foder. Está claro o suficiente para você, Sra. Gambino? — Castillo. — ela corrige, a fúria no olhar desaparecendo.


Eu absorvo o que ela diz, inclino a cabeça e pergunto: — Quer que implore seu perdão? Ela se deita na cama mais uma vez, de costas para mim e fala duramente. — Nunca me chame de Gambino. — mais suave, em seguida, acrescenta: — Eu vou ser um Castillo até o dia que eu morrer. Bem, agora estamos chegando a algum lugar. Isso não pareceu uma declaração de esposa dedicada, muito menos alguém que amava o marido. Eu soube que havia algo fodido sobre Dino e Alejandra desde o momento em que os vi juntos, mas eu parecia ser a única pessoa que via - além de Miguel Castillo, é claro. Eles pareceram muito perfeitos, muito unidos. Era nojento, realmente. Para qualquer outra pessoa que se deparasse com o casal amoroso, exceto para mim, o ar sobre eles não era natural. Forçado. Eles eram nada, apenas um show. Repito suas palavras. — Até o dia em que você morrer. — meus olhos dançam. — Não vai demorar muito agora. Com o tom resignado, ela concorda: — Não. Não vai. E algo sobre a maneira como ela diz isso faz com que os cabelos da minha nuca arrepiem. Quando eu percebo que estou de pé na porta, observando Alejandra deitada na cama em completo silêncio por mais de um minuto, eu giro e caminho pelo corredor descendo as escadas, meus saltos estalando. Julius levanta de onde está no sofá, e dou a volta na frente dele, viro as costas para ele, tirando o meu cabelo do caminho. Sem perder um minuto, ele gentilmente abaixa o zíper do meu vestido até a parte inferior das minhas costas e pergunta: — Bem? Aqui estou eu, uma devoradora de homem com a pele sedosa das minhas costas nua, exposta a este homem bonito, e tudo o que ele pergunta é, 'Bem?'


Eu tenho que me lembrar que este é Julius, e Julius nunca me deixa jogar. Ele nunca me iludiu ou fez promessas. Ele é meio chato. Eu nem sei por que eu quero sua carne na minha boca. Simplesmente vou ter que encontrar a minha própria fonte de diversão quando tudo isso acabar, de preferência na forma de um homem cujo pau é tão grande que dói. Até então, eu tenho meus dedos e minha ducha preciosa. Jato ajustável. Mas minhas entranhas se revoltam com a memória do primeiro vislumbre de Julius e Alejandra, o espanto indisfarçável em seu olhar quando ele percebeu sua beleza, e o flash de ciúme no rosto do meu parceiro quando Alejandra beijou o marido. Eu vi. O vi caralho. E não gosto disso. Ele nunca me olha assim. Com um suspiro irritado, eu me afasto dele. Pouco antes de eu voltar lá em cima para o meu quarto, eu insulto o homem que não merece. Segurando no corrimão com o meu salto descansando no primeiro degrau, confesso: — Eu fui até lá para fazer o que você não foi homem o suficiente para fazer. Eu fui até lá para meter uma bala no seu cérebro. — sua mandíbula cerra com a minha admissão e eu continuo: — Não importa, embora. — eu subo as escadas com um sorriso impassível. — A putinha está pensando em se matar. Engula isso, caro chefe.


CAPÍTULO DEZESSETE Julius Eu tinha dezesseis anos e ainda estava no reformatório quando recebi o telefonema. Um oficial que eu considerava um amigo - somente em particular - trouxe a notícia. A expressão afastada, chapéu na mão, ele me disse que a minha irmã, Tonya, tinha tomado um monte de pílulas, e, embora seu estômago tivesse assado por lavagem, não estava bem. Ela não faria isso. Tonya tinha apenas quatorze anos e uma nova mãe. Com nossos pais mortos, ela só tinha a ajuda da irmã da minha mãe, a tia Georgia, que assumiu a tutela de Tonya. Com seis filhos tia Georgia não era fácil para que a pequena voz de Tonya fosse ouvida. Sempre que eu tinha chance, ligava para checar a minha irmãzinha e minha sobrinha, mas era raramente, e as nossas conversas eram com tempo limitado. Tonya me disse que ser mãe era difícil. Ela raramente dormia, e que o bebê era exigente. Tia Georgia ajudava, deixando Tonya dormir quando ela podia, mas nossa tia tinha que trabalhar para sustentar a família agora estendida. Os turnos da tia Georgia tornaram-se mais longos, porque as contas não se liquidavam, e havia bocas famintas para alimentar, e Tonya, com a idade de quatorze anos, que deveria estar brincando com Barbie, estava cuidando de uma criança. Uma criança inquieta. Na última chamada antes de a minha irmã tentar tirar a própria vida, ela falou sobre colocar o bebê para adoção, recusando-se a falar o nome de Keera. Ela me disse que era uma péssima mãe e seu bebê merecia uma vida boa. Tonya declarou que não era culpa do bebê ter nascido na nossa família. E eu me sentei sem emoção, permanecendo em


silêncio, ouvindo uma garotinha que cresceu muito rápido tomar decisões que nenhuma jovem de quatorze anos deveria e, ainda, tomar essas decisões em um nível racional. Antes do nosso tempo acabar eu disse à minha irmã que eu a amava e que ela precisava fazer o que sentia que era certo, que eu apoiaria sua decisão. Mas a verdade era que eu não queria que a minha sobrinha fosse colocada para adoção. Era difícil explicar, especialmente com as pessoas que não sabiam a verdade sobre Keera. Mas Tonya e eu sabíamos. E Keera era tão importante para mim como minha irmãzinha. Elas eram família, e eu era tudo o que tinham. Eu fui escoltado de volta para a minha cela, deixado por conta própria após a notícia da tentativa de suicídio da minha irmã. Emoções me varreram. Tristeza. Mágoa. Raiva. Traição. E, finalmente, culpa. Minha irmãzinha ia morrer numa cama de hospital estéril em algum lugar desconhecido. Eu não estava lá para segurar sua mão, para protegê-la. Eu não podia rezar para uma divindade que não acredito. Eu não tinha nada para me segurar, nada divino, nenhum Deus para me ajudar a ver a luz. Eu senti nada. E eu senti completamente. Naquela tarde, quando fui para a quadra para pegar um pouco de ar fresco, eu tive meu primeiro encontro com um rapaz que iria de desconhecido para se tornar meu maior aliado. Lá estava ele, um projeto de menino magro com cabelo preto ondulado que tinha crescido demais, raiva caracterizava seus olhos castanhos entreabertos. Obviamente a hierarquia que ele encontrou no jardim não era do seu agrado, porque ele foi para cima de um menino mais velho, um menino com a construção de um Tank, em plena


velocidade depois que a bola de basquete, com a qual estava arremessando, foi tirada dele. Sentei-me no chão e observei-o, esperando que ele recuasse. Mas ele não recuou. Não. E ele ia apanhar quando o menino mais velho deixasse de se divertir com o show incomum de luta. Minha testa franziu confusa. O rapaz era diferente, selvagem e animalesco. Pelo jeito que seus olhos corriam de um lado para o outro, avaliando e pela maneira como ele se segurava, sua linguagem corporal mal era humana. Pensando em minha irmã e sobre não estar lá para ela, algo dentro de mim enrolou em seguida se libertou. Um senso de proteção me dominou e acabei envolvendo-me em uma briga que não era minha. O menino mais velho segurava o mais novo com uma chave de pescoço frouxa. O garoto lutava sem rumo, o rosto ficando de um vermelho profundo conforme ele grunhia e se debatia, e eu gritei, empurrando o queixo para o Tank. — Ei, Johnny. O garoto é novo. Dê-lhe uma folga. Ele não conhece os esquemas. Johnny, o garoto mais velho, virou os olhos irritados para mim por eu ter falado de uma forma tão familiar, mas ao perceber com quem ele estava falando, seu olhar refletiu um brilho de respeito. — Eu não vou machucá-lo muito. — ele olhou em volta para os seus amigos, um sorriso cruel se estendendo nos lábios. — Os dentes crescem de novo, não é? Seu grupo de companheiros riu e vaiou obedientemente. Aproximei-me do menino lutando, mas mantive meus olhos em Johnny. —

Você

tomou

a

bola. Ele

ficou

puto. Você

zombou

dele. Acabou. Agora. — meu tom era calmo, mas firme. — Solte-o. O rosto de Johnny ficou roxo de raiva, e justo quando ele abriu a boca para falar, o merdinha em suas mãos abriu a boca e falou com os


dentes cerrados. — Foda-se. Eu não preciso da sua ajuda, preto. Volte para a plantação para colher o seu algodão, menino. Que porra ele falou? O nervosismo maldito. — O que você falou?— a veia na minha têmpora pulsava, e meu coração começou a correr como se o menino tivesse pegado o fio e dado corda, soltando a raiva que eu tinha há muito escondida do mundo. Johnny e seus amigos riram alto, chocados com a explosão do garoto. O garoto ganhou uma pequena quantidade de respeito aos olhos deles, o suficiente para que Johnny o soltasse. Dei um passo para mais perto do menino, quase nariz com nariz, olhei para ele e adverti: — É melhor tomar cuidado com essa merda de boca —, eu sorri maldosamente. — Pirralho. Mas o garoto era orgulhoso, seu sorriso mais parecendo um grunhido. — Me obrigue. Ele foi rápido. Muito rápido para eu reagir, e antes que eu pudesse registrar o que tinha acontecido, eu estava caindo de costas na quadra de basquete, meu olho pulsando como uma cadela. O magricela fodido me deu um soco. No momento que caí de bunda, eu investi contra ele, e embora ele tivesse tido tempo para sair do caminho, ele não o fez. Era como se ele saudasse a briga, desejasse, precisasse da violência que se seguiu. Nós rolamos, e eu me sentei no seu estômago, recuei e relaxei. Eu lancei meus punhos nele em um ritmo alarmante, seu rosto era jogado de lado a cada golpe. Um menino mais fraco poderia ter morrido, teria morrido. Mas não este. Não. Este riu loucamente, seus dentes manchados de vermelho.


Nós fomos separados depois de apenas alguns segundos, mas o estrago estava feito. Usávamos nossas cicatrizes de batalha. Meu olho roxo, nariz quebrado e lábio cortado. Na hora da refeição, ele sentou-se sozinho em um canto, mas ele viu que eu o observava. Por um momento, eu o odiei. Ele evocou o monstro em mim, o demônio que todos tínhamos dentro de nós. Mas ele não se preocupava em esconder o dele. Ele dançava com ele. Ele queria alimentá-lo, nutri-lo, colocá-lo em primeiro plano. Eu queria matá-lo. Havia algo de errado com aquela criança, não natural. Ele tinha um veneno nele. Como um cão raivoso, ele precisava ser eliminado. E eu planejava fazer exatamente isso. O apagar das luzes veio e se foi, e eu esperei no escuro. Ele estava três celas de distância da minha. Minha mente calculava como eu faria isso. Eu tinha que ser rápido. Eu não me importava com o que eles fariam comigo. Já estava aqui por homicídio e a minha irmã estava provavelmente morta. Eu não tinha nada, ninguém. Estava vazio por dentro. Seis da manhã veio, e bloqueio foi levantado. As celas destrancadas, então abriram-se com um grito estridente, e segurando o canivete improvisado na minha mão, eu me movi rápido, determinado. Ele estava deitado na cama com um braço jogado sobre os olhos inchados. Eu mergulhei, ajoelhei na sua lateral, agarrei sua camisa e empurrei o canivete perto da pele em sua garganta. Peito arfante, eu pressionei minha boca no ouvido dele e sussurrei: — Você está pronto para morrer, bebê? Não se preocupe. Eu vou fazer isso rápido. Seu corpo endureceu com as minhas mãos sobre ele, mas ele se obrigou a relaxar, e quando ele descobriu o rosto e se virou para olhar para mim, eu vi algo piscar nos seus olhos castanhos frios.


Aceitação. Resignação. Ele piscou para mim antes de virar o olhar para o teto sujo. — Faça logo. A luta tinha ido embora. E o que era pior, parecia que ele acolhia a morte. Que diabos estou fazendo? Eu tinha matado uma vez em uma fúria descontrolada. Eu fiz isso porque estava com raiva, minha irmã ficou ferida e ela precisava de proteção, independentemente do custo. Olhei para mim mesmo, lá no fundo, e me perguntei se poderia fazer isso novamente. Seria pior desta vez, aleatório e por nada. A resposta me bateu com força. Sim. Sim, eu poderia. Olhei para o rapaz e rapidamente reavaliei a situação. Esse garoto pode ser simplesmente a pessoa mais honesta neste lugar esquecido por Deus. Mais honesto do que eu. Ele não mentiu sobre o que ele era. Alguém como ele poderia ser útil no meu time. Meu coração batia forte no meu peito, e eu engoli em seco, removendo o canivete do seu pescoço, mas agarrando sua camisa com força. — Você nunca vai sobreviver neste lugar. Que porra você acha que está fazendo, entrando em uma briga com o Tank? Seus olhos se fecharam, e ele rebateu: — Eu não dou a mínima se eu morrer. Ninguém mais daria. Minha

mente

trabalhava. A

decisão

foi

tomada

logo

em

seguida. Este menino e eu podemos nos ajudar. — Eu vou ajudá-lo a fazer algo de si mesmo, garoto. — levantei e ele pareceu surpreso com a minha mudança de atitude. — Você não quer se vingar das pessoas que disseram que você é um ninguém?


Ele sentou-se olhando para o corredor atrás do meu quadril, segurava a parte inferior do leito com tanta força que seus dedos ficaram brancos, e eu sabia que minhas palavras tinham-no afetado. Pressionei mais. — Você fica comigo, e vamos ver o mundo queimar. — um sorriso duro apareceu nos meus lábios. — Coloque fogo você mesmo. Inferno, eu vou até entregar-lhe o isqueiro. Seu aperto afrouxou, e ele murmurou: — Eu não sou como você. Eu não sou inteligente. Uma risada sem humor escapou-me. — Quem te disse isso? Eles? A atitude do menino comigo me suavizou um pouco. — E eu pensei que eu era louco. — Eu não sou louco. Sou determinado. — eu fiz uma promessa para aquele menino. — Nós vamos ter tudo. Dinheiro. Mulheres. Poder. Os lábios do garoto contraíram. Ele achou que eu fosse louco. — Oh sim? Como vamos fazer isso? Com determinação, eu disse: — Com a porra que precisar. Você pode até conseguir matar alguns caras. — ele deve ter ouvido falar a verdade no meu tom, porque seus olhos encontraram os meus com força. — Ou você está comigo, ou está contra mim. Ele deixou escapar uma risada, balançando a cabeça, passando a mão pelo cabelo bagunçado. Quando eu não reagi na mesma moeda, ele perdeu o riso, piscando para mim com olhos astutos. Um minuto inteiro se passou antes que ele respondesse: — Eu estou com você. Sorri então. — Qual o seu nome? — Antonio Falco.


Um bufo me escapou. Claro que era. — Vou chamá-lo de Tony. — Virei para sair de sua cela e voltei para encará-lo perto da porta aberta. — Eu sou Julius. Bom tê-lo a bordo, irmão. Mais tarde naquele dia, a boa notícia chegou para mim. Minha irmã tinha sobrevivido. Ela seria transferida para a enfermaria psiquiátrica, mas ia viver. Este dia ficou ainda melhor e melhor. Os meninos do reformatório não sabiam o que os atingiu. Tony Falco tinha briga nele que nem eu conseguia domar, não que eu quisesse. Com o meu encorajamento, ele se soltou, tendo como alvo os mais temidos dos meninos e rasgá-los em pedaços. Eu era o cérebro. Ele era a força. Dentro de duas semanas, os meninos abaixavam suas cabeças submissamente quando passavam por nós na quadra, na esperança de evitar serem detectados. Tínhamos grandes esperanças para nós mesmos. Quem teria pensado que apenas dez anos mais tarde, os homens adultos se acovardariam em nossa presença. Éramos uma força a ser reconhecida. Como eu havia prometido ao meu amigo, meu irmão, assistimos o mundo queimar, e o cheiro de carne queimando não fazia nada para saciar a nossa fome de poder. Nós queríamos mais. Necessitávamos de mais. Eu perdi meu irmão por causa de uma confiança que eu tinha colocado nele. Apesar do que eu lhe disse, não éramos invencíveis. Ele colocou sua fé em mim, e eu o decepcionei. Perder Antonio “Twitch” Falco deixou um buraco dentro de mim. Eu gostaria de ter feito as coisas de uma maneira diferente.


Mas isso era naquela época e este é o agora. Eu sou uma pessoa diferente do bastardo arrogante de cinco anos atrás. Atualmente, eu sou muito realista. Eu não vou mais alimentar o ego de alguém, nunca mais. E enquanto subo as escadas da minha casa e caminho pelo corredor para o quarto aberto, eu olho a forma imóvel na cama. Meu lábio curva em desgosto. Eu sempre fui um bom juiz de caráter. Como é que eu me equivoquei com essa mulher? Silenciosamente me preocupo que a minha atração por ela pode ter turvado as linhas. Meus pés movimentam por sua própria vontade e meu joelho cutuca a cama, acordando-a. Seus olhos inchados piscam com sono, e ela olha para mim com aqueles grandes olhos, seus longos cílios vibrando levemente. Ela é tão bonita. E isso só me deixa mais irritado. — Levante-se. — eu ordeno, movendo-me em direção à porta. Mas ela não me segue. Vê-la confusa de sono, com a boca carnuda separada em surpresa ao me olhar com cautela, me deixa com raiva por dentro. Eu quero beijar aqueles lábios cor-de-rosa doces e punitivos até sangrar. Meu pau salta com o pensamento de uma Alejandra disposta na minha cama. Que vá tudo para o inferno. Minha mandíbula fica tensa e eu volto para a cama, inclino-me e falo com calma especialista. — A menos que você queira que eu a arraste escada abaixo pelo cabelo, chutando e gritando, você vai mover essa bunda, Alejandra. Está me escutando?


Espero resistência. Espero lágrimas e gritos. O que eu recebo em vez disso são olhos amedrontados morrendo, desprovidos de emoção, a cabeça baixa em obediência e seu movimento robótico para fora da cama em direção à porta. Ela manca todo o caminho descendo as escadas, e embora eu queira ajudá-la, aproveito este momento para observá-la. Uma parte de mim quer que ela se machuque. Na parte inferior da escada, eu dirijo-a à direita, em direção à porta aberta da minha suíte. Ela manca em direção ao centro do quarto, olhando para a cama de dossel imponente, e eu fecho a porta atrás de nós, colocando a chave no bolso da calça. De costas para ela, eu começo a despir-me, desfazendo os botões da minha camisa, e digo como isso vai funcionar. — Sua vida está nas minhas mãos. Eu decido se você vive ou morre. Você não tira essa decisão de mim, optando por tirar a própria vida. — tiro a camisa e os sapatos. — Eu não sei o que pretendo fazer com você agora, e sabendo que não posso confiar em você, ou você vai ficar comigo, ou com Ling a cada segundo do dia. Eu não confio em Ling para não matá-la, então você vai dormir comigo. — eu movo na direção dela. — Estenda suas mãos. De cabeça baixa, ela obedece sem uma palavra. Eu não quero que isso me excite. Por que isso me excita? Eu algemo-a, em seguida prendo as palmas das mãos com fita. Tomando-a pelo braço, tudo que faço é arrastá-la para a cama e empurrá-la para o lado esquerdo. Eu uso outro conjunto de algemas para prendê-la na cabeceira da cama, testando se estava preso puxandoo. Satisfeito porque ela não pode fugir, eu olho para ela, minha boca numa linha fina. — Vá dormir. E não faça nada estúpido. Isso não acabaria bem para você.


Ela não faz um som, e eu tiro a roupa em paz e sossego, pensando sobre o que diabos eu estou destinado a fazer agora. Maldição. Nunca tive a intenção de ser uma babá, ou seu guardacostas. Vestido apenas com as calças brancas do pijama, eu vou para o lado direito da cama, deito e, em seguida, estendo a mão para desligar a luz, tentando não pensar sobre a estreita distância entre nós. Com ela algemada à cama, não seria preciso muito para abaixar suas calças pretas finas e chegar entre as coxas macias. Ela não seria capaz de lutar. Bem, ela iria, mas ninguém ouviria o seu protesto. Ela seria muito apertada para aguentar-me no início, mas seria bom para ela. Eu a deixaria pronta, demoraria um tempo com ela, tocaria até que ela estivesse bem e molhada. Eu a faria gozar na minha língua. Porra, eu amo comer boceta, e na minha mente, Alejandra tem o sabor certo de mulher. Minha boca enche de água e fecho os olhos. Meu coração começa a acelerar conforme a excitação me desestabiliza. Duro como uma rocha, eu alcanço embaixo para ajustar-me, agarrando-me com força. Deixo escapar um bufo de prazer quando minha mão envolve meu pau e engulo em seco. Meu toque demora tempo demais, até que finalmente, eu interrompo com uma expiração. Minutos passam, e nós nos encontramos em completo silêncio até que sua voz suave soa na escuridão. — E se eu correr? Minha excitação me abandona. Meu pau amolece imediatamente, e me sinto mal com a reação do meu corpo por ela. Eu penso sobre a minha resposta por um longo momento antes de eu virar de lado, de costas para ela, e dar a honestidade para ela na forma mais pura. — Ore a Deus que você possa correr mais do que a minha bala.


CAPÍTULO DEZOITO Twitch Os filhos da puta me algemaram. Sou levado para uma sala estéril branca, com quatro cadeiras frágeis, uma das quais machuca minha bunda ao sentar. É preciso toda a minha força, mas não reclamo. Nenhuma palavra. Somente quando o chefe convida mais outros dois fodidos com olhar duro para entrar, que são apresentados como detetive e sargento, meus quadris começam a subir. Quando o chefe vira para Casper Quaid e murmura: — Isso é tudo, Oficial Quaid. — volto meu olhar para o dele. Seu rosto empalidece, e ele deixa escapar uma risada curta. — Chefe, eu o trouxe... O chefe acena com a cabeça. — Você trouxe. Bom trabalho. — ele vira para Quaid com um olhar duro. — Assumimos a partir daqui. Casper Quaid apenas ficou ali com cara de bundão. E eu não sei por que me importei. O cara é ninguém para mim. Mas a partir do momento em que conheci o homem, ele tem sido nada, a não ser respeitoso com um cara que não merece respeito. Ele não parecia um cara mau. Casper sabe que perdeu a luta e move-se para sair da pequena sala. Meus olhos o seguem enquanto sai, o queixo mergulhado, olhos duros. Sem Quaid ao meu lado, eu sinto um zumbido constante no quarto em torno de mim. Minhas defesas sobem. O animal dentro de mim está implorando por briga. Faz muito tempo.


A porta fecha com um clique suave, e o chefe toma um assento, deixando os outros dois em pé. — Sr. Falco. — ele começa. — Posso chamá-lo de Antonio? Porra, eu odeio esse nome. Meu queixo tem tiques. — É Twitch. O chefe sorri educadamente. — Twitch, então. — ele faz uma pausa por um momento. — Você quer me dizer por que está aqui? Não consigo evitar. Eu sorrio e murmuro: — Você quer chupar meu pau, velho? — seu rosto fica sério e eu sorrio. — Então talvez você deva parar com as sutilezas e trazer o Quaid de volta para cá. — olho para os dois filhos da puta montando guarda atrás do velho. Eles olham para mim, e eu mando um beijo para um e pisco para o outro. — Nunca me dei bem com autoridade, chefe. O chefe se impõe. — Isso não é necessário. Quaid é... Eu o interrompi. — Sim, ele é fodido. Eu sei. Eu entendo porque você não o quer aqui. Há apenas um problema com isso, me parece. — eu recosto na cadeira, curvando-me um pouco. — Eu não vou falar nenhuma palavra de merda sem o meu menino Quaid. — estou ficando entediado. Levantando minhas mãos, eu agito os pulsos, as algemas tilintando musicalmente. — E tire essas malditas algemas, cara. Como vou conseguir fugir daqui, porra? Eu fiz a minha jogada. Agora vamos esperar. Meus olhos pesados, olham fixo para o chefe. Eu não tenho medo de você. Ele me olha com curiosidade. — Sr. Falco. — ele começa. — Twitch. — ele faz uma pausa por um momento, antes de perguntar com calma, porém firme: — Por que você está aqui? Espero que a curiosidade me dê vantagem sobre ele. — Eu sou apenas um homem querendo a vida de volta.


Ele pisca para mim. — Eu sinto muito. Não entendo muito bem. A minha resposta é simplesmente levantar os braços à altura do peito e agitar suavemente as algemas. Não vou falar, veado. O chefe suspira. — Você está pedindo muito de mim. E ainda tem que me dar algo que me convença que a nossa conexão trará benefício mútuo. Olho para o sargento, olhando por cima do seu corpo sugestivamente. — Aposto que você gosta de ser dobrado e espancado, hein, garotão?— o rosto do sargento fica roxo e meus olhos sorriem. — Faz a sua esposa te algemar e depois brincar com seu cu? Como você bate uma? Ela sabe que você gosta? Confie em mim, a maioria das mulheres não se importa. Elas gostam de assistir. — Twitch, o que você está fazendo?— o chefe fica nervoso agora. Ele deveria. O sargento me impressiona. Apesar da sua mandíbula ficar tensa e seu rosto se transformar em um tom incomum de vermelho, ele respira fundo e centra-se. Parece que ele quer se jogar em mim, mas ele só me observa. Justo. Ele não vai me ajudar a provar o meu ponto. Viro-me para o outro cara – detetive garganta profunda- e olho para sua virilha. — E quanto a você, luz do sol? Aposto que você era um brigão na escola. Se convenceu de que todo o tesão que você tinha, ao esfregar a bunda de outro homem era resultado de briga. Mas não era, não é? — Sr. Falco. — sinto o olhar em advertência. O detetive está perto de rachar. Eu preciso melhorar o meu jogo. Meu olhar grudado em sua boca. — Foi do envolvimento que você gostou. Dois homens grandes lutando pelo domínio, esperando um cair de


joelhos... — o cara troca o peso nos pés, e eu expiro divertido. — Você fica excitado com isso, veado? Ele se atira contra mim e o tempo se arrasta. Meus olhos fecham diante do prazer único da luta, e eu sorrio enquanto ele salta sobre a mesa bamba para chegar até mim. Minha cadeira é jogada para trás, e é preciso o que parecem horas de costas para eu chegar no chão. Antecipação faz o meu coração acelerar e, porra, eu gostaria de poder participar desta dança. A dor explode no meio da minha bochecha esquerda, e embora pulse por um momento, em breve, meu rosto entorpece. Só preciso de alguns segundos bem cronometrados. O sargento e chefe o puxam de cima de mim, e o detetive é escoltado para fora da sala, encarando-me e ameaçando: — Eu vou te matar, bicha otária. Com minhas mãos atrás das costas, os policiais me puxam pelos braços, para cima e me sentam na cadeira débil enquanto eu digo ao detetive: — Eu já estou morto, menino bonito. Faça o seu pior. Meu peito arfa e meu coração sente a corrida de adrenalina. Eu trabalho em estabilizar minha respiração, quando o chefe me pergunta perplexo: — Por quê?— ele não sabe o que fazer comigo. Estou prestes a esclarecer. — Eu sou um homem perigoso. O Chefe sorri, claramente entediado, antes de dar alguns passos, em seguida, fala sussurrado: — Você é um maldito espertalhão com problema de comportamento. Ele está chateado. Eu não o culpo. — Eu preciso que você entenda. Frustrado, no final da sua sagacidade, ele para de andar e se vira para olhar para mim. — O quê? Entenda o quê?


— Que eu... — eu levanto a mão direita, a pistola do detetive descansando levemente na palma da minha mão, a algema pendurada em meu pulso — ...sou um homem perigoso. Seu rosto fica branco como papel, e ele abre a boca para falar, gritar, quem sabe, mas eu o calo. Lentamente levanto a mão esquerda vazia, estendo a pistola na outra e coloco-a no centro da mesa, recosto, antes de explicar para o homem mais velho. — Você acha que conseguiu me prender. Eu preciso que você entenda que não pode prender um animal como eu. Há sempre uma saída, e pode levar tempo, mas se ela estiver lá, eu vou encontrá-la. Você precisa saber que estou aqui, porque vou deixar você me manter aqui, mas eu posso sair a qualquer momento. — eu empurro meu queixo em direção à arma sobre a mesa. — Oito balas nesse bebê, e apenas cinco de vocês aqui nesse momento. — meus olhos encapuzados de tédio. — Você acha que estou brincando? Eu quero algo de você, e você acredita que vai receber algo em troca. Depois que isso tudo acabar, você verá quem vai ficar com a melhor parte do negócio. O chefe não se dá por satisfeito. Continua solene, estende a mão lentamente, e pega a arma do detetive da mesa antes de se mudar para sentar-se à minha frente. — O que você quer, filho? Filho. Veja só, filho da puta. Nada faz meu sangue ferver mais rápido do que esse termo. Levanto tão rápido que a pequena cadeira voa, levanto meu braço, em seguida, desço-o, batendo o punho na mesa ofensiva, com tanta força que o boom ecoa por toda a pequena sala, e rosno: — Eu quero a porra da minha vida de volta. Meu peito se ergue com respirações instáveis. Isto tem que funcionar. Eu preciso fazer este trabalho. Eu não tenho um plano B. de reserva, com as duas mãos sobre a mesa, meus ombros caem enquanto mergulho a cabeça e murmuro: — Eu quero minha vida de volta.


A porta é aberta com um estrondo e três homens entram como tempestade. Eu estou pronto para eles. Com a postura na defensiva, vou quebrar esses filhos da puta se eles vierem para cima de mim. O detetive parece pronto para me derrubar novamente, o sargento olha para o chefe, mas é Quaid que percebe a algema pendurada no meu pulso, imediatamente. O chefe passa pela massa de homens antes de virar para Casper e dizer: — Oficial Quaid, parece que precisamos da sua ajuda. Antes de o detetive sair, o chefe lhe entrega sua arma e diz em voz baixa: — É melhor você manter o olho nas suas coisas quando o Sr. Falco estiver por perto. O menino tem dedos pegajosos. O detetive com rosto pálido e atordoado fecha a porta e eu rio por dentro. Quaid senta ao meu lado, se inclina para frente e pergunta: — Você está bem? O chefe toma um assento, e eu respondo alto o suficiente para ele me ouvir. — Sim. Estou achando que o chefe e eu estamos na mesma página agora. O

velho

parece

cansado. —

Não

é

bem

assim,

mas

eu

definitivamente estou intrigado. — ele passa a mão pelo rosto. — Ok, você quer a sua vida de volta. O que você vai me dar? Eu pego o pedaço de papel do bolso e entrego para ele. Ele abre e lê silenciosamente enquanto eu digo-lhe: — Estes homens em uma bandeja de prata. Ele olha para a lista e franze a testa. — Como? Eu sei quem são estes homens. — seus olhos cautelosos encontram os meus. — Eles são intocáveis. — Com o que eu sei... — encosto-me relaxado na cadeira, cruzo os braços sobre o peito, e eu sorrio selvagemente para o chefe — ... podemos fazer até os deuses sangrarem.


CAPÍTULO DEZENOVE Alejandra Ainda está escuro. O frio me faz ranger os dentes, o maxilar apertado para impedir os meus dentes de bater. Não sei quanto tempo passou desde que Julius rolou, levando o calor das cobertas com ele. As algemas me prendem firmemente contra a cabeceira, e eu não posso virar ou chegar mais perto do conforto da colcha. Julius mandoume dormir, mas meus olhos desafiantes só fecham por momentos fugazes antes que eu seja rudemente acordada pela dor. A dor... oh, Jesus. Porra, estou machucada. Eu não sei quanto tempo mais posso manter o silêncio, mas cada vez que me movo para abrir a boca, o medo me comprime e fico mais uma vez imobilizada. Meus braços estão dormentes há horas, eu tenho certeza, e de vez em quando faíscas inflamam nas pontas dos meus dedos como correntes elétricas de pura agonia. Minhas mãos estão tão frias que queimam, e eu tenho que morder a língua para me impedir de gritar de dor quando os alfinetes e agulhas me picam uma e outra vez de dentro para fora. Meu corpo está duro por causa do ar fresco da noite fria, e meus músculos doem quando tremo. Se eu chamar Julius, ele vai acordar, mas eu não posso deixar de pensar que a minha atitude só resultaria em punição para mim, então eu decido aguentar até de manhã. Dino gostava de fazer jogos mentais comigo. Seu irmão Gio sentia um grande prazer em me levar à força, me torturar. Depois que tudo que era dito e feito e Gio havia me punido, tornando minha mente flexível para todos os caprichos do Dino, meu marido me pegava e banhava, cuidava de mim e mantinha-me próxima, proporcionando o conforto que


a minha alma quebrada ansiava. Ele me beijava com a boca suave e cortejava com palavras doces, e a minha parte quebrada se apoiava nele, pelo desejo de ser reparada, e eu dormia com uma falsa sensação de segurança nos braços de um homem que era loucamente apaixonado por uma mulher que não sentia a mesma coisa. Nosso casamento foi um desastre gigante. De início eu inventava desculpas. Ele estava ferido pela minha rejeição. Ele não conseguia controlar sua raiva. O trabalho fez dele um homem frio, insensível, e ele não sabia o que estava fazendo. Dino me amava e não seria assim para sempre. Toda vez, eu jurava que seria a última vez. Fiz isso por anos. Ele tratava pancadas como se fossem beijos. Suas correções extremas do meu comportamento eram infundadas e frequentes. Ele arrumava desculpas fracas para colocar as mãos sobre mim. A verdade tornava-se mais clara a cada porrada, cada contusão, e cada lesão. Eu tinha casado com um psicopata, e não havia como escapar disso. O pior era que eu tinha não um, mas dois homens loucos me vigiando de perto. Se olhasse duro para o Gio, ele iria até o Dino e enchia sua cabeça com falsos rumores dos meus flertes, e à noite, Gio sorria vitorioso, enquanto eu chorava sem poder fazer nada por baixo dele, gritando desesperadamente e implorando por misericórdia, enquanto ele entrava em mim duramente. Meu marido era um voyeur dentro do armário. Ele se masturbava assistindo a esposa apanhar, ser presa e fodida. Mais frequentemente do que não, ele se masturbava com meus gritos, cabeça jogada para trás. Especialmente com gritos de dor, seu corpo todo se contorcia, ele se agarrava com força, e assistia o homem que dizia me amar gozar, jorrando líquido branco por todos os seus dedos brancos enquanto eu continuava a ser estuprada. Dino Gambino era um doente, e eu estou feliz que ele esteja morto.


Nas minhas costas, eu sinto Julius mexer na escuridão, como se estivesse sendo cuidadoso para não me acordar, ele se move silenciosamente pelo quarto, para a porta ao lado do closet, fechando-a atrás de si. A luz branca brilha através da rachadura na parte inferior da porta. Um minuto passa, e eu ouço a descarga seguida por água corrente. Ele sai, e eu tento paralisar meu corpo trêmulo quando a luz do banheiro brilha diretamente em cima de mim como um refletor selvagem, entregando-me. Eu tremo no pesado silêncio da sala. Meus olhos fecham e rezo para que ele não me veja. Mas eu sei que ele vê. A luz do banheiro apaga de repente, e passos atravessam o quarto, em seguida, ele se ilumina. Julius se afasta do interruptor e se aproxima de mim, a cabeça inclinada em confusão. Ele não sabe o que está errado comigo. Horas. Estou assim há horas, e ele não consegue descobrir o que diabos está acontecendo comigo. Meu peito aperta e a ponta do nariz começa a formigar. Fecho os olhos mais uma vez, rezando para que o ardor por trás das minhas pálpebras fechadas diminua. Fiquei forte a noite toda, caramba, mas quando ele chega ao meu lado da cama e se ajoelha ao lado do meu rosto para me dar uma olhada melhor, eu me humilho ao ofegar antes de estourar em lágrimas. Uma cai, então a próximo e, de repente, uma chuva desenfreada de emoção desce pelo meu rosto frio. Minha visão borra conforme o calor molhado trilha minhas bochechas. Soluços angustiantes me escapam, a boca aberta num grito silencioso e o meu peito se ergue a cada respiração trêmula. Eu estou machucada. Eu me machuquei tanto que agora, neste momento, braços se abrem com afeto e eu saúdo a morte como a um amante.


Julius geme, seus olhos sonolentos azuis amolecem e ele diz: — Oh, baby. — sua mão grande estende a mão para acariciar meu rosto manchado de lágrimas. — Você está congelando. Minha mente clareia por um milésimo de segundo, um único momento onde uma parte minha se agarra a um fragmento de esperança quando percebo que estas não são palavras de um homem cruel, um assassino de mulheres. Meu coração só aguenta um limite. Foi uma semana de merda para mim. Por um segundo, eu esqueço onde estou e com quem estou, tratando Julius como um homem que poderia dar a mínima para mim. Eu soluço e solto pateticamente instável: — Não conseguia alcançar. Acariciando meu queixo com os dedos quentes, ele murmura, pensativo: — Eu sei. — Estou com frio. — minha voz falha ao confessar discretamente, como se a declaração fosse um segredo terrível, e como se para provar a minha declaração meus dentes batem descontroladamente. Ele se levanta, olha para mim, e por um momento, sua expressão endurece. Eu não posso deixar de me perguntar se a raiva leve exibida em seu belo rosto está lá devido ao que está acontecendo comigo, ou se por ele ter deixado isso acontecer. Ele pisca, me olhando com a boca em uma linha fina, então suspira audivelmente e caminha até a cômoda ao lado da porta. Ele abre uma gaveta e retorna com um pequeno conjunto de chaves e um canivete. A visão da pequena faca faz meu estômago mergulhar severamente e meu coração acelerar e, imediatamente, meu choro para, a agonia substituída pelo pânico e medo. Mesmo que eu quisesse me afastar, meu corpo inútil mal pode se mover. Eu o observo virar a chave e libertar calmamente as minhas mãos. Eu movo para me sentar, mas ele me pressiona para baixo com uma mão firme. — Não se mova ainda. Quando a circulação voltar, você vai estar em um mundo de dor, menina.


Ele trabalha silenciosamente, usando a faca para cortar a fita isolante que junta as palmas, puxando-a com cuidado. Um certo calor se espalha pelo meu tronco com a ternura das suas ações e, por um momento louco, eu quero agradecê-lo por sua bondade, mas antes que eu possa, ele se senta na cama recostado na cabeceira e levanta-me, arrastando-me para o espaço entre as pernas dele, de costas para o peito nu. O instinto faz-me debater com o corpo rígido e murmurar um agitado: — Não, não, não. — quando a circulação em meus braços começa a voltar, e todo o meu corpo fica com a sensação de estar chamuscando, queimando-se, de dentro para fora. Como se um relâmpago fluido me tomasse por inteiro, acabasse comigo a partir da cintura e forçasse o meu corpo a tremer raivosamente e um grito rouco é rasgado da minha garganta. Mas Julius não me pune pela minha explosão como eu achava. O instinto me ensinou que a maioria dos homens não pode ser confiável e o trairá se tiver chance. Sua reação me confundiria se eu não estivesse em uma miséria angustiante. Em vez de me bater por causa do ruído, ele me segura como se eu fosse uma criança, esfregando os braços com determinação, as mãos quentes segurando meu corpo ainda trêmulo. A dor é intensa, já dura há muito tempo e minha cabeça gira. A resistência deixa-me, e luzes dançam na frente dos meus olhos. Meu estômago revira, então dá uma guinada quando o meu corpo enfraquece, e a minha cabeça apoia no ombro forte. Sinto Julius ficar rígido atrás de mim, mas ele não diz nada. Faço o máximo para continuar respirando. As horas passam, ou pelo menos parece que passam e eu olho fixamente para a parede do lado oposto do quarto, piscando lentamente à medida que a dor diminui, se afastar de mim. Julius continua a esfregar meus braços em completo silêncio, mais suavemente agora, enquanto me recomponho.


Com o rosto molhado de lágrimas, continuo olhando para o nada, minha respiração falha de vez em quando com a lembrança da dor dos últimos anos da minha vida. Quase sussurrando, eu digo: — Por favor, Sr. Carter. — suas mãos grandes paralisam nos meus cotovelos, segurando-os levemente em reconhecimento silencioso. Talvez eu devesse sentir uma pequena quantidade de vergonha por nossa posição atual. Não sinto, mas talvez devesse. Se alguém nos encontrasse neste momento, poderia achar que somos amantes. — Por favor. — repito, e novas lágrimas mancham o meu rosto. — Liberte-me ou me mate. — meu corpo começa a tremer quando fecho meus olhos e grito anos de tristeza reprimida. Com minha cabeça ainda descansando no seu ombro, minha voz falha mais uma vez, ao falar em voz baixa. — Sinto muito. Sinto muito. É culpa minha. Eu não sabia que isso aconteceria. Eu sinto muito. Ele não fala por um longo tempo, mas quando o faz, não é tudo que eu quero ouvir. — Você fodeu as coisas. — para diminuir o golpe das próximas palavras, ele volta a esfregar os meus braços lentamente, falando suavemente. — Agora você vive com as consequências. Algo me diz Julius é um homem de verdade. Corro o risco de perguntar algo muito estúpido. Virando de onde estou em suas pernas, sento de lado no espaço entre elas, minhas pernas descansando sobre uma coxa forte. Devo parecer uma bagunça, mas Julius me olha nos olhos, sem se preocupar com o meu estado emocional. Meu lábio inferior treme e não consigo impedir as lágrimas de caírem ao tocar o seu antebraço e perguntar: — O que você faria se você fosse eu? Eu espero que ele diga que cooperaria com seus captores, que faria o que quisessem e que ele aceitaria seu destino. Mas rapidamente percebo que Julius Carter é um enigma e só faz o que ele quer, não o que uma pessoa espera.


Seus olhos passam sobre meu rosto quando ele se inclina para trás, descansando ligeiramente contra a cabeceira. Ele levanta os braços e os meus se afastam da sua pele, quebrando o contato quando ele cruza os braços atrás da cabeça, parecendo um retrato da calmaria. — Eu lutaria. Correria. Gritaria, ameaçaria, despedaçaria as merdas. — seus ombros saltam levemente. — Faria o que fosse preciso para escapar. Eu respiro fundo e processo suas palavras. Em um suspiro instável, eu encontro seus olhos azuis e confirmo: — Mas você não vai me deixar fazer isso, não é? Seus olhos amolecem para combinar com o tom de voz. — Não, baby, eu não vou. Eu concordo com a cabeça antes de deslizar para fora da cama e mover-me bruscamente, mancando em direção ao banheiro, fazendo o meu melhor para ignorar a rigidez dos músculos e a dor no meu calcanhar. Eu ligo a luz e com o canto do olho, quando me movo para fechar a porta atrás de mim, eu vejo Julius endireitar e mover-se para falar. Mas eu já sei o que ele vai dizer. Antes que ele tenha chance de me alertar, eu deixo a porta do banheiro aberta um centímetro. Desde que a nossa conversa terminou, algo mudou, mudou entre Julius e eu. Um entendimento informal foi encontrado. Eu sei onde estou. Cooperar ou morrer. Meu interior se agita quando coloco os polegares no cós da minha calça, empurro-a até os joelhos e sento no vaso sanitário. Quando eu me alivio, sussurro para mim mesma: — Está tudo bem. Você vai ficar bem. E minha mente joga a cabeça para trás e ri. Não, você não vai. Nem vai chegar perto.


CAPÍTULO VINTE Ling Terapia Ugh. Eca. Julius me obriga a ir. Ao longo dos últimos quatro anos, eu já passei por cerca de uma centena de terapeutas. Como condição para trabalharmos juntos, Julius marca as sessões, e eu vou. Ninguém disse que eu precisava me sujeitar completamente, mas Julius está convencido de que eu preciso de ajuda por causa dos meus problemas com pais mencionados e vício em sexo não mencionado. Aff. Por favor. É muito legal ser eu. Porra, eu amo a minha vida. Quer dizer, poderia ser pior. Eu poderia ter voltado às drogas. Voltado a ser prostituta. Eu ainda podia fazer compras na Target. Por que ninguém considera como eu me sinto sobre mim mesma? Eles chamam de questões. Eu chamo de diversão pra cacete. Mas Julius é cabeça dura, assim como Twitch era, e eu não tenho muita escolha, se quiser permanecer neste trabalho. Por isso estou aqui, na sala de espera da Dra. Maura Sternson. Eu a encontrei apenas duas vezes. Normalmente eu preciso de algumas sessões de brincadeira para quebrá-los. Um sorriso malicioso se espalha pelos meus lábios. Estou me sentindo excepcionalmente sortuda hoje.


Mas enquanto espero, observo o homem de cinquenta e poucos anos folheando uma revista. Quero dizer, sim, ele é um pouco redondo no meio e fino em cima, mas ele é alto, e sua camisa xadrez séria e a calça cáqui me fazem questionar o quanto eu poderia transformá-lo. Os poucos atraentes mais do que compensam com entusiasmo, como se estivessem agradecendo por eu abrir as minhas pernas para eles. Eles me veneram totalmente. Eu acho que ele gostaria que eu o chamasse de papai. Nesse momento, ele franze a testa para a revista antes de levantar o olhar para mim, como se ele tivesse sentido meus olhos pairando sobre ele. Meu sorriso se alarga e, mantendo contato com os olhos, eu pisco para ele. As sobrancelhas do homem sobem muito ligeiramente, mas ainda assim, ele olha em volta. Ao descobrir que ele é a única pessoa na sala, ele se vira para mim, e eu rio baixinho, observando o rubor subir pelo seu pescoço, fazendo todo o caminho até o couro cabeludo. Oh

droga,

eu

gosto

dele. Ele

é

simplesmente

adorável. Eu preciso tê-lo. Faço um beicinho horrível e reprimo a careta que ameaça. Porra. Eu odeio este lugar. Eu não quero ir para a terapia. Eu quero brincar. Eu quero que o Sr. Fulano de Tal ali goze enquanto eu monto sua cara filha da puta. Eu... — Ling?— sua voz suave e musical ressoa e sou arrancada da minha fantasia. Balanço a cabeça levemente para limpá-la e dou-lhe uma olhada. É muito mais difícil reprimir a minha cara feia neste momento. Esta mulher não deve ter mais do que quarenta anos, e lá está ela com seus sapatos ortopédicos marrons para combinar com sua calça


social feia e uma camisa xadrez branca. Xadrez é fofo no Sr. Fulano de Tal, que agora acompanha sua esposa sem estilo para a porta, seu rubor doce ainda visível. No entanto, ela de xadrez... Deus, me dá repulsa. Minha expressão vazia muda completamente quando eu sorrio e fico de pé. — Dra. Sternson. Tão bom ver você de novo. Seu sorriso é educado. — Vamos entrar. Desculpe-me, a minha última sessão atrasou. Espero que não tenha se incomodado. Oh, Maura. Tão malditamente educada. — De modo nenhum. Sem problema, realmente. Vê? Eu posso ser normal também quando concentro nisso. Ela acena com o braço, e eu entro no seu consultório, sento no sofá macio, cor de caramelo, cruzando as pernas na altura dos tornozelos, a imagem da perfeição. Há duas semanas ela está tentando me quebrar. Mal sabe ela que eu sou um diamante e não posso ser quebrada. Tomando um assento no sofá idêntico à minha frente, ela sorri e estende a mão para trás e prende seu longo cabelo castanho e sem graça com uma presilha na nuca. — Posso pegar alguma coisa antes de começarmos? Café? Chá? Dra. Maura Sternson tem uma abordagem diferente dos outros psiquiatras, sem dúvida é por isso que Julius me agendou com ela. Ela gosta de manter as coisas casuais, tenta aproximar da pessoa, quebrá-la aos

poucos,

até

que

se

transformem

em

uma

bagunça

choramingando. Oh, nunca tema. Dra. Maura vai estar lá, o lenço na mão com um ombro para chorar. Ela cura as pessoas, ela me disse na minha primeira visita. Ostentou suas estatísticas de recuperação e tudo. Que diabos estou fazendo aqui?


Boas notícias, cérebro. Dra. Maura Sternson vai curá-lo. Dra. Maura Sternson é uma puta. Eu domo um sorriso no meu diálogo interno e dispenso com um pequeno sorriso. — Não, obrigada. Eu prefiro que comecemos. — Claro. — ela começa, mas perde o sorriso. Inclinada para frente, mais perto de mim, seu olhar de preocupação é digno de prêmio. — Ling, é a segunda vez que vem me ver e sequer arranhamos a superfície dos seus problemas. — ela sorri de novo, suavemente desta vez. — Acho que devemos começar por falar sobre por que você tenta instigar relação sexual com tantos homens. Eu corrijo-a orgulhosamente aí: — Não há relação aí. É apenas sexo. — Exatamente. — ela balança a cabeça. — Por que isso?— quando eu não me apresso para responder, ela começa o discurso da Dra. Maura. — A relação sexual com certeza pode ser divertida, Ling, mas sem o apoio emocional de um relacionamento, onde você se vê em cinco anos? Eu sorrio. — Eu nem sei se vou viver mais cinco anos. Sua expressão escurece. — É disso que eu estou falando. Você brinca com as coisas mais mórbidas. É preocupante. Eu mexo no lugar quando a raiva começa a ferver dentro de mim. — Você prefere que eu chore por causa das coisas mórbidas da vida em vez disso? — Não. — afirma a Dra. Maura. — Mas falar sobre elas e como você se sente ajudaria muito. E nós poderíamos começar a debater se você quiser. Vamos identificar onde o sexo se torna violento para você. Falo sem expressão: — Pode ser quando o meu pai e irmãos começaram a me bater e estuprar quando eu tinha cinco anos. — ela tenta mascarar o choque desesperadamente, mas eu vejo. E fico com raiva por dentro. — Ou poderia ser quando fui vendida para um bordel aos seis.


Não sinta pena de mim, cadela fodida. Eu sou mais mulher do que você jamais será. Está acabado. Vou terminar isso agora. Foda-se essa idiota pretensiosa e sua civilidade. Olho para sua mesa e vejo a fotografia em preto e branco da Dra. Maura, seu marido bonito latino-americano e uma adolescente bonita, magra, todos sorrindo. Que precioso. Faz-me querer vomitar. Empurro meu queixo em direção à foto. — O seu marido... ele é o pai da sua filha? Ela olha para a foto e sorri docemente. — Não. Ele é o padrasto. Por que você pergunta? — Nenhuma razão. — eu sorrio. — Você estava me dizendo como sexo é mau. Continue. Ela sorri com surpresa. — Não, Ling. Eu não estava. O sexo pode ser maravilhoso em um relacionamento significativo entre duas pessoas que se amam. Ah, merda. Ela está pedindo por isso. Um sorriso escuro me atravessa. — Você sabe o que é ainda melhor?— faço uma pausa para dar efeito. — Foder um estranho em um beco escuro. Vocês nem trocam nomes. Ele empurra-a contra a parede suja e fica excitado. Como um vira-lata e uma cadela no cio. — eu respiro profundamente e recosto no sofá. — É revigorante. Ela parece desapontada comigo. — Ling, isso não parece muito divertido. — Você tem relações sexuais com o perfeitinho ali?— eu pergunto, sabendo muito bem que esta questão não será respondida.


Dra. Maura pisca, me surpreendendo com sua resposta. — Claro que sim. Ele é meu marido. Eu reviro meus olhos com o seu comentário ingênuo. — Sim, mas você o deixa foder você. — eu sorrio. — Você tem sido uma menina malvada. Ele a coloca sobre os joelhos e bate nessa bunda redonda até que fica rosa e bonita. — eu forço um pouco mais. — Você o deixa comer a sua boceta? Ou é muito rude para você? Dra. Maura engole em seco e sua voz treme. — Nós estamos falando sobre você, Ling. Ajustando no assento, eu fico ereta. — Não, não. Vamos falar sobre você, Dra. Maura Sternson. — ela está com problemas agora. — Sobre sua vida sexual triste e como seu marido bate uma cada vez que você não está em casa. Ou sobre como você finge seus orgasmos para fazê-lo se sentir melhor por não ser capaz de levá-la até lá. — meu rosto fica debochado. — Não, eu sei. Vamos falar sobre como as mulheres gostam que eu foda os maridos como o seu em um beco escuro. Ou talvez sobre como seu marido está em casa abrindo as pernas deliciosas da sua filha e comendo aquele pequeno bolinho apertado dela como se estivesse em uma dieta de carboidratos. O rosto da Dra. Maura se transforma em indignado, e ela levanta tão rápido que me diverte. Ela aponta um dedo trêmulo para mim e sua expressão fica obviamente irada. E quando ela grita: — Cala essa boca de merda, sua puta! — eu sei que ganhei. Ofegante ao perceber que acabou de abusar verbalmente de uma paciente, os olhos arregalam, ela cobre a boca com a mão e sai correndo da sala, um soluço escapa ao passar correndo atrás de mim. Eu olho em volta do consultório vazio e recosto de novo no sofá. — Foi algo que eu disse? — pego minha bolsa e saio do consultório da Dra. Maura Sternson balançando a cabeça e murmurando: — E as pessoas pensam que eu sou a fodida.


CAPÍTULO VINTE E UM Twitch Quatro dias se passaram desde que a minha oferta de cooperação foi feita na Delegacia de São Francisco. E nesse tempo, eu tenho tido lutas e pontos a provar. O detetive Garganta Profunda, também conhecido como detetive Jason Renley, está na minha cola cada minuto do seu tempo livre, com suas ameaças risíveis e clichés, tentando o seu melhor para me intimidar por causa da minha insinuação sobre a sua homossexualidade. A verdade é que eu sabia que o cara não era gay, mas para um cara que viveu na cidade do orgulho gay, eu pude cheirar sua homofobia a quilômetros de distância. A melhor maneira de provocar um homofóbico, como todos sabem, é chamá-lo de veado. E parece que ele não me perdoou por isso. Imagine minha surpresa quando o detetive Renley me jogou na parede do dia anterior e moveu-se para lançar o punho na minha cara quando um campeão improvável o derrubou de bunda, rápido como um raio. Sargento Dan Willem - o mesmo sargento para quem perguntei se sua esposa brincava com seu cu - agarrou o rosto do jovem e sussurrou irritado: — O chefe disse para ir com calma e deixar a testemunha em paz, garoto, deixe-o, me ouviu? Ou eu mesmo vou precisar derrubá-lo, Jason? O rosto do detetive Renley brilhou em um vermelho-fogo quando ele levantou abruptamente, chegando perto o suficiente do homem mais


velho para mostrar sua irritação com a interrupção, sem jogar na cara dele. A luta pelo poder estava espessa no ar, tangível, mas o detetive Renley era muito esperto para desobedecer seu superior e foi embora sem falar uma palavra. Sargento Dan Willem observou o homem mais jovem sair e colocou as mãos nos quadris, deixando escapar um longo suspiro, em seguida, voltou-se para me encarar. — Eu não vou perguntar se você está bem, porque, francamente, eu não dou a mínima. — seus olhos verdes frios me avaliaram. — Mas o chefe quer você em uma única peça, então vou me certificar que fique assim. Ele esperou um momento, piscando para mim. Eu não entendi. O que diabos ele pensava que ia acontecer? Que teríamos

alguma

troca

espirituosa

e

nos

tornaríamos

aliados

improváveis? Por favor. Eu não estava nem pensando em agradecer. Eu queria espantá-lo. — Eu não preciso de um guarda-costas. Sargento Willem sorriu friamente. — Parece que sim, luz do sol. Ele não viu o golpe chegando e a imensa satisfação que senti quando meu pé acertou o seu joelho, fazendo as pernas dobrarem, era como minha própria forma pessoal de ecstasy. Com um grito, ele bateu no chão, e eu não olhei para trás ao me mover para sair do escritório do chefe. Durante o dia, eu tinha rédea solta dentro da delegacia, mas à noite, eu ficava trancado em uma cela, como um criminoso comum. Esses caras ainda não tinham ideia com quem estavam lidando. Se tivessem, saberiam que não havia nada comum sobre mim. Mas eu daria tempo para que eles compreendessem o fato. Eles precisavam desse tempo. Eu


não tinha dúvida que seria um choque quando percebessem que abrigavam um dos homens mais perigosos do mundo, e que o homem deixou alguns policiais sem nome fodidos trancá-lo em uma cela todas as noites. Eu os divertiria durante o tempo que precisasse, mas quando o momento certo chegasse, eu não seria a puta de ninguém. Quando entrei, o Delegado não se incomodou em tirar os olhos da sua papelada. — Nós conversamos sobre isso, Twitch. — com um aceno de cabeça, ele levantou o rosto e olhou para mim com os óculos de leitura empoleirados na ponta do nariz. — Três dias e você fez de sua missão ferir quase cada um dos meus homens e insultar todos os meus oficiais. Quando isso vai parar, Falco? Você está agindo como uma besta, e eu tenho que lhe dizer, é preocupante. Sem sair deste edifício há dias, eu fui rápido para responder com um encolher leve de ombros. — Engaiole-me como um animal, e de repente eu me torno um. — Eu não posso soltar você, filho. — ele abaixou os óculos e balançou a cabeça suavemente. — Você sabe que eu não posso. Uma risada áspera foi arrancada de mim. — Você acha que poderia me impedir? Endireitando-se na cadeira, ele me observou cautelosamente. — Na verdade, sim, acho que poderíamos. — droga. O delegado estava ficando arrogante novamente. E isso soou como um desafio para mim. Eu sempre amei provar que as pessoas estavam erradas. Nas primeiras horas da manhã, na escuridão parcial da delegacia semi-iluminada, abri minha cela com a chave que eu tinha adquirido desde o primeiro dia e saí da prisão que estava sendo a minha residência atual. Digitalizei o cartão-chave que eu tinha roubado naquela tarde de – procurei a identidade – uma cadete chamada Janet Nolan e saí pela porta dos fundos. Um pequeno sorriso surgiu quando me perguntei quanto tempo eles levariam para perceber que eu não estava lá.


Naquela noite, eu comi um bife suculento e batata cozida carregada com creme de leite, dormi em uma cama de motel decente e tomei banho sem um oficial observando a minha bunda como se eu estivesse prestes a atirar explosivos por ela. E a sensação foi muito boa. O silêncio era muito bom. Mas minha saída nunca foi concebida para ser permanente, estava mais para uma lição aprendida da maneira mais difícil. Acordo muito cedo, tomo banho e me visto, em seguida, vou para um restaurante tomar café da manhã antes de voltar para a delegacia. A jovem Janet Nolan na recepção fica subitamente boquiaberta quando eu entro. Tiro os óculos escuros e pergunto: — Ele está no escritório? Ela balança a cabeça rapidamente, e eu deixo seu cartão-chave no balcão laminado. Contendo o choque, ela dá um passo à frente para me revistar antes de me levar para dentro da delegacia. Eu pisco para ela ao entrar, minha cabeça erguida, e já ouço a comoção. — Seu maldito idiota, você simplesmente deixou-o sair?— isso me para pouco antes de eu chegar ao escritório do delegado. Eu não consigo identificar a voz. Eu não conheço essa pessoa. — Você tem alguma ideia do que deixou passar por entre os dedos? As informações que esse cara deve ter seriam inestimáveis. E o que você faz? Você o provoca, porra! — uma respiração áspera. — Puta que pariu! O delegado parece cansado quando responde: — Não foi uma provocação. Eu pensei que não fosse verdade. — ele faz uma pausa antes de acrescentar: — Nunca tive alguém que escapasse da prisão antes. Como eu saberia que ele conseguiria? A

zombaria

de

descrença

aparece. —

Pô,

eu

não

sei,

Peterson. Talvez porque... — sua voz sobe para um grito — o fodido disse que faria! — Merda, Ethan, todos esses merdas se acham. Essa é a primeira vez que, na verdade, acontece. Eu não sabia.


Ethan, quem diabos seja, baixa a voz levemente. — Você não tem ideia do que você fez. Cabeças vão rolar, começando com a sua. Por uma fração de segundo, eu penso em ir embora apenas para humilhar o delegado. Precisa apenas dessa fração de segundo para lembrar da mulher – anjo - com longos cabelos castanhos e olhos sorridentes, e minha necessidade de voltar para ela faz o meu orgulho desaparecer rapidamente. Colocando minha mão na maçaneta, viro-a e simplesmente entro no escritório orgulhoso, causando impacto com a minha entrada. Ambos os homens viram o rosto para mim e não dizem nada, apenas olham. Um minuto passa e nem uma palavra é dita. O delegado olha intensamente, piscando em confusão, como se eu fosse uma miragem prestes a desaparecer a qualquer momento. Eu avanço e sento em uma das cadeiras macias para os convidados no gabinete do delegado, antes de levantar o café para os lábios e falar para manter o ambiente leve. — Eu poderia ter pego um café para você, chefe. — eu saboreio. — Mas eu realmente não quis. Nesse exato momento ele implode, eu vejo. E isso me faz abafar o riso. Seu rosto fica vermelho e as veias do pescoço dilatam quando ele se move para fechar a porta do escritório atrás de mim. No segundo que a porta está fechada, ele solta: — Onde você estava? Nós tínhamos um acordo. Você me ajuda, e eu faço o que posso para ajudá-lo. Você não sai! Meu ombro salta. — São as suas políticas, não minhas. Além disso, você já deveria saber que eu não sigo regras. — pisco lentamente. — Eu faço-as. Isso não faz nada para acabar com sua fúria. — Droga, seu filho da puta. — o delegado vem até mim, raiva ardendo em seus olhos, mas o outro homem na sala coloca uma mão sólida em seu ombro para detê-


lo. Com o peito arfante, o delegado para antes de mudar de direção, movendo-se para sentar-se atrás da sua mesa, flexiona as mãos num gesto nervoso que implica que ele tem a necessidade de foder as coisas. Eu olho para o outro homem antes, levanto o queixo para ele e murmuro: — E quem diabos é você? O olhar do homem encontra o meu por um momento longo e sombrio, antes dos seus olhos enrugarem nos cantos, e eu não posso deixar de sentir que ele está segurando em uma risada. Aparentando uma dose clara de autoridade, vestido em um terno cinza-escuro com uma simples camisa branca e gravata preta, o cabelo grisalho cortado e arrumado, sapatos sociais pretos tão brilhantes que poderiam ser usados como espelho, imediatamente, não gosto dele. Não é necessariamente culpa dele. Bem, ok, sim, é. Ele inteiro grita — eu sou um fodão — e, porra, só pode haver um de nós em uma sala de cada vez. O homem, que parece estar na casa dos cinquenta, estende a mão para mim. Amador. Eu não pego. Simplesmente seguro seu olhar sem piscar. Sua mão cai para o lado, e um pequeno sorriso se estende em seus lábios. — Sr. Falco, meu nome é Ethan Black. Mais um gole de café morno. — Parece que era para significar algo para mim? Ethan Black inclina a cabeça para o lado. — Não. A não ser que você esteja no FBI. FBI? Eu me viro para olhar para o delegado, que parece não conseguir se obrigar a encontrar o meu olhar agora. E com essa recusa, a hostilidade é


uma base na minha mente. Eu estou com minhas mãos em punhos ao meu lado e falo categoricamente. — Seu mentiroso de merda. Ele sai do assento com a minha acusação. — Eu não menti. O calor do momento nos faz falar ao mesmo tempo como um casal do ensino médio. — Você mexeu com o cara errado... — Estamos negociando, Twitch... — A porra do FBI? Se você armou para mim, e eu juro por Deus... — Eu não estou armando para você, seu idiota neurótico. Estou tentando ajudá-lo! — Foda-se! Foda-se o FBI. Estou fora. Eu já estou saindo pela porta, quando Ethan Black abre a boca e calmamente determina: — Sente-se, Sr. Falco, ou eu juro que aquele seu menino inteligente nunca vai encontrar o pai, porque ele vai passar o resto da vida em uma prisão de segurança máxima. Eu giro de forma rápida com um único propósito na mente, mas o fluxo corrente de emoção me deixa desleixado. Meu golpe não cumpre o seu destino e, com o rosto vermelho, eu vejo quando Ethan Black ignora meu ataque com pouco mais de um aceno de mão. Ele se senta na cadeira que

eu

anteriormente

ocupava

e

começa

a

falar. —

AJ,

não

é? Aparentemente, o professor de jardim de infância diz que é o melhor da turma e rápido como um chicote. Meus pés colam ao chão, eu fico ali, ofegante, minha raiva vibrando em uma batida constante nas minhas veias. — Não. — a única palavra é dita com calor suficiente para queimar. O delegado, calmo na hora, começa: — Twitch... — Não diga uma porra de palavra, velho. Estou mal me contendo. Chego no limite e, aparentemente, o delegado pensa a mesma coisa. — Se você fechar a boca maldita e ouvir por um momento, posso


explicar por que o Chefe de Gabinete e Conselheiro Especial do FBI está de pé aqui agora, nesta sala, e por que você não está sendo algemado. Se eu abrir minha boca agora, nada de bom pode sair dela, então eu faço a única coisa que posso para manter a paz. Continuo com a boca fechada. Ethan Black, Chefe de Gabinete e Conselheiro Especial do FBI, senta mais ereto, antes de explicar: — Eu acho que o que o chefe de polícia Peterson está tentando dizer é que você pode ter alguma informação que poderia nos ser útil. E em troca dessa informação, nós estamos preparados para oferecer-lhe uma outra identidade, limpa e nova. Muito generoso da parte do FBI, considerando que você era um traficante conhecido por fabricar todos os tipos de drogas de rua, agindo sob o disfarce de sua fábrica de plásticos, bem como fingindo a sua morte. Sem mencionar carregamentos múltiplos de armas, lavagem de dinheiro, roubo, fraude e a lista aumenta e aumenta e aumenta. — ele faz uma pausa para deixar que eu entenda. — É uma lista muito longa de acusações, Sr. Falco. Você pode prever a vida em uma prisão, e se posso adivinhar, por um período sem condicional de 100 anos. Um monte de merda bombardeia minha mente naquele momento, mas só há uma coisa que realmente se destaca. — Três meses. Ethan Black me lança um olhar confuso. — Como? — Três meses. — repito, antes de acrescentar: — Você me tem por três meses e nem mais a porra de um dia. O delegado olha para Ethan antes de aproximar-se de mim cautelosamente com um olhar que pode se aproximar de um cão ferido. — Twitch, vamos ser razoáveis. Três meses simplesmente não é o bastante. Porra, a maioria dos idiotas não estaria pronto nesse tempo. Ethan concorda. — Sinto muito, Sr. Falco. Não é tempo suficiente. Eu forço. — Nós vamos fazer ser tempo suficiente.


Ethan balança a cabeça. — Como? Há uma quantidade limitada de horas em um dia. — Três meses. — insisto, antes de resmungar: — É tudo o que tenho para dar, Black. Ele deve ver a verdade em meus olhos, porque depois de um momento desconfortável, ele acena com a cabeça levemente. — Ok. Três meses. Meu alívio é palpável, começo a trabalhar. Eu não tenho tempo a perder. Estou a essa distância de ter a minha família de volta, e nada vai ficar no meu maldito caminho. — Eu preciso de um mapa. A sobrancelha do delegado franze. — Um mapa? Para quê? — Você vai precisar saber onde estes homens vivem. Ethan ri como se eu tivesse acabado de dizer algo fofo. — Nós já conhecemos essa informação, Sr. Falco. — Não, não conhecem. — eu digo com tanta confiança que ambos os homens se olham furtivamente. Eu levanto minha mão e estalo os dedos. — Um mapa. Eu preciso de um mapa. O delegado grita para o detetive Renley, e em poucos minutos, eu entrego as localizações secretas de cinco dos criminosos mais difíceis que o planeta já viu. Uma vez meus amigos, agora meus inimigos. É uma pena, mas para eu reaparecer no mundo, eles precisam ir. Então foda-se eles. Eu me sinto como um maldito agente da narcóticos. Mas eu quase posso provar a minha liberdade, e algo me diz que não há gosto mais doce no mundo. Oh, espere. Claro que há. Lexi.


CAPÍTULO VINTE E DOIS Alejandra O

tom

marrom

aconchegante

do

sofá

Chesterfield

é

excepcionalmente enganoso. No momento em que se senta no sofá de aparência convidativa, o frio e a firmeza do couro fazem você perceber que esta peça cara de mobiliário está aqui para intimidação, não conforto. E agora, ela está fazendo um trabalho muito bom em atender o seu propósito. Esta manhã, quando acordei pela segunda vez, nem fiquei surpresa por encontrar-me algemada novamente. Era a quem eu estava algemada que me surpreendeu. Pareceu que depois da minha explosão emocional no meio da noite, Julius decidiu que me algemar na cabeceira da cama não era a ideia mais inteligente. Voltei do banheiro, fui até a beirada da cama, para o lugar onde Julius estava sentado recostado na cabeceira e estendi as mãos para retomar a posição de prisioneira. Eu queria mostrar a ele que eu era confiável, porque ganhar a confiança de seu captor parecia ser uma jogada inteligente. Meus olhos procuraram desesperadamente permissão para vagar sobre Julius, explorá-lo descaradamente, mas eu não permitiria isso. Não significa que eles obedeceram. Visão periférica era uma coisa linda. Como era possível um homem que parecia tão grosseiro, tão irritado, ser tão carinhoso quanto era insensível? Eu estava incerta em como processar a noite, especialmente no momento em que me pegou nos braços e me segurou, afastou com carícias a dor que ele causou. A mente me dizia para ser cautelosa, que foi assim que as coisas começaram com


Dino. No entanto, meu coração se segurava freneticamente no raio de esperança que acompanhou o gesto simpático. Em vez de me prender de novo, ele voltou para o seu lado da cama e esperou

pacientemente

que

a

minha

surpresa

atordoada

se

desvanecesse. Conforme eu movia-me lentamente, em silêncio, para me deitar no lado oposto da cama, Julius sentou orgulhoso e jogou as cobertas totalmente sobre o meu corpo pequeno até o pescoço, certificando-se de que eu ficaria aquecida durante a noite. Com tudo o que aconteceu nos últimos dias, eu tinha certeza que nunca conseguiria dormir. Mas então eu acordei, tonta e confusa. Eu não sei que horas os meus olhos se abriram, mas dedos longos e quentes encostaram-se aos meus e a ansiedade se instalou. Meus olhos se arregalaram, e quando eu tentei me afastar, os dedos seguiram. Eu tentei levantar a mão, mas encontrei alguma dificuldade, provavelmente porque eu estava algemada novamente e a algema estava presa a um pulso grosso. O pulso era conectado a um braço forte, musculoso, cor de café. Quando eu percebi que estava balançando o braço de Julius no ar, eu deixei a mão cair, fazendo com que ambas caíssem na cama com um salto. Uma respiração audível soou do outro lado da cama, o colchão se moveu e de repente ele estava acordado. Sentando-se, ele piscou sonolentamente para mim enquanto eu ainda estava deitada, de olhos arregalados e desajeitadamente puxando as cobertas até o meu nariz. — Que horas são? — ele perguntou, sabendo muito bem que eu não tinha relógio. Quando eu não respondi, ele levantou a mão algemada, pressionou um botão no relógio de pulso para iluminar a tela e falou rispidamente: — Eu preciso estar em algum lugar em uma hora e Ling saiu, de modo que você vem comigo. — ele se virou para mim. — Você pode tomar banho primeiro.


Atrás da segurança da colcha, falei em um tom abafado: — Eu não tenho nenhuma roupa. Seus olhos percorreram meu corpo coberto sem nenhuma preocupação. — Bem. Eu vou primeiro. Você pode pedir algo emprestado à Ling. Algo me dizia que Ling não usava jeans e tênis. Com meu calcanhar perfurado, eu não aguentaria nem sandália. — Mas meu calcanhar... Eu parecia uma idiota chorona. — Alejandra. — ele pronunciou com firmeza, irritado, em seguida, deixou escapar um longo suspiro. — Nós vamos encontrar alguma coisa. — então ele estendeu a mão para nossos pulsos e, com uma pequena chave, abriu a algema, libertando-nos. Ele estendeu a mão para trás, e o som inconfundível das algemas trancando novamente soou. Estava presa mais uma vez à cabeceira da cama. Também voltei a ser chamada de Alejandra. O jeito que ele me chamou de baby... Merda. É que tudo precisa para te ganhar, um apelido que provavelmente ele usa com todas as mulheres que ele conhece? Isso é trágico. Eu balancei a cabeça para limpá-la. Este homem era perigoso para mim. Este homem seria provavelmente a causa da minha morte, se não por sua própria mão. Eu não podia confiar nele. Emoções eram inconstantes. Conversa não valia nada. Eram as ações que falavam mais alto do que palavras. Ações como as da noite passada? Sem uma única palavra, sentei, meu braço levantou em um ângulo estranho, meu cotovelo tentando dobrar de uma maneira que nunca seria natural. Mas eu sentei calmamente, minha mente com sono confusa e


vazia de quaisquer pensamentos reais. Imaginei se as minhas irmãs estavam sentindo a minha falta, ou se estavam decepcionadas comigo, com o que eu tinha feito. Uma grande parte de mim esperava que Veronica, minha irmã mais próxima, minha melhor amiga, saberia que havia razões para armar desse jeito. Armar, pensei com uma risada fria. Parecia algo que um adolescente faria, como pegar o carro sem permissão, ou emprestar brincos de diamante da herança da sua mãe e perder um. Não. Armar era um verbo pobre. Armar não terminava na morte fria e violenta de uma pessoa. Bem, normalmente não. Eu queria me sentir mal sobre a morte prematura de Dino, mas, Deus me ajude, eu não conseguia esboçar nem um pequeno traço de simpatia ou pesar. Em vez disso, eu me sentia bem. Sentia meus pulmões se expandirem em todo o seu potencial. Eu podia finalmente respirar novamente. Minha razão para fazer o que eu fiz foi simples. Eu tinha perdido todos os meus direitos humanos básicos. O desespero foi o meu principal motivador. Meus pensamentos melancólicos me deixaram quando a porta do banheiro se abriu e Julius saiu da nuvem de vapor, usando jeans muito escuros para serem azuis, baixos em seus quadris, o botão na parte superior ainda aberto. Gotas de água agarravam-se ao seu torso definido como se tivessem tendo dificuldade para se soltar, e conforme meus olhos percorriam a parte superior do corpo loucamente definido, não posso dizer que os culpava. Ele pegou meus olhos itinerantes e ficou imóvel. Afetado, seu estômago cerrou em um único momento antes de ele dar um passo adiante. O movimento lento me balançou, e minhas bochechas arderam em mortificação quando meu olhar surpreso encontrou o dele encoberto.


Merda. Fui pega. Minha barriga mergulhou com o pensamento. Constrangimento me aqueceu. Ele fez uma massagem no ombro largo com sua grande mão, e eu pude notar o seu desconforto, mas ele nunca aparentava sentir dor. Fazia tanto tempo que um homem não me tocava com mãos gentis, ou me beijava com sentimento por muito tempo e lentamente. Meu olhar veio descansar sobre os lábios cheios e involuntariamente convidativos, e eu me perguntei como seria a sensação de beijar um homem que eu desejava, não um que eu fosse forçada. Os pensamentos eram irracionais. Estúpidos mesmo. Eu não devia ter

pensamentos

assim

sobre

qualquer

um,

muito

menos

Julius. Especialmente Julius. Disse a mim mesma que era apenas porque ele era extremamente atraente, lindo, na verdade, e que ficar em estreito contato com um homem da estatura de Julius se sujeitaria a agitar alguns sentimentos em uma mulher que desejava carinho. Era uma quedinha. Mais uma vez, meus olhos fitaram os ângulos agudos de seu belo rosto e foram descansar na boca cheia. Eu soltei um suspiro triste. Uma quedinha inofensiva. Uma quedinha era tudo o que poderia ser. A verdade era que nunca me senti tão atraída por um homem baseado unicamente em sua aparência. Seu cabelo curto e escuro bem aparado. A barba por fazer. A maneira como ele se portava, alto e ameaçador. Sua pele marrom impecável, maçãs do rosto salientes, nariz forte e queixo viril. Aqueles lábios…


Oh, Deus, aqueles lábios. Eram material de fantasia pura. Seus braços levemente marcados com veias. O tamanho das suas mãos. Olhei para os seus pés descalços e meu interior apertou. Até seu olhar azulado e frio me atraía. Ele era o pacote completo, aparência inteligente. E devia ser a coisa mais distante na minha mente, mas eu queria que ele me abraçasse de novo como fez na noite anterior. A sensação dos seus braços fortes e musculosos me envolvendo, evocou sentimentos em mim que eu acreditava estarem mortos há muito tempo. Merda, mas aquilo significou algo para mim. Foi importante para mim. Era algo agridoce, algo que eu queria explorar sabendo muito bem que nunca poderia acontecer. Eu apertei minhas pernas com força, um pouco chocada com o calor deslizando pelo meu peito e estabelecendo-se no meu colo, com uma pulsação leve. Saber que eu não era imune ao corpo masculino era muito empolgante. Isso significava que havia vida após Dino, e esse fato não me dava vontade de morrer, porque, ao fim de um longo túnel escuro, ainda havia esperança para mim. Um pedacinho de esperança, mas ainda assim, esperança. Julius entrou no closet por um momento e saiu muito rápido, vestindo um suéter creme. Parecia suave e quente. Quando ele se aproximou de mim, eu queria estender a mão e sentir a lã fria. Eu me contive, apertando os dedos em reprovação. Ele se inclinou sobre mim, e eu fechei os olhos, respirando o cheiro quente e picante da sua colônia. Quando ele me soltou, meu braço flácido cedeu, mas ele segurou-o rapidamente. Uma expressão de dor tomou conta do meu rosto e minha boca se separou quando seus longos dedos tiraram a rigidez dos músculos. Era maravilhoso.


Ele era maravilhoso. Julius devia estar me observando de perto, porque ele confundiu a minha expressão com dor de verdade. — Eu não gosto de algemá-la, mas você me deixa com pouca escolha. — meu olhar voou com as palavras ditas bruscamente, e ele continuou a massagear os músculos do meu antebraço. — Independentemente do que você poderia pensar, eu não gosto do fato de que você esteja sofrendo. Se eu pudesse, eu a soltaria. — sua admissão me atordoa. — Mas Gambino quer você morta, e eu preciso dar algo para ele. Minha respiração ficou pesada, engoli em seco e segurei seu olhar. — Eu não quero morrer. — minha confissão sussurrada foi muito verdadeira. Seus olhos suavizaram um momento. Suas mãos trabalharam no meu braço mais um segundo, em seguida, seus dedos deslizaram para o meu pulso, depois envolveram a minha mão por um breve momento antes de ele colocar a mão no meu colo. Sua voz tinha uma nota de lamento. — Isso não é problema meu. — ele me soltou e deu um pequeno passo para trás, os olhos em mim, seu olhar cauteloso. — A não ser que você transforme isso em problema meu. Minha boca embasbacou em uma tentativa de me salvar e todas as palavras imploraram para sair, mas fechei-a bem rápido. Lembrei-me de que todos os homens da minha vida me abandonaram, ou me machucaram, e este homem faria o mesmo. Eu seria esperta e ficaria atenta para quaisquer truques que Julius planejasse usar. Este homem não queria me ajudar. Ele queria me manipular. Ele não perdia nada, o querido Julius, e balançou a cabeça suavemente em irritação. Moveu-se ainda que levemente, colocando as mãos nos quadris, olhando para mim com expectativa. — Não é possível ajudá-la a menos que você fale comigo, pequeno pardal.


Eu queria tanto me tornar seu pequeno pardal, mas meu corpo enrolou em si mesmo, minhas bochechas ficaram cor-de-rosa, quando eu respondi baixinho: — Eu gostaria de tomar banho agora. — então acrescentei: — Por favor. — no caso de eu ter parecido ainda que levemente ingrata. Adiantando-se, ele agarrou meu cotovelo e me levou para o banheiro. Eu entrei e a porta se fechou atrás de mim, o som distinto de uma tranca ecoou no interior da suíte branca e imaculada. Olhei melancolicamente para o chuveiro, estendi a mão para a barra da minha camiseta suja, mas depois hesitei. E se Julius decidisse voltar enquanto eu estava tomando banho? Eu não podia deixá-lo me ver. Decidi, enfim, tirar o sutiã, deslizando através da manga da blusa e a calça, mas ficar de calcinha suja e rasgada e a camiseta. Liguei a água, esperei até que a temperatura ficasse como gosto, em seguida dei um passo sob o jato quente, molhei meu cabelo. Lavei duas vezes, só fiquei satisfeita quando meu cabelo guinchou de limpeza. Eu não vi condicionador, mas eu não estava nem perto de reclamar. Tirei o curativo do meu calcanhar e limpei suavemente. Doeu muito, mas fiquei quieta para que Julius não entrasse de repente para ver o que estava errado. Ensaboei-me completamente e demorei para enxaguar e quando eu estava oficialmente limpa, minha pele vermelha de tanto esfregar, entrei embaixo do jato com os olhos fechados, só porque era calmante para minha alma. Uma batida forte na porta me assustou. Gritei: — Sim? Julius respondeu através da porta. — Trouxe algumas roupas de Ling. — o clique da fechadura soou então a maçaneta começou a virar. — Vou leva-las para v...


Pânico puro me fez gritar: — Deixe no closet!— precisei de muito esforço para não gritar: Não entre aqui. Para seu crédito, ele não pressionou o assunto, apenas grunhiu: — Apresse-se. Depois de uma conversa de cinco minutos comigo mesma, eu cobri a minha metade inferior com uma toalha e coloquei outra sobre os ombros, deixando meu corpo completamente coberto, antes de sair correndo do banheiro, de rosto baixo, chegando ao enorme closet, que poderia ser um segundo quarto. Fiquei agradavelmente surpresa com a seleção de roupas que ele tinha trazido. Coloquei a calcinha preta simples, mas, como previsto, sem calça jeans à vista. No entanto, havia uma elegante, mas confortável calça preta que me serviu muito bem, mas ficou um pouco frouxa na cintura. Vesti de novo o meu próprio sutiã, porque Julius não tinha pensado em trazer um da Ling, e coloquei uma camisa de mangas compridas de bom gosto, branca, de botão. Meu cabelo era uma negação sem produto, mas eu penteei e deixei-o solto e molhado caindo pelas costas. Quando vi os sapatos que ele trouxe, meu coração aqueceu. Sapatilhas de couro preto descansavam no chão acarpetado do closet, e nas atuais circunstâncias, eu não poderia ter escolhido um estilo mais sensato de sapato. Tentei não pensar muito sobre Julius e sua consideração, mas era difícil. Quando calcei, vi que eram um pouco grandes, mas talvez apenas um número maior. Quando estava o mais satisfeita possível com a minha aparência, saí do closet com cuidado para não colocar muita pressão no meu pé ferido. Julius se levantou de onde estava sentado na cama, reparou no meu mancar e imediatamente franziu a testa. — Eu esqueci. — sua boca franziu. — Está doendo muito?


Mantendo meus olhos nos seus pés, estendi a mão para colocar mechas soltas atrás da orelha, e murmurei: — Tirar a gaze da ferida não foi exatamente divertido. — Não. — ele afirmou, em tom suave. — Não deve ter sido. — ele me olhou atentamente por um momento antes de consultar o relógio de pulso e suspirou. — Nós temos que ir. Ele virou-se e saiu do quarto sem falar outra palavra, deixando a porta aberta atrás dele. Tomei isso como um convite e segui como o animal de estimação que eu era. Desta vez pude sentar no banco da frente do SUV preto amedrontador. E a partir do momento que colocamos os cintos de segurança e ficamos prontos para sair, Julius começou a ditar regras para mim. Pressionando um botão no lado do motorista, todas as portas trancaram de uma vez, e quando o carro se moveu, Julius começou a falar. — Eu não quero que você me entenda mal, Alejandra, por isso é melhor se eu te dizer como isso vai funcionar. Se você tentar chamar a atenção de qualquer transeunte enquanto estivermos no caminho, eu vou te socar com muita força, direto na boca, o mais forte que puder, e você vai desmaiar. Entendo. Não é um cara violento de jeito nenhum. Isso é reconfortante. Permaneço em silêncio enquanto ele continua. — Se você contar a qualquer um do mundo exterior que você foi sequestrada, eu vou atirar na cabeça do filho da puta, bem na rua, e deixar a morte dele pesar na sua consciência. Mais uma vez, bom saber. Não que eu esperasse algo diferente. — Se você tentar fugir de mim – o que seria insensato, para dizer o mínimo, eu vou trancá-la no meu closet sem comida ou água até o


momento em que você morrer de fome, e neste ponto, vou mandá-la para Vito Gambino e seguir o meu caminho, voltar a viver a minha vida. Ai. Isso doeu um pouco. Ele não olha para mim durante a viagem, apenas dirige cuidadosamente com os olhos na estrada. Eventualmente, o carro desacelera e então para completamente na frente de um velho bangalô de tijolos vermelhos. — Você não vai olhar para ninguém. Você não vai falar com ninguém. Você vai ser educada, e não vai falar a não ser que alguém fale com você, me entende? — Eu entendo. — murmuro com relutância. Ele balança a cabeça, suspirando levemente, parecendo de alguma forma tranquilo. — Bom. Isso é muito bom. Julius sai do carro e caminha para a porta do passageiro na hora que estou descendo com o meu calcanhar dolorido. Eu assobio levemente e levanto o pé de novo para tirar a pressão, mas Julius está lá antes que eu possa piscar e levanta-me do assento do SUV e me abaixa cuidadosamente até que ambos os meus pés toquem juntos no chão. O perfume suave da sua loção pós-barba quase me fez salivar. Ele cheira divinamente. Eu engulo em seco e pisco para ele, que ainda está com as mãos segurando a minha cintura, e murmuro: — Obrigada. Ele ignora tanto o meu agradecimento quanto o meu olhar caloroso e pega a minha mão, colocando-o na dobra do cotovelo. — Não coloque todo o seu peso sobre ele. Use-me como muleta. Eu usei as pessoas como muleta a vida toda, Julius. Não me peça para fazer o mesmo com você. Eu tenho medo. Porque eu definitivamente poderia me acostumar a usar Julius como muleta. E que muleta ele seria.


O vento suave sopra meu cabelo e o deixa miserável conforme nos movemos em sincronia. Caminhamos até a porta da frente da casa em silêncio, porque, francamente, não há nada mais a dizer. Ele dá um passo para frente, levantando o dedo para tocar a campainha. Som de sinos ecoam longe e a porta se abre. Uma mulher bonita, baixa, com curvas de matar e pele cor de chocolate derrete ao ver Julius. O jeans que ela usa parece pintado, e a camiseta preta, de mangas compridas abraça seu grande seio. A única coisa fora do lugar são suas pantufas de coelho branca e rosa. Seus olhos castanhos são cercados por cílios longos, grossos, e os seus cachos castanhos longos soltos até os quadris. Sua boca abre rapidamente e se transforma em um sorriso. — Você disse que tinha trabalho. Seus olhos enrugam nos cantos quando ele responde: — Eu decidi fazer uma pausa. A mulher joga a cabeça para trás e ri com vontade. — A melhor coisa em ser o próprio patrão, eu suponho. — sua testa franze e ela coloca uma mão na cintura grossa. — Você vai simplesmente ficar parado aí? Julius sorri no momento, um sorriso brilhante e ofuscante, abrigando a pequena mulher nos braços e balançando-a para frente e para trás. A mulher agarra com força a parte de trás do seu suéter de lã e faz um barulho contente com a garganta quando Julius a embala e eu decido odiá-la. Eles se afastam, sorrindo como um par de idiotas, e a mulher olha gentilmente para mim antes de voltar para Julius. — Você vai me apresentar sua amiga, Jay? Jay? Ela não só consegue fazê-lo sorrir, mas tem apelidos para ele também? Sim. Foda-se ela.


Eu sinto os olhos dele em mim enquanto olho fixamente para a mulher e faz a apresentação patética. — Tonya, este é Ana. Ana trabalha comigo. — ele acena com o braço entre nós. — Ana. Tonya. Tonya pega a minha mão e sorri séria. — Oh, entrem. O que vocês querem? Eu posso fazer qualquer coisa. Café? chá? Eu tenho refrigerante, ou posso preparar um Kool-Aid4. Julius luta contra um suspiro. — Tonya, querida... Querida? Ah, agora eu estou furiosa. A parte triste é que eu nem sei o porquê. Sim, você sabe. Você está com ciúmes. Verde de inveja. Eu odeio meu cérebro às vezes. Tonya interrompe-o com um aceno de mão. — Você não venha com “querida” pra cima de mim, irmão. Irmão... Espere um segundo. Minha cabeça levanta de repente. Ela acabou de dizer irmão? Esta mulher linda, essa Tonya, é a irmã dele? Ela caminha pelo corredor, e Julius estende o cotovelo para mim. Eu aceito-o com uma expressão de perplexidade, e Julius me conduz. Tonya fala sozinha quando chega ao fim do corredor. — Eu raramente tenho visita. Eu gostaria que você tivesse me dito que viria, Julius. A casa está uma bagunça. — à medida que entramos na cozinha, ela está corada, parecendo um caos confuso, e com os olhos apologéticos, fala para mim: — Eu não estava esperando companhia.

4

Kool-Aid é uma marca de suco em pó, controlada pela Kraft Foods. Foi inventado por Edwin Perkins em Hastings, Nebraska.


Jesus Cristo, eu sou um idiota. Ok, talvez eu tivesse sido um pouco apressada em meu julgamento. Quero compensar o meu erro. Meu coração gelado derrete com a doçura desta mulher. Ela usa o coração na manga. Eu sei que Julius não vai gostar, mas não posso evitar. Eu preciso deixar Tonya à vontade. Forçando um sorriso, eu tiro a mão do seu cotovelo, afasto-me e minto para Tonya. — Eu espero que você não se importe que eu diga, Tonya, mas você tem uma bela casa. Eu não vejo a confusão que você anunciou por aqui em qualquer lugar. Eu adoraria um pouco de chá. — e em meu tom mais amigável, eu digo: — Posso ajudar? — Ora, muito obrigada, Ana. Você é muito gentil. Camomila ok? — o alívio em seus olhos é óbvio, e os ombros tensos relaxam quando sorri de volta. — Bem, por que você não pega a água e eu vou arrumar algo para comermos. Tonya atravessa a cozinha até a geladeira enquanto pego a panela vazia no fogão, encho com água e coloco na chama. Movo para obter algumas das canecas incompatíveis do armário, quando dedos quentes apertam os meus, encobrindo-os, apertando. Seu corpo se move para perto do meu, sua frente esfrega nas minhas costas, o delicado calor dele se infiltra em mim. Fecho os olhos e respiro-o. Um calafrio flui através de mim quando ele coloca os lábios na minha orelha e fala calmamente. — Você não precisa fazer isso. Sem olhar para trás, eu murmuro baixinho: — Não. — eu cedo. — Eu não preciso. Mas eu fiz. Não por causa dele, ou mesmo Tonya, mas por mim. Se há uma coisa que eu tenho, são modos. E quando sinto o corpo grande do Julius recuar, imagino quantos dias ainda tenho de vida, sem querer, mas esperando que a minha boa ação me compre mais um.


CAPÍTULO VINTE E TRÊS Julius A tensão enche-me quando saímos da casa da minha irmã pouco mais de uma hora depois. A ida para casa é silenciosa, um zumbido leve de tensão no ar. Eu não gosto da maneira como Alejandra sorriu quando Tonya contou como eu cuidava dela e da Keke. Eu quase pude ver uma centelha de esperança em seus olhos. Não havia nenhuma necessidade de inflamar uma chama saudável. Eu desprezei com um murmúrio: — Isso é porque você é família. — eu me virei para olhar Alejandra à direita, com propósito. — Eu não dou a mínima para ninguém mais. Seus olhos expressaram uma emoção que não conseguia identificar, talvez desespero ou algo semelhante. Alejandra ficou em silêncio durante o resto da nossa visita, como lhe foi dito, falando apenas quando era perguntada, inclusive quando o rosto de minha irmã ficou sombrio. — Ana. — ela começou, pegando a caneca de chá para aquecer as mãos. — Você está envolvida com a mesma maldade do meu irmão? Alejandra pareceu sem palavras, e então ela se virou para mim, provavelmente, tentando avaliar como responder. Quando ela viu que não receberia qualquer ajuda, ela olhou para a mesa, correndo os dedos suavemente ao longo da madeira polida. Um sorriso triste atravessou seu rosto quando ela disse muito sinceramente para a minha irmã: — Eu sou a maldade com a qual seu irmão está envolvido. Graciosa, mesmo que morta. Tonya piscou para ela, a testa franziu confusa, antes de deixar escapar um longo suspiro. Ela balançou a cabeça e riu lentamente. — Bem, isso é um alívio.


Minha irmã não era o que se chamaria de sutil. — Tonya... Com olhos arregalados, ela disse: — O quê? — ela olhou para Alejandra, e declarou: — Ela não é tão ruim assim. Eu tenho que admitir, eu esperava pior. Quero dizer. — ela fungou, divertida. — O que ela poderia ter feito, Jay? Deixei escapar uma risada sem graça antes de endireitar e olhar para a minha irmã. — Você não tem ideia. Tonya olhou uma Alejandra pálida, estendeu a mão e acariciou a dela gentilmente. — Não se preocupe agora. Jay vai ajudá-la a sair do problema. — minha irmã olhou para mim, sem sombra de dúvida, com toda a confiança, como se eu pendurasse as estrelas à noite. — Não é mesmo, Jay? Alejandra sorriu para a minha irmã, agarrando aos seus dedos como uma tábua de salvação. Mas seu sorriso vacilou e, quando falou, sua voz tremeu. — Eu não sei se ele pode me ajudar. Eu realmente fiz uma bagunça. A minha própria família me riscou. Tonya respondeu com confiança. — Ele irá ajudá-la. É o que ele faz. Alejandra soltou uma pequena gargalhada, e eu sabia no que ela estava pensando. Ela estava pensando no quanto a minha irmã estava errada, mas ela recusou a oportunidade de corrigi-la. E fiquei grato de má- vontade. Eu não deveria ter ido lá, mas não consigo me impedir. Eu me pergunto silenciosamente como seria se eu tivesse levado Alejandra para conhecer a minha irmã em circunstâncias diferentes. Sentá-la ao meu lado, onde uma mulher como Alejandra pertencia, e ter orgulho de exibila. Descansar meu braço sobre o encosto da cadeira em uma exibição de propriedade e abraçá-la cada momento possível. Cada filho da puta saberia que ela era minha e eu a trataria como a rainha que era. A visão inesperada deixa um gosto amargo na boca.


Independentemente do quanto eu negasse a mim mesmo, eu queria Alejandra, e não apenas para aquecer a minha cama. Eu a queria para mim. Ela tinha uma luz em seus olhos que chamava a escuridão dos meus, a própria presença dela me acalmava. Ela me entendia, entendia essa vida, compreendia como as coisas eram. Era difícil para uma pessoa ser tão graciosa quanto estabilizada quando você e os seus viviam de sangue derramado, mas Alejandra fazia isso com facilidade. Eu a desejava. Desejava tanto que doía. Mas era um ponto discutível. Eu nunca a teria, e isso quase me matava por dentro. Em circunstâncias diferentes. Agora, conforme trafegamos ao longo da estrada com o rádio quase inaudível, eu mantenho os olhos na estrada, mas não posso deixar de perguntar: — Por que você não me entregou? Ela olha para mim do lado do passageiro antes de voltar para a janela e resmungando: — Que bem teria feito? É óbvio que a sua irmã te ama. — ela suspira suavemente. — Eu não vou fazer da sua vida uma merda só porque a minha é. — Você não tem que ter medo de mim, Ana. Eu não tenho um plano secreto. Você não tem que ficar desconfiada. — seus olhos tristes descansam nos meus, sem piscar. Eu seguro seu olhar um momento antes de voltar para a estrada. — Eu vou te esfaquear. Ela zomba divertida. — Bem, isso é um alívio. Toda esta situação me cansa, mentalmente e fisicamente. Ela não entende que estou em guerra comigo mesmo. A minha declaração áspera sai tranquila e cansada. — Deveria ser porra, sua cadela ingrata.


Sinto-a paralisar, provavelmente surpresa com a declaração imunda e inesperada, as minhas palavras ofensivas pairando no ar como um mau cheiro. Ela tem alguma ideia do que mantê-la viva me custaria? Meu trabalho. Meus aliados. A porra da minha vida. Não significa nada para ela. Sua mudez começa a me incomodar. — Você está com fome? — Uh, sim. Sim, estou. — ela responde com cuidado, calmamente, como se eu fosse cruel o suficiente para negar-lhe comida. E, de repente, me faz perceber que suas respostas cuidadosas e reações provavelmente acontecem porque alguém foi cruel com ela. Mas quem? — Pode ser hambúrguer? Refletindo, ela assente. — Claro. Quer dizer, eu nunca comi, mas comida é comida. Olho duas vezes, grato que o que eu disse com raiva não a tenha afetado muito. — Você nunca comeu um hambúrguer?— com lábios franzidos, ela balança a cabeça, e não vejo nada, exceto honestidade crua em seus olhos. — Como isso é possível? Um pequeno sorriso aparece em seus lábios, e ela revira os olhos com a pergunta. — Eu tive uma educação muito protetora, Julius. Fui a uma escola de meninas muito rigorosa, muito católica. Minhas irmãs e eu não éramos autorizadas a fazer amizade. Tudo o que tínhamos era uma a outra. Só comíamos em casa ou em restaurantes finos. Junk food não era permitida, embora Veronica e eu conseguíssemos subornar um dos homens do meu pai para comprar pizza uma vez. Interação com os meninos era um não definitivo. Eu nunca tinha visto a anatomia masculina de perto até a minha noite de núpcias. Minha vida era... é... — ela faz uma pausa e franze a testa com a perda de palavras, antes de sussurrar. — Eu mudaria muito da minha vida.


Amargura escoa dessas palavras, e eu quero saber mais sobre ela, mas não deveria. É apegar-se. Sabendo mais sobre ela, corro o risco de tornar-me ligado à pequena mulher. Não faço as perguntas que sinto que devo fazer, a entregarei sem saber coisas que eu deveria. Alejandra está escondendo alguma coisa, e eu pretendo descobrir o que é. Vou precisar forçar, incomodar, cutucar e estilhaçar peça por peça para revelar o que está no interior, e no final de tudo isso, ela não vai gostar muito de mim, mas é a vida. De repente, ela fica irritada. — Por que você está sendo bom para mim? Isso seria muito mais fácil se você só gritasse comigo e me estapeasse. — Você quer que eu te encha de tapas? — pergunto, um pouco incrédulo. — Bem, não. — ela admite. — Mas isso tornaria as coisas mais simples. Saberia como me sentir. Sou capaz de lidar com o ódio. Eu não sei o que fazer com a indiferença. — ela me espia rapidamente antes de olhar pela janela. — Ou talvez esse seja o seu plano. Talvez você queira me confundir. Eu balanço a cabeça. — Não. Nenhum plano. Independentemente de como eu tratá-la, você ainda é minha prisioneira. — Oh, Julius. — ela respira profundamente, em seguida, responde cansada em uma expiração. — Não é prisioneiro se você quer ficar preso. Porra, ela é boa. Mas recuso-me a morder a isca. Com essa declaração ousada, nós dirigimos, e o silêncio espesso substitui a conversa pesada.


CAPÍTULO VINTE E QUATRO Alejandra Em primeiro lugar, hambúrgueres são deliciosos. Julius pediu para ambos shakes de chocolate para acompanhar e eu tenho que admitir, fiquei chocada. Não parecia nenhum pouco apetitoso. Mas, então, as refeições chegaram. Uma mordida naquela carne suculenta macia e eu estava no céu. Eu não pensei muito sobre a minha companhia, apenas no quanto de comida conseguiria colocar na boca ao mesmo tempo. Mastigando com gosto, uma sobrecarga de prazer fluiu dos meus dedos do pé até os cabelos da minha cabeça. Então vi Julius sorrindo para mim, com uma cadência brincalhona e quase afetuosa na voz ele disse: — Você come como um porco. — apesar da declaração terrível, ele pareceu muito satisfeito com a sua sabedoria. Com a boca cheia, eu olhei para ele, empurrando o queixo para o dele com ketchup escorrendo e falei enrolado: — Como se você pudesse falar, idiota. Seu sorriso aumentou e eu estendi a mão sobre a mesa para pegar o meu shake, tomei um gole na mesma hora que um soluço ameaçou subir e, oh, meu Deus... o próprio céu não poderia ter formado um par melhor do que hambúrgueres e shakes. Era oficial. Se eu vivesse disso, seria uma gorda feliz. Um gemido me escapou e com toda a excitação, eu bati meus calcanhares no chão de prazer sem palavras, agarrando o meu


hambúrguer apertado em ambas as mãos, os olhos fechados enquanto tentava processar o quão incrível era e como estava perdendo. E os olhos de Julius enrugaram nos cantos e ele continuou a comer em silêncio, observando-me. Seria o primeiro de muitos dias em que eu iria questionar toda a minha existência. Eu tinha vivido um dia na minha vida, ou eu tinha apenas existido? Eu não sabia muito sobre o mundo, mas eu sabia muito sobre o submundo. Coisas que a maioria das mulheres cairia dura, eu quase não me impressionava. Eu era uma alma velha presa no corpo de vinte e quatro anos, e aqui... agora... Julius tinha me dado algo que eu amaria para sempre. Ele tinha me dado um gostinho do normal. Ele me emprestou sua irmã pela manhã, mostrando-me como irmãos normais devem interagir. Ele tinha me dado hambúrgueres, e, embora eu nunca fosse admitir, eu teria dado qualquer coisa para Julius que ele pedisse. Pareceu apropriado expressar minha gratidão. Dando outra grande mordida no hambúrguer, eu murmurei: — Muito... obrigada. Quando sua expressão se tornou solene, desejei ter mantido minha boca fechada. Mas então ele engoliu em seco e falou, seus olhos nunca deixando os meus. — De nada. Olhei para a mesa aliviada e comi o resto do hambúrguer com um sorriso no rosto. *** — Porra, Ling! Julius está puto. Ele está gritando, e está gritando bem alto.


Um som suave de batida segue, porque ele também está andando de um lado para o outro. E com essas duas palavras, o nosso bom dia se transforma em merda. Assim que voltamos encontramos Ling de pé junto à bancada da cozinha, fazendo um café com leite na cafeteira chique do Julius, ele parou de repente, fazendo-me chocar bem nas suas costas. Olhou para o relógio de pulso, em seguida, perguntou-lhe: — Você voltou cedo. O que aconteceu? Ela inclinou a cabeça graciosamente e forçou um sorriso. — É uma história engraçada, na verdade. — mas não havia humor em sua voz, indicando que ela era uma maldita mentirosa e não havia nada engraçado sobre o que tinha acontecido. Então Ling começou a explicar o que aconteceu, e Julius ficou mais e mais tenso, e eu comecei a afastar-me da cozinha. Eventualmente, Ling chegou no ponto principal da história, e Julius sacudiu os céus com sua raiva. Ele andou mais um pouco de um lado para o outro, murmurando sob sua respiração, e de vez em quando, ele apontava e berrava com ela. Com o corpo ansiosamente tenso, eu finalmente consegui escapulir da cozinha e corri para o quarto de Julius, sentei na cama com meus joelhos no meu peito, esperando a tempestade passar. Mas Ling continuou a falar o que pensava, inconsciente ou muito consciente - do combustível que estava jogando no fogo. A discussão atingiu o clímax quando Ling perdeu a calma e gritou: — Fodase sua presunção e hipocrisia, chefe. — as coisas farfalharam e as chaves do carro tilintavam. — Estou indo embora. Eu estou tão fora daqui. Vou encontrar alguém para foder, e você sabe o quê? — seus saltos soavam cada vez mais longe. — Eu vou chamá-lo de papai!— pouco antes da porta da frente bater, ela gritou: — E ele vai adorar! O carro deu partida, acelerou bastante e depois saiu, jogando cascalho na casa, fazendo um ping tinir na atmosfera silenciosa e tensa.


Na quietude espessa que sobrou da pequena guerra, Julius suspira alto, e depois... nada. Espero muito tempo para ele vir me encontrar, mas ele não vem. Depois de alguns minutos de silêncio ensurdecedor, eu decido aventurar-me fora da segurança do quarto tranquilo e procurar por ele. Não preciso ir muito longe. Espreito ao virar na quina da parede e encontro-o sentado à mesa de jantar, as mangas empurradas até os cotovelos, a cabeça abaixada com os dedos massageando as têmporas. Minha presença deve ser grande o suficiente para alertá-lo da minha presença, porque ele olha para cima, endireita-se, parecendo a imagem de dignidade. Então eu digo a única coisa que consigo pensar. — Desculpa. Seus ombros relaxam um pouco, e ele balança a cabeça. — Não é nada. — Parece algo. — sentindo-me mais ousada com sua atitude calma, entro na sala e, lentamente, vou para a cadeira mais próxima à sua. — Definitivamente soou como algo. Com os olhos fixos na cadeira vazia à sua frente, ele diz: — Todas as coisas com Ling são algo. Mas isso é apenas ela. Ela é inteira fogo do inferno e relâmpago. Nunca um momento tedioso. Você a ama ou odeia, sem meio-termo. Meu coração afunda. Tenho certeza de que estou no último extremo da escala com ela, mas Julius... ele claramente a ama. E isso faz o meu estômago revirar. — Tenho certeza que ela vai voltar. — eu digo por causa da conversa, sem realmente desejar isso. Ele nem sequer se incomoda em olhar para mim, e isso me faz sentir inútil. — Ela vai. Sempre volta.


O silêncio que se segue começa confortável, mas logo a tensão aumenta até que não consigo mais segurar a língua. — Ling... — eu começo. — Ela realmente saiu para encontrar alguém para... — a minha boca abre e fecha como um peixe fora d'água, mas eu não consigo terminar a pergunta. — Sim. — ele rosna, seu lábio torce em aversão. E meu coração gagueja. Dolorosamente. Se eu tivesse interpretado mal a relação entre os dois? Claro que Julius nunca vai olhar para mim de uma forma sexual. Ele é muito profissional. Não só isso, ele me odeia pelos problemas que causei. Eu daria qualquer coisa para melhorar entre nós. Eu almejo a presença serena, ainda que estática, que Julius irradia. Uma mistura de paz e raiva, caos e beleza, tudo em um. Com os meus dias diminuindo, minha mente desesperada passou por todos os cenários. E todos eles voltam para uma solução possível. Eu posso fazer isso acontecer, tenho certeza. Vai levar tempo, e isso é uma coisa que eu não tenho, mas serei esperta. Eu posso fazer isso. Eu sei que posso. Pelo menos, eu espero que eu possa. Eu vou fazer Julius se apaixonar por mim. *** Espero pacientemente, aproveitando o tempo para meditar. A briga com Ling deixou Julius mexido o suficiente para ir tomar banho sem me trancar em um quarto, e, embora o pensamento me excitasse, uma pergunta surgia. Para onde eu iria? Atualmente, eu era um alvo ambulante. Sem mencionar que eu não tinha dinheiro, roupa, ou um amigo no mundo.


Minhas chances lá fora por conta própria eram muito piores do que aqui, com Julius. Na ponta dos pés entro no seu quarto e dispo-me com calma, entro no closet e demoro a escolher algo mais confortável para vestir. Quando olho para mim, fecho os olhos e engulo em seco, dizendo a mim mesma que isso é tudo que sobrou na minha artilharia. Ling saiu. Quem sabia quando ela voltar? Eu esperava que fosse mais tarde, em vez de mais cedo, porque ela era uma cadela, e era uma cadela que deixou sua opinião sobre mim muito clara. Ela me odiava pra caralho. Agora, de pé na pia da cozinha, olhando para o quintal estéril, mas puro, eu me comprometo a fazer o que posso para ficar em vantagem. O barulho suave de pés se aproximando faz o meu coração acelerar. Eu posso fazer isso. Eu sinto seu olhar em mim antes que ele fale. — O que você está fazendo, Ana?— sua pergunta pesa quase mais do que posso carregar. Meu calcanhar lateja quando viro lentamente e ele olha para o meu traje, seus olhos verificam cada parte visível em mim, onde se cobrem sensualmente. — Oh, baby. — ele dá mais um passo predatório, levanta os olhos para mim e solta um grunhido suave. — Essa foi uma ideia muito ruim. A maneira como ele olha para mim já é o suficiente para o meu corpo estremecer deliciosamente. Eu não consigo colocar a boca para funcionar. Tudo o que posso fazer é me envaidecer sob seu olhar atento e soltar um suspiro ofegante. O ar chia com um zumbido abafado e com cada passo lento e calculado em direção a mim, meu coração bate mais rápido e mais rápido até que eu me sinto prestes a desmaiar por causa da pressão que a sua


presença exerce. Eu engulo em seco e meus lábios se separam levemente. Eu empurro contra o balcão da cozinha, segurando-me de pé. Ele é muito intenso e pelo vinco suave dos seus olhos sorridentes, ele sabe disso. Com um único passo em frente, ele me aperta, elevando-se sobre mim, mas a sua presença não é nenhum pouco intimidante. Suas palavras são quentes, mel escorrendo. — Você tem certeza disso, pequeno pardal? — seus dedos começam em meu cotovelo e descem. Os dedos longos pausam, em seguida, envolvem o meu pulso, segurando-me firmemente no lugar. Não. Nenhum pouco intimidador. Meus olhos vibram com a luxúria reprimida, e eu inclino a cabeça para trás para olhar para ele, piscando sonhadora. Meu olhar pousa em seus lábios cheios, e eu observo sua expressão um pouco reservada. Com os lábios secos, a minha língua se lança para molhá-los, e eu aceno com a cabeça uma permissão silenciosa. Ele libera meu pulso e a perda de contato quase me faz chorar com pesar. Seu rosto suaviza ligeiramente em aceitação e ele se inclina, coloca as mãos nos meus quadris, e com um movimento suave, ele me levanta para a bancada fria. Meu corpo irrompe em arrepios. Ele chega mais perto, seu corpo movendo-se para o espaço aberto entre as minhas coxas, tentando chegar tão perto quanto a física permite. Suas mãos grandes deslizam dos meus quadris para apertar a minha bunda, e minhas mãos sobem para agarrar seus ombros, um rubor suave aquecendo meu rosto. Ele me mantém ali, perto, neste abraço fora de forma e seus olhos azuis e frios nunca deixam os meus conforme suas mãos vagueiam pelo meu corpo, acariciando e amassando a minha carne macia. Seu toque é elétrico,

e

eu

encontro-me

mordendo

o

constrangimento de gemidos em seu mero toque.

lábio

para

evitar

o


Estou queimando por dentro. A área quente entre as minhas coxas pulsa delicadamente. Meus quadris, coxas, costas, ombro e pescoço... nenhum desses lugares está a salvo da sua massagem erótica. Julius coloca a testa na minha, fecha os olhos enquanto suas mãos maravilhosas deslizam pelas minhas costas para descansar nos meus quadris. Ele acalma um momento antes de se aproximar. Frustração fazme querer aproximar, mas ele me segura. Eu levanto o rosto para ele e meu lábio superior encosta o inferior dele. Meu coração bate e minhas mãos começam a tremer. Eu aperto seus ombros quase dolorosamente. Chega de preliminares. Preciso da sua boca mais do que preciso da minha próxima respiração. Ele se afasta um centímetro e sua mão sobe para a minha bochecha, seu polegar correndo gentil, mas firmemente sobre meus lábios entreabertos. Minhas mãos deslizam para baixo dos seus ombros, para o peito coberto de tecido, minhas unhas arranhando suavemente as suas costelas até que chego onde quero. Puta merda, estou a um passo de um orgasmo. Meu Deus, Julius é mais do que eu esperava. Mais do que eu procurava. A bainha da sua camiseta de algodão branco é levantada por dedos hábeis, para cima e sobre a cabeça, forçando minhas mãos ágeis a libertálo um único momento antes de eu agarrar os seus ombros mais uma vez. Um momento de pausa e eu quero chorar. Julius fez-me sentir mais nestes poucos minutos do que Dino naquele tempo todo. Meu lábio começa a tremer.


Estar aqui com Julius assim tornou-se a experiência mais crua que já tive em toda a minha vida. Uma experiência de mudança de vida. Ele olha para mim e eu devolvo olhar, com força total. Nenhuma palavra é dita. Não são necessárias, não agora. O que começou com a minha necessidade de fazer isso, acabou com o meu querer isso, mais do que qualquer coisa que já quis. Foda-se o plano. Eu preciso disso, preciso de Julius. Suas mãos param nas minhas coxas e, sem pedir, ele desliza-as para cima em uma tentativa de acessar a minha parte mais íntima. Em um momento de pânico, deixo escapar um suspiro suave e sua expressão fica neutra. Ele para, fazendo um show ao mover as mãos sobre a roupa. Ele se acomoda envolvendo seus braços fortes na minha cintura, me puxando para ele, e quando o faz, seu pau já duro esfrega em mim. O movimento faz meus olhos fecharem e um gemido baixo me escapa. Eu não previ, mas quando a sua boca pega a minha em um beijo profundo, incendiador, eu gemo em sua boca, e meu corpo se aquece com o som saindo do fundo da sua garganta. Oh Deus. Merda. Eu sou uma idiota. Por que eu permiti que isso acontecesse? Eu não esperava ser tão afetada. Eu não esperava ser afetada de jeito nenhum. Isso é oficialmente além das minhas forças. Eu sei disso porque Julius Carter tem os lábios de que sonhos são feitos, e agora que experimentei, tenho medo que a saudade não será saciada com tanta facilidade. Eu estou bêbada em luxúria, e eu nunca me senti assim. É desconcertante.


Sentada no balcão da cozinha, vestindo apenas uma camisa e calcinha, com os braços em volta do seu pescoço enquanto ele gentilmente morde e então chupa meu lábio inferior, nada pareceu tão natural antes na minha vida do que estar nos braços de Julius Carter. Ele levanta a mão e toma o meu rosto. Olhando para os meus olhos e procura. Para quê? Não tenho certeza. Mas quando sorrio para ele, quase posso ouvir as engrenagens funcionando dentro da sua mente. Liberando o meu rosto, como se fosse a coisa mais difícil que ele já teve que fazer, ele dá um passo para trás, para longe de mim. Não. — Julius. Não faça isso. Por favor, não faça isso. Minha voz não é mais do que um sussurro. — Não se atreva, Julius. Por favor. Por favor, não me deixe. Eu preciso de você. Oh, Deus, eu preciso dele. As palavras tremem. — Julius, não se atreva a se afastar de mim. Ele evita o meu olhar penetrante enquanto dá outro passo para trás, efetivamente quebrando o pouco que me resta de mim. Ele diz em uma voz áspera: — Nós não deveríamos fazer isso, Ana. Eu pisco para ele. Minhas sobrancelhas sulcam em confusão. — Sim. Sim, nós deveríamos. Porque é bom. Quando algo é tão bom, é exatamente isso que você deve fazer. Ele bufa e depois balança a cabeça como se eu fosse estúpida. — Você não sabe o que está sentindo. Você está confusa.


Ele acertou, mas não vou admitir. Sim, estou confusa. Eu sou uma porra de bagunça. A dor aguda no meu coração inflama minhas emoções, até que de repente, estou doendo por dentro. Com a voz baixa, eu digo: — Merda, não me diga o que eu estou sentindo. Eu já senti muita coisa ruim na vida. Eu sei o que é bom. Mas ele recua mais uma vez e, em desespero eu prometo: — Se você se afastar de mim agora, eu nunca mais vou encostar em você. Seus olhos estreitam um momento antes de ele quebrar a minha chantagem, virando e indo embora. Antes de passar pela porta, ele murmura: — Assim é melhor. Eu envolvo meus braços em mim, lutando contra o frio que Julius deixou na sala. Mas eu não choro. Eu não vou.


CAPÍTULO VINTE E CINCO Twitch — Seu maldito idiota. Lunático. Imbecil. — Ethan Black está tendo um dia ruim. — Você tem alguma ideia do quanto nos custou? Eu coloco meu polegar na boca, mastigando-o levemente. — Me esclareça. — Era um endereço falso, Twitch. Ninguém lá. Nada. Literalmente nada. A operação da SWAT desperdiçada. Outra oportunidade para o ralo. — os punhos de Ethan enrolam na lateral com tanta força que os nós dos dedos

ficam

brancos. Ele

caminha

para

frente,

uma

expressão

ameaçadora no rosto tenso. — Se você está fodendo comigo, garoto, você vai apodrecer atrás das grades. Eu juro. Eu inclino a cabeça e dou um olhar inexpressivo. — Você parece um pouco tenso, Black. Posso sugerir mais fibra em sua dieta? — Twitch. — o delegado nos interrompe antes que Ethan perca a calma. — O que aconteceu? Acho que já deixamos bem claro que se não tivermos a nossa parte do acordo, você também não terá. — ele franze a testa em confusão. — Por que você está fazendo jogos com a gente? — Vocês não acharam que eu realmente daria o endereço completo, não é?— o olhar de aborrecimento em ambos é lindo. — O que, então?— Ethan quer começar a trabalhar. Eu balanço a cabeça. — Você acha que eu vou acreditar na sua palavra depois que você pegar os caras? Vamos lá. — Uma risada escapa pelo nariz. — Não vai acontecer.


Ethan Black suspira alto antes de revirar os olhos e gritar: — O que você quer? A minha declaração é simples. — Eu quero estar lá. Presente. Como testemunha. Então você vai ter mais de mim. O chefe parece indiferente. — Não, Twitch. Agora você está pedindo demais. Ethan passeia ao redor da mesa para olhar o vidro da porta do escritório. — Nem fodendo. Não vou levá-lo para o campo. Eu dou de ombros descuidadamente. — Então eu acho que estamos em um impasse. — eu levanto e começo a me mover. — Vou deixar por sua conta. — eu me viro para o chefe. — Eu desejaria tudo de bom, mas... — eu sorrio levemente. — na verdade não quero. — meus pés me levam para as costas de Ethan Black, que atualmente está barrando a porta, e eu digo: — Saia do meu caminho, Black. Ethan se vira, a expressão cautelosa, a boca desenhada em uma linha fina. — Se você foder comigo, eu vou te foder de volta. — Eu não tenho qualquer intenção de foder ninguém. — eu repito pela enésima vez. — Eu só quero ir para casa, ficar com o meu filho, com a minha mulher. Isso é tudo. Eu vejo o momento em que ele cede relutante. Ele suspira longamente e baixo e fecha os olhos com força, o rosto de dor. — Ok. — ele murmura baixinho, em seguida, novamente mais alto. — Certo. — seus olhos abertos e ele olha para o delegado. — Apronte-o em dois dias. Partimos ao amanhecer. Minhas emoções dão um salto, mas eu as mantenho na baía. Eu só tenho um pensamento passando por minha mente neste momento. Iupi, iupe, urra, filho da puta.


CAPÍTULO VINTE E SEIS Alejandra Algo mudou em Julius na noite anterior. O que aconteceu entre nós ainda estava no ar quando fui para o quarto, a imagem da obediência. Eu ainda sinto o gosto dele nos lábios, sinto seu corpo próximo ao meu, mas eu disse para mim para esquecer, insistir nisso prejudicaria mais a mim do que ele. Então eu fiz tudo o que pude e fingi que nada aconteceu, que não houve beijo em momento algum entre nós. Ling não tinha voltado para a casa até meia-noite, e quando ele murmurou algo sobre luzes apagadas, era óbvio que ele estava preocupado com ela. Eu ponderei por que ele simplesmente não ligava e pedia que ela voltasse para casa. Afinal de contas, ele era seu chefe. Mas não era problema meu. O que era problema meu foi o que aconteceu quando entrei no quarto. Eu estava esperando algo. Não tive nada. Nada mesmo. Ele não me algemou a ele, não algemou à cabeceira da cama, não me ameaçou verbalmente ou de qualquer forma, ele apenas deixou-me em paz. Ele, no entanto, nos trancou na suíte naquela noite, e embora eu esperasse um sermão sobre o que aconteceria se eu escapasse, ele simplesmente despiu-se, colocou o pijama, apagou as luzes e deslizou para a cama sem olhar para mim ou dizer uma palavra, virando as costas como se eu nem estivesse lá.


Minha resposta emocional foi intrigante para dizer o mínimo. Sua conduta me ignorando como se eu não fosse nada, estava começando a fazer aparecer uma reação curiosa de mim. Eu estava sentindo falta dos seus olhos em mim, a maneira como ele me abraçou forte, colado. Sentimentos intensos de desejo inoportuno causavam dor em meu peito. Sua indiferença não era apenas surpreendente, mas também dolorosa. Completamente ridículo e irracional, eu sei. E um fragmento de minha mente se perguntava se eu estava começando a desenvolver síndrome de Estocolmo. Não estava. Eu tinha um plano, e estava aderindo a ele, um pouco. Se eu quisesse que ele tivesse sucesso, eu não poderia começar a me apegar ao homem que às vezes era assustador, mas mais frequentemente atencioso. Não era justo. De todos os homens para ficar presa, eu arrumo um que faz borboletas agitarem-se na barriga com um simples olhar daqueles olhos azuis tempestuosos. Como uma pessoa pode simplesmente parar de se sentir atraída por alguém? Eu não tinha certeza se era possível. Minha mãe costumava dizer que quando um homem prendia a atenção de uma mulher sem uma palavra falada, era receita para o desastre. E para mim, foi Julius. Independentemente do conselho da minha mãe, eu queria empurrar os limites. Eu não tinha nada a perder. Literalmente nada. Minha própria vida estava perdida. Eu não tinha mais nada para arriscar... além do meu corpo. Era um convite ao desastre, sabendo que acabaria em tragédia, mas sem importar nem um pouco.


Era imprudente e irresponsável, e eu não estava muito certa se eu dava a mínima para as consequências que pudessem advir. Enquanto eu estava deitada na escuridão, um pequeno sorriso surgiu nos meus lábios. Forçar os limites estava ficando cada vez mais emocionante a cada minuto. Era até emocionante fazer algo que não era para o bem da família. Eu estava por conta própria, responsável por ninguém e nada além de mim, e eu faria o necessário para ter certeza que viveria mais um dia. Amanhã, eu vou apoiar minhas mãos contra a parede que é Julius, e eu vou empurrar. *** Ling retorna logo após o amanhecer, e o alívio visível na linguagem corporal de Julius me deixa furiosa por dentro. Acordei algum tempo depois do nascer do sol e não me incomodei em despertar Julius. Em vez disso, deslizei para fora da cama e me movi silenciosamente até o banheiro, deixando a porta aberta apenas uma fresta. Tomei banho rapidamente, notando que alguém tinha colocado condicionador onde não havia no dia anterior. Agradecendo aos céus, eu espalhei um montão no meu cabelo grosso, massageando-o e deixando-o trabalhar por um minuto enquanto eu ensaboava e enxaguava. Depois eu tirei o condicionador e saí do chuveiro, era hora de eu começar a empurrar. Eu demorei me secando com uma grande toalha de banho pendurada no chuveiro, utilizando uma extra como um turbante no meu cabelo molhado. Fui até a pia e limpei a condensação do espelho e dei uma olhada em mim mesma. Meu corpo estava... bem, não estava bom. Foi danificado em mais maneiras do que uma pessoa poderia contar, nem todas as lesões visíveis


a olho nu. A linguagem corporal tinha muita influência com o que eu estava prestes a fazer, e eu precisava ser discreta. Envolvi a toalha na altura do peito, avistei a escova de dente pendurada ao lado da pia e sorri. Molhei, coloquei uma pequena quantidade de pasta de dente e, ainda sorrindo, coloquei na boca e escovei os dentes. Forçando sobriedade, eu o chamei, propositadamente usando o apelido que a sua irmã o havia chamado. — Jay? Ele respondeu imediatamente, brusco, deixando-me ciente que ele sabia onde eu estava. — Sim. Meus pés me levaram para a porta do banheiro e, com os dedos na maçaneta abri uma pouco, enfiando a cabeça para fora. Com a expressão neutra, eu lhe disse: — Eu não tenho nenhuma roupa de baixo. Ele se levantou sem olhar para mim e saiu do quarto. Eu sabia para onde estava indo e, juro por Deus, ele ia me dar atenção quando voltasse. Tirei a toalha da cabeça, passei os dedos pelos longos fios ondulados e verifiquei-me no espelho. Afrouxei um pouco a toalha em volta do meu peito, apenas o suficiente para mergulhar no vale entre os seios. Eu lambi o excesso de pasta de dente dos lábios, deixando-os mais brilhantes e cor-de-rosa. Quando ele voltou para o quarto e se virou para deixar as roupas no closet como eu tinha pedido no dia anterior, eu o chamei: — Aqui, por favor. Um momento depois, a porta se abriu mais, e seus olhos encapuzados de sono encontraram os meus, arregalando ligeiramente antes de moverem para baixo, em seguida, parando no meu decote quase inexistente antes de chegar ao meu rosto. Sim. Ignore-me agora, seu filho da puta. Mas, então, um breve olhar irritado apareceu. — Essa é a minha escova de dente.


Deixei-a na boca quando peguei a roupa oferecida de sua mão estendida. Segurando

o

pacote

nos

meus

braços,

eu

pisquei

inocentemente para ele, retirando a escova de dente azul da boca antes de lamber os lábios limpando muito, muito lentamente. — Eu não tenho uma dessas também. Eu sabia que era atraente. Não era eu sendo uma convencida babaca, era um simples fato. Praticamente a única coisa pela qual fui elogiada todos os anos da minha vida. Quem dava a mínima por eu tirar apenas A no ensino médio? Não a minha família. Eu era sempre a mais bonita, o que quer que isso significasse. Era difícil não reparar como os homens olhavam para mim. Aqueles olhares normalmente me deixavam desconfortável. Eram do jeito que Julius olhou para mim no nosso primeiro encontro na casa, no dia que Dino foi removido da minha vida, a primeira vez que aqueles olhares foram bem-vindos. Esse foi o dia que Julius não poupou tais olhares para mim, e eu o amaldiçoei para sempre. Ele viria atrás de mim. Merda, ele já estava. Fingir não ver a forma como os seus olhos me encaravam foi difícil, mas voltei para o espelho, sem olhar para ele de novo, o que lhe permitiu olhar para o seu preenchimento. — Obrigada pelo condicionador. Nenhuma resposta. — Eu vou precisar de algumas coisas, se você não se importa. Ainda sem resposta. — Nada muito extravagante, apenas uma gilete para minhas pernas e axilas, talvez um desodorante feminino. — eu enfatizei, enquanto pegava o dele e liberalmente pulverizava as minhas axilas. — Sutiãs, calcinhas, e tesoura para que eu possa cortar o meu cabelo.


O zumbido de raiva no ar me fez reprimir um sorriso maroto. Eu estava sendo intencionalmente uma pirralha. Eu queria uma reação e não estava preparada para o que estava prestes a começar. Ele entrou no banheiro um passo ameaçador, e eu me virei de costas para a pia, antecipando a sua abordagem. Com uma pequena olhada em seus pés descalços e grandes, pernas musculosas, meu coração bateu mais rápido. Sua testa baixou, ele procurou meu rosto, e o silêncio estava me matando. — Você acha que isso é um maldito hotel? Outro passo mais perto, e conforme eu recuava a parte inferior das costas que não estava coberta com a toalha entrou em contato com o mármore frio da pia. Eu estava travada. Não havia nenhum lugar para ir. Meus lábios se separaram em surpresa com a agressão que saiu dessa pergunta calmamente feita. Com as bochechas coradas, eu balancei a cabeça. — Você acha que eu sou a porra do seu mordomo? — sua mandíbula endureceu. Engoli em seco, minha voz fraca. — Eu não estou pedindo muito. Eu não pedi para estar aqui, Julius. Não é razoável. Ele deu mais um passo, este maior do que os outros, e ficou frente a frente comigo, olhando para mim com os olhos tão frios que só poderiam ser descritos como glaciais. — Vamos recapitular, vamos? — oh, eu não gostei do som disso. Ele se inclinou para baixo, ficando no nível do meu rosto, e suas palavras calmas eram de algum modo mais altas para mim do que um grito. — Você se força para dentro da minha vida, acaba com a vida de um homem inocente por razões que não me revela, fode a minha reputação e bagunça com o meu negócio, tudo no espaço de uma hora, envergonha -me, me obriga a te perseguir até a metade da cidade mais próxima, força a sua mera presença ordinária na minha vida e invade o


meu espaço, meu paraíso pessoal, onde eu venho para me livrar de merdas como você... —Jesus, isso doeu mais do que deveria — e você sente que tem o direito de pedir qualquer coisa para mim? — suas narinas abrem em sua fúria mal disfarçada e seus olhos brilham. — Cadela, por favor. Estou precisando de uma desculpa para te estourar e agora você está chegando perto. O que ele sussurrou depois foi um pouco desconcertante. Sua mão subiu lentamente, e ele gentilmente tocou uma mecha do meu cabelo, acidentalmente tocando meu braço, fazendo-o arrepiar. Com o hálito quente na minha bochecha, ele murmura: — Você não vai cortar o cabelo. Nem me peça uma merda dessa de novo. Com isso, ele se virou e saiu do banheiro, fechando a porta atrás dele com uma batida leve. A dor em mim pulsava por todo o meu corpo, minha respiração difícil deixava os meus membros fracos. Levantei os dedos para os lábios e segurei-os lá. Eu queria uma reação e, sim, eu tinha conseguido uma. E essa reação me abalou. Mas então, por que pareceu que fui mais afetada do que Julius? Afastei o pensamento e virei lentamente, escovei os dentes em silêncio pesado, esperando que a manhã melhorasse de agora em diante. Agora, cerca de uma hora se passou antes do som da abertura da porta da frente, silêncio, sons. Fecha-se com um silêncio, e passos suaves silenciados descem o corredor. Quando ela se move para passar para a cozinha, ela olha para dentro, parando de surpresa com seus saltos em uma das mãos finas. O olhar de choque é sufocado rapidamente e, levantando o nariz com orgulho, ela vai para a cozinha, como se nada tivesse acontecido no dia anterior.


Um sorriso de gato em sua cara bonita, limpa, ela passa direto por mim sem olhar para trás e se move em direção à máquina de café, onde Julius está. — Dia. Vestido com calça jeans e uma camiseta de manga comprida branca, seus ombros relaxam quando desaparece a preocupação de não ter sua preciosa Ling por perto, e ele leva a caneca de café aos lábios e dá um gole. — Divertiu-se? Seu tom é descomprometido. — Sim, com certeza. Ele olha para ela sobre a caneca. — Então, quem foi dessa vez? Chip? Norman? Vejo-a observá-lo cuidadosamente antes de responder com ousadia: — Eu nunca sei o nome, mas eu tive uma resposta boa pra caralho quando o chamei de papai. Tenho certeza que ele vai despedaçá-la por esse comentário espertinho. Em vez disso, para meu desespero, ele mergulha o queixo, balançando a cabeça levemente enquanto o seu corpo treme com uma risada silenciosa. — Todas as coisas com Ling são algo... você a ama ou odeia, sem meio-termo. Não foi isso o que ele disse? Uma coisa que eu sabia com certeza, Ling e eu nunca seríamos amigas. E o que eu estava prestes a fazer ia cimentar nosso ódio uma pela outra. Levanto de onde estou na mesa de jantar, levo a caneca de café vazia até a pia da cozinha e enxáguo. Da minha visão periférica, eu vejo o momento que ela percebe as roupas no meu corpo. — Ei, puta. Você invadiu meu armário? — ela pergunta, mal escondendo sua raiva com o pensamento.


Com uma expressão de inocência angelical, eu olho para baixo para a calça de linho larga e para o suéter de cashmere antes de fitá-la e responder: — Hum, não. Jay pegou enquanto eu estava tomando banho esta manhã. Espero que esteja tudo bem. Tom. Sugestão. Uma falsa sensação de proximidade. A declaração curta respondeu tudo. Aponto para um alvo. E meu interior aquece quando vejo que a minha flecha acerta. A expressão satisfeita de Ling vacila. Seus olhos estreitam para mim, então ela vira com o mesmo olhar para Julius. — Oh, é 'Jay' agora?— empurrando-se para fora do balcão com o quadril, ela se move para sair da cozinha. — Bem, eu estou cansada. Fiquei acordada a noite toda. — ela olha de mim para Julius. — Eu vou deixar você e Jay voltarem ao que quer que fosse que estavam fazendo antes de eu chegar aqui. Nós a observamos subir as escadas, e um minuto inteiro passa antes do comentário do Julius: — Eu não sei que porra foi essa, mas não brinque com ela, Alejandra. Ela não aceita bem os jogos, e quando ela decide que quer jogar, é só porque ela pretende ganhar. Não fazemos isso nós todos? Meu rosto fica duro quando observo: — Obrigada pelo aviso, mas eu não estou fazendo jogos. Minha vida não é um maldito jogo. Isso é sério. Ele fala com pouco fogo. — Com certeza está. Você fez isso comigo um pouco antes no chuveiro, e agora com Ling. — Não, não estou. — eu falo muito rápido, a minha culpa evidente. Seus lábios cheios inclinam no canto e, levantando a mão, ele arranha a barba por fazer. — Baby. — ele começa. — Pessoas como eu e Ling inventaram táticas de manipulação. Ninguém é melhor do que


nós. Você está cometendo erros de novata. — seu quase sorriso suaviza seu rosto inteiro, e é lindo. — Só pare, e vamos todos conviver muito bem. Eu franzo a testa e viro para que ele não possa ver a luta interna atrás de meus olhos. Eu estava mostrando que estava jogando? Como? Meus ombros caem ao perceber que ele está em cima de mim desde que acordou. A caneca tilinta suavemente ao ser colocada na pia e eu o sinto em minhas costas. O que ele diz depois faz o meu corpo inteiro ficar frio de pavor. — Quer que eu apague o seu pai para você? Meus olhos arregalam, eu giro para ele e falo embasbacada antes de falar apressada: — O quê? Não! Não se atreva! Com o rosto em expectativa ele acena com a cabeça suavemente, em seguida, afirma: — Isso aí. É isso quem você é, Alejandra. Você não é uma sedutora. Você não é uma conspiradora. Você usa seu coração para pensar. Então o que você está pensando, pare e seja apenas do seu jeito doce. Ele estava me matando com suas palavras, e eu estava envergonhada com a picada quente de lágrimas queimando meus olhos. Eu as contive. — Eu não sou fraca. — Não. — ele concorda sem hesitação, mas olha para mim de um ângulo diferente. — E eu adoraria entrar na sua cabeça. — ele se endireita, pega uma mecha do meu cabelo entre os dedos e puxa delicadamente. — Mas você não deixa, baby. — ele deixa a mecha de cabelo cair para descansar no meu ombro e encolhe os ombros. — Quero ajudá-la, mas não posso fazer sem que você deixe. Você não tem muito tempo, então você precisa decidir o que é mais valioso para você... sua vida — ele ressalta, enquanto dá uma série de passos para trás para as escadas —, ou seu orgulho.


Quando segue Ling para o andar de cima, me deixa lá, sozinha, sem supervisão, e é então que eu percebo que ele não é falso. Ele está confiante de que não vou sair, e ele está certo, porque eu não tenho ninguém além dele. Talvez ele realmente queira me ajudar. Ou talvez… A sensação de frio se espalha por todo meu dedo dos pés até em cima. —

Pessoas

como

eu

e

Ling

inventaram

táticas

de

manipulação. Ninguém é melhor do que nós. Balanço a cabeça com a compreensão que tinha acabado de ser tocada como um violino afinado. O Julius não quer me ajudar. Ele quer se livrar de mim. Ele quer salvar o próprio rabo, como eu planejava fazer com o meu, não que eu o culpe. Se fosse uma escolha entre você e eu, eu quase sempre me escolheria. Ele falou nada mais do que a verdade em seu discurso cheio de raiva esta manhã, que eu era nada além de um pedaço de merda. Se eu pudesse ser como Ling, durona, capaz. Talvez então eu pudesse encontrar meu lugar neste mundo confuso. Talvez se... A lâmpada se acende em minha cabeça, iluminando os meus pensamentos, tornando-os cristalino. Só assim, o meu plano muda de A para B. Eu não estou indo para me tornar como Ling. Um sorriso secreto aparece nos meus lábios. Eu vou substituí-la.


CAPÍTULO VINTE E SETE Julius — Não se afaste de mim. — eu rosnava, seguindo-a pela casa. Pequeno pardal maldito está fazendo minha cabeça implodir com cada encarada silenciosa. Se ela quer continuar a segurar a língua, eu vou fazêla falar. Talvez falar para ela que eu deveria simplesmente tê-la deixado para Gio foi agressivo, mas a reação dela era uma que eu precisava ver. Ela só tinha esse tipo de reação quando o irmão do Dino era mencionado. Meu lábio contraiu de raiva, eu lutei contra o desejo de estender a mão e agarrá-la pelo pulso para mantê-la quieta, e eu acuso: — Você estava tendo um caso com ele, com Gio? Não estava? É por isso que você queria Dino morto. — faço uma pausa para avaliar sua reação, mas ela está fora, tão longe de mim quanto pode eventualmente chegar. — Eu deveria ter adivinhado. Ele não pareceu tão chateado com a morte do irmão. — eu a observo se afastar. — Aposto o meu testículo esquerdo que é por isso que ele se ofereceu para encontrá-la. É isso? — ela continua a andar e meu estômago queima, tenso e revirado em agitação, e a fúria acende, chamuscando minhas entranhas. — Fale comigo. Ela manca quando ela caminha não tão mal como ela fez no dia anterior, mas suficientemente mal que meu estômago aperta com a necessidade de buscá-la e levá-la para o sofá, em algum lugar macio e confortável. Meu orgulho, é claro, nunca permitirá que isso aconteça, mas para o registro, eu quero.


— Foda-se. — ela rosna, fazendo voltas em torno da casa, sendo esta a nossa segunda vez pela cozinha. Eu sorrio secretamente, sabendo que ela não tem ideia de onde ir, mas isso não diminui o seu ritmo. Eu tento uma abordagem mais suave. — Alejandra. — merda. Meu tom de voz ainda é muito duro. Eu tento de novo. — Baby, pare. Vamos conversar. Logo que chamo baby, ela gira, encolhendo-se um pouco, e eu quase a atropelo com a parada súbita. Ela olha furiosamente para mim, levantando a mão e me cutucando no peito com um dedo sólido. Seus olhos em chama e ela fala com os dentes cerrados. — Pare. — empurrão. — De. — empurrão. — Me. — empurrão. — Chamar. — empurrão. — De. — empurrão. — Baby. — empurrão, empurrão, empurrão. Porra. Esse comportamento. Faz coisas comigo. Meu pau se agita atrás da minha calça preta e eu mudo o peso dos pés, lançando-lhe um olhar ameaçador. — Eu chamo do que eu quiser, baby. — eu movo-me lentamente, entrando no seu espaço até que estejamos nariz com nariz. — Para todos os efeitos, você pertence a mim. E, meu Deus, eu gostaria que fosse a mais pura verdade, que eu pudesse usá-la da maneira que eu realmente quero. Dormir ao lado dela é bastante difícil. Meu pau chora grossas lágrimas molhadas todas as manhãs no chuveiro, mas dificilmente me satisfaz. Ling chamou a minha atenção na noite anterior, e embora eu negasse a acusação, ela estava certa. Estou ficando apegado a ela. Foi um erro de principiante dar-lhe acesso ao meu espaço. E por mais que eu queira me livrar dela, meu peito aperta com o pensamento de... de...


Minha mente diz as palavras que eu não ousaria. De ficar sozinho novamente. Ling também é uma amiga, mas ela é mais uma sócia. Ela tem seus próprios interesses, e eles não me envolvem. Honestamente, eu não cavo a merda de Ling. Nós não interagimos socialmente, não saímos para jantar, e não ficamos profundos e significativos. Não que Ling tenha algo nela de profundo e significativo. Ela tem seu espaço no andar de cima, e eu tenho o meu no andar de baixo. Nós comemos juntos de vez em quando só porque é conveniente, mas fazemos isso em silêncio durante a maior parte do tempo, de forma intermitente falando merda sobre o trabalho. Alejandra é uma criatura complicada e, que Deus, tenha piedade, encontro-me atraído por ela. Durante todo o dia, ela não para com a conversa, mas assim que nós nos movemos em direção ao quarto de dormir, ela desliga-se, tornando-se nervosa e difícil. E essa porra me mata. Entendo. Ela não me conhece de lado nenhum e, à noite, eu posso fantasiar sobre todas as maneiras diferentes que posso fazê-la gritar de prazer, mas eu não vou lá. Nem se ela quiser. Caramba. Ok, eu provavelmente resistiria um tempo, mas, porra, eu sou apenas humano. Eu não sei se conseguiria negar uma mulher como Alejandra. Ela é pequena, algo que eu sempre amei. Ela é linda, um bônus. E ela é inteligente, nenhum pouco desmiolada, como ela quis que eu acreditasse que fosse. A areia em sua ampulheta acelera a cada minuto. Amanhã é o seu prazo. Se ela não me der alguma coisa - qualquer coisa – até lá, ela é enviada de volta para casa, um cordeiro para o abate.


Eu estou dando-lhe a oportunidade de se salvar, mas ela está tornando isso difícil. Agarro levemente a frente de sua camisa de linho, eu assisto seus grandes olhos castanhos arregalarem como discos voadores, e rosno em advertência: — O tempo está quase acabando. O que vai ser? Seus olhos brilham, ela engole em seco e me olha nos olhos ao afirmar: — Você é exatamente como eles. Minha testa franze. — Como quem? Ela dá um passo para trás. — Eles. — em seguida, outro. — Todos eles. — de repente, um olhar de tristeza pura a domina. — Você não quer me ajudar. Você quer ajudar a si mesmo. A única pessoa que posso confiar é em mim. — Seus olhos encontram os meus, e há algo lá. Mágoa, talvez. — Eu pensei que talvez você fosse diferente, mas você não consegue sequer ver o que está bem na sua frente. Dou um passo em direção a ela, pegando suas duas mãos sem permissão e aperto-as firmemente enquanto eu imploro: — Dê-me uma razão para ajudá-la. — eu deixo suas mãos e toco suas bochechas frias. — Sou todo ouvidos. Simplesmente fale, baby. Seus olhos se enchem de lágrimas, e ela os fecha com força antes que eles tenham a chance de traí-la. Ela funga lindamente e deixa escapar um sussurro rouco. — Eu gostaria de poder confiar em você, Julius. — quando ela mergulha o queixo, eu solto-a, e minhas mãos caem ao meu lado. Ela me atinge com força com as próximas palavras suavemente faladas. — Você parece o tipo de cara que uma menina faria praticamente qualquer coisa para ter ao seu lado. — em sua voz, eu encontro vestígios de melancolia. E com essas palavras, meu peito desmorona. Eu quero que ela fique comigo. Permanentemente. Merda.


É isso que aconteceu com Twitch e Lexi? Que diabos esse pequeno pardal está fazendo comigo? Porque agora eu entendo. Entendi. E eu devo um pedido de desculpas para Twitch por toda a gozação. Quando ela se vira para entrar no quarto, um sentimento de medo me atravessa ao perceber que tenho alguém especial em meu alcance e que eu posso ter que deixá-la ir. Sabendo disso, eu entro em pânico. Minha próxima oferta atordoa até a mim. — E se eu disser que a protegeria? Ela faz uma pausa na porta e, sem olhar para trás, responde: — Eu lhe diria para não fazer promessas que não pode cumprir. Meu corpo endurece com mal-estar, ela fecha a porta atrás dela, o leve estalido do trinco ecoando em minha mente. *** — Você chamou, — Ling diz ao entrar no meu banheiro. Eu não me sinto exatamente bem sobre isso, mas também não tenho uma escolha. — Está por sua conta hoje à noite. Eu tenho uma reunião que não posso perder. Seus olhos estreitam perigosamente. — Então você sai e bebe com os caras, enquanto eu fico presa de babá da putinha respondona? Arrumando o meu cabelo no espelho, eu não coloco nenhum calor no meu próximo comentário. — Não a chame assim. E sim, de vez em quando, você vai ter que fazer algo que você não quer. Chama trabalho, Ling. — Não. — ela argumenta. — Isso não está funcionando. Trabalho é armas e homens de terno e tiroteios. — ela inclina o quadril contra o balcão e move-se para colocar seu rosto à minha vista. — Isso é besteira.


Isso é o mais próximo de beicinho que já vi Ling fazer. Eu olho para ela, minha sobrancelha levantada em surpresa. Ela abaixa seu rosto de escárnio. — Eu não vou gostar dela só porque o seu pênis fica alerta sempre que ela está no quarto. Olho nela, eu me inclino e aviso: — Estou ficando muito cansado dessa sua atitude petulante de merda, Ling. Aos cinco anos de idade isso seria fofo. Em você? — eu olho para ela e para baixo. — Não muito. Ela abre a boca para disparar outra rodada, mas eu a corto. — Eu espero que eu não precise dizer-lhe que se ela for prejudicada de qualquer forma será um inferno para pagar. Sua boca define em uma linha sombria, ela balança a cabeça uma vez. — Entendi. — Não, você não. — eu digo a ela. — Você não entendeu. Esta merda que estou falando é séria. — dando um passo mais perto, eu prendo-a, eu na sua frente, a pia nas costas. Eu abaixo a minha voz rouca. — Se você colocar uma mão nela, tocar em um único fio de cabelo, olhar para ela de forma errada, eu te juro, Ling — minha respiração aquece a maçã do seu rosto —, você estará fora sem um centavo, na lista negra. — levanto a mão para acariciar sua bochecha. — Agora você me entendeu? Um momento de silêncio. — Sim. — um olhar de puro ódio brilha em seus olhos. — Eu entendi. — Bom. — soltando minha mão, eu movo para o espelho, olhandome uma última vez, e murmuro clinicamente. — Isso é muito bom.


CAPÍTULO VINTE E OITO Alejandra Julius sai do banheiro e volta para o quarto enquanto continuo a limpar a ferida no meu calcanhar. Ele se aproxima da cama e se ajoelha quando chega ao meu lado. — Ainda dolorido? Eu não olho para ele porque tenho medo que ele veja muito em meus olhos, veja dentro de mim, a ansiedade de saber que ele está me deixando sozinha com Ling. É agora com a apreensão que compreendo o quanto fui ridícula ao me sentir um dia mais segura com Ling, como se ela fosse um amortecedor entre Julius e eu. Eu percebo que ele não me deixaria com ela a menos que precisasse, então eu não me envergonho implorando, principalmente porque tenho certeza que se eu fizesse, ele ficaria. E isso seria apenas para confundir ainda mais as coisas entre nós. — Está melhorando. Ele me observa em silêncio enquanto eu me dedico inteiramente à minha tarefa, fazendo o meu melhor para ignorá-lo. — Volto mais tarde. Eu mantenho a minha voz calma. — Ok. — Olhe para mim. Eu realmente não quero, mas seu tom de voz é firme e inflexível, e depois de anos sendo submetida à porrada, torna-se pouco mais do que um reflexo. Meus olhos encontram os dele, tempestuosos e cheios de preocupação, e a minha boca abre, minha respiração me deixando em um assobio. É como ser atropelada por um ônibus, em seguida, o ônibus dá ré, e passa por cima novamente. Minha respiração fica difícil e não


percebo que eu estou chorando até que sinto a umidade trilhar as minhas bochechas. — Ei. — ele começa, estendendo a mão para enxugar uma lágrima com o polegar, correndo os dedos para baixo do meu queixo. E eu não posso impedir as palavras sussurradas de escapar. — Por favor, volte. Ele franze a testa. — Eu vou. — Bom. — murmuro, piscando através da torrente de lágrimas, então falo baixinho. — Porque agora você é tudo o que tenho. Antes que eu possa avaliar o impacto dessas palavras, estou voando para fora da cama e sou levantada por um forte par de braços. Eles me abraçam apertado. São inabaláveis, e pela primeira vez em muito tempo, eu me sinto segura. — Saia. — ele fala com raiva, e eu ouço o som notório de saltos estalando da porta do banheiro, em direção à porta do quarto, e, em seguida, para o corredor. Meu rosto enterrado em seu ombro, ele me embala como se eu fosse a coisa mais preciosa da sua vida, e ele deixa uma confusão caótica de pensamentos em seu rastro. Sua grande mão desliza pelas minhas costas, para a base do meu pescoço, onde seus dedos quentes me seguram para ele, e eu me pergunto se Julius precisa do contato tanto quanto eu. — Olhe para mim. — ele fala suavemente. Não é uma exigência, mas um pedido suplicante. Com um suspiro leve, eu recuo, agarrando o tecido nas suas laterais com tudo que tenho. Ele procura o meu rosto um longo momento antes de se inclinar e pressionar seus lábios quentes, carnudos na minha testa, suavemente, com pesar carinhoso. Eu me empurro para ele e tiro tudo o que ele me dá. Quando, finalmente, ele se afasta, ele solta um suspiro longo e cansado antes de olhar para mim, mas não há calor por trás


dele. É tudo para o show. E para reforçar a minha declaração, ele fala suavemente, tomando cuidado. — Amanhã, nós vamos conversar, sim? E não vamos deixar pedra sobre pedra. Porque as coisas... — ele me olha com cautela, como se eu fosse um animal assustado preparado para fugir a qualquer momento. Ele termina a sua declaração. — As coisas mudaram. Sua admissão surpreendente me faz piscar para ele. Como as mesas viraram

assim? E

por

que

a

sua

declaração

me

emociona

secretamente? Percebendo que ele esperava alguma forma de resposta, dou-lhe um pequeno aceno de concordância. Sua expressão suave fica inflexível quando ele confessa, — É melhor você não brincar comigo, Alejandra. Não acabaria bem para você. Sem um pensamento, minha boca se abre, e eu respondo: — Eu já tentei. Com isso, seu rosto suaviza mais uma vez, e um pequeno sorriso aparece em seus lábios. — Oh sim? Como foi? — Não muito bem. — eu admito baixinho, sem um pingo de vergonha. E a vertigem que me atravessa quando ele mergulha a cabeça, os ombros saltando com uma risada silenciosa, não tem preço. Por um breve momento, eu me sinto tão normal quanto possível. Ainda mais quando ele levanta o rosto sorridente e me choca com o brilho do seu sorriso de um milhão de dólares. Três vezes mais quando ele se inclina para mim e aperta seus lábios cheios e macios nos meus, no que seria, essencialmente, o beijo mais curto e precioso da minha breve vida. Boca macia. Lábios fechados. E perfeito em todos os sentidos possíveis. Tanto que o choque me faz querer chorar mais uma vez. Meu peito dói e uma faísca me incendeia, aquecendo meu coração frio. Esperança reacende.


Realmente machucaria confiar em Julius, só um pouco? Não é como se as coisas pudessem piorar para mim. Estou tão cansada de ser ferida por homens, e embora o medo me atormente, algum lugar dentro de mim clama para lhe dar uma chance. O aroma amadeirado masculino da sua colônia enche meus pulmões, e eu gostaria de me afogar no cheiro dele, e nunca querer subir em busca de ar, de bom grado perder a vida para este momento único. Sem querer eu solto o tecido das suas laterais e corro as mãos para cima, para o seu peito musculoso, segurando seus ombros largos com as minhas pequenas mãos o mais firme que posso. Julius libera meus lábios e parte meu coração quando ele me mostra afeição verdadeira, altruísta, mantendo seu rosto perto do meu, em seguida, corre o nariz no comprimento do meu antes de voltar a beijar os meus lábios brevemente mais uma vez. — É tudo sobre nós agora. — ele afirma, passando as mãos firmes nas minhas costas, descansando-as em meus quadris, em seguida, apertando levemente. E com uma respiração curta, sufocante, eu aprendo a confiar novamente. — Sim. — porque, francamente, se eu algum dia quisesse um nós, seria um nós com Julius. Ele levanta então, colocando-me de pé e me dando um olhar que me diz que ele não quer mais sair. Com um acesso de raiva, ele balança a cabeça e se afasta de mim. — Amanhã nós conversamos. — Ok. — é tudo o que eu digo, porque não posso pensar com ele tão perto. Outro passo em direção à porta. — E você vai me contar tudo. — Eu vou. — eu prometo, mascarando o meu alívio surpreso de ter alguém em quem confiar. Eu não pude falar abertamente com ninguém


em anos. Tendo isso agora, depois de todo esse tempo, me faz sentir tão nervosa quanto emocionada. Ele faz uma pausa na porta, vestido todo de preto, parecendo o céu na Terra. Ele demora parecendo satisfeito, e sem uma única palavra, ele se vira e vai embora. E eu deixo. — É tudo sobre nós agora. O que isso significa exatamente? Eu definitivamente sei o que eu quero que signifique, mas as minhas esperanças já foram frustradas tantas vezes que não quero pensar demais na declaração enigmática de Julius. Minha mente está uma bagunça, eu volto para a cama, me enrolo em uma bola, segurando-me firmemente, e cubro-me completamente. Nem dez minutos se passam antes de eu ouvir o som tedioso de saltos à distância. As cobertas são tiradas de cima de mim e eu endureço, não tenho certeza do que esperar. Talvez uma surra, só para agitar as coisas. Em vez disso, Ling olha para mim com repulsa. Olhando para mim, ela diz: — Levante-se. Mas eu fico confusa, e não entendo as palavras. Depois de um curto minuto, ela repete: — Eu disse para levantar. Usando meu cotovelo para me levantar parcialmente, eu questiono: — Por quê? Com um sorriso malicioso, ela revela: — Porque nós vamos sair. O quê? Sento-me totalmente, os olhos arregalados. — Para onde? Mas ela se retira, os saltos que são sua assinatura clicando direto para fora do quarto.


Eu desmorono de volta na cama e me pergunto se esta Ê uma boa ideia. Do fundo do corredor, Ling grita: — Levante-se! E porque parece mais uma ordem do que um convite, eu levanto a minha bunda.


CAPÍTULO VINTE E NOVE Twitch Quando Ethan Black me entrega o longo bastão preto eu olho para ele um momento antes de desviar o olhar e perguntar: — Que porra é essa? Você acha que este é um ensaio de banda, Black? Jesus, dê-me algo mortal. Depois do silêncio que eu concedi como oferta de paz durante o voo de oito horas para o Estado do nosso alvo, você pensaria que ele ficaria mais sensível. Black sorri de forma tenebrosa e se inclina para zombar: — Não em sua vida. Chupador de pau filho da puta. Cercado por homens com uniforme preto da SWAT, eu me misturo com a multidão, vestido extraordinariamente semelhante, mas faltando a única coisa que poderia salvar a minha vida. Uma arma. Quando o caminhão desacelera e depois para completamente, eu balanço a cabeça. — Não estou me sentindo bem com isso, Black. Ignorando minhas preocupações, ele sonda: — Este é o lugar? Meus olhos se desviam para encontrar os seus e eu deixo minha rebeldia conhecida através da expressão fria no rosto. Ele me olha fixamente antes de perguntar de novo: — Este é o lugar ou não, Twitch? — e eu respiro profundamente, acalmando a vontade de quebrar sua maldita mandíbula.


Eu não me incomodo de olhar pela janela. Eu já estive aqui antes. Lembro-me bem. — É o lugar. A moradia pitoresca nos subúrbios é modesta e parece com qualquer outra casa no quarteirão. Atrai pouca atenção com a aparência. Se uma pessoa passasse pela rua, não olharia duas vezes para ela. É despretensiosa, discreta, projetada para esse propósito. Os acontecimentos no interior, no entanto... é outra coisa completamente diferente. Drogas

estão

sendo

embaladas

e

vendidas

enquanto

esperamos. Também o que estão sendo vendidos são os corpos de meninas entre as idades de dezesseis e vinte anos. Porque, como Egon Baris, proprietário desta casa e o líder do núcleo albanês, tinha me dito uma vez, ninguém quer pagar por peitos flácidos e uma boceta frouxa, mas os homens pagam surpreendentemente bem por uma companhia para brincar, sem identidade, que ninguém vai sentir falta, que faz a brincadeira escalar para algo mais sombrio. A maioria dessas meninas é trazida em contêiner de carga da Europa Oriental, principalmente da Polônia, Ucrânia e Romênia. As mais bonitas são atraídas pela promessa de se tornarem dançarinas em clubes noturnos populares dos Estados Unidos, enquanto as mais simples são informadas de que trabalharão como garçonetes em alguns dos melhores restaurantes que este país tem para oferecer. O Egon não gosta de drogar suas meninas, pois, A: ele se masturbava vendo as meninas apavoradas quando sabem o que vai acontecer quando um homem entra no quarto; e, B: ele não acredita em desperdiçar seu produto. Armas militares de série são obtidas ilegalmente e ficam escondidas no porão, incluindo aquelas de policiais, antigos e atuais. Algumas de artilharia pertencem às forças armadas russas, que foram roubadas por algum idiota sem nome, um homem que não esperava sobreviver ao


assalto, e quando o preço dessas armas triplicou, Egon pagou ao homem sem queixa, algo na casa das centenas de milhões. Esmola para um homem como ele. Egon Baris é um psicopata conhecido. Para piorar a situação, ele é um psicopata paranoico. O que provavelmente significa que a partir do momento que este caminhão de aparência muito militar ficar visível da casa, ele vai entrar em pânico, e vai fazer isso de uma maneira extrema. Como eu sei disso? Porque é o que eu faria. A um quarteirão de distância, estacionado ao lado da estrada, advirto Ethan: — Ele vai sair com armas em punho. Você entende, certo? — faço uma pausa para permitir que entenda, então falo alto o suficiente para que os outros oito no caminhão possam me ouvir. — Você pega os homens primeiro, mas não subestime as mulheres. Elas podem parecer mansas e bonitas, mas são albanesas. Aquelas cadelas são ensinadas a manejar uma arma a partir do momento em que ficam velhas o suficiente para carregar uma e, acredite em mim, elas não pensam duas vezes antes de acertar o traseiro de vocês. Se alguém puxar uma arma, é melhor você acreditar que vai atirar, então derrube-o. — eu olho em volta para as caras sérias

dos

homens,

que

não

se

preocupam

em

olhar

para

mim. Desrespeito de merda. — Atirem. Mas Black corre para acrescentar: — Todos, exceto Baris. Queremos Egon Baris vivo. Se precisarem derrubá-lo, usem a força não letal. — eu lanço-lhe um olhar que diz que ele é louco se acha que Egon será um alvo fácil. Com um revirar seus olhos, ele fala: — Escutem, eu não me importo se vocês arrancarem as rótulas deste imbecil, ou se ele perder uma mão. Apenas certifiquem-se que o filho da puta fique inteiro o suficiente para ser julgado e servir na prisão, está claro? Um coro de “Sim, senhor” ressoa, e um minuto depois, através do rádio, Black confirma que o segundo caminhão está na posição,


circulando a parte de trás da casa e eles estão prontos para mover-se com a ordem de Black. As roupas que estou usando são restritivas, embora não sejam. Está tudo na minha cabeça. As fardas pretas se encaixam bem, mas o material grosso da camisa preta de mangas compridas é pesado na minha pele. Merda, eu estou acostumado a usar seda, não fios pesados de algodão. O colete à prova de balas por cima de tudo é sufocante. Com um capacete preto para combinar, eu faço como os outros e coloco os óculos de proteção, levanto a máscara até a metade e sobre o meu nariz quando Black dá a ordem. As botas de bico de aço pretas, no entanto... vou ficar com elas. Os homens de preto têm três armas ao alcance da mão, uma submetralhadora MP5 na mão, e duas pistolas calibre 45 amarradas em cada coxa. E eu? Olho para o bastão com raiva cega. É como Black me preparando para levar uma bala. Foda-se ele. Acontece rápido, rápido demais para realmente compreender. O caminhão liga e dá solavancos para frente, aumentando a velocidade, então faz uma parada brusca na frente da casa de Egon Baris, construído sobre sexo, drogas e rock´n´roll. Os homens se alinham em uma bela uniformidade até os degraus da frente e sigo atrás, bem para trás. Se alguém levar um, marque as minhas palavras, vai ser um cara com uma arma filha da puta, não eu. Apesar de não anunciarem a presença, assim que a porta é arrombada, graças ao cara usado como bode expiatório, gritos e choros em albanês soam por todo o edifício, junto com os sons dos passos pesados dos homens, enquanto os homens de Egon trabalham para segurar a invasão.


Tiros são disparados assim que os homens de preto são mandados para cima. Os gritos chocados das meninas são altos, e ouvi-las implorando pelas suas vidas em inglês ruim me faz querer esmagar cabeças. — No chão! Mãos para cima! — Abaixem as armas! — Onde está Baris? Huh? — um baque pesado soa, seguido por um longo gemido, aflito. — Onde está Egon Baris? — Se você não cooperar, vou atirar em você. Entendeu? — Está tudo bem, senhorita. Eu não vou te machucar. — Abaixe-se. Abaixe-se. Eu disse para baixo! A lei é um trabalho tedioso. Se eu estivesse por conta própria, eles nunca me ouviriam chegando. A última coisa que veriam era o cano da minha arma entre seus olhos e então bam. Meu

jeito

era

misericordioso,

na

verdade. Rápido

e

conciso. Nenhuma vida pisca diante dos olhos, nada. Apenas escurece. O fim. Fim de jogo. Sim. Definitivamente, meu jeito era bondoso. A briga, a luta pelo controle, faz o sangue zumbir nas minhas veias. Verdade seja dita, eu não sou necessário aqui. Com dezesseis homens armados, incluindo Ethan Black e eu, a guerra já está ganha. Mas eu entendo. Eu entendo a necessidade da batalha. Afinal, se você encurralar um cachorro em um canto ele te morde. O mesmo vale para as pessoas.


Corpos de homens e mulheres espalhados pelo chão, alguns ainda se movendo, mas visivelmente feridos, enquanto outros estão deitados com os olhos abertos, os rostos em estado de choque, a luz esmaecida no olhar frio, morto. Carnificina. Essa é a minha vida. A única coisa melhor do que sexo é tirar a vida de alguém que realmente merece muito. Nada pode me satisfazer assim. Nem mesmo gozar. Eu sigo um dos homens ao redor da esquina, para a entrada já arrombada do porão, quando uma sombra se apresenta no canto do meu olho. Sem pensar duas vezes, eu levanto o meu braço tão alto quanto posso e derrubo-o tão rápido que o bastão faz um ruído no ar, seguido de um estalo alto quando quebro o braço de um dos homens de Egon. Ele uiva de dor, caindo no chão, agarrando o braço, e o homem de Black, o que está na minha frente, vira com o grito agonizante. Ele olha para o homem quando levanto e desço a perna pisando no rosto do homem. O sangue jorra do seu nariz no momento que sinto os ossos do seu rosto quebrando sob o meu calcanhar. Eu faço de novo e de novo, não porque preciso desarmar este homem, mas porque é bom pra caralho quebrar alguma coisa neste mundo perfeito demais. O homem grunhe uma e outra vez, mais suavemente desta vez, até que nada escapa da sua boca aberta, seus olhos completamente ocos. Nesse momento eu decido me afastar. Eu ofego, engulo e inspiro profundamente e o soldado ao meu lado diz: — Nada mal. E eu dou uma meia risada, lutando para respirar. — Diz o cara com uma arma. O cara sorri então, e eu o sigo quando ele entra no porão. Quatro dos homens de Egon foram desarmados e Black olha em volta para as


armas na sala. Com um aceno de cabeça, ele se vira para mim antes de falar em seu fone de ouvido. — Copie isso. — ele passa os dedos sobre um rifle russo de assalto APS5. — Para o que diabos ele estava se preparando, para Terceira Guerra Mundial? — Homens como Baris não fazem perguntas. — eu admito rispidamente. — Nós vendemos para o maior lance. Black passa por mim, mas paralisa quando chega ao meu lado. — Nós o pegamos. Ele tentou escapar através de túnel intrincado subterrâneo, mas nós o pegamos. Minha resposta é simples. — Bom. Era bom. Um derrubado, menos uma para me impedir de me juntar à minha família. Oh sim, definitivamente era bom. Mais caminhões entram, e a casa é dilacerada. Evidências são coletadas, os feridos são levados para o hospital, os mortos são ensacados e marcados, e Black chega ao meu lado. — Você cumpriu o que disse, Falco. — ele parece desconfortável ao admitir: — Eu não tinha certeza que sim, mas você conseguiu. Você nos trouxe um peixe grande. Bom trabalho. Eu não ligo para sentimento. Faz o meu estômago revirar. Então, como sempre, eu trago uma dose de verdade para a mesa. — Não me agradeça, porra. Eu não fiz isso por você. — dou um longo suspiro, então murmuro. — Foda-se, esvazio todo o mar filho da puta se isso significar que posso ir para casa, Black. — um momento de pausa e, em seguida. — Cansado de outras pessoas cuidando do meu filho. — eu engulo em seco. — Eu só quero estar com meu filho. — Você vai. — Black responde imediatamente, antes de subir as escadas do porão e para fora da vista. 5

Rifle subaquático.


Isso pareceu um juramento para mim. Esperava que fosse, porque se Ethan Black não cumprir sua promessa, nenhum furacão, nem o fogo do inferno pode me impedir de transformar sua mulher em viúva.


CAPÍTULO TRINTA Alejandra A música dançante alta ressoa a batida grave no meu peito, forçando meu coração a bater com a melodia de Calvin Harris e Rihanna, “This Is What You Came For” e as luzes azuis néon piscando através do clube escurecido ferem os meus olhos, mas eu não ouso reclamar, porque, independente do que eu sinta, eu estou fora de casa, e isso supera todo o resto. Apesar do fato de eu ter saído para a cidade com Ling, esta noite, parece um pouco comum. Um tipo de normal, que eu não tinha experimentado na minha vida protegida. Hoje à noite, nós não somos raptoras e cativas, mas apenas duas mulheres saindo para tomar uma bebida em uma boate, obviamente popular. O fato de que Ling me trouxe aqui alivia um pouco minha mente. A lógica me diz que ela não me levaria para um lugar tão cheio, se planejasse me matar. Definitivamente, um bônus. Eu gostaria de ter um telefone celular. Queria ligar para Julius e contar onde estou, ou talvez apenas enviar-lhe uma mensagem de texto, esperando ouvir aquele ping e sentir a confiança de sua resposta. Sempre que estávamos com amigos e família em casa, Dino e eu desempenhávamos o papel de casal tão bem que, quando as pessoas começavam a sair, às vezes eu esquecia que era tudo encenação. E quando a ficha caía e Dino começava a ser dono do meu corpo, ditador da minha mente, uma tristeza lenta se infiltrava na minha alma. Eu não sentia nada, exceto a realidade fria que era a minha vida, uma vida que eu teria negociado num piscar de olhos ao primeiro apostador. Dino tinha a capacidade de me fazer sentir maior do que a montanha mais alta, mas eu


passei a perceber que ele só me fazia sentir desse jeito para que pudesse me empurrar sobre a borda e me ver cair, tropeçar para a minha morte, uma e outra vez. Girando e girando nós seguíamos. Foi difícil viver a minha vida e fazer isso em silêncio elegante. A verdade é que não sou diferente de qualquer outra mulher. Eu quero estar com um homem que me aceita por quem eu sou. Eu gostaria que um homem me amasse por todos os meus pequenos caprichos, em vez de me vergonhar por eles. E acima de tudo, eu anseio o carinho livre de um homem, não que o use como uma arma contra mim. Neste momento da minha vida, estou cansada, mas eu sou forte. E vou continuar indo tão longe quanto a estrada me levar, desde que haja caminho a percorrer. Eu paguei minhas dívidas injustas para mais de dez vidas com meu casamento com Dino. Eu não vou desistir desta vida, não uma que mereço pelas cicatrizes da minha miséria, não sem luta. Isso me leva para algo que o meu irmão me disse quando eu perguntei como ele se sentia ao matar uma pessoa. Miguel explicou: — Ana, bebita, todos nós chegamos neste mundo chutando e gritando, e cobertos de sangue de outra pessoa. Você tem que decidir se vê problema em sair do mesmo jeito. E eu? Eu não tenho. Como todas as crianças na minha família, eu fui ensinada a manejar uma arma. Meu pai não tinha interesse que nós meninas aprendêssemos sobre armas, não até que Miguel apontou que, independentemente do quanto nos considerávamos em segurança, conhecimento é poder, e ele assegurou ao nosso pai que as lições não corromperiam suas pequenas senhoras. Dizer que ele ficou impressionado com o quão bem nós levamos para nossas aulas de tiro era um eufemismo, e na minha noite de núpcias, meu pai me deu um presente. Era a coisa mais linda que eu já tinha visto, uma pistola semiautomática calibre .22 banhada a ouro com rosas douradas gravadas


nela, as vinhas espetadas subiam o punho para decorar o barril. Foi amor à primeira vista, e a valorizo, levando-a comigo onde quer que fosse, graças a uma licença de armas falsificada. Até que uma noite fatídica, a primeira de muitas noites em que Dino e Gio me forçaram tanto o limite que inclinar para a minha morte parecia um alívio maravilhoso da minha existência de merda. Depois de ser mentalmente abusada pelo que pareceram horas, Dino tinha me amarrado nua à cama, amordaçou e colocou uma venda grande sobre meus olhos, e eu escutei Gio descrever as maneiras em que ele iria deflorar minha irmã de nove anos de idade. Quando estivesse pronta, é claro. Dino riu e disse a Gio que ele teria que esperar um pouco. Gio apenas respondeu friamente. — Oh, não é? Dino riu, mas eu ouvi a ameaça clara como cristal. Gio queria pegar a minha irmã Rosa. Eu soluçava violentamente por trás da venda, a saliva escorrendo pelo meu queixo em torno da mordaça de bola. Eu sabia que tinha que fazer algo para manter Gio longe dela. Mas um homem como Gio não era facilmente influenciável. Ele precisava de persuasão de uma maneira que ele entendesse. Então, quando Dino me soltou, batendo levemente na minha bunda e me dizendo para me limpar, mantive minha cabeça abaixada mansamente e me movi pela sala, indo em direção ao banheiro, enquanto Dino servia ao Gio outro copo de uísque caro e repugnante. Eu sabia que era terrível. Afinal de contas, eu o tinha derramado na minha garganta várias vezes. No caminho para o banheiro, parei um pouco antes de chegar à porta. Estendendo a mão para a minha bolsa, que pendia inocentemente em um gancho dourado, peguei minha arma, deixando cair a minha bolsa no chão, e me virei. Segurando a arma nas mãos, eu só tinha um homem à


vista, braços erguidos, pistola equilibrada com a promessa de libertação eterna. Minha visão ficou turva quando comecei a falar, meu corpo todo tremendo de raiva reprimida. Respirando profundamente pelo nariz, falei baixo, só para ele. — Ela é apenas uma criança. Em algum lugar no quarto, uma voz firme falou. — Alejandra, o que você pensa que está fazendo? Mas a raiva borbulhou, ferveu dentro de mim, e a realidade foi lentamente desaparecendo. Dei um passo para frente com as pernas trêmulas, os olhos brilhando no rosto sorridente do meu cunhado. — Você não é digno. Você é tóxico. Seu sorriso começou a vacilar, sua diversão se extinguir, e eu podia ver que estava começando a atacar mais e mais onde doía. E parecia tão bom que eu ainda não podia ver as consequências das minhas ações. Meu próprio sorriso frio começou a se formar através da névoa de fúria, e eu empurrei: — Você não é nada, o filho do meio, aquele esquecido, tão malditamente desesperado por atenção. O sorriso de Gio caiu completamente, desmoronando como pedaços de pedra quando o mar batia furiosamente contra um lado do penhasco irregular, e para mim, nua e espancada, a vitória era imensurável. Outro passo à frente, tremendo menos desta vez, meu pequeno triunfo me fez fazer isso com uma falsa sensação de confiança. Meu sorriso se tornou maligno, quase desumano, e eu falei com os dentes cerrados. — Você não pode tê-la, seu doente fodido. Vou matá-lo primeiro. — meu dedo envolveu o gatilho, mas antes que eu tivesse a chance de limpar o mundo do mal puro diante de mim, algo veio com força na parte de trás da minha cabeça, e quando caí no chão com um baque, a cabeça pendendo para o lado, a minha última visão antes de perder a consciência foi do Dino tomando a minha arma e entregando-a ao irmão.


Estava perdida para mim. Nunca mais a vi, nem me foi concedido o uso de uma única arma depois daquele incidente. Acho que foi um choque para Dino. Ele acreditava que tinha me domesticado em todos os sentidos. Eu

pensei

que

era

bom

mantê-lo

ansioso,

resistindo

ligeiramente em momentos aleatórios ao longo dos anos. Eu achava que era tão inteligente. Eu resistia só até o Dino repetir, nunca o suficiente para realmente deixá-lo irritado. A verdade era, no momento, resistir era tudo que eu tinha. Eu não pensava muito sobre o que eu realmente estava fazendo. Para que Dino fazer-me resistir, em seguida, submeter-me mais e mais, era um jogo, um que eu não sabia que estava jogando. Meu desafio ocasional seguido de uma entrega rápida fazia Dino achar que ele estava me ganhando, meu corpo, toda maldita vez. Agora que eu sabia disso, eu odiava ter dado isso a ele. Portanto, ter um homem como Julius entrando na minha vida quando eu tinha caído mais baixo do que as fendas rochosas do inferno, tê-lo me abraçando tão ternamente quando chorei, enxugando as minhas lágrimas e beijando a minha testa como se eu fosse um tesouro requintado, significava algo para mim. Eu quero manter isso. Eu quero mantê-lo durante o tempo que ele permitir. Talvez eu não seja a garota mais inteligente do mundo, mas eu não sou estúpida o suficiente para deixar passar o que Julius me faz sentir. E pela primeira vez na vida, é bom. Saber que o sentimento inexplicável é mútuo é mais do que eu poderia ter imaginado. Agora, enquanto evito colocar muita pressão sobre o calcanhar ainda machucado, Ling senta no bar e pede bebidas. Eu fico sem jeito ao lado dela, e sei que ela não vai me oferecer um assento, então eu me sento ao lado dela no exato momento em que o bartender coloca nossas bebidas na nossa frente com um sorriso sedutor.


Quando arrastei minha bunda para fora da cama e segui Ling para o quarto dela, ela já tinha uma roupa escolhida para mim. Calça preta de pernas largas com uma blusinha preta apertada e um belo e intrincado casaco de renda preto de mangas largas estilo quimono que chegava à cintura. Peguei todas as roupas e me movi para levá-las de volta para o quarto de Julius para que pudesse me trocar, quando Ling gritou: — Eu não mordo, cadela. Para isso, gritei: — Claro que sim. — e eu salientei: — Cadela. Sua risada soou quando fechei a porta atrás de mim. Agora, com o meu cabelo preso em um coque no topo da minha cabeça, completamente sem maquiagem, eu ignoro o latejar nas minhas têmporas e levanto a bebida para a boca. O segundo que cheiro, estremeço e coloco de volta no bar. Ling, em seu vestido vermelho perfeito, com scarpins vermelhos perfeitos, e seus perfeitos lábios vermelhos lutando contra um beicinho, se inclina. — Qual é o problema? — a única imperfeição nela é o curativo branco atravessando a ponta do nariz ainda machucado. Parece muito melhor do que estava no dia anterior. Está quase completamente curado. Balanço a cabeça e mantenho o meu olho no bar. — É uísque. Eu não consigo beber uísque. — Deus, você é tão fodidamente preciosa. — seus lábios franzem em desgosto, e ela vira o cabelo escuro, lindo, liso de morrer por cima do ombro, olhando para a multidão. — Então peça a merda que quiser. Caramba! Ela sinaliza para o barman, e eu peço um Cape Cod, mais comumente conhecido como vodca com cranberry – agradecendo-o quando ele coloca o copo na minha frente com uma piscadela. Dou um gole no coquetel ácido, salivando com a doçura suave do suco de cranberry. Tenho a sensação de que já sei a resposta, mas pergunto à Ling: — Julius sabe que estamos aqui?


— Não. — ela responde imediatamente. — Ele me mandou vigiá-la. — ela sorri modestamente. — Nunca disse nada sobre não sair de casa. Oh, ela acha que é tão inteligente. Eu agito minha bebida com o canudo. — Ele vai ficar puto? Ela se vira para mim lentamente, lançando-me um olhar que diz: O que você acha, gênio? Meus ombros caem, e eu suspiro baixinho. — Ele vai ficar puto. Cruzando a perna sobre a outra, ela explica em um tom aborrecido. — Julius está sempre chateado. Há apenas diferentes graus na sua chateação. Alguns dias, ele está menos chateado do que outros. Além disso, ele não tem que saber. Voltaremos antes dele. A necessidade de fazer perguntas é esmagadora. Eu faço o meu melhor para parecer discreta, e me intrometo onde não devo. — Ele sempre foi assim? Suas sobrancelhas estreitam para mim. — O que faz você pensar que eu o conheço há tanto tempo? — Eu não sei. — eu dou de ombros. — Vocês tem uma coisa de familiaridade confortável acontecendo. Eu só presumi... Ling me interrompe com um olhar curioso, se inclina e olha para os meus lábios. — Pode haver outras razões para essa familiaridade, Alejandra. — ela oferece sedutoramente. Meu coração afunda, e faz isso de forma tão dramática que o meu canudo desliza para fora dos meus dedos e cai no chão sujo. Ling sente prazer óbvio com a minha reação. Seus olhos piscam sucesso quando ela bebe o seu uísque amargo e diz: — Não, ele nem sempre foi assim. Acredite ou não, houve uma época em que Julius sorria pra caralho. Com a voz suave, eu tenho que perguntar: — O que aconteceu?


— Ele perdeu alguém. — sua postura endurece projetando certa graciosidade, mas os olhos traem sua tristeza. — Perdemos alguém. Eu não consigo pensar em nada a dizer sobre isso, então simplesmente balanço a cabeça em compreensão. De repente, um pensamento passa pela minha cabeça, e eu me pergunto... A risada rouca de Ling soa, e ela responde ao meu pequeno pensamento silencioso. — Não, querida. Eu sempre fui assim. — ela levanta seu copo para o meu, faz um brinde e bebe, inclinando a cabeça para trás e vira, move o que ela pediu para mim para mais perto dela. Minutos de silêncio passam, e depois de ter terminado a minha primeira bebida, Ling me pede uma segunda. O álcool solta meus ombros tensos e, com ele, a minha língua. — Você já foi para a cadeia, Ling? Ela bufa. — Uma moça bonita como eu? Nah. — ela sorri, em seguida, e eu fico chocada ao descobrir que é genuíno. — De qualquer forma, eu só foderia para sair. Um riso surpreendente borbulha na minha garganta. — E Julius? Seus olhos atentos me procuram. — Eu não deveria te contar merda nenhuma. — ela inclina a cabeça para o lado e franze os lábios em pensamento. — Mas acho que agora que Julius está pensando em mantêla, isso muda as coisas. Minha boca escancara um pouco com essa revelação. Ele o que agora? Isso quer dizer o que eu acho que isso significa? A faísca de esperança que eu senti antes inflama em uma chama saudável e meu coração se aquece. — É tudo sobre nós agora. É isso que Julius queria dizer? Ele não ia me entregar? Minha mente implode com as possibilidades.


Ling não tem ideia do choque que ela me deu e parece ter uma discussão mental consigo mesma, ela se endireita. — Ah, foda-se. — com a expressão completamente vazia, ela diz: — Sim. Sim já foi. Passou todos os seus anos de adolescência trancado no reformatório. Não deveria ter me surpreendido, mas aconteceu. Com os olhos arregalados, eu chego meu banco mais perto dela. — Por quê? —

Homicídio

culposo. Originalmente

foi

uma acusação

de

assassinato, mas sua tia arrumou algum advogado chique que conseguiu derrubar a acusação, dizendo que ele agiu em legítima defesa. E o meu coração cai na boca do estômago. Ling olha para sua bebida por longo momento. — Se você pegasse o seu pai estuprando sua irmã, o que você faria? Oh Deus. Meu coração gagueja, em seguida acelera e o sangue drena do meu rosto. Ele não matou qualquer um. Ele assassinou seu pai. Uma imagem passa pela minha cabeça. Um Julius mais novo, de cara limpa, sentado sozinho em uma cela de prisão e aceitando sua punição graciosamente, sabendo que sua amada irmã estava segura no mundo. De repente faz sentido sua relação estreita com Tonya. Ele a salvou. Ele era seu herói. Lágrimas quentes brotam atrás de minhas pálpebras fechadas. Como eu desejei meu próprio Julius em meus dias de desespero. Eu percebo que a minha resposta emocional é um pouco incomum, mas não posso impedir o calor intenso que flui ao longo do meu tronco, que se espalha lentamente para todos e cada um dos meus membros. Logo, estou praticamente brilhando.


De repente, Ling fica de pé, e ela faz isso rapidamente. Os olhos fixos em um homem do outro lado da sala, ela murmura: — Fique aqui. — Ei. — eu estendo a mão para agarrar o braço dela, mas ela se vira para mim, os olhos piscando, e então ficamos cara a cara, enquanto ela sussurra por entre os dentes: — Não faça a porra de um movimento a partir deste ponto, Alejandra. Você me entendeu? — algo frio e metálico é pressionado no meu joelho duro. — Eu vou atirar em você. Vou atirar-lhe na rótula. Não se mova. Ela não está de brincadeira. Meus olhos arregalam, eu engulo em seco e aceno com a cabeça, porque não estou no clima para uma ferida de bala. Ela atravessa a sala em pouco tempo, fluida e graciosa, antes de ficar de pé junto à cabine de perfil, e falar com uma pessoa que não consigo ver. Não importa o quão longe à esquerda ou à direita eu me mova, eu não consigo ver nada. Ling começa sorrindo. Depois de um momento, seu rosto muda e eu percebo a maneira como a mão dela permanece apertada ao lado dela. Logo, um homem alto fica de pé, mas não consigo distinguir seu rosto. Ele se inclina sobre Ling, falando diretamente em seu ouvido. Ele faz isso por um longo tempo. Minutos passam, e Ling usa uma expressão aflita antes de se arrumar e retirar toda a emoção de seu rosto. Ela responde ao homem, e ele segura seus ombros, como se tentasse mantê-la ali. Mas tudo isso faz é irritá-la. Sua expressão clara agora escura, ela fala mais duramente, as veias do pescoço salientes com cada palavra dita. O homem se afasta dela, e eu posso finalmente ver o seu rosto. Ele é bonito. Ele também é asiático. A conversa tomou outro rumo. Logo, o homem abaixa para o rosto de Ling e grita com ela, seu lindo rosto contorcido de raiva. Ele a agarra pelos braços e a sacode como uma boneca de pano.


Ah não. Eu observo Ling de perto. Eu já vi esse olhar fechado nela antes. É o mesmo olhar que recebi depois que quebrei seu nariz. Ele não deveria ter feito isso. Ela sacode as mãos para longe dela, e antes que o homem saiba o que o atingiu, Ling alcança debaixo da saia, abre a navalha borboleta, recua e o apunhala, prendendo-o à parede por uma faca através de sua palma. Seu rugido ecoa por cima da música, ou talvez eu tenha apenas imaginado. A boca se abre em choque, eu me movo para ficar de pé, mas ela já se distanciando, e quando ela chega a mim, eu estou de pé e a sigo sem aviso. Ela só faz uma pausa para virar o copo e terminar sua bebida em um só gole. Saímos do clube e entramos no carro. Quando saímos para a rua, Ling diz clinicamente: "Não foi divertido?”. Eu não respondo. Na verdade, não parece muito uma pergunta, muito menos uma que se deve responder. Piscando para a rua, ela murmura baixo. — Sim. Foi divertido.


CAPÍTULO TRINTA E UM Julius Cercado por homens sorridentes, relaxados por causa das bebidas, eu me recosto na cadeira e agarro meu copo gelado de ouzo6 puro. Mulheres seminuas penduram-se nos membros dos mais variados grupos. Ao lado da sala, um dos caras aceita graciosamente um boquete que uma das garotas ofereceu. Outro ataque de riso cai sobre os homens, e isso me irrita em um nível altíssimo. Homens do meu mundo não riem frequentemente. Nós nos encontramos uma vez por trimestre para conversar uma hora inteira sobre negócios, em seguida, dedicamos o resto da noite para falar merda. Eu não queria estar aqui esta noite. Estou agitado, incapaz de me concentrar, porque o meu foco principal está dormindo no meu quarto, enrolada na minha cama. O fato é que estou longe de Alejandra, e isso me deixa desconfortável. Gostaria de saber se ela está bem. Meu lábio enrola em um pensamento. Se Ling foder com ela, porra, eu vou acabar com ela. Como gostaria de poder simplesmente levantar e deixar esses idiotas arrogantes na sua festinha. Mas você não sai assim de desses encontros. Seria desrespeitoso, e já vi homens serem mortos por muito menos. Se você desrespeitar um desses homens, seu corpo sai em um saco.

6

Uzo, também conhecido pela grafia ouzo, é uma bebida alcoólica grega feita com base no anis.


Durante anos, nós nos encontramos no primeiro dia de cada mês de janeiro, abril, julho e outubro para discutir o que vem acontecendo em nossos respectivos mundos. Antes que os encontros desses homens perigosos acontecessem, muitas das gangues ficavam em guerra umas com as outras. Os tempos mudaram. A guerra não era produtiva. Os homens decidiram que um tratado era necessário, enquanto nenhuma ofensa propositadamente fosse feita - conhecida também como desrespeitar — então tudo estava bem no submundo. Homens que desrespeitavam por aqui nunca duravam muito tempo. Levava apenas alguns meses entre a introdução de alguém novo, pensando que era bom pra caralho, acreditando ser mais esperto do que o resto de nós, e querendo que rastejássemos aos seus pés. Então, de repente, sumia. Para nunca mais ser visto novamente. Babacas arrogantes ficavam bem, enquanto eram mantidos na coleira, mas você nunca desonrava seus irmãos, que, de alguma maneira improvável, todos nós éramos. Enquanto Marcos Demitriou tem o seu pau sugado, a conversa rola suavemente. Aslan Sadik, um turco dos The Lost Boys, coloca o charuto aceso nos lábios e sopra levemente, exalando a fumaça espessa em torno dele. — Vocês todos souberam sobre o que aconteceu com Baris? O silêncio se segue. Até Marcos fica em silêncio, gentilmente afasta a mulher ajoelhada que tem seios e os lábios fartos de gordura. Ela faz beicinho e ele enfia o pau em suas calças antes de acariciar gentilmente a bochecha dela, movendo-se para se juntar aos homens. Todos os olhos estão em Aslan e tão típico do turco fodido, ele adora atenção. Ele inala profundamente, falando através enquanto sopra a fumaça. — Policiais do caralho o pegaram. Sabiam onde era sua casa segura. Encontraram tudo. A maior parte dos seus homens estão


mortos. Aqueles que não morreram, estão apenas esperando o momento para ser enforcados. — ele olha ao redor da sala. — Ouvi que um dos seus homens já foi, com um lençol de sua cama de hospital. — ele imita uma corda que está sendo puxada em volta do pescoço. — Está tudo acabado. Não há recuperação a partir daí. Ele perdeu tudo. O forte sotaque de Tito Okoye, traficante de armas da Libéria, soa no silêncio. — Como? — pergunta ele, com o rosto escuro interrogativo. — Como é que eles o encontraram? O Aslan não responde, simplesmente olha ao redor da sala para as pessoas com interesse claro. O completo oposto de Titus, Lars Odegard do Norwegian Pelt, o rosto magro e pálido olha para Aslan, seus olhos azuis claros céticos. — Se eu ouvi corretamente, há uma nota de acusação em seu tom, Aslan. — uma declaração clara, Aslan encolhe os ombros, as sobrancelhas levantadas com uma inocência simulada, e Lars passa a mão pelo cabelo loiro-claro, parecendo na hora que gostaria de jogar seu copo direto no meio da testa de Aslan, deixando-lhe uma confusão sangrenta. Lars não se apazigua pelo silêncio de Aslan sobre o assunto. — Diga-me, turco, quem de nós ganharia com Egon fora do jogo? Eu não estou no clima para este debate sem sentido, mas Aslan está fodendo com alguns homens sérios aqui esta noite. A tensão está aumentando, e eu preciso restaurar a calma. Com um fungar, eu reviro os olhos. — Nenhum de nós ganharia nada com Egon Baris fora do jogo, quer dizer, nós somos homens de negócios. — eu sorrio ao redor da mesa, aliviando a tensão. — A questão não é quem ganharia com aquele psicopata albanês perdendo seu lugar em nosso mundo. — alguns dos homens dão uma risadinha, enquanto outros gargalham em acordo. — A questão é quem de nós seria estúpido o suficiente para não querer substituir os serviços que já não estão sendo fornecidos?


Os homens rompem em gargalhadas entusiasmadas, batendo palmas e balançando a cabeça em concordância com as minhas palavras que todos os outros estavam pensando. E o feitiço solene de Aslan acaba. Eu olho nos olhos de Aslan, os meus contendo um aviso ao admitir: — Porque eu cairia para cima com tudo. — eu levanto o meu copo aos lábios e viro-o, engolindo o conteúdo em um gole suave, batendo o meu copo sobre a mesa com um tinido sólido. — Em uma porra de piscar de olhos. Elias Munoz, chefe argentino de Los Gatos Negros, os caras que você procura quando precisa de drogas na sua festa, levanta o copo para mim. — Bem dito, Julius. Perspicaz, como sempre. Inclino minha cabeça para ele em agradecimento silencioso enquanto a garçonete em topless vem com um copo fresco de ouzo. Discretamente, eu verifico meu relógio de pulso e suspiro para o visor. 22h07min. Foda-me. Eu luto contra o impulso de correr uma mão sobre os olhos e suspirar cansado. Esta merda vai durar a noite toda, e eu estou preso em uma sala cheia de homens cheios de tesão, quando eu poderia estar na minha cama, dormindo ao lado de um sonho molhado. Parece que o tempo está passando mais devagar do que nunca esta noite. Meus dedos batem contra o mármore sólido da mesa, e eu olho para a

parede,

pensando

no

que

Alejandra

possivelmente

me

dirá

amanhã. Nada mais me choca. Tudo o que posso esperar é algo que eu possa usar para ajudá-la, para libertá-la. Liberdade. Eu franzo a testa para a palavra.


Em minha opinião, a liberdade é superestimada. O homem diz-nos que temos liberdade de expressão, mas nos reduz quando dizemos algo que não atendem seus ideais. Temos liberdade de ir para onde nos agrada, mas somos orientados a seguir o caminho traçado para nós. Somos ensinados a falar o que vem em nossas mentes, mas temos constantemente nossas bocas costuradas, condenados a ouvir aqueles que aparentemente sabem mais. Não. Liberdade, definitivamente, é superestimada. Além

disso,

não

é

como

se

Alejandra

nunca

fosse

ser

verdadeiramente livre. Ela será permitida sentir um gosto através de mim. O custo de sua liberdade tem um preço alto, e quando for a hora certa, vou esclarecer para ela, e algo me diz que ela vai ficar puta pra caralho quando tudo vier a tona. Não me sinto bem escondendo isso dela, mas eu sei aqui dentro que, após a fumaça se dissipar, ela vai aceitar o meu gesto pelo que é. O último ato de proteção. Os minutos passam lentamente, e não me incomodo de iniciar uma conversa com ninguém. Eu não sou muito falador no melhor dos dias. Minha atenção está em outro lugar, quando uma mulher vestida com um terno preto entra na sala e se inclina para falar no ouvido de Luka Pavlovic, apelidado de Croata Sensation por mulheres em toda parte, proprietário do estabelecimento, ele se senta ereto neste momento, e porque eu não tenho meus olhos nele, não vejo quando ele fecha a cara para mim. — Julius, irmão. — do outro lado da mesa, ele praticamente rosna, — Você tem uma visita. Silêncio, claro o suficiente para ouvir um alfinete cair. Todos os olhos em mim.


Bem, foda-se. Isto não é bom. A regra fundamental foi quebrada. Você nunca revela a localização de um encontro e, Deus sabe que não fiz isso. Então quem foi? Eu não posso esconder a minha perplexidade. — Como? A mulher que está atrás de Luka retransmite a mensagem. — Um cavalheiro pediu para vê-lo, Sr. Carter. Ele está esperando na sala de conferências dois. Meus olhos voltam-se para Luka, e respondo com calma, sinceramente. — Eu juro que não sei do que se trata. Eu não disse a uma alma maldita onde estaria hoje à noite. A expressão no meu rosto deve revelar a minha honestidade, porque, depois de um longo momento me encarando, a postura de Luka relaxa. Ele levanta a taça, bebendo antes de colocá-la de volta na mesa. — Então, certamente... — ele acena com o braço para a porta — vá ver seu convidado inesperado. Eu me levanto, ajeito a minha jaqueta e saio da sala. Andando pelo corredor, eu paro quando chego à frente da porta com o número negrito dois nela. No fundo da minha mente, eu me pergunto se é uma armação. Imagino se é Gio. Inconscientemente, estendo a mão para o meu casaco e pego a alça da minha arma calibre .45, tirando-a do coldre, seguro-a ao meu lado apenas no caso. Sem mais delongas, abro a porta, pronto para atender qualquer que seja o destino que está por trás dela. Um homem alto está próximo à janela que vai do chão ao teto, olhando para a rua abaixo, de costas para mim. Ele dá uma ordem com voz rouca. — Feche a porta. Eu fecho, mas não disposto a renunciar da minha arma.


Eu entro mais na sala, foco no homem alto. Vestido em um terno cinza chumbo bem apresentado, seu cabelo grisalho arrumado como o esperado. Quando, finalmente ele se vira para mim, eu franzo a testa. Seus olhos castanhos encapuzados, o formato da testa, o rosto é um pouco familiar para mim, mas eu não consigo identificá-lo. Não acredito que tenha conhecido esse homem. Ele deve estar chegando aos sessenta. — Posso ajudar? Para minha surpresa, o velho olha para a arma na minha mão e diz: — Guarde isso, rapaz. Você vai chamar a atenção de alguém lá fora. Com um olhar perplexo, eu faço o que ele manda, sentindo-me muito como um menino que está sendo repreendido por um tio. Ele me olha de perto, e quando a minha arma está fora de vista, seu rosto suaviza as rugas ao redor dos olhos vincados com seu sorriso fácil. Segurando uma folha de papel, ele revela: — Coloquei meus meninos para fazer uma limpeza e pegamos um monte destes lixos, mas sou obrigado a dizer que perdemos alguns. No papel havia duas fotografias, uma minha e uma de Alejandra, ambas tiradas nitidamente. Acima das fotos, em letras pretas em negrito, está escrito: 'Você já viu essas pessoas?', seguida por uma história sem pé nem cabeça sobre o roubo de uma cadeira de rodas motorizada de uma mãe solteira e sua filha paraplégica. Gio filho da puta. O idiota não é tão estúpido quanto eu pensava. — Onde você conseguiu isso? O homem caminha até a mesa mais próxima, puxando uma cadeira sem pressa e sentando-se lentamente, como se tivesse todo o tempo do mundo. Ele não responde.


E isso alimenta mais minha irritação. Eu estalo. — Ei, Papa, eu lhe fiz uma pergunta. O homem responde: — E essas são as perguntas erradas, Julius Carter. Meu corpo aperta com a frustração reprimida. — Quem é você? — Ah. — o homem sorri profundamente, cruzando o tornozelo sobre o joelho, e suas covinhas aparecem. — Agora você está chegando lá. — ele me observa um longo momento antes de abrir os braços para os lados e me responder: — Meu nome é Antonio Falco. Eu pisco para este filho da puta um minuto inteiro antes de jogar minha cabeça para trás e deixar o riso me consumir. Eu rio por minutos, horas, e o homem simplesmente me observa, um sorriso no rosto. Eu não posso conter minha diversão, enxugando as lágrimas de alegria. — Escute aqui, meu velho. Eu conheci Antonio Falco. Ele era meu parceiro, meu melhor amigo, meu irmão. E você não é ele. — de repente, a minha diversão desaparece tão rapidamente quanto começou e eu dou um passo ameaçador para frente. — Cala essa boca fodida. Nem diga o nome dele. Nem pense nisso. Mas o sorriso do homem aprofunda carinhosamente. — Eu sei quem você é, Julius. Eu sei que você era para ele, para o Twitch. Eu sei tanto sobre você que tenho certeza que nem você sabe. — seu rosto fica duro. — Mas se você falar para mim com tal desrespeito flagrante no futuro, eu mesmo vou arrebentar a sua boca, filho. Alguém tem de chamar um lar de idosos, porque Papa claramente está louco pra porra. No entanto, algo sobre a maneira como ele olha para mim, o jeito que ele fala me faz acalmar o tom. Eu tento mais uma vez, mais suave desta vez. — Quem é você? Seus olhos sorriem, quando ele repete: — Eu já lhe disse Julius. Eu sou Antonio Falco.


Eu bufo um suspiro de aborrecimento. Eu não tenho tempo para esta merda. Meus pés se movem rápidos. Eu giro sobre os calcanhares para sair de perto desse doente mental quando ele diz as palavras que me congelam no local. — Antonio Falco. — o velho repete, quando alcanço a porta fechada. No momento que me movo para abrir a porta e chamar a segurança para botá-lo para fora, ele acrescenta: — Pai. E, embora eu fique em dúvida, imagens desse homem piscam na minha mente, e a familiaridade em seu rosto de repente soa como um clique. Este homem é uma versão mais antiga do Twitch.


CAPÍTULO TRINTA E DOIS Alejandra A volta para casa foi sem complicações. Ling nos levou de volta em um silêncio desconfortável, assustador. Eu não gostei, mas também sabia que perguntar sobre o que aconteceu no clube era chamar problemas. Sim, ela tinha revelado um pouco sobre si mesma para mim, e eu já não me sentia completamente assustada com essa mulher, mas esta noite provou que ela era exatamente como eu imaginava. Brutal. Violenta. Cruel. Minha mente me dizia que conhecer alguém como Ling era bom e ela seria uma aliada útil. Se eu pudesse fazê-la me tolerar, faríamos negócio. Ela não precisava saber que eu planejava tomar o seu lugar na vida. Faria amizade com ela, mas teria que começar devagar. Passos de bebê. Ela apertou o botão do controle remoto ligado ao visor acima de sua cabeça, e as portas começaram a se abrir. Nós dirigimos para o complexo onde ficava a casa de Julius, e quando ela estacionou na frente e desligou o carro, eu pulei para fora e esperei-a fazer o mesmo, andando com ela para a porta da frente. Com a porta agora destrancada, ela abriu, deixando-me entrar completamente e, em seguida, trancou-a atrás de nós. Eu respirei fundo e tomei a decisão de ser mais gentil com Ling, a partir de agora. — Ei. — eu disse, e quando ela se virou para mim, eu sorri


suavemente. — Obrigada por me levar esta noite. Eu nunca tinha saído assim, não para uma noite de meninas, você sabe. Porra. Com essa única declaração, eu já fui longe demais, e pela forma como suas sobrancelhas estreitaram para mim, ela sabia que algo estava acontecendo. Então, é claro, eu continuei. Engolindo em seco, tentei novamente. — O que eu quis dizer é que eu não sei o que está acontecendo comigo e Julius, mas independentemente do que aconteça, juntos ou não, fico feliz por ter uma mulher ao redor da casa para falar sobre coisas de menina. Ah Merda. Isso foi tão exagerado. Eu estava piorando. Ela deu um passo para mais perto de mim, e as minhas bochechas coraram. Eu não sabia mais o que dizer, então eu soltei: — Espero que possamos ser amigas. O rosto de Ling amoleceu, e conforme o meu coração batia em meus ouvidos, eu dei um suspiro de alívio discreto. Ela estendeu a mão para mim, e com um sorriso, me virei para colocar a minha na dela, para apertar. Eu estava tão esperançosa que eu esqueci de sentir-me cansada. Assim que meus dedos roçaram os dela, ela puxou a mão de volta, para longe e eu não vi a ação, mas definitivamente senti o tapa no meu rosto. Com um suspiro, eu estendi a mão para o rosto latejante, minha bochecha em chamas e a observei com cuidado. Bem, merda. Não era para ser assim. — Que porra é essa? — eu sussurrei através de um ofego. Parecendo um pouco arrependida, Ling soltou um suspiro pesado e se desculpou. — Olha, eu sinto muito. Aqui. — ela estende a mão mais uma vez, e eu hesito por um longo tempo antes de tirar a mão da bochecha e movê-la para colocá-la na dela, mais lentamente desta vez.


Parece que meus anos de envolvimento direto com pessoas horríveis não serviram em nada para melhorar o meu juiz de caráter, porque assim que meus dedos tocaram os dela, ela recuou, o rosto contorcido de raiva, e me deu um tapa na mesma bochecha, tão forte que eu soltei um grito, caindo no chão em um monte. Para uma mulher pequena, ela tinha um tapa dos infernos. Seus saltos clicaram no silêncio quando ela se aproximou para ficar em cima de mim. Meu rosto flamejante, eu não podia fazer nada, exceto olhar para a mulher de vermelho enquanto ela falava. — Apenas um lembrete de que não somos amigas. Você não é nada como nós. Nós nunca seremos amigas. Eu só tenho um amigo — seus olhos piscaram severamente — e se você tirá-lo de mim, o que acontecer como consequência vai ser culpa sua, não minha. O som de seus saltos ecoou por toda a sala quando ela me deixou no chão frio no escuro. Nada estava acontecendo do meu jeito. Eu queria gritar. Eu queria gritar e bater os pés com essa injustiça toda. Em vez disso, eu me levantei e sussurrei para a noite. — Puta louca. Oh sim. Ela definitivamente tinha o gene psicopata. A hora no relógio digital no criado-mudo é 23h45min, e não importa o quanto eu tentasse, eu não conseguia sucumbir ao sono que ansiava tão profundamente. Após a briga com Ling, eu decidi que provavelmente não era uma boa ideia pedir-lhe algumas roupas para dormir. Despi-me rapidamente, jogando as roupas de Ling em uma pilha no canto do closet e procurei ao redor por algo para vestir. Essa noite está fria, então eu optei por um suéter macio, de aparência quente que Julius tinha usado no dia anterior.


Deslizando-o sobre minha cabeça, empurro meus braços através das mangas e abraço-me firmemente, abaixando meu queixo e pressionando meu nariz no tecido, respiro tão profundamente quanto meus pulmões permitem. Ainda cheira ele, o cheiro da sua colônia está suave, mas, sem dúvida ainda lá. Dá a sensação de estar aconchegada, embrulhada bem apertada, segura em seu meio. Nada comparado com ser abraçada por Julius, mas ainda assim, maravilhoso, em segundo lugar. Assim que coloco a cabeça no travesseiro, eu viro o rosto para o lado dele da cama e franzo as sobrancelhas. Esta casa só parece quente quando Julius está nela. Eu sinto falta dele e da sua presença poderosa, mas serena. Não precisa muito tempo para perceber que adormecer sem Julius ao meu lado não é uma opção, então eu saio da cama, com os pés descalços, e vou para a cozinha pegar um copo de leite morno. Espero que haja mel na despensa. Se não tiver, vou fazer uma lista de compras. Meus pés travam, e eu tropeço com o pensamento. Julius e eu ainda temos que conversar sobre o que diabos é isso, e eu estou fazendo listas? Balanço a cabeça com a minha ingenuidade. Até eu acho patético. Quando abro os armários da cozinha, encontro uma pequena panela, despejo um pouco de leite nela e ligo o fogão. Ao abrir a despensa em busca de mel, não encontro, mas decido usar xarope no lugar, despejo um pouco no leite aquecido. Com a minha bebida agora fumegante, eu desligo o fogão, derramo um pouco em uma caneca e sento em um banquinho no balcão, segurando minhas mãos em torno dela, aquecendoas. Tomo o primeiro gole e fecho os olhos em prazer controlado.


Está quase perfeito, o que é um grande elogio por não ter utilizado os ingredientes corretos. Sob as circunstâncias da minha vida, passei a reconhecer que qualquer coisa perto da perfeição pode ser considerada impecável para os meus padrões. Afinal, quem sou eu para julgar perfeição, quando estou tão longe da minha? Perdida em meus pensamentos, assusto quando ouço a porta da frente destrancar, e meu coração sobressalta, então se alegra. Julius está em casa. Eu coloco a caneca no balcão, deslizando para fora do banco, fazendo o que posso para ignorar o pequeno desconforto no meu calcanhar e espero. Passos sólidos se aproximam pelo corredor até que a sua figura alta e escura aparece nas sombras da entrada para a cozinha. — Ana? — pergunta ele com voz rouca. — O que você está fazendo acordada? Meus pés se movimentam por vontade própria, e eu não posso pensar muito sobre qualquer coisa além de estar perto dele. Eu não abrando quando eu o alcanço, e não quero bater nele com tanta força, mas quando o alcanço, envolvo os braços na sua cintura magra e ele resmunga surpreso com a minha força imprevista. Ele é tão mais alto do que eu, quando coloco a minha bochecha contra ele, fica logo acima da sua barriga definida. Eu fecho os olhos com o cuidado que ele me dá, envolvendo um braço nos meus ombros, o outro segurando a parte de trás da minha cabeça, segurando-me a ele com firmeza. Este aperto grita: “você está segura”, ao mesmo tempo que promete: “ninguém vai colocar as mãos em você de novo”. — Eu não consegui dormir. — explico sem convicção. Um curto momento passa, e repito: — Eu não consegui dormir. — mas mordo a língua quando meu coração me manda dizer sem você.


Julius é alto e forte. Julius é lindo de pele marrom, com seus olhos azuis frios e quentes, lábios convidativos, me segura em suas mãos em completo silêncio, balançando suavemente lado a lado, me confortando, proporcionando-me com um simples gesto mais do que alguém me ofereceu antes. E a cada momento nos braços desse homem, eu me perco, caindo cada vez mais fundo na luxúria com este homem imperturbável, indiferente que se importa muito profundamente, mas se recusa a mostrar ao mundo, apenas para aqueles que ele considera digno. E esse carinho que ele me mostra me faz sentir digna em um mundo onde fui ensinada a sentir-me meramente feliz. Como alguém se torna algo a partir do nada que sempre foram? Tudo o que eu já tive na vida foi aparência, e todos os olhares me trouxeram miséria e dor. Eu daria qualquer coisa para contribuir de igual para igual, independentemente do que eu fizesse. Não tenho medo de trabalhar duro ou ficar suja para conseguir o que quero. Eu quero ser digna de Julius, e durante o tempo que ele vai me ter, eu vou trabalhar em me tornar sua parceira ideal. Esta não será uma relação unilateral. Vou dar-lhe tanto quanto ele me dá. Juro. Julius recua, colocando as mãos sobre os meus ombros e olha para mim, os olhos procurando o meu rosto. — Ouça, eu... É quando ouço o segundo conjunto de passos vindo atrás dele. Meus ombros endurecem imediatamente. Eu não sabia que tínhamos audiência. — Eu sinto muito. Eu não sabia que você tinha companhia. — eu mergulho meu queixo em derrota e saio do seu controle, suas mãos me libertam, mas quando olho para ele, sua expressão me diz que ele faz isso com relutância. — Vou deixá-lo com ele. Porém, ao virar para sair, eu vejo o homem que está na porta aberta, o luar iluminando seu rosto. E eu paro.


Choque

me

mantém

imóvel

enquanto

olho

o

homem

descaradamente com a boca aberta. Eu engulo em seco e sussurro: — Senhor Falco? O homem mais velho sorri em saudação, o vinco no rosto tornandoo ainda mais encantador. — Alejandra. — ele diz suavemente, gentilmente. — Esta é uma cidade má para um rosto tão bonito. O choque começa a desaparecer e, no lugar, alegria, borbulha dentro de mim. Um riso assustado me escapa. Ele estende as mãos e, com os olhos arregalados e temor, eu aproximo dele, colocando minhas mãos nas suas calejadas. Olhando para as mãos, em seguida, para o rosto dele, murmuro com espanto: — É você. — Nenhum igual a mim. — ele brinca. Eu olho entre Senhor Falco e Julius e sondo: — Mas, como?— oh merda. Estou tão confusa. — Eu não entendo. Julius fecha a cara para o outro homem. — Você não me disse que a conhecia. Senhor Falco lança-lhe um olhar. — Você não fez as perguntas certas. — então ele se vira para mim e suspira. — Minha querida, você conseguiu entrar em uma grande confusão, não é? Com essa declaração contundente, eu arranco minhas mãos das dele e corro para trás, a minha mão subindo para cobrir minha garganta. Meu coração começa a bater mais rápido, e de repente eu estou tentando recuperar o fôlego. Não importa a quantidade de ar que inale, é pouca para satisfazer os meus pulmões. — Oh Deus. — eu sussurro roucamente. Minha voz falha quando eu digo: — O que você deve pensar de mim... Eu tento me mover para mais longe, mas uma parede inesperadamente aparece nas minhas costas, segurando-me firmemente


pelos ombros. Em seguida, lábios tocam o lóbulo da minha orelha, e ele murmura: — Respire. Apenas respire, baby. Então Senhor Falco está ali, bem na minha frente, com o rosto severo. — Agora, ouça-me, mocinha. Eu sempre pensei em você como um tipo de menina equilibrada e boa que teve que suportar muita coisa em sua jovem vida. Eu não penso mal de você, nem agora, nem nunca. Minha filha tinha muito a dizer sobre você na semana passada, defendendo-a até o fim, e depois de ter ouvido a minha Manda, eu tenho que lhe dizer, Alejandra, me senti estúpido por não ter percebido antes. — sua expressão fica desolada. — Eu sei. — ele diz isso de uma maneira que faz meu corpo tremer. Minha boca está de repente ressecada, e eu lambo meus lábios secos nervosamente. — O-o que você sabe? — Tudo. — o pai da minha melhor amiga, minha médica, minha maior incentivadora - Dra. Manda Rossi- se endireita, o rosto grave, mas seu tom de voz suave. — Manda me contou tudo. — ele faz uma pausa por um momento antes de repetir com significado. — Tudo. Nós fixamos os olhos um no outro por um longo tempo antes de eu sentir Julius espremer meus ombros em apoio silencioso. — Esta reunião é muito agradável, mas eu preciso saber como vocês se conhecem. Eu engulo em seco e tento falar. — Manda... — mas meu queixo está fraco, e minha boca simplesmente não vai cooperar. Senhor Falco vira os olhos para Julius e explica em meu nome: — Minha filha, Manda, é uma amiga próxima de Alejandra. Também é sua médica. Julius soa vacilante. — Você tem filhos. Outros filhos. — Sim. — Senhor Falco retorna para um silêncio solene. — Eu também tenho um filho, Giuseppe. Nós o chamamos de Zep. Acredite ou não, ele e Antonio nasceram apenas com dias de intervalo.


O que significa isso, outros filhos? Quem é Antonio? Eu encontro a minha voz, mas é fraca. — Antonio? Senhor Falco sorri para mim, pegando a minha mão e me levando à mesa de jantar. — Uma vez, muito tempo atrás, eu estava apaixonado por duas mulheres muito diferentes em duas extremidades muito diferentes da escala. — ele indica uma cadeira para mim, e eu sento. Ele não continua até que encontra seu próprio assento. — De uma dessas mulheres, eu estava noivo. O nome dela era Angela Rossi. — ele inclina a cabeça para mim. — Mãe de Zep e Manda. Ela veio de uma boa família, uma família italiana que conhecia nossa vida. Ela era bonita, mas seus olhos... — ele acena uma mão sobre os olhos. — Eles eram amargos. Amargos e tristes. Na maioria das vezes em que estávamos juntos, ela me dizia o quanto me desprezava, e eu sentia que nunca ganharia o seu afeto. — ele suspira longamente e baixo. — A outra mulher era Lucia DeMartino, uma garçonete sem frescura em um cassino que eu ia frequentemente com os meus rapazes. Ela era italiana também, mas aos olhos do meu pai, ela não era ninguém. Ela era uma namoradeira em série e era

tão divertida,

ela

me

fazia

esquecer todas

as

minhas

responsabilidades. Ela fez-me desejar uma vida normal. Cada momento que passava com ela era cheio de riso e paixão, e nós amamos muito um ao outro. Senhor Falco parece perdido em sua própria cabeça, quando ele admite: — Era difícil amar uma mulher que não devolvia carinho. Angela era teimosa. Eu podia ver que ela estava começando a sentir algo por mim, mas ela nunca se permitiu admitir isso. Assim, sempre que Angela me rejeitava, eu encontrava minha Lucia. E lá estava ela, em seu pequeno apartamento sem móveis, com apenas uma pequena cama de casal com lençóis brancos estéreis. E ela me acolhia, não importava a hora. Ela só queria ficar comigo, mesmo que isso significasse uma vida pela metade com o homem que amava.


Ele olha para mim e levanta dois dedos. — Duas extremidades do espectro. Uma mulher dando tudo. E outra não se dando o suficiente. — ele dá de ombros. — Eu era jovem e estúpido. Meu pai sabia sobre Lucia. — ele fungou uma risada. — Merda, todo mundo sabia sobre Lucia, mas eu tinha um dever a cumprir. E assim eu me casei com Angela. Lucia sabia, mas isso não importava para ela. Somente eu importava. Fico encantada. — O que aconteceu depois? O velho une os dedos, apoiando as mãos sobre a mesa, olhando para eles. — Esta vida, a nossa vida, não é para todos. Quanto mais tempo passava com Lucia, mais ela viu que a perturbava. Ela continuava falando sobre o dia em que iriamos fugir e apenas ficar juntos, longe das armas e violência. Ela era ingênua, e eu a deixava ser. Era agradável assim. Angela foi construída para esta vida. Lucia não. Imagine minha surpresa quando Angela anunciou que estávamos esperando nosso primeiro filho? — ele ri. — eu fiquei sobrecarregado. Esse sentimento de alegria, de se tornar um pai, era algo que eu não esperava sentir. Então eu pensei muito sobre a minha vida e decidi terminar as coisas com Lucia, mas quando eu cheguei lá, ela estava chorando lágrimas de felicidade. — ele jogou os braços aos seus lados. — 'Ei, Tony, você vai ser pai. Não é maravilhoso? ' Meu coração aperta com a visão. — O que você fez? Com a boca desenhada em uma linha sombria, ele murmura: — Eu brinquei comigo mesmo ao acreditar que algum dia teria uma vida com Lucia. Fiquei com ela até o nascimento do meu primeiro filho. Nós o chamamos de Antonio, e isso significava algo para mim. Ele era meu xará, e esse direito deveria ter ido para a minha esposa, mas Lucia... eu a amava mais do que era sábio. Passei quatro dias com o meu menino, segurandoo, tentando memorizar a sensação dele em meus braços. Então, Giuseppe nasceu, e seu nascimento fez algo com Angela. Cada momento que ela me observava com nosso filho, falando com ele, embalando-o, ela amolecia


um pouco mais até que seus afetos começaram a crescer, e ela me pediu para perdoá-la, para ser fiel a ela. — Você deixou Lucia? Você simplesmente deixou seu filho? — meu coração se parte pela mulher. Com os olhos brilhantes, ele afirma: — Ela era minha esposa. Era meu dever ser fiel a ela. Além disso, um dos meus filhos estava preso pelo meu nome. Ele teria que fazer seu dever com a nossa família. Meu outro filho não era honrado. Sem o meu nome, ele teria uma vida normal. Apaixonar-se. Casar com alguém que ele quisesse. — os olhos do Senhor Falco encontraram-se com os de Julius por cima do meu ombro. — Como eu ia saber que Antonio estava destinado a seguir os meus passos independentemente? Saí para dar-lhe uma vida melhor. Ele foi concebido para ter uma boa vida. Eu não imaginava que a minha saída pudesse causar mais danos do que benefícios. Eu penso nele todo maldito dia. Fico feliz que ele teve você, Julius. Obrigado por ser seu irmão, por estar lá quando eu não pude. Um silêncio pesado se segue, espesso o suficiente para esculpir com uma faca. — Onde ele está? — pergunto. — Onde está Antonio? Os olhos do Senhor Falco vidram em tristeza. É Julius que responde, e ele faz isso em um sussurro. — Ele morreu.


CAPÍTULO TRINTA E TRÊS Alejandra — As coisas mudaram. — é o que Julius disse. Essas palavras foram ditas apenas essa tarde, e por alguma razão, parece que foi há uma eternidade. Tantas coisas aconteceram nesse período. E depois do que aconteceu esta noite, sinto-me mudada. Não tenho mais medo. Estou calma, à vontade. E eu sei que algo acabará por balançar essa calma e me enviar à deriva, mas antes que isso aconteça, eu pretendo levantar as velas e partir para o mar. Incerteza me atinge como um golpe no plexo solar. Olhando para mim no reflexo do espelho, eu julgo o reflexo duramente, e antes que eu possa mudar de ideia, eu puxo o robe da Ling sobre meu corpo quase nu. Digo a mim mesma que devo isso a ele. Devo-lhe alguma coisa. Qualquer coisa. Então vou aventurar-me na incerteza com os braços esticados e minha cabeça erguida. Meus pés descalços movem-se silenciosamente ao longo dos azulejos frios do chão do banheiro. Meu coração dá solavancos quando estou

a

uma

curta

distância,

do

lado

de

dentro

fechada. Fechando os olhos, eu respiro fundo e solto. Mais três passos... Minhas pernas começam a tremer. Mais dois passos... Um rubor sobe do meu pescoço e aquece meu rosto.

da

porta


Mais um passo… Meu coração bate firme, duro e rápido, como um tambor. Sem um momento de hesitação, eu levanto minha mão e giro a maçaneta. Ela abre silenciosamente, e quando eu empurro para abrir a porta, sou recebida com uma vista. Julius sentado na cama, seu torso nu descansando na cabeceira, lençóis amontoados bem abaixo da cintura para revelar uma pequena amostra de cabelo fugindo de sua barriga esticada para baixo, para onde eu não posso ver mais nada. Seus olhos em mim, esperando ansiosamente. — O que você está fazendo, baby? Entrando no quarto, eu fecho a porta do banheiro atrás de mim com um clique suave, em seguida, encosto na superfície fria por medo de chegar muito perto. Meus lábios partem, e eu digo com dificuldade: — Era isso que você queria, certo? Com um ligeiro encolher de ombros, o robe de seda desliza dos meus ombros e pelas minhas costas, reunindo aos meus pés, deixando-me exposta. Julius desencosta da cabeceira. — Ana. Meu apelido sai inseguro, estrangulado. Mas é para isso que eu vim aqui. É isso que ele pediu. E ele merece respostas. Um passo à frente, fora da escuridão e para o brilho do luar iluminando através das cortinas abertas. Ele move-se para ficar de pé, mas para quando ele vê. Eu sei que o momento exato em que ele faz, porque seus olhos se arregalam em seguida, obturado, e mergulhando o queixo, ele xinga através de um assobio. Estou mortificada.


Isso é assustadoramente embaraçoso. Minha cabeça palpita enquanto os meus olhos começam a queimar, mas eu empurro. Eu aponto um dedo para a cicatriz levantada acima do meu osso ilíaco. — A vez que Dino me pegou sorrindo para o nosso garçom. Julius levanta a cabeça para olhar para mim, mas não me atrevo a encará-lo. Em vez disso, eu fixo o meu olhar sobre o peito arfante. Meus olhos se fecham com força, e eu aponto para a cicatriz no meu seio esquerdo. — A vez que eu recebi flores anonimamente. — inspirando, eu adiciono uma exalação trêmula. — Acontece que eram da minha irmã. Virando, eu levanto o lado direito da minha calcinha para revelar a cicatriz na minha bunda. Abaixando minha cabeça, eu mergulho meu queixo e digo rouca: — Uma das muitas vezes que Dino fez Gio me estuprar e eu cometi o erro de gemer. — a primeira lágrima cai quando eu murmuro um abafado. — Dino achou que era de prazer. — mais lágrimas caíam. Eu sussurro um miserável. — Eu estava sendo dilacerada. Ainda de costas para ele, eu estendo a mão e coloco-a suavemente sobre a cicatriz no meu ombro esquerdo. — A vez que eu não disse “eu te amo” rápido o suficiente. Viro-me novamente, e com o rosto abaixado, eu toco a cicatriz nas minhas costelas. — A vez que Dino encontrou uma mensagem de texto em meu telefone do meu irmão, Miguel. — eu pisco para o chão. — Era uma foto do meu marido em um bar, rindo na companhia de outra mulher. Minha coxa esquerda. — A vez que Luc fez uma piada sobre Dino e eu ri. Entre meu seio e nas axilas. — A vez que Dino esqueceu meu aniversário e eu não o lembrei. Perto do meu umbigo. — A vez que eu fui ao shopping e não contei a ninguém.


Meu quadril. — A vez que eu queimei o jantar. Sem saber como ser graciosa sobre isso, eu simplesmente toco o espaço entre as minhas coxas, gentilmente cobrindo meu lugar mais íntimo. — A vez que eu pedi estupidamente o divórcio. — ele não pode saber por causa da minha posição, mas esta cicatriz é relativamente maior do que as outras. A súbita sensação de timidez me consome. Eu ergo as mãos trêmulas para cobrir meus seios pequenos. Eu fico lá um pouco antes de eu encontrar as palavras que estou procurando. — Estas são as cicatrizes que ele me deixou. E embora machuquem, as mais dolorosas são aquelas que você não pode ver. — eu me forço a abrir os olhos e encontro os seus. — Meu marido se convenceu de que ele me amava. Eu fui forçada a amá-lo de volta. Não lamento que ele esteja morto. — meu corpo tremendo de raiva reprimida, eu solto. — Eu o odiava. Estou tão miserável que mal posso dizer as palavras. — Meu casamento

consistia

em

três

emoções. Felicidade,

raiva

e

tristeza. Felicidade quando me casei, raiva quando eu percebi que Dino não era o príncipe que eu imaginava e tristeza, quando eu finalmente entendi que ninguém ia me salvar. — faço uma pausa um pouco, antes de acrescentar friamente: — Então eu planejei me salvar. Quando encaro aqueles olhos azuis, fico um pouco chocada ao encontrá-los impiedosos. Sentindo-me fortalecida, mantenho o meu orgulho. Julius desliza para fora da cama, nu como no dia em que nasceu, e caminha até mim, seu pau grande e grosso balançando. Eu seguro seu olhar. Ele chega cada vez mais perto até que estamos quase nariz com nariz. Meu coração bate mais rápido e mais rápido, e a mistura de sentimentos que flui dentro de mim torna-se muito. Tanto que é assustador.


Respirando tremulamente, eu fecho meus olhos, sentindo o calor de seu corpo nu tão perto do meu. Ele se inclina para baixo e seu peito encosta no meu, provocando uma fricção deliciosa no caminho para baixo. Eu engulo em seco quando o meu núcleo pulsa. Quando ele se endireita e meu rosto gravita para cima, meus lábios procuram o seus em silêncio. Eu me inclino mais perto, e no exato momento em que me movo para ficar na ponta dos pés, algo frio me cobre. Meus olhos abrem para encontrar Julius em pé, alguns centímetros de mim, o robe de Ling caído sobre meus ombros. O calor do rubor súbito me pega de surpresa. Oh Deus. Mostrei-lhe o meu corpo estragado, em seguida, tentei beijá-lo. É claro que ele não queria. Estou bastante danificada. Dino teve a certeza de que ninguém mais iria me querer. Embaraço faz meu corpo ficar frio. Alcançando atrás de mim, eu encontro a maçaneta da porta e a giro. Quando eu tento escapar do quarto com as pernas trêmulas, Julius desliza um braço em volta da minha cintura, em seguida, dobra, colocando o outro em torno atrás dos joelhos, levantando-me como se eu não pesasse nada. A onda de pânico que segue me deixa sem escolha a não ser envolver meus braços em torno de seu pescoço enquanto ele me leva de volta para a cama. Sem pedir permissão, ele abre o robe com um único golpe, deixando-me apenas com calcinha de renda preta - obrigada, Ling - e gentilmente me coloca no centro da cama. Eu entro em pânico um pouco mais, e eu faço isso em silêncio ensurdecedor. Mas

esse

é

Julius,

e

eu

deveria

estar

mais

agora. Infelizmente, o passado me ensinou a esperar o inesperado.

esperta


O colchão mergulha quando ele desliza ao meu lado, estendendo a mão para puxar as cobertas sobre nós. Ele coloca a cabeça no travesseiro compartilhado entre nós, nossos rostos próximos, quase nariz com nariz, e sua mão descansa suavemente sobre meu quadril, massageando com seus longos dedos. — Matá-lo. — ele murmura para a escuridão parcial. — Queria poder voltar para aquele dia. Suas palavras trazem uma reação dura. Meu estômago aperta, e a minha carne irrompe em arrepios. Ele continua falando, em voz baixa, para não me assustar. — Bater nele. Torturá-lo. Quebrá-lo. Colocá-lo para fora. Eu faria isso. Eles teriam que usar a arcada dentária para identificá-lo. Eu não deixaria um olho no seu cadáver mutilado. — ele suspira levemente. — Destruiria cada pedaço dele, baby. Eu faria isso. O Julius não diz, mas na minha mente, eu o ouço dizer: Eu faria isso por você. Seu rosto parece mais perto do que antes, e leva um momento para eu perceber que eu sou a pessoa inconscientemente o procurando, procurando o calor de seus lábios. — Beije-me. — eu imploro em um sussurro. Eu quero isso mais do que a minha próxima respiração. Mas em vez disso, ele aperta meu quadril, quase me punindo. — Trazê-lo de volta apenas para fazer tudo de novo. Suas palavras são um decreto, uma promessa, um voto. Estas são as coisas que faria para mim. Estas são as coisas que ele faria para me manter segura. Oh Deus. Minha boceta aperta com excitação, e isso me choca.


O que diabos está errado comigo? Eu não deveria ser atraída por isso. Violência não é a minha praia. Por que fiquei excitada com isso? De olhos arregalados, eu pisco para o rosto dele, e a ponta do meu nariz encosta nele. — Por favor. — eu imploro, colocando minhas mãos em seu estômago tenso, em seguida, deslizo-as até o peito, para segurar seus ombros. — Me beije. Mas quando eu movo para colocar os meus lábios nos dele, ele se move um centímetro para trás, olhando-me nos olhos. — É assim que funciona. Eu não fodo por aí. Se eu me encher de você, vou te dizer. Você nunca vai ficar sem saber o que significa para mim, porque eu vou mantêla ao meu lado para sempre. Isso é alguma declaração. Talvez não seja uma declaração de amor, mas é o mais próximo que vou receber de Julius. E, para mim, é perfeita em todos os sentidos malditos. Meu estômago se aquece e meu corpo relaxa; a felicidade que essa declaração direta me dá é esmagadora. — Ok. — eu sussurro, porque não consigo fazer muito mais. Ele olha para os meus lábios entreabertos, e minhas entranhas chamuscam com o calor em seus olhos. Suas palavras são tudo. — Para sempre. Eu percebo que ele precisa de algo de mim. E dou a ele. Repito em voz baixa, mas com sentimento. — Para sempre. Suas palavras seguintes são menos corações-e-flores e mais fogo e enxofre. — Você me fode — ele começa, estendendo a mão para correr os dedos quentes pelo meu queixo —, e eles nunca vão encontrar seu corpo, baby. São momentos como este que me fazem lembrar que tipo de homem é o Julius. Não são muitas vezes que eu vejo o homem por trás da


máscara, mas eu sei que ele está lá. Eu sinto-o à espreita nas sombras, esperando o momento certo para sair e jogar. Mas suas palavras não me alarmam. Elas não me assustam, porque eu nunca vou foder as coisas com este homem. Não haverá outro para mim, só ele, e eu vou fazê-lo feliz. Ele nunca vai se arrepender da sua decisão de me manter. Eu juro. Eu sou dele. A partir deste momento, eu pertenço a ele. Isso foi fodidamente assustador, quase soou como votos de casamento. Sim, eu medito em silêncio. Eu suponho que sim. Agora, aqui com Julius, estou recuperando a posse do meu corpo. E eu estou fazendo isso, dando-me a ele. Movendo-me mais perto, eu pressiono meus seios nus contra o seu peito, os meus mamilos tensos de excitação. Minha voz rouca de necessidade, eu imploro, pela última vez. — Você está me deixando louca, baby. Agora, por favor, pelo amor de Deus. — minhas mãos deslizam para cima de seus ombros e gentilmente as coloco dos lados do pescoço. — Beije-me. Peçam e lhes será dado. A mão no meu quadril puxa-me incrivelmente para perto e, sem pensar, eu coloco minha coxa direita sobre Julius. O movimento inconsciente faz a ponta do seu pau grosso pressionar o tecido delicado da minha calcinha, o calor quente dele me faz gemer levemente. Faz tanto tempo que não fico excitada assim, anos mesmo. Eu tinha esquecido como era um orgasmo, por isso, quando Julius me toca, segurando a minha bunda em suas mãos, apertando e amassando, mexendo contra minha boceta coberta de calcinha molhada com apenas a quantidade certa de pressão, eu nem senti que ele vinha.


Meu coração começa a corrida, e eu sinto que estou em queda livre. Meus olhos se abrem, largamente, e manchas de cor dançam ao redor da sala. Minha boca forma em um ó quando Julius gira seus quadris, causando um atrito mais firme. Está logo ali. Ali. Logo... ali. Minhas unhas cavam a sua nuca, segurando-o contra mim. Minha bochecha contra a dele, eu sinto sua respiração ofegante suave contra a minha pele, e é tão gostosa que eu choramingo. Suavemente a princípio, depois mais alto, e mais alto novamente quando minha boceta começa a apertar incontrolavelmente, meus quadris impulsionando no ritmo das contrações. Eu gemo longo e baixo, como se eu fosse um animal no cio. Acho que é uma reação apropriada considerando que eu me sinto selvagem neste momento. Ecstasy pulsa através de mim, irradiando para fora ao longo de todo o meu corpo, e uma fraqueza repentina me deixa quase incapaz de manter meus braços em torno dele. Eu sou uma poça de felicidade ofegante contra sua bochecha quente. Minha calcinha agora está encharcada. Eu posso sentir a umidade no meu clitóris hipersensível, e eu estremeço toda. Engolindo com esforço, eu coloco meus lábios na sua bochecha e murmuro um abafado. — Desculpe. Sua risada silenciosa me faz sorrir. Ele puxa para trás para olhar para mim, com os olhos moles. — Você pode pedir desculpas por um monte de coisas, Ana. — ele traz seus lábios aos meus, e fala contra eles. — Mas nunca se desculpe por isso. Nunca, baby. Julius se inclina para mim, tomando meu lábio inferior em sua boca, sugando-o. Seus lábios cheios com gosto de menta e licor, e minha


língua se lança e os lambem, seguindo a costura de sua boca. Ele tem gosto de sexo e felicidade. Segurando-me firmemente, ele me beija. Eu separo os lábios, aceitando tudo o que ele tem para oferecer. Sua língua esfrega a minha. Elas dançam juntas, acasalando, e eu pressiono o meu rosto mais perto do seu. Ele geme em minha boca, e minhas coxas apertam em torno dos seus quadris. Em um movimento que me surpreende, Julius desliza uma mão nas minhas costas, até a nuca, enredando os dedos no meu cabelo, então rosna: — Amo esse cabelo pra caralho. Nunca corte essa porra de cabelo. — sua mão enrola nos fios longos e grossos da cor de chocolate escuro e ele puxa levemente, o suficiente para fazer o seu ponto. — Eu vou ficar puto pra cacete, baby. Neste momento, alta do que poderia ser o melhor orgasmo da minha vida, eu concordaria com qualquer coisa que Julius me pedisse. — Cualquier cosa por ti, querido. — eu encerro puxando contra o seu aperto, obrigando-o a soltar o meu cabelo, para colocar meus lábios contra os dele, beijando seus lábios carnudos tão suavemente quanto posso. Qualquer coisa para você, meu querido. Ele geme em minha boca. — Foda- me. Eu não posso esperar mais. Meu pau precisa de você. — ele me beija, profundamente, molhado, quente. As suas grandes palmas na minha virilha molhada, pressionando a ponta do dedo na abertura da minha boceta e esfregando suavemente. Seus lábios contorcem e seus olhos piscam, quando ele fala: — Você vai me deixar entrar nessa boceta apertada, baby? Essa boceta quente e molhada? Oh Deus. Uma boca tão bonita falando sujo. Tão sujo. Eu amo isso. As coisas que ele está dizendo vão me dar um ataque cardíaco e um orgasmo, simultaneamente.


Eu me sinto fraca contra ele, tão fraca que não posso nem mesmo fazer-me falar. Em vez disso, eu aceno com entusiasmo, ansiosa para senti-lo. Seus olhos cintilam, claramente satisfeitos com a minha resposta disposta. Alcançado o seu pescoço, ele toma minhas mãos e as leva para baixo, passando pelo seu estômago, mais baixo ainda, orientando-as para baixo antes de envolvê-las em torno de seu eixo rígido. E aí que eu percebo que seu pau é enorme. — É tão grande. — murmuro enquanto corro meus dedos soltos sobre o calor da espessura, inflexível. E isso não é uma coisa boa. Murmuro isso com a miséria pura, uma carranca no rosto. — Sim, é. — ele retorna. Ele não fala isso em um tom eu-sou-umarrogante-idiota; ele simplesmente afirma o fato. Maldição, eu estou tão cansada de ser ferida. Uma pequena quantidade de excitação entorpece. Julius estende a mão para trás sem quebrar o contato comigo, abre a gaveta do criado-mudo e pega um preservativo. Ele não hesita como eu, não me permite arrepender da minha escolha. Rasgando o pacote prateado com os dentes, ele leva o preservativo para baixo entre nós e o rola. E ele faz isso enquanto mantém a realidade. — Quero transar com você sem isso, baby, e esse dia virá, mas você estava casada com um homem vagabundo que fodia por aí, e ele fazia isso, então voltava para casa e fodia você sem proteção. E eu não vou falar sobre o irmão dele agora, porque estou prestes a transar e não quero perder a minha ereção. — ele olha para mim de seu pênis. — Não estou dizendo que você tem alguma coisa, baby, mas com certeza não vou correr o risco, o que significa até que ambos tenhamos nos testado, eu não vou fazer com a sua boceta o que eu almejo mais do que o ar, nem vou te foder sem proteção. — seus olhos seguram nenhuma quantidade de desgosto. Isto é apenas Julius esclarecendo. — Ok?


Eu

sei

que

isto

não

é

apenas

justo,

mas

responsável

também. Mas, porra, eu odeio que Dino tenha me colocado nesta posição de pura mortificação. Meu corpo se transforma em pedra com isso. — Ok. — meu nariz começa a formigar com a picada familiar de lágrimas, e eu as contenho. — Desculpa. — Cala a boca, porra. — as palavras duras são ditas tão gentilmente que parecem um abraço caloroso. Ele agarra meus quadris, cavando os dedos o suficiente para beliscar. — Cale-se agora. Nada do que aconteceu com você foi culpa sua. Nada. Você era uma jovem mulher cercada por pessoas más que foram espertas, pessoas que você confiava que cuidassem de você. Você confiou neles para mantê-la segura. A merda é a tonelada de pessoas que falharam com você, Ana, mas você não é um deles. Você se salvou. Você não fez nada errado. Me compreende? — Sim. — falo baixo, e no fundo, eu sei que ele está certo. — Bom. — ele desliza para longe de mim, deitando de costas na cama, acariciando seu pau longo lentamente, com dedos deliciosos que quero chupar. — Suba, baby. — os olhos ficam entreabertos quando eu me sento, e ele arrasta meu corpo quase nu com um olhar. — Monte-me. De joelhos, eu me arrasto para o seu lado, enganchando meus polegares no cós da minha calcinha e deslizando-a pelas minhas coxas, para o colchão, onde eu a tiro. Eu jogo a minha perna sobre ele, para o lado esquerdo da sua cintura, em seguida me aproximo, colocando meus joelhos em contato com seus quadris. Ele estende a mão para mim, subindo as costas da mão pelo meu estômago, que aperta em resposta. Ele corre os dedos por cima do meu peito, mais longe, trilhando sobre o broto sensível que aperta com seu leve toque, fazendo-me tremer de puro êxtase. Enquanto ele continua a explorar o meu corpo sem pressa, eu descanso uma mão em seu estômago para o equilíbrio, em seguida estendo a mão para trás para pegar o pau duro e longo. Sento-me mais


alta, guiando a ponta dele para a minha entrada molhada, e quando minhas partes tocam seu cumprimento morno, eu tiro a mão, colocando-a junto com a outra em seu estômago. Sua respiração falha quando coloco a menor quantidade de pressão, sentando-me suavemente. A cabeça dele desliza para dentro de mim e ambos gememos, meus olhos revirando de desejo. Com os olhos fechados, sento-me mais fundo, mas estremeço quando a grossura dele me estica e alarga. Com as mãos sobre meus quadris, ele me segura lá, sem permitir que me sente um centímetro a mais. — Temos todo o tempo do mundo. Vá devagar. Quero que isso seja bom para nós dois, baby. Apenas relaxe. É como se ele sempre soubesse o que dizer. Lembro-me que este homem nunca vai me forçar; ele nunca vai me estuprar, ou usar as minhas afeições para manipular a situação. Julius nunca vai me machucar como Dino. O Julius não goza com dor. Ele só quer satisfação mútua, nada mais. E aqui estou eu, em cima dele. Uma posição que Dino nunca permitiu que eu tentasse. É colocar uma mulher em uma posição de controle, e ele nunca permitiria isso. Mas Julius sim. Não só permite, como foi quem sugeriu. Respirando fundo, minha calma retorna e eu movo meus quadris lentamente, testando a quantidade de dor. Surpreendentemente, não há nenhuma dor. Calor ilumina minha barriga em chamas e transforma meu sangue em lava fervente enquanto meus mamilos apertam com a sensação de plenitude impossível entre as minhas coxas acolhedoras. Eu sei que há mais, então eu testo as águas, elevo-me em lentidão torturante, levando


mais um pouco, depois mais. E embora queime quando ele me estende, não machuca. Não. É uma sensação incrível. Minha cabeça começa a flutuar, e eu sinto meu coração bater através do meu clitóris, minhas bochechas coradas com paixão. Eu me sento mais fundo, absorvendo mais e mais, e então, com um estremecimento leve, minha barriga contrai dolorosamente e eu percebo que não aguento mais. E isso me deixa triste. — Oh. — eu digo baixinho, decepcionada. Julius passa a mão pela minha coxa nua. — Sem pressa. Vai levar algum tempo. — Sim. — eu respondo, correndo minhas unhas sobre sua barriga. Com um puxão suave, ele me puxa para baixo deitando sobre seu peito. Seus lábios pegam os meus em um beijo aconchegante, profundo e eu estendo a mão para o seu rosto enquanto ele começa a balançar em mim com terna misericórdia. Suas mãos percorrem meu corpo, correndo sobre as minhas costas para apertar a minha nuca, em seguida, sobre a minha bunda e costas de novo, finalmente descansando em meus quadris conforme suas estocadas aumentam. Eu ofego em sua boca, engasgando quando ele toca um ponto particularmente sensível dentro de mim, e quando continua a bater nesse ponto mais e mais, o meu corpo treme e mexe. Meus punhos apertam contra ele, minhas unhas arranhando-o. Está acontecendo de novo. Eu sinto vindo neste momento.


Mas como? Eu nunca tive um orgasmo duas vezes tão rápido. Não está certo. Algo está errado. Ofegante, eu balanço minha cabeça, e digo em voz alta: — Não. Julius agarra meus quadris com força e dirige um pouco mais profundamente, seu pau grosso deslizando para dentro e para fora da minha boceta apertada. — Sim, querida. Sim. Uma luz brilhante pisca atrás das minhas pálpebras fechadas e, rangendo os dentes, eu choramingo e lamento quando o orgasmo toma conta de mim, pulsando prazer dos meus dedos para os cabelos da minha cabeça. Quando finalmente passa, eu caio mole contra Julius, sem fôlego. Seus impulsos ficam frenéticos, e com um rosnado baixo, seu corpo fica rígido, seu estômago aperta contra mim, e ele agarra meus quadris com força suficiente para fazer uma contusão, seu pênis estremecendo dentro de mim quando ele encontra a sua libertação. E quando sua respiração volta ao normal, ele acaricia meus cabelos com ternura preguiçosa. Meus olhos fecham fortemente, e deixo escapar um pequeno bocejo. Julius segue e com os braços em volta de mim, nua e despida para ele, eu encontro o sono. O melhor que eu tive nos últimos anos.


CAPÍTULO TRINTA E QUATRO Twitch — Eu preciso fazer um telefonema. Ethan Black olha acima de seu jornal por um segundo, antes de voltar para a leitura, e murmura: — Para quem? Você não conhece mais ninguém. Todo mundo pensa que você está morto. — Nem todo mundo. — eu digo baixinho do meu lugar em sua mesa de jantar, pegando a caneca de café quente, preto e bebendo em silêncio. Black e eu nunca poderemos ser amigos, mas eu sou um homem que entende como seria para um cara como ele aguentar um com cara como eu. Desde a captura de Egon Baris, eu tenho sido tratado menos como um criminoso e mais como um colega. Um dia após a prisão, voamos de volta para San Francisco. Paramos na delegacia para uma reunião com o chefe e, em seguida, Black empurrou o queixo para mim. — Pegue suas coisas. Eu não fiz perguntas. Qual era o ponto? Não era como se Black fosse me dar uma resposta direta de qualquer maneira. Quando chegamos à casa de dois andares nos subúrbios, segui-o para dentro, onde ele me levou pelo longo corredor até uma porta aberta, acenando o braço para me guiar. — Este será seu quarto. — ele apontou para o fim do corredor. — Banheiro e chuveiro estão ali. — ele olhou para a direita. — A cozinha é ali. Fique à vontade. Eu não sou sua empregada doméstica, então vai ter que lavar suas roupas e fazer sua própria comida. Dizer obrigado é o mais difícil para mim, então eu desviei a atenção com uma pergunta. — Eu pensei que você era casado e com filhos?


— Eu sou. — respondeu ele, antes de piscar para mim. — Você não acha que eu realmente o levaria para a minha casa, não é?— seus lábios tremeram. — Esta é uma das muitas casas seguras do FBI. Você e eu vamos viver aqui até a conclusão dos nossos termos. — ele ficou sério quase imediatamente. — Haverá momentos em que eu vou ter que te deixar aqui sozinho. Eu não quero lhe perguntar se posso confiar que você não vai desaparecer, porque eu não sou estúpido o suficiente para acreditar que posso engaiolar você, não mais, de qualquer maneira. Tudo o que peço é que, se você decidir sair de casa, use o capuz e mantenha a cabeça abaixada. — ele colocou as mãos nos quadris e ficou todo paternal para cima de mim. — E, por tudo o que é sagrado, deixe um bilhete de merda. Quando ele girou sobre os calcanhares e virou, balançando a cabeça, eu entrei no quarto. Era decente. Já tive piores, isso é certo. Era simples, com um armário embutido, uma cômoda e uma cama queen-size. Sim. Eu definitivamente tive piores. Serviria ao seu propósito, e eu teria um sono decente durante a noite. Era mais do que poderia ter esperado. Afinal de contas, eu ainda poderia estar nas celas nada tranquilas e nunca escuras da delegacia. Os olhos de Black saem do seu jornal em lentidão significativa. Suas sobrancelhas ascenderam ao perguntar: — Quantas pessoas sabem que você está vivo, Twitch? Eu mantenho o meu olhar sobre ele, sem precisar pensar na resposta. — Um dos meus meninos e um velho associado. Agora, Oficial Quaid, o chefe e você. Ele pensa sobre isso, então os lábios esticam em um sorriso. Com um leve aceno de cabeça, ele ri alto e isso me irrita. Eu não sou alvo de piada de ninguém. — O que é engraçado? — eu falo com raiva.


Sua risada se transforma em uma gargalhada sem rodeios. — Eu não gostaria de ser você quando sua senhora descobrir que você esteve vivo todo esse tempo. — ele zomba e estremece. — Não, senhor. Ela vai tornar sua vida um inferno. Merda. Meu corpo se torna frio com o pensamento. Eu tento me justificar com um homem que não tem nenhuma ideia do caralho do quanto me custou deixar Lexi para trás. — Ela vai entender uma vez que ela souber a razão para eu sumir. Eu não tinha a porra de uma escolha. Eu tinha que sumir. — Você está me dizendo?— ele bufa uma risada. — Alguma vez já lidou com uma mulher desprezada, Falco? Sabe pelo menos alguma coisa sobre as mulheres? — ele me observa franzir a testa, em seguida, suaviza o tom. — Não há nenhum entendimento nisso. Ela não irá perdoá-lo. Você vai ter sorte se ela permitir ao menos que você veja o seu filho. — Eu sou o pai dele. — meu argumento é patético. Black murmura: — E de acordo com a sua certidão de nascimento, você está morto. Mesmo com sua nova identidade, a que fizemos para você, você não terá quaisquer direitos. Não em um tribunal. Meu estômago vira com o pensamento de ser impedido de ver AJ. Já faz tanto tempo. Eu preciso do meu filho. Estou em má forma. Eu estou morrendo sem ele, sem ela. Sacudindo o pensamento insuportável, eu repito: — Preciso fazer uma chamada. Acenando com a cabeça para o telefone no balcão da cozinha, ele diz: — Linha segura. Pegue-o, espere os três cliques, e, em seguida,


disque. — ele leva um momento para se estressar: — Não ligue seu telefone celular. Nem se for descartável. Até esses podem ser pegos. Enquanto levanto e me movo em direção ao balcão, Black continua: — Espero que você não seja muito apegado a isso. Eu odeio quando ele fala em enigmas. — Apegado a quê? — À tatuagem. — ele bate na sua bochecha, denotando meu infame 13. — Porque ela tem que sair. É um indicador. Não podemos permitir que alguém o veja e comece a espalhar rumores que você esta vivo. Isso significa que ele planeja levar-me em outras missões. Isso é bom. Eu posso lidar. — Não. — eu minto, embora queira ficar violento. — Eu não sou apegado. Eu tento não pensar sobre isso, embora ele esteja sugerindo que eu remova o meu passado, o dia em que conheci Lexi. Esse dia é tudo, e porra, sim, sou apegado pra caralho a essa memória. — Bom. — murmura Black, balançando a cabeça. — Porque a sua primeira sessão de laser é esta tarde. O cara diz que você vai precisar de quatro a cinco sessões, quatro semanas de intervalo. Bem, foda-se. Sem jeito de sair dessa, então. Vou fazer como tudo na minha vida. Vou aguentar como um homem. Pego o telefone, levo-o à orelha, aguardo o som dos três cliques, e em seguida, disco. Toca uma vez, duas, três vezes, em seguida, ele atende. — Porra. São 06h00min, é melhor alguém estar morrendo, idiota. — Viktor Nikulin geme ao telefone, e eu luto com um sorriso. Chego logo ao negócio. — Viktor Nikulin?


— Sim. — ele murmura, e eu ouço embaralhar, provavelmente para se sentar. — Quem é? Falo baixinho, mas com firmeza. — Eu vivo nas sombras do subterrâneo e vejo um monte de coisas, lido com um monte de gente, conheço um monte de empresas. — faço uma pausa momentânea, sentindo os olhos de Black em mim. — Seu irmão é um problema para mim. Viktor Nikulin responde, uma mistura de raiva e desgosto aparecendo na voz. — Eu não tenho um irmão, porra. — Sim, você tem. Nós dois sabemos que você tem. E é bom deserdálo, sendo aquele psicopata assassino que é, mas Maxim Nikulin é um problema para mim. Eu preciso saber onde encontrá-lo. Ele faz uma pausa por um momento. — Você vai matá-lo quando encontrá-lo? — Não. — eu digo-lhe honestamente. — Mas ele provavelmente vai morrer na prisão. Ele suspira. — Escute, eu não gosto do meu irmão, mas mesmo se eu soubesse onde está, eu não diria a você. Merda. Eu não sei, cara. Pelo que sei, você poderia ser um policial. Eu rio baixinho. — Definitivamente não sou um policial. — só estou trabalhando para um. Ele parece intrigado. — Quem é você? — Eu não posso te dizer isso. — eu tento obter as informações que posso. — E eu sei que você não fala com seu irmão, mas ele ainda é sua família, e eu entendo que você quer protegê-lo. Ele não ficaria mais seguro na prisão? Parece que Max saiu do seu caminho para fazer um monte de inimigos. — Eu não estou preocupado com ele ser morto. Eu não quero protegê-lo. — Viktor confessa em voz baixa. — Estou preocupado com


todos os homens que ele irá enfiar a faca, enquanto estiver lá. Eu quero protegê -los. — ele inala profundamente, em seguida, exala lentamente. — Faça-me um favor, sim? Seja qual for o problema que você tenha com Maxim, deixe-me e Anika fora dele. O tom de discagem cantarola no meu ouvido. Merda. Sem sorte. Maxim Nikulin vai ser uma dor na minha bunda. Uma semana depois… — Eu preciso de uma arma. — eu grito para Black enquanto seus rapazes, soldados se espalham ao redor da propriedade beira-mar de Neo Metaxas. Eu estou mais do que um pouco chateado. Não há nenhum ponto em derrubar esses homens se eu não poderei desfrutar de minha vida porque eu morri tentando alcançá-los. Black está sendo um imbecil. — Você não precisa de uma porra de arma! Fique para trás, longe da ação. — ele agarra a frente da minha camisa, me sacudindo. — Nós tínhamos um acordo! — ele ruge, cuspindo saliva em mim. — Você não começa a dar ordens. Você as recebe, porra! Então é assim que vai ser? Vamos ver. Ele me libera, e eu tropeço enquanto ele salta para a briga. Os homens de Neo puxam suas armas, mas os soldados de Black são mais rápidos. Tiros são disparados, e eu fico para trás, com meu maldito bastão na mão. Com o meu capacete e meia máscara de rosto, ninguém vai me reconhecer, e é uma coisa boa porque Neo e eu éramos amigos. Seus homens me conhecem.


O jogo de pôquer, agora interrompido, espalhado por todo o andar da mansão, observo como as manchas vermelhas espirraram no sofá de veludo branco intocado. Neo vai ficar puto. Ele sempre teve uma coisa para móveis brancos. Quando eu tropeço em um dos homens de Black chorando, com uma faca de caça enfiada na coxa, caído no chão, agarrando sua perna e gemendo de dor, eu não penso muito sobre estar no meio de uma guerra e colocar o cara em algum lugar seguro. Colocando as mãos sob seus braços, eu puxo-o com toda minha força, porque esse cara é um tanque de merda. Eu me viro para arrastá-lo para a cozinha vazia e sentá-lo apoiado na geladeira, fora de vista. Ele geme, e eu o calo. Não de uma forma suave, mais de um tipo cale-se-e-não-chame-a-porra-da-atenção. Ele geme um pouco mais e coloca as mãos trêmulas no cabo da faca. Eu sei o que ele pretende fazer, mas eu empurro suas mãos longe e agarro seu rosto suado. — Você tira isso agora, e vai sangrar até a morte. Bem aqui. Nesta casa. — ele não parece estar a ouvindo, então eu o sacudo. — É aqui que você quer morrer? O homem balança a cabeça, e é então que percebo que ele é jovem, talvez em seus vinte e poucos anos. De alguma forma, meus pensamentos vagueiam para o meu filho e meu coração aperta. Gentilmente afrouxo meu domínio sobre o homem-menino e aperto seus ombros levemente. — Não toque nela. Fique aqui. Não faça qualquer ruído, a não ser que você queira morrer, entende? Suando, ele acena com a cabeça, enquanto as lágrimas escorrem pelo seu rosto. Estendo a mão para as pistolas em suas coxas e as tiro dos coldres. Levantando-as, digo-lhe: — Agora, vou pegar estas, tudo bem? E eu vou atirar em alguns bandidos.


— Derrube-os. — falando com os dentes cerrados, ele ofega: — Derrube todos. Eu sorrio, embora ele não possa ver pela minha máscara. — Oh, eu pretendo. Assim que saio da cozinha, o soldado sibila: — Atrás de você. Meus pés me viram na velocidade da luz e o tempo diminui. Num piscar de olhos, eu vejo o cara apontando uma arma para mim, e eu o conheço. O homem é irmão de Neo. George a porra do grego que nós ligamos. Ele tem uma esposa. Ele tem filhos. Ele tem pessoas que dependem dele, e agora, neste momento, ele está vindo para cima de mim. Vindo para me matar. Eu vou de pouco surpreso a furioso em um átomo de segundo. Este é o homem que eu costumava ser. Eu era um homem que só pensava em dinheiro e em si. Mas esse cara, George, tem uma família, e o fato de que ele está jogando tudo fora por alguns milhões é revoltante. Acho que algumas pessoas desprezam o que têm, mas estar longe do meu filho por tanto tempo... nada nesta terra poderia me fazer voltar a ser o idiota ganancioso, egoísta que eu era antes, não enquanto eu o tiver para dar razão para a minha vida. Mirando em seu coração, lembro-me das palavras de Black. — Mutilem, machuquem, incapacitem... mas não atirem para matar, porra! Meu alvo abaixa, passando por sua virilha, e quando eu estou lá, eu puxo o gatilho. À medida que a bala dele passa pelo meu braço, a minha atinge o alvo, e eu assisto completamente satisfeito quando ela perfura seu joelho, rasgando-o. Com um grito chocado, ele cai no chão e, tremendo, ainda tem suas armas apontadas para mim. Antes que ele tenha a chance de atirar de novo, eu corro na direção dele, e minha bota com biqueira de aço


se conecta com seu rosto. A parte de trás da sua cabeça esmaga em um armário da cozinha e seus olhos ficam sem graça quando sua consciência desaparece. — Aqui. — murmuro ao jovem, enquanto tomo a arma de George na minha mão, devolvendo uma das duas que eu tinha tirado dele. Com uma expressão de agonia, ele toma a arma e me diz: — Saia daqui. Eu cuido disso. Espreito para o corredor antes de fazer a minha jogada e corro pela sala de estar aberta. Um dos homens de Neo luta com um dos de Black, e um menino de preto está prestes a ser abatido, foda-se. Enquanto me movo em direção a eles, eu grito: — Ei! — para distrair um momento, e funciona. Ambos os homens olham para mim, e eu aproveito para chutar o cara de Neo de cima do soldado de Black. Livre dele, o menino de preto recupera o controle, derruba o cara e o mantém lá. Com o meu trabalho feito, continuo para encontrar algumas outras bundas para chutar. Dois dos rapazes de Black flanqueiam um cara com a cabeça virada em um ângulo antinatural, sangue por todo o rosto, o pescoço claramente quebrado e levam um segundo homem algemado. As portas do pátio estão abertas e vejo Black lendo seus direitos para o Neo, embora, eles estejam um pouco diferentes do que já ouvi. Black está orgulhoso, olhando para um silencioso Neo Metaxas. — Se você falar, eu vou te dar uma coronhada. Se você respirar muito alto, vou atirar direito na sua boca do caralho. Se você tentar olhar para mim da maneira errada, eu vou colocar os meus meninos para chutar o seu rabo, então faça um favor, mantenha sua boca fechada, Metaxas, porque nada vai salvá-lo do inferno que eu vou entregar-lhe.


Sabe,

agora

que

penso

nisso,

Black

e

eu

não

somos completos opostos. Ele é uma espécie de fodão, não que eu vá admitir isso para ele. Quando Black me vê segurando duas armas, ele faz uma carranca dura, antes de tomá-las de mim e colocá-las sobre a mesa ao seu lado. Como uma criança, porra, tendo seu brinquedo favorito tirado dela, tenho picos de raiva, mas não me atrevo a falar na frente de Neo. Do canto do meu olho, eu vejo um dos meninos de Black sentar ao lado de um homem que pode ter estado inconsciente em um ponto, mas não mais. Quando ele pula e derruba o soldado, pegando a arma, eu reajo. E faço isso mais rápido do que qualquer um dos filhos da puta de toda a equipe. Alcançando atrás de Black, pego uma das pistolas da mesa e, desta vez, eu não miro para baixo. O homem de Neo está de pé apontado a pistola roubada direto para Black. Pronto. Alvo. Fogo. Boom, cadela. O olhar do cara cruza quando a minha bala o acerta, arrancando seu olho esquerdo, deixando um buraco onde ele costumava ficar, seu cérebro espirrando em toda a poltrona branca do Neo. Ele pousa no chão, onde seu rosto permanecerá para sempre uma imagem de espanto eterna, seu olho escorrendo sangue vermelho. Meu coração dispara e meu peito arfa. Estou correndo em pura adrenalina. Viro-me para ver todos os homens de Black de pé, armas levantadas, olhando para mim. Eu olho de Black para Metaxas, em seguida, de volta para Black. Dando um passo para trás, coloco a arma de volta na mesa com uma batida suave. Eu movo-me para deixar o pátio,


mas antes que eu saia, vou na direção de Black. Aproximo-me da sua orelha e falo alto o suficiente apenas para que ele me ouça. — De nada. Volto para dentro e ignoro os olhares curiosos de todos os homens de Black, vou para a cozinha, onde assisto o jovem ser carregado em uma maca por um casal de médicos, a faca ainda alojada em sua coxa. Eu cruzo meus braços sobre o peito e espero na solidão que a comoção morra. Da próxima vez que eu pedir uma arma, porra, algo me diz que eu vou conseguir uma.


CAPÍTULO TRINTA E CINCO Alejandra Julius está deitado de costas e me puxou para perto. Minha bochecha repousa em seu peito e com as nossas mãos entrelaçadas sobre o seu coração batendo, eu murmuro baixinho: — Meu irmão. Seus dedos apertam os meus suavemente, como se ele tivesse que assegurar-se de que estamos aqui, juntos, finalmente. Eu esperei a vida toda por este homem, só que eu não sabia. Agora, como estamos, um sentimento sólido de contentamento paira sobre mim. Ele grunhe em confusão. Eu ergo minha cabeça com relutância e medito em voz alta: — Eu deveria falar com o meu irmão. Eu preciso saber o que está acontecendo. Eu preciso saber que minhas irmãs estão bem. Um olhar que eu não posso ler passa sobre seu rosto e, sem malícia, ele diz sonolento. — Baby, o que você fez... Você tem que entender, você não tem mais família. — meu coração quase se despedaça quando acrescenta: — Eu sou sua família agora. Ele está tentando o máximo não me assustar. Eu sou tão preciosa que preciso que falem como uma criança? Eu preciso que ele entenda como são as coisas em termos que um homem como Julius entenderá. — Eu posso não ficar atirando em pessoas todos os dias como a minha amiga Ling ali, mas não tenho escrúpulos, e se alguém representa uma ameaça, é melhor você acreditar que encararei essa ameaça com força brutal em caso de necessidade. E quero você só para mim, Julius. —


inclino para ele e dou um beijo suave em seu peito. — Não tenha medo por mim. Eu vou proteger você, cariño. Quando eu olho para ele, eu vejo aquele olhar. Eu vejo claramente. Ele está se perguntando, 'Cadê a Alejandra que eu preciso proteger, e quem é essa mulher?' Não consigo impedir o revirar dos meus olhos. Esta nossa vida não é normal. Esta vida é suja. O problema é que não importa o tanto que o meu pai tentou me criar para ser boa, eu nunca tive a intenção de permanecer limpa. — Não olhe para mim assim. — eu endireito as costas segurando seu queixo forte, barba por fazer entre os meus dedos, segurando-o parado e repetindo as palavras que meu irmão me disse anos atrás. — Todos nós chegamos neste mundo chutando, gritando, e cobertos de sangue de outra pessoa. — eu nunca fui mais honesta na minha vida ao admitir: — Eu não tenho nenhum problema em sair do mesmo jeito. Ele pisca para mim quando solto o seu queixo. — Porra. — ele exclama, antes de rolar em cima de mim, segurando o peso com os antebraços. Seus lábios quentes descem, e eu tremo quando ele beija minha clavícula. Com os lábios em mim, ele esfrega o pau na minha coxa. — Eu nunca fiquei tão excitado quanto estou agora. Meus olhos se fecham com a sensação da sua boca em mim, e coloco as pernas ao redor dos seus quadris nus e magros em aprovação silenciosa. É quando a porta do quarto se abre com um longo guincho. Ele não se move. Sob ele, meus olhos se arregalam. Com os lábios ainda em minha garganta, eu sinto seu corpo vir pra cima de mim, e ele cobre meu corpo com todo o seu peso, suspirando no meu pescoço.


A figura feminina solta um grunhido. — Eu posso ver que você está ocupado, chefe, mas são 11h00min e o homem que fica sorrindo para mim silenciosamente na mesa da sala de jantar está começando a me assustar. Com isso, ele levanta a cabeça, piscando para mim com as sobrancelhas baixas de raiva, olhos piscando. Em seguida, ele sussurra: — Foda-se, Ling. — e estende a mão para puxar as cobertas sobre nossos corpos nus. Completamente desavergonhado da sua nudez, ele ignora Ling, sai da cama, e atravessa para o banheiro, fechando a porta atrás de si. O chuveiro liga e eu puxo o lençol com força sobre meus seios, sento para olhar para ela na porta aberta. Se for honesta comigo, eu estou fulminando no interior. Eu escondo bem a minha raiva quando a encaro abertamente e digo: — Da próxima vez, bata. Seus olhos estreitam um pouco, mas ela sorri. — Parabéns, Alejandra. — ela bate as unhas sobre a madeira polida do batente da porta, antes de levantar as sobrancelhas e dizer em silêncio. — Você está oficialmente um passo acima na cadeia alimentar. Algo sobre Ling é tão estranho, tão peculiar, que estou começando a me sentir levemente desconfortável. Seus lábios se contorcem. — Você sempre consegue o que quer, não é, putinha bonita? — ela me mantém imóvel, com seu brilho intenso. — Mas você nunca vai apreciar as vitórias até perdê-las. — ela se endireita, movendo-se para sair. — Se prepare. À medida que ela fecha a porta, eu considero suas palavras de despedida e minha mente funciona. O que diabos ela está planejando? Ainda especulando que Ling quis dizer, eu não percebo o chuveiro ser desligado, só voltando a mim quando Julius abre a porta do banheiro e ondas de vapor sobem em torno da sua estatura linda e alta. Esfregando


uma toalha sobre o rosto, ele a joga no chão e me pega observando as gotas de água descendo pelo peito em direção ao seu abdômen. Eu não sinto vergonha, exploro-o abertamente com os olhos. Ele é meu agora. Quando ele tira a toalha da cintura, eu olho em seus olhos com malícia. Ele não é um homem de muitas palavras, meu Julius. Ele sacode a cabeça em direção à porta aberta atrás dele, e eu entendo a dica, saio da cama com o lençol me envolvendo. Ao passar por ele, ele engancha a mão na minha nuca e me puxa para perto, olhando-me nos olhos e segurando meu olhar à medida que desce, pressionando seus lábios nos meus, de forma suave. A mão no meu pescoço aperta quando ele recua, e isso me faz perceber que, por vezes, falar é superestimado. Ele corre o nariz pelo comprimento do meu, e eu fecho os olhos, absorvendo o seu afeto. — Você e eu, querida. Meus olhos se iluminam e eu corro a mão sobre o peito para apertar seu ombro, murmurando: — Sim. Você e eu. Sua mão sobe para enrolar no meu cabelo, e ele puxa suavemente, forçando-me a expor meu pescoço. — Vou tratá-la como uma rainha. E com essas palavras, meu corpo já não processa seus beijos, meu cérebro me adverte para me acalmar. Acalme-se. Ele não sabia. Ele não sabe. Afasto-me dele suavemente, dou um passo para longe e abaixo o queixo. — Ele costumava me dizer isso. Ele usava isso contra mim, que eu seria sua rainha e eu governaria ao lado dele. — eu mordo o interior do meu lábio, implorando para meu estômago acalmar. Eu pisco para ele com uma careta. — Eu não quero. Eu não quero ser uma rainha, Julius. Nunca. — estendo a mão para tocar seu estômago. — Eu quero ser uma ninguém, uma camponesa. Eu só quero viver livre. — mais uma vez,


percebo que o faço questionar quem eu sou e quais são meus motivos. Mas sou só eu, Alejandra Castillo. Uma mulher que foi dilacerada mais despedaçada do que remendada. Meus cacos quebrados ainda estão sendo reparados. Eu nem tenho certeza se encaixam mais. Eu arranho levemente o seu abdômen. — Você pode começar a entender isso? Seus olhos amolecem, e seus lábios se contorcem quando ele deixa escapar um som áspero. — Não é possível prometer que vou tratá-la como uma camponesa. Um riso chocado me escapa. — Sim, bem, que pode ter sido um mau exemplo. Seus lábios se abrem em um sorriso e seus olhos me observam. — Linda quando não, mas quando você sorri, baby... — seus olhos vibram, e seus dedos tocam no ponto certo sobre seu coração. — Boom. Eu não posso evitar. Pego seu rosto e passo o meu polegar sobre os lábios grossos. — O mesmo com você, cariño. — digo gentilmente. — O mesmo com você. Virando a minha mão, ele beija o centro da palma, e minhas entranhas incham com calor, porque Julius me dá algo que eu nunca tive. Alguém que eu pudesse amar. Com o maior esforço possível, empurro Julius para longe divertida e, sorrio, indo para o banheiro para tomar banho. *** Dez minutos passaram, e quando saio do quarto e me visto com mais de roupas de Ling, paro meus passos ao som de uma mulher chorando. Meu coração começa a acelerar no peito. Deve ser ruim. Tinha que ser ruim para fazer uma pessoa como Ling chorar assim. Eu a considerava quase totalmente insensível.


Hesito um pouco antes da sala de estar e ouço o Senhor Falco falar suavemente. — Agora, agora. Não chore. — ele é mais amável do que eu me lembro. — Venha sentar ao meu lado, senhorita Ling. O quê? Estou confusa. Por que o Senhor Falco está oferecendo conforto para Ling? Ele nem sequer a conhece. Mas, em seguida, Ling soluça: — Eu o amava. Eu o amava muito. — seu soluço se transforma em um rosnado. — Eu teria feito qualquer coisa por aquele pedaço de merda. E ele a escolheu. Eu passo pela porta para encontrar Ling sentada com Senhor Falco no sofá de costas para mim. Eles ainda não me ouviram, ou viram. As mãos de Ling estão sendo seguradas com força pelas de Falco e a sua cabeça inclinada em simplesmente no que pode ser descrito como angústia pura. Julius me vê do seu lugar no sofá oposto e discretamente balança a cabeça. Eu entendo. Ling não vai gostar que eu a veja assim, mas eu não posso sair. Senhor Falco olha de Ling para Julius. — Parece que meu Antonio era mais complexo do que eu imaginava. — Ele não era nenhum pouco complexo. — murmura Julius. — Ele só sabia o que queria. Não tinha tempo para aqueles que não sabiam. Oh, uau. Ai. Meu peito dói por Ling, embora ela não mereça simpatia. A

insinuação

de

Julius

cristal. Antonio não queria Ling.

é

clara

e

simples,

clara

como


Ling, inteligente demais para não ter percebido a mensagem, levanta rápido a cabeça e com raiva borbulhante, diz: — Ele me queria até que ela chegou! Ela fodeu tudo. E aquele menino dela... — a voz dela falha quando a raiva desaparece e a tristeza se infiltra em seu lugar. — Aquele lindo menino dela. Ele deveria ter sido meu. O bebê dele deveria ter sido meu. — ela diz suavemente como se estivesse falando sozinha. — Depois de toda a merda que aguentei, eu merecia aquele bebê. — Ling diz furiosa. — Ele morreu por causa dela. —

Ele

morreu

por

ela.

Julius

rebate. —

Twitch

morreu por Lexi. Ele morreu protegendo-a. Há uma diferença. Ling vira para Senhor Falco e dá uma risada dura. — Os meus parceiros homens tendem a enlouquecer por causa das mulheres. Na verdade, é comum que seus cérebros virem merda. Eles perdem todo o senso. — ela se vira para olhar para Julius. — Eu não ficaria surpresa se você fizesse o mesmo movimento estúpido por causa do seu novo animal de estimação. — Então, e se eu fizesse? — ele responde rápido como um raio. — Que porra tem a ver com você? — Comigo? — ela grita em descrença. — O que isso tem a ver comigo?— o tom da sua voz é absolutamente devastador. — Você é meu único amigo, seu filho da puta. — sua respiração engata dolorosamente. — Você é tudo que eu tenho. Você é importante para mim, porra. Por mais que eu não goste de Ling, aquela declaração me dilacera, e eu sinto-me amolecer por ela de uma forma que poderia ser mortal para mim. — Ling, Ling. — eu vejo Julius vacilar, claramente não esperava essa resposta. Não é preciso ser um gênio para ver que ele também se importa com a víbora venenosa. Mas Ling direciona sua raiva para outra pessoa. — Onde você estava? — ela fala com calma mortal para Senhor Falco. — A mãe dele o


odiava. O padrasto batia em ambos. Ele era apenas um menino. — ela puxa as mãos das dele e rosna. — Onde você estava? — Eu estava construindo um império. Ajudando o irmão do Antonio. E então fui abençoado com uma filha. — Senhor Falco suspira audivelmente. — Se eu soubesse… Ling olha feio para ele. — Bem, você não sabia por que ele claramente não importava o suficiente para você. Você sabe, não sendo o caralho de linhagem correta e todas essas coisas. É então que ela me vê. Dando a volta no sofá, ela chega na minha cara, falando com serenidade letal. — Que porra você está olhando, vagabunda? Lembro-me que ela está com dor, luto por um homem que ela amava, e não consigo reagir. Em vez disso, eu digo em voz baixa e genuinamente. — Sinto muito pela sua perda. Seu rosto desmorona e uma lágrima escapa, descendo pela bochecha, mas Ling é muito orgulhosa para deixar que a veja chorando. Quando ela passa por mim, ela bate o ombro no meu, empurrando-me para o batente da porta. Não é surpreendente. Não é como se eu não esperasse por isso. Senhor Falco olha por cima do ombro e sorri, mas não alcança os olhos. O que Ling disse evidentemente o magoou. Julius acena para eu ir e não hesito. Quando passo para sentar ao lado dele, ele coloca o braço em volta da minha cintura, me puxando para o seu colo. Com os braços me trancando em seu aperto, eu vejo os lábios de Senhor Falco contraírem e ele diz provocativamente: — Se esta Lexi é parecida com a Alejandra — seus olhos dançam —, bem, eu suponho que eu posso ver por que meu filho se dispôs a perder a cabeça por uma mulher assim. Julius assente. — Ela é assim, desse jeito. — Ele... — Senhor Falco pergunta hesitante — ele a amava?


— Levou uma bala por ela. — é tudo que Julius diz em resposta. Isso, eu interpreto como: Claro que a amava. Senhor Falco acena e sorri. — E eu tenho um neto? Os braços de Julius me apertam por um momento antes de responder, e sua voz tem muito carinho quando ele fala. — Sim. Ele tem o nome do pai e do padrinho. Antonio Julius Falco. Nós o chamamos de AJ. Ele tem quatro anos e esperto como um chicote. — Bem, isso é algo. — Senhor Falco sorri, mas conclui, e seus olhos brilham. — Antonio Falco Terceiro. Um silêncio pensativo segue. Não dura muito tempo, e Julius o quebra. — Me dê um tempo. Eu posso falar com Lexi. Ver como ela se sente sobre você conhecer o neto. Tenho certeza que ela adoraria conhecê-lo. — Ah, não. — Senhor Falco afirma com um aceno de cabeça. — Eu não poderia pedir-lhe para fazer isso. Você teria que dizer a ela como desisti do meu filho. Ela provavelmente não vai me querer perto dela ou do filho. Julius descansa a mão no meu joelho. — Você não conhece Lexi. Ela é gente boa. Deixe-me falar com ela. Evitando a oferta, Senhor Falco olha para mim. — Falei com Manda na noite passada. — meu coração dispara em pulos. — Ela está feliz que esteja bem. — olhando de mim para Julius, ele diz em forma de pergunta. — Ela gostaria de ver Alejandra, certificar-se que ela está segura. Meu coração dispara emocionado quando abaixo meu rosto para olhar para Julius, esperando que a resposta seja a que eu desejo. Ele olha para mim. — Você quer ver a sua amiga? Meu Deus.


Incapaz de ao menos falar, meus lábios tremem quando formo a palavra com a boca: Sim. — Eu não vejo nenhum problema. — ele olha para Falco com um aceno. — Marque. Se isso for algum tipo de piada de mau gosto, eu nunca vou perdoálo. Mas simplesmente não consigo ver Julius fazer algo tão cruel. Meus agradecimentos vêm sob a forma de envolver os braços no seu pescoço e enterrar o rosto na sua pele, respirando, me pressionando contra ele. Julius aceita a minha consideração com uma mão suave correndo nas minhas costas para cima e para baixo suavemente. — Agora. — diz Senhor Falco. — O que vamos fazer a respeito dessa situação de vocês? Levantando-me facilmente, Julius tira algo do bolso de trás e passa para as mãos do homem mais velho. Eu ergo minha cabeça e sento-me calmamente enquanto o Senhor Falco lê o papel. Julius murmura distante. — Espalhe a notícia. Embora ele concorde com a cabeça, o Senhor Falco olha para mim com um olhar severo e explica: — Eu vou fazer o meu melhor, mas pode ser difícil para explicar, considerando que o primeiro marido de Alejandra só foi enterrado há quatro dias. Primeiro marido? O quê? Levantando com as pernas bambas, saio do abraço de Julius e, com o rosto pálido arrebato o pedaço de papel do Senhor Falco, lendo em silêncio. E meu estômago revira. Piscando para Julius, digo roucamente: — Estamos casados?


CAPÍTULO TRINTA E SEIS

Julius Estou preparado para isso. Não sou idiota o bastante para acreditar que Alejandra ficaria satisfeita. Ao contrário, eu sabia que ela ia ficar furiosa. Se eu puder explicar, fazê-la ver que isso é vital, ela entenderá. Na verdade, mesmo que ela não aceite, não dou a mínima. Se ela espera que eu me sinta mal ou arrependido por manipular uma situação ao meu favor, nosso favor, ela vai se decepcionar. Isso é o que bons homens de negócios fazem. Eles pegam uma situação de merda e encontram uma maneira de lucrar com isso. Ficando com a aparência mais do que bonita em seu atual estado de fúria, eu percebo que quero ficar sozinho com ela. Viro-me para Antonio Falco pai e murmuro: — Você deveria ir. Ele olha de Alejandra para mim, e acena com a cabeça em concordância. — Sim, eu deveria. — Alejandra não move um músculo quando Falco coloca um braço em volta dela e dá um beijo em sua têmpora. — Eu vou ligar para falar quando Manda pode vir. — ele olha para mim. — Eu saio sozinho. Mantenha contato. Eu ouço o que ele diz, mas não consigo tirar os olhos de Alejandra. Ela vai ficar furiosa a qualquer momento, e não é algo que eu quero perder. Atrás do meu zíper fechado, meu pau contrai. Há algo sobre uma mulher com atitude, uma mulher que precisa ser acalmada, domada, que é tão sexy que não posso desviar o olhar.


No momento em que ela ouve a porta da frente abrir, em seguida, fechar, a cabeça abaixa em uma posição submissa e pisca os olhos. — Há quanto tempo? Seria estúpido jogar com ela agora. Sem um pingo de emoção, eu declaro: — Dois dias depois que você caiu no meu colo. Ela

pisca

para

mim,

o

rosto

suavizando,

mas

apenas

ligeiramente. Estou apostando que ela não esperava essa resposta. — Eu... — ela se atrapalha com as palavras. — Como? Por quê? Quer dizer, não é de verdade ou qualquer coisa. Eu estendo minha mão para ela, esperando que ela venha até mim. Parte de mim se pergunta se ela vai sair e seguir seu próprio caminho. E essa mesma parte minha se pergunta se ela é estúpida o suficiente para acreditar que eu vou deixá-la ir. Com o relacionamento anterior dela, o único que ela teve, eu estou apostando que ela está com muito medo de sair, o que definitivamente tem suas vantagens. Eu não gosto disso necessariamente, mas faz ter algum peso sobre o quão real será sua reação quando eu fizer o que preciso. Meu instinto contorce com a ideia de deixá-la, mesmo por um dia, mas preciso fazer o possível para domar esta situação e destruir os tubarões. Alguns riscos valem a pena o ganho. Assim espero. Ela não vem até mim, e eu não mostro o quanto isso me incomoda. Abaixo a mão com um suspiro e digo-lhe como vai ser. — Eu tinha um pressentimento sobre você, que você tinha suas razões para agir daquele modo. Eu não vou mentir. Eu queria você, mesmo depois que você me jogou para os cães. Eu decidi preparar planos do A ao Z, se eu ia mantê-la segura, baby. Simples assim. Encontrei um cara que conheço, que faz essas coisas rápido. Cobra uma quantia exorbitante, mas aquele selo oficializa, e oficializar tem um custo. Antes que você diga mais alguma coisa sobre ser ou não real — eu seguro seu olhar —, aos olhos da


lei, agora você é a Sra. Julius Carter. Isso é tão real quanto deve. — só porque eu amo o rubor irritado em seu rosto, eu adiciono de um jeito inexpressivo. — Vamos lá, Ana. Não é possível que eu seja tão ruim quanto o seu primeiro marido. Seus olhos estreitam para mim e seus lábios ficam finos em irritação. Mas antes que eu possa apreciar o aborrecimento que eu causei, ela acaba com os meus planos acenando com a cabeça tristemente e concordando em melancolia agonizante. — Não. Acho que você está certo. Não. Eu não gosto desta Alejandra. Esta Alejandra é a mulher fabricada do Dino, a mulher que foi moldada com pancada do jeito que ele queria. Eu gosto da minha Alejandra irada, irritada e real, com a emoção em seus olhos e uma maldita espinha dorsal. Balançando a cabeça, eu fecho os olhos. — Não faça isso, Ana. — Quando ela olha para mim, com seus olhos de corça inseguros sem qualquer luz. — Ouça-me, jovem pardal. Eu não sou ele. Eu não vou machucá-la se disser a coisa errada. Eu poderia ficar bravo e discutiríamos um pouco, mas isso não significa que quando eu te foder mais tarde essa noite, eu vou ser mais áspero do que eu deveria. Quando acabar, acabou. Acabou. Eu só tenho duas regras. Nós não dormimos separados e não vamos para a cama com raiva nesta casa. Nós nos beijamos e fazemos as pazes, se o nosso orgulho permitir, ou não. — seus olhos arregalam em descrença e acrescento: — Eu não sinto muito por ter tirado a decisão das suas mãos, baby. Você é minha esposa. Nós somos uma equipe. E você está exatamente onde eu quero. Do meu lado. Ela dá um passo cauteloso para perto de mim, e um pouco do calor em seus olhos retorna quando ela murmura: — Eu acho que nunca ouvi você dizer tanto em uma frase. — seus lábios se levantam no canto, e ela está perigosamente perto de sorrir. — Eu meio que gostei, dessa coisa toda de falar.


Meu rosto abaixa e eu suprimo o suspiro de alívio, em vez disso, rio silenciosamente. Eu não esperava escapar tão facilmente. Levanto a mão e passo pelo meu rosto abaixado, esfrego distraidamente a nuca e revelo: — Sim, bem, é melhor você se acostumar com isso, porque eu só falo com as pessoas que valem a pena. — a implicação está lá e é completamente verdade. A partir deste momento, esta mulher será meu mundo. Eu acho que ela não entende o que isso significa ou o quanto iria longe para mantê-la segura. Ainda não, mas ela vai. Eu dou uma olhada rápida para ela e encontro-a de pé na minha frente, seu rosto suave com o pensamento. — Ok. — ela aproxima-se o único passo que nos distancia, pega a minha mão e segura-a apertado. — Ok. Então, qual é o plano? O que vamos fazer sobre Gio? Se eu contar o plano para ela, ela vai estragar tudo, não conscientemente, mas ela vai. Eu digo-lhe o que posso, deixando de fora os detalhes importantes. — O homem que matou Raul, Maxim Nikulin, minhas fontes o localizaram. Vou entregá-lo a seu pai. — Julius — Alejandra franze a testa—, isso não é suficiente. Meu pai vai fazer o que for preciso para garantir a sua aliança com Vito. — sua mão aperta a minha. — E Vito me quer. — eu levanto o meu rosto, e ela corre os dedos pela minha bochecha. — Você não pode parar o que vai acontecer. Cometi o insulto dos insultos. Vito terá justiça para seu filho. Eu me imponho, estendo as mãos e agarro seus quadris e puxo-a para mim. Ela sabe o que eu quero e revira os olhos ao subir no meu colo, de frente para mim, suas coxas caídas aos meus lados. Seus braços envolvem o meu pescoço, e ela se inclina para pressionar o peito no meu, quase nariz com nariz. — Estou começando a achar que essa coisa de colo é uma coisa sua. — Sempre que você está perto de mim eu a quero o mais próximo possível, e é assim, sem estar dentro de você. Então, sim. — eu beijo seu


lábio inferior cheio, beliscando-o gentilmente, meus braços apertam as suas costas. — Você pode chamar isso de coisa minha. Acostume-se. Você vai passar muito tempo aqui. Seu lábio franze para aceitar meus beijos na boca fechada enquanto continuo a atacar seus lábios em suave lentidão. Contra meus lábios, ela sussurra: — Eu estou com medo, Julius. — quando afasto-me para olhar em seus olhos, ela confessa: — Eu não quero morrer. Não do jeito que Gio vai fazer. Ele vai demorar. Fazer com lentidão. — Você disse que Vito vai querer justiça para seu filho. E quanto à justiça do seu pai para você? Acho que seu pai não vai aceitar muito gentilmente ao saber das coisas que o filho de Vito estava fazendo com a sua menina. Mas ela já está sacudindo a cabeça. — Não. Mesmo que eu tivesse provas do que estava acontecendo, meu pai sempre me ensinou que temos de fazer sacrifícios para o bem maior. Se ele soubesse, ele simplesmente diria a si mesmo que estar casada com Dino era o meu sacrifício nesta vida. Além disso, eu não tenho nenhuma evidência para apoiar a minha acusação. Minha raiva aumenta com o seu comentário frio. — Seu corpo inteiro é a porra de uma evidência, Ana. A expressão dela é inexpressiva. — Você não conhece o meu pai. Ele vai se importar, mas ele é um homem de negócios. Ele não vai se importar o suficiente. Meu sogro é um mafioso. Se alguém se atrevesse a colocar as mãos no meu filho, que Deus os ajudasse. Depois que eu acabasse com eles, eles implorariam pela morte, e porque sou um cara misericordioso, satisfaria o desejo deles. — Foda-se o seu pai. Nós vamos dar um jeito. — eu seguro-a apertado, movendo-me para descansar meu rosto no seu peito, olhos fechados de prazer. Ela passa os dedos no cabelo da minha nuca,


descansando a bochecha no topo da minha cabeça e, sou apanhado em êxtase sonolento, mal a ouço quando ela começa: — Então, meu marido. — eu puxo para cima e percebo a sua expressão estranha, olhos arregalados. — Exatamente, quantos anos você tem? Eu pisco para ela por um momento antes de inclinar a cabeça para trás e soltar uma gargalhada estrondosa. Quando ela se inclina para beijar meus lábios, eu rio em sua boca sorridente. Inesperadamente, o casamento não parece tão ruim. Não quando isso é para o bem do meu pequeno pardal. *** Minha irmã atende a porta, e quando ela vê minha mão apertada na minúscula de Alejandra, sua boca abre, enquanto seu olhar fica suspeito. — Uh. — Tonya começa, inclinando seu quadril sobre o batente da porta de madeira e admite com a cabeça inclinada. — Eu não vi isso acontecer. Eu sorrio. — Você vai nos deixar entrar ou o quê? Ela endireita com um solavanco. — Sim, claro. — sorrindo para Alejandra, ela se move para o lado e gesticula para nós. Conforme passa pelo corredor, ela pega sapatos, uma bolsa de escola, e itens aleatórios de roupa, antes de afirmar: — Por favor, desculpe pelas coisas da minha filha. Adolescentes são desorganizados, mas eles não querem ser. — seu nariz torce com afeto sincero. — Estão muito ocupados para se lembrar de onde as coisas deveriam estar. Eu juro que se essa menina não tem a cabeça no... — ela ri para si mesma. — Bem, vocês sabem o que eu quero dizer. Alejandra sorri para minha irmã e admite: — Sim. Quando eu morava em casa, minhas irmãs, Veronica, Carmen e Patricia, eram todas adolescentes, e eu estava constantemente recolhendo as coisas atrás delas. Minha irmã mais nova, Rosa, tem treze anos agora — os olhos dela


arregalam comicamente —, e seu comportamento é algo que deve ser considerado. Tonya ri baixinho. — Oh meu Deus, sim. Treze é uma idade terrível. Todos aqueles hormônios soltos, em um segundo eles estão gritando, no próximo chorando, e eles admitindo ou não, às vezes só precisam de um abraço e escutar que tudo vai dar certo. A admiração pura nos olhos de Alejandra é algo conhecido por mim. Eu sinto isso cada vez que observo a minha irmã ser uma mãe para a filha. — Falando de adolescentes. — eu começo. — Onde está a minha menina? Tonya revira os olhos. — Na caverna que ela chama de quarto. Eu vou buscá-la. Ela vai ficar tão feliz em ver o tio Jay e conhecer a sua... — sem

saber

como

chamá-la,

ela

olha

para

Alejandra

e

acena

ligeiramente. — Eu só vou buscar a Keera. Sentamo-nos à mesa de jantar na cozinha, e eu olho para a minha esposa. — Você está bem? Não estou preparado para a resposta sorridente dela. Ela coloca sua pequena mão no meu joelho e aperta. — Eu estou com você, não estou? Porra. Como a opinião desta pequena mulher sobre mim faz-me sentir uma pessoa melhor? E que tipo de idiota eu sou ao lhe dar esse poder? Sem pestanejar, murmuro asperamente. — Sim, baby. Eu posso muito bem ter dito que pertenço a ela. Seu sorriso se alarga divinamente, seus lábios cheios esticam de felicidade. — Então, sim, eu estou bem. Que droga. Foda-se.


Eu sou dela. Ela acabou de assegurar isso. Quando ouço os passos correndo vindo pelo corredor, eu movo-me para ficar de pé, coloco minha mão no ombro de Alejandra em segurança. O jovem rosto radiante da moça aparece na porta aberta, e um grito alto escapa dela. Mais rápido que uma bala, Keera está em meus braços, e eu seguro-a tão firmemente quanto ela me agarra, balançando-a de um lado para o outro. Ela agarra a frente da minha camisa e me sacode com uma expressão de raiva simulada. — Você não vem me visitar mais. — Trabalho, menina. — eu explico. Ela me sacode um pouco mais, seus grandes olhos castanhos arregalados, o cabelo ondulado longo balançando. — Você se importa mais com o seu trabalho do que com a família, tio Jay? Tonya solta uma risada gutural atrás de nós, e ela espia ao redor de Keera para olhar Alejandra. — Nunca subestime a culpa que uma garota de dezesseis anos pode colocar em cima do tio. Alejandra sorri abertamente para a jovem. Tiro gentilmente os dedos de Keera da minha camisa e puxo-a para o meu lado, abraçando-a para mim. — Você sabe que eu te amo, mas um homem tem que fazer dinheiro. Keera faz beicinho. — Você já tem um monte de dinheiro. Não precisa mais de nenhuma merda de dinheiro. — Olha língua. — eu advirto-a com uma sobrancelha levantada. Eu me derreto quando ela cora. Eu não posso negar. Ela é uma boa menina. — Keke, eu quero que você conheça alguém. — eu digo a ela quando puxo-a para mais perto de Alejandra, que se levanta.


Keera olha para Alejandra com cuidado, em seguida, especula em voz alta: — Mamãe me disse que você trouxe uma mulher aqui. Disse que ela era bonita. Eu me perguntava se era sua namorada. — Ela não é minha namorada. Esta é a Alejandra — eu explico, antes de acrescentar cautelosamente, com um olhar atento para a minha irmã —, é a minha esposa. Ambas as mulheres paralisam, Keera fica presa em um momento de incredulidade, enquanto minha irmã estende uma mão para o peito, uma expressão de confusão desolada a atravessa. A voz de Tonya não consegue esconder a dor. — Você se casou... — seus olhos castanhos brilham... — e não nos convidou? — Tonya, querida. — eu começo, incerto sobre o que posso fazer ou dizer para apaziguar o sentimento de traição. Keera dá um passo para trás, piscando para mim, seus olhos frios. — Você não queria a gente lá, tio Jay? — as palavras são ditas em calma fingida. — Não, não foi assim. — eu digo a ambas, meu aborrecimento moderado evidente. Minha irmã balança a cabeça, o rosto aflito, sem saber o que dizer para mim. Mas Alejandra limpa a garganta e fala, e quando isso acontece, ela mente elegantemente. — Na verdade, foi minha a ideia de fazer um casamento no tribunal. — ela diz facilmente. — Sabe, eu já fui casada e o casamento foi... — ela demora, procurando a palavra certa. — Horrível. Eu fiz um grande casamento da primeira vez e foi horrível, estressante. — ela vem para frente, colocando sua mão na minha, em uma demonstração silenciosa de apoio, então sorri com tristeza para mim. — Eu não queria que Julius passasse por isso. Não parecia que o agradaria, por isso fiz a sugestão. — ela olha para Tonya, e depois para Keera. — Faríamos um


casamento no tribunal, em seguida, viríamos direto para cá e comemoraríamos. — ela sorri, em seguida, acrescenta: — Vocês são as primeiras pessoas que contamos. Eu sabia que Julius gostaria de compartilhar isso com vocês, com a família dele. A tristeza de Tonya dispersou, mas apenas ligeiramente, enquanto Keera cruzou os braços sobre o peito e olhou para Alejandra. — E o que acontece com a sua família, Alejandra? Digo com os dentes cerrados. — Eu sou a família dela. — no mesmo momento que Alejandra afirma: — Julius é a minha família. Fazemos uma pausa para olhar um para o outro diante da nossa declaração perfeitamente cronometrada. A minha irmã, sempre a romântica, suspira com isso, sorrindo suavemente para nós dois. — Bem, olhe para nós, sendo egoístas e tudo, quando deveríamos estar oferecendo parabéns e boas-vindas à minha nova irmã na família. — Tonya chega mais perto de Alejandra e estende as mãos. Alejandra

pega-as

graciosamente,

quando

Tonya

esclarece

gentilmente. — Nós não somos uma família numerosa, e eu sinto muito por isso, mas somos tudo que temos. — Muito obrigada. Estou contente por fazer parte dela. — meu pequeno pardal diz. Eu olho de Tonya para Keera. Ela está confusa e magoada. — Keera. — murmura Tonya, franzindo a testa para a filha. — Você está sendo rude. Mas ignorando o aviso tácito da mãe, Keera observa Alejandra de cima a baixo. — Eu nem sequer a conheço. Sem piscar, Alejandra oferece uma base sólida, — Você vai me conhecer. — não se intimida com os dezesseis anos de idade.


A educada Alejandra mostra poder e faz as sobrancelhas de Keera subirem, quase impressionada. Ela olha de lado para mim. — E ela faz você feliz? Eu levanto minha mão para esfregar a testa e lutar contra um sorriso. — Inacreditável, eu sei. — Ei. — Alejandra me dá uma cotovelada nas costelas, e eu solto um longo suspiro com o movimento inesperado enquanto Tonya ri e os lábios de Keera se contorcem. É aí que sei que tudo vai ficar bem. Eu nem percebi que eu estava procurando a tranquilidade. Não até que a encontrei.


CAPÍTULO TRINTA E SETE Alejandra A viagem para casa é tranquila, e sou grata por isso. Depois de passar um tempo com Tonya e Keera, fiz todos os esforços para que a jovem me aceitasse. Tudo o que consegui em troca foi aquele olhar estoico. Ela, no entanto, deu-me um pouco no final da noite, quando se levantou para abraçar Julius em adeus. Eu não esperava muito, então ela me olhou de cima para baixo e franziu os lábios, antes de relutantemente, murmurar: — Bem-vinda à família. — nesse momento deixei escapar uma risadinha atordoada. E agora, conforme vamos em silêncio, eu tenho que tirar algo do peito, algo que eu não tenho certeza de como abordar. Viro-me para encarar o homem que eu protegeria com a minha vida e prossigo com cuidado. — Ela é sua irmã, não é? Julius olha para mim por um momento, as sobrancelhas baixas em confusão, antes de voltar os olhos para a estrada. — Uh, sim. Eu já tinha lhe dito isso. — ele franze a testa, sem me entender. — Você está se sentindo bem? Eu balanço a cabeça. — Não Tonya. — murmuro gentilmente. — Eu quis dizer Keera. Quando sua expressão se fecha e as mãos apertam o volante, acrescento suavemente: — Ling me disse que você matou seu pai, porque ele estuprava a sua irmã. Fico pensando se Tonya ficou grávida como resultado. — mas ele me ignora, fingindo concentração na estrada. Eu pisco para a sua reação curiosa. — Está tudo bem, Julius. Não é da conta de ninguém, e eu não vou contar a ninguém. Eu só queria que você


soubesse que eu sei, é isso. — quando ele me ignora, dói, mas eu entendo que isso deve ser doloroso para ele, assim tento consertar apertando sua coxa, dizendo: — Ei. Sinto muito por tocar no assunto. Se você quiser falar sobre isso, sobre qualquer coisa, eu estou aqui. Cinco minutos passam, e enquanto isso confusão silenciosa forma o caos na minha mente. O que eu fiz? E finalmente, ele fala. Ele faz isso sem sentimento. — Ela sabe. — ele diz pesadamente. — Eu contei quando ela tinha quatorze anos. — ele bufa uma respiração, e é quase como se toda a sua energia fosse gasta com isso. Ele parece tão cansado, tão perdido. — Ela chorou, se chamou de aberração, nos disse que se sentia suja. Foi um milagre ela ter nascido perfeita. — sua expressão fica relaxada quando ele pensa em voz alta. — Eu me lembro a epifania que ela teve. Ela tinha quatorze anos, e não só tinha descoberto que era, para todos os efeitos, uma abominação, mas ela também descobriu que sua mãe foi estuprada pelo próprio pai. Meus olhos se fecham com as palavras pesadas que saiam dele. Eu imagino calmamente há quanto tempo ele vem guardando isso só para ele mesmo. — Oh, baby. — o carinho sussurrado é arrancado da minha garganta apertada, cheia de emoção. — Merece o mundo, aquela menina. — ele declara. — Ambas merecem. — Tenho certeza que sim. — concordo gentilmente, e uma dor particular me atravessa ao saber que eu sempre virei em terceiro lugar na vida deste homem. Mas eu aceito o fato e sigo em frente. — Eu jurei que daria isso a elas, não importa o custo. Ah.


Começa a fazer sentido. Descubro o que o leva a fazer o que ele faz e eu não me surpreendo. Nem um pouco. Admiração me preenche, mas tão rapidamente quanto vem, também se vai, e no lugar fica a dor da incerteza. Eu também tinha um campeão em casa. Meu coração aperta dolorosamente. O que aconteceu com meu irmão e irmãs? — Julius. — eu me aproximo com cautela. Seu olhar encontra o meu brevemente e meu coração dói demais, mas eu imploro: — Eu realmente gostaria de falar com o meu irmão. — ele se volta para a estrada, e eu rapidamente me apresso. — Apenas uma última vez e eu-eu prometo nunca pedir novamente. — caindo no assento, meus olhos se fecham e eu cubro rosto com as mãos. Eu falo através delas, de forma abafada. — Antes que você diga que eles não são mais a minha família, eu preciso que você saiba que corre o risco de me chatear, e quando eu fico chateada — tiro as mãos do rosto e represento a minha ameaça velada e inútil. — Eu sou tudo, menos cooperativa. Infelizmente, é a única ameaça que tenho agora. Felizmente para mim, os lábios de Julius se curvam, e eu vejo seus ombros movendo-se em uma risada silenciosa, e minha postura tensa relaxa. Depois de um momento para se recompor, ele fala de bom humor, mas com perfeita seriedade. — Não posso ter uma esposa pouco cooperativa agora, posso? Eu aceno e retorno em sobriedade completa: — Eu tenho certeza que você já ouviu o ditado. — eu viro para ver o seu olhar curioso e percebo que ele não tem ideia do ditado. Eu tenho piedade dele e digo. — Esposa feliz, vida feliz. Seus ombros mexem um pouco mais conforme o riso toma conta e eu sorrio com a brincadeira leve.


Julius se estica e pega a minha mão, entrelaçando os dedos e puxando-os para a sua boca, onde dá beijos suaves. E meu estômago revira com ondas sólidas de ternura. Eu mal posso ouvi-lo quando ele murmura de um jeito abafado — Um homem idiota. — outro beijo. — Queimando no inferno. — Um beijinho suave. — Vale o peso dela... Mas aqui está a coisa mais importante... Eu o ouço. *** A casa recebe-nos em silêncio, e ao passar por Julius ele me pega pela cintura e me puxa para ele, sua frente alinhada às minhas costas. Ele se inclina e coloca o rosto mal barbeado no meu, e eu me encosto nele, independentemente de como arranha a pele delicada no meu rosto. Por um estranho e ainda emocionante momento, eu me pergunto se o normal é assim. Se for, eu não quero perder nunca o pouco desse normal que Julius proporciona. — Noite boa. — eu revelo baixinho, na escuridão do corredor. — Sim. — ele resmunga na minha nuca, e o calor da sua respiração me dá arrepios. Como é possível que uma mulher mantenha a mente sã na presença dele? No momento, eu realmente não me importo com a minha sanidade. Eu giro no seu abraço e enfio os dedos nos bolsos da sua calça jeans, na ponta dos pés, querendo, desesperadamente, que ele me pegue em um beijo profundo de fazer a terra tremer. — Hora de dormir?


Seus lindos olhos entreabertos, e é tão sexy que meu núcleo palpita. — Mmmm. — é a sua única resposta, o som aprovador vibrando do seu peito para o meu. Eu não a ouço sair das sombras. Ling fala suavemente, sua voz anormalmente hesitante. — Você voltou. Quero gritar com ela por interromper e planejo fazer isso, mas quando eu me viro, sua aparência me faz recuar. Vestida com uma túnica curta estilo quimono, as pernas nuas, sem maquiagem, o cabelo enrolado em uma bola no topo da cabeça, ela evita o meu olhar ao dizer: — Tivemos uma entrega esta tarde. Era um envelope. Esqueci disso até uns vinte minutos atrás. Eu não... — ela engole em seco e morde o interior de sua bochecha. — Eu não achei que fosse importante. Julius sai de trás de mim e vai até ela; sua postura cautelosa me diz que isso é uma demonstração rara de Ling. — Ling Ling. — diz ele cautelosamente. — O que é? Segurando o robe com força, ela começa: — Tinha acabado de começar a assistir quando você entrou. Eu teria ligado, mas... Assistir? — É um vídeo? — pergunta Julius. É tão estranho vê-la sem seus lábios vermelhos perfeitos, o cabelo perfeitamente reto, a compostura impecável. Parte de mim quer ficar animada com a descoberta de que ela é como qualquer outra mulher, mas é tão alarmante que, em vez disso, me dá arrepios. Ela está muito e verdadeiramente abalada. — Um vídeo de Gio. — ela confirma. Meu corpo se torna rígido. Então, finalmente, ela olha para mim, olhos nos olhos, mas o que


ela diz a seguir fez-me desejar que ela não tivesse. — E é dirigido a Alejandra. Meu coração vai de manso à selvagem. Eu vejo a TV na sala de estar e reconheço imediatamente a voz de Gio. Sem pensar duas vezes, meus pés me levam lá. Ling grita: — Não vá lá!— então ela adiciona em pânico, — Fodase. Não deixe-a assistir, Julius. É ruim. Minhas pernas me levam até onde a porta está aberta. A imagem na televisão mexe comigo. Eu mal percebo quando Julius move-se na minha frente com o controle remoto. Eu rosno: — Deixe. — Ana, baby, você não quer ver isso. Deixe-me cuidar disso. — ele oferece razoavelmente. Sem qualquer calor, eu rebato: — Cale a boca. Movendo-me em direção a ele, eu tomo o controle remoto da sua mão, e ele me permite. Eu aumento o volume mais alto do que o necessário, mas preciso disso. Tenho muito medo de perder um detalhe sequer. Meus olhos lacrimejam com o brilho da tela, mas em vez de recuar, eu aproximo. Eu salto para o início do vídeo e vejo o horror se desdobrar. Gio aparece na tela. — Está ligado? Sim. Certo. Ok. — com um suspiro, ele se move para se sentar na cadeira vazia. Na cadeira ao lado está o meu irmão amarrado e sangrando. Miguel se porta orgulhoso, mesmo com a respiração difícil e a testa aberta até o osso. Ele não pode falar por causa do pano amarrado ao redor da boca o engasgando. Eu nunca vi seus olhos tão pesados, ele mal consegue mantê-los abertos.


Gio se move ao redor da cadeira. — Ok, então eu estou supondo que por agora, você sabe que a notícia se espalhou. — seu sorriso é zombeteiro. — Parabéns para o casal feliz. — ele bate palmas levemente, em seguida, volta-se para o meu irmão, bagunçando o cabelo dele de brincadeira. — Esse cara, hein? Você tem que amar esse cara. Tanta fé, tantos cérebros pequenos. Gio se levanta em seguida, começando a andar, todos os sinais de humor sumindo. De repente, ele para e encara a câmera, braços largos antes de colocar as mãos nos quadris. — Que porra você estava pensando, Alejandra? Ele pisca para a tela como se esperasse uma resposta. — Nós tínhamos uma coisa boa acontecendo, você, eu, e Dino. Você era boa para nós. Quero dizer, você lutava, mas eu sei que no fundo você gostava. Você não nos fazia trabalhar muito duro para isso. Era a mesma coisa toda vez. Você lutava, quebrava, e então ficava lá, e aguentava como uma boa menina. Você era calma e mansa e patética pra caralho. — ele olha. — Exatamente como uma mulher deve ser. — sentado ao lado do meu irmão, ele dá de ombros. — Então, o que aconteceu? O que mudou? — ele balança a cabeça como se estivesse entendendo. — Ok, então você está grávida. — ele revira os olhos e zomba: — Então, porra o quê?— inclinando-se, ele fica sóbrio e coloca os dedos sobre os lábios, antes de removê-los para declarar: — Eu preciso que você entenda que este bebê, este moleque, é meu agora. Eu o reivindiquei como meu, e vou atrás de você e dele. — ele sorri com crueldade. — Eu preciso cuidar da minha família, afinal. O menino vai precisar do tio. — ele olha para o meu irmão rapidamente antes de olhar para a câmera, seus olhos fecham. — Um deles, pelo menos. Ele se levanta da posição sentada, alcança uma grande faca de caça nas costas, correndo os dedos suavemente contra a lâmina afiada. — O que você acha, que eu iria deixar você ir como se nada tivesse acontecido? — ele corre para frente, parando imediatamente antes de bater na câmera,


os olhos brilhando, e rosna com os dentes cerrados. — Você tirou a única pessoa que me entendia. A única porra de pessoa que entendia. Me entendia. — ele se afasta e passa a mão calmante no cabelo curto. — E olha com o que você me deixou. — ele faz uma expressão que-porra-éessa. — Meu irmão mais novo, Luc? A merda do amor perfeito? Aposto que se você abaixar as calças dele encontrará a porra de uma boceta onde devia ter um pau. Senhor Fazer-Amor-Com-Elegância. — um olhar de desgosto aparece quando ele balança a cabeça. — Sua puta. Vou torcer suas tripas por causa disso. Ele se acalma, em seguida, pisca para a câmera como se tivesse uma ideia melhor. Gio pega a faca e paralisa. — Você precisa ser punida, Alejandra, e uma vez que você não está aqui, alguém precisa ficar no seu lugar. Quando ele se move em direção ao meu irmão, eu já estou soluçando. — Não. — eu sussurro rouca, meu corpo tremendo quando choro. — Por favor, não. Mas eu sei que meus argumentos são inúteis. Este vídeo veio apenas me mostrar o que já aconteceu. E no meu coração, eu sei que meu irmão já está morto. Gio agarra o cabelo de Miguel e puxa com força, abaixa para ficar cara a cara com ele. Meu irmão estremece quando Gio rosna: — O que você estava fazendo falando com Falco? — ele puxa a cabeça para trás com mais força. — Você não tem nada que conversar com um homem como aquele, veado do caralho. — no último insulto, ele o solta um momento só para lhe dar um tapa no rosto. — Diga-me o que você mandou para ele, e libero você. Gio abaixa a mordaça improvisada e os lábios do meu irmão curvam, sua resposta é fraca e ofegante. — Foda-se você, merda doente. Gio ri duramente antes de golpear a cabeça dele. Quando Miguel geme, Gio vira seu pescoço de repente e fala alegremente. — Se bem me


lembro, sua irmã disse a mesma coisa quando eu a amarrei à cama de Dino e fodi seu pequeno rabo apertado. — ele agarra a virilha e sacode-a levemente. — Oh sim, ela gritou bem, mas pode apostar que ela gostava dessa merda. Com isso, ouço passos rápidos, e, em seguida, algo atrás de mim quebra. Julius solta um rugido animalesco que me abala, mas não o suficiente para desviar o olhar. As lágrimas não param enquanto observo Gio bater no meu irmão. Quando ele mergulha a faca em seu peito, deixo escapar um grito cheio de soluços e tropeço para trás com o choque do que acabo de testemunhar. — Não, não, não. — eu choro, todo o meu corpo fraco e trêmulo. Meus olhos se fecham em mágoa reprimida, mas apenas por um momento. Ao som do gemido do meu irmão, eu olho para a tela e quase desejo que eu não tivesse. Gio tinha empurrado a cadeira de meu irmão no chão, esfaqueado repetidamente no estômago e o peito com toda a força, e eu só posso observar o meu irmão piscar lentamente, dando seus últimos suspiros. Eu não choro mais. Eu não posso. A emoção me deixou. Tudo o que resta é o desapego nebuloso. Estou entorpecida. Estou fria. O sangue ruge nos meus ouvidos e eu mal pisco quando Gio corta meu irmão do peito ao estômago, rindo, e começa a remover suas entranhas, estripá-lo. Meu irmão treme e treme com gotas de sangue no canto da boca.


Antes que ele encontre a paz, Miguel vira o rosto para a câmera, seus olhos se fecham em uma escuridão cansada que em breve se tornará permanente e solta um murmúrio: — Ana... Chute... Grite... Lute. Não acho conforto em saber que meu irmão morreu um homem orgulhoso. Não quando o recipiente vazio que o levou olha tão abertamente para mim, silenciosamente me amaldiçoando para as profundezas do inferno. Gio se levanta da posição ajoelhada sobre o meu irmão e limpa a lâmina nas calças. — Eu não queria fazer isso, Alejandra. — ele ri para si mesmo. — Quem eu estou enganando? — seu rosto manchado de sangue sorri. — Sim, eu queria. E eu realmente gostei. Estou fodidamente duro com isso. Minhas entranhas recuam ao perceber que não é o sangue dele. Ele move-se para sentar, passando por cima de meu irmão para chegar lá. — Agora, o que nós aprendemos hoje? — apoiando as mãos no colo, ele entrelaça os dedos e olha, sem piscar, para a tela. — Newton disse que para cada ação há uma reação igual e oposta. — ele olha para o corpo do meu irmão com sobrancelhas levantadas depois sorri. — Eu estou achando que ele estava certo. Com o rosto sombrio, ele murmura calmamente: — Você toma alguma coisa de mim, eu tomo algo de você. Gio se levanta e promete: — Eu vou pegá-la, e é melhor você estar pronta para mim quando eu chegar lá, baby. — ele pega a câmera nas mãos. A tela treme quando ele a coloca no nível dos olhos. — Eu ia esperar, mas acho que é melhor eu dizer-lhe a boa notícia agora. — ele solta uma risada suave. — Meu pai quer que nós sejamos unidos mais uma vez. Ele quer que as nossas famílias tentem novamente. Eles queriam que eu me casasse com Veronica, mas como se vê, Luc a quer. Oh, eu lutei por aquilo que eu quero. Você vai amar isso. — seu sorriso escurece quando ele revela em silêncio tóxico. — Consegui Rosa.


A tela fica em branco, e com ela, minha mente. Nos últimos cinco minutos, eu testemunhei a raiva de um louco, a morte de meu irmão, e a promessa de ter a minha irmã de treze anos vitima de estupro, abuso mental e tortura. O que ele estava pensando, que eu ficaria sentada de braços cruzados e deixasse isso acontecer? Porra, não. Eu decidi ali mesmo. Eu vou matar Gio. Eu mesma vou matá-lo. Um feitiço inesperado de coragem floresce dentro de mim. Eu vou estar pronta para quando ele vier. Meus pés giram e eu saio da sala, gritando. — Ligue para o Senhor Falco. Ligue para ele agora. Se meu irmão enviou-lhe alguma coisa, tem que ser importante. Seja o que for, para o meu próprio bem, uma oração é útil.


CAPÍTULO TRINTA E OITO Twitch Bogdan Mihailović é uma merda sentimental. Ele também é o terceiro na minha lista de cinco. Embora a Iugoslávia já não exista, independentemente do fato de que o rompimento do país aconteceu em 1992, Mihailović ainda chama sua tripulação de Yugo Boys. O grupo Servo-Americano é muito caótico para ser chamado de organização, também organizado demais para ser chamado de mera quadrilha. Eles estão presos em algum lugar no meio. É assim desde que os conheci. Eu sei que alguns homens sérvios, na maioria, são decentes, mas este grupo de homens... eles estão fora de controle. Eles não fazem nada pela metade. Se fartam em banquetes todas as malditas noites, festejam e bebem demais. Excesso é uma especialidade deles. O

Mihailović

não

sabe

ainda,

mas

o

Yugo

Boys

está

acabado. Chegou a hora de se dissolverem, e eu não me sinto nem um pouco triste por fazer isso acontecer. Depois de derrubar Neo Metaxas e do tiro que salvou a vida de Black, eu tinha mais liberdade para fazer o que queria. Não que eu alguma vez precisasse de permissão. Eu sempre fui mais o tipo de cara de pedir perdão do que permissão. Então, quando Ethan Black me disse que eu não precisava mais ficar dentro de casa, desde que eu usasse óculos de sol e roupas que


cobrissem as minhas tatuagens, eu fiz o que tenho certeza que se esperava, e eu ri da cara dele. Ele não tinha aprendido nada sobre mim no nosso tempo de parceria? Ele olhou para mim um minuto inteiro antes de balançar a cabeça e sair, só para voltar um momento depois e berrar para eu me decidir sobre o que eu queria para o jantar. Eu escolhi bife, e pedi que fosse de um lugar decente também. Eu esperava uma discussão e acabei surpreso quando Black acalmou e concordou. Quando ele murmurou algo sobre o desejo de mastigar um bom pedaço, grosso de carne, eu mordi a língua. Quero dizer, vamos lá. Ele pediu um de perto. Eu realmente queria falar para ele que não podia mastigar a minha, mas eu não estava no clima para uma guerra de palavras com o cara que estava com um pau enfiado no rabo. A comida chegou, e Black pagou o cara da entrega, movendo os sacos de papel pardos com o jantar para a cozinha. Ficamos em silêncio, servindo nos nossos próprios pratos antes de provar o que era um dos melhores cortes de carne da minha vida. Ou era mesmo incrível, ou fazia muito tempo que eu não tinha uma refeição decente. Eu estava pensando que era um pouco da coluna A e um pouco da coluna B. A casca na minha bochecha coçava quase constantemente desde a minha primeira sessão de remoção de tatuagem a laser. A especialista com quem falei me disse que como a tatuagem tinha sido feita há muito tempo e já tinha desaparecido um pouco, ela estava confiante de que não precisaria de nada além de cinco sessões, mas ela diria com certeza ao limpar a área cuidada na quarta sessão. Ela avisou-me que após a sessão, a pele pode inchar ou coçar. Eu não fiquei muito feliz com isso. Ela então disse que a área provavelmente


arderia, coçaria e sangraria. Esse tipo de merda. Em seguida, me lembrou de ficar fora do sol, massagear a área durante dez minutos por dia e beber muita água para me manter hidratado. Eu fiquei confuso. Eles estavam me tratando como se eu fosse fazer uma amputação ou alguma merda. Felizmente, eu só tinha sido sujeito à formação de crostas e coceira, nada muito sério. Mas ainda assim, eu não podia fazer a barba e já tinha crescido decentemente, o que pinicava. No momento, eu estava irritado pra caralho. Quando eu levantei a mão para arranhar a área, Black tossiu em sinal de advertência. Minha mão caiu de volta para a mesa, fazendo com que meus talheres batessem com força no prato. —

É

apenas

por

pouco

tempo.

ele

murmurou

não

simpaticamente. Meu lábio enrolou com o seu raciocínio razoável. — Tenho que fazer essa merda, talvez cinco vezes. Não sabia que me sentiria assim. — eu suspirei alto, pegando o garfo e espetando um feijão verde de alho antes de empurrá-lo na boca e mastigar. — Eu quero fazer a barba, caramba. Os lábios de Black se contraíram. O filho da puta estava me tirando. — O quê? Ele soltou uma risada, cortou o bife raro e espetou um pedaço, usando o garfo para apontar para mim. — Você está agindo como uma vadia. Eu fiquei pasmo. Este saco enrugado oleoso sabe com quem diabos está lidando? Eu merecia respeito. No meu silêncio atordoado, ele inclinou a cabeça para trás e riu com alegria. — Oh, eu sei que você não vai gostar de ouvir isso, mas fodase. Você não parou de reclamar o tempo todo que estamos aqui. — ele


ficou sério, inclinando a cabeça para o lado, olhando para mim com pura frustração. — Eu tenho uma esposa. Tenho dois filhos e uma filha. Você acha que eu prefiro estar aqui com o seu rabo grosseiro ou em casa com eles? — eu não respondi, porque se eu fizesse, eu ficaria exposto a ser chamado de Capitão Óbvio. Ele continuou: — Você me ouve colocando culpa em cada coisa maldita? Não. Ele não estava. Mas não era uma comparação justa. — Você pode ver sua esposa e filhos a qualquer momento. Minha vida inteira depende desse próximo par de meses. — segurei-o com um olhar. — Você teve sua família por um longo tempo. Um pouco de tempo longe deles não pode machucar. Foda-se, pode até parecer um feriado para você. — eu brinquei com a comida. — Não é a mesma coisa. — eu podia estar sendo chato, mas não me importei. — Minha mulher ficou de luto por mim. Eu tenho um filho que não conhece o pai. Ele é o meu mundo e ele não sabe... — eu parei rápido, interrompendo-me. Eu estava extremamente perto de quebrar alguma coisa, e antes que esse algo se tornasse o nariz de Black, eu estava de pé, levando meu prato quase vazio para a pia. Joguei o resto da comida no lixo, em seguida, lavei o prato, usando a água da torneira para espirrar um pouco de água fria no rosto, tomando cuidado para evitar a crosta de cicatrização. Os exercícios de respiração que eu tinha aprendido vieram a calhar neste momento. Fechei os olhos, inspirando profundamente e expirando lentamente, contando mentalmente até dez. Uma vez que eu estava completamente calmo, meus ombros caíram. Isso era um meio para um fim. Não duraria para sempre. Eu precisava acalmar a minha merda. Mas eu não queria acalmar a minha merda. Eu queria briga com um adversário digno. Eu sabia que isso não ajudaria. O problema era que eu era assim. E posso não me sentir melhor depois que a briga acaba, mas enquanto estivesse acontecendo, eu ficava em uma porra de nuvem.


Ouvi Black aproximar da pia e abri a boca para liberar palavras afiadas como facas, mas quando me virei, as palavras viraram pó na minha boca. Meus olhos permaneceram colados ao local no centro da mesa de jantar. Atrás de mim, ele colocou seu prato na pia, parando apenas por um momento para colocar a mão no meu ombro, apertando firmemente por uma fração de segundo antes de subir as escadas para o seu quarto no primeiro andar. A porta fechou-se em silêncio e, sem sentir muita coisa, mudei-me para a mesa, meus pés descalços cobrindo o longo pavimento em mosaico. Mudei-me para a cadeira que tinha ocupado na hora do jantar, estendi a mão e as agarrei, sem me atrever a olhar até que estivesse na segurança do meu quarto, fechando a porta atrás de mim e acendendo a luz. A cama me atraiu para ela, e eu sentei calmamente, levantando o pequeno pacote de fotografias para o nível dos olhos. Eu sorri para a primeira foto. AJ sentado em um carrinho de compras, parecendo decididamente envergonhado quando escondia uma barra de chocolate com os outros mantimentos. Uma jovem mulher vestida de preto, com o cabelo chanel preto, lábios pintados de preto e olhos esfumaçados flagrando o meu filho, com as mãos nos quadris. Eu não sabia quem era a garota gótica, mas ela não poderia ter mais de vinte e um. A próxima fotografia fez meu coração falhar uma batida. No parque, AJ brincando com seus caminhões enquanto Lexi está deitada na grama fofa. Ele rola os caminhões ao longo do vestido jeans da Lexi, usando a bunda espetacular do meu amor como montanha onde


suas escavadeiras percorrem. Estava um pouco maior do que eu me lembrava, mas não menos tentadora, talvez até mais. Levei a foto mais perto do meu rosto e apertei os olhos, mas o rosto sorridente de Lexi estava turvo. Desapontamento me inundou. Droga. A foto seguinte fez minha garganta engrossar. Lexi usando um vestido branco, o cabelo comprido, ondulado espalhado ao redor dela conforme o vento batia. Ele se continha, parecendo miserável enquanto inclinava suas costas contra a frente de uma lápide de mármore branco, uma única margarida escondida atrás da orelha. Minha lápide de mármore branco. Meu tudo, esta mulher. A próxima foto foi tirada no mesmo dia. Lexi inclinando-se para o mármore branco, pressionando sua bochecha nele, uma expressão de pura saudade em seu belo rosto. A margarida agora acomodada onde deveria ser o meu lugar de descanso eterno. Perigosamente perto de chorar, eu fui para a próxima imagem e mordi o interior da minha bochecha ao observar a foto do meu filho colocando um punhado de pedaços de chocolate em cima da lápide. E assim, eu desmoronei. A primeira lágrima caiu e minha respiração ficou difícil, ecoando no silêncio do quarto frio e estéril. O lugar onde meu coração devia estar doía incontrolavelmente. Meu peito arfava, tentei respirar completamente segurando a foto com as duas mãos, com tanta força que enrugou, e beijei a imagem do meu filho uma e outra vez. Eu precisava chegar em casa para ele. Para eles.


Com o propósito renovado, eu me lembrei de que tudo o que faço, faço para as pessoas que eu amo. Falhar não é uma opção. *** Duas semanas e três dias depois... Phoenix é mais quente do que eu me lembrava, mesmo à noite. O comboio de estilo militar preto salta, sacudindo todos os ocupantes do veículo, enquanto nós viajamos na estrada esburacada para o deserto. Esta empreitada vai ser mais fácil do que as outras porque Bogdan Mihailović foi preso esta manhã. Isso não significa necessariamente que não teremos trabalho. Meu pensamento é que agora que Mihailović está preso, sua merda vai estar mais vigiada. Mais vigiada tipo, com segurança triplicada. Isto é, se sua equipe já não estiver se mudando. A vigilância conheceu rapidamente seus hábitos e soube que ele visitava o mesmo café todas as manhãs na sua cidade natal de Chicago, Illinois. Antes que ele tivesse a chance de pedir o café da manhã, os caras de Black caíram sobre ele. Ele foi levado em custódia com muita facilidade, e agora, estou orando silenciosamente que a trincheira ainda esteja no lugar onde me lembro. Os soldados estão em silêncio, como de costume; a única diferença desta vez é que Black salta o pé para cima e para baixo com apreensão perceptível. Muita coisa foi apostada nessa minha memória. Sorte minha que ainda sou afiado pra caralho. O motorista navega através das instruções que lhe dei, e antes de chegarmos lá, minha boca fica seca, e eu forço uma engolida


audível. Minha testa úmida por causa da umidade, eu fecho os olhos em trepidação, mas eu deveria saber ser mais esperto para me questionar. Uma hora e quarenta e cinco minutos de nossa unidade no deserto, o companheiro do motorista abre a escotilha que separa os navegadores da carga, e anuncia: — Senhor, estamos nos aproximando de uma espécie de bunker. Meu exalar é longo e lento e de puro alívio. Black olha para mim e balança a cabeça respeitosamente. Eu inclino a cabeça em troca. Começou. Mas desta vez, eu não estou de brincadeira. No silêncio da cabine, eu anuncio: — Preciso de uma arma. Todos os soldados se movem ao mesmo tempo, e as minhas defesas sobem. Eu olho em volta para cada um e todas as mãos estendem uma arma sem hesitar. Se eu não fosse mais esperto, diria que estes homens estavam me mostrando algum sinal de respeito. Eu pisco para Black, desafiando-o a dizer algo, enquanto estendo a mão para pegar a pistola do cara sentado ao meu lado. Eu murmuro: — Obrigado. Soldado responde: — Sem problema. Eu aceno, meus lábios franzindo, enquanto solto calmamente: — Vamos arrancar algumas cabeças.


CAPÍTULO TRINTA E NOVE Alejandra Situações na vida têm uma maneira de extrair emoções de você. Os momentos particularmente difíceis esticam-nas tanto que você realmente não sente mais. Apenas é. Existindo como um drone e nada mais. Mas nesse estado de dormência, aquelas emoções esticadas, por mais finas que sejam, ainda estão muito lá. Sim, elas estão lá. Minha mente dedilha essas emoções como cordas de uma harpa, que arrancando cordas marcadas pela miséria, tristeza e pesar, tocam uma peça sem nome que em breve vou chamar de vingança. Meus olhos se tornaram tão secos que até piscar tornou-se uma tarefa árdua. Mas não me atrevo a chorar, nem uma única lágrima, por mais que eu almeje a libertação. Meu coração me diz para aproveitar a angústia que sinto, para aproveitar e usá-la. O que eu pretendo fazer. Julius entra no quarto. Eu sei disso porque ouço seus passos firmes ainda quando ele chega à cama. Meus olhos se fecham enquanto eu inclino sobre a pia, me mantendo em pé segurando nas laterais até meus dedos ficarem brancos. Eu respiro fundo, tentando entender o que preciso fazer. Vito Gambino me quer morta. Gio quer o bebê que eu nunca carreguei.


Gio assassinou Miguel a sangue frio e, na minha opinião, um olho por olho foi servido. Não há mais necessidade de eu ser morta. Meu irmão tomou o meu lugar. Sua vida valia muito mais do que a minha. Julius fica na porta aberta do banheiro. Eu sinto seus olhos em mim, mas eu me recuso a olhar para ele. Se eu fizer isso, minha tristeza vai vazar para fora dos meus olhos, derramar pelo meu rosto, e com ela a minha fúria. — Baby. — diz ele, na sua cadência suave e rouca e meu estômago se agita violentamente. — Eles me quebraram. Ele matou meu irmão e agora ele quer minha irmã, Julius. — murmuro com frieza. — Ela tem treze anos. — meus olhos abrem, mas em vez de olhar para ele, eu olho meu próprio reflexo deformado. — Treze anos. — eu balanço minha cabeça lentamente. — Ele não pode tê-la. Eu não vou permitir. — Ok. — ele afirma. — Ela é só uma menina. — Sim. — ele reconhece. — Ele quer quebrá-la. Machucá-la. Roubar sua inocência. Deixá-la sombria como fez comigo. Ele se endireita. — Não vai acontecer. Frustração brota em mim ao admitir: — Eu preciso fazer alguma coisa. Eu não sei para onde ir a partir daqui. Eu não posso nem pensar no que fazer, por onde começar. — minha voz é fraca quando murmuro. — Eu quero matá-lo, mas como? — eu perco as palavras. Quando eu encontro-as de novo, eu falo resolutamente. — Como você planeja um assassinato? Um longo momento de silêncio, então calmamente. — Venha comigo.


Não é uma pergunta, porque ele sabe que não precisa pedir. É claro que eu vou com ele. Vou seguir Julius para qualquer lugar, cegamente. — Para onde? — Não é longe. — enfiando a mão no bolso, ele puxa as chaves do carro, segurando-as firmemente na palma da mão. Preciso pensar, mas estou muito tensa. Fazer algo chato, algo desinteressante, como ir para um passeio, pode ajudar a limpar a minha cabeça. — E quando voltarmos, você vai me ajudar? Vamos fazer um plano? Ele olha para mim, imóvel, antes de afirmar: — Você e eu, baby. E são as palavras que eu preciso ouvir. Essas palavras são uma declaração. Julius vai me ajudar, ajudar a livrar a minha vida dos parasitas que são a família Gambino. Nós vamos fazer isso juntos, como uma equipe. Uma tempestade se aproxima. Há alguns fatos na vida. O sol sempre vai se levantar de madrugada e se por à noite. Nascemos com nada e morremos na mesma. E, finalmente, todos nós sangramos em vermelho. São fatos incontestáveis, mas eu tenho as minhas reservas. Estou morrendo de vontade de cortar a garganta do Gio Gambino para ver que cor o mal sangra. Neste momento, embora eu mantenha minhas emoções caóticas para mim mesma, o meu coração despedaçado precisa de Julius mais do que ele pode imaginar. Então, vamos dar uma volta, apenas para que eu possa mantê-lo perto de mim e eu possa estar onde eu estou mais confortável. Do lado dele.


Nós chegamos ao edifício branco imaculado, e embora agora sejam as primeiras horas da manhã, as luzes estão acesas, e eu posso ver pessoas se deslocando através das janelas iluminadas. Olho para Julius enquanto ele estaciona na rua. — O que é este lugar? Ele pisca para mim um longo tempo antes de falar, e quando o faz, meu coração afunda. — Recebi uma mensagem de Falco enquanto estávamos na Tonya. — correndo a ponta do dedo sobre o volante de couro, ele confessa relutantemente. — Pedi-lhe para chamar seu irmão, falar para ele que você estava a salvo. — meu coração frio aquece um pouco. Este meu homem bonito. — Falco disse que Miguel passou na sua casa depois que você foi embora. Disse que o cofre foi deixado aberto. O quê? Julius continua. — Disse que Miguel enviou-lhe um pouco do que ele encontrou como segurança. Gio estava mantendo um olho nele, pensando que você entraria em contato. Enviou discos para o Falco, centenas deles, datados e cronometrados. Estou um pouco perplexa. O único cofre que eu conheço, eu esvaziei quando saí. Minhas sobrancelhas franzem em confusão. — O que são? Julius encolhe os ombros levemente. — Falco não pôde entrar neles. Os arquivos são criptografados. Ele abriu um, mas pediu uma senha. Ele

não

digitou

nada.

Dez

segundos

depois,

fritou

seu

computador. Morto. — Eu não entendo. — Os arquivos são protegidos. — afirma com cuidado. — Suponho que o que quer que esteja neles é importante. — Ok. — murmuro para mim mesma, ante de perguntar: — E nós estamos aqui por que...?


— Braden Kelly. Mafioso, irlandês. Atualmente em liberdade condicional. — ele me lança um olhar compreensivo. — Gênio da informática. — Você acha que ele pode descobrir o que são esses arquivos. — deixe-me adivinhar. — Ele lhe deve? Julius balança a cabeça. — Não, mas se ele conseguir, eu irei dever a ele. Meu peito dói com a beleza sutil dessas palavras. Fui criada no submundo, e eu sei o que significa para um homem dever um favor. Nunca é levianamente e é um grande negócio dever um. Você não oferece um favor a menos que você pretenda pagar, porque se você não pagar, você morre. O problema é que você nunca sabe o que você vai ter que fazer. É um pensamento preocupante, dever a alguém incondicionalmente assim. Minhas entranhas congeladas começam a derreter, o meu sentimento de perda descongelando com a lembrança do que eu ganhei em Julius. Julius está disposto a fazer isso por mim. Nem sequer é algo que ele questione, como se fosse um acéfalo, como se eu valesse a consequência. O calor que me consome é reconfortante, e coisas que uma vez eu nunca me atrevi a sentir surgem, acendendo a pira estéril no meu coração. Faíscas, então uma pequena chama tremula, e dentro de instantes, ela ruge em uma chama que os deuses consideram digna. Estou me apaixonando. Relutantemente. Conhecer o fato é bastante surpreendente. Depois de Dino, eu nunca pensei que fosse estúpida o suficiente para me apaixonar. Muito menos por um homem como Julius.


No entanto, aqui estamos nós. Agora, eu definitivamente não sou estúpida o suficiente para acreditar que Julius algum dia vai realmente me amar. Mas eu teria de ser cega para não perceber a forma como ele olha para mim. Ele pode nunca me amar completamente, mas ele gosta de mim, muito, e eu vou aceitar isso. O amor faz as pessoas fazerem coisas imprevisíveis, idiotas. Nosso casamento vai me deixar contente, satisfeita. Sim. Eu consigo me ver confortável em uma união onde meu parceiro e eu somos atraídos um pelo outro, anseiam a companhia um do outro e fazem um ao outro rir. Eu vou considerar um bônus não apanhar a cada segundo do dia. Julius sai do carro e vai até a minha porta, abrindo-a e me ajudando. Testando as águas, eu coloco toda a minha pressão no meu calcanhar e fico mais do que surpresa quando tudo o que sinto é uma picada leve completamente suportável. Eu movo-me para pegar a mão dele, mas ele se afasta. E, ui, isso dói. — Jesus. — ele suspira alto com a minha reação óbvia, enfiando as mãos nos bolsos da calça. — Não olhe para mim assim, Ana. Seria do nosso interesse que Kelly pensasse que estamos apenas trabalhando juntos. Ele está certo, é claro, então quando ele sacode a cabeça na direção do prédio e começa a andar, eu sigo trás, nitidamente em um protesto silencioso. A área de recepção está vazia, e as luzes fluorescentes brancas irradiando as paredes brancas imaculadas ferem meus olhos. Há uma porta de madeira atrás da recepção que se destaca e presumo que devemos entrar nela, mas Julius move-se para a porta branca discreta à esquerda, pressiona o dedo no botão ao lado dela e espera. Um alto-falante que não consigo ver grita, em seguida, cantarola, fazendo-me estremecer ao som estridente. Um homem rude pergunta: — Sim, o que você quer?


Os lábios de Julius inclinam-se para os lados e depois pergunta em voz alta, em um microfone que não é visível. — Braden Kelly está por aí? Um estalo e bip. — Quem quer saber? — Julius Carter. Um zumbido, em seguida, uma voz semidistorcida anuncia: — Bem, foda-me. A porta zumbe, em seguida, um som alto ecoa em algum lugar atrás dela. Um clique audível destrava, e a modesta porta abre para revelar um homem ruivo em seus trinta e tantos anos, com barba ruiva. Seus olhos claros e cercados com linhas de riso, ele sorri para Julius, revelando um sorriso branco ofuscante. — Foda-me, de fato. — estendendo o braço ele pega a mão que Julius ainda não tinha oferecido e a agita bruscamente. Ele tem um sotaque leve que me intriga. — Carter, entre, sim? Eu tenho que voltar antes que eles me demitam. Julius e eu o seguimos para dentro e caminhamos rapidamente pelo longo do corredor esticado, apressando-nos para acompanhar o homem que eu assumo ser Braden Kelly. Julius parece divertido. — Sua família não é dona deste lugar? Kelly lança-lhe um sorriso. — Oh, sim. E acredite em mim, eles usam qualquer desculpa para se livrar de mim. Dizem que eu sou um lunático do caralho. — ele olha de Julius para mim e mantém o ritmo com facilidade. — Você arrancou um olho com um abridor de cartas uma vez... — ele balança a cabeça e clica a língua de forma audível. — Uma maldita vez. Eu não posso evitar o sorriso que se forma em meus lábios. Ele é bastante divertido. Só porque esses homens são assassinos duros e frios não significa que eles não tenham um certo charme, e Braden Kelly escorre isso.


Nós nos aproximamos da porta no final do corredor, e Braden abrea para revelar outros dois homens sentados ao redor de uma mesa que se viram para olhar para nós. Um deles está de pé, um homem alto, de cabelo ruivo longo o suficiente para enrolar atrás das orelhas. Quando ele vê Julius, sua mandíbula endurece. E, embora ele não esteja claramente feliz em ter-nos aqui, ele mostra seu respeito com um único aceno. — Carter. Como vão as coisas? Julius inclina a cabeça em uma demonstração de estima. — Connor. O homem que permanece sentado parece indiferente com a nossa presença. Ele é mais baixo do que Braden, mais forte do que Connor, com seus longos cabelos amarrados em um rabo de cavalo na base do pescoço. Ele se inclina para trás na cadeira, mastigando uma caneta, mas seus olhos sorriem. — Julius. O que um bom homem como você quer visitando os Kellys no início da manhã? Você não quer ter que sujar as mãos? Braden ri com vontade. — Oh sim, Shane, nem aqueles sapatos caros. Meu instinto afunda com os insultos que eles estão jogando. Quero dizer, eles são loucos? Eles têm um desejo de morte? Connor sorri para a implicância do irmão. — Não, rapazes. — ele empurra o queixo para mim. — Olhem? Ele veio trazendo presentes. — ele me lança um piscar de olhos e, sem pensar muito, eu ando em direção a ele, sem parar até que ficamos cara a cara, e canalizo minha Ling interior. Eu preciso fazer isso, porque estou convencida de que homens como estes achariam suspeito uma mulher humilde trabalhando com Julius. Eu olho para ele e sorrio, batendo meus cílios em sedução clara. Ele fica muito extasiado ao notar minha mão avançando. Seu grito de surpresa quando os meus dedos agarram seu pênis é tudo. Meu sorriso


permanece enquanto eu aperto duramente um momento antes de liberálo. Sem perder contato com os olhos, eu passo para trás para Julius e ouço Braden e Shane rirem, enquanto Connor sibila, apertando seu pau através de seu jeans. Braden empurra Connor com o ombro. — Espero que você goste de seus presentes com os dentes. Shane acrescenta, rindo: — Você não vai ter nenhuma simpatia da minha parte. Você era mais esperto, Con. O rosto de Connor fica vermelho, mas um sorriso se contorce em seus lábios. Ele mantém os olhos em mim, e quando ele fala, sua voz é mais quente do que era um momento atrás. — E quem é você? Eu mantenho minha boca fechada. Julius responde em meu nome. — Esta é Maria Gambirella, de Nova Iorque. Ela está trabalhando comigo há algum tempo. — Italiana. — Connor diz, claramente revoltado. Balançando a cabeça com tristeza fingida, ele suspira: — Poderia ter sido tão bom entre nós, amor. Com isso, Shane se anima, parecendo intrigado. — Oh? O que aconteceu com a Srta. Ling, então? Julius informa diplomaticamente. — Até Ling precisa de uma pausa de vez em quando. Mas Connor franze a testa na minha direção. — Você parece familiar para mim. Meu intestino começa a agitar descontroladamente. Está bem. Ele não conhece você. Relaxe. Eu forço minha ansiedade a acalmar quando respondo de maneira uniforme. — Nós não nos conhecemos. — eu olho para baixo em sua virilha e forço um sorriso malicioso. — Eu me lembraria.


A mão de Julius toca a parte inferior das minhas costas em sinal de advertência. E minhas bochechas ficam vermelhas com a frustração reprimida. Se a minha paquera fingida o incomoda, ele não deveria ter me dito que seria melhor que esses homens não soubessem que ele era meu marido. Eu só estou fazendo o meu papel. — Então — Braden começa —, por que você nos ligou? Não nos encontramos desde o funeral do nosso irmão. Minha boca se abre sem permissão e sem pensar. — Sinto muito pela sua perda. Todos os olhos em mim. Depois de um momento, Shane responde com um sincero — Obrigado, querida. Muito gentil. — então ele levanta os braços no ar, alongando. — Mas o garoto pediu, enfiou o nariz em algo que ele não devia, e isso o matou. Julius responde calmamente, mas inflexível, — Matá-lo não era algo que eu queria fazer. E isso me atinge como uma toalha molhada jogada na cara, conectando com um tapa duro e que ecoou. Julius. Claro. Juiz. Júri. Carrasco. Shane olha o assassino do seu irmão duramente. — Nós sabemos. Nós todos temos nossos lugares no mundo. Danny não prestou atenção à estrada, e ele deu um passo em falso. Connor se inclina mais perto de mim, piscando pensativamente para o meu rosto. — Eu juro que eu te vi antes, querida. Eu só não lembro de onde.


— Você não viu. — eu digo em um tom que não deixa espaço para questionamento. Braden observa Julius com cuidado. — Tagarelice suficiente. Por que você está aqui? Julius anda para frente, tomando assento na cadeira vazia na frente da mesa, e eu me movo para ficar atrás dele. — Você pode decodificar um arquivo? Braden pisca, claramente não esperava a pergunta. — Primeiro, depende do que foi utilizado para criptografá-lo. — Quanto tempo levaria?— Julius pergunta, parecendo aborrecido, batendo com os dedos no braço da cadeira. Braden dá de ombros. — Se eu tivesse o arquivo... Julius enfia a mão no bolso, recupera um USB metálico e lança-o para Braden. — Quanto? Braden Kelly agarra o USB e sorri. — Você acha que eu sou estúpido, Carter? O dinheiro não significa nada para mim. A vida de cigano, sabe. Estou pensando em algo mais útil. — ainda sorrindo, seus olhos se arregalam quando ele aponta o dedo para Julius. — Eu quero um favor. Parece que ter Julius Carter lhe devendo vale mais do que todo o dinheiro do mundo. Julius finge pensar sobre isso muito tempo antes de acenar com a cabeça em aceitação. — Está acertado. Agora… Braden se move em torno da mesa e senta-se diante do laptop em execução. Ele pluga o USB e, sem uma palavra, seus dedos se movem sobre o teclado em um ritmo rápido. Um minuto passa e ele bufa em diversão. — Quem mexeu nestes precisa de um pontapé sólido na canela. Uma criança de cinco anos de idade poderia ter feito um trabalho


melhor. — ele olha para Julius— São arquivos de vídeo. Não vai levar muito tempo. Espere sentado. Merda. Os arquivos de vídeo. Ah Merda. Meu instinto aperta. Eles não poderiam? Dino nunca teria sido tão estúpido. Ele não... ele não... Faria? Julius parece estar pensando a mesma coisa que eu, porque seu rosto fica duro e ele está rapidamente, olhando para os irmãos de Braden. — Desculpe-nos, rapazes. Nós precisamos de um momento a sós. Shane levanta as mãos em compreensão. — Vem, Connor. Temos trabalho a fazer. Quando Connor levanta, ele me olha de cima a baixo. — Sim, eu vou. — ele sai da sala, fechando a porta atrás dele. Braden trabalha incansavelmente até que, finalmente, ele sorri, levantando as mãos em um gesto sagrado ao lado do laptop. — Eu sou a porra de um gênio, sim, eu sou. — Você conseguiu. — Julius reflete em voz alta. Ele parece impressionado. — Eu acho que sim, meu amigo. Dê-me um segundo. — Braden digita um pouco mais, de repente, o arquivo é aberto, e embora eu não possa ver a tela, posso ouvir a comoção. Se o rosto de Braden não tivesse empalidecido tanto enquanto ele olhava para o vídeo em estado de choque, os sons dos meus soluços audíveis e gritos de dor do vídeo me diriam o que ele está vendo.


Eu deveria ter imaginado que Dino gravaria o que ele e Gio fizeram comigo. Afinal, ele era um voyeur. Braden olha para mim, confusão escrita por todo o seu rosto, sua voz suave de compaixão. — Moça. Sem aviso, a porta se abre e todos nós viramos. Connor está lá, com um sorriso orgulhoso no rosto bonito. Ele estala os dedos, e anuncia: — Eu sei quem você é. Eu engulo em seco, minhas mãos fechadas nos meus lados. Eu finjo arrogância. — Ah, é?— eu insulto. — Quem sou eu? Em um segundo plano, o sorriso de Connor se transforma em um olhar furioso. De costas, ele levanta a mão e aponta a arma para a minha cabeça. — Uma mulher morta. Meus olhos se fecham e meu corpo sacode com cada tiro que é disparado. Um momento passa, e eu não sinto nenhuma dor. Quando ouço o gemido agonizante, meus olhos arregalam de incredulidade. Julius está sobre Connor, que agarra a ferida sangrando no ombro, segurando uma das mãos no ar, um buraco através dele, pingando vermelho no chão de azulejos brancos. Seus dentes cerrados de dor, ele sibila: — Seu burro fodido. Você tem alguma ideia de quem é essa mulher? — Sim. — Julius responde em perfeita calma. — Ela é minha esposa. Braden levanta lentamente de sua cadeira, com as mãos erguidas em um gesto apaziguador, seus olhos na arma que Julius mira na cabeça do irmão. Quando Shane corre para a porta aberta, ele olha para a pilha sangrenta que é Connor, em seguida, de volta para Julius, falando om uma calma estupefata: — Foda-me.


Braden suspira, cansado. — Foda-me, de fato. — ele olha para Shane e declara. —Mamãe vai ficar puta.


CAPÍTULO QUARENTA Julius Aileen Kelly é a matriarca respeitada e estimada do clã Kelly. A partir do momento que Redmond — “o Açougueiro”— Kelly, marido falecido de Aileen, recebeu seu diagnóstico terminal, ele morbidamente informou a seus filhos que não daria as rédeas para qualquer um deles, pois não estavam prontos para liderar. Em vez disso, Aileen entrou em cena e assumiu sem problemas. Não são muitas as mulheres que detêm esse poder por estas bandas, mas Aileen provou uma e outra vez que poderia liderar até mesmo as mais escorregadias organizações, segurando as rédeas durante o tempo que ela sentisse que precisava. Ela é uma mulher brutal, mas estimulante, especialmente quando se trata de seus filhos. Eu a tinha encontrado apenas uma vez, e foi no julgamento de seu filho. Ela me segurou com os olhos corajosamente, desafiando-me a levar Danny para longe dela. E, quando Daniel Kelly ajoelhou-se diante de mim, quase ansioso para receber sua punição, eu puxei o gatilho com os meus olhos sobre ela. Para mostrar o meu respeito à família Kelly, eu fui ao funeral. Aileen sequer piscou na minha direção, não que eu a culpasse. Ela estava de luto, afinal. Aileen conhecia a lei, e ela sabia também. Não tinha motivos para contestar quando seu filho, o caçula dos Kelly, confessou abertamente seu crime. Mas isso não significava que ela tinha que gostar. Então, quando ela surge como uma tempestade no edifício uma hora mais tarde, ela olha


para os seus filhos e para mim com olhos arregalados intermitentes, sibilando para mim como um gato feroz em uma briga. Com um metro e meio de altura e traços finos, o cabelo ruivo crespo puxado em um rabo de cavalo desleixado, e o par de olhos mais verdes que você já viu, ela é uma força a ser reconhecida. Seu robe e camisola pretos de grandes dimensões me dizem que ela está vindo direto da cama, e estou supondo que uma grande parte da sua fúria decorre do sentimento assustador que ela deve ter tido quando seu telefone tocou às 03h00. Aileen confirma isso quando ela caminha para mim, levantando a mão e apontando o dedo em sinal de advertência, falando com seu forte sotaque: — Você enviou um dos meus meninos para uma morte prematura, Julius Carter, e você só terá outro sobre o meu cadáver. Marque minhas palavras, rapaz. — ela olha para mim, embora pareça que ela está olhando para baixo em aversão a mim. — Eu não vou aceitar isso. Antes que eu tenha chance de responder, a campainha toca e antes que alguém tenha a chance de se mover, eu olho para Braden e aconselho calmamente: — Eu atenderia, se eu fosse você. Mas Aileen solta uma risada, olhando para mim, incrédula. — Acha que vai sair distribuindo ordens, não é, rapaz? — anos de fumante formaram linhas ao redor da sua boca. Ela olha para o filho, e previne com as sobrancelhas estreitando. — Você atende e terá que lidar comigo, pequeno Jim. Tenho o poder nesse momento. Estou em seu prédio, acabei de atirar no seu filho, e agora estou sentado aqui com a arma abaixada, mas isso não engana ninguém. Eu sou mais rápido do que qualquer um desses vira-latas. Respirando fundo, eu volto para a mulher madura e falo sem uma pitada de malícia, apesar do tanto que é difícil. — Seu filho apontou uma arma para a minha mulher, planejava matá-la na minha frente. O que


você teria feito, Aileen? Eu só fiz o que tinha de fazer, e como você pode ver... — eu empurro meu queixo até a parede oposta, onde Connor está sentado encostado, agarrando o ombro ferido, enquanto estremece de dor. A mão com o buraco no centro da palma repousa na coxa estendida, tremendo. — Connor está vivo. — eu olho para o homem ferido. — O que é mais do que ele merece, eu poderia acrescentar. Aileen pisca para mim, incrédula e atordoada. — O que é isso tudo? Uma mulher? — ela olha por cima de Alejandra formando uma carranca. — Essa vagabunda? As bochechas de Alejandra ficam vermelhas brilhantes. Ela abre a boca e uma enxurrada de xingamentos hispânicos sai e eu não entendo completamente. E, por Deus, faz o meu pau querer saudá-la. — Essa vagabunda... — eu me estico, pistola na mão, usando-a para coçar a testa. Minha voz é baixa e perigosa, quando respondo: — é a minha esposa. A campainha toca de novo, mais vezes do que a primeira. Eu vejo o momento exato em que ela perde a sua fúria. Transborda lentamente dela, sendo substituída por uma timidez que teria me feito rir se a situação fosse diferente. — Entendo. — é tudo que Aileen responde. Minha paciência está desgastada. — A menos que você queira que seu filho morra esta noite, falo sério, ignore a enfermeira que espera lá fora. Braden olha para Shane, que balança a cabeça. Shane é inteligente, ele conhece o seu lugar, e a menos que a mãe dê o sinal verde, eles não fazem nada. Os olhos de Aileen estreitam para mim com desconfiança, procurando o meu rosto por algum sinal de traição. Ela não encontra nenhum, e com um gesto discreto para Braden, ele sai pelo corredor para deixar Aida entrar. Nós ficamos em silêncio, nos observando, esperando a


ajuda que eu prometi. Passos soam pelo corredor, e quando Braden retorna com a mulher baixa e redonda segurando uma mochila preta, eu sorrio ao ver a expressão irritada de Aida. — O quê, vocês não me ouviram tocar? Eu não me incomodo em ficar de pé, e eu sei que Aida vai entender o porquê. Eu não vou virar as costas para qualquer um desses canalhas irlandeses. De jeito nenhum, não há como. Eu descanso meu olhar sobre Aileen, deixando Aida saber de onde a culpa vem. — Nós ouvimos você. Aida entra mais para dentro da sala com um suspiro, descansando a mochila na mesa, abrindo-a e removendo itens médicos. Ela ignora completamente os Kellys e pergunta: — O que esse cérebro de merda fez para levar um tiro? Alejandra responde friamente: — Ele tentou me matar. É quando Aida se transforma, reconhecendo Ana com um sorriso surpreso. — Bem, olha só. — ela solta um bufo impressionado. — Você está limpa e não totalmente morta. — ela revira os olhos para Alejandra. — Eu não podia prever o rumo dos acontecimentos. Oh, espere. — ela faz uma pausa por um momento, erguendo as sobrancelhas, fingindo surpresa. — Sim, eu pude. Alejandra não sorri, mas seus olhos dobram nos cantos. Aileen não consegue tirar os olhos de Alejandra. Ela pisca, pensativa. — Eu conheço você. Você é aquela de quem todos estão falando. A menina dos Gambino. — um sorriso cruel se estende em seus lábios. — Você matou o seu marido. — Não, eu não matei. — Ana responde muito rapidamente, o rosto em chamas. — Tecnicamente — eu interrompo —, Ling matou.


Aileen balança a cabeça, olhando para Alejandra duramente. — Seu marido morreu, e em um piscar de olhos você já fez votos com este aqui?— ela inclina a cabeça para mim. — Você não tem vergonha, criança? Aida se endireita com essa. — Fez votos? — olhos arregalados, ela olha para mim em estado de choque. — Casada? — ela bufa em diversão. — Isso foi rápido, Sr. Carter, mesmo para você. Alejandra move-se do seu lugar, encostada ao balcão, e começa ir na direção de Aileen, eu estendo a mão e agarro-lhe o pulso, puxando-a de costas para mim, envolvendo um braço nos seus ombros, sobre o peito, segurando-a para mim. Minha raiva incomoda, mas o calor do corpo de minha esposa tem um efeito calmante em mim. — Eu não acredito que é da conta de ninguém. — eu fixo Aileen com um olhar. — Especialmente não da sua. — Sem me virar para encará-la, eu declaro: — Aida, não o trate. Ainda não. — dou uma olhada no Braden. — Eu vim aqui para ajudar. Um acordo foi firmado, e Braden ofereceu seus serviços em troca de um favor de sua escolha. No que me diz respeito, a vida de Connor se tornou perdida quando ele apontou uma arma para minha esposa. Agora, a escolha é sua, Aileen. — faço uma pausa por um momento. — Perder outro filho por minha mão, ou entregar o favor de Braden em troca da vida de Connor. Braden solta um gemido alto, forçado. — Fodido inferno. — ele joga a mão para onde seu irmão ferido está sentado, parecendo mais do que exasperado. — Mate-o então. Eu nem gosto dele tanto assim! — Foda-se, idiota estúpido. — grita Connor do chão. Aileen berra: — Cala a maldita boca, Brae. — ela aponta para Connor. — É o seu sangue. Você não vai falar sobre seu irmão dessa forma, entendeu? Família é tudo. Shane fecha os olhos com força e se move para cobrir a boca, mas ninguém perde a forma como seus ombros agitam em alegria silenciosa.


Aileen suspira, apertando a ponta do nariz em aborrecimento. — Por que você fez isso, Con? — ela abaixa a mão, olhando para seu filho. — Eu nunca pensei que você faria algo tão estúpido. Connor faz careta enquanto se atrapalha tentando se levantar para sentar. — Eu não sabia que eram casados, mãe. — ele vira seu olhar escuro em Alejandra. — Ela tem uma recompensa em cima dela, um presente. Eu pensei em receber. Uma recompensa. Porra. As pessoas faziam coisas ridículas por dinheiro. Isso era outra coisa que eu não precisava no meu prato agora. — Como você tomou conhecimento dessa recompensa? Connor sorri, mas vacila. — Um cara dos Gambino, o irmão daquele que ela assassinou. Ele está fazendo rondas, espalhando fotos dela, esperando alguém desesperado para ganhar dinheiro. — Você está? — pergunto uniformemente. — Desesperado para ganhar dinheiro, quero dizer. Connor Kelly tenta um encolher de ombros. Seu rosto fica branco, e ele solta um grunhido de agonia. — Eu não preciso do dinheiro, mas aqui estava ela. Tomei isso como um sinal. Não se pode ignorar um sinal como esse, não quando ele cai no seu colo tão lindamente. Alejandra faz a pergunta que está na minha cabeça: — Quanto eu valho? — eu passo o meu polegar sobre sua clavícula, uma carícia suave que diz que estou aqui. Connor pisca cansado. A perda de sangue está começando a enfraquecê-lo. —

Coloque

desta

forma,

solene

com

amor. Alguém

quer

você

muito, muito. A

sala

torna-se

a

declaração

debilmente

entregue. Aileen observa seu filho machucado, e concorda com um aceno


de cabeça. — Tudo bem, Carter. Troque o favor de Braden pela vida de Connor. — ela engole em seco, uma expressão de sofrimento compassivo deixa seu olhar muito mais velho do que sua idade. — Agora, trate-o. Alejandra acrescenta no momento: — Você não vai contar a ninguém que estive aqui. Aileen zomba dela. — Eu estou neste mundo muito mais tempo do que você, querida. Eu conheço todas as regras não escritas. Na verdade, eu poderia te ensinar uma coisa ou duas sobre lealdade. Mas Alejandra não cede, não se intimida nem um pouco. — Então eu vou ter a sua palavra, se você não se importa. — antes de Aileen conseguir fazer seu voto, Alejandra acrescenta: — Só para você saber, se você quebrar sua palavra, não será com Julius que você vai ter que se preocupar. — sem um pingo de emoção, Ana anuncia: — Eu vou matar toda a sua família, atirar em todos se você me colocar em perigo. Aileen observa Alejandra de perto e considera a ameaça muito real. — Você faria isso, não é moça? — ela se recosta na parede e responde cansada: — Você tem a minha palavra. Nenhum dos Kellys vai falar uma palavra. — ela olha seus filhos com propósito. — Não é mesmo, rapazes? Todos os três murmuram ao mesmo tempo. — Sim, mãe. Aida espera pacientemente, e eu sinalizo para ela com um aceno de cabeça. Quando ela se aproxima de Connor, ela pronuncia as mesmas palavras que disse para Alejandra no dia em que se encontraram. — Eu espero que você seja forte, porque eu não tolero merda. Especialmente do tipo autoinfligida. Não perco o sorriso sutil que enfeita o rosto bonito de Alejandra.


CAPÍTULO QUARENTA E UM Ling Eles não voltam para a casa até depois do amanhecer. Eu fico no balcão da cozinha bebendo meu café como se tivesse acabado de acordar quando entram, fingindo vigilância. Mal sabem eles que não dormi. Mentalmente me assusto com a visão deles. Julius lidera o caminho, segurando sua pequena mão e puxando seu corpo cansado junto, tomando cuidado para não apressá-la. A flor delicada. Ela pisca sonolenta, seus olhos fechados tremem por vontade própria. Eles se movem para passar por mim como se eu nem estivesse lá. Para eles, eu não estou. Quando eu tusso levemente, Julius se vira para mim para me encarar e boceja ao puxar Alejandra perto, acomodando-a ao seu lado, onde ela fecha os olhos e fica com uma expressão de calma serena. — Achei que você estaria dormindo. Isso me atinge. É tudo o que eu sou agora. Um pensamento lateral. O conhecimento me atordoa. Nossa, como as coisas mudaram. Esta pequena mulher tem uma grande quantidade de poder sobre um homem que eu achava ser inteligente demais para se submeter assim. — Ei. — eu começo, mas ele me corta. — Espere um segundo. — ele murmura, levando uma Alejandra adormecida para o quarto dele.


Quarto deles, eu diria. Ugh. O pensamento faz as minhas veias crepitarem com calor líquido. Ele volta parecendo estressado e cansado e metade do homem que era há quinze dias. — E aí? Eu penso cuidadosamente sobre o que estou prestes a dizer. Eu não quero que saia necessitado. Eu só quero afirmar fatos. Limpando a garganta, coloco para fora. — O que aconteceu conosco, Julius? Você não fala comigo. Você nem olha mais para mim. As coisas eram boas por aqui até que ela chegou. A resposta que eu estou esperando conseguir nunca chega. Em vez de escutar que sou uma parte insubstituível desta equipe, suas sobrancelhas franzem em confusão. — O que é isso? Você quer desistir? Eu, desistir? Ele me conhece? Eu jogo para ganhar. Sempre. — Não, eu não vou desistir. Apenas esperando que esta mudança não seja permanente. Eu sinto falta do jeito que costumava ser. As minhas preocupações são deixadas de lado, ele se senta em um banquinho no balcão da cozinha e passa a mão sobre o rosto. — Eu não sei o que está acontecendo, Ling, e eu não sei se as coisas serão as mesmas. Mas agora, temos coisas mais importantes para lidar. — ele suspira. — Alejandra tem uma recompensa pela sua cabeça. — Coisas mais importantes para lidar. — é o que ele diz. Mais importante do que eu é o que ele quer dizer. — Certo. — digo, sem sentimento. — Então, o que você vai fazer sobre isso?


— Nós. — ele solta e levanta a cabeça para direcionar seu olhar cansado para mim. — O que nós vamos fazer sobre isso. — afirma. — Eu não posso fazer isso sozinho, Ling. Preciso da sua ajuda. Estou perdendo meu único amigo, e isso parte meu coração enegrecido. Este não é o Julius de quatro anos atrás. Inferno, este não é o Julius de um mês atrás. Eu não conheço esse cara, mas o Julius que conheço nunca deixaria uma mulher conduzi-lo pelas bolas. Tudo o que posso fazer agora é oferecer-lhe um sorriso forçado enquanto ele cai por terra por uma boceta estúpida e dizer: — Ok, chefe. O que nós vamos fazer sobre isso? Eu exalo em completo silêncio. Olhe para ele. Olhe para o que ela fez com ele, um dos únicos homens que eu já admirei. Maldita. Isso não vai acabar bem. Ela vai ter o dela. A cadela vai pagar.


CAPÍTULO QUARENTA E DOIS Alejandra Julius está tranquilo no melhor dos dias, mas a mudança recente na nossa relação me faz conhecer um lado diferente dele. Hoje, ele voltou ao antigo Julius, aquele que mantinha o outro lado escondido dos olhos curiosos do mundo. Ele está se fechando para mim, e não só dói; me deixa furiosa também. Como se atreve a me dar algo tão belo, algo que eu estava com medo de investir em mim mesma, e depois tirar apenas momentos depois de eu começar a apreciar? Estou preocupada de não ser capaz de funcionar em um mundo onde sua indiferença corrói-me como uma praga. Em primeiro lugar, eu pensei que era tudo coisa da minha cabeça, mas ao longo do dia, tornou-se claro que talvez o seu problema estivesse em mim. Quando acordei no início da tarde, depois de ter passado do anoitecer até o amanhecer com os Kellys, meu primeiro pensamento foi o de encontrar Julius, envolver meus braços em torno dele, ficar perto dele. Estendendo a mão debaixo das cobertas, meus dedos encontraram os dele, e em um movimento preguiçoso, mas carinhoso, eu passei meu dedo indicador ao redor do dele, unindo-os enquanto eu acariciava seu polegar com o meu. Olhos fechados, eu sorri no travesseiro, e meu corpo ficou mole com o conforto que encontrei por acordar ao lado deste homem. Assim que me movi para me aproximar mais, Julius saiu da cama sem falar uma palavra e caminhou nu para o banheiro, seu pau duro com ereção matinal.


Meu estômago enrolou com a mudança incomum do seu modo de agir. Fiz algo errado? Virando de costas para olhar para o teto, eu pensei sobre isso com o cenho franzido. Eu não tinha certeza. A única coisa que me veio à mente foi o meu flerte perigoso com Connor Kelly na noite anterior. Mas Julius era direto. Se eu tivesse feito algo que ele não gostou, ele me diria. Ou pelo menos, eu pensava assim. Certamente, ele deixou claro que a comunicação desempenharia um papel importante no nosso relacionamento, e não haveria espaço para mal-entendido. Ao dizer isso, eu não estava completamente inconsciente da situação atual que eu tinha nos colocado. Era estressante, e a única vez que eu realmente me sentia à vontade era quando eu estava aqui, sozinha na cama com Julius. Era o nosso tempo longe de toda a merda que a minha vida tinha trazido para ele. E Julius era o meu campeão. Ele aguentava tudo sem reclamar. Eu lhe devia tanto que fundi minhas emoções incontroláveis e coloquei uma tampa sobre elas. Todo mundo tinha direito a um dia ruim. Eu certamente tinha um quinhão dos meus. Eu daria esse dia para Julius, mas se quando ele acordasse na manhã seguinte e permanecesse reservado, nós teríamos uma conversa. E se ter uma conversa significava jogar um vaso para forçar uma reação, eu faria isso, porque por Julius valia a pena lutar, e jogar vasos enviaria uma mensagem sólida. Eu pretendia acertar com ele.

destruir o maldito

mundo para me


Nós tomamos o nosso café da manhã tardio em silêncio. Eu mordisquei minha torrada enquanto ele enfiou cereal na boca. Ele leu o jornal,

e

eu

aproveitei

a

oportunidade

para

olhar

para

ele

descaradamente. Depois de tomar banho, ele colocou calças de moletom pretas e mais nada. Ele passou direto por mim sem ao menos olhar, e a indiferença abalou o meu núcleo. Agora eu vi coisas que eu não tinha visto antes, ou melhor, ainda não tinha percebido. Seu belo rosto parecia tenso, com barba de dois dias, que eu ansiava por passar os dedos e seus lábios cheios e beijáveis estavam extremamente franzidos. Meu coração se apertou em tristeza. Ele estava diferente hoje. Ele se portava de forma diferente, a expressão diferente... ele estava simplesmente diferente. Ele estava mais frio do que já tinha sido, parecia cruel mesmo. Meu batimento cardíaco falhou e minha esperança diminuiu. Parecia que todo o progresso que tínhamos feito tinha ido embora. Ele estava percebendo agora

que os

problemas

que

me

acompanhavam não valiam a pena? Merda. Eu temia isso mais do que tudo. Meu plano era mostrar para o Julius o quanto eu o adorava, na esperança de reavivar a chama do desejo que, uma vez ele teve por mim. A velha Alejandra permitia que as pessoas andassem em cima dela. A nova Alejandra arrancaria a lua do céu para fornecer um farol de esperança, e iluminar o caminho do seu amado. E Julius teria o luar.


Eu me perguntei se ele sabia a extensão do que eu era capaz para fazê-lo feliz, o que eu faria para mantê-lo seguro. Eu achava que a minha atitude era óbvia. Eu estava louca por ele. Esta nossa relação era uma rua de mão dupla. Eu não esperava um passeio grátis, nem quero um. Eu desejava ser um membro ativo da nossa equipe, e eu mostraria o meu valor, se dada a oportunidade. E como essa existência às vezes cruel, outras apática, tinha me ensinado, para conseguir as coisas, às vezes, é preciso sujar a auréola. Coloquei a torrada parcialmente comida de volta no prato e perguntei cuidadosamente. — Você vai enviar o vídeo para o meu pai? Ele não precisava de esclarecimento sobre qual vídeo. Meu pai precisava saber que seu único filho e herdeiro estava morto. Mas em vez de olhar para mim, ele sacudiu a cabeça. — Não. É melhor manter o seu pai no escuro o maior tempo possível. — Quanto tempo?— eu perguntei incapaz de acreditar que ele queria que a aliança do meu pai com os Gambino continuasse, dada a morte do meu irmão. Com essa pergunta rabugenta, ele olhou para mim do jornal. Seus olhos se estreitaram ainda que levemente, e ele murmurou ríspido. — O tempo que precisar, porra. — ele me deu uma olhada. — Não é como se você estivesse em um cronograma. Tudo que você tem é tempo. — sob a respiração, ele murmurou. — Graças a mim. Foi um insulto, e cumpriu o propósito. A mágoa forçou um carmesim a lavar as minhas bochechas. Eu decidi que hoje definitivamente não era um dia para desafio, e então mordi a língua. Eu queria dizer que ele tinha se metido nesse casamento não só por sua vontade, mas também me colocado em uma posição onde, para salvar


a minha vida, eu ousei não me opor. Eu queria lembrar-lhe que Gio era problema meu e que se ele não podia lidar com isso, que me liberasse para que eu pudesse fazê-lo por conta própria. Meu coração terno lutou para mencionar que eu o amava muito e estava muito triste por todos os problemas que minha presença tinha causado. Mas nada de bom resultaria de brigar com o meu marido sobre algo tão trivial como sentimentos feridos, não na situação em que nos encontramos. Independentemente da forma como ele falou comigo, eu era eternamente grata por tudo o que ele tinha feito para mim. Hora do jantar veio e se foi. Nós comemos o macarrão que fiz para apaziguar a besta, e ele comeu rapidamente, enfiando garfadas cheias na boca como se ele não pudesse fugir de mim rápido o suficiente. Eu olhei para ele ansiosamente quando ele retirou-se para o escritório, fechando a porta atrás dele com uma batida leve. Um suspiro escapou de mim quando me sentei no sofá e levantei o laptop para descansar nas minhas coxas, abrindo a tampa. Julius tinha me dado a senha um dia antes e me disse para pedir o que eu precisava em um dos seus muitos cartões de crédito. Passei a noite comprando roupas e maquiagem on-line, para serem enviadas para a caixa postal que ele também tinha fornecido. Quanto mais eu comprava, mais em casa eu me sentia. Minha agitação interna diminuía a cada compra adicional. Julius não ia fazer nada precipitado, eu tinha certeza disso. Inferno, ele se casou comigo, mudou-me para a sua casa e me disse para estocar coisas que eu queria e precisava. Ele estava tendo um dia ruim, só isso. Não era como se ele fosse me dar um chute na bunda. Eu ri de mim, do meu nervosismo infundado. Olhando para o navegador aberto, eu contemplei fazer algo muito estúpido, algo que deixaria Julius louco se ele descobrisse. Mas à medida


que os minutos passavam, a compulsão tomava conta de mim, e eu sabia que faria - fodam-se as consequências, caso houvesse alguma. Fiz login no meu e-mail e o cursor piscando me desafiou a fazer um movimento. Um único clique foi o suficiente, e quando minha caixa de entrada abriu, o meu coração bateu mais rápido. A culpa me fazia procurar por quaisquer sinais de aproximação, mas com Julius escondido no seu escritório e Ling estando Deus sei lá onde, eu me agarrei à minha má decisão e me apressei com ela. Eu cliquei em escrever, digitei o endereço de e-mail do meu pai, e depois escrevi três palavras antes de enviar. Eu estou segura. Meu coração me pediu para adicionar muito mais, pequenos detalhes irrelevantes, mas meu cérebro proibiu. Eu saí mais rápido que entrei e depois fui para outro site designer e pedi mais algumas roupas, fingindo que minha vida não estava desmoronando em torno de mim. *** Quando dedos leves tocaram o cabelo na minha testa, meus olhos abriram de repente e eu suspirei, sentei parcialmente de onde eu estava deitado no sofá. A única indicação de que eu estava dormindo foi ter sido rudemente acordada. Suspirei de alívio quando encontrei Julius sentado perto de mim. Sua voz apenas um sussurro. — Ei. Minha boca está seca, e eu engulo, piscando sonolenta. — Oi. Foram algumas semanas longas. A cabeça dói. Meu corpo dói. Meus ossos doem. A minha alma dói. Estou exausta em todos os sentidos da palavra.


Ao observar a expressão suave de Julius meus pensamentos egoístas desaparecem. — Você está bem? Ele olha para mim, e em vez de responder com palavras, ele coloca seus olhos sombrios nos meus e balança a cabeça lentamente. Julius me jogou uma tábua de salvação. Eu seguro-me nela, no otimismo que ela carrega. Inclino–me para frente, subo em seu colo, de frente para ele, e coloco as pernas em cada um dos seus lados. Estendo a mão para a sua bochecha quente, rosto adoravelmente mal barbeado, avançando cada vez mais para convencê-lo a me beijar. Sua boca quente nem aceita, nem me rejeita quando dou beijos suaves, de boca fechada na boca cheia, tentadora. Ele não responde ao meu toque, mas sua virilha me diz que ele gosta da minha atenção. O que o incomoda assim, meu amor? Por que você não fala comigo, cariño? Deixe-me ajudá-lo. Minhas mãos descem pelo seu pescoço, para os ombros, e eu aperto, explicando calmamente: — Eu preciso acreditar que tudo vai ficar bem. — ele balança a cabeça diante da minha ingenuidade, mas não se move. — Continue. Pergunte-me se tudo vai ficar bem. Com um leve suspiro, eu me recuso a mostrar que ele está quebrando meu espírito. Ele me abraça, seus dedos acariciando minhas costas, e quase sarcasticamente, ele pergunta: — Tudo vai ficar bem, Ana? Eu pisco, dando-lhe um olhar que diz que ele está claramente louco. — Como diabos eu vou saber? Claramente surpreso com a minha resposta, ele abaixa o rosto, descansando a testa na minha em uma demonstração de proximidade na qual eu silenciosamente me acomodo e rio baixinho. Com o rosto tão


perto do meu, eu agarro o seu pescoço, seguro-o perto e sussurro: — Tudo vai ficar bem. Eu prometo. Quer dizer, possivelmente não posso prometer algo assim, porque, francamente, as circunstâncias têm todas as características de que vão acabar em tragédia. Mas Julius não me desmente. Em vez disso, ele alimenta a mentira, como se percebesse o quanto eu preciso dele nessa. — Eu sei, baby. Ele levanta a mão, agarrando meu queixo entre o polegar e o dedo indicador, e assalta minha boca com um beijo profundo, punitivo, que tem gosto de desespero absoluto em meus lábios, como um adeus. Eu não gosto nada disso. — Venha para um passeio. — diz duramente. Eu me inclino para trás para olhá-lo nos olhos, e ele procura o meu rosto calmamente. Aproximando a distância que nos separa dou um beijo longo e suave na sua barba por fazer e murmuro: — Claro. Fico feliz com a distração. Deus sabe que Julius precisa de uma. *** Nós dirigimos por um longo tempo, horas mesmo, mas eu não questiono Julius sobre para onde estamos indo. Estou feliz que ele me queira com ele. As estradas estão relativamente desertas, sendo as primeiras horas da manhã, e eu gosto desse jeito. Nada de buzinas ou luzes brilhantes que irradiam pelas janelas, completamente desertas, livre para conduzir no seu próprio ritmo. Ritmo pacífico. Eu começo a cochilar, apenas para acordar sobressaltada quando o carro para subitamente. Franzindo a testa com a parada abrupta, eu olho em volta, piscando os olhos turvos. A autoestrada escura e deserta faz meu pescoço arrepiar e


também a pele em meus braços. Viro-me para Julius, que olha para a estrada na frente dele. Nós ficamos lá um tempo com o carro ligado e parado. Quanto mais ficamos, mais rápido meu coração bate. No momento que abro a boca para perguntar o que estamos esperando, a mandíbula endurece e ele ordena sem emoção. — Salte. O quê? Meu coração encolhe. Não. Minha respiração acelera e o sangue sai do meu rosto, deixando-me pálida e fria. Isso não pode estar acontecendo. Sentando-se no meu lugar, pergunto abafadamente: — O quê? Sua expressão é incrivelmente dura, ele repete: — Salte. — eu não me mexo. Eu não acredito nisso. Ele não está falando sério. Suas palavras saem roucas, quando ele fala insensivelmente. — Saia do carro, Alejandra. Eu ainda estou dormindo. Isso tudo é um sonho. Meu corpo fica rígido com o choque, eu pisco para ele, incapaz de falar. Mas eu não preciso. Julius fala por nós dois, e isso me rasga em pedaços. — Não pensei o suficiente sobre o que significava ser seu marido. Nunca lidei com este tipo de loucura antes. Todos os dias que você está comigo é um dia de distração. Não. — ele balança a cabeça. — Você tem que ir. Meu Deus. Ele mudou de ideia. Eu sou oficialmente uma noiva devolvida, e ele quer um reembolso total. — Nós somos casados. — é tudo que eu posso pensar em dizer, com aminha incredulidade óbvia. — Eu não sou um cachorro que você pode devolver para o abrigo porque não se adapta ao seu estilo de vida, Julius. Olhe para mim.


Ele continua a evitar o meu olhar, falando com franqueza clínica. — Você ainda será minha esposa, de nome. Seja grata com toda a proteção que isso acompanha. Mas cansei. Você precisa saltar. Olhe para mim. — Por que você está fazendo isso? — meu tom racional diminui, apenas para ser substituído por pura confusão. — Foi algo que eu fiz?— meu pânico sobe para novos extremos quando solto um suspiro trêmulo e tento argumentar com ele. — Você disse que eu não tenho que ter medo de você. — meu pânico se transforma em raiva, quando grito: — Que você me apunhalaria pela porra da frente, Julius! Meu corpo começa a tremer no banco de couro. Ele não pode fazer isso! Mas algo me diz que sua mente já está resolvida sobre este assunto. Olhe para mim, seu covarde! Seus olhos permanecem na estrada à frente enquanto ele balança a cabeça levemente, seus olhos fechando por um momento. E eu entendo. — Olhe para mim, porra! — meu grito quase chacoalha as janelas do SUV grande e preto. Ele respira profundamente e, finalmente, se vira para mim. Seus olhos glaciais ao murmurar: — Saia do carro. — Não. — eu digo-lhe, desacreditada. Ele não vai me fazer sair do carro de jeito nenhum. Vai ter que me arrastar. — Saia do carro, Ana. — seu tom é enganosamente calmo. — Não! — eu grito, meu pânico transformando em medo. Por que isso está acontecendo?


Ele bate com o punho no volante com tanta força que o barulho ecoa na noite aberta, as veias de seu pescoço incham, quando ele ruge: — Saia do carro, porra! Balanço a cabeça fervorosamente, observando-o ofegar em frustração, seu lábio trêmulo. Minha voz tranquila falha. — Não. Não, eu não vou. Eu quero ficar com você. — eu começo a chorar. — Por favor. — eu imploro em um sussurro trêmulo. — Por favor, Julius. Não me faça ir. Eu quero ficar com você. Só você. Meu medo se transforma em frio, medo duro quando ele sai do carro, movendo-se para o lado do passageiro, para o meu lado. Procuro freneticamente a tranca, mas não consigo ver absolutamente nada no escuro. A porta do meu lado abre um centímetro e eu deixo escapar um suspiro quando Julius me alcança. Eu luto para me salvar, segurando a maçaneta da porta e puxo com força, tentando fechar a porta, mas suas mãos ficam no caminho. Em pânico, eu grito desesperada. — Você disse que nunca me deixaria. Você disse que era você e eu. Você e eu! — as lágrimas vêm com força e rápidas. Isso está realmente acontecendo. Com a garganta cheia de emoção, falo sufocada. — Oh, Deus, por favor, não me deixe, Julius. Eu preciso de você. Ele agarra meu braço e puxa com força, mas eu agarro o assento, e tudo o que consigo deixar no veículo é um dos meus sapatos. Ele me puxa e rosna: — Solte. — Você é tudo que eu tenho. — meu coração continua a correr, e minha visão borra quando lágrimas grandes e gordas descem pelas minhas bochechas. Aperto na alça que fica acima da minha cabeça, um pé no carro, o outro para fora. Seu braço envolve a minha cintura, e brigamos momentaneamente, os sons da nossa luta ecoando na escuridão. Mas meu pé desliza para fora do sapato, lançando-me para trás e para fora do carro. Eu caio como uma


pilha sobre o cascalho ao lado da estrada com um grito escandaloso, minha coxa doendo por causa das pequenas pedras irregulares que cortam através da minha calça de preta de ioga. Eu assobio de dor e tento recuperar a compostura, mas é tarde demais. Julius vira e vai embora como se ele nem se importasse. E é aí que eu me fodi. Em um ponto, ele fez. Sem olhar para trás, ele se move para o lado do motorista e volta para o carro, fechando as portas atrás de si. Minha mente é uma bagunça. Agarro um monte de cabelo em confusão

e

fecho

os

olhos,

murmurando.

Isso

não

está

acontecendo. Estou sonhando. Isto não está acontecendo. — lágrimas escorrem pelo meu rosto e meu peito arfa enquanto eu luto para tomar uma respiração completa através do meu corpo arruinado em soluços. Quando escuto o zumbido baixo da janela do passageiro sendo aberta, meus olhos abrem de repente e um pequeno pedaço de esperança brilha. Uma mala de tecido preto é jogada para fora da janela, junto com meu outro sapato. Julius olha sem piscar, antes de afirmar: — Você está livre, Ana. Voe para longe. — seu olhar escurece, olhar encapuzado. — Voe para muito longe daqui. Meus braços me envolvem, e eu me seguro apertado no ar frio. Em vez de súplica, eu abro a boca e sai desgosto. Minha voz pequena e quebrada, eu confesso um rouco: — Eu te amo. Mas a janela já está fechando, cortando a minha declaração. O carro muda de marcha, e quando me movo para correr em direção a ele, meu pé pega uma pedra, e eu deixo escapar um suspiro de dor, caindo de joelhos no chão. O SUV afasta-se com tal velocidade que o cascalho pulveriza ao meu lado, e eu tenho que levantar a mão para


proteger o rosto dos seixos dispersos sendo lançados como mísseis à medida que as rodas giram por um segundo antes do SUV decolar, derrapando conforme Julius recupera o controle do veículo. Uma dormência muda irradia através de mim. Eu olho atrás dele, ainda em estado de choque. Melancolia logo segue. Então, isso acabou de acontecer. Respirando com dificuldade, levanto, calço os sapatos e passo os dedos no meu cabelo agora bagunçado. Segurando a mala em uma mão, eu relutantemente começo a me mover, esperando que Julius volte, mas sabendo muito bem que ele não vai. Jogo a mala por cima do ombro, me arrastando ao longo da estrada, recusando-me a chorar. Passo um quarteirão, então o próximo e, finalmente, um terceiro, quando volto-me para as luzes amarelas e brancas brilhantes piscando. Vagas. Com um suspiro de desânimo, gasto um momento para limpar as lágrimas que repousam sobre meu rosto, limpo o nariz na manga e caminho em direção ao lugar onde tudo isso começou. O The Sunflower Inn.

Ling

Eu a o observo tropeçar para o motel de aparência desprezível e sorrio com o tanto que sua aparência é fodida. Não previu isso, não é, cadela? Meu telefone toca no meu colo, e eu atendo sem olhar para ver quem está chamando.


— Observe-a. — são as únicas palavras ditas antes de um Julius rouco desligar. Quando ela entra no prédio procuro meus contatos e disco. Quando o telefone começa a tocar, eu me pergunto se vale a pena morrer por isso. Aposto que você não previu isso também. Um sorriso cruel se instala em meus lábios. Foda-se. Se você vai sair, saia com um estrondo.


CAPÍTULO QUARENTA E TRÊS Twitch Nova Iorque, Dois meses depois do acordo. Eu sabia que Claudio Conti seria uma dor na bunda antes mesmo de eu procurar por ele. O problema? O idiota era exuberante, e ele gostava de mostrar o quão rico ele era. Ele tinha propriedades em todo lugar, a maioria em lugar isolado e privado em todos os sentidos da palavra. Sua equipe de segurança era toda de ex-militares. Todo mundo sabia que ele era casado, mas ninguém conhecia a sua esposa. Ela não tinha um nome e raramente era vista. Dificilmente deixava as pessoas entrarem em seu círculo íntimo, e a maioria daqueles que ele tinha deixado acabou morta. Estranhos eram considerados ameaças pelo homem, mulher ou criança. Ele não confiava em ninguém. Era difícil rastrear um homem que não queria ser encontrado. A maioria das pessoas tinha alguém que confiava, alguém que eu poderia quebrar para revelar cada pequeno segredo empoeirado que ficava nos cantos escuros da sua mente. Conti só tinha um, e ele era praticamente intocável. Seu nome era Emil Barone, e conservava a sua merda mais apertada do que um cu virgem. Conti só tinha uma ponta solta, e era Emil. Onde quer que Emil estivesse, você poderia ter a maldita certeza que Claudio Conti seria encontrado logo atrás.


Havia sua esposa, mas eu não a conhecia - ninguém a conhecia - e parecia que ela era inacessível. Para todos os efeitos, a mulher era um fantasma. Chegamos à Nova Iorque há alguns dias. Pedi para Happy entrar em contato com alguns companheiros antigos para mim, que poderiam saber do paradeiro atual de Conti, mas ninguém lhe deu moral. Esse era o problema de estar fora do jogo. Ninguém mais o considera parte do mundo e os contatos de Happy foram diminuindo. Eu poderia ligar para Nox, mas ele disse-me diretamente que estava fora, e eu não quero levar nada para sua porta, não depois de tudo o que ele fez para mim. Havia uma pessoa que eu desejava poder chamar, mas não conseguia. Julius ainda fazia parte do submundo. Ele e Ling eram os fodões em pessoa, indo de cidade em cidade, fazendo julgamento das pessoas que tinham fodido o suficiente para precisar que homens crescidos chamassem

um par de conselheiros

tão-verdes-que-mal-estavam-

brotando para cuidar dos negócios. Eu estava secretamente orgulhoso dele. Eu sabia que ele ia se dar bem depois de eu ter ido embora. Eu teria contado para ele se não achasse necessário mantê-lo no escuro. Ele

e

Happy

eram

meus

amigos,

mas

Julius

era

meu

irmão. Ninguém competia com isso. Eu faria tudo ao meu alcance para protegê-lo. Era crucial que ele acreditasse que eu estava morto. Caso contrário, ninguém acreditaria. Sua reação ao descobrir que eu tinha morrido era necessária para o esquema ser genuíno. Era uma merda não poder entrar em contato com ele. Se uma pessoa podia descobrir onde Conti estava, era o Julius. Colocar Happy para ligar para ele perguntando sobre Conti levantaria suspeita. Parte de mim pensava que ele estaria aqui em Nova Iorque. É onde está a maioria de suas propriedades, para não mencionar seu local de trabalho. Eu não duvido que ele tenha mais e que eu não saiba.


Conti era da escola antiga. Claro, ele tinha apenas trinta anos, mas seus pais ensinaram-lhe como funcionava. O Conti tomava dinheiro de pequenas empresas, e em troca oferecia proteção. Isso não significava que eles protegeriam alguém de qualquer coisa; simplesmente significava que as pequenas empresas seriam protegidas por ele, os Contis, por um tempo. Extorsão era um modo de vida para esses caras, mas com o crescimento do negócio franqueado, a máfia não tinha a mesma influência. Não havia muitos “peixes pequenos” para extorquir, o que significava menos nos bolsos da turba. Conti ramificou-se em armas e assassinos de aluguel. O homem detestava drogas. Não queria ter nada a ver com elas. Pensava que trazia dinheiro sujo. Não importava no final, porque as duas formas de negócio que assumiu eram ambas demandadas, o que significava que Conti estava consideravelmente bem. Ele

era

um

homem

poderoso.

Ficava

sobrecarregado

facilmente. Nem precisava manter a sua própria programação, precisava de alguém para fazer isso por ele. E Emil era essa pessoa. Black perguntou-me se seria do nosso interesse grampear o smartphone de Emil Barone. Eu falei que não poderia prejudicar, mas eu não era tolo o suficiente para acreditar que um homem como Conti permitiria que sua agenda ficasse disponível digitalmente. Não, estes homens tratavam com caneta e papel, e depois de um tempo, os papéis se queimavam. Eles não eram estúpidos. Foram treinados pelos melhores. Nenhum rastro ficaria para trás. Agora, depois de fazer vigilância durante quatro dias seguidos, nos colocamos

em

frente

a

uma

casa

noturna

popular,

Conti

é

frequentador. Uma casa grotesca chamada Bleeding Hearts. É uma noite de sexta-feira e estou me sentindo com sorte.


Black não estava feliz com a minha falta de conhecimento sobre esse cara. Falei para ele ir se foder. O que, o idiota pensava que eu estava escondendo? Se eu soubesse qualquer coisa, acredite em mim, eu usaria para encontrar Claudio. Enquanto estamos sentados em uma mesa bamba sob as luzes ofuscantes do café, matando tempo e tomando o terceiro café da noite, Black e eu observamos cuidadosamente através da janela. Mesmo que você não possa ver o interior muito bem devido ao brilho das luzes de néon radiantes em todo o lugar, dá para ver o lado de fora muito bem. Este local foi bem escolhido e muito para a nossa vantagem. Nós nos movemos para sentar em um canto isolado do lugar. Black puxa seus binóculos e verifica o caminho. As horas passam, e a fila para o Bleeding Hearts só cresce. Não conseguimos nada nesse tempo. Black suspira. — Estamos agindo literalmente em cima de nada além de um palpite aqui. — Sim. — eu respondo com amargura. Black cutuca meu ombro levemente, move-se para ficar de pé, e afirma: — Isso é perda de tempo. Vamos lá. Nós vamos sair fora daqui. Nós caminhamos para fora do café, e levanto a mão para ajustar o capuz. Depois de outra sessão de laser para remover a tatuagem no meu rosto, faço um esforço sutil para cobrir o ferimento com um Band-Aid. Eu corro a mão pela barba no queixo, estou morrendo de vontade de fazer a barba. Algo instintivo me faz virar. Olhando preguiçosamente para o clube debaixo do capuz, eu paro de repente. Emil fodido Barone.


Ele sai do Bleeding Hearts perto de um rosto familiar, falando animadamente com um homem que eu conhecia. Sasha Leokov. Sasha é um bom homem. Ele é russo, parece a porra de uma parede de tijolo. Estiloso. Não muito falante. Ele costumava ser distribuidor de uma organização que se chamava Chaos. Eu só lidei com ele algumas vezes a negócios, mas pela aparência de Sasha, ele é irado. E a minha curiosidade aumenta. Black nota meu silêncio e se vira para olhar para o próprio homem. Sob sua respiração, ele sibila: — Pegamos. Sasha era sempre tão frio, calmo e sereno que minha cabeça me diz que seria necessário muito para fazer um homem com a sua compostura emocional sentir raiva. O que é Emil está falando para deixá-lo com tanta raiva? Então, quando Sasha interrompe seu discurso e coloca Emil para fora do clube com nada mais do que uma virada de costas, minha mente curiosa pergunta: — Black, quem é o dono desse clube? Ele solta um longo suspiro, seus traços franzem com o pensamento. — Um garoto chamado Leokov. Fica na dele. Não chama a atenção. Paga seus impostos. Claro que sim. Eu rio sozinho, mantendo um olhar atento sobre Emil. — Você sabe quem é o melhor amigo de Leokov? Black encolhe os ombros e me lança um olhar que diz que ele realmente não dá a mínima. Vou fazer-lhe se importar. Isso é fodidamente importante. Emil xinga, balança a cabeça, em seguida, enfia as mãos nos bolsos da calça antes de ir para a rua.


Black está observando Emil com um olho de falcão. — Siga o coelho branco. Quando Emil é abordado por outro homem, deixo escapar baixinho: — Bem, foda-me até a morte. — eu sorrio e murmuro para o homem ao meu lado. — Você tem certeza que não quer saber quem é o braço direito do Leokov? Black, sabendo que está fodido, balança a cabeça. — Eu acho que não faria mal, afinal. Enquanto Emil olha em volta, eu abaixo o meu rosto, e revelo. — Viktor Nikulin. Você sabe quem é, certo? A resposta de Black vem na forma de um aceno de cabeça silencioso. Emil Barone continua andando quando Maxim Nikulin sai das sombras para se juntar a ele. Eles andam um tempo sem falar uma palavra. Quando ambos entram em um carro esportivo de aparência extravagante e se afastam, eu entro em pânico. — Porra. Black, siga-os. — corro em direção ao sedã branco, abro a porta do passageiro e grito: — Nós vamos perdê-los! Black entra, liga o carro e nós saímos, seguindo atrás o suficiente para que nenhum homem note. Esta poderia ser a minha noite de sorte. Se os números quatro e cinco da minha lista estão no negócio juntos, vou matar os dois pássaros com uma pedra só. Vou derrubar uma montanha de merda na cabeça deles. *** — Você está perdendo-os. — Eu resmungo e Black vira o carro. Solto um rosnado baixo. — Chegue mais perto. Você está perdendoos.


— Eu não vou perdê-los. — afirma Black com confiança, mas vejo de outra maneira. — Sim, você vai. — Não, eu não vou. Meu temperamento sobe. — Sim, porra, você vai. Black olha para mim antes de voltar os olhos para a estrada. — Confie em mim, Falco. Eu não vou. — ele faz uma pausa por um momento, antes de confessar em voz baixa: — Eu sei onde eles estão indo. Hã? — Então. — eu começo com cuidado, não sei o que fazer com o tom de Black. — Onde eles estão indo? De trás, observamos o carro esportivo virar em uma propriedade fechada, de aparência rica. O lugar inteiro grita riqueza. Grande e assustadora é um lugar que eu escolheria para morar. — Quem mora ali? Ethan Black empurra o queixo para a propriedade. — Essa é a casa de Evander MacDiarmid. Originalmente de Glasgow, emigrou quando adolescente com seu pai. Eles começaram a gangue de rua, Highland Steel. Ganharam uma espécie de seguidores por essas bandas. Seus crimes são materiais de lendas. Eles ficaram sérios, tornaram-se uma das maiores organizações em Nova Iorque. — Black olha para mim com uma expressão escura. — Nós precisamos recuar. Nós sabemos onde este lugar é agora, mas MacDiarmid não está na lista. Eu não posso muito bem chamar meus homens porque um dos seus caras e outro cachorrinho de estimação estão lá. Eu sei e isso me consome. Recostando no assento, eu olho paro o interior do carro e cerro os punhos em aborrecimento. — O que você sugere que façamos?


— Vamos esperar. — ele retorna. — Sabemos que ambos estão no Estado. Vou colocar um alerta de passaporte em Conti, mas nós dois sabemos que ele não vai precisar dele, sendo que ele voa em particular. Nós seguiremos Emil para onde quer que vá e colocaremos homens em cima dele. Vamos alcançá-los outra vez. Não vai acontecer hoje à noite, Twitch. — eu sinto seus olhos em mim. — Eu sinto Muito. Eu sei que você queria que isso acabasse. Com a voz rouca, digo-lhe: — Não, nós faremos isso direito. Outra semana não vai me matar. Black solta um suspiro de alívio. — Isso é bom. Além disso, eu não gostaria de perturbar a mulher de MacDiarmid. Minha testa franze com este comentário desconcertante, mas eu mordo a isca que ele joga. — Por quê? Quem é ela? À luz da lua, um pequeno sorriso aparece nos lábios de Black. — Sua irmã, Manda. Fico surpreso o resto do caminho. Bem, beije a minha bunda e me chame de puta.


CAPÍTULO QUARENTA E QUATRO Alejandra Em que ponto você desiste da vida? Eu já sobrevivi a muito. Perdendo a mãe aos onze. Entregue para um marido abusivo aos dezoito anos. Casada e rejeitada por outro, aos vinte e quatro. A parte mais difícil de perder alguém não é o adeus, mas sim aprender a viver sem o que ofereciam, e constantemente tentar preencher o vazio que deixam para trás quando vão. Eu nem tenho raiva de Julius. Na verdade, não. Estou só machucada. Mas eu vou tentar deixar de lado a ferida aberta que ele causou. Ao pensar nisso, o meu peito aperta insuportavelmente, e outro ataque de lágrimas toma conta de mim, me imobilizando. Assim que eu entro na área de recepção do The Sunflower Inn, um jovem sentado atrás do balcão sai do assento e corre na minha direção e me envolve com os braços, no exato momento em que perco o uso das pernas. — Vô!! — o jovem grita enquanto me segura, coloca-me no chão para sentar e dá um passo para trás. Eu devia parecer um fantasma, porque quando levantei a mão para dizer a ele que eu não precisava de qualquer ajuda, seus olhos se arregalaram e ele soltou um grunhido. Foi quando Duane apareceu por trás. Deu uma olhada em mim e seus ombros caíram, um olhar de tristeza cruzou seu rosto. Ele ajoelhou-se ao meu lado, segurando minha mão fria


e suja na sua, dando tapinhas em uma ação paternal que fez uma súbita onda de emoção tomar conta de mim. Com os lábios trêmulos, eu levantei a minha mão livre para cobrir meus olhos, em seguida, virei a cabeça para o lado enquanto uma torrente de lágrimas me escapava. E quando eu chorei, dessa vez, a parte de mim que estava racional, que me segurava, se soltou e foi varrida com a inundação de água salgada riscando meu rosto, pingando do meu queixo. Duane apertou minha mão. — Estava preocupado com você, senhorita Alejandra. O estado de seu quarto... E você não estava lá... Bem, Jimmy e eu pensamos no pior. — arrisquei um olhar através de meus dedos e os olhos de Duane se alargaram, enquanto ele sussurrava dramaticamente— Pensamos que você estivesse morta. Eu não pude evitar. Duane pensou que estava me tranquilizando. Ele não estava. Uma curta risada me escapou e expliquei: — Sinto muito pelo quarto. Vou pagar qualquer dano. — Um pensamento me atravessou, e com relutância tirei minha mão trêmula da dele, estendendo a mão para a minha mala. Abri o zíper, tirei um maço de dinheiro que eu tinha pego originalmente da minha casa com Dino e entreguei para ele. Ele olhou para o pacote em sua mão e piscou em choque. — Eu não posso ficar com isso, senhorita Alejandra. Com um suspiro, peguei seu pulso, e disse: — Eu não tenho nenhuma necessidade desse dinheiro, Duane. Arrume o quarto e... — eu fiquei quieta. — E talvez você me alugue outro para passar a noite? Seu choque se transformou em raiva. — Droga, menina. Claro que você pode ter um quarto. — ele se levantou, estendeu a mão para o dinheiro e eu relaxei. Ele puxou o jovem a seu lado e me disse: — Este é


Wyatt, o menino do Jimmy. Wyatt, esta é Ana. — ele encarou seu rosto com uma leve determinação. — Ela precisa da nossa ajuda. Os olhos de Wyatt me avaliaram, mas não sexualmente. Sua mandíbula rígida, ele pareceu irritado com o meu estado. Com um único aceno, Duane estendeu a mão para bagunçar seu cabelo. — Bom homem. O jovem se aproximou e estendeu a mão. Olhei para ela um momento antes de tomá-la, e ele me ajudou a levantar, me envolvendo com um braço para me apoiar. Duane foi para trás do balcão e pegou um molho de chaves da parede, atirando-os para Wyatt, que pegou sem sequer olhar. A próxima coisa que eu soube, é que eu estava sendo escoltada para o quarto mais próximo à recepção. Wyatt abriu a porta e me ajudou a entrar para sentar na cama. — Minha senhora há alguém que posso chamar para você? Eu balancei a cabeça lentamente e sussurrei: — Eu não tenho ninguém. E eu não tinha. Não mais. Ele ficou olhando para mim, os olhos duros. — Nenhum homem tem o direito de colocar as mãos em uma mulher. Eu concordei com ele. — Sim. Quando Wyatt agachou na minha frente, eu vi muito do seu pai e avô nele e me deu a sensação que eu conhecia esta família melhor do que a minha. — Você precisa de algo? Ficarei feliz em pegar para você. — ele perguntou. Um sorriso relutante apareceu nos meus lábios, e eu abaixei o queixo. Meus olhos já não lacrimejavam, e, finalmente, vi o meu estado. Minha calça rasgada e blusa manchada de sujeira zombavam de mim. — Eu preciso de roupas. — meu leve sorriso se intensificou. — Mas eu não o torturaria, enviando-lhe para comprar para mim.


Ele se levantou e com palavras firmes disse: — Qual o seu tamanho? E eu silenciosamente soube que ele precisava fazer isso por mim. Olhei para ele. — Petite7 zero. Quando ele estava saindo, eu estava prestes a dizer-lhe para levar algum dinheiro da mala, ele se virou e caminhou até mim, enfiando a mão no bolso e mostrando o maço de dinheiro que eu tinha certeza que Duane tinha dado para ele. Ele parou no batente da porta e ordenou: — Não abra a porta para ninguém. Este adolescente mostrou a força de um homem e me fez sorrir novamente. — Ok. Wyatt olhou para o chão, uma carranca em seu rosto enquanto lutava internamente com ele mesmo. — Acho que devíamos ter uma senha, senhora. Para quando eu voltar. — Claro. — eu havia dito em um tom apaziguador. Ele ajustou a postura e me olhou nos olhos. — Eu vou bater duas vezes e dizer que tenho uma entrega para a Srta. Zero. — Isso está bom, Wyatt. — eu concordei. Afinal, ele estava apenas tentando me ajudar. Estendendo a mão para puxar a porta fechada atrás dele, ele enfiou a cabeça. — O vô, quer dizer, Duane quer conversar. Ele estava esperando pela minha aprovação. Que doce. Inclinei a cabeça em permissão silenciosa e Duane empurrou a porta e entrou segurando um pacote dobrado de roupa. Ele pareceu levemente desconfortável com a sua oferta, jogand0-o sobre a cama e declarando: — Achei que você ia precisar de algo para dormir, 7

As roupas Petite são ideais para as mulheres de estatura mais baixa, com curvas. Essas peças, em camisas e blazers, tem a altura do comprimento do corpo e das mangas mais curtas. As calças e saias também.


querida. São do Wyatt. Ele é mais magro do que Jimmy e eu, que, por sinal, está encantado em saber que você está respirando. Meu sorriso foi genuíno, ainda mais quando percebi que ele estava corado. — Muito obrigada, Duane. Você foi muito gentil. Ele já estava fora, claramente incomodado com o elogio. Com um aceno de mão, ele se virou para sair. — Nem pense sobre isso. Agora, tranque quando eu sair. Nós não queremos que aqueles bandidos venham pegá-la novamente. Eu fui até a porta, de pé com a mão descansando na maçaneta. — Mais uma vez, obrigada, Duane. — fechei até a metade, olhando-o nos olhos. — Mas as pessoas que me pegaram na última vez eram os mocinhos. O olhar em seu rosto quando eu fechei a porta disse tudo. Eu tinha certeza que eu deixei Duane se perguntando sobre o que os bandidos fariam, uma vez que os bons tinham causado tantos danos. *** Uma hora se passou e Wyatt ainda não voltou da loja. Não importa. As roupas que Duane me trouxe serão suficientes para a noite. Eu deito na cama dura, mas limpa, vestindo uma das camisas xadrez de Wyatt e nada mais. A calça de ioga que eu usava apenas algumas horas atrás estava agora cheia de buracos. Minha camisa tinha botões faltando. A única coisa que eu poderia reutilizar era o sutiã e calcinha, que eu lavei na pia com xampu e pendurei para secar na haste de cortina de chuveiro. Antes de tomar banho, eu liguei a luz do banheiro, e fiquei na frente do espelho. Fiquei chocada com o meu reflexo.


Não era apenas o meu rosto coberto de sujeira, rastros enlameados das lágrimas, mas o canto dos meus lábios rasgou, sangrando até ao meu queixo. Eu definitivamente parecia pior do que eu inicialmente imaginei, e o chuveiro estava chamando meu nome. Senti-me suja com o pó fino da estrada de cascalho revestindo o meu cabelo e pequenos seixos escondidos entre a minha roupa. A água foi refrescante ao me atingir, mas eu precisava que fosse. Eu precisava me sentir limpa da forma que apenas água quente podia proporcionar. Os arranhões e cortes nas minhas pernas latejavam, assim como corte no meu lábio, mas depois que acabei o chuveiro provou ser uma forma de terapia. Eu me senti melhor sobre toda esta situação. Meu objetivo quase impossível é encontrar Gio e assassinar o filho da puta a sangue frio. Eu não sei quanto tempo vai demorar, mas seja o que for, será. Quando minha vida estiver livre de bagagem, vou encontrar Julius e mostrar a ele que eu não sou mais uma mulher que depende de um homem, que não precisa dele, mas deseja. Que meu coração pertence a ele, não importa quais sejam as suas opções. Eu serei leal, até a morte. No momento, a lealdade é tudo o que tenho para dar. Agora, deitada aqui, contemplando os mistérios da vida, uma batida na porta soa. E eu paro de respirar. Outra batida. Mas ainda assim, eu não levanto. Quando a voz soa, meu coração pula. Definitivamente não é Wyatt. — Jesus. Vamos, Alejandra. Eu vi você entrar aí. — a voz feminina rouca acusa. — Deixe-me entrar. Está frio pra caralho. Eu movo-me para sair da cama, mas paro sentada na borda.


Com o tom mais áspero, ela sussurra. — Se eu tenho que vigiá-la como a porra de um falcão, vou fazer no conforto, cadela. Agora, me deixe entrar. Vigiar? Bem, ela ganhou a minha atenção. É possível que Julius a mandou para me vigiar? Eu não sou corajosa o suficiente para ter esperança. Mas sou ousada o suficiente para me mover em direção à porta. Quando estou atrás dela, eu falo: — O que você quer, Ling? Ela solta um grunhido. — Acabei de te falar. Merda. Deixe-me entrar, está bem? Eu sei que é uma decisão estúpida, e reviro olhos ao fazer isso, mas eu abro a porta. Espero um ataque que nunca vem. Ela caminha para dentro sem olhar para mim, esfregando os braços, em seguida, respira nas mãos para se aquecer. Ela grunhe em aborrecimento. — É muito mais quente aqui, e ele quer que eu passe a noite no maldito carro? Eu acho que não, chefe. Isso confirma minha suspeita inicial. Julius a mandou. E meu coração acelera. Eu sabia que ele estava agindo de forma estranha, fora do personagem, e é por isso. Ele nunca quis me deixar. — Ling. — eu digo irritada. — Você não pode ficar aqui. Você precisa sair. É quando ela se vira para olhar para mim. E fico surpresa com a reação dela.


Seu rosto suaviza quando ela me leva para dentro, me olhando de cima a baixo com um movimento de cabeça. — Oh, Ana. — ela se move em direção a mim, mas a história me diz para não confiar nesta mulher, não totalmente, de qualquer maneira, e eu dou um passo atrás, para longe dela. Implacável, ela me lança um olhar de simpatia absoluta e afirma: — Você está sangrando. Pela primeira vez, os saltos altos não fazem clique, abafados pelo tapete macio quando ela se move mais perto de mim. Eu não saio do lugar. Quando ela chega perto eu tento não vacilar. Mas o tapa que eu acho que ela está prestes a deferir não chega. Em vez disso, ela corre o dedo suavemente sobre o canto da minha boca onde estou ferida. Ela levanta o polegar para me mostrar a pequena mancha de sangue, então lentamente leva até a boca de lábios vermelhos. Sua língua rosa molha o seu polegar, e meu coração começa a acelerar. Fico desconfortável com a sensualidade de Ling, é assim desde o início. Seu rosto abaixa, ela coloca seu polegar na boca e chupa um momento antes de deixar cair o braço ao seu lado. Em seguida, ela fala: — Você se lembra do que eu lhe disse depois do clube naquela noite? Sobre o que eu faria se você levasse Julius para longe de mim? Eu concentro, tentando desesperadamente lembrar o seu teor. ... Se você tirá-lo de mim, o que acontecer como consequência vai ser culpa sua, não minha. Depois de um longo momento, eu aceno, porque não soa mais como ameaça. Agora, parece pesar. Dando um único passo mais perto, ela me olha nos olhos. — Sinto muito. — quando procuro a expressão dela, tudo o que vejo é remorso genuíno.


Abro a boca para responder, para lhe dizer que está tudo bem, que a partir de agora, vamos nos tolerar por amor ao Julius. Mas ela me atordoa. Alcançando-me,

ela

segura

meus

cotovelos,

agarrando-os

firmemente em um pedido de desculpas silencioso, depois se inclina para colocar seus lábios no canto da minha boca, beijando-me lá. Eu paraliso, sem saber o que fazer. A última coisa que quero é ofendê-la. Uma Ling ofendida poderia acabar com a minha vida. Um segundo passa e ela me puxa para trás o suficiente para descansar sua testa contra a minha. — Sinto muito, Ana. Este sentimento é diferente. Mais frio de alguma forma. E quando ela levanta a cabeça e fala novamente, meu coração falha. Com seu olhar glacial, ela diz: — Mas você provocou isso sozinha. Virando-se, ela caminha para fora do quarto do motel, deixando a porta aberta. A brisa da noite é fria e, à medida que passa em mim, me arrepia até os ossos. Eu envolvo meus braços em volta de mim, corro em direção à porta, segurando a maçaneta e movo para fechá-la, mas não consigo. A porta balança para dentro tão rapidamente, que é como se uma bomba explodisse no lado oposto dela. Sou jogada para trás no chão, a porta bate na minha cabeça. Estrelas dançam atrás dos meus olhos enquanto luto para ficar consciente. A camisa agora reunida em volta da minha cintura com minha bunda completamente nua, eu o ouço. Eu o ouço e morro por dentro. — Olá, Alejandra. Antes mesmo de ter a chance de olhar para ele, meu corpo começa a tremer de medo enquanto luto com lágrimas de terror absoluto.


É isso. Este é o fim. Ele me encontrou. Eu estou ferrada agora. Minha primeira reação é cobrir a bunda e enquanto me atrapalho para fazer isso, Gio ri baixo e asperamente ao se mover em direção a mim. — Não há necessidade disso. Eu brigo para ir para trás em uma tentativa idiota de me afastar dele, mas ele agarra meu braço e me puxa para cima com pouco, ou nenhum esforço. Eu cerro os dentes em uma tentativa de controlar a respiração, mas meu peito arfa. Ele olha para mim e franze a testa em confusão, inclinando a cabeça concentrado e fala em um sussurro. — O que ele vê em você, eu me pergunto? — ele afasta os pensamentos. — A mesma coisa que meu irmão viu em você. — ele olha para mim de debaixo de sobrancelhas encapuzadas. — Nada além de bunda. Eu mordo meu lábio inferior para silenciar o gemido que ameaça escapar. Ele agarra meu braço, apertando com força suficiente para machucar. — Quanto tempo demorou antes que você transasse com ele? Um dia? Dois? — ele olha para mim e ri baixinho. — Eu suponho que eu não posso culpá-lo. É tudo o que você conhece. Não é, Alejandra? — Por favor. — eu peço, e eu me sinto estúpida perto dele, porque não tenho ideia do que estou pedindo. Uma morte rápida talvez. Seu rosto suaviza, mas apenas marginalmente, e ele me manda calar. — Ei. Quieta agora. Está tudo bem, Alejandra. — ele me puxa para perto, sua frente nas minhas costas, e me trava com um braço firme em volta dos meus ombros. — Está bem. Você vem comigo. E nós estamos indo para casa.


Eu não posso lutar, não agora, não sem um de nós acabar morto, e seria mais do que provável que fosse eu. Eu sou mais esperta do que isso, para deixar o orgulho me matar. Então eu não luto. Deixo que ele me abrace, e faço isso sem reclamar. Gio se inclina para colocar seu rosto junto ao meu, me balançando suavemente. — Eu senti sua falta, sabe? — Sua mão livre desliza para o meu lado direito, correndo por cima do meu quadril para agarrar a minha mão direita. — Então, casou-se novamente, hum? Eu aceno devagar, submissa, e ele levanta a minha mão para olhar para ela. Ele vira a cabeça para a minha, para avaliar a minha expressão. Suas sobrancelhas sobem. — Sem anel? Balanço a cabeça e fico quieta, embora eu esteja gritando por dentro. Ele me deixa um momento para alcançar o bolso antes de levantar o braço de novo para os meus ombros, segurando-me mais apertado do que antes. Quando eu detecto o que ele tem na mão, um soluço petrificado me escapa. Meu corpo treme tanto que meus dentes batem. Aguardo o que está vindo enquanto uma podridão gelada e aterrorizante sobe para a boca do meu estômago. Gio fala diretamente em meu ouvido, sua respiração aquece meu pescoço, e eu estremeço só de sentir. — Você sabe, aos olhos de Deus, você é a noiva de ninguém, Ana. Você traiu o seu marido, e para ser honesto, acho que ele sentiria alívio por saber que você tem outro. Quero dizer, você claramente provou que você não serve para ser esposa. Quem é você para cagar em toda a santidade do casamento? — ele faz uma pausa por um momento. — Quando eu me casar com sua irmã, é melhor você acreditar que o que aconteceu com Dino não vai acontecer comigo. Eu não vou permitir. — sinto seu sorriso estirar no meu rosto. — Eu vou matá-la primeiro.


Seus dedos fecham em torno de meu dedo anelar à minha direita, e ele empurra-o para cima, para frente do meu rosto. — Agora, eu vou garantir que todos conheçam os seus pecados, e se aquela porra pecadora do Julius lhe der um anel. — sua risada é pura maldade — Eu gostaria de ver você tentar usá-lo. A tesoura de jardinagem que ele segura se aproxima de mim, e embora eu pretendesse não lutar, meu corpo entra em modo de preservação, e eu ataco, chuto e rosno através de gritos suplicantes. Mas ele é maior do que eu. Ele é mais forte do que eu. Ele é mais psicopata do que eu. Nada vai impedi-lo. — Não, Gio, não. Por favor. — meus soluços são inúteis. Tento tirar a minha mão do seu domínio, ofegando fracamente. — Oh, Deus, não. Por favor, não. Mas a tesoura chega mais perto, e eu suspiro cansada, grito desesperada, sabendo o que está vindo. Quando ele descansa a tesoura aberta, com as lâminas polidas em volta do meu dedo, eu ainda grito. E quando ele a fecha em um movimento rápido, meu anel e dedo caem no chão na minha frente e o sangue vermelho grosso escorre pelas minhas juntas, cobrindo minha mão. Então eu faço a única coisa que posso. Eu levanto minha cabeça para os céus, meu corpo tremendo em desespero, e guincho a minha agonia.


CAPÍTULO QUARENTA E CINCO Julius Dois dias depois… Com os olhos vermelhos, barba de quatro dias sobre o queixo, eu acelero o longo caminho para o endereço que consegui de uma forma que não me agrada. Esta não é uma jogada inteligente, de nenhum lado, aspecto ou forma. Na verdade, estou quase inteiramente certo que vou sair dessa em um saco. Inferno, até liguei para Tonya antes de eu chegar, apenas para que pudesse ouvir a voz dela uma última vez. O que estou fazendo é imprudente. Isso em si é muito diferente de mim, mas eu sou um homem de luto. Os arranjos foram feitos. A minha irmã será uma mulher muito rica quando eu morrer. Por que a minha esposa... Eu olho para a caixa de joias retangular branca descansando no banco do passageiro, e o pensamento do que ela contém faz meu peito apertar. Uma e outra vez, mais e mais, e vai continuar a acontecer até que eu acabar com isso. Minha esposa está morta. Tenho quase certeza disso. Quando Ling ficou fora de área, eu soube que algo estava errado. Ela nunca deixava o telefone desligado, não quando eu precisava dela. O quarto de motel foi destruído, e o proprietário do The Sunflower Inn, Duane, tinha sido nocauteado – o seu neto, Wyatt, tinha me dito.


Apenas uma coisa foi encontrada no quarto, e eu sabia que Alejandra tinha morrido. Na minha dor silenciosa, eu me perguntava sobre minha parceira. Eu sei que Ling tem seus problemas, mas ela não é completamente estúpida. Ling é imprudente, não tola. Ela sabia que abandonar seu posto significaria que eu a mataria, e eu não hesitaria em fazer essa merda. Não quando Alejandra estava envolvida. Agora, nessa situação, no espaço de um dia, eu perdi duas mulheres com quem me importava profundamente. Eu procurei Ana por todos os lugares, nenhum pouco corajoso para ter esperança de encontrá-la viva, mas para recuperar seu corpo e dar-lhe a paz através de um enterro. Minha autoaversão está em alta. É minha culpa. Inesperadamente, eu posso ter feito como Twitch. Eu fiquei muito confiante. Muito convencido. Comecei a me sentir invencível. E estaria tudo bem se eu fosse o único a sofrer, o único a morrer, mas eu não era. Ela era. Agora, sentindo-me desse jeito, cru e rasgado e quebrado, eu entendo por que Twitch fez aquilo. Eu entendo por que ele deu um passo em frente, na direção daquela bala. Para salvar meu pequeno pardal, eu teria feito o mesmo. Eu teria feito qualquer coisa. Sim. É minha culpa. Eu não posso colocar a culpa em ninguém além de mim. Ana era leal até a morte. Ela nunca teria me deixado encontrar Gio por conta própria, e assim, em uma tentativa de mantê-la fora do caminho do mal, lancei-a para fora. Eu tinha a melhor das intenções no coração. Deixei-a segura e com proteção, e eu viria para reclamá-la quando o perigo houvesse passado. Depois de toda a merda que ela tinha


passado, ela merecia uma vida cheia de amor. E isso era algo que eu poderia dar-lhe dadas as circunstâncias corretas. Mas ela era uma distração que eu não precisava quando estava em missão e, por causa da minha decisão, sou a verdadeira causa de sua morte. Será algo com a qual tenho que viver até o dia que eu morrer, que, esperamos, será em breve. Eu nunca disse a Alejandra como me sentia sobre ela, ou até mesmo como ela me fazia sentir menos desconectado, que ela me fazia sentir humano novamente. Parte de mim desejava que eu tivesse. A outra parte gostaria que eu nunca a tivesse conhecido. A expectativa do amor versus a realidade são duas coisas completamente diferentes. A expectativa é que sejam apenas de corações e rosas, sentimentos calorosos, beijos e abraços longos cheios de esperança de que a vida será sempre bonita. Mas a beleza não dura. Nunca dura. Mesmo as rosas têm espinhos. A realidade do amor está em ficar aterrorizado em decepcionar o seu parceiro, colocar fogo em si para manter o amado quente e crente que você tem a capacidade de impedir que coisas ruins aconteçam. E no momento em que você percebe que não pode, sua alma o deixa na forma mais dolorosa, pedaço por pedaço é rasgado de você, e o amor se torna um inimigo eterno. Demorou um dia de perseguição, mas consegui colocar as mãos em um dos meninos de Gambino. Convenci-o a entregar detalhes de um certo encontro que estava acontecendo agora na casa, que com certeza Vito Gambino estava mantendo em segredo. Eu sei que o homem de Gambino não contou para ele que eu vou. Eu sei disso porque ele está atualmente drogado e trancado no porta-malas do meu carro, faltando uma orelha, bem como a ponta da língua, e com cheiro da própria urina. Ele foi


inteligente o suficiente para se render no momento certo. Eu não sei quanto tempo mais eu teria mantido a civilidade. Ao contrário da casa de Eduardo Castillo, esta não tem um portão monitorado na frente. Não há chefe de segurança aqui e cerca de dois metros e meio, pouco para impedir qualquer um que quisesse entrar. Estamos afastados. O vizinho de Gambino está a quilômetros de distância. Eu sei. Eu chequei. A confiança de Vito Gambino em seus homens é admirável. É uma pena que vai ser a causa da sua morte. Quando eu chego ao portão, enfio a mão no bolso e pego meu celular. Eu disco o número, e ele atende imediatamente. — Tem certeza que é o lugar? Minha voz é áspera por falta de sono. — É isso. — Certo-oh. — ele responde, o tom transmite sua falta de confiança. Entendi. Vai ter um monte de pessoas importantes aqui hoje. Ele acrescenta: — Bem, eu estou aqui. Pronto para ir quando você estiver, meu amigo. — Bom. — eu digo, cansado. — Isso é muito bom. Com o meu carro ainda em movimento, o meu dedo toca o botão de desligar, e sem outro pensamento, eu viro meu corpo para olhar para trás e jogar meu carro em marcha ré, volto uma boa distância, longe o suficiente para observar a propriedade diante de mim. Eu deveria estar pensando sobre o custo do que estou fazendo, não só para mim, mas para todos os envolvidos. Mas não penso. Eu não dou mais a mínima. Este é o fim da estrada. A parada final. A última chamada.


Estou tão cansado. Mas tenho contas a acertar. Minha mão se move para colocar a marcha na posição. Com um lábio enrolado e uma mente furiosa, eu empurro o pé no acelerador, pedal no metal. O sangue ruge nos meus ouvidos conforme as rodas do meu carro giram, fazendo sujeira voar para cima e ao redor do veículo. Um momento passa, e eu balanço quando o carro começa a se mover, os sons do motor trabalhando duro ecoando através do meu corpo. Meu peito vibra com cada reversão, cada uma mais forte do que a outra. Cada vez mais perto, meu alvo aumenta, e quando ele está bem ali na minha frente, eu cerro os dentes e meu aperto no volante vira aço, antecipando o impacto. Boom. O som faz meus ouvidos sangrarem quando o SUV atravessa os portões altos de ferro e o carro desliza para o lado por causa da colisão. Tiro o pé do acelerador, eu patino e corrijo o movimento com nenhum esforço. Acelero mais uma vez e conduzo todo o caminho até a casa principal. A comoção fez homens saírem correndo da casa, armas na mão, à espera de uma luta. Mas eles não vão conseguir uma. Não agora. Vou lutando de uma maneira diferente hoje. Quando os homens apontam as armas para mim, eu levanto os braços em sinal de rendição, e grito: — Eu preciso ver Eduardo Castillo. Logo que o nome é falado, ele sai da casa e olha para mim. — Julius Carter, que diabos você está fazendo aqui? — Eu preciso que você ateste para mim. — digo a ele, observando a horda de homens agitados olhando ao seu redor. — Eu preciso falar hoje, e desde que não fui convidado, eu preciso que você ateste para mim. Seus olhos estreitam severamente. — Por que eu deveria? Você zomba da minha família com sua presença, trazendo nada além de


problemas, então você se casa com a minha filha sem permissão. — seus lábios franzem. — Dê-me uma razão para não matá-lo agora, Carter. Quando abro a boca, as palavras mágicas voam para fora. — Você está procurando Miguel, certo? Os olhos de Castillo brilham e ele procura o meu rosto por um momento, antes de revelar calmamente: — Sim. Ele está desaparecido há uma semana, inacessível. É por isso que estamos todos reunidos aqui hoje, para organizar uma busca por ele. — ele vê na minha expressão solene, em seguida, pergunta esperançoso. — Você sabe onde ele está, sim? Eu dou a minha resposta sensata. — Sim. Ele foi levado. — Por quem?— Castillo aproxima um pouco de mim, os olhos arregalados, o desespero alinhado com a pergunta. Sentindo-me um pouco como um animal enjaulado, eu luto contra o desejo de contar. Minhas mãos ainda no ar, meus olhos mortos encontram os dele, e eu falo com calma absoluta. — Ateste para mim. Eu não vou dizer nenhuma outra palavra filha da puta sem uma garantia de qualquer tipo. Ele olha para mim um longo momento antes de virar para Vito Gambino, e falar para o outro homem. — Eu atesto por ele. Ele tem o direito de falar como meu convidado. Mande-o embora e me mostre um grave desrespeito. Gambino parece puto pra caralho, mas quando seus olhos fitam os meus, com um único olhar de fúria, eu silenciosamente o desafio a dizer uma palavra contra mim. Gambino sacode a cabeça para os seus homens. — Afastem-se. Vamos ouvir o que o Sr. Carter tem a dizer. Afinal de contas — ele sorri obscuramente para o meu SUV destruído —, ele jogou fora cem mil apenas para chamar nossa atenção.


À medida que os homens me observam com desconfiança, eu anuncio em voz alta. — Na verdade, eu tenho algo que você vai querer ver. — quando Gambino olha para mim como se eu tivesse oficialmente desprezado minhas boas-vindas, eu continuo: — Mas eu precisava trazer outro cara. Ele está esperando eu sinalizar para ele. Ele não vai avançar até que eu chame. Castillo parece confuso. — Ver? Minhas

palavras

saem

lentamente,

significativamente. —

Você realmente vai querer ver isso. Sem um momento de reflexão, ele acena com a cabeça em consentimento. — Traga o seu homem. Eu abaixo uma mão para recuperar meu celular e fazer a chamada. Nem um minuto depois, um Jaguar XE preto aparece no fim da estrada, descendo lentamente para onde os homens estão reunidos. A janela matizada abaixa e Braden Kelly enfia a cabeça para fora, sorrindo. — Alguém pediu uma pizza? — quando ninguém mostra um sorriso, o sorriso de Braden esmorece e ele murmura de lado: — Galera séria. Ele sai do carro, e seus irmãos, Shane e Connor, também. A mão de Connor ainda embrulhada firmemente em gaze, os ferimentos de bala que eu lhe dei ainda frescos. Shane inclina-se contra o carro, enquanto Connor move-se para sentar-se sobre o capô. Vito Gambino rebate: — Você disse que era um cara, Carter. É Connor que responde, e ele faz isso com um calor carregado. — Se você acha que nós vamos deixar nosso irmão bebê em uma casa trancada com tipos como vocês, e não estar aqui para ter certeza que ele sairá na mesma condição que ele chegou — ele zomba —, você ficou louco, meu velho. Gambino se ofende do jeito que Connor queria. — Ah, seu filho...


Mas Castillo fala sobre ele, olhando para os meninos Kelly. — Eu conheço sua mãe, Aileen. — ele diz-lhes em voz baixa: — Ela é uma senhora simpática. Administra com mão de ferro. Mantém a família por perto. Eu gosto dela. Shane, sempre o diplomata, inclina a cabeça, e sua gratidão é genuína. — Obrigado. Nós também gostamos dela, quase todos os dias. Connor, que não parou de encarar Vito Gambino, encontra o juízo, e explica: — Ouça, nós não vamos entrar com Braden. Vamos só ficar aqui, completamente à vista. Quando a família está em causa, levamos a segurança a sério. Acho que os rapazes podem entender isso. Vito esfria com um longo suspiro, balançando a cabeça. — Vamos acabar com isso. Ele chama todos os homens à casa, parando para sussurrar no ouvido de um de seus soldados, e quando a entrada está quase limpa, dois soldados saem para ficar em frente ao Connor e Shane. Ao entrar na casa ao lado de Castillo, ouço Connor murmurar para um dos homens: — Bem, vocês ficam bonitos em seus ternos elegantes. Entramos na sala de estar, a sala onde o encontro estava em pleno andamento antes da minha entrada inesperada, e Braden começa a trabalhar, conecta o laptop na TV de tela grande na parede e liga os fios. Ele me faz sinal com o polegar para cima quando está pronto, e eu movo para ficar ao lado dele para me direcionar aos homens do submundo. — Eu não conheço alguns de vocês, mas a maioria deve me conhecer. Aqueles que não conhecem, no mínimo saberão o meu nome e a minha posição. — faço uma pausa para olhar para as muitas faces. — O vídeo que estão prestes a assistir é perturbador. Nada de açucarar isso. Mas eu preciso que vocês lembrem-se que somos homens de código. Eu peço que assistam o vídeo na íntegra e pensem antes de reagir. — minha encarada é mortal. — Eu tenho os reflexos de um gato e posso


disparar mais rápido do que qualquer filho da puta. Eu tenho o apoio dos trinta homens mais mortais e das piores cadelas dos EUA continental, sendo que uma das minhas mais recentes aquisições é Aileen Kelly. Não só coloquei seu filho mais novo no chão, mas também fiz dois furos em seu filho do meio, poucos dias atrás. — meu olhar passa um Claudio Conti sorridente, e eu acertei a pistola no idiota. Apenas para registro eu adiciono: — No que se refere a vocês, eu sou intocável. Lembrem-se disso. Eu passo à frente para colocar a minha mão no ombro de Eduardo Castillo. Do seu lugar, ao lado de Vito Gambino, eu olho para ele, antes de dizer: — Talvez você deva sentar-se comigo. Seu olhar se estreita ligeiramente, mas ele me segue para um sofá de couro ocupado por dois soldados. Quando nos aproximamos, eles levantam, abrindo espaço onde não havia. Eduardo se senta, e eu olho ao redor da sala para ver as dezenas de homens, tanto sentados, quanto em pé, em silêncio. Hora do show. Com um aceno discreto para Braden, a tela se ilumina, e ele se move para o meu lado, ajoelha-se ao lado do sofá. Sorrindo, Braden se inclina e sussurra: — Pensei em temperar um pouco, sabe? Pelo amor ao entretenimento. Antes que eu possa perguntar o que diabos ele está falando “Turn Down for What”, do DJ Snake e Lil Jon explode nos alto-falantes, chocando tanto a mim quanto os homens ao redor. Embora eu queira nocauteá-lo, é tarde demais para voltar atrás agora, e com a mandíbula cerrada, eu deixo o vídeo reproduzir. Eduardo Castillo move-se para opor-se, mas com um aceno de cabeça e minha mão firmemente em seu joelho, sua expressão furiosa move-se para assistir ao filme que vai fazer homens crescidos chorarem.


Durante os primeiros vinte segundos da canção, Braden fez o vídeo quase como um videoclipe. Clipes de longos segundos de Dino e Alejandra se beijando na cama aparecem na tela. Na marca do vigésimo segundo, quando o ritmo cai, os clipes mudam drasticamente. Dino estapeando Alejandra. Gio chutando-a nas costelas. Ana engasgando com o pinto do Gio, em seguida, vômito por todo o chão. Gio agarrando seu pescoço e esfregando o rosto no vômito. Dino amarrando Ana à cama. Uma aproximação no rosto coberto de lágrimas de Ana. Gio fodendo rudemente a bunda da Ana enquanto Dino se masturba por perto. Uma aproximação na expressão torturada de Ana. E continua e continua, e cada clipe curto me faz querer atirar nesta sala inteira, querendo nada além de destruir a doença que vive no interior dos homens Gambino. Uma rápida olhada ao redor da sala mostra que o vídeo atingiu seu objetivo. Homens, homens endurecidos assistem com a boca aberta. Eles estão atordoados. No meio da canção, os clipes mudam, e Eduardo Castillo observa seu filho e herdeiro, Miguel, ser estripado por um aliado confiável. Gio atravessa Miguel e enfia a faca de caça nele de novo e de novo, e faz isso com um sorriso. Um grito sufocado soa sobre a música, e sem pensar duas vezes eu pego a mão do homem mais velho na minha e aperto. Minha mensagem silenciosa para ser forte. Acabará logo. O fim se aproxima e eu fecho os olhos, depois de ter visto o suficiente. Conforme a música aumenta e escurece, eu ouço os sons de homens adultos rosnando de raiva e alguns chorando como bebês.


Meus olhos se abrem e levanto antes que alguém seja capaz de reagir. A família Castillo mal está se segurando, está por um fio. Os homens de Gambino recuaram para longe do chefe da família, com esperança de se misturarem no fundo. Eu ergo a mão na frente de todos os homens, pedindo silêncio, e quando consigo, eu miro um Vito Gambino agora pálido. — Agora, pergunte a si mesmo se ainda pode chamar o que Alejandra Gambino fez com o marido de ofensa punível. Vocês todos chamaram de assassinato na época. Estou perguntando agora, quantos ainda acreditam nisso? Nem uma única mão sobe. — Eu não sei sobre vocês, mas eu chamaria a morte de Dino de legítima defesa por parte de Alejandra. — minha voz fica rouca, a raiva começa a aparecer. — Esta linda menina foi empurrada para um casamento, aos dezoito anos de idade. Garantiram para ela que o marido era um homem bom, e quando descobriu-se que ele não era, ela fechou a boca sobre isso, porque diziam para ela — eu viro meu olhar para Castillo — que era o seu fardo para carregar. Que os sacrifícios eram necessários para o bem da família. — meu rosto doído, eu assobio — Por seis anos ela lidou com estupro e tortura. Pergunto-lhes, é assim que tratamos nossas rainhas hoje em dia? Porque eu fui ensinado que devemos respeitar as nossas

mulheres.

um

momento

de

silêncio. —

Como

isso

aconteceu? Como deixamos um dos nossos com a sensação de que ela não tinha escolha, exceto salvar-se? Com as minhas palavras implacáveis, Eduardo Castillo desliza do sofá para o chão de joelhos, com a cabeça abaixada, corpo caído, chorando como um bebê.


Os homens permanecem em silêncio, mas cada vez mais as pessoas na sala ficam ao lado de Eduardo Castillo, em uma demonstração de apoio. Vito Gambino se levanta e tenta falar, mas não consegue encontrar as palavras. Finalmente, ele fala com sinceridade: — Meu amigo, meu irmão, eu não sabia. Eu... eu... — ele gagueja. — Eu não sabia. Eu juro. Castillo está com lágrimas nos olhos, e cospe, — Amigo? Você não é amigo meu. Tenho vergonha de ser ligado a você e sua imundície. — ele começa a soluçar. — Não mais. Isso termina aqui. Foi um erro completo. — ele modera um momento e diz. — Eu tomo toda a culpa. A partir deste dia, fica conhecido que não estamos mais em dívida um para com o outro, Gambino. Gambino empalidece mais. Ele sabe que se ele não sair daqui agora, ele não sai. Ponto. — Eduardo, eu não sei o que dizer. Lamento que você se sinta assim. — ele vai em direção à porta, mas toda a sala dá um único passo para mais perto dele, e alguns dos homens de Gambino tentam seguir o seu líder acuado. Os outros conhecem seu destino e esperam pacientemente a bola a cair. Dois dos homens de Castillo movem para bloquear Vito da porta aberta, e quando ele percebe que está preso, Vito deixa escapar: — Basta perguntar para Alejandra. Ela vai te dizer que eu não sabia. Eu não sabia! — Eu não posso fazer isso. — digo a ele. Enfio mão no bolso e pego a caixa de joias branca retangular. Eu me movo para jogá-la para ele, e ele pega. Engolindo em seco, Vito abre a caixa e, fecha os olhos em descrença, abaixa a caixa, e o dedo cortado cai no chão na vista de toda a sala. Reitero a minha declaração anterior. — Eu não posso fazer isso, Gambino, porque seu filho a pegou, e embora eu não queira acreditar, no


fundo eu sei que ela já está morta. — se isso não o derrubou, isso vai. — Ele matou a minha mulher, a mulher que eu amava muito. Além disso, minha parceira desapareceu. A única coisa que achei dela foi um salto caro fora do seu carro aberto e abandonado. Se você conhece a minha parceira, você sabe por que aquele maldito sapato é a razão de eu estar supondo que ela está morta também. — dou uma respiração profunda, e continuo ao expirar. — Eu só a tinha há um segundo, velho, e ele a levou para longe de mim. — minha garganta engrossa com emoção, eu digo-lhes tudo. — Ela estava finalmente feliz comigo. E, por Deus, ela merecia. A expressão do Vito fica derrotada e seus ombros caem. — Esperem, por favor. Vamos ser razoáveis. Dou um passo para trás, empurrando a multidão comigo. — Eu estou sendo razoável. — com um empurrão do meu queixo em direção ao seu peito, Vito olha para baixo e suspira. Cinco pontos brilhantes e vermelhos aparecem lá, e eu digo-lhe: — Veja, eu sou razoável. Eu vou fazer isso rápido. — eu limpo a garganta e anuncio:— Qualquer um que não esteja diretamente relacionado com a família Gambino deve fazer uma opção. Isso não vai ser bonito. Com um rápido olhar para as janelas ao redor, vejo meus homens. Todos carregando metralhadoras semiautomáticas, graças ao meu amigo Tito, Marcos Demitriou, Titus Okoye, Lars Odegard, Luka Pavlovic e Elias Munoz todos esperam solenemente pelo meu sinal. Eu posso ter cobrado cada favor para tê-los aqui, mas quando meus olhos encontram os dele, eu inclino minha cabeça em apreciação. Eu gasto um momento para abaixar a cabeça e esfregar os olhos. Estou muito cansado desta vida. Conforme os homens se alinham, eles oferecem suas condolências ao Eduardo Castillo sobre as mortes de seus filhos. Os soldados de Gambino estão encurralados como ovelhas perdidas pelos de Castillo, e


pela aparência de seus rostos assustados, um senso de satisfação me irradia. Finalmente, do meio de uma tarde calma, nós pintamos a casa de Gambino de vermelho.


CAPÍTULO QUARENTA E SEIS

Alejandra Gio encaixa-se atrás de mim, suas mãos desajeitadas agarrando minha cintura com força suficiente para contundir, e quando ele pressiona seu corpo no meu, eu luto contra o tremor de desgosto que deseja ser libertado. Ele quer que eu grite para ele. Ele anseia por meu medo. Mas ele não me conhece mais. Eu sou diferente agora. Eu já não sou a mesma pessoa que era ontem. O homem sentado no canto da sala, observando Gio fazer a sua coisa, sorri, debocha da minha falta de dignidade, eu o odeio. Mas aquela risada é combustível para florescer algo dentro de mim. É com grande força que me enterro profundamente na minha mente e me escondo lá, em meu lugar feliz. Logo que começa o estupro, o telefone dele toca, e com um suspiro duro, ele desliza para fora de mim, movendo-se para a mesa de madeira para atender. Eu não sei o que está sendo dito, mas seja qual for a notícia, raiva cega toma conta dele. Eu ouço o celular cair no chão. Ele grita, agarrando os lados da cabeça, o peito arfando. Meu coração acelera um único momento antes de se acalmar. Gio pode não me conhecer mais, mas eu ainda o conheço. Seja quem foi que o feriu, serei eu a tomar a punição.


Eu sei que o está chegando e me preparo mentalmente para isso. Eu aceito. Com olhos ávidos e brilhantes, ele se aproxima do lugar onde estou amarrada, nua e espalhada, em uma cruz mal feita, que estilhaça meus tornozelos e pulsos. Ele ofega e corre para ficar na minha frente. Eu não posso levantar a cabeça pesada no momento, por isso o meu olhar cai sobre sua ereção. Ofegante, ele diz: — Eles estão todos mortos. Todos eles. Eles estão fodidamente mortos. — com a voz carregada de fúria, ele me agarra pelo pescoço e aperta enquanto sibila. — Que porra ele vê em você? O homem no canto da sala de Gio me observa sufocar, com a mão no meu pescoço tremendo de raiva, e os olhos dele brilham em excitação silenciosa. Ele abaixa a mão para agarrar a virilha, e assim eu sei que esta cena está excitando-o. Observo o homem e ele me vê. Com o olhar fixo, ele me sopra um beijo do outro lado da sala, e isso faz um buraco dentro de mim, escancarado e cru. Estou muito cansada desta vida. Tudo que eu quero fazer é dormir. Dormir por uma eternidade. Gio agarra o pescoço com mais força, e eu não me incomodo com a luta que persiste na minha cabeça. Qual é o ponto? Eu não posso ganhar. Nem agora. Nem nunca. Com a alimentação de ar interrompida, é com grande prazer que fecho os olhos. Eu fecho os olhos e encontro o sono. Mas antes disso, encaro os olhos frios e sem emoção de Maxim Nikulin.


CAPÍTULO QUARENTA E SETE

Twitch Sento-me no grande trono de couro e aqueço-me em frente ao fogo crepitante na lareira. Eu faço isso e espero. Quando Black me perguntou onde eu estava indo, eu disse que ia caminhar. Não falei onde, porque depois do nosso trabalho na noite anterior, algo me disse que ele faria um ajuste de merda se conhecesse o meu paradeiro atual. Uma hora passa, e depois outra, e enquanto eu luto com um suspiro irritado, eu decido me levantar e esticar as pernas, vai me ajudar a impedir de cair no sono. Meus braços vão para o alto, sobre a minha cabeça, a posição puxa a camiseta de manga comprida preta lisa, descobrindo meu estômago. Meus braços caem para meus lados, e eu balanço a cabeça em inquietação. É arriscado estar onde estou, no gabinete de um homem que é uma lenda em sua cidade natal. Não apenas isso, também é desrespeitoso invadir seu espaço pessoal como estou fazendo agora. Sorte minha que nunca me importei muito com essa coisa toda de respeito. Então, muitas pessoas exigem respeito, quando não fizeram nada para merecê-lo. Eu olho ao redor da sala impressionante, banhada em luz do fogo, e aprecio a riqueza gritante. Tapete persa no chão, um Picasso na parede, alguns dos melhores uísques conhecidos pelo homem acomodados consideravelmente em garrafas de cristal que provavelmente custariam o salário anual de um cara normal.


Estou cansado e pensando em ir embora, quando a porta se abre e ele entra. Tenho certeza que ele vai tentar atirar em mim. No entanto, estou carregado e se ele tentar vir para cima de mim, eu não me seguraria em presentear-lhe com um buraco no ombro. Não é exatamente como eu imaginava encontrar o meu cunhado, mas eu acho que vai ter que servir. Precisa de apenas um momento para Evander MacDiarmid perceber que não está sozinho, e pouco antes de ele chegar na sua mesa, ele gira lentamente para me encarar desarmado. Estou quase impressionado. Quase. Claro que é um filho da puta confiante. Vestido em um terno cinza-claro, com uma camisa branca e gravata cinza-escuro, e sapatos de couro italiano, ele é um palmo mais alto do que eu, com um tufo de cabelos castanhos penteados para trás, ondulando atrás das orelhas. Com olhos castanhos penetrantes, ele analisa as minhas feições e relaxa, recostando-se na sua mesa monstruosa, cruzando os braços sobre o peito e sorri. Seu sotaque pesado escocês não é algo que eu esperava. — Você é a porra de um idiota, não é ? Escorregando minhas mãos nos bolsos do meu moletom preto, meus ombros saltam de um modo descuidado. — Então, já me disseram. Ele deixa escapar uma risada suave antes de se empurrar da mesa e se mover em direção ao bar. Ele se vira e pergunta: — Bebida?— eu empurro meu queixo afirmando, mas estou vigilante e desconfiado. Ele tira o casaco e joga em uma cadeira. Serve dois copos, colocando-os em sua mesa, em seguida, caminha até a porta do escritório, abre-a, e grita: — Cai fora. — para o soldado que ele colocou lá antes de bater a porta de madeira pesada novamente.


Evander me entrega um copo, e eu olho para ele, observando de perto quando ele toma o primeiro gole antes de eu levantar o copo aos lábios e saborear. Sim, eu sou paranoico. Mas a paranoia foi muito útil ao longo dos anos. Além disso, não seria a primeira vez que alguém tentava me envenenar. — Oh, cara. — escapa-me sem pensar. Faz muito tempo que não tomo um bom uísque. Seu sorriso se alarga, em seguida, ele toma um gole, fechando os olhos, saboreando o gosto. Ele engole em seguida, aperta os lábios. — Uma

coisa

que

os

escoceses

fazem

bem,

companheiro. Uísque

escocês. Você não consegue melhor. — Ele levanta o copo, avaliando a cor. — Macallan. '72. Oh sim, custa uma fortuna, mas eu prefiro engolir minha própria urina a beber qualquer merda de prateleira. — ele abaixa o copo, em seguida, me com olha com a sobrancelha franzida. — Mandy. — diz ele. — Me falou que você não estava morto. Eu não acreditei nela. Pensei que era um desejo da parte dela. Eu sei que ela queria conhecer você. Ok, então. Aqui vamos nós. — Você sabe quem eu sou. — não é uma pergunta. Ele levanta as mãos no ar, os olhos arregalados. — Só por acaso, eu lhe garanto. Seu pai me pediu para encontrá-lo para ele quando você se mudou para a Austrália para seguir aquela sua mulher. Tenho fontes por toda parte, sabe? O alcance dele só chega à América. — ele bebe novamente. — Achei que tinha levado uma bala. Morrido. — Evander balança a cabeça. — Nunca vi minha Mandy tão triste. Ela não podia acreditar, e quando chegou o relatório da sua autópsia, a felicidade dela voltou em estilo. Absolutamente convencida de que não estava morto. — ele inclina a cabeça. — Tenho que dar crédito a ela. Ela é um pouco como


o Zep nisso. Uma vez que colocam algo na cabeça, pode esquecer. Nada que você diga pode fazê-los mudar de ideia. Não quero saber do meu pai. Vou fazer quase qualquer coisa para evitar o assunto. Eu entendi quase tudo o que ele disse. — Zep? Ele pisca para mim. — Sim. — ele me olha com cuidado e fala com o mesmo cuidado. — Seu irmão. Que porra é essa? Eu tenho um irmão agora? Quantos outros irmãos vão sair da toca? — Você não sabia. Claramente descartado, eu solto: — Quaisquer outros? Ele inclina a cabeça para trás e ri abertamente divertido. — Não que eu saiba. — Bom. E o idiota ri novamente. — Tenho a sensação que gostaria de você. Você e eu — ele solta quase sóbrio — somos um pouco parecidos. — Então, Mandy e Zep, huh? — eu deixo escapar um longo suspiro, balançando a cabeça. — Foda-se. Os olhos de Evander sorriem. — É melhor chamá-la de Manda. Eu sou o único que ela permite chamá-la de Mandy. Acha que sai pouco profissional com o seu trabalho. — com minhas sobrancelhas levantadas, ele completa. — Ela é uma médica, minha menina inteligente, ela é. Uma médica? Merda. Menina inteligente, de fato. Isso explica por que ela olhou o relatório da autópsia. Ele anda em torno da mesa, abre uma gaveta e tira um charuto, estendendo-o para mim. Nunca fui um cara de charuto. Eu recuso graciosamente, e ele franze os lábios, surpreso. Quando ele puxa um


baseado, um sorriso malicioso aparece no seu rosto, e ele estende o braço para mim. — Cultivada em casa. Minha própria marca. Quando um homem oferece-lhe um baseado, você não recusa. Mais ainda quando ele diz que a merda é dele. Eu pego e corro debaixo do meu nariz, inalando profundamente. O verde pungente cheira tão bem que dá água na boca. Eu quero tanto, mas a contragosto chego e devolvo-o para ele. Eu não estou aqui para o prazer. Evander inclina a cabeça em entendimento. — Pegue. O baseado é guardado no bolso do casaco e, com relutância, eu coloco para fora meu apelo. Eu corro uma mão sobre a boca e pisco para a sua mesa monstruosa, escolhendo as palavras com cuidado. — Eu sou um homem orgulhoso, MacDiarmid. Então, nada. Isso é tudo que consigo. Eu não sei para onde ir a partir daí. Endireitando-se na cadeira, com a testa franzida ele inclina-se sobre a mesa, olhando-me nos olhos. Ele me entende. — O que você precisa? — Dois dos seus homens estão no meu caminho. Conti e Nikulin. Eu preciso que eles saiam. Ele suga uma respiração através dos dentes, sibilando. Parece rasgado um momento, antes de dizer: — E depois? — Então eu vou para casa. — simples. — Então, eu dou-lhe dois dos meus melhores caras, perco algumas das principais organizações ao longo do caminho. — sua testa sobe ao perguntar: — E o que eu recebo em troca? Meus lábios afinam. Esta é a parte mais complicada.


Eu não quero mentir para esse cara, por isso não faço. — Não tenho nada para lhe oferecer. Ele olha para mim um longo momento antes dos seus lábios contraírem, um olhar confuso marca seu rosto. — Que porra de proposta, companheiro. Sento-me em silêncio, segurando meu uísque, correndo o polegar ao longo do cristal delicado, sabendo muito bem que eu acabei de fazer papel de idiota. E a sensação não é boa. Na verdade, é uma porcaria. Passa uma eternidade antes de ele falar novamente. — Escuta, amigo, eu sou um homem casado. E às vezes isso significa fazer coisas que você realmente não quer fazer em prol da felicidade da esposa. — dando mais um gole, ele simplesmente coloca o copo de uísque sobre a mesa na frente dele, em seguida, olha para mim. — Se Mandy descobrir que você veio até mim e mandei você embora, ela teria minhas bolas. — ele me lança um olhar compreensivo. — E eu gosto das minhas bolas, Falco. — Ok. — resmungo, porque algo me diz que ele quer algo de mim. — Eu vou te ajudar. — diz ele com um aceno firme. — Mas... — ele faz uma pausa. — Quando você terminar isso tudo, você vai encontrar-se com Mandy, passar um tempo com ela, deixá-la tirá-lo do seu sistema. — ele se levanta, traz a garrafa de uísque e se serve, em seguida, enche o meu copo. — Você vai agir como se ela fosse a melhor coisa que já entrou na sua vida, porque, porra, ela será. Você vai amá-la como um irmão deveria. Quando ela ligar ou enviar mensagens para você, você vai arrumar tempo para responder. Ela vai abraçá-lo, e você vai abraçá-la de volta. Quando ela te der beijo de olá e adeus, você vai dar o seu rosto de bom grado, porque vai fazê-la feliz, entende? Embora isso me deixe extremamente desconfortável, fico feliz em saber que minha irmã é bem cuidada por este homem. — Entendo.


Justo quando a minha parte ansiosa começa a relaxar, a porta se abre, e, uma pequena ruiva curvilínea de pijama de cetim branco se atira através dela, chorando histericamente. Evander levanta da cadeira e corre até ela, envolvendo-a com os braços. — Mandy, doçura, o que aconteceu? Ela ainda nem abriu os olhos ao começar a falar rápido: — Papai recebeu um telefonema de Julius. Ele e seus homens mataram os Gambino por que — sua voz falha — Gio assassinou Miguel. — outro ataque de soluços angustiantes agarram a sua garganta, e ela lamenta: — Gio. Ele...

ele...

mas

ela

não

consegue

falar

através

dos

lamentos. Finalmente, sai sufocado. — Ele cortou o dedo dela fora, Vander. — a raiva toma conta dela quando agarra a frente da camisa e rosna: — O fodido levou a Ana. O corpo de Evander endurece, e eu vejo a fúria no apertar a sua mandíbula. Esta notícia não o agrada. Eu acho que encontrei uma maneira de ajudar. Falando em voz baixa, para não assustar minha irmã, eu olho para Evander MacDiarmid e pergunto: — Precisa de outro conjunto de mãos? De costas para mim, Manda fica rígida antes de virar-se lentamente para olhar o público que não esperava. Quando ela me vê, os olhos dela procuram meu rosto antes do reconhecimento iluminar. — Doce Jesus. Eu forço um sorriso, mas parece que não consigo fazer contato visual com a mulher baixa. — Uh, hei. Evander assente. — Sim, mas temos um problema. Julius vai querer estar lá. Quem se importa? — Então deixe-o.


Evander balança a cabeça. — Julius Carter, seu idiota. O seu melhor amigo, aquele que pensa que você está apodrecendo em um cemitério em algum lugar. A menina desaparecida, Ana... é sua esposa. Julius... casado? Meu Julius? Foda-se, eu não tinha ideia. O que diabos ele está fazendo nos EUA? A última vez que verifiquei, ele ainda estava morando em Sydney, Austrália. — Oh. Manda dá um passo na minha direção, quando Evander solta um sarcástico: — Sim, oh está certo. Ela flutua sobre mim, completamente inexpressiva, e quando ela me alcança, olha para o meu rosto, piscando as lágrimas que caíram apenas momentos atrás. — É você mesmo, Antonio? Deus, eu odeio a porra desse nome. Com a voz suave, eu digo a ela: — As pessoas me chamam de Twitch. — Eu sei. — ela murmura em uma névoa, e sua pequena mão fria levanta para acariciar a minha bochecha. — Eu sei. — sem aviso, o lábio treme. — Eu sinto muito. Eu realmente queria estar feliz agora, mas eu não posso. — sua mão cai para o lado dela, e ela abaixa o queixo, empurrando levemente a cabeça no meu estômago, o corpo tremendo com os soluços silenciosos, e ela diz: — Ela é minha melhor amiga. Eu olho para Evander, que imita um abraço e empurra o queixo para a esposa. Sem pensar duas vezes, eu levanto os braços e hesitante cubro o seu corpo minúsculo. No segundo que faço isso, me sinto mais leve, e no canto do meu olho, eu vejo Evander acenar em aprovação. Eu permito que a minha irmã chore em mim um pouco antes de afastá-la e perguntar: — Onde é que vamos encontrá-los? Evander tira o telefone celular do bolso, enrola o lábio, e responde: — Como todos os bons cães, eles atendem quando chamados. ***


Bem mais tarde na noite, alguns telefonemas e ameaças mais tarde, Evander tem o endereço da propriedade privada de Gio Gambino, onde ele vai para fazer e tratar de todos assuntos de merda sujos. Um plano é arquitetado, e MacDiarmid explica que é melhor ver o estado de Ana antes de ligar para Julius e dar-lhe o endereço. Mas é da esposa de Julius que estamos falando. E eu não posso deixar de sentir que o meu irmão precisa saber o que está acontecendo. MacDiarmid, como tantos outros antes dele, irá aprender que eu não sigo o caminho traçado para mim. Eu deixo um rastro. Quando eu peço licença para ir ao banheiro no corredor de MacDiarmid pego o celular do bolso, disco o número e espero. Toca duas vezes, antes que ele atenda rudemente: — O quê? Eu quero dizer tantas coisas para ele, mas parte de mim quer desligar sem dizer uma palavra. — Ana está viva. Movimento, em seguida, um áspero: — Quem é? — Ela está viva, mano. Gambino tem um lugar em Canningvale. Ela está lá, e está esperando por você. — uma pausa rápida. — Porra o que você está esperando? Vá buscá-la. — Quem é a p... — eu o interrompo ao desligar. Sento-me na tampa fechada do assento do vaso sanitário e corro minhas mãos pelo rosto, sabendo que uma tempestade está se formando, e estou prestes a entrar no olho dela. Às vezes me pergunto sobre mim mesmo. Eu realmente faço isso. Deus me ajude.


CAPÍTULO QUARENTA E OITO Alejandra Minhas mãos estão suando, a cabeça está zonza, meu cabelo comprido úmido colado para trás, resultando em uma coceira que provoca mais agitação do que deveria, sabendo que eu nunca serei capaz de alcançá-lo com as mãos amarradas. Gio não me ofereceu comida nos dias que fiquei aqui. Eu não sei quantos dias já se passaram, mas quando ele comeu na minha frente esta manhã e meu estômago roncou alto, ele riu para si mesmo. — Não desperdiçarei comida com uma mulher morta. E lá estava ele. Ele planejava me torturar até o último suspiro. Meu estômago virou violentamente com o pensamento. O lugar dentro da minha cabeça, o local seguro para onde eu escapava, o lugar feliz tinha ficado mais e mais escuro até que nenhuma luz brilhasse e não houvesse mais felicidade lá. Eu tinha vencido uma batalha enquadrando Dino, mas Gio ganharia a guerra. No final, a satisfação de pequenas vitórias foi de curta duração e ficava mais obsoleta a cada segundo. A fome deixava o corpo e a mente fracos. A tortura quebrava meu espírito. E estou pronta para morrer. Ansiando, para ser mais precisa. Silenciosamente desejo que pudesse ver Julius uma última vez, sentir seu beijo em meus lábios enquanto me transfiro para um plano superior.


Seria o final mais feliz para mim. Mas pessoas como eu não realizam desejos. As pessoas como eu morrem no silêncio frio da noite, nus e sozinhos, sem uma única alma olhando por elas. Pessoas como eu são dispensáveis. Nós não somos nada, vamos em uma nuvem de fumaça, levados pela sombra do luar. Meus olhos estão fechados e minha respiração ofegante, um grande aperto de mão em meu queixo o agita severamente, levantando-o, mais alto do que é confortável. Tento abrir os olhos, mas não posso, e uma memória de Gio batendo neles apenas horas atrás lembra-me que meus olhos estão inchados quase completamente fechados. Quando algo frio é pressionado na minha testa, meu corpo explode em arrepios. — Gosta disso, não é?— eu reconheço a voz. Eu tento remover o queixo do seu aperto, mas ele o agarra com mais força. — Acalmese. Estou aqui para ajudá-la. Mostre um pouco de apreço. Meus lábios estão rachados, tento lambê-los, mas minha boca está tão seca. Com o pescoço dolorosamente esticado, eu falo rouca: — Mateme. Ouço seu sorriso. — Eu vou, baby. Gambino está apagado como uma tora de madeira, e eu vou cortar a sua garganta pequena e bonita, derramar todo o seu sangue com um único corte. — ele pressiona os lábios frouxos na minha bochecha, e sua respiração me aquece, enquanto ele sussurra apologético. — Eu sei que eu disse que não faria, mas eu não posso conter-me. Eu sou... Eu não sou normal. Eu amo a morte, amo vêla, o amor causa isso. É simplesmente quem eu sou. Agora, eu não me importo com o que ele é, se ele vai me conceder esta bondade. — Por favor. — é tudo o que imploro.


A mão em meu queixo começa a tremer, e Maxim Nikulin belisca minha mandíbula. — Eu sinto muito. — sua voz sensual treme. — Eu preciso fazer isso. Eu preciso. A ponta da lâmina fria é pressionada na lateral da minha testa, logo acima do meu templo. Eu não sinto muita coisa, apenas uma pressão maçante. Um segundo passa e a dor segue rapidamente. Minha boca deixa escapar um gemido agudo. Maxim Nikulin me cala. — Vai ser breve, mas você tem que ficar quieta. Só um pouco mais. — sua mão trêmula faz uma bagunça no meu rosto. Seu gemido tranquilo quase inaudível, ele diz claramente excitado. — Foda-se, sim. — sinto a lâmina afiada fatiar a minha pele, além do meu templo, para baixo do meu queixo e sobre meus lábios, terminando no meu queixo. Ele gasta um momento para ver sua obra antes de suspirar satisfeito, voltando a lâmina para descansar no local onde a minha cabeça encontra o pescoço com uma mão, enquanto empurra meu queixo para cima com a outra. — Esta quase no fim. — ele promete, e respirando profundamente, eu absorvo o meu último suspiro. Perdida dentro da minha cabeça, preparando-me para o que está por vir, eu perco o início da comoção. Vozes masculinas altas gritam e uma luta se inicia, com mobiliário raspando ao longo do chão, quebrando e gritos de dor enchendo o ar. Não importa. Minha decisão está tomada, minha mente me dá esta dádiva e eu paro de respirar. Minutos dolorosos passam e meus pulmões queimam. Parece que morrer leva um longo tempo.


O chão abaixo de mim está se desintegrando. As estrelas acima de mim estão caindo, quebrando com o impacto. Nas raivosas águas do mar eu sinto meu navio virar, afundando lentamente para as profundezas escuras do oceano furioso. Mas, em seguida, uma voz desconhecida soa na escuridão, uma luz me guia para casa, e eu estou sendo abaixada para o chão frio. — Ana? Ana, foda-se! Fique acordada. Merda, acorde. Fique viva, porra! A voz soa novamente, e embora sua voz soe abafada enquanto minha consciência fica preta, as palavras penetram meu coração congelado. — Viva. Vamos, menina, respire. Faça isso. — ele me segura apertado, balançando meu corpo mole, suas palavras suplicantes sussurradas diretamente no meu ouvido. — Se você não pode fazer isso por Julius, faça apenas para ofender esses filhos da puta. Uma luta interior toma lugar em minha mente brigando com o meu corpo, e essas palavras ecoam pela minha cabeça pelo que parece ser uma eternidade. — Viva, porra! Então, algo estranho acontece. — Vamos, menina, respire. Algo vem com força no meu peito, uma e outra vez, até que, finalmente, os meus olhos se abrem. Minha boca se alarga em um grito silencioso e meus pulmões se abrem. — Faça para ofender esses filhos da puta. Raios se partem. E eu respiro novamente.


CAPÍTULO QUARENTA E NOVE Twitch Surpreender um Gio Gambino dormindo foi satisfatório. Evander e eu o abordamos com cautela, esperando o inesperado, mas o idiota estava realmente dormindo. Quando dei uma coronhada na sua cabeça, ele acordou sobressaltado, brigando, tirando as cobertas e gritando: — Que porra é essa? — no momento que ele finalmente se sentou, Evander acendeu as luzes para revelar uma maníaca e sangrenta faceta de Gio Gambino, segurando a testa como uma criança fazendo beicinho. Gio fixou os olhos em Evander e explodiu. — MacDiarmid, você não entra na casa de um cara no meio da noite, e muito menos anda pelo seu quarto, você é a porra de um mal-educado! Com a meia máscara cobrindo a maior parte do meu rosto, Gio Gambino não foi capaz de ver meus lábios ondularem, mas ele ouviu o meu rosnado, e quando ele olhou para mim, sua raiva diminuiu ligeiramente, percebendo que ele estava em uma emboscada. Acalmandose, ele perguntou em voz baixa para Evander: — O que é isso? Eu mantive o meu lugar, perto do pé da cama, a pistola na mão, enquanto Evander se movia pelo quarto, falando. — Eu sempre soube que você era uma semente ruim. Sempre houve algo não muito certo sobre você. Eu não era a única pessoa que tinha essa sensação, mas, sendo um Gambino, bem, ninguém realmente queria lidar com o temperamento violento do seu pai. — ele se acalmou em seguida, virou-se para encarálo. — Alguma coisa sobre você é simplesmente errada. — ele se adiantou, mais perto da cama. — E quando eu soube que Alejandra Castillo estava


desaparecida, não havia nenhuma maneira que eu pensasse que você tinha feito isso. — Evander olhou para mim com um sorriso frio. — Eu pensei, 'Ele não seria tão estúpido. Sem chance que foi ele que a levou’. Minha voz saiu um pouco abafada por trás da máscara. — Mas ele fez isso. Evander assentiu uma vez confirmando. — Mas ele levou. Mutilou-a também. Gio balançou a cabeça em descrença. — É por isso que você está aqui? Por causa dela? — ele riu um breve momento antes de contorcer o rosto. Ele estendeu a mão e agarrou o cabelo com ambas as mãos, puxando em fúria absoluta, antes de rugir: — Que porra todos veem nela? — Onde ela está? — perguntei, mas todos consideramos como a ordem que era. Gio fechou os olhos e respirou fundo antes de expirar lentamente. — Você tem que entender, isso é culpa dela. Ela causou isso. Ela levou meu irmão de mim, e agora ela vai morrer por isso. Evander franziu a testa. — Não, Gio. Tudo o que ela fez foi acabar com a tortura diária que você e Dino a condicionavam. Se eu soubesse, mas... — as palavras de Evander foram discretamente sumindo. — Oh sim, tudo veio à tona agora. Nada mais a esconder. Sua família foi completamente dizimada pelo desrespeito que você causou. Ela não fez isso, Gio. Você fez. Se você precisa colocar a culpa em alguém, olhe-se em um espelho e vai encontrar o homem responsável. Gio balança a cabeça em desacordo, e pergunto mais uma vez, mais firme do que a última. — Onde ela está? Os olhos de Gio se abrem. — Vocês a querem? Bem. Levem-na. — seus lábios caem em desgosto. — Levem-na e deem o fora da minha casa. — ele sorri, como se suas palavras fossem algum tipo de piada pessoal. —


Ela está no porão. — quando nenhum de nós se move, ele pisca para Evander. — Bem? Levem-na e caiam fora. Do bolso, Evander puxa um par de luvas de couro preto e coloca-as em seguida, remove uma pistola de dentro da jaqueta. Ele me pergunta: — O que você faz com um cão raivoso? Minha resposta é simples. — Mata. Evander inclina a cabeça. — Claro, tudo bem. Mas eu não vou matar este. — os olhos de Gio endurecem, e Evander sorri. — Não. Eu só vou incapacitá-lo. — em seguida, ele levanta a arma e puxa o gatilho, duas vezes. Gambino grita em agonia enquanto suas rótulas são feitas em pedaços. Ignorando seus uivos e gritos, Evander e eu o amarramos como o porco que ele é. Eu estou atrás de Maxim Nikulin, e todo o meu corpo treme de raiva. Ele ainda tem que perceber que tem companhia. A

mulher pequena

amarrada

à

grande

madeira em

X

é

irreconhecível. Seu rosto está inchado, os olhos pretos e machucados, e agora, por causa dessa porra doente, ela tem um corte irregular arrastando o comprimento do rosto. Eu não conheço essa mulher, mas se Julius a escolheu, essas são todas as credenciais que preciso ver. E agora, ela está sendo cruelmente brutalizada. Não. Isso não vai acontecer. Pistola em mãos, muito rápido, ponho meu braço em volta do pescoço de Maxim e o puxo para um estrangulamento. Deixando cair a faca, ele começa a lutar. Ele me acotovela, me belisca, tenta me mover de


qualquer maneira, mas tudo que faz é alimentar a minha raiva. Antes que eu saiba, eu estou jogando-o pelos móveis e despedaçando cadeiras com a cabeça dele. Quanto mais luto, mais quente as brasas da minha fúria queimam. A luta de Maxim enfraquece até que tudo o que ele pode fazer é perder o fôlego. O plano era deixá-lo, amarrá-lo e, em seguida, entregá-lo em custódia para Black. Mas, enquanto estou aqui com esse louco asfixiandoo no porão, eu olho para a mulher quebrada que ele estava marcando, e sei que, neste momento, eu não posso fazer o que inicialmente tinha previsto. Eu vou quebrar a minha promessa, e ela provavelmente irá custar a minha liberdade, mas eu não posso deixar Maxim Nikulin vivo. O homem que seguro fica consciente e inconsciente, caindo de joelhos diante de mim, e eu o sigo para baixo. Cabeça pendendo para o lado, eu o liberto e levanto as mãos para ambos os lados da sua cabeça, agarrando-o com força. Com um puxão rápido, dou múltiplos socos sonoros e o solto. Ele cai no chão com um baque, os olhos abertos, mas morto, a boca se separa, a cabeça cai em um ângulo antinatural. Sem outro pensamento, eu vou até o pequeno ser de sexo feminino, nua e cheia de cicatrizes, imóvel e amarrada à cruz e afrouxo os nós em seus pés e braços, puxando-a para o chão. Meu coração afunda. Ela não parece estar respirando. — Ana? — eu bato suavemente no seu rosto. Não. Ela definitivamente não está respirando. Meu pânico aumenta. — Ana, fodase! Fique acordada. Merda, acorde. — meu único pensamento é de Julius encontrando-a assim. Eu rosno: — Viva, porra! Meus olhos se fecham em desalento enquanto seu corpo pequeno, flácido se coloca sobre o meu. Ela é tão pequena. Tão pequena.


Não. Ela não vai me deixar sem lutar. — Viva. Vamos, menina, respire. Faça isso. — eu a deito no chão, coloco minhas mãos juntas entre os seios e bombeio. Eu faço isso muito tempo, mas... nada. Não. Julius não pode perder outra pessoa. Puxando-a para cima de mim, eu balanço o corpo dela como se fosse uma criança, e peço-lhe para não deixar que o meu melhor amigo enterre outra pessoa que ele ama. Eu sussurro em seu ouvido: — Se você não pode fazer isso por Julius, faça apenas para ofender esses filhos da puta. — Twitch, eu preciso que você a mantenha imóvel. — uma voz feminina suave soa, e eu olho para cima para encontrar minha irmã vindo na nossa direção com uma injeção. Evander segue logo atrás. Eu seguro Ana quando ela manda que eu abra sua boca e ela injeta debaixo da língua. Então esperamos. Murmuro: — Vamos lá. — mas passa um minuto e nada acontece. — Vamos, Ana! Lute, porra! — Manda olha para mim e ordena. — Deite-a de costas. Agora. Faço o que me disseram e assisto em choque quando minha irmã aperta os dedos de ambas as mãos para firmar um gigante punho fechado. Ela levanta alto e leva-o com força no peito de Ana. Dentes cerrados,

ela

rosna

para

fora

entre

golpes.

Você. Não

Vai. Morrer. Assim. — ela dá mais um golpe, então grita: — Você me ouve, Ana? Eu posso fazer isso a noite toda! Quatro golpes passam, e quando Manda aterrissa o quinto, mais duro do que os outros, eu assisto com espanto quando o corpo de Ana fica rígido. Ela arregala os olhos o máximo possível através do ferimento e dá


uma respiração ofegante. E no momento em que isso acontece, Manda explode em voz alta, soluços barulhentos, caindo para trás contra Evander, que a segura firmemente em suporte. Os olhos de Ana fecham de novo, mas seu peito se movimenta quando ela respira fundo. — Julius. — ela solta, erguendo e sacudindo a mão para um homem que não está lá. Eu movo-me para tomar essa mão, e é quando eu o ouço. — Estou aqui, baby. — com os olhos para ninguém além de sua mulher, Julius move-se para ajoelhar-se ao lado dela, pegando a mão boa e apertando-o com força. — Estou aqui. Sua voz não está mais funcionando, ela exala: — Eu te amo. E pela primeira vez na minha vida, eu vejo meu irmão chorar. Seus ombros tremem em soluços silenciosos enquanto as lágrimas trilham seu rosto e ele se abaixa para o rosto inchado, dando beijos suaves em seus lábios, e sussurrando: — Eu sinto muito, baby. Amo você. Te amo mais do que um homem deve amar sua mulher. — suas palavras trêmulas causam um nó na minha garganta. — Pensei que tivesse perdido você. Queria morrer. Apenas uma bala para tirar-me deste mundo. — ele suspira de alívio. — Nós vamos embora daqui. Afastar de toda essa maldade, ok? Nós vamos viver, você e eu. Sem mais desta merda, ok? Os lábios de Ana movem, mas não sai nenhum som. — Ok. Julius se levanta de joelhos e olha para Manda. — Obrigado. — ele se vira para Evander. — Devo-lhe. Mas quando Julius olha para a terceira pessoa, o estranho usando a meia máscara, o que ele jurou que estava na sala, ele não o encontra. Eu já fui.


CAPÍTULO CINQUENTA

Julius Sua esposa está viva. Enquanto estou sentado na cama, olhando para o homem sangrento deitado e amarrado como um porco no chão com uma mordaça improvisada na boca, eu continuo dizendo que o perigo acabou. Eu a tenho agora, e vou mantê-la segura. Mas sou realista, essa minha parte sabe que prometer manter alguém seguro não é só estúpido, mas também uma promessa impossível de cumprir. Ela está segura. Então por que meu coração não para de disparar? É quase como se estivesse com medo de esperar que tudo tenha se acabado, e que estamos autorizados a viver uma vida livre de repercussão. Se Ana está viva, significa que Ling poderia estar também. — Onde está Ling? — pergunto-lhe, e ao redor da focinheira, os lábios transformam-se em um sorriso fraco, seus olhos piscam suavemente. Ele está perto de passar dessa para outra, e eu preciso agir rapidamente, se eu quero respostas. Fazendo meu caminho até ele, eu puxo a mordaça de pano para baixo, liberando sua boca, e me agacho perto dele. — Escute, você não tem para onde ir, e você pode achar que isso é o pior que pode acontecer. — meus olhos estreitam perigosamente. — Mas eu prometo que o que farei com você, se não responder às minhas perguntas, o que você fez com a


Ana parecerá uma fatia de bolo perto disso, você me entende? Agora, onde está Ling? Ele pisca para o chão, e sibila abafado. — Eu não sei. Eu vou voltar a isso. Agora, algo que tem me incomodado desde o início precisa de uma resposta. — Você sabia que Dino não tinha feito aquilo. Você sabia que ele não tinha matado Raul. Por que você não atestou por ele? Com a fala lenta e arrastada, ele murmura: — E perder minha oportunidade de, eventualmente, ser rei? Não. Eu o amava, mas era a minha chance de algo grande. Eu teria sido estúpido em ser fiador dele. Eu odiava perdê-lo, mas ele estava no meu caminho quando o negócio estava em causa. Isso é honestidade, pura e simples. Eu não tenho nenhuma razão para duvidar da sua resposta. Olho para o homem com desgosto. Embora eu queira esmagar seu cérebro e mostrar-lhe todos os pedaços de tortura que mostrou à minha mulher, ela está viva e precisa de mim para manter sua mente sã, porque ela tem uma longa recuperação pela frente. Quando os tempos ficarem difíceis e sua esperança se dissipar, ela precisará de alguém para sugar o mal para fora, e essa pessoa serei eu, então eu tenho que reservar a boa energia para quando ela precisar. Eu pretendo estar lá, ao lado dela, a cada passo difícil do caminho. Nada neste mundo foi consertado com dois erros. Estou exausto. Eu só quero que isso acabe. — Diga-me uma coisa, Gio, e eu juro que eu vou fazer isso rápido. — ele olha para mim, os olhos brilhando, enquanto eu pergunto: — Como você soube onde encontrar Alejandra? Ele sorri de novo, porém de maneira fraca, e suas pálpebras vibram fechadas. — Tem uma cobra em seu meio, Carter. — seu sorriso se


intensifica, mas sua voz diminui. — Uma serpente com lábios... vermelhos... brilhantes. Eu escondo bem minhas emoções, mas meu coração falha. Filha da puta. Parece que o diabo usa as asas tão afiadas que podem cortar uma cadela. O erro é meu e só meu. Eu fui um idiota por confiar em uma criatura tão feroz quanto ela. Nada salvaria Ling da morte dolorosa que lhe daria. Eu teria sua cabeça, cortaria pedaço por pedaço, até que não houvesse mais nada. Ninguém se mete com a minha família. Ling Nguyen nunca vai me ver chegando. A palavra vai se espalhar. Ela é oficialmente uma mulher morta. Eu levanto a arma e atiro na cabeça de Gio Gambino. E atiro até que não haja balas para descarregar. Agora, eu tenho uma esposa para voltar. — Como ela está?— minhas palavras são ditas em voz baixa para não acordar Ana. Quatro dias se passaram, e Manda Rossi, a melhor amiga e médica de Ana, olha para mim com os olhos quase vidrados antes de voltarem para a pequena mulher no centro da cama king-size de hospital no quarto estéril, mas privado. Manda organizou a estadia de uma semana em um pequeno hospital particular, e estou grato pelo silêncio. É óbvio que ela está cansada, mas ela fica, provavelmente, pela mesma razão que eu. Nós dois temos medo de perdê-la novamente. Os monitores apitam levemente, e o soro continua a bombear o líquido para o corpo frágil de Ana.


— Ela está mal, Julius. — sua voz racha. — Muito mal. — ela limpa a garganta numa tentativa de ganhar alguma compostura em uma situação que nos deixa com sentimentos despedaçados. Ela tenta falar, mas balança a cabeça. Não perco o ligeiro tremor de seus lábios quando ela afirma baixinho. — Quero dizer, ela morreu. Eu mal a trouxe de volta. — ela se vira e olha para mim com um olhar significativo quando fala abafado. — Ela não queria voltar. E ela teria ficado morta se eu não tivesse conseguido convencer Vander a me levar junto. Olho para essa mulher determinada e não posso negar que vejo parte do Twitch em seu caráter. Sou inegavelmente sincero quando digo a ela: — Eu não sei o que dizer a você. Obrigado não parece ser suficiente. Meu apreço tem seu escárnio. A pequena ruiva, impetuosamente olha para mim, seu olhar escuro, e ela praticamente cospe. — Não se atreva a me agradecer. Eu sabia. Eu sabia o tempo todo o que eles estavam fazendo com ela, e eu... ela... — a primeira de suas lágrimas cai. Ela mergulha o queixo e toma uma respiração quebrada. Com o tom de voz torturado, ela sussurra duramente. — Eu não fiz nada. Nada. — ela levanta o rosto coberto de lágrimas para olhar para a amiga. — Olha o que ele fez com ela. Eu não sei se ela vai se recuperar disto. E se não o fizer, vai doer em mim. Eu entendo de culpa. Eu sinto isso aqui de pé, neste exato momento. Nenhum de nós é completamente inocente no que aconteceu com Ana. Eu gostaria de colocar a culpa em alguém – qualquer um - mas não posso. Se Manda sabia sobre o abuso que Ana recebeu e não fez nada, algo me diz que havia uma razão para isso. Está claro para mim que Manda ama a Ana. O pensamento de perder a Ana que eu amo é demais para suportar, por isso eu digo a única coisa que posso pensar. — Ela é forte. Ela vai passar por isso. — mas não soo tão confiante como deveria.


Sua lista de lesões é extensa, a pior sendo o dedo amputado, um pulso fraturado, e um tornozelo quebrado, mas Manda e eu sabemos que não são as feridas físicas que precisamos nos preocupar. Quão longe você pode esticar um elástico antes de arrebentá-lo? Meus pés me levam para sua cama. Eu tiro os sapatos e deito-me ao lado dela, tomando delicadamente a mão pequena e fria dela, eu esfrego com cuidado para evitar perder o acesso do soro. Seu braço esquerdo coberto por um gesso até um pouco abaixo do cotovelo, o dedo anular na mão esquerda faltando, eu quero rugir a minha raiva quando meu olhar se instala em seu rosto enfaixado. Um amigo de Manda, cirurgião plástico altamente recomendado por estas bandas, veio quando chamamos. Ele fez tudo o que podia para salvar o rosto de Ana do corte profundo que Maxim Nikulin infligiu, mas ele aconselhou que provavelmente precisaria de mais de uma cirurgia para torná-lo imperceptível, e que tudo dependia de quão bem Ana se curasse. Os médicos estavam com medo por Ana. Ela havia desenvolvido um caso grave de ansiedade em nosso tempo no hospital. Quando uma enfermeira veio aplicar sua morfina, Ana deu uma olhada para a dose e começou a suar e ficar ofegante. Ela desmaiou e Manda sugeriu que talvez fosse melhor para todos se Ana permanecesse sedada durante toda a sua permanência no hospital. Eu não gostei, mas compreendi a necessidade. Ana morria de medo do pensamento de ser ferida. A dor era seu gatilho, e quebrou meu coração maldito vê-la passar pelo seu primeiro ataque de pânico. Quando seus olhos encapuzados abrem uma mera fenda, meu peito dói com a beleza da sua vida, a forma de respirar. — Olá, baby. Ela engole em seco, em seguida, respira fundo. — Ei.


— Como está se sentindo? — é uma pergunta estúpida, mas que sou obrigado a fazer. O monitor cardíaco apita com seus picos de frequência cardíaca. — Chega de médicos. — ela sussurra. Eu odeio isso. — Não, baby. Os médicos são bons. Os médicos estão ajudando. Seus lábios tremem, ela aperta a minha mão como uma tábua de salvação, enquanto diz chorosa: — Leve-me para casa. Eu só quero ir para casa. Vamos para casa, Julius. — meu estômago revira miseravelmente. O monitor cardíaco começa a apitar alto quanto sua angústia aumenta, e eu sei que não vai demorar muito para que uma enfermeira entre com um sedativo para minha menina. Mais três dias e eu posso levá-la para casa. Eu franzo a testa com o pensamento. Mas onde é a casa? Eu preciso tirar Ana daqui. Eu preciso levá-la para algum lugar que possamos ficar, em algum lugar quente, confortável, calmo. E eu tenho apenas um lugar em mente. No momento em que a enfermeira entra, eu olho nos olhos da minha menina e faço o meu voto. — Você confia em mim, baby? Nem um segundo de hesitação. Sua resposta sai desesperada. — Sim. Merda. Eu não mereço esta mulher. — Quando o médico disser que você está pronta para ir, eu vou cuidar de você, e eu vou fazer isso em algum lugar longe daqui. Ok?


A enfermeira injeta o sedativo no soro da Ana, assim que ela responde: — Tudo bem. — Você e eu, baby. — eu sussurro, esfregando o polegar ao longo do dela. O sedativo faz efeito e ela afrouxa o aperto na minha mão, à medida que as pálpebras flutuam fechadas. Com o tom sonhador, ela murmura suavemente. — Você e eu, baby. Amo você. Eu sei que ela não pode me ouvir por mais tempo, mas isso não importa para mim. Digo, porque precisa ser dito. — Eu amo você, Ana. — e eu amo, porra. Tanto que dói. Louco de amor é uma posição perigosa para um homem estar. Os planos se formam na minha cabeça enquanto estou ao lado da minha esposa e eu pretendo ligar para Lexi pela manhã, para dar-lhe tempo de se preparar para nossa chegada.


CAPÍTULO CINQUENTA E UM

Twitch — Você desapareceu. Você sabe como me sinto sobre isso. Ethan Black está com um humor irritado, e sinto uma leve sensação de satisfação em saber que quanto mais tempo ele e sua família estão separados, mais irritado ele fica. Talvez agora ele tenha uma pequena compreensão sobre como me sinto. Foi uma noite longa. Eu estou muito cansado. Eu só quero dormir. Agitação me sacode. Eu ergo a cabeça do travesseiro da cama do quarto de motel barato e solto um grunhido. — Foda-se. Estou de volta, não estou? — com isso, eu jogo a minha cabeça pesada de volta no travesseiro fino com um gemido. O silêncio vem tão rapidamente que eu não o questiono. Mas quando algo dá um tapa na cama ao meu lado, eu abro os olhos para encontrar um grande envelope amarelo e preto lá, vestido em um terno e gravata, de pé com os braços cruzados sobre o peito, olhando para mim. Ele empurra o queixo para o envelope. Sento-me, abro-o e olho dentro. Minha boca se abre em choque silencioso. Olho para Black antes de puxar o passaporte, certidão de nascimento e carteira de motorista atual. Minhas sobrancelhas franzem em confusão. — O que é isso? Black me olha fixo. — Eu não sei onde você esteve a noite passada ou com quem você esteve, mas recebemos uma pista que levou à prisão de Claudio Conti, em algum momento após às 02h:00.


— Não brinca. — murmuro, sem implicação. Droga. MacDiarmid trabalha rápido. — Sim. Sem brincadeira. — Black não esta impressionado. Ele pisca, me observando de perto. — Cerca de uma hora atrás, alguns policiais do distrito de Nova Iorque descobriram o corpo de Maxim Nikulin em uma lixeira atrás de um clube chamado The White Rabbit, juntamente com o corpo de Gio Gambino. Eu finjo ignorância. — Quem? Black dá uma risada, balançando a cabeça. Ele está em cima de mim. Ele também não está impressionado. — Onde você estava na noite passada, Twitch? Eu não quero mentir, então eu improviso. — Não foi em qualquer lugar perto do The White Rabbit, se é isso que você está perguntando. Black coloca as mãos nos quadris e suspira alto antes de deixar cair as mãos para os lados e encontrar meus olhos. — Antonio Falco, você já não está sob qualquer obrigação para com o FBI. De uma forma ou de outra, você cumpriu o nosso acordo até o fim e está livre para ir. Um fluxo constante de choque me entorpece dos dedos dos pés para cima. Quando Black levanta girando os ombros e se move em direção à porta, é claro que não haverá despedidas sentidas. Obrigado, porra. Antes de ele sair do quarto, ele faz uma pausa na porta e se vira para mim. — Muitas pessoas não tem uma segunda chance como essa, Falco. — suas sobrancelhas sobem. — Tente não estragar tudo. — Impossível. — escapa-me, e eu falo sério.


Black concorda com a cabeça lentamente em compreensão. Eu trabalhei duro para este momento. Eu não ia foder-me tão cedo. Ele espera um momento, em seguida, diz calmamente. — Valorize cada momento com ele. Você só tem poucos anos com eles implorando para ficar perto de você. — um sorriso triste forma-se nos seus lábios quando ele dá de ombros. — Antes que você perceba, ele vai ter dezesseis anos, e você estará implorando para ele passar tempo com você. É um bom conselho. Eu levo a sério. — Farei isso. Um momento de silêncio pensativo passa. — Adeus, Twitch. Espero nunca mais vê-lo novamente. — Black sorri. — E falo isso da melhor maneira possível. — ele levanta a mão em um aceno preguiçoso em seguida e sai, fechando a porta atrás de si. Bem, merda. Eu não sei o que fazer comigo. Então eu não faço nada. Eu dobro o envelope amarelo debaixo do travesseiro, deito-me na cama barata, fecho os olhos e durmo como um homem livre.


EPÍLOGO PARTE I Julius O sol aquece a minha pele no momento em que abro a porta. Antes mesmo de ajudar Ana a sair do carro e em sua cadeira de rodas, ela abre a porta e nos espia da porta da frente. Usando calça jeans e uma camiseta branca solta, seu longo cabelo castanho cai pelas costas e ela sai ao nosso encontro, com os pés descalços e sorrindo como uma tola. Ela chega até nós e, quase me ignorando completamente, ela sorri suavemente para baixo, para Ana, que tenta o seu melhor para sorrir através da parte enfaixada de seu rosto. Lexi estende as mãos sem permissão e pega ambas as mãos de Ana nas dela, apertando-lhe a boa com força enquanto segura a outra suavemente. — Oh, Ana, é tão bom te conhecer. Eu mal posso esperar para lhe mostrar o lugar. — soltando suas mãos, ela se move em torno da cadeira de rodas e me tira do caminho com o quadril, dando-me uma piscadela, em seguida, estende a mão para apertar a minha em uma saudação silenciosa, mas significativa. Nós somos bem-vindos aqui. Ana não tem falado muito nos últimos dias, mas algo me diz que Lexi vai ajudar nesse problema. Eu trabalho em tirar nossas malas do sedã de luxo preto e ouço Lexi falar ao ouvido de Ana. — Meu filho, AJ, tem quatro anos e se dada a chance, ele vai falar em sua orelha, então não há problema em dizer-lhe que precisa de espaço. Ele é bom assim, compreensivo. Oh, e eu tenho rampas de acesso instaladas por toda a casa. — ela deu uma risada suave. — É bom ter pessoas no setor de serviços de saúde. Eu costumava


ser assistente social, você sabe? Então o que você precisar, só tem que pedir, ok? — enquanto Lexi empurra a cadeira de rodas para dentro da casa, ela solta um confiante. — Você amará isso aqui. Bem-vinda a Sydney. Eu rio sozinho com o tornado que é Lexi. Estou começando a sentirme bem em transportar Ana contra as ordens médicas. Lexi vai ser boa para Ana. Eu sinto isso em meus ossos. As coisas só podem melhorar a partir daqui. Deus… Elas precisam, porra.


EPÍLOGO PARTE II

Ling O ar fresco da noite me faz lutar contra um arrepio. Aperto o meu casaco e ando mais rápido. Ao me aproximar do restaurante Vietnamita, eu não abrando. Eu empurro as portas duplas com as duas mãos e relaxo um pouco quando o calor me atinge. Eu passo pelas cozinhas e ao longo corredor que eu não deveria ter acesso. Acho que é o privilégio de ser a filha de Ba Sang Nguyen. E por falar em papai querido... Abro a porta para a sala de conferências e entro. Meus saltos clicam quando detecto o homem baixo, de cabelos grisalhos sentado na cabeceira da mesa. Ele franze a testa quando me vê. — Você não é bem-vinda aqui, Ling. Ao ouvir o meu nome, a mesa inteira de homens se vira para olhar para mim, mas eu os ignoro, em vez disso olho atrás do meu pai, para os meus cinco irmãos, eu destaco o mais velho, Van. — Eu não estou aqui para falar com você, pai. Eu só preciso de uma palavra com Van. Meu pai fica vermelho e esbraveja: — Você se atreve? Eu olho para a mão de meu irmão, ainda se curando de quando eu o preguei na parede no clube, mais de um mês atrás. — Eu preciso saber sua decisão, e preciso saber agora.


Van espreita em torno dele, para os nossos irmãos, e todos eles se comunicam em completo silêncio. Um momento passa, e Van inclina a cabeça. Sim. Estamos de acordo. Eu olho do meu irmão para o meu pai, e digo passivamente: — Eu vim reclamar o meu lugar. Meu pai me olha com descrença antes de se virar e olhar para os homens em torno da mesa. Quando ele ri, eles obedientemente riem com ele. Ele ri um longo tempo antes de silenciar. — Eu não lhe daria um assento nessa mesa, mesmo se você pedisse. Bem, merda. O que quer que eu faça agora? Ah. Eu sei. — Oh, eu não estou implorando por um assento, pai. — eu levanto a minha pistola de dentro do meu bolso do casaco e atiro na cabeça do meu pai. Ele afunda na cadeira, e eu ando até ele, empurrando-o para fora. Ele pousa no chão com um baque surdo. — Eu estou tomando o trono, filho da puta. Ocupo o lugar que ele sentava formalmente, na cabeceira da mesa. Meus irmãos ficam em guarda, atrás de mim. Um simples olhar ao redor da sala me dá a avaliação da situação a seguir. — Alguém tem um problema com isso? Ninguém fala. Nem uma alma maldita. — Eu achava que não. Um sorriso lento se espalha nos meus lábios.


Eu sou oficialmente uma intocรกvel. Sim. O que acham de mim agora, rapazes?


EPÍLOGO PARTE III

Twitch O céu brilha em um laranja intenso, enquanto o sol se abaixa, ajustando-se para a noite. As aves começam a silenciar, um zumbido pacífico preenche o ar. Nox

senta-se

ao

meu

lado,

segurando

sua

filha

dormindo. Suavemente, ele pergunta: — Então, e agora? Olho para a criança dormindo em seu peito, e meu coração dói. Tomo um gole da minha cerveja, em seguida, coloco-a sobre a mesa que nos separa. Olho para o sol radiante pela uma última vez antes de responder. O quê, agora? — Estou indo para casa.

Fim... Por enquanto.


Raw: Rebirth (último livro da série) Papai está em casa AJ era um menino inteligente. Ele tinha apenas cinco anos de idade, mas sabia o valor de um segredo. Ele não gostava de manter segredos de sua mãe e quando ele perguntou para ela se tinha problema mentir, ela lhe disse que nunca era bom ser desonesto. Não fazia sentido. AJ tinha ouvido sua mãe mentir antes. Por que ela podia mentir e ele não? Sua mãe explicou que às vezes as pessoas contam mentiras para que outra pessoa não seja ferida, e que estas eram chamadas de “mentirinhas”. AJ pensou sobre isso. Seu segredo magoaria a mãe dele, isso foi dito a ele, então não era realmente uma mentira, pensou. Manter o segredo estava mais para uma “mentirinha”. Quando sua mãe o colocava na cama, ele sorriu para ela. — Eu te amo. — disse, e falou sério. O sorriso da sua mãe suavizou. — Eu te amo mais, querido. — respondeu ela calmamente enquanto corria dedos suaves por seu cabelo bagunçado. Ela soprou-lhe um beijo quando saiu do quarto, apagou a luz e fechou a porta. AJ estava na cama, acordado e esperando.


Ele nĂŁo tinha certeza de quanto tempo esperou, mas quando ouviu a janela fazer barulho e, em seguida, levantar em lentidĂŁo excruciante, ele sorriu animadamente. Sua mentirinha estava aqui. Papai estava em casa.

Série Raw Family #2 Dirty - Belle Aurora  

*Meu casamento parecia perfeito visto do lado de fora. As pessoas me invejavam. Queriam minha vida, queriam ser eu. Senhora Alejandra Gamb...

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