Page 1

1


O namoro rápido de June Mayson e Evan Barrister resultou em um casamento secreto exatamente antes que ele partisse para o acampamento militar. Evan sabe no fundo de seu ser que June é boa demais para ele, mas depois de obter um sabor da bela vida que poderiam ter juntos, ele está relutante em deixá-la ir. June promete esperar por ele, sabendo que nem o tempo ou à distância jamais mudarão seus sentimentos por Evan, isto é, até que ela é presenteada com papéis do divórcio, enquanto ele está no exterior e ela é forçada a deixá-lo ir. Com seu casamento e divórcio sendo um segredo bem guardado, a última pessoa que June esperava encontrar ao voltar para sua cidade natal é Evan. Irritada com o passado, ela faz tudo em seu poder para ignorar a atração que sente sempre que ele está perto. Mas como ignorar a dor que vê cada vez que seus olhos se encontram? Como lutar contra a necessidade de acalmá-lo, mesmo sabendo que está suscetível de se machucar mais uma vez? É possível para June e Evan encontrar seu caminho de volta para o outro novamente? Ou serão parados por uma força externa antes mesmo de ter uma chance?

2


Prólogo

Olhando para o meu reflexo no espelho na minha frente, eu me encolho. Meu cabelo está um desastre, há olheiras sob os olhos e a camisola que visto não é nem mesmo uma das mais bonitas que normalmente uso. É aquela que minha irmã December me deu como uma piada, mas a uso de vez em quando, porque é confortável, embora fosse feita para uma mulher três vezes a minha idade. Descansando os cotovelos sobre a mesa na minha frente, eu corro meus dedos pelo meu cabelo, puxando os fios para trás, para longe do meu rosto. — Odeio homens, — sussurro para a sala de interrogatório vazia, onde me foi dito para esperar mais de uma hora atrás, depois que a polícia arrombou minha porta e arrastou-me da minha cama. Levantando meu olhar, eu olho para mim mesma no espelho novamente e prometo que quando eu sair da bagunça que meu ex-namorado me meteu, vou aprender a ser lésbica, ainda que eu não tenha certeza que isso é realmente possível. — June Mayson. — Olho por cima do meu ombro para a porta agora aberta atrás de mim, e os meus olhos encontram os de um homem que me faz lembrar meu

3


pai. Ele parece estar em seus quarenta e poucos anos e é um desses homens para quem o tempo foi bom. O cabelo escuro dele é curto e se parte no lado. Seus olhos são de um azul que se destaca contra seus cílios escuros e pele bronzeada. — Eu sou o Oficial Mitchell e este é o Oficial Plymouth. — Ele acena atrás dele e é seguido por um homem que deve fazer o papel de Policial Mau, a julgar pela carranca no rosto e o olhar que ele me dá quando nossos olhos se encontram. O tempo não foi tão gentil com ele. Parece que ele tem desfrutado de muitas cervejas. Sua cintura é redonda, e sua pele não parece saudável, na verdade, parece amarelada. Balançando a cabeça, eu cruzo os braços sobre o peito e corro minhas mãos pela pele nua de meu bíceps, a qual está gelada do ar frio vindo da ventilação acima de mim. — Gostaria de algo para beber? — Oficial Mitchell pergunta ao entrar totalmente na sala. Balançando a cabeça, murmuro, — Não, obrigada. — Chocolate quente? — Ele oferece, e sinto lágrimas queimarem na parte de trás de meus olhos. Desde que era pequena, sempre que eu estava tendo um dia ruim, meu pai me oferecia chocolate quente. Seu chocolate quente tem poderes mágicos que sempre fazem tudo parecer bem, mas duvido que o chocolate quente da delegacia tenha o mesmo efeito. — Não, obrigada. Só gostaria de saber por que estou aqui, — digo, enquanto ele se senta na cadeira de metal em frente a mim e coloca uma pasta grossa sobre a mesa entre nós. — Podemos estar aqui por algum tempo, senhorita Mayson, então eu gostaria que você se sentisse confortável, — diz ele gentilmente. Olho para o Oficial Plymouth encostado na parede, e de volta para ele. — Não quero ser rude, Sr. Mitchell, mas eu realmente gostaria de chegar ao ponto. Tenho aula em poucas horas e eu realmente preciso chegar no horário. — Temo que você provavelmente perderá a sua aula hoje, senhorita Mayson. Fechando os olhos, os abro lentamente e pergunto, — Posso pegar um suéter? Surpreendentemente, o Oficial Plymouth desliza o paletó e anda até mim, colocando-o em volta dos meus ombros.

4


— Obrigada, — sussurro para ele, e seus olhos amolecem ao redor das bordas. Tirando meus olhos dele, o meu olhar vai em direção ao Oficial Mitchell. — Há quanto tempo você conhece Lane Diago? — O Oficial Mitchell pergunta, e eu me sento um pouco mais reta. — Não conheço ninguém com esse nome, — digo a ele, e ele abre a pasta de arquivo, revelando algumas fotos do meu ex-namorado Aaron e eu diretamente na minha frente. Cada uma delas foi tirada quando éramos um casal, mostrando que fomos seguidos mais do que algumas vezes. Ele vindo ao meu apartamento... ele me beijando fora do meu carro... na loja, caminhando lado a lado pelos corredores... No cinema... para jantar... nós dois fazendo algumas coisas normais. — Você quer dizer Aaron? — Esse foi o nome que ele lhe deu? — Ele pergunta, e aceno olhando para ele. — Eu o conheço há cerca de um ano, — sussurro, deixando cair os olhos nas imagens novamente, percebendo que na verdade eu não o conhecia, uma vez que o nome dele não é Aaron. — Há quanto tempo vocês dois estão namorando? — Ele pergunta, e meus olhos caem nas imagens mais uma vez. — Namoramos por cerca de quatro meses. Terminei com ele um mês atrás, — digo-lhe a verdade quando um sentimento de tristeza me bate inesperadamente. Eu não estava apaixonada por Aaron – ou Lane. Nem mesmo perto. Mas eu me preocupava com ele e acreditava que ele se importava comigo também. Foi assim até ele me enviar uma mensagem pedindo para encontrá-lo em sua casa. Quando cheguei lá, um de seus colegas de quarto me deixou entrar, e o encontrei em seu quarto com a boca de Susie Detrei ao redor de seu pênis, provando que eu estava errada sobre ele. — Vocês eram próximos, — o Oficial Mitchell afirma, e aceno porque éramos, ou pensei que nós estávamos. — Pode me dizer quem é este homem? — Ele pergunta, tirando uma foto do primo de Aaron/Lane, ou pelo menos o cara que ele me disse ser primo dele quando me apresentou a ele. — Primo de Aaron... Quer dizer, de Lane, Cody. Ele vive no Mississippi. — Alguma vez você os ouviu conversando?

5


— Ouvi-os conversando? — Pergunto, olhando para uma foto de Cody e Lane sentados no que parece ser um bar. Lane segura uma garrafa de sua cerveja favorita, e Cody tem um grande copo, com um líquido escuro e gelo na parte superior da borda na frente dele, com a mão enrolada em volta disso enquanto ri de algo. — Os ouviu falando sobre qualquer coisa fora do comum? — Ele esclarece, e eu balanço a minha cabeça. — Não. — Você tem certeza sobre isso? — Talvez se você me dissesse exatamente por que estou aqui, eu poderia darlhe a informação que você procura. — O tio de Lane Diago é um dos maiores distribuidores de narcóticos ilegais em Alabama, Kentucky, Tennessee, Mississippi, Geórgia e Carolina do Sul. — O quê? — Sussurro, enquanto meus olhos se concentram em uma das imagens de Lane e eu do lado de fora do meu apartamento. Eu usando um curto vestido colorido de verão e sandálias de tiras douradas, e Lane vestindo shorts cargo preto e uma camiseta branca simples. A cabeça dele estava inclinada em direção a minha, minha mão descansando contra seu peito, e a dele estava apertada em volta do meu quadril. Foi o terceiro encontro e o nosso primeiro beijo. Eu esperei muito, até mesmo para ir a um encontro com ele, porque não estava pronta para um relacionamento. Eu finalmente cedi a ele, porque ele era muito persistente. Ele me chamou para um encontro cada vez que nos vimos, e sempre foi dramático na forma como fazia isso, o que eu pensava na época ser meio que bonito. — Alguma vez você viu... — Eu nunca vi nada, — o interrompi. — Lane nem sequer fumava maconha, e quase todos que eu conheço fumam maconha, — sussurro, tirando os olhos da imagem para olhar para ele. — Vocês dois ficavam muito juntos. Você o deixou ou o buscou de compradores. — Ele desloca a pilha de fotos e tira uma minha estacionada em frente a uma casa onde eu esperava por Lane. — Os meus homens te viram em mais de uma ocasião.

6


— Na casa de amigos, — digo, de repente, encontrando dificuldade para respirar. — Se ele me pedisse para deixá-lo em um amigo, pegá-lo, ou para passar em algum lugar quando estávamos saindo, eu o faria. Mas nunca o testemunhei fazendo nada ilegal. — Você entende que pode ir para a prisão se eu descobrir que você gastou algum do dinheiro que ele ganhou com a venda de drogas em coisas para você mesma? — O Oficial Plymouth pergunta, cruzando os braços sobre o peito. Rindo, eu cubro o rosto com as mãos e deito a cabeça sobre a mesa enquanto tento me recompor. Provavelmente não deveria rir agora, mas é rir ou chorar. — O que você acha engraçado sobre isso? — O Oficial Plymouth pergunta, e levanto a cabeça para olhar para ele. — Eu paguei para nós dois quando saímos mais de uma vez. Ele até me pediu dinheiro para gasolina um par de vezes. Eu nunca, nem uma vez, peguei o dinheiro dele, nem mesmo para um café, — digo a ele. Seus olhos vão para o Oficial Mitchell, que resmunga, — Porra. — Ele me traiu há um mês, e não falei com ele desde então, — digo a ele, e ele balança a cabeça. — Temos data e hora de chamadas de telefone entre vocês dois ao longo do último mês. — Alguma vez você olhou quanto tempo as chamadas duraram? — Pergunto, sabendo que, se o fizesse, saberia que não chegamos a falar. — Ele ligou. Ele ligou mais e mais. Finalmente, eu tive que atender para dizer a ele para parar de me ligar. Não queria ter nada a ver com ele há um mês, e com certeza não quero ter nada com ele agora. — Outro bloqueio na porra da estrada, — o Oficial Plymouth resmunga, e minha cabeça gira para ele. — Sinto muito. Juro que se soubesse alguma coisa, eu o ajudaria, mas não sei. Lane nunca me disse nada, e com certeza não vi nada. Se eu tivesse, teria falado com o meu tio sobre isso. — Tem certeza de que não viu nada, ouviu nada?

7


— Tenho certeza, — digo, desejando saber alguma coisa, não porque eu seja uma delatora, mas porque sei o que as drogas podem fazer com as pessoas. Eu sei que nem todo mundo morre de uso de drogas, nem a vida de todos vai à merda por usá-los, mas minha companheira de quarto durante meu primeiro ano de faculdade teve uma overdose e morreu, e isso foi após ela se transformar em uma pessoa completamente diferente. Alguém de quem eu não gostava muito. Alguém em quem eu não podia confiar. Portanto, de maneira nenhuma eu algum dia iria proteger quem é responsável pelo fornecimento dessas drogas, não importa o quanto me preocupasse com eles. — Você estaria disposta a voltar a ter contato com Lane? — O Oficial Plymouth perguntou, trazendo minha atenção para ele. Meu coração vira no meu peito com o pensamento, mas não tenho a chance de responder, porque alguém bate no espelho de vidro na minha frente, fazendo com que meu reflexo fique engraçado.

8


Capítulo 01 June

— Você tem que estar brincando comigo. — Eu me viro, batendo a porta atrás de mim, e caminho de volta para minha casa. Caminho passando a pilha de caixas perto da minha porta da frente, ao fundo do corredor, do outro lado da sala de estar, onde os móveis estão todos empilhados no meio da sala, porque não tive tempo para pensar sobre como eu os quero colocado e entro na cozinha. Pegando meu telefone celular do balcão, eu ligo para meu primo e ouço quando toca enquanto náuseas e raiva enchem o meu estômago. — Por que Evan está estacionado em frente da minha casa? — Pergunto em um rosnado, logo que Jax atende, e nem sequer dou-lhe uma chance de responder antes de continuar em um silvo, — Eu o quero fora, agora. — June, você sabe que não vai acontecer. Seu pai está preocupado com você. Eu estou preocupado com você. Tio Nico está preocupado com você. Todo mundo está preocupado com você agora. — Ele está na cadeia. Nada acontecerá comigo, — digo, tentando parecer calma, ainda que me sinta tão longe da calma como alguém pode estar. — Até que ele seja condenado, você terá alguém cuidando de você para garantir que nada aconteça, — diz ele, e quero gritar com ele. Quero dizer para ele enviar alguém – qualquer outro – mas não posso, porque ele não tem ideia de que Evan é o

9


meu ex. Pior, ele é meu ex-marido. Ninguém sabe disso, e não quero que ninguém saiba. — Aprecio você cuidar de mim. Realmente aprecio. Mas isto é totalmente desnecessário Jax e você sabe disso. — Evan é firme. Você nem saberá que ele está aí, a menos que você se sinta boazinha e queira convidá-lo, então ele não precisa se sentar no calor. — Eu nunca irei convidá-lo, — sussurro para mim mesmo, mas Jax me ouve de qualquer maneira e ri, provavelmente pensando que estou sendo dramática. — Ele não é tão ruim assim. Tenho certeza de que ele até ajudaria a arrumar os seus móveis se você pedir para ele. Ele ri novamente, e meus olhos se fecham quando sussurro, — Eu preciso ir, — e desligo, sem sequer dizer adeus. Apenas a ideia de Evan perto de mim me irrita. — Ele pode assar por tudo que me importo, — digo a mim mesma, embora saiba que é uma mentira. O amor é uma droga. O amor é uma droga, porque às vezes, mesmo quando você não quer amar alguém, você ainda ama. Não importa quantas vezes tentei me convencer de que o que eu compartilhei com Evan acabou, eu ainda estou ferida. Estou ferida porque ainda o amo, e não quero amá-lo. Nem um pouco. Pressionando meus dedos em minhas órbitas, deixo escapar um gemido de frustração. Preciso ir até o supermercado e pegar alguns mantimentos. Isso é o que eu planejava fazer quando fui sair e o vi do lado de fora ao lado de seu carro, parecendo mais bonito do que nunca, o que não faz sentido. Quando estávamos juntos, eu sabia que ele era o homem mais bonito que eu já tinha visto, e é uma droga que ele não tenha mudado em nosso tempo separado, que não cresceu um terceiro olho ou se transformou em um alienígena verde viscoso com grandes verrugas cobrindo seu corpo. Ele ainda é o mesmo belo Evan Barrister por quem me apaixonei no momento em que nossos olhos se encontraram. Seu cabelo escuro e quentes olhos castanhos, os quais brilhavam quando ele sorria, foi o que chamou a minha atenção. Mas a primeira vez em que me segurou em seus braços, a primeira vez que me afundei entre os ombros largos, eu sabia que ele era para mim. Sabia que ele era tudo para mim. Não era a aparência dele, embora eu

10


soubesse que ele era o tipo de homem com quem a maioria das mulheres fantasiava. O tipo de homem que você vê na rua e para a fim de olhar, porque sabe que nunca viu um homem como ele na vida real e precisaria se lembrar de cada detalhe, desde que você provavelmente nunca veria o seu tipo de beleza de perto novamente. Não era sobre isso. Era o fato de que quando eu estava com ele, eu sabia que era onde eu pertencia. Bem no fundo dos meus ossos, eu sabia que era para ser dele e ele estava destinado a ser meu. Tirando meus dedos dos meus olhos, eu os abri bem, não querendo lembrar os sentimentos que sentia por ele, mesmo sabendo que não há uma maldita coisa que eu possa fazer sobre isso. Ele está enraizado em mim, uma parte de mim que eu sei que se foi para sempre, mas acordo todos os dias pensando que voltará. — Você não vai por esse caminho, June Mayson, — repreendo-me quando lágrimas quentes queimam os meus olhos. Piscando rapidamente, eu puxo a respiração pelo nariz, jogo o meu celular no balcão, e vou para a porta da frente. Inferno, de maneira nenhuma eu o deixarei tomar conta da minha vida novamente... de maneira nenhuma eu vou parar de viver. De novo não. Fiz isso quando ele foi embora. Fiz isso quando sua mãe entregou os papéis do divórcio para mim, também. Morri por dentro quando soube que não havia mais um nós, e finalmente consegui me recompor novamente. Portanto, de maneira nenhuma eu permitirei que ele me impeça de seguir em frente com a minha vida. Sem chance. Abrindo a porta da frente, eu corro pelos os degraus para a calçada, mantendo meus olhos em meus pés quando sigo. Só porque terminei com ele, não significa que ele não me afeta, e ele pode me afetar, mas não quero que ele jamais saiba disso. Não quero que ele tenha sequer um único pedaço de mim. Pressionando o botão do controle remoto na mão, eu ouço as minhas portas destrancarem, ao mesmo tempo em que coloco minha mão no carro, abrindo a porta do meu cinza cromado Beetle R-Line 2.OT SE1 e deslizo para dentro. Amo meu carro.

1 Marca de carro, aquele New Beetle.

11


É um carro de mulher, mas é a primeira coisa real que eu comprei para mim com o dinheiro que ganhava. Meu pai balançou a cabeça quando o viu, mas a minha mãe, ela era uma história totalmente diferente. Ela pulou, e fomos passear pela cidade com as janelas abertas e a música até o perfeito decibel – alta. Infelizmente, os policiais pensavam de forma diferente sobre o volume do rap de gangster vindo do meu carro e informaram a minha mãe e eu sobre isso quando nos pararam. Eles aguentaram eu explicar exatamente o que era uma trap queen2, apenas para sorrir enquanto me multavam por violação de ruído. Não me importei com a multa. Eu estava com a minha mãe, e estávamos tendo um bom tempo sendo bobas. Assim que os policiais voltaram para o carro deles e longe para ouvir, minha mãe aumentou o volume novamente, sorriu, e gritou, — Dirige, June Bug! — Sobre a música bombeando nos alto-falantes do meu carro. Eu fiz, e nós dirigimos ao redor por outra meia hora antes de meu pai enviar uma mensagem para a minha mãe dizendo para ela levar a bunda dela para casa. Então, rimos todo o caminho de volta como duas crianças. Foi demais. Saindo da memória, eu sorrio, colocando meu carro em marcha ré, olho por cima do meu ombro, e novamente para a garagem e para a rua – tudo ao mesmo tempo, evitando olhar na direção de Evan. Nem sequer preciso espreitar em meu espelho retrovisor para saber que ele está seguindo. Sua caminhonete é tão barulhenta, o som pula através do meu carro como um lembrete constante. Quando estávamos juntos, ele tinha um carro. Era um pequeno Honda de duas portas. Era velho, mas confiável. Seu pai, que não era muito presente, o ajudou a reconstruir o motor no verão em que se formou no colegial, e ele amava aquele carro, porque era uma das poucas boas memórias que tinha com seu pai. Agora, o seu Honda sumiu, e ele dirige uma caminhonete. Só que a caminhonete dele não se parece com qualquer caminhonete comum. Ela é enorme e preta, totalmente preta. Não tenho dúvidas de que ele poderia desligar os faróis à noite e ficar invisível. Mas não pensarei nisso, ainda que eu realmente queira saber exatamente o que ele faz trabalhando para Jax.

2 Música

12


Passando no estacionamento do supermercado, eu encontro um único espaço em uma fila com dez carros, um bem ao lado do outro, fazendo com que se Evan quiser estacionar, ele teria que fazê-lo em algum lugar não próximo ao meu carro. Coloco o Beetle na vaga, pego o pequeno envelope de cupons que deixo no porta-luvas, abro a porta e saio. Vendo Evan parar em uma vaga em frente ao estacionamento, acelero meus passos para a loja e pego um carrinho. Sabendo que eu preciso de tudo, começo na seção de legumes para poder passar por cada corredor da loja. Quando finalmente chego à caixa registadora, meu carrinho está transbordando. Não peguei apenas o básico, eu escolhi cada item alimentar que chamou minha atenção. Isso significa que tenho um carrinho cheio, principalmente, de junk food, porque estou fazendo compra com o estômago vazio. Sorte minha que tenho um envelope cheio de cupons e sei que a minha farra de junk food não me colocará em dívida. — June? Ouvindo meu nome, eu viro e sinto meus ombros enrijecerem um pouco quando fico cara-a-cara com um cara com quem namorei na escola, um cara que – mesmo aos dezessete anos – me fez de idiota. Ele foi o primeiro, Evan foi o segundo, e o terceiro foi Lane. Ele seria o último, no entanto. Eu agora jogaria para o outro time, ou pelo menos fingiria. — Matt, como você está? — Pergunto, embora não pudesse me importar menos. Não sou uma cadela, ou pelo menos, não normalmente, mas ele fez um estrago em meu coração adolescente. Posso não ser uma cadela, mas posso, definitivamente, guardar muito rancor. — Bom, apenas me mudei para casa. Trabalho para o meu pai. — Ele sorri. — Legal. — Dou um meio sorriso de volta, então viro o meu corpo parcialmente para longe dele quando o caixa pede os meus cupons. — Você está em casa? — Ele pergunta, e dirijo minha atenção do caixa para ele e começo a responder, quando sinto calor acertar o meu lado. Sei que ele está lá. Posso dizer pelo cheiro e o calor saindo de seu corpo, mas quando seu braço desliza em torno de meus ombros na forma familiar que ele costumava me abraçar, meu corpo enrijece e meus olhos voam para cima. Tudo o que vejo, porém, é a sua mandíbula.

13


— Evan. — Ele estende a mão para Matt, e minha respiração se torna irregular enquanto os olhos de Matt digitalizam entre o meu ex-marido e eu. — Hum... Matt, — diz ele, aceitando o aperto de mão e olhando para mim. — Eu... eu te vejo por aí, — ele murmura, e desaparece fora da vista tão rápido que nem sequer o vejo ir. — Querida, — o caixa chama, e me viro para encará-la, deslocando o braço de Evan em torno de mim quando dou um passo para o lado para colocar uma distância maior entre nós. — Você está bem? Parece que você acabou de ver um fantasma, — a mulher diz suavemente, e aceito seu olhar preocupado, então inalo profundamente. — Sim... hum, qual é o meu total? — Sussurro, e seus olhos suavizados olham atrás de mim, e sinto o calor de Evan sair do meu lado. — Tem certeza que está bem? — Ela pergunta em voz baixa. — Claro. — Sorrio, e ela balança a cabeça como se não acreditasse em mim, mas tudo bem, porque agora, nem eu acredito. — Cento e sete e sessenta e dois. Você economizou mais de cinquenta dólares. — Ela sorri, e tento sorrir novamente quando lhe entrego o dinheiro, mas meu rosto parece como se fosse rachar quando faço isso. — Obrigada, — murmuro, pegando o meu troco, então agradeço a jovem que ensacou minhas compras, coloco minhas mãos na alça do carrinho, e o empurro para fora da loja, ignorando o fato de que posso sentir Evan andando atrás de mim. — June. — Não. — Balanço minha cabeça, nem mesmo olho em sua direção. Não posso lidar com ele, não agora. Carregando todas as sacolas para o porta-malas, eu pulo no meu carro, coloco o cinto de segurança, dou ré, e vou para casa, evitando olhar no retrovisor ou pensar sobre o que aconteceu, embora eu possa sentir isso arranhando em minhas entranhas quando estaciono em minha calçada. — Você acabou de se mudar? — A voz de uma mulher grita assim que abro a porta do meu carro. Olhando ao redor para ver de onde vinha a voz, eu saio e bato a porta. — Aqui, querida! — A voz chama novamente, e encontro uma mulher pequena com cabelo preto na varanda da casa ao lado da minha, com as mãos no corrimão e o corpo pendurado na metade.

14


— Oi! — Eu chamo de volta, e ela sorri. — Então, você está se mudando? — Ela pergunta, e meu palpite é que ela perdeu o caminhão de mudança na garagem esta manhã. — Eu estou, ou eu fiz esta manhã, — respondo, movendo-me em direção ao meu porta-malas para começar a tirar minhas compras. — Espere. Vou me apresentar, — ela grita mais uma vez, e começo a rir, surpresa que ela não apenas gritou seu nome para mim e eu tenha gritado o meu de volta. Deixando minhas compras no porta-malas, eu a encontro no meio do caminho do gramado entre as nossas casas, me perguntando como diabos ela é capaz de andar através da grama em seus saltos. Eu estaria com minha cara no chão se eu fosse ela, mas aparentemente ela faz isso todos os dias. — Sou JJ. — Ela sorri quando se aproxima, e percebo que seu cabelo não é apenas preto; é preto com grandes mechas roxas correndo através dele, destacando seus olhos cinza. — Apenas duas letras Js, não o nome Jay soletrado duas vezes. — Ela sorri, e sorrio em resposta, esticando minha mão. — June, como o mês de Junho. — Então você se mudou esta manhã? — Ela pergunta, olhando para a casa atrás de mim. — Mudei. — Eu estava no trabalho, — ela murmura, em seguida, estende o polegar em direção a sua casa. — Meu velho estava dormindo até que eu cheguei em casa, então ele perdeu você se mudando também. — Bem, é bom conhecê-la agora. — Sorrio novamente, e seus olhos digitalizam sobre mim, depois se estreitam. — Você não tem nenhum problema com motociclistas não é? — Hum... não... — eu balanço minha cabeça e meu sorriso se alarga. — Bom. Não que isso aconteça muitas vezes, mas os meninos do meu velho às vezes aparecem, e quando o fazem, as coisas podem ficar altas. Se tiver um problema, você pode vir e me dizer. Se não tem um problema, você pode apenas vir e tomar uma cerveja. — Ela sorri, e eu rio, pensando que eu já gosto de JJ. — Provavelmente vou aceitar essa oferta.

15


— Bom, agora eu preciso perguntar, quem é o cara gostoso na caminhonete? Eu não viro. Sei sem olhar do que ela está falando quando o queixo levanta atrás de mim. — Humm... — Eu me pergunto como diabos explicar Evan para ela. — Deixa pra lá. Posso ver que não quer falar sobre isso agora. Vou parar e trazer a tequila amanhã. Você pode me dizer então, — afirma ela, convidando-se. — Essa história precisará de duas garrafas de tequila, — murmuro, e ela sorri novamente, ainda mais desta vez. — Já posso dizer que você é meu tipo de pessoa. — Ela me olha por cima, em seguida, espreita por cima do meu ombro novamente. — Vocês dois se encaixam, e do jeito que ele olha para cá, eu suponho que ele sabe disso, mas como você disse, isso é uma história de tequila, por isso deixarei assim e vamos falar sobre ele amanhã. — Amanhã, — concordo, estendendo a mão para apertar a mão dela. — Foi bom conhecê-la, JJ. — Você também, garota. Amanhã. — Ela sorri, em seguida, se vira e balança através metade do meu quintal e o dela, dirigindo-se ao seu alpendre. Assim que chega lá a porta se abre, e um grande homem barbudo – que não é não atraente – anda para a varanda da frente, pega a mão dela, e levanta o queixo para mim. Dando um estranho aceno, eu assisto JJ sorrir para ele e dizer algo que o faz sorrir e agitar a cabeça antes de arrastá-la até a porta e fechá-la. Sei ali mesmo que amarei meu novo bairro... ou vou amá-lo, uma vez que não tenha Evan montando guarda do lado de fora da minha casa.

16


Capítulo 02 Evan

— Você é meu, Ev, — ela sussurra, olhando para o meu anel em seu dedo enquanto suas coxas pressionam firmemente meus quadris. — Sempre, linda. Seu olhar encontra o meu e ela se inclina para trás, fazendo seu cabelo escuro deslizar suavemente sobre o meu peito enquanto se senta. Meus olhos caem para minhas mãos e vejo quando elas sobem na pele sedosa de suas coxas, a curva suave de sua cintura, e, em seguida, sobre os seios, o peso enchendo minhas mãos. — Ev. — Ela me desliza para dentro dela, e meus quadris pulam para cima, enviando-me mais profundo. Meus olhos se movem para segurar os dela enquanto ela levanta e depois cai lentamente pra caralho, e sei que ela vai me matar. Mas não me importaria de morrer assim, profundamente dentro dela, rodeado pela beleza. — Porra, — eu suspiro, e ela sorri. Ela é a coisa mais linda que eu já vi na minha vida. Nada melhor do que ela. Perfeição. — Beije-me. — Deslizo uma mão pelas costas dela e a puxo para frente, tomando sua boca e a saboreando na minha língua. Nada é mais doce do que ela, porra, nada. — Oh, Deus, — ela choraminga na minha garganta enquanto convulsiona em torno de mim. Piscando os olhos abertos, meu pulso corre e embrulho minha mão ao redor do meu pau, apertando quando murmuro, Porra, para o teto e tento recuperar o fôlego.

17


Quando cheguei em casa do Afeganistão, meus sonhos eram os pesadelos que vivi lá, os pesadelos de homens que perdi e que eu considerava irmãos. Agora meus pesadelos são pela perda dela – de June. Rolando para fora da cama, eu me movo para o pequeno banheiro anexado, abro a torneira, inclino para frente, pego água em minhas mãos e jogo em meu rosto, deixando o líquido frio lavar o meu último sonho. Descansando as palmas das mãos na borda da pia, eu abaixo minha cabeça e aperto os olhos fechados, imaginando quanto tempo as memórias de June e eu assombrarão minhas noites. Levantando a cabeça, olhando para mim mesmo no espelho, eu olho para o homem diante de mim, sabendo que sou tudo o que meu pai disse que eu seria. — Porra! — Eu rujo, levantando o meu braço e batendo, olhando o vidro estilhaçar quando meu punho faz contato e a minha imagem se desintegra. Com o peito arfando, abaixo minha cabeça de novo, respirando irregularmente. Descendo o corredor, vejo Harlen saindo do seu quarto e levanto meu queixo. — Você vai para o trabalho? — Pergunta ele, dando um passo em sincronia comigo à medida que avançamos pelo corredor do lado de fora do composto para a cozinha / refeitório. — Sim, — murmuro, levantando meu queixo para Z quando o vejo sentado em uma mesa conforme entramos pela porta. A grande sala, que costumava ser o refeitório quando a fábrica funcionava, agora detém algumas mesas redondas perto da entrada para a cozinha. Uma televisão de tela plana e oitenta polegadas pendurada com um gasto sofá de couro na frente dela, e duas mesas de bilhar posicionadas no canto de trás. A maioria dos dias, a sala está repleta de homens que trabalham ou vive aqui, a maioria deles estão em transição das forças armadas para a vida civil. — Você ainda procura por outra moto? — Pergunta Harlen do meu lado, tirando-me dos meus pensamentos enquanto me sirvo de uma xícara de café. — Sim, só não tive a oportunidade de olhar. Não tenho certeza se quero nova, — murmuro, vendo-o acenar e cruzar os braços sobre o peito. — Eu poderia ter algo para você. Uma moto veio ontem, e o cara mencionou vender. Vou sondá-lo quando ele vier hoje.

18


— Deixe-me saber, — murmuro, em seguida olho para o relógio e vejo que preciso pegar Sage no escritório em dez minutos. — Até mais. — Levanto o meu queixo para Z e vou para a minha caminhonete. Escalando na besta, coloco meu café no porta-copo, e me afastando do estacionamento, vou para a cidade onde o escritório está localizado. — Que porra é esse negócio com você e June? — Sage pergunta, pulando na minha caminhonete, deixando seu copo de café no porta-copos entre nós, e colocando o cinto. Eu não iria responder a pergunta dele. Primeiro, não é do caralho da conta de ninguém. Segundo, ele e Jax não têm nenhuma porra de pista que eu e June temos uma história, e eles não saberiam dessa merda por mim. June não contou a ninguém sobre nós quando ficamos juntos, nem mesmo para suas irmãs, para quem ela conta tudo. Não entendia a razão de nos manter em segredo. Eu não gostava, mas era o que era. Quando nos casamos, ela ainda não compartilhou sobre nós. Eu estava bem com isso. Ela disse que tinha um plano e diria aos pais dela enquanto eu estava fora. Dessa forma, eles teriam tempo para se adaptar à ideia de que sua filha era uma mulher casada, e depois, quando chegasse em casa, ela me apresentaria a eles. Meu estado de espirito na época estava completamente bagunçado, e como eu disse, eu não penso muito sobre isso. A única coisa que eu sabia era que eu tinha uma boa mulher, uma mulher que me amava, uma mulher que eu amava, então a deixaria conduzir no que se referia a sua família. Obviamente,

merda

caiu

quando

eu

estava

longe,

e

acabei

nosso

relacionamento, de forma permanente. Então, não havia mais uma razão para que ela contasse a alguém que foi casada, o que ela não fez, e eu não iria iluminá-los para o fato de que tínhamos história. — Porra, ela ligou para Jax esta manhã, dizendo para mantê-lo longe dela, — ele continua, e sinto meus músculos se contraírem. Ontem foi uma merda da minha parte. Eu deveria ter me mantido fora do caminho, mas não podia suportar a ideia do pequeno imbecil chamando-a para sair e ela dizendo sim, então eu entrei.

19


— Você está sequer me ouvindo, porra? — Demanda Sage, e viro a cabeça, levantando uma sobrancelha. — Eu sei que vocês foram casados, — ele sussurra, e meus músculos que estavam apertados apertam ainda mais. — Sei que não foi longo, mas sei que ela era sua esposa. Não sei o que diabos aconteceu, mas eu preciso lhe dizer. Eu gosto de você, homem, mas se você foder com a cabeça da minha prima, fazer alguma coisa para machucá-la novamente, você vai se ver comigo. — Não, — eu inalo, — me ameace, porra. — Não é uma ameaça, irmão. É uma promessa. Sei que ela esteve fodida por um tempo. Todo mundo sabia que ela estava fodida, mas ela não falava sobre isso, sobre o que aconteceu. Agora eu sei que ela estava fodida porque vocês terminaram. — Ela seguiu em frente, — eu digo, lembrando-me de algo que me mata toda vez que eu penso nisso. Bufando, ele balança a cabeça. — Se você realmente pensa essa merda, então você é estúpido. — Que seja, — murmuro, em vez de socá-lo na cara, então, coloco a minha caminhonete em marcha ré e parto em direção à cidade para uma reunião com um cliente em potencial. *** — Vejo que ele está de volta, — ouço JJ dizer assim que June abre a porta da frente para a casa dela. Ao vê-la, minhas mãos formam punhos. Seu cabelo escuro está soltou sobre seus ombros nus. O vestido sem alças de algodão preto faz sua pele parecer ainda mais dourada, e seu rosto está completamente livre de maquiagem. Sei que se eu me aproximasse, eu veria a difusão das leves sardas através da ponte de seu nariz e as manchas douradas em seus olhos. — Estou trabalhando duro em fingir que ele não está, — June diz a JJ, que segura uma garrafa de tequila, a mesma garrafa com a qual saiu de sua casa. Ela empurra-a em direção a ela, rindo quando diz, — Isso a ajudará a esquecer. Dando um passo para trás com a garrafa perto de seu peito, ela permite que JJ entre, e a ouço responder calmamente, — Não tenho certeza sobre isso, — seus

20


olhos se movem através do quintal para mim. Meu coração para da mesma forma que fez na primeira vez que nos conhecemos, só que desta vez, em vez de seus lábios abrirem e os olhos brilharem com espanto, os olhos estreitam, seus lábios apertam, e ela fecha a porta, dando-me tudo e absolutamente porra nenhuma. — Porra, — resmungo, inclinando a cabeça para trás. A primeira vez que vi June, eu saía da loja de autopeças onde eu trabalhava enquanto ela entrava. Eu estava de folga, mas quando ela inclinou a cabeça para mim com os lábios entreabertos, sussurrando, — Obrigada, — quando abri a porta para ela, eu sabia que precisava falar com ela, então a segui para dentro. Ela não falou muito. Disse-me o que procurava, e eu mostrei onde poderia encontrar. Suas bochechas eram uma sombra adorável de rosa no momento em que ela saiu, e depois ficou ainda mais escura quando pedi o número dela quando a acompanhei até o carro. Eu sabia, no segundo em que a conheci, que havia algo diferente nela, algo que eu não conseguia descobrir, mas sabia que ela se tornaria importante para mim. Ela não era importante – era vital, porra, a melhor coisa que já me aconteceu. Mas então eu precisei deixá-la ir, assim minhas merdas não a arruinaria. Entrando na minha caminhonete, eu a ligo e olho para a casa dela, sabendo que não há como qualquer um foder com ela, não enquanto eu estiver aqui ou JJ estiver lá dentro. Ninguém seria estúpido o suficiente para cortejar o tipo de repercussão que receberiam de Brew se foderem com a senhora dele. E eu mataria alguém sem pestanejar se chegassem muito perto de June. Ela estava fodida. As palavras de Sage têm brincado na minha cabeça uma e outra vez hoje. Quando eu estava com June, falamos muito sobre o nosso futuro e fizemos um milhão de planos. Ela sabia que eu devia, pelo menos, quatro anos para os fuzileiros navais. Inscrevi-me para o serviço antes de nos conhecermos. Eu não tinha dinheiro para a escola e os fuzileiros me deram a oportunidade de ter uma educação e ganhar algum dinheiro ao fazê-lo. June estava em meus planos, e depois do acampamento, programamos ir à Alemanha. Ela queria ver o mundo, e eu estava feliz por ter a capacidade de dar-lhe isso. Ela sabia que eu estaria lá por dois anos, mas também entendia que dois anos

21


não era longo e que, quando o tempo acabasse, poderíamos voltar para o país ou encontrar outro lugar para explorar. Ela estava animada para estar comigo, para começar uma vida, e ver o mundo. Eu só não contava comigo sendo um dos melhores atiradores na minha classe. Nunca segurei uma arma na minha vida e não sabia merda nenhuma sobre tiro. Mas no momento em que colocaram aquele pedaço de metal em minhas mãos, tornou-se uma extensão de mim. Eu era bom – fodidamente bom, tanto que eles me enviaram para o Afeganistão na primeira excursão após o acampamento. Vendo o que eu vi, vivendo o que vivi, eu sabia que não podia tocar em June novamente. Ela merecia mais, ela merecia tudo, e eu nunca seria digno dela. Ouvindo uma moto parar atrás de mim, eu olho no espelho retrovisor, e sorrio quando vejo Harlen balançar-se fora de sua Harley. — Ouvi dizer que você estava aqui, — ele murmura, sentando no banco do passageiro da minha caminhonete e batendo a porta. — Que amor você vir me fazer companhia. — Sorrio, e seus olhos apertam. — Nós vamos olhar a moto que lhe falei esta manhã. O dono é parte da tripulação de Brew. — Ele levanta o queixo em direção a casa do Brew. — Ele nos encontrará aqui. — Obrigado por procurar. — Você não tem o equipamento certo, e você é grande demais para montar qualquer coisa quando o seu pedaço de merda de moto quebra. — Ele sorri, e sinto meus lábios torcerem, então olho no espelho retrovisor quando o rugido dos tubos atinge o quarteirão. Vejo quando uma Harley Fat Boy cruza a rua passando a minha caminhonete, e para na entrada da casa de Brew. Saindo da caminhonete, nós atravessamos o pátio, parando ao lado da moto enquanto o proprietário desce. — Shock, — Harlen cumprimenta o cara com um aperto de mão, e inclina o queixo para mim. — Este é Evan. — E aí, cara? — Shock retumba quando apertamos as mãos, e se afastando da moto, cruza os braços sobre o peito coberto por uma camiseta. — Essa é ela. Odeio terminar com ela, mas estou atualizando, — diz ele enquanto ando ao redor da moto.

22


O trabalho de pintura preto fosco intercalado com preto brilhante é perfeito. Todo o cromo parece novo e bem conservado. — É 94, mas tem um motor Ultima 127ci, e transmissão de seis velocidades, com menos de quinhentas milhas rodados. O motor também tem um carburador Mikuni polido e um sistema de ignição Dyna de 2000. Ela é a merda em que sonhos molhados são feitos. — Você diria isso, uma vez que a moto tem mais potência do que você saberia o que fazer, — Brew diz, caminhando em nossa direção até a calçada. Shock não responde verbalmente, mas seu sorriso amplia e ele bate no ombro de Brew quando ele se aproxima e, em seguida, olha para mim. — Você quer levá-la a um passeio? Olhando para a casa de June, eu começo a balançar a cabeça. — Ninguém vai foder com ela enquanto estou no meu gramado da frente, — Brew promete baixo o suficiente para eu ouvir. Olho para ele e inclino a cabeça, em seguida olho para Shock. — Atire-me as chaves. — Pegando-as enquanto elas voam pelo ar, eu balanço a perna por cima da moto, ligo-a, e saio da garagem. Não vou muito longe, mas viro para a estrada principal e acelero, batendo setenta. Sorrio – o som por si só é suficiente para chamar a atenção, mas a moto é uma obra de arte. O poder e consistência é exatamente o que eu procurava. Voltando ao quarteirão, eu olho para porta da frente de June e vejo JJ e ela de pé na porta. Levantando meu queixo para elas, JJ sorri, mas June... June não. Não, seus olhos escurecem, e não de uma maneira ruim. Eles escurecem de uma maneira que me faz querer vê-los mudar assim de perto. Parando na garagem de Brew, eu desligo a moto e olho Shock enquanto balanço a perna por cima. — Quanto você está pedindo? — Nove. A venda é rápida, só dinheiro. — Ele sorri. Inalando, eu olho para a moto, e de volta para ele. — Você tem um negócio. — Ele ri, em seguida, dá um tapinha nas minhas costas. — Pegarei suas informações com Harlen. Podemos marcar um encontro amanhã, ou passarei pela loja na parte da manhã.

23


— Parece bom, — concordo e dou uma olhada para a porta da frente de June. Desta vez, ela está fechada e esfrego meu peito sobre o meu coração, me perguntando quando a porra da dor vai embora.

24


Capítulo 03 June

Movendo ao redor do meu quarto após ajustar os lençóis, eu atiro o edredom do chão para a cama. Tenho um sono agitado; sempre tive. Sei que há pessoas que podem cair no sono em uma posição, e ficar assim a noite inteira, mas isso não é comigo. Eu me movo constantemente, tanto que eu caí da cama no meio da noite mais vezes do que posso contar. Agarrando as extremidades do edredom, eu me esforço para levantá-lo como fazem nos comerciais de detergentes, em seguida, desisto, deixando-o cair no lugar bagunçadamente. Quando o comprei há um ano, não fui mesquinha. Tem provavelmente sete centímetros de espessura, cheio de penas. Entre o meu edredom e o colchão de penas na minha cama, eu adormeço no céu todas as noites. Jogando os travesseiros depois, arremesso o cobertor, o que não serve a nenhum outro propósito além de ser bonito, para o canto, em seguida, me afasto, admirando meu trabalho útil. Amo o jogo de quarto que minha mãe escolheu. Eu disse a ela o que queria quando soube que compraria minha casa, e ela assumiu a partir daí. A madeira gasta da moldura da cama, cômoda e mesas laterais fazem o quarto parecer aconchegante, enquanto o edredom roxo que cobre a cama parece veludo, e os travesseiros e lençóis cinzas, tornam elegante. Criando uma lista mental para providenciar cortinas e

25


encontrar lâmpadas, eu vou para o banheiro para terminar de ficar pronta, desde que meu pai estará aqui para me levar para almoçar em breve. Ligando a luz do banheiro, eu suspiro ao ver meu reflexo. Não gosto de usar maquiagem, mas os círculos escuros sob meus olhos não me deixam escolha. Procurando na gaveta de maquiagem, eu encontro o tubo de corretivo e começo a trabalhar. Ver Evan novamente está me afetando. Não consigo dormir, e minha mente está em um estado constante de turbulência. Acordo no meio da noite com sonhos de nós. As memórias dele, nossa, são demais. Algumas memórias têm a capacidade de curar, a capacidade de iluminar a escuridão, porque a beleza da memória é tão brilhante que você ainda é capaz de aproveitar isso. Mas as nossas memórias estão me matando lentamente. Elas me lembram de que, por um momento, eu tinha tudo, enquanto me lembram de que isso se foi. É a percepção do que estamos fazendo que está me torturando. A constatação de que posso vê-lo, mas não posso tocá-lo, que ele existe, mas não é meu, é angustiante. Inferno, ontem, quando JJ e eu o observamos descer o quarteirão em sua moto, juro que queria abrir a porta, correr para os braços dele, e pedir para ele me levar. Ele parecia... ele parecia – bem, eu acho que não há palavras para a maneira como ele parecia. Tudo o que sei é que entre a tequila e vê-lo pilotar, quando fui para a cama na noite passada, eu levei o meu BOB comigo e passei uma quantidade terrível de tempo me satisfazendo. Afastando meu rosto do espelho, eu verifico meu trabalho. As marcas não são tão perceptíveis mais, e espero que, com um pouco de base e blush, meu pai não vá perceber. Entrando no closet conectado ao banheiro, eu empurro as caixas de lado até que encontro a que eu marquei Vestidos, rasgo a fita e procuro até encontrar o que procuro. Tirando minha camisa, deixo-a cair no chão, sem me preocupar com um sutiã, porque não tenho peitos, e deslizo o vestido sobre minha cabeça. As finas alças e tecido de algodão fino são perfeitos para o calor úmido do Tennessee. Agarrando simples sandálias de couro, empurro meus pés nelas e sigo para a porta quando ouço um carro parar do lado de fora. — Hey, pai. — Sorrio, abrindo a porta para ele antes que tivesse a chance de bater, então passo para trás e o deixo entrar na casa.

26


— June Bug. — Ele se inclina, beijando minha bochecha. Quando se afasta, ele engole metade do meu rosto com a mão grande. — Você parece cansada, — afirma calmamente enquanto seus olhos me estudam. — Estou bem. Mudar sempre é uma porcaria. — Deixo escapar um suspiro e olho para longe para terminar a minha mentira. — Quero tudo desempacotado, então tenho ficado até tarde e acordando cedo para fazê-lo. — June, o que está acontecendo? — Nada. — Sorrio, e sua voz cai para o tom de pai que diz, Não minta para mim. — June. — Estou bem, pai. Juro, apenas cansada. — Aceno minha mão ao redor e começo a ir para a sala para pegar minha bolsa, mas sua mão agarra a minha, me parando no meu caminho, e me viro para encará-lo mais uma vez. — Eu sei que você está mentindo. — Ele balança a cabeça e continua calmamente, — Não sei quando todas as minhas meninas começaram a esconder merda de mim, mas preciso dizer, eu não gosto disso. — Sua mão volta para o meu rosto e seus olhos procuram os meus. — Eu te amo, mais do que tudo neste mundo, e nada mudará isso. — Ele beija minha testa, e se inclina para trás, pegando meus olhos novamente. — Se você precisa de alguém para conversar, eu estou aqui, e se não, sua mãe não te ama tanto quanto eu, mas tenho certeza que ela a ouviria também. — Revirando os olhos para o comentário sobre mamãe, eu enrolo meus braços em volta de sua cintura e aperto. — Eu sei. Te amo pai. — Sempre, menininha. — Seus lábios tocam o topo da minha cabeça, onde ele pergunta, — Você está pronta para ir comer? — Sim, nós podemos levar o meu carro? — Porra, não, — ele responde imediatamente, sem sequer pensar nisso, e não posso evitar, eu rio inclinando para trás. — Isso poderia me fazer sentir melhor. — Eu faço beicinho, e ele balança a cabeça.

27


— Não vai acontecer. Obtenha sua bolsa. Eu estou dirigindo. — Ele me solta e faço o que ele diz, antes de encontrá-lo na porta da frente para que ele possa nos levar para almoçar. — Obrigada. — Sorrio para o nosso garçom quando ele desliza um duplo cheeseburger e anéis de cebola na minha frente e a mesma coisa na frente do meu pai. — Deixe-me saber se você precisar de qualquer outra coisa, — ele responde, e sai. Não tenho ideia por que este é o meu lugar favorito para comer; o serviço ao cliente é uma droga. Acho que nunca vi qualquer um que trabalha aqui sorrir. Então eu dou uma mordida no meu cheeseburger e lembro por que não me importo que as pessoas que trabalham aqui sejam rudes. — Quando você começa em seu novo emprego? — Papai pergunta, esguichando ketchup no prato. — Próxima segunda-feira. — Engulo minha mordida de cheeseburger, em seguida, mergulho um dos meus anéis de cebola em molho ranch. — Dar aulas na escola de verão não é o ideal, mas o diretor me disse que trabalhando agora, ele pode muito bem garantir um lugar para mim quando o verão terminar. — Estou orgulhoso de você. — Obrigada, pai, — murmuro, olhando-o levantar a mão e acenar por cima do meu ombro. Olhando atrás de mim, meus pulmões congelam quando vejo o meu primo Sage seguido por Evan indo em nossa direção. — Yo, — Sage cumprimenta, sorrindo. — Ei, amigo. — Meu pai arrasta ao longo da cabine. Sage se inclina para beijar minha bochecha, murmurando, — Oi, — antes de se sentar ao lado dele. — Sr. Mayson. — Evan aperta a mão de meu pai, e olha para mim, e eu me movo sem pensar, abrindo espaço para ele. Ele se senta ao meu lado... bem perto de mim. Isso não pode estar acontecendo.

28


— Você conhece a minha filha, Evan? — Papai pergunta, e quando Evan se vira para mim, há algo em seus olhos que não posso ler, mas não parece bom. Meu batimento cardíaco chuta para cima conforme seus olhos voltam para o meu pai. — Nós nos conhecemos. — Esqueci que você está ajudando a manter um olho nela, — murmura meu pai, dando uma mordida em seu hambúrguer, e engolindo. — O que vocês dois estão fazendo hoje? Com a pergunta do meu pai, eu me aperto mais contra a parede, porque Evan ocupa todo o assento, e não consigo me concentrar quando seu corpo escova contra o meu. — Coisas normais, — Sage diz, seus olhos se movem entre Evan e eu. Seu ombro bate no de meu papai e seus olhos se iluminam com malícia. — Eles não fazem um casal bonito? — Ele sorri, e estreito meus olhos nele, ao mesmo tempo, sinto o corpo de Evan enrijecer. — Não seja um chato, — murmura papai, mas seus olhos se movem entre nós dois, e gostaria de saber o que ele está pensando, porque os seus olhos mudam levemente. — Eu farei o pedido. Devemos comer na estrada de modo que não fique tarde, — Evan diz a Sage, e solto um suspiro que não sabia que estava segurando antes de dizer adeus a ambos enquanto eles saem da cabine que eu e meu pai sentamos. — Evan é um cara bom. Seus primos gostam dele, — Papai acrescenta, mas não confirmo a sua declaração. Em vez disso, eu mergulho outro anel de cebola em meu ranch, e enfio-o na minha boca, mastigando devagar. Preciso fazer algo sobre Evan. Obviamente, evitá-lo para sempre não será tão fácil. Ele trabalha para o meu primo, vive na mesma cidade que eu, e é, de alguma forma, amigo dos motoqueiros do marido de minha irmã July. Sua vida e a minha estão interligadas. — O que você está pensando? — Papai pergunta, tirando-me dos meus pensamentos, e luto por algo a dizer. — Você acha que pode parar em Minx antes de voltar para a minha casa? — Pergunto quando engulo, e seus olhos apertam. — Suponho que é um não, — resmungo baixinho, enquanto luto com meu sorriso.

29


— Pergunte a sua mãe. — Porque ela me ama mais? — Seus lábios se contraem, mas ele não responde. Meu pai odeia compras, portanto, a sua resposta não é uma surpresa. — Vou perguntar a mamãe, — concordo, e pegando o meu hambúrguer, dou uma mordida. *** Olhando pela janela ao lado da porta, eu assisto Jax e Evan conversarem na frente da caminhonete de Evan. Não sei o que estão falando, mas seja o que for, tem os dois rindo. Afastando-me, eu vou pelo corredor até o meu quarto e pego uma das minhas blusas do armário, admirando minhas novas cortinas e abajures no meu quarto. Em vez do meu pai me trazer para casa depois do almoço, voltamos para a casa dos meus pais, então minha mãe e eu poderíamos levar o Suburban dela para Minx, onde encontrei dois abajures de vidro âmbar muito legal com tons da cor de cortiça, junto com cortinas cinza. Quando minha mãe e eu chegamos na minha casa, Jax estava aqui por Dever June. Não acho que é necessário que qualquer um me vigiasse. Lane está à espera de julgamento, e eu não era uma testemunha de tudo o que ele fez. Minha família, por outro lado, obviamente não concorda comigo sobre o assunto. Desde que Jax estava na casa de qualquer maneira, mamãe e eu o colocamos para trabalhar, pendurando as hastes da cortina e as cortinas. Não muito tempo depois que estava terminado, minha mãe saiu, e Jax ficou e teve uma cerveja, então saiu para falar com Evan uma vez que ele apareceu. Voltando para a janela, vejo Jax bater no ombro de Evan então ir para o seu carro. Debatendo comigo mesmo, da mesma maneira que fiz durante todo o dia, eu desisto e caminho até a porta da frente e abro-a quando Jax vira no sinal de Pare no final do meu quarteirão. Observando-o ficar fora de vista, eu viro meu olhar para Evan e encontro seus olhos já em mim. — Humm... — murmuro, perguntando, O que diabos eu estava pensando? — Você está bem? — Ele pergunta, dando alguns passos na direção da casa, mas parando do outro lado do gramado.

30


Porra, porra, porra. — Eu... estou bem. Eu estava... — Jesus, meu estômago está em nós e sinto que vou vomitar. Esta foi uma má ideia. — Podemos conversar? — Pergunto depois de um momento, e vejo seus olhos fecharem quando ele assente uma vez e anda em minha direção. Recuando para que ele possa entrar na casa, eu o levo pelo corredor até a sala de estar. — Gostaria de uma cerveja? — Eu estou bem, — ele responde, parando no meio da sala, e aguardo enquanto ele olha ao redor. O meu rack era dos meus pais. É preto com portas na parte inferior e nos lados e tem uma prateleira acima, com um espaço para a TV no meio. O sofá contra a parede oposta é grande o suficiente para caber toda a minha família. O abajur do outro lado da parede é perfeito para a leitura, uma vez que a luz está diretamente sobre o lado do sofá com o apoio para os pés. Não coloquei nenhuma das minhas fotos, então tudo está nu. — Você quer se sentar? — Pergunto, sentando na beira do sofá segurando minhas mãos na minha frente. Ele olha para mim por um tempo – tão longo que começo a me sentir desconfortável – então vagueia através da sala e senta no final do sofá, de frente para mim. Sua presença é tão grande que até mesmo sentado do outro lado da sala parece que ele ocupa todo o espaço. Pior, não posso ler a expressão dele, então não tenho ideia do que ele está pensando. — O que você quer falar? — Pergunta ele, me estudando. — Sinto... — faço uma pausa para tomar fôlego e colocar os meus pensamentos em ordem, porque não tenho nenhuma ideia do que exatamente quero dizer a ele. — Você... — eu me corto novamente, cobrindo o rosto com as mãos. — Isso foi estúpido. Não sei o que estou fazendo. — Descubro meu rosto e olho para ele. — Desculpe, você pode ir, — sussurro ficando de pé, e seguindo para o corredor em direção à porta. — Sinto muito. — Em suas palavras, meu corpo trava e lágrimas rastejam até minha garganta. — Eu não era... não sou bom o suficiente para você. — Apertando os lábios, eu luto contra a dor em meu peito, e giro para olhar para ele enquanto tranco esse sentimento.

31


— Eu sei, — sussurro, ignorando seu estremecimento quando ando até a porta e a abro. Olhando para os meus pés, eu o ouço vir no final do corredor e vejo suas botas quando ele para diante de mim. Não olho para cima. Não posso – a dor em meu peito é muito intensa. Sentindo seus lábios no topo da minha cabeça, uma lágrima cai no chão aos meus pés. Seus dedos no meu queixo forçam meus olhos para encontrar os dele. Nós ficamos lá pelo que parece ser para sempre, olhando um para o outro até que ele fala. — Eu gostaria que as coisas fossem diferentes, queria ser bom o suficiente para você. — Suas suaves palavras faladas não fazem nada para consertar meu coração partido, não fazem nada para ajudar a aliviar a dor em meu peito, se alguma coisa, elas me cortam mais profundo. — Eu gostaria disso também. — Sussurro, deixando cair os olhos para o chão. Suas mãos caem e ele sai, levando tudo o que resta dentro de mim com ele quando se vai. Fechando a porta e trancando-a, eu deslizo para o chão, meus braços envolvendo minhas pernas, enterro meu rosto contra meus joelhos, e choro. **** Ouvindo alguém bater na porta, tento abrir meus olhos, mas eles se sentem como estivessem cheios de cascalho. Levei uma eternidade para encontrar o sono mais uma vez ontem à noite... e, a julgar pela forma como meu corpo se sente, não foi há muito tempo. Ouvindo o bater transformar em esmurrar, eu grito no topo dos meus pulmões, — Eu estou indo! Calma! — Então tropeço da minha cama e vou para a porta da frente. — Demorou demais, — diz July, empurrando-se para dentro da casa, seguida por Wes, assim que abro a porta. — O que está acontecendo? — Franzo a testa, observando-os caminhar em direção à sala de estar. — Você pode querer colocar algumas calças. — July sorri, e olho para a minha roupa íntima de algodão coberta de coração, e erguendo minhas mãos no ar, corro para o meu quarto para vestir um moletom. Já no banheiro, eu decido escovar os

32


dentes e o cabelo. Quando volto para a cozinha, July e Wes estão fazendo-se confortável na minha cozinha, começando o café. — Você quer me dizer o que está acontecendo? — Só queríamos vir ver você, — diz July, e sinto meus olhos ficarem apertados quando olho para o relógio na parede. — São oito da manhã, — indico, olhando entre os dois. — Evan ficou bêbado na noite passada, — Wes diz. Meu coração cai em meu estômago enquanto July sibila, — Wes. — O quê? — Ele franze a testa, e ela revira os olhos. — Você o viu, baby. Ele estava destruído, porra. Porra, porra, porra. — Você está me dizendo isso, por quê? — Solicito uniformemente, embora meu estômago esteja girando com náuseas. — Ele está sofrendo, — Wes diz calmamente, e passo meus braços em volta da minha cintura quando engulo através do nó na garganta. Também me lembro de que os sentimentos dele não são mais problema meu. — Não quero soar como uma cadela, mas por que é o meu problema? — Por quê? — Ele repete suavemente, e cerro os dentes enquanto assisto a decepção brilhar em seus olhos. — Sim, por quê? — Sussurro e solto meus braços. — Acho que você sabe a resposta para isso, — Wes diz, e puxo meus olhos dele para olhar para a minha irmã. — Você disse a ele? — Eu pergunto, e ela acena, mordendo o lábio inferior. Fechando os olhos, eu corro uma mão trêmula pelo meu cabelo enquanto tento colocar meus pensamentos em ordem, em seguida, abro-os quando Wes fala novamente. — Você o ama? — Pergunta ele, me cortando antes que eu possa dizer qualquer coisa, e dou um passo para trás, sentindo a cor deixar o meu rosto. — Sim, você o ama, — ele sussurra e seus olhos suavizam. — Não sei o que aconteceu entre vocês, mas conheço Evan. Sei que ele é um bom homem a quem foi dada uma vida fodidamente difícil. Seu pai é um pedaço de merda, e quando sua mãe não está

33


bebendo, ela está bem, mas normalmente ela está bebendo. — Ele permite que essas palavras se afundassem, então sua voz cai ainda mais. — Ele foi para a guerra e viu os homens com quem se importava morrer. Meu palpite é, ele pensa que uma mulher doce, bonita como você, merece mais do que um cara como ele, — diz ele, e esse nó na garganta dói quando as palavras que Evan disse ontem a noite repetem na minha cabeça. Eu não sou bom o suficiente para você. Eu não sou bom o suficiente para você. Eu não sou bom o suficiente para você. Eu não sou bom o suficiente para você. Correndo para o banheiro no corredor, eu levanto a tampa do vaso sanitário e caio de joelhos quando vomito tudo dentro do meu estômago. Em algum lugar no fundo da minha cabeça, registro a presença reconfortante da minha irmã com os braços em volta de mim, sussurrando em meu ouvido, mas o meu coração, o qual eu pensei que estivesse quebrado, se quebra em um bilhão de pedaços minúsculos. Eu não sou bom o suficiente para você. — Tudo que eu queria era ele, — sussurro. — Eu sei querida. Eu não sou bom o suficiente para você. — Só ele. — Eu sei, irmã. — O que eu devo fazer? — Sussurro, pegando o pano molhado que está pendurado na frente do meu rosto e pressionando-o à minha boca. — Honestamente? — Wes pergunta atrás de mim, e aceno a cabeça, sem levantar a cabeça para olhar para ele. — Não deixe que ele te afaste. — É tarde demais, — inalo, sentindo meu coração bater e bile rastejar novamente até minha garganta. — É? — Ele questiona suavemente, e aperto meus olhos fechados, sabendo que é. É muito tarde. De maneira nenhuma eu me colocaria lá mais uma vez, não assim, não com ele. Ele não me machucou, ele me destruiu. — Talvez você possa ser amiga dele, — July sugere, e olho para ela.

34


— Não acho que isso é possível. — Ambos estão se machucando tanto, querida. Eu... — ela faz uma pausa, inalando, e olhando para Wes, que abaixa, correndo os dedos ao longo de sua bochecha. Eu amo que minha irmã tem o que ela tem com Wes, mas tanto quanto eu amo-o para ela, eu odeio o ciúme que sinto quando os vejo juntos. — Eu quero que você seja feliz, — ela continua, quando seus olhos caem para encontrar os meus. — Não acho que você será capaz de achar sua própria felicidade até descobrir como atravessar a dor que você sente. Mesmo sabendo que ela está certa, não sei se serei capaz de fazer isso.

35


Capítulo 04 June

— Você pode fazer isso, — sussurro ao meu reflexo no espelho retrovisor. Movendo os olhos para o meu colo, eu murmuro, — Por que diabos você deixou sua irmã fazer truque de mente de Jedi em você? Deixando cair a cabeça no volante, eu descanso lá, resistindo à vontade de bater a cabeça contra ele. July e Wes de alguma forma me convenceram a me encontrar com eles no complexo. Eles disseram que teria uma festa e que eu precisava sair de casa. Eu necessitava sair de casa, mas uma festa aonde Evan iria, não parece ser algo que eu precisava fazer. Na verdade, tenho certeza que preciso fazer o oposto, mas ainda assim, estou aqui, estacionada em frente com o motor desligado, tentando criar coragem suficiente para realmente sair do meu carro. Passando minhas mãos pela frente do meu vestido de verão laranja brilhante, eu respiro profundamente, abro a porta e coloco um pé calçado com uma sandália bege no chão, em seguida, o outro, orgulhosa de mim mesma por pelo menos sair do carro. Fechando a porta, eu olho ao estacionamento e inalo profundamente antes de me dirigir para a porta ao lado do grande portão, que me permitirá ir para o átrio aberto, onde está a festa. Assim que estou lá e abro a porta, sou bombardeada com o som do rock tocando no fundo, as pessoas falando e rindo, e o cheiro de bebida, cigarros e maconha.

36


— Esta é uma má ideia, — sussurro, digitalizando a multidão de homens usando jeans e couro e mulheres mal vestidas em busca da minha irmã ou Wes. — Perdão? — Uma voz profunda pergunta do meu lado, e saltando eu viro a cabeça para procurar no escuro. Um homem sai das sombras, me fazendo afastar. Ele não é muito mais alto do que eu, com o cabelo louro que atinge seus ombros largos. Ele é bonito, de uma forma masculina, com um queixo quadrado, lábios carnudos e grandes olhos azuis cercados por cílios grossos. — Desculpe, eu falava comigo mesma, — digo a ele, e ele sorri um sorriso assustador que não se encaixa em sua aparência. — Você faz muito isso? — Pergunta ele, dando um passo mais perto de mim, e eu instintivamente dou mais um passo para trás, querendo manter o espaço entre nós. — Hum... — olho em volta, novamente, orando para ver alguém familiar. — Qual é o seu nome? — Seus olhos vagueiam sobre mim enquanto ele dá mais um passo, em seguida, estende a mão e pega uma mecha do meu cabelo, enrolando-a em torno de seu dedo. Sinos de alarme tocam na minha cabeça, me dizendo para ir embora, mas sinto que meus pés congelaram no concreto abaixo deles. — Eu... — puxo minha cabeça para trás, afastando meu cabelo dele. — Eu? — Ele pergunta, inclinando a cabeça e dando um passo mais perto. — Jordan, se afaste, porra. Minha cabeça gira ao redor, e meu coração, que começava a bater desesperadamente, para quando meus olhos colidem com Evan. Fechando a distância entre nós, ele pega a minha mão logo que está perto. — Ah, eu só ia me divertir um pouco com ela, — Jordan diz, e Evan puxa minha mão, me forçando a colidir ao seu lado. — Se aproxime dela e terei algum divertimento com você, o tipo de diversão que deixará você no hospital, — Evan cospe, parecendo sério e assustador. Jordan levanta as mãos, me examina mais uma vez, enviando uma piscadela em minha direção, então se vira e volta para as sombras, o que não é só estranho, mas também um pouco assustador.

37


— Você está bem? — Evan pergunta, e meu olhar se move de onde Jordan desapareceu bem na frente dos meus olhos. — Sim, ele apenas me assustou, — digo a ele em voz baixa, sentindo sua mão em volta da minha, seus dedos sobre o ponto do pulso do meu pulso. Seu toque envia arrepios pelo meu braço, fazendo com que minha respiração saia engraçada enquanto seus olhos vagueiam pelo meu rosto. Seu toque é tão familiar e tão estranho. Mesmo que esteja tocando apenas uma pequena parte de mim, eu sinto isso em todos os lugares. Largando a minha mão, ele passa os dedos pelo cabelo, e imediatamente sinto falta da forma como me sentia estando ligada a ele. Sei que não faz sentido, mas se fosse possível para alguém ter o seu coração dentro de seu corpo, eu sei que ele estaria carregando o meu ao redor. — Não sabia que você estaria aqui, — diz ele depois de um momento, e mordo o interior da minha bochecha para não perguntar se ele se importaria se soubesse. — Wes e July me pediram para vir. Eu posso ir, se você não me quer aqui, — eu sussurro, e ele fecha os olhos por um breve momento. Quando os abre, ele me prende no local com seu olhar. Então eu vejo isso, através da luz amarela brilhante em torno de nós que vem dos fogos em barris e a baixa iluminação do prédio acima de nós... Dor. Uma dor tão profunda que rasga minha alma, rasga em pedaços dentro do meu peito. Uma dor tão forte, que posso sentir como se fosse minha. — Evan, — eu expiro, dando um passo mais perto dele, colocando a mão em seu bíceps. — Não faça isso. — Eu... — balanço minha cabeça, piscando para conter as lágrimas. — Não, — ele repete, dando um passo para trás, e minha mão cai de seu braço ao meu lado. — Sua irmã está lá dentro. Vá encontrá-la. Há um monte de pessoas aqui esta noite, fique com ela ou Wes, — ele diz com firmeza, em seguida, se vira e começa a sair. Não sei o que deu em mim, mas as palavras saem antes que eu possa sequer pensar em segurá-las, ou filtrá-las. — Eu menti. — Não tenho certeza se a minha voz

38


é alta o suficiente para ser ouvida, porque o meu coração está batendo descontroladamente em meus ouvidos. Ele para de ir embora, e vejo seus ombros subirem e descerem. — Pode não importar agora... — faço uma pausa, e puxo a respiração pelo nariz. — Eu não... talvez nunca importou. — Dou de ombros, embora ele não possa ver. — Você era tudo o que eu queria, — digo, e continuo em um sussurro — Eu acreditei em você. Acreditava em nós. Nunca houve um tempo em que você não fosse bom o suficiente para mim. — Quando termino, sinto o meu rosto esquentar de vergonha e aborrecimento. Antes que eu possa fazer um papel de idiota ainda maior, me apresso para longe em busca da minha irmã e álcool. *** — Vira! Vira! Vira! — Eu canto alto, juntamente com todos os outros na mesa, quando minha irmã vira uma dose de tequila. Seus olhos encontram os meus quando ela bate o copo sobre a mesa, e rio com a expressão tensa no rosto. — Sua vez, — ela grita, apontando para mim, e pego o meu copo e viro, sentindo a queimadura no meu peito quando o calor do álcool bate no meu sistema. Não é a minha primeira dose; na verdade, tenho certeza que é a minha décima segunda. Estou me sentindo bem. Feliz… Relaxada... Após minha conversa com Evan – ou minha estranha explosão, eu devo dizer – encontrei July e Wes no que eles consideram a sala comum. Minha irmã, sendo minha irmã, deu uma olhada no meu rosto e gritou, — Harlen! — E o segundo que Harlen, o qual eu tenho certeza que é um gigante da vida real, apareceu, começamos a tentar superá-lo. Não tenho ideia do porquê. A tarefa é inútil; o cara parece poder beber uma garrafa de tequila sozinho e ainda não sentir os efeitos. — Você sabe que as meninas nunca serão capazes de superar Harlen, certo? — Mic, um dos amigos de Wes, pergunta do meu lado, e virando a cabeça, sorrio para ele.

39


— Eu sei. — Seus olhos caem na minha boca e ele sorri. Mordendo meu lábio, eu olho para longe dele. Ele é definitivamente bom para o futuro, como superquente, mas prometi manter a minha história de lesbianismo. Nem tenho certeza se isso é uma coisa real, mas preciso de um homem como preciso de um buraco na minha cabeça. — Aaaalguém pode me chamar um táxi ou Luber ou o que seja? — Arrasto, olhando em volta da mesa. Preciso sair daqui. O álcool que bebi está flutuando através do meu sistema, fazendo-me sentir leve. — Você não irá embora, não é? — Minha irmã diz com um bico do outro lado da mesa, tomando outra dose. — Preciso chegar em casa antes de fazer algo estúpido, — digo a ela honestamente, ouvindo algumas risadas dos homens que nos rodeiam. — Eu te darei uma carona, — Mic diz baixinho ao meu lado, e os meus olhos deslizam para ele. — Você seria algo estúpido, — digo, e ele sorri mais, colocando a mão na parte de trás da minha cadeira e inclinando-se ligeiramente para mim. No seu movimento, eu me inclino para trás e deixo escapar, — ainda estou apaixonada pelo meu exmaridoo. Piscando, ele se afasta e grita, — Porra. — Exxxatamente. — Aceno a cabeça e solto um suspiro, olhando em volta da mesa. Todo mundo bebeu, e meu pai nos ensinou desde o momento que éramos jovens para nunca, nunca, entrar em um carro com alguém que bebeu sequer uma cerveja. — Seu telefone está com você? — Pergunto a minha irmã sentada à mesa na minha frente e seus olhos encontram os meus. — Ele está no quarto de Wes. Onde está o seu? Mordo meu lábio novamente. Nunca tenho o meu celular. A coisa estúpida é irritante, por isso sempre o deixo para trás. Provavelmente devo começar a carregálo. — Em casa, — digo a ela, e ela balança a cabeça como se fizesse total sentido, em seguida, olha para Wes. — Podemos dar uma carona para ela? — Ela sussurra, ou tenta, mas está tão bêbada que sai em voz alta e todos na mesa olham para ela.

40


— Ela pode ficar aqui, — ele responde, correndo o dedo sobre o lábio inferior dela. — Podemos ficar aqui também? — Pergunta ela, inclinando-se para ele e mordendo o polegar. Sua resposta é um grunhido. Arrastando meus olhos deles, eu olho em volta. Não quero ficar aqui, mas estou tão bêbada, as coisas estão começando a parecer um pouco – ou muito – borrada. — Vamos. Eu vou te ajudar, — Mic diz calmamente, ajudando-me a sair da cadeira que me plantei em poucas horas, ou minutos atrás. Não tenho certeza de quanto tempo passou. — Obriiiiigada, — arrasto, me inclinando para ele. Não sei sequer onde ele me leva. Eu o ouço falar com alguém, mas minha mente está tão confusa que não posso nem mesmo dizer o que ele diz. O segundo que sou direcionada para uma cama, porém, eu deito de cara e desmaio. **** Eu semidesperto quando sinto calor e cheiro de algo, eu juro que minha alma reconhece como algo seu. Não quero abrir meus olhos. Não quero que este sentimento correndo através de mim termine. Respirando de forma constante, deixo meu corpo absorver a sensação da mão em volta da minha cintura, a respiração constante na parte de trás do meu pescoço, e o peso estabelecido contra mim. Sei que vou acordar e isso será um sonho, então quero me esbanjar nisso tudo, memorizar cada segundo. Isto é como todas as outras vezes que acordei pensando que Evan estava comigo – que seus braços me seguravam, que ele ainda me amava – somente agora eu sei que o que tínhamos não era o que eu imaginei ser. Uma mão se levanta, cobrindo meu peito, e o comprimento duro de um homem pressiona contra a minha bunda. Apertando os olhos fechados, eu rezo para que ainda esteja sonhando, rezo para que não tenha feito algo estúpido ontem à noite e não tornei a minha vida fodida ainda mais fodida. Abrindo meus olhos, vejo um muro branco na minha frente. Meus olhos caem para o meu peito, e com certeza, há uma grande mão em volta do meu peito.

41


Não tenho nenhuma ideia do que eu fiz ontem à noite. Toda a noite é um borrão completo, mas não me lembro de ir para a cama com ninguém. Arrastando cuidadosamente ao longo da cama para não perturbar o meu parceiro de cama, eu finalmente fico livre e rolo de lado, colocando um joelho e uma mão no chão por vez, até que estou de quatro. Levantando minha cabeça sobre a borda da cama, eu vejo... Evan? Seus olhos estão fechados, o rosto tranquilo no sono. — Como diabos você chegou aqui? — Pergunto sob a minha respiração, deixando cair a minha testa no chão. — Eu a coloquei aqui ontem à noite, — Evan responde de cima, mas finjo ouvilo enquanto tento fugir para debaixo da cama para me esconder, mas é muito baixo, perto do chão. Sua mão toca as minhas costas e minha cabeça voa para cima. — Bom dia, — ele sussurra, correndo os dedos ao longo do meu couro cabeludo. Piscando, eu olho em volta. Mesmo sabendo que ele está falando comigo, ainda tento ver se há alguém com quem ele esteja falando tão suavemente. Senti falta da voz suave mais do que jamais vou admitir. Sinto falta de tudo dele, mas eu realmente senti falta do quão suave ele sempre era comigo, como me tratava como se eu fosse algo delicado, algo que ele precisava tomar cuidado, algo que amava acima de tudo. — Por que... o que estou fazendo aqui? Seus olhos correm por meu cabelo e rosto por um momento e ele olha para a porta. — Voltei ontem à noite e você estava bêbada, — diz ele, com os olhos na porta e passando a mão pelo cabelo. — Pedi um táxi, — digo, e seu olhar volta para mim. — Eu queria manter um olho em você. Você estava muito bêbada, e eu não queria que você estivesse sozinha, caso passasse mal. — Oh, — sussurro, me sentando de joelhos e passando os braços em volta da minha cintura. Isso é estranho – ou mais do que estranho, seja o que for. — Não é sequer seis horas. Volte aqui. Você pode levantar um pouco mais tarde, — diz ele em voz baixa, e meus olhos se movem ao redor do quarto. É pequeno,

42


com uma cama de casal e um único armário sob uma pequena janela. Não há nada para personalizar o espaço, mas é limpo e vejo um banheiro ao lado. — Eu deveria ir. Você se importa se eu usar o banheiro antes de ir? Sua resposta é um empurrão de seu queixo, então me levanto do chão e vou para o banheiro. Fechando a porta, eu olho para mim mesma no espelho da pia. Minha imagem está distorcida através do vidro quebrado. Levantando meus dedos para o espelho quebrado, eu vejo sangue entre as partes quebradas. Dor fatia por mim, juntamente com a compreensão. Não tenho certeza do que aconteceu com Evan quando ele foi embora, mas o homem que eu vi ontem à noite – o cara que falou com Jordan como se fosse derrubá-lo e sequer pararia para verificar se ele estava vivo – não é o cara por quem me apaixonei. Isto é diferente de Evan. Ele é assustador e está com raiva, e posso dizer que ele está lutando contra demônios, mas mesmo com tudo isso, eu me encontro querendo acalmá-lo. Mordendo meu lábio, eu ligo a água e mergulho o rosto para me livrar das lágrimas que começaram a encher meus olhos. Quero consertá-lo ou abraçá-lo. Sim, porque você é masoquista e meio idiota! Minha mente grita. Encontrando algum creme dental na gaveta, eu uso o meu dedo como escova, enxaguo a boca, e cuido dos negócios antes de lavar as mãos e abrir a porta. Evan não está mais na cama, mas em pé, colocando um par de jeans. Seus olhos me encontram e me preparo, passando minhas mãos pelo meu cabelo em uma tentativa de suavizá-lo. Não sei mais o que esperar dele. Ele sempre parece estar com pressa para ficar longe de mim. — Quer tomar café comigo? — Pergunta depois de um momento. Ouvi a pergunta, eu sei que ouvi, mas minha mente está focada em seu torso sem camisa conforme ele se move para a cômoda. Ele sempre teve um grande corpo, mas agora é maior, mais forte. Há músculos na parte superior dos músculos, e definição que não estava lá antes. Sinto o meu rosto esquentar quando ele se vira para mim. Ele é lindo. Seu corpo é uma obra de arte, e quero tocá-lo. Quero saber como se sente ter seu rosto barbudo contra a minha pele delicada. Quero saber se as bordas ásperas que vejo agora são suaves ao toque.

43


— June. — O meu nome em seu tom grosseiro chama a minha atenção, mas quando nossos olhos se encontram, não é com raiva que ele olha para mim. É bruto, poderosa possessividade, faminto. Minhas pernas fraquejam, e estou surpresa que não tombo onde estou. Ele vem para mim, fechando a distância entre nós. Percebendo que ele está vindo para mim, eu me afasto e bato na parede com nenhum lugar para ir. Um de seus braços envolve minha cintura enquanto o outro descansa na parede acima da minha cabeça. Ele ainda está sem camisa, então sinto cada polegada de sua pele quente através do material do meu vestido fino quando ele me pressiona contra a parede atrás de mim. — Se afaste, — inalo, virando a cabeça para longe dele, sentindo sua respiração quente contra minha bochecha e sua mão deslizar para cima da minha cintura, queimando minha pele enquanto ela se move. — Não posso. Você sabe que não posso, porra. — Seus dedos apertam meu lado e aperto fortemente meus olhos. — Olhe para mim, June. — Se afaste, — repito, com meu pulso acelerado e arrepios disparando através de meu sistema. — Olhe para mim, baby. — Sua voz é suave novamente conforme sua mão se move para passar ao redor da minha mandíbula. — Esta não é uma boa ideia, — sussurro, uma honesta verdade quando os meus olhos se abrem para encontrar os dele. Posso pensar que ele é lindo – eu posso até ter algum momento decidindo que ele precisava de um amigo e que eu seria esse amigo para ele – mas isso não é uma boa ideia. Ele me tocar, me chamar de baby, não é inteligente para qualquer um de nós. Seus lábios raspam a minha mandíbula, e minhas mãos o tocavam, sem que eu percebesse, transformando-se em garras e afundando em sua pele. — Ev, — suspiro quando seus quadris pressionam os meus, e quando sinto sua dureza contra a minha barriga, umidade surge entre as minhas pernas, e luto contra o gemido que sinto na minha garganta. — Porra, eu senti falta disso. — Sua mão se move da parede acima de mim e seus dedos passam através do cabelo na parte de trás da minha cabeça. Quando o

44


punho aperta contra o meu couro cabeludo, eu deixo escapar o gemido que segurava. — Linda, — ele murmura, e, em seguida, os dentes estão em meus lábios, mordendo forte. Suspiro, sua língua deslizando em minha boca, enredando com a minha. Seu gosto explode em meu paladar e me perco no beijo, dando tanto quanto recebo, beliscando o lábio inferior, e acalmando-o com a minha língua enquanto minhas mãos percorrem os braços e seu cabelo. Forçando a cabeça para o lado, ele me beija mais profundamente, tomando mais de mim. E é quando eu sinto acontecer, sinto-me desintegrar em um bilhão de partes em seu domínio e me permito não fazer nada, nada, exceto simplesmente senti-lo, com as mãos, a boca em mim. Gemendo em sua boca, ele me puxa para longe da parede e começa a movernos pelo quarto. As costas dos meus joelhos batem na cama e deito. Sua mão nunca deixa meu cabelo, e sua boca nunca deixa a minha enquanto ele me desloca sobre a cama. Quando sua boca finalmente deixa a minha, eu nem sequer tenho um segundo para pedir para que ele volte. Seu hálito quente trilha ao longo do meu pescoço, e memorizo a forma que a barba sente contra a minha pele e a forma como a língua sente contra o pulso do meu pescoço. Sua mão viaja para cima e vira ao redor das minhas costelas, perto de meu peito, e então seu polegar acaricia sobre meu mamilo, fazendo minhas pernas se levantarem e envolverem seus quadris. Quando a mão dele arrasta para baixo, para o topo do meu vestido e o sutiã, eu levanto a cabeça para ver sua boca baixar sobre o meu mamilo. O primeiro puxão de sua boca me faz sair da minha pele. Sua mão no meu cabelo aperta, e se move para segurar meu outro seio por cima do meu vestido. Estou encharcada enquanto seu peso me comprime, sua boca devora meu peito, e sua barba passa contra a minha pele. Estou perto – tão perto que sei que vou gozar com apenas isso. Deslocando para o lado, conforme a mão no meu peito viaja para baixo, sinto o algodão do meu vestido deslizar para cima da minha coxa e seus dedos subirem até o calor de meu núcleo. — Ev, — suspiro, correndo os dedos pelos cabelos enquanto seus dedos deslizam sobre minha calcinha.

45


— Encharcada, — ele resmunga, liberando meu mamilo, arrastando seus lábios para cima e tomando a minha boca novamente. Meus quadris levantam, minhas mãos se movem para segurar seus bíceps quando ele empurra minha calcinha para o lado e os dedos circulam meu clitóris. Isso é tudo que preciso. Minha cabeça cai para trás e um orgasmo me leva, iluminando tudo com sua intensidade. Eu flutuo para o espaço, completamente perdida em sua vastidão. Voltando lentamente para o meu corpo, sinto o meu vestido ser rudemente puxado antes de ser movida novamente. Minha cabeça bate no travesseiro, minha calcinha puxada pelas minhas pernas. Observando-o rasgar o preservativo, eu sussurro, — Evan. Quando seus olhos travam nos meus, eu vejo algo familiar olhando para mim, algo que não posso nem começar a compreender, algo danificado e ferido, e me tem levantando as pernas para envolver seus quadris e os braços para correr em torno de suas costas, querendo segurá-lo. Com o meu toque, seu maxilar aperta e a testa cai para a minha, empurrando para dentro de mim. Minha respiração sai em um whoosh e meus olhos se fecham. Ele é tão grande – não apenas comprido, mas grosso – e passou tanto tempo que a dor do esticar que eu senti pela primeira vez vem novamente. — Linda, — ele murmura. Meus olhos se abrem, e vejo quando ele vê onde estamos conectados. — Oh, Deus, — sussurro, arrastando minhas unhas por suas costas. — Olhe para mim, June, — ele exige rudemente, e meus olhos, os quais não sabia que se fecharam, se abrem e se prendem nos dele enquanto ele desliza para dentro e para fora de mim lentamente, tão lentamente que sinto cada polegada dele, cada centímetro, conforme ele me possui. — Eu poderia morrer aqui mesmo, porra aqui, e sei que eu senti como é o céu pelo menos uma vez, — ele rosna. Sentindo lágrimas começarem a se reunir em meus olhos, eu levanto a cabeça, enterro meu rosto na curva de seu pescoço, e me enrolo em torno dele. Meu orgasmo me bate de repente, roubando o ar dos meus pulmões e o coração do meu corpo. Enchendo-me uma última vez, ele enfia-se profundamente dentro de mim e geme contra meu pescoço enquanto seus braços envolvem minhas costas, me segurando

46


tão apertado que é difícil respirar. Tão apertado, que me faz sentir como se ele tentasse nos fundir juntos. Um soluço alto rasga da minha garganta, e ele nos rola para os nossos lados e esfrega a mão sobre as minhas costas, falando baixinho enquanto eu choro em seu peito.

47


Capítulo 05 Evan

Puxando o cobertor sobre nós, tenho June contra mim, sentindo cada uma de suas lágrimas mergulharem em minha pele. Mata-me que ela esteja chorando. Odeio ainda mais que eu seja o motivo de suas lágrimas. Eu não deveria tê-la tomado. Deveria ter feito as coisas de forma diferente, tomado o meu tempo com ela, construído lentamente o que nós tivemos uma vez. Mas quando vi o olhar nos olhos dela do outro lado do quarto, o mesmo olhar que estava em seus olhos no outro dia quando eu estava na minha moto, eu não pude me parar. Ouvindo seus soluços diminuírem, eu empurro para trás o meu queixo e observo que seus olhos estão fechados e seu corpo quieto. Afastando-me, eu vou para o banheiro e cuido do preservativo, lavo as mãos e rosto, e depois volto para ela e a puxo de volta para meus braços. Suas palavras de ontem estiveram brincando pela minha cabeça desde o momento em que ela fugiu de mim. Ela me dizendo que eu sempre fui bom o suficiente para ela, realmente me enviou para casa3. Quando saí noite passada, fui dar uma volta para me dar algum tempo para pensar. Até o momento que voltei, eu sabia uma coisa com certeza – eu precisava encontrar uma maneira de recuperá-la, obter o nós de volta, o que nós tivemos uma 3 Usado quando algo faz sentido, tem um efeito forte sobre o ouvinte e ele compreende algo que até então não entendia.

48


vez. Ela era a melhor coisa que já aconteceu para mim, a razão pela qual lutei para viver e para ficar melhor após voltar para os EUA. Pressionando meus lábios sobre a pele quente de sua testa, eu descanso-os lá. Sei que terei uma batalha em minhas mãos. Eu a feri, sei que eu fiz. Também sei que demorará muito para que ela confie em mim. Ela é forte e teimosa como o inferno, mas estou apostando no fato de que ela sente a mesma atração que eu, como se eu só pudesse respirar direito quando estamos juntos. Os meus homens e eu costumávamos brincar que você nunca aprecia a beleza do que está sob seus próprios pés até que está andando por um campo minado. Essa coisa entre nós é um campo minado de um tipo diferente. Entre a nossa história e que eu fiz para ela, eu trabalharei duro para garantir que cheguemos intactos ao outro lado. Deitado lá, eu mergulho no sentimento dela em meus braços, a mesma coisa que fiz ontem à noite enquanto ela dormia. Eu sentia tanta falta dela assim – não apenas seu corpo, mas seu cheiro, seu riso, e a forma como ela olha para mim como se eu tivesse a chave para o céu e pessoalmente concedesse-lhe o acesso através do portão. Não sou estúpido o suficiente para pensar que posso dormir com ela uma vez e voltar para onde estávamos antes. Sei que precisarei trabalhar para provar-me a ela. Eu terei que provar que o melhor lugar para ela é comigo. Venho lutando com meus sentimentos por ela por tanto tempo que agora que os deixei soltos, todos eles estão inundando para a superfície de uma só vez. Minhas emoções onde ela está envolvida são irracionais e extremas, na melhor das hipóteses, levando-me a agir ainda mais possessivo do que costumava ser. Odiava quando ela estava com aquele pedaço de merda no Alabama, mas fiz minha cama e estava determinado a deitar nela, ainda que eu estivesse miserável. Eu disse que ela merecia coisa melhor do que eu, mas não posso fazer isso novamente. Não posso ficar à margem e vê-la de longe. Se ela se apaixonar por outra pessoa porque eu estava com medo pra caralho de tomar o que eu queria, eu me odiaria para o resto da minha vida. Ouvindo um leve tap, tap, tap na porta, eu me extraio cuidadosamente dela, escorrego para fora da cama, encontro meu jeans no chão, puxo-os, e vou ver quem está lá, sem sequer me preocupar com os botões da minha calça.

49


— June está aí com você? — July pergunta baixinho, logo que eu tenho uma fresta da porta aberta. — Sim. — Aceno e levanto o queixo para Wes, que está em pé atrás dela. — Posso vê-la? — Ela pergunta, e olho por cima do ombro para a cama. — Ela está dormindo. — Portanto, você está dizendo que eu não posso vê-la? — Ela pergunta. — Você pode vê-la quando ela estiver acordada. — Eu posso vê-la quando estiver acordada? — Ela repete em descrença. — Baby, — murmura Wes atrás dela, e sua cabeça balança em direção a ele, dando-lhe um olhar feio, em seguida, volta para mim rapidamente, o brilho ainda no lugar. — Se você foder com ela, eu cortarei suas bolas e as usarei como brinquedos de gato, — ela sussurra, e vejo Wes vacilar atrás dela enquanto luto com o sentimento, mas não respondo. Apenas levanto uma sobrancelha e espero ela terminar. — Só para você saber, eu acho que meu pai tem um pressentimento que algo está acontecendo entre vocês dois, então é melhor você entender que, se você está com ela, você está com todos nós. Sentindo minha mandíbula apertar, murmuro, — Certo. O rosto dela suaviza e sua cabeça se inclina para o lado quando sussurra, — Por favor, tome conta dela, — e sai antes que eu possa responder. Fechando a porta, tiro minha calça e volto para a cama. Assim que estou estabelecido, June faz seu caminho em meu peito e sussurra, — Ev. — Estou aqui, bonita, — digo a ela, beijando sua testa. — Hmm... — ela suspira, envolvendo o braço em volta da minha cintura, então enterro meu rosto em seu cabelo e respiro-a, ouvindo-a dormir. *** — Você vai comer, ou fará beicinho e olhará para o seu café da manhã? — Pergunto, sentindo meus lábios se contorcerem enquanto observo June debater consigo mesma diante de mim.

50


Quando acordou nos meus braços, ela imediatamente tentou fugir, mas descobrindo que eu precisava colocar meu plano em ação mais cedo do que mais tarde, não a deixei ir para longe. Segurei-a na cama e beijei-a até que ela estivesse ofegante. Levou tudo em mim para não deslizar novamente para o céu que eu sabia que ela mantinha entre as pernas. A única coisa que me parou foi saber que as paredes que ela construiu entre nós não desceriam se eu fizesse isso, se eu usasse seu próprio corpo contra ela, ela se ressentiria de mim. Então, ao invés, beijei seu pescoço e rolei de cima dela, puxando-a comigo para o banheiro, onde a empurrei para o chuveiro antes de mim, em seguida, entrei com ela. Ela era um gato, silvando durante todo o banho, mas não a deixaria fora da minha vista, nem mesmo por um momento. Pode ter sido algum tempo desde que estivemos juntos, mas a conhecendo, ela teria fugido na primeira chance que tivesse e desapareceria. Após sairmos do banho e nos vestimos, eu confisquei sua chave e nos levei em seu carro para a lanchonete na rua da sua casa. — Eu vou comer, porque é rabanada recheada, mas não vou apreciá-la, — ela murmura baixinho, e jogo a cabeça para trás, rindo. Ao ruído, sua cabeça voa para cima e seu rosto suaviza, fazendo meu coração apertar. — Não vi você rir em um longo tempo, — ela sussurra, estudando-me do outro lado da mesa. Seu tom sério pausa o meu humor. — Conte-me sobre seu novo emprego. Você está animada? — Mudo de assunto antes de tomar uma mordida da minha omelete. — Sim, bem, não estou animada para trabalhar todo o verão, mas estou animada para começar a minha carreira e me instalar, — diz ela para seu prato, e empurro o pé debaixo da mesa, pedindo para ela me olhar. — Estou orgulhoso de você. Sei como se formar era importante para você, e sei como você estava animada para começar a ensinar. Seus olhos ficam nos meus, e vejo as rodas em sua cabeça girando quando ela pergunta baixinho, — O que está acontecendo? — Estamos tomando café da manhã, — eu indico, e seus olhos se estreitam.

51


— Você... você... — ela joga as mãos para cima no ar. — E então... então eu acordo na cama com você... e nós... fizemos sexo! — Ela grita no final, fazendo seus olhos voar ao redor do restaurante. — Baby, acalme-se. — Não, de jeito nenhum. — Ela se inclina sobre a mesa, apontando o garfo para mim. Deixando escapar um forte suspiro, eu sinto minhas narinas abrirem conforme meus olhos vagueiam sobre ela. — Você sabe o que é ficar na frente de algo que você quer, mas sabe que não deveria ter, de ter a capacidade de desligar os seus sentimentos para que a vida de ambos seja mais fácil? — Pergunto, e ela se encolhe como se eu a tivesse atingido. — Não, bonita, não pela razão que você pensa. Você foi a melhor coisa que já aconteceu para mim, a única coisa boa que eu tive na minha vida. — Até que você me deixou, — ela diz baixinho, e uma dor aguda atira no meu peito. — Eu não queria que você ficasse suja, — digo a ela suavemente, honestamente. — O quê? — Ela sussurra, mas vejo as lágrimas em seus olhos a ponto de transbordar. Não quero que ela chore. Suas lágrimas me matam sempre. — Vamos falar sobre isso outra hora, — sugiro com cuidado. — Ev... — Baby, por favor, vamos apenas tomar café da manhã. — Eu não sei? — Ela fecha os olhos. Estendendo a mão até o outro lado da mesa, eu pego a mão dela e a trago para a minha boca, e seus olhos se abrem quando meus lábios tocam sua pele. — Um dia, eu explicarei tudo. — Não sei o que está acontecendo. Não sei se sou forte o suficiente para fazer isso com você. — Ela engole, parecendo em conflito. Mesmo com a luta que está sentindo, ela não me diz para ir me foder. — Um dia de cada vez. Venho lutando com isso, e não posso lutar mais. Sinto falta de você. Senti falta de nós.

52


— Por favor, não faça isso. — Seu queixo oscila, e beijo seus dedos novamente. — Apenas café da manhã hoje, este momento hoje. Vamos pensar no amanhã quando chegar. — Assistindo lágrimas encherem os seus olhos novamente, eu me levanto e me movimento para me sentar ao lado dela, em seguida, enrolo o meu braço em volta dos seus ombros para segurá-la. — Odeio quando você chora. — Eu não gosto muito também, — ela admite, parecendo miserável, e sorrio com o seu tom. — Por que você está sorrindo? — Ela franze a testa, inclinando a cabeça para olhar para mim. Inclinando, sussurro em seu ouvido a verdade, ou parte dela. — Esta manhã, eu fiz uma viagem ao céu. Nada poderia me irritar agora. — Você não acabou de dizer isso. — Eu disse. — Beijo seu nariz, então, pego o meu prato do outro lado da mesa e coloco-o na minha frente. — Coma, — digo a ela, ganhando um revirar de olhos, mas ela começa a comer e não se afasta. — Quais são seus planos para o dia? — Pergunto na metade da minha omelete. — Preciso resolver algumas pendências. O que você fará? — Preciso dirigir até Nashville para encontrar Jax. Estarei de volta em torno das cinco horas. Você quer jantar? — Jantar? — Ela repete, parecendo nunca ter ouvido isso antes. — Sim, jantar. — Eu me inclino, lambendo um grão de açúcar do lado da boca dela. Limpando a garganta quando inclino para trás, ela murmura, — Jantar... uh... parece bom. — Bom, eu estarei na sua casa por volta das cinco. — Ok, — ela concorda, e seus olhos caem na minha boca, então eu dou o que ela quer, só que quando termino desta vez, as mãos dela estão grudadas em minha camisa, me segurando mais perto, me dando esperança. ***

53


— Me desculpe, cara. — Não é culpa sua que ela é uma puta, — Julian disse, abaixando as fotos de sua esposa que eu apenas tive o infeliz trabalho de mostrar-lhe. Ele coloca o envelope no bolso interno do paletó enquanto pego o meu café da mesa. — Se isto for a um tribunal e eu precisar de mais, posso contar com vocês para conseguir o que preciso? — Estou certo de que podemos trabalhar em algo. — Detesto essa parte do trabalho. Não há nada, absolutamente nada, pior do que dizer a alguém que a pessoa que escolheu para compartilhar sua vida não é o que pensavam que fossem. — Bom, meu menino precisa de algo melhor do que esta merda. — Ele bate na frente de seu paletó, onde as imagens estão. — Sei que terei uma guerra em minhas mãos quando pedir o divórcio, e não quero que a cadela consiga alguma coisa. — Deixe-nos saber do que você precisa. — Pego meu cartão pessoal e deslizoo sobre a mesa para ele. — Se alguma coisa acontecer e você não puder falar com qualquer pessoa no escritório, use isso, — eu digo, levanto e levo meu café comigo. — Obrigado, — ele murmura, pegando seu café e virando a cabeça para olhar pela janela. Abrindo a porta e saindo do restaurante, vou para a minha moto e pego meu celular para olhar a hora. Empurrando o meu celular de volta no bolso, jogo uma perna sobre a minha moto, saio da vaga, e vou para o escritório. — Você entregou para Julian? — Jax pergunta assim que eu entro em seu escritório e fecho a porta atrás de mim. — Sim, — respondo, sentando em frente a ele. — Como ele recebeu a notícia? — Ele perguntou se caso precisasse de mais para o tribunal, se poderíamos ajudá-lo. Disse que poderíamos. — Ele acha que precisará de mais do que o que você tem? — Ele franze a testa. — Não tenho certeza. O cara tem dinheiro, mas esteve casado por anos. Duvido que ele tenha um acordo pré-nupcial, e aparentemente ele quer a custódia total de seu menino. Meu palpite é que ele agarrará a isso e verá o que o seu advogado tem a dizer antes de fazer o seu jogo. — Cristo, eu não posso imaginar ter que dormir ao lado da mulher que eu sei estar transando com outros para que pudesse ter o meu filho. — Jax balança a cabeça

54


e faço o mesmo. — Penso que podemos deixar de vigiar a casa de June. Não houve sequer uma conversa sobre ela, e duvido que haja. — Eu ainda ficarei de olho nela, — digo a ele, e seus olhos ficam presos nos meus antes de balançar a cabeça e olhar para o lado, deixando escapar um pesado suspiro. — Você quer me dizer por que faria isso? — Porque eu sou apaixonado por ela. Seus olhos se estreitam, e percebo que Sage, obviamente, não falou com ele sobre o meu passado com June, ou o fato de que temos um passado, ponto. — Você está apaixonado por ela? — Ele repete em descrença. — Eu poderia mentir para você sobre isso, mas sim, estou apaixonado por ela. Estive desde o momento em que nos encontramos. — Que porra você está falando? — Ele levanta de sua cadeira e coloca o punho na mesa diante dele, inclinando-se sobre mim. — Eu a conheci em Alabama, antes de ir para o Afeganistão, — digo calmamente, mantendo a minha posição. — Você tem que estar brincando comigo. — Não. — Você sabia que ela era minha prima quando começou a trabalhar para mim? — Ele pergunta. — Não, não até Sage me pedir para checar o Lane. Seus olhos se estreitam antes de se abaixar. — Isto é uma merda. Como não sei sobre isso? — Pergunta do topo da mesa. — Isso não importa agora. — Você acha? Você fode com ela, e estarei com um homem a menos, porque eu terei que tirá-lo. Minha coluna endurece e eu rosno — Eu não vou foder com ela. — Você estava com ela, e então não estava. Meu palpite é que você já tenha fodido com ela.

55


Ele tinha um ponto, e um que não gostei, mas um ponto, no entanto. Ainda assim, eu continuei, — Não é possível prever o futuro, mas sei que eu lamento tudo o que fiz para nós. Também sei como é viver sem ela, e não farei isso de novo. — Eu deveria ter visto isso chegando. — Não vou pedir desculpas. — Jesus, Evan, você é muito fechado, porra. Ninguém sabe nada sobre você, e então você vem me dizer essa merda, e espera que eu lide com esse caralho sem questionar a merda que está dizendo? — Não espero nada. Um: June e eu não somos da sua conta. Dois: nenhum desrespeito, mas realmente não dou a mínima para o que você pensa de nós dois. — Você não dá a mínima, porra? — Pergunta ele baixo, me cortando e inclinando-se mais perto. Jax é um cara grande, mas eu ainda tenho cerca de cinco centímetros e treze quilos a mais que ele. Não tenho medo dele, ou qualquer outra pessoa. Uma vez que você viu o que eu vi, observou as pessoas morrerem, e esteve perto da morte, você conhece o medo real. — Que porra eu farei com isto, Barrister? — Ele pergunta em um rosnado, inclinando-se ainda mais sobre a mesa. — Nada, deixe as cartas caírem onde têm que cair. Balançando a cabeça, ele se endireita, tirando as mãos da mesa. — Se isso acabar mal, eu não terei nenhuma escolha, exceto chutar o seu traseiro. — Ele suspira, e dou de ombros. — Isto é uma merda, — ele murmura, sentando-se e esfregando seu rosto. — Eu tenho que ir para a June. Você precisa de mais alguma coisa? — Pergunto, levantando. Sua cabeça se vira para o lado, e ele solta um suspiro, então, pergunta, — Meu tio sabe sobre vocês dois? — Não, mas ele irá. — Você pode querer esperar para informá-lo sobre esta merda até que você e ela estejam firmes, — sugere, olhando para mim. — Não esperarei novamente. Eu deveria tê-la forçado a ser honesta sobre nós antes, mas não o fiz. Esse foi meu erro. Desta vez, farei a merda diferente, — digo, e ele ruge com o riso, dobrando-se com a força disso.

56


— Ah, merda. Preciso estar lá quando você disser isso, — diz ele através de seus cacarejos enquanto vou para a porta. — Eu te darei um lugar na primeira fila, — murmuro, fechando a porta atrás de mim. Uma vez fora do escritório, volto para minha moto e vou para o composto para trocar minha moto por minha caminhonete. Parando na garagem de June vinte minutos mais tarde, eu olho para o painel, vendo que é dez para cinco. Estaciono atrás do carro dela, desligo The Beast, e saio. Caminhando pela calçada, a porta se abre, e noto que ela está vestida, mas não vestida para sair. Seu cabelo está preso, e ela usa uma simples blusinha cor de pêssego e shorts jeans curto com os pés descalços. — Você mudou de ideia? — Pergunto, caminhando até a porta da frente. — Hum... não, eu... — ela olha para mim, parecendo desconfortável. — Pensei que poderíamos jantar aqui? — Sim? — Pergunto, envolvendo minha mão em torno de seu quadril, pressionando-a para dentro da casa antes de fechar a porta atrás de mim. — Eu meio que tinha uma ressaca e... — Estou bem jantando aqui, — murmuro, cortando-a, e ela sorri, pegando a minha mão e me levando para o corredor. — Você quer que eu saia e pegue alguma coisa, ou quer pedir? — Pergunto, e ela me olha por cima do ombro. Sorrindo timidamente, ela murmura, — Eu já cozinhei. — Você não precisava fazer isso, especialmente se não se sente bem. — Eu queria, — diz ela, e a sigo até a cozinha. Assim que atinjo o limiar entre a cozinha e a sala de estar, sou atingido pelo cheiro esmagador de frango com alecrim. É uma das coisas que ela costumava fazer para mim quando vinha para minha casa nos fins de semana, algo que eu disse a ela que amava no nosso primeiro encontro. — Baby, — sussurro, sentindo meu peito apertar quando ela solta a minha mão e pega um conjunto de pegadores de panela do balcão para abrir o forno. Puxando a assadeira e segurando o frango, ela o coloca no forno, em seguida, pega uma panela que sei que contém batatas. Assim que coloca a panela com as batatas no forno, eu o

57


fecho, e pressionando minha frente em suas costas e minha boca em seu pescoço, a respiro. — Evan. — Yeah, baby? — Pergunto contra sua pele, sentindo sua pulsação contra os meus lábios. — Hum... você está bem? — Pergunta ela, seu tom cheio de incertezas. — Porra, sim, — murmuro contra o pescoço dela e sinto a tensão escoar de seus músculos. — Você está com fome? — Ela pergunta baixinho, colocando as mãos sobre a minha em sua cintura. — Definitivamente, — ressoo, sentindo-a tremer. — Devemos comer, — ela sussurra depois de um longo momento. — Dê-me um segundo, — sussurro de volta, necessitando deste momento, ela em meus braços, o cheiro dela em meus pulmões, provando que estou vivo e aqui com ela. — Ev. — Ela se vira em meus braços, colocando as mãos em cada lado do meu pescoço. — Fale comigo, — ela pede, procurando meus olhos. — Estou bem. — Eu me inclino e passo o meu nariz ao longo do dela. — Ótimo, na verdade. — Você parecia estar em outro lugar. — Estou bem aqui, — asseguro-lhe calmamente, porque é a porra da verdade. Só não tinha ideia que estaria aqui novamente. Nunca pensei que tínhamos uma chance, não me atrevi a sonhar que ela me receberia em sua casa e provaria mais uma vez quão estúpido eu fui por deixá-la ir, quando ela é o tipo de mulher que se lembra de algo tão pequeno como qual a minha comida favorita. Procurando meus olhos novamente, ela solta uma respiração profunda, em seguida, olha para o lado. — Tenho um pouco de cerveja. Encontre algo para beber e eu pegarei nossos pratos. — Eu sei por seu tom de voz que ela está irritada ou decepcionada, mas não tenho ideia o que ela procura ou que resposta quer. Estou sendo tão honesto como posso ser agora.

58


— Beije-me, e então eu vou pegar uma cerveja, — eu a puxo mais perto até que seus seios estão pressionados em meu peito e as mãos são forçadas a deslizar em torno da minha nuca. — Não me lembro de você sendo mandão assim. — Eu provavelmente não era, — digo a ela, deixando de fora o fato de que eu sei o que é viver sem algo – algo que eu gostava muito, pra caralho – e desde que não tenho mais que estar sem, eu apreciarei isso enquanto puder, mesmo se eu precisar exigir isso. — Ev. — Sua testa descansa contra o meu peito enquanto sua cabeça cai para frente e as mãos deslizam para baixo do meu peito e nas minhas costas. — Isso... — ela deixa escapar um suspiro, e continua em silêncio, — Eu sonhei com você... — ela faz uma pausa, pressionando mais o meu peito. — Você costumava me assombrar, e eu... — meu intestino se aperta quando ela faz uma pausa novamente. — Não sei se isso é real. Não pode ser real. — É verdade, — ressoo. — Como pode ser? — Você apenas tem que acreditar que é, bonita. — Envolvendo o cabelo dela em meu punho, eu puxo seu rosto do meu peito e inclino sua cabeça para trás, tomando o beijo que eu pedi. *** — Mais forte, — ordeno, envolvendo minhas mãos em seus quadris. — Não, — ela sussurra, deslizando devagar pra caralho, e sinto minhas bolas puxarem. — Mais forte, June, — repito, pronto para perder o controle, não querendo gozar até que ela faça. Após comermos a comida realmente muito boa, nos estabelecemos em frente à TV, abraçados. Eu coloquei a minha mão nas costas de sua blusa, meus dedos vagando através de sua suave pele enquanto assistíamos algum programa de TV que ela jurou que eu precisava assistir. Era sobre um detetive de Nova York e uma mulher coberta de tatuagens, as quais passaram a ser pistas nos

59


casos em que trabalhava. Minha mente não estava na série, embora eu tivesse que concordar que a premissa era legal. Em vez disso, minha mente estava em seu corpo, encostado contra o meu, em seu sofá, em sua sala de estar, em sua casa, fazendo algo normal, algo que eu sabia que teria tido se não tivesse nos fodido. Mas quando ela começou a se contorcer em mim, suas pernas inquietas, eu sabia que ela não pensava mais na série também. Eu não tinha planos de tomá-la. Eu teria sido feliz segurando-a em seu sofá, em sua sala de estar, em sua casa, mas a minha linda menina tinha outros planos, e eu soube disso quando a mão quente e macia fechou no meu pau, e dar uns amassos se transformou em eu a dedilhando até que ela gozou e, em seguida, ela subiu no meu colo, o que nos traz ao agora. — Quero sentir você, — ela suspira, baixando uma e outra vez, lentamente. Torturante. — Porra. — Eu a seguro e a levanto com as mãos sob seu traseiro, a ouço gemer quando seus braços e pernas me envolvem. Movendo através da casa para seu quarto, eu empurro a porta, passo para a cama, colocando um joelho no colchão e depois o outro, sem nunca perder a nossa conexão enquanto a coloco na cama. — Mãos acima da cabeça. — O quê? — Ela choraminga quando eu entro nela mais uma vez. — Mãos acima da cabeça, — repito, sentando sobre os joelhos. Suas mãos tentativamente movem acima de sua cabeça, e coloco a minha atrás do meu pescoço para puxar a minha camisa, em seguida, puxo a dela. Deixando cair a minha cabeça, eu puxo o peito em minha boca e seguro o outro. As mãos dela se movem para minha cabeça, e parando o seu toque, eu rosno, — Mãos acima da cabeça, June. Se eu disser de novo, vou bater em você. — Suas paredes contraem, e sua respiração já errática transforma-se em instável, mas ainda assim, suas mãos se movem para cima, desta vez envolvendo o cobertor. Baixando meu rosto novamente, eu puxo o outro mamilo em minha boca e puxo com força. Eu amo seus seios, eles são pequenos, mas sensíveis pra caralho. Sei por experiência que ela pode gozar comigo apenas brincando com seus peitos. — Ev, — ela choraminga, envolvendo suas longas pernas em torno de meus quadris.

60


Deixando de lado o mamilo com um pop, eu me estabeleço em cima dela. — Você queria brincar, você me tem nisso. — Giro seu clitóris. — Eu te darei o que quer, mas desta vez, faremos as coisas do meu jeito. — Seus olhos se incendeiam e suas mãos novamente se fecham no cobertor sobre a cabeça dela conforme sua língua passa através de seu lábio inferior. Ajoelhando, eu seguro seus quadris e deslizo lentamente, mais lento do que ela ia, então roço minhas mãos em seus seios, observando-a arquear as costas. — Bonito pra caralho. — Vagando minha mão de seu peito e para seu estômago, eu circulo seu clitóris com o polegar, mantendo uma leve pressão. — Por favor, — ela sussurra, colocando os pés no colchão e levantando seus quadris. — Quero sentir você, — uso as palavras dela contra ela, mantendo meus movimentos suaves e meu polegar ainda mais leve. Suas paredes apertam ao redor do meu pau, e mordo meus lábios contra a rara beleza, então rolo meu polegar sobre o clitóris. Seus quadris pulam em um impulso para dentro, e luto contra o impulso de meter nela. — Eu... — sua cabeça balança de lado a lado contra a cama e as suas costas arqueiam, os dedos dos pés e cabeça as únicas coisas no colchão quando ela goza forte. Sua boceta aperta, me puxando mais profundo dentro dela. Inclinando sobre ela, eu puxo o mamilo em minha boca e rolo meu polegar em círculos mais fortes em torno de seu clitóris, prolongando seu orgasmo até que ela grita meu nome e ensopa meu pau. Virando-a de bruços, eu levanto seus quadris e deslizo novamente. Movendo a mão para a parte de trás do pescoço dela, eu seguro seus ombros na cama, e transo com ela como um louco, com tanta força que a cabeceira bate alto contra a parede e o quadro em cima da cama chocalha. Segurando-a com um braço em torno de seu peito, eu a empalo com meu comprimento. Ouvindo-a gemer, coloco minha mão em sua mandíbula e viro seu rosto para mim, empurrando minha língua em sua boca enquanto trabalho meu pau lentamente dentro dela. Suas mãos se movem para cima, segurando os seios. Afasto minha boca da dela para poder assistir suas mãos trabalharem nos peitos e seu rosto enquanto ela ofega.

61


— Você ama meu pau, baby? — Empurro lentamente. Seus olhos atordoados encontram os meus e sua cabeça mergulha para o lado enquanto o lábio inferior desaparece entre os dentes. — Responda à minha pergunta. — Deslizo uma mão entre as suas pernas, sobre seu clitóris. Seus dentes liberam o lábio e a palavra sim deixa sua boca ofegante quando deslizo profundamente novamente, movendo os dedos mais rápidos sobre ela. — Oh, Deus. — Sua cabeça cai no meu ombro e seus dedos cobrem o meu, então empurram para a nossa conexão. — Jesus. — Minha boca cai sobre o ombro dela e meus dentes mordem sua pele quando ela goza novamente, levando-me com ela neste momento. Plantando-me profundamente dentro dela, eu aperto meus olhos com força, sem nunca ter sentido o que sinto agora, nem mesmo com ela na primeira vez, o que passou a ser o melhor que já tive. Soltando a pele dos meus dentes, eu beijo o local, em seguida, nos rolo para a cama e ajusto-a contra mim enquanto tento controlar a minha respiração, juntamente com o meu coração. — Isso... nem tenho palavras para isso, — ela murmura, pressionando ainda mais sua pele encharcada de suor na minha. — Sim, — concordo, envolvendo a minha mão em seu cabelo, inclinando a cabeça dela e colocando um beijo em sua boca, e na testa, antes de aconchegar o seu rosto contra meu peito. — Você vai passar a noite? — Ela pergunta depois de um longo momento. Inclinando meu rosto para o dela, eu levanto seu queixo com meus dedos para me fazer claro. — Você não pode me fazer sair, bonita. Seus olhos procuram os meus por um longo tempo. Finalmente, ela aperta meus dedos e abaixa o queixo, sussurrando, — Tudo bem. Ficamos ali por mais algum tempo, tanto tempo que me sinto cochilar, e então a sinto se movimentar e rolo-a para suas costas. — Eu vou cuidar do preservativo. Fique aqui. — Eu quero limpar. — Fique, — repito, beijando-a suavemente. Ao seu aceno, eu saio da cama e vou ao banheiro. Abrindo os armários, acho suas toalhas e atiro uma na pia sob a

62


água quente enquanto descarto o preservativo. Voltando para o quarto, vejo que ela se moveu para se enterrar debaixo das cobertas. Afastando-as, eu ignoro seu suspiro assustado, e abro as pernas dela, limpando-a com suavidade. Levando o pano de volta para o banheiro, eu lanço-o na pia e sigo diretamente para a cama, e deitando, a puxo novamente para os meus braços. — Eu deveria apagar as luzes e outras coisas, — ela murmura sonolenta contra o meu peito enquanto seu braço desliza sobre o meu abdômen. — Farei isso daqui a pouco. Durma, baby, — sussurro, beijando o topo de sua cabeça. Sua resposta é me abraçar mais. Não durmo. Escuto até sua respiração se tornar regular, e saio. Vou para a sala de estar, pego nossas roupas de lá, desligo a luz da casa, dobro as nossas coisas e as coloco no banco, no final da cama. Quando volto para a cama, seu corpo toca o meu e ela sussurra, — Ev, — como fez no início do dia quando estava dormindo. — Estou aqui, linda. — Sim, — ela suspira, e então seu corpo relaxa. Eu nos ajusto de modo que ela está metade em cima de mim e a sigo para dormir, não percebendo que ela só me chama de Ev quando está dormindo ou quando estou profundamente dentro dela. Em qualquer outro momento, ela me chama de Evan.

63


Capítulo 06 June

— Tem gosto de leite com morango, — murmuro para JJ, tomando outra dose da tequila cremosa cor de rosa. — É Tequila Rose, cadela, não leite com morango. — Ela ri, servindo-se de uma dose. — Ainda tem gosto de leite de morango. — Sorrio. — Sim, exceto o fato de você estar bêbada, provando que é tequila. Ela não estava errada. Eu estava bêbada. Na verdade, eu não estava muito bêbada, mas estava no meu caminho para lá. — Você tem um ponto, — murmuro, e ela revira os olhos, soltando uma respiração, e sei o que está vindo. Soube no segundo que saí do meu carro e ela gritou para mim da sua varanda dizendo que estava vindo para conversar. Então, ela apareceu há vinte minutos com uma garrafa de tequila e me disse para beber. — Então, me diga o que diabos aconteceu. Na última vez que tivemos tequila, você me disse que você e o Cara Quente tinham uma história, quando vocês dois se casaram, como ele se juntou ao exército, e o que aconteceu desde que você se mudou para cá. Você parecia bastante firme na ideia de que não queria nada com ele. Obviamente, isso não deu certo, porque a língua dele estava em sua garganta e a mão

64


dele em sua bunda nua esta manhã, quando eu saía para o trabalho, — afirma ela, derramando-me outra dose. Fiz uma careta. — Minha bunda não estava nua. — E não estava. Coloquei calcinha e uma camisa quando Evan me puxou da cama e me disse para levá-lo até a porta esta manhã antes de sair. — Seja como for, isso está além do ponto, — ela murmura, e continua. — O ponto é que, obviamente, passou a noite e você, obviamente, lhe deu o cookie. O que aconteceu? Derrame, cadela. — Eu sou estúpida. — Fecho meus olhos, deixando cair a minha testa na bancada de granito na minha frente. Mesmo sabendo disso, sabendo que estava sendo estúpida, eu ainda estava fazendo isso. Não podia evitar. No segundo que ele me tocou, eu sabia que daria qualquer coisa que ele pedisse. Totalmente estúpido. A parte positiva: eu sabia qual seria o resultado. Sabia que ele não ficaria por aqui, por isso, enquanto o tinha, eu tentaria ajudá-lo a passar por tudo o que vi em seus olhos. Essa angústia crua que ele tentava esconder. E enquanto eu fizesse isso, teria tanto sexo incrível quanto poderia ter, enquanto protegeria cuidadosamente o meu coração para que não fosse esmagado mais do que já foi. — Querida, o amor nunca é estúpido, — sussurra JJ, tirando-me dos meus pensamentos, e levanto minha cabeça, meus olhos encontrando os seus olhos suaves. — Eu não o amo. Ela fecha os olhos brevemente, e em seguida, um pequeno sorriso aparece nos lábios dela. — Não minta para si mesma, querida, e, por favor, não minta para mim. — Não seria... — eu engulo e puxo meus olhos do dela para olhar o quintal pela janela. — Isso não seria estúpido? — O amor nunca é estúpido. É lindo e consumidor, e nós nem sempre temos a capacidade de lutar contra isso quando acontece. — Não quero amá-lo. Não quero me machucar de novo, — Digo a ela honestamente, caindo meus olhos sobre o balcão na minha frente. — Eu te entendo. Nunca é fácil se abrir, colocando-se em uma situação que a deixa vulnerável, aberta para mágoa ou dor.

65


— Exatamente, — concordo, tomando a dose que ela arrasta do outro lado do balcão para mim. — Mas, novamente; se não se arriscar, não deixar sua proteção cair, não se abrir para a possibilidade de amar, então você nunca terá a experiência de alguém provando que eles são dignos do presente que você está dando a eles. Você não terá a chance de ser feliz, não a verdadeira felicidade, aquela que vem de compartilhar sua vida com alguém. — Eu não preciso de ninguém – especialmente não um homem – para ser feliz, — resmungo, e sua mão se estende, pegando a minha e apertando-a. — Todo mundo precisa de alguém. Até mesmo as pessoas que pensam que são felizes sozinhas sabem que estavam erradas no segundo que têm alguém para vir para a casa no final da noite. Alguém para compartilhar sua dor, alguém para se apoiar quando não podem ficar sozinhos mais. Não digo que a outra pessoa a fará inteira, mas ter alguém que quer o melhor para você, te ama, se preocupa com o seu futuro e seu bem-estar, está longe de ser uma coisa ruim. Engolindo em seco, fecho meus olhos contra a dor no meu peito, porque sei que ela está certa. Só não sei se Evan é essa pessoa. Eu sabia antes; sabia com cada fibra do meu ser. Agora? Agora não tenho tanta certeza. — O que ele disse que o fez voltar? — Ela pergunta, e leva-me um momento para entender o que ela está perguntando, por que de repente ele estava em minha casa depois que, como ela dizia, eu deixei claro que não queria nada com ele. — Ele não disse nada para mim. O marido da minha irmã o ouviu dizer que ele não era bom o suficiente para mim. — Balanço minha cabeça, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto. — Eu... eu queria que ele soubesse que não era o caso, que ele sempre foi bom o suficiente, então eu disse isso a ele. Balançando a cabeça, seus olhos suavizam mais e ela murmura, — Altruístas. — O quê? — Quando você ama alguém, realmente ama, você fará o que for necessário para proteger essa pessoa, ainda que os proteja de você. — Eu não precisava que ele me protegesse dele. — Você acha isso, mas meu palpite é que ele não se sentia da mesma maneira.

66


— Não sei. Nós não falamos sobre isso. Quando pergunto a ele, ele diz mais tarde. Nem sequer sei o que diabos isso significa. — Mais tarde, significa apenas isso – mais tarde. Tenho certeza que ele não está ansioso para compartilhar a carga dele com você. Também duvido que ele queira fazer isso depois que acabou de ter você de volta. — Nós estamos transando, JJ. Não acho que se qualifica como nós voltarmos a ficar juntos. — Você disse isso a ele? — Ela levanta as sobrancelhas. — Não, — murmuro. — Exatamente. — Ela sorri, depois salta de seu banco. — Tenho que chegar em casa. Meu homem é legal, mas se eu não alimentá-lo antes que ele saia, temos problemas. — Ela deve ler o meu rosto, porque seu sorriso transforma em um safado quando confidencia, — Querida, confie em mim quando digo que as punições que ele distribui são sempre uma vitória para mim. — Oh, — sussurro, e ela joga a cabeça para trás rindo, em seguida, pega a garrafa de tequila e se dirige para a porta. Ando atrás dela e ela para e se vira para mim. — Aproveite a oportunidade, menina. Sei que você está com medo, e sei que ele fodeu antes, mas tenho um bom pressentimento sobre isso e raramente estou errada. — Obrigada pela conversa e a bebida. — Eu me inclino, dando-lhe um abraço, mas não uma resposta. Balançando a cabeça, ela abre a porta e sai em seus saltos, pela calçada, depois, através de nossos gramados. Parando em sua varanda da frente, ela acena uma vez e desaparece da vista quando vai para a casa dela. Fechando a porta, eu me inclino contra ela. Não me sinto melhor depois de conversar. Se qualquer coisa, eu me sinto mais em conflito. Em vez de pensar sobre isso, já que não estava fazendo nada, exceto isso todos os dias, eu vou para o meu banheiro e ligo a torneira da banheira. Uma das razões pela qual eu comprei minha casa foi por causa da banheira. Três pessoas poderiam caber confortavelmente na mesma, e tem seis jatos poderosos que a transformam em uma banheira de hidromassagem. Ligando a água, eu vou ao quarto para encontrar meu celular. Coloco-o em modo avião para que ele não me irrite, e encontrando meus fones de ouvido, inicio

67


Adele. Voltando ao banheiro, ligo as velas elétricas e desligo a luz. Fecho a porta, em seguida, prendo o meu cabelo, tiro minhas roupas, despejo uma tonelada de espuma de banho com aroma de pêssego sob a água corrente, e entro. Não demora muito tempo para encontrar paz e o som de Adele me levar para longe. Piscando com a repentina luz brilhante enchendo o banheiro, leva um segundo para os meus olhos se ajustarem. Assim que fazem, um grito rasga a minha garganta e me debato na banheira, perdendo Adele quando os meus fones de ouvido caem dos meus ouvidos. Água espalha no chão, e me levanto quando um homem vestindo uma máscara de esqui me observa. Estendendo a mão às cegas, acho uma toalha e me cubro, não tendo a chance de tirar os olhos dele para procurar algo para usar como arma. Ofegante, o sangue canta em voz alta em minhas veias enquanto mantenho meus olhos nele, esperando para ver o que ele fará, a fim de poder contrariar seu movimento. Ele não se mexe, não respira ou até mesmo faz um barulho. Ele apenas olha para mim, seus brilhantes olhos verdes cercados por tecido preto fixos nos meus. Não sei quanto tempo ficamos ali nos encarando. Poderia ser segundos ou minutos, mas sem uma palavra ou olhar para trás, ele sai. Apressando-me da banheira, eu tropeço para a porta, a fecho, e clico a tranca no lugar. Procurando meu celular, eu o vejo no fundo da banheira. Indo para o armário, abro as gavetas, despejando o conteúdo no chão. Encontrando uma tesoura de cabo preto barato na última gaveta, eu me movo para a porta, pressionando meu ouvido nela, e ajusto a minha toalha. Não consigo ouvir nada, nada; está silencioso. Esforço-me para abrir a porta, a tesoura como minha única arma, e assim que eu abro, corro pela casa sem parar e vou para a porta da frente. Assim que estou lá, eu a abro e corro tão rápido quanto posso em meu gramado até a varanda de JJ, batendo na porta. Não demora muito para que ela se abra, e assim que faz, eu caio dentro. — Que porra é essa? — Brew, o marido de JJ, silva, fechando a porta. — O... — Ofego, caindo de joelhos e segurando a tesoura no meu peito. — June, — ouço JJ sussurrar, mas não posso responder. Não consigo nem respirar.

68


— Pegue o meu telefone, baby, — Brew grita, e tento recuperar o fôlego para dizer a eles que alguém estava na minha casa, mas não posso fazer nada. — Vou tirála do chão, querida, — o ouço murmurar, antes de ser puxada para cima, movida e colocada em um sofá. — June, querida, você precisa se acalmar e respirar comigo, — JJ abranda enquanto suas mãos envolvem meu queixo e ela puxa meus olhos para encontrar os dela. Balançando a cabeça, eu tento, realmente tento, e então, uma mão grande empurra minhas costas para baixo, forçando meu rosto sobre o meu colo. Distraidamente ouço Brew no telefone, mas realmente não posso entender o que ele diz, porque JJ está sussurrando no meu ouvido para respirar. Eventualmente, a respiração volta, e levanto a cabeça, encontrando o olhar dele. — Graças a deus do caralho. — JJ envolve seus braços em volta de mim, e sinto as lágrimas se reunirem em meus olhos quando ela me abraça. — O que aconteceu? — Eu... eu estava tomando um... um banho. Havia... havia um cara... um cara, — choramingo, enterrando meu rosto contra seu pescoço. Seu corpo enrijece, e sinto o entrelaçar de uma corrente de algo perigoso através da sala. Levantando minha cabeça do seu pescoço, meu olhar colide com Evan. Seu grande corpo é como uma estátua, seus olhos enfurecidos, sua energia tão perigosa que a sinto penetrando em meus poros através da sala. — Irmão, se acalme, — Brew rosna, se colocando entre Evan e eu, cortando a nossa conexão. — Vamos colocar algumas roupas, — JJ diz, e eu aceno. Roupas estão bem. Na verdade, elas são ótimas. — Saia da porra do meu caminho, Brew, antes que o mova, eu mesmo, — Evan ressoa, e então ele está na minha frente, suas mãos segurando o meu rosto suavemente enquanto seus olhos me varrem. — Você está ferida? — Pergunta ele, movendo as mãos do meu rosto, correndo-as em cima de mim. Quando balanço a cabeça, ele puxa minhas mãos do meu peito e tira a tesoura de mim, jogando-a, e depois me leva de encontro a ele. Ele enterra seu rosto no meu pescoço, me segurando tão apertado que minha respiração sai em um whoosh estrangulado.

69


— Ev, — respiro contra a pele do seu pescoço. — Porra, baby. Jesus... — seu poder sobre mim aumenta. Sinto lágrimas picarem meu nariz por um motivo completamente diferente. Não há nenhuma maneira, não agora, que eu possa negar meu amor por ele, que em seus braços eu me sinto segura. — Deixe-me pegar algumas roupas para ela. Os policiais estão chegando, — JJ diz suavemente, e os braços de Evan me soltam quando ele se inclina, e olhando por cima do ombro para JJ, acena a cabeça uma vez. Então seus olhos voltam para mim. O pânico começa a rastejar através do meu sistema com a ideia de Evan me deixar, e sem sequer pensar, minhas mãos agarram a parte da frente da camisa dele em um aperto de morte. Seus olhos caem para minhas mãos, e então se movem para encontrar os meus e seu rosto suaviza. — Eu estarei bem aqui, baby. Não vou a lugar nenhum. Vá com JJ e vista algo. — Estou bem. Não preciso, — sussurro, sentindo minhas mãos começar a tremer. — Ele pode vir com a gente, querida, — JJ diz, colocando a mão no meu rosto e ganhando minha atenção. Olhando para Evan, ele acena com a cabeça para mim, e tirando minhas mãos de sua camisa, beija as duas antes de me ajudar. A casa de JJ tem um layout completamente diferente da minha. Sua sala se abre para a cozinha, e todos os quartos estão em um corredor na parte de trás da casa – dois de um lado com um banheiro no meio, e um no outro. Levando-me para o quarto principal com Evan nas minhas costas, eu a sigo no closet. — Escolha o que quiser querida, depois venha para frente. Vou me certificar de que Brew não assuste os policiais. — Obrigada, — eu sussurro, e a mão dele sobe mais uma vez, segurando meu rosto após ela sair, deixando Evan e eu no seu closet. Encontrando um moletom em uma das prateleiras, eu os seguro na minha frente, trêmula. — Deixe-me, — murmura Evan, pegando-o das minhas mãos, caindo de joelhos na minha frente, e mantendo-os abertos como um pai para uma criança. Colocando minha mão em seu ombro, ele desliza-os nas minhas pernas sob a toalha, amarra na cintura, e depois levanta. Pego o maior suéter que posso encontrar

70


– independentemente do fato de que mesmo passando das oito horas, o ar da noite é úmido e quente – porque quero estar coberta. Tirando a toalha em volta de mim, ele passa a suéter sobre a minha cabeça, usando a mesma técnica dos pais, ajudandome a colocar meus braços através das mangas. Uma vez que estou vestida, seus dedos deslizam debaixo do meu queixo e ele coloca pressão lá até que meus olhos encontram os dele. Ele olha para mim por um longo tempo, então se inclina, correndo o nariz em todo o meu rosto antes de sua boca brevemente tocar meus lábios. — Eu estarei com você. — Engolindo, eu aceno e meus olhos voltam para o chão. — Diga-me que ele não tocou você, — ele rosna baixinho, e meus olhos voam até encontrar o dele. Os seus estão furiosos e angustiados enquanto segura o meu olhar. — Ele não o fez. Não fez nada. Eu... eu não... eu não... ele só olhou para mim. Eu não... não sei nem mesmo o que ele fazia lá, — digo, colocando minha mão em seu peito. Seu coração bate tão forte que posso senti-lo contra a palma da minha mão pelo quanto ele treme. — Deu uma olhada no rosto dele? — Não, ele tinha uma máscara. — Engulo, fechando meus olhos. Seus olhos verdes brilhando em meu cérebro. — Ele tinha olhos verdes, olhos verdes incomum... — June! — É um rugido, me cortando, e saio do closet, sentindo Evan nas minhas costas. Meus olhos deslizam até a porta quando meu pai invade o quarto. No segundo que ele me vê, alívio brilha em seu rosto. — Pai, — sussurro, enquanto seus braços me engolem. — June Bug, — ele sussurra, soando dolorido conforme seus braços me apertam. — Estou bem, — asseguro-lhe em voz baixa. — O que aconteceu? — Pergunta ele, se afastando para olhar para mim. — Vamos deixá-la dizer aos policiais. Você pode ouvir enquanto ela faz isso para que não tenha que repetir, — Evan diz, e os olhos do meu pai passam de mim para ele conforme pressiona seus lábios fortemente. Merda.

71


— Há uma razão para que você esteja aqui? — Papai pergunta a Evan, e sinto meus músculos tencionarem. — Sim, — murmura Evan, mas não continua, ainda encarando o meu pai. — Pai, eu deveria... — Quer me dizer qual a razão? — Papai pergunta, ignorando-me, e olho para Evan, desejando que ele deixe isso para lá. — June e eu estamos nos vendo, — diz ele, ignorando o meu olhar. Os olhos do meu pai vão para mim, em seguida, de volta para Evan quando ele fala. — Não temos tempo para fazer isso agora. June precisa falar com os policiais, e precisa descansar depois. Ela está abalada. O rosto do meu pai brilha com alguma coisa, mas ele se vira, resmungando por cima do ombro, — Vamos lá fora. Sua mãe precisa ver por si mesma que você está bem, e você precisa falar com os policiais, então vamos fazer isso. Ele se foi antes que eu pudesse dizer qualquer coisa para ele. — Evan... — Agora não, baby. Mais tarde. Agora, você precisa dizer a polícia o que aconteceu. Cerrando os dentes, eu solto um suspiro, e aceno a cabeça. Pegando minha mão, ele me tira do quarto de JJ e seguimos pelo corredor. *** — Que porra, June Bug? — Meu pai pergunta, saindo para a varanda dos fundos e fechando a porta. Sabia que isso ia acontecer, mas estava honestamente tentando evitar. É por isso que logo que nós chegamos à casa dos meus pais eu saí pela porta dos fundos, na esperança de ter algum tempo para bolar uma explicação. Mais cedo, Evan me acompanhou até a sala, onde três policiais uniformizados cumprimentaram-nos, juntamente com a minha mãe, que estava mais assustada do que eu. Sentei-me no sofá de JJ com Evan sentado perto, com o braço em volta da minha cintura, e contei aos policiais o que aconteceu. Não demorou muito tempo, e

72


não surpreendentemente, não há nada que eles pudessem fazer. Minha caixa de joias desapareceu, junto com meu laptop, mas minha porta não estava trancada, e quem entrou fez exatamente isso, entrou e levou minhas coisas. Meu pai rosnou quando ouviu que eu não tranquei a porta ou liguei o alarme, e Evan teve a mesma resposta, com exceção do seu braço que aumentou o aperto – apertou tanto que eu sabia que teria cinco pequenos hematomas nas minhas costelas com as marcas de seus dedos. Quando os policiais saíram, JJ e Brew, os quais foram gentis o suficiente para nos deixar usar a casa deles, ofereceram a todos uma cerveja. Para minha surpresa, meu pai e minha mãe aceitaram a oferta, enquanto Evan foi atrás da polícia, dizendo que voltaria e me beijando suavemente antes de ir. Não poderia dizer quanto tempo estávamos lá antes de Evan, Jax e Sage entrarem, e quando o fizeram, tive a impressão de que eles não estavam felizes. Foi quando Evan disse ao meu pai para me levar direto para casa dele, e que ele passaria pela manhã a fim de me pegar e me levar para casa, e então para o trabalho. Pode-se dizer que eu estava em estado de choque. Primeiro, o meu pai não é um homem fácil. Ele é brando com suas meninas, essas meninas sendo minha mãe, minhas irmãs e eu, mas para além disso, ele não aguenta muito. Ele, com certeza absoluta, não iria – mesmo quando eu era mais jovem – permitir que um indivíduo dissesse a ele o que fazer com relação a suas meninas. Mas ele fez com Evan, e jurei ver seus lábios se contorcerem quando fez. Agora, olhando para o meu pai, eu posso ver que ele não está chateado, mas irritado, e honestamente, eu estou muito preocupada com o que Evan está fazendo para me preocupar com a reação do meu pai com a notícia de que eu tenho um namorado. Algo que nem sequer cheguei a um acordo ainda. — Pai, por favor, não. — Não? — Ele repete, recostando-se contra a grade que corre ao longo da varanda. — Já sei o que você dirá. — Sim, o que é? — Ele pergunta, e olho para ele, realmente incerta do que ele vai dizer.

73


Sua reação à declaração de Evan foi seriamente surpreendente, então estou perdida. Só sei que o que ele tem a dizer não será o que eu quero ouvir agora. — Esse menino tem demônios, — diz ele em voz baixa, e mordo o meu lábio inferior enquanto passo os braços em volta da minha cintura. Não estou surpresa que ele saiba, mas, ao mesmo tempo, eu estou. — É muito para enfrentar, June Bug, e não quero que você se machuque. É um pouco tarde para isso, eu penso, mas não digo quando olho para ele. — Você o ama? — Ele pergunta, cruzando os braços sobre o peito. Encolhendo os ombros em sua pergunta com muito medo de admitir isso a ele ou para mim mesma, eu vejo quando seus olhos se fecham, e em seguida se abrem novamente. — Estou preocupado com você. Como eu disse antes, Evan é um bom homem, mas vejo nele a mesma coisa que vi em alguns dos meus irmãos do serviço militar. Um monstro vive nele querida, e não sei se ele é forte o suficiente para lutar contra esse monstro. — Vou ajudá-lo com seus demônios, — sussurro, sentindo minha garganta se fechar. Sei que preciso fazer isso por ele. Sim, o que ele fez comigo foi horrível, mas o conheço, ou o conhecia, e o tipo de homem que ele é. Ele merece ter algo bom, entender que não há nada de errado com ele. — Há... há muita coisa que você não sabe, pai. — Então me diga. Lambendo meus lábios, eu ando para uma das espreguiçadeiras e sento, deixando cair a minha cabeça em minhas mãos. Sinto que papai se aproximou, o seu peso atinge meu lado, e o seu braço envolve meus ombros, me puxando para ele. — A primeira vez que olhei nos olhos dele, eu juro que meu mundo parou, — sussurro, deixando cair as minhas mãos no meu colo e unindo-as. — Isso foi há três anos. — Olho ao quintal. — Nós éramos inseparáveis. Cada momento livre que eu tinha, estávamos juntos. — Sorrio, lembrando os nossos momentos a sós, apenas ele e eu, conversando, rindo, abraçando. Sendo apenas nós. — O que aconteceu? — Você ficará bravo, — eu digo a ele sinceramente, porque eu sei que ele ficará. Nenhum pai quer saber que sua criança, especialmente sua filha, se casou e nem sequer mencionou a ele que namorava alguém.

74


— Talvez, mas acho que você sabe que eu te amo. Nada que você pudesse fazer mudará isso. — Nós nos casamos, — confesso tranquilamente, sentindo seu corpo enrijecer rapidamente. — Ele ia para os fuzileiros navais. Ele queria começar uma vida, queria ir para a faculdade, então se alistou, querendo uma vida boa para si e para fornecer uma para mim. No dia antes de ir, fomos ao cartório e nos casamos. — Jesus, June. — Eu sei. — Aperto meus olhos fechados. — Não sei o que aconteceu. No início, estava tudo bem. Quando ele estava no acampamento, nós conversávamos regularmente por cartas, e quando ele podia ligar, ele fez. Ele deveria voltar para casa para a licença logo após o acampamento, e eu planejava trazê-lo aqui em casa, então. — Isso não aconteceu, — Meu pai aponta em um aperto. — Não, isso não aconteceu, — concordo. — Mandaram-no ao Afeganistão. Os telefonemas pararam logo depois disso. Tentei descobrir com a mãe dele o que estava acontecendo, mas ela não sabia, ou não estava disposta a me dizer. Então eu ouvi que ele estava em casa, no Alabama. Ele não veio para mim, e sua mãe me encontrou e me deu os papéis do divórcio. — Que porra é essa? — Papai corta, e dou um puxão em sua mão, fazendo-o sentar-se quando ele ia se levantar. — Eu estava ferida, tão ferida pra caralho. Assinei os papéis. Então, descobri através de Ashlyn que ele conseguiu um emprego com Jax e ouvi dela o que aconteceu com ele quando ele estava fora. — Não é uma porra de desculpas, June Bug. — Você está certo, mas você está errado, — eu digo em voz baixa, apertando a mão dele. — Havia muita coisa que eu não sabia, um monte de coisas que ele não me disse. Seu pai era abusivo, sua mãe era alcoólatra, seu irmão estava na prisão, e então seus amigos morreram. Não sei os detalhes do que aconteceu quando ele estava longe, uma vez que nós acabamos de começar a sair juntos novamente, mas não posso evitar, exceto pensar que todas essas coisas o confundiram, e esse monstro que você vê é o resultado dessas coisas. — Não me importo, menininha. Esse homem não merece uma segunda chance.

75


— Ele disse que não me queria sujar. — Essa frase ficara comigo ao longo dos últimos dois dias. Havia algo nela que estava errado, tão errado. Eu não... eu não posso nem começar a entendê-la. — O quê? — Ele disse que eu era muito boa para ele, que ele não queria me sujar. Não sei o que nada disso significa. Não entendo completamente o que aconteceu com a gente, mas sei que ele me amava. Eu sei que ele amou, e arranharia os olhos de alguém se tentassem me dizer que não era verdade. — Se acalme, June Bug, — murmura meu pai, me puxando para mais perto dele, e sinto seus lábios no topo da minha cabeça. — Não posso dizer que estou feliz com isso. — Não pensei que estaria, — murmuro, passando os braços ao redor da cintura dele. — Estou chateado por você não falar comigo sobre ele. Estou tão decepcionado com você. Gahhh! Por que está declaração, Estou tão decepcionado com você, é muito pior do que seus pais apenas estando chateados com você? — Eu sei. — Sua mãe não estará feliz também, menina. Apertando os olhos fechados, eu deito a minha testa no ombro dele e aceno, porque sei que ele está certo. Minha mãe não é apenas a minha mãe, ela é uma amiga, e eu normalmente conto tudo para ela. Sei que ela estará ainda mais decepcionada comigo do que o papai está, por não confiar neles com o que estava acontecendo. — Nós amamos você, sempre e sempre iremos. Um dia, quando tiver seus filhos, você entenderá isso. Dito isso, ainda podemos ficar chateados com suas decisões, mas não significa que você não tenha sempre o nosso apoio. — Eu sei, — concordo, e sentamos em silêncio por mais alguns minutos. — Você quer contar a sua mãe, ou quer que eu diga? Queria perguntar se ela realmente precisava saber, mas sei sem perguntar que a resposta é sim. — Eu direi a ela, — murmuro.

76


— Boa decisão. Pegarei um pouco de vinho para vocês, e você pode dizer a ela, uma vez que ela beber dois copos. — Obrigada, pai. — Não precisa agradecer, — ele murmura, beijando o topo da minha cabeça, então se levantando. — Você sabe que eu te amo também, papai, certo? — Pergunto, inclinando a cabeça para olhar para ele. — Sim. — Ele sorri antes de sair pela porta. — Isso foi ok, — sussurro para o quintal, esperando que a conversa com a minha mãe não acabe com ela em lágrimas. Infelizmente, não tenho a mesma sorte. Quando disse à minha mãe que Evan e eu nos casamos, ela só havia bebido um copo de vinho. Ela chorou por uma hora, depois me disse exatamente como meu pai, que estava desapontada comigo. No momento em que terminamos de conversar e me levantei para ir dormir, ela estava tão bêbada que meu pai teve de carregá-la para a cama. Porém, ela me disse bêbada que Evan é gostoso. *** — Uh... o que estamos fazendo aqui? — Pergunto, olhando através do parabrisa para a clínica veterinária da minha irmã, depois para Evan enquanto ele desliga sua caminhonete. — Estamos lhe conseguindo um cão, — diz ele, e levanto a minha cabeça quando olho para ele. — O quê? — Você tem o melhor sistema de alarme no mercado, mas um sistema de alarme só funciona se você ligá-lo. — Sério? — Corro minhas mãos pelo meu rosto. Meu pai me deu um sermão sobre o sistema de alarme na noite passada e esta manhã. — Concordei em ligar o alarme. — Suspiro. — Você ainda ligará o alarme, mas também terá um cão. — Que tal um gato?

77


— Um cão estará em guarda 24 horas por dia e 7 dias por semana, um cão dirá se alguém está tentando entrar na casa, e um cão a protegerá se alguém entrar, agora vamos. — Ele pula da caminhonete e bate à porta, em seguida, vem para o meu lado. — Não sei sobre isso, — eu digo logo que ele abre a porta, solta o meu cinto, e me ajuda a sair. — Está tudo bem. Eu sei, — ele responde, pegando a minha mão e me conduzindo para a clínica. Assim que chego à porta da frente, July está lá abrindo-a com um sorriso no rosto, olhando entre mim e Evan. — Você disse que estaria aqui há vinte minutos. — Tive que pegar a minha caminhonete, — é a resposta de Evan conforme me puxa pela porta. Quando saí do trabalho e fui para casa, eu esperava ter de encarar minha casa sozinha, mas Evan estava lá, do lado de fora de sua caminhonete esperando por mim. Ele nem sequer me deixou entrar, apenas pegou minha mão e me ajudou a entrar em sua caminhonete. Uma caminhonete que era tão legal por dentro quanto era por fora. Assentos de couro preto com costura branca, painéis de madeira preta, cromo em todos os lugares que poderia haver cromo, um sistema de som assassino, e todas as buzinas e silvos que você poderia pedir. Não perguntei a ele o que estávamos fazendo ou para onde íamos. Sinceramente, eu estava apenas feliz por não precisar ficar em casa sozinha, e embora não fosse admitir isso em voz alta, eu estava feliz de passar um tempo com ele. — Você está bem? — Minha irmã pergunta, varrendo os olhos em cima de mim à medida que passo pela porta. — Sim, bem, eu estava. Agora, eu não sei. — O quê? — Ela pergunta, e as sobrancelhas se juntam enquanto ela me estuda. — Aparentemente, eu preciso de um cão. — Faço uma pausa, e me viro para olhar para Evan, que está falando com Kayan na recepção. — Um grande, — murmuro; seus olhos se iluminam e um sorriso enfeita seus lábios.

78


— Ah. — Seu olhar se move sobre o meu rosto e suaviza, e então ela dá um passo mais perto de mim. — Você tem certeza que está bem? Deixando escapar um suspiro, eu aceno. — Estou bem. Estava assustada ontem. Provavelmente não vou querer ficar sozinha por um tempo, mas eu ficarei bem. — Tentei te ligar. — Meu celular ainda está no fundo da minha banheira. — O quê? — Ele caiu na banheira. Preciso comprar um novo. Provavelmente tentarei fazer isso hoje. — Quando liguei para papai e mamãe na noite passada, meu pai disse que você e mamãe estavam conversando. — Sim, — respondo tranquilamente. — Você disse a eles? — Ela sussurra, olhando para Evan, e para mim novamente. — Disse, — admito, e embora fosse uma droga dizer a eles, estou feliz por tirar esse peso. — Como foi? — Como esperado. Papai ficou desapontado comigo, e mamãe foi mamãe: decepcionada e magoada. — O papai falou com Evan? — Ela pergunta, e balanço minha cabeça. Quando Evan foi me pegar na casa dos meus pais esta manhã a fim de me levar para casa para que eu pudesse me arrumar para o trabalho, eu esperava que meu pai fosse leválo para um lado e ter uma conversa com ele. Isso não aconteceu. Tudo o que meu pai disse foi, — Saiba o que você tem, filho, e não foda novamente. — Com isso, Evan ergueu o queixo. Minha mãe parecia querer dizer mais, mas meu pai a abraçou, não a deixando ter a chance de fazer isso. A coisa toda foi estranha, mas tive a sensação de que meu pai me ouviu na noite passada, e compreendia em sua maneira paternal o que eu disse sobre Evan – ou pelo menos espero que ele tenha me ouvido. — Papai gosta de Evan, ou gostava, — ela murmura, e continua, — eu tive uma cirurgia de emergência, mas Wes me ligou para dizer o que estava acontecendo.

79


— Como Wes sabe? — Pergunto, mas é Evan que responde conforme envolve seu braço em volta dos meus ombros. — Liguei para os caras quando liguei para Jax e Sage, e disse a eles para se reunirem. — O quê? — Pergunto, inclinando a cabeça para olhar para ele. — Não tinha certeza se o cara ainda estava na área e queria que eles fizessem uma varredura. — Não é um trabalho para a polícia? — Os policiais da cidade são bons, mas estão sobrecarregados. A cidade cresceu mais rápido do que o departamento. Mais drogas e pequenos crimes acontecem diariamente, por isso eles estão estreitamente espalhados. Isso é verdade. Nossa cidade, que costumava ser menor, começara se alastrar ao longo dos últimos dez anos, desde que uma grande fábrica automotiva se instalou. Agora havia mais empregos, mais pessoas, mais casas e mais crime. — O cara estava a pé. É fácil se despistar de um carro da polícia, não é tão fácil ficar longe de um cara em uma Harley, ou um homem em uma caminhonete idêntica as demais. — Como sabe que ele estava em pé? — Baby, o seu vizinho do lado é Brew. Ele tem dois irmãos que vivem no quarteirão, e todos eles ficam de olho. Ok, eu não sabia disso também. Então, novamente, eu acabei de mudar, por isso, não era como se eu tivesse a chance de convidar pessoas e me apresentar a elas. — Oh, — era tudo que eu poderia dizer, e quando o fiz, assisti Evan sorrir, então inclinou seu rosto e me beijou suavemente. — Kayan disse que há dois cães aqui que podemos olhar. Se nenhum deles for escolhido, há outro abrigo em algumas cidades que podemos ir. — Eu quero um gato, — repito e ele balança a cabeça. — Você não terá um gato. — Lembra quando eu disse que você está mais irritante? — Eu o encaro. — Eu me lembro, — diz ele com um sorriso. — Bem, é ainda mais verdade agora.

80


Seus olhos digitalizam o meu rosto e seu riso se transforma em um sorriso. — Tão fofa quanto você está agora, nós não temos o dia todo para discutir. — Irritante, — murmuro, e July ri, nos levando pelo corredor até a parte de trás da clínica para olhar os cães.

81


Capítulo 07 Evan

— Ele é meio assustador, certo? — June pergunta, enquanto abro a porta de trás da minha caminhonete. — Quero dizer, ele é branco como a neve, mas parece que acabou de matar alguém. Rindo, eu fecho a porta depois que o cão salta na parte de trás, em seguida, viro, pressionando-a contra a lateral da caminhonete. — A comida dele manchou a pele. Ele não matou ninguém. — Sorrio, e seus olhos caem para a minha boca, em seguida, se levantam para encontrar os meus. — Eu sei, mas ainda parece que ele fez. — Ela está certa. O cão de cinquenta e oito quilos é branco puro, mas o contorno de sua boca está manchado de um vermelho profundo, fazendo parecer que ele simplesmente rasgou a garganta de alguém. Felizmente, isso, junto com seu tamanho e latido fará qualquer um duvidar de pisar na casa de June sem ser convidado a entrar. June, que estava contra a ideia de pegar um cão, deu uma olhada no grande Akita e começou a arrulhar como se ele fosse um bebê no momento em que July mostrou-o para nós. — Ele precisa de um nome. — Envolvo minhas mãos em torno do seu pescoço e inclino sua cabeça para trás.

82


— T-bone4. — Ela sorri, colocando as mãos contra o meu peito, e inclina a cabeça para o lado, apertando uma das minhas mãos enquanto eu rio. E noto, não pela primeira vez, que ela sempre para com o intuito de me assistir rir. Ela não fazia isso antes, mas algo sobre isso bate no meu peito, de uma forma não-desagradável, cada vez que ela faz isso agora. — T-bone? — Repito, e ela encolhe os ombros sorrindo. — T-bone, ou talvez Snow5. Gosto de ambos, mas acho T-bone mais legal. — Acho que você deve pensar sobre isso por um tempo. — Sorrio, tocando minha boca na dela. — Ele já terá muita dificuldade para se instalar, uma vez que vai para uma casa nova. Se ele precisar ter um novo nome também, só tornará mais difícil para ele. Não quero chamá-lo de Cão por uma semana e tê-lo respondendo a isso, apenas para descobrir um nome para ele mais tarde, — ela diz com um longo suspiro, e enquanto faz isso, eu junto meus lábios para não rir. — T-bone? Você realmente acha que é um bom nome? — Pergunto, e ela olha para o céu enquanto pensa sobre isso, então encontra o meu olhar mais uma vez. — E quanto a Fuzzy6 ou Harry? — Agora você está apenas sendo fofa. — Balanço minha cabeça e pergunto, — Que tal Killer7? — O quê? — Seu nariz enruga. — Vamos chamá-lo de Killer. — Que tal um nome que não assuste a todos, como Ninja? — Ninja? — Bem, ele é um Akita. Acho que eles são cães japoneses, de modo que Ninja se encaixa. — É melhor do que, T-bone, Snow, Fuzzy, ou Harry, — murmuro, e ela se inclina, dando-me um sorriso ofuscante.

4 Um pedaço grande de bife do lombo contendo um osso em forma de T. 5 Neve 6 Felpudo 7 Assassino

83


— Ninja então. — Ela fica na ponta dos pés, beijando a parte inferior da minha mandíbula, então se inclina para trás sorrindo. — Ninja então, baby, — concordo, e com um toque dos meus polegares sob o seu queixo, e uma inclinação de sua cabeça, eu a beijo suavemente mais uma vez. Soltando uma mão do quadril dela, eu me inclino para o lado, abrindo a porta, e ajudando-a. Eu a ouço dizer, — Ninja boy, você é um menino tão bonzinho, — para o cão, que ladra uma vez quando fecho a porta. Movimentando para o lado do motorista e sentando atrás do volante, eu ligo a The Beast, saindo do estacionamento. — Podemos parar na loja de telefone celular na cidade? — Ela pergunta, enquanto me certifico que a estrada está livre e entro no tráfego da estrada. — Não acho que o truque do arroz vai funcionar no meu telefone, desde que esteve submerso em água durante a noite, — ela continua e olho para ela, puxando a mão dela de seu colo e arrastando-a para o meu. — Você provavelmente está certa. Vamos parar no caminho para a sua casa, e pegar comida e suprimentos de cão para Ninja, enquanto estamos fora. — Eu contei aos meus pais que nos casamos, — diz ela, como se não quisesse dizer isso, então se move para tirar a mão da minha coxa, mas a seguro com mais força. — Estou feliz que você disse, — digo, apertando suavemente a mão dela. Eu já sabia que ela havia dito. O pai dela me esperava no composto quando voltei, após deixá-la no trabalho esta manhã. Ele me disse que estaria me observando e que espera que eu tenha o que é preciso para lutar contra o que me fez deixar sua menina para trás pela primeira vez. Ele não me deu seu selo de aprovação, mas isso não me surpreendeu também. Precisarei ganhar o respeito dele, e tenho a sensação de que não será fácil. — Eu deveria ter dito a eles sobre você, sobre nós, antes, — ela sussurra depois de um momento de silêncio e balanço minha cabeça. — Nós dois deveríamos ter feito as coisas de forma diferente. Sua mão vira sob a minha e enlaça nossos dedos. — Eu não tinha vergonha de você, e não acho que você não era bom o suficiente para mim. Não sei o que eu estava pensando naquela época, mas não era isso.

84


— Eu sei, baby, — Concordo calmamente, e ouço o seu riso quando Ninja enfia a cabeça entre nós e descansa seu queixo no ombro dela, onde permanece até pararmos na frente da loja de telefone celular. — Preciso fazer um telefonema. Você entra e estarei lá em um minuto, — digo a ela, encontrando um local em frente às portas duplas para poder vê-la enquanto estiver no celular. — Você não precisa vir. Isto não deve demorar muito, — diz ela, soltando o cinto e pegando sua bolsa no chão. — Eu vou entrar, — repito, e ela revira os olhos conforme sai da caminhonete e vai para a loja. Pegando meu celular, eu pressiono Enviar e coloco-o ao meu ouvido. Meu irmão ligou ontem. Não somos próximos, não estamos por um longo tempo. No ano antes de eu ir para o serviço militar, ele foi preso por posse de drogas e intenção de vender. Sua vida começava a se parecer com a dos meus pais, e eu sabia que não queria nada a ver com essa merda. Ele foi libertado há um mês, depois de cumprir sua pena. Quando falamos há alguns dias, ele disse que tentava entender a sua vida, e eu disse que se ele ficasse limpo, ele poderia ficar comigo. Ao ouvir o toque ir para o correio de voz, eu assisto June através das portas de vidro, em seguida, murmuro, — Porra, não, — quando um cara sai de trás do balcão, com os olhos na bunda dela. Saio da minha caminhonete dizendo a Ninja para ficar, e entro na loja antes que meu cérebro tenha um momento para acompanhar a velocidade com que meus pés estão me levando. — Então, a única diferença é a câmera de frente? — Ouço June perguntar, ao inspecionar o telefone na mão, girando e estudando a tela. — Não. — O imbecil ao lado dela sorri enquanto ela está sendo adorável e ele se inclina mais perto. — Há uma série de características diferentes. A câmera frontal é apenas uma delas. — Não sei. — Ela morde o lábio estudando o telefone. — Realmente não quero pagar quatro centenas de dólares por um telefone que é basicamente o mesmo que eu tinha antes, um telefone que tive de graça quando assinei o meu contrato, — afirma enquanto me aproximo do seu lado, e assisto os olhos do cara se moverem do telefone

85


na mão dela ao peito. Ouço um grunhido e logo percebo que sou eu quem está rosnando. Seus olhos voam para mim e seu pomo de Adão treme. — Hum... — ele limpa a garganta enquanto envolvo minha mão ao redor da cintura de June e a puxo contra mim, mantendo meu olhar fixo no dele. — Nós vamos levar o telefone, — eu declaro, e sinto June olhando para mim, mas a ignoro e pego minha carteira no bolso, solto minha mão de sua cintura, puxo meu cartão e o entrego a ele. — Você não pagará pelo meu telefone, — ela chia, mas continuo ignorando-a, mantendo meus olhos no homem na minha frente. — Pegue um novo nos fundos e configure-o. Nós estaremos aqui. — Hum... — ele engole, olha entre nós, e sussurra, — Claro, — antes de desaparecer, sem outra palavra, na parte de trás da loja. — Sério, Evan? — Sua mão vai para a minha em sua cintura e tenta tirar os dedos. — Eu poderia muito bem apenas te dar um bastão para bater na minha cabeça. — Você quer que eu seja acusado de agressão? — Pergunto, olhando para ela. — O quê? — Ela franze a testa, e mergulho meu rosto em direção a ela, meus olhos indo para sua camisa. — Ele checou seu traseiro quando você entrou, seus peitos quando eu estava de pé ao seu lado. — Isso não é verdade, — ela fala, inclinada para frente. — Baby, ele fez, porra, e essa merda não está certa, especialmente quando estou de pé bem perto de você. — Você está sendo ridículo. Ele estava fazendo o trabalho dele. — Ela fala. Agarrando seu pulso, eu puxo, forçando-a a cair contra mim, então envolvo meus braços em volta de sua cintura, puxando-a ainda mais perto antes de mergulhar a boca sobre a orelha dela. — Fico feliz por você não perceber quando um homem está verificando-a. Estou grato pra caralho por você não ser do tipo de mulher que procura a atenção de um homem, mas isso não muda o fato de que ele estava flertando com você e, — eu lhe dou um aperto, — cobiçando-a enquanto eu estava de pé ao seu lado.

86


— Todo esse ato de homem das cavernas é chato, — ela sussurra, inclinandose e olhando para mim. — Você é minha. — Inclino, rosnando, — Minha, — então me afasto e pego seu olhar novamente. — Seus peitos são meus. Sua bunda é minha. Chame-me do que quiser. Seu olhar segura o meu por um longo tempo antes de se mudar para a esquerda quando o cara gagueja, — Eu... hum... eu tenho o telefone pronto. Dou mais um aperto em June, e pego o pacote dele, entregando-o a ela. Pegando meu cartão, eu assino o iPad em sua mão antes de colocar meu braço em volta dos ombros dela e levá-la para fora da loja. O tempo todo, ela murmura baixinho sobre os irritantes homens alfa. *** — Não, — eu indico, parando ao pé da cama, balançando a cabeça, e cruzando os braços sobre o peito. — O quê? — June pergunta, olhando para mim sob seus cílios escuros, tentando parecer inocente, mas ela sabe exatamente do que estou falando. — De jeito nenhum, baby. Ele não dormirá na cama com a gente. — Mas ele vai ficar sozinho. — Ela faz beicinho, e balanço a minha cabeça novamente, em seguida olho para Ninja. — Saia. — Estalo os dedos, e ele olha para June, e de volta para mim; soltando um huff irritado antes de pular da cama, ele vem para o meu lado para que eu possa dar-lhe um carinho, e sai pela porta. — A cama é grande o suficiente para todos nós, — diz, e vou até ela, colocando uma mão em cada lado dela na cama, e a forço a se inclinar para trás. — Você quer que ele me veja te comer? — Pergunto Seus olhos se arregalam e ela sussurra sem fôlego, — Não. — Não pensei que ia. — Eu me inclino e a beijo, e depois me afasto. — Se estou na cama com você, ele não está. — Realmente acha que é necessário você ficar?

87


— Sim, você pode ter um sistema de segurança e um cão agora, mas eu tenho uma arma, e você está mais segura com a minha cabeça ao lado da sua no travesseiro. — Você sabe como usar uma arma? — Ela pergunta, e estudo o seu rosto por um momento, tentando decidir o quanto dizer a ela, quanto deixá-la entrar. Sabendo que eu quero que isso funcione, eu deito sobre ela, me estabelecendo entre suas pernas e colocando meu rosto perto do dela. — Sei. Eu era o melhor na minha classe, e quando fui para o exterior, eu era um dos melhores na minha unidade. — Será que... você já levou um tiro? — Ela pergunta baixinho, colocando uma mão sobre o meu coração e a outra contra a minha mandíbula. — Sim. — Assistindo lágrimas encherem seus olhos, eu sinto uma dor no meu peito, porque sei que essas lágrimas são para mim, lágrimas que não mereço. — Será que... — ela faz uma pausa, procurando o meu rosto. — Alguma vez você atirou em alguém? — Seu tom é de incerteza enquanto observa meus olhos. — Sim, baby, — digo, um pouco acima de um sussurro. Seu rosto levanta e ela enfia-o contra o meu pescoço, onde sussurra, — Eu sinto muito. — Eu também, linda. — Eu nos rolo, então ela está deitada em cima de mim, levanto sua camisa e corro meus dedos por suas costas. — Por que você não veio para casa para mim? — Ela pergunta depois de um momento, e meu corpo fica tenso. Eu faço-me relaxar, forçando-me a ser honesto. Correndo uma mão por suas costas, eu seguro seu rosto perto enquanto lhe digo a verdade. — Eu não conseguia olhar nos seus olhos. Eu fodi tanto. Escondi tanta merda de você. Não queria nada tocando em você, nada que estragasse o que estávamos construindo anteriormente. Não a deixei ver quão ferrada a minha família era, como minha mãe bebia até dormir apenas para acordar e tomar uma cerveja, como o meu pai ficava chateado e descontava sua raiva em mim só porque eu estava lá. Pensei que se pudesse construir uma vida para nós, uma vida proveitosa, aquela que fosse boa para você, boa para os nossos filhos, então nada disso teria importância. Então eu fui para o exterior e... — Paro de falar, não querendo que ela saiba quão fodido eu estou.

88


— O quê? — Ela pergunta, apertando a minha mão e afastando seu rosto. — O que aconteceu com você? Fecho meus olhos. Ainda posso ver seus rostos sem vida na minha cabeça enquanto revivo a noção de que eu não podia trazê-los de volta. — Por favor, fale comigo, — ela implora gentilmente. — Estávamos à procura de um alvo. Fomos para uma das casas em que ele foi visto. Fizemos uma varredura e não tinha ninguém. Sabia que deixávamos alguma coisa passar, então eu voltei. Não sabíamos que enquanto fazíamos a nossa varredura alguém colocou uma bomba sob o nosso Humvee. Eu perdi todos. — Você teria morrido também, — ela sussurra, cobrindo a boca com os dedos trêmulos. — Eu poderia tê-los ajudado. Tive que ter certeza que a checagem foi feita. — Você teria morrido, — ela repete, deixando cair sua testa para o meu peito. Segurando-a, eu sussurro, — A esposa de Daralee tinha acabado de dar à luz a uma menina. A maneira como ele falou sobre ela, você pensaria que ele era o primeiro homem a fazer uma menina. Jabson tinha uma menina em casa e pensava em pedir a mão dela em casamento. Ele estava com ela desde os doze anos. Denson acabara de perder a mãe para o câncer, e seu pai mal se aguentava. Ele ia para casa em três dias. Todos eles morreram, e eu fui o único a sobreviver. Por que eu deveria começar a viver a minha vida, quando a deles terminou? — Faço a pergunta que me fiz um milhão de vezes. — Será que eles queriam que você parasse de viver? — Ela pergunta depois de um longo momento, e ouço as lágrimas em sua voz. — Não sei, — digo a ela em um aperto, segurando-a mais perto, em seguida fico de lado e enterro meu rosto em seu pescoço. — Eu me odiava por estar grato de ser capaz de voltar para casa para você, e então, quanto mais eu pensava nisso, mais eu sabia que não podia olhar nos seus olhos, não quando os meus meninos nunca seriam capazes de ver suas famílias ou as mulheres que amavam novamente. — Seu corpo treme contra o meu e suas lágrimas se intensificam. — Desculpe-me, eu deixei você, linda, sinto tanto, pra caralho.

89


— Sinto muito, — ela choraminga, enquanto as lágrimas mergulham em minha pele. — Lamento que você tenha lutado com isso sozinho, desculpe por eu não lutar por você. — Jesus. — Aperto meus olhos fechados e a seguro com mais força. Sentindo um peso acertar a cama, eu levanto a cabeça e assisto Ninja pressionar seu corpo atrás de June. Demora algum tempo para ela se acalmar. Quando ela afasta o rosto do meu pescoço, seus olhos vermelhos e molhados encontram os meus. Nenhum de nós diz nada, mas vejo o amor ali, brilhando para mim. Inclinando-me, eu a beijo suavemente e rolo para minhas costas. — Ninja pode dormir com a gente? — Pergunta ela depois de alguns minutos. Em vez de responder, eu estico, desligo a lâmpada, e puxo-a para perto de mim. — Boa noite, — ela sussurra, abraçando mais perto. — Boa noite, baby, — murmuro, sabendo que não vou dormir. Não por um longo tempo. *** — Depressa, baby, — eu gemo, entrando nela uma e outra vez, cada curso me puxando para mais perto da borda. — Ev, — ela choraminga, travando suas pernas nas minhas costas e as unhas entram em meus ombros. — Depressa, bonita, — exijo, beliscando seu mamilo, e percorrendo a minha mão sobre a pele molhada de seu estômago, me concentrando em seu clitóris. — Oh, Deus, — ela geme, e movo rapidamente a minha mão para a parte de trás de sua cabeça antes que bata na parede de azulejo enquanto sua boceta aperta fortemente o meu pau. Movendo ambas as mãos para sua bunda, a seguro no lugar quando gozo forte, enterrando meu rosto em seu pescoço quando o faço. — Eu estarei tão atrasada, — ela sussurra, e sorrio contra a pele do seu pescoço, em seguida, levanto meu rosto e a encaro. — Baby, — murmuro, e seu lábio inferior desaparece entre os dentes. Rindo, eu a levanto, tirando-a do meu pau, deixando-a cair aos seus pés.

90


— Não queria molhar meu cabelo. Agora eu preciso secá-lo, e isso levará um ano, — ela murmura, agarrando seu sabonete. — Você está dizendo que não valeu a pena? — Pergunto, beijando seu pescoço, pego o frasco dela, jogo um pouco do sabão líquido em minhas mãos e coloco nos seios dela. — Eu não disse que não valeu a pena, — ela suspira. Sorrio, e murmuro, — Então pare de reclamar sobre isso. — Não estou reclamando. Só estou dizendo que agora eu estarei atrasada. — Você não estará atrasada, — digo a ela, passando minhas mãos sobre seu estômago, e descendo entre as pernas. — Você disse rápido, mas então você fez aquela coisa com a boca, e me tinha contra a parede. Você não foi rápido, — ela reclama, mas depois choraminga quando os meus dedos passam rapidamente sobre seu clitóris. — Ainda reclamando, baby. — Belisco sua orelha, enfio dois dedos dentro dela, e uso o polegar para rolar seu clitóris novamente. — Oh, meu Deus, — ela suspira, gozando em meus dedos alguns segundos depois. Beijando o pescoço dela, eu espero seu orgasmo passar, e termino de lavá-la. A empurro para fora do chuveiro, ignorando o olhar que ela envia em minha direção. Saindo um par de minutos mais tarde, eu sorrio enquanto ela anda nua com o secador na mão. — Quer que eu pegue café para você? — Pergunto, observando seus peitos saltarem conforme joga o cabelo de um lado para o outro. Resmungando um, — Sim, — pelo espelho ela me observa enrolar a toalha em volta da minha cintura, e me mover para ficar atrás dela. Deslizando minhas mãos pela sua cintura, eu seguro seus seios, beijo sua orelha, e exijo, — Pare de estar chateada, — enquanto puxo seus mamilos. — Ev. — Ela inala bruscamente, e meus olhos encontram os dela no espelho. — E não me olhe assim, a menos que você queira que eu a dobre sobre o balcão e realmente a deixe atrasada. — Seus olhos esquentam, e lutando com meu sorriso, me inclino para beijá-la no pescoço, resmungando lá, — Voltarei com o café.

91


Indo em direção à cozinha, com Ninja atrás de mim, eu deixo-o sair na porta traseira, encho a tigela com alimentos, me certifico que sua água está boa, e começo a fazer o café. Recostando-me contra a ilha, meus olhos pegam um envelope no balcão empilhado com o resto das cartas que June trouxe ontem. Pegando-o, eu viro e vejo que a carta foi enviada para seu antigo apartamento, e que o endereço do remetente é uma prisão no Alabama, a mesma pista prisão em que Lane cumpre pena enquanto o julgamento está em andamento. Abrindo o envelope, eu retiro a pilha grossa de papéis e cerro os dentes enquanto leio. A maior parte da carta é um pedido de desculpas por envolvê-la. A outra parte é ele explicando que fez aquilo para que ela rompesse com ele porque não queria que ela fosse arrastada para a sua confusão, e que tentava protegê-la. Mas a última página me fez ver vermelho. Ele dizendo que está apaixonado por ela e que sabe que ela sentia o mesmo, é algo que não quero pensar. Amassando o papel em minhas mãos, eu vou para a porta traseira, deixo Ninja entrar, e vou ao banheiro, levando a carta comigo. — Pensei que você me traria café, — diz ela, desligando o secador. Ficando ao lado dela, eu coloco a carta sobre o balcão. Seus olhos caem para isso, digitalizam a primeira página, se estreitam, e os levanta para os meus. — Você abriu minha correspondência? — Ela franze a testa, me estudando. — Abri. — Eu me inclino contra a parede, cruzando os braços sobre o peito. — Por quê? — Eu queria ver o que ele tinha a dizer. Ele não deveria estar em contato com você, então pensei que poderia ser importante. Não é. Ela olha meu rosto, e pergunta, — Você está chateado? — Porra, sim. — Por quê? — Ela pergunta, parecendo perplexa. — Um homem dizendo para a minha mulher que está apaixonado por ela é o tipo de merda que me irrita. — Talvez devêssemos falar sobre o estado do nosso relacionamento, — ela murmura, colocando o secador de cabelo no balcão ao lado da pia, então se inclina para trás, cruzando os braços sobre os seios.

92


— Você é minha, não há nada para discutir quando se trata de a quem você pertence. — Eu não fui sua por um longo tempo, Evan. Você me deixou. Não tive escolha. Precisei seguir em frente. — Você sempre foi minha, — rosno, inclinando para frente. — Você sabia que era minha. — Quantas mulheres estiveram com você enquanto eu era sua? — Ela pergunta baixinho, e estreito os olhos, inclinando-me para trás. — Nenhuma. — Corro minhas mãos sobre minha cabeça e rosno, — Jesus, você acha que se eu não pudesse tê-la, eu teria mais alguém? Para que, passar o tempo? Gozar? Porra, não. Seus enormes olhos piscam para mim e seus lábios abrem antes de sussurrar, — O quê? — Baby, eu não me contentaria com qualquer uma se eu não pudesse tê-la, — digo, tentando suavizar minha voz. — Você... — ela faz uma pausa, e aponta para o meu peito. — Você não esteve com ninguém desde mim? — Ela pergunta, apontando para si mesma, e fecho meus olhos, abrindo-os novamente. Estendendo a mão, eu coloco minha mão ao redor de sua cintura, e a arrasto para mim. — Eu amo você, só você, — declaro firmemente, deixando cair a minha testa na dela. — Mas... — Sem mas. Porra, talvez não seja mais casado com você, mas isso não muda meus sentimentos por você. — Oh, meu Deus, — ela suspira, colocando as mãos contra meu peito. — Você estava apaixonada por ele? — Pergunto por entre os dentes, não realmente querendo saber a resposta, mas precisando disso. — O quê? — Ela pisca, se afastando. — Você estava apaixonada por ELE? — Não. — Ela balança a cabeça e se inclina mais para trás enquanto suas mãos deslizam sobre o meu peito e se enrolam em torno do meu pescoço. — Como eu

93


poderia amar alguém quando você ainda tinha o meu coração? — Ela pergunta baixinho, passando os dedos pela minha mandíbula. — Você esteve com ele por um tempo, — eu a lembro, e seu rosto suaviza. — Eu tentava seguir em frente, mas ele não era você. — Porra. — Eu a aperto para mim. — Não fique com raiva de mim. — Estou chateado comigo mesmo por ele chegar a ter uma chance com você, então porra, com raiva que minhas ações significaram que um homem como ele foi capaz de respirar seu ar, — rosno, rangendo os dentes. — Ev, — ela sussurra, e meus olhos se concentram nos dela. — Não podemos voltar atrás. — Ela balança a cabeça, pressionando os peitos dela com mais força contra o meu peito. — Se nós gastarmos todo o nosso tempo indo para trás, perderemos o fato de que, pela primeira vez em muito tempo, nós dois estamos avançando e fazendo isso juntos. — Sim. — Apoio a minha testa na dela. — Eu gostaria que as coisas tivessem sido diferentes. — Eu também, bonita, — concordo, recostando-se para colocar um beijo na testa, nariz e depois a boca. Recordo-lhe, — Você precisa se preparar para o trabalho. — Você está bem? — Ela pergunta, ignorando o lembrete. — Sim, baby. — Ela observa o meu rosto por um longo tempo antes de sussurrar. — Bom. — Inclinando-se, ela beija minha mandíbula, em seguida, se afasta e vai para o armário. Indo para o quarto, eu puxo minha calça jeans e camisa, e volto para a cozinha para preparar uma xícara de café. Eu a levo para ela, pego o meu celular e ligo para Jax, deixando-o saber que Lane entrou em contato antes de voltar para a cozinha para pegar minha própria xícara de café, e esperar que June termine de se arrumar para que eu possa levá-la para o trabalho. ***

94


— Você acha que a pessoa que invadiu a minha casa vai voltar? — June pergunta, e olho para ela antes de virar quando o farol fica verde. — Acho que não baby, — digo suavemente, apertando sua mão. Passei a noite de seu arrombamento sondando e conversando com qualquer um que eu poderia encontrar. Ninguém sabia de nada. Ninguém viu nada. Ninguém ouviu nada. Era um beco sem saída depois de outro beco sem saída. Tal como está, estamos nos movendo cegamente. Nenhum de nós sabe por que alguém apareceria com uma máscara na casa dela, a visse vulnerável, nua em uma banheira, e não fizesse um movimento, e se estivessem lá apenas para roubar, poderiam ter levado muito mais. Não fazia sentido... ainda não faz sentido. — Foi tão estranho, — ela sussurra depois de um momento, e dou outro aperto em sua mão, parando na frente da escola. Colocando The Beast no estacionamento, eu inclino e envolvo minha mão em seu pescoço, puxando-a para perto de mim. — Não pense nisso, ok? — Seus olhos me estudam por um minuto, e então ela balança a cabeça, olhando por cima do ombro. Correndo os dedos pelos cabelos dela, eu a puxo ainda mais perto e seu olhar volta para o meu. — Eu estarei aqui as quatro para buscá-la. — Ok, — ela concorda, e mordo seu lábio inferior. — Hoje à noite, vamos sair para jantar. — Ok, — ela repete, desta vez sorrindo. — Vejo-a às quatro, baby. — Eu me inclino, beijando-a suavemente, em seguida, solto o cinto e a deixo ir. Estendendo a mão para a maçaneta da porta atrás dela, ela se atrapalha, e volta para mim, deslizando as mãos pelo meu cabelo. Seus lábios encontram aos meus e a deixo levar por um segundo antes de assumir o beijo e fazê-lo com a língua. Quando me afasto, eu vejo seus olhos se abrirem e ela sorrir. — Tenha um bom dia no trabalho. — Você também. — Sorrio de volta, e a vejo alcançar a maçaneta novamente. Leva um par de tentativas, mas ela finalmente consegue abrir a porta e sai; eu espero até que ela esteja no prédio para decolar e ir para o escritório. ***

95


— Você ainda está vivo, — Sage afirma quando atravesso a porta do escritório. Ignorando-o, eu olho para Jax e pergunto, — Você ligou para seu tio e falou sobre a carta? — Liguei após desligar o telefone com você. Ele enviará uma mensagem para o advogado de Lane, — ele informa, derramando um pouco de café em um copo e agitando, e em seguida, ele olha para Sage e eu. — Estou pensando em contratar alguém para comandar o escritório. Não tenho tempo para retornar ligações e executar verificações. Vocês estão bem com isso? — Já era hora, — murmura Sage, sentando em uma das cadeiras. — Você tem alguém em mente? — Ainda não, e não mencione para a minha mãe. A última coisa que precisamos é ela vir aqui e assumir. — Eu amo a tia Lilly. — Você quer a minha mãe em seu negócio o tempo todo? — Ele pergunta a Sage, que olha para mim e sorri. Ele murmura, — Ela garantirá que sempre tenha café, e não tenho dúvida de que fará cookies para nós. — Minha mãe está fora. Vou falar por aí e ver se consigo encontrar alguém. — Tanto faz, — Sage resmunga, inclinando-se para trás. — O que está na agenda para hoje? — Preciso da papelada da compra da casa de June, — eu digo, indo até a geladeira e pegando um shake pré-feito. — Por quê? — Sage pergunta, e olho entre ele e Jax. — Quero saber de quem ela comprou a casa. A situação não está certa para mim. Quero saber se o intruso não procurava por alguém quando se deparou com June e ficou surpreendido, e foi embora. — Você já teve a oportunidade de falar com Brew? — Jax pergunta, e fecho a geladeira, movendo o meu olhar para ele. — Essa é a minha próxima parada. — Poderia ainda ser Lane, tentando assustá-la, — Jax diz, me estudando.

96


— Não, ele não faria isso. Ele não fará nada para arriscar não tê-la de volta em sua vida. Eu li a carta que ele escreveu para ela, e ele acredita que está fazendo o que pode para protegê-la. Ele disse que terminou com ela para que ela não fosse arrastada para a confusão dele, e, tanto quanto essa merda me irrita, eu acredito nele. — June sabe que você leu a carta? — Sage pergunta, e tiro meus olhos de Jax e olho para ele. — O que você acha? — Não sei. Você parece guardar um monte de merda para si mesmo. — Sage — Jax resmunga, e Sage tira o seu olhar de mim para se concentrar em seu primo. — Você sabe tão bem quanto eu que ele... — ele empurra o queixo em minha direção, — não foi honesto. Quem pode dizer que não foi ele quem enviou alguém para June a fim de fazer um jogo para trazê-la de volta? — Sério? — Pergunto. — Apenas dizendo. É a jogada perfeita, porra. Semanas atrás ela não queria ter nada a ver com você, e agora, de repente, você está dormindo na cama dela, comprando um cachorro, e se domesticando. — Foda-se. — Não, cara, foda-se você, — diz ele, levantando de sua cadeira, e Jax se coloca entre nós enquanto eu avanço. — Acalmem-se, — ordena Jax, olhando entre nós dois. — Nós conhecemos Evan há mais de um ano, e ainda não sei nada sobre ele, — Sage rosna, e movo em direção a ele, parando quando a mão de Jax bate no meu peito. — Você está certo. Você não me conhece, — digo em voz baixa. — Você não sabe o que diabos eu vi ou fiz. Você não tem nenhum indício de merda nenhuma. — Inclino para frente. — E não preciso provar nada para você. — Eu me viro e saio do escritório, batendo a porta atrás de mim quando saio. Entrando em minha caminhonete, eu vou para o quarteirão de June. Vendo a moto de Brew na garagem, eu desligo The Beast, saio, e vou ao seu quintal para

97


perguntar sobre o proprietário anterior da casa de June, quando o que eu realmente quero fazer é trocar minha caminhonete pela moto e andar por aí.

98


Capítulo 08 June

Olhando para a porta do quarto, eu puxo as minhas pernas debaixo de mim para me sentar estilo indiano e agarro a minha loção da mesa de lado. Quando espremo um pouco em minhas mãos e esfrego-as juntas, eu deixo minha mente fugir comigo enquanto espero Evan entrar na sala. Algo está errado. Não sei o que é, e não sei o que fazer sobre isso, mas no segundo que Evan me pegou do trabalho, eu senti. Eu sabia, sem ele dizer nada, apenas pelo olhar em seu rosto, que algo aconteceu. Quando perguntei se ele estava bem, ele apenas disse, — Sim, — e ligou sua caminhonete, me levando para casa. Imaginei que poderia falar sobre o que o incomodava quando fôssemos jantar, mas quando voltamos para minha casa, ele disse que Wes e July vinham me fazer companhia enquanto ele ia cuidar de negócios. Quando disse isso, eu perguntei sobre o jantar, e ele me disse que teríamos que remarcar. Não demorou muito para July e Wes aparecerem, e no segundo que chegaram, Evan decolou, dando-me um beijo rápido antes de sair. Não gosto disso. Desde que ele empurrou o seu caminho de volta para a minha vida, ele tem estado apenas nisso, na minha vida e no meu espaço, mas eu podia sentir a distância que ele colocava entre nós como uma coisa física.

99


Minha irmã notou, mas não comentou. Wes percebeu também, e também, felizmente, manteve sua boca fechada, mas eu poderia dizer que queriam perguntar. Agora, sentada na minha cama, eu sinto meu coração começar a bater no meu peito e náuseas encherem o meu estômago. Nunca imaginei que Evan e eu estaríamos juntos novamente, mas desde o momento em que ele voltou, meus sentimentos por ele voltaram com força, ou talvez eles nunca foram embora, para começar. Sentindo a mudança na cama e Ninja acariciar minha mão, olhando para onde ele está deitado perto do meu quadril, eu corro meus dedos pelo seu pelo macio e suspiro. Eu não queria um cachorro, mas não posso mentir e dizer que não gosto de ter um. Ninja está preso a mim como cola desde que eu cheguei em casa, e sua presença constante me fez não sentir tão sozinha. Olhando de Ninja para a porta, eu vejo as luzes na sala se acenderem, e ouço passos suaves vindo em direção ao quarto. Sentindo-me preparar para o que está por vir, eu me sento um pouco mais reta. — Hey, — sussurro e relaxo minuciosamente, estudando Evan quando ele vem para ficar na porta. — Hey, — ele sussurra de volta, então se move para mim e para a extremidade da cama enquanto deixa cair os olhos para meu quadril. — Ninja, fora, — ele ordena, e Ninja solta um huff de raiva, mas pula da cama, parando para obter um carinho dele antes de sair do quarto. — Hum... — faço uma pausa, olhando-o colocar sua arma no criado-mudo, e depois tirar a camisa e jogar na cadeira no canto da sala. Eu o vejo remover o cinto e desabotoar os quatro botões da calça jeans, expondo um par de boxers pretas apertadas que se parecem realmente boas nele. — Evan, — digo calmamente, observando seus jeans voarem por todo o quarto e cair na cadeira. — Cansado pra caralho, — ele murmura, caindo na cama, esticando e apagando a luz. — Hum... — repito, piscando na escuridão. — Durma, June.

100


Ok, pode-se dizer que Evan e eu tivemos nossa parcela de discussões quando começamos. Algumas foram quentes, outras estávamos apenas brigando, mas nunca fui dormir sem descobrir a merda. Nem uma única vez. — O que está acontecendo? — Pergunto, ainda sentada na cama. — Cansado, — ele murmura, e com as suas palavras, sinto o meu início de medo se transformar em raiva. Acendendo a luz do meu lado, eu vejo seus olhos virem para mim, e então eu monto em sua cintura e inclino meu rosto para o seu. — O que diabos está acontecendo? — Nada, vá dormir, — diz ele, enquanto suas mãos envolvem minha cintura. — Vá dormir? — Repito, estudando-o, e seus olhos estão apertados, assim como seus dentes estão cerrados. — Baby, estamos acordados desde as seis. É depois da meia-noite. Estou cansado pra caralho. — Talvez você precise sair da cama e ir dormir sozinho, — sugiro isso de uma maneira que não soe como uma mera sugestão, absolutamente. — Não comece a sua merda, — ele rosna, sentando-se e levando-me com ele quando vira e me coloca na cama ao seu lado. Levantando de joelhos na cama, eu empurro contra seu peito e grito, — Você não comece a sua merda. Esta manhã você estava em cima de mim. Então, você cancela o jantar e volta para casa esta noite mal olhando para mim? — Eu inclino para frente. — Não preciso desse tipo de dor de cabeça na minha vida. Não preciso de jogos e idas e vindas. — Tive um dia de merda, porra, — ele ruge, e balanço minha cabeça. Não me importo, nem mesmo um pouco. — Você me deixou! Você se casou comigo, me prometeu que nossas vidas seriam interligadas até o fim dos tempos, e então você me deixou, porra. Então, me desculpe, mas não dou a mínima se você teve um dia ruim. Não me importo, nem mesmo um único segundo, porque estou aqui. Estupidamente, eu estou aqui, então se você teve um dia de merda, nós falamos sobre isso. Você não se cala! — Eu grito.

101


— Baby, — ele diz suavemente, e vejo seu rosto amolecer e suas mãos virem em minha direção. — Você não fará isso comigo de novo, — sussurro. — Você não vai voltar, me fazer apaixonar por você novamente, e então decidir que porque você está tendo um dia ruim, você não pode lidar com estar comigo. — June. — Ele tenta me alcançar novamente, mas saio do seu alcance. — Eu odiei você, — sussurro, lutando para sair da cama. — Ou pelo menos eu fui capaz de me fazer acreditar que eu odiei o suficiente para ser capaz de seguir em frente. Não farei isso de novo, Evan, e não vou perdê-lo novamente. Não com você bem na minha frente, — eu choramingo, lutando contra as lágrimas. — Meu irmão arrombou sua casa, — diz ele, e meus pulmões congelam, os meus lábios abrem, e meu coração tomba dentro do meu peito. — O quê? — Sussurro depois de um momento. — Porra. — Ele rosna, passando as mãos pelo rosto. — Da última vez que conversamos, ele estava tentando fazer a sua merda direito. Eu disse que ele poderia vir para o Tennessee, mas que precisava estar pronto para seguir em frente, de modo que significava que ele ficaria limpo, encontraria um emprego de verdade e reorganizaria sua merda. — Ev, — sussurro, dando um passo em direção a ele, em seguida, faço uma pausa quando seus olhos travam nos meus. — Hoje, ele apareceu no composto, dizendo que estava pronto para começar de novo e trabalhar sua merda. — Querido. — Eu me aproximo. — Dez minutos após deixá-lo no meu quarto para se instalar, recebo um telefonema de um dos policiais locais me informando que sua merda apareceu em uma das lojas de penhores na cidade. Fui verificar e assistir as fitas. E eis que a porra do meu irmão estava na fita, vendendo sua merda. — Oh, não, — sussurro, caindo de volta para sentar ao lado da cama. — Toda a merda do dia, eu vivi com o conhecimento de que, por minha causa, você foi violada novamente. — Isso não é culpa sua.

102


— Ele me seguiu até a sua casa! — Ele ruge, passando a mão pelo cabelo. — Meu irmão, porra, invadiu a sua casa e te assustou. — Eu estou bem, e são apenas coisas. Não é grande coisa, — digo em voz baixa, ficando em pé e me aproximando dele, mas paro quando seus olhos escurecem. — Não é grande coisa, — ele repete em um tom que nunca o ouvi falar antes, e me faz pensar que eu deveria ter escolhido as minhas palavras com mais sabedoria. — Você correu da sua casa em uma toalha, segurando um par de tesouras no peito, com medo estampado em seu rosto, porra. — Ok, isso foi ruim, mas eu estava bem, e o que aconteceu não é culpa sua. Você não disse a ele para arrombar a minha casa, e você não o ajudou fazê-lo. — Descanso minhas mãos contra o peito dele e pressiono para mais perto dele. — Pare de se culpar. — Seus olhos se movem ao longo do meu rosto e os braços me embrulham apertado, me segurando perto. — Você deveria ter falado comigo, — Eu o repreendo suavemente. — Não queria que isso a afetasse. — Sim, bem, quando você age como um idiota, meio que tem um efeito sobre mim, — aponto o óbvio, observando seus lábios se contorcerem, mas, em seguida, todo o humor deixa seu rosto e ele fecha a distância escassa entre nós, até a sua respiração se misturar com a minha. — Você está se apaixonando por mim de novo? — Ele pergunta, e sinto meu corpo tencionar. — Evan. — Pressiono contra seu peito, não estando pronta para ir lá novamente, nem mesmo perto. — Está tudo bem, baby. Eu vou esperar, — ele diz calmamente, segurando-me com mais firmeza. — E... — Eu nem sequer falo o seu nome antes de sua boca estar na minha e suas

mãos

na

minha

bunda,

me

levantando.

Minhas

pernas

enrolam

automaticamente em seus quadris, logo a cama está debaixo de mim e seu corpo cobrindo o meu. — Pensei que você estivesse cansado, — suspiro, enquanto suas mãos se deslocam da minha bunda até as costas da minha camisola, tirando-a sobre minha cabeça.

103


— Não mais, — ele murmura, logo antes de sua boca voltar para minha, sua língua acariciando enquanto uma de suas mãos vagueia sobre o meu estômago e desce entre as minhas pernas. O primeiro toque de seus dedos no meu clitóris tem a minha boca saindo da dele, minhas costas arqueando, e minha cabeça pressionando mais profundamente no colchão. — Olhe para mim, bonita. Abaixando meu queixo em direção ao meu peito, nossos olhos se encontram e o vejo beijar ao longo do meu corpo. Seus ombros largos empurram minhas coxas, e depois sua boca está a uma lufada da minha buceta. Levantando meus quadris em direção a ele, eu o vejo sorrir e abaixar o rosto, enterrando sua língua dentro de mim. Perco seus olhos quando os meus se fecham e um gemido sobe pela minha garganta. — É por isso que você não usa calcinha na cama, June? — Pergunta ele contra mim. — Você quer a minha boca entre suas pernas? Você quer que eu coma você, baby? Pressionando a minha buceta mais perto de sua boca, eu o ouço rir antes de atacar o meu clitóris, e movo minhas mãos dos lençóis para o seu cabelo, e minhas pernas tentam se fechar. — Olhe para mim, — ele ordena, e gemo em decepção com a perda de sua doce tortura. — Olhos. Meus olhos se abrem e minha cabeça levanta quando dois dedos grossos mergulham em mim e curvam-se, batendo o meu ponto G. Gemendo, eu me levanto até os cotovelos e assisto a boca dele voltar a trabalhar. — Estou tão perto, — sussurro. Minhas pernas começam a tremer e meus olhos começam a se fechar. Sua mão livre desliza para cima da minha coxa, sobre a minha barriga, e depois o polegar e o dedo médio puxam forte o meu mamilo. Apenas isso, e estou acabada. O orgasmo que se construía, explode, correndo através do meu sangue como fogo, queimando cada parte de mim de dentro para fora. Caindo de costas, seguro os lençóis e tento recuperar o fôlego conforme meu corpo retorna para ele mesmo.

104


— Você tem um gosto bom, — ele rosna, enquanto meus olhos se abrem e os dedos de sua mão direita envolvem minha panturrilha, curvando-a na cintura dele. — Tão bom pra caralho. Seus dedos, molhados com a minha essência, passam em meus lábios. Sua boca vem sobre a minha. Sua língua desliza entre meus lábios, seu gosto misturado com o meu correndo sobre as minhas papilas gustativas, quando ele empurra dentro de mim. Afastando minha boca da dele, meus dedos apertam os músculos de seus bíceps e suspiro com a sensação de estar cheia dele, estendida por ele, e rodeada por ele em todos os sentidos. Pegando minhas mãos de seus bíceps, ele entrelaça nossos dedos, colocandoos em cima da minha cabeça conforme suas estocadas diminuem. Seu rosto se move para o meu pescoço, onde sussurra baixinho, — Eu sempre vou te amar o suficiente para nós dois. Sempre. — A sinceridade em seu tom faz lágrimas inesperadas subirem para a minha garganta e, fazendo a única coisa que posso fazer, eu aperto minhas pernas em torno de seus quadris, segurando suas mãos mais firmemente em minhas mãos, e viro a cabeça em direção a ele, abrindo minha boca quando a dele cobre a minha. Eu posso ter muito medo de dizer a ele como me sinto em voz alta, mas meu corpo é dele, assim como o meu coração. Sua boca deixa a minha quando ele rola em suas costas. — Monte-me, baby. Vacilando com a nossa nova posição, eu mordo meu lábio e movo minhas mãos para descansar contra seu peito. — Ev, — suspiro, levantando levemente. — Porra, baby. — Seus quadris empurram nos meus, me fazendo arfar novamente. Nesta posição, ele está tão profundo que posso senti-lo contra o meu colo. Inclinando para trás, eu rolo meus quadris, ofegando quando as mãos dele se movem, uma segurando meu peito, e a outra entre as minhas pernas, onde seu polegar circula meu clitóris. Minha cabeça cai para trás, meus olhos se fecham, e minhas mãos se estendem atrás de mim para segurar suas coxas.

105


— Jesus, — ele geme, rolando o polegar mais rápido. — Olhe para mim. — Minha cabeça tomba para frente, e abro meus olhos para encontrar os dele. — Você está linda montando meu pau, baby. Gemendo, luto para manter seu olhar, mas sinto a construção e sei que será enorme. — Goze para mim, June. Goze no meu pau. Choramingando, — Ev, — meus olhos se fecham e meu corpo cai para frente. As mãos dele se movem para segurar meus quadris e seus quadris empurram fortemente em mim, fazendo meu orgasmo assumir vida própria. Deitada de costas, seus quadris nos meus, forte e rápido. Eu grito e perco o fôlego. Minha cabeça levanta e me agarro ao seu peito com meus dentes. Seu rugido enche a sala quando seus impulsos diminuem para um deslize, um... dois... três... quatro... cinco vezes, em seguida, ele enfia-se profundamente dentro de mim. Minha boca libera sua carne e exausta caio novamente na cama, sem fôlego, e completamente satisfeita. — Porra, mas eu poderia viver seriamente em sua boceta, baby, — ele rosna, aprofundando mais seus quadris nos meus. — Amo seu pênis, — murmuro, e o sinto tremer. Meus olhos lutam para abrir, e quando o fazem, eu vejo que ele luta com o riso. — Qual é a graça? — Pergunto com uma careta. Sua cabeça balança e abaixa o rosto, então ele pode dar um beijo rápido nos meus lábios. — Você ama meu pênis? — Ele pergunta, e torço o nariz, porque posso ver que ele está tentando não rir. — Ninguém fala pênis, baby. — Hum, isso é o que é, — digo a ele, empurrando o peito dele, o que ele ignora quando levanta nos cotovelos e afasta meu cabelo da minha testa. — Pau. Você ama meu pau. — Ele sorri. — Que seja, — murmuro, revirando os olhos e empurrando o peito dele sem sucesso. — Somente os médicos chamam de pênis. — Tudo bem, eu amo o seu pau. Seu sorriso se transforma em um presunçoso. Ele tira seu pau de mim, só para empurrar para dentro novamente. — Porra, sim, você ama. Você está encharcada.

106


— Você é tão cheio de si, — murmuro. — Errado, você é tão cheia de mim. — Ele empurra seus quadris mais para dentro de mim enquanto passa seu nariz ao longo do meu. — Isto é quando eu parei de falar com você, — resmungo, e a cama e eu trememos quando ele enterra seu rosto no meu pescoço e ri. Sentindo-o rindo enquanto ainda está dentro de mim é algo que nunca senti, mas algo que amo imediatamente. — É tarde, — o lembro, e ele levanta o rosto para pairar sobre o meu. — Eu te amo, — ele diz suavemente, correndo os dedos ao longo do meu couro cabeludo. — Nunca vou parar de amar você, baby. — Ev, — suspiro, sentindo lágrimas queimarem minha garganta. — Eu esperarei até você encontrar isso novamente. Esperaria para sempre por você. — Ele se inclina, cobrindo minha boca com a dele antes que eu possa responder. Quando sua boca deixa a minha, ele sai de mim lentamente, e rola, levando-me com ele. Ele nos ajusta na cama, com o meu rosto em seu peito e seus braços apertados ao meu redor. Fechando os olhos, eu me pergunto por que o irmão dele fez o que fez, e depois me pergunto onde ele está agora. — Ev, — chamo tranquilamente, quando ele estica para apagar a luz. — Yeah, baby? — É... — Faço uma pausa, não querendo irritá-lo novamente depois de sua reação anterior. — O que é? — Ele pergunta em um aperto, rolando para ficar de costas para mim. — Seu irmão está bem? — Ele está sentado na prisão, — diz ele, não parecendo chateado com isso. Na verdade, não há emoção em seu tom. — Sinto muito, — sussurro, me pressionando mais perto dele. Seu corpo se vira para o meu e seus braços me apertam o suficiente para que o ar deixe os meus pulmões. — Não... — ele rosna, chegando perto o suficiente para eu sentir sua respiração contra a minha pele, — se sinta mal por ele. — Ok, definitivamente havia emoção lá. Seus braços me soltam, mas seu rosto fica perto quando continua, — Ele fodeu tudo. Esta não é a primeira vez que ele fodeu também.

107


Ele e eu terminamos. Ele voltará para a prisão, onde provavelmente passará mais alguns anos. Ele teve a oportunidade de juntar a sua merda, mas continua desperdiçando essa merda. — Mas ele é seu irmão, — digo suavemente. Minhas irmãs e eu somos próximas. O resto da minha família e eu somos próximos demais, e não consigo imaginar cortar qualquer um deles para fora. Silenciosamente, seus dedos deslocam pelo meu cabelo, e correm pelas minhas costas. — Minha família não é como a sua família, baby, e meu irmão e eu não temos um relacionamento como você e suas irmãs têm. Eu tentei com ele, tentei repetidamente ao longo dos anos. Sabia que ele estava fodido por como nós crescemos, compreendi as razões pelas quais ele fez a merda que fez antes, mas ele não é mais uma criança, e não inventarei desculpas para ele. Não permitirei que você se sinta mal por ele. — Talvez... — Quero que você ouça, — ele me corta antes que eu possa sugerir que talvez seu irmão precise de ajuda, ajuda de verdade, e não as do tipo que a prisão oferece. — Quero que você me ouça quando digo isso. Soará frio, mas esta é a verdade. Ele nunca mudará. Ele usará nossa infância como desculpa para o seu comportamento fodido para o resto da vida, e essa merda é por conta dele. — Mas... Seu polegar pressiona sobre meus lábios e seu rosto abaixa ainda mais perto do meu. — Não faça isso. Eu te amo, baby, e sei que você sabe. Sei que você vê a sua família e a forma como eles são, e acha que é a maneira que é para todos, mas não é. Algumas pessoas tem o mesmo sangue correndo em suas veias, mas esse sangue não significa nada no final do dia. Quando merda aconteceu com você, nenhuma vez pensei em ligar para o meu sangue. Liguei para os meus irmãos. E na hora que eu fiz, eles vieram. Isso é lealdade. Isso é amor e respeito. Isso é um vínculo mais forte do que o sangue. Você me entende? — Ele pergunta, e aceno no escuro. — Bom. — Ele remove o polegar. — Como você encontrou Wes e os caras? — Pergunto, referindo-me ao marido da minha irmã, July, que também é o presidente do clube The Broken Eagles MC. Os

108


homens que Evan, obviamente, considera seus irmãos. July me explicou que Wes e seus rapazes estavam no exército juntos. Eles pilotam nos fins de semana, trabalham em suas próprias motos e carros, e fazem o mesmo para os amigos. Wes veio aqui para visitar sua mãe, que vive em Nashville, deu uma olhada no belo estado de Tennessee, e decidiu que desde que estavam todos livres do serviço militar, eles se mudariam para cá para começar o seu próprio negócio de reparação de moto e carro. — Logo que voltei aos EUA e fui dispensado, procurei um amigo meu, Colton. Ele estava em nossa unidade, mas foi enviado de volta aos EUA para uma cirurgia após ser baleado no peito e nas costas duas semanas antes de perdemos nossa unidade. Colton estava em Nova York, em um centro de reabilitação, mas me colocou em contato com o pai. A família dele é dona de um bar de motoqueiros perto de Chattanooga. Eu não sabia o que ia fazer. Só sabia que o que eu fizesse, eu precisava estar longe do Alabama, minha mãe e meu pai, — ele diz, segurando-me um pouco mais perto. — Também não queria correr o risco de vê-la. Isso doeu. Eu entendi o porquê, mas ainda doía. Ainda me lembro da dor que senti quando descobri que ele estava no Alabama e não veio para mim. Lembro-me com tanta precisão que parece que foi ontem. — Estamos avançando, baby, — ele sussurra, e aperto meus olhos fechados e aceno. — Eu trabalhava no bar há uma semana quando Harlen entrou. Conversamos o tempo todo que ele esteve lá. Antes de sair, ele me deu o seu número, e conversamos um pouco mais. Durante uma de nossas ligações, ele explicou que fazia parte de um MC, e que a maioria dos membros eram Veteranos. Ele me convidou para sair um fim de semana e aceitei a oferta. Não demorou muito tempo para Wes me apresentar a Jax. — Estou feliz por você tê-los, — digo suavemente. Fico feliz que depois de sua infância bagunçada e o que aconteceu com ele quando estava no Afeganistão, ele encontrou caras que considera irmãos, pessoas para depender e se apoiar. — Eu também, baby. — E Colton, ele está bem agora? — Pergunto, querendo saber se seu amigo percebe que sua vida também foi poupada por causa do que aconteceu com ele.

109


— Ele está agora, mas não estava antes. Ele pode ter saído, mas também perdeu homens que considerava como irmãos. Precisou aprender a andar de novo, passou um ano em reabilitação. Sua noiva de longa data terminou com ele enquanto ele passava por essa merda, então ele não estava bem, mas voltou para casa, está se estabelecendo e trabalhando no bar de seu pai. A última vez que nos falamos, ele parecia feliz. — A noiva de longa data terminou com ele enquanto ele aprendia a andar de novo? — Eu exalo, nem mesmo começando a compreender isso. — Ela é uma puta e provou essa merda. Não sei os detalhes. Não falamos sobre ela. Só sei que ele terminou com ela de uma forma que nunca haverá qualquer volta dessa merda. Não posso dizer que o culpo. Ela deveria ter ficado por seu homem ou esperado até que ele estivesse de pé, literalmente, antes de deixar cair esse tipo de bomba sobre ele. Eles não estavam apenas namorando, estavam noivos e falando sobre começar uma família. Essa merda comprova o tipo de mulher que ela é. — Uau, que cadela, — murmuro, e seus braços me apertam. — Sim. — Bom para ele ter terminado com ela, no entanto. — Sim, baby, bom para ele. Ele é um cara bom, tem uma família sólida, então eu acho que ele ficará bem. — Bom, — sussurro. — Você vai encontrá-lo. Nós vamos tirar um dia e viajar para vê-lo e seus pais um dia. — Em sua moto? — Pergunto, esperançosa. — Você quer ir na minha moto? — Ele pergunta, e coloco minha mão em seu peito, colocando meu corpo sobre o dele. — Você se lembra de quando pilotou ao redor do meu quarteirão em sua moto? — Pergunto. Sinto-o ficar tenso, mas ele ainda responde com um calmo, — Sim. — Naquela noite, passei um tempão me masturbando. Estava tão excitada que não poderia nem mesmo começar a descrever a dor... — antes que eu pudesse falar mais, ele me deita de costas e cobre minha boca com a dele, e então faz mais coisas

110


para mim. Coisas que acabam comigo gritando o nome dele, e ele gemendo o meu na minha garganta, provando que realidade dele é muito melhor do que a fantasia. *** Acordando, eu sinto o calor nas minhas costas, joelhos dobrados em direção ao meu, e uma mão, que eu sei que é de Evan, aninhada perto do meu peito. É sábado, e tudo que quero fazer é dormir, mas sei que preciso levantar para deixar Ninja sair e alimentá-lo, então eu desato cuidadosamente os dedos de Evan e fujo da cama. Uma vez que estou livre, vou ao banheiro e cuido dos meus negócios, escovo os dentes e pego um suéter no meu closet, juntamente com um moletom cortado, vestindo ambos antes de sair do banheiro. Tomo um segundo para apreciar Evan na minha cama – o lençol até a cintura, seus braços fortes e peito largo em exposição, juntamente com suas tatuagens. Lutando contra o desejo de voltar para a cama e enrolar meu corpo contra o dele, deixo o quarto, fechando a porta suavemente atrás de mim. — Ei, Pup-Pup, — sussurro quando Ninja olha para mim de sua posição no sofá e boceja. — Vamos lá fora. — Passo pelo sofá e abro as portas de vidro. Seus olhos permanecem em mim quando solta um huff irritado, o que eu tenho certeza que quer dizer, é muito cedo para se levantar. Seu corpo se estende para fora, primeiramente batendo suas patas dianteiras no chão, antes de sair lentamente do sofá, como se tivesse todo o tempo do mundo. Rindo dele, dou-lhe um abraço quando ele me alcança e deixo a porta aberta para ele voltar, depois eu vou para a cozinha fazer um pouco de café. Sentada no deck dos fundos em uma cadeira dobrável, com os pés apoiados na grade de madeira e uma xicara de café em minhas mãos, eu olho por cima do ombro quando a porta se abre, e assisto Evan sair vestindo nada além de um par de shorts soltos e segurando uma xícara de café. — Hey, — ele cumprimenta, seu cabelo despenteado e o rosto ainda marcado do sono.

111


— Hey. — Meus olhos passam pelo peito e abdômen, observando tudo, e há muito mais do que costumava ter – tudo seriamente quente. Vindo em minha direção, ele se inclina, tocando sua boca na minha, dizendo suavemente contra os meus lábios, — Não gosto de acordar sem você. — Eu queria deixá-lo dormir, — respondo suavemente, e depois rio quando Ninja cutuca entre nós e se inclina contra Evan, então ele é forçado a se afastar de mim. — Vejo que nós vamos ter problemas. — Ele ri, passando as mãos sobre a cabeça de Ninja. — Ele é meu Pup-Pup. — Sorrio, esfregando o focinho de Ninja, e ele instantaneamente se esquece de Evan e se aproxima de mim. — Pup-Pup? — Pergunta Evan. Olho para Ninja, sorrio, e falo, — Sim. Seus olhos caem para minha boca, e balançando a cabeça murmura para Ninja, — Vá buscar sua bola. — Ele coloca sua xicara de café na borda do deck e agarra uma das cadeiras que estão dobradas na lateral da casa, ele a desdobra ao lado da minha e encaixa seu grande corpo nela, fazendo o metal barato gemer e ranger sob seu peso. — Não tenho certeza se minhas cadeiras são construídas para você, — digo quando ele se inclina para pegar o café, fazendo a cadeira gemer novamente. — Vamos levar a minha caminhonete hoje, comprar algumas cadeiras que não vão ceder, e pegar minhas coisas no composto, — diz quase para si mesmo, pegando a bola de Ninja quando ele a traz. — Vamos? — Pergunto, e seus olhos se movem para mim e examinam o meu rosto, e então ele transfere o café para a outra mão e me puxa por trás do meu pescoço, me puxando para mais perto, até que estamos compartilhando o mesmo fôlego. — Estamos avançando, e faremos isso juntos. Sei que você ainda tem dúvidas sobre nós, mas eu não. Nós vamos trabalhar através da sua merda e nos estabelecer, baby. — Minha merda? — Sussurro, e seus olhos fazem uma varredura do meu rosto novamente.

112


— Você quer que eu vá embora? — Ele pergunta, e sinto meu coração se alojar na minha garganta com a ideia de ele ir. Seus olhos se prendem nos meus, e a sua voz cai à medida que seus dedos flexionam contra a minha pele. — Tenho amor suficiente para ambos. Não importa se você me ame de volta. Não te darei espaço ou um quarto. Você é minha, June. Você é por muito tempo e eu quero o que poderia ter sido começando agora. — Você... — faço uma pausa, lambendo meus lábios, e seus olhos caem para a minha boca. — Você acha que devemos desacelerar um pouco? — O que mudará se formos mais devagar? — Ele pergunta, o que é uma boa pergunta, e é uma boa pergunta que me irrita, desde que eu sei, pela determinação em seus olhos, que nada mudará. Além disso, desde que ele voltou, não posso imaginar qualquer outra maneira. — Meu pai vai me matar, — murmuro. Ele sorri e se inclina para mais perto, roçando seus lábios contra os meus, e depois se inclina para trás para tomar um gole de café. — Ele vai se ajustar, — diz ele, puxando a bola da boca de Ninja e jogando-a novamente. — Inferno, ele não gosta de mim de qualquer maneira, então foda-se. — Ele gosta de você, — digo a ele, ou pelo menos ele gostava dele. Agora, não tenho tanta certeza, mas vendo como ele está vivo, tenho certeza que significa que papai não o odeia exatamente. — Baby, — ele murmura, parecendo se divertir. — Ele me disse que se eu fodesse novamente, ele iria cortar meu pau e me alimentar com ele. — Oh. — Eu tremo, e o ouço rir. Tomando um gole de café, gostaria de saber quanto tempo vai demorar para o meu pai se meter. — Ele vai, — garante, lendo minha mente. — Minha família é um pouco superprotetora. — Eu suspiro. — Entendi. Eu serei igual quando tivermos meninas. — Ev, — sussurro, segurando meu copo com mais força. Quando Evan e eu estávamos juntos, falamos sobre começar uma família mais cedo, ou mais tarde. Eu queria ser uma mãe ainda jovem, e queria pelo menos três crianças, se não mais. Evan queria o mesmo que eu.

113


— Estamos atrasados, baby, mas já procurei sua merda e não pude encontrar qualquer anticoncepcional. Não utilizamos qualquer tipo de proteção na noite passada. — Suas palavras atordoam-me, e não estou preparada quando sua mão me puxa novamente, me puxando para perto mais uma vez. — Quando eu disse que estamos avançando, eu quis dizer com tudo. Minha respiração começa a ficar irregular e meu estômago revira em um nó. Não sei o que estou sentindo, mas não é pânico ou medo; é algo diferente, algo inesperado. Finalmente, coloco a palavra, — O quê, — para fora, mas isso é tudo o que sou capaz de dizer antes dele me beijar novamente e se afastar, tomando outro gole de café. — Tudo dará certo, — ele diz casualmente, pegando a bola que Ninja derruba ao seu lado, jogando-a para o quintal. — Você é louco? — Pergunto quando encontro a minha voz. — Fui louco por um tempo, baby. Eu também não conseguia respirar. Não poderia nem mesmo tomar um fôlego, porra. Três dias atrás, eu finalmente respirei, e, desde então, tenho conseguido respirar facilmente. Então, não, baby, não sou louco. Ok. Posso sentir isso acontecendo. Eu sei que está vindo, então viro meu rosto para longe do dele e inspiro profundamente para lutar contra as lágrimas, mas não funciona. Eu soluço, e antes que eu tenha a chance de camuflar isso, minha xícara de café é tirada da minha mão e Evan me pega, colocando-me em seu colo. Chorando em seu pescoço, me agarro a ele mais apertado, e depois grito quando a cadeira cede sob nós e ambos caímos no chão do deck. — Você está bem? — Pergunta ele, me rolando de costas, longe da cadeira quebrada. — Estou bem. — Eu rio, e depois rio mais alto conforme empurro Ninja quando ele lambe meu rosto. — Eu disse que minhas cadeiras não foram construídas para você, — digo baixinho, quando seus olhos mudam e os quadris imprensam os meus. — Você é tão bonita, baby, a mulher mais bonita que eu já vi, — ele sussurra, pegando-me desprevenida. Suas mãos se movem e ficam em cada lado do meu rosto, e seus polegares passam sobre minhas bochechas, onde as lágrimas caíram momentos antes. — Mesmo chorando, você é linda pra caralho. — Seus lábios

114


escovam sobre o meu, e então eu me afasto e cubro o meu rosto quando Ninja lambe entre nossos rostos. — Acho que nós precisamos nos levantar. — Eu rio. — Vamos. Temos um dia agitado na nossa frente, e esse dia começa no chuveiro. — Ele se levanta, me puxando junto com ele, e me leva para a casa segurando minha mão, fechando a porta assim que Ninja entra. — Eu vou tomar banho sozinha. Não quero molhar o meu cabelo, — digo a ele, e seus dedos entre os meus flexionam quando seus olhos se movem do meu cabelo para o meu corpo. — Desculpe, baby, mas mais do que apenas seu cabelo ficará molhado. — Evan, falo sério, — eu xingo, tentando fazê-lo soltar a minha mão. — Eu também, baby, — ele murmura, me arrastando atrás dele pelo corredor, no quarto, e direto para o banheiro. Por mais que me irrita admitir isso, tendo que secar meu cabelo após o nosso banho, totalmente valeu a pena.

115


Capítulo 09 June

Entrando no bar, minha mão segurando firmemente a de Evan, eu espero que meus olhos se ajustem à luz fraca. Evan manteve sua palavra de sábado passado sobre me levar para um passeio a fim de encontrar seu amigo Colton, em Chattanooga. Bem, na verdade, ele me levou em um monte de passeios ao longo da última semana, mas, honestamente, eu acho que é porque toda vez que ele me levava a um passeio na parte traseira de sua moto, ele recebia um passeio de uma variedade diferente quando chegávamos em casa. Não ando de moto como a minha irmã July e não quero aprender, mas estar confortável nas costas de Evan, a sensação de poder entre as minhas pernas, o vento em meu cabelo, e o sol quente batendo em nós, é algo que eu vim a desejar. Tanta coisa aconteceu nas últimas duas semanas. Evan se mudou naquele primeiro sábado que tivemos juntos. Fomos ao composto e pegamos suas coisas, não que ele tivesse um monte de qualquer coisa realmente. Tudo o que ele tinha era algumas roupas, armas, as quais eu ignorei enquanto as embalava, e duas fotos que não foram colocadas em moldura e estavam desgastadas nas bordas. A primeira foto era dele e eu, a qual ele tirou com seu telefone celular um dia, quando estávamos juntos em seu apartamento no Alabama. Estou sem camisa, porque tínhamos feito sexo quente em sua cama. Meu corpo estava pressionado nas suas costas, meu queixo em seu ombro. Eu sorria para a câmera, com as bochechas

116


coradas e lábios inchados. Ele me disse que eu estava linda e que ele precisava capturar o momento. Então ele rolou para o lado dele para pegar o celular no criadomudo, e o segui, apertando-o. Esqueci esse momento até que vi a foto. A outra era uma foto do dia em que nos casamos. Eu usava um vestido branco de verão simples com um par de sandálias de tiras de cor taupe8 em meus pés, e ele vestia um par de jeans escuro e uma camisa de botão azul escuro. Nós dois estávamos de perfil, seu rosto se inclinando em direção ao meu, sua mão na minha cintura, a minha em suas costas, com a nossa certidão de casamento na minha mão. Quando vi aquelas fotos, eu chorei. Eu sabia que ele disse que sempre foi meu, mas vendo as fotos, as bordas e dobras desgastadas no papel por serem manipuladas muitas vezes, eu soube que ele sempre me manteve com ele. Após finalmente me recompor, nós deixamos as coisas dele na minha casa, e fomos à loja de jardinagem local comprar móveis para o deck, tudo em madeira escura com almofadas brilhantes, juntamente com uma mesa simples, cadeiras e uma churrasqueira, porque precisávamos de um grill – ou Evan precisava de um grill, uma vez que não tenho qualquer sorte com churrasco. Toda vez que tentei no passado, a carne ficava assada demais ou queimada, e completamente intragável. Depois que chegamos em casa naquele dia, passamos um tempo juntos, apenas nós dois, e fizemos o mesmo na última semana – sendo preguiçosos, sendo um casal, e discutindo e brigando sobre o que assistir ou o que fazer para o jantar, mas fizemos tudo juntos. As coisas entre nós têm se encaixado no lugar novamente, e tudo sobre isso se sente bem. Não... é uma sensação incrível, ao passo que continua sendo um pouco assustador. Sentindo a mão de Evan apertar a minha, eu saio dos meus pensamentos e inclino a cabeça em direção a ele. Seus olhos procuram meu rosto por um momento, e sei o que ele vê lá quando sorri e inclina o rosto mais perto do meu, sussurrando, — Nós vamos conseguir um quarto para passar a noite e ir para casa amanhã à tarde. Tremendo com isso, eu lambo meu lábio inferior e sussurro de volta, — Parece bom para mim.

8 Tom entre cinza e marrom

117


Seu rosto abaixa para que ele possa me beijar, e quando se afasta, viro minha cabeça quando uma voz profunda diz, — Foda-me. Jesus Cristo, porra, Evan? Olhando para o fundo do bar, eu vejo um homem muito bonito sair de trás do balcão e vir em nossa direção, com um sorriso enorme e os braços ao lado do corpo. — Colton. — Evan sorri, e meus olhos voltam para Colton. Santa gostosura. Quer dizer, eu tenho o meu próprio cara sexy, um homem que é a definição de gostoso, mas esse cara é lindo. Alto e magro, com cabelos escuros e olhos ainda mais escuros, cercado por cílios grossos, o queixo quadrado e sombreado com barba, acentuando seus lábios carnudos e sorriso branco. Ao vê-lo e seu sorriso, não entendo como sua ex cadela poderia se afastar dele. — É bom ver você, cara, — murmura Evan, me soltando para poder abraçar o amigo. — Porra, cara, passou muito tempo, — Colton ressoa, batendo forte nas costas de Evan quando se abraçam. Quando liberam um ao outro, o braço de Evan vai ao redor dos meus ombros, colocando-me perto dele. — Quero que conheça June, — Evan diz, e os olhos de Colton se movem entre Evan e eu. — Prazer em conhecê-lo. — Sorrio, e depois o sorriso dele se amplia e ele me puxa da mão de Evan, me pegando e me abraçando tão apertado que meus lados doem com a pressão. — Porra, cara, você não mentiu. Ela é bonita como o inferno. Ok, isso foi doce e me senti muito bem. — Você pode parar de tocá-la agora, — Evan resmunga, e mordo meu lábio, tentando não rir. — Ah, eu vejo que você ainda é um bastardo egoísta. — Colton ri, me colocando sobre os meus pés. — Com ela, sempre, — diz ele, me colocando ao lado dele novamente. — Você tem tempo para uma cerveja, ou está trabalhando?

118


— Eu tenho tempo. — Ele sorri, batendo nas costas de Evan mais uma vez e sacudindo a cabeça antes de virar em direção ao bar, onde o seguimos. — O que vocês querem beber? — Ele pergunta quando nós sentamos em duas banquetas. — Qualquer coisa gelada para mim, — diz Evan. — June terá uma Miller Lite9. — Apertando a cintura dele, eu me inclino mais perto. Sei que não é muito, mas amo ele se lembrar do que eu bebo e como tomo o meu café, quais alimentos gosto ou não, todas essas coisas sem importância que acabam sendo importantes no final, porque elas te dizem se a pessoa que está com você se importa o suficiente para prestar atenção às pequenas coisas sobre você. — Gia, baby, venha aqui, — Colton grita, olhando para a direita, e sigo seu olhar em direção a porta aberta para um escritório, onde uma menina muito bonita, petite com curvas, longo cabelo ondulado escuro, pele azeitonada, e surpreendentes olhos verdes está de pé ao lado de uma mulher mais velha que se parece muito com Colton. — Um dia, eu vou matar o seu filho, — ouço a menina, que deve ser Gia, murmurar. A mulher de pé ao lado dela ri alto, dizendo algo que não posso ouvir antes de empurrá-la em nossa direção. — Você chamou, — Gia diz quando se aproxima, e Colton sorri para ela. — Gia, este é Evan. Estávamos nos fuzileiros juntos, e esta é a esposa dele, June, — Colton diz, e meu coração se contrai, e não de uma boa maneira. Não sou mais a esposa dele, e embora eu saiba disso há muito tempo e tenha chegado a um acordo com isso há séculos, ouvir o que uma vez fomos, me mata. — Prazer em conhecê-los. — Ela sorri, exibindo duas covinhas, uma em cada bochecha. — Você também. — Sorrio de volta. Evan ergue o queixo e pergunta, — Esta é sua garota? — Sim, — Colton diz, sorrindo. Enquanto Gia afirma, — Não, — girando e inclinando a cabeça muito para trás para franzir a testa para ele.

9 Marca de cerveja

119


Rindo, eu olho entre os dois, e assisto Colton sorrir para ela, enquanto murmura, — Baby, nós já passamos por isso. — Esse é o meu ponto! — Ela grita, levantando os braços no ar. — Já passamos por isso, e você ainda não ouviu. — Em um flash, a mão dele está na parte de trás do pescoço dela, puxando-a para perto, e então sua boca está na dela e ele a beija profundamente, com a língua. Quando ele se afasta, as mãos dela deixaram de empurrá-lo para segurá-lo mais perto. — Oh meu, — sussurro, mais uma vez me perguntando o que diabos sua ex estava pensando. — Eu te disse para parar de me beijar, — ela suspira, piscando para ele, enquanto suas bochechas coram. — E eu disse a você, baby, isso nunca vai acontecer, — ele sussurra de volta, beijando-a mais uma vez, este sendo um rápido e simples toque de sua boca na dela. — Não se preocupe com eles, — a mulher que se parece com Colton diz, bloqueando nossa visão deles ao se inclinar sobre o bar e acariciar o rosto de Evan. — Senti sua falta, garoto. — Senti sua falta também, Ma Rose, — Evan diz, deslizando o braço ao redor dos meus ombros. — Eu quero que você conheça June. — June, — ela fala baixo, movendo o olhar para mim. — Prazer em conhecê-la. — Sorrio, e seus olhos se movem entre nós antes de se concentrar em Evan mais uma vez. — Você tem a sua menina novamente? — Ela sorri um suave sorriso maternal que me faz gostar dela ainda mais. — Puxou minha cabeça para fora da minha bunda, — Evan responde, e ela ri, depois balança a cabeça. — Vai deixar Kirk feliz, — ela murmura, ainda sorrindo. — Onde está o velho? — Casa, ele ficou no bar até tarde. Deverá estar aqui em algumas horas, se vocês quiserem ficar por aqui. Se não, você pode ir para a casa. Tenho certeza que ele está arrumando a garagem, trabalhando na moto.

120


— Vamos ficar aqui por um tempo, — Evan diz, e sorrindo, ela acaricia o rosto dele novamente. Eu sei que ele e a mãe são mais próximos do que ele é com o resto de sua família, e por próximo, quero dizer que eles se falam, mas sua mãe não está por perto, a menos que queira alguma coisa. Então, estou feliz de ver que ele está relacionado com pessoas que são saudáveis e normais, relações do tipo mão-dupla, onde ele não é a única pessoa fazendo todo o trabalho. — Aqui. — Colton desliza uma garrafa de cerveja na minha frente e caneca de cerveja na frente de Evan, e depois se inclina contra o bar, cruzando os braços sobre o peito. — Então, eu assumo que você está bem? — Evan pergunta, olhando em direção ao escritório, onde Gia desapareceu junto com a mãe de Colton. — Não poderia estar melhor. Bem, poderia estar, mas Roma não foi construída em um dia. — Ele dá de ombros, sorrindo, e Evan ri, balançando a cabeça. — Isso eu entendo. — Evan olha para mim, e o sorriso de Colton se torna um sorrisinho. — Cara, é realmente muito bom vê-lo, — Colton diz em voz baixa, as palavras ditas com um significado mais profundo do que apenas ver o amigo depois de tanto tempo. Estão falando de uma forma que eu sei que ele entende, mais do que a maioria, se Evan não voltasse para checar a casa, ele não estaria sentado aqui agora. — Você também, irmão. — Eles sustentam o olhar um do outro por um longo tempo antes de cada um limpar a garganta e olhar para o lado. Inclinando-me para Evan, eu pressiono um beijo em sua mandíbula enrijecida. Seus olhos caem para os meus e seu rosto suaviza, juntamente com sua mandíbula. — Você está bem? — Eu murmuro, e ele acena com a cabeça, dando um beijo na minha testa. As palavras, eu amo você, estão presas na parte de trás da minha garganta enquanto sento e tomo um gole da minha cerveja. Eu me sinto tão dividida entre a necessidade de dizer a ele como me sinto e a necessidade de segurar essas palavras. Meu instinto realmente dói cada vez que penso em dizer as três palavras em voz alta, como se dizendo-as, eu vou acordar e perceber que tudo isso era apenas um sonho.

121


— Você está bem, baby? — Evan pergunta contra a minha orelha, me puxando dos meus pensamentos. — Sim, desculpe, me distraí, — eu murmuro, então meus olhos vão para Colton e noto que ele me observa de perto. Dou-lhe um sorriso, e ele retorna, mas não alcança seus olhos neste momento. Ah bem. Tomando outro gole de cerveja, me inclino mais perto de Evan e ouço ele e Colton conversarem, e, ocasionalmente, rio ou sorrio quando me contam histórias sobre coisas que fizeram juntos ou coisas que aconteceram quando foram mobilizados. Quando o pai de Colton chega e se apresenta, eu olho ao redor. Nem sequer percebi quanto tempo passou ou quão cheio o bar ficou. Deve haver pelo menos uma centena de pessoas aqui agora, se não mais. — Eu já volto, — digo a Evan, escorregando de minha banqueta. — Ok, baby, volte logo. Revirando os olhos para isso, murmuro, — Sim, senhor, — sob a minha respiração, e seus olhos escurecem com as minhas palavras. Antes que eu saiba o que está acontecendo, estou em suas mãos e sua boca está perto do meu ouvido. — Eu, com certeza, colocarei isso em jogo esta noite. — Suas palavras vibram contra a minha orelha, enviando um arrepio na espinha e um formigamento entre as minhas pernas. — Ev. — Meus olhos se fecham quando seus dentes mordem minha orelha, fazendo-me agarrar sua camisa para não cair de cara. — Vá e volte para mim. — Ele sorri, parecendo presunçoso. — Provocador, — sussurro, deixando seu lado, ouvindo sua risada atrás de mim enquanto vou em direção ao banheiro. Andando para o banheiro das meninas, encontro Gia em pé e esperando por aquela única cabine com os braços cruzados sobre o peito, olhando para uma morena alta que está lavando as mãos. — Hey. — Sorrio quando seus olhos me encontram. — Hey. — Seu rosto suaviza, e então ela se afasta quando a cabine se abre e uma menina com um longo cabelo louro tropeça para fora, rindo quando esbarra em Gia.

122


— Realmente precisamos de um banheiro de empregados, — ela murmura, olhando entre a menina na pia e a menina que acabou de sair da cabine. — Então, você e Colton? — Pergunto, batendo seu ombro com um sorriso no meu rosto, e colocando a culpa pela pergunta nas cinco cervejas que bebi desde que cheguei aqui. Os olhos de Gia encontram os meus, mas antes que ela possa responder, uma das meninas na pia sussurra para sua amiga, alto o suficiente para nós ouvirmos, — Sabia que Lisa e Colton almoçaram ontem? Virando-me para olhar para elas, eu pisco, então sinto minha mandíbula apertar quando a outra responde, — Eu sei. Lisa disse que está tão feliz por estar usando o anel que ele lhe deu novamente. — Não, — murmuro para mim mesma. Sinto-me completamente envolvida na vida de Colton, como se fosse um programa de TV durante o dia e ele é o homem principal, e Lisa é a cadela conivente que secretamente dormiu com o irmão dele. Não que ele tenha um irmão, ou que eu o conheço, mas após ouvir a história dele por meio de Evan, eu sei que se ele voltar com a ex, eu mesma chutarei a bunda dele. — Quem é você? — A morena pergunta, deslizando os olhos de seus lábios, nos quais está aplicando gloss, para mim no espelho. — Colton não almoçou com ela, — eu digo, não respondendo à pergunta dela, e na verdade, não tenho ideia se ele almoçou com ela ontem ou não. Pelo que sei, ele poderia ter almoçado, mas a julgar pela forma como os olhos dele seguiram Gia por todo o bar, eu acho que isso não era verdade. — Ele almoçou. Lisa nos disse, — A loira diz, virando o rosto para mim. — Bem, Lisa é uma mentirosa e uma idiota, — digo a ela, olhando ao meu lado e vendo Gia olhando para as duas meninas. — Quem é você? — A loira pergunta novamente, virando o rosto para mim e cruzando os braços sobre os obviamente falsos peitos. — Quem eu sou não importa. — Sim, se você estiver chamando Lisa de mentirosa, importa, — a morena afirma, virando para apoiar a sua amiga.

123


— Por que vocês estão aqui mesmo? — Gia pergunta, olhando entre as duas. — Este não é o ponto de encontro normal de vocês, e a última vez que eu ouvi, vocês nem sequer deveriam estar no bar. — Duvido que Colton vá chutar para fora as amigas de sua noiva. — A loira revira os olhos. Ok, eu estou oficialmente louca, ou talvez tenha bebido muitas cervejas – não que eu me sinta um pouco bêbada – mas essas garotas estão seriamente me irritando. — Ele não está noivo dela, — rosno. — Ele está. — A loira se inclina, empurrando meu peito com um dedo. Hum, inferno, não. — Você acabou de me tocar? — Eu pergunto, incrédula. — Sim, o que você fará sobre isso? — Ela estala, dando um passo mais perto de mim. Inclinando para frente, eu abro minha boca para responder, mas salto para trás quando, — Que diabos está acontecendo? — Ecoa pela sala. Colocando Gia atrás de mim, meus olhos voam para a porta, onde Colton está de pé, parecendo irritado. — Graças a Deus você está aqui. Esta menina louca só nos dizia que você e Lisa não estão juntos! — A morena chora dramaticamente, apontando para mim. Ouvindo um ronco, — June, venha aqui, — meus olhos patinam do ombro de Colton e encontro o olhar frio de Evan. Porcaria. — Eu disse uma vez, e esta é a última vez que direi isso. Saia e fique longe. Vocês não são bem-vindas ao meu bar, — Colton coloca para fora, e luto contra o desejo de mostrar minha língua para as meninas e dizer, eu avisei. — Mas... — uma das meninas sussurra. Colton ruge, — Agora! — Fazendo-as saltar e mover-se rapidamente através do espaço pequeno que Colton e Evan permitem. — Gia, baby, você está bem? — Colton pergunta, e viro para olhar para Gia, vendo que seu rosto está aborrecido, mas seus olhos parecem aguados. — Estou bem. — Ela se move, dando-lhe as costas, indo para a cabine, e fechando a porta.

124


— June, — Evan repete, e meus olhos se movem para ele. — Dê-me cinco minutos e sairei. — Se você não sair e eu tiver que voltar, nós vamos ter problemas. — E aonde exatamente eu iria? — Pergunto; o que provavelmente não é a coisa certa a dizer, uma vez que a mandíbula dele se aperta com a minha pergunta. — Eu sairei. — Suspiro e olho para Colton, sussurrando, — Eu vou conferir se ela está bem, — empurrando a porta e eficazmente movendo-os para fora do banheiro. — Ele já foi? — Gia pergunta depois de um momento, do outro lado da porta da cabine. — Sim. — Deus, eu odeio essas meninas, — diz ela, abrindo a porta e movendo-se para a pia. — Elas são mentirosas, — digo a ela, esperando que isso fosse algo que ela mesma já sabe. — Eu sei, — ela concorda com suavidade, lavando as mãos. — Eu não deveria deixá-las me afetar, mas não posso evitar. Lisa está constantemente aparecendo ou ligando. Tenho tanta coisa acontecendo que não posso sequer me concentrar nela e Colton. Não que eu quero, mas... — ela encolhe os ombros. — Eu entendo, — digo suavemente, apertando seu ombro quando passo por ela para ir à cabine, cuidando dos negócios rapidamente. — Como você sabia que elas estavam mentindo? — Ela pergunta quando saio da cabine e lavo as mãos. — Hum... não tenho certeza se você notou, mas Colton não a deixa exatamente fora da vista dele. Não posso imaginar que um homem que esteja tentando voltar com sua ex estivesse tão interessado em outra pessoa, — aponto o óbvio, e suas bochechas escurecem enquanto algumas gotas caem. — Ele me deixa louco. — Ela balança a cabeça, fechando os olhos, antes de abri-los novamente e encontrar o meu olhar. — Ele é sexy. — Sorrio, e ela tenta evitar, mas ela não consegue. Ela tenta cobrir seu sorriso, escondendo o rosto atrás de suas mãos e rindo, mas sei que está lá.

125


Quando ela tira as mãos, eu vejo por que Colton está obcecado com ela. Ela é frágil; algo nela necessita proteção. E para um cara que colocou sua vida em risco pelo seu país, eu aposto que a fragilidade dela é algo que ele não pode resistir de querer proteger. — Obrigada por me defender. — Oh, por favor. Isso foi divertido, e sério, não sei muito sobre Colton, mas meu palpite é que ele não é o tipo de cara que você deixa ir. Somente a ex dele, que é uma idiota e fez isso em grande estilo. Agora ela percebeu a estupidez, e a perda dela é definitivamente o seu ganho, irmã. — Você deveria vê-la, — Gia sussurra, e minhas sobrancelhas se juntam. — Quem? — A ex. Ela é como uma modelo da Victoria Secret andando. — Você já se olhou no espelho? — Pergunto. Quer dizer, sério, Gia é linda, e honestamente, ela se encaixa perfeitamente com Colton. — Falo sério! Ela é, tipo, perfeita, e eu sou... bem... — ela faz uma pausa. — Eu. Não entendo. Além disso, há todos os tipos de coisas acontecendo, e odeio ter Colton e a família dele envolvidos. — Uma coisa que sei sobre homens, — começo, gentilmente agarrando a mão dela, — é que eles não fazem nada que não querem fazer. E querida, realmente, você é linda. Você não tem nada com que se preocupar. — Eu acho, — ela murmura, e olha para a porta quando se abre e uma mulher entra. — É melhor eu voltar. — Espere, me passe o seu número. Se quiser conversar, você pode me ligar. A qualquer hora. — Sério? — Claro. Nós meninas precisamos ficar juntas. — Sorrio de novo, pegando meu telefone no bolso. Adiciono o número dela em meus contatos, e saímos do banheiro juntas. Uma vez que estou de volta no bar, vou diretamente para o lado de Evan e sento na banqueta ao lado dele. — O que diabos aconteceu? — Ele pergunta, inclinando-se mais perto de mim, mas os meus olhos estão sobre os olhos de Colton, os quais estão preenchidos com

126


preocupação quando olha para trás, onde tenho certeza que Gia está atendendo mesas, como fazia anteriormente. Afastando a minha atenção de Colton, viro-me para encontrar o olhar de Evan. — Eu vou te dizer mais tarde, — murmuro, e seus olhos procuram meu rosto antes de balançar a cabeça e envolver sua mão quente em torno da minha nuca, então ele pode me puxar para mais perto e colocar os lábios na minha testa. — Você está bem? — Ele pergunta quando se afasta. Sorrindo, eu respondo, — Absolutamente. — Você é um pé no saco. — Ele sorri, e me inclino mais perto, pressionando a minha boca na dele ignorando sua declaração. *** — Oh, meu Deus, — eu chio, segurando o cabelo de Evan enquanto sua boca me devora, minhas costas nuas pressionadas contra a parede do lado de dentro do quarto do hotel, com ele de joelhos diante de mim, ainda totalmente vestido. Assim que entramos no quarto, ele fez um rápido trabalho em me deixar nua, e em seguida, fez o trabalho ainda mais rápido de me dar um orgasmo. Agora, ele trabalhava no segundo. — Porra, baby, chegue lá. Preciso estar dentro de você, — ele rosna, empurrando dois dedos profundamente, me colocando na ponta dos pés. — Estou perto. — Eu gemo, — tão perto. — Porra, — ele rosna, jogando minha perna em cima do seu ombro, me abrindo mais. Minha cabeça bate contra a parede e grito quando outro orgasmo me atravessa, me fazendo cambalear. Antes que sequer esteja de volta à terra, meu corpo salta contra a cama e Evan se eleva sobre mim. Puxando sua camisa sobre a cabeça, minhas mãos vão para seu peito, e desce para o seu abdômen. — Preciso de você em mim, — digo, me atrapalhando com a fivela do cinto enquanto seus lábios se fecham em torno do meu mamilo, sugando profundamente. — Oh, Deus, — choramingo, quando seus dedos puxam meu mamilo negligenciado,

127


puxando a ponta, fazendo minhas mãos soltarem o seu cinto e minhas costas arquearem. Liberando meu peito, ele deita de costas. Suas mãos terminam de abrir o cinto e o botão da calça jeans. — Boca em volta do meu pau, baby, — ele rosna, fazendo um arrepio percorrer minha espinha enquanto seus quadris levantam, expondo tudo o que ele é. Ajudando-o a tirar as botas e calça jeans, seus joelhos levantam e sua mão envolve a base de seu pau, acariciando uma vez. Movendo-se entre suas coxas abertas, eu coloco a minha mão sobre a dele e deslizo para baixo do seu comprimento, segurando seu olhar. — Dê-me essa boca. Inclinando sobre ele, sua mão e a minha se movem juntas enquanto eu dou lambidas em seus lábios. Sua mão livre emaranhada no meu cabelo me traz para mais perto, para que ele possa me beijar mais profundamente, antes de apertar a sua mão e me obrigar a afastar uma polegada, então mais pressão quando ele conduz o meu rosto para baixo. O domínio em seu movimento faz com que umidade se espalhe entre as minhas pernas. Lambendo ao redor da ponta, eu deslizo minha boca, encontrando nossas mãos. Sua mão se move sob a minha quando giro minha língua e o tomo profundamente. — Jesus, sua boca, porra, — ele murmura, e minha mão livre se move para cima de sua coxa segurando suas bolas delicadamente, enquanto com a outra eu deslizo para baixo, seguida pela minha boca. Trabalhando-o, eu o sinto ficar tenso, e depois a sua mão no meu cabelo aperta mais uma vez quando ele me afasta de seu pênis. — Eu não terminei, — digo a ele. — Você pode fazer novamente mais tarde, — ele murmura, passando o braço em volta das minhas costas. — Eu estava fazendo isso agora, — reclamo, quando ele me coloca de costas, joga minhas pernas ao redor de seus quadris, e entra fortemente em mim. — Você pode fazer novamente mais tarde, — ele repete, deslizando para fora. — Mais tarde, — concordo, puxando sua boca para a minha. Sua língua desliza para dentro enquanto sua mão se movimenta entre nós, concentrando-se em meu clitóris.

128


Deus, sim. — Você está encharcada, baby, — ele geme, indo mais fundo quando levanto mais os meus quadris, saindo da cama. — Eu sei, — concordo, passando minhas mãos pelas suas costas e agarrando a sua bunda, sentindo seus músculos contraírem quando ele empurra em mim. — Eu vou gozar, — sussurro, empurrando meu rosto em seu pescoço enquanto ele circula meu clitóris mais rápido e seus quadris empurram para o meu tão forte que minha respiração fica presa. — Segure. — Não posso, — choramingo, cavando minhas unhas em sua pele. — Segure, baby. — Ev, eu não posso! — Grito, tentando, tentando realmente, evitar, mas a forma como está se construindo, eu sei que de maneira nenhuma eu serei capaz de segurar o orgasmo uma vez que começar. De jeito nenhum. — Porra, baby, goze, — ele rosna, e faço. Gozo forte enquanto seus dedos apertam meu clitóris e o puxam ao mesmo tempo. Meu corpo arqueia e minhas pernas apertam enquanto ele me fode, empurrando mais duas vezes antes de plantar-se profundamente dentro de mim. Respirando pesadamente, meus braços e pernas apertam em torno dele mais forte e meu rosto se move para o ombro, descansando lá quando ondas de prazer passam por mim. Meu corpo está fraco e minhas pernas parecem geleia. — Você está bem? — Ele pergunta, pressionando um beijo no meu pescoço, deixando cair seu cotovelo na cama enquanto sua mão passa pelo meu cabelo. — Sim, — sussurro, inclinando para trás para olhar para ele. — Bom, — ele sussurra de volta, e seu rosto suaviza quando as próximas palavras saem de sua boca. — Eu vi, baby, — Viu o quê? — Pergunto, estudando-o e pensando que ele é bonito. — O que você tem medo de dizer. O que você tem medo de admitir para si mesma... para mim. — Ev... — As lágrimas enchem meus olhos quando o meu coração acelera.

129


— Sei que já está aí. Talvez nunca foi embora, mas vi isso, e eu quero isso. — Eu... — fecho meus olhos, desejando poder fazer com que ele entenda o que estou sentindo, o porquê de ter tanto medo. — Eu não vou a lugar nenhum. Não deixarei você ir a qualquer lugar também. — Seus dedos passam por meu cabelo novamente, e meus olhos se abrem para encontrar os dele. — Eu acredito em você. — E acredito. Vejo isso na maneira como ele olha para mim, sinto isso no jeito que ele me toca. Eu sei no fundo do meu ser que ele está dizendo a verdade, mas ainda estou com medo. — Odeio você não ter o meu sobrenome mais. Matou-me quando Colton apresentou você como minha esposa e eu sabia que não era verdade. — Não gosto disso, — digo, quando ele nos rola para os nossos lados, efetivamente cortando a nossa ligação, e ajustando-me para eu estar sobre ele. — Ele não sabia. A mãe e o pai dele sabiam, porque eu trabalhava no bar com eles, e eles finalmente arrancaram de mim. Mas ele não sabia. — Isso é uma droga, mas está tudo bem. É legal. Posso ver porque vocês dois são amigos. — Ele é um bom rapaz, — ele concorda, passando os dedos pela minha espinha. Meus olhos começam a se fechar. Os três orgasmos que eu tive, o seu toque, e o som da batida do seu coração contra o meu ouvido me acalmam a ponto de dormir. — Vou me casar com você de novo, baby, — ele diz calmamente, e com essas palavras soando em meus ouvidos, eu adormeço sorrindo.

130


Capítulo 10 Evan

Jogando a bola para Ninja no quintal, eu pego o celular do meu bolso de trás quando toca, e suspiro assim que dou uma olhada no identificador de chamadas. Tenho evitado esse telefonema desde a última semana, mas sei que preciso acabar com isso. — Olá, — respondo, pegando a bola mais uma vez, assistindo Ninja decolar antes que esteja até mesmo fora da minha mão. — Eu tenho ligado, — diz minha mãe, e posso ouvir uma ponta de embriaguez em seu tom, mesmo por telefone. — Estive ocupado. — Muito ocupado para a sua família? — Ela pergunta maliciosamente, e cerro os dentes. Houve um tempo em que eu não queria nada mais do que ajudar a minha família, consertar o que foi quebrado entre nós, mas aprendi desde cedo que essa merda era impossível. — Seu irmão está na cadeia, — ela me informa, e aquela raiva que senti enquanto observava as fitas dele penhorando as merdas de June volta correndo pelas minhas veias. Vê-la sentada no sofá de JJ, envolta em nada além de uma toalha, segurando um par de tesouras em um aperto de morte – é uma visão que me assombrará por um longo tempo, porra.

131


— E? — Pergunto, quando Ninja empurra minha perna com seu nariz, e olha para a bola que deixou cair aos meus pés, me dizendo para pegá-la. — Você não se importa? — Ela pergunta. — Ele invadiu a casa de June, roubou a merda dela, e penhorou. Então não, eu não dou à mínima. Ouço o enfurecido huff na outra extremidade da linha. — Ele é seu irmão, seu sangue! — Ela chora, e a imagino andando pela pequena sala de estar de sua casa, correndo a mão pelo cabelo emaranhado, ou indo para a cozinha e pegando uma garrafa de vodca no armário. — Ele é o meu sangue, mas não é meu irmão, — digo baixo. Um silêncio dela, e depois, — Ele teve um tempo difícil. Você... você não estava. E seu pai foi duro com ele. Ele sempre foi duro com vocês, rapazes. — Pare de dar desculpas para ele, — eu falo. — Sim, eu sei que o papai pode ser difícil. Sei que ele é principalmente um idiota, mas também vejo o porquê. — Você está concordando com as coisas que ele fez, como ele tratou seu irmão e eu? — Ela pergunta, incredulamente tranquila. — Você é uma bêbada, — sussurro, ouvindo sua ingestão aguda sobre a linha. Nenhum de nós jamais disse isso em voz alta, mas todos nós sabemos que é verdade. Um segredo sujo. Algo que todo mundo esteve negando ou evitando falar desde que me lembro. — Jay é um viciado em drogas, e você negar os problemas dele juntamente com o seu não ajuda. Não estou de acordo com o papai erguer a mão para nós com raiva quando éramos mais jovens, mas você é uma parte do problema, parte do seu problema, parte do problema de Jay. Vocês são todos tóxicos e, juntos, vocês são uma porra de combinação mortal. — Ah, agora você é muito bom para nós? June o aceitou de volta, então agora você não se preocupa com a sua família? Porra. Pelo tanto que me lembro, sempre foi a mesma merda – culpa e manipulação, até que eles conseguem o que querem, o que quer que seja. — Estou começando a minha família com June, — digo em voz baixa. — Não posso acreditar que você faria isso, — ela sussurra. — Não posso acreditar que você está virando as costas para nós.

132


— Não quero meus filhos perto de sua bagunça. Você, como minha mãe, deveria ter me protegido do papai, e meu pai deveria ter me protegido de você e sua bebida. Nenhum dos dois fez isso, mas eu vou proteger meus filhos de todos vocês. — Não sou uma bêbada. — Você bebe todos os dias, porra, todo maldito dia. Você nem sequer sabe o que é estar sóbria. — Se eu fosse bêbada, como eu manteria o mesmo trabalho durante os últimos quinze anos? — Por que diabos eu estou fazendo essa merda agora? Não vou discutir essa merda com você, e honestamente, mamãe, você precisa admitir essa merda para si mesma. Você precisa de ajuda. — Então é isso? Você simplesmente terminou com a gente? — Ela pergunta, e porra, mas eu gostaria que não chegasse a isso. Não posso ter esse tipo de veneno na minha vida, apesar de tudo. Posso não ter sido capaz de fazer nada enquanto crescia para me proteger deles, mas não deixarei June ou quaisquer crianças que tivermos ter contato com essa maneira tóxica de vida. Não os deixarei sofrer como eu sofri, acreditando que está tudo bem que as pessoas lhe procurem apenas quando precisam de algo, e depois desaparecem até que precisem de algo mais. — Você dá um jeito na sua merda e vamos conversar, mas não ajudarei você na fiança de Jay, e se for esperta, você não vai ajudá-lo também. Ele precisa crescer. — Eu gostava de June, mas agora vejo que não deveria, — ela sussurra, e meu estômago fica em nós. — Ela é a melhor coisa que já me aconteceu, a porra da única coisa que eu tenho na minha vida que é bom e puro. Você deveria querer isso para mim, — digo, e afasto o telefone do meu ouvido pressionando Encerrar. Porra. Colocando a mão na parte de trás do meu pescoço, meus olhos caem para minhas botas, e então sinto mãos deslizarem em volta da minha cintura e June pressionar o seu corpo quente nas minhas costas. Tirando a mão do meu pescoço, eu cubro a dela. — Você está bem? — Ela pergunta baixinho.

133


Minha resposta é um imediato, — Porra, sim. — Tendo-a novamente na minha vida, sabendo o que estamos construindo juntos, faz tudo parecer realmente muito importante. Seu corpo se move para ficar na minha frente e minhas mãos vão sobre seus quadris quando ela procura o meu olhar. — Esse telefonema parecia... — ela faz uma pausa, levantando a cabeça antes de encontrar meu olhar novamente. — Um pouco triste. — A única coisa triste sobre isso é quão em negação minha mãe está quando se trata do fato de que sua família está em frangalhos e o papel que ela desempenha nisso. Isso, baby, é triste, — concordo, apertando-a. — Sinto muito, — ela sussurra, deixando cair sua testa no meu peito, e que por si só é suficiente para me fazer me apaixonar por ela novamente. — Ia acontecer. Adiei esse telefonema e conversa por algum tempo. — Só peguei a última parte, — ela confessa tranquilamente, como se eu fosse ficar puto por ela escutar, quando era um não absoluto. — Então ouviu a parte mais importante. A menos que um milagre aconteça e minha mãe receba ajuda, ela está fora da minha vida para sempre. Sua cabeça inclina e seus olhos encontram os meus, parecendo confusos. — Eu... quando estávamos juntos... — Ela faz uma pausa novamente. — Você não parecia ter um problema com ela. — Eu não a encontrava com frequência, baby. — Eu dou-lhe um aperto, e movo-nos em direção a uma das cadeiras, puxando-a para o meu colo. — Eu tinha minha própria casa, — eu digo, passando os braços ao redor da cintura dela. — Jay estava na cadeia, e meu pai fazendo o que sempre faz, ou seja, ele partiu para lugares desconhecidos. Quando ela não está cercada por eles, ela não está sóbria, mas não bebe tanto, — digo, enquanto ela enfia a cabeça embaixo do meu queixo e puxa as pernas para cima, de modo que seus joelhos estão pressionados no meu lado e seus braços em volta da minha cintura. — Ela já tentou obter ajuda? — Ela pergunta, e corro minhas mãos ao longo de sua pele lisa na borda do short.

134


— Ninguém nunca disse a ela, pelo o que eu sei, e eles sabem que ela tem um problema. — Como pode ser isso? — Ela pergunta em voz baixa, colocando a mão no meu peito, sentando-se e virando em meu colo para me estudar. — No começo, ela escondeu bem, mas depois se tornou uma regra encontrar garrafas de vodca vazias enfiadas debaixo da pia da cozinha, ou no banheiro atrás de coisas, ou cheias e escondidas com cuidado, onde ela pensava que não encontraríamos. Sabíamos que ela escondia isso, e suponho que, como eu, meu pai e meu irmão não queriam ser quem a informaria de que sabíamos o que ela fazia. — Até agora, — diz ela, inclinando-se e correndo o dedo sobre o meu lábio inferior. — Até agora, — concordo, agarrando a mão dela, beijando seus dedos, e envolvendo minha mão ao redor de seu pescoço. Puxo-a perto, beijo sua testa, e dobro a cabeça sob o meu queixo para segurá-la contra meu peito. — Você acha que trazendo isso à tona vai acordá-la? — Ela pergunta baixinho depois de alguns momentos. — Provavelmente não, mas aprendi um tempo trás para nunca dizer nunca, — respondo tão baixinho, e seu corpo fica tenso antes de derreter ainda mais no meu. — O que você quer fazer para o jantar, linda? — Pergunto, querendo distraí-la. Sei que ela está com medo. Posso sentir o medo dela. Vejo infiltrando em seus olhos ou em seu corpo de vez em quando, mas sei que não há nada que eu possa fazer, senão esperá-la e deixá-la ver que eu não vou a lugar nenhum. — Não sei. O que você quer fazer? — Ela responde, em seguida, senta-se quando seu telefone celular toca em casa. — Eu procurava por ele antes. — Ela beija meu queixo, saindo do meu colo. Balançando a cabeça, eu sei que ela está falando sobre o telefone celular; ela nunca está com ele, ou está sempre o deixando em algum lugar que não consegue se lembrar. Assobiando para Ninja, que está andando na cerca e farejando o chão, sua cabeça levanta e ele corre em direção a casa, e então pela porta dos fundos aberta. Entrando na casa, eu fecho a porta e assisto June passear em minha direção, segurando o celular no ouvido.

135


— Hum, claro, podemos fazer isso, — ela murmura e depois pergunta, — Que horas? — Ela balança a cabeça. — Ok, vejo você, então. — Ela finaliza a ligação, afastando o celular da orelha e jogando-o nas imediações do sofá para se perder mais uma vez. Sentindo minhas sobrancelhas se juntarem, eu pergunto, — O que foi? — Mamãe e papai querem todos na casa deles em uma hora, por isso eles querem que a gente passe lá, — diz ela rapidamente, então morde o lábio. — Acho que agora nós não precisamos nos preocupar com o jantar. Porra! Sabia que isso estava prestes a acontecer. Os Maysons são próximos. Sabia já disso, a partir das histórias que June me disse quando ficamos juntos pela primeira vez, e depois aprendi em primeira mão quando me mudei para a cidade. A diferença entre esses tempos e agora é que, antes, eu sofria ao ouvir sobre June e o que ela fazia com seus tios e primos, e até mesmo o pai dela algumas vezes. Agora, eles sabem que estamos juntos, e eles sabem que havíamos estado muito juntos, porra, como casados, anteriormente. Não tenho boas expectativas com essa noite. Os homens da família dela, assim como seu primo Sage, com quem eu ainda estou chateado, são protetores. Sei que isto não é apenas uma reunião. Isso são eles querendo ver em primeira mão, June e eu juntos. — Você quer que eu diga que não podemos ir? — Sentindo suas mãos no meu peito, meu olhar se move para ela. Estava tão envolvido em meus pensamentos que nem percebi que ela fechou a distância entre nós. — Não, baby, — murmuro, passando os dedos em seus quadris. — Você tem certeza? Eu não me importo. — Tenho certeza, — digo em um aperto. Seus olhos procuram meu rosto. Sua boca abre e fecha como se quisesse dizer alguma coisa, mas pensa melhor, e então coloca seu rosto no meu peito, abraçando-me fortemente. — Será divertido, eu prometo. — Não tenho certeza disso, baby. Sua cabeça se inclina e ela morde seu lábio mais uma vez. — Não precisamos ir.

136


— Você ama sua família? — Pergunto, e seu rosto suaviza quando ela assente. — Então vamos. Não deixarei que eles fiquem entre nós. — Eu sei que ela sabe o que estou dizendo. Eu deveria ter feito tanta merda de forma diferente antes, mas desta vez, não cometerei os mesmos erros. — Podemos sair mais cedo se ficar... — ela faz uma pausa, dando-me um pequeno sorriso. — Intenso. Ignorando seu comentário, a puxo para mais perto, até que seu corpo está pressionado no meu, e respiro contra sua boca — Você pode me compensar esta noite. — Eu posso fazer isso, — ela responde, inclinando-se ainda mais perto. — O que você quer, baby? — Sorrio para ela, observando seus olhos ficarem meio fechados. — Que você me beije, — ela murmura, pressionando mais perto, se erguendo nas pontas dos pés, mas ainda não perto o suficiente para alcançar a minha boca. Deslizando meu braço em sua cintura, eu a levanto e coloco a minha boca na dela, beijando-a até que a ouço gemer, em seguida separo minha boca da dela e descanso minha testa contra a dela, respirando pelo nariz em uma tentativa de restabelecer o meu controle. — Vamos cancelar, — ela diz, e meus olhos se abrem, encontrando os dela. — Vá se arrumar, — digo com um sorriso. — Vou alimentar o Ninja. — Estou muito bem com não ir, — ela insiste, deslizando as mãos até meu peito e depois para a parte de trás do meu pescoço, colocando pressão lá. — Baby, tanto quanto eu quero te foder, e realmente quero te foder agora, eu não posso, — murmuro, apertando seus pulsos e tirando-os do meu pescoço. — Mas... — Vá se arrumar. — Eu a beijo rapidamente, e me afasto um passo antes de atirá-la sobre meu ombro e levá-la para a cama, que é o que eu realmente quero fazer, especialmente quando ela olha para mim com os olhos sonolentos, os mamilos endurecidos visíveis através de sua blusa fina, e os lábios inchados do meu beijo. — Baby, — eu rosno. Seus olhos se arregalam quando diz, — Eu vou me arrumar.

137


— Boa ideia. — Sorrio, observando sua bunda quando ela vai em direção ao quarto. *** — Aqui, — Sage diz, estendendo uma cerveja para mim enquanto se senta na cadeira ao lado da minha. Desde a nossa briga, não temos falado, a menos que tenha a ver com o trabalho. Ainda estou chateado sobre a merda que ele vomitou, ainda que eu entenda. Tomando a cerveja, murmuro, — Obrigado, — e movo os olhos para onde June está em pé com sua mãe. — Olha, — Sage começa, e meus olhos se movem de June para ele. Eu o vejo se inclinar para frente, colocando os cotovelos sobre os joelhos. — Sei que você a ama, e ainda está respirando, o que significa que todos sabem que você a ama, — diz ele, e levanto uma sobrancelha, apertando os olhos. — Estou tentando me desculpar. — Isso foi uma desculpa? — Não pedirei desculpas por me preocupar com ela. — Você me acusou de armar para ela a fim de trazê-la de volta, — eu lembro calmamente, trabalhando para manter meu temperamento sob controle. Não preciso entrar em uma briga com ele no quintal dos pais de June com a família dela presente. — Sim, isso foi fodido. Eu não quis dizer isso, mas sério, você é tão secreto com tudo, porra. — Já te deixei na mão ou o coloquei em perigo? — Pergunto, e ele balança a cabeça. — Não sou o tipo de cara que senta e vomita minha história de vida para alguém. — Nós nos conhecemos por algum tempo, homem, — diz ele, seu tom também tranquilo. — Sim, — concordo, tomando um gole da minha cerveja. — Então, você quer ter uma conversa de coração para coração, você gostaria que eu começasse? — Pergunto, levantando uma sobrancelha. — Não seja um idiota, — ele diz baixo, sentando mais perto.

138


— Conte-me sobre Kim. — Seus olhos estreitam. Ele pode pensar que eu guardo merda para mim mesmo, mas ele faz o mesmo. Kim é uma mulher que trabalha no salão de cabeleireiro ao lado do nosso escritório. Ela também é a mulher com quem ele dormiu uma vez e depois a descartou. Agora ela é a mulher que tem um homem, a mulher que cada vez que está por perto, seus olhos se movem para ela e sua mandíbula contrai. E ela é a mulher que ele quer, mas não pode ter. — É assim tão óbvio? — Pergunta, surpreendendo-me com a pergunta. — Se por óbvio você quer dizer que eu posso ver que você está chateado por deixá-la ir embora, então sim, é óbvio. — Porra, — ele murmura, passando a mão sobre a cabeça, parecendo irritado que alguém possa dizer que ele está preso a ela. — Ela voltará, homem. Você não pode ver, mas ela ainda olha para você cada vez que sai do escritório. Ignorando a minha declaração, ele se inclina para frente mais uma vez e seus olhos encontram os meus antes de falar em um tom abafado. — Você parece determinado. Desde que te conheço, você nunca pareceu determinado, por isso estou feliz de ver isso. E feliz por minha prima. Isso é tudo por causa dela. Você é isso para ela, e agora vejo que ela é para você. — Ela é, — eu concordo, olhando para June na piscina, e a cabeça dela se vira e seus olhos encontram os meus, conforme a assisto sorrir. — Estamos bem agora? — Ele pergunta, e tiro meu olhar de June, olhando para ele novamente. — Estamos bem. — Bom, agora eu preciso avisá-lo como seu amigo. Tio Asher está vindo, — diz ele, se levantando e indo embora. Jesus. — Não pensei que você viesse, — Asher disse, sentando no local que Sage acabara de desocupar. — Como eu disse quando você veio ao composto, eu não desistirei dela, e ela ama vocês, então não farei com que ela sinta que precisa escolher entre mim e sua família, — digo a ele, segurando seu olhar. Quero estar aqui, agora? Porra, não, mas

139


sei que June ficaria desapontada se não viéssemos, e a quero feliz. Então, se tenho que sentar no quintal de seus pais por algumas horas para realizar essa tarefa, eu o farei. — Quando pequena, ela estava sempre em movimento, — diz ele, encostandose à cadeira e colocando sua cerveja no braço da mesma. — Perdão? — Pergunto; confuso com a declaração dele. — June, quando pequena, estava sempre aprontando alguma coisa. Não podia ficar parada por mais de alguns minutos. Onde as outras meninas ficariam felizes em se sentar e assistir a um filme, June precisava fazer alguma coisa, experimentar algo novo. Sua mãe e eu nos preocupamos com ela. Pensamos que ela jamais se estabeleceria em um só lugar por muito tempo. Seu primeiro ano de faculdade foi da mesma maneira. Não havia passado uma semana e ela ligou para casa, dizendo que queria mudar sua grade ou ir para uma faculdade diferente. Mas, então, parou. Não sabíamos o que aconteceu ou o que a ajudou a se assentar. Só sabíamos que algo aconteceu, — diz ele, e depois, inclina-se para frente, colocando os cotovelos sobre os joelhos. — Foi você. Não percebi isso até outro dia, mas você a ajudou a se estabelecer, trouxe paz, a manteve ligada a terra. Minha avó costumava dizer, Não tome um momento por certo, só porque você acha que terá mais mil. Eu acho que você entende mais do que a maioria, — resmunga, e um profundo ardor bate no meu peito antes de percorrer meu corpo, tornando difícil respirar. — Eu a amo. — Isso é bom, visto que ela ama você, — ele resmunga, parecendo irritado, o que me faz lutar para esconder um sorriso. Fechando os olhos, ele esfrega sua testa e inclina-se para trás, me olhando. — Um dia, quando for pai, você entenderá como é doloroso ser substituído por outro homem. E com isso, ele se levanta e caminha ao redor da borda da piscina em direção a June e a mãe dela. Assim que as alcança, ele puxa June para o seu lado e beija sua têmpora. Observando a boca dela se mover, não posso dizer o que ela diz, mas seu queixo empurra em minha direção. Seus olhos me encontram e seu rosto suaviza antes de olhar para o pai dela novamente e inclinar-se para mais perto nele.

140


— E aí? Tirando meus olhos de June, eu olho para seu tio Nico e murmuro, — Nada. Como vai, cara? — Estico a minha mão, sacudindo a dele. — Bom. — Ele estala seu pescoço, se sentando. — Eu ia te ligar amanhã, mas já que estamos aqui, achei que poderia falar agora. — O que está acontecendo? — Preciso de ajuda em um caso. — Você falou com Jax? — Pergunto, e ele balança a cabeça, abaixando sua voz. — Não é possível ter muitas pessoas nisso, e ele não tem a ligação que eu preciso. — Qual? — Pergunto, tomando um gole da minha cerveja, e abaixando-a. — O Broken Eagles, — diz. Eu rosno, — Porra, não, — empurrando a cabeça para trás. Seu corpo se move mais perto do meu e sua voz abaixa. — É um dos novos recrutas. Não posso ir para Wes com isso. Ele vai surtar e estragar meu caso. — Peça a outro. — Balanço minha cabeça e afasto meus olhos dele. De jeito nenhum eu vou pelas costas dos homens que guardaram as minhas costas em cada turno. — Você sabe que não há mais ninguém para pedir, — ele responde facilmente, e solto um suspiro, porque sei que ele está certo. — Não posso arriscar que ninguém saiba sobre isso até que eu tenha um caso sólido, e a fim de construir esse caso, eu preciso manter esse cara exatamente onde está. — Você sabe que está me colocando em uma posição realmente fodida com os meus irmãos, certo? — Esclareço, e seus olhos vão para onde June e seus pais estão. — Duas das minhas sobrinhas estão envolvidas com homens ligados a esse cara. Não me sinto bem com essa merda. — Quem é? — Você está dentro ou não? — Ele pergunta, e fecho meus olhos, frustrado. — Se a merda começar a ir para o sul, eu informarei aos irmãos, e nós lidaremos com isso internamente.

141


— Vou ignorar essa afirmação, — ele murmura, então sorri um sorriso assustador. — Eu disse a Asher que minha sobrinha está segura com o seu traseiro louco. — Ele soa orgulhoso quando dá um tapinha no meu ombro. — Quem é? — Repito, e seus olhos seguram os meus. — Jordan. — Por que essa merda não me surpreende? — Murmuro. Eu não gostava do imbecil, antes mesmo dele encurralar June. Ele sempre parece distante, algo que notei desde o primeiro momento em que ele entrou em nosso círculo, algo que eu não poderia dizer. — No que ele está metido? — Ele está ligado a um clube em Nashville, os Southern Stars. Eles têm os seus dedos em quase tudo – boceta, armas, drogas. Nomeie, e eles arrumam. Pelo que encontrei até agora, ele foi enviado à cidade para procurar um clube para assumir, para que pudessem expandir seus negócios. — Jesus, — assobio, sentindo um rio de raiva correr sobre mim. Ao contrário de alguns dos outros clubes da região, os Borken Eagles estão limpos. Eles não mexem com drogas, boceta, ou armas, e enlouqueceriam se soubessem que essa merda estava tocando o clube de alguma forma. — Vamos nos encontrar depois do fim de semana e discutir os detalhes, — diz ele olhando por cima do meu ombro com um sorriso. Viro a cabeça e assisto June vir para nós. — Está tudo bem? — Ela pergunta, olhando entre seu tio e eu. Estendendo a mão, eu pego a mão dela, puxando-a para o meu colo, ignorando a tensão no seu corpo. — Está tudo bem, — asseguro-a, dando-lhe um aperto. — Estamos na casa dos meus pais, — diz ela, me repreendendo por cima do ombro. — Sim, — concordo, beijando seu ombro. — Sério, meu... — Relaxe. — Dou-lhe outro aperto e seguro seu olhar quando seus olhos se estreitam. — Você é tão mandão, — ela resmunga, relaxando em mim e me fazendo sorrir.

142


— Eu preciso ir, — Nico diz, de pé e apertando meu ombro. Ele se inclina, beija a cabeça de June, e murmura, — Fique bem, garota, — antes de sair. — O que meu pai estava dizendo? — Ela pergunta, inclinando a cabeça para olhar para mim, assim que seu tio saiu. — Nada. — Hum, — ela murmura. — E o meu tio, o que ele disse? — Nada, baby. — Então você não vai me dizer? — Ela supõe, e coloco meus dedos no queixo dela, puxando seu olhar para o meu. — Não há nada para contar. E tudo está bem. Seus olhos procuram meu rosto antes de balançar a cabeça uma vez e depois se inclina para mais perto de mim. Poucos minutos depois, July e Wes vêm, sentando no local que Nico desocupou, e não muito tempo depois, nós podemos encerrar a noite e ir para casa. *** — Ev, — choraminga June, empurrando sua boceta em minha boca enquanto deslizo minhas mãos em suas coxas, segurando suas pernas abertas. — Goze para mim, bonita, — rosno, deslizando o polegar dentro dela. Suas costas arqueiam para fora da cama e os calcanhares de seus pés pressionam nas minhas costas quando ela goza. O vestido branco que usara para ir à casa de seus pais havia me atormentado desde o momento em que ela saiu do quarto vestindo-o. No caminho para a casa, ela não ajudou também, conforme sua mão vagava continuamente sobre a protuberância em meu jeans. Assim que parei na casa, contornei a caminhonete, joguei-a por cima do ombro, ouvi-a rir, e a levei para dentro da casa. Direto para o quarto. Joguei-a na cama, caí de joelhos, e empurrei meu rosto entre suas pernas; e para devolver a provocação, não a deixei gozar. Até agora. Antes dela, eu poderia tomar ou deixar de comer buceta. Eu não apreciava; era apenas algo que fazia para fazer a minha parceira ir embora. Mas eu poderia

143


passar horas nela – a forma como seu corpo se contorce, os sons que ela faz, seu gosto, tudo sobre isso é um tesão. Dando-lhe uma última lambida, eu limpo meu queixo em sua parte interna da coxa e fico de pé, tirando a minha camisa e deixando-a cair no chão. Tiro minhas botas e jeans, junto com meus boxers. Arrasto o vestido dela pela cabeça e me posiciono entre suas coxas, mantendo meu olhar fixo no dela. Suas longas pernas envolvem minha cintura enquanto minha mão desliza sobre o seu seio esquerdo e minha boca cai para cobrir o direito. Segurando seu seio com a mão, faço uma pausa, percebendo que ela não tem mamilo. — Que porra é essa? — Franzo a testa, afastando meu rosto do seu peito, olhando para um adesivo estranho cor de pele cobrindo a ponta. — Ah, esqueci completamente disso, — ela choraminga, inclinando o rosto para olhar para mim, seus olhos escuros de desejo, os lábios inchados, e suas bochechas coradas, revelando quão excitada está. — Basta retirá-los, — ela sussurra, pressionando seus quadris no meu. — Mas o que diabos são? — Repito, pegando a borda do adesivo e puxando-o como um Band-Aid. Lamento, porém, quando ela grita, cobrindo o peito com a mão. — O outro agora, — diz ela, e olho para cima, vendo-a rir. Puxando o outro lentamente, eu tiro os dois adesivos e tento desgrudá-los dos meus dedos, mas é preciso algumas tentativas para que voem para fora, e por esse tempo, seu corpo está tremendo incontrolavelmente sob o meu. — Oh, Deus. — Ela ri. — Você não deveria sequer ver isso. — Um pouco tarde para isso, — a informo, segurando seu peito. Sua risada para imediatamente e suas costas arqueiam, pressionando o peito na minha mão. Movendo minha boca sobre o outro, eu lambo seu mamilo, me afasto e sopro, vendoo franzir. — Sem mais provocações, — ela geme, correndo os dedos pelo meu cabelo. — Sem mais provocações, baby, — concordo, puxando seu mamilo em minha boca enquanto aperto o outro. Seu silvo de respiração tem meu pau já duro transformando em pedra. Lambendo seu pescoço, eu coloco meu braço em volta da cintura dela e uso o meu outro braço para lançar sua perna atrás das minhas costas,

144


enquanto deslizo em seu calor quente, apertado, molhado. Não há nada melhor do que ela. Rangendo os dentes, luto contra a vontade de gozar imediatamente, como faço toda vez que entro nela. — Jesus Cristo, — eu solto com os dentes cerrados, enquanto suas paredes apertam. — Abra a boca. — Os olhos dela se abrem e meus dedos traçam seus lábios antes de mergulhar o polegar na boca dela. Seus lábios se fecham em torno dele, ela pressiona os dentes, e sua língua se movimenta na ponta, fazendo minhas bolas se apertarem. — Solte. — Seus lábios se abrem e coloco o polegar contra o clitóris e circulo lentamente. — Pensei que você disse sem mais provocações, — ela arfa, envolvendo suas pernas em volta da minha cintura, circulando seus quadris em sincronia com o polegar. Ignorando seu comentário, eu vago minha mão livre até sua barriga, mantendo meus olhos fixos em nossa conexão e na umidade revestindo meu pau cada vez que deslizo para fora. Porra, mas cada parte dela é realmente bonita pra caralho. Segurando seu peito, eu puxo o mamilo, e suas paredes apertadas me apertam ainda mais. — Ev... eu... — suas mãos se movem para o meu peito, no meu abdômen, e então seus dedos estendem para meu pau deslizando dentro dela. — Você se sente tão bom, — ela respira, e meus olhos levantam para encontrar os dela. — Deixe ir, linda, — gentilmente exorto, e seus dentes mordem o lábio inferior conforme suas pernas apertam junto com sua boceta. Caindo para frente, eu empurro meus quadris contra ela antes de perder-me profundamente dentro dela. Rolando para o lado para evitar o meu peso em cima dela, eu a levo comigo e ouço sua respiração enquanto derivo minha mão pelas suas costas. — Preciso deixar Ninja sair, — ela diz, soando meio adormecida, e sorrio para o teto. — Vou levá-lo em um minuto. — Também preciso me limpar, — ela murmura, pressionando o rosto no meu peito. — Também cuidarei disso em um minuto, — respondo, beijando o topo de sua cabeça.

145


— Também preciso ligar o alarme, — ela sussurra, agora soando como se falasse dormindo. — Eu cuidarei disso, baby. — Eu te amo, — ela murmura, e seu corpo fica mole contra o meu. Meu braço aperta em torno dela, instintivamente, quando meus pulmões comprimem com o peso dessas três palavras. — Também te amo, linda, — murmuro, embora eu saiba que ela não pode me ouvir em seu sono.

146


Capítulo 11 June

— Eu te amo, — eu digo, olhando para mim mesmo no espelho. — Eu te amo, — repito, observando minhas sobrancelhas se juntarem. Posso obviamente dizer as palavras em voz alta, embora cada vez que tentei dizê-las para Evan, elas ficaram obstruídos na minha garganta. — O que diabos está errado com você? — Não ganho nenhuma resposta do meu reflexo. Soltando um suspiro de frustração, eu tiro os rolos do meu cabelo e os atiro descuidadamente na pia. Na última semana, Evan vem dizendo eu te amo mais e mais, e cada vez que ele diz isso, eu peço as palavras para saírem, mas elas nunca, nunca saem. Assim como há poucos minutos ele veio atrás de mim para dizer que estava saindo e beijou meu ombro, sussurrando, — Eu te amo, — contra a minha pele. Eu queria dizer a ele, eu também te amo, mas não consegui. Então, ao invés disso, eu fiquei ali como uma idiota, olhando para ele, enquanto ele sorria para mim no espelho. — Você sabe que ele não está indo embora, então, obviamente, este é o seu problema agora e não mais dele, — me repreendo, puxando a minha toalha, jogandoa em cima da pia, e pegando um novo conjunto de adesivos de mamilos, sorrindo com a memória de Evan os encontrando da última vez que usei, enquanto os colocava. Uma vez que estão presos no lugar, eu vou ao meu closet e pego meu minivestido preto no cabide perto da porta. Deslizando-o, me viro para olhar para mim mesma no espelho.

147


O vestido é o que comprei meses atrás para noites como essas – jantar e bebidas com as meninas. A parte superior do vestido é de renda preta com um profundo V e um profundo V correspondente na parte de trás. Ele tem uma camada diáfana preta sobre um fundo preto, atingindo o meio da coxa. Se eu tivesse peitos, não seria capaz de usar este vestido, porque não há como possivelmente esconder um sutiã nele, mas ao contrário, normalmente, sou grata por meu peito pequeno. — Com quem você falava? Rangendo, eu me viro e coloco minha mão no peito, olhando para a minha irmã, December, de pé na porta do closet, usando um vestido preto também. O dela é tão apertado que mostra cada uma de suas curvas. — Não se esgueire sobre mim, — estalo. Esqueci completamente que não estava sozinha na casa. — Não me esgueirei em você. Eu entrei, — diz ela, colocando as mãos nos quadris e me estudando. — Então, com quem falava? Sua casa é assombrada? Você tem um fantasma e está tentando convencê-lo do seu amor? — Cale a boca, — rosno, agarrando o meu salto de tiras de camurça preta da prateleira e passando por ela. — O que está acontecendo? — April pergunta, e eu gemo. — Nada está acontecendo, — digo a ela, perguntando-me se o vestido que ela vestiu deve ser usado em público. O vestido preto sem alças, não deixa nada para a imaginação, e é tão curto que eu sei que se ela se inclinar todo mundo terá um show. — Uh... bem. — Ela franze a testa, movendo o olhar de mim a December, que dá de ombros. — Pensei que nós tínhamos uma reserva? — Eu lembro-as, quando elas olham entre si. — Nós temos, — diz July, entrando na sala, usando um vestido semelhante ao meu, menos o profundo V. — E Wes acabou de chegar e está esperando lá fora. Vocês estão prontas? — Ela olha entre nós três. — Sim, totalmente pronta, — minto. Eu realmente não quero sair esta noite, mas minhas irmãs e primas estão na cidade e nós planejamos esta noite por meses,

148


o que significa que é noite das mulheres – quer eu queira ou não. — Onde está May? — Pergunto, deslizando em meus saltos. — Esperando na sala de estar, — December diz, me observando de perto. Ignorando-a, eu vou ao closet, pego o meu perfume e pulverizo-o atrás das orelhas. — Aonde Evan ia? — Questiona April, e meus olhos se movem para os dela no espelho enquanto coloco meus brincos. — Ele ficará com Harlen e os caras esta noite. Acho que iam para o composto, — eu digo, então olho para July. — Wes ficará com eles? — Sim, ele se encontrará com eles depois que nos deixar. — Ela sorri. — Legal, assim temos a rédea livre. — Sorri April, e conheço esse sorriso. Sei também que significa que todas nós estaremos em apuros antes que a noite acabe se não formos cuidadosas. — Eu não vou ficar bêbada, — murmuro para ela, e suas sobrancelhas se levantam. — Sim, você vai. — Não, eu não vou. — Eu balanço minha cabeça, e ela planta as mãos nos quadris e estreita os olhos ainda mais. — Sim, você vai. — Realmente precisamos discutir sobre ficar bêbada? — December pergunta, exasperada, se jogando na minha cama e resmungando para o teto sobre quão chata nós somos. — Nós discutimos sobre tudo, — aponta July, uma honesta verdade de Deus. É como uma regra tácita no manual de irmã. Tu deves discutir sobre cada coisa na presença de suas irmãs. — As meninas nos encontrarão no restaurante? — Pergunto, mudando de assunto antes que todas nós comecemos a discutir sobre discutir, que é algo que faríamos. — Sim, elas já estão lá nos esperando — confirma July, referindo-se a noiva de Jax, Ellie, e as nossas primas Ashlyn, Hannah, Willow e Harmony, deixando de fora Nalia, visto que ela está no Colorado com a mãe dela e provavelmente não estará em casa até o Natal.

149


— Ok, então vamos lá, — suspiro assim que termino de colocar meus brincos. — Pelo menos finja estar animada, — ouço um murmuro atrás de mim, mas ignoro e saio do quarto para a sala, onde encontro May usando um vestido preto longo que se prende em seus ombros, aninhada no sofá com Ninja. — Preciso de um homem na minha vida, — ela murmura quando nos vê. — Talvez se você não rejeitar cada indivíduo quando eles dão em cima de você, você teria um homem, — diz April pegando sua bolsa no sofá. — E talvez se você não dormisse com cada cara que conhece, você não seria uma puta, — May responde e April olha feio. April e May vivem juntas e sempre foram mais como melhores amigas do que irmãs, então eu não estou mais surpresa com suas provocações. — Podemos apenas nos dar bem por essa a noite? — Fundamenta December, olhando para cada uma de nós com o mesmo olhar penetrante que a nossa mãe costumava dar quando éramos pequenas e nos comportávamos mal. — Isto é nós nos dando bem, — diz July, e ela não está errada. Nós não nos dando bem consiste em rolar no chão, puxando o cabelo – algo que nós ainda fazemos de vez em quando. — Vamos embora, — murmuro, colocando minha fina bolsa preta debaixo do braço conforme vou para a porta, ouvindo as meninas seguindo atrás de mim. — Jesus, — Wes rosna da calçada onde ele espera perto do seu SUV. Se eu não achasse que ele ficaria chateado, eu riria ao ver a expressão no rosto dele. — Baby, onde diabos está o resto do seu vestido? — Ele pergunta, e July ri, em seguida, gira em um círculo. — Isso é todo o meu vestido. — Ela sorri, e as narinas dele se abrem e os punhos apertam. — Talvez eu deva ir com vocês. — Você não virá com a gente, — April diz, abrindo a porta. — É noite das meninas, não menina-e-chato-marido-quente, — ela termina, antes de se arrastar para o banco traseiro. — Desculpe, querido, você não está convidado. — July sorri, colocando as mãos contra o peito de Wes e se erguendo para beijá-lo.

150


— Você estará em tantos problemas quando chegar em casa, — ele resmunga, e eu rio, depois paro quando seus olhos se viram para mim. — Suponho que Evan não viu você com esse vestido. — Evan não se importará, — murmuro, e ele levanta uma sobrancelha, fazendo-me me perguntar se eu deveria ter usado um vestido diferente. — Ele não vai, — repito, mesmo não tendo certeza se isso é verdade quando passo por ele para alcançar a porta de trás, ignorando sua risada quando me junto a December no banco de trás, seguida por May. — Você disse a elas as regras? — Ele pergunta à July, deslizando atrás do volante. — As regras são que não há regras, — diz April, e a cabeça de Wes se volta para olhar feio para ela por cima do ombro. — Com certeza há regras, porra. — Não sei como July aguenta você, — resmunga April, olhando para ele. — Apenas vamos. Vou me certificar de que nós não entremos em qualquer problema, — diz December, e os olhos de Wes se movem para ela. — As regras, — ele começa ignorando o huff de April quando sai da minha garagem. — Vocês não aceitam bebidas de ninguém. Vocês não deixam suas bebidas sem vigilância, e vocês ficam juntas como cola. — Regras dois e três são aceitáveis, mas a regra número um está vetada, — April entra na conversa, e começo a rir, mas mordo o lábio quando os olhos de Wes encontram os meus no espelho e se estreitam. — Vocês seguem as regras, ou as seguirei e ficarei de babá. Você escolhe. — Que seja, — April resmunga baixinho, mas inteligentemente não diz mais nada. O resto da viagem foi em silêncio, e quando chegamos ao restaurante, todas nós empilhamos na calçada enquanto esperamos por July, que está falando com Wes, fazendo um monte de rolamento de olhos e movimentos com as mãos com tudo o que ele está dizendo a ela. — Ele é tão mandão. Como diabos ela lida com isso? — April pergunta quando vemos Wes envolver sua mão ao redor da parte de trás do pescoço de July e puxá-la para frente, até que a boca dele está a uma polegada da dela.

151


— Você sabe que quando encontrar um cara, ele provavelmente será um milhão de vezes pior? — May pergunta, e ela provavelmente está certa. Precisará de um tipo diferente de homem para domar April. — Eu acho que é doce, — sussurra December, batendo meu ombro com os dela. — Você iria. — April revira os olhos para mim, então se aproxima e bate na janela do lado do motorista, gritando, — Solte-a. É hora de ir. Surpreendentemente, Wes permite que July saia, em seguida, desce o vidro, olhando para cada uma de nós e exige, — Sejam boazinhas e lembrem-se das regras. — Nós ficaremos bem. July sorri, e Wes sorri de volta, murmurando, — Seja boa, baby, — antes de ir embora. — Finalmente, Deus! Pensei que ele nunca iria embora, — April diz baixinho, enfiando o braço no de July e levando-a para dentro do restaurante, seguida pelo resto de nós. — Como estão as coisas com você e Evan? — December pergunta assim que estamos sentadas. — Estão boas. — Graças a Deus ele não é louco como o homem dessa, — murmura April, empurrando seu polegar em July. — Obviamente, você não conheceu Evan. — July sorri e dou de ombros. Eu amo ele ser protetor e possessivo, e não me importo com o que isso diz sobre mim como uma mulher. — Ele não inspeciona sua roupa, então obviamente ele não é possessivo e psico como Wes. — O meu vestido é tão ruim assim? — Pergunto, e todos os olhos de mesa se viram para olhar para mim, cada olhar dizendo a mesma coisa: Você está realmente fazendo essa pergunta? — Ok, — resmungo, olhando o meu vestido. Sei que é um pouco sedutor, mas eu realmente não acho que seja provocante.

152


— Apenas dizendo que se Evan vir você com esse vestido, você estará em uma boa noite. — July sorri, e meus olhos caem em Ellie, a noiva de Jax, e a vejo alisar seu vestido muito colado, corando quando seus olhos se encontram com os meus. — Agora nos diga por que você falava com você mesma, — diz December, e olho para ela. — Eu não falava comigo mesma. — O que quer dizer com falava sozinha? — May pergunta, e solto um suspiro de frustração. Posso muito bem acabar com isso. — Não consigo dizer eu te amo para Evan. Toda vez que tento dizer que o amo, as palavras não saem. — Por que não? — Harmony pergunta, e meus olhos vão até ela. — Não sei. Toda vez que tento dizer, eu não consigo. As palavras literalmente não saem da minha boca. — Você provavelmente está guardando um pouco de raiva, — July diz, e balanço minha cabeça. — Não estou. Eu o perdoei, o perdoei completamente, — digo, olhando em volta em busca do garçom. Preciso de vinho, muito e muito vinho. — Talvez você devesse apenas escrever e dizer dessa maneira, — April entra na conversa. — Não dê ouvidos a ela, — May faz cara feia, olhando para April como se ela fosse louca. — Não diga a ela para não me ouvir, — April responde, olhando para ela. — Isso vai acontecer quando você estiver pronta para ele saber, — diz July, inclinando-se para o meu lado. Eu aceno, embora eu saiba que agora é a hora. Está me matando ele não saber como me sinto, e não quero que ele pense que não o amo. Talvez eu devesse apenas escrever em um pedaço de papel e dar para ele. — Chega de conversa sobre caras. Vamos beber, — exige Ashlyn, e April inclina-se sobre a mesa, dando-lhe um High Five. — Sim! Sem mais conversa sobre caras, — ela concorda.

153


Como se na sugestão, um jovem rapaz caminha para a nossa mesa. — Sou Cori. Eu serei o garçom de vocês esta noite. O que posso ter para as senhoritas beber? — Ele diz, ficando na extremidade da nossa mesa. — Tequila, — pede Ashlyn, e olho para ela quando ela dá de ombros, e murmura, — Se você soubesse como meu dia foi, você entenderia. — Dillon de novo? — July pergunta, e Ellie ri quando Ashlyn olha para ela e olha feio, e depois olha para July e rosna. — Nós não diremos mais o nome dele. Desse dia em diante, ele não existe. — Quem é Dillon? — Willow pergunta, e July se abana, sussurrando, — Dillon é um pedaço de gosto... — Dillon é um idiota e não existe fora do escritório, onde eu, infelizmente, tenho que ser submetida a sua imbecilidade, — Ashlyn diz, cortando July, e faço uma nota mental para perguntar a July sobre Dillon, ou ir ao escritório de Ashlyn para que eu possa dar uma olhada no Dillon. Obviamente, há mais nessa história do que Ashlyn está nos deixando saber. — Humm... assim todas estão bebendo tequila? — Nosso garçom pergunta, interrompendo a conversa, e todas riem. April exclama, — Tequila para todas! Inclinando a cabeça para trás, eu olho para o teto, sabendo exatamente como esta noite vai acabar. Só espero que eu não me arrependa de manhã. *** — Filho da puta. — Virando a cabeça ao som da voz profunda e retumbante de Evan, uma voz que eu reconheceria em qualquer lugar, sorrio, ouvindo quando risos saem em torno de mim. — Ei, querido, — suspiro, enquanto balanço na direção dele no meu banco. — Você está bêbada? — Ele pergunta, deixando cair os olhos da minha boca ao topo do meu vestido, e noto que eles escurecem quando o faz.

154


— Sim. — Sorrio, e pressiono meus lábios, inclinando-me ainda mais, sussurro em voz alta, — Só comprei uma bebida. — Ergo um dedo, e aponto para os copos na minha frente. — Todos estes foram grátis. — Sorrio. — Não é incrível? — Grátis? — Suas sobrancelhas se juntam e ele cruza os braços sobre o peito ao olhar na minha frente, onde há pelo menos dez copos de dose, com quatro deles agora vazios. — Grátis, — concordo, olhando em volta da mesa para minhas meninas, quando noto que todas estão silenciosas. Também noto que a mesa está cercada por homens, homens que incluem um puto Wes e Jax. — Hum... todas nós ganhamos bebidas, — digo baixinho, querendo tirar a atenção de mim, quando parece que eu disse a coisa errada. — A Noite das meninas acabou, — corta Jax. Olho para ele e choramingo, levantando as mãos no ar, — Não pode terminar! Começamos a nos divertir. — E nós fizemos. O início da noite meio que foi um saco, porque Dillon, o Idiota, que também acontece de ser Dillon, quente e lindo – o tipo lance-sua-calcinha-nele lindo apareceu no restaurante em que estávamos. Isso não teria sido tão ruim, exceto que quando viu Ashlyn, ele veio direto para a nossa mesa para dizer oi, o que em quaisquer outras circunstâncias teria sido bom. Mas sua noiva estava com ele, e ela não é apenas uma cadela, mas uma gritante cadela. Ela deu uma olhada na nossa mesa e fez uma cara como se estivesse olhando um grupo de zumbis que comeram o último humano deixado no planeta Terra, em seguida, fez um comentário malicioso sobre Ashlyn. A única coisa boa foi testemunhar Dillon dizer a ela para calar a boca. Embora não usasse exatamente essas palavras. — Homens compraram bebidas para vocês, meninas? — Wes pergunta, cortando meus pensamentos, e meus olhos se concentram em July, que morde o lábio e olha em volta nos pedindo ajuda, enquanto April sorri e Ashlyn ri. — Eles estavam sendo legais, e como você pode ver, estamos aqui sozinhas, então, tecnicamente, ainda estamos seguindo suas regras, — April cantarola sem ajudar. Olho para Evan e pergunto calmamente quando noto que ele não se aproximou mais ou me tocou, — Você não está chateado, né?

155


— Chateado, não. Irritado, sim, — diz ele em um tom que eu nunca o ouvi falar antes, um tom que provoca arrepios em minha pele. — Por quê? — Franzo a testa. — Você quer uma lista? — Ele pergunta; penso nisso por um segundo, e aceno com a cabeça, como a bêbada que estou. — Entrar em um bar e ver os homens olhando para você com esse vestido é o suficiente para me deixar louco. Esses mesmos homens comprando suas bebidas é um grande porra de não. — Gosto do meu vestido, — o informo bêbada, ignorando o resto do que ele disse. — Isso é bom, baby, e estou feliz que você conseguiu usá-lo uma vez antes que eu rasgue essa merda em pedaços e o jogue no lixo. — Você não rasgará meu vestido em pedaços, — suspiro, colocando as mãos sobre a renda cobrindo meu peito. — Este vestido me custou quase uma centena de dólares, e isso foi depois do preço ser remarcado duas vezes, — o informo, sustentando dois dedos, e assisto seus olhos queimarem ainda mais quando ele dá um passo em minha direção, me prendendo contra a mesa com uma mão na parte de trás do meu pescoço a outra no meu joelho. — Este vestido, — ele murmura alto o suficiente para apenas eu ouvir, enquanto desliza a mão pela minha coxa sob a bainha, — é sexy. Você não usa um vestido como este, a menos que esteja com o seu homem. — Oh, — sussurro. Distraidamente ouço alguém dizer, — Eu te disse, — atrás de mim. — Oh, — ele responde, olhando o decote do meu vestido. O olhar em seus olhos transmite que ele está ou muito, muito chateado ou muito, muito excitado, e espero, pelo meu bem, que seja o último. — Eu não quero ir! — Ellie chora, e tiro meus olhos de Evan e olho através da mesa, onde Ellie está sentada com as mãos na borda da mesa, segurando-se como se fosse um salva-vidas. — Não tenho nenhum problema em levar a mesa conosco quando sairmos, Ellie, mas de uma forma ou de outra, você irá para casa comigo, agora, — Jax rosna.

156


— Você não pode levar a mesa. Não ééé sua para levar, — ela arrasta, olhando para ele. — Oh, Senhor, — murmura December, pegando um dos copos de dose da mesa, atirando o licor cremoso para trás, e depois pega outro, fazendo o mesmo, antes de murmurar, — Eu vou limpar a mesa, — o que me faz romper em um ataque de risos. — Eu ajudarei. — Eu rio mais alto, pegando uma das doses, apenas para têla arrancada do meu alcance. — Ei! Eu ia beber isso, — reclamo. — Você terminou, — Evan diz, colocando o copo na mesa com um baque. — Você não é o meu chefe. — Baby, se você acha isso, então, você obviamente não está no seu normal. — Não, eu não. Sou dona de mim mesma. Eu faço minhas próprias escolhas. — Não, você é minha mulher. Minha, e como eu disse, você terminou. — Ele me puxa do banco e em seu peito quente. — Você não pode simplesmente agir como um homem das cavernas, Evan, — grito de volta, olhando seu rosto bonito. — Homem das cavernas? — Ele sorri um sorriso malicioso que tem minhas partes femininas formigando, e então, antes que eu saiba o que está acontecendo, estou por cima do seu ombro com a mão dele na parte de trás das minhas coxas, impedindo felizmente meu vestido de mostrar a todos minha calcinha. Ele me leva, gritando, — Coloque-me no chão agora! — Para fora do bar e na rua, até a caminhonete dele. — Não posso acreditar em você, — digo, cruzando os braços sobre o peito e olhando para o parabrisa The Beast. Ninguém veio em meu auxílio quando Evan me carregou para fora do bar e ao longo da rua gritando. Ninguém sequer parecia se importar que um homem carregasse uma mulher por cima do ombro, gritando na noite, enquanto andava casualmente pela calçada. — Que tipo de mundo em que vivemos que você pode apenas me levar – uma mulher que não quer isso – ao redor, sem alguém para pará-lo e perguntar se está tudo bem? — Baby, — ele murmura. Ouço o sorriso em sua voz e viro para olhar para ele para ver se estou certa, que ele acha isso é engraçado. — Isso não é engraçado! — Eu gemo ao ver o sorriso

157


dele. — Falo sério! Por que não há carros de polícia nos seguindo agora? Por tudo o que qualquer dessas pessoas sabem, você pode ser uma pessoa louca! Você poderia estar me levando para sua casa nas colinas, onde pretende me esconder em um quarto secreto construído em seu porão. — Você precisa parar de assistir tanta TV, — ele ri. — Você poderia pensar isso, já que foi você quem me sequestrou, — murmuro sob a minha respiração. — Não tenho certeza se os policiais vão pensar que levar a mulher com quem eu vivo para a casa em que moramos juntos seja sequestro. — Tomayto, tomahto. — Como pode, em um segundo, estou seriamente chateado com você, e no próximo, tudo o que posso pensar é como você fica realmente muito adorável quando está bêbada? — Em primeiro lugar, você não tem uma razão para estar chateado comigo. Não fiz nada de errado. E segundo, eu sou realmente adorável, de modo que não é surpreendente. — Encaixo. — Tenho uma razão para estar chateado, baby. — Não, você não tem. — Eu tenho. Você não é um homem, então você nunca entenderá, mas eu tenho um pau. Eu sei o que todo homem naquele bar pensava, e também sei que não era nada inocente. — Que seja, — suspiro, recusando a admitir que ele esteja certo, embora ele provavelmente esteja. — Você ainda escutará quando chegarmos em casa, por isso não ache que você se safou, — diz ele, e meu núcleo aperta com seu tom. — O que significa isso? — Pergunto, quando alcançamos o nosso quarteirão. — Você verá, — diz ele, parando na entrada da garagem e estacionando a caminhonete. Seu corpo se vira para mim e sua mão descansa casualmente sobre o volante enquanto seus olhos me digitalizam. — Você está linda. — Hum... — lambo os lábios, me perguntando onde ele vai com isso.

158


— A primeira vez que te vi, eu sabia que havia algo em você que eu tinha que ter, e cada momento que passei com você me deu um gosto de algo e eu quero mais. Nunca me canso de você. Oh, Deus. Mais uma vez, essas três palavras difíceis estão obstruídas na minha garganta. Quero dizer isso para ele. Quero que ele saiba que sinto o mesmo, que meus sentimentos por ele nunca mudaram. — Eu quero você também, — digo; me sentindo uma idiota, porque essas palavras não chegam nem perto de como eu me sinto. — Não, baby. — Seus dedos desprendem o cinto de segurança e ele me arrasta para o assento dele. — Você é minha. Falo sério, na mais fodida maneira primitiva possível. Se fosse legal possuir você, eu iria. — Oh, — suspiro, enquanto ele envolve suas mãos na parte de trás das minhas coxas e me puxa contra a protuberância em suas calças. — Agora você entende o que quero dizer quando digo que é minha? — Ele pergunta, movendo a mão nas minhas costas e no cabelo na minha nuca. — Eu... eu acho que sim. — Você precisa casar comigo novamente. Talvez então eu não me sinta tão louco como estou agora, — ele sussurra, me estudando. — Então, novamente, não tenho certeza se há algo que possa mudar a forma como eu me sinto. — Evan, — sussurro, procurando seus olhos, vendo quão intenso eles estão. Eu quero isso de novo. Quero ser sua. Não há nada que eu queira mais. — Eu te amo, baby. — Eu... — sua boca cobrindo a minha corta o que eu ia dizer, e me perco em seu beijo, tão perdida que nem sequer percebo que saímos da caminhonete e estamos em casa até que sinto minhas costas baterem na parede e ouço a porta da frente se fechar. — Eu lhe darei uma vantagem, — diz ele, afastando sua boca da minha. — Se você conseguir tirar esse vestido antes de chegarmos ao quarto, você pode ficar com ele. Se não for possível, então ele será usado para amarrá-la na cama.

159


Suspiro com seu ultimato. — Eu amo este vestido, — declaro, conforme sua boca viaja no meu pescoço e entre os meus seios; ele move as rendas do vestido para o lado e suas grandes mãos seguram meus seios em cada uma das suas palmas. — Odeio essas coisas. Eles estão constantemente no caminho do que eu quero, — ele rosna, puxando os adesivos de meus mamilos. — Oh, Deus, — eu gemo, deixando minha cabeça cair para trás e minhas mãos deslizam pelo cabelo dele. Seus dedos trabalham em meus mamilos, puxando e apertando enquanto sua boca desliza entre os meus seios, me atormentando. — Evan. — Vá, — diz ele, dando um passo atrás de repente, me deixando ofegante contra a parede. — O quê? — Pisco para ele, tentando entender o que aconteceu, por que ele parou de me tocar. — Cinco, — ele conta, deslizando os olhos sobre o meu rosto, e peito. — O... o quê? — Quatro. — Sua mandíbula aperta quando ele rosna, — Três. — Oh, merda. — Eu me afasto da parede e tropeço, ainda meio bêbada, até o corredor, ouvindo a contagem regressiva atrás de mim enquanto corro para o quarto, tentando tirar o vestido enquanto corro. Percebendo que não foi assim que o vesti, eu puxo uma mão de uma manga e depois a outra. — Um, — ouço quando uma mão vai para as minhas costas e estou inclinada sobre o colchão, o meu vestido agora em torno da minha cintura. Em seguida, a parte inferior do vestido está para cima e o ar frio do quarto encontra a pele nua da minha bunda. — Evan. — Ele sequer cobre minha buceta, June, — ele murmura, correndo um dedo ao longo da borda da minha calcinha de renda, no meu quadril, entre minhas nádegas e na minha buceta. — Você tem uma bela bunda. — Sua mão se move sobre um dos lados suavemente, e minhas mãos apertam o edredom entre meus dedos quando me levanto na ponta dos pés, inclinando meu traseiro em direção a ele, pedindo-lhe silenciosamente para fazer o que quiser comigo.

160


— Me dê as suas mãos, — ele ordena, e meu pulso acelera quando solto o edredom e coloco minhas mãos atrás das costas. — Você está sendo muito boa agora. Oh, Deus, seu tom está fazendo coisas malucas no meu interior, fazendo-me sentir como se cada polegada de mim foi, de alguma forma, acesa no fogo, e apenas o seu toque pode apagá-lo. Sentindo o suave tecido envolver um pulso, depois o outro, eu começo a arfar. — Este vestido é realmente muito bom, — ele afirma, quando meus pulsos são amarrados firmemente juntos, fazendo meu peito arquear para frente e minha bochecha pressionar mais profundamente a cama. — Agora tenho você como eu quero você, — ele murmura, como se falasse para si mesmo, e minha calcinha é arrastada entre as bochechas de minha bunda, fazendo com que o material esfregue rudemente contra o meu clitóris, e me fazendo ofegar. — Fique apenas assim. Respirando profundamente, mantenho a minha posição, ouvindo atentamente ele se movimentar. O som de tecido caindo no chão, seguido por um baque surdo, em seguida, outro, o que sei que são as botas, cliques de metal e mais tecido caindo no chão; uma gaveta abre e fecha e sinto o calor atrás de mim. As mãos sobre meus quadris deslizam pela minha cintura e sobre a renda cobrindo minha buceta. — Você está molhada para mim. Ser amarrada e à minha mercê a excita? — Ele pergunta se aproximando, e aceno com a cabeça, respirando pesadamente e empurrando meus quadris para frente, necessitando seu toque. — Diga-me o que você quer, June. — Você! Eu quero você, — Fundamento, ficando desesperada. — Você me tem. — Não! — Grito, quando suas mãos voltam para os meus quadris, segurandome mais uma vez. — Diga-me. — Quero que você me toque, — choramingo, sentindo sua dureza tão perto de onde preciso dela. — Estou tocando você. — Suas mãos se movem sobre a minha bunda, na parte de trás das minhas coxas, entre as minhas pernas, mas ainda não perto o suficiente de onde eu preciso que ele esteja.

161


— Evan, por favor, — imploro, sentindo seus dedos moverem para o lado o pequeno material cobrindo meu núcleo encharcado, e meus braços se esticam contra o material do meu vestido enquanto tento ganhar mais do seu toque. Minhas pernas se abrem mais e inclino minha bunda para cima. — Linda, tudo que você tem a fazer é me dizer o que você quer, e darei a você. — Quero que você me foda! — Praticamente grito no topo dos meus pulmões. — Por favor, me foda. — Sinto lágrimas de frustração formigar atrás dos meus olhos, mas, então, ele está lá. Em mim. Entrando tão forte e tão profundo que a minha respiração para e arqueio a cabeça para trás em êxtase com o estiramento e sensação de plenitude. — Maldição. — Seus dedos seguram fortemente meus quadris. Tão apertado que eu sei que ficarei machucada com o seu toque. Tão apertado que não posso me mover, não posso fazer nada. Estou completamente à mercê dele. Então, ele agarra minhas mãos enquanto me fode com força e rapidez, provocando um orgasmo que nem sequer teve a chance de construir, e faz meus joelhos se dobrarem e meus dentes afundarem no meu lábio inferior com tanta força que provo cobre. Finalmente encontro minha respiração novamente, apenas para tê-la tirada quando meus braços são liberados e a sensação de alfinetes e agulhas dispara pelas minhas pernas enquanto meu corpo é levantado e colocado sobre a cama. Minhas pernas são abertas, com suas mãos nos meus tornozelos me mantendo aberta, em seguida, sua boca está em mim. Seus dentes e língua me devorando como se ele estivesse faminto pelo meu gosto, como se precisasse da minha essência para sobreviver. — Oh, Deus, não pare. Estou tão perto, — sussurro, apertando os olhos fechados quando meu núcleo aperta. — Me dê isto. Balance essa buceta. Goze na minha língua. — Suas palavras me enviam sobre a borda e dou o que ele quer, não sendo capaz de me parar, mesmo se eu quisesse. — Evan, — grito seu nome quando o meu corpo fica mole e meus olhos se fecham, só para abrirem momentos mais tarde, quando o som de material rasgando alcança meus ouvidos. — Você rasgou meu vestido.

162


— Eu disse que ia. Agora fique de joelhos e abra a boca. Quero essa boca bonita ao redor do meu pau. — Energia de outro lugar se desloca por mim quando a imagem de mim chupando-o filtra através do meu cérebro. Eu viro e me ergo sobre minhas mãos e joelhos, e me movendo para onde ele está ajoelhado sobre a cama com a mão ao redor do seu comprimento, acariciando-se. Meu núcleo aperta novamente e sei que o quero dentro de mim. Mas a necessidade de prová-lo na minha língua é quase irresistível enquanto rastejo em direção a ele. — Cristo, você parece a porra de um sonho molhado. Mudança de planos. Ajoelhe e segure seus peitos. O olhar em seus olhos é um que eu nunca vi antes. Um que me faz querer agradá-lo. Então faço o que ele pede e me ajoelho, deslizando as mãos pelas minhas coxas, ao longo da minha cintura, e depois seguro ambos os seios, deixando minha cabeça cair para trás e meu olhos se fecharem. — Abra mais suas pernas, baby. Deixe-me ver a sua boceta. Deixe-me ver o que pertence a mim. Abrindo ainda mais as minhas pernas, inclino minha cabeça em direção a ele e tento abrir os olhos, querendo ver o olhar no seu rosto, querendo ver o quanto eu estou lhe agradando. Então, um zumbido suave enche o quarto e sua mão se move em direção a mim. Meus olhos caem, notando que ele tem o meu pequeno estimulador de clitóris na mão. O primeiro toque do meu brinquedo contra o meu clitóris faz os meus quadris estremecerem. É demais para eu lidar, muito para o meu corpo superestimulado lidar. — Não se mova, porra. — Em seu tom áspero, meu corpo aperta e meus olhos encontram os dele. Esforço-me para manter minhas pernas abertas para ele enquanto o pequeno vibrador corre contra o meu clitóris. — Puxe seus mamilos. Lambendo meus lábios, seguro meus seios e puxo meus mamilos, a sensação não é tão pronunciada como quando ele me toca, mas ainda sinto o formigamento dos meus mamilos ao meu núcleo, fazendo com que um grito estrangulado suba pela minha garganta. — É muito. — Goze para mim.

163


— Não posso. É muito. — Eu disse para gozar para mim, porra. — Sua mão livre segura meu cabelo, me puxa para frente, e os seus lábios estão nos meus, sua língua empurrando em minha boca enquanto eu gemo meu orgasmo em sua garganta. Meus quadris pulam, e o som do suave zumbido desaparece quando sua mão cobre minha buceta. Meu corpo está relaxado e meus olhos pesados conforme me deito na cama. Sua mão puxa o meu queixo para baixo. — Abra. — Forçando-me a abrir meus olhos, encontro o dele quando ele se inclina sobre mim, correndo a ponta do seu pênis contra meus lábios. — Abra, June. Não me faça dizer de novo. — Tremendo, eu abro minha boca e corro minha língua ao redor da cabeça de seu pênis. — Boa menina, agora me tome profundamente. Eu faço. Abro mais a boca e o sinto bater na parte de trás da minha garganta com cada impulso. Meu corpo, o qual eu pensei que não aguentava mais, prepara-se quando sua mão desliza sobre minha barriga e entre as minhas pernas. Seu leve toque contra o meu clitóris me dá algo, ainda mais enquanto trabalho com a minha boca e movo minhas mãos para segurar suas bolas. Seus gemidos e grunhidos me incentivam, me fazendo querer que ele sinta o que sinto cada vez que ele me toca. Ele tira da minha boca com um estalo e eu grito, — Não! — Eu gozo dentro de você. — Ele joga minha perna por cima do ombro, e então ele está dentro de mim novamente, enchendo-me, fazendo-me sentir completa. Seus olhos travam no meu e suas mãos se movem, afastando meu cabelo do meu rosto enquanto seus quadris se movem lentamente e seu peso me empurra na cama. — Eu te amo, — suspiro, envolvendo-o com meus braços e pernas. — Oh, Deus, Evan. — Minhas paredes apertam, e seu quadril empurra, pressionando inteiramente em mim quando ele goza, não deixando nenhum espaço entre nós. — Você ainda está bêbada? — As palavras suaves são faladas contra a minha boca, provocando lágrimas nos meus olhos. — Não. Sim. — Balanço minha cabeça e me enrolo mais apertado em torno dele. — Prometa-me que você se lembrará de dizer isso.

164


— Lembrarei. Eu queria... — faço uma pausa para puxar uma respiração. — Eu tentei te dizer. — Você me disse. Em seu sono, você me disse todas as noites. — O quê? — Suspiro, me afastando para ver o seu rosto. — Quando você cai no sono, quando a puxo para perto de mim, você diz que me ama, mas mesmo que você não dissesse as palavras em voz alta, eu saberia. — Eu ia escrever e dar para você em um bilhete, — digo a verdade, e seu corpo começa a tremer em cima do meu, até que ele nos gira, de modo que estou sobre o peito dele. — Você ia escrever que me ama em um pedaço de papel e dar para mim? — Ele pergunta, ainda rindo, e luto contra meu próprio sorriso, porque realmente parece loucura. — Foi ideia de April. — Ela estava bêbada quando veio com essa ideia? — Hum, na verdade não. Foi antes do jantar ou de beber algo. — Humm, — ele murmura, passando a mão nas minhas costas. — Você realmente simplesmente rasgou o meu vestido? — Pergunto, depois de um longo momento deitada ali, sentindo os seus dedos correndo sobre a minha pele. — Sim. — Homem das cavernas, — murmuro, sorrindo na pele de seu peito. — Sim, — ele murmura de volta, então se vira para mim. — Preciso deixar Ninja sair. Você quer que eu te limpe, ou quer tirar sua maquiagem? — Pergunta, correndo os dedos pelo meu cabelo. — Preciso tirar minha maquiagem, — sussurro, e me inclino, pressionando minha boca sobre a dele em um toque suave, digo, — Eu te amo. — Preciso provar a mim mesma que as palavras que saíram antes não eram um acaso. — Eu sei que você ama, baby, — ele concorda contra a minha boca, e me beija longo e profundamente; tão doce que sinto até a minha alma.

165


Capítulo 12 Evan

Com vista total da sala do composto, eu assisto Jordan conversar com um dos caras novos. Desde que Nico falou comigo semanas atrás sobre ele, eu mantive um olho no cara e notei, em mais de uma ocasião, que ele tem trabalhado seu caminho através do clube, falando com recrutas. — Aquele filho da puta acabará em uma vala em algum lugar. — Harlen surge ao meu lado, e me viro para olhar para ele. — Sei que você está olhando para ele também, — ele murmura, tomando um gole da sua cerveja enquanto seus olhos deslizam para onde Jordan está do outro lado da sala. — Fiz alguma pesquisa e descobri que ele era um membro de outro clube, os Southern Stars, fora de Nashville, apenas alguns meses atrás. A palavra na rua é que o pai dele é o vice-presidente. Ele tem razão. Essa é a informação exata que eu tenho de Nico, e de Brew, cuja tripulação, os Wild Hogs, teve alguns desentendimentos com o Southern Stars ao longo dos últimos dois anos. Ao contrário dos Broken Eagles, o Wild Hogs tem negócios no lado mais sombrio do estilo de vida dos clubes de motociclistas, mas também guardavam isso para eles mesmos e são conhecidos na cidade por fazer mais bem do que mal. Ou pelo menos essa é a imagem retratada ao público. — Não confio nele, — Harlen diz, cortando meus pensamentos.

166


— Eu também não, — concordo, olhando para onde June e July jogam sinuca. Meus olhos a procuram constantemente, não que eles precisem. Eu sei onde ela está sem sequer olhar para ela. Juro que meu corpo está em sintonia com o dela, como se houvesse um fio invisível nos unindo. — Wes quer que ele saia. Porra. Giro o banco para encontrar o olhar dele mais uma vez. Se ele sair, o caso inteiro de Nico desmorona, e tanto quanto me fode quebrar a minha palavra para Nico, a única forma de manter o filho da puta estúpido por perto é falar com Wes e o resto dos caras sobre o que está acontecendo. — Nós precisamos conversar, e precisamos fazer essa merda agora, — digo, escorregando do meu banco. — Obtenha os caras e me encontre na loja em cinco minutos. Tirarei as meninas daqui. — Claro, — ele concorda, lendo o meu tom. Nem sequer olho para trás. Vou diretamente para June, que está curvada sobre a mesa de bilhar para fazer uma jogada. — Hey. — Ela sorri quando me vê, descansando o fim do taco no chão. — Vem comigo, — murmuro, tirando o taco de sua mão e colocando-o sobre a mesa. Olhando para July, aponto para o chão. — Não se mova daqui. Ela já volta. — Uhh. Ok. — July faz uma carranca, e puxo a mão de June, levando-a até o meio do corredor, e pressionando-a contra a parede. — O que você está fazendo? — Pergunta, sem fôlego, subindo as mãos pelo meu peito aos meus ombros. Inclinando mais perto, eu movo minha boca para sua orelha. — Pegue July e a leve para nossa casa. Vocês fiquem lá até eu chegar em casa, — instruo, movendo minhas mãos sob a parte de trás de sua camisa e correndo-as ao longo de sua pele lisa. — O-o quê? — Ela se afasta, correndo os olhos sobre o meu rosto. — Pegue July e a leve para nossa casa. Preciso falar com os caras, o que significa que ninguém em quem confio será capaz de olhar vocês duas por um tempo. — Está tudo bem? — Está tudo bem. Só quero vocês fora daqui por um tempo.

167


— Ok. — Ela franze a testa e inclina a cabeça para o lado. — Tem certeza que está tudo bem? — Tenho certeza. — Promete? — Pergunta suavemente, e minha testa descansa contra a dela. — Prometo, baby. — Murmuro e seu corpo relaxa. — Ok, — ela concorda. Toco a minha boca na dela antes de levá-la de volta para as mesas de bilhar, onde July agora está com Wes. — As meninas vão para a nossa casa, — digo a ele calmamente, ganhando uma elevação do queixo. Ele olha para July e sai com ela em direção ao estacionamento, murmurando, — Fique com June, mande uma mensagem quando chegar na casa dela. — Você sabe que eu odeio quando você me mantém fora do circuito, — ela aperta e ele sorri, se inclinando e dizendo algo que não posso ouvir antes de beijar sua boca fazendo beicinho. — Você é chato, — ela diz quando ele a libera, e olho para June, entregando-lhe as chaves da minha caminhonete, visto que eu dirigi até aqui. — Mande uma mensagem quando chegar em casa e ligue o alarme, — digo a ela, beijando sua testa, e então, seus lábios. — Eu sei, eu sei, — ela suspira e sobe na caminhonete, a qual se parece muito grande para ela, conforme July entra no lado do passageiro. — Dirija com cuidado. — Talvez. — Ela sorri, ligando The Beast, batendo a porta e abaixando a janela. — Nunca dirigi uma caminhonete deste tamanho. Talvez nós vamos ignorar ir para casa e levar essa coisa para a estrada e ver o que ela pode fazer. — Se você deseja ser espancada, faça, baby. — Sorrio e seus olhos se iluminam, o que me faz balançar a cabeça. Minha menina é uma aberração, e amo isso nela, porra. — Seja boa, — murmuro. Assisto ela sair do estacionamento. Assim que a caminhonete está fora de vista, eu vou para Wes. — Vamos. Nós vamos para a loja ao lado do composto. Quando entramos, todos os olhos vêm até nós, e me movo com Wes para o escritório, enquanto todo mundo segue. — O que está acontecendo? — Wes pergunta, quebrando o silêncio quando Harlen, Everett, Z, Mic, Blaze e Jinx fazem um círculo ao redor da sala.

168


— Nico se aproximou de mim há algumas semanas na casa dos pais de June e me pediu para ajudá-lo com um caso que ele está trabalhando, — confesso, e vejo os caras olharem ao redor da sala. Todos conhecem o tio de June. Todos o respeitam e sabem o que ele faz, então eu tenho certeza que eles sabem exatamente o que vou dizer a seguir. — Eu disse a ele que não me sentia confortável fazendo merda atrás de suas costas, mas ele insistiu que eu mantivesse isso para mim, e concordei dadas as circunstâncias que eu iria, a menos que a merda saísse de controle. — Faço uma pausa e olho para Wes. — Harlen me disse esta noite que você quer que Jordan saia. Essa merda não pode acontecer. — Perdão? — Wes pergunta, e movo meus olhos para os homens na sala para encontrar os dele mais uma vez. — Jordan foi enviado para o clube para recrutar os membros de patente inferior e, eventualmente, assumir, oferecendo-lhes um tipo diferente de estilo de vida. — Você tem que estar brincando comigo, — rosna Wes. — Nico sabia que você ficaria puto. — Se ele sabia isso, então ele deveria ter falado comigo sobre isso. — Ele não podia, e se você pensar sobre isso, você concordará que ele não podia. Você teria surtado e estragado o caso dele. Eu sei que você não quer a sujeira que Jordan está trazendo para o clube, mas já está aqui e se espalhando. Eu sei, de fato, que ele se aproximou de alguns dos caras, incluindo alguns de vocês, e está sondando para ver o que pensam e para testar a lealdade deles para com Wes, — eu digo, olhando ao redor, e alguns deles acenam com a cabeça. — Ele se aproximou de mim e Jinx há uma semana, — Blaze diz, e Wes franze a testa para ele. — Não entrou em detalhes. Fez apenas algumas perguntas sobre o que achávamos de fazer mais dinheiro para o clube. — Você não pensou em me dizer sobre isso? — Wes pergunta, e Blaze volta seus olhos para ele. — Não, eu não pensei nada sobre isso até agora. Nem sequer o levamos sério. — Então o que diabos Nico está esperando? — Pergunta Harlen. — Não tenho certeza. Só sei que ele queria que eu mantivesse um olho nele e dizer de quem Jordan se aproximou.

169


— Isso é besteira, — corta Z, olhando para Wes. — Nossas malditas mãos estão atadas e este filho da puta tem rédea livre. Ele tem estado em torno de minha esposa e filho. Essa merda não está bem comigo. — Jax sabe sobre isso? — Wes pergunta, e balanço minha cabeça. — Ninguém sabe fora desta sala e a equipe de Nico. — Foda-se, — ele xinga, passando a mão sobre seu cabelo. — Quantos clubes eles assumiram? — Três, que Nico sabia. — Deixo escapar um suspiro, e continuo, — nenhum dos outros clubes se impôs. A maioria deles já se encaminhava para a estrada que os Southern Stars viajavam, e ficaram muito felizes em entregar as rédeas para eles, enquanto mantêm algum controle de seus clubes e ganham um maior lucro em longo prazo. — Precisamos saber quantos dos caras concordaram em seguir Jordan, — Harlen diz, cruzando os braços sobre o enorme peito. — Se ele está espalhando essa merda pelo clube, precisamos saber quem está disposto a aceitar a oferta. — Até onde eu sei, apenas dois novos caras pareceram interessado. Acho que os Star não fizeram muita pesquisa antes de enviar Jordan ao nosso meio. Eles não sabem que a maioria dos homens neste clube são ex-militares e fiéis a uma fraternidade mais forte do que a deles. Se tivessem pesquisado, saberiam este é o tipo errado de clube para trazer essa merda. — Precisamos de um plano, — Harlen fala, e todos os olhos vão para ele. — O pai de Jordan é o vice-presidente. Não podemos simplesmente tirar o garoto, mas também não podemos deixar que isto continue. Entendo que Nico está trabalhando neste caso, mas eu digo para nós lhe darmos um período de tempo, e se ele não resolver isso dentro desse tempo, cortamos os laços com Jordan e fazemos uma declaração para que não haja mal-entendido. — Concordo com Harlen, — Mic concorda, e olho para ele, surpreso de ele estar nisso. Mic não tem muito a dizer. Ele é o cara sempre observando todos, mantendo a sua opinião para si mesmo. — De uma forma ou de outra, nós teremos que fazer uma declaração sobre esta merda, ou teremos homens vestindo nossa marca

170


e cometendo crimes, usando o nosso nome como uma tática de intimidação. Essa merda não está bem comigo, e sei que não está bem com ninguém nesta sala. — Ele está certo, — Wes corta, olhando para mim. — Outros pensarão que está tudo bem nos testar se deixarmos que esta merda continue se não fizermos uma declaração. Não podemos ter isso. Independentemente do que Nico quer ou o que ele achava que seria a minha reação, ele deveria ter trazido essa merda para mim. Este é o nosso clube, o nosso nome, e não estou bem em ser usado. — Eu não queria esconder isso de vocês, mas entendo o que Nico estava dizendo. — Dou de ombros. — Não pedirei desculpas por minhas ações. Fiz o que eu sentia que era necessário no momento, e se estivesse na mesma situação novamente, a minha escolha permaneceria a mesma. — Eu sei, — murmura Wes, batendo no meu ombro. — Entendo por que você fez o que fez, e não há ressentimentos, mas essa merda não está bem comigo, e não deixarei o nosso nome ser arrastado para uma guerra fodida para então Nico poder fechar um caso. Não arriscarei algo acontecer a July ou a qualquer dos irmãos que usam o Broken Eagles. Ele estava correto. Poderia haver um efeito bumerangue no clube no caso de a merda explodir, e no final do dia, proteger as nossas famílias e os homens que guardaram as minhas costas desde que eu entrei no clube é mais importante do que ajudar Nico. — Eu falarei com Nico, o informarei esta noite, e explicarei que ele tem uma quantidade limitada de tempo para fazer o que precisa fazer antes de entrarmos em cena. — Eu também falarei com ele, — Wes diz, cruzando os braços sobre o peito. — Ele deveria ter falado comigo sobre o que estava fazendo e me deixar decidir o meu curso de ação. — Você sabe que com o que aconteceu a July, você iria impedi-lo, — retorna Mic, prendendo Wes com seu olhar. — Entendo porque ele foi para Evan com isso. Ele sabe que Evan é leal a nós, mas também sabe o que defendemos e que nós não queremos Jordan ou qualquer um que não é leal ao que estamos propondo andando com a gente. Você teria se livrado da Jordan e qualquer membro leal a ele sem ouvir Nico, e irmão, tanto quanto odeio dizer essa merda, eu concordo com o que Nico está

171


fazendo. Não passei anos lutando por aquilo em que acredito para tomar o caminho mais fácil quando algum filho da puta viscoso pensa que suas bolas são maiores do que são. Ele e sua equipe podem pensar que encontraram um grupo de homens fáceis de mudar, mas eles vão aprender a duras penas que não é o caso. — Bem, lá vai você, — murmura Z, e o resto dos caras riem, enquanto Wes solta um suspiro, e olha para mim. — Quero saber quanto tempo ele acha que essa merda levará. Quando tivermos essa informação, vamos descobrir o nosso próximo passo, — ele resmunga e se dirige para a porta. Eu faço o mesmo, levantando o queixo para os caras antes de sair atrás dele. *** — Lane está livre. Todas as acusações foram retiradas ontem, — Jax diz logo que eu coloco o telefone no meu ouvido, antes mesmo de eu ter a chance de dizer, Olá. — Você tem que estar brincando comigo, — rosno, e June, que dorme com metade do corpo em cima de mim, sua perna jogada sobre a minha com a mão na minha cintura, se agita. — Espere um segundo, — murmuro para Jax, colocando o meu telefone no criado-mudo. Beijando a cabeça dela, eu saio de debaixo dela, tomando cuidado para não acordá-la quando deslizo para fora da cama e pego meu moletom da cadeira. Colocoo, pego o celular e saio do quarto, fechando a porta. — Pensei que tinham um caso contra ele? — Pergunto, assim que a porta é fechada. — Nada ficou. Seus advogados fizeram parecer que ele era apenas um garoto bom, saudável, universitário, com um futuro brilhante e uma família fodida que está nessa merda. — Porra. — Corro minhas mãos sobre o meu rosto, sentando na borda do sofá e colocando meus cotovelos nos joelhos. — A ordem de restrição ainda vale? — Não. Como eu disse, ele foi inocentado de todas as acusações.

172


— Quero uma ordem de restrição contra ele. Não o quero em qualquer lugar perto de June, — digo, tentando evitar rugir ou esmagar meu telefone, que é exatamente o que eu quero fazer. — Verei o que posso fazer, mas meu palpite é que não será possível. Ele não tem assediado ou ameaçado ela de qualquer maneira, por isso não será fácil convencer um juiz da necessidade de um. — Tente, — exijo. — Você sabe que eu vou. — Se ele aparecer aqui, eu não serei responsabilizado por aquilo que fizer com ele. — Não acho que ele a machucaria, — diz ele em voz baixa, e meus dentes se juntam. Não acho que ele a machucaria também, mas o fato de que ele a tocou é razão suficiente para eu meter uma bala nele. — Evan, — Jax chama, e solto um suspiro, percebendo que ficara quieto. — Se fosse Ellie, como você se sentiria? — Entendido, — ele murmura. Ellie e a filha dela, Hope, a quem Jax adotou como dele, são as duas coisas mais importantes na vida dele. Jax nunca deixaria qualquer um que ele considerasse uma ameaça em qualquer lugar perto delas, e sabendo isso, eu sei que ele entende o que estou pedindo. — Preciso falar com June. Veja o que você pode fazer sobre a ordem judicial e ligue para mim. Tenho certeza que Nico já ligou para o pai dela, e com a minha sorte, ele vai aparecer aqui, querendo falar com sua menina em pessoa. — Você aprende rápido, — ele ri. — Não, eu só sei o que eu faria se tivesse uma filha. — Certo. — Ele suspira. — Eu ligarei para você sobre a ordem de restrição. — Obrigado, — murmuro. — Peça para June me ligar quando acordar. Preciso de um favor. — O que foi? — Fiz reservas para Ellie e eu em Diego, Nashville. Mamãe e papai supostamente cuidariam de Hope, mas eles terão que sair da cidade, e Ashlyn está ocupada, então eu preciso ver se June se importaria de cuidar dela.

173


— Traga-a. — Tem certeza? — June provavelmente precisará da distração, e nós estaremos em casa. — Obrigado, cara. Darei o retorno, — diz ele, e desliga. Virando os olhos para o tapete, eu suspiro. Esta merda é fodida e não o que precisamos agora. Sabendo que não há nada que eu possa fazer no momento, eu olho para Ninja me observando deitado na espreguiçadeira com a cabeça pendurada, metade dela para fora, então ele levanta a cabeça e se inclina para o lado. — Vamos. Vamos lá para fora. — Levanto, e seguindo para a porta dos fundos desligo o alarme antes de abrir a porta para deixá-lo sair. Eu o observo por alguns minutos enquanto ele vagueia em torno do quintal, cheirando tudo o que encontra. Deixando-o lá, vou para a cozinha e começo a fazer café, em seguida, ouço o telefone de June tocando em algum lugar dentro da casa. Não é no quarto, mas onde diabos está é uma incógnita. Metade do tempo eu me pergunto por que ela ainda tem um celular, uma vez que ela nunca o tem com ela e não pode encontrá-lo na maioria das vezes. Indo em direção à lavanderia e planejando começar a procura do telefone lá, ouço um baque alto e um lamento do quarto. Corro nessa direção, então rio quando abro a porta e encontro June no chão, os cobertores enrolados ao seu redor e seu cabelo bagunçado. — Eu caí da cama. — Ela balança a cabeça, olhando ao redor. — Eu vejo isso. Você está bem? — Não fiz isso desde que você voltou, — ela murmura, parecendo confusa e completamente adorável enquanto sopra um fio de cabelo para fora do rosto. — Isso é porque quando estou na cama com você, você gruda em mim como um polvo, — Explico, entrando totalmente no quarto e pegando-a do chão. — Não me prendo a você como um polvo! — Ela chora. — Você me segura a você. Não consigo nem mover uma polegada na cama sem você me seguir e me prender no lugar. — Baby, — eu rio, — Se eu não controlá-la em seu sono, você rola da cama ou me dá uma joelhada nas bolas.

174


— Que seja, — ela bufa, tentando desembrulhar o lençol torcido por todo o seu corpo nu. — Deixe-me ajudá-la com isso, — insisto, pegando a borda do lençol de sua mão, dando-lhe um puxão, e fazendo-a cair no meu colo enquanto o lençol cai no chão. — Ev, — ela suspira, olhando para mim com os olhos arregalados. — E aí, baby? — Subo uma mão por suas costas, envolvendo-a em seu pescoço, enquanto a outra desliza para baixo, segurando sua bunda. — Ev, — ela suspira contra a minha boca, a qual está a um centímetro da dela, pressionando o peito no meu enquanto suas mãos deslizam em minha cintura e sob o meu moletom. — Eu amo isso. — Minhas palavras são faladas contra sua boca enquanto minha mão desliza entre suas pernas, sentindo que ela já está preparada para mim. — Suba. — Toco na parte de trás de sua perna, então pego-a quando ela faz, e enrolo as mãos em torno de suas coxas. Levo-a para o banheiro enquanto sua língua lambe meu pescoço, terminando a sua ascensão no meu ouvido, o qual ela belisca. A sensação apaga todos os pensamentos do telefonema desta manhã e a conversa que precisamos ter. *** — Precisamos conversar, bonita, — digo a June assim que saímos do chuveiro e chegamos na cozinha. Tirando o pote de café do suporte, eu sirvo um copo para ela, e viro para olhar para ela quando noto que ela não me respondeu. Eu a encontro mexendo numa grande caixa que ela trouxe para a cozinha há poucos minutos. — O que foi? — Ela pergunta distraída, puxando as coisas da caixa e colocando-as na ilha. — O que você está procurando? — Eu me movo para o lado dela com a xícara de café na mão, me perguntando o que ela procura. — Achei. — Ela sorri, segurando uma pequena caixa de papel, prata. Abrindo, ela pega o que está na caixa, e coloca entre nós, antes de deslizar em seu dedo dela.

175


Leva-me um segundo para reconhecer a brilhante peça de metal dourada que está em seu dedo anelar. Um pedaço de metal que coloquei lá anos atrás. Um pedaço de metal que eu nunca pensei que veria novamente. O anel que eu dei a ela quando ela se tornou minha esposa. Era o que eu podia pagar no momento. Eu sabia que um dia, quando estivéssemos estabelecidos e eu pudesse pagar, colocaria um diamante no dedo dela. Um anel digno dela. Mas, depois de tudo o que aconteceu, eu nunca pensei que teria a chance. — Ev? — Ela sussurra, e coloco sua xícara de café na ilha, e então a levanto, e coloco-a ao lado da xícara. — Não se mova, — exijo, apontando para ela enquanto falo através do caroço que se formou na minha garganta, então a deixo e volto para o quarto. Vasculho minha bolsa no fundo do armário até encontrar o que estou procurando, e enfio no bolso do meu moletom. Voltando para a cozinha, a encontro onde a deixei no balcão. Seus olhos estão em mim. Posso dizer que ela não sabe o que pensar. — Tire essa merda do seu dedo, — rosno quando me aproximo. Seus olhos se arregalam e seu lábio inferior treme quando ela desvia o olhar de mim para as mãos. Rolando o anel em torno de seu dedo, ela engole e desliza-o lentamente. — Sinto muito. Foi estúpido. — Balança a cabeça. — Não sei o que eu estava pensando. Agarrando os joelhos dela, abro as suas pernas, abrindo espaço para os meus quadris, e tomo o anel de sua mão, segurando-o entre nós. — Olhe para mim. — Eu deveria começar o café da manhã, — ela murmura para seu colo, onde seus olhos ainda estão apontados. A tristeza e derrota em seu tom faz meu intestino apertar. Ficando mais perto, eu suavizo a minha voz. — Olhe para mim, linda. — Sua cabeça se levanta lentamente e vejo lágrimas nadando em seus olhos. — Este anel foi colocado em seu dedo por um covarde, — eu digo, e assisto a raiva encher os olhos dela, raiva que me pega desprevenida. É uma emoção que me faz perceber pela milionésima vez o tipo de idiota que eu sou, porque sei que a raiva é por ela querer me defender. — Ele foi colocado ali por um homem que não era forte o suficiente para

176


você. Um homem que não merecia você, — continuo calmamente, fechando o anel firmemente no meu punho. — Não. — Ela levanta as mãos, empurrando meu peito, tentando afastar-me. — Não! — Ela repete, gritando neste momento. Agarrando seus pulsos, eu seguro-os para mim, observando o peito dela subir e descer rapidamente. — O tipo de homem que você merece não a deixaria. Ele não desistiria de você. Ele teria feito todo o possível para se certificar de que você nunca duvidasse dos sentimentos dele por você. Eu não era esse homem antes. — Pare! — Ela grita e solto sua mão esquerda, coloco a mão no bolso e depois caio de joelhos na frente dela. — O homem que eu era não merecia você. Ele nem sequer merece respirar o mesmo ar que você. Mas eu sim. Não sou o homem que eu era então, e juro que todos os dias, até eu dar o meu último suspiro, provar a mim mesmo ser digno de você. — Seguro o anel que escolhi semanas atrás entre nós. Um anel digno de estar no dedo dela, dado a ela por um homem digno dela. — Você quer se casar comigo? Você será minha esposa? — Oh, Deus. — A mão dela cobre a boca e lágrimas caem dos seus olhos enquanto ela olha entre o anel e eu. — Oh, Deus, — ela repete, caindo e envolvendo os braços em volta do meu pescoço, empurrando seu rosto lá, e soluçando, — Sim. — Calma, baby. Está me assustando, — sussurro, esfregando suas costas ao ouvir os soluços altos enquanto seu corpo treme. — Não consigo me acalmar! — Ela chora em uma respiração engatada, afastando seu rosto do meu pescoço. — Quem poderia se acalmar depois disso? — Ela pergunta, usando as mãos para enxugar as lágrimas do rosto. — Você pode, pelo menos, esperar tempo suficiente para eu colocar o anel no seu dedo? — Eu peço, pegando-a e colocando-a sobre o balcão novamente. — Sim. Mas só depois de eu dizer uma coisa, — ela respira através das lágrimas, apoiando as mãos quentes contra o meu peito enquanto procura o meu rosto. — Nunca houve um tempo em que você não me mereceu. — June, — advirto, apertando seu joelho.

177


— Não. — Ela balança a cabeça. — Você sempre, sempre foi bom o suficiente para mim. Eu me apaixonei por você, todo você, não apenas uma parte de você que eu pensei que era perfeita. Nunca houve um tempo em que eu não te amei. Você precisa saber disso. — Ela desliza a mão pelo meu peito, para o meu pescoço e debaixo do meu queixo. — Eu amo você, Evan, todo você. Mesmo as partes de você que você não gosta. — Eu não mereço você, — falo com os dentes cerrados. — E eu não mereço você também, mas o segurarei de qualquer maneira. — Ela sorri e inclina a cabeça para o lado, sorrindo brilhantemente. — Posso ter meu anel agora? — Sim. — Eu me inclino, beijando-a suavemente, em seguida, me afasto e pego sua mão, deslizando o anel de diamante de três quilates no dedo dela, paralisado com a visão dele. — É lindo, — ela sussurra, colocando a mão no meu peito, virando-a de um lado para o outro e assiste a luz brilhando sobre ele antes de olhar para mim. — Mas quando nos casarmos, eu quero meu anel velho ao lado deste. Não quero algo novo quando meu algo velho era perfeito para começar. — Cristo, você está me matando, — gemo, envolvendo o meu punho em seu cabelo e tomando sua boca em um beijo que mostra a ela o quanto a amo, e apenas me afasto porque a campainha toca, lembrando-me da merda que eu precisava falar com ela. — Porra, — corto, relutantemente, afastando minha boca da dela. — Quero saber quem é, — ela sussurra, olhando para a porta. — Minha aposta é em sua mãe e pai, — resmungo, olhando para a sua boca inchada e seu rosto tranquilo, desejando que este momento não fosse arruinado pelo passado. — Eles sabem que você ia me pedir em casamento? — Ela franze a testa, pulando do balcão quando dou um passo atrás. — Não, e preciso te contar algo rapidamente, o qual nós deveríamos ter conversado, antes que eu vá e os deixe entrar. — Que conversa?

178


— Lane saiu da cadeia. Todas as acusações foram retiradas e ele foi libertado esta manhã. — O quê? — Ela olha para o corredor quando a campainha toca novamente, e Ninja finalmente salta do sofá, latindo enquanto se dirige para a porta. — Ele saiu, e não quero que você tenha qualquer tipo de contato com ele. — Eu não faria isso. Quero dizer, por que eu iria? — Ela balança a cabeça, enquanto as sobrancelhas se juntam. — Não é com você entrando em contato com ele que estou preocupado, — Explico, afastando seu cabelo do rosto. — Você acha que ele vai me procurar? — Você é difícil de esquecer, bonita, por isso, sim. Não tenho dúvidas de que ele acabará aparecendo aqui, — murmuro, soltando um breve beijo em seus lábios antes de me dirigir para a porta que agora está sendo esmurrada. Olhando pelo olho mágico, eu suspiro quando vejo quem está do outro lado. Não que eu não soubesse que eles iriam aparecer, mas depois do que aconteceu com June, e o fato dela concordar em casar comigo de novo, eu posso pensar em um milhão e cinquenta outras coisas que eu preferiria fazer com minha noiva esta manhã. Nenhuma delas tem uma maldita coisa a ver com passar tempo com os pais dela. — Você vai abrir ou apenas ficar aí? — Ela pergunta, aproximando-se e colocando a mão no meu quadril, enquanto usa a outra para empurrar Ninja um passo para trás. — Estou tentando decidir, — resmungo; a ouvindo rir e me empurrar para o lado para poder abrir a porta. — Ei mãe. Ei, Pai, — diz em saudação, com um beijo e abraço em cada um de seus pais. — Sei por que vocês estão aqui, mas tenho notícias maiores. — Ela pula para cima e para baixo, em seguida, empurra sua mão para seus pais. — Evan me pediu em casamento! — Ela grita feliz, fazendo com que eles aparecerem aqui valesse a pena o aborrecimento de não ter a minha manhã livre, só ver o quanto eu a amo usando meu anel. — Oh, querida, estou tão feliz por você, — sua mãe grita, abraçando-a quando entra na casa.

179


— Obrigada, mãe, — sussurra June, em seguida, olha para o seu pai quando sua mãe a libera. — Pai? — Ela dá um passo em direção a ele, e seus olhos suavizam quando sua mão se estende para pegar a dela, olhando para o anel lá. — Estou realmente feliz por você, June Bug. — Obrigada, pai. — Ela sorri, fechando a distância entre eles e abraçando-o. — Eu disse que ela adoraria o anel, — November diz, se inclinando para o meu lado, sorrindo para o marido e filha. Alguns dias depois que eu pedi a Asher a mão de sua filha, querendo fazer tudo certo desta vez, liguei para a mãe dela e pedi para ela me ajudar a escolher o anel. Ela chorou o tempo todo em que estávamos comprando, mas eu poderia dizer que eu pedindo para ela se envolver foi tudo para ela. O que ela não sabe é que também significou muito para mim ter a sua aprovação. — Você disse, — concordo, colocando meu braço em volta dos ombros dela, dando-lhe um aperto, enquanto o braço dela envolve minha cintura, fazendo o mesmo. — Agora, não me importo com o que qualquer um de vocês diz. Nós vamos ter um casamento, um verdadeiro casamento. O tipo de casamento que requer planejamento. Você não fugirá para o cartório ou a Vegas e se casar, e você definitivamente não me dará apenas alguns dias para fazer um casamento como sua irmã fez, — November diz, olhando entre June e eu quando se move para o lado de seu marido. — Vamos ver, mãe. — June sorri, inclinando-se para mim. — Oh não, não vamos ver. Eu quero, pelo menos, uma das minhas meninas me dando o que eu quero, e desde que July já está casada, ela está fora. Todos nós sabemos que April nunca se casará, a menos que haja um cara louco o suficiente para tentar domá-la. May é... — Ela faz uma pausa, olhando para o marido e suaviza o rosto. — Não sei o que May é, mas duvido que ela vá se casar em breve. E December é demasiadamente exigente para se estabelecer. Assim, sobra você. — Baby, — Asher corta, balançando a cabeça. — Não venha com baby para mim. Eu quero planejar um casamento. Um verdadeiro casamento.

180


— Talvez você e papai devam renovar seus votos. Você poderia planejar isso, — June sugere, levando-nos pelo corredor em direção à cozinha. — Não quero me casar com seu pai de novo, — ela murmura baixinho, mas ainda ouvimos, seguido por um tapa antes que ela gema, — já casei com você, Asher Mayson! — Você pensaria que com o tempo você pararia de ser uma dor na minha bunda. Nada mudou, — diz ele, e ouço o amor que ele tem por sua esposa em suas palavras, mesmo que sejam um pouco irritadas. — Que seja, — ela responde, deixando cair sua bolsa no balcão ao lado da caixa que June vasculhava anteriormente, enquanto estende a mão para trás a fim de esfregar a bunda que seu marido, obviamente, deu um tapa. — Você já tomou café da manhã? — June pergunta, olhando entre seus pais enquanto pega sua xícara de café e toma um gole. — Comemos mais cedo, querida, — November diz, sentando em uma das banquetas. — Não pensávamos em ficar muito tempo. Tentamos ligar, mas como de costume, você não atendeu ao telefone, assim decidimos apenas passar. — Oh, não sei onde está o meu telefone. — Ela olha ao redor como se a maldita coisa fosse aparecer no ar. — Você precisa começar a manter um melhor controle do mesmo. Quero que você o mantenha com você em todos os momentos, — Asher disse, soando todo pai agora. — Pai. — Ela suspira. — Não, June Bug, isso é sério. Eu suponho que Evan disse que Lane saiu da cadeia. — Ele disse, mas realmente não acho que eu tenha algo para me preocupar. Lane nun... — Não diga isso, — eu a corto, antes que ela possa defendê-lo. — Ele poderia ter colocado você em um monte de merda de problemas, e não tenho dúvida de que ele sabia dessa merda quando estava te vendo.

181


— Eu sei, Ev. — Ela coloca a xícara de café sobre o balcão, envolvendo os braços em volta da sua cintura. Esforço-me para não ir para ela e confortá-la agora, mas ela precisa entender o tipo de homem que Lane realmente é. — Não, você não sabe, baby. Se soubesse, você não iria sequer pensar em defendê-lo. Você tem sorte que seu tio estava lá quando eles estavam interrogando você e os impediu de te mandar para ele novamente. Essa merda poderia ter terminado mal. A família de Lane é desonesta, e eu quero dizer isso da pior maneira possível. Eles não têm nenhum problema em matar alguém, e não teriam pensado duas vezes antes de fazer você desaparecer se achassem que sabia algo que não deveria, ou que você trabalhava com os federais. — Você precisa manter um olho nele. Se ele se aproximar de você, fuja e chame um de nós, ou vá para a delegacia de polícia, — Asher instrui, e vejo os olhos dela se arregalarem. — Vocês pensam que é necessário? Tenho certeza que se eu disser para ele me deixar sozinha, ele o faria. — Que parte de você não terá contato com ele você não entendeu? — Rosno, cerrando os punhos em meus lados e seus olhos caem para eles. — Evan... — Não, baby, isso não é uma piada. Você o vê na calçada, você vira para o outro lado e me liga. Você recebe uma ligação dele, você desliga o telefone e me liga. Você não fala com ele. — Ok, — ela sussurra, olhando entre seus pais e eu. — Não falarei com ele. — Bom, — eu concordo, fechando a distância entre nós e a abraço. — Todos nós só queremos você segura. Eu sei que Lane nunca lhe deu uma razão para acreditar que ele era perigoso, mas ele é. — Beijo sua cabeça enquanto meus olhos se fixam nos de Asher. Seus olhos se movem entre sua filha e eu, e eleva seu queixo, deslizando o braço sobre os ombros de sua esposa, e vendo isso, a força de seu relacionamento, e o amor que eles têm pela sua filha, me mostra o que eu terei com June para o resto da minha vida.

182


Capítulo 13 Evan

— Três, dois, um, zero. — Termino a minha contagem regressiva e levanto do sofá, onde estava sentado com o rosto coberto, e depois olho em volta, fingindo não ouvir os risos vindos de debaixo da mesa da cozinha, onde Hope está escondida. Após Asher e November saírem, June e eu comemos o café da manhã na varanda dos fundos. Ela ficou em silêncio por um tempo, e eu poderia dizer que ela estava chateada e refletindo sobre seu relacionamento com Lane, o que foi como abrir uma ferida antiga. Se eu não tivesse fodido, Lane não existiria para ela, para nós, mas eu não conseguia pensar nisso ou continuar a desenterrar o passado. Dei-lhe tempo para pensar, mas não traria isso novamente. Eu só sabia que, se ele aparecesse, eu deixaria claro para ele que ele precisa ficar longe. Não foi até que eu disse a ela que seríamos babá de Hope por algumas horas que todo seu humor mudou. Ela e o resto da família se apaixonaram pela menina, e eu tinha que admitir, que eu também. — Encontrei você. — Sorri, abrindo a cortina de chuveiro no segundo banheiro, fazendo June gritar, — Droga! — Baby, a casa não é tão grande. Você não poderia ter pensado que me levaria um ano para encontrá-la. — Eu rio de seu rosto fazendo beicinho.

183


— Pensei que levaria, pelo menos, alguns minutos, — ela diz, saindo da banheira. — Desculpe, mas você perdeu. — Eu a beijo no rosto virado para cima, em seguida, pego a mão dela e a levo para a sala de estar. — Achei June. Hope, eu espero que você esteja se escondendo melhor do que ela, — digo, ouvindo-a rir mais alto quando passo por ela no caminho para a cozinha, onde abro armários, fingindo procurar por ela. — Eu me pergunto onde ela poderia estar. — Suspiro alto, plantando as mãos nos quadris enquanto olho ao redor. — Eu nunca vou dizer, — June diz, sentando em uma das cadeiras na mesa, e Hope ri novamente, me fazendo sorrir. Voltando para a sala de estar, eu paro na mesa, e Hope fica em silêncio, então vou para os quartos, voltando um minuto depois. — Não sei onde ela está, — resmungo para June, que sorri para mim. — Acho que nós vamos deixá-la aqui enquanto vamos tomar um sorvete. — Sorvete! — Hope grita, rastejando do seu esconderijo. — Eu estava insiviu10. — Ela salta para cima e para baixo. — Como você se torna invisível? — June pergunta a ela, e Hope aperta seu dedo entre os olhos. — Assim! — Ela ri, e June olha em volta, então olha para mim com os olhos arregalados. — Onde ela foi? Ela estava apenas aqui. — Ela move os braços ao redor como se estivesse à procura de Hope, que começa a rir. — Estou bem aqui! — Ela exclama, tirando o dedo dos olhos. — Oh meu, você me assustou quando simplesmente desapareceu, — June se abana; pegando-a, a gira, beijando seu rosto e fazendo-a rir. Afastado, vejo as duas juntas e sinto uma dor no meu peito. Sempre soube que June seria uma boa mãe, mas vendo-a com Hope, posso ver de perto o tipo de mãe que ela seria. Houve momentos em que minha mãe era carinhosa, mas eram poucos e raros quando eu era criança, e quando comecei a me tornar um homem, aqueles tempos

10 Ela quis dizer Invisível.

184


terminaram. Não poderia sequer dizer a última vez que abracei um membro da minha família, mas com June e os Maysons, vejo esse fácil afeto cada vez que estão próximos. — Podemos tomar sorvete agora? — Hope pergunta, olhando para mim assim que June a coloca no chão. — Coloque seus sapatos. — Sorrio para ela. Ela levanta suas mãos no ar, gritando, — Yay! Sorvete! — Então decola em direção ao sofá, onde sua bolsa está. — Você está bem? Olhando nos bonitos olhos de June, eu sorrio e envolvo minha mão em torno do lado de seu pescoço, puxando-a para mais perto. — Absolutamente. — Você tinha um olhar estranho em seus olhos um minuto atrás, — ela diz em voz baixa, observando meu rosto. — Você será uma incrível mãe um dia, — digo a ela, observando seu rosto amolecer e os lábios separarem; ela se inclina para mais perto e coloca as mãos no meu peito. — E você será um pai incrível. Hope adora você. — Eu não poderia dizer que eu seria um pai incrível. Eu tinha um exemplo de merda, mas sei que eu nunca vou querer que nenhuma criança precisasse crescer como eu. — Você será, — ela diz suavemente, inclinando-se e beijando a parte inferior do meu queixo antes de virar em direção à sala de estar, parando a poucos passos de distância e olhando para mim por cima do ombro. — Vamos. Vamos tomar um sorvete. Como sempre, ela não tem ideia de quanto suas palavras me afetam, o quanto ela me faz querer ser um homem melhor.

*** — Tem certeza que quer Fruity Pebbles? — Pergunto, olhando para Hope. — Sim. — Ela sorri brilhantemente para mim, e olho o sorriso fofo e animado para o copo de iogurte gelado em sua mão transbordando com morango, banana,

185


chocolate e iogurte de kiwi, coberto com chocolate granulado, minhocas de goma, bolachas de baunilha, mirtilos e biscoitos Oreo. — Ok, garota, mas acho que essa é a última coisa que vai caber nesse copo, — digo a ela, e ela olha para mim, seu sorriso se alargando mais. — Tudo bem. — Ela levanta mais a taça, e coloco um pouco do cereal frutado e polvilho-o em cima, e a levo ao balcão para pagar, enquanto June segue atrás de nós com sua própria estranha mistura de amoras e manteiga de amendoim sobre um iogurte com confetes. Após pagar os quase vinte dólares pelos dois copos de iogurte, nós seguimos para uma das mesas e sentamos. — Quer um pouco? — June pergunta, segurando uma colher de sua mistura em minha direção. — Não, obrigado. — Balanço minha cabeça, abrindo a garrafa de água. — Sua perda, mais para mim, — diz ela, empurrando a colher em sua boca e me fazendo rir. — Posso ser sua daminha? — Hope pergunta entre uma colherada de iogurte, e June gira em sua cadeira para encará-la. Assim que Ellie e Jax apareceram para deixar Hope, June empurrou seu anel nos rostos deles. Jax me deu um tapinha nas costas enquanto June, Ellie e Hope deram um grito feminino e saltinhos. Fiquei feliz por June compartilhar esta parte de se casar com sua família. Eles não participaram antes, e eu poderia dizer que significava muito para ela ser capaz de compartilhar sua felicidade com as pessoas que ama. — Eu adoraria isso. — June sorri e olha para mim, perguntando baixinho, — Eu sei que a mãe quer que eu tenha um grande casamento, mas você quer isso? — Contanto que você seja minha mulher no final da cerimônia, eu realmente não me importo com o que fazemos, — digo a ela, honestamente, me encostando à cadeira, e sua cabeça se inclina para o lado, me estudando. — Você usará um smoking? — Se precisar. — Dou de ombros. Odeio usar ternos, mas por ela eu faria qualquer coisa. — Então, você realmente não quer usar um smoking?

186


— O que eu quero é que você seja minha esposa e tenha o meu sobrenome. Todas as outras mer... — Faço uma pausa olhando para Hope. — Todas as outras coisas realmente não importam para mim, mas vou dizer, eu não esperarei um ano. Se sua mãe e você pretendem planejar um casamento, então você tem quatro meses para fazer isso, antes que eu a leve para Vegas e me case com você na frente do Elvis. Ela revira os olhos. — Elvis não nos casará, — diz ela com naturalidade. E Hope pergunta, — Quem é Elvis? — Elvis não está mais vivo, querida, mas ele era um cantor famoso que se vestia meio louco, e há pessoas que se vestem como ele e fazem shows, ou às vezes casam pessoas. — Como o Dia das Bruxas? — Ela pergunta, parecendo confusa. — Exatamente como o Dia das Bruxas, — confirmo. — Eu quero ser um pirata no Dia das Bruxas. — Ela encolhe os ombros, balançando as pernas para frente e para trás enquanto morde a cabeça de uma de suas minhocas de goma. — Você não quer ser uma princesa? — June pergunta, e Hope enruga o rosto e balança a cabeça. — Não, eu quero ser um pirata. Eles vivem em navios e procuram tesouro. Os piratas são legais! Eu quero ser um pirata quando crescer. — Os piratas são definitivamente legais, — June concorda, não deixando Hope saber que os piratas, ou pelo menos o tipo que ela quer ser, não existem mais. Quando deixamos a loja de iogurte, Hope já está com um alto nível de açúcar, falando um milhão de milhas por hora – sobre o que, eu não tenho ideia – mas é bonito pra caralho escutar seu murmúrio do banco de trás quando vamos para casa. — Talvez não devêssemos tê-la deixado pegar um grande copo, — murmura June com uma risada enquanto vemos Hope dançar ao redor da sala, cantando uma das canções de Frozen, que ela insistiu que víssemos logo que entrou a casa. — Ela desmaiará em breve, — aposto, deslizando meu braço pelos ombros dela e puxando-a para mais perto em mim.

187


— Tem certeza que você ainda quer ter filhos agora? — Ela pergunta baixinho, e tiro meus olhos da TV e olho para Hope, que atravessou a sala para onde Ninja está deitado, e tem suas pequenas mãos segurando o rosto dele enquanto canta para ele. Inclinando meu rosto em direção a June, eu falo, — Sim. — Eu também. — Ela sorri suavemente, e deita a cabeça no meu peito, jogando seu braço sobre meu abdômen. E é assim que passamos o resto da noite. June e eu nos aninhamos, assistindo um filme com Hope, que, eventualmente, subiu no sofá ao nosso lado e caiu no sono, e tão simples quanto a noite foi, foi uma das melhores que eu já tive. *** — Está tão quieto, — murmura June, ficando ao meu lado na pia na cozinha, onde lavo os pratos do café da manhã. É o fim de semana depois que cuidamos de Hope. A semana passou voando entre trabalho, lidar com a situação de Jordan, e November vindo todas as noites para falar sobre o casamento. O casamento que, de alguma maneira, fui obrigado a planejar com elas. Se eu tiver que passar mais um minuto sentado à mesa com elas olhando para coisas de casamento, falando de espaços, vestidos, flores e bolos, eu enlouquecerei, porra. — Sim, — concordo, embora, depois desta última semana, estou gostando de apenas nós dois em casa, já que não tenho nenhuma ideia quando alguém vai aparecer. — Você quer assistir Frozen comigo? — Pergunta, inclinando-se para o meu lado e pressionando seus peitos no meu braço. Balançando a cabeça, eu rio. — Não. — Você acha que Ellie e Jax notariam se eu sequestrasse Hope? — Provavelmente. — Sorrio, olhando ela fazer beicinho. — Droga. — Ela suspira, pulando em cima do balcão ao lado da pia. — Estou aborrecida, e mamãe disse que não chegará por algumas horas. Desligando a torneira, entro entre suas pernas, coloco minhas mãos na parte de trás de seus joelhos e arrasto-a contra mim. — Eu sairei quando ela chegar aqui,

188


mas até então, eu vou entretê-la. — Subo minhas mãos molhadas suas coxas, observando seus olhos esquentarem e as sobrancelhas se unirem. — Você sairá quando ela chegar aqui? Movendo minha boca para seu ombro exposto, belisco a pele e murmuro, — Sim. Suas mãos se movem pelas minhas costas e as unhas apertam quando a minha boca se move sobre o seu pescoço, lambendo e mordendo ao longo do caminho até a orelha. — Estamos planejando um casamento, — ela suspira enquanto minhas mãos deslizam até seus seios, que estão nus sob sua camiseta, permitindo-me sentir os mamilos endurecer. — Não, você está planejando um casamento com a sua mãe. — Belisco sua orelha. Empurrando-me para trás, procura meu rosto com os olhos. — Pensei que você disse que não se importava de ter um grande casamento. — Eu não, mas não preciso estar aqui quando você estiver planejando isso. Ela franze a testa. — Você não quer estar envolvido no planejamento de seu próprio casamento? — Não, — confesso, deslizando minhas mãos pelos seus quadris, parando lá antes de subir minhas mãos sob o seu largo short, encontrando-a nua. Meus dedos deslizam mais profundo, deslizando sobre seu clitóris, fazendo seus quadris pularem. — Isso não é justo. — Sua cabeça cai para trás e suas pernas se abrem mais, enquanto seus olhos ficam meio fechados. — Tudo é justo no amor e na guerra, bonita. — Isto não é guerra. É planejamento de um casamento. O nosso casamento, — ela fala através de um gemido. Ignorando seu comentário, eu rosno, — Tire a camiseta, coloque suas mãos atrás de você no balcão e se incline para trás. — Movendo-se rapidamente, ela tira sua camiseta, deixando-a cair no chão, se inclina para trás e arqueia o peito para frente. Abaixando a boca para seu seio, eu puxo a coisa toda na minha boca, ouvindoa gemer quando circulo o mamilo com a língua. — Ev, — ela sussurra, fazendo meu pau já duro, doer.

189


Afastando-me dela, eu puxo seus shorts para baixo e tiro meu moletom antes de me mover para seu peito negligenciado, dando-lhe o mesmo tratamento. Ao ouvir seu gemido, deslizo as mãos pelas suas pernas, e puxo-a para frente, colocando-as em volta da minha cintura. — Enrole as pernas, baby. — Beijo entre os seios, inclinando-a até que ela está sobre o balcão. — Eu preciso de você, — ela arfa, balançando sua boceta molhada contra mim, e cerro os dentes, lutando contra a vontade de deslizar para dentro dela e dar o que ela tanto deseja. — Você me terá. Agora, enrole as pernas. — Sentindo suas pernas apertarem em torno de meus quadris, eu me inclino para trás, gemendo com a visão dela. — Tão bonita pra caralho. — Minhas mãos estendem em seus quadris. Movendo-se da curva de sua cintura ao peito, onde puxo cada mamilo, fazendo-a arquear para trás. — Tão gostosa pra caralho. Você sabe quão sexy você parece agora? Puxo seus mamilos novamente, desta vez torcendo-os suavemente entre meus dedos. Seus olhos se fecham e a ouço gemer tão alto que não ficaria surpreso se os vizinhos a ouvissem. — Eu te amo, bonita, mas não ficarei sentado durante mais merda de casamento. — Deslizo uma das mãos sobre seu estômago, colocando o polegar sobre seu clitóris. Seus olhos se abrem, encontrando os meus, e ela implora, — Por favor, me toque. — Sem mais merda de casamento, — repito. Seus quadris balançam para frente e suas mãos deslizam sobre o seu peito, segurando os seios. — Sem mais merda de casamento, — ela suspira. Movendo uma mão para seu quadril, eu pego meu pau, deslizando-o para cima e para baixo da sua buceta, e uso a ponta para circundar o clitóris, observando sua umidade molhar a ponta. — Porra, mas você fica tão molhada para mim cada vez que eu toco em você. — Eu sei, — ela concorda, levantando seus quadris para que a ponta cutuque sua entrada. — Por favor, me foda, Ev. Preciso de você me enchendo. — Suas palavras

190


são a minha perdição, e seguro fortemente seus quadris deslizando para dentro dela, sentindo minha pele formigar. Nada parece tão bom quanto estar dentro dela. — Sim, — ela sussurra, apertando mais suas pernas quando pego meu ritmo. Manuseando seu clitóris, meus olhos se movem para o meu pau desaparecendo dentro dela, seus peitos embrulhados por suas mãos, os cabelos espalhados no balcão, e os olhos fechados, com os lábios entreabertos. — Porra, você é perfeita, — assobio entre os dentes, moendo os quadris nos dela enquanto meu polegar manuseia mais rápido. Sentindo-a começar a convulsionar, a puxo com a mão atrás de seu pescoço. Seus dedos apertam em meus ombros, e cubro sua boca com a minha, empurrando minha língua dentro, enredando-a com a dela enquanto suas suaves paredes me apertam, me fazendo gozar forte e rápido. Retardando meus golpes, eu deslizo dentro e fora dela antes de plantarme profundamente. Nossas bocas nunca se separam, mesmo quando nós dois ofegamos para respirar e ela sussurra, — Eu te amo. Afastando minha boca da dela, eu largo minha testa contra o peito dela. — Eu também te amo, — digo a ela, abraçando-a; embora essas palavras nem sequer comecem a definir o que sinto por ela. — Não vou mais pedir para você ajudar com o casamento, — diz ela em voz baixa após um longo momento, suas mãos trilhando pelas minhas costas. Afastando-me, eu seguro seu rosto delicadamente em minhas mãos e a beijo, sussurrando, — Obrigado. — Você poderia ter dito alguma coisa. — Suas mãos se movem para o meu queixo e seus olhos assistem seus dedos deslizando sobre minha barba. — Apenas assumi que você gostaria de ser uma parte. — Não posso falar por todos os homens, porque tenho certeza que alguns caras gostam de merda como planejamento de casamentos, mas isso não é comigo, linda. — Eu meio que sei isso agora. — Ela sorri, levantando os olhos para encontrar os meus. — Minha mãe realmente estava surpresa com o seu envolvimento nesta semana. Ela disse que precisava amarrar o meu pai na cadeira se quisesse discutir

191


flores e outras coisas com ele. E você fez isso por cinco dias, não apenas flores, mas bolos, cores e locais. — Ela sorri, movendo os dedos para deslizar sobre meus lábios. — Eu faria qualquer coisa por você, baby, até mesmo sentar e discutir essa merda novamente. — Então você está dizendo que estará aqui quando minha mãe vir? — Pergunta ela, mordendo o lábio. — Porra, não, — eu gemo, e ela derruba a testa para o meu peito, tendo um ataque de riso que sinto no meu pau, o qual ainda está semi-duro e profundamente dentro dela. — Valeu a pena a chance. — Ela ri, e guincha quando a levanto do balcão. — Vou, no entanto, continuar a entretê-la até que ela chegue aqui, — murmuro, levantando-a ligeiramente antes de descê-la sobre o meu pau, deixando-a sentir que estou pronto para ir novamente. Não é preciso muito para ela me deixar duro. Inferno, a porra de sua voz é suficiente para me colocar na borda. — Oh, — ela geme, fechando os braços em volta do meu pescoço enquanto a levo para o quarto. Mantendo minha promessa, eu a entretenho enquanto ela me monta, e então a levo para o chuveiro e a entretenho com a minha boca, fazendo-a gozar mais duas vezes antes de carregá-la meio adormecida até a cama, onde a deixo com um intenso beijo molhado e uma promessa de vê-la em poucas horas. *** — Yo, — Sage cumprimenta, deslizando dentro da cabine em frente a mim, empurrando para mim uma pasta amarela antes de olhar ao bar, para as garçonetes. Com um elevar de seu queixo, ele a chama. — Suponho que uma vez que você tem isto, — seguro o envelope. — Você tem alguma coisa. Seus olhos se voltam para mim. — Não tenho certeza, — ele murmura, depois olha para a garçonete quando ela para na nossa mesa. — O que posso fazer por vocês? — Ela pergunta em voz baixa, evitando olhar nos olhos dele.

192


— Só uma cerveja. Qualquer coisa gelada que tiver, — diz ele, e ela balança a cabeça, passeando em direção ao bar. Abrindo o envelope após ela sair, eu puxo uma pilha de fotos e vejo uma por uma. Nico está trabalhando para fechar as pontas soltas do seu caso enquanto Wes e os caras constroem o deles. Sabemos que Jordan está tentando construir alianças dentro do clube. O que não sabemos é exatamente quem ele convenceu a segui-lo, então Wes me pediu para recrutar Sage para ver o que ele poderia descobrir. Observando as fotos, faço uma pausa em uma e a estudo. — O que é? — Sage pergunta, e viro a foto, empurrando-a sobre a mesa. — Quando foi tirada? — Toco na foto de Jordan ao lado de sua moto, conversando com uma mulher, uma mulher que eu juro que já vi antes, mas não posso identificar. Pegando a imagem, seus olhos a observam e dá de ombros. — No último sábado, eu o segui até um bar no centro. Quando chegou lá, ele não entrou. Permaneceu na moto, estacionado por cerca de dez minutos, até que ela saiu pela porta dos fundos para conversar com ele. — Por que ela me parece familiar? — Eu me pergunto, estudando a foto. — Não sei. Você ficou com ela? — Ele pergunta. Meus olhos se estreitam quando se encontram com os dele. — Não porra, — rosno. — Apenas perguntando, cara. Não sei quem ela é. — Ele franze a testa, olhando a foto. — Ele deu alguma coisa para ela. Não pude ver o que era de onde eu estava. Mas notei que ela fez questão de se manter longe dele, mesmo quando ele tentou estender a mão e tocá-la. Ela se afastou antes que ele pudesse fazer contato. — Porra, — corto, percebendo que a mulher pertence a um dos novos membros. Não a vi mais do que duas vezes, mas estudando a imagem, eu sei quem é ela. — Aquele filho da puta. — O quê? — Sage pergunta, e retiro meu celular, bato o número de Harlen e pressiono chamar. — É melhor que seja bom, — Harlen diz, atendendo no terceiro toque.

193


— Qual era o nome do bar? — Pergunto, olhando para Sage, que me observa de perto. — O quê? — Harlen pergunta no meu ouvido. E Sage diz, — Dakota’s. — A mulher de Lee trabalha em um bar chamado Dakota’s? — Pergunto ao telefone, observando a garçonete vir em nossa direção com a cerveja de Sage, colocando-a sobre a mesa antes de mais uma vez sair sem outra palavra. — Sim, por quê? — Harlen pergunta, e cerro os dentes. — Jordan a visitou na semana passada e deu-lhe alguma coisa. Não sei o que ele deu a ela ou o que falou, mas eu posso adivinhar, porra. — Você tem que estar brincando, porra, — Harlen rosna, sabendo exatamente o que estou dizendo. Poucos meses antes de Lee ser dispensado dos fuzileiros navais depois de ser ferido, sua filha foi diagnosticada com leucemia. O seguro que os militares proviam antes de sua alta foi o suficiente para garantir que a sua menina tivesse o cuidado que precisava, mas agora que ele não está mais no serviço militar, seus benefícios foram cortados. A porra do Jordan sabe dessa merda, e meu palpite é que ele está usando-a para chegar nele. — Quantos homens ele já alcançou usando esta mesma tática? — Não sei, mas vou descobrir. Ligo para você, — corta Harlen, desligando. Guardando meu celular, olho as fotos novamente, lentamente desta vez, e observo que Jordan se reuniu com mulheres mais de uma vez. Nenhuma delas são mulheres com quem estou familiarizado, mas isso não significa nada, pois realmente não presto atenção com quem os caras passam seu tempo. Esfregando as mãos pelo meu rosto, luto contra o impulso de pegar a minha garrafa meio vazia de cerveja e lançá-la ao longo da barra. — Você está bem, homem? — Sage pergunta baixinho, colocando os cotovelos sobre a mesa e inclinando-se. — Não, — eu rosno. — É... — Interrompe sua fala e sua mandíbula aperta quando seus olhos se movem por cima do meu ombro. — Porra, — ele rosna, apertando os dedos ao redor

194


da garrafa em sua mão. Virando a cabeça, vejo Kim caminhando em direção ao bar com o namorado. — Estou fora, cara. Ligue se precisar de qualquer outra coisa. Meus olhos se movem para ele enquanto ele pega o dinheiro do bolso, jogandoo sobre a mesa e corre até a porta sem olhar para trás. Olhando para onde Kim está, eu vejo seus olhos fixos na porta que Sage acabou de sair e sacudir a cabeça. Eventualmente, um deles cederá a óbvia atração que sentem, e quando fizerem, é melhor todos saírem de perto.

195


Capítulo 14 June

— Então estamos de acordo que as cores sendo pêssego, taupe e pérola? — Mamãe pergunta, olhando por cima da mesa bagunçada para mim, e aceno. A primeira semana de planejamento do casamento foi emocionante. A segunda semana de planejamento do casamento foi divertida. A terceira semana de planejamento do casamento me tem querendo pular de uma janela. Todos os dias, estou cada vez mais tentada a soltar as rédeas e dizer a Evan para reservar um voo para Las Vegas e deixar Elvis nos casar. — E o bolo. Você ainda está com o de chocolate com o recheio de framboesa? — Ela pergunta, anotando algo em seu caderno. Um caderno que deixaria o melhor planejador de casamento do mundo no chinelo. — Eu meio que gostei do de baunilha com especiarias, mas é o seu casamento, — ela murmura distraidamente para si mesma antes que eu possa responder, e reviro meus olhos. Nem acho que este casamento poderia ser definido como meu mais. Eu amo a minha mãe, mas ela enlouqueceu e está Mãezilla com toda esta maldita cerimônia. — Mãe, é quase dez horas. Que tal trabalhar nisto novamente daqui alguns dias? — Eu bocejo, olhando em direção ao quarto, onde sei que Evan está se escondendo, assistindo TV com Ninja. Ambos são inteligentes o suficiente para ficar

196


fora de vista quando minha mãe está aqui. É uma loucura, mas sinto falta dele. Vivemos juntos e o vejo todos os dias, mas sinto falta dele. Esse negócio de planejamento do casamento está arruinando a minha vida. Eu poderia perfeitamente estar fazendo sexo agora, mas em vez disso, estou confirmando coisas que já confirmei cento e cinquenta e dois bilhões de vezes. — Só precisamos repassar mais algumas coisas, — diz ela, deixando cair sua caneta na mesa para mover algumas amostras e as coisas em sua superfície, murmurando para si mesma em voz baixa. — Já volto, — digo a ela, mas sei que ela está tão perdida em sua terra La-La de casamento que não me ouve. Indo para a sala de estar, procuro o meu celular lá, e então vou para a lavanderia fazer o mesmo, antes de finalmente encontrá-lo na cozinha, sob as cartas que Evan trouxe quando chegou em casa. Escrevendo uma mensagem de texto para o meu pai, bato os meus dedos nas teclas, em uma rápida sucessão, irritada. Pai, faça o que for preciso, mas tire a mulher louca que você chama de esposa da minha casa, agora! Antes que eu a mate. Pressiono Enviar, e assisto um balão aparecer na tela, deixando-me saber que ele está respondendo. Estou nisso, June Bug. Suspirando de alívio, volto para a mesa assim que o celular da minha mãe toca, e sento, rezando para que a minha tortura esteja quase no fim. Pegando o telefone, ela olha para ele e balança a cabeça, pressionando um botão, fazendo-o silenciar. — Não vai atender isso? — Pergunto em pânico, enquanto ela volta a escrever coisas em seu caderno. — É apenas o seu pai. Ele pode esperar até terminamos. Derrubando minha cabeça sobre a mesa, eu debato sobre apenas em deixá-la aí e ir para o meu quarto. Neste ponto, ela pode até não notar, eu penso, quando seu telefone começa a tocar novamente. — Mãe, o telefone está tocando, — aponto, a observando silenciar mais uma vez.

197


— Ele pode esperar, — ela repete, e olha para o meu telefone quando começa a tocar. — Não atenda a isso. — Seu tom é um que eu sei que preciso obedecer, o qual ela usou desde que eu era pequena. Mordendo meu lábio, eu sento e ouço o meu celular tocar e tocar antes de ir para a caixa postal. — Agora, — ela continua quando meu telefone silencia. — Acho que o local é uma escolha entre Southhall Meadows e Springtree Farms. Liguei para ambos, e se reservar o fim de semana, eles podem reservar a data. — Ambos são bons, — eu digo, distraída, olhando para o armário em cima da geladeira onde guardo a minha tequila. Talvez se eu estivesse bêbada, isso não se sentiria como tortura. Inferno, talvez eu possa convencê-la a tomar algumas doses e ela desmaie. — Asher me ligou. Ele disse para atender ao telefone, — Evan diz, me assustando quando entra na sala, vestindo um moletom solto e uma camisa branca que se encaixa confortavelmente, mostrando os músculos de seu torso. Vindo atrás de mim, ele descansa suas mãos em meus ombros, então se inclina, beijando a minha cabeça. — Ele ligou para você também? — Mamãe faz carranca, olhando para Evan, em seguida, olha para seu telefone quando ele começa a tocar novamente. — Olá, — ela atende no segundo toque, e faz uma pausa, se afastando de Evan e eu. — Asher, — ela sussurra, e murmura, — Tudo bem, mas não estou feliz, então você não estará feliz. — Este é o tipo de coisa que eu preciso esperar mais para frente? — Evan pergunta, e inclino minha cabeça para olhar para ele, encolhendo os ombros, o que o faz sacudir a cabeça, sorrir, e me levantar, de forma que possa me beijar. — Bem, aparentemente eu fui convocada por seu pai, — mamãe diz, revirando os olhos. — Eu virei amanhã, e falaremos sobre as coisas que não foram resolvidas está noite, desde que eu preciso voltar para casa. — Na próxima semana, — Evan corta antes que eu possa dizer qualquer coisa, e minha mãe olha para ele com os olhos arregalados. — Estamos planejando seu casamento, um casamento que temos apenas dois meses para planejar. Temos muito o que fazer. Não podemos parar agora, — mamãe

198


esbraveja, e Evan sacode a cabeça, envolvendo o braço em volta da minha cintura e me trazendo para mais perto. — Semana que vem. June precisa de uma pausa. Ela está exausta. Vocês podem voltar ao planejamento após o fim de semana. Os olhos de mamãe passam de Evan para mim, e tudo o que ela vê faz seus olhos suavizarem. — Oh, tudo bem, na próxima semana, — ela concorda, me surpreendendo. — Mas nós realmente precisamos resolver os detalhes. — Prometo que vamos resolver tudo na próxima semana, — concordo, e ela estende a mão, tocando o meu rosto suavemente. — Só quero que o seu casamento seja perfeito, — ela sussurra, fazendo-me sentir uma idiota por apenas querer que a coisa toda acabasse. — Eu sei, — sussurro de volta, dando um passo para frente e dando-lhe um abraço apertado. Afastando-se, ela procura o meu rosto por um momento, em seguida, beija a minha bochecha. — É melhor eu me apressar e fazer a mala, para que eu possa chegar em casa antes que seu pai ligue novamente ou apareça. — Ela revira os olhos, me soltando para poder arrastar a grande mala que ela trouxe sobre a mesa, onde todo o conteúdo que estava dentro dela agora está disperso. — Jesus, você realmente precisa de toda essa merda? — Evan pergunta, pegando a mala da minha mãe assim que embalamos e guardamos tudo. — Esta mala tem que pesar pelo menos treze quilos. — Nós não estamos planejando uma festa. Planejamos um casamento, então sim, eu preciso de toda essa merda. — Ela olha para ele da mesma forma que ela encararia meu pai quando ele está irritando-a. — Apenas perguntando. — Evan sorri, e os olhos da mamãe se estreitam em sua boca antes de balançar a cabeça em minha direção. — Ele é tão mau como o seu pai. — Ela joga o polegar para Evan. — Seu pai queixou-se por uma hora depois que eu o fiz ir até o sótão para pegar a mala. Ele disse que era uma loucura eu precisar de uma mala para transportar material de planejamento de casamento.

199


— É um pouco louco. — Dou de ombros, sorrindo para ela, e ela olha para a mala na mão de Evan. Posso dizer que ela está se perguntando se talvez, apenas talvez, ela exagerou um pouco. — Eu amo a sua loucura, mãe. Então está tudo bem, — digo suavemente depois de um momento. Sei que ela faz tudo isso porque me ama. Tenho sorte de ter uma mãe como ela, uma mãe que se torceria em nós para me fazer feliz e me dar o casamento perfeito. Meus pais poderiam ter decidido odiar Evan sem nunca conhecê-lo depois do que aconteceu entre nós, mas não o fizeram. Não, eles não estavam de braços abertos para abraçá-lo, mas confiaram o suficiente em meu julgamento para dar a ele uma chance de provar a si mesmo. — Também te amo, querida. — Ela sorri, e inclina a cabeça para trás, olhando para o teto quando seu celular toca em sua mão. Colocando-o em seu ouvido, ela estala, — Estou saindo da casa dela enquanto conversamos, Asher Mayson. Rindo, eu viro meus olhos para Evan, e o ar em meus pulmões congela quando vejo o olhar terno em seu rosto virado para mim. Se eu já não estivesse loucamente apaixonada por ele, esse olhar teria selado o acordo. Eu te amo, eu murmuro, e seus olhos suavizam ainda mais. — Não sei como aguento o homem, — mamãe resmunga, interrompendo o momento entre Evan e eu. — Você ama o papai. — Eu devo, — ela corta, dirigindo-se para a porta. Seguindo-a para o seu SUV, Evan coloca sua mala no porta-malas enquanto dou outro abraço nela e prometo ligar. Então, assisto Evan abraçá-la e silenciosamente agradecê-la, o que a faz sorrir e bater no rosto dele antes de entrar e bater à porta. — Sua mãe é incrível, — murmura Evan enquanto a vemos sair da garagem. — Eu sei, — concordo, acenando para ela, enquanto Evan envolve seu braço em volta dos meus ombros. — Você está cansada? — Ele pergunta, deslizando a mão pelo meu braço e travando os dedos com os meus, me levando de volta para a casa. — Totalmente exausta, — respondo por meio de um bocejo.

200


— Muito cansada para sentar no meu rosto? — Ele pergunta, e minha mão espasma na sua quando a imagem de mim fazendo isso simplesmente filtra através da minha mente. — Acho que eu poderia manter meus olhos abertos para isso, — suspiro, e ele tranca a porta, ligando o alarme. Virando-me para ele, ele murmura, — Imaginei que você poderia, — contra a minha boca; envolvendo os braços em volta de mim, andamos em direção ao quarto, onde mantenho meus olhos abertos para muito mais do que apenas sentar em seu rosto. *** — Indo! — Grito, andando com meus dedos recém-pintados de rosa, conforme sigo para a porta da frente quando a campainha toca. Sem olhar pelo olho mágico, eu abro a porta e sinto meu corpo ficar tenso quando vejo quem está em pé na minha varanda, exatamente igual a como eu vi na última vez. — June, — Lane diz. Começo a empurrar a porta para fechá-la, mas ele estende a mão, impedindo-me de bater em seu rosto. — Eu só quero conversar. — Não tenho nada para lhe dizer. Vá embora. — Tento novamente fechar a porta, mas sua mão fica plantada contra ela, me parando. — Quero pedir desculpas. Por favor, me deixe dizer que sinto muito. — Feito. Você já disse isso, então vá. — Empurro mais forte, então gemo de frustração quando ele não se afasta. — Sei que você está chateada comigo, mas você recebeu a carta que enviei? — Recebi, li, e ainda não me importo. Não temos nada para falar. Por favor, se afaste. — Você... — ele para, concentrado em minha mão. — Isso é um anel de noivado? — Lane, se não se afastar, juro por Deus que vou gritar assassino sangrento, — assobio, ignorando sua pergunta. — Você vai se casar?

201


— Oh, meu Deus! — Grito de frustração. — Sim, eu vou casar. Será que você vai apenas ir embora agora? Suas sobrancelhas se juntam e sua cabeça balança. — Eu era apaixonado por você. — Você não saberia o que era amor se ele lhe batesse na cabeça. Só direi isso mais uma vez. Por favor, se afaste da minha porta e vá embora. Seus olhos se movem para a minha mão novamente e sua voz cai. — Eu fodi. Ele fodeu – não que eu estivesse sequer perto de ser apaixonada por ele. Mas eu me importava com ele, e quem sabe o que poderia ter acontecido com o tempo. Mas, novamente, mesmo se eu estivesse com ele e Evan voltasse para a minha vida, provavelmente eu iria querer descobrir onde as coisas poderiam ir com Evan, porque a ligação que sempre tive com ele é simplesmente muito forte. — Quem é ele? — Ele pergunta baixinho, movendo os olhos para encontrar os meus. — Isso não é da sua conta. — É o seu ex? Aquele em quem você estava tão presa? — Ele pergunta com um rosnado, batendo a mão contra a porta. — Lane, por favor, vá, — imploro suavemente. A maneira como ele age começando a me assustar. — É, não é? — Ele pergunta, ficando vermelho conforme o pulso em seu pescoço bate descontroladamente. — Sim, — finalmente digo, esperando que ele vá uma vez que digo o que ele quer. — Espero que ele te faça feliz, — ele rosna, soltando a porta, mas mantém seu corpo onde está e meu pulso acelera. — Lane, por favor, basta ir, — eu sussurro trêmula, mas ele não move o seu corpo da porta ou os olhos irritados dos meus. — Dê um passo para trás. — Olhando por cima do ombro de Lane, vejo Evan andando até a varanda. Não o ouvi parar, o que é uma loucura, já que ele estava de moto hoje, e sempre o ouço quando está de moto.

202


— Que seja. — Lane olha para mim antes de passar por Evan ao descer os degraus. Observando-o se afastar, sinto Evan chegar perto antes de bloquear a minha vista. Em seguida, seus dedos estão no meu queixo, levantando meus olhos para encontrar os dele. — Entre. Entrarei em um minuto. — Não faça nada que me leve a visitá-lo na prisão, — eu sussurro-grito, descansando minhas mãos contra o peito dele, sentindo a sua raiva saindo em ondas. — Entre, — ele repete, colocando a mão no meu estômago, empurrando-me para trás uma polegada antes de puxar a porta, me fechando do lado de dentro. Debatendo comigo mesma sobre ignorar o pedido, murmuro, — Merda, — e volto para a sala de estar, para que eu possa ligar para o meu tio. E é quando eu vejo Ninja através da porta de vidro dos fundos, rosnando e latindo. — Está tudo bem, — abro, e ele corre atrás de mim para dentro da casa em direção à porta da frente, voltando um momento depois e sentando perto de mim. Deixo uma mensagem de voz para o meu tio dizendo que Lane está do lado de fora com Evan. Quando meu telefone toca um minuto depois, ele diz que está a caminho e para ficar dentro de casa, em seguida, desliga. Revirando os olhos para isso, eu me sento no sofá. Alguns minutos mais tarde, eu salto no lugar quando a porta bate e as botas de Evan pisam no corredor. — Por que você abriu a porta para ele? — Pergunta, parando na entrada da sala de estar, com seus pés afastados e braços cruzados sobre o peito. — Eu não sabia que era ele, — Explico calmamente, lambendo meus lábios nervosamente quando seus olhos se estreitam. — Você não verificou o olho mágico? — Sua linguagem corporal e o tom tornam óbvio que eu fodi tudo. — Se eu tivesse, não teria aberto a porta. — Não fique espertinha comigo agora! — Ele ruge, fazendo-me pular novamente. — Não estou. — Estou, – precisando e querendo ganhar algum controle da situação. — Eu nem estava pensando.

203


— Ele poderia ter te forçado para entrar na casa, June. Ele poderia ter feito alguma coisa para te machucar. — Ele não o fez. — Franzo a testa, e como uma idiota, eu continuo, — ele não faria isso. — Você tem certeza disso? — Ele troveja, inclinando-se com as mãos na cintura. Engolindo em seco, eu fecho meus olhos, porque sei que ele está certo. Não tenho a menor ideia do que Lane faria. Nem sequer sabia que o nome dele era Lane até que fui arrastada para a delegacia de polícia no meio da noite. E aquele cara que estava na varanda da frente não era o Lane que eu conhecia. — Sinto muito, — sussurro depois de um momento, sentindo as lágrimas queimar minha garganta enquanto eu tento engoli-las. — Venha aqui. — Abrindo os olhos, meu olhar se conecta com o dele ainda chateado. — Você está bravo, — digo o óbvio, mantendo meus pés plantados onde estão. — Estou fodidamente furioso, bonita, mas ainda quero que você venha aqui. — Ele aponta para o chão, onde ele está parado. — Eu me sinto mais segura aqui. — June, — alerta, e os meus pés se movem. Assim que estou perto, seus braços se abrem, me envolvendo, e seu rosto cai para meu pescoço, onde ele respira profundamente. — Sinto muito. Não vou atender a porta sem olhar de novo, — sussurro, abraçando-o. — Eu sei que você não vai, — ele ressoa contra a pele do meu pescoço, me segurando apertado. Passando minhas mãos por suas costas, pergunto baixinho, — Você está bem? — Sabia quem ele era quando parei na casa e o vi parado na porta. Eu vi seu rosto e poderia dizer que estava com medo. Eu queria matá-lo por colocar esse olhar em seu rosto. — Ele estava bem no início, mas depois viu o meu anel de noivado e ficou com raiva, — Explico, e minhas mãos começam a tremer.

204


— Você não tem nada a temer, — ele promete, afastando-se para olhar para mim. — Nada, — ele repete, e descanso minha testa em seu peito, sentindo os lábios dele na minha cabeça. — Você ficará bem por um tempo, enquanto saio e falo com seu tio? — Sim. — Aceno contra o peito dele e suas mãos se deslocam para o meu queixo, inclinando a minha cabeça. — Sinto muito, — repito mais uma vez, encarando seu olhar preocupado. — Amo você, baby, pra caralho, que mesmo a ideia de você respirar o ar daquele filho da puta me irrita. — Sua testa toca a minha e assisto seus olhos se fecharem brevemente. — Não estou bravo com você, ok? — Ok, — concordo, apertando minhas mãos em sua camisa, enquanto suas palavras passam por mim. — Dê-me alguns minutos, sim? — Sim. — Sua boca toca a minha em um beijo suave, e que me permite saber que estamos bem antes que ele me solte e desapareça no corredor. *** — Não atenda a porta novamente sem Ninja estar em casa, — Evan instrui, e inclino minha cabeça para olhar para ele da minha posição contra o seu peito na cama. — Não vou. — Após Evan voltar da conversa com o meu tio, ele não mencionou a visita de Lane novamente. Mesmo após perceber que a porta dos fundos tinha marcas de mordida na madeira em torno do batente da porta e saliva em todo o vidro dos latidos de Ninja, quando ele tentava entrar, sentindo em sua maneira de cachorrinho que sua mãe estava em apuros. Quando Evan viu o estrago, expliquei que Ninja estava no quintal quando a campainha tocou. Como a gente não tem uma porta de cachorro e sendo o meio do verão, eu fechei a porta, deixando Ninja no quintal, então não perderia o ar frio da casa enquanto ele vagava na grama por horas. Algo que ele gosta de fazer. Eu poderia dizer que ele estava chateado, mas não disse nada sobre isso, até agora.

205


— Seu tio vai conversar com o juiz amanhã sobre a obtenção de uma ordem de restrição. Agora que ele fez contato, nós temos uma melhor chance de conseguir a aprovação, — diz, tirando-me dos meus pensamentos. Sento, colocando meu cotovelo na cama, para poder olhar para ele. — Você acha que ele voltará? — Pergunto, e seus dedos percorrem meu cabelo, deslizando por cima do meu ombro nu. — Eu quero dizer que não, mas não posso garantir que ele não irá. — Ótimo. — Suspiro, caindo de costas e cobrindo o rosto. Suas mãos seguram a minha, puxando-as do meu rosto, e seus olhos ficam apreensivos. — Tudo dará certo. — Eu acredito em você. — Levanto minhas mãos, correndo os dedos sobre o queixo dele, observando seus olhos amolecerem. — Enquanto eu tiver você, não tenho nada com que me preocupar. Sei isso, na minha alma, — eu falo; ele abaixa a cabeça, me beijando e me fazendo esquecer tudo. *** — Oh... — com minhas pernas tensas e meus olhos abertos, vejo a luz da manhã derramando através do teto. — Dia. Olhando ao longo do meu corpo, eu pego o sorriso travesso de Evan em seu rosto caindo entre as minhas pernas e suas mãos segurando minha bunda, tomandome mais profundo em sua boca. Acordar preparada e pronta pelo seu toque se tornou uma das minhas maneiras favoritas de começar o dia. Acrescentando o fato que ele parece gostar tanto quanto eu, me faz amá-lo ainda mais. — Ev. — Meus dentes mordem meu lábio e minhas mãos em punho em seu cabelo, quando um dedo, depois outro, entra em mim lentamente, e sua língua circula meu clitóris. Levantando ainda mais meus quadris, silenciosamente imploro por mais. — Que porra é essa? — Ele rosna, e minha mente nebulosa tem um momento para registrar que a campainha está tocando. — Não pare. Eles vão embora, — imploro, não muito longe da mendicância.

206


— Faça isso rápido, baby. — Seus dedos trabalham mais rápido, curvando-se para bater o meu ponto G, e sua boca trava no meu clitóris, chupando com força, enviando-me em espiral através de um curto, mas doce orgasmo, enquanto a campainha continua a tocar. — Eu vou matar quem está na porta. — Ele corta, saindo da cama, jogando o cobertor sobre a metade inferior do meu corpo nu. — Ok, — concordo, e ele sorri com um aceno de cabeça, vagando os olhos em mim, vestindo seu moletom. — Não se mova, — ele ordena, rosnando, — Porra. Levanto os braços sobre a minha cabeça para espreguiçar. — A porta, — lembro-o. Quando ele vem em minha direção. — É melhor que seja bom, — ele resmunga, virando e saindo do quarto sem outro olhar para a cama, onde estou esparramada. — Cadela, traga seu traseiro aqui fora! — JJ grita, e sento, balançando os olhos para o relógio na mesa de cabeceira. Sabia que era cedo, a julgar pela luz que vinha através das cortinas, mas não era sequer 7:00 ainda. — Que diabos? — Rolando para fora da cama, eu corro para o banheiro e puxo meu roupão, amarrando-o em minha cintura, em seguida, paro na minha cômoda e visto a calcinha antes de sair do quarto. Quando chego na cozinha, Evan está de pé perto da cafeteira, observando JJ, que se fez em casa na cozinha, atualmente vasculhando a geladeira. — Está tudo bem? — Pergunto, e sua cabeça deixa a geladeira para olhar para mim. — Não sei. — Ela joga alguma carne do almoço em cima do balcão, junto com um vidro de maionese, e depois vai para o suporte de pão, abrindo-o e tirando um pedaço de pão. — Não vi ou ouvi falar de você em três semanas, e tive que descobrir por meio de Brew, de todas as pessoas, que a minha menina está noiva. Que porra é essa? — Ela pergunta, colocando as mãos nos quadris. — Sou uma idiota, — eu murmuro, sentindo-me horrível por não contar a minha boa notícia. Mas, honestamente, tem havido muito na minha cabeça ultimamente, incluindo o fato de descobrir há poucos dias que estou grávida. Ainda

207


estou em choque por ver as duas linhas cor-de-rosa no teste que fiz e estive tentando encontrar uma maneira de dizer a Evan que vamos ter um bebê. — Você não é idiota, mas Jesus... poderia ter ligado, — diz ela, abrindo gavetas e fechando-as até achar o que procura. — É melhor eu ser convidada para o casamento. — Você está, — concordo. — Quer ajuda? — Pergunto ao vê-la massacrar o sanduíche que tenta fechar. — Não. — Ela esmaga os dois pedaços de pão juntamente com carne de peru e maionese no meio deles. — Quando Brew me deu essa notícia esta manhã, saí antes que pudesse terminar o meu café da manhã. — Ela pega uma toalha de papel, envolvendo seu sanduíche nele. — Oh, — murmuro, lançando um olhar na direção de Evan, que não se moveu de sua posição perto da cafeteira. Posso dizer pela expressão dele, que ele não sabia se ria ou gritava. — Agora, deixe-me ver o seu anel. — Estendendo a mão, ela segura a minha mão e olha o anel. — É lindo. Estou feliz por você, — ela diz calmamente, encontrando o meu olhar. — Obrigada, JJ. Desculpe-me, por não ligar. — Não se preocupe com isso. Você pode me pagar com tequila uma noite. — Ela sorri, e olha para Evan. — Você fez bem. — Ele levanta o queixo, e ela balança a cabeça, olhando para mim e sorrindo. — Eu preciso ir trabalhar, mas estaremos juntas em breve. — Eu te ligo, — prometo, e a vejo sair pelo corredor, levando o sanduíche que fez. — Essa mulher é louca, — murmura Evan, pegando uma caneca e servindose de uma xícara de café. — Ela é doce. — Sorrio, e ele olha para o balcão, onde todos os seus suprimentos do sanduíche ainda estão largados, levantando uma sobrancelha. — Penso que ela chutaria o seu traseiro se você não ligar para ela. Ele provavelmente estava certo, mas em vez de confirmar isso, eu apenas vou até o balcão e guardo tudo. Encostando uma vez que acabei, eu cruzo os braços sobre

208


o peito. — Você está com fome? — Pergunto, e seus olhos correm sobre mim da cabeça aos pés, me fazendo tremer. — A minha refeição matinal foi apressada. Você está oferecendo voltar para a cama e abrir as pernas para mim? Olhando para o relógio do micro-ondas, oro para que eu tenha tempo, ouvindoo rir quando eu faço. — Preciso me arrumar para o trabalho, — faço beicinho, o que o faz rir mais forte. Fechando a curta distância entre nós, suas mãos se deslocam para meus quadris e inclina seu rosto para o meu. — Vá se arrumar. — Ele me beija suavemente, movendo as mãos para apertar a minha bunda. — Eu levarei café para você. — Não me importo de me atrasar, — suspiro, pressionando mais perto dele enquanto passo os braços em volta do seu pescoço. Sorrindo, ele me beija mais uma vez, e afasta meus braços dele, movendo um passo para trás. — Você não pode se atrasar. É o seu último dia, — ele me lembra. Hoje é o último dia de escola de verão, e espero que seja o dia em que descobrirei se ensinarei no próximo ano. — Acho que vou me arrumar. — Suspiro, ouvindo sua risada atrás de mim quando saio da cozinha e vou para o chuveiro começar a me arrumar para o trabalho. *** — Tenha um bom resto do verão, pessoal. — Sorrio para meus alunos deixando a sala de aula, e ganhando, Você também, Srta. Mayson, ou Até logo, de cada um deles quando passam, um-a-um. Sei que estão todos tão animados como eu para sair daqui para podermos desfrutar de duas semanas de dormir tarde e nenhuma lição de casa antes de voltarem às aulas. Assim que todos saíram, eu pego minha bolsa da mesa e tranco a sala. Não posso esperar para contar a Evan que me foi oferecida a posição de ensino em tempo integral. Eu sabia que havia uma boa chance de conseguir o trabalho, mas com o ensino, você nunca sabe se será passado para alguém com mais experiência. Para minha sorte, minhas aulas de verão acabaram, e agora tenho um trabalho de tempo

209


integral e minha própria sala de aula, ensinando alunos da terceira série, o que começará em duas curtas semanas. Caminhando no estacionamento para o meu carro, meu celular toca em minha bolsa. Paro e o desenterro, sorrindo quando vejo que Evan está ligando. — Hey, — respondo, e franzo a testa quando ouço vozes embaralhadas e abafadas que não posso distinguir do outro lado. — Evan? — Eu chamo, não obtendo nenhuma resposta. Minha mão envolvida no telefone aperta e minha visão nubla quando alguém ruge, — Vocês, filhos da puta, estão mortos! Correndo para o meu carro, abro a porta e entro. Assim que o carro está ligado, o telefone se conecta ao Bluetooth e o som de vozes abafadas preenche o espaço silencioso. — O que eu faço? O que eu faço? — Sussurro para mim enquanto dirijo. Não quero desligar a chamada, mas preciso chamar a polícia. Realmente preciso saber para onde enviar a polícia. — Porra, Wes, — distingo através da bagunça ilegível de farfalhar e vozes abafadas. Rezando para que minha suposição esteja certa e que eles estejam na loja de motos, eu paro ao lado da estrada. Pegando meu celular eu olho para a tela, sabendo que tem que haver uma maneira de conectar mais de uma chamada. Encontrando o caractere que procuro, eu coloco o telefonema de Evan em espera e disco 911. — 911, qual é sua emergência? — Um homem atende. — O meu noivo me ligou por acidente, — falo através de arfadas, enquanto minhas mãos apertam freneticamente. — Senhora, este é o 911... — Eu sei disso! — Eu o interrompo, gritando dentro do carro. — Ele me ligou por acidente, mas acho que ele está em apuros. Você tem que ajudar. — Ok, acalme-se e diga-me o que você ouviu. — Não pude ouvir muito, mas ouvi o nome de meu cunhado e alguém dizendo algo sobre pessoas morrendo. Acho que eles estão na loja de conserto de moto dos Broken Eagles, — digo, ouvindo-o digitar. — A ligação dele ainda está em espera. Posso unir a sua ligação com a dele?

210


— Faça isso agora, querida, — ele diz, então pressiono o botão para ligar as duas chamadas e assim que eu faço, dois tiros saem, um após o outro. — Oh, Deus. — Coloco meu carro em movimento, necessitando chegar a Evan, não ouvindo qualquer outra coisa que o atendente diz. Assim que chego, eu vejo todo o lugar cercado por carros de polícia. Vendo tio Nico, eu saio, deixando o carro e a porta aberta. Corro para onde ele está de pé, ignorando os oficiais gritando comigo para voltar para o meu carro. — June, — tio Nico diz, assim que me vê correndo na direção dele. — O que está acontecendo? Evan está bem? — Querida, você precisa voltar para o carro. — Diga-me agora! — Eu grito, e seu rosto suaviza. Pegando minha mão, ele me leva a um dos carros-patrulha, me instala no banco de trás, e depois ajoelha na minha frente. — Não é seguro agora, — ele diz, gentilmente limpando meu rosto que eu nem percebi estar encharcado de lágrimas. — Diga o que está acontecendo. Por favor, me diga que Evan está bem, — sussurro, sentindo mais lágrimas correrem em minhas bochechas. — Sabemos que há pelo menos dois suspeitos armados no interior do edifício. Agora, isso é toda a informação que nós temos. — Ouvi tiros, — digo em pânico, imaginando se Evan levou um tiro, se um desses tiros estava apontado para ele. — Preciso que você tome algumas respirações profundas e espere aqui enquanto converso com meus homens. Você pode fazer isso por mim? Cobrindo meu rosto, eu aceno e começo a rezar.

211


Capítulo 15 Evan

A besta dentro de mim acordou e está fora por vingança. Vendo o sangue escorrer da ferida no ombro de Harlen, eu ando sem pensar na minha posição de joelhos e jogo Jordan no chão, com o meu ombro em seu estômago. Com o impacto, a arma voa de sua mão e patina pelo chão. Eu sabia que algo acontecia quando parei na loja e encontrei o lugar vazio. Há sempre pelo menos um rapaz trabalhando em um carro ou moto no meio do dia, mesmo durante o almoço. Quando entrei no composto em busca de todos e entrei na sala comum, a visão que me cumprimentou deu calafrios na espinha. Não tive tempo para pensar ou fazer um telefonema. Mal tive tempo para apertar ligar na minha última chamada e enfiar meu celular no bolso de trás antes de Jordan e outro homem segurando os caras com uma arma me visse. — Filho da puta, — rosno, apertando as minhas mãos no pescoço de Jordan. Enquanto vejo seu rosto ficar roxo e seu corpo empurrar, eu registro o som de luta ao redor de mim. Os dedos de Jordan arranham as minhas mãos. — Não o mate, — diz alguém. Mas é tarde demais. Observando seus olhos começarem a fechar, eu sinto seu pulso lento sob meus dedos e adiciono mais pressão.

212


— Evan. — Ouço meu nome através da neblina, mas minha visão nubla com um objetivo em mente. Sendo atingido no lado, eu rujo, lutando com tudo em mim, mas, em seguida, uma dor aguda acerta o meu crânio e tudo escurece. *** Meus olhos apertam fortemente e minhas mãos se movem para a cabeça, colocando pressão sobre o crânio, que parece ter sido aberto. — Que porra é essa? — Assobio de dor. — Oh, Deus, — ouço June gemer quando seu peso se acomoda ao meu lado e seu braço enrola sobre a minha cintura. Segurando-a, eu respiro através da dor na minha cabeça e congelo quando as memórias do que aconteceu voltam para mim com força total. — Os caras? Harlen? — Tento sentar, mas seu pequeno corpo me segura na cama. — Eles estão bem, — ela diz em voz baixa, seus dedos percorrendo meu pescoço, e meus olhos se abrem. — Harlen está bem. — Ela se move para olhar para mim, e isso é quando eu percebo que estou em um quarto de hospital. — Por que estou aqui? — Franzo a testa, olhando ao redor da pequena sala de estéril, tentando lembrar o que aconteceu depois que Harlen foi baleado, mas tudo está branco. — Você teve um episódio, — diz ela suavemente, correndo os olhos e as mãos sobre mim. — Episódio? — Repito, tentando entender o que ela diz. — Os caras disseram que você ficou louco. Não podiam fazer com que você se acalmasse. Você continuou indo para Jordan, mesmo ele estando inconsciente e o outro homem desarmado. — Cristo. — Fecho os olhos, sentindo sua cabeça apoiar contra meu peito e os braços apertarem o meu corpo. — Eu estava tão assustada, — ela sussurra, cavando mais perto.

213


Rolando-nos para o lado, eu a coloco em minha frente e corro minhas mãos por suas costas quando a ouço chorar. — Está tudo bem, — murmuro gentilmente, sentindo seu corpo balançar com a força de suas lágrimas. — Qu... quando ouvi um ti... tiro, eu pensei... — Eu estou bem, — a corto antes que ela pudesse terminar. — Estou aqui. Não vou a lugar nenhum, — eu juro. Sua cabeça inclina para trás e seus olhos cheios de lágrimas encontram os meus. — Nunca mais me assuste assim de novo, — ela exige, e luto com um sorriso que me pega desprevenido. — Eu não vou. — E você não tem mais permissão para ajudar o meu tio. Eu o proíbo, — Continua, fechando os olhos. — Ficará tudo bem. — Beijo sua testa, descansando meu queixo no topo de sua cabeça, e abraço-a. — Preciso dizer ao médico e todos os outros que você acordou, — ela murmura no meu peito, mas se aconchega no meu lado. — Em um minuto, — murmuro de volta, fechando os olhos e imaginando o que diabos aconteceu, e por que não me lembro de nada disso. *** — Porra, cara, eu estou feliz que esteja bem, — murmura Wes, após se sentar na cadeira ao lado da cama de hospital, onde estou na cama com uma June dormindo enrolada à minha frente. Ela não disse ao médico que eu estava acordado. Ela caiu no sono, e não me incomodei em acordá-la; apenas apertei a campainha para o posto de enfermagem e eles souberam que eu acordei e precisava de algo para a minha cabeça. Logo depois, o médico veio me checar e dizer que eles me manteriam em observação durante a noite. Aparentemente, na minha luta para alcançar a Jordan para acabar com ele, Wes ficou com nenhuma escolha, exceto me apagar, deixando-me inconsciente com uma concussão menor.

214


— Já pensou em ir para o MMA? — Eu brinco, e sua mandíbula aperta. — Você nos assustou, irmão, — ele rosna, afastando o olhar de mim. — Éramos três sobre você, e ainda não podíamos controlá-lo. — Sua cabeça balança antes de seus olhos encontrarem os meus mais uma vez. — Não me lembro de nada. Minha última lembrança é de Jordan apontando a arma para Harlen e puxando o gatilho, — eu admito, correndo a mão pelo meu rosto. — Sabíamos que você não era você mesmo. Eu sabia que precisávamos te impedir de fazer algo pelo qual se arrependeria. Mesmo esse filho da puta merecendo pagar pelo que fez, você não merece viver com a morte dele na consciência, — diz em voz baixa, abaixando os olhos para June por um segundo antes de encontrar o meu olhar novamente. — Se você não tivesse aparecido... — Não diga isso, — resmungo, sentindo o corpo de June tensionar contra o meu. Eu sei, pela minha conversa com Nico anteriormente, que o plano de Jordan não envolvia deixar qualquer um do composto vivo. O pai de Jordan foi levado no início da manhã, e ele sabia que os policiais estavam na caça dele e no resto de sua tripulação. — Você sabe que tem meu coração, irmão. — O mesmo, — concordo, segurando seu olhar, querendo dizer essa merda do fundo da minha alma. Balançando a cabeça, ele levanta, enfiando as mãos nos bolsos. — É melhor eu ir, e só para você saber, as meninas já planejam uma reunião para quando chegar em casa, então descanse enquanto puder. — Ele sorri pela primeira vez desde que entrou no quarto, e balanço minha cabeça, nem um pouco surpreso com a notícia. — Como está Harlen? — Pergunto quando ele alcança a porta. — O cara é uma casa de tijolos. Precisará muito mais do que uma bala para derrubá-lo. — Verdade. — Levantando o queixo, eu assisto a porta se fechar, em seguida, eu coloco meus dedos sob o queixo de June e o levanto. — Eu sei que você está acordada, bonita. — Quanto tempo eu dormi? — Ela boceja, olhando ao redor. — Um tempo.

215


— O médico veio? — Ela franze a testa, tentando se sentar, mas a seguro no lugar. — Você dormiu durante todo mundo que entrou, inclusive sua família, — digo, correndo meu polegar sobre seu lábio inferior e sob os olhos. — Você parece cansada. — Estou bem. — Você deveria ir para casa e obter algum des... — Não deixarei você, — ela diz, me cortando, descansando a mão no meu rosto. — O que o médico disse? — Preciso passar a noite em observação, — eu respondo, olhando-a encher-se com preocupação. — É apenas uma precaução. Eles querem ter certeza de que estou bem. — Oh. — Ela esvazia, relaxando em mim. — Está tudo bem? Suas palavras suaves me dão uma pausa. Sei que ela não fala sobre a minha cabeça, mas sobre o meu episódio. — Falarei com alguém quando for liberado, — a tranquilizo, movendo minha mão sob sua camisa para poder tocar sua pele. Seus olhos procuram meu rosto por um momento, e sua voz pergunta suavemente, — Já aconteceu antes? — Não comigo, mas sei que não é incomum, — digo, e seu rosto suaviza, sua mão no meu rosto se move e seus dedos deslizam sobre a minha boca. — Eu te amo, — ela sussurra depois de um momento. — Eu sei que você ama, — concordo, e sua cabeça balança para frente e para trás. — Você não sabe. Você não entende que é impossível eu respirar sem você. Eu não posso so... — Baby, — a corto, não querendo que ela vá lá. — Estou grávida, — ela deixa escapar, e meu corpo congela. — Sinto muito. Eu tinha todo esse plano grande de como eu queria dizer a você hoje à noite, mas depois de hoje, eu realmente quero que você saiba que não é mais só você e eu. Nós vam...

216


— Você está grávida? — Interrompo, enquanto suas palavras tocam em meus ouvidos. — Sim. — Há quanto tempo você sabe? — Alguns dias. Eu fui... — Você terá um bebê meu? — Confirmo, cortando-a de novo e rapidamente movendo meus olhos para seu estômago. — Sim. — Ela franze a testa, me estudando. — Você está bem? — Porra, você está grávida, — ressoo, deixando o fato de que a mulher que eu amo está carregando meu filho me levar. — Talvez nós devêssemos pedir ao médico para examiná-la de novo. — Pego o botão de chamada só para ser tirado da minha mão. — Não terei o médico me checando, estamos muito bem, o bebê está bem. — Ela revira os olhos. — Porra, você está grávida. — Balanço minha cabeça em descrença e movo minha mão para seu estômago ainda plano. — Nós vamos para Vegas. — Meu Deus. Digo que estou grávida, e você enlouquece. — Ela ri, e deita na cama cobrindo o rosto. — Eu te amo, e nós vamos para Vegas. Não vamos esperar por você e sua mãe planejar um casamento. Vamos nos casar agora. — Eu pairo sobre ela, descansando minha mão levemente em seu estômago. — Não vamos nos casar em Las Vegas. Não seja louco, — ela estala, batendo no meu braço. — Nós vamos nos casar em três meses. O casamento está quase todo planejado, e Mãezilla vai enlouquecer se você tentar tirar o casamento dela. — Mãezilla? Sorrio e ela revira os olhos, e em seguida, encontra os meus novamente, perguntando suavemente, — Você está feliz? — Não, baby. O que sinto, não pode ser descrito como feliz. — Eu a beijo suavemente, e esfrego seu estômago. — Você está realmente grávida?

217


Seu rosto suaviza e suas mãos seguram o meu rosto. — Você será um pai, o melhor pai do mundo. — Olhando para o seu bonito rosto, eu sei que enquanto a tiver, eu trabalharei até a morte para provar que suas palavras são verdadeiras. — Você verá o médico antes de deixar o hospital. — Murmuro, e cubro sua boca com a minha antes que ela possa responder. *** — Tchau! — June grita quando JJ sai com Brew, caminhando pelo quintal de sua casa. Wes não estava mentindo sobre a festa que as irmãs de June, mãe e tias estavam organizando. Assim que chegamos em casa do hospital, todos apareceram com alimentos e bebidas. Harlen, que também foi liberado hoje, veio por um par de horas antes que Harmony, filha de Nico, que acontece de estar estudando para ser uma enfermeira, se oferecer para lhe dar uma carona para casa após ver que a ferida o incomodava. O grandalhão não sabia o que fazer com a menina mandona. Eu precisava admitir, eles se encaixavam nesse, Os opostos se atraem, mas observar Nico assistir Harlen com sua filha foi divertido como o inferno. Pensei que o cara ia enlouquecer. No lado positivo, o médico verificou June antes de eu ser liberado e tudo parecia perfeito. — Isso foi divertido. — June sorri, fechando a porta atrás de nosso último convidado, e a giro, movendo-nos pelo corredor com as minhas mãos em sua bunda. — Se sente bem? — Ela pergunta, estudando-me com as mãos contra meu peito. — Não, — murmuro, colocando a minha boca em seu pescoço, lambendo até sua orelha. — Qual o problema? — Ela suspira, tentando afastar seu rosto. — Preciso estar dentro de você. — Belisco sua orelha e suas mãos deslizam em meu pescoço enquanto seu corpo amolece no meu. Movendo-se para o quarto, eu a levanto, e coloco um joelho na cama, em seguida, o outro, antes de derrubá-la de costas no meio da cama. — Você tem uma porra de enorme família, — eu a informo, arrancando sua camisa sobre a cabeça. — E temos um monte de amigos. Pensei que nunca sairiam.

218


— Temos uma enorme família. Eles são a sua família agora, também. — Ela levanta os quadris, ofegante, para que eu possa tirar seus shorts jeans e a calcinha sobre seu traseiro. — Eu estava morrendo para estar dentro de você toda a noite. Juro que estava pronto para chutar todo mundo para fora horas atrás. — Desengancho o sutiã e o lanço atrás de mim. — Eles se preocupam com você, — ela sussurra quando seguro seus seios e belisco seus mamilos. — Eu sei, — concordo, me recostando para ajudá-la a tirar minha camisa. — Mas eles poderiam ter esperado uma semana ou duas antes de aparecer, — eu reclamo, e ela ri, cobrindo meu rosto. — Bem-vindo à família, querido. Você nunca estará sozinho novamente. — Ela sorri, e sorrio de volta. Tanto quanto odeio admitir isso, essa merda se sente bem. — Agora, pare de falar, — ela sussurra, exercendo pressão sobre a parte de trás do meu pescoço. Dando a ela o que ela quer, eu a beijo, percorrendo a minha mão entre as pernas dela, encontrando-a molhada e pronta para mim. — Ev, — ela geme, montando meus dedos enquanto minha boca cobre o peito dela. — Estou bem aqui, baby. — Preciso de você dentro de mim. — Retirando os dedos dela, eu os lambo, removo o meu jeans e volto para ficar entre suas pernas espalhadas. — Não sei se posso ser suave, — digo a ela, afastando seu cabelo do rosto. — Por que você precisa ser suave? — Ela pergunta, envolvendo sua mão em volta do meu pau, deslizando-a para cima e para baixo. — O bebê. — O bebê está bem. Agora, por favor, me foda. — Ela levanta os quadris, e me afundo lentamente dentro dela. — Mais forte, — ela implora, e inclino para trás, procurando os olhos dela, pegando meu ritmo. Suas pernas levantam, segurando-me apertado, e as suas costas arqueiam para fora da cama. — Porra, — eu rosno, pegando o ritmo ao ver que ela está perto.

219


— Simmm. — Suas unhas apertam em minhas costas enquanto sua boceta convulsiona ao meu redor, me levando com ela através de seu orgasmo. — Casa, — eu rosno, olhando em seus olhos bonitos. — Você é a minha casa. — Deslizo para fora, para novamente enterrar meu rosto em seu pescoço e meu pau profundamente. — Você é a minha casa, — ela sussurra em meu ouvido. — Eu te amo. — Eu também te amo, linda. — Afasto-me para olhar para ela, sabendo que posso ter fodido, mas de maneira nenhuma eu a perderei novamente.

Epílogo

Três meses depois — Você pode agora beijar a noiva. Com essas palavras, eu pego June pela cintura, inclino-a para trás e cubro sua boca com a minha, enquanto a nossa família e amigos vibram alto. Quando a vi vindo pelo corredor em direção a mim, segurando o braço de seu pai, eu tive que apertar minha mão para não correr para frente e afastá-la dele em direção ao altar. Relutantemente afastando minha boca da dela, olho para ela, sabendo que sou o filho da puta mais sortudo do planeta. Ela é sempre bonita, mas usando esse vestido de marfim, de ombro caído, com sua pele brilhando desde a gravidez, o cabelo preso, mostrando o seu rosto e pescoço, ela está de tirar o fôlego. — Eu te amo, — ela suspira, correndo os dedos sobre os lábios, conforme seus olhos se enchem de lágrimas. — Sempre, bonita, até o dia que eu morrer. — Eu a levanto comigo, e um rugido explode em torno de nós. Levantando-a em meus braços, eu escuto a sua risada enquanto a levo pelo o corredor, ouvindo algumas risadas quando passamos por todos sem parar. — Para onde vamos? — June pergunta quando entro no prédio, onde ambos nos preparamos esta tarde.

220


— Sua mãe me impediu de ver você na noite passada. E hoje, eu fiquei longe quando ela me pediu, mas agora você é minha esposa, todas as regras estão fora, — murmuro, indo em direção ao quarto onde ela se vestiu. Assim que chego à porta, eu rosno, — Abra, — em seguida, chuto a porta para fechá-la e atravesso a sala para o sofá, colocando-a delicadamente. — Quão difícil seria eu tirar esse vestido de você? — Pergunto, passando minhas mãos sobre a renda cobrindo as laterais e os intrincados botões ao longo das costas. — Levou vinte minutos para a minha mãe e irmãs abotoarem tudo. — Ela ri, puxando meu rosto para o dela. — Mas podemos descobrir algo. — Ela sorri contra a minha boca e coloco a minha língua entre seus lábios entreabertos, cobrindo seu corpo com o meu. — Se vocês dois não saírem daí agora, eu juro que vou quebrar essa porta! — November grita, quebrando nosso momento, e olhando nos olhos sorridentes de June, murmuro, — Sua mãe é uma louca. — Essa não é minha mãe. Essa é Mãezilla, — ela sussurra, empurrando o rosto no meu pescoço, rindo quando November bate novamente. Desta vez mais forte. — É melhor ir lá antes que ela perceba que a porta não está fechada, — resmungo, olhando para a porta, surpreso que ela ainda não tenha aberto. — Temos uma semana de apenas nós e uma praia particular, — ela diz, lembrando-me suavemente do nosso presente de casamento de seu tio Trevor e tia Liz, que nos deixarão usar a casa de praia deles na Jamaica por uma semana. Uma semana durante a qual eu pretendo tirar completa vantagem do nosso tempo sozinho sem a família e drama. Não que tenha havido mais qualquer drama. Lane ficou longe desde que ele tem uma ordem de restrição, e tenho visto alguém sobre o meu episódio. O casamento é a única coisa que tem me impedido de ter June completamente, e a partir de hoje, isso acabou. Embora eu tenha que admitir, o local da recepção e do casamento está perfeito. Todas as noitadas de June com sua mãe, irmãs e tias foram recompensados. Elas fizeram um trabalho incrível. — Não quero dividir você com ninguém. Não gostei de ficar longe de você na noite passada ou hoje, — eu admito, e seu rosto suaviza. — Só mais algumas horas.

221


— Mais algumas horas, — concordo, levantando ela comigo, então movo minhas mãos para seu cabelo e o aliso de volta no lugar. — Você está bonita. — E você está muito bonito em seu smoking. Não posso acreditar que mamãe realmente te convenceu a vestir. — Ela não me deixou escolha. — Sorrio, procurando seu rosto. — Como você se sente? — Tudo bem. — Ela sorri inclinando-se para mim. — Fiquei um pouco enjoada esta manhã, mas desde então, eu estive bem. — Não gosto de você doente sem que eu estivesse lá para cuidar de você. — Franzo a testa, movendo minhas mãos em seu estômago. — Eu não estava doente, apenas náuseas, e é normal, de modo que desmanche esse olhar de seu rosto. — Ela balança a cabeça, sorrindo. — É o meu trabalho me preocupar com você, — a lembro. Justo então, a porta se abre e November entra com os olhos cobertos. — Vocês dois, melhor estarem decentes! — Ela grita para a parede à nossa frente. — Mãe, você está segura. — June ri, e November descobre o rosto, olhando para a parede, em seguida, balança a cabeça para nós. — O que vocês estão fazendo? A recepção começará a qualquer minuto. — Vamos agora. Só queria alguns minutos a sós com minha esposa, — digo a ela, gentilmente colocando June no meu lado. — Oh, — ela diz suavemente, olhando entre nós dois. — Você poderia apenas ter dito isso. — Você está no modo Mãezilla. Você teria nos parado, — June a informa, e os lábios de November se contraem. — Verdade, — ela concorda com um suspiro. — Eu darei mais alguns minutos para vocês, mas então estou arrastando vocês dois daqui. — Nós sairemos em um segundo, mãe, — June diz, e November acena, olhando para mim, ela fala, — Não mexa no cabelo dela. Vocês ainda têm fotos para tirar, — antes de sair do quarto, fechando a porta atrás dela.

222


— Tem certeza que não posso tirar o vestido? — Pergunto, ouvindo November gritar através da porta, — Faça e morra, Evan! Tapando a boca gargalhando de June com a minha, eu oro em silêncio que a noite termine rapidamente. *** — Você está se divertindo? — June pergunta do meu lado, e olho para seu belo rosto, em seguida, em torno da grande sala. Ver todos os nossos amigos e familiares me fez perceber como sou sortudo. Posso ter tido uma infância de merda e pais fodidos, os quais até hoje ainda não se importaram o suficiente para pensar em seu filho, mas tenho bons homens cuidando das minhas costas, e uma mulher ao meu lado que se encaixa perfeitamente comigo. E na verdade, o que mais há para pedir na vida? ***

June Quatro anos depois Finalmente pegando minha filha, e tenho certeza que ela foi colocada nesta terra para me deixar louca, eu a balanço em meus braços e viro o rosto para um senhor mais velho quando ele bate no meu ombro. — Sim? — Pergunto, segurando as mãos pequenas de Tia para baixo, de modo que ela não pode me acertar no rosto enquanto grita, doces, doces, doces, os quais ela não ganhará. Ela não precisa de doces. Ela não gosta de vegetais e frutas. Mas doce é o meu pior pesadelo.

223


— É o seu filho? — Pergunta o homem, dando um passo para o lado, e quando o faz, sinto meus lábios pressionarem fortemente. Quero dizer que não, que o pequeno adorável diabinho não é meu, mas ele é – ou ele é todo seu pai. — Ele é meu, — murmuro, levando minha filha comigo até o seu irmão, Conner, que aparentemente está usando a máquina de distribuição automática de manteiga de pipoca para lavar as mãos na manteiga. — Jesus, — ouço Evan rugir atrás de mim, e sua mão instalando-se contra as minhas costas. — Eu saí por dois minutos, — murmura; espantado. — Sim, — concordo, tentando não rir. — Ele é todo seu. — Eu o vejo aproximarse de Conner, puxar as mãos dele de debaixo do rio de manteiga, e pegar alguns guardanapos. Nossa vida é uma loucura, caos completo. Nunca há um momento de tédio, mas também nunca há um momento em que eu não aprecie o que temos.

FIM

224

Série Until Her #2 Until June - Aurora Rose Reynolds  

Essa série e outra série intitulada de ''Until Him'' são spin-off da série ''Until''. Essas duas séries são sobre os filhos dos personagens...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you