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D IS P ON IB I L IZ A ÇÃ O : JU L IA N A A L VE S T R A D U ÇÃ O : A D D R IA N A R E V IS Ã O : N I CK L E IT U R A : L Y , V I V I F OR M A T A ÇÃ O : D A D Á

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ANNA ZAIRES

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SEQUESTRADA. LEVADA PARA UMA ILHA PRIVADA. NUNCA PENSEI QUE ISSO PUDESSE ACONTECER COMIGO. EU NUNCA IMAGINEI QUE UM ENCONTRO CASUAL, NA VÉSPERA DO MEU ANIVERSÁRIO DE DEZOITO ANOS, PUDESSE MUDAR A MINHA VIDA TÃO COMPLETAMENTE. AGORA EU PERTENÇO A ELE. A JULIAN. A UM HOMEM QUE É TÃO IMPLACÁVEL QUANTO ELE É BONITO, UM HOMEM CUJO TOQUE FAZME QUEIMAR. UM HOMEM CUJA TERNURA EU ACHO MAIS DEVASTADORA DO QUE A SUA CRUELDADE. MEU CAPTOR É UM ENIGMA. EU NÃO SEI QUEM ELE É OU PORQUE ELE ME LEVOU. HÁ UMA ESCURIDÃO DENTRO DELE, UMA ESCURIDÃO QUE ME ASSUSTA AO MESMO TEMPO QUE ME ATRAI. MEU NOME É NORA LESTON, E ESTA É A MINHA HISTÓRIA.

Aviso: Este não é um romance de tradicional. Ele contém assuntos perturbadores, incluindo temas de consentimento questionável e Síndrome de Estocolmo, bem como, conteúdo sexual explícito. Esta é uma obra de ficção destinada a um público maduro, 18+ somente. A autora não aprova, nem tolera esse tipo de comportamento. A N N A

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Sangue. Está em toda parte. A piscina de líquido vermelho escuro no chão está se espalhando, se multiplicando. Está nos meus pés, minha pele, meu cabelo.... Eu posso provar, cheirar, sentir isso me cobrindo. Eu estou me afogando em sangue, sufocando nele. Não! Pare! Eu quero gritar, mas eu não posso tirar ar o suficiente. Eu quero me mover, mas eu estou contida, amarrada no lugar, as cordas cortam a minha pele conforme eu luto contra elas. Eu posso ouvir seus gritos, embora. Gritos desumanos de dor e agonia que me cortam aberta, deixando minha mente crua e mutilada como sua carne. Ele levanta a faca uma última vez, e a poça de sangue se transforma em um oceano, a corrente me sugando. Eu acordo gritando seu nome, meus lençóis encharcados de suor frio. Por um momento, eu estou desorientada... e então eu me lembro. Ele nunca virá para mim novamente.

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Tenho dezessete anos de idade quando eu o encontro pela primeira vez. Dezessete e louca por Jake. "Nora, vamos, isso é chato", Leah diz conforme sentamos na arquibancada assistindo o jogo. Futebol. Algo sobre o qual eu não sei nada, mas finjo que eu amo, porque é lá que eu o vejo. Lá fora, nesse campo, praticando todos os dias. Eu não sou a única menina assistindo Jake, claro. Ele é o quarterback e o cara mais quente no planeta, ou pelo menos no subúrbio de Chicago de Oak Lawn, Illinois. "Não é chato", eu digo a ela. " Futebol é muito divertido." Leah revira os olhos. "Sim, sim. Basta ir falar com ele logo. Você não é tímida. Por que você não faz simplesmente ele perceber você?" Eu dou de ombros. Jake e eu não estamos nos mesmos círculos. Ele tem líderes de torcidas loucas por ele, e eu estive olhando para ele por tempo suficiente para saber que ele gosta de meninas loiras e altas, não morenas e baixas. Além disso, por enquanto, é meio divertido simplesmente desfrutar da atração. E eu sei o que este sentimento é. Luxúria. Hormônios, pura e simplesmente. Eu não tenho ideia se eu vou gostar de Jake como pessoa, mas eu certamente adoro a forma como ele fica sem camisa. Sempre que ele

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passa, eu sinto meu coração bater mais rápido de excitação. Eu me sinto quente por dentro, e eu quero me contorcer no meu lugar. Eu também sonho com ele. Sonhos sensuais, sonhos lascivos, onde ele segura minha mão, toca o meu rosto, me beija. Nossos corpos se tocam, esfregam um contra o outro. Nossas roupas saem. Eu tento imaginar como o sexo com Jake seria. No ano passado, quando eu estava saindo com Rob, nós quase fizemos tudo, mas depois eu descobri que ele dormiu com outra garota em uma festa enquanto estava bêbado. Ele se humilhou profusamente quando confrontei ele sobre isso, mas eu não podia confiar nele novamente e nós terminamos. Agora estou muito mais cuidadosa com os caras que eu namoro, embora eu saiba que nem todos eles são como Rob. Jake pode ser, apesar de tudo. Ele é muito popular para não ser um jogador. Ainda assim, se há alguém com quem eu gostaria de ter a minha primeira vez, é definitivamente Jake. "Vamos sair hoje à noite", diz Leah. "Apenas nós meninas. Nós podemos ir para Chicago, comemorar seu aniversário ". "Meu aniversário vai demorar mais uma semana," Eu a lembro, apesar de eu saber que ela tem a data marcada no seu calendário. "E daí? Podemos ter um começo." Eu sorrio. Ela está sempre tão ansiosa para festejar. "Eu não sei. E se eles nos colocarem para fora de novo? Essas 1identidades não são boas- " "Nós vamos para outro lugar. Não tem que ser no Aristóteles." Aristóteles é de longe o clube mais legal na cidade. Mas Leah estava certa, havia outros. "Ok", eu digo. "Vamos fazer isso. Vamos começar."

Leah me pega às 21:00h. ______________________________ 1

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Abreviação de Identidade


Ela está vestida pra matar - jeans skinny escuro, um top preto brilhante, e botas acima do joelho de salto alto. Seu cabelo loiro está perfeitamente liso e reto, caindo pelas costas como uma cascata brilhando. Em contraste, eu ainda estou usando meus tênis. Meus sapatos de sair eu escondo na mochila que pretendo deixar no carro de Leah. Uma blusa de lã grossa esconde o top sexy que estou usando. Sem maquiagem e meu cabelo marrom longo em um rabo de cavalo. Deixo a casa assim, para evitar qualquer suspeita. Eu digo aos meus pais que eu vou sair com Leah para a casa de uma amiga. Minha mãe sorri e me diz para me divertir. Agora que eu tenho quase dezoito anos, eu não tenho mais um toque de recolher. Bem, eu provavelmente tenho, mas não é um formal. Enquanto eu voltar para casa antes dos meus pais começarem a pirar, ou pelo menos se eu deixá-los saber onde estou, está tudo bem. Uma vez que eu entro no carro de Leah, eu começo a minha transformação. Lá se vai a blusa grossa, revelando o top furtivo que tenho por baixo. Eu usava um sutiã push-up, para maximizar os meus seios pequenos. As alças de sutiã são inteligentemente arrumadas para parecer bonitas, então eu não tenho vergonha de mostrar. Eu não tenho botas legais como Leah, mas eu consegui fugir com o meu par de saltos pretos mais agradável. Eles acrescentam cerca de quatro polegadas a minha altura. Eu preciso de cada uma dessas polegadas, então eu coloquei os sapatos. Em seguida, eu pego minha bolsa de maquiagem e puxei para baixo a viseira do para-brisa, para que eu possa ter acesso ao espelho. Feições familiares olham para mim. Grandes olhos castanhos e sobrancelhas pretas, claramente definidas, dominam o meu rosto pequeno. Rob me disse uma vez que eu pareço exótica, e eu posso meio que ver isso. Mesmo que eu seja apenas um quarto Latina, minha pele sempre parece levemente bronzeada e meus cílios são anormalmente longos. Cílios falsos, Leah os chama, mas eles são totalmente reais. Eu não tenho problema com minha aparência, embora muitas vezes eu deseje que eu fosse mais alta. São esses genes mexicanos meus. Minha avó era pequena e eu também, embora ambos os meus pais sejam de

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estatura média. Eu não me importaria, exceto que Jake gosta de meninas altas. Eu não acho que ele sequer me veja no corredor. Estou, literalmente, abaixo do nível dos olhos. Suspirando, eu coloco gloss e alguma sombra no olho. Eu não enlouqueço com maquiagem porque simples funciona melhor em mim. Leah aumenta o rádio, e as últimas músicas pop enchem o carro. Eu sorrio e começo a cantar junto com Rihanna. Leah se junta a mim, e agora nós duas estamos cantando letras S & M. Antes que eu perceba, chegamos ao clube. Nós entramos como se fossemos donas do lugar. Leah dá ao segurança um grande sorriso, e nós mostramos rapidamente nossas identidades. Eles nos deixam passar, não há problema. Nós nunca fomos a este clube antes. É em uma parte, um pouco degradada do centro de Chicago. "Como você encontrou este lugar?" Eu grito com Leah, gritando para ser ouvida acima da música. "Ralph me disse sobre ele", ela grita de volta, e eu rolo meus olhos. Ralph é ex-namorado de Leah. Eles se separaram quando ele começou a agir estranho, mas eles continuam a se falar por algum motivo. Acho que ele está em drogas ou algo assim. Eu não tenho certeza, e Leah não vai me dizer por alguma lealdade equivocada a ele. Ele é o rei da sombra, e o fato de que estarmos aqui por sua recomendação não é reconfortante. Mas de qualquer forma. Claro, a área externa não é a melhor, mas a música é boa e a multidão é uma mistura agradável de pessoas. Estamos aqui para festejar, e isso é exatamente o que fazemos pela próxima hora. Leah nos arruma dois rapazes para nos comprar shots. Não bebemos mais do que uma bebida cada. Leah – porque ela tem que nos levar para casa. E eu – porque eu não metabolizo bem álcool. Nós podemos ser jovens, mas não somos estúpidas. Após os shots, nós dançamos. Os dois rapazes que nos compraram bebidas dançam com a gente, mas nós gradualmente migramos para longe deles. Eles não são tão bonitos. Leah encontra um grupo de gostosos em

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idade universitária, e nós ficamos perto deles. Ela começa a conversar com um deles, e eu sorrio, observando-a em ação. Ela é boa nesse negócio de paquera. Nesse meio tempo, minha bexiga me diz que eu preciso visitar o banheiro das mulheres. Então eu os deixo e vou embora. No caminho de volta, peço ao bartender um copo de água. Estou com sede depois de toda a dança. Ele dá para mim, e eu avidamente bebo. Quando eu termino, eu coloco o copo e olho para cima. Em linha reta, encontro um par de olhos azuis penetrantes. Ele está sentado do outro lado do bar, cerca de 3 metros de distância. E ele está olhando para mim. Eu olho para trás. Eu não posso evitar. Ele é provavelmente o homem mais bonito que eu já vi. Seu cabelo é escuro e tem cachos leves. Seu rosto é duro e masculino, cada traço perfeitamente simétrico. Sobrancelhas escuras em linha reta sobre aqueles olhos incrivelmente pálidos. Uma boca que poderia pertencer a um anjo caído. De repente, sinto me quente conforme imagino aquela boca tocando minha pele, meus lábios. Se eu fosse propensa a corar, eu teria estado vermelha como um tomate. Ele se levanta e caminha para mim, ainda me segurando com seu olhar. Ele caminha devagar. Calmamente. Ele é completamente seguro de si. E porque não? Ele é lindo, e ele sabe disso. Quando ele se aproxima, eu percebo que ele é um homem grande. Alto e bem constituído. Eu não sei quantos anos ele tem, mas eu estou suponho que ele esteja mais perto de trinta do que de vinte. Um homem, não um menino. Ele está ao meu lado, e eu tenho que lembrar de respirar. "Qual é seu nome?", Ele pergunta baixinho. Sua voz de alguma forma soa acima da música, suas notas mais profundas audíveis mesmo neste ambiente barulhento.

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"Nora", digo em voz baixa, olhando para ele. Estou absolutamente fascinada, e eu tenho certeza que ele sabe disso. Ele sorri. Seus lábios sensuais abrindo, revelando dentes brancos. "Nora. Eu gosto disso." Ele não se apresenta, então eu reúno minha coragem e pergunto: "Qual é seu nome?" "Você pode me chamar de Julian", diz ele, e vejo seus lábios se movendo. Eu nunca estive tão fascinada pela boca de um homem antes. "Quantos anos você tem, Nora?", Ele pergunta em seguida. Eu pisco. "Vinte e um." Sua expressão escurece. "Não minta para mim." "Quase dezoito anos," Eu admito com relutância. Espero que ele não diga ao barman e eu seja chutada para fora daqui. Ele balança a cabeça, como se eu confirmasse suas suspeitas. E então ele levanta a mão e toca meu rosto. Levemente, delicadamente. Seu polegar esfrega contra meu lábio inferior, como se ele estivesse curioso sobre a sua textura. Estou tão chocada que fiquei ali parada. Ninguém nunca fez isso antes, tão casualmente me tocar, de uma forma tão possessiva. Eu me sinto quente e fria ao mesmo tempo, e uma onda de medo serpenteia pela minha espinha. Não há hesitação em suas ações. Sem pedir licença, sem pausa para ver se eu iria deixá-lo me tocar. Ele só me toca. Como se ele tivesse o direito de fazê-lo. Como se eu lhe pertencesse. Puxo uma respiração instável e me afasto. "Eu tenho que ir", eu sussurro, e ele balança a cabeça novamente, observando-me com uma expressão inescrutável no rosto bonito. Sei que ele está me deixando ir, e eu me sinto pateticamente grata, porque algo dentro de mim sente que ele poderia ter facilmente ido mais longe, que ele não jogaria pelas regras normais. Que ele é, provavelmente, a criatura mais perigosa que eu já conheci.

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Viro-me e abro meu caminho através da multidão. Minhas mãos estão tremendo, e meu coração está batendo na minha garganta. Eu preciso sair, então eu agarro Leah e a faço me levar para casa. Conforme estamos caminhando para fora do clube, eu olho para trás e vejo-o novamente. Ele ainda está olhando para mim. Há uma promessa escura em seu olhar, algo que me faz tremer.

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As próximas três semanas passam em um borrão. Eu celebro meu aniversário de dezoito anos, estudo para as provas finais, saio com Leah e minha outra amiga Jennie, vamos para os jogos de futebol para assistir Jake jogar, e preparo-me para a graduação. Eu tento não pensar sobre o incidente no clube novamente. Porque quando eu faço, eu me sinto uma covarde. Por que eu corri? Julian mal tinha me tocado. Não consigo entender minha reação estranha. Eu tinha ficado ligada, mas ridiculamente assustada ao mesmo tempo. E agora as minhas noites estão inquietas. Em vez de sonhar com Jake, muitas vezes eu acordo me sentindo quente e desconfortável, pulsando entre as minhas pernas. Imagens sexuais escuras invadem meus sonhos, coisas que eu nunca tinha pensado antes. Muito disso envolve Julian fazendo algo para mim, normalmente, enquanto eu estou impotente, congelada no lugar. Às vezes acho que estou ficando louca. Empurrando esse pensamento perturbador fora da minha mente, eu me concentro em me vestir. Minha formatura do ensino médio é hoje, e estou animada. Leah, Jennie, e eu temos grandes planos para depois da cerimônia. Jake vai dar

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uma festa de pós-graduação em sua casa. Vai ser a oportunidade perfeita para finalmente falar com ele. Eu estou usando um vestido preto sob o meu vestido de formatura azul. É simples, mas veste bem, mostrando minhas pequenas curvas. Eu também estou usando meus saltos de quatro polegadas. Um pouco demais para a cerimônia de formatura, mas eu preciso da altura a mais. Meus pais me levam para a escola. Este verão eu espero economizar dinheiro suficiente para comprar o meu próprio carro para faculdade. Eu vou para uma faculdade da comunidade local porque é mais barato dessa forma, então eu ainda vou estar vivendo em casa. Não me importo. Meus pais são agradáveis, e nos damos bem. Eles me dão muita liberdade, provavelmente, porque eles pensam que eu sou uma boa garota, nunca me metendo em confusão. Eles estão mais do que certos. Tirando as identidades falsas e as excursões ocasionais a boates, levo uma vida muito calma. Não bebo pesado, não fumo, não uso qualquer tipo de droga, embora eu tenha experimentado maconha uma vez em uma festa. Nós chegamos e eu encontro Leah. Alinhadas para a cerimônia, temos que esperar pacientemente pelos nossos nomes serem chamados. É um dia perfeito no início de junho, não muito quente, nem muito frio. O nome de Leah é chamado primeiro. Felizmente para ela, seu último nome começa com 'A.' Meu sobrenome é Leston, então eu tenho que ficar por mais trinta minutos. Felizmente, a nossa turma tem apenas cem pessoas. Uma das vantagens de viver em uma cidade pequena. Meu nome é chamado e eu vou receber o meu diploma. Com vista para a multidão, eu sorrio e aceno para os meus pais. Estou satisfeita que eles parecem tão orgulhosos. Eu aperto a mão do diretor e viro para voltar para o meu lugar. E nesse momento, eu o vejo novamente. Meu sangue congela em minhas veias. Ele está sentado na parte de trás, me observando. Eu posso sentir seus olhos em mim, mesmo à distância.

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De alguma forma eu faço o meu caminho para baixo do palco sem cair. Minhas pernas estão tremendo, e minha respiração é muito mais rápida do que o normal. Eu sento ao lado dos meus pais e rezo para que eles não percebam o meu estado. Porque é que Julian está aqui? O que ele quer de mim? Respirando fundo, digo a mim mesma para me acalmar. Certamente ele está aqui por causa de outra pessoa. Talvez ele tenha um irmão ou uma irmã na minha turma. Ou algum outro parente. Mas eu sei que estou mentindo para mim mesma. Lembro-me daquele toque possessivo, e eu sei que ele não acabou comigo. Ele me quer. Um arrepio percorre minha espinha com o pensamento.

Eu não o vejo novamente após a cerimônia, e eu estou aliviada. Leah nos leva para a casa de Jake. Ela e Jennie estão batendo papo todo o caminho, animadas por concluir o ensino médio, para iniciar a próxima fase das nossas vidas. Eu normalmente participo da conversa, mas eu estou muito perturbada por ver Julian, então eu apenas sento lá, tranquilamente. Por alguma razão, eu não tinha dito a Leah sobre o encontro com ele no clube. Eu só disse que eu tinha uma dor de cabeça e queria ir para casa. Eu não sei por que eu não posso falar com Leah sobre Julian. Não tenho nenhum problema em falar dos meus medos sobre Jake. Talvez seja porque é muito difícil para mim descrever como Julian me faz sentir. Ela não iria entender por que ele me assusta. Eu mesma, realmente, não entendo isso. Na casa de Jake, a festa está em pleno andamento quando chegamos. Ainda estou decidida a falar com Jake, mas eu ainda estou muito assustada de ter visto Julian. Eu decido que eu preciso de um pouco de coragem líquida.

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Deixando as meninas, eu ando para o barril e me sirvo um copo de ponche. Dou uma cheirada, e vejo que ele definitivamente tem álcool, e eu bebo o copo todo. Quase imediatamente, eu começo a me sentir tonta. Como eu havia descoberto nos últimos anos, a minha tolerância ao álcool é praticamente inexistente. Uma bebida é simplesmente o meu limite. Eu vejo Jake caminhando para a cozinha, e eu o sigo até lá. Ele está limpando, jogando fora alguns copos extras e pratos de papel sujos. "Você quer alguma ajuda com isso?", Pergunto. Ele sorri, seus olhos castanhos enrugando nos cantos. "Ah, claro, obrigado. Isso seria fantástico." Seu cabelo manchado de sol está um pouco comprido e cai sobre a testa, fazendo-o parecer particularmente bonito. Eu derreto um pouco por dentro. Ele é tão lindo. Não da maneira perturbadora de Julian, mas em um sentido agradavelmente confortável. Jake é alto e musculoso, mas ele não é tão grande para um quarterback. Não suficientemente grande para jogar bola na faculdade, ou pelo menos é o que Jennie me disse uma vez. Eu o ajudo a limpar, tiro algumas migalhas do balcão e limpo as gotas de ponche que tinha derramado no chão. O tempo todo, meu coração está batendo mais rápido de excitação. "Nora, certo?" Jake diz, olhando para mim. Ele sabe o meu nome! Dou-lhe um enorme sorriso. "Está certo." "É realmente incrível você ajudar, Nora", diz ele com sinceridade. "Eu gosto de dar festas, mas a limpeza é sempre uma droga no dia seguinte. Então agora eu tento limpar um pouco durante, antes que fique realmente desagradável. " Meu sorriso se alarga ainda mais, e eu aceno. "Claro." Isso faz total sentido para mim. Eu amo o fato de que ele pareça tão agradável e ponderado, muito mais do que apenas um atleta.

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Começamos a conversar. Ele me conta sobre seus planos para o próximo ano. Ao contrário de mim, ele vai para a faculdade. Digo-lhe que estou planejando ficar por aqui pelos próximos dois anos para economizar dinheiro. Depois, eu quero transferir para uma universidade real. Ele acena com aprovação e diz que é inteligente. Ele tinha pensado em fazer algo assim, mas ele teve sorte o suficiente em ter uma bolsa de estudos integral, indo para a Universidade de Michigan. Eu sorrio e dou parabéns. No interior, eu estou pulando para cima e para baixo de alegria. Estamos conversando. Estamos realmente conversando! Ele gosta de mim, eu posso dizer. Oh, por que não me aproximei dele antes? Falamos por cerca de vinte minutos antes que alguém entre na cozinha à procura de Jake. "Ei, Nora" Jake diz antes dele voltar para a festa "Você vai fazer alguma coisa amanhã?" Eu balanço minha cabeça, prendendo a respiração. "Que tal ir ver um filme?" Jake sugere. "Talvez jantar naquele pequeno lugar de frutos do mar?" Eu sorrio e aceno como uma idiota. Estou com muito medo de dizer algo estúpido, então eu mantenho minha boca fechada. "Ótimo," Jake diz, sorrindo para mim. "Então eu vou buscá-la às seis." Ele volta a ser o anfitrião da festa, e eu me junto as meninas. Nós ficamos por outro par de horas, mas eu não falo com Jake novamente. Ele está cercado por seus amigos atletas, e eu não quero interromper. Mas de vez em quando, eu o pego olhando para mim e sorrindo.

Eu estou flutuando no ar durante as próximas vinte e quatro horas. Digo a Leah e Jennie tudo o que aconteceu. Elas estão animadas por mim.

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Me arrumando para o nosso encontro, eu coloco um vestido azul bonito e um par de botas marrons de salto alto. Elas são um cruzamento entre botas de cowboy e algo um pouco mais arrumado, e eu sei que eu fico bem nelas. Jake me pega às seis horas em ponto. Vamos para o Fish-of-the-Sea, um lugar não muito longe da sala de cinema. É um bom lugar, não muito formal. Perfeito para um primeiro encontro. Nos divertimos muito. Eu aprendo mais sobre Jake e sua família. Ele me faz perguntas também, e nós descobrimos que nós gostamos dos mesmos tipos de filmes. Eu não suporto filmes de mulherzinha, por alguma razão, e eu realmente gosto de histórias bregas de fim de mundo com muitos efeitos especiais. O mesmo acontece com Jake, aparentemente. Após o jantar, vamos ver um filme. Infelizmente, não se trata de um apocalipse, mas ainda é um bom filme de ação. Durante o filme, Jake coloca o braço em volta dos meus ombros, e eu mal posso reprimir a minha emoção. Espero que ele me beije esta noite. Quando o filme acaba, vamos para uma caminhada no parque. É tarde, mas eu me sinto completamente segura. A taxa de criminalidade na nossa cidade é insignificante, e há uma abundância de iluminação pública. Nós estamos caminhando e Jake está segurando minha mão. Estamos discutindo o filme. Em seguida, ele para e apenas olha para mim. Eu sei o que ele quer. É o que eu quero também. Eu olho para ele e sorrio. Ele sorri de volta, coloca as mãos sobre os meus ombros, e se inclina para me beijar. Seus lábios são macios, e seu hálito cheira a goma de menta que ele estava mastigando antes. Seu beijo é suave e agradável, tudo o que eu esperava que fosse. Então, num piscar de olhos, tudo muda. Eu não sei mesmo o que aconteceu ou como isso aconteceu. Em um minuto, eu estou beijando Jake, e no próximo, ele está deitado no chão, inconsciente. Uma grande figura está pairando sobre ele.

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Abro a boca para gritar, mas não posso dar mais que um pio antes de uma mão grande cobrir minha boca e nariz. Eu sinto uma picada aguda no lado do meu pescoço, e meu mundo fica completamente escuro.

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Eu acordo com uma dor de cabeça latejante e o estômago enjoado. Está escuro, e eu não consigo ver nada. Por um segundo, eu não consigo lembrar o que aconteceu. Eu bebi muito em uma festa? Então minha mente clareia, e os eventos da noite passada vêm correndo. Eu me lembro do beijo e então... Jake! Oh meu Deus, o que aconteceu com Jake? O que aconteceu comigo? Estou tão aterrorizada que só fico ali, tremendo. Estou deitada em algo confortável. Uma cama com um bom colchão, mais provável. Estou coberta por um cobertor, mas eu não posso sentir qualquer roupa no meu corpo, apenas a suavidade dos lençóis de algodão contra a minha pele. Eu me toco e confirmo que eu estou certa: Eu estou completamente nua. Meus tremores se intensificam. Eu uso uma mão para verificar entre as minhas pernas. Para meu grande alívio, tudo parece o mesmo. Sem umidade, nenhuma dor, nenhuma indicação que eu tenha sido violada de forma alguma. Por enquanto, pelo menos. As lágrimas queimam meus olhos, mas eu não as deixo cair. Chorar não ajudaria minha situação agora. Eu preciso descobrir o que está acontecendo. Eles estão planejando me matar? Me estuprar? Me estuprar e

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depois me matar? Se for resgate que estão atrás, então eu estou morta. Depois que meu pai foi despedido durante a recessão, os meus pais mal conseguem pagar sua hipoteca. Eu contenho a histeria com esforço. Eu não quero começar a gritar. Isso poderia atrair atenção. Ao invés disso eu apenas fico ali no escuro, cada história horrível que eu já vi no noticiário correndo pela minha mente. Penso em Jake e seu sorriso caloroso. Eu penso em meus pais e o quanto eles ficarão devastados quando a polícia lhes disser que estou desparecida. Eu penso em todos os meus planos, e como eu, provavelmente, nunca vou ter a chance de frequentar uma universidade real. E então eu começo a ficar com raiva. Por que eles fizeram isso? Quem são eles, afinal? Parto do princípio de que são "eles" ao invés de "ele" porque eu lembro de ter visto um vulto escuro que pairava sobre o corpo de Jake. Alguém deve ter me agarrado por trás. A raiva ajuda a conter o pânico. Eu sou capaz de pensar um pouco. Eu ainda não consigo ver nada no escuro, mas eu posso sentir. Movendo-me em silêncio, eu cuidadosamente começo a explorar meus arredores. Em primeiro lugar, eu determino que eu estou de fato deitada em uma cama. A cama é grande, provavelmente king-size. Há travesseiros e um cobertor, e os lençóis são suaves e agradáveis ao toque. Provavelmente caros. Por alguma razão, isso me assusta ainda mais. Estes são criminosos com dinheiro. Rastejo para a borda da cama, sento, segurando o cobertor firmemente em torno de mim. Meus pés descalços tocam o chão. É suave e frio ao toque, como madeira. Eu envolvo o cobertor em torno de mim e fico de pé, pronta para fazer uma exploração maior. Nesse momento, eu ouço a porta abrindo. Uma luz suave acende. Mesmo que não seja brilhante, eu estou cega por um minuto. Eu pisco algumas vezes, para meus olhos se ajustarem.

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E eu o vejo. Julian. Ele fica na porta como um anjo escuro. Seu cabelo enrolando um pouco em volta do rosto, suavizando a perfeição dura dos seus traços. Seus olhos estão focados no meu rosto, e seus lábios se curvam em um leve sorriso. Ele é impressionante. E absolutamente aterrorizante. Meus instintos tinham sido corretos: este homem é capaz de tudo. "Olá, Nora", diz ele em voz baixa, entrando no aposento. Eu lanço um olhar desesperado ao meu redor. Não vejo nada que pudesse servir como uma arma. Minha boca está seca como o deserto. Eu não posso nem reunir saliva o suficiente para falar. Então, eu só o vejo caminhar para mim como um tigre faminto que se aproxima de sua presa. Vou lutar se ele me tocar. Ele chega mais perto, e eu dou um passo atrás. Depois outro e outro, até que eu estou pressionada contra a parede. Eu ainda estou encolhendome no cobertor. Ele levanta a mão, e eu fico tensa, preparando-se para me defender. Mas ele está apenas segurando uma garrafa de água e a oferece para mim. "Aqui", diz ele. "Achei que você devia estar com sede." Eu fico olhando para ele. Eu estou morrendo de sede, mas eu não quero que ele me drogue novamente. Ele parece entender a minha hesitação. "Não se preocupe, meu animal de estimação. É apenas água. Eu quero você acordada e consciente. " Eu não sei como reagir a isso. Meu coração está martelando na minha garganta, e eu me sinto doente de medo.

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Ele fica lá, pacientemente assistindo. Segurando o cobertor firmemente com uma mão, eu cedo a minha sede e pego a água dele. Minha mão treme, e os meus dedos roçam contra os seus no processo. Uma onda de calor rola através de mim, uma reação estranha que eu ignoro. Agora eu tenho que abrir a tampa, o que significa que eu tenho que deixar cair ao cobertor. Ele está observando o meu dilema com interesse e nenhuma pequena medida de diversão. Felizmente, ele não está me tocando. Ele está a menos de 60 cm de distância e simplesmente me observando. Eu pressiono meus braços firmemente contra o meu corpo, segurando o cobertor dessa maneira, e abro a tampa. Então eu seguro o cobertor com uma mão e levanto a garrafa aos lábios para beber. O líquido frio é surpreendente em meus lábios e língua ressecados. Eu bebo até que toda a garrafa tenha desaparecido. Não me lembro da última vez que a água tenha sido tão boa. A boca seca deve ser o efeito colateral de qualquer droga que ele usou para me trazer aqui. Agora eu posso falar novamente, então eu lhe pergunto: "Por quê?" Para minha grande surpresa, minha voz soa quase normal. Ele levanta a mão e toca o meu rosto novamente. Assim como ele fez no clube. E novamente, eu fiquei lá parada, impotente e permitindo. Seus dedos são suaves sobre a minha pele, seu toque quase macio. É um contraste tão gritante com toda a situação que eu fico desorientada por um momento. "Porque eu não gostei de ver você com ele", Julian diz, e eu posso ouvir a raiva mal contida em sua voz. "Porque ele te tocou, colocou as mãos em você." Eu mal posso pensar. "Quem?", eu sussurro, tentando descobrir do que ele está falando. E então eu me toco. "Jake?" "Sim, Nora", diz ele sombriamente. "Jake." "Ele está-" Eu não sei se eu posso sequer dizer isso em voz alta. "ele está... vivo?" "Por enquanto," Julian diz, com os olhos queimando nos meus. "Ele está no hospital com uma concussão leve."

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Estou tão aliviada que eu caio contra a parede. E então o real significado de suas palavras me atingem. "O que quer dizer com por enquanto?" Julian dá de ombros. "Sua saúde e bem estar são totalmente dependentes de você." Eu engulo para umedecer minha garganta ainda seca. "De mim?" Seus dedos acariciam meu rosto de novo, empurram o cabelo para trás da minha orelha. Eu estou tão gelada que sinto como se seu toque estivesse queimando minha pele. "Sim, meu animal de estimação, de você. Se você se comportar, ele vai ficar bem. Se não... " Eu mal posso soltar uma respiração. "Se não?" Julian sorri. "Ele vai estar morto dentro de uma semana." Seu sorriso é a mais bela e assustadora coisa que eu já vi. "Quem é você?", eu sussurro. "O que você quer de mim?" Ele não responde. Ao invés disso, ele toca meu cabelo, levanta uma mecha grossa marrom do meu rosto. Inala, como se o cheirasse. Eu o vejo, congelada no lugar. Eu não sei o que fazer. Posso lutar com ele agora? E se assim for, o que teria que fazer? Ele não me machucou ainda, e eu não quero provocá-lo. Ele é muito maior do que eu, muito mais forte. Eu posso ver a espessura de seus músculos sob a camiseta preta que ele está usando. Sem meus saltos, eu quase não chego até o ombro dele. Enquanto eu contemplo os méritos lutar com alguém que provavelmente me supera por cinquenta quilos, ele toma a decisão para mim. Sua mão deixa meu cabelo e puxa o cobertor que estou segurando com tanta força. Eu não deixo cair. Eu agarro mais forte. E eu faço algo embaraçoso. Eu imploro. "Por favor", eu digo desesperadamente, "Por favor, não faça isso." Ele sorri novamente. "Por que não?" Sua mão continua a puxar o cobertor, lenta e inexoravelmente. Eu sei que ele está fazendo isso dessa forma para prolongar a tortura. Ele poderia facilmente rasgar o cobertor fora de mim com um forte puxão.

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"Eu não quero isso", digo a ele. Eu mal posso respirar através da constrição no peito, e minha voz soa inesperadamente ofegante. Ele parece divertido, mas há um brilho escuro em seus olhos. "Não? Você acha que eu não pude sentir a sua reação a mim no clube? " Eu balanço minha cabeça. "Não houve reação. Você está errado..." Minha voz é grossa com lágrimas não derramadas. "Eu só quero Jake-" Em um instante, sua mão está envolvida em torno da minha garganta. Ele não faz qualquer outra coisa, não aperta, mas a ameaça está lá. Eu posso sentir a violência dentro dele, e eu estou apavorada. Ele se inclina para mim. "Você não quer aquele menino", diz ele duramente. "Ele nunca poderá lhe dar o que eu posso. Você me entende?" Eu aceno, com muito medo de fazer qualquer outra coisa. Ele liberta minha garganta. "Bom", diz ele em um tom mais suave. "Agora vamos tirar o cobertor. Eu quero ver você nua novamente. " Mais uma vez? Deve ter sido ele quem me despiu. Tento me firmar ainda mais perto da parede. E ainda não deixo cair o cobertor. Ele suspira. Dois segundos depois, o cobertor está no chão. Como eu suspeitava, não tenho chance quando ele usa sua força. Eu resisto da única maneira que eu posso. Em vez de ficar lá e deixálo olhar para o meu corpo nu, eu deslizo para baixo na parede até que eu estou sentada no chão, meus joelhos até meu peito. Meus braços envolvem em torno das minhas pernas, e eu sento lá assim, tremendo toda. Meu cabelo longo e grosso, escorre pelas minhas costas e braços, me cobrindo parcialmente. Eu escondo meu rosto contra os joelhos. Estou com medo do que ele vai fazer comigo agora, e as lágrimas queimando meus olhos finalmente escapam, correndo pelo meu rosto. "Nora", diz ele, e há uma nota de aço em sua voz. "Levante-se. Levante-se agora." Balanço a cabeça em silêncio, ainda não olhando para ele.

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"Nora, isso pode ser agradável para você ou pode ser doloroso. É realmente com você." Agradável? Ele é louco? Meu corpo inteiro está tremendo com os soluços neste momento. "Nora", diz ele de novo, e eu ouço a impaciência em sua voz. "Você tem exatamente cinco segundos para fazer o que eu estou dizendo a você." Ele espera, e eu quase posso ouvi-lo contando em sua cabeça. Eu estou contando também, e quando eu chego no quatro, levanto, lágrimas ainda escorrendo pelo meu rosto. Tenho vergonha da minha própria covardia, mas eu tenho tanto medo da dor. Eu não quero que ele me machuque. Eu não quero que ele me toque de jeito nenhum, mas isso claramente não é uma opção. "Boa menina", ele diz suavemente, tocando o meu rosto, colocando meu cabelo para trás sobre meus ombros. Eu tremo ao seu toque. Eu não posso olhar para ele, assim eu mantenho meus olhos para baixo. Ele aparentemente se opõe a isso, porque ele inclina meu queixo para cima até que eu não tenho escolha, a não ser encontrar o seu olhar com o meu próprio. Seus olhos são azul escuros a esta luz. Ele está tão perto de mim que eu posso sentir o calor saindo de seu corpo. É uma sensação boa, porque eu estou com frio. Nua e fria. De repente, ele chega até mim, curvando-se. Antes que eu possa ficar realmente com medo, ele desliza um braço em torno de minhas costas e outro sob os joelhos. Então ele me levanta, sem esforço, em seus braços e me leva para a cama.

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Ele me coloca para baixo, quase delicadamente, e eu me enrolo em uma bola, tremendo. Ele começa a se despir, e não posso deixar de observálo. Ele está vestindo calça jeans e uma camiseta, e a camiseta vem em primeiro lugar. Sua parte superior do corpo é uma obra de arte, os ombros largos, músculos rígidos e o bronzeado da pele lisa. Seu peito é levemente polvilhado com pelo escuro. Em outras circunstâncias, eu teria ficado feliz de ter um amante de tão boa aparência. Nestas circunstâncias, eu só quero gritar. Seus jeans vão em seguida. Eu posso ouvir o som de seu zíper sendo aberto, e isso me impulsiona a agir. Em um segundo, eu vou de estar deitada na cama, a correr para a porta que ele tinha deixado aberta. Eu posso ser pequena, mas eu sou rápida em meus pés. Eu fiz trilha por dez anos e era muito boa no que fazia. Infelizmente, eu machuquei meu joelho durante uma das corridas, e agora estou limitada a corridas mais de lazer e outras formas de exercício. Eu corro para fora da porta, descendo as escadas, e eu estou quase na porta da frente quando ele me pega. Seus braços se fecham em torno de mim por trás, e ele me aperta tanto que eu não consigo respirar por um momento. Meus braços estão completamente contidos, então eu não posso nem lutar com ele. Ele me levanta, e eu chuto ele com meu calcanhar. Eu me viro para dar alguns pontapés antes dele me virar para encará-lo. Tenho certeza que ele vai me machucar agora, e eu me preparo para um golpe. Ao invés disso, ele me puxa para um abraço e me prende firmemente. Meu rosto está enterrado em seu peito, e meu corpo nu é pressionado contra o seu. Eu posso sentir o cheiro limpo e almiscarado de sua pele e sinto algo duro e quente contra o meu estômago. Sua ereção. Ele está completamente nu e excitado.

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Pela forma como ele está me segurando, eu estou quase que completamente impotente. Eu não pude retroceder nem o arranhar. Mas eu posso morder. Então eu afundo meus dentes em seu musculoso peitoral e o ouço amaldiçoar antes dele puxar meu cabelo, me forçando a liberar sua carne. Então ele me segura assim, um braço em volta da minha cintura, com a minha parte inferior do meu corpo firmemente pressionada contra ele. A outra mão está em punho no meu cabelo, segurando minha cabeça arqueada para trás. Minhas mãos estão empurrando seu peito em uma tentativa fútil de colocar alguma distância entre nós. Eu encontro o seu olhar desafiadoramente, ignorando as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Eu não tenho escolha, senão ser corajosa agora. Se eu morrer, quero, pelo menos, manter alguma dignidade. Sua expressão está escura e com raiva, seus olhos azuis se estreitaram para mim. Eu estou respirando com dificuldade, e meu coração está batendo tão rápido que eu sinto que ele pode saltar para fora do meu peito. Nós olhamos um para o outro, predador e presa, o conquistador e o conquistado, e, nesse momento, eu sinto um tipo estranho de conexão com ele. Como se uma parte de mim fosse estar sempre alterada pelo que está acontecendo entre nós. De repente, seu rosto suaviza. Um sorriso aparece em seus lábios sensuais. Então ele se inclina para mim, abaixa a cabeça, e pressiona a boca na minha. Estou atordoada. Seus lábios são suaves e macios conforme eles exploram os meus, mesmo quando ele me segura com uma mão de ferro. Ele é um beijador fantástico. Beijei muitos poucos caras, e eu nunca senti nada parecido com isso. Sua respiração é quente, aromatizada com algo doce, e sua língua provoca meus lábios até que abrem involuntariamente, concedendo-lhe o acesso a minha boca. Eu não sei se são os efeitos colaterais da droga que ele me deu ou o simples alívio que ele não está me machucando, mas eu derreto naquele

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beijo. Uma languidez estranha se espalha pelo meu corpo, minando a minha vontade de lutar. Ele me beija lentamente, sem pressa, como se ele tivesse todo o tempo do mundo. Sua língua acaricia contra a minha, e ele levemente chupa meu lábio inferior, enviando uma onda de calor líquido em linha reta para o meu núcleo. Sua mão diminui o aperto sobre o meu cabelo e embala a parte de trás da minha cabeça em seu lugar. É quase como se ele estivesse fazendo amor comigo. Percebo minhas mãos segurando em seus ombros. Eu não tenho nenhuma ideia de como elas chegaram lá, mas agora estou agarrada a ele em vez de empurrando-o para longe. Eu não entendo minha própria reação. Por que não estou encolhendo longe de seu beijo com desgosto? Ele simplesmente tem um gosto tão bom, aquela boca incrível dele. É como beijar um anjo. Isso me faz esquecer a situação por um segundo, me permite empurrar o terror para longe. Ele se afasta e olha para baixo para mim. Seus lábios estão molhados e brilhantes, um pouco inchados do nosso beijo. Os meus provavelmente também estão. Ele não parece mais com raiva. Em vez disso, ele olha com fome e prazer ao mesmo tempo. Eu posso ver tanto desejo e ternura em seu rosto perfeito, que eu não posso desviar o olhar. Eu lambo meus lábios, e seus olhos caem para a minha boca por um segundo. Ele me beija novamente, apenas um breve toque de seus lábios contra os meus. Então ele me pega de novo e me leva até o andar de cima para a sua cama.

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Quando olho para trás naquele dia, o meu comportamento não faz sentido para mim. Eu não entendo por que eu não lutei contra ele com mais força, por que eu não tentei fugir novamente. Não foi uma decisão racional da minha parte, não foi uma escolha consciente, para cooperar a fim de evitar a dor. Não, eu estava agindo puramente por instinto. E meu instinto é me submeter a ele. Ele me coloca na cama, e eu fico lá. Estou muito cansada de nossa luta de antes, e eu ainda me sinto tonta da droga. Há algo tão surreal sobre o que está acontecendo que minha mente não pode processar totalmente. Eu me sinto como se estivesse assistindo a uma peça ou um filme. Não pode ser eu nesta situação. Eu não posso ser essa garota que foi drogada e sequestrada, e que está deixando seu sequestrador tocá-la, acariciá-la por todo o corpo. Estamos deitados em nossos lados, de frente um para o outro. Eu posso sentir suas mãos na minha pele. Elas são um pouco ásperas, calejadas. Quente na minha carne congelada. Forte, embora ele não esteja usando a força agora. Ele poderia me dominar com facilidade, como ele fez antes, mas não há necessidade. Eu não estou lutando com ele. Eu estou flutuando em uma névoa obscura, sensual. Ele está me beijando novamente, e acariciando meu braço, costas, meu pescoço, minha coxa exterior. Seu toque é suave, mas firme. É quase

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como se ele estivesse me dando uma massagem, só que eu posso sentir a intenção sexual em suas ações. Ele beija meu pescoço, levemente mordiscando o ponto sensível onde o meu pescoço e ombro se unem, e eu tremo da sensação de prazer. Eu fecho meus olhos. É de desarmar, a tão surpreendente gentileza dele. Eu sei que deveria me sentir violada e eu o faço, mas eu também me sinto estranhamente acarinhada. Com os olhos fechados, eu finjo que isso é apenas um sonho. Uma fantasia escura, como o tipo que eu às vezes tenho tarde da noite. Isso torna mais palatável, o fato de que eu estou deixando este estranho fazer isso comigo. Uma de suas mãos está agora em minhas nádegas, massageando a carne macia. A outra mão está viajando pela minha barriga, minhas costelas. Ele atinge os meus seios e pega o da esquerda com a palma da mão, aperta-o levemente. Meus mamilos já estão duros, e seu toque é bom, quase calmante. Rob fez isso comigo antes, mas nunca foi assim. Nunca me senti assim. Eu continuo a manter os olhos fechados enquanto ele me rola sobre minhas costas. Ele está parcialmente em cima de mim, mas a maioria de seu peso está na cama. Ele não quer me esmagar, eu sei, e sinto-me grata. Ele beija minha clavícula, meu ombro, meu estômago. Sua boca é quente, e deixa um rastro úmido na minha pele. Em seguida, ele fecha os lábios em volta do meu mamilo direito e chupa. Meu corpo arqueia, e eu sinto a tensão descer para a minha barriga. Ele repete a ação com meu outro mamilo, e a tensão dentro de mim cresce, se intensifica. Ele percebe. Eu sei que ele o faz, porque sua mão se aventura entre minhas coxas e sente a umidade lá. "Boa menina", ele murmura, acariciando minhas dobras. "Tão doce, tão sensível." Eu choramingo conforme seus lábios viajam pelo meu corpo, seu cabelo fazendo cócegas em minha pele. Eu sei o que ele pretende, e minha mente apaga quando ele chega ao seu destino.

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Por um segundo, eu tento resistir, mas ele facilmente puxa minhas pernas. Seus dedos me tocam suavemente, em seguida, puxam meus lábios inferiores. E então ele me beija lá, enviando uma onda de calor através do meu corpo. Sua boca talentosa lambe e mordisca ao redor do meu clitóris até que eu estou gemendo, e, em seguida, ele fecha os lábios em torno dele e suga levemente. O prazer é tão forte, tão surpreendente que os meus olhos se abrem. Eu não entendo o que está acontecendo comigo, e é assustador. Estou queimando por dentro, pulsando entre as minhas pernas. Meu coração está batendo tão rápido que eu não posso pegar minha respiração, e eu me vejo ofegante. Eu começo a lutar, e ele ri baixinho. Eu posso sentir as baforadas de ar de sua respiração na minha pele sensível. Ele facilmente mantém-me deitada e continua o que está fazendo. A tensão dentro de mim está se tornando insuportável. Eu estou me contorcendo contra sua língua, e seus movimentos parecem estar me trazendo mais perto de alguma coisa indescritível. Então eu atinjo o clímax com um grito suave. Meu corpo inteiro aperta, e eu sou inundada por uma onda de prazer tão intensa que os meus dedos do pé enrolam. Eu posso sentir meus músculos internos pulsando, e eu percebo que eu tive um orgasmo. O primeiro orgasmo da minha vida. E foi pelas mãos, ou melhor, pela boca do meu captor. Estou tão devastada que eu só quero enrolar-me e chorar. Eu aperto meus olhos fechados novamente. Mas ele não terminou comigo ainda. Ele percorre o meu corpo e beija minha boca novamente. Ele tem um gosto diferente agora, salgado, com um tom ligeiramente almiscarado. É de mim, eu percebo. Estou me degustando em seus lábios. Uma onda quente de constrangimento rola através do meu corpo, mesmo quando a fome dentro de mim se intensifica. Seu beijo é mais carnal do que antes, mais áspero. Sua língua penetra minha boca numa óbvia imitação do ato sexual, e seus quadris se

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contraem fortemente entre as minhas pernas. Uma de suas mãos está segurando a parte de trás da minha cabeça, enquanto a outra está entre as minhas coxas, esfregando levemente e me estimulando novamente. Eu não resisto realmente, embora meu corpo fique tenso quando o medo retorna. Eu posso sentir o calor e a dureza de sua ereção empurrando contra minha coxa, e eu sei que ele vai me machucar. "Por favor", eu sussurro, abrindo meus olhos para olhar para ele. Minha visão está borrada pelas lágrimas. "Por favor... Eu nunca fiz isso antes-" Suas narinas se alargam, e seus olhos ficam mais brilhante. "Estou feliz", diz ele em voz baixa. Em seguida, ele mexe seus quadris um pouco e usa sua mão para guiar seu pau em direção a minha abertura. Eu suspiro quando ele começa a empurrar dentro. Estou molhada, mas meu corpo resiste a intrusão desconhecida. Eu não sei o quão grande ele é, mas o sinto enorme conforme a cabeça de seu pau entra lentamente no meu corpo. Começa a doer, a queimar, e eu grito, empurrando seus ombros. Suas pupilas se expandem, fazendo com que seus olhos fiquem mais escuros. Há gotas de suor na testa, e eu percebo que ele está, na verdade, se contendo. "Relaxe, Nora", ele sussurra duramente. "Vai doer menos se você relaxar." Eu estou tremendo. Eu não posso seguir o seu conselho porque estou muito nervosa e porque dói tanto, tendo até mesmo um pouco dele dentro de mim. Ele continua a pressionar e, minha carne lentamente abre caminho, relutantemente, se estendendo para ele. Eu estou me contorcendo agora, chorando, minhas unhas arranhando suas costas, mas ele é incansável, trabalhando o seu pau centímetro por centímetro devagar. Em seguida, ele faz uma pausa por um segundo, e eu posso ver uma veia pulsando perto da sua testa. Parece que ele está com dor. Mas eu sei que é agradável para ele, esse ato que está me machucando muito. Ele abaixa a cabeça, beijando minha testa. E então ele empurra passando a barreira virginal, rasgando a membrana fina com um impulso

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firme. Ele não para até que seu corpo inteiro está enterrado dentro de mim, seus pelos pubianos pressionando contra os meus. Eu quase perco a consciência com a dor. Meu estômago torce com náuseas, e eu me sinto fraca. Eu não posso nem gritar; tudo o que posso fazer é tentar ter respirações rasas pequenas para evitar a passagem para fora. Eu posso sentir sua dureza alojada dentro de mim, e é a coisa mais dolorosamente invasiva que já experimentei. "Relaxe", ele murmura no meu ouvido, "apenas relaxe, meu animal de estimação. A dor vai passar, ela vai ficar melhor..." Eu não acredito nele. É como se uma estaca aquecida fosse empurrada dentro do meu corpo, me rasgando. E eu não posso fazer nada para escapar, para fazer doer menos. Ele é muito maior do que eu, muito mais forte. Tudo o que posso fazer é ficar ali, impotente, presa debaixo dele. Ele não move seus quadris, não empurra, mesmo que eu possa sentir a tensão em seus músculos. Ao invés disso, ele gentilmente beija minha testa novamente. Eu fecho meus olhos, lágrimas amargas escorrendo das minhas têmporas, e sinto o roçar claro de seus lábios contra minhas pálpebras. Eu não sei quanto tempo ficamos lá assim. Ele está chovendo beijos suaves no meu rosto, meu pescoço. Suas mãos me abraçam, acariciam a minha pele em uma paródia de toque de um amante. E o tempo todo, seu pau está enterrado dentro de mim, a sua dureza intransigente me machucando, me queimando por dentro. Eu não sei em que ponto a dor começa a mudar. Meu corpo traiçoeiro amacia lentamente, começa a responder aos seus beijos, à ternura de seu toque. O bastardo perverso percebe isso. E ele lentamente começa a se mover, parcialmente retirando do meu corpo e, em seguida, entrando de volta. Inicialmente, seus movimentos pioram, apenas aumentam minha agonia. E então ele atinge entre nossos corpos com uma mão, e usa um dedo para pressionar contra o meu clitóris, mantendo a pressão leve e constante. Seus impulsos movem meus quadris, fazendo-me esfregar contra o dedo de uma forma rítmica.

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Para meu horror, eu sinto a tensão se concentrando dentro de mim novamente. A dor ainda está lá, assim como o prazer. Eu estou me contorcendo em seus braços, mas agora eu estou lutando também. Seus impulsos se tornam mais duros, mais profundos, e eu estou gritando com a intensidade insuportável. A dor e a mistura de prazer, até que elas são indistinguíveis uma da outra, até que eu existo em um mundo de pura sensação, esmagadora. E então eu explodo, o orgasmo rasga através do meu corpo com tal força que a minha visão escurece por um momento. De repente, eu posso ouvi-lo gemendo contra a minha orelha e o sinto ficar ainda mais grosso dentro de mim. Seu pênis está pulsando e empurrando dentro de mim, e eu sei que ele encontrou a sua libertação também. Pouco depois, ele sai de cima de mim e me traz para ele, me segurando perto. E eu choro em seus braços, buscando consolo na mesma pessoa que causou minhas lágrimas.

Depois disso, minha mente ficou nebulosa, meus pensamentos estranhamente confusos. Ele me levou a algum lugar, e fui molemente em seus braços, como uma boneca de pano. Agora ele está me lavando. Estou de pé no chuveiro com ele. Estou vagamente surpresa que minhas pernas podem manter-me de pé. Eu me sinto entorpecida, dormente de alguma forma. Há sangue em minhas coxas. Posso vê-lo misturar com a água, correndo para o ralo. Além disso, há algo pegajoso entre as minhas pernas. Seu sêmen, mais provável. Ele não tinha usado proteção. Eu poderia agora ter uma DST. Eu deveria estar horrorizada com o pensamento, mas eu me sinto entorpecida. Pelo menos a gravidez não é algo que tenha que me preocupar. Assim que eu fiquei séria com Rob, minha mãe insistiu em me levar ao médico para colocar um implante de controle de natalidade no meu braço. Como assistente de enfermagem na clínica

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sem fins lucrativos das mulheres, ela viu muita gravidez na adolescência e quis certificar-se que a mesma coisa não acontecesse comigo. Eu sou tão grata a ela agora. Enquanto eu estou ponderando tudo isso, Julian me lava a fundo, lavando e colocando condicionador no meu cabelo. Ele até raspa minhas pernas e axilas. Uma vez que eu estou completamente limpa e suave, ele desliga a água e me guia para fora do chuveiro. Ele me seca com uma toalha e depois a si mesmo. Depois, ele me envolve com um manto fofo e me leva para a cozinha para me alimentar. Eu como o que ele coloca na minha frente. Eu nem mesmo gosto. É um sanduíche de algum tipo, mas eu não sei o que está nele. Ele também me dá um copo de água, que eu engulo avidamente. Eu vagamente espero que ele não esteja me drogando, mas eu realmente não me importo se ele está. Eu estou tão cansada que eu só quero desmaiar. Depois que eu estou satisfeita de comer e beber, ele me leva de volta para o banheiro. "Vá em frente, escove os dentes", diz ele, e eu olho para ele. Ele se preocupa com a minha higiene oral? Eu quero escovar os dentes, no entanto, então eu faço o que ele diz. Eu também uso o banheiro para fazer xixi. Ele tem consideração e me deixa sozinha para isso. Então ele me leva de volta para o quarto. De alguma forma, a cama agora tem lençóis limpos sobre ela, sem nenhum vestígio de sangue em qualquer lugar. Eu sou grata por isso. Ele me beija suavemente nos lábios, sai do quarto e tranca a porta. Estou tão exausta que eu ando até a cama, deito e caio imediatamente no sono.

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Quando eu acordo, minha mente está completamente clara. Lembrome de tudo, e eu quero gritar. Eu salto para fora da cama, percebendo que eu ainda estou vestindo o roupão da noite passada. O movimento repentino me faz consciente de uma dor interna profunda, e minha parte inferior do corpo aperta com a lembrança de como eu tive aquela dor. Eu ainda posso sentir sua totalidade dentro de mim, e eu estremeço com a lembrança. Estou enojada e revoltada comigo mesma. O que há de errado comigo? Como eu pude ter apenas ficado lá e deixado Julian fazer sexo comigo? Como eu pude ter tido prazer em seus braços? Sim, ele tem boa aparência, mas isso não é desculpa. Ele é mau. Eu sei disso. Senti isso desde o início. Sua beleza exterior esconde uma escuridão dentro. Tenho a sensação de que ele só começou a revelar sua verdadeira natureza para mim. Ontem eu estava muito assustada, traumatizada demais para prestar atenção ao meu redor. Estou me sentindo muito melhor hoje, então eu estudo cuidadosamente este quarto. Há uma janela. Está coberta por cortinas em tons de marfim, mas ainda posso ver um pouco do sol que espreita completamente.

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Corro para ela, abrindo as cortinas e pisco para a luz brilhante repentina. Demora alguns segundos para os meus olhos se ajustarem, e então eu olho para fora. O meu estômago despenca. A janela não é hermeticamente fechada ou qualquer coisa assim. Na verdade, parece que eu poderia facilmente abri-la e sair. Este quarto fica no segundo andar, então eu poderia talvez até mesmo pular para o chão sem quebrar nada. Não, a janela não é o problema. É a visão de fora. Eu posso ver palmeiras e uma praia de areia branca. Além dela, há uma grande massa de água, azul e cintilante sob o sol brilhante. É bonito e tropical. E o mais diferente possível da minha pequena cidade no CentroOeste.

Estou com frio novamente. Tão frio que eu estou tremendo. Eu sei que é do estresse porque a temperatura deve estar em algum lugar perto de 26 graus. Eu estou andando para cima e para baixo do quarto, ocasionalmente parando para olhar para fora da janela. Toda vez que olho, é como um soco no estômago. Eu não sei o que eu estava esperando. Eu honestamente não tinha tido a chance de pensar sobre a minha localização. Eu meio que tinha suposto que ele iria me manter em algum lugar na área, talvez perto de Chicago onde tínhamos nos conhecido. Eu tinha pensado que tudo que eu tinha que fazer, a fim de escapar era encontrar uma maneira de sair desta casa. Agora eu percebo que é muito mais complicado do que isso. Tento novamente a porta. Está trancada.

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Poucos minutos atrás, eu tinha descoberto um pequeno banheiro anexo a este quarto. Usei-o para cuidar das minhas necessidades básicas e para escovar os dentes. Tinha sido uma boa distração. Agora eu estou andando como um animal enjaulado, cada vez mais apavorada e irritada a cada minuto que passa. Finalmente, a porta se abre, e uma mulher entra. Estou tão chocada que eu simplesmente olho. Ela é bastante jovem, talvez em seus trinta e poucos anos, e bonita. Ela está segurando uma bandeja de comida e sorrindo para mim. Seu cabelo é vermelho e encaracolado, e seus olhos são um castanho suave. Ela é maior do que eu, provavelmente, pelo menos dez centímetros mais alta, com um porte atlético. Ela está vestida muito casualmente, em um par de shorts jeans e uma regata branca, com rasteirinhas em seus pés. Eu penso em atacá-la. Ela é uma mulher, e eu tenho uma pequena chance de vencer contra ela em uma luta. Eu não tenho nenhuma chance contra Julian. Seu sorriso se alarga, como se ela estivesse lendo minha mente. "Por favor não pule em mim", diz ela, e eu posso ouvir a diversão em sua voz. "É completamente inútil, eu prometo. Eu sei que você quer fugir, mas não há realmente nenhum lugar para ir. Nós estamos em uma ilha privada no meio do Oceano Pacífico. " O mal-estar no meu estômago se agrava. "De quem é a ilha privada?", pergunto, embora eu já saiba a resposta. "De Julian, é claro." "Quem é ele? Quem são vocês? "Minha voz está relativamente estável conforme eu falo com ela. Ela não me deixa nervosa como Julian faz. Ela coloca a bandeja. "Você vai saber tudo no devido tempo. Estou aqui para cuidar de você e da propriedade. Meu nome é Beth, a propósito. " Eu tomo uma respiração profunda. "Por que estou aqui, Beth?" "Você está aqui porque Julian quer você." "E você não vê nada de errado com isso?" Eu posso ouvir a voz histérica no meu tom. Eu não entendo como essa mulher está junto com aquele louco, como ela está agindo como se isso fosse normal.

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Ela encolhe os ombros. "Julian faz o que quer. Não cabe a mim julgar. " "Por que não?" "Porque eu devo a ele minha vida", diz ela séria e sai do quarto.

Eu como a comida que Beth me trouxe. Está muito boa, na verdade, mesmo que isso não seja comida tradicional de café da manhã. Tem peixe grelhado em algum tipo de molho de cogumelos e batatas assadas com um pouco de salada verde. Para sobremesa, há um pouco de manga picada. Fruta local, eu suponho. Apesar da minha agitação interna, consigo comer tudo. Se eu fosse menos covarde, eu resistiria me recusando a comer sua comida, mas eu temo a fome, tanto quanto eu temo a dor. Até agora ele realmente não me machucou. Bem, doeu quando ele colocou seu pênis dentro de mim, mas ele não tinha sido propositadamente áspero. Eu suspeito que teria doído na primeira vez, independentemente das circunstâncias. A primeira vez. De repente me atinge que tinha sido a minha primeira vez. Agora eu não sou mais virgem. Estranhamente, eu não me sinto como se tivesse perdido nada. A membrana fina dentro de mim nunca tinha tido nenhum significado especial para mim. Nunca tive a intenção de esperar até o casamento ou qualquer outra coisa assim. Lamento que a minha primeira vez foi com um monstro, mas eu não lamento a perda da denominação "virgem". Eu teria com prazer ido todo o caminho com Jake, se eu tivesse tido uma chance. Jake! Meu estômago dá uma guinada. Eu não posso acreditar que eu não pensei sobre ele desde que Julian me disse que ele estava seguro. O cara por quem eu fui louca durante meses tinha sido a coisa mais distante na minha mente enquanto eu estava nos braços do meu captor. Vergonha quente queima dentro de mim. Eu não deveria ter pensado em Jake na noite passada? Eu não deveria ter imaginando seu rosto

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quando Julian me tocou tão intimamente? Se eu realmente quisesse Jake, ele não deveria ter estado em minha mente durante o meu encontro sexual forçado? De repente estou cheia de ódio amargo pelo homem que fez isso comigo, o homem que quebrou minhas ilusões sobre o mundo, sobre mim mesma. Eu nunca tinha pensado muito sobre o que eu faria se eu fosse sequestrada, como eu reagiria. Quem pensa sobre coisas assim? Mas eu acho que eu tinha assumido que eu sempre seria valente, lutando até o último momento. Não é isso que elas fazem em todos os livros e filmes? Lutam, mesmo quando é inútil, mesmo quando isso significa se machucar? Eu não deveria ter feito isso também? Sim, ele é mais forte do que eu, mas eu não tinha que dar tão facilmente. Ele não me amarrou; ele não me ameaçou com uma faca ou uma arma. Tudo o que ele tinha feito foi perseguir-me quando eu tentei correr. Aquela corrida tinha sido toda a minha resistência até agora. Eu não reconheço essa pessoa que tinha se entregue tão facilmente. E ainda assim eu sei que ela sou eu. Uma parte de mim que nunca tinha vindo à luz antes. Uma parte de mim que eu nunca teria conhecido se Julian não tivesse me levado. Pensar nisso é tão perturbador que eu me concentro no meu captor ao invés disso. Quem é ele? Como alguém pode se dar ao luxo de ter toda uma ilha privada? Como Beth deve sua vida a ele? E, mais importante, o que ele pretende fazer comigo? Um milhão de cenários diferentes passam pela minha mente, cada um mais terrível do que o outro. Eu sei que há coisas como o tráfico humano. Isso acontece o tempo todo, especialmente às mulheres de países mais pobres. É esse o destino que me espera? Eu vou acabar em um bordel em algum lugar, drogada, para ser deixada sem nenhuma consciência, e usada diariamente por dezenas de homens? Julian está simplesmente experimentando a mercadoria antes de entrega-la para o seu destino final? Antes que o pânico possa tomar conta da minha mente, eu inspiro profundamente e tento pensar logicamente. Embora o tráfico humano seja uma possibilidade, não parece provável para mim. Por um lado, Julian parece ser muito possessivo sobre mim- extremamente possessivo para

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alguém apenas testando a mercadoria. E, além disso, por que me trouxe aqui, para sua ilha privada, se ele está apenas planejando me vender? Meu animal de estimação, Ele havia me chamado. É apenas um carinho sem sentido, ou é como ele me vê? Será que ele tem algum fetiche que envolve manter mulheres em cativeiro? Eu penso sobre isso por um tempo, e decido que ele provavelmente o faz. Por que outra razão, um homem rico e de boa aparência faria isso? Certamente, ele não teria nenhum problema em ter encontros da maneira usual. Na verdade, eu poderia ter saído com ele se eu não tivesse tido aquela vibração tão estranha vinda dele no clube. Se ele não tivesse me tocado como se ele me tivesse. Isso é coisa dele? Uma propriedade? Será que ele quer uma escrava sexual? Se for assim, por que ele me escolheu? Foi por causa da minha reação a ele no clube? Será que ele achou que eu seria um covarde, que eu iria deixá-lo fazer o que ele quisesse de mim? Será que eu de alguma forma trouxe isso para mim mesma? O pensamento é tão repugnante que eu o afasto e levanto, determinada a explorar ainda mais a minha prisão. A porta ainda está trancada, o que não me surpreende. Eu sou capaz de abrir a janela e o ar quente, com cheiro de mar enche o quarto. Eu não posso abrir a tela na janela, no entanto. Eu preciso fazer isso, a fim de sair. Eu não tento com muita força. Se eu acreditasse em Beth, escapar deste quarto não me ajuda em nada. Eu procuro algo que possa ser usado como uma arma. Não há nenhuma faca, mas há um garfo que sobrou da minha refeição. Beth provavelmente notaria se eu escondesse isso. Ainda assim, eu arrisco e o pego, escondendo o utensílio por trás de uma pilha de livros em uma estante alta que reveste uma das paredes. Em seguida, exploro banheiro, na esperança de encontrar uma garrafa de spray de cabelo ou qualquer outra coisa nesse sentido. Mas só há sabonete, escova e pasta de dentes. No chuveiro, eu acho sabonete líquido, shampoo, condicionador -todos de marcas agradáveis, caras. Meu captor claramente não é mesquinho.

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Então, novamente, qualquer um que possua uma ilha privada provavelmente pode pagar um shampoo de cinquenta dólares. Ele pode até mesmo ser capaz de pagar um shampoo de mil dólares, se tal coisa existe. O fato de que eu estou pensando sobre shampoo me surpreende. Eu não deveria estar gritando e chorando? Oh, espere, eu fiz isso ontem. Eu acho que só há um tanto de choro que uma pessoa possa ter. As lágrimas parecem ter acabado, pelo menos por agora. Depois de explorar todos os cantos do lugar, eu fico entediada, então eu pego um dos livros da estante. Um romance de Sidney Sheldon, algo sobre uma mulher traída que busca vingança contra seus inimigos. Chama a atenção o suficiente para que eu seja capaz de escapar mentalmente da minha prisão pelo próximo par de horas.

Beth vem e me traz o almoço. Ela também traz algumas roupas, dobradas em uma pilha. Estou feliz. Eu estive usando o roupão a manhã toda, e eu gostaria de me vestir normalmente. Quando ela coloca as roupas no armário, mais uma vez penso em combate-la tentando escapar. Talvez usando o garfo que eu tenho escondido. "Nora, me dá o garfo", diz ela. Eu pulo um pouco e dou-lhe um olhar assustado. Ela poderia realmente ser uma leitora de mentes? E então eu percebo que ela está simplesmente olhando para a bandeja vazia e percebendo que o utensílio está faltando. Eu decido me fazer de desentendida. "Que garfo?" Ela solta um suspiro. "Você sabe que garfo. O que você escondeu atrás dos livros. Me dê isto." Outra das minhas suposições provadas erradas. Eu não sei porque eu pensei que tinha qualquer privacidade.

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Eu olho para o teto, estudando-o com cuidado, mas eu não posso ver onde as câmeras estão. "Nora..." Solicita Beth. Eu recupero o garfo e jogo para ela. Eu acho que estou secretamente esperando que a acerte nos olhos. Mas Beth pega e sacode a cabeça para mim, como se decepcionada com o meu comportamento. "Eu estava esperando que você não agisse dessa maneira", diz ela. "Agir de que maneira? Como uma vítima de sequestro?" Eu realmente, realmente quero bater nela agora. "Como uma criança mimada", ela esclarece, colocando o garfo em seu bolso. "Você acha que é tão terrível, estar aqui nesta bela ilha? Você acha que você está sofrendo por estar na cama de Julian?" Encaro-a como se ela fosse uma lunática. Será que ela realmente espera que eu esteja bem com esta situação? Para ir humildemente junto com isso e nunca proferir uma palavra de protesto? Ela olha de volta para mim, e, pela primeira vez, eu noto algumas linhas no rosto dela. "Você não sabe o verdadeiro significado de sofrimento, menina", ela diz suavemente, "e eu espero que você nunca descubra. Seja legal com Julian, e você poderá ser capaz de continuar a viver uma vida encantada. " Ela sai do quarto, e eu engulo para me livrar da secura repentina na minha garganta. Por alguma razão, as palavras dela fazem as minhas mãos tremerem.

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É noite agora. A cada minuto que passa, eu estou começando a ficar mais e mais ansiosa com o pensamento de ver o meu captor novamente. O romance que eu tenho lido não consegue mais prender o meu interesse. Eu o coloco de lado e ando em círculos ao redor do quarto. Eu estou vestida com as roupas que Beth tinha me dado mais cedo. Não é o que eu teria escolhido para usar, mas é melhor do que um roupão de banho. Um par sexy de calcinha rendada branca e um sutiã combinando para a roupa íntima. Um vestido azul bonito com botões na frente. Tudo me serve suspeitamente bem. Será que ele esteve me seguindo por um tempo? Aprendendo tudo sobre mim, incluindo o meu tamanho de roupa? O pensamento me deixa doente. Estou tentando não pensar sobre o que está por vir, mas é impossível. Eu não sei por que estou tão certa de que ele vai vir para mim esta noite. É possível que ele tenha um harém inteiro de mulheres escondidas nesta ilha, e ele visite cada um apenas uma vez por semana, como sultões costumavam fazer. Mas de alguma forma eu sei que ele estará aqui em breve. Ontem à noite tinha simplesmente aguçado o seu apetite. Eu sei que ele não está satisfeito de mim, não por um longo tempo. Finalmente, a porta se abre. Ele caminha como se ele fosse dono do lugar. O que, naturalmente, ele é.

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Estou novamente impressionada com a sua beleza masculina. Ele poderia ter sido um modelo ou uma estrela de cinema, com um rosto como o seu. Se houvesse alguma justiça no mundo, ele teria sido baixo ou teria alguma outra imperfeição para compensar esse rosto. Mas ele não tem. Seu corpo é alto e musculoso, de proporções perfeitas. Lembro como é sentir ele dentro de mim, e eu sinto um choque indesejável de excitação. Ele está novamente vestindo jeans e uma camiseta. Uma cinza dessa vez. Ele parece preferir roupas simples, e ele é inteligente ao fazer isso. Sua aparência não precisa de qualquer acessório. Ele sorri para mim. É o seu sorriso de anjo caído – escuro e sedutor ao mesmo tempo. "Olá, Nora." Eu não sei o que dizer a ele, então eu deixo escapar a primeira coisa que vem à minha cabeça. "Quanto tempo você vai me manter aqui?" Ele inclina a cabeça ligeiramente para o lado. "Aqui no quarto? Ou na ilha? " "Ambos." "Beth irá lhe mostrar os arredores amanhã, levá-la para nadar, se quiser", diz ele, se aproximando de mim. "Você não vai ficar trancada, a menos que você faça alguma coisa tola." "Tal como?" Eu pergunto, meu coração batendo no meu peito enquanto ele pára perto de mim e levanta a mão para acariciar meu cabelo. "Tentar prejudicar Beth ou a si mesma." Sua voz é suave, seu olhar hipnótico conforme ele olha para mim. A maneira como ele está tocando meu cabelo é estranhamente relaxante. Eu pisco, tentando quebrar o feitiço. "E o que dizer sobre a ilha? Quanto tempo você vai me manter aqui?" Sua mão acaricia meu rosto, fazendo curvas em volta do meu rosto. Eu me pego inclinando-me em seu toque, como um gato sendo acariciado, e eu endureço imediatamente. Seus lábios se enrolam em um sorriso. O bastardo sabe o efeito que ele tem sobre mim. "Muito tempo, eu espero", diz ele.

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Por alguma razão, eu não estou surpresa. Ele não teria se incomodado em me trazer até aqui, se ele só quisesse transar comigo algumas vezes. Estou apavorada, mas eu não estou surpresa. Eu recolho a minha coragem e pergunto a próxima questão lógica. "Por que você me sequestrou?" O sorriso deixa seu rosto. Ele não responde, apenas olha para mim com um olhar azul inescrutável. Eu começo a tremer. "Você vai me matar?" "Não, Nora, eu não vou te matar". Sua negação tranquiliza-me, embora ele obviamente poderia estar mentindo. "Você vai me vender?" Eu mal posso conseguir as palavras. "Como uma espécie de prostituta ou algo assim?" "Não", ele diz suavemente. "Nunca. Você é minha e só minha. " Eu me sinto um pouco mais calma, mas há mais uma coisa que eu tenho que saber. "Você vai me machucar?" Por um momento, ele não responde novamente. Algo escuro brevemente passa em seus olhos. "Provavelmente", diz ele em voz baixa. E então ele se inclina e me beija, seus lábios quentes, suaves e gentis nos meus. Por um segundo, eu fico lá congelada, sem resposta. Eu acredito nele. Eu sei que ele está dizendo a verdade quando ele diz que vai me machucar. Há algo nele que me assusta - me assustou desde o início. Ele não é nada como os meninos com quem tenho saído. Ele é capaz de tudo. E eu estou completamente à sua mercê. Eu penso em tentar lutar com ele novamente. Essa seria a coisa normal a fazer na minha situação. O ato de coragem a fazer. E ainda assim eu não o faço. Eu posso sentir a escuridão dentro dele. Há algo de errado com ele. Sua beleza exterior esconde algo monstruoso por baixo.

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Eu não quero liberar essa escuridão. Eu não sei o que vai acontecer se eu fizer. Então, eu ainda estou em seus braços e deixo que ele me beije. E quando ele me pega de novo e me leva para a cama, eu não tento resistir de qualquer maneira. Ao invés disso, eu fecho meus olhos e cedo às sensações.

Ele é gentil comigo novamente. Eu deveria estar aterrorizada com ele, e eu estou, mas meu corpo parece apreciar a dupla sensação de medo e excitação. Eu não sei o que isso diz a respeito de mim. Eu deito lá com os meus olhos fechados enquanto ele tira minha roupa, camada por camada. Primeiro ele desabotoa a frente do vestido, como se ele estivesse desembrulhando um presente. Suas mãos são fortes e confiantes, não há nenhum indício de constrangimento ou hesitação em seus movimentos. Ele claramente tinha muita prática com roupas femininas. Após o vestido ser desabotoado, ele faz uma pausa por um segundo. Eu sinto seu olhar em mim, e eu quero saber o que ele está vendo. Eu sei que tenho um bom corpo, ele é magro e tonificado, mesmo que ele não seja tão cheio de curvas como eu gostaria. Ele arrasta os dedos pelo meu estômago, me fazendo tremer. "Tão linda", diz ele em voz baixa. "Essa pele linda. Você deve sempre usar branco. Ele combina com você. " Eu não respondo, só aperto os olhos mais apertado. Eu não quero ele olhando para mim, não quero que ele desfrute da visão do meu corpo nas roupas que ele escolheu para mim. Eu gostaria que ele apenas me fodesse e acabasse logo com isso, ao invés de se envolver nessa simulação torcida de fazer amor. Mas ele não tem intenção de torna -lo fácil para mim. Sua boca segue o mesmo caminho que seus dedos. É uma sensação quente e úmida na minha barriga, e então ele se move mais baixo, até onde

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minhas pernas estão instintivamente apertadas firmemente juntas. Ele não parece gostar disso, e suas mãos são ásperas conforme elas puxam minhas coxas, seus dedos cavando em minha carne tenra. Eu choramingo ao sinal de violência, e tento relaxar as pernas para evitar irrita-lo ainda mais. Seu aperto diminui, suas mãos tornando-se mais suaves. "Minha doce, menina linda", ele sussurra, e eu posso sentir sua respiração quente em minhas dobras sensíveis. "Você sabe que eu vou fazer isso bom para você." E então seus lábios estão em mim, e sua língua está girando em torno de meu clitóris, sua boca sugando e mordiscando. Seu cabelo roçando contra as minhas coxas, me fazendo cócegas, e suas mãos segurando minhas pernas abertas. Eu torço e grito, o prazer tão intenso que eu esqueço tudo, menos o incrível calor e a tensão dentro de mim. Ele traz-me perto da borda, mas não me deixa ir. Toda vez que sinto o meu orgasmo se aproximando, ele pára ou muda o ritmo, me deixando louca com a frustração. Encontro-me suplicando, implorando, meu corpo arqueando sem pensar em direção a ele. Quando ele finalmente me permite atingir o pico, é um alívio tão grande que meu corpo todo tem espasmos, tremendo e torcendo a partir da intensidade da libertação. Por alguma razão, eu começo a chorar quando acaba. Lágrimas vazam dos cantos externos dos meus olhos e correm para baixo das minhas têmporas, indo no meu cabelo e, em seguida, no travesseiro. Ele parece gostar disso porque ele rasteja até o meu corpo e beija as trilhas molhadas no meu rosto, em seguida, lambe. Suas mãos grandes acariciam meu corpo, esfregando minha pele, me acariciando toda. Seria reconfortante, se não fosse pela dureza de seu pau cutucando na minha entrada. Eu não estou totalmente curada no interior, por isso dói novamente quando ele começa a empurrar. Mesmo que eu esteja molhada do orgasmo, ele não pode escorregar para dentro facilmente, não sem me rasgar. Em vez disso, ele tem que ir devagar, trabalhando gradualmente até que eu tenha uma chance de ajustar-me a intrusão.

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Eu mordo meu lábio inferior, tentando lidar com o ardor, a sensação de estar cheia. Eu iria ser capaz de aceita -lo facilmente um dia? Eu iria sentir prazer sem dor em seus braços? "Abra os olhos", ele ordena em um sussurro áspero. Eu obedeço, embora eu mal possa ver através do véu de lágrimas. Ele está olhando para mim conforme ele lentamente começa a se mover dentro de mim, e há algo triunfante em seu olhar. O calor de seu corpo me rodeia, seu peso me pressiona para baixo na cama. Ele está dentro de mim, em cima de mim, ao meu redor. Eu não posso nem escapar para a privacidade da minha mente. E nesse momento, sinto-me possuída por ele, como se ele estivesse tomando mais do que apenas o meu corpo. Como se estivesse reivindicando algo profundo dentro de mim, trazendo um lado de mim que eu nunca soube que existia. Porque em seus braços, eu experimento algo que eu nunca senti antes. Um sentimento primitivo e completamente irracional de pertencer.

Ele me leva mais duas vezes durante a noite. Pela manhã, eu estou tão dolorida que eu me sinto crua dentro – e ainda assim eu tive tantos orgasmos que eu perdi a conta. Ele me deixa em algum momento de manhã. Estou tão cansada que nem tenho consciência de sua partida. Eu durmo profundamente e sem sonhos, e quando eu acordo, já passa do meio-dia. Eu me levanto, escovo os dentes e tomo um banho. Nas minhas coxas, eu posso ver pedaços de sémen seco. Ele não usou um preservativo esta noite também. Pergunto-me novamente sobre doenças sexualmente transmissíveis. Será que Julian se preocupa com isso, afinal? Ele provavelmente não está preocupado em pegar nada de mim, dada a minha falta de experiência, mas certamente estou preocupada em conseguir isso dele. Levantando o braço

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esquerdo, eu espio a pequena marca onde meu implante de controle de natalidade foi inserido. Graças a Deus pela paranoia de gravidez da minha mãe. Se eu não o tivesse.... Eu tremo só de pensar. Logo depois que eu saio do banheiro, Beth vem ao meu quarto carregando outra bandeja de comida e mais roupas. Desta vez, é mais comida tradicional de café da manhã: uma omelete com legumes e queijo, um pedaço de pão e frutas tropicais frescas. Ela está novamente sorrindo para mim, aparentemente determinada a ignorar o incidente do garfo. "Bom dia", diz ela alegremente. Minhas sobrancelhas sobem. "Bom dia para você também," eu digo, minha voz grossa com sarcasmo. Na minha óbvia tentativa de espetar ela, o sorriso de Beth aumenta ainda mais. "Oh, não seja tão mau humorada. Julian disse que você começa a sair do quarto hoje. Não é legal? " Ele realmente é bom. Ele me daria a chance de explorar minha prisão um pouco, para ver se este lugar é realmente uma ilha. Talvez existam outras pessoas aqui além de Beth – pessoas que estariam mais simpáticas à minha situação. Como alternativa, talvez eu encontre um telefone ou um computador. Se eu pudesse enviar um texto ou um e-mail para os meus pais, eles poderiam passa -lo para polícia e então eu poderia ser resgatada. Ao pensar em minha família, meu peito fica apertado e meus olhos ardem. Eles devem estar tão preocupados comigo, perguntando o que aconteceu, se eu ainda estou viva. Eu sou apenas uma criança, e minha mãe sempre disse que morreria se algo acontecesse comigo. Espero que ela não tenha querido dizer isso. Eu o odeio. E eu odeio essa mulher, que está sorrindo para mim agora. "Claro, Beth", eu digo, querendo arranhar seu rosto até que o sorriso se transforme em uma careta. "É sempre bom deixar uma pequena gaiola para uma maior." Ela revira os olhos e se senta em uma cadeira. "Tão dramática. Basta comer sua comida e então eu vou lhe mostrar. "

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Eu penso em não comer só para irritá-la, mas eu estou com fome. Então eu como, toda a comida da bandeja. "Onde está Julian?", pergunto entre mordidas. Estou curiosa para saber como ele gasta seus dias. Até agora, eu o vi apenas à noite. "Ele está trabalhando", explica Beth. "Ele tem um monte de interesses empresariais que requerem sua atenção." "Que tipo de interesses empresariais?" Ela encolhe os ombros. "Todos os tipos." "Ele é um criminoso?", pergunto sem rodeios. Ela ri. "Por que você iria assumir isso?" "Hum, talvez porque ele me sequestrou?" Ela ri de novo, balançando a cabeça como se eu tivesse dito algo engraçado. Eu quero bater nela, mas eu me contenho. Eu preciso aprender mais sobre meu ambiente antes de tentar qualquer coisa assim. Eu não quero acabar trancada no quarto se eu puder evita-lo. Minhas chances de fuga são muito melhores se eu tiver mais liberdade. Então, eu só levanto e lhe dou um olhar frio. "Eu estou pronta para ir." "Então, coloque uma roupa para nadar", diz ela, apontando para as roupas que ela tinha trazido, "e nós podemos ir."

Antes de sair, Beth me mostra o resto da casa. É espaçosa e bem decorada. A decoração é moderna, com apenas um toque de influência tropical e motivos asiáticos sutis. Tons claros predominam, embora aqui e ali, eu veja uma peça com explosão de cores sob a forma de um vaso vermelho ou uma escultura azul brilhante de dragão. Há quatro quartos, três no andar de cima e um embaixo. A cozinha no primeiro andar é particularmente impressionante, com aparelhos tops de linha e bancadas brilhantes em granito.

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Há também um quarto que Beth diz que é o escritório de Julian. É no primeiro andar, e é aparentemente fora dos limites para qualquer um, além dele. É onde ele supostamente cuida de seus negócios. A porta está fechada quando passamos. Depois que acaba a turnê pela casa, Beth passa as próximas duas horas me mostrando a ilha. E é definitivamente uma ilha, ela não mentiu para mim sobre isso. Tem apenas cerca de duas milhas de comprimento e uma milha de largura. De acordo com Beth, estamos em algum lugar do Oceano Pacífico, com o pedaço de terra mais povoado a mais de 500 milhas de distância. Ela enfatiza esse fato um par de vezes, como se ela tivesse medo que eu pudesse pensar em tentar nadar para longe. Eu não faria isso. Eu não sou uma nadadora forte o suficiente, nem sou suicida. Gostaria de tentar roubar um barco ao invés disso. Vamos até o ponto mais alto da ilha. É uma pequena montanha – ou um grande monte, dependendo da definição destas coisas. A vista de lá é incrível – uma vastidão de água azul brilhante onde quer que os olhos possam alcançar. De um lado da ilha, a água é um tom diferente de azul mais turquesa, e Beth me diz que é uma enseada rasa que é ótima para snorkeling2. A casa de Julian é a única na ilha. Ela está em um lado da montanha, um pouco entorno da praia e um pouco elevada. Esse é o local mais abrigado, Beth explica; a casa está protegida de ambos os fortes ventos e o mar ali. Ela aparentemente sobreviveu a um número de tufões com danos mínimos. Concordo com a cabeça, como se eu me importasse. Não tenho nenhuma intenção de estar aqui para o próximo tufão. O desejo de escapar queima brilhantemente dentro de mim. Eu não vi qualquer telefone ou computador quando Beth estava me mostrando a casa, mas isso não significa que eles não estejam lá. Se Julian é capaz de trabalhar da ilha, então há definitivamente conexão de internet. E se eles são tolos o suficiente ______________________________

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Snorkeling ou apnéia é uma prática esportiva de mergulho em águas rasas.


para me deixar vaguear nesta ilha livremente, vou encontrar uma maneira de chegar ao mundo exterior. Nós terminamos o passeio na praia perto da casa. "Quer ir para um mergulho?" Beth me pergunta, tirando seus calções e camiseta. Por baixo, ela está usando um biquíni azul. Seu corpo é magro e tonificado. Ela tem tão boa forma e me pergunto sobre sua idade. Seu corpo poderia pertencer a uma adolescente, mas seu rosto parece mais velho. "Quantos anos você tem?", pergunto diretamente. Eu nunca seria tão insensível em circunstâncias normais, mas eu não me importo se eu ofendo esta mulher. O que convenções sociais importam quando você está sendo mantida em cativeiro por um par de loucos? Ela sorri, nem um pouco chateada com a minha pergunta indelicada. "Eu tenho trinta e sete", diz ela. "E Julian?" "Ele tem vinte e nove anos." "Vocês são amantes?" Eu não sei o que me faz perguntar isso. Se ela tem, de alguma forma, inveja da minha posição como brinquedo sexual de Julian, ela certamente não está mostrando isso. Beth ri. "Não, não somos." "Por que não?" Eu não posso acreditar que eu estou sendo tão direta. Fui criada para ser sempre polida e bem-educada, mas há algo de libertador não me importando com o que as pessoas pensam. Eu sempre fui agradável com as pessoas, mas eu não quero agradar esta mulher de qualquer forma. Ela pára de rir e me dá um olhar sério. "Porque eu não sou o que Julian precisa ou quer." "E o que é isso?" "Você vai aprender um dia", diz ela misteriosamente, em seguida, entra na água. Eu olho para ela, a curiosidade me corroendo, mas ela parece ter acabado de falar. Ao invés disso, ela mergulha e começa a nadar com braçadas atléticas.

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Está quente lá fora, e o sol está radiante em cima de mim. A areia é branca e parece macia, e a água é espumante, me tentando com a sua frieza. Quero odiar esse lugar, desprezar tudo sobre meu cativeiro, mas eu tenho que admitir que a ilha é linda. Eu não tenho que ir nadar, se eu não quiser. Não parece que Beth vai me forçar. E parece errado me divertir na praia, enquanto a minha família está, sem dúvida, preocupada comigo, lamentando sobre o meu desaparecimento. Mas a atração da água é forte. Eu sempre amei o oceano, embora eu tenha ido para os trópicos apenas um par de vezes na minha vida. Esta ilha é minha ideia de paraíso, apesar do fato de que ele pertence a uma cobra. Eu penso por um minuto, então eu tiro o meu vestido e lanço minhas sandálias. Eu poderia negar-me este pequeno prazer, mas eu sou muito pragmática. Não tenho ilusões sobre aminha estadia aqui. A qualquer momento, Julian e Beth poderiam me trancar, privar e bater. Só porque eu fui tratada relativamente bem até agora não significa que isso vai continuar a ser assim. Na minha situação precária, cada momento de alegria é precioso, porque eu não sei o que o futuro reserva para mim, se eu voltarei a experimentar qualquer coisa parecida com a felicidade. Então, eu me junto a minha inimiga no oceano, deixando a água lavar meu medo e esfriar a raiva impotente que queima na boca do meu estômago. Nós nadamos, então deitamos na areia quente, e depois nadamos novamente. Eu não faço mais perguntas, e Beth parece satisfeita com o silêncio. Nós ficamos na praia pelas próximas duas horas e, finalmente, voltamos para a casa.

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Desta vez, Julian deve se juntar a mim para o jantar. Beth arruma uma mesa para nós no térreo e prepara uma refeição que consiste em peixe local, arroz, feijão e banana. É a sua receita do Caribe, ela me diz, orgulhosa. "Você vai jantar com a gente?", pergunto, vendo quando ela carrega os pratos até a mesa. Tomei banho e me vesti com as roupas que Beth trouxe para mim. São mais brancos rendados, sutiã e calcinha combinados e um vestido amarelo com flores brancas sobre ele. Em meus pés, eu estou calçando sandálias de salto alto brancas. A roupa é doce e feminina, muito diferente das calças jeans e tops escuros que eu normalmente uso. Isso me faz parecer uma boneca bonita. Eu ainda não posso acreditar que eles estão me deixando andar pela casa livremente. Há facas na cozinha. Eu poderia roubar uma e usá-la em Beth a qualquer momento. Estou tentada, apesar do meu estômago se agitar com o pensamento de sangue e violência. Talvez eu vá fazê-lo em breve, uma vez que eu tenha a oportunidade de aprender um pouco mais sobre este lugar. Estou aprendendo algo interessante sobre mim mesma. Eu aparentemente não acredito em gestos grandiosos, mas sem sentido. A voz fria e racional dentro de mim me diz que eu preciso de um plano, uma maneira de sair da ilha antes de tentar qualquer coisa. Atacar Beth agora seria estúpido. Isso pode resultar em eu ser presa ou pior.

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Não, assim é muito melhor. Deixá-los pensar que eu sou inofensiva. Eu tenho uma chance muito maior de escapar dessa maneira. Durante a última hora, eu estive sentada na cozinha, observando Beth preparar a comida. Ela é muito boa, muito eficiente. Passar o tempo com ela me distrai dos pensamentos de Julian e a noite que está para vir. "Não", ela diz, respondendo a minha pergunta. "Eu vou estar no meu quarto. Julian quer algum tempo sozinho com você. " "Por quê? Será que ele pensa que estamos namorando ou algo assim?" Ela sorri. "Julian não namora." "Não brinca." Meu tom é além de sarcástico. "Por que namorar se você pode sequestrar e estuprar ao invés disso?" "Não seja ridícula," Beth diz bruscamente. "Você realmente acha que ele tem de forçar as mulheres? Mesmo você não pode ser tão ingênua." Olho para ela. "Você quer me dizer que ele não tem o hábito de roubar mulheres e trazê-las aqui?" Beth balança a cabeça. "Você é a única pessoa além de mim que já esteve aqui. Esta ilha é um santuário privado de Julian. Ninguém sabe sequer que existe. " Um arrepio percorre minha espinha diante dessas palavras. "Então, por que eu sou tão sortuda?", pergunto devagar, meu pulso pegando. "O que me faz digna desta grande honra?" Ela sorri. "Você vai descobrir um dia. Julian lhe dirá quando ele quiser que você saiba." Estou farta de toda essa besteira de 'um dia', mas eu sei que ela é muito leal a meu captor para dizer alguma coisa. Então, eu tento aprender algo. "O que você quis dizer quando disse que deve a ele sua vida?" Seu sorriso desaparece e sua expressão endurece, seu rosto se estabelece em linhas duras, amargas. "Isso não é da sua conta, menina." E pelos próximos dez minutos, enquanto ela está terminando de pôr a mesa, ela não fala comigo.

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Depois que tudo está pronto, ela me deixa sozinha na sala de jantar para esperar por Julian. Estou nervosa e animada. Pela primeira vez, eu vou ter a oportunidade de interagir com o meu captor fora do quarto. Tenho que admitir que tenho uma espécie de fascínio doentio sobre ele. Ele me assusta, mas eu estou terrivelmente curiosa sobre ele. Quem é ele? O que ele quer de mim? Por que ele me escolheu para ser sua vítima? Um minuto depois, ele entra na sala. Estou sentada à mesa, olhando pela janela. Antes mesmo de vê-lo, eu sinto sua presença. A atmosfera fica elétrica, pesada com expectativa. Viro a cabeça, olhando para ele se aproximando. Desta vez, ele está vestindo uma camisa pólo cinza, de aparência suave, e um par de calças cáqui branca. Nós poderíamos estar indo jantar em um clube de campo. Meu coração está batendo rapidamente no meu peito, e eu posso sentir o sangue correndo pelas minhas veias. De repente, estou muito mais consciente do meu corpo. Meus seios ficam mais sensíveis, meus mamilos apertam por baixo dos limites do meu sutiã. O tecido macio do vestido raspando contra minhas pernas nuas, lembrando-me da maneira como ele me tocou lá. Da maneira como ele me tocou em todos os lugares. A umidade quente aparece entre as minhas coxas com a lembrança. Ele vem até mim e se abaixa, dando-me um breve beijo na boca. "Olá, Nora", diz ele, quando ele se endireita, seus lindos lábios se curvaram em um sorriso escuro sensual. Ele é tão deslumbrante que eu sou incapaz de pensar por um momento, minha mente obscurecida por sua proximidade. Seu sorriso se alarga, e ele caminha para se sentar em frente a mim na mesa. "Como foi seu dia, meu animal de estimação?", pergunta ele, pegando um pedaço de peixe e colocando em seu prato. Seus movimentos são confiantes e estranhamente graciosos. É difícil de acreditar que o mal use uma máscara tão bela. Eu volto ao meu juízo. "Por que você me chama assim?" "Chamo de que? Meu animal de estimação?" Eu concordo.

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"Porque você me faz lembrar de um gatinho", diz ele, seus olhos azuis brilhando com alguma emoção estranha. "pequeno, macio, e muito palpável. Você me faz querer atacar você só para ver se você vai ronronar em meus braços." Minhas bochechas ficam quentes. Eu me sinto corar, e espero que o meu tom de pele esconda minha reação. "Eu não sou um animal-" "É claro que você não é. Não estou na bestialidade. " "Então no que você está?" Eu deixo escapar, então encolho internamente. Eu não quero deixa-lo bravo. Ele não é Beth. Ele me assusta. Felizmente, ele só parece divertido com a minha ousadia. "No momento", diz ele em voz baixa: "Eu estou em você." Eu olho para longe e vou para o arroz, a minha mão tremendo ligeiramente. "Aqui, deixe-me ajudá-la com isso." Ele leva o prato de mim, seus dedos roçando brevemente contra os meus. Antes que eu possa dizer qualquer coisa, o meu prato é preenchido com uma porção saudável de tudo o que está sobre a mesa. Ele coloca o prato de volta na minha frente, e eu olho para ele com espanto. Estou nervosa demais para comer na frente dele. Meu estômago está todo amarrado em nós. Quando eu olho para cima, vejo que ele não tem esse problema. Ele está comendo com gosto, claramente apreciando a comida de Beth. "Qual é o problema?", pergunta ele entre mordidas. "Você não está com fome?" Eu balanço minha cabeça, mesmo que eu estivesse faminta antes de ele vir. Ele franze a testa, pousando o garfo. "Por que não? Beth disse que passou o dia na praia e nadou um pouco. Você não deveria estar com fome depois de todo esse exercício?" Eu dou de ombros. "Eu estou bem." Eu não estou prestes a dizer-lhe que ele é a causa da minha falta de apetite. Seus olhos estreitam em mim. "Você está brincando comigo? Coma, Nora. Você já está magra. Eu não quero que você perca peso."

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Engulo em seco nervosamente e começo a pegar a comida. Há algo nele que me faz pensar que seria imprudente se opor a ele sobre esta questão. Sobre qualquer assunto, realmente. Meus instintos estão gritando que este homem é tão perigoso quanto eles dizem. Ele não tem sido cruel comigo, mas há crueldade dentro dele. Eu posso senti-la. "Boa menina", diz ele com aprovação, depois que dou algumas mordidas. Eu continuo a comer, embora eu realmente não goste da comida e eu tenha que forçar cada mordida passada a restrição na minha garganta. Eu mantenho meus olhos treinados no meu prato. Eu como mais facilmente não observando seu olhar azul penetrante. "Então Beth me disse que você teve um dia agradável nadando", comenta depois que eu tive a oportunidade de comer cerca de metade do meu prato. Concordo com a cabeça em resposta e olho para cima para encontra lo olhando para mim. "O que você acha da ilha?", pergunta ele, como se realmente interessados em minha opinião. Ele está me estudando com um olhar pensativo no rosto. "É linda," eu digo a ele honestamente. Então, parando por um segundo, eu acrescento: "Mas eu não quero estar aqui." "Claro." Ele parece quase compreensivo. "Mas você vai se acostumar com isso. Esta é a sua nova casa, Nora. Quanto mais cedo você chegar a um acordo com isso, melhor. " Meu estômago dá uma guinada, e eu sinto que a comida que acabei de ingerir corre o risco de voltar. Eu engulo, convulsivamente, tentando controlar a sensação de mal-estar dentro de mim. "E minha família?" As palavras saem baixas e amargas. "Como eles estão com isso?" Alguma emoção pisca brevemente em seu rosto. "E se eles não pensassem que você está morta?", Ele pergunta baixinho, segurando meu olhar. "Isso faria você se sentir melhor, meu animal de estimação?"

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"É claro que sim!" Eu mal posso acreditar no que estou ouvindo. "Você pode fazer isso? Você pode deixá-los saber que estou viva? Talvez eu só posso chamá-los e- " Ele estende a mão para cobrir a minha mão com a sua, parando minhas divagações esperançosas. "Não." Seu tom não deixa espaço para argumentos. "Vou entrar em contato com eles eu mesmo." Eu engulo meu desapontamento. "O que você vai dizer a eles?" "Que você está viva e bem." Seu polegar grande está massageando suavemente o interior da palma da minha mão, seu toque me distraindo, transformando meus ossos em gelatina. "Mas," eu quase gemo quando ele pressiona em um ponto particularmente sensível, ", mas eles não acreditariam em você" "Eles iriam." Ele retira a mão, e eu me sinto estranhamente desolada. "Você pode confiar em mim." Confiar nele? Okay, certo. "Por que você está fazendo isso comigo?", pergunto em frustração. "É porque eu falei com você no clube?" Ele balança a cabeça. "Não, Nora. É porque você é você. Você é tudo o que eu estava procurando. Tudo o que eu sempre quis. " "Você sabe que isso é loucura, certo?" Eu estou tão chateada que eu esqueço de ter medo por um momento. "Você não me conhece mesmo!" "Isso é verdade", diz ele em voz baixa. "Mas eu não preciso conhecer você. Eu só preciso saber o que eu sinto. " "Você está dizendo que você está apaixonado por mim?" Por alguma razão, essa ideia me assusta mais do que quando eu pensei que ele só tinha preferências sexuais estranhas. Ele ri, jogando a cabeça para trás. Eu fico olhando para ele, irracionalmente ofendida. Eu não quero que ele esteja apaixonado por mim, mas ele tem de achar a ideia tão engraçada? "Claro que não", diz ele depois que parou de rir. Ele ainda está sorrindo, porém. "Então do que você está falando?", pergunto em frustração.

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Seu sorriso desaparece lentamente. "Não importa, Nora", diz ele em voz baixa. "Tudo o que você precisa saber é que você é especial para mim." "Então por que você apenas não me pediu para sair em um encontro?" Eu estou lutando para compreender o incompreensível. "Por que você tinha que me sequestrar?" "Porque você foi a um encontro com aquele garoto." Há uma súbita raiva na voz de Julian, e terror gelado espalha através de minhas veias. "Você o beijou quando você já era minha." Eu engulo. "Mas eu nem sabia que você me queria." Minha voz treme um pouco. "Eu só vi você no club-" "E em sua graduação." "E na minha formatura," Eu concordo, meu coração batendo no meu peito. "Mas eu pensei que você poderia ter ido para lá por outra pessoa. Como um irmão ou irmã..." Ele toma uma respiração profunda, e eu posso ver que ele está muito mais calmo agora. "Isso não importa agora, Nora. Eu queria você aqui, comigo, não lá fora. É muito mais seguro para você e para esse menino. " "Mais seguro para Jake?" Julian acena. "Se você tivesse saído com ele novamente, eu teria matado ele. É melhor para todos que você esteja aqui, longe dele e de outras pessoas que possam te querer". Ele estava completamente sério sobre matar Jake. Não é uma ameaça vazia. Eu posso ver isso em seu rosto. Meus lábios ficam secos, então eu os lambo. Seus olhos seguem a minha língua, e eu posso ver a mudança na sua respiração. Minha ação simples claramente o excitou. De repente, uma ideia louca e desesperada me ocorre. Ele obviamente me quer. Ele está mesmo disposto a fazer coisas para me fazer feliz, como deixar minha família saber que estou viva. E se eu usar esse fato a meu favor? Eu sou inexperiente, mas eu não sou completamente ingênua. Eu sei como flertar com homens. Eu poderia fazer isso? Poderia de alguma forma seduzir Julian a me deixar ir?

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Vou ter que ter cuidado com isso. Eu não posso subitamente mudar. Eu não posso agir como se eu o desprezasse num minuto e o amasse no próximo. Ele precisa acreditar que ele pode me levar para fora da ilha e que eu estaria disposta a ficar com ele pelo tempo que ele me quiser. Que eu nunca iria olhar para Jake ou outro homem novamente. Vou usar o tempo que for necessário para convencer Julian da minha devoção.

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Pelo resto do jantar, eu continuo agindo com medo e intimidada. Não é realmente uma atuação, porque eu me sinto dessa forma. Estou na presença de um homem que casualmente fala sobre matar pessoas inocentes. De que outra forma eu deveria me sentir? No entanto, eu também tento ser sedutora. São pequenas coisas, como a forma como eu escovo meu cabelo para trás ao olhar para ele. A maneira que eu mordo um pedaço do mamão que Beth trouxe para a nossa sobremesa e lambo o suco dos meus lábios. Eu sei que meus olhos são bonitos, assim eu olho para ele timidamente, através de pálpebras semicerradas. Eu pratiquei esse olhar na frente do espelho, e eu sei que meus cílios parecem impossivelmente longos quando eu inclino minha cabeça, exatamente no ângulo direito. Eu não vou além porque ele não iria acreditar. Eu apenas faço pequenas coisas que ele pode achar excitante e atraente. Eu também tento evitar quaisquer outros temas de confronto. Ao invés disso, pergunto-lhe sobre a ilha e como ele veio a conhecer ela. "Me deparei com esta ilha há cinco anos", Julian explica, os lábios se curvando em um sorriso encantador. "Meu Cessna estava tendo um problema mecânico, e eu precisava de um lugar para pousar. Felizmente, há uma certa área gramada plana do outro lado, perto da praia. Eu pude pousar o avião sem bater completamente e fazer os reparos necessários. Levou-me um par de dias, então eu tive a chance de explorar a ilha. Até o

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momento em que eu era capaz de voar para longe, eu sabia que este lugar era exatamente o que eu queria. Então, eu comprei. " Eu amplio os olhos e o observo impressionada. "Bem desse jeito? E não é caro?" Ele dá de ombros. "Eu posso pagar isso." "Você vem de uma família rica?" Eu estou realmente curiosa. Meu captor é um grande mistério para mim. Eu tenho uma chance muito maior de manipulá-lo se eu o entender, pelo menos, um pouco. Sua expressão esfria um pouco. "Algo parecido. Meu pai tinha um negócio bem sucedido, que eu assumi após sua morte. Eu mudei sua direção e expandi". "Que tipo de negócio?" A boca de Julian torce ligeiramente. "Importação e exportação." "Sobre o que?" "Eletrônica e outras coisas", diz ele, e eu percebo que ele não vai revelar mais do que isso por enquanto. Eu suspeito fortemente que "outras coisas" seja um eufemismo para algo ilegal. Eu não sei muito sobre o negócio, mas de alguma forma eu duvido que a venda de TVs e MP3 players esteja neste tipo de riqueza. Eu conduzo a conversa para um tema mais inócuo. "O resto de sua família também usa a ilha?" Seu olhar fica plano e duro. "Não. Eles estão todos mortos." "Oh, me desculpe..." Eu realmente não sei o que dizer. O que você pode dizer que vai fazer algo como isso melhor? Sim, ele me sequestrou, mas ele ainda é um ser humano. Eu não posso sequer imaginar o sofrimento desse tipo de perda. "Está tudo bem." Seu tom é sem emoção, mas eu posso sentir a dor por baixo. "Isso aconteceu há muito tempo." Eu aceno com simpatia. Eu realmente me sinto mal por ele, e eu não tento esconder o brilho de lágrimas nos meus olhos. Eu sou muito compassiva – Leah diz que eu choro toda vez que vejo um filme deprimente e eu não posso evitar a tristeza que sinto pelo sofrimento de Julian.

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Isso acaba trabalhando a meu favor, porque sua expressão aquece ligeiramente. "Não tenha pena de mim, meu animal de estimação", diz ele em voz baixa. "Eu já superei isso. Por que você não me diz sobre si mesma ao invés disso? " Eu pisco para ele lentamente, sabendo que o gesto chama a atenção para os olhos. "O que você gostaria de saber?" Ele não descobriu tudo sobre mim no processo de me perseguir? Ele sorri. Faz com que ele fique tão bonito que eu sinto uma pequena sensação de aperto no peito. Pare com isso, Nora. Você é a única a seduzi-lo, e não o contrário. "O que você gosta de ler?", Ele pergunta. "Que tipo de filme você gosta de assistir?" E pelos próximos trinta minutos, ele aprende tudo sobre o meu gosto de romances e thrillers policiais, meu ódio por comédias românticas, e meu amor por filmes épicos com muitos efeitos especiais. Então, ele me pergunta sobre minha comida e música favoritas, e ouve atentamente enquanto eu falo sobre a minha preferência por bandas dos anos oitenta e pizza. De uma forma estranha, é quase lisonjeiro, a maneira como ele está tão completamente focado em mim, pendurado em cada palavra minha. A forma como seus olhos azuis estão focados no meu rosto. É como se ele quisesse realmente me entender, como se ele realmente se importasse. Mesmo com Jake, eu não tive a sensação de que eu era nada mais do que uma menina bonita cuja companhia ele gostava. Com Julian, sinto-me como se eu fosse a coisa mais importante no mundo para ele. Eu sinto que realmente importo.

Depois do jantar, ele me leva para o quarto, lá em cima. Meu coração começa a bater com medo e antecipação. Como as outras duas noites, eu sei que não vou lutar com ele. Na verdade, esta noite, eu vou ainda mais longe como parte do meu plano de fuga pela sedução.

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Vou fingir que faço amor com ele de livre e espontânea vontade. À medida que caminhamos para o quarto, eu decido enfrentar um tema que tem me incomodado. "Julian..." Eu pergunto, propositadamente mantendo a voz suave e incerta. "E quanto à proteção? E se eu ficar grávida ou algo assim?" Ele pára e se vira para mim. Há um pequeno sorriso em seus lábios. "Você não vai, meu animal de estimação. Você tem aquele implante, não é? " Meus olhos se arregalaram em choque. "Como você sabe sobre isso?" O implante é uma vareta de plástico pequena debaixo da minha pele, completamente invisível, exceto por uma pequena marca onde foi inserido. "Eu acessei o seu histórico médico antes de trazê-la aqui. Eu queria ter certeza de que você não tinha quaisquer condições médicas potencialmente fatais, como diabetes ". Eu fico olhando para ele. Eu deveria me sentir furiosa com essa invasão da minha privacidade, mas me sinto aliviada. Parece que meu sequestrador é bastante atencioso e mais importante, não está tentando me engravidar. "E você não precisa se preocupar com quaisquer doenças", acrescenta ele, entendendo a minha preocupação não dita. "Eu fui recentemente testado, e eu sempre utilizei preservativo no passado." Eu não sei se eu acredito nisso. "Por que você não está usando comigo, então? É porque eu era virgem? " Ele balança a cabeça, e há um brilho possessivo em seus olhos. Ele levanta a mão e acaricia o lado do meu rosto, fazendo meu coração bater mais rápido. "Sim, exatamente. Você é completamente minha. Eu sou o único que já esteve dentro de sua buceta muito pequena ". Minha respiração para na minha garganta, e eu sinto um jorro de calor líquido entre as minhas coxas. Eu não acredito na força da minha resposta física a ele. Isso é normal, que eu fique tão excitada por alguém que eu temo e desprezo? É por isso que Julian foi atraído para mim no clube? Porque ele percebeu isso sobre mim? Porque de alguma forma ele sabia sobre a minha fraqueza?

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É claro que, dado o meu plano, não é necessariamente uma coisa ruim que ele me excite tanto. Seria muito pior se ele me enojasse, se eu não pudesse suportar ele me tocar. Não, isso é melhor. Eu posso ser a pequena prisioneira perfeita, obediente e sensível, me apaixonando lentamente pelo meu captor. Então, ao invés de ficar dura e com medo, eu cedo ao meu desejo e me inclino um pouco em sua mão, como se involuntariamente respondesse ao seu toque. Algo como triunfo pisca brevemente em seus olhos, e então ele abaixa a cabeça, tocando seus lábios nos meus. Seus braços fortes envolvem em torno de mim, me moldando contra seu corpo poderoso. Ele está completamente excitado; Eu posso sentir o cume duro de sua ereção contra a suavidade da minha barriga. Ele está acariciando minha boca com os lábios, a língua. Ele tem um gosto doce, do papaia nós acabamos de comer. Fogo surge através de minhas veias, e eu fecho meus olhos, me perdendo no prazer esmagador de seu beijo. Minhas mãos rastejam até seu peito, tocando-o timidamente. Eu posso sentir o calor de seu corpo, sentir o cheiro de sua pele masculina e almiscarada, estranhamente atraente. Seus músculos do peito flexionam sob meus dedos, e eu posso sentir seu coração bater mais rápido. Ele me guia em direção à cama, e caímos nela. De alguma forma, minhas mãos estão enterradas em seu cabelo espesso e sedoso, e eu estou beijando-o de volta, apaixonadamente, desesperadamente. Eu não estou pensando sobre meu grande plano de sedução, não estou pensando em nada. Ele morde meu lábio inferior, suga-o na boca. Sua mão se fecha em volta do meu seio direito, amassando, aperta o mamilo através da dupla barreira do sutiã e do vestido. Sua aspereza é perversamente excitante, mesmo que eu devesse ter medo dela. Eu lamento, e ele me vira, para o meu estômago. Uma de suas mãos me pressiona para baixo, empurrando-me para o colchão, enquanto a outra levanta a saia, expondo minha calcinha.

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E então ele faz uma pausa por um segundo, olhando para o meu bumbum, levemente acariciando-o com a palma grande. " Uma bunda pequena, mas tão cheias de curvas", ele murmura. "Tão bonita de branco." Seus dedos alcançam entre as minhas pernas, sentindo a umidade lá. Eu não posso evitar, me contorço com o toque leve. Eu estou tão ligada que eu só preciso de um pouco mais antes de gozar. Ele puxa para baixo minha calcinha, deixando-a pendurada em torno dos meus joelhos. Sua mão acaricia minhas nádegas de novo, me acalmando, me despertando. Eu estou tremendo de antecipação. De repente, ouço um estalo alto e sinto um tapa afiado, arder na minha bunda. Eu grito, assustada, mais da natureza inesperada do ataque do que de qualquer dor real. Ele faz uma pausa, esfrega a área suavemente, e depois faz novamente, batendo na minha nádega direita, com a palma da mão aberta. Vinte tapas em rápida sucessão, cada um mais forte do que o outro. Isso dói. Isso não é uma palmada leve, brincalhona. Ele quer me causar dor. Esquecendo tudo sobre a minha resolução de jogar junto, eu começo a lutar, assustada. Ele me segura para baixo facilmente, em seguida, transfere a sua atenção para a minha outra nádega, batendo vinte vezes com a mesma força. No momento em que ele faz uma pausa, estou soluçando no colchão, pedindo-lhe para parar. Meu traseiro sente como se ele estivesse queimando, pulsando em agonia. Ainda pior do que a dor é o sentido irracional de traição. Para meu horror, eu percebo que eu tinha começado a confiar no meu captor, sentindo como se eu o conhecesse um pouco. Ele me causou dor antes, mas eu não acho que foi de propósito. Eu pensei que era só porque eu era inexperiente no sexo. Eu esperava que o meu corpo fosse se ajustar e haveria apenas prazer no futuro. Eu fui, obviamente, uma tola.

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Meu corpo inteiro está tremendo, e eu não consigo parar de chorar. Ele ainda está me segurando, e eu estou com medo do que ele vai fazer a seguir. O que ele faz em seguida é tão chocante quanto o que ele fez antes. Ele me vira e me levanta em seus braços. Em seguida, ele se senta, me segurando no colo dele, e me balança para frente e para trás. Suavemente, suavemente, como se eu fosse uma criança que ele está tentando consolar. E apesar de tudo, eu enterro meu rosto em seu ombro e soluço, precisando desesperadamente dessa ilusão de ternura, almejando o conforto de quem me fez doer.

Depois que eu estou um pouco mais calma, ele se levanta e me coloca de pé. Minhas pernas se sentem fracas e instáveis, e eu balanço um pouco quando ele cuidadosamente me despe. Eu espero que ele diga alguma coisa. Talvez para se desculpar ou explicar por que ele me machucou. Ele estava me punindo? Se for assim, eu quero saber o que eu fiz, para que eu possa evitar fazê-lo no futuro. Mas ele não fala, ele simplesmente tira minhas roupas. Quando estou nua, ele começa a se despir. Eu vejo-o com uma estranha mistura de angústia e curiosidade. Seu corpo ainda é um mistério para mim, porque eu mantive meus olhos fechados nas últimas duas noites. Eu não vi nem mesmo seu sexo ainda, embora eu o senti dentro de mim. Então agora eu olho para ele. Sua figura é magnífica. Completamente viril. Ombros largos, uma cintura estreita, quadris estreitos. Ele é poderosamente todo musculoso, mas não de uma forma fisiculturista reforçada por esteroides. Ao invés disso, ele parece com um guerreiro. Por alguma razão, eu posso facilmente imagina -lo balançando uma espada, cortando seus inimigos. Noto uma

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longa cicatriz na coxa e outra no ombro. Elas só adicionam à impressão de guerreiro. Sua pele é toda bronzeada, com apenas a quantidade certa de pelo em seu peito. Há pelo escuro mais em torno de seu umbigo e arrastando para baixo para sua virilha. Sua cor da pele me faz pensar que ou ele anda por aí nu, ou ele é naturalmente mais escuro, como eu. Talvez ele tenha alguma ascendência Latina, também. Ele também está totalmente excitado. Eu posso ver seu pau projetando-se para mim. É longo e grosso, semelhantes aos que já vi na pornografia. Não admira que eu esteja dolorida. Eu não posso acreditar que ele é mesmo capaz de caber dentro de mim. Após estarmos nus, ele me orienta para a cama. "Eu quero você de quatro", diz ele em voz baixa, me dando um leve empurrão. Meu coração salta em pânico, e eu resisto por um segundo, virandome para olhar para ele em seu lugar. "Você-" Eu engulo em seco. "Você vai me machucar de novo?" "Eu não decidi", ele murmura, levantando a mão para o meu peito. Seu polegar esfrega meu mamilo, fazendo-o endurecer. "Eu acho que provavelmente é o suficiente por agora." O suficiente por agora? Eu quero gritar. "Você é um sádico?" A pergunta me escapa antes que eu possa pensar, e eu congelo no local à espera de sua resposta. Ele sorri para mim. É o seu belo sorriso de Lúcifer. "Sim, meu animal de estimação", diz ele em voz baixa. "Às vezes eu sou. Agora seja uma boa menina e faça o que eu pedi. Você pode não gostar do que acontece do contrário..." Antes mesmo dele terminar de falar, eu luto para obedecer, ficando em minhas mãos e joelhos na cama. Apesar do calor no quarto, eu estou tremendo, tremendo da cabeça aos pés. Imagens violentas, terríveis enchem minha mente, fazendo-me sentir doente. Eu não sei muito sobre S & M. Cinquenta Tons e alguns outros livros de sua laia são a extensão da minha experiência com o assunto, mas nenhum desses romances representa qualquer coisa como minha situação

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agora. Mesmo nas minhas mais sombrias e secretas fantasias, eu nunca me imaginei sendo mantida em cativeiro por um sádico. O que ele vai fazer? Me chicotear? Me torturar? Acorrentar-me em uma masmorra? Existe um calabouço nesta ilha? Eu imagino uma câmara de pedra cheia de instrumentos de tortura, como em um filme sobre a Inquisição espanhola, e eu quero vomitar. Tenho certeza que BDSM normal não é nada disso, mas não há nada de normal sobre a minha situação com Julian. Ele pode literalmente fazer qualquer coisa que ele queira comigo. Ele fica na cama atrás de mim e acaricia minhas costas. Seu toque é lento e suave. Seria reconfortante, exceto que eu estou encolhendo, esperando um golpe a qualquer momento. Ele provavelmente percebe isso porque ele se inclina sobre mim e sussurra em meu ouvido, "Relaxe, Nora. Eu não vou fazer mais nada esta noite. " Eu quase caio na cama. Lágrimas correm pelo meu rosto novamente. Desta vez, eles são lágrimas de alívio e gratidão. Eu estou pateticamente grata que ele não vai me machucar novamente. Pelo menos, não esta noite. E então eu estou horrorizada. Horrorizada e enojada, porque quando ele começa a beijar meu pescoço, meu corpo começa a responder a ele como se nada tivesse acontecido. Como se ele nunca conhecesse um momento de dor em suas mãos. Meu corpo estúpido não se importa que ele seja um bastardo depravado. Que ele vai me machucar novamente e novamente. Não, meu corpo quer prazer, e não se preocupa com qualquer outra coisa. Sua boca quente se desloca do meu pescoço aos meus ombros, em seguida, sobre minhas costas. Minha respiração é superficial, errática. Apesar da confiança restabelecida, eu ainda tenho medo dele, e o medo de alguma forma me deixa mais molhada. Seus lábios se deslocam para as minhas nádegas, beija a área que ele machucou apenas alguns minutos mais cedo. Sua mão empurra na minha parte inferior das costas, e eu arqueio ligeiramente sob seu toque, entendendo o seu comando não dito. Seus dedos deslizam entre as minhas pernas, e um longo dedo encontra seu caminho em meu canal escorregadio, entrando profundamente.

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Ele curva o dedo dentro de mim, e eu suspiro enquanto ele pressiona em algum ponto sensível dentro. Me sinto tensa e tremo, mas desta vez, não de medo. Conforme ele empurra o dedo curvado para dentro e para fora, eu encontro pressão dentro de mim. Minhas pulsações partem do coração, e de repente eu me sinto quente, como se eu estivesse queimando por dentro. E então um poderoso orgasmo escorre pelo meu corpo, nascido no meu âmago e se espalhando para fora. É tão forte que a minha visão embaça por um momento e eu quase caio na cama. Antes de minhas pulsações sequer pararem, ele fica de joelhos atrás de mim e começa a empurrar. Estou molhada e sua entrada é relativamente fácil, embora ele ainda seja grande dentro de mim. Meus tecidos internos sentem doloridos do uso duro de ontem à noite, e eu não posso evitar um ligeiro suspiro de dor na invasão. Quando ele está totalmente dentro, sua virilha contra minha bunda queimando, soma-se ao desconforto. Agarrando meus quadris, ele começa a se mover para dentro e para fora, de forma lenta e ritmicamente. Apesar da dor inicial, meu corpo parece gostar da sensação de plenitude, de ser esticada, e responde produzindo ainda mais lubrificação. Conforme o ritmo intensifica, minha respiração acelera e gemidos indefesos escapam da minha garganta cada vez que ele empurra profundamente em mim. De repente, sem nenhum aviso, meus músculos se contraem conforme as sensações chegam ao clímax. As ondulações de libertação através de mim, o prazer impressionante em sua intensidade. Atrás de mim, eu posso ouvir seu gemido conforme o meu clímax provoca o seu próprio – e sinto o jorro quente de sua semente dentro de mim. E então nós dois caímos na cama, seu corpo pesado e escorregadio de suor em cima do meu.

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Eu acordo lentamente, em etapas. Primeiro, eu sinto a sensação de cócegas do meu cabelo no meu rosto. Em seguida, o calor do sol no meu braço descoberto. Por um momento, minha mente está flutuando no limbo macio, confortável entre o sono e a vigília, entre sonho e realidade. Eu mantenho meus olhos totalmente, porque isso é tão bom.

fechados,

não

querendo

acordar

Então eu percebo que eu posso sentir o cheiro de panquecas na cozinha. Meus lábios abrem em um sorriso. É o fim de semana, e minha mãe decidiu estragar-nos novamente. Ela faz panquecas em ocasiões especiais e às vezes apenas por fazer. O cabelo me faz cócegas novamente, e eu relutantemente movo meu braço para empurra -lo fora do meu rosto. Eu estou mais acordada agora, e a sensação de calor dentro de mim se dissipa, substituída por medo duro, me corroendo. Não, por favor deixe tudo ser um sonho. Por favor, deixe tudo ser um sonho ruim. Abro os olhos. Não é um sonho. Eu ainda posso sentir o cheiro das panquecas, mas não há nenhuma maneira que poderia ser minha mãe cozinhando. Eu estou em uma ilha no meio do Oceano Pacífico, mantida em cativeiro por um homem que obtém prazer me machucando.

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Eu estico com cuidado, faço uma checagem do meu corpo. À exceção de uma ligeira irritação no meu traseiro, eu pareço estar bem. Ele só me tinha tomado uma vez na última noite, pelo que sou grata. Levantando-me, eu ando nua até o espelho e olho a minha volta. Há contusões leves sobre minhas nádegas, mas nada grave. Esse é um dos benefícios da minha pele dourada. Eu não fico com equimoses com facilidade. Amanhã, ela deve parecer completamente normal. No geral, eu pareço ter sobrevivido a mais uma noite na cama do meu captor. Conforme eu escovo os dentes, eu penso novamente na última noite. O jantar, o meu plano bobo de seduzi-lo, o meu sentimento de traição por suas ações... Eu não posso acreditar que eu tinha começado a confiar nele, mesmo um pouquinho. Homens normais não sequestram meninas do parque. Eles não as drogam e trazem para uma ilha privada. Homens que gostam de sexo normal e consensual não mantem mulheres em cativeiro. Não, Julian não é normal. Ele é um sádico, maníaco por controle, e eu não posso nunca esquecer isso. O fato dele não ter me ferido gravemente ainda, não quer dizer nada. É apenas uma questão de tempo antes que ele faça algo verdadeiramente terrível para mim. Eu preciso escapar antes que isso aconteça, e eu não posso gastar o meu doce tempo seduzindo Julian. Ele é muito perigoso e imprevisível. Eu preciso encontrar uma maneira para sair desta ilha.

Depois que eu tomo um banho rápido e escovo os dentes, eu desço para o café da manhã. Beth já deve ter ido no meu quarto, porque há um outro novo conjunto de roupas colocadas para fora. A roupa de banho, rasteirinhas, e outro vestido de verão. Beth está na cozinha, daí as panquecas que eu cheirava mais cedo.

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Com a minha entrada, ela sorri para mim, a tensão de ontem, aparentemente esquecida. "Bom dia", diz ela alegremente. "Como você está se sentindo?" Dou-lhe um olhar incrédulo. Será que ela sabe o que Julian fez para mim? "Oh, ótima," eu digo sarcasticamente. "Isso é bom." Ela parece alheia ao meu tom. "Julian estava com medo de que você pudesse estar um pouco dolorida esta manhã, então ele me deixou um creme especial para dar-lhe apenas no caso." Ela sabe. "Como você vive com você mesma?" Eu pergunto, genuinamente curiosa. Como uma mulher pode ficar parada e assistir outra mulher sendo abusada assim? Como ela pode trabalhar para este homem cruel? Em vez de responder, Beth coloca uma grande panqueca, macia em um prato e leva para mim. Há também manga cortada sobre a mesa, ao lado de uma garrafa de xarope de bordo. "Coma, Nora", diz ela, sem maldade. Dou-lhe um olhar amargo e corto a panqueca. É deliciosa. Eu acho que ela adicionou bananas à massa porque eu posso provar sua doçura. Eu nem sequer preciso do xarope de bordo, embora eu adicione algumas fatias de manga para um sabor adicional. Beth sorri novamente, e volta a fazer as várias tarefas da cozinha. Depois do almoço, eu saio de casa e exploro a ilha por conta própria. Beth não me impede. Continuo a achar chocante que eles estão me deixando passear assim. Eles devem estar totalmente confiantes que não há nenhuma maneira de sair da ilha. Bem, tenho a intenção de encontrar um caminho. Eu ando incansavelmente durante horas no sol quente, até que os chinelos que estou usando me dão uma bolha. Eu fico perto da praia, na esperança de encontrar um barco amarrado em algum lugar, talvez em uma caverna ou uma lagoa. Mas eu não encontro nada. Como eu cheguei aqui? Foi por avião ou helicóptero? Julian fez menção ontem que tinha originalmente descoberto este lugar enquanto

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pilotava um avião. Talvez seja assim que ele me trouxe até aqui, através de um avião particular? Isso não seria bom. Mesmo se eu encontrasse o avião em algum lugar, como eu iria voar? Eu imagino que deve ser pelo menos um pouco complicado. Então, novamente, com incentivo suficiente, eu poderia ser capaz de descobrir isso. Eu não sou estúpida, e pilotar um avião não é ciência de foguete. Mas eu não encontro um avião também. Há uma área plana gramada no outro lado da ilha, com uma estrutura no final da mesma, mas não há nada dentro da estrutura. Está completamente vazia. Cansada, com sede, e com o início da bolha me incomodando a cada passo, eu volto para a casa.

"Julian saiu um par de horas atrás," Beth me diz assim que eu entro. Atordoada, eu olho para ela. "O que quer dizer com ele saiu?" "Ele tinha um negócio urgente para cuidar. Se tudo correr bem, ele deve estar de volta dentro de uma semana. " Eu aceno, tentando manter uma expressão neutra, e subo as escadas para o meu quarto. Ele se foi! Meu algoz se foi! Somos apenas Beth e eu nesta ilha. Ninguém mais. Minha mente está girando com possibilidades. Eu posso roubar uma das facas de cozinha e ameaçar Beth até que ela me mostre uma maneira para fora da ilha. Há provavelmente internet aqui, e eu poderia ser capaz de chegar ao mundo exterior. Estou tão animada que eu poderia gritar. Será que eles realmente pensam que eu sou tão inofensiva? Será que meu comportamento manso, até agora, os levou a pensar que eu iria continuar a ser uma boa, e obediente prisioneira?

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Bem, eles não poderiam estar mais enganados. Julian é de quem eu tenho medo, não Beth. Com os dois nesta ilha, atacar Beth teria sido inútil e perigoso. Agora, porém, é um jogo justo.

Uma hora mais tarde, eu calmamente esgueiro para a cozinha. Como eu esperava, Beth não está lá. É muito cedo para preparar o jantar e muito tarde para o almoço. Meus pés estão descalços, para minimizar qualquer som. Cautelosamente olhando ao redor, eu abro uma das gavetas e tiro uma grande faca de açougueiro. Testando-a com o dedo, eu determino que é afiada. Uma arma. Perfeita. O vestido de verão que eu estou usando tem um cinto fino na cintura, e eu o uso para amarrar a faca na parte de trás. É um coldre meio grosseiro, mas que mantem a faca no lugar. Espero que eu não corte minha bunda com a lâmina nua, mas mesmo se eu fizer, é um risco que vale. Um grande vaso de cerâmica é a minha próxima aquisição. É pesado o suficiente que eu mal consigo levantá-lo sobre a minha cabeça com dois braços. Eu posso imaginar que um crânio humano seria esmagado por algo como isto. Logo que eu peguei essas duas coisas, vou procurar Beth. Eu a encontro na varanda, enrolada com um livro em um sofá longo e confortável ao ar livre, desfrutando do ar fresco e da bela vista do mar. Ela não olha quando eu coloco minha cabeça fora através da porta aberta, e eu rapidamente volto, tentando descobrir o que fazer a seguir. Meu plano é simples. Eu preciso pegar Beth com a guarda baixa e bater na cabeça dela com o vaso. Talvez amarrá-la com alguma coisa. Então eu poderia usar a faca para ameaçá-la a me deixar entrar em contato com o mundo exterior. Desta forma, no momento em que Julian retornar, eu já poderia ser resgatada.

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Tudo que eu preciso agora é um bom local para a minha emboscada. Olhando ao redor, noto um pequeno recanto perto da entrada da cozinha. Se você está vindo de fora da varanda – como eu acho que Beth virá, então você realmente não vê nada nesse recanto. Não é o melhor lugar para esconder-se, mas é melhor do que atacá-la abertamente. Eu vou lá e me pressiono contra a parede, o vaso de pé no chão ao meu lado, onde eu posso facilmente agarrá-lo. Respirando fundo, e percebo o tremor leve das minhas mãos. Eu não sou uma pessoa violenta, mas aqui estou eu, prestes a esmagar este vaso na cabeça de Beth. Eu não quero pensar sobre isso, mas não posso deixar de imaginar seu crânio aberto, sangue em todos os lugares, como em um filme de terror. A imagem me faz mal. Digo a mim mesmo que isso não vai ser assim, que ela provavelmente vai acabar com uma contusão desagradável ou uma leve concussão. A espera parece interminável. Ela continua e continua, a cada segundo que se estende como uma hora. Meu coração está batendo e eu estou suando, mesmo que a temperatura na casa seja muito mais fria do que o calor de fora. Finalmente, depois do que parece várias horas, ouço passos de Beth. Agarrando o vaso, eu levanto-o cuidadosamente sobre a minha cabeça e prendo a respiração conforme Beth dá passos através da porta aberta que vem da varanda. Quando ela passa por mim, seguro o vaso com força e trago-o para baixo em sua cabeça. E de alguma forma eu erro. No último momento, Beth deve ter ouvido me mover porque o vaso bate no seu ombro. Ela grita de dor, segurando o ombro. "Sua puta!" Eu suspiro e tento levantar o vaso de novo, mas é tarde demais. Ela agarra o vaso, e joga, quebrando-o em uma dúzia de peças entre nós. Eu salto para trás, minha mão direita freneticamente lutando para a faca. Merda, merda, merda. Eu consigo agarrar o cabo e puxo-a para fora, mas antes que eu possa fazer qualquer coisa, ela agarra meu braço, movendo-se tão rapidamente como uma cobra. Seu aperto é como uma banda de aço em volta do meu pulso direito.

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Seu rosto está vermelho e seus olhos estão brilhando conforme ela torce meu braço dolorosamente para trás. "Largue a faca, Nora", ela ordena asperamente, sua voz cheia de fúria. Em pânico, eu tento bater no seu rosto com a outra mão, mas ela pega o braço também. Ela sabe claramente como lutar e ela também é, obviamente, mais forte do que eu. Meu braço direito está gritando de dor, mas eu tentar chutar ela. Eu não posso perder essa luta. Esta é a minha melhor chance de fuga. Meus pés fazem contato com suas pernas, mas eu não estou usando sapatos e eu faço mais danos aos meus pés do que em suas canelas. "Largue a faca, Nora, ou eu vou quebrar seu braço", ela sussurra, e eu sei que ela está dizendo a verdade. Meu ombro parece que está prestes a estourar com a força da sua torção, e minha visão escurece quando ondas de dor irradiam pelo meu braço. Eu aguento por mais um segundo, e então meus dedos liberaram a faca. Ela cai no chão com um baque alto. Beth imediatamente me deixa ir e se abaixa para pegá-la. Eu me afasto, respirando com dificuldade, lágrimas de dor e frustração queimam em meus olhos. Eu não sei o que ela vai fazer comigo agora, e eu não quero descobrir. Então eu corro.

Sou rápida em meus pés e estou em boa forma. Eu posso ouvir Beth me perseguindo, chamando meu nome, mas eu duvido que ela já tenha feito corrida antes. Eu corro para fora da casa e para baixo para a praia. Pedras, galhos e cascalho escavam em meus pés, mas eu quase não os sinto. Eu não sei onde eu estou correndo, mas eu não posso deixar Beth me pegar. Eu não posso ser trancada no quarto ou pior. "Nora!"

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Porra, ela é uma boa corredora também. Coloco uma explosão de velocidade, ignorando a dor em meus pés. "Nora, não seja uma idiota! Não há nenhum lugar para ir!" Eu sei que é verdade, mas eu não posso ser uma vítima passiva por mais tempo. Eu não posso sentar humildemente naquela casa, comer a comida de Beth, e esperar até Julian retornar. Eu não posso permitir que ele me machuque de novo e, em seguida, fazer o meu corpo implorar por ele. Meus músculos das pernas estão gritando, e os meus pulmões estão se esforçando por ar. Eu me separo do desconforto, finjo que estou em uma corrida para a linha de chegada a apenas cem metros de distância. Parece que eu estou correndo para sempre. Quando eu olho para trás, vejo que Beth está ficando mais e mais para trás. Meu ritmo facilita um pouco. Eu não posso sustentar essa velocidade por muito mais tempo. Sem pensar muito, eu vou para o lado rochoso da ilha, onde posso escalar as rochas e desaparecer na área densamente arborizada acima delas. Leva-me mais dez minutos para chegar lá. Até então, eu não posso mais ver Beth atrás de mim. Eu diminuo e subo as rochas. Agora que estou fora de perigo imediato, eu posso sentir os cortes e contusões em meus pés descalços. É uma subida lenta e tortuosa. Minhas pernas estão tremendo do esforço desacostumado, e eu posso sentir uma queda pós-adrenalina chegando. No entanto, eu consigo ir para cima da colina rochosa e para a floresta. Vegetação tropical, exuberante e grossa, é tudo ao meu redor, me escondendo da vista. Eu vou mais fundo, buscando um bom local para entrar em colapso de exaustão. Não seria fácil me encontrar aqui. Pelo que me lembro, durante minha exploração anteriormente, esta floresta cobre uma grande parte deste lado da ilha. Eu deveria estar segura aqui por enquanto. Enquanto a escuridão começa a cair, eu me abrigo sob uma grande árvore, onde a vegetação rasteira é particularmente impenetrável. Eu limpo

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um pedaço de terra para mim, tendo a certeza que eu não estou perto de quaisquer formigueiros ou qualquer outra coisa que pudesse me morder. Então eu deito, ignorando a dor latejante em meus pés dilacerados. Não é a primeira vez na minha vida, que eu sou grata ao meu pai por me levar para acampar quando eu era uma criança. Graças à sua tutela, eu estou confortável com a natureza em toda sua glória. Insetos, cobras, lagartos – nenhum deles me incomoda. Eu sei que deveria ter cuidado em torno de certas espécies, mas não temo como um todo. Eu tenho muito mais medo das cobras que me trouxeram a esta ilha. Agora que estou longe de Beth, eu posso pensar um pouco mais claramente. Aquele corpo magro e tonificado dela claramente não é de fazer cárdio leve e ioga na academia. Ela é forte, provavelmente tão forte quanto alguns homens e definitivamente muito mais forte do que eu. Ela também parece ter tido algum tipo de treinamento especial. Artes marciais, talvez? Foi claramente um erro tentar levá-la como prisioneira. Eu deveria ter deslizado essa faca em suas costas quando ela não estava olhando. Não é tarde demais, porém. Eu ainda posso me esgueirar para dentro de casa e surpreendê-la lá. Preciso de acesso à internet, e eu preciso disso agora, antes que Julian retorne. Eu não sei o que ele vai fazer comigo por atacar Beth e eu certamente não quero descobrir.

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Uma sensação estranha me acorda na manhã seguinte. É quase como"Ah Merda!" Eu salto, tentando sacudir a aranha de pernas longas que está agradavelmente passeando pelo meu braço. A aranha voa fora, e eu freneticamente esfrego o meu rosto, cabelo e corpo, tentando me livrar de quaisquer outros potenciais rastejantes. Ok, então eu não tenho exatamente medo de aranhas, mas eu realmente, realmente não gosto delas em mim. Esta não é definitivamente a maneira mais agradável para acordar. Minha frequência cardíaca retorna gradualmente ao normal, e eu faço um balanço da minha situação. Estou com sede, e todo o meu corpo dói de dormir no chão duro. Eu também me sinto suja, e os meus pés doem. Levantando uma perna, eu espio a sola do pé. Tenho certeza que há sangue seco lá. Meu estômago está roncando de fome. Eu não tinha jantado na noite passada, e estou absolutamente morrendo de fome. No lado positivo, Beth não me encontrou ainda. Eu não estou realmente certa do que vou fazer a seguir. Talvez fazer o meu caminho de volta para casa e tentar emboscar Beth lá novamente?

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Eu penso sobre isso e decido que é provavelmente a melhor ação neste momento. Cedo ou tarde, Beth ou Julian vão me encontrar. A ilha não é tão grande, e eu não seria capaz de me esconder deles por muito tempo. E eu não posso correr o risco de procrastinar, no caso de Julian retornar mais cedo do que o esperado. Dois contra um, são probabilidades terríveis. Eu também estou ficando mais faminta a cada minuto, e eu tendo a ficar tonta se eu não comer regularmente. Eu provavelmente poderia encontrar água fresca para beber, mas achar comida é mais duvidoso. Eu não sei de onde Beth pega as mangas. Se eu tentar me esconder por mais alguns dias, eu poderia estar muito fraca para atacar qualquer um, muito menos uma mulher que poderia ser uma maldita princesa guerreira. Além disso, ela pode não estar me esperando ainda, e eu poderia realmente usar o elemento surpresa. Então eu tomo uma respiração profunda e começo a andar, ou melhor, mancar de volta para a casa. Eu sei que isso não pode acabar bem para mim, mas eu não tenho escolha. Ou eu luto agora, ou eu vou sempre ser uma vítima. Eu levo cerca de duas horas para voltar. Eu acabo tendo de parar e fazer pausas quando eu já não posso tolerar a agonia em meus pés. É meio irônico que eu escapei porque tenho medo da dor, e acabei me machucando tanto no processo. Julian provavelmente gostaria de me ver assim. Aquele bastardo pervertido. Finalmente, eu chego na casa e agacho atrás de alguns arbustos grandes perto da porta da frente. Eu não sei se ela está trancada ou não, mas eu acho que não posso apenas passear pela entrada principal. Pelo que sei, Beth está bem ali na sala de estar. Não, eu preciso ser mais estratégica sobre isso. Depois de alguns minutos, eu cuidadosamente faço o meu caminho para a parte de trás da casa, em direção ao alpendre grande onde eu tinha atacado Beth ontem. Para meu alívio, ninguém está lá. Tomando cuidado para não fazer um som, eu abro a porta de tela e deslizo para dentro. Na minha mão, eu estou segurando uma grande pedra.

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Seria muito melhor ter uma faca ou uma arma, mas uma pedra terá que servir por agora. Andando como um caranguejo para uma das janelas, eu olho para dentro e fico satisfeita de encontrar a sala de estar vazia. Me endireitando, eu ando até a porta de vidro que leva à sala de estar, tranquilamente deslizando-a para abrir, e entro. A casa está completamente silenciosa. Não há ninguém cozinhando na cozinha ou pondo a mesa. O relógio digital na sala de estar marca 07:12. Eu espero que Beth ainda esteja dormindo. Ainda segurando a pedra, eu me esgueiro para a cozinha e encontro uma outra faca. Segurando ambos, eu cuidadosamente vou para cima. O quarto de Beth é o primeiro à esquerda. Eu sei porque ela me mostrou isso durante o passeio pela casa. Segurando minha respiração, eu calmamente empurro a porta para abrir. . . e congelo. Sentado ali na cama está a pessoa que eu mais temo. Julian. Ele está de volta mais cedo.

"Olá, Nora." Sua voz é enganosamente suave, seu rosto perfeito inexpressivo. No entanto, eu posso sentir a raiva queimando calmamente embaixo. Por um segundo, eu só olho para ele, paralisada pelo terror. Não consigo ouvir nada, mas o rugido do meu próprio coração em meus ouvidos. E então eu começo a recuar, ainda mantendo meus olhos treinados no rosto. Minhas mãos são levantadas defensivamente na minha, a pedra e a faca agarradas firmemente em cada uma.

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Naquele momento, as mãos de aço apertam meus braços por trás, dolorosamente apertando os meus pulsos. Eu grito, lutando, mas Beth é muito forte. A faca torce para trás na minha mão, quase atingindo meu ombro. Em um flash, Julian está sobre mim, e tanto a faca como a rocha são arrancadas das minhas mãos. Beth me libera e Julian me agarra, me segurando firmemente conforme eu grito e me contorço histericamente em seus braços. Quanto mais eu luto, mais apertados seus braços ficam em torno de mim, até que eu fico mole, quase desmaiando por falta de ar. Então ele me pega e me leva para fora do quarto de Beth. Para minha surpresa, ele me abaixa e pára em frente a porta que leva ao seu escritório. Um painel minúsculo abre ao lado, e eu posso ver uma luz vermelha se movendo sobre o rosto de Julian, como um laser em uma caixa do supermercado. Então, a porta desliza aberta. Eu abafo um suspiro de surpresa. A porta do escritório se abre através de uma digitalização de retina algo que eu só vi antes em filmes de espionagem. Enquanto ele me leva para dentro, tento lutar de novo, mas é inútil. Seus braços estão completamente imóveis, me segurando firmemente em seu aperto. Eu estou mais uma vez impotente em seu abraço. Lágrimas de frustração amargas deslizam pelo meu rosto. Eu odeio ser tão fraca, tão facilmente manipulada. Ele nem sequer perde fôlego na nossa luta. Eu não tenho certeza do que eu estou esperando que ele faça. Talvez me bata, ou brutalmente me leve. Mas ele simplesmente me coloca de pé quando estamos dentro de seu escritório. Assim que ele me libera, eu dou alguns passos para trás, a necessidade de colocar, pelo menos, alguma distância entre nós.

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Ele sorri para mim, e há algo perturbador na beleza daquele sorriso. "Relaxe, meu animal de estimação. Eu não vou te machucar. Não agora, pelo menos. " E conforme eu assisto, ele caminha até uma grande mesa e abre a gaveta, tirando um controle remoto. Então, ele aponta para a parede atrás de mim. Eu me viro com cautela e olho para duas telas grandes de tela plana de TV. Elas parecem muito alta tecnologia, não como as que eu estou acostumado a ver em casa. A tela da esquerda acende-se. A imagem é estranha porque é tão inesperada. Parece que é um quarto normal na casa de alguém. A cama está desfeita, lençóis amontoados descuidadamente sobre o colchão. Posters de vários jogadores de futebol revestem as paredes, e há um laptop sobre a mesa. "Você reconhece isso?", Pergunta Julian. Eu balanço minha cabeça. "Bom", diz ele. "Estou feliz com isso." "De quem é esse quarto?" Eu pergunto, uma sensação de mal estar aparecendo no meu estômago. "Você não consegue adivinhar?" Encaro-o, sentindo-me mais fria a cada minuto. "Jake?" "Sim, Nora. Jake ". Eu começo a tremer por dentro. "Por que está na sua TV?" "Você se lembra quando eu lhe disse que Jake está seguro, desde que você se comporte?" Eu paro de respirar por um segundo. "Sim..." Meu sussurro é quase inaudível. Sinceramente, eu tinha esquecido sobre sua ameaça inicial a Jake, muito consumida com a experiência do meu próprio cativeiro. Eu não acho que eu levei a sério a ameaça, para começar, certamente não depois que eu soube que estávamos em uma ilha a milhares de milhas de distância da

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minha cidade natal. Em algum lugar no fundo da minha mente, eu tinha sido convencida que Julian não poderia realmente prejudicar Jake. Não a partir de uma distância, pelo menos. "Bom", diz Julian. "Então você vai entender por que estou fazendo isso. Eu não quero mantê-la presa, incapaz de ir a qualquer lugar ou fazer qualquer coisa. Esta ilha é a sua nova casa, e eu quero que você seja feliz aqui- " Feliz aqui? Eu estou mais do que nunca convencida de que ele é louco. "-mas eu não posso ter você tentando ferir Beth em tentativas de fuga sem sentido. Você precisa saber que há consequências para as suas ações- " A sensação de mal estar dentro de mim se espalha por todo o meu corpo. "Eu sinto Muito! Eu não vou mais fazer isso! Eu não vou, eu prometo!" Minhas palavras são apressadas e desordenadas. Eu não sei se eu posso evitar o que está prestes a acontecer, mas eu tenho que tentar. "Eu não vou machucar Beth, e eu não vou tentar escapar. Por favor, Julian, eu aprendi minha lição..." Julian me olha quase com tristeza. "Não, Nora. Você não fez. Eu tive que voltar hoje, encurtando minha viagem de negócios por causa do que você fez. Beth não está aqui para ser sua carcereira. Esse não é seu papel. Ela está aqui para cuidar de você, para se certificar de que você esteja confortável e satisfeita. Eu não posso deixar que você retribua sua bondade tentando matar ela- " "Eu não estava tentando matá-la! Eu só queria..." Eu paro, não querendo revelar o meu plano para ele. "Você pensou que poderia levá-la refém?" Julian parece divertido agora. "Para fazer o que? Convence-la a levá-la para fora da ilha? Ajudá-la a chegar ao mundo exterior?" Eu olho para ele, nem nego nem admito. "Bem, Nora, deixe-me explicar uma coisa. Mesmo que o seu ataque tivesse sucesso – que não teria, porque Beth é mais do que capaz de lidar com uma menina pequena, ela não teria sido capaz de ajudá-la. Quando eu saio, o avião sai comigo. Não há nenhum barco ou qualquer outra forma de sair da ilha."

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Suas palavras confirmam o que eu já suspeitava com as minhas explorações. Mas eu ainda espero que"E eu sou o único que tem acesso ao meu escritório. Não há nenhum computador ou equipamento de comunicação em qualquer outro lugar na casa. Tudo que Beth pode fazer é enviar-me uma mensagem direta em uma linha especial que criamos. Então você vê, meu animal de estimação, ela teria sido completamente inútil como refém ". Tanto por aquela esperança. Cada frase parece um prego entrando mais profundamente em meu caixão. Se ele não está mentindo para mim, então minha situação é muito, muito pior do que eu temia. A menos que Julian escolha me deixar ir, eu vou ficar presa em sua ilha para sempre. Eu quero gritar, chorar, e jogar coisas, mas eu não posso me deixar desmoronar agora. Em vez disso, eu aceno e finjo ser calma e racional. "Eu entendo. Sinto muito, Julian. Eu não sabia nada disso antes. Eu não vou tentar escapar novamente, e eu não irei prejudicar Beth. Por favor acredite em mim..." "Eu gostaria, Nora." Ele parece quase arrependido. "Mas eu não posso. Você não me conhece ainda, então você não tem certeza se pode acreditar em mim. Eu preciso te mostrar que eu sou um homem de palavra. Quanto mais cedo você aceitar o inevitável, mais feliz você será. " E com isso, ele enfia a mão no bolso e tira algo que se parece com um telefone. Pressionando um botão, ele espera um par de segundos, em seguida, diz secamente: "Você pode continuar." Em seguida, ele volta sua atenção para a tela. Eu faço o mesmo, um sentimento vazio de medo no meu estômago. A TV ainda mostra uma sala vazia, mas alguns segundos depois, a porta se abre e Jake entra. Ele parece aterrorizado. Um de seus olhos está inchado, e seu nariz está fora do centro, como se ele estivesse quebrado. Ele é seguido por uma grande figura mascarada carregando uma arma.

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Um suspiro horrorizado escapa dos meus lábios. "Por favor não..." Eu não estou ciente de me mover, mas minhas mãos estão de alguma forma no braço de Julian, puxando-o em desespero. "Veja, Nora." Não há nenhuma emoção no rosto de Julian quando ele me puxa para seus braços, segurando-me para que eu esteja de frente para a TV. "Eu quero que você aprenda de uma vez por todas que as ações têm consequências." Na tela, o capanga mascarado de repente chega para Jake"Não!" -e bate forte no rosto dele com o punho da arma. Jake tropeça para trás, sangue escorrendo pelo canto da boca. "Por favor, não!" Eu estou chorando e lutando no punho de ferro de Julian, meus olhos grudados na cena violenta, acontecendo a milhares de milhas de distância. O atacante de Jake é implacável, atingindo-o mais e mais. Eu grito, sentindo cada golpe dentro do meu coração. Cada golpe brutal contra o corpo de Jake está matando algo dentro de mim, alguma crença em um futuro mais brilhante que tem me mantido até agora. Quando Jake cai de joelhos, o homem chuta suas costelas, e eu posso ouvir o gemido de dor de Jake. "Por favor, Julian," eu sussurro em derrota, caindo em seus braços. "Por favor pare..." Eu sei que estou pedindo a misericórdia de um homem que não tem nenhuma. Ele está assassinando Jake na frente dos meus olhos, e não há absolutamente nada que eu possa fazer sobre isso. Meu captor permite que o espancamento prossiga por mais um minuto antes de me soltar e tirar seu telefone. Encaro-o, tremendo da cabeça aos pés. Eu nem sequer me atrevo a ter esperança. Julian rapidamente digita um texto. Na tela, eu vejo o agressor de Jake pausar e enfiar a mão no bolso. Em seguida, ele para completamente e deixa o quarto de Jake. Jake é deixado deitado no chão, coberto de sangue. Continuo colada a tela, necessitando saber se ele está vivo. Depois de um minuto, eu ouço

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seu gemido e o vejo levantar-se. Ele manca para o telefone da casa, movendo-se como um homem velho em vez de um rapaz atlético. E então eu o ouço chamar o 911. Eu afundo no chão e enterro meu rosto em minhas mãos. Julian ganhou. Eu sei que minha vida nunca mais será minha novamente.

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Quando eu acordo na manhã seguinte, Julian se foi novamente. Eu realmente não me lembro o que aconteceu depois que eu entrei em colapso no escritório de Julian ontem. O resto do dia é distorcido em minha memória. É como se meu cérebro tivesse desligado, incapaz de processar a violência que eu tinha testemunhado. Eu acho que eu lembro vagamente de Julian me pegar do chão e me trazer para o chuveiro. Ele deve ter me lavado e enfaixado meus pés porque estão envoltos em gaze esta manhã e doendo muito menos quando eu ando. Eu não tenho certeza se ele fez sexo comigo ontem à noite. Se ele fez, então ele deve ter sido extraordinariamente gentil, porque eu não tenho qualquer dor esta manhã. Lembro-me de dormir com ele na minha cama, com seu grande corpo curvado em torno do meu. Em alguns aspectos, o que aconteceu simplifica as coisas. Quando não há esperança, quando não há escolha, tudo se torna extremamente claro. O fato em questão é que Julian tem todas as cartas. Eu sou sua por tanto tempo quanto ele desejar me manter. Não há escapatória para mim, não há saída. E uma vez que aceito esse fato, minha vida torna-se mais fácil. Antes que eu perceba, eu estava na ilha durante nove dias. Beth me diz isso no café da manhã esta manhã.

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Eu passei a tolerar sua presença. Eu não tenho escolha, sem Julian lá, ela é minha única fonte de interação humana. Ela me alimenta, me veste e limpa para mim. Ela é quase como minha babá, exceto que ela é jovem e às vezes mal-intencionada. Eu não acho que ela me perdoou totalmente por tentar bater na sua cabeça. Isso machucou seu orgulho ou algo assim. Eu tento não incomoda-la demais. Saio de casa durante o dia, passo a maior parte do meu tempo na praia ou explorando a floresta. Eu volto para a casa para as refeições e para pegar um novo livro para ler. Beth me disse que Julian vai me trazer mais livros quando eu terminar com a centena ou mais que estão atualmente no meu quarto. Eu deveria estar deprimida. Eu sei disso. Eu deveria estar amarga e furiosa o tempo todo, odiando Julian e a ilha. E às vezes eu estou. Mas é preciso tanta energia, constantemente ser uma vítima. Quando estou deitada no sol quente, absorta em um livro, eu não odeio qualquer coisa. Eu apenas me deixo levar pela imaginação de algum autor. Eu tento não pensar sobre Jake. A culpa é quase insuportável. Racionalmente, eu sei que Julian é o único que fez isso, mas não posso deixar de me sentir responsável. Se eu nunca tivesse saído com Jake, isso nunca teria acontecido com ele. Se eu não tivesse me aproximado dele durante a festa, ele não teria sido barbaramente espancado. Eu ainda não sei quem é Julian ou como ele é capaz de ter um alcance tão longo. Ele é tanto um mistério para mim hoje como ele sempre foi. Talvez ele esteja na máfia. Isso explicaria os bandidos que ele tem a seu serviço. Claro, ele poderia simplesmente ser um rico excêntrico com tendências sociopatas. Eu realmente não sei. Às vezes eu choro até dormir à noite. Sinto falta da minha família, meus amigos. Eu sinto falta de sair e dançar em um clube. Eu sinto falta de contato humano. Eu não sou uma solitária por natureza. Em casa, eu estava sempre em contato com as pessoas no Facebook, Twitter ou apenas saindo com os amigos no shopping. Gosto de ler, mas não é suficiente para mim. Eu preciso de mais. Fico tão mal que eu tento falar com Beth sobre isso.

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"Estou entediada", eu digo a ela durante o jantar. É peixe novamente. Eu aprendi que Beth pesca perto da enseada do outro lado da ilha. Desta vez, é com molho de manga. É uma boa coisa que eu sou fã de frutos do mar, porque eu recebo um monte deles aqui. "Você está?" Ela parece se divertir. "Por quê? Você não tem bastante livros para ler? " Eu rolo meus olhos. "Sim, eu ainda tenho setenta ou algo assim. Mas não há nada mais a fazer...” "Quer me ajudar a pescar amanhã?", pergunta ela, dando-me um olhar zombeteiro. Ela sabe que não é a minha pessoa favorita, e ela totalmente espera que eu recuse imediatamente. No entanto, ela não percebe a extensão do quanto eu preciso de interação humana. "Ok", eu digo, obviamente, surpreendendo-a. Eu nunca fui pescar, e eu não posso imaginar que seja uma atividade particularmente divertida, especialmente se Beth vai ser irritante o tempo todo. Ainda assim, eu faria qualquer coisa para quebrar a rotina neste momento. "Ok, então", diz ela. "O melhor momento para pegar esses filhos da puta é em torno do amanhecer. Acha que está pronta para isso? " "Claro", eu digo. Normalmente eu odeio acordar cedo, mas tenho muito tempo para dormir aqui, tenho certeza que isso não vai fazer mal. Eu provavelmente durmo perto de dez horas da noite e também dou um cochilo ocasional no fim da tarde. É um pouco ridículo, realmente. Meu corpo parece pensar que estou de férias em algum retiro relaxante. Há aparentemente vantagens em não ter internet ou outras distrações. Eu não acho que eu me senti tão descansada na minha vida inteira. "Então é melhor você ir dormir logo, porque eu vou passar no seu quarto cedo", avisa. Eu aceno, terminando meu jantar. Então eu subo as escadas até o meu quarto e choro até dormir novamente.

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"Quando Julian vai voltar?" Eu pergunto, observando Beth enquanto ela organiza cuidadosamente a isca no final do anzol. O que ela está fazendo parece nojento, e eu estou feliz que ela não esteja me fazendo ajudá-la. "Eu não sei", diz Beth. "Ele vai voltar quando ele cuidar dos negócios." "Que tipo de negócio?" Eu perguntei isso antes, mas eu espero um desses dias Beth vá me responder. Ela suspira. "Nora, pare de bisbilhotar." "Qual é o grande problema se eu souber?" Dou-lhe um olhar frustrado. "Não é como se eu fosse a algum lugar tão cedo. Eu só quero saber o que ele é, isso é tudo. Você não acha que é normal ser curiosa na minha situação? " Ela suspira novamente e lança a isca no oceano com um movimento suave, praticado. "Claro que é. Mas Julian irá dizer-lhe tudo ele mesmo se ele quiser que você saiba. " Eu tomo uma respiração profunda. Eu, obviamente, não vou chegar a lugar nenhum com essa linha de questionamento. "Você é muito leal a ele, hein?" "Sim", Beth diz simplesmente, sentando-se ao meu lado. "Eu sou." Porque ele salvou a vida dela. Estou curiosa sobre isso também, mas eu sei que ela é sensível sobre esse assunto. Então, ao invés eu pergunto: “Há quanto tempo você o conhece?" "Cerca de dez anos", diz ela. "Desde que ele tinha dezenove anos?" "Sim, exatamente." "Como vocês se conheceram?" Sua mandíbula endurece. "Isso não é da sua conta." Uh-huh. Eu sinto que estou novamente abordando um assunto difícil. Eu decido continuar assim mesmo. "Isso foi quando ele salvou sua vida? É assim que você o conheceu? " Ela me dá um olhar estreito de olhos. "Nora, o que eu te disse sobre bisbilhotar?"

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"Certo, tudo bem..." Sua falta de resposta é suficiente para mim. Eu passo para outro tema de interesse. "Então, por que Julian me trouxe aqui? Para esta ilha, eu quero dizer? Ele não está aqui mesmo. " "Ele vai voltar em breve." Ela me dá um olhar irônico. "Por quê? Você sente falta dele?" "Não, claro que não!" Eu dou-lhe um olhar ofendido. Ela levanta as sobrancelhas. "Sério? Nem um pouco?" "Por que eu iria sentir falta daquele monstro?" Eu assobio para ela, a raiva incontrolável de repente fervendo na boca do meu estômago. "Depois do que ele fez para mim? Para Jake? " Ela ri baixinho. "Parece-me que a senhora protesta demais..." Eu salto em pé, incapaz de suportar a zombaria em sua voz por mais tempo. Neste momento, eu a odeio tanto que eu teria de bom grado a apunhalado com uma faca se eu tivesse uma na mão. Eu nunca fui temperamental, mas algo sobre Beth trazia o pior em mim. Felizmente, eu recupero o controle sobre mim mesma antes de atacala e me fazer uma completa idiota de mim mesma. Respirando fundo, fingindo que eu pretendia levantar o tempo todo. Caminhando para a água, eu testo a temperatura com o meu dedo do pé e, em seguida, caminho de volta em direção a Beth, sentando-me novamente. "A água é muito quente deste lado da ilha", eu digo calmamente, como se eu não estivesse ainda ardendo de raiva por dentro. "Sim, os peixes parecem gostar daqui", ela responde no mesmo tom de sempre. "Eu sempre pego alguns agradáveis nesta área." Concordo com a cabeça e olho para fora sobre a água. O som das ondas é calmante, ajudando-me a controlar o que quer que deu em mim. Eu não entendo completamente por que reagi tão fortemente a sua provocação. Certamente eu deveria ter apenas dado a ela um olhar de desprezo e frieza rejeitando sua sugestão ridícula. Em vez disso eu tinha subido pelas paredes. Poderia haver alguma verdade em suas palavras? É por isso que elas me irritavam tanto? Eu estou realmente sentindo falta de Julian? A ideia é tão repugnante que eu quero vomitar.

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Tento pensar sobre isso de forma um pouco racional, para organizar o emaranhado confuso de sentimentos no meu peito. Ok, sim, uma pequena parte de mim não se ressente do fato de que ele me deixou aqui nesta ilha, com apenas Beth como companhia. Para alguém que supostamente me queria o suficiente para me roubar, Julian certamente não está sendo muito atencioso. Não que eu queira suas atenções. Eu quero que ele fique o mais longe possível de mim. Mas, ao mesmo tempo, eu estou estranhamente insultada que ele esteja ficando longe. É como se eu não fosse desejável o suficiente para ele querer estar aqui. Assim que analiso tudo logicamente, eu vejo o absurdo das minhas emoções contraditórias. A coisa toda é tão boba, eu tenho que me chutar mentalmente. Eu não vou ser uma daquelas meninas que se apaixona por seu sequestrador. Eu me recuso a ser. Eu sei que estar aqui nesta ilha está parafusando a minha cabeça, e eu estou determinada a não deixar acontecer. Talvez eu não possa escapar de Julian, mas posso não deixa-lo ficar sob a minha pele.

Dois dias depois, Julian retorna. Eu sei disso quando ele me acorda do meu cochilo na praia. No início, eu acho que estou tendo um sonho. No meu sonho, estou quente e segura na minha cama. Mãos suaves começam afagam meu corpo, me acalmando, me acariciando. Eu arqueio em direção a elas, amando o seu toque na minha pele, deleitando-me com o prazer que elas estão me dando. E então eu sinto os lábios quentes no meu rosto, meu pescoço, minha clavícula. Eu gemo baixinho, e as mãos se tornam mais exigentes, puxando as alças do meu biquíni, puxando a calcinha do meu biquíni pelas minhas pernas...

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A realização do que está acontecendo filtra através de meu cérebro meio-consciente, e eu acordo com um suspiro súbito, adrenalina correndo em minhas veias. Julian está agachado em cima de mim, olhando para mim com aquele sorriso sombrio angelical seu. Já estou nua, deitada em cima da toalha de praia grande que Beth me deu esta manhã. Ele está nu também e completamente excitado. Eu olho para ele, meu coração acelerado com uma mistura de excitação e medo. "Você está de volta", eu digo, afirmando o óbvio. "Eu estou", ele murmura, inclinando-se e beijando meu pescoço novamente. Antes que eu possa reunir meus pensamentos dispersos, ele já está deitado em cima de mim, seu joelho separando minhas coxas e sua ereção cutucando a minha abertura macia. Eu aperto meus olhos fechados enquanto ele começa a empurrar dentro de mim. Estou molhada, mas eu ainda me sinto desconfortável esticada quando ele desliza em todo o caminho. Ele faz uma pausa por um segundo, deixando-me ajustar e, em seguida, ele começa a se mover, lentamente no início e depois em um ritmo crescente. Seus impulsos pressionam-me contra a toalha, e eu posso sentir a areia movendo a minha volta. Aperto os ombros rígidos, precisando de algo para segurar conforme a tensão familiar constrói em minha barriga. A cabeça do seu pau toca contra o ponto sensível em algum lugar dentro de mim, e eu suspiro, arqueando para levá-lo mais profundamente, necessitando mais do que a sensação intensa, querendo que ele me leve ao limite. "Você sentiu falta de mim?", Ele respira no meu ouvido, desacelerando apenas o suficiente para me impedir de alcançar o meu clímax. Eu estou coerente o suficiente para balançar a cabeça. "Mentirosa", ele sussurra, e seus impulsos se tornam mais duros, mais punitivos. Ele está impiedosamente me deixando cada vez mais louca até que eu estou gritando, minhas unhas arranhando suas costas em frustração conforme a liberação paira longe do meu alcance.

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E então eu estou finalmente lá, meu corpo voando distante conforme um poderoso orgasmo varre através de mim, deixando-me fraca e ofegante na esteira. Com uma rapidez que me assusta, ele puxa para fora e me vira, para o meu estômago. Eu grito, assustada, mas ele simplesmente empurra dentro de mim novamente e começa a me foder por trás, seu corpo grande e pesado em cima do meu. Estou cercada por ele, meu rosto é pressionado contra a toalha e eu mal posso respirar. Tudo o que posso sentir é ele: o movimento de vai-e-vem de seu pau grosso dentro do meu corpo, o calor que emana de sua pele. Nesta posição, ele vai fundo, ainda mais profundo do que o habitual, e eu não posso evitar os suspiros de dor que escapam da minha garganta quando a cabeça de seu pau dá solavancos contra o meu colo do útero com cada impulso de seus quadris. Embora, o desconforto não pareça evitar que a pressão cresça dentro de mim novamente, e eu gozo novamente, meus músculos internos apertando impotentes em torno de seu pau. Ele geme duramente, e então eu posso senti-lo gozando também, seu pau pulsando e empurrando dentro de mim, sua pélvis roçando em minhas nádegas. Isso reforça o meu próprio orgasmo, aumentando o meu prazer. É como se nós estivéssemos ligados entre si, porque minhas contrações não param até que a suas tenham totalmente acabado. Depois, ele se vira de costas, me liberando, e eu tenho a respiração instável. Com os membros fracos e pesados, eu me levanto de quatro e encontro o meu biquíni, em seguida, o puxo enquanto ele me observa, com um sorriso preguiçoso em seus belos lábios. Ele não parece estar com pressa para se vestir, mas eu não suporto ficar nua perto dele. Faz-me sentir muito vulnerável. A ironia disso não me escapa. É claro que eu sou vulnerável. Eu sou tão vulnerável quanto uma mulher pode ser: completamente à mercê de um louco implacável. Um par de pequenos pedaços de pano não vão me proteger dele. Nada vai, se ele decidir realmente me machucar.

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Eu decido não pensar nisso. Em vez disso eu pergunto: "Onde você estava?" O sorriso de Julian se alarga. "Você sentiu saudades de mim depois de tudo." Dou-lhe um olhar sarcástico, tentando ignorar o fato de que ele está nu e deitado a apenas um metro longe de mim. "Sim, eu senti sua falta." Ele ri, nem um pouco entediado por minha atitude irritável. "Eu sabia que você o faria", diz ele. Em seguida, ele se levanta e puxa um par de calções de banho que foi deixado na areia ao lado de nós. Voltando-se para mim, ele me oferece a mão. "Nadar?" Eu fico olhando para ele. Ele está falando sério? Ele espera que eu vá para um mergulho com ele como se fôssemos amigos ou algo assim? "Não, obrigado", eu digo, dando um passo para trás. Ele franze a testa um pouco. "Por que não, Nora? Você não sabe nadar? " "Claro que eu sei nadar", eu digo, indignada. "Eu só não quero nadar com você." Ele levanta as sobrancelhas. "Por que não?" "Hum... talvez porque eu odeio você?" Eu não sei porque eu estou sendo tão valente hoje, mas parece que o tempo separado me fez ter menos medo dele. Ou talvez seja porque ele parece estar com um humor leve, brincalhão, e é, portanto, apenas um pouco menos assustador. Ele sorri novamente. "Você não sabe o que é o ódio, meu animal de estimação. Você pode não gostar das minhas ações, mas você não me odeia. Você não pode. Não é da sua natureza". "O que você sabe sobre a minha natureza?" Por alguma razão, eu acho suas palavras ofensivas. Como se atreve a dizer que eu não posso odiar meu sequestrador? Quem ele pensa que é, me dizendo o que eu posso ou não posso sentir? Ele olha para mim, seus lábios ainda curvados naquele sorriso. "Eu sei que você teve o que chamam de uma educação normal, Nora", diz ele em voz baixa. "Eu sei que você foi criada em uma família amorosa, que tinha

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bons amigos, namorados decentes. Como você poderia saber o que o verdadeiro ódio é? " Eu fico olhando para ele. "E você sabe? Você conhece o verdadeiro ódio? " Sua expressão endurece. "Infelizmente, sim", diz ele, e eu posso ouvir a verdade em sua voz. A sensação de mal estar inunda meu estômago. "Eu sou aquela que você odeia?", eu sussurro. "É por isso que você está fazendo isso comigo?" Para meu grande alívio, ele parece surpreso. "Odeio você? Não, é claro que eu não odeio você, meu animal de estimação ". "Então por quê?", eu pergunto novamente, determinada a obter algumas respostas. "Por que você me sequestrou e me trouxe aqui?" Ele olha para mim, seus olhos incrivelmente azuis contra sua pele bronzeada. "Porque eu queria você, Nora. Eu já lhe disse isso. E porque eu não sou um homem muito agradável. Mas você já descobriu isso, não é? " Eu engulo e olho para baixo na areia. Ele não está nem um pouco envergonhado de suas ações. Julian sabe que o que ele está fazendo é errado, e ele simplesmente não se importa. "Você é um psicopata?" Eu não sei o que me leva a perguntar isso. Eu não quero deixa-lo com raiva, mas não posso deixar de querer entender. Segurando minha respiração, eu olho para ele novamente. Felizmente, ele não pareceu ofendido com a pergunta. Em vez disso, ele olha pensativo enquanto ele se senta sobre a toalha ao meu lado. "Talvez", diz ele depois de alguns segundos. "Um médico achou que eu poderia ser um sociopata limítrofe. Eu não verifiquei todas as possibilidades, por isso não há diagnóstico definitivo. " "Você foi em um médico?" Eu não sei por que estou tão chocada. Talvez porque ele não pareça ser do tipo que vai a um psiquiatra. Ele sorri para mim. "Sim, por um tempo." "Por quê?" Ele dá de ombros. "Porque eu pensei que poderia ajudar." "Ajudá-lo a ser menos um psicopata?"

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"Não, Nora." Ele me dá um olhar irônico. "Se eu fosse um verdadeiro psicopata nada poderia evitar isso." "Então o quê?" Eu sei que estou curiosa em alguns assuntos muito pessoais, mas eu sinto que ele me deve algumas respostas. Além disso, se você não puder ser pessoal com um homem que acabou de te foder você na praia, então, quando você pode? "Você é uma gatinha pequena e curiosa, não é?", Diz ele suavemente, colocando a mão na minha coxa. "Tem certeza que você realmente quer saber, meu animal de estimação?" Eu aceno, tentando ignorar o fato de que seus dedos estão a apenas alguns centímetros de distância da minha linha do biquíni. Seu toque é ao mesmo tempo excitante e perturbador, tirando meu equilíbrio. "Eu fui a um terapeuta depois que matei os homens que assassinaram minha família", diz ele em voz baixa, olhando para mim. "Eu pensei que poderia me ajudar a chegar a um acordo com isso." Eu fico olhando para ele fixamente. "Chegar a um acordo com o fato de que você matou?" "Não", diz ele. "Com o fato de que eu queria matar mais." Meu estômago se vira, e minha pele se sente como se estivesse rastejando onde Julian está me tocando. Ele acabou de admitir algo tão horrível que eu nem sei como reagir. Como se estivesse a distância, eu ouço minha própria voz perguntando: "Ele te ajudou a chegar a um acordo com isso?" Eu falo calma, como se estivéssemos discutindo nada mais trágico do que o tempo. Ele ri. "Não, meu animal de estimação, isso não aconteceu. Médicos são inúteis. " "Você matou mais?" A dormência está desaparecendo, e eu posso me sentir começando a tremer. "Eu matei", diz ele, com um sorriso escuro brincando em seus lábios. "Agora você não está feliz que você perguntou?" Meu sangue se transforma em gelo. Eu sei que deveria parar de falar agora, mas eu não posso. "Você vai me matar?"

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"Não, Nora." Ele parece exasperado por um momento. "Eu já lhe disse isso." Eu lambo meus lábios secos. "Certo. Você só vai me machucar sempre que você quiser. " Ele não nega isso. Em vez disso ele se levanta novamente e olha para mim. "Eu vou dar um mergulho. Você pode se juntar a mim, se quiser. " "Não, obrigada", eu digo estupidamente. "Eu não me sinto a fim de nadar agora." "Como quiser", diz ele, e depois vai embora, caminhando para a água. Ainda em estado de choque, eu assisto o seu corpo alto, de ombros largos, quando ele vai mais fundo no oceano, seu cabelo escuro brilhando ao sol. O diabo, de fato, usa uma máscara bonita.

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Após as revelações de Julian na praia, eu não me sinto com vontade de fazer mais perguntas por um tempo. Eu já sabia que estava sendo presa por um monstro, e o que eu aprendi hoje apenas solidifica o fato. Eu não sei por que ele estava tão aberto comigo, e isso me assusta. No jantar, eu mantenho a calma a maior parte do tempo, respondendo apenas perguntas feitas diretamente a mim. Beth está comendo conosco hoje, e os dois mantêm uma conversa animada, principalmente sobre a ilha e como ela e eu temos gasto o nosso tempo. "Então você está entediada?" Julian me pergunta depois Beth diz a ele sobre a minha falta de interesse em ler o tempo todo. Eu levanto os meus ombros em um encolher de ombros, não querendo fazer um grande alarde. Depois do que eu soube mais cedo, eu tomaria o tédio ao invés da companhia de Julian a qualquer momento. Ele sorri. "Ok, eu vou ter que remediar isso. Vou trazer-lhe uma televisão e um monte de filmes da próxima vez que eu fizer uma viagem. " "Obrigada", eu digo automaticamente, olhando para o meu prato. Eu me sinto tão miserável que eu quero chorar, mas eu tenho muito orgulho para fazê-lo na frente deles. "Qual é o problema?" Beth pergunta, finalmente percebendo meu comportamento atípico. "Você está se sentindo bem?"

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"Não muito", eu digo, de bom grado agarrando-me a desculpa que ela me deu. "Eu acho que tomei muito sol." Beth suspira. "Eu lhe disse para não dormir na praia no sol do meiodia. É trinta e cinco graus lá fora. " É verdade; ela tinha me avisado sobre isso. Mas minha miséria hoje não tem nada a ver com o calor, mas com o homem sentado em frente a mim na mesa. Eu sei que quando o jantar acabar, ele vai me levar lá em cima e me foder novamente. Talvez me machucar. E eu vou responder a ele, como sempre faço. Essa última parte é a pior. Ele bateu em Jake na minha frente. Ele admitiu ser um sociopata assassino. Eu deveria estar enojada. Eu deveria olhar para ele com nada além de medo e desprezo. O fato de que eu possa sentir ainda que uma pitada de desejo por ele está além de doentio. É absolutamente nojento. Então eu sento lá, escolhendo a minha comida, meu estômago cheio de chumbo. Gostaria de me levantar e ir para o meu quarto, mas eu tenho medo que isso só vai acelerar o inevitável. Por fim, a refeição acaba. Julian pega a minha mão e me leva lá em cima. Eu sinto que estou indo para minha execução, embora isso provavelmente seja muito dramático. Ele disse que não iria me matar. Quando estamos no quarto, ele se senta na cama e me puxa entre as pernas. Quero resistir, combate-lo pelo menos um pouco, mas meu cérebro e meu corpo não parecem estar dialogando por esses dias. Ao invés disso, eu fico lá, parada em silêncio, tremendo da cabeça aos pés, enquanto ele olha para mim. Seus olhos passam sobre minhas feições do rosto, demorando em minha boca, em seguida, param no meu decote, onde meus mamilos são visíveis através do tecido fino do meu vestido de verão. Eles estão duros, como se estivessem excitados, mas eu acho que é porque eu estou gelada. Beth deve ter ligado o ar-condicionado para a noite. "Muito bem", diz ele, finalmente, levantando a mão e acariciando a borda do meu queixo com os dedos. "Essa pele macia e dourada." Eu fecho meus olhos, não querendo olhar para o monstro na minha frente. Eu queria matar mais.... Eu queria matar mais.... Suas palavras repetem mais e mais em minha mente, como uma música que está presa no

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replay. Eu não sei como desligá-la, como voltar no tempo e arrancar as memórias desta tarde da minha mente. Por que eu insisti em saber mais sobre ele? Por que eu fico sondando e bisbilhotando até que eu tenha este tipo de respostas? Agora eu não posso pensar em nada, além do fato de que o homem me tocando é um assassino cruel. Ele se inclina para perto de mim, e eu posso sentir sua respiração quente no meu pescoço. "Está arrependida do que me perguntou hoje?", Ele sussurra em meu ouvido. "Está, Nora?" Eu estremeço, meus olhos ficando abertos. Será que ele também lê mentes? Com a minha reação, ele vai para trás e sorri. Há algo naquele sorriso que faz meu frio dez vezes pior. Eu não sei o que está acontecendo com ele esta noite, mas seja o que for, ele me assustando mais do que qualquer coisa que ele fez antes. "Você está com medo de mim, não é, meu animal de estimação?", Ele diz suavemente, ainda me segurando prisioneira entre as pernas. "Eu posso sentir você tremendo como uma folha." Eu quero negar, ser corajosa, mas não posso. Estou com medo, e eu estou tremendo. "Por favor", eu sussurro, sem nem mesmo saber por que eu estou implorando. Ele não fez nada para mim ainda. Ele me dá um leve empurrão, em seguida, me libera de seu aperto. Eu dou alguns passos para trás, contente de colocar alguma distância entre nós. Ele se levanta da cama e sai do quarto. Eu olho para trás, incapaz de acreditar que ele simplesmente me deixou sozinha. Pode ser que ele não queira sexo agora? Ele já me teve uma vez na praia mais cedo hoje. E assim que eu estou prestes a me deixar sentir alívio, Julian retorna, uma sacola de ginástica preta em suas mãos. Todo o sangue do meu rosto drena. Pensamentos terríveis passam pela minha mente. O que ele tem lá – facas, armas, algum tipo de dispositivos de tortura?

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Quando ele tira uma venda para os olhos e um pequeno vibrador, estou quase grata. Brinquedos sexuais. Ele só tem alguns brinquedos sexuais naquela sacola. Eu escolheria sexo ao invés de tortura qualquer dia da semana. Claro que, com Julian os dois não são necessariamente separados, como eu aprendi esta noite. "Tire a roupa, Nora", ele me diz, caminhando para se sentar na cama novamente. Ele coloca à venda e o vibrador no colchão. "Tire suas roupas, lentamente." Eu congelo. Ele quer que eu me dispa enquanto ele assiste? Por um momento, eu penso em recusar, mas depois eu começo a me despir com os dedos desajeitados. Ele já me viu nua hoje. O que eu iria ganhar em ser modesta agora? Além disso, eu ainda estou sentindo aquela estranha vibração nele. Seus olhos estão brilhando com uma emoção que vai além do simples desejo. É uma emoção que faz meu sangue correr frio. Ele observa quando o vestido cai meu corpo e eu tiro meus chinelos. Meus movimentos eram desajeitados, duros de medo. Eu duvido que um homem normal iria achar excitante esse strip-tease, mas eu posso ver que ele excita Julian. Sob o vestido, eu estou vestindo apenas um par de calcinhas rendadas de cor creme. O ar frio sobre a minha pele, faz meus mamilos endurecerem ainda mais. "Agora a roupa íntima", diz ele. Eu engulo e empurro a calcinha pelas minhas pernas. Então eu saio delas. "Boa menina", diz ele, aprovando. "Agora, venha aqui." Desta vez, eu sou incapaz de obedecer. Meu instinto de autopreservação está gritando que eu preciso correr, mas não há lugar para correr. Julian iria me pegar se eu tentasse passar da porta agora e não é como se eu pudesse sair desta ilha de qualquer maneira. Então, eu só fico ali, despida e com frio, congelada no lugar. Julian se levanta. Contrariamente às minhas expectativas, ele não parece com raiva. Ao contrário, ele parece quase... satisfeito. "Eu vejo que

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eu estava certo em começar o treinamento com você esta noite", diz ele conforme ele vem até mim. "Eu tenho sido muito mole com você por causa de sua inexperiência. Eu não queria quebra-la, danifica-la muito". Minha agitação intensifica-se quando ele circula em torno de mim como um tubarão. "Mas eu preciso começar a molda-la para o que eu quero que você seja, Nora. Você já está tão perto de perfeição, mas há esses lapsos ocasionais..." Ele traça os dedos pelo meu corpo, ignorando a maneira que eu estou encolhendo-me longe do seu toque. "Por favor", eu sussurro, "por favor, Julian, eu sinto muito." Eu não sei porque eu sinto muito, mas vou dizer agora para evitar este treino, seja ele qual for. Ele sorri para mim. "Não é um castigo, meu animal de estimação. Eu só tenho certas necessidades, isso é tudo, e eu quero que você seja capaz de satisfazê-las. " "O que precisa?" Minhas palavras são quase inaudíveis. Eu não quero saber, eu realmente não quero, mas eu não consigo parar de perguntar. "Você vai ver", diz ele, envolvendo seus dedos ao redor do meu braço e me levando para a cama. Quando chegamos lá, ele pega a venda e a amarra em torno de meus olhos. Minhas mãos automaticamente tentam ir para o meu rosto, mas ele puxa para baixo, de modo que elas estão penduradas pelos meus lados. Eu ouço sons de farfalhar, como se ele estivesse procurando alguma coisa nessa sacola. Terror rasga através de mim novamente, e eu faço um movimento convulsivo para libertar meus olhos, mas ele pega meus pulsos. Então eu o sinto amarrando-os nas minhas costas. Neste ponto eu começo a chorar. Eu não faço um som, mas eu posso sentir a venda se molhar da umidade escapando dos meus olhos. Eu sei que eu estava impotente antes, mesmo sem estar vendada e amarrada, mas a sensação de vulnerabilidade é mil vezes pior agora. Eu sei que há mulheres que estão nisso, que jogam esses tipos de jogos com os seus parceiros, mas Julian não é meu parceiro. Eu li livros o bastante e eu sei as regras, e eu sei que ele não está seguindo. Não há nada seguro, são, ou consensual sobre o que está acontecendo aqui.

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E, no entanto, quando Julian atinge entre as minhas pernas e me acaricia lá, estou horrorizada ao perceber que eu estou molhada. Isso agrada a ele. Ele não diz nada, mas posso sentir a satisfação que emana dele enquanto ele começa a brincar com meu clitóris, ocasionalmente mergulhando a ponta de um dedo dentro de mim para monitorar a minha resposta física à sua estimulação. Seus movimentos são firmes, nem um pouco hesitantes. Ele sabe exatamente o que fazer para melhorar a minha excitação, como me tocar para me fazer gozar. Eu odeio isso, sua experiência em dar-me prazer. Com quantas mulheres ele fez isso? Certamente é preciso prática para ficar tão bom em fazer uma mulher ter um orgasmo, apesar de seu medo e relutância. Nada disso importa para o meu corpo, é claro. Com cada golpe de seus dedos hábeis, a tensão dentro de mim aumenta e se intensifica, a pressão insidiosa começando a se formar em minha barriga. Eu lamento, meus quadris involuntariamente empurrando em direção a ele conforme ele continua a jogar com o meu sexo. Ele não está me tocando em qualquer outro lugar, apenas lá, mas parece ser o suficiente para me deixar louca. "Ah, sim", ele murmura, curvando-se para beijar meu pescoço. "Goze para mim, meu animal de estimação". Como se obedecendo a seu comando, meus músculos internos se contraem... e, em seguida, o clímax corre através de mim com a força de um trem de carga. Eu me esqueço de ter medo; Eu esqueço tudo naquele momento, exceto o prazer explodindo através das minhas terminações nervosas. Antes que eu possa me recuperar, ele me empurra para a cama, de bruços. Eu o ouço em movimento, fazendo algo, e então ele me levanta e me arruma em cima de um monte de travesseiros, elevando meus quadris. Agora eu estou deitada na minha barriga com minha bunda para cima e as mãos atadas atrás das costas, ainda mais exposta e vulnerável do que antes. Viro a cabeça para o lado, então eu não sufoco no colchão. Minhas lágrimas, que quase tinham parado antes, começam de novo. Eu tenho uma suspeita terrível que eu sei o que ele vai fazer para mim agora.

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Quando eu sinto alguma coisa fria e molhada no meio minha bunda, minha suspeita é confirmada. Ele está espalhando lubrificante em mim, me preparando para o que está por vir. "Por favor, não." As palavras são arrancadas de dentro de mim. Eu sei que implorar é inútil. Eu sei que ele não tem misericórdia, que ele se transforma ao me ver assim, mas eu não posso evitar. Não posso aceitar essa violação adicional. Simplesmente não posso. "Por favor." "Calma, baby", ele murmura, acariciando a curva de minhas nádegas com a palma grande. "Eu vou te ensinar a aproveitar isso também." Eu ouço mais sons, e então eu sinto algo empurrando para dentro de mim, para a outra abertura. Eu fico tensa, apertando meus músculos com toda minha força, mas a pressão é demais para resistir e a coisa começa a me penetrar. "Pare", eu gemo conforme uma dor em queimação começa, e Julian realmente escuta desta vez, parando por um segundo. "Relaxe, meu animal de estimação", diz ele suavemente, acariciando minha perna com uma de suas mãos. "Ele vai melhorar se você relaxar." "Tire-o," eu imploro. "Por favor, tira." "Nora", diz ele, seu tom de repente duro. "Eu lhe disse para relaxar. Não é nada, apenas um pequeno brinquedo. Não vai doer se você relaxar." "Não me ferir é o ponto?", pergunto amargamente. "Não é isso que te excita?" "Você quer que eu te machuque?" Sua voz é suave, quase hipnótica. "Me excitaria, você está certa... É isso que você quer, meu animal de estimação? Que eu te machuque?". Não, eu não. Eu não quero nada disso. Eu dou uma sacudida quase imperceptível da minha cabeça e faço o meu melhor para relaxar. Eu não acho que sou bem sucedida nisso. É muito errada, a sensação de algo empurrando lá. No entanto, Julian parece satisfeito com os meus esforços. "Bom", ele canta. "Boa menina, lá vamos nós..." Ele aplica uma pressão constante, e a coisa vai mais fundo em mim, passando a resistência do meu esfíncter,

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polegada por polegada lentamente. Quando vai todo o caminho, ele faz uma pausa, deixando-me se acostumar com a sensação. A dor queimando ainda está lá, como um o sentimento quase nauseante de plenitude. Concentro-me em dar pequenas respirações e não me movimentar. Após cerca de um minuto, a dor começa a diminuir, deixando apenas a sensação de desorientação de um objeto estranho alojado dentro do meu corpo. Julian deixa o brinquedo no lugar e começa a me acariciar toda, seu toque estranhamente suave. Ele começa com os pés, esfregando-os, encontrando todas as torções e massageando-os. Então, ele se move para cima nas minhas panturrilhas e coxas, que estão quase vibrando com a tensão. Suas mãos são hábeis e certas no meu corpo; o que ele está fazendo é melhor do que qualquer massagem que eu já tive. Apesar de tudo, sintome derretendo em seu toque, meus músculos se voltando para o calor sob seus dedos. No momento em que ele chega ao meu pescoço e ombros, estou tão relaxada como não tenho estado desde que acordei nesta ilha. Se eu não estivesse com os olhos vendados, amarrada e sodomizada, eu teria pensado que estava em um spa. Quando ele remove o brinquedo cerca de vinte minutos mais tarde, ela desliza direto para fora, sem sequer uma pitada de desconforto. Ele empurra-o novamente e, desta vez, a dor é mínima. Se qualquer coisa, seria... interessante... particularmente, quando os dedos encontram o meu clitóris e começam a estimulá-lo novamente. Eu não resisto ao prazer que aqueles dedos me trazem. Por que me importar? Gostaria de ter prazer ao invés da dor em qualquer dia da semana. Julian vai fazer o que quiser, e eu poderia muito bem desfrutar de algumas partes disso. Então eu afasto a minha mente da loucura de tudo e me deixo simplesmente sentir. Eu não consigo ver nada com os olhos vendados, e eu não posso entrar em uma luta com as mãos atadas atrás das costas. Estou completamente indefesa e há algo peculiarmente libertador nisso. Não há nenhum ponto em me preocupar, não adianta pensar. Estou simplesmente à deriva na escuridão, no auge das endorfinas pós-massagem. Ele me fode com o brinquedo, empurrando-o para dentro e para fora de mim, ao mesmo tempo que seus dedos pressionam no meu clitóris. Seus

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movimentos são rítmicos, coordenados e eu gemo quando meu sexo começa a pulsar, a pressão dentro de mim crescendo com cada impulso. De repente, a tensão começa a ser demais, e há uma súbita intensa explosão de prazer, começando no meu âmago e irradiando para fora. Meus músculos reprimem o brinquedo, e a sensação incomum única intensifica meu orgasmo. Incapaz de me controlar, eu grito, moendo contra dedos de Julian. Quero que esse êxtase dure para sempre. Muito em breve, no entanto, acaba, e eu estou mole, a agitação acalmada. Julian não acabou comigo, é claro, não por um longo tempo. Assim que eu estou começando a me recuperar, ele retira o brinquedo e pressiona um objeto maior diferente, na minha abertura de trás. É seu pau, eu percebo, enrijeço de novo quando ele começa a empurrar. "Nora..." Há uma nota de advertência em sua voz, e eu sei o que ele quer de mim, mas eu não sei se eu posso fazer isso. Eu não sei se eu posso relaxar o suficiente para deixá-lo entrar. É demais; ele é muito grosso, muito longo. Eu não entendo como algo tão grande possa entrar lá sem me rasgar. Mas ele é implacável, e eu sinto meus músculos lentamente cedendo, incapaz de resistir à pressão que ele está aplicando. A cabeça de seu pênis empurra passando, o anel apertado do meu cu, e eu grito com o ardor, alongando a sensação. "Shh", ele diz suavemente, acariciando minhas costas enquanto ele lentamente vai mais fundo. "Shh... está tudo bem...". No momento ele está todo dentro, eu estou tremendo, suando. Há dor, sim, mas há também a novidade de ter algo tão grande invadindo meu corpo, desta forma estranha, não natural. Eu sei que as pessoas fazem isso – e sentem prazer, supostamente, nesse ato, mas eu não consigo imaginar fazer isso de bom grado. Ele faz uma pausa, deixando-me ajustar às sensações, e eu soluço suavemente no colchão, querendo nada mais do que o fim disso. Ele é paciente, no entanto, suas mãos fortes me acariciando, me relaxando, até que minhas lágrimas diminuem e eu já não sinto como se fosse desmaiar. Ele sente isso quando meu desconforto começa a facilitar, e começa a se mover dentro de mim, devagar, com cuidado. Eu posso ouvir sua respiração pesada, e eu sei que ele está exercendo um grande controle sobre si mesmo, que ele provavelmente quer me foder mais duro, mas está

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tentando não "danificar-me demais." No entanto, seus movimentos fazem minhas entranhas torcerem e desmancharem, fazendo-me gritar com cada golpe. E apenas quando eu penso que não posso mais suportar isso, ele desliza uma mão sob meus quadris e encontra o meu clitóris inchado novamente. Seus dedos são gentis, seu toque suave, e eu começo a sentir um calor familiar na minha barriga, meu corpo respondendo a ele, apesar da violação. O que ele está fazendo não está tirando a dor, mas está me distraindo dela, permitindo-me concentrar no prazer. Eu nunca soube que o prazer e a dor poderiam co-existir assim, mas há algo estranhamente viciante na combinação, de algo escuro e proibido que ressoa com uma parte de mim que eu nunca soube que existia. Seu ritmo pega, e de alguma forma o torna melhor. Talvez algumas terminações nervosas fossem insensíveis até agora, ou talvez eu estou simplesmente me acostumando a tê-lo dentro de mim, mas a dor diminui, quase desaparece. Tudo o que resta é uma série de outras sensaçõesestranhas, sensações desconhecidas que são intrigantes em sua própria maneira. Isso, e o prazer de seus dedos inteligentes brincando com o meu sexo, me despertando até que eu estou clamando por uma razão diferente, até que eu estou implorando para Julian fazê-lo, para me enviar sobre a borda novamente. E ele faz. Meu corpo inteiro aperta e explode, tremendo com a força da minha libertação. Ele geme quando meus músculos reprimem seu pau, e eu sinto o calor líquido a partir de sua semente banhar minhas entranhas, o salgado dele doendo na minha carne crua. "Boa menina", ele sussurra em meu ouvido, seu pau amolecendo dentro de mim. Ele beija minha orelha, e o gesto é um contraste tão grande com o que ele tinha acabado de fazer que me sinto desorientada. É este o comportamento normal de um sequestrador? Quando ele retira seu pau de dentro de mim, me sinto vazia e fria, quase como se eu estivesse sentindo falta do calor de seu corpo me pressionando para baixo. Ele não me deixa em paz por muito tempo, no entanto. Ele desata minhas mãos primeiro e esfrega-as levemente, então ele tira minha venda. Eu pisco, deixando meus olhos se ajustarem à luz suave no quarto, e mexo meus braços, me colocando em meus cotovelos.

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"Venha", ele diz suavemente, envolvendo seus dedos ao redor do meu braço. "Vamos levá-la para o chuveiro." Eu deixo ele me puxar em pé e me levar para o banheiro. Minhas pernas estão trêmulas, e eu estou feliz que ele esteja me segurando. Eu não sei se eu poderia andar até lá por mim. Ele liga o chuveiro, espera a água esquentar por alguns segundos, e no leva para o box grande. Em seguida, ele lava cada parte do meu corpo, enxaguando todos os vestígios de lubrificante e sêmen. Ele passa shampoo e condicionador no meu cabelo, seus dedos massageando meu crânio e me relaxando novamente. No momento em que ele termina, eu me sinto limpa e bem cuidada. "Agora é a sua vez", diz ele, virando a palma da minha mão e despejando um pouco de sabonete líquido para ele. "Você quer que eu te lave?", eu digo, incrédula, e ele balança a cabeça, um pequeno sorriso nos lábios. Com a água escorrendo pelo seu corpo musculoso, ele é ainda mais lindo do que o habitual, como uma espécie de um deus do mar. Um monstro do mar, eu me corrijo. Um belo monstro do mar. Ele continua olhando para mim com expectativa, esperando para ver se eu vou fazer o que ele pediu, e eu mentalmente encolho os ombros. Por que não o lavar, realmente? Ele não vai me machucar, no mínimo. E, além disso, tanto quanto eu o odeio, eu não posso negar que estou curiosa sobre o seu corpo - tocá-lo é algo que eu acho interessante. Então eu esfrego as mãos juntas e passo sobre o peito, espalhando o sabão em toda a sua pele bronzeada. Ele levanta os braços, e eu lavo as laterais e axilas, então suas costas. Sua pele é mais lisa, áspera em apenas alguns lugares com pelo escuro, masculino. Eu posso sentir os músculos poderosos juntos sob meus dedos, e eu me encontro desfrutando desta experiência. Neste momento, eu quase posso fingir que eu quero estar aqui, que está criatura impressionante é meu amante em vez do meu captor. Eu o lavo tão completamente quanto ele me lavou, minhas mãos ensaboadas deslizando sobre suas pernas, seus pés. Até o momento que eu

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chego ao seu sexo, seu pau começa a endurecer novamente, e eu congelo, percebendo que minhas ministrações involuntariamente excitam ele. Ele interpreta corretamente a minha reação como medo. "Relaxe, meu animal de estimação", ele murmura, sua voz cheia de diversão. "Eu sou apenas humano, você sabe. Tão deliciosa como você é, eu não preciso de mais do que alguns minutos para me recuperar totalmente ". Eu engulo e viro, lavo as mãos sob o jato de água. Que diabos estou fazendo? Ele não tinha me obrigado a tocá-lo. Eu tinha feito isso por minha própria vontade. Ele perguntou, mas eu tenho certeza que eu poderia ter recusado e ele teria deixado. A tendência escura que eu observei nele mais cedo esta noite não está lá agora. Na verdade, Julian parece estar de bom humor, quase brincalhão. Quero sair do chuveiro agora, então eu faço um movimento de deslizar por ele. Ele me para, o braço bloqueando meu caminho. "Espere", ele diz suavemente, inclinando meu queixo para cima com os dedos. Em seguida, ele se inclina a cabeça e me beija, os lábios doce e suave nos meus. Uma resposta agora familiar aquece o meu corpo, me fazendo querer me esfregar contra ele como uma gata no cio. Ele não deixa ir longe, apesar de tudo. Após cerca de um minuto, ele levanta a cabeça e sorri para mim, seus olhos azuis brilhando com satisfação. "Agora você pode ir." Totalmente confusa, eu saio do chuveiro, me seco, e escapo para o meu quarto o mais rápido que eu posso.

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Naquela noite eu aprendo sobre os pesadelos de Julian. Depois do banho, ele se junta a mim na minha cama, seu corpo musculoso curvando-se em torno de mim pelas costas, um braço pesado sobre meu torso. Eu endureço no início, sem saber o que esperar, mas tudo o que ele faz é dormir, mantendo-me perto dele. Eu posso ouvir o ritmo de sua respiração conforme eu olho para a escuridão, e então eu gradualmente caio no sono também. Eu acordo com um barulho estranho. Isso me assusta e me tira de um sono profundo, meus olhos se abrem, meu coração batendo com uma onda de adrenalina. O que foi isso? Por um momento, não me atrevo a respirar, mas então eu percebo que os sons estão vindo do outro lado da cama, do homem dormindo ao meu lado. Sento-me na cama e olho para ele. Parece que ele rolou para longe de mim no meio da noite, reunindo todos os cobertores para si mesmo. Eu estou completamente nua e descoberta, e eu realmente sinto um pouco de frio com o ar-condicionado funcionando a pleno vapor. Os sons que escapam de sua garganta são abafados, mas há uma crueldade que me dá arrepios. Eles me fazem lembrar de um animal com dor. Ele está respirando com dificuldade, quase com falta de ar.

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"Julian?" Eu digo incerta. Eu realmente não sei o que fazer nessa situação. Devo acordá-lo? Ele está claramente tendo um sonho ruim. Lembro-me dele me contando sobre sua família, que eles foram todos assassinados, e eu não posso deixar de sentir compaixão por esse homem bonito, retorcido. Ele grita, com a voz baixa e rouca, e deita de costas, um braço bate no travesseiro apenas alguns centímetros de distância de mim. "Um, Julian?" Eu estendo a mão cautelosamente e toco sua mão. Ele resmunga e vira a cabeça, ainda profundamente adormecido. Se estivéssemos em qualquer lugar menos nesta ilha, este seria o momento perfeito para tentar escapar. Tal como é, no entanto, não há realmente nenhum ponto em ir a qualquer lugar, então eu só assisto Julian cautelosamente, querendo saber se ele vai acordar por conta própria ou se eu deveria tentar acordá-lo mais uma vez. Por alguns momentos, parece que ele está se estabelecendo, sua respiração acalma um pouco. Então, de repente, ele grita novamente. É um nome agora. "Maria", ele grita fora. "Maria..." Por um segundo chocante, eu sinto uma maré quente de ciúme sobre mim. Maria... Ele está sonhando com outra mulher. Então meu lado racional se reafirma. Maria poderia facilmente ser sua mãe ou sua irmã e, mesmo que ela não fosse, por que eu me importo que ele está sonhando com ela? Não é como se ele fosse meu namorado ou qualquer coisa. Então eu engulo e o alcanço novamente, suprimindo as dores residuais de ciúme. "Julian?" Assim que meus dedos tocam seu braço, ele me agarra, seus movimentos tão rápidos e surpreendentes que apenas um pequeno suspiro me escapa quando ele me puxa para ele. Seus braços em volta de mim são firmes, seu abraço quase sufocante, e eu posso senti-lo tremer quando ele me segura firmemente contra ele, meu rosto pressionado em seu ombro. Sua pele é fria e úmida de suor, e eu posso ouvir seu coração galopando em seu peito.

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"Maria", ele murmura no meu cabelo, seus dedos cavando em minhas costas com tanta força que eu tenho certeza que haverá hematomas lá amanhã. Mas de alguma forma eu não me importo, porque eu sei que ele não está fazendo isso de propósito. Ele está nas garras de seu pesadelo e ele está em busca de conforto, e eu sou a única que pode fornecê-lo agora. Depois de um tempo, eu posso ouvir a sua respiração acalmando. Seus braços relaxam um pouco, já não me apertando com tal desespero, e seu batimento cardíaco frenético começa a abrandar. "Maria", ele sussurra novamente, mas há menos dor em sua voz agora, como se estivesse revivendo tempos mais felizes com ela, quaisquer que sejam. Deixo que ele me abrace, não me movendo para que eu não o acorde de seu descanso, agora pacífico. Ele não é o único a receber conforto aqui. Apesar de tudo que ele fez para mim, eu não posso negar que uma parte de mim quer isso dele, este sentimento de proximidade, de segurança. Ele é a única coisa que tenho a temer; logicamente, eu sei disso. Não importa, porém, porque agora eu sinto que ele está segurando a escuridão na baía, mantendo-me a salvo de quaisquer outros monstros que podem estar à espreita lá fora. Assim como eu estou mantendo-o a salvo de seus pesadelos.

Quando eu acordo na manhã seguinte, Julian se foi novamente. "Onde ele está?", Pergunto a Beth no café da manhã, observando enquanto ela corta uma manga para mim. Eu ainda sinto uma pontada ocasional de desconforto quando eu me mexo, um lembrete das inclinações mais exóticas do meu captor. "Uma emergência de trabalho", diz ela, suas mãos se movendo com uma eficiência graciosa que eu não posso deixar de admirar. "Ele deve estar de volta em um par de dias." "Que tipo de emergência trabalho?" Beth dá de ombros. "Eu não sei. Você pode perguntar a Julian, quando ele retornar ".

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Eu olho para ela, tentando entender o que a motiva... e Julian. "Você disse que eu sou a primeira garota que ele trouxe aqui, a esta ilha", eu digo, mantendo meu tom casual. "Então, o que ele fez com as outras?" "Não houve outras." Ela terminou com a manga, e ela está colocando o prato na minha frente antes de se sentar para comer o seu próprio café da manhã. "Então, por que ele está fazendo isso comigo? Eu sei que ele tem gostos peculiares, mas com certeza há mulheres que estão nessa- " Beth sorri para mim, mostrando dentes brancos. "Claro. Mas ele quer você." "Por quê? O que há de tão especial em mim?" "Você terá que perguntar a Julian isso." Mais uma vez uma negativa. Sua evasividade me faz querer gritar. Eu pego um pedaço de manga com meu garfo e mastigo devagar, pensando sobre isso. "É por causa de Maria?" Eu não sei o que me faz perguntar isso, exceto que eu não consigo tirar o nome da minha cabeça. É, aparentemente, a pergunta certa, embora, porque ela para Beth. "Julian lhe disse sobre Maria?" Ela parece chocada. "Ele mencionou ela." Não é realmente uma mentira. Seu nome surgiu entre nós, mesmo que Julian não saiba disso. "Por que isso te surpreende?" Ela encolhe os ombros novamente, não parecendo mais tão chocada. "Eu acho que não, agora que penso nisso. Se ele for contar a alguém, provavelmente seria você." Eu? Por quê? Eu estou queimando com curiosidade, mas eu tento manter minha expressão impassível, como se nada disto fosse novidade para mim. "Claro", eu digo calmamente, comendo minha manga. "Então você entende, Nora", diz ela, olhando para mim. "Você tem que entender pelo menos um pouco. Sua semelhança com ela é estranha. Vi a foto, e ela poderia ter sido a sua irmã mais nova." "Tão parecida?" Eu me esforço para manter o choque da minha voz. Meu coração está batendo no meu peito. Isto é muito mais do que eu

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poderia ter esperado, e Beth apenas me entregou esta informação em uma bandeja de prata. Ela franze a testa. "Ele não te disse isso?" "Não", eu digo. "Ele não me disse muito. Só um pouquinho." Apenas o nome dela, no meio de um pesadelo. Os olhos de Beth se alargam quando ela percebe que ela provavelmente revelou mais do que deveria. Ela parece infeliz por um momento, mas então sua expressão suaviza. "Oh bem", diz ela. "Eu acho que agora você sabe. Eu vou ter que dizer a Julian sobre isso, é claro." Eu engulo, e o pedaço de manga desliza para baixo da minha garganta como uma rocha. Eu não quero que ela diga nada a Julian. Eu não sei o que ele vai fazer comigo quando ele descobrir o que sei sobre Maria, que eu o vi quando ele estava em seu ponto mais vulnerável. Minha curiosidade estúpida. "Por quê?" Eu digo, tentando não parecer ansiosa. "Você é a única com quem ele vai ficar chateado, não eu." "Eu não teria tanta certeza disso, Nora," Beth disse, dando-me um sorriso levemente malicioso. "E além disso, eu não nunca guardo segredos de Julian. Ele é muito bom em retirá-lo das pessoas." Ela levanta-se, e começa a lavar os pratos.

Eu passo os próximos dois dias alternando entre especular sobre Maria e me preocupar com o retorno de Julian. Quem é ela? Alguém que se parece muito comigo, aparentemente. Tão semelhante que ela poderia ser minha irmã mais nova, disse Beth. Quantos anos tem essa garota? Quem é ela para Julian? As perguntas me corroem, interferindo no meu sono. Ele me pegou por causa da minha semelhança com ela, isso é óbvio para mim. Mas por quê? O que aconteceu com ela? Por que ela está em seus pesadelos?

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Eu quero saber, eu quero entender, mas estou com medo da reação de Julian quando ele retornar e descobrir que eu bisbilhotei. Eu poderia tentar explicar que eu soube de tudo isso acidentalmente, que eu não tive a intenção de invadir a privacidade dele, mas eu suspeito fortemente que meu captor não é do tipo compreensivo. Beth não me diz nada sobre Maria. Na verdade, ela não fala muito comigo. Ela é uma daquelas raras pessoas que parecem ser felizes sozinhas. Se eu fosse ela, eu ficaria louca presa aqui nesta ilha, fazendo nada além de cozinhar, limpar e cuidar do brinquedo sexual de Julian, mas ela parece perfeitamente bem com isso. Eu, por outro lado, estou longe de bem. Estou constantemente pensando sobre a minha vida antiga, sentindo falta da minha família e amigos. Eles provavelmente acham que eu estou morta neste momento. Eu suponho que houve uma grande procura por mim, mas eu duvido que ela produziu algum resultado. Eu também penso em Jake, me pergunto se ele está recuperado da surra. Parecia tão brutal, o que o bandido de Julian tinha feito com ele. Será que Jake sabe que a culpa foi minha? Que ele foi atacado em sua casa por minha causa? Respirando fundo, digo a mim mesma que não importa se ele sabe ou não. O que quer que Jake e eu poderíamos ter tido juntos acabou. Eu pertenço a Julian agora, e não há nenhum ponto em pensar em qualquer outro homem. De certa forma, eu tenho sorte. Eu sei disso. Tenho certeza que muitas meninas acabam em circunstâncias muito piores do que as minhas. Uma vez eu vi um documentário sobre a escravidão sexual, e as imagens dessas mulheres de olhos encovados tinham me assombrado por dias. Elas pareciam completamente quebradas, e totalmente esmagadas por tudo o que tinha sido feito com elas, e até mesmo o fato de que elas haviam sido resgatadas não parecia dissipar o sofrimento gravado em seus rostos. Meu cativeiro é diferente. É muito mais agradável, muito mais confortável. Julian não está tentando me quebrar, e eu sou grata por isso. Eu posso ser sua escrava sexual, mas pelo menos, ele é meu único mestre. As coisas definitivamente poderiam ser muito piores.

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Ou assim eu tento me convencer conforme eu aguardo por sua volta, esperando desesperadamente que a reação de Julian à minha curiosidade não vá ser tão ruim quanto eu temo.

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Julian volta no meio da noite. Eu devia estar com o sono leve, porque eu acordo assim que ouço o murmúrio tranquilo de conversa lá embaixo. Tons mais profundos do meu captor são intercalados com outros mais femininos de Beth, e eu tenho uma forte suspeita de que sei o que estão falando. Sento-me na cama, meu coração galopante no meu peito. Levantando-me, rapidamente puxo as roupas de ontem e corro para o banheiro para me refrescar. Eu não sei por que eu me preocupo com escovar os dentes agora, mas eu faço. Eu quero estar o mais acordada e preparada possível para o que Julian decida fazer comigo. Então eu apenas sento na cama e espero. Finalmente, a porta do meu quarto é aberta e Julian entra. Ele parece invulgarmente cansado, com sombras escuras sob os olhos e uma pitada de barba em seu rosto normalmente bem barbeado. Estas falhas deveriam ter diminuído a sua beleza, mas elas só o humanizam um pouco, de alguma forma melhorando a sua atratividade. "Você está acordada." Ele parece surpreso. "Eu ouvi vozes," eu explico, observando-o cautelosamente. "E você decidiu me cumprimentar. Que gentileza sua, meu animal de estimação".

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Sei que ele está zombando de mim, então eu não digo nada, apenas continuo olhando para ele. Minhas mãos estão suando, mas estou fazendo o meu melhor para projetar uma atitude calma. Ele senta-se na cama ao meu lado e ergue a mão para tocar meu cabelo. "Um animal de estimação tão doce", ele murmura, levantando uma mecha grossa e divertidamente fazendo cócegas no meu rosto com ela. "Uma gatinha pequena, tão curiosa..." Eu engulo, minha respiração rápida e superficial. O que ele vai fazer comigo? Ele se levanta e começa a se despir enquanto eu o vejo, congelada no lugar por uma mistura de medo e antecipação estranha. Suas roupas saem, revelando um corpo poderosamente masculino por baixo, e eu sinto uma onda de desejo rolando através de mim, aquecendo meu núcleo. Eu quero ele. Apesar de tudo, eu quero ele, e essa é a coisa mais fodida de todas. Ele provavelmente vai fazer algo terrível para mim, mas eu ainda quero ele mais do que eu poderia ter imaginado querer alguém. Quem está na chuva, é pra se molhar3. "Você fez isso para Maria?", pergunto silenciosamente. "Você também a manteve como seu animal de estimação?" Ele olha para mim, com os olhos tão azuis e misteriosos como o oceano. "Você tem certeza que quer ir lá, Nora?" Sua voz é suave, aparentemente calma. Encaro-o, sentindo-me estranhamente imprudente. "Por algum motivo, sim, Julian, eu quero." Meu tom é amargamente sarcástico, e eu percebo que parte da minha ousadia decorre de ciúme, que eu odeio a ideia dessa Maria sendo especial para Julian. Mas mesmo essa realização não é o suficiente para me impedir. "Quem é ela? Alguma outra menina que você abusou?". Sua expressão escurece, e eu prendo a respiração, esperando para ver o que ele fará agora. De certa forma, eu quero provocá-lo. Eu quero que ele me puna, me machuque. Eu quero isso, porque eu preciso dele para ser ______________________________

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A tradução mais próxima seria o nosso provérbio, pois a expressão usada pela autora é “in for a penny, in for a pound”, algo como por um centavo, por uma libra, ditado americano no sentido de, já que estou aqui vou arriscar.

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nada mais do que um monstro, porque eu preciso odiá-lo para o bem da minha sanidade. Ele se aproxima e senta-se na cama ao meu lado. Eu luto contra o impulso de recuar quando ele chega perto de mim e envolve seus dedos fortes em volta do meu pescoço. Agarrando minha garganta, ele se inclina e esfrega sua bochecha contra a minha, para frente e para trás, como se apreciando a textura macia da minha pele contra a aspereza de sua mandíbula coberta de barba. Seus dedos não espremem, mas a ameaça está lá, e eu posso me sentir tremendo, minha respiração acelerando em antecipação apavorada. Ele ri baixinho, e eu sinto uma rajada de ar contra a minha orelha. Apesar de sua aparência cansada, seu hálito é fresco e doce, como se ele tivesse acabado de comer uma goma de mascar. Eu fecho meus olhos, tentando me convencer de que Julian não iria realmente me matar, que ele está apenas brincando comigo agora. Ele beija meu ouvido, mordiscando levemente a minha orelha. Seu toque nessa área sensível envia arrepios de prazer na minha espinha, e minha respiração altera novamente, torna-se mais lenta e profunda conforme eu fico mais excitada. Eu posso sentir o cheiro quente e almiscarado de sua pele, e os meus mamilos apertam, reagindo à sua proximidade. A dor entre as minhas coxas está crescendo, e eu me contorço um pouco, tentando aliviar a pressão crescendo dentro de mim. "Você me quer, não é?", Ele sussurra em meu ouvido, deslizando a mão sob a saia do meu vestido e levemente acariciando meu sexo. Eu sei que ele pode sentir a umidade lá, e eu reprimo um gemido quando um dedo longo empurra dentro de mim, esfregando contra a minha parede interna lisa. "Não é, Nora?" "Sim." Eu suspiro enquanto ele toca um ponto particularmente sensível. "Sim, o que?" Sua voz é dura, exigente. Ele quer a minha rendição completa. "Sim, eu quero você", eu admito em um sussurro quebrado. Eu não posso negá-lo por mais tempo. Quero Julian. Eu quero o homem que me sequestrou, que me machuca. Eu quero ele, e eu me odeio por isso.

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Ele retira o seu dedo, em seguida, e solta minha garganta. Assustada, eu abro os olhos e encontro o seu olhar. Ele leva a mão até meu rosto, pressionando seu dedo contra meus lábios. É o mesmo dedo que foi dentro de mim agora mesmo. "Chupa", ele ordena, e eu obedientemente abro minha boca, sugando o dedo. Eu posso provar a mim mesma, o meu próprio desejo, e isso me deixa ainda mais excitada. Quando ele está convencido de que o dedo está limpo, ele remove da minha boca, agarrando meu queixo com a mão, obrigando-me a encontrar seu olhar. Eu fico olhando para ele, hipnotizada pelas estrias azuis escuras em sua íris. Meu corpo está pulsando com a necessidade, com um desejo desesperado por sua posse. Eu quero que ele me leve, para preencher o vazio doloroso dentro de mim. Mas tudo que ele faz é olhar para mim, um meio sorriso zombeteiro brincando em seus belos lábios. "Você acha que eu vou puni-la esta noite, Nora?", Ele pergunta baixinho. "É isso que você está me esperando fazer?" Eu pisco, surpresa com a pergunta. Claro que eu esperava que ele fizesse isso. Eu fiz algo que o perturbou, e ele não é tímido sobre me machucar quando eu estou sendo boa. Aparentemente, lendo a resposta no meu rosto, ele sorri mais amplamente. "Bem, desculpe desapontá-la, meu animal de estimação, mas estou muito cansado para fazer a sua punição hoje à noite. Tudo o que eu quero agora é a sua boca." E com isso, ele coloca a mão no meu cabelo e me empurra para baixo, de modo que eu estou ajoelhada entre suas pernas, sua ereção no nível do meu olho. "Sugue", ele murmura, olhando para mim. "Assim como você fez com meu dedo." Eu não sou inexperiente com oral, tinha feito alguns para meu exnamorado, então eu sei o que fazer. Eu fecho os meus lábios em torno da cabeça grossa de seu pau e agito minha língua em torno da ponta. Ele tem um gosto um pouco salgado, um pouco almiscarado, e eu olho para cima, observando seu rosto enquanto eu pego suas bolas na minha mão e aperto de leve. Ele geme, os olhos fechando e sua mão apertando no meu cabelo, e eu continuo, movendo minha boca para cima e para baixo em seu pau, engolindo-o mais profundo a cada vez.

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Por alguma razão, eu não me importo em dar prazer a ele dessa maneira. Na verdade, acho que é estranhamente agradável. Mesmo que seja uma ilusão, eu sinto que ele está a minha mercê, no momento, eu sou a única que tem o poder. Eu amo os gemidos indefesos que escapam da sua boca conforme eu uso minhas mãos, meus lábios, e minha língua para trazê-lo até a beira do orgasmo antes de desacelerar. Eu amo a expressão angustiada no seu rosto quando eu ponho suas bolas na minha boca e chupo, sentindo-as apertando na minha boca. Eu amo a maneira como ele treme quando eu levemente raspo minhas unhas na parte inferior de suas bolas, e quando ele finalmente explode, eu amo o jeito que ele pega a minha cabeça, me segurando no lugar quando ele vem, seu pau pulsando e latejando na minha boca. Quando ele me libera, eu lambo meus lábios, limpando os vestígios de sêmen, enquanto olho para ele o tempo todo. Ele olha para mim, ainda respirando pesadamente. "Isso foi bom, Nora." Sua voz é baixa e rouca. "Muito bom. Quem te ensinou a fazer isso?". Eu dou de ombros. "Não é como se eu fosse uma freira antes de te conhecer", eu digo sem pensar. Seus olhos estreitam, e eu percebo que eu cometi um erro. Este é um homem que parece deleitar-se com o fato de que ele foi meu primeiro, que gosta da ideia de que eu pertenço a ele e só a ele. Todas as referências a exnamorados são mantidas melhor em segredo. Para meu alívio, ele não parece inclinado a me punir por essa transgressão. Ao invés disso, ele me puxa para cima, de volta para a cama. Então ele me despe, apaga a luz, e coloca o braço em volta de mim, me segurando perto enquanto ele procura dormir.

Meu castigo não ocorreu até a noite seguinte. Julian novamente passa o dia em seu escritório, e eu não o vejo até o jantar. Por alguma razão, eu não estou tão assustada quanto eu estava antes. O pequeno interlúdio da última noite e dormir nos braços de Julian depois acalmou a minha ansiedade, me fazendo pensar que o castigo não

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será tão ruim quanto eu temia inicialmente. Ele não parecia particularmente irritado que eu tinha descoberto sobre Maria, o que é um grande alívio. Espero que ele vá renunciar a punição por completo, especialmente se eu fizer o meu melhor para me comportar hoje. Nós três jantamos de novo, e eu escuto Julian e Beth discutirem os mais recentes acontecimentos do Oriente Médio. Me surpreende o quão bem informados ambos parecem ser sobre o tema. Antes do meu sequestro, eu era muito boa em seguir os eventos atuais, mas eu nunca ouvi a maioria dos nomes dos políticos que eles citam. Então, novamente, se Julian realmente dirigi uma empresa internacional de importação e exportação, faz sentido ele ter domínio sobre política mundial. A minha curiosidade tem o melhor de mim de novo, e eu pergunto se a companhia de Julian faz um monte de negócios no Oriente Médio. Ele sorri para mim enquanto ele espeta um pedaço de camarão com o garfo. "Sim, meu animal de estimação, ela faz." "Isso é para onde você foi nesta viagem?" "Não", diz ele, mordendo o camarão suculento. "Eu estava em Hong Kong neste momento." Faço uma nota mental de que Hong Kong tinha que estar perto o suficiente da ilha para ele voar para lá, exercer a sua atividade, e voar de volta, tudo dentro de dois dias. Imagino um mapa do Oceano Pacífico na minha cabeça. É um pouco confuso, pois geografia não é o meu ponto forte, mas acho que esta ilha não deve ser tão longe das Filipinas. Beth me oferece algumas batatas ao curry como acompanhamento para o meu camarão, e eu aceito, agradecendo-lhe com um sorriso. Tenho notado que temos mais variedade de alimentos logo após Julian voltar do continente. Eu suponho que ele nos abastece com alimentos de onde ele vem. Beth sorri para mim, e vejo que ela está de bom humor. Em geral, ela parece mais feliz quando Julian está aqui, mais alegre. Tenho certeza de que não é divertido para ela, lidar com a minha atitude o tempo todo. Posso quase me sentir mal por ela – ‘quase’ é a palavra-chave. "Eu nunca fui para a Ásia", digo a Julian. “Hong Kong é realmente como eles mostram em filmes?"

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Julian sorri para mim. "Bastante. É incrível. Provavelmente uma das minhas cidades favoritas. A arquitetura é fascinante, e a comida..." Ele faz um show de lamber os lábios. "A comida é apenas para morrer." Ele esfrega a barriga, e eu rio, encantada, apesar de mim mesma. O resto do jantar passa da mesma maneira agradável. Julian me conta histórias divertidas sobre os diferentes lugares por onde passou na Ásia, e eu ouço, fascinada, ocasionalmente, ofegante e rindo de alguns dos contos mais ultrajantes. Beth, por vezes, entra na conversa, mas na maior parte, é como se fosse apenas Julian e eu, se divertindo em um encontro. Como daquela vez quando tivemos o jantar sozinhos, eu me encontro caindo sob o feitiço de Julian. Ele é mais que charmoso; ele é simplesmente hipnotizante. Seu fascínio vai além de sua aparência, embora eu não possa negar a atração física entre nós. Quando ele ri ou me dá um dos seus sorrisos genuínos, eu sinto um brilho quente, como se ele fosse o sol e estou desfrutando dos seus raios. Tudo nele me atrai – o jeito que ele fala, como ele aponta para enfatizar um ponto, a maneira como seus olhos enrugam nos cantos quando ele sorri para mim. Ele também é um excelente contador de histórias, e três horas simplesmente voam quando ele me diverte com contos de suas aventuras no Japão, onde ele viveu por um ano quando era adolescente. Eu não quero que este jantar acabe, então eu tento esticá-la tanto quanto eu posso, servindo-me a segunda, terceira e quarta porções de fruta que Beth preparou como sobremesa. Tenho certeza de que Julian está ciente das minhas táticas dilatórias, mas ele não parece se importar. Finalmente, tudo foi comido, e Beth se levanta para lavar os pratos. Julian sorri para mim, e pela primeira vez esta noite, eu sinto um lampejo de medo. Eu posso voltar a sentir aquela tendência escura em seu sorriso, e eu percebo que tem estado presente ao longo de tudo – que está sempre lá com Julian. O homem encantador com quem eu apenas passei três horas é tão real quanto uma invenção da minha imaginação. Ainda sorrindo, ele me oferece a mão. É um gesto cortês, mas eu não posso evitar o frio que corre pela minha espinha quando eu vejo um brilho familiar nos seus olhos azuis. Mais uma vez ele se parece com um anjo caído, sua beleza sublime matizada com uma leve sombra do mal.

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Engulo para me livrar do nó súbito na minha garganta, eu coloco minha mão na sua e deixo que ele me leve lá em cima. É melhor assim, mais civilizado. Ele me permite fingir por mais alguns momentos, mantendo a ilusão de que eu tenho uma escolha. Quando entramos em meu quarto, ele me despe e me deita na cama, no meu estômago. Então, ele me amarra de novo, ligando meus pulsos com força nas minhas costas. A venda vai até os meus olhos, e travesseiros sob meus quadris. É a mesma posição exata em que ele me levou da última vez, e eu não posso evitar enrijecer conforme eu me lembro da agonia e do êxtase de sua posse. É isso que ele vai fazer? Fazer sexo anal comigo de novo? Se assim for, não é tão ruim assim. Eu sobrevivi a última vez, e eu tenho certeza que vou ficar bem novamente. Então, quando eu sinto o frescor do lubrificante entre as minhas nádegas, eu tento relaxar, para deixá-lo fazer o que quiser. Um brinquedo desliza para dentro, a invasão surpreendente, mas não particularmente dolorosa. Eu posso definitivamente tolerar isso. Como antes, ele deixa o brinquedo dentro de mim enquanto ele me dá uma massagem, me relaxa, me despertando com seu toque. Ele beija a parte de trás do meu pescoço, mordisca no ponto sensível perto do meu ombro e, em seguida, sua boca percorre minha espinha, beijando cada vértebra. Ao mesmo tempo, seu dedo desliza na minha abertura vaginal, aumentando a tensão que serpenteia na minha barriga. Minha libertação, quando vem, é tão poderosa que sobressalto contra o colchão, todo o meu corpo estremecendo com convulsões. Enquanto estou me recuperando dos tremores secundários, Julian retira o seu dedo, e eu sinto o ar frio nas minhas costas enquanto ele se inclina para longe de mim por um segundo. Sinto uma dor como fogo, ao longo do meu bumbum, é tão acentuada quanto súbita. Assustada, eu grito, tentando ir para longe, mas eu não vou muito longe, e a segunda batida é ainda mais dolorosa do que a primeira, quando acerta nas minhas coxas. Ele está me batendo com alguma coisa, eu percebo. Eu não sei o que é, mas posso ouvir o assobio no ar quando ele o traz para baixo na minha bunda indefesa, uma e outra vez, enquanto eu choro e tento rolar.

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Aparentemente cansado de me perseguir sobre a cama, ele desata minhas mãos e, em seguida, amarra-as acima da minha cabeça, prendendo meus pulsos à cabeceira de madeira. "Julian, por favor, me desculpe!" Eu imploro, desesperada para fazêlo parar. "Por favor, me desculpe eu estava curiosa. Por favor, eu não vou fazer isso de novo, eu não vou- " "Claro que você vai, meu animal de estimação", ele sussurra em meu ouvido, seu hálito quente no meu pescoço. "Você é tão curiosa quanto um pequeno gato. Mas às vezes você deve deixar as coisas de lado. Para seu próprio bem, você entende?" "Sim! Sim, eu entendo. Por favor, Julian-". "Shh", ele acalma, beijando meu pescoço novamente. "Você precisa aceitar sua punição como uma boa menina." E com isso, ele puxa de volta, deixando minhas costas e as nádegas expostas a ele. Eu tento sair, mas ele pega as minhas pernas, segurando meus tornozelos juntos com uma mão. Ele é forte, muito mais forte do que eu poderia ter imaginado, porque ele é capaz de manter minhas pernas se debatendo com apenas um braço enquanto me chicoteia com a outra. Eu posso ouvir o farfalhar do seu chicote, e eu não posso evitar os gritos que escapam da minha garganta cada vez que ele acerta a minha bunda. Meu bumbum e coxas ardem como se estivessem em chamas, e a venda está molhada com as minhas lágrimas. Eu quero que ele pare, eu estou implorando-lhe para parar, mas Julian está imune aos meus apelos. Parece durar para sempre, até que eu estou muito rouca de gritar e exausta demais para lutar. Eu não posso nem reunir energia suficiente para manter meus músculos tensos, e de alguma forma isso parece ajudar na dor. Eu relaxo ainda mais, fazendo meu corpo ficar mole, e a dor se torna mais manejável, cada chicotada ardendo menos, parecendo mais um arranhão do que um espancamento na verdade. Como resultado da surra, meu mundo parece diminuir até que não exista nada fora daqui. Eu não estou pensando mais; Estou simplesmente sentindo, simplesmente estou lá. Há algo surreal, mas incrivelmente viciante na experiência. Cada golpe traz consigo uma sensação aguda que me puxa mais fundo nesse estranho estado, me fazendo sentir como se eu

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estivesse flutuando. A dor não está mais insuportável; ao invés disso, é reconfortante, de alguma forma perversa. Isso está me aterrando, proporcionando-me o que eu preciso no momento. Um brilho quente se espalha por todo o meu corpo, e todas as minhas preocupações, todos os meus medos desaparecem. É diferente de tudo que já experimentei antes. Quando Julian finalmente pára e me desata, eu me agarro a ele, tremendo toda. Sem a venda e as restrições, sinto-me perdida, oprimida. Como se soubesse o que eu preciso, ele me puxa para o seu colo e me embala delicadamente em seus braços, deixando-me chorar no ombro dele até que eu já não sinto como se eu estivesse indo desmoronar. Depois de um tempo, eu me torno consciente da dura longitude de sua ereção pressionando em minhas nádegas, que estão doloridas e latejantes do açoitamento. O pequeno brinquedo que ele colocou na minha bunda antes ainda está lá, inserido de forma segura dentro de mim, e eu percebo que o brilho dentro de mim é diferente agora, mais de natureza sexual. Aparentemente sentindo a mudança no meu humor, Julian cuidadosamente me levanta e me posiciona de modo que eu estou de frente para ele, enquanto me abro em seu colo. Minhas mãos estão em seus ombros, e eu posso sentir os músculos poderosos sob sua pele. Com minhas coxas bem abertas, a ponta de seu pau contra o meu sexo. A cabeça lisa desliza entre as minhas pregas e esfrega contra o meu clitóris, intensificando a minha excitação. Eu lamento, minha cabeça arqueia para trás, e ele lentamente entra em mim, penetrando-me palmo a palmo. Com o brinquedo na minha bunda, ele parece ainda maior do que o habitual, e eu suspiro quando ele vai mais fundo, enchendo-me com a sua espessura. É uma sensação boa, tão incrivelmente boa, e eu gemo de novo, apertando meus músculos internos em torno do seu pau. Ele geme, fechando os olhos, e eu faço novamente, querendo mais da sensação. Ele abre os olhos e olha para mim, o rosto tenso de desejo e os olhos brilhando. Eu sustento seu olhar, fascinada pela necessidade feroz que vejo lá. Ele está tão necessitado agora como eu estou dele, e a realização acrescenta fogo ao meu desejo, aquecendo o meu núcleo. Erguendo a mão, ele curva a palma em volta do meu rosto, limpando os restos de lágrimas com o polegar. Em seguida, ele inclina a cabeça e me

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beija, com uma imensa ternura. Eu me deleito naquele beijo; sua afeição é como uma droga para mim agora, eu preciso dele com um desespero que eu não entendo totalmente. Eu fecho meus olhos, e minhas mãos deslizam para cima de seus ombros, encontrando seu caminho para o seu cabelo. É grosso e macio ao toque, como cetim escuro. Pressionando mais perto dele, eu esfrego meus seios nus contra o seu peito poderosamente musculoso, me deliciando com a sensação de sua pele áspera contra os meus mamilos sensíveis. Seus lábios são firmes e quentes nos meus, e o pau dentro de mim está incrivelmente duro, me esticando, me enchendo até a borda. Ainda me beijando, ele começa a balançar para trás e para a frente, fazendo com que o seu pau se mova dentro de mim ainda que levemente, enviando ondas de calor por todo o meu corpo. No entanto, cada movimento também serve como um lembrete das batidas mais cedo, e um gemido aflito escapa da minha garganta enquanto minhas nádegas doloridas esfregam contra suas coxas duras. Ele engole o som, sua boca agora consome a minha com fome desenfreada. Sua mão desliza em meu cabelo, segurando-o com força enquanto ele me devora com o seu beijo, seus quadris balançando mais forte, aumentando a pressão crescendo dentro do meu núcleo. Sua outra mão se move para baixo do meu corpo, e, em seguida, ele pressiona no brinquedo, empurrando-o mais profundo dentro da minha passagem traseira. Eu vôo além. Meu orgasmo é tão forte, eu não posso sequer fazer um som. Por alguns segundos felizes, eu estou completamente inundada por prazer, pelo êxtase tão intenso que é quase agonizante. Meu corpo estremece e ondula no pau de Julian, e meus movimentos desencadeiam sua própria libertação. Na sequência, ele me segura, acariciando meu cabelo úmido de suor. Eu posso sentir o seu amolecimento vindo dentro de mim, e então ele pega no meio da minha bunda o brinquedo, puxando-o com cuidado para fora. Depois ele me faz levantar e me leva para o chuveiro.

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Ele cuida de mim no chuveiro novamente, me lavando, me acalmando com seu toque. Ele tem um cuidado especial em torno da área das minhas coxas e nádegas, certificando-se de não aumentar o meu desconforto. Para meu alívio, não parece que a pele está aberta em qualquer lugar. Minha bunda está rosa com alguns vergões avermelhados, e estou certa de que haverá hematomas, mas não há qualquer vestígio de sangue em qualquer lugar. Quando estou limpa e seca, ele me guia de volta para a cama. Ele está silencioso e eu também estou, não totalmente fora desse estranho estado em que eu estava em mais cedo. É como se minha mente estivesse parcialmente desligada do meu corpo. A única coisa que me mantem junta é Julian e seu toque estranhamente suave. Nos deitamos juntos, e Julian apaga as luzes, nos envolvendo na escuridão. Eu deito de bruços, porque qualquer outra posição é muito dolorosa. Ele me puxa para mais perto dele, de modo que minha cabeça está apoiada em seu peito e meu braço está estendido sobre sua caixa torácica, e eu fecho meus olhos, querendo nada mais do que o esquecimento do sono. "Meu pai era um dos barões de droga mais poderosos na Colômbia." A voz de Julian é quase inaudível, sua respiração agitando o cabelo bem perto da minha testa. Eu já tinha começado a cair no sono, mas estou de repente bem acordada, meu coração batendo no meu peito.

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"Ele começou a preparação para eu ser seu sucessor quando eu tinha quatro anos de idade. Eu segurei minha primeira arma quando eu tinha seis anos." Julian faz uma pausa, a mão levemente acariciando meu cabelo. "Eu matei o meu primeiro homem quando eu tinha oito anos." Estou tão horrorizada que eu só fico ali, congelada no lugar em choque. "Maria era filha de um dos homens na organização do meu pai", Julian continua, sua voz baixa e sem emoção. "Eu a conheci quando eu tinha treze anos, e ela tinha doze. Ela era tudo que eu não era. Bonita, doce... inocente. Você vê, ao contrário do meu pai, seus pais a protegiam da realidade de suas vidas. Eles queriam que ela fosse uma criança, não sabendo nada sobre a feiura do nosso mundo”. "Mas ela era brilhante, como você. E curiosa. Muito, muito, muito curiosa..." Sua voz diminui por um segundo, como se estivesse perdido em alguma memória. Então ele sacode isso fora e retoma a sua história. "Ela seguiu seu pai um dia para ver o que ele estava fazendo. Escondida na parte de trás do seu carro. Encontrei-a lá porque era o meu trabalho ser um vigia, para guardar o ponto de encontro." Eu mal posso respirar, incapaz de acreditar que Julian está me dizendo tudo isso. Porque agora? Por esta noite? "Eu poderia ter dito a seu pai, a colocado em apuros, mas ela implorou tão lindamente, olhou para mim tão docemente com seus grandes olhos castanhos que eu não poderia fazê-lo. Fiz um dos guardas do meu pai levá-la para casa ao invés disso”. "Depois disso, ela veio me ver de propósito. Ela queria me conhecer melhor, ela disse. Para ser minha amiga." Há um tom de descrença na voz de Julian, como se ninguém no seu perfeito juízo poderia ter querido algo parecido. Eu engulo, meu coração doendo estupidamente pelo jovem rapaz que ele tinha sido uma vez. Se ele ainda tinha amigos, ou seu pai tinha roubado isso dele também, assim como ele tinha destruído a infância de Julian? "Eu tentei dizer a ela que não era uma boa ideia, que eu não era alguém que ela devesse ter em torno, mas ela não quis me ouvir. Ela me encontrava em algum lugar quase todas as semanas, até que eu não tinha

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escolha senão ceder e começar a passar tempo com ela. Nós fomos pescar juntos, e ela me mostrou como desenhar." Ele faz uma pausa por um segundo, a mão ainda acariciando meu cabelo. "Ela era muito boa em desenho." "O que aconteceu com ela?", pergunto quando ele não disse mais nada por um minuto. Minha voz está estranhamente rouca. Pigarreio e tento novamente. "O que aconteceu com Maria?" "Um dos rivais do meu pai soube que ela estava me vendo. Nós tínhamos acabado de invadir seu armazém, e ele estava chateado. Então, ele decidiu ensinar a meu pai uma lição... através de mim." Cada cabelo sobre o meu corpo está em pé, e eu sinto um frio na minha pele com arrepios. Já posso ver para onde essa história está caminhando, e eu quero dizer a Julian para parar, para não ir mais longe, mas não consigo forçar uma única palavra pela garganta. "Eles encontraram o corpo dela em um beco perto de um dos edifícios do meu pai." Sua voz é firme, mas eu posso sentir a agonia enterrada profundamente dentro dele. "Ela havia sido estuprada, então mutilada. Era para ser uma mensagem para mim e meu pai. Não volte a me foder, ela dizia. " Eu aperto minhas pálpebras juntas, tentando manter as lágrimas queimando meus olhos de vazar, mas é um esforço inútil. Eu sei que Julian provavelmente pode sentir a umidade em seu peito. "Uma mensagem? Para um menino de treze anos de idade?". "A essa altura, eu já tinha catorze anos." Eu não posso ver o sorriso amargo de Julian, mas posso senti-lo. "E a idade não importa. Não para o meu pai... e certamente não para o seu rival." "Eu sinto muito." Eu não sei mais o que dizer. Eu quero chorar – por ele, por Maria, pelo jovem rapaz que tinha perdido sua amiga de uma forma tão brutal. E eu quero chorar por mim mesma, porque agora eu entendo meu captor melhor e eu percebo que a escuridão em sua alma é pior do que qualquer coisa que eu poderia ter imaginado. Julian se mexe debaixo de mim, e eu fico consciente do fato de que minha mão está agora em seu ombro e minhas unhas estão cavando em

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sua pele. Eu me forço a abrir os dedos e tomar uma respiração profunda. Eu preciso me acalmar, ou eu vou explodir em soluços. "Eu matei aqueles homens." Seu tom é informal agora, quase de conversação, embora eu possa sentir a tensão em seu corpo. "Os que a estupraram. Eu os segui e os matei, um por um. Havia sete deles. Depois disso, meu pai me mandou embora, em primeiro lugar para a América, em seguida, para a Ásia e Europa. Ele estava com medo de que o assassinato seria ruim para os negócios. Eu não voltei até anos mais tarde, quando ele e minha mãe foram mortos por mais um rival." Eu me concentro em controlar minha respiração e manter a bile na minha garganta para baixo. "É por isso que você não tem um sotaque espanhol?" Minha pergunta vem totalmente fora do contexto. Eu nem sei o que me faz perguntar algo tão trivial em um momento como este. Mas é, aparentemente, a coisa certa a fazer, porque Julian relaxa um pouco, um pouco da tensão deixando seus músculos. "Sim. Esse é parcialmente o motivo, meu animal de estimação. Além disso, minha mãe era americana, e ela me ensinou inglês desde pequeno". "Uma americana?" "Sim. Ela era uma modelo em sua juventude, alta, bonita e loira. Eles se conheceram em Nova York, quando meu pai estava lá em uma viagem de negócios. Ela o arrebatou, e eles se casaram antes que ele lhe dissesse qualquer coisa sobre o seu negócio". "O que ela fez quando descobriu?" Eu sei que provavelmente estou focando nas coisas erradas aqui, mas eu preciso me distrair das imagens horríveis enchendo minha mente – imagens de uma menina morta, que é uma versão mais jovem de mim... "Não havia nada que pudesse fazer", diz Julian. "Ela já estava casada com ele, e vivendo na Colômbia". Ele não explica melhor, mas ele não precisa. É claro para mim que sua mãe era tanto uma prisioneira como eu sou, exceto que ela tinha escolhido seu cativeiro, pelo menos inicialmente. Por alguns minutos, nós apenas ficamos ali em silêncio, sem falar. Não estou mais sonolenta. Eu não sei se vou ser capaz de dormir esta noite.

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A dor em meu corpo não é nada comparada com o desespero em meu coração. "Então é isso que você faz agora? Drogas?" Pergunto, finalmente quebrando o silêncio. Não é muito longe da minha suposição inicial, de que ele fosse parte da máfia ou alguma outra organização criminosa. "Não", diz ele, para minha surpresa. "Essa parte da minha vida terminou quando meus pais foram mortos. Levei o negócio da família em uma direção diferente". "Que sentido?" Eu me lembro dele me dizendo algo sobre uma organização de importação e exportação, mas eu não posso imaginar Julian fazendo algo tão inócuo como a venda de produtos eletrônicos. Não depois do que eu aprendi sobre sua educação. Ele ri, como que se divertindo com a minha persistência. "Armas", diz ele. "Eu sou um traficante de armas, Nora." Eu pisco, surpresa. Eu sei um pouco, ou pelo menos, eu acho que sei, sobre traficantes de drogas, graças a alguns programas de TV populares. Traficantes de armas, no entanto, são um completo mistério para mim. Eu suspeito fortemente que Julian não esteja falando sobre algumas armas aqui ou ali. Eu tenho um milhão de perguntas sobre sua profissão, mas há algo que eu preciso saber em primeiro lugar, enquanto Julian parece estar em um estado de espírito de partilhar. "Por que você me roubou? É porque eu o lembro de Maria?". "Sim", ele diz suavemente, sua voz se envolvendo em torno de mim como um cachecol de caxemira. "Quando eu a vi pela primeira vez naquele clube, você parecia tanto com ela, foi estranho. Exceto que você era mais velha e ainda mais bonita. E eu queria você. Eu precisava de você. Pela primeira vez em anos, eu estava realmente sentindo. Claro, as emoções que você evocava em mim não eram nada como o que eu já senti por ela. Ela era minha amiga, mas você..." Ele inala profundamente, seu peito se movendo debaixo da minha cabeça. "Eu só precisava que você fosse minha, Nora. Quando toquei você naquele dia, quando senti a maciez de sua pele, eu queria tanto levá-la, para retirar aquelas roupas apertadas que estava vestindo e te foder sem sentido ali mesmo, no chão daquele clube. E eu

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queria te machucar... do jeito que eu às vezes gosto de machucar mulheres, da maneira como elas me pedem para prejudicá-las.... Eu queria ouvi-la gritar de dor e de prazer." Sua mão continua mexendo no meu cabelo, e o seu toque acariciando continua me acalmando o suficiente para ouvir. Na escuridão, nada disso é real. Há apenas Julian e sua voz, me dizendo coisas que uma pessoa normal iria achar assustadora, coisas que, de alguma forma, me fazem molhada ao invés disso. "Eu te trouxe aqui, à minha ilha, porque é o lugar mais seguro para você. Meus colegas de trabalho estão sempre à procura de sinais de fraqueza, e você, meu animal de estimação, é uma fraqueza minha. Eu nunca me senti assim com outra mulher. Eu nunca fui tão-" ele faz uma pausa por um momento, como se procurasse a palavra certa, "-tão porra de obcecado. Apenas o pensamento de outro homem te tocar, te beijar, me deixa louco. Tentei ficar longe, para tirá-la fora da minha mente, mas eu não pude resistir a vê-la mais uma vez em sua graduação. E quando eu te vi lá, eu sabia que você sentiu isso também, essa conexão entre nós, e eu sabia que era inevitável... que eu iria levá-la, e você seria sempre minha." Suas palavras me lavam como uma onda do mar quente, trazendo consigo trepidação e uma espécie de emoção doentia. Alguma parte torcida de mim deleita-se com o fato de que eu sou especial para Julian, que ele está irremediavelmente atraído por mim como eu estou por ele. Por alguma estranha razão, me sinto compelida a retribuir sua abertura. "Eu estava com medo de você", eu lhe digo em voz baixa. "No clube, e depois quando eu te vi na minha formatura, eu também estava com medo." "Só medo?" Ele soa divertido e levemente incrédulo. "Medo e atração," Eu admito. Esta parece ser a noite para revelações. Além disso, ele já sabe a verdade. Apesar do meu medo, eu desejo ele. Eu queria ele desde o começo, e nada que ele tem feito mudou esse fato. "Bom." Ele passa a mão de leve nas minhas costas. "Isso é muito bom, meu animal de estimação. Isso vai fazer as coisas mais fáceis para nós dois."

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Mais fáceis? Eu considero o que ele disse. Mais fácil para ele, com certeza. Mas para mim? Eu não tenho tanta certeza. "Você entrou em contato com a minha família?", pergunto, pensando em sua promessa a alguns dias. "Eles sabem que estou viva?" "Sim." A sua mão faz uma pausa na curva da minha espinha. "Eles sabem." Eu me pergunto o que ele disse a eles e como eles reagiram. Pergunto-me se tornou melhor para eles ou pior. "Você vai me deixar ir?" Eu já sei a resposta, mas eu preciso ouvi-lo dizer isso de qualquer maneira. "Não, Nora", ele responde, e eu posso sentir seu sorriso na escuridão. "Nunca." E trazendo-me mais perto, ele me segura até que nós dois finalmente adormecemos.

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Ao longo dos próximos meses, a minha vida na ilha cai em um tipo de rotina. Quando Julian está lá, meu mundo gira em torno dele. Seus humores, suas necessidades e desejos, governam meus dias e noites. Ele é um amante gentil e imprevisível, um dia, e cruel no próximo. E às vezes ele é uma mistura de ambos, uma combinação que eu acho particularmente devastadora. Eu entendo o que ele está fazendo comigo, mas o entendimento não torna menos eficaz. Ele está me treinando para associar dor com prazer, para desfrutar de tudo o que ele faz para mim, não importa o quão chocante e pervertido seja. E sempre que terminamos, há aquela ternura inquietante. Ele me vira do avesso, leva-me assim, e me coloca de volta junto, tudo no espaço de uma noite. E sua formação está funcionando. Eu entro em seus braços de bom grado agora, desejando ele fortemente. Principalmente as sessões particularmente brutais. Julian me diz que eu sou uma submissa natural com tendências masoquistas latentes. Eu não sei se eu acredito nele, eu sei que eu certamente não quero acreditar nele, mas eu não posso negar que a sua forma peculiar de fazer amor ressoa em algum nível em mim. Brinquedos, chicotes, bastões, ele usou todos eles, e eu sempre senti prazer em alguma parte do que ele estava fazendo. Claro, ele nem sempre é sádico. Às vezes ele é quase doce, me massageando toda, beijando-me até que eu derreta, em seguida, faz amor comigo quando estou quase fora da minha mente com a necessidade. Em

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dias assim, eu não quero deixar a ilha. Tudo que eu quero é que Julian se mantenha me segurando, me acariciando... me ame, de qualquer maneira que possa. Talvez essa seja a parte mais preocupante de tudo – o fato de que agora anseio o amor do meu captor. Eu não sei nem se ele é capaz de sentir a emoção, mas não consigo deixar de precisar dele. Ele me quer, eu sei disso, mas não é suficiente. Em algum lugar ao longo do caminho, eu perdi o meu ódio por ele, e eu nem sei como ou quando isso aconteceu. Eu ainda me ressinto do meu cativeiro, mas esses sentimentos estão agora separados do que sinto por Julian. Ao invés de temer suas visitas à ilha, agora aguardo ansiosamente por elas. Seu negócio o mantém afastado mais do que eu gostaria, e eu começo a entender como animais de estimação se sentem, esperando seu proprietário vir para casa do trabalho. "Por que não pode resolver mais do seu negócio a partir daqui?", pergunto-lhe um dia, depois de acordarmos juntos na parte da manhã. Ele sempre dorme comigo agora. Ele gosta de me segurar durante a noite; isso ajuda com seus pesadelos. "Eu faço tanto quanto eu posso. Por quê? Você me quer aqui, meu animal de estimação?" Seu olhar está friamente zombando enquanto ele vira a cabeça para olhar para mim. Ele não gosta quando eu o questiono sobre o seu negócio. É uma parte de sua vida que ele parece querer manter separada. Em geral, fico com a sensação de que ele está abrigando Beth e eu de algumas das partes mais feias de seu mundo. Beth é plenamente consciente do que Julian faz, é claro, mas eu não sei se ela sabe muito mais sobre o comércio de armas do que eu. "Sim", eu digo-lhe honestamente. "Eu quero você aqui." É inútil fingir o contrário; Julian sabe exatamente como me sinto. Ele é muito bom em me ler e me manipular. Eu não tenho nenhuma dúvida de que ele está desfrutando do meu apego crescente por ele e, provavelmente, fazendo o seu melhor para aumentar isso. Com certeza, a minha admissão, faz seus lábios curvarem em um sorriso sensual. "Tudo bem, baby", ele diz suavemente: "Vou tentar ficar mais aqui." E estendendo a mão para mim, ele me leva em direção a ele para um beijo que me faz dissolver em seu abraço.

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Cada dia que passa, minha antiga vida parece cada vez mais longe, desaparecendo no tempo nebuloso conhecido como o passado. Quando Julian se vai, eu me ocupo com leitura, natação, caminhadas por toda a ilha, e expedições de pesca ocasionais com Beth. Julian nos trouxe uma TV de tela grande com um leitor de DVD e centenas de filmes, por isso, Beth e eu temos algo para fazer durante o tempo chuvoso, também. Nós ainda não somos exatamente amigas, Beth e eu, mas nós definitivamente estamos mais próximas. Parcialmente, acho que ela gosta do fato de que eu já não tentar escapar. Após a minha tentativa falha de bater na cabeça dela e o incidente horrível com Jake, logo após– eu tenho sido uma prisioneira modelo. Claro, seria tolo ser qualquer outra coisa. Mesmo durante as visitas de Julian, quando seu avião está aqui, ele está trancado no interior do hangar que eu encontrei no outro lado da ilha. Tenho certeza que Julian mantém as chaves para o hangar em seu escritório, onde só ele pode acessá-los. E mesmo se eu de alguma forma tivesse em minhas mãos as chaves, eu sinceramente duvido que haveria um manual operacional convenientemente armazenado dentro do avião, ensinando-me a voar. Não, meu captor sabia exatamente o que estava fazendo quando ele me trouxe a esta ilha. É tão segura como qualquer outra prisão que eu pudesse imaginar. Enquanto os dias se transformam em semanas e depois em meses, eu tento encontrar mais atividades para preencher o meu tempo livre para me impedir de suspirar por Julian quando ele não está lá. A primeira coisa que faço é começar a correr novamente. Começo com distâncias curtas primeiro, para me certificar de que eu não estico o joelho, e então eu lentamente aumento a velocidade e distância. Eu corro tanto no período da manhã como à noite, quando está mais frio, e logo eu estou em tão boa forma como eu tinha estado durante os meus dias na equipe de atletismo. Eu posso fazer uma corrida de três milhas em menos de dezessete minutos – um feito que me faz ridiculamente feliz.

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Aproveito também a pintura. Não porque eu me lembre de Julian dizendo que Maria era boa em desenho, mas porque acho que é ao mesmo tempo divertido e relaxante. Eu tinha gostado das aulas de arte na escola, mas eu estava sempre muito ocupada com os amigos e outras atividades para dar a pintura uma tentativa séria. Agora, no entanto, tenho muito tempo em minhas mãos, então eu começo a aprender a desenhar e pintar corretamente. Julian me traz uma tonelada de material de arte e vários vídeos instrutivos, e eu logo me encontro absorvida na tentativa de capturar a beleza da ilha na lona. "Você sabe, você é muito boa nisso", Beth diz pensativamente um dia, vindo até mim na varanda conforme eu estou terminando uma pintura do pôr do sol sobre o oceano. "Você tem as cores exatas – o laranja brilhante sombreado com o rosa escuro." Viro-me e dou-lhe um grande sorriso. "Você realmente acha isso?" "Eu acho," Beth diz séria. "Você está indo bem, Nora." Tenho a sensação de que ela está falando mais do que apenas da pintura. "Obrigada", eu digo secamente. Devo acrescentar na minha lista de realizações – o fato de que eu sou capaz de prosperar em cativeiro? Ela sorri em resposta, e pela primeira vez, eu sinto que nós realmente entendemos uma a outra. "De nada." Caminhando para o sofá ao ar livre, ela se enrola sobre ele, puxando seu livro. Eu a vejo por alguns segundos, e então volto à pintura, tentando replicar o brilho multidimensional da água e pensando sobre o quebracabeça que é Beth. Ela ainda não me falou muito sobre seu passado, mas tenho a sensação de que, para ela, esta ilha é um refúgio das sortes, um santuário. Ela vê Julian como seu salvador, e o mundo exterior como um lugar desagradável e hostil. "Você não sente falta de ir ao shopping?" Pergunteilhe uma vez. " Jantar com seus amigos? Ir dançar? Você não é uma prisioneira aqui; você pode sair a qualquer momento. Por que não pede para Julian levá-la com ele em uma de suas viagens? Fazer algo divertido antes de voltar aqui novamente?" Sua resposta foi rir de mim. "Dançar? Diversão? Deixar os homens colocarem suas mãos por todo meu corpo, isso é suposto ser divertido?"

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Sua voz ficou zombando. "Devo também fazer compras de roupas sexy e maquiagem, assim eu pareço bonita para eles? E o que acontece com a poluição, tiroteios e assaltos – devo sentir falta deles, também?" Rindo de novo, ela balançou a cabeça. "Não, obrigado. Eu estou perfeitamente feliz aqui." E isso é tanto quanto ela diria sobre o assunto. Eu não sei o que aconteceu para fazê-la tão amarga, mas eu suspeito fortemente que Beth não teve uma vida fácil. Quando estávamos assistindo Pretty Woman4, ela continuou fazendo comentários sarcásticos sobre como a prostituição real não é nada como o conto de fadas que eles estavam mostrando. Eu não perguntei a ela sobre isso na época, mas eu tenho curiosidade desde então. Ela poderia ter sido uma prostituta no passado? Deixando de lado o meu pincel, eu viro e olho para Beth. "Posso pintar você?" Ela olha para cima de seu livro, assustada. "Você quer me pintar?" "Sim, eu quero." Seria uma boa mudança de ritmo de todas essas paisagens que tenho vindo fazendo ultimamente e isso também pode me dar uma chance de conhecê-la melhor. Ela olha para mim por alguns segundos, em seguida, dá de ombros. "Tudo certo. Eu acho." Ela parece incerta sobre isso, então eu dou-lhe um sorriso encorajador. "Você não tem que fazer nada, apenas sentar lá assim, com seu livro. Faz uma boa visão". E é verdade. Os raios do sol poente transformam seus cachos vermelhos em uma chama, e com as pernas debaixo, ela parece jovem e vulnerável. Muito mais acessível do que o habitual. Eu paro a pintura que eu estava trabalhando e coloco uma tela em branco. Então eu começo a esboçar, tentando capturar os ângulos simétricos de seu rosto, as linhas magras e curvas de seu corpo. É uma tarefa absorvente, e eu não paro até que fica muito escuro para eu ver qualquer coisa.

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No Brasil, o filme Uma linda mulher, com a Julia Roberts e, o bonitão, do Richard Gere.

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"Você está satisfeita por hoje?" Beth pergunta, e eu percebo que ela está sentada na mesma posição durante a última hora. "Oh, sim, claro", eu digo. "Obrigada por ser uma boa modelo". "Não há problema." Ela me dá um sorriso genuíno quando se levanta. "Pronta para o jantar?"

Pelos próximos três dias, eu trabalho no retrato de Beth. Ela pacientemente modela para mim, e eu me encontro tão ocupada que mal penso em Julian. É apenas durante a noite que eu tenho uma chance de sentir falta dele, sentir o frio vazio da minha cama king-size quando eu fico lá sofrendo por seu abraço. Ele me deixou tão viciada que uma semana sem ele parece um castigo cruel e um que eu acho infinitamente pior do que qualquer tortura sexual que meu captor tem feito até agora. "Será que Julian vai dizer quando ele vai estar de volta?", pergunto a Beth conforme eu estou dando os retoques finais na pintura. "Ele já foi há sete dias." Ela balança a cabeça. "Não, mas ele estará aqui assim que ele puder finalizar os negócios. Ele não pode ficar longe de você, Nora, você sabe disso." "Sério? Ele disse alguma coisa para você?" Eu posso ouvir a ansiedade em minha voz, e eu me chuto mentalmente. Quão patética eu posso ser? Eu poderia muito bem colocar um selo na testa: uma outra menina estúpida que se apaixonou por seu sequestrador. Claro, eu duvido que muitos sequestradores tenham o charme letal de Julian, então talvez eu devesse me dar alguma folga. Felizmente, Beth não me importuna sobre a minha paixão óbvia. "Ele não precisa dizer isso", diz ela em seu lugar. "É perfeitamente óbvio." Largo meu pincel por um segundo. "Óbvio como?" Essa conversa está suprindo uma necessidade que eu nem sabia que tinha, uma sessão de menina real – fofocas de meninas sobre os homens e as suas emoções inexplicáveis.

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"Oh, por favor." Beth está começando a soar exasperada. "Você sabe que Julian está fodidamente louco por você. Sempre que eu falo com ele, é Nora isso, Nora aquilo... Nora precisa de alguma coisa? Nora tem comido bem?" Ela abaixa a voz comicamente, imitando os tons mais profundos de Julian. Eu sorrio para ela. "Sério? Eu não sabia disso." E eu não o faço. Quer dizer, eu sabia que Julian é louco pra caralho por mim, e ele definitivamente admite uma certa obsessão por mim por causa da minha semelhança com Maria, mas eu não sabia que eu era muito presente em sua mente fora do quarto. Beth revira os olhos. "Okay, certo. Você não é tão ingênua como você finge ser. Eu vi você batendo os longos cílios para ele durante o jantar, tentando envolvê-lo em torno de seu dedo mindinho." Dou-lhe o meu melhor olhar arregalado e inocente. "O que? Não!" "Uh-huh." Beth não parece convencida. Ela está certa, é claro; Eu flerto com Julian. Agora que eu não tenho mais tanto medo do meu captor, estou novamente fazendo o meu melhor para entrar em suas boas graças. Em algum lugar no fundo da minha mente, há uma esperança persistente que, se ele confiar em mim o suficiente, se ele cuidar de mim o suficiente, ele pode me levar para fora da ilha. Quando este plano tinha me ocorrido primeiro – naqueles terríveis primeiros dias de meu cativeiro – tinha sido encenação. Assim que eu me visse fora da ilha, eu teria feito o meu melhor para escapar, independentemente de quaisquer promessas que eu poderia ter feito. Agora, no entanto, eu não sei mesmo o que eu faria se Julian me levasse com ele. Será que eu tentaria deixá-lo? Eu ainda quero deixá-lo? Eu honestamente não tenho ideia. "Alguma vez você já se apaixonou?", pergunto a Beth, pegando o meu pincel novamente. Para minha surpresa, uma sombra escura passa sobre seu rosto. "Não", ela diz secamente. "Nunca."

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"Mas você amou... alguém, certo?" Eu não sei o que me faz perguntar isso, mas eu aparentemente toquei um nervo, porque todo o corpo de Beth aperta, como se eu desse um golpe. Para minha surpresa, no entanto, ao invés de se irritar comigo, ela apenas balança a cabeça. "Sim", ela diz baixinho. "Sim, Nora, eu já amei." Seus olhos são estranhamente brilhantes, como se brilhando com a umidade não derramada. E eu percebo, então, que ela está sofrendo – que tudo o que aconteceu com ela tinha deixado cicatrizes profundas e indeléveis em sua psique. Seu exterior espinhoso é apenas uma máscara, uma maneira de se proteger ainda mais das feridas. E agora, por qualquer motivo, a máscara caiu, expondo a verdadeira mulher por baixo. "O que aconteceu com essa pessoa?" Eu pergunto, minha voz suave e gentil. "O que aconteceu com a pessoa que você ama?" "Ela morreu." O tom de Beth é inexpressivo, mas posso sentir o poço sem fundo de agonia dessa declaração simples. "Minha filha morreu quando ela tinha dois anos." Eu inalo bruscamente. "Sinto muito, Beth. Oh Deus, eu sinto muito..." solto o pincel de novo, vou até o sofá de Beth e sento, colocando meus braços em torno dela. Primeiro, ela está dura e rígida, como se não estivesse acostumada com contato humano, mas ela não me afasta. Ela precisa disso agora; Eu sei melhor do que ninguém como é calmante um abraço caloroso quando suas emoções estão por todo o lugar. Julian tem prazer em me fazer desmoronar, então ele pode ser o único a me emendar e me colocar de volta inteira. "Sinto muito", eu repeti baixinho, esfregando suas costas em um movimento circular lento. "Eu sinto muitíssimo." Gradualmente, um pouco da tensão drena para fora do corpo de Beth. Ela se deixa embalar pelo meu toque. Depois de um tempo, ela parece recuperar o equilíbrio, e eu a deixo ir, não querendo que ela se se sinta estranha sobre o abraço. Lançando-me um pouco para trás, ela me dá um pequeno sorriso envergonhado. "Sinto muito, Nora. Eu não quis-".

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"Não, está tudo bem", eu interrompo. "Me desculpe, eu estava curiosa. Eu não sei-". E, depois, ambas se olham, percebendo que poderíamos pedir desculpas até o fim dos tempos e que não mudaria nada. Beth fecha os olhos por um segundo, e quando ela abre, a máscara está firmemente de volta no lugar. Ela é minha carcereira novamente, independente e auto-suficiente como sempre. "Jantar?", ela pergunta, levantando-se. "Alguns dos peixes desta manhã seriam ótimos", casualmente, caminhando para arrumar minhas coisas de arte. E nós continuamos, como se nada tivesse acontecido.

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eu

digo


Depois daquele dia, minha relação com Beth sofreu uma mudança sutil, mas perceptível. Ela já não estava tão determinada em me manter distante, e eu lentamente começo a conhecer a pessoa por trás das paredes espinhosas. "Eu sei que você pensa que você está num mal negócio", diz ela um dia quando nós estamos pescando juntas ", mas acredite em mim, Nora, Julian realmente se preocupa com você. Você tem muita sorte de ter alguém como ele." "Sorte? Por quê?" "Porque não importa o que ele fez, Julian não é realmente um monstro," Beth diz séria. "Ele nem sempre age de uma maneira que a sociedade considere aceitável, mas ele não é mau". "Não? Então, o que é o mal? "Eu estou realmente curiosa como Beth define a palavra. Para mim, as ações de Julian são o epítome de algo que um homem mau pode fazer – meus sentimentos estúpidos para ele, não obstante. "O mal é alguém que iria matar uma criança", diz Beth, olhando para a água azul brilhante. "O mal é alguém que iria vender sua filha de treze anos de idade a um bordel mexicano..." Ela faz uma pausa por um segundo, em seguida, acrescenta: "Julian não é mau. Você pode confiar em mim."

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Eu não sei o que dizer, então eu só vejo as ondas batendo contra a costa. Meu peito sente como se ele estivesse sendo espremido. "O Julian te salvou do mal?", eu pergunto depois de um tempo, quando eu estou certa de que posso manter minha voz razoavelmente estável. Ela vira a cabeça para olhar para mim. "Sim", ela diz baixinho. "Ele fez. E ele destruiu o mal para mim. Ele me entregou uma arma e me deixou usá-la naqueles homens que mataram a minha filha. Você vê, Nora, ele tomou uma prostituta de rua, usada, quebrada e deu-lhe sua vida de volta." Eu seguro o olhar de Beth, sentindo como se eu estivesse desmoronando por dentro. Meu estômago está com náuseas. Ela está certa: eu não sabia o verdadeiro significado do sofrimento. O que ela passou não é algo que eu possa compreender. Ela sorri para mim, aparentemente gostando do meu silêncio chocado. "A vida não é nada mais do que uma roleta fodida", ela diz baixinho ", onde a roda continua girando e os números errados continuam aparecendo. Você pode chorar o quanto quiser, mas a verdade da questão é que isso é tão perto de um bilhete premiado quanto é possível." Eu engulo para me livrar do nó na garganta. "Isso não é verdade", eu digo, e minha voz soa um pouco rouca. "Não é sempre assim. Há todo um outro mundo lá fora, o mundo onde as pessoas normais vivem, onde ninguém tenta machucar você" "Não", Beth diz duramente. "Você está sonhando. Esse mundo é tão real quanto um conto de fadas da Disney. Você pode ter vivido como uma princesa, mas a maioria das pessoas não o fazem. As pessoas normais sofrem. Eles se machucam, morrem, e eles perdem seus entes queridos. E eles machucam uns aos outros. Rasgam o outro como os predadores selvagens que são. Não há luz sem a escuridão, Nora; a noite em última análise, alcança todos nós." "Não." Eu não acredito nisso. Eu não quero acreditar. Esta ilha, Beth, Julian, é tudo uma anomalia, e não a forma como as coisas são sempre. "Não, isso não é-" "É verdade", diz Beth. "Você pode não perceber isso ainda, mas é verdade. Você precisa de Julian tanto quanto ele precisa de você. Ele pode protegê-la, Nora. Ele pode mantê-la segura."

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Ela parece totalmente convencida desse fato.

"Bom dia, meu animal de estimação", uma voz familiar sussurra em meu ouvido, me acordando, e eu abro meus olhos para ver Julian sentado ali, inclinando-se sobre mim. Ele deve ter vindo aqui antes de alguma reunião de negócios formal, porque ele está vestindo uma camisa, em vez de seu habitual traje mais casual. Uma onda de felicidade brilha através de mim. Sorrindo, eu levanto os braços e coloco em torno de seu pescoço, puxando-o para mais perto de mim. Ele cheira meu pescoço, seu peso quente me pressionando contra o colchão, e eu arqueio contra ele, sentindo a agitação habitual de desejo. Meus mamilos endurecem, e meu núcleo se transforma em uma piscina de necessidade líquida, todo o meu corpo derretendo com sua proximidade. "Eu senti sua falta", ele respira no meu ouvido, e eu tremo com prazer, mal reprimindo um gemido quando a boca talentosa move no meu pescoço e morde em um ponto sensível perto da minha clavícula. "Eu adoro quando você está assim", ele murmura, chovendo beijos suaves no meu peito e ombros, "toda quente, macia e sonolenta... e minha..." Eu lamento agora, quando sua boca se fecha em volta do meu mamilo direito e chupa fortemente, aplicando apenas a quantidade certa de pressão. Sua mão desliza sob o cobertor e entre as minhas coxas, e os meus gemidos intensificam à medida que ele começa a acariciar minhas dobras, seu dedo desenhando círculos provocantes em volta do meu clitóris. "Goze para mim, Nora", ele ordena suavemente, pressionando para baixo no meu clitóris, e eu quebro em mil pedaços, meu corpo enrijece e sobe para o clímax, a seu comando. "Boa menina", ele sussurra, continuando a brincar com o meu sexo, tirando meu orgasmo. "Uma boa, menina tão doce..." Quando meus tremores remanescentes acabam, ele recua e começa a se despir. Eu o observo avidamente, incapaz de tirar os olhos da vista. Ele está além de lindo, e eu quero tanto ele. Sua camisa sai primeiro, expondo seus ombros largos e o estômago de tanquinho, e já não posso me conter.

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Sentando-me, eu alcanço o zíper de sua calça, minhas mãos tremendo de impaciência. Ele solta uma respiração afiada conforme a palma da minha mão vai contra seu pau inchado. Assim que eu conseguir libertá-lo, eu envolvo meus dedos em torno dele e dobro minha cabeça, levando-o em minha boca. "Foda-se, Nora!", Ele geme, agarrando minha cabeça e empurrando seus quadris para mim. "Ah, porra, baby, isso é bom..." Seus dedos deslizam pelo meu cabelo, enredando nos fios, despenteando, e eu lentamente o sugo mais profundamente, abrindo minha garganta para tomar o máximo do seu comprimento que consigo. "Oh caralho..." Seu gemido estridente me enche de prazer, e eu aperto suas bolas de leve, me deliciando com a forte sensação delas na palma da minha mão. Seu pau fica ainda mais duro, e eu sei que ele está prestes a gozar, mas, para minha surpresa, ele se afasta, dando um passo para trás. Ele está respirando pesadamente, com os olhos brilhando como diamantes azuis, mas ele consegue se controlar por tempo suficiente para tirar sua roupa restante antes de subir em cima de mim. Suas mãos fortes envolvem em torno dos meus pulsos, esticando-os acima da minha cabeça, e seus quadris se posicionam fortemente entre as minhas coxas abertas, seu pau grosso cutucando contra a minha entrada vulnerável. Eu fico olhando para ele com uma mistura de apreensão e excitação; ele parece magnífico e selvagem, com o cabelo escuro desgrenhado e seu belo rosto apertado com desejo. Ele não vai ser particularmente suave hoje, já posso ver isso. E eu estou certa. Ele entra em mim com um impulso poderoso, deslizando tão profundo dentro de mim que eu suspiro, sentindo-me como se ele estivesse me dividindo ao meio. E ainda assim o meu corpo responde a ele, produzindo mais lubrificação, facilitando seu caminho. Ele me fode brutalmente, sem piedade, mas meus gritos são de prazer, a tensão dentro de mim em espiral fora de controle mais uma vez antes dele finalmente gozar.

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No café da manhã, estou um pouco dolorida, mas feliz de qualquer maneira. Julian está aqui, e está tudo certo no meu mundo. Ele parece estar de bom humor, além de estar me provocando por ter assistido uma temporada inteira de Friends, em uma semana, e perguntando sobre minhas corridas nos últimos dias. Ele gosta disso, que eu tenha corrido muito ultimamente – ou melhor, ele gosta dos resultados disso. Fisicamente, estou na melhor forma que eu já estive, e dá para ver. Meu corpo está magro e tonificado. Eu sou a prova viva dos benefícios de uma dieta saudável, lotes de ar fresco e exercício físico regular. Meu cabelo castanho espesso está crescendo sem qualquer sinal de pontas duplas, e minha pele está perfeitamente lisa e bronzeada. Não me lembro a última vez que tive uma espinha. "Minha última corrida de três milhas foi às 16:20," Eu digo a Julian, sem falsa modéstia. "Aposto que não há muitos caras que podem bater isso." "Isso é verdade", ele concorda, seus olhos azuis dançando com riso. "Eu provavelmente não poderia." "Sério?" Eu estou intrigada com a ideia de ganhar de Julian em alguma coisa. "Quer tentar? Eu ficaria feliz em correr com você." "Não faça isso, Julian," Beth diz, rindo. "Ela é rápida. Ela era rápida antes, mas agora ela é como um foguete, porra." "Ah, é?" Ele levanta uma sobrancelha para mim. "A porra de um foguete, né?" "Isso é verdade." Eu dou-lhe um olhar desafiador. "Quer correr, ou você é muito covarde?" Beth começa a fazer barulhos cacarejando, e Julian sorri, jogando um pedaço de pão nela. "Cale a boca, sua traidora." Rindo de suas travessuras, eu jogo um pedaço de pão em Julian, e Beth repreende nós dois. "Eu sou a única que tem que limpar toda essa confusão", ela resmunga, e Julian promete ajudá-la com as migalhas de pão, acalmando-a com um de seus sorrisos de megawatts. Quando ele está assim, seu charme é como uma coisa viva, puxandome, fazendo-me esquecer a verdade sobre a minha situação. Na parte de trás da minha mente, eu sei que nada disso é real – que esse sentimento de

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conexão, esta camaradagem é nada mais do que uma miragem, mas a cada dia que passa, isso começa a ter uma importância cada vez menor. De uma maneira estranha, me sinto como se eu fosse duas pessoas: a mulher que está se apaixonando pelo assassino lindo e cruel sentado à mesa do café da manhã, e a outra que está observando a coisa toda com uma sensação de horror e incredulidade. Depois do almoço, eu troco de roupa por um short de corrida e um top esportivo, e vou ler um livro na varanda, para que eu possa digerir a minha comida antes do exercício. Julian entra em seu escritório, como de costume. Seu negócio não espera só porque ele está na ilha; um império ilegal de armas exige atenção constante. Enquanto Julian raramente fala sobre seu trabalho, eu consegui recolher algumas coisas ao longo dos últimos meses. Pelo que eu entendo, meu captor é a cabeça de uma operação internacional especializada na fabricação e distribuição de armas de ponta e certos tipos de eletrônicos. Seus clientes são as organizações e indivíduos que não podem ter armas por meios legítimos. "Ele lida com alguns filhos da puta realmente perigosos," Beth me disse uma vez. "Psicopatas, muitos deles. Eu não confio neles, tanto quanto posso dizer." "Então, por que é que ele faz isso?", Perguntei. "Ele é tão rico. Tenho certeza que ele não precisa do dinheiro..." "Não é sobre o dinheiro", explicou Beth. "É sobre a emoção dele, o desafio. Homens como Julian prosperam com isso." Às vezes me pergunto se é isso que Julian gosta em mim, o desafio de me fazer curvar à sua vontade, de me moldar e me tornar tudo o que ele pensa que ele precisa. Será que ele acha emocionante, o conhecimento que eu sou sua prisioneira e que ele pode fazer o que quiser comigo? Será que o aspecto ilegal da coisa toda o excita? "Pronta para ir?" A voz de Julian interrompe meus pensamentos, e eu olho para cima do meu livro para vê-lo ali, vestido apenas em um par de shorts de corrida preto e tênis. Seu torso nu com ondulações de músculos espessos e perfeitamente definidos, e sua pele dourada suave brilhando à luz do sol, me fazendo querer tocá-lo todo.

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"Hum, sim." Eu me levanto, colocando para baixo o meu livro e começo a me esticar, observando Julian fazendo o mesmo com o canto do meu olho. Seu corpo é incrível, e eu me pergunto o que ele faz para manter a forma. Eu nunca vi ele se exercitando aqui na ilha. "Você faz algum tipo de exercício quando você vai em suas viagens?" Eu pergunto, descaradamente olhando enquanto ele se inclina e toca os dedos dos pés com uma flexibilidade surpreendente. "Como você se mantém tão em forma?" Ele se endireita e sorri para mim. "Eu treino com os meus homens quando eu posso. Acho que você poderia chamá-lo de exercício." "Seus homens?" Eu penso imediatamente no bandido que havia espancado Jake. A memória me deixa doente, e eu a afasto, não querendo pensar sobre esses assuntos escuros agora. Eu tenho que fazer isso, por vezes, separar esta nova vida da minha antiga em seções distintas, mantendo os bons tempos para além do mau. É o meu próprio mecanismo de enfrentamento patenteado. "Meus guarda-costas e alguns outros funcionários", Julian explica conforme vamos para fora em direção à praia, andando rápido para aquecer. "Alguns deles são ex-navais e treinamento com eles não é nenhum piquenique, acredite em mim." "Você treina com os navais da Marinha?" Eu paro e dou a Julian um olhar duro. "Você estava só brincando mais cedo, não estava? Sobre não ser capaz de me bater em uma corrida?" Seus lábios curvam em um sorriso sedutor, um pouco travesso. "Eu não sei, meu animal de estimação", diz ele em voz baixa. "Eu estava? Por que você não corre e vê?" "Tudo bem", eu digo, determinada a dar o meu melhor. "Vamos fazer isto."

Começamos nossa corrida perto de uma árvore que eu marquei especificamente para esta finalidade. Do outro lado da ilha, há uma outra

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árvore que serve como linha de chegada. Se correr na areia, ao longo do oceano, são exatamente três milhas daqui até esse ponto. Julian conta até cinco, eu arrumo o meu cronômetro, e nós saímos, cada um a partir de um ritmo razoavelmente rápido que não é a nossa velocidade máxima. Enquanto eu corro, eu sinto meus músculos aliviando no ritmo do movimento, e eu gradualmente pego o ritmo, empurrando-me mais duro do que eu costumo fazer neste momento da corrida. Julian corre ao meu lado, seu passo mais largo permitindo-lhe manter-se comigo com facilidade. Nós corremos silenciosamente, sem falar, e eu continuo dando olhares de esgueira para Julian pelo canto do meu olho. Estamos no meio do caminho, e eu estou suando e respirando com dificuldade, mas o meu lindo captor não parece estar se esforçando muito. Ele está em uma boa forma fenomenal, seus músculos lisos brilhando com gotas de suor, juntando e liberando a cada movimento. Ele corre suavemente, pousando sobre as solas dos seus pés, e eu invejo seu passo fácil, desejando que eu tivesse um quarto de sua óbvia força e resistência. Quando entramos na última meia-milha, eu dou uma explosão de velocidade, determinada a tentar vencê-lo, apesar da futilidade óbvia do esforço. Ele nem sequer está sem fôlego, e eu já estou ofegante. Ele pega sua velocidade também, e não importa quão duro eu corra, eu não posso colocar qualquer distância entre nós. Ele está praticamente colado ao meu lado. No momento em que estamos dentro de cem jardas da árvore, eu estou gotejando com suor e cada músculo do meu corpo está gritando por oxigênio. Eu estou à beira do colapso e eu sei disso, mas eu faço uma última tentativa heroica e corro para a linha de chegada. E assim que minha mão está prestes a tocar a árvore, marcando-me como a vencedora da corrida, a palma da mão de Julian bate na casca, literalmente, um segundo antes da minha. Frustrada, eu viro e coloco as minhas costas pressionadas contra a árvore e Julian inclina-se sobre mim. "Consegui", diz ele, com os olhos brilhando, e vejo que ele está respirando quase normalmente.

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Com falta de ar, eu empurro contra ele, mas ele não recua. Ao invés disso, ele pisa mais perto, e coloca seus joelhos entre minhas coxas. Ao mesmo tempo, as mãos agarram a parte de trás dos joelhos, me levantando contra ele, minhas coxas bem abertas enquanto ele esfrega sua ereção contra a minha pélvis. A nossa pequena corrida, aparentemente, o excitou. Ofegante, eu olho para ele, minhas mãos agarrando os seus ombros. Eu mal posso permanecer em pé, e ele quer foder? A resposta é obviamente sim, porque ele me coloca para baixo em meus pés por um segundo, puxa para baixo o meu short e as roupas de baixo, e em seguida faz a mesma coisa com suas próprias roupas. Eu balanço em meus pés, minhas pernas tremendo por causa do esforço. Eu não posso acreditar que isso está acontecendo. Quem fode logo após uma corrida? Tudo o que eu quero fazer é deitar e beber um galão de água. Mas Julian tem outras ideias. "Fique de joelhos", ele ordena com a voz rouca, empurrando-me para baixo antes de eu ter a chance de cumprir. Eu pouso em meus joelhos e me fortaleço com as mãos. A posição realmente me ajuda a recuperar a minha respiração um pouco, e eu com gratidão sugo o ar. Minha cabeça está girando com o calor de fora e do rescaldo de uma corrida difícil, e eu espero que eu não acabe desmaiando. Um braço musculoso duro enlaça meus quadris, me segurando no lugar, e então eu sinto seu pau pressionando contra a minha bunda. Fico tonta e tremo, esperando o impulso que vai nos unir, minha buceta traiçoeira molhada e pulsando com antecipação. A resposta do meu corpo para Julian é uma loucura, ridícula, dado o meu estado físico geral. Ele roça meu cabelo encharcado de suor nas minhas costas e se inclina para a frente para beijar meu pescoço, me cobrindo com seu corpo pesado. "Você sabe", ele sussurra, "você é linda quando você corre. Eu tenho vontade de fazer isso desde a primeira milha." E com isso, ele empurra dentro de mim, sua espessura me estica, enchendo-me todo o caminho. Eu grito, minhas mãos agarrando-se na areia quando ele começa a empurrar, ambas as mãos agora segurando meus quadris enquanto ele enfia em mim. Meus sentidos estreitam, focando apenas sobre isso – os

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movimentos rítmicos de seus quadris, o prazer-dor de sua posse áspera.... Eu sinto como se estivesse queimando por dentro, morrendo na ebulição violenta de calor e luxúria. O poder da pressão dentro de mim é demais, insuportável, e eu jogo a cabeça para trás com um grito quando todo o meu corpo explode, a liberação disparada através de mim com tanta força que eu, literalmente, desmaio. Até o momento que eu tomo consciência de novo, estou embalada no colo de Julian. Ele tem as costas pressionadas contra a árvore- da linha de chegada, e ele está me alimentando com pequenos goles de água, certificando-se que eu não engasgue. "Você está bem, baby?", pergunta ele, olhando para mim com o que parece ser uma preocupação genuína em seu rosto bonito. "Hum, sim." Minha garganta ainda se sente seca, mas eu definitivamente estou me sentindo melhor e mais que um pouco envergonhada com o meu desmaio. "Eu não sabia que você estava tão desidratada", diz ele, uma pequena ruga atravessando a sua testa. "Por que você se forçou tão duro?" "Porque eu queria ganhar," Eu admito, fechando os olhos e respirando o cheiro de sua pele. Ele cheira a sexo e suor, uma combinação estranhamente atraente. "Aqui, beba mais um pouco de água", diz ele, e eu abro meus olhos novamente, obedientemente bebendo quando ele pressiona uma garrafa nos meus lábios. A garrafa é do cooler que Eu mantenho guardado deste lado da ilha para me manter hidratada, após minhas corridas. Depois de alguns minutos – e toda uma garrafa de água – eu me sinto bem o suficiente para começar a andar de volta. Exceto que Julian não me deixar ir. Ao invés disso, assim que eu fico de pé, ele se abaixa e me levanta em seus braços tão facilmente como se eu fosse uma boneca. "Segure-se em meu pescoço", ele ordena, e eu envolvo meus braços em torno dele, deixando-o levar de volta para casa.

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Na manhã seguinte eu acordo com a sensação luxuosa de ter meus pés massageados. É uma sensação tão incrível que, por alguns segundos, eu acho que estou sonhando e tento evitar acordar. A sensação de dedos fortes amassando meu pé é muito real, no entanto, e eu gemo em êxtase conforme cada dedo individual é esfregado e acariciado com a quantidade certa de pressão. Abrindo os olhos, vejo Julian sentado na cama, gloriosamente nu e segurando uma garrafa de óleo de massagem. Vertendo algumas gotas na palma da mão, ele se inclina sobre mim e começa a massagear meus tornozelos e batata da perna em seguida. "Bom dia", ele ronrona, olhando para mim. Eu olho para ele, muda de surpresa. Julian me fez massagens antes, mas normalmente apenas como uma forma de me relaxar antes de fazer algo que me faria gritar. Ele nunca me acordou desta maneira prazerosa antes. Há um meio sorriso nos lábios sensuais, e eu não posso deixar de me sentir nervosa. "Um, Julian", eu digo, hesitante, "o quê... o que você está fazendo?" "Dando-lhe uma massagem", diz ele, com os olhos brilhando com diversão. "Por que você não relaxa e se diverte?" Eu pisco, observando enquanto suas mãos lentamente movem para cima das minhas panturrilhas. Ele tem mãos grandes, fortes e masculinas. Minhas pernas parecem impossivelmente esbeltas e femininas em suas

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mãos, apesar de eu ter músculos bem definidos por correr. Eu posso sentir os calos nas palmas das mãos arranhando levemente contra minha pele, e eu engulo, quando entra na minha mente, o pensamento repentino de que aquelas mãos pertencem a um assassino. "Vire", diz ele, puxando minhas pernas, e eu deito na minha barriga, ainda me sentindo nervosa. O que ele está fazendo? Eu não gosto de surpresas quando se trata de Julian. Ele começa a amassar a parte de trás das minhas pernas, infalivelmente encontrando as áreas mais doloridas da corrida de ontem, e eu gemo quando os músculos começam a relaxar sob seus dedos hábeis. Ainda assim, não posso relaxar completamente; Julian é muito imprevisível para a minha paz de espírito. Aparentemente sentindo meu desconforto, ele se inclina sobre mim e sussurra em meu ouvido: "É apenas uma massagem, meu animal de estimação. Não há necessidade de estar tão preocupada com isso." De alguma forma fico tranquila, deixo-me relaxar, afundando no conforto do meu colchão. As mãos de Julian são mágicas; Eu tive massagens profissionais que estavam longe de ser tão boas. Ele está completamente sintonizado em mim, prestando atenção à menor mudança na minha respiração, a contração nos meus músculos.... Após vários minutos disso, eu já não me preocupo com seu comportamento estranho; Estou simplesmente chafurdando na felicidade dessa experiência. Quando todo o meu corpo foi cuidadosamente massageado e eu estou deitada mole, Julian para e me leva para o chuveiro. Então ele vai para baixo em mim, me dando prazer com a boca até eu explodir de um modo alucinante. No café da manhã, estou praticamente vibrando de contentamento. Este é o melhor dia que já tive em meses, talvez anos. Por alguma estranha coincidência, Beth fez a minha comida favorita, Ovos Benedict com caranguejo. Eu não tive nada tão decadente desde a minha chegada na ilha. A comida que Beth cozinha para nós é boa, mas é geralmente para o lado saudável. Frutas, legumes e peixes parecem constituir a maior parte da nossa dieta. Não me lembro da última vez que tive algo tão rico e gratificante como o molho holandês que Beth fez hoje.

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"Mmm, isso é tão bom", eu gemo com a boca cheia. "Beth, isso é incrível. Estes são provavelmente os melhores ovos que eu já comi". Ela sorri para mim. "Eles caíram bem, não é? Eu não tinha certeza se eu tinha a receita certa, mas parece que eu poderia ter." "Oh, você fez", eu a tranquilizo antes de me servir outra porção. "Isso está ótimo." Julian sorri, seus olhos brilhando com diversão quente. "Com fome, meu animal de estimação?" Ele mesmo já comeu uma porção considerável, mas estou a ponto de recuperar o atraso com ele. "Faminta", digo-lhe, trazendo outra garfada à boca. "Eu acho que queimei um monte de calorias ontem." "Tenho certeza que você fez", diz ele, seu sorriso alargando, e então ele diz a Beth sobre como eu quase venci a corrida, deixando de fora a parte sobre a foda e meu desmaio depois. Quando acabamos o café da manhã, eu estou tão cheia que eu não posso comer mais nada. Agradecendo Beth pela refeição, eu me levanto, para ir buscar um livro para uma sessão de leitura relaxante na varanda, quando Julian me surpreende envolvendo sua mão ao redor do meu pulso. "Espere, Nora", diz ele em voz baixa, puxando-me de volta para o meu lugar. "Há mais uma coisa que Beth preparou hoje." E ele atira a Beth um olhar indecifrável- ela imediatamente se levanta e vai até a cozinha. "Hum, ok." Estou além de confusa. Ela tinha preparado algo, mas não serviu durante a refeição? Naquele momento, Beth volta para a mesa, carregando uma bandeja com um grande bolo de chocolate, um bolo com um monte de velas acesas. "Feliz aniversário, Nora," Julian diz com um sorriso quando Beth coloca o bolo na minha frente. "Agora faça um desejo e sopre aquelas velas."

Eu sopro as velas no piloto automático, mal registrando o fato de que me leva três tentativas para fazer isso. Beth aplaude, batendo palmas, e eu ouço os sons como se eles estivessem vindo de longe. Minha mente está

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girando, mas eu me sinto estranhamente dormente, como se nada pudesse me tocar agora. Tudo o que posso pensar, tudo em que posso me concentrar é o fato de que é meu aniversário. Meu aniversário. É meu aniversário. Hoje eu faço dezenove anos. A realização me faz querer gritar. Conheci Julian pouco antes do meu último aniversário, e ele me trouxe a esta ilha pouco depois. Se é meu aniversário hoje, então quase um ano se passou desde a minha abdução – desde que eu estive aqui, à mercê de Julian e inteiramente isolada do resto do mundo. Um ano da minha vida passou em cativeiro. Eu sinto como se estivesse sufocando, como se todo o ar saísse da sala, mas eu sei que é apenas uma ilusão. Há uma abundância de oxigênio aqui; eu simplesmente não consigo respirar nada. "Nora?" A voz de Beth de alguma forma penetra em meus ouvidos. "Nora, você está bem?" Eu finalmente consigo tirar um pouco de ar muito necessário, e eu olho para cima do bolo. Beth está olhando para mim com uma expressão perplexa no rosto, e Julian não está sorrindo. Ao invés disso, ele se parece com um perigoso estranho novamente, seu olhar cheio de algo escuro e perturbador. Segurando-me, com esforço sobre-humano, eu espremo um sorriso trêmulo. "Claro. Obrigada pelo bolo, Beth. " "Nós queríamos fazer uma surpresa", diz ela, suas feições suavizando enquanto ela observa meu rosto. "Eu espero que você tenha algum espaço para a sobremesa. Bolo de chocolate é o seu favorito, certo?" O zumbido nos meus ouvidos se intensifica. "Hum, sim." Apesar dos meus melhores esforços, a minha voz soa abafada. "E você definitivamente me surpreendeu." "Deixem-nos, Beth," Julian diz bruscamente, olhando para ela. "Nora e eu precisamos ficar sozinhos agora." Beth pisca, obviamente surpresa com o tom de Julian. Nunca ouvi ele falar assim com ela antes. No entanto, ela obedece imediatamente, praticamente correndo até as escadas do quarto dela.

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Eu não vi Julian com essa raiva a um tempo e eu sei que eu deveria ter medo, mas nesse momento, eu não consigo me importar com o que está por vir. Cada músculo do meu corpo está tremendo com o esforço para conter a terrível tempestade que eu posso sentir se formando dentro de mim, e é um alívio ter Beth longe daqui. Um ano. Tem sido um ano do caralho. A raiva que está construindo dentro de mim é diferente de tudo que já experimentei antes; é como uma barragem que se rompeu e não seria contida. Uma névoa vermelha desce sobre mim, ocultando a minha visão, e o zumbido nos meus ouvidos cresce mais alto quando minhas emoções ficam fora de controle. Assim que Beth está fora de vista, eu explodo. Não sou mais racional ou sã; ao invés disso, eu sou a fúria personificada. Eu pego a coisa mais próxima que eu posso alcançar – o bolo de chocolate e o jogo em toda a sala, a cobertura escura espirrando em todos os lugares. Meu prato e copo seguem, batendo na parede e quebrando em mil pedaços, e todo o tempo, eu ouço gritos, vindos até mim de longe. Alguma parte ainda em funcionamento do meu cérebro percebe que sou eu – que são meus próprios gritos e xingamentos que estou ouvindo, mas eu não posso parar mais do que eu posso conter um tufão. Toda a raiva, terror, e frustração do ano passado está fervendo na a superfície, em erupção em uma lava de raiva feroz. Eu não sei quanto tempo eu fico nesse estado sem mente antes de braços de aço enrolarem em volta de mim por trás, me prendendo em um abraço familiar. Eu chuto e grito até que minha voz fica rouca, mas minha luta é inútil. Julian é muito, muito mais forte do que eu, e ele usa essa força agora para me submeter, me abraçar até eu me esgotar e cair contra ele derrotada por completo, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. "Você terminou?", Ele sussurra em meu ouvido, e eu posso ouvir a nota escura familiar em seu tom. Como de costume, acho que é tanto sinistra como excitante, meu corpo agora condicionado a desejar a dor que está por vir e a bem-aventurança de abalar a mente que inevitavelmente acompanha. Balanço a cabeça em resposta à sua pergunta, mas eu sei que eu acabei, que tudo o que deu em mim passou, deixando-me esgotada e vazia.

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Julian me gira em seus braços, de modo que eu estou de frente para ele. Eu olho para ele, o olhar vidrado de lágrimas impotentes atraídas para a perfeita simetria de seus traços. Suas maçãs do rosto salientes estão tingidas com um toque de cor, e há algo inquietante na forma como ele olha para mim, como se quisesse me devorar, rasgar a minha alma e me engolir inteira. Nossos olhos se encontram, e eu sei que estou em pé à beira de um precipício, agora, que um abismo está se abrindo debaixo dos meus pés. E nesse momento, vejo as coisas claramente. Eu não estou com raiva porque eu fui presa na ilha por um ano inteiro. Não, minha raiva vai muito, muito mais profunda. O que me queima por dentro não é o fato de que eu fui uma prisioneira esse tempo todo - é que eu passei a gostar do meu cativeiro. Ao longo dos últimos meses, cheguei de alguma forma a um acordo com minha nova vida. Eu passei a desfrutar do ritmo calmo e relaxante da ilha. O mar, a areia, o sol – é o mais próximo do paraíso que eu posso imaginar. Liberdade e tudo o que isso implica é agora apenas um sonho vago, impossível. Eu mal posso imaginar os rostos daqueles que deixei para trás; eles são apenas figuras borradas, sombras em minha mente. A única coisa que importa para mim agora é o homem me segurando em seus braços com força. Julian – me captor, meu amante. "Por que, Nora?", pergunta ele, quase sem fazer barulho. Seus braços apertam em volta de mim, seus dedos cavando a pele macia das minhas costas. Quando eu não respondo, sua expressão escurece ainda mais. "Por quê?" Eu permaneço em silêncio, sem vontade de dar esse último salto, irrevogável. Não consigo me dar a Julian assim. Simplesmente não posso. Ele já tomou demais de mim; Eu não posso deixá-lo ter isso também. "Diga-me", ele ordena, uma mão deslizando para cima torcendo meu cabelo, forçando o pescoço para dobrar para trás. "Diga-me agora." "Eu odeio você", eu coaxo, recolhendo os últimos fragmentos do meu desafio. Minha voz é como uma lixa, rouca de todos os gritos. "Eu te odeio-"

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Seus olhos piscam com fogo azul. "É mesmo?", Ele sussurra, inclinando-se sobre mim, ainda me segurando em arco impotente contra ele. "Você me odeia, meu animal de estimação?" Eu sustento seu olhar, recusando-me a piscar. Não tenho nada a perder. "Sim", eu assobio, "Eu te odeio!" Eu preciso convencê-lo de meu ódio, porque a alternativa é inconcebível. Ele não pode saber a verdade. Ele simplesmente não pode. O rosto de Julian endurece, voltando-se para gelo. Em um movimento rápido, ele joga os pratos restantes da mesa da cozinha para o chão e me empurra para cima da mesa, me obrigando a curvar, meu rosto deslizando na superfície de madeira lisa. Tento chutá-lo com minhas pernas, mas é inútil. Ele está segurando a parte de trás do meu pescoço com uma mão forte, e então eu ouço o som ameaçador de um cinto sendo desafivelado. Eu chuto mais, e realmente consigo fazer contato com a perna. É claro que não ganho nada. Eu não posso escapar de Julian. Eu nunca vou ser capaz de escapar de Julian. Ele se inclina sobre mim, pressionando-me sobre a mesa, os dedos apertando duramente em volta do meu pescoço. "Você é minha, Nora", diz ele rispidamente, seu corpo grande me dominando, me despertando. "Você pertence a mim, você entende? Toda e qualquer parte de você é minha." Sua ereção contra minhas nádegas, sua dureza intransigente tanto uma ameaça como uma promessa. Ele recua, ainda me segurando com uma mão no meu pescoço, e eu ouço o sussurro sibilante de um cinto que está sendo puxado de seu lugar. Um momento depois, meu vestido está virado para cima, expondo a minha parte inferior do meu corpo. Eu aperto meus olhos fechados, me preparando para o que está por vir. Açoite. Surra. O cinto desce na minha bunda, uma e outra vez, cada ataque como fogo lambendo minhas coxas e bunda. Eu posso ouvir meus próprios gritos, sentir o meu corpo tenso com cada golpe, e, em seguida, a dor me impulsiona para esse estado estranho onde tudo é virado de cabeça para baixo, onde dor e prazer colidem, tornam-se indistinguíveis um do outro, e meu torturador é meu único consolo. Meu corpo amolece, derrete, cada curso da batida do cinto parece mais como uma carícia, e eu sei que de alguma maneira eu preciso disso agora, que Julian entre no escuro, a

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parte secreta de mim que é uma imagem em espelho de seus próprios desejos torcidos. É uma parte de mim que anseia por abrir mão do controle, a me perder completamente e ser apenas sua. No momento em que Julian pára e me vira, não há um pingo de desafio deixado no meu corpo. Minha cabeça está nadando em uma corrida de endorfina mais poderosa do que qualquer coisa que eu já experimentei, e eu estou aderindo a ele, desesperada para o conforto, para sexo, para qualquer coisa parecida com amor e carinho. Meus braços vão em torno do pescoço de Julian, puxando-o para baixo sobre a mesa comigo, e eu me deleito com o gosto dele, nos beijos profundos, com a fome com que ele consome minha boca. Minha bunda arde como se estivesse pegando fogo, mas não diminui meu desejo; se alguma coisa, o intensifica. Julian tem me treinado bem. Meu corpo está condicionado a desejar o prazer que eu sei que vem a seguir. Ele se atrapalha com seu jeans, abrindo o zíper, e então ele está dentro de mim, entrando com um impulso poderoso. Eu tremo, com o êxtase que faz fronteira com a agonia, e coloco minhas pernas em volta da sua cintura, tomando-o mais profundo, precisando dele para me foder, me possuir da maneira mais primitiva possível. "Diga-me, baby", ele sussurra em meu ouvido, seus lábios roçando minha testa. Sua mão direita desliza em meu cabelo, me segurando imóvel. "Diga-me o quanto você me odeia." A outra mão encontra o lugar onde nós estamos unidos, esfrega lá, então se move para baixo uns centímetros para a minha outra abertura. "Diga-me..." Eu suspiro enquanto seu dedo empurra no meu ânus, meus sentidos oprimidos por todas as sensações conflitantes. Atordoada, abro os olhos e olho para Julian, vendo a minha própria necessidade escura refletida em seu rosto. Ele quer me possuir, me quebrar para que ele possa me colocar junta de volta, e eu já não posso lutar com ele sobre isso. "Eu não odeio você." Minhas palavras saem baixas e roucas, e eu engulo para umedecer a garganta seca. "Eu não odeio você, Julian." Algo como triunfo aparece no seu rosto. Seus quadris empurrando para a frente, seu pau cavando mais fundo dentro de mim, e eu solto um gemido, ainda segurando seu olhar.

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"Diga-me", ele ordena novamente, sua voz profunda. Seus olhos estão queimando nos meus, e eu já não posso resistir à demanda que vejo. Ele quer tudo de mim, e eu não tenho escolha, mas dar a ele. "Eu te amo." Minha voz é quase inaudível, cada palavra dita como se estivessem sendo arrancadas da minha alma. "Eu não odeio você, Julian... Eu não posso... Eu não posso porque eu te amo. " Eu posso ver suas pupilas dilatarem, deixando os olhos mais escuros. Seu pau incha dentro de mim, ainda mais espesso e mais duro do que antes, e, em seguida, ele puxa para fora e bate de volta para dentro, fazendo-me arfar da selvageria da sua possessão. "Diga-me de novo", ele geme, e repito o que eu disse, as palavras mais fáceis na segunda vez. Não há nenhum ponto em esconder mais a verdade, nenhum motivo para mentir. Eu me apaixonei pelo meu captor sádico, e nada no mundo pode mudar esse fato. "Eu te amo", eu sussurro, minha mão movendo-se para embalar sua bochecha. "Eu te amo, Julian." Seus olhos escurecem ainda mais, e então ele inclina a cabeça, tomando a minha boca, num beijo que consome tudo profundamente. Agora sou realmente dele, e ele sabe disso.

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Os próximos três meses voam. Depois daquele dia, depois do que eu penso como o Incidente do meu aniversário – meu relacionamento com Julian sofre uma mudança notável, tornando-se mais... romântico, por falta de uma palavra melhor. É um romance fodido, eu sei disso. Eu posso ser viciada em Julian, mas não estou tão longe que eu não perceba o quão doente isso é. Eu estou apaixonada pelo homem que me sequestrou, o homem que ainda está me mantendo prisioneira. O homem que parece precisar do meu amor, tanto quanto ele precisa do meu corpo. Eu não sei se ele me ama de volta. Eu não sei nem se ele é capaz de sentir essa emoção. Como você pode amar alguém cuja liberdade você roubou sem pensar duas vezes? E ainda assim eu não posso deixar de sentir que ele deva cuidar de mim, que a sua obsessão por mim não é só de natureza sexual. Está lá na maneira que eu o pego olhando para mim, por vezes, na forma como ele tenta antecipar todas as minhas necessidades. Ele constantemente me traz minhas comidas favoritas, meus livros favoritos e músicas. Se eu fizer menção de precisar de uma loção de mão, ele compra para mim em sua próxima viagem. Eu sou tão mimada como uma menina pode ser. Ele até se orgulha de minhas realizações, elogiando o meu trabalho artístico e indo tão longe a ponto de levar várias pinturas com ele para fora da ilha para pendurar em seu escritório em Hong Kong.

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Ele também sente a minha falta quando não estamos juntos. Eu sei porque ele me diz isso e porque cada vez que ele retorna, ele cai sobre mim como um homem faminto que acabou de sair da prisão. Isso, mais do que qualquer coisa, me dá esperança de que seus sentimentos por mim vão além de sua possessão. "Você vê outras mulheres? Lá fora, no mundo real?" Eu pergunto a ele no café da manhã após uma noite quando ele me leva três vezes seguidas. A questão tinha estado me corroendo por dentro a meses, e eu simplesmente não posso me conter por mais tempo. Meu captor é mais do que lindo; ele tem esse apelo perigoso e magnético que provavelmente atrai as mulheres para ele em dúzias. Posso facilmente imaginar que ele durma com uma beleza diferente a cada noite, um pensamento que me faz querer esfaquear alguma coisa. Mesmo com suas tendências sádicas, eu sei que ele não teria nenhuma dificuldade em encontrar parceiras de cama; provavelmente há muitas mulheres que, como eu, sentem prazer na dor erótica. Ele sorri para mim com uma diversão escura, nem um pouco bravo por minha óbvia exibição de ciúme. "Não, meu animal de estimação", diz ele em voz baixa. Aproximando-se, ele pega a minha mão, acariciando o interior do meu pulso com o polegar. "Por que eu quero foder alguém quando tenho você? Eu não estive com outra mulher desde o dia em que nos conhecemos." "Você não esteve?" Eu não posso esconder o meu choque. Julian tinha sido fiel a mim esse tempo todo? Ele olha para mim, seus lábios se curvando em um sorriso delicioso pecaminoso. "Não, baby, eu não estive", ele diz – e, nesse momento, sintome como a mulher mais feliz do mundo. Eu adoro quando ele me chama de 'baby'. É um apelido comum, eu sei, mas de alguma forma, quando Julian diz isso, soa diferente, como se ele estivesse me acariciando com essa palavra. Eu prefiro muito mais 'baby' a ser chamada de "meu animal de estimação". Em última análise, porém, eu sei que isso é o que eu sou para ele, seu animal de estimação, sua posse. Ele gosta da ideia de que eu pertenço a ele, que ele é o único homem que pode me tocar, pode me ver. Ele gosta de me vestir com as roupas que ele fornece para mim, me alimentando com a

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comida que ele traz. Estou completamente dependente dele, totalmente à sua mercê, e acho que algo sobre isso agrada a ele, apazigua os demônios que eu frequentemente sinto à espreita abaixo da superfície. Sinceramente, eu não me importo de ser possuída. É uma realização perturbadora, mas uma parte de mim parece gostar deste tipo de dinâmica. Sinto-me segura e bem cuidada, embora a lógica me diga que eu estou longe de estar segura com um homem que lida com armas para ganhar a vida, um homem que admitiu ter matado sem qualquer pesar. As mãos que me tocam à noite são aquelas que trouxeram a morte para os outros, mas há um certo sabor picante nisso. Torna tudo mais intenso de alguma forma, me ajuda a me sentir mais viva. Além disso, apesar de sua necessidade de me machucar, Julian nunca realmente me prejudicou fisicamente, pelo menos. Quando ele está em um de seus humores sádicos, eu acabo com marcas e hematomas na minha pele, mas eles desaparecerem rapidamente. Ele tem o cuidado de nunca deixar uma cicatriz no meu corpo, embora eu saiba que sangue e lágrimas, minhas lágrimas o excitam, o transformam. Quando eu compartilho alguns dos meus sentimentos com Beth, ela não parece surpresa, no entanto. "Eu sabia que vocês dois foram feitos um para o outro desde o primeiro momento em que vi vocês juntos", diz ela, dando-me um olhar irônico. "Quando você e Julian estão no mesmo lugar, o ar praticamente chia. Eu nunca vi tal química entre duas pessoas antes. O que vocês têm juntos é raro e especial. Não lute contra isso, Nora. Ele é o seu destino e você é o dele." Ela parece completamente convencida disso.

Na noite em que a minha vida muda irrevogavelmente, tudo começa normal. Julian está na ilha, e nós compartilhamos uma deliciosa refeição juntos antes dele me levar lá em cima para uma sessão longa de amor. É um daqueles momentos em que ele é gentil, me adorando com o seu corpo

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como se eu fosse uma deusa, e eu caio no sono relaxada e satisfeita, segurando firmemente em seu abraço. Quando eu acordo no meio da noite para usar o banheiro, eu tomo conhecimento de uma dor incômoda perto do meu umbigo. Tranquilizandome, eu lavo minhas mãos e rastejo de volta na cama, estendendo-me ao lado da forma adormecida de Julian. Sinto-me um pouco enjoada também, e eu me pergunto se eu estou tendo indigestão. Eu poderia ter intoxicação alimentar de alguma forma? Eu tento dormir, mas a dor parece piorar a cada minuto que passa. Ele migra para baixo em meu abdômen inferior direito, tornando-se afiada e agonizante. Eu não quero acordar Julian, mas eu não posso mais suportar isso. Eu preciso de um analgésico de algum tipo, qualquer tipo. "Julian", eu sussurro, estendendo a mão para ele. "Julian, acho que estou doente." Ele acorda imediatamente e se senta na cama, acendendo a lâmpada de cabeceira. Não há nenhum traço de confusão em seu rosto; ele está tão alerta como se fosse o meio do dia, em vez de três horas da manhã. "O que há de errado?" Eu me enrolo em uma pequena bola, conforme a dor se intensifica. "Eu não sei", eu consigo dizer. "Meu estômago dói." Sua testa vinca. "Onde dói, baby?", Ele diz suavemente, empurrandome para as minhas costas. "Meu... meu lado," Eu suspiro, lágrimas de dor começando a rolar pelo meu rosto. "Aqui?", Ele pergunta, pressionando de um lado, e eu balanço minha cabeça. "Aqui?" "Sim!" De alguma forma, ele infalivelmente encontra a área exata que está em agonia. Ele imediatamente se levanta e começa a se vestir. "Beth!", Ele grita. "Beth, eu preciso de você aqui, agora mesmo!" Ela corre para a sala trinta segundos depois, colocando um roupão por cima do pijama. "O que aconteceu?"

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Ela parece com medo, e eu estou apavorada também. Eu nunca vi Julian assim antes. Ele parece quase... assustado. "Prepare-se", diz ele secamente. "Vou levá-la para a clínica, e você vem com a gente. Pode ser seu apêndice. " Apendicite! Agora que ele disse isso, eu percebo que é a explicação mais provável, mas é além de assustadora. Não sou médica, mas eu sei que se meu apêndice estourar antes de cortá-lo, eu estou ferrada. Seria assustador mesmo se eu estivesse a uma hora de atenção médica, mas eu estou em uma ilha privada no meio do Pacífico. E se eu não chegar ao hospital a tempo? Julian deve estar pensando a mesma coisa, porque a expressão em seu rosto é sombria quando ele me envolve com um manto e me pega, me levando para fora da sala. "Eu posso andar", eu protesto fraca, meu estômago agitando conforme Julian rapidamente desce as escadas. "No inferno que você pode." Seu tom é desnecessariamente duro, mas eu não me ofendo. Sei que ele está preocupado comigo agora, e mesmo com minhas entranhas em agonia, me sinto aquecida pelo seu cuidado. No momento em que chegamos ao hangar, Beth abre as portas para nós e já está esperando na parte de trás do avião. Julian me afivela no banco do passageiro, e eu percebo que meu maior desejo está prestes a ser concedido. Estou saindo da ilha. Meu estômago dá uma guinada, e eu seguro o saco de papel marrom que está convenientemente na minha frente. Náuseas quentes súbitas fervem na minha garganta, e eu vomito dentro do saco, todo o meu corpo suando e tremendo. Eu posso ouvir Julian praguejando enquanto o avião começa a decolar, e eu estou tão envergonhada. Eu só quero morrer. "Sinto muito", eu sussurro, os olhos ardendo. Eu nunca fui tão infeliz em toda a minha vida. "Está tudo bem", Julian diz secamente. "Não se preocupe com isso."

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"Aqui." Beth me entrega um lenço umedecido na parte de trás. "Isso deve fazer você se sentir um pouco melhor." Mas isso não acontece. Ao invés disso, quando o avião sobe mais alto, eu fico enjoada novamente. Gemendo, eu seguro o meu estômago, a dor no meu lado direito intensificando. "Foda-se", murmura Julian. "Caralho, porra, foda-se." Seus dedos estão brancos, onde ele está apertando os controles. Eu vomito novamente. "Quanto tempo até chegarmos lá?" A voz de Beth é alta, fora do comum. "Duas horas", Julian diz severamente. "Se o vento cooperar". Essas duas horas são as mais longas da minha vida. No momento em que o avião começa a descer, eu vomitei cinco vezes e estou muito além do ponto de embaraço. A dor no meu estômago há muito tempo já se transformou em agonia, e eu não estou ciente de qualquer coisa, além da minha própria miséria. Mãos fortes chegam até mim, me puxando para fora do avião, e eu estou vagamente consciente de Julian está me levando a algum lugar, segurando-me embalada contra seu peito largo. Há um murmúrio de vozes falando em uma mistura de Inglês e um pouco de língua estrangeira, e então eu sou colocada em uma maca e sigo através de um longo corredor para uma sala estéril de aparência branca. Várias pessoas em jalecos brancos vêm em torno de mim, um homem latindo ordens nesse mesmo idioma estranhamente misto, e eu sinto uma dor aguda no meu braço quando uma agulha é ligada ao meu pulso. Atordoada, eu olho para cima para ver Julian em pé no canto, com o rosto estranhamente pálido e seus olhos brilhando... e depois a escuridão me engole inteira novamente.

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Quando eu recupero a consciência, eu estou me sentindo só um pouquinho melhor. Minha cabeça parece estar recheada com lã, e a dor lancinante no meu lado permanece, embora ela seja diferente agora, menos nítida e mais como um machucado. Por um segundo, eu acho que eu caí no sono, e fiquei com a sensação de que sonhei com a coisa toda, mas o cheiro me convence de outra coisa. O odor anti-séptico inconfundível que você só encontra em escritórios e hospitais. Esse odor significa que estou viva... e fora da ilha. Meu coração começa a correr com o pensamento. "Ela está acordada", uma voz feminina desconhecida diz em sotaque Inglês, aparentemente para outra pessoa na sala. Ouço passos e sinto alguém se sentar ao lado da minha cama. Dedos quentes chegam e tocam minha bochecha. "Como está se sentindo, baby?" Abrindo os olhos com algum esforço, eu olho para as belas feições de Julian. "Como se eu tivesse sido cortada e costurada de volta," eu consigo falar. Minha garganta está tão seca e dolorida que realmente dói falar, e eu posso sentir uma dor surda, latejante no meu lado direito. "Aqui." Julian está segurando um copo com um canudo dobrado nele. "Você deve estar com sede." Ele o leva para o meu rosto, e eu obedientemente fecho os lábios ao redor do canudo, sugando um pouco de água. Minha mente ainda está

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obscura, e por um momento, a parede entre as boas e as más memórias se desintegra. Lembro-me do primeiro dia na ilha, quando Julian tinha me oferecido uma garrafa de água, e um arrepio involuntário corre pela minha espinha. Naquele momento, Julian não é o homem que eu amo; ele é novamente meu inimigo, aquele que me roubou, o que me fez sua contra a minha vontade. "Com frio?", pergunta ele, levando o copo para longe antes de inclinar-se para puxar o cobertor mais para cima, cobrindo meus ombros. "Hum, sim, um pouco." Eu estou fora da ilha. Oh meu Deus, eu estou fora da ilha. Minha mente está girando. Sinto-me rasgada, como se eu fosse duas pessoas diferentes - a menina apavorada que insiste que esta é a sua chance de escapar e a mulher que anseia desesperadamente pelo toque de Julian. "Tiraram o seu apêndice," Julian diz, afastando uma mecha de cabelo que tinha sido caído na minha testa. "A operação correu bem, e não deve haver quaisquer complicações. Não é verdade, Angela? "Ele olha para a esquerda. "Sim, Sr. Esguerra." Esguerra? É o último nome de Julian? Reconhecendo a voz de antes, eu viro minha cabeça para ver uma pequena jovem mulher de branco. Sua pele lisa é um marrom claro lindo, e seu cabelo e os olhos são escuros, quase negros. Para mim, ela parece filipina ou talvez tailandesa – não que eu possa fingir ser uma especialista nacionalidade. O que eu sei é que ela é a primeira pessoa que eu vejo em quinze meses que não é nem Beth nem Julian. Estou fora da ilha. Oh meu Deus, eu estou fora da ilha. Pela primeira vez desde o meu rapto, há uma possibilidade real de fuga. "Onde estou?" Eu pergunto, olhando para a jovem enfermeira. Não posso acreditar que Julian deixou alguém me ver- ver a garota que ele sequestrou. "Você está em uma clínica particular nas Filipinas," Julian responde quando a mulher apenas sorri para mim. "Ângela é a auxiliar de enfermagem que vai estar cuidando de você."

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Naquele momento, a porta se abre e Beth entra. "Oh, olha quem está acordada", ela exclama, chegando à minha cabeceira. "Como você está se sentindo?" "Ok, eu acho", eu digo a ela com cautela. Puta merda, eu estou fora da porra da ilha. "Eles disseram que Julian trouxe você aqui na hora certa", Beth me diz, puxando uma cadeira e sentando-se ao lado da minha cama. "Seu apêndice estava se preparando para ir. Eles cortaram e costuraram de volta, então você deve estar bem." Deixo escapar uma risada nervosa... e gemo imediatamente, o movimento puxando os pontos no meu lado. "Você está com dor?" Julian me dá um olhar preocupado. Virando-se para Ângela, ele ordena: "Dê-lhe mais analgésicos." "Eu estou bem, só um pouco dolorida," Tento tranquilizá-lo. "Sério, eu não preciso de nenhum tipo de droga." A última coisa que eu quero é algo nublando minha mente agora. Estou fora da ilha, e eu preciso descobrir o que fazer. Eu estou fazendo o meu melhor para manter a calma, mas está custando toda a minha força de vontade não gritar ou fazer algo estúpido. A liberdade está tão perto, eu posso praticamente sentir o gosto. "Claro, Sr. Esguerra." Ângela ignora completamente meus protestos e vem até a cama, mexer no saco claro que está conectado com meu tubo IV. Julian inclina-se sobre a cama e levemente me beija nos lábios. "Você precisa descansar", diz ele em voz baixa. "Eu quero você saudável. Você me entende?" Eu aceno, minhas pálpebras ficando pesadas conforme eu sinto o medicamento começar a funcionar. Por um momento, eu sinto que estou flutuando, toda a dor desaparece, e então eu não estou ciente de qualquer outra coisa.

Quando eu acordo de novo, eu estou sozinha no quarto. A luz solar brilhante está fluindo através das grandes janelas claras e várias plantas

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estão florescendo alegremente no peitoril da janela. É realmente muito acolhedor. Se não fosse por esse cheiro de hospital e as várias máquinas e monitores, eu teria pensado que estava no quarto de alguém. O que quer que esta clínica privada seja, é bastante luxuosa, um fato que eu não tive a chance de realmente apreciar antes. A porta se abre e Ângela entra na sala. Me dando um largo sorriso, ela diz com uma voz alegre, "Como está se sentindo, Nora?" "Ok", eu respondo, com um pouco de cautela. "Onde está Julian?" Alguma coisa sobre essa mulher parece errada, e eu não consigo descobrir o que. Sei que ela é provavelmente a minha melhor chance de escapar, mas eu não sei se posso confiar nela. Por um lado, ela poderia facilmente estar a serviço de Julian, como Beth. "Sr. Esguerra teve que sair por um par de horas ", diz ela, ainda sorrindo para mim. "Beth está aqui, no entanto. Ela apenas foi ao banheiro". "Oh, bom." Eu olho para ela, tentando reunir a minha coragem. Eu tenho que dizer a ela que eu fui sequestrada. Eu simplesmente tenho. Esta é a minha oportunidade de escapar. Ela pode ser leal a Julian, mas eu ainda tenho que tentar, porque eu posso nunca ter uma chance melhor de liberdade. Ângela vem até a cama e me entrega o copo com o canudo dobrado. "Aqui está", diz ela com a mesma voz alegre. "Eu vou te trazer um pouco de comida logo." Eu levanto o meu braço e tomo o copo dela, encolhendo-me um pouco como o movimento que puxa os pontos. "Obrigada", eu digo, engolindo avidamente a água. Eu realmente, realmente preciso dizer a ela para chamar a polícia, ou o que quer que seja que as autoridades policiais locais sejam chamadas, mas por alguma razão, eu não faço. Ao invés disso, eu bebo a água e vejo quando ela sai da sala, deixando-me sozinha mais uma vez. Eu gemo mentalmente. O que há de errado comigo? Liberdade é uma possibilidade real, pela primeira vez em mais de um ano, e aqui estou eu, sendo evasiva e procrastinando. Digo a mim mesma que é porque eu estou sendo cautelosa, porque eu não quero correr o risco de alguém se

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machucar, não Ângela e certamente não qualquer um em casa, mas lá no fundo, eu sei a verdade. Tão atraente quanto a liberdade parece, é também assustadora. Eu estive em cativeiro por tanto tempo que eu realmente quero o conforto da minha gaiola; estar aqui, nesta sala desconhecida, me deixa estressada, ansiosa, e há uma parte de mim que só quer voltar para a ilha, retomar a minha rotina regular. O mais importante, no entanto, é que a liberdade significa deixar Julian, e eu não posso fazer isso. Eu não quero deixar o homem que me sequestrou. Eu deveria estar regozijando-me com o pensamento da polícia chegar para prendê-lo, mas me sinto horrorizada. Eu não quero Julian atrás das grades. Eu não quero ser separada dele, nem mesmo por um minuto. Fechando os olhos, digo a mim mesma que eu sou uma tola, uma idiota depois de uma lavagem cerebral, mas não importa. Conforme eu fico ali naquela cama de hospital, eu chego a termos com o fato de que eu não sou mais uma relutante cativa. Em vez disso, eu sou simplesmente uma mulher que pertence a Julian – assim como ele agora pertence a mim.

Eu me recupero na clínica ao longo da semana. Julian me visita todos os dias, passa várias horas do meu lado, e assim faz Beth. Ângela cuida de mim a maior parte do tempo, embora uns médicos vieram para ver minhas tabelas e ajustarem minha dose de analgésico. Eu ainda não disse a ninguém sobre ser uma vítima de sequestro, nem estou planejando fazê-lo mais. Por um lado, fico com a sensação de que o pessoal da clínica é pago para ser discreto. Ninguém parece nem um pouco curioso sobre o que uma garota americana está fazendo nas Filipinas, nem estão inclinados a questionar-me de qualquer forma. A única coisa que Ângela quer saber é se eu estou com dor, sede, fome, ou com vontade de usar o banheiro. Eu tenho certeza que se eu lhe pedir para chamar a polícia para mim, ela iria apenas sorrir e me dar mais analgésicos.

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Também já vi alguns guardas parados no corredor fora do quarto. Eu os vejo quando a porta se abre. Eles estão armados até os dentes e se parecem com filhos da puta assustadores, me lembrando o bandido que bateu em Jake. Quando pergunto a Julian sobre eles, ele livremente admite que eles são seus empregados. "Eles estão lá para sua proteção", explica ele, sentando-se ao lado da minha cama. "Eu disse que eu tenho inimigos, certo?" Ele me disse, mas eu não tinha compreendido a extensão do perigo antes. De acordo com Beth, há um pequeno exército de guarda-costas estacionados ao redor da clínica, todos nos protegendo de tudo o que ameaça Julian. "Que inimigos?" Pergunto curiosamente, olhando para ele. "Quem está atrás de você?" Ele sorri para mim. "Isso não é da sua conta, meu animal de estimação", diz ele gentilmente, mas há algo frio e mortal oculto sob o calor do seu sorriso. "Vou lidar com eles em breve." Eu tremo um pouco, e espero que Julian não perceba. Às vezes, meu amante pode ser muito, muito assustador. "Nós vamos para casa amanhã", diz ele, mudando de assunto. "Os médicos disseram que você precisa ir com calma nas próximas semanas, mas não há nenhuma necessidade de você ficar aqui. Você pode se recuperar em casa muito bem. " Eu aceno, meu estômago aperta com uma mistura de medo e antecipação. Casa... em casa na ilha. Esse estranho interlúdio na clínica – tão perto de liberdade, está quase no fim. Amanhã minha vida real começa novamente.

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Pop! Pop! O som explosivo de um escapamento de carro me tira do sono profundo. Meu coração martelando, eu me arrumo até uma posição sentada, em seguida, seguro os pontos no meu lado com um silvo de dor. Pop! Pop! Pop! O som continua, e eu congelo. Nenhum carro faz assim. Estou ouvindo tiros. Tiros e gritos ocasionais. Está escuro, a única luz vem dos monitores ligados a mim. Eu estou na cama no meio do quarto – a primeira coisa que alguém iria ver ao abrir a porta. Ocorre-me que eu poderia muito bem estar sentada lá com um alvo pintado no meio da minha testa. Tentando controlar a minha respiração irregular, eu puxo a IV do meu braço e fico nos meus pés. Ainda dói andar, mas eu ignoro a dor. Estou certa que balas ferem muito mais. Ando descalça em direção à porta, eu a abro um pouquinho e espreito para o corredor. Meu estômago afunda. Não há um único guarda-costas à vista; o corredor à minha frente está completamente vazio. Porcaria. Merda, merda, merda. Lançando um olhar frenético ao redor, eu procuro por um esconderijo, mas o único armário no quarto é muito pequeno para mim. Não há nenhum outro lugar para me esconder. Ficar aqui seria suicida. Eu preciso sair, e eu preciso fazê-lo agora.

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Puxando o vestido do hospital mais apertado em volta de mim, eu cautelosamente saio para o corredor. O piso é frio sob meus pés descalços, acrescentando ao frio gelado dentro de mim. Aqui fora, sinto-me ainda mais exposta e vulnerável, e o desejo de esconder cresce mais forte. Olhando um monte de portas na outra extremidade do corredor, eu escolho uma aleatoriamente, abrindo-a com cuidado. Para meu alívio, não há ninguém lá dentro, e eu entro, fechando a porta silenciosamente atrás de mim. O som de tiros continua em intervalos aleatórios, aproximando-se cada vez mais. Eu vou para o canto atrás da porta e grudo contra a parede, tentando controlar o meu pânico crescente. Eu não tenho nenhuma ideia de quem são os atiradores, mas as possibilidades que me ocorrem não são tranquilizadoras. Julian tem inimigos. E se forem eles lá fora? E se ele está lutando agora ao lado de seus guarda-costas? Imagino-o ferido, morto, com a frieza dentro de mim se espalhando, penetrando profundamente em meus ossos. Por favor, Deus, não. Por favor, nada disso. Eu preferiria morrer do que perdê-lo. Meu corpo inteiro está tremendo, e eu sinto um suor frio deslizando pelas minhas costas. O tiroteio parou, e o silêncio é mais ameaçador do que o ruído ensurdecedor de antes. Eu posso sentir o medo; é afiado e metálico na minha língua, e eu percebo que eu tinha mordido o interior da minha bochecha com força suficiente para tirar sangue. O tempo se move em um arrastar doloroso. Cada minuto parece esticar em uma hora, cada segundo uma eternidade. Finalmente, eu ouço vozes e passos pesados no corredor. Parece que existem vários homens, e eles estão falando em uma língua que eu não entendo – a linguagem soa dura e gutural para meus ouvidos. Eu posso ouvir portas se abrindo, e eu sei que eles estão à procura de algo... ou alguém. Mal ousando respirar, eu tentar fundir-me com a parede, para me tornar tão pequena que seria invisível para os homens armados rondando no corredor. "Onde ela está?" Uma voz dura, exigente e masculina em um Inglês fortemente acentuado. "Ela deveria estar aqui, neste piso."

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"Não, ela não está." A voz que lhe responde é Beth, e eu abafo um suspiro aterrorizado, percebendo que os homens de alguma forma capturaram ela. Ela parece desafiadora, mas eu percebo um tom de medo em sua voz. "Eu disse a você, Julian já a levou embora-" "Não minta para mim," o homem ruge, seu sotaque ficando mais espesso. O som de um tapa é seguido pelo grito de dor de Beth. "Onde diabos ela está?" "Eu não sei", Beth chora histericamente. "Ela se foi, eu lhe disse, foi-" O homem grita algo em sua própria língua, e eu ouço mais portas que se abrem. Eles estão vindo mais perto do quarto onde eu estou me escondendo, e eu sei que é apenas uma questão de tempo antes que eles me encontrem. Eu não sei por que eles estão procurando por mim, mas eu sei que eu sou 'ela'. Eles querem me encontrar, e eles estão dispostos a ferir Beth para fazê-lo. Eu hesito por um momento antes de sair da sala. Do outro lado do corredor, vejo Beth amontoada no chão, o braço sendo segurado com força por um homem vestido de negro. Uma dúzia de homens estão de pé ao redor deles, segurando fuzis e metralhadoras que eles apontam para mim assim que eu saio. "Vocês estão procurando por mim?", pergunto calmamente. Eu nunca tive mais medo na minha vida, mas minha voz sai constante, quase divertida. Eu não sabia que era possível ficar anestesiada com o medo, mas é assim que me sinto agora, com tanto medo que eu realmente não sinto mais medo. Minha mente está estranhamente clara, e eu registo várias coisas ao mesmo tempo. Os homens parecem do Oriente Médio, com sua pele em tons de verde-oliva e cabelo escuro. Enquanto alguns deles estão bem barbeados, a maioria parece ter barbas pretas grossas. Pelo menos dois deles estão feridos e sangrando. E mesmo com todas as suas armas, eles parecem bastante ansiosos, como se eles estivessem esperando para serem atacados a qualquer momento. O homem segurando Beth late fora outra ordem numa língua que eu agora percebo que é árabe, e eu reconheço a sua voz como pertencente ao homem que tinha falado em Inglês. Ele parece ser o seu líder. Ao seu

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comando, dois dos homens andam até mim e agarram meus braços, arrastando-me para ele. Eu procuro não tropeçar, embora meus pontos doam com uma ferocidade renovada. "Essa é ela?", Ele sibila para Beth, sacudindo-a com força. "É essa a putinha de Julian?" "Esse seria eu," eu digo a ele antes de Beth possa responder. Minha voz ainda é estranhamente calma. Eu não acho que isso me atingiu totalmente, no entanto, o perigo em que estou. Tudo que eu quero fazer agora é impedi-lo de ferir Beth. Ao mesmo tempo, na parte de trás da minha mente eu estou processando o fato de que eles me querem porque eu sou amante de Julian. Isso só poderia significar uma coisa: Julian está vivo e que eles querem me usar contra ele. Eu solto um tremor de alívio com o pensamento. O líder olha para mim, aparentemente surpreendido pela minha coragem atípica. Deixando Beth, ele vem até mim, agarrando meu queixo com os dedos duros, cruéis. Inclinando-se, ele me estuda, seus olhos escuros brilhando friamente. Ele é pequeno para um homem, apenas cerca de 1,70, no máximo, e seu hálito passa sobre o meu rosto, trazendo consigo o odor fétido de alho e tabaco velho. Eu luto contra o desejo de morde-lo, mantendo o olhar desafiadoramente no seu. Depois de alguns segundos, ele me solta e diz algo em árabe para suas tropas. Dois dos homens se apressam e pegam Beth novamente. Ela grita e começa a combatê-los, e um deles golpeia ela, atordoando-a em silêncio. Ao mesmo tempo, a mão do líder fecha em volta do meu braço, apertando-o dolorosamente. "Vamos", diz ele bruscamente, e eu me deixo ser levada para a porta no final do corredor. A porta se abre para uma escada, e eu percebo que estamos no segundo andar. Os pistoleiros formam um círculo em volta de mim, o líder, e Beth, e todos nós descemos as escadas e passamos através de uma porta que leva a uma área aberta de terra batida para fora. Passamos o cadáver de um homem na escada, e há vários outros deitados fora. Eu desvio os olhos, engolindo convulsivamente para impedir a bile de subir na minha garganta. O sol está brilhante, e o ar é quente e úmido, mas eu mal posso sentir o calor na minha pele congelada. A realidade da minha situação está

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começando a afundar, e eu começo a tremer, pequenos tremores forçando meu corpo. Existem várias SUVs pretas esperando por nós, e os homens me arrastam e Beth a um deles, forçando-nos no banco de trás. Dois deles sobem com a gente, nos forçando a se amontoar. Eu posso sentir Beth tremendo, e eu chego mais perto para apertar sua mão fria com a minha própria, pelo conforto do toque humano. Ela olha para mim, e o terror em seus olhos gelam meu sangue. Seu rosto sardento está pálido, e sua bochecha direita está inchada, com um hematoma enorme começando a se formar lá. Seu lábio inferior está dividido em dois lugares, e há uma mancha de sangue em seu queixo. Quem quer que esses homens sejam, eles não têm escrúpulos em ferir as mulheres. Eu quero desesperadamente perguntar o que ela sabe, mas eu fico quieta. Eu não quero chamar mais atenção para nós mesmas do que o necessário. Minha mente fica tendo flashes back dos cadáveres que tínhamos acabado de passar, e luto contra a vontade de vomitar. Eu não sei o que essas pessoas pretendem fazer conosco, mas eu suspeito fortemente que nossas chances de sair vivas são mínimas. Cada minuto que sobrevivemos, cada minuto que eles nos deixem em paz, é precioso, e nós precisamos fazer o que for preciso para estender esses minutos por tanto tempo quanto possível. O carro arranca e se afasta. Ainda segurando a mão de Beth, eu olho para fora da janela, vendo o prédio branco da clínica desaparecendo atrás de nós. A estrada em que estamos não é pavimentada e é irregular, a atmosfera no carro é tensa. Os dois homens no banco de trás com a gente estão segurando suas armas firmemente, e eu tenho novamente a sensação de que eles estão com medo de alguma coisa... ou alguém. Pergunto-me se é Julian. Será que ele sabe o que aconteceu? Ele está agora mesmo em seu caminho para a clínica? Eu olho para fora da janela, com os olhos secos queimando. Não era para ser assim. Eu deveria estar indo de volta para a ilha hoje, de volta à vida plácida que tive no ano passado. É uma vida que eu desejo agora com uma intensidade desesperada. Quero deitar nos braços de Julian, para sentir o seu toque e sentir o cheiro quente, limpo de sua pele. Eu quero que ele me possua e me proteja, para me manter a salvo de tudo e todos, exceto de si mesmo.

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Mas ele não está aqui. Em vez disso o carro está batendo ao longo da estrada, levando-nos mais e mais longe da segurança. É quente no interior, e eu posso sentir o cheiro picante de suor nos corpos masculinos sujos; ele permeia o carro, fazendo-me sentir como se eu estivesse sufocando. Beth parece estar em estado de choque, com o rosto branco e retraído. Eu quero abraçá-la, mas estamos pressionadas muito juntas, então eu apenas aperto delicadamente sua mão. Seus dedos estão moles e pegajosos na minha mão. O caminho parece durar para sempre, mas deve ser apenas cerca de uma hora, porque o sol ainda não está todo no céu quando chegamos ao nosso destino. É uma pista de pouso no meio do nada, e há um avião de tamanho considerável pousado lá. Parece vagamente militar para mim. Os homens nos forçam a sair do carro e arrastam-nos em direção ao avião. Eu faço o meu melhor para andar, onde eles estão me levando, não querendo abrir meus pontos. Beth não luta também, embora ela pareça muito chocada para andar em linha reta, forçando-os a levá-la praticamente. No interior, o avião está longe de ser luxuoso. Como eu suspeitava, o interior do avião tem estilo militar, com bancos ao longo das paredes, em vez de dispostos em fileiras. É o tipo de avião que eu já vi em filmes, geralmente com fuzileiros navais saltando fora dele, com paraquedas. Os homens jogam Beth e eu em dois dos bancos e algemam nossas mãos antes de sentarem-se. Os motores ligam, o avião começa a andar, e então nós estamos no ar, o sol brilhando nos meus olhos.

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No momento em que aterrissamos um par de horas mais tarde, eu estou morrendo de sede e preciso, desesperadamente, fazer xixi. Esgueirando um olhar para Beth, vejo que ela está em pior estado, com os olhos vidrados e olhar febril. O inchaço em seu rosto se transformou em uma contusão feia, e seus lábios estão com uma crosta de sangue. Com minhas mãos algemadas juntas, eu não posso nem chegar mais perto para dar-lhe um tapinha reconfortante no braço. Assim que o avião toca o solo, eles nos soltam e nos arrastam para fora do avião com as nossas mãos ainda algemadas na nossa frente. O líder se aproxima de nós, dando-nos uma rápida olhada antes de apontar para um SUV preto estacionado a alguns metros de distância. Ele cospe alguma ordem a seus homens, e eu entendo que ele quer dizer que a nossa jornada está prestes a continuar. Antes que eles possam nos forçar para dentro do veículo, no entanto, eu falo. "Hey," eu digo baixinho, "Eu tenho que usar o banheiro." Beth me pisca um olhar de pânico, mas eu a ignoro, concentrando minha atenção no líder. Eu tenho certeza que eu preferiria morrer do que mijar nas calças, ou no meu vestido do hospital, no caso. Ele hesita por um segundo, olhando para mim, em seguida, aponta o dedo em direção aos arbustos. "Vai, cadela", diz ele duramente. "Você tem um minuto." Eu me arrasto em direção aos arbustos, ignorando o homem com uma metralhadora que me segue até lá. Felizmente, ele desvia o olhar

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quando eu levanto meu vestido e agacho para me aliviar, meu rosto flamejante de vergonha. Com o canto do meu olho, eu vejo Beth seguindo o meu exemplo a uns metros de distância. Uma vez que nós duas acabamos, nós entramos em um outro carro quente, abafado. Desta vez, o passeio é ainda mais longo, a estrada sinuosa parece estar em algum tipo de selva. No momento em que chegamos a um medíocre armazém – como nosso destino final, estou encharcada de suor e desidratada. Eu estou com fome também, mas essa necessidade é secundária para a sede que está me consumindo no momento. Quando entramos no edifício, somos levados para duas cadeiras de metal em pé no canto. Minhas algemas são desbloqueadas, mas antes de eu ter a chance de me alegrar, o mesmo homem que me aguardou nos arbustos coloca meus pulsos juntos nas minhas costas. Em seguida, ele amarra meus tornozelos na cadeira, um em cada perna, antes de envolver uma corda em todo o meu corpo para me prender à cadeira. Seu toque na minha pele é indiferente e impessoal; Eu sou apenas uma coisa para ele, não uma mulher. Virando a cabeça para o lado, vejo que a mesma coisa é feita com Beth, exceto que seu manipulador parece apreciar causar-lhe dor, puxando as pernas mais ou menos distante para amarrá-las na cadeira. Ela não faz um som, mas seu rosto fica ainda mais pálido e seus lábios rachados tremem ligeiramente. Eu vejo tudo isso com uma raiva inútil, em seguida, viro, uma vez que, o homem me deixa sozinha, concentrando minha atenção em nossos arredores. Parece que minha impressão inicial estava correta. Estamos dentro de algum armazém, com caixas altas e prateleiras de metal que formam um labirinto no meio. Agora que estamos unidas de forma segura nas cadeiras, os homens nos deixam em paz, se reunindo em torno de uma longa mesa no outro canto. Beth e eu finalmente temos um pouco de privacidade para conversar. "Você está bem?" Eu pergunto a ela, tomando cuidado para manter minha voz baixa. " eles te machucaram? Antes de eu sair, eu quero dizer..."

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Ela balança a cabeça, e aperta a boca. "Apenas me deram uns tapas ", diz ela calmamente. "Não é nada. Você não deveria ter saído, Nora. Isso foi estúpido." "Eles teriam me encontrado de qualquer maneira. Era apenas uma questão de tempo." Eu estou convencida disso. "Você sabe quem são ou o que eles querem de nós?" "Eu não tenho certeza, mas posso adivinhar", diz ela, as mãos apertando firmemente em seu colo. "Eu acho que eles são parte do grupo terrorista jihadista sobre quem Julian me contou um par de meses atrás. Aparentemente, eles estão chateados que ele não irá vender alguma arma que sua empresa desenvolveu recentemente." "Por que não?", pergunto, curiosa. "Por que ele não iria vender a eles?" Ela encolhe os ombros. "Eu não sei. Julian é muito seletivo quando se trata de seus parceiros de negócios, e pode ser que ele simplesmente não confie neles o suficiente." "Então, eles nos levaram como moeda de troca?" "Sim, acho que sim", ela diz baixinho. "Pelo menos, é por isso que você está aqui. Alguém na clínica devia estar a seu serviço, porque eles sabiam quem você era e o que significava para Julian. Eu fui dormir em um dos quartos no andar de baixo quando me encontraram, e eles imediatamente subiram para o segundo andar, no quarto onde estávamos hospedados. Eu acho que eles pretendem usá-la para forçar Julian a dar essa arma." Puxo uma respiração instável. "Entendo." Eu posso imaginar como homens psicóticos o suficiente para matar civis inocentes iriam "forçar Julian." Imagens horríveis de partes do corpo decepadas dançam na minha mente, e eu as afasto com esforço, não querendo ceder ao pânico que ameaça me engolir toda. "Sorte que Julian não estava na clínica quando eles chegaram," Beth disse, interrompendo meus pensamentos escuros. "Eles mataram todos, todos os dezesseis homens de Julian que estavam ali estacionados nos protegendo." Eu engulo em seco. "Dezesseis homens?"

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Beth concorda. "Eles tinham um poder de fogo insano, e eles vieram com uns bons trinta ou quarenta homens próprios. Você não viu o pior de tudo, porque eles entraram pela parte de trás. Havia corpos empilhados na outra escadaria, com muitas das vítimas vindas do seu lado". Encaro ela, tentando controlar minha respiração. Porcaria. Merda, merda, merda. Para eles sacrificar muitos de seus companheiros, o que eles querem de Julian deve ser um inferno de uma arma. Será que ele vai dar a eles para nos salvar? Será que ele gosta de mim e de Beth o suficiente? Eu sei que ele me quer e está preocupado com o meu bem-estar, em algum nível, mas eu não tenho ideia se ele iria me colocar à frente dos seus interesses comerciais. Claro que, mesmo se ele lhe der o que eles querem, não há nenhuma garantia de que eles vão nos deixar viver. Lembro-me do que Julian me contou sobre a morte de Maria... sobre como ela foi morta para puni-lo por algum ataque. No mundo de Julian, as ações têm consequências. Consequências muito brutais. "Você acha que ele vai vir por nós?", pergunto a Beth calmamente. A ironia de tudo isso não me escapa. Eu agora considero Julian como meu potencial salvador, meu cavaleiro de armadura brilhante. Ele não é mais de quem eu preciso ser resgatada. Ela olha para mim, os olhos escuros no rosto pálido. "Ele vai", ela responde suavemente. "Ele virá para nós. Eu só não sei se isso vai importar para nós até lá. "

O próximo par de horas se arrastam. Os homens nos ignoram, em grande parte, embora eu tenha visto um par deles olhando para minhas pernas nuas quando seu líder não estava prestando atenção. Felizmente, o vestido do hospital é geralmente disforme e feito de material grosso – a roupa menos sexy que eu posso imaginar. O pensamento de um ou de vários deles me tocando me dá arrepios. Eles também não nos dão nada para comer ou beber. Isso não é um bom sinal; isso significa que eles não se importam se vivemos ou morremos.

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Minha sede está ficando tão ruim que tudo o que posso pensar é água, e há uma sensação de vazio no estômago. O pior de tudo, porém, é o medo frio que vem para mim em ondas e as imagens escuras que cintilam em minha mente como um filme de terror ruim. Eu tento falar com Beth para me impedir de pirar, mas depois da nossa conversa inicial, ela se tornou calma e retraída, respondendo por monossílabos no melhor dos casos. É como se mentalmente, ela não estivesse mesmo lá. A invejo. Eu gostaria de ser capaz de escapar assim, mas eu não posso. Para minha mente deixar ir, eu preciso de Julian e sua forma particular de tortura erótica. Quando estou quase pronta para gritar de frustração, mais dois homens entram no armazém. Para minha surpresa, um deles se parece com um homem de negócios; seu terno risca de giz é preciso e sob medida, e uma sacola Strotter elegante estilo mensageiro atravessa seu corpo. Ele também é relativamente jovem, provavelmente na casa dos trinta, e parece estar em boa forma. Bem barbeado, com pele morena e cabelo escuro brilhante, ele poderia ter estado na capa da GQ – se não fosse pelo fato de que ele é provavelmente um terrorista. Ele troca algumas palavras com os homens do outro lado do armazém, em seguida, dirige-se a Beth e eu. Conforme ele se aproxima de nós, eu noto o brilho frio em seus olhos e o modo como suas narinas abrem ligeiramente. Há algo vagamente reptiliano em seu olhar fixo, e eu sinto um arrepio quando ele para uns metros de distância e me estuda, a cabeça inclinada para o lado. Eu olho para ele, meu coração batendo fortemente em meu peito. Objetivamente, ele poderia ser considerado bonito, mas eu não sinto a menor atração. A única coisa que eu sinto é medo. É realmente um alívio; uma parte de mim sempre me perguntava se eu estava simplesmente doente, destinada a sentir desejo por homens que me assustam. Agora eu vejo que é um fenômeno específico entre Julian e eu. Tenho medo e repulsa pelo criminoso na minha frente, uma reação perfeitamente normal que eu abraçaria. "Há quanto tempo você conhece Esguerra?" Pergunta o homem, dirigindo-se a mim. Ele tem um sotaque britânico, misturado com uma

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pitada de algo estranho e exótico. Ao som de sua voz, Beth olha para cima, assustada, e vejo que ela está de volta com a gente no momento. Eu hesito por um segundo antes de responder. "Cerca de 15 meses," eu finalmente digo. Eu não vejo mal em revelar muito. Ele levanta as sobrancelhas. "E ele a manteve escondida esse tempo todo? Impressionante..." Eu sinto uma súbita vontade de rir silenciosamente. Julian literalmente me manteve escondida em sua ilha, por isso, esse cara está mais certo do que ele imagina. Meus lábios se contraem involuntariamente, e eu vejo um lampejo de surpresa cruzar o rosto do homem. "Bem, você é uma puta corajosa, não é?", diz ele devagar, me observando com seu olhar escuro. "Ou você acha que isto é tudo uma piada?" Eu não disse nada em resposta. O que posso dizer? Não, eu não acho que isso é uma piada. Eu sei que você vai me torturar e provavelmente me matar para se vingar de Julian. De alguma forma, isso não está certo. Seus olhos estreitam, e eu percebo que de alguma forma consegui irrita-lo. Ele se parece com uma cobra prestes a atacar. Meu coração acelera, e eu fico tensa, me preparando para um golpe, mas ele simplesmente pega sua bolsa Strotter e a abre para revelar o seu iPad. Olhando para baixo, ele rapidamente digita algum e-mail, em seguida, olha para mim. "Vamos ver se Esguerra acha que é uma piada", diz ele em voz baixa, fechando a bolsa. "Para o seu bem, menina, espero que não seja o caso." Então ele se vira e vai embora, voltando para onde os outros homens estão reunidos.

Apesar do meu terror e desconforto, eu de alguma forma consigo adormecer na cadeira. Meu corpo ainda está se recuperando da operação, e estou fisicamente e emocionalmente exausta com os acontecimentos do dia anterior.

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Eu acordo ao som de vozes. O cara de terno e o baixo que eu tinha considerado como o líder estão em pé na minha frente, montando o que parece uma grande câmera em um tripé alto. Eu engulo, olhando para eles. Minha boca está tão seca como o deserto do Saara, e apesar de todo o tempo que passou, eu não tenho a menor vontade de fazer xixi. Eu suponho que significa que eu estou desidratada. Vendo que eu estou acordada, o Terno – eu decidir chamá-lo assim na minha mente – dá um sorriso de lábios finos. "É hora do show. Vamos ver o quanto Esguerra quer sua putinha de volta." Náuseas agitam o meu estômago vazio, e eu viro minha cabeça para olhar para Beth. Ela está olhando para a frente, seu rosto branco e seu olhar vago. Eu não sei se ela dormiu, mas ela parece ainda mais fora de si do que antes. Eles apontam a câmara para nós, verificando o ângulo um par de vezes, e então o Terno vem para ficar ao meu lado. Assim que a luz da câmera acende, ele coloca a mão na minha cabeça, asperamente acariciando meu cabelo emaranhado. "Você sabe o que eu quero, Esguerra", diz ele calmamente, olhando para a câmera. "Você tem até amanhã à meianoite para obtê-lo para mim. Faça isso, e sua vagabunda permanecerá ilesa. Vou até dá-la de volta para você. Se não, bem... você vai recuperá-la de qualquer maneira." Ele faz uma pausa, sorrindo cruelmente. "Pouco a pouco." Eu fico olhando para a câmera, a bile subindo na minha garganta. Eu não fui machucada – ainda – mas posso sentir a violência nesses homens. É a mesma escuridão que mancha a alma de Julian. Homens como estes são diferentes. Eles não respeitam o contrato social. Eles não jogam pelas mesmas regras que os outros. A mão do Terno deixa meu cabelo, e ele dá um passo em direção a Beth. "Você pode estar duvidando de mim, Esguerra", diz ele, ainda falando para a câmera. "Você pode estar pensando que me falta vontade. Bem, deixe-me fazer uma pequena demonstração do que vai acontecer com sua puta se eu não conseguir o que quero. Vamos começar com a ruiva e passar para aquela-", ele acena com a cabeça em minha direção, "-amanhã depois da meia-noite ".

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"Não!" Eu grito, percebendo o que ele pretende fazer. “Não toque nela!" Eu me esforço para me libertar, mas as cordas estão me segurando com muita força. Não há nada que eu possa fazer a não ser assistir, impotente, ele envolver a mão no pescoço de Beth e começar a apertar. "Não a toque, porra! Julian vai matá-lo por isso! Ele vai fodidamente matar você". Ignorando meus gritos, o Terno late uma ordem em árabe, e um homem caminha adiante, cortando as cordas de Beth com uma faca afiada. Eu tenho um vislumbre de seus olhos aterrorizados, e então eles a jogam no chão, de bruços. O Terno pressiona o joelho contra as costas dela e puxa seu cabelo, forçando a cabeça para trás. Eu posso ver as pernas tamborilando inutilmente contra o chão, e meus gritos ficam mais altos quando Terno tira uma faca curta, fina e começa a cortar o rosto de Beth. Ela grita, lutando, e eu posso ver o sangue espalhando em todos os lugares que ele corta abrindo seu rosto, deixando para trás um corte sangrento profundo. Eu sinto ânsia, meu estômago revirando, longe de ficar bem. A outra face da Beth é a próxima, e então ele pressiona a faca em seu braço, cortando uma tira de carne. Seus gritos agonizantes ecoam em todo o armazém, acompanhado por meus próprios gritos histéricos. Eu sinto sua dor como se fosse minha própria, e eu não posso suportar isso. "Deixe-a em paz!", eu grito. "Seu filho da puta! Deixe- a em paz!" Ele não o faz, é claro. Ele continua cortando ela, seus olhos escuros brilhando de emoção. Ele está gostando disso, percebo com horror crescente; ele não está fazendo isso apenas para a câmera. A luta de Beth fica mais fraca, seus gritos transformando-se em gemidos soluçando. Há sangue por toda parte; Beth está praticamente se afogando nele. Eu não sei como ela é capaz de permanecer consciente com isso. Os pontos pretos nadam na frente da minha visão, e eu sinto que as paredes estão se fechando em mim, meu peito apertando meus pulmões me impedindo de respirar. De repente, o corpo de Beth estremece, e ela deixa escapar um murmúrio estranho, antes de cair em silêncio. Tudo o que posso ouvir agora é o som da minha própria respiração e do meu soluço forte. Beth está deitada imóvel, uma piscina de sangue espalhada próxima a área de seu pescoço. O terno levanta-se, limpando a faca em suas calças, e enfrenta a

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câmara. "Isso foi um show apressado para você, Esguerra", diz ele, sorrindo amplamente. "Eu não queria arrastá-lo muito para fora, já que eu sei que você vai precisar de um tempo para o que eu pedi. É claro que, se eu não o receber, o próximo show durará muito, muito mais tempo. "Dando um passo em minha direção, ele corre um dedo sangrento no meu rosto. "Sua putinha é tão bonita, eu poderia até mesmo deixar meus homens brincarem com ela antes de começar..." Desta vez eu não consigo me controlar. Vômito quente corre para minha garganta, e eu mal consigo virar a cabeça para o lado antes do conteúdo do meu estômago vazio vir em uma série de suspiros violentos.

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Depois que a câmera é desligada, eles me deixam em paz novamente. O corpo de Beth é arrastado, e o piso é descuidadamente limpo, deixando para trás várias faixas marrom-avermelhadas. Eu fico olhando para elas, meu pensamento lento e vagaroso, como se eu estivesse em um estado de estupor. Eu já não estou tremendo, embora um tremor ocasional ainda dilacere meu corpo. Meus pontos doem devidamente, e me pergunto se eu rasguei qualquer um deles durante as minhas lutas anteriores. Eu não vejo nenhum sangue escorrendo pelo meu vestido do hospital, então talvez eu não o fiz. Um pouco mais tarde, eles me trazem um pouco de água. Eu avidamente engulo o copo inteiro, fazendo com que alguns dos homens riam e digam algo em árabe, enquanto esfregam as virilhas sugestivamente. Eu quase acho que eles estão esperando que Julian não venha, por isso começam a "brincar" comigo antes do Terno ir trabalhar. Por enquanto, porém, eles felizmente me deixam sozinha. Sou até mesmo autorizada a ir para fora por um minuto para usar o banheiro, e o mesmo cara de antes – o impassível – toma conta de mim enquanto eu vou para o mato. Acho que ele é agora meu companheiro oficial de banheiro, e eu mentalmente começo a chamá-lo de WC Guy5.

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WC Guy = cara do banheiro


Eu nomeio alguns dos outros também. Aquele com a barba preta até o meio do peito – eu o chamo de Blackbeard 6 . Aquele com a calvície é Baldie7. O cara baixinho que liderou o ataque sobre a clínica, ele é o Bafo de alho. Eu faço isso para me distrair dos pensamentos sobre Beth. Não posso me permitir pensar nela ainda, não se eu quiser permanecer sã. Se eu sair dessa viva, então eu vou chorar pela mulher que se tornou minha amiga. Se eu sobreviver, então eu vou me permitir chorar e lamentar, a raiva na violência sem sentido de sua morte. Mas agora, eu só posso sobreviver momento a momento, concentrando-me nas coisas mais ridículas, mais inconsequentes para me impedir de ser esmagada sob o peso da realidade brutal. O Tempo se arrasta lentamente. Quando a escuridão desce, eu olho para o chão, as paredes, o teto. Eu acho que até mesmo cochilei um par de vezes, embora eu pule acordada ao menor sinal de qualquer som, com meu coração acelerado. Eles ainda não me alimentaram, e a dor da fome no meu estômago está me corroendo. Não importa, porém. Eu sou apenas grata por ainda estar viva, um estado que eu sei não vai continuar por muito tempo, a menos que Julian venha com a arma. Fechando os olhos, eu tento fingir que estou em casa, na ilha, lendo um livro na praia. Tento imaginar que a qualquer momento, eu posso voltar para a casa e encontrar Beth lá, preparando o jantar para nós. Eu tento me convencer de que Julian está simplesmente afastado em uma de suas viagens de negócios e eu vou vê-lo novamente em breve. Imagino seu sorriso, a forma dos cachos de cabelo escuro em torno de seu rosto, emoldurando a perfeição masculina dura de suas feições, e eu sinto dor por ele, pelo o calor e a segurança de seu abraço forte, assim como a minha mente voa gradualmente em direção a um sono inquieto.

Uma mão grande cobre firmemente a minha boca, me acordando. Meus olhos se abrem, adrenalina surgindo através de minhas veias. ______________________________ 6

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Blackbeard = barba preta 7 Baldie = careca


Aterrorizada, eu começo a lutar... e então eu ouço uma voz familiar sussurrando em meu ouvido, "Shh, Nora. Sou eu. Eu preciso que você fique quieta agora, ok?" Concordo com a cabeça devagar, meu corpo tremendo de alívio, e a mão deixa a minha boca. Virando a cabeça, eu olho para Julian, incrédula. Agachando-se ao meu lado, ele está todo vestido de preto. Um colete à prova de balas está cobrindo o peito e ombros, e seu rosto está pintado com listras diagonais pretas. Há uma metralhadora pendurada em seu ombro, e toda uma série de armas presa ao cinto. Ele se parece com um estranho mortal. Apenas seus olhos são familiares, surpreendentemente brilhantes no seu rosto escurecido pela pintura. Por um segundo, eu estou convencida de que estou sonhando. Ele não pode estar aqui, neste armazém no meio do nada, falando comigo. Não quando seus inimigos estão a metros de distância. Meu coração bate acelerado, lanço um olhar frenético em torno do armazém. Os homens no outro canto parecem estar dormindo, estendidos sobre cobertores no chão. Eu conto oito deles, o que significa que vários deles estão provavelmente fora, guardando o edifício. Eu não vejo o Terno em qualquer lugar; ele também deve estar lá fora. Voltando minha atenção para Julian, eu o vejo cortando as cordas dos meus tornozelos com uma faca. "Como você entrou aqui?" Eu sussurro, olhando para ele com espanto atordoada. Ele faz uma pausa por um segundo, olhando para mim. "Fique quieta", diz ele, suas palavras quase inaudíveis. "Eu preciso te tirar antes deles acordarem." Concordo com a cabeça, ficando em silêncio enquanto ele volta a cortar as minhas cordas. Apesar da nossa situação perigosa, estou quase tonta de alegria. Julian está aqui, comigo. Ele veio para mim. A onda de amor e gratidão é tão forte, que eu mal posso contê-la. Eu quero saltar para cima e abraçá-lo, mas eu ainda permaneço parada enquanto ele termina a sua tarefa, me livrar das cordas restantes. Assim que eu estou livre, ele me puxa em pé e envolve seus braços em volta de mim, segurando-me firmemente contra ele. Eu posso sentir o tremor fino em seu corpo poderoso, e então ele me libera, dando metade de

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um passo para trás. Emoldurando o rosto com as palmas das mãos, ele olha para mim, seu olhar azul duro e ferozmente possessivo. Um momento de comunicação sem palavras passa entre nós, e eu sei. Eu sei o que ele não pode dizer agora. Eu sei que ele sempre virá para mim. Eu sei que ele mataria por mim. Eu sei que ele morreria por mim. Abaixando os braços, ele pega a minha mão. "Vamos", diz ele em voz baixa, ainda olhando para mim. "Nós não temos muito tempo." Seguro sua mão com força, deixando que ele me leve para a área escura perto da parede no lado oposto de onde os homens estão dormindo. O labirinto de prateleiras e caixas no meio do armazém nos esconde rapidamente de vista, e Julian para por aí, agachando-se novamente e soltando minha palma. Ouço um som desastrado, conforme sua mão está procurando por algo ao longo do chão, e então há um rangido quieto quando ele levanta uma placa do chão e a coloca para o lado. No chão em frente a nós há um quadrado grande aberto. Ajoelho-me ao lado dele, olhando para a escuridão abaixo. "Desça", Julian sussurra em meu ouvido, colocando a mão no meu joelho e apertando-o levemente. O toque familiar me acalma um pouco. "Existe uma escada." Eu engulo, estendendo minha mão para encontrar a tal escada. Como ele sabe disso? "Eu invadi seu computador e encontrei as plantas do edifício", explica ele em voz baixa, como se estivesse lendo minha mente. "Há uma área de armazenamento abaixo que tem um cano de esgoto que conduz para fora. Encontre-o e rasteje por ele." Ele tira a sua mão do meu joelho, e eu me sinto desolada, sem seu toque, o perigo da nossa situação me atinge novamente. Meus dedos tocam em direção a ela. Julian cautelosamente começo circunstâncias normais,

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a escada de metal, e eu agarro, manobrando-me segura meu braço quando eu coloco o meu pé e a descer. É um breu lá embaixo, e em eu estaria hesitante em entrar em um porão


desconhecido, mas não há nada mais assustador para mim agora do que os homens de quem estamos escapando. Eu desço alguns degraus, olho para cima, vendo Julian ainda sentado lá. A expressão em seu rosto está tensa e alerta, como se ele estivesse escutando alguma coisa. E então eu ouço um murmúrio de vozes, seguido de gritos em árabe. Minha ausência foi descoberta. Julian se levanta com um movimento suave e olha para mim, as mãos segurando a metralhadora. "Vá", ele ordena, sua voz baixa e dura. "Agora, Nora. Chegue ao cano de esgoto e saia. Vou mantê-los atrás." "O que? Não! "Eu fico olhando para ele em choque horrorizada. "Venha comigo-" Ele me dá um olhar furioso. "Vá", ele sibila. "Agora, ou nós dois estaremos mortos. Eu não posso me preocupar com você e combatê-los". Eu hesito por um segundo, me sentindo dividida. Eu não quero deixálo para trás, mas eu não quero ficar em seu caminho também. "Eu te amo", eu digo em voz baixa, olhando para ele, e vejo um flash rápido de dentes brancos em resposta. "Vá, baby", diz ele, seu tom muito mais suave agora. "Eu estarei com você em breve." Com meu coração doendo, eu faço como ele diz, desço a escada tão rapidamente como eu posso. Os gritos são cada vez mais altos, e eu sei que os homens estão à procura de mim no armazém, começando com o labirinto no meio. É apenas uma questão de tempo antes que eles cheguem à área escura ao longo desta parede. Meu corpo inteiro está tremendo com uma combinação de nervos e adrenalina, e eu concentro-me em não cair conforme eu desço ainda mais na escuridão. -Rat-tat tat! A rajada de tiros acima de mim assusta, e eu desço ainda mais rápido, minha respiração difícil e irregular. Assim que meus pés tocam o chão, eu estico minhas mãos na minha frente e começo a tatear na escuridão, procurando a parede com o cano de drenagem. Mais tiros. Gritos. Gritos. Meu coração está batendo tão forte, que soa como um tambor em meus ouvidos.

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Algo chia debaixo dos meus pés, e patas minúsculas sobem em meus pés descalços. Eu ignoro, freneticamente procurando por esse cano. Os ratos não são nada para mim agora. Em algum lugar lá em cima, Julian está em perigo mortal. Eu não sei se ele está por si só ou se ele trouxe reforços, mas o pensamento dele ser ferido ou morto é tão angustiante que eu não posso me concentrar nele agora. Não se eu quiser sobreviver. Minhas mãos tocam a parede, mas não consigo encontrar uma abertura. Está muito escuro. Ofegante, eu faço o meu caminho ao longo da parede, passando minhas mãos para cima e para baixo na superfície lisa. Meus pontos doem, mas eu mal registro a dor. Eu preciso encontrar uma maneira de sair daqui. Se eles me pegarem de novo, eu não sobreviverei por muito tempo. Outra rajada de tiros, seguida por mais gritos. Eu continuo a procurar, meu terror e frustração crescendo a cada momento. Julian. Julian está lá em cima. Eu tento não pensar sobre isso, mas eu não consigo. Não há nada que eu possa fazer para ajudá-lo; logicamente, eu sei disso. Estou com os pés descalços e vestida com uma bata de hospital, sem nem um garfo para me defender. Enquanto isso, ele está armado até os dentes e usando um colete à prova de balas. É claro, a lógica não tem nada a ver com o medo angustiante que sinto com o pensamento de perdê-lo. Ele vai sobreviver, digo a mim mesma enquanto eu continuo procurando o cano de esgoto. Julian sabe o que está fazendo. Este é o seu mundo, a sua área de atuação. Essa é a parte da sua vida de que ele estava me protegendo na ilha. Minhas mãos tocam algo duro na parede perto dos joelhos e, em seguida, afundam na abertura. O cano de esgoto. Achei. Há um outro grito estridente, e algo se arrasta para fora do cano em direção a mim. Eu salto para trás, assustada, mas depois eu fico de quatro e determinada rastejo dentro, preparando-me para mais potenciais encontros de roedores. O cano é grande o suficiente para que eu possa estar em minhas mãos e joelhos, e eu rastejo tão rápido quanto eu posso, ignorando o cheiro

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rançoso de esgoto e ferrugem. Felizmente, está apenas um pouco molhado lá, e eu tento não pensar sobre o que essa umidade poderia ser. Finalmente, eu alcanço a outra abertura. Comprimindo-me em uma pequena bola, consigo dar a volta e sair primeiro com os pés. Afastando-me do cano, eu olho ao redor. O céu acima de mim está coberto de estrelas, e o ar é grosso com o cheiro de terra quente e vegetação da selva. Eu posso ver o edifício do armazém na pequena colina acima de mim, a menos de cinquenta metros de distância. Eu fico olhando para ele, doente de medo por Julian. Há uma outra rajada de tiros, acompanhada por flashes de luz brilhante. O tiroteio ainda está em andamento – o que é um bom sinal, digo a mim mesma. Se Julian estivesse morto – se os terroristas tivessem ganho – não haveria mais tiroteio. Ele deve ter vindo com reforços apesar de tudo. Passando os braços em volta de mim, eu pressiono as costas contra uma árvore, minhas pernas tremendo da combinação de terror e adrenalina. E nesse momento, o céu se ilumina como a explosão da construção... e uma rajada de ar escaldante quase me faz voar para os arbustos a vários metros de distância.

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As próximas vinte e quatro horas são um borrão na minha memória. Depois de ficar em pé, eu estou tonta e desorientada, minha cabeça latejando e meu corpo doendo com uma enorme contusão. Há um barulho em meus ouvidos, e tudo parece estar vindo para mim como se de uma longa distância. Eu devo ter desmaiado devido à explosão, mas eu não tenho certeza. Até o momento eu me recupero o suficiente para andar, o fogo que consome o edifício está quase no fim. Atordoada, eu tropeço até a colina e começo a procurar por entre as ruínas fumegantes do armazém. Ocasionalmente, eu encontro algo que parece com um membro carbonizado, e um par de vezes, me deparo com um corpo que está quase inteiro, com apenas uma cabeça ou uma perna faltando. Eu registro esses resultados em algum nível, mas eu não os processo totalmente. Sinto-me estranhamente distante, como se eu realmente não estivesse lá. Nada me toca. Nada me incomoda. Mesmo as sensações físicas estão entorpecidas pelo choque. Eu o procuro por horas. No momento em que eu paro, o sol está alto no céu, e eu estou pingando de suor. Eu não tenho escolha, mas enfrentar a verdade agora. Não há sobreviventes. É simples assim.

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Eu deveria chorar. Eu deveria gritar. Eu deveria sentir alguma coisa. Mas não. Eu me sinto entorpecida. Saindo do armazém, eu começo a caminhar. Eu não sei para onde vou, e eu não me importo. Tudo o que eu sou capaz de fazer é colocar um pé na frente do outro. No momento em que começa a ficar escuro, me deparo com um aglomerado de pequenas casas feitas de postes de madeira e papelão. Há um riacho raso correndo pelo meio do assentamento, e vejo um casal de mulheres lavando roupa na mão. Seus rostos chocados são a última coisa que me lembro antes de eu entrar em colapso alguns metros longe delas.

"Senhorita Leston, você sente-se bem para responder a algumas perguntas para mim? Sou o agente Wilson, do FBI, e este é o Agente Bosovsky. " Eu olho para o homem de meia-idade gordo de pé ao lado da minha cama. Ele não é nada como eu imaginava os agentes do FBI fossem. Seu rosto é redondo, com aparência quase angelical, com bochechas rosadas e olhos azuis dançantes. Se Agent Wilson usasse um chapéu vermelho e tivesse uma barba branca, ele seria um grande Papai Noel. Em contraste, seu parceiro – agente Bosovsky – é dolorosamente magro, com linhas de expressão profundas gravadas em seu rosto estreito. Nos últimos dois dias, fiquei me recuperando em um hospital em Bangkok. Aparentemente, uma das mulheres no riacho tinha notificado as autoridades locais sobre a menina que apareceu na sua aldeia. Lembro-me vagamente delas me questionando, mas eu duvido que eu fazia qualquer sentido quando falei com elas. No entanto, elas entenderam o suficiente para entrar em contato com a embaixada americana em meu nome, e as autoridades norte-americanas me tiraram de lá.

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"Seus pais estão a caminho," Agente Bosovsky diz quando eu continuo a olhar para eles sem dizer uma palavra. "Seu vôo aterrissa em poucas horas." Eu pisco, suas palavras de alguma forma penetram a camada de gelo que tem me mantido isolada de todos e de tudo desde a explosão. "Meus pais?" Eu coaxo, minha garganta sentindo-se estranhamente inchada. O agente magro assente. "Sim, senhorita Leston. Eles foram notificados ontem, e nós os colocamos no primeiro vôo para Bangkok. Eles queriam falar com você, mas você estava sedada naquele momento". Eu processo essa informação. Os médicos já me informaram que eu tenho uma concussão leve, juntamente com queimaduras de primeiro grau e lacerações nos meus pés. Fora isso, eles ficaram impressionados com a minha boa saúde – desidratação geral, cirurgia recente, e várias contusões, no entanto. Ainda assim, eles devem ter me sedado para me deixar descansar. "Você acha que poderia responder a algumas perguntas antes de seus pais chegarem?" Agente Wilson pergunta gentilmente quando eu continuo a permanecer em silêncio. Eu aceno, quase imperceptivelmente, e ele puxa uma cadeira. Agente Bosovsky faz a mesma coisa. "Senhorita Leston, você foi sequestrada em junho do ano passado," Agent Wilson diz, a expressão em seu rosto redondo quente e compreensiva. "Você pode nos dizer qualquer coisa sobre o seu rapto?" Eu hesito por um momento. Eu quero dizer-lhes qualquer coisa sobre Julian? E então eu me lembro que ele está morto e que nada disso importa. Por um segundo, a agonia é tão nítida, que ela tira o meu fôlego, mas, em seguida, a parede anestesiante do gelo me fecha novamente. "Claro", eu digo uniformemente. "O que você quer saber?" "Você sabe o nome dele?" "Julian Esguerra. Ele é-" Eu engulo em seco, "-ele era um traficante de armas". Os olhos do agente do FBI aumentam. "Um traficante de armas?"

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Eu aceno e digo-lhes o que eu sei sobre a organização de Julian. O Agente Bosovsky rabisca as notas tão rapidamente quanto ele pode, enquanto agente Wilson continua me fazendo perguntas sobre as atividades de Julian e os terroristas que me roubaram dele. Eles parecem desapontados que ele esteja morto e que eu sei tão pouco, e eu explico que eu não saí da ilha desde o meu sequestro. "Ele a manteve lá para todos os quinze meses?" Agente Bosovsky pergunta, as linhas de expressão no rosto fino aprofundando. "Só você e essa mulher, Beth?" "Sim." Os agentes trocam um olhar, e eu olho para eles, sei o que eles estão pensando. Pobre menina, mantida como um animal em uma gaiola para diversão de um criminoso. Uma vez eu me senti assim também, mas não mais. Agora eu faria qualquer coisa para voltar o relógio e voltar a ser prisioneira de Julian. O Agente Wilson se vira para mim e limpa a garganta. "Senhorita Leston, teremos uma conselheira de abuso sexual falar com você esta tarde. Ela é muito boa-". "Não há necessidade", eu interrompo. "Estou bem." E eu estou. Eu não me sinto como uma vítima ou abusada. Eu me sinto entorpecida. Depois de mais algumas perguntas, eles me deixam sozinha. Eu não lhes digo todos os detalhes do meu relacionamento com Julian, mas acho que eles têm a essência dele. O artista do FBI vem me ver em seguida, e eu descrevo Julian para ele. Ele continua me dando olhares engraçados quando eu corrijo sua interpretação de minhas descrições. "Não, as sobrancelhas são um pouco mais grossas, um pouco mais reto... Seu cabelo é um pouco ondulado, sim, como aquele...". Ele tem dificuldade em particular, com a boca de Julian. É difícil descrever a beleza desse seu sorriso escuro, angelical. "Faça o lábio superior um pouco mais cheio... Não, isso é muito cheio deve ser mais sensual, quase bonito...".

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Finalmente, acabamos, e o rosto de Julian me encara a partir da folha de papel branco. Um raio de agonia corre através de mim novamente, mas a dormência vem em meu socorro imediatamente, como fazia antes. "Esse é um belo rapaz," o artista comenta, examinando sua obra. "Você não vê homens assim todos os dias." Minhas mãos apertam com força, minhas unhas cavando minha pele. "Não, você não vê." A próxima pessoa a visitar o meu quarto é a conselheira de abuso sexual que mencionaram para mim antes. Ela é uma morena pouco acima do peso, que parece estar em seus quarenta e tantos anos, mas algo sobre seu olhar direto me lembra Beth. "Sou Diane", diz ela, apresentando-se a mim conforme ela puxa uma cadeira. "Posso chamá-la de Nora?" "Pode", eu digo, cansada. Eu particularmente não quero falar com essa mulher, mas o olhar determinado em seu rosto me diz que ela não tem nenhuma intenção de me deixar até que eu o faça. "Nora, você pode me dizer sobre o seu tempo na ilha?", ela pergunta, olhando para mim. "O que você quer saber?" "O que quer que você se sinta confortável em me dizer." Eu penso sobre isso por um momento. A verdadeira questão é que eu não estou confortável dizendo-lhe qualquer coisa. Como posso descrever a forma como Julian me fez sentir? Como eu posso explicar os altos e baixos da nossa relação pouco ortodoxa? Eu sei o que ela vai pensar que eu estou com besteira na cabeça por amá-lo. Que meus sentimentos não são reais, mas um subproduto do meu cativeiro. E ela provavelmente estaria certa, mas isso não importa para mim. Existe o certo e o errado, e então existe o que Julian e eu tivemos juntos. Nada e ninguém nunca vai ser capaz de preencher o vazio deixado dentro de mim. Nenhuma quantidade de aconselhamento faria a dor de perdê-lo ir embora. Dou a Diane um sorriso educado. "Sinto muito", eu digo em voz baixa. "Eu prefiro não falar com você agora."

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Ela balança a cabeça, nem um pouco surpresa. "Eu entendo. Muitas vezes, como vítimas, nos culpamos pelo que aconteceu. Nós pensamos que fizemos algo para causar essa coisa que aconteceu para nós." "Eu não acho isso", eu digo, franzindo a testa. Ok, talvez o pensamento passou brevemente pela minha mente quando fui levada em primeiro lugar, mas conhecer Julian tinha rapidamente desfeito dessa noção. Ele era um homem que simplesmente tomava o que ele queria, e ele me queria. "Eu entendo", diz ela, parecendo um pouco confusa. Em seguida, a testa limpa conforme ela aparece resolver o mistério em sua mente. "Ele era um homem muito bonito, não era?", ela adivinha, olhando para mim. Eu seguro seu olhar em silêncio, não estando disposta a admitir qualquer coisa. Eu não posso falar sobre meus sentimentos agora, não se eu quiser manter essa distância gelada que me mantém sã. Ela olha para mim por alguns segundos, então se levanta, me entregando o seu cartão. "Se você estiver a qualquer momento pronta para falar, Nora, por favor me ligue", diz ela suavemente. "Você não pode manter tudo engarrafado dentro. Isso acabará por consumir você". "Ok, eu vou ligar," eu interrompo, pegando o cartão e colocando na minha mesa de cabeceira. Eu estou mentindo através dos meus dentes, e tenho certeza que ela sabe disso. Os cantos de sua boca inclinam-se em um leve sorriso, e então ela sai do quarto, finalmente, me deixando sozinha com meus pensamentos.

Para a chegada dos meus pais, eu insisto em levantar e colocar roupas normais. Eu não quero que eles me vejam deitada em uma cama de hospital. Tenho certeza de que já passaram muito tempo se preocupando comigo, e a última coisa que eu quero é adicionar algo à sua ansiedade. Uma das enfermeiras me dá um par de jeans e uma camiseta, e eu com gratidão coloco. Eles me servem bem. A enfermeira é uma mulher tailandesa pequena, e nós somos mais ou menos do mesmo tamanho. É

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estranho usar esse tipo de roupas novamente. Eu tinha ficado tão acostumada a vestidos de verão leves que os jeans parecem excepcionalmente ásperos e pesados contra a minha pele. Eu não coloco qualquer sapato, porém, já que os meus pés ainda têm que curar das queimaduras que eu fiz vagando através dos restos do armazém. Quando meus pais finalmente entram no quarto, eu estou sentada em uma cadeira, esperando por eles. Minha mãe vem em primeiro lugar. Seu rosto enruga assim que ela me vê, e ela corre pelo quarto, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Meu pai está bem atrás dela, e logo ambos estão me abraçando, falando a mil por hora, e soluçando de alegria. Eu sorrio muito, abraçando-os em troca, e faço o meu melhor para assegurar-lhes que estou bem, que todas as minhas lesões são pequenas e não há nada para se preocupar. Eu não choro, no entanto. Eu não posso. Tudo parece monótono e distante, e até mesmo meus pais parecem mais como memórias queridas do que pessoas reais. No entanto, eu faço um esforço para agir normalmente; Eu já lhes causei muito estresse e ansiedade. Depois de algum tempo, eles acalmam o suficiente para sentar e conversar. "Ele contatou vocês, certo?" Eu pergunto, lembrando a promessa de Julian. "Ele disse que eu estava viva?" Meu pai balança a cabeça, o rosto contraindo apertado. "Um par de semanas depois que você desapareceu, tivemos um depósito em nossa conta bancária", diz ele em voz baixa. "Um depósito no valor de um milhão de dólares de uma conta offshore indetectável. Supostamente era uma loteria que vencemos". Minha boca cai aberta. "O quê?" Julian deu dinheiro aos meus pais? "Ao mesmo tempo, recebemos um e-mail," meu pai continua, com a voz trêmula. "O assunto era: “de sua filha com amor". Tinha sua imagem. Você estava deitado em uma praia, lendo um livro. Você parecia tão bonita, tão calma..." Ele engole visivelmente. "O e-mail dizia que você estava bem e que estava com alguém que iria cuidar de você, e que devíamos usar o dinheiro para pagar a hipoteca. Ele também dizia que estaríamos a colocando em perigo se fossemos à polícia com esta informação."

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Eu fico olhando para ele em espanto, tentando imaginar o que devem ter pensado naquele ponto. Um milhão de dólares.... "Nós não sabíamos o que fazer," minha mãe diz, com as mãos ansiosamente torcendo juntas. "Nós pensamos que esta poderia ser uma vantagem útil na investigação, mas, ao mesmo tempo, nós não queríamos fazer nada que comprometesse você, onde quer que estivesse...". "Então o que vocês fizeram?", pergunto fascinada. O FBI não disse nada sobre um milhão de dólares, por isso, os meus pais não poderiam ter falado com eles sobre isso. Ao mesmo tempo, eu não posso imaginar meus pais simplesmente tomando o dinheiro e não me buscando ainda mais. "Nós usamos o dinheiro para contratar uma equipe de investigadores privados", explica o meu pai. "Os melhores que poderíamos encontrar. Eles foram capazes de acompanhar o depósito de uma empresa de fachada nas Ilhas Cayman, mas a trilha morreu ali." Ele faz uma pausa, olhando para mim. "Nós estamos usando esse dinheiro para procurar por você desde então." "O que aconteceu, querida?" Minha mãe pergunta, inclinando-se em sua cadeira. "Quem pegou você? De onde é que esse dinheiro vem? Onde você esteve esse tempo todo?". Eu sorrio e começo a responder às suas perguntas. Ao mesmo tempo, eu os assisto, observando suas características familiares. Meus pais são um casal bonito, ambos saudáveis e em boa forma. Tiveram-me, quando ambos estavam em seus vinte e poucos anos, então eles ainda são relativamente jovens. Meu pai tem apenas alguns traços de cinza no seu cabelo escuro, embora haja mais cinza agora do que eu lembro de ter visto antes. "Então, você realmente estava nadando no oceano e lendo livros na praia?" Minha mãe me olha com descrença quando eu descrevo o meu dia típico na ilha. "Sim." Eu dou-lhe um enorme sorriso. "De certa forma, foi como umas longas férias. E ele realmente cuidou de mim, como ele disse que iria". "Mas por que ele a levou?" Meu pai pergunta frustrado. "Por que ele te roubou?" Eu dou de ombros, não querendo entrar em explicações detalhadas sobre Maria e a extrema possessividade de Julian. "Porque esse é apenas o

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tipo de homem que ele era, eu acho", eu digo casualmente. "Porque ele não poderia realmente me namorar normalmente, dada a sua profissão." "Ele machucou você, querida?" Minha mãe pergunta, seus olhos escuros cheios de simpatia. "Ele era cruel com você?" "Não", eu digo suavemente. "Ele não era cruel para mim." Eu não posso explicar a complexidade do meu relacionamento com Julian aos meus pais, então eu nem sequer tento. Ao invés disso, passo por cima de muitos aspectos do meu cativeiro, focando apenas no positivo. Eu digo a eles sobre minhas primeiras expedições de pesca de manhã com Beth e meu hobby a pintura recém-descoberto. Eu descrevo a beleza da ilha e como eu voltei para a corrida. Até o momento em que eu faço uma pausa para recuperar o fôlego, ambos estão olhando para mim com olhares estranhos em seus rostos. "Nora, querida," minha mãe pergunta incerta ", você... você está apaixonada por esse Julian?". Eu rio, mas o som sai cru e vazio. "Apaixonada? Não, claro que não!" Eu não sei o que lhes deu essa ideia, desde que eu tenho tentado evitar falar sobre Julian. Quanto mais eu penso sobre ele, mais eu sinto como se a parede de gelo em volta de mim pudesse quebrar, deixando a dor me afogar. "Claro que não", meu pai diz, me olhando de perto, e vejo que ele não acredita em mim. De alguma forma os meus pais podem sentir a verdade, que eu estou muito mais traumatizada pelo meu resgate do que pelo meu sequestro.

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Ao longo dos próximos quatro meses, eu tento juntar os pedaços da minha vida. Depois de mais um dia no hospital em Bangkok, eu sou considerada saudável o suficiente para viajar, e eu vou para casa, de volta para Illinois com meus pais. Temos dois acompanhantes do FBI em nossa casa – Agentes Wilson e Bosovsky – que usam o voo de vinte horas para me fazer ainda mais perguntas. Ambos parecem frustrados porque, de acordo com as suas bases de dados, Julian Esguerra simplesmente não existe. "Não há outros pseudônimos que você o ouviu usar?" Agente Bosovsky me pergunta pela terceira vez, após a sua consulta na Interpol de novo, sem nenhum resultado. "Não", eu digo pacientemente. "Eu o conhecia apenas como Julian. Os terroristas o chamaram de Esguerra". A suposição de Beth sobre as identidades dos homens que nos roubaram da clínica de Julian acabou por ser correta. Eles eram de fato parte de uma organização jihadista particularmente perigosa chamado AlQuadar – aquilo era tudo o que o FBI tinha sido capaz de descobrir. "Isso simplesmente não faz sentido", Agent Wilson diz, as bochechas redondas tremendo de frustração. "Qualquer pessoa com esse tipo de influência deveria estar em nosso radar. Se ele era chefe de uma organização ilegal, que fabricava e distribuía armas de ponta, como é

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possível que nenhuma única agência do governo está ciente de sua existência?". Eu não sei o que dizer, então eu simplesmente dou de ombros em resposta. Os investigadores particulares contratados pelos meus pais não tinham sido capazes de descobrir qualquer coisa sobre ele também. Meus pais e eu tínhamos debatido sobre dizer ao FBI sobre o dinheiro de Julian, mas finalmente decidimos contra. Revelar esta informação tão tarde no jogo só iria colocar meus pais em problemas e poderia potencialmente levar o FBI a pensar que eu tinha sido conivente com o rapto de Julian. Afinal, que sequestrador envia dinheiro para a família de sua vítima? No momento em que chego em casa, estou exausta. Estou cansada dos meus pais que pairam sobre mim o tempo todo, e eu estou doente do FBI vir com um milhão de perguntas que não posso responder. Acima de tudo, eu estou cansada de estar perto de tantas pessoas. Após mais de um ano, com contato humano mínimo, eu me sinto oprimida pelas multidões no aeroporto. Eu encontro meu velho quarto na casa dos meus pais praticamente intocado. "Nós sempre acreditamos que você estaria de volta," minha mãe explica, com o rosto brilhando de felicidade. Eu sorrio e dou-lhe um abraço antes de guia-la suavemente para fora do quarto. Mais do que tudo, eu preciso ficar sozinha agora, porque eu não sei quanto tempo eu posso manter a minha fachada 'normal'. Naquela noite, conforme eu tomo um banho no meu banheiro de infância, eu finalmente cedo à minha tristeza e choro.

Duas semanas depois da minha chegada casa, eu saio da casa dos meus pais. Eles tentam me convencer do contrário, mas eu os convenço de que eu preciso disso – que eu tenho que estar sozinha e independente. A verdade da questão é, tanto quanto eu amo meus pais, eu não posso ficar perto deles 24-7. Eu já não sou aquela garota despreocupada que eles se lembram, e acho que é muito difícil fingir ser.

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É muito mais fácil ser eu mesma no pequeno estúdio que eu alugo nas proximidades. Meus pais tentaram me dar o que restou do presente de Julian para eles – meio milhão – mas eu recusei. Da forma como eu vejo, o dinheiro tinha sido para a hipoteca dos meus pais e eu quero que ele seja utilizado para esse fim. Após inúmeras discussões, chegamos a um acordo: eles pagam a maior parte de sua hipoteca e refinanciam o restante, e o restante do dinheiro vai para o meu fundo da faculdade. Embora eu tecnicamente não precise trabalhar por um tempo, eu consigo um emprego de garçonete de qualquer maneira. Isso me deixa fora de casa, mas não é particularmente exigente – que é exatamente o que eu preciso agora. Há noites em que eu não durmo e dias, que sair da cama é uma tortura. O vazio dentro de mim está me esmagando, a dor quase sufocante, e me leva cada pedaço de força para funcionar em um nível semi-normal. Quando eu durmo, tenho pesadelos. Minha mente reproduz a morte de Beth e a explosão do armazém outra vez, até eu acordar encharcada de suor frio. Após esses sonhos, eu fico acordada, sofrendo por Julian, pelo calor e a segurança de seu abraço. Sinto-me perdida sem ele, como um navio sem leme no mar. Sua ausência é uma ferida purulenta que se recusa a curar. Eu sinto falta de Beth, também. Eu sinto falta da atitude dela sem sentido, sua abordagem dos fatos da vida. Se ela estivesse aqui, ela seria a primeira pessoa a me dizer que a merda acontece e que eu deveria apenas lidar com ela. Ela iria querer que eu seguisse em frente. E eu tento..., mas a violência sem sentido de sua morte me consome. Julian tinha razão, eu não conhecia o verdadeiro ódio antes. Eu não sabia como era querer machucar alguém, desejar a sua morte. Agora eu faço. Se eu pudesse voltar no tempo e matar o terrorista que assassinou Beth tão brutalmente, gostaria de fazê-lo num piscar de olhos. Não é o suficiente para mim que ele morreu na explosão. Eu gostaria de ter sido a única a acabar com a sua vida. Meus pais insistem que eu veja uma terapeuta. Para acalmá-los, eu vou algumas vezes. Não ajuda. Eu não estou pronta para abrir o meu coração e alma a um estranho, e as nossas sessões acabam sendo um

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desperdício de tempo e dinheiro. Eu não estou no estado de espírito certo para receber terapia, a minha perda é muito recente, minhas emoções muito cruas. Eu começo a pintar de novo, mas eu não consigo fazer as mesmas paisagens ensolaradas como antes. Minha arte é mais escura agora, mais caótica. Eu pinto a explosão uma e outra vez, tentando tirar isso da minha mente, e cada vez sai um pouco diferente, um pouco mais abstrata. Eu pinto o rosto de Julian, também. Eu faço isso a partir da memória, e me incomoda que eu não consiga capturar a perfeição devastadora de suas características. Não importa o quanto eu tente, não consigo acertar. Todas as minhas amigas estão na faculdade, assim, no primeiro par de semanas, eu só falo com elas pelo telefone e via Skype. Elas não sabem muito bem como agir comigo, e eu não as culpo. Eu tento manter as nossas conversas leves, concentrando-me principalmente sobre o que está acontecendo em suas vidas desde a graduação, mas sei que elas se sentem estranhas em falar de problemas com namorados e exames com alguém que elas veem como uma vítima de um crime horrível. Elas olham para mim com pena e uma curiosidade inquietante em seus olhos, e eu não posso falar com elas sobre a minha experiência na ilha. Ainda assim, quando Leah chega em casa da Universidade de Michigan, nos reunimos para sair. Após alguns abraços, a maior parte da estranheza inicial se dissipa, e ela é novamente a mesma menina que era minha melhor amiga durante todo o ensino médio e além. "Eu gosto do seu lugar", diz ela, andando em volta do meu estúdio e examinando as pinturas que eu pendurei nas paredes. "Isso é uma arte muito legal que você tem aí. Onde você conseguiu estes? " "Eu pintei," eu digo a ela, tirando minhas botas. Nós vamos a um restaurante italiano local para o jantar. Eu estou vestida com um par de jeans skinny e um top preto, e que me faz sentir como nos velhos tempos. "Você pintou?" Leah me dá um olhar atônito. "Desde quando você pinta?" "É um algo recente," eu digo, agarrando o meu casaco. Já é outono, e está começando a ficar frio. Eu tinha me acostumado ao clima tropical da ilha, e quinze graus é frio para mim.

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"Bem, merda, Nora, este material é realmente bom", diz ela, aproximando-se de uma das pinturas de explosão para dar uma olhada. Esses são os únicos que estão pendurados – meus retratos de Julian são privados. "Eu não sabia que você tinha isso em você." "Obrigada." Eu sorrio para ela. "Pronta para ir?"

Temos um grande jantar. Leah me fala sobre a faculdade em Michigan e Jason, seu novo namorado. Eu ouço atentamente, e nós rimos sobre meninos e sua inexplicável necessidade de fazer suportes de barril. "Quando você vai se candidatar para a faculdade?", ela pergunta quando estamos no meio da sobremesa. "Você ia para a local primeiro. Você ainda está planejando fazer isso?" Eu concordo. "Sim, eu acho que vou tentar para o semestre da primavera." Embora agora eu possa me dar ao luxo de ir para qualquer universidade, não tenho nenhum desejo de mudar meus planos. O dinheiro na minha conta bancária não parece muito real para mim, e eu estou estranhamente relutante em gastar. "Isso é incrível", Leah diz, sorrindo. Ela parece um pouco energética, como se ela estivesse muito animada com alguma coisa. Eu logo entendo que coisa é essa. "Ei, Nora," uma voz familiar diz atrás de mim, assim que nós estamos nos preparando para pagar a nossa conta. Eu salto para cima, assustada. Virando-me, eu olho para Jake – o garoto com quem eu tinha saído naquela noite fatídica, quando Julian me levou. O menino que Julian tinha ferido para me manter na linha. Ele parece quase o mesmo: cabelo listado de sol desgrenhado, olhos castanhos quentes, corpo bem constituído. Apenas a expressão em seu rosto é diferente. Ele é tenso, e a cautela em seu olhar é como um chute no meu estômago.

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"Jake..." Eu sinto como se estivesse diante de um fantasma. "Eu não sabia que estava na cidade. Pensei que você tivesse ido para Michigan-" E então eu percebo a verdade. Virando-me, eu olho acusadoramente para Leah, que me dá um enorme sorriso em resposta. "Eu espero que você não se importe, Nora", diz ela animada. "Eu disse a Jake que eu estava vindo vê-la neste fim de semana, e ele pediu para se juntar a mim. Eu não tinha certeza de como você se sentia sobre isso, dado tudo-" seu rosto avermelhou um pouco ", -então eu mencionei que nós estaríamos aqui esta noite". Eu pisco, minhas mãos começam a suar. A Leah não sabe sobre o espancamento que Jake recebeu por minha causa. Aquele pequeno detalhe é algo que eu falei apenas para o FBI. Ela provavelmente está com medo de que ver Jake possa trazer de volta memórias dolorosas do meu sequestro, mas ela não pode adivinhar o redemoinho nauseante de culpa e ansiedade que eu sinto agora. Jake sabe que eu sou responsável pela agressão, no entanto. Eu posso ver isso na maneira como ele olha para mim. Eu me forço a sorrir. "Claro que eu não me importo", eu minto sem problemas. "Por favor sente-se. Vamos tomar um café." Eu me movimento em direção ao assento do outro lado da nossa mesa e sento. "Como você tem estado?" Ele sorri para mim, seus olhos castanhos enrugando nos cantos da maneira que eu achei agradável uma vez. Ele ainda é um dos rapazes mais bonitos que já conheci, mas eu já não sinto qualquer atração por ele. A paixão que antes eu sentia por ele, empalidece em comparação com a minha obsessão por Julian - com o desejo escuro e desesperado que me faz sacudir e virar à noite. Quando eu não consigo dormir, penso muitas vezes sobre as coisas que Julian e eu costumávamos fazer juntos, as coisas que ele me fez fazer... as coisas que ele me treinou a querer. No escuro da noite, eu me masturbo com fantasias proibidas. Fantasias de intensa dor e prazer forçado, de violência e luxúria. Eu sofro com a necessidade de ser tomada e usada, ferida e possuída. Anseio por Julian, o homem que despertou esse lado meu.

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O homem que agora está morto. Empurrando esse pensamento excruciante de lado, eu me concentro no que Jake está me dizendo. "-Não pude entrar naquele parque durante meses", diz ele, e eu percebo que ele está falando sobre sua experiência depois do meu rapto. "Toda vez que eu fiz, eu pensei em você e onde você podia estar... A polícia disse que era como se você desaparecesse da face da Terra-". Eu o ouço, vergonha e auto aversão enrolando profundamente dentro do meu peito. Como posso me sentir assim sobre um homem que fez uma coisa tão terrível e feriu muitas pessoas no processo? Quão doente eu sou por amar alguém capaz de tanto mal? Julian não era um herói torto, incompreendido e forçado a fazer coisas ruins por circunstâncias além de seu controle. Ele era um monstro, pura e simplesmente. Um monstro que eu sinto falta com cada fibra do meu ser. "Eu sinto muito, Nora," Jake diz, distraindo-me de minha auto flagelação. "Me desculpe, eu não pude protegê-la naquela noite-" "Espera... O quê? "Olho para ele, incrédula. "Você está louco? Você sabe com o que você estava lutando contra? Não há nenhuma maneira que você pudesse ter feito nada-". "Eu ainda deveria ter tentado." A voz de Jake é carregada com culpa. "Eu deveria ter feito alguma coisa, qualquer coisa...". Eu estendo a mão sobre a mesa, impulsivamente cobrindo sua mão com a minha própria. "Não", eu digo com firmeza. "Você não pode de modo algum se culpar por isso." Eu posso ver Leah com o canto do meu olho; ela está mexendo em seu telefone e tentando fingir que ela não está aqui. Eu a ignoro. Eu preciso convencer Jake que ele não tem culpa, ajudá-lo a seguir em frente. Sua pele é quente sob meus dedos, e eu posso sentir a tensão vibrando dentro dele. "Jake," eu digo suavemente, segurando seu olhar, "ninguém poderia ter evitado isso. Ninguém. Julian tem – tinha – o tipo de recursos que faria uma equipe da SWAT invejosa. Se a culpa é de alguém, é minha. Você foi arrastado para isso por minha causa, e eu realmente sinto muito." Eu estou pedindo desculpas por mais do que aquela noite no parque, e ele sabe disso.

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"Não, Nora", diz ele em voz baixa, seus olhos castanhos cheios de sombras. "Você está certa. A culpa é dele, não nossa. "E eu percebo que ele está me oferecendo a absolvição, também, que ele também quer me libertar da minha culpa. Eu sorrio e aperto sua mão, silenciosamente aceitando o seu perdão. Eu gostaria de poder me perdoar tão facilmente, mas eu não posso. Porque, mesmo agora, quando eu sento lá segurando a mão de Jake, eu não posso parar de amar Julian. Não importa o que ele tenha feito.

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"Você sabe, eu acho que ele ainda está realmente na sua", Leah diz quando me leva para casa. "Estou surpresa que ele não lhe pediu para sair." "Me convidar para sair? Jake? "Eu dou-lhe um olhar incrédulo. "Eu sou a última garota que ele iria querer sair." "Oh, eu não teria tanta certeza sobre isso", diz ela, pensativa. "Vocês podem ter saído apenas em um encontro, mas ele estava gravemente deprimido quando você desapareceu. E a maneira como ele estava olhando para você esta noite...". Deixo escapar uma risada nervosa. "Leah, por favor, isso é uma loucura. Jake e eu temos uma história complexa. Ele queria o encerramento esta noite, isso é tudo." A ideia de namorar Jake – de – namorar alguém era estranha e esquisita. Na minha mente, eu ainda pertenço a Julian, e o pensamento de deixar um outro homem me tocar me faz inexplicavelmente ansiosa. "Sim, encerramento, certo." A voz de Leah está cheia de sarcasmo. "A noite toda, ele esteve olhando para você como se fosse a coisa mais quente que ele já viu. Não é o encerramento que ele quer de você, eu garanto isso." "Oh vamos lá-"

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"Não, é sério", Leah diz, olhando para mim quando ela para em um semáforo. "Você deveria sair com ele. Ele é um grande cara, e eu sei que você gostava dele antes..." Eu olho para ela, e o desejo de fazê-la entender briga com a minha profunda necessidade de me proteger. "Leah, isso era antes", digo lentamente, decidindo soltar um pouco da verdade. "Eu não sou a mesma pessoa agora. Eu não posso sair com um cara como Jake... não depois de Julian." Ela fica em silêncio, voltando sua atenção para a estrada quando a luz muda para verde. Quando ela para em frente ao meu prédio, ela se vira para mim. "Sinto muito", diz ela calmamente. "Isso foi estúpido e imprudente da minha parte. Você parece tão bem que eu esqueci por um momento..." Ela engole, lágrimas brilhando em seus olhos. "Se você quiser falar sobre isso, eu estou aqui para você, você sabe disso, certo?" Concordo com a cabeça, dando-lhe um sorriso. Eu tenho sorte de ter uma amiga como ela, e, algum dia, em breve, eu talvez possa aceitar a sua oferta. Mas ainda não – não enquanto eu me sinto tão crua e rasgada por dentro.

As próximas semanas passam no ritmo de um caracol. Eu existo momento a momento, levando um dia de cada vez. Todas as manhãs, eu escrevo uma lista de tarefas que gostaria de realizar nesse dia e diligentemente sigo ela, não importa o quanto eu possa querer rastejar sob minhas cobertas e nunca mais sair. Na maioria das vezes, as minhas listas incluem atividades mundanas, como comer, correr, ir para o trabalho, fazer compras de supermercado, e ligar para os meus pais. Ocasionalmente, eu adiciono projetos mais ambiciosos, tais como a aplicação para a faculdade para o semestre da primavera – que eu fiz, como eu disse a Lea que eu faria. Eu também me inscrevo para aulas de tiro. Para minha surpresa, eu venho a ser muito boa em lidar com uma arma. Meu instrutor diz que eu

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sou uma natural, e eu começo a fazer pesquisa sobre o que eu preciso fazer para adquirir uma licença de armas de fogo em Illinois. Eu também tenho aulas de autodefesa e começo a aprender alguns movimentos básicos para me proteger. Eu nunca vou ser capaz de ganhar contra alguém como Julian e os homens que pegaram eu e Beth, mas saber como atirar e lutar me faz sentir melhor, mais no controle da minha vida. Entre todas essas novas atividades, meu trabalho e minha arte, eu estou muito ocupada para socializar, o que se adapta muito bem a mim. Eu não estou com vontade de fazer novos amigos, e todos os meus antigos estão fora. Jake e Leah estão ambos de volta a Michigan. Ele me chama no Facebook, e nós conversamos algumas vezes. Ele não me convida para sair, no entanto. Estou feliz. Mesmo se ele não estivesse indo para a faculdade a três horas e meia de distância, nunca daria certo entre nós. Jake é inteligente o suficiente para perceber que nada de bom poderia sair de se envolver com alguém como eu, alguém que, para todos os efeitos, ainda é prisioneira de Julian. Eu sonho com ele quase todas as noites. Como um pesadelo, meu excaptor vem a mim no escuro, quando estou no meu momento mais vulnerável. Ele invade minha mente impiedosamente como quando ele tomava meu corpo. Quando não estou revivendo sua morte, os meus sonhos são perturbadoramente sexuais. Eu sonho com sua boca, seu pau, suas mãos. Ele está em toda parte, em cima de mim, dentro de mim. Eu sonho com seu terrivelmente belo sorriso, da forma como ele usou para me segurar e me acariciar. A forma como ele usou para me torturar até eu esquecer tudo e me perder nele. Eu sonho com ele... e acordo molhada e latejante, meu corpo vazio e dolorido por sua possessão. Como um viciado passando por uma crise de abstinência, eu estou desesperada por uma solução, algo para aliviar a minha necessidade. Eu não estou pronta para namorar, mas meu corpo não se preocupa com isso e, finalmente, eu decido tentar.

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Visto-me, pego minha velha identidade falsa e dirijo a um bar local.

Os homens vêm em enxame em torno de mim, como moscas. É fácil, tão fodidamente fácil. Uma menina sozinha em um bar – é todo o incentivo que eles precisam. Como lobos farejando a presa, eles sentem o meu desespero, meu desejo por algo mais do que uma fria e solitária cama hoje à noite. Eu deixo um deles me comprar bebidas. Um shot de vodka, em seguida, um de tequila.... Até o momento que ele me pergunta se eu quero sair, tudo ao meu redor é difuso. Balançando a cabeça, eu o deixo me levar para o carro. Ele é um homem de boa aparência em seus trinta anos, com cabelo cor de areia e os olhos azul-acinzentados. Não particularmente alto, mas razoavelmente bem construído. Ele é um advogado, ele diz que nos levará a um motel nas proximidades. Eu fecho meus olhos enquanto ele continua falando. Eu não me importo quem ele é ou o que ele faz. Eu só quero que ele me foda, para preencher esse vazio enraizado dentro de mim. Para tirar o frio que se infiltrou profundamente em meus ossos. Ele aluga um quarto na recepção do hotel, e nós vamos lá para cima. Quando entro no quarto, ele tira o casaco e começa a me beijar. Eu posso sentir o gosto da cerveja e uma pitada de tacos em sua língua. Ele me pressiona contra ele, com as mãos quentes e ansiosas, conforme elas começam a explorar o meu corpo e, de repente, eu não aguento mais. "Pare." Eu o empurro tão forte quanto eu posso. Pego de surpresa, ele tropeça para trás alguns passos. "Que porra-" Ele fala para mim, a boca aberta em descrença. "Sinto muito", eu digo rapidamente, agarrando o meu casaco. "Não é você, eu juro." E antes que ele possa dizer uma palavra, eu corro para fora do quarto.

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Pegando um táxi, eu vou para casa, doente do álcool e absolutamente infeliz. Não há correção para o meu vício, não há maneira de matar minha sede. Mesmo bêbada, eu não posso suportar o toque de outro homem.

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Começa como um outro sonho erótico. Mãos fortes, duras deslizam para cima do meu corpo nu, com as palmas calosas arranhando a minha pele enquanto ele aperta os meus seios, os polegares esfregando contra meus mamilos pontiagudos e sensíveis. Eu arqueio contra ele, sentindo o calor de sua pele, o peso de seu corpo poderoso me pressionando contra o colchão. Suas pernas musculosas forçam minhas coxas, e sua ereção força no meu sexo, a cabeça larga deslizando entre as pregas suaves e exercendo uma leve pressão sobre o meu clitóris. Eu lamento, me esfregando contra ele, meus músculos internos apertando com a necessidade de levá-lo para dentro. Eu estou toda molhada e ofegante, e minhas mãos agarram sua bunda apertada, musculosa, tentando forçá-lo a entrar, fazer com que ele me foda. Ele ri, o som baixo, um burburinho sedutor em seu peito, e suas grandes mãos agarram meus pulsos, prendendo-os em cima da minha cabeça. "Sentiu minha falta, meu animal de estimação?", Ele murmura no meu ouvido, seu hálito quente enviando arrepios eróticos por todo o meu corpo. Meu animal de estimação? Julian nunca fala nos meus sonhosEu suspiro, meus olhos abertos... e sob a luz fraca de manhã, eu o vejo.

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Julian. Nu e excitado, ele está deitado em cima de mim, me segurando na minha cama. Seu cabelo escuro está cortado mais curto do que antes, e seu magnífico rosto está tenso com o desejo, seus olhos brilhando como joias azuis. Eu congelo, olhando para ele, meu coração batendo fortemente em meu peito. Por um momento, eu acho que eu ainda estou sonhando – que minha mente está pregando peças cruéis em mim. Minha visão escurece, desfocando, e eu percebo que eu literalmente parei de respirar por um momento, que o choque levou todo o ar dos meus pulmões. Eu inalo bruscamente, ainda congelada no lugar, e ele abaixa a cabeça, a boca descendo na minha. Sua língua desliza entre meus lábios entreabertos, me invadindo, e o sabor assustadoramente familiar dele faz a minha cabeça girar. Não há mais nenhuma dúvida em minha mente. É realmente Julian, ele está tão vivo e cheio de vitalidade como nunca. Fúria, acentuada e repentina, solta como faíscas através de mim. Ele está vivo, ele esteve vivo o tempo todo! O tempo todo enquanto eu fiquei de luto, enquanto eu tentava consertar minha alma despedaçada, ele tinha estado vivo e bem, sem dúvida, rindo das minhas tentativas patéticas para continuar com minha vida. Mordo seus lábios, forte, com a necessidade selvagem de feri-lo- para rasgar sua carne como ele rasgou o meu coração. O sabor de sangue enche a minha boca, e ele empurra para trás com um xingamento, seus olhos escurecendo com raiva. Eu não tenho medo, no entanto. Não mais. "Deixe-me ir," Eu assobio furiosamente, lutando contra o seu aperto. "Seu babaca! Seu desgraçado! Você nunca esteve morto! Você nunca esteve fodidamente morto..." Para minha humilhação completa, a última frase escapa como um soluço sufocado, minha voz quebrando no final. Sua mandíbula aperta quando ele olha para mim, a perfeição sensual de seus lábios marcada pela marca sangrenta dos meus dentes. Ele me segura sem esforço, seu pau duro equilibrado na entrada suave para o meu

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corpo. Enfurecida, eu torço para o lado, tentando mordê-lo novamente, e ele transfere meus pulsos para a palma da sua mão esquerda, restringindo-me com uma mão enquanto agarra o meu cabelo com a outra. Agora eu não posso mover nada; tudo o que posso fazer é olhar para ele, lágrimas de raiva e frustração amargas queimando meus olhos. Inesperadamente, sua expressão suaviza. "Parece que as garras da minha gatinha cresceram", ele murmura, sua voz cheia de diversão escura. "Eu acho que eu gosto." Eu literalmente vejo vermelho. "Foda-se!" Eu grito, resistindo contra ele, sem me importar com os nossos corpos nus se esfregando juntos. "Foda-se você e o que você gosta-" Sua boca desce sobre mim, engolindo minhas palavras de raiva, e meus dentes se posicionam em mais uma tentativa de morder. Ele se afasta no último segundo, rindo baixinho. Ao mesmo tempo, a cabeça de seu pau começa a empurrar dentro de mim. Enlouquecida além do suportável, eu grito e sua mão direita libera meu cabelo, batendo sobre a minha boca em seu lugar. "Shhh", ele sussurra em meu ouvido, ignorando meus gritos abafados. "Nós não queremos que os seus vizinhos ouçam, agora, não é?" Neste momento, eu não poderia me importar se o mundo inteiro nos ouvisse. Estou preenchida com a necessidade primitiva de lançar-me nele, para feri-lo como ele me feriu. Se eu tivesse uma arma comigo, eu alegremente atiraria nele para que ele sentisse a agonia que me fez passar. Mas eu não tenho uma arma. Eu não tenho nada, e ele lentamente empurra mais profundo em meu ponto vulnerável, seu pau grosso me alongando, me penetrando com sua dureza aquecida. Eu ainda estou molhada do meu 'sonho’ anterior, mas eu também estou tensa e com raiva, e meu corpo protesta a intrusão, todos os meus músculos apertando para mantê-lo fora. É como a nossa primeira vez de novo, exceto que a bagunça de emoções no meu peito agora é muito mais complexa do que o medo que eu já senti. Minha luta gradualmente morre, eu olho para ele sem dizer nada, me recuperando do choque de seu retorno. Quando ele está todo dentro de mim, ele para, lentamente, tirando a mão da minha boca.

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Eu permaneço em silêncio, lágrimas derramando pelos cantos dos meus olhos. Abaixando a cabeça, ele me beija suavemente, como que se desculpando por ter me tomado tão impiedosamente. Meus pulmões deixam de trabalhar; como sempre, esta mistura peculiar de crueldade e ternura me transforma de dentro para fora, causando estragos em minha mente já em conflito. "Eu sinto muito, baby", ele murmura, os lábios roçando minha bochecha molhada de lágrimas. "Não era para acontecer assim. Você era minha para eu proteger e eu fodi tudo. Eu fodi pra caralho..." Ele exala suavemente. "Eu nunca quis deixar você, nunca quis deixar você ir-" "Mas você fez." Minha voz é pequena e ferida, como a de uma criança ferida. "Você me deixou pensar que você estava morto-" "Não." Ele solta meus pulsos e se apoia sobre os cotovelos, emoldurando o meu rosto com as mãos grandes. Seus olhos ardem nos meus tão intensamente, que eu sinto que ele está me consumindo com seu olhar. "Não foi nada disso. Não foi nada disso. " Minhas mãos lentamente baixam até os seus ombros. "Como foi, então?", pergunto amargamente. Como ele poderia ter feito isso comigo? Como ele poderia ter me sequestrado, tirado tudo de mim, só para me abandonar de uma forma tão cruel? "Eu vou explicar tudo", promete, sua voz baixa e grossa com desejo. Há suor se formando em sua testa, e eu posso sentir seu pau pulsando dentro de mim. Ele está segurando seu controle por um fio. "Mas agora, eu preciso de você, Nora. Eu preciso disso..." Ele empurra os quadris para frente, e eu gemo quando ele bate no meu ponto G, enviando uma explosão de sensações através das minhas terminações nervosas. "É isso mesmo", ele sussurra duramente, repetindo o movimento. "Eu preciso disso. Eu quero sentir a sua buceta pequena me apertando como uma luva. Quero transar com você, e eu quero fazer isso te devorando. Cada polegada de você é minha, Nora, só minha..." Ele abaixa a cabeça novamente, levando a minha boca em um beijo profundo e penetrante conforme ele continua a empurrar para dentro de mim com um ritmo lento, implacável.

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Minha própria respiração falha, uma onda de calor inundando o meu corpo. Meus dedos apertam em seus ombros, e minhas pernas envolvem em torno de suas coxas musculosas, levando-o mais profundo em mim. Depois de meses de abstinência, é quase demais, mas congratulo-me com a ligeira queimação, o requintado prazer e dor de sua posse. Eu posso sentir a tensão crescendo dentro de mim, o delicioso arrepio de felicidade préorgásmica, e então eu explodo com um grito estrangulado, meus músculos internos apertando firmemente em torno de seu pau grosso. "Sim, querida, é isso", ele geme com a voz rouca, seu ritmo intensifica, e então, com um último impulso, poderoso, ele encontra seu próprio orgasmo, seu pau pulsando dentro de mim. Eu posso sentir o calor de sua semente dentro de mim, e eu o seguro perto quando ele cai em cima de mim, seu corpo grande e pesado e coberto de suor.

"Você quer café ou chá?" Eu pergunto, olhando para Julian conforme eu ando em torno da cozinha minúscula no canto do meu estúdio. Ele está sentado à mesa junto à parede, vestindo um par de jeans, a única coisa que ele se dignou a colocar após o seu banho. Seu torso bronzeado e ondulado atrai meus olhos, e minha mão treme um pouco quando eu pego um copo. Com seu cabelo curto, as maçãs do rosto pareçam mais nítidas, as feições ainda mais esculpidas do que antes. Franzindo a testa, eu dou uma olhada. Ele parece mais magro do que eu me lembro dele ser, quase como se ele tivesse perdido algum peso. Ignorando o meu olhar fixo, Julian se recosta na cadeira frágil que eu comprei no IKEA, esticando suas longas pernas. Seus pés estão descalços e surpreendentemente masculinos. “Café seria ótimo", diz ele preguiçosamente, olhando para mim com um olhar languido. Ele me lembra de uma pantera pacientemente perseguindo sua presa. Eu engulo, colocando o copo no balcão e estendendo a mão para a cafeteira. Ao contrário dele, eu estou vestindo jeans, meias grossas, e um suéter de lã. Estando completamente vestida me faz sentir menos vulnerável, mais no controle.

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A coisa toda é surreal. Se não fosse pela dor leve entre as minhas coxas, eu estaria convencida de que eu estava tendo alucinações. Mas não, meu captor, o homem que tinha sido o centro da minha existência por tanto tempo – está aqui no meu apartamento minúsculo, dominando-o com sua presença poderosa. Após o café ficar pronto, eu derramo para cada um de nós um copo e me junto a ele na mesa. Eu me sinto fora de equilíbrio, como se eu estivesse andando sobre uma corda bamba. Um segundo eu quero gritar com alegria de que ele está vivo, e no próximo eu quero matá-lo por me fazer passar por essa tortura. E apesar de tudo, na parte de trás da minha mente está o conhecimento de que nenhum desses é uma resposta adequada para esta situação. Por tudo que aconteceu, eu deveria estar tentando escapar e chamando a polícia. Contudo Julian não parece nem um pouco receoso com essa possibilidade. Ele está tão confortável e confiante no meu estúdio quanto quando ele estava em sua ilha. Pegando seu copo, ele toma um gole do café e olha para mim, um meio sorriso hipnotizante brincando em seus belos lábios. Eu coloco as minhas mãos em volta do meu próprio copo, aproveitando o calor entre as palmas das mãos. "Como você sobreviveu à explosão?", pergunto silenciosamente, segurando seu olhar. Sua boca torce levemente. "Eu quase não o fiz. Quando viram que eles estavam perdendo, um desses filhos da puta suicidas detonou uma bomba. Dois dos meus homens e eu, por acaso, estávamos perto da escada para o porão, e mergulhamos na abertura no último minuto. Uma parte do piso desabou sobre mim, me apagando e matando um dos homens que estava comigo. Felizmente para mim, o outro – Lucas – sobreviveu e permaneceu consciente. Ele conseguiu arrastar ambos para o cano de esgoto, e entrou ar fresco o suficiente, vindo do lado de fora, para que nós não morrêssemos de inalação da fumaça." Tenho a respiração instável. O cano de esgoto.... Esse foi o único lugar que eu não tinha olhado nesse dia horrível quando passei horas vasculhando as ruínas ardentes do edifício. Eu estava tão atordoada e chocada, não tinha sequer me ocorrido verificar lá por sobreviventes.

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"No momento em que Lucas e eu chegamos a um hospital, eu estava em muito mau estado", Julian continua, olhando para mim. "Eu tinha o crânio rachado e vários ossos quebrados. Os médicos me colocaram em um coma induzido para lidar com o inchaço no meu cérebro, e eu não recuperei a consciência até algumas semanas atrás. "Levantando sua mão, ele toca seu cabelo curto, e eu percebo a razão de seu novo corte de cabelo. Eles devem ter raspado sua cabeça no hospital. Minha mão treme quando eu levanto meu copo para tomar um gole. Ele tinha quase morrido depois de tudo, não que isso faça a sua ausência nas últimas semanas mais perdoável. "Por que você não me contatou em algum ponto? Por que você não me deixou saber que você estava vivo?" Como ele poderia deixar a minha tortura continuar mesmo um dia mais do que o necessário? Ele inclina a cabeça para o lado. "E depois?", pergunta ele, sua voz perigosamente sedosa. "O que você teria feito, meu animal de estimação? Corrido para o meu lado para estar comigo na Tailândia? Ou você teria dito a seus amigos no FBI onde eu poderia ser encontrado, para que eles pudessem me pegar enquanto eu estava fraco e indefeso?" Eu inalo bruscamente. "Eu não teria dito a eles-" "Não?" Ele me lança um olhar irônico. "Você acha que eu não sei que você falou com eles? Que eles agora têm o meu nome e foto?" "Eu só falei com eles, porque eu pensei que você estava morto!" Eu salto em pé, quase derrubando minha xícara de café. Toda a minha raiva de repente aparece. Furiosa, agarro à beira da mesa e olho para ele. "Eu nunca te trai, embora eu deveria ter-" Ele se levanta, desdobrando o seu corpo alto e musculoso, com graça atlética. "Sim, você provavelmente devia ter", ele concorda suavemente, seu olhar escurecendo conforme nós olhamos fixamente um para o outro. "Você deveria ter me entregado naquela clínica nas Filipinas e corrido o mais longe e mais rápido que pudesse, meu animal de estimação". Eu corro minha língua sobre os lábios secos. "Isso teria ajudado?" "Não. Eu te encontraria em qualquer lugar. "

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Meu estômago torce com entusiasmo e uma dose de medo. Ele não está brincando. Eu posso ver isso em seu rosto. Ele teria vindo por mim, e ninguém poderia ter parado ele. "Quem é você?" Eu respiro, olhando para ele, incrédula. "Por que não houve registro de você em qualquer um dos bancos de dados do governo? Se você é um traficante de armas a tanto tempo, por que o FBI não ouviu falar de você antes?" Ele olha para mim, seus olhos surpreendentemente azuis no rosto bronzeado. "Porque eu tenho uma ampla rede de conexões, Nora", diz ele em voz baixa. "E porque, como parte de minhas interações com meus clientes, eu ocasionalmente me deparo com algumas das informações que o governo dos Estados Unidos encontra – informação valiosa que se relaciona com a segurança e proteção do público americano." Meu queixo cai. "Você é um espião?" "Não." Ele ri. "Não no sentido tradicional da palavra. Eu não estou na folha de pagamento de ninguém – nós simplesmente trocamos favores. Eu ajudo o seu governo, e em troca, eles me fazem invisível a todos. Apenas alguns dos funcionários do mais alto nível na CIA sabem que eu existo." Ele faz uma pausa, em seguida, adiciona suavemente, "Ou, pelo menos, esse era o caso antes que o FBI a tivesse em suas mãos, meu animal de estimação. Agora é um pouco mais complicado, e eu vou ter de cobrar alguns favores para ter essa informação apagada." "Eu entendo", eu digo uniformemente. Minha cabeça está girando. O homem que me sequestrou trabalha com o meu governo. É quase mais do que eu posso processar agora. Ele sorri, visivelmente curtindo minha confusão. "Não pense sobre isso, meu animal de estimação", aconselha, seus olhos brilhando com diversão. "Só porque eu ajudo a impedir um ataque terrorista ocasional não faz de mim um cara bom." "Não", eu concordo. "Isso não acontece." Afastando-me, eu ando até a pequena janela e olho para fora. O sol está apenas começando a surgir, e há uma leve camada de neve no chão. A primeira neve da estação – que deve ter caído durante a noite.

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Eu não ouço seu movimento, mas de repente ele está por trás de mim, seus braços grandes dobram em torno de mim, me pressionando contra seu corpo. Eu posso sentir o cheiro de homem em sua pele, e um pouco da tensão residual drena para fora de mim. Julian está vivo. "Então, para onde vamos a partir daqui?" Eu pergunto, ainda olhando para a neve. "Você vai me levar de volta para a ilha?" Ele fica em silêncio por um momento. "Não", diz ele finalmente. "Eu não posso. Não sem Beth lá." Há uma nota firme em sua voz, e eu percebo que ele está sentindo falta dela também, que ele sente sua perda intensamente. Viro-me em seus braços e olho para ele, colocando minhas mãos em seu peito. "Estou feliz que esses filhos da puta estão mortos." As palavras saem em um baixo, silvo feroz. "Estou feliz que você matou todos eles." "Sim", diz ele, e vejo um reflexo da minha raiva e dor no brilho duro de seus olhos. "Os homens que machucaram vocês estão mortos, e eu estou tomando medidas para acabar com toda a sua organização. Até o momento que eu terminar, Al-Quadar não será nada mais do que um arquivo em arquivos do governo". Eu seguro seu olhar sem piscar. "Bom." Eu quero eles todos destruídos. Quero que Julian os separe e os faça sentir a agonia de Beth. Neste momento, nós entendemos um ao outro perfeitamente. Ele é um assassino, e isso é exatamente o que eu preciso que ele seja. Eu não quero um homem doce, gentil com consciência-Eu quero um monstro que vai brutalmente vingar a morte de Beth. Um leve sorriso levanta os cantos dos seus lábios. Inclinando-se, ele me beija levemente na testa, em seguida, me libera para caminhar até a cama, onde o resto de suas roupas estão. Franzindo a testa, eu vejo quando ele coloca uma camiseta de mangas compridas, meias e um par de botas. "Você está indo embora?" Eu pergunto, sentindo como se um punho frio estivesse apertando meu coração com o pensamento. "Não", ele responde, colocando sua jaqueta de couro e caminhando para o meu armário. "Nós estamos indo." Abrindo a porta do armário, ele puxa meu casaco de inverno e botas quentes e joga para mim.

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Eu pego o casaco no piloto automático e coloco. "Você está me sequestrando de novo?" Eu pergunto, puxando as botas. "Eu não sei." Aproximando-se de mim, ele pega meu rosto em sua mão, esfregando o polegar levemente contra meu lábio inferior. "Estou?" Eu também não sei. Pela primeira vez em meses, eu me sinto viva. Eu sinto as emoções de novo, nítidas e brilhantes. Medo, excitação, euforia. Amor. Não é o tipo doce e afetuoso que eu sempre sonhei, mas é amor. Escuro, torcido, e obsessivo, é tanto uma compulsão como um vício. Eu sei que o mundo vai me condenar por minhas escolhas, mas eu preciso de Julian tanto quanto ele precisa de mim. "E se eu não quiser ir com você?" Eu não sei porque eu sinto a necessidade de perguntar. Eu já sei a resposta. Ele sorri. Tirando a mão do meu rosto, ele enfia a mão no bolso de sua jaqueta e pega uma pequena seringa, mostrando-a para mim. "Eu entendo", eu digo calmamente. Ele veio preparado para qualquer eventualidade. Ele guarda a seringa e me oferece a mão. Eu hesito por um momento, então eu coloco minha mão na grande palma da sua. Ele enrola os dedos em torno dos meus, e seus olhos parecem impossivelmente azuis naquele momento, quase radiantes. Saímos juntos, de mãos dadas como um casal. Ele me leva a um carro que está esperando por nós, um carro preto com vidro fumês que parece ser muito espesso. À prova de balas provavelmente. Ele abre a porta para mim, e eu subo dentro. Quando o carro sai, ele me puxa para mais perto dele, e eu enterro meu rosto na curva de seu pescoço, inalando seu cheiro familiar. Pela primeira vez em meses, eu sinto que estou em casa.

FIM

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Série Twist Me #1 Twist Me - Anna Zaires  

*trilogia mesmo casal. *SEQUESTRADA. LEVADA PARA UMA ILHA PRIVADA. NUNCA PENSEI QUE ISSO PUDESSE ACONTECER COMIGO. EU NUNCA IMAGINEI QUE UM...

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