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GRAPHOS BRASIL OUTUBRO 2013

DESDOBRAMENTOS GRテ:ICOS


REALIZAÇÃO MARCELO DUARTE E JOÃO SÁNCHEZ EDIÇÃO E IMPRESSÃO DAS OBRAS ESTUDIO BAREN PROJETO VISUAL MARCELO MACEDO E JOÃO SÁNCHEZ FOTOS DEMIAN JACOB WWW.ESTUDIOBAREN.COM WWW.GRAPHOSBRASIL.COM

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Projeto Desdobramentos Gráficos Esta exposição faz parte de um projeto que surge da parceria entre uma galeria de arte e um estúdio de impressão de obra gráfica, unindo esforços para proporcionar a artistas o ambiente e as ferramentas necessárias para que a criação e a experimentação não encontrem barreiras e possam fluir livremente. A ideia apareceu a partir das primeiras experiências com xilogravura realizadas pelo artista Marcelo Macedo no Estúdio Baren. Durante o desenvolvimento dessas obras, veio a vontade de ampliar o projeto, convidando outros jovens artistas a participarem dessa aventura gráfica. A Graphos:Brasil propôs então a criação de um grupo de quatro artistas de diferentes áreas e linguagens, que disporiam do mesmo ambiente de pesquisa e experimentação com o desafio de criar uma obra gráfica que pudesse surpreender e trazer um novo olhar sobre a gravura. Demian Jacob, Flavio Samelo, Lippe e Marcelo Macedo desenvolveram, cada um, uma série de obras gráficas que, apesar de sua diversidade, permitem apreciar um denominador comum: seguem de alguma forma a tradição da gravura, mas buscam ao mesmo tempo ultrapassar os limites impostos pela técnica, dando um passo à frente em busca de uma linguagem própria. Demian usa a fotogravura para criar uma colagem fotográfica que parte da fragmentação de matrizes de fotopolímero. Deste modo recria a linguagem de seus fotogramas, onde se apropria de efeitos produzidos pelos filmes fotográficos vencidos ou semivelados. Surge então uma atmosfera nebulosa com uma palheta de cor inconfundível que tinge suas paisagens urbanas que invadem ou são invadidas por trechos de natureza. Samelo, por sua vez, lança mão de sobreposições de cores pigmentos com matrizes de alumínio recortadas, impressas como litografias. Essas matrizes em formas geométricas – uma quadrada e outra triangular –, sobrepostas repetidas vezes, multiplicam-se em outras formas e cores, traduzindo assim uma busca do artista pela recriação das cores do espectro da luz. Lippe encontra na fotogravura e no pochoir as ferramentas técnicas para transpor para a linguagem da gravura sua série sobre a


diáspora africana, utilizando imagens colhidas na web de escravos africanos feitas pelo fotógrafo Alberto Henschel, e modificando-as digitalmente. Quando transpostas para a matriz e impressas no papel de algodão com tinta óleo, essas imagens surgem num lusco-fusco, revelando-se em meio a suas sombras. Marcelo trabalha a xilogravura utilizando recursos da escultura em madeira, meio onde já vem desenvolvendo uma linguagem consistente e própria. Recorta com a serra diferentes formas dentro do compensado criando peças separadas,o que permite a impressão de diferentes tonalidades de cores juntas numa única impressão. Das “figuras” centrais que aparecem nas três peças criadas pelo artista, destacam-se estranhas formas geométricas que, ao serem recortadas do fundo, transformam-se em dobraduras que dão origem a sólidos poligonais. Estas formas tridimensionais levam consigo a textura da xilogravura, remetendo a antigas peças de madeira pintadas. Partindo da xilogravura, da fotografia, da gravura em metal ou da litografia, no processo criativo orgânico em que cada artista mergulhou, foram surgindo novos desdobramentos das ideias iniciais, levando a resultados inesperados, que poderão ser apreciados nessa mostra coletiva.

João Sánchez Editor e impressor do Estúdio Baren

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A partir da investigação do cotidiano da cidade procuro montar um mosaico com imagens que remetem ao ambiente de praia, floresta e cidade. O trabalho apresentado é uma junção de fotografia em negativo PB com fotogravura em chapas de polímero. Capturo imagens em negativo, recorto em filetes formando uma nova imagem, remetendo ao mosaico de um mundo caótico e diverso. Apresentando esse trabalho no Estúdio Baren chegamos a um formato de matrizes recortadas, como faço com o negativo PB no inicio do processo. Para a exposição juntamos duas matrizes uma da praia e outra da cidade vista da floresta e criamos outras imagens. Na cor, propomos uma composição de “film burn” (negativo queimado). A imagem colorida sofre exposição à luz e perde camadas, revelando o amarelo, vermelho ou azul, que se juntam em um degrade. Na gravura o degrade aparece dando profundidade no trabalho e remetendo à cidade ao fundo ou ao horizonte do mar que corta a paisagem. Demian Jacob

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Há muito tempo tenho vontade de experimentar com gravura, mas ainda não tinha tido a oportunidade. Agora, graças ao convite para participar desta exposição, finalmente pude realizar esse desejo. Como minha produção está sempre relacionada com fotografia ou ótica de alguma forma, eu quis usar isso na gravura também e me veio a ideia da mistura das cores impressas como luzes translúcidas, que se conectam em algumas áreas e viram outras cores e outras formas. Dependendo da ordem das cores, o resultado é dife-


rente. Imaginei que usando tinta conseguiria um efeito novo, nunca antes obtido com o mesmo experimento feito com luzes. Graficamente, o resultado me surpreendeu muito, e afinal as edições se tornaram monotipias, que é uma coisa que é forte em meu trabalho como fotógrafo, pois gosto de lidar com a foto e agora com a gravura como obras únicas. Flavio Samelo

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Quando recebi o convite para integrar o projeto de gravura da galeria Graphos:Brasil e o Estúdio Baren imaginei que poderia ser uma boa oportunidade para finalmente iniciar minha pesquisa em torno da diáspora africana e de sua herança na cultura e identidade brasileiras. Após um período de reflexão apresentei minha proposta ao gravador João Sánchez em seu Estúdio Baren. A proposta baseava-se em produzir imagens onde elementos gráficos inspirados na arte têxtil africana se sobrepusessem aos rostos, sempre expressivos, sofridos e comoventes, dos escravos africanos fotografados pelo excelente fotógrafo teutobrasileiro Alberto Henschel. Após testes e experiências eu e João chegamos ao resultado esperado: as imagens artificialmente escurecidas faziam dos rostos fantasmas, assombros da nossa história e consciência e as finas linhas vermelhas remetiam estranhamente à vanguarda russa e ao concretismo. Lippe


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Essa nova série de gravuras, desenvolvida toda dentro do Estúdio Baren, foi baseada em uma investigação dos meus últimos trabalhos de escultura em madeira. A busca principal era desenvolver uma obra gráfica que se desdobrasse do plano para a tridimensionalidade, uma investigação das dimensões possíveis usando papel. Características como: aspecto de objeto antigo e desgastado, textura da madeira e cores calmas se repetem nessa série. Tivemos o cuidado de procurar uma técnica de impressão que conversasse com os trabalhos que eu vinha fazendo, chegamos na xilogravura usada como quebra-cabeca (puzzle). Essa técnica consiste em uma transposição de uma imagem para uma matriz, onde ela é recortada como em um quebra-cabeça, depois cada peça é entintada e recolocada em seu lugar de origem e a impressão é feita. O resultado é um trabalho que transita entre as dimensões, num momento ele esta “aberto” e chapado na parede, no outro ele passa a poder ser observado de todos os lados: se torna escultura. Marcelo Macedo

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Demian Jacob 1:“Sem título” Edição numerada: 5 Fotogravura 63 x 60 cm Papel de caligrafia chinesa 30 gr 2013

2:“Sem título” Edição numerada: 5 Fotogravura 63 x 95 cm Papel de caligrafia chinesa 30 gr 2013

3:“Sem título” Edição numerada: 5 Fotogravura 63 x 48 cm Papel Hanhemühle creme 300 gr 2013

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Flavio Samelo 4;5 e 6:“Compo otj” Monotipia 65 x 65 cm Papel Fabriano 300 gr 2013 P11;12 | 4


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Lippe 7;8 e 9:“Herança (Projeto Diáspora)” Edição numerada: 5 Fotogravura e Pochoir 54 x 39,5 cm Papel Hahnemühle 300 gr 2013

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Marcelo Macedo 10:“Setentrional” Edição numerada: 5 Xilogravura 106 x 70 cm Papel Hanhemühle 300 gr 2013

11:“Meridional” 12:“Celestial” 3D montados a partir de Xilogravuras Papel Hanhemühle 300 gr 2013

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