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HPP SAÚDE A visão do novo acionista para o Grupo We HPP SAÚDE, TRIMESTRAL, N.º8, INVERNO DE 2014

ESTENOSE ´ AORTICA TAVI: Intervenção inovadora e altamente sofisticada

Ganhámos

ESCOLHA DO CONSUMIDOR Hospital dos Lusíadas e de Cascais We ARE

We DO

We CARE

We CHANGE


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O teste Não Invasivo mais avançado para a deteção das trissomias 21, 18 e 13. opção do conhecimento do sexo fetal Com o op e deteção das aneuploidias dos cromossomas X e Y. Ref. Baxter PT: 089/13 - Data Ref. Baxter PT: 09/2013

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EDITORIAL

Diretora Sofia Oliveira

Edição Marketing e Comunicação

Publicidade wehppsaude@hppsaude.pt Propriedade HPP – Hospitais Privados de Portugal, S.G.P.S., S.A. Avenida da República, 35, 8.º, 1050–186 Lisboa

Produção Presselivre, Departamento de Customer Publishing Arruamento D à Rua José Maria Nicolau, n.º 3, 1549-023 Lisboa Tel. 210 494 145/6 • Fax. 210 493 151 www.cofinaconteudos.pt

Direcção editorial Rui Faria ruifaria@revistas.cofina.pt Design gráfico e paginação João Oliveira Colaboraram nesta edição Textos: Cofina Media, HPP Saúde, Ana Sofia Coelho, João Paulo Batalha e Sónia Morais Santos. Diana Bastos (pesquisa de imagens) e Carla Sacadura Cabral (copy-desk). Fotografia: Nuno Alexandre e Getty Images. Direcção de produção Avelino Soares Produção gráfica Carlos Dias (Coordenador), Jorge Fernandes, José Carlos Freitas, Paulo Glória, Paulo Fernandes e Fátima Mesquita (Assistente)

Transatlântico

É inevitável, neste primeiro número após a compra da HPP Saúde pela Amil, que se fale na palavra “transatlântico”. A HPP Saúde passou a integrar uma verdadeira rede, não só transatlântica, mas também mundial de cuidados de saúde. Em março de 2013, a empresa foi comprada pela Amil Participações S.A., a maior empresa de saúde do Brasil, atendendo mais de 5,7 milhões de beneficiários. E, para a Amil, 2012 será sempre lembrado como o ano da associação com o UnitedHealth Group, a maior empresa norte-americana do setor de saúde, criando a maior plataforma global de atendimento de qualidade nesta área. A palavra “transatlântico” remete para o que está do outro lado do Atlântico mas também para aquilo que o atravessa. E, neste momento, o movimento a que assistimos é um interessante intercâmbio transatlântico. Médicos, profissionais de saúde, gestores, diretores das diferentes áreas cruzam o Atlântico nos dois sentidos (Portugal-Brasil mas também Brasil-Portugal) em busca de troca de experiências, de conhecimento, de informação e de fazer cada vez mais dos hospitais, nos dois lados do oceano, os melhores locais de prestação de cuidados para os seus clientes. É esse o foco que a HPP Saúde continua a ter todos os dias nos seus hospitais: o cuidado extremo com a qualidade dos cuidados de saúde que presta. E quem o diz são diversas instituições nacionais e internacionais. Recentemente, os nossos Hospitais dos Lusíadas e de Cascais (parceria público-privada) foram considerados os melhores Hospitais na grande Lisboa pela “Escolha do Consumidor”. Somos o primeiro grupo privado de saúde em Portugal a ter a Acreditação pela mais prestigiada empresa a nível mundial – a Joint Commission – e temos o primeiro Hospital em Portugal credenciado a nível ambiental, o Hospital de Cascais. Poderão dizer que isto é fácil numa empresa que faz parte de um grupo mundial, com anos de experiência. Mas, como referimos, este movimento transatlântico só começou em março, com a compra da HPP Saúde pela Amil. O que será então que nos diferencia? Estamos certos de que são os nossos Colaboradores, o empenho que põem nas diferentes tarefas do dia a dia, seja a cuidar de bebés prematuros, ou de estenose aórtica em clientes com mais de 90 anos com as técnicas mais avançadas e menos invasivas conhecidas em Portugal ou ainda a aconselhar os seus clientes nas mais diversas áreas clínicas. Sobre todos estes temas poderá ler nas próximas páginas, mas tenho de sublinhar que só visitando as nossas Unidades espalhadas pelo país se consegue sentir a qualidade na prestação de serviços, seja no mais simples procedimento seja no que requer profissionais com anos e anos de experiência e a formação mais especializada. Para eles, para os nossos Colaboradores, deixo os meus mais sinceros agradecimentos e a minha mais sentida homenagem pelo excelente trabalho que todos os dias desenvolvem. Para si, nosso Cliente, fica o meu caloroso abraço com o desejo de um 2014 com muita saúde.

Pré-impressão GRAPHEXPERTS, LDA. Av. Infante Santo, 42 - A/B, 1350-179 Lisboa Impressão Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas, S.A., Estrada Consigliéri Pedroso, 90, Casal de Santa Leopoldina, 2745-553 Queluz de Baixo, tel.: 21 434 54 00 Periodicidade: Trimestral Depósito legal - 296.734/09 Tiragem: 20.000 exemplares ERC: 125721

JOSÉ CARLOS MAGALHÃES PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA HPP SAÚDE


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SUMÁRIO

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6 Instantes – Notícias do Universo HPP Saúde

We ARE - Pessoas 10

Escolha do Consumidor – O Hospital dos Lusíadas e o Hospital de Cascais foram eleitos “Escolha do Consumidor”. É mais um motivo de orgulho! 12 Atitude – Victor Almeida é Diretor Comercial de Clientes Institucionais da HPP Saúde e o seu hobby é a caça submarina. 14 Opinião – Helena Gonçalves, Diretora Executiva da Associação de Turismo do Porto e Norte, fala sobre o Turismo Médico. 16 Parceria – A HPP, em parceria com a autarquia do Porto e a Associação de Turismo, está a implementar o projeto Porto Medical Tourism. 18 Caso Pessoal – José Teixeira tinha 39 anos quando participou no concurso da SIC, Peso Pesado. Hoje é um caso de sucesso ao nível da perda de peso e da manutenção física.

We DO - Universo HPP 22 Entrevista – “O valor da humanidade é o que trazemos”, sublinha o Presidente do Conselho de Administração do Grupo HPP Saúde.

26 Entrevista – Mário Vilalva, o Embaixador do Brasil em Portugal, considera positivo o investimento do Grupo Amil no nosso país. 30 Entrevista – “A aposta na excelência dos cuidados de saúde” é um objetivo de Cristina Quadrat Silva, Administradora do Grupo HPP Saúde. 34 Sinais Vitais – O Hospital da Boavista criou no Porto uma nova Unidade de Medicina Desportiva.

We CARE - Saúde e Bem-estar 38 Perto de Casa – Um bebé prematuro pode ser uma situação inesperada, mas há equipas médicas especializadas para responder a este tipo de situações.

42 Perto de Casa – Porque há decisões muito importantes, saiba como escolher uma maternidade.

SOMOS

ESCOLHA DO CONSUMIDOR Obrigado pela sua preferência! (pág. 6)


We CARE - Saúde e Bem-estar 46 Perto de Casa – “Levamos conforto e segurança.” Com esta simples frase, uma enfermeira define a aposta em cuidados domiciliários, disponibilizados em Unidades do Grupo HPP Saúde. 48 Mais do que Medicina – Um diagnóstico correto é a chave para um tratamento adequado. 50 Mais do que Medicina – A maioria só recorre aos hospitais quando tem problemas, mas a qualidade de vida começa com a prevenção. 52 Mais do que Medicina – Quanto mais esclarecido for o doente, maior a probabilidade de aderir ao tratamento e de obter melhores resultados. 54 Mais do que Medicina – Internista – o médico dos diagnósticos difíceis? 56 Mais do que Medicina – Recuperar a forma após a gravidez. 58 Mais do que Medicina – Hospital dos Lusíadas na vanguarda do tratamento da Estenose Aórtica.

We CHANGE - Mundo Melhor

38 50

60 Mundo Melhor – A Aventura da Saúde. 61 Pensamento Positivo – Saiba identificar a depressão na adolescência. 62 Pensamento Positivo – Ressonar tem solução. 63 Pensamento Positivo – A retinopatia diabética pode ser evitada. 64 Pensamento Positivo – Previna e controle a hipertensão. 65 Pensamento Positivo – Fisioterapia na recuperação de um AVC.


INSTANTES

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Reconhecimento da Excelência no Hospital de Cascais O Hospital de Cascais, auditado pela Entidade Reguladora da Saúde no âmbito do projeto SINAS, que compara todos os Hospitais do SNS e Hospitais Privados, obteve classificação máxima no Departamento da Mulher e da Criança, na Área de Obstetrícia, Cuidados Pré-Natais e Neo-Natais. O Hospital de Cascais foi, assim, um dos raros hospitais a ter obtido a classificação máxima nestas áreas.

Profissionais do Hospital de Cascais recebem prémio Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e Grunenthal premiaram investigação que caracteriza a terapêutica prescrita para a dor num departamento de medicina. O trabalho distinguido é da autoria de José Paxiuta, Magda Faria, Maria João Lobão e João Sequeira. Com esta investigação os autores pretenderam caracterizar a terapêutica prescrita para a dor e avaliar a adequação da mesma em função do grau de dor apresentada pelas pessoas internadas num departamento de medicina. O prémio da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna/Grunenthal teve como objetivo galardoar trabalhos originais em língua portuguesa, de investigação ou de descrição de casos clínicos, no âmbito do tratamento da dor crónica.

Novos Exames de Imagiologia

Estão disponíveis na Unidade de Imagiologia do Hospital da Boavista os

exames: Ecocardiograma Fetal e Estudo Doppler Cardíaco Fetal. Os novos meios auxiliares de diagnóstico desta unidade hospitalar são efetuados pela Cardiologista Ana Luísa Neves. A Unidade de Imagiologia do Hospital dos Lusíadas passou a disponibilizar uma técnica inovadora - Ressonância Magnética de Corpo Inteiro. Esta técnica sofisticada permite a avaliação do corpo inteiro, para um diagnóstico cada vez mais rápido e preciso no despiste e rastreio de doenças, bem como para uma célere e correta intervenção terapêutica. A RM de corpo inteiro é uma alternativa, sem radiação, à cintilografia e à PET-CT. E utiliza-se frequentemente para estudo de metástases em doentes do foro oncológico.

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We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: GETTY IMAGES; D.R.

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Cuidar é informar A HPP Saúde passou a disponibilizar nos sites dos seus hospitais, de forma mais simples e fácil de consultar, a listagem completa do corpo clínico, as especialidades disponibilizadas e os respetivos acordos e convenções. Assim, de forma clara e acessível, ajudamos os nossos Clientes a sentirem-se familiarizados com os nossos Hospitais.

Formação "Acolhimento na Área da Saúde"

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Empenhada na formação contínua dos seus colaboradores, a HPP Saúde procurou um dos maiores especialistas na temática de “Acolhimento na Área da Saúde” e o Hospital dos Lusíadas recebeu colaboradores de todo o país para três dias de formação ministrada por Joel Mapheo, com foco no Cliente, na sua satisfação e no empenho que cada Colaborador deve ter para que a experiência do Cliente seja positiva nas suas Unidades.

6

Investigação Portuguesa no The Journal of Rheumatology Márcio Navalho, da Unidade de Imagiologia dos Hospitais dos Lusíadas e de Cascais, publicou o artigo "Bilateral Evaluation of the Hand and Wrist in Untreated Early Inflammatory Arthritis: a Comparative Study of Ultrasonography and Magnetic Resonance Imaging" no The Journal of Rheumatology, tendo o artigo sido igualmente selecionado para publicação na separata Clinical Highlights for the Rheumatologist, pela sua relevância clínica. Este artigo documenta a superioridade da Ressonância Magnética relativamente à ecografia no diagnóstico de Artrite Reumatóide precoce, identificando um subgrupo específico de doentes em que a Ressonância Magnética pode melhorar a performance diagnóstica dos critérios de classificação de 2010 do American College of Rheumatology/European League Against Rheumatism.


INSTANTES

7

HPP Saúde foi o Serviço Médico do Nobel Day Um evento inédito e marcante para a área da investigação científica

em Portugal, que reuniu os Prémios Nobel Sir John Gurdon, Paul

Greengard, Sir Richard Roberts e Olivier Smithies, bem como investigadores

emergentes: Paul Riley, Karin Schaulreuter e Clemens Van Blitterswijk.

A HPP Saúde foi o Serviço Médico do evento, estando o Hospital dos Lusíadas

de prevenção para apoio aos participantes 24h/dia e disponibilizando

uma equipa da Unidade de Medicina Física e de Reabilitação para prestar serviço de fisioterapia e acompanhamento dos laureados com o Prémio Nobel durante toda a sua estadia em Portugal.

Hospital dos Lusíadas em Congressos Mundiais Ana Amaral Vergamota, oftalmologista do Hospital dos Lusíadas, recebeu uma bolsa da Organização do Congresso Mundial de Oftalmologia, que irá decorrer em Tóquio, de 2 a 6 de abril de 2014, para apresentação do trabalho “Função visual após implante de 150 lentes intraoculares trifocais”. Este trabalho surge com o objetivo de estudar a função visual após cirurgia de catarata associada à correção da visão de longe e da visão de perto. Ao longo de 4 anos foram avaliados 6 tipos de lentes sendo o presente trabalho sobre as lentes intraoculares trifocais. Em Garda, Itália, será apresentado por Vânia Costa, dietista, o trabalho “Evaluation of Food Waste and Associated Factors in Hospitalized Elderly”, publicado na revista nacional da APNEP em 2013, e a temática “Cancer patients under chemotherapy - What are the dietary doubts?”.

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Cirurgia de remoção de tumor cerebral da área motora por neuronavegador O Hospital da Boavista realizou a primeira cirurgia de remoção de tumor cerebral assistida por computador, apelidado de neuronavegador Brain Lab. Óscar L. Alves, Coordenador da Unidade de Neurocirurgia, explica que “por analogia com o mundo rodoviário, trata-se de realizar uma intervenção ao cérebro guiada por GPS”, que permite a abertura de uma pequena incisão no couro cabeludo e a remoção de uma pequena área de osso do crânio para aceder à lesão tumoral, favorecendo a rápida cicatrização e o encurtamento do tempo para início de tratamento de radioterapia no caso das lesões tumorais. No caso de lesões profundas e através do mapeamento de tratos de fibras nervosas permite chegar à lesão pelo caminho mais curto reduzindo, assim, a manipulação do cérebro e dos seus vasos sanguíneos e minimizando as complicações e a morbilidade da cirurgia, contribuindo para a alta hospitalar mais rápida e para melhor

à cirurgia da coluna vertebral, para optimizar a colocação de sistemas de parafusos tornando a cirurgia mais segura, e reduzindo o nível de radiação Rx para o doente e profissionais de saúde.

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We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: D.R.

qualidade de vida pós-operatória. Esta tecnologia pode também ser aplicada


FOTOGRAFIA: GETTY IMAGES.

We ARE PESSOAS


WE ARE ESCOLHA DO CONSUMIDOR

Lusíadas e Cascais PREMIADOS

Ana Isabel Gonçalves (conhecida por todos por Anita), e podem ser vistos um pouco por todo o hospital, também em Cascais e em suportes de comunicação digital das duas Unidades. Como se sentirão estes enfermeiros na pele de modelos? Bruno Matos, coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital dos Lusíadas, sorri: «Nós, profissionais de saúde, nem sempre esta-

ConsumerChoice – Centro de Avaliação da Satisfação do Consumidor

mos habituados a este tipo de comunicação. Se bem

atribuiu, este ano, 108 prémios. Para chegar a este número de vencedores, foi escutada

que, na HPP, e por força dos acordos com grandes

a opinião de 40.712 consumidores, que avaliaram 441 marcas em diversas categorias.

eventos, como o Rock in Rio ou o Peso Pesado, já

Este é um projeto inovador, que se diferencia dos demais por ter em conta a opinião do

vamos tendo algum traquejo [risos]. Mas tem sido uma

consumidor que é, em bom rigor, a mais importante de todas as bitolas. Assim, os players

experiência interessante, sobretudo porque estamos as-

de cada categoria são avaliados anualmente, em teste real. A “Escolha do Consumidor”

sociados a um reconhecimento dos nossos clientes.»

realiza testes com consumidores independentes e estatisticamente precisos e, no final,

Para o enfermeiro, que está no Hospital dos Lusíadas

é o mercado quem escolhe, é o consumidor que decide, avalia, prova, visita, classifica.

desde o princípio, é uma questão de orgulho num tra-

Os principais atributos referidos pelos consumidores, que escolheram os Lusíadas e Cas-

balho feito: «Estou neste projeto desde o início e, por

cais como os melhores hospitais privados da Grande Lisboa, foram, entre outros, a qua-

isso, vamos sentindo estas conquistas como nossas. É

lidade técnica do pessoal, a limpeza, o período de espera para a consulta, o número de

gratificante. No que toca às fotografias... quem está em

especialidades, a experiência comprovada dos clínicos, a atenção ao doente, os meios

primeiro plano é a enfermeira Anita. Eu estou tipo em-

complementares de diagnóstico ou a qualidade das urgências.

plastro. Mas as pessoas metem-se comigo e é diver-

Para Pedro Mateus, administrador do Hospital dos Lusíadas, esta é a prova de que esta-

tido.»

mos no bom caminho: «Por um lado, é sinal de que estamos a fazer bem feito e a rees-

A enfermeira Anita, que está, com efeito, em primeiro

truturar um hospital ao serviço dos nossos clientes, que são o fim último do nosso

plano na imagem da nova campanha, diz que o feed-

trabalho. Por outro lado, esta distinção revela que temos uma equipa dedicada que ex-

back tem sido muito positivo: «As pessoas dizem que

cede as expetativas dos clientes. O reconhecimento do mercado é o melhor dos reco-

estou com ar de enfermeira competente, na fotografia!

nhecimentos. Mas é também uma responsabilidade: temos de continuar a superar todas

Espero que não seja só o ar! A verdade é que temos

as expetativas – as dos nossos clientes e as nossas.»

desenvolvido um trabalho muito bom, aumentámos os

Também Pedro Dias Alves, Presidente do Conselho de Administração do Hospital de

níveis de exigência de ano para ano e o reconhecimento

Cascais, se confessou orgulhoso por esta escolha do consumidor: «Sim. Estou orgulhoso

desse esforço é, sem dúvida, motivo de satisfação.»

de ter uma equipa vencedora. Eu não sou médico, não sou enfermeiro. Posso ter quali-

As palavras do enfermeiro Barroso, enfermeiro diretor

dades de gestão, mas é esta equipa que lidero que está de parabéns. É, sem dúvida, um

do Hospital dos Lusíadas, não foram dissonantes: «O

dos maiores ativos desta empresa.» Além do orgulho, Pedro Dias Alves referiu também

que preside ao nosso trabalho é a filosofia do cuidar. E

a questão da responsabilidade que um prémio deste encerra: «Não ganhar o prémio

os enfermeiros cuidam. Por isso, sinto uma particular

custa, mas não dói assim tanto. Agora, perdê-lo... isso sim, já custa muito! Ou seja, a

satisfação por serem os enfermeiros a cara desta nova

distinção por parte do mercado responsabiliza-nos e obriga-nos a sermos ainda mais

campanha. E quer o enfermeiro Bruno, quer a enfer-

exigentes para provarmos que somos merecedores deste reconhecimento.»

meira Anita representam muito bem a filosofia do ser-

OS ROSTOS DA ESCOLHA DO CONSUMIDOR

viço de enfermagem e a filosofia da empresa.»

Tendo por ponto de partida esta distinção, o Hospital dos Lusíadas arrancou com uma

Para o ano há mais Escolha do Consumidor. E a HPP

campanha para reforçar a visibilidade deste reconhecimento.

Saúde quer continuar a merecer a preferência de todos

Os rostos visíveis desta nova imagem são os enfermeiros Bruno Matos e a enfermeira

os que a procuram.

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We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: D.R.

A

É mais um motivo de orgulho! O Hospital dos Lusíadas e o Hospital de Cascais foram considerados “A Escolha do Consumidor”.


11.2011, © Siemens S.A.

Uma pequena célula não tem de causar um grande problema. As respostas Siemens ajudam os médicos a detectar doenças mais cedo, reduzindo custos e prolongando vidas.

Detectar uma doença em fase inicial diminui o seu impacto na vida de todos. Isto porque grande parte dos custos de saúde actuais vão para o tratamento de condições como o cancro ou as doenças cardíacas em fases já avançadas. Com a tecnologia de diagnóstico

Siemens, os médicos podem identificar problemas precocemente, com precisão. E dar aos pacientes o tratamento certo mais cedo. O que ajuda a salvar vidas e reduzir custos. Onde há questões de saúde difíceis, nós damos as respostas.

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WE ARE ATITUDE

MAR adentro

Disciplina, concentração e paz de espírito são algumas das virtudes que Victor Almeida encontra na caça submarina, um desporto que pratica há mais de 20 anos

atividade em que consigo esquecer-me de tudo, abstrair-me de tudo. Ao longo do tempo, tornei-me mais contemplativo e menos caçador. O mar proporciona uma paz de espírito única. Só quem conhece, quem experimenta, pode valorizar esta calma.” Veterano neste desporto, Victor Almeida mantém a prática ao longo de todo o ano. Lugares de eleição: Costa Vicentina, Cabo da Roca, Guincho, Farol do

ato e gravata são um imperativo pessoal,

Bugio, Peniche, S. Martinho do Porto.

seja verão ou inverno. Victor Almeida é diretor comercial de clientes institucionais da

Segundo o diretor, a caça submarina tem ainda a

HPP Saúde. A aparência formal não observa exceções, é uma opção que faz questão

virtude de ser um desporto muito disciplinador,

de manter, mas bastam poucos minutos à conversa para denunciar que são os filhos,

que exige preparação física, rigor e precauções de

a família e os hobbies que pratica com disciplinado zelo que temperam a narrativa.

segurança. De certa forma, diz, “esse rigor, essa

Grau de dificuldade em falar sobre si próprio: zero. Sem desvios na postura e no tom

atenção e essa eficácia são aspetos que têm para-

de voz, seguro, simpático e tranquilo, acresce-lhe um sentido de humor cáustico.

lelo também na atividade profissional”. Por outro

O tema da conversa estava definido: queríamos que nos falasse do seu destino de elei-

lado, o facto de ser pai, tornou Victor mais caute-

ção nos tempos livres, queríamos saber que proveito tira, há mais de 20 anos, sempre

loso, “mais responsável, um pouco mais temeroso

que entra mar adentro para praticar caça submarina. “Porquê caça submarina e não

até”, confessa. De resto, diz, “acho que tenho sem-

outro desporto?” A pergunta não é ingénua. As palavras e o tom são propositadamente

pre 20 anos. Apesar das rugas, sinto-me sempre

provocatórios. Nem vacila. “A caça submarina é muito mal interpretada. Os caça-

jovem, a juventude da mente cultiva-se”. Talvez

dores submarinos não são piratas. Sou muito seletivo naquilo que caço, tem

por isso seja perentório quando afirma que, “fazer

de ser comestível e do tamanho certo”, afirma. “O peixe do mar cheira a

desporto, dá trabalho, nem sempre apetece fazer o

mar. Quando cozinho o peixe que apanho, a minha cozinha cheira a

que nos faz bem, mas depende de nós envelhecer

mar. O que me dá mesmo gozo é ser autossuficiente” diz.

mais depressa ou mais devagar. Sou altamente obstinado com as metas que coloco a mim próprio”,

CULTIVAR A JUVENTUDE Para Victor Almeida, o prazer da caça submarina é, sobretudo, indissociável da tranquilidade que lhe 12

We HPP SAÚDE

sublinha. Na caça, como na vida, não hesita. “Assumo alguns riscos. Decido de forma muito consciente, mas não tenho medo de decidir.”

FOTOGRAFIA: GETTY IMAGES; D.R.

F

transmite o mar. “Não penso em mais nada. É a única


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WE ARE OPINIÃO

Ora quem se desloca com esta motivação, pretende reduzir o tempo de espera para uma determinada

Helena Gonçalves DIRETORA EXECUTIVA DA ASSOCIAÇÃO DE TURISMO DO PORTO E NORTE

Turismo MÉDICO

tinos que satisfaçam este princípio, e, simultaneamente, apresentem custos mais reduzidos com a saúde, melhor qualidade de tratamento e infraestruturas, confiança e privacidade e ainda a oferta de um produto completo que possa satisfazer as suas necessidades imediatas de saúde, mas que satisfaçam, em simultâneo, as suas necessidades sociais e de status, providenciadas pelo ato de viajar. O engenho, o dinamismo, a criatividade e a força de vontade desta parceria possibilitaram ao Porto lançar um produto inovador, estruturado e específico para o turismo médico. A Oportonity to Feel Well é já uma marca de sucesso,

oportunidade de envolver diferentes par-

que espera seduzir mais turistas/pacientes para o

tes interessadas num mesmo objetivo, reforçar parcerias e otimizar recursos na es-

Porto e Norte de Portugal, que terão ao seu dispor

truturação do produto Turismo Médico, que apesar de ser considerado no mercado

um destino autêntico e com características ímpares

turístico mundial como um nicho de mercado, representa presentemente 6 milhões

a nível mundial, designadamente: o encanto único

de pessoas que viajam para realização de tratamentos médicos, foi inequivocamente

do centro histórico do Porto, com mais de 2 mil anos

um dos pilares para que quatro entidades se tenham aliado para o desenvolvimento

de história, classificado como Património da Huma-

a nível internacional do Turismo Médico do Porto e Norte Portugal.

nidade em 1996; quatro patrimónios mundiais: cen-

Os fundadores da parceria Oportonity to Feel Well, Câmara Municipal do Porto, As-

tro histórico do Porto e de Guimarães, o vale do Douro

sociação de Turismo do Porto (ATP), HPP Hospital da Boavista e Travel Health Ex-

e as gravuras rupestres de Foz Côa; beleza paisagís-

perience, verificaram que o Porto e o norte cumpriam todos os fatores críticos deste

tica sem igual, composta por cidades, rios, oceano e

negócio (destino autêntico e seguro, credibilidade clínica e oferta certificada inter-

montanhas separadas geograficamente por curtas dis-

nacionalmente) e decidiram passar dos conceitos teóricos para a prática, promo-

tâncias; a perfeita fusão entre o histórico e o mo-

vendo internacionalmente o destino e a respetiva oferta, visando a captação

derno; a autenticidade e a hospitalidade; o interna-

de turistas/pacientes estrangeiros que se enquadram neste segmento.

cionalmente aclamado vinho do Porto; excelente gas-

Esta parceria resulta de um profundo diagnóstico e num claro aprovei-

tronomia e os vinhos; a segurança; o clima ameno; o

tamento das oportunidades decorrentes dos altos custos com a saúde

apetecível comércio tradicional, trendy e cool; aero-

nos países industrializados, aliado ao envelhecimento progres-

porto e as infraestruturas modernas e diversificadas;

sivo da população e o aumento da esperança média de vida. Este “turista” tem um perfil muito característico: seg-

Em suma, à luz dos mais recentes conceitos de “ex-

mento premium, com consumo elevado e oriundo de

perience marketing”, a Oportonity to Feel Well ofe-

mercados com significativo poder de compra, co-

rece aquilo que o turista/paciente moderno procura

mo Reino Unido, Alemanha, EUA, Canadá,

atualmente: uma experiência de viagem médica

Austrália e Médio Oriente. 14

We HPP SAÚDE

a animação; best value for money.

que seja também uma experiência de vida.

FOTOGRAFIA: D.R.

A

intervenção cirúrgica e, neste sentido, procura des-


WE ARE PORTO MEDICAL TOURISM

TURISMO de saúde no Porto

O Hospital da Boavista, em parceria com a autarquia do Porto e Associação de turismo, está a implementar o projeto Porto Medical Tourism. O objetivo é cativar pessoas de outros países a fazer tratamentos no hospital, enquanto aproveitam para conhecer a cidade do Porto.

A ideia do projeto partiu, aliás, da THE há cerca de um ano e meio. A proposta foi acolhida pela autarquia, tendo, depois, sido convidado o Hospital da Boavista. “O hospital foi escolhido por três razões: porque é o único hospital privado no norte do país acreditado pela Joint Commission International, por estarmos no coração da cidade e porque podemos desenvolver este nicho de mercado”, explicou José Bento, administrador executivo do Hospital da Boavista. A inovação, dizem todos os parceiros envolvidos, tem a ver com o facto de se ter um produto pronto a vender e com o aproveitar do conhecimento de quem já está no mercado, quer da saúde, quer do turismo. “A grande vantagem é ter uma associação que lhe dá credibilidade, com a ATP e a THE. Antes, tínhamos dois tipos de procura de estrangeiros: das pessoas que estão cá a passar férias e nos procuram de acordo com a necessidade, que é a chamada procura reativa; e de clientes que vêm cá por referência médica, nomeadamente de cirurgiões plásticos”, adiantou o administrador. Agora, com a plataforma on-line, qualquer pessoa mento médico em Portugal, vai poder fazê-lo no Hospital da Boavista. O facto de um cliente sujeito a intervenção cirúrgica necessitar da companhia de outra pessoa, vai trazer, assim, no mínimo, duas pes-

uma forma de um cidadão estrangeiro ser

soas de cada vez ao Hospital da Boavista e ao Porto.

tratado no Hospital da Boavista e aproveitar para conhecer a cidade do Porto. Esta junção

O preço final já inclui o procedimento médico e as

do útil ao agradável tem um nome: Porto Medical Tourism. É um projeto, que foi apre-

despesas pré e pós-operatórias. Podendo também ser

sentado recentemente, que pretende potenciar o turismo médico na cidade e até no país,

marcadas as atividades turísticas, bem como o hotel.

onde a oferta destes serviços é ainda escassa.

“O hospital está preparado para este tipo de resposta.

O objetivo é trazer pessoas à Invicta e ao Hospital da Boavista e contribuir para o reconhe-

Estamos preparados com camas disponíveis e também

cimento do único hospital privado do norte do país acreditado pela Joint Commission In-

com resposta médica e técnica para a procura que es-

ternational, que comprova a qualidade e a segurança de unidades hospitalares no mundo.

peramos vir a ter”, garante José Bento.

Basta que um cidadão estrangeiro pretenda ser submetido a um tratamento e pes-

Numa primeira fase, o enfoque são os procedimentos

quise na Internet por “turismo médico” e “Porto”, rapidamente irá aparecer o ende-

cirúrgicos para captar a atenção dos mercados de con-

reço http://medicaltourism.visitporto.travel, um site que tem uma aplicação que

sumo de gama alta, como EUA, Reino Unido, Cana-

permite fazer a simulação dos procedimentos pretendidos, ler a sua descrição e o

dá, Austrália e Médio Oriente. No mundo, o turismo

preço. Em três cliques, o potencial cliente tem acesso a todas as informações. Caso

médico gere um negócio de 100 mil milhões de dóla-

queira aprovar a proposta, pode, viajar primeiro, até ao hospital para conhecer o

res e envolve 6 milhões de viajantes. O retorno eco-

médico e receber algumas informações. Depois, é preparada a viagem, a receção ao

nómico só deve começar a sentir-se após os primeiros

cliente e a organização do programa turístico.

dois anos de implementação do projeto, mas, até lá,

Tudo isto só é possível através da parceria entre o Hospital da Boavista, a Câmara Municipal

o essencial é “trazer credibilidade internacional” ao

do Porto, a Associação de Turismo do Porto (ATP) e a Travel Health Experience (THE).

Hospital da Boavista.

16

We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: D.R.

É

que resida no estrangeiro e que queira receber trata-


O Melhor Parceiro para o Diagnóstico Clínico

Na Europa empresa líder em diagnóstico e gestão de laboratórios de análises clínicas

Presente na sua rede HPP Saúde

Dispõe de um amplo catálogo com mais de 2.000 análises nas seguintes áreas: Anatomia Patológica (citologias, histologias) Genética Bioquímica Clínica Hematologia Clínica Imunologia Endocrinologia

Alergologia Microbiologia Parasitologia Toxicologia Biologia Molecular Rastreio Pré-Natal


WE ARE CASO PESSOAL

José, o PESO PESADO que nunca desistiu

J

com muletas”, conta José Teixeira, que, apesar das restrições, nunca desistiu. Em casa, adaptou os treinos à sua nova condição. Conseguiu perder 65,3 kg fora do concurso e, como foi o concorrente que perdeu mais peso em casa, recebeu o prémio de 25 mil euros. Hoje, com 41 anos e com 102 kg revela o que o ajudou a não perder o empenho e a motivação.

José Teixeira tinha 39 anos quando participou no concurso da SIC, Peso Pesado. Chegou

“Agradeço ao fisioterapeuta João Costa uma recupe-

à herdade do concurso com 171,5 kg. A sua história era simples: começou a engordar

ração a 100 por cento. Foi graças a ele que consegui

quando se casou. Levava uma vida sedentária e a mulher era cozinheira. Dois ingre-

superar esse período”, revela, acrescentando que o fi-

dientes que o conduziram à obesidade. No concurso, José revelou desde logo muita

sioterapeuta entendeu o seu objetivo. “Depois de en-

força de vontade e, na primeira semana, emagreceu 11,8 kg. Foi o recordista de peso

trar no concurso, tornei-me uma pessoa mais ativa.

perdido em apenas uma semana. José estava focado e tinha o seu objetivo bem defi-

Não queria estar parado de forma nenhuma. Tinha

nido. Na segunda pesagem, a balança mostrou uma perda de 4 kg e, na terceira, menos

de perder peso e aqueles dois meses de recuperação

5 kg. José chegava ao fim da terceira semana no concurso com menos 20 kg.

da cirurgia podiam ter deitado tudo a perder”, adian-

Quando atinge os 150,7 kg, José não podia estar mais feliz, mas, num jogo de bola com

ta, sublinhando que, graças à recuperação que teve

os colegas, lesiona-se e é levado para o hospital.

com a fisioterapia, consegue manter uma boa ativi-

Uma lesão grave no pé direito obrigou-o a abandonar a competição. José teve de ser

dade física. Participa em várias provas de corrida e,

submetido a uma intervenção cirúrgica no Hospital dos Lusíadas, em Lisboa e ficou

na última em que participou, trouxe uma medalha a

sujeito a dois meses de recuperação. “Lembro-me bem. Tive um mês com gesso e outro

qual decidiu entregar ao seu fisioterapeuta. “Como sei

18

We HPP SAÚDE


que ele é do Sporting, fui fazer a corrida do clube que

BANDA NEUROMUSCULAR

foram 10 km sem parar. Entreguei-lhe a medalha co-

A banda neuromuscular, que foi usada nos tratamentos do José Teixieira, surgiu nos anos 70 no continente asiático, na Coreia e no Japão. O método assenta no princípio de que o movimento e a atividade muscular são imprescindíveis para manutenção de um estado saudável. É uma banda elástica (130-140%) que auxilia a função tegumentar, ligamentar e muscular, sem limitar os movimentos corporais. A aplicação das bandas tem como objetivos principais, durante a fase de reabilitação ou em atividades desportivas: melhorar a função muscular através da regulação do tónus muscular, podendo contribuir tanto para a sua diminuição, como para a sua estimulação, dependendo da forma de aplicação; melhorar a função articular, pois decorrente do seu efeito mecânico direto sobre o sistema tegumentar irá estimular a proprioceção, contribuir para a correção articular e aumentar a correção do movimento e a estabilidade; ativar a circulação sanguínea e favorecer a drenagem linfática, pois “o levantar da pele”, favorece estes mecanismos; promover a analgesia. A banda neuromuscular pode ser aplicada em qualquer região do corpo.

mo forma de agradecimento”, afirma, acrescentando que atualmente faz ginásio duas vezes por dia. Começa às sete da manhã e, depois, vai ao final do dia. “Não tenho dores nenhumas no pé e isso ajuda muito a manter a minha atividade física”, afirma José Teixeira, que revela que, no seu tratamento de recuperação da cirurgia, usou várias vezes bandas neuromusculares. E em que consistiu o trabalho do fisioterapeuta João Costa? Não foi fácil convencer o José a parar o exercício intensivo. “O José estava muito empenhado no exercício físico e, para recuperar, tínhamos de passar por duas fases que não permitiam fazer uma carga total sob o pé direito, revela o fisioterapeuta João Costa, do Hospital dos Lusíadas, acrescentando que o José iniciou a fisioterapia com um quadro clínico de edema, dor e diminuição da mobilidade e força muscular. “Fizemos aproximadamente 30 sessões de fisioterapia”, explicou o fisioterapeuta, acrescentando que o processo de recuperação foi sempre gratificante porque o José mostrou sempre uma vontade férrea de recuperar. “Os tratamentos foram inicialmente realizados com enfoque na diminuição da dor e do edema e na recuperação da mobilidade. Posteriormente investimos mais no restabelecimento da força e da proprioceção”, afirma o fisioterapeuta, revelando que, neste processo, foram utilizados inicialmente meios como a crioterapia, laser, correntes analgésicas e bandas neuromusculares com o objetivo de promover, o mais rapidamente possível, trabalho em carga para que José recuperasse o tempo perdido. “Neste trabalho, o José foi uma pessoa bem disposta,

ESTABILIDADE SEM RESTRIÇÃO

Os doentes referem, logo após a aplicação, sensação de estabilidade sem restrição de movimento, diminuição de dor e, consequente, facilidade na mobilidade. A banda como segunda pele que é colocada fornece estímulos constantes e duradouros durante vários dias para que o resultado final seja uma melhoria da lesão, seja ela muscular, circulatória, ligamentar ou neurológica.

encarando o seu azar com naturalidade e sem mágoa

INDICAÇÃO TERAPÊUTICA

pelo sucedido, olhando somente para o seu objetivo

As indicações terapêuticas são imensas. As bandas neuromusculares atuam e podem ser aplicadas em diversas áreas, como na músculo-esquelética, pediatria, desporto, neurológica, linfática, específicas, como cicatrizes, hematomas, etc. Dentro da área musculo-esquelética, as lesões mais frequentes são as roturas musculares, as tendinites/tendinopatias e o aumento ou diminuição de tônus. Na área desportiva, abre-se um mundo de possibilidades para melhorar as performances. Na área neurológica também, obtendo-se cada vez melhores resultados. As bandas têm resultados muito bons na melhoria da marcha e na dor nas pessoas com Parkinson. Nos doentes com hemiplegia, um dos grandes problemas é o ombro sub-luxado inferiormente e, aqui, também são uma ajuda preciosa na prevenção e no tratamento.

primeiro: perder peso e sentir-se bem consigo próprio”, salienta João Costa, que, em relação ao gesto do José, que lhe ofereceu a medalha de participação numa corrida, refere que foi comovente. “Foi comovente pela sua espontaneidade e isso, para mim, foi uma grandeza.”

We HPP SAÚDE

19


We DO

UNIVERSO HPP


WE DO ENTREVISTA

“O valor da HUMANIDADE é o que trazemos” Afirma José Carlos Magalhães, Presidente do Conselho de Administração do Grupo HPP Saúde

É sob o lema da inovação e da qualidade que a nova gestão da HPP Saúde quer ser o número 1 na prestação de cuidados de saúde privada em Portugal. Assumem um compromisso com a excelência e a transparência, que são a base de um relacionamento de valor com clientes e colaboradores. Na bagagem, trazem uma vasta experiência de um grupo, a Amil, uma empresa que tem a sua origem em 1972, na cidade fluminense de Duque de Caxias.

O grupo Amil tem uma história e uma vasta experiên-

A história do Grupo Amil começou na Casa de Saúde São José, uma pequena clínica

cia na área da prestação de cuidados de saúde. Que fi-

que, pelas mãos de Edson Bueno, um jovem médico recém-formado, se torna na maior

losofia traz para a HPP Saúde?

maternidade privada no Estado do Rio de Janeiro. A dedicação e o esforço de Edson

A Amil desenvolveu-se segundo valores muito sóli-

Bueno transformaram-se num sonho maior ao adquirir mais hospitais e criar a Esho –

dos, onde o doente é o foco principal. Por ser uma

Empresa de Serviços Hospitalares. Em 1978, a Esho é uma empresa sólida no mercado

empresa de médicos, o bem-estar das pessoas está

brasileiro da saúde e é criada a Amil, Assistência Médica Internacional, um grupo que

acima de qualquer coisa. O valor da humanidade é o

atua na área dos seguros de saúde. A Amil gere, atualmente, 24 unidades de saúde no

que trazemos para a HPP Saúde. Para exemplificar, a

Brasil e, desde 2012, passou a contar com capital do grupo norte-americano United

clínica onde tudo começou ficava no alto de uma co-

Health. O crescimento do grupo consolidou-se em 2013 com um salto para este lado do

lina. Edson Bueno criou um transporte para as grávi-

Atlântico, ao comprar a HPP Saúde em Portugal. Um negócio que é um ponto de partida

das. Depois, decidiu dar um pequeno lanche para as

para voos mais altos, no país e fora dele. O primeiro objetivo é liderar o mercado na

pacientes que vinham de longe e passavam o dia todo

área da prestação de cuidados de saúde. O novo presidente do conselho de administração

à espera de consulta sem comer. A produção da clí-

do Grupo HPP Saúde, José Carlos Magalhães, fala da consolidação de objetivos, das

nica aumentou em pouco tempo. Em poucos meses,

oportunidades e dos desafios.

passou dos 180 para os 200 partos e, logo depois, para

22

We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: DUARTE RORIZ/COSTUMER.

A


de que a Europa é um grande mercado para se investir. O Grupo HPP Saúde foi uma oportunidade de começar um negócio num país vencendo a inércia da start up. Ou seja, de começar um negócio do nada. Começar uma empresa seja lá onde for é muito difícil. Aqui, partimos de uma base. Essa foi a grande motivação. No ano passado, estudámos muito o mercado português e o europeu. Analisámos muito bem o ambiente de negócios. A primeira decisão era mesmo entrar em Portugal; depois, entrar nos HPP. E a estratégia não se encerra só com esse negócio. É um ponto de partida. Podemos mesmo ir para além das fronteiras de Portugal e investir noutras áreas de negócio. Portugal é uma porta de entrada na Europa. Não podemos olhar para o país de forma isolada, mas sim para tudo o que integra e comporta. Mas porquê entrar num país em crise? Acreditamos muito em Portugal. A questão da crise não foi um impeditivo e não nos assustou na hora de decidir pelo investimento e Portugal é, naturalmente, uma plataforma de lançamento para novos negócios cá dentro e noutros países, como já referi. A nossa decisão de investir foi por acreditarmos no crescimento do mercado privado em paralelo com o Serviço Nacional de Saúde. O empreendedor percebe o momento de entrar quando outras pessoas acham que é o momento de recuar. E, às vezes, é nestes momentos, em ambientes de recessão, que se fazem bons negócios por menos dinheiro. Qual o potencial de crescimento da HPP? Onde pode crescer mais? O Grupo HPP Saúde tem um elevado potencial de crescimento. Hoje, nós ocupamos, em Portugal, a terceira posição nesta atividade, mas o nosso objetivo é chegar a número 1. Queremos ser o número 1 em Portugal. E a HPP pode crescer mais ampliando a prestação de serviços que já tem. Os nossos hospitais têm potencial para aumentar a produção. os 600. A filosofia do grupo é trazer conforto e saúde

A HPP tem sete unidades de saúde no país. Este universo é suficiente para alcançar esses

para as pessoas. É uma empresa privada e, como em-

objetivos?

presa privada, tem por objetivo ganhar dinheiro, mas

O mercado oferece muitos mecanismos para atingir os nossos objetivos e há, sem dúvida

isso nunca foi o principal. A Amil, talvez por ser uma

alguma, lugar para mais hospitais.

empresa fundada por médicos e que começou com

Como perspetiva a evolução do mercado de saúde em Portugal, nomeadamente no que

um núcleo muito familiar, sempre teve objetivos de

diz respeito aos privados?

longo prazo. Acho que isso ajudou muito na criação

A população idosa está a crescer muito em Portugal e os custos de um sistema de saúde

e na construção de uma cultura em que as pessoas

são custos que crescem a uma velocidade maior do que a inflação média. A inflação da

têm voz e opinião, e em que o bem-estar dos nossos

saúde é duas a três vezes maior do que a inflação média de uma economia. Todos os

clientes e colaboradores é a prioridade.

anos, nós temos incorporações de tecnologias novas, de investigação e de tratamentos,

O que levou a Amil a investir em Portugal e a comprar

e até de novos medicamentos. Tudo isso é caro e pressiona muito o sistema. O Sistema

a HPP Saúde?

Nacional de Saúde pago pelo Estado está demasiado pressionado. E o que nós percebe-

A nossa vinda para Portugal tem como objetivo o in-

mos é que há, em Portugal, e esta foi uma das razões que leva uma empresa como nossa

vestimento estratégico, o investimento de longo pra-

a vir para cá, um mercado privado que corre de forma suplementar ao Sistema Nacional

zo. Foi o desejo de internacionalização e a perceção

de Saúde. Contudo, as questões orçamentais vão pressionar muito o Estado. Vai ser We HPP SAÚDE

23


Vai ser muito complicado o financia-

O que podem os doentes esperar do Grupo Amil na

mento público continuar a atender, como

gestão da HPP Saúde?

tem feito até agora, as pessoas. Essa é, creio

Os nossos hospitais vão ser os melhores do país.

eu, a oportunidade para o crescimento do sistema

Vão ter a melhor tecnologia médica. Vamos ter os

privado que já existe em Portugal. Dois milhões de

melhores médicos e os melhores recursos de tera-

portugueses já têm seguros privados de saúde. São segu-

pêutica e de diagnóstico. Os hospitais que temos já

ros que atuam de forma complementar ao Serviço Nacional

ajudam muito neste objetivo claro. Já são hospitais

de Saúde. O público e o privado não são excludentes, são com-

de excelência e certificados por organismos de qua-

plementares. E a motivação dos portugueses para comprar seguros

lidade como a Joint Commission, que é um orga-

reside no facto de já terem dificuldade em aceder aos cuidados de saúde.

nismo internacional norte-americano que acredita

Uma consulta de especialidade num hospital público demora semanas ou até

unidades de saúde no que diz respeito ao serviço

meses. Uma pessoa com seguro privado consegue a consulta para o dia seguinte.

prestado ao doente. Falo de segurança e de quali-

Com o tempo, as lacunas que vão surgindo no sistema público vão dar oportunidade

dade. As acreditações de qualidade como esta são

ao privado de crescer. Esta é uma das potencialidades do mercado.

medidores excelentes para o negócio. Já temos três

E o que Portugal pode ganhar com este investimento além do capital que entrou para os

hospitais da HPP Saúde com este selo, mas o obje-

cofres do Estado?

tivo é ter todos.

Acho que o grande benefício que a Amil pode trazer do Brasil, da sua experiência e da

Já que falamos também de certificações: a qualidade

sua história, para Portugal é a formatação de um sistema suplementar. O grande contri-

é uma palavra obrigatória em saúde privada. O que

buto da Amil está na forma de financiar a saúde e na forma de prestar o serviço. Uma

significa?

forma diferente de desenhar os seguros e os serviços de saúde. Nós prestamos serviços

Significa atender o cliente. O cliente vem buscar saú-

muito corretos, mas precisamos também de mais calor humano e conforto nos serviços

de. O nosso dever é entregar o que o cliente espera, a

que já prestamos nas nossas unidades de saúde. Já estou a falar da HPP Saúde. Quere-

saúde, mas com conforto. Na Amil, já superámos uma

mos trazer um pouco de hotel para dentro do hospital. Falo de coisas que vão além da

fase em que a qualidade médica é obrigação. Já não

excelência médica claro.

se discute. Para nós é a base. Na Amil, quando fala-

24

We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: DUARTE RORIZ/COSTUMER.

WE DO ENTREVISTA


mos na qualidade, falamos sobre o que ela significa

Há, portanto, um intercâmbio de experiências?

na perceção do cliente. E o cliente lembra-se do sorriso

Sim, sem dúvida. Nós não enchemos um avião de brasileiros e trouxemos para cá. Apro-

das pessoas, a enfermeira que lhe pegou na mão e que

veitámos o know-how, o conhecimento dos que já ca estavam. Os médicos, os enfer-

disse que ia correr tudo bem no bloco operatório. Esse

meiros e os executivos que encontramos na HPP Saúde são muito bons. Não foi

é o toque.

necessário trazer gestores. Vieram alguns, sim, mas para fazer a ponte entre as duas

O que podem esperar os colaboradores da HPP dos

empresas. E estamos a trabalhar com intercâmbio. Grande parte dos nossos quadros já

gestores que vêm da Amil?

foi visitar a empresa no Brasil. Já foram médicos lá e vieram outros a Portugal. Trocaram

Os colaboradores podem esperar uma gestão muito

experiências. Faz parte do nosso projeto o desenvolvimento dos médicos e dos enfer-

próxima. De ouvidos abertos e muita participação. O

meiros. Queremos que estejam e se sintam próximos dos gestores. A Amil trabalha a re-

objetivo é desenvolver a área de recursos humanos na

lação com os médicos. Essa é a sua mais-valia e é uma tradição. É a nossa cultura. Está

sua vertente motivacional e de treino. Queremos que

na nossa génese.

todos os nossos funcionários tenham oportunidade de

Qual o maior desafio da Amil na gestão da HPP Saúde?

melhorar e aperfeiçoar o seu trabalho. Apostamos

De caras, diria que é tornar a HPP Saúde no prestador de cuidados de saúde número 1

numa formação contínua.

em Portugal. E, depois, diria que é conseguir impor a cultura que nós temos do servir.

E o Grupo Amil, o que pode aprender com o que en-

O povo brasileiro é muito extrovertido, talvez mais do que o português. O português é

controu em Portugal, na cultura da HPP Saúde?

mais fechado. No recrutamento para as unidades da HPP, procuramos pessoas que gos-

Os brasileiros têm um traço de informalidade que os

tem de pessoas. Queremos pessoas que saibam servir. O sorriso e o pegar na mão

leva a serem fortes na empatia; os portugueses são

não se treinam. Esse carinho, essa atenção para com o outro vem da pessoa.

mais estruturados e organizados. O que a Amil ganha

Prefiro uma pessoa calorosa a um mestre frio e duro.

com a HPP Saúde é a forma. Somos uma empresa di-

O que o levou a aceitar este desafio e mudar-se para Portugal?

nâmica e muito veloz. A velocidade paga um preço

O entusiamos pelo projeto. Eu coordenei o processo de compra.

na estruturação. E a forma de trabalho muito estrutu-

Quando a oportunidade surgiu, aceitei. Gosto do país e da opor-

rada, muito bem esquematizada está a ser um ensi-

tunidade de começar algo novo. E a minha experiência

namento para nós.

como médico e gestor ganha com mais este projeto.


WE DO ENTREVISTA

PORTUGAL é um país de imensas OPORTUNIDADES O embaixador do Brasil em Portugal, Mário Vilalva, fala da forma positiva como encara o investimento do Grupo Amil no nosso país ao comprar o Grupo HPP Saúde, das vantagens deste negócio e das possibilidades de crescimento e fortalecimento das relações bilaterais entre Portugal e Brasil

rém, o país não pode ser visto de forma isolada. Portugal tem de ser visto no contexto europeu porque é um país europeu. Está perfeitamente integrado na União Europeia. Portanto, as decisões de investimento perspetivar olhar para além das fronteiras portuguesas. Visto sob este prisma, há muitos setores onde o investimento brasileiro pode ser uma inicia-

O Grupo Amil comprou a HPP Saúde. Como vê este investimento em Portugal?

tiva de grande interesse para os empresários que

Vejo de forma muito positiva. E tenho muito orgulho em dizer que, de certa forma, par-

queiram seguir o exemplo da Amil.

ticipei na decisão do Grupo Amil pelo investimento em Portugal. Estive com o Dr. Edson

Em que áreas as empresas brasileiras investem em

Bueno meses antes de o processo ter início em Portugal e pude conversar com ele sobre

Portugal? Os investimentos vão além da saúde?

as vantagens de um investimento no nosso país. Por isso acho que contribuí para uma

Hoje os investimentos brasileiros são, em Portugal

decisão que foi tomada pelo Grupo Amil, no sentido de fazer-se, neste momento, um

muito variados. Temos desde a alta tecnologia, como

investimento em Portugal. Considero que o país, embora esteja a atravessar uma etapa

é o caso da Embraer que fez um belíssimo investi-

difícil, é um país de imensas oportunidades e, certamente, essas oportunidades vão fru-

mento, em duas fábricas de alta tecnologia na cidade

tificar assim que Portugal saia da crise. Todos acreditamos que isso será em breve.

de Évora, até apostas na área do cimento. A empresa

A que se deve este investimento na área da saúde?

Camargo Corrêa, através da sua subsidiária, a Inter-

Foi um investimento na saúde porque era uma das oportunidades existentes no con-

Cement, adquiriu a Cimpor e fez importantes inves-

texto de todas as privatizações em Portugal e também pelo facto de o país, a meu ver,

timentos nessa área. Portanto, estamos a falar de um

ter uma vocação muito clara para a terceira idade. E, portanto, quem estiver a investir

investimento já muito variado. Temos também in-

nesse ramo de atividade, vai ter um retorno de acordo com as expectativas. É um bom

vestimentos na área das finanças e da construção

investimento.

civil. No entanto, precisamente pelas suas dimen-

Qual é o potencial do mercado português para empresas brasileiras que procurem se-

sões relativas, Portugal ainda não é o país que mais

guir o caminho da Amil e investir em Portugal?

atrai o investimento brasileiro, embora esses inves-

O potencial é bastante razoável, embora Portugal seja um país pequeno e tenha um

timentos sejam importantes. O Brasil já tem cerca de

26

We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: SÉRGIO LEMOS.

O

mercado consumidor relativamente reduzido. Po-


3 mil milhões de euros investidos em Portugal. Con-

milhões de euros, também se fizeram em áreas muito diversas como no campo da ener-

tudo, uma coisa é certa, Portugal representa um in-

gia, das finanças, da distribuição. A PT, por exemplo, fez importantes investimentos

vestimento importante em termos de qualidade.

no Brasil e introduziu tecnologias próprias. Também há muitos investimentos na área

Esse investimento brasileiro em Portugal tem aumen-

do turismo, da hotelaria e da restauração. E os investimentos variam também geogra-

tado?

ficamente. Os portugueses tanto investem no sudeste, como no nordeste do Brasil.

Tem aumentado, mas cresce a um ritmo muito par-

A História, em muitos pontos, comum, facilita as relações entre Portugal e o Brasil?

ticular. Não é exponencial. Cresce a um ritmo arit-

Facilita muito. Temos uma História com várias convergências. Temos uma lín-

mético. A cada ano, há um investimento novo e não

gua comum, uma cultura muito próxima e sobretudo, uma característica

vários investimentos. Isso corresponde precisamente

muito singular das nossas relações, são as relações familiares. Talvez

às dimensões, que já falamos. Privilegiamos a qua-

seja o único país com o qual o Brasil tem imensas relações familia-

lidade e as áreas estratégicas.

res. Muito mais até do que com os nossos vizinhos, ali na Amé-

E o investimento de Portugal no Brasil?

rica do Sul. Esse é o elemento que mais singulariza as re-

No Brasil, já há cerca de 600 empresas portuguesas

lações entre os dois países. Para além, obviamente, da

ou de capital português, a operar no mercado. No

cultura, da História e da língua. Da ideia até de formar-

Brasil, houve um momento na história, nos anos 90,

se uma comunidade lusófona, como é o caso da

em que Portugal realmente investiu muito. Partici-

Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

pou, inclusive, no nosso processo de privatização. Os

(CPLP), que se tornou, hoje, no mundo,

investimentos, neste momento, já superam os 25 mil

uma nova união de poder.


WE DO ENTREVISTA

Essas vantagens pesaram na decisão do investimento da Amil? Estou certo de que a Amil olhou para todas essas variantes antes de fazer o seu investimento na HPP Saúde. Quando falamos de comércio entre Portugal e o Brasil, justamente pelas dimensões, tanto da procura como da oferta, temos de ter em conta que é um item que terá um crescimento sempre de forma muito moderada. A não ser que venhamos a ter um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. E como estão a correr as negociações? Estamos a trabalhar para isso. Já vamos bastante avançados na negociação. É possível que, até ao fim do ano, haja alguma novidade. Se assinarmos esse Qual o melhor conselho que pode dar aos empresários brasileiros que queiram in-

mércio bilateral entre o Brasil e Portugal. Estamos a

vestir em Portugal?

falar da redução das barreiras tarifárias e não tarifá-

Eu acho que é muito difícil dar conselhos aos empresários porque são eles que fazem

rias e de uma série de regras que vão facilitar o in-

o investimento. São eles que perdem ou ganham dinheiro. Uma coisa é certa. Portugal

vestimento mútuo entre os dois blocos económicos.

tem vantagens competitivas, inclusive em relação a outros países europeus. Embora

E Portugal tem tudo a ganhar pelas características

nós tenhamos relações com todos os países europeus, temos relações importantes com

que tem. Haverá uma tendência do empresário do

a Alemanha, Itália, França, mas, Portugal tem algumas características que deviam ser

Mercosul se estabelecer em Portugal. Este acordo vai

observadas pelos empresários brasileiros.

resgatar o Atlântico como grande via de comércio

Pode enumerar essas características?

que nós perdemos para o Pacífico nos anos 80.

Primeiro, o clima. É certamente o melhor clima da Europa. Isto aqui é a Flórida euro-

E que conselhos pode dar aos empresários Portu-

peia. E clima é um fator importante que conta na conceção de um investimento. Por-

gueses que queiram investir no Brasil?

tugal tem uma excelente infraestrutura. Belíssimas estradas, uma boa rede hoteleira.

O Brasil é, hoje, um mercado que atrai muitos paí-

Cidades espalhadas por todo o país, muito bem arranjadas e limpinhas. Portugal tem

ses do mundo com imensas oportunidades. Somos

uma boa infraestrutura hospitalar. Este é um aspeto que interessa ao investidor.

200 milhões de habitantes perfeitamente integrados

Tem uma das melhores estruturas de lazer da Europa. Os melhores campos de

no nosso espaço. Fazemos parte do Mercado Co-

golfe da Europa estão aqui. Portanto, se juntarmos tudo isso e a hospitali-

mum do Sul (Mercosul), e da União de Nações Sul-

dade, mais o acesso que Portugal tem ao Atlântico, é o país da Europa

Americanas (Unasul). O Brasil, em si só, é um con-

mais exposto ao Atlântico, em frente ao canal do Panamá, em linha

tinente em termos de mercado, mas também é um

reta com o nordeste brasileiro, mais as ligações que possui em

país que pode ser visto como um caminho para os

África, tem todos elementos que pesam na hora de uma de-

mercados importantes na América do Sul. Falo, por

cisão por parte do empresariado brasileiro, por isso, o

exemplo, da Argentina, do Peru, do Paraguai, da

conselho que eu dou é mais no sentido de que ob-

Colômbia e da Venezuela. Todos esses mercados

servem essas vantagens competitivas que Por-

estão integrados por acordos de livre comércio com

tugal tem em relação a outros países. 28

We HPP SAÚDE

o Brasil. Portanto, o empresário que se estabelecer

FOTOGRAFIA: SÉRGIO LEMOS.

acordo, aí, sim, haverá um salto qualitativo no co-


no Brasil tem a vantagem de qualquer empresa bra-

áreas da ciência e da tecnologia, e na saúde, que nós vamos dando essa importância

sileira em relação aos mercados vizinhos. Agora, é

e tornando o idioma mais respeitado no mundo.

um mercado que deve ser estudado também. Não

Qual o balanço que faz do Ano de Portugal no Brasil e do Ano do Brasil em Portugal?

se deve acreditar que basta chegar lá e começar a

Foi uma iniciativa de grande sucesso. Foi uma iniciativa tomada pelos nossos chefes

fazer o seu negócio.

de governo ainda em 2010 e que finalmente se materializou a partir de setembro do

Que barreiras terão de enfrentar?

ano passado com término em junho deste ano. O Brasil realizou, em Portugal, mais de

O Brasil possui as suas complexidades, inerentes à

350 eventos de diversas categorias tanto na área cultural, teatro, cinema, música mas

sua dimensão, aos seus regionalismos. Portanto, o

também noutras áreas, como a ciência e a tecnologia, e o comércio. Aliás, hoje, uma

empresário português deve analisar e estudar cada

das grandes vertentes, a grande novidade na relação bilateral, é justamente o avanço

um dos aspetos da realidade brasileira, inclusive no

que estamos a imprimir no intercâmbio nas áreas da ciência e da tecnologia. Inclusive

que diz respeito à legislação, aos impostos que, são

como forma de dar aquele substrato económico que já mencionei para a nossa língua.

pagos, a os códigos de negócios e à cultura, que cer-

Acho que foi muito positivo. Trouxe uma atualização às nossas sociedades sobre aquilo

tamente, para um português é mais fácil de com-

que há de mais moderno nesses vários campos e incentiva muito o turismo, que é outra

preender. Eu costumo dizer que o Brasil é Portugal

área que tem crescido muito na nossa relação. Graças, entre outros instrumentos, aos

projetado no tempo e no espaço. Costumo dizer que

voos que a TAP realiza para o Brasil. São dez capitais atendidas por voos diretos. Em

o Brasil foi, certamente, a maior obra que Portugal

breve, creio que mais duas, Belém e Manaus, entram nesse roteiro, ajudando muito a

fez no mundo. Portugal fez várias obras no mundo,

levar os turistas portugueses e europeus, de um modo geral, que vão optar por

mas a mais bem acabada é o Brasil. Quando, em Por-

essa rota. E ajuda ao mesmo tempo os brasileiros que tinham de voar para São

tugal, dizem: “Ah adoro a cultura brasileira. Gostos das telenovelas.”No fundo, é uma perceção de reflexo porque é o português que se vê projetado no

Paulo ou para o Rio de Janeiro se quisessem vir a Portugal. Há uma iniciativa que ainda aproxima mais o turista brasileiro de Portugal. Pode falar-nos desse projeto?

tempo e no espaço. Foi uma coisa que ele próprio

Portugal tem, hoje, imensas vantagens como destino turístico

criou com a força da lusofonia.

e essas vantagens estão não apenas na gastronomia, na his-

Aproveitando a questão da lusofonia. Que papel de-

PERFIL

tória; muitos brasileiros vêm cá para aprender sobre

sempenha o Brasil na expansão e no reforço da lu-

O embaixador Mário Vilalva tem 60 anos, é licenciado em Direito pela Universidade de Brasília. Como diplomata de carreira, foi nomeado em missões dentro e fora do Brasil. Em missões diplomáticas no estrangeiro, serviu nas embaixadas brasileiras em Washington, nos Estados Unidos, em Pretória, na África do Sul, em Roma, em Itália, em Lisboa e em Boston, também nos Estados Unidos, neste último posto como cônsul geral. Em maio de 2006, foi nomeado embaixador do Brasil no Chile, cargo que ocupou até novembro de 2010, altura em que volta a ocupar o cargo de representante do seu país em Lisboa.

a sua origem, mas também para o turismo de com-

sofonia? É um papel muito importante se considerarmos que, graças ao Brasil, o português já é a terceira língua do Ocidente e a sexta mais falada do mundo. Porém é importante termos em mente que, para que uma língua possa expandir-se, ela tem de ter substrato económico. É a única forma de expansão e sobrevivência de uma língua. É o substrato económico que ela possa aportar. O grande desafio que temos no mundo lusófono é de dar à nossa língua cada vez mais uma importância económica. E acho que Portugal e o Brasil estão no caminho certo, temos é de fazer com que os outros países lusófonos também persigam esse mesmo caminho. E será através do crescimento do comércio entre esses países e dos intercâmbios nas

pras. A classe média brasileira viaja muito com esse objetivo: comprar. E Portugal apresenta-se como um país, um destino, de grandes vantagens para o turista que se dedica muito a compras. Não são só a língua, o clima, a hospitalidade em Portugal, encontram-se todas a grandes marcas internacionais a preços tão competitivos como noutros mercados e com a vantagem na devolução do IVA no aeroporto, que significa, na prática, um desconto adicional de 23%. Foi com esse espírito que lançámos recentemente, com parceiros portugueses, um guia inédito voltado para as compras que se podem fazer em Lisboa. O guia está a ser distribuído no Brasil. Há muitas possibilidades. As relações entre os dois países estão no bom caminho. Investimentos como o da Amil fazem parte disso. We HPP SAÚDE

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WE DO ENTREVISTA

Uniformizar o atendimento e os serviços em todas as unidades da HPP Saúde é o objetivo apontado por Cristina Quadrat Silva, administradora do Grupo. 30

We HPP SAÚDE

O

Oferecer ao cliente um cuidado uniforme por todos os profissionais que o atendem, por meio de protocolos clínicos estabelecidos, é um dos motivos que leva a HPP Saúde a procurar certificar a sua qualidade. A excelência dos cuidados de saúde espelha uma política de qualidade e de exigência profissional que já está implementada na génese da atividade das unidades hospitalares do Grupo HPP Saúde e que é desenvolvida mediante a adoção de modelos de organização suportados em sistemas de gestão da qualidade internacionalmente certifica-

FOTOGRAFIA: DUARTE RORIZ/COSTUMER.

APOSTA na excelência dos cuidados de SAUDE ´


dos. As diversas unidades da HPP Saúde têm vindo

mento aos pacientes. Como uni-

a ser certificadas de acordo com o referencial da

formizar a prestação de cuidados de

norma NP EN ISO 9001 (certificação de sistemas de

saúde quando há muitas pessoas envol-

gestão da qualidade). A melhoria contínua da qua-

vidas e o doente espera que tudo corra bem?

lidade é um objetivo que a empresa estipulou alcan-

Acho que as palavras-chave são uniformização

çar ao escolher como referencial de acreditação

de procedimentos, comunicação e formação para

hospitalar o selo da Joint Commission International

melhorar a qualidade.

(JCI). A JCI tem a mais larga experiência acumulada

Tendo em conta a experiência que traz da Amil, em que se

em acreditação de hospitais e outras organizações

traduz essa política de qualidade?

de saúde. Insere-se e evolui num ambiente particu-

Na Amil, procurámos sempre ter uma qualidade de atendimento

larmente exigente, como é o sistema de saúde dos

com viabilidade. Hoje, as pessoas ainda acham que só se é bem aten-

E.U.A. e mantém 18 mil organizações de saúde acre-

dido se isso tiver um custo elevado. Custo elevado ainda é, para muitas

ditadas naquele país. Cristina Quadrat Silva, nova

pessoas, sinónimo de qualidade. Porém vamos analisar isso: a Medicina, por

administradora da HPP Saúde, explica de que modo

si só, já é uma ciência de alto custo, porque estamos a lidar com vidas. E é aqui

a experiência do Grupo Amil nesta área da quali-

que é diferente de outras áreas, de atividade. Ao contrário de outras áreas, onde a

dade como forma de manter a excelência vai atuar

inovação se traduz em custos mais baixos, na Medicina, qualquer novidade acres-

na gestão da HPP Saúde. A uniformização e a co-

centa custos ao serviço. Posso dar um exemplo que é bem palpável: as imagens.

municação são as palavras-chave da gestora que

Quando me formei, há 25 anos, só existiam o raio-x e as ecografias. Apareceu a res-

tem como formação base a Medicina. Cristina Qua-

sonância, as hemodinâmicas e as tomografias, e nem por isso se deixou de fazer os

drat Silva é médica oncologista há 25 anos e há 15

raio-x ou as ecografias. Apenas se somou mais custos. São coisas que precisamos

que se dedica à área administrativa da saúde.

olhar com muito cuidado. Temos de procurar o equilíbrio, porque a população pre-

Um dos grandes desafios é a excelência a nível das

cisa de cuidados de saúde com qualidade, mas, ao mesmo tempo, acessíveis.

práticas da prestação de cuidados de saúde. Como

A eficiência é uma consequência natural da qualidade?

irão fazer para respeitar este objetivo nas unidades

Sim. A qualidade traz eficiência. Não há como ter eficiência sem qualidade. Acho

hospitalares da HPP Saúde?

que isso é um parâmetro em qualquer área e, na Medicina, mais do que em qualquer

Na verdade, eu não vejo isso apenas a nível do mer-

outra. Por isso, essas questões das acreditações, que apareceram há quase dez anos

cado português, mas sim a nível da qualidade da Me-

no mercado vêm, ajudar muito a alcançar esses objetivos. Foram uma nova perspe-

dicina prestada a nível internacional. Creio que é uma

tiva para toda a classe, desde os gestores aos médicos e aos enfermeiros.

preocupação mundial. A prestação de cuidados de

A certificação e as acreditações das unidades são selos de qualidade cujo impacto não

saúde sempre trabalhou muito à parte do desenvolvi-

se restringe só aos cuidados de saúde prestados?

mento tecnológico e do desenvolvimento de processos

Certo. Não se restringe. Hoje em dia, já há estudos que mostram que os hospitais

e de rotinas e controlos. É um pouco como os outros

acreditados conseguem ter um resultado operacional muito melhor do que os hos-

mercados trabalham. Por exemplo, quando se fala de

pitais que não conseguem ter as acreditações. As acreditações baseiam-se na uni-

montagem de carros ou de produção de equipamen-

formização de procedimentos para alcançar um fim. Os estudos mostram que os

tos, em todos esses procedimentos, já há processos de

hospitais têm melhores resultados operacionais justamente por terem os seus pro-

segurança. Durante anos, isso foi trabalhado. Na pres-

cessos com guidelines médicas de nível internacional para que todos os colaborado-

tação de cuidados de Saúde, nunca houve essa ligação.

res trabalhem no sentido de conhecer todo o processo do doente e como este deve

Hoje é um tema que se questiona a nível mundial

ser tratado. Servem de guia aos cuidados específicos que cada doente deve ter no

e foi algo que sempre me despertou a atenção como

atendimento. Essa uniformização confere a qualidade na questão operacional, no

médica, principalmente quando prestava atendi-

atendimento e no cuidado de saúde prestado. We HPP SAÚDE

31


A HPP Saúde foi o primeiro

de saúde da HPP. O ideal é que não haja comuni-

grupo hospitalar privado em

cações diferentes em cada unidade hospitalar. Pre-

Portugal que conseguiu ter a acre-

cisamos uniformizar a comunicação. Queremos ter

ditação junto da JCI. Quando falamos

metas e guidelines precisas em todos os nossos hos-

da certificação e da qualidade, falamos não

pitais para que todos os procedimentos sejam ho-

só dos tratamentos disponibilizados, mas tam-

mogéneos.

bém da forma como se tratam os doentes, o sigilo,

Como se faz a avaliação da qualidade para além do

a sua segurança, o seu conforto. Encontrou tudo isto nas

selo da Joint Commission International?

unidades da HPP Saúde?

Temos as certificações de qualidade ISO 9001 e

Encontrei, sim. A JCI não confere uma acreditação para tra-

temos a certificação ambiental também. O nosso

tar da parte operacional do hospital. A parte operacional do hos-

hospital em Cascais foi o primeiro hospital em Por-

pital é uma consequência. Toda a filosofia da JCI é baseada na

tugal a obter esta certificação nos domínios da pres-

segurança do paciente. O paciente, para a JCI, está em primeiro lugar.

tação de cuidados de saúde nas áreas médica,

A partir do seu atendimento, os processos são delineados para que tudo

cirúrgica, de diagnóstico e de terapêutica. O obje-

corra com segurança. O que encontrámos dentro das unidades da HPP Saúde

tivo é que as nossas maiores unidades de saúde te-

que têm a acreditação da JCI foi esse foco no atendimento ao cliente. Há duas

nham a certificação ambiental. E queremos que

questões importantes que devemos colocar: O que é que o cliente que nos procura

todas as nossas unidades sejam certificadas se-

precisa? E como prestamos o serviço de que o cliente precisa com segurança?

gundo parâmetros de qualidade.

Que hospitais da HPP Saúde já têm o selo da Joint Commission International?

Já têm sistemas de gestão de qualidade em todas a

A primeira unidade de saúde a conseguir essa acreditação foi o hospital que temos

unidades?

em Lagos. Seguiram-se o Hospital da Boavista, no Porto, e a Unidade de Cascais, que

Já temos hospitais com certificações de qualidade em

é a nossa parceria público-privada. O Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, também já

todo o país. Aquilo em que vamos trabalhar no fu-

está em processo de acreditação junto da JCI. Está tudo a ser tratado para que, no

turo é numa uniformização de processos cada vez

máximo no início do próximo ano, já tenha a acreditação.

maior. O cliente da HPP Saúde não sentirá diferença

Não é um processo fácil. Em que consiste a acreditação junto da JCI?

de tratamento e de acolhimento entre os hospitais.

A JCI procura a segurança no atendimento do cliente, da pessoa que procura o hos-

Será atendido da mesma forma no Porto, em Lisboa

pital. Uma unidade de saúde que se candidata ao selo da JCI tem de ter os seus

e no Algarve. A qualidade é uma palavra obrigatória

processos bem desenhados, ou melhor, uniformizados e que todo o corpo clínico

na saúde, seja ela privada ou pública. Quando se fala

conheça os procedimentos. O objetivo é que o acolhimento e o tratamento sejam

de atendimento de saúde, as pessoas pensam em

uniformes, dados da mesma forma por todos os profissionais. Creio que essa é a

conforto, pensam no atendimento de um serviço de

grande dificuldade. Por exemplo, no Hospital dos Lusíadas, temos, hoje em dia,

hotelaria. Vamos trazer uma nova filosofia para os

quase mil pessoas a trabalhar para assegurar os turnos. Já imaginou o que é ter mil

hospitais da HPP. Se gosta, de sentir conforto na sua

pessoas com o mesmo foco para desenvolver a mesma tarefa da mesma forma?

casa quando está bem quando está doente, precisa

Esse é o maior desafio de trabalhar em qualidade. É fazer com que todos conheçam

mais ainda desse conforto. Isso tem muito a ver com

a mesma forma de proceder. Esse é o grande desafio, a comunicação da forma de

a filosofia do Grupo Amil. Isso está no ADN da Amil.

como o procedimento deve ser desenvolvido para que mil pessoas o entendam da

Envolver os clientes no ambiente acolhedor dos nos-

mesma maneira.

sos hospitais. Isso aplica-se também ao cliente in-

A comunicação é, então, um elemento importante. Como funciona?

terno, aos colaboradores. As pessoas que trabalham

No Grupo Amil, somos 24 hospitais no Brasil inteiro. O que aprendemos? Que era

connosco e nos ajudam no dia-a-dia são as primeiras

necessário uniformizar a comunicação. E é o que estamos a fazer aqui, nas unidades

a garantir a qualidade dos nossos hospitais.

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We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: DUARTE RORIZ/COSTUMER.

WE DO ENTREVISTA


Portugal atravessa dificuldades económicas. Isso é

conseguimos entender melhor

um desafio para os hospitais privados?

as necessidades de um colega.

Pelos resultados dos dois últimos anos do mercado

O objetivo é envolver os médicos na

da saúde privada, o que os estudos de mercado

área de gestão, envolvendo-os não só nas

concluem é que houve um crescimento da rede pri-

decisões da área técnica, mas também na

vada. Os doentes procuram um seguro para ter um

área financeira. Na Amil, tudo o que é feito num

acesso mais rápido aos cuidados de saúde. Mesmo

hospital é discutido com os colaboradores. No Brasil,

com a crise, acreditamos que a saúde privada tem

é assim que trabalhamos. Um exemplo: vamos fazer

tendência a crescer.

obras numa urgência de um hospital. A equipa que trabalha

Qual vai ser o seu maior desafio?

na urgência participa nas reuniões onde se discute a planta. Me-

O meu maior desafio, em Portugal, tal como aconteceu no Brasil, é passar a todos a filosofia do acolhimento. Mudar uma cultura de atendimento em serviços de saúde e introduzir outra, mais próxima do cliente.

lhor do que ninguém eles podem verificar como devemos proceder para facilitar o atendimento ao cliente. A diferenciação a nível das especialidades é também um fator de qualidade. Encontrou isso nos hospitais da HPP saúde? Sim encontrei. Por exemplo, no Hospital dos Lusíadas, temos quase todas as es-

O facto de ser médica de formação faz com que seja

pecialidades na área médica. Se faltar alguma, iremos integrá-la em breve. Os hos-

mais fácil gerir um hospital e lidar com todas as

pitais são multidisciplinares e de muito boa qualidade. A formação médica no

questões e responsabilidades que são inerentes ao

mercado português é ligada a grandes universidades, conhecidas internacional-

cargo?

mente. Encontrámos, nos hospitais da HPP Saúde, médicos com muita qualidade.

Ser médica de formação facilita o entendimento das

Isso foi muito bom. Apostamos no crescimento conjunto. Estamos nos dois países

necessidades do corpo clínico. Num dos nossos

em simultâneo, a fazer uma integração de conhecimentos e intercâmbio de experiên-

hospitais, quando cheguei e me apresentei, ouvi

cias. Ou seja, estamos a levar médicos daqui a eventos no Brasil e a trazer médicos

isto: “Graças a Deus alguém que vai escutar-nos”.

a eventos em Portugal. O intercâmbio de conhecimentos vai possibilitar o crescimento

Foram médicos que disseram isto. Quando se é mé-

comum, uma verdadeira integração do grupo, tanto da parte da Amil, como da parte

dico, mesmo sem conhecer as especialidades todas,

da HPP Saúde. We HPP SAÚDE

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WE DO SINAIS VITAIS

MEDICINA Desportiva no Hospital da Boavista O Hospital da Boavista criou uma nova Unidade de Medicina Desportiva, alicerçada num grupo de ortopedistas com grande experiência a nível do tratamento de atletas de alta competição e não só...

origem da oferta e foi assim que “surgiu a ideia de nos reunirmos para criar uma unidade capaz de responder às necessidades clínicas dos atletas das mais variadas atividades desportivas, sejam eles oriundos da alta competição, ou não”, acrescentou o médico, que não deixou de sublinhar “o grande apoio da administração do Hospital da Boavista e

A Unidade de Ortopedia do Hospital da Boavista, no Porto, tem sido reconhecida ao

da direção clínica”.

longo dos anos pela excelência dos seus cuidados de saúde. Foi assim que construiu

Feita a explicação sobre a génese da criação desta

uma reputação que pode ser testemunhada pela procura que passou a ter por atletas

Unidade de Medicina Desportiva, não deixa de ser

de alta competição, mas também por parte de amadores, que apostam numa prática

importante sublinhar que a mesma aposta na mais

regular de atividade física.

avançada tecnologia disponível nesta área. Daí a re-

Há muitos exemplos de tratamentos a atletas reconhecidos nacional e internacional-

ferência à artroscopia avançada, que tem tudo a ver

mente e a tantos outros que nunca saíram do anonimato e, neste quadro, é fácil per-

com a reunião “de um conjunto de peritos no cam-

ceber que o Hospital da Boavista tenha sentido necessidade de ir mais longe na

po da artroscopia e da cirurgia não invasiva, que

resposta que pode dar a este tipo de solicitação no campo da Medicina Desportiva.

está, agora, na ordem do dia, nas áreas do ombro,

Foi assim que nasceu a Unidade de Medicina Desportiva e Artroscopia Avançada,

do cotovelo, do punho, do joelho, da anca e do tor-

referiu Paulo Amado, responsável pelo projeto, que se assume como uma nova va-

nozelo e pé, uma área fundamental, da qual até sou

lência no Hospital da Boavista.

o coordenador da Secção do Pé da Sociedade Portu-

Na origem da nova unidade esteve “a necessidade que fomos sentindo por parte de

guesa de Ortopedia e Traumatologia”, sublinhou

muitas pessoas envolvidas na prática desportiva”, aliada à determinação de “um

Paulo Amado.

grupo de três ortopedistas”, que eram regularmente procurados “por atletas de alta

A criação desta valência no Hospital da Boavista

competição, mas também por amadores, praticantes das mais diversas modalidades”.

permitiu aos clínicos que ali trabalham orientarem

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We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: D.R.

A

Como em tudo na vida, foi a procura que esteve na


os atletas “não só na vertente do trauma desportivo,

rante por parte de quem procura aquele

mas também no campo da prevenção, através de

hospital do Grupo HPP Saúde. “Recebemos

exames médico-desportivos”, o que diversifica o âm-

muitos praticantes de atletismo, mas também vá-

bito da sua atividade.

rios jogadores de futebol, uns por estarem desligados

A nova unidade acaba por ser transversal ao hospi-

de qualquer clube, outros porque nos procuram pela es-

tal, o que lhe permite “responder a todas as neces-

pecificidade das suas lesões. Chegam de todo o país, geral-

sidades de cuidados de saúde de qualquer atleta”.

mente com problemas ao nível do tornozelo e do pé, enviados

Porém, a unidade de Medicina Desportiva pode ir

por colegas que trabalham nos clubes”, acrescentou Paulo Amado.

mais longe, graças a “um protocolo com um labora-

A excelência dos cuidados prestados e a experiência dos clínicos que in-

tório de exames isocinéticos, capaz de fazer uma

tegram a nova unidade de Medicina Desportiva do Hospital da Boavista re-

avaliação que permite ajudar na prevenção e na ava-

presentam uma mais-valia sobejamente comprovada, num serviço onde, “para

liação de lesões” dos desportistas.

além do tratamento, também nos preocupamos com a prevenção”, sublinhou o Paulo

A abrangência dos serviços que podem ser presta-

Amado, ao mesmo tempo que recordou que os resultados já conseguidos “resultam

dos demonstra que o Hospital da Boavista criou “um

da nossa prática clínica do dia-a-dia”.

serviço pluridisciplinar encabeçado por um grupo

Foi essa prática clínica que mostrou que “havia toda a lógica em ter uma unidade es-

de ortopedistas”, que tem a mais-valia de poder ga-

pecialmente vocacionada para a Medicina Desportiva”.

rantir o contributo de todos os profissionais de

Paralelamente aos serviços clínicos, a nova unidade assegura ainda “um acompanha-

saúde da unidade.

mento ao nível da Fisioterapia, contando com o apoio de fisioterapeutas que colaboram

O histórico do trabalho realizado ao longo de um

com clubes desportivos, para além de contarmos com o apoio dos cuidados da nossa

passado mais ou menos recente é testemunhado

Unidade de Medicina Física e de Reabilitação em geral”.

“pelos inúmeros atletas que nos têm procurado”, alguns de alta competição e famosos, “como a Inês Monteiro ou a Dulce Félix, uma campeã que já operámos”, recordou Paulo Amado. “O Dr. Paulo Amado foi excelente”, afirmou à WE Dulce Felix, após a intervenção cirúrgica a que foi submetida no Hospital da Boavista. “Para além de ser muito simpático, atencioso e um excelente profissional, explicou-me tudo o que iria fazer no âmbito da cirurgia e acompanhou-me durante todo o processo de recuperação”, acrescentou a atleta. Os resultados foram conseguidos graças a um trabalho de equipa de “um conjunto de especialistas capaz de responder às necessidades de tratamento das mais variadas lesões que podem atingir os atletas”. E tudo isto se passa num país onde a alta competição é muitas vezes esquecida, mas “o Hospital da Boavista é capaz de responder às necessidades não só desses atletas, mas também dos muitos amadores que competem ao fim de semana”. Não é fácil apontar uma área desportiva preponde-


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We CARE

FOTOGRAFIA: D.R.

SAÚDE e BEM-ESTAR


WE CARE PERTO DE CASA – LISBOA

O meu BEBÉ nasceu prematuro. E AGORA?

Na maior parte das vezes, é uma situação inesperada. Para os bebés, que não estão preparados para abandonar o seu balão tranquilo de ar quente, e para os pais, que se sentem impotentes perante as fragilidades de um prematuro. Mas as equipas médicas, fundamentais neste processo, são unânimes e defendem que os pais têm o direito e as competências para colaborar no desenvolvimento adequado fora do útero materno. interferir com o crescimento adequado do feto, levando, assim, à “necessidade de se terminar a gestação mais cedo”, esclarece. Causas à parte, urge intervir quanto antes para minimizar complicações. “Foram avanços muito importantes nesta área a tocolise (inibição das contrações uterinas) e a administração de corticoides (que induzem a maturação fetal), que

A taxa de nascimentos pré-termo tem vindo a aumentar progressivamente e está, hoje,

reduziram muito a mortalidade e morbilidade perina-

“muito próxima dos dados conhecidos de outros países da Europa e dos Estados Unidos,

tal”, complementa a médica.

onde cerca de um em cada dez recém-nascidos nasce prematuramente”, contextualiza

AS FRAGILIDADES DE UM BEBÉ PREMATURO

Pedro Vieira da Silva, coordenador da Unidade de Neonatologia do Hospital dos Lusíadas,

Quanto mais prematuro for o bebé, maior tende a ser

em Lisboa. A prevenção da prematuridade é, assim, o maior desafio para a Obstetrícia e

a imaturidade das suas funções fisiológicas. Estas

a prevenção das suas complicações, a prioridade da Neonatologia, aponta a coordenadora

funções são avaliadas pelo pediatra neonatologista

da Unidade Funcional de Neonatologia do Hospital de Cascais, Maria Eduarda Reis. A

que assiste ao parto e verifica, de imediato, os sinais

especialista reforça, por isso, a importância da gravidez vigiada e a identificação dos fa-

vitais do bebé. A primeira das grandes preocupações

tores de risco, ainda que estes possam ocorrer mesmo em gestações controladas.

é a imaturidade pulmonar, explicam os especialistas,

AS CAUSAS

e é a responsável, entre outras complicações, pela di-

São múltiplas, podem sobrepor-se e a médica Maria Eduarda Reis agrupa-as em obsté-

ficuldade respiratória que pode conduzir o bebé à in-

tricas, maternas, fetais e ambientais. O especialista Pedro Vieira da Silva destaca a ocor-

cubadora com suporte ventilatório até este ganhar

rência de um parto prematuro numa gestação anterior, uma gravidez gemelar e a

autonomia respiratória. A imaturidade estende-se,

existência de patologia uterina materna que, por si só, são fatores predisponentes a um

porém, a todos os aparelhos e sistemas, nomeada-

nascimento pré-termo. E acrescenta, outras situações que podem desencadear o parto

mente ao nível do coração, em que “um tempo de

prematuro, como uma infeção urinária ou ginecológica materna, a rutura prematura

encerramento mais tardio do canal arterial pode afe-

da bolsa de águas, uma hemorragia vaginal do 2.º trimestre, hipertensão e diabetes

tar tanto a função circulatória como a respiratória”,

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We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: D.R.

A

gestacional. Estas e outras condições também podem


HOSPITAL DE CASCAIS

explica Pedro Vieira da Silva. O bebé está ainda mais

com ele. Estes cuidados simples podem evitar a desorganização do bebé, favorecendo o

exposto à icterícia, à chamada anemia da prematuri-

seu bem estar físico e psicológico”, complementa a médica Maria Eduarda Reis.

dade e a infeções, por isso, é mantido sob apertada

No Hospital de Cascais, a enfermeira responsável pela Unidade de Neonatologia, Dulce

vigilância médica e de enfermagem até estar con-

Cachata Gonçalves, segue as mesmas coordenadas. “O apego começa durante a gravi-

cluído o seu amadurecimento fora do útero materno.

dez e intensifica-se após o parto; a vinculação surge com o primeiro contacto visual.

MÉDICOS, ENFERMEIROS, AUXILIARES, PAIS: UMA EQUIPA!

Se estes não se estabelecem ou sofrem um corte, pode ser crítico para a saúde física e

Olga Santos Vasconcelos é a enfermeira coordenadora

o desenvolvimento do bebé.”

da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do Hos-

COMO LIDAR COM A SENSAÇÃO DE INSEGURANÇA?

pital dos Lusíadas e insiste na expressão ‘trabalho de

A enfermeira Olga Santos Vasconcelos defende que o seu cargo implica

equipa’. A enfermeira explica que o facto de trabalhar,

estar preparado para lidar com bebés prematuros e com a sua famí-

há cinco anos, com o médico Pedro Vieira da Silva

lia. A comunicação com os pais vai ajudá-los a enfrentar a si-

ajudou a olear a mecânica na unidade no que respeita

tuação e a confiar na equipa. “É fundamental promover a

a procedimentos e decisões a tomar. E os pais não

auto-estima da mãe, não lhe tirar poder, mas sim, trans-

ficam de fora, muito pelo contrário. “Os pais acom-

mitir-lhe a ideia de que só ela será capaz de conhe-

panham todo o processo desde o primeiro dia”, elu-

cer profundamente o seu bebé, se se mantiver

cida a especialista, e “devem ser encorajados a par-

atenta e aprender com ele”, acrescenta a

ticipar nos cuidados ao seu filho, a acariciá-lo, a falar

Enfermeira Dulce Cachata Gonçalves.

mental do recém-nascido. O contacto precoce entre pais e bebés é importante para

We HPP SAÚDE

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WE CARE PERTO DE CASA – LISBOA mama. Grande parte do tempo é passado a esperar, adverte a enfermeira Dulce. “A estimulação da mama deve ser iniciada tão precocemente quanto possível, pois o leite materno tem propriedades únicas para o crescimento e desenvolvimento do bebé, bem como no combate à doença e infeção”, recorda. Porém, dada a imaturidade do sistema gastrointestinal o bebé começa por ser alimentado por via endovenosa, desde as primeiras horas de vida. “Muitas vezes, é aplicado um cateter, por onde o bebé recebe também fármacos, se necessário. Desta forma, o bebé é picado apenas uma única vez. Costumo dizer que o Dr. Pedro Vieira da Silva é especialista na aplicação destes cateteres de longa duração em recém-nascidos prematuros. HOSPITAL DOS LUSÍADAS

Corre sempre tudo muito bem“, partilha a enfermeira Olga. “A evolução decorre progressivamente, aumen-

Ambas as equipas rejeitam a ideia de que lidar com um bebé doente é complexo e ape-

tando-se pequeníssimas quantidades de leite, até o

nas adequado a um profissional. A parceria de cuidados é, na verdade, fundamental e

bebé tolerar a quantidade que permita a substituição

aumentará a auto-confiança dos pais para o desempenho das tarefas.

total do soro endovenoso pelo leite materno. Assim

CUIDADOS E CONFORTO

como em todo o processo, o bebé é quem manda, é

A participação ativa dos pais passa também, e sobretudo, pela prestação de cuidados.

ele que nos diz se está preparado”, realça o médico.

“No que respeita ao banho, entre o bom hábito de higiene, a importância de preservar

Mas mesmo após a alta da Unidade, o bebé volta dois

a pele, cuja função protetora está diminuída nos prematuros, e a manipulação, que

a três dias depois para uma consulta de Neonatolo-

deve ser mínima, aplica-se a teoria do bom senso”, explica a enfermeira Olga. Na prá-

gia, uma rotina criada no Hospital dos Lusíadas.

tica, significa que não há necessidade de o bebé tomar banho todos os dias, devendo, porém, lavar o rosto, as mãos, pés e região perianal diariamente (com compressas emções fisiológicas motoras e comportamentais, logo o ambiente social é outro dos aspetos a ter em conta”, destaca a enfermeira Dulce. Por alguma razão, as visitas são muito controladas nesta unidade. “Existem estudos que demonstram que, quando o bebé vai para casa e tem, durante três meses, três a quatro pessoas a cuidarem dele, experimenta cerca de 236 cuidados”, alerta. O conforto é outra regra sem exceção: recomenda-se o chamado “ninho” com rolos de posicionamento que aconchegam e promovem a posição fetal dentro da incubadora.

O AMBIENTE IDEAL: A INCUBADORA “O ideal para um bebé prematuro é aproximarmo-nos o mais possível do ambiente que teria in-utero”, explicam as enfermeiras. E a incubadora acaba por ser a melhor opção, uma vez que protege o bebé do meio que o rodeia e que deverá ser calmo, sem ruído e luzes fortes. Os bebés assustam-se facilmente; os profissionais devem, por isso, falar baixo, o bebé não deve ser acordado quando dorme profundamente, entre outras precauções de descanso que vão permitir o desenvolvimento do seu sistema nervoso central.

AMAMENTAÇÃO: ESPERAR É UM VERBO SÁBIO! Esperar pelos resultados de análises. Esperar que o seu bebé respire com autonomia. Esperar que ele abra os olhos. Esperar que um dia consiga alimentar-se diretamente na 40

We HPP SAÚDE

O BEBÉ PREMATURO SENTE DOR? “Apesar da imaturidade do sistema nervoso, é inequívoco que o recém-nascido prematuro sente dor. Na verdade, “ao contrário do que se supunha, percebem os estímulos mais intensamente do que as crianças mais velhas e os adultos”, esclarece a coordenadora da Unidade Funcional de Neonatologia do Hospital de Cascais, Maria Eduarda Reis.

CRESCIMENTO DAS CRIANÇAS PREMATURAS: 4 FASES “A primeira fase é caracterizada pela perda de peso; a fase de transição corresponde à estabilização clínica; segue-se o catch-up grow, com aumento rápido do peso, comprimento e perímetro cefálico, o que pode demorar meses. A última fase é de equilíbrio e pode corresponder a uma velocidade de crescimento comparável à das outras crianças”, explica a médica Maria Eduarda Reis.

BEBÉ PREMATURO: DEFINIÇÃO São considerados bebés prematuros todos aqueles que nascem antes da 37.ª semana de gestação, embora, conforme esclarece a especialista em neonatologia, Maria Eduarda Reis, o prognóstico e as complicações sejam bastante diferentes consoante se trate de um muito grande prematuro (<27 semanas); um grande prematuro (28-32 semanas) ou um prematuro tardio (34-37 semanas).

FOTOGRAFIA: D.R.

bebidas em água morna e gel lavante). “As manipulações frequentes provocam altera-


WE CARE PERTO DE CASA – PORTO

Como escolher a MATERNIDADE? “Há decisões muito importantes a tomar antes do nascimento. A escolha da maternidade é uma delas e depende de critérios técnicos e humanos”, explica a equipa da Unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital da Boavista.

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We HPP SAÚDE


A

Parto e Parentalidade, onde o casal tem a oportunidade de vivenciar momentos de partilha de experiências com outros casais e aprender estratégias que permitam reduzir a ansiedade e o medo relativamente ao parto e aumentar a sua autoconfiança na preparação para a Parentalidade. Tudo isto permitirá vivenciar a experiência do nascimento do filho de uma forma positiva e inesquecível, bem como preparar estratégias de resolução de algumas questões e dúvidas que possam ocorrer".

COMPETÊNCIAS HUMANAS E O PARTO HUMANIZADO O momento do nascimento é único e é um fenómeno de grande intensidade física e

“Antes de ouvir os amigos, os familiares e os amigos

emocional. Por isso, não basta os pais sentirem que estão num bloco de partos bem

dos amigos, é fundamental que se comece primeiro

equipado, é preciso também sentir que, além de boas máquinas, estão em boas mãos.

pela opinião e pela preferência do médico obstetra”,

"O apoio afetivo por parte da enfermeira especialista em Saúde Materna e Obstétrica é

defende Joaquim Gonçalves, coordenador da Uni-

fundamental. Cabe a esta enfermeira especialista estar atenta às necessidades do

dade de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital da

casal e ir ao encontro das suas expetativas, promovendo um ambiente de em-

Boavista, no Porto. Para o especialista, "a relação

patia, compreensão, simpatia, segurança, estímulo e apoio que permitam

obstetra-parturiente é crucial ao êxito final". O que

vivenciar o nascimento de uma forma tranquila e especial. Este é o nosso

não implica que não se avalie também, e com sen-

lema", refere a enfermeira Bárbara Russo.

tido crítico, reforça, as informações de quem teve o

Para a escolha da maternidade, convém, assim, ter presente

parto no mesmo local, a fim de "saber qual a expe-

critérios como os dos serviços de enfermagem especializa-

riência em relação ao atendimento ao serviço de en-

dos. "No Hospital da Boavista, exemplifica a Enfer-

fermagem, à comida, à relação com médicos pedia-

meira, o serviço de Obstetrícia e Neonatologia

tras e anestesistas ao apetrechamento técnico, à unidade de cuidados intensivos para adultos, à unidade de cuidados intermédios para o recém-nascido, à existência de especialistas de outras áreas da Medicina, por exemplo, Medicina Interna, Cirurgia Geral, Cardiologia, serviços de Análises e Imagiologia permanentes". A lista é comprida e nada melhor do que uma visita à maternidade para conhecer e ver com os próprios olhos alguns dos setores nevrálgicos do momento do nascimento: bloco de partos, internamento, unidade de cuidados intermédios para o recém-nascido e bloco operatório são os principais (ver caixa Maternidade bem equipada), enumera o médico. "Conhecer o local é menos uma preocupação,

FOTOGRAFIA: GETTY IMAGES.

reduzindo os níveis de ansiedade", acrescenta. A enfermeira-chefe da Unidade de Ginecologia e Obste-

CESARIANA: EM QUE CIRCUNSTÂNCIAS? CESARIANA VERSUS PARTO VAGINAL A regra é parto vaginal. Mas a regra tem exceções. Em casos de "incompatibilidade feto-pélvica, apresentação pélvica, gravidez gemelar com apresentação anómala, parto estacionário, suspeita de sofrimento fetal, prolapso do cordão umbilical, descolamento da placenta durante o trabalho de parto, placenta prévia total, eclâmpsia, entre outros", opta-se pela cesariana. Hoje em dia, porém, para as elevadas taxas de cesarianas dos países desenvolvidos contribui também o factor a que o médico Joaquim Gonçalves chama de parto “à la carte“, ou seja, a cesariana a pedido. "Estudos recentes justificam essa opção por motivos psicológicos, quando a mãe tem a perceção de complicações ou quando tem medo dos resultados", explica o médico. Importa contudo desmistificar, segundo o especialista, o conceito de que o parto por cesariana é mais seguro que o parto vaginal. "O parto vaginal acarreta menos complicações. A recuperação materna é mais rápida e menos dolorosa do que na cesariana e a alta hospitalar, mais precoce. A cesariana acarreta os riscos de qualquer procedimento cirúrgico, como sejam os riscos relacionados com a anestesia, o risco de infeções e o consequente aumento da morbilidade e mortalidade materna. O pós-parto é, por norma, mais doloroso e o tempo de internamento, superior ao parto vaginal", distingue o especialista.

trícia, Bárbara Russo, avança mais uma dica importante no combate à ansiedade e que tem precisamente o objetivo de ajudar a esclarecer questões que surgem no período pré-natal: "O Hospital da Boavista disponibiliza um Curso de Preparação para o

TESTES FEITOS NA MATERNIDADE

“Os testes mais importantes são o “teste do pezinho e o Rastreio Auditivo Neonatal, uma vez que aproximadamente um a três por cada mil recém-nascidos nasce com perda auditiva bilateral significativa, refere a Enfermeira Bárbara Russo.


WE CARE PERTO DE CASA – PORTO

ONDE FICA O PAI? “Na sala de partos”, responde a enfermeira Bárbara Russo: "O pai pode estar presente, tanto no parto vaginal, como na cesariana. O envolvimento do pai na gravidez e no parto reforça a sua identidade como agente ativo, reduzindo a sensação de estar a ser excluído e aumentando o seu grau de envolvimento no processo de parentalidade.”

QUEM ESTÁ NA SALA DE PARTOS? Joaquim Gonçalves, coordenador da Unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital da Boavista, refere que, "no internamento e puerpério, trabalham unicamente enfermeiras especialistas, uma parteira para cada três puérperas, uma parteira para cada parto em curso, uma enfermeira especialista em cuidados intensivos neonatais. Na sala de partos, além do acompanhante indigitado pela parturiente, estão presentes o médico obstetra, o médico anestesista, o neonatologista e a enfermeira parteira. O obstetra presente é o médico da paciente".

MATERNIDADE BEM EQUIPADA

Os seguintes meios técnicos existem no Hospital da Boavista, no Porto e, segundo o médico obstetra Joaquim Gonçalves, são essenciais numa maternidade: Quartos com cardiotocógrafo; cama elétrica; rampa de gases e aspiração; alarme, pulseiras eletrónicas para o recém-nascido, quartos amplos iluminados e com luz direta; l Bloco de partos: duas salas para período expulsivo, com camas próprias, cardiotocografo, STAN, rampa de gases, carro de emergência, carro de anestesia, ecógrafo, reanimador do recém-nascido; l Unidade Cuidados Intermédios para o feto: com duas incubadoras fechadas, cilindro de fototerapia, e instrumentos afins; l Sala de bloco operatório sempre preparado para cesariana de emergência.

disponibiliza a presença física de uma enfermeira especialista em Saúde Materna e Obstétrica e de uma enfermeira especialista em Cuidados Intensivos Neonatais durante 24 horas/dia. Todas as grávidas e puérperas acompanhadas na instituição têm também ao seu dispor o contacto telefónico da parteira 24 horas por dia para esclarecer as suas questões e dúvidas.” Fala-se cada vez mais em parto humanizado, na perspetiva de melhorar as condições e as necessidades de atendimento durante o parto. E a enfermeira Bárbara Russo garante que "a maternidade do Hospital da Boavista oferece todas as condições necessárias à realização de um parto humanizado, ou seja, disponibiliza ao casal um ambiente 'familiar' aliado aos melhores recursos tecnológicos e a competências humano-científicas às quais a mulher e o recém-nascido têm direito".

44

We HPP SAÚDE

O especialista realça ainda que "é importante que a maternidade esteja enquadrada no seio de outras especialidades, em meio hospitalar" e que o relevante apetrechamento técnico não deve ser nunca dissociado dos recursos humanos.

FOTOGRAFIA: D.R.

l


WE CARE PERTO DE CASA

Quando o hospital vai acasa “Levamos conforto e segurança.” Com esta simples frase, uma enfermeira define a aposta em cuidados domiciliários, disponibilizados em unidades de saúde do Grupo HPP.

S

er pai ou mãe pela primeira vez pode ser

que infelizmente o núcleo familiar é cada vez mais

uma verdadeira aventura, um desafio à estabilidade familiar e emocional de qualquer

reduzido e os jovens pais veem-se sozinhos numa

casal, principalmente quando, e é o que acontece na maior parte das vezes, o núcleo

tarefa que nem sempre é fácil.

familiar é cada vez mais reduzido. A ajuda de alguém que domina o tema será sempre

Segundo a enfermeira, é feito um contacto telefónico

bem-vinda. E quando a idade não perdoa? Mais idosos e muitas vezes dependentes

24 horas após a alta médica. E este primeiro con-

da família, nos momentos mais frágeis desta etapa porque não ter atenção e carinho

tacto, após o regresso a casa, tem por objetivo fazer

no conforto de um lar, a nossa casa, que tão bem se conhece? Foi a pensar nestes de-

uma avaliação do estado físico e psicológico da mãe,

safios que foram criados os programas de visitação domiciliária a grávidas no pós-

do bem-estar do bebé e prestar esclarecimento de

parto, inserido no HPP Baby Care, e o HPP Home. Tudo para levar o conforto e

eventuais dúvidas do casal. “As dúvidas prendem-se com o facto de os pais não saberem identificar ainda

Um acompanhamento dedicado e especializado da grávida e do bebé é a

a razão do choro dos seus bebés, não saberem como

missão da equipa da Unidade Materno-Infantil do Hospital dos Lusía-

tratar as cólicas ou, no caso da mãe, não saber lidar

das, em Lisboa. E foi nesse sentido que nasceu o Baby Care, que

com a subida do leite, ou aumento da produção do

consiste na oferta de vários serviços e espaços de aprendiza-

mesmo”, explica, sublinhando, que em seguida,

gem que visam o bem estar físico e psicológico da grávida

segue-se a visitação domiciliária. “A nossa preocupa-

desde o período pré-natal ao pós-parto. E é aqui, no

ção é facilitar a transição hospital/casa no momento

pós-parto, que entra em ação a equipa de enfer-

da alta médica e por isso é agendada uma visita de

magem da Unidade Materno-Infantil, coorde-

enfermagem ao domicílio para avaliar e apoiar a mãe

nada pela enfermeira Marisa Godinho.

e o recém-nascido, ajudar na prestação dos cuidados

O objetivo é simples, “ajudar”, diz

e recapitular junto da família toda a informação que

Marisa Godinho, acrescentando

já foi transmitida no hospital após o parto”, refere

FOTOGRAFIA: D.R.

a segurança a casa.


Marisa Godinho, que acrescenta, “levamos conforto

dos nossos profissionais,

e segurança, no fundo é isso que fazemos para que

o carinho a compreensão, o

os jovens pais não se sintam tão sozinhos”.

acompanhamento e disponibili-

Num hospital que faz mais de 1.500 partos por ano,

dade é transmitido diariamente”.

Marisa Godinho, enfermeira há 15 anos, garante que

Além disso, para esta enfermeira, “inte-

esta atenção é retribuída pelas famílias com muito

grar o ambiente de cada um, deixarem-nos

carinho. “Temos uma árvore onde colocamos as fo-

entrar dentro das suas casas, do seu quarto, do

tografias dos bebés que nascem aqui e, depois, os

seu ambiente seguro, quando a vida não está a cor-

pais, sempre que vêm a uma consulta, vão ao ser-

rer da melhor forma, altura em que o doente está mais

viço mostrar-nos o bebé. É muito gratificante sentir

vulnerável é um voto de confiança muito grande. Escolhe-

que ajudamos uma família e é bom poder acompa-

rem os nossos serviços é sinónimo do profissionalismo que

nhar o crescimento dos nossos bebés.” Afinal, foi

estão à espera de encontrar nos nossos cuidados”.

para isto, para poder cuidar dos outros, que Marisa

E Suzi Coelho explica o que traz sentido ao exercício da sua profissão.

quis ser enfermeira.

“Quando um familiar ou o próprio doente nos escolhe para estar ao seu lado

No raio de ação deste serviço de enfermagem ao do-

porque confia em nós, crê que podemos ser úteis e trazer-lhes um pouco mais

micílio estão também os mais idosos ou outros doen-

de conforto, um alívio das suas dores, um pouco mais de qualidade de vida é muito

tes mais jovens acamados. É a ajudar nesta área que

importante”, afirma, acrescentando que “cada pessoa tratada em casa fica na nossa

Suzi Coelho, enfermeira coordenadora no Hospital

memória, deixa de ser só o doente para passar a ser um todo, com o seu ambiente en-

de Albufeira, expressa o seu “cuidar dos outros”. Se-

volvente. Tornamo-nos mais expressivos, mais confiantes no conforto das nossas casas

gundo Suzi Coelho, o HPP Home foi desenvolvido

e são esses pormenores, as histórias que acabam por nos contar, a forma amável com

para garantir um apoio especializado a todas as pes-

que nos recebem que ficam nas nossas recordações”.

soas em situação de dependência temporária ou permanente que necessitem de cuidados de saúde. “Poderá permanecer no conforto do seu lar onde um serviço de excelência é prestado pelo profissional de saúde adaptando os cuidados às necessidades de cada um de uma forma individualizada e específica. Criámos uma oferta multidisciplinar de produtos e serviços para permitir às pessoas que permaneçam no seu seio familiar”, explica a enfermeira, acrescentando que o objetivo é melhorar a qualidade de vida da pessoa dependente e simplificar a vida da família, proporcionando-lhes tempo de convívio, tentar que o doente não se sinta tão doente, como quando está num hospital rodeado de outros pacientes, aparelhos médicos, barulhos, profissionais de saúde. “A maioria das visitas são para realização de pensos, quer pós-operatórios quer situações crónicas”, refere Suzi Coelho, sublinhando que “a valorização do estado do doente e a importância dada à sua situação clínica que o coloca numa posição mais frágil e dependente tenta ser colmatada com a boa disposição We HPP SAÚDE

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WE CARE MAIS DO QUE MEDICINA

Diagnóstico CORRETO

S

Se o assunto é meios de diagnóstico, será natural começar pela sala de imagiologia,

em áreas de estudo de patologia do aparelho loco-

onde Ricardo Sampaio, médico radiologista e coordenador da Unidade de Imagiologia

motor. Qualquer um deles veio trazer uma maior

do Hospital da Boavista, no Porto, explica esta visita frequente. "Desde uma radiografia

eficácia de diagnóstico, reduzindo a taxa de erro ao

de tórax, quando se tem febre e tosse, até uma ressonância magnética do joelho, depois

máximo", sublinha o diretor clínico do Hospital da

de uma queda a fazer esqui, a Radiologia está presente na vida de todas as pessoas,

Boavista, José Pinto de Freitas, a propósito de avan-

mesmo ainda antes de nascerem – todas as futuras mamãs, nos dias de hoje, beneficiam

ços nos meios de diagnóstico. A título de exemplo,

da ecografia obstétrica.” Atualmente, refere o médico, a Radiologia moderna permite

o médico explica que a acuidade de uma RMN em

observar os órgãos internos do corpo com grande detalhe e desempenha um papel im-

algumas patologias do joelho ou outra articulação

portante no diagnóstico precoce de muitas doenças, como por exemplo, no diagnóstico

pode estar, atualmente, entre os 97% e os 100%,

precoce do cancro da mama através da mamografia. Não existe clínico que a dispense

mas a importância dos meios de diagnóstico, que

no diagnóstico e no tratamento, e a tecnologia acompanha a procura. "Com os novos

segundo o médico, permitem conhecer melhor a

equipamentos de tomografia computorizada (TAC), por exemplo, é possível efetuar co-

doença, estende-se ainda à área preventiva. "Hoje,

lonoscopia sem necessidade de introduzir qualquer tubo no intestino, ou angiografia

temos a possibilidade de fazer estudos dinâmicos

das coronárias, apenas com uma injeção na veia do antebraço.”

e compreender como determinadas patologias se comportam em face do movimento, por outro lado,

AVANÇOS PARA UM DIAGNÓSTICO CORRETO

podemos fazer estudos funcionais, que são fundamen-

"Exames como a TAC (tomografia axial computorizada) e a RMN (ressonância mag-

tais para a cardiologia/hemodinâmica e neurologia.”

nética), especialmente o primeiro, são, hoje, já considerados meios de primeira linha

O diretor clínico refere ainda o papel primordial dos

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We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: GETTY IMAGES.

É a chave do tratamento adequado e depende da realização dos exames mais indicados e dos avanços na área tecnológica. Porém a história clínica e a observação tradicional ainda mantêm o seu lugar de destaque como importantes métodos de diagnóstico.


radiofármacos no diagnóstico por imagem, destaca

gia Clínica uma área pio-

a inovação em Medicina Nuclear, nomeadamente no

neira e exemplar na implemen-

hospital que dirige, e enumera algumas das altera-

tação de sistemas de qualidade.”

ções positivas dos últimos tempos. "No caso da Ortopedia, os avanços permitirão, sem dúvida, dimi-

E A OBSERVAÇÃO TRADICIONAL?

nuir, diria mesmo, acabar, com práticas frequentes

Há consenso na classe médica: da mesma

no passado, como, por exemplo, a astroscopia das

forma que os clínicos concordam que muitos exa-

diferentes articulações deixar de ser diagnóstica e

mes não significa uma boa investigação, também de-

passar a ser curativa, com ganhos óbvios para o

fendem que, a par da tecnologia, a tradição do exame e

doente e para a sociedade, se nos lembrarmos dos

historial clínico ainda é o que era antes. "O exame clínico, in-

tipos de incapacidade e dos custos que uma simples

cluindo a completa história clínica, é sempre a base da avaliação

intervenção pode causar.”

diagnóstica e o ponto de partido para a investigação laboratorial. Não

Além do valor que têm os meios de diagnóstico para

existe qualquer área de diagnóstico complementar que as possa substi-

o clínico, José Pinto de Freitas destaca outra pers-

tuir". O médico radiologista Ricardo Sampaio, por sua vez, reforça que "o

petiva. "Ao diminuirmos a margem de erro, tor-

papel fundamental que a radiologia assumiu não diminuiu o papel da história

nando a prática da medicina melhor e mais eficaz,

clínica nem de umas boas mãos de cirurgião ou de um médico, tanto assim que a

as vantagens são muito importantes.”

história é fundamental para escolher o exame certo para a pessoa certa, entre a multitude de exames disponíveis".

TESTES DE LABORATÓRIO

Na vasta área de Otorrinolaringologia, por exemplo, contam-se mais de três dezenas

Na patologia clínica, a Medicina também muda e

de exames de diagnóstico que permitem identificar patologias relacionadas com ouvido,

avança, confirma a doutorada em Microbiologia e

laringe e faringe, tiróide, entre outras doenças da cabeça e pescoço. Um dos mais re-

Parasitologia, Laura Brum. Nos último tempos, "os

centes exames de diagnóstico, destaca o coordenador de Otorrinolaringologia do Hos-

laboratórios passaram a agrupar-se em laboratórios

pital da Boavista, António Sousa Vieira, está focado no tratamento da vertigem: o video

centrais de produção, que processam milhares de

head impulse test, um moderno aparelho, é agora mais uma opção para o clínico, pe-

análises diariamente". Por outro lado, acrescenta a

rante sintomas como sensações de instabilidade ou dificuldade na fixação ocular. Tam-

professora da Faculdade de Ciências Médicas de Lis-

bém nesta área, a tecnologia revela-se importante em questões de diagnóstico, mas

boa, "desenvolveram-se novas áreas decorrentes da

também o médico António Sousa Vieira entende não substituirem o historial clínico e

investigação tecnológica, como é caso da Biologia

a observação tradicional. "É a partir daqui que se traçam os passos seguintes.”

Molecular, que, aplicando o estudo de ADN à Microbiologia e à Genética, representa extraordinários

TODA A VERDADE

avanços nestas e noutras disciplinas". Laura Brum

Para um diagnóstico correto, que, por sua vez, determinará a terapêutica correta, im-

explica que o médico patologista clínico tem a fun-

porta ainda a relação de confiança entre médico e doente. "O médico não é uma má-

ção de aconselhar o clínico sobre quais as análises

quina, “é um ser humano que vai interligar-se com o doente. E o doente, ao confiar

a fazer perante um caso específico, assim como au-

no médico, vai dar-lhe as informações necessárias para orientar o melhor tratamento",

xiliá-lo na interpretação dos resultados. E comple-

realça Sousa Vieira. Da relação de confiança, resulta ainda, segundo o especialista,

menta: "Assim como um correto diagnóstico

a transparência: quaisquer que sejam as opções, de tratamento e diagnóstico, o

laboratorial tem um enorme impacto positivo no

doente deverá estar sempre a par dos acontecimentos, salvo raras e pontuais exce-

diagnóstico e terapêutica, também um resultado in-

ções de saúde psiquiátrica, nomeadamente. O médico radiologista Ricardo Sampaio

correto pode ter consequências nefastas. Por isso,

acrescenta mais uma exceção à regra: "Quando a própria pessoa manifesta expres-

os laboratórios têm feito um enorme investimento

samente a vontade de não saber.” Porém ambos têm bem presente que a regra clínica

nas suas certificação e acreditação, sendo a Patolo-

é: toda a verdade. We HPP SAÚDE

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WE CARE MAIS DO QUE MEDICINA

Hospital para ´ SAUDAVEIS

O título pode soar a paradoxo, mas não quando se fala de medicina preventiva e de observações regulares com o objetivo de evitar diagnósticos tardios. Devemos, por isso, encaixar na agenda algumas consultas de especialidades, porque, quem não tem tempo para cuidar da saúde, diz o adágio popular, terá de encontrar tempo para cuidar da doença...

P

a prevenção. "A primeira consulta de ginecologia, entre os 13 e os 15 anos, poderá apenas ser de esclarecimento de dúvidas, sobre o funcionamento do aparelho reprodutor, os métodos contracetivos e a neces-

erante um determinado sintoma, o pro-

sidade de prevenir as doenças sexualmente transmis-

cedimento habitual é marcar uma consulta para observação, mas a sequência não

síveis. Na consulta pré-concecional, para planea-

tem de ser esta. Na verdade, as consultas de rotina devem preceder a existência de

mento da gravidez, é avaliada a saúde da mulher e

sinais de alarme, como explica a directora clínica do Hospital de Cascais, Filomena

do casal de forma a detetar se existem doenças ou si-

Nunes. "As consultas de rotina ocorrem periodicamente, de forma a avaliar o estado

tuações que coloquem em risco, quer a mãe, quer o

geral ou alguma sintomatologia específica. Têm um papel importante na identificação

filho. Finalmente, outra fase particularmente impor-

de fatores de risco, na prevenção e no diagnóstico precoce de diversas patologias,

tante é a perimenopausa, não só porque podem apa-

na fase em que não existem ainda sintomas, mas também na promoção de estilos

recer sintomas que condicionam a qualidade de vida

de vida saudáveis, nomeadamente a nível alimentar e na prática de exercício físico.”

da mulher, mas também por ser uma altura funda-

O conceito de medicina preventiva é uma necessidade da sociedade atual e "é a me-

mental para detetar e corrigir fatores de risco cardio-

lhor estratégia para evitar o aparecimento e as complicações mais graves". Os pro-

vascular e efetuar o rastreio de doenças oncológicas".

boas práticas de medicina preventiva, mas, segundo alguns fatores, deverão ser com-

SAÚDE DA PELE

plementadas por outras especialidades. A doutorada em Medicina e especialista em

À primeira vista, parece não haver razão para uma

Ginecologia-Obstetrícia alerta para o facto de, "a partir dos 45, 50 anos, se tornar

consulta regular de Dermatologia, mas as aparências

mais importante controlar o nosso 'estado de saúde', dado que algumas doenças

iludem, principalmente à flor da pele. "As manchas ou

são mais frequentes, nomeadamente a hipertensão arterial, a diabetes e o cancro".

'borbulhas' da pele, a comichão localizada ou genera-

E acrescenta outro aspeto a ter em atenção: a história familiar. "Calcula-se que cerca

lizada, problemas de cabelo ou unhas, problemas nos

de 5 % a 10% dos cancros do cólon do reto, da mama e ovários tem um componente

genitais, sinais de envelhecimento da pele, a intolerân-

hereditário. Nestes casos, deve ser feita uma vigilância acentuada com exames pe-

cia ao sol, a presença de pele muito seca ou muito

riódicos e mais precoces".

oleosa são apenas alguns dos muitos motivos de consulta", enumera o dermatologista Pedro Ponte. O es-

SAÚDE DA MULHER

pecialista refere, porém, que a marcação de consulta é

No que respeita especificamente à saúde da mulher, Filomena Nunes salienta a impor-

geralmente feita quando as queixas comprometem o

tância de exames para despiste das doenças sexualmente transmissíveis e do cancro gi-

bem-estar pessoal ou social. Caso contrário, a inércia

necológico e destaca algumas fases da vida da mulher particularmente importantes para

tende a ganhar terreno e a prevenção é negligenciada.

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We HPP SAÚDE

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gramas de vacinação e as consultas de Medicina Geral fazem, por isso, parte das


SAÚDE UROLÓGICA Regra geral, não existe indicação para consultas de rotina com âmbito preventivo em Urologia, mas existe uma exceção: o cancro da próstata, um dos tipos de cancro mais frequentes e que causa mais mortes por cancro no sexo masculino. "Pela sua frequência e pela implicação na vida dos doentes, o cancro da próstata deverá ser diagnosticado o mais precocemente possível para que possa ser tratado com a maior eficácia, o menor dano", explica o urologista do Hospital dos Lusíadas, Paulo Corceiro. Este alerta tem público específico: é recomendado aos homens, a partir dos 50 anos, que façam uma consulta anual de Urologia e o doseamento do PSA. O PSA, a que o médico chama de “arma diagnóstica importante na deteção precoce do cancro da próstata” é uma proteína produzida pela próstata, doseável numa análise de sangue, e veio revolucionar a prática adotada nesta doença cancerígena. "Quando o PSA está alto, é necessário, por vezes, a realização "A maior parte dos cancros cutâneos, por exemplo,

de uma biópsia, que nos permitirá saber se existe ou não cancro da próstata". Perante

são felizmente curáveis. Contudo, deixados ao aban-

histórico familiar de cancro da próstata, o rastreio deverá porém ser iniciado mais cedo,

dono da sua evolução natural, podem evoluir para si-

aos 45 anos, realça. É ainda uma mais-valia destas consultas de rotina a possibilidade de

tuações catastróficas, perfeitamente evitáveis com uma

diagnosticar outras patologias prostáticas, frequentes nesta faixa etária, como a hiperplasia

deteção atempada.” No caso do melanoma, o tipo de

benigna da próstata. "E existem ainda situações em que recomendamos algumas atitudes

cancro de pele mais grave (todos os anos surgem 800

no sentido de prevenir o reaparecimento de doenças, como nas pessoas com litíase uri-

novos casos em Portugal), o seu diagnóstico "não im-

nária (vulgo, pedras nos rins), em que aconselhamos um aumento de ingestão de água,

plica exames morosos, invasivos ou tecnologicamente

e por vezes, alterações na dieta de acordo com os constituintes dos cálculos".

exigentes. A maior parte das vezes, basta observar..." O médico resume: "É para evitar diagnósticos tardios

SAÚDE ORAL

que surgem as consultas regulares de Dermatologia".

Além das recomendações para uma boa higiene oral, as consultas de rotina de Esto-

Pessoas com pele mais clara, cabelo loiro ou ruivo, di-

matologia e medicina dentária são fundamentais para a prevenção, não só do apareci-

ficuldade em bronzear, olhos claros, tendência para

mento de cáries e problemas periodontais, mas também de lesões na cavidade oral.

formar sardas e com muitos sinais de cor castanha es-

"Como qualquer problema oncológico invasivo, se não tratados, os tumores malignos

cura, irregulares, disseminados pelo corpo, estão em

da cavidade oral podem causar grandes mutilações e acabar em morte devido à metas-

maior risco e não devem hesitar na consulta de rotina.

tização", elucida o médico Pedro Moura, coordenador da Unidade de Medicina Dentária

Servirá esta também para fornecer alguns conselhos

do Hospital de Albufeira.

que nem sempre estão na ordem do dia. "A aplicação

Estas consultas devem por isso, regra geral, ser marcadas de seis em seis meses, po-

de um creme hidratante logo após o banho aumenta a

dendo os intervalos variar com a idade ou com outras patologias associadas.

fixação da água na pele, melhorando a sua qualidade

"No caso das crianças, o controlo deve ser apertado, não só pela questão da prevenção

e a sua textura, tornando-a mais resistente a múltiplas

e da criação de rotina, como pela questão da motivação para a higiene oral. Também

doenças cutâneas inflamatórias e infecciosas; aplicar

há problemas decorrentes da erupção dos dentes que, se detetados precocemente, po-

um protetor solar de fator 30 ou superior, 15 a 30 mi-

derão ser mais fáceis de resolver do que na idade adulta", sublinha o médico, pós-gra-

nutos antes da exposição ao sol e repetir a aplicação

duado em Periodontologia. No caso dos adultos, Pedro Moura insiste na técnica de

de duas em duas horas ou após banho; o apareci-

escovagem e respetiva correção, que pode evitar cáries, tártaro e problemas periodon-

mento recente de um sinal de cor negra que até então

tais. "E, no caso dos idosos, a regularidade das consultas é ajustada em função dos

não existia e a modificação de um sinal já existente

seus problemas dentários, mas também da sua saúde em geral, que muitas vezes obriga

(alteração do tamanho, forma ou cor e o aparecimento

a uma vigilância mais apertada". Doenças à parte, a prevenção passa por uma boa hi-

de comichão, ferida ou hemorragia) são os sinais de

giene oral: "a utilização de dentífricos adequados, escovas em bom estado, fio dentário,

alarme para a consulta de Dermatologia.”

e ainda colutórios, são de grande importância". We HPP SAÚDE

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WE CARE MAIS DO QUE MEDICINA

DOENTE (bem) informado e´ meio caminho andado

Costuma dizer-se que informação é poder. Esta ideia também se aplica no campo da saúde. Quanto mais esclarecido for o doente, maior a probabilidade de aderir ao tratamento e de obter melhores resultados. O diálogo com o clínico, na consulta, é, por isso, cada vez mais valorizado.

tiva a algumas eventuais limitações impostas", explica a endocrinologista do Hospital da Boavista, Isabel Torres. Ou seja, em patologias que exigem uma terapêutica constante, a informação "é fundamental para que o doente faça parte da solução", sublinha o diretor clínico do Hospital dos Lusíadas, Leopoldo Matos, enquanto introduz um novo conceito asso-

Se estiver bem informado acerca da sua patologia, está também mais bem preparado

ciado ao “doente informado”: compromisso de co-

quanto às melhores formas de tratamento ou de prevenção, o que tem uma importân-

responsabilidade. Segundo o médico, "é muito im-

cia acrescida, "particularmente no controlo de doenças crónicas, que, como o nome

portante que o doente entenda o que lhe está a ser

indica, vão integrar o dia-a-dia, sempre; é fundamental que esteja bem informado

proposto", o que aumentará as probabilidades de se

sobre a sua doença. Esse conhecimento permitirá a melhor compreensão da patologia

tornar corresponsável no tratamento. Isabel Torres

e da melhor forma de tratamento, a prevenção ou o atraso na instalação de complica-

está de acordo e defende que "um doente bem infor-

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We HPP SAÚDE

FOTOGRAFIA: GETTY IMAGES.

S

ções crónicas, bem como uma adaptação mais posi-


mado adere melhor ao tratamento proposto, faz mais

centa a importância do "diálogo adequado a cada pessoa". A endocrinologista Isabel

corretamente a gestão da sua patologia, o que se tra-

Torres reforça a ideia e salienta que a informação "deve ser transmitida de modo cla-

duz, ao longo do tempo, em benefícios significativos,

ro, numa linguagem adaptada, atendendo a características específicas, como a idade,

quer para a própria pessoa, quer mesmo para a so-

grau de instrução, estado emocional, fase da doença, etc.". Na verdade, são vários

ciedade em que está integrada". Exemplos concretos

os estudos que mostram que a falta de adesão aos tratamentos é elevada quando as

são muitos, mas ambos os especialistas começam por

pessoas não conseguem perceber as instruções médicas básicas e que a literacia em

concentrar as atenções na diabetes. As notícias mais

saúde é fundamental para tomar decisões apropriadas. Um trabalho científico pu-

recentes transmitem "dados preocupantes": na maior

blicado no Therapeutics and Clinical Risk Management tem precisamente o título

parte dos países desenvolvidos a diabetes é já a

"The challenge of patient adherence" e revela que os resultados e a qualidade dos tra-

quarta principal causa de morte (em Portugal, o nú-

tamentos dependem de uma boa adesão e que esta adesão tende a ser tanto maior

mero de novos casos de diabetes não pára de aumen-

quanto mais bem informado estiver o paciente.

tar) e segundo o relatório do Observatório Nacional da diabetes, os diabéticos perdem, em média, sete

COMPREENDER A DOENÇA CARDIOVASCULAR

anos de vida (óbitos na população com menos de 70

Eduardo Infante de Oliveira, médico cardiologista com subespecialidade em cardio-

anos). Alerta: doentes (bem) informados precisam-

logia de intervenção, integra a Unidade de Cardiologia do Hospital dos Lusíadas desde

se! Precisam de estar a par de que o exercício é tam-

a sua fundação e é mais um acérrimo defensor da boa informação. É por isso que

bém uma forma eficaz de prevenir complicações da

pondera o príncipio da responsabilidade. "Só poderá ser exigida responsabilidade

diabetes e de controlar os níveis de glicemia. E que a

após informação adequada. Não é razoável que uma pessoa siga de forma cega indi-

dieta mediterrânica, por exemplo, pode ajudar a di-

cações que poderão ser-lhe de difícil compreensão. É importante que o médico esteja

minuir os riscos da Diabetes 2.

disponível para esclarecer dúvidas e desfazer mitos.” Médico experiente em áreas de

A médica Isabel Torres realça que "a diabetes é o

intervenção inovadoras, nem sempre de fácil compreensão para o doente comum, in-

exemplo por excelência da doença que exige um

siste assim no diálogo e troca de conhecimentos na sala de consultas. "No âmbito da

doente informado. Esta passagem de informação, de

prevenção cardiovascular primária, antes do aparecimento da doença, recorremos a

modo completo e estruturado, constitui o que se

índices de risco para calcular a probabilidade de uma pessoa específica sofrer de uma

chama educação terapêutica da diabetes". E o pri-

doença grave nos próximos anos. Se partilharmos o resultado do cálculo e explicarmos

meiro objetivo da educação terapêutica "é manter, o

o impacto numérico da eliminação de fatores de risco específicos, o doente compreen-

mais possível, a qualidade de vida e proporcionar

derá mais facilmente a utilidade das nossas recomendações.” Outro exemplo surge

um efeito terapêutico adicional às outras interven-

no contexto da prevenção secundária, após a instalação da patologia. "Quando rea-

ções terapêuticas, sejam elas farmacológicas ou não".

lizamos intervenções cardíacas para resolver problemas de diminuição do calibre

O diretor clínico dos Lusíadas, por sua vez, destaca

das artérias – angioplastia coronária – implantamos próteses designadas stents.

que: "um diabético que não faça correções alimen-

Após a intervenção, é fundamental que o doente cumpra rigorosamente a

tares e não tenha o hábito de praticar exercício, entre

toma de medicamentos anti-agregantes. A suspensão precoce da medi-

outros cuidados e alterações do estilo de vida, não

cação elimina o efeito protetor, aumentando o risco de formação de

vai conseguir fazer o controlo da diabetes, por mais

trombo e enfarte. Informar e esclarecer antes e após a interven-

que o médico lhe prescreva os exames e fármacos

ção é de extrema importância. A compreensão das conse-

mais indicados".

quências da interrupção precoce da terapêutica promove o cumprimento e a responsabilização. Em geral, os

ADAPTAR O DIÁLOGO E PROMOVER A LITERACIA

doentes aceitam e integram bem esta informação. De tal modo, que muitas vezes são eles que

O especialista Leopoldo Matos insiste, por isso, na

alertam para este risco profissionais de

relação de confiança entre médico e doente, e acres-

saúde de outras especialidades." We HPP SAÚDE

53


WE CARE MAIS DO QUE MEDICINA

“Cabe-lhe, talvez, a tarefa mais difícil, mas também a mais aliciante, a de guiar o doente na sua estadia hospitalar, supervisionando o protocolo de atuação perante a doença e coordenando o apoio de todas as especialidades, de forma a atingir o tratamento mais adequado para cada situação clínica e para cada pessoa.” As palavras são de Helena Cantante, coordenadora da Unidade de Medicina Interna do Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, que define a Medicina Interna como “a especialidade médica que avalia o doente adulto no seu todo, tendo em conta a complexidade do organismo humano e a enorme diversidade de doenças”.

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INTERNISTA: o médico dos diagnósticos difíceis


S

Segundo a descrição de Helena Cantante, “a Medicina

Ana Teresa Boquinhas, do Departamento de Medicina e Especialidades Médicas do Hos-

Interna é a especialidade médica central no hospital”,

pital de Cascais, tem a mesma opinião, sustentando que “cabe ao internista, na maioria

sendo que “o médico internista exerce funções vitais

das vezes, a análise inicial, baseada sempre numa história clínica e exames objetivos

na unidade de atendimento urgente, no internamento

completos, ponderando a necessidade de encaminhamento ou intervenção das outras

e na consulta externa”.

especialidades na patologia em causa”.

O internista ocupa-se da pessoa como um todo, pois

Para esta especialista, “a Medicina Interna é a especialidade hospitalar res-

é o especialista que, pela sua formação, está apto a

ponsável pela abordagem global e sistematizada do adulto, desde a sua

intervir quer na prevenção, quer no diagnóstico e na

entrada no serviço de urgência até ao acompanhamento no interna-

orientação terapêutica curativa não cirúrgica das doenças de quaisquer órgãos ou sistemas.

mento e consulta externa”. A Medicina Interna acaba também por ser decisiva no melhor

“O internista é o médico dos diagnósticos difíceis”,

uso dos meios de diagnóstico e de terapêutica. Segundo

sublinha a especialista, acrescentando que, “para uma

Ana Teresa Boquinhas, “o raciocínio estruturado e ba-

pessoa com múltiplas patologias ou sinais e sintomas

seado na clínica que também caracteriza a Me-

ainda sem diagnóstico ou de difícil diagnóstico, esta é a especialidade médica mais adequada, pois o internista possui uma visão abrangente, assegurando a integração dos cuidados, recorrendo, quando necessário, à opinião de especialistas de outras áreas”. Assim, o papel da Medicina Interna centra-se no diagnóstico e no tratamento, desde as doenças mais frequentes às mais raras. Para Helena Cantante, “a Medicina Interna continua a ser, infelizmente, desconhecida do grande público e, por vezes, injustamente subvalorizada pela própria classe médica”. E isto “apesar de ser reconhecida como a ‘mãe’ de todas as especialidades médicas e de ver reconhecido o seu papel de líder na coordenação científica de toda a atividade médica hospitalar”, refere a coordenadora da Unidade de Medicina Interna do Hospital dos Lusíadas, que salienta que esta especialidade deveria ser o pivot dos cuidados hospitalares: “A Medicina Interna é uma especialidade essencialmente clínica e integradora à medida que a super-especialização vai fragmentando a avaliação dos doentes em patologias e técnicas diagnósticas e terapêuticas, o internista surge como elemento privilegiado na compreensão global do doente”.

ORIGENS NA ALEMANHA

A denominação de Medicina Interna parece ter tido origem na Alemanha em 1880. Nesse ano Strumpell escreveu o primeiro tratado de doenças internas e dois anos mais tarde em Weisbaden, celebrou-se o 1º Congresso de Medicina Interna.

QUE ESPECIALIDADES NASCERAM DA MEDICINA INTERNA? Só no final do seculo XIX, é que começou a desenvolver-se a Medicina Hospitalar, surgindo assim uma nova orientação na Medicina Geral, mais ligada às ciências básicas biomédicas e à experimentação, que recebeu o nome de Medicina Interna. Deste campo ficaram excluídas as doenças cirúrgicas, obstétricas e pediátricas, que constituíram outras especialidades É a partir de metade do seculo XX que surgem as especialidades médicas, ramos da Medicina Interna : Alergologia, Gastroenterologia, Cardiologia, Endocrinologia, Doenças Infeciosas, Geriatria, Hematologia, Medicina Intensiva, Nefrologia, Neurologia, Oncologia, Radioterapia e Reumatologia.

dicina Interna, permite que seja feita uma estratificação de diagnósticos, implicando uma utilização mais racional dos exames complementares e recursos médicos disponíveis, com uma abordagem terapêutica mais adaptada”. Assim, a especialista do Hospital de Cascais destaca as virtudes da Medicina Interna. “A boa prática da Medicina Interna implica não só uma enorme responsabilidade no que requer ao conhecimento científico e atualização das práticas clínicas, como uma responsabilidade deontológica que, cabendo naturalmente a todos os médicos, se traduz de forma mais exponencial no internista, uma vez que estarão a cargo dele os doentes, na sua globalidade. A fragmentação pelas outras especialidades, que terão eventualmente um conhecimento mais profundo mas mais pontual de cada uma das patologias, poderá fazer esquecer a compreensão do indivíduo como um todo. Considero por isso proveitoso para cada pessoa e para a sociedade em geral, que a Medicina Interna pudesse assumir de forma cada vez mais relevante o seu papel de comando ou de ‘maestro de orquestra’ a nível hospitalar.” We HPP SAÚDE

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WE CARE MAIS DO QUE MEDICINA

RECUPERAR a forma depois da gravidez A gravidez e o parto causam alterações físicas que afetam não só a imagem, como também a qualidade de vida da mulher, mas para as quais a cirurgia plástica e reconstrutiva tem, hoje, soluções cada vez mais eficazes

voltar ao peso desejado. “Sem pretender ser um mé-

“As alterações pós-gravíticas são múltiplas e, para quase todas, temos respostas ci-

todo de emagrecimento, nem substituir a dieta e o

rúrgicas ou não cirúrgicas”, introduz Rui Leitão, coordenador da Unidade de Cirurgia

exercício físico, a lipoaspiração pode ser uma ajuda

Plástica e Reconstrutiva do Hospital dos Lusíadas. “Uma das alterações mais frequen-

preciosa. A deposição de gordura nos locais de mais

tes após o parto são aqueles quilos a mais que teimam em não desaparecer.” Segundo

difícil mobilização, como as coxas, os glúteos ou o

o especialista, a maioria das mulheres volta rapidamente ao seu normal, mas um nú-

abdómen, pode ser removida com lipoaspiração e

mero não negligenciável, mercê de menor exercício físico, alteração nos hábitos ali-

isso, só por si, pode ser também um incentivo para

mentares (uma vez que se passa mais tempo em casa) ou outras causas, não consegue

que se adira à dieta e exercício”, afirma.

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A


Também a mama sofre, muitas vezes, alterações

uso de lasers específicos para o efeito.

dramáticas após a gravidez, com perda de volume,

Também a cicatriz de cesariana pode constituir

alteração da forma, ficando descaída, e alterações

problema “nas raras situações em que se forme

permanentes da coloração dos complexos areolo-

uma cicatriz hipertrófica ou quelóide”, reconhece Rui

mamilares. “Nunca foi provado que estas alterações

Leitão. “Neste campo, muitas armas estão à nossa dispo-

estivessem relacionadas com a amamentação.

sição, como o uso de placas de gel de silicone, corticoterapia

Aliás, um estudo de 2007, prova exatamente o con-

intralesional, criotepia intralesional, laser corantes pulsáteis ou a

trário. Não existe relação entre o facto de se ama-

sua remodelação cirúrgica”, explica o cirurgião.

mentar e as alterações involucionais da mama. A

Por fim, Rui Leitão refere ainda as alterações a nível genital, as “cicatrizes

correção destas alterações passa pela colocação de

de episiotomia ou de rasgaduras podem ser motivo de dor e dispareúnia, a

próteses mamárias, pela cirurgia de suspensão ma-

quais devem ser corrigidas”. Outra consequência pode ser também “a laxidão dos

mária (mastopexia), em que se sobe a mama e se

músculos perineais, sobretudo após várias gravidezes, e que pode constituir pro-

modela a sua forma, ou por combinações de ambos

blema, interferindo nas relações sexuais”, problema que pode ser resolvido com re-

os métodos (mastopexia com próteses) dependendo

curso à cirurgia, a perineoplastia.

dos casos”, esclarece Rui Leitão.

MINIMIZAR AS ESTRIAS Ao nível abdominal, a gradivez pode causar o aparecimento de estrias, principalmente abaixo do umbigo, por excesso de gordura ou laxidão da pele ou ainda de fraqueza muscular dos retos abdominais, dando o aspeto de abdómen globoso e pouco firme. “A abdominoplastia é, para estes casos, a solução, removendo a pele com estrias e conferindo tensão à pele restante, bem como reparando as alterações

SABER ESCOLHER Na escolha do cirurgião plástico, em primeiro lugar, deve certificar-se de que este é, efetivamente, cirurgião plástico. Para isso, pode consultar o site da Ordem dos Médicos ou telefonar para a mesma, para ser esclarecida. “O pedido de referenciação ao seu obstetra ou outro médico assistente em que confie pode ser também uma ajuda. Não deixe influenciar-se por blogues ou outras formas de publicidade porque são frequentemente manipulados”, alerta Rui Leitão. O conhecimento de alguém que tenha sido tratado pelo referido médico e tenha gostado é também um elemento válido, assim como saber a que instituição está ligado e onde trabalha são referências úteis sobre o cirurgião. “Nunca se esqueça de que, da mesma forma que, para comprar qualquer eletrodoméstico, pode consultar duas lojas, também aqui é perfeitamente legítimo consultar dois ou mais especialistas e, depois, escolher”, recomenda o cirurgião.

musculares.” As estrias cutâneas, embora mais frequentes a nível

NO TEMPO CERTO

abdominal, também podem surgir noutros locais,

“A altura ideal para se realizarem estes tratamentos não está perfeitamente definida”, afirma o coordenador da Unidade de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva do Hospital dos Lusíadas, Rui Leitão. “Diz-nos o bom senso que não devem ser realizados antes de se resolverem por si e não deverão ser feitos durante a amamentação. Parece-me que por volta dos seis meses será uma altura sensata para se poder iniciar as correções.” Porém, no caso de, a curto prazo, haver intenções de uma nova gravidez, Rui Leitão considera que deverá igualmente ponderar-se o adiamento da cirurgia. “Não quer isto dizer que a mulher tenha de abster-se de corrigir alterações que lhe são desagradáveis devido a uma hipotética gravidez futura, mas, se estiver a planear uma a curto prazo, é sensato protelar a cirurgia.”

como mamas ou coxas. “Se forem estrias jovens, ou seja, vermelhas, a solução passa pelo laser de corantes pulsáteis, que as torna mais estreitas e de cor semelhante à restante pele. Nas estrias maduras (brancas), vários protocolos de carboxiterapia ou dermoabrasão associado a peeling podem atenuálas bastante. De referir que não é possível fazer desaparecer as estrias, mas pode melhorar o aspeto significativamente”, adverte. Outra alteração que pode ocorrer durante a gravidez é denominada pannus e é uma hiperpigmentação facial persistente. Pode ser removido com despigmentantes ou, em casos mais renitentes, com o

BONS HÁBITOS, MELHORES RESULTADOS Evitar algumas das principais alterações na gravidez “passa por respeitar as normas que os obstetras não se cansam de repetir: não aumentar de peso excessivamente, hidratação da pele, exercício físico, abstenção de hábitos tabágicos”, insiste Rui Leitão, que sublinha ainda que “não amamentar, não constitui vantagem nenhuma. Antes pelo contrário, a amamentação ajuda à mais rápida contração do útero, bem como o dispêndio calórico ajuda ao restabelecimento ponderal”.

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WE CARE MAIS DO QUE MEDICINA

Estenose ´ AORTICA

D

TAVI: Hospital dos Lusíadas entre os centros mais avançados da Europa

Dores no peito, cansaço, desmaios e dificuldade em respirar. Estes são alguns dos

tese cirúrgica (biológica ou mecânica), mas, atual-

sintomas que podem ser o sinal de existência de uma das doenças cardiovasculares

mente, já é possível devolver a qualidade de vida às

que mais atinge os idosos acima dos 75 anos, a estenose aórtica. Substituir a válvula

pessoas mais idosas e, sobretudo, às que não podem

é a solução. E para tratar este grave problema de saúde, o limite já não é a cirurgia

ser indicadas para cirurgia, através de um procedi-

convencional, de peito aberto, e para a qual nem sempre podem ser referenciados

mento inovador e menos invasivo: a técnica de im-

todos os casos, devido à idade avançada. O Hospital dos Lusíadas disponibiliza uma

plantação transcateter da válvula aórtica, a TAVI.

nova esperança, uma técnica inovadora e menos invasiva, chama-se TAVI, transca-

“A técnica TAVI é inovadora por recorrer apenas a

theter aortic valve implantation.

uma incisão através da artéria femoral (na virilha),

Estima-se que a Estenose Aórtica afete mais de 300 mil pessoas em todo o mundo,

sem necessidade de abertura do tórax, permitindo,

em Portugal serão cerca de 20 mil os que sofrem com esta patologia grave. A Estenose

assim, uma recuperação mais rápida e muito menos

Aórtica manifesta-se em situações de aperto da válvula aórtica, cuja função é evitar

traumática no pós-operatório”, explica Victor Gil,

que o sangue bombeado pelo coração volte para trás. Quando existe este estrangula-

adiantando que a Unidade de Cardiologia do Hospi-

mento, o sangue passa com dificuldade, provocando cansaço, dor peitoral e desmaios.

tal dos Lusíadas “procura continuamente inovar com

Causas para esta doença? Segundo Victor Gil, coordenador da Unidade de Cardiologia

a oferta dos mais avançados procedimentos cardio-

do Hospital dos Lusíadas, a principal causa é mesmo a idade e o envelhecimento

vasculares, alguns de grande complexidade, como

geral, mas pode também ter origens num defeito congénito ou na sequência de

este, que envolve uma equipa multidisciplinar de cardiologistas de intervenção, enfermeiros, aneste-

A prevenção é sempre o melhor remédio. O especialista do Hospital dos Lu-

sistas, cirurgiões cardíacos e técnicos de ecocardio-

síadas recomenda que as pessoas idosas façam rastreios frequentes, por-

grafia, e que só os centros mais evoluídos, na Euro-

que, muitas vezes, esta patologia é assintomática e, quando apresenta sintomas, pode já estar num estado muito avançado.

We HPP SAÚDE

Assim, com o recurso a esta intervenção inovadora

Adianta ainda o mesmo especialista que “não há medica-

e altamente sofisticada, o Hospital dos Lusíadas alia

mentos que resolvam este problema, porque a válvula

a melhor tecnologia de ponta aos mais avançados

tem mesmo de ser substituída”. A cirurgia de peito

procedimentos cirúrgicos, assumindo o pioneirismo,

aberto era, até há pouco tempo, a solução para a

como hospital privado, a disponibilizar este proce-

substituição da válvula aórtica por uma pró58

pa, têm capacidade de fazer”.

dimento com sucesso.

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febre reumática.


We CHANGE

FOTOGRAFIA: D.R.

MUNDO MELHOR


WE CHANGE MUNDO MELHOR

Aventura da SAUDE ´

Educar para a saúde é a melhor forma de prevenir a doença e preparar o futuro da nossa sociedade. Foi este o objetivo do Projeto Aventura da Saúde, promovido pelo Grupo HPP Saúde, ao assumir um compromisso com a infância e, assim um compromisso com o futuro, que se pretende melhor, mais saudável e mais feliz para todos

MAFALDA ARNAUTH

MIGUEL ARROBAS

EMBAIXADORES PRESENTES NAS AÇÕES

CONCURSO LANÇADO ÀS ESCOLAS

Todas as turmas das escolas que receberam as ações de sensibilização foram desafiadas a contar e ilustrar uma história, focando-se nos hábitos de vida saudável e na prevenção da doença, em especial alimentação, exposição solar, higiene e exercício físico. Os vencedores foram: 2.º Ano A e 2.º Ano B do Jardim-Escola João de Deus, na Estrela (Lisboa).

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AÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO As ações de sensibilização do projecto foram realizadas por animadores em 19 escolas. Foram realizadas 44 sessões, que contaram com a presença de 2.480 alunos e 92 professores.

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CLÁUDIA BORGES

Os embaixadores do Aventura da Saúde são figuras públicas, que deram vida ao projeto Saúde da Nova Geração adotado pelo Grupo HPP Saúde. Foi o caso da fadista Mafalda Arnauth, da modelo Cláudia Borges ou de Miguel Arrobas, nadador de águas profundas.


PENSAMENTO POSITIVO

WE CHANGE

Depressãona adolescência

A

A depressão é um problema que deve ser levado a sério, principalmente quando falamos de adolescentes. Se for ignorada, a depressão pode ter como consequências problemas na escola e em casa, abuso de drogas e de álcool, ódio e revolta por si mesmo e até situações mais trágicas e irreversíveis.

A adolescência é um período difícil, muitas vezes

ças físicas, dificuldades no trabalho aca-

associado a maus humores e rebeldia. O problema

démico, na inserção social e de terem pro-

é quando a ansiedade e a angústia que resultam da

blemas com a lei”.

transição da fase de criança para a de adulto cau-

Acresce ainda o facto, salienta Ana Peixinho, “da

sam tristeza, desespero ou raiva. Segundo Ana Pei-

recorrência da depressão. A depressão é frequente,

xinho, médica psiquiatra do Hospital dos Lusíadas,

cerca de 20 a 60% nos primeiros dois anos após a remissão

em Lisboa, “a prevalência da depressão está estima-

e 70% após cinco anos de remissão. Estas recorrências conti-

da em 4 a 8% nos adolescentes. Aos 18 anos, a in-

nuam na vida adulta”.

cidência é de aproximadamente 20%”.

A ajuda a um adolescente que possa sofrer de depressão passa pelos

O certo é que, adianta a mesma especialista, “a de-

pais ou pelos professores estarem atentos a alguns sinais (ver caixa).

pressão na adolescência é cada vez mais frequente

Para verificar a existência de depressão, o adolescente deverá ser observado

porque a doença, na globalidade, tem vindo a au-

pelo médico de família, por um psiquiatra, pedopsiquiatra ou psicólogo. No que

mentar”. E são vários os fatores de risco para a de-

diz respeito ao tratamento, Ana Peixinho refere que, habitualmente, é farmacológico

pressão no adolescente, tanto a nível da sua história

e psicoterapêutico.

pessoal, como da história familiar. Ana Peixinho sublinha que deve ser valorizada a existência das seguintes situações, tanto no próprio, como nos seus

SINAIS DE ALERTA O adolescente anda mais triste, irritado ou até agressivo durante um período de tempo considerável (habitualmente, mais de duas semanas) l Começa a faltar às aulas ou está na escola, mas não vai às aulas l Está dentro da sala de aula, mas não consegue concentrar-se e/ou cria momentos de agitação com os colegas l Em casa, não consegue estudar, pois, apesar de estar em frente aos livros, não memoriza l Quebra do rendimento escolar l Menos vontade de estar com os amigos l Isolamento social l Menos amigos na escola l Dorme mal ou dorme demais l Inicia um consumo excessivo de álcool e/ou drogas l Fala na morte.

familiares diretos: depressão; doença bipolar; comportamentos suicidas; abuso de drogas; outras doenças psiquiátricas; perturbações psicossociais, como crises na família, negligência, abuso físico ou sexual, ou outra circunstância traumática. No entanto, o fator considerado mais predisponente

COMO SE DEVE AGIR PERANTE UM ADOLESCENTE COM DEPRESSÃO?

de depressão no adolescente “é a carga familiar desta patologia”, sublinha a especialista, acrescentando

Procurar ajuda especializada l Falar com o adolescente l Fomentar a prática desportiva l Promover tempo para relaxamento e diversão l Fazer uma alimentação saudável l Traçar pequenos objetivos l Evitar o consumo de álcool e drogas l Escrever os sentimentos. l

que “os adolescentes com depressão estão em alto risco de desenvolverem dependência de drogas, doen-

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l


WE CHANGE PENSAMENTO POSITIVO

Roncopatia e APNEIA do SONO

Ressonar pode incomodá-lo a si e à sua parceira(o), mas tem solução

S

abia que ressonar pode traduzir-se em

rona, devido à diminuição da oxigenação do sangue, o que pode ocasionar impotência. A apneia do sono causa cansaço, mau humor e aumenta o risco de acidentes de viação. No que diz respeito às causas do ressonar, o otorrinolaringologista destaca o excesso de peso. “A gordura concentra-se na zona do pescoço, aperta as vias respiratórias e torna-se num obstáculo à passagem do ar”, segundo o especialista, que salienta a questão do consumo de álcool. “Quem bebe à noite também tem mais probabilidade de ressonar porque o álcool faz com que os músculos da boca e da garganta relaxem.” Na lista das causas, há lugar ainda para o tabaco, que, segundo António Sousa Vieira, “faz com que as fossas nasais se contraiam, por congestão nasal”.

menos saúde, menos sexo e pode levar ao divórcio? Ressonar pode ser um autêntico

Depois, há que acrescentar o fator idade. “Com o pas-

problema, mas tem solução. Saiba porque pode ser útil ter uma bola de ténis à mão

sar dos anos, vão-se relaxando os músculos da gar-

quando se vai deitar.

ganta, o que faz com que o ressonar seja mais fre-

Cerca de 30 por cento dos adultos ressona e estima-se que em 15 a 30% dos indivíduos

quente à medida que se envelhece. As alterações hor-

o ressonar está associado a uma doença, nomeadamente a apneia do sono. O problema

monais na menopausa, no caso da mulher, também

afeta ambos os sexos, mas é mais frequente no homem. O ressonar, ou a roncopatia é

aumentam a acumulação de gordura na faringe, que

uma perturbação do sono que não deve ser ignorada. A negação: Ressonar? Quem?

fica mais flácida”.

Eu?, é a reação mais comum porque se trata de um ato com má fama. Má fama porque

O ressonar é um problema, mas tem solução. Ir ao

se diz que pode colocar as relações conjugais em risco. Aliás, segundo António Sousa

médico é o primeiro passo. É o grau de roncopatia

Vieira, coordenador da Unidade de Otorrinolaringologia do Hospital da Boavista, no

que vai determinar o tipo de tratamento, segundo o

Porto, a maior parte dos seus pacientes chega à consulta pela mão das companheiras,

especialista, que acrescenta como passo seguinte

que se queixam das noites mal dormidas.

uma mudança de hábitos. “ Alterar a posição de dor-

Conteúdo, segundo o especialista, o assunto não é para brincadeiras. “Não só pelo

mir: nunca dormir de barriga para cima, mas, de pre-

efeito que tem nos relacionamentos, mas porque pode estar associado a algum pro-

ferência, de lado. Para prevenir que durante a noite

blema de saúde”, sublinha o otorrinolaringologista, acrescentando que a roncopatia

se vire de barriga para cima pode coser uma bola de

ocorre quando os músculos do céu da boca, da língua e da garganta ficam mais re-

ténis na parte de trás da gola do pijama.

laxados. “A garganta estreita-se ligeiramente e as paredes vão vibrando à medida que

Evitar o álcool, o tabaco e medicamentos sedativos

se respira. São estas vibrações que dão origem aos sons típicos do ressonar”, explica

ou anti-histamínicos e perder peso são outras das

António Sousa Vieira, segundo o qual, a principal consequência é a diminuição da

medidas que pode levar a cabo para aliviar ou evitar

qualidade do sono, com reflexos no desempenho durante o dia, falta de concentração,

o ressonar.

de memória e cansaço. dade, não está. O seu sono é bastante superficial, daí que acorde cansada no dia seguinte”, refere. Além disso, adianta o especialista do Hospital da Boavista a importância patológica da roncopatia varia desde o simples ressonar até ao síndroma da apneia obstrutiva do sono, “que se define como a interrupção, durante o sono, do fluxo respiratório oronasal por um período que é igual ou superior a dez segundos”. Nestes casos, por exemplo, 40% dos homens tem uma redução dos níveis de testoste62

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CIRURGIA

O síndroma da apneia obstrutiva do sono e a roncopatia (ressonar) são provocados por uma obstrução do ar, quando os tecidos da boca ou da garganta vibram. Um dos tratamentos mais comuns para a roncopatia é a uvulopalatofaringoplastia, cirurgia que consiste na remoção do tecido mole do céu da boca.

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“A pessoa que ressona parece que está a ter um sono muito profundo, mas, na reali-


PENSAMENTO POSITIVO

WE CHANGE

A retinopatia diabética pode ser evitada nos casos de retinopatia diabética proliferativa, pode haver perda de visão de um mo-

Esta é uma doença que evolui de forma silenciosa e

mento para o outro, algumas vezes precedida por visão de corpos flutuantes. Visualização

que, inicialmente, não apresenta qualquer sintoma.

de moscas, mosquitos, teias de aranha, etc.

O doente pode ter uma visão excelente, mas pode

Devido ao facto de a doença ser assintomática nas fases iniciais, o coordenador da

estar prestes a ficar cego. Segundo Rui Vaz Marti-

Unidade de Oftalmologia do Hospital da Boavista recomenda que os diabéticos vão

nho, coordenador da Unidade de Oftalmologia do

ao médico antes de terem sintomas. “Os doentes com diabetes de tipo 1 devem ser

Hospital da Boavista, os diabéticos, sejam do tipo 1

consultados três a cinco anos após o diagnóstico da diabetes; os doentes com dia-

ou do tipo 2, estão sujeitos a ter complicações em

betes de tipo 2, como este diagnóstico é, muitas vezes, feito também tardiamente,

vários órgãos ao longo da evolução da doença. A re-

devem ser observados logo após o diagnóstico da diabetes.”

tinopatia diabética é uma dessas complicações mais

O diagnóstico é feito pelo oftalmologista no exame clínico que efetua na consulta e

frequentes e incapacitantes. “A retina é a parte inte-

pode ser necessário o recurso a exames subsidiários, como a angiografia fluoresceí-

rior do olho; se compararmos grosseiramente o olho

nica ou a OCT (tomografia ótica de coerência). Rui Vaz Martinho sublinha que a

a uma máquina fotográfica, a retina será o rolo foto-

consequência mais grave da retinopatia diabética é mesmo a cegueira. “A retinopatia

gráfico que regista as imagens que são, depois, con-

diabética é a maior causa de cegueira nos países desenvolvidos em indivíduos entre

duzidas ao cérebro através do nervo ótico”, explica

os 25 e os 74 anos de idade”, refere, acrescentando que “a deteção precoce da reti-

o especialista, acrescentando que “a retina, ao fim

nopatia diabética é fundamental e é muito mais simples e eficaz tratar uma fase

de uns anos de diabetes, é progressivamente afetada

menos grave da doença do que um estádio avançado da mesma”.

pelas alterações vasculares típicas da diabetes: ganha

E como se pode prevenir este problema? Segundo o especialista, a prevenção assenta

líquido, edema (o chamado edema macular diabé-

num bom controlo da glicemia, da hipertensão arterial e do colesterol, e evitar a

tico) ou desenvolve vasos anormais, os neovasos,

obesidade e promover o exercício físico.

que ocasionam hemorragias ou mesmo descolamen-

Já no que diz respeito ao tratamento da retinopatia, adianta Rui Vaz Martinho que este

tos muito graves da retina (a chamada retinopatia

assenta na “fotocoagulação laser, no tratamento antiangiogénico, que consiste em in-

diabética proliferativa)”.

jeções intraoculares de medicamentos, e na cirurgia. É importante reafirmar que estes

Para Rui Vaz Martinho, “o que é trágico é que a reti-

tratamentos, se efetuados na devida altura, impedem a cegueira e melhoram a visão

nopatia diabética só apresenta sintomas muito tardia-

dos doentes caso estes consigam controlar a diabetes, a hipertensão, os valores de co-

mente, quando a doença já está muito avançada”,

lesterol e o peso”, recorda o oftalmologista, acrescentando que não há, em Portugal,

sendo o sintoma principal a perda progressiva da visão

números globais sobre a prevalência da retinopatia diabética, mas há vários trabalhos

quando em presença de edema macular diabético ou,

que apontam para uma prevalência de cerca de 30% na população diabética. We HPP SAÚDE

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A retinopatia diabética é uma complicação ocular que surge nos diabéticos e a principal causa de cegueira evitável entre os 25 e os 74 anos. Como é uma doença assintomática nas fases iniciais, a prevenção é a melhor forma de combatê-la.


WE CHANGE PENSAMENTO POSITIVO

HIPERTENSÃO sob controlo Associada à obesidade e ao sedentarismo, a hipertensão arterial é uma doença que não se sente até surgirem complicações, frequentemente graves e fatais, como o acidente cardiovascular. Prevenir, tratar e controlar estão na ordem do dia

necessidade de se optar por uma alimentação saudável, com moderação do consumo de sal e de álcool, a prática de exercício físico regular e o controlo do peso.

MUDAR PARA MELHOR Cerca de 90 por cento dos doentes com hipertensão arterial não evidencia uma causa específica, mas sim um conjunto de fatores que contribui para o seu desenvolvimento, tais como a obesidade, o sedentarismo, o consumo excessivo de sal e de álcool, o tabagismo e fatores genéticos. Nestes casos, a hipertensão arterial designa-se por essencial ou primária. Nos restantes dez por cento, é secundária a uma causa específica, que poderá ser de origem renal, endócrina, neurológica ou secundária a fármacos, entre outras. Uma vez diagnosticada, o tratamento da hipertensão passa por integrar os bons hábitos que a teriam prevenido em primeiro lugar. “A redução do excesso de peso, a diminuição do consumo de sal e de álcool e a

E

prática regular de exercício físico, podem, em alguns casos, ser suficientes para o controlo da hipertensão arterial”, avança Severo Torres, porém “sempre que não se atinjam valores de pressão arterial inferiores a 140/90 mmHg, as medidas gerais deverão ser manti-

m Portugal, cerca de 3 milhões de pessoas

das, mas será, então, necessário recorrer à terapêutica

são hipertensas. Dois terços não sabem que o são, 800 mil fazem tratamento, mas, destes,

farmacológica”, explica. Até porque, recorda o cardio-

apenas 160 mil estão controlados. “A hipertensão arterial provoca alterações na parede

logista, “a hipertensão poderá ser reversível se forem

das artérias que podem levar a consequências graves, em particular ao nível do coração,

identificadas e corrigidas as causas desencadeantes e

dos rins e do cérebro”, explica Severo Torres, coordenador da Unidade de Cardiologia do

adotadas as medidas terapêuticas adequadas”.

pode causar alterações do ritmo do coração e da sua estrutura, contribuindo para o desenvolvimento, a longo prazo, de insuficiência cardíaca. Ao provocar lesões na parede das artérias, aumenta o risco de enfarte agudo do miocárdio e constitui o principal fator de risco para o acidente vascular cerebral”, primeira causa de morte em Portugal. A hipertensão arterial está ainda associada a alterações na estrutura dos rins e pode conduzir a insuficiência renal. Por todas estas razões, é essencial prevenir, diagnosticar, tratar e controlar a hipertensão. “É possível prevenir o desenvolvimento de hipertensão arterial através da adoção de estilos de vida saudáveis”, sublinha Severo Torres, que destaca a 64

We HPP SAÚDE

ESCOLHAS QUE FAZEM A DIFERENÇA Previna e controle a hipertensão optando por um estilo de vida saudável • Pratique exercício físico: uma simples caminhada de 20 minutos, três a cinco vezes por semana é uma proposta válida • Evite alimentos muito salgados, ricos em gordura ou açúcar • Evite bebidas alcoólicas e o tabaco • Controle o stress, praticando exercício ou atividades de lazer • Não interrompa o tratamento da hipertensão sem a orientação do médico.

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Hospital da Boavista, no Porto. Como explica o especialista, “a pressão arterial elevada


PENSAMENTO POSITIVO

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AVC: melhorar a qualidade de vida com FISIOTERAPIA

U

Um acidente vascular cerebral (AVC) pode ser uma ex-

Marques que este tratamento pode começar

periência assustadora, quer para quem o sofre, quer

no primeiro ou no segundo dia, “atuando

para a sua família. Além de estar entre as principais

essencialmente na prevenção de complica-

causas de morte a nível mundial, o AVC é uma das

ções que podem impedir a recuperação até

doenças mais incapacitantes. É um problema de saúde

ao potencial de reabilitação”.

que implica muito tratamento médico no imediato e

E como funciona a fisioterapia? Que papel

cuja recuperação pode ser lenta. E, sendo a capacidade

tem exatamente na recuperação de uma

física um dos elementos mais afetados, a fisioterapia

pessoa vítima de AVC?

tem, na recuperação, um papel fundamental.

A coordenadora da Unidade de Medicina

O AVC ocorre quando uma parte do cérebro deixa de

Física e de Reabilitação do Hospital da Boa-

ser irrigada pelo sangue e, de repente, a pessoa perde

vista explica que “o AVC pode provocar le-

a capacidade da linguagem, a sensibilidade, a mobili-

sões cerebrais mais ou menos extensas, de-

dade, a visão. A gravidade de um AVC é variável, de-

terminando perda de função, défice motor,

pendendo da extensão e a duração da privação, assim

alterações de sensibilidade, de visão e lin-

como das áreas cerebrais afetadas. Segundo Anabela

guagem”; porém, “o cérebro tem a capaci-

Marques, coordenadora da Unidade de Medicina Fí-

dade da ‘neuroplasticidade’ que é a capacidade adquirida de mudança na organização

sica e de Reabilitação do Hospital da Boavista, as per-

cerebral como resultado de uma experiência”. O trabalho da fisioterapia “traduz-se na

das locomotoras mais associadas a esta patologia são

reorganização cerebral dos mapas corticais e das conexões das nossas células nervosas,

a perda de função/força nos membros superior e in-

de maneira tal que novas zonas sem lesão adquirem capacidades através da aprendiza-

ferior de um lado do corpo. No entanto, “é possível

gem para funções que estavam perdidas”.

uma recuperação total das funções”, refere a especia-

A fisioterapia tem, assim, e segundo Anabela Marques, “um papel preponderante, pro-

lista, sublinhando que “o tempo médio de recupera-

movendo e incentivando a reorganização, a reaprendizagem, e o aperfeiçoamento da

ção depende essencialmente do tipo, da extensão e da

função, proporcionando a melhoria da neurofuncionalidade dos membros afetados”.

localização do AVC e da idade do doente”, sendo que pós lesão, podendo haver melhoria até ao ano”. E é na recuperação que a fisioterapia tem um papel fundamental. Segundo a especialista do Hospital da Boavista, a fisioterapia deve iniciar-se, a nível hospitalar, “tão precoce quanto possível, assim que houver estabilização do quadro neurológico”. Sublinha Anabela

SINTOMAS: l

Diminuição ou perda súbita da força no rosto, no braço ou na perna de um lado do corpo l Alteração súbita da sensibilidade, com sensação de formigueiro no rosto, no braço ou na perna de um lado do corpo l Perda súbita de visão num olho ou nos dois olhos l Alteração aguda da fala l Dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente l Instabilidade, desequilíbrio associado a náuseas ou vómitos.

PREVENÇÃO: Há que ter em atenção a hipertensão arterial, a diabetes, as doenças cardíacas, a enxaqueca, o consumo de bebidas alcoólicas, o tabaco, a obesidade. Uma vida mais saudável, com exercício físico e alimentação adequada são essenciais para prevenir o AVC.

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“a maior recuperação ocorre nos primeiros seis meses


WE CHANGE BRINCAR COM O VASCO

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We HPP SAÚDE


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