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EDITORIAL Ano XVI • nº 93

Novembro / Dezembro 2018

www.graosbrasil.com.br Diretor Executivo Domingo Yanucci Administradora Giselle Pedreiro Bergamasco Colaborador Antonio Painé Barrientos Maria Cecília Yanucci Matriz Brasil Av. Juscelino K. de Oliveira, 824 Zona 02 CEP 87010-440 Maringá - Paraná - Brasil Tel/Fax: (44) 3031-5467 E-mail: gerencia@graosbrasil.com.br Rua dos Polvos 415 CEP: 88053-565 Jurere - Florianópolis - Santa Catarina Tel.: +55 48 991626522 graosbr@gmail.com Sucursal Argentina Rua América, 4656 - (1653) Villa Ballester - Buenos Aires República Argen�na Tel/Fax: 54 (11) 4768-2263 E-mail: consulgran@gmail.com Revista bimestral apoiada pela: F.A.O - Rede La�noamericana de Prevenção de Perdas de Alimentos -ABRAPOS As opiniões contidas nas matérias assinadas, correspondem aos seus autores. Conselho Editorial Diretor Editor Flávio Lazzari Conselho Editor Adriano D. L. Alfonso Antônio Granado Martinez Carlos Caneppele Celso Finck Daniel Queiroz Jamilton P. dos Santos Maria A. Braga Caneppele Marcia Bittar Atui Maria Regina Sartori Sonia Maria Noemberg Lazzari Tetuo Hara Valdecir Dalpasquale Produção Arte-final, Diagramação e Capa

Saulo Paz Art's Ligue e Assine:

(44) 3031-5467 Revista Grãos brasil - Novembro / Dezembro

Caros Amigos e leitores ESTE É O MOMENTO! Com alegria fazemos chegar a vocês a última edição do ano. Dando continuidade a difusão de informação, experiências, tecnologia de última geração, tudo com uma finalidade: Trabalhar cada dia melhor! Caros amigos, é possível trabalhar melhor e isto, o que significa? Mais tecnologia, menos perdas, melhor qualidade, menores custos, maior eficiência, mais segurança. Hoje as perdas de grãos variam de 3 a 10 % do total produzido, o que em volume de grãos podemos falar na ordem de 14 milhões de toneladas que se evaporam de nossas mãos depois da colheita; é muita coisa! Mas a essa tremenda perda devemos ainda somar os gastos exagerados em energia elétrica, combustível, mão de obra, fretes, etc... Está claro que devemos otimizar os processos, usar muito da experiência que já se utiliza em outros lugares do mundo, e a melhor forma é capacitar os responsáveis do manejo de grãos. Este é o caminho que implica a passagem da pós-colheita tradicional a uma pós-colheita tecnológica, é a base para depois avançar a uma etapa de PRECISÃO. Nesta edição apresentamos variadas informações, armazenagem a nível de fazenda, continuamos com as matérias de desenho de armazém e também falamos de outros temas como controle de pragas, secagem, resfriamento e etc. Agradecemos aos editorialistas e as empresas e instituições que apoiam este trabalho que vem sendo desenvolvido em nosso querido Brasil e também no resto do continente através da revista Granos. Entramos em uma nova etapa na história do Brasil e sem dúvidas a mesma se deve caracterizar por uma reforma produtiva, todos devemos fazer a nossa parte para que possam melhorar os rendimentos, a logística, a infraestrutura, a qualidade das operações e dos grãos, gerando o máximo valor agregado possível. O Brasil voltará a ser a potência motora de toda América do Sul, Deus assim o queira! Lembramos que estamos no mês de promoções de assinaturas (aproveitem um livro de presente). No ano 2019 evaremos a melhor tecnologia de manejo de grãos e sementes para distintos pontos importantes do Brasil e ao resto da América Latina. Boas Colheitas e Boas festas, é o desejo da equipe Grãos Brasil. Que Deus abençoe seu trabalho e família.


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INDICE

06 Grãos na fazenda - Eng. Ricardo Paraginski 11 Anteprojeto - Eng. Edgardo Aizcorbe (in memorian) 16 Pragas de infestação primária - Consulgran - Grãos Brasil 18 J-System - Bequisa 20 Secagem de grãos - Consulgran - Grãos Brasil 23 Reflexões Pós-Colheita - Eng. Domingo Yanucci 29 Brasil acima de tudo, Deus acima de todos! - Sr. Oswaldo Pedreiro 30 Ácido Penicílico - Dr. Sérgio Diniz 31 Soluções Foss, dando ao grão seu valor "preciso" - Eng. Fabian F. Ghía 34 Feijão-Mungo: do Grão ao Moyashi - Prof. Valmor Ziegler 36 CoolSeed News 38 Não só de pão 39 Utilíssimas

Críticas e Sugestões: gerencia@graosbrasil.com.br

NOSSOS ANUNCIANTES

Revista Grãos brasil - Novembro / Dezembro


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ARMAZENAGEM

Armazenamento de Grãos na Fazenda

Eng. Ricardo Paraginski Engenheiro Agônomo Dr. Professor do Instituto Federal Farroupilha ricardo.paraginski@iffarroupilha.edu.br

A

safra de grãos de soja 2018/2019 está sendo planejada, e alguns produtores já estão com suas áreas implantadas, entretanto o 11º Levantamento da Safra de Grãos 2017/2018 divulgado pela Conab confirma esta como a segunda maior safra da história, com 228,6 milhões de toneladas, e nesse contexto, a produção e a produtividade de grãos de soja se destacam, com números que chegam a 116,996 milhões de toneladas, aproximadamente, 51,0% do total de grãos produzidos, em uma área plantada de 35,100 milhões de hectares, obtendo-se uma produtividade média de 3.333 Kg.ha-1. Neste cenário, a produção de soja no estado do Rio Grande do Sul cresceu 112% no período de 2008 a 2018, evoluindo segundo dados da Emater de 8 para 17 milhões de toneladas. Revista RevistaGrãos Grãosbrasil brasil- Novembro - Novembro/ Dezembro / Dezembro

Neste contexto, em muitas unidades, faltam estrutura de armazenagem adequada e algumas propriedades nem possuem estas, ficando o produtor desassistido de estruturas adequadas além de, em muitos casos, necessitar comercialização dos produtos por menores preços, pois não possuem unidades para armazenar e, em outras, precisam realizar o pagamento de taxas de armazenamento, que não são baratas. Além disso, a falta de estrutura de armazenagem obriga o produtor a realizar o transporte imediato após a colheita, com grãos muitas vezes com umidade elevada e, associado a isso, as más condições de algumas estradas brasileiras, vinculado a períodos de chuva, tornam esse transporte demorado, o que acarreta em inúmeras perdas quantitativas e qualitativas, exemplo típico são as inúmeras ocorrências nesse sentido vinculadas a BR 163 que dificulta o escoamento da produção para os portos do arco Norte do país. Todos esses fatores geram um rombo econômico nesse setor produtivo. Levantamentos realizados pela EMBRAPA e pelo IBGE mostram que as perdas na pós-colheita de grãos (desde o transporte até o consumo final) podem variar de 10 a 50% dependendo do produto, da região e das tecnologias utilizadas.

Desta forma, os órgãos governamentais precisam incentivar o investimento em armazenamento de grãos, pois quando comparamos as propriedades do Brasil com as dos Estados Unidos da América (USA), a diferença é enorme, pois lá praticamente 100% das fazendas tem seu secador e silos, onde desde a década de 1960, os extensionistas rurais dos EUA preconizavam investimentos em sistemas de secagem e armazenagem, assim, 55% da capacidade estática de armazenagem nos EUA está nas propriedades rurais, em contrapartida, no Brasil, está em torno de 15%, contabilizando um déficit de armazenagem no setor de mais de 30% de toda nossa produção de grãos. Além disso, nos EUA, o produtor tem sua carreta e viaja, no máximo 100 quilômetros para entregar seu produto, tendo em média até cinco diferentes recebedores de grãos, e na estrada não se observa derrames de grãos, a qual é construída para transporte adequado de grãos a granel. Assim, os órgãos governamentais, bem como os produtores precisam identificar quais as vantagens do armazenamento de grãos nas propriedades rurais (Figura 1). Neste contexto, listamos algumas das vantagens de se investir em unidades armazenadoras:


ARMAZENAGEM

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Fig. 1. Fluxograma de grãos quando armazenados ou comercializados diretamente. MEI - Matérias Estranhas e Impurezas.

1. A armazenagem dos grãos no seu próprio silo permite a negociação do produto no momento desejado. Ter a sua própria estrutura de armazenagem possibilita ao produtor a realização da comercialização de forma parcial ou no momento mais oportuno, conforme a cotação do produto e para o grupo que melhor entender, dessa forma, o produtor não fica refém do mercado, o que possibilita agregar valor à matéria-prima. Além disso, possibilita a comercialização direta com a indústria e/ou consumidor final, diminuindo o número de intermediários envolvidos, que também precisam trabalhar com sua margem de lucro. O produtor pode escolher realizar a comercialização de forma parcial ou no momento mais oportuno conforme a cotação estiver mais positiva e para o grupo que entender melhor, sendo que quem tem um sistema próprio de armazenagem na sua propriedade, não fica refém do mercado, podendo oscilar essa ao longo do ano para agregar valor à matéria-prima. 2. Qualidade original do grão colhido e de sua identidade no momento da comercialização. O produtor que possui silos em suas propriedades sabe a real qualidade da matéria prima no momento da comercialização, podendo utilizar essa de forma adequada e favorável para obtenção de melhores valores de mercado para seus produtos. Além disso, descontos serão menores, bem como a lucratividade ao final do processo, se bem conduzida é uma ótima ferramenta

para redução das perdas qualitativas e quantitativas, que agregam valor a matéria-prima. 3. Aumento de rentabilidade do conjunto. Durante as etapas de pós-colheita, produtos de decorrentes das etapas de limpeza e secagem podem ser obtidas, como matérias estranhas e impurezas, casquinhas, bandinhas, quireras, entre outros, que podem ser separadas, beneficiadas e comercializadas, aumentando as possibilidades de ganhos em outros nichos de mercado, como por exemplo, a utilização desses produtos em formulações para ração animal. 4. Redução dos custos de frete . No período da safra de grãos, o transporte tem seu preço inflacionado, em função da demanda e da utilização de transporte rodoviário para escoamento da safra. Assim, em períodos após a safra, o preço reduz, reduzindo o custo, além de ser possível a diminuição do custo do transporte pela eliminação de matérias estranhas e impurezas e também do excesso de água realizado nas etapas de pós-colheita na própria propriedade. 5. Ampliação das possibilidades de negócios. A presença de unidades de armazenamento e processamento possibilita a prestação de serviços de secagem


ARMAZENAGEM

Fig. 2. Etapas necessárias no armazenamento de grãos de soja.

e armazenagem para outros produtores e, até mesmo, para cooperativas e cerealistas, onde muitas vezes na época de safra, as unidades não conseguem absorver todos os grãos produzidos, assim, a prestação de serviço pode ser uma alternativa.

para redução da taxa respiratória dos grãos e dos microrganismos associados, além de manter propriedades nutricionais.

6. Controle maior sobre os grãos, diminuindo alterações e reduzindo perdas quantitativas e qualitativas.

Os grãos quando entregues a terceiros são igualados aos demais depositados na mesma unidade de armazenamento, sendo os parâmetros de qualidade igualados, onde desta forma, todos os investimentos na etapa de produção podem ser perdidos. Além disso, descontos de umidade, matérias estranhas e impurezas também ocorrem, e muitas vezes se não adotados maneiras adequadas nos procedimentos de amostragem e avaliação dos parâmetros obrigatórios, as perdas podem ser grandes. Neste contexto, os silos bolsas entram como uma alternativa as propriedades, onde a um custo menor, aliado a possibilidade de ser uma alternativa para separação dos materiais pela qualidade. Estes sistemas de armazenamento hermético de grãos secos ou úmidos são baseados na redução do oxigênio disponível no ecossistema de armazenamento a níveis letais ou limitantes para os organismos vivos associados, podendo essa redução ser obtida espontaneamente através do processo respiratório dos grãos e organismos existentes, que reduz os níveis de oxigênio (O2) e aumenta os de dióxido de carbono (CO2), sendo este último, um dos produtos finais do metabolismo de subs-

As perdas qualitativas e quantitativas ocorrem nos grãos durante o armazenamento, sendo necessária a disponibilidade de técnicas alternativas para reduzir estas perdas e manter a qualidade do produto por tempos mais longos. Perdas quantitativas são perdas de peso e de umidade, já as perdas qualitativas são em propriedades organolépticas, sabor, odor, valor nutritivo e micotoxinas, sendo que para evitar que estas ocorram, práticas adequadas de armazenamento devem ser utilizadas nas fazendas (Figura 2), como secagem até teores baixos de umidade (13%) (1), limpeza dos grãos antes da deposição no silo (2), limpeza da estrutura de armazenamento através da adoção de práticas do Manejo Integrado de Pragas – MIP (3), realização de transilagem durante o carregamento (4), realização de aeração periodicamente (5), utilização de exaustores na cobertura do silo (6), adoção de sistema de termometria para controle da temperatura interna da massa de grãos e (7) utilização de tecnologias de resfriamento Revista Grãos brasil - Novembro / Dezembro

7. Aumento do valor agregado para a produção.


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ARMAZENAGEM

Fig. 1. Sistema de armazenamento em silo bolsa.

tratos orgânicos em organismos vivos, possuindo efeito conservativo nas condições herméticas, com ação inibitória sobre a atividade enzimática dos próprios grãos e organismos associados, provocando a morte destes. Além disso, as condições herméticas de armazenamento de grãos atuam seletivamente sobre as populações de insetos através da diminuição da sua atividade, inibição e/ou paralisação biológica. Entretanto, sistemas de armazenamento hermético em silo bolsa exigem cuidados com o teor de umidade dos grãos, teor de matérias estranhas e impurezas, tempo de armazenamento, região de armazenamento e espécie dos grãos, sendo que para cada região e espécie existem especificações que devem ser respeitadas para evitar problemas de redução de qualidade. A ausência de O2, causada pelo processo respiratório, cria um ambiente propício para a fermentação desses grãos, principalmente se forem armazenados com umidade acima de 12 a 13%, o que vai interferir diretamente na classificação desses grãos para a comercialização. Por esses motivos, sempre deve-se comercializar esses grãos antes dos que estão armazenados em silos semi-herméticos (silos verticais ou armazéns), pelo fato desse sistema não possuir controle das condições internas de temperatura e do metabolismo do grãos.

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Assim, a armazenagem a nível produtor se confirma com uma escolha ótima em períodos de safra recordes, trazendo mais dividendos para o agricultor, que pode cuidar da sua propriedade como um verdadeiro negócio lucrativo. Além das vantagens de se armazenar, o produtor também precisa “saber” armazenar, e neste contexto o manejo adequado de armazenamento, conforme abordado anteriormente, é imprescindível para possibilitar todas as vantagens. No cenário atual, a construção de unidades armazenadoras, e também a adoção de práticas adequadas de manejo garantem bons índices aos produtores, sendo que estes devem tomar cuidados na hora de planejar a unidade e fazer o projeto, para que este esteja de acordo com o fluxo de produção, e também possibilite ampliações futuras, onde projetos bem elaborados, com custos de investimento inicial baixo para ter retorno mais rápido, mas que tenham uma ampliação futura já planejada podem permitir grandes negócios em um futuro não muito distante. Portanto, armazenar a produção na fazenda é fundamental para agregar valor à matéria-prima, porém esta deve ser realizada de maneira adequada, pois caso contrário todo o investimento em produção pode ser perdido no interior das unidades armazenadoras.


Anteprojeto

DESENHO

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Eng. Edgardo Aizcorbe in memorian

Fluxograma ou diagrama operacional

C

om base nas informações coletadas nas etapas anteriores, e tendo dimensionado os diferentes componentes do projeto, será necessário definir os diferentes fluxos internos de circulação e processamento das mercadorias que receberão, acondicionarão, armazenarão e despacharão do armazém. Este diagrama pode ser desenvolvido como um “diagrama de blocos” ou como é conhecido como “diagrama operacional”.

Esta etapa do projeto é o que nos permite identificar claramente a operação das instalações e é essencial aplicar os seguintes critérios para sua preparação: FUNCIONALIDADE Todos os possíveis caminhos dos grãos devem ser contemplados e analisados, todas as operações possíveis devem ser simuladas, considerando diferentes ordenamentos para a execução deles, analisando todas as sequências possíveis que podem ser apresentadas. A existência de sequências adequadas permite cumprir todos os objetivos que devem ser asseguradas, incluindo a definição do número e das características dos diferentes transportes verticais e horizontais, e a canalização que deve ser prevista. FLEXIBILIDADE No projeto, deve ser possível contemplar a flexibilidade máxima,

tentando que a mesma operação (por exemplo, secagem) possa ser desenvolvida usando caminhos alternativos diferentes. Esta previsão, permite-me continuar trabalhando em caso de ter algum tipo de falha em uma equipe, ou para melhor lidar com situações de operações simultâneas. Este critério é essencial, a fim de contemplar o maior número de alternativas que poderiam surgir em situações imprevistas. É comum para armazéns que trabalham com um único tipo de grão, por razões econômicas para fornecer um design “linear” em que algumas opções são determinadas, projetadas de acordo com o que uma gama limitada de alternativas significa. No entanto, aquelas instalações que podem ter a necessidade de operar com diferentes tipos de mercadorias, diferentes variedades simultaneamente, ou abordar a necessidade de maior segregação, certamente terão maior complexidade, a fim de contemplar a grande variedade de operações. Passarão ao mesmo tempo pelos preparativos destinados ao uso comercial, onde é muito conveniente ter uma


DESENHO alta flexibilidade, em função da qual é frequente a necessidade de atender a uma variada gama de requisitos. SIMULTANEIDADE DAS OPERAÇÕES A SEREM REALIZADAS É essencial determinar, dependendo dos requisitos, todos os cenários possíveis de operações simultâneas que possam ser necessárias. Com base nisso, o número de transportadores a serem colocados a fim de alimentar e extrair a produção de cada equipamento ou silo, é nessa análise, que é comum encontrar a maior parte do inesperado, que depois são difíceis de corrigir. No mínimo, é previsível na maioria das instalações a necessidade de prever que as operações de recepção, acondicionamento e despacho possam ser realizadas simultaneamente e de forma independente, isto é, utilizando circuitos de circulação de grãos que não possuem elementos em comum. Da mesma forma, o caso de ter que operar simultaneamente com mais de um tipo de grão de cada vez deve ser considerado. Na análise de operações simultâneas, também podemos concluir requisitos de energia elétrica necessária para fornecer, pelo menos, a determinação da potencia elétrica necessária, que é a relação entre os motores efetivamente utilizados em simultaneidade máxima de operações que são fornecidos, e o total de potência instalada (soma de potências de todos os motores). Na oportunidade de analisar a operacionalidade da planta, devem ser previstas possíveis extensões em cada um dos setores que compõem o mesmo, como adicionar secadores, produtos de limpeza ou extensões de capacidade de armazenamento, seja seco ou úmido. É muito importante considerar todas essas alternativas ao definir os possíveis transportadores, e será muito importante prever as áreas necessárias para essa finalidade. Se possível, o design das instalações deve ser modular, a fim de desenvolver o crescimento dos diferentes setores em etapas. O bom desenho é a base para ter eficiência nos processos operacionais. DIAGRAMA DE BLOCOS Nele, os diferentes equipamentos de processamento ou armazenamento são representados em blocos, tais como: - Moegas de recepção - Silos ou graneleiros - Secadores - limpadoras – peneiras - Balanças de fluxo contínuo - Transportadores horizontais - Transportadores verticais Revista Grãos brasil - Novembro / Dezembro

Posteriormente, todos esses elementos são vinculados a linhas e pontos que, por sua vez, representam os elementos de canalização: - Tubos - Distribuidores - Válvulas Este diagrama permite definir todas as rotas possíveis que os grãos da planta poderão realizar, e ajuda a determinar os elementos de transporte necessários, uma vez que as operações que serão necessárias para executar simultaneamente são determinadas. DIAGRAMA OPERACIONAL Outra maneira de apresentar este diagrama de circulação é representar as diferentes equipes de forma esquemática, em vez de blocos, para ter uma visão gráfica melhor. Esta apresentação é geralmente usada para a preparação dos painéis de controle, apresentando uma visualização adequada das diferentes operações possíveis. Este diagrama é o que nos permite projetar os componentes operacionais das instalações, analisar detalhadamente todas as possíveis operações a serem realizadas e sua eventual simultaneidade. No entanto, é uma ferramenta que deve ser usada em conjunto com a distribuição física dos diferentes componentes no terreno. LAYOUT OU DIAGRAMAÇÃO DE PLANTAS Esta etapa do projeto é elaborada em conjunto com o layout operacional, e consiste em localizar todos os setores e elementos que compõem estritamente o setor operacional da instalação, bem como seus transportes internos. Para isso, com base nas informações técnicas dos possíveis equipamentos ou componentes do projeto, será elaborado um plano do armazém com as dimensões estimadas para cada um dos equipamentos que farão parte da mesma. Essa análise nos permite projetar as necessidades de transporte vertical e horizontal e, por sua vez, determinar aproximadamente seus comprimentos. O local deve satisfazer o diagrama de fluxo planejado da maneira mais simples possível, a fim de minimizar os requisitos de transporte interno. Os transportes verticais (elevadores para canecos e, ocasionalmente, transportadores helicoidais fechados) são os que alimentam o equipamento a ser instalado. Como uma regra prática para garantir o cumprimento das operações simultâneas, deve-se ter em mente que cada equipamento precisa de um transportador de alimentação vertical, para o qual o número total de elementos em operação (que não são alimentados por


DESENHO gravidade de um para outro) deve ser contabilizado. Instalar pelo menos o mesmo número de transportes verticais (capazes de alimentar o equipamento considerado em operação). Para este propósito, cada silo, secador, peneira, caminhão a ser carregado ou outro equipamento de processo deve ser considerado, a fim de determinar o número de transportadores. Os transportes horizontais, são aqueles que permitem ligar as descargas de diferentes equipamentos em operação com os transportes verticais, ou possivelmente equipamentos de alimentação que não é possível alcançar por gravidade a partir dos transportadores verticais. No momento de projetar a localização de todos os componentes, os requisitos das áreas necessárias para: - Circulação de operadores de equipamentos - Necessidades de espaços para manutenção e / ou limpeza. - Circulação de materiais e subprodutos na área operacional. Uma vez atribuída a distribuição do setor operacional, a localização dos setores correspondentes aos serviços deve ser projetada. É conveniente agrupar os elementos que compõem os seguintes setores: - Recebimento - Acondicionamento - Setor de pré-armazenamento úmido e / ou sujo - Pré-limpeza - Secagem - Classificação e limpeza - Armazenamento - Silos acondicionadores - Silos de conservação Ao determinar os locais, as possíveis extensões para cada um dos setores serão previstas adequadamente, tentando, na medida do possível, ter projetos modulares para cada um. Da mesma forma, a localização de cada setor será levada em conta, a incidência no trabalho de montagem e depois de operação e manutenção de todos os equipamentos, acesso adequado e espaços suficientes para tarefas de desmontagem e/ ou substituição de elementos devem ser previstos. DISTRIBUIÇÃO DOS DIFERENTES SETORES DO TERRENO Uma vez que o bloco que integra o núcleo básico da instalação de silos tenha sido projetado, sua localização no terreno deve ser projetada, considerando-se, além de sua operação global, os seguintes aspectos: - Planialtimetria do terreno. - As características da propriedade serão levadas em conta, no sentido de que a localização dos diferentes setores

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requer o mínimo movimento de terra (desmatamento e escavação), garantindo uma adequada evacuação da água da chuva, sem correr riscos que algum setor pode ser inundado. - A conexão com os níveis das rotas ou estradas de acesso à propriedade será considerada, a fim de otimizar o nivelamento das estradas internas com eles. - Tráfego interno de veículos. - Uma vez localizados os diferentes setores, a circulação dos caminhões dentro da propriedade será projetada, considerando: - Projetar rádios de viragem adequados, que permitam um movimento fácil, com o mínimo de manobras no seu interior. - Previsão dos setores em que os caminhões podem realizar operações de carga e, por sua vez, permitir a circulação de caminhões que devem acessar os pontos de descarga. A largura das estradas deve ser adequada para não interferir com as diferentes unidades de transporte. - Acesso adequado as moegas de descarga, aos pontos de carga e à balança dos caminhões. Deve ser lembrado que normalmente é necessário ter distâncias adequadas nas quais os caminhões devem estar alinhados com eles, tanto no seu acesso quanto na saída, antes de começar a girar. - Previsão de áreas de estacionamento que podem ser necessárias dentro das instalações. Da mesma forma, os pontos de concentração dos veículos em espera devem ser analisados, seja com a previsão de estacionamentos, seja com a disponibilidade de estradas secundárias que possam ser utilizadas para esse fim. É essencial para determinar estas áreas, o fluxo diário real dos veículos é antecipado em momentos de recebimento máximo, ter uma análise dinâmica que resulta do número de veículos que podem ser possíveis de acumular, devem ser dimensionados tais áreas casos de concentração máxima de veículos. Possivelmente poderia se considerar, por exemplo, o número total de unidades de transporte necessárias para o transporte planejado para 2 dias completos de recebimento, e com base na mesma determinação de uma primeira estimativa da área total necessária. Posteriormente, essa determinação deve ser ajustada com base nas considerações reais e específicas da instalação que está sendo projetada, bem assim como nas características da área de produção. - Deve-se desenhar uma circulação homogênea para todos os veículos dentro da instalação e é desejável que haja uma única direção de circulação, a fim de favorecer um tráfego fluente dentro das instalações. ENTRADAS DE ENERGIA ELÉTRICA - A localização dos acessos de energia elétrica à propriedade será levada em conta, bem como a localização de qualquer subestação redutiva. Esse fator certamente afetará a economia do projeto, já que é desejável que os setores que consomem mais energia estejam relati-


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DESENHO

vamente próximos a ele. Não se deve esquecer de que a transmissão em baixa tensão implica a necessidade de cabos de seção importante, com o conseguinte aumento em custos de investimento. O parafuso que hoje está instalando pode afetar seus próximos 20 anos de trabalho. LOCALIZAÇÃO DOS SETORES DE SERVIÇOS AUXILIARES No planejamento geral do armazém, é essencial para sua operação, determinar a localização dos setores de serviços auxiliares que compõem a instalação, que são: Instalações para a extração de amostras - A localização da área de amostragem da mercadoria que entra na planta deve ser prevista. Portanto, devem ser disponibilizadas instalações de acesso aos caminhões por quem deve extrair as amostras, de forma a realizar o projeto de forma adequada, com condições de segurança e conforto para realizar tal tarefa. Se o projeto o justificar, deve-se prever a instalação de alimentadores automáticos, a fim de facilitar tal tarefa, bem como obter uma amostragem adequada em condições objetivas. Balanças para pesagem de caminhões - Esse equipamento deve estar sempre localizado logo após o acesso de entrada/saída da propriedade, tendo espaço de circulação suficiente para que não seja necessário efetuar manobras dentro do pátio de recepção. A balança deve ter um comprimento igual ou maior do que os veículos que serão utilizados nas manobras. Deve-se ter em mente que as balanças também podem ser instaladas em um declive ou elevada, de maneira que facilite o fluxo. Instalação de balanças do tipo totalmente eletrônica, ou seja, com um suporte em células de carga de plataforma é desejável. Esses equipamentos são constituídos, na deformação sofrida pela aplicação de uma carga, geram um sinal digital (ou analógico), que é transmitido para uma unidade de leitura, o qual interpreta o sinal e indica o peso. Este tipo de balança é altamente confiável e tem uma manutenção muito baixa. Deverá também ser prevista a construção de uma sala adequada para a instalação do registro de entrada. O mesmo pode ser integrado a qualquer uma das outras premissas que mencionaremos.

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Laboratório - O laboratório local deve estar localizado próximo ou anexo ao local de amostragem, de modo a promover a transferência segura dos dados para análise posterior. Deve ser apropriada tanto para a instalação dos vários dispositivos necessários para realizar as análises, e a previsão para o depósito de amostras a serem analisadas, ou que vai ficar armazenado na mesma. Sala de painéis elétricos - No módulo operacional básico, as salas necessárias devem ser fornecidas para alojar os painéis elétricos, ambos com controle centralizado, se fornecido, e para alojar os elementos de potência e proteção. Sua localização será estratégica, tendo que equilibrar em relação aos centros de atividade, e a localização dos setores com maior consumo. Sua localização será muito importante, pois afetará os custos da instalação elétrica necessária para a operação do armazém. Local para a administração - O mesmo será projetado de acordo com as necessidades que possam surgir, de acordo com os objetivos do projeto. Em qualquer caso, é sempre essencial ter uma localização para esse fim, que eventualmente poderia ser integrada ao conjunto de recepção e análise. Suas dimensões devem estar relacionadas às expectativas a serem atendidas. Oficina - A construção de uma oficina para o depósito de ferramentas e a execução de pequenas obras de manutenção da unidade, deve ser determinada ou prevista, em conjunto com um local adequado para o depósito de peças essenciais de reposição para a operação e manutenção da unidade. Depósitos de subprodutos e produtos químicos para conservação de grãos - Entre as construções auxiliares, uma sala adequada ou galpão deve ser projetada para depositar os subprodutos resultantes da pré-limpeza e classificação da mercadoria. O mesmo deve estar localizado perto das áreas onde eles são gerados e adequadamente protegidos da chuva. Da mesma forma, o depósito de inseticidas preventivos e curativos que possam ser necessários, devem ter um local seguro e isolado para armazenamento.


- Localização dos tanques de combustível necessários para a secagem, se necessário (tanques de GLP ou GNC, tanques de gasolina, armazenamento de lenha, etc.).

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K


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CONTROLE DE PRAGAS

Pragas de Infestação Primária

Larvas de Besourinhos

Besouro ou Besourinho dos cereais e farinhas (Rhyzopertha dominica F.)

Ordem: Coleoptera Família: Bostrichidae

E

stes coleópteros (adultos) apresentam formato cilíndrico e coloração escura (têm um tamanho entre 2,3 e 2,8 mm de comprimento). A cabeça possui tamanho mais avantajado, apesar de ser escondida pelo pronoto. A oviposição ocorre nos cachos, sendo que os ovos são colocados isolados ou em grupos e apresentam coloração branca (têm o tamanho de 0,59 mm de comprimento e 0,2 mm de diâmetro).

Cada fêmea coloca entre 200 e 500 ovos. Após a eclosão, as larvas penetram nos grãos e iniciam a alimentação, passando por quatro instares de desenvolvimento e saindo do grão somente na fase adulta. É capaz de sobreviver e desenvolver como larva até o terceiro instar nos resíduos para posteriormente entrar no grão. As temperaturas ideais para desenvolvimento estão entre 32 e 35 °C com 70% de umidade relativa, completando o ciclo em 30-40 dias. É uma espécie com alta capacidade adaptativa, conseguindo sobreviver em extremos de temperaturas. As larvas têm o corpo branco com a cabeça escura, quando totalmente desenvolvidas medem 2,8 mm de comprimento. As pupas

Pupa do Besourinho Revista RevistaGrãos Grãosbrasil brasil- Novembro - Novembro/ Dezembro / Dezembro

medem 3,9 mm de comprimento e 1 mm de largura, são inicialmente de coloração branca, adquirindo coloração castanha próximo a emergência dos adultos. É capaz de consumir de 5 a 6 vezes seu próprio peso em uma semana. As larvas e os adultos alimentam-se do grão por inteiro, têm a capacidade de sobreviver nos resíduos produzidos por sua alimentação. Os adultos acasalam logo após a emergência e o período de postura pode durar até 4 meses. Conforme as condições do ambiente e do hospedeiro, o ciclo dessa praga dura de 30 a 100 dias. Rhyzopertha dominica é considerada praga primária de grãos armazenados. Originalmente nativa dos trópicos, foi


CONTROLE DE PRAGAS QUANTOS GRÃOS PODE FURAR UM BESOURINHO? Todas as pragas de infestação primária (que passam parte de seu ciclo de vida dentro dos grãos) quando saem do grão furam ele (grãos carunchados), então cada adulto fura um grão. O Besourinho (Ryzoperta) é diferente, não só fura o grão quando o adulto sai do grão, também é capaz de furar muitos outros grãos ao longo de sua vida de adulto. Esta forma de atuação faz com que esta praga seja especialmente prejudicial. Controle Etapas do ciclo do Rhyzopertha

disseminada pelo comércio para todas as partes do mundo. Esta praga ocorre em arroz, centeio, cevada, milho, sorgo e trigo. Sintomas

São diversas as práticas que podem ser adotadas para controlar a praga, dentre elas se destacam a manipulação da temperatura, umidade e gases do ar nos locais de armazenamento. Controle químico: Uso de produtos autorizados pelo Ministério da Agricultura (Estas pragas são bastantes susceptíveis aos praguicidas piretroides e tolerantes aos organo-fosforados).

Adultos e larvas alimentam-se dos grãos, deixando-os perfurados e produzindo grande quantidade de resíduos na forma de farinha ou poeira. Além de sua grande capacidade de consumo e destruição o adulto desta praga tem um comportamento especial, seus excrementos e partículas de farinha são chagadas fora dos grãos, gerando um ambiente com muito pó com um cheiro doce. A quantidade e qualidade dos grãos são comprometidos. Pode causar perdas de peso nos grãos de até 40%. Etapas do ciclo de vida do Rhyzopertha

Infestação oculta em trigo

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SECAGEM

Secagem de Grãos

É

o processo artificial pelo qual uma certa quantidade de água é removida do grão, o que seria prejudicial ao seu armazenamento. Com a disseminação da colheita antecipada, a prática da secagem artificial torna-se obrigatória. Vemos na figura a seguir um exemplo de UCO (Umidade de Colheita Ótima) e UOC (Umidade Ótima de Conservação). QUAIS SÃO AS VANTAGENS DE UMA COLHEITA AVANÇADA?

3. Geralmente você pode obter melhores preços.

1. Aumentar a produtividade. - Menos capotamento de plantas. (Insetos, doenças, vento, etc, causam a caida). Quando a colheita é atrasada, a porcentagem de plantas derrubadas aumenta; por outro lado, plantas mais verdes podem ser levantadas mais facilmente. - Antecipa a grande invasão de ervas daninhas; eles impedem a colheita e o manuseio, condicionamento e conservação de danos.

4. Você pode fazer melhor uso das máquinas de colheita.

2. Permite desocupar o campo antes. - Importante no caso de plantações de segunda safra; por exemplo: soja após trigo. Revista RevistaGrãos Grãosbrasil brasil- Novembro - Novembro/ Dezembro / Dezembro

5. Há menos problemas de disponibilidade de acondicionamento e armazenamento na origem. O aspecto econômico deve ser analisado, por isso, além das vantagens técnicas deve ser levado em conta: - Custos falsos de colheita e frete. - Custos de secagem, etc. Geralmente, não é apropriado colher antes do ponto de inflexão, pois os custos diferenciais podem ser al-


SECAGEM tos. Infelizmente, a prática de secagem é um gargalo no condicionamento e por isso se busca secar o mais rápido, negligenciando em muitos casos a eficiência do sistema e a qualidade do grão. Grandes volumes de grãos se secam todos os anos, lembremos que e a prática que requer maior investimento, a mas cara por tonelada e de maior potencial de dano. A secagem está longe de ser eficiente, por isso devemos nos perguntar: o que devemos fazer? Para secar com eficiência, você precisa saber como a água está no grão. Existem várias classificações, vemos algumas delas abaixo: De acordo com os componentes dos grãos (proteínas - carboidratos - lipídios) é a retenção de água pelos grãos. Quanto maior o teor de gordura, menor a umidade total.

umidade relativa maior é a umidade do balanço do grão, com temperatura mais baixa. A água livre é a mesma em maior temperatura e menor umidade do grão.

Como sabemos o grão higroscópico, procure o equilíbrio. Os processos de secagem (perda de umidade são muito mais rápidos do que aqueles de ganho de umidade).

Vemos na figura a seguir (canto direito superior) que uma curva de equilíbrio higroscópico é afetada pela temperatura. Para a mesma umidade relativa maior é a umidade do balanço do grão, com temperatura mais baixa. A água livre é a mesma em maior temperatura e menor umidade do grão. Se não secar, produz aquecimento e perda de qualidade. Tomando o tempo como uma variável dependendo da umidade e temperatura da espécie em questão, as curvas dos T.A.S. (Tempo de armazenamento seguro). Esses gráficos foram feitos em condições ideais. Este gráfico indica o número de dias necessários para gerar uma perda de 0,5% de MS. Portanto, se armazenarmos mais tempo do que o indicado na TAS, sabemos que a perda de peso seco será maior que 0,5%.


SECAGEM

Para entender um pouco melhor o uso das curvas TAS, podemos ver o seguinte exemplo: Uma soja de 16% de umidade e 25 ° C, tem um TAS de 10 dias, caso permaneça nessa condição por 5 dias. , você terá consumido metade do seu TAS, colocando-o em uma nova condição, por exemplo. 14% de umidade e 20 ° C, a nova TAS será igual a 50% da correspondente a essa condição, já que consumiu metade de sua TAS inicial. Visto de outra maneira, qualquer grão que seja mantido em uma condição não ideal perde a capacidade de armazenamento subseqüente.

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Reflexões Pós-Colheita

Eng. Domingo Yanucci

Diretor Executivo Consulgran - Granos - Grãos Brasil graosbr@gmail.com A PRÁTICA MAIS IMPORTANTE DA PÓS-COLHEITA É A AMOSTRAGEM E O MONITORAMENTO

S

em dúvidas, todas as atividades dos armazéns são necessárias e, portanto, importantes, mas em nossas palestras sempre falamos que temos uma prática que é a mais importante de todas. Fazemos isto, primeiro porque estamos convencidos de que é a realidade e segundo porque é uma boa forma de ressaltar um conjunto de práticas pouco valorizadas nos manejos tradicionais.

Quando nas reuniões perguntamos para os responsáveis qual é a prática mais importante muitos falam: secagem – limpeza – controle de pragas – aeração, etc. etc., e nós afirmamos que nenhuma destas práticas podem fazer bem se não se conhece como está a mercadoria. Como a única forma de saber com o que estamos lidando é a amostra e monitoração, podemos então afirmar que estas são o conjunto de práticas mais importantes. Muitas vezes se deixa para depois porque tem outras práticas mais urgentes, receber, carregar caminhão, etc. etc., em outras ocasiões não se dispõe nos armazéns um programa de seguimento da qualidade do grão, por ex. uma história clínica de cada depósito, o que complica a eficiência dos processos. A falta de consciência sobre a importância das práticas de amostragem e monitoramento e às vezes as implicâncias comerciais que isto tem, tem como consequência a não incorporação de tecnologias necessárias para otimizar os resultados. Por ex.: Coletores mecânicos pneumáticos de amostras, sistemas de monitoramento de secadores, silos, clima, peneiras de recepção, etc. Faz muitos anos que foram desenvolvidos sistemas de extração de amostras de grãos em movimento, que lamentavelmente não estão difundidos em nossas novas instalações. Trata-se de equipamentos simples que permitem coletar mecânica e automaticamente as amostras. Cada vez mais torna-se necessária a coleta de maior volume de amostras, porque as variáveis de qualidade (sobretudo as mais heterogêneas, como por ex.: micotoxinas) requer grande quantidade de amostras. Não se pode ter um armazém de alta capacidade e depender da coleta manual de amostras; as máquinas podem fazer isto com menor índice de erro e com uma melhor performan-

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ce para obter representatividade dos volumes. O FATOR DE MAIOR PERDA DE PESO E DE QUALIDADE SÃO OS FUNGOS Por serem micro-organismos, para muitos só existem quando se fazem visíveis. Os fungos do gênero Aspergillus e Penicillium, que são os clássicos da pós-colheita de grãos e sementes, sem dúvida são a causa mais importante de perdas de qualidade e peso na pós-colheita. Alguns podem ficar surpresos porque pensavam que eram os insetos, outros pensavam que é a secagem excessiva, etc.; a verdade é que nunca se pode ter um granel sem fungos, pois estes sempre estão agregados ao grão, tanto por fora dele como em seu interior. Quando falamos de quebra na armazenagem, esta é para justificar a perda de peso que ocorre devido a respiração do granel (massa de grãos), que na realidade é muito mais dos fungos do que do próprio grão. Em condições normais, todo granel respira consumindo a matéria seca e gerando calor e umidade. Como sabemos, a umidade é o principal fator que afeta a vida dos fungos e estes se desenvolvem a partir de uma umidade relativa de equilíbrio de 65% ou mais. Por ex.: quando trabalhamos com umidades limites primeiro começa a desenvolver-se o A. restrictus, e depois seguem em uma espécie de sucessão ecológica glaucus, flavus, nigricans, acraceus,


TECNOLOGIA sendo o gênero Penicillium o que requer maior teor de umidade. Conforme o tipo de grão, este apresentará uma ou outra espécie de fungo característico ao seu gênero. Quando o grão está em perfeito estado, está perdendo peso principalmente por causa dos fungos que fazem parte do ecossistema de pós-colheita. Hoje já temos máquinas que determinam umidade grão por grão, porque os fungos não se desenvolvem em função de um dado de umidade média, que é o que nós determinamos; se desenvolvem em função dos maiores níveis de umidade. Muitas vezes se pregunta o que ocorre no armazém com milho a 13,5% de umidade e tendo fungos; na verdade este 13,5% é o resultado de uma mistura onde temos grãos com 14, 15, 16%. E o milho de 15% em seu germe tem 17% de umidade. Se não tiver umidade não teremos desenvolvimento de fungos. Alguns olham o grão ardido, fermentado e até podre e pensam que é da natureza desta matéria orgânica; na realidade são os fungos os causadores de toda esta deterioração. Em algum momento podemos ver os micélios dos fungos sobre os grãos, sabemos que também temos micélios microscópicos dentro do grão. Em determinadas condições estes fungos produzem substâncias tóxicas que afetam a convertibilidade e até podem causar a morte dos que consomem os grãos. A forma de ataque, a forma de detecção e a biologia dos fungos, é algo que merece ser levado mais em conta.

Ao longo de tantos anos já se teve oportunidade de ver grandes investimentos em mãos pouco preparadas, gerando graves danos e também armazéns modestos, gerenciados por encarregados capacitados e, como se diz comumente, vestindo a camisa e dispostos a suar por ela, dando bons resultados. É o chefe do armazém que normalmente deve carregar as múltiplas pressões no tempo de safra, é ele que maneja as equipes de trabalho, permanentes ou temporários e é só ele que tem a responsabilidade sobre a qualidade e os volumes que se armazenam. Os armazéns normalmente não são tão confortáveis como um escritório e o que deve ser destacado é que a diferença entre um trabalho de escritório e em um armazém “TUDO É DINHEIRO”. Toda decisão que se toma envolve gastos e/ou perdas de grãos e para completar o panorama não se pode nunca voltar. Destacamos isto porque muitas vezes os responsáveis dos armazéns não são suficientemente valorizados e pouco remunerados, e poucos são os que investem em sua própria capacitação. Um chefe de um armazém pequeno (30.000 Ton) é o responsável pelas instalações de um valor de R$12.000.000,00 e gerencia gastos por R$ 2.500.000 e é responsável de grãos por um valor de R$ 36.000.000,00, todo em um ano. Lembramos que a pós-colheita é um negócio de centavos, na lavoura se pode falar em perdas de 5 – 10%, no armazém pensar em 0,5% é uma baita perda.

Grãos com fungos (aspergillus) O mais importante na pós-colheita de grãos e sementes é o responsável do armazém. Se observarmos o quadro dos componentes do ecossistema da pós-colheita, veremos que entre os fatores biológicos do meio temos o homem. Este é o fator mais importante; é ele que produz, é ele que estabelece as normas, é ele que desenvolve e implementa as tecnologias, e é ele o destinatário direto ou indireto dos grãos. E entre os homens, o responsável do armazém é o mais importante, é ele que tem que saber como está o grão e conhecer as técnicas de aplicação para manter as caraterísticas do grão e fazê-lo com a máxima eficiência possível. Revista Grãos brasil - Novembro / Dezembro

A BASE DO SUCESSO DO COTROLE DE PRAGAS, A LIMPEZA E OS TRATAMENTOS DE INSTALAÇÕES Este é um tema muito recorrente, que a grande maioria dos responsáveis do manejo de grãos ainda não compreendem plenamente. Muitas vezes passa que a gente pensa:“para que limpar se não dura nada?" e desta forma se acumulam resíduos que servem de refúgio e alimento das pragas, o que torna praticamente inútil a aplicação de agrotóxicos. Outras vezes não se tem o conhecimento do que significa limpo, para o controle de pragas. Frequentemente lembro quando me chamaram para


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Fatores que afetam a Pós-colheita

ajudar no controle de um grande ataque de besourinho (Ryzopertha dominica F.) em trigo e dei a recomendação de limpar o silo para depois fazer um tratamento de nebulização, duas horas depois me chamam “Eng., o silo já está limpo”, observo e vejo que faltava bastante, então assinalei os pontos onde faltava limpeza e pedi que melhorasse o trabalho, assim 2 horas depois me chamam para dar o OK, e novamente faltava limpeza, assim que tive que insistir. Comento esta anedota para exemplificar como a palavra não é suficiente para a implementação da boa tecnologia, porque o que é limpo para um não é para outro. Muitas instalações não dispõem de aspiradores industriais, então por mais boa vontade que tenham nunca podem limpar corretamente. Além do comentado temos outras limitações, uma referente à dosagem dos agrotóxicos para as instalações que a nosso entender são insuficientes nas etiquetas dos produtos aprovados. Outra limitante é a falta de máquinas nebulizadoras (que com pouco volume fazem um tratamento estendido, com gotas pequenas, das partes internas dos armazéns). É recomendável usar misturas de órgão fosforado e piretro ides; e complementar este tratamento com o uso de inseticidas em pó para chegar a lugares onde se refugiam as pragas e não se chega de outra forma. Lembremos também uma velha citação: Nenhum agrotóxico é melhor que sua aplicação. A AERAÇÃO SUFICIENTE SEMPRE SE DÁ EM SÉRIES DE TEMPO A série é o número de horas de aeração necessária para resfriar uma massa de grãos. Este é um conceito conhecido pelos estudiosos da aeração, mas que não

está generalizado na prática ainda. Esta série pode ser de 100 a 120h, por exemplo (para uma aeração tradicional – pobre). Para exemplificar tomemos o trigo, se colhe na primavera - verão, então se deve dar uma série o mais cedo possível para resfriar o grão que vem da lavoura, normalmente usando as horas da noite. Então assim se resfria imediatamente, pouco vamos conseguir arejando nas semanas seguintes. O consumo de energia será elevado e a possibilidade de perder peso por secagem é bem certo. Se deverá esperar que a temperatura ambiente mínima média baixe uns 5ºC da temperatura do granel. Para resfriar de 28 a 23ºC, se requer o mesmo gasto de energia que para fazê-lo de 24 a 23ºC, custa o mesmo praticamente que resfriar 5ºC ou 1ºC, por isto o econômico e razoável é esperar que a temperatura ambiente baixe da ordem de uns 5ºC para justificar uma nova série


TECNOLOGIA de horas de aeração. Assim se estabelece umas 3 séries até chegar o inverno. Ex.: se colher com 30ºC, se resfria a 25ºC na primeira série; no sul do Brasil no outono se chega a 22ºC e no inverno a 18ºC. Cada região tem sua realidade, muito diferente será Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), Paragominas (Pará- Brasil), Mato Grosso (Brasil), Paraguai ou Bahia Blanca (Buenos Aires- Argentina).

Zonas Térmicas para Pós-colheita

A grande maioria dos armazéns não tem controle dos KWh que gastam por tonelada e passa desapercebido o excessivo gasto de energia, com resultados pobres ou incluso com resultados indesejáveis. Ao implementar-se a aeração em séries, mesmo incorporando um tempo extra para cada aeração, veremos que o gasto de energia elétrica reduz substancialmente. COMO É O CLIMA PARA A ARMAZENAGEM E A CONSERVAÇÃO? Muitas vezes confundimos o que é um bom clima para produzir com o conveniente para a pós-colheita. Sabemos que a agricultura se inicia sobretudo em lugares onde era relativamente fácil conservar, porque só tem sentido produzir um grão sazonal em grandes quantidades, se existe a possibilidade de conservar a produção. O Eng. Eduardo Sierra nos apresenta a seguinte classificação climática desde o ponto de vista da qualidade da pós-colheita: 1) Umidade 2) Temperatura

Áreas hídricas para a pós-colheita de grãos

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A grande maioria das regiões produtivas da América do Sul são regulares ou marginais para o manejo da pós-colheita de grãos. REFORÇO DAS AERAÇÕES OU RESFRIAMENTO ARTIFICI AL E ALTERNATIVAS DE OTIMIZAÇÃO Quando iniciei nestes temas, peguei toda literatura possível, e em geral se falava de uma vazão específica de 0,1 m3/min ton para resfriar o grão. No ano de 1987 em um curso da FwAO no Centreinar (centro de treinamento de manejo de grãos de Viçosa MG), me coloquei a trabalhar no desenho de uma aeração e usamos esta ideia de vazão. Minhas primeiras publicações também repetiam o que todo mundo falava. Com o tempo fui percebendo que se duplicássemos a vazão, gerávamos


TECNOLOGIA melhoras muito transcendente no manejo de grãos. Então fica claro para mim que uma vazão de 0,1 m3/min ton era um grave erro. Aprofundando o tema vemos que com uma vazão de 0,1 m3/ min ton (por ex. um ventilador de 100 mw/min em um silo de 1000 ton), necessitamos da ordem de 100 a 120 h de aeração (por série) e isto é muito fácil de conseguir nas regiões do hemisfério norte onde se gerou esta informação; e na maioria de nossas regiões produtivas para obter 100 h de frio necessitamos 2 ou mais semanas. Hoje, em pleno Mato Grosso (Brasil) (mínimas de 18ºC no inverno) se está usando a mesma aeração que em Minneapolis (Estados Unidos) (mínima – 10ºC no inverno). Sem dúvidas este é o maior erro técnico que se comete em nossos países. E o mais lamentável é que se segue cometendo. Se paga caro com perdas de milhões de reais por ano, se perde peso, se deixa mais cômodo às pragas e fungos, se gasta muita energia eléctrica (porque não se areja só nas melhores horas), deve-se armazenar mais seco para se ter segurança e etc. Depois de vários anos chegamos à conclusão que não existe melhor inversão nos armazéns que reforçar (duplicar em termos gerais) a aeração, em todos seus conceitos referidos a resfriamento ou manutenção de grão úmido ou seco. Claro que a aeração sempre vai depender do clima da região em um 100%. Se quisermos independência de forma importante do clima é necessário programar a refrigeração artificial. Se os condutos da aeração não são limitantes, podemos conectar uma máquina de refrigeração e alcançar 15ºC em pleno verão, com todos os benefícios que isto tem. Lembramos como informação geral, por cada aumento de 5ºC se duplica o ritmo de respiração do grão. E dizer que duplica a perda de matéria seca, a produção de água e calor. Podendo levar o grão a uma deterioração irreversível. Se observarmos de um ponto de vista de um armazém já existente, deve-se tratar de desarmar 4 aerações e armar 2 e colocar 2 novas nos silos onde se retirou a aeração. Se tratar de um depósito novo, já deve considerar a vazão especifica que permita resfriar no máximo em uma semana (é dizer em 50 a 60 h), tempo razoável para que o grão comece a ficar quente e esteja seco.

O ESPALHADOR PARA EVITAR PROBLEMAS CAUSADOS PELA SEGREGAÇÃO Falamos que em 90 % dos aquecimentos que se dão em um depósito se gera debaixo do ponto de carga. É o fenômeno de segregação (uma das variáveis físicas do grão) o que produz uma separação natural dos componentes do grão quando se guarda no depósito, resultando que debaixo do ponto de carga (normalmente chamado coração) se acumulam os corpos estranhos, pesados e quebrados. Podemos ter 2 a 3 pontos de diferencia no PH entre a mercadoria que está sobre a parede e a que está mais ao centro. Por outro lado pela formação natural do cone, é um setor de maior dificuldade de aeração, tudo isto conspira contra a conservação. Muitas vezes os aquecimentos que se geram no coração são mais rápidos que nossa possibilidade de resfriar (aeração pobre) e devemos arejar 2, 3 ou 5000 toneladas em função de umas poucas que estão iniciando aquecimento, o que gera perdas tremendas. Em definitiva, se queremos amenizar e até mesmo eliminar este problema, recomenda-se para armazenagens de mais de um mês de uso, a necessidade de espalhadores na carga dos depósitos. Isto vale também para outras tecnologias como: exaustores – descargas por gravidade – bocas de amostragem – termometria, que junto com uma aeração bem dimensionada permite uma melhora notável na conservação. Para dar um exemplo: se paga R$ 1.00.000 em um silo de 5000 ton, se no mesmo se incorporar uma tecnologia de ponta que levaria o preço a R$1.020.000 se teria um silo muito melhor, com possibilidades de recuperar em 1% do volume armazenado. Se estimamos que ingressem umas 10.000 ton por ano, de R$ 600/ton, o 1% em uma safra seria R$ 600.000/ano. Com estes números que são conservadores a gente pode se perguntar, porque não fazer as coisas bem feitas desde o início? O VALOR DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA NA PÓS-COLHEITA Ao longo destes 35 anos trabalhando na especialidade tive a oportunidade de apoiar tecnicamente inúmeras empresas cerealistas, cooperativas, indústrias, exportadores, etc., adquirindo bastante experiência sobre a forma de trabalho dos grupos responsáveis do manejo de grãos. O nível de produção, a figura do assessor técnico é muito comum, mas em nossa especialidade é difícil encontrar profissionais que atendam os variados temas involucrados na pós-colheita, por esta ração é muito forte a ideia dos responsáveis que eles são os que mais sabem, pelo menos dentro de suas instalações; e talvez isto até possa ser verdade, o ruim é quando os responsáveis não se abrem e vem as novas possibilidades que permitem otimizar os processos. Por-


TECNOLOGIA

que não se deve esperar pra ter um problema para ver como se soluciona; isto é uma situação comum, tenho pragas e não posso controlar, chamamos alguém que nos ajude; tenho que comprar um secador, as instalações já são antigas e devo dar rendimento à secagem. ¡Vejamos quem pode nos ajudar! ¡Devemos ampliar o armazém, vejamos quais são as alternativas! Enfim, uma infinidade de temas. Mas não devemos esquecer que a pós-colheita é o elo mais da cadeia produtiva, onde o que se busca é criar utilidade (beneficio), em outras palavras gerar uma ganancia genuína, que dê rentabilidade para a empresa. Neste sentido se deve estar aberto e ir em busca do que está disponível no mercado para dar mais rentabilidade. Muitas empresas ainda se satisfazem com o resultado de uma boa conservação, que as quebras técnicas cobrem as perdas reais e isto não é suficiente, hoje temos tecnologia que permite obter mais benefícios econômicos, dando mais segurança aos processos de acondicionamento e conservação. A assistência técnica permite levar aos armazéns a solução e as possíveis limitantes, com experiência já provada e permitir abrir o caminho para o aprimoramento permanente, na busca de um círculo virtuoso de manejo de grãos. É excelente o resultado quando o grupo de trabalho vê no assessor um colaborador externo que leva experiências válidas e não um fator de desagregação, controle ou desejo de imposição de práticas inviáveis. Claro que contando com a inteligência para a mudança dos responsáveis, tudo é mais fácil e quando um chefe de armazém fala não, é não, porque as vezes até inconscientemente ele se encarrega de que seja assim. É comum que por não sair de uma zona de conforto (toda mudança implica um esforço – por mais que seja para o bem) o encarregado se converte no Dr. NÃO. Quando esta situação se reverte e se ganha a confiança dos responsáveis do manejo de grãos, é quando a figura do Revista Grãos brasil - Novembro / Dezembro

assessor pode cumprir seu objetivo de mudança e não só de diagnóstico. Sempre se recomenda estar aberto ao que se tem de novo, de maneira a aproveitar o que pode ser útil; pensar que se chegou a um nível onde tudo está suficientemente bem e não é perfeito, é o aborto do progresso. O grande desafio que temos hoje no Brasil é passar de uma pós-colheita tradicional a uma aprimorada ou racional, onde se busque os resultados mais com eficiência ou baixo custo.

Érico Veríssimo: “Quando os ventos de mudança sopram, uns levantam barreiras, outras constroem moinhos”.


MERCADO

Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos! Oswaldo Jorge Pedreiro

Analista e assessor comercial de Grãos e derivados oswaldo.pedreiro@uol.com.br

E

stamos chegando ao final de mais um ano, as esperanças se renovam e todos nós almejamos que o ano de 2019 venha mudado para melhor, com tantas modificações que temos visto no âmbito político, e que podem com absoluta certeza refletir em melhores resultados na área comercial, financeira, de segurança e de transparência para que o Brasil possa finalmente ser o país que todos nós desejamos! A guerra comercial entre a CHINA e EUA continua seguindo em frente, ora favorecendo um lado, ora pendendo para o outro lado, e nós aqui na América do Sul tentando tirar proveito de cada momento que nos sobra para encaixar novas vendas para os chineses, que pelo menos até agora priorizou centralizar suas compras no cone sul. Os resultados práticos dessa guerra comercial tem como reflexo a volatilidade das cotações de produtos agrícolas na Bolsa de Chicago (CBOT); durante a ultima semana de novembro tivemos picos de até 25 pontos de baixa, contra uma alta de até 18 pontos no último dia 28 de novembro. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou uma nova venda de 268,748 mil toneladas de soja da safra 2018/19 para destinos não revelados. O mercado na Bolsa de Chicago, que espera pela reunião entre Donald Trump e Xi Jinping na cúpula do G20, se apegou ao reporte e subiu mais de 1% no dia do relatório. Os futuros da oleaginosa registraram ganhos de 16,75 a 18 pontos nos principais contratos.  O maio/19, referência para os negócios aqui no Brasil, neste ambiente, já tinha de volta US$ 9,19 por bushel, enquanto o janeiro/19 valia US$ 8,93. 

As altas da soja puxam ainda os demais grãos - milho e trigo - e segue o foco dos traders na espera pelas novas informações que deverão chegar do encontro dos presidentes da China e da Argentina depois de seu encontro na reunião do G20 nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro (esta edição já terá sido impressa e o resultado informaremos na edição seguinte). “Os ganhos são impulsionados pela cobertura de posições por parte dos traders, que buscam estar bem posicionados antes da reunião de Donald Trump e Xi Jinping no final da semana. Embora um final da guerra comercial pareça improvável neste momento, os dois presidentes poderão, ao menos, trabalhar para evitar mais penalidades”, diz o analista sênior do portal norte-americano Farm Futures, Bryce Knorr.  O mercado, ainda segundo o executivo, continua caminhando de acordo com as declarações que chegam de Pequim e Washington. No entanto, caso as altas persistam e os preços ultrapassem suas médias móveis de 50 e 100 dias, esse pode ser um fator positivo para as cotações.  E o melhor disso tudo é que o Brasil poderá tirar proveito dessas possíveis altas, aumentando ainda mais sua participação nas exportações para a China que já se apresentam como um novo recorde de volumes embarcados, tendo acumulado este ano até dia 20 de novembro um total de 60 milhões de toneladas com destino China, para um total de exportações brasileiras em torno de 78 milhões de toneladas. No mais, desejamos a todos os leitores e assinantes da Revista Grãos Brasil um Feliz natal e que o ano de 2019 venha com muitas vitórias, novas e excelentes perspectivas para todos nós brasileiros, e a vocês todos que Deus lhes conceda tudo o que estejam esperando de bom e agradável, obrigado a todos!


MICOTOXINAS

Ácido Penicílico

Dr. Sérgio Paulo Diniz

Mestre em Bioquímica - UFPR / Micotoxinas e Bioquímica Fitopatológica. dnz1210@hotmail.com

O

ácido penicílico foi isolado a partir de milho infectado com Penicillium puberulum em 1913. Atualmente, sabe-se que o mesmo também é produzido por outros membros do gênero Penicillium e Aspergillus. Quanto à toxicidade, é menos tóxico que a patulina, embora guarde semelhanças estruturais, ambas são d-lactonas, o que justifica sua acentuada atividade carcinogênica. É considerado um potente agente microbiano. É uma toxina tremorgênica sendo os principais sintomas de envenamento, os tremores e as convulsões.

Silagens de milho foram inoculadas com linhagens de Penicillium roqueforti, que são capazes de produzirem as seguintes micotoxinas: ácido penicílico (PA), ácido micofenólico (MPA), patulina (PAT), ou a toxina PR (PRT). A silagem foi incubada por 160 dias, em condições aeróbicas, sem agitação a 15oC no escuro. Os níveis máximos encontrados foram em mg/kg os seguintes: ácido micofenólico 3,56; patulina 15,10; ácido penicílico 3,06; e toxina PR 2,17. Sendo que esta produção foi precedida pelo aumento do pH de 4 para 9 (Muller & Amend, 1997). Anteriormente em 1996, Lopez Diaz et al., estudaram a presença de micotoxinas em variedades de queijos na Espanha. Tendo registrado a ocorrência de aflatoxinas B-1 e M-1, esterigmatocistina, patulina, ácido penicílico e ácido micofenólico. Paralelamente, foram isoladas 24 cepas de Aspergillus e Penicillium.

ALIMENTOS SUSCEPTÍVEIS:

Um total 84 amostras de plantas medicinais foi pesquisado quanto à contaminação por fungos e micotoxinas por Aziz et al., em 1998. Foram detectados 10 gêneros de fungos de diferentes grupos taxonômicos.Os microrganismos mais freqüentes foram o Aspergillus flavus, A. parasiticus, A. niger, Fusarium oxysporum e Penicillium viridicatum. As micotoxinas mais encontradas foram a aflatoxina B-1 em 17 amostras (10 a 160 mg/ Kg); Ocratoxina A em 3 amostras, P. viridicatum, P. chrysogenum e P. commune demonstraram serem produtores de ácido penicílico.

CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS:

PRIMEIRO ISOLAMENTO:

Foi isolado de milho infectado com Penicillium puberulum por Alsberg e Black em 1913 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América.

Trigo, farinha, pão, farinha de milho, milho, milho pipoca, feijão, soja, sorgo, cevada, tortas de carne, pó de cacau, queijo, salame, lingüiça, maturados, presunto, curados, carne mofada, doces refrigerados e congelados, alimentos mofados de supermercados e alimentos estocados em casa refrigerados ou não.

ANIMAIS SENSÍVEIS:

Animais em geral, principalmente os que se alimentam de ração de milho e afins, e os homens.

SINTOMAS:

Carcinogênico, citotóxica, hepatotóxica, dilata coronárias e artérias pulmonares, tremores, convulsões, Síndrome de Slobber, salivação excessiva. Porém é considerado um potente agente antimicrobiano.

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Fórmula Química:

C8H10O4 -Peso Molecular: 170,16 g/mol; -Nome: Ácido 3-metoxi-5-metil-4-oxi-2,5-hexadienoico; Propriedade Física: Cristal rômbico, triclínico ou monoclínico, em água (monohidratado); -Ponto de Fusão: 83-84ºC; -Emite fluorescência: transparente; -Índice de refração: uv máxima 200 nm; -Solubilidade: Reação ácida torna vermelho congo em azul, moderadamente solúvel em água fria, solúvel em água quente, álcool, éter, benzeno, clorofórmio. DL50: 100 mg/ Kg para ratos

FUNGOS PRODUTORES: Colônia gigante de Penicillium sp, em meio de cultura. (Reprodução Fotográfica: Antonio Carlos Locatelli)

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Aspergillus melleus, Aspergillus ochraceus, Penicillium puberulum, Penicillium cyclopium, Penicillium thomii, Penicillium suaviolens, Penicillium boarnense, Penicillium olivino-viriall, Penicillium mortersii,

Penicillium fenelliae, Penicillium pulitans, entre outros.

Estrutura molecular do Ácido Penicílico


Soluções FOSS,

TECNOLOGIA 31

Dando ao Grão Seu Valor "Preciso" MÉTODOS DIRETOS vs INDIRETOS

Eng. Fabian F. Ghía FOSS ffg@foss.dk

O

conceito de qualidade tem variado ao longo dos anos; numa primeira instância, a qualidade foi entendida apenas como um atributo que permite cumprir uma especificação de produto. O conceito foi posteriormente ampliado e contemplou aspectos relacionados não apenas ao controle do produto, mas a aspectos relacionados ao controle dos processos, com foco na garantia de qualidade. Atualmente o conceito de qualidade é mais amplo e mais integrado, além de englobar os conceitos acima mencionados, busca satisfazer a necessidade de um cliente, através da melhoria da gestão de meus processos, o que pode ser entendido como um consumidor / cliente disposto e exige receber um produto / serviço que atenda às suas expectativas / necessidades.

Dentro do processo que envolve conhecer os dados composicionais de uma matéria-prima, um subproduto, um alimento balanceado ou um produto acabado a ser lançado no mercado, a química tradicional cumpriu e continua a desempenhar um papel fundamental para garantir ao cliente que o produto está em conformidade com os requisitos / especificações exigidos pelo mercado para consumo interno / exportação. Métodos analíticos tradicionais (conhecidos como métodos diretos), freqüentemente chamados de métodos de química úmida, serviram e contribuíram por muitos anos para o conhecimento da composição de um produto. Nesse sentido, os diferentes atores da cadeia agroalimentar puderam e podem conhecer a qualidade composicional das matérias-primas e subprodutos, a fim de garantir que estejam dentro dos padrões comerciais definidos pelo mercado ou decidir sobre o uso das mesmas. No entanto, e voltando ao novo conceito de qualidade, o foco não deve ser colocado apenas no controle do produto, mas na melhoria do processo. Deste ponto de vista, métodos tradicionais em certas situações em que uma decisão deve ser tomada rapidamente, não respondem de maneira apropriada à necessidade de informação requerida pelo usuário / cliente ou à diversidade de parâmetros que se espera que sejam conhecidos. Por exemplo, muitas vezes a matéria-prima para a elaboração de uma alimentação equilibrada é usada para a formulação antes de ter os resultados das análises químicas. Semelhante pode ser o caso se tomarmos um silo de milho usado para alimentar o gado de leite, onde normalmente o animal já

consumiu o silo antes de ter os dados analíticos com os quais eu não tenho certeza de que estou alimentando o animal. . Todos esses custos ocultos são intangíveis se eu não contemplar o quanto estou realmente perdendo com essas ineficiências do meu processo; Se adicionarmos também fontes de erro em todas as técnicas analíticas introduzidas através da coleta e preparação da amostra, a falta de reprodutibilidade do trabalho entre os analistas de acordo com o método de referência utilizado, o impacto é ainda maior. Com uma alternativa cada vez mais popular em diferentes áreas, existem os chamados métodos indiretos, baseados na tecnologia Near Infrared (Infravermelho próximo). Caracteriza-se por ter pouca ou nenhuma preparação de amostra, pois é um ensaio não destrutivo onde os reagentes não são utilizados, com base em uma operação simples, rápida, confiável e precisa, desde que seja capaz de realizar o ajuste e / ou o fortalecimento das minhas curvas de calibração. Em seguida, descrevemos as principais características de cada método que, dependendo das necessidades do cliente (interno ou externo), podem agregar valor ao processo laboratorial. MÉTODOS DE REFERÊNCIA – DIRETO -Química tradicional, tem padrões oficiais (ISO – AOAC – etc.) -Requer um operador, materiais e um balanço de trabalho. -Depende da preparação do laboratório. -Não requer calibração, se define como “exato”.


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TECNOLOGIA

-A automatização diminui a dependencia do operário e o tempo de operação. INFRAVERMELHO PRÓXIMO (NIR/NIT) – INDIRETO -Basado em detectores infravermelho próximo (NIR/ NIT) -Pouca preparação da amostra, não é destrutivo. -Confiabilidade e precisão assegurada por calibração com métodos de referencia. -Operatoria simples que dá resultado rapidamente (poucos minutos) -Independente do operador (elimina o erro humano) PRINCÍPIO DA TECNOLOGIA INFRAVERMELHO PRÓXIMO A tecnologia de infravermelho é baseada em uma combinação sofisticada de espectros e métodos matemáticos poderosos. A luz infravermelha é refletida na amostra e sutilmente modificada de acordo com a amostra. A modificação espectral é convertida em informação mostrando a composição da amostra. Essa conversão de algoritmos é chamada de calibração e pode quantificar parâmetros básicos de composição, como proteína, umidade, glúten, gordura etc. que são fundamentais na comercialização do grão e no destino final do referido produto. CALIBRAÇÃO

BAIXA PRECISÃO

Revista Grãos brasil - Novembro / Dezembro

IDEIA BÁSICA DE UMA CALIBRAÇÃO O uso de quimiometria permite obter bons resultados em análises qualitativas e quantitativas. Esses métodos permitem a construção de curvas de calibração por meio da coleta do espectro da amostra desconhecida e da integração desses dados com as informações dos resultados analíticos para cada um dos parâmetros de interesse que desejamos quantificar por meio de métodos rápidos. COMO AVALIAR O DESEMPENHO DE UMA CALIBRAÇÃO (Exatidão vs. Precisão) É sempre importante estabelecer o significado dos termos para poder lidar com a mesma linguagem. É por isso que é importante entender que, para métodos indiretos, o conceito de"Precisão" se refere a quão perto está o resultado previsto pela nossa calibração do valor aceito como referência (química tradicional). A diferença entre o valor medido pelo método de referência é o valor previsto pelo infravermelho próximo e é conhecido como BIAS. Consequentemente, a precisão pode ser definida como a capacidade de reproduzir um resultado, expressa em termos de repetibilidade e reprodutibilidade. Isso significa que não é possível obter uma precisão melhor que a precisão do método, por exemplo, a analítica. DETECTORES DE INFRAVERMELHO PRÓXIMO Através do uso destes modelos de previsão, conhecidos como calibrações, é possível através do uso de detectores que operam com sofisticados sistemas ópticos, ter controles em nosso processo de produção, através de diferentes soluções que utilizam tecnologia NIR, como:

ALTA PRECISÃO (COM BIAS)

ALTA PRECISÃO


TECNOLOGIA 33 comprimento das diferentes etapas (do campo até a mesa). Desta forma, usando equipamentos adequados para uso em laboratório ou em ambientes hostis em termos de incidência de poeira, umidade, amplitude térmica (por exemplo, condições encontradas em um equilíbrio / estoque), bem como instrumentos on-line (localizados

na mesma linha de processo), podemos controlar nossa produção em tempo real, modificando e monitorando as variáveis de nosso processo em suas diferentes instâncias. A tecnologia já está disponível e ao nosso alcance, é hora de profissionalizar a gestão dos nossos processos e dar um salto de "qualidade".


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ARMAZENAGEM

Feijão-Mungo:

Do Grão ao Moyashi

Prof. Valmor Ziegler valmorziegler12@unisinos.br

O feijão-mungo possui um potencial produtivo de aproximadamente 2000 kg de grãos/ha e destaca-se pelo fácil manejo de cultivo, ciclo curto, estabilidade da produtividade e manutenção de consideráveis índices de produção, mesmo em períodos de seca. A produção desse grão, vem ganhando importância no senário nacional e internacional, principalmente no que diz respeito a produção para a posterior germinação e obtenção do broto (moyashi) (Figura 1). A boa aceitabilidade do moyashi fez crescer a procura por esse grão ao longo do tempo, principalmente em virtude do seu sabor e valor nutricional. Além da produção de brotos, o feijão-mungo também é utilizado para a extração de amido e de proteínas.

O

Brasil é um dos principais produtores mundiais de feijão, destacando-se a produção de feijão carioca e feijão preto em praticamente todas as regiões do país, seguido do feijão caupi, produzido principalmente na região Nordeste. Além destes, existe uma produção ainda com pequena expressão a nível nacional, mas que vem ganhando importância nos últimos anos que é a produção de feijãomungo (Vigna radiata L.), o qual se adapta facilmente as condições climáticas tropicais e subtropicais do Brasil. A nível mundial, os principais produtores e consumidores desse grão são os países asiáticos, que detêm aproximadamente 90% do total produzido no mundo.

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Fig. 1- Grãos de feijão-mungo (A) e seus brotos (moyashi) com 72 horas de germinação (B)

Nutricionalmente essa leguminosa é uma excelente fonte proteica, já que em 100g de alimento possui cerca de 24g de proteína, como também possui um bom conteúdo de aminoácidos essenciais, o que tem proporcionado a utilização desse grão para atender nichos de mercado, como é o caso dos produtos para vegetarianos. Além disso, o grão de feijão-mungo é rico em ferro e em fibras, os quais auxiliam na redução da absorção de lipídeos, na redução do colesterol total, do LDL e retardam a absorção de glicose, sendo uma excelente alternativa para indivíduos diabéticos. Os brotos desse feijão são caracterizados por apresentarem menor concentração de carboidratos e de lipídios, tendo assim um aporte energético menor em comparação aos grãos. Além disso o feijão em forma de broto apresenta maior teor de fibras e maior biodisponibilidade, ou seja, seus nutrientes são melhores aproveitados pelo organismo, além disso, o processo germinativo, reduz os fatores antinutricionais presentes nesses grãos. Outro aspecto nutricional interessante é que o moyashi possui compostos fenólicos, os quais são altamente antioxidantes e possuem potencial de proteção aos danos oxidativos. A germinação dos grãos para produção dos brotos é um processo simples e econômico, que ajuda a melhorar o valor nutricional desses grãos, podendo ser consumido em qualquer época do ano. No entanto, como a produção do feijão-mungo é sazonal, o manejo adequado das etapas de pós-colheita é imprescindível para a manutenção da qualidade fisiológica dessas sementes, o que possibilita altos índices de produção


ARMAZENAGEM de moyashi, o que representa ganho econômico para o produtor de brotos. Logo após a colheita, que no caso do feijão-mungo, muitas vezes é manual, a secagem deve ser realizada para reduzir a umidade das sementes, auxiliando assim na conservação das mesmas, já que elevados teores de umidade favorecem o desenvolvimento de microrganismos e acelera a degradação desse produto. A maturação fisiológica do feijão-mungo não é uniforme, por isso, muitas vezes se recomenda uma secagem prévia e parcial em terreiro, das vagens de feijão-mungo, para a posterior debulha. Após a debulha, uma prática comum é a secagem das sementes em terreiro, o que dificulta o controle do processo de secagem. A secagem inadequada e/ou em demasia, irá proporcionar o aparecimento de danos físicos, como o trincamento e o aparecimento das bandinhas, o que provoca a redução do valor comercial desses grãos, além de afetar o seu potencial germinativo. Uma forma de otimizar o processo e garantir o controle de qualidade da semente é utilizar a secagem artificial, com baixa temperatura do ar e em um sistema com baixa movimentação dos grãos para evitar os danos físicos. O processo de secagem adequado deve garantir que a massa das sementes não ultrapasse os 38°C, caso contrário, a alta temperatura provoca ruptura celular no interior dos grãos, e inativação de enzimas envolvidas no processo germinativo, o que pode levar a morte dessas sementes. Após a secagem, os grãos necessitam ser armazenados para suprir a demanda dos mesmos durante todo o ano. Essa etapa pode ser realizada em sistema a granel ou em sacaria, dependendo da disponibilidade do armazenista. Durante o período de armazenamento, os principais fatores que interferem na qualidade das sementes são: umidade das sementes, temperatura e Umidade Relativa no ambiente de armazenamento, qualidade inicial e a presença de insetos e/ou pragas. Na figura 2 são apresentados os resultados de germinação de sementes de grãos de feijão-mungo em função do tempo e da temperatura de armazenamento. Pode-se observar que as sementes armazenadas na temperatura de 15°C foram as que apresentaram as menores reduções ao longo do período de armazenamento, sendo essa redução não significativa (p≤0,05) até 4 meses, por outro lado, as sementes armazenadas a 25 e 35°C foram as que apresentaram as maiores reduções na germinação, apresentando respectivamente, 46 e 50 pontos percentuais de redução, após 6 meses de armazenamento. Fig. 2- Germinação de feijão-mungo em função da temperatura e do tempo de armazenamento. *Médias aritméticas de três repetições ± desvio padrão seguidas por diferentes letras maiúsculas no mesmo tempo e por diferentes letras minúsculas ao longo do tempo de armazenamento, diferem entre si pelo teste de Tukey (p ≤ 0,05).

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Esses resultados demonstram a importância do manejo adequado da temperatura durante o armazenamento das sementes. As temperaturas mais elevadas (25 e 35°C) propiciam a elevação na taxa respiratória das sementes, o que acarreta no consumo de suas reservas energéticas, além de desencadear uma série de reações químicas e enzimáticas que levam a degradação dessas sementes e o favorecimento para o desenvolvimento de fungos e insetos, resultando na redução do seu potencial germinativo. O resfriamento (15°C) atua reduzindo esse conjunto de reações, proporcionando a manutenção da qualidade fisiológica das sementes por mais tempo. Esses resultados demonstram a importância da utilização de baixas temperaturas no armazenamento de sementes de feijão-mungo para garantir altos índices de produção de brotos, pois esta é uma das principais formas de utilização dessas sementes. Outra forma de consumo do feijão-mungo, é a forma direta, assim como outros feijões, ou em saladas, dessa forma, o manejo adequado de armazenamento desses grãos é de extrema importância, pois temperaturas elevadas de armazenamento podem proporcionar o aumento do tempo de cocção desses grãos, bem como, de sua dureza o que afeta diretamente a aceitabilidade do consumidor. Nesse contexto, percebe-se que o feijão-mungo apresenta-se como uma boa oportunidade de mercado, pois é um alimento rico nutricionalmente e que aparece como uma ótima opção de alimento para atender nichos de mercado, como por exemplo os vegetarianos, que dobraram sua representatividade na população brasileira nos últimos 6 anos, alcançando 29 milhões de pessoas. Além disso, não deixa de ser um alimento voltado para pessoas que consomem alimentos de origem animal, pois serve como um alimento que gera uma variedade alimentar, algo que atualmente tem se tornado difícil. Uma opção de nicho de mercado é a produção de farinhas a partir dos grãos ou de seus brotos, pois elas podem ser usadas na fabricação de vários produtos alimentícios, como bolachas, bolos, pães, entre outros. Enfatiza-se ainda a importância do manejo adequado de pós-colheita, tanto na secagem quanto no armazenamento desse produto, para minimizar as perdas e garantir produtos derivados de boa qualidade.


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COOL SEED NEWS

CALENDÁRIO DE CURSOS TÉCNICOS 2019

Revista Grãos brasil - Novembro / Dezembro

CALENDÁRIO DE CURSOS TÉCNICOS 2019


COOL SEED NEWS 37

CALENDÁRIO DE CURSOS TÉCNICOS 2019

CALENDÁRIO DE CURSOS TÉCNICOS 2019


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UMA CEIA DE NATAL DIFERENTE E se neste Natal praticarmos a arte de criar momentos inesquecíveis? E se nos vestirmos com uma “roupagem” diferente, uma roupa que promova um ambiente emocional, caloroso e acolhedor. Um clima de harmonia em que cada membro se sinta à vontade e participe livremente, sem deixar de ser ele mesmo? Um ambiente em que cada um contribua para o encontro com suas características únicas e irreprováveis? Talvez, se nos predispusermos a trazer à luz esse ser compreensivo e respeitoso que todos nós carregamos por dentro, se nos deixarmos ir e fluir com o que acontece, sem resistência, sem querer impor nossas vontades e preferência e sem tentar convencer o outro de nossas crenças e pontos de vista. Se deixarmos as expectativas de lado e aceitarmos o que surgir, talvez se irmos à ceia de Natal com essa atitude, isso nos dê a oportunidade de experimentar uma noite diferente. Que atitude você vai escolher para este natal?

Myrian Gu�érrez López

Uma Ceia extraordinária!

Autora do livro: O Conceito C. A. R. Gera Relacionamentos Brilhantes.

Revista Granos - edição 126

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stá disponível a última edição 2018 da Revista Granos. Contem matérias muito interessantes de temas tratados no Granos Pós-Colheita de Precisão 2018 XXI Expo Feria Internacional. Entre outros: Manejo integrado de pombas – Profilaxias no controle de insetos e unidades armazenadoras e instalações de processamento de alimentos do Eng. Arnaldo Rezende– Mulmix e Zoomill: duas empresas italianas de silos e fábricas de rações no mercado sul-americano – Expurgo de buques e de cargas a bordo – Roedores na Agroindústria. Eficiência energética na secagem de grãos. – Symaga: Investimentos para obter excelência – Soluções Foss: Dando ao grão seu valor preciso. Para informação e assinaturas contate com gerencia@graosbrasil.com.br. Para visualizar a revista online acesse: https://issuu.com/graosbrasil/docs/granos_126_issuu Revista Grãos brasil - Novembro / Dezembro


UTILÍSSIMAS

Tecnologia do Brasil

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na América do Sul

E

ste ultimo mês concretizamos várias atividades na América do Sul. O Brasil é o país líder em tecnologia de manejo de grãos e sementes. Na localidade de Dolores (Uruguai), nas instalações da Sociedade Rural, apresentamos o tema de manejo de trigo e cevada. Em Bahia Blanca (Sul da província de Buenos Aires, Argentina), nas instalações da Câmara Arbitral, a ACA (Associação de Cooperativas Argentinas e o

Centro de cerealistas da região sul), organizaram uma jornada para falar das novas tecnologias de controle de pragas (Argentina interditou o uso de DDVP). Em Rosário (Santa Fe Argentina), a escola de peritos realizou para seus alunos uma jornada de formação. Sabemos que a capacitação e atualização é a base do desenvolvimento das empresas que trabalham com grãos.

Participantes da jornada em Dolores

Madrid - Jornada de Intercambio na Espanha

A

princípios de novembro concretizamos uma jornada de intercâmbio com a empresa SYMAGA, se trata de uma fábrica de silos que trabalha a nível mundial e que está preocupada em dar a melhor tecnologia

para seus clientes. Desde a Grãos Brasil apresentamos os requerimentos que temos para uma armazenagem eficiente, adaptado as condições climáticas e os grãos que nós trabalhamos.

Participantes do curso na Espanha


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UTILÍSSIMAS

Jornada na Bolivia

N

a localidade Santa Cruz de la Sierra, capital econômica e produtiva da Bolívia, concretizamos da mão da Granos e da Grãos Brasil, uma nova jornada de atualização. Bolívia é um destino importante da tecnologia Brasileira e busca aprimorar seus processos de recepção, acondicionamento e conservação. Lamentavelmente as normas de comercialização, sobre tudo o que diz respeito as quebras técnicas não são iguais a dos países limítrofes, o que afeta a eficiência dos armazéns, gerando faltantes graves. Por esta razão se fazem necessários maiores cuidados para diminuir as quebras de peso.

Participantes da jornada em Santa Cruz

Food Loss será realizado em Abril de 2019 em Bento Gonçalves -RS “A Comissão Organizadora Local apresenta e convida a todos para participarem de três eventos concomitantes voltados à pós-colheita sob o tema uma Caminhada Sustentável para Reduzir Substancialmente Perdas e Desperdícios de Alimentos na América Latina e Caribe. Entre 1 e 5 de abril de 2019, nas dependências do Hotel Dall´Onder em Bento Gonçalves, serão debatidos com muitos profissionais e demais interessados na área da pós-colheita os temas que cercam a melhor preservação do que se produz de alimentos (...).”

Maiores informações no link: http://www.foodloss2019.com/?q=pt-br Revista Grãos brasil - Novembro / Dezembro


31º Show Rural Coopavel será de 4 a 8 de fevereiro de 2019 Os preparativos para a 31ª edição do Show Rural Coopavel já começaram. Inúmeras melhorias são realizadas no parque que anualmente abriga o evento, na BR-277 saída para Curitiba. A área de 72 hectares recebe melhorias em sua estrutura física, como nos banheiros, estacionamentos e ambientes destinados para a recepção de agricultores, técnicos e comitivas das mais variadas regiões do Brasil e do mundo que visitam a feira. Uma das novidades será ampliação da área de estacionamento em mais duas mil vagas, passando das atuais 12 mil para capacidade de 14 mil veículos. O estacionamento é disponibilizado pela Coopavel gratuitamente aos que visitam o evento, o terceiro maior do mundo em transmissão de tecnologias e novos conhecimentos para o campo. Um novo portal será construído no acesso principal às áreas de estacionamento, diz o coordenador-executivo do evento, Acir Inácio Palaoro. Ele cita também a ampliação da metragem com ruas cobertas e de implantação da rede subterrânea de energia. A 31ª edição do Show Rural Coopavel vai ser realizada de 4 a 8 de fevereiro de 2019. Maiores informações: Fone/Fax (45) 3225-6885 e-mail: showrural@coopavel.com.br www.showrural.com.br


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Revista Grãos Brasil - Ed. 93  

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