Grãos Brasil - Edição 94

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ADVERTÊNCIA: Proteção à saúde Humana, Animal e ao Meio Ambiente. Esse produto é perigoso à saúde humana, animal e ao meio ambiente. Leia atentamente e siga rigorosamente as instruções contidas no rótulo, na bula e na receita ou faça-o a quem não souber ler. Aplique somente as doses recomendadas. Mantenha afastadas das áreas de aplicação, crianças, pessoas desprotegidas e animais domésticos. Não coma, não beba e não fume durante o manuseio do produto. Utilize sempre os equipamentos de proteção individual. Nunca permita a utilização do produto por menores de idade. Informe-se sobre o Manejo Integrado de Pragas (MIP). Primeiros Socorros e demais informações, vide o rótulo, bula e a receita. Evite a contaminação ambiental, preserve a natureza. Não lave as embalagens ou equipamentos em lagos, fontes, rios e demais corpos d'água. Não reutilize as embalagens vazias. Descarte corretamente as embalagens e restos ou sobras de produtos. Periculosidade ambiental e demais informações, vide o rótulo, a bula e a embalagem. CONSULTE SEMPRE UM ENGENHEIRO AGRÔNOMO E SIGA CORRETAMENTE AS INSTRUÇÕES RECEBIDAS. VENDA SOB RECEITUÁRIO AGRONÔMICO. Endereço: Av. Antonio Bernardo, 3.950 - Parque Industrial Imigrantes - São Vicente / S.P. CEP: 11349-380 - Tel: +55 13 3565-1208 - faleconosco@bequisa.com- www.bequisa.com.br


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02 EDITORIAL

Ano XVI • nº 94

Janeiro / Fevereiro 2019

www.graosbrasil.com.br Diretor Executivo Domingo Yanucci Administradora Giselle Pedreiro Bergamasco Colaborador Antonio Painé Barrientos Maria Cecília Yanucci Matriz Brasil Av. Juscelino K. de Oliveira, 824 Zona 02 CEP 87010-440 Maringá - Paraná - Brasil Tel/Fax: (44) 3031-5467 E-mail: gerencia@graosbrasil.com.br Rua dos Polvos 415 CEP: 88053-565 Jurere - Florianópolis - Santa Catarina Tel.: +55 48 991626522 graosbr@gmail.com Sucursal Argentina Rua América, 4656 - (1653) Villa Ballester - Buenos Aires República Argentina Tel/Fax: 54 (11) 4768-2263 E-mail: consulgran@gmail.com Revista bimestral apoiada pela: F.A.O - Rede Latinoamericana de Prevenção de Perdas de Alimentos -ABRAPOS As opiniões contidas nas matérias assinadas, correspondem aos seus autores. Conselho Editorial Diretor Editor Flávio Lazzari Conselho Editor Adriano D. L. Alfonso Antônio Granado Martinez Carlos Caneppele Celso Finck Daniel Queiroz Jamilton P. dos Santos Maria A. Braga Caneppele Marcia Bittar Atui Maria Regina Sartori Sonia Maria Noemberg Lazzari Tetuo Hara Valdecir Dalpasquale Produção Arte-final, Diagramação e Capa

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(44) 3031-5467 Revista Grãos Brasil - Janeiro / Fevereiro

Estimados Amigos e Leitores Tenho a grata missão de dar abertura a esta primeira edição do ano da Grãos Brasil. Com o espírito renovado e agradecendo as novas oportunidades para seguir difundindo o melhor da tecnologia de nossas especialidade. Com mais de 16 anos no meio, vimos como evoluiu de forma impressionante o manejo de grãos e sementes no Brasil, porém muito falta ainda para que possamos falar que a pós-colheita está ao mesmo nível tecnológico que a produção. Isto se deve entre outros temas aos seguintes: Falta de infraestrutura, sobretudo na logística de transporte e portuária; Tecnologia de armazenagem obsoleta, por exemplo: não só tem deficiente capacidade de armazenagem como também estamos com armazéns que não permitem diminuir as perdas de forma aceitável e por último Deficiente atualização dos responsáveis, se tem uma visão muito tradicional, onde se privilegia em alcançar um objetivo sem medir a eficiência ou os custos dos trabalhos realizados. Esta realidade é bastante similar a outros grandes países produtores de grãos, mas no caso do Brasil as condições climáticas dificultam a conservação. Nesta edição apresentamos matérias que sem dúvida serão de interesse dos responsáveis do manejo de grãos e sementes. Póscolheita de trigo, quebras técnicas, automatização de unidades armazenadoras, comercialização, etc. Lembrem que nossa missão é fazer chegar informação útil, por isso agradecemos que nos manifestem suas inquietudes, que temas tratar, por exemplo. Também estamos atentos a suas demandas sobre jornadas, cursos a realizar em sua região ou armazém. Nesta era digital a revista Grãos Brasil pode chegar a suas mãos em forma gratuita, só deve enviar-nos seus dados e solicitar o envio via e-mail. Agradecemos aos editorialistas e as prestigiosas empresas que nos ajudam a estar com vocês. Que Deus abençoe seus trabalhos e família. Com afeto.

Domingo Yanucci Diretor Executivo Consulgran - Grão Brasil


SUMÁRIO 03

06 Quebra técnica durante o armazenamento de grãos Prof. Dr. Valmor Ziegler e outros 09 Manejo da Pós-colheita de Trigo Eng. Domingo Yanucci 15 Controle e automação em unidades armazenadoras Dr. Luís César da Silva 22 Os Desafios do Clima na Pós-Colheita Eng. Domingo Yanucci 25 Novos Tempos, Novas Colheitas, Boas Perspectivas Oswaldo J. Pedreiro 27 Fumigação de moinhos de farinha e espaços vazios Claudio Luna 40 Não só de pão... 38 CoolSeed News 30 Utilíssimas Críticas e Sugestões: gerencia@graosbrasil.com.br

NOSSOS ANUNCIANTES

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04 TECNOLOGIA

Quebra técnica durante o

armazenamento de grãos

Importância econômica e como prevenir

Prof. Dr. Valmor Ziegler

Doutor em Ciência e Tecnologia de Alimentos Unisinos - São Leopoldo / RS vamgler@hotmail.com

Rochele Cassanta Rossi

Doutora em Ciências Farmacêuticas. Unisinos - São Leopoldo / RS

Artur de Souza Pedroso

Estagiário de Iniciação Científica Unisinos - São Leopoldo / RS

Gabriel Brunelli

Estagiário de Iniciação Científica Unisinos - São Leopoldo / RS

Karina Gomes

Estagiário de Iniciação Científica Unisinos - São Leopoldo / RS

Iasmin de Almeida Veeck

Bolsista de Iniciação científica Instituto Federal Farroupilha - IFFAR Campus Júlio de Castilhos/RS

Profa. Mariane Lobo Ugalde

Instituto Federal Farroupilha - IFFAR Campus Júlio de Castilhos/RS

Profa. Carla Bertagnolli

Instituto Federal Farroupilha - IFFAR Campus Júlio de Castilhos/RS

Revista Grãos Brasil - Janeiro / Fevereiro

O Brasil é um dos maiores produtores de grãos do mundo, com estimativa de produção próxima a 240 milhões de toneladas para a safra de 2018/19, conforme levantamentos da CONAB (Quarto levantamento / Janeiro de 2019). Nessa cadeia produtiva, muitos esforços vêm sendo realizados por todos os profissionais envolvidos na produção desses grãos, que vão desde o melhoramento genético até o aperfeiçoamento dos tratos culturais, o que têm resultado em aumento constante da produtividade de grãos em nosso país. O sucesso na produção de grãos acaba gerando um problema na pós-colheita, que é o déficit de armazenagem, onde a ampliação das unidades armazenadoras de grãos não está conseguindo acompanhar o expressivo aumento da produção dos últimos anos. Dessa forma, esse déficit de armazenagem já está ultrapassando as 80 milhões de toneladas em todo o país, o que representa aproximadamente 30% de toda a produção nacional de grãos. O principal estado deficiente em estrutura de armazenagem é o Mato Grosso, que sozinho apresenta um déficit próximo

as 38 milhões de toneladas. De acordo com estudos realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as perdas na póscolheita de grãos (desde o transporte até o consumo final) podem variar de 10 a 50%, dependendo do produto, da região e das tecnologias utilizadas. Além disso, uma perda que preocupa os armazenistas de grãos no Brasil é a quebra técnica, que nada mais é que a redução de peso (massa) que ocorre com os grãos durante o período de armazenamento e, muitas vezes, essa perda é difícil de ser mensurada de forma precisa. Durante o período de armazenamento, vários são os fatores que afetam a quebra técnica e a qualidade dos grãos e, consequentemente, dos produtos derivados, dentre eles destacam-se: umidade dos grãos, temperatura e umidade relativa do ar no ambiente de armazenamento, concentração de oxigênio, qualidade inicial dos grãos e a presença de insetos-pragas (primárias, secundárias e/ou de infestação cruzada) e fungos. O controle inadequado desses fatores pode causar sérios problemas


TECNOLOGIA 05 nos silos e armazéns, chegando à perda, em parte ou total dos grãos, em alguns casos, conforme pode ser verificado nas imagens da Figura 1. Em casos mais graves pode ocorrer danos nas estruturas de armazenamento. Para mensurar o quantitativo da quebra técnica em grãos, alguns estudos vêm sendo realizados e estão disponíveis nos bancos de dados. Na Figura 2 são apresentados os resultados do peso de mil grãos de soja ao longo de 12 meses de armazenamento em diferentes condições de umidade dos grãos (9, 12, 15 e 18%) e temperatura (11, 18, 25 e 32°C) de armazenamento. Nesse estudo, observou-se uma redução do peso de mil grãos de 0,7, 3,9 e 6,5%, respectivamente, nos grãos armazenados com 12, 15 e 18% de umidade na temperatura de 32°C, enquanto que os grãos armazenados na temperatura de 11°C, não apresentaram redução significativa no seu peso. Para exemplificar o tamanho da redução, nos grãos armazenados com 15% de umidade, esse resultado significa que a cada 100 Kg de grãos de soja depositados no silo, após um ano armazenado a 32°C, vai ocorrer uma perda de peso de 3,9 Kg, que é a chamada quebra técnica ou perda quantitativa durante o armazenamento, ou seja, 3,9% do peso.

Figura 1 - Esquema de entrada e saída de produtos da Rotaer 250 configurada para pré-limpeza Alguns exemplos de problemas no manejo do armazenamento de grãos que acarretaram em inúmeras perdas quantitativas e qualitativas. Fonte: Autores.

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06 TECNOLOGIA

Figura 2 - Peso (g) de mil grãos de soja armazenada com quatro umidades iniciais, em quatro temperaturas, durante doze meses. Onde: A) 9% de umidade, B) 12% de umidade, C) 15% de umidade e D) 18% de umidade. Fonte: Ziegler (2014).

Além desse, outros estudos realizados com soja, têm mostrado uma quebra técnica que pode chegar a 7%, dependendo do manejo de armazenamento. As causas da quebra técnica basicamente ocorrem por três motivos: 1. Respiração dos grãos: Os grãos são armazenados vivos e, por isso respiram, dessa forma, o processo respiratório consome as reservas energéticas dos grãos (carboidratos, proteínas e lipídios), gerando CO2, água e calor, reduzindo a massa desses grãos, e o aumento da taxa respiratória é potencializada com o aumento da temperatura de estocagem; 2. Perda de umidade: O manejo adequado principalmente da aeração deve ser utilizado, para que não haja perda de água dos grãos no processo de aeração, salvo em condições onde os grãos estejam com umidade acima do ideal para o armazenamento. Ressalta-se, que a redução da umidade dos grãos deve ser realizada no momento da secagem, de forma mais rápida ao comparar com a aeração, preservando assim a qualidade dos grãos;

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3. Infestação de insetos: Os insetos utilizam os grãos para se alimentar, consequentemente reduzindo a massa desses grãos, contribuindo para o aumento da quebra técnica, e principalmente provocando redução na qualidade dos grãos. Muitas vezes, o armazenista não consegue fazer um controle preciso do montante que é perdido pela quebra técnica e, com base nos resultados do estudo abordado anteriormente, é apresentada na Figura 3 uma simulação do valor econômico perdido ao longo do armazenamento. Em uma simulação hipotética, suponha-se a estocagem de 60 mil sacas de soja durante um período de 12 meses e ao considerar uma quebra técnica de 2% no ano (podendo essa ser maior do que esse percentual), obtém-se uma quebra técnica de 1.200 sacas, dessa forma, ao multiplicar esse volume de quebra técnica por um valor hipotético de R$ 75,00 a saca de soja, obtém-se um montante de R$ 90.000,00. Além da soja, outro grão que apresenta alto valor agregado é o feijão carioca. Na Figura 4 são apresentados os resultados de um estudo realizado com o armazenamento de grãos de feijão carioca com duas umidades (13,8 e 16,7%) em quatro temperaturas (12, 20, 28 e 36°C) de armazenamento por um período de 240 dias. Nesse estudo, verificou-se uma quebra técnica de 4,5 e 3,8%, respectivamente, nos grãos armazenados com umidade de 13,8 e 16,7% na temperatura de 36°C, após 240 dias. Os fatores que levam a essa quebra técnica são os mesmos abordados anteriormente. A partir desses valores de quebra técnica, fica fácil mensurar a perda econômica que o armazenista pode contabilizar.


QUEBRA TÉCNICA 07

Além da soja, outro grão que apresenta alto valor agregado é o feijão carioca. Na Figura 4 são apresentados os resultados de um estudo realizado com o armazenamento de grãos de feijão carioca com duas umidades (13,8 e 16,7%) em quatro temperaturas (12, 20, 28 e 36°C) de armazenamento por um período de 240 dias. Nesse estudo, verificou-se uma quebra técnica de 4,5 e 3,8%, respectivamente, nos grãos armazenados com umidade de 13,8 e 16,7% na temperatura de 36°C, após 240 dias. Os fatores que levam a essa quebra técnica são os mesmos abordados anteriormente. A partir desses valores de quebra técnica, fica fácil mensurar a perda econômica que o armazenista pode contabilizar.

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08

TECNOLOGIA

Figura 3 - Perda econômica na simulação de um silo com capacidade de armazenamento de 60.000 mil sacas em um ano de armazenamento de grãos de soja. Fonte: Autores.

Figura 4 - Peso de mil grãos (g) de feijão carioca armazenados em diferentes condições de umidade e temperatura durante 240 dias. Onde: A) 13,8 % de umidade e B)16,7% de umidade. Fonte: Demito et al. (2018)

A quebra técnica ocorre no armazenamento de qualquer grão, seja ele oleaginoso ou amiláceo, no entanto, os grãos oleaginosos tendem a apresentar uma maior quebra técnica, decorrente da maior atividade de água. Nesse contexto, buscamos mostrar com alguns resultados de pesquisa que a quebra técnica é um assunto relevante e que merece destaque, principalmente em função do montante econômico que os armazenistas podem estar perdendo nas suas unidades armazenadoras de grãos. Vale destacar que a quebra técnica nunca vêm sozinha, mas acompanhada da redução de qualidade dos grãos armazenados, principalmente no que tange aos parâmetros de comercialização, valor nutricional (redução de proteínas, lipídios e carboidratos) e tecnológico (redução da qualidade de cocção e parâmetros de industrialização, entre outros) desses grãos e/ou de seus derivados, enfatizando que o valor econômico abordado anteriormente pode ainda ser potencializado na perda de qualidade dos produtos derivados.

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Considerando a importância da quebra técnica para o setor armazenista, algumas práticas podem ser utilizadas para minimizar essas perdas, destacando-se: 1. Controle da umidade dos grãos adequada para o armazenamento, a qual deve estar entre 12 a 13% em armazém com temperatura ambiental. É importante destacar que não é vantajoso o armazenamento com umidade abaixo desses patamares, pois a umidade de comercialização da maioria dos grãos é de 13 ou 14%, e grãos com umidade inferior estará proporcionando prejuízos pelo menor peso. 2. Sempre que possível, utilizar temperaturas abaixo de 16°C no ambiente de armazenamento, o que proporciona expressiva redução da taxa respiratória, o que minimiza o consumo das reservas energéticas. De acordo com os resultados abordados anteriormente, o resfriamento pode contribuir com a redução de mais de 80% da quebra técnica. 3. Realizar a aeração nos momentos adequados, com um controle rigoroso das condições psicrométricas do ar, para que estas estejam de acordo com o equilíbrio higroscópico dos grãos no interior do silo ou armazém, evitando a perda ou o ganho de umidade. 4. Evitar a infestação de insetos no ambiente de armazenamento. Caso seja utilizada a tecnologia do resfriamento, a infestação de insetos não será um problema, uma vez que os insetos não conseguem se alimentar e se reproduzir nessas condições. Caso o armazenista não dispõe da tecnologia do resfriamento, o controle de insetos deve ser realizado de outra maneira, geralmente com o uso de inseticidas ou pós-inertes.


MANEJO 09

Manejo da Pós-Colheita de Trigo

FATORES QUE AFETAM A CONSERVAÇÃO

Domingo Yanucci

CONSULGRAN - GRÃOS BRASIL - GRANOS graosbr@gmail.com

Entre os mais importantes temos: • A UMIDADE • A TEMPERATURA • OS MICRO-ORGANISMOS • OS INSETOS A umidade influi diretamente no desenvolvimento de micro-organismos (fungos - bactérias - etc.) e no ritmo de RESPIRAÇÃO do trigo. Podemos definir dois tipos de umidade que se encontram relacionadas, a UMIDADE RELATIVA e a umidade do grão. Permanentemente o grão TROCA ÁGUA com o meio que o rodeia, buscando um equilíbrio que normalmente se encontra dentro dos níveis que apresentamos no Quadro 1.

limpas possíveis, sem infiltrações. 2. Evitar todo manejo agressivo dos grãos, secar os grãos a valores adequados o antes possíveis. 3. Com a pré-limpeza eliminar as matérias estranhas. 4. Evitar o desenvolvimento de insetos/ácaros. 5. Manter os grãos o mais frio possível e com temperatura uniforme. 6. Manter os grãos com níveis de umidade aceitáveis. EVITAR MISTURAS.

PARA UMA BOA CONSERVAÇÃO SE DEVE ELIMINAR A ÁGUA LIVRE Quadro 1

TUDO TEM A VER COM TUDO Devemos falar de ECOSSISTEMA quando trabalhamos com um GRANEL de TRIGO. Para prevenir o desenvolvimento de fungos é necessário: 1. Trabalhar com instalações o mais www.graosbrasil.com.br


10 MANEJO O princípio tradicional da CONSERVAÇÃO e a COMERCIALIZAÇÃO é:

Nos casos que se seca o combustível da pós-colheita significa mais do 60% do total de combustível consumido. O interrogante básico é definir onde é conveniente a colheita antecipada, para responder esta pergunta devemos por na balança os benefícios e os custos involucrados para os distintos níveis de umidade. Sem dúvidas isto varia com a região e com cada produtor em particular. Vantagens e desvantagens da COLHEITA ANTECIPADA:

A estes somamos:

FRIO - COM QUALIDADE ESPECÍFICA < EFICIENTE - SEM AFETAR O MEIO AMBENTE Estes últimos aspectos são os mais sobressalentes, é necessário cuidar os elevados gastos e as perdas que fazem perder EFICIÊNCIA. São muitos os reais que se perdem por ano com secagem, para ter esta perda é necessário gastar mais energia elétrica e combustível, também se tem elevados gastos em agrotóxicos, que não chegam a eliminar as pragas. SECAGEM ARTIFICIAL DO TRIGO A secagem é uma operação de muito peso econômico e frequentemente é motivo de queixas por parte dos moinhos, porque vem afetar a qualidade do glúten. No quadro seguinte vemos os consumos de combustível para produzir e secar o trigo produzido em um hectare: Quadro 2

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Vantagens: 1. Maior rendimento por menor volco de plantas e invasão de ervas daninhas. Obviamente também se reduzem os riscos por inconvenientes climáticos. 2. Desocupa antes o lote. Isto cobra maior importância no caso que se deva plantar imediatamente depois da colheita de trigo (Ex. soja depois de trigo). 3. Permite um melhor aproveitamento do maquinário e maior segurança para dispor de transporte e armazenagem. Desvantagens: 1. Falsos custos de colheita e frete. 2. Custos de secagem. Com o objeto de diminuir os riscos alguns estudiosos recomendam que quando os grãos tem 2 % acima da base de comercialização e existem riscos de consideração, já é recomendável a colheita. Normalmente a umidade ótima de colheita (UOC) é um pouco superior a umidade de conservação ou comercialização (UC). De acordo com as regiões, a umidade ótima de colheita é entre 16-18 % e a ótima de conservação entre 12-13,5 %. SEMPRE temos que PERGUNTAR: O benefício da colheita úmido compensa os maiores custos? A possibilidade por parte do produtor de dispor de depósitos dotados de boa aeração, resfriamento ou inclusive de secadores amplia notavelmente o espectro de alternativas, resultando normalmente altamente rentável.


MANEJO 11 OPERAÇÃO DE SECAGEM Aos grãos de trigo não se deve eliminar mais de 4% de umidade por hora e o mesmo não deve superar os 50ºC, com o objetivo de não deteriorar sua qualidade industrial. É necessário levar um estreito controle da secagem, porque se recomenda que o responsável do acondicionamento concretize determinações periódicas, por exemplo cada 10 - 15 minutos de: umidade de ingresso – umidade e temperatura de saída - temperatura da secagem - características do grão. Se recomenda dispor de sistemas de monitoramento da temperatura dentro da máquina de secagem. Todo o observado se deve anotar. Ex.) Grão: TRIGO

Em definitiva o responsável deve regular a temperatura de secagem e a descarga da máquina de maneira de cumprir com os níveis de secagem desejados. FATORES QUE AFETAM A EFICIÊNCIA DE UMA SECAGEM • Temperatura da secagem • Umidade de entrada e saída • Estado do grão • Quantidade e tipo de matérias estranhas • Tempo de permanência no processo de secagem A maior temperatura --> maior capacidade de secagem A menor umidade desejada --> menor capacidade de secagem

muitas vezes sobre a economia do manejo. O consumo de combustível se vê afetado por: • Temperatura da secagem (a > temperatura, > consumo) • Umidade desejada (a < umidade de saída, > consumo) • Quantidade e tipo de matérias estranhas (a > quantidade de ME, > consumo) • Temperatura do meio ambiente (a < temperatura, > consumo) • Umidade relativa de meio ambiente (a > UR > consumo) Quanto menos umidade tem os grãos: • Mais combustível se gasta para evaporar 1 Kg. de água. • Mais tempo de permanência dos grãos no secador para extrair 1 %. • Maior possibilidade de deterioração dos grãos por excessivo esquentamento. Com o objeto de melhorar a prática de secagem podemos pensar em: 1) Otimizar o manejo a- Separação de partidas para a secagem b- Contões frequentes, registros (ajustes oportunos) c- Geração de misturas d- Adequado manejo da aeração e do resfriamento f- Adequado mantenimento e limpeza do secador 2- Implementar o monitoramento e a automatização. 3 - Implementar a secagem combinada (terminando a secagem e resfriamento em depósito)

NOTA: Entendemos por capacidade de um secador, as toneladas processadas em uma hora, para a extração de um determinado número de pontos de umidade.

Efeito da mal secagem sobre a qualidade do trigo As condições básicas de uma farinha para uma boa panificação são: • Fermentação (produção de gases) • Retenção de gases formados.

Se recomenda usar como máximo 100ºC no ar, para secadores convencionais e uma extração de 4% por hora. O desejo de terminar o antes possível e a natural competência dos armazéns estimula a busca da secagem mais rápida, com consequências negativas na qualidade dos grãos e

A fermentação requer uma boa ação diastásica, a mesma é impulsada por enzimas que se encontram preferentemente na periferia do grão, zona aleuronífera. Se não se tem uma boa ação diastásica teremos uma tendência a produzir pães pouco elevados, pesados, de mal cor e com miga e crosta inapropria-

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12 MANEJO das. Onde temos um pobre poder diastásico inicial este aspecto é mais relevante. Para a retenção de gases formados o mais importante é o glúten tanto qualitativamente como quantitativamente. Muitos são os aparelhos que se provaram para avaliar as características importantes para a panificação. O ALVEOGRAFO DE CHOPIN é um dos mais usados para avaliar a qualidade elástica da massa. A mal secagem gera uma maior tenacidade e menor extensibilidade na massa. Normalmente os produtos da combustão se põem em contato com os grãos, a consequência é a contaminação com produtos cancerígenos. Por esta razão legislações de países da CEE tem proibidas o uso de secadoras com esquentamento direto. O mal funcionamento das fornalhas leva os grãos maus cheiros que são facilmente detectáveis. NOTA: No caso que se deva secar semente de trigo a temperatura do ar não deve superar os 50ºC e a extração deve ser como máximo 2 % por hora.

1. referido ao Poder e energia germinativa, 2. referido ao desenvolvimento visível de fungos e 3. referido a perda de MS (Matéria seca). Em princípio podemos dizer que O PRIMERO QUE SE DETERIORA QUANDO SE MANEJA MAL UM GRÃO É O PODER GERMINATIVO. Nos quadros Nº3 (A e B) apresentamos o TAS de trigo e na próxima Figura 1 mostra o TAS no qual se perde o 0,5 % da MS do armazém. Exemplo um trigo a 25ºC e 14% de umidade em menos de 30 dias perde 0,5 % de peso. Isto seria 10t em um silo de 2000t. Figura 1 - Curva de Trigo

ARMAZENAGEM DE TRIGO Como sabemos a armazenagem é a prática que na pós-colheita nos brinda o beneficio ou utilidade de TEMPO. Para que isto seja possível deve-se cuidar da CONSERVAÇÃO, manter a totalidade de caraterísticas dos grãos, sem perder valor comercial. Desde o momento que o grão é coletado tem duas alternativas: CONSERVAR-SE ou DETERIORAR-SE, nunca melhorar-se. Os critérios para definir o TAS do trigo basicamente são três: Quadro 3 - A) T.A.S. (Tempo de Armazenagem Seguro)

Quadro 3 - B) T.A.S.

Fonte: Kreyger NOTA: A presente informação só tem carácter aproximado, já que na prática variadas causas podem dar lugar a que o TAS seja consideravelmente menor. Revista Grãos Brasil - Janeiro / Fevereiro


MANEJO 13 Por outra parte devemos ter presente que o granel em determinadas condições tende a incrementar sua temperatura, porque seu TAS diminui permanentemente. A Amostragem Na pós-colheita variadas são as práticas obrigadas, porém nenhuma tem o alcance e a importância da AMOSTRAGEM. A mesma deve ser parte de uma rotina de trabalho, perfeitamente estabelecida. É necessário levar anotações do estado e a evolução da mercadoria. Deve-se iniciar a armazenagem com uma amostragem intensa, no momento da carga do depósito, depois deve-se seguir com uma amostragem a cada 7 dias, mas se o grão ingresso em boas condições, quando o granel estava estabilizado, frio e tratado pode fazer-se uma amostragem a cada 15 dias Devem trabalhar-se as partidas como uma verdadeira unidade (identidade mais preservada possível). A planilha de aeração e controle é uma ferramenta fundamental de muita ajuda para um manejo racional e transporte.

possibilidades, sobretudo nos grandes depósitos, resulta improvável conhecer o estado a fundo da mercadoria se não se transilarem completo. Se o grão ingresso em condições, se trato com um residual ou se expurgo e se aplico resfriamento ou boa aeração, não deve-se fazer um trasile antes dos 2-3 meses se não se registra. Em granéis de risco, proveniente de misturas de partidas com umidade muito dispar, não tratado ou infestado, com aeração deficiente ou sem ela, é recomendável não demorar mais de 60 dias para fazer o primer trailer. No trasile se aproveita para fazer uma amostragem bem feita, descompactar o granel, realizar os tratamentos sanitários que foram necessários, etc..

• A UMIDADE É UMA VARIÁVEL DE GRANDE IMPORTÂNCIA TANTO NA CONSERVAÇÃO COMO NA COMERCIALIZAÇÃO. • OS DETECTORES DE UMIDADE DEVEM CONTROLAR-SE CADA 7 DIAS E CALIBRA-SE QUANDO SEJA NECESSÁRIO. • NA ENTREGA (CARGA DO CAMINHÃO) DEVE MEDIR-SE E REGISTRAR-SE A UMIDADE DOS GRÃOS. SÓ PODEM TOMAR MEDIDAS CORRETORAS A TEMPO, SE CONHECER O ESTADO DA MERCADORIA DEVE-SE TIRAR AMOSTRAS FREQUENTEMENTE SÓ É POSSÍVEL TRABALHAR EFICIENTEMENTE QUANDO SE CONHECE O GRANEL NÃO PODEMOS CONSERVAR EM FUNÇÃO DAS CONDIÇÕES PRO MÉDIO A Manipulação Sem dúvidas que toda possibilidade de classificação e mistura favorece o manejo dos grãos, porém a tendência de depósitos cada vez maiores com objeto de baixar custos, afeta este princípio. Não é recomendável misturar na recepção partidas com uma diferença de mais de 2% de umidade. Ex.) com menos de 15,5 %, de 15,5 a 17,5%, de 17,5 a 19,5 e com mais de 19,5%. Também é necessário manter em lotes separados grãos com distinta proteína ou peso específico, com carvão, com sementes de malesas, etc., de maneira que se pode dar posteriormente a mistura mais conveniente. Carga de silos: Sempre é conveniente encher os silos pouco a pouco, de maneira a ir trabalhando com ar. Trasiles: Uma vez terminada a colheita se deve seguir com as amostragens recomendadas, porém, apesar de usar todas as

Controle da Termometria A termometria é uma ferramenta sumamente valiosa, mas não devemos pensar que com ela vamos detectar as máximas temperaturas da massa de grãos. Os sensores só medem a temperatura bem perto deles, por isso devemos ver como evolui a temperatura, mais que pensar que vamos ter a fortuna de que o foco de esquentamento coincida com a localização do sensor, nunca é recomendável pensar em economizar instalando menos cabos que os corretos. Na Fig. Nº2 apresentamos uma planilha simples, sobre a que se devem anotar os dados de temperatura que se detectem. O REGISTRO DOS DADOS É FUNDAMENTAL para que o sistema de medição de temperatura seja útil. Não só importam as temperaturas absolutas como falamos, o que interessa é como evolui, como varia no tempo, qualquer que seja a temperatura que se determine, se a mesma aumenta é porque existe um problema na conservação. A velocidade do esquentamento é um indicativo da causa que o origina, assim como a distribuição do esquentamento e as características e historia dos grãos armazenados. Esquentamento da massa de grãos Qualquer problema de conservação AUMENTA A TEMPERATURA. A temperatura é um SINTOMA da qualidade do manejo ou também podemos dizer da sanidade da massa de grãos. Os focos de aquecimento podem ser originados por: • INSETOS • UMIDADE-FUNGOS www.graosbrasil.com.br


14 MANEJO • TEMPERATURA Cada DEPÓSITO deve ter uma HISTORIA CLÍNICA bem conhecida: Por Ex.) • Ingressou seco ou passou por secador? • Provem de misturas ou é uma só partida? • Tinha muito quebrado ou matéria estranha? • Teve expurgo ou tratamento com residual? • Faz quanto tempo que esta no depósito? • Teve aeração ou resfriamento, em que condições? • Teve condensação de umidade, infiltrações, infestação? Vemos no próximo quadro Nº4 a rapidez do aquecimento de 5ºC em milho e trigo com diferentes condições de umidade e temperatura inicial.

EXTRATOR DE AMOSTRAS

O TRIGO E UM GRÃO NOBRE, EM CONDIÇÕES SIMILARES AO MILHO TARDA MUITO MAS TEMPO EM ESQUENTAR-SE

Foto: Granfinale Figura 2

PODEMOS APRECIAR QUE PARA AS MESMAS CONDIÇÕES O MILHO GERA UM AQUECIMENTO 2 A 3 VEZES MAIS RÁPIDO QUE O TRIGO. NOTA: deve-se considerar que em condições práticas, com ME, quebrado, etc., os aquecimentos se geram mais rapidamente.ME, quebrado, etc., os aquecimentos se geram mais rapidamente.

Quadro Nº 4

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Controle e automação em

TECNOLOGIA 15

unidades armazenadoras

Dr. Luís César da Silva

Universidade Federal de Viçosa – UFV Departamento de Engenharia Agrícola - DEA silvalc@agais.com www.agais.com

O sistema unidade armazenadora de grãos deve ser projetado, construído e gerenciado para receber, secar, armazenar e expedir. Para o alcance desses objetivos, o sistema é constituído por estruturas, maquinários e transportadores de grãos, que, ao serem operacionalizados, executam processos como: desembaraço documental das cargas recebidas e expedidas, descarga de produtos nas moegas, movimentação do produto entre os maquinários e as estruturas, secagem, limpeza, seca-aeração, aeração e, ou, refrigeração dos produtos armazenados e carregamento de veículos no setor de expedição. Para o controle desses processos, práticas gerenciais e, ou, operacionais devem ser aplicadas visando valores adequados para as variáveis respostas de natureza qualitativa ou quantitativa. Os parâmetros qualitativos dos grãos são adquiridos no cultivo e devem ser preservados no processamen-

to. Quanto às variáveis quantitativas, têm-se que o descarte, a mistura indevida, supersecagem, deterioração fúngica e a infestação de pragas devem ser minimizados. O controle de processos fundamenta-se em selecionar variáveis respostas, definir os limites de especificações inferior e superior e atuar nas variáveis de controle, para que as de respostas estejam contidas nos intervalos de especificação e concentrem no entorno de uma média com a menor variabilidade. Exemplo, na secagem de milho pode ser tomada como variável resposta a umidade do produto ao sair do secador. Nesse caso, poderia ser estabelecido como limite de especificações inferior e superior, 12,5 e 13,5%, respectivamente. Sendo assim, práticas gerenciais e operacionais devem atuar em variáveis de controle, como, por exemplo, temperatura e vazão do ar de secagem para alcançar o valor alvo, 13,0% de umidade.

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16 TECNOLOGIA Em setores industriais, como mecânico, eletromecânico e eletrônico, busca-se controle de processo com baixíssima variabilidade, ditos 6Ó (seis sigmas), em que 99,9997% das amostras da variável resposta estão entre os limites de especificação, e as perdas ou falhas limitam a 0,0003%. Controle e automação de processo Na implementação do controle de processo faz-se necessária a intervenção nas variáveis de controle, e ao automatizar, ocorrem por meios mecânicos, pneumáticos, elétricos ou eletrônicos. Mediante a adoção do Sistema de Controle e Automação, devidamente projetado e operado, obtêm-se benefícios como: racionalização do uso de recursos monetários, energéticos e humano; redução de perdas qualitativas e quantitativas; mitigação de impactos ambientais negativos; redução de acidentes de trabalho; e maximização de lucros. Para implementação do Sistema de Controle e Automação é necessário: mensurar as variáveis de controle e de resposta relacionadas ao processo; compreender a inter-relação entre essas variáveis; selecionar dentre as variáveis de resposta as que serão as variáveis controladas (y(t)); definir para cada variável controlada os intervalos de especificação (r(t), “set points”); e selecionar as variáveis de controle (u(t)) que impactarão determinada variável controlada. Os Sistemas de Controle e Automação podem ser de malha aberta ou fechada. Nos de malha aberta, os valores das variáveis de controle (u(t)) são pré-definidos e não há retroalimentação quanto aos valores das variáveis controladas (y(t)). Desse modo, as variáveis de controle não são ajustadas durante a operação, para que as variáveis controladas atendam a um intervalo de especificação. A operação das máquinas de limpeza é exemplo de circuito de malha, pois, a priori, é definida a vazão de ar dos sistemas de aspiração e a frequência de oscilação das caixas das peneiras; no entanto, não há monitoração se o produto realmente, ao sair da máquina, apresenta o teor de impureza desejado e se está ocorrendo o descarte indevido de produto. Quanto ao sistema de controle malha fechada (Figura 01), as variações da variável controlada (y(t)) são certificados em relação ao intervalo de especificação (r(t)) e busca-se minimizar o erro (e(t)) atuando sobre as variáveis de controle (u(t)). Na minimização do erro podem ser empregados os métodos de controle: On-OFF, proporcional (P), Figura 1 - Sistema de controle de processo em malha fechada.

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integral (I), derivativo (D) ou a combinação dos três últimos, denominado controle PID. Elementos dos sistemas de controle e automação Considerando o emprego de recursos eletrônicos, eletromecânicos e pneumáticos, a configuração dos os sistemas de controle e automação apresenta três elementos básicos: (i) sensores – convertem os valores das variáveis de controle e controlada em sinais elétricos; (ii) atuadores – constituem em meios eletrônicos, elétricos, hidráulicos e, ou pneumáticos para variação do valor das variáveis de controle; e (iii) unidade central de processamento (CPU) processa as informações monitoradas, e por meio de interações lógicas opta pela intervenção a ser aplicada por meio dos atuadores. 1. Sensores Em razão da natureza dos processos podem ser utilizados sensores como: de posição, rotação, presença, carga, pressão, temperatura, umidade relativa, vazão, nível de produto e de cor. E esses podem ser classificados em: (a) Sensores ativos: mensuram as variáveis por meio da emissão de energia ao sistema, exemplo: sensores a raio laser e sensores de ultrassom; e (b) Sensores passivos: mensuram as variáveis por meio do recebimento de energia emanada do ambiente, exemplo: sensores ópticos, sensor magnético, termopares, pressostado e sensores de gás. 2. Atuadores Os atuadores podem operar utilizando de princípios pneumáticos, hidráulicos, eletrônicos e, ou, elétricos para alterar valores das variáveis de controle. Estruturalmente, os atuadores podem-se apresentar como: motores elétricos, válvulas, injetores pneumáticos, bombas, ventiladores, aquecedores, relés eletromecânicos, relés de estado solido, contatoras, inversores de frequência e braços hidráulicos e, ou, robóticos. 3. Unidade central de processamento - CPU A unidade central de controle são equipamentos eletrônicos (hardwares) constituídos de interfaces de entrada e saída de dados, memória e o processador que executa operações lógicas programadas por meio de uma linguagem de programação. A unidade de controle pode se apresentar, por exem-


TECNOLOGIA 17

Figura 2 - Placas-mãe tecnologias Arduino, Beglebone e Raspberry aplicadas em sistemas de controle e automação.

plo, como microprocessador, que é um circuito integrado com velocidade de processamento definida segundo o “clock”. Há casos que esses microprocessadores são embarcados em placas-mãe como as das tecnologias Arduino, Beagleboard e Raspberry (Figura 02), ou em módulos PLC – Controlador Lógico Programável. Aplicabilidades de sistemas de controle e automação em unidades armazenadoras. Destaca-se, a seguir, exemplos da aplicação de controle e automação em unidades armazenadoras de grãos. 1. Controle e automação de fornalhas e secadores Na operação do setor de secagem ocorrem os processos simultâneos e interligados nas fornalhas e nos secadores, desse modo o Sistema de Controle e Automação aplica-se a ambos. Tomando por exemplo um secador de fluxos mistos tipo cavaletes podem ser definidas com variáveis controladas: temperatura do ar de secagem, temperatura do ar de exaustão, vazão do ar de secagem, velocidade do produto pelo secador e ordem de descarga do secador. a) Temperatura do ar de secagem Para a variável controlada temperatura do ar de secagem, o Sistema de Controle e Automação pode ser do tipo malha fechada, em que, segundo o intervalo de especificação, atuadores poderão: regular a abertura das venezianas de entrada de ar ambiente na seção de mistura dos secadores; regular a abertura e entrada de ar primário na fornalha a lenha; e alterar a velocidade da esteira de alimentação de lenha em fornalhas. b) Temperatura do ar de exaustão A temperatura do ar de exaustão pode ter o valor alterado mediante: falta de produto na torre de secagem, ocorrência de incêndio na massa de grãos; ou ainda alteração das condições psicrométricas do ar associadas à evolução do processo de secagem. No controle da falta de produto na câmara de secagem toma-se por variável de controle o nível de produto no depósito acima da torre de secagem. Assim, caso o nível esteja abaixo do recomendado, o atuador do Sistema de Controle e Automação bloqueará o sistema de descarga do secador e disparará aviso sonoro decorrente do aumento da temperatura do ar de exaustão e, ou, da falta de produto no secador. O controle de incêndios na massa de grãos em secadores requer em primeiro lugar a adoção das Boas Práticas de Armazenagem de Grãos (BPAG), sendo recomendada a

limpeza do produto antes da secagem, principalmente ao utilizar secadores de fluxos mistos, tipo cavaletes. Durante a operação do secador, caso a temperatura do ar de exaustão ultrapasse o limite de especificação superior e não haja falta de produto na torre de secagem, será disparado um sinal sonoro alertando sobre a eminência de ocorrência de incêndio na massa de grãos. Nesse caso, para preservar os motores dos ventiladores axiais, o Sistema de Controle e Automação poderá desligá-los e acionar os atuadores responsáveis por fechar as entradas de ar primário nas fornalhas, as de entrada de ar ambiente nas seções de mistura e na câmara de resfriamento e abrir o registro da chaminé. Caso a fornalha disponha de ventilador para a entrada de ar primário, esse será desligado. Quanto à aplicação do Sistema de Controle e Automação na condução da secagem, observa-se que no início da secagem a temperatura do ar de exaustão é menor e a umidade relativa maior. À medida que a massa de grãos torna-se mais seca, a temperatura do ar de exaustão tende a aumentar e a umidade relativa a reduzir. Sendo assim, adotando essas variáveis como de controle, as variáveis controladas vazão e temperatura do ar de secagem poderiam ser modificadas com o objetivo de otimizar o rendimento dos secadores, bem como preservar a qualidade do produto. c) Vazão do ar de secagem Em secadores de fluxos mistos tipo cavaletes é definido que 10 a 15% da vazão total do ar de secagem deve passar pela entrada de ar primário da fornalha a lenha, 40% pela seção de mistura e 50% pelas entradas da câmara de resfriamento. Para garantir esses valores é recomendada a medição da pressão estática em pontos localizados na fornalha e no corpo do secador. Desse modo, adotando-se essas pressões como variáveis de controle, estas poderiam ser mensuradas por meio de pressostado; e conforme os valores, o Sistema de Controle e Automação poderia acionar atuadores para regular as aberturas de entrada de ar localizadas na fornalha, seção de mistura e câmara de resfriamento. d) Velocidade do produto pelo secador Tomando a velocidade do produto como variável controlada, a variável de controle poderia ser a umidade do produto na entrada do secador. Assim, a depender dos valores de referência, os atuadores do sistema poderiam, por meio de inversores de frequência, alterar a rotação do motor do sistema de descarga. Nesse controle, quanto maior a www.graosbrasil.com.br


18 TECNOLOGIA umidade na entrada do secador menor seria a velocidade do produto pela torre de secagem, aumentando assim o tempo de residência.

limite de especificação inferior, primeiro serão desligados os queimadores de GLP; e se a condição persistir, serão desligados os ventiladores.

e) Ordem de descarga do secador Para controlar e automatizar a ordem de descarga do secador – falso ou verdadeiro - a umidade do produto na base do secador pode ser a variável de controle. Assim, se a umidade estiver acima do limite de especificação superior, o atuador colocará o secador para operar de forma intermitente; caso contrário, o fluxo de produto será encaminhado ao setor de armazenagem, ou de expedição. 2. Controle e automação da secagem a baixa temperatura A secagem a baixa temperatura é tradicionalmente utilizada para arroz com casca, que é colhido em média com 20,0% umidade e acondicionado em silos para secagem. O silo deve dispor de ventiladores com capacidade de insuflar de 1, 0 a 10,0 m³ de ar por minuto, por tonelada de produto. O ar de secagem deve possuir temperatura e umidade relativa que proporcionem a umidade de equilíbrio de 13,0%, que é a umidade indicada para armazenagem e comercialização de arroz com casca. A cada início de operação, tomando por variáveis de controle a temperatura e umidade relativa do ar ambiente, o Sistema de Controle e Automação calculará a umidade de equilíbrio em função dessas variáveis, pressupondo, por exemplo: um acréscimo de temperatura em +2,0 °C devido ao funcionamento do ventilador, o que pode chegar a até +4,0 °C, a depender da pressão aplicada ao ar. Caso o valor da umidade de equilíbrio for menor que o limite de especificação inferior, o sistema de insuflação de ar não será ligado. Caso contrário, será ligado e, se a umidade de equilíbrio calculada for superior ao limite de especificação superior, os queimadores de GLP acoplados nos ventiladores também serão acionados e a intensidade da chama será ajustada, de tal forma que o valor da umidade de equilíbrio mantenha no intervalo de especificação. No entanto, se durante a operação a umidade de equilíbrio, que é calculada a todo momento, em função das variáveis de controle temperatura e umidade relativa do ar de secagem, estiver abaixo do

3. Controle e automação da aeração Quando do armazenamento a aeração pode ser conduzida com as finalidades de manutenção, correção e resfriamento. Independentemente, do proposito, o ar insuflado deve estar em equilíbrio higroscópico com o produto, para que não ocorra a redução da umidade - supersecagem, ou a umidificação do ar intergranular. No mercado nacional há soluções que permitem, dentre outros fatores, monitorar em silos e graneleiros a temperatura do produto e umidade relativa do ar intergranular, a temperatura e umidade relativa do ar ambiente e se está ocorrendo ou não precipitação; além disso, é possível definir os horários de ponta. Essas variáveis são de controle, e como variáveis controladas têm-se a ordem de acionamento dos ventiladores - falso ou verdadeiro - e a temperatura e umidade relativa do ar insuflado, que definem a umidade de equilíbrio. Há avanços nessa área a nível comercial no Brasil ao empregar sensores digitais para medir temperatura e umidade relativa, que transmitem dados empregando a tecnologia “one wire”. Além disso, são utilizadas estações remotas de obtenção, armazenamento e transmissão de dados via wireless. Esses dados são transmitidos a uma central computadorizada, que processa as informações conforme a programação efetuada pelo usuário e transmite em rede Intranet wireless a ordem de acionamento dos ventiladores por meio de uma estação remota (Figura 03) instalada junto ao quadro de comandos. Além disso, a central computadorizada disponibiliza informações em um banco de dados na Internet e permite que os usuários via Internet monitorem a operação do sistema e intervenham programando tomadas de decisão, ou para acionar determinado equipamento.

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4. Controle e automatização de equipamentos de transporte de grãos


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Figura 3 - Estação remota para acionamento e monitoração de até 16 ventiladores. (Divulgação: Procer Automação e Sistemas)

O sistema de transporte de grãos pode ser automatizado, principalmente, quando se usam elevadores de caçambas e transportadores de corrente – redler. Nesse caso, o Sistema de Controle e Automação permite ao operador, antes de acionar os equipamentos, programar o fluxo a ser executado e definir os registros a serem abertos e os transportadores a serem acionados. Após certificar se os equipamentos a serem acionados estão logicamente concatenados, o Sistema de Controle e Automação disparará alarme para avisar o acionamento dos transportadores, acionará o sistema de captação de pó e colocará os transportadores em operação. Os transportadores serão acionados em série, iniciando do ponto de destino indo até o de origem do fluxo de grãos. Ao final da operação, o Sistema de Controle e Automação corta o fluxo de produto no ponto de origem e desligará os transportadores em ordem inversa ao do acionamento. Outra possibilidade do uso do Sistema de Controle e Automação envolve o uso de sensores para: monitoração da temperatura de rolamentos e mancais, medição das velocidades dos transportadores, verificação de alinhamento de correias e correntes nos transportadores, detecção de metais na massa de grãos; e para certificação se o equipamento está operando vazio. Os valores das variáveis de controle são analisados pelo Sistema de Controle e Automação que, por exemplo, poderá interromper o funcionamento da linha de transportadores caso seja constatado anomalias, como excesso de temperatura de rolamentos e, ou, mancais; desalinhamento dos transportadores; ou presença de peças metálicas na massa de grãos. 5. Controle e automação de recebimento e expedição de

produtos Por meio da automatização de escritório, empregando redes de computadores e de transmissão de dados, como a Internet, as informações coletadas sobre os fluxos de cargas recebidas e expedidas, bem como suas características, podem ser processadas, armazenadas e transmitidas, tornando-as disponíveis aos gestores e usuários do sistema. Os dados referem aos depositantes e às características de suas cargas, como quantidade, umidade, teor de impurezas, teor de óleo, acidez, massa específica e nível de contaminação por micotoxinas. No processamento dos dados são calculados descontos relativos às quebras de umidade e de impurezas, possíveis descontos devidos à remoção de grãos avariados e à atualização do estoque a cada evento de recebimento ou de expedição de produto. Ao proceder análise dos dados será possível constatar perdas quantitativas e qualitativas e definir a necessidade de intervenções no sistema. Ponderações finais O emprego dos Sistemas de Controle e Automação em unidades armazenadoras traz benefícios; no entanto, o alcance deles está altamente atrelado ao nível de conhecimento das tecnologias para o armazenamento de grãos de forma segura por parte dos gestores e operadores, bem como da adoção das Boas Práticas de Armazenagem de Grãos (BPAG). Quanto às sofisticações futuras dos Sistemas de Controle e Automação aplicados à armazenagem de grãos se dará ao embarcarem as técnicas de modelagem e simulação das operações como aeração em silo-pulmão, secagem, seca-aeração e aeração ou refrigeração de produtos armazenados. www.graosbrasil.com.br




22 TECNOLOGIA

Os Desafios do Clima na Pós-Colheita

Domingo Yanucci

CONSULGRAN - GRÃOS BRASIL - GRANOS graosbr@gmail.com

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Todos os dias ouvimos que este ano foi um recorde de temperaturas e, assim, ano após ano, com todas as implicações que o chamado aquecimento global tem. Nos últimos anos discutindo o que poderia ser a origem, a maioria dos pontos é para a ação do homem, mas muitos também afirmam que é ciclos normais do planeta. Em qualquer caso, ninguém discute o que todos nós sentimos, a temperatura está aumentando. Sabemos que a temperatura é uma das variáveis físicas do meio e interage diretamente ou indiretamente com muitas outras variáveis que afetam a pós-colheita, como por exemplo a sorção da umidade, propriedades termo físicas do produto a granel, insetos e outras pragas, micro-organismos (fungos-bactérias), ação e degradação de pesticidas, perdas de armazenamento, etc. etc. Não muito tempo atrás o climatologista eminente Ing. Eduardo Sierra, participou de um de nossos livros de atualização (aeração e resfriamento) ele concretizou o primeiro estudo

do clima em termos de pós-colheita, como quase sempre falam do clima dependendo da produção e não do cuidado do produzido. A aeração que é amplamente praticada é que foi mal planejada em nossa região. Sabemos que os climas ideais para produzir também são geralmente os piores de conservar e vice-versa, aqueles que dificultam a produção facilitam o armazenamento. A agricultura começou onde era difícil produzir e fácil manter, uma vez que só faz sentido produzir grandes volumes de grãos se as condições forem dadas para garantir sua conservação até a data do consumo. Quais são as implicações práticas que surgem com este aumento lento, mas inexorável das temperaturas: Insetos Eles são todos de origem sub-tropical, precisam de altas temperaturas e podemos encontrá-los livres na natureza, mas eles se tornam pragas na massa de grãos, onde eles têm proteção contra temperaturas extremas,


TECNOLOGIA 23 comida em abundância e estão livres de inimigos naturais. As temperaturas ótimas das pragas mais importantes estão entre 27 e 32ºC. As temperaturas mais agradáveis para as pragas fazem com que elas cheguem às instalações a granel com maior nível de infestação, tanto ocultas quanto visíveis, também dificulta o controle das instalações. Devido a que temperaturas mais altas reduzem o tempo de ciclo (de ovo a adulto) e favorecem maior atividade dos indivíduos, ou seja, maior consumo e reprodução. Sabemos que há décadas o Ryzopertha dominica F. chegou ao sul do continente, abaixando lentamente até cobrir toda a extensão das áreas produtoras de grãos, hoje acontece o mesmo com o Lasioderma serricorne L. (caruncho do fumo), que ao contrário as outras pragas são capazes de atacar a soja. As temperaturas mais altas não só aumentam o potencial biótico das pragas, como também afetam a eficiência dos pesticidas residuais. Os últimos são usados para tratamentos de instalação e para a proteção do grão por meses. A proteção de um residual pode variar 100% de acordo com a temperatura que deve suportar. É por

Rhyzopertha dominica

isso que o reforço de dose é a maior frequência nas instalações e a busca por resfriar o grão tratado são estratégias básicas de conservação. Quem acompanha o nosso trabalho já sabe que as doses dos tratamentos das instalações são mal calculadas. Os fungos que atacam grãos armazenados já vêm do campo. As muitas espécies de Aspergillus e Penicillium, podem ter um desenvolvimento incipiente no campo e quando têm as condições certas no armazenamento expressam todo seu potencial para consumo e deterioração. A principal variável que afeta os

fungos é a umidade, mas a temperatura potencializa o seu desenvolvimento, acelera o crescimento de forma impressionante, fazendo com que o TAS (Tempo de Armazenagem Seguro) diminua significativamente. Sabemos também que o estresse hídrico, associado à alta evapotranspiração devido às altas temperaturas, favorece o ataque de fungos de campo, facilitando a entrada de hifas nos grãos a serem colhidos. Gerenciamento de temperatura Obviamente a temperatura ambiente não pode ser tratada se puder-

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24 TECNOLOGIA mos diminuir a temperatura dos grãos. Claro, com a aeração convencional deficiente, está se tornando cada vez mais difícil. Para remediar isso, a refrigeração artificial é generalizada, como sabemos que implica um investimento que paga no máximo em 2 safras. Os aumentos de temperatura têm duas consequências, a primeira é que a temperatura mínima a que podemos chegar é cada vez maior e a outra, que considero mais perigosa, é a redução do número de horas adequadas para arejar. Temperaturas mais altas também reduzem a eficiência de sistemas de refrigeração que podem precisar de maior consumo de Kwh para atingir os objetivos. Perdas Qualiquantitativas À luz dos comentários, duas consequências indesejáveis são apresentadas em nossos armazéns. As perdas geradas pelos processos respiratórios, fungos, insetos, etc., são maiores ao longo do armazenamento (essas perdas são erroneamente chamadas de quebras técnicas) e, por outro lado, é mais difícil manter a qualidade dos grãos, especial-

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mente no médio e longo prazo. Podemos ver como a coisa mais sensível que tem um grão, o poder e a energia germinativa, se perde rapidamente. Muito trabalho tem sido feito para desenvolver plantas mais tolerantes à seca, doenças, etc., mas sabemos que a qualidade da conservação dos grãos está cada vez mais comprometida. As melhoras genéticas não buscam grãos com melhor potencial de conservação, visando a produtividade e qualidade dos componentes (proteínas - gordura). Finalmente, um pedido de atenção, como a canção de Heriberto Rivera, popularizada pela amada Negra Sosa, diz: • Muda o clima ao longo dos anos • Muda o pastor seu rebanho • E assim como tudo muda • Que eu mude não é estranho Não podemos continuar fazendo o mesmo e pretender ter melhores resultados. É essencial ajustar a gestão, incorporando as práticas necessárias para otimizar a pós-colheita de grãos e sementes.


MERCADO 25

Novos Tempos, Novas Colheitas, Boas Perspectivas

Oswaldo J. Pedreiro

Novo Horizonte – Assessoria e Consultoria contato@nhassessoria.com.br

O Brasil espera ansiosamente que os caminhos da produção agrícola possam ser conduzidos com base em perspectivas mais rentáveis, mais desburocratizadas e com muito mais liberdade para realizar suas operações comerciais tanto no Brasil quanto nas vendas para exportação, sem esbarrar em esquemas e taxações exageradas como tivemos até agora. É assim que o produtor em geral começa a colher a nova safra de grãos a nível Brasil, com possíveis perdas na produção devido a problemas climáticos, mas com a esperança de que o resultado final venha a compensar o sacrifício de manter suas terras produtivas e com mais liberdade para exercer o seu direito de vender aqui ou ali sem se deparar com restrições criadas na ambição política de taxação de impostos que permitam aos governantes aumentarem as receitas em detrimento de quem produz. Continuamos infelizmente com o maior custo de exportação comparado com outros países concorrentes, o que limita os ganhos na produção em sua principal fonte – o campo -, inviabilizando muitas regiões brasileiras a serem competitivas para escoamento da sua produção. Junte-se a esses impostos absurdos o alto custo logístico devido a tabelas de frete, rodovias mal conserva-

das, ferrovias inadequadas e perdas na colheita por falta de tecnologia para armazenar em perfeitas condições. Não estamos criando nada novo em termos de problemas, apenas reproduzindo o que temos vivido ao longo dos anos e os governantes se alternam no poder e cada um que assume cria um novo imposto ou uma nova nomenclatura de taxações para arrecadar impostos que irão recair sobre os preços da produção, ou reduzindo drasticamente o pequeno lucro que o produtor esperava, ou inviabilizando a negociação vis-a-vis o escoamento para os portos brasileiros responsáveis pela exportação que apesar de tudo vem mostrando um crescimento gradativo e importante para a balança comercial brasileira. As perspectivas de produção para a presente safra de verão, somadas as previsões para a “safrinha” (sic) de milho na pós-colheita de soja, mesmo com previsões de quebras às vezes alarmantes (os percentuais de perda variam entre 5 a 30% dependendo do analista), ainda devemos atingir números significativos em comparação aos anos anteriores. No quadro a seguir apresentamos a última previsão de safra que circula nos meios de comunicação brasileira, publicadas pela CONAB como órgão oficial do Ministério da Agricultura: www.graosbrasil.com.br


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CONTROLE DE PRAGAS 27

Fumigação de moinhos de farinha e espaços vazios

Claudio Luna

Gerente de Serviços bsas@fugran.com

A FUGRAN é uma empresa com mais de 35 anos no mercado com experiência em fumigações, hoje tem atividades na Argentina, Brasil, Peru, Colômbia, Uruguai, Paraguai e Equador e dentro dos serviços de fumigação realiza mais de 30 milhões de medidores cúbico fumigado em mais de 40 usinas e indústrias alimentícias no país. Vamos dedicar este espaço à fumigação de moinhos de farinha. Para realizar a pulverização, precisamos obter alguns dados. O primeiro é conhecer a quantidade de metros cúbicos que vamos fumigar, para o qual é necessário conhecer as medidas de altura, largura e profundidade do moinho e assim poder cobrir o setor para fumigar. Começamos por localizá-lo geograficamente de acordo com os pontos cardeais, assim podemos referenciar os setores que devem ser selados. Todos os moinhos são diferentes em termos de estrutura, para os quais de-

vemos separá-los por setor e cubicá-los individualmente. Também temos que levar em conta os espaços ocultos, por exemplo, os espaços que permanecem nos entresilos, muitos dos quais se comunicam entre si, assim como os baixos silos e porões. Uma vez que temos os metros cúbicos que devemos fumigar, vamos para o segundo estágio que é selado e selado. Começamos sempre percorrendo o moinho a partir do terraço levando em conta as saídas com saída para o exterior que estão no telhado, no piso inferior teremos os ciclones com saída para o telhado, filtros, janelas ou espaços interiores que tenham saída para o exterior. Muitos dos filtros também são instalados diretamente do lado de fora e, nesse caso, devemos definir o selo, incluindo ou não a fumigação. Outros pontos são os dutos de ventilação que costumam ter saídas nos tetos ou nas paredes laterais. www.graosbrasil.com.br


28 CONTROLE DE PRAGAS As saias dos chapéus das ventilações podem ter comunicação com o setor para fumigar, assim como os filtros que possuem uma membrana anti-explosiva que deve ser verificada. Os espaços confinados como silos e entresilos podem comunicar ao exterior nas descargas dos mesmos. Continuando com os selados, desceremos andar por andar marcando portas, janelas, que tenham saídas ou comunicação para o exterior, como as bandejas descartadas de mercadorias que têm tubos diretos para fora. Pontos Críticos Na fumigação dos moinhos os pontos críticos podem fazer falhar todo o trabalho realizado, entre eles o plano de peneira que deve ser desarmado e empilhado em uma cruz, os bancos de moagem, os amortecedores que estão nas tubulações internas que são muito raramente desarmados e limpos, redlers e transportes que devem permanecer abertos e limpos, sasores, etc. Em toda a fumigação, a limpeza é o ponto crítico mais importante. Eles devem ser aspirados e descartados e não queimados, especialmente em bandejas de cabos e na parte superior dos tubos horizontais. Com a limpeza adequada, ganhamos metade do sucesso da fumigação. Então a instalação para a fumigação será feita. Através de uma das paredes laterais, vamos instalar um tubo mãe que atinge todos os pisos, e dai um garfo a cada um deles para alcançar os pontos opostos do tubo principal, para esse tubo a fosfina será aplicada a partir de Gerador Degesch recirculando durante a duração da fumigação. O Degesch Generator é um dispositivo que produz fosfina de maneira controlada a partir do fosforeto de magnésio granulado, que é uma apresentação exclusiva para este equipamento. A segurança é o ponto mais importante na aplicação, o painel de controle possui medidas eletrônicas e mecânicas de segurança que podem ser visualizadas na tela de toque e alarmes auditivos como controle seguro de ppm gerado, controle de CO2, água, energia, etc. O produto utilizado não é um produto comercial, pois mantém sempre a mesma qualidade, Revista Grãos Brasil - Janeiro / Fevereiro

As medições de largura, altura e profundidade divididas por setores devem ser levadas em conta.


é de máxima pureza e não varia a concentração de gás que gera. Pré fumigação Uma vez que o selo tenha sido feito, tendo a capacidade cúbica, tendo instalado o tubo e antes de iniciar a aplicação do gás, as testemunhas serão colocadas nos locais mais críticos (insetos da mesma espécie que habitam o moinho, vivos, em malha porosa ter penetração no gás); Serão colocadas sondas para medição de concentração, que serão feitas a cada 12 horas no setor fumigado, no CCM também serão colocadas sondas para medir onde não há gás, então a última revisão do lacrado será feita, verificando se todas estão corretas para posterior realizar uma pulverização ou micromill com inseticidas líquidos. Dosagem A dosagem adequada de gás em instalações de fumigação dependerá diretamente da capacidade cúbica correta, sabendo-se assim a quantidade de ppm que precisamos. Qual quantidade de ppm aplicada durará ao longo do tempo, dependerá da estanqueidade atingida. Pontos de controle e tempos de exposição O controle da fosfina será realizado por meio de medições nas sondas colocadas. Obviamente a equação de ppm alcançada está diretamente relacionada aos metros cúbicos a fumigar. O sucesso da fumigação também está relacionado ao tempo de exposição, além do ppm aplicado, já que os diferentes tipos de pragas que devemos controlar têm diferentes tempos de mortalidade. A vantagem da fumigação com o Gerador Degesch versus as pílulas reside principalmente em que a geração do gás é instantânea, ganhando no maior tempo de exposição. Ventilação Uma vez que a fumigação tenha sido concluída e antes da ventilação, uma pulverização com inseticidas líquidos será realizada na parte externa da planta, então usando o EPI correspondente, os selos inferiores serão removidos para iniciar a ventilação e como o local é ventilado e seguro para a entrada com o EPI adequado, os selos superiores serão removidos, obtendo um efeito de chaminé e acelerando a ventilação até atingir 0 ppm. Limpeza O fim da fumigação termina com o controle das testemunhas colocadas, completando a autorização inicial de trabalho certificando 0 ppm para a entrada do pessoal e deixando as instalações limpas corretamente e nas mesmas condições que foram recebidas.


30 UTILÍSSIMAS

Governo prepara força tarefa para escoar

grãos e anuncia medidas para infraestrutura Leilões para concessões de ferrovias e rodovias nas regiões CentroOeste e Sul do Brasil devem ocorrer ainda neste ano, diz ministério

O governo federal anunciou uma força-tarefa para o escoamento da safra 2018/2019 nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. O foco da ação está na BR-163/PA, uma das principais rotas de escoamento da produção de grãos no país até os portos do Arco Norte. A chamada Operação Radar segue até maio de 2019. Além da força-tarefa, o atual governo promete renovar concessões e realizar leilões de ferrovias, como a Ferrogrão e a Norte-Sul. Conforme o Ministério da Infraestrutura, o plano consiste ainda em monitoramentos pelas equipes de inspeção, que percorrem os trechos para avaliar a trafegabilidade e a necessidade de serviços de manutenção preventiva na pista. Em casos de emergência, a equipe comunica os agentes de trânsito locais, que fazem a interdição da rodovia, iniciando, se necessário, a operação Pare e Siga. Por este sistema, utiliza-se apenas um dos lados da pista, alternando os sentidos do tráfego para dar vazão a todos os veículos. Em casos de emergência, também são disponibilizadas equipes de assistência de saúde, distribuição de kits de alimentos e água aos caminhoneiros. Dos 707,4 quilômetros da BR-163/PA, faltam 51 quilômetros a serem asfaltados, divididos em dois lotes: 3 quilômetros, na Vila do Caracol, sob a responsabilidade da Construtora Agrienge, e 48 quilômetros em Moraes de Almeida, sob responsabilidade do Exército. Uma das principais metas do ministro Tarcísio Freitas, que é a conclusão total da pavimentação do trecho entre a divisa do estado do Mato Grosso até Santarém, Pará, está estimada em R$ 2,55 bilhões. Concessões e leilões As ferrovias qualificadas para prorrogação antecipada no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), anunciadas pelo ministro da Infraestrutura, são: MRS Logística, Rumo Malha Paulista, Estrada de Ferro Carajás (EFC), Estrada de FerRevista Grãos Brasil - Janeiro / Fevereiro

ro Vitória a Minas Gerais (EFVM) e Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O governo pretende ainda realizar um leilão para o 2º trimestre deste ano da chamada Ferrogrão (EF-170). A linha férrea terá 933 km de extensão, conectando a região produtora de grãos do Mato Grosso e Pará até o Porto de Miritituba (PA). O trecho será de Sinop (MT) até Miritituba (PA). Já o leilão da EF-151, conhecida como Ferrovia Norte-Sul, será realizado no dia 28 de março, na Bolsa de Valores de São Paulo. O trecho tem 1.537 km de extensão, ligando Estrela d´Oeste (SP) até Porto Nacional (TO). Região Sul na lista de prioridades Os estados da região Sul do Brasil também estão dentre as prioridades do governo, segundo o Ministério da Infraestrutura. Especificamente em Santa Catarina, existe a previsão novas obras e concessões. Segundo o governo, foram qualificados no PPI a BR-101, entre Paulo Lopes a São João do Sul, com extensão de 220,4 km. Neste caso, estão previstos investimentos de R$ 3 bilhões e custos operacionais estimados de 3,1 bilhões (conservação, operação e monitoramento), o que totaliza R$ 6,1 bilhões a serem aplicados no sistema viário ao longo dos 30 anos de concessão. Além desta, o mesmo está previsto para a BR-153/282/470/ SC e SC-412, na região Centro-Leste de Santa Catarina, compreendendo um total de 547,6 km. Para tanto, estão previstos investimentos da ordem de R$ 8 bilhões e custos operacionais estimados de R$ 5 bilhões (conservação, operação e monitoramento), o que totaliza R$ 13 bilhões a serem aplicados no sistema viário ao longo dos 30 anos de concessão. Ambos os leilões estão previstos para o segundo semestre de 2019, de acordo com informações do Ministério da Infraestrutura.


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Construção da Ferrogrão abre espaço para avanço de 70% na safra de MT

Com ferrovia, que promete ligar MT ao PA, produção de soja e milho poderia saltar de 63,18 milhões de toneladas, registradas no ano passado, para 108 milhões de toneladas, em 2028 Projeto prioritário do governo e classificado como o “mais desafiador” pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas , a Ferrogrão abrirá espaço para uma expansão de 71,1% na produção de soja e milho do Mato Grosso em uma década. Com a ferrovia, que promete ligar o Estado ao Pará, a safra poderia saltar das 63,18 milhões de toneladas registradas em 2018 para 108 milhões de toneladas em 2028, de acordo com projeções do Instituto Mato-Grossense de Estudos Agrícolas (Imea). “E isso, sem derrubar uma árvore”, ressaltou Guilherme Quintella, presidente da Estação da Luz Participações (EDLP), que integra o consórcio interessado no projeto. Com menor custo logístico, os produtores teriam condições de expandir a área de produção. Para tanto, poderiam usar terras hoje dedicadas à pastagem. A área voltada à produção de grãos no Estado passaria de 14,86 milhões de hectares para 22,26 milhões de hectares. “A Ferrogrão faz todo sentido e vai ser uma revolução em termos de agronegócio”, disse Freitas em seu discurso de posse. Ele comentou que, para dar certo, uma ferrovia precisa ter carga. E, no caso do Mato Grosso, a expectativa é que a produção chegue a 100 milhões de toneladas em 2025. A questão pendente é financeira. O desafio, disse o ministro, é construir um bom arranjo societário e de garantias para bancar o investimento, estimado em R$ 12,7 bilhões. Freitas pretende enviar os estudos técnicos, econômicos e ambientais do projeto para o Tribunal de Contas da União (TCU) nos primeiros cem dias do governo. “Espero que a licitação ocorra o quanto antes”, comentou Quintella. Revista Grãos Brasil - Janeiro / Fevereiro

Trajeto A Ferrogrão é uma linha de 933 km que ligará Sinop (MT), no coração da área produtora de grãos do País, até o porto fluvial de Miritituba (PA), de onde a carga segue em balsas até os portos na região de Belém. Futuramente, a linha será estendida até Lucas do Rio Verde (MT). Hoje o percurso da soja do Mato Grosso até Miritituba é feito em caminhões pela BR-163, que ficou conhecida pelos atoleiros no verão de 2017. Ela ainda não está totalmente asfaltada. Faltam 51 km. O governo pretende conceder a rodovia à iniciativa privada por um prazo de até dez anos, até que a Ferrogrão esteja concluída. O escoamento da safra, que começa em fevereiro, é um ponto de preocupação do governo, por causa das chuvas abundantes deste ano. Já foi elaborado um plano de contingência, com o deslocamento de máquinas para fazer reparos de emergência na pista, colocação de britas e reboque de caminhões atolados. Também está na programação dos 100 dias o envio ao TCU dos estudos para a concessão da Ferrovia de Integração Oeste-leste (Fiol), um projeto de grande interesse dos investidores chineses. Prazo adicional O ministro confirmou ainda que pretende prorrogar os contratos de concessão da Rumo, dois da Vale, da MRS, e da Ferrovia Centro-Atlântica. Em troca do prazo adicional, eles deverão fazer investimentos. No caso da Estrada de Ferro Vitória a Minas, por exemplo, será exigida a construção de outra linha: a da Ferrovia de Integração do Centro-oeste (Fico), ligando Água Boa (MT) a Campinorte (GO). Semana passada, Freitas informou por meio da rede social Twitter que discutiu com o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, a construção de um segmento ferroviário entre Cariacica e Anchieta, “o que representa o início da EF-118”, uma referência à ferrovia Vitória-Rio. É um trecho de 84 km, cujo financiamento ainda está em estudos.


Selecionadoras ópticas para sementes: Algodão, Milho, Soja, Feijões e Girassol.

Innovations for a better world.


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Análise mostra importância do trigo na

relação comercial entre Brasil e Argentina

Não é só no pão dos brasileiros que o trigo argentino tem influência. O produto também atua no equilíbrio da balança comercial com o país vizinho, como revela o estudo A Trajetória do Trigo no Brasil e o seu Papel nas Relações Comerciais e Institucionais entre Brasil e Argentina, compêndio divulgado nesta quinta-feira (31) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De acordo com a pesquisa, a exportação de bens manufaturados brasileiros, sobretudo nos setores automobilísticos e de máquinas elétricas, está fortemente relacionada com a importação do grão e de seus derivados, o que evidencia uma relação direta entre essas movimentações comerciais. “Um dos motivos desse vínculo deve-se ao fato de que a pauta de produtos exportados pela Argentina é pouco diversificada”, explica Rodrigo Souza, analista da Conab e responsável técnico pelo compêndio. “Quase metade do que o país vizinho vende para o Brasil concentra-se em 16 produtos,

Revista Grãos Brasil - Janeiro / Fevereiro

sendo o trigo em grãos e a farinha de trigo responsáveis por aproximadamente 10% do total adquirido nos últimos anos. Já no caso brasileiro, são necessários pelo menos 50 produtos para atingirmos o mesmo nível de venda, devido à nossa grande diversidade de itens para exportação”, complementa. A conclusão do estudo aponta ainda o quadro de gestão da oferta como outro importante fator de influência na relação de mercado desse cereal entre os países. O documento registra que o Brasil consome, por ano, cerca de 11 milhões de toneladas de trigo, sendo que a produção brasileira está estimada em 5,4 milhões de toneladas para a safra 2018/2019, segundo o último levantamento da Companhia. A situação confirma o histórico dos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os quais demonstram que, no período de 1997 a 2017, cerca de 77% do trigo importado teve como origem a Argentina. Confira a análise completa do Compêndio de Estudos no portal da Conab.


UTILÍSSIMAS 35

PÓS-COLHEITA NO PARAGUAI

Equipe de CAIASA na Jornada de Precisão no Manejo de Grãos

Em dezembro passado, realizamos várias atividades em Assunção e cidades vizinhas no Paraguai. Pudemos ver a força da produção de celeiros, pois empresas e instituições ligadas à agricultura buscam otimizar seus processos e preparar o país para um salto produtivo que promete dobrar a produção em pouco tempo. Um dia de Exatidão do Manejo do Grão foi realizado com a equipe da CAIASA, coordenada pelo professor da Escola de Especialistas em Bs. (SENASA) Eduardo Castro, com atividades práticas para chegar a um acordo sobre as qualidades. Também tivemos uma reunião com o pessoal da SARCOM e da CAPECO em Assunção, na oportunidade trocamos informações sobre as melhorias necessárias para implementar na recepção, amostragem e manuseio da mercadoria (aeração - refrigeração - controle de pragas - misturas). A refrigeração é uma prática generalizada no Paraguai, praticamente obrigatória, se você quiser trabalhar bem, devido às altas temperaturas que caracterizam o clima do país. Embora a refrigeração seja conveniente em todos os nossos países, no Paraguai, com um custo de energia por menos da metade em comparação com outros países da região, ela é muito eficiente. Recebemos a visita do Eng.Guillermo Pessagno de Chemtec, que com uma trajetória de mais de 40 anos na

América Latina, está entre as empresas líderes na produção de agrotóxicos.

Práticas para consensuar qualidades coordenado por Prof. Eduardo Castro

Reunião com a equipe de Sarcom e CAPECO

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FACTA debaterá a responsabilidade da

avicultura brasileira em alimentar o mundo

Evento reunirá o setor avícola nos dias 14, 15 e 16 de maio, em Campinas (SP) Com o tema “Frango: A responsabilidade de alimentar o mundo” a 36ª edição da Conferência FACTA WPSA-Brasil, que será promovida entre os dias 14 e 16 de maio, na Expo D. Pedro, em Campinas (SP), propõe realizar um debate sobre o desafio de dobrar a quantidade de alimentos produzidos no planeta nos próximos 50 anos. O encontro, que é um dos principais eventos técnicos da avicultura, promovido pela Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas (FACTA), reunirá diferentes players do setor para entender como o setor deve se preparar frente a esta demanda e reforçar o grande potencial do Brasil para a produção de carne de frango. “A produção avícola brasileira ganha destaque no cenário mundial, pois somos um país com amplo território e um alto volume de grãos, fatores que garantem boas

condições para o desenvolvimento do setor, nos dando a oportunidade de crescer em números e qualidade”, destaca a afirma a presidente da FACTA, Irenilza de Alencas Nääs. Durante os três dias de evento os presentes poderão acompanhar uma rica programação, que discutirá temas de relevância para o setor, como as novidades em automação para as diferentes etapas da criação, tendências locais e globais para a produção de aves, os desafios futuros para o setor, além de questões voltadas ao bem-estar animal e saúde. “O tema deste ano segue a linha de que o setor precisa estar preparado para esse crescimento que o consumo vai registrar, tanto no campo da tecnologia quanto na qualidade dos processos que resultam no produto que é oferecido ao mercado. A Conferência pretende oferecer um norte para que o setor se reorganize e esteja pronto para atender essa demanda”.

revista granos - edição 127 Está disponível a primeira edição do ano de 2019 da Revista Granos. Com conteúdo de grande valor: Implementação de modelos de certificação de produção e cadeia de abastecimento – O Gorgulho chinês “Ulomoides dermestoides” – Discurso das 4 cadeias – Incêndio em secadoras de grãos – Fatores de risco de explosão em silos – Fumigação de moinhos Farinheiros – Hantavirus – Os desafios do clima na pós-colheita e muito mais. Para mais informações e assinatura contate com gerencia@ graosbrasil.com.br. Pode ver nossa edição online em https://issuu.com/graosbrasil/docs/granos127online Revista Grãos Brasil - Janeiro / Fevereiro


NOTA DE FALECIMENTO

NOTA DE FALECIMENTO 37

Don Ricardo Eloy Gonzalez Desde a Argentina levou seu trabalho de classificador de grãos ao Paraguai e Uruguai e desde 1968 trabalhou no Brasil. Ele foi um pioneiro da tecnologia de pós-colheita. Um exemplo vívido de como as escolas de peritos da Argentina transformaram a realidade de toda América do Sul. Eu tive o prazer de conhecer ele quando iniciei os trabalhos com a Revista Grãos Brasil, não só por nossa identidade de origem, mas também porque valorizava nele sua capacidade técnica e seu elevado sentido de ética. Nos deixou, depois de um longo caminho, com 95 anos alcançando o reconhecimento e carinho de seus pares, dedicando seus melhores anos de vida ao desenvolvimento da tecnologia de pós-colheita de grãos no Brasil. Assim, desejamos expressar nosso merecido apreço a este exemplo da especialidade. Que descanse na paz do Senhor e que Deus conforte sua família. Domingo Yanucci


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