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¦ Editorial ¦ Ano XIII • nº 79

Julho / Agosto 2016

www.graosbrasil.com.br Diretor Executivo Domingo Yanucci Administradora Giselle Pedreiro Bergamasco Colaborador Antonio Painé Barrientos Matriz Brasil Av. Juscelino K. de Oliveira, 824 Zona 02 CEP 87010-440 Maringá - Paraná - Brasil Tel/Fax: (44) 3031-5467 E-mail: gerencia@graosbrasil.com.br Rua dos Polvos 415 CEP: 88053-565 Jurere - Florianópolis - Santa Catarina Tel.: +55 48 3304-6522 | 9162-6522 graosbr@gmail.com Sucursal Argentina Rua América, 4656 - (1653) Villa Ballester - Buenos Aires República Argentina Tel/Fax: 54 (11) 4768-2263 E-mail: consulgran@gmail.com Revista bimestral apoiada pela: F.A.O - Rede Latinoamericana de Prevenção de Perdas de Alimentos -ABRAPOS As opiniões contidas nas matérias assinadas, correspondem aos seus autores. Conselho Editorial Diretor Editor Flávio Lazzari Conselho Editor Adriano D. L. Alfonso Antônio Granado Martinez Carlos Caneppele Celso Finck Daniel Queiroz Jamilton P. dos Santos Maria A. Braga Caneppele Marcia Bittar Atui Maria Regina Sartori Sonia Maria Noemberg Lazzari Tetuo Hara Valdecir Dalpasquale

Caros Amigos e Leitores Uma vez mais fazemos chegar à Grãos Brasil a suas mãos, seja como revista tradicional ou no formato digital, para mostrar a atualização em tecnologia que se encontra disponível no Brasil para seguir crescendo, otimizando e aperfeiçoando a pós-colheita de grãos e sementes. Permanentemente estamos percorrendo nosso continente sul americano (Argentina-Bolívia-Paraguai-Uruguai-Brasil), falando com os responsáveis de pós-colheita, levando experiências de um lado para outro, aprendendo as diferentes realidades, palpando a diversidade de problemáticas e também encontrando os denominadores comuns que nos levam a sofrer fortes limitações. Podemos enumerar três grandes aspetos: 1) A falta de infraestrutura básica, sobretudo, na área de transporte e exportação, assim como a carência de créditos adequados para investimentos elevados como são as instalações de armazenagem. 2) O desconhecimento dos empresários sobre os aspectos operacionais que estão em jogo no manejo (armazenamento e conservação dos grãos) que os levam a tomar decisões de investimento em tecnologia mais barata mas não econômica, que termina por gerar limitações nos manejos e favorecendo as perdas quali-quantitativas de que pretendemos conservar. 3) A falta de preparação dos responsáveis de manejo que não aproveitam as poucas oportunidades para buscar como trabalhar melhor. Resumidamente, este conjunto de três aspectos resulta que se mantenha o atraso tecnológico, que obviamente se paga. Por isso é necessário mobilizarmos, entre nós que trabalhamos na especialidade, no sentido de atualizarmos os operadores para sair desta situação e partir para uma instância superadora, de maior conscientização, tomada de decisões mais racionais e sair da região de comodidade e buscar sempre como trabalhar melhor. Nesta edição apresentamos valiosas informações sobre vários temas de nossa especialidade. Não deixe de nos consultar sobre qualquer inquietude ou dúvida, já que os temas não se acabam nestas páginas. Aproveitamos para convidá-los ao nosso Granos SAC 2016, que se concretiza por 19 anos consecutivos em Rosário (Santa Fé-Argentina), nos dias 14 e 15 de setembro, uma oportunidade única no ano de encontrar técnicos de nossa região e conhecer para onde vai a póscolheita de grãos e sementes. Que Deus abençoe sua família e trabalho. Com afeto.

Produção Arte-final, Diagramação e Capa

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Domingo Yanucci Diretor Executivo Consulgran - Granos Revista Grãos Brasil



¦ Indice ¦ 06

Controle e automação em unidades armazenadoras| Dr. Luís César da Silva

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Secagem/Armazenagem na Fazenda: LUCRO CERTO.| Prof. Valdecir A. Dalpasquale, Ph.D.

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Danos causados pelo Pó| Eng. Gustavo Sosa

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A busca por trigo de qualidade pelo setor agroindustrial / Eng. Agr. Ricardo Tadeu Paraginski e outros

28 30

Micotoxinas em Silagem| Prof. Dr. Sergio Paulo Severo de Souza Diniz Movimento de ar na secagem, aeração e armazenagem de produtos agrícolas| Prof. Valdecir A. Dalpasquale, Ph.D.

36

Uma Olimpíada no Mercado Brasileiro De Grãos| Osvaldo J. Pedreiro

Setores

02

Editorial

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Não só de pão...

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Cool Seed News

40

Utilíssimas

NOSSOS ANUNCIANTES

ARM

www.arm.ind.br

PAG. 01

www.astralambiental.com.br

PAG. 07

BEQUISA

www.bequisa.com.br

2ª CAPA

BUHLER

www.buhlergroup.com/sanmak

PAG. 29

www.casp.com.br

3ª CAPA

COOLSEED

www.coolseed.com.br

4ª CAPA

CYCLOAR

www.cycloar.com.br

PAG. 07

E³ EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

www.secarmazena.com.br

PAG. 15

ELECTROPLASTIC

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ROTASILOS

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TECCALOR

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ASTRAL AMBIENTAL

CASP

PERTEN PINHALENSE

TECNIGRAN ZHENGCHANG 04 | Revista Grãos Brasil | Julho / Agosto 2016


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¦Tecnologia¦ Controle e automação em unidades armazenadoras Por: Dr. Luís César da Silva|Universidade Federal do Espírito Santo – UFES | CCA

O sistema unidade armazenadora grãos é projetado, construído e gerenciado para receber, limpar, secar, armazenar e expedir produtos. Para tanto, esse sistema deve contar com os seguintes elementos: (i) estruturas: moegas, silos-pulmão, silos para seca-aeração, silos ou graneleiros para o armazenamento, e caixas ou silos de expedição; (ii) maquinários: máquinas de pré-limpeza e de limpeza e secadores; (iii) transportadores de grãos: correias transportadoras, elevadores de caçamba, transportadores de corrente, transportadores helicoidais e transportadores pneumáticos. E para o alcance dos objetivos desse sistema são conduzidos processos, como: (i) desembaraço documental das cargas recebidas e expedidas; (ii) descarga de produtos nas moegas; (iii) movimentação do produto entre os maquinários e estruturas; (iv) aeração em silo-pulmão; (v) pré-limpeza; (vi) secagem; (vii) limpeza; (viii) seca-aeração; (ix) aeração e, ou refrigeração dos produtos armazenados; (x) carregamentos de veículos no setor de expedição; e (xi) controle de pragas. Sistemas de controle e automação de processo Controle de processo trata da adoção de estratégias de intervenção com objetivo de manter valores de determinados fatores em um intervalo com limites inferior e superior especificados. Ao se utilizar a automação, essa intervenção 06 | Revista Grãos Brasil | Julho / Agosto 2016

é conduzida por meios mecânicos, pneumáticos, elétricos ou eletrônicos. Mediante a adoção de Sistema de Controle e Automação e de Processos - SCAP, devidamente projetado e operado, obtêm-se benefícios como: (i) racionalização do uso de recursos monetários, energéticos e humano; (ii) redu-

Dr. Luís César da Silva | silvalc@agais.com


GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 07


¦Tecnologia¦ Elementos dos sistemas de controle e automação Considerando, o emprego de recursos das áreas de eletrônica, informática, eletromecânica e pneumática, os sistemas de controle e automação apresentam configurados em três elementos básicos: (i) sensores – convertem os valores das variáveis de controle e controlada em sinais elétricos; (ii) atuadores – constituem em meios eletrônicos, elétricos, hidráulicos e, ou pneumáticos para variação do valor das variáveis de controle; e (iii) unidade de central de processamento – CPU – processa as informações monitoradas e por meio de interações lógicas opta pela intervenção a ser aplicada por meio dos atuadores.

ção de perdas qualitativas e quantitativas; (iii) mitigação da ocorrência de impactos ambientais negativos; (iv) minimização da ocorrência de acidentes de trabalho; e (iii) maximização lucros. Para implementação do SCAP é necessário: (a) mensurar as variáveis de entrada e de saída de um processo; (b) compreender a interação entre as mesmas; (c) selecionar dentre as variáveis de saída quais serão as variáveis controladas y(t); (d) definir para cada variável controlada os valores de referência r(t), “set points”; e (d) selecionar as variáveis de entrada, denominadas variáveis de controle, u(t), que impactam as variáveis controladas y(t) selecionadas. Vale ressaltar que outra nomenclatura em controle de processo é denominar as variáveis de controle (u(t)) como variáveis manipuladas (VM); e as variáveis controladas (y(t)) como variáveis do processo (PV). Os SCAPs podem ser dos tipos malhas aberta ou fechada. No sistema em malha aberta os valores das variáveis de controle u(t) são pré-definidos e não há retroalimentação da monitoração das variáveis controladas y(t) com o objetivo de ajustar as variáveis de controle. Como exemplos de aplicabilidade podem ser citados a programação de fornos de microondas e de máquinas de lavar roupas. Quanto ao sistema de controle malha fechada, Figura 01, as variações da variável controlada y(t) são certificados em relação ao valor de referência r(t) e busca-se minimizar o erro e(t) atuando sobre as variáveis de controle u(t). Na minimização do erro podem ser empregados os seguintes métodos de controle: On-OFF, proporcional (P), integral (I), derivativo (D), ou a combinação dos três últimos, denominado controle PID. Figura 01 – Sistema de controle de processo em malha fechada.

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a) Sensores Em razão da natureza dos processos podem ser utilizados sensores de: posição, rotação, presença, carga, pressão, temperatura, umidade relativa, vazão, nível de produto, cor, etc. E esses podem ser classificados em: (a) Sensores ativos: mensura as variáveis através da emissão de energia ao sistema, exemplo: sensores a raio laser e sensores de ultrassom; e (b) Sensores passivos: mensura as variáveis através do recebimento de energia emanada do ambiente, exemplo: sensores ópticos, sensor magnético, termopares e pressostado. b) Atuadores Os atuadores podem operar utilizando de princípios pneumáticos, hidráulicos, eletrônicos e, ou elétricos para alterar valores das variáveis controles. Estruturalmente, os atuadores podem-se apresentar como: motores elétricos com transmissão, válvulas, injetores pneumáticos, bombas, ventiladores, aquecedores, relés eletromecânicos ou eletrônicos (rele de estado solido), contatoras e inversores.


GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 09


¦Transportadores¦ ¦Gestão¦ ¦Tecnologia¦ c) Unidade de Central de Processamento - CPU As unidades de controle são equipamentos eletrônicos (hardwares) constituído de: (a) interfaces de entrada e saída de dados, (b) memória e (c) unidade central de processamento (CPU) que executa operações lógicas programadas por meio de uma linguagem de programação. A unidade de controle pode apresentar, por exemplo, como microprocessador ou microcontrolador. O microprocessador é um circuito integrado com velocidade de processamento é definida segundo o “clock” do processador. Em automação microprocessadores podem ser embarcados em: (a) placas de mães como as que adotam, por exemplo, as tecnologias Arduino ou PIC (“Peripheral Interface Controller”), ou em (b) módulos PLC – Controlador Lógico Programável. Aplicabilidades de sistemas de controle e automação em unidades armazenadoras. Destaca-se a seguir aplicação de controle e automação em sistemas de pré-processamento e armazenagem de produtos agrícolas. 1. Controle e automação de fornalhas e secadores Na operação do setor de secagem ocorrem os processos de conversão de energia química em energia térmica nas fornalhas, e de secagem, por exemplo, em secadores de fluxos mistos tipo cavaletes ou de colunas. Como os sistemas fornalha e secadores operam simultaneamente e interligados o controle e automação do setor de secagem aplicam-se a ambos. Tomando por exemplo um secador de fluxos mistos tipo cavaletes, podem ser empregadas com variáveis de controladas y(t): (a) temperatura do ar de secagem; (b) temperatura do ar de exaustão; (c) vazão do ar de secagem; (d) velocidade do produto pelo secador; e (e) decisão da descarga do secador.

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a) Temperatura do ar de secagem O sistema de controle e automação para o controle da temperatura do ar de secagem pode ser do tipo malha fechada, em que, segundo as variações dessa variável em relação aos valores de referência r(t) o SCAP por meio dos atuadores poderá: (1) regular a abertura das venezianas de entrada de ar ambiente no misturador tangencial ou nas venezianas localizadas na base do “plenum” do ar de secagem; (2) regular a abertura de entrada de ar primário na fornalha a lenha; (3) alterar velocidade da esteira automatizada de alimentação de lenha em fornalhas. Essas soluções já estão disponíveis no mercado brasileiro. b) Temperatura do ar de exaustão A variável controlada, temperatura do ar de exaustão, pode ter o valor alterado mediante: (a) falta de produto na torre de secagem, (b) ocorrência de incêndio na massa de grãos; ou ainda (c) alteração das condições psicrométricas do ar associado à evolução do processo de secagem. No controle da falta de produto na câmara de secagem toma-se por variável de controle u(t) o nível de produto no deposito de produto localizado acima da torre de secagem. Assim caso, o nível esteja abaixo do recomendado, o atuador do SCAP bloqueará o sistema de descarga do secador e disparará aviso sonoro sobre aumento da temperatura do ar de exausta decorrente da falta de produto no secador. Essa solução é comercializada no mercado brasileiro. O controle de ocorrências de incêndios na massa de grãos durante a secagem requer em primeiro lugar a condução de Boas Práticas de Armazenagem, como a limpeza do produto antes da secagem e a limpeza frequente da torre de secagem para evitar a retenção de produtos e, ou impurezas. Isso principalmente para os secadores tipo cavaletes. Durante a operação do secador, caso a temperatura do ar de exaustão ultrapasse os valores de referência r(t) e não haja constatação de falta de produto na torre de secagem será disparado sinal sonoro alertando sobre a eminência de ocorrência de incêndio na massa de grãos. Nesse caso para preservar os motores dos ventiladores axiais, o SCAP poderá desligá-los. Quanto à aplicação de sistemas de controle na condução do processo de secagem observa-se que no início


Acesse: www.graosbrasil.com.br da secagem a temperatura do ar de exaustão é menor e a umidade relativa é maior. À medida que a massa de grãos torna-se mais seca a temperatura do ar de exaustão tende a aumentar e a umidade relativa reduzir. Sendo assim, conforme essas alterações, variáveis controladas, como vazão e temperatura do ar de secagem poderiam ser modificadas com o objetivo de otimizar o rendimento dos secadores, bem como, preservar a qualidade do produto. Em nível comercial no Brasil, isso ainda não é empregado e estudos são demandados. c) Vazão do ar de secagem Em secadores de fluxos mistos tipo cavaletes é definido que de 10 a 15% da vazão total do ar de secagem deve passar pela entrada de ar primário da fornalha a lenha, 40% pelas entradas do misturador tangencial e, ou nas entradas junto à base do plenum do ar secagem e 50% pelas entradas da câmara de resfriamento. Para garantir esses valores é recomendada a medição da pressão estática em pontos localizados na fornalha e no corpo do secador. Desse modo, adotando-se essas pressões como variáveis de controle, estas poderiam ser mensuradas por meio de pressostado, e conforme os valores, o SACP poderia acionar atuadores para regular as aberturas de entrada de ar localizadas na fornalha, misturador tangencial, plenum do ar de secagem e câmara de resfriamento. Essa solução a nível comercial demanda ainda estudos para adoção. d) Velocidade do produto pelo secador Tomando a velocidade do produto como variável controlada a variável de controle poderia ser o teor de água do produto na entrada do secador. Assim, a depender dos valores de referência, os atuadores do sistema poderiam, por exemplo, por meio de inversores de frequência, alterar

a rotação do motor do sistema de descarga. Nesse controle, quanto maior o teor de água do produto na entrada do secador menor deverá ser a velocidade do produto pela câmara de secagem, aumentando assim o tempo de residência. Para adoção dessa solução estudos devem ser conduzidos. e) Decisão da descarga do secador Para controlar e automatizar a descarga do secador, a variável de controle pode ser o teor de água do produto na base do secador. Assim, se o teor de água estiver acima do desejado, o atuador colocará o secador para operar de forma intermitente, e caso contrário, o fluxo de produto será encaminhado ao setor de armazenagem, ou de expedição. 2. Controle e automação da seca-aeração e aeração No mercado nacional estão disponíveis sistemas de controle e automação para condução das operações de seca-aeração e aeração, Figura 02. Sendo esses equipamentos dotados de dois programas “Secar” e “Conservar”. “Secar” refere à seca-aeração, enquanto “Conservar” a aeração. Figura 02 – Representação de um sistema automatizado para seca-aeração e aeração de produto armazenado.

Como representado na Figura 02, o sistema de controle e automação analisa os valores das variáveis de controle: (a) temperatura da massa grãos obtidas por meio do sistema de termometria, (b) teor água inicial do produto fornecido pelo usuário; e (c) temperatura e umidade relativa do ar ambiente obtida da estação meteorológica. Ao processar essas informações a central computadoriza calcula o número de horas para condução das operações de seca-aeração e, ou de aeração. E feito essas programações o sistema passa analisar as condições psicrométrica para acionar os ventiladores de tal forma a cumprir as horas programadas. Em sistemas mais sofisticados junto à entrada de ar dos ventiladores podem ser instalados queimadores de gás que são acionados caso a condição psicrométrica do ar não esteja apropriada para condução da seca-aeração e, ou aeração. 4.3 Controle e automatização de equipamentos de transporte de grãos O sistema de transporte de grãos pode ser automatizado, principalmente, quando se usa elevadores de caçambas e transportadores de corrente – redler. Há casos de GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 11


¦Tecnologia¦ unidades que utilizam esses equipamentos, em que o SACP permite ao operador, antes de acionar os equipamentos, programar o fluxo a ser executado, definir os registros a serem abertos e quais transportadores deverão ser acionados. O SACP certificará se os equipamentos a serem acionados estão logicamente concatenados. Se afirmativo, o sistema disparará alarme para avisar o acionamento dos transportadores, acionará o sistema de captação de pó para evitar explosões, e colocará os transportadores em operação. Os transportadores serão acionados em série iniciando do ponto de destino do fluxo para a origem. E ao final da operação, o sistema corta o fluxo de produto no ponto de origem e desligará os transportadores da origem para o ponto final do fluxo. Outra possibilidade do uso de SACP são os compostos de sensores para: (a) monitoração da temperatura de rolamentos e mancais, (b) velocidades dos transportadores; (c) sensores de posição para verificar alinhamento de correias e correntes nos transportadores; (d) sensores para detecção de metais na massa de grãos; (e) sensores de presença para verificar se o equipamento está operando vazio; e (e) sensores de nível instalados em silos. Os valores das variáveis de controle são analisados pelo SACP, que, por exemplo, poderá interromper funcionamento da linha de transportadores caso seja constatado anomalias, como excesso de temperatura de rolamentos e, ou mancais; desalinhamento dos transportadores; ou presença de peças metálicas na massa de grãos. Controles e automação de recebimento e expedição

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de produtos Por meio da automatização de escritório, empregando redes de computadores e de transmissão de dados, como a Internet, as informações coletadas sobre os fluxos de cargas recebidas e expedidas, bem como, suas características podem ser processadas, armazenadas e transmitidas, tornando-as disponíveis aos gestores e usuários do sistema. Os dados referem às informações sobre o usuário e características das cargas, como, quantidade de massa, teor de água, teor de impurezas, teor de óleo, acidez, massa específica, nível de contaminação por micotoxinas, etc. No processamento dos dados são calculados descontos relativos às quebras de umidade e de impurezas, possíveis descontos devidos a remoção de grãos avariados, e a atualização do estoque a cada evento de recebimento ou expedição de produto. Ponderações finais O emprego de sistemas de controle e automação em unidades armazenadoras traz benefícios. No entanto, o alcance dos mesmos está altamente associado ao nível de conhecimento em tecnologia de pré-processamento de grãos por parte dos gestores e operadores da unidade e a adoção das Boas Práticas em Armazenagens de Grãos. Quanto ao aumento da sofisticação dos sistemas de controle e automação voltados a armazenagem de grãos se dará com o embarque nesses sistemas das técnicas de modelagem e simulação das operações de aeração em silo-pulmão, secagem, seca-aeração e aeração ou refrigeração dos produtos armazenados.


¦Secagem¦ Secagem/Armazenagem na Fazenda: LUCRO CERTO. Por: Prof. Valdecir A. Dalpasquale, Ph.D.| E3 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Por que não pensei nisto antes? Esta pergunta é feita por todos os produtores que demoraram muito para decidir pelo melhor: secar e arma-zenar seus produtos agrícolas, principalmente milho e soja, na proprieda-de. Por muitos anos, fazer o que todo mundo faz parecia ser o mais indicado, sem se dar ao luxo de pensar em alguma outra opção, até que al-guém lhe mostrou as reais vantagens disso. E existem muitas delas. O primeiro grande benefício é escolher o momento de maximizar o material produzido. O que quer dizer isso? Os produtos agrícolas, por se-rem seres vivos, têm um ponto de quantidade máxima da matéria seca produzida. Vale a pena relembrar que, para esta análise, os produtos são compostos de duas coisas: água (a umidade do material) e matéria seca, independente da sua composição. Milho é diferente da soja, que não é igual ao trigo, mas tudo o que não for umidade é tratado como matéria seca, em todos eles. Assim, as plantas desenvolvem até um ponto onde essa matéria seca é máxima, ponto esse chamado de maturidade fisiológi-ca, que corresponde ao ponto de parto natural, em uma mulher. A criança atingiu um ponto, a partir do qual ela já não vai mais precisar depender do sistema fisiológico

Prof. Valdecir A. Dalpasquale, Ph.D. | dalpasquale@secarmazena.com.br GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 13


¦Secagem¦ Um custo que os proprietários não consideram nunca é o custo do frete para transportar o produto úmido até o armazém onde ele será de-positado. Uma tonelada de milho com 24% de umidade transporta 11,63% a mais de água, que será retirada na secagem, ou seja, em torno de 116,3kg a mais. Uma carreta para 25 toneladas levará 2.907,5kg de água, cujo frete não trará nenhum benefício para o produtor. Uma propri-edade de 50 hectares, que produza em torno de 120 sacos por hectare, terá safra de 6.000 sacos, que representam 360.000kg. Se colhidos com 24% de umidade, em média, 41.868 dessa massa será do excesso de umi-dade colhida, ou seja, quase duas carretas foram pagas em vão. Quais se-riam, então, as vantagens de se secar e armazenar a safra na propriedade? Outra vantagem para quem dispõem de sistemas de secagem e ar-mazenagem na propriedade é sobre o preço de venda do material. O pre-ço de balcão é vantajoso para o armazenista, porque ele irá comercializar esse produto por um preço superior, pois, em caso contrário, terá prejuízo. No milho, por exemplo, essa diferença de preço varia de R$3,00 a R$5,00, chegando a R$10,00, como na safra de 2016. Vejamos o exemplo de uma propriedade de 700 hectares, com pro-dutividade de 120 sacos de milho por hectare, que trabalha por nove ho-ras por dia, durante a colheita. Ela dispõe de 10 silos, cada um com 11,0 metros de diâmetro e 5,5 metros de pé-direito. Uma imagem desse sis-tema pode ser visto na figura 1. da sua mãe, mas precisará ser alimentada externa-mente a ela. Nas plantas, ocorre algo semelhante. Se as sementes em geral, doravante tratadas todas como grãos, neste trabalho, não são co-lhidas, elas passam a depender das suas próprias reservas, pois continuam respirando como seres vivos. Apesar disso, raramente as plantas são co-lhidas na maturidade fisiológica, pois a umidade contida nelas ainda é mui-to alta, o que se transforma em altos custos de secagem, além de ainda estarem sujeitas a danos mecânicos significativos. Há um ponto ótimo pa-ra a colheita, mas não é aquele feito pelo mercado. Ainda se colhem os produtos agrícolas de acordo com menores descontos a serem feitos pelos armazéns que recebem esses produtos. É claro que eles procuram o má-ximo de benefício para eles. Nada contra isto, mas o máximo de vanta-gens para os armazéns significa que não houve o máximo de vantagens para os produtores. A análise pode ser feita por outro ângulo. É cada vez mais comum a existência de grandes armazéns fora das propriedades, mas não se co-nhece empresas que emprestem tratores para preparo do solo, tratos cul-turais ou colheita das safras. Não há empresas que aluguem mão de obra para as atividades no campo. Há empresas, sim, nas atividades de pós-colheita, onde os produtores não têm experiência: secagem e armazena-gem. Alguns poucos que tiveram a humildade e a habilidade de aprender sobre essas técnicas repetem com frequência a pergunta inicial deste arti-go: por que não pensei nisto antes? 14 | Revista Grãos Brasil | Julho / Agosto 2016

Figura 01 – Sistema de secagem/armazenagem em uma propriedade agrícola, de 10 silos.

O produto é colhido com 30% de umidade, secado em 45oC até 17% de umidade e o restante da umidade é removida nos silos, usando somente ar ambiente. O sistema de aquecimento do ar é otimizado da se-guinte maneira: o ar é aquecido em uma fornalha a lenha até 35oC, sendo completado para 45oC por um queimador de álcool, para que não haja va-riação na temperatura do ar de secagem. Temperatura média de secagem tem pouco valor se as variações forem grandes. Se a média de 45oC for resultado de valores de 40oC e 50oC, o produto terá umidade final muito variável. O queimador de álcool permite variações de +/- 1,0oC, o que não causará maiores interferências na umidade final do material. Apesar do preço do álcool estar elevado no mercado nacional, no momento, ainda é econômico usá-lo para essa faixa de temperatura. O quadro 1 mostra os dados gerais dessa propriedade, com o esperado custo de secagem.


Acesse: www.graosbrasil.com.br Figura 01 – Sistema de secagem/armazenagem em uma propriedade agrícola, de 10 silos.

No quadro 1, não estão computados os custos variáveis de aqueci-mento do ar com lenha, para 35oC. Com certeza, eles não elevarão os custos para mais de R$2,00 por saco, o que é inferior ao ganho que o produtor pode adquirir ao vender seu produto. O preço certamente será acima do preço de balcão dos armazéns, o que garante o retorno pelo in-vestimento obtido. É importante salientar que a produção obtida é de produto úmido. Usando a umidade média de colheita como 27% de umidade, uma vez que os últimos lotes colhidos já deverão estar abaixo de 25%, os 84.000 sacos colhidos resultam em aproximadamente 71.300 sacos, R$3,00 a mais por saco recebido no seu melhor momento de venda resulta em R$213.900,00 a mais, superando os R$170.000,00 dispendidos em secagem, conside-rando os custos de lenha. E se forem obtidos R$5,00 a mais por saco, ou R$10,00, como em algumas regiões, na safra de 2016? As vendas cresce-riam, então, em R$356.500,00, ou em R$713.000,00.

Por que não pensei nisto antes?????


¦Segurança e Higiene¦ Danos causados pelo Pó

Por: Eng. Gustavo Sosa|Perito Recebedor de Grãos - cgsosa@outlook.com

O pó gerado num armazém de grãos é um dos maiores problemas que deve enfrentar um empresário do nosso setor. São grandes as perdas que se podem gerar por um mau controle de emissões e uma má higiene. O primeiro que devemos recomendar é uma medição das emissões no sitio, feitas por um técnico especializado, para saber onde e como são geradas, e a quantidade gerada. Vejamos as possíveis consequências de um controle de pó deficiente: 1. Explosão. 2. Incêndio. 3. Problemas com vizinhos. 4. Saúde laboral. 5. Proliferação de pragas. 6. Deterioração de equipamentos. 1 - Explosão: Uma nuvem de pó suspenso no ar é tão perigosa como uma fuga de gás. Uma faísca ou qualquer fonte de calor é suficiente para que esta nuvem se acenda e a combustão avance violentamente. Isso é uma explosão. Não é ne16 | Revista Grãos Brasil | Maio / Junho 2016

cessariamente uma enorme explosão que destruiu toda a planta. Ela pode ocorrer dentro de um elevador de caçambas, por exemplo, e limita-se a esse único equipamento. De qualquer forma temos perdas materiais. A prevenção de explosões e incêndios de pó é uma questão muito complexa que envolve a escolha certa de equipamentos e materiais, e as práticas de trabalho adequadas. Para mais informações, consulte as normas NFPA 61 e NFPA 654. Para uma explosão ocorrer, precisa de uma concentração mínima de pó. Se reduzirmos a concentração a um nível inferior a 50 g / m3 nos pontos de transferência, é menor a probabilidade de um acidente. Estas concentrações são alcançadas em ambientes fechados, tais como dentro de um elevador de caçambas. As explosões de pó são muito difíceis de controlar devido, se uma explosão primária levanta a poeira depositada, permitindo uma segunda explosão, e assim, a explosão se propaga através do armazém. Para evitar incêndios e explosões deve se tomar cuidado ao selecionar equipamento de transporte. Os motores


em área fechada devem ser a prova de explosão. As bandas e as caçambas devem ser anti-estáticas. Automações devem ser principalmente pneumáticas. Em áreas abertas, como as concentrações de poeira são baixas, você não tem que tomar esses cuidados. Para evitar a propagação de explosões deve-se instalar diafragmas para alivio de pressão nos transportadores e silos. São pequenas janelas cobertas com uma folha de plástico ou uma chapa de aço mais fraca que o corpo do equipamento, que vai quebrar e liberar a pressão no caso de uma explosão no interior. 2 - Incêndio: De uma maneira menos espetacular que uma explosão, a poeira pode pegar fogo. O curioso é que nem sequer precisa de uma fonte de calor externa. Se o pó se acumular o suficiente, o processo de oxidação pode levar a combustão espontânea. Não se pode definir a espessura da camada de poeira que pode causar este fenômeno, que depende de muitas variáveis, mais é possível que isso aconteça. Mais habitual, no entanto, é que uma relativamente pequena explosão sirva como iniciador de um fogo. Nesse caso, os danos catastróficos não ocorrem pela explosão, mais pelo fogo pegando nos materiais combustíveis nas proximidades. 3 - Problemas com os vizinhos: O armazém de grãos é uma propriedade privada. As casas dos vizinhos também. Quando a poeira gerada no armazém é tal que suja a roupa que os vizinhos estendem em seus quintais, é que, necessariamente deve-se instalar um sistema de controle de poeira. Com tudo, as brigas com os vizinhos pela sujeira que entra nas suas casas é um problema menor. A poeira agrícola muitas vezes contém resíduos tóxicos perigosos que provocam alergias cutâneas, conjuntivite e asma. A simples violação dos direitos de propriedade dos vizinhos pode fazer que a empresa seja expulsa do bairro. Se considerarmos os riscos para a saúde, a empresa pode também enfrentar ações civis.


¦Segurança e Higiene¦ 4 - Saúde do trabalhador: Similar ao que ocorre com os vizinhos, mas pior. Os funcionários da empresa sofrem com muito mais intensidade os efeitos da poluição. O dano que a poeira faz sobre a saúde é dado principalmente pela aspiração. Os grãos de poeira não tem um único tamanho. Eles variam muito. Qualquer amostra de pó tem partículas de todos os tamanhos. O pó mais perigoso é aquele inferior a 10 micras de diâmetro, que pode entrar nos pulmões e não sair. Ele pode se acumular e causar lesões e perda da capacidade dos pulmões lentamente. Quanta poeira é inalada? Depende da concentração no ar e do tempo de exposição. Os limites admissíveis especificados pela OSHA (Occupational Safety and Health dos EUA), que são tomados como guia para outros países, consideram a concentração máxima recomendada para uma exposição contínua de oito horas, o total de 15mg/ m3. No estudo feito pelo técnico de medição de poeira deve ser considerado esses níveis. A fração respirável (a menos de 10 micras de diâmetro) é de 5 mg / m3. Estas concentrações são aproximadas. Se houver concentrações de pico que excedem estas medidas, mais o resto das emissões do dia são iguais a zero, também os picos devem ser evitados,

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seguindo a norma. Embora em nossa região, pareça que os sindicatos estão mais interessados em aumentos salariais do que em saúde ocupacional, é suficiente que um trabalhador doente faça uma avaliação bem sucedida para iniciar uma onda de processos na indústria. 5 - Proliferação de pragas: O pó orgânico serve de alimento para muitas pragas que atacam os grãos, principalmente para os ácaros. Se a planta fica sempre suja, então sempre há lugares onde os ácaros, insetos e fungos podem se reproduzir e em seguida vão para o grão. A limpeza é essencial, mas é mais eficaz se evitarmos sujar a área. 6 - A deterioração do equipamento: O pó pode se introduzir em rolamentos, contaminar os motores e bombas de óleo, pode tapar válvulas pneumáticas, tapar ventilações de refrigeração, etc. Algumas coisas podem ser evitadas por construções herméticas. Outras não. É sempre melhor para agir com cautela e evitar a poeira em primeiro lugar. A poeira depositada sobre equipamento elétrico provoca redução da vida útil pela temperatura operacional excessiva.


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22 | Revista GrĂŁos Brasil | Julho / Agosto 2016


¦Qualidade¦ A busca por trigo de qualidade pelo setor agroindustrial Por: Eng. Agr. Ricardo Tadeu Paraginski | Professor no Instituto Federal Farroupilha Anderson Ely | Acadêmico do Curso de Engenharia Agrícola do Instituto Federal Farroupilha

O trigo é uma poaceae de ciclo anual, cultivada durante o inverno nas regiões Sul, Sudeste (MG e SP), e nos estados de MS, GO e DF da região Centro-Oeste, com uma produção anual próxima a 6 milhões de toneladas. Atualmente, os principais desafios do setor são estimular a produção do trigo de qualidade, para reduzir a importação de trigo da Argentina, assim, uma série de ações são realizadas, como: • Estudos de zoneamento climáticos para os principais estados produtores; • Ampliação do limite de financiamento para custeio e preços mínimos de comercialização que sustentem a formação de renda da atividade; • Novas técnicas de manejo; • Desenvolvimento de novas cultivares O trigo é uma poaceae de ciclo anual, cultivada durante o inverno nas regiões Sul, Sudeste (MG e SP), e nos estados de MS, GO e DF da região Centro-Oeste, com uma produção anual próxima a 6 milhões de toneladas. Atualmente, os principais desafios do setor são estimular a produção do trigo de qualidade, para reduzir a importação de trigo da Argentina, assim, uma série de ações são realizadas, co

Eng. Ricardo Tadeu Paraginski | ricardo.paraginski@iffarroupilha.edu.br


¦Qualidade¦ Figura 01 – Lavouras de trigo em fase de colheita.

Figura 02 – Trigo de baixa qualidade produzido no estado do Rio Grande do Sul devido as chuvas elevadas na fase final do ciclo da cultura, que intensificarem a ocorrência de doenças reduzindo a qualidade do trigo.

Diversas tecnologias e novidades são disponibilizadas aos agricultores em cada safra, principalmente no setor de sementes, sendo a principal promessa nos lançamentos o atendimento aos padrões de qualidade física, fisiológica e sanitária das sementes, mas, muitas vezes, a demanda mercadológica passa despercebida pelos agricultores no instante da escolha de cultivares. A exigência agroindustrial relacionada ao processamento do trigo e os seus atributos nutricionais devem ser considerados na escolha das cultivares de trigo semeado por agricultores profissionalizados. Apesar de parecer uma lógica inversa, onde a unidade agroindustrial determina as suas necessidades e o agricultor se adequa, sabemos que as práticas comerciais convergem para a padronização da matéria-prima. Desta forma, os grãos resultantes da produção de campo ingressam nas Unidades de Beneficiamento de Grãos (UBG) e são submetidos apenas às análises de umidade, matérias estranhas, impurezas e peso hectolitro (PH), mas estes são insuficientes para atestar a qualidade do trigo produzido e exigida pelo setor agroindustrial. QUALIDADE DE GRÃOS DE TRIGO EXIGIDOS PELA INDÚSTRIA Dentre as análises citadas anteriormente, a única que avalia a qualidade do grão é o peso hectolitro, onde pela legislação em vigor, o pH padrão de comercialização é 78, sendo quanto mais elevado este valor, melhor a qualidade, porém, este parâmetro não avalia os principais fatores considerados pelas empresas de panificação atualmente, que são a atividade enzimática na farinha e os parâmetros alveográficos, sendo necessárias outras metodologias analíticas para avaliação desses parâmetros. O principal teste utilizado para determinar a atividade da enzima alfa-amilase, tanto nos grãos de trigo quanto na farinha obtida após a moagem, é o Número de Queda ou Falling Number, aprovado pelo ICC (International Association of Cereal Chemistry). Este é um método viscosimétrico, que mede o efeito da alfa-amilase, sua atividade e também propriedades do amido da farinha durante o 24 | Revista Grãos Brasil | Julho / Agosto 2016

processo de aquecimento. A importância da verificação da atividade e do efeito da alfa-amilase se dá devido ao fato desta exercer a função de quebrar a molécula de amido, que é um polissacarídio, em partes menores, isto é, em açúcares diretamente fermentescíveis, o que gera uma maior produção de gases na fermentação do pão e consequentemente, um maior volume específico deste. Portanto, as farinhas devem ter uma atividade enzimática mediana, longe dos extremos, e além disso, farinhas com alta atividade podem gerar massas moles (depois de prontas) e em contrapartida, as farinhas com baixa atividade diastática geram massas duras, o que interfere diretamente na textura e uniformidade do produto final. Os resultados desta variação na atividade enzimática podem ser observados na Figura 3, onde uma atividade enzimática elevada (número de queda=80), resulta em um pão com um espaço vazio, devido à elevada velocidade na fermentação, já quando a atividade enzimática é baixa (número de queda=450), o pão cresce pouco, devido a não ocorrer a produção de CO2 durante a fermentação, sendo portanto o recomendado para a produção de pão uma atividade enzimática na farinha próxima a 250 (número de queda=250). Figura 03 – Volume de pães elaborados com farinhas com diferentes atividades enzimáticas determinadas pela análise de número de queda.

Para manter os níveis de atividade adequados, devese realizar a colheita o mais rápido possível após a planta atingir a maturação fisiológica, e quando for permitida a colheita mecânica, para evitar que a qualidade dos grãos seja alterada, principalmente na ocorrência de chuvas, que ativam as enzimas, e inicia-se a degradação do amido. Além disso, devido a ocorrência das chuvas, o PH pode reduzir devido a ocorrência de chuvas, podendo o trigo não atingir o patamar necessário para ser classificado como trigo, forçando em alguns casos os agricultores a entregar o produto como “triguilho”. A principal propriedade de qualidade avaliada nas farinhas atualmente são os parâmetros alveográficos, determinados na análise de alveografia. A análise é realizada em alveógrafo Chopin de acordo com o método 54-30A (American Association of Cereal Chemists), e simula o comportamento da massa na fermentação, imitando em grande escala a formação de alvéolos originados na massa pelo CO2 produzido pelos fermentos. As características viscoelásticas de uma massa podem ser avaliadas por


Acesse: www.graosbrasil.com.br diferentes parâmetros da alveografia, conforme apresentado na Tabela 1, obtidos a partir das curvas do alveográfo, demonstradas na Figura 4. Tabela 1 – Parâmetros obtidos a partir da análise de alveografia em grãos e farinhas de trigo após a moagem.

Na Figura 4 é apresentado as características das curvas geradas na análise de alveografia de cada farinha, e para que tipo de produto as mesmas são destinadas (massas, biscoitos ou panificação), e observa-se pelos gráficos do alveógrafo, que para produtos destinados a elaboração de massa e para panificação, é necessário um maior valor de força de glúten (Valor W), sendo a característica de cada

cultivar relacionada a este parâmetro. Um aumento do Valor W pode ser obtido com uma adubação nitrogenada na fase final do ciclo da cultura do trigo, para estimular á formação de dois grupos de proteínas: as gliadinas e as gluteninas, que forma o glúten (uma substância fibrosa, elástica, pegajosa e de coloração âmbar), sendo as gliadinas responsáveis pela extensibilidade da massas e as gluteninas pela elasticidade.

Figura 04 – Gráficos de alveografia de diferentes farinhas de trigo, destinadas a produção de massas, biscoitos e a para panificação.

Os padrões nacionais de comercialização de trigo são determinados pela Instrução Normativa MAPA Nº 38 de


¦Qualidade¦ 30 de novembro de 2010, e classifica o trigo nacional nas classes melhorador, pão, doméstico, básico e outros usos, conforme apresentado na Tabela 2, e entrou em vigor a partir de 01 de julho de 2015. Tabela 2 – Padrões de comercialização de grãos de trigo determinados pela IN MAPA Nº 38 de 2010, com validade a partir de 01 de julho de 2015.

A classe de trigo melhorador envolve os grãos de genótipos de trigo aptos para mesclas com grãos de genótipos de trigo da classe básico, para uso na panificação, na produção de massas alimentícias, em biscoitos do tipo crackers e em pães industriais (como pão de forma e pão para hambúrguer). Na classe trigo pão estão os grãos de genótipos de trigo com aptidão para a produção do tradicional “pãozinho” (do tipo francês ou d’água) consumido no Brasil, e esse trigo também pode ser utilizado para a produção de massas alimentícias secas, de folhados ou em uso doméstico, dependendo de suas características de força de glúten (W). Na classe de trigo básico são enquadrados os grãos de genótipos de trigo aptos para a produção de bolos, bolachas (biscoitos doces), produtos de confeitaria, pizzas e massa do tipo caseira fresca.

Assim, após a determinação destes padrões, as empresas produtoras de sementes de trigo passaram a buscar cultivares que se adequassem as exigências de mercado, ou seja, de grãos de trigo de melhor qualidade para a elaboração de farinha, e estudos afirmam que as cultivares utilizadas atualmente no RS evoluíram muito em parâmetros como W (força de glúten) e Estabilidade, como o produtor, porém ainda falta a concretização de informações que evoluímos também em performance de panificação, e isto precisa ser valorizado. Com melhor performance, os moinhos vão se interessar menos pelo trigo importado e nosso trigo poderá ter mais liquidez, aumentando assim os valores de mercado do produto. Considerando isto, as empresas de melhoramento vegetal precisam continuar investindo no desenvolvimento de cultivares para atender a demanda de mercado, reduzindo a dependência de importação de trigo, divulgando os resultados obtidos em feiras e dias de campo, para informar ao produtor os resultados obtidos e os materiais disponíveis para utilização na produção nacional (Figura 5). Figura 05 – Ensaio e divulgação de cultivares de trigo pelas empresas produtoras de sementes durante eventos do setor agropecuário.

Apesar de todos os esforços dos órgãos de pesquisa para o desenvolvimento de cultivares com melhores características de panificação, no momento da escolha das cultivares para semeadura, os produtores acabam priorizando as cultivares que possuem maior produtividade e resistência a pragas e doenças, e assim, muitas vezes as cultivares que possuem melhor qualidade para panificação deixam de ser cultivadas nas lavouras. Assim, são necessários incentivos pelas empresas consumidoras de trigo para que os produtores se conscientizem que utilizar cultivares com melhores características de panificação, garantirá um melhor preço de mercado. OS SISTEMAS DE ARMAZENAMENTO TAMBÉM PRECISAM SE TECNIFICAR PARA RECEBER ESSE TRIGO DE MELHOR QUALIDADE A melhoria da gestão agroindustrial das associações e cooperativas tritícolas também deve ser perseguida, pois a recepção da matéria-prima, muitas vezes, é tratada sem a devida cautela. Um programa de Gestão da Qualidade pode eliminar as “não conformidades” da recepção dos grãos produzidos, evitando a mistura de produtos originários de diferentes agricultores e áreas de produção, oferecendo vantagens aos que se dedicam a produção das cultivares com características desejadas pela indústria.


Acesse: www.graosbrasil.com.br Assim, os produtores que possuem silos para armazenamento nas unidades de produção, possuem a vantagem de produzir cultivares específicas de trigo melhorador, e conseguirem no momento da comercialização, maior valor de mercado de produto, e a comercialização de um trigo de boa qualidade na entressafra, permitem uma diferenciação no preço de mercado, quando comparado ao tradicionalmente realizado pelas cooperativas. Desta forma, deve-se incentivar cada vez mais o armazenamento de grãos a nível de fazenda, principalmente com a construção de silos verticais (Figura 7) de pequeno porte, que permitem a separação de grãos de qualidades diferentes, seja de cultivares ou mesmo de qualidade.

Apesar de exigir muita ponderação ao se estabelecer um debate sobre o tema, algumas ações podem ser postas em prática, como por exemplo, a valorização da qualidade da matéria-prima desejada pela indústria na recepção; as iniciativas que estimulem a semeadura de cultivares de trigo especiais pelo agricultor e, por fim, o reforço da organização do setor tritícola nacional e das indústrias de processamento para reduzir a dependência do fornecimento de trigo oriundo da importação. Ao escolherem a produção de grãos oriundas de cultivares que visam um público específico de compradores, os agricultores devem se cercar de todo tipo de informação (climática, mercadológica, agronômica, etc) e de materiais de qualidade superior para a realização da semeadura, a fim de produzir lavouras de trigo para o atendimento da demanda industrial. Porém, o que não pode continuar acontecendo, é as cooperativas de recebimento de grãos, que recebem produtos de diversos produtores, não possuírem um controle de qualidade interno, desta forma, atualmente estas acabam misturando as cultivares de trigo no interior das moegas (Figura 6), ou mesmo, alguns produtores informam que é uma cultivar de trigo da classe “melhorador” e estão entregando um trigo da classe “básico”, não tendo como se agregar valor ao produto no momento da comercialização. Esta manipulação de informações, ocorre principalmente pela dificuldade analítica da análise de alveografia, que além de demorada, possui um custo elevada e pessoas capacitadas para realização.

Figura 06 – As moegas de UBG são locais onde ocorrem a maior parte das misturas entre as cultivares de trigo produzidas.

Figura 07 – Armazenamento de grãos em unidades nível de fazenda.

Portanto, algumas práticas necessitam ser adotadas para garantir o fornecimento de trigo de melhor qualidade para as indústrias de panificação, e consequentemente reduzir a importação de trigo: NECESSIDADES DE MELHORIAS NO SETOR: • Conscientizar os produtores a utilizarem cultivares de trigo destinados a panificação, principalmente das cultivares da classe melhorador; • As unidades de recebimento de grãos devem adotar padrões para separação dos grãos de diferentes cultivares, para que o produtor seja retribuído pela produção; • Trabalhar com produtores “cooperados”, ou seja, as cooperativas devem acompanhar todo o processo produtivo, para garantir que o produto que está chegando as unidades, realmente é de cultivares de trigo melhorador; • Incentivar a construção de unidades de armazenamento de grãos para produtores; • As empresas de melhoramento genético devem continuar buscando inserir características para aumentar a produtividade e rusticidade das cultivares de trigo da classe melhorador; GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 27


¦Micotoxinas¦ Micotoxinas em Silagem Por: Prof. Dr. Sergio Paulo Severo de Souza Diniz|Prof. Associado Aposentado – UEM

O termo micotoxina é derivado da palavra grega mikes, que significa fungo e da palavra latina toxicum, que significa veneno. A terminologia micotoxinas reúne uma série diversificada de compostos, originários de diferentes precursores e vias metabólicas, reunidos segundo o grau e tipos de toxicidade ao homem e aos animais. O envenenamento causado por micotoxinas é denominado de micotoxicose. Sendo os órgãos mais afetados, o fígado, rins, cérebro, músculos e sistema nervoso. Os sintomas vão desde náuseas e vômitos até a falta de coordenação dos movimentos (ataxia) e morte. A intoxicação pode proceder-se de forma direta ou indireta. A forma direta ocorre quando o produto é diretamente utilizado na alimentação humana ou de animais. Enquanto a forma indireta resulta, quando subprodutos e derivados contaminados são empregados. Os cereais e as sementes oleaginosas são freqüentemente afetados por estes metabólitos secundários de fungos, durante a colheita, armazenamento e industrialização. Os produtos que geralmente podem veicular micotoxinas para o homem ou animais são os seguintes: 1. Produtos agrícolas: cereais, sementes oleaginosas, frutos, vegetais. 2. Rações industrializados; 3. Produtos de origem animal: leite e derivados, carnes, 28 | Revista Grãos Brasil | Julho / Agosto 2016

embutidos;

Prof. Dr. Sergio P. S. de Souza Diniz | spssdiniz@gmail.com


4. Queijos curados por fungos; 5. Alimentos orientais fermentados; 6. Produtos obtidos por fermentação: cerveja, aditivos alimentares e vitaminas. A contaminação de alimentos por fungos pode ocasionar, além de problemas de saúde, perdas econômicas irreparáveis que englobam: • Perdas diretas de produtos agrícolas; • Perda de animais por morte; • Doenças humanas e diminuição da produtividade de animais; • Custos de desintoxicação, para tornar o produto aceitável; • Rejeição do produto pelo mercado importador. As cinco mais importantes micotoxinas, referente aos alimentos são: aflatoxina, deoxinivalenol, nivalenol, zearalenona e fumonisinas., Outras micotoxinas foram pesquisadas, isoladas, caracterizadas bioquimicamente, tais como, patulina, citrulina, ácido fusárico, citrinina, ácido penicílico, ocratoxinas, rubratoxinas, esterigmatocistina e tricotecenos. Micotoxinas na Silagem O preparo da silagem se baseia no princípio da conservação de forragens sob condições de anaerobiose. As bactérias ácido-lácticas previamente existentes ou as inoculadas, fermentam carboidratos na forrgem e produzem ácidos, os quais reduzem o pH e consequentemente reduzem o crescimento de microrganismos indesejáveis. Esse pH baixo inibe também o crescimento de fungos. Por isso a ensilagem previne tanto a presença de fungos quanto a produção de micotoxinas. No entanto, as condições que previnem o crescimento da maioria dos fungos através da ensilagem, também possibilita um ambiente favorável ao crescimento de espécies tolerantes ao baixo oxigênio e ácidos, como por exemplo, Penicilium roqueforti, Aspergillus fumigatus, Byssochlamys nívea, e varias espécies de Fusarium. Devemos considerar também que um inadequado manejo do ensilamento pode propiciar o surgimento de condições aeróbicas e sinalizar o crescimento de fungos que são menos tolerantes ao ácido ou as condições anaeróbicas como o Aspergillus flavus. Considerando ainda, que os silos são abertos, essa condição aeróbica favorecerá o crescimento de leveduras, uma vez que as mesmas metabolizam lactato até CO2; aumentando ao final o pH do sistema. Esse aumento vai predispor as condições para o aparecimento de fungos toxigênicos. A contaminação por micotoxinas é um problema relevante, pois os fungos toxigênicos podem proliferar em todas as etapas de produção de alimentos, desde o campo até o supermercado. Apesar da facilidade da contaminação por micotoxinas, estão disponíveis diversas técnicas, tanto para prevenir ou minimizar este tipo de contaminação ou para a detoxificação (descontaminização). GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 29


¦Secagem¦ Movimento de ar na secagem, aeração e armazenagem de produtos agrícolas Por: Prof. Valdecir A. Dalpasquale, Ph.D.| E3 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Os produtos agrícolas são geralmente colhidos com teores de umidade acima do ideal para uma armazenagem prolongada, o que requer a redução da quantidade de umidade até níveis que garantam a conservação desses perecíveis. Denomina-se secagem a essa remoção de umidade. A secagem de produtos agrícolas é uma técnica que, se corretamente aplicada é econômica, apesar da elevada quantidade de energia envolvida nesse processo de convecção forçada. O ar transporta energia para o sistema úmido para evaporar umidade e dele carrega a umidade evaporada. As quantidades de energia e de umidade transportadas dependem da quantidade de ar utilizada na secagem, que é um critério técnico que interfere na qualidade do produto final secado. Ela é também um critério econômico, porque ajuda a definir a velocidade de secagem e a quantidade de energia nela envolvida. Em bons sistemas, os produtos agrícolas podem ser submetidos a processos intermitentes de aeração durante a armazenagem. À semelhança da secagem, ela também é um processo baseado em convecção forçada de ar, que busca primeiramente a troca de energia entre o ar e o produto armazenado. Vale lembrar que aeração de sucesso é feita com pequenas quantidades de ar. A rapidez, a eficiência e a economia dos processos de secagem e de aeração dependem da quantidade de ar empregada. Como essas atividades de troca de massa e 30 | Revista Grãos Brasil | Julho / Agosto 2016

energia normalmente ocorrem em ambientes fechados, há maneiras de se interferir na quantidade de ar a ser usada através do uso de ventiladores apropriados.

Prof. Valdecir A. Dalpasquale, Ph.D. | dalpasquale@secarmazena.com.br


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¦Secagem¦ O ar, à semelhança da água, é um fluído que só entra em movimento quando houver diferença de pressão entre o ponto onde o fluído está e aquele para onde ele vai. Na natureza, os períodos com brisas suaves ocorrem quando as diferenças entre pressões são pequenas. Outras vezes, há vendavais porque fatores meteorológicos aumentam essas diferenças. No movimento de ar em ambientes fechados este fluído pode ser passado pelos grãos com velocidades distintas através do controle dos ventiladores. Esses instrumentos causam variação de pressão em um ponto forçando a passagem de ar de um lado para o outro. Surge, aqui, a necessidade de se conhecer algumas características dos ventiladores, de modo a tornar seu uso eficiente e econômico. Essas características estão relacionadas a diferentes tipos de pressão, originárias da energia fornecida pelos ventiladores. Pressão Estática (Pe) Qualquer resistência sofrida por um fluxo de ar acarretará em um esforço de compressão entre as moléculas desse ar. Uma vez submetido a esse esforço de compressão, o ar reage sobre todos os demais corpos que estão em contato com ele e em todas as direções. A esse esforço chama-se pressão estática, mostrada na figura 1. Pressão estática de uma corrente de ar em um duto fechado é a força por unidade de área que ela exerce em todas as direções. Isto indica que, ao se medir a pressão em algumas direções, se está medindo também a pressão dinâmica (a ser discutida adiante) ou, pelo menos, parte dela. Existe, porém, uma direção na qual se mede somente a pressão estática: é aquela perpendicular às linhas de deslocamento do fluído em estado totalmente desenvolvido. Isso coincide com a condição de também estar perpendicular às paredes do duto, pois, em um fluído totalmente desenvolvido, as suas linhas de deslocamento são paralelas ao eixo central imaginário do duto.

se tenham formado ao se perfurar o duto. A parte interna do duto condutor de ar deve ser lisa, sem saliências em torno do orifício para a tomada de pressão; • uma tomada de pressão não deve ser instalada, antes que o equivalente a dois diâmetros do duto condutor, de distúrbios que o ar venha a sofrer em seu deslocamento; a, pelo menos, o eqüivalente a cinco diâmetros de distúrbios simétricos significativos e, pelo menos, o eqüivalente a dez diâmetros de distúrbios assimétricos significativos. Uma tomada de pressão instalada nas paredes do duto condutor de ar avalia a pressão apenas da região onde foi instalada. A pressão estática média de uma seção transversal do duto pode ser obtida instalando-se diversas tomadas de pressão ao redor do duto condutor. As tomadas são, então, conectadas por um anel piezométrico e, com uma única leitura, obtém-se a pressão estática média daquele ponto do duto. Pressão dinâmica (Pd) Pressão dinâmica é equivalente ao trabalho necessário para acelerar um corpo da velocidade zero, ou seja, equivalente à energia cinética desse corpo. À semelhança da pressão estática, a pressão dinâmica pode ser medida em diversas direções. Os valores obtidos, porém, são diferentes. Ela não pode ser medida nas paredes do duto condutor, pois a pressão dinâmica é zero na direção perpendicular às linhas de deslocamento. Esse tipo de pressão deve ser medido ao longo das linhas de deslocamento do ar e a escolha do local onde o duto de leitura é inserido no fluído deve receber os mesmos cuidados especiais aplicados à tomada de pressão estática. A pressão dinâmica é medida basicamente por um tubo de impacto, conforme mostrado na figura 2. Por estar conectado externamente a um manômetro (geralmente de coluna d’água e em forma de U), o ar é trazido ao repouso dentro desse manômetro, após elevar a coluna d’água nele.

Figura 1 – Reação do ar ao seu livre movimento.

A pressão estática exercida por uma corrente de ar em um duto pode ser determinada conectando-se uma pequena abertura no duto a um manômetro. Nessa abertura, instala-se um duto de pequena dimensão que passa a ser uma tomada de pressão. Esse duto tem dimensões transversais próximas daquelas de uma carga de caneta esferográfica. Alguns cuidados especiais devem ser tomados com as tomadas de pressão: • na abertura do orifício no duto condutor de ar deve se remover quaisquer pequenas bordas internas que 32 | Revista Grãos Brasil | Julho / Agosto 2016

Figura 2 – Tubo de impacto para leitura da pressão dinâmica.

Ventiladores A troca de energia e massa entre o ar ambiente e um produto higroscópico pode ocorrer naturalmente entre ambos, ou pode ser governado artificialmente. Um dos fa-


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¦Secagem¦ tores decisivos para se ajustar adequadamente essa troca é a quantidade de ar utilizada. Esta, por sua vez, depende da velocidade do ar que só ocorre quando há diferença de pressão entre dois pontos. Os ventiladores são os equipamentos responsáveis em provocar a variação de pressão em um ponto, de modo a promover o deslocamento do ar. Além disso, eles são os elementos fornecedores de energia para vencer as resistências oferecidas ao movimento de ar. Os ventiladores fornecem pressão (pressão total) capaz de ser convertida em velocidade do ar (pressão dinâmica) e necessária para vencer resistências oferecidas ao seu deslocamento (pressão estática). Essa conversão de pressão depende da área pela qual o ar está passando, da rugosidade das paredes que compõem os dutos, da uniformidade desses e da condição de deslocamento, livre ou através de uma massa de um material poroso qualquer. A pressão total de um sistema de ar em movimento é constante. Em alguns trechos, ela pode ser convertida quase que exclusivamente em pressão dinâmica. Em outros trechos, em pressão estática, ou em porção significativa de ambas. Por exemplo, nos dutos condutores de ar em um silo ou em um armazém, o interesse maior é de despender o mínimo possível de energia em pressão estática. É por isso que se constróe os dutos o mais curto possível, sem ondulações e lisos internamente e, se possível, sem nenhuma curva. Além disso, a área transversal dos dutos é de tal tamanho a evitar velocidades do ar superiores a 600 metros por minuto. A pressão dinâmica de um sistema de ar em movimento pode ser reduzida pelo aumento da área por onde ele passa. Nesses locais de área maior é possível se converter os benefícios da pressão dinâmica em habilidade de vencer pressão estática, uma vez que a pressão total do sistema é constante. Assim, parte significativa da pressão dinâmica passa a ser usada como pressão estática. Esta é a razão maior de se fazer a secagem de produtos agrícolas com ar ambiente em silos com fundo perfurado, ao invés de se usar dutos dentro deles. A mesma quantidade de ar que chega à base do silo pode ser distribuída por alguns dutos, ou por toda a área. No último caso, a energia necessária para aquela velocidade do ar no acesso essa base é substancialmente reduzida pela menor velocidade que ele adquire ao se espalhar por toda a área transversal do silo. Ou seja, no pleno sob o fundo perfurado, o ar leva a sua pressão dinâmica a valores bastante baixos, devido ao aumento da área do duto de chegada, para aquela da seção transversal do silo. Esse aumento de área deve ser gradual, pois a sua variação abrupta leva a perdas de energia (perda de carga) do ventilador, a qual se traduz por uma conversão de parte da pressão total por ele fornecida em desperdícios de energia não recuperáveis. 1. Tipos de Ventiladores Os ventiladores usados em secagem e aeração de produtos agrícolas podem ser de dois tipos: ventiladores axiais, ou seja, naqueles em que o ar é movido paralelo ao eixo central do duto onde está o ventilador, e ventiladores 34 | Revista Grãos Brasil | Julho / Agosto 2016

centrífugos. Nesses, o ar entra paralelo ao eixo do ventilador onde sua direção é mudada em 90° pela ação centrífuga das pás do ventilador. 1.1. Ventiladores axiais Basicamente, dois tipos de ventiladors axiais são empregados nas atividades de conservação de produtos agrícolas: os ventiladores axiais propulsores e os tuboaxiais ou vaneaxiais. Ventilador tuboaxial é apresentado na figura 3.

Figura 3 – Ventilador tuboaxial

1.2. Ventiladores centrífugos Três tipos de ventiladores centrífugos são usados na conservação de produtos agrícolas: radial ou de pás retas, de pás curvas para frente e de pás retas inclinadas para trás. Eles são mostrados nas figurar 4, 5 e 6.

Figura 4 – Ventilador centrífugo de pás retas.

Figura 5 – Ventilador centrífugo de pás curvas para frente.


Acesse: www.graosbrasil.com.br mostrados na tabela 1. Produtos agrícolas usam ventiladores de IV Polos, VI Polos e VIII Polos. Tabela 1 – Tipos de motores elétricos e potências disponíveis

Figura 6 – Ventilador centrífugo de pás retas para trás.

Tipos de motores elétricos e potências disponíveis no mercado Os motores elétricos usados nos ventiladores são classificados de acordo com a rotação de trabalho de cada um. Quanto mais alta a rotação necessária para um trabalho, menor é a potência a ser usada. Cada rotação é caracterizada como polo, resultando em quatro grandes grupos,

Saber o melhor ventilador para um sistema de secagem ou de aeração não significa indicar a sua potência, pois ela é resultado da necessidade correta de ar para ele, assim como a pressão estática a ser vencida nele e isso depende da avaliação de competende engenheiro agrícola. Nem sempre outro ventilador de maior potência é mais eficiente, mas quase sempre é menos econômico. O que vale é trabalhar com economia e qualidade!


¦Comércio¦ Uma Olimpíada no Mercado Brasileiro De Grãos Por: Osvaldo J. Pedreiro |Novo Horizonte Assessoria

É oportuno aproveitar o ensejo do evento que está para se iniciar no Brasil, e tecer alguns comentários sobre a situação do mercado de grãos atualmente, onde estamos no pico de colheita nas principais regiões produtoras do país. Assim como no esporte, o mercado de grãos também busca pelas melhores posições para se alcançar os melhores resultados na sua comercialização, enfrentando toda espécie de “dopping” financeiro nos setores que sofrem influência direta sobre o preço final. Na seleção dos melhores lotes de produtos que surgem no mercado, e que os “olheiros” de plantão passam a observar mais atentamente cada movimento de seus “técnicos” (produtores) que estão sempre a buscar as melhores “posições” para atingir a tão almejada medalha de ouro – O RESULTADO FINAL... A tabela de preços que o mercado utiliza para classificar os melhores de cada grupo sofrem diariamente a influência de setores interligados, seja o câmbio, seja o clima ou seja a lei da oferta/demanda mundial que, por sua vez, invariavelmente define a tendência que o mercado deveria seguir como parâmetro. De um lado vc tem a safra sul-americana na reta final de negociação – principalmente no Brasil e Argentina -, onde os volumes de oferta de produto a cada dia diminui e vai na contra mão dos mercados internacionais, despertando nos consumidores regionais o interesse em repor os seus estoques antevendo a escassez dos produtos mais adiante, provocado pelos altos volumes de exportação nos meses de maior oferta. 36 | Revista Grãos Brasil | Julho / Agosto 2016

Por outro lado, os produtores do MT – que estão na reta final de colheita da safrinha (quanta modéstia, não é mesmo???!!...) de milho, e sob a tensão de que não vai ter o suficiente para honrar todos os contratos fechados antecipadamente, já há alguns dias segurando as ofertas e fazendo com que os preços tivessem uma retomada de alta e a consequente redução de negócios devido ao aumento violento do frete para os Estados do Sul, e a expectativa dos compradores em relação a uma possível baixa nos preços em consequência do início da colheita aqui nos Estados do

Osvaldo J. Pedreiro | osvaldo.pedreiro@uol.com.br


Acesse: www.graosbrasil.com.br Sul (mais precisamente Paraná). Só que, não na mesma intensidade – mas também com perdas a serem dimensionadas e a baixa qualidade de muitos lotes que estão sendo ofertados no mercado - , os preços praticados nas diversas praças tem registrado variações consideráveis. O resumo atual é a incerteza de quanto ou até onde o mercado pode ir, tanto para cima como para baixo, e os negócios vão sendo pontuais aqui e ali, muitos dos negócios sendo realizados a nível regional devido também às alterações que os governos estaduais têm efetuado no que se refere a ICMS que incide nas diversas modalidades de negociação, o que também interfere nos preços e na liquidez. Resumindo: temos que acompanhar cada fase dessa competição entre compradores e vendedores, e torcer para que as medalhas sejam alcançadas através da observação dos melhores momentos para se realizar os negócios e quem sabe colecionar medalhas de OURO nesta OLIMPÍADA COMERCIAL DE GRÃOS!... Seguem os relatórios atuais de produção e consumo:

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¦Utilíssimas ¦ Revista Granos

& Postcosecha Latino Americana Já está disponível a versão on-line da última edição da Revista Granos: https://issuu.com/graosbrasil/docs/ granos112news. Nesta última edição contamos com as seguintes matérias: Manejo de Pós-Colheita de Milho úmido – Manejo Pós-Colheita de Soja úmida – Dinâmica de matrizes panaderas complexas – Campanhã 2016: problemática da semente de Soja – Risco de micotoxinas em gãos de Milho – Influência das condições climáticas adversas na qualidade da soja – Fechamento de juntas de silos – entre outras. Interessados em recebê-la contactar pelo e-mail: revista. granos@gmail.com

ERRATA

Na edição 78 da Grãos Brasil, da semente ao consumo, nas páginas 31 a 35 se publicou uma matéria denominada “Expurgo de grãos e sementes”, a mesma conta com os seguintes erros: • Não pertence ao Eng. Agr. Arnaldo Cavalcanti de Rezende, que figura nas páginas 31 e 33 como autor. • O Eng. Agr. Arnaldo Cavalcanti Rezende não foi consultado para publicar novamente a presente matéria.

Pedimos desculpas por possíveis danos que este erro pode ter causado.

Jornadas e Cursos

Jornada de Atualização em 9 de Julio - Buenos Aires, Argentina

Jornada de Atualização em Uberlândia, Minas Gerais

Curso do Eng. Domingo Yanucci em terras Gaúchas 3 TENTOS, uma das unidades armazenadores mais importante no Rio Grande do Sul (Brasil). Realizou-se um curso sobre aeração de grãos. A terra gaúcha sempre no melhor da tecnologia de pós-colheita. Na oportunidade também visitamos Panambi, pólo tecnológico, sede de muitas das principais empresas Brasileiras. Cursos e assistência técnica em empresas da Bolívia - Fino

Cursos e assistência técnica em empresas da Bolívia - Jihussa 40 | Revista Grãos Brasil | Julho / Agosto 2016